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Full text of "A Lavoura : boletim da Sociedade Nacional de Agricultura Brazileira"

XL .A$'?4 



r6iA^«vO </ ^ 




A.NNO XIII — Ns. 1 A 3 



Rio DE Janeiro 



Jankiro a Mahço dk 1909 




lliElli 





UB tu Pa 



COL[li:iTA MECÂNICA DO CAFÉ- S. PALLO 




IMP. NACIONAL — 1900 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 
AyíA^o^ fÒ Fundada em i6 de janeiro de 1897 

Caixa-postal, 1245 Sede: Roas da ilfaadega d. 108 

Sadere«a Telegraphico, AORICULTURi e General Gamara d. 127 

Telephoae o. U16 bio dk j^nriro 

DlitHlOTORIA 

Presidente — Ur. Wencesláo Alves Leite de Oliveira Bello. 

1° Vice-prcsicJciite — Vaiío. 

2° \'ice-presidenle — Dn. Sylvio Ferreira Rangel. 

3° Vice-presidente — Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Secretario Gerai — Dr. Heitor de SA. 

1° Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Reis. 
2° Secretario — Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 
3° Secretario — Dr. José Ribeiro .Monteiro da Silva. 
4" Secretario — Alberto de Araújo Ferreira Jacobina. 

I* Tliesoureiro — Dr. João Pedreira no Couto Ferraz Júnior. 
2° Tiiesonreiro — Carlos Raulino. 

Dlrocti>res dus SeoQÒos 

Horto da Penlia Dr. Wencesláo Bello 

Fazenda de Santa Mónica Dr. Sylvio Ransrel. 

Secretaria, .Mcool e Museu Dr. Benedicto Raymundo. 

Secção Technica e Bibliotheca Dr. Heitor de Sá. 

Plantas e sementes Dr. Monteiro da Silva. 

Propaffanda e estatística Alberto Jacobina. 

Thesouraria Carlos Raulino. 

Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizereni ser- 
vir-se destas columnas para a propaganda da ag^ricultura, o que a redacção muito 
ag^radece. A lista tios collaboradores será publicada annualniente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacç<ão não se responsabilisa pelas opiniões emittidas em artigos assig-nados, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os orininaes não serão restituídos. 

As communicações e correspondências ..ieveni ser dirigidas á Redacção d'A LA- 
VOURA na sole da Sociedade Nacional de .Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assignaturas. 

R' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

C<>ii<llv<S<'S cia |>ul>ll<-iic:''<> <l<>8 aiiiiiineios 

VEZES MKIA PAGINA UMA PAGINA 

I I2$000 20$000 

3 30$ooo 50S000 

6 5o$ooo 9o$ooo 

12 9(^000 17(^000 

Os annuncios são pagos adeantadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 



SUMMARIO 

PA<iS. 

Cooporatismu ayncola 1 

Circular r- 12 

Colheita mecânica ' 16 

(,'onsideraç('>es c reflexões acerca da criação do poi CO 21 

<) trigo cm Minas deraes 29 

Hxpcdiente 32 

Noticiário '^2 

Parte Commercial ^g 

Bibliograpliia ^2 



Anno XIK — Ns. I A 3 Rio db Janeiro Janeiro a Março de 1909 



EDITORIAL 



LIBRARY 
NEW YORK 

BOTANICAL 

QAROEN. 

CooperatisiTiO Agrícola 

I 

o cooperatismo se está impondo cada vez mais como medida iir- 
yente e do maior alcance para os interesses da lavoura nacional. 

Por toda a parte o lavrador se queixa, co:ti razão, do exiguo lucro 
que lhe fica de seu rude e afanoso trabalho. Terminado o longo periodo 
que vai do arroteamento da terra até á venda do producto, vencidas 
as difíiculdades da technica, soffridas que foram as emoções de esperança 
e desalento que se allernam e colidem em seu espirito com as boas e 
as más eventualidades que occorrem, esgotados, por vezes, os min- 
guados recursos, á custo adquiridos, para custear a lavoura, não 
raro é verificar o lavrador que o producto da venda não coijre as 
despezas e que um deficit é o triste resultado de todo o seu laljor. 

Esta é a situação do lavrador em todos os Estados, qualquer que 
seja o género de cultura a que S3 dedique : ou tem prejuízo e verifica que 
trabalha para o interesse de outros o se arruina, ou apura tão minguado 
lucroque lhe não garante o futuro e apenas lhe basta para poder viver. 
Salvam-se excepções, era condições especiaes, e prosperam os rr-i- 
ador-es, emquanto as epizootias não dizimam seus gados ; a agricultura, 
ix)rém, que fazia a gloria e a riqueza do paiz, está decadente ®u já 
está próxima da miséria. 

Esta situação, que existe de algum tempo e se vai aggravando, 
tem trazido a suljstituição das culturas pela criação. Grandes fazendas 
teem sido abandonadas, ou quasi, e apresentamo triste espectáculo das 
más hervas e destroços cobrindo vastas superfícies outr'ora cobertas de 
abundantes e rendosas culturas. As que subsistem representam a lula 
inglória porfiada dia a dia com estóica dedicação, quasi teimosia, do 
proprietário, mas sem real proveito para a sua prosperidade. A par 
disso e de longe em longe o que sevèsão pequenas culturas que pou- 
co mais dão do que o stricto precioso para a modesta e muitas vezes 
insulticiente subsistência do agricultor. Exceptuam-se algumas zonas 
prosperas, bem jioucas, e estee o quadro da lavoura. 

3200 " 1 

CD 



Q_ 



SOCIlíDAUi!; NACIONAL D3 A0R1CULTUK.A 



As causas são múltiplas. Enti-oellas estão os freles cos impostos. 
Certo a ignorância ú um grande factor. Predomina ainda a rotina no 
cultivo dos campos e esse regimen, que já foi rendoso com a escravidão, 
n5(j pjde míis dar resultados económicos. O recurso Sirá o ensino 
agricola, que infelizmente ainda não está organizado nem possue ainda 
a bas3 e.\.p3iimental, que éo seu fundamento indispensável. 

Mas não é esse o factor de que queremos nos occupar neslo mo- 
mento. Não nos demoraremos tamlj3m salientando os empecilhos que 
05 altos fretos e os impostos onero5(js, muitas vezes absurdos e múl- 
tiplos, oppõ3m á prosperidade da lavoura. Alguma ciusase tem feito 
já para suavizar os fretes terrestres e marítimos, mas muito falta e 
ainda não foi compreliendido e praticamente executado pelas emprezas, 
olliciaes ou particulares, que ellas devem semear auxílios por largo 
tempo para oilherem depois as grandes rondas. Em vez de promo- 
verem as producções agrícolas, mediante auxílios de toda sorte e tarifas 
privilegiadamente módicas, que lhes não deixem lucros directos, mas 
promovam o desenvolvimento e a estabilidade das explorações, para 
lucraram mais tarde cora a densidade do trafego, entendera ellas pro 
curar lucros desde logo com a producção existente, ainda que a .sacri- 
fiquem e que desanimem as novas iniciativas. Se em sua zona surge 
um producto novo que apenas se ensaia na vida comraercial, a regra 
é não existir tarifa de favor para elleessr «la.ssi ficado entre géneros 
onerados da produc<;ão normal, r&sultando muitas vezes dalii voltar 
ella para o seio da natureza como riqueza inútil, entre tantas que 
possuo a nossa terra . 

Poderíamos citar muitos factos em prova de que as emprezas se 
recusara a auxiliar o inci'cmonto da producção visando o futuro. Cila- 
roraos apenas um : Em um muaicipio em que a canna encontrava 
boas condições de proJucçãj e em que s6 se fazia um poucD de aguar- 
dente c de rapadura, sendo o assucar passirao, escas.so e muito caro, 
um moço de iniciativa r.:!Solveu montar ura engenho para o fabrico de 
assucar, contando que desJe então se fundassera para isso muitos e 
extensos cannavia33. Procurou elle a Sociedade Nacional de .\griculura, 
quindo os machinismos eslavara a chegar, epoJio-nosque obtivéssemos 
tr.uHporte gratuito na estrada de ferro que percorre a zona em que 
elle ia fundar essa industria. 

Officiamos ao presidente da empreza, um engenheiro intelligente 
o illustrado. Respondeu-nns elle dizendo não poder a llender ao pedido, 
pjrquanto a estrada dava dejicit e até pi-ecizava recorrer à garantia 
de juros de que gozava e nesse caso elle prejudicaria á emi)reza c ao 



A LAVOURA 



Governo se deixasse de aproveitar a vantagem que lliesviniia trazer 
o novo emprehendi mento com o transporte dos respectivos maclii- 
nismos. 

liepl içamos, ponderando que se a estrada áava dejicit eva, segura- 
mente, por falta de produccão em sua zona e que não havendo para 
esse mal outro remédio senão o augmenlo da produccão local, pare- 
cia-nos que o novo emprehendi mento o vinha trazer, não com o 
exigno produclo do transporte dos machinismos, mas com seus 
capitães, com o augmenlo de trabalho para os habitantes, com o esti- 
mulo para maiores plantações e com o futuro transporte dos productos 
que iam ser fabricados e, nesse caso, julgávamos de boa politica para 
as finanças da estrada receber a nova empreza como sua alliada e con- 
ceder-! he o pequeno favor" que ella dizia precizar e solicitava. O pre- 
sidente não replicou, mas não concedeu a franquia pedida. Assim se 
comprehende que a estrada precizasse ser encampada pelo Governo 
pouco tempo depois, e depois de ter sacrificado a zona a que servia . 

O fisco não é mais previdente. Apezar de estar em crise lia muito 
tempo, é a lavoura que sustenta o maior peso dos encargos públicos, 
em todas as suas espheras. Apazar da campanha que se tem feito 
contra o imposto de exportação, é delle que vivem os Estados, sem que 
os governantes descubram meio de diminuir a sua taxa, procurando 
i'ompensação quer no augmento da exportação, (luer era outras fontes 
de receita. Mão grado o texto expresso da Constituição e apezar das 
decisões dos tribunaes e de lei ordinária condemnando e prohibindo os 
imjwstos inter-estadoaes e inter-raunicipaes, elles subsistem, sob múl- 
tiplas formas e denominações, onerando a circulação dos productos 
agrícolas e concorrendo para reduzir os possíveis lucros da lavoura. 

Dentre todos, porém, o factor mais pernicioso éo regimen a que 
astá escravizada a venda dos productos agrícolas ; por outra, é o 
negociante, o commissario, o correspondente, o intermediário da venda, 
era summa. 

Apezar das circumstancias a que alludimos anteriormente, falta 
de instrucção technica, altas tarifas de transportes e pesados impostos, 
jioderia haver lucro na lavoura e esta prosperaria se o lavrador pude&se 
vender os seus producto-í. 

Diz-se que o lavrador brazileiro é indolente, inerte, incapaz para o 
trabalho e tibio na iniciativa. 

E' a mais clamorosa das injustiças ; é uma apreciação errónea, 
de quem ob=;erva incompletamente os factos, ajuizando pelas appa- 
rencias. Essa indolência não é da sua natureza, está na sua educação ; 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



é devida ás circumstancias em (|ue elle vive liabilualmenle. lílla é 
antes um estado de desalento pela impossibilidade em que elle se vê de 
i;anliai' dinheiro c constituir para si uma situarão estável de conforlo e 
prosperidade. 

O homem do campo é apenas um desanimado, e com razão. Klle" 
se lança com enthusiasmoe resolução á cultura que lhe parece remu- 
neradora ; ao calx) do anno, porém, vei-ificando que apenas fez para 
comei-, di/. com convicção e desanimo : a lavoura não dá ! li não vendo 
outro recurso, não conhecendo na zona agrícola outro emprego a dar A 
sua actividade que não seja a lavoura, dá-se por vencido e se resigna a 
viver aajour lejour, sem mais cogitar de consijtuir um futuro prospero. 
Deem-se-liie, porém, meios de ganliar e elle se revelará activo, pers- 
picaz, engenhoso, em .sumraa com as boas qualidades para o trabalho. 
Mas a lavoura não dá porque o intermediário absorve o valor do 
producto, esterilizando o esforço do lavrador. 

Será precizo citar factos? Todos conhecem os mil artifii-ios que 
os intermediários usam para lesar o productor e se locui)letar á 
sua custa. 

As notas de venda consignam preços inferiores aos que os géneros 
alcançam no mercado. As qualidades dos géneros despachados pres- 
tam-se a uma variante desse systema, pois é de regra declarar-se que 
uma grande parte chegou em condições de nã:i poder ser vendida. Se a 
emassa éa de gallinhas — foram algumas extraviadas e outras mor- 
reram ; se é de ovos — algumas dnzias se quebraram em viagem ; 
S3 é de fruclas — apodreceram cm grande numero. 

O café e outros géneros perdem de peso e são de qualidade in- 
ferior ; S3 é um género novo mandado para experiência — o mercado 
não o quer senão a vil preço. E assim variam os artifícios^ além de 
commissões disfarçadamente cobradas a par da única indicada na 
conta e que é sempre uma modesta porcentagem sobre a .somma 
brula apurada na venda. 

Tudo isto é conhecido, commum, corrente ; todos o sabem, in- 
clusive o lavrador, que ou .se resigna, por lhe parecer que não ha 
oulro meio de vender os seus productos, ou abandona o género da 
cultura que lhe deu rojuizo, ou se liberta do um intermediário para 
ser explorado por outro. 

Nessas condiçõss será possível prosperar a lavoura, que sob esse 
regimen se ha de conservar eternamente em crise l 

Os lavradores .sjbem i|uc não exagero; os factos são diuturnos, 
as provas ao alcance de todos e muitas teem sido trazidas á publici- 



A LAVOURA 5 

dade. Referirei no emtanto um facto recenle que consta de minhas 
notas e de que tive a prova documental em minlias mãos. 

Passou-se elle na colónia de Nova Baden, em Minas, com o colono 
Silvestrino Doraenico. Resolvendo ensaiar a cultura de alhos, preparou 
elle caprichosamente o terreno e plantou boa semente. Acolheita foi 
de 98 milheiros de calieças de alho, pesando 51õkilos, 

Enviada a um comraissario desta praça, este mandou-lhe a conta 
de venda, que examinei com vários amigos que me haviam acom- 
panhado na visita á Colónia. A. conta consigna: 

Venda bruta 104$000 

Carreto e descarga , . . G$000 

Commissão .jSOOO 

Liquido 93$000 

O colono já tinha feito de despezas : 

Frete 30*000 

Imposto estadoal 16ii80 

46s|!i80 

De modo que o gasto total fora . . . 57S480 
E o saldo liquido se reduziu á importância 

de 46$520 

Segundo declaração do colono, a despeza de cultura por causa do 
preparo do terreno fura de cerca de 500S, o que mostra a enormidade 
do prejuízo que lhe acarretou esse infeliz ensaio, apezar da produceão 
da terra ter sido excel lente. 

Pondere-se agora que aquella sommade 104i, producto da venda 
do alho nesta Capital, corresponde ao misero preço de 26 réis a restea, 
que o consumidor paga de 800 réis a 1$500. 

Será possível a prosperidade da agricultura nessas condições ? 

Não, não ha medida que sirva emquanto perdurar esse regimen. 
Não ha protecção de alfandega, de frete, de impostos, não ha esforços 
de sciencia agrícola que possa proporcionar lucros ao lavrador em- 
quanto elle estiver escravizado ao commercio intermediário, pois este 
absorverá todo o valor dos productos, deixando ao lavrador magras 
migalhas, que não lhe matarão a fome. 

A casa commercial que enviou aquella escandalosa conta de venda 
é uraa firma antiga e importante, de grandes recursos e extensa fre- 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



guezia, goza de gi'ande conceito como casa séria, seus directores são 
pessoas estimadas peia correcção que usam era sua vida particular. 
Mas a grande concurrencia cnmmercial, a relativa escassez de pro- 
ductos, a frai|uoza do lavrador em crise e, acima de tudo, o aban- 
dono em que esto tem deixado seus interesses, viciaram o commercio 
a ponto do que actos, os mais condemnados pela boa moral, se tor- 
narom praticas usuaes e coirentes, que o negociante repolle cm sua 
vida particular, mas pratica no balcão, sem ter já c/)nsciencia de que 
está procedendo mal. 

Nada se deve, portanto, esperar actualmente de ])om Ao interme- 
diário, ]X>r mais honestas que sejam em sua vida privada as pessoas 
que exercem essa funcção commercial . Não é. pois, contra os fretes, ou 
contra os impostos que deve se revoltar a lavoura neste momento. 
Mais importante, mais urgente o efficaz é livrar-se do intermediário, 
que absorverá quaesquer vantagens que os poderes públicos e as em- 
prezas de transporte concederem á lavoura e para se lil^ertar delleo 
recurso é a cooperativa de venda. 

Associem-se os lavradores em cooperativas desse género, fundem 
nas praças commerciaes armazéns para a venda de seus productos 
por empregados seus e a grande margem de lucros que hoje bene- 
ficia o intermediário ficai-á na lavoura, pois será repartida pelos agri- 
cultores associados. 

Por essa forma e só assim poderão elles apurar e receber o ywsío 
preço por que é vendido seu producto ; só assim terão de pagar sci- 
mente as despezas inevitáveis a que os géneros estão rigorosamente 
sujeitos. E estamos convencidos de que conseguindo isso, a lavoura 
poderá apurar lucros, a despeito dos altos fretes o pesados impostos. 

Os abusos do intermediário toem até o pernicioso effeito de im- 
pedir que se avalie com justiça o rigor das taxas de fretes e dos im- 
postos em relação ao real valor dos productos. Para prova veja-se que 
na remessa do alhos a que nos referimos, o frete onerou o género em 
mais de 33 % e o imposto em mais de 15 "Z" em relação ao proço 
bruto constante da nota de venda. 

Nesse caso é lógico que o lavrador, ignorando que fAra logrado pelo 
negociante, clame contra a e.xorbitancia daquellas taxas, movendo-llies 
uma campanha muitas vezes justa, mas exaggerada em muitos casos. 

O coopeivTlismo se impõe para que a lavoura assuma o governo 
de seus interesses e .se liberte do mais implacável de seus inimigos. 

Tem sido oUe o recurso do todas as classes e por toda a parle. \a 
Europa as cooperativas existem aos milhares em cada paiz. Na Bolgica 



A LAVOURA 



é de tal modo corrente o filiar-se a essas associações, que di.sse um 
escriptor ser raro que onde estão dois belgas não estejam represen- 
tadas três sociedades. 

Nesses paizes, além do concurso dos indivíduos, as cooperativas 
teem o auxilio lorte e permanente dos poderes públicos, que reconhecem 
serem ellas o mais poderoso factor de prosperidade social. 

Urge, pois, que a nossa lavoura se una era cooperativas de venda 
para defesa de seus interesses. Alguma cousa já se tem feito deinis 
([uefoi inii-iadaa propaganda a favor da uniuri da i-lasso ; a cooperação 
para a venda, porém, ainda não está organiíiada e é hoje a maior das 
necessidades da lavoura. 

O Estado de Minas está se ensaiando nesse sentido, por effeito da 
clarividência do homem il lustre que foi João Pinheiro. Sua organi- 
zação, porém, será falha emquanto não se centralizar nesta capital, 
queé a grande praça do commercio mineiro. E' igualmente aqui o 
centro em que devem se congregar os lavradores do Estado do Rio, 
do Espirito Santo o do norte do S. Paulo, onde nem seciuer existem 
ainda as cooperativas regionaes. 

A Sociedade Nacional de Agricultura, que ha três annos iniciou com 
esse intuito a organização da Cooperativa Central dos Agricutores do 
Brazil, resolveu incorporal-a definitivamente dentro do curto prazo e 
esj3era o concurso efflcaz dos agricultores. 

Dr. Wengeslío Bello. 



Circular 

Illmo. Sr. —Pro«eguindo no propósito de demonstrar as vantagens 
praticas, ou valor económico que a união proporciona, a Sociedade Na- 
cional de Agricultura continua a fornecer aos seus .sócios vários 
géneros de grande consumo por preços muito inferiores aos do com- 
mercio a retalho. 

Para isso fez a revisão do conti'actos com os seus fornecedores 
eos estendeu a outros géneros, do modo a poder proporcionar maiores 
economias aos lavradores. 

Temos insistido em que os lavradores precizam se unir, .se as.so- 
ciar em obediência ao mais verdadeiro e racional do3 proloquios — 
Á união faz a furça. 



SOCIKDADlC NACIUNAI. DK AGRICULTURA 



Precizo é, de facto, que essa reunião se eíTeclue em todos os ter- 
renos, por todos os modos e para todos oí! effeitos, para que a lavouia 
possa vencer os interessas estranhos que se oppõem aos seus próprios 
interesses o resolver os obstáculos que impedem o seu progresso. 

D3 longa data vimos aconselhand') a união como sendo o mais 
seguro meiodeattenuar e mesmo dominar a crise de que, com justiça- 
se queixa a lavoura bra/i leira. Com os progressos da civilização, a 
concurreniia se tem tornado cada vez mais renhida em todas as fiirmas 
de trabalho. Lutam as raças, lutam as nações, lutam as classes para 
prosperar, até mesmo para vivei'. K' o eíTeito lógico da approxi mação 
dos povos, dl) seu intercambin, do sua convivemia cada vez maior, 
mais intonsa, mais intima; e essa vida cm coinmum dos iwvos, das 
raças e das classes ateia no instincto de conservação a luta pelo 
alimento, pela riqueza e pelo domínio. N&sse afan de vida intensa, o 
«■«rfíOTcÍHo tem de empregar o máximo de esforço e preciza tirar o má- 
ximo proveito de .sua actividade, utilizando em seu trabalho os pro- 
gressos e as conquistas da .sciencia e da civilização para poder acom- 
panhar a marcha vei-tiginosa de todas as funcções sociaes. E isto 
ainda não basta. A luta para a coiuurrencia se trava agora, dentro 
de cada reducto territorial, entre colleclividades, em que se entrin- 
cheiram os iadividuos para centuplicar os eíTeitos de .seus esforços 
e aquellt^s quo, arrojados, insensatos, ou inconscientes, .se conservam 
fora de.s.sas trincheiras, e comltatem sós, sem o amparo da classe, 
esses são victimas condemnadas ao repasto dos interesses que .sou- 
beram se fazer fortes jiela coUigação de esforços. 

Assim (i, que em todos os paizes, ã medida que se civilizam, e 
em todas as espheras de acção, vae se tornando axiomática a necessidade 
da união para a vida. 

A Sociedade Nacional de Agric^ultura tem procurado sempre de- 
monstrar que, com a cri.se agrícola que nosoppríme, ímp5e-se a neces- 
sidade de iliminuir o custo da producção. O problema é complexo e 
múltiplo mesmo, pois .se desdobra era vários outros que se relacionam, 
que .se influenciam reciprocamente. Para qualquer destes,porém, a acção 
do individuo, isolado dentro dos limites de sua capacidade, é insuffi- 
ciente, ix)is não consegue tanto quanto é precizo na lula de interes.ses 
que está travada. 

Entre esses problemas parciaes está o do barateamento dos géneros 
de que a lavoura preciza se .supprir e cujo custo vae influir solire o 
capital empregado na lavoura ou directamente .sobre o cu.sto dos pro- 
ductos agrícolas e portanto sobre os lusros que o lavrador pjde apurar. 



A LAVOURA 9 

Esle problema tem acqão directa e iramediata, pois tem pareffeito 
evidente a diminuição das despezas do lavrador. 

Em meio de sua vasta e complexa propaganda em que reclama 
o estudo scienlilico e experimental das questõ3s agrícolas e pastoris 
e a instituição de serviços agronómicos por parte dos governos, em 
que pede o ensino das profissões ruraes, em que escolha todas as 
íVjrmas de associações para o estudo, defesa e custeio dos interesses 
agrícolas, a Sociedade tem cogitado, tem agido mesmo, no problema 
do mais manifesto e evidente caracter pratico — a diminuição do custo 
dos géneros de que a lavoura s> preciza supprir. 

Para esse fim, a Sociedade, tendo promovido a creação do serviço de 
distribuição gratuito de plantas e sementes, por parte do Governo Federal, 
acceitou a incumbência de o executar e já tendo distribuído por todos os 
Estados do paiz 970.000 plantas vivas c 184 toneladas de sementes, está 
hoje habiliiada a continuar a fazer esse supprimento era larga escala. 

Esse serviço não só favorece á installação da culturas de modo 
mais económico, como promove a experimentação de plantas e se- 
mentes novas, concorrendo para o estabelecimento de polycultura tão 
necessária e tão adequada á nossa diversidade de clima. 

Para essa distril^uição a Sociedade continuará a preferir insti- 
tuições agrícolas, camarás municipaes, sociedades agrícolas e seus 
sócios, em todo o paiz. 

Tirando partido de seu caracter de associação, já prestigiada com 
o numero 2.400 sócios, a Sociedade, no intuito particular de demonstrar 
a utilidade e o mecanismo dos syndicatos agrícolas, emprehendeu 
favorecer os seus sócios com o supprimento de géneros estrangeiros 
e nacionaes, a preços mais reduzidos do que os do commercio a varejo. 

Com esse propósito e valendo-se dos favores aduaneiros que a 
lei confere ao Syndicato Central dos Agricultores do Brazil, tem for- 
necido arame farpado e respectivos grampos. 

Além disso e mediante contractos especiaes, tem fornecido, a preços 
reduzidos, o formicida Paschoal, o álcool e machinas agrícolas. 

Revendi} todos os seus contractos e fazendo outros que começam 
agora a vigorar, a Sociedade está habilitada a fornecer arame farpado 
e respectivos grampos, enxadas, machinas egricolas, álcool, formicida, 
colmeias nas condições que passamos a indicar : 

ARAME FARPADO 

Rolo de 26 kilos co.n 160 moiros de tio a 6$880 

Rolo de 40 kiloscom 402 matroido tij a I0$680 

Gramp? para os mesmos, o kilo a $36 ) 

3200 2 



Ill SOCIEDADK NACIONAL DE AnHÍCUITURA 

ENXADAS BEM CALÇADAS DE AÇO 

Marca Marca 

Radiaate Raio 

De i! libras lè-120 1$270 

De 2 V; libras 1$"E) 1$370 

De 3 libras 1$630 I$530 

De 3 V; libras 1$7«0 1$G30 

De 1 libras 1^9:50 l^ISO 

fok:es 

Np. 1-2-3-4-5-6-8-9-10-11-12, aos pre<;05? respeclivamanto de : 
$600 — $G70 — $730 — $810 — $890 — 1$000 — 1$130 — 1$300 
— i$500— 1$600— I$800. 

SALOXO 

Um preparado de sal e peróxido de ferro, próprio para alimentarão 
do gado. é económico e asseiado por sei' em tijollos de 5 a 10 kilos, não 
sujando as baias ou lugares onde são collocados e sem d&sperdicio. Preço 
200 réis o kilo, com 5 7» de abatimento. 

MACHINAS agrícolas 

Dosprincipaes fabricantes, com abatimento de 5 a 10 % sobre os 
i'esp€<:tivos catálogos e transporte gratuito nas estradas de ferro. 

ÁLCOOL 

De força de 40", em latas de 18 litros, pelo preço das vendas em pipa 
o que cori'es ponde a uma reducção de cerca de 10 7» • 

SULFATO DE COBRE 

Para tratamento de plantas ao preço do — kilo. . , $650 

FORMICIDA 

Paschoal : 

Latas contendo 4 litros 4$100 

Caixa com 4 latas : 15$400 

Schomoker : 

Botija contendo 1 1/2 litro. , 3$700 

Caixa com 6 botijas gí^iíOOl 



A LAVOURA II 



COLMEIAS 

Com OS mais modernos aperfeiçoameQtos pelo preço de lõ$000 

CREOLINA 

A miis reputada das creolinas de fabricação nacional 
denominada Cresolina Wevneck, cora uma economia 
do 20 "/,. sobre os preços do marcado, custando 
cada lata com 1 litro ]$200 

lacticínios 

Instaliarõas completas para industria de lacticínios pela casa 
Hopkins Causer & Hoplíins, com abatimento médio de 5 7o • 

Os lavradores que bem conhecem os altos preços que costumam 
pagar podem apreciara vantagem extraordinária dos preços que a Socie- 
dade está habilitada a lhes propc>rcionar, e que representam economias 
de 5 a 40 7, . 

Esses fprnecimentos estão sujeitos, como de costume, ás despezas 
usua&s no respectivo commercio. Nos preços do formicida, porém, está 
comprehendido o carreto dlé a estação de despacho. Igual vantagem foi 
agora obtida para o arame farpado, ficando o lavrador dispensado da des- 
peza de carreto que tem feito sempre. Como, porém, o enorme augmento 
desses serviços tem acarretado para a Sociedade muito trabalho e despe- 
zas superiores aos seus recurso?, ella retirará, para auxiliar os seus gas- 
tos, uma pequena indcnnniz icflo que não será superior á importância do 
carreio. 

A economia proporcionada agora na acqulsição desse géneros, em 
relação aos preços do annn antei'ior, é de 920 réis em rolo de 26 kilos e 
de 1$820 em rolo de 40 kilos, e, em relação aos preços correntes no mer- 
cado, é respectivamente de 2$G20 e de íi$320. 

Jáatéo flm do anno ultimo (31 de dezembro de 1908) a economia 
proporcionada á lavoura com os nossos fornecimentos, aos preços que 
então vigoravam foi de 97:084$400, não computados o supprimento 
de plantas e sementes e os transportes gratuitos nas vias férreas. 

Muito reduzidos agora os preços do arame farpado e obtidas, como 
foram, grandes vantagens em outros géneros, a Sociedade offerece este 
anno aos lavradores serviços de excepcional valor. 

Sendo um dos fins da Sociedade demonstrar effeitos do regimen 
de associação sobre a vida financeira da lavoura e sendo condição 
essencial desse regimen a pontualidade dos associados, os forno- 



12 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

cimentos especiaes da Sociedade seião limitados exclusivamente aos 
sócios quites. 

Para os obter o interessado deverá satisfazer as seguintes con- 
dições ■. 

i", ser sócio quite da Sociedade Nacional de Agricultura ; 

2', ser agricultor, apresentando d i aso provas bastantes a juizo da 
Directoria da S(X-iedade ; 

3", foimular o pedido directamente á Snciedade e ]X)r esci-ipto ; 

4", pedir somente para o seu próprio consumo, indicando o nome 
e a situarão da propriedade a que destina o emprego do producto ; 

5", enviar á Sociedade, juntamente com o pedido, a sua importância, 
ou uma ordem para o seu pagamento contra casa commercial ou 
bancaria com sede na Capital Federal . 

A Sociedade se reserva o direito de negar fornecimento a quem peça 
ou tenha pedido para outrem, ou tenha repartido cora outra pessoai 
ainda que associada, géneros anteriormente fornecidos e pr<xederá de 
igual modo quando souber ou tiver motivos para supp<ir que o pedido 
é feito com o intuito de coramercio. 

Instituindo esses serviços directos, procura a Sociedade desempenhar 
do modo mais útil o seu compromisso de se constituir um centro de 
auxílios á lavoura distribuindo-os de preferencia por intermédio de 
seus sócios. 

Com o mesmo intuito conc-eder;'! aos mesmos despacho gratuito 
nas vias férreas e marítimas a plantas, sementes, adubos, machinas 
agrícolas e anlmaes de raça, ainda quando adquiridos sem a sua inter- 
venção e prestará informações que lhe forem pedidas sobre assumptos 
agrícolas e pastoris e tomará coaheci mento das queixas e reclamações 
dos lavradores associados, advoga ndo-as, quando justas, perante quem 
de direito. 



Circular 



Illm. Ex. Sr. — Tenho a honra de levar ao vosso conhecimento 
o regulamento do distinctivo de sócio desta Sociedade e padir vosso 
valioso concurso. 

«I-^ica creado um distinctivo da Sociedade Nacional de Agricul' 
lura, privativo dos sócios e o mesmo para todos estes, qualquer que 
seja sua categoria. 



A LAVOURA 13 



O distinctivo compõj-se de ura botão de lapella, feito de prata 
oxydada orlado de uma faixa de esmalte negro, na qual se lêem o 
nome e a data da fundação da Sociedade. No centro estão em alto 
relevo a divisa viribus unitis, um arado de disco, uma colmeia e o 
sol nascente. 

Os sócios deverão uzar o distinctivo em todas as solemnidades 
realizadas na sede social ou em outras corporações e em todos os act<^s 
públicos em que se tratar dos interesses da lavoura, ou que tenlia.ii 
por objecto assumptos que entendam com a prosperidade da nação. 

A directoria considera o uzo do distinctivo como sendo um preito 
de homenagem prestado á Sociedade, como signal honroso e dignifi- 
cante, que é de seu portador haver prestado o apoio de seu nome e 
de seu concurso para a vida afanosa e fecunda da Sociedade. 

Considera-o ainda como acto de solidariedade no movimento 
agrário do paiz e como trabalho de propaganda dos ideáes, p:'eceitos, 
normas e aspirações, que formam a bandeira por que se bate a So- 
ciedade, porfiando a grandeza da Pátria Brazi leira. 

O distinctivo será pago no acto da acquisição e a directoria, nem 
nenhum dos seus membros, poderá offerecel-o gratuitamente, sejam 
quaes forem as circumstancias e qualquer que seja a categoria do 
sócio a que for destinado. 

Fica estipulado o preço minimo de 10$ e todas as sommas arre- 
cadadas acima do custo real serão destinadas ao fundo de património 
DA Sociedade. 

Destinando-se a receita a esse fundo, que é a garantia com que deve 
contar a Sociedade para conquistar a sua independência financeira e 
para ir progressivamente desenvolvendo sua actividade, realizando com- 
mettimentos que e.Kcedem hoje os seus recursos, prestando os serviços 
em que cogita, mas que não pode ainda prestar, porque sua receita 
ordinária é na maior parte absorvida pelas d&spezas essenciaes de 
sua existência ; empenhando-se a directoria, com o maior ardor, desde 
rJ05, por dar ao património social recursos que assegurem á Sociedade 
uma vida duradoura, prospera e fecunda. 

A directoria pede e espera que os sócios, attribuindo ao distinctivo 
um valor de estimação acima do que foi estipulado, aproveitem a oppor- 
tunidade de auxiliar o fundo de património, na medida de suas posses 
e do apreço que lhes merece a Sociedade. » 

Pedimos o obsequio de encher a lista junta assignando-a e envi- 
ando-a á Sociedade com a importância subscripta. — Dr. Wcnccsldo 
Bello, presidente. 



14 SOCIEDADE NACIONAL DS AGRICULTURA 

Consliluindo a subsoiiprão do dislinclivo um serviço pr&slado á 
Sociedade, digno de louvor e de reconheci men lo por parle desla collec-li- 
vidade, publicaremos a lista dos subscri piores com as imporlancias que 
lhes aprouvoconcoiíer para o iialrimoni i social. Com assa puiilicação 
a direcloria por m(3io do Jwlelim social, exprime seu reconheci meulo 
aos dignas consixios que corresponderam ao seu appello, 

Heiacã3 dos sicíos pe snlj^creváraii para o MMm até 31 t março ío 

cjrreutc aoafl 

Nones Qaantias 

C. Gaffi-í' 20)$000 

Piíiil AlíVeJo Sclilick lõOííOOO 

Jens Sand 120$000 

Dr. Wencesláo Bello luOíOOO 

Alberto de Ar iiijo Ferreira Jacobina 100$000 

Senador Dr. Silvério Josó Nery 100$0(K) 

IlaseacleveretC 100.^000 

José MaDosl Gonçalves da Silva 100$000 

Ernesto Giese 10j$O0o 

Luiz António Gomes 100$000 

Manoel Gonçalves Correi 100.5)00 

António Dias Garcia lOO.jUOO 

Paschoal Vaz Otero 100.^000 

Antonino Fialho I00$000 

Dr. Sylvio Ferreira Rangel 50.$000 

Dr. Bsnedicto RaymuoJo da Silva 50$000 

Dr. José Ribeiro Monteiro da Silva 50i»000 

Carlos Raulino 50$000 

Dr. Francisco Tito de Souza Reis 5)|000 

Dr. Joíé Francisco Brandão Cavalcanti 50$000 

Carlos de Castro Pacheco 50^000 

Pedro Minervino de Oliveira 50$030 

Olyrapio do Accioli Monteiro 50^000 

Dr. Manoel P-iuli no Cavalcanti 50$000 

Dr. A. GorassCirmo õOíOOG 

António Leite da Silva Garcia 50,>O0O 

Arens & C 50$000 

Dr. Luiz Bucno do Miranda riOsOOO 

Dr. Theodor Pecltolt õ0|0iJ0 

Dr. Gustavo Peckolt 50$ lOO 

D. Luiz, Bispo do Olinda 50$000 

Manoel Dias Garcia 50.>;000 

Albino de Azevedo Branco 50$000 

Dr. Eduardo Cotrim õOjOOO 



A LAVOURA 



Nom''s Quantias 

Manoel Pereira da Silva 50$000 

Francisco de Azevedo Alve- õf>S*iOO 

Alb?rto Diniz Junqueira 30$t)0a 

l>r. Piuilo do Amorim Salgado oO$OuO 

Roberto Dias Ferreira ãOjjOOO 

A. Cornelio Lemgruber 20$^09 

DomiDg-os Ferreira Mendes iO$000 

Joio Pinto da Costa Sobrinho SOsOúO 

Luiz PellÍQo Nobre de Mello 20Ã000 

José Accioli Monteiro 20$000 

António J. C. Costa Ferreira 20$000 

Joaquim de Freitas Lima ãO$000 

Júlio Homem Jorge 20$000 

Octávio Campos da Paz 20$000 

Abilio de Castro SOfOOO 

Leovegildo Simões 20$000 

José Lopes de Azevedo Costa 20$000 

Lqíz Accyndino Daotas 20$000 

Conde de Modesto Leal 20$0j0 

Banco Hypothecario do Brazil 20$000 

Dr. Carlos Teixeira Soares 20$000 

Carlos Lix Klet ãO$000 

Dr. Hormogeneo Pereira da Silva 20$000 

Dr. Francisco Murtinho ãO$000 

Manoel Ferreira Tunes 20$000 

Conde de Nova Friburgo 20!|000 

Lucas Monteiro de Barros Roxo 20$000 

Abel Domingues Teixeira Valle 20$000 

Christiano Hechler ãO$000 

Emilio Blondet 20$000 

Arabrozio Perret 20.S000 

Conselheiro Narciso Fernandes da Silva Nevos . . . 20$000 

Cyrillo Dias Maciíd ãri|000 

Manoel da Mendonça Guimarães 20$000 

Barão de Italiype 20$000 

João Tcixeu'a Soares Jiinior 2O$O0O 

Dr. Joaquim D. Paul . orrêa 20$000 

J. II. O. Tross 20$000 

Marcos Torres Braga Júnior 20$000 

Evaristo A. Silva Ribeiro 201000 

J. R. Augusto Leal a0|O00 

Dr. Guãtavo A. Aquino e Castro 20$000 

Luiz Felippo Sampaio Vi^inna 20§000 

Dr. Ernesto Cândido da Fonseca Portella 20^000 

Ernesto Graf 2.1$00J 

Dr. -Vnl.onio Pacheco Loão 20$000 



10 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Nomes Quontias 

Dr. Nascimento Freitas de Souza 20$()0o 

Kduardo Augusto Camará ;:íO$OOi( 

Aonibal Cesário :io$000 

Charles Causar lõ^CH)? 

Domingos Moitinho lõ^iOO 

Adrião Alves Bebiano 15$00U 

Carlos Suckow Jopport 15^000 

Coronel Epaminondas H. Gracindo 10:^000 

Dr. Harão de Santa Cruz lo.*000 

Miguel Joaquim do (Jastro Sobrinlio 10$000 

Eugénio Pereira de Moraes 10$ )00 

Luiz Freire de Aguiar 10$ooo 

Ur. MÍK'uel V. Calraon Viaiiiia 10$000 

Josj Gomes Corrêa 10$000 

Dr. José Rodrigues Peixoto 10$')00 

José Militão de SanfAnna 10$i)00 

JoséKd. Tavares Carmo lO^OOi» 

Olympio Gomes de Souza 10.^000 

Gregório Tavares Leão lOsOOO 

Coronel Manoel Lopes Carneiro da Fontoura .... 10$OOo 



COLLABORACÃO 



Colhsita mscanica 



No dia 17 de outubro do corrente aiino, dirigiu-se á fazenda 
Floresta a commissão composta do agrónomo Dr. Mário Maldonado, 
representando o secretario do agricultura do Estado de S. Paulo; 
Fedro SanfAngelo, representando a Suciedade Paulista de Agricultura ; 
o signatário destas linhas, representando a Sociedade Nacional de Agri- 
cultura ; Januário Grecco, representando a casa Nathan, de S. Paulo ; 
Luiz Bueno de Miranda, o inventor; capitão Argèo ^'inhas, represen- 
tando o jornal O Estado de S. Paulo, e mais pessoas. 

Sendo indispensável que este serviço de colheita mecânica se faça 
logo depois de chuvas e com as arvores ainda molhadas, lurnou-se 



cJXjXíTTjnja. X30 c;.a.i^:és 







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C71siOEa.c3.c3XT Xjvu.^ I^vierxo 



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C;oUki.elt£«. teiTzxi.in£«.cl£t' 



A LAVOURA 17 



nec&ssario esperar que a chuva \iesse favorecer este serviço, procedendo, 
então, a commissão ao estudo das machinas empregadas pelo Sr. Luiz 
Bueno na cultura dos cafezaes. 

O E-tadodeS. Paulo tornou-se em pouco tempo o primeiro pro- 
ductor de caíé e tal foi o desenvolvimento devido á actividade dos 
paulistas e á uberdade das terras, que o legislador entendeu prohibir 
a plantação de cate e ainda mais pretende limitar a exportação ao 
máximo de 9 1/2 milhões de saccas. 

O que mais revolta é que o lavrador seja castigado pela sua grande 
actividade, estando hoje a braços com a miséria, e, entretanto, as estra- 
das de ferro paulistas, cujas acções são negociadas com ágio extraordi- 
dinario, distribuindo todos os annos dividendos fabulosos, levando 
grandes sommas a fundo de reserva, a par do augmento sempre cres- 
cente de suas linhas com as novas construcções, tudo isso á custa desse 
producto que está levando a miséria ao lar do productor. 

Triste situação do lavi'ador que amaina a terra empregando a sua 
actividade e capitães para produzir e que finalmente é obrigado aos 
maiores sacrifícios para não deixar succumbir a arvore ijue a custo 
formou, e que hoje só lhe traz a miséria com o desapjiarecimento 
annual da fortuna. 

As emprezas de transportes progridem e as emprezas productoras 
dos géneros a transportar definham. 

Parece que a primeira providencia a tomar-se seiia grande 
reducção nas tarifas dessas ricas estradas de ferro. Em vista do baixo 
preço do cale, para o lavrador j)oder ainda resistir á crise, tendo em 
consideração o custo da i)i'oducção sobrecarregada de impostos, tarifas 
altas, transportes, commissões dos inlermediarius conhecidos pela 
denominação de commissarios, impunha-se o emprego das machinas 
na cultura do cafeeiro, masque era obstado polu systema de culheila 
que obrigava o lavrador a manter em suas propriedades grande pessoal 
para acudir ao serviço de colheita. 

O emprego das machinas na agricultura do Estado de S. Paulu ú 
um facto consumado, póde-se asseverar que não ha lavrador que 
duvide da vantagem da machina na agricultura, mas o seu uso está 
muito longe de ser o desejado, sobretudo nas lavouras de café, devido 
a impossibilidade de reducção do pessoal nas fazendas, attendendo se 
ao serviço de colheila. 

São tantas as vantagens obtidas como emprego dos cultivadores 
mecânicos nos cafezaes, augmentando o coeliiciente de pruducçãocoji- 
junctamenle can a reducção nas despezas, que seriam laigamente 

3?00 3 



18 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



lorapensadas, aiiula mearao que o lavrador pagasse ao pessoal para 
ficar de braços cruzados ú espera da colhei la. 

E' ura facto verilícado que os culUvadores raeclianicos melliuram 
de forma tal as condif;õ&s de vegetara) das arvore? ((ue os fruclos 
apresentam maior desenvolvimento, sendo o café de melhor qualidade, 
o que aliás é natural. 

O emprego das maehinas culturaes traz economia de tempo, 
do dinheiro c meUwiia do proiuclo em qualidade, con^^lituindo os 
ires elementos industriaes indispensáveis — lempo, dinheiro e qua- 
lidade. 

Foi com a machina que os Estados Unidos da America do Norte 
se tornaram em pouco lompo o primeiro paiz do mundo, quer em pro- 
ducção, quer era riíjueza, e será com a machina que os Estados Unidos 
da America do Sul se tornarão, pelo menos, o ssgundo. 

Em vista do exp^stu, foi com o maior enlhusiasmo que o signatário 
destas linhas acceitou a incumbancia de representar a Sociedade 
Nacional de Agricultura na e.Kpai-ioncia oflicial de colheita mechanica. 

As machinas empregadas na colheita mechanica são, conforme se 
vê das photographias, um bastão de 1"',65 e de uma pollegada de diâ- 
metro com um gancho de ferro, meia volla em uma das extremidades 
e que serve para apprehender os gaiiios do cafeeiro ; um bastão do 
me-mo compiimenlo e grossura terminando, em vez de gancho, com 
um revestimento ou luva de borracha na e.x. tensão de O"", -4, que serve 
para bater especialmente na saia do cafeeiro; mais dois ancinhos de 
dentes corvados, sendo o de dentes espaçados que serve para tirar as 
folhas e pequenos galhos seccos, e outro de dentes mais juntos que 
sjrve para juntar o café em montes e já .sem folhas, deixando a terra 
oncari ficada, conforme .'=;e observa na plmiographia. 

o emprego do gancho, que apona^; .servo para firmar o pé de café, 
por uma insignilicante mossa na parle curtical da arvore e em um .«ò 
logar onde se firma o gancho dando meia volta para se poder imprimir 
as sacudidellas necessárias para fazer cahir lodo o café, o que se dá 
ao-; primeiros impulsos, estando a arvore molhada da chuva ; o bastão 
forrado de borracha não causa o mjiior damn o nas leves pancadas que 
se dá na .saia. 

E' bem difTerenteo aspecto do terreno depois da colheita feila pelo 
syslema commum do derric-amenlo de café e pelo mechanico; sendo 
que i)elo primeiro é uma verdadeira hacatomb?, ficando o chãd juncado 
de galhos, folhas, cafés sjccos, maduros, verdes e as vezes lUwos; as 
arvores apresentam um aspecto desolador, como que exaustas com os 



CJOIjHEITA. no CÍ-A-I^É 




.^^X3X3£t.x*elliois colla.©cl.orosí cL& oetfé, '• Hiir-els-e. 




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A LAVOURA 19 



braços pendidos tendo soffirido unia dolorosa operação, eraquanto que 
pelo systeraa mechanico apenas se vê café secco, algum maduro, poucas 
folhas e galhos sêccos, não parecendo ter soffrido a arvore com essa 
operação, visto apresentar um aspecto agradável, conservando mesmo 
as flores 

Esta colheita se faz era duas epochas sendo a primeira varrição 
em fins de julliodos cafés cabidos ea segunda com as machinas logo 
depois das primeiras chuvas. 

Fizemos a experiência da colheita em c/^ndições as mais desfavorá- 
veis, por falta de chuva e com pessoal bizonho sem pratica do serviço. 

Em 10 pés de café esclhidos ao acaso gastou-se 5" por pé de 
café, sendo 2" para a varrição das folhas, 2" para a segunda varrição 
e amontoo mento do café e 1" para reunir; tendo-se colhido 146 
litros de café sêcco. 

Pelo processo cofnmum gasta-se de 20 a 30" por pé de café com 
o serviço completo de chão e arvore o que regula ao triplo do tempo 
empregado com a machina. 

As vantagens olitidas por este processo são as seguintes : 

Grande economia de tempo e dinheiro que se reduz a menos da 
metade conforme verificamos, sendo no máximo de 250 réis por al- 
cjueire contra 500 e GOO pelo processo commum. 

Não ha o menor estrago na arvore. 

A qualidade (typo) de café será melhor pela auzencia de café cho- 
cho e preto. 

Economia de transportes e carretos. 

Economia nos terrenos e no beneficio. 

Eliminação dos cafés ijaixos. 

Diminuição de braços para o trato do cafeeiro, redundando em 
grande reducção de despezas . 

Fomos informados que na fazenda Morro Azul em Limeira onde 
o serviço de colheita foi feito em condições favoráveis, foram empregados 
22 serviços para derriçsir 25.000 pés de café. 

Estesystema de colheita mechanica se reduz ao systeraa priraitivo 
de vara, empregado com critério de modo a não prejudicar a arvore e 
no momento opportuno. 

E' um systeraa que só pode ser empregado nas propriedades agrí- 
colas pouco pedregozas e onde os accidentes do terreno não perturbem 
o emprego das machinas de cultura, e raais nas propriedades cujos 
donos estejara em condições pecuniárias de esperar pela venda tardia 
de seus cafés, especialmente no caso vertente de limitação de exportação. 



2) SOCIEDADE NACIOXAI. Dlí AGIUCULTURA 

Xão posío deixai' passir e?sn npporlanida<le sem di/.or el^umas 
palavras sobre outras medidas tomadas pelo Sr. Luiz Bueno alem do 
em prego das maohinas culturaes, taes como estabularão dos animaes 
quer das fazendas quer dos colonos, depositando nas exteniueiras das 
estaluilos todoooxlorco dos animaes, dopozitos de cisco formando es- 
trumeiras aoar livre próximo as casas dos colonos. 

'J"oda a palha de café é levada para oscafesaes. 

Grandes plantações de tremoços são feitas nos cafesaes, fazendi>se 
o enterramento dns mesmos nas ruas de café onde passar o sulcador W, 
na (xcasiãi) da floração dos tremo(,'Os, Ibrmando-se assim aduixK.ão verde 
com uma planta extraordinariamente azotada. 

Alem dessas medidas de renovação da terra, são feitas cisternas 
ou fossasde 1"',7G x 1", 1 x 1"',76 em grande profusão espalhadas pelos 
cafesaes nas proximidades dos caminhos ou can-eadores de forma a 
impedirem a levada das terras para as baixadas e conservarem em 
deposito as fulhas siiccas e detrictos trazidos pela chuva tornando-se 
depósitos de estrumes e agua fornecendo irrigação por infiltração. 

As machinas empregadas na cultura dos cafezaes são as seguintes 
conforme se vènas photographias juntas. 

Cultivador de disco «Wiard» com roda louca, que passa fazendo li- 
geira aração, para em seguida passar o ciscador Luiz Bueno, capinador 
António Prado, que ainda subdivide a terra, varreddr Jorge Tibiriçá 
cnin azas varredoras ou com azas para cobrir sulcos, formando cordões. 

As machinas empregadas pelo Sr. Luiz Bueno nas fazendas de 
Prado Chaves & Comp. são as representadas nas photographias; o 
cultivador de 8 discos Wiard com roda louca, ciscadoí- Luiz Bueno, 
capinador António Prado, varreilor Joi-ge 'l"ibiriçá com azas varredo- 
ras ou com azas ijara cobrir sulcos, formando cordões, e arador sul- 
cador W ; com estas machinas trabalhando constantemente nos cafe- 
zaes, cruzando o serviço, tem o Sr. Luiz Bueno obtido resultados 
assombrosos de economia e reforma nos cafezaes onde tem conseguido 
grande accrescimo no coefficiente de produccão a par de exuberante 
vegetação differindode uma maneira pasmoza dos cafezaes visinhos. 

Um colono empregando essas machinas tem temi» para tratar 
iO.UOO i)és de café, enterrando tremo(;os. trazendo o cafe/al .sempre 
limpo, emquanto que pelo systema da enxada .só pode tratar de 2 . 500 
a 3.000 pés de café. 

Terminando, cumpre-me chamar aattencão da Sociedade Nacional 
do Agricultura para esse incansável patriota, Sr. Luiz Bueno do Mi- 
randa, ([ue está concorrendo grandemente para ser vencida a crise do 




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A LAVOURA 



café no Estado de S. Paulo, resolvendo o prolilema pela reducruíi do 
custo de producção e transformando o assalariado em pequeno pro- 
prietário, 

líio, 27 de novemjiro de 1908. 

FuRNANDo Paranhos da Rocha Passos. 



Considcraçõss s rsilsxõss ácsrca da criação do porco 

o encarecimento crescente do porco e a alta importância de que 
este se reveste soii o ponto de vi^^ta da economia social e domestica, 
devem justamente preoccupar ao criador e consumidor. 

Certamente, na industria zoolechnica, não ha outro animal que 
possa tão utilmente transformar era carne e gordura os alimentos 
que habitualmente se dão aos suinos ; tão pouco não ha substancia 
nutritiva mais económica e saborosa do que a carne que estes ani mães 
fornecem . 

Tanto o porco, que toda a família decolonoscria para uso domes- 
tico, quanto as manadas de suino? que existem nas grandes fazendas, 
para consumir os resíduos da transformação do leite, devem ser con- 
siderados como úteis transformadores do tanta substancia que ficaria 
irremediavelmente perdida ou não poderia ser utilizada com igual pro- 
veito . 

Além disto, no fim de poucos mezes, sem grave despeza e sem 
grandes sacrifícios, se consegue ter um porco gordo para consumirem 
família, ou uma manada de suinos que contribue para o augmento da 
receitada fazenda. Mas no decurso de alguns annos, vemos, em todas 
as regiões, augmentar o preçí deste omnívoro, e os fabricantes de sa- 
lame serem obrigados a recorrer a outra carne, porque, se na prepara- 
ção de seus productos empregassem exclusivamente a carne de porco, 
veríamos este attingir um preço caríssimo, accessível tão somente ás 
algibeiras privilegiadas. E a causa principal do preço ascendente deste 
animal temol-a nas condições deploravois da criação, as quaes favoí-e- 
cemo desenvolvimento eadiffusão das matérias infectuosas que dizi- 
mam ou actuam mais ou menos activamente na zona em que a criação 
do suíno se pratica em larga escala. 

Com a importação de animaes reproduclores, ou mesmo pequeni- 
nos, não só se tem contribuído efflcazmenle para diminuir a rssisten- 
cia natural da nossa raça autochtone ás varias causas de morbidez, 



22 SOCIKDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



como tamljem para trazer ao nosso meio as moléstias infecluosas ori- 
ginarias de seus paizes nativos, <|ue fazem frequentemente a devasta- 
ção de nossas r,riar(~)es. 

K,de feito, a parle o mal-rô.ro, a septicemia e o cholera, que se 
desenvolvem quasi todos osannos entre os imrcos, e que arruinam 
inteiras manadas de suinos, não são- i-aras, na adolescência destes ani- 
maes e^pocial mente quando são desmamados, certas diarrhéas o dys- 
enterias rebeldes a toda cura que relu/.em uma criação de 15 e IG ba- 
curinhos a alguns raros exemplares, e, ainda assim débeis e doentes, 
predispostos a adoecer gravemente em occasião propicia. 

Também, por causa dessa grave mortil idade durante a adolescên- 
cia, o leilão desmamado s3 compra Já caríssimo, e muitos criadores 
que, então, não tinbam mais que dois ou três, — sendo um para o 
gasto da família c os outros dous para venda, — hoje se limitam a 
criar somente um, e este, bem entendido, para uso próprio. 

Além disso, muitos criadores deixaram de lazer a crwzi^ão do por- 
co cm larga escala, porque viam lodosos annos reapparecer as mesmas 
moléstias infectuosas, que anniquilavam quasi bartoramenle os seus 
capitães: julgaram conveniente, pois, cultivar os terreno? que então 
eram destinados i'i criação, em vez desses ani mães. 

Sendo assim as cousas, coraprehende-se muito bem o encareci- 
mento do suinoe de sua carne, que as varias infecções e as rotineiras 
condiçõ&s de criação conseguem dizimar, sondo que o uso alimen- 
tício do mesmo vai, a todo instante, expandindo-se e intensifi- 
ca ndo-se. 

Occorre, por isso, estudar o modo de i-emediar taes cousas com pro- 
veito e os meios que, convém, sejam adoptados. 

Antes de tudo, conviria melhorar as condirdes de criação deste rús- 
tico animal, proverbiaUnente conhecido como emljlema da sujidade, 
quando por sua natureza ha muito tempo carece de asseio e hygiene, 
tanto quanto os outros seus semelhantes. 



A pocilga deverá ser construída em local salubre c hygienico, sendo 
lX)S3ivel em meio de vegetação e onde a ventilação seja franca. 

O pavimento, como as sua? parede? até uma certa altura, deve 
ser feito decimento, e igualmente os cochos e regos conductores dos 
excrementos pira o poço (lambem de cimento) e fechadura iiydraulica, 
existente fora da pocilga. Tudo quanto for de ferro estará polido afogo, 
ode madeira pintado a alvaiade e óleo. 



A LAVOURA ?3 



A ventilação e O renovanieiiío do ar far-se-hão mediante amplos 
respiradouros Lubulados não olvidando a confecrão de camas hygieni- 
cas, removidas com frequência. 

Não se deve esquecer tão pouco de que cada pocilsa carece de um 
pateo adequado e murado em cujo meio se deve encontrar um tanque de 
agua, convenientemente renovada, para a limpesa e lavagem. 

O porco, vivendo assim a seu commodo em um ambiente hygienico 
e limpo, se encontra nas mellicres condiç-ries de crescer e prosperar. 

Disse mais acima que o porco é um animal rústico a toda prova, 
voraz e omnivoro por excoUencia, mas ninguém infirmou que o ali- 
mento estragado e insalubre possa oxitoI-o a graves damnos, predispou- 
do-o a toda espécie de moléstias, communs ou especificas. 

Dahi a necessidade de prover os suinos de alimentos não al- 
terados. 

Torna-se preciso ainda e>;teri]izar a verdura e os refugos de cosinha 
com aeliulição, e não permittir queos suinos fussem substancias im- 
mundas que, não raro, provocam moléstias parasitarias. 

Cuidando assim opporlunaraente a hygiene das pocilgas e dos 
alimentos desses humildes omnívoros, se consegue melhorar as suas 
condições sanitárias, ao mesmo tempo que se alcança um primeiro pas« 
so na luta contra as moléstias infectuosas a que estão sujeitos. 

Com o titulo de Infecções dos suinos se descreve nos vários tr cicia- 
dos de Pathologia Medica Veterinária, ura complexo de moléstia acer- 
ca de cuja etiologia e pathogenia ainda S9 não fez toda aquella luz que 
seria para .se de.sejar, afim de .se systemalisar contra ellas proce.ssos 
prophylaticos, therapeuticose de policia .sanitária que, hoje, felizmente, 
temos á disposição. 

Como ainda não se esteja bem seguro e esclarecido acerca do mo- 
mento etiológico e da pathogenia de algumas infecções, comtudo habi- 
tuamo-nos a reunir as moléstias infectuosas do porco, sob três distinctos 
nomes : Mal ró.ro, Pneumonia contagiosa e Pneumo-enterite, dislin- 
cção e classificação ainda que não são claras e precisas como a pratica as 
exige. 

Mas, para o nosso estudo por demais synthetico, e que tão somente 
cogita da prophylaxia eixilicia sanitária destas moléstias, esta distincção 
e cla.ssificação podom bastar sufficientemenle, servindo também pelo 
lado pratico. 

Começamos poremquantoa dizer .<succintamente da pathogenia e 
da symptomatologia dessas três infecções, para, depois, estudarmos a 
prophylaxia. 



21 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Mal-rôxo, das três moléstias é, certamente, a menos grave edif- 
lusa, é pouco conliecida entre os criadores ; e, se por seu modo de irrom- 
per e manilestar-so orfcrece uma rerta analogia com as outras infecções, 
todavia nãose disiingue p^r ncnhuni caracler paiticulai', c.ipaz do me- 
nor crilcrin pralicii de certa importância. 

líssa moléstia alaca de preferencia os individues adultos, ou, pelo 
mnnos, de alguns meze>; : appi^u^ece sobrei udo no verão e não se difunde 
Innto quanto as outras infecções. 

o poico, a principio, apresenta-s9 ai)alido, feliricitante, i"ecusa o 
alimento e procura esconder-se soba forragem da cama. 

Decorrido o 'primeiro periodo da incubação, irrompe a erujição 
cutânea, característica, sol) a fúrma de pequenas manchas de umròxo- 
vinoso, especialmente espalhadas pelas orelhas, dorso, espáduas e flan- 
cos. Owando tocadas, manifestam se edemaciadas e dolorosas : na for- 
ma benigna, no fim de seteou oito dias, ellas empallidecem e desap- 
pai'ecem ; na forma grave, so))reveem outros piienome;ios alarmantes, 
especialmente pai"a o lado do apparelho circulatório que expõe o animal 
a graves riscos de vida e o mala om brevíssimo tempo. 

Outras vezes, porém, a moléstia em vez de se resolver rapidamen- 
te, decorre torpida e lenta, para dar depois um ser marasmatico que 
cresce doentio e com difticuldatle, ou morre no fim de algumas semanas. 



Gomo tratamento geral aconselham os desinfectantes intostinaes e 
os laxai ivos, provendo o jxirco com alimentos cosidos e de facíl digestão. 

Como processos sanitários, .se recorre ao i.solamentoe a desinfecção 
da pocilga e dos objectos contaminados. A prophylaxia se íavá, pir 
fim, com vaccina e soro. 



A pneumonia contagiosa acarreta maiores damnos que o mal-rôxo, 
attenta a .sua indole extremamente diffusa, e o êxito linal quasi con- 
stantemente mortal queespera o doente. 

De feito, esta moléstia .-^e propaga com uma mortificante rapidez 
entre os representantes de uma mesma criação.especial mente nos mezes 
frios e logares húmidos e mal abrigados. 

De ordinário, são atacados os de média idade; mas não .«ão poupa- 
dos os adultos e nem tão pouco os suínos .jovens 

O doente não perde súbita e inteiramente oappetíte, masapparece- 
Iheuma tosse slridulosa, com accessos que se rei^etem com insistência 



A LAVOURA 25 



especialmente durante a alimentação, ou quando o porco é obrigado a 
se mover. 

Quando o suino repousa, ó caracteristii^a wmci respiração difficil, 
arquejanie, que se pôde acceilar como palhognomonica da moléstia. 

Não se observam outras complicações importantes, mas, neste esta- 
do, o animal em curto tempo morre. 

Em virtude da Índole contagiosa da moléstia, é óptima provi- 
dencia supprimir de súbito o primeiro doente, tolliendo assim os 
agentes de diffusão. 

Gomo é sabido, esta moléstia é devida ao bacillo suiseptico, contra 
o qual será preciso garantir-se com a vaccinacão e desinfecção, sendo a 
sciencia medica impotente para curar a moléstia, uma vez «lue esta se 
declare. 



A pneumo-onÉerffe iníeclnosa, o\i pesíe suina, ataca de preferencia 
os individues moços, e caracteriza-se por uma diarrhòa continua e inco- 
ercível que se associa muitas vezes a perturbações pulmonares. 

A moléstia pôde ser importada com os porquinhos destinados á 
criação, que podem albergar o microorganismo especifico ainda (jue 
apparentemente são. 

A diffusão da moléstia .se faz de um modo verdadeiramente alar- 
mante, contendo as fezes diarrhéicas o gérmen da mesma em con- 
dições activi.ssimas. 

Os porquinhos assim atacados, e debilitados cada vez mais, pelas 
continuas dejecções alvinas, ficam estúpidos, indolentes e com o 
focinho escondido nas palhas do leito. 

Obrigados a andar, gemem e como que tossem quando o apparelho 
pulmonar está accommeltido ; e, finalmente, nas formas graves appa- 
recem também manchas roxas especialmente nas orelhas e sob o ven- 
tre, as quaes manchas quasi que não são mais em relevo, e nem de- 
maciadas. 

Eu as observei em todos os suinos que vi morrer de pneumo-en- 
terite, todavia Moussu não as dá como constantes na moleslta. 

Esta infecção é verdadeiramente a peste da criação ; e pôde-.«e as.se- 
gurar com toda franqueza que .se deve attribuir a ella a maior mortali- 
dade dos suinos ainda joven.s. 

A molestia[dura no máximo de 20 dias a um mez, tendo como 
termo quasi sempre a morte ; e, quando o animal atlingisse a cura, não 
escaparia do estado cachetico por meio do qual chegaria á morte, ou vi- 
veria doente. 

3200 * 



2C> SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Apneumo-entoritese propaga com uma rapidez alarmante e das- 
aslrosa, attenta a influenciados meios sanitários que costumeiramente 
se applicom na pratica. 

Alem dissí), nos grandes centros criadores, ella domina quasi per- 
manentemente, despertando todos osannos na estação propicia, porque 
se não pratica quasi nunca uma especial o verdadeira desinfecção dos 
logares infectados. 

Im]5Õe-se por isso a necessidade de se providenciar séria e enica/.- 
raenle contra o desenvolvimento e a difTusão <le taes infecções, convindo 
notar quo os vários methodos curativos e preventivos adoptados na 
pratica rommum, quasi sempre de nada servem. 

Paia tal efTeito,ccnvirá garantir as rriai.-ijes da invasão de moléstias 
exóticas, que se dá com a importação dos .sui nos ainda novos e dosre- 
productores. 

Para tanto, será de boa norma permanecerem es.ses indivíduos por 
algum tompo sob obsei-vação em logar apropriado, de^infectandoos 
externamente, e com purgativos internamente. 

A localidade onde existir a industria de suinos, deverá ser frequen- 
temente inspeccionada por um pessoal technico idóneo, com o íim não 
só de vigiar a saúdo delles como tamiiem de tomar, ao primeiro caso 
suspeito, providencias de policia sanitária que impidam a diirusão da 
moléstia. 

Além disso, os primeiros infectados deverão ser de promplo sup- 
primidos, como sequestrados todos os outros suspeitos, o que será de 
fácil execução se a criação do porco se fizer em pequenos lotes e em 
logares convenientemente separados. 

Outra providencia de indiscutível efficacia pratica é a desinfecção do 
local e dos objectos contaminados. 

Esta pôde ser feita por meio dos agentes desinfectantes communs. 

Vava laldesideratum, começa-se a repulír escrupulosamente, ra.s- 
pando e varrendo os logares infectos que devem ser lavados depois e 
repelidas vezes com umn solução de lixívia ou com leite de cal, agua 
chlorada, creolína, menerol ou outra substancia congénere. 

Foi' conseguinte, é indispensável que o local de criação seja con- 
struído de maneira a garantir a efíicacia das mesmas desinfecções. 

Declarada a moléstia, tem-?e mostrado efficaz um ouln> meio de 
policia sanitária, que cnrta o mal pela i'aíz. 

Quero alludir á eliminação de todos os indivíduos infectados e con- 
taminados, is.so, porém, mediante adefiuada indemnização pelos porcos 
sacrificados. 



A LAVOURA 



Isto, como é sabido, se faz em qualquar localidade da Inglaterra, 
França e Allemanha, não sem teneíicos effeitos. Para aqui, como para 
algumas localidades da Europa, a ([uestão é ainda inteiramente nova, 
mas, não está ainda longe o dia era que ella será encarada com a alten- 
ção de que se faz mister. 

Além dessas três que, por antonomásia, se chamam moléstias in- 
fectuosas dos suinns, existem outras puramente de oriííem microbiana, 
que se não revestem da importância pratica das primeiras, porque, em 
nenhum tempo e em nenhuma região ou localidade tiveram tamanha 
difTusão, nem fizeram mortalidade capaz de comprometter a sorte das 
criações e deseq u i 1 i jjrar os i n teresses ruraes . 

S3 bem que um ou outro autor entenda attribuir a certas formas 
dysentericas que atacam de preferencia o suíno que ainda mama ou ape- 
nas desmamado, quantitativa ou essencialmente os mesmos damnos, 
— a experiência tera-me demonstrado sempre e em todos os logares, que 
tudo isso se remedeia por meio de uma hygiene escrupulosa, de asseio 
da pocilga e do terreno contíguo, e, não menos da saúde da fêmea lac- 
tante, da sanidade dos alimentos successi vãmente distribuídos ao por- 
quinlio. 

E, relativamente á salubridade dos alimentos dados aos suinos, 
não me cansarei de insistir, sobretudo, acerca dos resíduos de cosinha, 
do leite e de outros que facilmente se alterara ou se decompõem, occa- 
sionando ao porco gastrite, enterite, que, além de comprometterera a 
saúde como entidades pathogen iças, podem tornar propicio o terreno a 
outras moléstias, especialmente á tuberculose. 

A tal respeito, Moussu observa muito judiciosamente como, de 
alguns annos para cá, em França, teem augmentado progressivamente 
os casos de tuberculose nos suinos ; facto que elle com toda razão attri- 
bueao novo e vigoroso incremento que dia a dia vai tomando a indus- 
tria lacticinia nos seus múltiplos productos, a qual, em via de regra, 
.se acha appensa a criação de porcos. 

Os factos provam e demonstram á evidencia quanto o Dr. Moussu 
tem, a respeito, assignalado ; porque na criação pequena e isolada (que- 
ro alludir a dous ou três exemplares criados por cada família de colonos, 
ou, no máximo, a 15 ou 20, cevados na fazenda) os porcos são nutridos 
com aguas gordurosas da cosinha, opportunamente fervidas com fari- 
nha, raízes e batatas, na criação em larga escala, especialmente onde 
ha fabricas de manteiga e queijo de toda a espécie, dão-se aos porcos 
os resíduos dessa industria^ frequentemente contaminados pelo virus 
tuberculigeno. 



2S SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



A lul)erculose do porco é cerlamente de origem bovina ; e, para 
isto basta que a vacca fornecedora de leite a um determinado estabeleci- 
men lo seja uma tuberculosa, ali m de que se fique certo dequeossui- 
nos consumidores dos resíduos da alludida industria, facilmente se 
contaminem. 

Uma vez que a tul)erculose irrompa em uma criação, a sua dif- 
fusão será tamliem facil, attenlas ás exiguas condições hygienicas 
em ijue vivem lae^ animaes. 

Que a disseminação da tul^erculose entre os suinos, esteja estrei- 
tamente ligada ao incremento da leitaria individual ou social, prova-o 
em Germânia e Ilollanda onde a referida industria está ainda em 
flor, a porcentagem da tuberculose nos porcos, estimada em 10 °/o. 

E as mesmas considerações vão com vistas á Ualia e a qualquer 
outra nação, onde a tuberculose não é, portanto, rara, como a estatística 
de tempos atra/, queria fazer crer; e isto deve-se ao facto de que a molés- 
tia em taes animaes com muita facilidade passa despercebida, ou vem 
confusa cora outra enfermidade. 

Ora vista e considerada a facilidade com que a tuberculose se trans- 
mitte dos bovinos aos porcos por meio dos resíduos lácteos, será, como 
já o disse, óptima regra de hygiene, esterilizar estes productos por 
meio da cosedura, antes de se os dar aos suinos. 

Esta l)oa precaução, obrigatória em Dinamarca, tem ci>ntribuido 
efficazmento para diminuirá porcentagem da mortalidade por tuber- 
culose na criação dos porcos . 

Como vê o leitor, chamei de modo especial a attenção dos interes- 
sados sobro o modo de premunir estes animaes do ílagcllo da tuber- 
culose; porque a todo hygienista de vulto ou modesto cabe o dever de 
vedar por lodosos meios adiffusãodo terrível morbo, já bastante es- 
pi^aiado, e contra o qual a sciencia al(' hoje não poude dar mais que 
um pequeno passo, qual o de retardar a velocidade da sua marcha fatal. 

E, continuando nesses preceitos, recordarei ao criador jamais se 
esquecer dos arranjos da comida afim de que não fermente, como 
também não administrar mais ao porco são os resíduos de alimentação 
do doente ou suspeito de o ser, como de ordinário se usa ou é quasi 
regra fazel-o, parecendo cousa natural fazer comer dous indivíduos per- 
feitos, sãos, os alimentos excedentes da ração do um ou mais suinos 
infectado', dando força á infecção (como carvão na fornalha da loco- 
motiva) para pi-oseguir na sua obra de destruição e inquinamento. 

E, para terminar, não deixarei de insistir junto dos interessados 
por que lavem, lance a lance, com agua fervendo e soda, os tanques e 



A LAVOURA 29 



todos OS logaresda [ioi'ilya, para os expurgar, com solicitude, de ijuan- 
to alterado e palliogenico eventualmente exista nelles. 

De?sa maneira, cuidando e providenciando sobre a saúde do porco, 
evitam-se nelle aquellas moléstias a que facilmente estão sujeitos. 

Declarada a infecção, cumpre cercear a sua diffusão e amainaras 
consequências desastrosas, cooperando de tal modo pela prosperidade 
da criação. 

E tanto mais se deve procurar, por todos os meios, melhorara sorte 
de tal intlustria, porque o porco é chamado em altas vozes por todas 
as nações do mundo a preencher uma vasta lacuna no mercado das 
carnes, como a do boi e do carneiro, dia a dia mais rara e cara. 

Aos criadores, pois, dirijo estas considerações, afi m de que sejam 
lieis interpretes delias. 

Dr. Achilles Rigodanzo. 

(Medico Ilygiciiista Veterinário) 

Dezembro de 1908. Rio de Janeiro. 



O trigo em Minas Gsrass 

Damos publicidade á algumas observações feitas com referencia 
á cultura da preciosa gramínea, no campo de experiências da Dire- 
ctoria de Agricultura, em Bello Horisonle, 

A altitude de Bello llorizonle é de 800 e tantos metros e a sua 
temperatura média de 19°, 8" .segundo observações da Commissão 
constructora da Capital. 

A terra do campo de experiências, é pobre em elementos fertili- 
santes, o que logo vemos p3la vegetação natural que apresenta, de 
aspecto rachitico; própria das terras fracas muito communs aqui. 

A rocha dominante é o itabijrito, que contém olijisto (sesqui- 
oxido de ferro), apparecendo lambem uma t-aiif/a ferruf/iiiosa. Aterra 
originada de taes rochas é, pois, ricamente ferruginosa. Duas ana- 
lyses da referida terra, effectuadas na Escola de Minas de Ouro Preto, 
pelo Dr. .1. Michaeli, déramos seguintes resultados, sendo as (pian- 
tidades dos componentes 1'eferidos a 1000 grammas de terra : 

ANALYSE I 

Oxido decai 0,26 

» » potássio 0,25 

Acido » phosphorico 0,03 

Azoto total, 0,11 



30 SOCIEDADE NAi lON Al. UE AGRICULTURA 



ANALYSE II 

Oxido lie cal ... 0,35 

» » pola-ssio 0,33 

Acido plio^^plioiicii 0,0.") 

Azoto lolal 0,42 

Além da IVaca fertilidade da tena em questão, devemcs accentuar 
a aii.sencia de homogeneidade do composição cliimica, propriedailes 
physicas em gráos exagerados, taes como : coloração vermelha carre- 
tjada qne augmeiUa-lhe extraordinariamente o poder de concentração 
caioi-ifica, ijrande permeabilidade, que produz rápido dessecamen to, e 
finalmente cohesão fraca, o que lhe dá excessiva moliilidade e pul- 
verulencia^ quando sêcca. 

O terreno apresenta ligeiro declive e é desabrigado, sendo por 
esle motivo jjastanle castigado pelas venlanias, que não raras vezes 
produzem o acamamento. Como medida proph\ láctica temos sempre 
posto em pratica a suHalagem das sementes, em solução a 4 7o, dan- 
do-se banho rápido. Temos notado que os banhos demorados, segundo 
aconselham alguns, prejudicam extraordinariamente a faculdade ger- 
minativa, não .só das sementes de trigo, como de outi-os cereaes. 
As moléstias cryptogamicas não teem apparecido. 

Os resultados alcançados, deixam-nos acreditar quanto á adoptação 
de ceiias variedades, em vista do factor clima, parecendo-nos mais 
propicias as do Triticum duram. 

A questão agrologica para a cultura do trigo, entre nós, parece-nos 
a de menor importância, uma vez (jue procuremos cultival-o nossas 
boas terras. 

São os mezes de muiço, abril c maio, os mais próprios para o 
])lantio das variedades experimentadas, nas nossas condições clima- 
tológicas, conclusão tirada em virtude do proseguimento das experi- 
ências nos mezes seguintes, o emprego de adubos chimicos lornou-se 
indispensável, em visla da pjbreza da terra, e adoptamos a seguinte 
formula, iwra 100 metros quadrados : 

Escoria Thomas 2 kilogs., sulfato de pota.ssio, 1 kilog. cal, 5 
kilogs. esterco animal, 300 kilogs. A semeadura foi feita em linhas 
distanciadas de 0°, 40, distancia que pide ser vanlajosamenle reduzida 
a 0'",20, como geralmente é plantado o trigo, pslas semeadeirasSmith 
o outras. Eis em synthese, um quadro demonstrativo, dos resultados 
obtidos com as variedades seguintes: 

Trimonia, Farro, Majorca, Barleto e Francy. 





A 


LAVOURA 






31 


lím lOO""' 




VAaiIÍDADES 


5iEzr;s 


Triíueuia 


Farro 


Majoroa 


líai-leto 


Fi-aacy 


FovereU-o 

Março 

Abi*il . 


1 
11,5 

S.O 

20,0 

20,0 

14,0 

14,7 


I 
15,11 

14,0 

i0,0 

2:!,0 

li, 5 

16,7 


1 
17,0 

21,0 

21,0 

19,0 

55,0 

20,0 


1 
2-4,5 

24,0 
24,2 


~ 1 










Medias ~ 


16,0 



Vemos que, apresentaram maiores prociucçues us variedades Ma- 
jorca e Baiieto, cujos colmos altingiram a r",50 e l^.eo de altura. 
O peso médio do hectolitro de grãos para cada uma das variedades foi 
o seguinte : 

k 

Trimenia 78,5 

Farro 73,3 

Barleto 76,5 

Majorou .... 76,5 

Os autores dão geralmente para peso médio do hectolitro, 75 
kiolgs. , o que nos mostra vantagens nas nossas experiências. Vem ao 
casa, citarmos as proluções médias do trigo, segundo Grandeaú, para 
os seguintes paizes : Inglaterra 27,7 hectolitros por hectare, Bélgica 
25,1, lloUanda 22,2, Noruega 20,8, Dinamarca 17, i, França 15,4, 
Áustria 15,0 e Ilespanha 14,0. 

O rendimento de Portugal, segundo affirma Paulo de Moraes é de 
nove hectolitros. Nos Estados Unidos da America do Norte, segundo 
o referido agrónomo francaz, os terrenos virgens davam 15 a 18 he- 
ctolitros e hoje não dão mais que 7 a 8 Iieclolitros. 

Opportunamente contiiviaremos com observações e considerações 
'-obre a cultura de tão importante cereal, para o ijual os agricultores 
(los Estados do Sul do Brazii, devem volver as suas vistas ; pois, 
climas e terrenos adequados não nos faltam, para a exploração com- 
pensadora do precioso grão. 

Bello Horizonte, 14 de março de 1909. 

IIenrijue Vaz, 
Engenheiro-agronoiíio. 



32 SOCfEDAuK NACIONAL DE AGRICULTURA 



EXPEDIENTE 



Secretaria 

Janeiro 

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA 

Cartas 227 

Circulares 3 

Telegrammas '■ii 

Offlcios do governo 10 

» particulares 12 

Propostas 2 

275 

COURESPONHENCIA EXPEDIDA 

Cartas 165 

Circulares 273 

Telegrammas 153 

Ollieios (io ;iuverno 5 

Offlcio particular 1 

^1 Lavoura 3.879 

Folhetos diversos 67 

Registrados do diplomas 83 

Registrados de distiiictfvos 4 

4.630 

Fevei-eix*o 

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA 

Cartas 285 

Circulares 5 

Telegrammas 9 

Offlcios do governo 4 

» particulares 9 

Propostas para rorneciraentos 2 

314 

COKRESPONliENCIA EXPEDIDA 

Cartas S5 

OfflcidS do governo í> 

Circulares 343 

Telegrammas 7 

Registrados — cartas e diplomas 8 

A Lavoura 2.085 

2.536 



A LAVOURA 



Março 

COKUKSlOiNDENCIA EXPliDlUA 

Cartas 58'J 

Oíílcios do governo 5 

» particulares 15 

Circulares -I 

Telegrammas 7 

COUKESPONUENCIA EXPEDIDA 

Cartas 177 

Tclograinmas 17 

Circulares 1.292 

OíHcios do governo 12 

» particulares • . . . . 18 

Noticias e informações 26 

Registrados (cartas) 26 

A Lavouro. ... 5.874 

7.(54-.' 



Secção <le foi*iieciiiieiitos 

Janeiro 

Pedidos 

Numero de rolos 

Metragem 

Custo no mercado 

Custo pela Sociedade 

Economia realizada pelo sócio 

Fevereiro 

Pedidos 

Numero de rolos 

Metragem ' 

Custo no mercado 

Custo pela Sociedade 

Economia realisada pelo sócio 

3200 



24 

584 
154.445 



7:583x000 
4:963!jl20 

2:619,S88U 



29 

836 

319.960 

13:680$000. 
8:4;-!a$(J60 

5:240^340 



SOCIEDADE NACIONAL DK AGRICULTUn.i 



.Varço 

PoJiilos 20 

Numero de rolos 690 

Metragem 127.305 



Custo no mereado . . 7 : 383s0()0 

Custo pela Sociedade 5:00'.i.$40J 



Economia realisada pelo soi-io 2:373.^000 



OfHeio lioin'o*o— Ministério da loJustria, Viação o Obras Pablic^vs— 
Iiircctoria Geral de lodustria— 1* Secção— N. :í4— Rio de Janeiro, 23 de Janeiro 
de 1909. 

Attendendo á maneira pur que conliibuiu essa Sociudade par-i o bom êxito 
da Kxposição Nacional, não só pela interessante exhibiçã.o dos trabilhos a seu 
cargo, como tarabcin pola realização das exposições de llores, fructas o pássaros, 
agradcço-vos, em nome do Governo, a cooperação que assim prestastes para o 
resultado daquoUe certamen. 

Saúde c fraternidade. — M. Calmun. 

Sr. Presidente da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A.ssoeia,(;ã,o Coniiiiofoial tle Santos — Recebemos communi- 
cação de ter sido eleita pira o auiio du 19 J9 a 191U a seguinte directoria : 
Presidente, José Domingues Martins. 

Vicc-1'pesidente, José Francisco Malta. 

1" Secretario, Dr. Azarias Martins Ferreira. 

2° Secretario, Frederico Ernesto Aguiar Whilaker Júnior. 

Thesourciro, António Marquez Ronto de Souza. 

Directores : 

Dr. Gustavo Delfino Martins de Siqueira, Goorge Roseinlieim, John Muhl, 
Fre.leric'í Fairchild, George W. Ennor, Antjnio Carlos Bezerra Paes, II. HalTers, 
José Pinto da Silva Novaes. 

Sncieilaclo ííoopoi-ativa tle Oiii'o l^^ino — Por tclegramma 
recebido do Sr. Alexandre Pinto, tivemos comraunicação de ter-se installado a 
SociediJe Cooperativa de Ouro Fino. 

Registramos cjm prazer mais osse congraçaraeuto do lavradores, que se fosse 
por todos imitado, muito outra seria a posição da lavoura brasileira. 

A iustillação teve lugar em k5 de janeiro corrente. 

Auguramrs prosperidade . 

Terremoto na Itália — O Sr. D,*. Woncosláo Hello, presidente da 
Socijlado Nacional de .v^Ticultura, em resposta ao tcle^rram na de coudolencias 
que enviou ao Kxiiii). Sr. Dr. .Sanarclli, sub secretario da Agricultura, Commercio 



A LAVOURA 35 



e Industria (la Italii, por occasião dos luctuosos acontecimentos que alli se passa- 
ram, recebeu a seguinte carta: 

Roma, 5 Gennaio 1909.— Ulmo. Sig. Presidente.— Sinceramente grato por le 
parolo gentile di sentita condoglianza che Klla a nome di codesta Società si ècom- 
piaciuta inviarmi dopo la terribilo catástrofe che ha colpito due nobili regioni dei 
inio paeso, soato ildovore di riugraziarla quanto piii vivamente mi é possibile. 

Nellora triste che la mia pátria siá travorsando le voei concordi di si vorace 
simpatia, che qui arrivano di tutte le pirti dei mondo, remlono grande conforto 
e speranza nell'aaimo nostro riconoscente. 

Coi rinnovati miei ringraziamenti si abbia pertanto lo espressioni dolla mia 
piii alta stima e considerazione. — C. Sanarelli. 

Ulmo. Sig. Dott. Wencesláo Bello, Presidente delia Società Nazionale di 
Agricoltura.— Riode Janeiro — {Brasile). 

— O Sr. Dr. Wenceslau Bello, Presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, 
entregou hontem ao Sr. Cônsul d.i Itália a quantia de 2:302.$200, producto da 
subscripção que promoveu entre a classe agraria, tendo a ella adherido os seguintes 
senhores : 

Sociedade Beneficente Italiana Victorio Emanuel 11 . 1:10S$000 

Sociedade Pastoril Agrícola Industrial do Jaguarão . 503$200 

Cooperativa Orlando 200SOOO 

Sociedade Nacional de Agricultura ãOO$000 

Centro Económico do Rio Grande do Sul .... 10n$000 

Syndicato Industrial Agricola Paraense õO.^OOO 

Associação Rural de Ragô 50,$000 

Syndicato Agricola do Alto Imbé 3O$0OO 

George Boettger e Max Fank 11$000 

Coronel Manoel de Freitas Valle 50$000 

Total â:302$200 

Sócios novos — Inscrcveram-so sócios da Sociedade Nacional do Agri- 
cultura, durante o r trimestre deste anno, os seguintes Srs. : 

Capitão João de Souza Vieira. 

Major Joaquim Manoel dos Santos. 

Pasclioal Vaz Otero. 

Dr. Fernando Luiz dos Santos Werneck. 

António Dias Garcia. 

Manoel Dias Garcia. 

Albino de Azevedo Branco. 

Dr. Benedicto Cordeiro dos Campos Valladares. 

Coronel Alfredo Villela de Andrade. 

António Fernandes Moreira Magro, 

José Barbosa Gonçalves. 

Jorge Abrão. 

Arthur Hormam Schlobach. 



36 SOCrEDAUE NACrON'AL DE AGRICULTURA 

Padre Joaquim Martins Teixeira. 

Napuleão Reys. 

Curonel límygdio Gemiauo. 

Gastão sonna Campos. 

Kraucisco Aug-usto do Castro. 

João Aufiusto da Costa. 

António José Rodrigues. 

José Rangel Jiinior. 

Dr. João Nunes Lima. 

Benjamim Ivezende. 

Jacub Franciscone. 

Josô Alves Pinto. 

Capitão António Candidi). 

Capitão Oiympio Cordeiro Maciel. 

Elis3r Franklin dos .Santos. 

LI. Maria do Carmo de Paiva. 

i:duardo Andraile de Oliveira l'ias. 

Eloy de Souza Vieira. 

^^lpidio dos Reis Nunes. 

Leopoldo de Lima e Silva. 

Luiz Lúlo. 

Samuel Pontual .lunior. 

Ur. Geminiano Uomcs Guimarães. 

António José de Almeida. 

Irineu Rufino Pimentel Harbosa. 

Coronel João Chrisostomo do Campos. 

Intendência Municipal de Cuyabá. 

Coronel Francisco Alvos Barreiro. 

Capitão Sijrismundo Mendes dos Smtos. 

D. Francisca Honoria Ribeiro do Cirvallio. 

Tenonte-coronel Manoel Lopoa Carneiro da Fontoura. 

Ur. .lacques Henri Bornard. 

Dr. Gustavo Metral. 

Franklin Eduardo de Cerqueira. 

Coronel .loaquim Ribeiro do Avcllar. 

Adalberto do Andrade. 

Henrique do Almeida Leito Guimarães. 

Major Simplício Ferreira da Fonseca Júnior. 

Militão Bivar. 

Eduardo Augusto Camará. 

António da Silva Xeves. 

Tenentecoroucl José Mariano do Castro Araújo. 

Major Luiz Soares de Gouvôa. 

Izidoro Silva, 

Schomaker vV Comp. 

Coronel Jacintbo Honoiúo de Paula. 

Manoel da Cruz Navarro. 



A LAVOURA :>7 



Major Victor Garcia. 

Carlos Ribeiro Monteiro da Silva. 

Heitor Vieira de Rezende. 

Dário Diniz Mascarenhas. 

Coronel José Moreira Carneiro Felippo. 

.\ntonio Pereira Coelho. 

Tenente-coronel António Pereira da Silva. 

Capitão Mioervino Satyro de Farias. 

José Pereira Reis. 

Joaquim Corrêa Sobrinho. 

José Ferreira Sanflorgo. 

Sovoro Leão da Costa e Silva. 

Leonardo Conegundes do Barrus. 

Gil Pires de Araújo Seda. 

Kmilio Corrêa. 

Coronel Olympio Militão dos Santos. 

Coronel Joaquim Severiano de Carvalho. 

Moysés dos Santos Lima. 

Major João da Costa Ribas. 

Octávio Machado Gontiyo. 

.\rthur Antunes do Siqueira. 

Prefeitura Municipal do Poi.'03 do Caldas. 

Urbino de Souza Vianna. 

António Augusto Teixeira. 

Amador Pinheiro do Harros. 

Capitão Leonardo Furtado da Costa. 

José Rodrigues Coelho. 

Lindolpho Rodrigues Coelho. 

Afifonso Moreira de Mendonça. 

Aprigio Pinto de Andrade. 

Dr. Arthur Leandro do Araújo Costa. 

Sociedade Paulista de Agricultura, Commercio e Industria. 

.loão Duarte Ferreira. 

Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto. 

General A'lolpho Menna Barreto. 

José Villela Marques. 

José Alexandre Villela de Andrade. 

Virgilio Reginaldo Monnerat. 

1" Tenente Francisco d'Avila Garcez. 

Afifonso dos Santos Rangel. 

Sosostres Liias Maciel. 

Coronel Francisco Luiz de Barros. 

Dr. Júlio de Souza Meirelles. 

Carlos Baptista de Castro. 

Joaquim -losô Soares. 

Francisco Gomos da Rocha. 

Luiz .\ugusto do Souza Vieira. 



"M SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Francisco de Souza Vieira. 

Theod Rombauer. 

Manool Fernandes do Couto. 

Manool Costa Seixas. 

.Tosi' Soares Peixoto. 

João Gonçalves Ferreira. 

Roberto Cotrim Berla. 

Sylvio Betim de Paes Lenio. 

Eduardo Wilson. 

t'oroQol Manoel Alves de Araújo. 

António dos .Santos Camilher. 

Aydano de Seixas Martins Torres. 

João Augusto de Oliveira. 

Coronel Francisco Hueno da Costa Macedo. 

Manoel Peroira Lima. 

Justo Ribeiro Maciel. 

Dr. Alfredo Augusto Guimarães Backer. 

Major José Bonifácio Pereira. 

António I.uiz Ferreira Guimarães. 

Manoel Lopes da Silva. 

Paulino Mendes. 

Tertuliano Braga. 

Coronel Oscar da Costa Lage. 

Capitão João lívangelista da Costa Lage, 

Major José Machado da Costa Lage. 

Octávio de Carvallio Drumraond. 

José Pires Filho. 

E, Veras I'"ilhos & Comp. 

Primittivo José de Carvalho. 

António Santeiro dos Reis. 

Ivnéas de Souza Pires. 

Manoel Acrisio Xavier Bezerra. 

Capitão Roldão Assenso Pereira Lopes. 

Armando Campcllo. 

Pedro Maury Filho. 

Major Ozorio Pereira. 

Joaíjuim Dias dos Santos Duarte. 

Joviano Fernandes. 

1° Tenente Guilherme d(3 Araújo. 



Secção Technicá 

— Dos Srs. Ilopkins, Causer Ã; llopkins, estabelecidos a rua Theophilo Ottoni 
n. 95, nesta cidade, recebemos uma cana capeando catálogos de niachinas para 
lavoura e fabrica de manteiga, de gado de raça eda chocadeira Alfn Pinto, etc. 



A LAVOURA 



:» 



Quanto á iastallação de uma fabrica de manteiga, apresentam aquelles senho- 
res os seguintes orçamentos: 

InslaUação para íOO litros 

1 desnatadeira Alfa Lavai, Cl, p. 150 litros por hora. 220A000 

1 batedeira Alfa, aeo, n. li p. 25 litros cada vez . . SOsOOO 

1 Espreraedeira B 90s000 

Tiíermoraetro, -is; vidro graduado, 4s SsOOfl 

Baldo esmaltado, 8s; balde irradiiatio para 15 litros . 28.S000 

Coador 25 cm., coador com cabo 7$500 

Escovas ns. 3, O, « e 14 10.S500 

Espátulas C, F e H lOsõOO 

1 kilo de corante para manteiga «Tomo» . . . ., 6^500 

461^000 

Installaçtto para 300 litros 

1 desnatadeira Alfa Lavai Cl, para 200 litros por hora 270ÃiiOO 

1 batedeira n. 12, Bradfords para 35 litros. . . . 17O.'^0OO 

1 espreraedeira de SO centímetros 23OSO0O 

Accessorios como acima 71$000 

741$00''Ó 

Inslallnção para 500 a SOO litros 

I desnatadeira II, 400 litros por hora, com polias. . 580.$000 

1 batedeira n. 14 para 70 litros ãõ0§000 

1 oxpremedeira l^.OO 3808000 

Accessorios 7I§000 

1:281.4;0U0 
Eixo de transmissão, 4", 00, 3 polias, raancaes, ar- 

ruellas de pressão, correias 320$000 

1:601 $000 
Agradecemos penhorados as informações que generosamente nos prestaram. 



— Do Centro das Experiências Agricolas do Kalisijndihal, Alleraanha, com 
agencia nesta cidade á Avenida Central, 117, 1° andar, recebemos um prospecto 
sob o titulo « Aduliação e Tratamento das Pastagens », que agradecemos. 

O prospecto (• deveras instnictivn e de Cirande valor elucidativo sobre os 
cuidados culturaes, tratamento g adubação dos pastos. 

Os interessados podem adquirir, livres de quaesquer despezas, não só eãse, 
senão todos os outros relativos à agricultura, que o alludido «Centro» tem dado 
á publicidade. 

Para isso basta que dirijam os seus pedidos á agencia do mesmo Centro, á 
Avenida Central 117, 1" andnr. 



40 SOCIEDADE NACIONAL, DE AGKICULTURA 

]Vfa.cIiiiiisiuo>< parít iiiaiifliocii, — Rio de Jaaeií-o, 5 de jaoeiro 
de 1908. 

Exrao. Sp. d.'. Presidonto o mais H. Directores da Sociedade Nacional de 
Agricultura — Nesta. 

Amigos e Seniiores. — Só agora, era consequência de muita occupação, ti- 
vemos ensejo do ir^r o njletim «A Lavoura» dessa lienemerita Sociedade, sob 
n. 8, do aifosto de 1908, ora cuja pigina 349 doparáraos cora a se;.Miinte noticia : 

MachinisMos para mandioca. — Rocebemos do Sr. Dr. Manoel de Albuquerque, 
residente oní Cintagallo, uma carta em a qual coramunica-nos este Sr. ter acliado 
muito e (elevado o orçimento que os Srs. Areus .t Coinp. publicaram em um dus 
números passidos d' «A Lavoura» para macliinismos de mandioca. Diz-nos maia 
aolur-sfi habilitado a foinecer um engenho coraploio por 2:000^,000, em tudo per- 
feitamento igual ao que usSrs. Arcns i^ Comp. lêem á venda. 

Não temos por habito responder a curiosos nm mochanica. nom nos sobra 
tempo para analyse do que qualquer desconliecidn ontondeT' dar ;l publicidade ; 
mas, no presente caso, t5 com prazer que deixamos de um lado asses procono ntos, 
para, por intermédio dessa illustre directoria, convidar o nosso original pseudo- 
competidor a exibir nessa SociodaJo as machinas quo diz po ler fornecer, em tudo 
perfeilamenle iguaes ds nossas, para um confronto com as que, de nosso Stock, es- 
tamos prnmptos a levar para o mesmo local, subnettendo-aí ao julgamento dessa 
impoluta Directoria, cuja decisão muito acataremos. 

.\liás, occorre-nos mencionar que a nossa casa fornece desde longos annos 
machinismos de mandioca para proços muito inferiores a 2:0iWrO00, como temos 
tido occasião de demonstrar a essa Directoria, o não nos consta que atr- hoj!) 
algum imitador ou falsiflcador de nossos systemas haja conseguido vendel-as 
exoetamenle iijuaos e por monoi' preço. 

.•Vguardomos o confronto ; o com a pabllcaíão dosta, muito obsequiareis os 
V>i V. Srs. Altos. Obrms. o Crds. — Arens & Comp. 

r»a.ssax-o8 iitois á Lavoui-si — O Dr. Wencesláo Bello, presidente 
da Sociedade Nacional do Agricultura, recebeu do tenente-coronel Fernando da 
Silveira a seguinte carta, que julgamos sor de útil leitura porá os lavradores: 

<\a qualidade do agri;uUor, acompanhando sempre com o mais vivo in- 
teresse o nobre esforço dessa sociedade em prol da agricultura em nosso paiz, 
venho trazer a V. s. uma commuoicação de observação pessjal rainha, pe 
dindo a essa benemérita sociedaie divulgal-a, se assim achar necessário e pro- 
veitoso. 

No interior d) nosso vasto paiz ha o mão vezo de destruírem animaes, sem 
indagarem si são elles inoíTeiisivoí, beueflcos ou damoinlios ;l lavoura. 

São muito conhecidos os pássaros de nomo \nun, de duas espécies, o proto 
e o branco, que abundam nas roças e vivem e.n baalos, não soodo tambjm igno- 
rada a grande mitança que fazam dessjs pássaros os desjccupidos e perversos, 
só paio simples prazer de destruir, pois Dão se prestam elles para a alimentação, 
como os pombos, macucos, etc. 

O pássaro em questão é ura animal útil á lavoura e como tal deveria ser pou- 
pado e protigido pelos lavradores, não consentindo que em suas terras se divirtam 
os vadios em destruil-os. 



A LAVOURA 



O facto é o soguinte: a minha fazenda, em Juparanã, Estado do Rio de 
Janeiro, não ha muito tempo foi invadida por uma temerosa nuvem de ortlio- 
pteros saltadores, que pousaram em parte do minlias terras, não destruindo 
completamente pastos e plantações, devido, talvez, a virem já saciados de outros 
logares . 

Ao levantarem, porém, acampamento, deixaram os ovo^, que se transforma- 
ram em uma quantidade colossal de saltões, que, felizmente, lòram completa- 
mente destruídos pelos úteis pássaros— os Anuns. 

Nestas condições, desejando levar ao seu conhecimento esta observação que 
me parece de incontestável utilidade, rogo fizer delia o uso que mais conveniente 
julgar e prevaleço-me da opportunidade para apresentar a V.S. as seguranças da 
minha mais elevada consideração.» 

Na secção de zoologia agrieola, que esta sociedade apresentou em seu pavilhão, 
na exposição nacional, e que foi organizada pelo 2" secretario, Dr. Benedicto Ray- 
mundo da Silva, figuram as referidas duas espécies de anuns no grupo dos animaes 
úteis á lavoura, o, no respectivo catalogo, já publicado, lè-se a respeito da pri- 
meira 6 mais commum, o seguinte: 

«Anil, anun, and preto, anií pequeno. (Rio de Janeiro), (cretophaga anú, 
Leum . ) 

Os anus são aves sociáveis, grandemsnte úteis, que em abundância se encon- 
tram nas mattas, mas especialmente nas baixadas e campos, chegando aos de cri- 
ação, onde bons serviços prestam, dindo caça habilmente aos carrapatos, que 
tanto castigam o gado vaccum. 

Não raro veemse por sobra o dorso dos pacientes boi^, de parceria com ou- 
tras aves úteis, taes como alguns pequenos gaviões chamados vulgarmente car- 
rapateiros. 

Nidifica, segundo consta, do setembro a março, em pequenas arvores do 
campo. O ninho é toscamente feito de fragmentos de galhos scccos, mas reves- 
tido de folhas, e em seu interior se acham 03 ovos em numero de seis a 15, co- 
bertos de uma camada calcarea branca, que retirada deixa ver uma bella còr 
verde azul. 

Devera ser protegidos os anus, attenta a natjreza de sua alimentação tirada 
do mundo dos insectos. 

Habitat — Rio do Janeiro, Minas Geraes, S. Paulo, Bahia, Pernambuco, 
Ceará, Rio Grande do Sul, norte da Republica Argentina, Paraguay e Flo- 
rida.» 

Assim, pois, tratem os lavradores de proteger com carinho os inoflfensivos 
anus, pois que elies, apezar de malsinados por inúteis, são espontoneos e 
vigilantes defensores do gado o das culturas e, emquanto se não organiza o 
serviço publico de defeza agrieola, fão necessário e já tantas vezes reclamado, 
elles serão dos poucos auxiliares permanentes o efflcazes com que a lavoura 
pode contar para se defender do damninho carrapato e dos devastadores ga- 
fanhotos. 



3200 



•42 



SOCIEDADE NAaONAL DE AGRICULTURA 



Secçlo de plantas 2 sementes 



Boletim da expedição de plantas e sementes do 1° trimestre 

de 1909 



ESPECIFICAÇÃO 



Alfafa 

Batatas .... 
Cânhamo . 

Cebola 

Celga vnlgaris. . 
Kspargo. . . . 
luhame (raízes de) 

Lolium 

Mucunã .... 
Mudas de abacaxis , 
Paspalnm dilalalum 
Sarraceno . . . . 
Sarradella . . , . 
Viscia saliva . . , 



UNIDADES 


PB808 





k 
5 


— 


!(ll 


— 


3,200 


- 


■í,80u 


— 


.3,600 


- 


iVm I 


- 


r.2 


— 


Gõ 


14.750 







1 


- 


,500 


- 


1.'>,25I^ 


14.750 


1.073,^0 



1 

100 



3 

2 

.5 

59 

1 
1 
1 



197 



Km 110 remessas. 



?■■*«»*«**- 



NOTICIÁRIO 



Estiido ílo l^araná — Leg-islaoíio sobre caça. e pesca— 

Com viva o justa satisfação damos á publicidade a lei n. 859, do 27 do março 
de 1909, promulgada pelo executivo do rico e progressl.sta Estado do Paranfi, lei 
que visa a protecção devida aos aniraaes. 



A LAVOURA 43 



Quo os demais Estados do Brazil ainda não possuidores da lei nesse sentido, o 
fa^am sem demora, não só como medida económica, sinão também altruistica e 
civilisadora. 

O autor da alludida lei, ó o nosso consócio o Dr. M. Corrêa de Freitas. 

LEI X. 859 — DE 27 de março de 1909 

O Congresso Legislativo do Estado do Paraná decretou o eu sancciono a lei 
seguinte: 

Art. 1." Fica expressamente proliibida a caça de quadrúpedes o aves durante 
a época da procreação, isto ó, nos mezes de setembro a abril do cada anno. Esta 
disposição não se entende com os carnívoros. 

Paragraplio único. Quanto aos pequenos pássaros e aos pássaros cantadores 
é absolutamente proliibidn, a ciç.i era qu;ilqiier tempo. 

Art. 2.» Fica espressainente prohibida a pesca do peixe por meio de arrastões 
de malha miúda, de peneiras ou parys de malha miúda, do dynamite e outros 
explosivos, e do emprego do tirabó e do qualquer outros tóxicos. 

Paragrapho único. Fica também prohibida a pesca nos rios o lagoas, na época 
da desova (piracema). 

Art. 3." O infractor desta lei s^rá punido cora a multa de cem mil réis a um 
conto de réis o o dobro nas reincidências, aléai de outras penas. 

Paragrapho único. Para o individuo que for encontrado com redes para caçar 
pássaros ou aves, a multa será elevada a um conto de réis o ao dobro nas 
reincidências. 

Art. 4.0 Fica estabelecida nas escolas do Estado, entre outros preceitos ou 
lições do moral, — a protecção devida aos aoimaes. Nesses conselhos mc-aes os 
professores farão sentir aos seus alumnos o quaato rebaixa a humanidade não 
só os máos tratos aos animaes, como a matança dos pássaros. 

Art. õ.» O Govorno fica autorizado a regulamentar esta lei. 

Art. 6.» Revogam-se as disposições em contrario. 

Os Secretários de F.stado dos Negoaios do Interior, Justiça e Instrucção Publica, 
Finanças, Comraercio e Industrias e o de Obras Publicas e Colonisação a façam 
executar. 

Palácio da Presidência dj Estado do Paraná, em S7 de março de 1909, 
21° da Republica. 

Francisco Xavier da Silva, 
Luii António Xavier. 
Joaquim P. Pinto Chichorro Júnior. 
Claudino Ilogoberlo Ferreira dos Santos. 

Publicada na Secretaria de Estado dos Negócios do Interior.Justiça c Instrucção 
Publica, cm 99 de março de 1909. 

O director, João terreira Leite. 

Fica a cargo de quacsqner das autoridades, tanto ostaduaes como municipaes 
a execução flel desta lei. 

As multas reverterão ora sua totalidade, quer para os guardas pcilioiaes ou 
municipaes, quer para a pessoa, que denunciar. 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Crertito A-g-x-icoIa, — E' o seguinte o toor do docrcto d. 2.080, de 7 
de janeiro de 190», que manda applicar As associ;içr«s de credito agrícola ou de 
credito h> potliecario e agrícola as excepções contidus no arl. 1», n. 2. § 4*, do 
decreto n. 177 A, de 15 do setembro de 1893: 

< O presidente d.i Republica dos Kstados Unidos do Brazil : 

Faço saber que o Conírres-so Nacional decretou e ou sancciono a seguinte reso- 
lução: 

Ari. 1". São applicavois ás assocíaiões do crediío afrricola ou de credito liypo- 
thecario e agrícola as excepções contidas no art, 1 ■, n. 2, S 4", do decreto 
n. 177 A, de 15 de jetombro de 1893. 

Art. li". Revogam-se as disposições em contrario. 

Rio de .laneiro, 7 de janeiro de 1909, ííl^da Republica. 

Affonso AuGiSTO Moreira. Pbnna. 
Miguel Calmon du Pin e Almeida.» 

— Pelo governo de Minis foi entregue ao Banco de Credito Real de Juiz do 
Fora a quantia de 2. ,500:000$ para se iniciarem as operações do empréstimos agrí- 
colas, de accôrdo com o contracto para esse fim celebrado com esse acreditado 
estabelecimento bancário. Ao me^imo banco foi communicido pelo Dr. .Juscellino 
Barbosa, secretario das finanças, ter o governo de Minas fixado om seis por cento 
annaaes os Juros que, para as operações puramente agrícolas, ilevem ser exigidas 
dos mutuários que fizerem empréstimos pela carteira de credito agrícola. 

.■\^rioiilt»ira no Piaiiliy — A Repartição de Obras Publicas, Ter- 
ras e Colonísação, do Estado do Piauhy, firmou contracto com o Hansuii >t Woo- 
druff Syndicate, de Nova York, para arrendamento de terras devolutas. Entre as 
obrigações assumidas pelo Syndicato figuram as seguintes : 

a) plantar o cultivar em cada anuo da duração do contracto e em épocas 
fixadas pelos contratantes, no minimo cem mil pés de maniçoba, na zona arren- 
dada e em logar que escolherem, de accôrdo com o governo do Estado ou seus 
delegados ; 

b) conservar as arvores de maniçoba já existentes nas terras arrendadas ; 

c) desenvolver, nos torrenos para esse fim appropriados, a exploração ra- 
cional do algodão o das fibras vegetaes, installando para esse fim os appa- 
relhos o macliinismos necessários ao preparo e beneficiamento das ditas fibras 
e algodão ; 

d) empregar os processos mais adiantados de cultura e os appareliios agrí- 
colas mais aperfeiçoados nas lavouras que estabelecerem ; 

e) desenvolver oin larga escala a cultura de cereaes, de maneira a iniciarem 
em prazo opportuno a sua exportação para outros E^tad js ; 

f ) mauter postos e fazer observações meteorológicas nos principaes centros 
de exploração do Hanson ^^ Woodruff Syndicate, em correspondência com idêntico 
serviço mantido pelo Estado de Piauhy ; 

g) desenvolver da forma mais conveniente a exploração do que existir .sobre 
o território, como sejam: madeiras de lei, arvores de borracha, fibras, carnaú- 
baes, jazidas mineraes, productos vegetaes, etc.; 



A LAVOUBA 45 



h) introduzir aniraaes de raça p.ira o nielhararaento da industi"ia pastoril 
nas fazendas de propriedade do Hanson ^^ Woodruff Syndicato, não podendo dei- 
xar de existir pelo menos três reproductores era cada uma dessas lazeiídas ; 

í ) construir estradas de rodagem, ligando os terrenos arrendados, sem apro- 
veitamento o prejuízo dos actuaes caminhos públicos, sujeitando o plano daquellas 
estradas á approvação da Repartição de Obras Fubiicas, Terras e Colonisação. 

Os contratantes gosarâo dos seguiDt';s favores: 

a) isenção de impostos estaduaes, de qualquer natureza e classe, pelo praso 
da concessão, sobre os estabelecimentos de industria fabril que montarem e cos- 
tearem, não se incluiu. lo, porém, nessa isenção as industrias já existentes no 
Estado com caracter permanente; 

b) isenção de impostos estaduaes do industrias e profissões sobre as cooperati- 
vas mantidas por Hanson & Woodrulf Syndicate, para o supprimento do pessoal 
sob sua dependência ; deposito de ferramentas, utensílios e machinas para a ex- 
ploração das industrias agrícola, pastoril e extractiva a cargo dos mesmos Hanson 
óo Woodruff Syndicate ; 

c) reducção de 50 por onto pelo praso de 15 annos nos impostos estaduaes 
de exportação sobre quaesquer proJuetos proviaientos oxclusívameate das cultu- 
ras feitas e mantidas por Hanson & Woodruirsyodicatte, a juizo do governador do 
Estado, ficando entendido que essa isenção não alcança a maniçoba extrahida por 
maniçoba nativa, nem a miniçoba cjmp;'ala pelo syndicato p:;ra a exportação; 

d) ráducção de 50 por cento pelo mesmo praso, nos impostos estaduaes do ex- 
portação, sobre quaesquer productos naturaes existentes nos terrenos arrendados, 
o que, até então, não tenham sido explorados, nem tributados ; 

e) cobrança, do pedágio para transeuntes e vehiciilos nas estradas de rodagem 
que construírem nos terrenos de que são arrendatários, e entre municípios do 
Estado ; 

/) fundação de núcleos coloniais nos terrenos arrendados, ficando os colonos, 
findo a praso deste arrendamento, com direito ao aforamento dos lotes que culti- 
varem, pelo mosmo preço deste contracto ; 

g) fixação durante o praso da concessão dos impostos a que actualmente 
podem ficar expostos os contratantes, os quaes oão puderão ser alterados naquello 
praso, não podendo ainda, na vigência deste contracto, ser creado o imposto sobre 
o capital daemprezi, syndicato ou companhi i quo os contratantes organizarem ; 

h) direito de desappropríação por utilidade publica, de accòrdo com as leis 
em vigor, para as estradas de rodagem que construírem ligando municípios do 
Estado, nomeadamente para a estrada que construírem ligando a víUa de São 
Raymundo Nonato á cidade de Floríauo. 

Ficarani marcados os seguintes prazos, sob pena de caducidade, a contar da 
data da lei, para execução do contrato: 

a) de seis mezes para a organização definitiva do syndicato, empreza ou com- 
panhia exploradora do contrato o publicação da seu? estatutos no jornal oflícial do 
governo do Estado do Piauhy ; 

'') de seis mezes para a iniciação dos trabalhos de demarcação e começo da en- 
trega dos terras aos arrendatários ; 

c) de um anno, para a iniciação das plantações de maniçobaes e lavouras do 
Hanson & Woodruff Syndicate ou da empreza por olles organizada. 



■46 SOCTEDADE NACIONAL DR AGRICULTURA 

Ji!xportíiçã.o tio 1>a,nti,nii;si — Alguns algarismos qtiu deraons- 
tram o gramlo desenvolvimenio da exportarão (If3 baianas nestes últimos 
annos: 

Em 1933: Santos 63.791, cachos; Paranaguá, 182.4!í6; Florianópolis, 552.015 ; 
diversos. 801.230; total, l.650.52ê*. 

Enj 1907: Santos, 3o9.5()9; Paranaguá, 092.5:i7 ; Florianópolis, 7-17. -135; di- 
versos, 103.-127 ; total, 1.882.904. 

A exportação 6 feita qu:isi exclusivaraento para as Republicas Argentina e 
Oriental e mais considerável se tornará quando íoi feita para Europa onde o con- 
sumo angmenta de dia para dia. 

Sociedade de A-g^riciiltux-a, do I*ax'aná — Ficou constítuida 
da seguinte forma a nova directoria desta sociedade: 

Presidente, Dr. A. A. do Carvalho Chaves ; vice-presidente, Dr. Jayme Reis; 
1» secretario, Dr. Duarte Velloso ; 2° secretario, João Barcellos e thesoureiro, Al- 
fredo de Freitas. 

Hliisiiio A^ç^x-it-ola, — E' bastante animador o movimento que se nota 
no Daiz em favor do ensino agrícola, não só por parto dos governos como também 
da iniciativa particular que já se fez sentir de modo patente. No>ta secção em quo 
apenas fazemos o registro do que nuis interessa á agricultura, temos hoje a satis- 
fação de traduzir o movimento a quo acima alludimos, nas noticias quo publicamos 
a seguir: 

— i-m sessão extraordinária, a Gamara Mmnicipal de Uberaba approvou a se- 
guinte indicação: 

« Fica o afiei. to execuiivo autorizado a propor ao Sr. Dr. John Wiliam Tar- 
boux, director do Gyrnn.isio «0"Granbery», de Juiz de Fora, a fundação nesta cidade 
de uma Escola Praticado Agricultura e um gymnasio equiparado ao Oyninasio 
A'acional, mediante as seguintes condições: 

1.» A municipalidade fornecerá, dentro do património municipal, os terrenos 
necessários para a Escola Pi-atici de Agricultura e dentro da área urbana os ter- 
renos necessários para a edificação do gyainasio e, caso queira fundar uma Univer- 
sidade, 03 terrenos que também forem necessários ; 

2." A municipalidade garante uma subvenção annual equivalente a 7 % do 
capital eíTecti vãmente empregado na construcção doi cdificios para a Escola Agrí- 
cola e Ciymnaáio ató a quantia de 300:000$, dentro de um prazo que começará a 
correr da data da inauguração do primeiro osíabelocimeuto e terminará precisa- 
mente 10 annos depois ; 

3." Dentro do prazo da subvenção, a municipalidade terá direito á admissão 
gratuita de alumnos no internato c externato dos estabelecimentos referidos, cal- 
culada sobre a frequência, sendo a razão de 3 "/o para o internato e 5 »/„ para o 
externato ; 

4.* Para gozar da subvenção o concessionário justi&cará perante o agente 
executivo as despezas clTectuadas cora a coustruííção dos odidcios da Escola do Agri- 
cultura e Gymnasio ; 

5.'^ Us estabelecimentos gozarão da isciição dos impostos municipaes.> 



A LAVOURA 47 



— Da Parabyba do Norte cheg-a-nos a noticiado governo do Estado protender 
fundar uma escola agrícola cuja activirtaie abrangei-á os três ramos agricola-indus- 
triaos : lavoura eccnomica, leiteri.i e industrix pastoril. A iiistallação está orçada 
cm 'ip conto?, inclusivo as despezas diversas dos trabalhos do primeiro anno, des- 
poz^v essa que desapparecerá ou diminuirá cnnsi leravelmeiUe nos aonoj que se 
seguirem ao da fundação, segundo cálculos do governo. 

A escola receberá anuaalmento até 15 alumnos pobres, tomados a pequena sul- 
dada perante o juiz do orpliãos, sendo a mesma recolliida semestralraento á Caixa 
Económica para constituir o pecúlio do operário agrícola aos seus 21 annos. 

O ensino será pratico nos campos por meio de machinas e nocturno nos cui^sos 
de primeiras lettras, portuguez, arithmetica, noções de physica e cbimica indus- 
triaes e economia rural . 

A directoria (■' composta de quatro professores, tendo ella mais 50 »/<, so\)re o 
seu ordenado polo magistério exercido. Essa quantia será tirada do próprio rendi- 
mento da escola, bem como a soldada dos alumnos. 

Terá a escola era seus estabulas reproductores das raças bovioa^i, asinina c 
cavallar com o fim de melhorar as raças já existentes no Estado. 

Neste estabelecimento destinado a tornar-se o coatro de iastrucção profissional 
do Estado será creado um syudicato do producção e consumo, fazendo por essa 
forma jús á subvenção de 15 contos aonuaes concedida pelo governo federal e com 
a sua provável renda, a sua esphera de acção poderá se dilatar bastante. 

A instituição modelar- se à pelas Fruitieis Ecoles de França, onde também 
existe, como principio fundamental, o cooperaíismo agricola-induslrial. 

E' o seguinte o orçamento das suas despezas: um locomovei a álcool de 
2 H. P., 4:000$; um arado de disco, 200$; uma grade de ferro, 100$ ; um plan- 
tador, Planet, :M0$ ; um capiíialor, 400$; uma carroça de quatro rodas, 1:000$; 
seis burros de trabalho, 300$; dous bois do trabalho, 150$; drenagem dos terrenos, 
1:000$ o estradas, 500$000. 

— O Lyceu de Artes e Offlcios de Campinas vae fundar nesta cidade uma 
oscola agrícola, destinada ao ensino theorico e pratico da agricultura, para os 
meninos pobres e abandonados na cidade. 

— Foi inaugurado em Bello Horizonte o InslUuto João Pinheiro, creado por 
decreto de 9 de fevereiro desta anno. O fim visado pela bellíssima insti- 
tuição é a assistência á infância desvalida. Além da educação intellectual, 
vasada nos mais modernos processos do ensino, c adstricta ;l missão que a assis- 
tência devo realizar, compreh^ih o programma do Inslilulo o ensino pratico da 
agricultura e de um offlcio. 

O instituto acha-se installado na magniâca fazenda de demonstração agrí- 
cola que é a Gameleira. 

Importação ds animais — E' considerável o numero di animaes estrangeiros 
introduzidos no paiz, principalmente no Estado de Minas Geraes, cujos criadores 
corresponderam ao appello feito pelo Governo, excedendo em pou.o tempo o nu- 
mero de auimaes oncouimoudados a mais de mil. A maior parte destes animae; 
já chegou a) seu destino em oondiçíjes muito salisfactorias, tendo sido a sua 



4s SOCIKDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

importação feita pola casa Hopkios Causer iV Ha^kios. Do« b^víaos, cerca do 
200 pert 'ncom lís raçis europó.is Lincoln, HereforJ, lirowa-Schwitz, Holstuin, 
Simeutal.Oidenburg, Fiúburgucz, Jorsey, ijuornsoy, Sliorthorn, Soiitli iJovou, etc, 
sendo o restante onstituiJo pjr zebús que merecem a preferuneia dos criadores do 
triangulo minoiro. As cabras importadas perioncem ás raças Toggenburg, Sun- 
dgan, AmoIg'in ; os ovinos á Soutli Devon ; galliolias, ás raças Cjchíncliina, Bra- 
linia e Piymouth e suinos, principalmente á Large-Black. 

— Foram ainda importadas, paio Estado do Minas Geraes, quatro éguas, Per- 
chcrOD, puro sangue, animaes estes criadus na cbana do general Roca. 

— Para diversos criadores do Estado do Rio, importou a casa Hopkins Causer 
& Hopkins, 14 roproductorea de suinos Largo-Black. 

— O Ceará preoccupa-se também com o melhoramento de seu gado, tendo im- 
portado alguns reproductores Holstein com excellentes resultados. 

— O conde de Hervé de la Morinière, criador bastante conhecido na America 
do Sul, desejando contribuir para o movimento em prol da criação braziloira, tem 
importado da Europa aliruns reproductores, como sejam cavallos Yorksliire, car- 
neiros Oxford, etc. 

— Finalmente tivemos ainda em S. Paulo a Exposição Bornardez que se rea- 
lizou de 15 a :.'4 de fevereiro no Posto Zooteclinico da Capital. 

A maior parte dos aoiínaes que nella figuraram foram adquiridos por cria- 
dores de S. Paulo e dos Estados vizinhos. 

— O Sr. Frederico Cerdtzen, engenheiro agrónomo, acaba de publicar uni 
interessante trabalho acerca da destruição das raattas. Transcrevemos aqui 
os trechos, em que ello mostra a importância que tem a conservação dos 
bosques. 

<E' evidente que as condições climatéricas, a salubridade publica e as industrias 
do porvir aconselham a conservação systematica das mattas. A lentidão do cresci- 
mento das arvores ; a idé.i de que muitos agricultores sacrificam ás necessidades do 
presente os recursos do futuro ; as doutrinas dos econoraist is, que nos ensinam que 
uma nação dovo produzir por si mesma e não prover-se no estrangeiro ; a opinião 
de que as mattas exercera influencia favorável sobre a temperatura, a constituição 
da atmosphera o o clima ; a convicção do que as arvores alimjntam uma multi- 
dão de industrias, não só como combustível, mas também matéria prima ; a cer- 
teza que temos de que desviam a direcção dus ventos e rej-^ularizam a distribuição 
das aguas, quer no estado liquido quer no de vapor, impedindo a evaporação do 
solo, facilitando as infiltrações que alimentam as fontes e oppondo-se a esses 
bruscos trasbordaraentos, que dão origem a torrentes devastadoras, que occasionam 
inundações de tão fataes consequências; todas essas considerações, apoiadas no en- 
sino da própria natureza, nos indicam o caminho qur devemos suguir, isto é, pro- 
hibir a destruição imprudente de nossas uiattas e pi"omover o plantio de outras 
novas.> 



A LAVOURA 



49 



O ministro das colónias, da Inglaterra, camraunicou a seguinte nota à imprensa 
de Londres, que a publicou sob o titulo de «aviso aos emigrantes inglezes» : 

<A repaitiçcão de informaçõe-i aos emigrantes desnji avisar aos in^Iezes quo 
pretendem emigrar que encontrarão no Brazil clima, leis, liiigaa, condições di- 
versas de trabalho inteiramente dilTerentes daquelliá a que estão habituados neste 
paiz. Salários, que aa IngLiterra se consideram grandes, proporcionam no Brazil 
uma parca subsistência. Desprezando estes factos, o geral dos emigrados tem pro- 
babilidades ae ir ao encontro de desapontamentos e diíQculdades.» 



-S^$$-Jjf^«€€« 



PARTE COMMERCIAL 



1" trimestre de 1939 



Café 

Venderam-se durante o trimestre 441.000 saccas para exportação contra 

547.000 no trimestre anterior. 

Saccas 

Entraram no mesmo período • 509.066 

contra • . . 7.658.948 

e foram embarcadas 769 149 

Contra 957.823 

A existência no Rio de Janeiro era orçada em ... . 96.963 

contra 172.046 

em 3L de dezembro. 
Os extremos das cot^ições do typo n . 7 foram : 

Por arroba Por 10 kilos 

Janeiro 6$200 a 6$300 4$221 a 4$289 

Feveiro 6$500 » 7$ 100 4$42õ » 4$484 

Março 6$800 » 7$400 4$Õ30 » 5$038 

<3-eiiei"os importa-los 

Qualidade Quantidade Preços 

Banha Americana . 1.600 barris . . . minimo $740 a libra 

máximo $780 » » 
Carne seeca. . . . 49.687 fardos . . . minimo $480 » » 

máximo $940 » ' » 
Farinha de trigo. . 13.870 saccas . . raiuimo 22$ti00 

máximo 27$000 

Manteiga 2,996 caixas . . . máximo I$800 a lata 

máximo 2$620 » » 

3200 '' ~ 



50 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Géneros nacionaes 

Ag ua. r den. to 

Preços 

Mininio* I'i5$0i0 

Máximo 175$000 

A-lcool 

Preços 

Minimo 130$n00 

Máximo 18j$000 

A.lg'odã.0 em ra.ma. 

Entraram 66.299 fardos. 

Preços 

Minimo 8$200 

Máximo 9$400 

A.ssuca.x* 

KUo 

Minimo $14o 

Máximo $140 

Fixmo em. rolo 

Preços 

Minimo $600 

Máximo 1$800 

Entraram 73.123.283 kilos por cabotagem, nacional, do que se cotou de 2$ a 
2$200 por 40 litros. 

Mercado monetário 

O balancete da Caixa de Conversão, em 31 de março findo, dá os seguintes 
algarismos : 

Activo 

Caixa, ouro 85.858:9^6í!;757 

Caixa 8l.3u3:98'!f243 

Fracções em moeda subsidiaria lS:706$7-)7 

Notas inutilisadas 1.069 5ooí000 

> modelo 48:«50-000 

Resgate denotas 1.745.360$0iJ0 

Notas dilaceradas 138:370$000 

Material para emissão 1.852. 000 :OO0$00O 

2.022. 173:706$757 



A LAVOURA 



51 



Passivo 

Emissão 85. 84í: 230*000 

Notas a emittir 81.ã99:fi90$0)0 

Fracções, ouro ,....-... 13:706$757 

NoUs a incinerar 2.í 97.08<i$000 

Notas a assignar 1.852. 000 :000$O00 

2.022. I73:70ò$757 

A existência de ouro em caixa, até 31 de março era o seguinte : 

Lihras esterlinas 4.903.730-10 

Francos 10.368.300 

Marcos 16.110 

DoUars 132.387-50 

Liras 2.090 

Pesos argentinos 2.985 

Pesetas hespanholas 50 

Ouro nacional 192:100$ 

O preço dos soberanos fora da Bolsa foi de 16$050. 

CAMBIO 



As taxns offlciaes continuaram a mantor-se inalteradas, a 15 1/8 d. sobre Lon- 
dres nos bancos estrangeiros e 15 3/16 d. no Banco do Brazil. As transacções ban- 
carias fizf-ramse a esses extremos e as do outro papel de 15 13/16 a 157/32 d., não 
se registrando movimento digno de nota. 

Os extremos das cotações oíHcuies foram : 

Londes, 90 d/v 15 1/8 e 15 3/16 d. 

Pariz, 90d/v $''.3) a $632 

Hamburgo, 90 d/ v $776 a $779 

Portugal. 3 d/v 300 a 306 •/„ 

Itilia, 3 d/v $i35 a $638 

Nova Yorli, á vista 3$288 a 3$ 96 

Vales, ouro 1.793 

O valor oiflcial de 1$ foi de $560 a $564 ouro e o da libra de 15$803 a 15$868. 
Ágio do ouro 77,77 a 78,51 "/„. 



52 SOCíKDADIi NACIONAL DE AGRICULTURA 



BIBLIOGRAPHIA 



PUBLICAÇÕES FEKIOIílCAS 

Temo3 recebido maisasseguiotes, além daquellas cujj registro tomos feito nos 
numeres anteriaros : 

Aniles Agronómicos. Publicação ofTicial do Miniatorio da Industria e Obras 
Publicas, do Cbile. — Anão II, n. 3. 

Ilusiraciõn Peruana, de Lima. — Anno 1, ns. I a 4. 

Boletin dei Mtnisterio de Fomento. Publicação offlcMl do Ministério de Fomento 
da Republiia do Perii. — Aiino Vlt, ns. O a 12. 

Bullelin of the New York Botanical Garden. — Vol. 5, n. 20. 

Contributions from the United States National Hirbarium. Catalogue of the 
Grasses of Cuba, por A. S. Hiichcock. —Vol. 12. parte 6*. 

Rvue Gên rale Agronom'que, de Ljuvaia. — 3' aano, n. II. 

Bulletin Commercial, orgã,o do Museu Commercial de Bruxellis. — Anno 27°, 
D. 30. 

France Brésil. — Sexto anno. fevereiro de 1909. 

Boletim da Sociedide de Geograp'iia de Lisboa. — 86* serie, ns. 9 e IO. 

Journal d'A(jricultHi-e Tropicala. li' o sog.únte ^ummvrio do n. 93 (21 de 
março de 19j9) dnsto jorn^il que se publica era Pariá, ten.Ioa sui adraioisiraçãj á 
rua Jeanno d'Arc prolongôe iC4 : « Une essence àcaoutchouc de TAfriquo orientale 
portu;íaise: Le chingano ; ospòce botanijue, végélation, exploitition, valeur com- 
morci til) (par MM. Sai.daniio e Castro, Dubard, Híjciit Fr-;res et C"). — Le 
Congros Colonial de Mir.^eiíle: Compio rondu des travaux (ptr M. F. M.vin). — 
L'Eutretiea du sol dans los PI intatiou.s d"H57oa (par M. O. Labroy). — AIcojI de 
Runano: Resultais Industrieis (parM. R. Guérin). — La pi-épirauon du Minioc 
en ronlelles pour lexportation. — Les pnncipiles maladies du Cacao, causées par 
des Charapignons (par M. N. Patouillvrd). Notes dactuilitôssur: Un ensai de 
déflbrage dWgave ii Madagáscar: — La situition des Plantations de Caoutcliouc 
flu 1908 ; — L'erap)isjnaem3ute du béuil ciusé pir le Sorglio à Tétat vert; — La 
réoolte du Cjton en Russie ; — La production et la consoinmaii m du Riz aux 
E'tats-Unis ; — Le Caotus en tant que fourrage ; — L'échoc du Manihit Glaiioviiea 
Nouvelle-Cilédonio (par M. A V'ezia) ; — La miiltipliciuon du Phormmn pai' 
semis. — Mercuriales men^uelles du Caoutliouc, du Café, du Cacao, des Fibros, 
du Sucre de caone et sous produits, des Miiiôres grasses coloniales, des Produits 
de Droguerieet livers, des Pro luits (riíxtcême-Orie.it ; — Mercuriale africaine de 
Liverpool, — 23 analyses bililiographiques. > 

II Tabacco, de Rj-Bi. — Aano XIII, n. 1 15. 

II Giornile dei Cooier,itori, de .Milão. — Auao II, n. 25. 

Vltalie IlluslrJe, de Paris. — 7" anno, n. .40. 



A LAVOURA 53 



Bolleltino dei Ministero d'Agricoltwrd, Industria e Commercio, da Itália 
Anno VIII, fase. 1. 

Bolleltino delia ArboricoUura Italiana. — Anao IV, IV trimestre (1908). 
Archivo Catharinense. — Anao I, ns. 1 a 3. 



PUBLICAÇÕES DIVERSAS 

Le Brêsil au .Y.Y""" au siècle, por Pierre Denis. Ed. Armand Colin, Paris, 5, rue 
de Méziêre. Agradecemos ao editor a remessi desta obra, cuja leitura muito sere- 
commenda pela justeza de observação do autor e modo criterioso pelo qual estuda 
importantes problemas nacionaes. 

Álbum Agricole, por Daniel Zoila. Chamamos a attonção dos leitores pira o 
prospecto incerto no fim desta s icção, desta obra, da qual o editor Armand Colin 
teve a gentilezi de nos enviar um exemplar. 

Moutons. Chévres et Pores, por P. DifiSolh. Agradecemos aos editores, Srs. J. 
B. Baillière et Fils, a remessa do volume desta obra, da qu^l publicamos no tira 
desta secção um minucioso prospecto, por onde os leitoros poderão avaliar da sua 
utilidade, 

Culture du Caoalchouc du Pará, por C. Mithieu. Editor Augustin Challarael, 
PiWis, rue Jacob, 17. Obra ornala de magnificas illustraçõas, na qual o assumpto 
é trata lo de modo desenvolvido, sendo mesmo o trabalho mais completo que temos 
rece>'ido sobre a matéria. Agradecemos ao editor a remessa do exemplar que 
temos Sobre a mesa. 

Darioinismus und Lindwirtschaft , pelo prof. L. Plate. Berlim, 1909. Publi- 
cação da Escola superior de Agricultura de Berlim. 

Los 7 Arbnles ForeMales mas recommeniables para el Pais, por F. Albert. 
Santiago do Chile, 19ii9. 

Mtlhons and Mosquitos, pnr H. A. Billou, I90S. Publicação do Impsrial 
Departamento de Aíiiculiura das ladias Occidentaes. 

Putato CuVure, por L. A. Aspinw^ll. Pequeno opúsculo editado pela Aspinwall 
Mfg. Co., de Jackson, Michiiían, Estados Un.dos da America d) Norte, A compa- 
nhia remette gratuitamente catálogos de suas raachinas a quem pedir, assim como 
o opúsculo acima, onde se encontram iustrucçõas precisas sobre os mais modernos 
processos de cultura da batita na America do Norte. 

Pelil Guide du Musèe d'AgriO'dlure Roíjal Bongrois, com illustrações 8 planos. 

Sên,iUsa'ion des Bois par 1'électricité el scierics mecaniques dans les forêts du 
Brêsil. por Heuri Beruard. Edição do «M issager de S. Paulo», 1908. 

Contribiicion dei Centro Industrial y AgHcola ai IV Congreso Cientifico, San- 
tiago (Cliile), 1908. 

Zonas de R-;gaiio en Tucuman, pelo engenheiro Carlos Wauthers. Trabalho 
apresentado ao Congresso Scientifico Laiino-Americano, em sua terceira reunião na 
cidade do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1908. 

Brocas, por Julio Conceição. S. Paulo, 1908. 

ACultura e adubaçto di batata ingleza. Publicação do Centro das Experiências 
Agrícolas do Kilisyndikat que tem o seu escriptorio no Rio de Janeiro, á Avenida 
Central n. 117, 1° andar. 



54 SOCIEDADE NACrONAL DE AGRICULTURA 

Adubação das hortaliças, do milho do fumo. algodoeiro, das arvores fructi- 
feras. ete. São as ultimas publicações do Kalisyodikat que as envia graluiVamente 
a qaera o desejar. 

Lis R-ssDurces Minérales du Brésil, por H. Qorceix, Paria, 1908. 

Dans les htroae% du Pirana. por Paul Wallo. Paris, 1909. 

Une Mission Com^nerciale au Bré<d, por Charles Wiener. Paris, 1908. 

VEspanzione Económica dei Brasile. ilenova. 1909. 

Kstxs i]u aro ultimas obras foram-uos retnjttidas pela Missão Brasileira do 
Propaganda na Ii:uropa. 

Catíilo^os da Fu.una Brasileira. Vol. II. Osmyriapodos do Brazil, por Henry W. 
Brõleman. S. Paulo, 1909. 

Os índios do Braztl, pslo Dr. Nelson C. deSenna. Memoria apresentada ao 3» 
Congresso Soien ti flco Latino- Vraericano. Bello-Horizonle, 1908. 

Tfie Brasilian National Exposttion of 1908, por Maria Roblnson Wright. Phila- 
delphia . 

Synthese dos mostruários da Exposição Nacional de i908, pelo Dr. Arthur Ge- 
tulio das Neves. Rio de Janeiro, 1908. 

O Esti'do de Pernambuco tia Erposição Nacional de 1908, pelo engenlieiro 
Arruda Beltrão. Rio de Janeiro. 1909. 

São Paulo. The Growih of a Great Brazilian State. Edição de «The Sphere>, 
Londres. 

Estatisticn Ag--icúae Zootechnica no anno agrícola de 190405, de: Redempção, 
S. Luiz de Parahytinga e Jaca-chy. 

Relatório da S iciedade lirizileira para AnimaçõU) da Agricultura . O relatório 
desta Sociedade que tem a sua sede ora Paris é o correspondente ao aiioo 1907-08. 

Rapp.rl du Presvlent du Syndicat Central des AgricuUeurs de France, corres- 
pondente ao aiino de 1908. 

Reialirio da Directoria da Associação Commercial da Bahia, apresentado na 
assenibléa ficral de fevereiro de 909. 

Relatório apresentado a-) secretario da Asricultura do Estado de S. Paulo pelo 
Dr. Luiz Betim Paes Leme sobre tratamento das aguas de esgoto. S. Paulo, i9u8. 

Lei orçamentaria para o exercício de 1909 da Intendência do município de 
Passo Fundo. 

Orçamento municipal para 1908 de SanVAnaa do Livramento. 



CATÁLOGOS 

Eange & Schmidt. Catalogo geral de sementes o plantas para 1909. Erfurt 
(Alemanha). 

Vilmorin Andrieux & C'°. Catalogo geral de plantas, sementes, etc. para 1909. 
Paris, 4. Quai de la M'^gisserie, 

H.nulinia. Ca.alogo geral para 1909 ie sementes, plantis, flores naturaes, fer- 
ramentas o o ijíctjs divfor-'i3, irt'g)i piri til Já us miítéres de horticultura e 
lavouri. Rio de Janeiro, 77, rua do Ouvidor. 

Vign:s A<niri;an-s et Fr xnaané-iziints . Eítib3lecimínto de Hyiíyathe 
Raymond om Carpentras (Vaucluse), Frívnça. 



A LAVOURA 55 



Slechler's Heeds. J. Steckler Seed C°. Lted.: 512-516 Gravier Sueet, Ne-w 
Orlesns. La. Catalogo para 1909. 

Bernards Ftls. 29 Boulevard du Miisée, Marseille. Catalogo de sementes para 
1908-09. 

Fried Krupp. Magdeburg-Buckau . Machiaismos para a lavoura. Represen- 
tantes no Rio de Janeiro Haupt & Cia., 42, rua da Alfandega. 

The Geo. L. Squier Mfg. C . Buffalo, Nuva-York. Catálogos: 61 P, edição de 
1904(machinas para canna de assucar) e 60 P(macliinas para arroz e café). 

Moutoiís, OUèvres et Fores, par M. Diffloth, ingínieur 
agrónomo, professeur spécial d'agriculture. Nouvelle èdilion entiérement refondue. 
1 vol. in-18 de 4^8 pages aveo 135 photogravures. Broche : 5 fr. ; cartonné : 6 fr. 
(Librairie J. B. Bailliôre et flls, 19, rue Hautefeuille, Paris.) 

La complexité et Téteiidue desmatières embrassées par la zootechnie, Timpor- 
tance toujours croissante des problôoaes (iu'elle soulève pour une éxploitation rati- 
onnelle et rômunérairice des animaux domestiques ont amené les directeurs et les 
êditeurs de VEncyclo/iêilie Agricole à lui consacrer cinq volumes. 

Un preinier volume, Zootechnie gènèrale, espose les méthudes de production 
et d'amélioration du bétail; un second volume, Zootechnie spéciale, traite de son 
éxploitation et de soné avage. 

Trais autres volumes sont consacrés à Tétuie des Races proprement dites, Tun 
aux Rares cheoalines, Tautre aux Races bovines, enQu le dernier, qui vieat de 
paraitro, aux Moutons, Chévres et Pores. 

Chacun de ces volumes form-í du reste un tout cotiplet, et indi^pendant. On 
retrouve dans chai-un d'rtux le niêrae talent i1'expositijn. de clarti^, de concision et 
en mêrae temps de documentatioa originale que ont assuré à V Agricultura gènèrale 
et àla Zooiechnis de M. Diffloth un succès sans précédent, puisque plus de 20.000 
exemplaires en ont été enleves daus Tespace de quelques anai'es. 

L'auteur ne s'est pas coatenté en elTet de donner un résumô des grands traités 
ou des monograpliies dójà publiées II a tenu à recourir toujours aux sources et 
s'est documente non seulement aux concours agricoles de ces dernières années, 
mais encore auprés des principaux éleveurs de races primées, taat en France qu'à 
Tétranger. 

Ses descriptions sont en outre toujours aceompagnées non de dessins plus ou 
moins exaets, mais de norabreuses photographies originales. 

On en trouvera plus de 500 représeutant un ou plusieurs types de toutes les 
principales races, françaises et ôtrangères. 

V Encyclopédie agricole s'est toujours appliqué, dans tous ses volumes, à, deve- 
lopper de préférence le côté pratique et agricole. Ce ne sout pas de simples 
maauels, comrae il en a été faie taat ces dernières anaôr^s sous pretexte de vulga- 
risation, qui, et ea realité, font plus de mal que de bien à la diffusion Ua Ten- 
seignement agricole, en decourageaat le lecteur qui n'y apprend ri.m. 

L' Encyclopédie agricole. hjQoréa par la Soci^tô nationaln d'Agriculture de sa 
plus Uaute recompense, qualiflée par M. Méliae, à la tribune du Sénat, à.'une des 
p iblicitions les piai remirqa iO!es qui nient étè faiies dans ces vingt dernières années, 
est aujourd'hui entre les mains de tous lea agriculieura qui s'sccupent sôrieu- 
sement d'agriculture. 



5C, SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Un catalogue, illu.-tré de .2 p.iges oli Too trouvera le dftuil d(s50 Tolumes 
parus do [Enryclo/iédie ayricole esl aJressé grátis a, touto persoono qui en fera la 
demande, aunom de ce Journal, à MM. J.-B. Bailliôre et flls, 19,rue Hautofeuílle, 
à Paris. 

A.ll>uiii A-g^i-i.íole publiésous la diroction do M. Daniel Zolla, profes- 
seur k l'Ecole oationaln dAíricultura de Grignoii, par MM. A. Je.nnepin et Ad. 
IIerlkm, lauiéats de la souiotó des Agriculteiirs .le Franco. Ud vol. iii-4' avec 600 
figures (Armand Colin et Cie., éliteurs, 5, rua de M?ziôres. Paris), cartunoé 2.25. 

Co qu'elle a fait pour rhistoire avec Sun Alhum historique publiô seus la di- 
rection do M. Ernest Lavisse, et poiír la géographie avec sun Álbum Géogmphique, 
Ia maison Armand Colin et C'° le fait aujourd'hui avec non inoins de bonheur 
Ten^^eignement do Tagriculture dans toutes ses brandias. 

VMhum agricole será pour los jounes Français un recueil de léçons da choses 
sur ragricuUuro, três coraplet, ()ratique et scieniifl(iue à. la fois. 

ChaquG pago de texto fait face à une page de gravuras: lune éclaii-e ou 
coramento Tantra ; le texie três substantiel, sans un mot inutile, se lit avec intórêt ; 
les gravuras três aomlirouse-i, clairuset precises, passent en revuo le sol, la plante, 
les engrais, rirrigation, lemató-iel agricole, les céréales, les prairies, le^ animanx 
domestiques, rapiculture, la sériciculture, ITiorticulture, la culture potagère, la 
vigne. locidre, etc. 

V Álbum agricole, nxóoutí par des praticiens émérites, sous la direction d'un 
maitrecumme M. Daniel Zoila, professeur à Técole de Grignon, admirablement 
presente par les édiíenrs, qui l'o(Trint cependant pour un prix três raoiiqno. fera 
accomplir un réol progrês à 1'cnseignemeot da Tagricuitura. 11 est à souliaiter que 
cetouvrage penetre dans toutes les raaisons d"éducation oú Ton s'occupo d'ensei- 
gnament agricole et que les sociétésd"agricuIturo, comices, syndicats, Tadoptent 
et le distribuent en prix dans leurs fètes aunuolles. 



3200 — Rio de Janeiro — Imprensa Nacional — 1*09 



CAPITULO H 

DOS SÓCIOS 

Art. 8.° A sociodade admitte as seg'uintes categorias de sócios : 

Sócios effectivos, correspondentes, lionorarios, beneméritos e associados. 

§ i.° Serão sócios etTectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuirem com a jóia de 15$ e a annuidade de 2o$ooo. 

§ 2.° Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
sede no extrangeiro, que forem escoliiidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3.° Serão sócios honorários e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos á lavoura. 

§ 4.° Serão associadas as corporações de caracter olBcial e as associações agricolas, 
filiadas ou confederadas, cjue contribuirem com a jóia de 30$ e a annuidade de so$ooo. 

§ 5.° Os sócios effectivos e os associados poderão se remir nas condições que forem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse fim 
ser inferior a dez (10) annuidades. 

Art. 9.» Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. (3s demais sócios devei-ão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimiilade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente ; terão direito a 
todas as publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial. 

S I." Os associados, por seu caracter ^le conectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedade o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 2." O direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios; é limitado, 
porém, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

§ 3.° Os sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a assembléa geral resolver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



-i>g» fo-i i-ox ^k>- 



T?,EOXJL^A.]VEElSrTO 



CAPITULO Vi 

DOS SÓCIOS 

Art. 18. A sociedade prestará seus serviços de preferencia aos sócios e associado 
quando estiverem quites com ella. 

Art. iq. A jóia deverá ser pag:a dentro dos primeiros três mezes após a sua 
accei tacão. 

Art. 20. As annuidades poderão ser pagas por prestações semestraes. 

Art. 21. Os sócios e os associados se" poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 500$, respectivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que deverão pagar em qualquer caso. 

Art. 22. Os sócios e associados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pago a respectiva jóia. 

§ i.° O sócio que tiver pag-o a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham ig-ualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

§ 2.° Para esse efTeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos do paragrapho anterior. 

§ 3.° Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

Art. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatariós, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três mezes antes, cabendo-lhes ainda assim o recurso 
para o conselho superior e para a assembléa geral. 







coiJii;ri\ Mix.wKA ik) caff. 



/ 




ési- 












OPTl.MlJ 1-ST.\I)U Ul; lOI.IIl-.IIA 




Anno XIII — Ns. 4 A (! 



Rio de Janeiho 



Abril a Junho dk 1909 




iig liPiiullupa 



FAZENDA ISSÁRA - PORTO SEGURO — BAHIA 




CULTURA DA PITA — ABREU & COMP. 



'apitai F-edei-al 



^ VIRIBUS UNITIS €« 



BRA.SZIILI 



IMr. NACIONAL ^ 1009 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 
Fundada km iò de janeiuo de iHg" 



Caixa-postal, 1245 Sede: Ruu da llfaQdeça d. 108 

Endereço Telegraphico, IGRtCUI.TURA a Geaeral Camará d. 127 

TelepboDe n. 1416 kio na jinhiho 

Presidente — Dr. Wencesláo Alves Leite de Oliveira Bello. 

1° \'ice-pre.siJente ~ Va^o. 

2° Vice-presidente — Dii. Svi.vio I-^ekueika Ranhei.. 

.•5° \'lce-presidente — Dr. Dominíjos Seugio dr Carvai.mo. 

Secretario Geral — r)R. [Ieitoii dr Sa. 

1° Secretario — Dn. Francisco Tito de Souza Rei.s. 
2° Secretario — Dr. Benedicto I^aymundo da Sii.va. 
3° Secretario — Dr. José Ribeiro .Monteiro da Sii.va. 
4" Secretario — Alberto de .■\raujo Ferreira Jacobina. 

1° Thesoureiro — Dr. João Pedreira do Couto Ferraz Júnior. 
2° Thesoureiro — Carlos Raulino. 

olreotores das Seo<^ões 

Horto da Peniia Dr. Wencesláo Bailo 

Fazenda de Santa Mónica Dr. Syivio Ransíel. 

Secretaria, Álcool e Ahmeu Dr. líenedicto Raynuindo. 

Secção Technlca e Bibliolheca Dr. Heitor de Sá. 

Plantas e sementes Dr. Monteiro da Silva. 

Propafíanda e estatística Alberto Jacobina 

Tlie.soiiraria Carlos Raulino. 

Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizerein ser- 
vir-se destas coluninas para a propag:anda da agfricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annnalniente com o resumo dos 
traballios. 

A redacção não se responsabilisa pelas opiniões emittidas em artigos assígnados, e 
que serão publicados .sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os onginaes não serão restituídos. 

As comiiiunícações e correspondências devem ser dirigidas á Retlacção d'A LA- 
VOURA na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não acceíta assignaturas. 

E' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

OoiKlI^ôt^s <Wi |»iil»ll<*iiv*'>«> *l**m nniiaiiioioia 

VEZES Ml;lA l>A(ilNA UMA PAtilNA 

1 I2$000 20$000 

3 .30$ooo 5o$ooo 

6 5;o$ooo gti$ooo 

12 qo$ooo 17(^000 

Os annuncios são pagos adeantadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 

SUMMARIO 

PAGS. 

Dr. .\fronso Penna 57 

Cooperatismo agrícola 61 

Madeiras e vegetaes úteis do Brazll 67 

A tuberculina como diagnostico na vacca leiteira 74 

Moléstias das gallinhas 80 

Expediente 83 

Noticiário 105 

Parte Com mercial 115 

Biblíõgraplna 121 




DR. AFFONSO PENXA 

noMENACEM DA SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Anno XIII — Ns. 4 A 6 Rio de Janeiro Abril a Junho de 1909 



EDITORIAL 



LIBRARy 

NEW VOlíK 

BOTANICAL 

OARDEN. 



DR. AFFONSO PENNA. 

E' com o mais profundo e intenso pesar que .4 Lavoura regista o 
infausto e inesperado passamento do Sr. Dr. A ffonso Augusto Moreira 
Penna, Presidente da Republica, occorrido ás 2 1/2 horas da tarde do 
dia 14 de junlio do anno que corre. 

Para oBrasil inteiro foi o luctuoso facto uma verdadeira surpresa. 

Pôde dizer-se. sem visos de exagero, que a Nação Brasileira quando 
tocada por tão al:irupto golpe, vibrou unisona, numa communhão, 
numa harmonia de sentimentos tristes e plangentes. 

O Saudoso Morto, de feito um dos mais beneméritos servidores dos 
interesses públicos nacionaes, no passado e no presente regimen, de 
mérito reconhecido e incontestado, tinha direito a esses extraordinários, 
tocantes e eloquentes preitos de homenagem que lhe foram tributados 
após o seu fallecimeato, sobretudo aqui nesta cidade, Capital dos Estados 
Federados, por todas as classes, ])or (luasi toda a população, no dia da tras- 
ladação dos seus despojos do Palácio Presidencial para a necropole de 
S. João Baptista. 



O Sr. Dr . .\ffoiiso Augusto Moreiía Penna nasceu a :iO de novembro 
de 1847, na cidade de Santa Barbara do Mato Dentro, Estado de Minas 
Geraes . 

Fez, na própria cidade natal, os seus estudos primários, passando- 
se, ao depois, para o afamado Collegio Caraça, onde cursou humanidades 
até 1865. 

No anno seguinte niatriculou-se na Faculdade de Direito de S. Paulo, 
bacharelando-se em 2.') de novembro de 1870 e recebendo o gráo de 
CT) Doutor, após defesa de lliese, em princiíiios de 1871 . 
§ 39ÍS i 

I 



5.S SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Durante o período académico, fundou e redigiu em curapanliiado 
condiscipuloDr. Francisco de Paula Rodrigues Alves, «A Imprensa Aca- 
démica», dislinguindo-se como doulrinador e polemista. 

Em Barbacena, para onde transferira sua r&sidencia, contrahiu, a 23 
de janeiro de 1875, matrimonio com a Exma. Sra. D. Maria Guilhermina 
de Oliveira Penna, descendente do Marquez do Paraná. 

A sua actividade ix)litica data de 1874-75, quando eleito deputado 
provincial e reeleito nos biennios 1876-77 e 1878-79. 

Filiado ao partido liberal que subiu ao poder cora o Ministério Si- 
nimbu a 5 de janeiro de 1878, em substituição do que cahira presidido 
pelo Duque de Caxias, — entrou o Dr. Aílbnso Penna, após a dissolução 
da legislatura, para a Assembléa Geral como Deputado pelo 3° dislrlclo 
de Minas, sendo, quer na renovação das demais legislaturas, quer ao 
deixar por Ires vezes a pasta de Ministro, reeleito consecutivamente aló 
aoanno de 188U — o do advento da Republica. 

No Gabinete Martinho Campos, constituído a 31 de janeiro de 1882, 
coube-lhe a pasta da Guerra. 

No Ministério Laffayette, de 24 de maio de 1883, foí-lhe entregue a 
pasta da Agricultura, Coramercio e Obras Publicas, que accumulou, 
Interinamente, com a da Guerra, por duas vezes. No segundo Gabinete 
Saraiva, organizado a 6 de maio de 1885, exerceu as funcçõesde Ministro 
na pasta da Justiça, cabendo-lhe referendar a lei de 28 de setembro 
daquelle anno, que concedia liberdade completa aos escravos maiores de 
60 annos. 

No anno de 1888 foi convidado para fazer parte da commíssão en- 
carregada de elaborar o CoJigo Civil, tendo já o titulo de Conselheiro da 
Coroa . 

Proclamada a Republica, recollieu-se á vida privada; mas, veio, de 
tornada ao scenario politico do novo regímen com a sua eleição ao logar 
de Deputado á Constituinte do Estado de Minas, sendo-ihe dada então a 
presidência da commissão incumbida da redacção da Constituição Mi- 
neira. 

Em virtude dos grandes serviços prestados neste posto, o Congresso 
Estadual votou unani mente, na sessão solemne de promulgação, a 1.3 
de junho de 1892, uma moção de louvor, que lhe foi então endereçada. 

Era Deputado na Assembléa Legislativa de Minas, quantlo se deu o 
golpe de Estado de :! de novembro de 1891 . 

Tendo o Governo de Minas adherido ao mesmo golpe, o Dr. Affonso 
Penna verberou da tribuna a alludidaadhesão, resignando logo o seu 
mandato. 



A LAVOURA 5!) 



A 30 de julho de 1892 foi eleito presidente do mesmo Estado, e em- 
l«ssado a 14 de julho seguinte. 

Foi dentro do período do seu governo que se fez a fundarão da cidade 
de Bello Horizonte, e a da Faculdade de Direito de Minas de que foi Di- 
rector e Lente de economia politica 

Dentro do triennio de sua gestão, • - 1892-189-4 — a i^roposito das 
tendências: politicas da revolta da Armada, dirigiu o celebre «Manifesto 
aos Mineiros», que tanta sensarão produziu. 

Por essa sua altitude, o Marechal Floriano concedeu-lhe as honras 
de general de brigada, por inexcedioeis seiviços presiados d Re- 
pablica . 

Quando se tratou da successão do alludido mareclial jjor um pre- 
sidente civil,oConselheiro Almeida Couto, na Bahia, lembrara o nome 
do Dr. Affonso Penna, excasando-se estee aconselhando aos seus amigos 
votassem no Dr. Prudente de Moraes. 

Deixando o Governo do Estado, foi convidado para a pasta da Fazenda, 
para o logar de Ministro do Supremo Tribunal e para Ministro Pleni- 
potenciário em Montevideo, cargos que não acceitou. 

A instancias do Dr. Prudenle de Moraes e do Dr. Rodrigues Alves 
então ministro da Fazenda, acceitou a presidência do Banco da Repu- 
blica, que exerceu de outubro de 1895 a 14 de novembro de 1898. 

Tornando a Minas, reassumiu a Directoria da Faculdade dè Direito 
e reoccupou a cadeira de lente, sendo no anno seguinte eleito Senador 
do Estado. 

Tendo fallecido a 25 de setembro de 1902 o Dr. Silviano Brandão, 
vice-presidente eleito da Republica, foi escolliido para o suljstituir o 
Dr. Affonso Penna, que obteve no pleito de 18 de fevereiro de 1903 cerca 
de 600.000 suffragios. 

Nes.se cargo se manteve durante todo o quatriennio, e levantada a 
sua candidatura á .suprema magistratura do Paiz, leu a sua plataforma 
de Governo no dia 12 de outuljro de 1905, e a 1 de março de 1906 foi o 
seu nomesuffragado, sem competidor, 

A 12 de maio desse mesmo anno partiu de Bello Horizonte a per- 
correr de Norte a Sul o paiz, o que íez dentro de 105 dias. 



Os seus .serviços de real e effieaci.ssimo valor prestados directa ou 
indirectamente á agricultura merece .sejam postos em relevo, como ten- 
taremo^íazer em rápido bosquejo. 



00 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Quasique em duas palavras poderiamos synthelizar os alludidos 
serviços: povoamento e ciarão. 

S. Ex., tendo embora a 29 de dezembro de 190G sancrionado alei 
votada psio Congresso visando a crearão do Ministério da Agricultura, 
Industria eCommcrcio, não quiz, por circumstancias especiaes, dar de 
um golpe corpo e forma ao mesmo, preferindo fazel-o paulatinament':", 
de accôrdo com os recursos do orçamento e as necessidades mais in- 
adiáveis. 

I>ara o exilo de tamanha empresa, valeu-se S. Ex. da actividade, 
tino c competência de um dos seus mais distinclos auxiliares, o que 
superentendia a pasta da Industria, Viação e Obras Publicas — Dr. Mi- 
guel Calmon. 

Com o desappareci mento da Repartição de Terras e Colonização, 
passando as terras devolutas para o domínio dos Estados, a iramigração 
para o Brazil diminuirá considerável menle; mas, o Dr. AÍTonso Penna, 
comprehendendo as extraordinárias vantagens para o paiz advindas do 
fomentar da corrente immigratoria, vazado em moldes diíTcrentes dos 
até então adoptados, auctorizou aos^ii infatigável Secretario da Industria 
regulamentar o novo serviço, e apparcliiar convenientemente a reparti- 
ção que deveria dirigil-a, dotando-a de todos os elementos ellicienlas de 
succasso. Era verdade, este não poderia ser mais brilhante do iiue real- 
mente foi, pois a estatística do movimento immigratorio accusa a 
introducção de cerca de 100.000 europeus no ultimo anno, que se es- 
palharam por certas e determinadas zonas, constituindo os differentes 
núcleos que já se vêem, todos elles em desenvolvimento intensivo. 

Temos muitas e fundadas esperanças de que, dentro de um futuro 
não remoto, a evoluçião rápida e adequada desses núcleos se ha de fazer, e, 
então, veremos cada um delles como verdadeiras rellnlas psrfeitamenle 
constituídas e desenvolvidas, culminar num complexo de funcções per- 
feitamente definidas em (pie, de certo, a funcção agrícola nãoseráade 
menor quilate. 

Procurando ainda integrar pouco e pouco quantose tornava necessário 
para animar e desenvolvera producção nacional, fez regulamentara lei 
dos syndicatos agrícolas e proHssionaes, a de salários dos trabalhadores 
ruraos, a de prémios aos sericicultores e a que diz respeito á introducção 
de animaes reproductores. 

Tratou também da codificação do regimen industrial das minas, 
das florestas e das aguas ; cogitou da creação do ensino agrícola ; auxi- 
liou o Museu Commercial do Rio de Janeiro e a Sociedade Nacional de 
Agricultura e a outras instituições intima e essencialmente ligadas á 



A LAVOURA 6 1 



defesa dos magnos interesses efom ira icos da nação; concedeu favores a 
estações agronómicas e campos de demonstração ; facilitou e protegeu a 
pul)licidado de um avultado numero de ojjras de vulgarização e propa- 
ganda do Brazil noexti'angeiro e promoveu a grande feira que foi a Ex- 
posição Nacional de 1908, em que o l^aiz poz de manifesto os grandes re- 
cursos de que dispõe, a rica variedade de seus productos, o grão de adian- 
tamento e perfeição de suas industrias, em fim, todos os seus thesouros de 
uma magnificência sem par. 

Quanto á viação férrea, basta referir que, em doze mezes, foi'am 
construídas 1.010 kilometros de linhas em diflerentes Estados, oma- 
ximo a que ainda se attingiu dentro dos limites de tempo acima re- 
ferido. 

Tiveram também benéfica attenção da parte do Governo o Jardim Bo- 
tânico do Rio de Janeiro, o Observatório Astronómico da mesma cidade, 
a Hospedaria de Immigrantes, e o abastecimento d'agua ainda desta 
cidade. 

Vem de molde que ainda se citem o projecto e contracto das obras 
do Porto do Recife e outras que estuo no domínio do todos os brazileiros 
que acompanham de per-to os progressos de sua Pátria. 



A Sociedade Nacional de Agricultura, que se fez representar por três 
membros de sua Directoria nos funeraes do il lustre morto, depositando 
em seu tumulo uma rica grinalda de flores naturaes, partilha muito 
sinceramente da dor e do luto que alancea e envolve o coração da Pátria, 
e, dascolumnas de seu Boletim «A Lavoura», dá deveras compungida, 
pezames á Nação Brazileira e á digna família do grande Patriota. 



Coopsratismíj agrícola 
II 

Em uma Varia « do Jornal do Commercio » o Dr. Guilherme 
Calramby, applaudindo o primeiro artigo sobre o cooperatismo agrícola, 
insiste nas mesmas ideias, demonstrando a necessidade dos lavradores 



68 SOCTEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

se unirem em associações para a venda de seus productos e bem assim o 
da fon federarão desles em uma associação centrai com sede n?stii capital . 

Já conlieciamos as ideias do Dr. Catramljy om harmonia com a 
que expendemos e sabiamos que S. S. esiá imprimindo um manual 
para a organização e uso das cooperativas e syndicatos agrícolas, tra- 
balho útil sobre o qual demos um parecer inteiramente favorável. 
S. S. vem ser portanto um habil propagandista do espirito de asso- 
ciação, que lia de salvar a nossa lavoura. 

Não podemos, porém, deixar sem ronleslação a parte em que S. S. 
diz que entre nós nada se tem feito de propaganda dessas associações o, 
(|ue as próprias leis que lhes dão existência legal, apenas são enc/DU- 
tradas nas collegues do Diário OJJicial ou em livros de rara consulta 
dos agricultores. 

A verdade é que tudo o que se tem feito no paiz a esse respeito 
é o resultado da propaganda, iniciada n-Bsta capital e que se alastrou 
por todo o paiz. A própria lei primordial que deu existência legal 
aos syndicatos agrícolas, vem da propaganda. As mesmas origens 
têm as nossas associações agrícolas, cujo numero já se vai approxi- 
mando de 205, sondo a maioria do syndicatos agrícolas e cooperativas 
de consumo e de credito. A Sociedade Nacional de Agricullui-a, que tem 
sido o centro dessa propaganda, lem publicado as leis em seu Iwletim, 
a Lavourei, cuja tiragem é de 5.000 exemplares; artigos em grande 
numero .se encontram nessa revista, muitos outros têm sido pu- 
blicailos na imprensa diária, com grande reparcussão nos Estados, 
onde têm sido transcriptos e commentados por prosélitos dessa pro- 
paganda. Uma memoria sobro .syndicatos, apresentada ao Congresso 
Nacional de Agricultura de 1931, foi publicada nos jornae? e na Zrt- 
voura e conta duas edições de 5.000 folhetos cada uma. Foi pu])licado 
um manual dos syndicatos profissionaes, profusamente distribuído. 
03 pareceres .sobre os projectos de lei dessas as.sociaçues foram lamtem 
tirados era muitos milhares de avulsos por esta .sociedade o pelo 
Jornal dos Agricultores. 

Essas associaçõjs têm sido preconizadas om vários congressos 
agrícolas, era S. Paulo e em Mína,s, e esta sociedade tem distribuído 
edições de 5.000 exemplares dos respectivos trabalhos. 

Por occasião do Congresso de Lavradores realizado o anno passado, 
a Sociedade Nacional de Agricultura distribuiu um folheto contendo 
a lei, o regulamento o uma norma de estatutos dos .syndicatos 
agrícolas, a lei das cooperativas, o estatuto de uma cooperativa de 
credito do systema RaifTeísen e ura longo commentario sobre essas 



A LAVOURA Cfí 



associações e a respectiva edirão, de 2.000 exemplares, está quasi 
esgotada . 

Finalmente, no intuito de promover a organização de uma co- 
operativa central, a sociedade publicou em folheto uma exposição e 
um projecto de estatutos, que já está em sua 2" edição de 2.000 
exemplares, 

Accresce que nos Estados e notoriamente nos do Rio Grande do 
Sul e de Pernambuco surgiram propagandistas de grande valor, a 
cujos intelligentes e dedicados esforços se deve a excellente organi- 
zação syndicataria e cooperativa que esses Estados possuem. 

Assim pois, é de justiça dizer que se tem feito intensa propa- 
ganda da união agrícola, sob todas as suas formas. Seus resultados 
já são patentes e si ainda se não apparelharam as associações, para a 
venda dos productos da lavoura, é que esta forma é a mais difficil 
de se constituir pelas múltiplas resistências que o meio lhe oppue. 

Congratulamo-nos no entanto pelo valioso auxilio que o Sr. Dr. 
Catramby vem trazer á vulgarização dos syndicatos e cooperativas 
com seus artigos e seu útil manual ; elle não será demais, antes chega 
em momento opportuno quando, cheios de confiança, procuramos 
dar installaçuo definitiva, no corrente anno, á C(X)perativa Central 
dos Agricultores do Brazil. 

III 

«A propósito do 1° artigo que publicamos, recebemos do illustrado 
engenheiro Dr. Francisco Feio, a interessante carta que se segue: 

Amigo Bel lo: 

«Li, com toda a attenção, o teu artigo sobre o «cooperatismo 
agrícola» hontem publicado no Jornal do Commcrcio. 

Causou-me profunda e desanimadora impressão a prova que apre- 
sentaste sobre o triste resultado que de uma colheita de alhos obteve 
um colono de Nova Baden. 

O facto de estarem englobados em uma só quantia os fretes co- 
brados por duas estradas de ferro, ambas hoje administradas pelo 
Governo Federal, me obriga a de?dobral-os para mostrar a diversi- 
dade de orientação observada na organização das tarifas. 

Pelo despacho dos 515 kilos de alhos cobrou a Central: 

Frete e inscripção 27$700 

E a Minas e Rio 2$200 

Total 29$900 



6* SOCIKDADB NACIONAL DE AGRICULTURA 

Ha a diflerença de 100 léis (jue supponlio devida ao arreJonda- 
menlo que fizeste para 30!^ no calt-ulo apresentado. 

O percurso na Central Ibi do 253 kilomelros e o frete médio i)or 
kilometro de 109 róis a])pr(iximodamL'nte. 

O percurso na .Minas e liio foi de 156 kilomelros e p fi-ete médio 
por kilometro de 1-4 réis. 

O mal, no caso que apresentaste, não está visivelmente no frete e 
isso mesmo o declaras, mas não deixará de te causar surpresa que 
uma estrada de ferro do Governo, de trafego intensíssimo, a Central, 
cobre polo transporte de um pnxlucto agrícola, cuja cultura convém 
desenvolver, o alho, um frete por kilometro quasi sete vezes mais 
superior ao dó uma estrada de pequeno trafego, a Minas e Rio, ora 
administrada pela Heparti(;á() Federal de Fiscalização e cujo arrenda- 
mento definitivo dejiende de decisão do Governo desde dezembro do anno 
passado . 

O frete da Minas e Rio, do extrema modicidade, visa crear e des- 
envolver a producção, pois obedece á seguinte tarifa especial para pro- 
ductos de pequena lavoura do Estado de Minas (juando exportados: 

1'0R TONELADA E POr. KIlJiMF.TUO 

Até 100 kilomelros. ....... $030 

Alem de 100 s020 

O alho importado está sujeito a uma tarifa diíTerencial com as 
seguintes bases para cada centena de kilometros $100, s090, i>!080, 

$070, .'>;or)0,so50. 

o frete único da Central, leito evidentemente para o alho impor- 
tado, obdecerá ás seguintes taxas: 

POR TONF.LADA E POR KILOMETRO 

De 1 a 100 kilomelros sijOO 

De 101 a 300 » si50 

De 301 a COO » X375 

De noi em deante sOõO 

Evidentemente o frete da Minas e Rio para o alho exportado é 
muito baixo e não cobre o custo médio do transporte do uma tone- 
lada de mercadoria que fni em 1907 (quadro -26 da Estatística OíTi- 
ciíil), de 5 i"éis, masn da Central, tratando-se de um producto agrícola 
destinado á exportação para o nosso mercado, me parece muito alto. 



A LAVOURA 65 



Attribuo O facto unicamente á diversidade de orientação, a que 
já me releri, na organizarão das tarifas. 

Sabendo que és sinceramente um devotado apostolo da lavoura, 
escrevo-le estas linlias pnra que obtenlias da Central, para o allio 
nacional, as vantagens jú concedidas ás balatas provenientes de centro 
productor. 

Em relação aos fretes ferro-viarios, partilho das idóas de prote- 
cção á lavoura, sem attingir ao exagero a que se refere a jirilliante 
gazetilha do Jornal do Coinnicrcio de 16 de junho de 1907, da qual 
apenas transcrevo, como chave de ouro, os seguintes períodos: 

«Defensores ha dos productores nacionaes que consideram como 
verdadeiros parasitas sem direito á vida os seus mais legítimos agen- 
tes, os que trazem e distribuem os seus productos. Quanto ao meio 
porque estes são transportados para chegarem ao exportador e con- 
sumidor, eiles se esquecem que a viação férrea é uma industria tão 
importante, tão essencial, como a sua propi-ia da agricultura ou da 
extracção dos minereos da terra.» 

Sinceras felicitaçucs do amigo e collega. — Francisco Feio. 



«A importância do '^0^ que attribui ao frete que a remessa do 
alhos pagou de Aguas Virtuosas até ao Rio, foi ^copiada da nota que 
o administrador da colónia de Nova Baden havia escriplo na própria 
conta de venda. 

Publicamos a carta do intelligenle collega pela grande impor- 
tância das consideraçõas que contém sobre a tarifa da Estrada de 
Ferro Central do Brazil para o género em questão. 

Appellamos para o preclaro e zeloso director dessa Estrada, pe- 
dindo-! he que abrande o rigor dessa taxa deveras excessiva e que se 
não justifica, quer pelo confronto com a (lue é estipulada pela Minas 
e Rio, querem face do critério proteccionista da lavoura em ([ueS.Ex. 
tem procurado inspirar a organização da tarifa da lorro-via que lera 
de servir de modelo para toda a viação férrea do paiz. 

Acreditamos que basta appellar para S. Ex. para que o interesse 
agrícola seja devidamante resguardado, não consentindo que a Cen- 
tral, sob sua intelligente direcção, mantenha para um producto agrí- 
cola uma taxa kílomolrica sele vezes mais pasada do que a de uma 
estrada de bitola estreita. 

Essa anomalia é explicada na carta supra pelo facto da tarifa 
da Central ter sido feita para o género importado. Verifica-se ahio 

3998 2 



66 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

caso a que alludimos em nosso ai-ligo censurando as nossas estra- 
das por não terem tarifas de favor para os productos nov:>s que a 
iniciativa do lavrador faz surgir da terra como tentativa ou expe- 
riência que precisa ser animada c protegida, afim de poJer se tornar 
fonte normal de renda para o productor o para a ferrn-via. 

O caso om questão era de tentativa, e, como a Central não previa 
a liypolhe.se do se nacionalizar essa producção om sua zona, o prc- 
ducto agrícola teve que soffrer os rigores de uma tarifa que procurava 
(lilTicultar a importação no intuito de favorecer á lavoura. E' noem- 
tanto intuitivo que a tarifa de importarão ») é protectora quando 
existe outra mais baixa para a exportação. 

Acreditamos que o Sr. Dr. Aarão Reis resolverá a questão a con- 
tento da lavoura, agora que está provado que uma grande zona de 
Minas pôde produzir com vantagem aquelle e outros productos aná- 
logos em condições de supprir ao consumo do Rio de Janeiro. 

Bom seria no emtanto qne essa e outras ferro-vias estivessem sem- 
pre habilitadas com tarifa de favor para todos os productos novos com 
que a iniciativa do lavrador fosse enriquecendo a prixiucção nacional . 

Em nosso artigo citamos somente a historia de uma experiência 
de producção de allios. o caso porém não é único. Muitos outros 
géneros existem ou podem ser produzidos ao longo de nossas vias 
férreas e que não conseguem virão mercado. E' assim, por exemplo, 
que a cidade do Campanha o suas circumvizinhanças, também no 
Estado de Minas, produz nozes tão toas como as estrangeiras e que 
podiam chegar ao Rio antes de estarem seccas, isto é muito mais 
saborosas. Indagando nós, porém, o motivo porque não oram expor- 
tadas para o Rio, disseram-nos que se havia feito a experiência, mas 
que não valia a pena porque os fretes absorviam todo o lucro. 

Nesse modo de explicar o insuccesso das tentativas agrícolas, ha 
muitas vezes falsa apreciação e injustiça ; no caso vertente porém e 
avista das consideraçi^es do Dr. Francisco Feio, houve excesso de ta- 
xação por parte da Central. 

Em nosso artigo mostrámos que o frete total correspondia a mais 
de 33 7o. Fizemol-o, porém, não para reclamar contra as tarifas e so- 
mente para salientar que os abusos dos intermediários, que apresen- 
tam contas de venda cora preços inferiores aos que são obtidos pelos 
productos, sendo o principal factor dos insuccessose prejuízos da agri- 
cultura, alteram as relações e dão um falso fundamento á campanha 
movida contra as tarifas, campanha que se muitas vezes é justa, outras 
é improcedente. 



A LAVOURA 07 



O que ha da excessivo, porém, nas tarifas poder-se-ha facilmente 
meiliorar emquanto tivermos administração bem intencionada, como 
folgamos em i-econiiecer que ó a administração actual. 

Quanto ao intermediário, porém, que é o maior algoz da lavoura, 
só conhecemos ura recurso — éa constituição das cooperativas de venda, 
filiadas as zonas ruraes e com sede nas praças de consumo. 

Esse é o único, mas é absolutamente eflicaz. 

Dr. Wencesláo Belt.o. 



Madeiras e vegetass úteis do Brasil 

Monographia n. 60. — Amostra n. 67. 

família das ANACARDIACEAS 

Cubatan Branco 

Asfronium FraxinifoUum Schott 

Synommia. — Aderne — Aderno, em alguns municípios do inte- 
rior de S. Paulo — Adcrno-verdadeiro — Aderno-vermelho, na Bahia 
— Aracueira(J), no Ceará — Barabâ (cf. adiante « Garabú ») — Ca- 
r/uantan (1), nos arredores da capital de S. Paulo — Candeia de cuja 
(nome mais próprio a uma lythracea, Lafaensia replicata Pohl.) — Ca- 
vatan, em alguns logares do Paraná (de certo corruptela) — Chibatan — 
Cubatan-branco, no littoral sul de S. Paulo e no do Paraná — Cuvatan 
(erro de pronuncia e de graphia ) • — Gonçalo — Garabú (cf. adiante 
« Guarabú «) — Gonçaio-aloes do Maranhão ao Rio de Janeiro (este nome 
pertence antes ao Astronium graveolens Jacq . e decerto a outras es- 
pécies ou variedades de lenho e mais colorido e mais resistente ; entre- 
tanto, muitos autores o dão como synonimodo vegetal que ora mono- 
graphamos) — Gonçalo-hranco, em Matto Grosso (o nome de « Gonçalo- 
alves» sendo alli dado de accordo com a observação precedente) — Gon- 
çales-do-matto — Guarabú ou Gurubii (nome que lhe dão era varias 
regiões dcs Estados com prehend idos entre Pernambuco e Rio de Janeiro, 
mas que melhor cabe á caesalpiniacea Peltogyne discolor Vog.) — Ju- 
batan — Pau-gonçalo, no Amazonas — Ubatan (de «. yb » madeira e 
i antan » dura, verdadeiro nome, mas mais applicavel a outras espécies 
do mesmo género) — Ubatan-amarello — Ubatão, em outros municí- 
pios do interior do Estado deS. Paulo. 



6S SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Habitat — Não obstante asduvidas (|uo lemos relativas ás va- 
riedades de «Ciiijatan», suppomos que osla espécie enronti'a-se era 
todo o tírasil, porém mais frequentemente nos Estados cenlraes e meri- 
dionaes, vegetando indistinctamente.em terras argilosas ou silicosas, 
húmidas ou seccas. 

Descripção — Arvore de caule recto, a ló 15,00 de altura e 0,80 de 
Jiametro (temos visto estas dimens(jes elevadas nos livros a 30,00 e 2,50 
respectivamente, mas nunca as encontramos na floresta); casca ver- 
melha, de sabor adstringente, exsudando um liquido resinoso pouco 
abundante e de aroma lerebinthaceo, grossa até 15 ""/„ mais ou menos, 
'< disposta em elementos côncavos e convexos sempre alternadamente, 
acoutar do nó vital até á extremidade superior » e revestida do epi- 
derme crustácea e fendida, de cor verde-parda ; folhas alternas, impari- 
pinnadas ; foliolos elegantes, inteiros, oppostos, oblongos, acuminados 
e membranosos , flores bermaphroditas, em paniculas terminaes ; 
fruclo monospermo, oblongo-arredondado. 

Madehía — Alburno regular ; cerne rosa-avermelhado, fibras di- 
reitas, macia, forte, resistente, bonita, recebendo e conservando bem o 
verniz; dócil ao cepilho o ;t cerra. Pesos espetdficos verificados: 0,818 
(S. Paulo) 0,855 — 0,857 0,868,-0,870 (Rio) — 0,919 (Espirito Sanloj 
— 0,942 e 0,949. Resistência ao esmagamento, de 618 a 701 kilogram- 
mas por centímetro quadrado. 

AiTLicAçõEs:— Madeira para marcenaria, taboadode soalho, portas, 
vigas, barrotes, esteios, caibros, molduras, torno e dormentes de pri- 
meira qualidade ; fornece também fachos de luz clara e lenha l)oa, 
de pouca fumaça. O sueco resinoso é succedaneo da terebinlhiiia ; a 
casca contém regular porcentagem de lannino, pêlo que é empregada 
para o cortimento de couros ; reduzida a pó e com elle polvilhando as 
feridas, apressa-lhes a cicatrisação. 

Observações — Ha algures « Aderno-marçanahiba » e, no interior 
deS. Paulo, «Canella-marçanahiba n : si ambos não são um só vege- 
tal, ao menos cremos poder affirmar que nem um nem outro são o 
monographado aqui, sendo possível que umdelles pertoni-a a') género 
'^Cássia (familia das Leguminosas). 

O Estado de S- Paulo exibiu em S. Luiz (listados Unidosj, sob o 
nome de « Cubata », uma madeira collectada no Cubatão, airedores de 
Santos e que foi posta na familia das Burseraceas, mas não acreditamos 
definitiva essa classificação. 

No Pará empregam na carpintaria uma madeira que alli deno- 
minam « Marco-gonsalor, mas ignoramos ainda sua classificação. 



A LAVOURA Ò9 



Monooraphia n. Dl — Amostra n. (JS — 69. 



família das ANACARDIACEAS 

Cubatan verinellio 

Astrnilium ijraoeolens Jacq. 

Synonymia — Aderno-verdadeiro, Aderno-ver/nclho, Gonçalo- 
olaes, Pou-sebra, Qucbra/iaclia, em Venezuela; Ubatan-vermelha. 
Cf. a da espécie precedente, que é mais ou menos applicavel a esta. Entre 
os nomes vulgares, conhecemos mais o « Gonralo-alvas » assú, mirim, 
prdo, rojado, roxo e sabão ; « Guazabú » gateado e preto e « Aderno- 
preto», mas não sabemos ainda si constituem variedades das espécies 
descriplas ou si simplesmente correspondem ao desenvolvimento das 
arvores e ás nuanças accidentaes da madeiro, o que reputamos mais 
provável. 

IlAHrrAT — Desde o l';slado do Amazonas ao do Paiand (littoralj c 
nos Estados centraes, veyetando em (luaesquer torras, mas preferindo 
as argilosas e seccas. 

Descripç.vo — Arvore frondosa, de caule mais ou menos recto, até 
22,00 de altura e 1,20 de diâmetro; casca idêntica á da espécie 
precedente; folhas alternis, imparipinnadas ; foliolos fino-dentados, 
oval-oblongos, glabros, acurainados ; flores hermaphroditas, em pa- 
n leu las. 

Madeira — Cerne ci"ir de rosa-a\-ermelhado, ondeada e com veios 
discolores, resistente, talhe duro, revessa ao lavrar, dócil ao cepilho e 
á serra, offerecendo bòa superfície ao verniz, que conserva muito jjem. 
Pesos específicos verificados : 1031, 1049, 1051, 1113, 1161 e llGi. . 
Resistência, sf. a da espécie procedente. 

Applicações - Madeira para moveis de luxo e m.arcenaria em 
geral, marchetaria, conslrucções civis e navaes, esteios e todas as da 
espécie anterior ; o mesmo i)odemos dizer das cascas, que no Mara- 
nliÈío empregam também para tinturaria (?). 

Observações — Esta descripção é feita segundo uma amostra 
do Cananéa, littoral de S. Paulo, a qual não faz differença alguma 
c'a que, precedente do Maranhão, foi exhibida na l^lxposição Na- 
ci' iual . 



70 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Monographia n. 62 — Amostra n. 70 

família das ANACARDIACEAS 

Capiúvn l>i-<>iic<i 

Tapirira sp. 

Synonimia — Capiâva, Copeába, Copiúba, Cupiúca (decerto a 
melhor graphia, de «cupi» cupim e «ubai arvore r-- arvore do 
cupim), Gopiâba, GapiUmba e Gupuhuoa, corruptelas. Estes nomes 
são dados indislinctamente ás lejíuminosas do género Copaifera, 
bem como o nome vulgar que estas teera (Copahyba), O dadu erra- 
damente ao vegetal cjue monographamos. Ainda o nome « Cupiúba « 
é dado nos Estados do norte a anacardiaceas do género Siwn- 
dias. 

Habitat — Serra do Mar e sua fralda oriental até ao Estado 
de Santa Calharina e decerto nos Estados visinhos, vegetando in- 
distinctamente em tei-ras argilosas ou silicosas, mas pi-eferindo as 
seccas . 

Descripção — Arvores de copa tonita e frondosa e caule recto, 
até 12,00 de altura e 0,70 de diâmetro; casca resinosa, iiardacenla e 
embirenta, até 15 m ;'m de espessura, revestida do epiderme coriacea 
e côr escura com manchas brancas, fendida em todas as direcções; 
folhas paripinnadas ; foliolos oppostos, inteiros mas geralmente defei- 
tuosos, oblongos, acuminados, até 120 ra/m de comprimentos 15 m/m 
de largura mais ou menos, nervura central saliente e veias secun- 
darias mais visíveis na pagina superior e de côr amarei la á transpa- 
rência; fructo pequeno. 

Madeira — Flexível, côr branco-rosea, leve, fibras direitas porém 
entrecortadas de nós que lhe dão certa belleza ; dócil ao cepilho e 
á serra. 

Applicações —Madeira para carpintaria era geral, talx)ado de forro 
e pequenas obras internas, porque não i'esiste muito ú humidade; 
lx)a lenha. Os fructos são comestíveis para os pássaros. 

OnsERVAç.lo — Conhecemos a « Cupiúva-vermelha », (lue tem 
folhas mais peijuenas c menos apreciadas pelo cupim e cuja casca, 
mais rica em tannino, é preferida para o corlimento de couros. 
O nome « Cupiúva- preta « é applicavel talvez a lautra variedade. 



A LAVOURA 71 



MoiLogvaphia a. 63 — Amostra n. 71 e 71 A. 

família das FLACOURTIACEAS 

Espinho lie judeu 

Mijvoxiloii sali^manni (Cios.) Worb. 

Synoximia — Aroore de Christo — Assucará de cima da serra, 
no Rio Grande do Sul (para distinguir de outro, talvez do «Espinho 
de Santo António») — Canella de judea (?), no Maranhão — Não me 
toques, no Rio Grande Sul — Quarenta feridas, no interior de S. Paulo 
— Sessenta feridas, idem — Sacará, no Rio Grande do Sul (do gua- 
rany «yú-carã», verdadeiro nome, mas o qual é extensivo a duas com- 
postas do género Chuquiragua (tormentosa Baker e spinescens Baker). 

Habitat — Nos Estados de Minas Geraes, S. Paulo, Paraná, Santa 
Catharinae Rio Grande do Sul, de modo que pomos em duvida a sua 
existência no Estado do Maranhão. Vegeta indistinctamente em terras 
argilosas, ou silicosas, húmidas ou seccas ; quando não seja encontrado 
em matas virgens, é geralmente padrão de terras ordinárias. 

Descripção — Arvore de caule recto até G,00 de altura 0,30 de 
diâmetro e armado de rosetas espinescentes, cada uma contendo até 
trinta espinhos fortes e renováveis de comprimento variável até 0,09 e 
de côr verde a principio, depois violáceos e verrucosos e finalmente 
canescentes quando mortos ; galhos longos, de ramos geralmente 
oppostos, armados de espinhos na parte inferior ; casca até 10 m in 
de espessura, verrucosa, de sabor adstringente, ferruginea com grandes 
manchas brancacentas ; folhas caducas, serreadas, alternas, membra- 
nosas, penninervias, pecioladas, ovaes, acuminadas, mais ou menos 
80 m/m de largura, com espinhos na pagina inferior ; flores branca- 
centas em umbellas ; fruto baga pequena, encarnada, e quando bem 
madura preta. 

MADEmA — Côr branco-suja, leve, resistente. 

Applicações — A madeira é geralmente desprezada, pelo horror 
que causa aos matteiros, somente em poucos logares (Rio Grande do 
Sul) é empregada para taboado de soalho, aliás de grande duração ; 
pôde servir, porém, para quaesquer obras internas. As cascas conteem 
tannino em quantidade apreciável, mas não são empregadas na indus- 
tria. Us frutos, muito abundantes, dão tinta preta. 

Observações — Os seus espinhos são perigosíssimos ; além de 
causarem feridas de mau caracter, percorrem o corpo como pontas de 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



aro. L^e^ta a razão de alguns de seus nomes vulgares e do desprezo 
quo lho volnm. 

E' frôiiuenlo a denominação religiosa dada a arvores de giandcs 
espinhns, rdemlnuadi) a paixão de Jesus; exemplos : im Kurupa e 
Ásia, á rliamnacea Paliurus aculeatusLam. 6 nas vizinhas republicas 
do Praia le.^uminosa-caeealpiniacea Gledilschia amorphoides Tauh. 

— O «Espinho dejudeuuiiada tem com um vegelal denominado 
«Sapatinho de judeu», nem com o «Judeu caá», do Amazonas, que 6 
um cipó. 

— lia uma espacie idêntica, vuli;arraente denominada no litloral 
de S. Paulo «Espinho de Santo António, mas cujas rosetas apenas 
teem quatro espinhos. E' paquena arvore de caule recto. 

— lia uma nyctaginacea (Prisonia tormentosa Cazar.) que é co- 
nhecida pelos nomes de «Pau judeut, «Pau lepra», «João molle» e «Pau 
molles, a qual é irritante da pelle. 

MoiiOíjraphm n. 61 — Amostra n. 72. 

família das J.ECYTHIDACEAS 

ICstopa 

Courulari Estrellcnais Itaddi 

Syxonimia — Caixão, em alguns logares do E>tado do Rio de 
Janeiro (ali usivo á principal applicação alli dada outrora á sua ma- 
deira) — Contigua, no^ arredores de Santos (nome melhor applicadoa 
algumas mel iaceas) — Caatinga — Couratari, dos indígenas Carailas 
(outra espécie, de onde foi tiradn o nome scientifico do género) — 
Estopn-branca,na i'egião do Iguape <; no litloral do Estado do Paraná 

— Gequitijbd — Jequitibd — Jrpuitibã de agulheiro (allusivo ao fruto) 
Yigibybá, dos indígenas (significando «arvore de tronco duro e direito». 

— Ila outros synonimos, qu3alguns attribuem a esta espécie, masque 
aliás sómenle pertencem ao Couratari legalisM.; entre elles, citaremos 
Jecuíbá e «Jequitibáu barruga, batuca d.ii cheiro, giboia,iiil'.aiba, macho 
e sassafraz, decerto synonimos entre si mesmos. 

Habitat — Estados do sul, desde o do liio de Janeiro ao do Pa- 
raná e nos listados cenlraes do Brasil, vegetando frequentemente em 
terras regulares, mas preferindo as boas. Os indivíduos do centro do 
pais são, em regra geral, os mais desenvolvidos. 

Descripç.\o — Arvore majestosa e elegante, de caule recto, alé 
40,00 de altura e diâmetro proporcional ; galhos nodosos, pardo-escuros; 



A LAVOURA 



casca branca, grossa até 0,03, de sabor adstringente, fibrosa, profunda 
e longitudinalmente sulcada e i'evestida de epiderme dura, de cur 
parda-brancacenta exteriormente e vermeiiia interiormente ; Ibllias 
alternas, fino-serradas, pecioladas, peciolo tomenloso, pergamentaceas, 
penni-venosas,ovaes, mais ou menos 88 m/m de comprimento e5") m m 
de largura ; ílores em racimos, brancas, seis pétalas ; fruto pixidio 
oblongo, cylindrico, lenhoso, de 0,10 de comprimento mais ou menos, 
coroado por um disco opercu lar deliisceutc. 

Madeira — Branca, revessa, tecido regularmente compacto, leve. 
Pesos específicos verificados, de 0,616 a 0,691 . 

Api-licaoIes — Madeira i)3i"a canoas, marcenaria, carpintaria, caixo- 
taria, taboado de soalho e de forro, caixa de phosplioros ; não serve 
para o chão, nem para obras immersas. — As cascas conteem ele- 
vada porcentagem de tannino, pelo que são um adstringente enérgico, 
empregadas na industria para o corlume e na tlierapeutica contra sa 
diarrheas, anginas e enterites catarrhaes ; a sua infusão, bem como a 
das tbilias, ó empregada com eflicacia na cura da inchação das pernas 
o outras partes do corpo. — O extracto íluido da entrecasca, na dose 
interna de uma a (jualro gramraas cada vez, e na externa, na de i!0 
grammas para um copo de agua, em gargarejos ou loções, combate as 
diarrheas, dysenteria, hemoptyses e Icucorrliéas. — A casca fornece 
também excellente e abundante estopa, outrora muito empregada na 
calafetagem dos navios que se construíam ao longo da costa do sul e 
designadamente em Cananéa, 

Observações — As celebres e grandes canoas de S. Sebastião, (juc 
fazem cabotagem entre aquella ilha e os portos de Santos e Rio de 
Janeiro e os intermédios, são feitas de um só tronco deste vegetal I 

— Antigamente era madeira para o encaixotamento do assucar : 
dahi o seu nome «Caixão» um muitos pontos. 

(Couliuúa) 



sygs 



SOCIEDADE NACIONAL DE AORICULTURA 



COLLABORACÃO 



A tubsrculina coíno msio ds diagnostico da tuberculose na vacca 

leiteira 

Rm um dos piimoiros dias do correnlj anno, veiu-mo O(\ii)riclio 
do fozer uma visita (com um iiualquer preU-xto e iucuynilo) a um 
estabulo de vaccas, cujo leite é, diariamente e de bôa fé, consumido 
nesta capital. 

O capricho fiiuerendo ser verdadeiro para cora os meus delicados 
leitores) nasceu da audioucia de certos accessos de tosse e do estado 
de nutrição pouco satisfatório de algumas vaccas, facto que quem 
<]uer (jue passasse pela estrada jiodena verilicar. 

O resultado da minha visita seria idêntico ao que obtive quatro 
annos atraz, em uma das i-Dinmunas da Alta Itália, se porventura 
me achasse aqui investido de l'uiic(;ões olíiciaes: todavia transcreverei 
o fachi e o exilo nhlido jxjla expcii montarão exerutada além oceano. 



Em abril de 1905, em umi cnmmuna de Venoto, onde além da 
arte de medico veterinário exercia também a de hygienista, passando 
revista a todas as vaccas leiteiras do território, — pude constatar que, 
do modo geral, o estado de nutrição era um tanto decadente, o asseio 
muito escasso, a alimentação imprópria e as condiçõss hygienicas 
dos estábulos más. 

Duas vaccas tinliam alguns accessos ospeciaes de tosse, e uma, 
comquanto velha, além dos symptomas de uma lironchite, se achava 
em cimdições muito exiguas de nutrição. Tal estado de cousas me fez 
duvidoso, se não certo, de se tralar de vaccas tuberculosas, tanto que 
julguei ser de mou dever informar á auctoridado municipal, afim de que 
lizess3 submetter todas as vaccas leiteiras á tuberculinisaçáo. 

Para obter tal providencia (e isso demonstra como todos o? povos 
se parecemi não p!>uca fadiga tive então p;u'a \encor a relutância do 
prefeito, em seguida ú oppusição du- pinpiiolarins ijuo mv) (lueriara 
saber dc^ta prova. 



A LAVOURA 



Com o auxilio do medico provincial e cum a insislencia coulitiua 
pude alcaiirai' i|uaiU(i reclamava, sem recorrer ao governador da 
Província e este ao ministro do intei-ior, pai-a tornar obrigatória tal 
medida prophylalica, o que se teve de fazer mais tarde para a vaccinação 
anli-carbunculosa. 

Immediatamente fiz que viesse do Instituto Serotherapico Milanez 
tuberculina, e puz-me a trabalhar, tomando como objecto de escrupuloso 
estudo lõ vaccas, entre as quaes, além das duas que attraliiram a minha 
attenção por alguns accessos de tosse, estava a vacca mal nutrida e 
velha. 

Sendo, como disse, lõ as vaccas leiteiras em questão, dividi-as 
em dous grupos, um de oito e outro de sete, fazendo a prova em dous 
dias, e as reuni todas em um estabulo, para simplificar a opera(;ão. 

A.ntes de submetter as vaccas á experimentação, tomei a tempe- 
ratura delias por alguns dias, verificando ser a mesma normal. 

Hm todas encontrei 39'^ ; somente na \elha e mal nutrida o themo- 
motro assignalou 39°i-. 

No ultimo dia das experiências preliminares tomei a temperatura 
ás 8 horas, e, ás 10, injectei a dose de tuberculina. 

Na manhã seguinte, cerca de seis iKiras, comecei a tomar a tempe- 
ratura para continuar de hora em hora, até a decima-sexta após a 
injecção, e depois de duas em duas, até 24 horas. 

A's vaccas que não accusaram hyperthermia até a decima-sexta 
hora deixei de tomar a temperatura. 

No quadro a seguir póde-se ver a curva da temperatura obser- 
vada antes da injecção e nas 2i horas. 



7.5 



SOCIEDADK NACIONAL DE AGRICULTURA 



PRLMEIlíO GRUPO 





o 




N 


.UE.IO 


Di: vác 


:as 






TEMI'KBVrU.l\ TOSIAUA ASTII» 1)4 INJECÇÃO 























' 


2 


3 


4 


5 


6 


7 


8 




38,2 


38,8 


3S,6 


33,7 


3?, 9 


38,3 


38,5 


38,4 







33,1 


38,8 


4D 


38,5 


33,6 


38,5 


38,4 


38,3 




7 


33,3 


39,4 


40,8 


3J,5 


38,4 


38,6 


Z<,5 


38,7 




S 


3j,6 


39,5 


•11,3 


38,4 


38,9 


39,1 


38,7 


33,8 




9 


39 


•iO,2 


<l,4 


38,7 


3n,(i 


39,6 


39,1 


39,3 




10 


^,e 


W,l 


40,9 


3:,6 


40,0 


3S,9 


3U 2 


38,9 


■ 


11 


3S,'-. 


40,8 


41,S 


38,8 


40,0 


33,6 


39,0 


38,4 


Temperatura tomada iiai> ^'4 lioru:». . ■ 


lií 


38,7 


40,2 


41, i 


38,5 


4D,1 


3S,4 


38,6 


38,3 




1 


3S,4 


4C,0 


41,3 


33,3 


ES,7 


38,2 


38,3 


33,1 




-' 


3S,0 


39,7 


40,7 


38,3 


3S,6 


3S,5 


33,3 


38,2 




i 


— 


38,; 


40,1 


— 


3S,5 


3S,2 


3S,4 


- 







- 


38,7 


39,0 




33,5 


38,3 


- 


- 




s 


— 


3 -,6 


3S,S 




38.4 


3S,1 


- 


- 




1 


- 


3S,4 


38,6 


- 


3S,2 


- 


- 


- 




li 


— 


33,5 


38,4 


— 


38.3 


— 


— 






Ora, observando, vemos que, ne.sle primeiro gr upu, a vacca n. 2 
teve uma reacrão de l°,i ; a vacca u. 3 de 2»,0 ca vacca ii. 5 de l°,í). 

>;a vacca n . 3 a temperatura além de attingir um máximo da U'',4, 
S2 manteve elevada por muito tempo e desceu gradualmente á normal . 

A reacção era ainda positiva, e a detive certamente por tuber- 
culosa. 

A vacca n. 2, tendo accusado uma reacção de l°/t a detive como 
suspeita; e assim para com a vacca n. 5, não obstante haver dado 
uma reacção de 1°,9 ; e isso porque a temperatura se elevou rapida- 
mente e do mesmo modo baixou, não podendo considerar uma reacção 
po-ili\a. 



A LAVOURA 



SEGUNDO GRUPn 





Õ 


KUMERO DH VACCAS 


TKMPEnVTURA TOJI VDA ANTES 0\ IXJFCCAO 


















o 


1 


2 


3 


4 


5 


6 


7 


1 


?S,4 


3S,2 


3S,6 


38,8 


38,5 


33,3 


39 







;s.c 


3S,4 


38,6 


3S,7 


38,3 


33,4 


38,8 




7 


ÍSJ 


3S,4 


38,5 


38,6 


33,6 


S8,S 


39,2 




c. 


3S,9 


3S,5 


38,6 


38,5 


39,1 


38,7 


39,7 




r| 


3Ei,l 


38, S 


38,8 


3S,9 


39,3 


39,2 


•10,1 




iO 


?0.'-í 


39 


38,3 


39,4 


39,3 


39 


4:1,2 




11 


30 


3?,7 


38,5 


39,1 


3S,6 


£8,5 


39. G 


Temperatura tomaiJa nas 2í lior.is ' 


12 


3?, 7 


38. 4 


38,4 


33,5 


SS,6 


38,4 


39.1 




1 


38,4 


33,2 


3?, 5 


38,4 


38,5 


38,6 


38,9 




- 


3S,5 


3S 


33,1 


SS.6 


3S,5 


38,3 


Í8,7 
38, S 




G 


— 


— 


— 




- 


- 


38,5 




S 


— 


— 


— 


— 


— 


— 


3S,5 


1 


10 


— 


- 


- 


- 


- 


- 


38,6 


i 


1-' 


— 


— 


— 


— 


— 


— 


33, i 



Como .se v(', ne.ste segundo grupo, .S(j a 7^ vaccina deu reacção, 
que foi de l",!. Tratando-se, porém, de uma vacca de.snulrida com 
cerca de 12 anno.s e com clarissimos symploma.s de bronchile chronico, 
declarei-a tuberculosa pela razão de que em animaes affectados de 
tuberculose em estado adiantado, as injecções de tuberculina dão uma 
pequena ou nu lia reacção. 

Nas duas vaccas retidas por suspeitas julguei opportuno, após 48 
horas, fazer um.a prova de verificação injectando uma dose dupla 
de tuberculina. 

A vacca n. 2 reagiu de modo positivo dando uma elevação de 
temperatura de r,S, emqiianto a vacca n. 1 deu uma reacção de um 
só gráo e 2/10, duiando a hyperihermia pouco tempo. 

Esta ultima vacca sendo joven e em di.scretas condições de nutrição, 
considerei-a .simplesmente .su.speita. 

No quadro seguinte, o interessado poderá ver com clareza todas 
as variações de temperatura que foram verificadas nas 24 1ioras: 



SOCIEDADE XACIOXAL DE AGRICULTUR.> 



1'líOVA Dlí \ !•: K 1 1 ICACÃO 



« o 

s " 

^•5 


TEMl>ER*TrBA TOMA D V 
ANTES li.\ INSPB(í;Ã() 

OITO IIOSAS 


TBMPlinVTlBA TOMADA NAS íi IIOIUS 


C 

33.0 
3Í,C 


7 

4U 
3S,C 


8 

40.2 
3S,7 


9 

40,6 
30. 1 


10 

10,5 

U ',5 


II 

Í0,i 
39,7 


12 

3J.S 


1 

35,0 


2 

•.:S,6 
3 -,7 


3S,5 
3S,5 


6 

3S,5 

:;s,o 


8 

33,3 
38,2 


10 

::s.2 

38,4 


12 


2 
5 


3S,S 
3S,5 


3S,t 
3S,l 



As três vaccinadas reconhecidas tuberculosas foram afastadas do 
respectivo estabulo, i.soladas e marcadas a fogo. 

Prohlbi .se lhe tirassem o leile para fim alimentar e fabricação 
de lactii'inios, e, para .segurança, iirescrevi por alguns dias diuréticos. 

A vacca que deu uma reacção duvidosa isolei-a lambem, e per- 
mitti queo leite fosse utilisado, depois de prévia fervedura, como ali- 
mentação de um vitello. 

Os estábulos foram desinfectados com vapor de formal ina e assim 
todos os apecrechos que haviam .servido aos ani mães doentes. Daix)is, 
os estábulos foram caiados. 

Quinze dias pas.sados, os proprietários das va("cas tuberculo.sas 
decidiram abatel-as, porque não podendo vendel-as, não tinham inte- 
res.se em mantel-as. 

Pela necropsia ver i flcou-.^^e : a velha estava affectada de tuberculose 
generalisada ; as outras duas apresentavam somente lesõas tuberculosas 
localisadas nos pulmões e nos ganglios lymphaticos peribronchicos. 

Quanto ii vacca que esteve em observação para refazer a prova 
da tuberculina, npiis dous outrem mozo* morreu, bru.scamente, de para- 
lysia. 

A necropsia assignalou a existência da nódulos no pulmão esquerdo 
e nos ganglios hmphaticos peribroncbicos, cuja natureza não podia 
ser duvidosa ante a presença de alguns tubérculos pardos. 

A porcentagem das vaccas tuberculo.sas foi ainda de 26 "/o, o que, 
como se vè bem, ú elevada. 



D.ida e iv^conhecida a muita facilidade com quo os bois, e ospe- 
cialmenle as vaccas leiteiras, contraem a tuiíerculose, e o perigo a 



A LAVOURA 



que se acha exposta a família humana por meio do leite que diaria- 
mente consome em immen^a quantidade, não si) em estado natural 
sinãoem divei-.íi^ propai-ados — dovei'-se-liia toi'nar oltrin-atoria a tulior- 
culinisação, não só nos grandes centros, como tamliem nos pequenos, 
i'epresentando isso um dos meios mais sei;uros alé agora conhecidos 
para combater a tuberculose bovina. 

De fado, nada podendo a therapeulica contra esse terrível inimigo. 
sc> com a prophylaxia poderemos dcfender-nos, e, por isso, a tuher- 
culinisação se impõe de modo o mais absoluto, pira adoptar, depois do 
i'esultado desta, as necessárias providencias sanitárias até debellar a 
tu])erculos2 ixivina. 

A tuljerculinisaçdo se por um lado reclama um tral)alho não indif- 
ferente «especialmente em certas cidades onde se hospedam, contra- 
riamente aos mais elementares preceitos de hygiene, centenares e 
centenares de vaceas», tamliem exige um pessoal technico especial, não 
sendo tal diagnostico assim lacil como qualquer crê ou se illudesup- 
pondo que o seja. 

A tuberculina ou lympha de Kock que, nos primeiros tempos, 
como entendia o seu creador, devera servir como remédio, como cura 
da tulierculose, tornou-se, pelo esforços de Ilutinel em Franca, um 
meio de diagnose. 

Como fruiio de sua experiência e de (iueoset, Vedei, Landouzy 
o tantos outros insignes .scientes, a injecção de uma pequena dose 
de tuljerculina (um milligrammo na criança), custava para diagnos- 
ticar também a menor lesão tuberculosa, ainda que occulta, com uma 
reacção característica, especifica (hyperthermia de um grão e meio a 
dous gráos, engurgitamonlo no ponto da inocula(;ão, com endureci- 
mento dos ganglíos da região, exacerbação das lesões tuberculosas 
latentes ou em evolução. 

Mas tal methodo de diagnose, comquanto convincente, não está 
adoptado na pratica humana, nem experimentado em larga escala na 
medicina dos irracíonaes, especialmente no tocante á diagnose da tuber- 
culose bovina. 

Díscule-se hoje com muilo interesse a diagnose precoce da tuber- 
culose, por meio da ophthalmo e da cutireacção. 

Este ultimo, chamado também methodo de Von Pírquel, com- 
quanto tivesse dado a vários experimentadores, quaes Olmer, Terras, 
Ferrand, Lemaire, Guinard, resultados infleis e pouco precisos, aponto 
de se o fazár posposto este critério diagnostico á aphthalmo reacção na 
espécie humana — em veterinária, ao contrario, tem dado, como o 



PO SOCIEDADE NACIONAL DE AORICULTURA 



nffipma Vallée, resultados bem notáveis, do modo a se preferir a cuti- 
reacção íi nplitlialmo reac(;ão. 

Para rnsoiver, porém, de mído completo o problema da (uberruloso 
Ixjvina, não vejo siiião uma soliiíjã) — qual a da immimisa(;ão. 

As experiências feitas em Itália e no estrangeiro com o melhodo 
de Behrins lêm dado resultados verdadeiramente animadores, e ainda 
é de esperar que dentro de poucos a n nos possamos dispor de um meio 
efflca/ indiscutível para combater a tuberculose bovina, o indirecta- 
mente a humana, desde que o homem pôde contrair umn tal moléstia 
por meio dos lK)vinos, isto (■, poi- moio da carne e do leite. 

Dr. AcIIILLES Rlr.ODANÍO, 
Medico Ilygienistfi Vctorinnrio, 



Secção Technica de Agricultura 

MOLÉSTIAS DAS OAT-I-INIIAS 

Ao chefe dessa secção foram dirigidas as communicações em se- 
guida transcriptas para as quaes pede-se a at tenção dos interessados. 

Do Sr. pharmaceulico Sr. Amadeu do Queiroz, residente em Pouso 
Alegre, foi recebido o seguinte, que so refere ao gogo das gallinhas. 

« Leitor assíduo das noticias que dá o Minas Gcracs na Secção 
Technica de Agricultura, e deparando no dito jornal de 20 do corrente 
com uma dessas noticias ondo o Sr. Matliias de Castro Dourado faz per- 
gunlns sobre moléstias de gallinhas,veio-meá lembrança fazer-lhe uma 
communicnçãoa respeito. 

São algumas observações mai^ ou meno? concludenles na^^cldas 
dos meus estudos na resolu(;ão de um importante problema industrial 
o que v. s. encontrará aqui em seguida. 

« Estudando altentamente a moléstia das aves, chamada fjôfjo ou 
ou gosma, notei que ella comei-a por uma hypertrophia periódica da 
garganta com cxsudai;ão de mucosidades grossas e pogajosas, mis- 
turadas de fragmentos em forma de membranas e relativamente abun- 
dantes, que cahem frequentemente na trachéa das aves, produzi ndc-lhes 
verdadeiros accessos de asphyxia. 

No ultimo periodo da moléstia se formam falsas membranas na 
garganta, o apparece consecutivamenle uma película córnea na ponta 
da língua, depois do que, impossibilitada a alimentação das aves, sobre- 
vem-lhes vagarosa e invariavelmente a morte. 



A LAVOUR* SI 



E' uma moléstia infecciosa da natureza do crup e do garrotilho dos 
animaes, cuja duração não excede de 5 dias e que me parece provir 
dos losaro? húmidos onde iiaja agua p detrlctos orgânicos em decompo- 
sição e onde as gallinlias ciscam de preferencia. Outras aves domesticas, 
(gallinlias, periís, patos, pombos etc.) como tenho observado, só con- 
trahem o gogo por contagio, o que parece justificar a minha opinião ; 
estas aves, como é sabido, não têm os liabitos das yallinhas, isto ó, não 
procuram alimentação noslogares húmidos, escuros e, por isso mesmo, 
infeccionados. 

O contagio se faz pela agua onde bebem em commum as aves. A 
gallinha doente, ao ])elier, asphyxia-se e consequentemente expelle 
grande porção de gosma que cai n'agua e, infeccionando-aj contamina 
as sãs que beberem . 

Esta minha observação parece comprovar-se' pelas seguintes expe- 
riências que fiz: — As minhas gallinhas bebem em commum em um 
coche de madeira, ruja agua contendo uma vez muita gosma em disso- 
lução, foi dada por mim a um peru que contrahiu logo a moléstia; 
(convém notar que os meus perus vivem separados das gallinhas e que 
até então nada soffriam (repeti a exp?riencia em outro peru e verificou-se 
o contagio ; um pombo que se desgarrou do terreiro e, espontaneamente, 
beljeu da mesma agua, contrahiu também o gogo. Tive o trabalhoso 
cuidado de evitar que gallinhas doentes bebessem em commum com as 
sãs, deixando-as todavia comerem e dormirem juntas e não verifiquei 
um só caso novo. 

Cheguei a ver uma gallinha sã que, de voraz, comeu 3 pelliculas 
que destacamos da lingua de doentes e que tinham cabido ao chão 
o essa gallinha, isolada das outras, não contrahiu a moléstia ! 

Na minha criação de gallinhas figuram exemplares communs e 
exemplares de raças não bem aclimatadas e, tenho notado que, de pre- 
ferencia são atacadas da moléstia os de raças cruzadas, principalmente 
os Plymouth Conchiiichina; a causa desta disposição escapa-me ainda 
por completo. 

Depois de ter perdido diversos exemplares bons de raças de valor, 

lembrei-meexparimentar uma applicação medicamentosa e, depois de 

ter cogitado, occorreu-me naturalmente o iodo, pelos seus múltiplos 

effeitos e principalraonte pela sua acção fundente e desinfectante. Tentei 

então embrocações na garganta das aves com tintura de iodo mitigada 

e a formula que adoptei é esta: 

Tintura de iodo officinal I 

r>, ■ i ã ã p. eguaes. 

Glycerina ' '■ ° 

xm 4 



S2 SOCIEDAuE NACIONAL DE AGRICJLTURA 

Por miiode umapenna faroembroc-arõas com esla mistura demo- 
radamente dealro da irarganta, uma vez p^r dia; isolo as pallinlias 
doentes e não lhes modifico o re.íiimon ; (leixo-as entrejíno- a .«i nv'=;mas 
num leireiro limpo de vegelaes e isento de humidade. 

O resultado que obtive foi excellentee muita acima da minha oxp:)- 
tacliva, tanloquecom esse tratamento ainda não peixli uma só ;ialiinha 
e nem mesmo pintos; depois que o exi)erimentei, já me foram atacadas 
52 aves, todas se restabeleceram com o iodo e. é digno do nota, não me 
foi preciso ainda fazer í applicações, muitas sararam si) com uma e a que 
se apresentou cora symptomas mais graves sai'ou radicalmente depois da 
3° applicação!... Os primeiros casos que tratei estavam já no ultimo gráo ; 
— duas gallinhas catalãs atacadas ha i- dias já não comiam, perma- 
necendo deitadas e com accessos frequentíssimos de a^phyxia. Fiz a pri- 
meira applicação em ambns ao meio dia — pelas 4 horas da tarde, mais 
ou menos, já passeavam vagarosamente e se restabeleceram dois dias 
depois. Vm pinto Plymouth estava de ta! forma infeccionado, que 
eu o abandonei pelo asco que me produzia, mas o rapaz que me cuida 
das aves, por sua conta, fez a applicação do iodo e, com dua^í, num 
só dia, o pintocurou-se. 

Tenho notado ainda que as aves que se restabelecem com esto tra- 
tamento, parecem ficar immunisadas, porque, tendo eu jirocurado 
infeccionar, por diversas vezes, dois frango? que a tempos se i-eslabe- 
lef:eram, elles tem sido refractários, me<m') ;i applicação da gosma na 
garganta... 

Estas rainhas observações se não são absolutamente concludentes 
pelo pequeno numero de factos observados, são muito animadoras e 
espero tirar delias resultados indubitáveis. V.m todo o caso o que já ob- 
servei pôde l:)3m ser aproveitado. Não ha no meu tratamento o menor 
inconveniente, porque as gallinhas absorvem grande quantidade de 
iodo sem se envenenar*. Experimentem, pois, os interessados, que só po- 
derão colher óptimos resultados e espero que jamais um insuccesso. 

Descobrir a cura de uma moléstia não ó tudo ainda, mais é desco- 
brir-s3 o meio de evital>a e é do que estou tratando actualmente e j à tenho 
algumas observações curiosas, das quass espero tirar proximamente 
proveitosas conclusões, limitando-me por ora ao que hca dito, e que me 
parece mais ou menos certo, em proveito de uma industria tão útil e 
proveitosa.» 

Do " Minas Geraes " 






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D. C ^ 



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A LAVOURA 



EXPEDIENTE 



MTZ DE ABRIL DE 1909 

Correspondência recelida: 

Cartas G09 

Offlcios do governo 5 

» particulares 11 

Circulares 6 

Telegrammas 17 648 

Corrospondeucia expedida: 

Cartas 114 

Registrados (cartas) 23 

> (distinctivos) 7 

Circulares 1.5'.ií 

Tel logra mmaí 19 

«A Lavoura» 5.165 4.ÕS0 

MEZ VF. MAIO DE 19JÍ( 

Corrcápondencia recebida: 

Offlcios do governo 3 

> particulares 22 

Tolegramraas 11 

Circulares 5 

Cartas 557 

Proposti-foraecinionto do plantas 1 599 

Correspondência expedida; 

Cartas lõl 

Offlcios do governo 4 

> particulares 9 

Telegrammas 31 

Circulares 351 

Convit33 para sessão da directoria 18 

Registrados (distinctivos) 43 

Noticias para os jornaes 17 

Boletim «A Lavoura» 607 1.231 



Si 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

MKZ DS .11 N'110 HE 10j9 

Corresponrlnnrin rficobi in : 

CarUs 400 

Offlcios do govorno 2 

> pirticularos II 

Telegrammas 40 

Circulaies 2 470 

Correspoudencia expedida: 

Cartas 137 

Circulares do procurações 652 

» 140 

OíHcio do govorno 1 

Registrados (diplomas) 170 

> (distinctivos) 10 

Telegrammas 221 

Boletim «A Lavoura» 2.387 3.018 

Fornecimsnto de arame farpado 

MEZ DE ahuil de 1900 

Pedidos 46 

Rolos 2.3(11 

Metragoin 094.080 

Custo pela Sociedade 21:212$0.>=!0 

» no Mercado 31:518$000 

Economia para o sócio 10:30i$920 

MEZ DE MAIO DE 1908 

Pedidos 33 

Rolos 827 

Metragem 231.48.") 

Custo pela Sooiedado 7:27:^f360 

» no Mi>rcado I0:779$000 

Economia para o sócio 3:.",0.n$610 

MEZ DE .TUN'H0 DE 1009 

Pedidos 20 

Rolos 1.4U 

Metragem 523.3:0 

Custo pela Sociedade 13:8'19$520 

> nn Mercado 18:258$000 

Economia para o soeio 4:448$4í>0 



A LAVOURA 



l^i-típívg^íviítltv tio Oíifó nii- !Syi*íít — O Dr. Wenceslào Bcllo, 
Presidente da SuciedaJc Nacional de Agricultiu-a, endereçou ao Exra. Sr. Ministro 
da Industria um offloio capoaado c ipia da carta do Sr. Casamiro Georgc, na 
qual SG propunha a estabelecer um comiuercio cUrect j e propaganda do Café bra- 
sileiro, na Syria. 

O Sr. Ministro enviou á Directoria do serviço de propaganda e expansão 
económica do Brasil no estrangeiro a citada carta, tcudo u Sr. Dr. Vieira Souto, 
director intsrino, oaviado a informação seguinte, que foi rjmettida a esta Socie- 
dade, por cópia, pelo Ministro da Industria, Viação e Obras Publicas. 

"Krm. Snr. Tenho a honra de accusar o recebimento do oRlcio n. 1410, da- 
tado de 31 de outubro próximo flndo, do Sr. Director Geral da Industria, i-emet- 
tendo, de ordem de V. Ex., a cópia de uma carta dirigida pelo Sr. Casemiro Goorge 
S Sociedade Nacional de Agricultura, na qual se propõe o siguatirio a fazer na 
Syria a propaganda dos productos brasileiros, principalmente o calV^. O desenvol- 
vimento desse proáucto na Ásia Menor é assumpto de alto interesse para o Brasil. 
Nesse paiz o uso do café é muito commum e, mediante certas medidas, poderá 
generalizar-ss ua mais larga escala. Para obter esse resultado, não é indispensável 
estabelecer o transporte directo da mercadoria, o que dilHcilmente se poderia 
obter. Basta, sob este ponto de vista, que o café destinado á Ásia Menor venha á 
Marselha ou outro ponto do Mediterrâneo onde Laja baldeação directa para as em- 
barcações que dabi navegam regularmente em direcção á Ásia Menor. A despeza 
da baldeação representa sorama insignificante. O que é essencial, para o alludido 
fim,é organizar o coramercio docafó em Beyruth. A fraqueza desse commercio dá 
margem á expucuiação qu3 encarece os preços e restringe o consumo. Se a verba 
que o Congresso [•'ederal votar para manutenção dos serviços do expansão económica 
no estrangeiro, durante o anno do 1903 não for inferior á que votou para o corrente 
anno, estabslecerei ora Beyruth uma a^^encia desseserviço, o nutro as mais fun- 
dadas e3p3i'anças de que por ta! moio conseguirei regularizar e facilitar o commercio, 
conseguindo em curto praso notável accressimo no consur.io de café na Syria. 

Saudações — Ao Exm. Snr. Ur. Miguel Calmon du Piu e Almeida. — Dr. Mi- 
nistro da Industria, Viação e Obras Publicas. — O Director interino — Lui:: Ra- 
phael Vieira Souto. 



Recebemos c agradecemos a communicação que nos foi enviada pela Sociedade 
Estadoal de Agricultura do Paraná, da posse, em 16 de janeiro próximo passado, 
de sua nova directoria, que licou composta dos seguintes Srs. : 

Presidente — Dr. António A. Carvalho Chaves. 

Vice-presidente — Dr. Jayme D. dos Reis. 

1» Secretario — D. Duarte Velloso. 

y dito — .loão Barcellos. 

Thesoureiro — Alfredo C. de Freitas. 



Do Congresso latornacional Americano de Medicina e Hygicue de 1910, em 
Buenos Ayres, recebemos um extracto do programma e demais dados relativos a 
inauguração desse Congresso, que terá logar em Buenos Ayres, em comraemoração 
ao primeiro ceiítcuario da revolução de maio du l'Jli). 

.Vgraduccmoj a tiucza da r(jmL';;.?a . 



86 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

1;ti virtuile dl! (Icsintelligoncia entre os lavra lores •!. M. da Siiva Mattos e 
Pudro Pinto, residentes no municipio do itaocara, a Sociedade NacioDal de Agri. 
cultura, como parte mediadora, appcilou para o iliusire chefe do policia do Estado 
(lo líio, Dr. Itrnacio Veríssimo de Mello, que, agindo covão lhe pareceu melliur, viu 
tiiialmente a p:i/. se impor aos que se achavam resontidos. 

Ao Sr. lir. rhole de policia do listado do Rio agradecemos a attençfio e a 
lijndadc com que deu gasalhado ao nosso appullo. 



Iv*,ili«.vii<lUca,t Sta.9i«f*ui't.— Comraunieam-nos os Srs. UriiggmanD, 
Pereira ^*^ C.', em data de 1 do abril do co;Teat3aaao, teram transferido ao Sr. Fer- 
nando Ilickradt, r(!p;'e3ontanf,e gorai para o Rra7.il do Kalisyivlikal Slissfurt, de 
Hamburgo, u seu negocio d? adubos chimicoí, estabelecido á rua da .Mfindcga n. 99. 
A' frente do ostabalecimento, como procurador, com pj leres de gerência, acha-se o 
Sr. Júlio Issler Filho. 



O presidente da Sociedade Nacional do Agricultura, endereçou ao Sr. Dr. Al- 
berto Maranh.io, digno governador do Estado do Rio Grande do Norte, um otlício 
cujo assumpto, por se;* da maior relevância, se impõe suraquiesjuer commenlarios: 

« .\ Sociedade Nacional do Agricultura recebeu pedido de intervenção junto a 
V. E.\., afim do silicitar a fundarão da um campo de exporie.xias com demonstra- 
gíjes praticas da cultura do algodão. 

Dentre os pontos iudicidos salienta-se o municipio de Mossoró com'> um dos 
mais convenientes para a execução desta providencia, que V. Ex. bem coraprc- 
hendorá trar;l incalculáveis vant3gL'ns á cultura do algodoeiro. 

No local indicado, somos informados, o Governo encontrará quera ceda ter- 
reno para esse fim, de sorte que com minima despeza i>oderã o Governo prestar 
relevante servií.-o ao sou Estado. 

.'\ Sociedade Nacional de Agricultura tivinsmittioilo a V. Ex. essi aspiração, 
secunda e faz votos para que se torne uma realidade. 

Aproveito a ocjasião para apresentar a, V. Ex. protestos do mc;i alto apreço 
o distinota consideração ». 



2o:ios Ína:ripto3 ds 1 abril a 30 ds junho d9 1S09 



Joaquim .Uigusto do Campos. 

Tenente Manoel Nunes da Fonseca. 

Virgílio Borges. 

.Vntonio Candiílo Uorgcs. 

Francisco de Paula Rocha. 

Tenente-Corjuel José Américo Teixeira Junqueira. 

Raul Baptista de Castro. 

Ferii.uido llarkradt. 

Pedro Martins Ribeiro Juuior. 

Capitão António José Gonçalves. 



A LAVOURA 87 



CoroDel José Baptista dos Santos. 

Manoel Antouio de A'meida. 

Joaquim José da Motta. 

Carlos Lis Tross. 

Capitão Agostinlio [,oui'enço Alves. 

Oiyrapio Martins Uuerra. 

Osvaldo Carneiro Santiago. 

António da Costa Lage. 

Raphael Balbino. 

Euclides Gomes do Souza. 

João António de Siqueira. 

Dr. Júlio Junqueira de Aquino. 

Manoel António Martins. 

Carlos (í. da Costa Wigg. 

Jeremias Ferreira de Oliveira. 

João Gonçalo Serpa. 

Dr. João Lopes Pereira. 

Capitão José Ferreira do Souza. 

Dr. Murtinho da Rocha. 

Engenheiro António Januzzi. 

Tenente Joaquim Luiz da Silveira. 

Domingos Braga. 

Manoel Rezende de Miranda. 

José Ribeiro de Oliveira c Silva Júnior, 

Capitão Pedro Brouliado. 

Capitão João Macedo. 

Joaquim da Silva Neiva. 

Severiano da Silva Neiva. 

Manoel Neiva. 

Major Joaquim Paulino da Costa. 

Aurtliano Martins de Andrade. 

Coronel Pacifico Lucas Pereira. 

Capitão Eduardo Lucas Pereira. 

Major Anthero Feijó Alves da Silva. 

.\rmando Loite. 

José Barbosa do Castro. 

Dr. Sérgio Gonçalves do UlUòa. 

Angelino Pereira Filho. 

António Pereira da Silva. 

Dr. Péricles de Mendonça. 

Henrique! Kanitz. 

Nostor Eustacliio du Andrade. 

.\genor de Souza Dias. 

Joaquim Nicoláo Paiva Monteiro. 

Dr. Eduardo Fluriauo de Loraus. 

Dr. Francisco Freire da Cruz. 

Joaquim Martins da Costa Cruz. 



88 SOCIKDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Euzcbio Araújo de Q. Mattoso. 

José Bento de Mello Cirvallio. 

Coronel Octávio Meyer. 

Fazenda Militar CericiíiO. 

.Autonio da Silva Fortes. 

Dr. José Pereira do Kego VUho. 

Manoel António da Siva Fortes. 

Eduardo Ilygino do Sá Fortes. 

Messias Jacob Loinos. 

Capitão Rodolpho Cocilio dos Santos. 

Commondador João Alvos Aveiro. 

Mário Guimarãej. 

João António de Souza. 

Lionizio l.essa Bastos (capitão do corveta). 

Coronel Fabrício Cald is do Oliveira. 

D. Anna Flauzina Xavier (viuva). 

Armantino F, Maciel. 

Arlindo Pinto Zaroni. 

Gastão Cardoso. 

Constâncio A. Crumrael (Engeneiro). 

Coronel José Gonçalves Moreira, 

l)r. José Bernardino Paraniios da Silva. 

Manoel I.oite Serra. 

Mcinoel Teixeira Camar^'os. 

!).•. Pedro da Matta Macliado. 

Dr. Alfredo de Mattos lludgf. 

Dr. Jean Victor Josopl; (ijvenois. 

António RoJrÍQ:ue> do Carmo. 

Tenente-coronel Apri^in do Oliveira Cezar. 

Toncnte-coronel S ibino Augusto Zany. 

Arthur Nascimento. 

Dr. ,loão Valentim Villela Gusmão. 

Joaquim L. do Castro Pacheco. 

Mário Alfredo da Silva. 

Coronel Modcstino Caefano Cândido de Andrade. 

Francisco de I^aula Rocha. 

João Medeiros da Silva. 

Alberto Fortes Duarte. 

.António Monteiro do Britto. 

Missino Baptista Cardoso. 

Aureliano 1'iuto Lima Guedes. 

Euclides Ferreira Dias. 

Coi"onol Cândido da Fonseca Viaima. 

Joaquim Pedro de Moraes. 

-Arthur Joviano. 

Veridiano Ferreira de A.iruiar. 

.iutuuio Doret. 



A LAVOURA . S9 



Coronel Josí Lucas Barbosa. 

Luiz AntoQio Vianiia Bavljosi. 

Dl'. Pacificu Mascarenhas. 

Joaquim (iabriel Diniz. 

Coronel António Diniz Mascarenhas. 

Annibal Pinto Mascarenhas. 

José Candiílo Mascarenhas. 

.lozias Diniz Mascarenhas. 

Coronci José Américo Teixeira Junqueira. 

Major (lalilèo Belfort de Arantes. 

Olympio Corrêa Netto. 

Matliorino Evangelista de Carvalho. 

Oiyntho Pereira Botelho. 

Dr. Álvaro (iraça. 

Luiz Pedro Guimarães. 

Coronel Bento Lobato de Miranda. 

Cândido Lopes Franco. 

Dr. Cyro Costa. 

José Augusto de Araújo Lima. 

Manoel Lopes da Costa Nogueira. 

Manoel Pereira Machado Júnior. 

Capitão Cassiano Caxias dos Santos. 

João Gonçalves Mocinho. 

D. Maria da Gloria Neves Murta. 

Tenente-coronel Sebastião de Oliveira Leitão Sobrinho. 

Dr. Martinho Duarte Pinto Monteiro. 

Dr. Lucas Tavares de Lacerda. 

João Baptista de Castro Júnior. 

Alexandre liarbosa da Silva. 

João Machado Borba. 

Jockey-Club Paranaense. 

Capitão Salvador Borges de Abrantes. 

Álvaro Mascarenhas. 

Tenente António ioaO, Ueiinó Júnior. 

D. Vmerica de Almeida. 

Sociedade Amazonense de .Vijricultura. 



SECÇ.A.O TlCCllNICA. 

Ceutvo <.l<j ostiulos ug'1'ieolíir^ — A Sociedade Nacional do Agri- 
cultura em sua reunião de directoria, de ■l~ de junlio próximo passado, resolveu 
organizar, entro seus sócios, um centro de estudos agrícolas. 

Eáse centro encetará seus trabalhos distribuindo entre seus membros os me- 
lhores e mais recentes escriptus de valor pratico sobre questões agrícolas do es- 
S99S 5 



90 SOCIEDADE NACIONAL, DE AGRICULTURA 

trangeiro e do paiz, os quacs serão dopois relatados em suas reuniões, de modo que 
todos aproveitem os estudos feitos por cida um. Os relatórios serão oracs ou es- 
criptos, mas sempre acompanhados de um resumo sulHcienlcmonte instruetivo, o 
qual será publicado e distribuido por todos os socius, cora as considerações que 
lerem feitas pelos membros presentes á reunião. 

As sessões serão quinzenaes e á noite, sondo facultada a presença a todos os 
inscriptos e utilizando-se para esso fim a importante collecção do obras, revistas, 
monographia e jornaes que a bibliotheca da sociedade possue e outras que sejam 
olferecidas, a juizo do conselho director. 

O Centro de Estudos organizará tambom conferencias e os assumptos daquelles 
e destas comprohenderão todas as questões, quer relativas à cultura e á pecuária, 
quer ás que de perto interessem ao progresso dessas industrias o das inaustrias 
extractivas dos reinos biológicos. 

O Centro teve unanime acceitacão por parte da directoria da sociedade o já 
principia a receber adbesões, simdo evidente a sua importância e opportunidade, 
porquanto a crcação do Ministério de Agricultura dá a mais completa actualidade 
;i taes oitudos, em vista tia orientação technica que tem do caracterizar o novo 
departamento de nos>a publica adniiuistração. 

A sociedade recebe as adliesões em sua sede á rua da Alfandega, 108. 



Viticultiii-a — Recebemos do Eím. Sr. Marchose Lodovico Ceuturione, 
Régio Consolo de Itália, a seguinte carta cujo questionário respondemos : 

Rio de Janeiro, 12 de junho de 19i)3. 

Illm. Sr. Tendo recebido do Consócio Ajrario de Matino-Lecco, um questio- 
nário referente ao cultivo e producção da uva, junto a esta as perguntas que me 
fazem, pedindo o obsequio a V. S. de me fornecer sobre ellas ou sobre pirte 
delias, se lho fôr possível, as informações pedidas. 

Agradecendo-!he penhoradissimo antecipadamente, renovo-lht?, lUm. Sr. Di- 
rector, os protestos de minha mais alta considi3ração. 

O R. Cônsul, Centunonc— lllni. Sr. Presidente da Sociedade Nacional de 
Agricultura, Capital. 

«LESTIONAIIIO 

1 ." Desde quando foi iniciada uo Brasil a cultura da videira ( 
Não ha dados seguros indicando os primeiros ensaios culturaes da videira no 
Brasil- 15' provável que os primeiros eolonisidores hajam trazido corasigo a videira 
européa, porém, varias causas devem ter impedido o desenvolvimento dessa 
cultura : o clima húmido da região costeira do Brasil, a qualidade do solo, que é de 
extrema pobreza em cal e pliosphoru, as moléstias cryptogaraicas, os insectos, os 
pássaros e outros auimaes destruidores dos fructos da videira e, linalmento, as me- 
didas baixadas pela metrópole prohibindo a cultura da vinha uo Brasil sob penas 
mui severas. 

E' possível o mesmo muiio provável que loi no começo do século passado, 
quando se creou o Jardim Boi mico do Rio de Janeiro, que se introduziram varias 
pi lutas caónomicas no Brasil, e é provável que se houvessem trazido videiras com 
muitas outras plantas então importadas. 



A LAVOURA 91 



E esta hypjthese é tanto mais plausível que naquclla occasião toJas as 
rostricçues de culturas haviam sidj abolidas. Porém só a partir de setenta e tantos 
anoos para cá é que se começou a fazer ensaios de cultura da videira no Brasil, 
com o intento de substituir a industria vinhateira da Europa, então ameaçada do ■ 
extincção pelo pliylloxera. 

Esses ensaios fjram feitos do Estado de Minas para o Sul, ate Rio Grande 
inclusive. Foi sobretudo nesto ultimo Estado que atacaram a cultura da videira com 
maior intensidade. Em S. Paulo, Minas, Paraná e Santa Catliarina, muito se fez 
rolativamento em prol da cultura da vinha ; mas foi em S. Paulo, onde se lizeram 
as experiências mais sérias, devidas á E.iraa. Sra. D. Veridiana Prado e Dr. Pereira 
Barreto, que aeclimaram muitas excellentes variedades da Vitis Vinifera, até então 
raríssima em todo o Brasil . 

Estes ensaios sobre a Vitis Yinifara datam de oitenta e tantos aanos para cá, 

2.» Em que região? 

No Estado do Rio Grande do Sul, principalmente cm S. Paulo, Minas, Santa 
Catharinae Paraná; mas a videira pi-ospera muito bem em tuda a bioia do Rio 
S. Francisco e Estados do Norte do Brasil. 

3." Em que condições se podem adquiiúr, nas ditas localidades, terrenos incultos, 
próprios para o cultivo da videira '. 

Conforme a zona, os terrenos poderão ser obtidos grátis ou por preço alto, 
regulando no máximo 200$ por hectare. 

4.° Qual o clima destas localidades ? 

De Minas até o Estado do Rio Grande Ao Sul o clima é brando, subindo a tem- 
peratura, de novembro a março, a pouco mais de 30' centígrados o descendo dn 
maio a julho inclusive, algumas vezes, até zero e a menos de zero. Os mezes do 
novembro a março são chuvosos. 

5.° Pelas recentes estatísticas, quantos hectares de terrenos estão plantados de 
videira ? 

Não ha estatística sobre a área plantada em videira, pois esta ainda não 
constituo uma cultura propriamente industrial; está, por emquanto, em ensaios. 

6." A producção vinícola é inferior à necessidade da população? 

A producção ô muitíssimo inferior ás necessidades do paiz, pois sua importação 
foi em 1906 do 57.000.000 de litros de vinhos de mesa, emquanto que a exportação 
do Estado do Rio Grande do Sul, que é o maior produeíor de vinho da Republica, 
subiu a 30 de junho de 1907 a 3.700.000 litros — producção do anno contado de junho 
do 190(3 a junho do 1907. 

-V exportação do Rio Grande do Sul dirige-se aos outros Estados do Brasil. 

7." Si o producto é inferior ás nucjssidados, quaos os motivos que retardam o 
desenvolvimento de tal cultura ? 

A principal causa do pequeno desenvolvimento de tal cultura é o clima 
quente o húmido dominante nos Estados em que se tem tentado a cultura da vinha, 
a qual floresce e fructiflca justamente quando as chuvas são mais abundantes c a 
temperatura mais elevada. Além desta causa, concorre também para o atrazo da 
viticultura a falta de instrucção technica sobre a videira e seu producto. 

8.° Si se produz vinho do corto ou de mesa, e qual o preço médio ? 

Os vinhos produzidos no Brasil são em geral pouco encorpados devido ao clima 
e á variedade da videira cultivada, quo é a Izahella em sua quasi totalidade. 



SOCIEDADE NACIONAL UE AGRICULTURA 



Km t:evi\l os vinhos do Hrasil são IVacos cm cór o iiloool. 

Os preços olliciaos do viiili i áo Kio Grande do Sul são cnlcuUdos á razão de 
200 róis por litro. 

0." Qual i; approxiinadaiiuiiite o produeto da uva por hectare .' 

Não ha dados a til rcspaito, visto njo ser ainda a viticultura uuia industria 
regularmente orjíanisada. Está apenas era sou inioio. 

jii." As dcsp;;za3 de cultura são caras ' 

Comparati vãmente o;>ni as diíspezas que so fa^em na Europa, as dcspezas são 
caras, povquo os instrumentos, o vasilliarau, os modieatnontos são importados do 
estrangeiro. (Juanto aos salários, re^'ulam cjm os da líuropa, com pequena dilTe- 
rença. São, porém, um tanto mais elevados em s. Paulo do que nos outros 
Estados. 

11." Qual o t>po de vinho mais aprecia lo í Si produz aqui ou é importado? 
Qual a quantidade de sua importação ? 

Os vinhos mais impn-tados são os do mesa — typo Bordeaax, os vinhos de côr 
carregada portuguozes o os vinhos do Porto. Como ficou respondido, ao quesito 
n. O acima exposto, a importação do vinho no Brasil soba a perto de 60.000.000 
de litros por anno. 

12." Qual o systema em uso para o cultivo da videira ? 

Cultivam a videira cm latada e era cordões, systema Geojot. 

1:;.» Existem moléstias comn o Phylloxera ! 

lOxislem o Ph.\lloxora o todas as moléstias conhecidas no antigo Continente. 

14.» Qual o mez de colheita ' 

.lanoiro a fevereiro nos liítados ceatro-moridionaes ; pjréni, nos Estados do 
norte da Republica a videira IVuctifica mais di' uma vez ao anno, em lípoi-as variá- 
veis, conforme a poda. 

15." Seria conveniente uma plantação em grande escala (590 hectares) ! 

A plantação leita assim do chofre, sem prévio cjnhgcimcnõo da moio physico e 
económico, seria muito arriscada. 



A podido dos Srs. M. F. do Monte «Sc C. ', do Rio Grande do Xorte — .Mossjró — 
damos á puldicidade a analyse que chimicos de competência mundial realizaram 
no sal que aquelles Srs. exportam em larga escala. 

O i-esultado da analyse, de facto, eollo,'a esse produeto nacional entre os c m- 
generes da melhor (jualidade. 

Analyso da sal fabricado por K, F. do Montn & C.'', do Rio Grande do Horto — Mojsoró 

Sal perfeitamente branco, si'mi-opaca, em crystai'S volumosos, cubico.^, secco3, 
inalteráveis ao ar, inodoro, de sabor s.ilgado (próprio), facilmente solúveis n"agua 
fria o quente, pouco solúveis no álcool, insolúveis no acido clilorhydrico concen- 
trado, etc. 

Em 100 gramnnis do sal achamos : 

Agua 1 ..551 grammas 

Chioruroto do so^io 97,320 » 

Sulfito de maeuesia 0,153 » 



A LAVOURA 



Chlorureto de magnesia o , 1 1 1 grammas 

Sulfato de cálcio 0,653 » 

Substancias insolúveis O.ori'^ » 

( impurezas ) 

Esto sal, como se vê pela analyse, coi]t(^m muito pouca afíua, pou ias substan- 
cias cstranlias (sulfato de magnesia, clilorureto do magnosia, sulfato de cal, ete.) : 
e entro as substancias insolúveis não se encontra sílica, argila, ctc. 

(lonclusíío. A sua composição eliimica lova-uos a collocal-o entre os saes de pri- 
meira qualidade e superiores de Sant-Ubes o da Ktang de lierre (Hespanlia). Os 
saes de primeira qualidade de Portugal, de Cadix. de Figuéras o de Marennes, são 
inferiores a este, não só pela proporção de chlorureto de sódio que encerram, como 
pelas substancias estranhas que contém. 

Finalmente, este sal 6 de superior qualidade. 

Rio de Janeiro, 29 de maio do 1906.— Theodor Pecholt — Custnvo Pecholl. 

Reconheço as firmas deTlieoJor Peckolt o r.ustavo Peckolt.— Rio, 8 de junho 
do 1900. — Em testemunho da verdade — Dário Tciíeira dn Cunha. 

Pelo resultado da analyse acima, ficou provado quo um kilogramma de nosso 
sal contêm 973, 2 gramnias de sal puro equivalente a quasi '.»7 1/2 °/o '. contendo 
de outros corpos estranhos aponas 2 1/2 "/„, sendo quo nestes 2 1/2 "/„ está in- 
cluída a parto d'agua que é inoffensiva. 

Esse resultado importa dizer que industrialmente é impossível produzir-se sal 
mais puro, o que só por processos chimicos se poderá conseguir maior porcenta- 
gem, e que nosso producto presta-se a todos os misteres, inclusive o de xarquoada. 
Nos responsabilizamos pelo resultado, desde quo soja observado o raetlio lo do appli- 
cação do sal saído directamente do nossos depósitos. Temos actualmente um depo- 
sito do 800.000 alqueires de 40 litros deste sal. Hoje tomos o duplo. 

Mossorú, 19 de março do 1909.— il/. F. do Monte X- Ca. 



Ti-atamento «In, " Ti-istezii " iio g-ado vaecuni — Dos 

srs. Hopkins Causer & Hopkins, estabelecidos nesta cidade á rua Theophilo Ottoni 
n . 95, recebemos um utilíssimo prospecto cujo assumpto vera com a seguinte 
rul)ríca : 

« Tratamento da Tristeza do Gado Vacoum ». 

Muito ombora esteja esta Suciedado distribuindo trabalhos do professor Caríni, 
de S. Paulo, o do Dr. Eduardo Cotrim, visando o mesmo assumpto, ainda assim 
entendemos de vantagem a transcripção, em o nosso Boletim, do referido iirospecto. 

A'quelles senhores ainda uma vez agradecemos a gentileza da lembrança. 

Como importadores do gado europeu, os nossos clientes perguntam-nos, qua^i 
sempre, qual o tratamento a seguir com um animal atacado desta grave moléstia, 
e sem preíenção alguma de olferecermos conselhos nossos, submettemos a nossos 
amigos as infiirraavi")es que temos colhido de diversos criadores com grande expe- 
riência no tratamento desta moléstia. 

Está provado que a infecção vem do carrapato, de modo que onde não existe 
este insecto não existo a « Tristeza >^. O carrapato cm geral existe s(')mente nas re- 
giões tropicaos, ou sub-tropicaes, as vezes, porém, apparece nos pastos sujos das 



04 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

xonas tem joradts; porém, com a limpezii desapparecem immodiíitamente. Devido 
a estas circu Dstaiicias a moléstia tem sido pouco estudada, e ú quasi desconhecida 
na Kuropa. .Nos Fotados Unidos só existo nos Estudos do Sul, Texas, Oklahnma, 
Território Indiano, etc. Na Argentina siiments existe no Norte, e a mesma cousa 
na Republica Oriental, de modo que a maioria dos criaiores argentinos e nrugiiayos 
não têm do lutar com essa colossal difllculdado. 

Agora, quanto á mou.stik — Sijmplomas.— Tristeza., falta de appotite, febro 
elevada, 40.° a 41.°, retonsão das urinas, que se tornam muito escuras, sanguí- 
neas, e ás vozes quasi da cor de café ; evacuação ponca e dura. A designação 
« Tristeza» explica bem o estado do animal atacado da moléstia, que fica com a 
cabeça abaixada, olhos soranolcntos. triste, deixando de comer e beber, apresen- 
tando bastante febre. 

Remédios — O Sr. Dr. KJuard) Cjtrim ominento criailor no Estado do Ilio, 
que tem importado grande nuiaero de cibeçis de gado europeu, perdendo dous ou 
três, conseguindo porém salvar a grande maioria, aconselha o seguinte remédio : 

Purgante de 800 a 1 .000 grammas de suiphato de sódio ; depois dá-so um bolo 
feito dtí farinha do trigo, no qual se mistura chlorhydrato do quinina, 7 grammas, 
e salol 4 grammas; póde-se dar dois bolos por dia, um de manhã outro fi tarde. Deve 
ser o bolo de ura tamanho que facilmente passe pela garfranta do animal ; dd-se- 
Iho, abrindo a bocca o coUocando o bolo atrás da lingua, o mais perto possível, da 
garganta, do modo que não possa cuspi-lo fora. 

O Dr. Lane, director chefe do «Collegio Mackenzie» de S. Paulo, trata os 
seus animaes importados, do seguinte modo: logo que o animal mostra signal da 
moléstia, faz um ca tucho de papel de seda no qual colloca SOO a 1 .00 ) grammas 
do sal moldo ; o cartuclio com o sou conteúdo ó raettido na bocca do animal, atrás 
da língua para ser engulido; dão-so 2 dósospor dia, e ao lado do animal colloca-so 
uma tina com agua limpa para beber quando quizer. As primeiras cabeças que o 
Dr. Lano importou perdeu-as todas, porém adoptnu este systema, e nunca mais 
perdeu um animal. 

Remédios para doenças communs — Escrove um grande criador americano: 
«Frequentemente, quando vendo um animil, o comprador pergunta : «Que devo 
fazer se o animal adoecer? A minha resposta geral ô: «Não faça nada». Segu- 
ramente se matam 10 animaes cora remédios para I quo morre do moléstia. Eu ra- 
ramente dou uma dúse de remédio, e de 500 cabeças de gaio do anno pxssaio, so- 
mente perdi uma e isto devido a envenenamento de sangue. Quasi sempre o remé- 
dio quo damos ó o sil amargo coramum. Se ura animal tiver o estômago 
dos irranjado, devido a ter comido de mais, ou por outro qualquer motivo, dissol- 
ve-se 700 grammas de sal amargo com 50 grammas de gengibre moido em l '•; litro 
d'ngua fervente, e quando a mistura estiver morna, põe-se em uma garrafa, des- 
pejando pela garganta do animal. Isto geraimonto produz movimento livre do- in- 
testinos, dandj prompto alivio ao animal ; se não acontecer isto, ropetese a dose 
em 12 horas. Cora os intestinos livres, a natureza geralmente completa a cura. 

Sobre os remédio; — Deve-sa esperar o tempo neeeísario, geralmsntc 12 horas, 
para ver se produzem o elTeito desejado: é prejudicial dar uma nova dose meia 
hora depois da primeira, simplesmente porque o animal não apresenta logo me- 
lhoras, assim como não é convo:\iente applicar todos os ires aqui citados de uma só 
Vez, o que provavelmente causaria a raorte do animal. 



A LAVOURA 95 



Conoalescencia — Com a volta Jo appitito, póle-se coQsidorar o animal conva- 
lescente; a uriaa torna-so mais clara, e abundante ; é bom dar capim verde, cortndo 
em p3da9os. 

Recommendamos a todos terem um tbermometro para saber a temperatura, o 
quo se faz mettendo-o no anus do animal. 

Todos os animaes vaccuns importado? estão sujeitos á «Tristeza », porém lia 
algumas excepções que nunca apanhamna, mas a grande maioria lem-na com me- 
nor ou maior gravidado. Evitando de todo o o irrapato, é possível evitar a moléstia, 
porém 6 diílicil seguir esto processo por causa do contacto com as vácuas. Ao nosso 
ver não se deve soltar os animaes m campo, senão depois de acclimados, c 
elles somente podem ser considerados acclimados depois de terem tido a mo- 
léstia. 

Como cada animal representa um capital relativamente grande, o um futuro 
de grandes esperenças, o seu bom tratamento é obrigatório. 

No sua chegada elle deve ser alojado em um estabulo de tijolo ou pedra, cujas 
paredes devem ser lavadas com caliça de vez era quando, pira trazô-las sempre 
bem limpas ; sendo de madeira, também devem levar uma mão do cal quando 
precisarem. 

O bom arejamento ê indispensável ; deve ter sempre abundância do agua bem 
limpa ; o gado acostuma-se perfeitamente ao capim nacional, que recommendamos 
cortar por machina appropriada ou por foiço, em pedaços de 10 ou 15 centíme- 
tros de cumprimento. Convém fazer os animaes andar um pouco todos os dias ; 
devem ser escovados uma vez por dia, e lavados quando isso tornai'-se necessário, 
escolhendo dia favorável para este serviço. Os productos de um animal do boa 
saúde e bom tratado, são sempre melhores que os do animaes mal tratados e 
doentios. 

O serviço das vaccas deve ser feito no tronco oucurrai, junto ao estabulo. 



Falsificação cio caPé — T(>mos a seguinte informação da. la pelo 
nosso cônsul em Trioíte : 

« Duranto o anno flnilo o facto mais importante no commercio deste artigo foi 
o desenvolvimento dado a valorização do café; esta operação que durante algum 
tempo parecia em perigo, quando os preços do café no Havro baixaram a 35 fran- 
cos, actualmente, com a pequena collieita em Santos, o consumo muito desprovido 
e um sensível descoberto nos more idos a tormí) se acha em melhor posição e é 
provável que elle possa conseguir seu intento do sustentar os preços do café 
e dispor do seu grande «stoclc» om boas condições. 

A importação do café na Áustria, por via marítima, durante o anno passado, 
foi do 1.19.5.257 sacoas das quaes S54.750 vieram do Brasil, ou mais 23.970 saccas 
do que em 190G e 185. 183 do que em 1905. 

O mappa n. 4 mjstra a quantidade de café importado e reexportado de 
Trieste durante o anno de 1900 a 1937, de onde se vê também que, tanto a impor- 
tação como a reexportação estiveram sempre em augmento durante to lo esse 
tempo e quo o arino de 1907 apresentou os algarismos miís elevados. 

O governo austríaco resolveu favoravelmente o podido da Camará de Commer- 
cio de Trieste para crear nesta praça o mercado de café a termo, com a respectiva 



9"> 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



caixa (lo liquidação, a qual principiou a funccionar a :;í do setembro do 1907, e 
nesse mesrao dia foram vendidos 22.5D0 sacos de caft5; dahi om do.iute suas 
ti'aasacnues s:< ilfisenvolveram sempre rn.'ul.i.i'nienia s-m interrupção, ros;istrando 
no fira dn .inno von las do 1S3 7'>0 sac3 h de café, dos nuaes ir..). 200 oram dn Santos 
o :!3.50'1 do Rio. 

Considevandd qiia os prim.iir.is mezes do actividido do morcado do i-iféa 
tnrmo, triestino, c miticilirun com um pirioilo do crise mioniaria c do mercado 
desanimado, o resultado olitido nosso período pôde sor considerado satisfatório, c 
se manteem fiimla las esperanças Jo que oUa adquirindo maior reputação poderá 
desenvolver ainda mais sua csphera de actividade. 

O raappa n. :J mostra o deposito do café existente em Triosto segundo a pro- 
cedência a ;í1 de março, '.)Q de junho, setembro e 31 do desembro de lUOT, bein 
como o deposito visível do mundo em iiíual período dos annos do VM'> o lOliõ. 

Do mappa n. õ vêso que o movimento de «warrants» dura.ite o anno fmlo 
foi de UOO títulos representando o valor de coroas 7.022.290, contra 518 títulos re- 
presentando o valor de 6.148.820 coroas era 1000 e 584 representando o valor de 
7.51:í.380 era 10li5. 

Os preços m ixirao o mínimo do. c ifé luram os seguintes nos niozes de : 



1907 



Janeiro. . 
Fevireii'L). 
Março. . 
Abril . . 
Maio . . 
.Tunlio. 
Julho . . 
Agosto . . 
Setembro. 
Outubro . 
Novembro 
Dezembro 



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41 
42 

41 

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35 

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31; 



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» CiCí 

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» 71 



41 

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41 
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» 71 

» 70 

» 70 

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» G!1 

» GO 

» 70 

» 71 

» 72 

» 70 

» 70 



ItAlIlA 


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42 


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41 


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43 


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37 . 


43 


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45 


3(5 » 


4i 



4 ) a 48 

40 > 48 

40 » 48 

40 » 48 



38 



47 



Preço em cor' 'as por sacco de .50 kilogrammas. 

FALSiFiCAf.Ão or siRROiíATos DE CAFK — Trataudo-se do surrogato de café, 
a principal questão que se apresenta ô de saber se existe realmente surroga'os 
ou SC as substancias assim denominadas não passam de simples adulterações 
de café. 

Díz-sequcum productosiirroga um outro quando possue todas as qualidades 
deste, isto ó, quT um vale realmente outro. 



A LAVOURA 97 



Ora, nenhum surrogato de café possue o aroma e gosto e nem tão pouco pôde 
produzir os elleitos dcUe, íaltaudo-lhe a cafeína e outras substancias espeoiaes ao 
café, portanto, elles dnvom ser considerados e chamados mi,is acertudamento adul- 
terações do café, visto como o gosto é o único (demento i|Uo determina o valor do 
surrogato e este depende exclusivamente do individuo e do haljito de usar. 

Os surrogatos de café, sendo em geral torrados, introduzem no oi-ganisrao 
humano matérias torrefactas das quaes, algumas, podera produzir affeitos seme- 
lhantes aos do café ; além di<so, ellcs são um meio óptimo do introduzir no mesmo 
organismo certa quantidade d'agua. 

Já no século IS» se preparava era quantidade surrogatos de café para dimi- 
nuir o uso de café, considerado como prejudicial á siude. 

Um escriptor de 17Gõ indica como substancias empregadas então para falsificar 
o café — milho, aveia, malte, feijão, ligo, friicto de carvalho, etc, grande é a 
lista das substancias empregadas actualmente como surrogato de café o augmonta 
ainda continuamente. 

Em 1709 a cbicorea principiou a ser usada na Sicília, o o que 6 de notar, 
principalmoiito pelas classes abastadas. 

Xesse mesmo anno o duque de Braunsch-\veíg deu um privilegio aos enge- 
nheiros Heine & Forster para fabricar surrogatos de café e elles fundaram fabricas 
em Berlim, Breslavia, Magdeburgo e outras cidades da Allemanha ; d'ahi vem o 
Jiome de cale prussiano, pelo ijual era conhecido e vendido o café da ehicorea. 

Dessa época em diante a industria dos sorrogatos de café não deixou mais de 
prosperar, principalmente na Allemanha, Áustria, Bélgica, e ultimamente também 
na Itália ; ao mesmo tempo esses paizos foram se tornando grandes consumidores 
de surrogato de café. 

Em l'.)03 existiam na Itália, em plena actividade, 30 fabricas de surrogatos de 
café, em 1'.I05 já, não existia senão 23. 

Segundo a estitistica do imposto de fabricação, a producção dessas fabricas no 
quinquénio de 1875 a 1880 foi em média 493.800 kilogrammas por anno e no 
quinquénio de 1900 a 1904 foi de 3,200.400 kilogrammas, o que mostra a grande 
prusperidado delias. 

A importação media aiinual dj primeira quinquénio foi de 1.599.200 kilo- 
grammas, do segundo foi de 2,õ'.io. 100 kilogrammas e do triennio de 1903 a 1907 foi 
de 3.513.600 lúlograramas, o que mostra, quanto o consumo vai augmontando. 

A exportação média do primeiro quinquennio foi de 1 . 100 kilogrammas, do 
segundo 2.300 kilogrammas o do triennio 190i'i a 1907 de 20. DUO kilogrammas, 
aonde se nota também aiigmento regular. 

O numero de fabricas actualmente em actividade na Áustria e Hungria é de 
508, das quaes 412 fabricam café do figo, 14 café de cevada o 142 café do ehicorea. 

A producção média annual delias nestes últimos annos foi de 27:000,003 de 
kilogrammas de café do figo e 860.000 kilogrammas de café de cevada. 

O consumo de surrogatos de café na Áustria Hungria é avaliado em C(3rca de 
2 ■,000,000 do kilogrammas por anno, 

O commercio de exportação e importação é muito pequeno, principalmente o 
ultimo porque o imposto de importação na monarchia é muito elevado. 

A média da importação nos últimos annos foi de 25.000 kilogrammas e a da 
exportação de 240.003 kilogrammas. 

399S S 



os SOCIEDADK NACIONAL DE AGRICULTURA 

Na Allemanha a industria dos surrogatos do café estó muito desenvolvida, 
princip;il mente na Saxonia, Baden, Braunschweofr. 

O numero de fabricas actualmente fanccionando ó do 7í3 que occupam iri.TBR 
operários e cuja producção total média (í de cerca do kiloírrammas lOO.OOO.OOo 
por anno. 

No quatrienio de 1,103-07 foram importados em média 18.500.000 kilograramas 
de surrogato de cafó por anno, emquanto que a exportação foi em média do 
7.000.000 de kilogrammas por anno, o que mostra quão grande é actualmente o 
consumo e producção de surrogatos do cifi; no Império Germânico. 

Na França existem 16i fabricas em actividade, as quaos occupam 2.554 operá- 
rios e que produzem em média 2.581.400 kilogrammas por anno. 

A importação 6 de cerca de 200.000 kilogrammas e a exportação de cerca do 
900.000 kilogrammas ; a maior parto <*■, portanto, consumida na própria França. 

Na Bélgica a producção de surrogato 6 muito irrande ; ella é em média de 
cerca de 00,000.000 kilogrammas por anno. 

A importação 6 também em mídia do cerca do 10.000.0 lO de kiloirrammas, em- 
quanto que a exportação 6 de cerca de 50.000.00) kilogrammas por anno. 

Na Inglaterra a importação de surrogatos de café é pequena, devido á produc- 
ção do paiz sor sufflciente para cobrir o consumo, que também não ô muito grande, 
devido ao pouco uso de cafú: elle regula ser de cerca de 1.500 kilogrammas 
por anno. 

A exportação mídia annual, de chicorea principalmente, é de cerca de 350.000 
kilogrammas. 

A população da Rússia é pouco habituada ao uso de cafí e consome mais o chá. 

A importação do surrogato de c;ifé está em diminuição ; ella é do poucas cen- 
tenas do i'Ublos ; a exportação do chicorea, entretanto, aug^menta e regula a ser 
em média de 48.000 puds por anno ; o pud, 16.380 kilogrammas. 

Na Grécia, como em geral no« paizes do balcão, o consumo de surrogato de café 
é muito pequeno ; a sua importação media 6 de cerca de 100.000 kilogrammas por 
anno e não existe exportação. 

A Servia e a Bulgária fazem pouco uso de surrogatos de café e suas importações 
regulam cerca de 60.000 kilogrammas por anno para cada paiz e timbem não 
existe exportação. 

Na Rumania ha uma fabrica que occupa 3T operários e produz 10.000 kilo- 
grammas por anno e sua importação annual é nm média de cerca do 3.500 kilo- 
grammas. 

Cora isto não está terminada a matoria da falsificação de cifé, o que tambom 
não é nosso fim mas sim estudar a producção e consumo dos diversos artigos com 
que se tonta substituir o ve:'dadoiro café, 

A sorte commum de todo artigo de commcrcio de um preço relativamente alto 
e de grande consumo é de estimular a procura do um outro artigo da menor valor 
que possa substitui-lo, e o café não p<'ide escapar a esta regra geral, como acabamos 
de vor da grande quantidade de substancias que vém utilizadas para substituir o 
verdadeiro café, mas que não possuindo as propriedades delle, não serve senão para 
adultera-lo. 

Xestes últimos annos se nota em alguns paizes uma certa diminuição no con- 
sumo dos surrogatos de café, devido em parte á baixa de preço do verdadeiro café. 



A LAVOURA !19 



Neste sentido encontramos no Dcrlincr Jahrbuch úber Handil und Industrie de 
Í907-H pag.TS. O commercio da chicorea esteve pouco activo em 1907, porque 
de uma parte diminuio o consumo e de outra o preço da m<ão de obra augmentou, 
sem que augmentasse também o preço da mercadoria. 

Essa diminuição de consumo é causada em grande parto pela baix ; de preço do 
café natural. 



N'ova Tnclusti-ia. — A Planta Loranlis — El Constitucional, de Venezuela, 
publicou, sob a epigraphe supra, um interessante artigo, que, destacado pelo Mi- 
nistro do Brasil em Caracas, veio ter á nossa Secretaria dus Negócios líxteriores, 
cujo digno titular se dignou de envial-o ã Sociedade Nacional de Agricultura, que 
ora o faz inserir n' A Lavoura : 

«Ha algum tempo a imprensa allemã chamou a attenção do mundo da scien- 
cia sobre um vegetal botanicamente denominado Lorantis, cujos fructos, commum- 
mente mesclados com o café, contêm uma espécie de borracha. Tentou-se fabricar 
borracha com os fructos de tal planta. 

Foi um joven chimico suisso quem primeiro demonstrou que o fructo da 
dita planta proluz excellente borracha. O mesmo chimico tem analysado varias 
amostras de Lorantis vindas de Guatemala, Honduras e Venezuela, encontrando 
em todas o mesmo precioso principio. 

Provada a qualidade do producto, formou-se um syndieato com capitães 
europeus. 

Este syndieato propõe-se a : 

1.° trabalhar pira tirar pateate de invenção na Eu.opa e na America em 
favor do novo processo ; 

2." enviar agentes seus ás regiões onde existe a nova planta borrachifera, 
aflm de adquiril-a para as fabricas que se fundaram. 

O syndieato já realizou contractos na America Central, esperando começar 
a produzir brevemente uma borracha muito mais barata do que a que se Obtém no 
Amazonas. A nova empreza contractou a compra da fructa do Lorantis á razão de 
10 pezos por lOOkilos. 

Alguns a.íjentes do syndieato já seguiram, vi i Nora- York, com destino aos 
paizes productores da preciosa fructa, aflm de ali firmarem contractos com os go- 
vernos e particulares.» 

Notei da redacção — A planta era questão é provavelmente uma Loranthacea, 
conhecida vulgarmente sob o nome de herva de passarinho. 



Oarnaúlbeir-a. e sen px-incipal pi-ocliicto — A cera da Carna- 
úbeira, que é o producto desta de maior valor, procede da palmeira brasileira deno- 
minada botanicamente de Copernicia Cerifera — Mart. ou Corypho Cerif era— Arruda,. 

Esta planta só dá bem nas regiões brasileiras de clima quente e secco, como 
é o de todo Brasil central ilesdo o Maranhão até a Bahia e Matto Grosso. Nasce 
e se desiínvolve em moitas. 

As folhas da Carnaúbeir.i, quando aimla novas, são cobertas de uma tenuo 
camada resinosa, que é o producto a que sa chama de Carnaúba ou cera do Car- 
naúba. Colhidas as folhas, batem-n'as fortemente, e recebem a cera que se des- 



lOn SOCrRDADE NACÍONAL DF5 AGRICULTURA 

prendo delias em um panno ou em esteiras. A esse corpo resinoso que se des- 
prende das ibllKis levam ao Ibpo o derretera em agua lorvendo, deixam esfriar e 
ohfem-se a cr-ra tal qual se vende no mercado. 

Pareça que quanto mais novas forem as folhas, mais clara serã a cera quo 
doUas 80 (ibtem. 

Não consta que a cera da Carnaubeira solTra manipulação aljruma tendente a 
clarifical-a e valorisal-a. Tratam-na actualmente, como sempre o fizeram, desde 
os tempos mais remotos. A única anaIy.-<o da Carnaúba quo se conheço é a de 
Levy quo fornece os se^'tiintes algarismos : 

Carbono 80, 3r. 

Hydrogeneo 13,07 

Oxy,L'eneo 0,04 

Xas regiões onde e.xisto a Carnaubeira. a cera é usada pelas populações pobres 
para o fabrico de vellas grosseiras. 

A Carnaubeira fornece outros productos do algum valor, como sejam: fibra 
para o fabrico do redes e chapóos, ripas para cobertura de casas, etc, etc. 

Estiraa-se em dois kiios a producção do cera de cada arvore. 

Parece que a primeira exportação de carnaúba se fez em i84;. 

Desde então o commorcio deste producto tem-se goneraliíado jior diversos 
Estados do Brasil e não se acha mais exclusivamente concentrado no do Ceará. 



1901 
1902 
1903 
1904 
1905 



EXP0RTAÇ.\0 OKÍiAL DA CAUNAI BA 



997.000 Kls. 
1. 547. 000 » 
1.92r>.000 » 
1.995.000 » 
1,800.000 .> 



1.043:000:^000 
l.G98:090.'i;000 
2.661 rOOO.sCOO 
4.067:000.$i)00 
3.291 :OOO$O0O 



Para mais algumas informações ó de utilidade ler o primeiro volumo 
d'0 Brasil, do Centro Industrial, e o Manual pai-a os Agricultores, traduzido do 
alleraão para o portuguoz por F. M. Draenert. 

• • 

Dos Srs. Hasenclever & Comp., estabelecidos nesta cidade, recebemos alguns 
prospectos cujas gravuras representam diirorentes typos de arado "Oliver», o a 
desnatadeira «Favorita 

Os mesmos senhores remettom catálogos a quom os pedir. Chamamos a 
attenção para os aniiuncios que esta casa mantém cm nosso boletim. 

Os Sr.s. Hopkins, Canser & Hopkins tiveram a gentileza de enviar a este 
«boletim?, a lista mensal de preços correntes do seus productos. 

Esses preços &ão sujeitos ás fluctuações do mercado. ]'":itro os annuncios 
d'A Lavoura íigura o de&ti casa, para o qual tambcm chamamos a attenção dos 
nossos leitores. 



A LAVOURA 



101 



íSECO-%.0 1>1±: I^LAIVX Ais»^ JE SE>IEPsTE^S 



Distribuição de plaotas e somantes feita durante o primeiro semestre de 1900 . 



ESPECIFICAÇÃO 



Plantas fructiteras de clima frio. 
» » do paiz . 

Mudas de Abacaxis 

Ramas do mandioca 

Coco Weddeliana (sementes). . 

Raizes de inhame 

Alfafa 

Beterraba forrageira . . . . 
Cenoura » . . . . 

Nabo forrageiro . . • . 

Outras forragens 

Arroz 

Centeio 

Trigo 

Diversos cereaes c leguminosas . 

Algodão 

Batatas 

Sem(iates diversas 



UNIDADES 



714 
.588 
.751) 
ÕO 
.000 



30.10.V! 



PESOS 



62. "^ 

1. 081. "100 
229.^250 
232. "930 
173. "950 

1.104. "145 
667." 
315." 
727. "300 
5j9.'o50 
255." 

:;.112." 
3'J2."i70 

8. 921. "545 



VOLUMES 



59 



113 

111 

145 

145 

385 

27 

58 

91 

138 

12 

2! 19 

53S 



2.166 



)U2 S0CI/5DADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Horto da Fenha 

Kela, tório ísobre o cultivo de Ua, tatás com itclubu-g-em 
cliimicii 1-eiilizad.ii. no Moi'to 1-friicticola tia r*ciilia, 
apresentado pelo Ox*. l^aulino Cavalcanti 

Illm. Exni. Sr. Dr. Wencesláo Bollo, Presidente da So:iedade Nacional do 
Agricultura. 

Em cumprimento ús ordens de V. Ex. e.KaraiIas em oíHcio n. 15.300, do II 
de junho audante, cumpre-me apresentar o relatório da cultura experimental das 
batatas, realizada no Horto durante os mezes de março a junho do anno cjrrente. 

As sementes enviadas pela 3* sjcçãu não apresentavam defeitos, eram limpas, 
bem conformadas e achavam-se na maioria greladas. Em geral mediam 0.03 cen- 
tímetros de comprimento por quatro contimetros de diâmetro. As variedades 
constavam das seguintes : Iraperator, M;ignum Bonura, Syguea, Olympii, Up-to- 
date, Rose-native, Magnifica, Lechs, Margolin e Aspargo. 

Para a realização das experiências procedi da maneira seguinte : 

Km canteiros de :i°',00 X 10"\00 = 20"'=,00 convenientemente lavrados, gra- 
dados e adubados com estrume do curral e salitre do Chiie, foram abertas covas de 
O" ,25 de profundidade, na distancia do O", 50 e ahl enterrados os tubérculos com 
a profundidade de C", 12, tendo-se previamente collocado em cada cova 150 gram- 
mas de estrume de curral e 20 grammas de salitre do Chile. A natureza do solo 
era silico-humoso, e tmlia anteriormente sorvido ã plantação de horta. 

As batatas foram plantadas no dia 31 demarco e no dia 9 de abril quasi 
todas tinham brotado e em excellentos condições de vitalidade. 

Os cuidados cuUuraes se reduziram a manter o terreno limpo e mais solto 
pnssivel. Deram-se duas carpas u uma alporcadura. A primeira carpação so effe- 
ctuou immediatamente depois que as pc lu !nas ramas attingiram a lo centímetros. 

Algumas variedades, depois do alpurcadas, apresentaram uma apparencia 
doentia, o que me levou a estudal-as detidamente, concluindo depois de continuo 
exame, não se tratar de moléstias comrauns às lialatas e sim, segundo me pai-ece, 
ao fdcio de flcarem as terras fones em contacto com a terra alporcada e que por 
effeito do calor, principalmente nos terrenos silieosos, que era o nosso caso, 
ficavam queimadas na parte de contacto com a terra alporcada, como tive occasião 
de mostrar a V. Ex. em mais de um individuo. Este facto aínJa mais se accen- 
tuou, por ter feito retirar em alguns canteiros a terra alporcada, dando om resul- 
tado o completo desenvulvimonto dos indivíduos om canteiros onde alguasjá apre- 
sentavam o estado doentio. As variedades mais attingidas pelo mal foram: Im- 
perator. Syguea, Up-to-date, Olympiae Magnilica. 

A colheita se fez no dia 10 do junho, cujos rendimentos verificará V. Ex. do 

quadro junto. 

Com a área cultivada, isto é, 11 canteiros com as dimensões já discriminadas, 

despendeu-se o seguinte: 

Aradura e gradagem 3$000 

Limpa a enchada 6$0OO 



A LAVOURA 

Alporcagem i3jOOO 

Semeadura 1$500 

Colheita S^OOu 

19$300 

Custo da unidade 138 reis 

Período da cultura • 75 dias 



103 



Rio, 14 dd junho de VM9. — Paulino Cavalcanti, superintendente. 

Quadro demonstrativo da cultura experimental das batatas 
realizada no Horto, em março e junho 







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Paulino Vavalca/iíi, ísuperiuleudenlo, 



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A LANOURA 103 



NOTICIÁRIO 



Projecto dos estatutos do Banco Central Agrícola do Brazil 

TITULO I 

ORGANIZAÇÃO, PRAZO E SEDE 

Art. 1.» O Banco Coatral Agrícola do Brazil, organizado na conformidade da 
lei n. 1782, de 28 de novembro de 1 ,907, será regido pelos presentes estatutos, for- 
mulados de accordo cora o decreto n. 7.010, de 9 do julho de 11)08, e mais 
legislação em vigor, relativa ás sociedades anonymas. 

Art. 2." O prazo do sua duração será de 'òn auiios, contados a partir d i. data 
do decreto quo defloitivaraente appruvar os presentes estatutos. 

Art. 3." A sede e o foro judirioo do bancj serão na cidade do Rio de Janeiro. 

TlIUI.i) H 

CAPITAL 

Art. -1." O capital social é de 30.000:000.-;, dividido em 150.000 acções 
de iOOis cada uma. 

Art. õ.° A importância das acções será realizada om prestações de 10 por cento 
do seu valor nominal, com intorvallo nunca menor de 30 dias, precedendo sem- 
pre annnncios com aatccipação de 15, publicado nas folhas diárias de maior cir- 
culação, exceptuada a primeira prestação, que será de iO por cento , no acto da sub- 
scripção. 

A assignatura dos estatutos equivale :l respectiva approvação. 

Art. 0." As acções são transfcriveis desde que tenham realizado 'M por 
cento do seu valor, operando-se a transferoncia no livro competente e por termo 
asiignado pelo cedente e cessionário ou procuradores espcciaes para o ac(o. 

Paragrapho unioo. As acções snrão nominativas até o seu integral paga- 
mento. Integralizadis, poderão ser convertidas em acções tranferiveis por endosso 
ou em acções ao portador, por deliberação da assembléa geral. 

Art. 7.» Os accionistas que não oITectuarem o piaamonto das prestações nas 
épocas fixadas pela administração, incorrerão nas penas comminadas pela lei das 
sociedades anonymas. 

§ 1." Kxceptuam se os casos em que oocorrerem circumstancias extraordinárias, 
justi ficadas perante a directoria, dentro de 3n dias, ('ontados do ultimo annuncio 
para a realização de qualquer prestação, sujeitando-si^ o accionista, neste caso, á 
multa de 5 por cento sobre o valor da entrada em mora. 

i^ 2.° As acçõei: caídas em commisso serão reemittidas. 
3998 7 



106 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

S 3.° O produetj das multas o o ágio das acçõos remettidas sorão leradus ao 
fundo de reserva. 

Ai-t. 8." As acções sarão indívisivois era relação ao banco, que não rccoolieco 
mais de um proprietário para cada acção. 

TITULO III 

OPERAÇÕBS 

Art. 'J.'- SciMu operafijes do Banco Central Agrícola do Brasil : 

§ 1." Adquiriras letras hypothecarias do3 bancos estaduaes, emittidas depois 
da constituição do Biuco Central, pela cotação da praça o em moeda corrente, veri- 
ficadas preliminarmente as condições de credito e solvabilidade do banco emissor; 

§2." As letras liypothecarias dos bancos estaduaes devorão gozar da garantia 
de juros de 7 por cento por parte dos repectivos Kstados ; 

§ o.° Para que obtenham os favores deste paragraplio, os bancos estadoaes se 
sujeitarão á tiscalização psrmaníme do Banco Central, occorrenJo as respectivas 
despesas, assim coino publicarão mensalmente os seus balancetes no Diário 
Official ; 

§4. Descontares papeis do credito oraittidos pelos bancos estadoaes ou pelas 
cooperativas de credito agrícola de responsabilidade illimitada, com garantia 
daquelles bvncos e provenientes das seguintes operações : 

a) Empréstimo i sob penhor agrícola, por prazo nunca excedente de um anno; 

h) Descontos de notas provisórias, com o prazo rauximo de um anno, [garantidas 
por duas. firmas solvaveis, sendo uma de lavrador ou industrial, alím da respon- 
sabilidade sjlidaria do banco estadoal ; 

c) Desconto de irarranis, letras e bilhetes de mercadorias, emitlidos de ac- 
cordo com a legislação e:ii vigor. 

§ 5.» Empréstimo por meio de contas correntes ou promissórias do prazo infe- 
rior a dois annos aos syndlcatos e cooperativas de credito agrícola de responsabi- 
lidade illimitada. 

Art. 10. O banco, sempre que julgar conveniente, poderá realizar directamen- 
te as oporaçíies de que trata o artigo antecedente, creando agencias próprias nos 
Kstadús onde não houver bancos garantidos, com excepção do Estado do Rio de 
Janeiro. 

Paragrapho uniso. O Banco Central tora o direito de solicitar dos governos 
estaduaes, co:no condição para operar nas respectivas uircumscripçõos territoríaes, 
que não só facilitem, por legisleção adequada, a cobrani.a do seus créditos e ex- 
cussão das garantias olTerecidas pelos mutuários, como também isentem do impos- 
to o banco, suas operações e cobrnnças de seus créditos. 

Art. 11. São destinadas às operavões de que trata o art. W. as importâncias 
que, cj-vi do art. 12 da lei n. 1.782, de 28 de novembro de 1907, forem recolhi- 
diis ao banco pelo Tliesouro Federal dos saldos das cai.xn.s económicas, nt6 réis 
30.00o:000.>;, a juros do 2 por cento, pagos semestralmente. 

Art. 12. Receber deposito cm conta corrente de movimento ou letras aprazo 
operando neste caso como banco do depósitos o descontos. 

§ 1 .' Rejeber em deposito quaes^uer valares, percebendo commissãj razoável í 



A LAVOURA 107 



§ 2." Adquirir letras hypotliecarias ou quaesiiuer outroá papeis do credito por 
conta de terceiros, mediante coramissão ; 

§ 3." llaceber pequenos depósitos om conta corrente, abonando juro superior 
á taxa lixada para as contas correntes coramuns ; 

§ 4.° O banco emittirá uma caderneta especial para esse Sm, denominada — 
popular — na qual serão lançadas as entradas e saídas do capital o os juros a fa- 
vor dos depositantes ; 

.^ 5." Nessa caderneta serão exaradas as condições de abertura e encerramento 
da conta, prazo para as retiradas o épocas de capitalização dos juros. 

Art. 13. As quantias assim recebidas setão applicadas na compra de títulos 
da divida publica federal, estadual e do Districto Federal, letras kypothecarias do 
própria banco e no desconto de effeitos commerciaes de primeira ordem, a prazo 
máximo de quatro meses, revestidos, pelo menos, de duas firmas notoriamente 
solvaveis, notas promissórias emittidas pelas cooperativas de responsabilidade illi- 
mitada, com a garantia solidaria do banco local, loarriinís, letras e bilhetes de mer- 
cadorias a prazo não excedente de M dias. 

Art. 14. Os depósitos a que se referem o art. li e seus paragrapbos e sua ap- 
plicação constituirão secção especial, com contabilidade distinota, inteiramente in- 
dependente das operaçõe-; mencionadas nos arts. 9.», 10 e 11 e paragrapbos. 

Art. 15. Serão expressamente prohibidas as seguintes operações : 

a) Comprar de conta própria ou acceitar em caução as acções do próprio banco; 

h) Descontar titulos em que sejam responsáveis membros da directoria ou em- 
pregados do banco, não sendo igualmente permittidos adiantamentos ou qualquer 
operação de que provenha a responsabilidade delles para com o banco; 

c) Acceitar em gai^antia titulos de campanhias ou emprezas que não tenham o 
respectivo valor integral e cotação real na Ijolsa; 

d) Contractar ou operar com arma ou individuo que já tiver lesado o banco, ou 
procedido de má fé em transacções com o mesmo banco; 

e Realizar despezas ou contribuições que não sejam absolutamente necessárias 
ao serviço do banco. 



TITULO IV 



LETRAS HYPOTnECARIAS 



Art. 16. O banco emittirá, nos termos da lei n. 1.782, de 28 de novembro de 
1907, letras hypothecarias do valor nominal de 100$ cada uma, vencendo juros du 
5 por cento, annuaes, pagos semestralmente, na sede ou em qualquer das agencias 
do banco. 

Art. 17. A emissão das letras hypjthecarias não poderá excederá importância 
das letras liypothecarias estadoaes em carteira e nem ao quintuplo do valor do ca- 
pital social ellectivamente realizado. 

Art. 18. A emissão das letras hypotliecarias será feita por series, autorizada 
pelo Ministro da Fazenda, do forma a não haver emissão sem prévia autorização do 
Governo. 

Art, 19. A'.s letras hypothecarias emittidas nos termos dos artigos antecedente 
concede o Governo da União uma garantia de juroa de 5 por cento. 



ICS SOCIEDADE NACIONAL DE AGIUCULTURA 

Art. 20. As letras li.vpothecarias serão nominativas ou ao pjitador e terão nu- 
meração deorJcm correspon lente a cada serie emittida. Serão assignadas pelo pre- 
sidente e um director do banco o levarão o seiloda soMedade. 

Art. :i\ . A simples tradiçio ésnmeientc para a transferencia das letras ao por- 
tador; as nominativas, porém, se transferirão por cnilofso, cujo effeito é apenas o da 
cessão civil. 

Art. '■!'. O pagamento dos juros das loiras liyputiiucinas se firá par semes- 
tres vencidos o loiufrará uos cinco primeiros dias Je abril e outubro de cada aano. 

Art. 23. O pigamento das letras bypothecari as destinadas ao resgate se fará 
po:" meto do sorteio annual no mez de març > de c ida anno. 

.Vrt,. 21. Será destinada ao resgate das 1 ítras a importância recebida dos bancos 
esta loaes pelo resgato das suas lotras sorteaila?. 

Paraijraplio único. O Banco Central verificará, pelos meios cjnvenientes, até 
pelo cxaiue dos próprios livros dos bancos estadoaes, a natureza das operações que 
deram logar ã omissão das letras, r.s-im como a applicação ao resgate das quotas 
destinadas ;i autorização e aos pagamentos pjr antecipação feitos era diuheiro, na 
forma da lei. 

.\rt. :S. ProceJer-se-ha :io sorteio annual do modo seguinte: 

Todas as letras hypothi-earias d i mesma série serão colloc idas em uma só roda, 
de modo que haja tantas rodas quantas séries de letras cmittidas. 

Art. '-!&. Os números designados pela sorte serão publicados e preceder-se-ha 
aopagament> das letras sorteadas no dia annuncialo. 

Art. 27. Desde o dia annuuciaJo para o pagamento cessira os juros das letras 
sorteadas. 

.\rt. 23. Os juros das letras hypothecarias, tempo o modo do pagamento, 
devem constar dos próprios titules. 

Art. 29. As letras hypothecarias tOra por garantia: 

ai O fundo social; 

b) O fundo do reserva; 

c) As letras hypothecarias dos bancos estadoaes emiltidas de accórdo com a le- 
gislação era vigor. 

Art. 30. As letras hypothecarias resgatadas serão incineradas, lavrando-se do 
acto um termo, assiguado pela directoria o conselho liscal do banco. 

Art. 31. .Vs letras o sua transferencia, bem como o capital social, estão isentas 
do soUo proporcional. 

Art. 32. As letras hypothecarias emittidas pelo banco gozam dos favores, ga- 
rantias c privilegies concedidos pela legislação hypothocaria. 

IITULO V 

ADMINISTK.\<.ÃO 

Art. 33. o Banco Central será administra lo por tios directores, sendo um eleito 
pelos accionistas e dois de nomeação e demissão livrj do Governo. 

Art. ;i4. O presileatj será designado pelo Governo dentre os dois directores 
que nomear. 

.Vrt. 35. O mandato da directoria durará quatro annos. 



A LAVOURA M.> 



Art. 36. O director eleito pelos accionistas será o secretario da directoria o o 
terceiro o vico-prosidente. 

Art. :i7. O vicft-prosidcnto. sulistitaJrá o presidnnto, o o secro.tario o vii;t'-pri>- 
sldonto, n:is saas faltas e impodimontos tsmporarios. 

Art. 3S. O director eleito pelos accionistas poJerá -er reeleito, e, quando o não 
seja, servirá até que se apressnte o novo eIei*,o. 

Paragrapho uaico. São inelegivcis para o cargo de director os impelidos le- 
g:almonte de negociar, consideranJo-se duHoí, na apura.ão, os votos porventura 
dados aos que estiverem nestas circuinstaiicias. 

Art. 39. Não polcm exorjer conjuntamente o cargo do director os parentes 
consanguíneos o afflus atí- o 2 gr io o os sócios da mesma tirma commercial. 

Art. 40. O director eleito, antes de entrar em exercício, è obri:íado a garantir 
a responsabilidade de sua gestão cjia o penhor do áOO acções do banco, as quaes fi- 
carão inalienáveis atú seis mezes depois de cessar o exercício do cargo. .V caução se 
fará por termo lavrado no livro de registro. 

Art. 41. No caso de impeiimento temporário do director eleito, por mais de 
r;0 dias ou fallecimento, será convidado pela directoria, ouvido o conselho flscal, 
um accionista com as precizasqujliiades para preencher a vaga. 

Paragrapho único. Se o impedido for o presidente ou o vice-presidente, o Mi- 
nistro da Fazenda designará quem o deva substituir. 

Art. 42. O presidente terá os honorários de 2. £00$ measaes e os directores 
2:000.$, também raensaos. 

Art. 43. Compete á directoria: 

§ r. Deliberar sobre as condições geraes dos contratos, admissão de pedidos de 
empréstimos, emissão e amortização das letras hypothocarias. 

§ 2». Determinar a taxa dos depósitos e dos empréstimos assim como o prazo 
destas operações; 

§ 3'. .\ssignar as acções e letras hypothecarias; 

§ 4". Fixar a época das entradas a realizar; 

§5°. Determinar os dividendos semostraes; 

§6". Resolver sobre o coramisso das acções; 

§ 7°. Exercer livre e geral administração, para o que fie i iavestida dos poderes 
precizcs, inclusive para praticares actos mencionados no art. 102, do decreto de 
4 do julho de 1891; 

§ 8°. Crear filiaos e agencias. 

§ 9.° Organizar o regimento interno das secções. 

Art. 44. Compete ao presidente: 

§ l.» Supeinntender todos os negócios do banco ; 

§ 2.» Fiscalizar a estricta observância do regulamento que acorapanlia o de- 
creto n. T.oin, de 9 do julho do 1908, e dos presentes e^tatutos ; 

§ 3.» Convocar a assembléa geral ordinária ou extraordinária; 

§ 4." Nomear e dimittir o pessoal do banco e marcar-lho os vencimentos e 
fianças, quando julgar necessárias ; 

§ 5." Apresentar relatório annual ao Ministro da Fazenda o á assembléa 
geral ; 

§ 0.» Assifrnar os balanços semestraes e balancetes raensaesc toda a correspon- 
dência do banco ; 



111 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTORA 

§ 7." Represpntar o banco nas suas relaçõjs com terceiros, ou cm juizo, corape- 
Undo-llio a outorga de poderes a mandatários que designar ; 

S 8." Reffiotter ao Ministro da Fazenda e publicar at(> o dia 10 do cada mês os 
balancetes do binco. 

Alt. 45. Compatiril ao presidente, além do voto deliberativo, o suspensivo das 
resoluções por meio de recurso para o Ministro da Fazenda. 

TITULO VI 

CONSELHO FISCAL 

Art. 46. A assembli^a geral elegará annualmente três flscaos e outros tantos 
siipplentes. 

Art. 47. Incumbe ao conselho fiscal: 

§ 1." Apresentar com antecedência seu parecer sobre as operações do anno 
para ser lido na asseniLléa geral ; 

§ 2." Denunciar os erros, faltas e fraudes que encontrar no exame dos livros e 
contas ; 

§ 3." Examinar os livros, verificar o estado da caixa no ultimo dia do semestre 
e a existência dos titules pertencentes ao fundo de reserva. 

Art. 48. Cada momliro do conselho fiscal om exercício porcober.l 3:000A0o0 
annualmente. 

TITULO MI 

ASSEMBLKA GERAL 

Art. 40. A assemblóa seral tem poder para resolver todos os nesrocios do banco 
e poderíl deliberar, quando so aclnrem reunidos accionistas que representem no 
mínimo ura quarto do capital social. 

Art. 50. Constituída a assembléa pola forma prescripta no artipo antecedente, 
poderá resolver sobre tudo quanto for de sua competência, excepto sobre reforma 
dos estatutos, liquidação, dissolução e augmento de cipital, para o que 6 mister 
acharcm-se reunidos accionistas que representem dois terços do capital. 

Paragrapho unio. Quaesquer aU'^raçCies dos estatutos não terão vigor sem 
approvação expressa do governo. 

Art. 51. Xo caso de não haver numero legal para a constituição da assemblóa 
geral, observar-.se-á o disposto na lei n. 434, de julho de 1891, 

Art. õ2. Todos os accionistas, ainda S(>m o direito do voto, poderão assistir aos 
trabalhos da assembléa e discutir o objecto sujaito A. deliberação. 

Art. .")3. Todos os annos, no mOs de airosto e era dia precisamente marcado, se 
reunirá a assembléa geral ordinária para lhe ser apresentado o relatório annual 
acompanhado do balanço, conta de lucros e perdas e parecer do conselho fiscal. 

Art. 54. Nas asserabléas, tanto ordinárias como extraordinárias, o numero de 
10 acções dá direito a um voto, até o máximo de .500 votos para cada accionista. 

Art. 55. Serão admittidos a votar n is assembléas geraes: 

1 .° O tutor pelo tutelado e o curador pelo curatelado ; 

3.» O marido pela mulher o os pais pelos filhos menores ; 



A LAVOURA 111 



3.° O sócio da firma social pela mesma ; 

5." O representanti da administração de sociedade anonyma ou corporação ; 

0." Os syndicos pelas massas fallidas. 

Art. 5'.. Nas reuniões ordinárias 6 pormittido tratar-se de todos os assumptos 
que possam interessar o banco ; nas extraordinárias, só se tratará do objecto para 
que forem convocadas. 

Art. 57. Os donos das acções ao portador e transferidas por endosso são obri- 
gados a deposital-as na caixa do banco, pelo menos, seis dias antes da assombléa 
geral, sob pena do não poderem tomar parte nas discussões e deliberações. 

TITULO VIII 

FrNDO DE RESERV.\ E DIVIDENDOS 

Art. 58. Dos lucros líquidos semestraes, provenientes de operações completa- 
mente ultimadas, se deduzirá, a quota de 10 por cento, para ser constituído o fundo 
de reserva, destinado a fazer face ás perdas do capital social e á garantia de quo 
trata o art. 29. 

Art. 59. O fundo de reserva será constituído em apólices da divida publica 
federal ou letras hypothecarias do próprio banco. Os juros dos titules do fundo de 
reserva pertencerão ao mesmo fundo. 

Art. 60. Deduzida a quota do fundo de reserva, o liquido será distribuído em 
dividendo aos accionistas, até o limite de 10 por cento ao anno. 

Art. 01 . Havendo excesso de lucro, além do dividendo fixado no artigo prece- 
dente, metade constituirá um dividendo supplementar, a juizo da directoria, e 
outra metade será escripturada sob o titulo de fundo especial, destinado á unifor- 
mização dos dividendos. 

Art. 62. Os dividendos não reclamados até cinco annos da data do annuncio 
para seu pagamento, prescreverão em favjr do banco, salvo se for provada a au- 
sência em parte incerta do respectivo accionista. 

Art. 03. Os dividendos do banco são ioentos de impostos. 

TITULO IX 

DISPOSIÇÕES GERAES E TRANsITORI.\S 

Art. 64. Para os elTeitos do art. 14 da lei n. 1 .782, do 28 de novembro de 1007, 
a directoria, tomando por base o valor de eento e cincoenta mil contos como total 
máximo das operações a realizar nos dilTerentes Estados, fixará a somma das ope- 
rações a fazer em cada nm delles, na proporção da respectiva população. A tabela 
assim organizada será sujeita á approvação do governo. 

Art. 65. Os bens que o banco obtiver em solução de dividas deverão ser ven- 
didos no mais curto prazo, a juízo da directoria. 

Art. 60. O banco poderá crear succursaos e agencias dentro ou fora do pais, 
se julgar ronveniente aos seus interesses. 

Art. 67. O anno bancário coincidirá com o civil. 

Art. 68. Verificada a impontiialidade do banco no serviço de juros de siitis 
letras, o governo Decorrerá ao respectivo pagamento, promovendo a liquidação 



112 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

amigável ou judicial do instituto o nssumiado a respoosabilidade das letras liypo- 
tiiecarias ciuciroulavão. 

Nd ciiso de liquidação jiidicinl, os liiiiiidantn^^ serão nomoados pplo i,'o- 
vorno. 

Ai't. 69. Nos cisos omissos, obscrvar-se-á o disposto na loi de 4 di- jullio d(í 
1891, o legislarão hypothecaria, lei n. 1 .7^!2, de 28 de Qovembro de 1907, o decretj 
n. 7.010, lio 9 dfi julh 1 de I'.I03. 

>Iiiiir^ti"o <ln -Vevi'i<'iil< ni'íi, — Foi nom3a(lo, por decreto de 19 do 
juQlio do corrente anuo, o Sr. Dr. .António Cândido Rodriguo', Ministro da .Vsriciil- 
tura, iQdustria o Commercio. 

Sobre o alcance de tal resolurião loniad:i peio Governo e sobre o escol liido, 
A Lavoura opportunameale porá de manifesto o seu modo de sentir. 

Ci-o<Iito sifiM^icolsv Koi assiirnado no dia 19 de março do corroute 
anno o contracto provisório e a 19 de junho o definitivo entre o Governo do Esta lo 
de S. Paulo e os banqueiros Losto & Comp., de Pariz, para o estabole.-iraento do 
Banco Hypothocario e Agriíola do Estado do S. Paulo. Entre outras clausulas fi- 
guram as S9guintes que merecem ser destacadas: 

O Governo frarantirá o juro de 6 °;'„ ao Banco. 

As suas operações, respeitadas as bases da I>egÍ8lação Federal, rel.itivas ao 
Credito Agrícola movei e dos empréstimos com a garantia pignoratícia ou liypole- 
caria, serão: 

1°. — Descontos e redescontos: 

a) de letras agrícolas represei) tativas de productos da lavoura do Est uio, de 
piompta venda e não susceptíveis de deterioração ; 

b) de letras ou ordnns do lavradores sol)re commissarios ou exportadores dos 
respectivos goner.is. 

2». — Por empréstimos ou adiantamentos aos lavradores e commissarios, ga- 
rantidos: 

a) por penhor agrícola ; 

h) por penhor mercantil de títulos da divida publica ou do Estado ; de proiuctos 
agrícolas; ouro, prata e pedras preciosas ; c, com previa approvação do GjVjrno, de 
títulos da dívida publica municipal, acções, letras, iebcntures de bancj e com- 
panhias do Estado ; 

c) por «warrants» omíttidos de accorJo com a lei ; 

rf) por primeira hypotheca do inwQoveis ruraes ou urbanos (directa ou jor 
cessão). 

O Banco poderá receber depósitos por letras a praxo fixo ou em conta corrento 
de movimento e a taxa mínína a cobrar era todos as suas o;)erações será de 
10 °/o annuaes. 

Gozará de isenção de todos os impostos cstadoaes c poderá estabelecer flliaes ou 
agencias nas praças do E>tado que julgar convouientc. 

Os adiantamentos dõstínadoi ao custeio das lavouras serão feitos pjr prazo 
nimca maior de um anno e o seu valor não poderá exceJer a metade da renda 
in4día anaual das mesmas lavouras. 

A média annuiil será determinada pela ]írodii''ção dos últimos annos. 



A LAVOURA ii.í 



Os empréstimos feitos sob a garantia liypothecaria aão poderão exceder a ura 
terço do valor iJas propriedades agrícolas ou a "-i5 "/„ do valor dos ioimoveis urbanos. 
O seu pra70 não poderá exceder de 10 annos. 

No contracto 1'orani também estabelecidas as penas applicav(!is ás infracções 
das clausulas, consistindo em multas até 2:000$, suspensão do garantia de juros o 
caducidade. 

A directoria do bancj sorá constituída por cinco membros ; em Paris ficara um 
comité de outros cinco membros com as attribuições de conselho fiscal das omissões 
e para informar os accionistas nas assomblcas geraes sobre as operações do 
banco. 

As operações deverão se iniciar dentro do prazo de 90 dias, a contar da assig- 
natura do contracto. Em caso contrario caducará a concessão. 

— Do Estado de S. Paulo, temos ainda a registrar a creição do Banco de Custeio 
Rural de S. Manuel, cujos estatutos já foram approvados pelo governo estadoal 
que o subsidia com õO:'JCO$ ;00. 

Sociedade >Iiiieii*a. íle A-g-i-iciiltm-a, — Cora grande concur- 
rencia foi Instaliada em 21 de abril do corrente a Sociedade Mineira de Agricultura. 
Posteriormente procedeu-se á eleição da sua primeira directoria que ficou consti- 
tuída da seguinte fjrraa: 

Pr,'sideate de honra. Desembargador Jo"io Braul o ; Pr^'Sidente eíTectivo, 
Dr. Álvaro da Silveira ; 1° Vice-Presidente, Di". Aureliano Magalhães; 2° Vice- 
Presidente, Dr. Nelsou de Senna ; 1" Secretario, Dr. Pjdro Rache ; 2° Secretario 
tenente Cliristiano Pinto ; Thesoureiro, ooroncl Emydio Germano ; Commissario 
geral, Dr. Eduardo Lopes. 

O Sr. Dr. Wencesláo Bello endereçou ao Sr. dezerabargador .João Braulio o 
seguinte telegramma, em resposta á c^mmunicação recebida por esta Sociedade da 
installaçâo da nova associação agrícola ; 

«Exm. Sr. presidente da Sociedade Mineira de Agricultura. 

Em nome da directoria da Sociedade Nacional de Agricultiir.i, congratulo-me 
com V. Ex. pela cra.-ão da Sociedade Mineira de Agricultura, qm certamente virá, 
sob a auspiciosa e patriótica orientação do eminente Presidente do Estado, prestar 
relevantes serviços á agricultura mineira, tornando-se centro de ensinamentos, de 
estimules aos que labutam na rude porém honrosa vida. 

Agradeço as benévolas referencias c im que V. Ex. distinguiu esta Sociedade, 
que terá a maior satisfação em poder ser útil á futurosa eo-irmã. 

Cordiaes saudações. — Dr. Wencealáo Bello, presidente.» 

Tx-ig-o tie oixi*o — Cm grão que produz 70 libras de triga — Systema 
maravilhoso — A expariencia feita pela Rússia no plantio do trigo, a qual foi 
explicada ha um anno neite jornal, continua a produzir grande interesse entre os 
russos, e alguns dos seus jornaes illustrados conteem gravuras dos resultados 
obtidos. 

Pretendem que as experiências feitas em Annapolis, provam que o trigo 
produz em tão grande quantidade que pôde alimentar um homem num acre de 
4.0413 metros quadrados de terreno, e que ao mesmo tempo quasi se tornar perenne. 

•3998 S 



114 SOCIEDADE NACIONAI, DE AGRICULTURA 

E' difllcil do acroditar-se no quo dizem, isto é, que ara só grão de trigo possa 
produzir 70 libras do po;o oii 31,5 liilos e om l.04i'i metros quadrados produzir 
•ir; toneladas. 

O novo methodo, porém, podo ser experimentado por qualquer estacão expe- 
rimental ou mesmo por amadores om um metro quadrado de seu j irdim. 

O methodo 6 o seguinte : 

Cada grão ó plantado em uma cova cónica do 11 a 17 poUegadas de fundo 
com 42 pollegadas do largura. Depois de cada três semanas os rebentos do frrão 
são cobertos com uma camada de terra e assim se procede até 10 vezes. O re- 
sultado, segundo dizem os jornaes russos, é de que cada grão plantado na parte 
do alto invertido da cova cónica dá hasteas com folhas ou talos. Debaixo das 
folhas ou talos está, um engrossamento ou nó da hastc.i, que ao chama Bushing 
Knots, 

Si a hastea com o nó forem cobertos cora uma camada de terra de meio dedo 
de grossura, tora a propriedade de tomar raiz e dará no minimo três novos re- 
bentos cada um cora seus nós. 

Estes três rebentos si forem cobertos pelo mesmo processo do primeiro, 
produzirão cada um mais três rebentos e assim por diante, de maneira que depois 
de cada uma cob:'rtura com torra, o numero de hastes terá triplicado. 

1'' cobertura 3 hasteas 

2» > 9 » 

3» > 27 > 

8° » 6. .501 > 

9' > 19.683 » 

10^ » .-)9.049 » 

As 10 coberturas levarão 33 semanas, das quaes três serão precisas para os 
primeiros rebentos, c assim mais três semanas, mais ou menos, para cada cober- 
tura, dependendo isto do clima, o assim ver-se-ha então no principio do inverno 
um verdadeira tapete verde com Gd.iiOO pés de trigo. 

Systema allernativo — Nos casos era que acamada de um solo rico, seja muito 
fina e que se deseje uma boa colheita, o serruinto systema piide ser applicado : 

Plante-se o grão como se fosso para sementeira e replantem-se os rebentos 
na terceira semana na cova cónica, porém menos profunda, e depois cubra -se com 
terra como no primeiro caso, A replanta muitas vezes causa um forte cresci- 
mento, quo produz, depois do primeiro, 50 ou mais hasteas, de maneira que, tendo 
sido cobertos apenas oito vozes, o numero de hasteas pode ser de 105.350. Este sys- 
tema do cultura não precisa de irrigação, porquanto, tendo o ar accesso livre, 
as raízes perro ittem a passagem da humidade e gaz necessários para o crescimento 
da planta. 






LAVOURA 



U5 



PARTE COMMERCIAL 



1° trimestre de 1909 



Café 

Venderam-se durante o trimestre 103.000 saccas para exportação contra 
221.000 no trimestre anterior. 

Saccas 

Entraram no mesmo periodo 236.890 

contra 248.260 

Esistencia em 30 do cabril 52.216 

contra 93.903 

no dia 15 de abril. 

Existência em 31 de maio 33.293 

contra 56.833 

no dia 15 do maio. 

Existência em 30 do junho 132.078 

contra 119.438 

no dia 15 de junlio. 

Os extremos das cotações foram : 

ABP.IL 
i» quinzena 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo n. 6 7$500 a 7$800 5$160 a 5í311 

» » 7 7.$200 » 7.í500 4$9ã0 » 5$106 

» >. 8 6$900 » 7$200 4$698 » 4$902 

» » 9 (-4600 » n|900 4$493 » 4$698 

2» quinzena 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo a. 6 7$400 a 7,f^00 5^033 a .5$31I 

)» » 7 7.$100 >» 7$500 4$834 » 5$106 

» » 8 0$800 » 7|200 4$630 » 4$90-2 

í. » 9 6|500 » 6f900 4$425 » 4^698 



lir. 



sOi;lKllAl)IO NACIOXAl. 1)K AHHICULTrRA 



MAM 

í» quinzena 

l'or arroba 

Typo n. O 6$W0 a T.ÇOOO 

» > 7 f'i$5J0 » (i-;700 

> » 8 0$200 > 6$400 

> » 9 5$900 » GJIÕO 

2» quinzena 

Por arroba 

Tyitj n. ri 6$900 a 7$500 

» >■> 7 6J003 » 7{2O0 

» » 8 (;f3)0 > (;>'joo 

» » 9 íJslOO » 6s".00 



l'or iO kiloí 
4$'330 a 4$76C. 
4$425 .. 4$502 
i^n > 4$357 
44;017 > 4$153 



Por 10 kilos 

4st>yá a ã^jioe 

4$403 » 4$932 
4$í 9 » 4$n9S 
•1S083 » 4$493 



.TUMIO 

Por arroba 

Typo 11. i; 6sS00 a 7slOO 

» » 7 <;s50 1 » 6$W0 

> » 8 6.S-200 » t^í^õOO 

» » 9 5$900 » OsíOO 

2' jutniena 

Por arroba 
Typo n. 6 ôsíOQ a 04900 

> » 7 5$900 » CS600 

» » 8 5,V'00 » r.$?oo 

» » '.I 5.S300 » GSWil 



Por 10 kiljs 
4S630 a 4-:8J4 
4s4-?5 » 4S(>30 
4S221 » 4sl25 
4i;017 > 4SÍ21 



Pnr 11) kilos 

4$221 a 4s698 
4$017 » 4$493 
3$813 » 4Í289 
3$60S > 4$0S5 



O typo 7 disponível do Rio edo Santos foi, ora aWil, cotado em New-York a 
8 7a CS. por Jibra desde o dia 1 a 7 des ;enio a 8 '/» c- nos dias a seguir até o dia 
22; a 8 Vis es. de 23 a 27 e novamente a 8 ' , c. do 2S a 30. 

Na Bolsa foram registradas as seguintes cotações. lí.SO c. no dia 22 ; 6.60 c. 
em 23; 6.75 c. em 2J; G.8J c. em 10, 17, 19.20, 21, 27 o 13; 0.05 c. em 28, 29 
e 30 ; 0.85 c. em 6, 7, 8 e 12, 14 o 15 ; 6.90 .\ em 3 e 5 ; G.9õ c. era 1 e 2. 

Em maíri o typo 7 disponível do Rio e do Santos em Ne w-Vork. teve as se- 
guintes cotações: s i ^ c. por libra de 1 a 10 e a 12 ; 8 % c- no dia II e 8 •■'unos 
di?s 13. 14 e 15 ; Sc. por libiM nos dias 17 i» 18 ; do dia 19 ati^ o fim do raez. O do 
Rio tbi cotado a 7 ■ ^ c. i; o de Santos mantova-se a 8 c. Xa B )lsa foram regis- 
tradas as seguintes colações: 7.15 c. nos dias 17, lSol9;6.60o. nos dias 20 o 24; 
6.55 c. em 21, 22, 27 e 28 e 6.50 c. cm 25 e 20; 7.05 c. e:n 1, 3, 4, 5 e 12: 7.00 c. 
em 6, 7, 8 o 11; 7.10 c. eii 15; 7.1.'> c em 13 c II eO.O.-) c. ora 10. 

Km junho o typo 7 do Rio foi cotido cm iXova York, durante o raez, a 7 "/,, c. 
por libra até o dia 24 e a 7 ^,\ dahi em deanto. O do Santos a 8 e. todo o xacz. 



A f.AVOURA 



117 



ENTRADAS DETALHADAMENTE 

ABRIL 

/» quinzena 

Saccas 

Estrada de Ferro Central do Brazi! 21.8:31 

Cabotagem 809 

Barra dentro 17.015 

Total 39,645 

3' quinzena 

Sãccas 

Estrada de Ferro Central do Brazil 43.806 

Cabotagem 2.160 

Barra Deotro 26.651 

Total 72.917 

MAIO 

í» quinzena 

Saccas 

Estrada dj Ferro Central do Brazil 22.951 

Cabotagem 2,303 

Barra dentrj ... 13.732 

Total 38.986 

2» quinzena 

Saccas 

Estrada de Forro Central Jo Brazil 23.310 

Cabotagem I.fi87 

Barra dentro 19,339 

Total 44.342 

JLNIIO 

/* quinzena 

Saccas 

Estrada de Ferro Central do Brazil 21.927 

Cabotagem 2.376 

Barra dentro :í0.784 

Total 55.087 

2* quinzena 

Saccas 

Estrada de Ferro Central Jo Brazil 51.873 

Cabotagem 6.095 

Barra dentro 95.928 

Total 153.897 



lis 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Gsnsros nacionaes 

A-g- uardente 

Preços por pip^i de 40 litros base de 20 gráos : 

Preços 

Máximo iõOjOOO 

Miniiuo íiS?o:0 

A-Icool 

40 gràos : 

Preços 

Máximo 170$000 

Minirno 125$000 

38 gráos : 

Preços 

Maxirao 155$000 

Minirno I30$003 

30 gráos : 

Proços 

Máximo 140$000 

Minirno 120$000 

A.Ig'odão em ra.ma/ 

Pernambuco : 

Preços 

Maxirao 10$20D 

Minirno 9^300 

Rio Cirando do Norte : 

Preços 

Máximo 10$000 

Minirno 'J{000 

Parahyba : 

Preços 

Máximo 9|800 

Minimo 9$000 

Ceará : 

Preços 

Máximo 10$000 

Minimo 9$000 

Penedo : 

Preços 

Máximo 9f800 

MIuimo 8$6C0 



A LAVOUUA lt9 



Sergipe: 

Preços 

Máximo 9$600 

Minimo 8$800 



A.ssuca,x- 

Kilo 

Máximo $340 

Minimo. . . . , $120 

O iiilo, coníorme a qualidade . 

Fiuuo em. rolo 

Preços 

Máximo 2$200 

Minimo $500 

GS-enex-os imijox-tatlos 

Qualidade Quantidade Preços 

Banlia Americana . 500 barris . . . máximo $800 a libra 

minimo $760 » » 
Oarno . secca, 52.310 fardos. 

Rio Grande — nova minimo $540 

máximo $700 

Rio da Prata— nova, patos e mantas minimo $560 

máximo $740 

Dita nova, mantas, só minimo $630 

máximo $800 

Dita velha Não houve 

Fariniia de trigo, 51.530 barricas. 

Americana (barrica) Não houve 

» (sacca) Não houve 

Sio da Prata : 

1» qualidade máximo 28$000 

minimo 27$500 

2'' qualidade 26|500 

3* qualidade máximo 25$500 

minimo 25$000 
Moinho Inglez : 

Nacional máximo 26$000 

minimo 25$500 

Brazileira máximo Eõ^dOO 

minimo 24^,700 

Buda-Nacional máximo 27s6no 

minimo 26$7U0 



120 SOCIEDADK NACIONAI. DE Ai;r:i;LI.TLRA 

Savoia máximo 57$0C0 

minitiio 23$000 

Semolina máximo 28$0^0 

rainirao áT^OOO 
Moinho Fiuminctise : 

S. Leopoldo 26.S500 

O. 25ÍÕ0O 

Moinho Riachuelo : 

La Verdad 28$000 

Riachuelo máximo ^7^500 

rainimo STsOOO 

Superior máximo aSfjOO 

minimo 25|000 

La Justicia máximo 2'lsõOi> 

minimo 2-i$C0) 



Sa,l 



Máximo -l^SJO 

Minimo I.$3ii00 



Mercado monetário 



CAMBIO 



As taxiis cfflciaes continuai-ain a mantor-se inalteradas, a 15 1/16 d. sobre Lou- 
lireg nos banaos estrangeiros e 15 1/8 d. no Hanco do Brazil. As transacções 
lizeramse a esses extremoso as do outro papol de 15 1/8 a 15 5/32 d., não 
se registrando movimento digno de nota. 

Os extremos das cotações cfflciaes foram : 

Londres, 90 d/ v 15 1/in a 15 1/8 d. 

Pariz, 90d/v $|^.29 a $635 

Hamburgo, 90 d/v $776 a $782 

Portugal, 3 d/v $325 a $334 

Itilia, r, d/v $n37 a $640 

Nova York, à vista 3$290 a 3,$310 

O valor offlcial de 1$ foi de $55S a $561 ouro e o de libra de 15$868 a 15$934. 
Ágio do ouro 78,51 «. a 79,25 °'„. 



A LAVOURA 121 

O balancete da Caixa de Conversão em 30 do junho de 1909 dá os seguintes 
algarismos : 

Activo 

Caixa, ouro 93.020:52ls980 

Caixa 019.8 l4:5G8i;020 

Fracções em moeda subsidiaria 4:14I.'j;980 

Resgate de notas 2.561 :070$000 

Notas dilaceradas 219:830!|!;000 

» modelo 48:850s000 

» inutilizadas 1.069:500fi)00 

Material para emissão 1 . 852 . 000 : OOO^OOO 

2.0I8.738:4SI$1)8(J 
Passivo 

Emissão 93.016:3801000 

Notas a eraittir 69.800:710$000 

Notas a incinerar 3 . 899 . 250$000 

Fracções, ouro • . . . 4:141$980 

Thesouro Federal 18:000^000 

Notas aassignar 1.852. 000 :000$000 

2.018.738: 481$980 



BIBLIOGRAPHIA 



PUBLICAÇÕES PFRIOlJlCAS 



Temos recebido mais as seguintes : 

The Journal of lhe Royal Agrictiltnral Sociely of Englanil .^Vo\. 69, correspon- 
dente ao anno de 1 908 . 

Verhandlungen des Koloiiiil — Wirtschafllichen Komilees, de Berlim — Anno de 

1909, n. 1. 

Les Annales Politiques et Liltêraires, de Paris. — Anno XX. VII, n. 1353. 

Bolletino dei Ministero d^AgncoUura, Industria e Commercio (da Itália).— Anno 
VIII, serie A— fase. 21, sefle B — fase. 12, serie C — fase. IO. 

Boletin de Agricultura, Ciências Industriales, Economia Domestica, da Republica 
de S. Salvador. — Tomo 9, n. I. 

Bolelin do Ministério de Relaciones Exteriores, da Republica da Colorabia. — 
Tomo II, ns. 7e 8. 

3998 9 — 



122 SOCIEDADE NACIONAL DE AOBICULTURA 

Peru ro(/a;/.— Vol. 1, 08. 1 a 3. 

Annuario delia R. Slatione Bacologica di Padova — \o\. XXXVI. correspon- 
dente ao anno de 1908. 

(iiornnle dei I.avori Publici e delle Sírade Ferrate. — Anno XXXVI, ns. 14 O 15. 
Boletim do Museu Commercial do Rio de Janeiro. — Anno I. ns. 1 e 2. 
fíoletim do Museu Goeldi. — N. 2, vol V, março de 1909. 

PUBLICAÇÕES DIVERSAS 

Registramos com os nossos agradecimentoi o rocebimentodas seguintes : 

The Bonk of Ih» IHg, poi" James Long. Londres, I90(i, 1 vol. encadernado in-lfi, 
de 392 pa»s. Offerta do Sr. Alfredo Braga. 

Enlomnlogie et Parnsitologie Agricohf, por rjeorges Guénatix. Publicamos no 
fim desta secção o prospecto desta obra ijue acabamos de receber dos editares 
Srs. J. B. Baillière <t Fils, chamando para elle a attençio dos leitores á'A Lavoura. 

Diclionnairc manuri iihislrè (1'Àijriculture, por Daniel ZoUa. Também i)ara o 
prospecto desta obra limitamo-nos a chamar a attenção dos nossos leitores, a^rra- 
decendo ao editor Sr. Armand Colin a gentileza da remessa do exemplar que temos 
sobre a mesa. 

Arroz, por Manoel Luiz Osório. Monographia apresentada ao 1° Congresso 
Agrícola do Rio Grande do Sul, reunido na cidade de Pelotas, era 12 de outubro 
de 1908. 

Cultura Pratica do Algodoeiro. Pará, 1909. Publicação da Secção de Agricul- 
tura da Secretaria de Ohras Publicas, Terras ií Viaçã j do Estado do Pará. 

.4 Cultura íIo Eucalyptus, por Edmundo .Navarro de Andrade. S. Paulo, 1909. 

Industria Fabril. Resumo e commentario da respectiva estatística, por Tobias 
Monteiro. Publicação do Centro Industrial do Brazil — 1909, 

Primeirn Congmsso Brasileiro ile Geographin. Regulamento. Rio de Ja- 
neiro, 1908. 

Terceira Reunião do Congresso Sci^ntifico Latino- Americano. Relatório Geral — 
Tomo V, livro E. 

O Congresso Scienti/ico LatinoAmericano.— Soúcia. organizada por Américo W. 
Brazil. Rio do Janeiro, 1909. 

Estatutos do Syndicato Profissional. <Corpo ração Operaria de Camaragibe* . Re- 
cife. 19j8. 

Exposição Pecuária do Estado de Minas. Obra com numerosas gravuras, encer- 
rando uma notieia ciicumstanciada do certamen levado a effeito em Bello Hori- 
zonte em 21 de fevereiro do anuo próximo findo. Bello Horizonte, 1903. 

Reglamento Proiirama para la Ex/)Osicion Nacional de Aniniales d Galpon y Pa- 
lenque a celébrar-se en Montevideo de ■24 ai '37 de agosto de i909. 

Cnncours Central d'A>iimaux Reproducteurs des espéces chavaline et bovinea, Pro- 
gramma para esta exposição que se dave realizar de 16 a 20 de junho do corrente 
anno, em Paris. 

Discursos em Eomexagem a João Pinheiro, proferido uo Congresso Mineiro. 
Bello-Horizonte, 190'í. 

Palestra em beneficio da Sociedade .\mante da Instrucção e Trabalho, por Pedro 
Matta. Bello-Horizonte, 190X. 

Companhia ilogyana de Estradas de Ferro e Navegação. Relatório n. 5). 



A LAVOURA 1^3 



CATÁLOGOS 

Estabelecimento Horticola Industrial Quinta Bom Retiro, Ambrósio Perret (Pe- 
lotas, Rio Grande do Sul). Catalogo Geral para o anno de 1909. 

Engenho Stamalo. S. Paulo, 1908. Catalogo do engenho sem engrenagem para 
moagem de canna, com cinco moendas — simples e duplas. 

Jefferson, Fagundes & Co. Moendas para canna. Catalogo n. 3, abril de 1909. 

Frted. Krupp. Magdeburg-Buckan. Machina desflbradora systema Bceken . 

The Geo L. Squier Mfg Co. Machinismo «Buffalo» para assucar, café, arroz e 
fibras. Catálogos, 61— P a 64— P. Buffalo, New- York. Estados Unidos da Araeiica 
do Norte. 

Robert Boby Ltd. St. Andrew's Works, Bury St. Edmund's, Inglaterra. Catalogo 
n. 35 (machiuas para limpar grãos, sementes, etc). 

Jones, Burton k Co. Liverpool, Inglaterra. Machinismos de alta velocidade e 
outras machinas modernas. Catalogo n. 1097. 

Catalogo illustrado de Magalhães & Moniz. Porto, 1906. 



Entoinolog-ie et Paríisitolog^ie agrrieoles, par Georges 
GuÉ.NADX, répéliteur à rinstitut national agronomique, 2' êdition Irès augmentée. 
1 vol. in-16 de -S^IO pages, avec 400 fl,<(ures. Broche. 5 fr. Cartonné, 6 fr. (Encyclo- 
pèdie agricole). Librairie J. B. Buillière et flls, 19, rue Hautefeuille, à Paris. 

La necessite s'impose d'apprendre à lutter contre les ravages des animaux 
nuisibles à 1'agriculture, animaux d'autaat plus redout.ibles qu'ils sont plus difH- 
ciles à voir et à saisir. Le pias souvent les cultivateurs ne sont pas ea mesure de 
connaitre les animaux si divers qui les entourent, de distinguer ceux susceptibles 
d'être leuis auxiiiaires de ceux qui leur nuisent, et ne possodent pas surtuut les 
moyens d'aKÍr avec offlcacité contre ces derniers. Cest à cet ôtat de choses que M. 
Guénaux a tente d,i remediar, en donnant aux agriculteurs les notions pratiques 
indispensables pour défendre les champs, les vigues ou les bois contre leurs plus 
redoutables envahisseurs. 

M. Guénaux debute par l'étude des êtres les plus inférieurs ; puis viennent les 
Vers qui comportent de grands développements, oar ils renferment la majeure 
partie des parasites internes dont les anim.iux domestiques ont si fréquemment à 
soufTrir; leur ótude est assez ardue et l'auteur a essayó de la simpUfler en ne 
signalant que cequi est róellement int4ressaat à connaitre pour l'agriculteur. 

M. Guénaux étudie ensuite les animaux articules (Arlhropodes), qui se divisent 
en quatre ordres : Insectes, Myriapodes, Arachnides et Crustacès, 

Les Insectes sont de beaucoup les plus importants. Cette partie capitale de 
Touvrage a reçu les développemenis qu'elle comporte: Insectes nuisibles à toutes 
les cultures. aux cérêuíes, aux plantes fourragéres, aux plantes potagères, aux arbres 
fruitiers, à la oigne, aux arbres foresiiers, aux plantes horlicoles et d'urveinenl, aux 
animaux domestiques et â Vhomme, ainsi qu'aux habitations, aux boi&erios, aux 
vêtements et aux matières alimontaires. 

Cette dívision facilitera les recherches de ragriculteur, qui conuait toujours 
trop bien les dégâts, mais qui ignore le plus souvent la doscription scientifique do 
rinsect auteur des ravages. 



124 SO:iED.\DE N'A0IO\.\L DE AGRICULTURA 

Daas un cliapitre spécial, Ni. Guéiaux a pris soin de résnraer los principaus 
prodéJés de destruction en mago contre les iii3ecte3;le lecteur y trouvera les 
formules les plus usxtées daru les trailent>n':nts insezticides . Cette derniôre partie a 
notainment été três di^velopple dans la 2'^™" editinn. 

Pour terminei-, Nf. Guínanx traite des Myriapodos ou Mille-pattes ; puis des 
Araohntdes qui renfermont uq gran 1 aotnbrâ d'aiiimaux auisiblos, eotre aiitrej les 
Acariená, parasites des animaux domestiques. 

Ce volume fait pirúo do rffncycí)p3'/ie agricole publíóe sous la dlrection de 
M. Wekt, le dii'ecteur de Tlnstitut national agronomique. 

\j' Encyclopédie agricole ^'íV Agenda agricole Vf p.KX. (\\n ea est lo coraplémont 
annuel. sont anjoupd'liui o.atre les maios dí to-is ceux qui s'oecup'íit s'rieusemnat 
d'agricuUare. Lj citald^'113 d 'IvíIIm de VE-icj^dogeii: ag-iole f)rrain> 72 pages 
illustrúes de planclies est airess'' í»ratis ;i toute personne qui en f.iit Ia demande a, 
MM. J. B. Bailliíro et fils, 19, rue HautefeuiUe, à Paris. 



Dictioiviiaire-inanuel illustré <l'A.g'i'icultui-e, par Da- 
niel ZoLLA.. {BibUothéjue de Dictionnaires-manuels illuslrés. Librairie Armand 
CoLiN, mo de Mázieros, 5, Paris). Un volume in-18 jésus, 780 pages, J900 gravures, 
relié toile, tr. rouges. 6 fr. 

Cost une véritable encycIop4die agricole que le nouveau dictionnairequi vient 
de parai tra dans la Bibliothêque et Diclionnaires-manuels illusirês publiéepar la Li- 
brairie Armand Colin. 

L'auteur-directeur de la publication, M. Daniel Zoila, lauréat de Tlnstitut ot 
de la Société nationala d'Agricalture, professeur <à rE'cole do Grignoa, est bien 
connu du monde des ajíriculteurs par ses nombreax travaux. 

Chacune des matières spéciales : agpiculture, arboriculture, horticultura, 
sylvicuiture, viticiilturo, élévage, abeilles. vers à soie, inseotes, raaladies des 
anlmaux ot des plantes, engrais, législation, otc, etc, a étd eonflée á un spécia- 
listo. Cha'[Uo articlo resumo brievement los connaissaiices pratiques indispen- 
sables, et oxpose la question en Tótat actuei dô la science et des découvortes ou 
inventions les plus recentes. 

Pour n"en citer que quelques-uns, ces coUaboratours se norament : MM. .1. 
Triboiídeau, professour départeraental d'Agricultare du Pas-de-Calais, Cbarvot, 
professeur a. Grignon, Ch. Julien, professeup à rE'cole d'agriculture de Renaes, 
Carré, profess:nir départomental de la Haute-Garonne, otc. 

On a'a poiot encore publié uno encyclopédie p ipulaire agricole aussi complete 
etd'uaprix aussi modique; ellecontient 780 pages formanc ua total de 80.000 
lignes de texte; ello est illustpíc (le 1900 gravures, dont 3 cartes et 100 planches 
forniant page entière; elle coatiíot en outro 300 tableaus d'analyse chimique, 
de statistique, modeles do comptabilité, ronseigneraents pratiques, barêmes, etc. 



3998 — Rio de Jineiro — Imprensa Nadonnl — 1909 



ESTA.TXJTOS 

CAPITULO II 

DOS SÓCIOS 

Art. 8." A sociedade adniitte as seuuiiites categorias de sócios : 

Sócios eiTectivos, correspondentes, honorários, beneméritos e associados. 

§ 1.° Serão sócios effectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuirem com a jóia de i5$e a annuidade de 2o$ooo. 

§ 2.° Serão sócios cori-espondentes as pessoas ou associagões, con) residência ou 
sede no extrangeiro, que forem escolliidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3.° Serão sócios honorários e beneméritos as pesso;is que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos á lavoura. 

§ 4.° Serão associadas as corporações de caracter olíicial e as associações agricolas, 
filiadas ou confederadas, que contribuirem com a jóia de 30$ e a annuidade de 5o$ooo. 

§ 5.° Os sócios eiTectivos e os associaJos poderão se remir nas condições que forem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse fim 
ser inferior a dez (10) annuidades. 

Art. 9.» Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. Os demais sócios deverão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimidade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categ-oria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente ; terão direito a 
todas as publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial. 

§ I." Os associados, por seu caracter de collectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedade o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 3.° O direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios; é limitado, 
porém, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

§ 3.° Ôs sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a as,senibléa geral resolver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



-oj Kch h5 X»o- 



I?.EC3-XJX-A.3Vi:ElSrTO 



CAPITULO VI 

DOS SÓCIOS 

Art. 18. A .sociedade prestará seus serviços de preferencia aos sócios e associados 
quando estiverem quites com ella. 

Art. 19. A jóia deverá .ser paga dentro dos primeiros três mezes após a sua 
accei tacão. 

Art. 20. ."^s annuidades poderão ser pag-as por prestações semestraes. 

An. 21. Os sócios e os associados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 500$, respectivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que deverão pagar em qualquer caso. 

Art. 22. Os sócios e associados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pago a respectiva jóia. 

§ I .° O sócio que tiver pago a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

§ 2.° Para esse elTeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos do paragrapho anterior. 

§ 3.° Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

Art. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatarios, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três mezes antes, cabendo-lhes ainda assim o recurso 
para o conselho superior e para a as.sembléa geral. 




-^^sT 



A.NNOXIII -N. 



Rio [lE Janeiro 



.lULElO DK 1909 




Pieuiwra 



HORTO DA PENHA 
















■&£&.^ -, 



>V>a 



Capital I-'«ileial 



Mudas de abacate paia distribuição 

s^ VIRIBUS UNITIS í€ 



BKA.Z:HLi 



IMr NACIONAL — 1909 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 
Fundada em tó de janeiro de i8g7 



Caiii-postal, 1245 Seda: Rau da ilfaadeea d. lOá 

Bodereço Telegraphico, A0RICULT0R4 « General Camará d. 127 

TeUphooe o. 1416 hio dk jinkiho 

I > I K. ia OT-O K. I A. 

Presidente — Dr. Wencesláo Alves Leite de Oliveira Bello. 

1° Vice-presidente — Vago. 

2° Vice-presidente — Dr. Sylvio Ferreira Rangel. 

3" Vice-presidente — Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Secretario Geral — Dr. Heitor de SA. 

1° Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Rkis. 
2° Secretario — Dr. Iíenedicto Ravmundo da Silva. 
3° Secretario — Dr. José I^ibeiro Monieiro da Silva. 
4" Secretario — Alberto de Araújo Ferreira Jacobina. 

1° Thesoureiro — Dr. João Pedreira do Couto Ferraz Júnior. 
2° Tiiesoureiro — Carlos Raulino. 

Horto da Penha ... Dr. Wencesláo Bello 

Fazenda de Santa Alonica Dr. Sylvio Rangel. 

Secretaria, Álcool e .Museu Dr. BeneJicto Raymundo. 

Secção Teclinlca e Blbliotheca Dr. Heitor de Sá." 

Plantas e sementes Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estatística .Mberto Jacobina 

Thesouraria Carlos líaulino. 

Oollaborução 

Ser<ã() considerados collaboradores não só os sócios como lodos que quizerem ser- 
vir-se destas columnas para a propaganda da agricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annualmente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacção não se responsabllisa pelas opiuiõas eniittidas em artigos assignados, e 
qtie serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os originaes não serão restituídos. 

As communicações e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d'A LA- 
VOURA na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assignaturas. 

E' di.stribuida gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

Ooiicllv<}**s <la |>iil>ll<*si<,-:'i<> <I<>M miiiiiiieitiB 

VEZES meia pagina UMA PAGINA 

I I2$000 20$000 

3 . . 30$ooo 5o$ooo 

6 5o$ooo gc^ooo 

12 go$ooo lyc^ooo 

Os annuncios são pagos adeantadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 



SU MM A RIO 



PAGS. 



.'\ Sericicultura em .Minas 125 

Madeiras e vejetaes úteis do Brazil 127 

A anemia no carneiro 134 

Ilex mate paraguayensis 137 

Parceria agricola 143 

ICxpediente 154 

Noticiário 172 

Parte Commercial 17^ 



Anno XIII 



N. 7 



Rio de Janeiro 



Julho de 1909 



EDITORIAL 



A Ssricicultura cm Minas 



LIRRARY 
NEW YORK 
BOTANICAL 

aAKDBN. 



Pessoa vinda de Minas trouxe-nos animadoras noticias sol)re a 
Sericicultura no miinicipio de S. Joãod'El-Rey. 

Teve occasião de conliecer alii o Sr. Theophilo da Silveira, que 
se constituiu em denodado apostolo da promissora industria do Bombyx- 
mori naquella cidade. 

Este cavalheiro está tão convencido das vantagens da Sericicultura, 
que não tem pjupado sicrificios para implantal-a na ])8l[a cidade do 
Rio das Mortes. S. S. adquiriu uma chácara a dous e meio kllometros 
de S. João d'ElRc-y e alli plantou 5.000 amoreiras, de que se serve para 
o sustento do insecto da seda. Já o anno passado conseguiu uma 
colheita delG4 kilos de casulos e este anno conta com uma safra de 
300 kilos. 

Os primeiros ensaios de criação do bicho dasada em S. João d'El-Rey 
datam de 1904; pois, retirando-se daquella cidade o Sr. Dr. Álvaro 
da Silveira, succedeu-lhe seu irmão, o Sr. Theophilo da Silveira, que, 
desde então. Jamais se descurou do precioso Bombyx-mori. 

Espirito culto e intelligencia segura, S. S. compenetrou-se desde 
logo do alto papal economico-social que a Sericicultura estfi chamada a 
desempanhar no meio mineiro. Leu muito, praticou e observou com 
madureza, de modo que já se lhe não escapa segredo algum na ma- 
téria. 

\o intuito de facilitar e garantir o exile da Sericicultura em S. Joãn 
d'El-Rey, S. S., além de fazer grande plantação de amoreiras, tem pro- 
curado introduzir boas sementes ou óvulos seleccionados, afim dedestri- 
])Uir sirgos vigorosos pelas passoas que, porventura, desejem tentar sua 
criação. S. S. conta incubar este anno cerca de 500 grammas de óvulos . 

Para a hibernação dos óvulos, obteve do adiantado industrio" 
Sr. Lobato r'ilho pei'missão para conservar todos os óvulos Bombijx-moi-: 
nas camarás frigorificas da grande fabrica de lacticínios que este senhor 
sustenta em S. João dlíl-Rey. E' esic um serviço de giande valia, poi: 
como é sabido, sem camarás de hibernação é mui diHicil e fallivel ^ 
Sericií-ullura. 

1 



\m SOCIRDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

O Sr. Silveira visa consliUiir um centro sericicola em S. João 
d'Kl-Rey, para dalli dirigir o movimento, ora escrevendo, ora acon«3- 
lliando, ora distriljuindo óvulos e sirgos, fazendo em summa ludo 
quanto preciso for para guiar os sencicul toros principiantes. 

Um dos maiores serviços prestados por S. S. foi a constatação das 
terrivels moléstias que dizimam o bicho da seda. S. S., cm cooperação 
com o Dr. Francisco Calão, constatou o mal e indicou o moio de llic 
evitar os terríveis effeltos. 

Graças á campanha levantada por S. S., Já neste momento exis- 
tem vários cavalheiros qu9 se dedicam ;i criação do bicho da seda com 
animo de auferir lucro. 

Assim, sem intenção de omitlir nomes, ha nada menos de cinco 
pessoas em S. João d'El-Key que tomam a peito a criação do Bombyx-- 
inori . 

— Neste numero e na frente da i)halange destaca-se a veneranda 
Sra. D. Maria Ubaldi na da Silveira, digna progenitora dos conhecidos 
cidadãos Álvaro, Francisco, Gustavo, Urias e Theophilo da Silveira. 
Viva e alerta, embora sob o fardo de setenta janeiros, S. Ex. toma 
parte activa na propaganda serica, secundando com vigor os esforços 
de seu extremoso filho. V.' uma hclla acção esta sua, que terá o devido 
exaltamento, quando no futuro forem dignos de menção os que na hora 
pre.sente trabalham pela implantação de uma industria destinada a 
operar grandes benefícios nu nosso meio economico-.soclal, cujas falhas 
ferem de frente aos que cogitam du mel horamenio da nossa sociedade 
doentia. 

E' na espaçosa habitação de D. Maria Ubaldina que o Sr. TheO' 
philo da Silveira incuba e cria os seus sir.gos. 

— Cumpre tambam lembrar o nome do Sr. Baptista Rodrigues, 
negociante em S. João d'El-Rey, o qual possue cerca de 5.000 pés de 
amoreira com mais de dous annos e se prepara para iniciar a criação do 
/íomòí/j?/nort na próxima futura .safia. 

— O Sr. Alb3rto de Castro, funccionario da E. F. Oeste de Minas, 
trata de cento e tantas amoreiras em plena exuberância com o intento de 
se dedicar á Sericiíulium. 

— Com igual escopo, o maestro João Feliciano de Souza, applaudido 
director da banda de musica do 51° batalhão de caçadores, eslã disposto 
a formar grandes amoreiraes para a criai-ão do bicho da seda em escola 
industrial, fossuu já :>AW\) plantas em brllo estado e pretende cobrir 
de amoreiras a .sua propriedade denominada Agua Limpa, visinha de 
S. João d'El-Hov. 



A LAVOURA 127 



— O Sr Charles Causers, serente em S. João da firma llopkin?, 
Causers and Hopkins, na Capital da Republica, cultiva 2.500 amoreiras 
na sua chácara — Britannia — situada a três kilometros da cidade. 

O Sr. Charles Causers é ura devotado criador de finas raças de aves 
domesticas e quer fazer-se sericicullor paradistríicção e negocio. 

— Outro cavalheiro, proprietário em Rio das Mortes, de nomo Sil- 
vestre Rodrigues, si me não trae a memoria, possue 500 amoreiras de 
mais de quatro annos e Imas para serom exploradas. Vae começara 
criar sirgos na safra entrante. 

— O coronel Francisco de Paula I^odrigues, aliastadii criador no 
município de S. João d'El-Rey, também tbrma na piialange de lionra 
dos pioneiros da Sericicultura mineira. AUi, em casa do coronel Paula 
Rodrigues, a criação dos sirgos está era boas mãos, pois é a interessante 
senliorita Rodrigues que dedica carinhoso e inlelligente trato ao Bombyx' 
da amoreira. O amoreiral de MUe. Paula Rodrigues consta de mil e 
muitas arvores sadias, que deram farta carga de folhas o anuo passado, 
ipie foi (juando se iniciou a criação do bicho da seda na propriedade do 
coronel Francisco de Paula Rodrigues. 

Vários outros cavalheiros mostram-se animados de bons desejos em 
prol da Sericicultura no município de S. João d'El-Rey, de maneira que 
tudo leva a crer que os sericicultores de amanhã formarão legião. 

Emquanlo houver comprador para a seda em casulos e o Governo 
de Minas mantiver as normas de administração que vem trilhando em 
matéria económica, a Sericicultura ha de ir adquirindo terreno nas 
camadas sociaes do Estado, até se firmar definitivamente como uma 
abundante fonte de ritiueza publica e particular. 



Algumas madeiras s vcgetass úteis do Brazil 

DE 
M. PIO CORRÊA 

Monographia n. 65 — Amostra 73. 

família das mor AC e as 

Klgucirn Itranca 

Ficus doUaria M. ■ 

Synonyjua — Coajimguba, Coajinguba. Coajinguoa e Coajanguba 
(nomes que alguns autores attrilmem a este vegetal, mas que aliás 
pertencem á Ficus anlhelminlica M.) — Ccjiaubuçu, algures (de «Capiu- 



128 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

ba-assú», que SÓ cabe a diversas anarardiaceas e leguminosas^ — Cua- 
ícinguba {o mesmo que '(Coajinyuixií, ele, mas lambem applirado á 
Ficus perlusa l..) — Fif/iieíra-bracn, no Paraná ('nome que cate melhor 
á Ficus atrox M.; no líiodiiuiile do Sul i> unsnvi nome vulgar édadoá 
Gecropia adenopu.'? M e talvez anuíras Cecropiasj — Fi (jueiva-de-man- 
gue (quando crescendo perto de manguezaes) — Figueira-mato-pau 
(quando epi])hyla) — Figueira-parasita , em Goyaz (idem) — Figueiri- 
nha (quando nova) — Gamelleira-branca — Gomelleira-branca-de-purga 
— Guapotj, dosGuoranys («contas com furo») — Guaxinguba (o mesmo 
que «Guaxinguba»; --Hií/ueron,na Republica do Uruguay — Matn-paa 
17^(0 mesmo que «Kigueira-mata-pau» e não confundir coma gultiferacea 
Clusiaalba Choisy, que tem <> mesmo nome vulgar) — Qunxinduba 
(o mesmo que »Guaxinguba» — Renaro^ na Cnlumbia e no Peru — 
Rènaquillo, idem (quando epiphyta). — Ao contrario do que se tem 
aflirmado, os nomes «Figueira» e «Gamelleira» não são peculiares a 
determinadas regiões do paiz ; salvas excepções, ambos estão egual- 
mente general isados, sendo bem possível ou quasi certo que elles cabem 
a numerosas espécies do mesmo género, ainda imperfeitamente es- 
tudado: — O nome «Cerejeira», que alguns autores dão ao vegetal que 
descrevemos, não tem a consagração popular sinão em outro individuo, 
da familia das Myrlaceas. 

Habitat — Todo o Brazil, sendo mais desenvolvidos os indivíduos 
que vegetam no centro e no sul do pjiz, onde são encontrados facil- 
mente com a ciicumfeiencia de mais de dez melros. Indirierente ii 
qualidade das terras, quasi sempre nasce e se desenvolve sobre muros e 
especialmente sobre outras plantas, que elle atropina e afinal mata, 
encerrando-as dentro de si mesmo; nulrc-se por meio de raízes adven- 
tícias, de formas tão curiosas como caprichosas, (jue vão corporifi- 
cando-see formando um caule próprio. 

Descripção — Arvoro muito copada, de caule pouco recto, até 1S,00 
de altura c de grande diâmetro ; galhos longos; casca parda, cmbirenta 
revestida de epiderme verrucosa, exsudando látex abundante e espesso, 
de sabor doce, queoxyda ao ar ; folhas persistentes, pecioladas, alternas, 
ovaes ; lloivs uni-sexuaes ; fr 11 -los mui lo peque nos e doces. 

Madeira — Branco-amarellada, ondeada, excessivamente leve, 
porosa, tecido frouxo, dócil ao capilho e rebelde á serra. Pesos específicos 
verificados: 0,390 (Rio Grande do Sul), 0,598 e 0,600, sendo sempre 
mais leva a que nasce em terras excessivamente húmidas ou silicosas. 

Appligaçõf.s — Madeira para canoas, laboado de forro, gamellas, 
cuias e pasta de papel, sendo que para esta promette ser uma das espécies 



A LAVOURA 159 



nacionaes de maior rendimento; os fru cios são tão pi'Ocurados pelos 
pássaros, que a «Figueira» é preferida para a coilocaoão de arapucas. 
Quanto ao iatex, além de produzii' lionadia, já explorada em al.iíuns 
muniripios do Estado d3 S. Paulo, tem innumeras propriedades tliera- 
peuticas: tomado internamente na dose de dez a trinta pingos (umas 
cincoenta gottas), é efíicaz como vei-mifugo : a mesma dose, repetida 
três vezes diariamente, é útil na cura da Indropisia ; usado externa- 
mente, em unctura sobre os cravos das boubas, secca-os em poucos dias ; 
em cataplasmas, que devem cair por si mesmas, é útil nas deslocações 
ósseas e quebraduras dos ossos. As cascas são consideradas tanniferas; 
o seu cozimento, tomado ás chicaras, é taml)em vantajoso contra a 
oppilação. Seccando-seo látex por meio do álcool absoluto em ebullição, 
filtrando se o licor alcoólico e deixando-o esfriai', oblem-se um corpo 
branco e amorpho, que é a doliarina, o (|ual condensa algumas das 
propriedades medicinaesattriíjuidas ao iatex natural, isto é, peptonisa 
os músculos, facilita a digestão e combate a ankilostomiase pela expul- 
são dos respectivos vermes ; associado ao ferro, é útil na hypohemia 
intertropical . A doliarina contém o acido azodoliarinico. 

Observações — Este vegetal é um dos que, a despeito de sua 
limitada altura, attinge, pela sua corpulência e extensão de seus galhos, 
proporções colossaes. 

Pensamos que ha muita confusão nas espécies de Ficus descriptas 
e que o seu numero será bam reduzido no primeiro trabalho syste- 
matico. 

Monographia n. GG — Amostra 74. 
família das leguminosas (divisdo papilionacea) 

Andira specúabilis Sald. 

Synonimia — Anr-cui, dos guaranys (« nascer » da fêmea (, '? ) — 
Angelini — Angeliin-jiedra, no Espirito Santo (cf. «Observações») 
Arai-ui e Aracuim («arvore que dá pó», nome indígena de diversas 
espécies de Andira era vários Estados, e que é também um dos 
nomes vulgares de uma palmeira, a Cocos schizophylla M.) — Ba- 
racaliij — Bracuhy. no oeste do Estado de S. Vaiúo — Garacuhy — 
Guavaculnj — Guarapui. — No Estado do Amazonas ha uma arvore, 
de que ainda não conhecemos a respectiva diagnose, e que tem o 
nome de « Guapui » . 



l-)0 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Habitat — Estados marilimns do rírasil, desde o do Maranhão, 
o também nos do centro ; õ, porém, mais commum no littoral . Ve- 
geta em quaesquer terras, preferindo as argillosas e seccas. 

Descru^ção— Arvore magestosa, de caule recto, até 30"',00 de altura 
e 2"',00 de diâmetro ou talvez mais; galhos resinosos, com aroma de 
flgoíiuandorecem-quebradds : casca grossa até On>,OG de espessura, aver- 
meliiada, de salwr adocicado e levemente adstringente, revestida de 
epiderme dura em rectângulos pequenos, uniformes e alinhados, longi- 
tudinal e transversalmente, folhas caducas, compostas, até O, IH de 
comprimento, alternas, imparipianadas ; rachis um pouco convexo, i)U- 
hescente ; foliolos oppostos, também pubescentes, até 13 jugos, oblongos 
e de margens ci liadas, mais ou menos 50 "'/,„ de comprimento e 15 ""/„, 
de largura, estipulados, ncrvação delicada, visivel á ti-ansparencia ; 
llores roseo-violaceas, papilionaceas; fructo vagem indehiscente e 
monosperma . 

Madeira — Grande alburno, cerne amarei lo-pardacento, ondeado, 
porosa, compacta, revêssa, não alisando bem, mas sendo dócil á serra 
e retendo mal os pregos. Pesos específicos verificados : 0,900, 0,980, 
0,986, 1,052, 1,144. Resistência ao esmagamento: carga perpendicular, 
229; carga parallela, (■)2G ; sem determinação da posição da carga, C48 
e 981") kilogrammas por centímetro quadrado. 

Applicações — Madeira pai'a conslrucção naval ( cavername de 
navios e canoas, lendo a vantagem de resistir ao gusano « Teredo na- 
valis»), obras externas, esteios, postes, vigas, tanoaria, marcenaria, 
carroçaria e dormentes de segunda qualidade, que duram mais de 10 
annos. — As cascas servem para cortume, mas exigem muito cuidado, 
porque, apazar do lannino não e.x.ceder de 20 7o, cilas queimam os 
couros, ás vezes em 21- horas, devido á presença de um principio ainda 
não determinado. 

Obsf.rv.\ções ^ Vimos amostras de madeiras de indivíduos do 
Maranhão e do Espirito Santo, que são rigorosamente iguaes á dos indi- 
víduos de Cananéa (S. Paulo). Nesta ultima região (valle da Ribeira de 
Iguape), o Gracuhij é um dos mais gigantescos vegetaes, excedendo 
muito o próprio Jcí/MtííM, que alli tem proporções limitadas. Vimos 
canoas que transportam seis toneladas de mercadorias. ]■;' facto averi- 
guado, que os indivíduos dalii fornecem madeira incomparável mento 
superior à dos do centro, sendo possível que tal anomalia occorra nos 
demais Estados. 

— Parece haver duas variedades de Gracu/nj que o povo dis- 
tingue como «grande» e «pequeno», ficando os nomes na razão 



A LAVOURA 131 



inversa do tamanho de uma pedra que se desenvolve no âmago de 
cada individuo. Como acontece a outros vegetaes, as follias do Gra- 
cuhy diminuem de tamanho com o augmento da idade do individuo. 
— O Gracufuj, como todos os Angelins, teve o corte regulado pela 
lei de 1799, que impôz a sua venda aos arsenaes do paiz, onde o ap- 
plicavam especialmente para o leme dos navios. 

/ 

Monographia n. 67 — Amostra 75 

família das CORDIAGEAS 

Griio do Gallo 

Cordia grandifolia A. D. C. 

Synonimia — Acoará-murú — Cloraliiba e Claraiba (nomes com- 
muns a outras cordiaceas) — Grão de porco (commum a vegetaes de 
diversas famílias) — - Jaguará-murú (commum a outras cordiaceas) — 
Louro (nome extensivo a todas as cordiaceas e a algumas lauraceas). 
O nome «Grão de gallo» é commum a plantas das famílias das 
sapotaceas, ulmaceas. solanaceas, rubiaceas e rhamnaceas, pelo que deve 
haver muito cuidado na identificação das espécies; o nome vem 
sempre da fórraa dos frui 'los. 

Habitat — Desde o Estado de Pernambuco ao de S. Paulo, vege- 
tam de preferencia em terras de boa qualidade. 

DescripçSo — Arvore pequena, de caule mais ou menos recto > 
ramos pu])9scenles, verticillados, formando cruz ; casca emltirenta e 
pardacenta, até S '"/■„ de espessura, revestida de epiderme escura, gre- 
tada; folhas inteiras, alternas, simples, pergamentaceas, ásperas, pe- 
cioladas, ovaes, acuminadas, mais ou menos 180 '"/„> de comprimento 
e 67 "7„i de largura, nervuras salientes na pagina inferior; flores 
brancas, infundibiliformes; fructo drupaceo. 

Madeira — Camada cortical pardacenta, madeira branca, fibração 
cruzada, porosa, molle, difficil de rachar e dócil ao cepilho e á serra. 

Applicações — Madeira geralmente pouco ulilisada, mas que pôde 
servir para caixotaria, carpintaria e pasta de papel, sendo que esta ul- 
tima applicação é extensiva ás cascas. Os fructos são doces e comes- 
tíveis, posto não muito saborosos; delles S3 faz um xarope muciiagi- 
noso e bechico. 

Observações — No baixo Tietê (S. Paulo; ha um arbusto, geral- 
mente conhecido pelo nome de «Saran», masque taml>em denominam 



13V SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

«Grão de gallo»: ignoramos a que família pertenre. Vegela alli nas 
margens baixas e panianosas, socialmeale, cntrelarando as raízes como 
as rliizoplioraLvas ; dá Iriutos amarei los, que os pássaros comem . 



Munogropliia n. G8 — Amnslra TO 

família das MYRTACEAS 

<«lial)li-<>lia lio :\l:ill<> 

Campomniiesia klut^scliiann /3rri/. 

Syxommia — Guahirobn-guassu, no Hio (irande do Sul ea syiioni- 
m ia referida na «Guabiroba do campo» . 

Habitat — Estados de Minas G}raes, S. ['aulo, Paraná e norte 
do Rio (íiandedo Sul, vegetando sempre em torras de primeira (luali- 
dade. 

Drscripç.\o — Arvoro de caule mais ou monos recto, até S,OL) de 
altura e 0,50 de diâmetro ; galiios glabros, rubros e achatados nas ex- 
tremidades ; casca de sabor muito a Istringenle, ate 4 "7,„ de espes- 
sura, revestida de epídei^me feirugínoa e furfurosa, em laminas sobre- 
postas, renovando-se íacilmente ; folhas simples, inteiras, oppostas, 
pecioladas, base aguda, ovaes, mais ou menos 150 '"/m de comprimento 
e 80 ™/m de largura, saliente-nervadas, verde-escuras na pagina \\\{^í- 
rior e de aroma agradável ; flores axillaros, brancas : fruclo baga, de 
sabor muito adstringente. 

Madeira — Grande c solido aliiurno (-"ir do rosa ocerno verniollio- 
escuro, tecido compacto, revessa, dura, niuilo bonita depois de enverni- 
zada. Para peso e r&slstencia, confira-se «Guabirolja do campo». 

Applicações — A madeira c utilisada para marcenaria, caibros, 
cabos de ferramentas, fabrico do carros e insti'umentos de musicci, tulgas, 
conslrucções civis em geral o lenha, preferida para a lorrefacção da 
herva-matte. As cascas conteera lanninoexcellente para o cortimento 
de pellícas ; além disso lêem o mesmo emprego das da espécie anterior 
e bem assim as folhas, que por causa de seu aroma agradável, muito 
forte ao serem queimadas, são especialmente empregadas na «sapeca» 
da herva-male. Os fructos, embora um jiouto acros, .são comestíveis, 
.sobretudo em comjDOla ; as antas e outros animaes, comem-nos avida- 
mente. 



A LAVOURA l;W 



Monograpliia n. 69 — Amostra 77 

família das MYRTACEAS 

Oual>li*oI>a «Io <;nin|>o 

Campomaiiesin nwflúnia Jiriu/. 

Synonimia — Goabíroba — Guabirúba, nos Estados do norte — 
Guabiroba, nos Estados do sul (Jo Inpi-guarany «gua-bir-ob» folha e 
casca cheirosas) — Giiabirobeira (a etymologia acima, accrescentada do 
suffixo portuguez «eira» — Guabirotai/a — Guaoirá, dos indics do Pa- 
raguay — Guaoiroba — Ibabiraba (de «ybáybirá» arvore de fructos) — 
Itabiraba (corruptela de nome precedente) — Quabiroba (idem). — A sy- 
nonimia do norte do Brasil corresponde talvez a espécies muito pró- 
ximas parentas desta ; o nome «Guabiroba» é extensivo a vegetaes 
deste e de outros géneros da mesma família ; no Rio Grande do Sul 
dão os nomes de «Guabiroba do campo» e «Araçá-rasteiro» á Gampo- 
manesia cyanea Bei'g., que não excede de 0,50 do altura. Ainda o 
mesmo nome vulgar é dado algures a plantas de outras famílias, e 
entre ellas a uma cordiacea. Não confundir com «Guariroba», que é 
uma palmeira, a Cocos oleracea M . 

HABrrAT — Estados marítimos do Brasil, desde o de S. Paulo ao do 
Rio Grande do Sul, vegetando em quaesquer terras argillosas, mas prefe- 
rindo as de qualidade regulai*. 

Descripção — Arvore de caule geralmente tortuoso, até 8,00 de al- 
tura e 0,65 de diâmetro ; galhos pardo-lerrugineo-esverdeados, de epi- 
derme renovável; casca branca, fina, de sabor adstringente, cora 
epiderme em grandes laminas que se desprendem e renovam com 
facilidade; folhas simples, inteiras, pergamenlaceas, reticulado-ner- 
vados, pecioladas, ovaes, mais ou menos G7 "7,„ de comprimento e 
34 "/n, de largura, ápice agudo, verdeclaras e de sator adstringente ; 
flores brancas; fruclo, baga, amarello. 

MADEmA — Còr amarellada, firme, revessa, compacta, dura e elás- 
tica. Pesos específicos verificados (sem determinação rigorosa da espé- 
cie botânica) : 0,747 (Pernambuco) — 0,7'JO (Rio Grande do Sul) — 0,808 
(Paraná). Resistência ao esmagamento, sem determinação da posição 
da carga, Gil kilogrammas por centímetro quadrado. 

Applicações — Madeira pouco empregada, porque a planta é cul- 
tivada por causa de seus fructos, mas que pôde ter as mesmas appli- 
cações da «Guabiroba do matto» ; as cascas e as folhas são uteís em 

• 2 



134 SOCliSDADE NACIONAL DK AGRICULTURA 

cozimento: internamente, contra as affecções agudas do apparelho in- 
testinal ; externamente, como adstringente e tónico nos casos de 
leucorrliéa, dysenteria, diarriíéa e catarrlio vesical. O fiiicto, que é 
sahwroso e com o qual se foz masnifico doce de compota, não é 
atacado i)or vermes. 

(Continua) 

COLLABORACÃO 



A ansmia no carneiro — Causas, symptomas e therapeutica 

Toda a isente salje que, depois do boi e do porco, é o ovino o ani- 
mal que occupa o logar mais importante na economia social, quer 
pela excellente carne, preferível, em muitos casos, á dos outros ani- 
maes, quer pela sua pelie e lã fornecidas ii industria — um dos prin- 
cipaescoefllcientes de i'ique/,a. 

E, porque tamijem no Brasil, de algum tempo para cá, a industria 
dos ovinos vai não só tomando incremento (graças ao &sforço do Gover- 
no com a actual importação de reproductores), senão, com nobre emula- 
ção, melhorando e propaga ndo-se — considero de grande vantagem, no 
intuito de ser útil ao desenvolvimento dessa grande industria, forne- 
cer ao veilio e ao joven criador certas inslrucções i)roprias para pre- 
venir, diagnosticar e curar uma das mais importantes e, talvez, 
menos estudadas moléstias do gado — quero dizer, a anemia. 



A' parte a anomia essencial ou idiopatliica, ligada á fraqueza 
congénita, ao clima, logar e á imprópria e insufficiente alimentação, a 
qual, anemia, tem sua origem nasalludidas causas, e sua therapeutica 
justa e racional na remoção das mesmas, existe, como bom disse 
Moussu em uma certa monogiaphia, uma outra syraplomalica, ali- 
mentada por moléstia parasitaria com sede predilecta no fi gado ou no 
intestino. 

Na verdade, por causa do seu modo do vida especial e da alimentação, 
todos os ovinos em geral estão expostos á fácil penetração, por via 



A LAVOURA 135 



buccal, do ovo ou dos embriões do verme, que, desenvolvendo-se no 
estômago, intestino ou íigado, determinam muitas erosões que podem 
servir deporta de entrada não só a outras infecções, como tamloem á 
penetração na torrente circulatória de ptomainas e venenos segrega- 
dos pelo verme, que atacam os glolmlos vermeliios, provocando uma 
anemia rápida. 

A esse typo de moléstia pertencem precisamente a dístomatose he- 
pática (podridão ou cachexia aquosa) caracterisada pela presença do 
distoma no fisaáoe nas vias biliares ; a strongilose gastro-intestinal, 
ou enterite verminosa, mantida pela presença do strongilo (pequeno 
verme redondo) no estômago e intestino. 

A primeira forma é mais frequente na primavera e no outono, 
todavia a segunda se desenvolve com especial frequência no verão : 
quanto aos symptomas (e a therapeutica) são mais ou menos idênticos, 
excepção feita de uma maior gravidade de que se reveste subitamente 
a forma estival, de que trata com muita largueza a monographia já 
referida. 

Os animaes accommettidos da moléstia, especialmente quando 
esta data de alglini tempo, mostram-s3 macarabusios e emmagrecidos, 
têm a lã erriçada, a massa muscular mais llacida, e comem com 
menos appetite. 

Toda a mucosa apparente mostra-se mais pallida e descorada, e, 
os vasos superficiaes e visíveis parecem transparentes, sendo que o 
sangue que nellas circula é pobre de seus elementos figurados. 

Muitas vezes no canal intermaxillar nota-se como um edema 
pastoso, que demonstra o extremo gráo de fraqueza. 

Se o animal morre e não p^atica-se a necropsia, tem-se em pri- 
meiro logar todo o quadro da anemia; também incidindo-se os vasos 
não se obtém senão um liquido amarellopallido, quasi semelhante ao 
soro do sangue. 

Com os signaoí da anemia da pelle, dos músculos e parenchy- 
mas se acham as lesõ35 próprias das local isações parasitarias que se 
assestam no fígado quando se trata de distomatose, na mucosa gás- 
trica e entérica, ([uando de strongilose. 

No primeiro caso se encontra a feição evidente da cirrh.ose vulgar 
ou atrophica do fígado, sclerosedo connectivo hepático, degeneração do 
acino glandular e a presença dos distomos no liquido amarello ver- 
doengoque enche os canaes biliares. 

Na strongilose, encontra-sa toda a mucosa do intestino delgado 
espessada, fortemente marchetada e ondulada, com soluções numero- 



136 SOCIEDAUE NACIONAL UE AGRICULTURA 

sas, fie continuidade, eé evidente allia pro-^enra de um Jiquido mu- 
coso filante, misto de declrilos alimenticics, numerosos sti-ongilos o, 
eventualmente, de li'icocei»iialos e uncinarios. 

Essa moléstia, es|iecial mente na sua segunda IVn-ma, <■ nuiil" jn- 
sidiosao pôde estender-so de tal maneira até rom|iroMiettei' ú cria<;ão, 
porduiando o estado enzooliro no local de desenvolvimento por causa 
do ciclo reproductivo do verme parasitário. 

Por esta razão, uma vez verificada a presença da moléstia em um 
dado centro de criaí.ão, devei--se-ha agir, dentro dos limites da possibi- 
lidade, no sentido de impodir a moléstia na sua marcha seralmenle 
fatal, e no de que a mesma possa repetir-se jiara o futuro. 

Para tid fim, logo que se ponham de manifesto os primeiros sym- 
ptomas da moléstia, evlte-se deixar os ovinos irem ao pasto ou ás cir- 
cumvizinhanças do local reconhecidamente infecto, mantendo-os em 
logar fechado e salubre, administrando-lhcs alimentos muito nutriti- 
vos, havendo a escrupulosa cautela de separar á distancia os individues 
doentes dos suspeitos do o serem. 

Desta propliyiaxia, simples mas utilíssima, resulta (jue, muitas 
vezes, se consegue sopitar a moléstia nos seus primeiros passos e tanto 
mais quanto alem de uma alimentação intensiva e corroborante dada 
ao animal, se Hh' junct;iin tónicos e conveni;'ntes desinfectantes in- 
testinaes. 

Será, assim, óptima norma dar aos doentes mistura de aveia, 
cevada, farelo, farinha de nós de aveia, na proporção de cinco a oito 
grammas per capita. 

Tal medica(;ão deverá ser pi'olongada pnr oito dias consecutivos, 
interrompida i3or um período igual de tempo, e recomeçada e conti- 
nuada da mesma maneira por outros tantos dias. 

Os americanos aconselham a agua creosotada, na proporção de 10 
grammas por litro, sob a fúrraa de beberagem que os ovinos doentes 
geralmente acceítam sem o|)pòr difliculdade alj:uma. 

Para o mesmo fim, aconselha-se agua ferruginosa, que se prepara 
muito facilmente, pondo" em uma conveniente proporção d'agua um 
pedaço de ferro enferrujado, havendo o cuidaiio de escoal-a de quando 
em quando. 

Além disso convém impedir a conservação e a propagação da 
moléstia; e para tanto (é bom advertir), as fezes dos animaes doen- 
tes não devem servir para estrumação dos campos que se cultivam. 
A agua e os pratos suspeitos, serão desinfectados por meio do sul- 
fato de ferr(\ e a agua estagnada e os logares pantanosos suppressos. 



HOPKIKS, CAUSER & HOPKIHS 

IMPORTADORES DA CELEBRE RAÇA DE GADO INGLEZ 

..ItEO SHOItTJHOIiIV*« 



para 



ie Mafltei, Mk Gelo e Latas 



DESNATADEIRAS «ALFA-LAVAL" 



MODELO i908 




» 

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tf 

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"Íií: 

A» v" 

-35 

§1 



CAPACIDADE 7OO UTR08 POR HORA 




B 
o 

•'A 

i 

Q 



Arados e Machinas para a Lavoura 



95, Rua Theophilo Ottoni, 95 20, Rua Moreira Gesar, 20 

RIO DE JANEIRO 8. JOSO D*fX-REr 



Formicida Paschoal 

Fornecedor da Sociedade Nadonal de A^cultora 



'■■'a' 



>c^^^o<: 



2D 



E O maior amigo da lavoura e único que tem prestado 

importantes serviços na extin- 
'Orn^icldipàscMalj '^'^^^ ^'^^ formigueiros o o único 
-í*'*^í3k^*S'^W ^^^ apresentou roaos resultados 
nas experiências efifectuadas por 
ordem do governo do Estado de 
S. Paulo, onde supplantou todas 
as marcas que concorreram a 
essa experiência e demonstrou 
praticamente ser o formicida 
„ PASCHOAL " o mais enérgico 
destruidor das formigas e mais 
económico 100 */, conforme o re- 
latório publicado por ordem do 

OBTEVE PRIMEIRO LOGAR govcmo do mosmo Estado. 

NAS EXPERIÊNCIAS EPPECTDADaS 

EH 8. PAULO 




Paschoal Vaj Otero communica aos Srs. Laoradores que, de 
regresso da Europa, acaba de montar nooos apparelhos e que 
melhorou ainda mais o seu formicida, que ião bons serviços tem 
prestado d Lavoura. 

A Sociedade Nacional de Agricultura poderá bem attestar a 
boa qualidade do formicida pelo grande numero de latas que tem 
comprado para os seus associados ; assim como communica aos 
Srs. consumidores que tem todo o escrúpulo no enlatam^nto e que 
assume também inteira responsabilidade na medida das lataa 
(quatro litros). 

Paschoal Vaz Otero 

ESCRIPTORIO 

75, RUA DO hospício, 75 



A LAVOURA 137 



Os Ingares noloriamenle contaminados e que não possam sei- fa- 
cilmente expurgados, serão destinados a outro fim que não o da cria- 
ção dos ovinos, ao menos por um espaço de tempo necessário para eli- 
minação do ovo e da larvados vermes em (|uestão. 

Dr. Achilles Rigodanzo, 

Mi-'Jicu hygicni^ta veterinário. 



Il9x mats paraguaysnsis 

CUi.TURA MODERNA E NOVOS MERCADOS 

Mcifí; Joseph Schuinann 

Uma das priacipaes industrias do interior dos nossos três Estados 
do Sul é a da herva mate. 

Infelizmente até hoje este ramo da industria, desde a derrubada da 
folha até a mercadoria prompta, é tão primitivo que a herva mate 
por emquanto não poude conquistar muitos mercados, como ella 
merece. 

O mate como mercadoria tem hoje a sua única sahida somente 
para os nossos visinhos, republicas do Sul, mas ignora-se quasi com- 
pletamente este importante producto das nossas maltas virgens no mer- 
cado universal. 

Eu julgo uma tal centralisação da venda n'um único mercado 
pouco util.e mais ainda para não deixarmos aos nossos primos trans- 
platinos elementos para prejudicar o nosso desenvolvimento com- 
mercial seja onde e como for . 

Está bastante conhecido osystema do Governo argentino de pro- 
curar mei'cado e sahida para os géneros do paiz e fazer o possível para 
fechar o mercado [)roprio aos géneros exlrangeii-os e tornar-se indepen- 
dente da industria internacional. 

Tm destes géneros cuja importação o Governo argentino quei- sup- 
primir é a nossa herva mate. lia annos os argentinos estão estudando 
os meios de cultival-a no próprio paiz e se conseguirem realizar isso, 
a nossa e.xportação de mate vae soffrer um damno considerável. 

Para realizar-se isto não é necassario a ligação das provindas de 
Corrientes e de Gran-Chaco, onde sem duvida a herva mate produz 
tão bem como no Paraguay e Brasil, coma rede das estradas de ferro 
da Republica. 



lis soc:rEUAUE nacional db agricultura 

Si os nossos visinhos do Praia i^ealizarein o projecto dessa cullura, 
perderemos não só o nosso melliore primei lo consumidor, como lambem 
o produclo por falia de mercado vai soíTrer uma baixa do preço, con- 
sequência, que na actual situação da industria da herva male, sendo 
ella para extensos dislrictos dos nossos Ires Eslados, o único meio de 
subsistência, (juero dizer, uma crise económica para milhares de bra- 
sileiros e um prejuizo enorme para a fazenda nacional. 

E' o nosso dever procurar todos os meios de evital-a. 

Mas mesmo não podendo realizar n Governo argentino as suas idéas 
sobi-e a cultura da herva Congonha, sempre vale a pena procurar novos 
mercados para um género tão importante. 

A consequência de um mercado novo, grande e fiel, será uma cons- 
tante alteração do preço do produclo. 

A minha opinião é que a herva male deva-se tornar um género no 
commercio universal, como o nosso café, fumo, Iwrracha, ele, ele As 
suas excellentes qualidades hygienicas quali[ícam-n'a para islo. 

Na velha Europa, por exemplo na Allemanha e na Áustria, igno- 
ra-se quasi completamente a sua existência. Encontra-se ella somente 
nas pharmacias como o «grinner Thee» — chá verde — ena industria 
technica para a fabricação de tinta. 

Eu estou convencido que dos 100 milhões AUemães e Austríacos 
nem a millesima partejá uma só vez tomou um chá de mate. 

Mas, para poder conquistar estes dois importantes mercados ou 
qualquer outro de além-mar, para ser conhecida e procurada no com- 
mercio são necessárias duas cousas : 

Beneficiar o produclo e fazer o necessário reclame. 

Sustentando a Republica Brasileira as mais intimas relações com- 
merciaes com o mundo vellio, ó muito natural lembrar-se primeira- 
mente deste como mercado novo. 

Em vista da enorme importação de quasi todos os artigos da in- 
dustria é muito justo procurarmos os meios de remelter em lugar de 
dinheiro um outro equivalente. 

O nosso café, fumo, borracha, algodão e madeiras são artigos bera 
acreditados no mercado europeu, mas cada um encontra concurrencia 
lá, seja da Ásia, Africa ouOceania. Vamos conquistar aquelle mercado 
para nosso mate, que nasce só nas nossas zonas, nos nossos len^itorios, 
e que não tem concurrente no mundo inteiro, porcjue o chá da índia, em 
vista do grande valor hygienico, não parece mais concurrente delle, como 
talvez o café ou o chocolate. 

A tal conquista não é tão difficil como pai'ece, e sendo importado 



A LAVOURA 1S9 



nos dois paizes, dos quaes já fallei, temos cora uma população tão 
grande um mercado, que vale vinte vezes mais do que o de LaPlata. 

CadaEuropèoé consumidor de chá, seja de que nacionalidade elle 
fòr. O maior gasto sem duvida tazem a Rússia e a Inglaterra, mas justa- 
mente estes dois paizes produzem no Sul da Sibéria e nas índias tanto 
chá preto, que para elles, a nossa herva mate, será considerada um 
concurrenle desagradável . 

Com os Russos e os Inglezes não podemos contar, mas com os 
outros povos que por emquantoa ignoram. 

O reclame deve tornal-a conhecida e procurada. Quero dizer poucas 
palavras a respeito do necessário reclame. O efleito deve ser como uma 
suggestão. 

A vista deve encontral-a em toda parle e continuamente. O re- 
clame impre^^ío deve ser acompanhado de uma propaganda viva e 
intelligente. Para isto o moderno e atilado commerciante tem innu- 
meros expedientes. 

Uma casa especial de chá em Londres, por exemplo, dá a cada com- 
prador de um kilo de chá, como presente, um relógio despertador . Uma 
casa hamburgueza offereco como brinde animaes antidiluvianos, 
collecção de grande valor artístico e scientiflco. Da fabrica de 
chocolate de Stolhverk Irmão na cidade Elonia existem serias de 
figuras, descrevendo a vida humana sob qualquer ponto de vista e em 
qualquer sentido. Essas preciosas series, como também as da casa Liebig, 
Companhia de extractos da carne bovil, ficam coUeccionadas orgulho 
sãmente e regateadas como os sellos ou bilhetes postaes com vistas. 

Quando eu voltei da guerra dos Boers, uma ca^a forte de Nova 
York mandou distribuir em todas as arandes cidades da Allemanha 
a cada família, gratuitamente, dois pacotes dos seus géneros alimen- 
tícios. Certamente uma reclame caríssima, mas o artigo ficou conhe- 
cido e introduzido d'um momento para outro no mercado alleraão . 

Da mesma forma devia-se fazer a reclame e a propaganda para a 
nossa herva mate. 

Actualmente reina nas terras teutonicas uma propaganda forte 
contra o abuso do álcool. 

Sociedades como os Tempereuzler, ou os Gosttempler, têm por fim 
supprimir o enorme consumo das bebidas alcoólicas o fazer propaganda 
para as l)ebidas saudáveis do qualquer qualidade, mas sem álcool. 

Eu já tive a idéa de abrir nas principaes cidades botequins aná- 
logos aos cafés, mas somente para consumo da herva mate. Não realizei 
este projecto por dois motivos : 



140 SOCIEDADE NACIONAL UE AGRICULTURA 

Primoii'0, ronvenci-me, que seria bastante difficil para os allemães 
acostumarem-se ao gosto da fumara, que a nossa lierva tem, e segundo 
fiquei convencido que a económica senliora allemã não podia resoiver-se 
acceltar a herva mate no seu repertoir da casa, porque em comparação 
o chá da índia parece mais vantajoso. Uma colherziniia de chá dá 
a meçmaqiianlidadede Ijebida do que uma concha de herva mate. 

A ililíeronça do preço dns dois géneros julgo deve ser insignifi- 
cante. 

Hoje sei como se pôde evitar estas inconveniências do nosso 
producto. 

Estudando a historia da industria do mate, logo veremos que ella 
ainda hoje se acha na mesmas condiçõas primitivas, como os portu- 
guezes a encontraram na época do descobrimento do Brazil . 

Geralmente nada foi feito até hoje para aperfeiçoal-a. Mas julgo 
nosso dever moral aproveitar os progressos da technologia e das sciencias, 
para bem do nosso paiz. 

A família da « Ilex » deve ser encorporada ás nossas plantas de 
cultura, quero dizer no logar de aproveital-a como planta silvestre no 
mato ; temos do começar a pianlal-a nas nossas rcças. .A.s insignilicantes 
despozas logo ficarão recompensadas pelo augmento das safras e aper- 
feiçoamento das qualidades. 

Não me refiro aos conhecidos empenhos da Companhia Ilorticula 
no Rio Grande, que ha mais de 10 annos está criando as arvores de 
sementes. 

Isto leva tempo e custa caro. 

Durante os longos annos, que trabalhei na mata, nbservei que esta 
semonlo para germinar precisa de muito ar e luz. Abrindo muitas 
picadas encontrei as arvores muito isoladas ; voltando raezos depois pelos 
mesmos caminhos, contei centenas de arvoresinhas na beira das picadas 
ede uma altura de a a 4 palmos. 

Isto pi'ovou-me ijue a somente não encontrando as já mencio- 
nadas condições póJe permanecer annos na terra, sem deteriorar-se e 
perder seu poder germinai . E de facto a semente da Ilex é uma destas, 
que levam oiuíIm tempo para biolar, mas pi')de-se apressar este processo 
por um banho de CO". 

Então uma cultura moderna, como cu a julgo, custaria pouco. Ti- 
i'am-senas matas as mudas — renovos e arvoresinhas — eplanlam-.se 
nas terras destinadas e devidamente preparadas. 

Os colonos nos campos do Paraná estão aproveitando este syslema, 
já ha anno>, e o viajante encontra ao redor das casas as necessárias 



A LAVOURA Ul 



arvores para o consumo da família. Assim, o homem poupa o custoso 
trabalho de juntar o material no mato. 

Mas justamente aqui quero propor um novo systema. Isto é, de não 
plantar a arvore isolada, talvez no putreiro e deixal-a crescer á vontade, 
e proponho plantal-a em densas sebes e não deixar passar uma certa 
altura. 

O actual modo de subir ás arvores e cortar os ramos cora o facão tem 
grandes inconvenientes. 

O trabalhador além de enganar-se na grossura dos ramos, de- 
mora muito para separai -os. Assim mistura a madeira com as folhas 
e fica torrada e moída junto. Ramos mais grossos do que um lápis de 
páo não podem melhorar a qualidade do producto. Isto é impossível. 
Incontestavelmente não soas folhas têm os ingredientes hygienicos e 
agradáveis. Os renovos e os ramos finos têm-nas também, mas tornando- 
se um broto madeira dura, certamente tem de desapparecer a natureza 
da matéria das folhas. Os brotos e raminhos agradam ao paladar, a 
madeira moida, porém, prejudíca-o. Senão podia moer-se o páo inteiro 
e beber o mate. 

Facto conhecido é, que cada planta, que fica semeada muito densa 
ou plantada em sebes, permanece sempre fina e procurando ar e luz, 
torna-se bastante alta. Não deixando crescer, el la procura extender-se 
para os lados e assim vamos ter nas nossas sebes de herva-mate ramos 
compridos e finos. 

O systema actual i«rmitte somente de três em três annos a 
colheita nas mesmas arvores aos carijueiros ; o moderno systema 
permittirá, ao menos, uma vez por anno. Então melhora-se não só o 
material, mas multiplica-se também a colheita com menos e mais fácil 
trabalho. 

Estas não são as únicas vantagens. 

A cultura em sebes proporciona um producto bom . 

Nas nossas matas não existe uma só espécie da herva Congonha 
como os brasileiros tratam-na vulgarmente. A sciencia natural conhece a 
Ilex paraguayensis, Ilex gigantea, Ilex ignipunctada, Ilex Humbold- 
tiana. Ilex Bomplandia e mais outras. As mencionadas são d'um pala- 
dar agradável e saboroso. Entre as outras espécies da família Ilex en- 
contram-se também arvores de qualidades inferiores e dum paladar 
muito amargo. A mais conhecida destas hervas é a herva Gaúna, desco- 
berta e classificada pelo sábio Bompland, como Ilex amara. 

As folhas delias misturadas cora as outras em pequena quantidade 
podem augmentar o paladar agradável, mas o sertanejo pouco, impor- 



142 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

la- se, elle não repara na qualidade ; só lem interesse na quantidade, e 
corta e mistura, o que encontra na mata. Cora a mistura de foliias 
da Ilex amarga como as da iierva de Anta elle estraga o agradável pa- 
ladar da herva-mate. 

O cullivadorcorlameiíte não plantará qualidadas inferiores. 

EconomizandDCom uma cultura moderna não só muito trabalho, 
como augmentando a quantidade da colheita e melhorando a qua- 
lidade, dá a garantia duma mercadoria limpa e pura. Este syslema 
evita-nos tamliemo raáo gosto da fumaça. 

Actualmente a herva passa dois fogos : fica separada e ca- 
rejada e com este processo enfumaçada. Na cultura por mim pro- 
posta torna-se desnecessário o transporte da herva ganchada da mata 
para o engenho, porém as novas culturas vão-.se extender ao redor das 
fabricas, que devem ser montadas ci>m apparelhos modernas cm sulisli- 
tuirãodoscorijos. Estes fornos nnrte-americanos são os mais aper- 
feiçoados e baratos, seccam em poucas horas por meio dum caloi' seceo, 
alguns mil kilosdo maçãs, ele. A fumaça, sem tocar na fruta, sae 
em baixo. 

Eis aqui o melhor beneficio da nossa Ião importante mercadoria. 
A herva-mate assim preparada vai agradar ao paladar europeu. 

Para illudir a económica dona de uma casa européa temos também 
um moio muito simples. E' desnecessário lançar a herva bem moida ou 
folhas no mercado. Chocolate, café e muitíssimas conservas ficam ho.je 
no commercioofferecidas era formas de ladrilhos ou cubos, dando cada 
um, conforme uma menor ou maior porçãode alimento prompto. 

o major, medico do exercito allemão, Dr. Mansfeld, estacionado 
na Colónia Kameruns na Africa Occidental, já realizou esta ideia parti- 
cularmente. Elle manda fazer na Storchaixjlhecke (Pharmacia da Ce- 
gonha) era Dresden, Saxon ia, pastilhas deJerbina, extracto da herva 
paraguaya com assucar, refresco tão agradável e saudável, quanto com- 
modo e barato. O cento destas pastilhas custa um marco e 50 pferming, 
ou ao cambio de 15, l$l78réis. Resultando essa fabricação completa- 
mente da iniciativa particular do já citado major medico, ella sempre 
prova o interesse mais vivo, ((ue reina e existe nas rodas mais hábeis da 
administração do exercito allemão, de experimentar e provar tudo 
o que é bom e pôde ser útil na alimentação dos corpos dessa força 
militar. 

Sendo possível fazer-se o exercito allemão consumidor do 
nosío producto silvestre, depois póde-se dizer simplesmente, está con- 
quistado o mercado allemão, ou, em algarismos, GO milhões de homens. 



A LAVOURA 143 



Para uma tal conquista julgo necessário mais ou menos uma ex- 
periência como fez a já mencionada casa norte-araericana. Porém 
reina neste exercito o costume de experimentaras novas mercadorias 
alimentícias num corpo inteiro do exercito durante algum tempo, 
para poder assim estudar escrupulosamente os effeitos. 

Contaram-meque as praças allemães levam comsigo uma espécie de 
rapadura; igualmente pôde seracceito para o rancho militar um ou dois 
ladrilhos de herva comprimida. 

Muito próprio para o estabelecimento de taes plantações julgo, por 
exemplo, o interior do Estado de Santa Catharina, mais ou menos um 
kilometro distante do littoral, porque o salitre dos ventos do mar pre- 
judica muito a qualidade do mate e mesmo no interior procuraria eu 
lugares abrigados dos ventos orientaes. 

Eis aqui, em pjucas linhas, ideias talvez fáceis de dar, entregue a 
direcção a pessoa hábil e perita neste ramo da nossa industria, um 
novo impulso ao artigo, que merece, por causa das suas excellentes 
qualidades, todo nosso interesse. 

Laguna, aos 17 de novembro de 1906. 

M. J. SCHUMANN 



Parceria Agrícola 

Dizem alguns fazendeiros que tarde appellamos para a — parce- 
ria, — pois os colonos, devido aos preços actuaes, não a acceitarão. 

Por que não acceital-a, si com esse contracto ganharão mais ? 

E é o que pretendemos provar . 

Exemplifiquemos- Uma família de colonos que trata de 7.000 
cafeeiros a 70$000 por anno, por 1.000 pés, dando 5 carpas (que são as 
regulares de todas as fazendas), terá ganho 350$000. 

Esses 7.000 pés produzindo 954 alqueires (de 50 litros) a 500 réis, 
ganhará 4.77.$000, mais 350$000, igual a 8õ7$000. 

Estando os cafeeiros com carga regular, um homem colherá na 
média -4 alqueires por dia. 

Ora, uma familia que trate de 7.000 pés e composta quasi .sempre 
de 3 pessoas poderá colher 900 alqueires em 3 mezes. 

Porém que colha no minimo mesmo os 954, vê-se, pois, que o salário 
do colono, em um anno, foi de 857$000 

Ha também o salário de um ou outro dia em que elle trabalha como 
camarada, a chamado do fazendeiro, e ha também o serviço de recolher 



m SOCIEDADE NACIONAL DE AORICULTURA 

cafésecco á tulha; mas, eslas duas quantias iwucn influem no augraenlo 
da somraa acima, por serem insignificantes. 

Vejamos agora quanto ganharia o colono pela parceria. 

Os 95'i- alqueires produziram 516 arrobas, as quaes deram liquidas 
3:lõ2$150. A metade, 1:57d$07õ será do parceiro, que pagarií dessa 
(|uantia 492^000 ao fazendeiro, sendo 286$200 pela conducção, lavagem, 
sécca e recolhimento á tulha dos 954 alqueires a 300 réis, e 206$'t00 pelo 
beneficio das 516 arrobas a 400 réis. 

Deduzindo-se de 1:576$075 — 4;)2$600, restam 1:083$475. 

Veja-se a differença de 1:083.$475 para 857$000: ó igual a 226$475, a 
mais para o colono. 

Ainda mesmo que o colono pela parceria ganhasse o mesmo que 
ganha actualmente ou ainda menos, seria preferível, porque o salário 
será garantido pela própria natureza do contracto de parceria. 

E' preciso o colono considerar ainda o seguinte: que no exemplo 
verídico que acima apresentamos ni5o tomamos por base a producção 
média das nossas boas lavouras, calculada em 80 arrobas por 1.000 pés, 
pois, no nosso exemplo, a producção foi de 73 arrobas. 

Necessário também se torna que o colono considere o seguinte: pela 
parceria, a média annual augmentará e será de 100 an-obas e mais por 
1.000 pés, porque elle tratará muito melhor do cafésal. 

Todo o fazendeiro sabe que, durante a colheita, ha dias em que 
se pára com a mesma, devido á chuva ou para não se damnificar a 
florada . 

Ora, sendo de parceria, o colono aproveita esses dias para espalhar o 
césco nos seus talhõ&s, já colhidos: dahi, quantas melhoras para o cafe- 
eiro, pela indisculivel vantagem de se espalhar cedo a vari^edura. 

Pelo actual syslema do braço assalariado (único no mundo!), o 
colono, nesses dias, não se dedica ao serviço, ou porque está com desejos 
de permutar o talhão, ou porque pretende mudar-se da fazenda. 

Ainda não é tudo : no fim da colheita, emquanto o director não 
procede á nova contagem e i-epartição dos talhões, para entregar aos 
colonos (que raramente pei^manecem com o mesmo), perdem elles 
alguns dias de trabalho, o que muito prejudica o cafésal. 

Como parceiros, finalizada a colheita, estariam elles cuidando dos 
cafésaes (por serem os talhões deteririnados pelo contracto) e além di.sso 
fariam boas carpas, batendo bem o malto, aprofundando a enxada, ele. 

Que enormes benefícios não adviriam dahi para o cafeeiro I . . . 

E' necessário consignar ainda que, pelo actual systema na colheita, 
por maior cuidado que se tenha, perde-se sempre café no cafésal, e não 



A LAVOURA U5 



pouco; porém, pala parceria, os parceiros colheriam os grãos, um a um, 
como se fossem pérolas. 

Pela parceria a colheita será do seguinte modo: cada parceiro co- 
lherá o seu talhão separado, o que vera a augmentar o trabalho de 
transporte para o fazendeiro. 

Depois de beneficiado todo o café, metade é do fazendeiro e me- 
tade será repartida aos colonos, proporcionalmente ao numero de 
alqueires que cada um colheu. 

Enumeremos algumas vantagens da parceria : 

1 .'■ A infallivel alta do preço do café. 

Pela parceria os commissarios ficam livres do fornecimento de 
dinheiro para o custeio, ficando, portanto, perfeitamente apparelha- 
dos para resistirem e imporem o preço aos especuladores. 

2.^0 fazendeiro, ficando livre desse tonel das Danaides, que se 
chama custeio, e dos juros deste, venderá o seu café na sua própria 
fazenda ou onde mais lhe convier. 

3." Ao contrario do que muitas pessoas pensam, os credores hypo- 
thecarios não se opporão a que o fazendeiro faça parceria, porque sabem 
que o seu devedor ficará com a metade da safra livre. 

4." Ao próprio Governo esta medida trará grande economia na verba 
immigração; porquanto, durante 4- annos, o tempo do primeiro con- 
tracto, os colonos estarão fixos ao solo, e esse período de estabilidade 
prolongar-se-ha por muitos annos, porque, com o infallivel bom resul- 
tado, findos 4 annos, o parceiro celebra novo e idêntico contracto. 

5." O credito que o parceiro gozará perante o seu fornecedor de 
géneros, o qual não terá receio de lh'os fornecer, porque sabe que, finda 
a colheita, elle tamjjem tem com que pagar a conta. 

Hoje, o colono que está numa fazenda que paga com i^ontualidade 
ainda goza de algum credito, mas o que está em fazenda onde os 
pagamentos estão atrazados não tem credito para um real . Ainda 
mesmo que elle seja honesto e trabalhador, que valem estas duas 
qualidades para o negociante, si o fazendeiro não pagar o colono ? 

Estas são as vantagens que sem estudos, cogitações ou pesquizas, 
resaltam, á primeira vista, a todo aquelle que pensar em parceria. 
Mas, se nos déssemos a esmiuçar, veríamos que muitas são as van- 
tagens reciprocas, a parceiros e patrõe.s, resultantes da parceria. 

Além da parceria precisamos de outras medidas: — reducção de 
tarifas, diminuição de impostos estadoaes e municipaes, diminuição 
do imposto de 11 °/o, bancos de custeio rural, syndicatos, coopera- 
tivas, armazéns geraes, etc. 



145 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Actualmente uma arroba de café fica para o fazendeiro, posta 
em Santos, em 6$338 ; desde que entrem em realidade as medidas acima 
referidas e cogitadas, acontecerá que essa arroba de café nos ficará em 
Santos mais barata e, aproveitando-so dessa circumstancia, o comprador 
dirá: o fazendeiro agora paga menor frete, menores imiwstos muni- 
cipaes, abaixemos ainda mais o preço; é o quesuccederá. Sim, ix>rque 
nós pensamos que a causa principal da baixa do preço do café não é 
somente superproducção e sim a nossa fraqueza pecuniária, i-orroborada 
pela nossa dependência para com o commissario, jjor causa dos adean la- 
mentos de dinheiro para o sorvedouro custeio. 

Precisamos de uma medida previdente que nos garanta a estabili- 
dade do futuro. Essa medida, a única efíicaz, salvadora dos mútuos 
interesses de colonos e patrões — é a parceria. 

Num anno de pequena colheita, que garantia tem do parceiro, o fa- 
zendeiro, para o cumprimento do contracto ? 

Dizem aquelles que' isto objectaram, que o parceiro sahirá ou fu- 
girá da fazenda, para não fazer a colheita. 

Resftondemos . Pelo systema actual, o colono não colhe café nos 
annos de pequena safra ? Colhe, sim . 

Queé que o obriga a isso? 

A multa que elle pagará "si sahir da fazenda, sem justa causa, 
antes de completar o anno, istoé, sem terminar acolheita. 

Os fazendeiros saliem perfeitamente que, em vésperas de colheita 
pequena, o colono incorrecto colhe cuidadosamente os seus cereaes e, 
depois de estar com elles enceleirados, procura pretextos, os mais 
injustificáveis e absurdos, para não colher café ; alguns chegam 
até a insultar o fazendeiro ou o administrador, para, iwr esse mo- 
tivo, serem despachados, poi-ijue quando são despedidos não pagam 
multas... E vão se contractar numa fazenda que tenha colheita 
grande. 

Por queé que se estatuem as multas actualmente? Para cohibir 
esses abusos. 

Assim, o contracto de parceria deverá ter uma clausula, iielaqual 
o parceiro se obrigue a depositarem mãos do fazend(íiro um tanto por 
cento, om dinheiro ou mesmo em café, para a garantia do contracto. 
E como em todo o contracto ha obrigações reciprocas, o fazendeiro, 
pelo seu lado, ficará sujeito a multas, desde que deixe de^cumprir qual- 
quer clausula. 

Cremos ter resjjondido satisfacloriamonteá primeira objecção. 

Pas-semos á 



A LAVOURA 1Í7 



2." Pela parceria como se manterá a ordem na fazenda? Pelo mes- 
mo systema que se faz actualmente. 

Quando o colono pratica iim pequeno delicto, não paga quantia 
proporcional ao damno causado? E quando elle commette um crime? 
Não recorremos á autoridade policial ? 

Gomo poderá acceitar parceria o colono novo que, portanto, não 
tem ainda recursos adquiridos ? E' outra objecção que nos farão. 

Empreiteii'os sem recursos não formaram miliiões de cafeeiros, 
com o contracto de receber a importância no lim dos quatro annos? 
Com que se mantinham? Somente como producto da venda das solaras 
dos cereaes . 

E na parceria o casoé differen te, porque, si alguma difficuldade 
existir, será no primeiro anno, mas, o parceiro encontrará negociantes 
que lhe forneçam géneros e dinheiro, si delle precisar, porque elle tem 
com que garantir o empréstimo, e essa garantia é o fructo pendente. 

Mas aparceriaé impraticável, dizem alguns. Por que? Será irrea- 
lizável por pensarem que não a temos no Oeste ? Não, no município 
de São Carlos temos cinco contractos vigorando perfeitamente, e são: 
osdasExmas. Sras. D. Eulália Botelho de Freitas Pinto, Cândida Bo- 
telho Braga e dos Srs. João de Deus Pires Ferreira, Casemiro Cândido 
de Oliveira Guimarães e Joaquim Zoti Nery. 

No nosso Estado houve, antigamente, em diversos municípios e 
entre outros, em Limeira, na fazenda Ibicaba, do fallecido Vergueiro, 
contractos de parceria. 

Na actualidade, mesmo no nosso Estado, ao norte : Mogy das Cruzes, 
Pindamonhangaba, Taubaté, Caçapava, Lorena, Guaratinguetã, Jaca- 
rehy, ele, tèm parceria. Em Serra Negra também existem contractos 
de parceria. Os lavradores de S. JoãodaBôa Vista, em reunião no dia 
11 de maio de 1903, se combinaram para fazer a parceria. 

Nos Estados de Minas e Rio, idem. No Estado do Espirito Santo, o 
systema de trabalho é também a parceria, pelo que sele no livro Cha- 
naan, de Graça Aranha, pag. 13 : «A gente traballiava junto, quem 
apanhava café apanhava, quem deljulhava milho debulhava, tudo 
de parceria, bandão de gente, mulatos, cafusas... Que importava 
feitor?...» 

Os primeiros immigrantes, chegados ao nosso Estado, vieram en- 
gajados por meio de contracto de parceria. 

A crise tem por causa principal o facto de não ser o café uma cul- 
tura annual; toda cultura permanente ou /lírfl soffre, em certos perío- 
dos, — crise. 



148 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Porque não têm os norle-amei-ican os crises agrícolas? Por que além 
deserom annuae? as suas culturas, são ellas praticadas mecanicamente. 
Si num anno, por exemplo, o milho produzio síocfc, no anno seguinte 
elles cultivarão mais trigo, ou arroz, ou alfafa e menos milho. 

Pergunte-seao polymillionario, o Sr. Rokefeller, o rei do iielroleo, 
si poderá o .seu kerozene snlTrer cri.se Não. Porque elle deixará de 
extrahil-o. E as suas minas não se prejudicarão por esse motivo. 

Diversas são as industrias que estão quasi isentas de crise, por 
causada sua natureza especial, entre ellas as metallurgicas, por exem- 
plo, o carvão de pedra, em Inglaterra ; si o preço não compensar 
o trabalho, não extrahem o carvão, e as minas continuam inalte- 
ráveis. 

A industriada louça, na China, desde que o preço não remunere, 
não extrahem o barro, e fecham as fabricas. 

A industria pastoril, no nosso paiz, nos Estados do sul, não obten- 
do os criadores preço conveniente por uma manada, deixam-na vagar 
pelos campos. 

As industrias larlicinias, que estão desenvolvidíssimas na Dina- 
marca, e na Allemanha, também são, de .sua natureza, p)uco sujeitas á 
crise, assim, como no Brasil, nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa 
Catharina, especialmente, onde floresce, entre outras, a da manteiga. 
Ora, si baixasse o pre<;o da manteiga, a ponto de não pagar o tra])alho, 
que faria o industrial ? Deixaria de ordenhar as suas vaccas estabuladas, 
soltal-a.s-ia, deixando que, de posse de todo o seu leite, criassem nédios e 
bel los bezerros. 

Li uma vez n'.4 Lanterna Mni/iraáe Theodoro deRanville, mais 
ou menos o seguinte : aDebaixo de um sol abrazador, num areal deser- 
to e estéril, as Danaides, Coleno, Glaucippo, Hypomedusa, Amymo- 
nia, Stygnéa esuas irmãs, tristes, abatidas, tirara desesperadamente 
do rio, de um verde-negro, a agua turva, grossa, enchendo e despe- 
jando continuamente suas bilhas, tentam encher os toneis sem fundo ! 
Trabalho inútil, infructifero, vão, louco ! 

Exhau.stasde fadiga, desacoroçoadas, por causa daquella tarefa in- 
términa, trabalham já automaticamente. Súbito, porém, um men.sa- 
geiro alado, de caboUos do louro fulvo das abelhas, desce donlto espa- 
ço. E' Asterios, o prototypo da belleza, o qual faz um signal com a 
sua magica varinha de ouro, e. . . e os toneis se enchem ! 

O' cal)eças sagradas, lhes fala o joven deus, findou o vosso supplí- 
cio. Os deuses Titans, triumpharam : a raça Clymena e deJnpeto des- 
thronou seus filhos ingratos, o libertado Piometheu das algemas, aban- 



A LAVOURA KÇ» 



dono o rochedo em que o abutre lhe devorava o flgado. Terminou o 
vosso martyrio ! Transbordam os toneis. » 

AppUcando o conto; o systema actual de trabalho são os toneis 
sem fundo, porém o contracto de parceria serão deus Asterios. 

Mas, si depois de feita a parceria vier a alta no preço do cate, nós 
perderemos . 

Absolutamente, não. Porque acompanhando a alta do preço do 
café, subirão também os salários dos colonos, os ordenados de empre- 
gados de adminislração, os géneros de maior e imprescindível con- 
sumo, etc, etc. 

E isto porque, assim como actualmente, em vista do preço do 
café,os colonos se conformam com a reduccão dos salários, também 
quando vier a alta nogenero elles exigirão o augmento dos mesmos. 

Porém, dizem alguns: esta alta de salários e géneros, por maior 
que seja será menor do que o lucro que o parceiro obtém. 

Pois bem, si no tempo do café a vinte mil réis, fazendeiros houve 
que compraram outras fazendas"ou plantaram café em larga escala ou 
construíram prédios de luxo, quer ruraes quer urbanos, ou andaram 
em villegiatura pela Europa ou pelo Prata, houve também muitos que 
nada disso fizeram. Hoje, aquelles não têm dinheiro, porque o 
desperdiçaram e estes, que não o gastaram, por que não o têm também ? 

Outra não pude ser a resposta sinão esta : o dinheiro foi absorvido 
pelos exaggerados salários de então. 

Affirmam na segunda objecção que, pelo contracto de parceria, a 
fiscalização da fazenda se augraentará. Contestamos. Quanto ao ser- 
viço de carpas, não, porque o parceiro tratará muito melhor do seu 
talhão, uma vez que o seu maior interesse está era conseguir o máxi- 
mo de producção. 

Na colheita, o parceiro terá o máximo cuidado para não damni- 
ficaro cafeeiro, fazendo o quanto possível para não quebrar galhos, 
e não col hera com varas, o que o colono faz toda a vez que se apre- 
senta ensejo. 

E os furtos de café? dizem alguns. 

Mas, no queé que a parceria vem facilitar os furtos, si o café ha 
de ser todo secco nos terreiros da fazenda, si será guardado e benefi- 
ciado nos mesmos legares e pelos mesmos processos, pelos quaes são 
feitos actualmente e tudo soba immediata fiscalização e administração 
do fazendeiro ? 

Os lavradores bem sabem o martyrio que soffrem todos os annos, 
devido a falta de braços. 



150 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

E' em vésperas de finalizar a colheita que começa essa luta liLa- 
nicd, dolorosa e inglória ; este colono dizendo que sae da fazenda por- 
que foi admoestado por causa de uma falta que commetteu, aquelle 
promeltendo fazer o mesmo em represália a uma multa que lhe im- 
puzeram, aquelle outro porque colheu fjoucos cereaes e attribuindo 
isso ús terras diz que... a fazenda nãn presta, outro ainda porque nãn 
lhe adiantaram certa quantia que pediu, e assim arranjam as mais 
fúteis e injustos pretextos. 

E os que se corapromettem a (Icar, em regra geral, lornam-se de 
uma (íxigencia intolerável. 

Noemtanto, o pobre fazendeiro tem a convicção (e com elle esses 
colonos) de que aquella reprehensãií, feita em termos cortezes, foi 
justa o indispensável, dequea multa fui applicada em ultimo recurso e 
depois do delinquente ter sidoadveilidoe de haver, apesar disso, reinci- 
dido, de que si o outro não colheu cereaes com excesso, como de costu- 
me, foi porque o tempo não correu bem e não porque as suas terras 
não sejam ferazes. 

Que ha de fazer o fazendeiro para conseguir a permanência desses 
colonos na fazenda ? 

Pedir desculpas a um pela reprehensão, relevar a outro a multa, 
e com esse proceder implantara anardiia em sua fazenda ? 

De modo que o próprio colono está convicto de que a multa nu a 
reprehensão, que lhe inílingiram foi justa, mas o Brasil, dizem, é tão 
grande. . . patrões não faltam . . . e, muitas vezes, pelo prazer de deixar 
a casavasia, certos de prejudicarem os seus próprios interesses, saem 
da fazenda, falando horrores do fazendeiro. 

Assim o lavrador durante o anno debale-se neste angustioso dilem- 
ma e si quer ter ordem na fazenda, tem de pôr em execução as medi- 
das referidas, porém, si as pratica, os infractores se vingam ; isto é, 
saem no fim do anno. 

Não falamos ainda nos muitos colonos que se mudam illu- 
didos, julgando que a mudança concorrerá para mel horar a sua con- 
dição, nom naquelles que se deixam embair pelos engodos dos al- 
liciadores. 

Onde depois contratar outros? 

E quando si os ajusta, quantas despesas não surgem : transportal- 
os, fazer-lh&s adiantamentos, etc, etc. 

E o trabalho e o incommodo que o colono novo dá atese habituar 
com o systema de serviço, com o regulamento da fazenda ? 

Poiso contracto de parceria, de quatro a seis annos, fará de.sappa- 



A LAVOURA 151 



recer todas essas enormes difficuldades, dando ao fazendeiro o inicio 
de uma época de paz esocêgo. 

Façam aquelles que nos lera com calma e exactidão os seus cál- 
culos e se convencerão da superioridade da parceria em talos os sen- 
tidos. 

Perguntem aos fazendeiros que têm parceria si são ou não sorpre- 
hendentes (sic) os resultados obtidos. 

O systema de trabalho de parceria é mais antigo no nosso paize 
está mais desenvolvido, do que geralmente se suppõe. 

Os lavradores devem se decidir por essa medida — definitiva que, 
desde o tempo do Brasil-colonia, nos deu esplendidos resultados, se- 
gundo se lê na historia do Brasil escripta pelo inglez — Roberto Southey, 
tomo II, pag. 284. 

«A tomada da Parahyba tornou os hollandezes senhores de toda 
a capitania, que, ao invadirem elles o paiz, achava-se em estado de 
crescente prosperidade. Pelo lado do sertão eram indefinidos os seus li- 
mites e pela costa raarcava-os um marco sobre o riacho Taperabú, 
partindo com Itamaracá, e outro ao norte do Camaratubi, partindo 
com o Rio Grande. 

Era Parahyba a única villa, tão dispersa a população, que nem al- 
deias havia, mas na realidade pôde, com pouca impropriedade, a cada 
engenho chamar-se uma aldeia, sendo de setenta a cem e ás vezes de 
mais, o numero de pessoas de todas as cores empregadas em qualquer 
destes estabelecimentos. 

Não eram os donos que cultivavam as terras, mas os chamados 
laoradores das cannas, e depois de tirado do assucar o dizimo del-rei, 
separavam-se três quintos para o senhor do engenho e o resto ficava 
ao lavrador». 

«Além dos operários e trabalho jornaleiro, elle tem (fazendeiro) 
muitas vezes empreiteiros a preço de dinheiro, rendeiros que pagam 
em espécie, e colonos de parceria.» A Vida Americana, pag. 118-P, de 
Rousiers, — ■ traducção de Decimo Júnior. 

«...a parceria é peculiar á Zelândia e ao Limburgo, tem dado ao 
occupador foreiro uma prosperidade incomparável. » A Hollanda, de 
Ramalho Ortigão, pag. 81, 3' edição. 

Os fazendeiros paulistas têm meio caminho andado para conse- 
guir a realização da parceria, porque a maior colónia agrícola no nosso 
Estado é a italiana e essa não estranhará a parceria porque está liabi- 
tuadacomella na Itália, onde tem o nome de meszadria. 



152 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Era Ribeirão Bonito existem uns doze contractos de parceria e 
entre esses os dos membros da dislincla família Braga. Em Jahú : 
José Pereira Pinto Toledo, José Egydio Toledo, Sra. D. Anna Barros, 
Srs. Benjamin Martins Mano, Cândido Ferreira Dias, Francisco Lima 
Barbosa e Baptista Reple. Dois Córregos, Francisco Pereira Garcia. 

Está provado que pelos actuaes preços os colonos pela parceria 
ganhariam mais ; admiltindo, porém, que o preço do café sofTra ainda 
uma baixa, mesmo assim o parceiro tirará resultado, porque o capital 
delleé o seu braço. E não será somente do café que elle ganhará e 
sim da industria peruaria, que poderá explorar em maior escala, por- 
que, como parceiro, terá maior quantidade de terras para o cultivo de 
cereaes, e também da venda destes auferirá lucros. 

Como se sabe, a producção média do Estado do Rio por mil pés é 
de vinte arrobas e a do Estado do S. Paulo é de oitenta. 

Pois, em vista do preço baixo e insignificante producção, já deve- 
riam estar em bem completo abandono as lavouras fluminenses. 
No entanto permanecem. 
Qual a causa ? — A parceria . 

Julgamos desnecessário transcrever nestas columnas contractos 
de parceria, porque o de um fazendeiro não pôde servir para outro, da 
mesma forma por que os actuaes contractos não são e não podem ser 
eguaes, uma vez que o meio physico dilTere de uma propriedade para 
outra. 

Todavia, os contractos de parceria deverão ser modelados por uma 
mesma norma, modiflcando-se, no entanto, as clausulas que forem 
necessárias para que elle se adapte ao meio em qvie vae ser executado. 
Assim, por exemplo : aos fazendeiros deS. Manuel, devido á sua 
phenomenal producção, não será conveniente dar a metade ao parceiro 
e sim de três partes uma. 

Porém, os lavradores das zonas de producção decadente, ou de ter- 
ras ruins, deverão fazer o inverso dos daquelle município. 

Além das vantagens pecuniárias advenientes do contracto de par- 
ceria para as partes, pelo lado moral e social terá o operário feito 
uma grande e gloriosa conquista : pois, de simples empregado, passará 
a ser sócio de uma propriedade agrícola. 

E' um systema de trabalho que estimula, eleva, ennobrece e 
dignifica o colono. 

Em 1 de julho de 1903 disse no seu segundo discurso, no Senado» 
o Sr. Dr. Alfredo Ellis: « A principal causa da desvalorisação do pre- 
cioso producto é a nossa fraqueza, a nossa impotência para defendel-o ! 



A LAVOURA 153 



Os exportadores descobriram a falha da nossa organisação agrícola 
e. . . aproveitaram-se delia, com sagacidade, para nos reduzirem á triste 
condição de servos de gleba, de verdadeiros escravos.» 

A parceria não é, como alguns pensam, recurso de fazendeiro sem 
meios para o custeio e nem tão pouco é ella somente própria para os 
pequenos lavradores, pois, dos diversos fazendeiros que têm parceria e 
aos quaesjá nos temos referido, alguns são grandes agricultores e des- 
onerados de dividas todos elles. Em Rincão, têm parceria os herdeiros 
do Sr. Dr. Procopio de Toledo Malta, capitalista. 

Estão claras 6 evidentes as vantagens da parceria a ppl içada á agri- 
cultura, e as mesmas consequências resultantes da parceria agrícola, 
mutatis mutandis, se applicam á industria pastoril. No Estado da 
Bahia a criação do gado vaccum é feita de parceria, e sobre o 
contracto entre o ciiador e o vaqueiro nos diz Euclides Cunha, no seu 
livro Os Sertões, ápag. 125, o seguinte : 

«Têm todos, com o vaqueiro, o mesmo trato de parceria resumido 
na clausula única de lhe darem, om troca dos cuidados que despendem, 
um quarto dos productos da fazenda». 

A transformação do systema actual de trabalho pelo de parceria é 
o primeiro passo para resolver a crise. 

E' obvio que, ao elaborarmos o presente trobalho, outro não foi o 
nosso intuito sinão concorrer, embora com fraca parcella, para o es- 
clarecimento da magna e momentosa questão que ora agita, attráe 
e empolga todos os fazendeiros . 

E' intuitivo que não nutrimos a pretenção de ter desenvolvido, es- 
tudado e analysado perfeitamente, contractos de parceria — e nem 
esse foi o fim a que nos propuzemos ao empunhar a penna. 

Entretanto, sem jactância, affirmamos que, no dominio do calculo, 
o nosso trabalho se approxiraa da exactidão. 



Dário Leite de Barros. 



154 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



EXPEDIENTE 



SUuriçao — Dista da estação da Penha apenas 10 minutos do carro. 

Viagem —Tomar o trem na Contrai, ir a S. Francisco Xavier e nesta 
estação baldear para a Leopoldina, (linlia do norte). 

Gasta-se de trem, 40 minutos, e mais 10 minutos de carro. 

Despezas — Pelo itinerário acima, 1$300, ida o volta, de 1* classe. 

Da Estação ao Horto — A conJucção 6 fornecida por este, em comraodo carro, 
gratuitamente, e devo ser pedida, por carta ou telegramraa, ao Dr, Paulino Ca- 
valcanti, superintendente, ou a esta Sociedade, rua da Alfandega n. 108. 

Trens — Correm II trens de mauliã para a estação da Penha, os quaes 
partem da Central no horário seguinte: 4,30—1,49—6,01—0,59—7,27—8,24—9,23 
9,46—10,20-11,23 e 12,23. A' tardo, além dos trens do 1,.56 e 3,32, trafegam 
outros. 

Para a volta ha a mesma abundância de trens. 

O Horto — Composto de 20 hectares de terras, sondo argilosas uos altos e 
silico-argilosas nas baixadas, está dividido em diversas secções. 

Gallinheiro — Typo commercial, obedecendo ao systeraa americano, 

Construcção económica e que preenche os lins a que foi destinado. 

O gallinheiro tem os compartimentos necessários á criação das gallinhas, nas 
suasdivorsas phases. 

E' assim que tem o «Isolamento-, para as aves doentes, secção para as aves 
que estão pondo, para a selecção dos proiuctos mais perfeitos destinados à repro- 
dução. Repartição apropriada para guardar ovos. .Vpparelhos e alimentos es- 
peciaes para engordar as aves destinada-! ao mercado, alimentos diversos e 
adequados ao desenvolvimento dos pintos, medicamentos e anlisep ticos, etc. 

Está func<-.ionando constantemente a incubadora. 

Tem mais ainda divisão especial para a producção de ovos infecundos para o 
commercio. 

As experiências nesta secção, visam dois fins : verificar quaes as raças 
que produzem melhor e mais abundante carne e quaes as que põem mais 
ovos. 

Além do gallinheiro americano dividido nas secções já enumeradas, possue 
também esta secção um gallinheiro portátil, que se arma em 25 minutos. 

As vantagens desta installação consistem em facilitar ás aves colherem por si 
as hervas, terem maior área de piso, etc. 

Pocilga — Esta secção destina-seao estudo da criação e engorda da porcos. 

Nesta, como nas demais secções deste Horto, se procura colher, por acurada 
observação e cuidailosas esperiejicias, os ensinamentos relativos aos processos 
mais económicos e mais remuneradores do criação e engorda e portanto, verificar 
quaes aa raças que melhor se adaptara entre nós c quaes os alimentos mais 



HORTO DA PENHA 




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Frucleiras de Conde 











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OitVbcilOS 




Um canteiro de alface 




Maniçobal 




Laranjal 



A LAVOURA 155 



apropriados ã estes flns. Existem em experimentação raças nacionaes, norte-ame- 
ricanas e européas. 

Apinrio — Funecionam IS colmeias modelo typo Schenc e Blondain. 

Esta secção está conveniiíntemonte provida dos apparellios necessários e 
entre elles encontra- se: — o centrífugo para a extracção do mel, apparelho de 
Goulle, para fazer os favos, derretedor de cera e apparelho para apantiar enxame, 
gaiolas para aprisionar rainhas, etc. 

Em frente ao Apiario, ao ar livre, está installada a Colmeia Gigante, para a 
fabricação de cera e mel . 

O Horto distribuo grátis enxames e vende a 15$000 colmeias, typo Schenc. 

Redil — Typo simples. O flm desta secção é verificar quaes as melhores raças 
de ovelhas, para lã e para carne, para serem indicadas aossrs. criadores. 

Cocheira — Dividida em duas secções. 

Nas baias estão installados us muares o nos estábulos os bois destinados ao 
trabalho. 

O preparo das rações é feito em compartimento próprio. 

As rações são compostas Je forragens nacionaes e estrangeiras, observando-se 
quaes as mais appetecidas pelos aniniaos <■'■ as vantagens peculiares a cada uma, 
pela engorda, força e resistência que proporcionam aos animaes que delias so 
alimentam . 

Machinas agrícolas — Est i secção dispõe de apparelhos para distribuir e posar 
adubos chimicos e orgânicos, semeiadores do milho, feijão, etc., arrancador de 
batata ingleza, arados diversos, ditos reversíveis, iilom de dois discos, grade do 
pente, dcstorroadores, carpideiras Planet, enfeixadores, arados francezes, arados 
Oliver, etc, etc. 

Estas machinas funecionam nas occasiões em que são precisos os seus diíTo- 
rentes serviços. 

Estrumeira — Typo simples, de fossa. O esterco é tractado pelo amoníaco. 
Seis bois e sois burros estabulados e mais seis bois semi-estabulados, fornecem 
adubo para toda a área cultivada do Horto. 

Nesta secção os senhores interessados verificarão qual a cama mais apropriada 
para fazer esterco . 

As gramíneas são do preferencia empregadas para aquelle flm, porém, 6 
mister saber-se dentre estas quaes as que devem ser preferidas, porque umas se 
decompõem mais rapidamente do que outras. Veri(ica-se também qual o processo 
a empregar para fazer o esterco conservar toda sua riqueza fertilizadora . 

Leiteria — Esta se?,ção está pi'Ovida de apparelhos para analysar o leite o 
pari outros flns, taes são: desnatadeira, salgadeira, e ainda outros mais. 

Ferraria — Nella se executam os concertos e reparos que precisarem os instru- 
mentos agrários. 

Carpmíorta — Fabricam-se na carpintaria, colmeias, gallinheiros portáteis, 
rábicas de arado, etc. 

Poslo meteorológico — Com os seguintes apparelhos: Thermometrc, Barómetro, 
Anemómetro, Anemoscopio, Pluviometro, Evaporimetro e Ozonumetro. 

Estes instrumentos teem flns diversos, assim, um registra a quantidade de 
chuva cabida, outro a pressão athmospherica, aquelle a humidade do ar, estos a 
direcção do vento predominante durante o dia, e força dos ventos etc, etc. 



IS"? sontRnAoE nacional dr agricultura 

Gíibinele de Agrologia — Constando do um;v collecção de rochas, adubos, terras, 
seraentos, mataes, munido de uma. b:ilan(;a da precisão, microscópio, autoclave o o 
apparelho de Masuro para a analyse pliysica de torras. 

Este gabinete recebe e examina torras, grátis. 

Arvores Frttrtiferas — (Culturas fixas). Krucla do conde, figueiras, laranji^iras, 
diversas variedades, sapotis, abios, cainito, abacates diversos, mangueiras, amci- 
xeiras. pereiras, macieiras ele. 

Vinhedos — Kntro as diversas variedades existentes, contam-so as seguintes : 
Royal Ascot; Witte-Niie, Moscatel de Hamburgo, Hicales, Lydelc, Mister Poarsou, 
Moscatel lie Alexandria, Golden Qeen, Empire State, Mondeuse, Duchess. Chás- 
selas, la rouío ; Alicante Torra, ('KBthe. Augusta Gigante, Moscatel Rezado, 
Málaga Rosa, (íross, Pérola, Mil-Mild, Hamburgo, Izabol Dourada e Herbe- 
mont. 

O Horto distribuo bacellos das variedades que possue, a quem os pedir, livres 
de quaesquer despez is, inclusive as de frete. 

Plantas Industriaes (Textis) — Hennequea e Gizai (que faz a riqueza agrícola 
6 fabril do México). Fourcroy, Lidney, Sanseviora, Piteira e Algodão. 

Nesta secção experimentam se as fibras para se verirtcar quaes são as mais 
resistentes, quaes as mais abundantes, quaas de raais fácil extracção, quaes .as que 
mais se prestam a ser trabalhadas, as que dão to ddo grosso e as que produzem 
tecidos finos, as mais adequaias á fabricação de fios, cordas, barbantes etc. 

Arvores de Borracha — Hevea Brasilionsis (que é a Seringueira do Amazonas) 
Maniçobas do Ceará e do Piauby), Jequié, Mangabeira, Castillo elástico eti'. 

Outras Plantas Industriaes — Cannas, sem pello e Macào, Camphoreira e 
Arvore do Cebo, Mamona de Zanzibar, Coco de Dendé, Eucalyptus, Pinheiros e 
Mandioca, 16 variedades. 

forragens Nacionaes — Entre outras : capim massambará, capim mimoso, 
gitirana, canna ubá, grama de Pernambuco, inhame, mandioca e outras em 
ensaios culturaes. 

Forragens extrangeiras — Alfafas diversas, entre ellas a da Provence ; trevo, 
theosinto (forragem que não secca com a geada nem com a secca), caupi, be- 
terraba, consolida do Cáucaso, cevada, aveia, Girasol, nabo gigante, feijão da 
Florida o tremoço. 

Estas forragens estão em campos do experiência. 

Outras culturas — Trigo, 12 variedades era diversos estados de desenvolvi- 
mento. Batata inglezaque produziu em 75 dias. 

Culturas irrigadas — Estão se executando as culturas do arroz, do milho e do 
fumo, pela irrigação artificial, sendo a do arroz pelo processo de inundação, 
milho, Tpelo ic distribuição e fumo pelo da infiltração. 

Viveiros <le plantas fructif eras — Estes viveiros destinam-se á distribuição de 
mudas gratuitamente. 

Existem para esto fim: arvoro do pão, abacates (divi^-sas variedades e entre 
ellas a afamada sem fibra), goiabeira branca, nogueira, jaboticaboiras, abio, 
carabucá, mangueira, friicta de conde, condessa, jaca, cajii do Norte, variedades 
banana o maçã, genipapo, Pitomba e larangeiras. 

Plantas ornamentaes — TsLmhota para distribuição gratuita, Eugenia especiosa, 
saboneteira, magnólia, palmeiras, oiti, carambola, cacauseiro o amoreira que 



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Campus para as culturas iiTií;avi'is 



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A LAVOURA 



157 



são também industriaes, sentio aquella que produz o cacau cora o qual se faz o 
chocolate e esta cujas folhas alimentam o bicho da seda. 

A Amoreira é também uma planta forrageira. 

Secção de horticultura.— Legumes diversos em experiências. 

Aprendizado Agrícola. — Annexo ao Horto está installado este aprendizado, que 
tem por fim o ensino pratico do manejo de instrumentos, enxertia, poda e outros 
trabalhos culturaos. 

Estão matriculados qnati'o alumnos internos, osquaes são mantidos grátis pela 
sjciedade que admitte outros mais. 

Visitas e informações. — As visitas podem ser feitas a qualquer hora. 

O superintendente, agrónomo formado em escola do paiz, reside no estabeleci- 
mento e ostá sempre prompto a fornecer aos visitantes todas as informações. 

E' assim que elle mostra as culturas, explica as applicações que devem ter as 
machinas e fal-as funccionar ; emfim, põe os interessados ao corrente dos melhores 
systemas de cultura e criação etc. 

O Horto tem sido muito visitado por lavradores de diversos Estados, frueti- 
cultores, criadores de aves, do abelhas etc. 



MEZ DE JULHO DE 1909 

Correspondência recebida: 

Cartas 559 

Telegrammas 8 

Offlcios do governo 18 

> particulires 11 

Circulares 63 

Correspondência expedida: 

Cartas 168 

Telegrammas 23 

Offlcio do governo 12 

Circulares 1.161 

Diploma 34 

Boletim «A Lavoura» 3.706 



Fornscimento de arame farpado 

MEZ DE JULHO DE 1909 

Pedidos 49 

Rolos de 40 e 26/0 ks 1.974 

Metragem 353.080 

Custo no Mercado 

» pela Sociedade 

Economia para o sócio 



5.164 



26:628$000 
18:0;30$900 

8: 597$ 100 



158 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Rslaçlo dos sccics qus 



suDScrsvcram 
30 ds Junho 



para o distinctivo até 



Dr. AntoQio CandiJo Rodrigues 100$000 

CoroniU Domingos da Silva Guimarães lOO^OOi) 

Manoel José de Oliveira Kigueire.iu I00$000 

Dr. André Gustavo Paulo Froatin 50$000 

Dr. João Teixeira Soares 50$000 

Tlieod. Rombauor SO.^jíjuU 

David Carneiro & C 50$000 

Coronel Rodolplio Garcia Adjuio ÕO^OOJ 

Custodio de Souza Pinto 50.'j;000 

Dr. João Pedreira do Couto Ferra/. Juuior. . . . 50$00j 

Dr. Alfredo Cezar Cabussú 50$000 

Mark Soutton 50$OOO 

John A. Finlay 50$000 

Ernesto Magcr 30$000 

José da Cunha Pono 30$000 

João Giialberto do Carvallio .30$000 

Tobias Ferreira de Mello 30$0a0 

Coronel Virgilo Augusto Fortes 2.5$000 

Augusto da Rocha Monteiro Gallo 20$000 

António Gomes Pereira 20$000 

Coelho Duarte &C 20$000 

Arthtir Augusto do Nascimento 20$000 

Abilio de Azevedo Branco 20$000 

M. U. Lingruber 20$000 

Augusto Lopi'3 de Carvalho 2n$000 

Senador Dr. Francisco Salles 2í^0i)0 

Dr. José Romão Carneiro 20$000 

Coronel Caetano Mascarenhas 20$000 

João liazilio d.i Costa Pinto 20:i;000 

Alipio Guedes 20$000 

João Dierberger 20$OjO 

Manoel Barboza da Cruz 20$00O 

José Rangel Jimior 20$000 

Augusto de Faria Alvim 20$000 

Ozorimbo R. da Silva Castro 20$000 

Coronel Feliciano Benjamin de Souza Aguiar . . . 20$000 

Dr. Bonifaaio de Castro 20$000 

Américo Ferreira Leito 20$000 

Coronel Manoel de Oliveira :^0$000 

Pedro Procopio Rodrigues do Valli; 20$000 

Bernardo Belizario da Silva 2O.7OOO 

Francisco Augusto de Castro 20$000 

Dr. Júlio de Barros R.ija Gabaglia 2U$000 



A LAVOURA 



159 



Alfredo Villela de Andrade 2u$0'J0 

Joaquim Braz Villela de Andrade 20$000 

Arthur Fernandes Dias 20$000 

Dr. H. von Iliering 20$000 

Dr. Alfredo Soares do Nascimento 20.$000 

Camillo Martins Lage 20§000 

Alexandre Francisco Pinto 20S000 

Alves Magalhães & C 20^000 

João José de Araújo 20$000 

José Mendes Bernardes 20$000 

João Moutinho França 20$000 

Coronel Carlos Napoleão Poeta 20s000 

Horácio Teixeira de Souza 20$000 

Adauto Coelho de Lemos 20§000 

Dr. Francisco Marcondes Macli ido Júnior .... 20$000 

Izidoro Silva 20$000 

António Lopes Fontes Bôa 20$000 

Dr. Feliciano Ferreira de Moraes 20$000 

Dr. João Baptista de Castro 20$0C0 

Major António de Carvalho 20$000 

Dr. Belizario Vieira Ramos 20S000 

António Pereira Coelho 208000 

Álvaro Guimarães 2u$000 

Cornelio de Andrade Pereira 20$000 

Manoel Pereira Lima 20$000 

Limerio Ribeiro Quintas 20$000 

Coronel Octávio Meyer 20§000 

Arnaldo Joaquim da Silva 20.SOOO 

José Gonçalves Ferreira 20.S000 

Dr. Bellarmino Pires 20$000 

Ignacio Rangel de Marins Coutinho I5$000 

Francisco Luiz de Barros 15$000 

José Camillo de Castra Leite 15$000 

Sebastião Gonçalves Fontes 15§0u0 

António (Ia Cunha Castro 15$000 

Capitão António José Gonçalves ISsOOO 

Honório Costa I5$000 

Oswaldo Carneiro Santiago 15$000 

Romualdo Silveira 15$000 

Paulo Charadia 15$000 

Manoel Tavares de Oliveira Bastos 15$000 

Jorge José Fortes 15S00O 

João Paulo Ribeiro de Magalhães 15$000 

Simplício Ferreira da Fonseca Júnior 15$000 

Francisco António de Souza Sobrinho 15$000 

Manoel Luiz de Souza Ramos Júnior 15$000 

Padre Joaquim Martins Teixeira I5$000 



160 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Leopoldo de Faria Pereira 

Dr, líurico Jacy Monteiro 

D. Francisca Honoria liiboiro do Carvallio .... 

José Francisco de Faria Jdninr 

Dr. Durval Mclchiadeâ do Souza 

Dr. Manoel Acrisii) Xavier Bezerra 

Vasco Navarro 

António Fernandes da Costa 

Domingos de Faria Torres 

Aironso Alves Pereira 

Coronel Horácio José de Leiiio3 

José Gomes da Fonseca 

Adolpho J. Gusraan 

Dr. José Diogo Fortuna 

Manoel Lopes da Silva 

Custodio de Oliveira Machado 

Carlos Alexandre Steole 

Coronel Joaquim Ribeiro de Avelhir 

Franklin Eduardo de Cerqueira 

Amadeu de Queiroz 

Jayrae Gomes de Souza Lemos 

António Mellarmino de Camargo 

António da Silveira Mattosinhos 

Firmino Ferreira da Costa 

Camará Municipal da Villa da Pedra Branca . . 

Evaristo de Souza Junqueira 

Marcellino da Silva Tostes 

Francisco Ignacio Botelho 

Belizario Duarte da Fonseca 

Coronel Mathias Xavier Monteiro de Paiva. . . . 

Aictorino Gomes de Avollap 

Pedro Gomes Vieira Machado 

José Januário Carneiro 

Manoel da Costa Pevide 

Jayme de Souza Camargo 

Manoel José da Cunha 

Manoel Carvalho do Amaral 

António Cândido 

Dr. Henrique A. Leite Guimarãea 

Joaquim Pedro da Silva 

José Alves Pinto 

Sebastião Theodoro de Souza 

Dr. Pedro de Souza Bastos 

António Pinto Corrêa de Lima 

Coronel Justiniano Simoens Lopes 

Alberto de Andrade 

Coronel Lopo de Albuquerque Diniz Júnior .... 



15$iJ00 
l:í$000 
1-4000 
U'.-i;000 
12$000 
12$0UÚ 
lOÍOOO 
10$000 
10$000 
10$000 
I0$()00 
I0$000 
lil$000 
IÚ$O00 
I0$000 
10$00U 
lO.sOOO 
lO,$()00 

10.5000 

10$000 
H^OGO 
I0$000 
10$000 
lOíOOO 
10.'i;000 
10$000 
10í;000 
lOifOOO 
10,^000 

ia$ooo 

lOjOOO 
10^000 
10.$000 
10$000 
I0$000 
10$000 
10$000 

lu$ooo 

10$000 
10$000 
lO.sOOO 
10$000 
10$000 
10$000 
10$000 
10^000 
101000 



A LAVOURA 



161 



Coronel Josô Bernardes de Faria 10$000 

Joaquim Reginaldo de Azevedo Werneck .... 10$000 

João Clirysostorao de Souza I0$000 

Thomé Junqueira de Andrade 10$000 

Amador Pinheiro de Barros lu$000 

Joaquim Manoel dos Santos 10^000 

Joaquim Ribeiro de Oliveir.i Silva Júnior .... 10$000 

Dr. António Carlos Simões da Silva 10$000 

José de Cerqueira Moutinho iu.<í;000 

João Antunes de Cerqueira 10$000 

João Ferreira da Rosa lij$000 

Miguel Medice 10$000 

Commendador Bernardino de Faria Pereira. . . . I0$000 

Coronel João Justiniano das Chagas 10$000 

Dr. Manuel António Je AzeverJo Í0$000 

Francisco Lopes Cardozo 10$000 

Coronol Gabriel Augusto de Andrade 10$000 

José Ribeiro Junqueira 10$000 

João Pedro de Alvarenga 10$000 

Dr. José Ferreira Queiroga 1()$000 

Luiz Blane 10$000 

Dr. Rodolpho Fortes Diniz Junqueira 10$000 

Benjamin H. Hunnicut 10$000 

E. Veras Filho & C li)$000 

Elvidio Josô Lopes da Costa Io$000 

António Caetano Manjuos 10$000 

João Carlos Barboza 10$000 



]VIUSEU 



O Museu que esta Sociedade, de alguns annos para cá, vem com carinho e 
paciência organisando, passa actualmente por uma modificação radical no sentido 
de sua instullação, augraento e valorisacão do seus variados specimons, do que em 
breve daremos minuciosa noticia illustrada com numerosas gravuras. 



SECÇÃO TECH IV IO A. 



Iiiroi-uia,çõe!S — Em 12 de julho de 1909. — O Sr. João Souza Vieira pede 
a opinião desta Sociedade sobre vários apparelhos do Sr. Luiz Buono de Miranda, 
destinados á cultura do café. 

Os apparelhos do Sr. Bueno fazem óptimo trabalho e realisam grande eco- 
nomia, porém é necessário que o terreno seja pouco accidontado e que entre os 
cafeeiros não haja tocos nem madeiras derrubadas. 



162 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Realisadãs estas coodições, seu fuDccioaamento é facílimo o vantajoso 

Os vendedores destas machinas são os Sm. Nathan ^^ Comp., ru.i de S. Bento 
43, S. Paulo. 

Em 12 de julho de 1909. — O Sr. Leopoldo da Fonseca Portella, era carta 
vinda de Boa Ksperança, no Estado do Rio — pedo informações sobre as machinas 
de beneficiar arroz «Paulista», dos Srs.Arens L*t Comp., e as de Engelberg, dos Srs. 
F. Upton & Comp. 

Para so responder i'om o ilevido critério aos 5 quesitos formulados pelo Sr. 
Fonseca Portella, seria preciso que elle informasse que quantidade de arroz pre- 
tende beneficiar e que qualidade de arroz quer produzir. 

Penso que para uma installação de certa monta os Srs. Arons i<c Comp. estão 
mais habilitados do que os Srs. K. Upton ..^ Comp., mas antes de qualquer resposta 
seria prudente pedir aos Srs. Arens & Comp. informações particularisadas corres- 
pondentes aos três primeiros quesitos feitos pelo Sr. Portela ora sua carta junta. 

Quanto ao ultimo quesito, sobre arroz, curapre-me informar: — que a quan- 
tidade raaximaque esta sociedade distribuo é 40 litros do sementes. 

Em 2\ de julhi) de 1909. — O Sr, José Rangel Júnior, era carta vinda de São 
Josú do Rochedo, com data de 5 de julho corrente, deseja saber que raça de gado 
vaccum mais lhe convenha. 

Som dizer qual o fim industrial que tem em vista, si a exploração da carne ou 
do leito, dá entretanto a entender que seja este ultimo — o leite. 

Assim sendo, deverá preferir a raça HoUandeza ou a Schiwtz. 

Deve importar animaes novos, com um anno de idade, ou pouco mais. 

O Sr. fiangel pede ainda que se Uie informe onde poderá encontrar a vaccina 
contra a posto da manqueira e as instrucções e instrumentos precisos ao tratamento 
preventivo. 

Quanto a esta ultima parte, esta sociedade possue uma monographia sobre as 
moléstias que atacam os animaes domésticos. 

Intitula-se: — «Moléstias de Animaes»; noUa ha uma parte sobre a manqueira. 

O medicamento é o soro do Dr. Lacerda, que se encontra a venda á rua do Hos- 
pício 76, em casa dos Srs. Fernandes, Malmo & Comp. 

O instrumento é a seringa de Priivaz. 



Cultura, cia, ma-iidioca, — Sobre este assumpto recebemos dos Srs. 
Lopes E. Rollemberg (rua do Oavidor n. 79) as informações seguintes: 

PESO D.V M.\NDIOC.\. 

1 pé posou 5 

2 pós pesaram 8 

3 » » 5 1/2 

4» » 4 

5 » » 4 

6 » * 3 1/2 

7» » 6 



A LAVOURA 



1(13 



8 pós pesaram 4 

9 » » 4 

10 » » 4 

10 » » 48 kilos 

ou na média 4''s800°''^ 

Estes pés foram arrancados em diversas partes da plantação. 



F»laiitio tia, inantlioca, — Calculo para os senhores lavradores da 
zoaa percorrida pela Estrada de Ferro Rezende eBocaina. 

Um alqueire de terra com 100b- ou 4,84 hectares quadrados, plantado somente 
de mandioca brava, vendida, posta no vagão da Estrada do Forro Rezende e Bo- 
caina a 10 réis o kilo, dá o seguinte lucro. 

EXEMPLO 

Um alqueire de terra de 100 x 100b= = 10.000 V- (Ib^ = 2°S20') = 48.400 
metros. 

Plantado um pé em cada metro quadrado = 48.400 pés. 

Estabelecendo uma média de oito kilogrammos por pé ternos 387.::dC0 kilo- 
grammos a 10 réis = 3:872$000. 



Despezas para um alqueire, b-. . . . lOO.^ílIOO 

Roçar 60$000 

Preparar o terreno . . ' 4O|O0O 

Plantar 30$000 

Rama (transporto 20$, valor 20$) . . 40$000 

Capinas (geralmeute 3, a 50$) .... 150$000 
Arrancar e amontoar o carro, possa 

chegar 300$000 

DGSpeza fixa 620$000 

Carreto conduzindo cada carro I.OOO 
kgs., quando costumam transpor- 
tar 1.200. 387.200 kgs. divididos 
por 1.000 é igual a 387 carretos. 
Dando o carro duas viagens por dia 
temos 193 dias a 10$000 . . . . 1:930$000 

Total 2:550$000 

Lucro bruto 3:872$000 

Despezas 2:550$000 

Lucro liquido I:3â2$000 



164 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

O mesmo calculo fazendo tros viagens sobre a mesma média do oito kilo- 
grammos por pé são 48.400 pés x 8 grs. = 387.200 kgs. a 10 réis = 3:872$000: 

As mesmas despozas fixas 620$000 

Carro com SOO kgs. = 3í^7.-,^00 kgs. -M .000 — 3S7 

carretos a 10$ por dia de aluguel ' 1:290$000 

387 dividido por 3 = 129 diárias a 10$iiOO . . .) 



Neste caso lucro liquido por alqueire 1:962$000. 

ATTENÇÃO 



1:910$000 



Geralmente os senhores lavradores toem carros, não precisam portanto, pagar 
o aluguel. 

Assim, os carretos serão do 3$ dia.-ios, sendo ::?$ o carreiro o 1$ o guia. 
Neste caso o lucro augmenta e muito, a saber, com duas viagens diárias : 
Mesma média 48.400 pés x 8 ks. =387.200 kgs. a 10 = 3:872$000. 

Despozas fixas 620$000 

Carro com 8U0 kgs. = 387.200 -i- 1.000 

= 387 carretos, dous por dia = 193 

diárias a 3$000 Õ79$000 1:199$000 

Lucro liquido por alqueire 2:C73$i)00 

Mesma média cora tros viafrons pur dia: 

Despozas fixas GSO.^OOO 

387 carretas -=- 3, 129 diárias a 3$000 , 417,s000 1;037$000 

Lucro liquido. ........ 1:636$000 

Estes cálculos foram verificados pelos antigos lavradores da zona da Kstrada 
do Ferro Rezende e Bocaina: Coronel Manoel Pinto Nogueira, l)r. Dário de Paula, 
major Deocleciano Gonçalves Guimarães c capitão José Vieira Carneiro, adminis- 
trador do Dr. Aprigio Alves de Carvaliiu. 

Estes cálculos são feitos na base do um pó de mandioca era cada raetro quadrado, 
sendo o peso médio de oito kilograramos por pé ou metro quadrado. 

Outras plautaçõos, por experiência, a quatro e cinco pr^s num metro quadrado, 
rendeu quatro pés x 4.800 grs. — 19.200 kgs. Vorifica-se, portanto, uma diffe- 
rença para mais era cada metro quadrado de 11 ks. e 200 graramas. 

.V mandioca nestas condições, e vendida também a 10 réi-i pjr kilo, deixará ao 
lavrador um resultado de quai.ro a cm o contos de réis. 

A propósito deste assumpto lembraraonos quo a pequena illia de .lava, que 
já fui outr'ora a maior productora de cafó, exportou o anno passado 27.000 tonel- 
ladas de mandioca. 



Recebemos da Companhia dos Fazendeiros de S. Paulo, com sede na cidade 
deste nome, á rua de S. Bento n. 33, sobrado, uma circular com as clausulas refe- 
rentes á creação da «Previdente dos Fazendoiro3>, associação mutua em series 



A LAVOURA 165 



de 1.100 interessados, com o direito de assegurar em favor de pessoa ou pessoas, 
por occasião de fallecimento do associado, uma certa e determinada quota. 

Para o assumpto chamamos a attenção dos interessados, e agradecemos aos 
dignos directores da alludida companhia a gentileza da lembrança. 

Industria da iiiaiidioca — A Sociedade Nacional de Agricultura, 
tendo promovido um ensaio commercial da exportação da raspas de mandioca, offe- 
recendo prémios a quem preparasse com esse intuito remessas de cinco toneladas, 
oITerece hoje a publicação da seguinte noticia extrahida de uma revista allemã: 

ISaiz de mandioca, predestinada a sixtostituir a ba- 
tata — Na estatística oflicial do Governo da Índia hollandeza de 1908, figurara 
pela primeira vez os algarismos da exportação da raiz d;i tapioca, também deno- 
minada mandioca, ketella ou kaspe. 

A exportação de Java elevou-se naquello anuo a 27 .135 toneladas ; uma quan- 
tidade realmente apreciável . 

A industria allemã tem interesse em acompanhar o augmento da exportação 
deste artigo do archipeiago de Sunda que acompanha pari-passu a procura cada 
vez maior por parte da Europa Occidental, principalmente da França, Inglaterra, 
Hollanda e Bélgica, paizes estes, nos quaes a cultura da batata é resumida. 

Até um anno atraz foi a França, por assim dizer, o único comprador de toda a 
quantidade de raízes de mandioca, procedente de Java e só houve neste sentido 
uma alteração no anno passado, em virtude da alteração da tarifa aduaneira fran- 
ceza, que creou um direito de importação sobro este producto se bem que dimi- 
nuto, sendo elle, porém, sufflciente para impossibilitar o fabrico lucrativo de 
polvilho daquella raiz, e para forçar a mudança da fabricação para outros paizes. 

Agora, que se trata de conseguir um novo mercado consumidor para este artigo, 
verifica-se que já existia um grande interesse por esta raiz tão rica em amido e 
tão fíicil de ser manipulada. 

A exportação subiu em vista deste facto de mez a mez, com cotações estáveis 
e o conimercio desse artigo está se desenvolvendo constantemente. 

A producção das raizes de mandioca poderá acompanhai' o augiaento das neces- 
sidades de consumo, pois nas regiões tropicaes conseguem-se múltiplas colheitas ■ 
annuaes, e a natureza as produz com grande abundância, tal abundância, que as 
despezas de producção são por isso relativamente baixas; o que pesa principal- 
mente sobre o preço é o frete marítimo. 

Os indígenas estimam muito a raiz de mandioca como um alimento gostoso o 
nutritivo muito superior ao de nossa batata. 

Na Bélgica essa raiz é muito usada no fabrico do álcool. 

Na Inglaterra é utilizada em grande escala no fabrico do polvilho ; além disto 
ella serve para o fabrico de (Syrup) melado o dextrina o na Hollanda O utilizada 
como alimouto para o gado. 

Na Allemanha está havendo mais e mais um vivo interesse por este producto 
de paiz longiquo, o qual preencho uma falta muito sensível, onde a nossa batata 
não vinga bem. 

K' de suppôr que a raiz de mandioca esteja predestinada a representar um 
grande papel na nossa vida económica. 



16i5 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



SECÇÃ-O r>E PLANTAS E SEMENTES 

Distribuição de plantas e sementes feita no mez de julho 

de 1909 



ESPECIFICAÇÃO 



Plantas 

Arvores fructiferas de clima frio 
Raízes de Consolidas do Cáucaso 

Sementes 

Abóboras 

Acelga 

Alfafa 

Algodão 

Arroz 

Aveia 

Beterraba forrageira . . . . 

Bromus giganteus 

Capim Jaraguá 

Cebola 

Cenoura forageira 

Centeio 

Cevada 

Couve riitabaíra 

Dactylis glomerata 

Eucalyptus 

Feijão 

Festuca 

Fumo 

Gyra-8oI 

Holcus 

Juta 

Lolium 



2.183 

l.SOO 



158 
12 



340 


8 


11,015 


7 


220,500 


26 


493 


21 


905,500 


35 


2 


2 


30,600 


22 


2 


1 


1.810 


181 


2,980 


29 


34,300 


27 


54 


4 


3G 


H 


5,230 


22 


-, 


2 


210 


6 


70,600 


23 


2,700 


2 


l,6i5 


16 


7,400 


15 


14,200 


3 


1 


2 


9,400 


6 



A LAVOURA 



167 



ESPECIFICAÇÃO 



Lnpulo 

Maniçoba Jequié . . 
Melancia . . . . 

Melão 

Milho 

Mucunã forrageira . 
Nabo forrageiro . 
Paspalum dilatatum. 
Phleum pratense. 
Pimentão doce . . 
Serradella . . , . 

Tomate 

Tremoços . . . . 

Trevo 

Trigo 

Diversas 



UNIDADES 


PESOS 


VOLUMES 


_ 


k 

010 


1 


- 


55 


6 


- 


475 


13 


— 


455 


i2 


— 


144,250 


30 


— 


21 


7 


- 


25,080 


29 


— 


3 




— 


12 


2 


— 


750 


9 


— 


2 


1 


— 


335 


12 


— 


3,100 


4 


— 


15,700 


5 


— 


26,800 


6 


- 


490 


22 


3.983 


4.118,065 


801 



168 



SOCIISDADE NACIONAL Dli AGRICULTURA 



SECÇAO DO ^VLCOOL 

Movimento dos serviços de propaganda pratica durante o anno 

de 1903 



■lanoiro . . 



Fevereiro 



Março . . 



Abril. 



Maio. 



.lunho 



Julho. . . 



Agosto 



Setembro 



Outubro. 



NoTerubro 



Dezembro 



LOr.AR n\ RBALISAÇAO 



Capital (ceotro) 

» (3uburbiu) 

1- (centro) 

* (subúrbio) 

Districto (Paqueti) 

Capital (centro) ...... 

» (arrabalde) 

Districto (Paquetá) 

Capital (centro) 

» (subúrbio) 

» (arrabalde) 

» (centro) 

» (arrabalde) 

» (arrabalde) 

» ' uburbio) 

> (aubarbio) 

* (arrabalde) 

> (arrabalde) 

u (I^zposição Nacional). . 

< (ceatro) 

V (-^uburbiO) 

1, (lLX[rosiv-ão Nacioual) , 

• (ceiíti-o) 

» (arrabalde) 

» (lilxposicão Nacional) 

„ (arrabalde) .... 

> (Ii;xpo3Í(ão Nacional) 

» (arrabalde) . . . . . 

» (centro) 

Districto (Ilha do Governador) 
> (Jacarépaguá). . . 



10 



16 
5 
1 

51 
P. 
1 
8 
t 



25 
3 

G 

7 



o ' « 



D 5 o 



C0N3UU0 DO ÁLCOOL, POB 
8BMKSTRK 



1 

53 

1 

20 
21 

s 

31 

^ 

1 

20 

2 

31 

30 

1 

1 

31 

20 

20 



::0 
1 
1 

31 
o 

ir> 

■-'4 

1 



lo semestre 2.95Í litros. 



20 semestre 4.369 litros. 



Xiotíx — Foram apresentados na Exp'isí';ão NaciODal loiios os anparelh-is de força, luz ou calor, 
quo compõem o stock da :?ocieda(le o ainda outros pi^r^DceEiles a negociantes desta Capital. 
O consumo de álcool no serviço da Exposição luonlou a 3.214 litros. 



A LAVOURA 109 



BIBIL, LOTIIEOA. 

PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS 

Temos recebido as seguintes: 

Agronomia, órgão do Centro Nacional de Eogcnhoiros Agronoinos,do La Plata. 
— Annol, n. 2. 

Agros, órgão offlcial da Associação dos Estudantes de Agronomia, de Montevi- 
deo. — I, n. 1. 

Jahresberilht der Kiiniglichen Landioirlschaftlichen Hoclischule in Berlin. — 
Annuario XVIIL 

Bolelin Mcnsual de Esl-xdislica Agrícola. Publicaçiío do Ministério da Agri- 
cultura da Repubiica Argentina, ^.lan eiró de 1909. 

Bolelin de la Directioti de Foniciiln, de Lima (Peru). — Anno VII, n. 3. 
Anales dei Museo Nacional de Montevideo. — Flora Uruguaya. — Volume VII, 
tomo IV, n. 1. 

Anuário Estadislico de la Republica dei Uruguai/. — Tomo 1, anoos 1907-908. 

Kngineering Directorij, de Londres, — N, 18, abril, 1909. 

CoiitribuCions from the United Slales National Herbarium . — Volume VII. 
partes, 7", 8»e 9». 

La Gooperazione Ttaliann, de Milão. — Anno XXIII, n. 819. 

i: Economista deli' Italin Moderna., de Roma. — Anuo XLII, n. 1.5. 

Unidn picro- Americana, do Madrid. — Anno XXIIÍ, n. G. 

Bolelin dei Departamento Nacional dei Trabajo (Republica Argentina. — N. 8, 
1909. 

A EíoÍMfão, revista de economia, agricultura e comraercio, da S.Paulo. — 
Anno 1. n. 45. 

TRABALHOS DIVEP.SOS 

Le Malériel Viiicole por R. Brunet. E' este o titulo do ultimo volume sabido 
a liimo da Encyclopédie Agricole, qui; estão publicando os Srs..I. B. Bailliôre et Fils 
e (lo qual tiveram os editores agantile/.a do nos remetter o exemplar que temos 
sobre a mesa. 

Registramos o recebimento com os nossos agradecimentos, chamando a atton- 
dos leitores para o prospecto da mesma obra inserto no fim da presente secção. 

Queilions Agricoles, por Daniel Zola, Também desta obra publicamos no fim 
desta secção minucioso prospecto, para o qual pedimos a attenção dos leitores 
d'.l Lavoura, Ao editor Sr. Armand Colin enviamos os nossos agradecimentos: 

Le Traitenient curatif de la tuberculose bovine par la «TulaselaJitin» du Professeur 
von Behring. Relatório apresentado ao Ministério da Agricultura da Republica Ar- 
gentina pela Commissão offlcial encarregada de verificar os resultados das expe- 
riências realizadas em Buenos Aires. 

Cartilla Ganadera por Alfredo Ramos Montero. Publicação da Division do Ga- 
naderia, da Republica O. do Uruguay, Montevideo, 1909. 

Estadística Agrícola. Anno de 1908. Publicação do Ministério da Agricultura da 
Republica Argentina. 



170 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

AiIubjçi'o e Tratamento das Pastagens. E' a ultima publicação que recebemos 
do « Centro de Kxporiencias Au'ricola do «Kali8yndikat>. Esta como outras publi- 
cações feitas pelo Kalisyndikat são distribuídas grat,uitameQte em seii escriptorio 
no Rio de laoeiro ;i Avenida Central 117, l" andar. 

Voyage d'E'tudfs dans iWmcrique Latine por E. VlioborgU. Louvain, 1909. 

O Amazonas. Ejbovo histórico, oliorojírapliico e estatístico ató o anno de 1903 
por Lopes Gonçalves. Nova York, 1904. 

Scenario Paranaense. Descripção geographica, politica e histórica do Estado 
do Paraná por Alcebiades Cezar Plais;int. Corityba, 1908. 

Breves Apunles sobre Hisluria de la Educaciun en México pelo professor Baldo- 
meroZenil. México, 1909. 

Pela Missão Brasileira de Expansio Kconomica foram-nos remettidos os se- 
guintes trabalhos dos quaes tem ella feito larga distribuição no estrangeiro: 

Le Brêsil. Ses limites actuelles, ses voies de penetracion por Oliveira Lima. 
Antuérpia, 1909. 

Clima e salubritd dello Stato di San Paolo por Nereu Rangel Pestana. 

La salubritd dei Brasile. 

VImmigrazione ed il Trachoma ai Brazile por Xeren Rangel Pestana. 

Carte du Drèsil . Politique. 

Carte du Brésil. Economique. 

Carte du Brêsil. Voies ferrées, navigation. 

LeCafé. Publicação feita pelo com missario geral do Estado de S.Paulo por 
occasião da exposição do Centenário do liruxellas. 

Le The-Malê du Brésil. .\nalyse chimique, 1908. 

Eerva-Matte oder Paraná Thee, pelo Dr. F. do Amaral. 

Les Progrès du Brésil. 

Socielà Anónima Cooperativa di Consumo fra gli Agenti delle Strade Ferrale in 
Milano. Boletim dos preços em 1909. 

Consorzio delle Cooperative di Consumo . Milão. Lista mensal dos preços cor- 
rentes 

CATÁLOGOS 

Aves de Rasa Pura. Preços de aves o ovos. Alexandre Reinhold. Belgrano, 
451, Buenos Aires, Republica Argentina. 

Dreyer & Hesse. Roaslau (Anhalt). Allemanba. Moinhos de vento. Catalogo 
n. 45. 

E. R. A. F. Turner, Limtd. 82, Mark Lane, Lonilres, E. C. Moinhos para 
farinha de trigo, milho o qualquer espécie de grãos ou sementes. 



Le míitóriel -viticolo, par R. Brunet, ingénieur agrónomo. Pre- 
cede d'une étude générale sur lo choix et Temploi du matériel viticole, par P. 
ViALA, professeur à Tlnstitut nacional agronomique, 1909, 1, vol. in-18 de 400 
pages, avec á57 figures. Broche, 5 fr. Cartooné, G fr. (Librairie .1. B. Baillière 
et fils, 19, rue Hautefeuille, ii Paris.) 

Si la production du vignoble et la qualité des vins sont en dépendance pri- 
mordial du cépage, du sol et du climat, los actions de Ia culture peuvent faire 



A LAVOURA 171 



varieraussi la productivité du vignobleet la qualité du vin. De la perfection donaée 
aux labaiirs, de Temploi jtidicieux des engrais, des traitements des maladies de la 
vigne et encore du clioix des systèmes de plantation et de taile résultant 
des actions certaincs aussi biea sur la qualité que sur la quantité des pro- 
duits. Dans tou? les vigaobles, dans ceux á vins commmuns comrae dans ceux 
a. víqs de grands crus, les diversas opérations culturales sont Tobejet des soins as- 
sidus des viticulteurs. 

Mais les bases culturales une fois dôtermiaêes, il faut chercher à appliquer les 
systèmes adoptes dans los meilleuros conditions économiques d'exécution, par 
Temploi d"un Matèriel vilicole aproprie. 11 est dono d'un intêrèt primordial pour 
le viticulteur de bien connaitre ce matériel qul lui permettra de réaliser les di- 
verses operaiions de la culture d'une façon perfaite et aussi d'uQe façon éco- 
nomique. Tel estie butde ce livre. 

11 est divise en .5 parties : 1. Etablissement du vignoble. —II. Plantation, 
tuteurage et palissage. — 111. Talilo, labours, fumures. — IV. Vendanges. ^ V. 
Traitements des maladies de la vigne. 

La description des appareils spéciaux est préccdéo d'une étude générale de M. 
Viula sur le choix et Temploi du mati-riel viticole. 

Ce volume fait partie de \' Encijclopêdie agricole publiêe sous la direction de 
M. WEaY, le directeur de Tlnstitut national agronomique. 

VEncyclopédie agricole ot V Agenda, agricole Wery, qui en est le complément 
annuel, sont aujourd'hui entre les mains de tous ceux qui s'occupent sérieusement 
d"agiiculture. Le catalogue détailllc de VEncyclopédie agricole formant 72 pages 
illustrées de planches est adressé grátis à toute personnequi ea fait la demande à 
MM. J. B. Baillière et fils, 19, rue Hautefeuille, à Paris, 



Questions ag^i-icoles d'hier et d'aujourd''hui, par Daniel Zolla, 
professeur à l"Ecole national d' Agricultura de Grignon et à lEoole libre des Sci- 
ences Politiques. Un vol. in-ISjésus (Librairie Armand Colin, 5, rue de Mê- 
zières, Paris), broclié 3 fr. 50. 

Dans ce volume Tauteur étudie une série de problèmes économiques qui se 
rapportent á TAgricuIture. En premiôre ligne se place la question de TEnseigne- 
munt agricole que le public ne connait guére et dont Tinílueace sur Ia production 
est cependant décisive. Une expérience déjà longue permet à M. Zoila de juger 
les múthodes et d'appréoier les resultais. 

Les recentes transformations de rEoseignement dans les Ecoles Pratiques 
d'Agriculture donnent à cette étude un pressant intérèt d"actualité. 

H ea est de mérae pour les problèmes sidivers relatifs aux Associations Agri- 
coles. Ce sont des vues nouvelles et originales que Tauteur expose à propôs du 
ròle quejoue le propriétaire foncier. 

Le développement si rapide des Syndicats agricoles prouve jusqu'à Tévidence 
combien on aurait tort de reprocher aux cultivateurs de ne pas savoir grouper 
leurs forces. Cest ce que M. Zoila démuntre on parlant des laiteries cooperativos, 
des grouiers coopératifs, des assurances muturalles, etc, ctc. 

Diversos questions, telles que la production des animaux domestiques, la di- 
vision de la propriété, Timpót sur le revonu, la colonisation agricole et le com- 



172 SOCIEDADE NACIONAL" DE AGRICULTURA 

mercê des produits coloniaux, complètent ce travail et constituent une vcjritable 
revue des principaax problèmes qui sMmposcnt aujourd'hni h. rattention do tons les 
horames íclairés. 

Les études de M. Zoila poursuivies depuis vingt ans, sa longue carrièro de 
professeur et de piihliciste, ses norabreuses missiona k l'étranger, lui ont permis 
de parlor avec aiitoritô dos problèmes dont ce volume contiont l'exposó. 

NOTICIÁRIO 



Os íí-a,ra.Tiliotos,— Abaixo rnproduzimos as medidas adoptadas pelo Oo- 
vorno do Rio Grande, do Sul para a extinc(,ão d.i praga do gafanhotos, naqindle 
Kstado. 

DECRETO N. 1.430— de 15 de janeiro de 1909 

Adopta ilivorsas medidas para avixiliar a extincção da praga de garanliotos 

O presidente do Estado do Rio Grando do Snl, considerando que ao Governo 
incumbe auxiliar os municípios nos moios de defesa no combate contra a praga de 
gafanhotos, que annualmcnte infesta o Estado, prejudicando alta e especialmente 
as suas lavouras ; 

Considerando que ó conveniente a uniformisação dos referidos meios para 
maior efScacia dos serviços de extincção dessa praga ; 

Considerando ainda que a avestruz, a gaivota, o gavião, o João Grande e a 
garça concorrem para isso, devorando esses orthoj)teros, dos quaos se nutrem ; 

Resolve decretar : 

Art. I.° Fica desde já expressamente proliibida a caça ás avestruzes, ás 
gaivotas, aos gaviões, aos .loão Grandes e ás garças assim como a retirada dos ovos 
de ninhos, as batidas em viveiros e as ciladas para elTectuar a prisão de filhotes. 

Art. 2." Os infractores desta disposição incorrerão na multa de 200$000 
qae será elevada ao dobro em casos de reincidência. 

Art. 3." São competentes para a applicação da multa estabelecida no artigo 
antecedente todas as autoridades estadoacs o municipaes. 

Art. 4.» Cabe ás municipalidades dar ampla publicidade a este decreto e 
procurar todos os meios adequados á sua integral execução. 

Art. 5.° Revogara-se as disposições em contrario. 

Palácio do Governo em Porto Alegro, 15 de janeiro de 1909. 

Dr. Carlos Barbosa Gonçalves. 
Prolasio Alves. 

Café de café. — Realizou-se, no dia 24 do corrente mez, nesta Sociedade, 
na presença de muitas pessoas, a experiência do Dr. Carlos Marcondes do Toledo 
Lessa, sobro a sua invenção, denominada: — Café de café. 



A LAVOURA 173 



O Dp. Lessa se propunha a provar que inveotou um processo para conserva- 
ção do café, em liquido, e conseguiu o que tinha proraettido, pois abriu uma garra- 
fa de café de café, que estava lacrada havia 6 mezes; delia oxtrahiu o café liquido 
que é coado e preparado por um processo especial, segredo do inventor. 

O café conserva-se, por muito tempo, sem perder as suas qualidades de aroma 
e sabor. 

Este café, para ser uzado, basta apenas ser aquecido e addicionar-se-lhe 
assucar á vontade do paladar de cada um. 

As pessoas que assistiram á experiência beberam o café de café e acharam-no 
bom. 

Com o novo invento abrem-se novos horizontes á industria da vidraria, pois, 
a conservação e exportação do café liquido será em garrafas. 

E' também provável que a industria da tanoaria seja beneficiada pela nova 
invenção porque se a madeira não aflfectar ao café, pôde este ser conservado e ex- 
portado em barris. 

E', como vemos, uma descoberta que vem crear novos elementos de trabalho 
em torno da preciosa rubiacea. 

Cooperati-vas— O Dr. António Picarolo, jornalista, i'esidente em São 

Paulo, seguiu para Nápoles onde foi organizar as cooperativas para a exportação 

de café para Nápoles e outras províncias da Itália. 

* 
« • 

Os colonos do Núcleo Colonial Campos Salles, «S. Paulo organizaram a «Coo- 
perativa de Producção» com auxilio do Governo Estadual, que forneceu os machi- 
nismos para o beneflcianamento do arroz. 

Na colónia Nova Holvetia e no núcleo Nova Odessa, o Governo estíl promo- 
vendo a organização de cooperativas de leiteria. 

Em França, um dos mais importantes municipios pastoris do Estado, estão 
encaminhados os trabaliios para uma grande cooperativa de leiteria, organizada 
pelos criadores. 

^laoblnas agr-arias — Têm tido grande acceitação os arados Oliver. 
Existem diversos typos. Peçam catalagos com preços aos Srs. Haseaclever & C. 
—Avenida Central, 69 a 77. Caixa 745. 

Arado reversível. Possante raachina para arar. Puxado por quatro bois ou 
burros. Tem a grande vantagem de fazer a volta curta. Enviam catalog-os com os 
preços os Srs. Henry Rogers, Sons& C. Rua Visconde de Inhaúma 85, Rio. 

Cultivadores, < António Prado» e «Luiz Bueno», machinas usadas nas capinas 
dos cafeeiros da casa Prado Chaves & C, em S. Paulo. 

Não cortam as raízes, tornara o terreno poroso, apto, portanto, para absorver 
as chuvas. 

Tracção : — um animal — Preços módicos. Fornecem catálogos Nathan & C. 
rua S. Bento 43, S. Paulo. 

Lavador de café «Maravilha». Todo de ferro.— Ultima palavra no género. 
Separa o cereja do coco. 

Extrabe completamente a pedra e os pausinhos. 

Único depositário: Upton & C. S. Paulo, rua Alvares Penteado, 44. 

7 — 



174 SOCIEDADE NACÍONAL DE AGRICULTURA 

Animaes de raça : 

Importam llopkins, Causer & Hopkios, 95, ruaTheophllo Ottonio. Tèm ma- 
chinisraus para leiteiia, <lo diversos fabricantes. 

Aphtalina, especifico para a piaste a[)htosa. Medicamento approvado pelos im- 
portantes e adeantados crokdores do S. José do Barreiro (lí. do S. Paiilj), Sr8. 
Francisco de Paula Ramos, José Gonçalves Pereiía Sobrinho, Ezequiel Ramos, 
Osório da Cunha Lara, Balduíno e Barbosa de Oliveira e outros. 

Óleo Cafiro — A analyso desta planta, cultivada na Republica Argentina 
e na Itália, revelou as substancias seL'iiintes: 

Assucar 8,210 

Amido 0,100 

Matéria lenhosa 17,775 

Sílica 0,065 

Saes diversos 0,530 

Agua 73,330 

Total 100,000 

Com relação .-í canna do assucar contém quasi tanta a^ua, porém, em com- 
pensação encerra 18 "/o de assucar c contém 'J,5 de matérias lonliosas. 

Productos— Um iicclare de olco cafro póie render 70 a 80.000 kilos de talos 
desprovidos de folhas. Essa cifra produz 00 "/„ om sueco assucanido. 

Tomando a cifra de .'ilí.OOO kilogrammas de talos, sem folhas," que é a média 
obtida por hectare, se poderá, retirar, mais ou menos, lO.õiiO kilo,:íraiiima3 de sueco. 

Sua riquo/.a saccharina varia entre 10 e 20 "/o. Suppondo um rendimento de 
8% somente, 18.500 produziriam 1.300 kilos de assucar, porém, o olco cafro tem 
o inconveniente de conter uma forte proporç<ão de assucar incrystallisavel, porém, 
esta particularidade não prejudica a transformação do assucar em álcool. 

Sua producção em álcool está calculada em 6 a 8 " /, de sueco. 

Segundo esto reuilimento, lti.500 kilos ile sueco produziriam 11,50 hectolitros 
de álcool, ou 3,50 kilo> em cada 100 kilos do talos, sem follias. 

Os grã,os, depois de moidos, são empregados para a engorda dos vaccuns e ser- 
vem também para o preparo do pão. 

As folhas que se colhem dos talos, na época da colheita, podem ser utilizadas 
na alimentação dos bovinos. 

Finalmente, o pendão do olco cafro é a matéria prima com a qual se fabricam 
as vassouras, para varrer. 

-A.pi'eudiza.d.0 ^Vgricola— « Dr, Bernardino de Campos». 

Durante o anuo de 1908 matricularam-se 20 alumnos de 14 e 17 annos de 
edade, contra 23 no anno anterior. 

Dos matriculados lt> frequentaram o primeiro anno o quatro o segundo. 

Os exames começaram em 16 e termiuiram no dia 18 de novembro, e a elles 
compareceram nove alumnos, sendo seis do primeiro anno e dous do segundo. 

Aos alumnos promovidos entregou o encarregado do aprendizado, como 
prémios, livros de agricultura e 30$ em dinheiro. 



A LAVOURA m 



O curso theorico correu regularmente o o pratico constou de exercícios no 
campo de experiências, trabalhando os alumnos seis lioras por dia, manejando elles 
mesmos os instrumentos agrários: arados, grades de discos e de dentes, semeador 
meciíaoico e outros. 

Houvií 428 iieções thcoricas aos alumnos do primeiro anno e 583 aos do segundo. 

Pela natureza dos terrenos, que são muito húmidos, a cultura experimental do 
arroz é a que occupa todos os annos maior parcella, tendose feito plantios com 
adubos e sem elles, attingindo o arroz, em 1908, grande desenvolvimento. 

O arroz Honduras attingiu á altura de l^TS, tendo produzido 31,57 hectolitros 
por hectare. 

Esse arroz resisto bem aos ventos e aguaceiros pesados, dando cachos muito 
grandes e sementes que rivalisam com as melhoras das boas qualidades de cultura 
local, tanto pelo peso e tamanho, como pelo brilho que adquirem no beneticiamento. 

Outras experiências foram feitas: 

O cânhamo, chamado brasileiro ( Hibiscus, sp.), attingiu á, ;iltura de 2"',50 na 
média. Suas flbras foram preparadas, por maceração, pelos alumnos. 

O linho attingiu a 1°',25, na mi^dia, sem se ramificar, produzindo fibra de quali- 
dade muito regular e óptimas sementes. 

Praticou-se, correntemente, a adubação verde, tendo sido utilizadas pelos 
alumnos as diversas leguminosas, cultivadas com bom êxito, principalmente o 
amendoim rasteiro, o tremoço branco e o feijão da Florida. 

As culturas arborescentes. taes como as do cacaueiro, da maniçobeira de Jequié, 
dos coqueiros da Bahia, da amoreira, dos euoalyptus e outras, tiveram o competente 
e opportuno trato. 

Além de 348 mudas de cacaueiro transplantadas, dispõe-se no respectivo 
viveiro dn 1.600, promptas para distribuição. 

As maniçobeiras tèm-se desenvolvido muito bem, assim como os coqueiros. 

Fizeram-se novos viveiros de amoreiras brancas francezas. 

Nas experiências de criação de sirgo, observou o encarregado do Aprendizado 
qne os bichos, alimentados com as folhas de amoreira produzida ali não têm dado 
bons casulos, sendo elles molles, leves e pouco resistentes. 

Os alumnos exercitavam-se bastante nos trabalhos de cultura hortense o 
pomareira, havendo no pequeno pomar, entre pereiras e macieiras, 100 arvores o 
diversos viveiros de marmelleiros, macieiras, pereiras e laranjeiras, para exeroicios 
de enxertia. 

Em 31 de dezembro existiam nos viveiros 1.600 cacaueiros, 40 condessas, 
298 fructeiras europeas, 246 laranjeiras, 267 amoreiras, 1.282 enraizados de videiras 
e muitas mudas de eucalyptus de diversas variedades. 

A plantação total de arroz foi de 14.208 m. q. das variedades: dourado branco 
legitimo de Iguape, Honduras, Gem-el-Gim, além de um lote de 1.300 ra. qs. ; a de 
milho foi 9.615 m. q. ; a Je araruta, do 400 m. q ; a de sirgo, de 577 m. q, ; e a de 
feijão de Florida e canna, 750 m. q. 

O Aprendizado disti'ibuiu diversas mudas e sementes, assim como ministrou 
dados e informações às ppssoas que o visitaram e as solicitaram. 

Este aprendizado está situado em Villa Bella, ha doze léguas, mais ou menos 
da cidade de Santos, 

(Do Relatório do Dr. Cândido Rodrigues, de 1908). 



176 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



I*<$atos Zootéolxnioos— O Dr. Cândido Rodrigues, Ministro da Agri- 
cultura, croou em S, Paulo, »ntes de deixar a pastada Secretario de Agricultura, 5 
postos zootéchnicos regionaes, com sedes nos respectivos municípios de S. Carlos, 
Quaratinguelá^ Botucatú, Itapetininga e Barretes. 

Estes municipios são criadores, sendo que o de Itapetininga tem um mata- 
douro frigorifico o exporta os seus productos. 

No município de Harretos a Companhia Paulista de Vias Férreas & Fluviaes, 
está installando um matadouro frigorifico provido de todos os modernos appa- 
relbos. 

ReduoçíTo do íVetes— É esta uma medida dií grande alcance que o 
Governo vae pôr em execução, porque os fretes altos teera cerceado o desen- 
volvimento da pulycultura, das pequenas industrias pastoris e das industrias 
agrícolas. 

O frete bai'ato será o elemento principal para estimular energias adormecidas 
a attrair para a agricultura actividades novas que virão agir nesse vasto campo de 
trabalho . 

Entre os productos beneficiados pela projectada roducção, está o café mineiro, 
o qual virá pela Central a este Porto, livrando-se assim do imposto de 5 francos em 
Santos. 

Exportação de melfincias— Está em organização em Villa Ame- 
ricana (S. Paulo) uma grande cooperativa frnctifera que promoverá a exportação 
para a Argentina de melancias e outras fruetas produzidas naquelle município. 

A colheita, só de melancias, este anno, está orçada em dois mil contos. 

Exportação de airoz— O Estado de S. Paulo exportou o anno 
passado, só pela Estrada de Ferro Central, 149, 274, saccos de arroz. 

Estes algarismos são offlciaes, extrai mol- os do Relatório do Dr. Cândido Rodri- 
gues, de 1908, que é, no género, um trabalho oxcellente, quer quanto á clareza do 
methodo expositivo, quer em relação à exactidão das estatísticas. 

A exportação pelo porto de Santos attingiu a 14.579.r!61 kilos na importância 
de 5.831 :744$400 reis. 

Entreposto de café— A acreditada e operosa firma Lage Irmão, 
desta cidade, com grandes estaleiros e offlcinas na ilha do Vianna, acaba do 
fundar o Entreposto de Café da ilha do Vianna, com o propósito de proporcionar 
á lavoura verdadeira economia nos gastos que oneram o café no mercado do Rio de 
Janeiro. 

Propondo-se centralizar todo o traliallio de transporte, armazenagem e ensaque 
de café oriundo das estradas de ferro Central e Leopoldina, cobrará ella pela exe- 
cução destes serviços unicamente a quantia de 700 réis por sacca. 

Recebendo dus Srs. agricultores as suas consignações, o Entreposto as venderá 
por pessoal idóneo, pi estando a respectiva nota de venda— por 10 kilogr.— dando 
ao género o sen verdadeiro typo, classificando o seu exacto valor e pondo immedia- 
tamente á disposieão dis Srs. lavradores o saldo liquido ajiurado, livre de cora- 
niiBsão ou de outras quaesquer despezas que não as já assignaladas acima. 



A LAVOURA m 



O Entreposto oflferece ainda aos fazendeiros que não disponham de boas ma- 
chinas a vantagem de ser o café rebeneticiado em aperfeiçoados catadores a classi- 
ficadores mechanicos ao preço de 600 réis por sacco. 

O reraettente preferinio vender o seu café por commissario, o indicará no co- 
nhecimento remettido ao Entreposto, que fornecerá âquelle as amostras e fará a en- 
trega do café ao comprador que for designado. 

O café da Leopol Una Railway deverá ser despachado para a estação de Ni- 
theroy e o conhecimento, como se disse, para o escriptorio da firma relèrida á rua 
do Hospicio 23. 

E' um bom serviço que Lago Irmãos prestam á lavoura do paiz. 



"&^S^3*^uf ^--c-^^f" 



PARTE COMMERCIAL 



JULHO DK 1909 

Café 



Durante o mez de julho venderam-se para exportação 220.000 saccas. 
Entraram no mesmo periodo ^134. 202. 

Foram embarcadas 274.713 e a existência em 31 do julho era calculada 
em 159.776. 

Os extremos das cotações durante a primeira e a segunda quinzenas, foram : 

1* quinzena 

Por arroba Por 10 kilos 

Numero 6 6$200 a 6$600 4$22l a 4í493 

» 7 . 5$800 a 6$300 3ír949 a 4$289 

» 8 5$500 a 6:í000 3.$744 a 4$085 

» 9 5$200 a 5§700 3$540 a 3|881 

2* quinzena 

Por arroba Por 10 kilos 

Numero 6 6$100 a 6$600 4$1.^3 a 4$493 

» 7 5$800 a 6$'Í00 3$'M9 a 4$-289 

» 8 5$500a6^'i00 3$744 a 4$085 

» 9 5S2U0 a 5$7ii0 3?540 a 3$881 

Aguardente 

A escassez de entradas que .se fez notar na 1= quinzena, accentuou-se na 
segunda, trazendo como consequência melhora de preços. 



178 SOCÍEDADE NACIONAL DK AGRICULTURA 

Durante o mez entraram 640 pipas, cujas cotações por pipa foram (base 
de 20 %)• 

Paraty 130$000 a 150$n00 

Angra 105$000 a 125$000 

Campos 95$000 a 110$000 

Maceió 95$000 a lin$OTO 

Bahia 95$ (00 a Il0$it00 

Pernambuco 95$000 a 1 lO.jOOO 

Aracaju 9540 )0 a UnSOOO 

Sul 95$()00 a IICÍOOO 

Alcoo! 
Durante o mez foram recebidas 1.163 pipas de diversas procedências e 
as cotações por pipa, sem o casco, regularam : 

40 gráos 140$000 a 170.^000 

38 > 130$000 a lõOlOOO 

36 > 120$000 a 130$000 

Algodão em rama 

O movimonto geral do mercado foi o seguinte : 

Existência em 15 de julho 11.236 

Entrada : 

Parahyba 1.722 

Mossoró 1.60D 

Sergipe 800 

PernamTjuco 700 

Ceará 600 

Natal 400 

Piauhy _93 5.915 

17.151 

Sabida dos trapiches 7.629 

Existência no dia 31 9.522 

Preços : 

Pernambuco 10$300 a 11$200 

Rio Grande do Norte 10$;00 a 11$000 

Parahyba 9$800 a 10$800 

Ceará 10$000 a 1 1$200 

Sergipe 10$000 a 10$300 

Penedo lO^iGOO a 10$500 

Assucar 
Durante o mez vieram ao mercado 62.263 saccos, sendo de: 

Pernambuco 12.577 

Sergipe 7.577 

Campus 30.915 

Bahia 11.214 



A LAVOURA Itd 



Os preços regularam do seguinte modo : 

Pernambuco : 

Kilo 

Branco usina 260 reis a 290 reis 

» crystal 260 » a 290 » 

» 3» sorte 250 » a 280 » 

Crystal amarello 200 » a 240 » 

Somenos 210 » a 220 » 

Mascavinho 200 » a 220 » 

Mascavo bom 170 » a 180 » 

> regular . . 160 » a 170 » 

» baixo 130 » a 150 » 



Campos : 



Branco crystal 260 reis a 320 reis 

> 2» jacto 250 » a 270 » 

Crystal amarello não ba 

Mascavinho 200 » a 240 » 



Bahia 



Branco crystal 300 » a 320 » 

> 2° jacto — — 

Crystal amarello — — 

Mascavinho ãOO » a 230 » 

Mascavo bom — a 180 » 

Sergipe : 

Branco crystal 260 » a 280 » 

Crystal amarello — — 

Mascavinho 200 » a 230 » 

Mascavo bom 170 » a 180 » 

» regular 160 » a 170 » 

> baixo 130 » a 150 » 

Oereaes 

Regularam durante o mez os preços seguintes : 

Sacuo 

Aptoz nacional 28$000 a 30$100 

» » inferior • . . 25^,000 a 27$000 

» » rajalo 21$000 a 24$000 

p estrangeiro agulha, 1» qualidade. . . 35$000 a 37$000 

» » » 2» qualidade. . . 33$000 a 34$000 

Feijão preto de Porto Alegre 9$500 a 1 1$000 

» » Mineiro 8$500 a 12$000 

y » de Santa Catharina, superior. . 8$000 a 11 $000 

» > do Paraná Nominal 



180 



SOCIEDADK NACIONAL DE AGRICULTURA 

Sacco 

Feijão mulatinho 8$000 a 10:{500 

» manteiga 10$500 a 13$000 

» enxofre, nacional 10$500 a ia$500 

» de cores, » 8$000 a 14$000 

Farinha do mandioca especial 9$200 a í)$80u 

» flna 7$000 a 7$800 

» peneirada 6$200 a fi$.SOO 

> grossa 4$800 a 5$40O 

Milho da torra 6$800 a 7$600 

» » » misturado 6$000 a 7$000 

Cangica Nominal 

Amendoim 7$500 a 8$000 

Kilogramma 

Fubá de milho $130 a $200 

Mate em folha $400 a $560 

Tapioca $380 a $400 

Polvilho $200 a $260 

Fumo em rolo 



Foram escassas as entradas durante o mesmo período. 
As cotações por kilogramma foram : 

De Minas especial. 

» » superior 

» » de 2*. 

» » orilinario 
Goyano superior 
» baixo . 
Rio Novo, superior 

» » do 2» 

» » baixo 

Pomba superior 

» de 2» . 

» baixo 

Carangola . . 

Picú especiíl . 

» do 1» . . 

» » 2' . . 
Bahia. . . . 



1$000 

$900 

$600 

$300 

2$20O 

1$800 

1$600 

1$-?00 

$800 

1$200 

1$000 

$900 

I$000 

2$000 

I$600 

l$ilOO 

1$100 



Kio d* Janairo — Impranaa Nacional — 1V09 



EST.A.TXJTOS 

CAPITULO II 

DOS SÓCIOS 

Art. 8.° A sociedade admitte as seyiiintes categorias de sócios : 

Sócios etTectivos, correspondentes, honorários, beneméritos e associados. 

§ i.° Serão sócios eITectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuírem com a jóia de 15$ e a annuidade de 2o$ooo. 

§ 2.° Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
sede no extrang-eiro, que forem escolhidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3.° Serão sócios honorários e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos á lavoura. 

§ 4.° Serão associadas as corporações de caracter official e as associações ag-ricolas, 
filiadas ou confederadas, cjue contribuírem com a jóia de 30$ e a annuidade de 5o$ooo. 

§ 5.° Os sócios eíTectivos e os associados poderão se remir nas condições que forem 
preceituadas no reg-ulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse fim 
ser inferior a dez (10) annuidades. 

Art. 9.° Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. Os demais sócios deverão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimidade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente ; terão direito a 
todas as publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial. 

§ 1." Os associados, por seu caracter de collectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedade o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 2." O direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios; é limitado, 
porém, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

§ 3.° ()s sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a assembléa geral resolver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



■>g K<X l-OX Io- 



IR,EC3-XJI-,.A.3VEEnsrTO 



CAPITULO VI 

DOS sócios 

Art. 18. A sociedade prestará seus serviços de preferencia aos sócios e associados 
quando estiverem quites com ella. 

-Art. 19. A jóia deverá ser paga dentro dos primeiros três mezes após a sua 
accei tacão. 

Art. 30. .As annuidades poderão ser pagas por prestações semestraes. 

Art. 21. Os sócios e os associados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 500$, respectivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que deverão pag-ar em qualquer caso. 

Art. 22. Os sócios e associados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pago a respectiva jóia. 

§ i.° O sócio que tiver pag-o a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

§ 2.° Para esse effeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos do parag-rapho anterior. 

§ 3.° Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

Art. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatarios, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três mezes antes, cabendo-lhes ainda a.ssim o recurso 
para o conselho superior e para a assembléa g^eral. 



FAZENDA SANTA MÓNICA 




í^ 



V 




Ivxpcricncias de aduhagão de niillxi Icitas por \'.. Ma^^er 



Anno XIII - N. 8 



Rio de Janeiro 



AOOíTO DB 1909 




m mMíí kyUmbmk ú, 



HORTO DA PENHA 




Oapltal Federal 



Gallinheiro g^eral 
^ VIRIBUS UNITIS «€ 



BRAZlLi 



IMP, MAClONAt — t909 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

l'lINI)AI)A KM I') l)R JANKIIIO I)F I H147 

Caixa-postal, 1245 Sede: Raas da ilfaadsga d. I08 

Eodereço Telegraphioo, AGRICULTURA « Geoeral Camará o. 127 

Telepbono o. 1416 »■<> i>k j«nkiii<i 

Presidente — Dr. Weuceslào Alves Leite de Oliveira Bello. 

1° Vice-presidente — Vago. 

2° Vice-presidente — Dn. Sylvio Ferheira Rangel. 

3° Vice-presidente — Dr. Domingos Sérgio de ('arvaliio. 

Secrelario Geral — Dr. Heitor de SA. 

1° Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Reis. 

2° Secretario — Dr. Benedicto Raymundo da Sii.va. 

3° Secretario — Dr. José Ribeiro Monteiro da Sii.va. 

4" Secretario — Ai.bekto de Araújo Ferreira Jacobina. 

1° Tiiesoureiro — Dr. João Pedreira do Couto Ferraz Júnior. 
2° Thesoureiro — Carlos Raulino. 

olpôctores dus Secções 

Horto da Penha Dr. Wencesláo Bello 

Fazenda de Santa Mónica Dr. Sylvio Ranijel. 

Secretaria, Álcool e Museu Dr. Benedicto Raymundo. 

Secção Teciínica e Bibliotheca Dr. Heitor de Sá. 

Plantas e sementes Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estatística .Alberto Jacobina. 

Thesouraria Carlos Raulino. 

Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizerem ser- 
vir-se destas columnas para a propaganda da agricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annualmente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacção não se responsiibilisa pelas opiniões emitliJas em artigos assignados, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os oriii-inaes não serão restituídos. 

As coiiimunicações e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d'A LA- 
VOURA na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assignaturas. 

E' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

Condições <Ia publletiçuu tltta anuiiiicios 

VEZES MEIA PAGINA UMA PAGINA 

I I2$000 20$O0O 

3 3o$ooo 5o$ooo 

6 50$ooo Qc^ooo 

12 qo$ooo i70$ooo 

Os annuncios são pagos adeantadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 

SU MM A RIO 

PAGS. 

Ministério da Agricultura i8i 

Madeiras e vejetaes úteis do Brazil 184 

Pathologia e Therapeutica 187 

Warrants igo 

A Cultura do Arroz no Baixo-Congo 192 

Expediente iqó 

Noticiário 207 

Parte Commercial 214 




DR. NILO pi:c;amia 

PRESIDENIE D.\ Ri;i'UULICA 




DR. ANTOMO CÂNDIDO RODRIGUES 

MINISTRO DA AGRICULTURA, INDUSTRIA E COMMERCIO 



Anno XIII - N. 8 



Rio DE Janeiro 



Agosto de ígòg 



EDITORIAL 



Ministério da Agricultura, Industria g Commsrcio 

Não é mais uma simples aspiração patriótica, porém uma realidade 
positiva o Ministério da Agricultura, Industria e Commercio. 

O acto do Sr. Dr. Nilo Peçanha, dando execução ao preceito de lei 
que autorisava a creação do Ministério da Agricultura, merece tanto 
maior louvor, quanto, é indiscutível, não podia ser mais feliz a escolha 
do titular chamado a dirigir a nova pasta. 

A idéa da creação de uma secretaria de Estado destinada á 
orientação e impulsão das fontes vivas da i'iqueza nacional, vem dos 
primeiros dias do anno de 1901, quando a levantou o Dr. Assis Brazi 1 
em documento, que ficará sempre memorável, apresentado á conside 
ração do Governo da Republica. 

Mezes depois, em 1902, o ponderado lioraem publico, lavi'ador de 
raça e educação, Dr. Ghristino Cruz, levou-a aos conselhos da nação 
era um projecto de lei apresentado á Gamara dos Srs. Deputados. 
Prestigiado com a assignatura do honrado representante do Estado do 
Maranhão e as de vários amigos da agricultura, o projecto de lei em 
questão sofíreu largo debate perante a directoria da Sociedade Nacional 
de Agricultura, foi discutido e commentado pela imprensa diária e em 
publicações avulsas, para afinal obter a competente sancção do vene- 
rando Presidente Penna, de saudosa memoria, em 29 de dezembro 
de 1906. 

Não julgando prudente a prompta organisação da nova Secretaria 
de Estado, o Presidente Penna planejou creal-a espaçadamente, por meio 
de reformas successivas, mas collimando todas a um único fim — o 
ministério technico de Agricultura Industria e Commercio. 

As demoradas reformas tendentes á organisação do Ministério da 
Agricultura vinham vindo desde cerca de três annos sob a orientação e 
direcção de um alto funccionario de grande preparo agro-sciehtifico,' 
qual era e é o Dr . Miguel Calmon, companheiro nosso nas labutas agrí- 
colas desta Sociedade desde muitos annos. 

Foi nessa phase de lentas reformas que os luctuosos aconteci- 
mentos de junho ultimo elevaram ao supremo cargo de director dos 

6404 1 



LIBRARY 

NEW YORK 

BOTANICAL 

QAKDliN. 



182 SOCIEDADE NACIONAL DK AGRICULTURA 

deslinos nacionaes, ao Dr. Nilo Peçanlia, subslituto legal do pranteado 
Presidente Penna. 

Espirito maduro no estudo dos nossos problemas económicos, o 
Dr. Nilo Peçanha não vacillou um só momento e pediu a S. Paiilno 
Ulular de quo carecia para a oríranisação definitiva do almejado Minis- 
lerid da Agricultura, Industria e Gommcrcio, nomeando seu secretario 
de Estado ao Dr. António Cândido Rodrigues. Riglit man. . . 

Este acto do Sr. Dr. Nilo Peçanha veiu tão a propósito, foi de tal 
acerto, f|uc mereceu api)Iausos, não só dentro das nossas fronteiras, 
como até M fijra nos centros directamente interessados nos negó- 
cios brazileiros. E' que este simples acto do Presidonto Nilo vale só 
por si um vasto programma economico-financeiro. Dá por sj »') a 
medida do que promotto ser o governo do joven e operoso Chefe de 
Estado. 

Quando a historia, em dias remotos, dei' balanço aris feitos do 
honrado successor do Presidente Penno, muito ha de louvar o seu curto 
mas fértil período administrativo, pela segura visão e justeza oim 
que encarou e r&solveu os mais transcedentes problemas referentes á 
economia nacional. 

A organisação do Ministério da Agrici>llura, Industria e Com- 
mercio fica sendo desde hoje um dos actos de maior acerto entre todos 
quantos S. Ex. haja de decretar. 

A Sociedade Nacional de Agricultura enche-se de justo desvaneci- 
mento vendo recahir a escolha do primeiro titular da nora Secretaria 
de Estado sobre a pessoa do sen dilecto consócio honorário e compa- 
nheiro de obra desde longos annos. Congratula-se com os amigos da 
lavoura por ver o Dr. António Cândido Rodrigues coUocado á frente 
dos negócios da Agricultura, Industria e Commercio, porquanto nin- 
guém melhor do que elle conhece em seus íntimos recessos as deli- 
cadezas dos novos serviços que em boa hora foi chamado a dirigir. As 
leves cans que já se vão mostrando sobre sua cabeça de adminis- 
trador ponderado, S Ex. as adquiriu lidando com problemas relativos 
á pasta que hora tem sob sua responsabilidade. 

De.sde ha muitos annos S. Ex. não tem outro encargo publico que 
não seja o da especialidade da nova jiasta creada. Engenheiro militar, 
S. Ex. exerceu commissões da cxtincta repartição de terras e colo- 
nisação nos últimos tempos do Império. No regimen actual S. Ex. 
leve assento no congresso paulista, passando dalli para a Gamara 
Federal. Foi em S. Paulo duas vezes ministro da Agricultuua o, l)om 
é que se diga, coube-lhe a sorte de ter sido o primeiro secretario da 



A LAVOURA 183 



agricultura que passou das aspirações e idéas geraes a actos adminis- 
trativos, visando resultado palpável. 

Quando o Dr. Carlos Botelho, após uma administração de raro 
destemor, se retirou da Secretaria da Agricultura do Estado de S. Paulo, 
era momento de difficili ma crise, em que se exigia do seu successor a 
maior calma e ponderação para evitar abandonos precipitados, foi ao 
Dr. António Cândido Rodrigues que o Dr. Albuquerque Lins buscou, 
com applausos unanimes da opinião publica da culta paulicéa, para 
continuar a obra de proporções gigantescas deixada pelo Dr. Carlos 
Botelho. 

S. Ex. nãose acobardou ante as responsabilidades que ia assumir. 
Entrou para a pasta da agricultura e, com uma segurança, uma pre- 
cisão de velho timoneiro, lá foi .seguindo o rumo que conviu -seguir, 
sem receios e sem temeridades, mas com cautela e prudência como faz 
todo bom administrador. O principal é que entre as gestões dos dois 
administradores não houve separação brusca, houve, pelo contrario, a 
possível continuidade. Caminharam por curvas ascendentes e de- 
.scendentes, como é de regra em todo e qualquer phenomeno politico- 
.social. E.stáahi o maior elogio (lue .se possa fazer ao Dr. Cândido 
Rodrigues como administrador publico — continuar corrigindo, mas 
nunca extinguindo. 

Cremos, pois, que o nascente Ministério da Agricultura, Industria 
e Commercio vem com ventos favoráveis e ha de tocar ao fim da sua 
nobre derrota. 

A Sociedade Nacional de Agricultura, considerando-se a cellula 
inicial da instituição que vem de ser corporificada na nova Secretaria 
de Estado, veste-.se das suas melhores galas para saudar e acolher ao 
timoneiro emérito que ó desde hoje o guia supremo da agricultura 
nacional . 

Que seja pro.spera e pródiga de beneflcios ás cla.sses trabalhadoras 
da nação é o que desejamos á administração do Sr. Dr . António Cândido 
Rodrigues. 

Como justa homenagem aos dislinctos organisadores do Ministério 
da Agricultura, damos conjunctamenteos retratos de SS. EEx. os Srs. 
Drs. Nilo Peçanha e Cândido Rodrigues, que já eram dignos sócios hono- 
rários desta sociedade. 



1S4 SOCIEDADE NACrONAL DE AORICULTURA 



Algumas madeiras e vsgetass utsis do Brazil 

( Dií M. Pio Corrí:a j 
Monograpliia ii. 70 — Amostra 78. 

família das SAPOTACEAS 

<iuacn <l<> oiKla 

ClirysophyUum sp. 

Synonimia : — Cnnelln-Guyacá, Canella-Guaicd e Canelln-Guaycá 
(?), no \{\o Grande do Sul — Goaicd e Goaycá, no Paraná — Guncá, Guacd 
de leite, Guacão, Guaicá, Guicá, Haacá, Iracá (?) e Jacuá (não confundir 
com a anaiardiiirea exolic^ Sclerocarya cafra Sond., quo tem o mesmo 
nom'3 \\i\i;ãv) Jííqud Oacde Udcaã, dos indígenas («matio fructirero», 
nome extensivo á Lucuma ramiflora A. DC. e talvez a outras sapotaceas). 
Habitat : — Serra do Mar, desde o Estado de S. Paulo para o sul. 
Vegeta em terras de qualidade i-egular, silicosas ou ai-gilosas, mas 
prefere as ultimas. 

Descrii'ção ; — Arvore até 12,00 de altura o 0,00 de diâmetro 
(lemos que algures chega a 22,00) ; ramos glabros, ura pouco tortos, 
medullosose lactescentes; casca lactescente, grossa até 22 "7,„. branca, 
revestida de epiderme ferruginea com manchas brancas ; filhas inteiras, 
simples, pecioladas, peciolo até 25 '"/,„ canaliculado, memliranosas, pen- 
ninervias, acuminadas, base coneiforme, lanceoladas, mais ou menos 
200 '"/,„ de comprimento e 80 '" ',„ de largura, verde-escuras e vernicosas 
na pagina superior, deixando ver bem a nervarão e salienle-nervadas na 
pagina inferior, nervação lerrugineo-tomenlosa, visível á transparência 
em seus mais peciuenos detalhes, sendo que as nervuras são dispostas 
em sentido transversal e salientes, o que torna bem características as 
folhas. 

Madeira ; — Côr branca que oxyda ao ar, tornando-se avermelhada, 
fibras direitas, tecido compacto, não muito pesada, dócil ao cepilho e á 
serra. Pesos específicos verificados no Paraná, mas que julgamos 
exaggerados: 0,903 e 0,963. Resistência ao esmagamento, 727 e 807 
kilogrammas por centímetro quadrado. 

Applicações : — Madeira para vigas, taboado de forro, caibros, 
canoas, remos e obras internas era geral ; dá boa lenha . O látex produz 
gutta-percha, ainda não analysada; delle se extrahe um óleo purgativo 
usado pelo povo. 



A LAVOUBA 185 



Observações : — Parece-nos tratar-se de uma espécie nova para a 
sciencia, o que mais tarde verificaremos. 

Este vegetal foi 'outr 'ora considerado como lauracea e também como 
euphorbiacea (Pactiystroma ilicifolia M. Arg.), erro grosseiro, porque 
este individuo não é lactescente. 

Monographia n. 71 — Amostra 79. 

família das sol AN AC E as 
Ouaxieliim 

Solanum inaequale Vell . 

Synonimia : — Catíneina, dos indígenas («matto imprestável», 
decerto allusão ao bonito fruclo) — Caiicma-grande. Não confundir 
com «Ingá-xixi», que é uma leguminosa da Amazónia. 

Habitat: — Estados deS. Paulo, Paraná, Santa Catharina e Rio 
Grande do Sul, sendo menos frequente no littoral e vegetando de prefe- 
rencia em terras argilosas. 

Descripção : — Arvore arbustiva, até 6,00 de altura e 0,20 de 
diâmetro ; casca amarella, lenhosa, macia, até 15 '",',„ de espessura e de 
sabor amargo, revestida de epiderme esverdeada e rugosa ; folhas inteiras, 
pecioladas, ob-rhombeas, acuminadas, nervura central saliente, mais 
ou menos 110"',,,, de comprimento e 55"'/,,, de largara; flores em 
racemos, campanuladas, brancas ; fructo baga grande, globosa, amarella 
parecida com a do «Juá». 

Madeira: — Alburno ]>rancoe cerne amarellado, luzidio, nodoso, 
de densidade regular. 

Applicações : — Somente a madeira, para lenha. 

Monographia n. 72 — Amostra n. 80. 

família DAÍÍ MYRTACEAS 

Ouajupií-oeit vei*iiiulha 

Psidium sp. 

Synonimia : — Araçá-perinha (?), na Bahia — Araçá-piroca, dos 
indígenas (de «araçá-pir-oca», Araçá descascado, talvez porque renova 
sempre a epiderme) — Garapiroca e Guajipiroca (decerto corruptelas) — 
Guajupiroca-da-uvêa , nu littoral do Estado de S. Paulo — Guarapiroca 
(corruptela, porque significa «arco descascado» e os indígenas não eram 
capazes de lhe dar tão pouco engenhoso nome) . 

Habitat : — Littoral dos Estados de S. Paulo e Paraná e decerto nos 
outros Estados vislnhos, preferindo as terras silicosas. 



189 SOCKCDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Descripção : — Arvore pequena, de caule irregular e Inrluoso; 
folhagem abundante e persistente ; casca fina, vermelha, de sabor 
adstringente, revestida de epiderme ferruginea, renovável ; folhas 
simples, inteiras, membranosas, curto-pecioladas, oppostas, ovaes, mais 
ou menos 50 '"/,„ de comprimento e 33 '"/,„ de largura, enrugadas entre 
as nervuras, nervura central saliento (parecidas com as da «Goya- 
beira», porém menores). 

Madeira : — Cor branco-pardacenta, tecido compacto, macia, pesada, 
resistente. 

Appi.icações : — Madeira para caibros, tancli('')es, (?) catos do fei'1'a- 
mentas e pequenas o])ras ; lenha forte, iiue arde mesmo verde, sendo por 
isso usada para fachos pelos pescadores. As cascas contém 25 7a de 
tannino, mas como são finas, não merecem emprego na industria do 
cortume ; são, porém, uleis na medicina, para combater as lieraoptyses 
e a diarrhéa. 

Monographia n . 73 — Amostra n . 81 . 

família das MIRTACEAS 

Caus^upií-ucst verde 

Psidium sp. 

Synonimia : — A mesma da espécie precedente, substituindo-se 
apenas «Guajupiroca-da-arêa» por Guajupiroca-de-foUia-larga. 

Habitat : — A mesma da espécie anterior, vegetando de preferencia 
em terras argilosas. 

Descripção : — Arvore pequena, de caule tortuoso ; galhos com as 
extremidades villosas; casca muito fina, glabra, esverdeada; folhas 
simples, inteiras, pecioladas, acuminadas, membranosas, penninervias, 
mais ou menos 160 '"/,„ de comprimento e 50 ""/^ de largura, verde- 
escuras na pagina superior e verde-clarase villosas na pagina inferior, 
pontuadas á transparência, base cuneiforme, nervura central saliente e 
villosa. 

Madeira : — Gôr branco-arroxada, tecido compacto, macia, pesada . 

AppLir.AçõES : — Exactamente as mesmas da espécie precedente. 

Observações: — Este vegetal é perfeitamente distincto da «Gua- 
jupiroca-vermelha» ; infelizmente, não dispomos ainda do material 
necessário para a respectiva identificação. 

(Continua.) 



A LAVOURA 187 



COLLABORACÃO 



Pathologia e Thsrapsutka 

UMA ESPECIAL OCCLUSAO INTESTIXAL NOS CÃES DE CAÇA 

O cão de caça é para o liomem dedicado ao sport venatorio um 
animal precioso, indispensável, ao qual se dispensa mais cuidado, affe- 
cto e attenção do que se deve ao nosso próximo soffredor. 

O medico veterinário é chamado com mais interesse para curar 
este animal, do que para outros de maior valor. 

A occlusão intestinal do cão de caça, que me proponho descrever, 
eque se localisa na ultima parte do cólon e no recto, éuma affecção 
antonoma que, embora commum e á primeira vista muito simples, 
pôde todavia causara morte de muitos indivíduos se não fôr curada a 
tempo e com critério. 

O cão normalmente não defeca com igual frequência, e, como 
regra, tal funcção se faz com escassez ; é por isso difficil diagnos- 
ticar esta affecção no seu começo e, especialmente, porque o cão não 
apresenta então nenhuma mudança physica nem psychica. 

Somente quando a defecacçãose torna completamente impossível, 
os symptomas geraes da moléstia se patenteam, e, em tal momento, 
por felii-idade, se pôde ainda intervir e salvar o animal. 

A causa principal desta moléstia parece residir na falta de exercício 
e na natureza da alimentação. 

O próprio caçador involuntária e inconscientemente a provoca mui- 
tas vezes. 

De feito, nos mezes em que a caçada é prohibida, época em que 
o cão está exposto a esta grave affecção, — o exercício, como a vigi- 
gilancía do dono, desapparece quasi bruscamente. A suppressão do 
exercício dá legar a uma relativa insufflciencia gastro intestinal ligada 
a uma alimentação mais abundante, irregular edifferente da que lhe 
era costumeira. 

Na verdade, o cão, que durante a época da caça só vai em casa á 
tarde ou á noite, não pôde comer quanto na cozinha durante todo o 
dia se elimina, nem colher os ossos que, com voracidade, i-óe ; mas, com 
a alimentação desordenada, a principio, elle defeca regularmente, depois. 



f88 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

com O augraento da insufficiencia do apparelho digestivo e os restos 
de ossos cortados, misto de sujjstancias indigestas, reunem-se intactos 
os alimentos na ultima porção do tubo intestinal, formando cibalas, 
duras e cortantes, que permanecem immoveis. 

Por isto a defecarão é suppressa . O animal approxima os quatro 
membros, arquea a columna vertebral como para defecar, mas não 
consegue senão expellir uma substancia semilíquida, terrosa, fétida, 
sanguinolenta, que emporcalha o anus, o perineo, as nádegas e região 
inferior o próxima da cauda, fazendo crer, á primeira vií^ta, em 
uma affeção diarrheica. 

Chegado o cão a este estado da moléstia, manifestam-se os syra- 
ptomas eólicos e de auto intoxicação ; não acceila alimento, traz a cauda 
baixa como para proteger o anu^, o nariz expelle muco, o olhar estú- 
pido, o psychico abatido, manifestando a lodo instante uma sede in- 
tensa, especialmente nos últimos períodos da moléstia. 

Não é raro procurar elle os logaies ermos, recusando attender 
ao chamado do dono ; razão por que, e pelos uivos que emitte em 
virtude da intensidade das dores, se suppôe tratar de ura principio 
do hydrophobia, dando logar a que muitas vezes o caçador, por pru- 
dência e para evitar consequências luctuosas, o sacrifique com faci- 
lidade. 

O diagnostico desta occlusão especial é facil, quando se compulsam 
os dados anamnesticos e os symptomas acima referidos. Basta que se 
lenha observado um só caso, para differençar esta affecção de outra 
que possa apresentar symptomas semelhantes. 

Com o palpar moderado do ventre (uma das mãos de um dos lados, 
a outra do lado opposto) se percebe na ultima parte do intestino, espe- 
cialmente no recto, uma corda, dura e nodosa que outra cousa não 
é senão cibalas enfileiradas. Por meio da exploração rectal, com o 
Índice, se notam quasi sempre massas fecaes duras e cortantes. 

Entregue ao abandono, o cão morrerá dentro de cinco a doze dias 
por enterite necrolica perfurante e perilonile consecutiva, que se dia*- 
gnóstica pelo symptoma de maior vulto desta complicação, isto é, pela 
lumefacçãoe acôr azulada da região perineal, symptoma acompanhado 
do uma elevadíssima lemporalura. 

A cura espontânea desta moléstia é muilo rara; todavia o trata- 
mento é facil e accessivel a toda bolsa e inlelligencia quando se age 
antes que as complicações se manifestem. 

Um collega meu que teve a fortuna de se achar em local adequado 
o entre caçadores ricos, apaixonados, sem exagero, salvou quatro cães 



A LAVOURA 18Í 



que lhe for&m apresentados, instituindo o tratamento abaixo descripto, 
e que o appliquei também com êxito verdadeiramente óptimo. 



Dá-se ao cão um purgante de óleo de ricino— 10 a 15 grammas. 
Em seguida pralica-se uma irrigação rectal com óleo de oliva 
ligeiramente quente, e a extracção das cibalas por meio do dedo indi- 
cador da mão direita ( o mais comraodo e aperfeiçoado instrumento) 
ajudada pela mão esquerda applicada sobre a parede externa do abdó- 
men, que repelle as cibalas para o anus, agindo com attenção, muita 
paciência e delicadeza, para não augmeatar a phlogosee não dar logar 
a descamações epitheliaes ou escoriações que complicariam o êxito do 
tratamento. 

Quando não se consegue extrahir de uma só vez todas as cibalas, 
para não prolongar as manobras mecânicas interna e externa, r'e- 
pete-se a operação com breves intervallos ; e se o bom o senso (no caso 
em que o medico veterinário não esteja presente) o indicar, a irri- 
gação rectal de óleo de oliva, como acima ficou dito, se repetirá. 

Um auxilio ainda se ter$ nos esforços de contracção feitos pelo 
animal, em virtude do estimulo do indicador, tanto que o operador 
sentirá a impressão própria de um parlo distocico. 

Livre o tubo rectal das cibalas, irrigações com solução boricada ou 
permaganato de potássio devem ser feitas nelle, durante quatro ou cinco 
dias, afira de evitar uma infecção, cuja porta de entrada pôde estar 
na mucosa rectal, eventualmente lesada pela turgescência óssea das 
cibalas, ou pela sabida artificial da mesma, feita com pouca paciência 
ou sem ater-se escrupulosamente ás regras acima expostas. 

Durante os dias de tratamento, o cão ficará em dieta láctea até a 
cura completa, o que acontece com muita rapidez. 

E' fácil, porém, uma reincidência, e, quasi sempre, nos mezes 
de repouso ; e, a tal respeito assignalo que um explendido, hracco poiíi- 
ter que eu curei de tal moléstia, morreu, no anno seguinte, do mesmo 
mal. 

Uraacadella, precioso producto de ura cruzamento, que consegui 
salvar desta occlusão especial, raon^eu dous annos depois, com com- 
plicações de perfuração do cólon e do recto, com enterite, peritonite 
etc, constatadas por mim em exame anato mo pathologico. 

Tanto o bracco pointer como a cadella não foram curados techni- 
camente senão por dous empíricos do logar. 

(Vi04 ~ 



190 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



A prophylaxia desta moléstia, era face do exposto, apresenta-se 
por si mesma e claramente ao interessado ; porque basta manter o cão 
em exercício na época em que a caça ó prohibida e não deixal-o entregue 
a si mesmo, dando-lhe alimento de fácil digestão e prescrevendo de 
modo absoluto o osso, o qual, se não faz perder ao cão o olfacto como 
é crença vulgar, fal-o perder a vida. 

Acredito ter sido útil, elucidando este estudo pathologico, não 
só aos caçadores senão também aos criadores de taes animaes ; porque 
c(jmo me tem sido dado observar na minha pratica, esta moléstia nem 
sempre édifferonçada de outra de origem absolutamente diversa, ainda 
(jue alguns symptomas importantes se assemelhem. 

Dr. Aghilles Rigodanzo, 
Medico Iljgienista Veterinário. 



Warrants 

Que é um Warrant l 

E' um documento que representa uma mercadoria em deposito. 

O seu hm é isentar essa mercadoria de soffrer no preço de venda 
as consequências prejudiciaes dos especuladores baixistas. 

Assim, essa útil e pratica instituição (que existe, ha mais de cem 
annos, no comraercio europeo !) constitue um solido, perfeito, completo, 
admirável apparelho de defesa, quer do productor, querdn interme- 
diário vendedor. 

Os VFarra/iís são títulos de credito, que facilitam a circulação das 
mercadorias . 

De facto, o possuidor de um ^Varrant representando café, pôde des- 
contal-o, levantar dinheiro e esperar a venda do género, em occasião 
favorável . 

Os Wurraats podem ser emittidos por particular, ou companhia 
ou sociedade. 

O local onde se deposita a mercadoria Warraatada chama-se : — 
Armazém Geral . 

Depositadas, por exemplo, mil saccas de café, a companjiia de Arma- 
zéns Geraes, entrega ao proprietário, um titulo, declarando a natureza 
e quantidade da mercadoria . 



A LAVOURA 191 



Os Armazéns Geraes podem ser installados nas cidades do inte- 
rior, capitães estaduaes, capital doPaiz e portos, e os Warrants em\tli- 
dos são respectivamente geraes e regionaes. 

Supponiiamos que um commissario recebeu de um fazendeiro cinco 
mil saccas de cate, as quaes pôz á venda. 

O preço obtido, porém, não é compensador, mas o commissario pre- 
cisa de fazer dinheiro para supprir ao fazendeiro, para este poder atten- 
der ao custeio, esse tonel das Danaides . 

Que fazer então ? 

Vender o café a qualquer preço ? Não ! 

Porque seria prejudicar o productor, maselle precisa inadiável mente 
de custeio. 

Diante do dilema, qual a solução 1 

Warrantar o café, levantar dinheiro com o Warraat, e esperar 
preço compensador para vender o café e resgatar o Warrant. 

Eis, em synthese, qual é a íuncção dos Warrants. 

Além do café, podem ser Warrantadas a borracha, madeiras, me- 
taes, materiaes para construcção, fumo, assucar, cacáo, cereaes, todas as 
mercadorias em fim. 

Entretanto prestam-se mais a este fim os géneros que não se de- 
terioram . 

Um Warrant é um titulo de credito que offerece, proporcional- 
mente, mais garantia que uma hypotheca ou um penhor agrícola, pois 
no primeiro caso a propriedade hypolhecada pôde se desvalorisar pelo 
mau tracto recebido, pela acção de diversos factores atmosphericos preju- 
diciaes, como sêccas, chufas de pedra, geadas, etc, além da acção damno- 
sa de parasitas e insectos. 

Também no penhor agrícola sobre fructos pendentes, qualquer 
dos diversos factores já citados é sufflciente para destruir a ga- 
rantia 

Ao passo que, sobre Warrant, o capitalista fornece o dinheiro, tendo 
como garantia uma mercadoria existente, -dvisidi e ao exame do inte- 
ressado, antes de applicar o dinheiro 

Essa mercadoria, depositada em armazém apropriado, limpo, secco, 
liygienico em surama, não se deteriora e é segurada contra fogo. 

Assim, um Warrant é um titulo tão garantido como as acções das 
estradas de ferro. 

Os Armazéns Geraes oíferecem toda a confiança e garantia, pela 
própria natureza do seu funccionamento e pela previdência, acerto, senso 
8 methodo dos seus estatutos . 



192 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Os Armazéns Geraes funccionam devidamente legalisados, pois 
estão as suas operações regularisadas eaulorisadas pelo decreto federal 
n. 1102, de 21 de novembro de 1903, creado pelo então Presidente 
da Republica Dr. Rodrigues Alves e o seu Ministro da Fazenda Dr. Leo- 
poldo de Bulhões. 

Tarifa de Armasens Geraes 

Deposito Simples — • Armazenagem... Um mez, 125 réis por sacca. 
Depois de pago o primeiro mez de ar maz?nagem, as fracçms deum 
mez não completado serão calculadas e cobradas como .se segue : 

1 semana 20 réis por .sarça 

2 semanas 30 » » » 

3 )• 40 » í » 

4 » 50 M n » 

Seguro contra Fogo 

Por sacca, 15 réis por mez. 

Depois de pago um mez de seguro, as fraci;<jes do um mez não com- 
pletado serão calculadas e cobradas como se segue : 

1 semana 6 réis por sacca. 

2 .semanas 9 » » » 

3 » 12 » » >' 
•4 » 15 « " )' 

São estas as tarifas dos Armazéns Geraes, de Santos eS. Paulo. 

Os bancos, capitalistas e negociantes deS. Paulo e Santos acceitam 
e descontam Worrants. 

As Emprezas de Armazéns Geraes estão, pois, prestando excellen- 
tes serviços á Lavoura e ao Gomraercio. 

Dário Leith dh I?ahro.-^. 



A cultura do arroz no baixo Gongo 

Em todas as épocas, o Governo tem ligado uma grande impor- 
tância á cultura das plantas alimentícias nos postos do Gongo Belga. 

Entre as principaes espécies propagadas, ha annos, em virtude 
de seus cuidados, podem ser citadas o arroz, a mandioca, a bananeira, 
a batata doce, o milho, o inhame, o sorgho, etc. 



A LAVOURA 193 



Actualmente póde-se dizer que cada posto do Governo possue, a par de 
suasprantaaies de renda, muitos hectares dessas culturas alimentícias. 

Estas plantações não bastara entretanto para assegurar a alimeii-' 
tacão do numeroso pessoal da administração, e foi preciso estabelecer 
em certos centros favoravelmente situados do Baixo, Médio e Alto 
Congo, importantes culturas productoras de viveres. 

A creação dos primeiros centros data de 1904. 

No Baixo Congo, foi o posto de Kitobola o ascolhido para este 
effeito, por causa dos resultados animadores colhidos em ensaios 
ernprehendidos anteriormente. 

O arroz é ahi a cultura principal. 

Este cereal tinha sido já cultivado, a titulo de experiência, em 
outros pastos do Baixo Congo, mas sem resultados satisfactorios. 
Assim fora, sobretudo, nas cercanias de Boma, em 1S95, e, depois, nas 
plantações de Zambi, que deram melhores resultados, sem, no emtanto, 
.serem perfeitamente concludentes . 

Yem de molde serena assignalados os sacrifícios a que se impoz a 
missão dos padres de Kisantu com o intuito de introduzir esta cultura 
na região. 

O posto de Kitobola, situado no valle do Lukunga, possue terrenos 
muito apropriados ã cultura do arroz. 

Duas ou três vezes pjr anno, o Lukunga (rio) sabe do seu leito e 
submerge o valle durante um ou dous dias, depositando ahi um limo 
verde. Além disto, este rio, alimentado por pequenos e numerosos 
affluentes, jamais .secca. 

Os campos de arroz installadns em Kitobola antes de 1904 eram 
pouco extensos, não tendo tal cultui^a nessa época senão um caracter 
experimental. 

Dava um rendimento ]:)em satisfactorio : mais de .3.000 kilogram- 
mas por hectare. 

Em 1904 as superflcies cultivadas de arroz foram largamente es- 
tendidas, mas, em consequência de uma estação secca particularmente 
longa, a colheita não foi ajjundante. 

Poude-se, todavia, remetter cerca de 29 toneladas de arroz para 
Léopoldoille para o abastecimento do pessoal negro. 

Com o fito de remediar a irregularidade do regimen das chuvas, 
tentou-se em fins de 1904 um primeiro ensaio de cultura por irrigação, 
cobrindo uma superfície de cerca de 35 hectares. 

Desta vez foi a escassez do pessoal que influiu sobre o rendimento : 
malsde 3/4 da colheita de 1905 se pardeU . 



19-t SOCIEDADE N'ACIONAL DE AORICULTURA 

Esle Iracasso é, em parle, atlribuido a ler sido fundado em 1905 o 
posto de Congolo, no kilometro 258, da entrada de ferro àe Matadia 
Léopoldmlle. 

Um agrónomo do Estado havendo informado ser esse lo^ar 
favorável á installarão de arrozaes, os tralvi Ih adores de Kitobola, 
mais ao corrente da cultura do arroz, foram designados para exe- 
cutar naquella região os tral^alhos de inslallação do um novo centro 
agrícola . 

Um ensaio de cultura ahi foi tentado igualmente, porem os resul- 
tados foram insignificantes em consequência da carência da mão de obra 
e da pobreza do solo. 

Os dous postos reunidos não forneceram em 1905 senão 11 tone- 
ladas de arroz. 

Afim de praticar em larga escala a cultura por irrigação, projectou- 
se estalielecer quatro barragens no Lukunga. 

Elias deviam servir para irrigar os arrozaes e as pastagens ondo 
pascem mais de 400 cabeças de gado. 

Este projecto teve apenas, em virtude de circumslancia diversas, 
um começo de execução. 

Kitobola e Congolo estabeleceram, em 190G, cerca de 45 hectares 
de arrozaes. 

Os campos do Congolo, insiallados em torreno muito ix»bre, 
deram nesse anno ainda, uma producção quasi insignificante; ao 
contrario, em Kitobola a colheita foi de 19 toneladas. 

A experiência adquirida permittiu noanno seguinte, estabelecer 
melhor as culturas, e a colheita saltou a G3 tons. para os dois pastos 
agrícolas junctos. 

Em consequência dos relatórios desfavoráveis dedifferente? agró- 
nomos enviados a Congolo para estudar, de modo aprofundado, o 
valor agrícola desse centro, ficou decidido não mais se proseguir ahi a 
cultura do arroz. 

Todos os trabalhadores de Congolo foram para Kitobola, onde os 
arrozaes insiallados em 190S, cobriam pertode 45 hectares. 

A colheita se annuncia como devendo ser salisfactoria e é de suppôr 
que, mão grado a suppressão das culturas de Congolo, não seja muito 
inferior á do anno de 1907. 

Parece ter entrado agora no período de producção regular. 

Não foi sem diffieuldades que se chegou a tanto. 

O Sej-fiço de Agricultura tentou a inlroducção das melhores 
variedades de arroz das montanhas e dos pântanos, cultivados nas 



A LAVOURA 195 



índias neerlandezas, afim de se obier em Kilobola um producto todo de 
primeira qualidade. 

Por diversas vezes vieram de Bui tenzorg quantidades importantes 
de paddii d'orisa satica, de arestas neyras e brancas, barljudo com 
arestas curtas, brancas e l)arbudo com grSos vermelhos e brancos. 

Outras variedades, arroz do Piemonte, Peruviano, Nostrano, 
Novareteelc. foram igualmente introduzidas por differentes vezes. Os 
resultados obtidos por meio destas variedades foram salisfactorios. 

O Governo assentou não mais cultivar futuramente o arroz em 
Kitobola sinão em terrenos irrigados. 

O projecto de 190G voltou a estudo, e um agente foi encarregado 
de traçar um perfil do valle, afim de precisar o melhor modo de 
irrigação a se adoptar. 

Esse Irabal lio não poderá estar terminado antes do fim do anno. 

O material empregado na preparação do arroz comprehende um 
descorlicador, uma tarara, um separador. 

Essas machinas, que satisfaziam a todas as necessidades em 1904, 
não são sufificientes para attender á producção actual. 

Novos apparelhos foram expedidos no anno ultimo, e, com intuito 
de reduzir em grandes proporções os braços exigido? pelo seu funccio- 
namento, o pasto foi provido de um apparelho accionado por seis 
bois e capaz de fazer funccii)nar simultaneamente todas as machinas. 

O pessoal actualmente empregado nas plantações e na criação do 
gado em Kitobola é de três agentes europeus e perto de 200 trabalha- 
dores negros. 

Os trabalhos agrícolas se fazem, em grande parle, por meio de 
charruas, grades, semeadores e outros instrumentos aratorios, cuja 
tracção é feita por 80 bois. 

Comquanto a cultura do arroz se ache desenvolvida em Kitobola, 
mesmo assim não se descura a producção de outras plantas alimen- 
tares; a mandioca, o milho, as batatas doces, as bananeiras etC; 
cobrem numerosos hectares. 

Po Boletim Offlcial do Congo Belga.) 



êè$&-Jj^«€€€ — 



196 SOCrEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



EXPEDIENTE 



HORTO r>A. PENHA 

Foram executados esto moz os trabalhos normaes do Horto e também as 
diversas culturas, próprias da estação. 

Diversos seruifos (construoçõcs)—Construiu-se um silo, para diversas forragens, 
um tanque para represar as aguas destioadas & irrigação das culturas do arroz, 
do milho e fumo. 

Fez-se um parque aiiuexo ao gallinheiro, para dar pasto ás gallinhas, e um 
gallinheiro portátil, para pintos. 

Serviços culturaes — Est;i-so praticando a p ida nas laranjeiras e outras ar- 
vores fructiforas. 

A vinha tarabei.i foi podada e enxertada. 

Procedeu-se ao preparo das laranjeiras, aflm de se operar opportunamente a 
enxertia. 

Foi feita uma plantação de melões, com adubos chimicos, para seobservaro 
resultado. 

Colheuso a >»»cu>ia, forrageira, era cujas sementes applicou-se o nitrogénio 
antes de serem lançadas á terra. 

O resultado desta experiência' será, noticiado no numero de Outubro. 

Estudo fias Culturas — As plantas destinadas As experencias acham-se em 
bo;is condições: a mucuna, o caupi, trovo encarnado e amarello, mamoma, ara- 
ruta, mandioca e o gyrasol, que está em plena floração. 

As culturas do trigo estão boas, exceptuando-se a variedade do Egypto, que 
apezar do bem espigado, rosente-sa, entretanto, da secea. 

A aveia, o centeio e a cevada também sentiram a secca. 

O cacau está nascendo. 

A beterraba amarella está muito desenvolvida; corú grandes tubérculos. 

Mudas— Tem sido pontualmente feita a distribuirão de muJas e plantas, fru- 
ctiferas, industria.es eornamentaes. 

As secções — Nas diversas secções do Horto, os factos occorridos foram : 

líedíi— Veriftcou-se o nascimento de um cordeiro e de uma cordeira. Ura casal 
de ovelhas, pais dos cordeiros rocem-nascidos, foi aífectido pela sarna. Medicados 
com Agua Electra Sanitas, Acaram radicalmente curados em três dias. 

Os bois do pasto estão começando a ser atacados pelos carrapatos. 

Aflm de extinguir os terríveis parasitas, vai ser applicado aos bovinos conta- 
minados o Acaroina. 

Erperiencias—Uma. plantação de 1 .500 figueiras foi estercada com adubos 
chimicos, e outra de 300 pés, com adubo de curral, o resultado do adubo chimico 
foi superior ao de curral, pois as figueiras ás quacs foi applicado o adubo chi- 
mico, apresentira desenvolvimento igual ás estercadas com estrume, embora 
estas fossem adubadas um mez antes daquellas. 



HORTO DA PENHA 




Plantação definitiva de fructeiras de conde 




Redil 




Gallinheiro portátil, para gallinhas 




Gallinheiro portátil, para pintos 





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talha liollaiidc/ía para irriíiação 




Capinadcira Planet em acção 




Sil( 




Posto .Meti.'111'olo'^ic 




Apiario 



A LAVOURA 197 



Preparo do solo— Es^á arroteado ura terreno para fazer-se o campo do agros- 
tologia, com forragens nacionaes. 

Está preparado outro terreno para alfaia. 

Machinas — Na cultura das laranjeiras serão applieadas as maehinas, «Luiz 
Bueno» e «António Prado». 

Aiprendizaão agrícola — As aulas do aprendizado agrícola continuam fre- 
quentadas por diversos aluranos, que revelam bastante aproveitamento. 

Acridíos— Uma grande nuvem de gafanhotos poisou, no dia 30 deste mez, 
no Horto, poróm, promptamente repeliidos, não causaram nenhum damno ás 
culturas. 

Visitantes— O Horto continua a ser muito visitado. 



MEZ DE AGOSTO DE 1909 

Correspondência recebida : 

Cartas 568 

Offlcios de governos . . . , 16 

» particulares 5 

Telegrammas O 

Circulares 75 

Correspondência expedida: 

Cartas 328 

OíRcios aos governos 4 

Telegrammas 10 

Circulares 702 

Diplomas 16 

Boletim «A Lavoura» 5.289 



Fornecimento de arame no mez de agosto de 1909 

Pedidos feitos 59 

Rolos de 40 kilos 717 

» » 2Ò » 7-19 1.4Ô6 

Metragem 415.818 

Custo no mercado 19:G79íjO0O 

» pela Sociedado . , 12:81i'|6S0 

Economia realizada pelo sócio 6:868§320 

6404 



198 SOCIEDADE NACIONAL DB AGRICULTURA 

r>r. SoiisKii TCeii^ — Após uma ausência prolongada no Maranlião, para 
onde fôra em exercício de sua proãs-são de eiigeatieiro. che<^ou a esta cidaae, no dia 
14 do corrente, o 1° secretario desta sociedade, Dr. Souza Ruis, a quem ella deve 
efflcuzes e relevantíssimos serviços. 

Ao seu desembarque compareceram uma commissão representando a directoria 
da sociedade nacional, uma outra com funcções de representar os empregados 
da mesma, sendo conduzido de bordo paia a terra em lancha e-^pecial para esse 
tim destinada e em automóvel até. sua residência. 

A Lauoura, que também se honra da sua valiosa collaboração, põe de mani- 
festo ao Dr. Souza Reis as suas expressões de boa vinda e longa permanência entre 
os que o estremecem . 



Sócio x-emido — A requerimento do sócio Dr. Bellarmino de Souza 
Pires, pedindo llie seja expedido o diploma de sócio remido da Sociedade Nacio- 
nal de Agricultura em virtude de jà haver cumprido as exigências do § 1» do 
art. ^2 do regulamento da mesma Sociedade, — a Directoria, em sessão de 4 de 
agosto, resolveu maudar conferir o respectivo diploma. 



Feiras livres e colónias ag^rieolus — O Sr. Dr. Wencesláo 
Bello, presidente da Sociedade Nacional de Agricultura, propoz, em sessão de Di- 
rectoria de 10 do corrente mez, fosse pedido ao Prefeito do Districto Federal a 
installação de feiras livres e a fundação de colónias agrícolas nos subúrbios. 

A proposta foi approvada. 



Dr. Xori-es Ooti^im — Foi lida em sessão de 18 do corrente uma 
carta do Sr. Dr. Eduardo A. Torres Cotrim communicando sua prosima viajem 
á Republica Argentina, onde assistirá á Exposição Rural de Palermo, e offe- 
recendo os seus serviços naquelle certamen sem ónus para a Sociedade. 

A Directoria resolve seja investido o Sr. Dr. Cotrim de funcções represen- 
tativas da Sociedade Nacional do Agricultura junto áquelle certamen. 



SEOÇÃ.O TEOHIVIO.A. 

r>es filtrador es I>uclxeniiii — Em preseaç;i. do Presidente e mais 
mem.bros da Directoria desta sociedade e de illustres pessoas interessadas no 
assumpto, taes como os Srs. Senador Quintino Bocayuva, Coronel Guaraná, Coronel 
Cornelio Lima, Sampaio Vianna, Dr. João Cabral, Padre António Ayres do Mello, 
realisou o Sr. Duchomin, no dia 31 de julho próximo passado, ás 3 horas da tarde, 
na sede da mesma sociedade, as experiências, que annunciara, com os apparelhos 
desQbradores de sua invenção. 

Installados os apparelhos do modo mais conveniente e simples no vão de uma 
das portas do andar superior, o Sr. Duchenim deu começo às experiências, fazendo 
acompanhar o trabalho de desfibramento com cxulifacões amplas e minuciosas. 



A LAVOURA 199 



Hastes' de bananeiras c folhas de piteira, de saosevieria e de sisal, procedentes 
do Horto Fructieola da Penha, que a sociedade mantém, constituiata o material de 
experimentação. 

Deram resultado satisfactorio o sisal, o sansevieriae a piteira, conseguindo 
grande numero ao amostras, fibras que, depois de rápida lavagem, se apresentaram 
limpas e bem alvas, convindo assignalar que no flm das experiências já se achavam 
enxutas e consequentemente promptas para o mercado. 

Pensa o Sr. Duchemia que o sisal ou Henequera existente no Horto da Penha 
ó de maior riqueza em fibra do que o do México, onde O nativo ; confessa-se admi- 
rado da estupenda riqueza que o solo do lírazil possue para essa e outras especiali- 
dades, muito mais culminante mesmo do que teve occasião de verificar na índia, 
China e Philipplnas. 

Felicitamos o Sr. Duchemin pelo bom oxito de suas experiências. 



A. Incltxstria, dia Seda — O Sr. Amílcar Savassi, Director da Colónia 
Rodrigo Silva, em Barbacena, e Redactor do SerícícwZío}-, daquella cidade, offereceu 
ao Exmo. Sr. Dr. Wencesláo Bello, digníssimo presidente desta sociedade, um ma- 
gnifico tecido de seda, fabricado com seda produzida pelos casulos criados pelo 
Sr. Savassi na referida colónia. 



Café puro— No dia 28 deste mez, o Sr. Pedro António Fagundes, o incan- 
sável propagandista e cooproprietario do café «Bom Gosto», com sede em S. Paulo, 
á rua João .4.1fredo, fez, nesta Sociedade, uma exposição dos cafés preparados aa 
sua torrefacção. 

Dedicado aos assumptos referentes ao café, o Sr. Fagundes moveu em S. Paulo 
uma campanha contra os industriaos que torravam café com impurezas. 

Mas, a não ser pelo gosto, ao ingerir a infusão, não se poJia, com certeza, 
afflrmar se o café era ou não impuro. 

A' vista dessa difflculdade, o Sr. Fagundes cogitou de descobrir um processo 
seguro que facultasse os meios exactos para distinguir um pó de café puro de um 
que não o é. 

Para attingir a esse desideralum, elle torrou, separadamente, duas porções do 
café, sendo uma de grãos perfeitos, isentos de qualquer impureza, e a outra com- 
posta de grãos perfeitos misturados com grãos pretos, ardidos, fragmentos do 
páos, ete. 

Depois de torradas, as duas porções, coUocou, cada uma num copo e verificou 
que, logo após ter assentado o pó no fundo dos copos que continha pó puro, pro- 
duzio um liquido do còr inan-on, uniforme, com agradável aroma ; ao passo quo 
o liquido do copo que tinha pó impuro deu uma côr de lama e estava todo salpi- 
cado do ponticulos pretos que denunciavam os cafés podres que continha a porção 
torrada, o o liquido não desprehendia aroma. 

Divulgado este processo elle contribuio para esclarecer o consumidor, e o 
café «Bom Gosto» adquiriu a preferencia do publico paulistano. 

O referido estabelecimento tem sido visitado pelos homens mais importantes 
deS. Paulo e também por diversos viajantes illustros de outros Estados. 

A exportação do café «Bom Gosto» está sendo feita para a Itália, era porções 
de 5 kilcs no mínimo e 60 no máximo. 



yOO SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Est 18 remessas, em geral, são feitas por italianos residentes em S. Paulo, 
como presentes a amigos e pareates residoates naquelle paiz. 
E' este um bom meio de propaganda. 



Fornscimentos aos sócios 

Tirando partido de seu caracter de associação, já prestigiada com 
cerca de 3.000 sócios, a Sociedade, no intuito particular de demonstrar 
a utilidade e o mecanismo dos syndicatos agricolas, empreiíendeu favo- 
recer os seus sócios com o suppri mento de géneros estrangeiros e na- 
cionaes, a preços mais reduzidos do que os docommercio a varejo. 

Com esse propósito e valendo -se dos favoras aduaneiros que a lei 
confere ao Syndicato Central dos Agricultoras do Hrazil, lera forneoido 
arame farpado e respectivos grampos. 

Além disso e mediante contractos especiaes, tem fornecido, a preços 
reduzidos, o formicida Paschoal, o álcool e machinas agrícolas. 

Revendo todos os seus contractos e fazendo outros que começam 
agora a vigorar, a Sociedade está habilitada a fornecer arame farpado e 
respectivos grampos, enxadas, machinas agricolas, álcool, formicida, 
colmeias nas condições que passamos a indicar: 

ARAME FARPADO 

Rolo de 26 kilcs cora 160 metros de flo a. . . . 6^880 
Rolo do 40 ivilos com 402 metros de fio a. . . . lO.^jBSO 
Grampos para os mesmos, o kilo a $360 

ENXADAS BEM CALÇADAS DE AÇO 

Marca Marca 

Radiante Raio 

De 2 libras 1$420 1^70 

De 2 V» libras 1$520 l,-,i370 

Do 3 libras 1$630 1*530 

De 3 Vs libras 1$780 1$630 

De 4 libras 1$930 1$730 

lOICES 

Ns. 1-2-3-4-.5-6-7-8-9-10-11-12, aos preços respectivamente de." 
$G00 — $670 - $730 — $810 — $890 — 1$000 — 1$130 — 1$300 
— 1$500 — 1$600 — 1$800. 

SALOXO 

Um preparado de sal e peróxido de ferro, próprio para alimentação 
do gado, é económico e asseiado por ser em tijolos de 5 a 10 kilos, não 



A LAVOURA SOI 

sujando as baias ou legares onde são collocados e sem desperdício. Preço 
200 réis o kilo, com 5 7o de abatimento. 

MACHINAS agrícolas 

Dos principaes fabricantes, com atetimento de 5 a 10 7„ sobre os 
respectivos catálogos e transporte gratuito nas estradas de ferro. 

ÁLCOOL 

De força de 40°, em latas de 18 litros, pelo preço das vendas em pipa 
o que corresponde a uma reducção de cerca de 10 "/o- 

sulfato de cobre 
Para tratamento de plantas ao preço de— kilo , . . $650 

FORMicroA 

Paschoal : 

Latas contendo 4 litros 4$ 100 

Caixa com 4 latas 16|400 

Schomaker : 

Botija contendo 1 Va litro 3|700 

Caixa com C, botijas 22$000 

COLMEIAS 

Com os mais modernos aperfeiçoamentos pelo preço de 15$000 

CREOLINA 

A mais reputada das creolinas de fabricação nacional 
denominada Cresolina Werneck, com uma economia 
de 20°/ o sobre os preços do mercado, custando 
cada lata com l litro 1$200 

lacticínios 

Installações completas para industria de lacticínios pela casa Hop- 
kins Causer & Hopkins, com abatimento médio de 5 °/o • 

Para gosar destas vantagens o interessado deverá satisfazer as se- 
guintes condições : 

1^, ser sócio quite da Sociedade Nacional de Agricultura ; 

2^, ser agricultor, apresentando disso provas bastantes a juízo da 
Directoria da Sociedade; 

S^', formular o pedido directamente á Sociedade e por escripto ; 

4°, pedir somente para o seu próprio consumo, indicando o nome 
e a situação da propriedade a que destina o emprego do producto ; 

5^ enviar á Sociedade,, junlamentecom o pedido, a sua importância, 
ou uma ordem para o seu pagamento contra casa commercial ou ban- 
caria com sede na Capital I'ederal . 



202 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



SECÇÃO DE PLAIVXA.S E SEMENTES 

Boletim da distribuição de sementes e plantas feita durante o raez de afrosto de 1909 



ESPECIFICAÇÃO 



Sementes 



Abóboras .... 

Acelfra 

Allafa 

Algodão .... 

AiToz 

Aveia 

Avena elatior . . 
Beterraba forrageira 
Bromus gigantous . 
Capim gordura ruxo 
Capim jaraguá . . 
Castanhas do Porá. 

Cebolas 

Cenoura forrageira. 

Cimteio 

Cevada 

Couve rutaboga. . 
Dactylis glomerata. 
Dolichos Lablab . 
E-parsetta. . . . 
Bucalyptus. . . . 

Feijão 

Festuca .... 

Fumo 

Gyra-sul , . • . 

Holcus 

Juta 

Lacthyrus sylveslris 



UNIDADES 



21 



kg. 
2.995 


74 


10,950 


9 


526,000 


31 


285.500 


20 


875,000 


40 


47,000 


10 


C,500 


7 


25,450 


22 


1,180 


4 


1.880,000 


190 


5.013,000 


505 


— 


1 


4,145 


57 


22,950 


27 


•'51,000 


11 


40,000 


13 


2,750 


12 


000 


2 


8,700 


4 


1,600 


3 


955 


29 


18,000 


4 


1,600 


3 


245 


2 


4,000 


18 


1,850 


3 


700 


3 


600 


2 



A LAVOURA 



203 



ESPECIFICAÇÃO 


UNIDADES 


PES03 


VOLUMES 


Lolium (Ray grass) 


5.127 
28 
149 
74 

1.463 


kg. 
5,200 

030 

22,200 

2,125 

2,120 

224,000 

18,000 

8,400 

700 

1,255 

600 

3,400 

31,000 

11,700 

12,000 

2,195 

89,500 

21,100 


5 


I upulo. •.., •■• ••• . 


3 

11 




Melancia .... ,.., 


66 


Melão 

Milho . . 


72 
44 


Mucunã forrageira • . • . . 


5 




7 


Phleum Pratense ......... 


2 


Pimentão doce 


32 


Poa trivialis , . 


2 


Serradella 


4 


Sorgho , . 


13 


SuUa 


4 


Theosinto 


6 


Tomate 


75 


Trigo . . , . . 


16 


Viscia saliva 


7 


Plantas 

Bacellos de videiras 

Cannas «Porto Macáo» 


54 
1 


Fructúiras de clima frio 


G 


Manivas de aipim 


1 


Raizes de consoli^las (Synipliituni) 


26 


Somma 


6.864 


9.270,795 


1.568 







204 SOCIEDADE NACtOXAL DE AGRICULTURA 

BIBLIOTHECA. 

PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS 

Temos recebido mais as seguintes : 

Bullelin of the Agricultural Experiment Station of Ncbraska, — Xs. 103 a 100. 

The AgricuUural Experiínenl Station o/' the Colorado AgricÀltural CoUege. — 
Boletins 136 a 140. 

The DuUclin of the North Carolina Department of Agriculture, — Volume 30, 
n. 6. 

Mimoria Anual, do Instituto de Segunda Enseiíanza de La Habana. — Anno 
1907-1908. 

Boletin Mensual de la Defensa Agrícola. Publicação do Ministério da Agricultura 
da Republica Argentina.— Ns. 22 e 23. 

Journal d' Agriculture Tropicale. E' seguinte o summario do ultimo numero 
desta publicação agrícola que se edita em Paris, tendo sua redacção á rua Jeanne 
d'Arc prolonp-ée, 164. 

L'iilevage et les Plantes fourragères au Costa-Rica: espèces pour pâturages, 
espèces pour fauohaisoD, utilisitiondes Bananiers (par M. Van der Laat). — Cacao 
et cabtilloa: cultures corabinées (par M. H. Hamei. Smitu).— Saignée du Funtwnia 
par incisions verticales: les expériences doM. Schui.te im Hoie, avec 4 fig. (par 
M. O. Labroy).— Organisation générale des plantations d'Hevea: La question de 
Técartraent dos pieis (par M. G. Vernep).— LExposilion des Produits textiles de 
rofflce Colonial (par M. F. Main). — Nntes d'actualiti's sur: La Destruction des Rats 
par le sulfure de carbone (par M. DE Kruyff). — LVHoufferaent de T.Mang par le 
Passiflora fcelidn et le Mihania scandcns. — Le Coton Caravonica en Nouvelle-Cal(?- 
donie. — Les Engrais potassiques daas la culture du Tabac. — L'ombrage dans les 
plantations de Cifiíiers. — A propôs du semis de VHeeea. — Une entreprise françaiso 
d'impoi'tationdo Bananes. — Une nouvelle utilisation du Rapliia. — L'exploitation 
pour la Laine de larace de Moutons du Micina, en .Vfrique occidentale. — Lo Com- 
merce de Mingues à, Paris (par M. P. Goriot). — Mercuriales mensufllesdu Caout- 
chuuc, du Cólon, du Café, du Cicao, de la Vanille, de? Fibres, ilu Sucre do canne 
etsous-produits, de Matières grasses coloniales, des Produits de Droguerio et di- 
vers, des Produite d'Extrême-Orient. — Mercurialo africaine dii Liverpool. — 15 
analyses bibliographiques. 

Exportador Americatio, do Nova-York.— Vol. LXIV, n. 2. 

A Evolução. Revista de economia, agricultura e commercioque se publica em 
S. Paulo.— Anno Il,n. 47. 

Ifoeo Mundo. Jornal de propaganda do commercio, da lavoura p da industria, 
desta Capital. — Anno I, ns. 1 a 0. 

A Pila. Boletim de informações da Empreza de Fibras Rio Grandense de S. Se- 
bastião do Cahy.—l" serie, n. 1. 



Irrigations et Drainage por E, Risler e G. Wéry . E' o titulo do ultimo volume 

da Encytluperlie agricole, da qual são eJitoi'es os Srs. .1. R. Baillií>re et Fils. No fira 
da presente secção publiuamos o prospecto desta obra, por onde sj poJora avaliai- da 
sua real utilidade. 



A LAVOUllA 205 



The Canning o fPeas T^ov k. W. Bitting. Washington, 1909. Publicação do 
Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da America do Norte. 

Chimical Sludies of American Barlei/s and Malts pov J. A. Le Clero e Robert 
Wahl. Washington, 1909. Publicação do mesmo departamento. 

Ditrc-hiUti/ and Economi/ in Papers for permanent Records. Washington, 1909. 
Também do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da America da Norte. 

EC Jubileo de la Cria Dur/iam no estabelecimento « Santa Maria » de Carlos A. 
Arocena. Paysandú, 1909. 

Memoria sobre a Herva Matte. Justificação das indicações apresentadas ao 
2° Congresso Nacional de Agricultura, pelo Dr. Jayme Reis. Corytiba, 1909. 

O Malte ou Chá do Paraná por Eduardo Heinze, cônsul do Império Ailemão. 
Corytiba, 1909. 

Experiências sobre o emprego de adubos chimicos ni cultura do cafeeiro. Rio de 
Janeiro, 1909. 

Resultados de Experiências de Adubações. Esta publicação, bem como a prece- 
dente, foi-nos remettida pelo Centro das Experiências Agrícolas do Kalisyndikat 
que tem a sua sede no Rio de Janeiro á Avenida Central 1 17 ( 1° andar). Estas, como 
as demais publicações, são pelo mesmo Centro enviadas a toda pessoa que as desejar, 
independentemente de qualquer despeza. 

Dictadura, Parlamentarismo, Democracia, por J. F. de Assis Brasil. Pe- 
lotas, 1909. 

Terceira reunião do Congresso Srienlif/co Lati no- Americano . Relatório Geral, 
tomo III, livro A.— Rio de Janeiro, 1909. 

Estatística Agrícola e Zootechnica, no anno agrícola de 1904-05, das seguintes 
localidades do Estado de S. Paulo: Natividade, Rio Bonito e Santo Amaro. 

Estatutos da Sociedade Mineira de Agricultura. Bello Horizonte, 1909. 

Estatutos da Sociedade Amazonense de Agricultura. Manáos, 1909. 

Regulamento e Programma da 2» Exposição-Peira promovida pela Associação 
Rural de Bagé a rcalisarse nos dias 10, He 12 de outubro do 1909. 

Camera Italiana di Commercio ed Arti in S. Paulo. Relatório do exercício 
1908-1909. 

Banco de Custeio Rural de São José do Rio Pardo. Relatório de março de 1909. 

Caísse centrale de Crèdit du Bcerenbond. Relatório apresentado á Assembléa 
geral de 13 de abril de 1909. Louvain, 1909. 

CATÁLOGOS 

Baage efe Sclimidt, de Krfurt (Allemanha). Catalogo de bulbos o tubérculos de 
llores, sementes e plantas para o outono de 1909. 

•Vete YorÃJl/arAeí Gardener'sAssoceaíion. Caixa do correio, 1423. Catalogo de 
amores-perfeitos e de sementes, 1909. 

Merryweather & Sons, constructores de machinas contra incêndio e engenheiros 
hydraulicos. Greenwich road, S. E., Londres. 

Estabelecimento «LabelUflos-». \ooTSchoten (HoUanda). Catalogo de bulljos de 
flores e de diversas plantas. 1909-1910. 

Knox Fence Co. Lebanon, Nova York, Estados Unidos da America do Norte. 
Catálogos dos materiaes necessários á construcção de cerca do arame, abrigo de 
arvores, etc. 

G.iO-i 4 



206 SOaEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Ix>z-ig-a.tioiii^ et clx>a,iiia;ja:e. L'eau dans les araôliorations agricolea, 
parE. RisLER et G. Wért, sous-directeur de rinstltut national agronomiquo, 2* 
édition eittiiremenl refondue 1 vol. in— 18 do 540 pages avec 160 flg. Broche: 5 fr., 
cartonné: 6 fr. íKncycíopádte o^Wcoíô). Librairie J.-B. Baillière et fils, 19, rue 
Hautefeuille, Paris.) 

Ce livre comprend trois parties: 1" Tean, la plante et le aol; 2» Temploi de Teau 
en Agrieiíltiire ou les irrigations; et 3° la defense contre les eaux nuisibles ou le 
drainage. 

Les auteurs retracent d'abord le role de l'eau dans la vie des plantes. Puis, ils 
étudlont ses relations avec le sol, comment elle y penetre et y circule, commont 
elley est retenue, quelssunt lesélémonts defenilitéqu'eUe y peut laisser, ceux 
qu'elle dissout pour lesdonnerimmédiatement aux plantes ou les tranóporter au 
loin. Ils consacrent un cliapitre au regimen des eaux dans les diverses formations 
géologiques. 

MM. Risler et Wéry fournissent d'abord une base scientifique à i'appréciation 
de ropportunité de rirrigation, à celle de son intonsité ou, au contraire, à celle de 
la necessite du drainage. 

Lorsque les pluies qui tombent penlant la póriode de la vie active des plantes 
sont insufflsantes <1 les satisíaire ot que, durant rhiver, le sol n'a pu emmagasiner 
de reserves, il convient d'irriguor. Mais lorsque la terre gorgée d'eau par les 
pluies et les neiges de riii ver, ne peut s'en dôbarrasser n;i,tiavllement, il faut la 
drainer. lei, il faut distinguer les terres oii les eaux suraboniiautes ne proviennent 
que des pluies qui sont directement torabées sur elles et les terres qui souffrenl en 
outre des pluios tombétíS en amont, parfois três loin, ot dont le ruisselloraent ou 
les couciíes souterraiiies ont, araeuó le produii. Les procélés dassaiiiisseraent 
ne sont pas les rnêmes dans Tun ot Tautre cas. Dans le second, il faudra 
d'abordc(iuper les sources, étcindre les mouiilsères, 8'opposer à la réunion des 
eaux du haut á celle du bas. 

Après avoir étudiô les effets de Tirrigation, en insistant sur Taération du sol, 
les auteurs décrivent dans la secoiide partie de leur livro los dilTéreates mé- 
tbodes (1'an'osage ot les conditioiís de leur eraploi. II faut approprier rirri- 
gation à la pente du sol, à la nature des plantes, aux qu anti tés d"eau dont on 
dispose, en rooherchaut les procúdís los pins simples, partant les plus économiques. 
La techuique de rirrigation est étudiée avec le plus grand soin. Des auteurs achè- 
vont de remplir leur projramme en traitant de la création, de Tentretien dea 
prairies irriguées et de leur pratique, do leur arrosage. 

La troisième partie de rouvrage est consacrée au drainage. En ce qui concerne 
lo drainage moderno, les auteurs reeommandent le drainage transversal oii les 
cnllccteurs sont placés suivant la plus graúdo pente et les drains en travers. Ce 
procede Temporte tant sous le rapport de rt^conomie que sous celui de Ténergie de 
reíTet produit et de la durée des travaux. 

La 1°'' édition de ce volume a été couronníe par la Sociétó Nationale d'Agricul- 
ture, cotte ã° édition a áté entiôrement refondue et três dôveloppée spécialeraent 
das les chapitres de technique pratique. 



EXPOSIÇÃO DE HYGIENE 




EFI-Hirtí DO NITROGÉNIO NA ERVILHA 

A primeira planta da esquerda tem adubo animal; a segunda 
escoria de Tiiomas, e a semente da terceira foi inoculada com 
baterias de nitrogénio. Foram semeadas ao mesmo tempo, com a 
mesma semente e na mesma terra. 





EFFEITO DO NITROGÉNIO NAS I-AVAS 

A planta da direita, inoculada, 
produziu quatro vezes mais que a da 
esquerda, não inoculada. 



EFFEITO DO NITROGÉNIO NA ALFAFA 

Duas planta.s do mesmo tempo e 
na mesma terra. A da esquerda não 
teve applicaçâo do nitrogcniti; a da 
direita a teve. 



A LAVOURA 207 



NOTICIÁRIO 



Exposição ds Hygiene 

Secção de "Vetei^inax-ia — Em uma das salas do pavimento térreo 
do Palácio dos Estados, na Exposição, o Sr. Manuel Bernardez, jornalista uruguayo 
e criador no Prata, installou a sua Exposição Veterinária, composta de alguns 
medicamentos específicos e diversos apparelhos modernos e mais usados na Ingla- 
terra e nas Republicas do Uruguay, Estados Unidos, Argentina e França. 

No dia 29 de agosto, o Sr. Bernardez, em phrases simples e claras, explicou 
aos visitantes o funccionamento dos apparelhos e a applicação dos medicamentos 
expostos. 

A-pparelho de < E-ren > — O castrador privilegiado de Even, suppri- 
mindo a faca, a torsão, a voltn, o macete e todos os processos empirieos ou barl.)a- 
ros, supprimiu, ipso-facto, a infecção e, por consequência, a mosca, a bicbeira e o 
tétano, tendo, portanto, resolvido, completamente o problema da castração, nas 
espécies bovina e laui^^era, desde três dias até seis raezes de edade. 

Além desta edade, este apparelho não deve ser appliaíido. 

Entretanto, esta circumstancia não o desmerece de valor e de utilidade, pois 
é sabido que a operação de castrar, em tudos os paizesadeiintadus na industria pas- 
toril, é praticada na primeira semana após o nascimento do terneiro ou do cordeiro 
e isto porque quanto mais novo é castrado o animal menos risco corre da operação 
e ficando incapaz para a pratica da funcção genésica, engorda rapidamente. 

O manejo do castrador « Even » é facilimo e está ao alcance de qualquer 
vaqueiro. 

A.ppa.r,ílIios para a mrirca e tatiiag^em — São ellas duas 
operações dillerentes e com flas diversos. 

Assim, a marca assegura a propriedade do gado ; a tatuagem, entretanto, prova 
a identidade do animal, isto é, confirma o St^id ou o ffi-rd Booh, conforme a espé- 
cie de que se trata. 

Não basta, pois, o registro ou a resenha, ô imprescindível a prova material e 
essa é: a tatuagem. 

Estando os individues identiflcaios, póde-se organizar as famílias pecuárias, o 
que 6 de grande alcance económico para a obtenção dos melliores preços, pois so- 
mente por esse processo pôde-sa provar a filiação e a desccndoiicia do animal. 

Executa-se a tatuagem collocando-se no apparelho os números, leitras ou 
signaes que se desejam, impregnados de uma tinta especial, indelével. 

Marca-se desde O até 9999. 

A operação é praticada na orelha, pelo lado de dentre. 



208 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

A. leg-allsação <la.s niai-cas — Este assumpto tem dous lados, um 
matorial e outro legal. 

Pelo Ministério da Agricultura deverá ser croada a lei, para a systematisação 
em todos os Estados, da technica da marca, não só quanto ao taraaiilio das mesmas 
mas tainbem quanto á parte do animal onde ella deve sor applica ia. 

Porque (5 claro que a marca, muito visivel ora animaes de luxo, desmerefe-cs 
no preço e na estliefica. 

A lei solire marcas na provincia de Buenos Aires, onde a criação está muito 
adeantada, manda marcar no meio da perna esquerda. 

O tamanho das marcas nas líepublicis do Prata 6, no máximo, de 12 centíme- 
tros. No Ixio Grande está, muito usado o systema de lettras pequenas. 

Para a operação de marcar usa-se, no Prata, o apparelho Carvallio, fabricado 
de uma só peça, com um metal privilegiado, de duração indefinida. 

As marcas Carvallio adquirem cora rapidez o calor e irradiam-no lenta- 
mente ; por is.so póde-se marcar &lé nove animaes .-iem voltar o ferro ao fogo, cora 
grande economia de tempo e de dinlieiro. 

Estas marcas não estragam o couro e não ferem os animaes. 

Medicamentos — Tendo a praga dos carrapatos affectado em larga 
escala a criação argentina, o governo daquelle paiz poz i}m execução medidas enér- 
gicas para a exiincção ila praira. 

Para Isso dividiu a zona pastoril em três partes. 

A primeira completamente invadida pelos carrapatos, a segunda em começo de 
invasão e a terceira ainda não visitada por elles. 

Nas três linhas divisórias em que seccionou a região pastoril mandou construir 
banheiros. Nestes banheiros 6 misturado com a agua o Sart^ol Triple, que ô um 
li<luido especial para matar carrapatos e os bernes. 

Os banheiros são construídos de modo que ao atravessal-os, os rezes teem que 
dar forçosamente um mergullio. No mesmo banheiro são banhados centenas de rezes 
por dia. 

No fim de oito dias, no máximo, cabem os carrapatos. O custo de cada banho 6 
de 250 réis, para um animal, ficando elle iramune durante alguns mezes de apanhar 
novos carrapatos. 

Para provar o resultado magnifico destes banheiros, basta dizer que, ao insti- 
tuil-os, teve o governo grande opposição por jurte dos criadores; entretanto, 
actualmente, só banheiros, pertencentes a particulares existem na Argentina e 
Uruguay 800. O governo argentino mantém 04 banheiros. 

Calcula-se o prejuizo que os criadores brasileiros teem nos couros em 11.000 
contos, porque a totalidade dos couros tem carrapatos e 50 % teem bernes. Um 
cjuro com carrapato perde de 10 a 15 °/„ de valor, e si tem berne perde 30 %• Em 
consequência, quando concorrem as duas pragas, a depreciação ó do 40 %• 

Calculando sobre seis milhões de couros que deve produzir o Brasil, em virtude 
de sua povoação liovina, também calculada em 20.U00.U lO de cabeças e dando a cada 
couro o valor de 15s, teriaraos que a industria pecuária perde todos os annos 9 000 
contos de couros com carrapatas o bernes e 2 000 contos nos que só teem Ciirrapatos. 

E' opportuno declarar que o gado do Rio Grande tem carrapatos mas não tem 
bornes. 



EXPOSIÇÃO DE HYGIENE 



SECÇÃO VETERINÁRIA. 




APl'LICA(,ÃO DO VAPORISADOR 

Curando uma ferida, com vaporisação de jcMXiina. 




A MAIO AVÃO COM MAU. AS PRL VIL1!< il AMAS 



.CARVALHO ' 



Marcando numa estancia oriental, sem derrubar 



íado. 



A LAVOURA 209 



Do exposto se conclue a necessidade que temos de installar os banheiros. 

Além do medicamento especial já referido para os carrapatos, tem a Exposição 
Veterinária diversos outros, entre elles a Acaroina, para a cura da sarna dos car- 
neiros (moléstia que produz o empastamento da lã), Sabão Sarnol, Kerafilina, re- 
médio para os vasos dos cavallos e as unhas dos touros, etc, etc. 

A.ppa,i'ell»os a,u.xiliai-es — Pinças «Reynal». Instrumento clássico 
para a castração de animaes adultos, de qualquer espécie. 

Seringas de metal, de um litro. 

Turquezas para furar o nariz dos touros, argolas para o nariz dos mesmos, va- 
porisadores para fazer lavagens locaes, bengalas hyporaetricas para medir 
cavallos, etc, etc. 

Foi-ragens — Na mesma exposição a que nos vimos referindo estão exhi- 
bidas sementes de diversas forragens, leguminosas, sendo: trovo, varias espécies ; 
sorgho balipence, que Bernardez afflrmou, por experiência, ser boa, resistindo á, 
secca, por ser rústica. 

Esta parte da Exposição é também importante, porque os animaes precisam de 
variedade de alimentação, porque é pelo systema mixto de alimentação, que olles 
ingerem as substancias diversas de que o seu organismo necessita para o seu per- 
feito desenvolvimento. 

A industria pastoril e pecuária no Brasil tem grande futuro. 

O nosso paiz será grande criador de carneiros e embora não possa o nosso cria- 
dor ter como os do Rio da Prata quatro a seis carneiros num hectare, terá dous, 
mas sendo a terra barata o resultado será de grande alcance económico. 

Para que a industria pastoril seja, brevemente, entre nós uma grande riqueza, 
o critério a seguir ó a importação das raças que deve ser de acoôrdo com o 
meio. 

Si o meio onde o animal tiver de viver for rude devera ser importadas raças na- 
turaes ; porém, si a vida for fácil ao animal, a raça podo ser artificial. 

A importação deve obedecer ainda à especialisação industrial do criador, isto 
é, si quer raças para produzir carne, deve importar as raças especiaes para este 
flm e assim para o leite ou para a manteiga e para o tiro. 

Visitantes — Entre as pessoas que ouviram a prelecção do Bernardez no- 
támos o Dr. Wencesláo Bello, presidente desta sociedade; Drs. Cbristino Cruz, 
Penido e Dário do Barros, pela A Lavoura, e niuitaí outras pessoas, cujos nomes não 
nos foi possível obter. 

Iiií"oi'iiiações — Para consultas e informações e remessa de catálogos, á, 
rua do Cattete n. 234, Deposito Veterinário. 

Laboratório Militar de Bactei-iolog-ia e Serviço de 
Veterinária do Exercito — Esta secção da nossa organisação militar, 
installada em uma das salas do palácio dos Estados, na Exposição, attraa a atteação 
do visitante, porque revela o adoantameato do nosso exercito, neste assumpto, quo 
constitua ho.o um importante ramo da arte militar. 



210 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Eatre os apparelhos expostos notámos os seguintes: 

Apparelho para a detenção de aniiniies ; apparelho crematório, ijue é desti- 
nado á incineração de animaes que tenham servido do inoculação de moléstias con- 
tagiosas ; banho-maria, applicalo para esterllisar o seium, simultaneamente, por 
aquecimento e filtração. Este apparellio também pôde ser aproveitado como estufa 
para culturas. 

Apparellio de Molascez — E' um sxcollente apparelho para detenção de peque- 
nos animaes. 

Apparelho de Emmerich, serve para a analyse bacteriológica do ar. 

Filtro Kitosato, destina se á filtração rápida do líquidos orgânicos. 

Apparelho Cryoscopioo, para as principaes verificações cryoscoplcas do sangue, 
da urina, etc. 

Geloira-estufa, do Dr. Chiquel, para a analyse bacteriológica das aguas. Este 
apparelho conserva a agua á temperatura de 0^ 

Gamara escura, para microphotographia. 

Apparelho para a fabricação de oxygenio. 

Folie-Massarico. 

Apparelho de alta frequência, para os raios X, 

Desecador, apparelho completo, com diagére niekelada. 

Apparelho do Dr. Carriere, para a cultura de anaeróbias (em tubos ou em 
placas). 

Polarimetro de Jellet-Cornu . 

Ophtalmoscopio de Badal. 

Apparelho de Abbé, para desenho histológico. 

Ferraraetro, que é applicado com resultado satisfactorio na dosagem do sangue. 
Funcciona com o auxilio do memometro de Fleichl . 

O apparelho destinado especialmente á. dosagem da liemoglobina é o Espectroz 
cospio pelo instrumento de Henocque. 

A. Veterinária, na, Eacposiçíio — O Instituto OswaMo Cruz expo- 
modelos de estrebaria dos cavallos immunisados, baia da estrebaria e a estatística 
da producção da tuberculina, a qual reproduzimos em outra noticia. 

Tu.toercu.lose too-vina — A producção da Tuberculina, para o dia- 
gnostico da tuberculose dos bovinos, no Instituto OswaMo Cruz foi a seguinte : 

ANNOS VIDROS 

i904. • 4.080 

1905 565 

1906 2.000 

1907 l.GOO 

1908 2.030 

Inspectoria de Mattaa e Jardins — Este departamento da 
Prefeitura, com sede no jardim da Praça da Republica, exhibiu, na E.xposição, os 
espécimes adoptados na arborização da cidade. 



A LAVOURA 211 



Mianixel <i'Huicqu.e — E' com pezar quo noticiamos o falleoimeato do 
Manuel d'Huicque que foi um grande trabalhador. 

A elle o Brazil deve, em parte, a divulgação do nosso café na Argentina, 
pois, de sociedade com o Dr. Alberto A. de Oliveira, de S. Paulo, fundou, ha annos, 
em Buenos Aires, «La Brasilena», casa especialista na venda do café, era chicara, 
em grão e em pó, e que é no género um estabelecimento de primeira ordem. 

Quando o Dr. Campos Salles, então Presidente da Republica, foi a Buenos Aires, 
visitou em companhia do general Roca, «La Brasilena». D'Huicque ao lado de 
Alves Lima, prestou grandes serviços ao nosso Paiz. 

Na Exposição Nacional de 1908, Manuel d'Huicque exhibiu um mostruário a 
que deu o nome: — Hygienização do Café. 

Ao lado da coUecção dos diversos typos de cafés brazileiros e extrangeiros 
estavam os frascos contendo as impurezas do café . 

O referido mostruário pertence actualmente ao Museu desta Sociedade. 

A Secretaria da Agricultura de S . Paulo possue também um mostruário do 
mesmo género (café), também offerta do M. d'Huicque. 

Para produzir a Hygienização do café, isto é, expurgal-o de todas as impure- 
zas, possue, < La Brasilena » machinismos especiaes, assim como tem machinas 
para catar, separar e torrar o café. 

« La Brasilena » tem cinco casas flliaes em Buenos Aires. 

Nas exposições: Internacional de Hygiene de Buenos Aires, em maio de 1904, 
na Industrial Permanente da Florida, em 1903, na Internacional de Alimentação 
do 1905, de Pariz, na Internacional de Milão de 1900, na Internacional de Hygiene, 
de Montevideo de 1907 e na Exposição de Londres, em 1906, « La Brasilena» con- 
correu com o nosso café e foi galardoada com diplomas. 

Na Exposição de Milão lhe foi conferido o Grande Premio. 

VlnsHlut International d'Alimentation et dHygiene de Paris distinguiu 
M. d'Huicque, proprietário de « La Brasilena », com a grande medalha de ouro . 

Por proposta do Sr. Dr. Heitor de Sá, secretario geral e director da secção 
technica desta Sociedade, foi inserido na acta da i'eumão da Directoria do dia 25 
do corrente mez um voto de pezar pelo prematuro fallecimento do incançavel tra- 
balhador que foi d'Huicque. 

Para dar uma idéa da importância que tem a casa — «La Brasilena >, em 
Buenos Aires, inserimos na capa do fundo uma photographia dos vebiculos que 
transporiam café a domicilio, a qual extrahimos de um folheto de propaganda 
intitulado : — O Café Brazileiro, sendo seu autor o illustre fallecido, de quem nos 
vimos de referir. 

Dr. Eduardo Lopes — Falleceu no dia 26 do corrente mez na cidade 
de Prados, em Minas, o Dr. Eduardo Lopes. 

Natural do Rio Grande do Sul, o illustre morto era formado em direito. 

Dedicadíssimo aos assumptos agro-pecuarios, prestou bons serviços á Lavoura, 
e entre ellos á descoberta da Surucvina, preparado para combater as intoxicações 
produzidas pelas picadas de cobras. 

A actividade do Dr. Eduardo Lopes patenteou-se em outros ramos de trabalho. 

Assim, foi também magistrado {pois exerceu o cargo de promotor publico 
em Prados), industrial e commerciante em Bello Horizonte. 



812 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

O s 'U graaile amor &, Agricultura levou-o a promover a funJaçio, na cai- 
pitai de Minas, da « Sociedade Mineira do Apriciiltura». 

A esta nossa joven colloga e d Exma. família do illustrado extincto as nossas 
condolências. 

Ciiltui-íido«,x-roz!, por irris-ação, em >roroiríi. César 

—Tem continuado a desenvolver-se com animadores resultidos a cultura do 
arroz do Estado, sendo de esperar que, depois do impulso adquirido, deixe esse 
cereal do figurar, de ora em deante, no quadro dos géneros alimentícios annual- 
mente importados. 

O campo de demonstração de Moreira César teem, innegavelmente, despertado 
iniciativas fecundas (; contribuindo para a adopção do melhores praticas no cul- 
tivo do arroz, tendo mesmo servido de modelo a alguns fazendeiros, que se mos- 
tram satisfeitos com os resultados auferidos em terras que, á primeira vista, pa- 
reciam demasiado pobres por sua natureza quasi exclusivamente sílicosa, graças 
á pratica da irrigação dos arrozaesali estabelecidos. 

O arroz da segunda colheita, em Moreira César, foi plantado, em o ultimo 
anuo, em terras elevadas e artificialmente irrigadas. Essas terras são muito are- 
nosas, porosas e destituídas dos mais importantes elementos de fertilidade, sobre- 
tudo as de cor branca. 

As analyses, íeítas no Instituto Agronómico do Campinas, põem em evidencia 
a sua pobreza. 

Peso em volume 

Capacidade de reter agua. . . . 
Poder de absorpção da agua de 

baixo 

Poder de evaporar a agua . . . 

Húmus 

Acido phosphoríco 

Potassa 

Cal 

Azote 

Entretanto essas terras teem produzido satisfactoriamente, devendo-so attri- 
buiro seu puder de productibilidade não só ao adubo verde (tremoço) p:'.'viamente 
enterrado, como à boa execução de seu preparo e á ojjportunidade das irrigações. 

No começo de março foi o campo ataca^io por violenta tempestade, que lhe 
causou alguns estragos nas áreas ou taboleíros mais baixos, ficando apenas preju- 
dicado em parte o arroz primeiramente plantado e já em espigas. 

Este arroz foi colhido era lins de março e durante o mez seguinte, e com suas 
hastes o espigas é que foram decoradas as secções de arroz na Exposição Prepa- 
ratória da Exposição Nacional, quo.se realisoji mais tarde no Rio de Janeiro, tendo 
o camiio de arroz concorrido a ambas. 

Dísse primeiro arroz assim desfalcado, foram ainda retirados 360 saccas, daa 
variedades communs, imiusive ura pouco da variedade japoneza, cujas sementes 
haviam sido ultimamente importadas. 



Tcrr.1 branca 
(ji caltiiada) 


Terra preta 
iiiSo mlt irada) 


1,488 


0,681 


28,3 7„ 


82,5 7o 


27,3 7o 


85,5 •/. 


27,4 V„ 


26,6 7„ 


2,70 "/o 


27,26 »/o 


0.10o/„ 


0,30 7o 


0,03 »/„ 


0,08 "/. 


0,09 »/„ 


0,09 7„ 


0,07 0/0 


0,91 7o 



A LAVOURA 213 



Plantadas tardiamente, no começo de fevereiro, assim como as do arroz Hon- 
duras, não chegaram a amadurecer, por falta de tempo e temperatura suíHciento 
para o sou cyclo vegetativo, sendo quQ o do Japão exige 12 semanas e o de Hon" 
duras 16, para espigar. 

Nosmezes do abril e maio foram plantados, em pequenas áreas, como expe- 
riência, trigo e cevada que foram muito estragadas, estando já com espigas e pro- 
mettendo bom resultado, por violenta tempestade que se desencadeou em agosto, 
de sorte que não se pode apreciar a quantidade do producto nem o seu rendimento 
por área. 

Nos mesmos mezos, nas parcellas consagradas á cultura do arroz, plantou-se 
tremoço, que mais tarde foi enterrado como adubo verde. 

( Relatório do Dr. C. Rodrigues, 1908.) 

Cura da Jfelbre aplitosa — O bálsamo Kôb é um medicamento 
efficaz. Encontra-se ã venda á rua da Assembléa n. 58 (casa Suissa). 

Tarifas de cutoag^em das madeiras, por J. A. Fracon, 
traducção de Renato da Silveira. 

Obra excellente que facilita aos Srs. fazendeiros calculo rápido sobre o valor 
das toras de madeira que venderem . 

Encontra-se nas principaes livrarias. 

01iiig--siii-face, para corrêas e cabos de transmissão. 
Este preparado tem a vantagem de fazer as corrêas trabalharem frouxas, sem 
cahirem. 

Saloxo, sal especial para o gado. Vendem Rombauer & Comp., rua Vis- 
conde de Inhaúma n. 84. 

Carrinho Mienesees — Especial para conduzir café lavado nos ter- 
reiros. Este carrinho se transforma em três apparelhos, um para espalhar, outro 
para mexer e outro para ajuntar café. Tem, pois, quatro applicações diversas e 
todas de grande utilidade. A' venda nas principaes casas de machinas agrarias. 

Xorradoí' Soixza Mello — Apparelho especial para torrar café. 
Este torrador tem tido larga acceitacão pslas vantagens que offerece. 

Para mais informações peçam catálogos ás casas especialistas em machinas 
agrícolas e iudustriaes. 



6404 



214 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



PARTE COMMERCIAL 



M2Z ds agosto 

Ca, ré 

Durante o mez veaderam-se, para exportação, 213.000 saccas. 
Entraram no mesmo período 457.545 saccas, sendo calculada a quaiuidade em 
31 de agosto em 447.989. 

Os extremos das cotações no mesmo mez foram : 

Por arroba Por 10 kllos 

Typo n. 6 5$800 a 6$200 3.1949 a 4$221 

» » 7 5$500 » 5$900 3$744 > -IIOI? 

X. «8 õ,$200 » 5.$600 3$540 » 3.$813 

» » 9 4$900 » 5$300 3$336 » 3Í608 



Qsnsros nacionaes 

O mercado manteve-se estável durante todo o mez. 

As entradas constaram de 960 pipas, quo se venderam aos seguintes preços, 
por pipa, base do 20 gráos: 

Paraty 130$000 a 150$000 

Angra 120$000 > 123$i}00 

Campos 105$000 > IIO$000 

Maceió 105$000 » UOJOOO 

Bahia 105$000 » IIOÍOOO 

Pernambuco I05$000 > 1104000 

Arac^yú 105$000 » 110$0D0 

Sul 105$000 » 110.$000 

A-lcool 

O mercado deste proJucto manteve-se sempre firme. 

Os supprimentos recebidos constaram de 1.244 pipas, cujos preços regularam 
do seguinte modo: 

40 gráos 170$000 a 180$000 

38 > 150$000 » 1605000 

36 > 135ÍO00 > 140$000 



A LAVOURA 215 



A.Ig'odão em rama 

Durante o raez pm-durou a mesmíi firmeza no merca lo daste género. 
As existências, qujr aqui quer nos mercados exportadores do Norte, são es- 
cassas, e as noticias sobre a futura safra continuam desfavoráveis. 
O movimento mensal foi como se segue: 

Fardos 
Existência em 16 agosto 13.666 

Entraram de: 

Pernambuco 1.900 

Assú 1.089 

Natal 700 

Ceará 600 

Penedo 598 

Parahyba 263 

Maceió 200 

Maranhão 150 5.500 

19.166 
Sahiram 9.814 

Preços 

Pernambuco 1 1$000 a 1 1$500 

Rio Grande do Norte 10$600 » 11$300 

Ceará 10$900 » 11$200 

Penedo 10$600 » 1 1$000 

Sergipe 10$400 > 10$800 

A.ssucax* 

O mercado que, na primeira quinzena do mez, fechara calmo, na segunda 
continuou pouco movimentado, em virtude do receio de sjrandcs entradas e dos 
poucos pedidos do interior. 

Não obstante, nos últimos dias do mez, observou-se alguma sahida. 

Entraram durante o mez 188.617 saccos, sendo de: 

Pernambuco 24.153 

Sergipe 19.673 

Campos 117.909 

Bahia 5.330 

Maceió 15.006 

Parahyba 1.151 

Diversas procedências 5.366 

A existência orçada ató 31 de agosto ora de 204.726 saccos. 



216 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Os preços por kilogramma regularam assim : 



Pernambuco : 

Branco usina. . . 
Dito crystal . . . 
Dito 3" sorte. . 
Crystal amarello. 
Mascavinho . . . 
Somenos .... 
Mascavo bom . . 
Dito regular. . . 
Dito baixo. . . . 



Í270 a ^^SO 
$230 » $290 
s230 a $200 
$2W > $«0 
$\9) > $240 
$200 > $^0 
$180 > $190 
§170 » $175 
$150 » $160 



Campos 



Branco crystal. . 
Dito do 2" jacto . 
Crystal amarello. 
Mascavinho . . . 



Sergipe : 



Branco crystal. . 
Crystal amarello. 
Mascavinho . . . 
Mascavo bom. . , 
Dito regula; 
Dito baixo. . , 



$240 a $.310 
$200 > $260 
$200 » ^0 
$190 » $230 



$230 a $280 
.$200 » $210 
$190 » $220 
$170 » $190 
$170 > $175 
■•50 a $170 



Oereaes 



No mez regularam 03 seguintes preços : 

Saccos 

Arroz nacioual . 27$000 a 29$000 

Dito inferior . 24|00 i > 265000 

Feijão preto de Porto Alegre Nominal 

Dito idem mineiro $500 a S$500 

Dito idem de Santa Gatharina. 7$õ00 » 8$500 

Dito do Paraná Nominal 

Dito mulatinho 7$.500 a 8.-^00 

Dito manteiga 12.$000 » 15$000 

Dito enxofre, nacional lls'Oi - li-' 00 

Dito de cores, nacional ■^õui >. !4>000 

Farinha de mandioca especial ;i$200 > 9$800 

Idem fina 7$200 > &$200 

Idem peneirada 6$200 > 6$400 

Idem grossa õ$000 » õ$400 

Milho amarello do Norte Não ha 



A LAVOURA 217 



Idem idem da terra 6$800 a 7$500 

Idem idem misturado 6$â00 » 6$800 

Cangica UÍOOO > 15$000 

Amendoim 7$800 » 8$500 

Kilogrammas 

Fubá de milho $130 a $200 

Matte em folha $440 » $560 

Tapioca $360 > $440 

Polvilho $200 » $220 

Fumo em rolo 

No correr do raez as entradas foram pequenas e os negocies destituídos de im- 
portância, coiiservando-se os preços, na primeira quinzena firmes, na segunda irre- 
gulares. 

As cotações, por kilogramma, foram as seguintes: 

Preços 

De Minas, especial $800 a $900 

Dito superior $700 » $800 

Dito 2» $550 » $600 

Ooyano especial 2^000 

Dito superior 1$800 

Baixo 1$000 a 1|400 

Rio Novo, superior 1$500 

Dito 2» 1$200 

Dito baixo $900 

Carangola 1$000 

Picú especial 2$000 

Dito 1" 1$600 

Dito 2' I$ã00 

Bahia 1$100 

Sal 

Entraram 5.284.336 kilogrammas, regulando o preço, por 60 kilos, 4§200 
a 4$600. 



Rio de Janeiro — Imprenaa Nacional — i906 



EST.A.TXJTOS 

CAPITULO II 

DOS SÓCIOS 

Art. 8.° A sociedade admitte as seguintes categorias de sócios : 

Sócios effectivos, correspondentes, honorários, beneméritos e associados. 

§ 1.° Serão sócios eITectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuirem com a jóia de 15$ e a annuidade de 2o$ooo. 

§ 2.° Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
sede no extrangeiro, que forem escolliidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3.° Serão sócios honorários e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos á lavoura. 

§ 4.° Serão associadas as corporações de caracter offlcial e as associações agrícolas, 
filiadas ou confederadas, que contribuírem com a jóia de 30$ e a annuidade de 5o$ooo. 

§ 5.° Os sócios eITectivos e os associados poderão se remir nas condições que forem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse fim 
ser inferior a dez (10) annuidades. 

Art. 9.» Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. Os demais sócios deverão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimidade. 

.A.rt. io. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente ; terão direito a 
todas as publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial. 

§ I." Os associados, por seu caracter de collectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedade o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 1." O direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios ; é limitado, 
porém, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

§ 3.° Os sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a assembléa geral resolver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



oS»< <H K> X|o- 



:E?,Ea-XTI-,^A.3VEE3SrTO 



CAPITULO VI 

DOS SÓCIOS 

Art. 18. h sociedade prestará seus serviços de preferencia aos sócios e associados 
quando estiverem quites com ella. 

.\rt. 19. A jóia deverá ser paga dentro dos primeiros três mezes após a sua 
accei tacão. 

Art. 20. As annuidades poderão ser pagas por prestações semestraes. 

Art. 21. Os sócios e os a&sociados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$. e 5o<:)$, respectivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que deverão pagar em qualquer caso. • 

Art. 22. Os sócios e a.ssociados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pago a respectiva jóia. 

§ i.° O sócio que tiver pago a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

§ 2.° Para esse effeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos do paragrapho anterior. 

§ 3.° Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

.\rt. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatarios, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três mezes antes, cabendo-lhes ainda assim o recurso 
para o conselho superior e para a assembléa geral. 



A.NNOXIII — N. y 



Rio LIE Janeiuo 



Setembro db 1909 




AMíim 



de áOPieuisiBPa 



EXPOSIÇÃO AGRO-PECUARIA DE BELLO HORIZONTE 




""■^vjiíL* ..m. ji. 



Oapl1.al Federal 



©^ VIRIBUS UNITIS €€ 



IMP. NACIONAL — 1909 



BRA.9?irj 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 
Fundada em iò de janeiro de 1807 



Caixa-postal, 1245 Sede: Rnu dt Alfaiideçi d. lOá 

Kndereço Telegripbico, AGRICULTOR* « General Camará n. 127 

Telephone n. 1416 "'" "" J»""»!"» 

Presidente — Dr. WeDcesláo Alves Leite de Oliveira Bello. 

1° Vice-presidente — Vaíjo. 

2° Vice-presidente — Dr. Sylvio Ferreira Rangel. 

3° Vice-presidente — Dr. Domingos Sérgio de Carvalho. 

Secretario Geral — Dr. Heitor de Sá. 

1° Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Reis. 
2° Secretario — Dr. Iíenedicto Ravmundo d\ Sii.va. 
3° Secretario — Dr. Josi; Ribeiro Monteiro da Silva. 
4" Secretario — Alberto de Araújo Ferreira Jacobina. 

1° Thesoureiro — Dr. João Pedreira do Couto Ferra/ Jdniok. 
2° Thesoureiro — Carlos Raulino. 

Horto da Penha Dr. Wencesláo Bello 

Fazenda de Santa .Mónica Dr. Sylvio Raniíel. 

Secretaria, Álcool e Museu Dr. Benedicto Raymundo. 

Secção Technica e Bibliothcca Dr. Heitor de Sá. 

Plantas e sementes Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estati.stica Alberto Jacobina. 

Thesouraria Carlos Raulino. 

Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizerem ser- 
vir-se de.stas columnas para a propatiranda da aírrieultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annualniente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacção não se responsabilisa pelas opiniões emittidas em artigos assignadas, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os originaes não serão restituídos. 

As conimunicações e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d'A L.\- 
VOURA na sede da Sociedade Nacional de .agricultura. 

A LAVOURA não acceita a.ssignaturas. 

E' distribui, ia gratuitamente aos "sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

VEZES .MEIA PAÍilNA U.MA PAGINA 

I I2$000 2O$0OO 

3 30$000 50$000 

6 5o$ooo gf^ooo 

12 go$ooo i70$ooo 

Os annuncios são pagos adeantadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 



SUMMARIO 

PAGS. 

Exposição de Bello Horizonte 219 

Luiz Bueno de Miranda 234 

Madeiras e vegetaes úteis do Brazil 23o 

Diarrhéa dos bezerros 230 

Instituto de .Xgronomia e Veterinária 242 

Cactus sem espinhos 245 

Borracha de Maniçoba 247 

Expediente 253 

Noticiário 266 

Parte Oimmercial 289 



Ann'o XIII — N. o Rio de Janeiro Setembro de 1909 



EDITORIAL 



Exposiçlo AgrO"Pecuam ds Bsllo Horizonte library 

NEW YORK 

Vorificon-se no dia 7 de setembro de 1909, ás 3 1/2 horas da boi anical 
tarde, em Bello Horizonte, a inauguração da segunda Exposição Esta- OA^oeN. 
dual Agro-Pecuaria . 

Ao acto, que foi solemne e brilhante, compareceram: Dr. Wen- 
cesláo Braz, Presidente do Estado; Dr. Francisco Sá, Ministro da 
Via(;ão; Dr. Wencesláo Bello, presidente da Sociedade Nacional de 
Agricultura ; Dr. Francisco Salles, Senador Federal ; Dr. Juscclino Bar- 
bosa, Secretario das Finanças ; Dr. Estevão Pinto, Dr. Benjamin 
Brandão, Prefeito; Dr, Urias Botelho, Chefe de Policia; Desembar- 
gador João Braulio, Presidente do Tribunal da Relação: Dr. Chagas 
Dória, director da E. deF. O. de Minas; Dr. Prado Lopes, Presidente 
da Camará; Drs. Bernardo Monteiro, Francisco Bressane e Carneiro 
de Rezende; Dr. Carlos Prates, Director de Agricultura do Estado; 
Dr. Gabriel dos Santos, Dr. Pedro Maximon, Ministro Russo, capitão 
Arthur Haas, cônsul i-usso ; Dr. Hector Raquel, director do Posto Zou- 
technico Central ; Dr. Figueira de Mello, auxiliar technico do pro- 
fes.sor Raquel ; Dr. Daniel de Carvalho, .secretario da commissão dire- 
ctora da Exposição ; Dr. Barcellos, membro da referida commissão ; 
representantes da imprensa do Rio, S. Paulo e Minas ; Dariu de Barros, 
representante da A Lavoura, e muitas outras pessoas. 

Após as saudações do eslylo, lavrou-se a acta allusiva ao aclo, a 
qual foi assignada pelas pessoas presentes. 

Em seguida o Dr. Wencesláo Braz, Presidente do Estado, declarou 
aiíerta a Exposição. 

Antes de começarmos a narrar o que vimos na Exposição, cum- 
primos o grato dever de registrar aqui o desvanecimento que teve a 
Sociedade Nacional de Agricultura, por ler sidu o seu illusli'c presidente 
convidado para presidir o jury da commissão julgadora, e por ver um 
grande numero de lavradores se apresentarem com o distinclivo da 
Sociedade sempre na lapela. 

Do confronto que fizemos desta segunda Exposição com a primeira, 
resalta o grande progresso da segunda, o qual altribuimos á politica 
económica e a taes exposições. 

G405 í 



220 - SOCIEDADK NACIONAL DK AGRICULTURA 

O Governo, organizando essas exposições, fíicultou aos agi-icuilores 
e criadores uma escola de a|)errei<;oamenlo, jkjís, ó nesses certamens 
que o productor, além de tornar conhecido o seu producto, avalia, iiela 
analyse e pela observai;ão, o valor dus produclos de outrem. 

Além disto, a troca de idéas entre os ([ue concurrem a essas expo- 
sições sobre os imixjrtanlissiraos assumptos que lhes dizem respeito, 
corrigem erros de orientação, suggerem modificações, estimulam apti- 
dões, despertam energias adormecida^, emPim, contribuem para o aper- 
feiçoamento dos productos e consequentemente concorrem i)ara o pro- 
gresso do lavrador e, portanto, do Estado. 

Foi grande o numero de expositores que apresentaram productos 
agrícolas pecuários, o quo prova que os lavradores e criadores compre- 
hendem e apoiam a nova ordem de idéas «lue estão produzindo grande 
progres.so na industria pistoi-il e agrícola de Minas. 

Concorreram ao magnifico certamen 248 animaes, assim distri- 
buídos: bovinos 168, cavallares 76, asininos 3 e muares 1. 

Os suinos foram i-epresentados por mais de 100 specimens. 

Os lanígeros, caprinos a gallinaceos tiveram exhibição variada e 
abundante. 

BOVINOS 

Raças — As raças apresentadas foram: caracú 27 cato^as, hol- 
landeza 20, zebú 20, zebú.Xellore 12, .schwitz 11, jersey 5, bretã 4, 
simentlial 4, flamenga 3, devon 3, guernsey 2, nacional (commum) 2, 
ze))ú Gueserat 2, angus 1 e volstein 1. 

Como se vê da relação acima; a raça zebú não predominou, estando 
os criadores, felizmente, de vistas voltadas, de preferencia, para os 
caracús. 

MESTIÇOS 

Simenthal meio sangue 7, zebú com caracú 7, schwitz meio sangue 
3, poIled-aiigus3, liollandezc zebú 2, normando e caracú 1, polled-angus 
echarolais 1, zebú e polled-angus 1, caracú e suisso 7, zebú e schwitz 1, 
caracú e hoUandez 2, simeothal e hollandez 1, schwitz e hollandez 1. 

Os vaccuns mestiços, cruzamento de diversas raças, eram, em 
geral, bons tyix)s. 

A nossa observação verificou a influencia do caracú, pois, em 31 
mestiços, 11 eram cruzamento de caracú. 



EXPOSIÇÃO DE BELLO-HORIZONTE 




Drs. Wencesláo Braz, Wencesláo Bello, Jiiscelino Barbosa, Dário 
de Barros e pessoas £> radas . 



A LAVOURA 2*1 



GAYALLARES 

Raças nacionaes — Nacional, 29 animaes; manga-larga, 15 ; cam- 
polina, 8; mineira 3 e sublime 2. 

Raças estrangeiras — Percheron, 7; americana, 2; árabe, 2; 
holstein, 1; oldemburgo, 1; franceza, 1; argentina, i; ingleza, I ; 
anglo-normando, 1; árabe meio sangue 1 e inglez meio sangue 1. 

ASININOS 
Jumentos nacionaes 3. 

MUARES 

Uma besta para sei la, esplendida marchadeira, da afamada raça 
nacional Pega 



Os animaes apresentados na Exposição demonstravam o progresso 
do grande Estado de Minas na industria pastoril. 

Na criação de equídeos o escopo tem sido obter bons cavai los de sella. 

Nos bovinos nota-se, felizmente^ que o caracú está em primeira 
plana e que a sua reproduc(;ão obedece a uma orientação acertada. 

Os exemplares nacionaes, puro sangue, descendentes de raças es- 
trangeiras, eram admiráveis, e entre os diversos espécimens que se 
salientaram destacava-se o touro «Ubirajara», hollandez, propriedade 
do intelligente e adiantado criador Dr. Sá Fortes, de Marianna. 

Este bovino foi apreciadíssimo, não só pela sua bella esthetíca, mas 
também pela sua exuberante precocidade, pois cora um anno apenas 
de idade pesou 37 arrobas. 

Entre os criadores da rac^ caracú é de justiça destacar o Sr. coronel 
Francisco Gonçalves Leite, residente etn Alfenas, e os irmãos Castro, da 
estação de Santa Helena, que obtiveram, successivamente, o primeiro e 
o segundo premio. 

O Sr. coronel Leite dedica-se, exclusivamente, á criação da magni- 
fica raça caracú, ha 16 annoy, seleccionando-a com esmero. 

Este methodo e esta especialização deram-lhe um magnífico re- 
sultado, como provou com o esplendido e bel lo grupo composto de 
um touro e duas vaccas caracús que apresentou. 

Cacique, considerado um perfeito specimen de raça pura, foi o 
bovino que obteve o primeiro premio. 



2iZ SOCIEDADE NACIONAL DE AUKICUI.TURA 

() criador Sr. José Soaros l.cile exhiljiu um louro de nome 
Pacliá, que obteve o segundo premio. 

Além doííse Cacique que por si si) era sufílrienle para provar o 
ap9rteiçjamenlo a que atlingiu o coronel Francisco Leite com o seu 
raethodo de selecção, concorreu elle ainda com duas bellissimas vaccas, 
Avenida e Guanabara. 

Damos a seguir a descripção do famoso Cnriquc, que foi, por opinião 
unanime, proclamado o melhor bovino do importante certamen. 

Côr, a que os criadores denominam a/oapão e que é a côr cara- 
cterística da raça. 

Cabeça pequena e descarnada. Os olhos são vivos e proeminentes. 
Os chifres são finos, brancos e curtos. 1'ello sedoso e cauda (ina. 
Idade, cinco aniios e nove mezes. Peso, !).53 kilos. Comprimento, 
2'",.45. 

Altura, l'",58. Circumferencia thoraxica, 2'",'tO. Garupa, l'",60. 
Anca, l'",;i5. 

Foi também muilo admirado o louro Pac/írí, do Sr. Soares Leite, 
de oito annos, que pesou 8G2 kilos e 800 grammas, com as seguintes 
dimensões : comprimento, 2™,3.''). Altura, l"',õ2. Circumferencia Iho- 
raxica, 2'",27. Garupa, 1"',.")2 e O'", 56 de anca. 

Entre as vaccas distinguiram-se: Guanabara e Avenida, com- 
ponentes do grupo apresentado pelo .Sr. coronel Leite. 

Guanabara, com r",r)õ de comprimento. Altura, i"',36. Garupa, 

1"',40. Circumferencia thoraxica, l'",90. Anca, 0"',õG. Pesou 526 kilos. 

Avenida, altura 1"',31. Comprimento, 1"',85. Gai-upa, 1™,34. 

Circuraíeioncia thoraxica, i"',8õ. Anca, 0"',53. Idade, cinco annos. 

Peso, 410 kilos. 

O Sr. Manoel Bernandez, ao examinar estas duas vaccas, disse 
que compraria 500 a 500$ cada uma. 

O primeiro logar paia o .segundo premio coube ao bovino, de 
propriedade do capitão Cornelio líaptista de Castro (irmãos Castroj, 
da estação de Santa Helena, ci-iadores unicamente de caracús. 

Nacional, é o nome deste touro. Com dous annos e sele mezes 
apenas, este animal pesou 507 kilos e 800 grammas. 

As suas dimensões, que augmentarão ainda, são as seguintes : 
comprimento, l'",85. Altura, 1"',82. Garupa, l'",34. Circumferencia 
thoraxica, l'",87. Anca, O'", 48. 

E" um i^erfeito exemplar de excellonte raça caracii, (jue domonsirou 
cabalmente as vantagens da selecção iiilelligeiite e racionalmenle 
feita 



A LAVOURA 223 



Estrello, touro caracú, de 2 1/2 annos, de propriedade do Sr. 
José Affonso .Tunriueira, criador cm Poços de Caldas, foi classificado 
em segundo logar, para o secundo premio. 

O terceiro premio, fiiialmeiUe, coube aos louros Cupidu o Packú, 
ambos caracús, pertencentes aos Srs. Mário B. de Castro, de Santa 
Helena, e José Soares Leite, de Alfenas. 

A Exposição revelou que a orientação dos criadores está se enca- 
minhando para a especialização; assim notamos que, emquaato uns 
criadores estão se dedicando ils raças especiaes para a carne, outros 
estão se applicando, de preferencia, á criação de liovinos de raças 
especiaes pai-a a producção de leite e manteiga. 

suínos 

E' grato registrar que a pecuária mineira, neste ramo, attingiu 
a um progresso exemplar e digno de ser imitado, pois a raça na- 
cional canastrão pi"ovou as suas excellentes qualidades, conforme 
se verifica da lista dos suinos premiados que inserimos no fim desta 
descri pção. 

Entretanto, obedecendo á justiça, não podemos deixar de nos re- 
ferir ao Sr. António Dias Barbosa, criador em Catagua^es,([Vien\yve- 
sontou um belloe grande varrão de raça canastrão que obteve o pri- 
meiro premio. 

Este suino foi oflerecidn pelo peu proprietário ao Estado, para 
servir de reproductor na fazenda modelo da Gameleira. 

Além da raça canastrão, que foi a que apresentou maior numero 
de suinos, outras concorreram ;i Exposição e entre ellas: meisner, 
delschoe, essex, yorksbire e berkshire, etc. 

Entre os cevados, o primeiro premio foi conferido a um único 
suino, canastrão, engordado pelo Sr. coronel José Severiano da Silva, 
criador em Santa Rita, (S. João (l'El Rei), Oeste de Minas. Esse animal 
pesou 25 arrobas e cinco kilogrammas. 

CAVALl-ARES 

Na secção dos equídeos, as raças nacionaes estavam magnifica e 
abundantemente representadas. 

Os animaes nacionaes eram marchadores, para sella. 

A predilecção pelos animaes de marcha se explica pela deficiência 
de transportes férreos, o que aliás succede em todo o Brazil. 



22* SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



De moilo que, dadas as grandes dislanfias a vencer, os animaes 
marchadores são os proferidas, por serem os que i)i-opoi'cionam, pela 
suavidade do caminhar, excellenle commodidade ao viajante, que pôde 
vencer 10 lesuas diárias. Ao passo que num animal de fiotc seria 
impossível, porque o cavalleiro não r&sisliria. 

Os cavallos de trote são mais resistentes, porque o trote é o andar 
natural dn cavallo, ao passo que a marcha é uma degenerescência. 

Entretanto os anima&s trotadore^; são utilizados para as romontas 
do exercito, para tiro pesado e ligeiro. São também procurados para 
passeio nas grandes cidades. 

Os criadoras devem, pois, interessar-so por elles. 

A remonta da Policia Mineira é toda feita com os animaes criados 
no Estado. 

lanígeros e caprinos 

Este ramo da pecuária mineira é promissor de grande progresso, 
como verificámos pelos animaes apresentados. 

Na criação de carneiros nola-se que os criadores entraram no 
systema de especialidades; assim, emquant<T uns criam raça para carne, 
outros dedicam-se á producção de animaes para lã . 

GALLINACEOS 

A criação de gallinhas está bem adiantada. 

Entre as diversas raças expostas, notámos as seguintes : — or- 
pington pretas, um casal, pesando o gallo 3 kilos e 100 grammas e a 
gallinha 2 kilos e 200 grammas. Dous casaes de Ijarred-plymouths 
roclis, do Dr, Carneiro de Rezende, de Bello Horizonte, pesados os 
gallos, verificou-se para um 4 Icilos e 600 grammas e para o outro 
4 kilos e 500 grammas . 

As gallinhas pesaram, respectivamente, 3 kilos e 800 grammas e 
3 kilos e 500 grammas. 

Foram também apresentadas av&s das raças : brahma, claras; 
silver-spangle hondous ; conchinchiiia, amarelias ; idem preta ; vian- 
dotte, perdiz ; idem branca; leghorn ; orpington, branca, e mineira, 
raça nacional. 

Attrahiam tamliem a attonção dos visitantes, um casal de perus, 
perienceute aos Srs. Hopkins Causer & Hopkins, da raça americana 
mamoath, bronzeados e um casal de patos de Pekim . 



EXPOSIÇÃO DK BELLO-HORIZONTE 




P.RASiLF.iRo — 1]- sancíue — simenthal — dois annos e meio 




P.\CH\ — -;° Premio— Caracú 



A LAVOURA 225 



Afim de completar estas inlbrmaçõas, damos, no final deste rela- 
tório, a lista dosanimaes premiados, os quaes foram classificados pela 
com missão composta dos Srs- Drs. \^'enceslc1o Bel lo, Carlos Prates, 
director da Directoria de Agricultura e Álvaro Astolpho da Silveira, 
chefe teclmico di mesma repartição. 

E ainda com a intenção de bem informar os leitoras e corroborar 
a magnifica impressão que tivemos do importante certamen é que inter- 
calamos nesta descri peão diversos clichés. 

PAVILHÃO DE AGRICULTURA 

Neste pavilhão estavam exixtstos os productos agrícolas e entre 
outros notámos os seguintes : 

Milho branco, cultivado pelo processo que se segue : adulws, 
escoria de Thomas 120 kilos por hectare, e adulio verde, sementeira 
Tis, 5 — colheita 1.188 litros. Experiência feita na fazenda modelo da 
Gameleira. 

Arro^ Honduras (Fazenda Modelo da Gameleira) — Área cultivada 
3 hectares. Terreno, brejo, drenado e arado. Adubos empregados : 
250 kilos de escoria de Thomas e 200 kilos de cal. Plantio: 120 litros 
de sementes. Produccão: 12.300 litros. Irrigado pelo systema de 
dique, por innundação. 

O arroz Honduras e o trigo japonez, produziram, na fazenda da 
Gameleira, respectivamente, 150 e 130 por 1 . 

7>'í/7o — Expuzeram amostras deste pracioso cereal, os seguintes 
Srs.: Coronel Procopio, de Cataguazes, com uma cultura de 70 litros 
de trigo Barleta; a colheita pendente está orçada em 1.500 litros; 
Dl-. Sá Fortes, trigo comuium e trigo em rama da fazenda das Laran- 
jeiras, em Marianna, que tem uma cultura de 30 hectares; porém, quem 
mais se distinguio nessa cultura foi o Sr. Coronel SanfAnna, do Carmo 
do Rio Claro, com uma cultura de 162 hectares, cultivados pelos 
pra;essos mais modernos. 

Pelo mói hl 1 de trigo em rama que o referido senhor expoz, a 
colheita promette ser enorme. 

Esta nossa supposi(;ão foi mais tarde confirmada pela opinião do 
Dr. Prates e do Sr. Coronel SanfAnna. 

O exemplo do Sr. Coronel SanfAnna é digno de ser imitado, e, 
pelo que de visu verificámos e pelas informações que sobre o assumpto 
colhemos pessoalmente no recinto da Exposição de muitos lavrad<iros, 
nos convencemos de que a cultura do trigo vae-se desenvolver em Minas, 



22t; SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

pniMiuagnvfrno e agricultores estão emptíiihailos na solução desse jiru- 
blema nacional, sobre o qual disse Assis Brazil : — não ha obra mais 
digna do patriotismo iiitelligente, nem mais urgente deoer de 
PUBLICA ADMINISTRAÇÃO, quc atcntatioa methodica, tena:, constante, 
até esgotar os últimos recursos da sciencia e da experimentação, 
para dar á nossa nacionalidade essa condição essencial de indepen- 
dência, a base da alimentação — o pão. 

O trigo é a alimenta(;iÃo dos povos fortes. 

Arros agulha — Este cereal que depois do pão ocoupa o segundo 
lugar na alimentação humana, é lamhom cultivado em larga escala 
peio Sr. Coronel Sant'Anna, que tem uma área de 130 alqueires de 
terreno cultivada pelos processos modernos do irrigação. Estamos 
convictos que este bel Io exemplo será numerosamente imitado pelos 
lavradores mineiros. 

Alfafa — Cultivada na fazenda do l)r. J. .1. Vieira, esta(;ão Dias 
Tavares, município de Juiz de Fora, produz 6 a 8 cortes annuaes. 

Aveia parda — Cultura do referido Dr. Vieira. 

Arros — Variedades: Iguape, preto e ouro, expostas pelo Sr. Tan- 
credo Franco, de Sacramento. 

Arros canna roxa, cultivado na fazenda Laranjeiras, cm Marianna, 
pelo Sr. Nicolau Sampaio. 

Milho Angola, fori-ageiro, fazenda Leopoldina, de D. Antónia 
Augusta. 

Linho em rama, Dr. Prado Lopes, de Bello Horizonte. 

Farinha de mandioca e de milho — Fabricante, Francisco António 
de Arruda. Estes productos são excellentes e bem assim os demais 
apresentados por este .senhor, taes, maizena, polvilho de mandioca, 
arroz de Veneza e cafés chato e moka, que eram perfeitamente iguaes 
aos seus mais finos congéneres de Santos, 

Em café apresentaram também magnificas amostras as Coope- 
rativas Mineiras, da Ponte Nova, Rio Branco, Biccas, Juiz de Fora e 
outras, as quaes preparam os seus cafés nas machinas de Paul Kaack, 
introduzidas no nos.so paiz pelos Srs. Dr. João Baptista de Castro e 
José Bode. 

Os cafés dessas Cooperativas .são exportados directamente ao 
consumidor com grandes lucros, conforme provam as contas recebidas 
da Europa. 

O Sr. Gabriel A. da Silva Costa, de Cabo Verde, também ex- 
hibiu admiráveis amostras de café de esplendido aroma e magni- 
fica côr. 



A LAVOURA 227 



Batata inglesa — Variedades, Duchesse Cornwall. Área G250'"^9. 
Terreno arado. Adubos, escaria de Tliomas 300 ks. e sulfato de 
potássio 150 ks. e adubos de curral. 

Plantaram 500 ks. e colheram 5.250 ks. Esta cultura foi feita na 
fazenda Gameleira. 

Esta propriedade do Estado e que é uma escola pratica de agri- 
cultura, apresentou lambem amostras de feijão preto, milho amarello 
e branco, amendoim e fardos de alfafa. 



PAVILHÃO DE INDUSTRIA 

Cerâmica João Pinheiro — Sobre estes productos da fabrica si- 
tuada em Caetlié, e fundada pelo immortal estadista João Pinheiro, 
nada precisamos dizer, pois elles já foram consagrados pelos com- 
petentes na Exposição Nacional do anno passado. 

Sal canna verde — preparado para engordar gado bovino. In- 
ventor, Misseno Baptista Cardoso, estação de Canna Verde. 

O mesmo senhor expôz também fumo e cera virgem e alvejada. 

Tecidos — Apresentaram diversos, em lã, a fabrica Mascarenhas 
e a Companhia Industrial de Bello Horizonte, em algodão. A fabrica 
Mascarenhas também expôz tecidos de ramie, de sua cultura. 

Manteiga e queijo — Alfredo de Olivença, estação de Entro Rios. 

Manteiga — Dr. Lund, Bello Horizonte ; Dr. Alcebiades Rodrigues 
Pereira, Fazenda Santa Cecilia, Lagoa Dourada e João Evaristo de Santa 
Anna (o Coronel de SanfAnna), de Carmo do Rio Claro. 

Estes productos demonstram o grande adiantamento da industria 
de lacticínios, pois a cor do producto, o seu sabor, o enlatamontO' 
tudo emflm justifica a fama e o conceito de que gosam estes artigos. 

Banha — Ribeiro &C., Bello Horizonte. 

Aniagem — Dr. Luiz de Souza Brandão, Juiz de Fora. 

Os Srs. Ilopkins, Causer & Hopkins installaram uma completa 
leitaria, movida a electricidade, a qual funccionou, diariamente, fabri- 
cando excellente manteiga que era distribuída, grátis, aos innumeros 
visitantes. 

Essa installação provou perfeitamente a excellencia dos appa- 
relhos. Alfa Lavai, dos Srs. Hopkins, para o fabrico da manteiga. 

O Sr. Savassi, director da colónia Rodrigo Silva, em Barbacèna, 
expôz diversas peças de seda e fios do mesmo artigo, fabricadas com 
matéria prima produzida na referida colónia. 

6405 2 



2?8 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Apresentou também bichos de seda, vivos, em diversas phases 
de desenvolvimento. 

Os Srs. Casemiro e Mcnislau (irmãos Levicki), de Bello Horizonte, 
apresentaram productos sericulas, Ijons, poi-ém onde revelaram-se 
especialistas foi na apicultura, pela excel lente exposição que fi/eramde 
instrumento', livros, etc. etc. para a referida industria. 

Os Srs. Dixon&C, da rua da Alfandesa n. 4.j, nesta cidade, 
tinham um bom mostruário de machinas para as diversos misteres 
da agricultura. 

Os Srs. Blunt & Cia, rua Theophilo Otloni n. 85, também desta 
cidade, expuzeram caldeiras, preparador de forragem e a desnatadeira 
tubular que causou yrande succe.sso. 

O Sr. Manoel Bernarde/. apresentou a sua excellentecollecçãode 
apparelhos e medicamentos para a industria pastoril e do qual jti nos 
occupúmos, minuciosamente, no numero de agosto próximo passado. 

O Sr. Bernarde/ fez lambem uma conferencia pratica sobre a 
pecuária. Estas utilissimas ]xilestras praticas do elixjuenie jornalista 
e escriplor já estão, de ha muito, consagradas entre nós, e por i.sso 
a realisada na líxpnsicão teve grande concurrencia e êxito franco. 

Lista dos animaes premiados 

TOUROS DE RAÇAS NACIONAES 

1° PREMIO — Cacique. 

2" i'REMio — Nacional e Estrelhi . 

3" i'RE>no — Pac/iã e Cupido . 'Codos de raça caracú . 

TOUROS NACIONAES DE RAÇAS EXTRANG EIRAS 

1° PREMIO— Ubirajara, hoUandez; Brasileiro, schwitz e Jacutinga, 
hollandez. 

2° PREMIO — Araby, zebú ; A7'aby II, zebú ; Pachá, zebú. 

3° PREMIO — Soberano, zebú ; Hamburgo, schwitz ; Atlântico, zebú. 

Medalhas de ouro — Lord, zebú; Mustafá,^h\\'\i/.; Turuiw, 
hollandez; Thesouro, jersey ; Lord II, zebú eBaronet, zebú. 

TOUROS IMPORTADOS 

Medalhas de ouro — Regolbretaalm, hei"eford ; Menclik, angus ; 
Plutão, zebú e Csar, schwitz. 



MUNICEPIO OR ()Ll\i;illA - M[\AS 




Ideal — i^ premio — Nacionil 




Zeballos — dois e meio ânuos — i ' premio — Nacional 



A LAVOURA 229 



TOUROS MESTIÇOS 

l" PKEisuó — Almirante 533 ks., carucú e hollandez; Topasio 
497 ks., caracú e hollandez; Kuroki 470 ks., caracú e /.ebú. 

2° PK^u\o — Lontra Idl ks., hollandez e nacional; Chumbado 
814 ks., hollandez e caracú ; Simenthal 732 ks., simenthal e hollandez. 

3° PREMIO — Espadilha, 400 ks., caracú e schwitz ; Mineiro, 619 ks. 
simenthal e caracú, Menelik I 680 ks., angus e zebú. 

Medalhas de ouro — Apis, Magaroff, Japão, Chabby, Radio, 
Gringo e Guarany . 

Medalhas de prata — Araçá, caracú e zebú ; Castor, .schwitz, 
e zebú ; Rio Nooo, zebú e caracú ; Rolete, Nellore quasi puro ; Fidalgo, 
china e caracú. 

Medalhas de bromze — Satan, Aquidaban, Percheron, Campo- 
nês, Astrophante e Gilel. 

VACCAS LEITEIRAS 

5° Premio— Chitada (6 litros em 2 horasj. Coronel Joaquim 
Tiburcio. 

IMPORTADAS 

Medalhas de ouro — Flor de Maio, hereford, Escola Agrícola de 
Lavras ; Annette, hereford, E.scola Agrícola de Lavras ; Iracema, 
Francisco Teixeira Leite e Rola. 

Medalhas de ouro — Guanabara a Avenida, caracús, F. Gonçal- 
ves Leite. 

Medalhas dr v>í\kt\ — Esterlina, Symphronio Brochado. 

NOVILHAS 

Medalhas de ouko— Predilecta, cavam, Mário Baptista de Cas- 
tro ; Vaidosa, caracú, Cornelio de Castro ; Avenida II. caracú, João 
Baptista de Castro Júnior; Mie. Joanna, caracú, Jcsé Ferreira Leite; 
Exposição, simenthal. Pedro Procopio R. Valle ; Bella Valentina, 
jersey, E.scola Agrícola de Lavras; Jurema, hollandeza, Dr. Carlos 
P. de Sá Fortes; Wanda 3/4 hollandeza, D. Eugenia de Sá Fortes'. 
Brisa, hollandeza, D. Augu.sta de Azevedo ; Minerva, holsteíns, Fre- 
derico Jardim ; Nakgi, schwitz, António Custodio Bittencurt ; Corveta, 



230 SOCUSDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

zebú, António Diniz Mascarenhas; Antuérpia, zebú, Horácio J. de Le- 
mos ; Norma, zelni Di'. Viriato Mascarenhas e Cantorn e Cuba, hol- 
landeza e Realeza zeini. 

suínos REPRODUCTORES 

1° PREMIO — Essex prelo, de Anlonio Ferreira Martins ; canas- 
trão, vermeliio amarellado de António Dias Barbosa; criizamenlo de 
canastrão e ynrlíshire branco, de António G. dos Santos Vianna. 

2° PREMIO — Canastrão preto, pernas Ijrancas, de Anlonio Diniz 
Mascarenhas ; canastrão preto, pés brancos, Francisco Ribeiro Junquei- 
ra ; berlíshire prelo com signaes brancos, de João G. Vieira. 

3° PREMIO — Canastrão preto calçado, de João Urias ; canastião 
mascarado, de Alberto Gama Lacerda e um canastrão preto, de Fran- 
cisco Dias Ferraz. 

4° PREMIO — Berksli ire, prelo com signaes brancos, do Conde de 
Nova Friburgo; canastrão prelo com malhas brancas, do João Ignacio 
de Araújo Lima ; pampa, pintado de prelo e branco, do Josias Nogueira. 

5° PREMIO — Canastrão vermelho, de António da Silva Guimarães ; 
canastrão preto, de Carlos Alves Nascimento. 

Medalhas de ouro — Nacional, prelo e pintas brancas, do^Conde 
de Nova Friburgo; canastrão prelo e malhas, de Anlonio C. Barros 
de Faria; canastrão prelo e pés J)rani'0s, de Alberto Dias Ferraz, /^o/zi- 
pa, prelo e branco, de Francisco Anastácio de Moraes ; canastrão preto, 
de Ferraz & Filho e esse.^ preto, de António Ferreira Monteiro. 

Medalha de prata — l'm canastrão pinlado, de João Ignacio dos 
Santos Ferreira; pampa, pintado do Dr. Oscar Vidal; vermelho, de 
Carlos Alves S. Vianna; canastrão prelo e pellado, de Francisco Fer- 
nandes Lolx) ; canastrão preto, de Anlonio Custodio Bittencurt ; canas- 
trão preto, do Dr. Carlos da Silva Fortes ; canastrão prelo, de António 
A. Lobato ; crioulo prelo, de Josc Rodrigues Pereira; 1/2 sangue inglez, 
do Dr. Vicente Rodrigues ; idem, idem de Manoel Ferreira Torres e 
Roterlo Ferreira de Toledo; 1;2 f/or/c.s/ure, de Manoel de Camargo e 
idem de António Joaquim Moraes Júnior. 

PORCAS 

Medalha de oiro — Canastrão vermelho, de Antono da Silva Gui- 
marães e uma canastrão preta, do Dr. Ribeiro Passos. 



A LAVOURA 231 



Medalha de prata ^Canastrão, 5 leiloas pretos, pés brancos 
da Rotunda numero 1; canastrão, 12 leitões pretos calçados, de Antó- 
nio Carlos Ferreira; cruzamento inglez pintada, do Dr. Oscar Vidal. 

Menção Honrosa — Três casaes de canastrão preto e branco, de 
José Ignacio de Araújo Lima, e cinco leitões essex, de António F. 
Monteiro. 

IMPORTADOS 

Menção Honrosa — Cinco leitões raça alleraã, brancos, de António 
Torlola ; dous leitões ai lemães brancos, doDr, António Prado Lopes; 
berkshirc, da Escola Agrícola de Lavras. 

CEVADOS 

1° PREMIO — Um canastrão vermelho, pesando 380 kilos, de José 
Sevcriano da Silva. 

2° PREMIO — Canastrão vermelho, 323 kilos, 

3° PRE^^o — Canastrão vermelho, 293 kilos. 

i" PREMIO — Canastrão vermelho, 285 kilos e 700 grammas. 

5" PREMIO — Yorkshire, branco, 279 kilos e 500 grammas. 

Medalha de ouro — Allemã, ;il2 kilos, importado. 

Medalha de prata — Dois yorkshire, pesando respectivamente 
244 e 230 kilos e 200 grammas. 

lanígeros 

PARA CARNE 

1° PREMIO — Árabe, 06 kilos de J. F. Soares Júnior; nacional, 
60 kilos, de F. C. Quillar. 

2'' PREMIO — Mestiço de merino, 56 kilos, de S. V. de Rezende; 
merino, 51 kilos, de A. G. de Rezende. 

'.i° PREMIO — Meio árabe, 48 kilos, do conde de \ova Fri burgo ; 
nacional, 46 kilos de C M. Franco. 

PARA L.\ 

1° PREMIO — Um rambouillet, dous annos e um meio merino de 
nm anno, ambos pertencentes ao Sr. J. J. Vieira, pesando o primeiro 
54 kilos e o segundo 48. 



232 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

2» PREMIO — Merino, 15 mezes, 45 kilos, do Dr. Silva Fortes; 
rambouillet, um anno e oito mezes, 45 Iviios, do Dr. M. dos Santos. 

30 PREMIO — Lincoln, um e meio anno, 43 kilos, de J. A. Jun- 
queira ; italiano, um anno e oito mezes, 42 kilos de A. Junqueira. 

IMPORTADOS 

PARA LÃ 

Medalha- de ouro — Merinovermont, !.'> mezes, dous carneiros, 
pasando respectivamente, 36 e 39 kilos, de Hans á;. Ernesto Fais.san. 

PARA CARNE E LÃ 

Medalha de ouro — Oxford, S6 kilos, de Fernando Azevedo. 

CAPRINOS 

5° PREMIO — Uma cabra, pertencente ao Dr. Silva Fortes, com 
dous annos e seis mezes, de raça suissa pesando 44 kilos. 

Medalha de ouro — Um reproductor de um anno, raça tocken- 
burgo com 37 kilos, do Dr. J. J. Vieira. 

Medalha de prata — Um reproductor de 24 mezes, nacional, 
44 kilos, de Aristóteles Nogueira. 

CAVALLARES 

1° PREMIO — Ideal, Américo de Oliveira ; Portuguez, Gabriel Ar- 
chanjo, e Nobre, Dr. Silva Magalhães. 

2" PREMIO — Brasil, J. de Bias Fortes; Gaturamo, Joaquim Pa- 
checo de Rezende ; Oceano, Manoel Theodoro. 

30 PREMIO — Tietê, Dr. Oscar Vidal Barlx).sa ; Mineiro, Saturnino 
RO(-ha ; Tupy, Joaquim P. de Moraes. 

4° PREMIO — Areonauta, J. Matheus ; Caxias, Christiano Mei- 
relles ; Expresso, José Dias de Gouvêa. 

5° pRKMio — Yankee, Villela & Irmão; Canário, Américo Y de 
Rezende. 

Medalhas de ouro — Phrynea, Dr. Francisco Valladares ; Gra- 
cio.sa e um filho, J. Pacheco de Rezende; Bucharah, Paulo Pinheiro. 
Jardineiro, Gabriel Archanjo ; Ramalhete, coronel Junqueira ; Sobe- 
rano, Álvaro Monte Raso; Córdova, J. Pacheco de Rezende ; Soljerano 
II, Manoel Vidal ; Soberano, Oscar Marques. 









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Perus americanos — Mainouth 



A LAVOURA 233 



Medalhas de prata — Opala, José Soares da Silva ; Talisman, 
J. C. de Oliveira ; Ydillio, José G. Pinto ; Rio Pardo, J. da Costa Pinto ; 
Marajó, Alberto Cambraia. 

Menção honrosa — Mineiro e Sereno, de Edmundo F. de Car- 
valho. 

IMPORTADOS 

Menção honrosa — Niagara, Gabriel Augusto de Andi-ade ; Tre- 
fler, holstein, José Ferreira Leite ; Adónis, Oldemburgo, José Pacheco 
de Rezende ; Yankee, prince, Dr. Donato de Andrade. 

JUMENTOS 

1° PREMIO — Zeballos, José Ferreira Leite. 
2° PREMIO — Pachola, Joaquim P. de Rezende. 
3° PREMIO — Pachá, Dr. Oscar V. Barbosa. 

GALLINHAS 

1° PREMIO — Um casal de plymouth carijós e um casal de 
orpington, pretos, pertencentes ambos ao Dr. Carneiro de Rezende. 

2° PREMIO — Dous casaes de plymouth carijós, de Rómulo Jo- 
viano e um casal de plymouth do Dr. Ribeiro Junqueira. 

3° PREMIO — Terno de yandottes perdizes do Sr. Charles Causer. 

4° PREMIO — Terno de orpington de José Gonçalves Pereira. 

5° PREMIO — Terno de cochinchina, D. Christina Villela Jun- 
queira; brahmas, de José Augusto dos Santos. 

Medalhas de ouro — Um gallo japonez de Luiz Gonzaga Alves ; 
gallo francez do coronel Manoel V, Barbosa Lage ; gallo, malayo de 
José Domingos ; gallo brahma de João Augusto dos Santos. 

Medalhas de prata — Um gallo indio de Eugénio Yianna ; um 
casal de brahma de D. Maria Savarini ; gallo plymoutthde Elpidiode 
Oliveira ; gallo mineiro, José Alves Franco ; gallo, plymouth de Joa- 
quim Dias Garcia. 

Menção honrosa — Instituto João Pinheiro, Manoel Bernardez e 
Hopkins Causer & Hopkins por um casal de perus, mamouth, bron- 
zeados e um casal de marrecos. 



234 SOCIEDADR XAOIOXAE, DR AGRtCUr.TUaA 

Luiz Busno de Miranda 

Nascido em Campinas em 13 de dezembro de t868, alli perma- 
neceu até a idade de 18 annos, quando passou a residir em Santos 
dedioando-seao commercio. 

Nesta importante prara, fundou em 1809 aConipanliia Commissa- 
ria S. Paulo e Minas, com o capital de dois mil contos de réis, \m-a 
explorar o commercio de café no paize noextrangeiro. 

Foi esta a primeira cooperativa de agricultoras constituída entre 
nós, com programma diíTerentedoda rotina commercial, para mom- 
m.ercio de cafés. 

Em 181» 1 viajou toda a Europa e residiu algum lompo no llavre, 
afim de observar o commercio de café dalli. 

De volta ao Brazil, apresentou pela imprensa de S. Paulo algumas 
idéas úteis ao nosso commercio de cafés, tendo o Governo Paulista e 
tamliem o Federal feito votar algumas leis por S. s. polidas. 

Entre ellas salientam-se as seguintes: 

l.*A que obriga a (pie os saccos de cafés brazileiros, quando 
exportados para o exterior, levem uma marca determinando a sua 
procedência e qualidade, afim de evitar que taes cafés sejam apresentados 
aos consumidores com<j de outra origem . 

2.'' A de impedir que os nossos cafés inferiores sejam exportados 
para o exterior, por meio de um imjxjsto prohibitivo, afim de reduzir o 
volume dos cafés exportáveis e, também, para impedir que só os cafés 
baixos continuassem a ser apresentados aos consumidores extrangeiros 
como sendo as únicas marcas brasileiras ! 

3." A que aboliu os impostos inter-estadoaes, afim de facilitar o 
livre transito e commercio aos differentes productos nacionacs, entre 
os Estados (la União, cuja medida facilitaria a collocatjão dos cafés baixos 
dentro dopaiz. 

')'0(las essas idéas foram tomadas em (•onsidei'a(;-ão pelos nossos 
governantes, tendo o Congresso Paulista votado a lei que obriga a raar- 
ca(^ão dos saccos e, lambem, a que cobrará o imposto prohibitivo de 20" „ 
sobre 03 cafés inferiores destinados á exportac-ão estrangeira eo Con- 
gresso Federal, áquella que aboliu os impostos inter-estadoaes. 

Ao mesmo tempo que o Sr. r?ueno de Miranda alcan(;ava es- 
tes triumpbos, depois de discussões prolongadas com nutabili- 
dades reconhecidas, discutia S. S. sobre a necessidade do Credito 
Agrícola, dos Armazéns Geraes e das Caixas Económicas nos prin- 




Luiz Bueno de Miranda 



Cl'LTl K A MIXAXKA IK) CAI F. 




Cafezal ciiltivadn a en\aJa pelo systema ciuiinuini 




O mesmo cafezal ciiltivadu a machina durante dciis annos poln systema Luiz Riieim 



A LA\ OURA a.'i5 



cipaes centros agricolas, que viria concorrer para melhorar a siluacão 
dos nossos lavradores. 

Isto não impedia também que este ponhor dii'igisse 21 propriedades 
agrícolas com 4 ' ., milhões de cafeeirop, pertencentes a maior parte 
delias á respeitável firma Prado, Chaves & C.°, de S. Paulo, da qual é 
gerente agrícola. 

E' sabido de todos que se interessam pelas cousas agricolas, de como 
o Sr. Luiz Bueno de Miranda se tem sahído desta colossal em]>i'ei- 
tada. 

Não só os jornaes e revistas nacionaes têm-se occupado de sua 
pessoa e, principalmente, das reformas que S.S. tem introduzido na 
nossa agricultura; também os jornaes italianos, francezes, belgas e 
americanos tèm-se referido ao assumpto com grandes elogios ao 
nos-so consócio. 

Com a feliz combinação de três machinas aratorias americanas, 
que S.S. modificou e adaptou á nossa lavoura, ficou resolvido odifflcil 
problema das capinas dos cafezaes. 

Com uma quarta machina de sua exclusiva invenção resolveu 
S.S. brilhantemente outro problema que parecia impo.ssivel, — o 
preparo do terreno dos cafezaes antes da sua colheita: (Varrição ou 
Coroação). 

Finalmente, podemos informar que o Sr. Bueno colheu, com 
apparelhos que imaginou e que dispensam os dedos dos colonos , em 
1907 — iS.OOO cafeeiros; em 1908—250.000 e este anno 400.000, 
com grande economia de tempo e de dinheiro e beneficio para as ar- 
vores. 

Além dos apparelhos já citados, para a cultura e a colheita do 
café, o Sr. Bueno de Miranda possue excellenles apparelhos para o 
.serviço de terreiro e uma carrocinha quo di.stribue mecanicamente, 
adubos nas ruas dos cafezaes. 

Todo este moderno material, que tem causado verdadeira revolu- 
ção na cultura do café em S. Paulo, é mestrado, em movimento, aos 
agricultores dignos deste qualificativo eque visitam as fazendas diri- 
gidas pelo nosso bíographado, a quem « A Lavoura » rende, com estas 
linhas, uma justa homenagem, illustrando-ascom o retrato de S.S., e 
com duas photographias que indicam as vantagens do systema de 
cultura dos cafeeiros applicado pelo illustre brazileiro. 



6405 



23G SOCfEDAUE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Algumas madeiras g vsgetass utsis do Brasil 

(DE M. IMii CORIIÈA.) 
Monographia n. 74 — Amostra n. 82. 

(iiinJiiiMivA 

(Não Palmacea) 

S\sosiyn\— Jiçaramae Majuruoá, no vaUe da Ril)eii'a de Iguape 
(Estado de S. Faulo). 

Habitat — Serra do Mar, no Estado de S. Paulo e Paraná, e prova- 
velmente nos Estados mais visinhos, vegetando em terras silicosas ou 
argilosas, húmidas, mas sendo sempre padrão de terra \r>a. 

Descripção — Arvore de caule recto até 0,00 de altura e 0,G5 de 
diâmetro; casca até Gm/m de espessura, côr ferruginea, revestida de 
epiderme da mesma côr, faci! de desprender; foiiias simples, pecio- 
ladas, revolutas, mais ou menos 0,09 de comprimento e 0,022 de lar- 
gura, ob-rliombeas, armada^ de pequeninos aculeos, coriaceas, saliente- 
mente nervadas ; fruclo (que não vimos) vermelho, abundante; fructi- 
fica em abril e maio. 

Madeira — Alburno amarei lo-roseo, com cerne um pouco mais 
escuro e veios pretos, porosa, tecido bastante compacto, dura, quebra- 
diça e resinosa. 

AppLir.AçõES — A madeira é empregada apenas para pequenos tra- 
balhos ; excellenle lenha, que arde me=;mo verde, decerto devido á 
substancia resinosa de ijue está impregnada ; o povo a procura para 
fachos. Os fructos são muito apreciados pelos pássaros, sobretudo jacus 
e tucanos. 

Monographia n. 75 — Amostra n. 83. 

família das GUTTIFERACEAS 

tíuanandy-Oai-x iillio 

Colophylluin brasiliense Cainb. 

Synonimia — firctt rfe/rec/ta, dos portuguezes (extensivo a outras 
guttiferaceas e até a varias burseraceas) Gamambi, Goanaadima, Goa' 



A LAVOURA 237 



iiandy -carvalho e Goarandy (corruptelas), Guanandy, Guanady de leite, 
no Maranhão, Guanandy-roseo, em Matto Grosso — Guanatim, Guaranay, 
Guarandy e Gularulim (correntes em vários E.^tados), Jacaró-copahyha 
(nome que no Amazonas dão ú sua resina), Jacaré-iba, Jacaré-huiba, 
Jacaré-uba {» arvore do jacaré ») e Jacaré uiva, na Amazónia — Joguandi, 
Landy, Lantim, Oanandy e Olandi (corruptelas mais vulgarisadas no 
suldopaiz) Páo-ingles, no interior do Estado de S Paulo — Uáyandy, 
dos indígenas (« fructo oleoso», verdadeiro nome, de onde «Gua- 
nandy»). Conhecemos ainda os nomes Landirana e Jandirana, mas 
não as espécies a que o vulgo os applica, posto nos pareça tralar-se 
também de guttiferaceas. Consta-nos que o nome Planta lhe é dado 
em alguns logares do Pará ; o nome Pão de Maria, que alguns au- 
ctores atlribuem a esta espécie cahe antes á Calopliylium tacama- 
haca A\', por ser desta que se extrahe o «halsamo de Maria», mais 
conhecido hoje como «bálsamo de Tacamahaca», embora nesta ultima 
designação se incluam resinas de outros vegetaes. 

Habitat — Encontra-se na Ásia e em lodosos Estados do Brasil, 
com excepção talvez dos do Rio Grande do Sul e Goyaz, sendo mais 
abundante nos Estados marítimos e nestes não se afastando muito do 
mar, preferindo os logares jjaixos e húmidos e as terras silicosas, tor- 
nando-se mais pujante á medida que se approxima do oceano, não 
sendo raro encontrar indivíduos com as raízes immersas na agua 
salo])ra das lagoas da costa. 

Descripção — Arvore frondosa e de caule muito recto até 35,00 
de altura e 1,00 de diâmetro (no extremo norte dimínue a altura mas 
augmenta a cireumferencia) ; casca amarello-avermelhada, grossa até 
20 m/m, gretada, quebradiça, meio fibrosa em laminas superpostas, de 
sabor doce e com aroma de mel, exsudando abundante e espessa 
gomma-resina de côr amarello-esverdeada ; folhas simples, inteiras, 
oppostas, pecioladas, coríaceas, penninervias, oblongas, mais ou menos 
130 m/m de comprimento e 55 m/m de largura, luzidias, nervura 
central saliente até perto do ápice , flores brancas, pequenas, abun- 
dantes, aromáticas, em raciraos ; fructo capsular, carnoso e oleoso. 

MADEmA — Bastante alburno e cerne rosa-a vermelhado, ondeada, 
bonita, sobretudo depois de envernísada, talhe duro, mas macia ao 
lavrar e serrar e rebelde ao cepilho. Peso especifico, 0,802 ; resistência 
ao esmagamento, sem determinação da posição da carga, 441 kilo- 
grammos por centímetro quadrado. 

Applicações — Madeira para mastros e vergas de navios (para 
cujo flm foi privilegio do Estado no Brasil, 1818), canoas, taboado de 



2'\< SOCIEDADE NACIONAL DK AGRICULTURA 

soalho, viga<?, obras internas de construcção naval, marcenaria e car- 
pi n lar ia ; apezar de cansideiada exccllenlo para (X)nstrucçõas navaes e 
civis, n certo é que ella não dura muito tempo quando em contacto 
com a humidade, e que o gusano do mar (Teredo navalisj logo a 
ataca ; para obras do ar é, porém, de longa duração. A estopa que se 
obtera das cascas é empregada no Estado de Matto Grosso na caJafe- 
tagem de embarcações. A gomraa-resina aromática e acidula que as 
cascas exsudam é o chamado «bálsamo de landim», ulil no tratamento 
de ulceras, resolução de tumores e em diversas mol&stias da raça 
cavallar ; e também se emprega, em Matto Grasso e no Amazonas, 
na calaftílagem das embarcações, como succedanea do breu e diz-se 
até que com vantagem sobre este. Os fructos conleem 44 % de óleo 
aproveitável nas industrias e são alimento para alguns ])assaros. 
O néctar das flores é muito procurado pelas abelhas. 

Observações — Não só em todas as publicações antigas como tam- 
bém em algumas recentes, é manifesta a confusão relativa ao Anany 
e suas variadas corruptelas {Anaiiim, Oanamj,Oamanim, etc. ), que 
chegaram, por Olandy, á espécie que nos occupa. No Amazonas, Anany, 
ou Uanany, é a gutliferacea Symphonia globulifei"a L. f., mas o mesmo 
nome é dado, ao menos cominercialmente, a resinas que procedem de 
ve^ataes da família das burseraceas. Fica o leitor prevenido contra 
taas confusões, considerando que á Calophyllum brasiliense Camb. só 
é dado o noraa de /icaré-róa e suas corruptelas nos Estados do Ama- 
zonas e Pará; desde o do Maranhão ao de Santa Galharina e também de 
Matto Grosso prevaleça o nome Gmnandy eioáds as suas corruptelas, 
e bem assim que a Symphonia globulifera L. f., a que querem 
emprestar estas corruptelas e designadamente Olandy e Olandim, 
não existe aquara do valle do Amazonas, o que é a contra-prova 
do erro. 

— Nolittoral de S. Paulo, o povo, além da variedade «Guanandy- 
cedroí, que descrevemos adiante, distingue ainda a iGuanandy-pioIho», 
cujo caule é sempre atacado, desde novo e até metade da altura, iJor um 
insecto ; a madeira é de côr mais pai lida tí o ai burno quasi nullo. Não 
dispuzemos de material para o necessário estudo e as dilTerenças apon- 
tadas não nos abalam a convicção de que se trata do cnesmo «Gua- 
nandy-carvalho». Este vegetal é muito sujeito a vai-ios insectos, pois 
afora aquelles quelheairróem n madeira, ha os que se estabelecem na 
espessura das foUias (larva amarella de 3 m/m) e ainda outros que 
picam as fqlhas e tambam os galhos, provocando excrescências dentro 
das quáes se desenvolve uma pequenina larva branca. 



A LAVOURA 239 



Monographia n. 76 — Amostra n. 84. 

Guanancly-C:edi'o 

família das guttiferaceas 

ColophijUum brasUieiíse Camb. var cedrela 

Synonimia — A mesma da variedade precedente, trocando-se apenas 
"Guanandy-roseo» por — Guanandy-vermelho, em Matto Grosso — 
Jacaré-uba-aguia. nu Amazónia. Nesta ultima região o povo distingue 
mais duas variedades ( "Jacaré-uba-vermelha» ), e iJacaré-uba-da vár- 
zea», mas ignoramos si o faz com fundamento. 

Habitat — O mesmo da variedade precedentemente descripta. 

Descripção — Arvore de caule recto até 16,00 de altura e 0,80 de 
diâmetro; ramos rugosos ; casca grossa, em laminas superpostas, 
exsudandn gomma-re«ina abundante e aromática, de côr amaiello- 
esverdeada e revestida de epiderme dura, grossa e fendida ; folhas in- 
teiras, simples, pecioladas, penninervias, ovaes. mais ou menos 98 mm 
de comprimento e43 m/m de largura ; ápice agudo, coriaceas, nervura 
central saliente na pagina inferior ; flores brancacentas, pequenas, aro- 
máticas, em racimos; fructo capsula sub-drupaceoglobosa. 

Madeira — Grande alburno e cerne cor de rosa avermelhado, 
muito uniforme, fibras finas, ondeadas, dando idée do cedro e realçando 
extiaordinar ia mente com o verniz; talhe macio, dócil ao cepilho e á 
serra. Peso especi fico, 0,635. 

Applicações — A madeira tem todas as da variedade precedente, 
e também para esteios, porque esta resiste á humidsde. Eguaes ajipli- 
cações teem as cascas, gomma-resina e fructos. 

Observações — As folhas desta variedade estão sujeitas ao mesmo 
insecto que ataca as do «Guanandy-carvalho. 

{ContÍ7iúa .) 



COLLABORACAO 



Ea diarrhéa spízootica dcs fcszerros e seu tratairsnto 

Por ordem do Exm . Sr. Ministro da Agricultura, Industria e Com- 
mercio, tenho a honra de apresentar o presente lelatorio, referente á 
diarrhéa epizcotica dos bovinos novos. 



240 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Si a febre aphtosa.o carbúnculo simptomatico e o aborto epizootico 
acarretam em certas épocas do anno um enorme prejuízo aos criadores 
de Iwvinos deste grande paiz, não é menor o que se produz, quasi dia- 
riamente, em consequência á diarrliéa inlectiva e epizootica dos viteilos. 

Até bem poucas semanas passadas os criadores estavam entregues 
ás suas únicas e precárias forças; dahi resultava que, quando se acha- 
vam em criticas condinães, adoptavam, alguns, praticas nocivas, ou- 
tros, ridículas para salvarem os seus animaes atacados pela enfermi- 
dade ; praticas que nada tinham que ver com a sciencia zooiatrica . 

Não me é dado entrar em apreciações vastas, porquanto a minha 
tarefa é actualmente a de apresentar, como uma modesta homena- 
gem aos criadores de tovinos, isto é, o caso especial : A rura dos viteilos 
atacados de diarrhéa infectiva ; trajjalho de que fui encarregado pelo 
Exm, Sr. Ministro da Agricultura, Industria eCommercio. 



A anamnese e diagnose desta moléstia todos os criadores a co- 
nhecem bem, assim como o seu prognostico, quasi sempre fatal. 

Todos os fazendeiros com os quaes conversei a respeito unanime- 
mente affirmarara que os viteilos acatados em bi'eve espaço de temjKi 
morrem, não obstante todos cuidados, mesmo empíricos, para salval-os. 

A mim parece ter resolvido o problema, tomando como liase as 
experiências e observações feitas pelo Dr, Fally no matadouro do Bru- 
xellas e que o levaram a estatelecer as relações existentes entre os 
microorganismos isolados desta diarrhéa e os que se encontraram nas 
diversas intoxicações por alimentos. 

Os typos escolhidos pelo meu illustre coUega foram viteilos cuja 
idade máxima era de 10 dias, atacados de diarrhéa epizootica e sacrifi- 
cados iti ext remis . 

Pois bem, o Dr. Fally, tanto no sangue eorgãos parenchymatosos, 
— especialmente no baço — como no conteúdo intestinal, enconti'OU e 
conseguio isolar, em 1908, o agente pathogenico da enfermidade em 
questão, e com relativa facilidade ; agente pathogenico que poucos annos 
antes fora descoberto e tido pelo Dr. Jensen como causa primaria e di- 
recta da diarrhéa epizootica dos viteilos. 

Esíe agenleò um colibnfillo virulento, ou paracoU; que tem tra- 
ços de semelliança com o bacillo coli comuni. 

Durante as investigações, Fally deu com três variedades de colis 
virulentos, que parecem-se, em alguns pontos, com o bacillo enteridi- 
tis, isolado por Garlnerem 1889; das suas observações, porém, poude 



A LAVOURA 241 



concluir que se em tudo não se pôde attribuir ao bacillo entcriditis a 
diarrhéa epizootica, com toda a franqueza, se pôde asseverar que este, 
ao exame microscópico, apparece morpholoíiicamente igual áquelle ; 
mas, em numero, emerge sobre todos os outros germens que se acham 
no sangue, nos órgãos, ou nos tecidos dos bezerros sacrificados eaffe- 
ctados de diarrhéa epizootica. 

Conhecida a causa da moléstia, mais fácil era prescrevera cura. 
Todavia, os estudiosos das sciencias znoiatricas, uns, muito, outros 
pouco se approximaram da mela que eu acredito ter hoje alcançado ; 
mediante três substancias associadas e dissolvidas em uma infusão 
fervente decamomilla. 

O acido tannico(C,, H,,), adstringente e hemostatico especial, na 
dose de seis a oitogrammas ; 

O acido salycilico (C„ H^), antifermentativo e seccativo excellente, 
na dose de duas grammas. 

O naphtol-beta, (C,„ H.) poderoso antiseptico do tubo intestinal, 
na dose de cinco grammas. 

Essas três substancias, nas doses indicadas, dissolvem-se contem- 
poraneamente na infusão de 500 granmas de camomilla, fervendo; e 
subrainistra-seem umasó vez ao bezerro, durante três ou quatro dias. 
A diarrhéa cessa e o animal restabelece-se . 

Pelas informações recebidas de muitos criadores de Cantagallo, 
S. Sebastão do Alto, S. Francisco de Paula, etc, resulta que não morreu 
mais nenhum vitello si, ao apparecer da diarrhéa, se applicou a supra- 
citada receita. 

Claro está, porém, que, si o proprietário não fizera immediala 
applicação do tratamento, a enfermidade aniquila o tenro organismo, 
inutilizando posteriores 80«cori-os scientiflcos. 

Sabendo-se que medicina e hygiene se completam para o mesmo 
fim, o interessado deve lembrar-se de isolar os animaes enfermos dos 
sãos, determinando, a unsea outros, desde o apparecer da moléstia, 
locaes distantes reciprocamente e os mais hygienicos possíveis. 

Mandar recolher os excrementos e urina para destruil-os ou en- 
terral-os. 

Si, todavia, o animal morre, apezar do tratamento, deve ser enter- 
rado o mais profundamente possível e não fazer como um ou outro 
fazendeiro, abandonando ao relento os restos do animal morto de tal 
infecção. 

Não é necessário ler passado por muitos estudos, ou ser medico, 
para comprehender que deixando apodrecer, nas circumvizinhanças 



242 SOCIEDADE XACIONAF, DE AGRICULTURA 

das fazendas, animaeí5 perecidos por moléstia infecto-conlagiosa, ou 
atiral-os ao rio, não somente se pratica o crime de propagar a molés- 
tia, mas lambem o de envenenar os que da agua infeccionada se ser- 
virem. 

As experiências de Van Ermengen, om EUezelles, e as de não me- 
nor importância, de Gartner, em Frankenkausen, por occasiãode um col- 
lectivo fnveniínamento, prodvizido pela ingeslã") do carne de uma 
vacca sacrificada in extremis e atacada de enterite aguda, não só con- 
firmou que o bacillus enteriditis produz no homem os mesmos effeitas 
que no vitello, mas também que a toxina deste bacillo é thermoes- 
tatica e que não é destruída á temperatura de 100°. 

Pelo que acabo de expor, posto que resumidamente, acríiditu que 
todo criador saberá no futuro regular-se a propósito, com vantagem 
publica e privada. 

Db. Aihh-les R1GODA.NZ0. 
Rio rttí Janeiro. 



Instituto Fsdsral ds Agronomia s Veterinária 

Desde que se crenu e que se está organizando ri ministério da 
agricultura, forçoso será dotal-o dos elementos technicos de que 
carece, para que possa produzir os fructos que delle é licito espetar. 

A primeira e mais urgente necessidadi a sati-<fazer ò a cjue consiste 
na acquisitjão e preparo de um abunda:Ue pessoal verdadeiramente 
technico, não só para o desempenho das funcções administrativas que 
dependem do novel ministério da agricultura, mas sobretudo para a 
execução dos tralialhos agronómicos e veterinários que porventura a 
iniciativa particular tente emproliendor. 

E' esta ultima a principal razão de ser da nova creação technico- 
administrativa, porquanto, .sem um numeroso corpo de agrónomos e 
veterinários profissionalmente apparelhados para satisfazer as neces- 
sidades da nossa atiazada industria agrícola, minima será a utilidade 
do novo ministério. Mas no preparo desse abundante pessoal technico, 
dotado da precisa capacidade jiara orientar a lavoura nacional nas 
diffeientes e varias zonas do paiz, é que está a difficuldade, devido á 
descommunal extensão e dlv(>rsidade de solo e clima deste no.s.so gi- 
gantesco Brazil. 

Como, pois, preparar em um único estabelecimento situado em de- 
terminada zona ou Estado da Republica profl.ssionaes agronómicos aptos 



A LAVOURA 243 



a desempenhar, com seguro critério scientifico e industrial, as varias 
culturas e industrias agrícolas próprias dos nossos differentes climas 
e solos ? 

Como, « verbi gratia », formar no mesmo instituto de ensino 
agronómico engenheiros agrícolas com competência para dirigir tra- 
balhos de sua profissão nas margens tépidas do Amazonas, nas re- 
giões áridas do nordeste do Brazil e nos climas brandamente tempe- 
rados das terras que se dilatam do planalto de Minas ás visinhanças do 
Prata ? 

Devar-se-á crear um instituto superior em cada uma destas diffe- 
rentes zonas? Sim, dever-se-ia estabelecer, a exemplo do que fizeram 
os Estados Unidos (aliás menos extensos e dispares em climas do que 
o Brazil ), dever-se-ia estabelecer um instituto superior de agronomia e 
veterinária em cada uma das vinte e duas circumscripções politico- 
administrativas que constituem a União. Porém do dever ao podei' bem 
grande é a distancia, porquanto faltam-nos ainda a cultura e riqueza 
que permittem a creação de tão custosas e sabias instituições. 

E a ter de crear arremedos de taes institutos, melhor será a fun- 
dação de um só, mas este de verdade e na altura de seu legitimo fim. 

Creemos, pois, um único « Instituto Eederal de Agronom ia e Vete- 
rinária » e deixemos para mais tarde todos quantos a fantasia nos possa 
suggerir. Façamo-nos opulentos pela instrucção e trabalho, que nos não 
faltarão recursos, não .só para fundarmos 22 institutos, .senão o dobro ou 
o quádruplo de.ste numero. 

Emquanto, poiém, não .se realizam tão bel las perspectivas, quiçá 
não longínquas, façamos alguma cou.sa de serio e modelar, que contribua 
para firmar de vez os créditos das novas institutições agronómicas que, 
a medo, .«e tentam levantar, neste feliz momento de nossa evolução 
administrativa e .social. 

Creio que, devido á feliz circumstancia de possuirmos na zona 
intertropical elevados altiplanos ao lado de baixas planícies, fácil se 
torna encontrar em pequena distancia regiões de clima tórrido perto 
de outras de brandíssima temperatura. Assim .sendo, a solução do 
problema estará na escolha de um local que reúna as condições aqui 
figuradas. 

Essas felizes condições temol-as ao nos.so alcance, entre as bellas 
planícies da « Baixada » Huminen.se e os planaltos formados em vários 
pontos da Serra do Mar. 

Exemplifiquemos. O Governo Federal tem os elementos precisos 
para a creação do « Instituto Federal de Agronomia e Veterinária »■• 

6405 4 



SOr.lKDADE NACIONAL DK AGRICULTURA 



enlrc as terras altas da aprazível Theresopolis e as ubérrimas pla- 
nícies da histórica fazenda nacional de Santa Cruz, a cerca de uma 
hora desta Capital. Aqui nesta l)ella propriedade da Nação nada falta 
para o íim collimado : as ten^as são planas, ferazes, mansas e irri- 
gáveis em toda a sua extensão ; a sede da fazenda — o palácio — é 
um casarão de solida construcção, com capacidade de sobra para todas 
as dependências do mais amplo instituto agronómico que se tente 
crear. Gri^non e Holienheim fariam modesta figura ao lado de Santa 
Cruz, comnamplidão e p3r.sp9cliva ! 

Não é só isto, outros requisitos se congregam para fazerem da 
antiga fazenda real de Santa Cruz o mais grandioso instituto agro- 
nómico que se possa idealizar. A circumstancia de existir alli em 
Santa Cruzo matadouro do gado com que se abastece a nossa Capital 
concorre para que haja no local todo o estrume preciso para a adubação 
das lavouras do almejado instituto. 

Nos campos de Santa Ci-uz, dada a realização da hypolhe«e que 
vimos figurando, cresceriam a seringueira, o cacaueiro, a can na de as- 
sacar, o algodão, o milho, o arroz, a mandioca, os pastos, os cereaes e 
todas as plantas cultiváveis do clima tropical. 

Nas elevações de There.sopolis cultivar-se-iam as essências flores- 
taes dos climas frios, o ti-igo, o linho, as fructas européas, as hortali- 
ças, etc, etc. 

Portanto, estabelecido o «Instituto Federal de Agronomia e Vete- 
rinária » na fazenda nacional de Santa Cruz, facílimo .«;eria aos 
professores e alumnos acompanharem in situ as culturas executadas alli 
e em Theresopolis. E assim, sem grande esforço, e antes com aprazi- 
menlo, os aluinnos do Insliluto liabilitar-se-iam em todas as culturas, 
desde as da zona tórrida até as da zona bi-andamente temperada. 

Si a.ssim acontecer, o « Instituto Federal de Agronomia e Vete- 
rinária do Hío de Janeiro » ficará sendo em seu género um estaliele- 
cimento .sem lival. Gosará em breve lapso de tempo de invejável 
renome mundial ; .será um sitio de eleição para passearmos os nossos 
hospedes de distincção, tal qual já hoje acontece com o Jai-dim Botânico 

da Capital. 

Devido ao facto de Santa Cruz e Theresopolis se acharem nas 
immediações do Rio de .laneiro, o ensino ministrado pelo Instituto 
será mais completo, attenta a facilidade que terão os alumnos de 
frequentar as fabi'icas, officinas, nm.seus e tantas outras instituições 
interessantes para quem .se destine ao exercício da veterinária e á pratica 
das industrias agrícola esuas derivadas. 



A LAVOURA 245 



Os institutos de ensino agrícola já não se isolam nas solidões dos 
campos, como iia um século costumava acontecer. Hoje em dia elles 
disputam Ingar nos ampliitlieatros das universidades, ao lado das de- 
mais faculdades de que estas se compõem, pois só nos grandes centros 
dotados dos apparelhos com que a sciencia faz luz, só ahi é que a agro- 
nomia pôde pesquizar e desvendar os mysterios que impedem o progresso 
da agricultura. \os laboratórios e no campo é onde a agronomia faz suas 
pesquizas. 



Não somos dos que descrêem e negam puras intenções aos nossos 
dirigentes. Queremos antes crer que estes só almejam acertar, por 
um justo e nobre orgulho pessoal e pelo ardente desejo de contri- 
buir para a grandeza desse sacro torrão que lodos nós estremecemos 
acima de ijualquer Dutro sentimento; por isso, sempre que vimos a 
publico pela imprensa, o fazemos convictos de merecer sympathico 
acolhimento poi- parte daquelles a quem mais directamente nos 
dirigimos. 

Não é de hoje que meditamos sobi-e o assumpto que vimos de expor 
e, quanto mais o pesamos, mais nos convencemos da justeza das nossas 
razões ; devemos, portanto, estar com a verdade, quando preconizamos 
a fundação do « Instituto Federal de Agronomia e Veterinária i, segundo 
os traços geraes que deixamos esboçados. 

í Feci quid potui » . . . 

A. Gomes Carmo. 



Os cactos sem espinhos 

Uma das mais interessantes conquistas jjolanicas de L. Burbank, o 
celebre «bruxo da Califórnia» como alguns lhe chamam, é o cacto sem 
espinhos. Agora que esta nova variedade de planta está em vésperas de 
sediffundir pelo mundo inteiro, será opportuno resumir para os leitores 
o artigo realmente notável queE. Osthans publica a este respeito no 
perindico allemão Uber Laiid und Meer : 

«O trabalho da civilização» do «cacton foi iniciado por Luther Bur- 
bank ha doze annos e conduzido através de um longo processo de se- 
lecção e de uma importante serie de cruzamentos até o ponto de obter 
aquella admirável '(Opancia Burbank» que parece destinada a pruduzir 
na agricultura e na criação do gado uma verdadeira, grande e benéfica 
revolução. 



?m SOCIEDADK NACIONAL DE AGRICULTURA 

A cultura dos cactos sem espinhos foi feita até agora naqueila afa- 
mada estação experimental de Santa Rosa na Califórnia, do qual provêem 
a ameixa sem caroço, o fructo res\iilante do ci^uzamento da ameixa e do 
alperce «plumcot» e tantas plantas e ílor&s maravi I hosas ; e poude ad- 
quirir- um limitado numero de exemplares, pagando-os á razão de mil 
dollars cada um, só uma sociedade agrícola da Austrália. 

« A única concessionaria da cultura é a «Tliornless Cactus l'ai'ning 
Gompany» de Índio (Calilornia) que foi fundada pelo próprio Burbank, o 
ipial lhe concedeu todos os direitos sobre a preciosa planta, com a con- 
dição de cuidar do seu desenvolvimento e da sua diffusão » . 

Esla sociedade começará a vender os cactos sem espinhos na prima- 
vera de t90'J, e ha já tantas encommondas que se calcula não poder ella 
satisfazer lodosos pedidos ant&s de um prazo de dez annos. 

Estes pedidos teem vindo de todos os paizes do mundo. Graças, 
porem, á extraoiTlinaria facilidade com que as plantas se i^eproduzem, é 
de esperar que terão attingido entretanto uma larga diffusão. 

Vejamos agora qual é a producção eo valor nutritivo do celebre 
cacto. 

« O crescimento da «opuncia Burbank» é de tal oi-dem que faz 
jtasmar : uma folha plantada no terreno mais árido e abandonada a si 
mesma sem rega ou outros cuidados já se encontra ao cabo de ti'es se- 
manas com rebentos e flores. 

4 Experimentou-se plantar folhas que, tendo ficado durante sema- 
nas fora da terra e expostas ao sol, estavam completamente re'=equidas ; 
e ainda assim germinai'am . 

« Em todo o mundo vegetal não se encontra nada semelhante. 

Gomo forragem, o cacto sem espinhos apresenta qualidades que 
o tornam digno da máxima attenção: o gado grosso come-o com ver- 
dadeira avidez, porque encontra reunidas nelle comida e bebida, 
e porque contém uma grande porcentagem de saes orgânicos que 
são infinitamente melhores para a digestão do que as saes mi- 
neraes. 

Para os gallinaceos a «opuncia Burbank» é uma iguaria agra- 
dável e pôde também empregar-se vantajosamente para engordar a 
criação. 

Além de possuir certas qualidades therapeuticas, a nova planta 
é também um alimento agradável para o homem. 

Burbank e os seus assistentes, que provaram os fructos desle 
cacto, quei' eriís, quer fritos, (juer em salada, asseguram que são 
muitissimo gostosos. 



CULTURA DO SR . BURBANK — CALIFÓRNIA 




Cactus sem espinhos forrageiro 




Cactus sem espinhos com fructos 



A LAVOURA S'47 



«Para fazer um campo de opuiicias Burbaiik» é plantar as fo- 
lhas com urr intervallo de cerca de um metro, em carreiras distantes 
uma da outra cerca de metro e meio. 

Obtem-se por esta forma a cifra redonda de 2.500 plantas por 
acre (isto é, -il centenares), as quaes fornecem no terceiro anno, si 
se encontrarem em condições favoráveis, uma coUieita de 400 tone- 
ladas ! 

As experiências feitas até agora em escala bastante larga de- 
monstraram que, em condições normaes, quer dizer, em terrenos 
onde não falte a chuva ou que sejam irrigados por qualquer fornia, 
a colheita por «acre» é de 10) a 150 toneladas no priineii'0 anno, 
de 175 a 200 no segundo e de 220 a 300 no terceiro anno. 

Em terrenos completamente seccos oblem-se ainda de 50 a 75 
toneladas por anno.» 

Estas quantidades foram indicadas ao autor do artigo da revista 
allemã como muito prováveis, pelo primeiro assistente de Burbank, 
o Dr. T. N. Doud, para o cultivo do cacto no sul da Allemanha. 

Resta, pois, só indicar os preços da valiosa planta que está des- 
tinada a revolucionar o mundo. 

«Os preços pelos quaes se pagarão na próxima primavera as 
plantas da «opuncia Burbank» podem parecer exaggeradosá primeira 
vista. De uma a três plantas 5 dollars cada uma ; até dez plantas 
3 dollars 50; até vinte e cinco plantas 3 dollars; de cincoenta a mil 
2 dollars. 

Quando se pensa, porém, nas vantagens do cacto sem espinhos, 
na abundância das colheitas, no pouco trabalho que dá a sua cul- 
tura, é de suppor que nenhum paiz deixará de fazer uma experiência 
que poderá ser tão lucrativa.» 

(De O Século de 27—9—909.), 



Borracha ds Maniçoba 

EXPERIÊNCIA DE COLHEITA DE BORRACHA EM MANIIIOT GLAZIOVII, NO CAMPO DE 
UERE E NO POSTO DE BAMBIU (OISTRICTO DE UELe) (1) 

Ensinamentos mui interessantes acerca das experiências de ex- 
tracção de látex, praticadas em Mauihot Glaziovii, cultivadas nos dous 
postos do districto de Uele, acabam de chegar á administração central. 



(t) Commimicado pelo Serviço de Agricultura. 



2ÍS SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

No campo de Uere as experiências foram levadas a efTeilo em doze 
exemplares do 6 1/2 annos ; o quadro n . 1 dá os rendimentos fornecidos 
por cada um delles 

A producção média por arvore é de cerca de 126 grammas de 
borracha fresca, em linco galaclomias (sangrias). Este resultado é 
menos salisfaclorio do que o obtido em Bambiii, de que falaremos 
mais adeante. 

As arvores submeltidas a experiência são no emlanlo muito vigo- 
rosas ; a causa desse rendimento menor do que em Bambiii é provavel- 
mente attribuivel á estação em que essas galaclomias foram feitas e ao 
estado vegetativo das arvores. 

Deix3is de ter-se feilo uma incisão inicial, recorreu-seú excitação, 
mas o lalex corria pouco abundante. 

O pontilhado não deu resultado algum nos indivíduos sob ns. 1 
e 8 ; nas outras arvores o rendimento foi muito escasso. 

Esla ultima operação foi praticada com auxilio de uma roseta ; é 
um objecto de fácil manejo e que não offercce perigo para a arvore. 

Todas as incisões foram feitas entre G e 8 horas da manhã. 

Uma parte do lalex foi coagiiladado por meio de repouso; para a 
outra parte foi preciso recorrer aos ai-idos, [orque, depois de 24 horas de 
repouso, esse látex não se havia ainda coagulado. 

Xo posto de Bambiii, as experiências foram feitas em 12 Manihot 
Glaziovii de G annos de idade. 

Multo embora o solo no qual estas arvores estão plantadas não seja 
muito fértil, os rendimentos em borracha fresca são muito mais ele- 
vados do que os obtidos no campo de Uere . 

Com effeito, a producção média por arvore é de cerca de 255 gram- 
mas de borracha fresca em G sangrias, o dobro da do Manihot de Uere. 

O quadro n. 2 assignala as quantidades fornecidas diariamente 
por cada uma das arvores tratadas. 

As sangrias foram feitas entre G e 8 horas da manhã, e de dous em 

dous dias. 

As incisões iniciaes tiveram logar em tempo chuvoso. E' interes- 
sante assignalar-se que o rendimento mais importante, em uma única 
sangria, foi de 1G9 grammas de torracha fresca. 

A primeira operação de excitação elTectuou-se dous dias apJs a jiri- 
meira incisão; o tempT era claro. A segunda, que leve logar em tempo 
nublado, mostrou pobreza em látex (vide n . 10). 

Os ns. 2 e 1 1 deixam tamliem muito a desejar : muitas cellulas des- 
providas de látex , mas as arvores não teem o aspecto de depauperamento. 



A LAVOURA 



2i9 



As 3" e 4' operações de excitação foram feitas por um espaço de 
tempo muito curto. As arvores assim tratadas não tendo sido san- 
gradas anteriormente, as incisijes não foram muito amplas afim de que 
podessem cicatrizar com lentidão. A colheita foi satisfactnria, e si o 
estado das plantas o permittir dentro de 6 mezes, esses Manihot Gia- 
ziovii serão novamente incizados. 

Para este fim, estas arvores foram marcadas, e numerados outros 
exemplares da mesma plantação em numero de doze que serão suJjmet- 
tidos a experiências de extracção de látex em três mezes ; o que per- 
mittirá aferir a estação mais propicia para o escoamento do látex. 



Climatologia 

Obsarvações mêteoroloÊÍeas feitos em Kambove ( Alt:-Kitanja ) dufantj o anno de 
1908 — médias das observações do anno 



MEZES 


CHUVAS 


MÍNIMA 


12 h. 


MÁXIMA 


IS h. 


-MÉDIA 


CHUVAS 


Janeiro 


17 


15.7 


21.2 


27.0 


19. i; 


21.0 


4.0 


Fevereiro 


li;.4 


15.7 


22. s 


2.1.0 


19.2 


21,1 


8.5 


Março 


íG.r. 


15. 


2:!, 7 


29 


21.4 


22.3 


1.S2 


Abril 


17.3 


1-i.O 


25.1 


28.3 


20.8 


21.0 


4.8 




13. í 


12 

111.9 
9.0 


23.4 
23.9 
22.3 


20.3 

27 

25 


20.1 
211.2 
19 


19.2 
18.9 
17.3 






12 




Jalho 


lO.S 


— 


Agosto 


11.2 


12.9 


25.0 


29.1 


s2.2 


21 


- 


Sítembro 


17.1 


15 


29.4 


31.9 


25.5 


23.5 


- 


Outubro, 


19.5 


IS 
15.2 


28.5 
25.3 


30.5 
27.7 


24.5 

20.0 


24.2 
22 


5.0 


Novembro 


IS.-i 


0.07 


Dezembro 


10.4 


15. S 


23.4 


20.3 


20.3 


21 


9.95 


Média diária (\f todo o anno. 


15.7 


14.3 


24.8 


27.9 


21.1 


21.1 


3.44 



As temperaturas são expressas em centígrados e as alturas da 
chuva em millimetros. 

Resulta deste quadro: 

Que a chuva total da agua por anno foi de: 3,4 i X -^^ô ^= i°',259 
de onde approximadaraente 1 1/4 ; 



250 



SOCIEDADE N.\C[ON\L DE AGR1CULTUR.\ 



Que a temperatura média máxima fii de 28 O, a média minima das 
noilesde li. 3 ea temperatura diária para todo oanuode21.1 ; o que 
demonstra de '^oljejoqu3 o clima do .\llo Katan^^a mio é realmente um 
clima tropical, bera eoraoKambove, onde estas obsorvaçues .são assigna- 
iadas a menos de 11° de latitude do Sul . 

(S) Bertholet. 

Quadr: comparativo das altnras de agua em milUmetros cabida durante as estações 

chuvosas de 1903 a 1308 



MEZES 

* 


1903-1904 


1904-19 5 


1905-1906 


1906-1907 


1907-1908 


Soteuihro 


82.9 
12S.3 
2(13.9 
.340.9 
280. -í 
115.1 

60. r, 


81.3 
134.1 
29>.9 
238.0 
188.2 
li7.3 
9.7 

19. li 


11.9 
10.7 
273.0 
290.8 
271.0 
171.6 
272.0 
322,1 


19.3 
1U5.7 
112.5 
248.6 
174.2 
149.9 
121.7 
243.8 

18 




Outuf)i'o 

NoveniIiF'' 


4-.6 
192.0 




239 


Janeiro 

Fevereiro 

Março * . . 

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143 

245.2 

56.6 

145.3 


^[aio 








.'uIdo., * 








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1.272.0 


1.115.1 


1.333.2 


1.177.5 


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Do Boletim Ojfficial do Congo Belga. 



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HORTO DA PENHA 




Cultura de inhame 







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Piteiral 




Fig:ueira) 




Outro aspecto do Hg-ueiral 



A LAVOURA 253 



EXPEDIENTE 



HOIiTO I>A. PENHA. 

Viagem — A viagem se fez tomando o trem na Central, até a estação do 
S. Irancisco, onde se baldea para a ieojjoWma (linha do norte), estação da Penha. 

O trajecto férreo é de 40 minutos. 

A importância da passagem é de 1$300, ida e volta, primeira classe. 

A conducção da Penha ao Horto é feita em carro, troly ou a cavallo, á von- 
tade dos visitantes e conforme o numero delles. 

O transporte é grátis e leva apenas !0 minutos. 

Os pedidos de conducção devem ser feitos, pessoalmente, por carta ou telc- 
gramma, a esta Sociedade, rua da Alfandega n. 108, ou ao Dr. Paulino Cavalcanti, 
Superintendente do Horto, estação da Penha. 

Horário dos trens — E' o seguinte: 

Manha— 3 — 45,4 — 0,5— 15,6 — 10,6—40,7 — 45,8— 35,8 — 55,9—30,10 — 
6 30,11 — 40. 

Tarde— 12 — 40, 1 e 3 — 40 . 

Para a volta, correm, continuamente, trens em correspondência com os dos 
subúrbios e expressos da Central. 

Os serviços feitos durante o corrente mez, no Horto, foram os seguintes: 

CowíífMCfões'- Abertura de um caminho, para facilitar a retirada das mudas 
dos viveiros, para a distribuição aos sócios desta Sociedade. 

No referido caminho foi construída uma ponte. 

Plantações — Foram feitas, as das forragens:— aspergula, que nasceu muito 
bera, chique-chique, carrapicho beiço de boi e capins massambará, e guiné. 

Fez-se uma plantação de bananeiras, 

CoWeíías— Procedeu-se á colheita do girasol, que foi boa e está se Snalízaado a 
do trigo. 

Diversos trabalhos — Continua em execução a enxertia nas laranjeiras. 

Está preparada a terra para a plantação do milho, arroz, etc, aguardando-se 
as primeiras chuvas para serem então lançadas á terra as sementes destes cereaes 
e diversas de outras plantas. 

Foi plantado o Cactus Burhank . 

Lutero Burhank, o ereador do cactus sem espinho, dotou a industria pecuária 
de uma forragem que vaio habilitar as mais estéreis regiões a se tornarem 
pastoris. 

De facto, o hurbonk, parecendo viver mais do ar que da terra, resiste ás 
maiores seccas e produz nos terrenos mais pobres. 

Portence á categoria das fontes vegetaes, de í>aint-HiIaire. 

Actualmente 6 incalculável a riqueza que esta planta produzirá ; entretanto 
para termos uma ligeira idéa do seu valor, basta nos lembrarmos da applicação 
qua ella vae ter uos nossos Estados do Norte, nas zonas flagelladas pelas seccas e 



2>i SOCIEDADE NACIONAL DK AOaiCULTURA 

onde o ga io encontra, nessas occasiões, para correr, aienas, «imhntlorias do tniTíio, 
opunuas de palmas, diraiautas, diabolicamente erriçuias de espinhos, com o vivo 
carmim das coihonillias que alimentam. > 

Os &ríyes— EUCLYDE8 DA ClMlA. 

Estão plantadas a^ amoreiras iiara ser iniciada, npportiinamente, a sericicul- 
tura . 

O estado geral aas culturas, apezar da secca, é Irom. 

Estão, porém, masniflcos:— o vinhedo, o flguoiral, o laranjal, o pituiral e o 
inhamal. 

Pelas domais secções do Horto tudo correu normalmente. 

Na Pocilga nasceram seis leitões 3/4 de sangue, cruzamento de Paland-Chiua 
com 1/2 sangue Yorkshire. 

No GiiUinheiro. a incubadora chocou cincoenta e sois pintos. 

Aprcndiiado a^nco/a— Matriculou-S(3 mais um alumno, vindo do Estado do 
Espirito Santo. 

O Aprindizado conta aprendizes naturaes dos Estados do Rio, Minas e 
Piauhy . 

Completou o cur.so de enxertador o arador um discípulo, ao qual foi dado o 
respectivo diploma de h.ibilitayão. 

Ví.siías— Visitaram u Horto os Dr.s. Wenceslão Bello, Souza Reis e Sylvio 
Rangel o Dário de Barros. 



SETEMBRO DE 1909 

Correspondência expedida: 

Cartas • 250 

Telegrammas 19 

Otflcios ao governo 5 

> particuhres 8 

Boletim «A Lavoura» 3.250 

circulares l.i*8'l 

Diplomas 73 

Distinctivos 21 4.678 

Correspondência rccísbiila: 

Cartas 553 

Circulares "-'5 

Ollicios do govorno 8 

OlHcios particulares. . . . • , . • 5 

Telegrammas 18 609 




I^nxerti;! das laranjeiras 







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Um canteiro de couve 




Plantação de cactiis — Burbank, sem espinhos 




Gado de trabalho no pasto 




Ciado para corte do matadouro da Penlia 



A LAVOURA 255 



A. Exposição de JBello Horizonte— O Sr. Dr. Wencesláo 
Bello, Presidente da Sociedade Nacional du Agricultura, recebeu doExrao. Sr. Dr. 
Juscelino Barbosa, Secretario da Directoria de Agricultura, Commercio Terras e 
Colonização, a seguinte carta: 

Belio Horizonte, 25 de setembro de 1900. 

— Exmo. Sr. Dr. Wencesláo Bello, digno Presidente da Sociedade Nacional de 
Agricultura— Em nome do Governo deste Estado, venlio agradecer a V. Ex. a 
honrosa visita que se dignou fazer á Exposição Agro-pecuaria que so acaba de 
realizar nesta Capital, bem como o valioso auxilio que com grande competência 
prestou á Commissão Directora daquella oertamen no julgamento dos productos da 
secção pecuária. 

Saúdo e fraternidade.— O Secretario das Finanças, Juscelino Barbosa. 



Visita, honroso, — No dia 8 deste mez honrou esta Sociedade com 
a sua presença o nusso amigo c. consócio Sr. Luiz Bueiio do Miranda, que en- 
treteve agradável palestra cora o Dr. Heitor de Sá, director da Secção Technica. 



O Sex-icicultoi- — O bem feito periódico que com o titulo acima se 
publica na cidade de Barbacen a sob a direcção do illustre Sr. Amilcar Savassi, 
era a sua edição de 22 de ag^osto do anno actual, poz de manifesto ura artigo cora 
a epigraphe «Gravíssimo», no qual se tornava siilionte uma certa irregularidade 
occorrida na «Colónia Rodri^'o Silva», e a cuja responsabilidade queria ligar a so- 
ciedade Nacional de Agricultura . 

Appellando para o Dr. Wencesláo Bello, digno presidente da alludidaí sccie- 
dade, afim de que tornasse esclarecido o facto, olle immediatarnon te endereçou ao 
Ulmo. Sr. Amilcar Savassi uma louga carta onde a luz se fazia cora toda evidencia 
nos pontos por elle apresentados como duvidosos, por muito sombrios ou escuros. 

E assim é que na edição de 3 do outubro do seu apreciado jornal lê-se o se- 
guinte, que transcrevemos com a devida vénia: 

« Gravíssimo 

A respeito do assumpto de que nos occupámos sob o titulo supra, em números 
passados, recebemos da Sociedade Nacional de Agricultura uma longa carta, que 
por falta de espaço deixamos do publicar. 

Pela leitura, entretanto, do importante documento verificase que aquella 
patriótica associação procedeu, naquella emergência o, como sempre, com a maior 
correcção possível, não Ite cabendo nenhuma responsabilidade no despacho das 1.50 
caixas de batatas. 

E com isso damos por encerrado o incidente.» 



Foi-necimentos a.os sócios — Tirando partido de seu caracter de 
associação já prestigiada com cerca de 3.000 sccios, r. Sucifíladc, do intuito parti- 
cular de demonstrar a utilidade e o mecanismo dos syndicatos agrícolas, cmpre- 
hendeu favorecer os seus sócios com o supprimento de pcneros estrangeiros e nacio- 
naes a preços mais reduzidos do que os do commercio a varejo. 



256 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Com esse propósito e valendo-se dos favores aduaneiros que a lei confere ao 
SynJicato Central dos Agricultores do Brazil, tem fornecido arame farpado e re- 
spectivos grampos. 

Além disso e mediante contractos especiaos. tom fornecido, a preços redazidos, 
o formicida Paschoal, o alcoul o inacliinas agrícolas. 

Revendo todos os seus contractos e fazendo outros que começam agora a vigo- 
rar, a Sociedade está iiabilitaJa a fornecer aramo farpado e respectivos grampos, 
enxadas, machiaas agrícolas, álcool, formicida, colmeias nas condições que passa- 
mos a indicar: 

ARAME FAKPADQ 

Rolo de 26 kilos com 1 60 metros de flo a 6$880 

Rolo de 40 kilos com 40i metros de fio a 10$i'>80 

Grampos para os mesmos, o kiJo a $360 

ENXADAS BEM CALÇADAS DE AÇO 

De 2 libras l,i;420 i$270 

De 2»/, libras 1$520 1$:370 

De 3 libras 1$630 1$530 

De 3 V, libras 1$780 1$630 

De 4 libras 1$930 1$730 

FOICES 

Ns. 1, 2, 3, 4, 5,6, 8, 9, 10, 11, 12, aos preços respectivamente de: 
$600, $670, $730, $810, $890, 1$000, 1$130, 1$300, 1|500, 1$600, 1$S00. 

SALOXO 

Um preparado de sal e peróxido de ferro, próprio para aliraentfição do £rado, é 
económico o asseiado por ser em tijolos do 5 a lu kilos. nfiu stijamlo as baias ou 
logaros (imlesão collocados e sem despordicio. Preçj 200 réis o kilo, com ~> "/., de 
abatimento. 

MACHINAS agrícolas 

Dos ppiucipaos fabricantes, com abatimento de 5 a 10 % sobre os respectivos 
cattlojjs 3 transporte gratuito nas estradas de ferro. 

ÁLCOOL 

De força de 40°, em latas de 18 litros, pelo preço das Tendas em pipa, o que 
corresponde a uma reducção de cerca de 10 7o- 

SULFATO DB COBRE 

Para tratamento de plantas ao preço de kilo $650 



A LAVOURA 257 



FORMICIDA 
Pasckoal: 

Latas contendo 4 litros 4$100 

Caixa cora 4 latas 16$400 

Schomaker: 

Botija contendo 1 1/2 litro 3$700 

Caixa com 6 botijas 22$000 

COLMEIAS 

Com os mais modernos aperfeiçoamentos pelo preço de 15$000 

CREOLINA 

A mais reputada das cresolinas de fabricação nacional 
denominada Cresolina Werneck, cora uma economia 
do 20 °/o sobre os preços do mercado, custando cada 
lata com um litro 1$200 

lacticínios 

Installações completas para industria de lacticínios pela Casa Hopkins Causer 
& Hcpkins, com abatimenio médio de 5 %• 

Para gosar destas vantagens o interessado deverá satisfazer as seguintes con- 
dições : 

1', ser sócio quite da Sociedade Nacional de Agricultura ; 

2*, ser agricultor, apresentando disso provas bastantes a juizo da Directoria 
da Sociedade ; 

3\ formular o pedido directamente á Sociedade e por escripto; 

4», pedir somente para o seu próprio consumo, indicando o nome e a situação 
da propriedade a que destina o emprego do producto ; 

5', enviar á Sociedade, juntamente com o pedido, a sua importância, ou uma 
oniem para seu pagamento contra casa comraercial ou bancaria com sôde na Capi- 
tal Federal. 



Hslação dos sócios entrados nos mezss de julho e agosto de 1909 



Tenente-coronel Caso,miro Rodrigues de Alm-jida. 

Joaquim Dutra. 

José Camillo da Costa. 

Padre António Ayres de Mello. 

Coronel António Martins Ribeiro. 

Coronel Joaquim António dos Santos. 

Coronel Delbão Francisco Rodrigues. 

Dr. João SUva. 



2S8 SOaEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Pedro Veiga de Almeida. 

António Horgcs Machado. 

João José (las Neves. 

James Frederick Clark. 

José Fortes CastoUo Branco. 

Fernando Carvalho de Almeida. 

Cinabilino Feri'eira de Carvalho. 

Theophilo Marques Filho. 

Francisco Pacheco. 

Virgílio Fernandes de I^aula. 

António Lope.s Pinheiro. 

António Pires Eustachio. 

Ignacio Pires Eustachio. 

Gastão Machado Nunes. 

Pedro Rodrigues de Rezende Chaves. 

Coronel Virgílio Viaima. 

Dr. José Hygino da silveira. 

José Joaquim de Souza Aragão. 

José Carlos Vaz. 

Coronel .Salathiel Faria Lobato Júnior. 

Tenente José Hygino de Rezende. 

Rufiuo da Silva Cardoso. 

Luia Aflbnso de Souza Gomes. 

Primeiro tenente Dr. Mário Alves Ferreira. 

Leonardo António de Freitas. 

Arlindo Zaroni. 

António Pedro Ribeiro. 

Ignacio Bahia Filho. 

Estevão da Silva Leite. 

Instituto João Pinheiro. 

Dr. Manoel da Cruz RoUenberg. 

Rajmundo Mascarenhas Barbosa. 

José Pinto de Mascarenhas. 

Capitão António de Pádua Pinto de Rezende. 

Álvaro Freií-e Braga. 

José Domingos de Almeida. 

Dr. Sérgio Tolentino de Paiva Moira. 

Companhia dos Fazendeiros de S. Paulo. 

Dr. Reynaldo Joaquim Ribeiro de Carvalho. 

Dr. Fernando Abbott. 

Coronel Leandro Prates. 

Tenente-coronel Custodio Vicente Machado. 

Pedro Bezerra da Rocha Moraes . 

Cândido José de Oliveira. 

António Rodrigues de Moraes Júnior. 

D. Helena Nogueira da Silva Moraes, 

Francisco Gomes da Cruz Júnior. 



A LAVOURA 259 



Braulio Cardoso de Aguiar. 
Joaquim Mondes Pereira. 
Dr. I^edro Marion. 
Dr. Isaias Pereira Soares. 
José Lourenço Rodrigues. 
António Thomaz Barbosa. 
Coronel Joaquim Augusto da Silva. 
Capitão Manoel Feliz do Azevedo. 
Tenente João Pedro da Silveira Júnior. 
Dr. José Mariano Filho. 
Coronel António Homem da Costa . 
Dr. Cândido Mendes de Almeida. 
Capitão José Christiano do Prado. 
Custodio Estevão Casemiro. 
Olympio Oliveira Leito. 
António Oliveira Leite Júnior. 
José Gonçalves Cannavei'de. 
Plinio Lima. 

Coronel João Corrêa Prado. 
Durval do Araiijo. 
Joaquim Afifonso. 
Firmino Garcia. 
Luiz (la Fonseca. 
Francisco Ferreira Yelloso. 
António de Souza Villa Lobos. 
Coronel Marcondes Alves de Souza. 
Reynaldo Souto Machado. 
João Felício Fernandes. 
Alexandre Soares Diniz. 
Cândido Pereira da Silva. 
Coronel José Francisco Ribeiro de Mendonça. 
António Pantaleão de Mello. 
Tlieophilo Coelho de Magalhães. 
Francisco Dias do Castro Sobrinho. 
Francisco de Azevedo. 
.José Procopio Junqueira. 
José Evaristo Tavares Paes. 
Gabriel Rodrigues de Rezende. 
Abner Coelho dos Santos. 
Francisco de Souza Silva Braga. 
Vicente de Miranda Noguoira. 
Major Alfredo Eugénio Toste.s. 
Jeronymo José Salgado Guimarães. 
Coronel João Baptista Gonçalves de Oliveira, 
Villela & Irmão. 

Dr. José de Paiva Magalhães Calvet. 
Joaquim Ribeiro de Souza. 
6405 



260 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Jacintho Pinto de Lima Júnior. 

Vicente F. do Carvalho Dantas. 

Miguel Pereira Guimarães. 

António Alves Ferreira. 

Alberto Amorim. 

Capitão João Gonçalves Ramos. 

José Mesquita. 

Jacinthii Pereira da Rosa. 

Ulysses Borges. 

João José dos Santos. 

Dorotheu José de Mello. 

Armando Miranda. 

Theophilo Silveira. 

Francisco Eulalio Mendes. 

José Francisco Rodri.çues. 

Custodio Theodoro Ribeiro do Carvalho. 

Capitão de corveta Francisco Paim Pamplona. 

Joaquim Fernandes Villela. 

Feliciano José da Costa. 

José Guilherme de Almeida. 

Coronel Amado Bahia. 

Coronel Rodolpho Gonçalves Tourinho. 

José de .Souza Mello. 

Coronel Adolpho do Carvalho Gomes. 

António de Souza Antunes. 



SECÇA.O TEOHIVIOA. 

Ctxltiura. do trig-o — Do Sr. cónego António Marques Henriques, 
vigário da «Apparocida do Xorte» (Estado de S. Paulo), recebeu esta Socielade, 
uma amável carta, na qual o lUusire sacerdote so dignou commuuicar o resul- 
tado que obteve com a experiência que fez sobre a cultura do trigo naquella 
cidade. 

S. S. semeou em 170 metros de terreno. 

O ti-igal, segundo os dizeres da referida missiva, passou bem o cyclo vegeta- 
tivo, espigou perfeitamente, tondo algumas espigas quatro grãos em cada capsula, 
segundo verificámos pela amostra que recebemos. 

O Sr. cónego Henriques pretende ensaiar, no próximo anno, a cultura do 
trigo nas margens do Parahyba e apezar de não ter analysado as terras margi- 
uaes do referido rio, considora-as, entretanto, boas para aquella cultura, por 
estarem enriquecidas pelas enchentes annuaes. 

Agradecemos a S. S. a gentileza da communicação e approveitamos o ensejo 
para informar que o Ministério da Agricultura está autorizado a distribuir aos 
syndicatos e cooperativas que cultivarem duzentos hectares de trigo um premio 
de quinze contos de réis, realizadas certas condições que ainda não foram regula- 
mentadas 



A LAVOURA 



261 



Federação Rural fie Mionte-vidéo — Esta Federação oíflciou 
gentilmente á nossa Sociedade, congratulando se comnosco pelo estreitamento de 
relações entro esta Sociedade e as suas congéneres do bello paiz, nosso amigo — o 
Mruguay. 

Do nossa parte, com prazer o dedicação, envidaremos todos os esforços para 
que esse vinculo se aperto cada vez mais . 

Agradecemos, penhorados, as amáveis e lionrosas phrases que Dom Ramon 
E. Silveira, DD. Vice-Presidente da Federação de Montevideo, se dignou externar, 
referindo-se á «A Lavoura>. 



SEOÇÃ.O DO AJLíGOOXj 

APPLICAÇÕES INDUSTRIAES DO ÁLCOOL 

Movimento do serviço de propaganda no 3° trimestre de 
julho a setembro de 1909 



Julho . 



Agosto . 



Setembro. 



Capital (centro) . 
» (arrabalde) 

> (sabarbio) 
Nictheroy . . . 
Capital (arrabalde) 

» (sabarbio) 
Estaâo do Rio . 
Capital (centro) . 

> (arrabalde) 
Ilha (Paquetá) . 



NUMERO DB 
8BRVIÇ03 



21 



NUMERO 

>B APPA- 

RBLHOS 



3 

10 

11 

3 

15 

2 
10 
18 

7 
15 



DURAÇÃO 
POR NOITBS 



1 

3 

4 
1 
3 
U 
3 

O 

4 

£ 



O consatno do álcool nos diTers os serviços da iUuininaçao foi do l*0õ4 litros. 



262 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



SECÇ^VO DE PLANTAS E SEMENTES 

Distribuição de plantas e sementes feita no mez de setembro 

de 1909 



ESPEOiriCAÇAO 



Sementes 

Abóbora 

Acelga 

Alfafa 

Algodão 

Arroz 

Aveia 

Avena platior 

Beterraba forrageira . . . . 
Capim g^orilura. roxo . . . . 

Capim Jaraguá 

Cebola 

Cenoura forrageira 

Centeio 

Cevada 

Dactylis glomerata 

Dolichos 

Esparsetta 

Eucalyptua 

Festuca 

Famo 

Holcns . . . ' 

Juta 

Lacthyrns sylvestris 

Lolínm (Ray erass) 

Lúpulo 

Maniçoba Jequié 

Melancia 

Melão 



UNIDADES 


PBS08 




k 
2,747 


- 


11,000 


— 


2G7,000 


- 


45;, 000 


— 


i3o9,000 


- 


31.500 


- 


7,600 


— 


14,850 


— 


1.918,000 


- 


1.969,000 


- 


5,11.^) 


- 


14,06(1 


- 


30,000 


- 


2,000 


- 


4.300 


— 


4,100 


— 


8,, «00 


— 


1,091 


- 


2.06Õ 


- 


0,09.-. 


— 


5,7ii(i 


- 


3,orx) 


— 


3,400 


— 


2i.r,:-o 


- 


0,010 


- 


22,200 


— 


2.1U.- 


— 


2,285 



A LAVOURA 



263 



ESPECIFICAÇÃO 



Milho 

Macnnã 

Phleum praiense 

Pimentão doce 

Poa tfivialis 

í^arraceno 

Serradella 

Sori:ho 

Sulla 

Tlieosint'j 

Tomate 

Trigo 

Viscia sativa 

Plantas 

Arvores fructiferag de clima frio . . . . 

Bacellos de videira 

Raizes de Consolidas do Cáucaso (Symphyluiii) 



UNIDADES 


PESOS 





k 

261,850 


- 


64,600 


- 


2,100 


— 


1,320 


- 


1,320 


— 


1,000 


- 


5,700 


- 


14,450 


- 


14,OU0 


- 


5,700 


- 


l,;t57 


- 


970,250 


— 


18,400 


12 




38. «69 


- 


540 


- 


39.421 


6.787,670 



80 
27 
17 
53 
12 

1 

19 
21 
19 

9 
81 
44 
13 



1 

102 
13 



1.769 



BIJBLIOTHECA. 



PtJBLlCAÇÕES PERIOtICAa 



Temos recebido mais as seguintes, com as quaes de bom grado entreteremos 
permuta: 

The Journal oflhe Departuienl of Agriculture of Viciaria. — Vol. VII, n. 8. 

Journal of the Collei/e of Agriculture, ^\ihlica.<^o da Universidade Imperial de 
Tokyo.— V. I, ns. 1 e .i. 

Wyoming Experiment Station. — Boletins 81 e 82. 

New Jersuij Ai/ricultural Experiment Stxlion. — Boletins 220 e 221 . 

Conlribulioní! from the United States National Herbariura. — Vol. XII, part. 10 — ■ 
Miscellaaeous papers— por .1. N, Rose, N. L. Britton, John M. Coulter c G, N. 
Collins ; Vol, Xlll, part. 1 .— Studies of Tropical American Ferns— por V/illiam R, 
Maxoii . 



264 SOCÍEDAOE NACIONAL DE AGRICULTURA 

El Mundo de Eoy, de Chicago.— N. do junho ào 1009. 

Boletin dei Ministério de Fomento, da Republica do Venezuela. — Anno I, n. 1 . 

Latina, revista mensal de propaganda para os povos latinos, que se publica em 
Paris. — Anno I, n. 1. 

Agricultura Moderna, periódico que ora inicia sua publicação na cidade do 
Porto (Portugal).— Anno I, n. 1. 

O Solo, órgão do Centro Agrícola «Luiz de Queiroz», do Piracicaba.— Anno I, 
n. 6. 

O Rio Grande, órgão do Agricultura, Industria o Commercio, que se publica na 
cidade de Bagé (Estado do Rio Grande do Sul).— Anno XV, ns. I a 4. 

Annacs da Academia de Medicina do Rio de Janeiro. — Tomo 74, janeiro a de- 
zembro de 1908. 

Revista do Instituto Histórico e Geographico da Bahia. — Anno XV, vol. XV, n. 34. 

TRABALHOS DIVERSOS 

Viticultura General, por Teodoro Alvarez.— Montevideo, 1909.— Agradecemos ao 
autor a deferência que tovo para comnosco enviando-nos um exemplar desta obra, 
que constituo magnifica contribuição para o estudo da viticultura. O assumpto ó 
tratado de modo mais ou menos completo, encontrando-se no volume em questão 
noções sobre a historia natural da planta, cultura, enxertos, adubação, podas, etc. 
Traz a obra desenvolvido estudo sobre os parasitas da vinha e meios de combatel-os, 
diversos processos de cepagem e na ultima parte vêem minuciosos dados estatís- 
ticos que muito elucidam a matéria. 

Electriciiê agricole,iWT A. Petit. Paris, 1909. Desejando facilitar aos leitores 
d'<A Lavoura», o conhecimento de obras cujo assumpto mais de perto lhes possa 
interessar, temos sempre publicado os prospectos dos livros que nos são remet- 
tidos. E' o que fazemos ainda no presente numero para a interessante obra que 
acabamos de receber da livraria J. B. Bailliôre et Fils, cujo prospecto os leitores 
encontrarão no tini desta secção. 

A Criação de Gado no Brasil, por M. Bernardez. liio de Janeiro, 1909. 

A Carreira Agrícola, por H. Raquet. Publicação da Sociedade Brasileira para 
Animação da Agricultura. Paris, 1909. 

Meios de harmonizar os interesses do Estado com o chs particulares na explorofão 
das florestas, pelo padre Maxirailiano von Lassberg. Memoria apres. ao 1" Con- 
gresso Agricola-Pastoril do Rio <;rando do Sul. Pelotas, 1909. 

Argentina International Trade. Publicação do Departamento de Agricultura da 
Republica Argentina. Buenos Aires, 1909. 

Studenplan fúr das Winler Semester 1009-1910. Publicação da Kõnigliohe 
Landwirtschaftliche Hochschulo, de Berlim. 1909. 

A Parahyha na Exposição Xacional de i90S. Paraliyba do Norte, 1909. 

Estatutos da Cooperativa Central dos Agricultores do Brasil. Rio de Janeiro, 1909. 

Estatutos da Associação Commercial do Alto Jurud. Cruzeiro do Sul, 1909. 

Relatório da Associação Commercial de Santos. Anno 1907-1908. 

Metnorialdo Congresso Commercial e Industrial do Rio Grande do Sul ao Con- 
gresso Nacional. Uruguayana, 1909. 

jBeiatorio da gestão dos negócios do município de S. Bento, durante o anno 
de 1908. 



A LAVOURA 265 



CoUecção das leis do mnnicv^io de S. Bento, promulgadas no aano da 1908. 
Mensagem do prefeito do Districto Federal da 1 de setembro de 1909. 

CATALOaOS 

Emerson Manufacturing Co . Rockford, Illinois, Estados Unidos da America do 
Norte. Arados, cultivadores e outros instrumentos para a lavoura. 

«Titania», batpdeira de leite. Mark. Maschinenbau-Anstalt «Tcutoaia». Frank- 
furt, Allemanha. 

Roberto Boby Ltd. Bury St Edmund's, Inglaterra. Batedeira de manteiga 
«Dois Minutos». Catalogo n. C. S. 2. 

West Desinfecting Co. 9 E. 59*'' Street, New Tork. Productos para desinfecção. 

Publicação sobre os Instrumentos de Precisão Enológicos. J. Dujardin. Paris, 
24, rue Pavée. 

Catalago dos productos apresentados pelo Deposito Veterinário por occasião da 
Exposição Internacional de Hygiene. Esta casa commercial tem a sua sede, no Rio 
de Janeiro, á rua do Cattete 234 e em S. Paulo, á rua S. Bento, 16 B. 

Catalogo das machinãs fabricadas na Fundição Indígena. Farinha, Carvalho 
& Comp., 188, rua Camerino, Rio de Janeiro. 



E'leotrioité agricole, par A. Petit, ingénieur agrónoma et ingé- 
nieur électricien. 1909, 1 volume in-18 de 400 pages, avec 100 figures. Broche, 
5 fr. Cartonné, 6 fr. Librairie J.-B. Baillièrc et fils, 19, rue Hautefeuille, à Paris. 

M. Potit presente d'aborJ quelques considérations générales sur Tadaptation 
de réleotricité à. la ferme, sur Ténergie et quolques notions génárales d'élcctricité. 
II étudie ensuite la production de Ténergie électrique par tous les moyens prati- 
ques possibles; dynamos, motours hydrauliques á vapeur, à gaz, à pétrolo, á vent; 
il examine les facilites de cette production, les conditions de prix, les conditions 
mécaniques et électriques . 

L'énergie produit est conduit par des fils conducteurs jusqu'aux appareils 
dovant Tutiliser. M. Petit étudie tous les appareils compris entre les appareils 
génêrateurs et rácepteurs dans uachapitre «Transport et Distribution». 

Enfln Ténergie transportée sur les appareils récepteurs est utiliséa par eux sons 
diverses formes. Cest le chapitre <Utili3ation», dans lequel Fautour étudie toutes 
los applications pratiques do Télectricité à la ferme: 

1." Olilisation mécanique: labourage électrique, battage électrique, commande 
ôlectriquo des scieres, des macliines á glace, des pompes, des turbines à sucre, des 
écrémeuses, des broyeurs, concasseurs, couperacincs, liaohe-paille, otc. 

2." Utitisation pour léclairage et le chauffage: tQchnuiao des installations agri- 
coles d'éclairage électrique. 

3." Applications agricoles de lélectrochimie: Stérilisation du lait, stérilisation 
de Teau par Tozone, etc. 

Ces trois chapitres essentiels sont completes par l'action du courant sur 
riiommeet Io traitement desaccidents dus à réleetricitú. Puis Tauteur décrit un 
certain nombre dlastallations types et donne enfln des notions sur la conduite, 
Tentretien, lea aocideuís qui survienneat aux installations électriques, sur la 



26r. SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

raaniôre d'éta(]ier UQ projet et de Texíícuter soit poiír son compte, soit inJiro- 
ctemont sous forme ile cooperativos (l'(51eetricitr!. 

Cu volume fait parti de V EnciidoinUlie agricole publiée sous la direction de M. 
Werv, le diroctenr do Tlnstitut National Afironomique. 

V Encyclh iiêdie agricole et V Agendo Ar/ricole Wf.ry, qui cn cst le complómoDt 
aimuel, soiit aujourd'liui eatrc! los mains de touscoux qui 9'occupent sérieusemeot 
d'agricult;ure. Le catalogue dítaillé de V Encyclopédie agricole forraant 72 pages 
illustrées de planebes est adrcssé grátis à tout personne qui oa fait la demande à 
MM. J.-B. Baillière et flls, H» me Ilautofeuille, à Paris. 



Ijív Haeienda; — A bibliotlieca da nossa Sociedade, que se compõe de 
livros especiaes sobre assumptos agro-pecuarios, industriaes e coramerciaes, tem 
recebido, com toda a pontualidade, a magnifica revista americana, «La Hacienda>, 
a qual permuta com a «A Lavoura», que 6 o órgão official, desta Sociedade. 

«La Ilacienda» uraa das melhores illustrações agrícolas do mundo, publica-se 
cm quatro linguas, portuguez, hespanhol, ingloz e francez. 

A sua tiragem é de sete mil exemplares em cada língua. 

«La Hacienda», é propriedade da companhia do mesmo nome. A sua sede ó 
cm Buffalo. 

O preço de cada assignaíura 6 do llisOOO annuaes, livre de porte. 

Especialista em assumptos agro-pecuarios, «La Hacienda» é publicação mensiil. 
Os seus artigos são todos escriptos com aquelle senso pratico especial, peculiar aos 
no r te-americanos . 



NOTICIÁRIO 



ASSOCIAÇÕES 
Gooperativii Central dos Africnllores lo Brazil 

ACTA DA SESS.Xo DE INSTAI.LAV.\0 DA COOPERATIVA CENTRAI. DOS AGRICULTORES 

DO BRAZIL 

Sociedade Cooperativa de Responsabilidade Limitada 

PresideDcia do Sr. Wencesláo Bello 

A"s ;f horas da tardo do dia 20 de setembro de 1909, presentes na sede da 
Sociedade Nacional d(^ Agricultura, .-í rua da Alfandega n. 108, vários agricul- 
tores, por si e representados por seus procuradores, e varias associações agrícolas, 
de accôrdo com u livro de presença, o Dr. Wencesláo Bello, ua qualidade de 
Presidente da Sociedade Nacional de Agricultura c um dos convocantes da 
reunião, declara que ba numero paia o íunccionaniento da assembléa geral de 



A LAVOURA 267 



installação da Cooperativa Central dos Agricultores do Brazil, Sociedade 
Cooperativa de Responsabilidade Limitada. 

O Dr. Wencesláo Bello convida para Secretários os Si's. Drs. Sylvio Ferreira 
Rangel e Francisco Tito de Souza Reis, que tomam assento na mesa, indo também 
sentar-se a ella o Sr. Dr. João Baptista de Castro, a convite do Sr. Presidente da 
assenibléa. 

O Dr. Wencesláo Bello, depois do expor o motivo da reunião, fez sentir a 
necessidade de libertar se o product'jr das condições em que está actualmente com 
o comraercio intermediário, situação esta que lhe acarreta enormes prejuízos. 
Mostra que situação análoga se tem veriflcado em todos os paizes e que a solução 
tem sido sempre cooperativa do género da que se trata de organizar. 

Em seguida, como apoio enthusiastico á Cooperativa que se vae fundar, diz 
que vae mandar ler duas cartas, ambas de extrangeiros, um domiciliado no Brazil 
e outro actualmente em passeio, os Srs. 1^1. Francli e Duchemin. 

O Dr. Souza Reis, secretario da mesa, procede á leitura das cartas, cuja 
syntese é a seguinte: 

A do Sr. Eugénio Duchemin louvando a iniciativa da fundação da Cooperativa 
e mostrando os resultados obtidas pelos dous syndicatos fundados na Indo-Ct)ina; 
refere-se á situação de Ceylão, por occasião da grande peste que ceifou os 
cafesaes, o que determinou a adopção da cultura do cliá. O syndicato organizado 
para a defesa e implantação do consumo da nova cultura prestou inolvidáveis e 
valiosíssimos serviços aos plantadores. Diz que fez essas considerações por julgar 
applicaveis em beneficio da cultura do café e á formação da Cooperativa assim se 
expressa pelo grande interesse que llie tem despertado a lavoura brazileira, in- 
teresse que augmenta de dia para dia. 

A do Sr. II. Franck, agricultor em S. Gonçalo, louva a creaçãu da Coopera- 
tiva, por julgar ser o único meio de salvação da pequena lavoura, pois pessoal- 
mente sente as difflculdades que pesam sobre essa classe de agricultores, quer por 
parto dos negociantes gananciosos, quer por parte das estradas de ferro, que uo seu 
caso é a Estrada de Ferro Leopoldina. Cita a offerta que lhe foi feita do 500 réis 
por 40 pcs de alface ! o que llie suggeriu a idéa, para se libertar dessa mão 
oppressora, de enviar seus productos directamente a consumidores. Ahi surge nova 
ditíiculdade creada pela Estrada de Ferro Leopoldina, exigindo que o lavrador 
espere pela hora da partida do trem para obter o conhecimento sem o qual a merca- 
doria não po lerá ser retirada do trapiche. 

AfBrma que nem na China semelhante cousa se dá. Isso adirma porque tem 
viajado muito. Diz que se estabeleceu com recursos próprios, como fizeram recen- 
temente outros patrícios ; que o paiz faz bem em attrahir estrangeiros, mas que ó 
preciso que a actividade delles não seja burlada pelas difflculdades que se lhe 
oppõem para ser um productor, afim de que elles não desanimem e se repatriem 
desilUiJidos. A Cooperativa poderá resolver o problema do productor e por isso 
pede para ser inscripto como sócio. 

V.m seguida é lido o projecto de estatutos pelo Dr. Souza Reis. 

O Dr. Wencesláo Bello toma a palavra o synthetisa a organização proposta, 
explicando alguns artigos do projecto que acaba de ser lido. Lembra a vantagem 
do negociações com unia importante sociedade constituída por negociantes da Bél- 
gica, cujo representante esteve no Brazil ha pouco tempo eque muito se interessou 
6405 7 



L'R8 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

polaí relações commerciaes com a cooperativa, ã qual oIToreccu grandes van- 
tagens. Diz, no emtanto, que nada flcou resolvido, tendo a directoria da Coope- 
rativa, que vae ser iileita, a mais ampla liberd.ide e não cabendo á sociedade 
nenhuma intervenção om tal assumpto a não ser a de facilitar o futuro desenvol- 
vimento da cooperativa. 

l^ntrando era mais largas explanações, mostra como a Cooperativa poderá 
collocar osproductos no estrangeiro nas melliores condições, cora segurança e van- 
tagens aio la não ale inçadas até Jio.ja o somo poder.i. collocar os géneros exigidos 
pelo consumo interno, quer rulaciouando-se directamente com os consumidores, 
quer por meio de fornecimentos ás coUcctividades e aos estabelecimentos oWciaes, 
para o que poderá, certamente, contar com o auxilio do <ioverno, agora que este 
possue um ministério especial para tratar dos interes3i« agrícolas. 

Consulta, em seguida, como deve ser feita a discussão e votação do projecto, 
si em globj ou por capítulos. 

Posta em discussão, o Dr. Sarapxio Vianna propõe que sejam discutidos e 
approvados em globo, uma vez que, após a leitura, os acha de inteiro accórdo com 
a lei das cooperativas em vigor, e depois da excollentc sj-nthese feita pelo pre- 
sidente . 

Posta cm discussão r-, sem debate, approvada a proposta dn Dr. Sampaio 
Vianna. 

O Dr. liaptista de Castro pede algumas informações, dando-as o Dr. Wencesláo 
B^Uo e acceitando-as o Dr. Baptista de Castro. 

Após ligeira discu.-^são relativa ás attribuições do Conselho Fiscal c feita 
a rectificação de um periodo, foi encerrada a discussão e approvado o pro- 
jecto. 

O Dr. Wuncesláo Bello declara que a Sociedade se encarreiiará de tudo que 
disser respeito á Cooperativa até a posse de sua directoria e não cobrará as des- 
pezas feitas. 

Estando approvados os estatutos, cumpre eleger a directoria e o conselho 
ftseal ; aitendcndo ao adiantado da hora, convém adiar a eleição para uma outra 
sessão em continuação da presente, ficando de>:de já aberta na sede da secretaria a 
lista de subscripções e quinhões p ira apuração do capital social, de accórdo com os 
estatutos approvados. São approvadas essas indicações. 

O Sr. presi'lente designa o dia 5 do me/, de outubro próximo para a nova 
reunião em continuação, atim de se proceder a eleição da directoria e do conselho 

fiscal . 

O Dr. Baptista de Castro agradece o convite que lhe foi feito para sentar-se 
á mesa e, rcfiTindo-se á carta do Sr. Franck, declara-se envergonliado pela do- 
scripção por elle feita, que mostra o pouco caso com que se cuida dos interesses da 
lavoura no interior, ao passo que no exterior e com espalhafato se procura chamar 
o immifírantu, sem preparar-se os elementos necessários ao ,seu progresso e, conse- 
quentemente, o dopaiz. 

Refere-se ainda o Dr. Castro ao próximo Congresso de tarifas de transporto e 
vó com magua que deixou de ser convidado o principal interessado, a lavoura. 
Lavra o seu protesto por semelhante exclusão. 

O Dr. Wencesláo Bello diz que a Sociedade Nacional de Agricultura expediu 
circularei ãs sociedades agrícola-;, podindo-lbo-s informações sobre esse assumpto 



A LAVOURA 269 



afim de se achar a Sociedade preparada para defender os interesses dos lavradores, 
ainda que não façam parte daquelle congresso. 

O Sr. Presidente suspende a sessão ás G 1/2 horas da tarde.— Dr. Wencesláo 
Bello, presidente. — Sylcio Ferreira Rangel, 1° secretario. — F. T. Sou:,a Reis, 
2" secretario. 

CAPITULO I 

DA. ASSOCIAÇÃO, SEUS FINS E SUA SEDE 

Art. 1.° A Sociedade Nacional de Agricultura, o Syndicato Central dos 
Agricultores do Brazil, as associações agrícolas e os agricultores abaixo assigna- 
dos resolvem fundar, de accórdo com o decreto federal n. 1G37, de 5 de janeiro de 
1907, a COOPERATIVA CENTRAL DOS AGRICULTORES l)i> BRAZIL, sociedade 
cooperativa de responsabilidade limitada que terá por fim, conforme a Índole 
dessas instituições, promover a venda dos productos das industrias agrícolas e 
pastoril de seus associados, assim como oflferecer aos mesmos associados, quando f ir 
possível, o auxilio necessário a facilitar e melhorar as respectivas producções. 

Art. 2." A «Cooperativa Central dos Agricultores do Brazil» satisfará seus 
fins: 

a) estabelecendo na cidade do Rio de Janeiro um ou mais armazéns, con- 
forme as exigências e o desenvolvimento das transacções, destinados a receber e 
expor á venda, em grosso ou a retalho toJos o; productos que lhe forem con- 
signados por seus associados, de conformidade com o estabelecido nestes es- 
tatutos ; 

b) Promovendo, isoladamente ou com o auxilio de outras cooperativas ou 
syndicatos agrícolas nacionaes, filiados, o estabelecimento, nos mercados estran- 
geiros, de succursaes destinadas a offereeerem directamente aos consumidores alli 
os productos do exportação de seus associados, ou contractando com cooperativas, 
syndicatos ou firmas de reconhecida idoneidade a introducção c venda destes pro- 
ductos ; 

c) Facilitando aos seus associados, opportuuamen te, (luando organizados es seus 
serviços, a acquisição dos artigos necessários ao desenvolvimento e custeio de suas 
propriedades e industrias ruraes. 

Art. 3." A «Cooperativa Central dos Agricultores do Brazil» procurará obter 
o concurso de todas as associações congéneres do paiz que a ella quizerem 
adherir para o flm de mutuamente se auxiliarem e regularem as suas condições 
de vida e de funccionamento, estudar o curso dos mercados, os melhoramentos dos 
processos de manufactura e de acondicionamento dos productos, os usos commer- 
ciaes, promovendo as convenientes modificações e, finalmente, propagar entre os 
agricultores brazileiros a idéa generosa e fecunda da cooperação solidaria e dos 
boneflcios que delia resultam . 

Art. 4.' A «Cooperativa Central dos Agricultores do Brazil» é uma socie- 
dade cooperativa de responsabilidade limitada, de forma anon yma, que tem como 
sede para todos os eíTeitos a cidade do Rio de Janeiro, Capital da Republica dos 
Estados Unidos do Brazil. 

Paragrapho único. A duração da sociedade será de 30 annos. 



270 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

CAPITULO II 
DO CAPITAL SOCIAI. 

Art. 5.° O capital social será, illímitado e variável e coostituido por quotas 
do valor de 100$ cada uma. 

§ 1 ." O pagamento das quotas será, feito do uma só vez ou 50 por cento 
DO acto da admissão do sócio e 50 pjr ceoto no prazo estipulado pela Dire- 
ctoria, não exci'deado de 90 dias. 

§ 2.° Quando a Directoria, do aceòrdo cora o Consolho Fiscal, julgar conve- 
niente, a segunda prestação das quotas do capital pudera, ser feita em géneros 
consignados, cujo producto será recolhido pela sociedade até a iategralização das 
quotas. 

CAPITULO 111 

DAS OPERAÇÕES SOCIAES 

Art. (í.» A «Cooperativa Central dos Agricultores do Bra/il», sendo do typo 
das cooperativas de venda o podendo opportuaaiiieQte também ser de consumo, 
terá neste caso duas secções distinctas de operações : a primeira, destinada a pro- 
mover a Venda dos productos d:is industrias de seus ;issociados ; a .segunda, tendo 
por fim facilitar a estes a acquisição, nas melhores condições de preços e de qua- 
lidades, dos géneros de que carecem para o desenvolvimento e custeio do suas 
propriedades o industrias. 

Art. 7.° A associação poJer.i começar a fuQccionar desde que tenha realizado 
o capital de20:000,'j000. 

Art. 8-° As operações da primeira secção serão feitas por si e por suas agencias 
o succursaes, mediante commissão arbitrada pela Directoria, de aocòrJo com o 
Conselho Fiscal, sendo, porém, veiaio ;l associação perceber vantagens sobre car- 
retos, passagens e outras quaesquer despezas feitas com a mercadoria e, bem assim, 
auferir lucros por effeito de rateios nos respectivos preços. 

Paragrapho único. Para cssc^ íira a Cooperativu terá os armazéns e depósitos 
que forem necessários, bem como estabelecimentos destinalos a conservação o be- 
neliciamento dos géneros destinados á venda. 

.\rt. 9.'' As operações da 2* secção serão inici.idas quando as da P jà estiverem 
devidaaiente organizadas, a juizo da Directoria e do Consolho Fiscal. Para satis- 
fazer os intuitos dessa secção a associação poderá empregar entre outros os 
seguintes meios : 

a) Contratar com os fornecedores, sempre que fúr possível, mediante concur- 
rencia, o fornecimento a seus associados, pelos preços correntes mais baixos do 
mercado, dos artigos por estes solicitados, cabendo á associação o direito d« authen- 
ticar as respectivas facturas e fiscalizar as qualidades e preços dos géneros, me- 
diante comaússão pagável pelos mesmos associados e arbitrada previamente pela 
Directoria, de accôrdo com o Conselho Fiscal ; 

b) Comprar directamente a quem melhores vantagens offcrecer, os géneros 
solicitados pelos associados, reiíiottcnlo-lhes directamente, mediante commissão 
arbitrada na fói'ma do ilem antecedente ; 



A LAVOURA 271 



c) C!onstituir depósitos, de conta própria, de productos não sujeites a avarias e 
de maior consumo eatre seus associados, para fornecer-llies á mudida que forem 
solicitados, mediante commissão igualmente estipulada pela Directoria e Conselho 
Fiscal ; 

d) Receber a titulo de consignação, para expor á venda, machinas e instru- 
mentos agrícolas, adubos, insecticidas, sementes e todos os productos que possam 
interessar ás industria agricola e pastoril e, bem assim, quaesquer productos que 
lhe forem consignados por umprezas, syndicatos ou cooperativas agrícolas na- 
cionaes ou estrangeiras. 

Art. 10. A Cooperativa Central dos Agricultores do Brazil jamais se envolverá, 
na primeira secção, em negocio de conta própria e na segunda, todas as suas trans- 
acções serão feitas a dinheiro e á vista, salvo o caso previsto no art. 12. 

Art. 11. A associação se empenhará para obter o auxilio já de outras coope- 
rativas ou syndicatos agrícolas fundados no paiz, j;'i de outras associações agrícolas 
nacionaes, já, finalmente, dos productores directamente, no sentido de organizar a 
venda no extrangeiro, dos productos nacionaes, servindo-se para isso de agentes 
idóneos, ou procuranJo fazer taos operações por intermédio de synUcatos agrícolas, 
associações, cooperativas ou firmas de reconhecida idoneidade alli existentes. 

Art. 12. Emquanto a associação não tiver attingido seu pleno desenvolvimento 
e não dispuzer de um fundo social pelo menos, de 200:000-:, não poderá, sob pre- 
texto algum, fazer fornecimentos a prazo e nora mesmo tomar responsabilidades 
que não sejam simplesmente moraes, perante fornecedores, por compromissos con- 
trahidos para com estes, por seus associados. 

Paragrapho uníco. Realizada, porém, aquella hypothese e resolvida era con- 
sequência, pela maioria absoluta dos sócios, mediante proposta da Directoria, 
apoiada pelo Conselho Fiscal a faculdade do serem feitos fornecimentos a prazo, 
pela associação, taes fornecimentos que serão previamente e pela mesma forma 
limitados quanto ao valor e prazo, se realizarão unicamente quando as respectivas 
propostas forem apoiadas por syndicatos ou associações agrícolas, associadas a esta 
Cooperativa, ou por dous sócios idóneos para o caso, a juízo da Directoria, e o pro- 
ponente assignar, endossado por estes, documento em devida forma, de modo a 
poder servir ás operações de credito que sobre elle precízar fazer a associação. 

Art. 13. As operações da Cooperativa poderão se estender a todo o paiz e 
comprehender todos os géneros que lhe forem consignados ou solicitados, á medida 
que fôr opportuno, a juízo da Directoria e do Conselho Fiscal. 



CAPITULO IV 



DOS SÓCIOS 



Art. 14. Serão considerados sócios da Cooperativa Central dos Agricultores do 
Brazil os agricultoi^es, criadores, industriaes agrícolas ou outros indivíduos que 
por qualquer laço de solidariedade ou de collaboração profissional, na forma do 
art. 4", do rcfgulainento a 'provado pelo decreto n. 0332, de 20 de junho do 1907, 
estiverem ligados ás industrias agricola e pastoril e que, sendo acceitos pela Dire- 
ctoria mediante proposta firmada por dous sócios, contribuírem pelo menos com uma 
quota de 100$, para a formação do capital social e a jóia do 50.4000. 



272 SOCIEDADE NACION'AL DE AGRICULTURA 

Paragrapho udícú. Os Governos Feicral, Estadoaes ou Muaicipacs podei-ão 
concorrer cora quotas a titulo de auxilio para a formação d(> capital social. Nesse 
caso scr-lbesha permittido terem uni representante Icfíal para acompanhar a 
marcha da associação, einquanto não forem indemnizados da importância das 
quotas. Essas quotas não terão direito a dividendo nem a rateio. 

Art. 15. Os sydicatos agricolas que concorrerem cora dez quotas o raais 10$ 
por sócio para a constituição do fundo social da Cooperativa serão considerados 
sócios dos ta associação. 

§ 1." Gozarão dos mesmos direitos as cooperativas que subscreverem vinte 
quotas e fizerem a entrada de 10$ por cada ura de seus sócios. 

§ 2.» Os sócios destas associaçiies o por seu intermédio írozarão de todas as 
vantafrens concedidas por estes estatutos para as operações de compra e venda. 
Não terão, porém, direito de voto quando não lorem pessoalmente sócios e os 
rateios correspondentes ás suas operações serão creditados ás associações de que 
fizerem parte. 

§ 3." As demais associações agrícolas adquirirão o direito de sócio subscrevendo 
dez quiitas. Para que possam, po:ém, os seus asíociados :■;(> utilizar dos serviços 
da Cooperativa, deverão ellas inscrevel-os na Cjoperativa o contribuir com 10$ 
annuaes por cada um que fôr acceito e inscripto e que deverá para esse flm satis- 
fazer ás condições proflssionaes exigidas no art. 14. 

§ 4." As contribuições de lii.'^ de que trata este artigo serão creditadas ás 
respectivas associações, até perfazerem a importância de quotas, cujos titules lhes 
serão entregues quando integralizados. 

S rt." Para a boa execução destas disposições, os syiidicatos e cooperativas 
devem remotter semestralmente á Cooperativa Contrai dos Agricultores do Brazil 
a relação nominal de seus sócios de accôrdo com o respectivo registra em :'() de 
junho e 31 de dezembro de cada anno. 

Art. 16. São direitos dos sócios : 

a) Tomar parte em todos os trabalhos da assembléa geral ; 

b) Votar e sor votado na Ibi-ina dos «estatutos ; 

c) Gozar de todas as vantagens concedidas pelos mesmos estatutos, já par.i a 
venda de seus productos. já para a compra de utilidades para o desenvolvimento 
e custeio de suas propriedades e industrias, já, finalmente, para a percepção das 
bonificações resultantes das operações sociaes. 

Art. 17. As viuvas, os filhos menores e quaesquer outros herdeiros de sócios 
fallecidos continuarão a gozar a-í mesmas vantagens concedidas a estes si, conti- 
nuando a oxer;era profissão do.s mesmos, declararem expressamente desejar conti- 
nuar como associados e forem como taes acceitos pela Directoria. 

Paragrapho único. O titulo de sócio assim adquirido por herança só poderá 
beneficiar a. uma sõ pessoa. 

Art. 18. Sendo a Cooperativa Central dos Agricultores do Bra/.il uma asso- 
ciação de caracter essencialmente profissional, em caso algum será permittida a 
transferencia das quotas a terceiros, extranhos à mesma associação, sera pn^vio 
consentimento da Directoria, devendo o adquirente aSíim proposlo para sócio 
satisfazer as condições exigidas por estes estatutos. 

Paragrapho único. Sendo o pagamento da jóia condição para o exercício dos 
direitos dos sócios, ella só será dispensada nos casos de transferencia de <iuotas, 



A LAVOURA 273 



quando esta se der por herança a lavor de uma só pessoa ou quando comprehender 
a tatalidade das quotas dos sócios. 

Art. 19. Em caso algum será pormittido que representem os associados por 
procuração, nas assembléas indivíduos que não forem sócios. 

Art. 2i). São deveres dos sócios : 

<i) subscrever e pagar no acto de sua adinissão pelo menos uma quota de lOOs 
e a jóia de 50$000; 

6) satisfazer as prescripçõ(^s estabelecidas nestes estatutos ; 

c) satisfazer escrupulosamente e com a mais rigorosa pontualidade os compro- 
missos pecuniários tomados para com a associação ou para com os terceiros, por 
intermédio desta. 

Art. 21 . Perde os direitos de sócio : 

a) o que, sem motivo plenamente justificado, a juizo da Directoria, deixar de 
satisfazer qualquer das disposições do art. 20, seudo que não poderá ser readmit- 
tido como sócio o que deixar de cumprir o disposto no item c do mesmo artigo 

b) o que for conderanado por crime infamante ; 

r) o que procurar fazer aproveitar por indivíduos não associados as vantagens 
oíTerecidas pela associação unicamente a seus sócios ; 

d) o que se entregar ao vicio habitual da embriaguez. 

Paragrapho único. Eliminando o sócio, quer por effáito das disposições deste 
artigo, quer por morte ou demissão voluntária, ser-lhe ha r<ístituida no prazo de 
90 dias a importância das quotas que possuir e dos respectivos proventos relativos 
ao semestre anterior á data da eliminação, sem prejuízo das responsabilidades a 
que estiver sujeito, na forma do decreto n. 1637, de 5de jmsiro da 1907. 

Art. 22. A inseri pção no numero de sócios da Cooperativa Cent:'al dos Agri- 
cultores do Brazil suppõe o pleno accordo com as disposições destes estatutos e 
consequentemente a renuncia a qualquer reclamação contra a lettra expressa dos 
mesmos e os actos delles decorrentes. 

Art. :;:!. Das decisões da Directoria ha sempre rejurso para a assembléa geral 
que resolverá soberanamente, e quando 10 ou mais sócios entenderem necessária a 
convocação da mesma assembléa poderão solicitar da Directoria essa convocação, 
apresentando as razões justificadas. 

CAPITULO V 

DA ADMINISTRAÇÃO 

Art. 34. A «Cooperativa Contrai dos Agricultores do Brazil» será administrada 
por uma Directoria composta de um Presidente, ura VicePresidento, um Seero- 
cretario e dois vogaes, assistida por um Conselho Fiscal, composto de três membros, 
sendo aquella eleita por dois annos e este annualmente. 

Art. 25. .\ Directoria terá a seu cargo a administração superior da sociedade 
e, na direcção imraediata dos estabelecimentos desta, exercerá suas funcções por 
intermédio de um gerente, sócio ou não, de reconhecida idoneidade, que deverá ser 
contractado confornn' as disposições destes estatutos. 

Art. 26. A directoria, sendo composta de sócios que podem não ter residência 
na sede das operações sociaes, é, entretanto, responsável perante a assembléa 
geral pela marcha dos negocies, cumprindo- lhe, por isso, reunir-se na referida 



27i SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Sedo, ordinariamente, pelo menos duas vezes por mez o, extraordinariamente, 
tantas quantas torera necessárias e organizar o serviço de su;i fiscalização tão 
perfeito quanto possivni. 

Art. 27. O consoiho-fiscal, .i ((uom oorapetn acompanbar i; fiscalizar na actos 
da administração, so reunirá, pelo monos, uma vez por mez, nn dia da primeira 
reunião ordinária da directoria, não só para examinar a escripturação e authen- 
ticar o balancete do mez anterior, como para prestar o auxilio do seus consellios 
;í mesma administração. 

Art. 28. Além do disposto nos artigos anteoedenies, compete á Directoria : 

a) acceitar a inclusão dos sócios que forem propostos, veridcando previamente 
si estão nas condições exigidas pur estes estatutos ; 

b) nomear e domittir livremente os empregadas assalariados ; 

c) estabelecer, de accordo com o Conselho-Fiscal, as taxas das commissijes a 
receber nas vendas feitas por conta de seus associados e bem assim as porcentigons 
a cobrar nos diversos fornecimentos feitos aos mesmos associados o as contriliui- 
ções por quaesquer outros serviços ; 

d) fazer organizar mensalmente o balancete do mez anterior e semestralmente 
os balanços geraes do semestre, autlicnf icando-os o apresentando-os ao Conselho 
Fiscal, devendo taes documentos estar sempre á disposição dos sócios ; 

e) organizar semestralmente o relatório circumstanciado do movimento eco- 
nómico e financeiro da associação para ser apresentado a assembléa geral e, bem 
assim, logo que for possível, organizar o serviço de informações mensaes e sema- 
naes dos preços correntes dos mercados e outras que possam interessar os asso- 
ciados ; 

f) providenciar solicitamente para que a escripturação da associação, que 
deve ser feita com a mais escrupulosa clareza e simplicidade, esteja sempre em 
dia e para que qualquer sócio, sempre que o desej.ir, tenha a mais ampla infor- 
mação sobre a marcha geral dos negócios e sua situação ; 

g) convocar as sessões de assombléa geral, ordinárias e extraordinárias, assim 
como as do Conselho Fiscal, sempre que julgar conveniente ou quando as sessões 
daquella assembléa forem requeridas por dez ou mais sócios, na forma destes 
estatutos, ou ainda pela maioria do Conselho Fiscal ; 

h) organizar o regimento interno, regulando o modo de serem acautelados o 
capital e bens sjciaes, o funccionameiito das diversas secções do serviço, dos 
armazéns, as atiribuições dos empregados, sua disciplina, seus vencimentos, etc, 
e representar a associação em suas relações externas, podendo, conforme os casos 
que serão por ella própria regulados, fazel-o collectivamente ou por intermédio 
de um de seus membros ou aind^i por intermédio do gerente, e, bem assim, 
distribuir os serviços entre seus membros, especificando as respectivas func- 
ções ; 

»') Velar escrupulosamente para que sejam respeitadas e lealmente cumpridas 
as disposições destes estatutos e para que jamais possam ser desvirtuados os 
intuitos moraes e civilizadoies da cooperação e os principies de solidariedade 
humana da «Cooperativa Central dos Agricultords do Brazil». 

Art. 29. Os membros da Directoria e do Conselho Fiscal não serão remune- 
rados ; entretanto a titulo de indemnização terão direito à propina de 20.y por 
sessão a que comparecerem. 



A LAVOURA 27Õ 



Art. 30. o membro da Directoria ou do Conselho Fiscal que deixar de compa- 
recer durante doue mezes consecutivos ás sessões, sem causa perfeitamente justifl- 
cada, presume-se ter resignado o cargo e a sua substituição, neste caso, como em 
qualquer outro de vaga, se fará interinamente por um sócio escolhido pela Dire- 
ctoria ou pelo Conselho Fiscal, conforme for a vaga em um ou outro destes corpos, 
até a primeira sessão da assembléa geral, em que será ella definitivamente preen- 
chida. 

Art. 31. Nenhum membro da Directoria ou do Conselho Fiscal, poderá 
eximir-se da responsabilidade que lhe couber por estes estatutos e pelos actos que 
tiver praticado no exercício de suas fancções sociaes. emquanto não forem appro- 
vados pela assembléa geral estes actos e as contas da administraç<ão respectiva. 

Art. 32. A associação terá, além do gerente, o numero de empregados que fòr 
necessário á boa marcha do serviço. 

Paragrapho único. O gerente será nomeado por deliberação unanime da Dire- 
ctoria e approvação do Conselho Fiscal, deverá prestar fiança arbitrada pelos 
mesmos e exercerá suas funcções emquanto bem servir, 

Art. 33. Todos o-; empregados terão, além dos respectivos ordenados, uma 
gratificação semestral proporcional aos lucros líquidos e tirada da verba de 10 % 
estabelecida no art. 34. 

CAPITULO VI 

DA APPLICAÇÃO DOS LDCROS D.V COOPERATIVA 

Art. 34. Da renda liquida apurada semestralmente por balanço serão dedu- 
zidos : 

30 "lo para a constituição do fundu de reserva ; 

5 Y„ destinados á propaganda da cooperação agrícola, sendo uma parte, esti- 
pulada pela Directoria e Conselho Fiscal, applicada directamente a esse fim e outra 
para constituir um Fundo de Reserva especial, destinado a custear esse serviço. 
\ propaganda será feita por issoeiação idónea que disponha de jornal ou i'evista de 
larga circulação ; 

30 % para dividendo a distribuir pelas quotas dos associados ; 

25 o/o para distribuição em rateio aos mesmos associados na proporção das 
operações realizadas por sua conta, de accôrdo com a natureza destas ; 

10 °/o para gratificação aos empregados, sendo no minimo 3 % ao gerente ; 

Paragrapho único. O dividendo a distribuir ás quotas de capital não poderá 
ser maior de 10 °/,, ao anno, devendo reverter em favor do rateio, na proporção das 
operações realizadas por conta dos sócios, todo o excedente verificado na verba 
destinada a dividendos. 

Art. 35. Attingin lo o fundo de reserva a 200:000$, ficará reduzida a 15 % a 
porcentagem estipulada para a sua formação, sendo os 15 % restantes appli- 
cados á constituição de fundos de reserva especiaes destinados a auxiliar os 
empregados e á creação e auxilio de instituições de ensino pratico, previdência 
e credito agrícolas. 

Art. 36. O fundo social desnecessário ás operações normaes da sociedade 
será convertido em títulos perfeitamente garantidos, emquanto não se fun- 
darem nos municípios a que pertencerem pelo menos 50 sócios da sociedade 
64(fô 8 



27<> SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

ou um syodicato ou cooperativa associado, cooperativas do credito agrícola ou 
bancos populares, instituições que, fundadas, serão preferidas para collocação 
daquelie fundo, a juizo da Directoria e Conselho Fiscal. 

Art. 87. A' medida quo se forem desenvolvendo os sorviíjos sociaes será 
determinado o valor que elles representam em rateio pelas quotas d<^ capital 
emittidas c essa quota parte será accrosaida á jóia do admissão dos novos 
sócios . 

Essa operação será feita de dous em dons ânuos o submetida á asscmbléa 
geral, que resolverá sobre o referido accroscimo. 

CAPITULO Vil 

HA ASSEMBLIÍA GKKAT. 

Art. :!8. A assembléá geral será convocada uma vez por anno, em março, 
para resolver sobre o relatório o contas apresentadas pela Directoria com pa- 
recer do Conselho Fiscal bem assim sobro quaesquer outros assumptos na 
forma dos estatutos. 

Art. 39. Além das sessões ordinárias haverá extraordinárias, quando a 
Directoria julgar conveniente, ou quando funuii requiíridas ]iola maioria do 
Conselho Fiscal ou pnr mais de 10 sócios na forma destes estatutos. 

Art.. 40. A assembléá geral será, convocada com antecedência de 15 dias 
pelo menos pela imprensa e por cartas circulares aos sócios. Se na primeira 
convocação não compirecer a maioria absoluta dos sócios, se fará no mesmo 
dia o da mesma forma nova convocação com o prazo nunca menor de 15 
dias e se ainda desta vez não houver aquella maioria, se far i no mesmo dia 
nova convocação pela imprensa com o mesmo prazo, constitui udo-se legalmente 
a assembléá geral com o numero de sócios que concorrer á terceira convo- 
cação. 

Paragrapho único. Nas sessões de assembléá geral os sócios ausentes po- 
derão fazer-se representar por procuração do próprio puulio. mas seja qual 
fôr o numero de quotas e de sócios que representar cada sócio presente, não 
terá. ello direito a mais de um voto além do seu, nas deliberações do qualquer 
natureza, inclusive eleições. 

Art. 41. Xas sessões de assembléá g.Tal, quo serão presididas pelo Pre- 
sidente era exercício, observar-se-hão os preceitos estabelecidos pela praxe nestas 
reuniões. 

CAPITULO YIII 

DA HISSOLUrÃO OU LIQUIDAÇÃO DA SOCIEDADE 

Art. 42. A Cooperativa Centr.l dcs Agricultores do Hrazil se dissolverá, 
quando assim o entender a maioria absoluta dos sócios que a constituir ou (luando, 
terminado o prazo de sua duração, não fôr elle prorogaio. 

Art. 43. No caso de liquidação, satisfeitos os compromissos sociaes, será feito 
o rateio do fundo social pelos sócios, até o montante do valor dasquotns que cada 
um po>suir. 



A LAVOURA 277 



Se, satisfeitas estas disposições, houver ainda saldo, será este entregue à 
actual sociedrtdo Nacional do Agricultui-a e, na falta desta, ao Governo Federal, 
pai'a ser applicado como património de Institutos de easinu agrícola, do prefe- 
rencia aos de ioiciativa particular situados nos Estados que tiverem auxiliado a 
fundação da mesma Cooperativa. 

CAPITULO IX 

DISPOSIÇÕES GERA.ES 

Art. 44. A Cooperativa Central dos Agrií^iltores do Brazil, sendo uma asso- 
ciação de caracter essencial monte profissional, se regerá pelo decreto federal 
n. 1037, de ."> de janeiro de 19)7, a cujas disposições obedecerá fielmente, 

Art. 45. A sociedade poderá, no interesse de seus associados, crear e custear 
serviços ou industrias que tenham por fira diminuir os ónus que pesam sobre os 
productos agro-pecuarios, aproveitar, beneficiar e aperfeiçoar estes e, linalmente, 
produzir utilidades necessárias aos mesmos associados. 

1'aragrapho único. A sociedade terá marcas commerciaes próprias, a que jun- 
tará a designação da proceiencia dos productos, por Estados, munioipios e por p;'o- 
ductores, quando possível. 

Art. 40. .\ primeira directoria terminará seu mandato a 31 de março de 
1912 e o primeiro consellio fiscal na mesma data de 1911. 

Art. 47. Nos ponto.^ omissos nestes estatutos o não expressamente determi- 
nados pelo decreto n. 1637, de 5 de janeiro de 1!107, resolverá a directoria de 
accôrdo com o consellio fiscal, dando conhecimento opportunaniento á a.ssembléa 
geral, caso a natureza dos assumptos o a sua urgência não lho aconselharem uma 
convocação extraordinária desta assembléa. 

Art. 4'S. Estes estatutos i)oderão sor reformados ou modificados sempre que 
assim o entonJer a assembléa geral por maioria absoluta dos sócios presentes á 
mesmii, devendo, porém, os.se intuito ser declarado nos editaos de convocação. 

(Seguem-se as assignaturas), 

Estes estatutos foram approvados na assembléa geral realizada no dia âO de 
setembro corrente, na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 



Sociedade A-g-ricola I?astox-il do Pai-aná — No dia 18 de 

julho próximo passado fundou-se na cidade de Ponta Grosía, com o titulo acima, 
com grande assistência e animação social, uma sociedade para fomentar o d(ísen- 
volvimento das industrias agrícola e pastoril no prospero Estado do Paraná. 

A Lavoura agradece, em nome desta sociedade, o oíHcio que recebeu da refe- 
rida sociedade, eommunicando a sua installação e faz votos pola sua prosperi- 
(lade. 

A Sociedade Agrícola Pastoril tem uma orientação toda pratica, o é assim que 
já organizou o Posto Agrícola e Zootechnico, inaugurado no dia 19 deste raez e do 
qual inserimos um dkh,-. 

Que se multipliquem por todo o paiz as sociedades de Agricultura, para a ri- 
queza do Brazil, eis os nossos mais ardentes votos. 



278 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Eslalitos da Socieíade Agrícola e Pastoril Central do Paraná, approvados em assemMta ^eral de 

8 de aiosto de 1909 

CAPITULO 1 

SEDE, FINS K MEIOS UE ACÇÃO D.V SCCIEDADE 

Alt. 1." A Sociedade Aírricola e Pastoril Central do Paraná tem sua sede na 
cidade de Ponta Grossa. 

Art. 2.» Esta sociedade é composta de lavradores, criadores, amigos da la- 
voura e industria pastoril, e tem por fim reunir esforços a favor da asricultura 
estadoal, occupando-se de to^los os assumptos que possam concorrer para o pro- 
gresso rural do Paraná. 

Art. 3." A sociedade promoverá todos os moios para relacionarse cora as asso- 
ciações congéneres, quer do Kstado ou do exterior, procurando unil-asdo modo o 
mais intimo e constituindo flliaes nas sedes dos municípios e nos Estados. 

Art. 4.° Para esta sociedade conseguir seus fins, ahnn do que for necessário 
para sua evolução : 

§ 1." Organizará um campo de experiências com a denominação do «Posto 
Agrícola Central do Paraná» ; 

§ 2.° Promoverá o aperfeiçoamento dos trabalhos ruraes do Estado, divulgando 
os principies e methodos adaptáveis a esie meio. 

Art. 5." Para a realização dos §5 anteriores serão praticados os seguintes 
meios : 

a) Discussões o resoluções em sessão da Directoria e Conselho Fiscal ; 

b) Conferencias publicas na sua s(''de e nas regiões agrícolas ; 

c) Publicações na imprensa ; 

d) Experiências e demonstrações agrícolas o pastoris; 

c) Informações aos agricultores e consulías a pessoas competentes ; 

f) Organização de uma bibliotheca a.^ricola para uso dos sócios na sedo social ; 

g) Realização de exposições agrícolas, quando o desenvolvimento da sociedade 
permittir ; 

h) Uisiribuição de plantas o sementes, e coberturas pelos reproductores da 
secção zuotechnica : 

t) Representação aos poderes públicos e aos agricultores, reclamando as me- 
didas necessárias aj progresso da agricultura estadoal. 

Art. C>," As questões politicas e pessoaes são absolutamente banidas da so- 
ciedade. 

CAPITULO II 

DOS SÓCIOS 

Art. 7." A sociedade admitte as seguintes categorias de sócios : 
rt) Sócios fundadores c eITectivos do 1" e S^ classes ; 
b) Sócios correspondentes, honorários, beneméritos e remidos. 
■ § I .o São socioí fundadores todas as pessoas que assignarara a listada iniciativa, 
e concorreram com a jóia de 20$ e a mensalidade de 3$000. 




a. 
■6 



U 



A LAVOURA 279 



§2. o Serão sócios effectivos de Pelasse to las as pessoas que forem devid;i- 
meate propostas o aeceitas (mu reunião de directoria e contribuírem com a jóia de 
20$ 6 a mensalidade de 3$000. 

§ 3." Serão sócios offeotivoá do 2" classe as pessoas quo se acharem em condi- 
ções idênticas ás do § anterior c que contribuirera com a jóia de 10$ e a mensali- 
dade de2$000. 

§ 4." Serão soeios correspondentes todas as pessoas residentes em outros 
municípios ou Estados e quo forem escolhidas pela directoria, em reconheci- 
mento dos seus méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á so- 
ciedade. 

§ 5." Serão sócios honorários, e beneméritos, todas as pessoas que, por sua de- 
dicação e relevantes serviços, tenham feit) juí a este titulo o distincção. 

§ 6.» Serão sócios remidos todas as pessoas que tiverem pago sem interrupção 
as suas mensalidades durante dez annos. 

Art. 8." Os sócios fundadores e effectivos de 1^ classe poderão assistir a todas 
as reuniões sociaes, discutir o propor o que julgarem conveniente, votar e ser vo- 
tados, gozar de todos os proveitos que a sociedade esteja habilitada a prestar-ihes, 
independente de qualquer contribuição especial. 

Paragrapbo uaico. Os sócios fundadores gozarão mais da reducção de metade 
das suas mensalidades, quando a renda mensal da sociedade attinja á quantia su- 
perior de 600$000. 

Art. 9.» Os sócios eflectivos de 2* classe gozarão dos mesmos direitos dos de 
1» classe, excepto a cobertura de seus reproductores pelos unimaes existentes no 
Posto, de valor excedente a 600|000. 

Art. 10. Os socius correspondentes, honorários e beneméritos gozarão de todos 
os direitos que gozam os eflfectivos de 1* classe. 

Art. 11. Os sócios remidos gozarão das prarogativas correspondentes á classe 
que pertenceram. 

Paragrapho unieo. Qualquer sócio effectivo poderá remir-se por meio de um 
só pagamento, otlectuado de uma só vez, sendo : de 300$, si pertencer á 1°- classe, e 
do 200,í;, si fôr da 2» classe. 

Art. 12. São deveres geraes dos sócios : 

a) Satisfazer as contribuições que lhes competem ; 

b) Fazer activa propaganda a favor da sociedade, no intuito de augmentar 
progressivamente o numero de seus membros ; 

c) Concorrer, na medida de seus recursos, para o desenvolvimento da biblio- 
theca ; 

d) Comparecer às assembléas geraes convocadas pela directoria ; 

e) Angariar productos para as exposições agrícolas organizadas pela socie- 
dade ; 

/■) Informar á sociedaJe dos resultados obtidos com as sementes, plantas ou 
quaesquer outros objectos foraeeidos pela sociedade, e bem assim todas as occur- 
rencias que affectarem a lavoura ; 

g) Respeitar e fazer respeitar todos os actos, resoluções e regulamentos creados 
pela directoria e approviídos pelo conselho fiscal. 

Paragrapho único. O sócio que faltar ao pagamento duranto três mezes con- 
secutivos será considerado resignatario. 



280 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Ari, lo. Só poderão gozar dos direitos estipuladjs nos arts. 8' e 9' os sócios 
que estiverem quites com ;i sociedade, não podeado oUes, em caso contrario, votar 
nem ser votados. 

CAPITULO III 

DA ADMINISTRAÇÃO 

Are. 14. A sociodade será administrada por uma directoria e um conselho 
fiscal. 

Avt. 15. A dii-octoria será eleita triennalmonte, e constituida por cinco mem- 
bros, eleitos em assembléa geral, e o conselho fiscal s-^rá, eleito annualmente, com- 
posto de quatro membros, também eleitos em assembléa geral. 

S 1 .° A directoria compor-se-lia de um presidente, um vice-presidente, I» e 2" 
secretários e um thesoureiro. 

§2," Os raombros da directoria c conselho flsual não poderão, por qualquer 
forma e em hypothese alguma, ser lemunerados. 

ha directoria 

Art. 16. A' directoria compete : 

(t) Nomear as commissões que .julgar convenientes ; 

h) Dirigir e administrar a sociedade; 

c) Autorizar as despesas ; 

d) Providenciar sobre qualquer donativo que a sociedade receber c resolver 
sobre o modo di! assignatura ou venda de publicaçõt,'s, distribuição e alienação dos 
productos para esto lim existentes ; 

e) Convocar as asscmbléas geraes dos sócios, os congressos e as sessões extra- 
ordinárias do cons.^Iho fisoal ; 

f) Dividir os trabalhos em secções e nomear os respectivos directores ; 
//) Nomear e dcraittir os empregados e fixar-lhes os vencimentos ; 

h) Resolver sobro as coucliisões dos pareceres c informações das commissões 
para esse fim nomeadas. 

Du presidente 

Art. 17. Ao presidente compete : 

«) Presidir as sessões da directoria, as do conselho fiscal, as conferencias publi- 
cas e as asserabléas geraes ; 

b) Representar a sociedade em juizo e fora delle, e em geral nas suas relações 
com terceiros ; 

f) Apresentar o relatório annual dos trabalhos sociaes e as respectivas contas 
em assembléas ordinárias ; 

'/) Autorizar, por e-scripto, as despesas o, o pagamento das contas, devidamente 
processadas e autorizadas pela directoria, e as despesas de expediente; 

e) Tomar conheiúmento dos traballios de todas as secções, providenciando )):ira 
seu regular andamento, auxiliando-as com as suas idí-as e conselhos, e submetten- 
do á deliberação da directoria as medidas que julgar necessárias para o desenvol- 
vimento da sociedade; 

/•) Cumprir o fazer cumprir os estatutos, os regulamentos, as deliberações da 
directoria edo conselho fiscal. 



A LAVOURA 281 



Do vice-presidente 

Art. 18. Ao vice-presidente compete : Substituir o presidente nas suas faltas 
e impedimentos. 

Dos secretários 

Art. 19. Ao 1» tioeretario compete dirigir a secretaria o redigir as actas das 
sessões, providenciar sobre o registro e areliivo de toda a correspondência social. 

Art. v!0. Ao 2" secretario compete : 

a) Substituir o 1" secretario nas suas faltas ou impedimentos ; 

h) Organizar e expedir a correspondência, podendo assignal-a quando autori- 
zado pelo presidente. 

lio thesoureiro 

Art. 21. .\o thesoureiro compete : 

a) Arrecadar a receita e ter sob sua guarda todos os títulos e valores da sa- 
ciedade ; 

h) Assignar com o presidente os clieiiues, as contas e os balancetes da socie- 
dade ; 

c) Pagar as contas autorizadas pela directoria e visadas pelo presidente ; 

d) Organizar a oscripturação social ; 

e) Apresentar á directoria os balancetes annuaos. 

Do conselho fiscal 

Art. 22. Compete ao conselho fiscal : 

a) Estudar e dar parecer sobre as questões que lhe forem propostas pela di- 
rectoria ; 

6) Assistir as reuniões da directoria, ijuando us interesses da sociedade assim 
exigirem e quando lhe approuver ; 

c) Reunir-se em sessão especial sempre qui' fòr convidado polo presidente ou 
por iniciativa própria ; 

d) Tomar conhecimento da gerência da directoria e providenciar nos casos por 
esta trazidos ao seu conhecimento ; 

e) Examinar e dar parecer sobre as contas annuaes da directoria. 

Das sessões 

Art. 23. Haverá sessões da directoria, do conselho fiscal e de assembléa gorai. 

Art. 24. A directoria se reunirá em sessão sempre que fôr necessário c qual- 
quer dos directores o reclamar. 

§ 1." As assemblúas geraes serão publicadas, podendo qualquer sócio apresentar 
propostas e tomar parte nas discussões. 

§ 2." A,i resoluções serão tomadas mediante votação de modo claro e preciso» 
e por maioria de votos. 

§ 3.» Não poderão ter logar as asscmbléas geraes com menos de quatro mem. 
bros da directoria e três do conselho fiscal. 

§ 4.° Pari questões de urgente solução, bem como para assumptos especiaes, 
a directoria poderá nomear commissões especiaes, escolhendo para esse fim livre- 
mente entre os sócios. 



282 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

§ 5.° O director ou membro do conselho fiscal que faltar a quatro sessões 
consecutivas, sem participaçãj de motivo do força maior, será consiuerado resi- 
gnatario. 

Art. 25. A sociedad'! realizará a sessão de assembléa ^^eral ordinária no fim de 
cada anno social e a extraordinária quando fòr resolvido em sessão da directoria 
e do conselho fiscal, e s;'mpre quo fôr requerida por dez sócios eflfectivos. 

§ 1.° As sessões serão convocadas com antecedência nunca menor de cinco dias 
para as asscmbléas geraea ordinárias e ãe tros dias para as extraordinárias. 

§ 2.° Para que se realizem as assembléas, em virtude do primeiro convite, é 
preciso que compareça, ao menos, um torço do numero dos soeios; em virtude do 
segundo, que poderá, ser feito em prazo mínimo da três dias, a assemblja poderá 
resolver com qualquer numero. 

§ 3." Qualquer sócio pôde fazer-se representar por um consoiio, mrdiantu pro- 
curação ou carta de autorização; mas nenhum sócio poderá votar por mais de 
duas procurações ou associados ausentes. 

§4.° A assembléa geral ordinária deve toraai" conhecimento do relatório do 
presidente, resolver sobre as contas annuaes da sociedade e o parecer sobre as 
mesmas emittido pelo conselho fiscal, eleger a directoria e conselho fiscal. 

CAPITULO IV 

DISPOSIÇÕES GBRAES 

Art. 26. o prazo de duração da sociedade é indefinido. 

Art. 27. A sociedade poderá ser dissolvida, por unanimidade de votos de uma 
assembléa geral a que compareçam dois terços do numero dos sócios. 

Art. 28. No caso de dissolução, o património social terá applicação que inte- 
resse á agricultura estadoal, pelo modo que fôr resolvido pela assembléa. 

Art. 29. Os estatutos só poderão ser reformados era sessão de assembléa geral 
extraordinária, a quo compareçam dois terços do numero de sócios. 

Trajano Madureira, 

presidente. 
João Rodrigues Beher e Silva, 

vice-presidente. 
Manoel Cyrillo Ferreira, 

1° secretario. 
Herculano Marcondes de Alhiquerque, 

2<> secretario. 

Luit José da Silva, 
thesoureiro. 



Oong^resso de CSeograplxia — Precisamente no dia 7 de setembro, 
data da nossa emancipação politica, insiallou-se, com a máxima soleranidade, no 
Palácio Mourõe. a sessão do abertura do Primeiro Congresso Brasileiro de Geo- 
graphia, cuja iniciativa coube ao Sr. José Boiteux, muito digno 2° aecretiu-io da 
Sociedade de Geographia do Rio de Janeiro. 



A LAVOURA 2S3 



A' solemnidade compareceram, além dos cavalheiros que anteriormente 
haviam adherido ao Congresso, o Sr. Presidente da Republica, acompanhado do 
Sr. Ministro da Guerra, general Carlos Eugénio, e de sua casa militar, Ur. Cân- 
dido Rodrigues, Ministro da Agricultura, conde de Selir, Ministro de Portugal, 
monsenhor Lustosa pelo Sr. Cardeal Arcoverde, barão Homem de Mello, represen- 
tantes dos Estados da União, de diíTerentes associações scientiíicas e Jitterarias 
brasileiras e do numerosas e distinctissimas famílias. 

Recebido o Sr. Presidoate da Republica pela commissão organizadora do 
Congresso com todas as honras da pragmática, tomou assento em logar que lho 
era de feição, assumindo então a presidência do Congresso o Sr. general Thauma- 
turgo de Azevedo, que proferiu um longo e substancioso discurso, sendo multe 
applaudido ao terminar. 

Paliaram em seguida os Srs. Dr. Viveiros de Castro, capitão de mar e guerra 
José Carlos de Carvalho, marquez de Paranaguá o José Boiíeux. 

Distribuídos os diplomas aos presidentes honorários do Congresso e achando-se 
cumprido o programma da sessão do dia, foi encerrada a sessão, retirando-se o 
Sr. Presidente com todas as hom-as do seu alto cargo. 

Durante dez dias funccionou proficuamente o Congresso de Geographia, sendo 
ventiladas e discutidas questões de alto interesse que se relacionavam com a 
própria natureza do Congresso, sendo finalmente redigidas e approvadas as con- 
clusões finaes. 

Dentre estas destacaremos para as nossas columnas as que dizem respeito á 
geographia agrícola propriamente, conclusões cujo valor não se torna preciso 
encarecer ecom as quaes a «A Lavoura» se acha accorde. Eíl-as : 

«Commissãu VII. Propondo que se solicite do Governo da União a regulamen- 
tação systematica da conservação e aproveitação das florestas e mattas do Estado, 
comprehendendo para os effeitos do regulamento as mattas propriamente ditas, 
os matos de corte e os terrenos onde abundarem piassiveiras, maniçobas, manga- 
beiras, carnaubeiras, arvores, arbustos ou vegetaes que possam ser utilisailos no 
commercio e na industria, comprehendendo as florestas de propriedade do Estado, 
geraes, espociaes, protectoras de vertentes, as que avultarem em espécies pre- 
ciosas e mesmo as particulares em divisas com florestas geraes do Estado. 

Igualmente regulamentar a caça e também a pasça, quer nos mares, praias, 
bahias, rios, etc, que promulguem igualmente leis nssae sentido, de accôrdo com 
a União e sob a inspecção e direcção immediata desta. » 

Ainda dessa commissão foram approvadas mais as conclusões a seguir : 

I. «O Congresso de Geographia deve representar ao Sr. Ministro da Agricul- 
cultura sobre a necessidade de propagar por todo o paiz a cultura da Pauliaia 
sorbilis (guaraná), como vegetal de grania valor medicinal.» 

II. «Tentar a sua cultura na Bahia, Espirito Santo e Rio de Janeiro, nos ter- 
renos sillico-humiferos, quentes e húmidos, como são os da sua área geogra- 
phica. > 

III. «Mandar vir sementes e fazer a sua distribuição gratuita, com um pro- 
specto que explique o modo de cultura, o terreno próprio, maneira de preparo e 
preços nos mercados. » 

IV. «Estabelecer prémios de animaçlo para aquclles que apresentarem melhor 
producto e maior quantidade fora da zona natural do guaraneiro.» 

6405 9 



284 SOCIEDADE NACIONAL' DE AGRICULTURA 

V. «Mandar incluir na etapa do exercito e marioba a guaranada como bebida 
saudável, nutriíiva e eminentemente tónica.» 

Quanto á parte referente « á rc^'ulan'entatão systeraatica da conservação e 
apruveit uiiento das florestas e maltas *, bom como a outra que diz respeito á re- 
gulamentação da caça o pesca, de ha muito a Sociedade Nacional de Agricultura 
por ellas so tom batido, como é prova evidente quanto so cont(''m a respeito nas 
conclusões do 1° e do 2' Congresso Nacional de Agricultura. 

O 1° Congresso do Geographia Brasileiro ultimou os seus trabalhos em sessão 
solemne realizada a 16 do setembro, no Palácio Monrõe. 

Esta Sociedade, quo se fez represeutar naquella assombléa pelos Drs.Wencesldo 
Bello, Heitor de Sá, Monteiro da Silva, BenoJicto Raymundo e Alberto Jacobina, 
por intermédio do seu boletim «A Lavoura», apresenta ao» dignos e aos esforçados 
promotores do alludido Congresso as suas mais festivas e calorosas felicitações 
pelo êxito alcançado. 



Fazenda, d» Gameleira (Bello Horizonte) — Os serviços e negó- 
cios referentes à agricultura no Kstado do Minas, assim também as industrias que 
lhe são connexas, como sejam a pastoril, a sericicultura, a viticultura e a vini- 
cultura, etc, são feitos pela Directoria de Agricultura, Commercio, Torras e 
Colonisação, da quul é director o illustre engenheiro Dr. Carlos Prates. 

Entre os muitos trabalhos a cargo dessj Directoria, estão: o exame e analyses 
de terras e de plantas; a cultura dos campos ; a distribuição de sementes e a irri- 
gação ; o estudo para o aproveitamento dos cursos d'agua e dos lençóes subterrâ- 
neos; o estudo dos phenomonos meteorológicos que interessam à agricultura ; mo- 
tores, machinas e instrumentos agrícolas ; administração e custeio de fazendas- 
modelo; todos os serviços concernentes a immigração e colonização e terras 
devolutas; a propaganda dos productos commorciaes nos mercados o a estatística 
agncola. 

Os trabalhos da Directoria de Agricultura, teem tido grande augmento, espe- 
cialmente na venda de machinas agrícolas, onsino pratico de agricultura, fa- 
zendas-modelo e importação de gado do raça. 

O fornecimento de machmas e instrumentos agrícolas aos lavradores ele- 
von-se no anno próximo passado ao numero de 1.89l) e este anno a somma 
approxima-se já a 4.UU0. 

Esses altos algarismos constituem a prova eloquente do grande impulso que a 
Directoria do Agricultura tem dado á lavoura mineira. 

A iiuportução quu os criadores lizeram de bovinos reproductores, europeus e 
americanos, no anno do 19d8, por intermédio e inlluencia da importante repar- 
tição já referida, foi da 1.065 animaes. 

Importaram tarabom 99 caprinos, 34 bovinos 3 cavallares e 3 galiinaceos. 

O Estado mantém cinco íazendas-moielo om diversas zonas, vários campos de 
demonstração em diversas cidades e núcleos coloniaes, todos dirigidos pela Dire- 
ctoria do Agricultura, a qual subvoaciona 10 fazendas particulares que se prepa- 
raram para ministrar o ensino proflssional de agricultura. 

A Uirecloria de Agricultura, além da fazenda Uameleira, dirige c administra 
o Campo uo lijiperieucias daquolla ropartição, o qual foi visitado paio Dr. Won- 
ceslão liuUo, a cuuvite do Dr. Uarloa Pratts. 



A I.AVnxiRA 2SS 



O nosso illustra Presidente trouxe da alludidi visita lisonjeira iraprpssão. 

O Sr. Dr. Wenceslrto Bello, Presidente desta Sociedade, visitou, no dia 8 deste 
mez, a fazenda di Gameleira. 

O Dr. Bello fez essa visita era corapantiia dos Drs. Carlns Prates, director de 
Afrricultura, Daniel de Carvalho, secretario da Commissão Central da Expo- 
sição Asro-Pecnaria ; Dr. Hector Rnqiiet. dirpftor do Posto eZootchniro Federal 
Benjamim Hunnimílt, director da Escola Agrícola de Lavras, Dr. FiçrnPira de 
Mello, auxiliir teelinico do Professor Raquet e dosSrs. W. Frost, lente do Cursr) 
Fundamental e Dário do Barros, d'.4 Lai-ovra. 

Esta fazenda, situada em aprazível local, nos arrabaldes de Bello Horizonte, é' 
como já foi dito, propriedade do Estado. 

Dirige-a o prof^^ssor Otto Noucuneschw. 

Fundada pelo governo do b^nemeri'oe immortal estadista João Pinheiro, ella 
é uma Escola Modelo com Posto Zootechnico. 

O seu estado actual revela perfeitamente a capacidade administrativa do 
infatigável e dedicadissimo Dr. Pratss, que bem comprehonlo o admiravelmento 
executa, na parte que lhe cabe, o sábio governo económico que o eminents 
Dr. Francisco Salles tão patrioticamente iniciou e que continila a ser executado 
com firmeza pelo illustre presidente, Dr. Wencesláo Braz. 

Para satisfazer os fins a que se destina, estd, a referida fazenda conveniente- 
mente apparelhadacom as raachinas agrícolas mais modernas. 

As dependências ruraes nos estabelecimentos deste género '"estão na Game- 
leira, muito bem construídas, quer quanto á solidez, quer â sua collocação. 

As con.strucções são: Casa do Director, Casa dos Apprendizes Agrícolas, Silo, 
Estrumeira, Estábulos, Baias, Celleiro, edificação especial, que evita a subida dos 
ratos; Pocilgas, S3'St6ma belga modificado; Cosinha, para preparar a alimen- 
tação dos porcos; Redil, Gallinheiro, Alpendre, para guardar os instrumentos 
agrários ; Secção de raachinas. Leira, eto. 

Todas ellas são elegantes, duráveis e ecjnomicas. 

Entre os muitos apparelhos recolhidos ao Alpendre, notámos: Semeadeira 
Parquar, que abre a cova, aduba, semeia e cobre, ao mesmo tempo ; maohina 
Hoosier, para arroz ; arado Chatanooga ; ceifadeira Deering, desterreador Obson 
e muitas outras raachinas modernas. 

A secção de machinas'' está provida, de entre outras, das seguintes: Arens 
maírnifica insfallação para beneficiar arroz ; moinho, para milho, cevadeira, prensa e 
taxo, para mandioca, aquecedor, para banho-maria, para mamona e prensa, idem. 

Engenho Staraato, inventado pelo industrial Raphael Stamato, de S. Paulo, 
typo pequeno, que moe dois carros de canna em seis horas. 

A área total da fazenda é de 135.52 hectares, sendo 46 em culturas diversas, 
e os restantes api-oveitados para pastagens. 

As experiências demonstraram já que, em trigo, é o Barletta o que tem pro- 
duzido melhor, o em arroz —o Honduras. 

O arroz (5 cultivado em terreno preparado pelo systema de diques italiano e 
americano, adoptado em S. Paulo no campo da Estação de Moreira César, da 
Estrada de Ferro Central, próximo .1 cidade do Pyndamonhagaba. 

Outras culturas, alfafa, milho forrageiro, amendoim, cebola, batatas inglezas, 
Duchess, Buldenege, etc, têm sido feitas com óptimo resultado. 



286 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Está, também sendo cultivado o O-hique-Chique, leguminosa indígena que 
equivale a alfafa o ó tenra até ura metro de altura. 

Iina interessante e útil experiência foi ha tempos feita por ordem do 
Dr. Carlos Prates. 

Submetteram uma vacca com cria, um cavallo o um burro, durante três 
meze<, á alimentação ixclusiva du (nnri iios capins gordura, roxo e branco e veri- 
ficaram qi^e todos elles engordavam e que a vacca duplicou a producção do leite. 

Os apprendizes habituam-se a manejar as raacliinas e o beneflciamento dos 
productos, oraflm, sahera com o curso de abegões. 

Os animaos existentes, para os estudos Zootechnicos, são, no Redil. carneiros, 
das raças oxford-dadn, southdaun, rambouillet e outras; cabras, tockenburgos que 
produzem cinco litros de leite, alpinas e caracou, importadas do centro da Ásia. 

Os bovinos, cavallares e suino-s, era experimentação, pertencera a diversas 
raças ouropéas e americanas. 

K raça nacional de porcos canastrão está sendo seleccionada no Posto. 



Instituto João l^inlioix-o — Bello Horizonte — Após a visita á 

fazenda da Gameleira, já, relatada em outra noticia, dirigiram-se os Drs. Won- 
cesláo Bello e Carlos Prates, acompanhados das pessoas que tomaram parte na 
referida visita, ao Instituto «.loão Pinheiro», que foi fundado pelo illustre Sr. co- 
ronel .lulio Buono Brandão, no curto, porém brilhante poriodo de governo em que 
substituiu o inesqueoivel Dr. João Pinheiro da Silva. 

Outros actos importantes praticou o coronel Bueno Brandão, actual Vice-Pre- 
sidentc do Kstado, no rápido período em que governou ; mis basta a creação do 
Instituto «João Pinheir.i> para provar a sua capacidade de homem de governo. 

E' director desse estabelecimento do ensino, ura verdadeiro modelo no seu 
género, o notável professor Leon Renon. 

O Instituto admittô exclusivamente alumnos orphãos, pobres, de \i annos de 
edade. 

A admissão dos aprendizes é gratuita. 

O curso é todo primário e compõe-se de oito annos. 

Os raonino-i estudam os conhecimentos geraes mais necessários a um homem e 
depois aprendem bem um olllcio, escolhendo aquelle para o qual teeiu mais in- 
clinação. 

Os aluiimos que revelarem aptidões especiaes, em qualquer officio, são en- 
viados, por conta do governo, aos Estados Uni los, afim de se aperfeiçoarem. 

Os conhecimentos de agricultura recebem-nos, praticamente, nas culturas da 
fazenda Gameleira, que (5 anuexa ao Instituto. 

K' admirável, nobilissiina e de alto alcance social a missão deste estabeleci- 
mento : — formar homens bons e úteis a si próprios, á pátria e à sociedade. 

Felizmente, para chegar a esto patriótico fim, a direcção do Instituto está 
confiada a ura profissional compeientiss.mo, didicado e que conhece e b^ra avalia 
a grande responsabilidade que assumiu. 

O regimen dessa Casa de Educação está organizado de moio a despertar nas 
creanças o espirito de iniciativa o os devores sociaes. 

Para que estes intuitos sejam conse;;uidos, a disciplina é mantida pelos pi-o- 
prios alumnos, que teem organizadas as comraissões ae Pulieia ode Justiça. 



A LAVOURA 287 



Assim, si um alumno brigar com um companheiro, será preso pela Commissão 
de Policia, que o entrega á de Justiça, para julgal-o. 

Todos os cargos são occupados por eleição. 

Dentre os alumnos, um goza da regalia de sentar-se à mesa das refeições do 
Director e sua Exma. familia. 

Esta distiucção é concedida áquello que tiver melhor comportamento e 
applicação, sendo os próprios condiscipulos quem escolhem e elegem o collega me- 
recedor daquella honra. 

Os meninos conservam-se asseiados, mas modestos. 

Este systema tom por lim não mudar o ambiente donde veio o orphão, isto é, 
conservar-lhe os lialMtos de pobreza, prep;irando-o pnra que elle n<ão estranhe o 
meio onde tem de viver, mais tarde, ao deixar o Instituto. 

E' ainda tendendo ao flm expresso no periodo antecedente que os alumnos são 
encarregados de fazerem diversos serviços internos, tratar da horta, do gallinheiro, 
do apiario, etc, tudo suavemente executado, á proporção das suas edades e apti- 
dões e patriarchalmente guiados pelo Director. 

O numero do alumnos atualmente 6 de trinta. 

O custeio do estabelecimento é muito económico, não excede de seiscentos mil 
réis mensaes, inclui-las todas as despezas. 



A. ci-iação cie g-aciono Bx-a.zil— O Sr. Manoul Bernardez, o conhe- 
cido jornalista uruguayo, é, como todos sabem, um especialista em assumptos 
pecuários. 

Ha tempos, o Sr. Bernardez fez, no Pavilhão de Minas, uma conferencia sobre 
a criação de gado no nosso paiz. 

O autor publicou em folhetos a referida conferencia e teve a gentileza do 
enviar á nossa líibliolheca alguns exemplares. 

Agradecemos a utilíssima offerta. 



Federação Ftui-al— No dia 20 do corrente mez realizou-se em Porto 
Alegre, com grande cnthusiasrao, a Federação das Associações Ruraesdo Estado do 
Rio Grande do Sul. 

A direcção central tem a sua sele em Pelotas. 

Os estatutos da Federação já loram approvados. 

A Lavoura, i[uo publici, com prazer, a noticia acima, agradece, em nome 
desta Sociedade, a gentileza que teve o Dr. Joaquim Ozorio, presidente da Fe- 
deração, o telerramma que teve a gentileza de enviar ao presidente desta Sociedade 
participando importante acto, que prova o adiantamento e a acertada orientação 
dos agricultores rio-grandenses. 



Indicações uteis — Medicamentos :— O azeite de peixe ou de mamona_ 
quente, com pó de fumo torrado, é um especifico contra os b.n-nes e carrapatos. 
O Ceoadil/io, é um poderoso tónico para os cavallos. 
Abre oappetite dos animaes e engordaos dando-lhes brilho ao palio. 
Vaccina, contra a peste da manqueira, no gado. 
Invenção do Instituto Oswaldo Cruz (.Manguinhos). 



288 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

E' o inedieamento mais ellicaz para ocarbiinculo symptoraatioo (manqueira). 

Esto preparado é o que tem ho,> maior applic&ção em todus os Estados pastorid 
doBrazil. 

Manteiga de antimonio, cura as pisaduras chroQieas dos cavallos, produzidas 
pelos mãos arreios. 

Applica-se, levemente, com uma peana do galliuha, pois é um liquiio cáustico 
o vonenoso. 



Transporte de ai-roz — O Commissariado Geral do Estado de 
S. Paulo, na Europa, fez sciente ao írovorno haver coaseguido da directoria da 
Mala Real Ingleza a reducçção de 500 réis por sacco no transporte de arroz de 
Santos para Buenos Aires. 

Exposições ag-i-icolas — Com o fito de animar as industrias, agrí- 
cola, pastoril e manufactureira, pretendo o governo do Estado de S. Paulo pro- 
mover periodicamente exposições de anim.ies de raça cavallar, bovina, suina, laní- 
gera e caprina, bem como de produutos fabris e do lavoui^a. 

Aos expositores que concorrerem a esses certamens conferirá o governo 
proraios de estimulo, até as quantias seguintes e sub as condições aqui esti- 
puladas : 

Aos cultivadores de milho, arroz, trigo, feijão, batatas e algodão, até a quantia 
de 70:000$000. 

Aos criadores de gado vaccum, cavallar, lanígero, suino e caprino até a 
quantia de 36:00i!$000. 

Além (lestes premies em dinheiro, s(Mão também conferidas medalhas e 
monções honrosas aos expositores que não obtiverem prémios pecuniários, ou que 
não concorrerem aos mesmos. 

Para os productos de cada espécie agrícola ou pastoril haverá cinco prémios. 

Os prémios aarricolas serão das seguintes importâncias : 3:000|, 2:000$. 1:500$, 
1:000$, e 500$000. 

Os prémios pastoris serão igualmente de 3:0úu$, 2:000$, 1:500$, 1;000$ e 500$ 
para os expositores de cavallos, touros ou vaccas leiteiras; 3;000$: 1:200$, 700$, 
600$ 6 300$ para os de porcos roproductores ou de cevados gordos; de 1 :O0O$, 400$, 
300$, 20n$ o 100$ para os de carneiros ou cabras. 

Podem concorrer aos prémios, não só particulares, senão também companhias, 
associações ou omprozas, desde que provem ser criadores ou agricultores habituaes 
no Estado, desde três annos pelo menos, antes da data do regulamento. 

Essa prova soi-á, feita por afflrmação dos coUectoros estadoaes o dos presidentes 
das camarás dos municípios em que estiver a propriedade do concurrente. 



Receita <los caiiiiiih.os de rei-x'o de S. I»aixlo — A renda 
de todas as estradas de ferro de S. Paulo durante o anno de 1908 elevou-se a 
81.362:881$761, e a despeza a 44.981 :342$187, havendo portanto um saldo de 
36.381 :538$574. 

ÍVIanteis-a do Itajaliy — O município de Itajahy— Santa Catharína — 
exportou, em 1908, 610.354 kilos de manteiga, tendo um valor offlcial de 
1.315:290$000. 



A LAVOURA ?89 



Jíxportaçilo do Estado da, Baliia, — No mez do julho foram 
exportados pelo porto da Bahia os seguintes productos : 800 volumes de madeira, 
no valor de 930$400 ; 6.5?2 mollios de piassava. no valor de 72:955$S90 ; 17.318 
volumes de couros, no valor de 163:094$650 ; 1.P60 volumes de borracha, no valor 
de 184:761$"200 ; 622 volumes de coquilhos, no valor de 4:140§ ; 27.556 saccos de 
cacáo, DO valor de 940:74õ$ ; 7.638 saccos de café, no valor de 192:173$ ; 33.168 
volumes de fumo, ni valor de 1.190:054$600 ; 15.538 saccos de assucar, no valor 
de 196:443$800 ; productos não expressamente taxados, 2.473 volumes no valor de 
277:210$700 ; productos sujeitos a estatística, 2.926 volumes no valor de réis 
475:995$880. 



-^*^Hj^«'Ss- 



PARTE COMMERCIAL 



Setsmbro de 1909 

Oafé 

Durante o mez foram vendidas para exportação 279.000 saccas. 

Entraram no mesmo período 392.473 saccas. 

Os embarques foram de 389.406. 

A existência, em 30 de setembro, era calculada em 214.717. 

Os extremos das cotações durante o mez, foram : 

Por arroba Por 10 kilos 

Typo n. 6 5$800 a 6$<500 3$949 a 4S493 

» > 7 5$600 » 6;300 3$813 » 4$289 

» > 8 5$300 » 6$000 3$608 » 4$085 

> » 9 5|000 » 5Í700 3$404 » 3$881 

.A.g'u.arX*deiite 

Em virtude das avultadas entradas de diversas procedências, a baixa que se 
manifestara na primeira quinzena accentuou-se ainda mais na segunda, fechando 
o mercado em completa apathía. 

Os preços por pipa, hase de 20 gráos, foram os seguintes: 

Preços 

Paraty 130$000 a 135$000 

Angra 110$000 » 120$00n 

Campos 95$000 » 105.$000 

Maceió 95$000 » 1U5$000 

Bahia 95,$000 > 105$000 

Pernambuw 95$J0O » 105$000 

Aracaju 9õ$000 » 105$()00 

Sul 95$000 » 105$000 



290 



SOCIEDADE NACIONAI. DK AGRICULTURA 



A-lcooI 

Na primeira quinzena o mercado manteve-se, em giTal, firmu, liaven<lo, 
pori'ra, uma pequena b;iixa nos preços do algumas qualida'les; na segunda o mer- 
cado esteve sem movimento, sem quo houvesse procura da parte dos compra- 
dores. 

Durante o raez os supprimontos constaram de 0^5 pipas. 

As cotações por pipa, sem o casco, foram: 

40 gráos l(r)$000 a 175$000 

38 » 145-?000 > lõõíOOO 

36 » 130|000 » 135$000 

A.lg-oclão em rama/ 

Houve grande procura, no correr do mez, com preços cada dia mais altos, era 

virtude da altaom Liverpool, para onde se fizeram grandes embarques. 

O movimento geral do mercado foi o seguinte : 

Entradas: 

Fardos 

Mdceiô 1.306 

Pernambuco 1.358 

Parahyba 1.010 

Sergipe 400 3.974 

Mossoró 2.40J 

Ceirá 2.075 

Natal 3.052 

Sergipe 1.829 

Pernambuco 950 

Maceió 902 

Parahyba 800 

Assú 52" 

Piauhy 140 12.170 

16.444 
Existência no dia 30 9,907 

Preços 

Pernambuco 11$100 a 12$500 

Rio Grande do Norte 11$200 a 12$200 

Ceará Nominal 

Parahyba 11$200 a 12$000 

Penedo 11$000 a IIJSOO 

Sergipe I0$600 a 11$500 

Xo correr da 1" quinzen\ do setembro os assucares crj-stal branco e niasca- 
vinho melhoraram de preços, não só pela escassez dessa ultima qualidade, senão 
também pela noticia de ter-sa realizado o negocio de 00.000 saccos em Campos, 
sendo 30,000 de cryatal branco e igual porção de deraeraras para exportação. 



A LAVOURA 291 

Na 2» quinzena, o mercado esteve bera paralysado para todas as qualidades, 
devido à falta de pedidos quer do interior, quer do sul. 

O mercado fechou calmo. 

Durante o mez os suppri mentos rerebidos constaram de: 

Saccos 

Pernambuco 13.956 

Sergipe 4.980 

Campos 55.487 

Bahia 1.759 

Maceió 6.550 

Outras procedências 4.487 

Os preços regularam do seguinte modo: 

Pernambuco : 

Kilos 

Branco crystal $240 a $250 

Dito 3» sorte $240 » .$260 

Crystal amarello $200 » $220 

MascavinQo $200 » $220 

Somenos $200 » $210 

Mascavo bom $160 » $180 

Dito regular $150 » $160 

Dito baixo $140 » $150 

Campos : 

Branco crystal $250 a $280 

Dito 2° jacto $230 > $250 

Crystal amarello $210 » $220 

Mascavinho $200 » $230 

Sergipe : 

Branco crystal $240 a $250 

Crystal amarello . $200 » á210 

Mascavinho $200 » $220 

Mascavo bom $160 » $180 

Dito regular $150 » $160 

Dito baixo $140 » $150 

Cei'©a,es 

Durauto o mez foram assignalados os seguintes preços: 

Saccos 

Arroz nacional 27$5i)0 a 29|000 

Dito inferior 2õ$000 > 27$500 

Dito estrangeiro (agulha) 36$000 » 37$000 

Dito, 2» qualidade 32$000 > 34*000 

Feijão preto de Horto Alegre Nominal 

Idem idem mineiro 8$000 o 9$000 

Dito Santa Cathariua "$000 > 8$000 

Dito do Paraná Nominal 

6405 *0 — 



292 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Saccos 

Feijão mulatinho 7.so00 a 8$500 

Dilo manteiga I4$000 > lii$000 

Dito enxofre nacional ll$000 » Ii$c00 

Dito de cores, nacional 7í;õOO » 12$000 

Farinha de mandioca, especial ihJiíOO » 9$800 

Idom, flna 0$800 » 8$000 

Idem, peneirada (;$200 » 6$500 

Idem, fírossa õ.$000 » aíSOO 

Milho amarello da terra 6$G0i) » 7$0()0 

Idem idem misturado 6$000 » G$400 

Cangica 14*000 > 15$0u0 

Favas Nominal 

Amendoim 7$000 » 8$u00 

Kilo 

Fubá de milho íílâO a $200 

Mate em folha $440 » Í540 

Tapioca $340 » $420 

Polvilho $160 * «220 

Fumo ©ni rolo 

Durante o mez oi negócios foram de pouca monta, teíido sido no omtanto 
avultadas as entradas e sem importância as sabidas. 

As cotações por kilo^rrarama foram as seguintes: 

De Minas, espacial $800 a $900 

Dito superior $700 » $S00 

Dito 2» $550 » $000 

Dito ordinário — $500 

Goyano especial 2$000 

Dito superior — 1$800 

Baixo — 1$400 

Rio Novo, superior I$õ00 a 1$600 

Dito 2'^ I$á00 » 1$400 

Dito baixo — IJOOO 

Pomba superior — 1$300 

Dito 3» — l$00O 

Dito baixo - $000 

Carangola — 1$000 

Picii especial — 2{000 

Dito 1» — 1$600 

Dito 2» — 1$200 

Bahia — 1$100 

Sa.1 

Eu ti-aram 3.661.996 kilogrammas por cabotagem nacional, que foram cotados 
de 4$ã00 a 4$600 por 60 kilos. 

64Q5 — Rio np Janeiro — Imprensa Nacional — 1909 



BSTA.TTJTOS 

CAPITULO M 

DOS SÓCIOS 

Art. 8.° A sociedade admitte as seguintes categorias de sócios : 

Sócios effectivos, correspondentes, lionorarios, Ijenemeritos e associados. 

§ i.° Serão sócios effectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuirem com a jóia de 15$ e a annuidade de 2o$ooo. 

§ 1." Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
sede no extrangeiro, que forem escolliidas peia Directoria, em reconíiecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3.° Serão sócios lionorarios e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos á lavoura. 

§ 4.° Serão associadas as corporações de caracter ofíicial e as associações agrícolas, 
filiadas ou confederadas, cjue contribuirem com a jóia de 30$ e a annuidade de 5o$ooo. 

§ 5.° Os sócios effectivos e os associados poderão se remir nas condições que forem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse fim 
ser inferior a dez (10) annuidades. 

Art. 9.° Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. Os demais sócios deverão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimidade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente ; terão direito a 
todas as publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial. 

§ i." Os associados, por seu caracter de collectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedade o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 2.° O direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios ; é limitado, 
porém, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

§ 3.° Os sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a assembléa geral resolver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



IÍ,EC3-XJL,^A.]VEE3SrTO 



CAPITULO VI 

DOS SÓCIOS 

Art. 18. A sociedade prestará seus serviços de preferencia aos sócios e associados 
quando estiverem quites com ella. 

Art. 19. A jóia deverá ser paga dentro dos primeiros três niezes após a sua 
accei tacão. 

Art. 20. As annuidades poderão ser pag-as por prestações semestraes. 

Art. 21. Os sócios e os associados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 500$, respectivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que deverão pagar em qualquer caso. 

Art. 22. Os sócios e associados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pago a respectiva jóia. 

§ i.° O sócio que tiver pago a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

§ 2.° Para esse effeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos do paragrapho anterior. 

§ 3.° Serão considerados beneineritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de uni conto de réis. 

Art. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatarios, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três inezes antes, cabendo-lhes ainda assim o recurso 
para o conselho superior e para a assembléa geral. 






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HORTO DA PENHA 




Alameda de coqueiros da liahia 



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AnnoXIII-N. 10 



Rio DE JiLNBIKO 



Outubro sb 1909 




Capital Federal 



APiARio — Visita do Sr. Ministro da Agricultura 
^ VIRIBUS UNITIS €€ 






(MP. WACIONAl. ^ IQIC 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 
Fundada em io de janeiho ue iHq7 

CaUa-postal, 124£ Sede: Rnu da ilfuidgça o. lUti 

godereço Telegrapliioo, AGRICULTURA « Oener»! Camará n. 187 

TelephoD» n. 1416 ""' »" J'n«iko 

PresÍ(Jc-iUe — Ur. Weiicesláo Alves T,eit« de Oliveira Bello. 

1° Vice-presidente — Vajío. 

2° Vice-presidente — Dr. Sylvio 1'Eui(eiha Rangel. 

^t," Vice-presidente — Dr. Domingo.'; Sekgio de Cauvai.ho. 

Secretario Geral — Du. Heitor de Sá. 

1° Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Rbis. 

2° Secretario — Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 

3° Secretario — Dr. Josi; Ribeiro .Monteiro da Silva. 

4" Secretario — Alberto de .Xiíaujo Ferheira Jacobina. 

1° Tliesoureiro — Dr. JoXo Pedreira do Couto Feukaz Juniok. 
2° Thesoiireiro — Carlos Raulino. 

Horto da Penha Dr. Wenceslào Bello 

Fazenda de Santa Mónica Dr. Sylvio Ranerel. 

Secretaria, Álcool e Museu Dr. Benedicto Raymundo. 

Secção Technica e Bibliotheca Dr. Heitor de Sá. 

Plantas e sementes Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estatística Alberto Jacobina. 

The.souraria Carlos Raulino. 

Ooi 1 u i>oi*ii<.*â<> 

Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizereni ser- 
vir-se destas columnas para a propaganda da ag-ricultura, o que a redacção muito 
agradece. A lista dos collaboradores será publicada annualmente com o resumo dos 
trabalhos. 

A redacção não se responsabilisa pelas opiniões emittidas em artig-os assignados, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os originaes não serão restituídos. 

As communicaçôes e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d'.-\ L.\ 
VOUR A na sede da Sociedade Nacional de Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assignaturas. 

R' distríhiiíila gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de Agricultura. 

VEZES .MEIA PAGINA UMA PAGINA 

I 12$tXX3 2O$000 

3 30$ooo 5o$ooo 

6 5o$ooo 9o$ooo 

12 q(^ooo i7o$ooo 

(Xs annunci0.s sãor.p^os adeantadamente. 



k 



Tiragem 5.000 exemplares 



SUMMARK) 

PAGS 

Sobre a peste da Manqueira 293 

Febre aphtosa 300 

Visita honrosa 301 

Fmissão de papel moeda sobre lastro terra . 307 

A apicultura no Rio Grande do Sul 310 

Exi>ediente 311 

Noticiário 32Q 

Parte Conimercial .'í4" 



Amno XIII — N. 10 Rio de Janeiro Outubro de 1909 



SOBRE A PESTE DA MANQUEIRA 



LIBRARY 
NEW YORK 

Dr. A. GODOY sotanical 



Ass steute ilo Instituto Oswoldo Ci'uz 



OARDEN. 



l 

Os criadores mais adiantados do Estado de Minas já haviam de 
muito observado os principais inconvenientes dos processos de vacinação 
contra a peste da manqueira ou carbúnculo sintomático por meio das 
vacinas pulverulentas, outro tanto se dava no estranjeiro, onde se mo- 
dificava a vacina Arloixg-Gornevin, primeiro pelo emprego de fios im- 
pregnados, em seguida pelas culturas aquecidas. Recentemente o dezejo 
de conservação dos pós vacinantes deu logar ao emprego delles em 
aglomerados ou grânulos. 

Merct: de continuas instancias o Instituto se ocupou do assunto 
que reprezenta sob o ponto de vista económico centenas de contos. 

O primeiro material recebido foi trabalhado peloDk. E. Dias e em 
seguida pelo Dr. R. Lima e o autor. 

Foram as primeiras tentativas infrutiferas . Fácil era o diagnostico 
da infeçáo pela observação dos animais inoculados como pelo exame 
dos preparados microscópicos feitos com os tecidos invadidos. A grande 
impureza das culturas obtidas impossibilitava, qualquer que fosse a 
técnica, o izolamento do bacterio. EUe só foi obtido quando tivemos a 
fortuna de receber, enviado pelo Dr . M . ^'II.I,AÇA material recolhido 
com cautelas especiais. 

Os estudos feitos de então para cá estão em sua maioria encerrado'? 
na expozição feita em Juiz de Fora perante a Sociedade de Medicina e 
Cirurjia em Junho de 1906 peloDR. R. Li.\iA;emuma memoria apre- 
zentada ao 3" Congresso Medico Brazileiro pelo Dr. Go.me3 de Faria e 
o autor; na teze de doutoramento do Dr. Go.mes de Faria em i(ju8. 

Neste trabalho rezumiremos os rezultados obtidos e faremos algumas 
considerações sobre a pratica da vacinação . 

7675 1 



294 SOCIEDADli NACIONAL DK AGRICULTURA 

A peste da manqueira é zoonoze que interessa somente aos criadores 
de gado vacum, ao menos entre nós não foi ainda rejistado cazo de 
contajio ao gado lanijero, não vale a pena falar da possível contami- 
nação do homem, que só imperfeita observação pôde fazer acreditar. EUa 
é, porém, inoculavcl em cobaias, sendo refratarios os animais domésticos. 

A mortalidade é de quazi i oo " \, si se considera — o que é incor- 
reto — apenas o numero de animais que sofrem um ataque que se tra- 
duza pela formação de tumor e por sinais de dificuldade na marcha. 
Tomada em conta a imunidade que possuem os bovinos maiores de 
dois anos ella é de 1-! a 40 ° 'o segundo as localidades e a jépoca . Esta 
imunidade, já referida por Arloinc, Cornevin e Thomas foi por elles 
demonstrada não poder ser atribuída á idade. 

O modo pelo qual o animal se infeta é ainda desconhecido. Opi- 
niões varias teem sido emitidas . A dificuldade começa quando se pro- 
cura càtabelecer se a infeção é realizada por meio dos esporos ou pelas 
formas vejetativas. A experimentação mostra que a infeção não seda 
pela inoculação de quantidade minima de esporos ou bacilos. Assim 
sendo, não se poderia, com razão, atribuir a infeção aos ferimentos ou 
erozóes acidentais, dado ainda o aparecimento muitas vezes verificado 
do tumor nos músculos internos. Como se verá adiante somente cazuali- 
dade extrema poderia fazer com que em um ponto do corpo do animal 
fosse possível a inoculação natural de centenas de milhares de esporos, 
fala ainda contra, o aspeto da pele, onde não se poderia achar o ponto 
da lezão que sérvio de porta de entrada. O problema c assaz difícil e 
somente condições otimas de observação poderia resolvel-o. .Vliaz a 
ignorância no que se refere ao mecanismo das infeções baterianas não é tão 
raro como se poderia a primeira vista supor. 

Os nossos conhecimentos sobre o carbúnculo sintomático são artifi- 
ciais ; o seu modo de existência na natureza é julgado pelas culturas, a 
moléstia natural pelo que se obtém pela inoculação. A infeção experi- 
mental é a rcprodurão perfeita da infeção natural. O mesmo não se dá 
com as culturas naturais em que muiia; das propriedades se contrapõem 
ás das culturas puras de laboratório e só foram reveladas pelas culturas 
mixtas ou impuras. Comparc-s;;, por exemplo, a nossa amostra, que c ex- 
tremamente cxijentc para os meios de cultura em que não se multiplica 
nem dá cultura virulenta senão em prezença de soro ou sangue com o que 
se verifica quando sobre o solo. As culturas impuras mostram que os es- 
poros de carbúnculo sintomático, tétano, ou edema germinam desde que 
estão em prezença de micróbios aeróbios, c esporulam quando as con- 
dições bc tornam desfavoráveis. 



A LAVOURA 295 



As zonas de preferencia para a peste da manqueira são as monta- 
nhozas, assim é que Minas está dentro da regra . Seu aparecimento é 
periódico e estacionai . 

A falta de estatistica agrícola em que temos vivido não permite ava- 
liar a extensão precisa desta zoonozc. Dizem, porém, os observadores 
que só excepcionalmente se encontrará um municipio de Minas onde não 
exista a peste da manqueira. 

O diagnostico da moléstia é fácil, quer seja elle considerado sob o 
ponto de vista da clinica, da anatomia palolojica ou da epidemiolojia. A 
invazão rápida, quazi súbita, o estado febril no inicio, a hipotermia no fim 
da moléstia, a abolição do apetite, o aparecimento de tumefação dura, 
que crece rapidamente c que se vai tornando depressivel, enfizematoza e 
timpanica, caralerizam a moléstia. A' inspeção o vitelo morto pelo 
carbúnculo mostra-se tumefato, a pele é distendida por gazes ; secio- 
nada a sede da lezão especifica escapam-se bolhas de gazes de odor buti- 
rico; o tecido conjuntivo mostra-se infiltrado de um liquido vermelho- 
cscuro, outras vezes simplesmente serozo, e sempre acompanhado de inú- 
meras bolhas gazozas. Pelo exame de _/ro//w de suco de músculos ve- 
rifica-se a prezença, nos pontos em que a moléstia se dezenvolveu, de 
bastonetes curtos, raramente longos, izolados, moveis, sendo o corpo mi- 
crobiano ora homojeneo, ora \ acuolisado ; os bastonetes são cilindricos. 
ou elipticos (clostridios), as extremidades desses elementos são sempre 
arredondadas, e se a autopsia não é feita logo apoz a morte encontra-se 
formas esporuladas; os esporos não teem sede de predileção. Os clos- 
tridios coram-se pelo iodo em castanho ou pardo escuro.não temos, porém, 
observado a coloração azul de que falam os autores. A moléstia ataca 
quazi que excluzivamente os vitelos de seis mezes a dois anos de idade; 
dos acometidos, como dissemos, rarissimos se salvam. Os animais 
doentes não transmitem a moléstia. Esta faz o seu aparecimento pe- 
riódico. 

Insuficientes como são os nossos conhecimentos sobre o mecanismo 
de penetração no organismo do bacterio cauzador da peste da manqueira, 
não se poderia tentar o combate contra ella, quer pela destruição do seu 
cauzador no mundo exterior, quer impedindo a penetração delle no orga- 
nismo sensivel . A deteza está em tornar os animais rezistentes ou imunes 
contra a moléstia . 

O ideal da imunização é uma vacinação não perigoza . 
Muitos são os processos propostos para a imunização contra o car- 
búnculo sintomático. Citaremos apenas alguns, indicando o que os cara- 
tcriza . 



296 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



1°, Inoculação vacinante de suco de musculo em natureza, cm pe- 
quenas dozes sob a pele ou de maiores dozes na veia ou na traquea ; 

2°. Do mesmo material modificado pelo aquecimento ou dessecação ; 

3°. De culturas atenuadas ou não ; 

4°. De toxina do bacterio ou de misturas de toxina e antitoxma . 

Na pratica, porém, só conseguiram re/.ultados os de inoculação do 
suco de musculo desecado e aquecido. Os outros mostraram-se in- 
ativos ou perigo/os. 

O defeito capitai do processo de inoculação de vacinas derivadas 
de suco de musculo seco e triturado está nas múltiplas impurezas 
rezultantes de processo tão complexo e desprovido de critério cientifico. 

A substancia vacinante é impura e de valor indozavel. A impu- 
reza pôde ser tal que impossibilite a demonstração em cultura do bacilo 
do carbúnculo sintomático . A impossibilidade da sua dozagem resalta 
das experiências que fizemos com o fim de verificar a doze mortal mí- 
nima de determinado material infeciozo. A morte de algumas cobaias 
que serviam a dozagem já se da\'a com a inoculação de quatro mili- 
gramas de pó, enquanto que outras rezistiam ádóze de 20 miligramas. 
A experiência c minuciozamente descrita na teze do Dr. Gomks de 
Faria. 

A dificuldade de inoculação de substancias insolúveis, como são 
os produtos rezultantes do aquecimento de músculos triturados em 
suspensão grosseira num liquido, c evidente. 

Em vista do exposto, o Instituto quiz fazer melhor e tivemos a ven- 
tura de, durante o nosso estudo sobre a biolojia do bacilo do carbún- 
culo sintomático, deparar com propriedades peculiares á amostra por 
nós izolada. Esta se carateriza por fraca virulência. As culturas quando 
muito ativas só matavam a cobaia na doze de i/-2 c. c. enquanto nas 
mesmas condições e no mesmo meio a amostra Kirr, de .Alunich, ma- 
tava na de iiooo. As culturas feitas cm meios glicozados que conti- 
vessem mais de ij-z "/„ de glicoze aprezenta\am abundante dezenvol- 
\ imento, porem os elementos microbianos que nella existiam se mostravam 
alterados, c não tardavam a se dezagregar. Estas culturas apóz completa 
vcjetação, quando semeadas, mostravam possuir, apenas, raras formas, 
algumas dezenas aptas a dar orijem a colónias. Como as nossas experiên- 
cias demonstraram, as culturas não começam a ser mortais senão quando 
os 3 c. c. que inoculávamos continham 800 mil esporos ou mais. Pesqui- 
zamos seu poder imunizante ; elle excedeu á nossa expectativa ; desde 
as primeiras experiências mostrou-se extraordinário. Nenhum dos bo- 
vinos adquiria a mole3tia quando vacinado e em seguida inoculado com 



A LAVOURA 297 



material virulento. Estas experiências foram feitas em Manguinhos 
e em Juiz de Fora nas fazendas dos Drs. H. Villaça e C. Palleta. 

Devemos aqui referir que a mesma facilidade de se imunizar não 
possuem as cobaias. As culturas em meios glicozados mostraram-se avi- 
rulentas mesmo quando adicionadas de substancias quimiotaticas ne- 
gativas, enquanto que a virulência das culturas em meios sem glicoze 
com soro ou sangue se mantinha, mesmo apóz envelhecimento ou aque- 
cimento a 65° c, durante i hora. 

Dos estudos originais e de verificação até agora realizados no Insti- 
tuto julgamos poder tirar as seguintes conclusões: 

1°. As culturas em meios glicozados são avirulentas. 

2". As maiorias das formas aí existentes são inaptas á vejetação. 

3". A propriedade imunizante de uma cultura depende da massa de 
germens que ella contem. 

4°. A inoquidade das culturas em meio glicozado é independente da 
existência nella de substancias quimiotaticas negativas. 

5'^ A ação .patogenica de uma cultura de carbúnculo sintomático 
terminada a vejetação é, no mesmo meio e com a mesma semente, de- 
pendente do numero de esporos formados. 

i')'\ A glicoze é nociva ás culturas do bacilo do carbúnculo sinto- 
mático do qual impede a esporulaçao. 

7". Existe grande diferença de virulência entre diferentes amostras 
do bacilo do carbúnculo sintomático. 



II 



VACINAÇÃO 

Conhecidas as propriedades excepcionais das culturas obtidas, veri- 
ficadas em milhares de inoculações praticadas nos campos infetados, 
tirámos privilejio para utilização delias como vacina, prlvilejio que ce- 
demos ao Instituto. 

A produção em grande é feita em balões de 2 litros que conteem 
caldo glicozado-soro. Apóz completa vejetação da cultura faz-se a 
distribuição em vidros de 10 c. c. que são fechados ao massarico. A 
indicação geral para o emprego c dada na bula que acompanha cada 
vidro. 

Aqui a transcrevemos : 



2)< SOCIEDADE NACIONAI, DK AdRIl.ULTURA 



INSTlTUTí^ OS\\ AlJX) CRUZ - IvlO |)K JANEIRO 
iN>i'RU(,:õi:s P\R \ o I MPRi:o<i iw vacinv contra a iMCsri; lu m\n^>uiir\ 

A vacina c foríuviíla sob a forma de liquido turvo que clareia pelo 
ropou/.o, formando-se um depozito branco amarelado. 

Nos frascos em que ó fornecida, a vacina conscrva-se inalterada por 
muitos me,'os. Aberto, porem, um, deve o conteúdo ser uzado no mesmo 
dia. 

A vacina deve ser empregada por injeçao debaixo da pele na 
dó/e de 2 C.C. Náo se deve empregar dó/.e menor. Nesta quantidade 
ella não c absolutamente perigo/.a c antes de ser fornecida c do/.ada. Só 
pôde haver acidentes em animais que, na ocazião da injcçao, )á se 
achem atacados da moléstia, embora sem os sintomas. 

.\ vacinação será feita quando o \ itelo tiver cerca de .^ mezes de 
idade . 

.\ pratica mostrou que uma só inoculação c, em regra, suliciente, 
porém nos animais de valor p6de-sc fazer duas vacinações, deixando 
entre ellas um espaço de õ mezes. 

Aiitar o frasco. 

Partir a extremidade afilada. 

Introduzir, pela abertura assim obtida, a agulha de seringa própria 
para injeções, e aspirar a vacina . 

Kxpelir, voltando a agulha para cima. o ar que tenha penetrado na 
ocazião de aspirar. 

Lavar com solução de creolina o ponto de inoculação, quec de 
preferencia o quadril . 

Imobilizar bem o animal. IntroJuzir a agull\a sob apele cerca de 
I a •: cm. e inocular a doze indicada, isto é, •» c. c. que correspondem a 
quinta parte do conteúdo de cada frasco. 

A \acina traz no rotulo o numero e a data que devem ser indicados 
em qualquer comunicação ou reclamação. 

Ksias devem ser dirijidas para o r».\-////í/o O.s-w.i/./o O-//-. Cjíxj Jo 
CotTeio oa6. Rio Je Janeiro. 



A LAVOURA 209 

A disu-ibuição em vidros fechados ;i lampaua c duplamente van- 
tajo/.a, não só porque impede que a vaccina se contamine, como evita 
de ser inoculado produto proveniente de frasco já anteriormente aberto. 

A inoculação não ofere:e a menor dificuldade, recomendamos, 
porém, como modelos muito práticos as seringas inteiramente de metal 
ou vidro de loc. c. de capacidade. As agulhas serão de preferencia de 
paredes espessas, de forma cónica e sem solda, o soli comprimento de 
! — -1 cm. mais ou menos, comprimento este suficiente e que oferece muito 
maior re/.istencia a llexão ou fratura na oca/Jão da punção 

A lavajem do ponto cm que se vai inocular é apenas Lima limpeza; 
a picada da agulha é sempre menor que a do ayuilhão, que entretanto 
não cauza infeções de importância. 

A seringa será suficientemente esterilizada si se aspirar e expelir com 
ella agua fervendo, algumas vezes. 

Depois das inoculações deve a seringa ser desmontada, limpa e 
seca. Si de metal passa-se um pouco de olco mineral em toda ella, 
interna e externamente. As agulhas, sendo de aço, só serão prezervadas 
da ferrujem pela imersão em solução de bórax em agua, ou no álcool 
forte, tendo-se antes colocado no seu interior um lio metálico ( man- 
darim). 

O numero de dozes já fornecido pelo Instituto foi o seguinte : 

Em ii)oó 11.780 

« 11)07 47.700 

» 190X 71 .Xi)fi 

» 1909. ( ate Outubro '.i3'93o 

'rota! 287.303 

Sobre a vacinação concluímos que : 

i.° A vacinação por meio de culturas éa unVca passivel de uma 
verilícação cientifica. 

■2.0 O estado refratario ao carbúnculo sintomático é fácil do ser 
conferido. 

3." A imunidade contra o carbúnculo sintomático é certamente ob- 
tida pela inoculação de culturas tipicas em caldo glico/.ado-soro. 

4.° Uma única inoculação é suficiente para conferir a imunidade. 

5." A imunidade ad-jnirida pelos vitelos vacinados é suficiente 
para que elles atravessem indcnes a época de maior sensibilidade. 

Manguinhos, Outubro de 1909. 



300 SOCIRDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



EDITORIAL 



Febre Apht:sa 

A febre aphtosa, que presentemente de novo invadiu o Estado do 
Rio, mereceu a attenção do nosso Governo, patenteando-se assim a neces- 
sidade que tínhamos da criação do Ministério da Agricultura, que apenas 
inicia seus primeiros passos. 

() digno Minisiro Dr. Cândido Rodrigues fez partir para Cantagallo, 
zona onde parece estar centralizada a epizootia, médicos veterinários 
que vão prestar aos criadores os ensinamentos precisos para tratamento 
e preservação do mal . 

Registrando com prazer este primeiro acto do novo Departamento, 
não podemos deixar de salientar o inestimável serviço que vae prestar 
á agricultura nacional, mormente, quando nos recordamos dos muitos 
prejuízos que ha cerca de dois annos occasionou a mesma moléstia, sem 
que outras medidas, alúm das instrncções dadas por esta Sociedade, 
algumas desinfecções feitas directamente por particulares e medidas de 
precaução tomadas pelo governo de S. Paulo, fossem tomadas pelo Poder 
Publico, para reduzir a propagação que vae tendo o terrível mal nos 
nossos campos, com incalculáveis perdas para os criadores. Felizmente 
o acto que registramos indica bem que já a sorte do trabalhador rural e 
dos fazendeiros interessa ao Governo, que por ella zela, já dispondo para 
isso de um órgão de acção. 

Ainda a 3 de setembro noticiaram os jornacs a passagem de uma 
nuvem de gafanhotos que, atravessando uma parte do Estado do Rio, 
invadiu o Districto Federal, c bem certos estamos, que, como para a 
aphtosa, não deixará de se apparelhar o Governo para dar combate a tão 
temerosos inimigos da nossa lavoura. 

Occorro-nos, fatiando em febre aphtosa, trazer a publico uma infor- 
mação, que á Sociedade Nacional de Agricultura foi trazida pelo Sr. Luiz 
Drumond Franklin, criador em Minas Geraes, relativa ao mesmo mal e 
que certamente deverá merecer a attenção por parte dos nossos especialistas 
no assumpto. 

E' o caso que tendo o Sr. Quirino Teixeira de Queiroz, criador em 
S. Sebastião da Estrella, 24 bezerros dos quaes 5 estavam atacados de 
febre apthosa, applicou em todos a varcina anti-carbunculosa no intuito 



A LAVOURA 301 



somente de os pi-eservar da manqueira . Assim procedeu sem ter sepa- 
rado os 5 animaes doentes e notou <[ue a aphtosa não se propagou aos 19 
restantes. 

Impressionado com este facto, experimentou a vaccina em um 
porco e depois em vários bovinos, reunindo-os aos animaes aphtosos, ve- 
rificando que elles também se conservaram immunes. 

Trazemos este facto a publico sem emittir opinião ou critical-o, 
mas só no intuito de chamar sobre elle a attenção dos interessados e 
dos proflssionaes, parecendo-nos que qualquer que seja a opinião que 
a priori se tenha, não se deve desprezar uma suggestao ainda que de 
puro empirismo, especialmente quando se trata de moléstia ainda tão 
mal conhecida em seu determinismo e de que é ignorada a sua pro- 
phylaxia. 

Ainda com relação á apthosa, possue a Sociedade Nacional de 
Agricultura, em seu registro de informações^ a referencia de um facto 
que confirma a supposição de que os urubus são os propagadores da 
moléstia. 

Assim, distincto criador do Estado do Rio, tendo tido a um tempo 
muitas vaccas com cria, recolheu-as para um campo cercado situado no 
centro de suas terras, no intuito de evitar qualquer contagio por parte 
dos visinhos. Com sorpreza no emtanto verificou que os bozerros e em 
seguida as vaccas foram atacadas da aphtosa, sem (jue ella existisse 
em seus campos e nem mesmo nos visinhos mais próximos. Observou , 
porém, a presença de urubus que, ao que disse, são attrahidos pelas 
dejecções dos bezerros e assim attribue a essas aves o transporte da 
moléstia por sobre uma larga zona até então immune. Em muitas 
outras occasiões verificou o mesmo observador a correlação entre a pre- 
sença dos urubus e o apparecimento da aphtosa. 

Muito merecia, também, estudo esta questão, porquanto, verificado 
que seja o seu perfeito fundamento, seria certamente o caso de se 
recommendar a queima dos animaes mortos e a perseguição dos urubus 
cuja preservação só se justificava por se encarregarem elles de destruir 
os restos de taes animaes com estes suppostos germens de infecção. 

Dr. Wencesláo P.flí.o 



Visita honrosa 

No dia .')o do corrente foi esta sociedade honrada com a presença do 
illustre Ministro da Agricultura, Industria e Commercio, Dr. António 



Cândido Rodrigues. 



^02 SOCÍEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Após a sua chegada, que se verificou ás 3 horas da tarde, o 
Exm. Sr. Dr. Cândido Rodrigues, presidiu a uma reunião, na qual se 
tratava da representação do Brasil na exposição de Bruxeilas, a reaiizar-se 
no próximo anno . 

Em seguida o Dr. Cândido Rodrigues visitou minuciosamente todas 
as secções desta sociedade, tendo tido e manifestado excellente impressão. 

A's 7 horas da noite, finalizada a visita, S. K\. retirou-se. 

Estiveram presentes as seguintes pessoas : 

Drs. Serzedello Corrêa, illustre prefeito ; Augusto Ramos, Conde de 
Cândido Mendes, Jorge Street e Carlos Rezende, deputados Dr. Christino 
Cruz e Ribeiro Junqueira, Dr. João Gabriel e Drs. ^^'encesIáo Bello, Syl- 
vio Rangel, Heitor de Sá, Benedicto Raymundo da Silva, João Pedreira do 
Couto Ferraz Júnior e Srs. Alberto de Araújo Ferreira Jacobina e 
Carlos Raulino, da directoria desta Sociedade. 

Damos, a seguir, a descripçSo de cada uma das secções desta socie- 
dade feita pelo « O Paiz « do dia 3i deste mez: 

Archivo n.x LEGISLAÇÃO Agrícola no Brasil — .\ Sociedade está 
organizando uma publicação da maior importância, tal como a collecção de 
leis e regulamentos que teem sido expedidos sobre assumptos agrícolas 
desde a data cm que D. João VI veio para o Brasil. 

Esse trabalho utilissimo para consulta e para a nossa historia está 
sendo impresso na Imprensa Nacional,por autorização do (io\cino passado 
e compõe-se dos seguintes capitulos : Agricultura — Industria Pastoril — 
Immigração — Colonização — Impostos — Ensino Agrícola — Legislação 
Florestal — Credito Agrícola — Industrias Ruraes — Industria Extractiva. 

O archivo alcança até a data de 190S, comprehendendo também 
disposições estadoaes . E' evidente a grande utilidade desse importante 
trabalho . 

Registro de informações — A Sociedade tem em adiantada organi- 
zação o registro de informações agrícolas e que consiste na fácil apreciação 
dos vários ramos da agricultura c da industria pastoril. A Sociedade para 
esse serviço utilizou-se do s\ stema de cartões encabeçados com cada uma 
das especialidades c cuidadosamente arraniados de modo a facilitar as 
pesquisas . 

Museu Agrícola — No grande salão que estava destinado ás assem- 
bléas geraes em todo o pavimento superior, occupando ao todo cinco salas, 
está installado o .Museu Agrícola, único, talvez, no paiz e certamente o 
melhor que se tem organizado . 

A collecção exposta com ordem, methodo e critério em excellentes 
installações e mostruários, já existem mais de 2 .oooespccímens c abrange 



A LAVOURA 303 



a grande e a pequena cultura, as plantas tcMis e de varias applicações 
industriaes, e a Zoologia Agricola. 

Todos os Estados ejtáo representados pelo que teemde melhor, 
e qualquer género de cultura pôde ser estudado em seu desenvolvimento e 
progresso comparativamente nos diversos Estados . 

Os estudos e collecções sobre zoologia agricola ncão teem menor valor, 
dispostos e classificados como estão, insectos, aves, mammiferos, etc, pelos 
seus efteitos úteis e noci\'os as diversas culturas . 

Foi seu organziador e dirige essa divisão, como todo o Museu, o Dire- 
ctor Sr. Dr. Benedicto Raymundo da Silva. 

Propaganda das applicações industriaes do álcool — Foi esta Sociedade 
quem promoveu uma intensa propaganda a favor das applicações indus- 
triaes do álcool depois de ter realizado nesta capital, em igoS, com o 
melhor êxito um Congresso e uma exposição internacional de apparelhos 
a esse fim destinados, no intuito de desenvolver uma industria por onde se 
derivasse asuperproducção de assucar nacional. 

Para isso tem ella realizado oito exposições de todas as sortes de 
apparelhos e íeito 445 exhibiçóes dos apparelhos de illuminação durante 
3. o38 noites, empregando para isso 64.2()2 litros de álcool. 

Esse interessante problema que não tem preoccupado somente o nosso 
paiz, mas também a Allemanha, a P^rança, a Áustria, a Argentina e os 
Estados Unidos, ainda não encontrou certamente a sua solução, devido ás 
causas múltiplas que teem impedido o barateamento do álcool. Não teem 
sido porém perdidos os esforços empregados, porquanto em Pernambuco, 
Rio Grande, Minas e S. Paulo ha povoações que empregam esse combus- 
tível para illuminação publica e o consumo particular de apparelhos teem 
augmentado com as demonstrações das vantagens da luz do álcool . 

Essa secção foi por muitos annos dirigida pelo Dr. Sérgio de Carvalho, 
achando-se actualmente a cargo do Dr. Benedicto Raymundo da Silva, 
sendo chefe dessa secção o Sr. Joaquim de Freitas Lima. 

Herd-book e Stud-book Nacionaes — Estes serviços foram confia- 
dos á sociedade pelo Governo Federal no anno de igo8 c comprehendem 
as importações de bovinos e equinos de 18 de abril de 1907, data em que 
foi approvado o regulamento sobre a importação de animaes úteis, até ju- 
lho de 1909. 

Herd-book — Sobe a 104 o numero de bovinos registrados durante 
o periodo alludido, tendo sido a seguinte a di>tribuição dos animaes 
pelos Estados, segundo as raças : Dcvon, -x ao Estado do Rio ; 2 ao Es- 
tado do Rio Grande do Sul ; Lincoln Red Shorihoun, 18 ao Estado 
do Rio de Janeiro, 2 Minas; Gerser-, 2 Estado do Rio; Di/rham, 



304 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

1 ao Estado do Rio Grande do Sul ; KeiifOr, 2 ao Rio Grande do 
Sul ; Hereford, 2 ao Rio Grande do Sul, 3 ao Ceará e i a Santa 
Catharina '; Jcrscy^ 3 ao Ceará, 5 a Minas ; Si/issa, 2 ao Estado do Rio, 
I ao Districto Federal, 2 a Santa Catharina ; Ilolslcin Lriesian, 34 ao 
Ceará, 2 ao Estado do Rio, i a Santa Catharina e 5 a S. Paulo; 
rinlsleiíi alleniã, 7 a Minas; Brelã, 3 a S. Paulo; Nirernaisc-Charo- 
laísc, 1 ao Rio Grande do Sul ; Normando, i ao Estado do Rio Grande 
do Sul. 

Os bovinos que não puderam ser registrados por falta de pedigree 
attingem a 158 de varias raças. 

Stud-book — Do Stud-Book constam apenas cinco registros, a saber : 
I garanhão puro sangue inglez, nascido na Inglaterra, 3 garanhões puro 
sangue, nascidos em França ; i garanhão Percheron nascido em França, 
destes animaes 4 destinaram-se ao Estado do Rio c i ao Estado do Rio 
Grande do Sul . 

Não puderam ser registrados por falta depedií^rce, 17 animaes desti- 
nados ib pai\a o Estado do Rio e i para Santa Catharina. 

FoRNEci.MKNTOs AOS SÓCIOS — Em julho de 1906 a sociedade iniciou 
o serviço de fornecimentos de vários géneros aos seus sócios por 
preços inferiores aos do mercado a varejo, mediante ajustes com casas 
fornecedoras importando directamente do estrangeiro. 

Entre esses géneros estão o arame farpado para cerca, formicidas, 
insecticidas diversos e toda a sorte de machinas agrícolas . 

O valor dos géneros assim fornecidos eleva-se á importância de 
bb I : I49S8(')0 e a economia proporcionada aos sócios lavradores nesse curto 
prazo de dois annos e meio foi de i()o:4'Jo$9.^o. 

Este anno em que o serviço recebeu grande incremento a economia 
até o fim do mez de setembro foi de 67:092x850; a administração acredita 
que até o fim do anno será de perto de ioo:oooAooo. 

Eis ahi um serviço que faz honra á administração da sociedade e 
que c uma prova real do quanto vale e quanto pôde o espirito da 
associação. 

SiíCRKTARiA — Esta sccção, apezar do seu pequeno pessoal, realiza um 
trabalho compara\'el ao de uma secretaria de Estado, pois, percorrendo a 
estatística do seu movimento, vêem-se os seguintes algarismos relativos a 
correspondências expedidas em 1908: cartas, 3.09? ; officios a governos, 
i3i ; olVicios a diversas instituições, í(35; diplomas, 368; circulares, 
10.413; telegrammas, 976 ; publicações, 29.278. 

No corrente anno o movimento não é menor. E' isso de\ ido a 
que a sociedade está em relações com lavradores e instituições de todo 



A LAVOURA 31"! 



O paiz, com os quaes se corresponde assiduamente sobre os mais va- 
riados assumptos de interesse agricola, respondendo a consultas e forne- 
cendo informações. 

Em seus doze annos de útil existência, tem ella distribuído •272.938 
exemplares de suas numerosas publicações de ensino e propaganda. 

Sua correspondência vae mesmo ao estrangeiro permutando publica- 
ções com 1 79 instituições em 3o paizcs, entre os quaes se contam ate o .la- 
pão, a colónia do Cabo e a Austrália. 

Dirige a secretaria o director Dr. Benedicto Raymundo da Silva e c 
chefe o Sr. Carlos de Castro Pacheco . 

Thesouraria — Esta secção tem a seu cargo todo o movimento finan- 
ceiro da sociedade e a escripturação respectiva. 

E' dirigida pelo director Sr. Carlos Raulino, sendo chefe o Sr. Pedro 
Minervino de Oliveira. 

Siicç.\o DE PLANTAS E SEMENTES — Esta secção é encarregada de fazer 
o serviço de distribuição gratuita, que foi confiado pelo Governo á Socie- 
dade desde setembro de 1902. 

Os seguintes algarismos dão ideia da importância deste trabalho : 

Numero de pedidos feitos á sociedade até 

3o de setembro de 1909 . . . . 20.71)7 

Numero de pedidos satisfeitos . . . iS.3Si 

B » plantas distribuídas . . . 1. 116. 177 

Dentre essas foram fornecidas pelo Horto da Penha 225,466. 

Na distribuição de plantas, a Sociedade tem-se prcoccupado de pre- 
ferencia em desenvolver a fructicultura nacional. Assim é que no numero 
acima indicado, as plantas fructi feras figuram com elevado numero de 
53o. 365, ao qual deve-se accrescentar as videiras, em bacellos e enrai- 
zadas, em numero de 482.003. 

Não foi menos importante a distribuição de sementes que a Socie- 
dade tem feito, no intuito de desenvolver e melhorar as culturas com 
sementes seleccionadas e de promover a polycultura. Assim c que as 
estatísticas registram as seguintes quantidades : Trigo, 6.583 kilos; milhoi 
9.021 kilos; arroz, 1 7.683 kilos; algodão, 23.536 kilos; forragens di- 
versas, 94.715 kilos, além de muitas outras formando tudo um grande 
total de 213.397 kilos. 

Esses números demonstram o grande trabalho realizado pela Socie- 
dade e o valioso auxilio que esse serviço tem prestado á lavoura sobre- 
levando-sc o melhoramento das pastagens e desenvolvimento da fructi- 
cultura. 



306 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



O serviço, que foi dirigido durante cinco annos pelo Dr. Wen- 
cesláo Bcllo, é feito com grande regularidade por um pessoal ade\trado 
em sete annos de tirocinio e de vários registros constam a distribuição 
feita a cada lavrador e ás zonas do paiz a que tem sido distribuída cada 
uma das variedades de plantas ou de sementes ; por esses registros se 
verifica que todos os Estados da Republica e até o próprio Acre teem 
sido contemplados nessa distribuição. 

E' hoje director dessa secção o Sr. Dr. José Ribeiro Monteiro da 
Silva, sendo chefe da secção o Sr. Olympio de Accioli Monteiro . 

Secção technica, bibliotheca n lavoura — No salão do primeiro 
andar da parte do edifício que dá para a rua General Gamara estão a 
Bibliotheca e a Secção Technica, secções estas actualmente ^ob a direcção 
do secretario geral da Sociedade, Sr. Dr. Heitor de Sá. 

A Secção Technica, a cargo do engenheiro agrónomo Dr. A. Gomes 
do ("armo, é principalmente o órgão consultivo da Sociedade, ministra 
informações verbaes ou por escripto a consultas feitas á Sociedade. A ella 
cstd também atlecto o serviço de propaganda, que é feito principalmente 
pelo boletim da Sociedade, A Lavoura, e pujjlicações sobre assumptos 
agrícolas. 

A Lavoura, no seu ij" anno de existência, em uma tiragem de 5 .000 
exemplares, é distribuída gratuitamente pelos sócios da Sociedade, asso- 
ciações agrícolas, instituições diversas do paiz, mantendo além disso um 
largo serviço de permuta com o exterior. 

Sob a direcção dessa secção já teem sido publicados 92 trabalhos 
sobre assumptos agrícolas diversos. 

A Bibliotheca possue actualmente 2.017 volumes encadernados e 
para mais de 3 . 000 em brochuras e folhetos. Entre as suas obras salien- 
tam-se as collecções sobre agricultura nacional e outras de valor, princi- 
palmente sobre pomicultura. 

Recebe a Bibliotheca Kjg publicações periódicas sobre agricultura e 
assumptos connexos, dos principaes paizes do mundo. Estas publicações, 
bem como as demais que possue a Bibliotheca são franqueadas á con- 
sulta para os sócios na sede da Sociedade. 

Bim.iocRAiMiiA AGRicci.A DO Brasil — Um importante serviço, iniciado 
pela Sociedade ca Bibliographia Agrícola do Brasil, isto é, um archiv o 
indicador de tudo o que se tem escripto sobre as questões agrícolas que 
interessam o nosso paiz. 

Esse archivo é feito pelo systema americano por meio de caitões e 
de tal modo se encontram reunidas sob cada titulo ou especialidade indica- 
ções precizab dos principaeb trabalhos que podem elucidar o seu estudo. 



A LAVOURA 307 



Geographia agrícola — A secção de Geographia Agrícola foi creada 
em junho do anno de u)o8 e comprehende o conjuncto de Informações 
geographicas que directamente Interessam a agricultura. 

Essa secção já possue 51 mappas assim discriminados: Mappas do 
Brasil constando dos seguintes mappas : Geológico Agrologico, de Alti- 
tudes Máxima e Minima — ^Climatologico — ^Demographico,de Vias de Com- 
municação e Instituições Agrícolas ; Mappas mostrando as zonas de dis- 
tribuição das culturas onde são indicadas as zonas da cultura do Café, 
Algodão, Canna, Fumo, Cacáo, Mate, Pinho, Maniçoba, Seringueira e 
Mangabeira. 

Mappas dos Estados onde são designadas as zonas de distribuição 
das culturas c das plantas industriaes expontâneas, o esboço da consti- 
tuição geológica, agrologica, physica e indicação dos productos vegetaes 
importados e exportados. 

A esses mappas acompanham diagrammas da producção e renda de 
cada exploração vegetal quanto á sua exportação do período de lyoi 
a 1905. 

A serie dos mappas acima discriminados é o primeiro trabalho 
destinado a divulgar taes informações não só no paiz como no estran- 
geiro. 

Esse trabalho foi confiado ao agrónomo Sr . Dr. Manoel Paulino 
Cavalcanti, auxiliar da Sociedade, e constitue um dos elementos da 
secção de informações agrícolas da Sociedade. 



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1k^ 



COLLABORACAO 



Emissão ás papsl-mocda sobrs lastro tsrra 

A emissão de papel-moeda que circula actualmente deve ser substi- 
tuída por outra que otlereça maior renda e garantia . 

Não me refiro á emissão da Caixa de Conversão porque esta, c moe- 
da papel e não papel-moeda. 

A emissão de papel-moeda, pois, deve ter como lastro a terra, cm 
substituição á que circula actualmente sem lastro . 

O proprietário da terra entrará com esta como lastro da emissão, re- 
cebendo do Thesouro um papel-moeda que se emittir, então, valor cor- 
respondente ao da terra com que entrar. 



308 SOCIEDADE NADONAL UE AGRICULTURA 

O proprietário que requerer emissão sob garantia dos seus terrenos 
pagará 6 % de juros. 

O Thesouro abrirá conta aos proprietários de terrenos, como a Caixa 
d;i Amortisação aos possuidores de apólices. Assim, pois, estabelece-se 
emissão com garantia e renda : como garantia o lastro ; como renda o 
juro. 

O terreno que não for medido por profissionaes e que não marginar 
vias de communicaçáo deve ser exduido. 

Não lia que recciar sobre desvalorisação da terra, desde que se trate 
de curso forçado ou valor fixo perante as repartições publicas. 

Esse valor, ao contrario, deve crescer e fixar acima do valor official 
que é o da própria circulação. 

Não se de\e igualmente receiar falta de pagamento de juro porque 
as bem feitorias que existirem no tcrreno-lastro, outros haveres de proprie- 
tário do terreno devem ser sujeitos, creando-se para esse fim leis de acção 
summaria a respeito. 

O capital de todo paiz novo é o valor da terra ; portanto deve ser 
a terra o lastro natural das emissões circulantes. 

Esse capital até então immovel, paralysado como se acha, entrando 
em franca e agitada circulação, trar-nos-ha vantagens excepcionaes, extra- 
ordinárias e incalculáveis mesmo. 

A renda que se perceber por effeitodos juros deve ser applicada ao 
resgate da emissão que circula actualmente sem lastro. 

Mais tarde, então, depois de completo aquelle resgate, deverá ser 
applicado na abertura de vias de communicação, amphando assim a no- 
va emissão. 

A colossal renda porvir de tal emissão, ha de poderosamente in- 
fluir sobre as nossas finanças, como é de obvia intuição. 

A lei Torrens produzira elTeitos financeiros taes que o glorificara ou 
immortalisara o seu nome no espirito universal. 

Pois bem: a lei Torrens, pelo systema emissão-lastro-terra é accei- 
ta por completo, ampliada e auj^mentada : 

Acceita por completo porque o terreno que não estiver dentro dos 
moldes Torrens não será acceito como lastro da emissão ; 

Ampliada porque Torrens tornara o capital-terra movei por um 
simples endosso do proprietário, o que é muito mais acanhado do que 
pela rápida circulação do papel-moeda; 

Augmentada porque abrange toda renda do systema Torrens e mais 
o que se perceber pelo juro da emissão, o que, por si só, pôde attingir a 
proporções capazes de influir elevadamente bobre nosso meio financeiro. 



A LAVOURA 309 



E' mister crear-se um corpo etlectivo de engenheiros para medir, 
demarcar e qualificar o terreno que tem de ser acceito como lastro . 

Uma commissão de peritos é igualmente indispensável para avalia- 
ção do terreno que tem de servir de lastro . 

Deve-se cobrar ao possuidor do terreno-lastro, a titulo de jóia, uma 
pequena commissão para fazer face ás despezas preliminares . 

No praso de ib annos o Governo terá recebido, por effeito do juro, 
quantia igual á que se emittiu . 

Não é, pois, de bom conselho recusar emissão como lastro e renda 
directa em substituição á que circula sem lastro e sem renda directa. 

Preferir a que menos garante e rende é absurdo . 

Extinguir, portanto, a velha emissão ou substituil-a por outra de 
maior segurança e renda é o dever de quem tem a responsabilidade da 
nossa direcção. 

A extincção da Caixa de Conversão parece já ser aconselhada, o que 
prova a impossibilidade do papel conversível entre nós . 

Ainda é cedo, o tempo é que ha de encarregar-se de melhor êxito a 
respeito . 

Não temos ouro, o nosso capital é terra, e nós a possuímos em 
magna quantidade e da melhor qualidade . 

A terra é a causa do ouro, directa e indirectamente : 

directamente por meio da industria extractiva ; indirectamente pelas 
raizes dos vegetaes . 

Aguardar-se os eífeitos dessa grande causa é pretender ouro pelo seu 
canal natural . 

De que, pois, devemos lançar mão da terra com que se faorica o 
ouro, ou do ouro com que se compra a terra ? 

Entre nós não ha que cogitar a respeito da terra, é claro, que é o 
que possuímos e o que ha de ser causa do nosso futuro e pretendido 
ouro. 

Apparelhar a terra, este capital paralysado, de modo a ella circular 
activamente por intermédio do papel moeda, é sem duvida preparar ca- 
minho natural, recto e seguro para a fortuna do^ paizes de grande ex- 
tensão tcrritoi'ial como succcdc ao nosso. 

Tabolciro do Pomba, lõ de julho de 1909. 

Oi.v.MPio Cokkiía Netto. 



7675 



•fio sooiedadií: nacional dk agricultura 

A apicultura nc Rio Grande de Sul 

Na Exposição Nacional, a apicultura <Jo Estado do Kio Grande do 
Sul occupou uma posição que por nenhum outro Est<ido foi alcançada . 

Ao e-crever estas linhas o noiso intento c despertara atten cão dos 
outros Estados para esla industria. 

Si é facto que o R . (i . do Sul tem condiçõei especiaes para a api- 
cultura, todavia os outros Estados teem-nas também muito favoráveis. 
E, entretanto, perdem-se muitos contos de réis, annualmente, nas 
mattas deste grande paiz, porquanto os thesouros doces não são extra- 
hidos . 

O mel não é, como muitas pessoas suppõem, nocivo á saúde. 
As erupçcões cutâneas que a sua ingestão produz reveiam as suas 
qualidades depurativas. 

Neste Estado, o mel c comido por nacionaes e extrangeiros . 
Em exposições, pela imprensa e por explicações pessoaes, despertei 
no publico o interesse por este assumpto. 

O numero de apicultores racionaes augmenta constantemente. 
Já ha algumas centenas delles em nosso Estado, que teem uma pro- 
ducção considerável. 

No decurso dos annos o povo rio-grandense, tornou-se conhecedor da 
apicultura racional e do alto valor do mel. 

Noanno de 1896 fundei emCurytibaa « Brasilianiscive BrenenpHege» 
dedicada á criação da abelha. 

Em alguns números tratei do mesmo assumpto em outros Estados e 
também no do Rio Grande. 

Em 1 000 parti de Curityba para o Rio Grande e dalli para S. Paulo, 
onde permaneci entre os allemâes e com_ ellcs trabalhei ardorosamente 
para o desenvolvimento da apicultura . 

Na exposição cstadoal rio-grandense de ujoi, fui bem succedido e 
consegui interessar no assumpto o presidente do Estado, Dr. Borges de 
Medeiros. 

Ncss.i nccasião snliiu o meu livro, nm lint^ua :ill(.'mã, sobre a api- 
cultura. 

No anno de 1906 o governo protegeu a introducção de abelhas 
italianas, que eu trouxe da Europa . 

No mesmo anno o governo adquiriu de mim, uma pequena obra 
sobre a cria;ão de abelhas, mandou traduzil-a em portuguez c italiano e 
a distribuiu gratuitamente. 



AGRICULTURA DE E. SCHENK 




TAQUARY— RIO GRANDE DO SUL 

Colmeal o moradia de E. Schenk 




Dr. C. Wallaii — l-Jiiillo Schenk— iH'. Álvaro N. Pereira — Gustavo Prinz. 



COLMKIA GIGANTE 




Entrada dos enxames, dirigidos por .Mnie. Schcnk 



A LAVOURA ■ 311 



O desenvolvimento da apicultura foi tão rápido que pudemos ter o 
primeiro congresso apicultor nos dias 7 a 9 de setembro de icjoy. 

Uns 5o apicultores representantes de quasi todas os municípios es- 
tavam presentes. 

No mez de maio de 1900 a primeira exposição apicula teve logar, 
em Porto Alegre, conjuntamente com o segundo congresso de criadores 
de abelhas . 

Alguns instrumentos desta exposição foram en\iados á Exposição 
Nacional, onde foram observados. 

Emílio Sciienk. 



Taquary — Rio Grande do Sul. 

EXPEDIENTE 



No dia 21 do corrente o Kxmo. Sr. Dr. António Cândido Rodrigues, Ministro da, 
Agricultura, Industria o Coinraercio, visitou o Horto da Penha. 

A Viagem — Na excursão, que loi foi ta em uma laaclia do Povoamento do Solo 
e partiu do cáes Pharoux ás 8 horas e '-ií minutos, tomaram parte es Srs. Drs. 
Gandido Rodrigues, Wencesláo Hello, deputados, Drs. Christino Cruz c Ribeiro Jun- 
queira, Dr. Ignacio Tosta, director dos Correios ; Drs. .losc Pedrcir.i do Couto ]''er- 
raz Júnior, Carios Rauliiio, Monteiro da Silva e Alberto Jacobina, membros da di- 
reatoria desta Sociedade; Drs. Francisco de .\ndrado Botelho, Enéas da Ivocha e 
Dirio de Barros, representaate d'A Lavoura, 

Da nossa rrapronsa diária estivuram representados os seguintes órgãos: Jor- 
nal do Coinmercio, O Pãiz, A Imprensa, Jornal do Brazil, Correi) da Manhã, O -Sé- 
culo, Gazela de Noticias, A Tribuna, Correio da Noite, Gazeta da Jardd, A Noticia c 
a 1'ollia do Dia. 

As rrvistas Fon-bo», Carel" u Malho euviaraiu os sjus iiliolograplios. 

A Visita — O Sr. Dr. Cândido Rodrigues, logo após a sua chegada, iniciou ás 
ri liocas e 45 minutos a sua visita. 

S. Ex. observou minuciosamente todas as secções do Horto, que são: — 
Apiario, Redil, Pocilga, Gallinholro, Estábulos, Campo de Agrostologia, Posto Me- 
teorológico, Carpintaria, Ferraria, Loiteria, Gabinete dv. Agrologia e Museu Agrí- 
cola, Esterqueira e Dosflbrador. 

O Dr. Cândido Rodrigues, observando a cultura permanente, percorro;i, em se- 
guida, os campos de culturas de fructeiras de conde, o sisal, a hevea, enxertos de 
laranjeiras, parreiral, cravo da índia, a camphoreira, a arvore do sebo, trigal. 
Agueiras, hranca e vermelha, o cactus Burbanh, o qual foi objecto de prolongada 



312 SOCIEDADE N VCIONAL DR AOMCULTURA 

palestra entro os visitaíites po!o alto alcanço económico dost.i planta, tondo sido a 
Sociedade muito elo^íiada pop tor li lo a iniciativii de introduzir no nosso paiz 
o raaravillioso Burbanh. 

O Sr. Ministro visitou também, sempre ci)ni o máximo interesse, toJas as do- 
mais culturas e dependências do Horto. 

Para a demonsti-ação do adiantamento dos alumnos do Apremlizado Agrícola, 
do qual é director o Dr. Paulino Cavalcanti, illustre superintendente do Horto, 
liinccionaram as raachinas agricolas, arados Revorsivel de ura disco, Uliver, e Clia- 
tanooga. 

Dirigiram essas macliinas os alumnos Sylvio de Carvallio, do Kstado do Piauhy. 
o Manuel Miranda, liograndense do Norte. 

Estos estudantes revelaram adeantamento no manejo dessas machioas e 
também responderam prompta o acertadamente às perguntas que, sobre conheci- 
mentos agrários, lhes foram feitas pelo Dr. Paulino Cavalcanti, que fui felicitado 
pelo successo dos seus discpiilos e pelo magnifico estado do Horto. 

A visita findou á 1 liora da tarde, sendo, então, servido o almoço. 

.V 2 horas e 12 minutos da tarde roalizou-se o embarque de regresso, chegando 
a comitiva ao cães Pharoux ás :i horas o l.") minutos da tarde. 

As Impressões — l^m .seguida ao des(jmbarque, o Sr. Dr. Cândido Rodrigues 
dirigiuse ao sou Ministério, aeompanliado das pessoas que tomaram parte na ex- 
cursão. 

Ao despedir-so do lir. Wencosláo Bollo, presidente desta Sociedade, o Dr, Cân- 
dido Rodrigues manifestou a grata imprjssã) que trazia da visita. 

Todos os joruaes do dia ::Í8, noticiando a visita do Dr. Cândido Rodrigues ao 
nosso Horto l'riioiiculo, manifust iram longa u líntliusiasticamente a oxcoUentc im- 
pressão que tiveram ao apreciarem, do <isu, uma das manifestai;õe3 dos trabalhos 
práticos desta Sociedade. 

Damos a seguir algumas photographias que evidenciam a importância do 
Horto. 

Esta Sociedade se desvanece coma distincção qu(! llic foz o illustre Ministi'o da 
.\gricultura, Industria e Commereio. 



Mi:Z IiK OIITIHRO PK 1900 

Correspondência recebida : 

Cartas 633 

Ulllcios do Governo 8 

Ollicius particulares 7 

Circulares Vi. 

Telegrammas . . ' U 



Total 670 



VISITA 1)(» SK. .MIMSIRO DA ACiRlCL:L'ri RA AO HORTO 




DKSEMiiARgrt; na ponte da penha 



INTERIOR DO GALLINHEIRO 




o SR. MINISTRO DA AGRICILTI-R A , OS DIRECTORFS VA SOClEIlADE. 

OS DRS-'. IGNACIO TOSTA E CIIRISTINO CRIZ, O SUPERINTENDENTE PO HORTO, 

REPRESENTANTES DA IMPRENSA IC PESSOAS ORADAS 




APIARIO 



PLANTAÇÃO DE CACTUS 




CULTURA DO SISAL 







n^ 


:|^*^ÍLS^P|o 


K. - 

i 





^ 



^-:- 



CARNEIROS 

OXFORD DO W N 




UM ALr.MXO ARANDO 





A LAVOURA 313 



Correspondência expedida : 

Cartis 553 

Offlcios para o Governo 7 

Telegrammas 38 

Circulares 567 

Diplomas 100 

Disfinctivos 11 

Boletim A Laoonra 4.870 



Total 6.146 



Fornscimento ds arame farpado 

MEZ HE SETKMBRO IlE 1909 

Pedidos 158 

Rolos 3.156 

Metragpm 2,001.495 

Custo do aramo no mercado 51:461$000 

Custo fornecido pela Sociedade 33:050$420 

Economia realis^da pelo lavrador 18:410$580 

MEZ DE qUTlIíRO DE 1909 

Pedidos satisfeitos 72 

Rolos de 20 kilos 1.031 

Rolos de 40 kilos 1.421 

Metragem 757.280 

Custo fornecido pelo mercado 34:461$000 

Custo fornecido pela Sociedade 22:269$450 

Economia realisada pelo soeio lavrador .... 12:198$3õ0 



Visitíi distincta — No dia 9 do corrente visitou esta Sociedade o 
Dr. Ezequiel Ubatuba, secretario do presidente do Estado do Rio Grande do Sul. 

Recebido pelo Dr. Wencesláo Bello, presidente desta sociedade, o Dr. Ubatuba 
percorreu todas as nossas secções, tendo tido delias excellente impressão. 



Helação dos sócios entrados cm setembro e outubro 

Ovidio Pio de Souza Dias. 

Pio de Souza Dias. 

Roque Pio de Souza Dias. 

Joaquim Leopoldino de Souza Moreira. 



311 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Augusto Pio de Souza Moreira. 

Marcos Pio de Souza Moreira. 

A/.ariaa I^io do Sou/a njas, 

•loão PaiiIiDQ da Costa. 

.loiio Cliristovão. 

Dário Lcit" de Barros. 

Dr. Virgílio Horácio do Abreu. 

Josó Tobias Ribuiro do Paiva. 

Castro o Villela. 

Oliverio Cambraia do Abreu. 

Domlniíos dos Santos Figueiredo. 

Ignacio Pereira Machado. 

Coronel Simião Stilita Cai'doso. 

PcITor & Coinp. 

Antliero Martins da Costa. 

António Linhares Guerra. 

Manoel Anicio do Rego. 

Tenente Olympio Marinho de Bragança Júnior. 

D. Kvangelina Zenker. 

S. H. Osraond. 

\V. Conlson Di.xon. 
.losé Jorge Diniz Mascarenhas. 
Agostinho Gonçalves B.irliosa. 
Padro Joaquim José da Silveira. 

Joviano de Campos Valladares. 

Victor Miscarenhiís. 

Josô Ernesto de Souza Vieira. 

Frederico Heiser. 

Capitão Alfredo Barbosa do Toledo. 

Major Eduardo de Oliveira. 

Coronel João do Prado Jordão. 

Coronel Francisco Theodoro .\lv63 da Silv.\, 

Fortunato José Ribeiro. 

Francisco Borges Ribeiro. 

JoS(5 do Carmo Vieira Machadai. 

António Moreira da Silva. 

Adonias (iiiimarãe.s. 

Francisco Pereira da Rocha. 

João de Paulo. 

Ricliart Normando. 

.\ntonio França. 

Altino França. 

Jucelino José de Abreu. 

Vital Luiz de Freitas. 

José Paladino. 

Roquo Teixeira Alves Villela. 

Gabriel Antjnio da Silva Dó. 



A LAVOURA 315 



Hans. Jansen. 

Dr. Aurolio Pires de Carvalho e Albuquerque. 

Federação Coopsrativa Agrícola de Mar de Hespanha. 

Federação Cooperativa Agrícola de Cataguazes. 

António l'io de Souza Moreira. 

Dr. João do Amaral Franco. 

Capitão .loão Ccrnardino do Figueiredo. 

Modesto Gomes Pereira. 

José Pereira Rangel. 

Júlio .losC- de Mello Sobrinho. 

Capião António ila Silva Guimarães. 

Coronel Caraillo Guedes ác Moraes. 

Coronel Josias Nogueira Machado. 

Coronel Francisco da Costa Araújo. 

Juão Pinto do Carvalho. 

Gabriel José dos Reis. 

Capitão José de Macedo Paes. 

Zilii Simão. 

Francisco de Paula Fonseca Vianna. 

Camillo José de Oliveira. 

Coronel José Esteves de Souza Azevedo. 

Coronel Isolino Romualdo Silva. 

José do Carmo Vieira Mactiado. 
José Osório de Souza Brito. 
Lindolpho do Souza Dias. 
José Moreira da Roclia Macedo. 

1" tenente António Carlos Cavalcante de Carvalho. 

1" tenente Félix de Sá Laranjeiras. 

Jacob Diederiebsen. 

António Esteves Macedo. 

Coronel Lourenço Justiniano do Noroah:i. 

.loaquim Ribeiro da Silva. 

Victor Belfort de Arantes. 

Major Joaquim Xavier de Gouvea . 

Capitão António Emitio Ferreira. 

Ma or João Lourenço de Gouvèa. 

António Monteiro Irmão. 

António Valladares de Vasconcellos. 

.losé Furtado Saxinho. 

1" tenente António Gentil Monteiro 

.\.atonio Pires da Rocha. 

António Eugénio de .\raujo. 

José Pereira de Siqueira. 

António Gonçalves dos Santos. 

José Gonçalves dos Santos. 

Balbliio Lopes Riibim. 

Martiiiiano iiodardo. 



316 SOCIEDADK NACIONAL Dli AGHICULTUHA 

.Urbas (lo Nascimento Silva. 

Américo Penna. 

Jos(' Bescliara Raphael. 

Mozart Janot. 

1» tenente Mário Alves Ferreira. 

Domingos Junqueira. 

G.ibriel de Andrade Junqueira Juuior. 

Aristides Junqueira. 

.loio Baptista Ribeiro. 

Fernando José Bastos. 

José António da Silva Boticário Velho. 

Dr. .losí do Aquino Tanajura. 

Eduardo Eugénio Monteiro Nogueira da Hama. 

Júlio Barbosa Vianna. 

Coronel Getulio de Carvalho. 

Antónia Pacheco Guimarães. 

Manoel da Silva Paep. 

Coronel Herculano Olegário de Harros Cobra. 

Fernando José Furtado. 

Francisco da Fraga Vieira. 

Manoel Gonzalez. 

Luiz Liano. 

Nicanor Qenoval Duque. 

Padre Luiz Glilrico. 

Joaquim Neves de Rezende. 

José Bonifácio de Mattos. 

Capitão José António do Oliveira. 

António Luiz de Freitas. 

Olyaipio Gomes de Almeida. 

Joaquim de Souza Valle. 

Ananias José Rodrigues. 

Luiz Horta de Lemos Prado. 

Major Manoel José .Vntunes Pinto. 

Capitão Manoel de Souzn Reis. 

Dr. Francisco Marconics Romeiro. 



Eelação dos sócios que subscreveram para "o distinctivo 
até 30 de outubro 

Coronel Albino de Cerqueira Leite 100$000 

Dr. João de Carvalho Borges Júnior 100.$ftnO 

Dr. Carlos Paes do Barros eo$000 

Marcos de Souza Dias 50$000 

Roberto C ilrim Berla 50$00() 

Schjma.ker & Comp SOjiOOU 



A LAVOURA 

João Giffoni 30$000 

Dr. Sérgio Gonçalves de Ulhôa 3o$0u0 

Manoel Peretti da Silva Guimarães 30$noo 

Adolpho RoUenberg 30$000 

Galdino da Silveira Marques 30$000 

João Baptista de Souza Moreira 20$000 

Dr. Carlos Loureiro 20$00() 

Joaquim Ribeiro de Carvalho Júnior 20$000 

Militão Bivar 30$000 

Vicente F. do Carvallio Dantas S!0$000 

Dr. João Piragibe 20$00o 

Dr. Carlos da Silva Fontes 20$000 

Emygdio Vargas Pereira 20$000 

Braz Vivacqua 20$000 

Jovelino Alves de Oliveira ãO$000 

Zobedèo António Ayt-osa Júnior 20^000 

Belizario Justiniano de Andrade 20|0iJ0 

João Gonçalves Ramos 20$000 

Eduardo de Andrade 20$00() 

Joaquim Lopes de Faria 20$O00 

Alexandre de Auriol 20$000 

Américo de Souza 20$000 

Antero Feijó Alvos da Silva 20$000 

Dr. Francisco Quirino da Rocha Wernoeli .... 20§000 

Francisco António Brandi 20$000 

Francisco Mascarenhas 20$000 

Dr. António Alves Cordeiro 2OS000 

Gabriel A. da Silva Costa 20$000 

Dário Leito de Barros ãO$000 

Dr. Carlos Pereira de Sá Fortes 20$000 

Horácio Mendes de Oliveira Castro 20$00'J 

Dr. Álvaro Mendes de Oliveira Castro 20$000 

Jacintho Magalhães 20$0J0 

Coronel Faustino Assumpção 20$000 

Dr. Manoel Brito Vieira Pinto 20JOOO 

Dr. Ataliba Borges Monteiro 20$000 

Dr. Eugénio do Souza Nunes 20j;000 

Dr. Francisco Freire da Cruz • . . 20$000 

Dr. Euzebio Araújo de Queiroz Mattozo 20.$000 

Coronel Francisco de Arruda Gamara 20.S0OO 

Dr. José Valentim Dunham 20.S000 

Homero Bento Vieira 20$000 

Eloy de Souza Vieira 20SOOO 

Dr. Christovão Pereira Nunes 20$O0O 

Dr. Arthur de Siqueira Cavalcanti 20.S00U 

Agostinho Lourenço Alves 2O$O0O 

Francisco Coelho dos Santos Monteiro 80$0}0 

7675 



317 



.118 



SOCÍEDADE NACtONAL DE AGRICULTURA 

Francisco Alves Barreira 2it<;(HtO 

CoroDoI António Ivibi^iro du I^raJo 20$0n') 

Dr. Victor Leivas 2O$0fiO 

Coronel Ffllinio Elysio Martins 2iis0iiti 

FoHsli:;rto Freire 2()s00it 

Matheus de Medeiros Senra • . . . í?o$000 

Coronel António Tiburoio Rodrigues 20!;;')(in 

Dr. Kelippe Guerra 1Gso»mi 

Carlos Rodrigues de Fisrueiredo Firmo 15íJ000 

Erinenliergo 1'ellizzetti 15$n0fi 

Conielio Dias do Castro |.'<;000 

,Ios6 de Souza Pinto 15sO(Xt 

José Estanislúo Rodrigues 15$no(i 

Coronel Hormogooes iionçalves da Silveira .... 15^000 

Dr. Reynildo Joaquim Ribeiro do Carvêllio . . . 15$00fi 

Domingos António Brandi ir)><;000 

Alberto Pio da Silva Dias laíOOn 

(ialiriel do .Vndrado Junqui'ira íõsOlO 

Fernando Leão Alves Pequeno 15$)0n 

Dário Diniz Mascarenhas 15SO0O 

Kr.incisco Níanool Santos l''S00ii 

Francisco Riijeiro do Castro í."j<iiOO 

Fi*aneisci) Azevedo lõ$00O 

João Nunes \ianna 15$0OU 

.António Castro Rezende 15$000 

Gabriel Joso dos Reis 15§000 

Alfredo de Oliveira L»ite lõJíHlO 

João Soares Lopes 12^000 

Dr. Josi' António Flores lã$00O 

Coronel José Martins de Figueiredo 12,$000 

Vicente Gomes de Freitas . ^ 10^000 

Kranciíco Pinto de Magalhães . . KisiUO 

Cláudio José de Miranda lOÇOOO 

'1'lieopompo de Almeida 10.4:000 

Dr. Aurélio de Rezende lOsOOO 

Rlcíirdo Leepesquem 10.'í;<100 

Allrodo Tei.\oira Vieira Rabello 10$0U0 

Franklin Gomes Veras lOsOOJ 

José Teixeira de Carvallio lO.sOOO 

Dr. Francisco de Paula Oliveira BoCges 10*000 

Marcos Cofiliano Nunes ; . . 10$000 

João Vieira da Fraga l(i$000 

António de Paiva Júnior in$000 

Cswaldo Cuimarães lOiíWO 

Augiisto Vieira de Barros 10$000 

João Henrique do Ciístro 10.$000 

Ji)ão Evaristo do Sant' \nna ......... lO.-OOO 



A LAVOURA 

Coronel Manoel António Xavier 10$000 

Alfredo Salgadj lOV-t^iO 

Cândido José de Cerqueira ..,.,.... 10$uOO 

Dr. António Augusto Ribeiro dos Passos 10,'5000 

Dr. Henedicto Cordeiro dos Campos Valladares . . . 10§000 

Carlos Ribeiro de Souza Pinto 10,>000 

Arino Ferreira Marcos . . . i Iu$000 

Antenor Ferreira Marques 10>000 

Evaristo Ribeiro de Oliveira e Silva lOá'00 

Aflfonso de Faria Lobato I(i$ii00 

Francisco Eugénio de Rezende lU.fOOO 

Frederico D. Olne li)$O0J 

Honório Ferreira dos Santos 10^000 

Francisco Ribeiro de Almeida 10|000 

Francisco Solano Braga lOsOOO 

Coronel Adolpho Ferreira de Aguiar lOsOOO 

Luiz Gonçalves Ferreira lO^OOO 

ArthurHaas 10$000 

Francisco Pinto Ferreira l(i$000 

liustavode Almeida lO.^jOOO 

António Marques Ferreira lOsOOO 

W. Coulson Deixon 10$00() 

S. H. Osmonde lOsOOO 

José Martins da Silva Mattos 10$00U 

Dr. Luiz de Souza Brandão lO^OOU 

Joviano de Campos Valladares 10$000 

Coronel António Diniz Mascarenhas lO^OOO 

Victor Mascarenhas 10.«;000 

Aydamo de Seixas Martins Torres 10$000 

Gustavo R. P. Dutra 10.i;009 

Dr. António Cavalcante Sobral lOsOOO 

Coronel Pedro Garcia Leão 10$000 

Coronel António José Monteiro de Castro 10$000 

Francisco SanfAnna Moreira 10.'^00() 

Ildefonso Coutinho de Moraes. ........ lOiOOO 

Alexandre Bernardes Primo in$lOO 

Coronel Josú Baptista dos Santos .... . • lOsOOO 

Dr. Pedro Telle.i Barreto de Menezes lOsOOO 

Coronellsoliao Romualdo da Silva lO.^OOO 

Eaéas de Souza Pires 10$000 

Messias Jacob Lemos lOsOOO 

Álvaro Miranda 10$000 

Manoel Campista de Medeiros 10$000 

Antenor Ferreira Leite lUsOOU 

Dr. Fidelis de Andrade Botelho lO.sOUO 

EpaminonJas Cincinato de Senna 10$900 

Juáiiniino Peieira de Souza 10.^000 



319 



3i0 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



Mário do Carvalho 1 0:^000 

Jos ■■ do Castilho Barliosa 10$OiiO 

Moysés dos Santos Lima in$ooO 



Fornecimentos aos sócios — Tirand'"» partido de seu oa- 
racler de assoriacuo, já prestigiada rom cerca de 3.000 sócios, a So- 
ciedade, no intuito particular do demonstrar a utilidade e o meca- 
nismo dos syndicalos agrícolas, emprehendeu favorecer os seus sócios 
com o supprimento de géneros estrangeiros e nacionaes, a preços mais 
reduzidos do que os do comraeicio a varejo. 

Com esse propósito e valendo-se dos favores aduaneiros que a lei 
confere ao Syndicato Central dos Agricultores do Brazil, tem forne- 
cido arame farpado e respectivos grampos. 

Além disso e mediante conti^actos especiaes, tem fornecido, a preços 
reduzidos, o formicida Pasciíoal, o álcool e machinas agrícolas. 

Revendo todos os seus contractos e fazendo outros que começam 
agora a vigorar, a Sociedade esl;i habilitada a fornecer arame farpado, 
e respectivos grampos, enxadas, machinas agrícolas, álcool, formicitia, 
eciilmcias nas condiíxies que passamos a indií^ai-: 

ARAME lARPADO 



Rolo de 20 kilos com 100 motros de flo a 
Rolo de 40 kilos com 402 motros do fio a 
Grampos pira os moamos, o kilo a. . . 



fl$880 

losiWO 

$360 



ENXADAS BEM CALÇADAS DE AÇO 



De 2 libras . , 
De a 1/2 libras . 
De 3 libras . , 
De 3 1/2 libras 
De 4 libras . . 



Marca 


Marca 


ladianto 


Raio 


1$430 


1$?70 


1$520 


1$370 


1$630 


1S530 


1$780 


1$63U 


1$930 


1$730 



KOICES 



Ns. 1-2-3-1-5-6-8-9-10-11-12, aos preços lespectivamento de: 
$(;00 — %~0 — Ã730 — í;8io - $8no — ISOOO - l^i:!0 — lí.WO 
l:|;5()0 _ líGOO— liíSOO. 



A LAVOURA :i2l 

SALOXO 

Um preparado de sal e peróxido de ferro, próprio para alimen- 
tação do gado, é económico e asseiado por ser em tijolos de 5 a 10 
kilos, não sujando as baias ou logares onde são coUocados e sem des- 
perdício. Preço 200 réis o kilo, com 5 7o de abatimento. 

MACHINAS Ar.RICOLAS 

Dos principaes fajjricantes, com abatimento de 5 a 10 % sobro 
os respectivos catálogos e transporte gratuito nas estradas de ferro. 

ÁLCOOL 

De força de 40°, era latas de 18 litros, pelo preço das vendas em 
pipa, O quo corresponde a uma reducção de cerca de 10 7o. 

SULFATO DE COURE 
Para tratamento do plantas ao preço de — kilo . . $650 

FORMICIDA 

Paschoal : 

Latas contondo 4 litros 4$lO(l 

Caixa com 4 latas 16$400 

Schomaker : 

Botija contendo 1 1 /2 litro 3$700 

Caixa com r, botijas 22$000 

COLMEIAS 

Com os mais modernos aperfeiçoamentos pelo preço de ISsOOO 

C.RF.OIJNA 

A mais reputada das creolinas do fabricação nacional 
denominada, Crosolina Wernock, i'oui uma economia 
de :iO "/„ sobro os preços do mercado, custando cada 
lata do 1 litro 1$200 

lacticínios 

Installações completas para a industria de laticínios pela casa Ho- 
pkius Causer cj- Hopkins, com abatimento médio de 5 7o- 



3Í2 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Para go?ar destas vantagens, o interessado dever.i satisfazer as 
segu i n tes co ndirões : 

1», ser sofio ([uito da Sociedade Xacional de Agricullura ; 

2», ser agricultor, apresentando disso provas bastantes, a jui/.o da 
Directoria da Sociedade ; 

3°, formular o pedido directamente á Sociedade e por escripto ; 

A% pedir somente para o seu próprio consumo, indicando o nome 
e a situarão da propriedade a que destina n emprego dn producto ; 

5*, enviar á Sociedade, juntamente com o pedido, a sua impor- 
tância, ou uma ordem para o seu pagamento contra casa commercial ou 
bancaria com sede na Capital Federal. 



SECÇ^VO TECHXICA 

T^voííiig^aiida ag-i^ieola. — Em o numero A' da .1 Lavoura, eJição de 
outubro do aono próximo passado, sub o niesrao titulo aoiraa, referimo-nos cir- 
cumstanciadamente ácorca das publicações até eutão leitas em edições ospeciaes e 
todas cilas com um fim instructivo o consequentemente útil. 

Era numero de nove naqucUa época, e ventilando assumptos differentos mas ile 
indiscutível interesse para os lavradores, o (:om os títulos «Cultura do Alt'odooiro», 
«Culturado Lupulo>, «Cultura da Cevad u>. «Cultura daConsdída», «Cultura da 
Alf.ifa», €Quatro íraportantis leguminosas forrageiras e fertilizadoras do solo», 
«Plantas Froductoras do liorracua», «Praga do gafanhotos no Dístrícto l'ederal» e 
« Moléstias dos Animacs» tiveram uma acceitaçao manifesta, e a sua procura por 
parte dos interessados trouxc-nos um estímulo que muito nos conforta. 

Agora, completando o numero X dasório «l^ropagauda Agricola», e com a 
rubrica de Plantas Tuberosas Forrageiras, damos a lume uma outra edição. 

Nessa voem condcns idos artigos já publicados na A Lavauru ha, muito tempo 
c agora convoQioutemjnto ilhistrados com gravuras correspondentes ás dillorentes 
plantas alli estudadas. 

Convém ainda que se note ter sido incluso nesse numero ura artigo do Dr. Hoi- 
tor de Sá, director da Secção Technica, sobre o Jacatupé, por estm- a jHunta no 
ijenero dns acima citadas, ser fntclo de c.'peri;ncias obtidas cm S. Paulo e /w<* conlcr 
as analijscs do Instituto Agronómico de Campinas, feitas especialmento para este 
estudo quando em inspecção agricola em S. Paulo o referido director. 

Ap'i8 osso numero, outros e outros virão, dobaixo sempre da mosma orienta- 
ção pi-atica e útil. 



Infoi-mtK.-õors — O Sr. Alexandre Hornardes Primo, em carta dlri;-'ida 
a esta Sociedade, diz que os agricultores do sua região ponsam que os terrenos 
lavrados soffroui raais do que os não lavrados. 



A LAVOURA 3-'3 



Entre dois terrenos iguaes, iio lavrado é certamente onde menos se faz sentir 
a acção do sjl, devido isto ao phanomeno denominado capillaridado, cuja acção 
consiste em trazer para a suporficie a humidade das cimadas profundas do solo. 
No terreno não lavrado, a crosta superficial sécca completamente o cada voz mais, 
visto não receber humidade vinda das ctraadas profundas da terra. 

O Sr. Alexandre Bernardes póJe fazer uma experiência comparativa entro 
dois terrenos iguaes, sendo um lavrado c outro não. 



O Sr. Amadeu du Queiroz, do Pouso Alegre, pede informações sobre a litte- 
ratura referente aos porcos e seus productos. 

O Sr. Amadeu de Queiroz, poderá ler, L. Bourrier — Les Industries des Aba- 
toirs ; Ch. Cornevim — L';s Pores, — Paris. 

The Book of lhe Pig por James Long ; Pig Kceping por Gairatt — Londres. 

Les racís porcines, por Magno — Paris. 

São estes os livros principaes sobre a matéria. 



Os Srs. Galeno Gomes ^ C. pedem para se llics indicar o gado que mais con- 
venha a um criador de Rochedo. 

Cumpro que elles digam que espécie de gado elles querem designar o qual o 
fim industrial que visara. 

Só com estes esclarecimentos ú que se pjJerà responder vagamente, porquanto 
só depois do conhecidas as condiçõjs locaes é qus se pjderá fazer juizo a tal 
respeito. 



O Sr. Õjtavio Macliado Goutijo pede conselhos a respeito da pneumo-enterito. 
Na «A Lavoura», numero de marga deste anno, vem um trabalho do Dr. Ri- 
godanzo, sob o titulo do Considernrã) sobre o cria;ão dos porcos: 

Mi, ás paginas -5, vêm consollios a respeito da pneumo-e!iterite. 



O Sr. Manoel Gouvêa Varellu, imu carta de 12 do corrente, vinda de Ceará- 
Mirim — Estado do Rio Grande do Norte, pedo instrucção sobre a cultura do 
cacáo. 

laJicamos : 1." Relalorio sobre o cacdo por Joaquim Bahiano — Bahia; 
2.° O cacáo por l^Iig-uel Calmon — Bahia ; 3." Monogruphias, Agrícolas do Dr. Tra- 
vassos — Rio do Janeiro, o" volume. 



324 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



São osles os dados de que o Sr. Mário A. Silva c.irece sobre a alimentação 
do gado bjvino : 



Resíduo de cervejaria . 
Farelo de semente de algodão 
Farelo de arroz 



Piv teina 

14,4 V. 
18,0 
2,6 



Graxa 

5,7 
5,9 
1,3 



llvilratos 
do carbono 

38,8 
17.7 
28,6 



Estes algarismos indicara as quantidades assimiláveis ou digeriveis. 
Quanto ao tronco da binaneira, esto 6 paupérrimo nos princípios alimentícios, 
acima nomeados, portanto, nada ou pouco va!e como alimento. 



O Sr. Manoel Tavares de Oliveira Bastos, em carta dirifrida a esta sociedade, 
vinda do Cabo Frio, peJe «ot aduia c^ímicj próprio para laranjeiras em terreno 
com agua subterrânea a 1'" e arenoso: 

Um terreno em tal condição 6 impróprio para a laranjeira e todo o adubo que 
se lliu addicione pouca ou nenhuma utilidade terá. Em todo o caso, empregue 
esterco do curral, ajuatando-lhe cal e phosphatos. 

Quanto ao o^galliamunto ilas lar.mjeiras, com Ibliias amarelladaá, v provável 
que a causa dosse mal seja mesmo a huraid;ide do solo, não sondo possível indicar- 
88 um remédio sem mair estudo do local. 



Peste lia nia,n<iuoíi'a — Abrimos com p:azcr o presente numero do 
«A Lavoura» com um brilhante artigo do distincto bacterialogist» Dr. Alcides 
Godoy, o qual vem concorrer grandemente para o desenvolvimento da veterinária. 



A LAVOURA 



325 



«ECO.^O r>E I»3LiAlSTAS E SEMENTES 

T>istx-ibiiiç£Vo tle i^laiitas e sementes feita tlui-ante o luez 
fie oiitulbro tle lOOO 



ESPECIFICAÇÃO 



PLANTAS 

Bacellos de videiras. . . . 
Canoas .sem pello .... 
Raizes de Consolida do Cáucaso 

SEMENTES 

Abóbora 

Acelg'* forrageira .... 

Alfafa 

Algodão 

Anthoxantuna odoratum . 

Arroz 

Aveia 

.\vena eUitior 

Beterraba forrageira . . . 
Capim gordura roxo . 

Capim Jaraguá 

Cebola 

Cenoura forrageira. . . . 

Centeio 

Dactylis glomeraia. . . . 

Dolichos Lablab 

Espirsetta 

Eucalyptus 

Fcstuca 

llolcus 

.luta 

Lacthyrus sylvostris . . . 

Maniçoba Jequié 

Melancia 

Melão 

Milho 

Mucunã forrageira .... 
Plileum Pratense .... 

1'imentao doce 

Poa trivialis 

Sarraceno 

Sorradella 

Sorgho 

Sulla 

Theosinto 

Tomate 

Trigo 

Viscia sativa 

Varias sementes 



UNIDADE 



PESOS 



18.481 


— 




20 


— 




40 


" 






3.ÕS3 







4.. 500 







470.01)0 


— 




801 .000 







.500 







30 . 500 







l4l.0:iH 


z 




13. a (0 
40.020 


— 




liSQ.OOO 


— 




1.067.000 


— 




3.33(1 







2.:.'00 


— 




43.01"! 


— 




5.21"! 


— 




1.6(1(1 


— 




25(1 







1.47(1 


— 




500 







7.500 







80(1 


_ 




4.000 


— 




36.550 


— 




2.075 
2 . 870 







141.(100 


— 




128.0(10 


- — 




Õ.OOO 







2.3(J5 


— 




2.400 


— 




17.000 







18.400 







5.^50 


— 




21.750 


— 




1.000 







2.(325 







1 .2. 50(1 


— 




14.(100 
3.040 


18.541 


4.100.448 



VOLUMES 



57 
1 
1 



129 

12 

59 

40 

1 

•i 

34 

6 

39 

105 

116 

(37 

2 

27 

17 
5 
1 

.57 
1 

11 

10 
21 

118 
121 
46 
27 
14 
U3 

9 

7 
27 

9 
26 

1 
110 
2.S 

9 
10 



1.479 



7675 



326 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



SsEOÇ.VO r>0 ^LCJOOL 

Movimento do serviço de propaganda no 1' semestre de janeiro 

a junho de 1909 



Janeiro . 

Fevereiro 

Março . 
Abril. . 

Maio. . 

Juniio . 



Capital (arrabíiide) . . . 

> (soburbios) . . . 
» (Ilha GoTernador). 
» (centro) . . . . 
» (arrabalde) . 

> (subúrbio) . . > 
» (centro) . . . . 
» (arrabalde) . . . 
» (Ilha Governador . 

> (centro) . . . . 
* (arrabalde) . . > 
» (subúrbio) . . . 

Kstado do Rio . . . . 
Capital (centro) 

> (arrabalde) , . . 
» (subúrbio) . . . 

Nictheroy 



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31 



1 

3 
35 



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12 


24 


43 


6 


4 


5 


1 



CO.NSUMO DO ÁLCOOL, PCB 
SEMESTRE 



I O coDsamo do álcool 
no serviço d:is di- 

/ Tersas illuminações 
foi de 1.764 Utros. 



3Iovimeiit<> ilos !sei*vi<»0!*i tle px-opag-auclsi. iio iikíz de 
outull>z'o tle lOOO — Foram feitas duas exliibiçõos com apparelhos a álcool, 
uma no centro da cidade e outra em S. Christovão durante duas noites, consu- 
mindo 18 litros de álcool de 40». 

Forneccram-sa ;:dl latas de 18 litros cada uma com álcool de 40° para diversos. 

Total do álcool consumido no mez de outubro, 396 litros. 



BIBLIOXHJÍIC.^ 

PDBLIC.\ÇÕES PERIÓDICAS 

Accusamos com os nossos agradecimentos o recebimento das seguintes publi- 
cações periódicas, além daquellas cujo registro tomos feito nos números anteriores: 

Energy, periódico consagrado d, engenharia e ás industrias, que se publica em 
Leipsig.— Vol. 4, n. 9. 

Deutscher Ex!/jorler, também de Leipsig.— N. 9 (setembro de 1909). 

Popular Mechunics. — Jornal de divulgação scientilica, ospocialmente consa- 
grado ás artes mecânicas. E' volumoso, com um texto capiosamento illustrado. 
K' o seguinte o endereço da redacção dosto periódico: «Washington Street 222, 
Chicago, III. U. S. A.»— O numero quo temos sobre a mesa é o 2° do volume 12°. 



A LAVOURA 327 



Journal d'Agriculture Tropicale. — Damos a seguir o suramario do ultimo nu- 
mero desta importante publicação. Para mais amplas informações, queiram os 
leitores da «A Lavoura» leroanauncio desti rovisla inserto neste boletim. 

«A propôs des qualités et de la práparation du Caoutchouc de plantation (par 
M. It. Lamy-Torrilhon).— Les possibilites agricoles dans lo Nord-Tunision (par 
M. MAriiiCE MoNTET). — Organisation générale 'fune plantation i'Hevea: Pique- 
tage duterrain, Homogénéité des peuplemeats, av. 2 flg. (par M. G. Veunet. — 
Gultureet exploitation du Zapupe :iu Mexique (par M. Russel Hastings Mill- 
WARo). — Le Su'íre decaniie et sa fabrication, analyse de Touvrage do M. H. C. 
Prixsen Geerligs (par M. F. Main). — Notes dastualitó sur: Le Bostriche du 
Cafôier au Tonkin, Xyleborus Coffecs Wurth (par M. L. Duport); — Deux maladies 
du Cannelier à Ceylan;— Une nouvelle Gire vágétale au Mexique; — Lexudation 
spontanée du Látex daas les essences à caoutchouc (par M. le Professeur .1. Parkin); 
— L'exploitation desgraines d'lnoy (Poga Oleosa Pierre) en Afrique Occidentale; — 
Des essaisde transport d'Ananas de Hawai aux Etats-Unis; — La crise commerciale 
du Cachou au Burma (par M. V. Cayl\); La Récolte mécanique du Café dans 
TEtat de S. Paulo;— Le Thrips du Cacaoyer, et soa traitement aux Antilles;— Un 
concours de Charrues indigònes en Cochinchine; — La désinfeoiion des graines de 
Coton poLir le semis, au moyen du sublime corrosJf;— La Culturo du Tabac au 
Para,'uay; TExportation de la Farine da Manioc du Brésil.— Mercuriales men- 
suelles du Caoutchouc, du Coton, du Café, du Cacao, du la Vanille, des Fibras, des 
Matières grasses coloniales, des Produits de Droguerie et divers, des Produits d'Ex- 
ti'ême-Orient ; Mercuriale africaine de Liverpool. — 15 analyses bibliographiques.» 

Records ofthe Australian Museum, de Sydney. — Vol, VII, n. 4. 

Bulletin ofthe New York Bolanical Garden. — Vol. 7, n. 23. 

Le Courrier de VEtat de St. Paul.— 3° anno, n. 32. 

Ilalia e Brasile, revista que ora inicia sua publicação em S. Paulo. — Anno I, 
ns. 1 e 2. 

PUBLICAÇÕES diversas 

The development of Scienli/ic Irrigation in the United States, Publicação daF. 
A. Ferris A. Company, :i62 a 272— Mott Str, New York. Tem este trabalho o seu 
texto em cinco línguas diíTerentes, inclusive o portuguez. Agradecemos a remessa 
desta obra que nos foi feita por um Orasileiro residente nos Estados Unidos. 

Ajjparatus for use in Ihedeterminalion of volatile acids, ipor H. C. Gore. Wash- 
ington, 1909. Publicação do Departamento de Agricultura doa Estados Unidos da 
America do Norte. 

Anew method for measuring the electrolitic dissoliation of wcder, por C. S. 
Hudson. Washington, 1909. Publicação do mesmo departamento. 

Memoria do Ministério de Fomento, da Republica de Venezuela, correspondente 
ao anno de 1909. Tomo II, demographia. 

Demo/jro.phia Venezolana. 1907. Publicação do Ministério do Fomento da 
mesma republica. 

Serviço do Povoamento em 1908 . Relatório apresentado ao Ministro da Industria, 
Viação o Obras Publicas, Dr. Miguel ("almon, pelo Director Geral do Serviço do 
Povoamento, Engenheiro Gonçalves Júnior. 

Eslatiitica Agrícola e Zootechnica íio aiano a.gviooAA áa 1904-1904 das seguinte 



328 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

localidades do Estado de S. Paulo: Bom Successo, Sallesopolis, Jundiahy, Piedade e 
S . Manoel do Paraizo . 

EslntisHca (lo Commcrcio (lo Porlo di: Siintos, 6^ serití, u. 2, janeiro a junho. 
1908 e 1909. Publicação da Secretaria de Agricultura do Estado de S, Paulo. 

Relatório apresentado ao Dr. M. J. do Albuquerque Lins, presidente do Kstado 
de S. Paulo, polo Dr. Antunitj Cândido Rodrigues, secretario da Agricultura. 
An no de l'J08. 

Relatório apresentado ao Presidente do Estado do Rio de .laneiro, Dr. Alfredo 
Backer, paio Secretario (Joral, Ur. .lofio Damasceno FoiTeira, em 15 de julho de l',)09. 

Relatório apresuntando ao Presideute do Estado do Rio (írande do Sul, pelo 
Dr. Cândido José de 'jodoy, secretario dos neg:ocio8 das Obras Pdblicas, em 27 do 
agosto de !!109. 

7ic/a(orio apresentado á Assembléa Geral do Centro Económico do Rio Grande 
do Sul, em 17 de setembro de líJOO. 

Uniòn Universal de Estudiantes . Projecto. México, 1909. 

Associação Rural de Bagè. CatalOíTO da llxposição de 1909. 

Estatutos do Ceitro Agrícola «Luiz de Queiroz», outubro de 190;). 

ísíaÍMÍox da Federação das Associações Ruraes do Uio Grande do do Sul. Pe- 
lotas, 1909. 

Estatutos da União Commercial de Garanhuns, Garanhuns, 1909. 

^staíKíos do Centro Proletário Beneficente e Instruotivo de Garanhuns. Re- 
cife, 1909. 

CATÁLOGOS 

Ba.rbier Si. C'°. 10, Routo d'01ivet, Orleans. Catalogo para o outomno de 1909 e 
primavera de 1910. Arvores fructiferas, plantas de productos comestíveis, plantas 
de ornato e ílorestaes, flores, objectos diversos necessários ;i agricultura e obras 
hortícolas. 

Bailei Frcres. Troyos, Aubo (Krançi). ('atalo^ro para 1909-1910. Arvores fru- 
ctiferas, arvores ílorestaes, do ornato, para arborisação de luas, trepadeiras, co- 
níferas, flores, morangueiros, espargos, etc. 

Hijacinthe Rai/mond. Carpentras (Vaucluse), França. Videiras american;is. 

Blain Fils Ainé. Saint-Rèmy de ITovence (Franco). Sementes de liortaliças, 
plantas forrageiras e flores. Setembro de 19)9. 

hratelli IngeynoU . Milão, Corso Buenos Aires, 54. Plantas e sementes, forragens 
c coreacs. setembro 1909. 

Domingo Basso. Saraudi, 319, Montovid('o, (Uruguay) Preços correntes para 
o auno de 1909 de arvores e planias fructiferas, ílorestaes e ornameutaes. 

John Croxrlcg & Co, Shellield (Inglaterra). Catalogo n. 145. Machinas agrícolas. 

Real Companhia Horticolo-Agricola Portuense. Quinta das Virtudes, rua dos Fo- 
gueteiros, 5, Porto. Cataloiro geral edoscriptivo de plantas e outros artigos, n. 45. 

Hopkins, Causer & Hoi>hins. Hirmiugham, Rio de .laneiro (95Thcophilo Ottoni) 
e S. João d'El Uey, Minas). .Metaes, ferragens, machinismos, drogas, estivas, ctc. 
Apparelhos para lacticinios, gelo, refrigeração, etc. Exportação e importação de 
gado de raça. Catalogo de Outubro de 1909. 

CasaNathan. Machinismo para a lavoura de café. São Paulo, rua S. Benton. 4:5. 



-^*í5S^^íj€«€€ 



A LAVOURA 329 



NOTICIÁRIO 



r>oci'eto 11. '7'*S2%i, tle SI <le outiilbi-o tio lOOO — Dírecío- 
ria de Industria Animal — O Presidcnto d;i Republica dos Kstados Unidos do Brasil, 
em execução da lei n. 1G06, de 29 do dezembro de 1906, decreta : 

Art. l.''E'croada no Ministério da Ag^ricultura, Industria o Commercio a 
Directoria de Industria Animal, com o flm de facilitar aos criadores do paiz a co- 
operação do Estado cm tudo que poífsa concorrer para o progresso da industria 
animal e seu desenvolvimento. 

Art. 2." Para conseguir aquelle flm, cumpre á Directoria de Industria 
Animal : 

§ 1 ." Effectuar o estudo de iodas as questões attinentes á criação dos animaes 
e ao nielboraraento das respectivas raças. 

§ 2." Dillundir entre os criador.ís os conhecimentos práticos relativos ao me- 
thodos zootechnicos mais aperfeiçoados e que melhor se adaptem ás condições do 
paiz. 

§ 3." Cuidar da importação dus reproductores i'e raça, por conta dos criadores 
ou para os postos zootechnicos central e regionaes, de maneira a, quanto possível, 
evitar a intervenção de intermediários c. com o (im do realizar as compras nas 
melhores condições e com a maior garantia quanto ;l origem e ao valor dos animaes 
a importar. 

§4." Organizar e manter os livros genealógicos indispensáveis para o melho- 
ramento das raças. 

§ 5." Formular os regulamentos par.i os concursos do animaes, do maneira a 
orientar todos os esforços em um sentido bem determinado e adequado ás condições 
económicas. 

§ ô." Fornecer aos criadores todas as indicações necessárias pai'a a construcção 
e disposição das cavallariças, estábulos e quaesquer outros locaos destinados ao 
abrigo dus animaes, do accordo com as regras da liygiene. 

§ 7." Realizar o estudo experimental da alimentarão do gado para poder for- 
necer aos criadores indicações seguras sobro o valor das forragens do paiz e das 
espécies existentes no commercio. 

§ 8." Proceder ao exame e analyso das forragens e sementes de plantas forra- 
geiras do commercio, a pedido dos criadores. 

§ 9.° Incumbir-se da inspecção veterinária, cujo lim deve consistir, essencial- 
mente, em velar sobre o estado sanitário do gado, tomando e propondo todas as 
medidas capazes de editar e combater as epizootias, concorrendo também, pela fis- 
calização dos matadouros e dos estábulos, para o melhoramento da hygiene ali- 
mentar. 

§ 10. Estudar e vulgarizar os modernos processos da industria dos lactici- 
nios. 



S30 SOCrKDADE NACIONAL DE Ar.RICUI.TURA 

§11. Promover a organização das cooperativas para o fabrico da manteiga o 
do queijo. 

§ 12. CoUigir todos os dailos ostatistioos o informações para esclarecimento do 
comraercio do gado e dos prodiictos da industria animal, tenJo em vista a conser- 
vação, acondifiionamento o transporte dos mesmos o a necessidade de crear novos 
raorcarlos. 

Art. .3." Para realizar seus lins a Directoria de Industria Animal terá na fa- 
zenda de Pinheiro, de propriedade da Nação, um estabelecimento principal deno- 
minado Posto Zootechnico Fedci-al, no qual .se encontrarão reunidas as diversas 
secções do serviço, comprohendendo laboratórios, Icitcrias, campos di^ culturas 
forrageiras o os rebanhos necessários, sendo tarabeiB subordinado.* á mesma di- 
rectoria os postos zootechnicos regionaes, que irão sendo creados onde se tornem 
necessários, para a propagação dos resultados adquiridos no Posto Central e para 
a extensão do serviço sanitário veterinário a todas as regiões do paiz, apropria- 
das para o desenvolvimento da industria pecuária. 

Paragrapho único. Os rebanhos do Posto Zootechnico Federal, nos quaes de- 
verão estar semi)re rcpresontailas as raças exóticas siiscopiivcMs de explorarão 
económica no paiz e as raças nacionaes seleccionadas, servirão de campo de estudo 
e experiências zootechnicas. 

Art. 4.» A Directoria de Industria ,\uinKil flca dividida em cinco se- 
cções. 

I. Secção de Zooteohnia. 

II. Secção de Bromatologia Animal. 

III. Secção de Medicina Veterinária n de Inspecção Sanitária do Gado. 

IV. Secção de Leiteria. 

V. Secção Económica. 

Art. 5." A Secção de Zootechnia incumbo o que fôr relativo: 

a) Ao melhoramento das raças ; 

6) Aos methodos de criação dos animaes; 

c) A' selecção e cruzamentos ; 

d) A' accliraação ; 

e) A' importação de reproductores ; 
/) A' selecção das raças nacionaes ; 

g) Aos livros ^'enealuí^icos Slwl-Dooh, Herd-Boo'i, etc. 

h) Aos concursos de animaes ; 

t) A' hygiene, construcção o disposição dos abrigos para os animaes. 

Art. 6.» Oompotem à Secção do Bromatologia Animal : 

a) o3-ostuiio3 experimentaes. chimicos o phyisiologicos sobre o valor alimen- 
tício das forragens cultivadas, dos alimentas do commercio e dos resíduos in- 
dustriaes — tortas, farinhas, etc. — utilizados para alimentação do gado ; 

/') o exame e analyse das relbridas forragens, alimentos o resíduos ; 

c) as experiências do culturas forrageiras ; 

d) a selecção das sementes. 

Art. 7.° A Secção do Medicina Veterinária o Inspecção Sanitária do Gado tem a 
seu cargo -. 

a) o estudo das moléstias dos animaes ; 

h) as medidas preventivas contra as epizootias ; 



A LAVOURA 331 



c) a inspecção sanitária dos concursos de aniraaes, dos mercados, estábulos e 
matadouros ; 

d) a lucta contra .1 extensão das epizootias ; 

e) a iospecção dos animaes importados ; 

/■) a desinfecção dos vagões e veliiculos para transporte dos animaos. 
Art. 8. " Incumbe A Secção de Leiteria o que fôr attinont.e : 

a) â technologia do leite ; 

b) á fabricação da manteiga e dos queijos; 

c) á organização das leiterias cooperativas ; 

d) á utilização dos sub-productos do leite, etc. 

Art. 9." Pertence á Secção Económica o que se relacionar com : 

a) o commercio o exportação dos proriuctos animaes ; 

b) o registro do marcas c signaes ; 

c) a conservação e transporte da manteiga e do leite, das aves, dos ovos, etc.; 

d) os depósitos ou armazéns frigorificos ; 

e) o estado dos mercados externos o internos ; 

■ f) as informações e estatísticas sobre a produoção e consumo dos productos da 
industria animal ; 

g) a criação de novos mercados para os referidos productos. 

Art. 10. O pessoal da Directoria de Industria Animal é o seguinte, com os 
vencimentos da tabeliã annexa : 

§ 1," Pessoal technico: 

a) Directoria— 1 director ; 

b) Secção de Zootachnia — I chefe de secção, 2 ajudantes e 4 auxiliares ; 

c) Secção de Bromatologia — 1 chefe, 2 ajudantes e 1 auxiliar ; 

d) Secção de Medicina Veterinária e Inspecção Sanitária do Qado — 1 chefe e 
6 ajudantes ; 

e) Secção de Leiteria — 1 chefe, 1 ajudante e I auxiliar ; 

f) Secção Económica — 1 chefe e 1 ajudante. 
§ 2." Pessoal ndtninistrativo : 

1 guarda-livros ; 

1 bibliothecario-sncretario ; 

1 escripturario ; 

1 porteiro. 

§ 3," Pessoal operário : 

Feitores, fiscaes, guardas nocturnos, serventes do laboratórios, de estrebarias, 
de vaccarias, trabalhadores riiraos, em numero necessário para o serviço. 

Art. 11. E' croada na Instituto Oswaldo Cruz, em Mangiiinhos, uma secção 
de prophylaxia das epizootias, com os laboratórios e installações que se torna- 
rem necessários paiu o seu regular funccionamento. 

Paragrapho único. A essa secção caberá também o serviço de inspecção dos 
animaes importados pelo porto do Rio de Janeiro. 

Art. lã. O Ministério da Agricultura, Industria <; Commercio, do accôrdo com 
o da Justiça e Negócios Interiores, providenciará sobre a expedição do decreto 
fixando o numero, categoria, vencimentos, attribuições e deveres dos empre- 
gados da Secção de Prophylaxia das Epizootias e regulando as relações da mesma 
secção com a do Medicina Veterinária da Directoria de Industria Animal, da 



332 SOCIEDADE NACIONAL DE AOHICULTUHA 

qual será auxiliar, correndo todas as despezas por conta do Ministério da Agri- 
cultura. 

Art. IS. Os devores e attribuições dos oraprogados da Directoria do Industria 
Animal serão estaliolecidus no rejrulamontj intorno, que o respectivo director for- 
mulará para approvação do ministro. 

Art. 14. O pessoalloclinico sorá nomeado por decruto, ou contractado no es- 
trangeiro, si assim lor necessário. 

Art. 15. O pessoal administrativo será nomeado por portaria, sendo o pessoal 
nperji rio admittido e dispensado pelo director da Directoria do Industria .\ulnial, 
conformo as necessidades do serviço e de aceôrdo com as verbas ilistrilmidas i>ara 
o respectivo paífamento. 

Art. 16. Para os cargos dn director, chefes das secções do Zootochnia, do Hro- 
matologia Animal e do Lei teria e resjiectivos ajudantes só poderão ser nomeados ou 
contractados engenheiros agrónomos formados no paiz ou no estran,£:eiro, com es- 
tudo,^ especiaes acerca dos serviços de que tenham de ser encarregados, ou pessoas 
de notório saber. 

§ 1.° Os cargos de chefe e ajudantes da Secção da Medicina Veterinária e In- 
specção Sanitária do Gado só poderão ser preenchidos por vetorinarios formados no 
paiz ou no estrangeiro. 

S 2." Os cargos de auxiliares das diversas secçiies serão, de preferencia, pre- 
enchidos pelos diplomados nas escolas africolas praticas do paiz. 

Art. 17. Com o flm de facilitar a divulgação dos conhecimentos zooteclmicos 
serão admittidos no Posto Zootechnico Federal e nos postos zootechnicos regionaes 
que forem sondo creados, a titulo de auxiliares gratuilos, moços formados pelas es- 
colas de agricultura nacionaes ou filhos de criadores do i)aiz, os quaes receberão 
durante três mezes a necessária instrucção pratica, por meio de conferencias e 
exercícios práticos presididos pelo pessoal technico dos ditos postos. 

Paragrapho único. Os auxiliares gratuitos deverão ser admittidos em turmas, 
que não excedam de dez no Posto ;iootechnico Federal ou de cinco nos postos re- 
gionaes, do modo que, em cada anno, poderão receber instrucçilo 40 praticantes 
naquello e 20 em cada um destes últimos. 

Art. 18. No Posto Zootechnico Federal e nos postos regionaes realizar-se-hão 
periodicamente, e mediante aviso pela imprensa, com a necessária antecedência, 
conferencias especialmente destinadas á instrucção dos criadores da zona, nas quaes 
serão tratadas pelos chefes dos serviços as questõos zootechnicas que olfereçam 
maior interesse no momento. 

Art. 19. Sob a direcção do director da Directoria de Industria Animal será pu- 
blicado e distribuído fjratuitamente aos criadores do paiz um «Roletim Mensal» 
para a divulgação entre os criadores de todos os conhecimentos ateis á industria 
pecuária, especialmente os relativos aos estudos e pesquizas realizados pelo pessoal 
technico da directoria. 

Art. 20. Os postos zootechnicos fundados e custeados pelos Estados, municipa- 
lidades ou associaeões particulares gozarão de subvenção da União, desde que 
fiquem sujintos á inspecção da Directoria de Industria Animal e obrigados a obe- 
decer nos seus trabalhos á orientição que lhes será imprimida pela mesma dire- 
ctoria. 

Art. 21. As secções de Bromatologia Animal e Económica só serão iustalladas 



A LAVOURA 



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quando o (ioverno julgar opportuno, devendo o quadro do respectivo pessoal ser 
preenchido somente na medida das necessidades do serviço. 

Paraarapho único. A Secção de Medicina Veterinária e Inspecção Sanitária do 
Gado será installada com um chefe e dous ajudantes apenas, sendo o pessoal res- 
tante nomeado conformo o exigir o serviço. 

Art. 22. Revogadas as disposições em contrario. 

Rio de Janeiro, 21 de outubro de 1909, 88" da [ndepondencia e 21° da Republica. 
— Nilo Peçanha. —A. Cundido Rodrigues. 

Tabeliã do numero e venoimentos dos empregados da Directoria de Industria Animal 



I — Pexxoal tcchnioo 

Directoria : 
1 (lii*ector 

Secção de Zooteciínia : 

1 chefe 

.'ajudanles 

4 auxiliares 

Secção de Bromatologia Animal : 

1 chefe 

2 ajudantes 

1 auxiliar 

Secção de Medicina Veterinária e Inspe- 
cção Sanitária do Gado : 
1 chefe 

ajudantes 

Secção de Leileria : 

1 chefe 

1 ajudante 

1 auxiliar 

Secção Económica : 

1 chef- 

1 ajudante 



II — Pessoal administrativo 



1 guarda-livros 

1 bibliothecario secretario 

1 escripturario 

1 porteiro 



III — Pessoal operaria 

Feitores, fiscaes. guardas nocturnos, serventes 
de laboratórios, de estrebarias, vaccarias, 
trabalhadores ruraes. etc, no numero ma 
ximo de 40, á razão de 90$ measaes, cm 
média 



Total 



12.000$000 



S:000$000 
5:iiOO$UO() 
2:000$0i;0 



:OU(J$l)l)0 
:60ls000 
:OOOSUOO 



S:OOU$ilOll 
r>:G0f$ilUO 



S:0O0iJ00O 
5:6UO$000 
2:000,<;0UU 



:00ii$0OI) 
:(ii)0$00o 



4:00(!>;iiOíi 
4:Ul)0sO0li 
3:i0(l$(l(l0 
2;400$OIIO 



6:000$0()0 

4:000$OUU 
2:S(JUSO00 
1:000$000 

4:000$000 
2:Sim$000 
1 : ( lO0i?( l( 10 



4:OOU$00(l 
2:S0!$0U0 

4:OOCsOOO 
2:>ll0s00U 
1:OOOSOOO 

4:0n0$00i) 
2:NUU$i)00 



2:l)()0í;000 
2:0ii0$il(l0 
IrfiOOsOOO 
1:2U0$U00 



> S a 



18:000$000 

12:000$n00 
S:400sOÚO 
;í:000$000 

12:0ii0$000 
S:4fiUÃ000 
3:OOOSOOO 



12:0ii0$0o0 
8:400$00U 

12:OO0$0O0 
t::400$000 
3:U00$000 

I2:()00s0(i0 
S:4OO$0OO 



G.lilir$Oi)ll 
(i:(iiiO$(iO() 
4:8111 §000 
3: 600^000 



18:000$000 

12:000.5000 
10:8001^000 
12:000$000 

12: 000*000 

KrSOOSOOO 

3:000SO00 



U>:000s000 

rio:4(io$ooo 

12:000$000 
S:400$0ll0 
3:000;i000 

12:000S000 
8:400$0l)0 



OOO15OOO 
1 11)1 1:5000 
80US000 
(jOi)$000 



43:200íp000 



260:400$000 



fth.iercaeões — 1.'' O pessoal da Directoria de Industria Animal, em serviço em Pinheiro, 
terá alojamento, sem n.oliilia, nas di'pendencias do Posto /ontcchnico Federal. 

2.* Serão também alojados nas dependências do posto os auxiliares gratuitos admit- 
tidos como praticantes. 

S." O pessoal technico da directoria, quando cm serviço fora da sede da repartição, 
vencerá uma diária de lOJ, correndo as despezas de transporte por conta da União. 

Rio de Janeiro, 21 de outubro de 1909. — A. Cândido liodrigues, 

7675 6 



334 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Exposição de Bello Horizonte — Os niombros da conimissão 
julgadora dos profluctos da industria pastoril apresentaram :kO presidente <la 
comraissão executiva da exposição agro-pocuaria, realizada oní Bello Horizonte, 
no dia 7 do mez p. p. o seguinte resultado: 

«lllm. Sr. Presidente da Coramissão Central da Exposição Agro-Pecuaria — 
Nomeados para constituir o .jiiry incumbido do julgar os animaes trazidos a este 
importante certamen, vimos o£ferecer-vos o resultado do nosso trabalho. 

Para as listas que era seguida apresentamos c que trazem os detallies da clas- 
sificação, nos utilizamos não siSracnte do nosso exame minucioso, i-omo lambera 
dos pareceres e dados apresentados pela sub-comraissão; devendo notar, além disso, 
que, para o trabalho relativo aos bovinos, tivemos a valiosa cooperação do illus- 
trado professor do zootechnia, Sr. E. Raquet, que por motivos de força maior não 
pôde continuar alO o fim como membro da comraissão julgadora, para a qual 
fôra nomeado. 

Bovinos — Para o julgamento dos bovinos foram constituídos os seguintes 
grupos: 

1.0 Touros de raças pura nacioiíaes ; 

2." Touros nacionaes de raças puras cxtrangeiras; 

3." Touros nacionaes mestiços ; 

4." Touros extrangoiros ; 

5.° Vaccas e novilhas. 

Do primeiro grupo foram, apresentados animaes do raça Caracú, dentre os 
quaes merece destaque o bello touro de nome •< Cacique», resultado do esforço, 
durante longos anoos, do adiantado criador Sr. coronel Francisco Gonçalves Leite, 
que assim fornece uma prova cabal do quanto se pôde conseguir pela selecção 
realizada com critério e intolligencia. 

Esse touro, cujo peso na balança da Exposição foi de 953 kilogrammas, repre- 
senta, realmente, por suas linbas geraes, forma, côr e outros caracteres, uma raça 
bem definida, quo deve merecer aatteoção dos criadores mineiros e servir de base 
para qualquer emprehendimcnto no sentido de melhorar a nossa criação de bovinos. 

Confirma est(! juizo a exhibição, feita por aquello mesmo criador, de vaccas 
pertencentes A alluilida raça, as quaes apresentara, como o notável touro, as 
mesmas linhas e outros caracteres que servem para definir uma raça constituída o 
aprimorada. 

Julgamos conveniente pondorar ainda, que nos mestiços oxhibidos foi obser- 
vada a influeneia sempre vantajosa da raça Caracú, pelo que, em caso do appai-ente 
equivalência, demos preferencia aos cruzamentos daquella raça. 

Merecem especial menção os bois de carro do nome «Mascotte» e «Brazileiro », 
mestiços de Caracú, cujos pesos foram de 7601c. 19 c670k..S, respectivamente, e os 
de nomes « Brazileiro » e « Bordado » de Eloy Teixoira, e « Figurão », do coronel 
Adolpho Teixeira de Aguiar. 

Dos exemplares nacionaes de raças oxtrangeiras e puras destacaram-se, com 
evidencia, os productos da raça Hollandeza, apresentados pela familia Sá Fortes- 
quo também por pertinácia e vencendo as difllculdades de acclimatação desta deli- 
cada raça, conseguiu os magníficos espécimens, denti'6 os quaes se destacam os 
bellos touros denominados «Ubij ara» e «Jacutinga», resultado de intelligente 6 
ilemorada selecção. 





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A LAVOURA 335 



Outra raça estrangeira bem representada cora indivíduos nacionaes foi o 
Schwitz, cujos exemplares mostraram a facilidade de sua acciiniatação, conservando 
todos os caracteres que tanto arecomiaenda,!n. 

Das vaccas leiteiras só foi premiada pecuniariamente uma fiue d'entre as duas 
únicas ordenhadas deu maior quantidade de leite, segundo dados que nos foram 
fornecidos, conforindo-lhe o" ultimo premio, por sor pequena aquella quantidade, 
ainda que attribuida á viagem ou a ouiro facto (qualquer. 

Classiflcámos, entretanto, outras vaccas que nos parecem dignas de menção e 
do mesmo modo os novilhos que se distinguiram. 

Cavallares — Por falta de dados que aos permittissem fazer o julgamento de 
accôrdo com as instrucções approvadas pelo Sr. Secretario das Finanças, segundo 
as quaes se constituíram três grupos, cavallos para corridas, para sella e para 
tiro, e porque os proprietários nenhuma indicação deram a tal respeito ao inscre- 
ver os animaes e nem fui possivel a sub-commissão obter qualquer informação 
nesse sentido, resolvemos classiflcal-os, attendendo quanto possível á equivalência 
das qualidades para os íins acima referidos. 

Suínos — Nesta secção, admiravelmente representada, ficou ainda uma vez 
demonstrada a excellencia da raça caQasti"ão, cujos exemplares foram es mais 
numerosos e não excedidos em tamanho pelos demais de outras raças exhibidas ; 
ao contrario, foram elles, tanto no grupo dos reproductores, como no de cevados, 
que forneceram os maiores typos. 

Além destes, exhibiram-se raças estrangeiras, como a yorskshire. Berkshire, 
Essex e Veiner, representados por indivíduos nacionaes de magnifico aspecto. 

O canastrão por seu tamanho, rustícidade o capacidade de engorda, pode for- 
necer a base para cruzamentos cora outras raças convenientes escolhidas para os 
diversos fins industriaes. 

Como prova deste modo de pensar, pôde ser citado o mestiço, de Canastrão e 
yorkshire, premiado em primeiro logar e exposto pelo Sr. J. dos Santos Vianna. 

Quanto aos carneiros, cabras, <rallínhas e jumentos, limítamo-nos a apresentar 
a classificação constante dos quadros juntus, tenao indicado apenas por ordem de 
collocação os jumentos e gallínhas, para as quaes não nos foi apresentada a lista 
dos prémios pecuniários. 

Devemos notar que, sendo vedado ao mesmo proprietário receber mais de um 
premio pecuniário, deslocámos para os prémios honoríficos, era alguns casos, 
animaes que, se não fosse a-iuella prohibição, teriam de occupar collocação supe- 
rior, o também deixámos de classificar para prémios pecuniários éguas e porcos, 
por não ser isso porraittido pelo regulamento da Exposição. 

Devemos, emfim, consignar que não fizemos exame dos documentos de in- 
sciipção apresentados pelo> concurrentes, por julgarmos não ser isso de nossa 
attribuíção, limitando-nos a classificar os animaes segundo os dados fornecidos 
pelas sub-commissões e o exame quo fizemos. 

Bello Horizonte, 14 de setembro de 19 i9 . — Álvaro Astolpho da Silveira.— 
Carlos Prates. — Dr. Wencesldo Bello. 

A lista dos animaes premiados já foi publicada no numero de setembro. 



336 SOCIKDADK NACIONAL DE AGRICULTURA 

Caixiis do r»f!nsõos A^italicias — Damos em seguida os tópicos 
principaos do rei itorio linal do inspdctoi- do si'í:uros sobre as associações de provi- 
dencia, denominadas «^Caixas de Pensões Vitalícias»: 

« No oiflcioque dirigi ao Exm. Sr. Ministro da Fazenda, em 4 de janeiro desto 
anno, o que, sob n. ■.^ foi dlroetamonto encaminhado ao sabinnte ilo S. Kx., acre- 
dito ter refutado cabalmente os artigos o allcgações, contidos no «Memorial», pu- 
blicado pelo presidente da «A Previdência» e que constitue ura dos documentos de 
sua reclamação ;í íls. 

Esse meu oíllcio, bera como a primeira representação de 21 de agosto de 1907, 
sob n. -1:.^5, são demasiado extensos para quo i)ossam .ser aijui resumidos. Com a 
devida vénia, roporto-me o renovo as ponderações que longamente expuz nos 
alludidos ofHcios eque se acbam insertos no appendice do relatório da Inspectoria, 
que acaba de saliir á luz (31 de dezembro do iun7). 

Como, porém, o presidente da «A Previdência», era .sua dita reclamação, sem 
allegar factos novos, junta extenso parecer de jurisconsulto, seja-me permittido 
fazer novas considoraçries em defesa da altitude da inspectori.i, cuja mã vontade 
so reduziu a fazer, por intermédio do sub-inspector de S. Paulo, as notilicações 
decorrentes do despacho do Exra. Sr. Ministro, de 11 de outubro de 1907. 

Nenhuma hostilidade ou prevenção me animoa, nem me, mantém nesta contro- 
vérsia ; penso estar prestando ao meu paiz o ao governo os serviços quo lliesdevo 
lealmente, contribuindo e mo empenhando, quanto cabe nos limites desta fiscali- 
zação, para que esses nascentes institutos se organizem em bases sérias, solidas e 
honestas. 

Sei, e não .sou tão hospedo nos assumptos de economia social, sei quo as socie- 
dades mutuas são as sociedades do futuro e, se não fossem os erros e desordens das 
antigas tontinas e do outras mutualidades, o seguro de vida não teria cabido nas 
garras do anonyraato e do capitalismo onzenario, leonino e devorador. 

Para quo ninguém mo julgue precipitado e leviano nas apreciações que ex- 
ternei desde o meu ofFieio n. 425, de 21 de agosto de 1907, e que mantenho, a des- 
peito dos pareceres do advogados que nada esclareceram, nem argumentos novos 
trouxeram ao debate, b.istará escudar os meus conceitos com a autoridade de no- 
tável scientista, que sij ha poucos dias tive ensejo de compulsar. O accõrdo cm 
que me aeho com a opinião do Arthuis, omiMeiito professor de Direito Commercial 
da Universidade do Poitiers, ó tão perfeito que chega a parecer um plagio por tole- 
pathia . 

\o sou recente tratado sobre as sociedades commerciaes, publicado em lOOfi, 
Artliuis consagra uma das ultimas secções (VI) ás sociedades do seguros, e assim 
summaria: 

« As sociedades de seguros se riprosentam sob as firmas as mais variadas ; 
por isso não podemos tr.itar senão muito summariamente est(! assumpto, todo es- 
pecial. Propòmo-nos estudar: 

1°, as sociedades anonymas de seguros a premio fixo ; 

2°, as sociedades de seguros mútuos ; 

3°, as que praticam o seguro contra acridcntes do trabalho, .-'is quaes accres- 
centareraos os syndicatos de garantias e as sociedades ou caixas mutuas agrícolas ; 

4", as tontinas e os seguros sobre a vida e geralmente aquellas que fazem 
operações baseadas nas probabilidades de vida e de morte ; 



A LAVOURA 337 



5°, as sociedades de capitalização.» 

O estudo de Arthuis é exhaustivo e completo ; precizo, porém, ser breve e 
muito ma constraugorei cm citar somente us trechos mais explícitos da parte de- 
dicada ás sociedades de capitalização e economia, do género da «A Previdência», 
Les Prévoyants de Vavenir e outras semeliiantes. 

« Ces societés onl pour objet des opcrations de nalure tellement diverso que Von ne 
peut pas en donner une énwneration . Elles peuvent se repprocher des assurances siir 
la vie, des tontines, des assurances mulueltes et des societés de secours mutueles, gt 
mSme se confondre avec ces sociétàs ou associations.» 

Mais adiante accroscentao mesmo escriptor: 

« 5» elles font des opêrations datis lesquelles il est tcnu comptc des probabililês de 
vie ou de dêcds, la loi du 17 mars 1905 leur est applicable. Un projet de loi vote en 
préynière lecture d la Chambre des Deputes les soumet á des régies analogues á celles 
de la loi du 17 mars 1905. (Arthuis: Les Societés commerciales, vol. 2», pags. 362 
a 410)». 

Devo lombrar que a lei de 17 de março de 1005, acima citada, é a que regula 
em França o funccionamento das fociodades do seguros sobro a vida. 

De facto, as sociedades de previdência actualmente existentes na França são 
autorizadas a lunccionar de conformidade com a loi especial de 2 de fevereiro de 
19o2 c com o art. 5" da lei de i de julho de 1901. 

Mas ó precizo comprehender : 

1°, que não se trata de uma lei geral, applicavel a todas as sociedades do capi- 
talização que vierem a se fundar ; 

2». que a lei franceza de 1 de julho de 1901, bem que oriunda dos mesmos pro- 
blemas religiosos e caldeada nas mesmas necessidades de ordem politica, ô muito 
diversa e mais complexa quo a nossa similar de 10 do setembro de 18'.)3. 

Entre outras differenças que apontaremos com vagar, basta verificar que a lei 
franceza de 1'JOl distingue três espécies de associações. 

Em primeiro lugar, ella admitte associações «não declaradas», isto é, naquella.s 
a quo basta a convenção para existirem : nenhuma formalidade lhes é imposta, 
mas também nenhuma vantagem ou personalidade adquirem . 

Em segundo lugar ella reconhece as «associações declaradas». A declaração 
feita nos termos do art. õ" constitue apenas a publicidade dada á associação, que 
por conseguinte fica investida de uma capacidade limitada. 

Emfim, a lei de 1901 admitte associações reconhecidas de utilidade publica, por 
um decreto expedido na forma dos regulamentos de administração publica : sua 
capacidade ó então mais completa, l-^sta terceira categoria 6 a que correspondo ao 
nosso systema de autorização regulado desde 1860, ou antes, desde 1849. ( Vid. 
Planiol : Droit Civ., ed. lOOG, vul. I", pags. 984 a 988 : o Thibaut : Des associa- 
tions, pags. 50 a 02, ed. 1904). 

O nosso exímio e abalizado Teixeira de Freitas, em uma de suas tão provectas 
e celebradas concisões, poude dizer com certa emphase o verdade : « Que o decreto 
de 19 de dezembro de 1860 tinha, nos capítulos IV a IX, regulado as sociedades na 
vasta comprehensão de todos os seus fins possíveis». (Consolid. das Leis Civis, 
3"- ed., nota l'' do art. 742). 

Realmente , no citado decreto se acham classificadas e previstas, para a boa 
execução da lei n. 1.08M, de 22 de agosto do mesmo anuo, todas as sociedades 



338 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

e associações de que o Codlg^o Commercial não flzer^i menção o por isso as leis pos- 
teriores, que mais tardo refundiram ou alteraram muitas de suas disposições, 
especificadamente na parte rolíiiiva ás s jciedades aaonymas, respeitaram no con- 
juDio, conservaram o copiaram om vários pontos, aquello verdadeiro padrão do 
sabedoria de Angelo Moniz da Silva Ferraz, estadista a quom jamais se poderá 
fazer elogio maior qiio o próprio nome. 

Não mo movia empenho didáctico, nom vaidade de dispensável erudição, para 
ir rebuscar mais longe as fontes da legislação pátria, sabidamente esparsa e feita 
a retalhos. 

Por isso, em todas as minhas argumentações e estudos a respeito desta e de 
outras questões sobre sociedades do seguros e suas congéneres, tenho tomado 
sempre por ponto do partida o celebre decreto de 19 de dezembro de 1860. Quiado 
pela mão lirmo do Teixeira du Freitas, eu não poderia desacertar. 

Tanto a lei do 22 de agosto, como o citado decreto de 19 de dezembro de 1860, 
prescreviam em synthese o seguinte : 

«As companhias o sociedades anonymas, civis ou mercantis nacionaes ou 
estrangeiras, suas caixas flliaos, ou agencias, que se incorporarem ou funccio- 
narem sem autorização concedida por lei ou por decreto do Poder Executivo 
e approvação dus seus estatutos ou escripturas de associação, além de incorrerem 
na pena do art. 10 do decreto n. 575, de 10 de janeiro du 1.S4',», pagarão, as quo 
tiverem capital soci.il, a multa de l a 5 por cento do mesmo capital, o as que o 
não tiverem, de 1:000$ a 5:000$000. 

Esta disposição 6 applicavel aos montepios, ás sociedades de soccorros mútuos, 
às caixas económicas e toda e qualquer sociedade som firma social, ailministrada 
por mandatários, ainda que seja beneficente.» 

O decreto n. 2.71 1, entre outras exemplificações das sociedades sem firma 
social, mencionou no art. 30 as sociedades de seguros do vida do qualquer espécie, 
as tontinas e outras quaesquer sociedades que tenham por Hm a repartição dos 
lucros !:or moio da sorte ; e, finalmente, nos art-. 33 a 35, incluio as associações 
religiosas, politicas e outras presentemente reguladas pela loi n. 173, de 10 de 
setembro de 1893. 

O facto de leis posteriores, a começar pela de 4 de novembro de 188-i, terem 
alterado ou modillcado o regimen da lei do 22 de agosto de 1860 e seu respectivo 
decreto, na parto relativa ás sociedades anonymas, que ficaram isentas da auto- 
rização prévia, não implica revogat.ão geral e completa do regimen alli estabelu. 
eido, o qual foi mantido o respeitado por disposições das leis novas consolidadas no 
decreto n. 434 de 1891, conforme demonstrei na introducção do relatório da Inspe- 
ctoria. (Vide officio do 31 do d(<zorabro de 1907 ). 

Da confrontação que alli fiz e que pôde ser conferida por qualquer curioso, 
entre os innuraeros dispositivos do decreto n. 434, do 1891, arts. 46 a 64, com os 
da lei n. :!.ir)0, o rcig. n. S.8'.;i, de novembro e dezembro de 18's2, a única con- 
clusão a tirar é que o rcvoíjadissimo decreto do 19 do dezembro de 1860 vivo 
e vale, e só não está om execução naquella parte o disposições que foram sub- 
stituídas ou alteradas pela loi citada de 4 de novembro de 1882 ; do mesmo 
modo e pela mesma razão que o Código do Commercio ( lei n. 556, do 25 de junlio 
do 1850 ), contiuúa oiu plono vigor e citado como um corpo complexo de nossa 
legislação, a despeito do se acharem revogadas, esquecidas ou caducas muitas de 



A LAVOURA 339 



suas disposições primitivas ; como, por exemplo, entre outras, quasi todo o capi- 
tulo relativo ás companhias de commeroio ou sociedades anonyraas (arts. 295 
o seguintes), toda a parte terceira, relativa às quebras ou fallencias ( arts. 797 a 
9JI), e o art. 686, § 2», que prohibia o seguro de vida do pessoa livre. 

Isto quer dizer, em sumraa, que uma lei especial não pôde revogar leis 
geraes anteriores, o inversamente a lei geral não pôde revogar leis especiaes 
senão quando o na parte em que a eljas se refere e reporta expressamente : 
Generalia specialibus non ãeroyanl. 

Mas o que mais importa accentuar é o processo por que o querem revogar 
a todo transe os partidários do regimen da absoluta liberdade industrial em 
matéria tão grave. Invocam até absurdamente a lei de 10 de setembro de 1893, 
estatuída entre nós, como diz o seu preambulo, para regular o art. 72, § 3°, 
da Constituição Federal, o qual garante a todos os indivíduos e associações 
religiosas poderem exercer publica e livremente o seu culto, assoeiando-se para 
esse fim e adquirindo bous. 

Como tudo indica, desde o preambulo até o minimo de seus detalhes, desde 
o art. 1" até o ultimo, a iei de setembro citada visa exclusivamente as asso- 
ciações que se fundarem para fins religiosos, moraes, seientiflcos, artísticos, po- 
líticos ou de simples recreio : e exclue, portanto, do seu campo do acção todas 
as associações ou sociedades organizadas, para flns económicos ou industriaes, 
para repartir benefícios ou vantagens pecuniárias. 

A nossa lei de 10 de setembro de 1893 Jião é absolutamento idêntica ou co- 
piada da lei franceza, que lhe é muito posterior (de 1 de julho de 1901), para 
que se possa ou deva interpretar forçadamente uma pela outra, applicando por 
similitude a lei extraugaira a casos de que a nacional não cogitou, ou vice- 
versa. Regra muito mais sábia, curial e antiquíssima é a que nos ensina 
José Homem Corrêa Telles : Para bem entender o sentido de uma lei devem 
pesar-se todos os seus termos, e o pi'eambulo mesmo, afim de julgar da sua 
disposição pelos seus motivos, e por todo o contexto do que ella ordena ; e não 
deve limitar-se o sentido delia além da sua intenção, ou iigando-o a uma parte 
truncada da mesma lei, ou a alguma falta de expressão. (Theoria da Inlerpre- 
lação das leis, § 48 .j 

Não foram aliás mais lieis, nem mais felizes os meus antagonistas invo- 
cando e querendo que se applique ao seu caso (por ser omissa a nossa legis- 
lação, conlorrao inculcam) a lei franceza, de fevereiro de 1902, compilada a 
geito com algims elogios do Waldeck-Roussoau, que não representam nem as 
opiniões do famoso estadista, nem o pensamento e a orimitação que elle imprimiu 
á reforma de julho de 1901 . 

Para fechar por uma vez esse já exliaustivo debate, devo com mais vehe- 
mencia afflrmar que as associações, de que trata este relatório, são verdadeiras 
cooperativas de si^guros ; não podem se enquadrar na definição, nem no pre- 
ambulo da lei de 10 de setembro de 1893, ao passo que toem inteiro cabimento 
entre os institutos do art. 40, § 3", do decreto n. 434, do 1891, e do regulamento 
n. 5.072, do dezembro do lí)03, na generalidade dos «seguros mútuos». 

Já tive occasião de demonstrar longamente, no otlieio n. 425, de 21 do 
agosto do anno transacto, que era um erro, uma inépcia dizor-se — que só ha 
seguro onde ha ou pode haver sinistro. Ha seguro toda vez que haja compen- 



340 SOCIEnJAUE NACIONAL DE AGRICULTURA 

sacão ou probabilidadoi! de effeitos ou acontecimentos favoráveis e desfavoráveis. 
Basta citar ou leinbrar a combinação moderna do seguro de garantia, de credito 
ou de solvabiliilade. 

Mas no ponto questionado, nenhuma duvida pode subsistir (a não ser no 
propósito deliberado dos cógos da escriptura. . .) de quo se trata do uma com- 
binarão aiitiquissima e vulgarissima do seguro em caso do vida, cujos serviços 
mais rotineiros e clássicos são — o dote e a pensão ou renda vilalicia. 

Se o seguro em caso do morte, <;omo ensina Montluc, premune conir.i as 
consequências do uma morte prematura, o seguro em caso de vida premuno 
contra as de unia vida muito longa. Ambas as hypothoses teem por fim con- 
jurar os effeitos deploráveis de certas eventualidades. Não 6 um risco tornar-se 
velho, mas ó um risco tornar-se pobre e desgraçado na velhice. E foi exacta- 
mente o risco de uma velhice precária e doentia que primeiro preoccupou o 
nosso inveterado egoismo ; por isso, desde os Romanos, já se praticava o contracto 
de pensão ou renda vitalícia quando nem noção ou gérmen algum existia do 
seguro era caso de morto ou seguro ordinário de, vida. E em todos os tempos, 
a pensão, a aposentadoria, a reforma, o montepio obrigatório, etc., formas mais 
ou menos disfarçadas de seguro por conta do Estado ou por sua iniciativa, foram 
grave preoccupação de estadistas e legisladores, que ali.is nenhuma importância, 
ou muito secundaria, teem ligado á instituição do seguro do vida propriamente 
dito. 

K' escusado, pois, insistir neste assumpto já esgotado e fazer confronto entre 
as caixas de pensões, como a «Previdência», o as outras instituii.ões (caixas 
económicas, montepios, etc), com que na reclamação do fls. e alhures tem-se 
procurado comparal-as, para lhes dar um sainote de novidade o de importação, 
que lhes desconheço formalmente. 

Não me arrependo, nem me retracto de havel-as qualificado como associações 
tontinarlas, cuja definição se encontra em qualquer lexicoírrapho, ou nos mais 
acreditados scientistas, c se ajusta porfeitameutc ao conceito e aos programmas 
das Caixas Paulistas o <las suas congéneres. 

Tontina não ó nenhum nome foio e injuriantc, e tem-se applicado indifferenie- 
mente a qualquer operação financeira baseada na duração da vida humana, ou ás 
associações em que o capital, ou a renda, deixada pelos sócios fallecidos, reverte no 
todo, ou em parte, em beneficio dos sócios sobreviventes. 

E' isto, exclusivamente isto, e nada mais do que isto — o objecto, o conjunto 
das operaçõc! que faz e se propijo fazer a reclamante. 

Consta de todos os prospectos, tabeliãs e boletins da « A Previdência ». como 
das suas co-irmãs, que o principal factor dos seus cálculos do prosperidade baseia-se 
em probabilidades de vida ou de morte de uma prande parte dos contribuintes ; 
em algumas tabeliãs se encontra de modo Irisante e arithmetico fixada a média 
de 2 1/2 por cento para mortalidade dos sócios em cada periodo tontino (de 10 
annos). 

Nada mais claro, evidente e insophismavel, portanto, que semelhante sociedade 
não pôde operar o funccionar livremente no Mrazil, muito menos .sob a capa de 
associação religiosa, scientifica ou moral. 

Adopte o nome e a forma que quizer e entender ; complique u atavie ou 
disfarce, como lhe aprouver, os seus fins e uperaçõas ; a sociedade reclamante 



A LAVOURA 341 



é uma cooperativa de seguros, carece e depende de autorização do Governo, e não 
pôde viver sem ella . 

Nem se pôde duvidar dessa afflrmação pelo facto de não cogitarem as caixas 
de pensões de pagar sinistros ou damnos por morte dos seus mutuários. 

A verdadeira theoria do contracto de seguro é assim exposta por Cé- 
sare Vivante. em seu admirável tratado coroado pela Academia Dei Lincei de 
Roma. 

< Os riscos podem tornar-se objecto de um contracto de seguro unicamente 
quando constituem uma ameaça para todo o mundo ou pelo menos para um grande 
numero de pessoas e não forem senão algumas. E' necessário que, considerando a 
possibilidade de ser attingido por algum desses riscos, se experimente, para o caso 
de realizada essa hypothese, a neces^idade ou utilidade de ter um capital ou uma 
renda disponível, porque se assim não fosse, ninguém se disporia ao pagamento de 
contribuições que em seu conjunto ultrapassam as sommas distribuídas pelas 
companhias. 

Esses riscos podem produzir um damno ou uma perda para o património do 
segurado, como no caso de incêndio, etc, podem obrigar o segurado a despezas 
extraordinárias derivadas de uma desgraça, como de um ferimento ou invididez, 
por exemplo, ou de um acontecimento leliz, tal como uma grande longevidade, o 
casamento de um fllho, etc: podem emtim proporcionar o ensejo de fazer uma 
obra de beneficência, como acontece áquelles que desejam deixar por sua morte um 
capital ou uma renda á disposição de pessoas amadas. 

Não é necessário, pois, que o caso fortuito, contra o qual se quer premunir 
recorrendo ao seguro, produza um damno ou perda para o património do segurado ; 
não é necessário que o segurado possua, antes de segurar, um interesse que o 
compilla a impedir que o risco se traduza em sinistro ; basta que na previsão deste, 
elle sinta a necessidade ou a utilidade de se garantir o pagamento de um capital ou 
de uma renda . 

Se é verdade que um grande numero de segurados recorrem au seguro, para 
se porem ao abrigo de sinistros que poderiam attingir seu património, não se pôde, 
entretanto, pretender que — todo o risco capaz de ser segurado corresponda a esta 
concepção estreita, sem excluir dos contractos de seguro o seguro sobre a vida, no 
qual toda a indagação sobre as consequências económicas do sinistro è inteiramente 
extranha ao contracto. * 

Mas, em conclusão, e pelo que se deduz do final da petição de ti., a reclamante, 
a despeito do tom do seu «Memorial» e do longo parecer do causidico Dr. José 
Mendes, concorda e se submette á notificação da inspectoria ; requer a tão discutida 
e impugnada autorização ; reconhece que assim se tem feito no Rio da Prata (e na 
França, accrescento eu) ; mas apenas pretende obter do Sr. Ministro da Fazenda 
a fixação de um deposito razoável e equitativo, de accordo com a modicidade do seu 
capital e dos seus processos de contribuição. 

Neste ponto estou de pleno accórdo e peoso que não se deve impor á suplicante 
a caução máxima estabelecida no regulamento n. 5.072. Pelas mesmas razões de 
equidade que já ponderei com relação á « Caixa Mutua », no meu offlcio n. 134, 
de 12 de março corrente, proponho que seja fixado o minimo previsto na lei 
n. 1.144. de 30 de dezembro de 1908, art. 25, § 1°, isto é, 50:000$ em apólices da 
divida publica federal; devendo, entretanto, flcar obrigada a integralizar o máximo 
T67Õ 7 



3« SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

de 200:00^»$ logo que O fundo inamovível ou da pensões accuse a importância do 
1.00O:COO$00O. 

Rio, 31 de março do 1908. — Pedro Vergn» de Abreu. 



O tx-ig^o no rtio Oi-anclo — O inspector do Povoamento, no Ratado 
do Rio Grande do Sul, enviou ao Dr. Cronçalves Júnior uma interessante coramu- 
niçação sobre a cultura do trigo neste Estado. 

O director do Serviço do Povoamento deu conhecimento desta communicacão, 
bem como da outras enviadas pelos chefes das colónias «Ouarany» e «lyuhy>, 
sobre o mesmo assumpto, ao Dr. Cândido Rodrigues. 

Destas communicações eztrahimos as seguintes notas, que mostram bem as 
ubérrimas qualidades do nosso solo, onda podem se alimentar plantas dos mais 
variados climas. 

A colheita deste cereal na colónia «lyuhy» foi, no anno passado, de 20.000 
saccos, dando uma proporção de 25 por 1. 

Nos municípios de Caxias, Alfredo Chaves, António Prado o Guaporé, consti- 
tuídos por terras outr'ora pertencentes a uma ez-colonia italiana, actualmente 
emancip ida, a colheita do trigo, em 1906, attingiu a 190.000 saccos. E' preciso 
notar, entretanto, que estas terras não são as mais apropriadas á cultura 
deste cereal. 

Apezar desta colheita, de todo não desprezível, a importação do trigo, era 
\<jW>, attíDgiu o valor de 6.299:317.'?000. 

Na colónia «Guarany» a producção que, em 1904, cheg-oa a (5.713 saccos, tom 
diminuído sensivelmente. Esto decrosciraento (• determinado pelos fretes verdadei- 
ramí^nte excessivos que sobrecarregam o producto em demanda dos grandes mer- 
cados consumidores o pelo custo elevadíssimo dos saccos de que se servem os expor- 
tadores para transportal-o. 

Em alguns municípios deste fértil e opulento Estado ha muito tempo que a 
farinha de trigo não é importada. A producção regional attende ás necessidades 
do consumo local. 

Sabe-se que o solo e o clima do Rio Grande do Sul se prestam satisfactoriamento 
.1 lavoura do trí^ro. O que ('■ preciso é tornar essa lavoura mais lucrativa, do modo 
a poder entrar em coucurrencía, em favoráveis condições, cora os productos simi- 
lares estranaeiros, que abarrotam os mercados nacionaes. 

Km ípucas remotas n Rio Grande do Sul foi um grande exportador do trigo 
para os Kstados Unidos e para a Republica Argentina, quando aindu não eiam. 
utilisadas, nestes dous paizes, micliinas agrícolas aperfeiçoados. Depois que nestes 
paizos foram introduzidas as ditas machinas e outros aperfeiçoamentos scientiflcos, 
que se relacionam com a lavoura, essas RupuMicas se tornaram as nossas maiores 
fornecedoras deste preciosíssimo cereal. Emquanto elles adoptavam, um a um, os 
melhoramentos agrícolas —instrumentos aratorios modernos, adubação chimica 
apropriada á terra o ao cereal, etc.,— nós nos muntinhimos firmes nos antigos 
processos de amanho das terras. 

A Argentina em 1902 e 1903 comprou 11.160.000 francos do instrumentos 
ruraes, emquanto que o Brasil, paizeujo futuro depende da lavoura, gastou, nessa 
mesma época, a quantia de 200.000 francos. .\ causa primeira doengrandecimento 



A LAVOURA 343 



da Republica Argentina, do seu desenvolvimento agrícola, da abundância da sua 
producção está aqui. 

A falta de apparelhos apropriados ao beneflciamento das terras e dos seus 
productos — moinhos em condições de tornar mulhor o preparo dus cereaes, tom 
obstado o progresso da cultura. 

Por sua vez as tarifas esmagadoras, que pesam sobre os exportadores, emba- 
raçam os esforços tendentes a levar o trigo dos legares interiores do Estado aos 
melhores mercados consumidores. Se não vejamos: um sacco de trigo era grão, 
paga de transporte, de colónia «Guarany» para a capital do Estado, onde somente 
pôde ser beneficiado, a exorbitante quantia de 5$500, o que é em extremo desani- 
mador para os lavradores. 

E apezar disto, neste Estado, o Sr. Rheigrantz mantém uma fazenda, em 
D. Pedrito, intitulada «Nova Waills», onde cultiva o trigo pelos processos os mais 
modernos, verdadeiro campo de experimentação. 

(De A Gaseta de Noticias.) 



O Brasil no Estrang^eiro — Forças nYDRAULicAS.— do Commer- 
cial Intelligence: 

Grandes progressos estão se operando no Brasil, no tocante á applicação das 
forças hydraulicas ao desenvolvimento da electricidade. Começou o movimento no 
Estado de S. Paulo, onde ha innumeras quélas de agua, na >ua raaioriít proprie- 
dade do Estado, que estão ainda por ser exploradas. As principaes iustallações 
hydro-electricas ali existentes, constam de um recente relatório consular. .\ prin- 
cipal, porém, é a da < S. Paulo Tramway, Light and Power Company », em Par- 
nahyba, com a capacidade geradora de 8.000 cavallos. Outras companhias têm 
iustallações em Juadiahy, gerando 1.000 kilowatts; em Sorocaba, gerando 1.000 
kilowatts ; no Rio Claro, 580 kilowatts ; em Mocóca, gerando 500 kilowatts ; em 
Piracicaba, gerando 450 kilowatts. Um i importaute usina está em via de oon- 
strucção, pelas Docas de Santos, nas cachoeiras do Itatinga, perto de Santos, que 
vão transformar e transmittir 3 . 000 kilowatts para o serviço de carga e descarga 
DO cães de Santos, e para supprir luz e energia naquella cidade. 

Entre as muitas quedas de agua que têm sido examinadas, mas que ainda não 
estão .sendo utilizadas, nomearemos as seguintes: 

No rio Paraná : 

Cavallos 
Urubú-punga 447.000 

No Rio Grande : 

Patos 400.000 

Marimbondo. . 61.00Q 

Avanhandava 57.700 

Itapura, Juqueryquerê, Cruzes e Ilha Secca, cada uma. 40.000 



O Caca,ueii"0 na Babia. — Escreve o Colonizar : 
« Grande parte das mais fecundas terras do Brasil pertence ao Estado da Bahia 
e parece que os plantadores ali estão duscobrindo que a cultura do caoáo é a mais 
proveitosa. (J cônsul britannico local acaba d(^ fornecer os seguintes pormenores : 



344 SOCIEDADE NACIONAL DE AORICOLTURA 

As plantações de cacáo abrangem uma área de 40.000 acres, contando 10 mi- 
Ihõíís de pós. Era 1907-908, a producção elovouso a 25.000 toneladas. Cada acre 
conténa S50 pis de caoáo e a mi^dia de prodn(!c.'rLO annual é de 5,5 libras por pé. 
NSo ha duvida, iwrém, que com mais esmero e intnlligont • esforço, essa média po- 
daria ser lariramente au^rmentada, visto que um itonluicido plantador colhe rogu- 
larmonte 13 libras por pé cm cada safra. 

Durante os últimos annos tera-so tentado substituir o velho methodo de soccar 
a vatrs;n ao sol pelo da sécca modianto calor artificial. 

.\s tentativas foram satisfactorias, porque ficou averigaado que o cacáo seccado 
pelo novo processo torna-si^ superior e adquiri' uma coloração mais roi;ular e uni- 
forme, o que lhe dá molbor cotação no mercado. Este methodo, porém, é um 
tanto dispendioso, e por isso somente adoptado até agora por um pequeno numero 
de plantadores. 

O Brasil, ao todo, concorre presentemente com um pouco mais de um quinto da 
producção de cacáo do mundo. Dessa proporção a Bahia entra com 80 por ceato, 
— por onde se vê que esse Estado occupa posição considerável no mercado mundial 
do cacáo. As safras da Bahia têm ;i.ugmentado de 14.000 toneladas em 1901-002 
para 25. 182 toneladas em 1907-908 e a presente safra é cal('ulada era 27.000. Esse 
cacáo é exportado em arande escala para os Estados Unidos, Allomanha o França. 

O reino Unido também recebe uma parte. 

O augmento da producção continua a ai:centuar-se de anno para anno. A re- 
gião apropriada a essa cultura é praticamente il limitada e as condições são alta- 
mente favoráveis ao rápido m 'drio. 

O grande embaraço ao desenvolvimento desta industria é a difflculdade de trans- 
porte. Não ha uma só via férrea na zona do cacáo e as estradas existentes são 
imprestáveis. Como resultado, o transporte de cacáo e outros productos é muito 
dispendioso. Muitos planta^lores pagara tanto quanto 4 shillinirs pelo transporte de 
cada sacco (132 libras) do cacáo, e o prior é que esse transporte, assim feito aos 
trancos e barrancos, estraga a tal ponto o artigo, que chega a affectar a sua cotação 
no mercado». 



O café. — Os Srs. Nortz & Comp. do Havre, publicaram no dia 2 do cor- 
rente, a sua costumada circular sobre a situação e futuro do café. 

Duuring & Zoon, de Rotterdam e Nortz & Comp., do Havre, são dois grandes 
negociantes de café, muito populares entre nós, e nos grandes mercados mundiaes 
de cale, pelas suas celebres circulares, que revelam o perfeito conhecimento quo 
teera desse negocio. 

A seguir transcrevemos a referida circular : 

« Recebemos esta semana ura telegramma dos nossos amigos Srs. Barbosa 
& Comp., inforraando-nos que o chefe da família, .sir. Barbosa pai. importante 
fazendeiro de Ribeirão Preto, tendo percorrido diversos districtos, verificou que a 
florescência se fez em em condições muito desfavoráveis e pensava que a próxima 
colheita não daria oito milhões de saccas. 

Bem sabemos quanto pode ter de hypothetica, nesta época do anno, uma opi- 
nião desse género, t mto mais quanto ainda haverá outra florescência em outubro 
e talvez outra em novembro. Sabemos igualmente quanto o publico está sempre 
disposto a estranhar que já se avalie a próxima colheita, quando ainda não se 



A LAVOURA 345 



sabe ao certo o que vai dar a actual. Devem admittir, entretanto, todos quantos 
se teem approximado da cultura cafeeira, que é facílimo averiguar o estado 
desfavorável da florescência, ao passo que é difflcil avariar, com approxi- 
maçào de algumas centenas de mil saccas, as entradas de uma colheita em mo- 
vimento. 

Além disso, essa informação é confirmada por apreciações de differentes pro- 
cedências, uma das quaes, de opi?em muito séria, calcula apenas em 10 a 10 1/2 
milhões de saccas a colheita actual. 

Desde a manhã de quinta feira corre o boato de que o Governo de S. Paulo 
desistiu do projecto de supprimir a limitação de exportação e um aviso offlcial 
publicado hontern á tarde e procedente de Antuérpia, assegura que não se trata 
dessa suppressão, mesmo porque a colheita actual deve ser inferior ao que se es- 
perava, e a futura ainda menor que a actual . Por nossa parte, pensamos que se 
ainda perdura essa funesta limitação, é que não foi possível chegar a accôrdo sa- 
tisfactorio com os bancos. 

Não temos lembranças de, em 85 annos, ter assistido a semelhante situação 
no cafó. Parece que ninguém quer auxiliar o mercado e elleacha-se inteiramente 
entregue a si mesmo, o que, entretanto, não impede que, em vez de baixar, mani- 
feste tendência a evidente firmeza . 

Não se pode explicar esta circumstancia senão pelo facto de altistas e baixistas 
pretenderem uma só cousa — que o mercado baixe e ainda uma vez, pois sentem 
os perigos da situação, vendo que o tempo corre, que se approxima o momento em 
que as entradas devem forçosamente reduzir-se e em que terá de entrar em vigor 
a limitarão da exportação, e tudo isso sem que tenham tido ensejo de abastecer-se 
a preços baixos. 

Parece que o effeito da depreciação do artigo vai desconcertar todos os cál- 
culos. 

Cumpre ainda dizer que ha alguns annos todos os grandes artigos teem tido alta 
de preços : o algodão, a lã, o assacar, a pimenta, os metaes, assim como todos os va- 
lores, estão em alta visível desde o anno passado, devidh d barateia do dinheiro. Sâ 
se exceptua o trino, em vista da sua forte producçâo, o qtte è ainda um factor da pro- 
speridade geral e do augmento da força acquisitiva da collectividaue , 

SÓ o café ficou atraz, mantém-se barato e é o único producto, cujos preços são 
inferiores ás custas de producçâo. Ora, aiigmentado regularmente o consumo do 
café, emquanto muitos paizes produetores diminuem gradualmente as respectivas 
colheitas, ou mesmo o abandonam completamente, como Java, e tendo em vista 
que ha seis annos não se fazem novas plantações, nfio é ser demasiadamente opti- 
mista acreditar que esse artigo, tendo passado ha treze annos por tantas attri- 
bulações, acha-se talvez na véspera de restabelecimento definitivo ; tanto mais, 
talvez, quanto todo mundo finge não o crer, temendo que o facto se realize ; 
porque são raros os que deram providencias para esta eventualidade. 

E' tanto mais fácil agora tomar posição no artigo, qu into elle está em deport 
e ha certo tempo tem sido regularmente possível vender a preços sensivelmente 
mais elevados, no vencimento, as compras feitas a prazo para mezcs mais proximosi 
ao passo que é impossível a cobertura sobre os mozes mais afastados. 

Ao que vimos de expor, não é preciso accrescentar conselhos. A nossa opinião 
é a mesma : — deve-se comprar café e saber guardal-o». 



346 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Iiiclioa.<,*ôeii< utoiH. —Desintegra dor «Dr. Ca.rlos Botelho». — Esta 
machina ô ;i unioa quo produz o farelo de oanna, som extrahir o sueco. 

O mesmo apparelho 6 tambora um purfoito desintegrador para milho. 

Uiiioos fabricantes: — CompaQliia Mechanica — S. Paulo. 

Saloxo. —Ao fSaloxo», sal especial para gado, importado jielos Srs. Rom- 
bauor & C, foi conferida a menção honrosa, na exposição agrícola de Porto 
Alegre. 

O Ministério da Agricultura mandou agradecer aos Srs. Rombauer &. C. a of 
ferta de 1.000 kilos «Saloxo», para distribuição gratuita entre os criadores das 
zonas flagelladas pela febre aplitosa no listado do Rio de Janeiro. 

Agua Electra Sanitas. — Especifloo contra a sarna dos carneiros, moléstia 
que causa o empastamento da lã. 

A agua Sanitas foi applicada com completo successo, nos carneiros, do Horto 
dft Penha, mantido por esta Sociedade, e situado na estacão da Penha. 



Cooperativa, Central dos A.js;ricultoi-e8 do lírazsil — 

Conforme estava annunciaJa, reuniu-se no dia 5 do corrente a assembléa geral 
da Cooperativa Central dos Agricultores do Brazll. 

Aberta a sessão, o Dr. Wencesláo Bello declarou que tendo siimente naqiiella 
mesma data ficado promptos os estatutos, não tinha ainda dado conhecimento 
delles aos 184 lavradores, que já tinham adherido á Cooperativa, para ro- 
metterem os necessários poderes para assignar os estatutos e subscrever o ca- 
pital de cada um. 

Não estando ainda esses adherentes habilitados para exercer os direitos de 
sócio, isto í, votar e ser votado, propoz o adiamento da assembléa para quando 
tiverem sido observadas essas formalidades essenciaes, devendo elle então con- 
Tocal-a novamente para a eleição e posse da directoria e conselho flscal. 

Essa proposta foi approvada e ficou também resolvido que os originaes dos 
estatutos e as listas de assignaturas dos quinhões, ficassem á disposição dos in- 
teressados, nesta sociedade. 



Industria Pastoril — Continua com grande incremento por parte 
dos nossos criadores a imjiortação de aniraaes reproductores, que, depois do 
introduzidos no nosso meio pecuário, formarão forçosamente um precioso contin- 
gente tão necessário á industria pastoril. 

A 12 do outubro, ãs 2 iioras da tarde, desembarcaram no caos da Companhia 
Cantareu'a, no Pharoux, um bellissimo cavallo árabe o um esplendido louro da 
raça Quernsey, chegados pelo vapor inglez Tintoretto e importados pelos activos 
commercianto.s desta praça Srs. Hoplvins, Cansorà Mopliiiis, que os adquiriram para 
o Sr. José Soares Pereira Júnior, iim dos mais importantes fazendeiros e criadores 
do prospero Estado do Rio de Janeiro, que não tem poupado os maiores sacrifícios 
para elevar bem alto o conceito de que goza o nosso paiz no estrangeiro, no que 
concerne ao melhoramento e completo levantamento da nossa pecuária. 

Alôm destes dois reproductores, vem mais um cavallo também árabe, perten- 
cente ao adianta lissimo Governo do Estado de Minas Geraes, que o mandou buscar 
para um dos seus mais operosos criadores, seguindo no mesmo vapor para o porto 
de Santos, onde desembarcará com destino a Uberabinha. 



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A LAVOURA 347 



Como acima dissemos, a importação foi feita por intermédio da casa Hopkins, 
Causer & Hopkins, já tão conhecida dos nossos criadores, não só pelos bons espé- 
cimens que faz transportar para o Brasil, como pelos relevantíssimos serviços que 
lhes tem prestado facilitando-os e auxiliando-os na' adquirição de reproductores 
especi.ies e que se prestem ao fim para que são destinados. 

A casa Hopkins, Causer & Hopkins ô uma das mais consideradas e respeitadas 
quer da nossa praça, quer das praças ondo mantám flliaes, como sejam: Estados 
Unidos da America do Norte, Bolirica, Canárias, Suissa, Hollanda, etc., não so le- 
vando em linha de conta as filiaes d'aqui e de S . João d'El-Rey, além das agencias 
de Bello Horizonte, .luiz do Fora, Curityba, Porto Alegre, Recife, Pará, Paraná e 
muitas outras que não nos occorrem agora, de forma quo a casa está preparada para 
adquirir logo na fonte principal qualquer reproductor, sendo estes os motivos 
por que a casa Hopkins, Causer & Hopkins se impõe a todo criador criterioso quo 
deseja fazer uma boa selecção. 

No intuito de auxiliar os criadores no extermínio do carrapato têm sido 
incansáveis os Srs .Hopkins, Causer & Hopkins, já mandando vir da sua casa matriz, 
em Birmingham, medicamentos especiaes, como o poderoso desinfectante denomi- 
nado «Vacclio», reíristrado na Junta Commercial e ao qual se poderia applicar o 
titulo de «Salvação do criador», visto a sua efflcacia na destruição daquelle parasita, 
que incalculáveis prejuízos tem até hoje trazido aos criadores. 

Os animaes quo hoj > desembarcara são reproductores de primeira ordem e 
pelos respectivos pedigrees se poderá avaliar a sua fina qualidade. O progenitor do 
touro tem alcançado consecutivamente nestes últimos annos o campeonato, que 
ainda conserva. Os cavallos, do linhas correctíssimas, mostram a qualquer leigo 
no assumpto a sua especialidadi', podendo os Srs. Hopkins, Causer & Hopkins 
exultarem com o êxito obtido com esta importação. 



Prémios a,os sex-icicultoi-es — A importância de 60:000$ desti- 
nada aos prémios aos sericicultores e ás fabricas de seda será distribuída do modo 
seguinte : 

lOrOOOs, á razão de 1$ por kilogrammo aos sericicultores que apresentarem 
casulos de producção nacional, de accôrdo com o regulamento n. 6.519, de 13 de 
julho de 1907; 5:000$, aos sericicultores que provarem, a juizo do Governo, ter, 
no mínimo, dois mil pés de amoreiras formadas e perfeitamente cultivadas e 
22:500.-j, a cada uma das duas primeiras fabricas que, installando machinas aperfei- 
çoadas, empreguem, na tecelagem, casulos nacionaes. 



rtamie — A oEferta de rhizomas de roMíe, queo Sr. barão do Paraná fez 
ao Museu Commercial do Rio de Janeiro, nos suggero algumas considerações 
sobre essa importante planta têxtil. 

Outr'ora foi, com enthusiasmo, tentada pelos agricultores do nosso paiz 
a cultura dessa planta, tendo sido. porém, abandonada, em vista da difflculdade 
do preparo da fibra e da sua applicação commercial o industrial. 

Kntriítanto, com a vinda do Sr. Theophile Trébucq, que traz pessoal ha- 
bilitado e machinas especiaes para installar um grande estabelecimento de te- 
celagem e ilação, com capitães francezes, será naturalmente iniciada, em ampla 



348 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

escala, a cultura da rumie. Sobre a cultura da rnmie, o Sr. Trébníq foz uma con- 
ferencia muito interessante, no Musuu C nnmercial, a qual foi muito concorrida. 

Estão interessados nessa cultura os Sfs. viscondes do Urarahy e Quissaman, 
o Sr, barão do Paraná e o Sr. J. Ribeií-o do Castro. 

A plantação deve ser feiti por niuio de rliizomas. 

A cultura por sementes, além de exigir maior cuidado, é do desenvolvimento 
mais demorado. 

Devido ao tanino que contCm, a ramie 6 inatacável peles insectos. 

Planta de fácil cultura, produz muito bem nos Estados do Rio, S. Paulo e 
Santa Catharina. 

Os rhizomas que o Sr. barão do Paraná ofTerecou ao Museu Commercial 
vieram da fazenda do Sr. A. Marcondes, na Apparecida, município de Sapucaia, 
Estado do Rio. 



lieg-isti-o do criadores e industriaee— O Sr. Charles Causer, 
sócio da importante firma, Hoplvins, Causer & Hopkins, foi o primeiro criador, 
que se inscreveu no Registro de criailores e índMstrtaeí, organizado pelo Ministério 
da Agricultura, Industria e Commercio. 

Este acto do adeantado criador merece ser largamente imitado, pois é de 
grande utilidade a insoripção no referido Registro. 



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PARTE COMMERCIAL 



Mez de outubro 

Ca,ré 

Durante o mez de outubro foram vendidas 281 .0 )0 saccas de café para expor- 
tação, veriflcando-se em 31 de outubro um stock de 341.104 saccas. 

Houve nerta animação no mercado dos comraissarios, observando-se franco 
supprimento do café á venda sob a influencia das noticias de alta no fechamento 
em Nova Vork. 

Os extremos das nossas cotações durante o mez foram os seguintes: 

Por arroba Por 10 kUoa 

Typo n. 6 6$300 a 7$300 4^289 a 4$970 

» » 7 G$(JOO > 7$(»00 4$085 > ■)$766 

» ,8 5$700 > 6$700 3$881 » 4^562 

, ,9 5$400 » 6$400 3$G76 » 4$357 



A LAVOURA 349 



A.^ua>i*d eu te 

Os supprimeQtos recebidos no decurso do maz constaram de 593 pipas de di- 
versas procedências, conservando-se os compradores retrahidos. 
As cotações por pipa, base de 20 grájs, foram : 

Paraty r25$00O a 130$000 

Angra 10"j$030 > 110$)00 

Campos 90$000 » 93$000 

Maceió 93$000 *• 95$000 

Bahia 90$000 » 95í;000 

Pernambuco gDjOOO ■- QõjOOO 

Arac^ii 9J$000 » 95:>C00 

Sul 90$000 » 93$000 

Álcool 

Na pi-imoira quinzena, o mercado deste producto permaneceu estável, na se- 
gunda, porém, estsve indeciso, recusanlo-se os compradores a pagar os preços 
anteriores. 

As entradas foram pouco volumosas e os preços regularam do seguinte modo : 

40 gráos 160.$000 a 170$000 

38 • 140$000 > 150§000 

3fi > 185.?000 > 135J000 

A.Ig'odão em ra^ma. 

Durante todo mez, a mirciía dos preços foi sempre ascendente em virtude das 
noticias de Liverpojl e dos grandes embarques para ahi. 

A existência do numero de fardos no dia 31 de outubro era de 10.768. 

Preços 

Pernambuco 12$600 a 15$400 

Rio Grande do Norte I2$400 ^> 15^400 

Parahyba 12$600 » 15$000 

Ceará 12$600 » 13$600 

Penedo lã|000 » 14.$300 

Sergipe. 11$200 > 14$000 

A-ssucar 

Na primeira quinzena, em consequência da falta de pediio5;.do interior e da 
suspensão de pagamentos de algumas firmas deste ramo de nBgocio, o mercado 
conservou-so frouxo para o género; na segunda houve alguma animação. 

O mercado fechou flrme e orçava-se em 31 do mez a existência em saccos 
164.434. 

7575 8 — 



350 SOCIEDADE NAQONAL DE AGRICULTURA 

03 preços regularam do seguinte moio: 

Pernambuco : 

Branco usina $240 a $260 

Dito crystal $240 * $2-30 

Dito 3' sorte $230 a $260 

Crystal amarello $2X) > $240 

Masoavinho $20J > $24) 

Somenos $2.X) > $230 

Mascavo bom $100 > $203 

Dito regular $150 >• $185 

Dito balso $140 > $160 

Campos : 

Branco crystal $250 a $290 

Dito do 2» jacto $2i0 » $250 

Crystal amarello $200 » $240 

Mascavinho $190 » $240 

Sergipe : 

Mascavo bom $160 » $193 

Dito regular $150 > $180 

Dito baixo $140 » $160 

Fumo em rolo 

Na primeira quinzena o movimento de negocio continuou escasso; na segunda, 
houve augnien to regular nas entradas e negócios mais desenvolvidos. 

O mercado fecliou firme. 

As cotações, por kilogramma, foram as seguintes : 

Preços 

De Minas, especial .•tgOO 

Dito superior $300 

Dito 2» $600 

Dito ordinário $500 

Goyano especial í;$000 

Dito superior 1$800 

Baixo $800 

Rio Novo, superior L$ô00 

Dito 2' 1$40J 

Dito baixo $800 

Pomba superior 1$200 

Dito 2» 1$000 

Dito baixo $800 

Carangola 1$000 

Picú especial, 2$000 

Dito I« 1$600 

Dito 2* 1$200 

Babia 1$600 



A LAVOURA 351 



Oereaes 

No mez rogalaram os seguintes preços : 

Saccos 

Arroz nacional 29.|C00 a 32$000 

Dito inferior 27|000 > 29$000 

Dito esíi-angeiro (agulha) 1" qualidade 36$0C0 » 38.$000 

Dito 2" qualidade 3ã§000 » 34ÍO0O 

Feijão preto de Porto Alegre Nominal 

Dito idem mineiro 9$500 a 11|000 

Dito idem de Santa Catharina "$500 » 8$500 

Dito do Paraná Nominal 

Dito mulatinho IT.sõOO a 19§500 

Dito manteiga 16$000 » 18$000 

Dito enxofre, nacional 15$000 » 17$000 

Farinha de mandioca especial 9$200 ► 1U$000 

Idem flna 7$200 » 8$800 

Idem peneirada 6$500 « 7$600 

Idem grossa ... 5$900 » 7$200 

Milho da terra 6$800 » 7$600 

Idem idem misturado 6$õ00 > 7$200 

Cangica 15$000 » 16$000 

Favas Nominal 

Amendoim , 7$000 a 8?00O 

Kilogramraa 

Fubá de milho $130 a $200 

Matte em folha $540 » $640 

Tapioca $360 » $400 

Polvilho $460 » $560 



7S75 Rio de Janeiro — Imprenaa Nacional — 1^09 



EST A.TTJTO S 

CAPITULO H 
DOS SÓCIOS 

Art. 8.° A sociedade admitte as seguintes categorias de sócios : 

Sócios eITectivos, correspondentes, honorários, beneméritos e associados. 

§ i." Serão sócios eITectivos todas as pessoas residentes no paiz que forem 
devidamente propostas e contribuírem com a jóia de i5$e a annuidade de 20$ooo. 

§ 2.° Serão sócios correspondentes as pessoas ou associações, com residência ou 
sede no extrangeiro, que forem escoliiidas pela Directoria, em reconhecimento dos seus 
méritos e dos serviços que possam ou queiram prestar á sociedade. 

§ 3.° Serão sócios honorários e beneméritos as pessoas que, por sua dedicação e 
relevantes serviços, se tenham tornado beneméritos á lavoura. 

§ 4.° Serão associadas as corporações de caracter official e as associações agrícolas, 
filiadas ou confederadas, que contribuírem com a jóia de 30$ e a annuidade de 5o$ooo. 

§ 5.° Os sócios effectivos e os associados poderão se remir nas condições que forem 
preceituadas no regulamento, não devendo, porém, a contribuição fixada para esse fim 
ser inferior a dez (10) annuidades. 

Art. 9.° Os associados deverão declarar o seu desejo de comparticipar dos tra- 
balhos da sociedade. Os demais sócios deverão ser propostos por indicação de qualquer 
sócio e apresentação de dois membros da Directoria e ser acceitos por unanimidade. 

Art. 10. Os sócios, qualquer que seja a categoria, poderão assistir a todas as 
reuniões sociaes, discutindo e propondo o que julgarem conveniente ; terão direito a 
todas as publicações da sociedade e a todos os serviços que a mesma estiver habilitada a 
prestar, independentemente de qualquer contribuição especial. 

§ I ." Os associados, por seu caracter de coUectividade, terão preferencia para os 
referidos serviços e receberão das publicações da sociedade o maior numero de exem- 
plares de que esta puder dispor. 

§ 2." O direito de votar e ser votado é extensivo a todos os sócios ; é limitado, 
porém, para os associados e sócios correspondentes, os quaes não poderão receber votos 
para os cargos de administração. 

§ 3.° Os sócios perderão somente seus direitos em virtude de expontânea renuncia 
ou quando a assembléa geral re.solver a sua exclusão por proposta da Directoria. 



-'>jr»«- CH KÕ ^^jio- 



I?,Ea-XTI^.A.lS/a:B3SrTO 



CAPITULO VI 

DOS SÓCIOS 

.•\rt. 18. A sociedade prestarei seus serviços de preferencia aos sócios e associados 
quando estiverem quites com ella. 

Art. iQ. A jóia deverá ser paga dentro dos primeiros três mezes após a sua 
accei tacão. 

\tI. 20. .\s annuidades poderão ser pagas por prestações semestraes. 

.•\rt. 2[. Os sócios e os associados se poderão remir mediante o pagamento das 
quantias de 200$ e 500$, respectivamente, feito de uma só vez e independente da jóia, 
que deverão pagar em qualquer caso. 

An. 22. Os sócios e associados não poderão votar, nem receber o diploma, sem 
terem pago a respectiva jóia. 

§ 1." O sócio que tiver pago a jóia e uma annuidade, poderá remir-se mediante 
a apresentação de 20 sócios, desde que estes tenham igualmente satisfeito aquellas 
contribuições. 

§ 2.° Para esse eíTeito o sócio deverá requerer á Directoria, provando seus direitos 
nos termos do paragrapho anterior. 

§ 3.° Serão considerados beneméritos os sócios que fizerem donativos á sociedade, 
a partir da quantia de um conto de réis. 

.•\rt. 23. Para que os sócios atrazados de duas annuidades possam ser considerados 
resignatarios, nos termos dos Estatutos, é preciso que suas contribuições lhes tenham 
sido solicitadas por escripto, até três mezes antes, cabendo-lhes ainda assim o recurso 
para o conselho superior e para a assembléa geral. 






LARANJEIRA FORNECIDA PELA SOCIEDADE PARA O l')MKR 
DA FAMÍLIA CRUZ, FM 19O7 





An.no XUl - N. 11 



Rlú OK Janbiku 



.\o'. hllUBO DB l9Uy 




PIUWEUPt 



HORTO DA PENHA 




S^inhedo, visto de frente 



CspltAl Federal 



^ VIRIBUS UNITIS «« 



BRA.ZIEJ 



IMP. KACIONAL — I^IC 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

pDNUAliA EM 10 OK JANEMOI l)K I Hq? 

Oaim-poslal, 1245 Sen»; «om d» ilfimiog» d. Ifll! 

eoderego Tslegriphico, AGRICULTORA « flínora Camira d. 127 

Têlephone d. 1416 hi>> i>r janriko 

Ollt WOTOK.IA 

Presidente — Dr. Wencesláo Alves I.eite de OMveír.i Bello. 

1° Vice-presidente — Vaíio. 

2" Vice-presidente — Dn. Sylvio Fekreira Rangel. 

:i" Vice-presidente — Dr. Domingos Sérgio de CARVAf.iio. 

Secretario Oeral — Dr. Heitor de Sa. 

í° Secretario — Dr. Francisco Tito de Souza Kkis. 
2° Secretario — Dr. Benedicto Ravmundo da Sii.va. 
3° Secretario — Dn. Josi: Ribeiro .Monteiro da Sii.va. 
4" Secretario — Alberto de Araojo Ferreira Jacobina. 

1° Thesoureiro — Dr. João Pedreira do Couto Ferraz Jiinior 
2° Thesoureiro — Carlos Raui.ino. 

Horto da Peniia Dr. Wencesláo Bello 

Fazenda de Santa Mónica Dr. Sylvio Raníjel. 

SecretfN ia, Álcool e iMuseu ...... Dr. Benedicto Raymiindo. 

Secção Technica e Bibliotlieca Dr. Heitor de Sá. 

Plantas e sementes Dr. Monteiro da Silva. 

Propaganda e estatística Alberto Jacobina. 

Tlie.souraria Carlos Fiaulino. 

0«>l lii l><>ru<.*ÀO 

Serão considerados collaboradores não só os sócios como todos que quizeieni ser- 
vir-se destas coUimnas para a propaíjanda da afrricultiira, o que a redacção muito 
agrradece. A lista tios collaboradores será publicada annualmente com o resumo dos 
trabalhos. 

A reiiacção não se responsabilisa pelas opiniões emíttidas em artifjos assig-nados, e 
que serão publicados sob a exclusiva responsabilidade dos autores. 

Os onerinaes não serão restituídos. 

As communicações e correspondências devem ser dirigidas á Redacção d'A^^A 
VOURA na sede da Socieiiade Nacional de .Agricultura. 

A LAVOURA não acceita assignaturas. 

F.' distribuída gratuitamente aos sócios da Sociedade Nacional de .Agnciiltura, 

VEZES MEIA PAGINA tIMA PAGINA 

I 12$000 2O$O0O 

3 .... 3o$ooo 5(^000 

6 5o$ooo 90$ooo 

12 go$ooo i70$ooo 

Os annuucios são pagos adeantadamente. 

Tiragem 5.000 exemplares 

SUMMAklO 



.V .Mandioca 



PAGS 

53 



Caixas ruraes 356 

.\ exposição e criação mineira 35q 

Scccas contra secca 373 

Calculo.^ de safra ^76 

Expediente 378 

Noticiário 3g-5 

Parte Commercial 423 



Anno XlII — N. II Rio de Janeiro Novembro de 1909 



EDITORIAL 

LIBRAk. 

NEW VOKK 
BOTANICAL 

A mandioca cardiín: 

A mandioca é uma planta que tem elementos para vir a ser, em 
nosso paiz, uma inexgotavel fonte de riqueza, pela facilidade, barateza 
e abundância de producção. 

De facto, exceptuando os terrenos de humidade estagnada, a man- 
dioca produz em qualquer si'ilo, preferindo, entretanto, os silico- 
argilosos. 

Os climas quentes e seccos são os mais favoráveis á sua cultura. 
A plantação da mandioca é feita pelos processos mais simples, não lia- 
vendo quem ignore como se cultiva essa preciosa planta . . 

Existem umas 50 variedades, entre as chamadas braoas e mansas, 
que servem para a alimentação do homem e de algumas espécies de ani- 
maes, o entre elles o porco, os bovinos, os ca vai lares e muares, previa- 
mente habituados. 

A mandioca brava, para ser foi'necida aos animaes, deve ser sub- 
mettida, de antemão, a uns certos processos especiaes, afim de se tor- 
nar inoffen=!Íva. 

Deixamos de indicar aqui esses processos, por serem l>era conhe- 
cidos dos nossos lavradores. 

Para a extracção do polvilho, que tein applicações alimentícias e 
industriaes, utilizam-se as mandiocas mansas ou braoas. 

No no.s.s5 pai/, são cultivadas umas 30 variedades, e entre ellas: 
mandioca palma, em S. Paulo; mata-fome, nos Estados de Minas, 
S. Paulo, Rio e outros ; amarella, era Alagoas e Pernambuco ; mandioca 
doce, cultivada em quasi t'idos os Estados do Brasil ; mandiocas branca, 
'ou mansa, caoellinha, fria. Landim, Mandy, milagrosa, Morandu, 
manteiga, pacoré, Mandy, Sebastião, pipoca, suissa, assú, Barroso, 
Maniború, nos Estados de Matto Grosso e Goyaz ; Parati, periquito, 
S. Pedrinho, no Paraná ; retrós, amargosa ou oermdlia, etc. 

No Horto Fructiculo da Penha, mantido por esta Sociedade, .são cul- 
tivadas, para experiência, as variedades seguintes : 

Doces — Carcarica, manteiga, poquim, veado, mata-fome, pão do 
Chile, pão encarnado, Sinhá está na mesa a poça. 
^ Amargas — Mamão, saracura e Capanema . 

^ 8552 1 

■ 

a. 

Cl 



354 SOCIEDAD:': nacional DI5 AOaiCULTUaA 

Tubérculo alimenlicio de primeira ordem, a mandioca, enlretaiUo, 
nijo attinglu ainda, no Brasil, a importância, agi'icola, indusli-ial e com- 
merrial, (jue liie e^^tá re^orvada, e islo porque ella não púJe ser expor- 
tada, no seu estado natural, porque se deteriora. 

Para ser, pois, exportada, é preciso que ella seja Iransfoi-maiia em 
rampas on aparas, convenientemente dessecada*. 

Felizmente, para realisar esse di^sideratuni, o industi-lal Sr. co- 
ronel Napoleão Duarte, inventou um niarliinismoesi>e(i;il que descasca 
a mandioca e depois a redu/. a liimina> mui delgadas, as quacs, tratadas 
por um processo espacial quo evita leimentaião, são, em seguida, de- 
seccadas em apparellios apropriados, que as expurga das substancias to- 
xicas ou nocivas. 

As laminas assim preparadas conservam todos os seus elementos 
nutritivos, e são de perfeita conservação desde que não estejam expostas 
á l)umidade. 

O coronel Duarte tem o privilegio para a fabricação da farinha de 
mandioca, para a panificação. 

Para se avaliar do mérito do processo do coronel Duarte, basta dizer 
que o governo fi-ancez, roceioso da concurrencia quo o producl^ prepai-ado 
pelo seu systema vae fazer á producção similar das suas colónias, lançou 
sobre o producto preparado pelo systema « Duarte » o imposto de sete 
francos por 100 kilos. 

Si, até o presente, a exportação da raiz da mandioca era irrealizável, 
a tapioca e o polvilho, entretanto, conquistaram já diversos mercados 
estrangeiros. 

Mas mesmo estes productos não teem ainda, entre nós, a impor- 
tância commercial que lhes compete. 

Entretanto o numero de fecularias existentes nos Estados é já 
animador, mas da farinha fabricada pouca sobra para a exportação, 
porque o consumo dentro d" paiz é grande. 

Nos Estados do Norte, especialmente no Amazonas, no Pará 
e nas demais regiões onde so extrahe a Itorracha, a farinha de 
mandioca compõe, com a carne secca, o principal alimento dos ri- 
Jlciros . 

Java exportou para a França, em 190S, 27.000 toneladas de raiz 
de mandioca. 

M. Pcrkíns, administrador da « Planters Manufacturing C."», 
estabelecida na Florida (America do Norte), produz, annualmente, em 
cada uma das suas fecularias, G.OOO toneladas de fécula extrahida da 
mandioca. 



A LAVOURA 



355 



O Bi'asil exportou de 1902 a 1906 as seguintes quantidades: 



Annos 



1902 . 

1903 . 

1904 . 

1905 . 

1906 . 



Total 



O? principaes impor 



Kilos 

6.214.009 
6.671.239 
3.980.076 
5.276.146 
G. 664. 103 

28.805.573 



Coutos 

722:607$000 

810:233$000 

892:23ts000 

1.1 57: 737^5000 

1 . 335 : 7258000 

í.'JlS:53f;!<000 



tadores são as Republicas do Prata. 

Os pi'incipaes Estados exportadores são Santa Catharina e Rio 
Grande do Sul . 

A exti'acção do álcool da raiz da mandioca é praticada na Bélgica 
eem S. Paulo, na estação da Várzea, por uma sociedade anonyma frau- 
ceza. 

A Soc-iedade Nacional de Agricultura, com o intuito de crear e des- 
envolver a industria de raspas ou aparas de mandioca, para exix)rtação, 
instituiu, o anno passado, Ires prémios, sendo o primeiro de 1:0008, 
o segundo de OOOs e o tei-ceiro de íOO^OOO. 

Para fazer Jus a esses prémios era preciso (conforme se lê nos jor- 
naes do dia 19 de novembro de 1908 e na .4 Laooura do mesmo mez 
e anno, pag. 524) : 

1°, a descripção detalhada e clara do processo empregado; 

2", a demonstração do custo de producção do preparo industrial ; 

3°, a apresentação do producto na ciuantidade minima de cinco 
t' meladas, em estado de ser embarcado e romeltido para a Europa, como 
experiência, até 31 do maio de 1909. 

Seriam condições do pi-eTerencia para o 1° [)remio : 

1°, o maior preço alcançado na praça de Antuérpia, com margem 
para lucro ; 

2"^, menor custo do preparo industrial; 

3», a maior quantidade de producto apresentado. 

A Sociedade se promptiflcaria a auxiliar a exportação e a venda, por 
conta dos productores. 

Sobre este importante as.sumpto da cultura da mandioca e da pro- 
ducção e exportação dos seus productos, esta Sociedade tem se occupado 
sempre, como se verifica nos números da A Lavcura de dezembro 
de 1900, março a junho de 190J , novembro de 1908 o julho de 1909. 



-&^*»íjt««««- 



350 SOClEDAUh .^AC10^AL UU. AGKICULTURA 



COLL.ABORACÃO 



Caixas rurass 



Acredito da minha incomiieleiícia deve ser levada a sorama do 
desejo que nutro de servir, com o melhor das forças de que é capa/ a 
acanhada cultura do mou espii'ito, á causada Lavoura, magno problema 
em que se firma o futuro do paiz. 

E assim me desculpando no julgamento severo dos competentes 
das lacunas que bem sei existem neste desprelencioso artigo, irei, á 
medida das minhas forças, explanar a opinião que tenho no atti- 
nen te ao modo de accelerar solução completa, inteira e cabal da crise 
que assoberbou a lavoura do paiz. o quiçá abalou sua vida economo- 
financeira, hoje em si combatida, enfraquecida e minorada pelos gol- 
pes que vêm de receber dos muitos patriotas que a têm enfrentado co- 
rajosamente, imperlerrilamenle, na luta gloriosa para sua solvabilida- 
de, concretizada no diuturno e i-nces-^anle batalhnr da Sociedade Nacio- 
nal de Agricultura. 

Não venho tecer elogios — merecidos quaesquer que fossem — aos 
Drs. Assis Brasil, Ignacio Tosta, Pereira Barroto, Goi-los Botelho, João Pi- 
nheiro, Wencesláo Bello o muitos oulro5 nobillissi mos pelas aureolas 
de Apóstolos da grande causa ; e, sendo outro o meu fim, passo a elle 
sem cançar a paciência do leitor. 



Reconhecendo no credito o fundamenli principal, a base segura da 
Lavoura; esposando a liíeoria de que o dever primórdio daquelles que ar- 
maram-se para combater o nosso quasi aniquilamento é sustentar a idéa 
cm lodosos campos, em todos os terrenos, de que a salvação está na 
orientação calculada, serena e consciente da classe organisando-se para 
derrotar o inimigo commum : — a falta de credito ; certo de que as 
associações livres sem esparar dos governos que a protecção da Lei, 
única a poder ser alcançada com probabilidade de bom êxito, são a forma 
mais segura de methodico arranjo para o seu desenvolvimento : estou 
de perfeitíssimo accordo com a creação de syndicatos agrícolas, porque 
está muito claro, cos factos o tèra demonstrado no pouco que se ha 



A LAVOURA 3.7 



feito sol ire o assumpto, que a conriregaçSn dos interessados vincula- 
dos em contracto estadual — é o tolhi grabatum, et ambula — tão bera 
applicado pelo Dr. Tosta no final do seu discurso na ultima sessão 
plena do Congresso de Agricultura realizado na capital da Republica 
a 20 de setembro de 1901, consubstanciandi^ a grande, a gigantesca 
idéa, unanimemente approvada, do poder das assoc-iaojes . 

A Lavoura é a maior força do paiz, e referindo-se a ella liem o 
disse o Dr. Wencesláo Bello no mesmo Congresso quando apresentou 
o seu projecto : uA União na Lavoura sob a forma de Sijndicatos agrico- 
las»: «a classe é uma grande força latente, o que se faz preciso para que 
se manifeste e se reconheça é que se organise» . 

Nas Considerações apresentadas ao Congresso de Agricultura, no 
mesmo em que Ignacio Tosta e Wencesláo Bello disseram o que venho 
de i-eferir, Ferreira Ramos judiciosamente sentenciou : « o lavrador 
isolado nada conseguirá, ao passo que, fortemente aggremiado con- 
forme aquelle p\ano {si/ndicatos íz^tícoZíís), compenetrado, seriamente, 
no espirito de associação, tudo pôde conseguir em prol de sua classe e 
do paiz» . E tão seriamente a base da salvação da lavoura está nas asso- 
ciações, que o Congresso referido votando suas «Conclusões finaes» re- 
conheceu o poderdos syndicatos agrícolas a que se ligaram as caixas 
e federações cooperativas segundo os princípios e preceitos de Raiffeisen. 

A idéa tomou vulto e o Governo da União cônscio do seu papel na 
dianteira deste momentoso assumpto tem sanccionado os decretos sob 
ns. 979, de 6 de janeiro de 1903; 1637, de 5 de janeiro de 1907; 
6532, de 20 de junho do mesmo anno, e regulamento para execução 
daquelle primeiro decreto, que, dando feição legal ás associações para 
os fins agricola-industriaes, lançou a pedra angular do edifício proje- 
ctado porW. Bello, Tosta e Fábio Leal. 

A lavoura e industrias do paiz têm hoja na legislação a garantia 
completa; compete agora áquelles quesã'ios paladinos do Bem, nesta 
cruzada gloriosa, fazer a propaganda, envidar esforços no tocante à 
fundação, em iodas os municípios da Republica, de syndicatos agrícolas 
ou industriaes, ou unseoutios, e mantendo o fogo em toda a linha 
fazer o Brasil occupar o logar que lhe compete no concerto das na- 
ções produc toras. 

Estou aoladodaquelles que pensam que a forma mais segurada 
chegar a feliz porto é fazer resurgir o credito geral pela opplicação 
honestados rendimentos do paiz ; proteger as industrias creadas ; in- 
crementar o surgimento de novas ; desenvolvera propaganda por meio 
dos próprios interessados unidos em associaçõas conforme pensamento 



r.S SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

do segundo Congre^íso Agrícola realizado em ago-ilode 190S ; de acrordo 
pleno com rs syndioatos c coaperativas agi^icola^^, coma previdência e 
credito rural, neste pre^upposto creandoconcomilanlemonte os syndi- 
catos as Caixas Rniff'eisei) \)3íva p^qucni is empréstimos aos lavradores, 
e libertar os proprietários das peias da usura a que se sujeitam pela 
falta de ostaljeleci mentos que lhes emproslem o npital bastante para 
desenvolverem suas faz uidas, sitios c lavoura do pesado Juro de 2i 7» 
aoanno, comaccumulações seraeslraes, como se pratica onde resido; 
fomentando as industrias nascentes e creaçSo de inexploradas, cada 
qual de maior futuro ; osttibMocendo em cada centro productor uma 
destas associações do credito, chave de previdência e moralidade, que 
tão sérios e reaes serviços hão feito na França, Allemanha, Bélgica e 
Itália. 

Nada de agricultura moderna se conhece no sertão da Bali ia, moxi- 
me onde tenho domicilio ; e seria para louvar S3 uma dessas insliluições 
fosse croada com o fim de tudo fazer para sahir-se da rotina que o tem- 
po não tem i)odido destruir. 

Ao que me conste ainda nenhuma existe no sertão da Bahia, e 
releve-mea immodeslia declarar aqui (lue a primeira existente foi uma 
a que dei corpo e firma, creada no logar em que resido sob a denomi- 
nação de «Caixa Económica Accumulativa» que viveu ávido ephemera 
das gi-andes idéas num centro de ignorância : — constituida em se- 
tembro de 1902 dissolveu-se em fevereiro d!M903. Defeito de clausulas 
no estatuto — doce recordação que confiei em mãos do meu di^tin- 
cto amigo Dr. Joaquim Augusto Tanajura — fel-a fenecer devido á cor- 
rida no seu caixa motivada p3lo desgosto que causou ao maior deposi- 
tário um empréstimo feito a (lesa lleiívado seu, empréstimo que foi ne- 
cessário se transferisse a outrem alim de se obter capital para suppor- 
tar a crise . 

Não progrediu o meu pensamento naquella época ; hoje, iwrém, 
com a segurança da Lei, muito desojo croar uma nova caixa modelada 
pelo systema allemão. lamentando somente que as administrações da 
minha terra desvirtuando a instituição de credito que temos, creada 
para esse fim a ingentes esforços do bahiano operoso que é o Dr. Joa- 
quim Ignacio Tosta, — o Banco da Lavoura, haja feito delia não um 
refugio da classe, porém camarilha ile afilhaJos, senãj covil de desa- 
busada politicagem, e muito djsejara se espalhe por todo o centro do 
meu Estado esta idéa feliz. Basta. 

Fomentemos por todos os meios a creação de caixas ruracs de 
credito, unida a associações agricolas para o desenvolvimento da la- 



GADO ALLE.MÃO 




TiJiim de 24 niezes, escuro. Importado pelos Srs. Herm, Stoltz & Comp. 



A LAVOURA 359 



voura e industrias, concitemos o povo a exigir dos governos locaes 
vias de communicação para facilidade do transporte, e teremos alcan- 
çado o primeiro estádio da nossa regeração económica. 
Paramiiim, E. da Bahia, 25 de setembrode 1909. 



Urbino de Souza Vianna, 
Sócio da Suciedaik^ Nacional d; Agricultura. 



A cxposiçãc e a criação mineira julgada por Manoel Sernadez 



(conferencia pronunciada no acto do enckrra.mento da exposição pecuária 

DE BELLO IIORISONTE) 

Meus senhores — Julguei que a honra de ter sido admittido fi- 
dalgamente neste Ijello certamen da vida do trabalho e do progresso 
rural mineiro, devia ser por mim retribuida de alguma forma que 
externasse, com os meus parabéns, os mr-us agradecimentos. Bem de- 
sejaria eu, para fazer este pagamento, possuir as algibeiras a trans- 
bordar de boas moedas de ouro inlellectual — mas assim não sendo, 
infelizmente para mim, pagai'- vos-ei, meus senhores, no modesto 
cobre de uma desprelenciosa palestra, em que procurarei fazer a syn- 
Ihese de minhas impress(5es de observador transeunte deste bel lo es- 
pectáculo de energia económica em potencia que, decerto, encheu-vos 
o coração de varonil conforto, como a nós, forasteiros, amigos, en- 
cheu-nos os olhos de uma franca e sincera admiração. 

Daremos um rápido olhará exposição em seu conjunto, dizendo 
com leal e amigável franqueza, aqui lio que a observação achou credora 
de immediatos louvores, e aquillo que, da comparação com outras ex- 
posições semelhantes, pôde parecer que conviria ser ampliado ou li- 
geiramente modificado em futuros certamens. E dahi partindo desta 
synthese eloquente que é a exposição, faremos uma rápida viagem 
paios contornos industriaes e económicos da vida pastoril, onde podem 
os homens de empreza e os homens de governo tirar o i-esultado de 
previsões que são suggeridas ao espirito por um forte conjunto de 
factos ambientes, obtendo-se a.ssim o máximo resultado que de si 
mesmo pôde dar este robusto esforço collectivo, em que o povo pro- 



«60 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

duclor e laborioso vinfulou-se, numa Oflyssóa de honra, gloria e pro- 
veito commum, com os poderes do lislado e sua enérgica delegação 
organizadora, presidida por esse extraordinário trabalhador, que é o 
nr. Francisco Salles, resultando este conjunto intenso, verdadeira- 
mente exemplar, onde o governo de Minas pôde ter sua melhiir 
recompensa moral, no facto ile ter sido o mais bello successo desta 
exposição — seu successo de jiopularidade. 

O povo olhou para aexposi<;ão, achou que delia era digno e deu-lhe 
cora o enthusiasmo o seu soberano prestigio. E eu digo, meus se- 
nhores, que, quando em um Estado, como desde os gloriosos temidos 
de João Pinheiro, observo pessoalmente o que neste acontece, junta-se 
á cooperação popular a acção do governo, não ha excessiva distancia 
para seu pé sol)ranceiro nem lia altura domasiadti elevada para as 
azas de seu espirito, avidci de horizontes ! 

Haveis de perdoar-me, meus senhores, por ter escripto estas li- 
geiras observações. Desejo dizer com a iwssivel brevidade e clareza, 
somente aquillo que achoi ulil dizer e, improvizando-se, emlwrasó as 
palavras sejam impro\ izadas, porquanlD as idéas não devem sel-o, nem 
sempre a oração pôde ficar restricta aos moldes rijos de seu propósito, 
principalmente quando, C(imo no ineu caso, expresso-me em uma 
lingua que, semelhante a uma mo(;a !a(eira,scnlindo-seaident('menle 
desejada, só aos poucos, desespeiadoramente, vai entregando a chave 
ideal de seus cubicados thesouros. 



Não tive occasião de oljser\ar a primeira exposição, apenas vis- 
lumbrei-a pelo prisma deficiente de informações, referencias e phuto- 
graphias. Acho, porém, uniforme a opinião de ser esta de maior im- 
portância em numero e qualidade deanimaes, salientando-se ainda o 
facto de terem se apresentado nesta menor quantidade deanimaes in- 
dianos, que na primeira predominaram, e que nesta, ainda imponentes 
em numero, ficam expressivamente batidos pela col ligação feliz das 
diversas raças aperfeiçoadas, presentes na exposição. 

Deste facto, da funcção ai-cidental do gado indiano na pecuária 
mineira, havemos de dizer alguma oiisa, fructo de novas observações, 
porém, e preciso um « aperçu » da exposição, começando por seu ma- 
gnifico erapiazamento, por sua ampla esthetica e adequada instal- 
lação, que, ainda em começo, apresenta traços de magnitude fora do 
commum, no seu grandioso ensemble. 

O logar foi escolhido com oliio esperto e feliz, e o que vai se fazendo 



A LAVOURA 361 



corresponde a «m conceito de vastidão, que bem al^rangea importância 
actual da criação mineira, preparando um scenario para maiores ex- 
pansões futuras. Uma tal obra de installação não pôde ser commettida 
a um governo, nem talvez mesmo a uma geração; a Sociedade Rural 
Argentina só agora está demolindo os velhos galpões de taboa e zinco 
que por mais de vinte annos serviram ás suas grandes exposições. 
Porém, a questão essencial é o traçado do plano, para evitar o trabalho 
exhaustivo de fazer e refazer . 

Neste ponto, talvez algumas moditicações de detalhe fossem de op- 
portunidade para a terceira exposição. O grande istadium» para o des- 
filar e para asexhibições de conjunto parece-me estar naturalmente 
indicado no centro do prado de corridas, que só precisa ser fechado 
com gradil de madeira e ajustando a esse critério a ornamentação e 
concerto deste magnifico espaço, que continuará a servir para jogos 
athleticos e concursos hippicos de gentlemen, que são um especial at- 
tractivo das grandes exposições. 

Tamtem é noc^s-ario um i'eciato parao trajjalho dos juizes, um 
tanto afastado do trafego popular, ficando esse espaço, vago hoje, entre 
as fileiras de baias e as construcções mais de biixo, para ser apro- 
veitado por uma outra série de Ijaias, que sem duvida virá a ser 
necessária. E, segundo parece-me, está igualmente indicado para a 
terceira exposição o preparo de um local para uma exposição de la- 
cticínios, de primordial importância para este Estado, juntando á apre- 
sentação dos productos industriaes um concurso de vaccas leiteiras, cuja 
influencia será preciosa no começo desta grande transformação eco- 
nómico- pastori 1 em que visivelmente enveredam, tanto o governo como 
os criadores do Estado de Minas Geraes. 

Uma questão fundamental a ser enfrentada é o trabalho dos juizes. 
E' sabido seresta uma das maiores difficuldades em toda a parle. 
Os argentinos, depois de mais de 20 annos de exposições, acabaram 
por entregar o julg.imento de seus principaes reproductores, os seus 
campeonatos de raça, a peritos inglezes, que lodos os annos vêm ex- 
pressamente para esse fim. Estes juizes são designados, a pedido da 
Sociedade Kural Argentina, pela Real Sociedade de Agricultura, de 
Londres, que, sem duvida, é a maior autoridade mundial em questões 
de pecuária. Naturalmente, não quero dizer que Minas importe juizes 
de Inglaterra; faço referencia para salientar a necessidade de reformar 
os jurys com antecipação, procurando, no possível, que não sejam 
directamente vinculados com a exposição. Ainda o Jornal do Com- 
merciode hontem traz um lelegrammade Buenos Aires communicando 

8552 2 



3'.? SOCIEDADE NACIONAL DE AQUICULTURA 

haverem rhegarlo ahi òs [lerilos iniílezes deslinadus ao jury tlosle onno. 
A' sua rhegada luilo e.«ld preparado para fai'ilitar-lhes o traliallio. 

Cada raça está dividida cm categorias segundo a idade, sendo, por 
exemplo, para os bovinos, a primeira categoria de 18 a 24 mezes ; a 
segunda de 24 a 30, e assim conseculivamenle, subindo de seis em 
seis mezes até os 4 ânuos. Aqui o limite máximo da idade deve ser 
maior, visto tratar-se, na maioria, de raças não precoces, que fazem 
sua evolução mais lonlamenle. .Mas naturalmente, deve liaver um 
limite, porquanto as exposições não se inventaram para a í;c:nle ad- 
mirar Malhusaiens. Os aniinaes estão todos cm raças, em baias con- 
tinuas, começando pelas categorias mais baixas, da esquerda para a 
direita. Assim, não só os jurys, mas o publico mesmo vae fazendo 
seu juizo seguro p3la comparação immediataque não pôde ser feita 
quando as diversas raças e idades estão misturadas. Além disto, as 
baias que devem ser bastante largas para os animacs terem lodo o con- 
forto o poderem ser observados de flanco .sem serem incommodados a 
cada instante, é conveniente que não estejam fechadas, pelo menos 
com portas altas, pai-a melhorar o aspecto do conjunto e para facili- 
tara observação do li-an.<eunte, que insensivelmente vae educando o olho 
e vae-se habituando a comparar e a distinguir os melhores exemplares 
om sua oclividado natural, (jue não é quando são puxados e postos 
em «pose» mais favorável. 

Naturalmente, que tudo isto, assim como a possibilidade de não 
admittir tudo quanto chegue ás portas da exposição, mesmo que sejam 
casos feratologicos, os que nada têm a fazer nesses torneios, que não 
são da deformidado ou dos caprichos doanlios da natureza, senão da 
belleza, do aperfeiçoamento das formas e das aptidões úteis das raças; 
tudo isto, dizia eu, já sem duvida foi cogitado paios experimentados 
organizadores no governo e na commissão deste l)ellis.simo e promelte- 
doi- rortamen . Assim , o facto de fazer eu estas ! igeiras observações, não 
é, em todo caso, mais do que uma coincidência dos critério^, útil 
para reforçar a necessidade de ir, no futuro, accentuando gradualmente 
as exigências. A este respeito a liberalidade desta exposição é, antes 
que um defeito, um traço de liberalidade e sen.so pratico dos organi- 
sadores, que teriam desanimado e me^mo desgostado muitos expo- 
sitore-, se desde o começo estabelGcessem ú risca os processos exigentes 
em uso em outros paizes, — porém em u«o só depois de muitos 
annos, — só depois de irem os concurrenles, os criadores mesmos, 
reconhecendo a utilidade económica das exposições e a conveniência 
geral de uma imparcial .severidade nos regulamentos. 



A LAVOURA 363 



Outra questão fortemente ligada ao bom successo, seriedade e tran- 
scendência destas exposições — é a importante questão dos « pedigrees », 
que neste caso são os cartazes que os traduzem,' onde va<3 resumido 
o estado civil, por assim dizer, a idade e os méritos genealógicos de 
cada animal exposto. E' inútil dizer-se que uma pei-feita boa fé deve 
presidir estas declarações, pois a lioa fé deve sempr.e presumir-se — 
porém, ella não basta: é indispensável garanlir-se, no que é possível, 
contra os erros, mesmo, falando sem offensa para ninguém, contra a 
ignorância ou lacunas informativas dos expositores. E' preciso fazer 
entender o alto valor moral e matei ial do «pedigree » — do attestado 
que garante a idade, o sangue, os caracterislicos do animal, e sob cuja 
lionestidade e exactidão devem os animaes entrar á lucta, obterem 
o.s prémios esorem vendidos. O engano, posto que involuntário, deve 
ser exhibido em sua eslensa gravidade, pela irreparável lesão que 
acarreta aos legítimos interesses de outros concurrentes c d industria 
toda no caso de ser vendido um reproductor em condições inferiores 
ou simplesmente diversas das que resultam do cartaz. 

Quem vae a uma loja, por exemplo, comprar uma garrafa de 
vinho, se for logrado, no paior dos casos bota o vinho fora — porém, 
o i[ue soffre um engano em um reproductor, cm um sangue que oUe 
quer injectar em seu gado, só depois de muitos annos vem salxír do 
prejuízo, ou me=mo nunca chega a saljer, attri buindo o seu fracasso a 
diversos motivos, quando estava talvez todo o motivo no ponto de 
partida, no sensível engano original . Entretanto, não havendo registros 
genealógicos offíciaes das raças pecuária-, é certamente difflcil esta- 
belecer filiaç<53s pe:-(eitas — insuspeitas ; porém o erro grosso até poder 
ciiegar a grosseiro, que so porventura não se deu aqui pôde dar-se, 
tendo eu observado diversas vezes esse, que até lesa a seriedade das 
exposições, pôde ser evitado, especialmente Iratando-se de idades, em 
que com diíT.írençi de mezes é possível fixar approximativas pendentes, 
tendo natui-almente perfeito conhecimento das evoluções dentarias 
nas raças ordinárias e nas raças precoces, que não são absolutamente a 
mesma c.iu^a A questão é formar no expositor a consciência desta 
necessidade de exactidão, dessa exigência imperiosa de sj pôr nos 
cartazes a verdade de que elle lenha segurança documental, antes 
deixando em branco as linhas que pudessem ser preenchidas com uma 
manifestação duvidosa. Uma vez preenchida esta formalidade, o expo- 
sitor tem por sua voz todj o direito de considerar-se garantido contra 
as imputações caprichosas de quem quer que seja e que assumiriam 
então o caracter odioso de offensas ó sua probidade. 



364 SOCIEDADli NACIONAL DIC AGRICULTURA 

A esle respeito precisamente jicço licença para fazer um apai-le 
que, de certo modo, me é pessoal, interessando entretanto a questão geral. 
Eu apresentei aqui, sem pretenções de deitar a ninguém de pernas 
para o ar, entre outros animaes, um touro de raça Hamenga, variedade 
malhada da Flandres Oriental . . . Anteriormente linha vendido, entre 
outros, pura a Garaelleira o para o coronel Horácio Lemos, garrotes e 
vitellas que apresentei na Exposição do Rio de Janeiro, exactamente 
da mesma raça e do mesmo criador, único em todo o Rio da Prata ; e 
esses animaes estavam tamljem aqui na exposição. Convém saher que 
a orii^em desta raça na Argentina, e, em poucas palavras, é a seguinte: 
no anno de 1886, o governo .luarez Celman contratou na Bélgica o 
eminente professor Lambert, que estava em importante logar official 
em seu paiz eveiu fundar na Republica Argentina uma escola zoote- 
chnica. O professor Lamliert trouxe comsigo, como amostra do melhor 
gado (lo seu paiz, duas varcas e um touro da grande variedade fla- 
menga cultivada naquel la região da antiga Flandres. Porém, quando 
elle chegou estava a Argentina convulsionada jiela r-rise politica que 
explodiu viiilentamonte mais tarde, produzindo a queda do governo e 
o inicio do período anarciíico. O professor Lami)erl, esquecido naquel- 
lesdiasde agitação, e desgostado, decidiu regressar ao seu paiz. Então, 
oeminente ci-iador argentino Sr. Narciso P. Lozano, que é um patri- 
archa do ])rogresso pecuário no Rio da Prata, o cujo nome, cuja autori- 
dade, cuja adamantina probidade são um evangelho não só na Argen- 
tina e no Uruguay como no próprio Rio Grande do Sul, onde os car- 
neiros merinos de Don Narciso, como familiarmente é chamado o emi- 
nente criador e mestre, constituem a base de quasi todos os bons re- 
banhos, — este exímio criador que tinha jã apreciado as nobres quali- 
dades do gado flamengo importado pelo professor Lambert, pediu a 
aste que liie vendesse o plantel ( jilantcil nós dizemos para significar um 
núcleo puro de gado de certa raça). 

Ficou Don Narciso com o plantel e pouco mais tarde, de cada vez 
mais certo ainda na bondade da raça, escreveu ao professor Ixjlga para 
lhe ad(iuiiir ainda vinte vaccase mais um touro, que elle devia pes- 
soalmente escolher. Inútil é dizer com quanto agradecida fidelidade o 
professor Lambert teria executado esta honrosa incumbência! ... O 
novo plantel chegou em fins de 1890, reforçado mais tarde com outras 
importaç(")es, e dahi em deante o grande criador latino liquidou total- 
mente todo o seu magnifico gado Durham, para ficar cultivando exclu- 
sivamente aquel la raça flamenga. Elsa origem, eis as circumstancias 
e eis cmliin os homens que intervieram para fundar no Rio da Prata 



A LAVOUlíA 365 



O actual Hore.scimeiiLo desta grande raça. De enitão para cá, em todas as 
exposições argentinas eorientaes, as vaccas e touros flamengos de Don 
Narciso Lozano ganham invariavelmente o^ prémios das raças lei- 
teiras, classifit-adas pelos Jurys iuglezes, em lucta com as grandes raças 
hollandezas, Holstein, Friburgo, Jersey e- Durham leiteira, de outros 
eminentes criadores. O concurso de 1902, de que aqui tenho o rela- 
tório official, foi memorável para a raça, que venceu em quantidade e 
qualidade de leite, tendo esta vacca o n. 56, aqui retratada, e como se 
pôde ver, Jíem parecida ao flamengo ahi exposto, produzido 35 litros, 
ou sejam 54 garrafas de leite superior por dia, durante o período das 
provas; e no anuo passado ganhou o campeonato e a taça de prata 
para o melhor reproduclor das raças leiteiras o touro Martin, de Don 
Narciso Lozano, que, aliás, mostrou suas tamb3ra magnificas quali- 
des para carne, pesando 967 kilos, quasi uma tonelada de bifes, com 
24 mezes. 

Parecia então, á vista destes antecedentes, que um cartaz por mim 
assignado, traduzindo as afíirmações coníidas neste i pedigree», que 
aqui apresento autographado, não por um feitor semi-anonymo, mas 
pela assignatura do eminente criador da raça Don Narciso Lozano, pa- 
recia que um cartaz nestas condições devia merecer certo credito ou 
pelo menos certo respeito, e não encontrar-se exposto a conjecturas 
levianas. Entretanto, deu-se o caso bizarrode uma pessoa, a quem aliás 
atéseatlribue certa autoridade, que com admirável fluidez de juizo de- 
clarou, não a mira, o que teria sido menos anómalo, mas perante di- 
versas outi'as pessoas, que o touro flamengo por mim apresentado era 
normando, eque as novilhas flamengas, do mesmo criador, ali também 
presentes, eram hollandesas vermelhas! 

Ora, se eu não estivesse em condição de defender meus pedi- 
grees e minha vei-dade contra quem quer que seja, todos os honrosos 
antecedentes que deixo expostos, a procedência insuspeita dos núcleos 
fundadores da raça, a probidade patriarchal ào criador, vinte annos de 
notoriedade e triumpho sobre outras raças, cujos criadores é de suppor 
que não se deixarão vencer com armas prohiliidas, como seria uma 
supplantação de raças: a autoridade eminente dos jurys inglezes, que, 
anno após anno, premiaram os flamengos de Lozano, como taes fla- 
mengos e não como normandos ou hollandezes, tudo isso, tudo isso seria 
votado ao caixão do lixo pela opinião de um cavalheiro transeunte, 
que sem mais elemento de juizo do que seu olho precário, só num 
relance genial descobre que o tal flamengií não é flamengo, senão 
normando, e a vitella do mesmo sangue, e do mesmo criador, também 



3(36 SOCIEDADE NACIONAL DE AGUICULTURA 

não é flamengo, porém, já nem siquei- a coitada é normanda, senão 
liollandeza veimellia I 

Julgo que este singular episodio hasta para demonstrar quanto é 
necessário ligar ás origens genealógicas a máxima importância, ter 
c criador Iodas as evidencias para formular o cart.iz, como lim, não 
só de cumprii' o elementar dever de dizer a verdade, senão de estar 
também em condições de acautelar-se contra o descaso de qualquer opi- 
nião mais ou menos fantástica. E' indispensável poder evitar, se fòr 
preciso, o milagre inaceitável perante as leis biológicas, de que dos 
mesmos pais e das mesmas mais llamengas, saiam por um lado touros 
normandos o por ouiro Indo \ itellas bollandezas !. . . 

Outro commenlario de duvida que mo eonsla ter-se feito sobre 
o mesmo animal é relativo á sua idade, não faltando quem ache que 
tem dentes de mais paia só Ires annos e poucos mezes. islolamliem 
depende de uma simples deficienria de infurmação, que induz a applicar 
a um bovino de raça i)recoce a tabeliã denlaria organizada pelos tra- 
tados clássicos pai'a observar a idade do bos tuaro. As raças pre- 
coces têm naturalmente uma outra tabeliã consoante com o seu de- 
senvolvimento anlecijiado, que não se produz só para certas partas do 
animal, senão que é integral, desde a cauda até a ponta do focinlm, 
incluindo logicamente os dentes, que evoluem também antes das datas 
clássicas fixadas ])ai'a a espécie em geral. Nem pdia sor por modo 
differenle, porque a Natureza, embora não formada em zootechnica, 
não faz asneiras — e asneira, cruel asneira, seria consentir que um 
animal de certa raça flzesso o processo do seu crescimento total na 
melatle do tempo tradicionalmente empregado pela espécie, permit- 
tir- lhe desenvolver seu esqueleto, seus chifres, seu couro, suas massas 
musculares, sen individuo todo — menos as ferramentas indispensáveis 
para nutrir aquella massa — menos os dentes. Seria, pelo menos, da 
])arte da Natureza urna distração imperdoável ! 

Tudo isto é de tão simples liom senso, que bastaria sua monçãij 
como única prova. Porém, acontece queé até um facto vellio na sua 
demonstração scientificíi — está nos livros, sendo, portanto, cousa fa- 
miliar a toda pessoa algo informada. Vêm já do tempo de Cornevin, 
o sábio mestre, a enunciação da lei lógica que antecipa nas raças pre- 
coces o processo dentário e estão já formuladas as novas tabeliãs para 
calcular a idade das ditas raças, entre outros autores, pelo professor 
Zhei-ry, uma das incontestadas eminências actuaes da sciencia zoote- 
chnica. Ficaria só a saljer se a raça flamenga o uma raça precoce — e 
para isso lá está o velho e venerável Sanson dizendo textualmente: 



A LAVOURA 3ÒT 



«Tenho comprovado que o flamengo é tão precoce como o Durham, 
([ue o seja mais. E está tambnn o ía-;to, jú citado, do touro « Martin » 
pesando 967 Ivilos com dois annos de idade ! 

A menção e ligeiro commentario destes curiosos incidente^ é 
apenas feita, primeiro, para mostrar a utilidade do expositor estar 
firmemente certo do que declara nos cartazes e, segundo, porque não 
deixa de ter ])ara mim certo interesse o não ficar como pessoa que 
diz o que nàoé, ou que diz o que lhe dizem sem saber se é verdade. 
Simplesmente isto. E ainda declaro que não me incommodam estas 
contradicções, sendo cor tezes, pois só se zanga quem não tem razão, ou 
não se sente capacitado para provar que a tem. 

Demos, passando, um rápido olhar ás raças equinas apresentadas 
na exposição, e ojjservámos qual o aspecto saliente, o traço typico a 
applaudir : é sem duvida o interesse inlelligentecom que os criadores 
começam a individualizar as superiores qualidade docavallo nacional. 

As importações originarias, aquelles fogosos e sobranceiros cavallos 
dos conquistadores por tuguezes que traziam a pobre alcunha das éguas 
árabes "prenhas pelos ventos ", segundo uma bella lenda original, 
misturada com um pouco de sangue espesso dos cavallos allemães, 
formando o typo " Alter ", parece ter mantido nas manadas que mari- 
nhando os morros desta região do Brasil e sj reproduzindo no seu 
clima, perpetuaram a espécie, as grandes qualidades da belleza, da 
bravura, da distincção ancestral . 

Essas virtudes, herdadas secularmente, dormem no sangue da raça, 
e basta desperta-las com amor para obter exemplares magníficos de 
cavallos que já, a justíssimo titulo, podem chamar-se nacionaes. 

Temos assim podido observar cavallos de " raça brasileira " que 
mostram claramente o verdadeiro thesouro do sangue existente no paiz. 

Certamente a paciência e a paixão intelligente exigidas pelo lento 
processo de selecção individual, indispensável para obter estes bellos 
lypos de cavallos indígenas, não póie esperar-se de grande numero de 
criadores, não só pala questão da competência, como pela questão do 
tempo e do dinheiro que reclama para dar fructos maduros . 

Diante disto, diante do problema, julguei útil e pratico aconselhar, 
para as cxcepçõ3s, para os criadores ricos, de intelligencia e de capricho, 
o pacieulc trabalho da selecção do nacional, até como uin belloactode 
patriotismo pratico ; e para a maioria, que não p>d'5 e-sperar 15 ou 20 
annos, o processo rápido do cruzamento, usando cava lias altos, Iran- 
quillos, harmoniosos^ sadios, e fortes, com as éguas crioulas nervosas, 
activas, para unirem um typo intermédio as vantagens dos dois. 



3j8 sociedade nacional DE AGRICULTURA 

E' sabido que para a selecção requerem-.«e lypos semellianles, 
servindo então a esse prorosso, se não se quizer agir s<i com o nacional, 
o árabe ou o angloarabe/mas para cruzamento não. E' prudente evitar 
confusões. 

Para o cruzamento, se ha do dar resultados sérios e permanentes, 
devem junlar-?e typos e raças dissemelhantes, em formos e tempera- 
mentos. 

Por isso julgo adequado o Percheron Postier, leve, como sem duvida 
também o podem .ser os cavai los ai lemãos dos antigos ducados de Hol- 
stein, Mecklemburgo, 01denbui'go e outros, do primeiro dos quaes 
vemos aqui um mai^nifico exemplar. 

E' questão principalmente de preço e de facilidade para a escolha 
e acquisição. Porém é indubitável que usando com éguas ligeira- 
mente escolhidas entre as nacionaes com a preraução de que já tenham 
parido, esses cavallos altos, tranquillos, leves em relação á sua estatura, 
e de formas esculpluraes, o I besouro do sangue equino nacional, que é 
capaz de jtrodu^ir cavallos brasileiros como os que aqui admiramos, 
este t besouro desconhecido por uns e desprezado puerilmente jKjr ou- 
tros, dará juros immediatos esplendidos. 

Passando aos bovinos encontramos florescente análoga tendência 
nos criadores mineiros — uma análoga e plausível tendência a des- 
tacar e utilisar industrialmente as excellentes (jualidades do gado 
nacional. 

Esses exemplares de caracú, entre cujos criadores devera os destacar, 
pelo mérito eminente, o veterano criador coronel Leite e as irmãos 
Baptista de Castro, esses exemplares já fixados, já inconfundíveis em 
.suacòr, em seu aspecto, em suadistincção typica, con.stituem para mim 
o successo culminante deste torneio do trabalho intelligente, e faz com 
que meu carinho pelo honrado e bom trabalhador rural desta terra 
seja accrescentado com um sentimento e.spontaneo de alta estimação. 

Eu reivindici) assim parao criador mineiro um credito de (jue elle 
não goza e que elle nobremente merece. 

Eu vou aqui dizer e demonstrar, que o criador mineiro, até em 
seu erro fundamental do emprego do .sangue indiano, age com uma 
razão, obedece a uma orientação transitória, mas intelligente do ponto 
de vista dos seus interesses económicos. 

Tendo verdadeiro prazer em assim expressar-me, jxjrqueamo a 
justiça, e porque a constatação de um elemento rural capacitado para 
agir com tino reflectido comporta a evidencia de que o futuro pecuário 
de Minas não terá, como muito se declara por ahi, não terá ix)r diante 



A LAVOURA 369 



a barreira do atrazo oego e teimoso, da rolina dormente e da ignorância 
inimiga de aperfeiçoamentos e novidades. 

Não, o trabalho intelligentedos criadores mineiros está evidente 
por diversas constatações, pela selecção das raças nacionaes em que já 
nãoé só um criador ou uma família que se distingue, e pela impor- 
tação de raças aperfeiçoadas já em numero e qualidade de importan- 
tíssima relevância. 

Não é um nem deus, que apresentam animaes de raças nobres 
— são legião os criadores de hollandeza, Simenthal, Schwitz e outras 
famílias de largo credito. 

Têm-se apresentado ahi exemplares hoUandezes nascidos em 
Minas, que seriam primeiros prémios em sua terra de origem. 

Este é o facto a destacar, muito, e feito por neutros. A evo- 
lução está em marcha . Não levo o optimismo até dizer que os rumos 
são inteiramente os definitivas — mesmo acredito na necessidade de 
rectifical-os em parte, adoptando as raças segundo as conveniências 
da área geographica e nã:) dando uma preferencia excessiva ás raças 
leiteiras sobre as de carne. Deve ser o contrario. 

A grande quantidade de gado a produzir deve ser jjara o talho, 
para xarqueada ou para frigoriflcos, visando o supremo futuro, bem 
próximo aliás, da exportação para os mercados de além mar, e 
mesmo deste enorme paiz, onde o gado escasseia. 

Os lacticínios não se exportarão em medida importante, porque 
por muitos annos sua producção será cara por demais para a con- 
currencia internacional . 

E' verdade que ainda tem um campo vastíssimo, mas sempre 
dentro das fronteiras, sempre para consumo local, que tem um li- 
mite, emquanto que a exportação de carne é sempre iramensa — a 
imiX)rtação de carne será o final superior e de maior influencia, não 
só para a riqueza rural do Estado, como para a prosperidade na- 
cional . 

Eis como sem esforço chegamos á ([uestão do zebú, e a jMder 
explicar por([ue é (jue hoje lera razão o criador em preferir seu cru- 
zamento, além das que por ahi se dão, de rusticidade, boa saúde, 
etc, em tudo o que o zebú pôde ser balido por outras raças supe- 
riores e de alimentação facílima, bastando conhecei", por exemplo, o 
facto de Devon, de que essa linda vilella mestiça, de Carvalho Brito, 
é uma demonstração suggestiva, e olhar para estes magníficos gar- 
rotes e vitellas Ilereford, da escola de Lavras, cobertos de carrapatos, 
e no emtanto gordos e bonitos. 

8552 3 



370 SOCIEDADE NACION \L DE AGRICULTURA 

l'ara ser breve neste ponlo interessante da actualidade do zolni 
c da eminência de sua substituição por outras raças verdadeiramente 
de carne e nÉio de osso e de carne como elle é, vou ler breves 
paragraphos de um estudo sobre fi-igoriflcos e xarqueadas quo estou 
escrevendo por encargo de um syndicato bra'=:ileiro, que fez-me 
a dlstincção do attribuir-me capacidade para fornecer-liie algu- 
mas syntheses bem reflectidas e verídicas em que baseai- -íeus ne- 
gócios . 

Dizem os ditos paragraphos : 

«Acção do frigorifico e da xarqueada sobre a selecção pecuária 
— esta evolução da installação de frigoríficos e xarqueadas no inte- 
rior, imix)rá rapidamente a outra, de selecção de raças para a carne 
com pouco esqueleto. 

Hoje o zebú, perante o explicável e natui-al egoísmo dos cria- 
dores, tem sua razão económica, porque dá animaes de grande peso bruto, 
que i Iludem a vista, mercê da grande porcentagem de osso de sua 
enorme carcassa. 

O único que poderia protestar contra aste excesso é o con-u- 
mídor, mas este até ignora o facto do seu kílo de carne ter osso de 
mais, porque falla-lhe o ponlo de comparação. Porém, cora as xar- 
queadas o caso muda de figura, poi-que logo em seguida c notado 
o facto de haver osso de mais, sendo, como é, o preço feito na base 
do xarque produzido e não do osso verificado. 

A industria necessita, de gado com 50 % acima de carne utíl, 
o gado mestiço platino e rio-grandanse do sul, produz de 54 a 59 
e até 60 7o, emquanto que o animal zebú não produzirá mais de 40 
a 45 °/o no máximo. 

Poi- seu lado o frigorifico quer carne fina com gordura marmo- 
rísada, e entre ambos farão rapidamente o que boje não poderá fazer 
a entidade individual e impotente do consumidor ignorante que vem 
a ser a única víctima deste estado de cousas economíco-pecuario que 
tem imposto o boi zebú sobre 90% do gado sertanejo. 

Assim a influencia dos grandes organismos de elalwração e tra- 
tamento das carnes pelo frigijriflco ou pela xarqueada, tem, fora de 
seus aspectos de negocio solido e futuroso, traços de defesa provi- 
dencial e remodeladora da pxuaria brasileira que augmentarão a sua 
importância de empi-eza cora o relevo de uma nobre funcção eco- 
iiomico-social, (|uanto ao melhoramento dos consumos, e na acção 
decisiva sobre o rápido progresso da criação brasileira. 

Quem precipitou a evolução da pecuária latina foram os frigo- 



A LAVOURA 371 



ri fico?, e quem a fez possível sem transtorno foram as xarqueadas, 
na utilização e aproveitamento de todo o gado inferior. 

Eis porque a junceão destas duas formas de preparo das carn&s, 
que ix)derá parecer bizarra, tem um solido motivo ecnnomico-indus- 
trial, quer como lucros para as emprezas, quer como benefícios de 
ordem geral». 

'( Evolução da industria pastoril a ter-se em conta — As circumslan- 
cias económicas favoráveis á installaçãD de frigoríficos e xarqueadas 
não se farão esperar. Actualmente o preço de bijm gado gordo para 
açougue regula entre 7;> e 8$ cada arrolia nas diversas feiras que pode- 
riam fornecer as xarqueadas. Este preço não ssria supportavel pela 
industria doxarque. .Mais adiante será esle ponto tratado, mas" aqui 
corresponde adiantar a hypothese, ou antes a certeza de que a baixa nos 
preçosdosgados éimminente. Nas feiras de Minas sente-sejá um mal- 
estar proveniente do excesso de gados, custando-se a manter os actuaes 
preços. O consumo não cresce sensivelmente e a criação dosenvolve-se 
rapidamente; porém outro factor vem em marcha precipitar as coisas: 
é elle as estradas de ferro de penetração ás grandes regiões pastoris do 
Brasil, e principalmente á ([ue vai dar escoamento para os mercados 
litoraes aos grandes rebanhos da Yaccaria e outras vastas planícies 
[lecuarias do norte de Matto Grosso, onde o boi gordo vale de 30$ a 40$ 
com doze e até quinze arrobas de carne para açougue — isto é, a metade 
do que vale no Rio Grande do Sul com 30 % mais de peso. Toda 
aquella massa semovente que hoje vem magra a engordar na visinhança 
dos mercados do litoral, porque tem que fazer um percurso de mezes 
a pé, lendo transporte rápido lá mesmo engordará, e em dois dias do 
estrada de ferro cairá sobre os mercados consumidores. A inexorável lei 
da offerta e da demanda farão o resto. Eis ciiegada então a grande 
exi>ansão das xarqueadas no interior, com toda a carne que quizer 
altaixo de G-S a arroba, que é o preço pago pelis xarqueadores do Rio 
Grande, para osquaesha, entretanto, na actualidade a perspectiva de 
alta D 

Até alii o que julgo aiiroveitavel do memorandum, para se ver como 
faço justiça ii i nlelligencia de circumstancias com que os criadores pro- 
cedem na sua apparente teimosia pelo zebú. Simplesmente éo animal 
(lue boje nos produz mais dinheiro, porque nem o invernador, nem o 
abatedor, nem o açougueiro são prejudicados ]ielo excesso de osso. O 
único que aguenta o conto do vigário é o consumidor, mas elle nem 
suspeita. Ròe seu osso e fica até contente da bondade de Deus. Mas 
quando o freguez comprador da carne não seja só o consumidor i.solado. 



T,2 SOCIEDADE NACIONAL UE AGRICULTURA 

mas também as xarqueadas que matam, cada uma, 30 a 40 mil bois e 
precisam ani mães de 0S50 miuJo, e os frigoríficos, que exigem carne 
fina para o estômago do inglez, as coisas mudarão vioienlamenle c o 
mestiro zebú ficará liquidado. Eis o critério com que, do meu ponto de 
vista, que pôde ser errado, mas é reflectido e sincero, enxergo esta 
questão ; e não como alguns amigos acreditam, parque odeio o zebú ! . . . 
Coitado !. . . Que culpa tem elle de ser um bicho inferior como fornece- 
dor de bifes para o dente voraz da humanidade?, . . 

Para mim o zebú é, simplesmente, um facto económico de quatro 
palas. Observado no conjuncto offlcial de hoje acho bom ; porém, como 
os factos de hoje vão embora, também com o dia de hoje, procuro no 
po55ivel enxergar qua3s serão o? factos dominantes de amanhã, aliás 
fáceis de desvendar. Isto p3re:e-m? ser e isto é o que digo. 

Os criadores podem ainda não ter pressa para evolucionar, porém 
os governos dos Estados que não são preparadores do futuro, conferindo 
no mappa das estradas de ferro e nas estatísticas os factos aqui men- 
cionados, se porventura acharem que são exactos, facilmente acharão 
em suas mãos os modosdeacautelar a grande industria pastoril contra 
contrastes rudes, preparando previdentemente os elementos de uma 
evolurãoque, segundo a minha obscura observação, não tardará talvez 
nem cinco annos, mas certamente não tardará doz, em ser franca- 
mente imposta por factos eomomicos incoercíveis. 

Escrevendo ao correr da penna, nos breves m«3mentos que, de 
hontem para hoje, tenho ix)dído dedicar a preparar estas notas de des- 
pretonciosa observa<;ão, vejo com terror, no numerar das folhas, que 
vou já na folha 27, e i"esolvo, espantado, estacar nol la, emljora muito 
interessante fique por dizer, por exemplo, sobre os carneiros que havia 
na exposição e os carneiros que deve haver nas pastagens do Estado, 
futurosas para e^sa nobre espécie; sobre os suínos, que, francamente 
não estiveram de lodo bem representados, sendo muito mellinres, ix)r 
exemplo, que a maioria dos typos ahí expostos, os magníficos porcos ca- 
nastrix!S que tenho visto pa&seiando grave e até polidamente pelas ruas 
de Itabyrado Campo. Esto assumi>to dos porcos é de superior inter- 
esse, nada cedendo em importância á questão da pecuária bovina. Ahi 
sim que os frigoríficos encontrarão já prompta carne superior para 
mandar ao inglez, só tendo o criador de fazer um rápido cruzamento 
(como é o caso do boi caracé) com uma raça precoce — Berkshii-e, Tam- 
worth, Polland China ou Large Black — imnca Yorkshire nem alle- 
mães brancos, — e mudar seu i)rocesso de criação, fornecendo aos fri- 
goríficos não monumentos de banha, que elles nao querem, mas por- 



A LAVOURA. 373 



quinhos de oito mezes, com setenta e oitenta l<ilos, só com um mez de 
milho, para fabricar o presunto, que resulta adorável, e que o inglez 
paga em boas esterlinas. Os argentinos, que não possuem o canastrão, 
têm improvizado uma exportação de milhares de presuntos por anno, 
desde cincoannosa esta parte. O Brasil, com uma raça magnifica, 
milho a rodo e quedas de agua por toda a parte para a fabricação eco- 
nómica, pôde com toda a certeza, se improvizar grande paiz exportador 
de presuntos. Basta só começar intelligentemente e não pôde faltar 
quem comece. 

Bem!... já passei sem querer á pagina 29! Perdão, meus se- 
nhores ! . . . deixae-me só agradecer penhorado a vossa attenção cul- 
tíssima, e dizer que, si no decorrer dessa prosa fiz algumas observações 
ao emérito trabalho aqui .^ynlhetizado grandiosamente, foi porque jul- 
guei que esta .synthese é daquellas que suppnrtam victoriosas aprova 
do fogo da critica sã. Só comos poetas novos que publicam os seus 
primeiros versos de amor e desespero, é que se procede applaudindo a 
olhos fechados, para os estimular. Porém a commissão organizadora 
ecs criadores mineiros não estão neste caso: elles não publicam agora 
os seus primeiros versos de adolescência plangente: elles rimarão um 
poema robusto e grandioso nas cordas de bronze da lyra do trabalho, 
enchendo o ar e mundo até os céos as potentes harmonias do patrio- 
tismo e do progresso ! , . . 



Seccas contra sscca 

Em oL)ediencia ao pedido constante de uma circular que me foi 
dirigida, cumpre-me dar as ligeiras informações abaixo. 

Deixo de fornecer amplas informações porque desde annosoccupan- 
do- me de assumptos relativos á vida agrícola e pastoril, deste sertão 
do Rio Grande do Norte, tenho publicados, em jornaes e em folhetos 
vários escriptos sobre a matéria, maxime sob o ponto de vista de 
desenvolver uma propaganda a favor de medidas tendentes á luta con- 
tra os devastadores effeitos das seccas que periodicamente devastam a 
região; &«ses escriptos fil-os reunir em um só volume que está sendo 
impresso na antiga livraria «Cruz Coutinho», dessa capital; e logo que 
fôr promptificado será entregue um exemplar a essa Sociedade de Agri- 
cultura. 

Nessa obra acham-se quasi completas informaçijessoljre o«modus 
vivendi» da população sertaneja do Estado. E' preciso, porém, lembrar 



374 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

qwe O lísladoé dividido climalericamente em duas zonas bem dislinctas: 

— «Agreste» e «Serlão». No «Agreste», predomina a agricultura da 
canna ; no «Serlão», predomina n industria pastoril e a t-ullura do 
algodão. 

O «agreste» qua^i não solíre sAccas ; quando assaltado por uma 
secca o pluviomelro ainda accusa chuva égua 1 a ura inverno sertanejo 
capaz de regular produccão. As terras sertanejas são as terras fortes. 
Já observei o seguinte facto caracteristico : em abril (1898) uma chuva 
alagou um pequi 'no terreno (jue esteve dois dias s>b agua: ao terceiro 
dia foi plantado milho, feijão, alg<idão e melancias. Seguiu-se completa 
estiagem; o anno foi de vigorosa secca. líntretanto a pequena plantação 
produziu regular colheita; tão regular como potleria ser esperada nor- 
malmente, note-se que depois da primeira clmva não houve mais nem 
mesmo uma n-blina. 

Esse facto, certamente excepcional, devido ás especiaes condições 
do terreno, écommum a toJos os terrenosque no sertão acham-se nas 
mesmas condições quando alagados. Essa «agricultura secca» do sertão 
é que constilue o que chamamos «planlaç<5os de vasante» . 

Nãoé muito fácil responder a um questionário sobre a vida agrícola 
ou industrial deste sertão. 

lia condições tão especiaes que só com desenvolvidas explicações 
poderão ser dadas aconliocer para aquelles que delias não tem observa- 
ções pessoaos. 

As mesmas respostas que acompanham o iniestionario, relativas 
á minha pessoa, precisam de algumas explicações. 

Assim sendo possuidoí- nos muaicipios deTi'iumpIio (A. Severo), 
Corariljas e Apody, deste Estado, e no município lirejo do Ci"uz, da 
Parahyba, de varias parcellas de torra, cuja área total não certamente 
inferior a 32.500.000,"" fal Io, no questionário somente em uma «situa- 
ção» — Timbauba — da Parahyba, porque somente nessa ultima possuo 
casa. 

O pouco gado que possuo — restos das sêccas — acha-se parcellado 
em mãos de moradores que sob o nome de vaqueiros dei le cuidam. Os 
vaqueiros tomam conta de gados com o lucro de 25 % sobre a produccão 

— de quatro bezerros a «ferrar», um ó do vaqueiro. O mesmo com (pial- 
quer espécie. E' esse o syslema com mu m. 

Os gados sertanejos são sempre dizimados pilas sêccaas ; quando 
as seccas são pouco vigorosas, si não são disimados, ha enorme dimi- 
nuição na produccão. O Esta Jo cobra, além de outros impo«;tos sobro 
a industria pastoril, o dizimo (10 °/o; sobre a produccão do gado «grosso» 



A LAVOURA 375 



— ]x)vmo, ravallar e muar. Esse imposto é arremalado em hasta pu- 
blica por particulares que se encarre;;am da cobrança. Em um destes 
últimos annos, a arrematação foi superiora cem contos; no actual foi 
inferior a trinta. 

E' preciso notar, de passagem, que esses dados nunca exprimem a 
verdade, pois o imposto é mal pago, talvez por menos da metade. 

Este município de Mossoró, onde resido, é dos menos agrícolas, já 
o lendo sido dos mais ; e isso devido ús crises e a retirada de pessoal 
para a Amazónia. A producoão a^^ricola é insufficiente para o consumo 
local . 

Não ha nelle açude, única fonte de producção agrícola nas sêccas, 
hacarnaúbaes regularmente explorados, ha riquíssimas e enexgotaveis 
salinas. 

A sua industria pastoril é pouco desenvolvida. Em geral todo ser- 
tanejo é criadcir, mas em diminuta escala. Neste município não ha 
criador que possua mais de tresentas cabeças de gado (tovíno). Entretanto 
é uma das cidades mais prosperas do Estado, esta de Mossoró, cujo com- 
merciorivalisacomo da capital, e isso por ser o empório commercial 
do sertão, abrangendo Parahyba e Ceará, em um raio de cem léguas. 

E' uma cidade pequena, talvez de 5.000 habitantes e conta dez pada- 
rias ! Vejo diariamente seguir cargas, por animaes, de bolachas com- 
mum até para o Crato, Ceará, em distancia superior a oitenta léguas — 
Crato, Milagres, Barbalho, etc. 

línti-etanto essa mesma prosperidade commercial vae atravessando 
penosa crise. Ainda no presente anno o inverno do sertão, neste Estado, 
foi sufficíente para fazer pastagens para salv.ir a criação, mas insuffi- 
ciente pai'a qualquer producção agrícola . 

A safra de algodão é quasi nuUa. O sertão atravessará o anno so- 
mente com a creaçãoe com as producções, ainda escassas, de vasanies 
quepromettem boas colheitas. Estas, porém, são ainda insufflcientes 
para a população, por falta de terrenos irrigados. 

São essas as ligeiras informaçijes que, abusando da vossa paciência, 
agora envio. 

Tomo a liberdade de chamai- a vossa attenção para o trabalho (jue 
acima me referi, pedindo paracllea vossa benevolência, 

Mossoró, — 8 — 8 — 909. 

PllELlP. E GUERR.. 



376 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Cálculos de safra 

Os coraputadoies, em geral, ao atravessarem, em trem de ferro, 
os extensos cafesaes, vão tomando nola : Jlorada grande, Jlorada igual, 
Jlorada colossal, e, chegados á estarão terminal da excursão diária, 
telographara. . . safra grande. 

Mas aquelies que teem conhecimentos da lavoura cafeeira sabem 
que, para a llorada pegar, é preciso a reunião dos elementos seguintes : 
arvore forte, dia quente e encoberto, e vento brando. 

O vento forte é prejudicial, jwrque derrilja as flores. 

As floradas abertas em dias de sol ardente não vingam liem, e 
assim também aquellas d&sabrochadas em dias frios. 

As flores sendo cheirosas é indicio de que são boas e vão produzir 
fructos, porém si não tiverem ai-oma não ]ii'estam. 

« Um forte crescimento na altura em ura anno é acompanhado, em 
geral, por uma boa carga no anno seguinte. » 

« Um florescimento principal, alrazado, produz colheita pouco van- 
tajosa, emquanlo um desenvolvimento geral das flores nos fins de se- 
tembro e outubro parece indicar cai'ga bia, para o pniximo onno. » 

«O en'eito do uma colheita abundante na arvore atraza o floresci- 
mento próximo seguinte. » 

Drs . Dafert e Lehmann . 

Depois de cabida a flor, para se verificar si ella pegou, observa-se, 
na arvore, o centio do incipiente fructo ; si elle estiver verde, /jc^ou; 
ix»rém, estando preto, mio pegou. 

Sendo os pássaros, os insectos e o vento os agentes indirectos da 
fecundação das flores, o estando, com a devastação das maltas, os dois 
primeiros muito diminuídos, resta-noso terceiro. 

A funcção dus insectos, nesse trabalho, é a maior, e dahi o motivo 
pelo qual os agricultores norte-ameiicanos fixara colmeias nos seus tri- 
gaes, porque a natureza previdente collocou, no cálice da flor, o néctar, 
liquido doc^ e aromático, de modo que, os insectos, indo sugal-o, 
adherem ás suas antennas opolien da ílôr, e, ao pousarem em outra, 
deixam- na impregnada delle, pelo contacto. 

O vento transmitte o pollen de uma flor á outra e com facilidade no 
cafeeiro, que é arbusto monoico, isto é, que tem flores masculinas e femi- 
ninas em uma mesma planta. 

Mas, ainda que se lenham dado normalmente as condições exigidas. 



A LAVOURA 377 



temos as chuvas pesadas que derribam muito café pequenino ou em 
bagos de chumbo, sendo do bourbon que calie maior quantidade, já gra- 
nado e até maduro. 

E, havendo falta de chuvas, de setembro a março, ou si ellas forem 
escassas, será esse um anno de muito café chocho, parque é nesses mezes 
que o café está granando. 

O bourbon tem os galhos obliquos, por consequência, mais expostos 
aos raios solares, e é por esse motivo que elle contribuo com a maior 
porcentagem de chocho. 

Depois, vêm, ainda, as grandes tempestades e chuvas de pedra, que 
derrubam muito café, que se perde porque apodrece, roda e enterra-se 
nas enxurradas, nos cafezaes montanhosos . 

Tudo isto soramado, resulta uma grande differença para menos. 

Assim, quantas vezes percorrendo, a cavallo, nos mezes de no- 
vembro a dezembro, um cafezal bem vestido, o calculador conclue, fina- 
lisada a excursão, que a safra pendente — é pequena. 

Entretanto, si elle examinasse o cafeeiro de perto, abrisse a fo- 
lhagem e observasse dentro da arvore, veria a grande quantidade de café 
que lhe passou despercebida, porque estava encoberta pela abundante 
folhagem. 

Até a hora influe na apreciação do calculo, porque ella occulta ou 
patenteia o fructo ; é por essa razão que as horas de sol a pino não são 
próprias, e, também, os dias escuros. 

Para aquelle trabalho as manhãs claras são as mais propicias. 

Ao demais, o calculo de uma safra começa com a primeira florada 
e vae-se modificando, para mais ou menos, até ao meio da colheita, o que 
é natural, porque os factores atrás enumerados nos obrigam a a.ssim 
proceder . 

De resto, é preciso, ao colher informações, pedil-as ao proprietário 
e ao administrador e também ao director dos colonos, principalmente, 
se elle é um empregado antigo na fazenda, porque, .sendo o fiscal diário 
dos colonos, conhece todos os talliões e está, portanto, mais habilitado 
a avaliar. 

E' de importância ouvir a opinião do vizinho. 

Depois do café maduro é conveniente colher três cafeeiros, .<?endo 
um bem carregado, outro regular e outro pouco, somraar o resul tado 
e tirar a média, tomando em consideração os litros que forem precisos 
para dar uma arroba, o que, aliás, varia muito, dependendo do grão ser 
mais ou menos graúdo; assim, em certos annos gastam-.?e 75, 85, 90 
e até 100 litros para uma arroba . 

8552 4 



37S SOCIEDADE NACIONAL DE AGKICULTUHA 

Quando ooafé está em cereja, o numero de litros, para uma arroba, 
é maior ; tiuando está secco, é menor. 

São estes os principaes elementos que constituem ou compõem as 
bases para \\m calculo de safra. 

Entretanto, em regra, são elles olvidados ou omlttidos, proposital- 
mente, pelos baixistas. 

V.m summa, é do moio da coliíeita em deante <iue podemos ter uma 
base paia um calculo de safra, porque, do facto, c dessa época em deante 
que surgem as surprezas e decepç<jes. 

E, si fazendeiros comp-ítentes erram, romo erraram nos cálculos 
do anno de 1006, pois, todos espelhavam safra menor, assim como 
erraram em 1902, porque tiveram colheita muito menor á da espe- 
ctativa, é de admirar que, indivíduos que não trm a menor noção 
dl' lavoura cafeeira, ousem calcular safrasl!... 



Dar;o de Barros. 



-&$&&^$€€€- 



EXPEDIENTE 



HORTO r>A PEXIIA. 

Estado das Culturas — Apezarda grande socca é bom o estado das culturas que 
se ostentam verdes, do um verde glauco, patenteando a riqueza da cliloropliila. 

O milliaful está, com as suas hastes pendentes de grandes espigas. 

As forragens do tampo de agrostologia estão, todos, em plena v.'gotação e 
entro ellas as seguintes : — sulla, carrapicho beiço de boi, massambará, canna 
ubá, sorgho, gordura roxo, gramraa do Pernambuco, colónia e araguaya. 

A vinha está em phaso do fructiflcação, estando era maturação diversas varie- 
dades. 

Os caclios que estão sazonando estão todos envolvidos por uma t(Ma prote- 
ctora contra os pássaros. A mesma tela foi tanil)om applicada aos figos. 

I'liinlaçOi-s —Este mez, além do não ser próprio para culturas, foi muito secco, 
entretanto, a titulo de experiência, foram plantadas cinco vavielades de caw-peer, 
a mucuna forrageira e sisal. 

Trnbiilhos cuUuraes — Procedeu-se ás capinas em todas as plantações o pro- 
parou-se uma areado três aros para varias culturas exparimentaes. Foi também 
preparado o terreno para a cultura da ramie, a qual será plantada no dia 1 do de- 
zembro próximo. 

Foram enxertadas 3.í00 laranjeiras. 

Plantas recebidas — Importadas dos listados Unidos ciiegaram quatro varie- 
dades do mangas, cuidadosamente aoonlicijmdas numa estiifa espi^cial para trans- 
porte do mudas. 



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Laboratori( i de Aun >l<»u"ia. 



lORTO DA PRXHA 




Vinhedn, visto de lado 



A LAVOURA 



379 



Essas variedades são : 
Sellon. 
Kacbmahua. 
Malda, 

Maogifera indica e 
Leitlhei cliimemis, planta cliineza. 

Cojheitas — Effectuou-se a colheit.i do caw-peer o da mucuna cujo resultado 
se verifica no quadro abaixo: 



NOMES 


(JLA.NTlDiDE 
SEMEADA 


ÁRRA 
PLANTADA 


ADOBARÃO 


PltODUÍTOS 


Caw-pea 


bl'.7 


1/2 litro 


to X 10 


Sti^jerplio-i^ilialo 


35 htros 


» » 


» . 


1/2 . 


10 X 10 


Curral , . . 


20 » 


» » 





1/2 . 


10 X 10 


Sem adubo . . 


12 » 


» » 


1'lacl; 


l/i • 


11) X 10 


Superpliosphalo 


2d « 


» > 


» ••,.... 


l/á . 


10 X 10 


Curral . . . 


15 . 


» » 


' 


1/2 . 


10 X ló 


Sem a (111 'to . . 


11 <■ 






3 litros 


10 X 10 


Curral . . . 




» V 




42 » 







Pelo resultado acima se conclue que a cultura do caw-peer é remuneradora, 
mesmo sem alubo. 

Pocilgas ~ Nasceram cinco leitões, filhos de porca varoneza e varrão pollaad- 
chine. 

Gallinheiro — Existem actualmente 104 pintos emplumados, de diversas raças. 

E' grande também o numero dos frangos de raças puras criadas no Horto. 

Carpintaria — Para attendor ao graude numero de pedidos de colmeias quo 
têm sido feitos, a secção de carpintaria tem um grande stock de colmeias typo 
Schenck, para serem vendidas a lõ$ cada uma. 

Visitantes — Visitaram O Ilorto os seguintes Srs. Drs.: Delphim Moreira, Vi- 
anna Castello, D imiogos Penna, Epamiaondas Ottoni, Carneiro Rezende, Arthur 
da Silva Bernardez, deputados mineiros, e Drí. Wencesláo Bello, José Marianno, 
José Marianno Filho e Dário de Barros, da redacção desta Revista. 



SEORETA.IÍIA 




MEZ DE NOVEMBRO DE 1909 




Correspondência recebida: 




Cartas 


470 


OíTlcios de governos 


17 


» do particulires 


7 


Telofframraas . . 


10 


Circulares 


3 







507 



380 SOCrEDADE NACIONAL DE AORICULTl.'RA 

Correspondência expedida: 

Cartas 399 

OfBcios a governos 19 

OflScios a particulares 3 

Telegrammas 170 

Circulares 328 

DLstinctivos 6 

Boletim «A Lavoura> 5.117 e.042 

Fornecimento de arame no mez de novembro de 1909 

Pedidos 79 

Rolos de 40 kilos 1.425 

Rolos do 26 kilos 316 

Metragem 623.410 

Custo no mercado g7:385$000 

Custo fornecido pela Sociedade 17:393$080 

Economia realizada pelos sócios .... 9:991$d30 



Fornecimento aos sócios 

.A.ra.me farpado 





PBDIDOS 


BOLOS 


MBTBAGBM 


CUSTO 




Fornecido aos 
sooios 


Adquirido no 
morcado 


Economia feita 


1906 ( jalho ) . . . . 
1907 

1908 

1909 (atá30 de setembro) 


51 
279 
5<I9 
414 


13.30S 


34S.0Í0 
1.968.185 
3.387.300 
4.S24.926 


14:439$600 
73:365$200 
Í81:s36í000 
124:599$li0 


21;715$000 
10S:889$)00 
160:138.:000 
l-6:969.:000 


7:276$400 
35:524^300 
44:302$000 
62:369$S60 




1.253 


10.528.411 


334:23'.t910 


483:711Í500 


149:471*560 



A^pparellios aratorios 



Casto Economia 

1909 — Fornecimento foito a diversos pela Sociedade. . 8:435$500 

Se fosse feito pelo comraerciante 9:373$000 937$300 



A LAVOURA 



381 



f^or mie Ida/ 





LATAS 


OOSTO 


ANN03 


Fornecido aos 
socioi 


Adquirido no 
mercado 


Economia feita 


1906 (março) 

1907 

1908 

1909 (até 30 do setembro). . 


2.449 
2.906 
2.473 
2.490 


10:?85$800 
12:205$200 
10:386$000 
10:050$400 


12:245$000 
14::.39$000 
12:3ò5$000 
12: 145$000 


1:959$200 
2:324$300 
1:987$400 
2:094$600 




10.318 


42:928$000 


51:145$000 


8:357$000 



E]iLxa><la.s, foioes e iiia>olLa:dos 

Casto Econoi-iia 

1909 — Fornecimeuto feito pela Sociedade 5:085$ã70 

Se fosse feito pelo commerciante 6:780$360 1:695$090 

Seoção <ie forneoimentos 

Valor dos fornecimentos aos preços do mercado 551:149$860 

3> » » » » da Sociedade 390:68^10 

Economia realizada pelos sócios lavradores em 2 1/2 annos . . 160:460$950 

Economia verificada pelos sócios lavradores em nove mezes de 1909. 67:086$850 

Secretaria da Sociedade Nacional de Agricultura, outubro de 1909. 



Sócios entrados no mez de novembro de 1909 



Ramiro Teixeira do Mello. 

Annibal Alvea Sampaio. 

Raymundo Dias Duarte. 

Dr. Antoaio César Berenguer. 

Gabriel Ciriaco Ribeiro. 

Macário Júdice. 

Domingos José Soares Júnior. 

Artliur Tiburcio Ribeiro. 

Joaquim Barbosa dos Santos Werneck. 



3«2 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Joaquim Dias Kií>a3. 

Coronel João Ferreira He Araújo Leite. 

José Américo II. Garcia. 

João Jaciotliú Muoíz. 

Gabriel Rodriguos Campos. 

Dr. Bento Bueno. 

António Thadeu Assumpção. 

Manoel Bayma. 

Capitão José Bento de Almeida Faria. 

Capitão José Francisco Mariano da Silva. 

Capitão Octaviano Fernandes de Moraes. 

Coronel Lentz de Araújo. 

.loão Baptista Bueno. 

Manoel Felippc da Gama. 

Reynaldo Ferreira. 

Dr. Oscar de Macedo Soares. 

José Vonancio Augusto de Godoy. 

Francisco Teiíeira Guimarães ."Sobrinho. 

Virgílio José de Abreu. 

João Luiz Erthal. 

Hugo Leal. 

Cooperativa .Vgricola União S. .loannense. 

João Francisco do Almeida Bran'lão. 

Machado Mello ^ C. 

José Pedro Barbosa de Mattos Júnior. 

Pedro Junqu 'ira Reis. 

Capitão Luiz Gianine. 

Major António Paulino Franco. 

Coronel Ramos Brandão. 

Américo Barbozi. 

Capitão José Pinto de Sã Vianna. 

José Maihias da Costa. 

Coronel José Fernandes dos Reis. 

Jeronymo Ferreira de Andrade. 

Joaquim de Cimpos Tavares. 

Capitão Evaristo Ribello Teixeira. 

M. A. da Cruz Rios. 

Honório Moraes. 

Antonio Ferreira da Rocha Bastos. 

Viciai Ribeiro dos Reis. 

Cipitão Belisjrio Ferreira do Amaral. 

Coronel Pedro Teixeira de Menezos. 

Manoel Joaquim Braz. 

José Henrique Júnior. 

Cândido Vianna. 

Antonio Augusto Vianna. 

Francisco de Paula Braga. 



A LAVOURA ?83 



Ermelino do Mollo. 

Francisco Ferreira do Mello. 

João Florêncio Mendes. 

Angelino Baptista Teixeira. 

Fernando dos Santos Pacheco Lima. 

João Braga Netto. 

Thoodoro AlTonso Martins. 

Alferes Joaquim António da Silva. 

Arthur Suplicy. 

Coronel João Ferreira Maciel. 

Sebastião Corrêa. 

Salvador Affonso de Siqueira. 

Francisco Teixeira da Cunlia. 

Leopoldo Xavier de Almeida. 

Han o Irmãos. 

A. Gama e Lima. 

Brazilio Celestino. 

João de Paula Cunha. 

Leocadio dos Santos Pacheco Lima. 

Roberto Ehlk. 

Manoel Martins de Amorim. 



Relação dos sócios quG subscreveram para o « distinctivo », durante 

o mez de novembro 

Jacyntho Buono de Godoy 20$000 

Francisco Kugonio Rodrigues 20$000 

João de Souza Vieira 20$000 

Eudoro de Andrade 20.f;000 

António Marques Simõjs gO$0'JO 

Olympio Corrêa Netto 20-;000 

Barão de Familicão 15$000 

Francisco Modesto de Souz:i, Júnior ISSOOO 

João Coppo 15$000 

José Thoraaz da Silva 13$000 

Joaquim Pedro do Moraes 12$000 

António Luiz Ferreira Guimarães lO.fOOO 

Carlos Custodio Nunes 10$000 

Luiz da Motta & Comp 10$000 

Coronel António Leito Pint j 10$000 

Coronel Pedro Santerre Guimarães 10$000 



4' Oonrorencia A.ssiicíir©ix*á — A directoria da Sociedade 
Nacional de .^gricultuia, por solicitação dos interessados, providenciou para que 
a 4» Conferencia Assucareira se realizasse na época o logar previamente desi- 



384 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

gnados paio 2° Congresso Nacional de Agricultora em que ficou resolvido tivesse 
ella logar em S. Paulo. 

Ouvido a respeito o Governo doste liitado, informou elle não sor possível 
eITectual-a. 

Dessa resolução tiveram sciencia, por intermédio da Sociedade Nacional do 
Agricultura, os govGraos dos Estados interessados no assumpto. 

A Sociedade aguarda opportunidado para promover a realização dessa confe- 
rencia no próximo anno, sondo muito possível que a escolha da sôde recaia na 
cidade de Maceió. 



Fornecimentos aos sócios — Tirando partido de seu 
caracter de a.ssociação, já prestigiada cora cerca de 3.000 sócios, a Socie- 
dade, no intuito particulai' de demonstrar a utilidade e o mecanismo 
dos syndicatos agrícolas, empreliendeu favorecer os seus sócios com 
o supprl mento de géneros estrangeiras e nacionaes, a preços mais 
reduzidos do que os do commercio a varejo. 

Com esse propósito e valendo-se dos favores aduaneiros que a lei 
confere ao Syndicato Central dos Agricultores do Brazil, lera fornecido 
arame farpado eresi^ecti vos grampos. 

Além disso e mediante contractos especiaes, tem fornecido, a preços 
reduzidos, o formicida Paschoal, o álcool e machinas agrícolas . 

Revendo todos os seus contractos e fazendo outros que corae<;am 
agora a vigorar, a Sociedade está habilitada a fornecer arame farpado, e 
respectivos grampos, enxadas, machinas agrícolas, álcool, formicida, 
colmeias nas condições em que passamos a indicar: 

ARAME FARPADO. 

Rolo de 26 kilos com 160 metros de fio a 6$880 

Rolo de 40 kilos com 402 metros de flo a . . . . 10$680 
Grampos para os mesmos, o kilo a $380 

ENXADAS BliM CALÇADAS DE AÇO 

Marca Marca 

Radianto Raio 

De 2 libras 1$420 1$870 

De 2 Vi lil>ras 1$520 1$370 

De 3 libras 1$630 1$530 

De 3 'A libras 1$780 l$-.30 

De 4 libras 1|930 1$730 

FOICES 

NSi 1-2-3-4-5-6-7-8-9-10-11-12, aos preços respectivamente de: 
$600 — $670 — $730 — $810 — $890 — 1$000 — l$i30 — 1$300 — 
1$500 — 1$G00— 1$800. 



HORTO DA PENHA 




Cultura da Consolida do Cáucaso. 
HORTO DA PENHA 




Sala de aula do Aprendiíadu Agricol: 



A LAVOURA 385 

SALOXO 

Um preparado de sal e peróxido de ferro, próprio para alimentação 
do íiado, é económico e asseiado por ser em tijolos de 5 a 10 kilos, não 
sujando as baias ou logares onde são collocados e sem desperdício. 
Prero 200 i-éis o kilo, com 5 "/„ de abatimento. 

MACHIXAS Ar.RICOLAS 

Dos principaes fabricantes, cora abatimento de 5 a 10 ° o, sobre os 
respectivos catálogos e transporte gratuito nas estradas de ferro. 

ÁLCOOL 

De força de 40", em latas de 18 litros, pelo preço das vendas em 
pipa, o que corresponde a uma reducção de cerca de 10° /a. 

SULFATO DE COBRE 
Para tratamento de plantas ao preço de— kilo . . . ,s650 

FORMICmA 
Paschoal : 

Latas contendo 4 litros 4$100 

Caixa com 4 latas 16.'<;400 

SchomaJier: 

Botija contendo 1 '/., litro 3$700 

Caixa com (5 botijas 2?$000 

COLMEIAS 

Com os mais modernos aperfeiçoamentos polo preço de ISsOOO 

CREOLIXA 

A mais reputada das creolinas de fabricação nacional 
denominada Creolina Werneck, com uma economia 
de 20 % sobre os preços do mercado, oustando 
cada lata com l litro 1$200 

LACTICÍNIOS 

Installações completas para industria de lacticinios pela casa Ilop- 
kins Causer & Hopkins, com abatimento médiode 5 °'o. 

• 8552 5 



386 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Para gasar destas vantagens o interessado deverá satisfazer as 
seguintes condições: 

1», ser sócio quite da Sociedade Nacional de Agricultura ; 

2*, ser agricultor, apresentando disso provas bastantes, a juízo da 
Directoria da Sociedade ; 

3", formular o pedido directamente á Sociedade e por escripto. 

•4^, pedir somente para seu próprio consumo, indicando o nome 
e a situação da propriedade a que destina o emprego do producto ; 

5*, enviar á Sociedade, juntamente com o pedido, a sua imix)r- 
tancia, ou uma ordem para o seu pagamento contida casa commei- 
cial ou bancaria com sede na Capital Federal. 



SEOÇÃ-O TEOHNIOA. 

Inforiim-çôes. —O Sr. Álvaro G. de Oliveira, em carta de 6de setembro 
de 1909, vinda da estação de Cruzeiro, pede as seguintes informações sobre o gra- 
vata sem fibra: 

a) « quae> as folhas que devem ser colhidas ? » As folhas maduras, isto é, as 
mais perto da terra, quando jà bem pendid is para o chão, 

b) « Qual o preço de venda no estran^^eiro ? » Este producto ainda não teve 
entrada franca e regular nos mercados, mas a.á fibras se approximam da do gra- 
vata e vendem-se por cerca de 5i)0,>CiOO a tonelada, ou 500 rs. por kilo. 

c)« Onle tom accitaçãu e, si possível, indicar um ou mais compradores?» 
Todas os grandes mercados da America do Norte e Europa — Nova York, Lon- 
dres, HamLurgo, Havre, Anwors, etc. etc. 

(/) Qual a raacliina do desfibrar, o custo desti e si a SocioJadd se incumbe da 
importação?» Ha diversas macLinas de desfibrar, a saber: F. Fasio — 56, Rue d Ysly- 
Alger;—Lekmans— Manchester e Duchemin, 76, llua General Gamara, Rio de Ja- 
deiro. Esta ultima custa 180$000 



O Sr. Francisco Schmidt, era carta vinda da Inião da Victoria — Paraná, 
pergunta qual a pastagem que mais convém áquella zona. 

Não c possível respaniorse desle jA o que mais convenha, jwrquanto a 
questão está dependente do clima o terreno daquella longínqua região; todavia 
elle deverá ensaiar — capim Jaraguà, o gordura, o capim fino e as gramíneas 
mais commuiis em Iní.ío da Victoria, qiin os animaes domésticos comem com mais 
voracidade: este é o melhor critério. 

O Sr. Francisco Fernandes, morador em Laguna, pergunta qual o melhor 
capim para vacias leitolraá e podo alguns escriptos a respeito. 

Não so podo dizer daqui qual é a gramíuo). (lua melhor couvom para vaccas 
leiteiras em Laguna. O que clle deve fazar é cultivar alguma leguminosa, como por 
exemplo, a alfafa, e dar algum alimento concentrado em ração diária, podendo 
esse alimento sor o milho reduzido a fubl. 

E' o que, parece-me, pode-se aconselhar desle jà. 



A LAVOURA 387 



O Sr. Feroando Alexandre Villela de Andrade pede um tratado sobre cavallos 
árabes : 

1" Lecheval. por E. Alix Paris. 

2" Guide pratique dclclevaire du eheval, par L. Relier — Paris. 

3° Alimentation rationnello dos animaux domestiques par Gouin — Paris. 

Nesta ordem incluo El Caballo Argentino — Buenos Aires. 

Nestas obras o Sr, Andrade achará o que lhe convém. 



O Sr. Aydano de Souza Marques, em carta vinda de Icarahy, faz diversas per- 
guntas sobre o capim J.iraguá. 

1» « Qual o valor nutritivo do capim .laraguápara o eavallo?» 

Resposta. Em vista da analyso deste capim, p(kle ser considerado como uma 
boa forragem, mas, como todas as grarainoaes, ó pobr-e em proteína e não basta 
para a alimentação animal ; deve portanto ser completado com um alimento con- 
centrado, como o milho, a aveia, a alfafa ou outra leguminosa, O capim Jaraguà 
só não basta para alimentar um cavallo. 

2» « E' melhor secco ou verde ?» Seria preferível em estado verde. 

3» « Quaes os melhores raozes para semear o Jaraguá ?» Os mezes de chuva, 
sendo os molhores os que vão do outubro a fevereiro. 

Quanto mais limpa for a terra melhor. Si puder misturar as sementes de Já- 
ragiià com cinza e terra fértil tanto melhor. 

4" «Quantos cort?s dá o capim Jaraguá por anno e quando deve ser cortado ? » 
Deve ser cortado logo que começa a pondoar. 

5" «O capim gordura é muito melhor do que o Jaraguá ?» 

lia poucas anal yses destes dois capins, mas mesmo assim resalta a superio- 
ridade do Jaraguá sobre o gordura . 



O Sr. Nicohiu Badariotti pede informações sobre a piteira. 

Penso que com o livro do Dr. Thoophilo Ribeiro— A Agricultura no Estran- 
geiro, Bello Horizonte e com o numero 10 da «A Lavoura» do I90!j o Sr. Bada- 
riotti tem tuJo quanto lhe convém sobro o assumpto. 



O Sr. Francisco Azevedo, em carta vinda do Pedro Leopoldo, consulta esta 
Sociedade sobro vários casos de teratologia occorridos cm muares de sua criação. 

Em resposta á consulta relativa a defeitos de proporção nos maxillares supe- 
riores, protiuctos do asininos, afllrmo que tratando-se, como no caso presente, dt 
um phenomeno teratologico, isto é, de uma aberração congénita no animal, .ates 
de tentar corrigir o citado defeito, seria preciso observar, e si fosse possivel, es- 
tudar o caso : isso por consciencioso dever de minha proft-são. 

Posto qui' numorosvs aberraçòos morphologicas congénitas tenha eu tido occa- 
sião de observar, comtiido essa forma de que V. S. mo falia é para mim nova. 

Na impossibilidade, porém, do observar de perto e com os meus próprios olhus 
os animaes defeituosos, para mais seguramente agir, dou uma prescripção do ordem 
geral que, acredito, dará bom resultado, lento, porém, seguro. 



388 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Fari uma solução do 50 grainmas do cal virgem para cada litro do agua, 5 %; 
deixe repousar durante al:.'umas horas, 4 ou 5; depois docaut:; o liiiuido claro e 
o resto que fica no fundo do vaso aproveita-sa no que se quizer aproveitar. 

Do tal liquido calcilicado tira-se um copo e liumedeccso a ração <lo animal, de 
manliã o á noite, sempre cjm um copo para as duas principaos rações. 

Além disso a cada animal se fará uma fricção diária no queixo defeituoso cora 
um pedaço do baeta humedecida em álcool ou ca •iiaça forte. 

A fricção deve ser feita braiiJamenie, sim maguar o animal. 

De um defeito que já vem do ventre materno não se pode esperar a corrigenda 
cm meia dúzia de dias ; porém, com paciência esse raethodo porfeitamento rasoa- 
vel não deixará de dar óptimo resultado. 



Planta Loi-anti^s — O Sr. Pedro José da Rocha, de Pinlieiro, Kstado 
do Rio, escreveu a esta Sociedade a carta seguinte, a qual com prazer publicamos: 

< No orgam dessa benemérita Sociedade, á pa^'ina 9.) do n. 4 a O, deste anno, 
vem inserta uma noticia sobre a borracha extrahida da herva de passarinho ou 
Lorantis. Folgo immenso em poder afflrraar não constituir isso uma novidade, 
porquanto já em 1905, o Coronel Lmirte Júnior, distincto sócio dessa útil corpo- 
ração, fabricava borracha da alluJida planta. 

Em 190G eu ajudei o Coronel Duarto Júnior colher grande quantidade do 
fructos da herva de passarinho, dos quaes, por um processo exclusivamente delle, 
extrahiu um bloco de superior borracha. O engenheiro que veio fazer os estudos 
preliminares da repreza do Salto, da Companhia Light, a quem foi mostrado o re- 
ferido producto, aíllrmou ser uma gumma elástica de superior qualidade, o que foi 
testemunhado por mim e por outras pessoas presentes naoccasião. 

O referido Engenheiro desconhecia inteiramente a procedência da gomma 
om questão. 

A gloria, portanto, dossa nova e útil descoberta cabe indubitavelmente ao 
Coronel Duarte Júnior, residente em Pirahy, Estado do Rio. 

Tratando-se de um patrício e vosso consócio, fareis inteira justiça com a pu- 
blicação destas despretenciosas linhas. » 

De facto, o Sr. Coronel Duarte Júnior presenteou, ha cerca de quatro annos, 
o Museu desta Sociedade, com uma boa amostra de biorracha dessa procedência. 



l<''elii*e tiplxtosa c {i-aíiiiilioton — O Di'. Wencesláo Bello. pre- 
sidente da tiocicJado Nacional de AuTicultura, recebeu no dia 21 do actual, dos 
Srs. Alfredo Villela & Irmãos, o seguinte telcgramma : 

«Munioipio Monte Alegre está invadido pela pe;te aphtosa, trazida pela 
boiada de Goyaz ; pedimos a iuterveação do Sr. Ministro da Agricultura.» 

Na mesma dita o Sr. José Maria, presidente da Camará Municipal de São 
João do Calçado, tolegraphou ao Dr. Wencesláo Bello nestes termos : 

«Governo municipal de Calçado pele vossa intervenção junto do Ministro da 
Agricultura, afun de providenciar sobre a extincção da praga de gafanhotos que 
assola esto munioipio.» 



A LAVOURA 389 



O Dr. Bello ofliciou, com toJa presteza, ao Sr. Dr, Cândido Rodrigues, dando 
conta do quanto se continha nos deus despachos tele.írapiíicos, e acreditamos niJS 
terem sido immediatas as providi'ncia3 que os dous factos exigiam. 

Do Sr. Antouio Maximino Pinto de Souza foceboii a So -iedade communicação 
de que a zona de Santa Fé, Estrada de Ferro Central Brail, a<diava-so invadida 
de ga fanhotos . 

Neste Sentido foi dirigido oíBcio ao Sr. Ministro da Agricultura, pedindo-sc as 
necessárias providencias. 



Oisti-ibiiição <ie sementes — O Sr. Dr. Wencesláo Bello, Pre- 
sidente da Sociedade Nacional de Agricultura, recebeu do Sr. Samuel Barreira, 
1" Sub-Prefeito em exercício dn Prefijitura do Alto Purús, o seguinte offlcio : 

« Accuso, sinceramente agradecido, o recebimento das duas guias sobns. 339 
e 3J0, datadas de 2J de abril deste anno e que relacionam 35 kilos o 75o grammas 
do sementes diversas, remettidas por essa benemérita Sociedade a esta Prefeitura, 
que as recebeu com justa e grande satisfação, visto o empenho que tem em 
desenvolver aqui essa utilíssima industria. 

« Tenho a satisfação de communioar a V. Ex. que, no intuito de secundar 
neste Departamento os nobres esforços da Sociedade de que i'' V. Ex. digno Presi- 
dente, promovi, nesta cidade, a fundação em 22 do corrente, data do encerramento 
do Congros-o Industrial Seringueiro, da «Sociedade de Agricultura do Alto Purús», 
quo foi solomnemento installada sob auspícios garantídores do seu completo 
exíío. 

« Apresento a V. Ex. os meus sinceros protestos do subida consideração e 
alto apreço. Saudações ». 

« Valemo-nos da opportunidade para deixar aqui os mais effusivos votos que 
fazemos pel.i prosperidade da novel Sjciedado de agricultura do Alto Purús ». 



390 



SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 



SECÇÃO r>E PLA.NTA.S E SEMENTES 

Distribuição de plantas e sementes feita durante o mez de 

novembro de 1909 



KSPEOIFICAÇÃO 


UNIDADE 


PESO 


V01.0UE3 


Abóbora 


1 1 1 1 1 1 1 1 i 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 II 1 i 1 


k 
185 

r!0,80a 

2,8M 

"lOO 

28,300 

l:!,2.10 

872 

170 

065 

23 

iOO 

600 

r> 

9,700 

400 

51,700 

1,025 

9.5 

10,200 

4S,6J0 

Í2,600 

2,945 

1,650 

700 

i2,600 

l,-28õ 

18,0ri0 

1,200 


12 


Alfafa 


8 


Algfodiio 


381 


Anthoxaatum odoratum 


1 


Aveia 


12 




2 


Beterraba forrageira 


16 


Capim por lura, roxo 

Capim Jaraguá ..•,,, 


91 
18 


Cebola 


3 


Conteio , , . , 


14 


Dactylis glomerata 


2 


Kucalyptus* . . , , , 


25 


Foijão da Cbina 


l 


Holcus lunatus 


10 


Lactljyru-! svlvestris 


3 


Mauiç iba Je (uió 


9 


Melancia 


.39 


Melão .... 


40 


Milho 


17 


Mucuiiã forrageira .... 


17 


Mudas de h^isil (Pita do Me\ii-ã) 

Plileum prateii>e . . . . 


6 
9 


Pimentão .loce .... 


41 


Pòa trivialis , , . . 


5 


Sarraceno 


2 




11 


Sulla 


2 




44 


Trigo ... 


12 




3 








634 


4.168,510 


í<56 



BIBLTOTIIEOA 



PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS 

Temos recebido mais as seguintes : 

Chácaras e Quintões — Recebemos o primeiro numero desta revista que ora 
inicia a sua publicação om S. Pauiu sob a competente direcção do Sr. conde Am.i- 
deu Barbiellini. 

Traz texto abund mto c cheio de interesse, sendo aliara diíso profundamente 
illustrada. 

Desejamos ao nosso collega vida longa o prospera. 

BuUrtin da la Sociétê Irançnise dcs Jngéiiieurs Coloniaux, ■- X. 33, corres- 
pondente ao 3» trimestre de 1909, 



A LAVOURA 301 



Lahoratoirc Provincial de Roulers. — Relatório dos trabalhos exoeutados du- 
rante o anno do 1908. 

fíontributions from lh>s United Slates Nulionnl Uerbm-ium. — Vol. XII : Syste- 
matiú [nvesti^.itions and Bibliography. Washington, 1908—1903. 

Boletim dii A.isociação Commercial ilu Bahia, — Annol, n. 1. 

Boletim do Serviço de Estatistica Commercial. — Primeiro semostro, janeiro a 
junho de 1908 e 1909. 

PUBLICAÇÕES DIVERSAS 

Registramos com os nossos agradecimentos o recebimento das seguintes : 

Géologie AqricoJe, por Ernest Cord. Os leitores a quem este assumpto possa 
interessar deverão se reportar ao fira da presanto secção, onde encontrarão o pro- 
specto desta importante obra, da qual os editores, Srs. .1. B. Railliôre et Fils, 
tiveram para comnosc > a í;entileza de enviar o exemplar que temos sobre 
a mesa. 

Eslrtdio sobre 1% presencia de formas evolutivas en la leche esterilizada, pelo 
Dr. Enrique Fyon. Buenos Aires, 1906. 

The Grafling ofCacao, por .íoseph Jones. 

Cotton Giiis, por E. Y. Conuell. Os dous últimos trabalhos são publicações 
feitas pelo Departamento de Agricultura das Índias Occid^ntaes. 

Institui Agronomique (Université de Louvain. ) Programraa dos estudos o 
condições de admissão no anno académico de 1909 — 1910. 

Les Etats du Brasil^ Opúsculo do 87 pags., contendo numoro?as illustrações o 
noticia sucointa sobre cada um dos Estridos o Districto Federal, notas estatís- 
ticas, ete. 

A Questão In'Hgena — Publicação feita pela Coraraissão Promotora de Defesa 
dos índios. Campinas, 19iJ9. 

Relatório apresentado ao secretario das finanças do Estado de Minas pelo enge- 
nheiro Carlos Pratos, director de Agricultura, Commercio, Terras o Colonização, 
referente ao anno de 1908. 

Mensagem dirigida an Congrasso Legislativo do Estado do Pará pelo gover- 
nador Dr. .loão Coelho, em 7 de setembro de 1909. 

CATÁLOGOS 

Fratelli Sgnravatti. Saonara (Pádua). — Supplemento do catalogo n. 83. Ar- 
vores fructiferas. 

Sluis & Groot. Enkhuizen, Hollanda. — Catalogo de sementes para o mez do 
outubro do corrente anno. 

The Cfo. L. Squier Mfg. Co. — BuíTalo, Nova York, Estados Unidos da 
America do Norte. Machinismo=! para agricultura. Nota do descontos n. 64. 

Ilopkins, Causer & Hophins. — Catalogo de novembro Ze 1909. 

Simon Fr-res, Chorbourg. — Catalogo dos novos appavellios para fabricação de 
manteiga. 

Vapor, Gax e A^íwa . — Catalo-ío de Rorlido Moniz & C, n. 6,'), Avenida Central, 
Rio de .laneiro. 

Scharrer &. Cross. — Niirnberg, Allemanha. — Catalogo de machinas e mo- 
tores diversos. 



302 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

G6oloí»-ie íig-ricole, par Ernest Cord, professeur spr^cia! d"Agri- 
culturo, attaché au sírvice des étiides techniques du Ministôre de rAgricuI- 
ture, 1 vol. in-18 de 45n pages, avec 316 figures. Broclié 5 fr. ; cartonué i> fr. 
( Librairie .l.-B. Bailliôre et flls, 19, me Ilautefeuilie, á Paris. ) 

L'agricaltour ne doit pas se désiotéresser do la géologie, car cette science 
lui vient en aide en plu-! d'une circonstanoe. La terre arable sert en ellet do 
support k la planto ; c'est en outro d.ins son s in quo los racines vont chercher 
los éléments rainéraux qui servent ii Ia construo tion do la cellule vég.^tale. 
Chaque récolte enleve donc au sol une certaine quautité d'élémenls minéraux que 
Tagriculteur doit lui rostituer sous íormo ii'cngrais ou d amendements, s'il ne 
veut pas voir diminuor los rendoraents do .^es culturas. Ces éléments mineraux se 
trouvont soit dans le sous-sol en profondeur ( raarne, chaux ), soit dans les car- 
rióres voisin ^s ou lointaines ( pirure, phosphate, nitrato, seis de potissp, ete. ). 
Cest rótudo de la géolo^ií régionalc qui pennottra do les y découvrír, de montrer 
rimportance et létondue deleuvs gisemeats. 

La bise de tonto culturo ratioanello résiJe, h riieure .actuelle, dans 1 'elude 
próalable des propriôtús phy.siques et cliiraiquos dos sjIs. Cette étudo nócossite 
une connaissanco des lois ile la géologie. Cest cette étude théorique que M. Cord 
fait dans son volume de V Encyclopcdie ogricole, en ayant soin de raontror on memo 
temps les rapports qui existent entre telle oi tello formation géologiqun et lagri- 
culture des diversos régions, ainsi que les consóquences qui en résnltont. 

A peiao les promiers volumes de V Encyclopddie agricole, publiús par la 
librairie J. B. Baili.ière et Fii.s, sous la direction de M. Wèby, étaient-ils 
publiés, qui la Société Nationalo d Agriculiure, sur le rapport do son seci'étaire 
perpetuei, M. Louis Passy { de riiisiitut ), leur accordait sa ijrande mcdaille d'or 
ú 1'elfigie d'Olivier de Serres. 

Aujourdhui qun la publication est arrivée ã son cinquantiòrao volume et 
que Itís promLSses du directeurs et des éditeurs ont 6té, et au dela, réalisiíes, 
elle vient de lui accorder ki plus haute recompense dont elle disposo, le Grand 
Prix Ileuzê. 

Cest dire en quelle haute estime elle tient cette coUection, oeuvre unique en son 
genre, véritable monumcnt élevó à la gloire de Tagriculture au commencement 
du XX e siécle. 

Eu même temps, M. MÉLi.NE, ancien ministre de r.-Vgriculture, la fdus haute 
pjrsonaalitè du mondo agricole, lui adressait, á la tribuno du Sénat, à jiropos 
de la disoubsion du budget de Tlnstitut agronomique, cet éolatant hommage : 

« Sous la direction et Timpulsion de son lionorable directour qui est h la fois 
un savant érainent et un três habile administrateur, les professeurs de Tlnstitut 
agronomique ont entrepris de publier une Iinc;/clopé'lie agricole qui eít assuré- 
ment une des publications les plus remarquables qui aiont été faites dans les 
viii;/t derniòres années. lis ont dressé le bilan de la science agricolo au commen- 
cement du XX siècle. » 

Le catalogue dócaillé et illustré de VEncyclopédie agricole est adressé grátis et 
franco à t ou te personne ijui en lait la demande a MM. J.-H BailliOiro et lils, 19' 
rue Hauteíeuille, à Paris. 



-$$$$^€^€7- 



A LAVOURA 393 



NOTICIÁRIO 



DECRETO N. 7572 — de 18 de novembro de 1909 

Ci'i"'a uo Ministério da Agricultura, Industria e Coiumeroio a Directoria de Meteorolo;;ia 

e Astronomia 

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brasil : 

Usando da autorização contida no decreto legislativo n. 1606, de 29 de dez- 
embro de 1906, decreta : 

Art. 1.'^ E' creada no Ministério da Agricultura, Industria e Commercio uma 
Directoria de Meteorologia e Astronomia, a qual terá especialmente por objecto : 

§1.0 Promover o conliecimento da climatologia geral do paiz, publicando bo- 
letins trimensaes e annuaes, bem como mappas e diagrammas climatológicos, 
resumindo as observações feitas na rrde do estações nacionaes. 

§ 2.» Estudar as occiírrencias das cliuvas e das seacas e o consequente regimen 
das estiagens e cheias de rios, fazendo pesquizas no sentido de collaborar efflcaz- 
mente na solução dus problemas de abastecimento de aguas ás regiões suecas. 

§ 3.» Fazer a previsão do tempo e dar avisos marítimos o agrícolas, baseados 
nas observações locaes e nos despachos telegraphicos, noticiando a formação e 
marcha das depressões, ondas frias, tempestades, ele. 

§ 4.» Estabelecer os diversos typos do tempo nas zonas da Republica, moteoro- 
logicamente distiiictas umas das outras. 

§ 5.» Organizar edar publicidade á carta diária do tempo, bem como das pre- 
visões e avisos aos navegantes e agricultores. 

§ 6.° Fazer todas as observações astronómicas, geodésicas e de physica do 
globo, úteis em geral, o com especialidade ao Brasil. 

§ 7.» Determinar as posições geographicas dos principaes pontos do território 
e executar quaesquor trabalhos geodésicos que possam ser utilizados para orga- 
nização do mappa geographico da Republica, 

§ 8.° Regular os chronometros dos serviços públicos, assim como dar a hora 
mediante o sigual i-oavencionado, 

§ 9." Transmittir diariamente o signai de meio dia á Repartição Geral dos 
Telegraphoa e á Estrada de Ferro Central do Brasil. 

§ 10. Publicar os respectivos trabalhos, bem como um annuarío contendo 
dados e informações úteis relativas à astronomia, meteorologia, physica, chimica, 
geographíi e estatística, além das publicações avulsas que forem julgadas de inte- 
resso para as sciencias astronómica, geodésica e meteorológica. 

Art. 2.» Para a e.Kecução dos serviços a seu cargo a Directoria de Meteorologia 
e Astronomia comprehenderd : 

a) Um Observatório Nacional ; 

6) Tantos observatórios regiouaes ou estações de 1» ordem quantos forom 
os districtos agrícolas em que ae dividir o paiz ; 

c) Estações de i* ordem ; 

d) Estações de 3» ordem . 

8õ5á 6 



394 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTORA 

Art. 3." O Observatório Nacional é a repartição à qual incumbe a direcção, 
a collccção o pulilicação d;is observações meteorologi:aj e astronómicas do paiz, 
coraprehondiendo : 

a) A Administração Gerai da Directoria do Meteorologia e Astronomia, com : 
1 Director ; 

I Secrctario-bibliothecario ; 
3 Escreventes; 

1 Mecânico; 

2 Ajudantes de mecânico ; 
1 Aprendiz mecânico ; 

1 Zelador ; 

2 Serventes. 

b) Secção de MeteoroloL'ia e I'h)'8ica do Globo, com : 

1 Chefe do secção ; 

3 Assistentes de I* classe ; 

2 Assistentes de 8' c!asse ; 

4 Assistentes do 3" classe. 

c) Secção de Astronomia e Goodesia, i'om : 

1 Chefe de secção ; 

2 Assistentes de l* classe ; 
2 Assistentes de 2» classe ; 

2 Calculadores; 

3 Guardas-manobras. 

Art. 4." O Observatório Regional <■. um centro subordinado ao Observatório 
Nacional, para a dirncção e collecção das observações de certo districto agrícola, 
incumbindo-lho espocialmeoie : 

a) Fazer todas as observações exigidas pelo Código Internacional, para as 
estações de 1* ordera ; 

h) Centralizar todos os tnlegramraas de previsão do seu districto, com cujos 
elementos o respectivo chefe construirá a cartado tempo e fará a consequente 
previsão ; 

c) Tiansmittir ao Observatório Nacional e ás partes interessawlas os avisos 
relativoa á previsão do tempo ; 

d) Centralizar igualmente as demais observações feitas e tabuladas nas 
estações subordinadas, remettendo, em cada raez, ao Observatório Nacional 
os quadros relativos a todas as estações do districto, inclusive o Observatório 
Kegiona] . 

Paragrapho único. Em cada Observatório Regional haverá : 
1 chefe ; 

1 ajudante ; 

2 até 4 assistentes de 3' ciísse, conforme o numero das estações. 

Art. 5.» Estações de 2" ordem fão aquollas onde são eflfectuadas observações 
completas e resrulares dos elementos meteorológicos usuaes, como pressão baro- 
métrica, temperatura e humidade do ar, vento, nuvens, chuva, hydrometros, 
etc, tendo cada um i : 

1 observador; 

1 ajudante. 



A LAVODRA 395 



§ 1.» Ao observador compete : 

a) Fazer fielmente toJas as observações, que tiverem siJo indicadas nas 
instrucções expedidas pela directoria ás lioras regulamentares, lançando-as imme- 
diatamente na calerneta apropriada e transcrevendo os dados, depois do corri- 
gidos, no registro especial, de onde serão extrahidos os quadros de resumo, 
que serão enviaiios ao Observatório Regional do respectivo districto, no começo 
de cada mez, som prejuízo do quadro geral annuo, reraettido jio começo do mez 
de janeiro de cada anno ; 

b) Remetter diariamente, logo depois do feita a observação da manhã, um 
telegramma ao Observatório Regional contendo os dados observados na hora local 
correspondente ao meio dia de Greenwich ; 

c) Adesti'ar um ajudante no uso dos instrumentos, para habilital-o a ser seu 
substituto, em casos de necessidade, ou quando, por qualquer motivo, deixar 
de ser encarregado da estação. 

Art. 6.° Estações de 3" ordem são aquellas em que apenas parte, maior 
ou menor, dag observações feitas nas estações de ã» ordem são effectuadas 
havendo em cada uma delias um observador. 

§ 1." Nas estações de 3' ordem, onde haja barómetro, as obrigações, espe 
cialmente a de remetter telegraphicamente os resultados das observações simul 
taneas da manhã, são as mesmas das estações de 2» ordem. 

§ 2," Nas estações de S* ordem, onde não haja barómetro, serão fiel 
mente observados os outros instrumentos, do accôrdo eom as instrucções 
dando-se particular cuidado ás observações das chuvas, medindo-se a precipi- 
tação occorrida pelo menos uma vez por dia e neste caso ás 7 horas da manhã 
e conservar-se-ha a estatística completa da força e direcção do vento, da nebulo- 
sidade, dos dias claros, nublados, de chuva e de t.rovoa'la, cuj i cópia, era forma 
de quadro, será mensalmente enviada ao Observatório Regional do districto. 

§ 3.» O observador encarregado das estações de 3* ordem deverá es- 
colher uma pessoa idónea, a quem instruirá para o flm de ser o seu substituto, 
em casos de vaga ou impeliinento. 

Art. 7.» O pessoal da Directoria do Meteorologia e Astronomia será nomeado : 

a) O director, chefes de secção e chefes de observatórios regionaes, por decreto ; 

6) Os demais empregados, com excepção dos observadores e seus ajudantes 
das estações de 2* e 3* ordem, por portaria do Ministro ; 

c) Os observadores e seus ajudantes das estações de 2* e 3* ordem, por 
portaria do director da Directoria de Meteorologia e Astronomia. 

Art. 8." Os deveres e attribuições de cxda um dos empregados serão esta- 
belecidos no regulamento interno, que o director da Directoria de Meteorologia e 
Astronomia submetterá á approvação do Ministro. 

Art. 9." Os vencimentos do pessoal serão os da tabeliã annexa, devendo os 
ajudantes dos observadores de 2* e 3* ordem servir gratuitamente, habilitando-se 
a substituir eventualmente a estes, em caso de vaga ou de impedimento tem- 
porário. 

Art. 10. Os observadores das estações de 2"^ e 3» ordem serão nomeados dentre 
as pessoas que, pela sua instrucção e a natureza sedentária de sua profissão ou 
emprego, possam, em cada dia, consagrar um pouco de suas horas de lazer ás 
observações e trab^ilhos que lhes incumbem . 



3!>r, SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Art. 11. O serviço meteoroloL'ii'0 será iniciííio com as estaçõts já, existentes, 
devendo ser installadas durante o anno próximo mais 40 estações de 2' ordem o 
180 de 3* ordem e pluviometricas, repartida? como convier pelo território 
da republica. 

Paragrapho único. Anaualraenta deverão ser installadas mais estações, de 
modo a ir desenvolvendo pi-ogressivamente o serviço, até a constituição da rede 
de estações indispensnveis para a climatologia e previsão do tempo. 

Art. i:i. Os observatórios rejíionaes serão installado-; á proporção que em 
cada um dos districtos agrícolas e densidade das estações por toda a aréa do 
districto seja superior a uma estação, por 20.000 kilometros quadrados. 

Paragrapho único. As estações do 2^ o 3' ordem, eraquanto não houver 
Oliservatorio Regional no respectivo districto, deverão communicar ao Ob- 
servatório Nacional as observações e dalos que são obrigadas a communicar 
áqaelle. 

Art. 13. O material das estarões ilepenilontos da Directoria do Meteorologia 
o Astronomia será fornecido por esta aos respectivos observadoras, que serão 
responsáveis pelo seu extravio. 

Art. 14. A installação dos instrumentos, assim como a inspecção o fiscali- 
zação periódicas das estações meteorológicas, serão feitas por pe.ssoal da di- 
rectoria, commissiouado pelo director, pelos chefes dos observatórios regionaes ou 
pelos inspectores de agricultura. 

Alt. 15. Aos Estados quem anliverem serviço mnteorologico offlcial uu por 
intermédio de institutos scientificos, por ello^ subv-jucionados, serão concedidas 
subvenções, desde que a respoctiva rêlo meteorológica possa constituir, a juizo do 
Governo, servií^o completo para a climatologia e previsão do tempo, dentro de um 
districto agrícola. 

Art. 16. Para eflfectividade do disposto no art. 15, devem os Estados obri- 
gar-se a : 

a) Ter os instrumentos adoptados pelo Observatório Nacional ; 

b) Manter as estações meteorológicas em logar.;s approvados pela Directoria 
de Meteorologia e Astronomia ; 

c) Admíttir como encarregados dns serviços pessoas com as necessárias habi- 
litações, para executarem as observações de acccordo com as instrucçõos da 
mesma directoria ; 

(l) Mandar transraittir por telegrammas ou por oílicios osdados que forem 
exigidos ; 

e) Sujeítar-se, quanto ao registro das observações e ,1 remessa periódica dos 
quadros e demais trabalhos, ás mesmas normas estabelecidas para as estações 
meteorológicas nacionaea ; 

f) Submetter-se á inspecção e fiscalização dos funccionarios para isso commís- 
sionados pela directoria ; 

.-Vrt. 17. A subvenção aos Estados consistirá na contribuição necessária 
]ara a acquisição dos instrumentos e manutenção do pessoal, calculadas essas 
despezas polo que ella seria si inteiramente feita pela União, nas condiçõo.s do 
presente decreto. 

Art. 18. A subvenção de que trata o artigo anterior será paga por trimestre 
vencido, tendo em vista o numero das estações em funccionaraento, o qual não 



A LAVOURA 



397 



poderá exceJer do que a União julgar necessário e;ii cada Estado, podendo este 
ter ásua custa maior numero. 

Art. 19. Além das estações custeadas ou subvencionadas pela União, a 
Directoria de Meteorologia e Astronomia poderá accoitar a collab jração de todas 
as que quizerem prestar o seu concurso, podendo fornecer-lhes por empréstimo 
os instrumentos necessários, desde que estes possam ser confiados a pessoas 
idóneas, que se promptifiquem a lazer as observações e a fornecer os dados gratui- 
tamente. 

Art. 2L Para maior rapidez na transmissão dos telegrararaas meteorológicos, 
haverá no Observatório Nacional uma estação telegraphica, com um telegra- 
phista exclusivamente encarregado do serviço da Directoria de Meteorologia e 
Astronomia. 

Art. ãl. Fica extincto o actual Observatório do Rio de Janeiro. 

Art. 22. Revogadas as disposições em contrario. 

Rio de .laneiro, 18 de novembro do 1909, 88° da Independenci i e 21» da 
Republica. 

Nilo PEyA.NHA. 
A. Cândido Rodrigues. 

Tabeliã dos vencimentos do pessoal da Directoria de Meteorologia 
e Astronomia a que se refere o art. 9" do decreto n. 7673, 
desta data 



PESSOAL 


ORDENADO 


GRATIFICAÇÃO 


TOTAL 


Director 

Chefe de secção 

Assistente de l» classe 

» n 2'-^ » 

» » 3-'^ >» 

Calcuindor 

"Mecânico . . ... 


lírOimOOO 
SiOOOsOOO 
t;:400.$0i)0 
4:.suU.'500O 
?:400.SO00 
2 : 400,^000 
oráuOsOOO 


6:0n0s;0()0 
4:000s000 
3:?UO$000 
2:400.^1100 
l:20ft^OOO 
i:íOO.SOOO 
1:600$000 
1:ÍOO$000 

■ioosooii 

600$000 
3:2011$ 00 
I : ÍUOSODO 
800$000 
4.SO$000 
2:800s000 
:.':0(iO$000 
I:O00.Sii00 


lS:(iori$0(ii) 
i2:ouos0ou 
9:000$000 
7:20n$000 
3:600s000 
3:000$000 
4:800$000 


Ajudante de mecânico 

Aprendiz de mecânico 


2:400^000 

soo.$ooo 

I:á00$0(l0 
ti:4O0S000 
2 : ÍOOsOOO 
í:6iHi.S000 
OóOKOOO 
r,:(')00$000 
4:000$0oii 
Í:0(.i0s000 


3:0 0$000 
í: 2005000 
l:800S00O 


Secrc-tario-lúbliolli ■cario - 

Escrcvnnlf 

Zelador 

Servente 

Clicle do Observatório Regional 

Ajudante idem 

Assistente i lem 


í):íJOiJ$00o 
3:tíi)0$000 
2:4o:$0ll0 
1:440$(I00 
8:400$00i> 
G:000.§000 
3:000$000 



Observações 

a) O pessoal do Observatório Xacional e dos Observatórios regionaes, quando em 
viagem de serviço, perceberá mais a diária de lOiJ, correndo as despezas de transporte por 
conta da União ; 

b) Os observadores das estações de 2» ordem perceberão a gratificação mensal de 
G0$0OO ; 

c) Os observadores das estações de 3'^ ordem e pluviometricas pi^rceberão uma grati- 
liçação de 30$ a 50$ mensaes. 

Rio de Janeiro, 18 de novembro de 1909. — .1. Cândido liodrigiees. 



398 SOCtEDAUE NACIONAL DE AGRICULTURA 

DEORETO N. 7673 — de 18 ds novembro de 1909 

Crèa o Ministério da Agricultara, Industria o Commercio e Secção de Pablicaçõos 

e Bibliotheca 

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brasil : 

Em execução do decreto legislativo n. 1006, de 29 de dezembro de 1906, alineas 
A do n. 1 e e do n. 2, 

Decreta : 

Art. 1.» Ficam creadas no Ministério da Agricultura, la^iuatria e C!ommercio 
a Secção do Publicações e a Bibliotlieca. 

Art. 2." A' Secção de Publicações, da qual fará parte a Bibliotlieca, incumbe: 

a) Piovidenciar sobre a impressão das publicações do Ministério, que tenha de 
ser feita no pai/, ; 

b) Fazer no paiz a distribuição systomatica de todas as publicações do Minis- 
tério ou das que olle adquirir, destinadas á propaganda agricola e á divulgação 
das informações e conhecimentos úteis á lavoura, á industria e ao commercio; 

c) Rometter regularmente á Commissão de Expansão Económica do Brasil no 
estrangeiro as publicações que por ella tenham de ser distribuidas, impressas ou 
adquiridas no paiz para distribuição no exterior, assim como todas as que possam 
servir de fonte do informação o contenham dados úteis aos servií.os a cargo da 
commissão ; 

d) Reunir e catalogar, por ordem do matéria, todas as boas publicações nacio- 
naes ou estrangeiras referentes ás diíTereuies especialidades de que trata o Minis- 
tério da Agricultura, Industria e Commercio, procurando manter correspondência 
e permuta constante e regular com as repartições ou instituições nacionaes e estran- 
geiras que cuidem de assumptos que intei-essom aos serviços do ministério ; 

e) Tomar conhecimento de todas as publicações recebidas do interior e do 
exterior, aflm de publicar e vulgarizar o que lor de utilidade geral, por meio do 
notas ou noticias fornecidas á imprensa ou pelo Boletim do Ministério da Agricul- 
tura, Industria e Commercio, publicação que fica a seu carg^o ; 

f) Manter a bibliotlieca do ministério, de modo a que nella figurem em boa 
ordem a collccção de publicações do ministério e todas as que interessem aos ser- 
viços a cargo deste, além das melhores obras que tratam de agricultura, industria 
e commercio, e sciencias subsidiarias. 

Paragrapho único. A' Secção de Publicações incumbe também fornecer infor- 
mações pedidas au ministério e que não tratem do matéria do exp "dicnte ou de 
assumptos technicos pertencentes á esphcra de trabalhos de outras repartições. 

Art. 3."> A bibliotheca será franqueada a todos os funccionarios do Ministério 
da Agricultura, Industria e Commercio, para o estudo dos assumptos que lhes 
estiverem confiados. 

Paragrapho único. Os livros ou collecções existentes na bibliotheca também 
poderão ser franqueados a consultas de pessoas estranhas ao ministério, medi kn te 
especial autorização do director geral. 

Art. 4." A consulta aos livros o collocções da bibliotheca deverá ser feita dentro 
da Repartição, durante as horas do expediente. 

Paragrapho uuico. O chefe da Secção de Publicações poderá, entretanto, 
permittir aos funccionarios do ministério a retirada de livros para estudo fora da 



A LAVOURA 39D 



repartição desde que o seja por tempo limitado e tenha sido isso requisitado por 
um chefe de serviço. 

Art. 5.° Os livros ou publicações retiraJas para estudo íóra da repanição 
serão carregados, no respectivo livro, á conta do funccionario a quem forem en- 
tregues, sendo o seu valor descontado dos respectivos vencimentos si não os resti- 
tuir á bibiiotheca, deniro do prazo que lhe for marcido. 

Art. 6.° O «Boletim do Ministério da Agricultura, Industria e Commercio» será 
publicado mensal ou quinzenalmente, conforme a abundância de matéria e deverá 
conter especialmente: os actos do Governo da União, expedidos por intermédio do 
ministério ; artigos e trabalhos originaes da lavra do pessoal das repai-tições 
technicas ; artigos, noticias e informações extrahidas de publicações scientiflcas e 
outras que tratem de assumptos da competência do ministério, tudo no intuito de 
propaganda e maior divulgação dos conhecimentos úteis â lavoura, industria e 
commercio. 

Art. 7." A Secção de Publicações terá o seguinte pessoal, com os vencimentos 
da tabeliã annexa: 

1 chefe ; 

2 ajudantes ; 

1 bibliothecario; 

2 auxiliares revisores; 
1 chefe de expedição. 

Paragrapho único. Serão admittidos na Secção de Publicações, para auxiliar 
08 serviços da bibiiotheca, da correspondência, de revisão e do expedição de pu- 
blicações, auxiliares praticantes em numero não excedentes a quatro, conforme o 
desenvolvimento dos serviços e vencendo a gratificação constante da tabeliã 
annexa. 

Art. 8.° O chefe da Secção de Publicações sara nomeado por decreto e devo 
possuir, além de outros conhecimentos indispensáveis, os das línguas nacional, 
franceza, ingleza o allemã. 

Art. 9.° Incumbe ao chefe de secção: 

a) Velar pela fiel execução dos serviços pertencentes à secção, superinten- 
dendo o fiscalizando os trabkIh!)S de seus auxiliares ; 

fc) Exminar iodas as publicações dirigidas ao Ministério di Agricultura, In- 
dustria e Commercio, extrahindo delias o que convier divulgar no paiz, annotando 
e levando ao conhecimento dos chefes do serviço o que possa interessarás repar- 
ÇÕ6S a cargo dos mesmos ; 

c) Traçar e fazer executar o plano de distribuição do cada uma das publicações 
do ministério, visando a maior efflciencia da divulgação dos conhecimentos e 
noticias que ellas contiverem ; 

d) Ivedigir as notas e informações que devem ser fornecidas á imprensa sobre 
assumptos de interesso da lavoura, industria e commercio ; 

e) Assignar a correspondência da secção e mandar cumprir os pedidos que lhe 
forem dirigidos ; 

f) Observar e fazer cumprir pelos seus subordinados as disposições do presente 
decreto e as iustrucções e ordens do Ministro ou directur geral ; 

g) Apresentar, no flm de cada anno, ao direotor geral, um relatório de todo 
o serviço e movimento da secção, durante o anno findo. 



•ICK) SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Art. 10. Os ajudantes, o biblíothecario, os auxiliares revisores e o chefe de 
expediçcão serão nomeados por portaria a-sign.ula pelo Ministro. 

Paragraplio único. O: auxiliares praticantes serão admittidos e dispensados 
inilependonte de nomeação, conforme as necessidades do serviço e do accordo com a 
autorização do Ministro. 

Art. 11 . Os ajudantes devem possuir as mesmas habiliiações exigidas para o 
exercicio do cargo de chefe de secção, e incurabe-llies collaborar com este cm todos 
os serviços e trabalhos a seu cargo, substituindo-o nos casos de impedimento tem- 
porário, conforme designação do director geral. 

Art. 12. Ao l'ibliotliocario incumbe: 

a) Ter na melhor ordem a bibliotlieca ; 

b) Providenciar sobre a encadernação das publicações e livros ; 

c) Organizar e manter com perfeita rogul.iridado o catalogo ; 

d) Attendor às pessoas que precisarem consultar os livros e publicações da 
bibliotlieca ; 

c) Velar para que as collecções se mantenham completas, reclamando a remessa 
dos numeres de publicações que deixarem do ser remcttidos á secção ou que 
faltarem nas collecções ; 

/) Manter em dia o livro do carga dus volumes e publieaçfles que tiverem de 
sahir da bibliothcca, com permissão do chefe dn secção ; 

g) Executar os demais trabalhos que lhe forem ordenados pelo chefe de secção. 

Art. 13. Aos auxiliares revisores compete : 

o.) Fazer todo o serviço de revisão de provas, submettendo-as, depois de 
revistas, aos respectivos autores, antos de r(!stituil-as á typographia para a 
impressão ; 

b) Executarem os trabalhos que lhes forem ordenados pelo chefe de secção 
ou pelos ajudantes, em falta de serviço do revisão. 

Art. M. Incumbe ao chefe de expedição : 

a) Providenciar sobre a expedição das publicações a distribuir, fazendo os 
respectivos endereços, de accurdo com o plano mandado observar polo chefe de 
secção ; 

b) Ter om dia o livro de distribuição do publicações, do qual constarão : o 
titulo das publicações distribuídas, a sua quantidade o o destino por paizes. 
Estados, repartições, instituições, associações ou particulares, de modo a poder-so 
levantar a qualquer riiomcnto a respectiva estatística. 

Art. 15. Aos auxiliares praticantes incumbe .executar os serviços para que 
forem admittidos, de accordo com as determinações do chefe do secção. 

Art. ]('>. .\s publicações do Ministério da Agricultura, Industria e Commercio 
serão impressas na typogriphia da Direcoria Geral de Estatística, a qual será, 
para isso, dotada do pessoal e material necessário. 

Art. 17. Revogara-se as disposições em contrario. 

Rio de Janeiro, 18 de novembro de 1909, 88" da Independência e 21° da 
Republica. 

Nilo Peçanha. 
A. Cândida Rodrigues, 



A LAVOURA 



401 



Tabeliã dos vencimentos do pessoal da Secção de Publicações do 
Ministério da Agricultura, Industria e Commercio, a que se 
refere o decreto n. 7673, desta data 



Chefe de secção 
Ajudante . . 



Bibliothecario. . . 
Auxiliar revisor . . 
Chefe de expedição . 
Auxiliar praticante. 



ORDENADO 



8:000$00l 
r>: 0001000 
4:000$000 
3:200|000 
2:000^000 



OHATIUCAÇAO 



4:000$00o 
2:S0()$000 
2:000$00(l 
1:000$000 
l:000$00(i 
I:S0UiJO00 



12:000$O0O 
8:400$000 
6:000$000 
4:800$000 
3:000$000 
1:SOO$000 



Ri; de Janeiro, 18 de novembro do líK )',!.— ,1, l^anáido Rodiiyues, 



Inspecção A-g-vicoliv nos ICstatlos — Este qovo doparta- 
mcnto, creado pelo Exrao. Si*. Dr. Cândido Rodrigues, Ministro dii Agricultura, 
comproliende : 

« O serviço de Inspecção Agricola em cada um dos Estados o quo abrangerá o 
estudo das condições da agricultura o das industrias agrícolas e das causas que en- 
torpecem o seu desenvolvimento e progresso ; a indicação das mádidas capazes do 
melhorar as condiçõ ís da agricultura e industrias agrícolas e de animar a crearão 
de novas fontes de producção, a divulgação de conhecimentos utuis á lavoura, a 
propagação de novas culturas ou variedades de plantas já cultivadas ; o levanta- 
mento das cstíitisticas agrícolas e zootechnicas ; avaliação das colheitas e a fisca- 
lização das escolas agrícolas, estações agronómicas, campos do experiência ou de 
demonstração, postos ou estações zootechnicas o meteorológicas, custeados ou sub- 
vencionados pela União nos Estados. 

Para esse serviço fica o território da Republica dividido em ládistrictos : 

1." Amazonas c Pará, 

2.» Maranlião e Piauby. 

3.° Ceará, Rio Grande do Norte e Paraliyba. 

3.° Pernambuco e Alagoas. 

5." Bahia o Sergipe. 

G." Rio de .laneiroe Espirito Santo. 

7." Minas Goraes. 

8.» s. Paulo. 

9.» Paraná o Santa Catharina. 

10. Rio Grande do Sul. 

11. Goyaz. 

12. Matto Grosso, 

. 8552 ' 



402 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

O território do Acro sorá objecto do uma prorideacia especial, visando a re- 
gularização da exploração do seus saringaes e melhorameato da producção da bor- 
racha. 

Cada um dos distriotos agrícolas Soará a cargo do um inspectur, ao qual íih 
cumbirá, doutro das respectivas circurasoripjõos, percorrer constantemente o seu 
districto, investigando as condições das lavouras, informando o ministério sobro 
todas as ocourrcncias ou circumstancias tendentes a favorecer ou prejudicar as 
plantações das colheitas e estudando toJas as necessidades agrícolas de sua oír- 
oumscripção ; visitar frequentemente as fabricas, usinas e engenhos, examinando 
os processos e resultados do beneflciamento ou transformação do productos agríco- 
las, indicando os moios do meUioral-os e de remover os obstáculos que se ante- 
ponham ao desenvolvimento da producção ; realizar nos centros agrícolas de seus 
districtos, quando o ministro autorizar, con forencias sobre assumptos de interesse 
geral da lavoura, especialmente visando a propaganda di introJucção de novos 
processos culturaes ; a organização de syndicatos agrícolas e cooperativas agríco- 
las, conforme o programma mandado observar pelo ministro ; aiteader, quando 
em viagem pelo seu districto, aos pedidos do informação que lhe forem dirigidos 
pelos lavradores ; collaborar ua organização a direcção das expedições, concursos e 
demonstrações agrícolas, promovidos pelos governos dos Estados, municipalidades 
ou associações agrícolas da respectiva eiroumscripção ; colligír todas as informa- 
ções sobre as riquezas e os varies productos do respectivo districto, colhendo 
amostras e organizando relatórios succinto^ para o museu do ministério e propa- 
ganda no estrangeiro ; inspeccionar as escolas agrícolas, estações agronómicas, 
campos da experiência ou demonstração, postos ou estações zootochnicos e meteo- 
rológicos, custeados ou subvencionados pela União nos Estados de sua circumscrí- 
pção ; divulgar por meio da imprensa ou do circulares conhecimentos úteis para 
a lavoura e instrucções o conselhos para a extincção das pragas ; colher exempla- 
res de plantas doentes o de insectos nocivos, remiittendo-os ao ministério para o 
estudo dos meios de tratamento ou extincção ; fazer a distribuição do rnudiís o se- 
mentes que lha forem remettidas para isso pelo ministério ; remetter mensalmente 
ao ministro um relatório dos trabalhos feitos no mez fiado, além da noticia sobre 
a parte do districto percorrida, as observaçõas feitas durante as excursões; a in- 
dicação das medidas que as mesmas observações suggerírem e tudo o mais que 
possa ser útil para resolução do ministro sobre as providencias a tomar em bene- 
ficio da agricultura o das industrias agrícolas » . 

d) Encher e assignar os certidjalos das coberturas fornecidas pela mesma 
Directoria o onvíal-os aos proprietários das fêmeas cobertas. 

e ) Organizar e remetter á Diroctoría mencionada, no fim de cada mez, a es- 
tatística completa e exacta das femoas apresentadas aos roproductoros da Estação, 
e, bem assim, os dados fornecidos poios proprietários, referentes aos productos 
obtidos. 

f) Dar aviso, por telogramma, á Directoria de Inlustrla Animal, de qualquer 
alteração notada na saúdo dos roproductoros o rometter-lho, mensalmente, a 
ronda arrecadada o proveniente das cobrições. 

g ) Enviar, ã mesma Directoria, mensalmente, a relação das despezas feitas 
com a manutenção da Estação, assim comj a folha de pagamento de seu pes- 
soal. 



A LAVOURA 403 



Exposição ^Vg^ro-I^ecuax-ia — Esmo. Sr. Dr. Francisco Salles, 
dig^no presidente da commissão central da Exposição Agro-Pecuaria de Bello Ho- 
rizonte. 

Os abaixo assignados, membros da commissão de julgamento dos productos, 
que, com os devidos documentos, concorreram ao «Certamen» de 7 do corrente, na 
secção agrícola- industrial, depois de terem examinado do melhor modo possível o 
que lhes foi apresentado, assim enunciam o seu julgamento: 

TRIGO 

Em numero de 7 foram os concurrentes aos prémios destinados aos cultivado- 
res de trigo, sondo destes qualificados com prémios pecuniários: com o 1° premio, 
João Evaristo de SanfAnna, do Carmo do Rio Claro ; com o 2», Alberto Dias Ferraz, 
de Christina ; cora o 3', Nicolau de Carvalho Sampaio, de Marianna; com o 4°, o 
Dr. Carlos da Silva Fortes, do Barbaceoa, e Dr. Luiz de Souza Brandão, de Queluz. 

Obtiveram medalha de ouro: Procopio Affonso Guimarães, do Cataguazes, o 
Cândido da Fonseca Vianna, do Rio das Velhas. (V. quadro n. 1.) 

ARROZ 

Dos 19 concurrentes aos prémios do arroz, nove foram classificados com direito 
aos prémios pecuniários, a saber : o 1" a João E. SanfAnna, do Carmo do Rio 
Claro ; o 2° a Gabriel Archanjo da Silva Costa, de Cabo Verde, e a Nicolau de Car- 
valho Sampaio, de Marianna ; o 3» a Francisco da Costa Araújo, de Rio Novo, o 
Tancredo França, do Sacramento; o 4" a Villela & Irmão, de S. Paulo de Muriahé, 
o Loopoldo Correia Notto, do Pomba ; o 5" a Carlos Cavalcante, de Cambuhy e 
Augusto Pacheco Resende, de Rio Novo. 

Obtiveram medalha de ouro: Sincero Fernandes Diana, de Conceição do Serro; 
Dr. Luiz de Souza Brandão, de Queluz; Cândido da Fonseca Vianna, Rio da3 
Velhas; António de Rezende, de Uberabinha ; Francisco António Arruda Camará, 
de Leopoldina; João Francisco Furtado, do Cataguazes e Joaquim Lacerda Werneck, 
de Leopoldina. 

Medalha de prata: Adormevil da Rocha & Comp., do Uberaba; José António 
de Araújo Quintão, de Piranga, o Roberto Francisco do Toledo, de Leopoldina. 
(V. quadro n. 2.) 

FEIJÃO 

Aos premies destinados aos cultivadores de feijão compareceram 15 concur- 
rentes, sendo promiaduS: com o 1° premio, Josó António de Araújo Quintão, de 
Piranga ; com o 2», João Evaristo SanfAnna, do Carmo do Rio Claro, e Francisco 
de Paula c Silva, do Muzambinhu ; com o 3°, Leopoldo Corrêa Netto, do Pomba, e 
Pedro Cláudio Sallos, do Rio das Velhas; com o 4», José Amâncio de Lima, de 
Muzambinho, o Francisco Gil Senra, do Tiradentes, e com o 5", Frederico Jardim, 
de Barbacona, o Villela & Irmão, do S. Paulo do Muriahé. 

Obtiveram medalha de ouro: Nicolau de Carvalho Sampaio, de Marianna ; 
Augusto Pacheco de Rezende e Francisco da Costa Araújo, do Rio Novo ; Cândido 
da Fonseca Vianna, do Rio das Velhas ; Dr. Luiz de Souza Brandão, de Queluz, o 
Roberto Ferreira de Toledo, de Leopoldina. (V. quadro n. 3,) 



404 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

MILHO 

No planí.io do millio foram premiados com preirios pecuniários 6, a sabor: o 
1° premio, a Francisco da Costa Araújo, do Rio Njvo, o Pedro Cláudio d • Sall ;«, Kio 
das Velhas; com o :i', CanliJo da I^onsoca Vianna, do Rio das Vellias, e Loopoldo 
Correia Notto, do Pomba ; com o 4', Sincero Fernandes Vianna, de Conceição do 
Serro e João E. SanfAnna, do Cirmo do liio Claro ; com o 5", Frederico Jardim, 
de Barbacena. 

Foram premi \dos com raodallia de prata: Herculano Pereira do I^ago, de Cabo 
Verde ; Francisco Oil Sonra, de Tiradentes ; Auu'iisto Pacbcco Rezende, do Rio Novo; 
Nicolau do Carvalho Sampaio, de Miri mua. (V. quadro n. 4.) 

n\TATAS 

Somente quatro foram os concurrentes aos prémios destinados ao plantio aa 
batata, sendo classificados: em 2" logar, Josí lUydio da Silva Perdigão, de Alvino- 
polis: em 3', Thomaz Hoslep, de M )rrj Velho ; era 4°, o Dr. Luiz de Souza Bran- 
dão, de Queluz. O quarto concurrente foi desjlassiticilo não só por não tor a área 
exigida, como também por ter sido informada a commissão de que o requerente 
não (5 agricultor. (V. (uiadro n, 5.) 

ALGODÃO 

Sò houve um coiicurrento ao |iri!niio de algodão, e esse mosmo sem direito a 
rocebolo, por não tor remettido amostra, conformo exigem as instrucçõos regula- 
mentares. 



Como so evidencia doe quadros ns. 6, 7, 8, 9, 10, 11 e li, os expositorss deeafé 
foram om numero de 15 ; de productos cerâmicos, 5 ; sericicultura e vários outros 
tecidos, 7; bebidas, 14; productos lácteos, 10; milho, feijão, arroz, assucar, fari- 
nha, sal u algodão 22 ; e finalmente, 3 ) com productos diversos. 



As qualidades do café exposto tiveram as classificaçõos mencionadas no respe- 
ctivo quadro. Devemos salientar o preço remunerador obtido no llavre, pelo 
expositor Dr. José Cupertino Teixeira, de Ponte Nova. Este senhor conseguiu 
apurar, man landa o café por intermédio da Cooperativa. — o preço do 75 francos 
por 50 kiljs, ileixan lo livre, cm Poate Xova, a quantia do OSlQ i por 15 kilos. 

Outra observação teve occisião de fazer a Commissão julgadora sobro esse 
prolucto: o café separado pela Sue -Ão de cafí: com as machinas — Paitl KaacJi — 
foi considerado o nioUior de todos os expostos. 

ICra productos cerâmicos, além de medalhas de ouro concedidas a vários expo- 
sitoros, ont'jniieu a commiísão concelor o prkmio de honra — ao expositor Paulo 
Pinhuiro da Silva, deCaoté, pala variedade o quali lade do producçõos expostas — 
entro as quaos — porcellana, etc , etc. 

Sibre tecidos e productos sericos foi concedido o piiemio de honra aos indus- 
triaes F. Mascarenhas & Filho, do Rio das Velhas, o á Colónia Rodrigo Silva, de 
Barbacena. 



A LAVOURA íOã 



Aos demais expositores ftjrara concedidas medalhas do prata e menções hon- 
rosas. 

No quadro dos expositores do liebi'las houvo classificações cora medallias do 
ouro e pivita e monções honrosas. 

No quadro dos productos lácteos obtiveram medalha de ouro as seguintos 
fabricas: do Dr. Carlos da Silva Fortes, do Barbaccna; Josó Guilherme ^^ Comp. , 
de Palmyra ; Alfredo Bvptista de Oliveira, Entro Rios, e Mihvard & Comp., de 
Ayuruoca. Notou a Commissão que uma das marcas, a registrada, exposta pelos 
fabricantes Milward & Comp., 6 do enlatamento inferior. 

Os demais expositores desse proJucto foram classificados conformo se vorá do 
quadro referido. 

Aos expositores constantes do quadro n. 11, já citado, foram concedidas moila- 
llias de ouro, prata, bronze e menções honrosas, coin excepção do expositor João 
Evaristo SanfAnaa, ilo Carmo do Rio Claro, a quem entendeu a commissão conce- 
der o PREMIO DE HONRA pelas inuumeras variedades de productos expostos o por 
ter verificado, no exime que fez nos documentos apresentados, ser um dos maiores, 
senão o maior airricultor do Estado. 

Pela leitura do quadro n. 12 vê-se que os expositores constantes do mesmo — 
tiveram medalhas de ouro, prata, bronze e menções honrosas. 



A classificação foi feita á vista dos productos expostos nos dois pavilhões — de 
Agricultura e Industria — após exame minucioso por parte da commissão julgadora. 



A concessão dos prémios de honra— foi feita como animação aos expositores 
que não só so esforçaram acudindo ao appello do poder publico, trazendo seus pro- 
ductos ao Ccriamc», como também por terem procurado introduzir os systemas 
modernos de agricultura 6 aperfeiçoamento nas industrias. 

Menções elogiosas merecera, sem duvidíi, os expositores Joaquim de Lacerda 
Werneck, de Leopoldina ; Almeida, Bezerra & Comp., do Rio de Janeiro, e Hopkins 
Canser & Hopkins, de S. João d'El-Rei. 

O primeiro pop ter exposto uma «capinadeira» do sua invenção denominada 
«Werneck», que ao ver da Commissão pôde prestar Dons serviços ã lavoura do 
Estado ; os segundos por terem exposto, como fabricantes, sal em tijolos e refinado 
que, segimdo informações prestadas â Commissão, é de vantagem para os nossos 
criadores, e os terceiros, por terem feito completa installação de machinas e 
fabricação de raanteiica . 

Com o intuito de propaganda oní.re os innumeros industriaes de productos 
lácteos a casa Hopkins Causer & Hopkins fez, na Exposição, installação para o fabrico 
de manteiga systeraa «Alfa-Laval», movida por electricidade, com todos os acces- 
sorios; iii<talIação de machinas para o fabrico da manteiga pelo systemada mesma 
«Alfa-Laval». installação «Gerber» para analyse do leite e idem «Zero» para o 
fabrico de ãOO kilos de gelo por dia, com força de 3 cavallos. Expuz o mais completo 
sortimoato de vasilhame para leito: desnatadeiras «Alfa-Laval» de todos os tama- 
nhos o systemas ; batedeiras, espátulas, tliermoraetros, lactometros, vidros gra- 



408 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

duados, baldos, filtros, coadores, etc. Maia: chocadeiras para ovos— marca 
€Alfa-PiDto», macUinas para matar formigas <novasta(lora», arados americanos, 
inglezes e cRud Sack». 

Além do desoripto, expoz mais a referida casa — capas, cotjertaa o lonas 
impermeáveis —marca cBirhmyro». 

DesempenlianJo bem a sua missão — representou a casa expositora o Sr. Char- 
les Causer, tendo como auxiliares a professora D. Helena Draemert, diplomada pelo 
Posto Zootochaico de S, Paulo, e o Sr. Arthur Barros. Os machiaismos funccio- 
naram diariamente durante a Kxposição, de 1 ás 3 lioras da tarde. 

Cita também a Commissão o nome do expositor J. M. Moura, que expoz o 
«Barro Maravilhoso». Este produoto, descoberta do referido expositor, presti-se á 
limpeza dos metaes — como tivemos occasião de observar — dando-lhes brilho o 
conservando a solidez dos mesmos. 

Compareceram outros expositores de machinas agrícolas, motores etc,, que a 
commissão deixa de mencionar por não lho terora sido fornociílos os dados aos mes- 
mos podidos. 



Sem saber si é do sua competência, a Commissão lamenta profundamente que, 
relativamente ao que podia sor, mui diminuto tenha sido o numero de expositores 
na parte que se refere ã secção agrícola e que diversos desses não tenham tido a 
classificação, a que talvez tivessem direito, — o que pôde o devo ser exclusivamente 
attribuido aos Sps. presidentes de camarás municipaes pelo pouco caso que, em sua 
maioria, ligaram ás instrucções que em tempo lhes foram enviadas pelo governo 
do Estado, 

Si tivesse havido mais interesse e empenho pelo desenvolvimento económico do 
Estado da parte do varias do nossas municipalidades — muito mais animador, sem 
duvida, teria sido o resultado do nosso certamen e melhormente teriam correspon- 
dido aos esforços e bons intuitos do governo. 

Si á Commissão competisse entrar em minudencias — factos pouco agradáveis 
teria de citar , no estudo dos papeis que lho foram entregues, inclusive o de se 
terem negado alguns chefes excutivos a fornecer os documentos exigidos dos expo- 
sitores pela Directoria de Agricultura, Commercio, Terras e Colonisação — e pela 
Commissão Contrai. 

A Commissão procurotiVazer justiça rii/orosa no seu julgamento, tendo em vista 
os grandes interesses económicos que depenlem dos esforços inJivi luaes, verifica- 
dos agora nesta bella manifestação do nosso progresso agricola-industrial, que ha 
do ser crescente nos futuros certamens. Está certa de que cumpriu o seu dever e 
que correspondeu à lionrosa incumbência com que foi distinguida. 

Bello Horizonte, 17 de setembro de 1909. —Joarjuim Qomes de Araújo Porto . — 
Francisco António Brandi. — Amílcar Sãvassi . 



Cooperativa, Central <lo«< Ag^rioultores jio Brasil — 

O Exm. Sr. Dr. .\lfredo Baclver, o illustre presidente do Estado do Rio, sanc- 
cionou, pelo decreto n. 916, de 1 decorrente raez, a resolução legislativa man- 
dando subsidiar com a quantia de 20:00j$, tirada do proJuoto da sobre-taxa do 



SÃO PAULo-CASA NATHAN-^^^siNío.OT 



«V* 



'^-/ os MAlS\/^\ 

Í/aperfeiçqadosY^ 

L EOSIMAIS |C/3 
rVcDNVENIENTESy 




, XyCOMPLETOVçp^ 

S"í SORTIMENTO \cn 



«A» 



A LAVOURA 407 



café, a Cooperativa dos Agricultores do Brasil, com síde na Capital Federal, orga- 
nizada pela Sociedade Nacional de Agi'icultura e polo Syndicaèo Contrai dos Agri- 
cultores do Brasil, para o lira especial do promover a propaganda e venda directa 
no paiz e no extrancjeiro dos productos dos agricultores seus associados. 

O referido decreto n. 916 é Jo teor seguinte: 

O povo do Estado do Rio do .Janeii"o, por seus representantes, decretou e eu 
promulgo a seguinte lei : 

Art. 1.'' O Presidente do Estado subsidiará com a quantia de vinte contos 
de ruis, tirada doproducto da sobre-taxa do café, á Cooperativa Central dos Agri- 
cultores do Brasil com sede na Capital Federal, organizada pela Sociedade Na- 
cional de Agricultura e pelo Syndicato Central dos Agricultores do Brasil, para o 
fira especial de promover a propaganda e venda directa, no paiz e no estrangeiro, 
dos productos dos agricultores seus associados. 

Art. 2." A referida quantia será entregue de uma só vez, logo que fòr 
requerida pela Cooperativa, devendo o Presidente do Estado providenciar no sen- 
tido de serem flscalizadas_as operações desta associação, especialmente em relação 
aos interesses da producção do Estado do Rio de Janeiro. 

Art. 3.° Ficam revogadas as disposições em contrario. 

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução 
desta lei competir, que a executem e façam executar o observar íiel e inteiramente 
como nella se contém, 

Publique-so e cumpra-se om todo o território do Estado. 

Palácio do Governo, Nitheroy, 1 de novembro de 1909. — Dr. Alfredo A. ff. 
Backer. — Dr. J. Vamasceno Ferreira. 

Este aclo dos poderos legislativo e executivo do Estado do Rio revela a supe- 
rioridade de vistas o a alta comprehensão que teem das suas funcções os illustrea 
representantes do Estado, que votaram a lei que o eminente Dr. Backer patrioti- 
camonte sanccionou. 

E não ha exaggero em classificarmos de patriótico o acto de S. Ex., pois 
toda a acção que l)eneflcie ú. lavoura é um acto de patriotismo. 

Ao illustre deputado Dr. Mário de Paula, que apresentou o projecto da lei e 
aos deputados que a votaram, entre elles o nosso illustre o estimado Vice-Presidente, 
Dr. Sylvio Ferreira Rangel, que muito influiu perante os seus collcgas para que 
a referida lei fosse votada, «A Lavoura», em nome da Agricultura Nacional, 
saildae proclama — seus beneméritos. 



Industria I*astoril — Importados pela conhecidissima e importante 
casa importadora de aves o animaes para reproducção Hopkins, Causer & Hopkins 
chegaram pelo vapor inglez < Cavour » entrado no dia 27 neste porto, dous bellis- 
simos jumentos « Catalan » adquiridos para o Sr. Theopompo de Almeida, do muni- 
cípio da Fortaleza de Salinas, e Coronel Aureliano Rodrigues Nun^s, do município 
de Formiga, ambos adiantados criadores do Estado de Minas Geraes. 

E' este o segundo jumento importado pelo Sr. Theopompo de Almeida, por 
intermédio da casa Hopkins, Causer & Ilíjpkins, a qual, pelas innumeras flliaes que 
possue em todo Europa e America do Norte, está apta para adquirir qualquer repro- 
duotor que satisfaça o mais exigente criador. 



4'1? SOCIEDADB NACIONAL DE AORICULTURA 

Os jumontos aíora iotroluzidoi no nosso moio poíuario são optiraos animacs o 
foram escolliidoa a capricho p^la casa Hopli.in3, Causer & Hopliios, tendo oa^ia um 
a altura do 1™, 50, o par este m 'tiva acroditanos que sejam do muito valor 
aos DOtsos criadores. 

Devom cliegir pelo mesmo vapor ainda por iatornaedio de Hopliins. Causer 
& Hopkins diversos gallinacaos das raças « lodian Game >, c Langshan » e patos 
« Aylesbury » destinados ao Sr. Cliarlos Causar, fazenJoiro em S. .loão d"Iíl-Ile.v, 
Estado do Minas, sendo este senlior o primrúro que í.jí registrado no novo 
« Hogistro dos lavradores, criadores e protlssionaos do industrias connoxas>. 



A.iiiiua,es de i-açít — Clie;,'ou pelo vapor inglez « Vcrdi », entrado 
neste porto, um esplendido casal de suinos da preconizada raça americana « Poland 
China », quo foi adquirido no seu paiz de oriírera pelos Srs. Hopkins, Causer & 
HopkiDS, iuiportadoros de aves e animaes para ropruducção. 

03 suinos ora importados vêem consignados ao Sr. Coronel Tbeodorico de Assis, 
jazondciro e criador de Juiz de Fora, no i;itado de Minas Goraos, que, pódo-se dizer, 
6 um dos mais adiantadas criadoras da sua vasti zona, pelos optimjs reproductores 
que tem introduzido na sua fazenda, por intermédio da L-asa Hopkiiis, Causer à Ho- 
pkins que jamais poupou esforços para bem servir aos seus nanierosos commit- 
tentes . 

Pelos respectivos pedigrees, póde-se sem receio avaliar a especialidade dos 
suinos quo foram felizmente transportados para o nosso paiz, mormente o porco 
cujo progenitor já alcançou dois campeonatos e três primeiros prémios nas expo- 
sições a quo concorreu com outros espécimens pertencemos á sua raça. 

Como do costume, o desembarque realizou-se por ordem dos Srs. Hop- 
kins, Causer & Hopkins, no cães de Companhia Cantareira, devendo seguir 
para a estrada de ferro, onde embarcarão com destino á fazenda do Sr. Coronel 
Assis. 

Os Srs. Hopkins, Causer it Hopkins participaram-nos haverem, mesmo sem 
auctorisação, adquirido na Inglaterra para o Sr. .losé Soares Pereira Júnior, um dos 
maiores criadores de porcos eia todo o Brasil, o alamado porco TKEVKGLOS 
■WARllIOR, da raça < Largo 131ack », que foi adquirido por £ 55.0.0, preço este 
nunca alcançado por animal de sua raça. Kste suino ganhou na Exposição da Royal 
Cornwall Show o campeonato e primeiro premio para o melhor porco de todas as 
raças; ganhou mais dois primeiros prémios e segundo premio na Exposição da Royal 
Gloucester, de modo que tem levantado prémios em todas as exposições onde concor- 
re tendo, nascido em 20 de junho do anuo pioximn passado, sendo o seu criador 
John Warne, de Cornwall ; para elle já havia muitas oífertas de criadores inglezes 
que desejavam obtel-o, quando os Srs. Hopkins, Causer & Hopkins, por intermédio 
de amigos, conseguiram adquiril-o, desoinando-o para o Sr. Pereira Júnior, 
mostrando assim o interesse que téai pelo nosso paii, para onde será elle expor- 
tado brevemente. 



Iiitr"otiiic<;'íio do aiiiniaes i*epi*oductoi*es com auxilio 
do g-ovei-no — Para obtoução dos favores concedidos aos agricultores o 
criadores na acquisição do animacs destinados á, reproducçã», devem os interessa- 



A LAVOURA 403 



dos, de accordo cora o regulamento de 18 do abril de 1907, obedecer aos seguint» 
dispositivos : 

1." Coraraunicar pri?viaraent9 ao ministério qu i vão fazor a encomraenda, 
mencionando o nuni(;ro e raça dus animaes, oondiçõos climatéricas e recursos ali- 
mentares da propriedade a que elles se destinam. 

Esta communicação fica dependente de despacho autorizando a encom- 
menda. 

:í.'> Indicar, em occasião opportuna, o nome e a residência do intermediário no 
Rio de Janeiro, si a importação não fòr feita directamente. 

3.0 Indicar, com antecipação do 15 dias, no minimo, o nome do vapor em que 
devora embarcar os aniraaes e data provável da chegada ao porto de destino. 

Esta indicação torna-se inlispensavel, visto que o governo fará examinar por 
veterinário ollicial, no porto do Rio de Janeiro e em outros, sempre que fòr possí- 
vel, ã raça dos aniraaes importados e seu estado de saúde. 

4." Declarar que se subordina a qualquer medida de policia sanitária estabe- 
lecida pelo governo, por occasião da chegada dos animaes. 

Feita a importação, devem declarar no requerimento em que solicitarem a 
restituição das quantias despendidas que se obrigam a fornecer ao governo todos 
os esclarecimentos que lhes forem pedidos, em relação aos resultados obtidos com 
os reproductores e a communicar o nascimento dos productos, signaes earaoteris- 
ticos, sua filiação e a transferencia que fizerem, sob qualquer titulo, dos animaes 
adquiridos e seus productos. 

O processu respectivo deve constar dos seguintes documentos, escriptos ou tra- 
duzidos em portuguez : 

a ) Requerimento na forma indicada. 

b) Certidão do pagamento do imposto estadual ou municipal como lavrador ou 
criador. 

c) Conta geral, em duplicata, mencionando todas as despezas. 

d ) Coous parciaes, em duplicata, acompanhadas dos documentos que as 
comprovam, devendo todas as coutas estar em nome do interessado. 

e ) Conhecimento do navio e factura consular. 

/") Certidão da Alfandega relativa á entr;;;la dos animaes. 

g) Pedrigree de cada animal. 

h ) f hotograpiíia em duplicata de cada animal. 

«■ ) Certidão de tuberculinisação, tratmdo-se de bovinos. 

j ) Attestado de saúde dos animaes, passado no paiz de origem. 

h ) Certidão das estradas de ferro e companhias do navegação pn- ondo circu- 
larem 03 animaes até o ponto do seu destino. 



"Vag'r>e'^ pai-a, fi-iicta,s —Tendo o Sr. Ministro da Agricultura 
conhecimento de uma reclamação feita pelo Sr. \V Ganglitz, fructicultor em São 
Paulo, ao siecretario da Agricultura Jo mesmo Estado, contra a deficiência do 
meios de transporte e a falta do carros apropriados para o transporte de fructas 
na Estiada de Forro Central do Brasil, o que lhe causara sérios prejuízos pela 
damnirtcação dos fructos — o Sr. Ministro scientificou o Congresso Nacional dos 
termos da reclamação, solicitando dos seus membros se consignasse no orçamento 
8552 8 



410 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICIILTURA 

do Ministério da Viação, ou no da Agrricultara, uma verba necessária para a 
coDstrucção de vagões apropriados ao transporto de fructas. 

S. Ex. offlciou A, Companhia Edificadora, indagando do custo desses vagõea. 



l^x-omios por ©acpoi'taoão tle fnictaa — O Sr. Ministro da 
Agricultura, Dr. Camiido Rodri.u'ues, mandou publicar nos jornaes dos Estados o 
deoreto n. 7644, de 4 do actual, que institua prémios para a maior exportação de 
fructas, bera acondicionadas, o na quantidade mínima do 50 toneladas. 

O decreto está exarado nos seguintes termos : 

DECRETO N. 7644 — de 4 de novembro de 1909 
Inglitue prémios para a exportação de fructas nacionaes 

O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brasil : 

Considerando que é dever do Poder Publico procurar desenvolver a producção 
do paiz, animando-a pelo estimulo á iniciativa particular; 

Considerando que a producção de fructas, já bastante avultada, ô susceptível de 
grande desenvolvimento desde que sejam proporcionados mercados que assegurem 
aos productores suflBciente remuneraçã'i ; 

Considerando rjuo ô cada vez maior o consumo de fructas nos grandes centros 
de população mundial, estimulado pela maior divulgação dos preceitos do hygiene 
moderna ; 

Considerando que um dos meios mais eíiícazes de animar a producção de qual- 
quer género é desenvolver o respectivo commercio de exportação, não sendo sufi- 
cientes os mercados internos para assegurar a regulaid !ade da sua collocação ; 

Considerando que para animar a exportação do novos proJuctos convém insti- 
tuir prémios que possam compensar as despezas imprevistas inhorentes ás novas 
tentativas commerciaes ; e 

Attendendo a que pelo decreto n. 1606, de 29 do dezembro de 1906, que creon 
o Ministério da Agricultura, Industria e Commercio, cumpre ao Governo estudar 
os mercados Internos e externos para promover e fomentar a collocação dos pro- 
ductos nacionaos : 

Decreta : 

Art. 1." Ficam instituídos, para cada um dos portos nacionaes que mantêm 
relações cummerciaes directas com portus estrangeiros, quatro prémios do ani- 
mação para a exportação de fructas nacionaes, sendo o primeiro de 10:000$, o 
segundo de 5:000i, o tiTceiro de :í:000$ e o quarto de 2:n00$000. 

Art. 2.» Esses prémios serão pagos, respectivamente, a quem provar, perante 
o Ministério d.i Agricultura, Industria e Commercio, ter exportado maior quanti- 
dade do fructas, melhor acondicionadas, a juizo dos inspectores das alfandegas, 
dentro do prazo de oito mezcs, a contar da data do presente decreto, desde que a 
exportação não seja inferior a 50 toneladas. 

Art. 3.° Aprova a que se refere o artigo antocedonte será feita mediante 
certidão das alfandegas, extrahida dos mnnifestos dos navios, ficando livre ao Go- 
verno exigir também certidões dos despachos feitos nos portos do destino. 

Art. 4.» Revogamse as disposições em contrario. 

Rio de Janeiro, 4 de novembro de 1909, 88' da Independência e 21° da Republica. 

Nii.o Peçaniia. 
A, Cândido Rodrigues. 



A LAVOURA 



411 



A CRIAÇÃO NOPARANA 






c^' 



«La Planette»— É um bello animal paranaense de 3/4 de sangue e 3 annos de 
idade, pertencente ao conhecido «sportman» e criador Carlos Dietsch, proprietário da 
Coudelaria Confiança. 

(■La Planette» é fillia do victorioso «Siegfried» e da égua de 1/2 sangue 
«Bellona», sendo irmã da valente <(Indiana», vencedora do Grande Cruzeiro Flumi- 
nense de 1909. 

Tem pello castanho e já deu as melhores provas nas experiências preparati- 
vas ao Cruzeiro de 19 10, que, certo disputará com provável êxito. 

«La Planette» acha-se em Corityba. 



Congresso Internacional de Agricultura — No próximo 

anno do 1910 deve reunir-se ora Bruxcllas, sob os auspícios do Govenio belga e por 
iniciativa da Federação das Sociedades Horticulas da Bélgica, o Congresso Inter- 
nacional de Horticultura. 

As suas sessões irão de 30 de abril a 3 de maio. 

Nelle serão discuti las as questões relativas á horticultura. 

Os trabalhos do futuro congresso vão coincidir com a grande Exposição de 
Flores. 

As secções do mesmo foram assim distribuidas : Floricultura — Arboricultura 
fructifera— Cultura de legumes — Sciencia e vulgarização — Economia hortioula 
— Engenharia hortioula — Material e processos especiaes de cultura. 

O Sr. Barão do Rio Branco fez a respectiva communicação ao seu collega que 
gere a pasta da Agricultura, Industria e Commercio. 



41? SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

I-<ag"o Ii-nulow — Illia do ^■ianna — Visitámos no dia l'õ d ; outubro ultimo 
o fíraade estabelecimento industrial dossa importintissima firma, situado naquclla 
illia. 

A's 9 ' '., Iioras da inanlifi ombarcáraos no cães Pliaroiix num rebocador de pro- 
priedade da referida firma, teudo cheirado á iilia após 2() minutos do viagem. 

Pax et Laboi — eis a divisa da casa Lago Irmãos inscripta na Cruz do Malta. Por 
toda a larto a actividade, a energia da forca do vontade e casando-so a agitação do 
trabalho á harmonia do conforto moral do oiierario. 

Iniciámos a nossa visita pelas ollicinas. Estas são espaçosas e divididas ora sois 
secções. Na primeira secção osLà installada a offlcina de machinas, C(jm turnos de 
todos os tamanhos e foitios, m ichinas do atarrachar, fraises, macliinas de furar, do 
contornar o uma machina fixa para a compressão do ar. 

Todas essas machiiias são tocadas por motores eléctricos que lhes são directa- 
mente conjugados. 

Na segunda secção está installada a fundição de ferro e bronze cora um forno 
para ferro e outro para bronze. 

O ventilador, bem como o amassador destinado a pulverisar a terra e o barro 
da fundição recebera movimento por elcctro-motoros que lhes ficam conjugados 
directimonte. 

A terceira secção é occupada pela ferraria e caldeiraria de forno. 

Um m )tor eléctrico faz trabalhar um ventilador que fornece o ar necessário ao 
funccionamcnto do doze forjas existentes. 

Para as obras grossas possue esta secção um marlinete a vapor. 

Na caldeira, além dos desempenos e outras ferramentas, existem tesouras o 
puncções mecânicas, podendo cortar chapas até uma poi lograda de espessura e lurar 
até tros poUegadas ; machiuas de lurar rolos para o funccionamento das ferra- 
mentas pneumáticas, etc. 

A quarta secção é a offlcina de caldeireiros de cobro e funileiros, ainda em 
installação. 

Ahl vão sor montadas diversas machinas já importadas dos Estados Unidos 
para o mesmo fira. 

Na quinta secção ostá installada a carpintiria o serraria, onda veera-so serras 
hovizontaes, verticaes, circulares, sem fim e machinas de aplainar, malhotar, furar, 
ligar e muitas outras que seria longo enumerar. 

Como nas demais offlcinas, as machinis desta são tocadas por eloctro-motores 
cora ellas conjugados directamente, dosapparccondo assim com economia as antigas 
florestas de correias e os longos eixos do transmissão. 

Os estaleiros, que são uma dependência desta secção, corapõem-.se de uma car- 
reira triplico com três possantes cabrestaute^ eléctricos para encalhe c uma outra 
muito maior que se distina exclusivamente ás construcções. 

E' notável o dique cavado na rocha, importante melhoramento inaugurado a 7 
de maio l'J01, tendo sido a sua construcção começada a 1 de agosto de 1899. 

Para o serviço de esgoto do mesmo foi aberto na i-ocha, a ura dos lados, vasto 
compartimento coberto por um alboro duplo de peroba. 

Uma esr;ada (dupla no segundo lance) conduz o visitante ao interior, onde estão 
installadas duas possantes bombas centrífugas, ligadas directamenie a dois motores 
eléctricos de com cavallos cada um, o que permiite esgotar o dique era duas horas. 



A LAVOURA 413 



Mais duas bombas elect;'ic:is existem para o osfe'oto das aguas pluviaes. 

No dique já foram encalhados para mais de 600 navios, entre os quaes todos da 
nossa marinlia de guerra. 

O carvão é um dos ramos mais importantes em actividade na ilha do Vianna e 
a casa Lage Irmãos ô talvez o maior importador om no>s;i, praça. 

Eâte serviço occupa cerca de 300 lioraens. 

Este pessoal reside e alimenta-se na própria ilha. 

A descarga do carvão é fáita directamente na ilha ; os vapores atracam do lado 
oeste da ilha ; é descarregado de bordo por guinchos eléctricos o arrumado cm 
pilhas. 

A média da importação ;i de 80.000 teneladas. 

O coimnissayiado 6 o centro de onde dimaiião todos os serviços da casa Lage, 
quer da ilha, quer da navegação costeira. 

O commissariado divide-se era duas secções, maçames, ferragens e comeitiveis . 

A média do stock de mercidorias em deposito ó de 600:000s o o movimento 
eleva-se 1.. 500 : 000$ trimestraes. 

Vimos figurando nos armazéns : 

Metallurgia, maçames, madeiras, objectos de escriptorio, roupas, fazendas, 
louça, crystaes, christotles, materiae-5 sobresaleutes. coraestiveis e molliados ; 

A' excepção dos molhados todos os comostiveis são de procedência nacional. 

O commissariado, perfeitamente sortido, fornece para todos os paquetes de 
navegação costeira, os quaes ao partirem do Rio levam tudo o que é necessário 
para as viagens redondas. 

— Os elVtíitos benéficos da agta EermiUe podem ser verificados praticamente 
na ilha do Vianna, cuja hygiene nada deixa a desejar apezar da variedade de ser- 
viços, alguns dos quaes, como o do dique o o da carreira, recebem iliariamente ele- 
mentos de fácil decomposição. 

Acorrente eléctrica é fornecidi peia Usina Central ; duas pequenas Itombas 
tocara a agua necessária para o electrolisador, onde é recebida em grandes 
tanques. 

Quando um destes tanques está, cheio, automaticamente entra em serviço uma 
terceira bomba, quealjastece o tanque do serviço geral da ilha. 

Agua Hermiiie — Esta agua ô o resultado da agua salgada, atravessada por 
uma corrente eléctrica. O apparálho em que o phenomeno se dá, compõe-se de uma 
caixa deardozi.i, nos quies tica envolvido um flo de platina. 

A corrente, atravessando a agua, decompõe seu; elementos, deixando livre o 
chloro e saturando-o de ozone. 

A usina elaclrica desperta viva impressão de alegria nesta bella e luxuosa 
secção; todo o machinismo brilha e assenti sobre mármores u ladrilhos Ijanhado 
todo o pavimento por intonsa claridade, abortas janellas e portas para bera tra- 
tado jirdim á ingleza. 

A usina tum tr-os caldeiras de I5J civallos cada uma, três geradores typo 
« Ideal », sendo ura de 80, um de 90 e o terceiro de 300 Civallos. Novas iustalla- 
çOes, porém, já estão sendo feitas de modo a augmentar o poder da força eléctrica, 
atteadeudo ao sempre crescanto desenvolviment-j do estabelecimento. 

O m:tladouro é uma das dependências que mais doraoradameute prende o visi- 
tante pela organização a qua obedece e moldado sobre o systema de Pariz . 



414 80CIBDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Compõo-se de quatro compartimentos : o pi^imciro, queó o maior, é o estabulo 
onde se conserva o sto-h do gado existente na ilha. 

O segundo é o da matança; o animal isolado tom uma mascara amarrada aos 
°lhos e ferido no frontal por um estileto recobe morto instantânea. 

Uma talha correndo sobre um trilho suspende o animal que ó conveniente- 
mente tratado ; o terceiro é a pesagem da carne o a sua distribuição, o quarto é 
o deposito de oouros durante o tempo em que so aguarda a remessa para os 
curtidores. 

Ao lado do estabulo do gado vaccum está a pocilga dos suínos, onde se ostenta 
bem tratados exemplares de raças diversas. O < chiquniro >, como vulgarmente so 
denomina na ilha do Vianna, attrahe o curioso pela rigorosa limpeza e condições 
hygienicas o excellente disposição do pavimento. 

Toda a lavagem 6 feita pela agua Hermitto que não deixa exhalar o menor 
fétido. 

Os couros são conservados pela referida agua, não teem o monor mão cheiro, 
desaggregara-so todas as cartilagens dos chifres e desprendem -se perfeitamente 
limpas as crinas. São abatidas mensalmente de 150 a 180 rezes. 

Posssue a ilha uma padaria que produz mensalmente de 30 a 35 mil kilos de 
pão amassado a electricidade que 6 destinado ao consumo do estabelecimento o 
dos paquetes da Navegação Costeira. 

O Entreposto de Café, creado ultimamente pela casa Lago Irmãos com o intuito 
de, com evidente economia para os interessados, centralizar todo o serviço de trans- 
porte, armazenagem e ensaque do cafi5, merece uma refereneia especial. 

Installado em amplo armazém asphaltado, com capacidade para 12.5.000 saccas 
de cafd, tivemos occasião de observar como 6 feito alli o serviço o podemos afflrmar 
sem receio de contestação que, pela execução quo lhe é dada, rivaliza sem duvida 
nenhuma com os grandes armazéns de Santos, onde, como é sabido, o preparo e en- 
saque do cafêattlngiu ao grão máximo de importância. 

Vimos trabalhar óptimas machinas para o rebeneílcio do café e apreciamos 
magnificas amostras do café rebeneflciado que provam exuberantemente a ex- 
celloncia destes machinismos. 

Estes foram installados especialmente, como nos informou a administração da 
ilha, com o ftm de proporcionar aos committentes do Entreposto, que não dispu- 
nham de boas machinas, a vantagem do rcbeneflcio do café, que com uma inslgnifl- 
canto despeza, apenas de 600 réis, por sacco, compensada largamente pelo au- 
gmcnto do preço do género, obtêm typos superiores, de muito maior valor. 

O Entreposto, que começou as suas operações em flns do anno atrazado, recebeu 
durante aquollo período até o fim do anno passado 37. 3i'i8 saccas de café; esto 
anno, porém, até o mez de outubro ultimo, já haviam dado entrada 75.920 saccos, 
ou seja cm menos tempo, mais do dobro daquolla época. Isto prova que, real- 
mente, as vantagens que o Entreposto oCFarece aos seus committentes são verda- 
deiras e, assim sendo, merece a attenção da lavoura do café em sou próprio interesso. 

Fronteira á ilha do Vianna está situada a de < Santa Cruz », que mede quatro 
kilometros de extensão e que é também de propriedade da firma Lage Irmãcs ; é 
uma das mais bellas de toda a bahia e o sou aspecto hoje é encantador o pôde 
servir de modelo. 

Nessa ilha estSo agricultadas culturas fructlculas, legumes e cereaes, que são 



(i.\lK) ALI.l.MAO 




Vacca leiteira, de 6 annos, dn (3estc da Im isia. Importada pelos 
Srs. fíerni, Stoll/ ^S: Cmiip. 



A LAVOURA 415 



consumidos na ilha do Vianaa e vapores da Navegação Costeira, havendo sobras, 
tal a quantidade da proilueção. 

Para o anauncio quo sobre oKatreposto de Café fez nesta Revista 03 Srs. Lago 
Irmãos chamamos a preciosa attenção dos Srs, fazendeiros. 



O ^a,do a.llemrio — Os criadores brasileiros estão habituados a importar 
o gado inglez directamente da Inglaterra ou da Argentina e o gado indiauo «Zebú>, 
para melhoria das raças iadigenas. E' muito justificável esta resolução, pois o Zebú 
é a raça que resiste mais do que todas ao nosso clima e é também de grande im- 
portância porque ella dispensa todo e qualquer cuidado. 

Dos europeus foram os ioglezes os primeiros que exportaram o seu gado para 
cá e além disto os bovinos de corte de procedência ingleza agradam à primeira 
vista a todos, embora existam muitas outras raças que so possam igualar a elles. 

Os nossos criadores não podem livrar-se de certa inadvertência, porque um 
gado que 6 criado para um certo tiiu, como o inglez, deve ter absolutamente 
grandes inconvenientes que prejudicam o seu valor. 

Como jã dissemos, o êxito que sem duvida tiveram os inglezes na criação dum 
gado de corte baseia-so em especialisar o fim da criação. 

A criação especial para corte, raras vezes também para leite, é idêntica com 
uma délgadeia exagerada, que torna os animaes incapazes de supportarem mesmo 
as mínimas alterações na alimentação, sem prejuízo do seu desenvolvimento e 
rendimento. 

A resistência contra a tuberculose, que existo infelizmente em quasi toda 
parte do mundo, nestas raças é minima ; emquanto que algumas raças de gado 
allemão são quasi immunes, outras muito resistentes contra esta epidemia. 

As raças allemãs são geralmente de uma constituição robusta, mas apezar 
disto muito rendosas om todos os respeitos, emquanto que as inglezas geralmente 
são criadas para um sá fim, com uma delgadeza exagerada e portanto cora uma 
capacidade diminuta a aclimatar-se. 

E' pois muito evidente que o gado allemão deva ter o primeiro lugar quando 
se trata da exportação para paizes transatlânticos, por ser a maior possível a sua 
adaptação a outros climas. 

Ha ainda a considerar que o gado allemão ô criado para dois flns: carne e leite, 
e mesmo geralmente para três flns : carne, leite e trabalho ; o inglez porém, na 
maioria dos casos, exhibe somente um rondimento-carne. 

Em geral será recommeudavel cruzar as raças existentes nos paizes da Ame- 
rica do Sul cora as raças allemãs de superior saúdo o do uma constituição robusta. 

Os productos obtidos t'c3ta maneira serfio animaes muito rendosos em todoa 
os Sentidos. 

Existe lambem a maior probabilidade que estes cruzamentos serão immunes 
contra moléstias sanguíneas parasitarias, como a febre de Texas (tristeza), pois até 
animaes do puro sang-ue, que foram importados no Brasil, supportaram a febre 
Texas, com poucas excepções, e deram-se muito bem. 

Mas o gado da Arj^entina (oriollo) não resiste mais a esta febre, quando cru- 
zado com gado inglez, cruzamento a que são obrigados os argentinos por ter a In- 
glaterra o privilegio para a importação nessa terra. 



416 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Não SG nega que os iDglezes criam bem o gado para um si fim, de modo que a 
Tinica producc;ão (carne) é muito rendosa, motivo do grande oxito que este gado 
tem om exposições. 

Mas quem conhece os inconvenientes deste gado e sabe quaes os cuidados com 
que devo ser tratado, principalmontn om paizes tropicaes, para não porJer logo 
toda sua fon.a o particularidaile e para não degenerar, concordará sem duvida, 
ilue 6 mais conveniente importar o gado robusto e bonito, procedente da Alie- 
manha c da Suissa, que so aclimata com muito mais facilidade a nossos pastijs e 
não exige uma manutenção tão cara como o gado inglez de corte. 

Não deve jer esquecido o rendimento do leito dos bovinos allemães e suissijs e 
quem sabe estimar o valor da proiiucção lacticinia no desenvolvimento actual do 
nosso paiz, levará certamente em consideração esta vantagem. 

Pelas sommas enormes que foram pagas para touros inglezes premindos, já se 
poderia ter importado uma quantidade considerável das afamadas raças allemãs o 
o rendimento teria sido bem maior. 

O quG valo a imporlação do touros noni quatro e cinco annos por preços de5'l0 
a 1000 libras esterlinas (como de facto foi feito na Republica Argentina) se repro- 
ductores desta idade já passaram o melh ir tompo da sua reproducção ? 

Taes preços não são justiflcaveis de maneira alguma e por estas sommas já so 
poderia ter importado seis a 12 reproductores do procedência allemã uo estado 
principal da sua reproducção o cora a sua plena forçi. 

Não resta duvida que muitas destes também podori ira obter posteriormente 
prémios do exposição. 

Na AUemanha os reproductores desta idade não costumam mais ser empre- 
gados e são preparados para ser abatidos e ninguém pensaria om exportar 
animaes desta idade para fins reproiuctoros; nem mesTiu por preços muito infe- 
riores aos acima mencionados. 

Finalmente, o flni de uma cria ão proveitosa não é a criação de animaes de 
exposição, mas sim o maior aproveitamento possível de carne e loit.o e também de 
trabalho o tudo isto cora poucas dospezas o perdas. 

Esse rcsiillado conse-'ues<' cora a maior segurança servindo-so do bovinos sadios 
c robustos de procedência allemã, que são criados com o maior cuidado, apezar 
das suas numerosas qualidades iirovcitosas. Publicam is alguns typos de gado al- 
leniãd dos qui.es nos forneceu a casa importadora Hei'm. Stoliz & Cia. as respec- 
tivas photogr.iphias. 



A. fiuewtfio «lo ti"ií;-o — Um jjrulílcma a resolver — A producção do 
trigo no paiz— Os moinhos. — Estão publicadas no Diário O/Jicial de hoje as infor- 
mações que ao Sr. ministro da agricultura foram ministradas pela inspcctoria do 
serviço do povoamento no Rio Grande do Sul sobre a producção do trigo nesse futu- 
roso Estado, e por ellas se vê que ahi está uma importante questão para o paiz, e 
que precisa ser resolvida pelo governo. 

O trigo podo ser produzido em larga escala no Brasil, sendo apenas necessária 
a adopção de providencias quo facilitem a exportação, a sabida do género dos 
centros productorcs e o estabelecimento dos moinhos aperfeiçoados nos logares con- 
venientes. 



GADO ALLEMÃO 




Touro du 24 mczcs, escuro. ImporUidu pelos Srs. Herm, Slultz & Conip. 



A LAVOURA Í17 



O Congresso, por iniciativa do governo e do Dr. Homero Baptista, estuda agora 
o assumpto, procurando adoptar providencias que perraittam em larga escala o 
plantio do trigo e estabelecendo premio aos plantadores e facilidades de transporte 
para o producto, 

A questão dos moinhos, porém, precisa também ser convenientemente estudada 
pelo governo, sob pena de acontecer o que se tem visto até agora ne-;se assumpto. 

Os moinhos estabelecidos nesta capital o noutros pontos, e que gozara de 
grandes favores, concedidos com o fim de se desenvolver no paiz o plantio do trigo, 
nunca trataram disso, moendo até hoje apenas o trigo importado. 

E uma das causas da grande celeuma que se está levantando contra as taxas do 
arrendamento do porto é justamente esse caso do trigo importado. 

As concessões feitas, portanto, aos moinhos, nesse particular nenhum resultado 
produziram em beneflcio do plantio do trigo no paiz ; apenas serviram para que 
esses estabelecimentos tenham prosperado extraordinariamente. 

Ainda hoje no Diário Ofjlcial estão publicados os estatutos de uma nova socie- 
dade para a montagem de um outro moinho, nu Rio de Janeiro, que gozará de ex- 
traordinários favores, como as outras já existentes aqui, em S. Paulo, em Santos e 
em outros pontos, sem que qualquer delias tenha promovido até agora no paiz o 
plantio do trigo. 

A nova sociedade é o moinho Santa Cruz, sociedade em commandita por 
acções, sob a firma Macliado, Mello &. C, a organizar-se com o capital de 
2.500:000$000. 

Esta concessão se refere principalmente á moagem do trigo; e, para esse fim, 
está sondo concluida a montagem do Moinho Santa Cruz, á rua ViUagram Cabrita, 
Toque-Toque, em Nitheroy, cuja capacidade productiva inicial será de 3.000 saccos 
de 41 kilos de farinha por 24 horas de trabalho, podendo, por sua disposição, ele- 
var-so a 6.000, com machinismos dotados dos mais modernos aperfeiçoamentos, ac- 
cionados por energia hydro-electrica. 

O estabelecimento dispõe de cáes próprio para todas as operações de carga e 
descarga por moio de apparelhos automáticos, gozando a sociedade, além dessa, 
mais as seguintes vantagens. 

a) isenção do todos os impostos de exportação ; 

b) isenção de todus os impostos estadoaes creados a a crear ; 

c) isenção de todos os impostos municipaes creados e a crear ; 

d) isenção do imposto municipal sobre construcções ; 

e) isenção de impostos est^idoaos e municipaes sobra navegação ; 

/) isenção para construcção do desvios de estradas de ferro e bonds ; 

g) isenção de direitos aduaneiros para todas as macliinas, materiaes e acces- 
sorios necessários á construcção do moinho e todas as suas dependências ; 

h) cessão gratuita de quaesquer terrenos de propriedade do Estado que os con. 
cessionários destinem á cultura do trigo e seus similares ; 

t) direita de desapropriação na forma da loi e outras. 

E todos esses favores para nesses moinhos ser moido apenas o trigo estran- 
geiro ! 

Pedimos para este importante assumpto a attonção do Sr. presidente da Ropu' 
blica e dos representantes do Estado do Rio Qrandu do Sul, transcrevendo a seguir a 
interessante exposição a que acima nos referimos, hoje publicada no Diário OJJicial. 
8552 9 



■118 SOCIEDADE NAf^rOXAL DE AGRICULTURA 

«Ministério di Agricultura, Industria e Commercio —Cópia — Inspectoria do 
Serviço de Povoamento no Estado do Rio Grande do Sul — N. 67 — Porto Alegre, 
17 d.! setembro do 1909. 

Exin. Sr. Dr. .loaquira Gonçalves Júnior, muito di::no director geral do Sorviro 
de Povoamento.— Sabendo o interesse que o Exm. Sr. Ministro da Agricultura 
toma pela cultura do trigo, em data de 26 do próximo passado mo dirigi aos 
chefes das colónias Ijuhy e Guarany, poJindo informações sobre essa cultura na- 
quellas colónias e sobro o meio pratico de desenvolvel-a. 

Como V. Ex. verá pelas informações recebidas daquellas col )nias, cujos originaes 
junto a este, o tri;Lío produz perfoitamente em qual juer uma delias, tenJo sido no 
Ijuhy, em 1908, acolheita de 20.000 saccos, na proporção media de 23 por 1. 

A cultura não so tem desenvolvido naquellas colónias pela falta do moinhos 
aperfeiçoados que beneficiem nas propiias colónias o producto, pois o grão não 
supporta os fretes das estradas de ferro ; só a farinha poderá supportal-os. 

Regula 3$500 o frete do sacco de trigo de Cruz Alta a esta capital o 2$ de 
Guarany áquella estação, total de 5$500 ! 

Nesta praça o saeco de triíío é, ás vezes, do 6$ o sou custo. Por ahi se vê quo 
muitas vezes os fretes absorvem o valor da mercadoria, 

O meio pratico de desenvolver essa cultura nossas colónias será animando o es- 
tabelecimento de moinhos aperfeiçoados, barateando o frete nas estradas do ferro e 
distribuindo sementes aos colonos. 

Poder-se-ha animar a installação de moinhos dando-se prémios aos industria- 
lista quo os estabelecerem em cortas condições de aperfeiçoamento, nas sedes das 
colónias, e obtendo-se do Estado que oUes fiquem livres de impostos por um certo 
numero de annos. 

O trigo dá perfeitamente em todo o Estado, sendo cultivado em quasi todos os 
municípios para consumo local, não tendo desenvolvimento a sua cultura pela ca- 
restia dos transportes e falta de moinhos aperfeiçoados, que só existam em Pelotas 
e Rio Grande, porém os pesados fretes das estradas de ferro não permittem que o 
grão seja vendido para essas cidades, salvo o produzido nos municípios visinhos. 

As terras de campo são as que mais se prestam á cultura do trigo e no em- 
tauto ó niíUas que menos se cuida dessa cultura, porque actualmente estão en- 
ti'eguesá industria pastoril. 

Nas ex-colonias italianas, hoje municípios de Caxias, Alfredo Chaves, An- 
tónio Prado o Guaporé. as colheitas de trigo em 1906 foram do 90.000, 50.000, 
20.000 e 30.000 saccos ; entretanto não são essas terras as que mais so prestam 
ao cultivo do trigo. 

Apezar dessa producção já assas elevada nesses rauaicipios, ainda o Estado im- 
porta farinha de trigo e grão desse ceroal em elevadas proporções. 

No anno do 1906 o valor dessa iraporiai.'ãii foi de 6.299:317.s000 I 

Está verificado pela experiência de mais de meio século quo o solo e o clima 
do Rio Grande se prestam á lavoura do trigo. O que convém agora é tornal-a lu- 
crativa. 

O Rio Grande em épocas remotas já foi exportador de trigo para a Republica 
Argentina e Estados Unidos, em épocas em que esses paizes não faziam uso de ma- 
chinas agrícolas e que estavam nas condições de atrazo em que ainda hoje nos 
achamos. 



A LAVOURA 419 



Em todas as colónias os processos agrícolas ora em actividade são primitivos e 
rudimentires. 

Em nenhuma delias encontrara-se instrumentos aratorios modernos, melho- 
rando o facilitando o trabalho ; estrumeiros para fortalicer a terra, canaes de irri- 
gação para irrigal-a na estação secca. 

Nada existe; a terra alada é revolvida pela enxada, pela charrua ou pelo 
arado dos mais primitivos. O estrume empregado não vae além do produzido 
pelos animaes de serviço e quanto á irrigação, a chuva ô que se encarrega disso. 
Apezar de tudo, a producção ó grande, o* que vem demonstrar cabalmente o 
quanto é feraz o solo rio-grandense e quanto dolle se poderá tirar! Com o pro- 
gresso e aperfeiçoamento dos instrumentos agrários, logo adaptados pelos norte- 
americanos e argentinos, como ficássemos fiado?; no trabalho manual e no uso de 
instrumentos antiquados, impróprios para as grandes culturas, perdemos nossa 
superioridade agrícola e passámos a ser tributários de nossos antigos consumi- 
dores. 

Emquanto a Argentina compra milhões de pesos annualmente de instrumentos 
aratorios, o Brasil compra apenas al;-'uns milhares. 

Haja vista a estatística de 1903 a 1903, que nos mostra que, emquanto a Ar- 
gentina comprou 1 1 . 160.000 francos de machínas agrícolas, nós apenas comprámos 
200.000 francos! 

Está ahi o segredo do nosso atrazo. 

Com a macbina obtem-se producção abundante, o que não se dá com os pro- 
cessos antiquados usados pelos nossos agricultores em geral e que encarecem por 
demais o producto, que só pode ser obtido em pequena escala. 

Só cora os processos modernos de agricultura poderá o lavrador rio-grandense 
fazer concurrencia nos nossos próprios mercados ao? productos argentinos o norte- 
americanos. 

Nos trabalhos agrícolas 6 preciso fazer uso de apparelhos que centuplicam a 
producção: é necessário substituir o braço pela machina. 

Só assim deixaremos de comprar aos visínhos os alimentos que nossas terras 
privilegiadas nos podem dar. 

A cultura do trigo, como já disse, data de época remota aqui neste Estado. 

Nas Memorias Econonw-Politicas, de A. J. Gonçalves Chaves, so diz que, ainda 
depois da diminuição da cultura pelo apparecimento da ferrugem, exporfaram-se 
331. 987 alqueires de trigo no anno de 1813. A população do Estado nesse anuo jã 
era superiora 90.000 almas, segundo a estatística ; portanto, a producção devo ter 
sido grande, attendendo-se ao consumo interno. 

O sábio naturalista francez Saint-Hílairo, na sua interessante memoria sobre a 
viagem que fez â então capitania do Rio Grande, diz que viu por toda parte la- 
voura de trigo com cxcellente aspecto. Diz também que a porcentagem da producção 
era maior que a da França. 

Naquelle tempo o trabalho ora barato, pois ora feito pelo braço esjravo. 

A tradição diz que foi a (crnigem que fez abandonar a cultura do trigo no Rio 
Grande. Não ha, porem, certeza do que o que so chamou femujem fosso a [lesto (juo 
hoje tem esse nome e que hoje se sabe combater, assim como também as mais en- 
fermidades que atacam o trigo, taes como a cramiiem, o morrão, a carie, a anyuil- 
lula;etc. 



420 SOCIEDADE NACIONAL DE AGRICULTURA 

Sou da upinião dos i|uo dizem que a valorização dos proJuctos pastoris, como a 
creação das xarqueadas, foi que fez abandonar a cultura do trigo. 

A industria pastoril, íí lei da natureza, sem risco e de resultados seguros, fez 
abandonar a cultura dos trigos nos c:impos do Kstado. 

A cultura do trigo exige muito pessoal e grande trabalho e a criação do gado & 
«lei da natureza», como então so fazia, exigia pouco pessoal, ]ioiico trabalho ora de 
resultados compensadores. 

Hoje, com a grande valorização que tem tido os campos do Estado, com os pro- 
cessos modernos de criação já aloptados pola maioria dos fazendeiros, a industria 
pastoril, para dar resultado compensador, c.xi;,'e emprego do grandes capitães o um 
continuo trabalho. 

Cumpro-nio menciunar, entro as colónias existentes neste Estado, a particular 
de Nova Walls, com uma área de 185 hectares, situada no município pastoril de 
D. Pedrito, fundada pelo saudoso industrial rio-grandense corameudador Rhoingantz, 
para o plantio di' trigo pelos processos modernos. 

Para isso mandou vir da Europa o Dr. Alberto Willhanser, engenheiro agró- 
nomo, iiue procediíu a cxamo de torras. om diflferentes pontus do Estado, tendo es- 
colhido o local onde está a colónia, no anno de 1906, época om quo foi fundada. 

Actualmente é dirigida pelo Sr. F. Schreiner e nella o trigo e todos os cereacs 
produzem abundantemente, 

Esfci colónia pôde st considerada um verdadeiro campo de demonstração, pois 
ahi são empregados todos os processos modernos do agricultura. 

Nes-e género existem também no Estado varias plantações de ai'roz, estando 
esta cultura