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Full text of "Mems do Instituto Oswaldo Cruz"








FOR THE PEOPLE 

FOR. EDVCATION 

FOR SCIENCE 






LIBRARY 

OF 

THE AMERICAN MUSEUM 

OF 

NATURAL HISTORY 





A.I 



si sãs? 



X<*V"M 



[C<ottt|r«)£ 



Ano 1917 
Tomo IX 
Faciculo I 



MEMORIAS 



DO 



Instituto Oswaldo Cruz 



Rio de Janeiro -Manguinhos 



wumano: 

Contribuições para o conhecimento da fauna lielinintolojica brazileira. VI. Revisão dos acantocefalos 
brazileiros. Parte I. Fam. Gigantorynchidœ HAMANN, 1892 pelo DR. LAURO TRAVASSOS. 
(Assistente) (Com as estampas 1 24) 5 

Terceira contribuição para o conhecimento das especies brazileiras do genero Simulium. piúm do 

norte (Simulium amazonicum) pelo DR. ADOLPHO LUTZ. (Com a estampa 25) 63 

Estudos sobre o Microplancton da baía do Rio de Janeiro e suas imediações (.a Contribuição) pelos 
DRS. J. GOMES DE FARIA e ARISTIDES MARQUES DA CUNHA. (Assistentes) (Com a es- 
tampa 26) 68 

Contribuições ao conhecimento dos Oestrideos brazileiros pelo DR. ADOLPHO LUTZ. (Com as es- 
tampas 27, 28 e 29) 94 

Estudo do miocardio na molestia de Chagas (forma aguda). I.— Alterações da fibra muscular cardiaca 

pelo DR. MAGARINOS TORRES. (Com as estampas 30 e 31) 114 

microplancton do Atlântico nas imediações de Mar del Plata pelos DRS. ARISTIDES MARQUES 

DA CUNHA e O. DA FONSECA. (Com 2 figuras no texto) 140 

Estudos sobre tuberculose pelo DR. A. FONTES. Chefe de serviço do Instituto Oswaldo Cruz. (Com 

a estampa 32) 143 



A\/lCr\ ^ s MEMORIAS serão publicadas em faciculos, que não aparecerão em 
/\V i^V_y datas fixas. No minimo, aparecerá um volume por ano. 

Na parte escrita em português foi adotada a grafia aconselhada pela Academia de Letras 
do Rio de Janeiro. 

Toda correspodencia relativa ás MEMORIAS deverá ser dirijida ao Diretor do Ins- 
tituto Oswaldo Cruz Caixa postal 926 Manguinhos-Rio de Janeiro . Endereço telegráfico: 
Manguinhos . 



Contribuições para o conhecimento da fauna helmintolojica brazüeira, 



pelo 
DR. LAURO TRAVASSOS 

(Assistente) 

VI. 
Revisão dos acantocefalos brazlleiros. 

PARTE I. 

Fam. Gigantorhynchidae HAMANN, 1892. 

(Com as estampas 1-24). 



A fauna de acantocefalos brazüeira é 
urna das mais ricas do globo pelo que se 
pode deduzir dos estudos feitos sobre ela, os 
quais são relativamente pouco numerosos. 
Da lista de Gigantorhynchida que damos 
adiante vê-se que em 40 especies citadas, 
16 encontrain-se no Brazil, isto é, 40 o/o. Dos 
Echirwrhytichidœ porem, devido as dimensões 
inferiores, o numero de especies estudada* 
está bem lonje do real (o que parece não 
suceder aos Gigantorhynchidce), sendo porem 
o numero de especies desta familia muito 
vasto torna-se muito mais difícil a organisação 
de um catalogo gerbl em virtude da vastidão 
da bibliografia. 

Os estudos sobre acantocefalos brazileiros 
são, exclusão das especies cosmopolitas, ex- 
clusivamente descritivos, ou melhor, referem- 
se exclusivamente a morfolojia externa, isto 
mesmo, na maioria dos casos, muito incom- 
pletos, como aliás são em geral as descrições 
dos autores antigos que se ocuparam com 
estes parásitos. 



Infelizmente porém, em nossos estudos, 
pouco adiantamos á ecolojia dos Qîgunto- 
rhynchidœ o que é explicado por trabalhar- 
mos fora dos focos geográficos destes pará- 
sitos o que não permitiu fazermos pesquizas 
com este fim, nossos estudos de sistemática 
porem, facilitarão àqueles que queiram e 
possam se ocupar com este assunto, realmen- 
te interessante. 

Quando reunirmos, para publicar, as pes- 
quizas que vimos fazendo sobre os Echino- 
riiyncludce é bem provável que sobre este 
ponto de vista tenhamos feito bastante. 

Com H AMAN N começou uma nova éra 
para a sistemática ¿os acantocefalos, ma? 
este autor não soube tirai todas as vantajens 
da orientação dada a seus estudos, cabendo 
a LÜHE a orientação moderna e verdadeira- 
mente cientifica dada a sistemática destes pa- 
rásitos. E' ainda a LÜHE que se deve a re- 
visão e coordenação dos estudos feitos pelos 
autores antigos comparando-os e estabelecen- 
do as suas sinonimias. 



A. I'ORTA muito trabalhou e coordenou 
este grnpo de parásitos, infelizmente porem 
itudos, di quasi totalidade, baseam-se 
na o que acarretou varias 
es; além disto este autor não deu 
tios a atenção que julga- 
mos merecer. 

LEON de MARVAL procurou basear 
suas pesquisas quasi exclusivamente no es- 
tudo dos ganchos o que também lcvou-o a 
lamentáveis confusões devidas muitas vezes, 
é verdade, ao estudo incompleto das formas 
dos ganchos. 

Nos nossos estudos de sistemática procu- 
ramos aproveitar os ensinamentos de LUHE, 
aproveitando as relações e morfolojia dos 
internos sem comtudo perder de vista 
o áspete exterior e sobretudo os ganchos. 

A KAISER, deve-se, alem da reunião e 
oordenaçáo das pesquizas anteriores, valiosas 
contribuições sobre a anatomia dos acanto- 
cefalos. 

Não pudemos infelizmente observar todos 
os detalhes anatómicos descritos pelos diver- 
sos autores e em outros casos nossas obser- 
vações não estio inteiramente de acordo 
com o referido em outros trabalhos como 
por exemplo no que diz respeito ao modo de 
expulsão dos ovos. 



Os acantocefalos têm uma organização 
muito rarateristica e peculiar, o que tem mo- 
tivado diverjencias sobre sua posição sistema- 
tica; vamos descrever resumidamente sua or- 
ganização geral. 

O corpo é vermiforme e mais ou menos 
cilindrico, apresentando geralmente, pregas 
NUM dimensões variam muito, 
pois as menores especies medem apenas 
algun-. milímetros, emquanto as maiores atin- 
iem de ros de comprimento- 

A lar^ur.t porem, não varia propordonalmen* 
te ao comprimento t são raras as • 

de 5 mm. de diâmetro. As duas ex- 
treraidades são muito diferentes: uma, geral- 
mente chamada de anterior, apresenta uma 
tromba retratil ou invajinavel que serve paia 

parasito; na outra Rea á aber- 



tura genital A superficie do corpo é revesti- 
da por uma cutícula anista, fortemente quiti- 
nizada, na qual, muitas vezes existem espinhos, 
sobretudo perto da extremidade genital. No 
interior do corpo existe a cavidade geral onde 
se encontram os órgãos genitais sustentados 
pelo ligamento central. 

A tromba é constituida por uma parte- 
externa guarnecida de ganchos e por uma 
parte interna, chamada de bainha da tromba. 
A bainha da tromba é um saco muscular de 
dupla parede (simples nas Neoechinorhynchidaí 
que recebe a tromba, quando esta é invajina- 
vel. Os ganchos que guarnecem a tromba são 
revestidos de quitina e são formados de duas 
partes; a laminae a raiz que pode ser simpler- 
(Echinorhynchidœ e Neoechinorhyndœ), dirijidu 
para base da tromba, ou dupla (Gigantorhyn- 
chidœ) sendo um ramo dirijido para basée outro 
para o ápice da tromba, este ultimo é algu- 
mas vezes bifurcado lateralmente. Na extre- 
midade interna da bainha da tromba se in- 
serem músculos chamados retinaculos e o li- 
gamento central. 

A parte onde se insere a tromba é, em 
muitas especies, diferenciada em um pesco- 
ço, quasi sempre provido de pequenos ganchos 
e retratil na extremidade probocidiana do 
corpo. As paredes do corpo são constituidas 
por fibrilas musculares, anulares e lonjitudinais, 
dispostas em diversas camadas e entre as 
quais existem lacunas contendo o liquido nu- 
tritivo o qual circula graças aos movimentos 
do animal. Estas lacunas geralmente apresen- 
tam dois troncos principaes medianos e nu- 
merosas anastomoses anulares. Na superficie 
interna da parede do corpo existe, em algu- 
mas especies, um sistema de músculos cilin- 
dricos, dispostos em duas camadas, uma 
anular e outra lonjitudinal. A estrutura da 
tromba é semelhante á das paredes do corpo, 
sendo seu interior ocupado por fortes mús- 
culos lonjitudinais, comparáveis aos músculos 
cilindricos das paredes do corpo, e que servem, 
em umas especies para invajinal-a e noutras 
apenas para contraíl-a. No ponto de 
união do corpo ou do pescoço, quando pre- 
sente, com a tromba, existem internamente 



dois prolongamentos da parede do corpo, os 
quais apresentam lacunas e são chamados 
leniscos. 

Os leniscos servem para receber o lí- 
quido contido nas lacunas da tromba quando 
esta está retraída e para distendel-a quando, 
contraindo-se, expele o liquido de seu interior. 
O sistema nervoso dos acantocefalos consiste 
num ganglio central situado junto ou no in- 
terior da bainha da tromba, e de nervos lon- 
jitudinaes que se dirijem uns para a tromba 
e outros para a extremidade genital. Destes 
nervos lonjitudinaes nacem ramos para as 
diversas partes do organismo. O ligamento 
central é um ligamento musculoso ou de teci- 
do conjuntivo que se extende da bainha da 
tromba á extremidade genital e serve para 
fixar e sustentar os órgãos genitais. Retina- 
culos são músculos cilindricos que partem do 
ápice da bainha da iromba e se inserem nas 
paredes do corpo; servem para puxar a 
bainha da tromba para o interior do corpo, 
produzindo a invajinação da extremidade pro- 
bocidiana do parasito. 

Nos acantocefalos os sexos são separados. 
Os machos, geralmente de dimensões infe- 
riores, têm um aparelho genital, constituido 
das seguintes partes: testículos, canais defe- 
rentes, glândulas prostaticas, canal ejaculador, 
penis e bolsa copuladora. 

Os testículo*, em numero de dois, são 
esféricos ou elipsoides, situados geralmente 
na parte media do corpo e aproximando-se, 
em alguns casos, de uma ou outra extremi- 
dade. 

Os canais deferentes nacem perto de um 
dos polos dos testículos e dirijem-se quasi 
em linha reta para extremidade genital onde 
se reúnem para formar o canal ejaculador. 

As glândulas prostaticas (Kittdruesen dos 
autores alemães) são glândulas de tamanho 
e de forma muito variáveis, geralmente ovoi- 
des, em numero de 6 (Echinorhynchidœ e 
Neoechinorhynchidœ (1) ou 8 (Gigantorhynchi- 
dœ); seus dutos excretores acompanham os 



(1) BIELER (Zool. Anz. t. 41, p. 234, 1913) diz que 
nesta familia as glândulas prostaticas constituem um so 
corpo glandular com diversos núcleos. 



canais deferentes e o ejaculador, para mais 
tarde se reunirem 3 a 3, de modo a formar 
apenas dois troncos que se abrem neste ul- 
timo. Sua função ainda não foi determinada 
com precisão, comtudo parecem destinadas 
a fabricarem a substancia que mantém os 
parásitos aderentes durante a copula. 

O canal ejaculador, como vimos, é for- 
mado pela reunião dos canais deferentes, 
seu trajeto é curto e apresenta dilatações que 
funcionam como vesículas seminais, termina 
na extremidade livre do penis. 

O penis ou órgão copulador é musculo- 
so, de dimensões reduzidas e situado no fundo 
da bolsa copuladora. 

A bolsa copuladora ou bolsa caudal é 
também musculosa, formada pelo prolonga- 
mento das paredes do corpo, funciona como 
ventosa fixando a extremidade genital do 
macho á da fêmea durante a copula. 

Os órgãos genitais femeos têm unia dis- 
posição muito curiosa e constam de duas 
partes: uma encarregada da formação dos ovos 
e outra da zxpuhzu-os-ovejector. Os órgãos 
encarregados da formação dos ovos, não são 
bem constituidos nas Echinorhynchidœ e 
Neoechinorhynchidœ (ou pelo menos ein grande 
parte delas) nas quais constam apenas de 
núcleos ovijeros, verdadeiros ovários, situados 
ao longo do ligamento central e donde têm 
orijem os óvulos, que, depois de fecundados 
são abandonados na cavidade geral onde se 
acumulam distendendo as paredes do corpo 
até que, pela sua rutura, sejam postos em li- 
beruade no interior do intestino do hospedei- 
ro donde, com as fezes, passam ao exterior, 
funcionando o ovejector apenas como órgão 
copulador. 

Nas Gigantorhynchidœ estes núcleos ovi- 
jeros estão envolvidos por membranas con- 
juntivas constituidas a custa do ligamento 
central de modo a formar dois sistemas que 
se estendem ao longo do ligamento central, 
constituindo dois ovario-uteros que se abrem 
no ovejector. 

O ovejector consta de de duas partes: cam- 
painha e vajina. 



A campainha é um órgão campanul ¡for- 
me com a abertura interior voltada para a ex- 
tremidade da tr< unha e no fundo do qual exis- 
tem, nas Gigantorhftichida, tres aberturas, uma 
das quaes dá comunicação com a vajina e as 
outras duns com dois diverticulos saciformes. 
A função ii;i campainha é, nas Gigantúríiyn- 
chidœ, receber os ovos dos ovarío-uteros e 
insinual-os na vajina funcionando os diverti- 
culos como órgãos reguladores encauchados 
de receber um certo numero de ovos quando 
houver acumulo deles na campainha. 

A vajina consta de duas partes: uma si- 
tuada junto á campainha, mais ou menos pi- 
riforme, outra terminal, cilindrica e provida 
de fortes esfínteres. A primeira parte da vaji- 
na tem fido impropriamente chamada de ute- 
ro, órgão este que de fato não existe e é re- 
presentado nas Echinorhvndudœ e Neoechino- 
rhynchidœ pela cavidade geral e nas Gigan- 
torhynchidœ pelos sacos conjuntivos que 
também contêm os núcleos ovijeros. A fecun- 
dação se realiza, no primeiro caso, na cavi- 
dade geral, e no segundo nos sacos conjun- 
tivos, que chamamos de ovaru-ntero. 

Os ovos são geralmente elipsoides poden- 
do algumas vezes serem fusiformes e têm 
sempre 3 euvolucros dos quais o medio apre- 
senta muitas vezes estrangulamentos polares. 



O desenvolvimento dos acantocefalos é 
muito semelhante ao dos cestodes: os ovos 
lançados no meio exterior, de mistura com 
do hospedador, dão orijem, quando 
por um hospedeiro intermediario, a 
■ que atravessa as paredes do intes- 
c novo hospedador indo se enquis- 
tar na cavidade geral; aqui termina seu de- 
senvolvimento larvar e espera que este hos- 
íntermediarío sirva de alimento ao 
hospedador definitivo para então concluir sua 
evolução tornando- ;e adulto. 

Os hospedeiros definitivos são sempre 
Oi intermediarios podem ser in- 
lof ou vertebrados inferiores, rara- 
mente mamifi 



Posição sistemática dos acantocefalos. 

Sobre a posição sistemática dos acanto- 
cefalos não ha acordo, querendo alguns apro- 
ximados dos nematodes e outros dos ces- 
todes. 

Passaremos uma rápida revista sobre a 
posição deles nos principaes sistemas de clas- 
sificação: 

LINNEU, em 1766, dividiu o reino ani- 
mal em seis classes, na ultima das quaes, 
denominada dos Vermes, compreendendo 
todos os invertebrados com exceção dos ln- 
setos, incluiu a ordem Intestina. 

BLA1NV1LLE, em 1822, colocou-os ainda 
reunidos aos demais helmintes no subreino 
dos artiozoarios e separou-os dos artrópodos. 

CUVIER, em 1829, colocou-os entre 
os zoófitos com o nome de intestinais. 

MILNE EDWARDS, em 1855, também 
os conserva separados dos artrópodes; 
HAECKEL, porem coloeou-os (1879) nos 
anélidos e estes entre artrópodes e traquea- 
dos. 

HUXLEY, em 1874, reuniu-os aos ces- 
todes com o nome de Agastreados em uma 
das divisões dos Polistomios. 

CLAUS, em 1890, afastando-os do grupo 
dos vermes, os aproxima dos nematodes, 
como classe dos nematelmintes, ao lado da 
dos anélidos e rotíferos. 

EDMOND PERR1ER, em 1893, inchiiu- 
os na classe dos nematelmintes, colocando 
esta, como ramo independente, na serie dos 
quitinoforos, ao lado dos artrópodes. Os 
vermes ficaram na serie dos nefridiados. Os 
trematodes e cestodes constituíram, reunidos 
aos turbelarios e nemercios um subramo com 
o nome de Platihelmintes. 

Parece-nos muito razoável a colocação 
dos nematelmintes proximo dos artrópodes, 
mas não a dos acantocefalos neste ramo. 
PERRIER, para assim concluir, basea-se no 
revestimento quitinoso, na presença da cavi- 
dade geral e falta de segmentação. Se de uma 
parte eles se aproximam dos nematodes 
pelas carateristicas acima citadas, também se 
aproximam muito dos cestodes, não só pela 
evolução perfeitamente idêntica, mas também 



pela tromba provida de ganchos e pela faio 
de aparelho dijestivo especializado. 

Dos trematodes também se aproximam 
pela constituição dos órgãos genitais machos. 
Os órgãos genitais íemeos e as lacunas não 
têm semelhança com nenhum dos grupos em 
questão e estas talvez só possam ser compa- 
radas ao sisUma aquífero dos cestodes, isto 
mesmo com muitas reservas. 



Colocaremos até segunda ordem, os acan- 
tocefalos constituindo um ramo independente 
dos nefridiados, como já propuzemos em um 
nosso trabalho anterior (1915), pois nos pa- 
rece preferível separal-os de mais que reunil- 
os em grupo heterojeneo. E' esse o modo 
de ver de KAISER. 

Damos em seguida um quadro que de- 
monstra a posição destes parásitos na siste- 
mática zoolojica: 



Metazoarios BLA1- 
VI LUI, 1822. 



Phytozoarios PER- 
R1ER, 1893. 



Arliozoaiios BLAI- 
VILLE. 1S22. 



, Artrópodes CLAUS, 1890. 
Chintinoforus PERRIER, Nemathe i mi ntes CLAUS, 
1893. | 18Qa 

Lofostomios PERRIER, 

1896. 
Acantocephalos RUDOL- 

PH1, 1808. 
Vermes L. 1776. 
Moluscos L. 1766. 
Tunicados PERRIER, 1893 
Vertebrados LAMARCK, 

1815. 



Nephrydiados PERRIER, 
1893. 



Os acantoceíalos dividem-se em tres fa- 
milias: Neoechinorhynchidœ HAMANN, 1905 
(= Neorhynchidœ HAMANN, 1S92), Echino- 
rhynchidœ HAMANN, 1892 e Gigantorhynchi- 
dœ HAMANN, 1892. 

Dos representantes destas tres familias 
são os da Neoechinorhynchidœ os de organi- 
zação menos complexa, seguindo-se os da 
Echinorhynchidœ e finalmente os da Gigante- 
rhynchidœ. 

Geralmente se admite que os parásitos 
regridem em consequência do parasitismo, 
nos acantoceíalos perém, parece não se dar 
este fato, pois as formas mais complexas pa- 
recem ser as mais recentemente formadas e 
evoluídas das mais simples. 

Assim as Neoechinorhynchidœ de organi- 
zação mais simples, parasitam peixes; as 
Echinorhynchidœ, de organização mais com- 
plexa, vivem em peixes, mas sobretudo em 



aves e raramente em mamíferos; as Giganto- 
rhynchidœ, de organização ainda mais comple- 
xa, parasitam aves a sobretudo mamífero?, 
nunca á peixes. Dada a relação entre a evolu- 
ção do hospedeiro e do parasito o fato acima é 
muito demonstrativo, comtudo uma outra ex- 
plicação pode ser dada a este fato : Supo- 
nhamos os acantocefalos decendentes dum 
grupo anterior ecto-parasito, o qual, em época 
muito afastada, deu oiijem á endo-parasitos 
ancestrais dos Neoechinorhynchidœ, numa 
época posterior, aos ancestrais dos Echino- 
rhynchidœ e finalmente numa época relativa- 
mente recente, aos ancestrais dos Gigantorhyn- 
chidœ; deste modo estes tres grupos guarda- 
riam uma certa diferença na regressão pro- 
vocada pelo endoparasitismo. Assim as formas 
mais recentes não são as mais regressivas pelo 
simples fato de serem endoparasitos a meno; 
tempo, como também não decenderam das 
outras mais antigas. 



10 



Outro fato curioso, observado nos acatl- 
tocefalos, é a tusenda do tubo dijestivo. 

i principio, eles retirassem, como os 

Jes, seu alimento do organismo dos 

hospedeiros, como naqueles, não haveria 

razio para o desaparecimento do tubo dijes- 

Parece-nos que encontraríamos uma ex- 
plicação para este fato admitindo que prove- 
nham os acantocefalos de animais ectopara- 
sitos, conformados semelhantemente aos tre- 
matodes do genero Encotytabe, isto é, fix. 
pela extremidade caudal e tendo na cefálica 
a- aberturas dos aparelhos genital e dijesti- 
vo, e que tenham perdido o aparelho dijes- 
tivo por se acharem em um meio onde en- j 
contram alimento dijerido. 

caso, a extremidade da tromba 
seria a caudal. Neles o desenvolvimento em- 
briolojico é idêntico ao dos ceslodes ; veníi- 
cou-se nestes, que se deve considerar extre- 
midade caudal a da tromba, o que está de 
acordo com a hipótese acima. A presença do 
ganglio nervoso central ao lado ou dentro 
da bainha da tromba parece, entretanto, con 
tradi/el-a. 

Não >e podendo estabelecer com exati- 
dão qual a extremidade cefálica, e qual a 
caudal, chamaremos, para evitar confusões, 
a da tromb i de extremidade probocidiana ou 
extremidade fixa e a outra de extremidade livre 
ou genital. 

Chave para distinção das famílias dos 
acantocefalos. 

I. Olandulas prostaticas constituindo 
apenas um corpi glandular (BIELER, 
I'M ¡). 

A. i'. ha li.i tromba com paredes simples; 
corpo pouco desenvolvi- 
das; parásitos de peixes: 

hinorhyndiidce. 

II. ( llandula pi i laticat con itituindo 6 
a 8 corpos glandulares; bainha da 
tromb I duplas ; paredes do 

i i bem de envolvida *. 
A'. Olandulas |> m numero de 

o, bomba quasi sempre invajinavel; 



parásitos de peixes e aves, raramente 

de mamíferos: 

F.chinorhynchida: 

B'. Glândulas prostaticas em numero de 

8; tromba não invajinavel no adulto; 

parásitos de mamíferos e aves: 

Gigantorhynchidcc 

Para facilitar o estudo deste interessante 

grupo de parásitos resolvemos dividil-o em 

duas partes: uma contendo as Gigantorhy;:- 

c/iida- e outra as Echinorhynchidœ e Neoechi- 

norhynchidœ ( Neorhynehidœ). 

Iniciamos nossas publicações pelas Gi- 
gantorhynchidœ por ser destas que dispomos 
no momento, de melhor material e de mais 
I completa bibliografia. 

Nos nossos estudos daremos a sistema- 
tica dos Gigantorhynchidœ a mesma orienta- 
i ção dada pelo malogrado Prof. M. LÜHE 
as Echinorhynchidœ. Felizmente vimos com- 
¡ firmados pela estrutura muscular dos parási- 
tos e pela disposição e desenvolvimento das 
lacunas, as distinções genéricas que temos 
vindo propondo em notas previas ultimamen- 
te publicadas e baseadas na forma e relação 
dos leniscos com os testículos, posição re- 
lativa destes, disposição e forma dos 
ganchos, etc. 

O estudo dos ganchos nos mereceu cui- 
dados pela vanta jem que apresentam no re- 
conhecimento das larvas, que os já apresen- 
tam com o aspeto definitivo; na representação 
deles adotamos o método de L. de MARVAL. 

Familia Gigantorhynchidae HAMANN, 

1892. 

Acantocefalos de tamanho medio ou 
grande; corpo algumas vezes aparentemente 
segmentado; tromba não invajinavel no adul- 
to, geralmente com poucos ganchos e nem 
sempre com pescoço; bainha da tromba de 
paredes duplas tendo no interior o ganglio 
nervoso central; leniscos longos e filiformes 
OU chatos e em forma de fita; paredes do 
corpo com musculatura muito desenvolvida; 
fêmeas com núcleos ovijeros envolvidos por 
estojos conjuntivos de modo a formar dois 
ovario-uteros que se abrem na campainha; 



campainha apresentando, no fundo, tres aber- 
turas, duas das quais comunicam com diver- 
íiculos saciformesde direção recurrente e uma 
com a vajina; vajina apresentando uma parte 
dilatada e piriforme e outra estreita e forte- 
mente musculosa; ovos elipsoides, de casca 
espessa e rugosa, constituida por tres envo- 
lucros concéntricos; testículos elipsoides, ex- 
ceto no genero Ondeóla, mais ou menos 
alongados e com canais deferentes subtermi- 
nais; glándulas prostaticas em numero de 
oito. 

Subfamilia tipo: Gigantorhynchinœ TRA- 
VASSOS, 1915. 

Habitat: Intestino de mamíferos e aves. 

A familia Gigantorhynchidœ se divide em 
duas subfamilias: Gigantorhynchinœ e Pros- 
thenorchinœ. 

Subfamilia Gigantorhynchinœ TRAVAS- 
SOS, 1915. 

Gigantorhynchidœ grandes, de corpo com 
aparência de segmentação, com ou sem pes- 
coço; tromba geralmente com poucos ganchos ; 
leniscos filiformes e muito longos ; órgãos 
genitais dos machos situados na extremidade 
livre e ocupando apenas uma quarta parte da 
cavidade do corpo; testículos muito alongados 

Genero tipo: G'gantorhyiichus H AM ANN, 
1892 

Habitat: Intestino de aves e mamíferos. 

Esta subfamilia tem cinco géneros cuja 
distinção se pode fazer rapidamente pela chave 
seguinte : 

I- Glândulas prostaticas lijeiramente eli- 
psoides. 
A -Pescoço presente, guarnecido de pe- 
quenos ganchos, 
a -Tromba rudimentar, apenas com duas 
series de ganchos: 

Giga n torhynchus. 
b- Tromba bem desenvolvida. 

Empodios. 
B- Pescoço ausente, tromba bem desen- 
volvida, 
a' -Ganchos peq:ienos e muito numero- 
sos, de uma só raiz; 

Moniliformis. 



b'- Ganchos fortes e pouco numerosos, 
de dupla raiz: 

Oligacanthorhynchus. 
U- Glândulas prostaticas de forma ovoi- 
de muito alongada: 

Hamanniella. 

Subfamilia Prosthenorchinae TRAVAS- 
SOS, 1915. 

Gigantorhynchidœ de tamanho medio ou 
grande, de corpo rugoso, com ou sem pes- 
coço e extremidade probocidiana mais dila- 
tada que a genital; tromba com poucos 
ganchos, quasi todos de duas raizes; lenis- 
cos geralmente chatos e pouco longos; órgãos 
genitais machos ocupando % da cavidade do 
corpo, ficando os testículos na metade pro- 
bocidiana, geralmente em contato com os 
leniscos; testículos elipsoides ou esféricos; 
glândulas prostaticas geralmente muito apro- 
ximadas. 

Genero tipo: Prosthenorchis TRAVAS- 
SOS, 1915. 

Habitat; Intestino de mamíferos e rara- 
mente de aves. 

Esta subfamilia tem 4 géneros que se 
distinguem facilmente pela seguinte chave: 

A. Leniscos chatos e relativamente 
curtos; 

a. Testículos elipsoides; glândulas prosta- 
ticas muito juntas; pescoço ausente: 

Prosthenorchis. 

b. Testiculos cilindricos; glândulas pros- 
taticas dispostas aos pares; pescoço 
presente, sem espinhos: 

Macracanthorhynchus. 

B. Leniscos subcilindricos, muito longos; 
a'. Testiculos elipsoides; pescoço ausente: 

Pardalis. 
b\ Testiculos redondos, oblíquos ; pescoço 
presente, sem ganchos: 

Oncicola. 

Daremos caracteres detalhados de cada 
genero quando nos ocuparmos com a descri- 
ção das especies. 

Antes de entrarmos no estudo especial 
das especies vamos dar, resumidamente, a 
técnica por nos preferida nestes estudos. 



O estudo das pequenas especies ou das 
muito grandes é facilitado nas primeiras pela 
transparencia relativa do corpo e nas ultimas 
pela facilidade de terem dissecadas com au- 
xilio de ferramentas delicadas; as de tama- 
nho medio porem, não são transparentes nem 
Facéis de dissecar. 

I'.ira lomar transparentes os parásitos 
pode-se empregar a glicerina pelo método 
de LOOSS, mas o reativo ideal é sem duvi- 
da o fenol, o qual pude ^er empregado dire- 
tamente clareando o material com rapidez e 
do inteiramente satisfatório. 
Para que o clareamento não seja demo- 
lido, convém, quando o material for conser- 
vado em formol, passal-o pelo alcool a 70. 

P< de-se, sobretudo nas turmas pequenas, 
obter-se muito belas e boas preparações em- 
' >-se a técnica usual de corar trema- 
todes, isto é, corar pelo carmim amoniacal, 
diferenciar no alcool doridnco a 1 0/ o , com- 
primir, desidratar, clarear no creozoto e 
montar no balsamo. 

Para o estudo d.n estrutura das paredes 

do corpo totna-se indispensável a inclusão 

ira praticar-se cortes seriados. 

No incluir-se deve-se ter a cautela de 

tratar a peça demoradamente pelo fenol com 

o fim de amolecer as partes quitinosas (cuti- 

inchos e ovos) devendo segmentar-se 

ita ou praticar uma incisão na parede 

i facilitar á aç^.o dos reati- 

noram em atravessar a cu- 

issa-se gradativamente ao 

-aturado de parafi- 

uem-se os banhos de parafina e in- 

Os cortes são corados pelos métodos 
usuais de lustolojia. 

te uni.! list ros e especies 

inonimia e bibliografia mais completa 

foi possível Obler, bem como in ¡i- 

quer os definitivos, 

■ intermedial • :icas especies 

ic conhece 

• modo de ver 
de L de MARVAL, qu >u nume- 



rosas especies, evidentemente diversas, sob o 
nome de Gigantorhynchus compressus. 

Existem muitas especies cuja descrição 
não permite estabelecer o genero e algumas 
vezes mesmo a subfamilia e até mesmo a 
familia; estas especies irão no fim da lista, 
separadas em diversos grupos, de acordo 
com as duvidas que houverem a respeito 
delas. 

Em algumas especies faremos chamadas 
que se referem a notas explicativas que irão 
em baixo na pajina. 

Os nomes dos hospedeiros foram corri- 
jidos pelos catálogos de TROUESSART, ma- 
míferos, e do Museo Britânico, aves, cobras e 
reptis; quanto aos insetos nos servimos dos 
do Genera Insectorum de WYTSMAN, etc. 

Catalogo das especies da familia Gigan- 
torhynchidae HAMANN, 1892. 

Subfamilia GIGANTORH YNCHIN/E 

TRAVASSOS, 1915. 
I) Genero GIGANTORHYNCHUS 

HAMANN, 1S92. 

1) Gigantorhynchus echinodiscus 
(DIESING, 1851). 

Sin.: Echinorhynchus echinodiscus DIE- 
SING, 1851 -a, p. 36 e 554. 

Echinorhynchus echinodiscus DIE- 
SING,' 1856 -d, p. 285, Pi. II, 
fig. 23-30. 

Echinorhynchus echinodiscus DIE- 
SING, 1859-e, p 746. 

Echinorhynchus echinodiscus COB- 
BOLD, 1876-y, p. 202. 

Echinorhynchus echinodiscus v. 
LINSTOW, 1878-a, p. 62. 

Echinorhynchus echinodiscus v. 
LINSTOW, 1839 -a, p. 27. 

Gigantorhynchus echinodi, ais 
HAMANN, 1892-d, p. 196. 

Oigan torhynchus echinodiscus 
IHER1NG, 1902 a, p. 45. 

/_ c h i n o r hv n c h u s e chi no d i s cus 
LÜHE, 1905 a, p. 339. 

G i '[autor h y ne h ti s ce In' nod i sai s 
LÜHE, 1905 -a, p. 342. 



13 



Gigantorhynchus echinodiscus 

PORTA, 1908, Arch. Paras, t. 

XII, p. 277. 
Gigantorhynchus echinodiscus 

PORTA, 1909 -Arch. Zool. t. 

IV, f. 2, p. 257, fig. 18 a-b-c. 
Hab. : Intestino delgado de Tamanduá 

tetradactyla (b). 

Cyclopes didactilus (L). 
Destr. geogr. America do Sul. 

II) Genero EMPODIUS TRAVASSOS, 1916. 

2) Empodius otidis (MIECHER, 1841). 

Sin. : Echinorhynchus otidis houbarae 

MIESCHER, 1841 -(1843 -a, p. 

76). 
Echinorhynchus otidis houbarae 

GURLT, 1845 -a, p. 264. 
Echinorhynchus otidis houbarae 

DUJARDIN, 1845 -a, p. 516. 
Echinorhynchus otidis houbarae 

DIESING, 1851 -a, p, 56. 
Echinorhynchus otidis houbarae 

v. LINSTOW, 1878 -a, p. 136. 
Echinorhynchus otidis houbarae 

v. LINSTOW, 1879 -b, 337. 
Echinorhynchus otidis houbarae 

v. LINSTOW, 1889 -a, p. 50. 
Echinorhynchus otidis houbarae 

PARONA, 1899 -a, p. 
Echinorhynchus otidis de MARVAL, 

1905 -a, p. 305, Pi. I, fig. 41 -42, 

PI. II, fig. 44, 44 a e 59. 
Gigantorhynchus otidis KOSTY- 

LEW, 1914. Centr. f. Bakt. v. 

72, p. 531, f. 1-8, p. part. 
Hab. : Intestino de Houbara macqueenii 

(GRAY). 
Otis sp. ?. 

Oedicnemus oedicnemus (L.) (1). 
Destr. geogr. : Asia. 



(1) KOSTYLEW sita como hospedeiro desta especie 
o Œdicnetnas œdicnemus (L.), ave de grupo e habitat 
muito diverso do hospedeiro comum, por isso temos du- 
vidas sob a identidade da especie deste hospedeiro com 
a do Houbara; observamos que as afinidades zoolojicas 
do hospedeiro só não influem nos parásitos nos casos de 
habitat idêntico. Este autor identificou á esta especie o 
E teitiatus (v. LINSTOW, 1901) o que não julgamos 
aceitado. 



3) Empodius vaginatus (DIESING, 1851) 

Sin. : Echinorhynchus vaginatus DIESING. 

1851 -a, p. 34. 

Echinorhynchus vaginatus DIESING. 

1856- d, p. 284, PI, II, fig. 18, 22. 

Echinorhynchus vaginatus DIESING. 

1859 -e, p. 746. 
Echinorhynchus vaginatus v. LINS- 
TOW, 1878 -a, p. 68,69, 79. 
Echinothynchus vaginatus v. IHE- 

RING, 1902 -a, p. 45. 
Echinorhynchus vaginatus de MAR- 
VAL,' 1905 -a, p. 335, PI. IV, 
fig. 117-119. 
Hab. : Intestino de Podager nacundá 
(V1EL). 
Dolichonix oryzivorus (L.). 
Pterogrossus viridis (L.). 
Rupicola crocea VI EL. 
Rhamphastus culminatus GULD. 
Destr. geogra. : America do Sul. 

4) Empodius taeniatus (v. LINSTOW, 

1901). 

Sin. : Echinorhynchus taeniatus v. LINS- 
TOW, 1901 -b, p. 419, PL XIV. 
fig. 20-22, 
Echinorhynchus segmentants de 
MARVAL, 1902 -a, p. 428, fig. 
9 a, b, c. 
Echinorhynchus taeniatus de MAR- 
VAL, 1905 -a, p. 332, PI. I, fig. 
37-40. 
Hab. : Intestino de 

Numida ptilorhyncha (LICHT.). 
Numida rikwae RCHW. 
Otis tarda L. 
Destr. geogr. : Norte d'Africa. 

5) Empodius mirabilis (de MARVAL, 
1905). 

Sin. : Gigantorhynchus mirabilis de 
MARVAL, 1905 -a, p. 353, Pi. 
IV, fig. 120-123, 137-138. 

Hab. : Vultur sp. ? 

Destr. geogr. : Desconhecida. 



6) Empodius empodius (SKRJABIN, 
1913). (1). 

Sin. : Qigantorhynchas empodius SKRJA- 
BIN, 1913. Zool. Jahrb. Syst. Bd. 
33, p. 411, pi. 16, f. 13-14. 

Empodius empodius TRAVASSOS. 
191o. lo. Congs. Med. Paulista. 
Hab. : Intestino de Arden cinérea L. 
Destr. geogr. : Tnrquestam. 

Ill) Genero MONILIFORMIS TRAVASSOS, 
1915. 

7) Moniliformis moniliformis 
(BREMSER, 1811). 

Sin.: Echinorhynchus moniliformis 

BREMSER, 1811 -b, p. 26. 
Ech in orhvnchus mon il if o rm is 

RUDOLPHI, 1819-a, p. 71 e 

324. 
Echinorhynchus moniliformis 

BREMSER, 1819- a, p. 18. 
Ech in o rhy nchus mon ¿Ufo i m is 

WESTRUMB, 1821 -a. p. 25, 

PI. I, fig. 3, PI. 11, fig. 21-24. 
Ec h in o rhy nchus mon i I if o r/nis 

BREMSER, 1824 -c, PI. VI, fig. 

21-22. 
Echinorhynchus mon iliformis 

DUJARDIN, 1845- -a, p. 503. 
Echinorhynchus moniliformis GU RLT, 

1845 a, p. 229. 233, 235, 244. 
Ech i no rhy nchus m onilifo rm is 

D1ESING, lS51-a, p. 36. 
Echinorhynchus moniliformis v. 

LINSTOW, 1878 -a, p. 19,20, 25. 
Eckinorhynchus moniliformis QRASSI 

& CALAN DRUCIO, 1SSS c, p. 

521, fig. 1-7. 
Echinorhynchus sp. ? GRASSI 8t 

CALANDRUCIO, 1888-c, p. 

522. 
Echinorhynchus moniliformis CA- 

LANDRUCIO, 1889-a, p. 6. 



(I) Talvez o parasito tilado por KOSTY1 TW cora 
o nomc dr O. otiilis e rncontr.ido no Œ. anticuemos 
irico a ttlt. 



Echinorhynchus moniliformis v. 

LINSTOW, 1889-a, p. 10, 10". 
Echinorhynchus grossi DEFFKE, 

1891 -a, p. 258. 
Echinorhynchus moniliformis 

KAISER, 1893 -a, p. 10, PI. 11, 

fig. 12. PI. VI, fig. 31-34, PI, 

VIII, fig. 9, 14, 19, 22, 34, PI, 

IX, fig. 68, 69, PI. X, fig. 9. 
Echinorhynchus moniliformis 

BRAUN, 1893 -f, p. 390. 

Echinorhynchus moniliformis PA RU- 
NA, 1894 -a, p. 251. 

Echinorhynchus moniliformis HA- 
MANN, 1895 -a, p. 1. 

Gigantorhynchus moniliformis RAIL- 
LI ET, 1895- a, p. 568. 

Echinorhynchus grassi RAILL1ET, 
1895- a, p. 571. 

Echinorhynchus moniliformis MO- 
NIEZ, 1896- a, p. 417. 

Echinorhynchus moniliformis M1N- 
GAZZ1NI, 1898 -a, p. 230. 

Gigantorhynchus moniliformis MA- 
GALHÃES, 1898 -b, p. 361, 
^ fig. 4. 

Gigantorhynchus moniliformis STOS- 
SICH,"lS99-a, p. 2. 

Gigantorhynchus moniliformis PER- 
RONCITO, 1901 - a, p. 530. 

Echinorhynchus moniliformis 1 HE- 
RING, 1902 -a, p. 45. 

Ec h in orhynchus mon i I if o rmis 
BRAUN, 1903-Thier. Paras, p. 
310. 

Echinorhynchus moniliformis 
LÜHE, 1905 -a, p. 257, 342. 

Echinorhynchus moniliformis 
BRAUN, 1908-Thier Paras, p. 
348. 

Giga ntorhy nchus mou iliformis 
PORTA, 1908 -Ann. Mus. Zool. 
Nap. t. 2, no 22, p. 5. 

Gigantorhynchus moi- i liformis 
PORTA, 1908 Arch. Paras, t. 
XII, p. 278. 

Giga nt or h y nchus mon iliformis 
PORTA, 1909- Arch. Zool. t. 



15 

IV, f. 2, p. 261, PI. 5, fig. 22 
a-b-c-d. 

Gigantorhynchus moniliformis 
GUI ART, 1910 -Prec Paras, p. 
433. 
Gigantorhynchus moni liformis 
SEURAT, 1911 -Bull. Soc. H. 
N. de I'Afr. N. , 3o ann. p. 14, 
1 fig. 
Gigantorhynchus mon i liformis 
LÜHE, 1911 -Suesewass. Deu- 
tsch. H. 16, p. 5. 
Gigah torhynchus moniliformis 
OEDOELST, Sin. Par. 1911 -p. 
135. 
Echinorhynchus grossi GEDOELST, 

1911 -Sin. Paras, p. 136. 
Echinorhynchus grassi NEVEU-LE- 
MA1RE, 1912- Par. Anim. Dom, 
p. 845. 
Gigantorhynchus mo n i liformis 
BRUMPT, 1913 -Prec. Paras, p. 
539, fig. 444. 
Gigantorhynchus moniliformis 
SEURAT, 1912 -Comt. r. Soc. 
Biol. t. 72, p. 62. 
Gigantorhynchus moniliformis 
JOHNSTON, 1913- Proc. R. 
Soc. of Queensland, V 24, p. 83. 
G iga n torhynchus moni liformis 
JOHNSTON, 1913-Austr. Inst, 
of Trop. Med. Rep. f. the Year 
1911. p. 93. 
Moniliformis moniliformis TRA- 
VASSOS, 1915. Braz.- Med. 
ann. 29 p. 137. 
Hab. : Adultos no intestino de : 
Homo sapiens L. 
Scitirus (Parasciurus) niger L. 
Eliomys quercinus (L.). 
Cricetus (Cricetus) cricetus (L.). 
Mus (Epimys) albipes RUEPPEL. 
Mus (Epimys) norvégiens ERXL. 
Mus (Epimys) rattus L. 
M vf us (Microtus) arvalis PALL. 
Canis (Canis) familiares L. 
Lepus (Lepus) sinuiticus HEMPR. 
& EHRENB. 



Erinaceas algirus DUV. 
Larva na cavidade geral de: 

Periplaneta americana L. 

Blaps mucronata LATR. 
Habitats acidentaes: Estamago de: 

Putorius (Putorius) putoritis L. 

Circus pygargus (L). 
Destr. geogr. : Cosmopol ta. 

8) Moniliformis cestodiformis (v. 
LINSTOW, 1904). 

Sin.: Echinorhynchus cestodiformis v. 
LINSTOW, 1904 -m, p. 380 PI. 
1, fig. 3-4. 
Echinorhynchus cestodiformis v. 
LINSTOW, 1908 -Jen. Denkschr. 
t. XIII, p. 28. 

G igan torhynch us cestodiformis 
PORTA, 1908 -Arch. Paras. t. 
XII, p, 279. 

G igan torhynchus cestodiformis 
PORTA, 1909 -Ardi. Zool. t 
IV, f. 2, p. 264, PI. V, fig. 24. 
Hab. : Intestino de Erinaceus albiventris 
WAGNER. 

Erinaceus frontalis SMITH. 
Destr. geogr.: Africa. 
IV) Genero OLIGACANTHORHYN- 
CHUS TRAVASSOS, 1915. 

9) Oligacanthorhynchus compressus 
(RUDOLPH1, 1802). 

Sin.: Echinorhynchus compressus RUDOL- 
PH I, 1802 -a, p. 48. 
Echinorhynchus compressus ZEDER, 

1803 -a, p- 150. 
Echinorhynchus compressus RUDOL- 

PHI, 1809 -a, p. 255. 
Echinorhynchus compressus BLAIN- 

V1LLE. 1819. a. p. 8. 
Echinorhynchus compressus RUDOL- 

PHI, 1819-a, p. 64. 
Echinorhynchus oligacanthus 

RUDOLPH1, 1819A, p. 64. 
Echinorhynchus cornicis RUDOL- 

PHI, 1819-a, p. 76, 



It» 



Echmorhynchus compressus WES- 
TRUMB, 1821 a, p. 6, PI. Ill, 
fig, 28. 

Echinorhvnchus oligacanthus WES- 
TRUMB, 1821 -a, p. 5. 

Echmorhynchus compressus SCH- 
MA1Z, 1S31 -a, pi. 11, fig. 5. 

Echmorhynchus compressus GURLT, 
1845- a, p. 253, 254. 

Echmorhymhus comp,\ SUS DUJAR- 
DIN, 1845-a, p. 514. 

Echmorhynchus oligacanthus 
DUJARDIN, 1845-a, p. 526. 

Echmorhynchus compressus DIE- 
SINO, 1851 -a, p. 23. 

Echmorhynchus oligacanthus DIE- 
SING, 1851 -a, p. 24. 

Echmorhynchus compressus v. LINS- 
TOW, 1878-a, p. 99, 101. 

Echinorhynchus compressus de MAR- 
VAL, 1902 -a, p. 442, fig, 8. 

Gigantorhynchus compressus de 
MARVAL, 1905 -a, p. 337, PI. 
IV, fig, 124-133, 139-141, pr. 
part. 

Echinorhynchus compressus LÜHE, 
1904 -a, f, p. 193. 

Echinorhynchus oligacanthus LÜHE, 
1905 -a, p. 266. 
I lob.-. Adultos no inttstino de: 
Coloeus moncdula (L). 
Corone cornix (L). 
Larvas no peritoneo de: 

Coluber quadrilmeatus (LAC> 
D >tr. geogr. : Europa. 

10) Oligacanthorhynchus lagenaeformis 
(WESTRUMB, 1821). 

Sin.: Echinorhynchus falconis cyanei 
RUDOLPHI, 1819-a, p. 76, n. 
nud. 
Ecni n o rhy nchus I a gen a efo rm is 
WESTRUMB, 1821 a, p. 7, 
tin DIESING, 1851. 

EcMnorkynduu lagena e fo r mis DU- 
JARDIN, 1845 a, p. 505. 

EckinorhyncJuu lagenaeformis DIE- 

\, 1851 -a, p. 23, pr. paii. 



Echinorhynchus lagenaeformis v. 
LINSTOW, 1878-a, p. 100 
110, 113, 115, 116, 117. 

Echinorhynchus lagenaeformis 
LÜHE, 1904- f, p. 238. 

Gigantorhynchus compressus de 
MARVAL, 1905 -a, p. 337, PI, 
IV, fig. 124-133, 139-141, pr. 
part. 
Habitat.: Intestino de: 

Circus cyaneus (L,). 

Circus pygargus (L.). 
Destr. geogr.: Europa. 

1 1) Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 
1851). (1). 

Sin. : Echinorhynchus oligacanthoides 

RUDOLPHI 1819-a, p. 64 e 

311, pr. part. 
Echinorhynchus oligacanthoides 

WESTRUMB, 1821 -a, p. 5, pr. 

part. 
Echinorhynchus oligacant hoi des 

DUJARDIN, 1845-a, p, 526,/;/-. 

part. 
Ech inorhy nchus oligacanthoides 

GURLT, 1845 - a, p. 286, pr. part. 
Echinorhynchus oligacant hoi des 

DIESING, 1851 -a, p. 24 pr. 

parte. 
Echinorhynchus spira DIESING, 

1851 -a, p. 34. 
Echinorhynchus spira DIESING, 

1856-d, p. 283, PI. II, fig. 10- 

17. 
Echinorhvnchus spira DIESING, 

1859-c, p. 745. 
Echinorhynchus spira v. LINS- 
TOW, 1878-a, p. 107, 108, 137, 

pr. part. 
Echinorhynchus oligacanthoides v. 

LINSTOW, 1889 -a, p. 42, 63, 

pr. part, 



(1) A especie descrita pot SHIPLEY com o nome 
de patent (SHIPLEY, 1903 1 p 149 c 150, PI. XVI, fig. 
9 10) talvez tenham relação com esta especie ou com o 
taenioides DIESINO. Xenopeltldis faz parte da fauna Asiá- 
tica. (SHIPLEY, 1903 1. p 151, P. XVI, fig. 3). 



M 



Gigantorhynchus spira HAMANN, 

1892 -a, p. 196. 
Ech inorhynchus ol igpcanthoides 
v. IHERING, 1902-a, p. 45, pr. 
parí. 

Gigantorhynchus spira v. IHE- 
RING, 1902 -a, p. 45. 
Gigantorhynchus compressas de 

MARVAL, 05 -a, p. 337, PI. 

IV, fig. 124, 133, 139, Hl. p. parte. 
Gigantorhynchus spira LU HE, 

1905 -a, p. 342. 
Echinorhynchus oligacanthoides 

LÜHE, 1905 -a, p. 265, pr. parí. 
Gigantorhynchus tompressus 

PORTA, 1909-/7/-. part. Arch 

Zool. t III, p. 243, Pi. IX, fig 

15-16. 
Gigantorhynchus aurae TRAVAS 

SOS, 1913 -Mem. Inst. Osw 

Cruz. t. V, f. 3, p. 252, 1 fig. 
Oligacanthorhynchus spira TRA 

VASSOS, 1915. Braz. Med 

ann. 29, p. 137. 
Hab. : Intestino de : 

Cathartes papa (L.). 
Œnops aura (L.). 
Œnops urubutinga (PELZ.). 
Catharites atratus (BARTRAM). 
Larvas no peritoneo de: (1). 

Lachesis lanceolatus (LACEP.). 
Lachesis neuwiedi (WAGL.). 
Boa constrictor L. 
Drimobius bifossatus (RADDI). 
Oxyrhophus cloelia (DAUD.). 
Xenodon merremi (WAGL.). 
Lystrophis histricus (JAN.). 
Erythrolamprus aesculapii (L.). 
Dipsadomo rphus dendrophilus 

(BOIE). 
Philodryas olfersi (LICHT.). 
Destr. geogr. : America do Sul. 



(1) Não se pode destinguir os hospedeiros das larvas 
desta especie dos das larvas do taenioides. 



12) Oligacanthorhynchus taenioides 
(DIESING, 1851). 

Sin. : Echinorhynchus oligacanthoides RU- 

DOLPHI, 1819 -a, p. 64, 311, 

pr. part. 
Ech inorhynchus oligacanthoides 

WESTRUMB, 1821 -a, p. 5, pr. 

parí. 
Echinorhynchus oligacanthoides DU- 

JARDIN, 1845 -a, jx 526, pn 

parí. 
Ech in o rhy nchus oligacanthoides 

GURLT, 1845 - a, p. 286, pr. parí. 
Echinorhynchus taenioides DIES1NG, 

1851 -a, p. 23. 
Echinorhynchus o ligacanthoidcs 

DIESING, 1851 -a, p. 24, pr. 

parí. 
Echinorhynchus taenioides CRE- 

PL1N, 1854 -a, p. 59. 
Echinorhynchus taenioides DIESING, 

1856 -d, p. 282, PI, I, fig. 10-20. 
Echinorhynchus taenioides DIESING, 

1859- e, p. 742. 
Echinorhynchus taenioides NITZSCH 

in GIEBEL, 1866 -a, p. 268. 
Echinorhynchus taenioides v. LINS- 
TOW, 1878 -a, p. 107, 108, 137, 

pr. parí. 
Echinorhynchus oligacanthoides v. 

LINSTOW, 1878 -a, p. 182, 1S3, 

185, 186, 187, 188, 189, 190, 191, 

pr. parí. 
Echinorhynchus oligacanthoides v. 

LINSTOW, 1889 -a, p. 42, 63, 

pr. parí. 
Gigantorhynchus taenioides HA- 
MANN, 1892 -a, p. 196. 
Gigantorhynchus taenioides v. IHE- 
RING, 1902 -a, p. 45. 
Echinorhynchus oligacanthoides v. 

IHERING, 1902 -a, p. 46. 
Gigantorhynchus compressas de 

MARVAL, 1905 -a, p. 337, Pl. 
IV, fig. 124,-133, 139-141, 

pr. part. 



13 



Echinorhynchus taenioides LÜHE, 

1904 Í, p. 239. 

Etkim irhvnchti S o liga canthoides 

LÜHE, 1005 -a, p, 265. 
Gigantorhynchus taenioides LÜHE, 

1905 a, p. 342. 

O liga ca n th rhynchus taenioides 
TRAVASSOS, 1913. Bra?. Med. 
Ann. 29, p. 137. 
Hab. : Intestino de : 

Cártama cristata (L.). 
Larvas no peritoneo de: (1). 

Lachesis lanceolatiis (LACEP.). 
Lâchais neuwiedi (WAOL.). 
Boa constrictor L. 
Drunobiiis btfdssatus (RADDI). 
Oxyrhophms doei I a (DAUD.). 
X en o don m errem i (WAOL.). 
Lystrophis histricus (JAN.). 
Eiythroiamprus aesculapii (L.). 
fJip^adom o rp h n s den drophdus 
(BOIE). 
Phibdryas olfersi (LICHT.). 
Destr. geortfr. : America do Sul. 

13) Oligacanthorhynchus manifestus 
(LEIDY, 1855). 

Sin.: Echinorhynchus pici collaris LfLlDY , 

1851 b, p. 08. 
Echinorhynchus manifestus LEIDY, 

1856 b, p. 48. 
Echinorhynchus manifestus D1E- 

5INO, 1850 e, p. 746. 
Echinornyncliiis pia collarís DIE- 

SINO, 1850 e, p. 746. 
Echmorhviiihus manifestos v. LINS- 

I< m, 187S a, p. 75. 
l.chinorhynchus manifestou LUI IE, 

1004 f, p. 2i0. 

\torhynchus compressas de 
MARVAL, 1005 a, p. 337, PI. 
IV, fig. 124 133, 130 141, pr. 

pari. 

Intestino de: 

Co/a/' \ts SWAINS. 

r. : America do N 



ÚÊ» larva* 
drtU wp- . %i>ira. 



14) Oligacanthorhynchus iheringi 
TRAVASSOS, 1916. 

Sin. : Echinorhynchus lagenaeformis DIE- 
SING, 1851 -a, p. 23, pr. part. 
Echinorhynchus lagenaeformis v. 
L1NSTOW, 1878 -a, p. 109-110 
113, 115, 116, 117, pr. part. 
Echinorhynchus lagenaeformis v. 

IHER1NG, 1902 -a, p. 46. 
Fxhinorky nchus la gen a efo rm i s 

LU HE, 1904-f, p. 238. 
Qigantorhynchus compressus de 
MARVAL, 1905 -a, p. 337, PI 
IV, fig. 124-133, 139-141, pr. 
part. 
Oligacanthorhynchus iheringi TRA- 
VASSOS, 1916. lo. Cong. Med. 
Paul. 
Hab. : Intestino de: 

Oeranospiza eaeralescens (VI ELL). 
Urubutinga zonura (SHAW.). 
Harpyaliaetas corona tu s (VI ELL). 
Busarellus nigricollis (LATH.). 
Tachytriorchis albicaudatus 

(VIELL). 
Leptodon cayennensis (GM.). 
Destr. geogr. : America do Sul. 

V) Genero HAMANNIELLA TRAVAS- 
SOS, 1915. 

15) Hamanniella microcephala (RU- 
DOLPHI, 1819). 

Sin. : Echinorhynchus microcephalus RU 

DOLPH1, 1819 -a, p. 665. 
Echinorhynchus microcephalus WES 

TRUMB, 1821 -a, p. 3. 
Echinorhynchus microcephalus DU 

JARDIN, 1845- a, p. 504. 
Echinorhy n c h u s micro cep h a lu s 

GURLT, 1845 -a, p. 235. 
Echinorhynchus microcephalus DIE 

SING, 1851 a, p. 20. 
Echinorhynchus tortuosas LEIDY 

1852 -b, p. 57. 
/ chinorhy n ch u s m icrocep h a lu s 

LEIDY, 1856 b, p. 48. 



19 



Echinorhynchus microcephalus DIE- 

SINQ, 1859-e, p. 741. 
Echinorhynchus microcephalus v. 

LINSTOW, 1878 -a, p. 65. 
Echinorhynchus microcephalus v. 

IHERINO, 1902 -a, p. 45. 
Ech in o rhy nchus m ¿ero cep ha lus 

LÜHE, 1905- a, p. 254. 
Echino rhy nchus m i ero cep h al us 

PORTA, 1908 -Arch. Paras, t. 

XII, p. 268. 
Gigantorhynchu s microcephalu s 

PORTA, 1909-Archiv, Zoolog. 

t. IV, f. 2, p. 256. PI. V, fig. 

16 a-b-c-d-e. 
Hamania microcephalia TRAVAS- 
SOS, 1915. Braz. Med. ann. 29 

p. 89. 
Hamaniella microcephala TRAVAS- 
SOS, 1915. Braz. Med. Ann. 29 

p. 137. 
Hab. : Intestino delgado e raramente 

grosso de: 
Didelphis (Mormosa) murina L. 
Didelphis (Didelphis) marsupialis L. 
Didelphis (Didelphis) marsupialis 

aurita WIED. 
Didelphis (Didelphis) virginiana 

KERR 
Didelphis {Philander) philander L. 
Destr. geogr.: America. 

16) Hamanniella carïnii TRAVASSOS, 
1916. 

Hamaniella carinii TRAVASSOS, 
1916. lo. Congr. Med. Paul. 
Hab.: Intestino de : 

Tatus (T.) novemei rictus L. 
Destr. geogr. : Brazil. 

Subfamilia PROSTHENORCHINAE 
TRAVASSOS, 1915. 

VI) Genero PROSTHENORCHIS TRA- 
VASSOS, 1915. 



17) Prosthenorchis «.pirula (OLFERS, 
1819). (1) 

Sin.: Echinorhynchus spimla OLFERS 
in RÜDOLPHI, 1819-a, p. 6?, 
310 e 665. pr. part. 
Echinorhynchus spirula WES- 
TRUMB, 1821 -a, p. 4, PI. 1, 
fig. 16, PI. II, fig. 16 b. 
Echinorhynchus spirula DUJARDÍN, 

1845 -a, p. 499, pr. part. 
Echinorhynchus spirula GURLT, 

1845 -a, p. 224. 
Echinorhynchus spirula CREPLIN, 

1845 -a, p. 326. 
Echinorhynchus spirula DIESING. 

1851 -a, p. 21. 
Echinorhynchus spirula v. LINS 

TOW", 1878— a, p. 6, 8, 10. 
Echinorhynchus spirula v. I HE- 
RÍ NG, 1902 -a, p. 45. 
Echinorhynchus spirula LU HE, 

1905 -a, p. 305. pr. part. 
Qigantorhych us h iru n din a ceu s 
PORTA, 1908 -Arch. Paras, t. 
XII, p. 277. pr. part. 
Gigantorhynchus spirula PORTA. 
1909-Archiv. Zool, t. IV. fig. 
2, p, 260, PI. V, fig. 21 a- b. 
Hab.: Intestino de : 
Macacas ? (2) 
Cebus fatuellus L. 
Midas (Leontopifhechus) rosália 

WIED. 
Midas sp,? 
Destr. geogr.: Brazil. 



(1) PORTA, em 1912 {Zool. Anz. p. 233) identificou o 
Echinorhynchus raphaclis SONSINO. 1896 tCantralbl. f. 
Bakt. etc. p. 437) ao Prosthenorchis spirula ; provavelmen- 
te esta especie de Varanus arenarius, se não é de fatn 
boa, deve provavelmente, corresponder a um Giganto- 
rhynchidœ de ave e nunca ao P. spirula especie ameri- 
cana. 

(2) Entre os hospedeiros do P. spirula mencionados 
por PORTA (Arch. zool. IV, p. 260) acham-se os seguin- 
tes mamíferos da Africa: Lemur coronatus e Perodictiis 
pota. Não conseguimos saber a qual especie devem ser 
filiados os exemplares encontrados nestes animais, pois, 
estes hospedeiros parece terem sido indicados por erro 
de determinação dos helmintes. Lcinur brumicus indicado 
também como hospedador do P. spirula não é mencio- 
nado pelo catalogo de TROUESSART, e não consegui- 
mos saber a que especie corresponde. 

DIESING (1851— a) cita como hospedeiro desta espe- 
cie o Macacus ionuus que não pertence á fauna america- 
na, provavelmente por erro de determinação do hospe- 
deiro ou do hospede. 



2U 



18) Prostlienorchis elegans (DIBSING, 
1851). 

Sin.: Echinorhynchus elegans DIES1NG, 

1S51 a, p. 44. 

Echinorhynchus elegans DIESING, 

1856 d, p. 284, PI. II, fig. 31- 

39. 

Echinorhynchus elegans DIESING, 

e, p. 746. 
Echinorhynchus elegans COBBOLD, 

1S76 y, p. 202, PI. XVI. 
Echinorhynchus elegans v. L1NS- 

TOW. 1878 -a, p. 10. 
Echinorhynchus elegans v. LINS- 

TOW, 1889 a, p. 6. 
Echinorhynchus elegans v. I HE- 
RING, 1902 -a, p. 45. 
Echinorhynchus elegans PORTA, 
1*»06 Arch. Paras, t. XII, p. 
269. 
Gigvntorhynchus elegans PORTA, 
1909 Archi v. Zool. tj IV, f. 2, 
p. 243, PL V, fig. 5, a b-c- 
d-e-f. 
Prosthenorchis elegans TRAVAS- ' 
1915. Braz. Med. Anu. 29 
p. 89. 
Hab. Intestino de : 

Callitrtx jacente L. 

Callttrix crysoleuca NATT. 

Saimiris scimea (L.). 

Midas (Leontopithechus) rosália 

WIED, 
Midas (Œdipomidas) geqffroyi 

PULCH. 
Midas- sp.? 

(.u/iepa/u.s sttffbcans ILL. 
tit (Galera) barbara L. 
America do Sul. 

19> Prosthenorchis lühci TRAVASSOS, 
1916. 

Sin. : / , 'iinorhync.'iiis spirilla Rl 1 1 M >l .- 
PHI, 1619 a, p. 665, pr. pari. 
I ■lorhvm httS spirilla I )l 'J.\ RDIN, 
\ pr, part. 

I norhynduu spiruia GURLT, 

a, p. 229. 



Echinorhynchus spiruia v. LINTS - 

TOW, 1878 -a, p. 42. 
Echinorhynchus spiruia v. LINS- 

TOW, 1897-i, p. 33, PI. V, 

fig. 20-21. 
Echinorhynchus spiruia LÜHE, 

1 905 - a, p. 305, pr. part. 
Gigantorhynchu s h iru ndinaceus 

PORTA, 1908-Archiv. Paras, t, 

XII, p. 277 pr. part. 
Gigantorhynchus spiruia PORTA, 

1909— Arch. Zool. t. IV, f, 2, p. 

260, PI. V, fig. 21 a-b, pr. 

part, 
Prosthenorchis liihei TRAVASSOS, 

1916. lo. Congr. Med. Paul. 
Hab.: Intestino de* 

Nasua narica L. 
Destr. geogr.: Brazil. 

20) Prosthenorchis avícola TRAVAS- 
SOS, 1916. 

Prosthenorchis avícola TRAVASSOS, 
1916. lo. Congr. Med. Paul. 
Hab.: Intestino de : 

(?) Neltion brasiliense (GM-). (Irerê.) 
Desir. geogr.: S. Paulo. 

VII) Genero MACRACANTHORHYN- 
CHUS TRAVASSOS, 1916. 

21) Macracanthorhynchus hirudinaceus 
(PALLAS, 1781). 

Sin.: Taenia haeruca PALLAS, 1766 a, 

p. 415, pr, part. 
Taenia hirudinacea PALLAS, 

1781 -a, p. 107. 
Ecltinorhynchus gigas BLOC H, 

1782 -a, p. 26, Pl. Vil, fig. 

1 8. 
Echinorhynchus gigas GOEZE, 

1782^a, p. 143, PI.X, fig 1-6. 
Echinorhynchus gigos SCHRANCK, 

1788 a, p. 21. 
Echinorhynchus gigas GMELIN, 

1791 a, p. 3044. 
Echinorhynchus gigas RUDOLPH!, 

1793 a, p. 18. 



Fxhinorhynchus gigas ZED LR, 

1800 -a, p. 119. 
Echinorhynchus gigas RUDOLPH I, 

1802 -a, p. 46. 
Echinorhynchus gigas FRÕLiCH, 

1802 -a, p. 74. 
Echinorhynchus gigas BOSC, 3802 - 

a. p. 5. 
Echinorhynchus gigas SCHRA N CH , 

1803-b, p. 214. 
Echinorhynchus gigas ZEDER, 

1803 -a, p. 149. 
Echinorhynchus gigas RI'DOL- 

PH1, 1809 -a, p. 251. 
Echinorhynchus gigas RUDOLPH!, 

1814 -a, p. 95. 
Echinorhynchus gigas N1TZSCH, 

1818 -e, p. 241. 
Echinorhynchus gigas RUDOLPHI, 

1319- a, p. 63, 310. 
Ecli/norhynchus gigvs BOJANUS, 

1821 -a, p. 178, PI. II. 
Echinorhynchus gigas NITZSCH, 

1821 -a, p. 258. 
Echinorhynchus gigas WESTRUMB, 

1821 -a, p. 10, PI. II, fig. 

1 - 10, 
Echinorhynchus gigas B R E M SER, 

1824 -c, PI. VI. fig. 1-4. 
Echinorhynchus gigas C LOQUET, 

1824 -a, p, 63, PI. V. fig. 1-3, 

PI. VI, fig. 1-13, PI. Vil, fig. 

1-8 PL VIII, fig. 1 - 13. 
Echinorhynchus gigas SCHMALTZ, 

1827. cp. 73. 
Echinorhynchus gigas van LIDTH, 

1829 a pi. VI, fig. 17-19, p). 

VIII, ABC. 
Echinorhynchus gigas MEHLIS, 

1831 -a, p. 166. 
Echinorhynchus gigas S1EBOLD, 

IS37-e, p, 196. 
Echinorhynchus gigas DUJARD1N, 

1845 -a, p. 503. 
Echinorhynchus gigas BLAN- 
CHARD, 1849- a, p. 12. 
Echinorhynchus gigas D!ES!?> ; G, 

1851 -a, p. 20, 553. 



Echinorhynchus gigas LEIDY, 1856 

b, p. 48. 
Echinorhynchus gigas CUVIER, 

1859- Règne Animal -Les Zo- 
ophytes, p. 68. PL XXXV, fig. 

1-8. 
Echinorhynchus gigas D1ES1NG, 

1859-e, 741. 
Echinorhynchus gigas NITZSC1 1, 

in G1EBEL, 1^66-a, p. 268. 
Echinorhynchus gigas SCH N EI DER, 

1868 -b, p. 584. 
Echinorhynchus g/gas SCHNEIDER, 

1871 -a, p. 1, fig. 7. 
Echinorhynchus gigas RI VOLTA, 

1872-b, p. 283. 
Echinorhynchus gigas CINI, 1877- 

a, p. 107. 
Echinorhynchus gigas ANDRES, 

1978 -a, p. 584, PL XXXI, 
Echinorhynchus gigas v. LINSTOW, 

1878 -a, p. 33, 46, 47. 48, 301, 
Echinorhynchus gigas KAISER. 

1887 -a, p. 414, 437. 
Echinorhynthus gigas KOEHLER, 

1887 -c, p. 1192. 
Echinorhynchus gigas PA ROÑA 

1887- b, p. 362. 
Echinorhynchus gigas GRASSI & 

CALANDRUCio, 1888 -c, p. 

521. 
Echinorhynchus gigas CALANDRU- 
CIO, 1889 -a, p. 6. 
Echinorhynchus gigas v. LiNSTOW, 

1889 -a, p. 6. 
Echinorhynchus gigas STILES, 1891 

i, p. 240. 
Echinorhynchus gigas WERN1CH, 

1892 -a, p. 44. 
Gigantorhynchus gigas H AM ANN, 

1892 -a, p. 195. 
Echinorhynchus gigas KAISER, 

1893 -a, p. 8, PL I fig. 1-8, 

10-12, 16-20, 24 PL II fig. 

1-3, 7-9, 11, 13, 16, PL III 

fig, 3-4, 6, 8, 10-11, PI. IV. 

fig. 1, 3-13, PI. V. fig. 1-11, 

13, 19-20, 24, PL VI fig. 9- 10, 



22 



PI. VII fig. 1-3, 7-9, 13, PI. 

VIII Kg. 24, 27 29, 33,35 36, 

38, PI. IX fig. 1-49, 52, 5$, 

PI. X fig. 1-8, 11 13, 15, 

17 18. 
Echinorhynchus gigas PARONA, 

1894 a. a. 252. 
Gigantorhynchus gigas RAILL1ET, 
a, p. 565, fig. 388 390. 
Echinorhynchus gigas MON1EZ, 

1S96 a, p. 416. 
Echinorhynchus gigas v. LINSTOW, 

1897' i, p. 3, PI. V fig. 22-23. 
Echinorhynchus gigas MÜHLING, 

1898-b, p. 54. 
Echinorhynchus gigas MINGAZ- 

ZINI, 1898 -a, p. 230. 
Qigantorhynchus gigas PERRON- 

C1TO, 1901 a, p. 527. 
Echinorhynchus gigas v. IHERING, 

1902 a, p. 45. 
Echinorhynchus gigas BRA UN, 

1903 - Die Thier Paras, p. 308, 
fig. 230. 

Echinorhynchus gigas LU HE, 1904 

f, p. 215. 
t'chinorhy nchus h irii din a ceu s 

LÜHE, 1904 f, p. 226. 
Taenia hitudinacca LÜHE, 1905 

a, p. 337. 
Taenia hacruca LÜHE 1905 a, p. 

336, />/". pari. 
Gigantorhy ncha .-> // iru n din a ce us 

l'( >RTA, 1908 Arch. Paras, t. 

XII, p. 277. 
Echinorhynchus gigas BRAUN, 
is. p. 348, fig. 

Qigantorhynchus hint din a ecu s 

WOLITIIl UGEL, I'M is Rev 
Agr. y Vet. p. 5. 
Gigantorhynch u s h ir un din a céus 
PORTA, iy09 Arch. Zool, t. 
IV, f. 2, p. 258, PI. V fig. 20 
a b. 

U rhy nchus h iru dîna ceus 
WOLFFHLUOEL 1909 Rev. 
Agr. y Vet. p. 3. 



Gigantorliynchu s, hirudinacerr 
GUIART, 1910- Prec. Paras, p. 
433, fig. 345 348. 
Gigantorhynch us h iru din accu .-; 
GEDÒELST, 1911 -Synopsis 
Paras, p. 135, 
Gigantorhynchus h iru di nacen s 
NEVEU-LEMAIRE, 1912- Paras 
des Anim. Dom. p. 841, fio. 
845. 
Gigantorhynchus gigas BRUM PT, 
1913 Prec. Paras, p. 538, fig. 
339-342. 
Marra canthorhy nchus hirundina ceus 
TRAVASSOS, 1916. lo. Congr. 
Med. Paul. 
Hab. : Intestino de: 

Sus (Sus) scrofa L. 
Sus (Sus) scrofa dom. L. 
Sus (Sus) cristatus WAGNER. 
Homo sapiens L. 
Tavassus (Tayassus) tajacu (L.). 
Hyaena hyaena (L.). 
Larvas na cavidade geral de: 
Biloboderus abderus 
Cetonia aurata L. 
Mtíolonta melolonta (L.). 
Lachnosterna arcuata SMITH. 

VIII) Genero ONCICOLA TRAVAS- 
SOS, 1916. 

22) Oncicola ondeóla (v. IHERING, 
1902). 

Sin Echinorhynchus oncicola v. IHERING. 
1902 -a, p. 45. 
Echinorhynchus oncicola PORTA. 
190S Arch. Paras. t. XII, p. 
269. 
Echinorhynchus oncicola PORTA. 
1909' Arch. Zool. t. IV, f. 2, p. 
241, PI. V, fig. 2, a-b. 
Oncicola oncicola TRAVASSOS, 
1916. 1c. Congr. Med. Paul. 
Hab.: Estomago e intestino delgado de: 
Felis (Leopard us) onça L. 
Felis (Leopard ti s) pardus L. (1). 



(1) Este hospedeiro foi mencionado provavelmenU 
por erro de determinação. 



23 



Felis (Catopuma) jaguarundi FISCH 
Larvas no tecido conjuntivo de: 

Talus sp. 
Destr. geogr. : America do Sul. 

IX) Genero PARDALIS TRAVASSOS, 

1917). 

23) Pardrlis pardalis (WESTRUMB, 

1821). . 

Sin. : Echinorhynchus paidt/is WES- 
TRUMB, 1821 -a, p. 39. 
Echinorhynchus sp.? CREPLIN, 

1845- a, p. 327. 
Echinai hynchus campanulatus DIE- 

SING, 1851 -a, p. 21. 
Echinorhynchus ovatus LEIDY, 

1851-b, p. 97, nec ZEDER, 

1800 -a, p. 137. 
Echinorhynchus ovatus LEIDY, 

1856 b, p. 48. 
Echinorhynchus campanulatus DIE- 

SING, 1856-d, p. 281, PI. I, 

fig. 1-9. 
Echinorhynchus campanulatus DIE- 

SING, 1859- e, p. 741. 
Echinorhynchus ovatus D1ES1NG, 

1859-e, p. 741. 
Echinorhynchus campanulatus v 

LINSTOW, 1873-a, p. 31, 32, 

33. 
Echinorhynchus ovatus v. LINS- 
TOW, 1878 -a, p. 31. 
Echinorhynchus campanulatus v. 

IHERING, 1902 -a, p. 45. 
Echinorhync h us campa n u latus 

LU HE, 1905 -a, p. 338. 
Echmorhynchus nardalis LÜHE, 

1905 -a, p. 269. 
Echinorhynchus pardalis PORTA, 

1908 -Arch. Paras, t. XII p. 

269. 
Echinorhynchus pardalis PORTA, 

1909 -Arch. Zool t. IV, f. 2, 

p. 241, PI. V, fig. 3, a-b-c. 
Pardalis pardalis TRAVASSOS, 

1917. Braz. Med. Ann. XXXI p. 

121. 



Hob.: Intestino de: 

Felis (Uncía) concolor L. 

Felis (Leopardus) pardus L. (1). 

Felis (Leopardus) onça L. 

Felis (Onçoides) tigrina ERXL. 

Felis (Onçoides) geoffroyi d'OR- 

B1GNY. 
Felis (Onçoides) mitis CUVIER 
Felt's (Zibet hailurus) chibigouazou 

GRIFFITH. 
Felis mellivora ILLIGER. (2). 



Destr. geogr. : America. 

Especies da subfamilia Prosthenorchi- 
nœ que não se pode esíabelecer o ge- 
nero com segurança. 

24), Prosthenorchis (sens, lat.) erinacei 
(RUDOLPH1, 1793). 

Sin.: Haeruca erinacei RUDOLPH!, 
1793-a, p. 21. 

Echinorhynchus napaeformis RU- 
DOLPH I, 1802 -a, p. 47. 

Echinorhynchus napaeformis 
ZEDER, 1803 -a, p. 150. 

Echinorhynchus napaeformis RU- 
DOLPH I, 1809- a, p. 254. 

Echinorhynchus napaeformis RU- 
DOLPHI, 1819 -a, p. 64. 

Echinorhynchus Mustelae RUDOL- 
PHI, 1819-a, p. 75, 335. 

Echinortiynchus Erinacei subcutaneus 
RUDOLPHI, 1819-a. p. 76. 

Echinorhynchus Citilli RUDOLPH!, 
1819-a, p. 76. 

Echinorhynchus napaeformis WES- 
TRUMB, 1821 -a, p. 8. 

Echinorhynchus erinacei subcutáneas 
WESTRUMB, 1821 -a, p. 8. 



(1) Este hospedeiro provavelmente foi mencionado 
por erro de determinação 

(2) Este nome não é mencionado no catalogo de 
TROUESSART e não sabemos a que especie correspon- 
de. 



24 



Echinorhynchus citüU WESTRUMB 

1S21 -a, p. 8. 
Echinorhynchus musWlae WES 

TRUMB, 1821 -a, p. 39. 
Echinorhynchus kerkoideus WES' 

TRl'MB, 1821 -a, p. 8. 
Echinorhvnchus napaeformis DU 

J A RHIN, 1845- a, p. 500. 
Echinorhvnchus kerkoideus, DUJAR 

DIN, 1845- a, p. 502. 
Echinorhynchus napiformis GURLT 

1845- a, p. 230. 
Echinorhynchus napaefonnis DIE 

SING, 1851 -a, p. 22. 
Echinorhynchus napaeformis v. LINS 

TOW, 1878 -a, p. 15, 19, 40. 
Echinorhvnchus Citilli LÜHE, 1904- 

f, p. 190. 
Echinorhynchus erinacei LÜHE, 

1904-f, p. 202. 
Echinorhynchus Erinacei subcutaneus 

LÜHE, 1904-f, p. 203. 
Echinorhvnchus ketkoideus LÜHE, 

1904-f, p. 235 
Echinorhynchus Mustelae LÜHE, 

1905 -a, p. 261. 
Echinorhynchus napaeformis LÜHE, 

1905 a, p. 263._ 

Haeruca erinacei LÜHE, 1905 -a, p. 

334. 
Echinorhvnchus erinacei PORTA, 

1906 Arch. Paras, t. XII, p. 280. 
Echinorhynchus intuirei PORTA, 

1909' Arch. Zool. t IV, f. 2, 
p. 266. 
Echinorhynchus spirula PORTA, 
1912- Zool. Anz. t 39, p. 233, 
1 fig. pr. part. 
Hosp. : Adultos no intestino de: 
Erinaxeus europeus L. 
Er inaccus algiius DUV. 
Citillus (Citillus) cttillus (L.) 
Larvas no nicsenterio de: 

Putonus (I'utorius) putorius (L.). 
Dostr. geogr. : Norte d'Africa. 

25) P osthenorchis (s. I.) circumflexus 
(MOLIN, 1858). 

Sin. : Echinorhynchus circumflexus M( M.IN, 
d, p. 142. 



Echinorhynchus circumflexus DIE- 

SING, 1859- e, p. 745. 
Echinorhynchus circumflexus MOLIN, 

1861 -c, p. 262. 
Echinorhynchus circumflexus v. LINS- 

TOW, 1878 -a, p. 18. 
Echinorhynchus circumflexus PARO- 

NA, 1894 -a, p. 251. 
Gigantorhynchus circumflexus 

PORTA, 1908 -Arch. Paras, t. 

XII, p. 278. 
G iga ntorhy nchus circu mflexus 

PORTA, 1909 -Arch. Zool. t. 

IV, f. 2 p. 263, PI. V fig. 23 a -b. 
Hosp. : Intestino de : 

Taipa (Taipa) europea L. 
Destr. geogr. : Europa. 

26) Prosthenorchïs (s. !.) ingens (v 
LIN STOW, 1879). 

Sin.: Echinorhynchus ingens v. L1NS- 
TOW, 1879 -b, p. 337. 
Echinorhynchus ingens v. I INS- 
TO W, 1889 -a, p. 17. 
G iga nt ho rhy nchus hirundinaceus 
PORTA, 1908- Arch. Paras, t. 
XII, p. 277, pr. part. 
Giganthorhynchus spirula PORTA, 
1909 -Arch. Zool. t. IV, f. 2, p. 
260, PI. V, fig. 21 a- b, pr. part. 
Hosp. : Intestino de: 
Procyon lotor L, 
Destr. geogr. : Madagascar. 

27) Prosthenorch s (s. 1.) pachyacanthus 
(SONSINO, 1889). 

Sin.: Echinorhynchus pachyacanthus 

SONSINO, 1889 -g, p. 231. 
Echino rhy nchus pa chy acanthus 

SONSINO, 1896-1, p. 443. 
G iganthorhynchus hirundinaceus 

PORTA, 1908- Arch. Paras, t. 

XII, p. 277 pr. part. 
Giganthorhynchus spirula PORTA, 

1<)09-Arch. Zool. t. IV, f. 2, p. 

260, PI. V, fig. 21 a-b, pr. part. 



25 



Hosp. : Intestino de : 

Canis (Tlws) aureus L. 

Vu /pes (Megalotis) zerda Z1MM. 

Fe/is (Lynx) lynx L. 
Larvas no peritoneo de : 

Montícola sexatilis (L). 
Destr. geogr. : Africa. 

28) Prosthenorchis (s. 1.) novellai (PA- 
RONA, 1890). 

Sin.; Echinorhynchus Novellai PARONA, 
1890-d, p. 396. 
Echinorhynchus Novellai v. I HE- 
RING, 1902 -a, p. 45. 
Echinorhynchus Novtlai PORTA, 
1908 -Arch. Paras, t VII, p. 
269. 
Echinorhynchus Novellai PORTA, 
1909 -Arch. Zool. t. IV, f. 2, p. 
242, Pl. V, fig. 4 a-b-c 
Hab.: Intestino de: 

Artibeus {Artibeus) ¡amaicen s is 
LACH. 
Destr. geogr.: Antilhas. 

29) Prosthenorchis (s. I.) hamatus (v. 

LINSTOW, 1897). 

Sin.: Echinorhynchus hamatus v. LINS- 
TOW, 1897 -i, p. 33, PI. V, fig. 
16-17. 
Gigantorhynchus hamatus PORTA, 
1908 -Arch. Paras, t. XII, p. 
277. 
Gigantorhynchus hamatus PORTA. 
1909 -Arch. Zool. t. IV, f. 2, p. 
258, Pl. V, fig. 19 a-b-c. 
Hab. : Intestino de: 

Potamochoerus larvatus CUV. 
Destr. geogr. : Madagascar. 

30) Prosthenorchis (s. 1.) curvatus (v. 

LINSTOW, 1897). 

Sin.: Echinorhynchus curvatus v. LINS- 
TOW, 1879 -i, p. 34, Pl. V, fig. 
24. 
Hab. : Intestino de : 

Eumeces algeriensis BOUL. 
Destr. geogr. : Madagascar. 



31) Prosthenorchis (s. i.) semoni (v. 
LINSTOW, 1898). 

Sin.: Gigantorhynchus semoni v. LINS- 
TOW, 1898- a, p. 471, P!. 
XXXV fig. 16 29. 
Gigantorhynchus semoni PORTA, 
1908 'Arch. Paras, t. XÍI, p. 
276. 
Gigantorhynchus semoni PORTA, 
1909 -Arch. Zool. t. IV, f. 2, p. 
257, Pí. V, fig. 17 a- b. 
Hab. : Intestino de : 

Peramelrs obesula SHAW. 
Destr. geogr. Australia. 

Especies da familia Gigantorhynchidae 
que não se pode estabelecer a subfa- 
milia. 

32) Giganthorynchus (s. I.) major 
(BREM8ER, 1811 . 

Sin. : Echinorhynchus major BREMSER, 

1811 -b, p. 26. 
Echinorhynchus major WESTRUMB, 

1821 -a, p. 9, Pl. II, fig. 11- 

15. 
Echinorhynchus major DU JARDIN, 

1845 -a, p. 500. 
Echinorhynchus major D1ES1NG, 

1851 - a, p. 21. 
Echinorhynchus major v. LINSTOW, 

1878 -a, p. 15. 
Echinorhynchus major v. LINSTOW, 

1897- i, p. 32, Pl. V, fig. 14 

15. 
Echinorhynchus major STOSSICH, 

1898 -c, p. 133. 
Echinorhynchus major LÜHE, 1904 

f, p. 250. 
Gigantorhynchus major PORTA, 

1908 -Arch. Paras, t. XII, p. 

279. 
Gigantorhynch a s major PO RT A , 

1909 -Arch. Zool. t. IV, f. 2, p. 

264, Pl. V, fig. 25 a-b. 
Hab.: Intestino de 

Erinaceus europacus L. 
Destr. geogr.: Europa. 



26 



Especies dúbias provavelmente da fa- 
milia üigantorhynchidae. 

33) Echinorhynchus (s. I.) macracanthus 

WESTRUMB, 1821 

Sin. : Echinorhynchus Charadrii pluvialis 
RUDOLPHI, 1819 a, p. 78 n. 
mui. 

Echinorhynchus macracanthus WES- 
TRUMB, 1821 a, p. 7, PL I, f. 
7, PI. Ill, fig. 27. 

Echinorhynchus mu craca nth us SCH- 
MALTZ, 1831 a, PI. XI, fig. 

Echinorhynchus macracanthus DU- 
JARDIN, 1S45 a, p. 517. 

Echinorhy nchus m a craca ni hit s 
QURLT, 1845 a, p. 270. 

EcJlinorhynchus macracanthus DIE- 
SING, 1851 -a. p. 23. 

Echinorhynchus macracanthus v. 
LIN STOW, 1878 «a, p. 135. 

Echinorhynchus Ci, aradrii plu via/is 
LÜHE, 1904 f, p. 189. 

irhync h u s m a era can thus 
LÜHE, 1904 f, p. 248. 

Qigantorhynchus compressas de 
\RVAL, 1905 a, p. 337, PL 
IV, fig. 124 133, 139 141, pr. 
part. 
Hub.: Intestino de: 

Charadrios pluvious L, 
geogr. : Europa. 

34) Echinorhynchus (s. I.) amphipachus 

WESTRUMB, 1821. 

Sin. : Echinorhynchus Erinaceus abdomi- 
nal is RUDOLPH I, 18)9 a, p. 76. 
nchus amphipachus WES- 
TRUMB, 1821 a, p. 4. 
Echinorhynchus amphipachus DU- 

JARDIN, 1845 a, p. 500. 
Echinorhynchus amphipachus DIE- 

0, 1851 a, p. 22. 
Echinorhynchus amphipachus v. 

■ , 187S ;,, p. 15 
jorhynchm amphipachus LÜHE, 
f, p. 170. 



Echinorhynchus Erinaceus abdomi- 
nal,* LÜHE, 1904-f, p. 202. 

Echinorhynchus amphipachus 
PORTA, 1 90S -Arch. Paras. XII, 
p. 280. 

Echin o rhy nchus a mp h ip achus 
PORTA, 1909 -Arch. Zool. t. 
IV, f. 2, p. 265. 
Hab. : Mesenterio de : 

Erinaceus europeus L. 
Destr. geogr.: Europa. 

35) Echinorhynchus (s. I.) cunïculi BEL- 
LINGMAM, 1844. 

Sin. : Echinorhynchus cunicuU BELLIN- 

GHAM, 1844 -a, p. 260. 
Echinorhynchus cuniculi DI ES 1 NG , 

1851 -a, p. 51. 
Echinorhynchus cuniculi v. LINS- 

TOW, 1878 -a, p. 28. 
Echinorhynchus cuniculi RAILLIET. 

1895- a, p. 571. 
Echinorhynchus cuniculi PERRON- 

CITO, 1901 -a, p. 531. 
Echinorhynchus cuniculi PORTA, 

1908 -Arch. Paras, t. XII, p. 2S0. 
Echinorhynchus cuniculi PORTA, 

1909 Arch. Zool. t. IV, f. 2, 
p. 205. 

Echinorhynchus cuniculi GEDO- 
ELST, 1911 -Sin. de Paras, p. 
136. 
Echinorhynchus cuniculi NEVEU- 
LEMA1RE, 1912 -Paras, des An. 
dom. p. 845. 
Hab. : Intestino de : 

Lepas (Lepas) cuniculus dom. L. 
Destr. geogr. : Europa. 

36) Echinorhynchus (s. I.) putorii 
MOLIN, 1858. 

Sin.: Echinorhynchus putorii MOLIN, 
1859 e, p. 296. 
Echinorhynchus putorii DIESING, 

1859 e, p. 271. 
Echinorhynchus putorii MOLIN, 
1861 c, p. 275. 



27 



Echinorhynchus putorii v. LINSTOW, 

1878 -a, p. 39. 
Echinorhynchus putorii PARONA, 

1894 -a, p. 251. 
Echinorhynchus putorii PORTA, 
1908 -Arch. Paras, t. XII, p. 281. 
Echinorhynchus putorii PORTA, 
1909- Arch. Zool. t. IV, f. 2, p. 
267. 
Hab. : Intestino de : 

Putorius (Putorius) putorius L. 
Cavidade abdominal de: 

M lístela sp. ? 
Destr. geogr. : Europa. 

37) Echinorhynchus (s. I.) homïnïs 
LAMBL, 1859. (1). 

Sin.: Echinorhynchus hominis LAMBL, 
1859 -a, p. 45. 

Echinorhynchus homonis SCHNEI- 
DER, 1871 -a, p. 2. 

Echinorhynchus hominis v. LINS- 
TOW, 1878 -a, p. 3. 

Echinorhynchus hominis LEUCKART 
1880- b, p. 729. 

Echinorhynchus hominis BLAN- 
CHARD, 1890- a, p. 93. 

Echinorhynchus hominis RAILLET, 
1895- a, p. 571. 

Echinorhynchus hominis MON1EZ, 
1896-a, p. 419. 

Echinorhynchus hominis M1NGAZ- 
ZINI : 1898 -a, p. 230. 

Echinorhynchus hominis BRA UN, 
1903-Thier Par. p. 310. 

Echinorhynchus hominis PERRON- 
CITO, 1901 -a, p. 530. 

Echinorhynchus hominis BRAUN, 
1908-Thier Paras, p. 348. 

Echinorhynchus hominis PORTA, 
1908- Arch. Paras, t. XII, p. 281. 

Echinorhynchus hominis PORTA, 
1909 -Arch. Zool. t. IV, f. 2, p. 
26S. 



(1) A maioria dos autores modernos acreditam, que 
esta especie seja idéntica ao M. hirudinaceus. 



Echinorhynchus hominis GEDO- 
ELST, 1911 -Sin. Paias. p. 136. 
Hab. : Intestino de : 

Homo sapiens L. 
Destr. geogr. : Europa. 

38) Echinorhynchus sp. ? WELD, 
1861. (1). 

Sin. : Echinorhynchus sp. WELD, 

1861 -a, p. 236. 
Echinorhynchus sp. v. LINSTOW, 

1878 -a, p. 40. 
Echinorhynchus sp. PORTA, 1908- 

Arch. Paras, t. XII, p. 281. 
Echinorhynchus sp. PORTA, 1909 

Arch. Zool. t. IV, f. 2, p. 267. 
Hab. : Mesenterio de : 

Foetorius vulgaris BRISS. 
Destr. geogr. : Egypto. 

39) Echinorhynchus (s. I.) depresses 
NITZSCH, 1866. 

Sin. : Echinorhynchus depressas NITZSCH, 
in GIEBEL, 1866 -a, p. 268. 
Echinorhynchus depressas v. LINS- 
TOW, 1878 -a, p. 38. 
Echinorhynchus depressus I-'ORTA, 
190S Arch. Paras, t. XII, p. 2£0. 
Echinorhynchus depressus «PORTA, 
1909 -Arch. Zool. t. IV, f. 2, p. 
267. 
Hab. : Tunica do duodeno de: 

M ust ela foi na ERXL. 
Destr. geogr. : Europa, 

40) Echinorhynchus (s. I.) pseudoseg- 
mentatus KNUEPFFER, 1888. 

Sin. : Echinorhynchus pseudosegmentatus 
KNUEPFFER, 1888 -a, p. 10, 
PL H, fig. 26, 39. 



(1) Este parasito emais os de nome amphipachus e 
depressus foram descritos de formas larvarias e so estu- 
dos bem detelhados poderão resolver se de fato são boas 
especies. Nas mesmas condições estão ainda os seguintes : 
ricinoides RUDOLPHI, 1 808, comíeis RUDOLPHI, 1S19, 
cariaciae RUDOLPHI, 1819, uromastiás FRAINPONT, 



28 



( muito mal des. rita c representada pa- 
rece »er mia um EtUnorkym 

■ ■■' iiidulas prostati- 
tis o numero dl 

HUX- 
■ 
•ticionado por tagaao como Editnorhynduu 
| 

l« 4 de Abril d • 



Echinoríiynchus pstudost çmentãtus 
v. I INST< >\ p. 9. 

txhinoi hynchas tentatus 

PORTA, HW8 \rcl.. Paras, t 
XI!, p 

Eclitnorhv. iostgmentatns 

POR1 V 1 09 Arch. Zool. t. IV, 
f. 2, p. 2<X). 
/A;'-. .- Intestino do: 

Spcrmophãus (Spermopkilas) afil- 
ias WAONI R. 

41) Gigantorhynchus (s. I.) asturínus 
JOHNSTON, 1013. (1) 

Sin. : Gig intorhynchtts aslurinus JOMNS- 
1913 Auii. Inst of Trup. 
M. I. Rec of 191!. p. 93. pi. 
XVII, tig. 38 41. 

DELENDA 

Ecblnorhynchtts pardi MUXLEYin 
v. IMERING, 1902. (2). 

Sin.: Echinorhyndws pardi HUXLEY 

in v. IMERING, 1902 a, p. 15. 

Eekinorhynchus pardi PORTA, 

1 90S -Arch. Paras, t. XII, p. 202. 

Echinorhynchns pardi PORTA, 

1909- Arch. Zool. t. IV, f, 2, 

p. 2Ó9. 

Hab.: Fel 

br. geogr.: Brazil. 



Das espedea mencionadas em nosso en- i 
lo encontradai no Brazil 16, das 
quais, apenas de duas nào conseguimos obser- 
var nenhum exemplar; d*stas resumiremos as 
e reproduziremos as me- 



lhores figuras, emquanto das outras daremos 
descrição detalhada acompanhada de dese- 
nhos, fotografias e microfotografias. 

Como nossas pesquisas tiveram que se 
sinjir á maior ou menor quantidade de matéria! 
que despun hamos de cada especie, nem todas 
foram convenientemente estudadas. Na descri- 
ção das especies seguimos a ordem indicada 
pelas afinidades sistemáticas tomando como 
ponto de partida o tipo da familia, isto é, o 
G. echinodicus. Daí resultou, não serem a? 
primeiras especies descritas as mais bem es- 
tudadas e por isso indicamos como descrição 
tipo as das P. clegans e ti. microcephala. 

Lista das especies de Gig: ntorhynchidae 
encontradas no Brazil. 

1) Gigantorhynchm echinodiscus (DIE- 

SING, 1851) HAMANN, 1892. 

2) Empodius vaginatus (DIESING, 

1851) TRAVASSOS, 1917. 

3) Moniliformis moniliformis (BREM- 

SER, 1811) TRAVASSOS, 1915. 

4) Oligacanthorhynchus spira (DIE- 

SING, 1851) TRAVASSOS, 1915. 

5) Oligacanthorhynchus taenioides 

(DIESING, 1851) TRAVASSOS, 
1915. 

6) Oligacanthorhynchus iheringi TRA- 

VASSOS, 1916. 

7) Hamanniella microcephala (aUDOL- 

PHI, 1819) TRAVASSOS, 1915. 

8) Hamanniella carinii TRAVASSOS, 

1916. 

9) Prosthcnorchis elegans (RU DO Li M II, 

1819) TRAVASSOS, 1915. 
9) Prosthenorchis spirula (OLPHES, 

1819) TRAVASSOS, 1915. 
10) Prosthenorchis novelai (PARONA, 

1890) TRAVASSOS, 1917. 
1 1 ) Prosthenorchis luehci TRAVASSOS, 

1916. 

12) Prosthenorchis avícola TRAVASSOS, 

1916. 

13) Macracanthorhynchus hiru diñarais 

(PALLAS, 1781) TRAVASSOS, 
1916. 

14) Grieteóla oncicola (v. IHERING, 

1892) TRAVASSOS, 1916. 



29 



15) PardaÜs parda/is (WESTRUMB, 
1821) TRAVASSOS, 1917. 

Genero Gigaiitorhynchus 
HAMANN, 1892. 

Sin.: Echitwrhynchns ZOEGA, in MÜL- 
LER 1776, pro parte. 

Gigantorhynchidœ grandes e de corpo 
com aparência de segmentação; tromba ru- 
dimentar tendo apenas duas series transver- 
sais de ganchos de dupla raiz; pescoço pre- 
sente, guarnecido de numerosos ganchos pe- 
quenos; leniscos filiformes, muito longos e 
com numerosos núcleos ; testículos elipsoides, 
situados na extremidade livie; glândulas pros- 
taticas quasi esféricas e muito destacadas 
umas das outras. 

Habitat: Intestino de mamíferos infe- 
riores. 

Esp. tipo: Gigantorhynchus echinodiscus 
(DIESING, 1851). 

Só é conhecida uma especie deste 
genero. 

Gigaiitorhynchus echinodiscus 
(DIESING, 1851). 

(Est. I, fig. 1-7 ; Est. XI, fig. 57-58; Est. XXV, fig. 145). 

Comprimento: 9 150 a 220 mm.; cf 50 
a 75 mm. 

Largura: $ 1,5 a 3 mm.; d" 1 a 2 mm. 

O corpo (fig. 57-58) é aparentemente 
anelado, quasi cilindrico, diminue de diáme- 
tro progressivamente para as extremidades, 
a maior largura, porém, fica muito mais pró- 
xima da extremidade genital que da fixa. 

A tromba (fig. 2-3) é muito reduzida; é 
guarnecid?. de 18 ganchos dispostos em duas 
ordens, a primeira com 6 e a segunda com 
12. Os ganchos da primeira ordem (fig. 4) 
são mais robustos e suas raízes apicais são 
fendidas lonjitudinalmente (fig. 5); nestes 
ganchos a raiz apical ë mais forte que a basal; 
os ganchos da segunda ordem são um pouco 
¡nais fracos, neles a raiz basal é mais forte 
que a apical. Em ambos os tipos de ganchos 
existe uma saliência logo acima da raiz apical 
(fig. 4). 



Dimensões dos ganchos : 

Distancia da extre- Distancia entie as 
uúdade livre á da extremidade* dfi> 
raiz apical. raízes. 

Ganchos da 1» serie 

transversal. 0,20 mm. 0,13 mm. 

Ganchos da 2» serie 

transversal. 0,15 mm. 0,08 mm. 
Ganchos do pes- 
coço. 0,04 mm. 

A tromba é retratil dentro do pes- 
coço. 

O pescoço (fg. 2) mede 1 mm. de 
comprimento por 0,5 mm. de largura e 
é guarnecido por numerosos ganchos, muito 
pequenos (fig. 4); apresenta uma lijeira 
cun atura de concavidade ventral o que 
desloca a tromba do eixo lonjitudinal do 
corpo. 

A parte do corpo em relação com o pes- 
coço tem a cuticula mais dura, lisa e 
sem vestijios de anelação, numa extensão de 
4 a 5 mm. a partir do pescoço. Esta parte 
assim modificada parece destinada a ser in- 
troduzida entre os tecidos do hospedador. 

As paredes do corpo têm «estrutura muito 
carateristica e diversa de todos os outros 
Gigantorhynchidœ que temos examinado. 
Têm estrangulamentos de modo a, sobretudo 
na metade proboscidiana, simular anelações; é 
constituida de fora para dentro por uma cu- 
ticula anista e muito especa e por músculos 
dispostos em 3 camadas nitidamente visíveis. 

A primeira camada ou cortical, é exclu- 
sivamente constituída por fibrilas musculares 
dispostas, em grande parte, em sentido trans- 
versal de modo a constituir um forte muscu- 
lo anular. 

Na segunda camada a direção predomi- 
nante das fibrilas é a radial ; aí se encontram 
as lacunas que são de dimensões muito re- 
duzidas e pouco numerosas; existem também 
aí os núcleos das células musculares, os 
quaes são de dimensões reduzidas e relati- 
vamente numerosos; estão isolados e espar- 
sos entre as fibrilas musculares. Estas duas 
primeiras camadas musculares são de espes- 
sura equivalentes e não têm uma linha muito 
nitida de separação. 



so 



Separando a segunda carnada muscular 
da terceira existe um revestimento conjunti- 
vo, o qual se insinua entre os prolongamen- 
tos musculares das grandes células que 
constituem a terceira camada muscular; esta 
camada é constituida por numerosos múscu- 
los chatos e largos, dispostos lonjitudinal- 
mente uns contra os outros como se vê na 
íig. 145. Estes músculos s?.o prolongamentos 
diferenciados de grandes células que estão 
»ituadas na cavidade do parasito. 

Cada uma destas grandes células apre- 
senta varios destes prolongamentos diferen- 
ciados. Além destes prolongamentos as 
camadas periféricas do protoplasma destas 
células acham-se diferenciadas em fibrilas 
musculares. 

Cada u"i destes prolongamentos muscula- 
res são constituidos por duas camadas de fi- 
brilas musculares como se fossem formados 
por grandes pregas da camada periférica fi- 
brilar do protoplasma. Existem também, mas 
nem sempre alguns músculos anulares 
dispostos entie a separação conjuntiva 
da segunda camada e os músculos lonjitudi- 
nais que acabámos de descrever. 

Este dispositivo da camada muscular in- 
terna da parede do corpo do G. echinodiscus, 
é comparável a dos demais Gigantorhynchi- 
(Ur, mas apresenta, como veremos estudando 
as outras especies, diferença de aspeto, incon- 
fundhel, não só pela disposição lamelosa 
destes músculos, como pela redução maxima 
dos músculos anulares, que como dissemos 
acima, são muito reduzidos. 

Os leniscos (fig. 1) são filiformes, cilín- 
dricos e com numerosos núcleos; medem 20 
a 30 mm de comprimento. 

Os órgãos genitais machos (fig. 1) ficbm 
situados na extremidade livre do parasito e 
ocupam apenas uma quarta parte de sua ex- 
tensão. Os testículos são elipsoides, muito 
alongados r medem cerca de 6 a 8 mm. de 
comprimento por 0,5 a 0,8 de largura maxi- 
ma. As glândulas prostaticas, em numero de 
8, são esféricas ou lijeiramente elipsoides, bem 
separadas umas das outras, ocupam na cavi- 
dade do paras to uma extensão de 4 a 5 mm. 



e medem 0,5 a 0,6 mm. de diâmetro. Em se- 
guida ás glândulas prostaticas fica o canal 
ejaculador que, reunido áos excretorps destas, 
forma um conjunto volumoso, claviforme, com 
cerca de 1,5 a 2 mm. de comprimento. A 
bolsa copuladora é regularmente desenvol- 
vida. 

O ovejector (fig. 6) tem dimensões redu- 
zidas; a campainha apresenta diverticulos em 
fundo de saco como todas as especies desta 
familia ; os ovario-uteros têm a mesma cons- 
tituição das outras especies e se estendem 
em todo o comprimento do parasito ; os 
ovos (fig. 7) têm 3 envolucros concêntricos e 
são de superficie rugosa, medem cerca de 
0,064 mm. de comprimento por 0,042 mm. 
de largura maxima. 

O desenvolvimento é desconhecido. 

Habitat: Intestino de : 

Tamanduá tetradactyla (L.) 
Ciclopes didactylus (L.) 
Myrmecophaga jubata L. 

Em nosso catalogo não foi mencionado 
este ultimo hospedeiro. 

Trabalhámos no seguinte material : 

Proveniencia ignorada. Col. por O. de FARIA. 

Angra dos Reis— Tamanduá tetradactyla, Col. por 
TRAVASSOS & CUNHA, 1913. 

Instituto Pasteur de S. Paulo— Tamanduá tetradactyla. 
Col. por CARINI & MACIEL, 1915. 

Instituto Pasteur de S Paulo— Myrraecophaha jubat.i 
L. Col. por CARINI, 1913. 

Museu Paulista n. 128— T. tetradactyla— Col. por 
DREHER. 

Museu Paulista n. 129— T. tetradactyla— Col. por 
DREHER. 

Instituto Bacteriolojico de S. Paulo— Tamanduá sp. 
Col. por LUTZ (varios frascos). 

Genero Empodius TRAVAS- 
SOS, 1916. 

Sin. : Echinorhvnchus ZOEGA, in MUL- 
LE R, 1776 p. part. 
Gigantorhynchits HAMANN, 1892. 
p. part. 
Gigantorhynchidœ de dimensões medias, 
de tromba bem desenvolvida e guarnecida 
por fortes ganchos de uma só raiz; pescoço 
presente, guarnecido de pequenos ganchos ; 
leniscos pouco longos e um pouco achatados, 



31 



com numerosos núcleos; testículos ovoides, 
um em seguida ao outro e situados perto da 
extremidade genital; glándulas prostaticas 
reniformis, situadas em seguida ao testículo 
distal e mais ou menos dispostas aos pares. 

Habitat: Intestino de aves. 

Esp. tipo : Empodius empodius (SKRJA- 
BIN, 1913). 

Deste genero são conhecidas 5 especies 
das quaes está bem estudada apenas uma, o 
E. otidis; de uma não se conhece a distri- 
buição geográfica. Apenas uma provém do 
Brazil. 

Empodius vaginatus (DIESING, 1851). 

(Est. XVII, fl{. 104 e 105). 

Comprimento: 25 a 40 mm. 
Largura maxima: 1,6mm. 
Corpo muito alongado, subcilindrico, en- 
grossando progressivamente para a extremi- 
dade genital e tendo uma dilatação na extre- 
midade probocidiana; extremidade livre obtu- 
sa e achatada ; sistema lacunar formando uma 
rede de malhas estreitas e poligonais; pes- 
coço presente, cónico, com cerca de 0,22 mm. 
de comprimento por 0,22 de menor e 0,40 
mm. de maior diâmetro, "parece ser nú"; 
tromba cónica, lijeiramente estreitada na 
parte media, com 0,24 mm. de comprimento 
por 0,16 mm. de largura, é guarnecida por 
12 series lonjitudinais de 5 a 6 ganchos del- 
gados, agudos e ondulados; os ganchos tem 
uma só raiz, de direção basal e formam com 
a tromba um angulo de cerca de 80» os mais 
epicais e de 30° os mais basais; medem: a 
lamina cerca de 0,058 mm. , a raiz 0,045 mm. 
de comprimento por uma largura, ao nivel da 
curvatura, de 0,008 mm. 

Os ovos não foram observados. 
Habitai: Intestino de: 

Dolichonix oryzivorus (L). 

Ptero gloss us vi ti d is (L.) 

Rupicola crocea VIEIL. 

Rhamphastus culminatus GULD. 

Desta especie não obtivemos material e damos aqui 
a descrição de L. de MARVAL que trabalhou com os 
tipos de DIESINO. 



Este autor não poude observar bera o pescoço sobre 
o qual diz: "Il parait être absolument nu". Também não 
se refere aos órgãos genitais machos. Contudo ela tem 
afinidades indiscutíveis com o E. empodius e por isso o 
incluimos no genero desta até que seja melhor estu- 
dada. 

Genero IVIoliformis TRAVAS- 
SOS, 1915. 

Sin. : Echinorhynchus ZOEGA, in MÜL- 
LER, 1776, pr. part. 
Gigantorhynchus H AMAN M, 1892, 
pr. part. 

Gigantorhynchidœ de dimensões medias, 
de corpo moniliforme ; tromba bem desenvolvi- 
da, retratil na extremidade do corpo, com nu- 
merosos ganchos muito pequenos e de uma 
só raiz de direção basal ; pescoço ausente ; 
leniscos filiformes, longos e com numerosos 
núcleos ; testículos elipsoides, de poles muito 
grossos, situados muito próximos da extre- 
midade genital; glândulas prostaticas quasi 
esféricas, muito próximas umas das outras, 
de modo a custar distinguil-as. 

Habitat: Intestino de roedores. 

Esp. tipo: Moniliformis moniliformis 
(BREMSER, 1811). 

São conhecidas apenas duas especies 
deste genero, das quais só uma é encontra- 
da no Brazil. 

Moniliformis moniliformis (BREMSER, 
1811). 

(Est. II, fig. S-14; Est. XI, fi?. 59-61 ; Est. XIII, fig. 
106-109). 

Comprimento: $ 100a 110 mm.; d" 60 a 
80 mm. 

Largura: $ 1,5 mm.; d" 1 a 1,5 mm. 

O corpo (fig. 59-61) é aparentemente 
anelado, sendo que, muitas vezes, as pseudo- 
segmentos se dilatam na parte media de 
modo a ficarem subesfericas, o que dá ao 
parasito aspeto moniliforme. O diâmetro é 
quasi uniforme, diminuindo para as extremi- 
dades e ficando a maior largura perto da ex- 
tremidade genital ; nos machos a diferença 
de diâmetro é mais acentuada. 

A tromba (fig. 11) é bem desenvolvida, 
tem numerosos ganchos, dispostos em 14 filas 



32 



Irmjitudln.iis de cerca de 15 ganchos. Os 
canchos (fig. 12) têm todos mais ou menos 
a mesma forma e dimensões, comtudo os da 
extremidade e da base são um pouco meno- 
res que os demais; só têm uma raiz que é 
basal, suas dimensões são muito reduzidas ; 
medem 0,024 a 0,028 mm. da extremidade 
livre á da raiz. 

Nio ha pescoço e a tromba se retrai na 
extremidade do corpo; nos exemplares muito 
novos, porém (fig. 9)ela é em parte invajina- 
vel, isto é, a metade distai se invajina na 
metade ba>al (fig, 10). A tromba fica situada 
■o eixo lonjitudinal do corpo. 

Os primeiros 8 mm. da extremidade fixa, 
do parasita, têm a cutícula mais espessa e 
Hm. 

sistema lacunar é representado por 
uma grande lacuna lonjitudinal, a qual pode 
se desdobrarem duas ou tres (fig. 106-109), 
e por lacunas anulares, de menores dimensões, 
que se anastomasam entre si. 

1 h leniscos (fig. 8-9) são filiformes, ci- 
lindricos e com lijeiras dilatações ao nivel dos 
núcleos, que são numerosos ; medem mais 
ou menos 10 mm. de comprimento e algumas 
vezes um deles fica enrolado junto á bainha 
da tromba. 

O aparelho genital macho fica situa- 
do na extremidade livre e ocupa apenas 
uma sexta parte da cavidade do helminte. 
Os testículos são fusiformes, quasi cilindri- 
cos e de polos obtusos ; medem mais ou 
menos 2,5 a 3 mm. de comprimento por 0,8 
de largura maxima. As glándulas prosíaticas 
>ão em numero de 8, muito pequenas e muito 
próximas, de forma primitivamente esférica ou 
mais ou menos elipsoides, porém, deforma- 
das pelas compres. ões reciprocas; seu con- 
junto é de [orina ovoide com 1,5 mm. de 
comprimi nt<> por 0,6 de maior largura. O 
canal ejaculador é pouco longo, geralmente 
curvo em arco, mede cerca de 0,8 a 1 mm. 
de comprimento; tem na extrrmklade distai 
uma dilatação esférica pouco desenvolvida. A 
bolsa copuladora é pequena. 

ocupam toda 
a extensão do corpo; o DVCJector é de dimen- 



sões reduzidas e como nas demais Giganta- 
rhynchidœ apresenta dois diverticulos recur- 
rentes e fechados em fundo de saco. 0< 
ovos (fig. 13), de tres envolucros concentricus, 
têm a superficie rugosa e medem 0,124 a 
0,127 de comprimento por 0,071 a 0,074 de 
maior largura. 

O desenvolvimento larvario se realiza em 
insetos (Coleópteros e Orthopteios), nos 
quais uma vez os ovos injeridos, de mistura 
com outras substancias de que se alimentam 
estes insetos, põem em liberdade larvas que 
atravessam as paredes do tubo dijestivo indo 
se enquistar na cavidade geral, onde ter- 
mina o desenvolvimento larvar. Os quistos 
larvarios são mais ou menos cordiforme?, 
quasi circulares, tendo em seu interior uma 
larva (fig. 14) chata, cordiforme, medindo 
cerca de 0,5 a 0,8 mm. de maior diâmetro, 
que é constituida de duas partes laterais del- 
gadas e de outra central, fusiforme, cujos poios 
são marcados por depressões do contorno ex- 
terno, onde se pode observar os rudimentos da 
tromba e dos demais órgãos. Quando o in- 
selo portador de larvas é injerido por um 
animal hospedeiro definitivo, as larvas postas 
em liberdade pela dijestão de seus quistos, 
desenvajinam a tromba e se fixam ás paredes 
do intestino onde concluem seu desenvolvi, 
mento tornando-se adultos. 

Habitat: Adulto no intestino de: 

Ho/no sapiens L. 

Eliomys quercinus (L.) 

Ciurus (Paraciurus) niger L. 

Cricctns (Cricctus) criectus (L.) 

Mus (Epimys) albipes RUEPPEL 

Mus (Epimys) norwegicus ERXL. 

Mus (Epimys) rattus L. 

Microtus (Mirrotus) arvalis PALL. 

Canis (Canis) familia ris L. 

Lepas (Lepas) sinaiticas HEMP. & 
EHRENB. 

Erinaceus algirus CUV. 

Citellus (Callospermophilus) richar- 
rísoni (SOB.) 
Larva na cavidade geral de: 

Blaps mucronata LATR. 

Periplancta americana L. 



33 



Além destes hospedeiros já foi encontra- 
do no estomago dos seguintes animais, pelos 
quais tinha sido injerido já adulto, jun- 
tamente com os hospedeiros definitivos: 

Pudorius (Puctorius) puctorius (L.) 

Circus pygargus (L.) 

Citellus (C.) richardsoni não foi mencionado no ca- 
falogo. 

E' o seguinte o material em que trabalhámos: 

Mus (Epimys) norwegicus ERXL. Rio de Ja- 

neiro-XlI-908. Col. por G. de FARIA. 

Mus (Epimys) norwegicus ERXL. Mus. Paul. 

n. 29 Mariana. Minas— Col. por H. v. 

IHERINO. 

Periplaneta americana L. Prov. ignorada. 

Col. por G. de FARIA. 
Mus sp. ? Tucuman, Rep. Argentina— III— 

913.-Col. por A. NEIVA. 
Proveniencia ignorada— Mus. Paul. n. 134. 
Bahia Col. por O. TORRES. 

Genero Oligacanthorhyn- 
chus TRAVASSOS, 1915. 

Sin.: Echirwrhynchus ZOEOA, 1776 in 
MÜLLER, pr. part. 
Gigantorhynchus HAMANN, 1892, 
pr. part. 

Gigantorhynchidœ de dimensões medias 
ou grandes; de corpo quasi cilindrico, liso 
ou com pregas transversais irregulares; tromba 
bem desenvolvida, claviforme, armada de 
ganchos pouco numerosos situados na parte 
dilatada; ganchos fortes, de dupla raiz, exce- 
to os mais basais; pescoço ausente; leniscos 
filiformes, longos e com numerosos núcleos; 
testículos bem desenvolvidos, elipsoides, si- 
tuados perto da extremidade genital, próxi- 
mos ; glándulas prostaticas em numero de 8, 
elipsoides, de tamanhos diversos e dispostas 
duas a duas; o par mais proximo dos testí- 
culos é o menor, o segundo é um pouco maior, 
o terceiro ainda maior, o quarto menor que 
o terceiro e maior que os dois primeiros. 

habitat: Intestino de aves. 

Esp. tipo: Oligacanthorhvnchus spira (DIE- 
SING, 1851) 

São conhecidas apenas tres especies bra- 
zileiras deste genero, que são muito afins. 



Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 
1851). 

(Est. Ill, fig. 15-20; Est XI, fig 62-65) 

Comprimento: 9 170 a 200 mm.; cT 
90 mm. 

Largura: $ 1,5 a 2,5 mm.; ¿ 1 a 1,2 mm. 

O corpo (fig. 62-65) é liso ou com 
rugas transversais; geralmente quasi cilin- 
drico nos machos, é fusiforme nas fêmeas ; 
a parte mais dilatada fica mais próxima da 
extremidade genital, a probocidiana torna-sr 
entumecida quando a tromba está retraída. 

A tromba (fig. 16) fica situada no eixo 
lonjitudinal do corpo, é bem desenvolvida, 
claviforme, só apresentando ganchos na parle 
dilatada; os ganchos são pouco numerosos, 
porém muito fortes e providos de dupla raiz, 
exceto as duas series basais que têm como 
raiz uma dilatação arredondada; a tromba 
não é invajinavel, mas nos exemplares muito 
novos a metade distai pode se invajinar na 
metade basal (fig. 17). Os ganchos (fig. 18), 
são dispostos em simetria radial e em 
18 series lonjitudinais, são de 4 tipos princi- 
pais com as seguintes dimensões: 

Distancia da ex Distancia entre as 

Tipos de ganchos ^em^ade livre á extremidades das 
da raiz posterior raizes 

lo tipo 0,120 mm. 0,078 mm. 

2o tipo 0,120 mm. 0,074 mm. 

3° tipo 0,120 mm. 0,042 mm. 

4° tipo 0,119 mm. 

Pescoço ausente; a tromba se retrai na 
extremidade do corpo (fig. 16). 

Os leniscos (fíg. 15) são cilindricos, 
longos, podendo estar distendidos ou enrola- 
dos junto á bainha da tromba; medem 10 
mm. e mais de comprimento. Os órgãos ge- 
nitais dos machos (fig. 15) ficam situados na ex- 
tremidade genital; os testículos são elipsoides, 
muito próximos um do outro, medem mais 
ou menos 5 a 6 mm. de comprimento por 
0,7 a 0,8 mm. de maior largura. As glându- 
las prostaticas ficam logo em seguida aos tes- 
tículos, são elipsoides e dispostas duas a 
duas, tendo cada par um tamanho: o mais 
proximo do testículo, é o menor; o segundo 
um pouco maior; o terceiro é quasi do ta- 
manho dos dois primeiros reunidos; o quarto 



34 



é menor que o terceiro e maior que os pri- 
meiros; o canal ejaculador é longo e mede 
mais ou menos 3 mm. de comprimento; a 
bolsa copuladora é de dimensões regulares. 

O aparelho genital femeo é constituido 
por um o\ejecior pequeno, sendo a campai- 
nha provida, como nas demais representantes 
desta lunilla, de dois diverticulos em fundo 
de saco; a vulva é subterminal; os ovos 
(fig. 19) têm a superficie rugosa e são re- 
vestidos por 3 involucros concêntricos, medem 
0,07] mm. de comprimento por 0,046 a 0,050 
mm. de largura maxima. 

O desenvolvimento larvario se réalisa em 
. ertebrados de sangue frio, nos quais a larva 
emigra através das paredes do intestino e 
Ljanha o tecido conjuntivo ou mesmo as 
pregas do epiplon onde se enquista á espera 
de oportunidade para concluir a evolução. 

Os quistos novos se apresentara como 
corpúsculos brancoleiíosos, ovoides, de cerca 
de 2,5 mm. de comprimento por 1,5 mm. de 
largura maxima; a larva nele contida (fig 
20) é ovoide tendo a tromba invajinada, 
situada no polo maior. As larvas quando in- 
teiramente desenvolvidas atinjem mais de 5 
mm. de comprimento por 1,5 de maior 
largura, tomam então a forma de virgula. 
Habitat: Adultos no intestino de: 

Cat hartes papa (L.) 

Oenops urubu tinga (PELZ.) 

Oenops aura (L.) 

Catharistes atrain% (BARTRAM.) 
Larvas no peritoneo de: 

PhOodryas ofersi (LICMT.) 

Lachesis lanceolate, (LACEP). 

Lachesis neuwiedi (WAGL.) 

Boa constrictet L. 

Oxyrhophus cluelia (DAUD). 

Drymobius bifossatus (RADDI.) 

Xenodort merremii (WAGL.) 

■ p/ií\ kistriats (JAN.) 
Erytrolamprus aesctilapii L. 
Dtpsadomorphus den drophilus 

(BÓIE). 
Rhadinaea merremii (WIED.) 

O ollimo dot hospedeiro» nio foi mencionado em 
n<>sso catalogo. 



i Esta especie fol reunida a varias outras sob o nome 

de Oig. compressas por de MARVAL, o que levou-not 
a descrevel-a como nova em 1913. 

Sua forma larvaria tem sido confundida com a do 
O. taenioides e também com a do Chentrosoma tumidulus, 
sob o nome de Ech. oligacanthoides. Este fato faz com que 
mencionemos como hospedeiro das duas especies todos 
os do Ech. oligacanthoides. Talvez a forma larvaria do 
O. iheringi também esteja incluida no Ech. oligacanthoi- 
des. 

Trabalhamos no seguinte material : 

Oenops aura (L.). Tanque. Piauhy-Col. por NEIVA 
V-1912. 

Oenops aura (L.) Angra dos Reis— Col. por TRA- 
VASSOS & CUNHA, XII— 13 

Drymobius bifossatus— Manguinhos— Col. por TRA- 
VASSOS, VIII— 913 

Oenops urubutinga (PELZEN) Pernambuco— Col. por 
B. BARRETO, 1916. 

Rhadinaea merremii (WIED) S. Vicente-S. Paulo. 
IV-909. Mu-=. Paul. n. 294. Col. p. v. ADAME. 

Oligacanthorhynchus taenioides (DIE- 
SIOG, 1851) 

(Est. IV, fîg. 21-26; Est. XII, fig. 66-69; Est. XXV 
fig. 146). 

Comprimento: 9 140 a 230 mm; d" 100 
a 150 mm. 

Largura : 9 3 a 4 mm. ; d* 2 a 3 mm. 

O corpo (fig. 21, 66-69) é achatado la- 
teralmente e apresenta numerosas rugas trans- 
versais que dão ao parasito aspeto de ces- 
fode; o diâmetro é uniforme nos adultos, 
os novos têm as extremidades dilatadas 
(fig. 22); as extremidades terminam brusca- 
mente sobretudo a da tromba (fig. 23). 

A tromba (fig. 23-24) fica situada no 
eixo lonjitudinal do corpo, é bem desenvol- 
vida, claviforme, sendo guarnecida de ganchos 
apenas na parte dilatada; os ganchos (fig. 25) 
são pouco numerosos, porém muito fortes e 
apresentam duas raizes, exceto os mais basais; 
são dispostos em semitria radial, constituindo 
18 series lonjitudinais e são de 3 tipos 
principais com as seguintes dimensões: 

Distancia da ex- Distancia entre as 

Tipos de ganchos tremidade livre tt extremidade d»s 

da rulz apical raízes 

lo ''P 0, 56 0,120 

2 ° «Po 0.156 0,106 

3" tipo 0,134 

Pescoço ausente. Tromba retraindo-se na 
extremidade do corpo. Leniscos cilindricos, 



35 



regularmente longos e com numerosos núcleos, 
geralmente estão mais ou menos enrolados 
junto á bainha ch tromba. 

As paredes do corpo são, nesta especie, 
fortemente musculosas. A disposição das fi- 
brilas musculares permite destinguir quatro ca- 
madas principais. A primeira camada ou pe- 
riférica é muito estreita, exteriormente é re- 
vestida pela cutícula anista e seu epitelio, 
suas fibrilas são na maior parte de direção 
radial. A segunda camada é um pouco mais 
estreita que a primeira e caracterisa-se, sobre- 
tudo, pela predominancia das fibrilas de di- 
reção anular e por corar-se mais fortemente 
pelos corantes nucleares. Nas partes limítrofes 
com as camadas visinhas, ha uma maior con- 
densação de fibrilas acarretando coloração 
mais intensa, o que da aspeto de duas linhas 
concêntricas e paralelas como se ve na figu- 
ra 146. 

Estas duas primeiras camadas correspon- 
dem á primeira, da maioria das outras Gi- 
gantorhynchidœ, que vamos descrevendo. 

A terceira camada tem, aproximadamente, 
quatro vezes a espessura das duas primeiras 
reunidas; aqui a direção predominante das 
fibrilas é a radial. Nesta camada encontram-se 
as lacunas, que são constituidas por dois 
troncos principais, muito amplos e varios 
outros menores, lonjitudinais e transversais. 
Nesta camada muscular encontram-se também 
os núcleos, que, como na maioria das Gigan- 
torhynchidœ, constituem cadeas lonjitudinais. 
Estas cadeas nucleares, que no O. taenioides 
são em numero de quatro e dispostas aos 
lados das grandes lacunas, são constituidas 
por núcleos estelados que se unem por alguns 
de seus prolongamentos. A natureza nuclear 
destas formações é posta em evidencia quando 
são comparadas com os núcleos dos leniscos, 
que são isolados. 

A terceira camada muscular é limitada, 
internamente, por uma membrana de tecido 
conjuntivo que á une a quarta camada e 
reúne entre si os elementos desta, que são 
isolados e idênticos aos da terceira camada 
das outras especies. 



A quarta camada muscular é constituida 
por uma serie intermitente de músculos anu- 
lares e uma serie continua de músculos lon- 
jitudinais. Os músculos anulares estando dis- 
postos intermitentemente, dão ao corpo do 
parasito, o aspeto de acentuada anelação 
observado nesta especie. Os músculos lonji- 
tudinais, muito numerosos e fortes, tem a 
mesma constituição das outras especies, isto 
é, tem uma parte não diferenciada, onde se 
encontra o núcleo, saliente na cavidade geral 
e uma parte alongada e diferenciada em 
varios feixes de fibrilas. Estes feixes se en- 
trecruzam com os semelhantes de outras ce- 
lulas, aos quais são unidos por tecido con- 
juntivo, e constituem a maior parte da cama- 
da muscular interna. Estes prolongamentos 
musculares, trocam entre si feixes de fibrilas 
demodo a apresentarem, quando observados 
em cortes lonjitudinais, aspeto estriado. 

Os órgãos genitais dos machos (fig. 
21-22) ficam situados na extremidade livre 
do corpo; os testículos são elipsoides, quasi 
cilindricos, medem nos adultos de 3 a 4 mm. de 
comprimento por 0,5 a 0,8 mm de inaior largura ; 
as glândulas prostaticas, em numero de 8, são 
dispostas aos pares; suas dimensões variam, 
as mais juntas dos testículos são as menores 
e vão aumentando até o 3° par que é o 
maior, o ultimo é um pouco menor que o 
3°, porém maior que os dois primeiros. São 
mais ou menos estes, seus comprimentos: 1° 
par a partir do testículo, 0,7 mm.; 2° par 
0,9 mm; 3o par 1,5 mm. e finalmente o 4 o 
par 1,1 mm. O canal ejaculador mede cerca 
de 3 mm. e a bolsa copuladora é de dimen- 
sões regulares. 

No aparelho genital femeo nada observa- 
mos de carateristico; os ovos medem de 
0,071 a 0,078 mm. de comprimento por 0,056 
a 0,063 mm. de largura maxima e são reves- 
tidos de 3 involucros concêntricos. O desen- 
volvimento larvario se realiza em vertebrados 
de sangue frio nos quais as larvas se en- 
quistam no tecido conjuntivo. 

As larvas são muito semelhantes ás da 
especie precedente; são falsiformes, medem 
cerca de 5 a 15 mm. de comprimento por 
1 a 1,5 mm. de maior largura. 



36 



■it: Adulto no in'estino de: 
Caria ma cristata (L.) 
1 trvasno tecido conjuntivo das seguintes 
es: 

Lâchais lanaolatas (LA UR.) 
Laekesis neuwiede (WAOL). 
Drymobius bifossatas (RADDI). 
Oxyrophus doei ia (DAUD.) 

\ion marenü (WAGLER). 
Boa constrictor L. 
Lisírophts histrictts (|AN). 
Erytrolamprus cusculapii (L.) 
Di/>>ailornorphus dendrophilti; 

(BÓIE). 
Phíiodryas olfersi (L1CHT). 

Sobre os hospedeiros das larvas deve-se ver o que 
foi dito para a especie precedente. 

O material em que trabalhamos foi o seguinte: 

Cariama cristata (L.) Duro. Ooyaz. Col. por NEIVA 
MI MZ 

Cariama tristaia (L.i Lassance. Col. por FARIA. 
IV 910. 

Cariama cristata (L.) Lassance. Col. por TRAVAS- 
SOS. IX 

-Kus chelia DAUD. S. Paulo-.Mus. Paul. 298- 
IX 909. 

OHgacanthorhynchus ilieringi TRAVAS- 
SOS, 1916. 

E»t. VI, fig. 27 31; Est XII, fig. 70-73; Est. XXVI, 
fig. 147) 

Comprimento: 9 novas 32 a 60 mm., 
idttHas 75 a SO mm.; -,* 70 mm. 

Largura: 9 novas 1,5 a 2 mm., adultas 
2 a 2,5 mm. ; tf 1,5 a 2 mm. 

<."rpo lijeiramente fusiforme e com rugas 
transversais. Tromba (fig. 29 30) si- 
tuada no eixo lonjitudinal do corpo, bem 
desenvolvida e guarnecida por poucos e fortes 
m de dupla raiz, situados na metade 
radialmente (fig. 30). Os 
ganchos (fig. 28) são de tres tipos principais 
e dispostos em 18 series lonjitudinais; os dois 
primeiros tipos apresentam duas raizes e o 
terceiro tem como raiz uma dilatação. Tc-m 
as seguintes dime" 



Distancia du ex- DisUncia entro 
Tipos de ganchos trcmi.iade livre a extremidade 



da rala apical 
1- tipo 0,156 

2 tipo 0,127 

3o tipo 0,106 



0,127 
0,056 



Pescoço nulo. Leniscos cilindricos e 
longos de cerca de 4 a 8 mm., algumas 
vezes enrolados junto á bainha da tromba. 

As paredes do corpo são de musculatura 
forte, porém muito menos forte que na espe- 
cie precedente e nela pode-se distinguir ni- 
tidamente tres camadas musculares (fig. 147). 
A primeira fica em seguida a cutícula e ao 
epitelio subcuticular, é muito densa e su&s fi- 
brilas tem direções varias predominando 
porém as anulares. 

A segunda camada, que constitue a maior 
parte da parede do corpo, diminue de den- 
sidade progressivamente para dentro e tem 
a maior parte das fibrilas dirijidas radialmen- 
te. E' na parte mais interna desta camada que 
se encontram as lacunas. Estas constam de 
dois grandes troncos lonjitudinais medianos 
e muitas outras menores, de direção lonjitu- 
dinal e transversal. Observa-se ainda nesta 
camada, núcleos, dispostos em quatro cadeias 
lonjitudinais semelhantes as da especie pre- 
cedente. 

A terceira camada é separada da segun- 
da por uma membrana conjuntiva e é cons- 
tituida, como nas demais especies, por mús- 
culos dispostos em duas series: a externa 
anular e a interna lonjitudinal. Estes múscu- 
los, ainda como nas outras espécies, são cons- 
tituidos por prolongamentos diferenciados de 
grandes células que fazem saliência na cavi- 
dade do paras'to. Nesta especie as duas series 
de músculos da terceira camada se equivalem 
e são muito mais densas que na especie pre- 
cedente, mas, mais delgadas. 

Os órgãos genitais dos machos (fig. 27) 
ficam situados na extremidade livre do corpo e 
ocupam uma terça parte da cavidade; os tes- 
tículos são elipsoides e medem cerca de 3 
mm. de comprimento por 0,8 a 1 mm. de 
maior largura; as glândulas prostaticas, e.n 
numero de 8, são dispostas irregularmente 
aos pares, elipsoides, pequenas e medem 



37 



cerca de 0,8 a 1 mm. de comprimento por 
0,4 a 0,5 mm. de largura maxima; o conjun- 
to mede mais ou menos 6 mm. de compri- 
mento; o canal ejaculador é bem desenvol- 
vido e mede cerca de 3 mm. de comprimen- 
to; a bolsa copuladora é grande. 

O aparelho genital femeo é como nas 
outras Gigantorhynchidœ; a abertura exterior 
é subterminal ; os ovos (fig. 31) são elipsoi- 
des, de tríplice envolucro e medem mais ou 
menos 0,056 a 0,054 mm. de compri- 
mento por 0,042 a 0,043 de maior largura. 
Desenvolvimento desconhecido. 
Habitat: Intestino de: 

Geranospiza caerulescens (VIEILL.) 
Urubntinga zonara (SCHW.) 
Harpyaliaetus coronatus (VIEILLE 
Busarellus nigrícolis (LATH.) 
Tachytríorchis albicaudatus (VIEILL.,) 
Leptodon cayennensis (GM.) 
Heierospizias merídionalis (LATH.) 

Deixamos de mencionar no catalogo o ultimo hos- 
pedeiro acima referido. 

Esta especie foi confundida, por DIESING, com o 
lagenaeformis de WESTRUMB, especie do Velho 
Mundo. E' especie muito próxima das duas precedentes, 
porém distingue-se facilmente delas pelas dimensões e 
aspeto do corpo e forma dos ganchos. Daquelas especies 
temos exemplares novos que comparados com os desta, 
ve-se que é fácil a distinção pela forma do copo, pois 
no spira os novos são cilindricos, no taenioides são 
geralmente dilatados nas extremidades emquanto nesta 
são fusiformes, comtudo é da ultima que mais se apro- 
xima. 

Trabalhamos no seguinte material: 

Falcónidas — Piauhy — Col. por FARIA— VIII— 912 
(exemplares novos). 

Leptodon cayennensis. -S. Paulo, Col. por H. v. 
IHERING— 13— VI-906 (Mus. Paul. N. 138). 

Heierospizias merídionalis (LATH.) Lassance— Col. 
por TRAVASSOS IX— 916. 

Dedicamos esta especie ao Prof. Dr. HERMANN v. 
IHERING. 

Genero Hanianniella TRA- 
VASSOS, 1915 



Sin. 



1776, 



1892, 



Echinorhynchus ZOEQA, 

in MÜLLER pr. part. 
Giga rito rhynchus HAMANN, 

pr. part. 
Hamania TRAVASSOS, 1915, nee 

RAILLIET, HENRY & SISSOFF 

1912. 



Gigantorhynchidœ de grandes dimensões 
e com fortes rugas transversais; tromba com 
5 a 6 series transversais de ganchos de dupla 
raiz; pescoço nulo; leniscos longos, cilindricos 
e com numerosos núcleos; órgãos genitais 
machos situados na metade posterior do 
corpo, testiculos elipsoides e muito afastados 
um do outro; glândulas prostaticas justapos- 
tas, claviformes e de dimensões diversas. 

Habitat: Intestino delgado de Masurpia- 
lia e Edentata. 

Esp. tipo: H. microcephala (RUDOLPH!, 
1819). 

Só são conhecidas duas especies deste 
genero. 

Hamanniella microcephala (RUDOLPHS, 
1819) 

(Est. VI, fig. 32 -3õ; Est. XIII, fig. 74=75; Est. XVI. 
fig. 95; Est. XVIII, fig. 110-112; Est XIX, fig 113-120) 

Comprimento: $ 200 a 340 mm.; d" 150 
a 200 mm. 

Largura: $ 8 a 10 mm; d" 2 a 3 mm. 

Corpo com fortes rugas transversais, so- 
bretudo na femea, fusiforme e enrolado em 
espiral. A seção é elitica devido a um acha- 
mento lateral. Esta disposição da ao corpo 
duas faces e dois bordos pelos quais correm 
grandes lacunas, salientes no exterior como 
cordões lonjitudinais; nos machos esta dis- 
posição é menos acentuada. A maior largura 
do corpo fica na parte media, um pouco 
mais próxima da extremidade livre que da 
fixa. 

A tromba (fig. 34) é claviforme, muito 
pequena proporcionalmente ao corpo, tem 
ganchos só na parte mais dilatada. Estes são 
de dupla raiz exceto os mais basais; são de 
3 tipos principais (fig. 33) e tem as seguin- 
tes dimensões: 

Distraicia entre a Distancia entre as 

Tipos de ganchos extremidade livre extremidades das 
e á da raiz apical raíaes. 

1 tipo 0,132 mm. 0,084 m . 

• 2o tipo 0,100 mm. 0,030 mm. 

3 o tipo 0,072 mm. 

O pescoço é nulo e os leniscos longos 
de cerca de 20 mm. por 0,2 mm. de largura, 
tem numerosos núcleos e nem sempre se 



38 



icham distendidos ao longo da cavidade do 
parasito, mis enrolados junto da bainha da 
tromba, de modo a, em cortes transversais, 
>eiem observadas mais de duas seções (fig. 
i 10 112). Os núcleos, neles existentes são 
elipsoides, muito alongados e determinam 
dilatações que lhe? cia aspeto nodoso. No 
seu interior existe apenas uma lacuna sem 
diverticulos. 

A pane do corpo em seguida á tromba 
é lijeiramente dilatada, por ter em seu inte- 
rior a bainha da tromba. Nesta parte do 
corpo é que se oculta a tromba quando re- 
traída. 

As paredes do corpo são constituidas: 
1" por uma espessa cutícula quitinosa e anis- 
ia; 2o por uma forte camada muscular cons- 
tituída por fibrilas entrelaçadas em todas as 
direções; 3 o por uma camada muscular de 
fibrilas radiais, que diminue de densidade 
da periferia para o centro e onde se encontra 
o sistema lacunar, que é bem desenvolvido; 
4° por uma camada de músculos cilindricos 
transversais (anulares) e lonjitudinais. Reu- 
nindo os músculos cilindricos, existe tecido 
conjuntivo que também reveste a cavidade 
geral e fixa os órgãos sexuais. 

Na extremidade probocidiana a segunda 
camada muscular diminue de espessura o 
que faz a terceira parecer mais desenvolvida 
que na parte media do corpo (fig. 110-112), 
fato semelhante, mas menos acentuado, se 
observa na extremidade genital. 

Na parte media do corpo, sobretudo 
nas fêmeas adultas, a parede, apezar de mais 
espessa, é, relativamente á cavidade do corpo, 
mais delgada; z'\ o contorno é muito irregu- 
lar e os músculos cilindricos se acham muito 
afastados entre si e das outras partes da pa- 
rede; as lacunas, nesta parte do corpo, são 
maiores e mais numerosas o que dá á pare- 
de estrutura menos compata (fig. 113-114). 
Na parte media do corpo as lacunas lonjitu- 
dinais, sobretudo a dorsal, tomam grande 
desenvolvimento, fazendo saliência na super- 
ficie extern.i e interna da parede (fig. 11-41. 

O sistema lacunar é bem desenvolvido e 
on, ta de d<m troncos lonjitudinais (fig. 114) 



a que acabamos de nos referir, e de nume- 
rosos ramos menores, transversais e lonjitudi- 
nais; nas extremidades do corpo os dois 
troncos principais diminuem muito de calibre 
cmquanto os secundarios conservam mais ou 
menos os mesmos, resultando ficarem todos 
com volume quasi igual (fig. 110-112). Ao 
lado das grandes lacunas se encontram 
os núcleos das paredes do corpo, que formam 
cadeas lonjitudinais semelhantes ás descritas 
para outras especies. 

O sistema nervoso central fica situado 
no interior da bainha da tromba. 

O aparelho genital macho ocupa metade 
da cavidade do corpo e, apezar do compri- 
mento grande dos leniscos, estes, mesmo 
quando completamente distendidos, ficam 
muito distantes dos testículos. 

Os testículos (fig. 32) são de forma 
elipsoide e medem de 6 a 7 mm. de compri- 
mento por cerca de 2 mm. de maior largura; 
ficam situados distantes um do outro 10 a 
15 mm., e o mais proximo das glândulas 
prostaticas a 5 mm. delas, no minimo. Tive- 
mos oportunidade de observar um exemplar 
anómalo no qual um dos testículos, o mais 
proximo das glândulas prostaticas, estava 
completamente atrofiado (fig. 95). 

Os testículos são constituídos por uma 
membrana envolvente, que também serve 
para fixação, e pelo parenquima, o qual é 
constituido por grupos de espermatoblastas 
em diversos estadios de evolução, por grandes 
células isoladas e por espermatozoides. Destes 
grupos de espermatoblastas uns são consti- 
tuídos por elementos grandes e pouco nu- 
merosos, outros por numerosos elementos 
cujo tamanho está na razão inversa da quan- 
tidade e finalmente outros são constituídos 
de espermatozoides completamente desenvol- 
vidos (fig. 115). Os canais excretores dos 
testículos ou canais deferentes, têm orijem 
quasi no polo voltado para a extremidade 
livre e são constituidos pelos prolongamentos 
das membranas envolventes dos testículos ; 
se dirijem, quasi em linha reta, para a bolsa 
copuladora; ao nivel das glândulas prostati- 
cas se reúnem formando um só canal, canal 



39 



ejaculador (fig. 35 e 117), que se abre no 
penis. O cana! ejaculador apresenta no seu 
percurso duas dilatações como se vê na 
fig. 35. 

As glândulas prostaticas (fig. 32), em 
numero de 8, são claviformes ou ovoides 
muito alongadas, dispostas mais ou menos 
duas a duas e em parte superpostas. Seu 
conjunto mede cerca de 8 a 11 mm. de com- 
primento por 1 a 1,5 mm. de largura, medin- 
do cada glândula de 1,5 a 3 mm. de com- 
primento por 0,5 a 1 mm. de maior largura; 
a mais próxima do fundo da bolsa copulado- 
ra está a 3 a 4 mm. dela. São constituidas 
cada uma por grande célula, provida de vo- 
lumoso núcleo alongado e lobado em forma 
de salsicha (fig. 116) e de proíoplasma dife- 
renciado em duas partes, a externa granu- 
losa e a interna de estrutura fina. São 
envolvidas por uma membrana que alongan- 
do-se constitue o canal excretor o qual se 
dirije para a extremidade genital paralela- 
mente ao canal ejaculador. Os canais excre- 
tores das glândulas prostaticas, a principio de 
calibre regular, tornam-se, um pouco adian- 
te, muito delgados e, depois dum curto per- 
curso, tornam-se muito volumosos (fig. 35) 
mantendo-se assim durante a maior parte do 
percurso. Quasi ao terminar apresentam um 
forte estrangulamento de modo a constituir 
unia dilatação quasi esférica, depois reunem- 
se quatro a quatro e abrem-se por duas aber- 
turas, na extremidades terminal do canal eja- 
culador. Nem todos os dutos têm o mesmo 
calibre. O conjunto das glândulas prostaticas 
está representado esquematicamente na fig. 
35. 

Guarnecendo os duetos prostaticos e o 
canal ejaculador existem músculos dispostos 
lonjitudinalmente. 

O penis é constituido por uma saliência 
situada na parte posterior do fundo da 
bolsa copuladora. Esta é musculosa, bem de- 
senvolvida e muito deformavel; sua estrutura 
é igual á das paredes do corpo. 

Existe no lado interno da parede dorsal 
da bolsa copuladora, perto do bordo livre, si- 
tuada numa saliência, a abertura de um vaso, 



que interpretamos como aparelho excretor. 
Esta abertura é precedida duma dilatação vo- 
lumosa (fig. 118) onde se abre um canal 
muito estreito e dificil de acompanhar por se 
confundir com as lacunas. 

O aparelho genital femeo (fig. 119-120) 
tem a organização carateristica das Gigantc- 
rhynchidœ; os ovario-uteros são enormes e 
apresentam numerosos núcleos ovijeros entre 
os quais, nas fêmeas gravidas, encontram-se 
numerosos ovos. Os núcleos ovijeros são 
constituidos por óvulos e células menores, 
cuja função é produzir os anexos do ovo, 
desempenhando o papel de vitelojenos e 
glândula da casca dos PI a thy helminthes. 

O ovejector é um órgão musculoso cons- 
tituido de duas partes: campainha e vajina. 

A campainha é um órgão campanulifor- 
me no qual terminam os ovario-uteros; tem 
no vértice, que é dirijido para a extremidade 
livre, 3 abreturas, duas que comunicam com 
diverticulos laterais, saciformes, e uma com a 
vajina. Os diverticulos laterais, parecem ter 
por função receber alguns ovos, quando 
houver acumulo deles na campainha, regu- 
lando deste modo a postura. No seu interior 
encontram-se, nas fêmeas gravidas, ovos, 
e ás vezes núcleos ovijeros, nas não fecunda- 
das (este fato talvez seja devido a traumatis- 
mo na ocasião da captura do helminte). 

A vajina divide-se nitidamente em duas 
partes: uma dilatada, na qual geralmente 
existem ovos, de seção irregular (fig. 119) 
e outra estreita, de seção linear e de 
paredes mais fortes (fig. 120). Mede cerca 
de 1,5 a 2 mm. de comprimento mais ou 
menos 0,7 mm. largura na parte mais dila- 
tada. 

Os ovos medem 0,120 a 0,127 mm. de com- 
primento por 0,056 mm. de maior largura; são 
guarnecidos por 3 envolucros (fig. 36). 

O desenvolvimento é desconhecido. 

Habitat: Intestino de: 

Didelphis (Mormosa) murina L. 
Didelphis (Didelphis) marsupialis L. 
Didelphis (Didelphis) marsupialis 
aurita WÍED. 



Didetphfs (Didrlphys) virginiana 

KERR. 
/ tphys (Philander) philander L. 

T\ t no seguinte material: 

ninhos— Col. por TRA- 
III 'H3. 
Did (Did.) aurita W.— Manguinhos— Col. por TRA- 
VASSOS 10 111 913. 

Did. (1 \\ Mrogntahos Col. por TRA- 

. 913. 
Did. (Did.) aurita W.— Manguinhos— Col. por 
D'UTRA E SILVA => VI-914. 

[Did.) aurita W.-Manguinhos-Col. por O. 
de FA M \ 

Did. (Did.) aurita W.— Manguinhos— Col. por TRA- 
VASSOS. 23 -111-913. 

Did. (Did.) aurita W.— Rio de Janeiro— Col. por 
O. de FARIA -X-908. 

M ro C proveniencia ignoradas— Col. por O. 

de FARIA X-908. 

Dldtlphys (P). aurita W.— Angra dos Reis— Col. por 
TRAVASSOS VII -915. 

ys (D.) aurita W.— Bauru. Mus. Paul. n. 
.34 -XI 1-907. 

Didelphys (DJ aurita W. Mus. Paul.n. 127. 

Hamnnella carinii TRAVASSOS, 1916. 

(Est. XVI, flg. 93-94; Est. XVII, fl , 96-98). 

Comprimento: $ 130 a 295 mm. d" 
42 mm. 

Largura: ? 0,9a 1,5 mm.; d" 0,9 mm. 
c<>m aparência de segmentação, 
cilindrico e enrolado em espiral. A tromba é 
daviforme, bem desenvolvida, guarnecida de 
ganchos na parte dilatada; estes são de dupla 
raiz exeto os basais que tem como raiz uma 
• tuberciiliforme; são de trez tipos 
principais (fig. 97) e tem as seguintes di- 
mfii-.cs : 

Tipos de gancho» l>\«t. daextr. llhr. Dlut. entre ás extr. 

á •' . r . -• ;....!. 

!• 0,170 mm. 0,120 mm. 
2* 0,142 mm. 0,078 mm. 
3« 0,106 mm. 

I' inscüie; leniscos cilindricos, 

com num ro 01 núcleos e raramente disten- 
didos a<. longo da cavidade do parasito, tem 
1/4 a 1/3 do comprimento do corpo. O apa- 
relho genital macho (fig. 96) ocupa metade 
da cavidade do corpo; o loi são eli- 

tendo os poios voltados para as 

gtandul u um pouco mais dilata- 



40 

dos que os outros; medem cerca de 2,5 mm 
de comprimento por 0,5 mm. de maior lar- 
gura: os canais deferentes nacem subtermi- 
nalmente; o canal ejaculador é muito curto, 
mede cerca de 1 mm. 

As glândulas prostaticas, em numero de 
8, são claviformes, muito unidas, de modo a 
se deformarem; ficam situadas a 7,5 mm. do 
testículo mais proximo; seu comprimento 
é de 3 mm., medindo cada glândula cerca 
de 0,7 mm. de comprimento por 0,4 mm. de 
largura. Suas formas e dimensões são um 
pouco diversas; a bolsa copuladora é bem 
desenvolvida. 

Órgãos genitais femeos com a organisa- 
ção carateristica da família; a vajina é bem 
longa e a vulva é subterminal; os ovos (fig. 
98) são elipsoides, de 3 envolucros e medem 
0,071 a 0,078 mm. de comprimento por 0,056 
a 0,063 mm. de largura maxima. 

Desenvolvimento desconhecido. 

Habitat: Intestino delgado de: Tatus 
(Tatus) novetncinctas L, 

Trabalhamos no seguinte material: 

Tatus (T.) novemeinctus L. Inst. Pasteur de S. Paulo. 
Col. por Carini & Maciel- -IS— 9— 915. 

Tatus (T.J novemeinctus L. Instituto Pasteur de S. 
Pauto. Col. por Carini & Maciel 14— XII— 914. 

Infelizmente os exemplares em qi;c trabalhamos não 
tinham atingido o desenvolvimento máximo, sobretudo os 
machos dos quais só examinamos dois exemplares, um 
deles estava partido. 

Assim a determinação do genero para esta especie 
não poude ficar bem estabelecida, comtudo a forma e dis- 
posição das glândulas prostaticas, suas relações com os 
testículos e a posição destes nos levaram a consideral-a 
como Hamaniello, apezar da forma do corpo muito di- 
versa dá especie tipo deste genero. 

Subfamilia Prosthenorchinae TRAVAS- 
SOS, 1915. 

Genero Prostlienorchis 
TRAVASSOS, 1915. 

Sin.: Echinorhynehus ZÓQA, 1876 in 

MÜLLER, pr. part. 

Gigantorhynchtis HAMANN 1892, 

pr. part. 

Prosthenorchince de dimensões regulares, 

com corpo rugoso e espesso, geralmente curvo 

em ponto de interrogação, tromba com 5 a 6 



series transversais de ganchos muito robus- 
tos e de dupía raiz, exeto as duas series 
basais; pescoço nulo; leniscos chatos, geral- 
mente atingindo os testículos; testículos si- 
tuados na metade proboddiana do corpo; 
glándulas prostaticas elipsoides, porém defor- 
madas pelas compressões reciprocas; canal 
ejaculador muito longo. 

Habitat: Intestino de mamíferos, raramen- 
te de aves. 

Especie tipo: Prosthcnorchis elegans 
(D1ESING, 1851). 

Prosthenorchis elegans (DIESING, 1851) 

(Est. VII, fig. 37-40; Est. XIII, fig. 76-80; Est. XX, 
íig. ;21 -125; Est. XXI, fig. 127-131 ; Est. XXII, fig. 132- 
136; Est. XXIII, íig. 137-140; Est. XXIV, fig. 141-144). 

Comprimento: 9 d" 15 a 20 mm. 

Largura: ? d" 2 a 4 mm. 

Corpo com fortes rugas transversais, ge- 
ralmente curvo em forma de ponto de inter- 
rogação. A tromba (fig. 39) quasi esférica, 
tem de 0,5 a 0,6 mm. de diâmetro; exterior- 
mente tem um revestimento semelhante ao 
do corpo e no interior existem músculos volu- 
mosos que se prolongam para o interior do 
corpo e constituem a bainha da tromba; 
estes músculos limitam uma cavidade onde 
ha varios músculos delgados, entre as ex- 
tremidades internas dos quais, encontra-se 
o ganglio nervoso central. 

Entre os músculos que limitam a ca- 
vidade da tromba existem duas cadeias la- 
terais de núcleos e as raizes dos ganchos. 
Estes são em numero reduzido e providos 
de duas raízes, exceto as duas series basais 
que têm como raiz apenas uma dilatação ar- 
redondada. 

As raizes dos ganchos ficam, como 
vimos, em contato com os músculos internos 
da tromba e a lamina atravesssa a camada 
muscular que representa o prolongamento 
das paredes do corpo ; são constituídos por 
um envolucro anisto de quintina, tendo no 
interior elementos celulares, de modo com- 
parável aos dentes dos vertebrados. 



Ha 3 tipos principais de ganchos (fi 
38) que têm as seguintes dimensões: 

Tipos de ganchos 



1" tipo 
2" tipo 
3 u tipo 



Distancia da ex- 
tremidade livre á 
da raiz apical. 
0,224 mm. 
0,167 rnm 
0,120 mm. 



Distancia entre aí 

extremidades das 

raizes. 

0,150 mm 

0,116 mm. 



Não existe pescoço. Os leniscos são cla- 
viformes, chatos e largos, de se-jão elitica 
(fig. 129-130). medem cerca de 5 a 7 mm.de 
comprimento, 1 mm. de largura maxima e 
0,3 mm. de espessura. Tem orijem no ponto 
de união da tromba com o corpo, em seu 
interior corre uma lacuna ampla na base e 
estreita no ápice. As paredes do corpo, apre- 
sentam numerosas e profundas rugas trans- 
versais que dão aspeto curioso aos cortes 
lonjitudinais (fig. 121); são constituídas de 
fora para dentro, das seguintes partes: I o 
por uma cutícula anista, quitinosa, de 4 a 8 ^ de 
espessura, que descansa em uma camada 
epitelial de elementos muito unidos e peque- 
nos, visivel geralmente como zona clara dis- 
posta entre a cuticula e a camada muscular 
externa; 2° por uma parte muscular disposta 
em 3 camadas concêntricas (fig. 123). 

A primeira camada muscular tem uma 
espessura de 0,1 a 0,3 mm. a qual diminue 
ao nivel das depressões constituidas 
pelas rugas, e nas extremidades do corpo. 
Esta camada vista em cortes transversais, tem 
aspeto estratificado (fig. 122), sendo as es- 
tratificações periféricas mais delgadas e de 
tecido mais denso. Este aspeto é dado pela 
maior condensação das fibrilas musculares 
em planos mais ou menos paralelos á cuti- 
cula; estas estratificações são geralmente em 
numero de 6. 

Em cortes lonjitudinais esta parte do 
corpo do parasita apresenta-se como uma 
rede de fibrilas mais fortes abraçando as outras 
niais fracas; esta rede é de aspeto curioso, 
semelhante a uma complicada teia de aranha 
(fig. 124). Desta camada passa-se, sem tran- 
sição nitida, a segunda camada muscular, 
onde se encontram as lacunas. Esta outra ca- 
mada tem uma espessura duas vezes ou duas 



42 



vezes e meia a da primeira; é constituida de j 
fibrilas musculares, na maior parte radiais, que \ 
tuem uma rede de largas malhas (fig. 
■nde correm as lacunas e onde existem 
cadeas de grandes núcleos, que são os núcleos 
das células musculares desta parte da pare- j 
de do corpo. O sistema lacunar, contido ¡ 
nesta parte da parede do corpo, consta de ! 
uma (nas extremidades) ou duas grandes ; 
lacunas lonjitudinais dispostas, dorsalmente 
no primeiro caso e dorsal e ventralmente no 
segundo. Destas lacunas troncos, que se es- 
tendem da tromba á extremidade genital, 
panem numerosos ramos transversais (fig. 
126) que dão orijem a lacunas lonjitudinais 
menores, as quais, por sua vez, se dividem 
em lacunas cada vez menores e que ocupam 
as malhas da rede muscular desta camada. 
As grandes lacunas ficam sempre em contato 
com a terceira camada muscular (fig. 125 e 
126), ao passo que as menores ocupam pro- 
gressivamente as partes mais externas. Nos 
certes, as grandes lacunas, apresentam-se, 
geralmente, cheias de substancia finemente 
granulosa (fig. 125). 

Temos ainda a notar que o sistema la- 
cunar é bem mais desenvolvido na extremi- 
dade probocidiana que na genital. 

Os núcleos que se encontram nesta ca- 
mada muscular constituem cadeias lonjitudi- 
nais, em numero de duas e que ás vezes se 
bifurcando, dão orijem a 4, para de novo se 
reunirem um pouco adiante. Os núcleos que 
constituem as cadeias se apresentam, em 
cortes transversais, com contorno irregular, 
tendo numerosos prolongamentos radiais 
e, em cortes lonjitudinais, são também 
de contorno irregular dispostos em 
linhas e reunidos pelas extremidades dos 
toa radiais (fig. 131). A se- 
gunda < amada muscular é separada da ter- 
ceira p membrana de tecido con- 
juntivo. 

A terceira camada, a mais interna, é 
r músculos cilindricos, lonjitu- 
dinais e transversais ou anulares, reunidos 
entre si p'>r I untivo, o qual si.rvc 

'.ambem para fixar os órgãos contidos na 



cavidade celomica; os músculos transversais 
ficam situados mais externamente que os 
lonjitudinais e são mais números nas extre- 
midades do corpo do parasito. As 
pregas do corpo dão, aos cortes lonjitudinais 
dos muscuslos transversais, aspeto de pirâmi- 
des como vê-se nitidamente na fig. 121. 

Os órgãos genitais machos constam das 
seguintes partes: testículos, canais deferentes, 
glândulas prostaticas, canal ejaculador e 
bolsa copuladora. 

Os testículos, em numero de dois, são 
de forma elipsoide, ficam situados mais perto 
da tromba que da bolsa copuladora (fig. 37), 
medem 3 a 5 mm. de comprimento por 
1,5 a 1,8 mm. de maior largura; um deles 
fica em contato com os leniscos e o outro 
com as glândulas protatícas. São constituídos 
por uma membrana envolvente, contendo no 
interior espermatoblastas em diversos esta- 
dios de evolução e espermatozoides prontos 
(fig. 143 e 144). Os espermatoblastas, a prin- 
cipio representados por grandes células, vão, 
por divisões sucessivas, tornando-se menores 
e dando orijem a grupos numerosos cujo 
tamanho dos elementos está na razão inver- 
sa ao numero deles e, finalmente, transfor- 
mam-se em espermatozoides, que são 
muito alongados. Os testículos dão orijem, 
respetivamente, a canais deferentes que. 
logo adiante das glândulas prostaticas, se 
reúnem dando orijem a um longo canal eja- 
culador. O canal ejaculador é muito longo e 
reunido aos dittos das glândulas prostaticas, 
forniam um grosso cordão de cerca de 7 a 
10 mm. de comprimento por 0,5 a 1 mm. de 
maior largura. Antes de sua abertura, na ex- 
tremidade do penis, apresenta uma parte di- 
latada que funciona como vesícula seminal. 
As glândulas prostaticas, em numero de 8, 
são arredondadas ou ovoides, apresentando 
deformações, devido ás compressões recipro- 
cas, pois são muito próximas; medem cerca 
de 0,5 mm. de diâmetro sendo de dimensões 
lijeiramonte diferentes. Seus dutos excretores 
acompi nbam c canal ejaculador até quasi 
sua terminação, para então, depois de se reu- 
nirem quatro a quatro, se abrirem nele, por 



43 



dois orificios. Estes canais que como o eja- 
culador, têm um percurso de cerca de 7 a 
10 mm. não apresentam o mesmo calibre 
em toda a extensão; a principio estreitos, 
tornam-se logo largos até quasi terminar o 
percurso para novamente se estreitarem e se 
reunirem quatro a quatro para se lançarem 
no canal ejaculador. Vistos em cortes transver- 
sais não tem seções iguais nem semelhantes, 
e se dispõem lateralmente ao canal ejacula- 
dor de modo a ficarem 3 de um lado e 5 de 
outro. O conjunto das glândulas prostaticas 
forma um corpo elipsoide de 3 a 4 mm. de 
comprimento por 1,8 a 2 mm. de largura 
maxima. O penis é constituido por uma sa- 
liência cónica, muscular, situada no fundo da 
bolsa copuladora. A bolsa copuladora é 
muito desenvolvida e tem paredes espessas 
e musculosas. A fig. 35 faz comprehender fa- 
cilmente o conjunto dos órgãos genitais 
machos. 

O aparelho genital femeo consta de duas 
partes: ovario-utero e ovejector. Os ovario- 
uteros são constituidos por numerosos nú- 
cleos ovijeros (fig. 128), tendo, nas fêmeas 
gravidas, numerosos ovos entre eles, envol- 
vidos por uma membrana conjuntiva. Os nú- 
cleos ovijeros são constituidos por óvulos e 
células menores, cuja função é produzir os 
anexos do ovo. Os ovario-uteros se estendem 
desde a bainha da tromba até a extremidade 
genital, onde terminam em fundo de saco, 
ha, porém, á alguns milímetros acima da extre- 
midade, uma abertura que comunica com o ove- 
jector. O ovejector é um órgão musculoso, 
constituido de duas partes : a campainha e a 
vajina. A campainha é um órgão oco, de 
forma cónica, com o vértice voltado para a 
vajina, suas paredes a principio muito delga- 
das, confundein-se superiormente com a mem- 
brana que envolve os ovario-uteros ; tornam- 
se progressivamente mais grossas até o ver- 
tice. Na cavidade da campainha, existe, na 
face dorsal, uma saliência musculosa (fig. 136- 
140) que aumenta progressivamente de volume 
até ocupar inteiramente o fundo do órgão. 

Como, porém, esta saliência, é de seção 
elitica, divide o fundo da campainha, que é 



de seção circular, em duas cavidades de seção 
semilunar. Estas cavidades são de profundi- 
dade diferentes e terminam em orificios es- 
treitos (fig. 137-140). O orificio da cavidade 
menos profunda comunica com a vajina e o 
da mais profunda com um canal que se diri- 
je em sentido oposto á vajina, procurando o 
bordo da campainha (fig. 136), onde termina 
em fundo de saco. Este canal, que constitue 
um diverticulo da campainha, é a principio 
estreito, tomando-se depois dilatado em 
forma de empola, e, nas fêmeas gravidas, 
acha-se repleto de ovos. 

Simetricamente a este diverticulo existe 
um outro no lado oposto, cujo orificio de 
entrada fica um pouco acima do da vajina, 
este, depois dum percurso paralelo ao prece- 
dente, termina também, em fundo de saco, 
um pouco acima do outro. Este diverticulo 
tem a mesma forma e dimensões do do lado 
oposto e também contem ovos, nss fêmeas 
gravidas. 

A função da campainha parece ser de 
regular as posturas. A vajina apresenta na 
parte que comunica com a campainha um es- 
treitamento acentuado e paredes muito 
grossas de modo a constituir um esfincter 
muito forte (fig. 140 e 141). Segue-se uma 
parte muito larga, de cerca de 1 mm. de 
comprimento, que muitos autores têm impro- 
priamente chamado de utero (fig. 135), suas 
paredes são fortes e cercadas de músculos 
cilindricos provinientes das paredes do corpo; 
no interior existe, nos individuos adultos, 
ovos (fig. 134-135). Segue-se unia parte mais 
curta e de calibre muito menor, provida nas 
duas extremidades de fortes esfínteres (fig. 132- 
133). A abertura externa deste canal constitue 
a vulva e acha-se situada numa depressão da 
parede do corpo (fig. 132). Os ovos (fig. 40) 
são elipsoides, tem tres envolucros, sendo o 
externo rugoso; medem cerca de 0,078 mm. 
de comprimento por 0,042 a 0,046 mm. de 
largura maxima. 

Desenvolvimento desconhecido. 

Habitat: Intestino delgado das seguin- 
tes especies : 

Callithrix jacchus L. 
Callitrhix cfuysoleuca NATT. 



44 



S aim iris scia rea (L.) 

Midas (Oedipc m idas) geoffroyi 

POLCH. 
Midas (Leo ntopithecus) rosália 

WIED. 
Midas sp. ? 

Compotas sufocam ILL. 
Galiciis (Galera) barbara L. 

Trabalhamos no seguinte material : 

Callithrix jauhus L. Col. porTRAVASSOS, Mangui- 
nhos 1—913 

Callithrix jacchus L. Col. por TRAVASSOS, Mangui- 
nhos 1-913 

Callithrix jacchus I. Col. porTRAVASSOS, Mangui- 
nhos 1—913 

Callithrix jacchus L. Col. porTRAVASSOS, Mangui- 
nhos 11-913 

Callithrix jacchus L. Col. por FARIA, Manguinhos 
XII 913 

Callithrix jacchus L. Col. por TRAVASSOS, Mangui- 
nhos IV-913 

Callithrix jacchus L. Col. por TRAVASSOS, Mangui- 
nhos IV- 913 

Gatites (Galera) barbara L. Col. por TRAVASSOS, 
Ras Vil 915 

Conepatus saffóeuns ILLIG. Col. por NEIVA, S. 
Rayniundo Nonato V- 912 

Prcsthenorchis spirula (OLFERS, 1819). 

(Est. Vil, fig. 41-43; Est XIII, fig 81-84). 

Comprimento: ? 40 a 55 mm.; d 1 30 a 
40 mm. 

Largura: 2 2 a 3 mm.; rf 1,5 a 2,5 mm. 

Corpo muito rugosos, porém, menos que 
na especie precedente, de seção circular ou 
lijeiramente eiitica e de grossura geralmente 
uniforme, comtudo ás vezes a extremidade 
probocidiana c um pouco mais dilatada que 
o resto do corpo. 

A tromba é, relativamente, pouco desen- 
volvida e guarnecida de 5 a 6 series trans- 
versaes de ganchos robustos, providos de 
duas raizes, exeto os da serie basal (fig. 42). 
São de 3 tipos principais e têm as seguimos 
(timen 

i i ■ D oU entre »« 

Ir. inM ...I- li.-. . 

Tipos de ganchos 

!• tipo 0, :13 mm. 0,142 mm. 

2. tipo 0,170 mm. 0,085 mm. 

3o tipo 0,0Sj mm. 



Pescoço nulo; leniscos chatos, quasi 
iguais e longos de cerca de 7 a 10 mm. ; as 
vezes estão enrolados junto da bainha 
da tromba. Nem sempre os leniscos (fig, 41) 
alcançam os testículos, ficamdo deles distantes 
alguns centímetros, comtudo, este fato só se 
observa raramente e talvez seja devido a de- 
feito de fixação. 

As paredes do corpo são muito espessas 
e, se bem que não fispuzessemos de material 
para cortes, pareceu-nos de estrutura muito 
semelhante á da especie tipo do genero. 

O aparelho genital macho (fig. 41) ocupa 
dois terços da cavidade do parasito; os tes- 
tículos são elipsoides, longos de 3 a 4 mm. e 
largos de 0,8 a 1 mm., ficam em contato 
entre si, com as glândulas prostaticas e 
geralmente também com os leniscos ; as 
glândulas prostaticas, em numero de 8, 
muito alongadas, são dispostas, umas vezes 
ponta a ponta, outras, mais ou menos 
grupadas; são muito unidas e por is c o 
deformadas, seu conjunto mede cerca de 
8 mm. de comprimento por 0,5 a 
0,8 mm. de maior largura, podendo comtudo 
algumas vezes, ter um comprimento muito 
maior; cada glândula mede 1 a 2 mm. de 
comprimento por 0,5 mm. de largura. O 
canal ejaculador é bastante longo e volumoso, 
o conjunto formado por ele e pelos dutos 
piostaticos mede cerca de 4 a 5 mm. de 
comprimento por 1 mm. de maior largura. 
A bolsa copuladora é ampla e de paredes 
muito grossas. 

Os órgãos genitais femeos são consti- 
tuidos por dois ovario-uteros, que ocupam 
quasi toda a cavidade do corpo, e pelo ove- 
jector, constituido pela campainha, com dois 
diverticulos em fundo de saco, e da vajina 
que mede cerca de 2 mm. de comprimento. 
Os ovos (fig. 43) são elipsoides, de 3 invo- 
lucros ; medem 0,078 a 0,081 mm. de com- 
primento por 0,049 a 0,053 mm. de largura 
maxima. 

I )esen volvimento desconhecido. 

Habitat: Maraeits sp. ?. 
Ccbtis fatuellus L. 
Mida -, sp. ?. 



45 



Midas (Leontopithechus) rosália 
WIED. 

O material que trabalhamos é o seguinte: 
Cebus sp. Minas -Gol. por ARAGÃO. 

Prosíhenorchis luehei TRAVASSOS, 1916 

(Est. VII, fig. 44; Est. X, fig. 56 a-b; Est. XIII, flg. 85; 
Est XV, fig. 92 a.) 

Comprimento: ? 40 a 50 mm; d 1 20 a 
30 mm. 

Largura : $ 4 a 5 mm ; d" 2 a 3 mm. 

V. LINSTOW dá as seguintes dimensões: 
168 mm. de comprimento poi 4,5 mm. de 
maior largura. 

O corpo é fusiforme e enrolado em he- 
lice, apresenta numerosas e grossas rugas 
transversais e lonjitudinais ; o maior diámetro 
do corpo fica mais proximo da extremidade 
da probocida. A tromba é muito grande e 
apresenta 5 a 6 series transversais de fortes 
ganchos; destes os apicais apresentam duas 
raizes e os basais apenas um nodulo termi- 
nal. Os ganchos (fig. 44) são de tres tipos 
principais e apresentam as seguintes dimen- 
sões: 

Distancia da ex- Distancia entre as 

tremidade livre â extremidades das 
Tipos de gfllichos da raiz apical rai es. 

1„ tipo 0,300 mm. 0,15ü mm. 

2„ tipo 0.280 m. 0,140 mm. 

3o tipo 0,150 mm. 

O pescoço é nulo e a tromba é retratil 
na extremidade do corpo. Os leniscos são 
chatos e largos como nas outras especies do 
genero, medem mais ou menos 12 a 15 mm. 
de comprimento. 

As paredes do corpo são muito espessas 
e de estrutura muito semelhante as do P. 
etegans. 

A cutícula de que são revestidas é muito 
espessa e dura; segue-se uma primeira ca- 
mada muscular onde predominam as fibrilas 
transversaes. 

Esta primeira camada muscular é muito 
semelhante a correspondente do P. elegans 
notando-se aqui, como naquela especie uma 
disposição estratificada, mas não ha formação 
de nitidas camadas. A segunda camada 
muscular tem cerca de 4 a 5 vezes a espes- 
sura da primeira, nela predominam as fibrilas 



de direção radial. As lacunas aí existentes, 
formam dois grandes troncos lonjitudinaes 
donde partem numerosos ramos transversaes 
que dão orijern as lacunas menores. 

Os núcleos são dispostos em cadeias 
finas e ramificadas, geralmente lonjítudinaes, 
mas algumas vezes obliquas ou transversaes ; 
são numerosos sobretudo na parte mediana 
do corpo. 

Os músculos da terceira camada, como 
nas outras especies reunidos por tecido con- 
juntivo, que também os separa da segunda 
camada, são muito desenvolvidos, são mesmo 
mais desenvolvidos que em qualquer outra 
especie. 

Os músculos anulares que formam a 
porção mais externa desta camada, por vezes 
são dispostos em duas series, e os Ionjitudi- 
naos ou internos em duas ou trez, na parte 
media do corpo. 

Os músculos que formam a terceira ca- 
mada, são como nas outras especies, cons- 
tituidos por prolongamentos diferenciados de 
grandes células que fazem saliência na cavi- 
dade. 

O aparelho genital femeo, consta, como 
nas outras Gigantothynchidœ, de ovario-úteros 
e ovejector. 

Este é constituido pela campainha e va- 
jina. 

A campainha, tem dois diverticulos recur- 
rentes e feichados em fundo de saco. Os ovos 
tem 3 involucros, sendo o externo rugoso, 
medem cerca de 0,063 a 0,071 mm. de com- 
primento por 0,042 mm. de maior largura. 

Os órgãos genitaes machos, tem, como 
todas as outras partes do corpo do parasito, 
mu'ta semelhança com a especie tipo do ge- 
nero. Os testículos são elipsoides, situados 
na parte media do corpo, medem cerca de 2 
a 3 mm. de comprimento por 0,5 a 1 mm. 
de maior largura, são elipsoides; o distai 
está em contato com os leniscos, o proximal 
um pouco distante das glándulas prosté- 
ticas. 

As glândulas prostaticas em numero de 
8, arredondadas e deformadas pelas com- 
preções reciprocas, são seguidas de longos 



46 



canaes escretores. A bolsa copuladora é re- 
gularmente desenvolvida. 

Desenvolvimento desconhecido. 

Habitat: Intestino de: 
Nasua narica L 

Trabalhamos no seguinte matarial : 

Nasua narica L.— Franca S. Paulo. -XII 912. Mus. 
Paul. n. 125. Col. por DREHER. 

narica L.— Franca -VI 1 1 -91 2— Mus. Paul, 
n. 130 Col. por DREHER. 

Nasua narica L.— Piedade-S. Paulo— IX— 906. Col. 
por A. LUTZ. 

Encontrámos um exemplar desta especie em material 
de Myrmecophaga tttradaclyla proviniente do "Museu 
Paulista, n. 126", nos parece provável que tenha ido 
ai parar, por acaso, na ocasião de colheta do materiel ou 
quando este tenha sido examinado alguma vez. 

(Braz. Med. XXXI. n. 12, p. 100). 

Prosthenorchis avícola TRAVASSOS, 
1916. 

(Est. VIII, fig 4S-46; E»t. XIV, fig. 86). 

Comprimento: <j> 40 mm.; d" 12 mm. 

Largura; $ 4 mm; o* 2 mm. 

Corpo grosso e rugoso, tendo o maior 
diâmetro muito proximo da tromba. A tromba 
é de dimensões regulares, apresenta, como as 
demais especies deste genero, 5 a 6 series 
transversaes de ganchos muito fortes, dos 
quaes os apicais são providos de duas raizes. 
Os ganchos são de 3 tipos principais (fig. 
45) e têm as seguintes dimensões: 

Distancia da <i- DUtancia entre as 

tremldade livre a> extremid adi 9 das 

Tipos de ganchos da ralr nplc&l mices. 

Io tipo 0,262 mm. 0,149 mm. 

2o tipo 0,142 mm 0,071 mm 

3o tipo 0,120 mm. 

Pescoço nulo : leniscos chatos e largos, 
medem, na fêmea 11 mm. de comprimento 
por 1 mm. de maior largura. As paredes do 
corpo são espessas, porém menos que na es- 
pecie tipo do peñero e também é menos ru- 
gosa que as daquela. 

Os órgãos genitais machos constam de 
lesticulos elipsoides, que medem 3 mm. de 
comprimento por 0,8 mm. de largura maxima; 
de glândulas prostaticas arredondadas e com 
cerca de 0,5 mm. de diâmetro (a disposição 
não poude ser constatada por estar o único 
exemplar macho partido e as glândulas er- 



niadas e deformadas); de canal ejaculador 
bastante longo e medindo 4,5 mm. de com- 
primento; de bolsa copuladora bem desen- 
volvida. 

Os órgãos genitais femeos são consti- 
tuidos como nas demais especies do genero; 
os ovos medem 0,071 a 0,074 mm. de compri- 
mento por 0,042 a 0,046 mm. de maior lar- 
gura. 

Desenvolvimento desconhecido. 

habitat: ? Ndtion brasiliensis (GM.) 

Nossa descrição é feita de dois exemplares, macho 
e femeo; o macho, poiém, estava partido ao meio. 

O material é o seguinte: 

Irerê (? Nettium brasiliense (GM.). Avanhandava. Col. 
por FARIA-24- I 909. 

Prosthenorchis (s. 1.) novellai (PARONA, 
1890). 

(Est. XVII, fig 99-! 00). 

Comprimento: S 31 mm. 

Largura: o" 3 mm. 

Corpo alongado, quasi cilindrico, com 
rugas transversais; o maior diâmetro fica 
mais proximo da extremidade da tromba que 
da genital. 

A tiomba é cilindrica, mede 1.5 min. de 
comprimento por 1 mm. de largura, apre- 
sente 5 series transversais de ganchos; os 
apicais têm a ponta livre uncinada e a raiz 
volumosa; os basais são mais longos e têm 
a base mais larga. 

Os apicais medem 0,098 mm. de compri- 
mento e os basais 0,322 a 0,328 mm. 

O pescoço é muito curto. 

Evolução desconhecida. 

Habitat: Intestino de: 

Artibeus jamaicensis LE AC H . 

Desta especie só são conhecidos dois exemplares, os 
que serviram para a descrição de PARONA : um adulto 
macho, e um ainda enquistado. Este material é proveni- 
ente de S. Juan de Porto Rico— Antilhas. H. v. IHE- 
RiNG no seu trabalho subre acantocefalos brazileiro c 
incluiu esta especie na nossa fauna, baseando-se na dis- 
tribuição geográfica do hospedeiro. 

Reproduzimos aqui, resumidamente, a descrição de 
PORTA (1909) por não nos ter sido possível consultar 
a descrição original de PARONA. As figuras também 
são reproduções das de PORTA que por sua vez foram 
reproduzidas de PARONA. Nos parece fora de duvida 
que esta especie deve ser iiuluida na subfamilia Prosthe- 



47 



norchinae, porém o genero nio pode ser estabelecido 
com segurança. 

Gener-o Macracantho» 
rhynchus TRAVASSOS, 1916. 

Prosthenorchinae de dimensões grandes, 
com dimorfismo sexual acentuado, de corpo 
rugoso, geralmente curvo em espiral na $ e 
cm virgula no d" ; fêmea com o corpo divi- 
dido em duas partes, uma mais grossa tendo 
a tromba e outra mais fina, com o dobro do 
comprimento da primeira, tendo a abertura 
dos órgãos genitais. Tromba muito grande, 
com fortes ganchos de dupla raiz, dos 
quais as basais são muito pequenas ; pescoço 
presente, cónico ; leniscos claviformes, atin- 
jindo o testículo distai; testículos situados na 
metade probocidíana do corpo, de forma ci- 
líndrica e de extremidades arredondadas; 
glándulas proslaticas elipsoides, dispostas aos 
¡jares e muito afastadas do testículo proximal ; 
canal ejaculador relativamente curto. 

Habitat: Os adultos no intestino de ma- 
míferos e as larvas na cavidade geral de 
insetos. 

Esp. tipo: M. hirudinaccus (PALLAS, 
1781). 

Macracantho rhynchus hirudinaceus 
(PALLAS, 1781). 

(Est. VIII, fig. 47-51 ; Est. XIV, fig. 87-89.) 

Comprimento: $ 105 a 360 mm.; d" 50 
a 80 mm. 

Largura: 9 7 a 8 mm.; <3 7 a 8 mm* 

O corpo é rugoso, enrolado em espiral 
na fêmea, em forma de virgula no macho ; 
a seção é ligeiramente elipsoide nas fêmeas 
e bastante nos machos. 

Nas fêmeas o corpo se acha dividido ni- 
tidamente em duas partes, uma mais grosso, 
onde fica situada a tromba e outra, mais del- 
gada e com o dobro da extensão da primeira, 
onde fica a vulva. 

A tromba (fig. 49) é mais ou menos cla- 
viforme, com 5 a 6 series transversais de 
ganchos de tamanhos decrecente para a base, 
mede mais ou menos 0,5 mm. de largura 
maxima por um comprimento de 1 mm. 



Os ganchos (fig. 48) são de 5 tipoi 
principais, de dupla raiz, sendo uma grande, 
apical, uma pequena, basal. 

Dimensões dos ganchos: 

Distancia da ex- Distanda entre a- 
Tipos de ganchos tremidade livre & extremidades da> 
da raiz apical raizes 

1« tipo 0,346 mm. 0,260 mm. 

2 o tipo 0,432 mm. 0,311 mm. 

3o tipo 0,398 mm. 0,268 mm. 

4° tipo 0,366 mm. 0,224 mm. 

5 o tipo 0,260 mm. 0,163 mm. 

O pescoço é cónico e inerme, mede 1,5 
mm. de comprimento por um diâmetro medio 
de 1 mm. Os leniscos (fig. 47) são clavifor- 
mes, chatos, medem nos machos cerca de 
15 mm. e nas fêmeas atinge a 20 mm. e 
mais de comprimento; apresentam numerosos 
núcleos, sobretudo na parte basal. No interior 
deles existe uma lacuna que apresenta ramos 
laterais delgados e termina arborecente. 

As paredes do corpo são constituidas 
por músculos disposto em 3 camadas e re- 
vestidos pela cutícula. A cutícula, anista. 
bastante espessa, reposa em uma delga- 
da camada epitelial. A primeira cama- 
da muscular é constituída de fibrilas muscula- 
res que se cruzam em todos sentidos, sem 
uma direção predominante. A segunda ca- 
mada muscular, onde predominam as fibrilas 
que se dirijem para o eixo lonjitudinal do 
Corpo do parasita, contem o sistema lacunar 
e os núcleos que formam 8 cadeias lonjitudi- 
nais que ladeam as grandes lacunas. 

O sistema lacunarconstadeduas grandes 
lacunas lonjitudinais donde partem numero- 
sos ramos transversais, que por sua vez se 
ramificam de modo a constituir uma vasta 
rede. Em cortes transversais as grandes lacu- 
nas se apresentam com a seção mais ou 
menos redonda, ao passo que as menores, 
muito numerosas, se apresentam com as 
seções irregularmente fusiformes. A ter- 
ceira camada muscular é constituída por mús- 
culos cilíndricos transversais, mais externos, 
e lonjitudinais, mais internos. 

Os músculos transversais são limitados ex- 
teriormente por uma membrana conjuntiva que 
os separa da segunda camada muscular, que 
contem as lacunas, e que também, prolongan- 



48 



do-se para o interior do corpo, limita cada 
om dos diversos músculos cilindricos e os 
separa dos órgãos contidos na cavidade do 
OOrpO, ai 's quais serve de meio de fixação. 
Os musculo* transversais são mais volumosos 
que os lonjttudinais. 

O sistema nervoso é constituido por um 
nodulo central s'tuauo na bainha da tromba. 

O aparelho genital macho (fig. 47) consta, 
como nas demais Prosthenorchinae, de dois 
testículos, 8 glándulas prostéticas, canais de- 
ferentes, e da bolsa copuladora, üs testicu- 
muito volumosos, cilindricos com as 
extremidades arredondadas, medem mais ou 
menos 10 a 13 mm. de comprimento por 1,2 
a 1,6 de diámetro. O testículo distal tica em 
contato com os leniscos por uma extremida- 
de e com o polo distal pela outra ; o proximal 
rica, por urna de suas extremidades, em con- 
tato com o distal e fica afastado das glán- 
dulas prostaticas por um espaço mais ou menos 
igual ao seu comprimento. 

Os canais deferentes se reúnem ao nivel 
das glândulas prostaticas para constituírem o 
canal ejaculador. As glândulas prostaticas, em 
numero de 8, são de forma elipsoide e medem 
de 2 a 3 mm. de comprimento por 0,5 a 1 
mm. de largura maxima; são dispostas duas 
a duas e suas dimensões são mais ou menos 
: -uais, o conjunto ocupa uma extensão de 
cerca de 12 a 15 mm. Seus dutos excretores 
se aproximam do canal ejaculador formando 
um conjunto fusiforme de cerca de 5 mm. 
de comprimento por 0,6 mm. de largura ma- 
xima e finalmente se abrem neles depois de 
se reunirem quatro a quatro. 

O canal ejaculador, que, como vimos, 
corre reunido aos dutos das glândulas pros- 
taticas, até o fundo da bolsa copuladora a 
eles se reúne para então se abrir no penis 
que é constituido por uma saliência musculosa 
t no fundo da bolsa copuladora. A 
bolsa copuladora é pequena, de paredes mus- 
culosas e fortes. 

O aparelho genital femeo consta, como 

nas deu: ns Qigantorhynchidae, de dois ovario- 

de grandes dimensões ede um ove- 

jector. O OVejedor (fig. 5<U é constituido por 
ampla campai lha provida de divertieulos la- 



terais em fundo de saco, e de vajina mus- 
culosa, dividida em duas partes : uma interna 
de paiedes menos espessas e de diâmetro 
maior, e outra de paredes mais espessas e 
de diâmetro muito reduzido (fig. 50); a 
vulva fica situada subterminalmente. 

Protejcndo a vajina existem músculos 
destacado da camada interna da parede do 
corpo. Os ovos são de 3 envolucros como 
em todos os acantocefalos e medem 0,092 
0,100 mm. de comprimento por 0,051 a 0,05í> 
mm. de largura maxima. 

O desenvolvimento larvario se realiza em 
larvas de insetos da ordem dos coleópteros, 
onde se enquistam. Quando os insetos por- 
tadores de quistos são injeridos pelos hos- 
pedeiros definitivos, as larvas são postas em 
liberdade pela injestão dos envolucros quis- 
ticos e fixam-se ás paredes do intestino para 
terminarem seu desenvolvimento. 

Habitat: Adultos no intestino de: 

Homo sapiens L. 

Sus (S.) scrofa L. 

Sus (S.) scrofa dom. L. 

Sus (S.) cristatus WAGNER. 

Tayassus (T.) tajam (L.) 

Hyaena hyaena (L.) 
Larvas na cavidade geral de : 

Biloderus abderus STURN. 

Cetonia aurata L. 

Melolonta mclolonta (L.) 

Lachnosterna arquata SMITH. 

Trabalhamos no seguinte meterial: 

Sus (S.) scrofa dom. L, Santa Cruz, cot. por FARIA 
III— 911 

Sus (S.) scrofa dom. L. Santa Cruz, col. por FARIA 
IX-913 

Sus (S.) scrofa dom. L. Rep. Argentina, cot. por 
NF.IVA 111-913 

Sus (S.) scrofa dom. L. Santa Cruz, col. por FARIA 

Sus (S.) scrofa dom. L. Santa Cruz, cot. por TRA- 
VASSOS IV-91 5 

Sus (SJ scrofa dom. L. Santa Cruz, col. pos FARIA. 

Genero Om.icola TRAVASSOS, 
1916. 

Prosthenorckinae de dimensões pequenas, 
de corpo piriforme, alongado, pouco rugoso, 
achatado; tromba de tamanho regular, guar- 
necida de fortes ganchos de dupla raiz, sendo 
a basal muito pequena; pescoço presente, 



49 



cónico; leniscos muito grandes, atinjindo na 
femea o ovejector e no macho o canal eja- 
culador; testículos redondos, pequenos, si- 
tuados na metade probocidiana, obliquamente 
ao eixo longitudinal do parasito ; glándulas 
piostaticas volumosas relativamente aos tes- 
tículos, situadas logo em seguida a estes, 
muito próximas de modo a se deformarem ; 
canal ejaculador e dutos das glândulas pros- 
taticas formando um conjunto volumoso ; 
bolsa copuladora grande. 

Habitat: Os adultos no estomago e in- 
testino de carnívoros e as larvas no tecido 
conjuntivo de mamíferos desdentados. 

Esp. tipo. : Ondeóla ondeóla (v. IHE- 
RING, 1892.) 

Oncicola oncicola (v. 1HERÏNG, 1892.) 

(Est. IX fig. 52-56; Est XIV, fig 90-92.) 

Comprimento: 9 10 a 13 mm.; d 9 a 
11 mm. 

Largura: 9 3 a 4 mm. ; o" 2,5 a 3 mm. 

Corpo rugoso, piriforme e alongado, 
iendo a maior largura na extremidade pro- 
bocidiana; é achatado dorso-ventralmente e 
o eixo Ionjitudinal é reto ou lijeiramente 
curvo sobre um dos bordos do corpo. 

A tromba (fig. 54) é bem desenvolvida, 
medindo cerca de 1 mm. ou pouco menos de 
comprimento por 0,5 de maior largura; é 
guarnecida de 5 a 6 series transversais de 
ganchos, dos quais só os basais não apre- 
sentam duas raizes. 

Os ganchos (fig. 53) são de 4 tipos prin- 
cipais; os apicais apresentam dupla raiz, 
sendo as raizes basais muito pequenas. Os 
ganchos da I a e 2a series transversais, a 
partir do vértice da tromba, têm a forma 
usual dos ganchos das Gigantorhynchidœ, 
porém, «s da 3 a e 4 a series apresentam na 
raiz apical um prolongamento lateral asimé- 
trico que nos ganchos da 4 a serie atinjem 
proporções exajeradas como se vê nitidamen- 
te na fig. 53; estes prolongamentos são diri- 
gidos para lados opostos, relativamente aos 
ganchos da outra serie, sendo em cada serie 
iodos dirijidos para o mesmo lado; os ganchos 
da 5 a e 6 a series apresentam como raiz ape- 



nas uma dilatação mais ou menos elipsoide 
tendo o grande eixo dirijido' transversalmen- 
relativamente ao eixo da tromba. Todos os 
ganchos apresentam um pequeno dente re- 
currente perto da extremidade livre. 

Os ganchos têm as seguintes dimensões, 
medidas de perfil, como são representados 
na fig. 53. 

Distancia da ex- Distancia outre as 

Tipos de ganchos treinidadè livre & extremidades das 
da raiz apical raizes 

1« tipo 0,348 mm. 0,177 mm. 

2o tipo 0,268 mm. 0/49 mm. 

3» tipo 0,227 mm. 0,13 mm. 

4° tipo 0,120 mm. 

Pescoço cónico, com cerca de 0,5 a î 
mm. de comprimento. Leniscos muito longos, 
alcansando a extremidade genital da cavidade 
do corpo, apresentam varios núcleos, sobretudo 
na metade basal, terminam em ponta arre- 
domdade e tem seção elitica, quasi ciicular. 
Em seu interior existe uma lacuna que vista 
em corte transversal tem aspeto arborescente 
devido a pequenos ramos lateraes. 

As paredes do corpo tem a mesma ex- 
trutura dos demais Gigantorhynchidae, isto é; 
tem externamente uma cutícula anista e bem 
espessa. Os músculos da parede são dispos- 
tos em tres camadas. A primeira camada 
muscular é comstituida por fibrilas entrela- 
çadas e dirijidas em todas as direções. Estas 
fibrilas são dispostas demodoa terem, quando 
observadas em cortes transversaes, aspeto es- 
tratificado; estas estratificações são em nu- 
mero de quatro ou cinco e progressivamente 
mais largas e menos densas a proporção 
que se afastam da cutícula. 

A segunda camada muscular é consti- 
tuida por fibrilas de direção radial e nela se 
encontram as Iao<nas. Estas são constituidas 
por dois troncos principaes lonjitudinaes, 
por numerosos ramos transversais, de seção 
geralmente hubtriangular e de ramificações 
menos importantes e de seção elitica. Os nú- 
cleos aí existentes se dispõem em quatro 
cadeas lonjitudinaes que marjeiam as grandes 
lacunas. 

A terceira camada muscular é constituida 
por músculos cilíndricos dispostos em duas, 
series, uma transversal e outra Ionjitudinal. 



M 



A espessura das paredes do corpo e 
proporcional a grossura do parasito, isto é, 
aumenta de espessura onde o corpo atinje 
maior diâmetro. 

O aparelho genital femeo é constituido 
por cvario-uteros e ovejector; este constituido 
por campainha e vajina. A campainha é pro- 
vida de diverticulos recurrentes e em fundo 
de saco. O conjunto do ovejector mede cerca 
de 0,8 min. de comprimento e está em rela- 
ção com os longos lenisccs que caracterisam 
este parasito. Os ovos são elipsoides e 
medem 0,099 mm. de comprimento por 0,071 
a 0,075 mm. de maior largura. 

O aparelho genital macho é constituido 
por testículos sub -esféricos, dispostos 
um ao lado do outro um pouco obli- 
quamente ; estão situados na parte mais dilata- 
da do corpo, isto é, perto da extremidade 
proboscidiana. Estão em relação com a 
bainha da tromba, com as glândulas prosta- 
ticas e com os leniscos ; medem cerca de 
0,8 a 1 mm. de diâmetro. As glândulas pros- 
taticas são em nunero de oito, quasi esféri- 
cas e pouco menorf.s que os testículos, ficam 
dispostas mais ou menos aos pares. O canal 
ejaculador e os duetos das glândulas pros- 
latícas formam um conjunto fusiforme de 
cerca de 1,5 a 2 mm. de comprímeme por 
0,5 a 0,S mm. de maior largura. A bolsa co- 
puladora é muito desenvolvida. 

O desenvolvimento larvario se réalisa em 
mamíferos (Tatus) nos quaes uma vez os 
• aos injeridos atravessam as paredes do tubo 
dijestivo indo se enquistar no tecido con- 
juntivo ou nos músculos das visinhanças, 
onde termina o desenvolvimento larvario e 
onde ficam as larvas enquistadas a espera de 
serem libertadas de seus quistos pelos sucos 
dijestivos do hospedeiro definitivo. As larvas 
quando atinjem o máximo de crescimento 
medem 6 a 7 mm. de comprimento por 1,5 
mm. de maior largura; são talsiformes e nelas 
pede-se observar os rudimentos de todos os 
orgã<>s ilo adulta A tromba fica envajínada 
e os ganchos completamente desenvolvidos 
apresentam a forma característica da es- 
pecie. 



Em resumo a larva tem mais ou menos 
a mesma forma de corpo e os órgãos rudi- 
mentares guardam as mesmas relações; os 
ganchos são iguaes e apenas nas larvas muito 
novas não se acham ainda bem qnitinisa- 
dos. 

Habitat: Adultos no estomago e intesti- 
no de: 

Felis (Leopardus) onça L. 
Felis (Catopuma) jaguarundi FICH. 
Larvas no tecido conjuntivo ou múscu- 
los de: 

Tatus 5/7. 

Em nosso catalogo foi mencionado por engano como 
hospedeiro desta especie o F. pardus. 

Trabalhamos no seguinte material: 

Felis onça L. Rio Feio— Bauru. S. Paulo. Col. por 
GARBE-1901. (Mus Paul.) 

Felis jaguarundi FISCH. Col. v. IHERIO— (Mws 
Paul.). 

Tatus sp. S. Catharina. Col. por NATHERER. 

Genero F»ai-tl£ilis» TRAVASSOS, 
1917. 

Prosthènorchinae de leniscos muito longos 
e com varios núcleos , atinjindo, nas 
fêmeas alem do meio do corpo e nos machos 
o testículo proximal; testículos elipsoides, si- 
tuados na parte mediana do corpo; glândulas 
prostalícas ovoides, dispostas aos pares, pró- 
ximas dos testículos ; canal ejaculador longo; 
bolsa copuladora grande. 

Esp. tipo: Partialis partialis (WESTRVMB 
1821). 

Habitat: Intestino de felíneos. 

Só é conhecida uma especie deste gene- 
ro. 

Pardalis pardalis (WESTRUMB, 1821), 

Est. X, flg. 56c-e; Est. XV, fig. 92b; Est. XVII, flg. 
101-103; Est XXIVa, flg. 148). 

Comprimento: 9 30 a 40 mm; o" 30 
mm. 

Largura: 9 1 a 2,5 mm.; d 1 a 1,5 
mm. 

Corpo (fig. 92b). liso, com lijeira ondu- 
lação da superficie, diminue de diámetro 
para as extremidades. A tromba é robusta, 
retratil na extremidade do corpo; é guar- 



51 



mecida de ganchos muito robustos e de 
dupla raiz eceto os das ultimas series trans* 
versaes. 

Os ganchos (fig. 56d), são dispostos em 
5 a 6 Series transversaes e são de 4 tipos 
principaes com as seguintes dimensões: 

Distancia da ex- Ditancia entre as 

Tipos de ganchos tremldade livre á extremidades das 
da raiz apical raizes 

1° tipo 0,22 mm 0,15 mm. 

2° tipo 0,30 mm. 0,19 mm. 

3" tipo 0,26 mm. 0,15 mm. 

4 o tipo 0,21 mm. 

As raizes tém formas muito carecteristi- 
cas e comparáveis ás do Ondeóla. Não existe 
pescoço. 

Os leniscos (fig. 5:c) são cilindricos, 
muito longos e com numerosos núcleos, 
medem cerca de um terço do comprimento 
do parasito e muitas vezes acham-se mais ou 
menos enrolados. 

As paredes do corpo (fig. 148) tem mus- 
culatura pouco desenvolvida relativamente as 
outras especies. 

A cutícula é espessa. A primeira camada 
muscular tem a metade da espessura da se- 
gunda, nela as fibrilas musculares são diriji- 
das em todas as direções, predominando 
contudo, as transversais ou anulares; não a 
formação de estratificação como em muitas 
outras especies. 

A segunda camada muscular, nitidamen- 
te separada da primeira, é muito densa e 
constituída por fibrilas cuja direção predo- 
minante é a radial. Nesta camada muscular se 
encontram os núcleos e o sistema lacunar. 

O sistema lacunar muito pouco desen- 
volvido nesta especie é constituido por duas 
lacunas principais, lonjitudinais e poucas, 
pequenas, transversais e lonjitudinais ; desa- 
parece quasi inteiramente nas extremidades. 
Os núcleos são pequenos, numerosos e 
não são dispostos em cadeias. A terceira ca- 
mada muscular é constituida por músculos 
cilindricos, pouco desenvolvidos e dipostos 
em uma serie anular e uma ou duas longi- 
tudinaes. Estes músculos são constituídos 
como nas outras especies, isto é, por porções 
diferenciadas de grandes células que fazem 
saliência na cavidade do parasito. 



O aparelho genital femeo é constituído 
pelos ovario-uteros que ocupam toda a cavi- 
dade do parasito e pelo ovejector. O ove- 
jector se compõe de duas partes : cam- 
painha e a vajina. 

A campainha apresenta dois diverticulos 
em fundo de saco, como as outras especies, 
mas muito reduzidos; a abertura não é ampl.i 
como nas outras especies que conseguimos 
estudar bem este órgão, ao contrario é estrei- 
tada. 

A vajina é longa e devídida em duas 
partes, uma próxima da campainha, cónica e 
ampla, e outra que comunica com o exterior, 
cilindrica estreita e tendo perto da terminação 
um volumoso esfincter. O conjunto do ove- 
jector mede, em exemplares de tamanho 
medio, cerca de 1,75 mm., sendo 0,60 mm. 
para a campainha e 1,15 mm. para a vajina. 

Os ovos tém tres involucros e são elip- 
soides, medem 0,053 a 0,063 mm. de com- 
primento por 0,038 a 0,042 mm. de maior 
largura. 

O aparelho genital macho é constituído 
por dois testículos elipsoides situados na 
parte media do corpo, por oito glândulas 
prostaticas ovoides e pela bolsa copuladora. 

Os testículos medem cerca de 2 a 3 mm. 
de comprimento por 0,5 mm. de maior lar- 
gura; ficam afastados por uma distancia 
igual a metade do comprimento. As glându- 
las prostaticas são dispostas mais ou menos 
aos pares, juntas, mede o conjunto cerca de 
3 a 4 mm. de comprimento por 0,8 a 1 mm. 
de largura. 

O canal ejaculador e os duetos das 
glândulas prostaticas formam um conjunto 
fusiforme longo de 3 a 4 mm. 

A bolsa copuladora é muito grande. 

O desenvolvimento lai vario é desconhe- 
cido. 

Habitat: Intestino de: 

Felis (Uncia) concolor L. 
Felis (Leopardus) onça L. 
Felis (Oncoides) tigrina ERXL, 
Felis (Oncoides) geoffroyi ORBIGNY. 
Felis (Zibethailarus) chibigonzou 
GRIFF. 



>2 



Além destes hospedeiros é citado o F. rmlltvora, que 
não é mencionado no catalogo de TROUESSART e não 
vahemos a que especie corresponde. Em trabalho por 
nós publicado aproposito dos helmintes da coleção do 
Museu Paulista (Brar. Med. XXXI, p. 121) mencionamos 
t-omo hospedeiro das lars.is de^ta especie duas cobras 
não veneno.as; mais tarde, porém, verificamos nos termos 
equivocada, pois as larvas era questão pertencera ás duas 
O. taenioides e O. spíra. 

Trabalhamos no seguinte material : 

Felis tigrina. Rio Orande, São Paulo IX -916 Museu 
Paul. n, 181, Col. por J. UMA. 

Felis mitis São Paulo, X -1898, Mus. Puul. n. 80 
I oí. por A. I 11/ 

ro Hamburgo -Rio Orande do 
Sal Mas. Paul. ». 168. Col. por SCHMALTZ. 

Felis tkibigonxou -Ubatuba-São Paulo, V— 90S. Col. 
por OARBE. Mus. Paul. 



Lista dos hospedeiros. 
MAMMALIA. 

Homo sapiens L 

Macracanthorhynchus herudinaceus PALLAS, 1781). 
Echinorhynchus (s. 1.) hominis LAMBL, 1859. 
Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1311). 

I*KÍin;ite«s. 

SSÍllíÍÍcI;i<*. 

< fTí'opithecinae. 
Macacus sp. 

•norchis spirula (OLFERS, 1819). 

< »>i<l;i«*. 

Nyd i|>itlic»<-inae. 

Saimiris sciurea (L.) 

norchis elegans (DIESING, 1851). 

Cebus fatuellus L. 

norchis spirula (OLFERS, 1819). 

< «-ill itrliriciclae. 

CaUithrix jaechus L. 

norchis elegans (DIESINO, 1851). 

Callillirix crysolenca NATT. 

Prostln-;;orchi- dl ■■;: (DIESINO, 1851). 

Midas (Leontopithechus) rosália WEID. 

Prosthenorchis elegans (DIESINO, 1851). 
Prosthenorchis spirula (OLFERS, 1810). 

Midas (Œdipomidas) geoffroyi PULCH. 

Prosthenorchis elegans (DirSINQ, 1351). 

Midai s|). 

Prosthenorchis elegans (DII.SiNG, 1 Si). 
Prosthenorchis spirula (OLFERS, 1319). 



C:heiroptera. 
Phyllostomidáe. 
F*hyllo«f oxii i náe< 

Artibeus (Artibeus) jamaícensis LEACH. 

Prosthenorchis (s. I.) novellai (PARONA, 1890). 

I nü-iCícti-vor-.a. 
E i-i nace i <lae. 
lírinaceinae. 

Erinaceus algirus DUV. 

Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1811) 
Prosthenorchis (s. 1.) erir.acei (RUDOLPHI, 1793> 

Erinaceus albivenlris WAGNER. 

Moniliformis cestodiformis (v. LINSTOW, 1904). 
Erinaceus frontalis SMITH. 

Moniliformis cestodiformis (v. LINSTOW, 1904). 

Erinaceus europaeus L. 
Prosthenorchis (s. I.) erinacei (RUDOLPHI, 1783). 
Gigantorhynchus (s. 1 ) major (BREMSER, 1811) 
Echinorhynchus (s. 1.) ainphipachus WESTRUMB. 
1821 (Larva). 

Talpidae. 
Talpiíiae. 

Taipa (Taipa) europea L. 

Prosthenorchis (s. 1.) circumflexus (MOLIN, 1858). 

Carnívora. 

Procyonidae, 

Potosinae. 

Nasua narica L. 

Prosthenorchis Hihei TRAVASSOS, 1916. 

Procyon lotor L. 

Prosthenorchis (s. I.) ingens (v. LINSTOW, 1879). 

1V1 u«stc* 1 i cLaet. 

Mu«telinae. 

Galera barbara L. 

Prosthenorchis elegans (DIESING, 1851). 

Putorius (Putorius) putorius L 

Moniliformis moniliformis (BRLMSER, 1811). (Hos- 
pedeiro acidental. 

Prosthenorchis (s. I.) erinacei (RUDOLPHI, 1793» 
(Larva). 

Echinorhynchus (s. 1.) putorii MOLIN, 1858. 

Putorius (Arctogale) vulgaris ERXL 

Echinorhynchus sp. 

Mustela sp. 

Echinorhynchus (s. LI putorii MOLIN, 1858. (Larva). 

Mustela foina ERXL. 

Echinorhynchus (s. I., depress NITZCH, 186o 
(Larva). 

< '.-iiiiclae. 

< ¡aniñan 

Canis (Canis) familîaris L. 



53 



Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1811). 

Canis (Thos) aureus L. 

Prosthenorchis (s. I.) pachyacanthus (SONSINO, 1889) 

Vulpes (Megalotis) zerda ZIMM. 

Prosthenorchis (s 1.) pachyacanthus (SONSINO, 1889) 

Hyaenidae. 
Hyaninae. 

Hyaena hyaena (L.) 

Macracanthorhynchus hirudinaceus (PALLAS, 1781). 

F^ilidae. 
Filinae. 

Fel is (Leopardus) onça L. 

Oncicola oncicola (v. IHERINO, 1902). 
Pardalis pardalis (WESTRUMB, 1821). 

Felis (L.) pardus L. 

Pardalis pardalis (WESTRUMB, 1821). 

Felis (Lynx) lynx L. 

Prosthenorchis (8. 1.) pachyacanthus (SONSINO, 
1889). 

Felis (Uncia) concolor L. 

Pardalis pardalis (WESTRUMB, 1821). 

Felis (Onçoides) tigrina ERXL. 

Pardalis pardalis (WESTRUMB, 1821). 

Felis (Onçoides) geoffroyi d'ORBIONY. 

Pardalis pardalis (WESTRUMB, 1821). 

Felis (Onçoides) mitis CUVIER. 

Pardalis pardalis (WESTRUMB, 1821). 

Felis (Zibethailurus) chibiguouazou ORI- 
PH1TH. 

Pardalis pardalis (WESTRUMB, 1821). 

Felis (Catopuma) jaguarundi FISCH. 

Oncicola oncicola (v. IHERINO, 1904). 

Felis mellivora IllOER. 

Pardalis pardalis (WESTRUMB, 1821). 

Rodencia. 
Sciuridae. 
Sciurinae. 
Sciurus (Parasciurus) niger L. 

Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1811). 

Citellus (Citellus) citillus (L.) 

Prosthenorchis (s. 1.) erinacei (RUDOLPHI, 1793).- 
Echinorhynchus (s. 1.) pseudosegmenthus KNUEPF 



FER, 



Myoxidae. 

Myoxinae. 
Eliomys quercinus (L.) 

Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1811). 

IVIi_ii~i<la,e. 

Murinae. 

Mus (Epimys) albipes RUPPEL. 



Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1S11). 
Mus (Epimys) norwegicus ERXL. 

Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1811). 

Mus (Epimys) rattus L. 

Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1811). 

Cricetinae. 

Cricetus (Cricetus) ericetus (L.) 

Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1811). 

Microtinae. 

Microtus (Microtus) arvalis PALL. 

Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1811). 

Leporidae. 

Lepus (Lepus) sinaiticus HEMP. & 
EHREMB. 

Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1811). 

Lepus (Lepus) cuniculis dom. L. 
Echinorhynchus (s. 1.) cuniculis BELLINOHAM, 
1844. 

Un gui a tau 

Suidae. 

Tayassinae. 

Tayassus (Tayassus) tajacu (L.) 

Macracantorhynchus hirudinaceus (PALLAS, 1781) 

Sus (Sus) scrofa L. fer. e dom. 

Macracanthorynchus hirudinaceus (PALLAS, 1781). 

Sus (Sus) cristatus WAGNER. 

Macracantorhynchus hirudinaceus (PALLAS, 1781). 

Potamochoerus larvatus CUV. 

Prosthenorchis (s. 1.) haraatus (v. LINSTOW, 1897). 

Edentata. 
Myrmecophagidae. 

Myrmecophaga jubata L. 

Gigantorhynchus echinodiscus (DIESINO, 1851). 

Tamanduá tetradactyla L. 

Gigantorhynchus echinodiscus (DIESINO, 1851). 

Cyclops didactylus L. 

Gigantorhynchus echinodiscus (DIESINO, 1851). 

Dasypodidae. 

Tatusinae. 

Tatus (Tatus) novemcinctus L. 

Haraanniella carinii TRAVASSOS, 1916. 

Tatus sp. 

Oncicola oncicola (v. IHERING, 1902) (Larvas.) 

Marsupialia. 
Paramelidae. 
Párameles obesula SHAW. 

Prosthenorchis (s. 1.) semoni (v. LINSTOW, 1898). 



54 



I3idolpli>'icl«.e. 

Didelphys (Did.) virginiana KERR. 

Hamanniella microsephala (RUDOLPHI, 1819). 

Didelphys (Did.) marsupialis L. 

Hamanniella raicrocephala (RUDOLPHI, 1819). 

Didelphys (Philander) philander L 

Hamanniella microcepliala (RUDOLPHI, 1819)- 

Didelphys (Mormosa) murina L. 

Hamanniella raicrocephala (RUDOLPHI, 1819). 

AVES. 

Aroipitrea. 

Falconis. 

"Viiltriiï-iclae. 

Vultur sp. 

Erapodius mirabilis (de MARVAL, 1905). 

Cathartes papa L 

Oligacanthorhynchus spira (DIESINO, 1851). 

Catharistes atratus (BARTHAN). 

Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 1S51). 

Œnops aura L. 

Oligacanthorhynchus spira (DIESINO, 1851). 

Œnops urubutinga (PELZ). 
Oligacanthorhynchus spira (DIESINO, 1851), 

Falconidae. 
Polyborinae. 
Cariama cristata L. 

Oligacanthorhynchus taenioides (DIESINO, 1851). 

Accipitrinae. 

Circus cyaeneus L. 

Oligacanthorhynchus lagenaeformis (WESTRUMB, 
1821). 

Circus pygargus L. 

Monilifo.-mis moniliformis (BREMSER, 1811) (Hos- 

acidental.) 
Oligacanthorhynchus lagenaeformis (WESTRUMB, 
1821). 

Geranospizias caerulescens VIELL. 

Oligacanthorhynchus iheringi TRAVASSOS, 1916. 

Artur novaehollandia (GM.) 

Oigantorhynchus (s. 1.) asturinus JOHNSTON. 1913. 

Trachytriorchis albicaudatus VIELL. 

Oligacanthorhynchus iheringi TRAVASSOS, 1916. 

HeterospiVias meridionalis (LATH). 

Oligacanthorhynchus iheringi TRAVASSOS, 1916. 

Busarellus nigricollis LATH. 

ynchus iheringi TRAVASSOS, 1110. 

Urulnitinga sonura SHAW. 

Oligacanthorhynchus iheringi TRAVASSOS, 1910. 



Harpyaliaetus coronatus VIELL. 

Oligacanthorhynchus iheringi TRAVASSOS, 1916. 

Aciuilinae. 

Leptodon cayennensis (GM,) 

Oligacanthorhynchus iheringi TRAVASSOS, 1916. 
Passe r i tfo r in i s. 

Corvidae. 
Corvinae. 
Coloeus monedula (L.) 

Oligacanthorhynchus corapressus (RUDOLPHI, 



1802). 



1802). 



Corone cornix (L.) 

Oligacanthorhynchus compressus (RUDOLPHI, 

I. 

Turdidae, 

Turdinae, 
Montícola saxatilis (L.) 

Prosthenorchis (s. I.) pachyacanthus (SONS1NO, 
»)• 

Iteridae. 

Angelanidae. 
Dolichonyx oryzworus (L.) 

Empodios vaginatus (DIESINO, 1851). 

Cotingidae. 
Rupicolinae. 
Rupicula crocea VIEILL 

Empodios vaginatus (DIESING, 1851). 

Picariae. 

Coraciae. 

Caprimulginae. 

Podager nacundá (VIEILL.) 

Empodius vaginatus (DIESING, 1851). 

Scansores. 
JPicicliie. 

Colaptes mexicanus SWA1NSON. 

Oligacanthorhynchus manifestus iLEIDY, 1856). 

FCh£viiilDlriits-ticla,e. 

Rhamphastus culminatus GULD. 

Empodius vaginatus (DIESING, 1851). 

Pteroglossus viridis (L.) 

Empodius vaginatus (DIESING, 1851). 

Gal li ji-te. 

I *li;iî-iî.-vniclno. 

Numida ptilorhyncha LICHT. 



55 



1821). 



Empodius taeniatus (v. LINSTOW, 1901). 
Numida rikwae RCHW. 
Empodius taeniatus (v. LINSTOW, 1901). 

Oticiiclae. 

Otis tarda L. 

Empodius taeniatus (v. LINSTOW, 1901.) 

Otis sp. 

Empodios otidis (M1ESCHER, 1841). 

Houbara macqueenii GRAY. 

Empodius otidis (MIECHER, 1841). 

Limicolae. 
Charadriidae. 

Charadrius pluvialis L. 

Echinorhynchus (s. I.) tnacracanthus (WESTRUMB, 

Oedicinemidae. 

Oedicinemus oedicinemus (L.) 

Empodius otidis (MIECHER, 1841). 

Herodiones. 
Ardeidae, 
Árdea cinérea L. 

Empodius empodius (SKRJABIN, 1913). 

Clioiiomoi'i^liiie. 
AniVtidac 

Nettion brasiliensis (OM.) 
Prosthenorchis avicola TRAVASSOS, 1916. 

LACERTÍLIA. 

Scii-it-icla-e. 

Eumeces algeriertsis BOUL. 

Prosthenorchis (s. 1.) curvatus (v. LINSTOW, 1897). 

OpliiclicV. 
ESoidae. 

Boa constrictor L. 

Oligacanthorhynchus taeníoides (DIESING, 1851). 
Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 1851). 

Colubridae. 
Colubrinae. 

Drymobius bifossatus RADDI. 

Oligacanthorhynchus taenioides (DIESING, 1851). 
Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 185Í). 

Colubei quatuodineatus (LACEP). 

Oligacanthorhynchus compressus (RUDOLPHI, 1802) 

Xenodon merremii (WAGL.). 

Oligacanthorhynchus taenioides (DIESING, 1851). 
Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 1851). 

Lystrophis histrichus (JAN.). 



Oligacanthorhynchus taenioides (DIESINO, 1851). 
Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 1851). 

Rhadinea merremii (WIED). 

Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 1851). 

Homalopinae. 
Dipsadomorphus dendrophilus (BOIE). 

Oligacanthorhynchus taenioides (DIESING, 1851). 
Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 1851). 

Oxyrhophus cloelia (DAUD.) 

Oligacanthorhynchus taenioides (DIESING, 1851). 
Oligacanthorhynchus spira (DIESING. 1851). 

Philodryas olfersii LICH. 

Oligacanthorhynchus taenioides (DIESING, 1841). 
Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 1851). 

Erithrolamprus aesculapii L. 

Oligacanthorhynchus taenioides (DIESING, 1851). 
Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 1851).- 

Vipei-idae. 

Crotalinae. 

Lachesis lanceolatus LACEP. 

Oligacanthorhynchus taenioides (DIESING, 1851). 
Oligacanthorhynchus spira (DIESING, 1S51). 

Lachesis neuwiedi WAGL. 

Oligacanthorhynchus taenioides (DIESINO, 1851). 
Oligacanthorhynchus spira (DIESINO, 1851). 

Orthoptera. 
Blfi/ttidae. 

Blatinae. 

Periplaneta americana L. 

Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1811). 

Coleóptera. 
Tenebrionidae. 
Septenidae. 
Baaps mucronata LARR. 

Moniliformis moniliformis (BREMSER, 1811). 

Lamellicornea. 

Scarabeidae. 

Melolontinae. 

Melolonta melolonta L. 

Macracanthorhynchus hirudinaceus (PALLAS. 1781) 

Lachnosterna arcuata SMITH. 

Macracanthorhynchus hirudinaceus TALLAS, 1781). 

Biloboderus abderus STURN. 

Macracanthorhynchus hirudinaceus (PALLAS, 1781). 

Cetonia aurata L. 

Macracanthorhynchus hirudinaceus (PALLAS, 1781). 



56 



Explicação das figuras. 
Abreviaturas. 

Ab. div. camp. .. Abertura deumdiver- 
ticulo na campainha. 

Ab. vaj Abertura da campainha 

na vajina. 

Camp Campainha. 

Cav. da bols. . . . Cavidade da bolsa co- 
puladora. 

Cels. m Corpo de célula mus- 
cular da campainha. 

Cut Cutícula. 

Div. da cam Diverticulo da cam- 
painha. 

Fibr. m Fibrilas musculares. 

01. pr Glándula piostatica. 

Or. lac Grande lacuna. 

Lac. transv Lacuna transversal. 

Lac Lacuna. 

Lemn Leniscos. 

M. an Músculos anulares. 

M. lonj Músculos lonjitudi- 

naes. 

N. ov Núcleos ovijeros. 

Nucí Núcleo. 

Ov Ovo. 

Par. corp Paredes do corpo. 

Par. bols Paredes da bolsa. 

Test. Testículos. 

Vaj Vajina. 

Est. I. Fig. l.-Gig. echinodiscus, cf adulto. 
Fig. 2. -Gig. echinodiscus, tromba e 

pescoço de lado. 
Fig. 3. -Gig. echinodiscus, tromba 

de frente. 
Fig. 4. -Gig. echinodiscus, ganchos 

da tromba e pescoço de 

lado. 
Fig. 5. -Gig. echinodiscus, gancho 

da tromba de frente. 
Fig. 6. -Oig. echinodiscus, ovejecior. 
Fig. 7. -Gig. echinodiscus, ovo. 

Est. II. Fig. 8. -Moniliformis moniliformis, tf 
adulto. 
Fig. 9.- Moniliformis moniliformis, rf 
novo. 



Fig. 10.- 


Moniliformis moniliformis, 




tromba de novo. 


Fig- 11. 


-Moniliformis moniliformis, 




tromba de adulto. 


Fig. 12. 


Moniliformis moniliformis, 




ganchos da tromba. 


Fig. 13. 


Moniliformis moniliformis, 




ovo. 


Fig. 14. 


Moniliformis moniliformis, 




larva. 


Est. III. Fig. 15 


.-Oligacanthorhynchus spira, 




d adulto. 


Fig. 16. 


Oligacanthorhynchus spira 




tromba de adulte 


Fig. 17.- 


-Oligacanthorhynchus spira, 




tromba de novo. 


Fig. 18. 


-Oligacanthorhynchus spira, 




ganchos da tromba. 


Fig. 19.- 


-Oligacanthorhynchus spira, 




ovo. 


Fig. 20.- 


-Oligacanthorhynchus spira, 




larva. 


Est. IV. Fig. 21. 


-Olig. taenioides, d" adulto. 


Fig. 22.- 


-Olig. taenioides, J novo. 


Fig. 23. 


-Olig. taenioides, tromba de 




lado. 


Fig. 24. 


-Olig. taenioides, tromba de 




frente. 


Fig. 25. 


-Olig. taenioides, ganchos da 




tromba. 


Fig. 26.- 


-Olig. taenioides, ovo. 


Est. V Fig. 27.- 


-Olig. iheringi, d" adulto. 


Fig. 28. 


-Olig. iheringi, ganchos da 




tromba. 


Fig. 29. 


-Olig. iheringi, tromba de 




lado. 


Fig. 30. 


-Olig. iheringi, tromba de 




frente. 


Fig. 31. 


-Olig. iheringi, ovo. 


Est. VI. Fig. 32 


.-Ham. microcephala, d 




adulto. 


Fig. 33.- 


-Ham. microcephala, ganchos 




da tromba. 


Fig. 34. 


-Ham, microcephala, tromba 




de frente. 



Fig. 35. -Ham. microcephala, es- 
quema do aparelho ge- 
nital macho. 
Fig. 36. -Ham. microcephala, ovo. 

Est. VII. Fig. 37. -Prosth. elegans, d adulto. 
Fig. 38. - Prosth. elegans, ganchos da 

tromba. 
Fig. 39. - Prosth. elegans, tromba de 

frente. 
Fig. 40. -Prosth. elegans, ovo. 
Fig. 41. -Prosth. spirula, <S adulto. 
Fig. 42. -Prosth. spirula, ganchos da 

tromba. 
Fig. 43. -Prosth. spirula, ovo 
Fig. 44. -Prosth. lühei, ganchos da 

tromba. 

Est. VIII. Fig. 45- Prosth. avícola, ganchos 

da tromba. 
Fig. 46. -Prosth. avicole, ovo. 
Fig. 47.- Macrae, hirudinaceus, cf 

adulto. 
Fig. 48.-Macrac. hirudinaceus, 

ganchos da tromba. 
Fig. 49. -Macrae. hirudinaceus, 

tromba de frente. 
Fig. 50. -Macrae hirudinaceus, ove- 

jector. 
Fig. 51. -Macrae, hiiudinaceus, ovo. 

Est. IX. Fig. 52- Ondeóla ondeóla, ó adulto. 
Fig. 53. -Ondeóla ondeóla, ganchos. 

da tromba. 
Fig. 54. -Ondeóla ondeóla, tromba 

de frente. 
Fig. 55. — Ondeóla ondeóla, ovo. 
Fig. 56.-Oncicola ondeóla, larva. 

Est. X. Fig. 56a.— Prosth. lühei, cf. 

Fig. 56b.— Prosth. lühei, ovo. 
Fig. 56c-Pardalis pardalis, o". 
Fig. 56d. - Pardalis pardalis, ganchos. 
Fig. 56e. - Pardalis pardalis, ovo. 

Est XI. Fig. 57. -Oig. echinodiscus, d adulto. 
Fig. 58. -Gig. echinodiscus, 9 adulto. 
Fig. 59.-Monil. moniliformis, ¿adulto. 
Fig. 60.— Monil. moniliformis, 9 adulto. 
Fig. 61. -Monil. moniliformis, $ adulto. 
Fig. 62.-Olig. spira, d adulto. 



Fig. 63.-Olíg. spira, 9 adulta. 
Fig. 64.-01ig, spira, d adulto. 
Fig. 65.— Olig. spira, 9 adulto. 

Est. XII. Fig. 66. -Olig. taenioides, cf adulto. 
Fig. 67. -Olig. taenioides, 9 adulta. 
Fig. 68. -Olig. taenioides, d adulto. 
Fig. 69. -Olig. taenioides 9 adulta. 
Fig. 70. -Olig. iheringi, 9 adulto 
Fig. 71. -Olig. iheringi, cf adulto. 
Fig. 72.— Olig. iheringi, 9 adulta. 
Fig. 73. -Olig. iheringi, 9 9 novas. 

Est. XIII. Fig. 74. - Ham. microcephala, 9 
adulto. 
Fig. 75. -Ham. microceplala, J adulto. 
Fig. 76. -Prosth. elegans, 9 adulta. 
Fig. 77. -Prosth. elegans, 9 adulta. 
Fig. 78. -Prosth. elegans, 9 adulta. 
Fig. 79. -Prosth. elegans, cf adulto. 
Fig. 80. -Prosth. elegans, cf adulto* 
Fig. 81. -Prosth. spirula, 9 adulta. 
Fig. 82. -Prosth. spirula, d adulto. 
Fig. 83. -Prosth. spirula, d adulto. 
Fig. 84. -Prosth. spirula, 9 adulto. 
Fig. 85. -Prosth. lühei, 9 9 9 novas. 

Est. XIV. Fig. 86. Prosth. avícola, 9 adulta. 
Fig. 87.-Macracanthorhynchus hiru- 
dinaceus, 9 adulta. 
Fig. 88.-Macracanthorhynehus hiru- 
dinaceus, 9 adulta. 
Fig. 89.-Macracanthorhynchus hiru- 
dinaceus, d adulto. 
Fig. 90.-Oncicola oncicola, d" adulto 
Fig. Ql. -Ondeóla oncicola, 9 adulta 
Fig. 92. -Oncicola oncicola, 9 adulta 

Est. XV. Fig. 92a.— Prosth. lühei, $ $ o". 

Fig. 92b. - Pardalis pardalis, 9 9 d d • 

Est. XVI. Fig. 93.-HamannielIa carini, 9 
nova. 
Fig. 94.-Hamanniella carini, 9 fe- 
cundada. 
Fig. 95.-Hamanniella microcephala, 
d" anómalo. 

Est. XVII. Fig. 96.-Hamanniella carini, d 
novo. 
Fig. 97.-Hamanniella carini, ganchos 



38 



Fig. 98. -Hamanniella carini, ovos. 

Fig. 99. -Prosth. novellai, 9. 

Fig. 100. - Prosth. novellai, ganchos. 

Fig. 101.- Pard. pardalis, d" segundo 
DIESINO. 

Fig. 102. -Pard. pardalis, 9 segundo 
DIESING. 

Fig. 103. -Pard. pardalis, tromba se- 
gundo DIESING. 

Fig. 104. -Empodius invaginatus, 9 
segundo de MARVAL. 

F»g- 105. -Empodius invaginatus, 
ganchos segundo de 
MARVAL. 

Est. XVII!. Fig. 106. - Mon. moniliformis, 

corte tranaversal. 
Fig. 107. -Mon. moniliformis, corte 

transversal. 
Fig. 108. -Mon. moniliformis, corte 

transversal. 
Fig. 109. -Mon. moniliformis, corte 

transversal. 
Fig. 110. -Hamanniella microcephala, 

corte transversal. 
Fig. 111. — Hamanniella microcephala, 

corte transversal. 
Fig. 112. -Hamanniella microcephala, 

corte transversal. 

Est. XIX. Fig. 113. -Hamanniella microce- 
phala, corte transversal. 

Fig. I14.-Hamaniella microcephala, 
corte transversal. 

Fig. 115. -Hamanniella microcephala, 
corte de testículo. 

Fig. 116. -Hamanniella microcephala» 
corte transversal de g!, 
pr. 

Fig. 117.- Hamanniella microcephala, 
corte transversal de canal 
ejaculador. 

Fig. 118. -Hamanniella microcephala, 

corte transversal da bolsa 

e da vesícula escietora. 

Fig. 119. -Hamanniella microcephala, 
corte lonjitudinal, camp. 
e vaj. 



Fig. 120. - Hamanniella microcephala, 
corte lonjitudinal de vaj. 

Est. XX. Fig. 121. -Prosth. elegans, corte 
lonjitudinal da parede. 
do corpo 
Fig. 122. -Prosth. elegans, corte trans- 
versal da parede do 
corpo, parte periférica. 
Fig. 123. -Prosth. elegans, corte trans- 
versal da parede do corpo. 
Fig. 124. — Prosth. elegans, corte lon- 
jitudinal da parede do 
corpo, la camada muscu- 
lar. 
Fig. 125. -Prosth. elegans, corte trans- 
versal gr. lac. 
Fig. 126. -Prosth. elegans, corte lon- 
jitudinal, parede do corpo 

Est. XXI. Fig. 127. -Prosth. elegans, corte 
transversal. 

Fig. 128. -Prosth. elegans, corte lon- 
jitudinal, leniscos e 
ovario-utero. 

Fig, 129. -Prosth. elegans, corte trans- 
versal de leniscos. 

Fig. 130. -Prosth. elegans, corte trans- 
versal de leniscos. 

Fig. 131.- Prosth. elegans, corte lon- 
jitudinal, cadea nuclear. 

Est. XXII. 132. -Prosth. elegans, corte lonji- 
tudinal devajina e vulva. 

Fig. 133. -Prosth. elegans, corte lonji- 
tudinal de vajina e vulva. 

Fig. 134.- Prosth. elegans, corte lonji- 
tudinal de vajina. 

Fig. 135. -Prosth. elegans, corte lonji- 
tudinal de vajina e cam- 
painha. 

Fig. 136. -Prosth. elegans, corte trans- 
versal de campainha e 
seus diverticulos. 
Est. XXIII. Fig. 137. -Prosth. elegans, corte 
transversal, de campainha 
e diverticulos. 

^ig. 138. -Prosth. elegans. corte trans- 
versal, campainha e 
diverticulos. 



59 



Fig. 139. -Prosth. elegans, corte trans- 
versal, campainha e 
diverticulos. 

Fig. 140.— Prosth. elegans, corte trans- 
versal campainha, e 
abertura vajinal. 

Est. XXIV. Fig. 141. -Prosth. elegans, corte 
transversal de campainha 
com abertura vajinal. 
Fig. 142.- Prosth. elegans, corte trans- 
versal de vajina. 
Fig. 143. -Prosth. elegans, corte trans- 
versal de testículo. 



Fig. 144. - Prosth. elegans, corte trans- 
versal de testículo. 

Est. XXIVa. Fig. 145. -Gig. echinodiscus, 
corte transversal. 

Fig. 146.-OHg. taenioides, corte Ion- 
jitudinal, paredes do 
corpo. 

Fig. 147.-OHg. iheringi, corte trans- 
versal. 

Fig. 148.-Pard. pardalis, corte trans- 
versal, paredes do corpo. 



00 



Nota ñnnl, 

O ter-nos chegado as mãos mais alguns 
trabalhos de KOSTYLEW, que ainda não 
conhecíamos, e que não podiam ficar em si- 
lencio por trazerem alterações no nosso tra- 
balho e também grande numero de erros ti- 
pográficos que, nas primeiras revisões das 
provas, nos escaparam e mesmo muito outros 
devidos as inúmeras alterações do orijinal, 
motivada pela demora decorrida entre a con- 
clusão deste trabalho e a sua impressão, 
demora esta de cerca de dois annos, no 
correr dos quaes tivemos oportunidade de 
examinar numeroso material do Museu Pau- 
lista e cujos resultados foram introduzidos 
no corpo do trabalho, forçaram-nos a dar 
esta nota final para evitar confusões que cer- 
tamente se dariam devido a estes erros e 
alterações que não podiam mais ser corriji- 
dos, quando notados, por já estar esterioti- 
pado o trabalho. 

Nesta nota, alem das alterações motiva- 
das pelos trabalhos referidos, daremos uma 
errata dos principaes erros existentes em 
nosso catalogo. 

KOSTYLEW, em 1914 (Zool Anz. 44, 
n. 4, p. 187), creou para o G. otidis 
MIECHER, um novo genero com o nome 
de Heterophil no qual, mais tarde (1) in- 
cluio o G. mirabilis de MARVAL e G. em- 
poditts SKRJAB1N. 

Como vê-se Heteroplus corresponde exa- 
tamente ao nosso genero Empodms, 1916, 
do qual seria sinonimia se Heteroplus KOS- 
TYLEW 1914, não fosse ocupado para co- 
leópteros. 

No trabalho de 1914 e noutro de 1916» 
(2) este autor verificou ser o E. micracanthus 
RUDOLPH I, 1819, um Giganthorhynchidae. 
Este fato levou-nos a examinar alguns exem- 
plares de E. emberizae da coleção do Museu 
Paulista. especie muito próxima do 



ÍI) <-• titributions a la faune des Acantliocephales de 
la Russie (Separado de uma publicação massa [YabaUío 
do Laboratorio Zool. da Acad, Imp. Mil. de Medicina). 

(2) — Catalogo coraentailo dl rmei pa- 

rásitos do Mus. Zool. da Acad. Imp. de Medicina Livro 
II, 1916. Trabalho em russo. 



micracanthus e com ela confundida por varios 
autores. 

O exame nosso resultou verificarmos 
que realmente este parasito pertence a fami- 
lia Gigantorhynchidae na qual àeve. ocupar 
um genero a parte, que denominaremos 
Micracanthorhynchns. Este genero é proximo 
do Empodius do qual se distingue facilmente 
pela ausencia de ganchos no pescoço. 

Neste genero, de que brevemente dare" 
mos estudos mais detalhados, deve ser in- 
cluido e E. micracanthus RUD. e provavel- 
mente o E. invaginatus D1ESING, 1851. 
(Empodius invaginatus m.) 

Micracanthorhvnchus n. g.-Gigantorhyn- 
chinae pequeños; mais ou menos rugosos; 
tromba sub-esferica, com cerca de 7 a 10 
series transversaes de gánenos ; ganchos de 
uma só raiz, bazal, chata; pescoço presente 
inerme, cónico ; leniscos relativamente longos; 
testículos situados na parte media do corpo, 
mais próximas da estrfmidade genital que 
da proboscidiana, elipsoides, próximos; glân- 
dulas prostaticas redondas ou ligeiramente 
alongadas, muito afastadas dos testículos; 
bolsa copuladora grande. 

Habitat: Intestino de aves. 

Especie tipo. Aí. emberizae (RUDOLPH1, 
1819). 

Micracanthorhvnchus emberirae (RU- 
DOLPHI. 1918) m. 1917. 

Machos. 

Comprimento: 8,5 a 11 mm. largura 0,8 
a 1,5 mm. 

Tromba sub-esferica, com cerca de 0,20 
a 0,26 mm. de comprimento, armada de 7 a 
8 series trensversaes de ganchos; ganchos 
de raiz simples, basal, chata, em forma de ra- 
queta e com uma lijeira depressão no parte 
terminal, medem cerca de 0,070 mm. da ex- 
tremidade a curva e 0,021 mm. de maior lar- 
gura; leniscos com 3 a 4 min. de compri- 
mento, cilindricos, as vezes atinjindo a testí- 
culo distai; pescoço presente, cónico, curto, 
inerme; bainha da tromba tendo no interior 
o ganglio nervoso, com cerca de 0,52 a 0,55. 
mm.de comprimento; testículos situados na 
metade genital do corpo, quasi no meio, 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX— 1917 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
- TOMO IX- 191 7 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 — 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 



ESTAMPA 7 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 



ESTAMPA 8 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
. TOMO IX-1917 — 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX— 1917 



ESTAMPA 10 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
— TOMO 1X^1917 — 



ESTAMPA 11 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 — 



ESTAMPA 12 






MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
— TOMO IX-1917 — 



ESTAMPA 13 







MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
— TOMO IX-1917 — 



ESTAMPA 14 






MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
— — TOMO IX-1Q17 



ESTAMPA 15 





MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 — 



ESTAMPA 16 






MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX— 1917 — 



ESTAMPA 17 




RUD. FiSCHER.del. 



MEMORIAS DO 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 



ESTAMPA 




111 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
— TOMO IX— 1917 — 



ESTAMPA 19 




iMORIAS DO I; 




Fib.» 






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123 




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MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 — 



ESTAMPA 20 





122 





124 



123 





MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 

——. 










pM*, 




MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 — 



ESTAMPA 21 







■morías do IN WALDO CRUZ 



ESTA • 




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134 



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MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
— TOMO IX-1917 — 



ESTAMPA 22 




136 



lMORIAS DO tt vVALDO CRUZ 



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MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 — 



ESTAMPA 23 







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MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 — 



ESTAMPA 24 




ÏMORIAS DO I 

TO:.: 




^~^ 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 — 



ESTAMPA 24 A 





146 



145 




>• - 




147 



148 



61 



elipsoides, medem cerca de 1,4 a 1,5 mm. de 
comprimento por 0,48 a 0,59 mm. de maior 
largura; glândulas prostaticas esféricas ou li- 
jeiramente alongadas, com volumosos núcle- 
os, medem cerca de 0,34 a 0,48 mm. de diâ- 
metro, grupadas de modo ao comjunto medir 
mais ou menos o comprimento de 6 glându- 
las ; canal ejaculador curto e ladiado pelos 
dutos das glândulas prostaticas, com 0,64 a 
0,78 mm. de comprimento; bolsa copuladora 
grande. 

Habitat : Intestino de Brachyspiza capen- 
sis ('MÜLL.) e Molothrus bonariensis (GM.) 

Cumpre-nos manifestar aqui os nossos 
agradecimentos ao Snr. A. CHILDE, do 
Museu Nacional, pela gentileza de nos tra- 
duzir o ultimo dos trabalhos de KOSTYLEW 
que nos referimos, que é escrito em lingua 
russa. 

As figuras 101 a 103 foram reproduzi- 
das de D1ESING, porque na ocasião ainda 
não tínhamos obtido material de P. pardalis. 
Estas figuras, sobretudo as n. 101 e 102, pa- 
recem mais corresponderem ao O. ondeóla 
que ao P. pardalis. 

São estes os principais erros de nosso 
catalogo. 

Pag. 13, la. col. linha 9-Myrmecophaga 

jubata L. Não foi 

mencionado. 
Pag. 13, 2a. col. linha 9 - Pterogrossus 

por Pteroglossus. 
Pag. 15, 2a. col. linha 2 -Citellus (Callos- 

permophilos) Hchardi- 



S0/MYSABINE.jNãofoi 
mencionado. 

Pag. 16, la. col. linha 3-quadrilineatiis 
por quatuorlineatus. 

Pag. 17, la. col. linha 33- Drimobius por 
Drymobius. 

Pag. 17, la. col. linha A\-Rhadinea mer- 
m/2«(WIED).Não foi 
mencionado. 

Pag. 18, 2a. col. linha 27 - Heterospizias 
meridionalis (LATH.). 
Não fei mencionado. 

Pag. 20, la. col. linhas 29 e 30 -Callitrix 
por Callilhríx. 

Pag. 22, 2a. col. linha 45 - Felis (Leopardus 
pardus L. Suprimir. 

Pag. 24, la. col. linha 42- Citillus (Citillus) 
citillus por Citellus 
(Citellus) citillus. 

Pag. 27, 2a. col. linha Yl-Foetorius vul- 
garis por Putorius (Ar- 
togale) vulgaris ERXL. 

Pag. 27, 2a. col. linha 6 da nota- caria- 
ciae por coriaciae. 

Pag. 28, la, col. linha \Q-Spermophilus 
(Spermophilus) citillus 
por Citellus (Citellus) 
citillus. 

Pag. 28, la. col. linha 18- Intestino de 
A s tur nova — hollandiae 
(GM). 

Destr. geogr. : Australia. Não foi men- 
cionado. 



Indice 


amphipacus 


pag. 26, 27. 


asturinus 


« 28. 


aurae 


« 17. 


avícola 


« 20, 28, 46. 


campanulatus 


« 23. 


carinii 


« 19, 28, 40. 


cestodiformis 


« 15. 


Charadrii pluvialis 


« 26. 


ci'rcumflexus 


« 24. 


Cltllli 


« 23, 24. 


comprcssus 


« 15, 16, 17 




18, 26. 


coriaciae 


« 27, 61. 


cornicis 


« 15, 27. 


cuniculi 


« 26. 


curvatus 


« 25. 


depressus 


« 27. 


echinodiscus 


« 12, 28, 29. 


Echinorhynchidae 


« 9, 10. 


elegans 


« 20, 28, 41. 


emberizae 


« 60. 


Empodius 


« 11,13,30,60. 


empodius 


« 14, 31, 60. 


erinacei 


« 23, 24. 


Erinacei abdominalis 


« 26. 


Erinacei subcutáneas 


« 23, 24. 


Gigantorhynchidae 


« 9,10,12,25,26. 




28. 


Gigantorhynchinae. 


« 11, 12, 60. 


Gigantorhynchu» 


« 11, 12, 29. 


gigas 


« 20, 21, 22. 


grassi 


« 14, 15. 


haeruca 


« 20. 


Hamannia 


« 18. 


Hamaniella 


« 11, 18, 37. 


hamatus 


« 25. 


Heleroplus 


« 60. 


hirudinacea 


« 20, 47. 


hirudinaceus 


« 20, 22, 27, 28, 




47. 


hirundinaceus 


« 19, 20, 22,24, 




29. 


hominis 


« 27. 


iheringi 


« 18, 28, 36. 


ingens 


« 24. 


kerkoideus 


« 24. 


lagenaeformis 


« 16, 18. 



62 



Iühei 


pag. 20, 28, 45. 


Macracanthorhynchus 


« 11, 20, 47. 


macracanthus 


« 26. 


major 


« 25. 


manifestas 


« 18. 


Micracanthorhynchus 


* 60. 


micracanthus 


« 60. 


microcephala 


« 18, 19, 28, 37 


microcephalia 


« 18, 19. 


mirabilis 


« 13, 60. 


Moniliformis 


« 11, 14, 31. 


moniliformis 


« 14, 28, 31. 


mustelae 


« 23, 24. 


napaeformis 


« 23. 24. 


napiformis 


« 24. 


Neorhynchidae 


« 9, 10. 


Neoechinorhynchidae 


« 10. 


Novellai 


« 25. 


novellai 


« 25, 28, 46. 


oligacanlhoides < 


16, 17, 18. 


Oligacan thorny nehus < 


11, 15, 33. 


oligacanthus « 


15, 16. 


Oncicola « 


11, 22, 48. 


oncicola « 


22, 28, 49, 61. 


otidis < 


13, 14, 60. 


ovatus « 


23. 


pachyacanthus « 


24. 


Pardal is « 


11, 23, 50. 


pardalis « 


23, 29, 50,61. 


pardi « 


28. 


patani « 


16. 


pici colaris « 


18. 


Prosthenorchinae « 


11, 19, 23, 40. 


Prosthenorchis « 


11, 19, 40. 


pseudosegmentatus « 


27, 28. 


putorii « 


26, 27. 


raphaelis « 


19. 


ricinoidis « 


27. 


segmentants « 


13. 


semoni c 


25. 


spira « 


16, 17. 28. 33. 


spirula < 


19,20,2428 44. 


taeniatus « 


13. 


taenioides « 


16,17,18,28,34. 


tortuosos « 


18. 


uromasticis « 


27. 


vaginatus « 


13, 28, 31, 60 


Xenopeltidts « 


16. 



Terceira contribuição para o conhecimento òas especies 
bra3ileiras òo genero ôimulium. 

O piúm do norte (Simulium amazonicum) 

pelo 

DR. ADOLF»HO LUTZ. 

(Com a estampa 25.) 



O nome "piam" pode ser aplicado a 
todas as especies de Simulium, mas designa 
de preferencia uma pequena especie, comum 
e espalhada no sistema fluvial do Amazonas, 
que foi descripta por GOELDI sob o nome 
Simulium amazonicum. Num trabalho ante- 
rior, publicado nestas memorias em 1910, 
descrevi uma especie encontrada em Lassan- 
oe cujas aguas vão para o rio de S. Fran- 
cisco, e dei-lhe o nome S. minusculum. Dis- 
cuti a possibilidade de tratar-se do S. amazo- 
nicum, não obstante certas divergencias, no- 
tadas nas descrições. Desde então recebi 
abundante material de varios lugares e 
cheguei ao resultado que se trata de uma só 
especie, muito espalhada Não parece variar 
muito, mas, devido a certas particularidades 
da imajem, a sua aparência modifica-se ex- 
traordinariamente com a incidencia da luz e 
o estado de conservação. Nota-se também 
um fenómeno que já descrevi em varias 
occasiões. Trata-se de uma alteração da côr 
do corpo, principalmente nas partes que re- 
cebem muito sangue. Ocorre em exemplares 
que tiverem occasião de absorver, uma ou 
mais vezes, grande copia de sangue ingeri- 
do. 



Este sangue pode ser hemolisado e a he- 
moglobina dissolvida entra na circulação do 
sugador de sangue, havendo depois um de- 
posito de pigmento nos tecidos, apreciável prin- 
cipalmente nas partes de côr clara que se tornão 
avermelhadas ou enfuscadas. Tive occasião 
de verificar em exemplares de 5. pertinax, 
que os individuos, que deixei sugar em mim, 
não conseguirão hemolisar o meu sangue, 
quando os, que sugarão em outra pessoa, no 
dia depois mostravão a côr de haemaglobi- 
na muito intensa, principalmente nos haltères, 
nas pernas e na base das costas. O sangue de 
cavalo parece facilmente ser hemolisado, 
como se verifica nas especies que pouco 
atacam ao homem. Pouco a pouco a pigmen- 
tação pode tornar-se tão intensa que parece 
tratar-se de novas especies. Assim descrevi 
uma especie com o nome de S. infuscatum, 
baseando-me em exemplares de 5. auristria- 
tum que ficarão pigmentados por sangue 
absorvido e o Phlebotomus nigerrimus de 
NEWSTEAD, que se distingue apenas pela 
côr, tem de ser suprimido pela mesma razão. 
Antes dos meus trabalhos este facto era des- 
conhecido, mas hoje é completamente esta- 



04 



belecido por inúmeras observações em muitas 
especies sugadoras de sangue. 

Assim na minha descrição, aliás corre- 
ta e minuciosa, as pernas forão dadas como 
pardacentas, quando, em exemplares novos, 
são muito claras e o abdome, que em exem- 
plares frescas mostra no dorso um desenho 
muito carateristico, foi dado como preto. 

A descrição de OOELDI era feita sobre 
exemplares conservados, que no clima do 
Pará se alteram mais rapidamente que em 
dimas mais frios e mais secos. Tive ocasião 
de examinar muito material da mesma região 
(alto Amazonas) e verifiquei que, sem duvida, 
se trata da mesma especie. Tenho-a do Madei- 
ra, do Tocantins e do Rio de São Francisco, 
também do Paranapanema e do Rio Grande 
que vão para o Paraná e Rio da Prata. É 
mesmo possível, que a especie, que descrevi 
pelo nome de S. exiguum, não seja outra cousa 
que o amazonense, em que, depois de algum 
tempo, as estrias carateristicas do escudo 
tinham desaparecido. Estas, em exemplares 
bem secos, podem conservar-se durante 
muitos anos; mas em exemplares, que suga- 
ram ou ficarão em ar húmido, podem desa- 
parecer rapidamente. Primeiro pode se notar 
modificações no desenho, consistindo princi- 
palmente em estreitamento das faixas longi- 
tudinaes compridas e no desaparecimento 
das curtas. 

Julgo estas observações de muito inte- 
resse para a sistemática, mas ainda mais 
notável é o facto, que a mesma mancha, con- 
forme a incidencia da luz, pode virar abrup- 
tamente do preto aveludado para o branco 
niveo. Tratando-se além disso de especie im- 
portante, achei bom voltar a este assunto, ba- 
seado em material muito mais rico e compre- 
hendendo também exemplares frescos e 
novos, criados dos casulos, que consegui des- 
cobri! pessoalmente em condições muito es- 
peciaes. Visto que somente por desenhos 
cuidadosos se pode formar uma ideia apro- 
ximativa destas particularidades, mandei fazer 
a estampa, que acompanha este trabalho e 
representa bem uma parte das modificações 
que se pode observar. 



E precisa notar que as partes, que nesta 
estampa parecem cinzento-azuladas com pon- 
tilhado preto, representão uma camada muito 
fina de um enduto granuloso, colocado sobre 
um fundo preto. Visto muito obliquamente 
só se vé o enduto, que então parece com 
brilho branco-nacarado ou prateado. Estes re- 
flexos, muito comuns no genero Simulium, prin- 
cipalmente nos machos, podem ser observadas 
também nas pernas, mas somente em exem- 
plares secos. Desaparecem na humididade 
ou em exemplares incluidos. As escamas das 
pernas formão uma feição muito carateristi- 
ca em exemplares frescos, sendo todavia 
muito caducas. 
Passamos a dar nova descrição do piúm : 

Simulium amazonicum GOELDI 1905 

Syn. ? S. exiguum LUTZ (nec 
ROUBAUD 1910) 1909 
5. minusculum LUTZ 1910 
S. nitidum MALLOCH (Esta 
synonymia é baseada em ma- 
terial da mesma proceden- 
cia). 

Cabeça com fundo preto, coberto de 
enduto cinzento-azulado com reflexos pra- 
teados. Antenas pretas com base ocrácea, 
cobertas de pelinhos de reflexos niveos e 
duas cerdinhas preapicaes ; palpos pardo-es- 
curos com reflexos claros e uma cova no 
fim do terço basal do segmento antepenúlti- 
mo ; as escamas piliformes com brilho doura- 
do ou prateado. 

Escudo semeado de escamas piliformes 
de côr de ouro, parecendo prateados sobre 
fundo branco. Fundo do toiax preto, com 
enduto cinzento-azulado de reflexos pratea- 
dos. O escudo apresenta em estado fresco, 
sobre fundo cinzento-azulado ou perlaceo, 
tres faixas longitudinaes de preto-aveludado, 
que em estado fresco aparecem em todas as 
iluminações com a forma que se vê nas fi- 
guras 1 e 2. A margem anterior pode apa- 
recer escura em zona muita estreita. Entre a 
parte anterior das faixas ha duas manchas sub- 
triangulares, pretas com iluminação de frente 
e niveas com luz lateral ou posterior. Em 
exemplares conservados podem apagar-se ou 



65 



înodificar-se como se vê nas figuras 5, 6 e7. 
As faixas longitudinaes também podem mo- 
dificasse, mostrando as mesmas figuras 
alguns aspetos. 

O abdome é corrugado em sentido lon- 
jitudinal e tem o fundo preto com poucos 
pêlinhos de reflexos claros. O dorso, em 
exemplares novos, mostra sobre fundo perla- 
ceo tres estrias transversaes pretas que, con- 
forme a incidencia da luz, se modificam um 
pouco, como aparece nas figuras 2 e 4. 

As pernas, em individuos que sugarão 
sangue, aparecem pardacentas ou ferrujinosas; 
somente em exemplares frescos, o fundo 
é ocráceo na tibia anterior e em toda a perna 
media, como também na base da ultima 
tibia; os metatarsos e artículos tarsaes têm, 
pelo menos, a base clara. O resto do fundo é 
enegrecido. Ha muitos pêlos brancos ou 
com brilho branco e escamas oblanceoladas, 
brancas e pretas, que se destacam bem quando 
o fundo é de côr diferente. São finas, trans- 
lúcidas e muito caducas. As unhas pretas têm 
a base mais clara e um angulo bem acusado, 
mas nenhum dente. 

Nas azas as grandes nervuras são ocrá- 
ceas. Os haltères têm o capitulo amarelo 
em individuos que não sugarão sangue. 

O tamanho do adulto é bastante variá- 
vel, mas sempre relativamente pequeno. Re- 
gula de 1 para 2 mm. Ao sahir do casulo, 
a fêmea não tem o comprimento que pode 
alcançar, depois de ter absolvido muito sangue 
ou madurecido ovos, facto aliás comum nos 
dípteros sugadores de sangue. Os machos 
têm o tamanho medio sensivelmente menor. 

A fêmea em certas circumstancias se 
mostra muito ávida de sangue. Ataca o 
homem e persegue principalmente as pessoas 
que viajão em canoa em rios encachoeirados, 
porque nestas ocasiões não encontrão ca- 
valos que são preferidos ao cavaleiro, como 
se pode verificar em outras circumstancias. 
Podem ser encontrados em pequeno nume- 
ro de noite, atrahidos pela luz de ilumina- 
ção. 

A especie é muito espalhada na rejião 
do Amazonas, em lugares onde ha cachoeiras. 



Existe também no sistema fluvial do S. Fran- 
cisco, onde a encontrei perto de Lassance no 
S. Gonçalo e nas cachoeiras do Rio das 
Velhas, nas marjens do Rio das Ondas, aflu- 
ente do Rio Grande e finalmente no próprio 
Rio São Francisco acima de Joazeiro. Con- 
statei a especie no Salto Grande do Parapa- 
nema; existe também em outro Rio Grande 
que, como o Paranapanema, faz parte 
do sistema fluvial do Rio da Prata. 

A especie se cria apenas nas cachoeiras, 
mas os adultos podem afastar-se muitas 
legoas, como foi observado por mim no Rio 
S, Francisco e pelo Dr. NEIVA em Goiaz. 
Este facto e o numero prodigioso, encontrado 
em certos logares, indicam, que as fêmeas 
vivem muito tempo, tanto mais que estas só 
podem sahir dos casulos nas vasantes dos 
rios. 

Os verdadeiros casulos forão encontra- 
dos por mim nas corredeiras de Sant'Anna 
do Sobradinho no Río de S. Francisco, al- 
gumas legoas acima de Joazeiro. Larvas e 
casulos existiam, em grande numero e sem 
mistura com outra especie, numa podostemo- 
nacea do aspeto de Ligea, que crecía abun- 
dantemente nas Iagens de uma corredeira 
com correnteza fortíssima. Sem a menor du- 
vida este criadouro era o mais aproximado 
para a região rio acima, onde, já em distan- 
cia de muitas legoas, o piúm tinha aparecido 
a bordo do vapor e nas margens do rio. 

Os casulos, colecionados pouco antes de 
escurecer, forão deixados durante a noite 
apenas húmidos e já na manhã seguinte 
fornecerão grande numero de machos e 
fêmeas do 5. atnazonicum. Os machos distin- 
guem-se pelos olhos e as unhas, trífidas mas 
com os dentes laterais curtos; o de dentro e 
amarelo. 

As larvas, fora do seu tamanho reduzido, 
não têm nada de carateristíco. Dos casulos 
damos boas figuras com aumento de 20 
vezes. O cocão, de ca. 2,5 mm. de compri- 
mento, tem a forma de um cartucho, achatado 
sobre o plano de suporte, onde a parede só 
tem a metade da altura. A boca, um pouco 
espessada, inclina-se para fora em forma 



66 



de anel, faltando um segmento do lado 
achatado. Os fios de seda pardacenta são 
claramente visíveis. O casulo tem a pele 
pouco grossa, finamente granulosa na 
parte anterior e semeada de trichomas curtos 
e finos, geralmente bifurcados. O sistema 
respiratorio, mais curto do que o cocão, tem 
o comprimento mais ou menos igual ao do 
casulo. Começa de cada lado com um tubo 
grosso, bifurcado quasi imediatamente. O 
ramo posterior bifurca-se logo e cada um 
dos galhos também, o dorsal um pouco mais 
acima do que o do meio. O ramo ventral bi- 
furca-se bastante mais acima. Os ramos e 
galhos afilam-se gradualmente; os seis 
galhos terminam em ponta subconica, um 
pouco destacada, de côr clara. 

Na minha publicação anterior atribui um 
casulo desconhecido ao S. amazontcutn, por 
ter sido encontrado no mesmo logar, o que 
era tanto mais natural que também o tama- 
nho e as escamas petaloides correspondiam. 



Este casulo, que ficará com o nome de 5. 
quadrifidum, lembra um pouco o do S. in- 
crustatum, mas tem apenas quatro galhos de 
cada lado. Em individuos não completamente 
maduros (1 -f e 1 ?), tirados do casulo, con- 
seguimos reconhecer alguns caracteres. As 
antenas têm o terceiro articulo mais compri- 
do do que o quarto. As pernas da frente são 
branco-amarelados, o pé todo infuscado ; o 
segundo par é ocráceo, com o ápice da tibia 
e dos segmentos escuros, como também os 
dous últimos tarsos inteiros; no terceiro pai 
o femur, menos a base, a metade apical do 
tibia e o quarto apical do metatarso infusca- 
dos por pêlos escuros, com escamas petaloi- 
des, principalmente na face interior do femur 
e da tibia, mais compridas nesta ultima. Azas 
com nervuras amarelas ; os espinhos das 
veias mais grossas amarelos. Unhas no 
macho trífidas, na fêmea com pequeno 
dente. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 



ESTAMPA 25 




RUD. FISCHER, del 



— 67 



Explicação das figuras. 

Simulium amazonicum GOELDI. 

1-6. Exemplares secos (x 20 vezes). 1. 
Escudo com a luz de traz ou lateral, manchas 
intermediarias brancas ; 2. luz vindo de frente, 
as mesmas pretas ; 7. mesma luz, m. i. alon- 
gadas ; 5. luz lateral, as faxas escuras reduzi- 
das, m. i. desaparecidas; 6. luz posterior ou 



lateral, m. i. brancas e alongadas, as faxas 
escuras estreitadas, o occiput mostra uma 
sombra transversal, sem a qual a faixa me- 
diana e as manchas intermediarias não 
podem formar um T virado para frente ; 2. e 
4. dorso do abdome, correspondendo a 1. e3. 
8. Perna posterior visto de fora ; aumen- 
to 120 vezes. (A paleta aparece por trans- 
parencia.). 9. Cocão e cazulo; 10. cazulo 
vazio -aumento 20 vezes. 



Estudos sobre o Microplancton da baía do Rio de Janeiro 
e suas imediações 

pelos 
DRS. J. GOMES DE FARIA e ARISTIDES MARQUES DA CUNHA 

(Assistentes). 
(la. Contribuição) 

(Com a estampa 26). 



Sumario: 

Introdução.— Material e métodos de pes- 
quiza.— Parte especial:— I. Zooplan- 
cton. Enumeração das especies obser- 
vadas. Heliozoa. Cystoflagellata. Cilia- 
ta: Tintinnodea. Taxopoda.— II. Phy- 
toplancton: Enumeração das especies 
observadas. Schizophycea. Flagellata. 
Dinoflagellata. Diatomaceae.— III. Bi- 
bliografia—Explicação da estampa. 



Introdução. 



A9 aguas da Baía do Rio de Janeiro e 
suas imediações, como toda a costa do Sul 
do Brazil, não foram até agora objeto espe- 
cial de estudos planctonolojicos. Algumas raras 
referencias podem ser encontradas nos traba- 
lhos de Cleve, Bresslau e Zacharias. Nos 
trabalhos sobre Diatomaceas algumas têm 
sido citadas, porém não como seres planctó- 



nicos e sim como produtos de coletas de 
fundos ou de detritos do mar (Trypton), 
(Cleve, Rattray, mais modernamente Zim- 
mermann). 

Não achamos necessário insistir no alto 
interesse despertado nos varios meios cien- 
tíficos pelos estudos planctonolojicos para 
justificar o enorme esforço dispendido na 
catalogação das especies que formam esta 
primeira contribuição. 

As pesquizas que ora publicamos, foram 
iniciados no ano de 1913, quando um de 
nós fazia parte do Departamento de Pesca 
do Ministerio da Agricultura e continuados 
mais tarde na extinta Estação de Biolojia 
Marinha. 

E' somente, porém, graças á grande be- 
nevolencia e ao generoso auxilio do Dr. 
OSWALDO CRUZ, que abriu novamente a 
um de nós, as portas do seu Instituto, que 
temos a satisfação de poder publicar esta 
primeira modesta contribuição. 



69 



Aqui deixamos rejistrados os protestos 
de nosso mais vivo reconhecimento. 

No presente trabalho procuramos enu- 
merar todas as especies pertencentes aos 
grupos assinalados no sumario e que nos 
pareceram passíveis de uma determinação 
cientifica preciza. Nosso presente estudo é 
portanto exclusivamente qualitativo e com- 
preende um catalogo, a nosso vêr mesmo 
incompleto, das especies que frequentam a 
baía do Rio de Janeiro e as costas próximas. 

No estudo do zooplancton fomos obri- 
gados a deixar de lado os Radiolarios e Fo- 
raminiferos que serão publicados em estudo 
posterior, os primeiros pela dificuldade de 
estabelecer especies com segurança, os se- 
gundos por serem sempre raros. 

Na parte que se refere ás Diatomaceas, 
todas as especies mais frequentes foram es- 
tudadas e classificadas excluido um bom nu- 
mero de Cosei nodiscus e géneros aliados, 
assim como as Naviculoideas, visto as grandes 
dificuldades de encontrar literatura e material 
de comparação. 

Os Dinoflagellata das nossas zonas, a 
nosso vêr, necessitam uma séria revisão, a 
qual se acha incluída no nosso programa fu- 
turo. Todo o material que vai assinalado, 
pertence exclusivamente á zona neritica do 
Atlântico Sul, visto como para estes traba- 
lhos só temos disposto de pequenas embar- 
cações, que não se prestavam absolutamente 
a viajens que exijem o afastamento da costa. 

Material e métodos de pesquira. 

O método que empregámos em maior 
escala, foi o da pesca por meio das redes 
finas. Empregávamos quasi sempre, uma 
rede simples de seda, variando entre os nú- 
meros 16 e 20. Também nos servíamos com 
vantajens das redes duplas de Cleve. Para 
as pescas verticais empregávamos uma rede 
de Apstein que deu excelentes resultados, 
manobrada por meio da maquina de prumar 
de Thompson. As pescas foram efetuadas 
mais vezes horizontalmente, a embarcação 
arrastando 2 ou 3 redes com mínima veloci- 
dade. No interior da baía deixávamos as 



redes 5 a 10 minutos, no Oceano prolongá- 
vamos sempre mais a pesca, visto a maior 
pobreza do material. No inicio destes traba- 
lhos empregávamos varias vezes os métodos 
de filtração e de centrifugação; acontecendo 
que as coletas feitas por esses métodos tra- 
ziam sempre um material bem diverso do 
fornecido pelas redes e, portanto exijindo 
um estudo especial, resolvemos guardal-o 
para um trabalho especial: Estudo do nan- 
noplancton. 

Como métodos de fixação empregávamos 
principalmente formol na diluição de 3 a 5 
% e o liquido de Flemming. Ambos conser- 
vam excelentemente ô material, o Flemming 
tem infelizmente a propriedade de enegrecer 
certas formas completamente ou apenas o 
conteúdo das células. Para clarear emprega- 
mos a agua oxijenada muito diluida, deixan- 
do agir longamente. O material pode ser 
depois conservado indefinidamente em 
alcool a 70«. 

Preferimos sempre estudar o material a 
fresco sem coloração, nem tratamentos espe- 
ciais, salvo casos especiais, como no dos Pe- 
ridineos, onde empregávamos como meio es- 
clarecedor das placas e estruturas, a agua de 
Javel e o clorureto de zinco-iodado, que 
dá uma bela coloração vermelho-arroxeada 
ás carapaças. 

Para conservação definitiva do material 
empregávamos gelatina glicerínada de 
KAYSER. Muito bons resultados como meio 
conservador dá a seguinte formula preparada 
por h m de nós (Faria): 

Solução de formol a 5 o/ 1 

em agua do mar. \ Partes iguais. 

Glicerina PRICE. j 

As preparações cobert?.s com laminulas 
e fechadas com a laca de Kroenig conser- 
vam-se durante longo tempo. Formas muito 
delicadas como a Eutreptiella, conservam-se 
muito bem, mesmo com os flajelos. Esta for- 
mula, a nosso vêr, é muito superior á gela- 
tina glicerínada de Kayser. 

Para o estudo das Diatomaceas, o mé- 
todo de calcinação e de preparação por meio 
dos ácidos forneceu-nos muito parcos resul- 



70 



tados. ExceUiando os Coscinodiscus t espe- 
cies próximas, a maior parte das Diatomaceas 
marinhas não suporta este tratamento brutal, 
devido á fraca resistencia de suas carapaças ; 
julgamos melhor abstermo-nos d'eles, reser- 
vando-os para os casos acima citados. - 

I. ZOOPLANCTON 

Enumeração das especies. 

HELIOZOA 

APHROTHORACA Hertwig. 

ACTINOPHRYS SOL Ehrbg., 1830. 

Actinophrys marina Dujardin, 1841, 

p. 264, est. I, fig. 18. 
Actinophrys pida Leidy, 1879. 
Actinophrys sol Ehrbg., in 

Schaudinn, 1896, p. 9-10.. 
Actinophrys sol Ehrbg., in Calkins, 
1902, p. 420. 
Esta especie tem sido poucas vezes vista 
no plancton. Encontramol-a dentro da baía, 
na enseada de Manguinhos, onde as aguas 
são muito impuras e a mistura com agua 
doce é constante. Também foi encontrada 
em Jurujuba. 

CYSTOFLAGELLATA 

NOCTILUCA MILIARIS Suriray, 1836. 

Stein, 1883, est. XXV, fig. 2-7. 
Hamburger, 1911, pp. 201-202, fig. 10. 
Dimensões: diámetro 300-320 
micra. 
Noctiluca ocorre com muita frequência 
no interior da baía e no Oceano, sobretudo 
nos mezes do verão (Novembro a Março), 
ocasionando grande fosforecencia. 

Cl LI ATA 

OLIGOTRICHA 

TINTINNODEA 

DICTYOCYSTA TEMPLUM (Hacckel, 1873) 

Haeckel, 1873, p. 564, est. 27, fig. 6. 
Kent, 1882, p. 625, est. 32, fig. 27. 
Entz, 18S5, p. 203, est. 14, fig. 18-21, 
23. 



v. Daday, 1887, p. 585, est. 21, fig. 8, 9. 
Cleve, 1900 c, p. 923. 
Zach arias, 1906, p. 520, fig. 9. 
Encontrada, em Março, no Oceano, pro- 
ximo á Ilha Raza. Rara no interior da baía. 

CODONELLA MORCHELLA Clevc, 1900. 

Brandt, 1907, p. 124, est. 13, fig. 1-3; 
est. 14, fig. 3; est. 15, fig. 3. 
Okamura, 1907, p. 137, est. IV, fig. 54. 
Dimensões: comprimento 90-150, com- 
primento do prolongamento anterior 30- 
50 (¿, largura maxima 45-50 t*, largura na 
boca 28-40 ft. 

Esta especie já havia sido assinalada na 
baía do Rio de Janeiro por Brandt, em 
material colecionado por Freymadl .(1899) 
e Bresslau (1904). Nós a encontrámos nos 
arredores das ilhas Cagarras e proximo á 
fóz do Rio Doce (Estado do Espirito Santo) 
e também dentro da baía, onde é mais rara. 

TINTINNOPSIS BEROIDEA Stein, 1867. 

Stein, 1867, p. 154. 
Kent, 1881-2, p. 617. 
Brandt, 1896, pp. 56-57, est. 3, fig. 4. 
Lachmann, 1906, p. 20, est. 1, fig. 6-8. 
Brandt, 1907, p. 135, est. 16. fig 5, 
7, 11. 
Dimensões: comprimento 76 t¿, largura 
40 ix. 

Esta especie já havia sido assinalada na 
baía do Rio de Janeiro por Brandt, em ma- 
terial colecionado por Bresslau. 

TINTINNOPSIS VENTRICOSA (Clap. & Lach., 1858.). 

tintinnus ventricnsus Clap. & Lach., 

1858, p. 208, est. 9, fig. 4. 
Tintinnus ventricnsus Kent, 1882, p. 

609, est. 31, fig. 31. 
Tintinnus ventricosas Van Breemen, 

1905, p. 58. 
Tintinnopsis ventricosa (Cl. & Lach.), 
Brandt, 1907, p. 154, est. 17, fig. 
2, 9-11; est. 18, fig. 1, 2. 
Dimensões: comprimento 62-65 ¡x, lar- 
gura 55-60 /í. 

Encontrada com frequência em Maio 
(1915). 



71 



TINTINNOPSIS APERTA Brandt, 1907. 

Brandt, 1907, p. 176, est. 25, fig. 9, 10. 

Okamura, 1907, p. 137, est. VI, fig. 58. 
Dimensões: comprimento 80- 130 n, com- 
primento da parte cilindrica 30-60 fi, largu- 
ra da parte cilindrica 20-25 p, largura da 
parte dilatada 30 ¿w, baía do Rio de Janeiro. 

TINTINNOPSIS MORTENSENI Schmidt, 1901. 

Schmidt, 1901, p. 186, fig. 3. 
Brandt, 1907, p. 152, est. 21, fig. 13, 13a. 
Okamura, 1907, p. 138, est. VI, fig. 65. 
Dimensões: comprimento 78-80 ¿t, lar- 
gura na boca 80-90 ¿i. 

Ocorre com frequência na baía do Rio 
de Janeiro. 

TINTINNOPSIS FRACTA Brandt, 1907. 

Brandt, 1907, p. 174, est. 23, fig. 1, 
3-5, 9-13; est. 31, fig. 8. 
Encontrado na baía do Rio de Janeiro. 

TINTINNOPSIS PROWAZEKI, n. sp. 
(Est. 26 fig. 1) 

Carapaça cilindrica na parte anterior. Se- 
guindo-se a essa porção cilindrica, existe 
uma dilatação, em cuja superficie se encon- 
tram 1 ou 2 depressões anulares. Para trás 
dessa dilatação, a carapaça se prolonga em 
uma ponta longa e fina, fechada na extre- 
midade. 

Dimensões: comprimento total 240 f¿, 
comprimento da parte cilindrica 100 p. com- 
primento da parte dilatada 50 ¿i, comprimen- 
to do prolongamento posterior 90 (¿, largura 
da parte cilindrica 60 ft, largura da porção 
dilatada 100 ¡x. 

Ocorre com grande frequência na baía 
do Rio de janeiro. 

CYTAROCYLIS EHRENBERGI, var. ADRIÁTICA 
Imhof, 1886. 

(Est. 26 fig. 2). 

Cytarocylis adriática Imhof, 1886, 

pg. 199. 
Cytarocylis maskusowskyi Daday, 

1887, p. 581. est. 21, fig. 4. 
Tintinnus ehrenbergi Zacharias, 1906, 

p. 524, 532, fíg. 12. 



Cytarocylis ehrenbergi, var. adriática 
(Imhof) Brandt, 1907, p. 211, 
est. 41, fig. 9, 10 e 10a; est. 
61, fig. 9. 
Esta especie ocorre com muita frequên- 
cia nas aguas da baía do Rio de Janeiro, ás 
vezes em grande numero, ocasionando plank- 
ton monótono, como já foi observado em Ja- 
neiro e em Setembro de 1915, na enseada de 
Botafogo. Ocorre em companhia das especies 
seguintes : C. ehrenbergi, var. claparedei e de 
Cytarocylis (Coxliella) helicoidea nobis, aqui 
descrita. 

Esta especie apresenta uma carapaça ci- 
lindrica terminando em um prolongamento 
de forma irregular. A forma da carapaça é 
variável: ora a porção anterior é cilindrica e 
o estreitamento só se dá na parte posterior, ora 
a carapaça começa a se estreitar desde a ex- 
tremidade anterior. Na nossa figura está re- 
presentada uma forma do primeiro caso. O 
prolongamento posterior é provido de 3 cristas 
ou azas que apresentam não raro uma torsão 
no sentido do eixo lonjitudinal. Em torno 
da extremidade oral existe uma zona em 
forma de faixa estreita que possue somente 
a estrutura primaria. 

Esta especie apresenta uma típica estru- 
tura de Cytarocylis, como descrita por 
Brandt para Cyttarocylis ehrenbergi típico. 
Para esta especie nos encontramos as seguin- 
tes dimensões: comprimento de 200 a 290 
H, largura da abertura bucal de 110 a 130 
li. O prolongamento posterior varia de 30 a 58. 

CYTAROCYLIS EHRENBERGII, var. CLAPAREDII 
(DADAY, 1887.) 

(Est. 26, fig. 3 e 4). 

Cyttarocylis claparedei (Daday, 1887, 

p. 582, est. 21 fig. 5, 16. 
Cytarocylis ehrenbergii var. clapare- 
dei (Daday) Brandt, 1907, p. 210, 
est. 41, fig. 1, 5. 
Esta especie, como já foi dito, ocorre 
sempre conjuntamente com a especie anterior, 
porém sempre em muito pequeno numero. 

A carapaça desta variedade apresenta a 
mesma forma da especie anterior. A parte 
anterior da carapaça é provida duma linha 



72 



em espira!, que descreve de 4 a 7 voltas. A 
estrutura é a mesma da especie anterior. As 
dimensões por nós observadas variam : o com- 
primento de 280 a 300 ,«, a abertura bucal 
de 100 a 120 u, o prolongamento da extremi- 
dade aboral de 40 a 70 ,«. 

CYTAROCYLIS (COXLIELLA) HELICOIDEIA, n. sp. 

(Est. 26. fig. 5 e 6). 

Descrição : A forma da carapaça é cilin- 
dro-conica. Extremidade aboral é um pouco 
afilada, terminando em ponta romba sem 
formar um prolongamento. Em alguns exem- 
plares (sempre os mais longos) pode-se notar 
uma dilatação no terço posterior antes da 
parte cónica. Da extremidade aboral parte 
uma linha espiral que vai até a boca, que, 
como nas outras especies do sub-genero, é 
constituida por uma parede divisoria dispos- 
ta em hélice entre as lamelas interna e ex- 
terna da capsula. Esta linha é sempre lijeira- 
mente ondulada. O numero de voltas da es- 
piral varia entre 11 e 15. A borda da extre- 
midade oral é um pouco irregular ou recor- 
tada sem comtudo formar uma denticulação. 
A carapaça é sempre muito fina e de gros- 
sura pouco variável, sendo lijeiramente mais 
espessa na extremidade aboral. Esta especie 
apresenta a estrutura típica do genero Cytta- 
rocylis, sendo a estrutura primaria muito fina 
e difícil de representar, outro tanto acontecen- 
do ás trabéculas, que constituem a estrutura 
secundaria. Comprimento: 2i5 a 260 n, lar- 
gura da abertura bucal: 100 a 130 ft. Um 
exemplar muito grande atinjia a 300 n de 
comprimento e 120 t l de largura. 

Diagnose diferencial: Esta especie apro- 
xíma-se de Cftarocylis annulata Daday e 
de C. pseudo-annulata Joergensen. Dife- 
rencia-se de ambas pela estrutura extrema- 
mente fina da carapaça, e também por ser 
muito menor que a primeira e muito maior 
que a segunda. Aproxima-se ainda de C. la- 
dniosa, var. longa, da qual se distingue pela 
falta de janelas na estrutura secundaria. 

PTYCHOCYLIS RETICULATA (Ostenfeldt & Schmidt, 
1901). 

Brandt, 1907, p . 287, est. 58, fig. 1, 4. 



Dimensões: comprimento 70 t l , largura 
50-58 /<. 

PTYCHOCYLIS (RHABDONELLA) APOPHYSATA 
(Cleve 1900). 

Cyttarocylis hebe, var. apophysatu 

Cleve, 1900 (b) p. 971. 
Cyttarocylis apophysata (Cleve) Os- 
tenfeldt & Schmidt, 1901, p. 179. 
Tintinnus triton Zacharias, 1906, 
p. 519, f. 8. 
Esta interessante especie foi encontrada 
com relativa abundancia 20 milhas ao Sul da 
Ilha Raza, em Março. A forma encontrada 
era a típica com 350 t* de comprimento. 

UNDELLA CLAPAREDEI (Entz, 1885). 

Tintinnus claparedei Entz, 1885, 

p. 202, est. 14, fig. 10, 11. 
Undella claparedei (Entz), Daday, 

1887, p. 566, est. 19, fig. 1. 
Undella claparedei Brandt, 1907, 
p. 362, est. 64, fig. 1, 2, 31. 
Dimensões: comprimento 90-95 n, lar- 
gura maxima 55-60 n, largura na boca 
42-48 t*. 

Encontrada proximo á foz do Rio Doce 
(Julho 1914). 

UNDELLA HEROS Cleve, 1900. 

Cleve, 1900 (b) p. 974. 
Brandt, 1007, p. 372, est. 42, fig. 1, 
la, lb, 2. 
Dimensões: comprimento 400 t*, largura 
75 ti. 

Encontrada nas proximidades das ilhas 
Cagarras. 

TINTINNUS SUBULATUS Ehrb. , 1833. 

Ehrenberg, 1838, p. 294, est. XXX, 

fig. III. 
Vaginicola subulata Du jardin, 1841, 

p. 562. 
Tintinnus subulatus Ehrb., Clapa- 

rède et Lachmann, 1858, p. 

205, est. VIII, fig. 5. 
Tintinnus ussowi, Mereschkowsky, 

1879, p. 160, est. X, fig. 40. 



73 



Tintinnus ussowi, Mereschkowsky, 
Kent, 1882, p. 609, est. 31. 
fig. 4. 
Tintinnus subulatus Ehrb. , Kent, 

1882, p. 605, est. 31, fig. 5. 
Amphorella subulata Ehrb. 
Daday, 1887, p. 536, est. 18, 
fig. 7. 
Tintinnus subulatus Ehrb. 
Brandt, 1907, p. 393, est. 65, 
fig. 1-5. 
Dimensões: comprimento 170-190 ft, 
largura 20-25 ft. 

Ocorre com frequência na baía do Rio 
de Janeiro. 

TINTINNUS PATAOONICUS, Brandt, 1907. 

Brandt, 1907, p. 401, est. 65, fig. 6-8. 
Dimensões: comprimento 60 fi, largura 



)8 



Ocorre na baía do Rio de Janeiro. 

TINTINNUS LUSUS-UNDAE, Entz, 1885. 



Entz, 1885, p. 202, est. 14, fig. 12. 
Brandt, 1907, p. 420, est. 65, fig. 11. 
Dimensões: comprimento 240-257 ft, 
iatgura na boca 48-50 ft, largura na parte 
posterior 32-36 ft. 

Encontrada na baía do Rio de Janeiro e 
nas proximidades da enseada de Búzios 
(Estado do Rio de Janeiro). 

TINTINNUS BULBOSUS Brandt, 1907. 

Brandt, 1907, p. 412, est. 70, fig. 

4,5. 

Dimensões: comprimento 120 ft, largura 

na boca 32 ft, largura na parte media 28 /«. 

Encontrada nas proximidades da enseada 

de Búzios (E. do Rio de Janeiro). 

Tintinnus amphora, var. quadrilinea- 

ta (Cl. & Lach. , 1858). 
Tintinnus quadrilineatus Claparède 
& Lachmann, 1858, p. 201, est. 
9, «g. 3. 
Amphorella quadrilineata, Cl. & 
Lach. in Daday, 1887, p. 535, 
est. 18. f. 4. 
Tintinnus quadrilineatus Cl. 8c 
Lachm. in Brandt, 1896, p. 53. 



Tintinnus amphora, var. quadrilinea- 
ta (CI. & Lach.) in Brandt, 

1907, p. 434, est. 69, fig. 3, 4, 7. 
Encontrada na baía do Rio de Janeiro e 

no Oceano proximo das Ilhas Cagarras e 
Raza. 

PERITRICHA 

VORTICELLA OCEÂNICA Zacharias, 1906. 

Zacharias, 1906, p. 554. 

Dimensões: comprimento 20-25 fi, lar- 
gura ao nivel do peristoma 15-20 ft. 

Encontrada abundantemente não só sobre 
Chaetoceras, assim como sobre Coscinodiscus. 

TAXOPODA 

STICHOLONCHE ZANCLEA Hertwlg, 1877. 

Hertwig, 1877, p. 324-331, est. XIX. 
Cleve, 1910, p. 11, est. 3, fig. 17, 18. 
Hamburger, 1911, p. 207, fig. 14a 8t b. 

Esta especie já tinha sido assinalada no 
Rio de Janeiro por Cleve. E' extremamen- 
te frequente não só no interior da baía como 
no Oceano. 

II. PHYTOPLANCiON. 

SCHIZOPHYCEA 

TRICHODESMIUM ERYTRAEUM, Ehrb., 1830. 

Oomont, p. 216, est. 5. fig. 27-30. 

Wille, 1904, p. 53, est. 1, fig. 28-35. 

Wille, 19D, p . 16, fig. 11. 
Esta especie ocorre principalmente no 
Oceano, porém não raro é vista também 
dentro da baía do Rio. 

TRICHODESMIUM THIEBAUTI Oomont, 1890. 

Oomont, 1890, p. 217, est. VI, fig. 

2-4. 
Osciltaria pelágica Falkenberg, 1879, 

p. 224. 
T. thiebauti Gomont in Wille, 

1904, p. 57 -63, est. 1, fig. 12 -13. 
T. thiebautii Oomont in Wille, 

1908, p. 17- 18, fig. 13, 1,2,3 e 4. 
Ocorre no Oceano. Encontrado em 



74 



grandes quantidades em Março, 20 milhas ao 
Sul da Ilha Raza e proximo a esta. 

RICHELIA INTRACELLULARS (Schmidt, 1901). 

Ostenfeldt & Schmidt, 1901, p. 146, 

fig. 2. 
Karsten, 1907, p. 403 e 536, est. XLV, 

fig. 3, 3a, 3b, 4, 4a, 4b. 
Wille, 1908, p. 26, fig. 23, 1, 2 e 3. 
Esta curiosa sinbiota das Diatomaceas 
foi observada sobre Rhizosolenia nas seguintes 
especies: R. styliformis e R. cylindrus. Pare- 
ce ocorrer exclusivamente no Oceano. 

FLAGELLATA 

EUTREPTIELLA MARINA Cunha, 1913. 

Cunha, 1913, p. 203. 

Cunha, 1914, p. 6-7, est. 24., fig. 6. 

É especie extremamente frequente no in- 
terior da baía do Rio de Janeiro (plancton 
de centrifugação ou filtração), eiicontrando-se 
também no Oceano, não raro formando um 
plancton monótono. 

Dimensões : muito variáveis devido ao 
metabolismo do corpo; na m^dia: compri- 
mento 40 50 //, largura 8- 10 /*. 

DINOFLAGELLATA 

PROROCENTRUM MICANS Ehrb., 18S3. 

Ehrb. , 1838, p. 44, est. II, fig. XXIII. 
Claparède & Laclimann, 1858, p. 412, 

est, XX, fig. 68. 
Stein, 1883, est. I, fig. 1-12. 
Schuett, 1895, est. I, fig. 2. 
Paulsen, 1908, p. 8, fig. 4. 
Dimensões: comprimento 52 fi, largura 
20 n. 

Encontrada frequentemente na baía do 
Rio de Janeiro e no Oceano, em suas pro- 
ximidades. 

PROROCENTRUM SCUTELLUM Schroedcr, 1901. 

Schroeder, 1901, p. 14, est. 1, fig. 12. 
Paulsen, 1908, p. 8, fig. 5. 
Dimensões: comprimento 42 /i, largura 
34-36 /i. 



Ocorre em pequeno numero dentro da 
baia e no Oceano. 

DINOPHYSIS OVUM Schuett, 1895. 

Schuett, 1895, est. I, fig. 6. 
Paulsen, 1908, p. 17, fig. 16. 
Dimensões: comprimento 55—65 ft, lar- 
gura 38 /*. 

Encontrada na baía do Rio de Janeiro 
com relativa frequência. 

DINOPHYSIS HOMUNCULUS Stein, 1883. 

Stein, 1883, est. XXI, fig. 1, 2, 5-8. 
Dinophysís allien Gourret, 1883, 

p. 79, est. Ill, fig, 54, 54a. 
Dinophysís inaequulis Gourret, 

1883, p. 80, est. I, fig. 21. 
Dinophysís homunculus Stein, in 

Schuett, 1895, est. II, fig. 8. 
Dinoptiysis homunculus Paulsen, 
1908, p. 19, fig. 20 (á esquerda). 
Encontrado no plancton das proximida- 
des da foz do rio Parahyba (E. do Rio de 
Janeiro), com certa abundancia e também fre- 
quente na baía do Rio de Janeiro. 

DINOPHYSIS HOMUNCULUS, var. TRIPOS 
(Gourret, 1883). 

Dinophysís tripos Gourret, 1883. 

p. 80, est. Ill, fig. 53. 
Dinophysís homunculus, pro paru, 
Stein, 18S3, est. XXI, fig. 3, 4. 
Dinophysis homunculus, var. appen- 
diculata Zacharias, 1906, p. 
540. 
Dinophysis homunculus var. tripos, 
Paulsen, 1908, p. 18, fig. 20 (á 
direita). 
Dimensões: comprimento 118 fi. 
Encontrado no plancton das proximida 
des das ilhas Cagarnis, defronte ao canal 
da Barra do Rio de Janeiro. 

OLENODINIUM TROCHOIDEUM Stein, 1883. 

Stein, 1883, est. Ill, fig. 27-29. 
Schuett, 1895, est. XXV, fig. 87. 
Paulsen, 1908, p. 24, Fig. 29. 

G. acuminatum Jorgensen, 188'», 
no. VI, p. 32, //on Peridinium 



75 



trochoideum (Stein), Lemm. 
1910, p. 336-337, figs. 33-36. 
Glenodinium trochoideum Stein, 1883 
in Gomes de Faria 1914. 

Esta especie ocorre com muita frequên- 
cia dentro da baía do Rio de Janeiro, ás 
vezes em grande numero, ocasionando um 
plancton monótono ou monomorphico como 
sujestionou nosso colega Dr A. Godoy. 
Nesse caso imprime uma forte coloração 
vermelha ferujinea ás aguas. Ocorre piinci- 
palmente nas camadas mais superficiais 
em lugares onde a profundidade é pequena 
e os movimentos do mar se fazem menos 
sentir. Quando sua proliferação é muito in- 
tensa, ocasiona mortalidade grande entre os 
peixes, sobretudo Sardinella, Brevoortya, 
Mugil, e também entre os Silurídeos, como 
um de nós teve ocasião de observar em 
Junho de 1913, fato descrito em trabalho 
anterior. 

Sobre a biolojia desta especie nos ocupa- 
remos mais tarde em trabalho especial onde 
será descrita a estrutura, divisão, formação 
de schwarmsporen e o encistamento como 
por nós observado em aquários. 

Lemmermann (1910) pensa que esta es- 
pecie deve passar para o genero Perídinium, 
visto possuir placas com a distribuição desse 
genero e também pela presença d'uma aber- 
tura apical que falta em todas as especies 
conhecidas de Glenodinium. Nós temos «ob- 
servado muito atentamente esta especie e 
trabalhado sobre um numerosíssimo material, 
não só fresco como fixado, pelos melhores 
métodos, e não temos podido observar ja- 
mais placas com a estrutura do genero 
Perídinium. Nós temos observado numerosas 
carapaças, vazias com e sem tratamento pelo 
cloreto de zinco iodado, como foi aconselha- 
do por Lemmermann, sem constatar a estru- 
tura descrita por este autor. Por esta razão 
mantivemos a posição genérica dada por 
Stein e já controlada por Klebs, Schuett e 
Ostenfeld. Não nos parece que a presença 
duma abertura apical justifique a creação 
dum novo genero para esta especie. 



OONYAULAX DIOITALE (Pouchet, 1883) Kofoid. 

Kofoid, 1907, p. 214, est. 9, fig. 1-5. 
Ocorre em pequena quantidade, quer 
dentro da Baía, quer no Oceano. 

STEINIELLA MITRA Schuett, 1895, 

Schuett, 1895, est. 7, fig. 27. 

Dimensões: comprimento 200 jw, largura 
70 f*. 

Plancton das imediações das ilhas Cagar- 
ras e Raza e do Oceano. 

OONIODOMA POLYEDRICUM (Pouchet, 1883) 
Joergensen. 

Goniodoma acuminatum Stein, est. 
VII, fig. 1-16; est. VIII, fig. 
1,2. 
Schuett, 1895, est. 8, fig. 30. 

Goniodoma polyedrícum (Pouchet) 
Joergensen in Paulsen, 1908, p. 
33, fig. 42. 
Dimensões: comprimento 60 /*, largura 
70 /ti. 

.Especie relativamente frequente na baía 
do Rio de Janeiro e proximidades, 

DIPLOPSAL1S LENTICULA Bergh, 18S1. 

Stein, 1883, est. VIII, fig. 12-14, est. 

IX, fig. 1-4. 
Schuett, 1895, est. XV, fig. 50. 
Paulsen, 1908, p. 35, fig. 44. 
Muito frequente dentro da baía. 

PERÍDINIUM STEINII Joergensen, 1889, 

Perídinium michaelis Stein, 1883, 
est. IX, fig. 9-14. 
Schuett, 1895, est. XIV, fig. 43. 
Cleve, 1900, p. 263. 
non Ehrb, 1833. 

Perídinium steini Joergensen, 1889, 
p. 38. 
Paulsen, 1908, p. 47. fig. 58. 
Dimensões: comprimento 65 (*, largura 
45 n, comprimento dos espinhos 15 — 18 ,/*. 

Ocorre frequentemente, porém, em pe- 
queno numero. 



76 



PERIDINIU.M OVATUM (Pouchet, 1833) Schuett. 

Schuett, 1895, est. XVI, fig. 49. 
Paulsen, 1908, p. 44-45, fig 54. 
Ocorre raramente. 

PERIDINIUM DEPRESSUM Bailey, 1855. 

Peridinium antarcticum Schimper 
in Karsten, 1906, p. 131, est. 
XIX, fig. 1-4. 
Peridinium divergens antarcticum, 
Schimper in Karsten, 1907, p. 
150. 
Peridinium depressum, Bailey in 
Paulsen, 1908, p. 53, fig- 67. 
Dimensões: comprimento 155 ft, largura 
140 fi. 

É especie muito frequente em todos os 
distritos estudados. 

PERIDINIUM OCEANICUM var. OBLONOUM 
Aurivillius, 1892. 

Pausen, 1908, p. 55, fig. 70. 

Dimensões: comprimento 120 ft, largura 
52/,. 

Plancton das proximidades das ilhas 
Cagarras, só raramente observado. 

PERIDINIUM DIVERQENS Ehrb., 1840. 

Stein, 1883, est. X, fig. 1-7, est. XI, 

fig. 1-2. 
Schuett, 1895, est. XIII, fig. 43 (19); 
43(21); 43 (22), non 43 (1-12); 
43 (18J, 43 (44), nee fig. 44. 
Paulsen, 1908, p. 56, fig. 72. 
Dimensões: comprimento 80-86 f*, lar- 
gura 65 n. Observado em plancton colhido 
nas proximidades da foz no Rio Doce (E. 
do Espirito Santo). Especie rara em nosso 
distrito. 

PERIDINIUM SCHUETTI (Lemm. 1899) Nobis. 

Peridinium divergens, Ehrb. in 
Schuett, 1895, Est. XII, fig. 43 
(1- 2); Est. XIII, fig. 43 (18). 

Peridinium diverge/is, var. schuctti 
Lemm. 1899, p. 351. 

Peridinium divergens schuctti Lemm. 
in KARSTEN. 1Q06, p. 149, Est. 
XXIII, He. 10a -b. 



Peridinium crassipes Kofoid, 1907, 

p. 309, Est. 31, fig. 46-47. 
Peridinium crassipes Kofoid, in 
Paulsen, 1908, p. 58, fig. 73. 
Dmensões: comprimento 90 /«, largura 
70 ft. 

Encontrado em plancton das proximida- 
des das ilhas da S ta . Anna. (Estado do Rio) 
Parece ocorrer raramente. 

PERIDINIUM OBTUSUM (Karsten 1906) Fauré-Fremiet 

Peridinium divergens, var. obtusum, 

Karsten, 1906, p. 149 Est. XXIII, 

fig. 12. 

Peridinium obtusum Karsten in 

Fauré-Fremiet, 190S, p. 223, fig. 

9; Est. 15, fig. 8. 

Encontrado abundantemente na baía do 

Rio de Janeiro em plancton colhido á noite 

em setembro (1914) proximo ao Caes do Porto. 

PERIDINIUM CONICUM (Oran 1930) Oran. 

Peridinium divergens, var. conicum, 

Oran, 1900, p. 174. 
Peridinium conicum Gran, 1902, p. 47. 
Peridinium conicum (Gran), Okamtt- 
ra, 1907, p. 132. Est. V, fig. 36. 
Paulsen, 1908, p. 58 fig. 74. 
Dimensões: comprimento 78-90 //, lar- 
gura 78-80 ff. 

' Encontrado com relativa frequência. 

PERIDINIUM PENTAOONUM Oran, 1902. 

Gran, 1902, p. 185-190. 

Peridinium divergens pcntagonum 
Gran, Karsten, 1906, p. 149, Est. 
XXIII, fig. lia, 11b. 
Peridinium pentagonum Gran, Paul- 
sen, 1908, p. 59, fig. 76. 
Dimensões: comprimento 128 /<, largu- 
ra 160 fi. 

Ocorre frequentemente nas zonas estuda- 
das (baía do Rio de Janeiro, Cagarras) 

PERIDINIUM. PUNCTULATUM Paulsen, 1907. 

Paulsen, 1908, p. 61, fig. 79. 
Raramente observado. 



77 



PYROPHACUS HOROLOOIUM, Stein, 1883. 

Stein, 1383, Est. XXIV, fig. 1-13, Est. 

XXV. fig. 1. 
Schuett, 1895, Est. XVII, fig. 51. 
Cieve, KOlc, p. 277. 
Paulsen, 1908, p. 67, fig. 89. 
Encontrado raramente (baía do Rio de 
Janeiro, proximo da barra). 

OXYTOXUM SCOLOPAX Stein, 1883. 

Stein, 1883, Est. V, fig. 1-3 
Schuett, 1895, Est. XV11I, fig. 55. 
Paulsen, 1908, p. 69, fig. 92 
Encontrado raras vezes, no canal da barra, 
proximidades das ilhas Cagarras, Rio de Ja- 
neiro. 

OXYTOXUM RETICULATUM (Stein, 1883) Buetschli. 

Pyrgidium reticulatutn Stein, 1883, 

Est. V, fig. 14. 
Oxytoxum reticulatutn (Stein) Buets- 
chli, Paulsen, 1907. p. 71, fig. 95. 
Dimensões : comprimento 58 /*, largura 
32 ¡i. Encontrado apenas uma vez no interior 
da baía do Rio de Janeiro. 

OXYTOXUM TESSELATUM (Stein, 1883) Schuett. 

Pyrgidium tesselatum Stein; 1883, 

Est. 6, fig. 2-3. 
Oxytoxum tesselatum (Stein) Schuett, 
1895, Est. 17, fig. 52. 
Dimensões: comprimento 60 fi, largura 
30 jM. Encontrado nas proximidades da foz 
do rio Parahyba (E. do Rio). 

OXYTOXUM SCEPTRUM Stein, 1883. 

Stein, 1883, Est. V fig. 19-21. 
Visto apenas uma vez no interior da baía 
do Rio de Janeiro. 

CERATIUM CANDELABRUM, VAR. DILATATUM 
(Gourret, 1883) 

Ceratium dilatatum Gourret, 1883, 
p. 46, Est. IV, fig. 68. 

Ceratium depressum Gourret, 1883, 
p. 41, Est. I, fig. 5. 

Ceratium candelabrum, var. dilatatum 



(Gourret) Joergensen, 1911, p. 
16, fig. 4, 5, 22. 
Ocorre frequentemente em todos os dis- 
tritos estudados. 

CERATIUM FURCA, VAR. EUGRAMMA (Ehrb, 1859). 

Joergensen, 1911, fig. 24-26, p. 17. 

Dimensões: t = 40; v+ V = 86 //, L = 57 
ft, R=25 (i. 

Ocorre com bastante frequência em todos 
os distritos estudados. 

CERATIUM HIRCUS Schroeder, 1909. 

Schroeder, 1909, p. 211-213, fig. 2a-d. 
Joergensen, 1911, p. 18, fig. 27. 
Dimensões: t = 35 ft\ v = 38 /*, h = 25 
ft, V = 80 fi, L r= R = 40 fi. 

Muito comum em todas as épocas e dis- 
tritos estudados. 

CERATIUM BELONE Cleve, 1900. 

Ceratium furca longum Karsten, 

1906, p. 148, Est. XXIII, fig. 5a - c. 

Ceratium belcne Cleve, Joergensen, 

1911, p. 19, fig. 28a -b. 

Dimensões: t = 25 fi; v + V = 320 h, 

h = 50 fi, L = 65 ft. 

Encontrado no plancton dos arredores 
das ilhas Cagarras; raro. 

CERATIUM PENATUM Kofoid, 1907. 

Kofoid, 1907, p. 172, Est. 2, fig. 12. 
Joergensen. 1911, p. 26, fig. 48a. 
Dimensões: t = 30 fi\ v +V = 380 /», 
L = 300 ft, R = 20 ft. 

Encontrado no plancton das immediações 
das ilhas Cagarras. 

CERATIUM FUSUS (Ehrb. 1833) Duj. 1841. 

Peridinium fusas Ehrb, 1838, p. 256, 

Est. XXII, fig. 20. 
Ceratium fusus Duj. 1841, p. 378. 
Ceratium fusus (Ehrb.) Duj. Joer- 
gensen, 1911, p. 29, fig. 51a -b, 
52, 53. 
Dimensões: t = 20 n, v -f V = 200 ft, 

L = 2\0 ft. 
Ocorre com grande frequência. 



78 



CERATIUM EXTENSUM (Oourret, 1883). Clevc 

Ceratium fusus, var. exteiisum Gour- 
ret, 1883, p. 52, Est. 4, fig. 56, 
56a, Cleve 1901 a. p. 215. 
Joergensen, 1911, p. 28, fig. 50a -b. 
Dimensões : t = 25, v + V = 55 ft, h = 30 
It, L = 1050 ft. 

Encontrado somente uma vez proximo á 
foz do Rio Doce (E. do Espirito Santo). 

CERATIUM TRIPOS (O. F. Müller, 1777). 

Cercaria tripos O. F. Müller, 1777. 
Peridinium tripos Ehrenberg, 1838, 

p. 255, Est. XXII, fig. 18. 
Ceratium trinos (O. F. Müller) 

Nitzsch, in Jòrgensen, 1911, p. 

35, Est. I, fig. 65-79. 
Frequente nos distritos estudados. 

CERATIUM PULCHELLUM Schroeder, 1906. 

Joergensen, 1911, p. 33, fig. 59-62. 
Dimensões: t = 60 u, v=35 u, h = 45 
.«, V = 135-170 ft, R=45, L = 75 f*. 

Raramente encontrado 

CERATIUM OIBBERUM Gourret 1883. 

Gourret, 1883, p. 36, Est. 2, fig. 35. 
Joergensen, 1911, p. 49, fig. 106. 
Dimensões: t = 80 ft, v = 30/*, h =55 
u, V = 150 ii. 

Comum nas zonas pesquizadas. 

CERATIUM LUNULA Scliimper, 1900 

Karsten, pro parte 1906, Est 20, fig. 
12a-b, non, fig. 8-11. 

Joergensen, 1911, p. 51, fig. 112-115. 

Dimensões: t = 80-90 n, v = 45-50 ft, 
h = 40 -45 n, V = 40 n (forma brachyceros) 
V = 400 ft. (f. megaceros). 

Encontrado em plancton das imediações 
das ilhas Cagarras. Foram observados indivi- 
duos isolados da forma brachyceros e uma 
vez uma cadeia de 3 individuos sendo um de 
forma megaceros. I 

CERATIUM KARSTENI, VAR. ROBUSTA íKarsten, 
1907) Joergensen. 

Ceratium tnpos lunula Karsten, 190Ô, 
pro parte Est. 200, fig. 9a -b. 



Ceratium tripos armatum Karsten, 

1906. pro parte Est. 20, fig. 13a, 14. 
Ceratium tripos armatum Karsttn, 

1907, Est. 48, fig. 4. 
Ceratium tripos armatum var. robus- 
ta, Karsten, 1907, Est. 48, fig. 
6a -b. 

Ceratium karsteni, var. t obus ta 
(Karsten) Joergensen, 1011, p. 
54, fig. 118. 
Dimensões : t = 80 n, v = 45 ft, h = 55 ft, 
V = 300 ft, L = 185 fi, R = 175 ft. 

Pouco frequente. Encontrado nas proxi- 
midades das ilhas Cagarras. 

CERATIUM MASSILIENSE (Oourret, 1883) Joergensen. 

Ceratium tripos var. massiliense 
Gourret, 1883, p. 27 est. 1, 
fig. 2. 
Ceratium tripos macroceroides, Kars- 
ten, 1906, est. 22, fig. 28a b. 
Ceratium tripos macroceros, Karsten, 

1906, pp. est. 22, fig. 29a. 
Ceratium tnpos macroceros, var. 
crassa, Karsten, 1907, est. 49, 
fig. 27a - c. 
Ceratium massiliense (Gourret), Joer- 
gensen, 1911, p. 66, fig. 140-142. 
Dimensões: t = 72— 75 n, v=35-38 ft, 
h = 48-50 ft, b = 18-22 ft. 

Esta especie é muito frequente nas zonas 
por nós estudadas. Damos um desenho desta 
especie que até aqui embora bem descrita, 
tem sido bastante imperfeitamente represen- 
tada (est. 26, fig. 7). 

CERATIUM VULTUR Cleve, 1900. 

Joergensen, 1911, p. 71, fig. 151a-b. 
Dimensões: t=57 ft, v = 22 ft, h = 40 
ft, h = 40 ft. 

Encontrado uma vez proximo ás ilhas 
Cagarras. 

CERATIUM TRICHOCEROS (Elirb, 1859) Kofoid. 

Ceratium tripos flagelliferum, Kars- 
ten, 1906, pro parte est 22, fig. 
31b. 

Ceratium tripas flagelliferum, var. 
cmssa, Karsten, 1906, est. 22, 
fier. 32a -b. 



79 



Cerat'um trichoceros (Ehrb.) Joer- 
gensen, 1911, p. 75, fig. 159a -b. 
Dimensões: t— 40 n, v = 24 /*, h = 20 
,u, V = 250 n. 

Especie bastante comum. 

CERATIUM TENUE (OstcnfeW & Schmidt, 1911.) 

Joergensen, 1911, p. 73, fig. 163. 
Dimensões: t == 45 fi, v = 25 fi, h = 22 
(i, V = 80 ft. 

Pouco comum. 

CERATIUM RET1CULATUM (Pouchet, 1883) deve. 

Joergensen, 1911, p. 86, fig. 182a -c, 
183. 

Dimensões: t — 70. 
Relativamente frequente. 

PODOLAMPAS BIPES Stein, 1883. 

Stein, 1883, est. VIM, fig. 6-8. 

Patrocelia onata Gourret, 1883, p. 

82, est. Ill, fig. 48, 48a. 
Podolatnpas bipes Stein, Schuett, 

1895, est. XIX, fig. 56. 
Podolatnpas bipes Stein, Paulsen, 
1908, p. 92, fig. 125. 
Dimensões: comprimento 90 ¿w, compri- 
mento dos espinhos 25 ,n. 
Relativamente comum. 

PODOLAMPAS PALMIPES Stein, 1883. 

Stein, 1883, est. VIII, fig. 9-11. 
Schuett, 1895, est. XVIII, fig. 58. 
Paulsen, 1908, p. 92, fig. 124. 
Encontrado no plankton dos arredores 
das ilhas Cagarras. Especie muito rara. 

CERATOCORYS HÓRRIDA Stein, 1883. 

Stein, 1883, est. 6, fig. 4-11. 
Schuett, 1895, est. 6, fig. 25. 
Plancton das proximidades das ilhas Ca- 
garras. Bastante raro. 

ORNITHOCERCUS MAGNIFICUS Stein, 1883. 

Síein, 1883, est. 23, fig. 1-6. 
Schuett, 1895, est. 5, fig. 21. 
Plancton das proximidades das ilhas Ca- 
garras. Só urna vez observado. 



ORNITHOCERCUS SERRATUS Kofold, 1907. 

Kofoid, 1907, p. 206, est. 15, fig. 93. 
Plancton dos arredores das ilhas Cagar- 
ras. Especie igualmente rara, observada urna 
única vez. 

HISTIONEIS HIOHLEII Murray & Witting. 

Murray & Witting, 1899, p. 334, est. 
32, fig. 5. 
Foi encontrada no Oceano cerca de 20 
milhas ao sul da Ilha Raza em pequena quan- 
tidade. 

SILICOPLAGELLATA 

DICTYOCA FIBULA, VAR. MESSANENSIS (Haeckel, 
1864) Lemra. 

Dictyoca messanensis Haeckel, Î862, 

p. 272, est. 12, fig. 3-6. 
Dictyoca messanensis Haeckel, 1877, 

p. 1561. 
Dictyoca fibula, var. messanensis 

(Haeckel) Lemm. 1901, 261. 
Dictyoca /¿bula, var. messanensis 

(Haeckel) Lemm. 1908, p. 28, 

fig. 94. 
Encontrada no interior da baía do Rio 
de Janeira 

HERMESINUM ADRIATICUM Zacharías 

Zacharias, 1906a, p. 395, fig. a, b, c, d. 
Zacharias, 1906b, p. 514, mesmas fi- 
guras. 
Esta especie ocorre com bastante frequên- 
cia dentro da baía do Rio de Janeiro, tendo 
sido vista principalmente em plancton obtido 
por centrifugação e também em redes (N°. 
25), Manguinhos, Jurujuba, em Janeiro, Fe- 
vereiro, Março. 

EBRIA TRIPARTITA (Schum.) Leram. 

Ebria fornix fMach.), Borgert, 1891. 

p. 662. 
Ebria tripartita (Schum.) Lemm., 

1901, pp. 268-269. 
Ebria tripartira (Schum.) Lemm. , 
190S, p. 32, fig. 108. 
Também encontrado no interior da baía 
do Rio de Janeiro, com frequência. 



80 



DIATOMACEAE. 

PARALIA SULCATA (Ehrb.) 1837 Cleve. 

Cleve, 1873a, p. 7. 

Melosira sulcata (Ehrb.) in Schmidt, 

est. 178, fig. 1-5. 
Melosira sulcata (Ehrb.) in v. Heurck, 

1899, p. 444, est. 91, fig. 16. 
Melosira sulcata (Ehrb.) in Mann. 

1907, p. 239-240. 
Paralia sulcata (Ehrb.) Gran, 1908, 
p. 14, fig. 6. 
Zimmermann, 1915, p. 69. 
Ocorre com muita frequência. Já assina- 
lada no Porto de Santos pelo professor 
Zimmermann. 

STEPHANOPYXIS APPENDICULA Ehrb. 1854. 

Stephanopyxis turns (Grev.) Ralfs 
in v. Heurck, 1899, p. 90, est. V, 
fig. 42-44. 

Stephanopyxis turns (Grev.) Ralfs 
in Karsten, 1907, p. 73, est. 

II, fig- I- 
Stephanopyxis appendicula (Ehrb.) 

in Mann, 1907, p. 244 e 245. 
Stephanopyxis appendicula (Ehrb.) 

in Schmidt, 1888, est. 130 fig. 

18-26, 28, 31-32, 34-35. 
Stephanopyxis turn's (Grev.) in Gran, 

1911, p. 14, fig. 6. 
Stephanopyxis turn's (Grev.l in Zim- 
mermann, 1914, p. 5. 
Ocorre com frequência e ás vezes em 

grande numero. 

SKELETONEMA COSTATUM (Orev. 1866), Cleve. 

Cleve, 1878, p. 98. 
v. Heurck, 1899, p. 457. 
Gran, 1911, p. 15, fig. 7. 
Ocorre com grande frequência em todo 
o distrito estudado. 

DETONULA SCHROEDERI (P. Bergon). 

Lauderia delicatula Schroeder, 1900, 

p. 23. 
Lauderia schroedeii P. Bergon, (cit. 

apud Gran). 



Detonula schroeden (P. Bergon /'// 
Gran, 1911, p. 22, fig. 21a- b. 
Especie pouco frequente. 

LEPTOCYLINDRUS DANICUS Cleve, 1889. 

Ueve, 1889, p. 54. 

Peragallo, 1892, p. 104, est. 1 (XIII) 
fig. 21 e 22 (omitidos os núme- 
ros na estampa.) 
Gran, 1911, fig. 24, p. 24. 
Encontrado no Oceano proximo da ilha 
Raza e Cagarras. não raro em Março. 

OU1NARDIA FLÁCIDA (Castracane) Peragallo. 

Rhizosolenia (?) flácida Castracane, 

1886, p. 77, est. 29, fig. 4. 
Guinardia flácida, Peragallo, 1892, 

p. 107, est. 1, fig. 3-5. 
Gwnardia flácida, Cleve, 1894, p. 

15, est. 2, fig. 1. 
Guinardia flácida, (Castracane) in 

Gran, 191 1 , p. 24 e 25, fig. 25a - b. 
E' especie frequente. 

COSCINOD1SCUS EXCENTRICUS Ehrb 1839. 

1) Abh. Berl. Akad. 1839, p. 146. 
Schmidt, 1886, est. 58, fig. 46-49. 
2) Centrodiscus excentricus Ehrb. 
1845., Monatsber. Berl. Akad. 
1845. 
Centrodiscus excentricus Ehrb. Grue- 

now, 1884, est. VI, fig. 7. 
Coscinodiscus minor, Schmidt, Atlas. 

est. 113, fig. 9. 
Coscinodiscus excentricus Ehrb. in 

Rattray, 461-463. 
Coscinodiscus excentricus Ehrb. in 

Mann, 1907, p. 251. 
Coscinodiscus excentricus Ehrb. in 
Gran. 1911, p. 29 fig. 29a, b, c. 
Coscinodiscus excentricus Zimmer- 
mann, 1904, p. 8. 
E' especie muito comum no material es- 
tudado, já observada em Porto Seguid 
(Hardmann). 

COSCINODISCUS RADIATUS (Ehrb.) VAR. MEDIA 

Gniciiow. 

Gruenow, 1884, p. 72, est. Ill, fig. ¿ 



SI 



Schmidt, 1886, est. 60, fig. 10. 
Rattray, 1889, p. 516-517. 
Mann, 1907, pro parie, p. 257. 
Já assinalado no Rio de Janeiro no tra- 
balho de Rattray (Hardmann). 

COSCINODISCUS OCULUS-IRIDIS, Ehrb. 1839. 

Ehrb. : Abhandl. Be*!. Akad. 1839, p. 147 

Schmidt, Atlas, est. 113, fig. 1, 3, 5, 6, 7, 9. 

C. oculus iridis, vat: genuína, Grue- 

now, 1884, p. 77. 
C. omphalantus Gruenow, in Sch- 
midt, Atlas, est. 113, fig. 2. 
C. oculus iridis, Ehrb. in Rattray, 

1888-9, p. 559. 
C oculus iridis, Ehrb. in Mann, 

1907, p. 256. 
C. oculus iridis, Ehrb. in Zimmer- 
mann, 1914 p. 10. 
Já assinalado na baía de Santos, (E. de 
S. Paulo), pelo trabalho de Rattray (Cleve.) 
Bastante comum na baía do Rio de 
Janeiro. 

COSCINODISCUS OIGAS, Ehrb. 1841. 

Ehrenberg, Abhandl. Berl. Akad. 1841, 

p. 4! 2. 
Schmidt, Atlas, est. 64, fig. 1. 
Grünow, 1884, p. 76. 

Coscinodiscur radiutus Bailey, 1842, 
p. 95, est. 2, fig. 14. 
Relativamente raro dentro da baía. 

COSCINODISCUS ROTHII, Oruenow 1884. 

Gruenow, 1884, p. 29, est. Ill, fig. 20a 

20b, 20c, 22. 
Schmidt, 1886, est. LV1I, figs. 25, 26, 

27. 
Rattray, 1888, p. 502. 
Zimmermann, 1914, p. 9. 
Já observado no Rio de Janeiro segundo 
Rattray em material de Weissflog. 

ACTINOPTYCHUS UNDULATUS (Bailey) Ralfs, 1842. 

Actinocyclus unciulatus Bailey, 1842, 

est. 11, fig. 11. 
Actiiwptychus undulatus (Ehrb.) in 

Schmidt, 18S6, est. 109, fig. 1. 



Actinoptychus undulatus (Ehrb,) Van 

Heurck, 1899, p. 496, fig. 232. 
Actinoptychus undulatus (Ehrb.) Gran 

1911, p. 42, fig. 46. 
Actinoptychus undulatus (Ehrb.) 

Mann 1907, p. 272. 
Actinoptychus undulatus (Ehrb.) 
Zimmermann, 1915, p. 70. 
Desta especie foram encontradas, além 
da forma [normal com 6 setores, também 
formas com 8 setores como figuradas por 
Schmidt no seu atlas, est. 109, fig. 1, e por 
ele consideradas como formas anormais. 

ACTINOPTYCHUS VULGARIS Schumann. 

m Karsten, 1906, p. 158, est. XXVII, 
figs. 5 e 6. 
Especie bastante rara, encontrada só uma 
vez na baía de Botafogo. 

ASTEROMPHALUS FLABELLATUS (Breb. 1859) Grev. 

in Schmidt, 1876, est. 38, fig. 10, 11 e 

12. 
Rattray, 1889, p. 622. 
V. Heurck, 1899, p. 504. 
Mann, 1907, p. 275. 
É uma especie rara. 

HEMIDISCUS CUNEIFORMIS (Wallich) 1860 

Wallich, 1860, est. II, fig. 3 e 4, pag. 
42. 
¡ietnidiscus cuneifonnis Schuett in 

Cleve 190Ï. 
Euodia gibba, Joergensen, 1905 p. 

95. 
Euodia cuneiformis (Wall.), in Gran, 

1911, p. 45, fig. 51. 
Hemidiscus cuneiformis (Wall.) in 
Mann, 1907, p. 316. 
É especie encontrada com relativa fre- 
quência, no Oceano. 

RHIZOSOLENIA STOLTERFOLTHI Peragallo, 1888. 

Peragallo, 1888- est. 6, fig. 14. 
Peragallo, 1892, p. 108; est. 1, fig. 17 

e 18. 
Gran, 1911, p. 49, fig. 55. 
Muito comum nas zonas estudadas. 



82 



RHIZOSOLENIA CYLINDRUS Cleve, 1897. 

Cleve, 1897a, p. 24, est. 2, fig. 12. 
Karsten, 1907, p, 376-377, est, XLII, 

fig, 6 e 6a. 
Gran, 1911, p. 49, fig. 56, a- b. 
Encontrada em pequena quantidade no 
Oceano em Março. 

RHÍZOSOLENIA ROBUSTA Normann, 1861. 

Castracane, 1886, p. 73, est. 2, fig. 1, 

la,; est. Ill, fig. 1 a 3. 
Peragallo, 1892, p. 109, est. 1, fig. 1 e 

la; est. II, fig. 1 e 2. 
Karsten, 1906, p. 163, est. 29, fig. 10. 
Oran, 1911, p. 50, fig. 57, a, b, e c 
Mann, 1907, p. 285. 
Especie comum. 

RHIZOSOLENIA ANNULATA Karsten, 1907. 

Karsten, 1907, pp. 378-379, est. XLI, 

fig. 4a e 4b. 
Encontrada no Ocea'no em Março, 20 
Miilhas ao Sul da Ilha Raza e proximo a 
esta. 

RHIZOSOLENIA ACUMINATA Peragallo, 1892. 

R. temperei, var, acuminata Peragallo 

1S92, p. 110, est. Ill, fig- 4. 
R. acuminata, Peragallo, in Gran, 
1911, p. 50, fig. 5), a, b, c. 
É muito comum sobretudo no Oceano 
proximo á entrada da baía do Rio. 

RHIZOSOLENIA RHOMBUS, Karsten, 1905. 

Karsten, 1905, p. 97, fig. 6 a, b, c. 
Encontrado por Karsten a 63°16' de la- 
titude Sul e 37<ï5r lonjitude L., foi por nós 
encontrada ein plancton colhido dentro da 
baía do Rio, sendo comtudo uma especie 
r ara. 

RHIZOSOLENIA SHRUBSOLEI Cleve, 1881. 

Peragallo, 1892. p. 114, est. 5, figs. 8 

e9. 
Rhizosolenia atlântica Peragallo, 

1892, p. 114, est. V, figs. 4 e 5. 
Rhizosolenia shrubsolei Cleve in 

Van Heurck, 1899, p. 415, est. 



33, fig. 886, Gran, 1911, p. 52, 
fig. 63 a, b, c. 
Rhizosolenia shrubsolei Cleve, in 
Zimmermann, 1915, p. 140 (grafia 
errada.) 
Encontrada nas proximidades das ilhas 
Cagarras proximo á entrada da barra do Rio. 
Zimmermann cita esta especie no Rio de 
Janeiro. 

RHIZOSOLENIA SETIOERA Brightwell. 1858. 

Brightwell, 1858. Microscopical Journal, 

1858, p. 95, est. 5, fig. 7. 
Peragallo. 1892, p. 112, est. IV, p. 
12-16. 
^ Gran, 1911, p. 53, fig. 64, a, b, c 
É especie bastante comum. 

RHIZOSOLENIA CALCAR-AVIS Schultze, 18t8. 

Schultze, 1858, p. 339, est. 13, fig. 5 
10. 

Peragallo, 1892, p. 110, est. 17, fig. 9. 
^ Gran, 1911, p. 54, fig. 66. 
É também uma especie comum. 

RHIZOSOLENIA ALATA (Brightwell) f. Genuína 
Oran, 1911. 

Rhizosolania alata Brightwell, lS5t 

Est. 5, fig, 8. 
Rhizosolenia alata Peragallo, 1892, 

p. 115, est. 5, fig. 11. 
Rhizosolenia alata Gran, 1911, p. 

56, fig. 68c. 
É uma especie rara. 

RHIZOSOLENIA ALATA (Brightwell) f. Indica 
(Peragallo). 

Rhizosolenia indica Peragallo, 189?. 
p. 116, est. V, fig. 16. 

Rhizosolenia alata, var corpulenta, 
Cleve, 1897, p. 42, est. 2, fig. 11. 

Rhizosolenia alata, f. indica (Pera- 
gallo), Gran, 1911, p. 56, fig 
68a (rejistrada na figura com v 
nome de "corpulenta". 
Especie não rara. 

RHIZOSOLENIA AMPUTATA Ost. 1902. 

Kaisten, 1907, p. 376, est. 42, fig. 2 e 
2a. 



83 



Ocorre raramente dentro da baía, e fre- 
quente nas zonas oceânicas. 

CORETHRON CRIOPHILUM Castr. 1886. 

C. criophilum Castr., 1886, p. 85, 

figs. 12, 14 e 15. 
C. hvstrix Cleve, 1897, p. 299. est. 

I, fig. 15a, b, c 
C. criophilum Cleve, 1900197, (c), p. 
929. 
Ocorre com relativa frequência na baía 
do Rio enunediações. 

BACTER1ASTRUM FURCATUM Shadb. 1854. 

B. varia/is Lauder, 1865, p. 89, est. 

Ill, fig. 1-6. 
B. varians Castracane, 1886, p. 82, 
84, est. 14, fig. 2, est. 19, fig. 3 
est. 23, fig. 1, 23, fig. 1. 
B. varians Van Heurck, 1899, p. 
422, est. 18, fig. 605. 
Ocorre frequentemente. Nós mantemos 
o genero Bacteiïastrain, apesar das objeções 
levantadas por Mann (1907) até ulterior 
exame da questão. 

CHAETOCERAS COARCTATUS Lauder, 1864. 

C/i. borealis, var. rudis Cleve, 1897 

est. I, fig. 5. 
Ch. rudis Cleve, 1901, p. 308. 
C/f. coarctatum Lauder in Cleve — 

ibidem (em nota). 
Ch. coarctatus Lauder m Gran, 1911, 
p. 68, fig. 80, n. 
Especie comum, encontrada dentro da 
baía do Kio de Janeiro. 

CHAETOCERAS PERUVIANUM Brightwell, 1856. 

Cleve 1897, p. 299, fig. 7. 

Gran, 1911, p. 70, fig. 84, a, b, c, d, e. 

Ocorre com relativa frequência no Oceano. 

CHAETOCERAS LORENZIANUM Oruenow, 1863. 

Cleve, 1897, p. 21, est. I, figs. 13, 14, 
15. 
^ Gran, 1911, p. 76, fig. 90. 
É especie que ocorre muito frequente- 
mente. 



CHAETOCERAS DIDYMUM, Ehrb, VAR. GENUÍNA 
Oran, 1845. 

Ch, mamillanum Cleve, 1889, (cit. 

apud Gran). 
Ch. didymum Cleve, 1894, p. 13 e 

14, est. 1, fig. 3 a, b, c. 
Ch. didymum Ehrb. Gran, 1911, p. 
79, fig. 94. 
Especie frequente na barra e baía do 
Rio e observada com abundancia em Maio 
(1914). 

CHACTOCERAS DIDYMUM VAR. ANOLICA 
i Oruenow). 

Ch. didymum var longicruris Cleve, 
1897a, p. 21, est. I, fig. 11 e 
17. 
Ch. didymum var. anglica Gruenow, 
in Gran, 1911, p. 80, fig. 95. 
Encontrada com frequência com a forma 
"genuína". 

CHAETOCERAS SCHUETTII Cleve, 1894. 

Cleve, 1894, p. 14, est. I, fig. 1. 

Ch. paradoxum schuettii Schuett, 

p. 93, fig. 63a. 
Ch. schuetti, Gran, p. 81, fig. 97. 
Especie não rara. 

CHAETOCERAS CONTORTUM, Schuett, 1838. 

Ch. sp. Schuett, 1888, est. 3, fig, 

4. 
Ch. compressum Cleve, 1894, p. 12, 

est II, fig. 3. 
Ch. contortum, Gran, 1911, p. 78, 

figs. 93 a, b. 
Não rara. 

CHAETOCERAS LACINIOSUM Schuett, 1894. 

Ch. distans Cleve, 1873b, p. 8, est, 

II, fig. 3. 
Ch. distans Cleve, 1894, p. 14, est, 

II, fig. 2. 
Ch. commuta turn Cleve, 1896, p. 

2S, fig. 9 e 11. 
Ch. laciniosum Schuett, in Gran, 

1911, p. 82, fig. 99. 



CHAETOCERAS CURV1SETUM Cleve, 1894. 

Ch. cunusetum Cleve, 1894, p. 12, 

est. I, fig. 5. 
Ch. curvisetum Cleve, 1897, p. 20, 
est. I, fig. 16. 
Gran, 1911, p. 91, fig, 116. 
E uma espèce relativamente frequente. 

EUCAMPIA ZOODIACUS Ehrb. 1839. 

Ehrenberg, 1839, p. 71, est. 4, fig. 8. 
Boyer, 1900, p. 743. 
Gran, 1911, p. 98, fig. 26, a, b, c. 
Comum no interior da baía em Janeiro 
(1915). 

HEMIAULUS CHINENSIS Grev.lle, 1865. 

H. chincnsis Greville, 1865. p. 5, | 

fig. 9, 
H. heibergii, Cleve, 1873 b, fig. 6, 

est. I, fig. 4. 
H. heibergii Van Hcurck 1899, p. 
45. 
Encontrada apeuas uma vez no interior 
Ja baía do Rio. 

HEMIAULUS INDICUS Karsten, 1907. 

Karsten, 1907, p. 394, est. XLVI, fig. 
4 e 4a. 
Esta especie foi encontrada no Oceano 
e nas proximidades das ilhas Raza e Cagar- 
ras. 

CLIMACODIUM FRAUENFELD1ANUM Grfln, 1868. 

Griinow, 1868, p. 102, est. la, fig. 24. 
Clinuicoduim jacobi, Cleve, 1897a, 

p. 22, est. II, fig. 18. 
Ctímaepdium frauenfeldianum G rün. 

Cleve, 1901 c, p. 314. 
Clmiacodiutn frauenfeldianum in 
Gran, 1911, p. 100, fig. 129. 
Especie rara, encontrada dentro da baía 
do Rio de Janeiro. 

CLIMACODIUM BICONCAVUM Cleve. 1897. 

Cleve, 1897a, p. 22, est. 2, lift. 16, 17. 
Eaeunpia hemiauloides, Ostenfeld, ' 
& Schmidt p. 157. 



Eucampla bicóncava Ostenfeld, 1902, 

p. 241. 
Climacodium biconcavum Cleve, in 
Karsten, 1906, p. 172, est. 28, 
fig. 10. 
Climacodium biconcavum Cleve, in 
Gran, 19)1, p. 200, fig. 130. 
Especie não rara, encontrada mais vezes 
no Oceano. 

CERATAULINA BERGON1I Peragallo, 1892. 

Peragallo, 1892, p. 7, est. I, fig. 15 e 16. 

Cleve, 1894, p. 11, est. I, fig. 16. 

Schuett, 1896, p. 95, fig. 165. 

Gran, 1911, p. 101. fig. 132. 
Encontrada po.icas vezes proximo ás 
costas da Praia Vermelha e no Oceano, onde 
é comum. 

CERATAULUS SMITH1I, Ralfs, 1861. 

Biddulphia snuthii, Van Heurck. 

1899, p. 474. 
B. (Ceralaulus) smíthii, Van /'// 
Heurck 1899, p. 466, figs. 202, a, 
b, p. 46S. 
Cerataulus smtthii Ralfs, in Gran, 
1911, p. 102, fig. 134. 
Poucas vezes encontrada dentro da baía 
do Rio de Janeiro. 

BIDDULPHIA BIDDULPHIANA (Smith) Boyer, 1800. 

Biddulphia pulchela Gray in Schmidt, 
1888, est. 118, fig. 26-32; est. 
121, fig. 1-2. 
Biddulphia biddulphianu Van Heurck 
1899. p. 694 e 695. 
Boyer, 1900, p. 6^4. 

Biddulphia pulchclla Gray, 1857, /'/.' 

Mann, 1907 p. 307. 
Biddulppia biddulphiana 'Gran, 1911, 

p. 104, fig. 135 a, b. 
Biddulphia pulchella Gray, in Zim- 
mermann, 1915, p. 50, (24). 
Eapecie não rara. 

Na impossibilidade de verificar a pro- 
priedade do r.onie "pulchella" dada a esta 
especie por Mann, nos mantemos a nomen- 
clatura acima como fazem Boyer e Gran. 



85 



BIDDULPHIA MOBILIENSIS (Bailey) Orûn. 1859. 

Denticella mobiliensis Griin. , 1884, 

p. 7. 
Biddulphia mobiliensis (Bail.) Grue- 

now, in Schmidt, 1888, est. 122, 

figs. 20 e 2). 
Biddulphia mobiliensis (Bail.) Grue- 

now, in Boyer, 1900, p. 698 e 

699. 
Biddulphia mobiliensis (Bail) Grue- 

now, in Karsten, 1905, p. 121 

est. XVII, fig. 1. 
Biddulphia mobiliensis (Bail) Grue 

now, in Mann, 1907, p. 206. 
Biddulphia mobiliensis (Bail) Grue 

now, in Gran, 1911, p. 106, fig 

138, a, b, c, d. 
Denticella mobiliensis (Bail) Gruen 

in Zimmermann, 1915 p. 140. 
Ocorre frequentemente e ás vezes em 
grande numero. Zimmermann assinala esta 
especie em Santos. 

BIDDULPHIA SINENSIS, Grev. 1866. 

Ostenfeld & Schmidt, 1901, p. 152, 

fig. 6. 
Ostenfeld, 1902, p. 243, fig. 21. 
Gran; 1911, p. 107, fig. 139. 
É especie muito comum. 

BIDDULPHIA RHOMBUS (Ehrb.) W. Smith, 1844. 

Schmidt, p, 120, figs. 11-13. 

Boyer, 1900, p. 704-5. 

Gran, 1911, p. 108, fig. 141, a, b, c 

BIDDULPHIA FAVUS (Ehrb. 1839) V. Heurck. 

Triceratium favus Ehrb, in Schmidt, 
1S85, est. 82, fig. 1, 2, 3, 4iest. 
126, 1888 fig. 5-7. 

B. favus (Ehrb.) in Van Heurck, 
1889, p. 466 e 468, fig. 204, a, 
b, c 

B. favus (Ehrb.) in Mann, 1907, p. 
203. 
Gran, 1911, p. l n 9, fig. 147, a, b. 

Triceratium favus Ehrb, in Zimmer- 
mann, 1915, p. 141. 



É especie muito comum. Já vista em 
Santos por Zimmermann. 

TRIOONIUM ALTERNANS (Bail.). Mann, 1851. 

Triceratim alternons Schmidt, est. 

78, fig. 9-17. 
B. alternons (Bail) in Van Heurck 

1899, est. 21, fig. 644, p. 475. 
B. alternons (Bail) in Boyer, 1900. 

p. 719. 
B. alternons (Bail) in Gran, 1911, 

p. 110; fig. 145 a, b. 
Trigonium alternons (Bail.), Mann, 

1907, p. 290. 
Relativamente frequente. 

BIDDULPHIA TRIDENS Ehrb, 1838. 

Zygoceros tuomeyi Bailey, 1844, est. 

4, fig. 3 a 9. 
Biddulphia tuomeyi (Bailey,) in 

Schmidt, est. 118, figs. 1 a 7; 

est. 119, figs, 1-7, 15—17. 
Biddulphia tuomeyi Van Heurck. 

1899, p. 471, est. 34, figs. 895 
896. 

Biddulphia tridens, Ehrb, m Boyer, 

1900, p. 695. 

Biddnlphi tuomeyi (Bail) in Zim- 
mermann, 1915, (grafia errada). 
Esta especie tinha sido observada em es- 
tado fossil in Petersburgo U. S. A. Boyer 
assinala em estado fossil nos depósitos do 
Mioceno da California, Virginia e New Yersey, 
acrecentando ser comum ao longo da costa 
sul-atlantica da America do norte. Parece ser 
especie muito rara, só encontrada unía ve/ 
(Maio de 1915) mostrando chromatoforos. Zim- 
mermann cita-a entre as especies do Porto 
de Sanios. 

ISTHMIA OBLIQUATA (Smith) 1814). 

Isthmia enenis Ehrb, 1838, p. 209. 
Schmidt, est. 136, fig. 1, 3, 6,7. 

Isthmiella enervis Cie ve, 1873a, p. 

10. 
Isthmia enervis Van Heurck, 1899, 
p. 451, fig. 175a. 



Sô 



Isthmia obliquata (Smith) Boyer 
p. 1900, p. 689. 
Encontrada com frequência era aguas das 
proximidades das ilhas Cagarras, mais rara- 
mente dentro da baía. Encontra-se também 
em agua salobra (4 00 de Nal) na Lagôa 
Rodrigo de Freitas. 

LITHODESMIUM UNDULATUM Ehrb. 1840. 

Van Heurck, 1899, p. 465 fig, 190, 

a, b. 
Gran, 1911, p. 112, fig. 149, a, b, c. 
Encontrada nas proximidades do caes do 
Porto em Setembro de 1913, em plancton 
colhido a noite. 

DíTYLIUM BRIGHTWELLI (West.) Gruenow. 

in Oran, 1911, p. 112, fig. 150. 
É especie encontrada com frequência de 
Abril a Outubro, rara em Janeiro. Ocorre em 
toda a baía do Rio de Janeiro. 

THALASSIOTRIX NITZCHIOIDES Grfln, 1862. 

Thalassiothrix curvata Castracane, 

1886, p. 55, est. XXIV, fig. 6. 
Thalassiothix nitzchioides Oruenow, 
Joergensen, 1905, p. 102, est. 6, 
fig. 11 a, b. 
Thalassiothtix nitzchioides Gruenow, 
Oran, 1911, p. 117, fig. 158. 
Especie muito disseminada no interior 
da baía e ilhas circumvizinhas (Ilhas Cagarras, 
Ilha Raza, etc.) 

TESSELLA ADRIÁTICA (Kuetz, 1844) Mann. 

Rhabdonema adriaticum Kuetz. in 
Schmidt, 1895, est. 217, fig. 17- 
23-1896, est. 221 -fig. 4. 



Rhabdonema adriaticum Karsten, 

1899, p. 37, fig. 22. 
Rhabdonema adriaticum Van Heurck, 
1899, p. 360, fig. 
Mann, 1907, p. 321. 

Rhabdonema aaViaticum Kuetz. in 
Zimmermann, 1915, p. 50. 
Encontrada raramente em Janeiro de 
1915, proximidades das Ilhas Cagarras. As- 
sinalada por Zimmermenn, no porto de 
Santos. 

NITZCHIA CLOSTERIUM W. Smith. 

Karsten, 1899, p. 129, fig. 177. 

Oran, 1911, p. 129, fig. 172. 
Ocorre com bastante fre-quencia no 
plancton colhido proximo das costas, so- 
bretudo em material apanhado por filtração 
ou centrifugação. 

NITZCHIA SERIATA Cleve, 1883. 

Cleve, 1883, est. 38, fig. 75. 

Nitzchia fraudulenta Cleve, l?97b. 

p. 300, fig. 11. 
Nitzchia seriata Cleve, in Gran, 
1911, p. 129, fig. 174. 
E especie muito frequente, em grandes 
quantidades nas proximidades das ilhas 
Cagarras. 

BACILLARIA PARADOXA Gmelin. 

Nitzchia paradoxa Gmelin in Kars- 
ten, 1899, p. 125, fig. 168. 
Nitzchia paradoxa Gmelin in Gran, 
1911, fig. 178, p. 131. 
É especie muito frequente em todos os 
distritos estudados. 



Nota. -Nas dimensões das especies do genero Ceratium as letras sio empregadas com a mesma significação 
que no trabalho de JŒROENSEN. 



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Die Radiolarien (Rhizopoda radiaria). Eine Monogra- 
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Wiss. Meeresunters. No 10 Abt. Kiel. 

Ungeschlechtliche u. geschlechtliche Fortpfalnzung der 
Tintinnen. 

Wiss. Meeresunters. N. F. Vol. 10 Abt. Kiel. 

Fresh water Rhizopods of North America Wash. 

Ergebnisse einer Reise nach clem Pacific (G. Schauins- 
land, 1896 7). Planktonalgen. 



91 



LEMMERMANN, E. 1908 



LEMMERMANN, E. 



1901 



MANN, ALBERT 


1884-1904 


MANN, ALBERT 


1894 


MERESCHKOWSKY 


1879 


MURRAY, G. & 

WHITTING, F. G. 


1899 


OKAMURA, K. ' 


1907 


OSTENFELD, C 


1898 


OSTENFF.LD, C. & 

SCHMIDT, JOH. 
PAULSEN, O. 


1901 
1908 


PERAGALLO, H. 


1892 



RATTRAY, JOHN 



1890 



SCHMIDT, A. 


ED. 


1873- 


1904 


SCHMIDT, J. 




1901 




SCHROEDER, 


B. 


1901 




SCHROEDER, 


B. 


1909 




SCHULTZE 




1863 




SCHUETT 




1895 




SCHUETT 




1896 





Abhandl. hrsg. v. naturwiss. Verein Bremen XVI Bd. 

2 Hft pp. 313-398 Taf. I -III. 
Flagellatae, Chlorophyceae, Coccosphaerales u. Silico- 

flagellatae. 
Nordisches Plankton hrsg. BRANDT 8t APSTEIN. 
Silicoflagellatae. 
Ber. deut. botan. Ges. Jahrg. 19. Hft. 4 p. 247-270 

Taf. 10, 11. 
Reports on the diatoms of the Albatros voyages in the 

Pacific Ocean. 
Contrib. U. S. Nation. Herbarium, Vol. 10 P. 5. 
List of Diatomaceae from a deep-sea dredging in the 

Atlantic Ocean off Delaware-bay by S. U. 

T. Com. steamer "ALBATROS." 
Proc. U. S. Nation. Mus. Vol. 16, p. 303-312. 
Studien ueb. Protozoen des noerdlichen Russlands 
Arch. f. mikrosk. Anatomie Bd. 16. 
New Peridiniaceae from the Atlantic. 
Transact. Linn. Soc. London. Ser. 2 Botany, Vol. 5. 

Part. 8 -London. 
An annotated list of plankton microorganisms of the 

Japanese Coast. 
Annotationes Zool. Japon. Vol. 6, Part. II. 
Marine Plankton diatoms. 
Botan. Tidskrift, Vol. 25 -Copenhague. 
Plankton fra det Roede og Adenbugten. 
Vidensk. Meddel. fra naturh. Forening Kjoebenhavn, 
Peridiniales. 

Nord. Plankton hrsg. BRANDT & APSTEIN. 
Monographie du genre Rhizosolenia et de quelques 

genres voisins. 
Diatomiste: T. I. 
A revision of the genus Coscinodiscus EHRB. and of 

some allied genera. 
Proc. R. Soc Edinburgh. Vol. 16, p. 449. 
Atlas der Diatomaceenkunde. 
Some Tintinoden from the Gulf of Sum. 
Vidensk. Med. Nat. Foeren. Kjoebenh. 
Das Phytoplankton des Golfes von Neapel nebst ver- 

gleichenden Ausblicken auf das des atlan- 

tischen Oceans. 
Mitteil. zool. St. Neapel, Bd. 14. 
Phytoplankton von West-Indien. 
Ber. deut. botan. Ges. Jrhg. 27. 
Die Struktur der Diatomee nsmchale etc. 
Quarterly Journ. microsc. Sc. Vol. 7. 
Die Peridineen der Plankton-Expedition. 
Baccilariales, in Engler-Prantl Naturl. Pflan*en-Familien 

Abt. lb Leipzig. 



92 



SCHUETT 1900 Centrifugal u. imultane Membranverdickungen. 

Jahrb. wiss. Botanik, Bd 35 Heft. 3. 
STEIN, FR. 1867 Der Organismus der Infusionsthier. Vol. II. Lpz. 

STEIN, FR. 1SS3 Der Organismus der Infusionsthier. Abt. III. 

WILLE, N. 1904 Die Schizophyceen der Plankton-Expedition. 

Ergebn. Plankton-Exp. Humboldt-Stiftung. 
WILLE, N. 1908 Schizophyceen. 

In Nord. Plankton: hrsg. BARNDT & APSTEIN. 
ZACHAR1AS 1906 Ueb. Periodizitaet, Variation u. Verbreitung verschied»- 

ner Planktonwesen in suedlichen Meeren. 

Arch. f. Hydrobiologie & Plauktonk. Bd. I. 
ZIMMERMANN, C. 1914 la Contribuição para o estudo das Diatomaceas dos 

Estados Unidos do Brazil. 

Broteria: Ser. botan. Vol. XII, p. 1-12. 

(la parte não consultada). 
ZIMMERMANN, C. 1915 II a e III a Contribuição para o estudo das Diatomaceas 

dos Estados Unidos do Brazil. 

Broteria: Ser. botan. Vol. XIII, Fase. I -III. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1917 — 



ESTAMPA 20 




CASTRO SILVA, del. 



93 



Explicação da estampa 26. 

Todas as figuras foram desenhadas com 
camará clara ao nivel da mesa. 

Aumentos: fig. I, cerca de 300 diâme- 
tros, figs. 2, 4 e 6, cerca de 500 diâmetros, 
figs. 3 e 5, cerca de 200 diâmetros. 

Fig. 1 - Tintinnopsis prowazeki nobis. 



Fig. 2 - Cytarocylis ehrenbergi var. adriá- 
tica Imhof, 1886. 

Fig. 3 e 4 - Cytarocylis ehrenbergi var. 
claparedii (Daday, 1887). 

Fig. 5 e 6- Cytarocylis (Coxliella) heli- 
coidea nobis. 

Fig. 7 - Ceratiittn massiliense (Gourret, 
1883) Joergensen. 



Contribuições ao conhecimento dos Oestrideos 
brazileiros 



pelo 

DR. ADOLPHO LUTZ. 

(Com as estampas 27, 28 e 29.) 



Em redor do genero Oestrus, estabeleci- 
do por LINNÉ, se grupa uma serie de 
outros que se costumava reunir na familia 
Oestridae ou Oestrideos. Os autores moder- 
nos preferem a designação Oestrinae, que 
indica que estas moscas parasitarias apenas 
representam uma subfamilia das Muscidae. 
Concordo com esta classificação, mas não me 
parece oportuno, ir mais lonje e colocar os 
géneros em outras subfamilias, com as quais 
mostram certas afinidades. Posto que o para- 
sitismo das larvas, demonstrado para a maio- 
ria dos generes e especies, seja o principal 
carater comum, oferecem também outras afi- 
nidades, diferindo das moscas não parasita- 
rias por alguns carateres não biolojicos. Não 
fosse assim, teria-se de colocar também a 
Mydaea piei entre as Oestrinae, do que 
ninguém se lembrou ainda. 

As Oestrinae permitem outras subdivi- 
sões que, deixando de ser subfamilias, podem 
ser consideradas tribus. Uma destas (as anti- 
gas Cuterebrinar) é formada pelos géneros in- 
dijenas da America, sendo caraterisados pelo 
parasitismo cutâneo e por seu volume con- 



siderável, que falta apenas no genero Der- 
matobia, assaz diferente do resto. 

Existe uma monografia detalhada e bem 
ilustrada das Oestrinae por BRAUER, publi- 
cada em 1863. Outra, moderna e bastante 
completa, posto que muito mais curta, por 
ARMINIUS BAU apareceu nos Genera insec- 
torum de WYTSMAN. Assim temos a vanta- 
jem de não depender absolutamente dos ar- 
tigos orijinais, muito espalhadas e difíceis 
de obter-se, que, todavia, convém consultar o 
mais possível. Ha alguns artigos mais mo- 
dernos de AUSTEN, BRAUER e BERO. 

Recapitulando rapidamente os fatos já 
conhecidos, direi que as Oestrinas são mus- 
cídeos ovíparos ou larvíparos que, pelos co- 
nhecimentos atuais, passam o periodo larval 
sempre em mamíferos, habitando ora a pele, 
ora o estomago, ora o nariz e os seus seios. 
Para lá chegam, seja diretamente, seja por 
migrações, mais ou menos, complicadas. As 
pupas não se formam no corpo do hospeda- 
dor, mas no ambiente. O inseto alado vive 
principalmente para a propagação e geral- 
mente não procura alimentar-se. O corpo é 



95 



volumoso, a cabeça grande, em parte túmida, 
com olhos pouco volumosos e separados nos 
dois sexos. Ha sempre ocelos. As antenas 
ocupam uma cova bastante funda. Os palpos 
faltam geralmente ou são atrofiados, raras 
vezes são desenvolvidos. O escudo é quasi 
quadrangular, o tórax grosso, o abdome 
pouco destacado, sempre bastante grosso, 
sem ser comprido, faltando as macroquetas. 
Na fêmea pode haver um ooscapto. As azas 
sempre mostram finas dobras ou rugas; pelo 
resto seguem o tipo comum das muscae ca- 
lyptemtae, como também as pernas. 

Uma particularidade, que merecia ser 
mais salientada, consiste na grande seme- 
lhança, que a maior parte das especies apre- 
senta com himenopteros aculeados; documen- 
ta-se na aparência geral, como também no 
modo de voar e zumbir, o que explica o 
terror que muitos animais maiores manife- 
stam na sua presença. 

As Oestrinae americanas diferem bastan- 
te das do velho mundo, tendo todavia algu- 
mas afinidades com o genero Cephenomyia. 
As larvas de Dermatobia parecem-se bastan- 
te com as de Hypodcnna. 

A Dermatobia cyaniventris distingue-se 
facilmente de todas as outras especies ame- 
ricanas pelo tamanho reduzido, ausencia de 
pêlos, olhos testáceos (na vida), escudo es- 
triado, azas hialinas e abdome azul-metalico. 
Parece ser a única especie do genero. En- 
contra-se num territorio extenso e tem uma 
grande lista de hospedadores, dos quais o 
boi, posto que introduzido, é hoje o mais 
importante, garantindo a continuação da es- 
pecie em numerosos exemplares. 

As outras oestrinas brazileiras são pouco 
numerosas em individuos, tendo uma vida 
bastante escondida. Todavia o seu tamanho, 
extraordinario entre as Muscidae, e muitas 
particularidades no seu aspeto chamam logo 
a atenção do colecionador. Assim, dos outros 
géneros, Cuterebra tornou-se conhecido nos 
primeiros tempos da diterologia sistemática; 
também foram descritos representantes dos gé- 
neros Rogenhofera e Pseudogametes, mas sem 
a distinção dos géneros que foi muito poste- 
rior. 



Aproveitando-me dos trabalhos já cita- 
dos, dou em seguida uma chave dos géneros 
de Oestrinae, observados por mim em territo- 
rio brazileiro : 

1. Cabeça, em baixo, com fissura lonji- 

tudinal profunda contendo a 
tromba {Cuterebra e outros gé- 
neros indijenas) 4 

Cabeça, em baixo, sem fissura pro- 
funda {Oestrinae typicae). ... 2 

2. Nervura transversal apical ausente ; 

esquamulas pequenas. 
(Gastricolae) 3 

3. Empodios e ocelos distinto» 

Gastrophilus LEACH 

4. Arista penada 5 

Arista nua. Rogenhofera BRAUER 

5. Arista penada apenas em cima. . . 6 
Arista penada dos dous lados. . . 

Pseudogametes BISCHOF 
ó. Face com calos. Tarsos largos. 
Cuterebra CLARK 
Face sem calos. Tarsos finos. Der- 
matobia MACQUART 
Segue um catalogo das especies sul- 
americanas : 

1. Cuíerebra ephippium LATR. 1817. 

Caienne. 

2. « apicalis GUÉR. 1829-38. 

Brazil. 

3. « patagona « 

Patagonia. 

4. « analis MACQ. 1843. 

Brazil. 

5. « caienuensis MACQ. 1843. 

Brazil. 

6. « rufiventris « « 

Brazil. 
7 # « megastoma BRAUER 

1853. America do Sul. 
8. « funebris AUSTEN 1895. 

Trindade (Trinidad), 
g. « nigricincta AUSTEN 1895. 

Brazil. 
Ha mais quatro especies novas: 
10. Cuterebra sarcophagoides n. sp. 
Brazil, Estado de 
São Paulo. 



96 



12. 



13. 



Il « nigricans n. sp. Brazil, 

Estado de São Paulo. 
« infulata n. sp. Brazil, 

Estado do Rio de 
Janeiro. 
« Schmalzi n. sp. Brazil, 

Estado de Santa Ca- 
tharina. 

14. Rogenhofera grandis GUÉR. 1829- 

38.? Brazil, Argen- 
tina. 

15. € trigonocephala BR. 1863. 

Brazil, Estado de 
Bahia. 

16. € dasypoda BR. 1896. 

Brazil, Estado de 
Espirito Santo. 

17. Pseudogametes Hermanni BR. & 

BISCH. 1900. Brazil. 

18. « semiatra WIED. 1830. 

Brazil, Estado de 
Rio de Janeiro. 

19. Dermatobia cyaniventris MACQ. 

1843. Brazil. 

20. Gastrophilus asininus BR. 1863. Brazil. 

(Introduzido.) 
Das especies citadas a C. analis MACQ. 
é sinonima de apicalis GUÉR., tomo resulta 
da boa figura, acompanhada de descrição, 
deste autor. Podia também ser o caso com 
a especie cphippium de LATREILLE, tratan- 
do-se de inn exemplar que perdeu o tomento 
do escuteio. Esta forma não foi encontrada 
no Brazii, tão pouco como patagona GUÉR., 
sendo a procedencia de megastoma BRAUER 
incerta; também cayennensis MACQ. e fu- 
nebris AUSTEN não parecem brazileiras, 
sendo a primeira mal diferenciada de apicalis. 
Assim ficam de Cuterebra apenas tres espe- 
cies antigas: apicalis GUÉR., rujiventris 
MACQ. e nigrocincta AUST., que devem ser 
consideradas indijenas. 

Não possuo as duas ultimas que pare- 
cem raras e de territorio limitado. Também 
não consta que tenham sido reencontradas. 
Por meu lado descreverei quatro especies 
novas. Com mais duas especies de Rogenho- 
fera, duas de l'scudogamctes e uma Derma- 
chegamos a doze especies indijenas. 



Ha mai« um Gastrophilus, mas trata-se, in- 
dubitavelmente, de especie importada. 

Passo agora á parte descritiva, na qual 
darei a descrição dos géneros e especies, dei- 
xando para o fim as minhas observações a 
respeito da morfolojia e biolojia das especi- 
es descritas. 

Parte descritiva. 

I. Genero Cuterebra. 

O genero Cuterebra, exclusivamente ame- 
ricano, é espalhado em numerosas especies 
sobre todo o continente. As da America do 
Norte mostram geralmente um tipo assaz di- 
ferente do das brazileiras, ás quais se limita 
este estudo. Encontra-se entre nós uma es- 
pecie relativamente comum e bastante espa- 
lhada, sendo as outras mais raras e limitadas 
a regiões mais restritas. Para acumular um 
material satisfatório de cuterebras precisa-se 
de muito tempo e numerosos colaboradores. 
A minha coleção parece pequena, mas é 
provavelmente a mais rica de especies indi- 
jenas. Já data de muitos anos e, não ha- 
vendo muita probabilidade de aumento maior, 
não quero demorar mais o estudo desta 
parte da fauna indijena de dípteros parasi- 
tarios. 

BRAUER deu uma descrição muito mi- 
nuciosa do genero Cuterebra, da qual a 
parte mais importante se encontra na descri- 
ção de BAU que reproduzirei aqui : 

"Carateres. - Cabeça grossa, geral mente 
mais larga do que o tórax, hemisférica, 
arredondada e abaulada. Vértice não ou 
apenas saliente, por traz reto e com marjem 
bem definida. Fovea anteual excavada, cor- 
diforme, simples ou dividida no meio por 
uma linha mais ou menos saliente. 

Antenas conchegadas na base, penden- 
tes, os dois primeiros artículos curtos, o ter- 
ceiro curto ou alongado, em oval comprido. 
Arista na base da marjem anterior, penada 
em cima. Boca formando, na face inferior da 
cabeça, uma fissura comprida e profunda. 

Tromba grande, cornea, geralmente re- 
traída, com angulo na base; a parte compri- 



07 



mida terminal do comprimento da fissura 
oral. 

Face inferior muito inchada, sem depres- j 
são abaixo do o!ho. Na cabeça ha calos : 
preto-luzidios, ora lisos, ora rugosos. 

Escudo quasi quadrado ou mais longo 
que largo. 

Azas de côr escura, mas diafanas, com 
veia transversal apical. Primeira célula da 
marjem posterior aberta. Lobos anais 
grandes, geralmente mais escuros que o resto 
da membrana da aza, erguidas ao lado do 
escutelo. Escamulas muito grandes. 

Pernas fortes, curtas e grossas. Tarsos 
achatados, largos. Unhas lijeiramente curva- 
das, pulvillae largas, retangulares, mais curtas 
que as unhas. 

Abdome grosso, cordiforme para globu- 
lar. Ultimo anel semilunar, no macho com i 
chanfradura larga postero-inferior, abraçan- 
do o anel genital largo, em forma de escudo 
chato, na femea com marjem inferior angu- 
losa, formando uma fissura triangular ou 
quadrangular e incluindo o anel genital pe- 
queno e semilunar. 

Lanas: grossas, ovoides, com par de 
ganchos bucais no segmento cefálico. Ante- 
nas papiliformes, com dois anéis quitinosos 
lembrando ocelos. Estigmas anteriores em 
forma de fissura transversal, entre o anel 
cefálico e o seguinte. Corpo convexo em 
cima, concavo em baixo, com sulcos lonjitu- 
dinais ; do terceiro até o nono segmento 
tres pares de convexidades laterais guarne- 
cidos de espinhos fortes ou acúleos pontudos 
(BRAUER), ou revestidos de escamas sem 
espinhos (AUSTEN). Ultimo anel do corpo 
glabro, podendo ser retraído no penúltimo 
que forma assim uma cavidade estigmatica ; 
muito mais estreito e curto que os anteriores. 
Estigmas posteriores semilunares ou renifor- 
mes". 

Os calos da face e outros, menores, si- 
tuados nas pleuras e no abdome, são cara- 
teristicos no genero Cuterebra, mas de pouco 
valor para diferenciar as especies, seguindo 
a mesma disposição em todas elas. E verda- 
de que o seu tamanho varía, mas isto se dá 
também em individuos da mesma especie, | 



sendo os seus limites dependentes do to- 
mento caduco da face. 

O tamanho e a forma das antenas vari- 
am um pouco, conforme as especies e têm 
algum valor sistemático. 

A Ksculptura da pele das larvas e pupas 
quando conhecida, poderá ser aproveitada 
como carater distintivo, porque parece dife- 
rir em 3 especies que eu conheço. 

O hospedador, sem duvida, dá indicações 
importantes, sendo as especies conhecidas 
bastante especialisadas no seu parasitismo, 
ao contrario do que se dá com a Dermato- 
bia. 

As aluías e escamulas grandes chamam 
logo a atenção, sendo muito carateristicas, 
como também as finas dobras das azas, en- 
contradas todavia também em outras moscas. 

Na Cuterebra apicalis, uma fita verme- 
lha atravessa o olho escuro, como con- 
statei primeiro numa femea viva. No inseto 
morto parece apagar-se depressa, tendo por 
isso ficado ignorada. 

Passo á descrição das especies observa- 
das, dispensando uma chave, porque as figu- 
ras permitem reconhecer as especies, descri- 
tas por mim ; as outras descrições mal po- 
deriam ser aproveitadas sem confronte com 
os tipos. 

1. Cuterebra apicalis GUÉRIN. 

(Est. 27, Fig. 1, Est. 29, Fig. 1, Face da 9, 
Fig. la do ó). 

Esta especie não somente é a mais 
comum, mas é encontrada em mais exem- 
plares do que todas as outras reunidas. 
É facilmente reconhecida pela estampa, mas 
fazemos algumas observações com o fim de 
evitar confusão com outras especies, duvidosas 
ou muito semelhantes. O tamanho é medio- 
cre; o meu exemplar maior (um macho) tem 
o comprimento total do corpo de 23, o da 
aza de 16 mm., dimensões que no menor 
importam em 17 e 14, variando a do corpo 
mais que a da aza. A côr do fundo é casta- 
nho ou pardo-ferujineo, tanto no corpo como 
nas azas ; no dorso do abdome torna-se 
quasi preto, mas sempre com brilho azul de 



aço; nas pernas o fundo pode ser pardo-aver- 
mdhado escuro, mas nunca preto, sendo 
porém os pêlos destas pretos e os calos 
frontais piceos. O tomento do escudo (que 
em exemplares bem conservados é denso e 
aveludado) geralmente é ocráceo, virando 
ás vezes em esbranquiçado ou amarelo-ruivo; 
varia um pouco conforme á incidencia da 
luz e devido á transparencia do fundo, quando 
o tomento é mais escasso. Num exemplar 
de JOINVILLE o fundo, por exeção, é tão 
escuro que o escudo parece enegrecido e o 
escutelo (cujo fundo em exemplares bem 
conservados devia ser escondido pelo tomen- 
to) aparece quasi preto. Assim talvez a cay- 
ennensis represente apenas um exemplar es- 
curo de apicalis (que muito provavelmente 
ocorre em Caienne), sendo a sinonimia de 
ephippium LATR. mais duvidosa. As azas 
têm o fundo de amarelo-enegrecido bastante 
diluido. Na fêmea é mais escuro do que no 
macho e as aluías, dos dois sexos, são assaz 
mais escuras que as azas. Os olhos das fê- 
meas (provavelmente também dos machos) 
têm durante a vida uma barra diagonal, côr 
de tijolo. O terceiro articulo antenal da fê- 
mea têm na aresta dorsal, perto da ápice, 
uma fovtola profunda, representando prova- 
velmente um órgão de senso e faltando no 
outro sexo. 

Esta especie é muito espalhada chegan- 
do até ao Mexico. As larvas vivem em Ho- 
lochilus vulpinus LICHT. e provavelmente 
em outros murideos americanos. Tenho exem- 
plares dos estados Espirito Santo, Rio de 
Janeiro, São Paulo e Santa Catharina. 

2. Cuterebra rufiventris MACQUART. 

(Dipt exot. Suite, 3e. Subdiv., p. 21 (178) 
(1843). 

"Thorace nigro. Abdomine rufo. (Tab. 2, 
fig. 4.) 

Long. 9 1. (S Face à duvet et poils d' 
un jaune blanchâtre; une petite tache arron- 
die, noire, nue, luisante, pointillée de chaque 
côté des joues, près du bord des yeux; es- 
pace concave nu, à reflets blancs. Front mat, 
à petits poils noirs: un espace antérieur à 



petits poils jaunâtres ; un autre espace, 
alongé, triangulaire, en avant des ocelles, 
d'un noir luisant; deux autres espaces arron- 
dis, luisans, à petits poils noirs de chaque 
côté, au bord des yeux; l'un, fort pointillé, à 
la hauteur de l'insertion des antennes; 
l'autre, peu pointillé, un peu plus bas. 
Antennes d'un brun noirâtre; les deux pre- 
miers articles à petits p^ils jaunâtres ; style 
à moitié antérieure noire, postérieure testacée, 
ainsi que les cils. Yeux bruns. Thorax d'un 
noir mat ; deux bandes nues un peu grisâ- 
tres, peu distinctes au bord antérieur, ne 
dépassant pas la suture; côtés et poitrine â 
duvet jaunâtre ; une tache, oblongue de duvet 
noir en avant de l'insertion des ailes, et un 
peu de duvet noir en avant de cette tache ; 
écusson nu et testacé en-dessous. Abdomen 
couvert d'un épais duvet; premier segment 
noir, à bord postérieur fauve; deuxième et 
troisième d'un fauve rougeâtre, quatrième 
d'un fauve jaunâtre. Pieds noirs; cuisses tes- 
tacées au coté intérieur; peloites jaunâtres. 
Cuillerons bruns, bordés de testacé. Ailes 
brunes, noirâtres à la base et au bord exté- 
rieur. 

Du Brésil aux euvirons de Pará". 

AUSTEN considera o exemplar de 
MACQUART macho e descreve longamente 
uma fêmea, procedente do Ecuador da colle- 
ção de EDWARD BUCKLEY. Registro 
apenas as dimensões: Compr. 23, 5 mm., 
larg. do vértice 3 2 3, da cabeça 9 13, do 
tórax na base das azas 9, do abdome (segm. 
2) 11, 5 mm. Compr. do tórax com o es- 
cutelo 11, 5 mm. Ha uma figura não cora- 
da. 

3. Cuterebra nigricincta AUSTEN. 

AUSTEN também dá descrição minuci- 
osa e figura de uma nova especie, colhida 
num exemplar por BATES no Pará. Trata- 
se de uma especie fácil de reconhecer, a 
menos de bimorfismo sexual acusado; por 
isso limito-me a reproduzir as dimensões e 
a diagnose: 

"d". Compr. 19 1/2 mm.; largura do ver- 
tice 3, da cabeça 8, do tórax (raiz das azas) 



99 



8 2/3, abdome (segundo segmento) 10 mm.; 
compr. da aza 16 1/2 mm. 

Preto; dorso do tórax, afora uma pe- 
quena area da marjem anterior, com pêlos 
pretos; porção central das pleuras também 
revestida de pêlos pretos ; abdome verde- 
bronzeado metálico, brilhante, densamente re- 
vestido de pelos sedosos, amarelo-dourados, 
com cinta conspicua de pelos pretos na 
marjem posterior do trrceiro segmento, a 
base também revestida de pêlos pretos." 

4. Cuterebra ¡nfulata n. sp. 
(Est 27, Fig. 4. Est, 29, Fig. 4 (Face). 

Nesta especie, representada na figura 
4, as partes claras são cobertas de pelos 
amarelos arruivados. São estas a face, as 
marjens laterais do escudo e do escutelo 
onde existe uma faixa de pêlos compridos, 
toda a face ventral, o lado interno das tíbias 
e uma grande parte dos fémures princi- 
piando na base. A fovea antenal e a fronte 
são fulijinosas, o tubérculo ocelar é preto 
luzidio. O fundo, castanho-amarelado ou 
aruivado, aparece, no escudo e escutelo, co- 
berto de pêlos curtos e escassos. O dorso 
do abdome é ora preto, ora coberto com 
pêlos amarelos arruivados. O fundo das 
pernas é quasi preto. As azas enegrecidas 
têm a base ferujinosa. Os calos frontais 
constam da figura. 

O comprimento total do corpo um tanto 
curvado importa em 20, o das azas em 17 
mm. Corresponde ao maior exemplar de C. 
apicalis, sendo porem um tanto mais grosso. 

O único exemplar foi apanhado perto 
de Petrópolis em 4 de Novembro 1909 pelo 
Sr. J. G. FOETTERLE. 

A especie é intermediaria entre apicalis 
e Schmalzi, bastante menor do que a ultima, 
mas aproxknando-se pelo habito geral e a 
côr dos pêlos. 

5. Cuterebra nigricans n. sp. 

(Est. 27, Fig. 2; Est. 29, Fig. 2 (Face). 

Esta especie, á primeira vista, parece-se 
muito com a apicalis, mas um exame cuida- 
dosa mostra diferenças. Tendo sido obtida 



apenas uma vez (e isso por meio de criação), 
é provável, tratar-se de especie rara e pouco 
espalhada. Por isso não creio que se poderá 
identificar com a cayennensis, tanto mais, 
que as pernas não são verdadeiramente pretas. 
Da apicalis difere pelo seguinte: A fronte é 
vermelho-pardacenta, o tubérculo ocelar e os 
calos são pretos, sendo estas bastante dife- 
rentes das de apicalis, como se vê nas figu- 
ras 1, la, e 2. Escudo e escutelo são pretos 
com pêlos fulijinosos ; apenas na marjem an- 
terior do escudo ha, em forma de meia lua, 
pêlos de côr amarela com brilho de seda, 
outros formam, nos lados do escudo, 2 faixas 
laterais, que se unem na ponta do escutelo. 
O dorso do abdome e a face ventral lembram 
C. apicalis. As pernas, de castanho-averme- 
lhado escuro, têm pêlos pretos; a face ventral 
dos fémures é mais clara. As azas diafanas, 
mas muito mais escuras que no macho de 
apicalis ; as aluías quasi pretas. O ventre em 
cima é muito chato; no escudo ha indicação 
de tres estrias lonjitudinais mais escuras. 

O tamanho importa em 21-22 mm., o 
comprimento das azas em 17 mm. 

O único exemplar foi criado em Porto 
Martins, no estado de S. Paulo, de larva de 
rato indijena. Te<i a data de 31-3-08. O 
cazulo vasio parece com o de apicalis, sendo 
todavia muito mais escuro. 

Cuterebra sarcophagoides n. sp. 
(Est. 27, Fig. 5 ; Est. 29, Fig. 5 (Face). 

O nome foi dado porque a especie na 
côr e no desenho lembra o genero Sarcopha- 
ga, o que apareceu bem marcado em exem- 
plares recentes, não obstante o seu tamanho 
muito superior ás maiores sarcophagas. E 
menor que as outras especies de Cuterebra, 
mas bastante grossa e com os tarsos muitos 
largos, o que lhe dá um aspeto pesado. O 
lado ventral é branco-acinzentado e esta côr 
se esiende até á marjem superior da cova 
antenal, sobre as pleuras e até sobre o dorso 
do abdome, onde forma largas faixas basais, 
que, no primeiro anel, mostram uma interrup- 
ção larga, mais estreita e fraca nos seguin- 
tes. 



100 



A cova antenal tem o fundo polvilhado 
de cinzento, sendo as marjens pretas, em ex- 
tensão variável ; a fronte é grisea e o calo 
anlenal, em forma de triangulo muito agudo, 
avermelhado por traz e preto por diante. Os 
calos faciais são pretos, os superiores sem 
brilho. Escudo e escutelo cinzentos, virando 
em avermelhado e tendo, na linha media, uma 
estria pardo-avermelhada e, de cada lado, 
mais quatro, menos distintas e em parte 
interrompidas; a exterior acompanha a marjem. 
Conforme a incidencia da luz aparecem ene- 
grecidas ou avermelhadas. 

As pernas são castanho-avermelhadas, o 
ápice da tibia e dos tarsos com pêlinhos 
pretos, sendo estes esbranquiçados no resto 
das tibias e nos fémures. Azas pardo-sepia 
claro, translúcidas; ápice e marjem anterior 
mais enegrecidos, base e veias mais averme- 
lhadas; alula pardo-sepia; escamula toracal 
um pouco mais clara e com marjem clara. 

Os dois exemplares, provavelmente 
machos, foram apanhados em Jacutinga, nor- 
oueste de São Paulo, em fins de Abril 1907, 
emquanto voavam em redor do tronco de 
uma arvore, a bastante altura do chão. 

A descrição de megastoma BRAUER 
lembra esta especie, mas a estampa na mono- 
graphia de BAU é muito diferente. 

Cuterebra Schmalz! n. sp. 

(Est. 27, Fig. 3; Est. 29, Fig. (Face). 

Comprimento total acima de 26, da aza 
cerca de 20 mm. 

Face inferior da cabeça e do tórax ci.m 
pelos branco-amarelados, atinjindo a extremi- 
dade superior da cova antenal e formando 
uma faixa estreita na marjem do escudo. 
Fronte pardo-enegrecida com alguns espaços 
mais claros, calo ocelar luzidio. Fundo do es- 
cudo cinzento, virando por traz em pardo-aver- 
melhado, como também se observa no escu- 
telo; ambos sem pêlo comprido. Na linha 
mediana uma estria aveludada, larga, de 
cor mais escura, passando também sobre o 
escutelo sem alcançar o ápice. De cada lado 
ha mais duas estrias escuras, porém mal de- 
finidas e mais breves, principalmente as inte- 



riores. Entre estas e a do meio ha, na parte 
anterior, um triangulo bastante largo, a fundo 
de brilho branco; outras manchas semelhan- 
tes, porém mais curtas, existem entre as bases 
das estriai laterais. O resto dos espaços in- 
termediarios, com certa incidencia da luz, 
também aparece mais claro, mas menos dis- 
tintamente. Abdome, em cima, densamente 
revestido de pêlos sedosos, dourado-arruiva- 
dos; o primeiro anel (nos dous exemplares) 
no meio com mancha basal escura, em forma 
de meia lua, cuja convexidade excede um 
tanto a marjem posterior; o segundo e ter- 
ceiro, num exemplar, com larga faixa apical 
preto-aveludada, atravessando todo o dorso e 
terminando em ponta nas extremidades ven- 
trais; no outro individuo existe apenas na 
marjem apical do segundo anel urna mancha, 
semilunar larga, com a convexidade virada 
para diante, que, na linha mediana (onde é 
mais larga), mal alcança a metade da largura 
do anel. Abdome muito grosso, abaulado 
em duas direções. 

Pernas castanhas, virando para o verme- 
lho, com cilios pretos e alguns pêlos curtos 
amarelos, limitados á base. Azas de pardo 
sepia diluido, a base mais avermelhada e as 
aluías mais escuras. A grande escamula to- 
rácica parda, com marjem mais clara, interna- 
mente tarjada de escuro. O individuo com as 
faixas escuras parece macho; tem os olho? 
apenas maiores, porém a cova anlenal mais 
estreita, o ultimo articulo das antenas sem 
covinha. Este articulo infelizmente falta no 
outro exemplar. 

Esta especie, muito conspicua, é dedica- 
da ao falecido entomolojista JOÃO SCHMALZ 
em Joinville que além destes, colheu mais 
dois exemplares. [Estes mais tarde também 
foram dados para a nossa coleção (Nota pos- 
terior)]. 

II. (iencro Rosonhofera. 

10. Rogenhcfera dasypoda BRAUER. 

(Est. 28, Fig. 8). 

Em 1863 BRAUER estabeleceu o genero 
Rogenhcfera, dando nas "Verh. d. k. k. zoo!, 
bot. Ges." em Vienna, uma caraterisação mi- 



101 



nudosa que foi reproduzida na sua monogra- 
fia. Dispenso a reprodução, constando os 
carateres da especie, por nós observada, da 
descrição, também muito minuciosa, que 
abaixo dou em tradução. As especies conhe- 
cidas são em numero de tres. A mais antiga 
e a grandis OUÉR, da Patagonia, colocada 
pelo autor no genero Cephenomyia, donde 
foi tirada por BRAUER. CARLOS BERQ, 
que julga ter observado a mesma especie na 
Republica Argentina (perto da Capital), a con- 
sidera Rogenhofera typica e dá uma descrição 
dos dous sexos e da larva. O tipo do gene- 
ro é a Rogenhofera ¿rigonophora, procedendo 
da Bahia; foi descrita e figurada por BRAUER. 
Não parece ter sido encontrada outra vez. 
Mais tarde BRAUER descreveu uma nova 
especie, R. dasypoda, de Espirito Santo e deu 
a descrição que segue em tradução: 

"Especie grande, toda preta, apenas com 
a arista vermelho-amarela e o lado inferior 
dos tarsos de traz com tomento de brilho 
pardacento. Nos últimos anéis raros pêlos 
amarelados. Vértice da largura da metade da 
cabeça (cerca de 3 mm.), coberto até á marjem 
anterior com pêlos pretos, densos e curtos; 
as genae, desde do nivel da base das ante- 
nas, quasi glabras, luzidias, somente na 
marjem dos olhos e por baixo com pêlos 
mais densos. Area ocelar distinta, com tres 
ocelos amarelados, quasi glabra e prolonga- 
da, até á fissura aa vesícula frontal, em linha 
lonjitudinal glabra. Cova antenal nua, brilhan- 
te, com carena distinta. As cristas das vibris- 
sas com tufos densos, quasi formando bigo- 
de na marjem um pouco saliente da boca. 

Lunula profunda, antenas breves, o se- 
gundo articulo pouco maior do que o pri- 
meiro, todos os tres formando um arco com 
concavidade para dentro. Arista nua, assaz 
fina e comprida, apenas na base com espes- 
samento alongado, o segundo segmento curto. 
Bochechas largas e pouco pilosas, luzidios, 
da mesma altura que os olhos, apenas no 
lado posterior com pêlos mais compridos. 
Rudimento da tromba distinto, preto e pilo- 
so. Azas mais compridas que o abdome, acha- 
tadas neste ao descanço, inteiramente preto- 
azues, apenas a marjem anterior, o ápice a 



partir da terminação das veias 2 e 3, e as 
marjens da veia transversal apical pardacen- 
to-hialinas. Alula bastante granòe. preto-azul, 
escamulas pardo-enegrecidos, haltères pretos, 
pequena veia transversal obliqua situada antes 
do ápice da veia auxiliar. Veia auxiliar apical 
com angulo reto, depois quasi reta, o angu- 
lo com dobra, mas sem apéndice. 

Pernas fortes, as tibias um tanto curva- 
das, fémures do ultimo par espessados na 
base, com pêlos curtos e densos; a base 
dos últimos fémures porém com tufos densos 
e mais compridos e as tibias posteriores em 
todo o lado anterior, com exceçâo do quarto 
basal, com escova densa, formada por pêlos 
compridos. Os u'timos quatro tarsos no pri- 
meiro e segundo par alargados, o primeiro 
das pernas posteriores ca. de 2 vezes mais 
longo do que o segundo. Unhas e pulvilhas 
fortes e grandes. Abdome com pêlos densos 
e pretos, mais esparsos nas marjens posterio- 
res dos segmentos, onde estes são mais bri- 
lhantes; este brilho se estende na linha me- 
diana, formando um desenho lonjitudinal, 
mas não triângulos como aparecem na trigo- 
nophora. O hipopijio é pequeno, encaixado 
numa cova circular, adiante da marjem aguda 
do anel anterior, e parece formado de dois 
ou mais anéis, dispostos como num telesco- 
pio, podendo sair para baixo e um tanto 
para diante (9) e ser incluidos na marjem 
do quarto anel. Examinando a cabeça de 
baixo, vê-se a fossa antenal começar por 
traz dos ângulos das vibrissas em forma de 
goteira, e alargar-se por traz em cova oval 
profunda, do meio da qual sae o rudimento 
da tromba. . . Não se descobre palpos. 

Comprimento do corpo 18, até ao fim 
das azas aplicadas 22 mm. 

Comprimento das azas 16 mm. 

Espirito Santo, Brazil." 

O exemplar figurado, apanhado pelo 
Sr. FOETTERLE em Petrópolis (1 XII 1908), 
indubitavelmente corresponde a esta especie. 

11. Rogenhofera trigonophora BRAUER 

(1863 -Verh. d. k. k. zool.-bot 

G es. Wien). 

Da descrição extensa de BRAUER limi- 



102 



to-me a reproduzir as dimensões e a tradu- 
ção da diagnose que bastam para reconhecer 
a especie: 

"Preta, toda sedosa, com o tórax preto 
em cima, na sutura com poucos pêlos doura- 
dos; abdome preto, com triángulos glabros, 
luzidios na linha media; as marjens dos 
segmentos com cintas de pêlos dourados; 
azas preto-pardacentas, com brilho violáceo. 
Largura do vértice apenas 3, da cabeça 7 
mm. Comprimento do corpo 17, da aza 14 
mm. -Patria: Bahia. -Recebida do Sr. A. 
ROGENHOFER." 



III. 



Genero Pseudogame' 
tes BISCHOF. 



A respeito deste genero acha-se no no XII, 
p. 131, do "Anzeiger der kais. Akademie der 
Wissenschaften, Mathetn. naturw. Abth., Jhrg. 
XXX VII. V/ien 1900." o seguinte passo: 

"Prof. F. BRAUER apresenta a seguinte 
comunicação do estudante em medicina 
JOSEF BISCHOF, com o titulo:" Carate- 
ristica preliminar de alguns novos géneros 
de muscarios." Segue o trecho que se refere a 
Pseudogametes : 

"Pscudoga metes n. gen. Difere de Cute- 
rebra pela arista, penada em dous lados, 
como também de Rogcnbofera BRAU. e Bo- 
geria AUST. , que têm aristas nuas. 

Typo: Hcrmanni n. sp. d" de Minas 
Geraes. Tamanho 16,8 mm. 

Parece-se em tudo com a Rogenhofera 
dasypoda, de modo que podia ser considera- 
do o macho desta. 

(Numa outra sessão (No XV, p. 155), 
BRAUER apresentou um estudo do mesmo 
autor, com o titulo: "Alguns novos géneros 
de muscarios", mas não consta ter sido im- 
primido.) 

Os types destes géneros acham-se no 
Wiener Hofmuseum; Pseudogametes foi re- 
mitido pelo Prof. HERMANN em Erlangen. 

Baseado em exemplares das duas espe- 
cies conhecidas, dou em seguida uma defini- 
ção do genero: 

Moscas grandes, corpulentas, muito pe- 
ludas, com pernas grossas, ciliadas e largas. 
Cabeça e abdome virados para baixo, de 



modo que, em aspeto lateral, o eixo do corpo 
aparece curvado. O perfil da face não é con- 
vexo, mas as marjens da cova antenal, prin- 
cipalmente o inferior, formam saliências no- 
táveis. A fronte peluda faz hernia entre os 
olhos, quando vista de cima; o resto da face 
forma uma calosidade continua com pêlos 
compridos, mas isolados; genae et tnalae se- 
paradas por impressão em forma de goteira. 
Todo o corpo coberto por pêlos compridos, 
mas simples, principalmente o escutelo muito 
saliente. Azas escuras com grandes lóbulos, 
a célula apical aberta; angulo da veia trans- 
versal apical, ás vezes, com apêndice curto, 
terminado por dobra da membrana; a quinta 
veia, muitas vezes, alcançando a marjem, mas 
o pedaço por fora da veia transversal muito 
reduzido, ás vezes, díficil de perceber e so- 
mente a base distinta. Cova antenal muito 
excavada, com crista mediana apagada; o 
fundo, na parte de cima, um pouco polvilha- 
do, pelo resto brilhante, ás vezes, um tanto 
rugoso. Terceiro articulo antenal sem covi- 
nha, muito mais comprido que os dois outros 
reunidos, aposto, mas a arista saliente, pena- 
da, com os pêlos de cima mais destacados. 

Olhos pouco volumosos, mas muito con- 
vexos; na fêmea mais afastados, porém de 
tamanho igual. 

Além de ter arista diferente, o genero 
também difere de Rogenhofera pela forma da 
cabeça e a cova antenal. 

12. Pseudogametes Hermann! BISCHOF 
1900. 

(Est. 28, Fig. 7). 

Desta especie possuo dous exemplares, 
cujo tamanho combina perfeitamente com a 
indicação de Bischof, como também a côr 
uniformemente preta. (Os outros carateres 
resultam da descrição do genero.) Foram 
apanhados no Noroeste de São Paulo, numa 
arvore, a bastante altura do chão, tendo evi- 
dentemente hábitos semelhantes aos da espe- 
cie seguinte : 

13. Pseudogametes semiater (WIED.) 
(Musca semiatra WIED.) 

Tradução da descrição orijinal: 



103 



"Cabeça de côr preta intensa; a fronte 
larga, abaulada na frente e saliente por cima 
das antenas, que são meio escondidas; os 
lados de preto luzidio. Face inferior muito 
deprimida por baixo das antenas, a marjem 
anterior muito declive, os lados cobertos por 
pêlos pretos. Tórax com fundo e pêlos de 
preto intenso, escutelo densamente coberto 
de pêlos amarelo-arruivados. Dorso do abdo- 
me com pêlos densos, ruivo-amarelos; ventre 
intensamente preto. Azas pardo-negras. Veias 
como em Musca. Escamulas pardo-negras. 
Pernas pretas. Do Dr. LUND." 

Posto que WIEDEMANN considerasse 
esta mosca, como representando provavel- 
mente um genero novo, não a relaciona com 
Trypoderma (Cutenbra) ou outras Oestrinae. 
O seu exemplar, provavelmente macho, pa- 
rece o único conhecido em coleções diptero- 
lojicas e talvez que LUND o colecionasse 
perto de Rio de Janeiro, onde esteve em 
1826. Parece uma especie rara, porque os 
meus numerosos exemplaies foram colecio- 
nados em varios anos e todos num só logar, 
com única exceção de um macho, que veiu 
de Alegre, Espirito Santo. 

A descrição de WIEDEMANN não deixa 
a menor duvida sobre a identidade com os 
meus exemplares, nem precisa de muitos com- 
mentaries. As fêmeas, que pouco aparecem, 
são maiores, com abdome mais largo, as 
azas mais escuros e os pêlos corados mais 
amarelos e menos ruivos. 

A especie está bem representada na fi- 
gura, que acompanha nosso estudo. 

Esta especie foi descoberta em Petró- 
polis, pelo Sr. FOETTERLE que se dedica ao 
estudo dos lepidópteros. No correr de alguns 
anos foram colecionados mais de cem exem- 
plares, quasi todos machos, e, com exceção 
de 2 ou 3, todos num pequeno espaço do 
tronco da mesma arvore, 3-4 metros acima 
do chão. Apareciam somente nos mezes de 
verão (principalmente Fevereiro), os primei- 
ros quasi exatamente ás 9 horas da manhã; 
sentavam-se na casca onde demoravam-se 
durante horas, geralmente sinjelos e nunca 
em maior numero. 



As especies de Pseudogametes por todo 
o aspeto de seu corpo volumoso, tanto se 
assemelham aos Oestrinae americanas, espe- 
cialmente Rogenhofera, que quasi todos os 
dipterolojistas, que as examinaram, não hesi- 
taram em consideral-as como tais. Apenas 
WIEDEMANN, que tinha pouco conheci- 
mento deste grupo, usou o nome Musca e 
TOWNSEND julga que o genero seja visi- 
nho de Mesembrína. Posto que na semiatra 
uma vida parasitaria em vertebrados seja di- 
fícil de supor, me parece, que devem, por 
ora, ser consideradas Oestrinae, represen- 
tando talvez uma forma mais primitiva, que 
possa fornecer indicações filojeneticas. 

IV. Genero Dei-ma/tot>ia. 

O genero Dermatobia foi separado de 
Cuterebra por BRAUER em I860. Pa- 
rece conter uma única especie que, 
pela prioridade, deve chamar-se D. hominis 
SAY, poste que os nomes cyaniventris (MACQ. 
1843) e noxialis (GOUDOT 1845) sejam mais 
conhecidos. Limitar-me-hei a poucas obser- 
vações sobre esta especie que já tem uma 
bibliografia extensa. As figuras existentes 
desta mosca deixam um pouco a desejar; 
por isso incluo uma nas minhas estampas. 

Os carateres de especie coincidem neste 
caso com os do genero. Resumo os que me 
parecem mais evidentes. "Tamanho pequeno, 
como de Calliphora. Azas hialinas, os lóbu- 
los pouco desenvolvidos. Pernas finas e 
glabras, com tarsos menos largos. Escudo 
não metálico, estriado. Abdome azul metálico, 
glabro." 

BRAUER dá uma definição muito deta- 
lhada do genero e BAU a mesma mais re- 
sumida, que segue em tradução, com algumas 
adições minhas em parênteses: 

"Cabeça mais larga que o tórax, hemis- 
férica. Olhos pequenos. Fronte larga, for- 
mando forte saliência cónica. Cova antenal 
profunda, em oval alongado. Cresta divisoria 
rudimentar no meio. Antenas conchegadas na 
base, inclinadas. Primeiro e segundo articulo 
curtos, o terceiro mais que duas vezes mais 
longo que os dois primeiros, em forma de 
sarafo (subeilindrico como uma aresta dorsal), 



104 



na base alargado para traz, no ápice mais 
estreito. Arista (nacendo por dentro da aresta) 
destacada em direção latero-horizontal, pena- 
da no lado dorsal. Fissura bucal bastante 
larga. Tromba retraída. Face inferior um 
tanto vesicular. Escudo quasi quadrado. 
Pernas finas. Tarsos finos, não achatados. 
Unhas finas, um tanto mais compridas que 
os empodios. Azas bastante compridos, com 
o lóbulo alongado, hemisférico. Veia trans- 
versal apical presente; primeira célula da 
marjem posterior aberta. Quarta nervura lon- 
jitudinal sem apêndice, escamula grande. 
Abdome cordiforme, achatado, acuminado 
atrás. Terjites dorsais dobrados para baixo, 
metálicos, os abdominais pequenos, sem 
brilho. 

14. Dermatobia cyaniventris MACQUART. 

Não conheço a descrição de Say. A de 
MACQUART segue aqui: 

"Cuterebra cyaniventris, NOB. 

Long. 5 l h 1. 9. Face jaune. Front noir, 
à duvet grisâtre et base testacée. Antennes 
jaunes; troisième article quatre fois plus long 
que le deuxième; style ne paraissant cilié 
qu'en dessus. Thorax d'un noir bleuâtre, à 
léger duvet gris et poils noirs serrés. Abdo- 
men déprimé, d'un beau bleu métallique, un 
peu violet. Pieds d'un fauve clair. Cuillerons 
et ailes un peu brunâtres. 

Du Brésil. Muséum." 

A descrição, dada por GOUDOT na sua 
comunicação importante, é um pouco mais 
detalhada: 

"Longeur 17 mm. ; antennes jaunes, le 
premier article ayant à son extrémité une 
petite houppe de poils noirs courts, le troi- 
sième á lui seul au moins aussi long que 
les deux autres, le style un peu brun, n'ayant 
de cils qu'en dessus; yeux bruns avec une 
bande noirâtre au milieu; front avancé, obtus, 
brun, à poils noirâtres; à face et cavité fron- 
tale fauves, couvertes de petits poils formant 
duvet, qui font paraître ces parties d'un blanc 
soyeux; thorax brun nuancé de bleuâtre, ta- 
cheté de gris et noir formant des zones lon- 
gitudinales, couvert de poils très courts noirs; 



écusson comme le thorax; abdomen chagri- 
né, d'un beau bleu, couvert de t;ès petits 
poils noirs, avec son premier anneau, et ie 
bord antérieur du second d'un blanc sale, 
ayant des poils de la même couleur; pattes 
fauves, à poils fauves; ailes brunes. Individu 
mâle. 

Habitation: la Nouvelle-Grenade." 

Os olhos nos exemplares vivos são ver- 
melhos de tijolo, sem desenho ; as cores do 
fundo variam um pouco na face e nas pernas; 
pelo resto os nossos exemplares combinam 
perfeitamente com a descrição e trata-se, sem 
duvida, da mesma especie. 

Não quero entrar na discussão das larvas, 
que variam bastante d'um periodo larval para 
outro; por isso suprimi as partes relativas 
ás larvas (e aos casulos) nas descrições re- 
produzidas. 

O escudo não se acha propriamente de- 
scrito. Os desenhos variam com a incidencia 
da luz (como nas sarcófagas) e desapare- 
cem facilmente em exemplares antigos, mas 
a nossa estampa dá uma boa ideia do seu 
aspeto mais comum. 

Examinei grande numero de exemplares, 
apanhados e criados, de varios estados, não 
achando diferença de especie. A' já grande 
lista de hospedadores conhecidos, se pode 
juntar ainda o Grison vittatus, em que o Dr. 
TRAVASSOS encontrou uma larva, que poude 
examinar. 

V. Gener-o O^.^-tr-ophiluss 
LEACH. 

As Oestiïnae do genero Gasírophãus, 
cujas larvas vivem no estomago de equídeos, 
facilmente serão introduzidos com estes em 
paizes distantes. Assim verifiquei a presença 
de uma especie, que ataca o cavalo, na ilha 
de Oahu (Hawai), onde estes animais eram 
desconhecidos, antes da chegada dos brancos. 
Um outro facto desta ordem foi por mim 
constatado entre nós, pela determinação da 
especie representada na figura 9 e que, até 
hoje, só era conhecida do norte da Afrka. 
Tive informações da existencia de uma mosca 
semelhante no Estado de Maranhão, mas não 



105 



foi possível obter um exemplar. Por ora 
não conheço outras observações de Oes- 
trinas importadas entre nós, mas parece 
que no Rio da Prata já foi constatada uma 
especie de Rhinoestrus em carneiros e talvez 
também já exista em territorio brazileiro. 

BRAUER deu descrições muito detalha- 
das do genero Gastrophilas e das suas es- 
pecies. Limito-me a reproduzir as indicações 
fornecidas por ele para a determinação do 
genero e das especies equi e asininus: 

"Gastrophilus LEACH. 

Azas sem veia transversal apical, a quarta 
terminando na marjem posterior. 

Abdome sessil; arista antenal nua; es- 
camuias pequenas, geralmente com cilios 
compridos, não cobrindo os haltères; partes 
bucais muito pequenas, palpos pequenos, 
esféricos, bem por dentro da pequena depres- 
são bucal. Tromba soldada á membrana que 
cobre a depressão bucal, não extensível." 

"Gastrophilus equi FABR. 

Veia transveisal posterior sempre pre- 
sente e immediataniente atrás da pequena. 
Azas hialinas, com faixa transversal enfu- 
maçada no meio e, na ponta, com mancha 
alongada ou dois pontos enfumaçados. Fêmea 
com ovipositor grosso, assaz comprido, vira- 
do para baixo. Trocanteies, no macho em 
baixo com gancho comprido e curvo, na 
fêmea com tubérculo, ambos com chanfradu- 
ra correspondente na face inferior dos fému- 
res. Abdome amarelo-pardo, variegado. 
Compr. do corpo 13-16 mm. -Especie testa- 
cea com manchas fuscas e pêlos amarelo- 
acinzentados; tórax depois da sutura com 
cinta interrompida de pêlos negros, mais ra- 
ramente só com pêlos rufos." 

15. Gastrophilus asininus BRAUER. 

(Est. 28, Fig. 9.) 

Fallando de duas moscas, criadas por 
BILHARZ, no Egypto, de larvas evacuadas 
por um asno, BRAUER diz: 

"O seu aspeto é muito diferente de todos 
os meus exemplares de G. equi e tanto o Sr. 
WINNERTZ, como o Prof. WESTWOOD de- 
clararam, depois de examina-los, que podia 



tratar-se de especie nova. Distinguem se por 
têr os pêlos do escudo de côr uniforme pardo- 
aruivada, o abdome quasi sem manchas e 
as azas mais largas, com uma faixa parda, 
muito mais larga no meio que na marjem 
posterior; o pardo se estende para trás da 
quinta veia lonjitudinal. Um exemplar muito 
semelhante, da Núbia, se acha na coleção de 
WINTHEM. .. Se ficar provado que os indi- 
viduos africanos pertencem a outia especie, 
muito pareute de G. equi, proponho o nome 
de G. asininus. 1 ' 

O meu exemplar combina perfeitamente 
com a descrição de BRAUER e se distingue 
claramente dos exemplares do lejitimo G. equi 
que tenho na coleção. Não duvido tratar-se 
de outra especie e por isso aceito o nome 
proposto por BRAUER. 

O meu exemplar é uma fêmea, mostran- 
do bem o ovipositor. Foi apanhado no Sul 
de Minas. Pode-se considerar quasi certo 
que a especie foi introduzida por jumento, 
destinado a criação de mulas. 

(Nota posterior. O Dr. ESPIRIDIÃO 
QUEIROZ observou no Pará, num cavalo 
recemchegado de Europa, a saida de grande 
numero de larvas de mosca que, provavel- 
mente, eram de especie de Gastrophilus). 

Sobre o parasitismo das Oestrinas ame- 
ricanas. 

A Dermatobia hominis é observada num 
territorio vasto e em grande numero de hos- 
pedadores, muito diferentes entre si. Entre 
estes, hoje, o boi é de muito o mais impor- 
tante e garante a propagação ativa da especie, 
sendo incapaz de livrar-se do parasito. Os 
cais de caça são frequentemente atacados e 
o parasitismo na pele do homem não 
se pode considerar fato raro. De outro 
lado o cavalo goza de immunidade quasi 
absoluta, na qual os muares participam, posto 
que em degrau menor. O fato, que se podia 
compreender por uma ação defensiva em 
caso de infeção direta, não admite esta ex- 
plicação na transmissão indireta. 

Quanto aos outros géneros e especies 
de Oestrinas indijenas o parasitismo é limi- 



106 



tado a roedores. BRAUER d'z que examinou 
larvas de Ciiterebra, encontradas por NAT- 
TERER em Ypanema em Sciurus aestuans e 
Didelpliis philander, mas nesta ultima obser- 
vação parece tratar-se de fato execional. Ainda 
menos é permitido citar estes pequenos mar- 
supiais como hospedadores de Rogenhofera, 
como faz BAU. Num periodo de 35 anos nunca 
obtive entre nós confirmação desta observação 
e, nestes últimos vinte anos, todas as indaga- 
ções neste sentido deram resultados negativos. 

Nos próprios roedores o numero de es- 
pecies parasitadas é muito pequeno, o que 
prova uma grande especialisação. Os mais 
atetados são os murideos indijenos, dos quais 
obtive duas especies de Cuterebra e Berg 
uma Rogenhofera. Em certos lugares, princi- 
palmente no litoral, ha muitos esquilos (Sciu- 
rus aestuans, vulgo caxinguelé ou serelepe) 
com larvas, que se distinguem da de C api- 
calis, principalmente pela côr mais enegrecida, 
semelhante á de C. nigricans. Na America 
do Norte, as lebres são perseguidas por es- 
pecies de Bogeria e Cu terebra, mas o Lepus 
brasiliensis parece escapar ás larvas da pele. 
E' curioso que todos os grandes roedores, 
como a capivara, a paca e as cutias, parecem 
completamente indenes; o mesmo se dá 
provavelmente com os murideos introduzidos. 
Entre os muitos milheiros de ratos, exami- 
nados, quando dirijia o Instituto Bacterioló- 
gico de São Paulo, e pertencentes ao Mus 
decumanus (ou albiventris ?), não apareceu 
um exemplar infetado, quando entre os rarís- 
simos outros ratos, que os acompanhavam, 
se encontraram 2 exemplares infetados de 
Holochilus vulpinus. Qualquer que seja o 
modo de infeçâo, parece evidente, que as 
larvas não se podem desenvolver em todo 
roedor, mas só em especies muito escolhidas. 

Posto, que a larva possa adquirir o tama- 
nho da cabeça do hospedador, o parasitismo 
é bem suportado, porque não se acha livre 
no tecido subcutâneo, mas dentro de um 
saco, formado provavelmente pela dilatação 
de uma glándula sebácea ou outro folículo 
da pele. Como se observa na Dermatobia, a 
larva, munida de espinhos ou escamas áspe- 
ras, provoca uma secreção seropurulenta, com 



a qual se alimenta. Removida a larva, esta 
secreção pára logo e antes de haver uma ver- 
dadeira cicatrisação. A existencia de flei- 
mões, observada ás vezes em crianças no 
couro cabeludo, é devida a condições anor- 
mais, não observadas em animais com pele 
frouxa e que não procuram livrar-se dos pa- 
rásitos por meios violentos. Não creio pro- 
vável, que as larvas de Cuterebra, observadas 
no escroto dos esquilos norte-americanos, 
sejam capazes de pioduzir a castração. Se os 
testículos não são simplesmente deslocados 
para o abdome, é mais provável que tenham 
sido removidos por outro macho da mesma 
especie, como isto se observa, com alguma 
frequência, nos coelhos domésticos. O desen- 
volvimento das larvas cutâneas é lento e, se 
não fosse bem suportado, a propagação do 
parasito seria prejudicada em primeiro lugar. 

Não quero entrar na descrição das larvas 
e casulos, porque o materia! para urn estudo 
destes é muito escasso e geralmente mal con- 
servado, com exceção das larvas de Dermato- 
bia, já bastante estudadas. Hoje nem se pode 
determinar com certeza o genero das outras 
larvas. Sabe-se que Cuterebra, Bogeria e Ro- 
genhofera todos são parásitos cutâneos de 
roedores. Quanto a Pseudogametes, o fato 
nunca foi demonstrado e não conheço na 
zona de observação da especie (Petrópolis) um 
hospedador com larvas subcutâneas, que di- 
ficilmente poderia escapar á observação, visto 
a relativa frequência da especie num lugar 
muito conhecido e o tamanho que as larvas 
devem alcançar. 

Distinção dos sexos nas Oestrinas ame- 
ricanas.- Notas biológicas. 

A determinação do sexo em nossas oes- 
trinas é muito difícil, tratando-se de exem- 
plares secos. O tamanho e o afastamento dos 
olhos não fornecem dados seguros, princi- 
palmente quando ha apenas um sexo. As an- 
tenas de alguns exemplares são muito curtas, 
mas isso não parece uma differença de sexo, 
sendo antes devido á distensão imperfeita. 
(Como ás azas se desenvolvem só depois da 
saida do casulo, assim também PS antenas, 
logo depois da ecdise, são pequenas e mur- 
chas). Em C. apicalis, as fêmeas mostram 



107 



no articulo terminal das antenas uma 
foveola que falta aos machos, mas este cara- 
ter talvez não se observe em outas espe- 
cies. No Ps. semiater, a fêmea tem o abdo- 
me mais volumoso e todo o tamanho um 
pouco superior, mas a diferença não é sempre 
bastante marcada, nesta e em outras especies. 

Nas nossas oestrinas, os sclerites ventrais 
são completamente reduzidos e os dorsais 
passam por baixo do ventre, de modo que as 
membranas laterais se tornam ventrais. Nos 
exemplares secos, estas são retraídas e com 
elas a extremidade posterior do abdome, de 
modo que os apêndices genitais são escon- 
didos. Em exemplares recemtransformados, o 
abdomen é distendido por liquido e mostra, 
diretamente ou por meio de uma pressão bem 
aplicada, os segmentos que mais tarde serão 
retraídos. Então é fácil de reconhecer a der- 
matobia 9, que tem um ovipositor, e o d", 
que tem uma armação sexual de quitina es- 
cura, bem visivel e bastante complicada. A 
fêmea também exsere o ovipositor, quando 
voa em redor de animaes. 

Em exemplares secos pode-se retirar os 
últimos anéis abdominais reconhecendo-se 
então facilmente os sexos ou se procura um 
pouco do conteúdo abdominal, que na fêmea 
consiste quasi só em ovos. Empregando os 
dois métodos, reconheci que também em Cute- 
rebra e Pseudo gametes existe um ovipositor, 
posto que muito curto; nos machos ha também 
uma armação genital bem desenvolvida. Com- 
parando-se os oigãos com os da mosca do- 
mestica, encontra-se muita analojia. Os ovos 
têm sempre a forma de banana, com tampa 
numa das extremidades. Numa dermatobia 
achei acima de 900 ovos maduros e NEIVA 
observou uma media de 750 a 800. Numa es- 
pecie de Cuterebra TOWNSEND calcula os 
ovos maduros em ca. de 10000 e são de fato 
muito pequenos, em relação ao tamanho do 
animal. 

Em geral parece que das Dermatobias 
e Cuterebras se apanhe mais fêmeas. Em 
Pseudogametes os machos aparecem muito 
mais, pelo menos na especie semiater. 

As moscas voam perfeitamente, mas são 
bastante indolentes e conservam-se durante 



muito tempo quietas e sentadas. Verifiquei 
que a Dermatobia absorve líquidos por meio 
da tromba e parece, que não ha copulação 
nos primeiros dias depois da ecdise. Todas 
as moscas produzem um zumido que numa 
Cuterebra, fechada em vidro de criação, 
lembra um Bombus. 

Assisti varias vezes á ecdise da Derma- 
tobia e o processo foi mesmo rejistradc em 
fita cinematográfica. Para destacar a tampa, 
que se acha numa exlremidade do casulo, a 
mosca faz violentos esforços por meio da 
vesícula frontal, que assume um tamanho igual 
ao da cabeça da mosca, entrando e saindo em 
movimento rítmico. Pode ser observada 
ainda bastante tempo depois da ecdise, apli- 
cando pressão. A marcha é ativa logo depois 
da saida; as azas levam um pouco de tempo 
para se encher de ar e secar; o resto do 
corpo também requer algum tempo para 
secar e assumir consistencia e cores naturais. 

Como em muitos outros dípteros a 
ecdise raras vezes tem lugar no escuro. Es- 
perando o tempo necessário, que na Derma- 
tobia importa em 33 a 37 dias na observa- 
ção de NEIVA (que confirmei muitas vez<.s,, 
pode se obter rapidamente a ecdise, expon- 
do ao sol o casulo retirado de logar escuro 
ou mesmo abrindo a tampa e assoprando um 
pouco na imajem contida, como indicou 
BR AU ER. Na Cuterebra apicalis que criei 
uma vez, o estado de pupa, se não me enga- 
no, durou 80 dias, na Rogenhofera grandis 
BERG observou 43 dias 

A dermatobia foi criada por varias vezes 
de larvas de animais, entre nós por SCHMALZ, 
LUTZ, E. YOUNG, NEIVA e outros. Obtem- 
se facilmente, a condição de achar as larvas 
depois de abandonar o hospedador ou no 
ato mesmo, e retirando dos animais larvas 
contemporâneas. Em serrajem, que prefiro 
para criação, elas se afundam logo e o casu- 
lo exterior se produz pela desicação da pele 
no espaço de alguns dias; transfonnam-se 
mesmo completamente expostas, a condição 
de não secar demais. As cuterebras e géneros 
aliados não parecem oferecer mais dificulda- 
de, quando se tem a ventura de obter larvas 
no ultimo periodo ou hospedadores vivos, 



108 



que permitem esperar para o madureci- 
mento da larva. 

Falta agora dizer algumas palavras sobre 
i postura das nossas oestrinas que, até hoje, 
•mnca foi observada diretamente; nem mesmo 
ovos ou larvas recempostos têm sido obser- 
vados. Pode se afirmar todavia que as espe- 
cies são ovíparas e o exame de muitos exem- 
plares, em parte apanhados por mim perto 
de animais e com o ovipositor extendido, 
não permite duvidas neste ponto. No abdo- 
me das moscas nunca se acham larvas dentro 
ou fora da casca do ovo. Não é muito comum 
encontrar-se dennatobias voando de dia. To- 
davia no correr dos anos recebi mais de uma 
dúzia de exemplares, apanhados junto com 
motucas em cavalos. Eu mesmo as observei, 
voando em redor de cavalos e uma vez do 
homem, e colhi tres exemplares sentados 
num touro preto, muito manso, contrastando 
a côr de tijolo dos olhos com a pele do ani- 
mal. Todos estes exemplares continham ovos 
desenvolvidos, mas sem larvas formadas. 

Segundo Gonçalez Rincones e Surcouf os 
■ •vos seriam depositados em folhas, de onde 
passariam por aderência na barriga de mos- 
quitos e infecionariam os animais picados 
por estes. Vi, no Welsome Institute de 
Londres, um exemplar de lanthinosoma Lutzi 
e, como antecipei, este dava a impressão que 
a postura tinha sido feita no próprio inseto- 
Não se distinguia de posturas que, bastante 
tempo antes da publicação citada, tinha 
observado por tres vezes nas costas de An- 
thomyia Heydemi W1ED., sentados em cava- 
los. Conservei um exemplar, picado em alfi- 
nete, mas não constatei a saida de larvas e 
hoje o exemplar não pode mais ser encon- 
gado. Os ovos nestas posturas eram muito 
apertados e tão pequenos que podiam ter 
sido postos por outra mosca da mesma es- 
pecie, mas o fato se explica de outro 
modo. Numa fazenda, onde o Dr. ARAGÃO 
passava as ferias, se tinha observado que 
dermatobias capturadas perto dos animais, 
conservavam entre as patas, solidamen- 
te abraçados, outros dípteros menores e, 
na ocasião de uma visita que lá fiz, ele me 



demonstrou o fato. Se estes ovos são real- 
mente ovos de Dermatobia, como as obser- 
vações citadas tendem a provar, devem ser 
postos por estas moscas diretamente em in- 
setos hematófagos ou lambedores de suor, 
como a Anthomyia citada. Procuram-nos em 
cima de cavalos e bois, onde se deixam apa- 
nhar facilmente, e por meio do ovipositor, 
curvado para diante, grudam os ovos direta- 
mente na parte mais acessível. Isto explica- 
ria, porque o povo atribue as larves não so- 
mente a mosquitos, mas também a outras 
moscas. 

Possuo mais duas observações já bastan- 
te antigas que se referem a esta questão. 
Uma é de um colectionador meu que, no 
mato, sentiu distintamente uma picada num 
lugar da pele, onde tres dias depois foi ex- 
traído o "berne" menor, que observei até 
hoje. Outra refere-se a um doente que du- 
rante o tempo, que estava num hospital com 
febre tifóide bastante grave, teve dois bernes 
na rejiao sacro-lumbar. Contou-me que uma 
vez, arranjando a cama, com bastante surpreza 
se tinha encontrada uma grande mosca azul es- 
magada. 

Os fundos deste hospital, onde houve 
outro caso de berne numa enfermeira, davam 
para terrenos não cultivados, servindo em 
parte de pasto, e as janelas estavam sempre 
abertas, não obstante o grande numero de 
mosquitos que entravam por estes lados. 

No primeiro caso a transmissão prova- 
velmente foi feita por um mosquito, no se- 
gundo pela mosca. Talvez até se tratasse de 
dermatobia carregando postura de outra fêmea. 

E' completamente evidente que a postu- 
ra direta em insetos, apanhados em animais, 
para os quais devem voltar frequentemente, 
dá outra garantia para um destino favorável 
dos ovos que uma postura em folhas, visita- 
das principalmente por insetos que não pro- 
curam animais maiores. 

Também era preciso, que os ovos fossem 
grudadas nas folhas com a extremidade cefá- 
lica, para fixarem-se no mosquito com a ex- 
tremidade caudal, o que tem pouca proba- 
bilidade e nenhuma analojia. 



109 



Acha-se assim reivindicada a afirmação 
de MORALES em Guatemala que a postura 
seja feita diretamente nos insetos, o que é 
também a opinião de TOWNSEND. 

Quanto á postura das especies de Cute- 
rebra, nada se acha na literatura. Como de- 
clara TOWNSEND, o grande numero de 
ovos não é compatível com uma postura di- 
reta no hospedador. Fiz, ha muitos anos, a 
experiencia de guardar urna femea de Cuterebra 
apicalis com um rato branco, muito manso, 
mas não somente deixei de obter a postura, 
como também perdi a mosca que, sem du- 
vida, foi comida pelo rato. Outra vez expe- 
rimentei também obter ovos pela expressão 
do abdome de uma femea da mesma especie, 
empregando nisso bastante força, sem obter 
um só ovo. Fechei depois a mosca viva numa 
pequena gaiola. No dia depois encontrei as 
paredes, feitas de tecido de arame, cobertos 
por grande numero de pequenos ovos. Eram 
solidamente grudadas com a base nos fios 
metálicos e já mostravam a côr enegrecida. 
Foram observadas durante algum tempo sem 
que se observasse a saida de larvas. A peça 
íigurou em duas exposições, mais hoje infe- 
lizmente não pode mais ter encontrada. 

Adiciona/nenio. O presente trabalho já 
se acha concluido ha muito tempo. Ultima- 
mente tive ocasião de fazer algumas obser- 
vações sobre a postura e o desenvolvi- 
mento dos ovos da Dermatobia, como também 
sobre a existencia entre nós do Oestrus (Rhi- 
noestrus) ovis. Dou estas em seguida para 
completar o que já ficou exposto. 

Na tarde de 7 de Setembro 1916 estive 
numa fazenda perto de Juiz de Fora e com 
um bom binóculo consegui ver duas derma- 
tobias em alguns bezerros que se achavam 
na borda de um mato. Pouco depois passa- 
ram aos cavalos do troly e foram apanhadas. 
Uma delas continha grande quantidade de 
ovos. Em seguida notei uma mosca com 
alguns ovos de berne do lado esquerdo do 
abdome. Andava ora sobre os cavalos, ora 
cm redor das pessoas e foi apanhada depois 
de varias tentativas. Era um macho pequeno 
de Synthesiomyia brasiliana BR. & BERG. 



Os ovos eram em numero de dez, solidamen- 
te grudados e com a tampa para baixo. A 
mosca foi colocada num tubo com um peda- 
cinho de banana, mas morreu o dia depois. 
Foi picada num pedacinho de pita de Fatsia 
papyrifera, de modo a permitir observar os 
ovos e aproxima-los da pele de um animal. 
Todos os dias foram examinados, depois de 
terem sido expostos ao hálito quente da boca 
para imitar as condições encontradas na visi- 
nhança de um animal a sangue quente ; 
outras vezes foram mesmo aproximadas da 
pele. 

No dia 11 os ovos eram mais escuros e 
a tampa muito mais dis+inta, o que parecia 
indicar o desenvolvimento da larva. No dia 
12, depois de assoprar algumas vezes na 
mosca, observou-se debaixo do microscopio 
uma tampa levantada e a cabeça de uma 
larva saindo do ovo. Aproximada da pele 
do meu antebraço, depois de alguma hesi- 
tação, passou nela onde foi observada 
peio microscopio binocular. Caminhava bas- 
tante rapidamente, sem mostrar inclinação a 
entrar. A parte anterior, ca. de 3/7, era den- 
samente guarnecida de espinhos maiores e 
menores, os 4/7 posteriores eram completa- 
mente inermes. A forma já era tipica das 
larvas novas de Dermatobia. Aproximando a 
mosca do braço de outra pessoa, obteve-se a 
saida de outra larva que fazia algumas ten- 
tativas de penetração. Bastante mais tarde 
obteve-se a passajem de mais uma larva na 
pele de terceira pessoa, mas principiou a 
secar antes de ter penetrado. 

Raspada a pele das costas de um cão 
foram transferidas as duas primeiras larvas e 
a mosca aproximada da pele. Immediata- 
mente sairam 4 ou 5 larvas quasi completa- 
mente fora do ovo e passaram na pele do 
cachorro, onde se demcaram, sem todavia con- 
seguir entrar immediatamente. Algum tempo 
depois tinham desaparecido. 

A experiência parece provar que a pele 
não suada do cão tem mais atração para as 
larvas novas do que a pele humana, nas 
mesmas condições. 



110 



As larvas, apenas parcialmente saidas 
dos ovos, podem recolher-se outra vez e a 
tampa pode fechar-se atraz delias. 

Das duas dermatobias apanhadas uma 
moireu logo; a outra foi fechada com uma 
mosca, que apanhou algumas vezes, sem de- 
sovar nela. Parecia já enfraquecida e morreu 
pouco tempo depois. Em ambas as moscas 
de berne forarn encontrados ovos bastante 
desenvolvidos. 

Ás quatro horas da tarde do mesmo dia 
deixei passar mais uma larva na minha pele, 
que não quiz penetrar e foi retirada servindo 
mais tarde para preparação. 

Ne dia seguinte, ás 8 V2 de manhã, havia 
ainda um ovo com larva, que, aproximada 
da pele do meu antebraço, passou logo e 
andou durante muito tempo, quasi a modo 
de larva de geometrida, sem querer entrar. 
Estes movimentos não eram percebidos. Do- 
brando a pele por cima dela, percebeu-se 
logo um ardume fraco e verificou-se que a 
larva estava penetrando, o que fazia em dire- 
ção quasi horizontal. Levou muito tempo 
para entrar com os primeiros anéis e uma 
hora para penetrar até ao ultimo quarto, que 
ficou horizontal e visivel de fora, apenas co- 
berto pela camada cornea. A penetração 
da larva provocava uma dôr levemente caus- 
tica, não lembrando uma picada. Depois de 
acabada a penetração não senti mais nada. 

O dia depois a pele do cão não apre- 
sentava alteração. O braço mostrava uma 
lijeira injeção no lugar de penetração, 
onde ainda aparecia o ultimo quarto da pele 
da iarva, aparentemente vasia e sujerindo 
uma muda. Do meio dia para a tarde sentía- 
se uma lijeira comichão. 

Na manhã do dia seguinte no cachorro 
não se verificaram sinais de infeção. No 
lugar de penetração no meu braço havia uma 
escama seca. Afastada esta apareceu um ori- 
ficio finíssimo, do qual se podia exprimir 
uma gotinha de soro. Debaixo do microsco- 
pio percebia-se o movimento produzido pela 
extremidade da larva. Removido o liquido 
esta extremidade era retraída. De tarde 
observou-se os mesmos fenómenos, outra 



vez e ainda mais distintamente. Depois de 
cuidadosamente raspada a pele do cachorro, 
apareceram varios orificios, dos quais saia 
soro, ás vezes misturado com bolhas de ar. 
A extremidade caudal era bastante retraída 
e difícil de ver. 

No dia depois (que era o 17 de Setem- 
bro) havia, no meu braço, uma papula hipe- 
re m ¡ca bem caraterisada, com um ponto 
central em forma de crosta seca. Removida 
esta podia se exprimir facilmente uma goti- 
nha de liquido seroso. De tarde me lembrei 
de cobrir a gotinha no braço com uma la- 
minula. 

Viu-se então o tubo respiratorio, que é 
ainda completamente fino e quasi sem côr, 
projetado e com movimento distinto. No 
cão logrei pelo mesmo processo vêr a extre- 
midade posterior de outra larva, muito fina e 
sem côr. 

No dia depois (19) procurei obrigar a 
larva do meu braço, que fazia lijeira coceira, 
a sair da pele, cobrindo -a com gelatina <.• 
agar. Observou-se ela projetando a parte 
posterior do corpo, mas não conseguiu sahir 
e immobilisou-se depois de algum tempo. Foi 
então expremida com bastante custo, ficando 
um tanto machucada no processo. Mostrava 
quasi o mesmo aspeto como no primeiro dia, 
não tendo aparentemente mudada de pele. 
De manhã, no cão, só se conseguiu perceber 
uma das larvas, parecendo bem maior. 

A pele da larva era inteira mas estava 
evicerada. As viceras foram apanhadas se- 
paradamente. 

No dia 20 as larvas do cão já mostravam 
os orificios traqueáis e a parte posterior do 
abdome muito mais grossos. 

Conseguiu se obter duas larvas que tinham 
oito dias completos, uma inteira e outra em 
fragmentos. Tinham mudado de pele e eram 
muito mais compridas; a parte posterior era 
principalmente aumentada em todos os sen- 
tidos. A inteira, tendo sido exposta durante 
algum tempo á temperatura do ambiente, não 
dava sinal de vida O comprimento era de 
ca. de 7 mm. A secreção do quisto parasitário 
continha uma mistura de pus. 



Ill 



No dia 22 observou-se mais uma larva, 
que não se conseguiu extrair, mesmo depois 
da incisão do saco. Tamponando a abertura, 
o dia depois obteve-se a larva inteira. A 
parte espinhosa do corpo é muito mais curta 
do que os últimos segmentos que são muito 
alongados. As extremidades posteriores das 
grandes traqueas aparecem com côr amarela. 
O comprimento é de um centímetro, o que 
faz pensar que a parte mais grossa e espi- 
nhosa deve ficar ao nivel do tecido subcutâ- 
neo. 

Pouco depois o desenhador das estam- 
pas apanhou, numa fazenda da Serra da Bo- 
caina, uma mosca, na qual tinha reconhecido 
a mancha carateristica, produzida pelos ovos 
da Dermatobia. Tratava-se de uma A nthomy ¿a, 
que procura frequentemente animaes ou pes- 
soas para lamber suor; parece correspon- 
der á especie Lindigii de SCHINER. Carre- 
gava sobre o abdome, no meio da rejião la- 
teral e inferior esquerda, um grupo de 17 
ovos. Foi conservada viva durante um dia, 
morrendo depois. Nos ovos não se observou 
sinal de vida; a sua côr pardacenta acentuou- 
se mais e tornavam-se murchos. Consegui ve- 
rificar que continham larvas que tinham mor- 
rido, provavelmente por não ter encontrado 
ocasião para passar sobre um hospedador 
apropriado. De fato o lugar, onde a mosca 
foi apanhada, estava longe dos pastos, mas 
perto de agua. Conservo separadamente a 
mosca e os ovos. 

A occurrencia do Oestrus ovis no Rio 
de Janeiro e nos Estados visinhos. 

Em 30 de Setembro 1916 recebi do Sr. 
ARNALDO LUCE uma mosca apanhada na 



Rua São Francisco Xavier. Reconheci uma 
Oestrida e, sabendo que na visinhança havia 
carneiros, comparei-a logo com a descrição 
minuciosa que BRAUER deu do Oestrus (hoje 
Rhinoestrus) ovis. Verifiquei que se tratava 
indubitavelmente da mesma especie. Mais tarde 
observei no mesmo lugar dois carneiros que 
morreram com sintomas, que costumam 
ocorrer em casos graves de myiase oestrosa, 
mas não se encontrou larvas. A infeção pro- 
vavelmente foi importada de uma fazenda 
na Serra da Bocaina, onde os decendentes 
de animais de raça, importados da Europa, 
apresentavam os mesmos sintomas. 

Procurei larvas nos matadouros. No do 
Rio não foram encontradas naquela ocasião, 
mas obtive algumas de Petrópolis, encontradas 
em carneiros nacionais, comprados na vizi- 
nhança. Ultimamente também recebi algumas 
do Dr. ESPIRIDIÃO QUEIROZ, medico 
em Tres Corações (Minas). 

Que o Rhinoestrus ovis foi importado é 
certo e não pode ser estranho. E' comum 
nos carneiros que vêm do Rio da Prata e 
conhecido do pessoal dos matadouros, que to- 
davia não sabe nada a respeito da mosca 
correspondente. 

BRAUER dá também o Brazil como ha- 
bitat do Oestrus ovis. Referiu-se talvez ao 
Rio Grande, porque nos Estados de São Paulo 
e Rio de Janeiro a ocurrencia deste parasito 
nunca se tornou notoria e a mosca não era 
representada na minha coleção por exempiai 
indijena. Hoje todavia deve se contar com a 
existencia do parasito em varios pontos. O 
exemplo da Capital Federal mostra que não 
se limita ás zonas montanhosas e menos 
quentes, mas invade também as rejiões tro- 
picais. 



12 



A literatura até o ano 1906 encontra-se nas duas monografias seguintes: 



BRAUER FR. 
BAU ARMINIUS 



Monographie der Oestriden. Wien 1863. 
Díptera, Fam. Muscaridae, subfam. Oestrinae. WYTSMAN 
Genera Insectorum, Fase. 42. Bruxellas 1906. 



Trabalhos posteriores ou tratando de especies mencionadas neste estudo: 

BERG CARLOS Entorn. Zeit. Stett. , Bd. 37, pg. 268 1876; Bd. 42, pg. 45, 1881. 

Stettin. -Trata da Rogenhofera grandis. 

AUSTEN E. On the specimens of the genus Cutiterebra etc Annals 

and Mag. of Nat. Hist., (6), XV, pg. 337-396, 
1895. 
Further notes on Cutiterebra. Ibidem, Vol. XVI, 1895.-Contem 
a discussão dos exemplares do Brit. Mus. com 
descrições de novos géneros e especies. 

Da extensa literatura sobre Dermatobia só mencionamos: 



• Bulletin de la Soc Entom. de France, Vol. LXV, 1899, pg. 641. 

La transmission du Ver macaque par un moustique. C R. 
Ac. Sc. 1913 T. 156 No 18, pg. 1406. 

Observations on the Life-history of Dermatobia hominis etc 
Rept. Advis. Commitee, Trop. Dis. Res. Fund 
for 1914, London 1915. App. 1 19 -150. 

On the reproductive . . . habits of Cuterebra and Dermatobia. 
Science Vol. XLII, No 1077, p. 252. 

Os últimos tres trabalhos se referem especialmente á trans- 
missão dos ovos de Dermatobia. 

Referem-se também á Dermatobia quatro trabalhos brazileiros e outro comuni- 
cando observações, feitas em Joinville: 



BLANCHARD, R. 
SURCOUF JACQUES 

SAMBON L. W. 



TOWNSEND CHARLES 



MAGALHÃES PEDRO S. 
NEIVA, ARTHUR 



SCHMALZ J. B. 



Subsidio ao Estudo das Myiases. Rio de Janeiro 1892. 
Contribuição ao estudo da Dermatobia cyaniventris MACQ. 

Rio de Janeiro 1908. 
Algumas informações sobre o berne. Chácaras e Quintaas 

Vol. II, No 10, julho 1910. 
Informações sobre o berne. Memorias do Inst. O. Cruz, T. 

VI, Fac. III, 1914. 
Zur Lebensweise der brasil. Dasselfl. (D. cyaniv.) lnsekten- 

Boerse, Jahrg. 18, No 28, p. 220, 1901. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 



ESTAMPA 27 



TOMO 1X-1917 




RUD. FÏSCHER.deL 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX— 1917 



ESTAMPA 28 




Rud. Fischer, dei 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX-1017 



ESTAMPA 29 











■ 



RUD. HSCHER.del 



113 



Explicação das figuras. 
Estampa 27. 

Fig. 1 Cuterebra apicalis GUÉRIN 

2 « nigricans n. sp. 

3 « Schmalzi n. sp. 
« 4 « infulata n. sp. 

« 5 « sarcophagoides n. sp. 

Estampa 28. 

Fig. 6 Pseudoganietes semiatra (WIE- 
DEMANN) 

Fig. 7 Pseudoganietes Hermanni BI- 
SCHOF 

Fig. 8 Rogenhofera dasypoda BRAUER 



Fig. 9 Gastrophilus asininus BRAUER 
Fig. 10 Dermatobia cyaniventris MAC- 
QUART. 

Estampa 29. 

Fig. 1 Face de Cuterebra apicalis 9 

« la « « « d 

« 2 « « « nigricans 

« 3 |< « « Schmalzi 9 

« 4 « « « infulata 

« 5 ' « « sarcophagoi- 
des 
Fig. 6 Abdome de Dermatobia homi- 

nis SAY 
Fig. 7 Abdome de Gastrophilus asini- 
nus BR., 9. 



Gôtuòo òo miocaròio na molestia òe Chagas (forma 

aguòa). 

h— Alterações da fibra muscular cardíaca. 

pelo 
DR. MAGARIXOS TORRES. 

(Com as estampas 30 e 31). 



E* nosso fito dar conhecimento dos 
processos anatomo-patolojicos que puderam 
ser constatados no miocardio de alguns cazos 
agudos da molestia de CHAGAS. 

E' grande a utilidade de conhecimentos 
precizos a esse respeito ; poderão elles servir 
de ponto de partida a um estudo anatorno- 
patolojico sistematizado do coração nesta mo- 
lestia. E que questões de elevado interesse 
da patolojia cardiaca podem sêr exploradas 
com vantajem e sob um modo de vêr criji- 
nal nessa nova entidade mórbida, mostram- 
nos claramente os trabalhos de CARLOS 
CHAGAS. 

Já o assunto foi tratado por outros pes- 
quisadores -CARLOS CHAGAS, GASPAR 
VI ANNA, ROCHA LIMA, MAYER - ROCI í A 
LIMA e NOVAES. 

As primeiras lezões do aparelho circula 
torio na tripanozomoze americana são descri- 
tas por CARLOS CHAGAS nos cazos agudos 
da molestia que autopsiou em Lassance. 

Recentemente em seu estudo sobre a 
ferma aguda, elle descreve as lezões macros- 



cópicas verificadas no material anatomo-pa- 
tolojico que poude colher no E. de Minas 
Geraes. 

Parte desse material fei estudado por 
GASPAR VIANNA. 

GASPAR VIANNA também estudou os 
processos anatomo-patolojicos verificados no 
miocardio de animaes de experiencia 
inoculados com o Trypanosoma Cruzi. 

Material semelhante serviu ás pesquizas 
de ROCHA LIMA, de MEYER- ROCHA 
LIMA e de NOVAES. 

Grande interesse das pesquizas recentes 
de CARLOS CHAGAS e das que fizemos vem 
assim do fato de terem sido feitas em um 
material consideravelmente mais importante 
que o dos pesquizadores precedentes. 

Aproveitam 4 autopsias de cazos da 
forma aguda da molestia (doentes febricitan- 
tes, em cujo sangue periférico era verificada 
a existencia do T. Cruzi). 

O material proveniente de animais de 
laboratorio experimentalmente ¡nfetados pelo 
T. Cruzi, que pudemos examinar, não foi 
pequeno. 



115 



Esse material será estudado em 
futuras contribuições. Presta-se muito 
para a elucidação de algumas questões, entre 
ellas a da patojenia da miocardite na moles- 
lia. Os cais oportunamente sacrificados per- 
mitem que seja seguida desde as fazes ini- 
ciais, a miocardite determinada pelo T. Cruzi. 

Sobre outro ponto, também, informações 
valiozas poderá fornecer o estudo desse ma- 
terial. Referimo-nos ás alterações do coração 
vistas nos cazos crónicos da molestia de 
CHAGAS (forma cardiaca). 

Temos, com efeito, material de cais (de 
mais de um ano de idade), que, inoculados 
com o T. Cruzi, aprezentaram parazitos não 
numerozos no sangue periférico. A infecção 
sanguínea dezapareceu em seguida. Os ani- 
mais foram sacrificados ao cabo de alguns 
mezes, em um estadio crónico da doença. 



Foi nosso objetivo caracterizar, com pre- 
cizão, as alterações da fibra muscular cardia- 
ca ocazionadas diretamente pelo T. Cruzi em 
evolução no seu interior: procuramos nesse 
sentido empregar métodos de técnica apro- 
priados. 

Cuidamos depois de caracterizar as outras 
lezões da fibra muscular prezentes, as lezões 
do tecido intersticial e dos vazos do miocar- 
dio. Achamos que só então, inteirados ainda 
do grau de extensão de cada uma dessa s 
lezões, é que podíamos comparar o que 
viamos aqui com o que é assinalado em 
outras doenças, tais como a difteria, a febre 
tifóide, escarlatina, etc , e discutir proveitoza- 
¡nente o significado clinico das lezões pre- 
zentes e a importancia na fórrna aguda da 
molestia, das alterações do coração. 

Também nos interessaram, como disse- 
mos, as alterações do coração que experimen- 
talmente determinávamos inoculando animais 
de laboratório (sobretudo cais novos, de 1 a 
3 mezes de idade) com o 7V Cruzi. 

Constitue assunto interessante, em patolojia experi- 
mental, a determinação de lezões do miocardio e o es- 
tudo da formação do tecido de granulação desse maneira 
conseguido. Aqui os. principais métodos de estudo con- 
sistem em introdução aséptica de corpos estranhos no 
miocardio (v. OPPEL», ANITSCHKOW): intoxicação 
experimental dos animaes— coelhos, cais —pela toxina dif- 



térica (MOLLARD e REGAUD-3, ANITSCHKOW2), pela 
adrenalina associada ao sulfato de spartema (FLEISCHER 
& LOEB20, ANITSCHKOW2). 

Póde-se afirmar que os conhecimentos anatomio>> 
de maior relevencia sobre miocardites são devidos a es- 
tudos dessa natureza : em apoio disso, basta recordar os 
trabalhos de MOLLARD & REGAUD, e os de ANITS- 
CHKOW, que fizeram época. 

Um novo método de indagação qual o 
de miocardites experimentaes pelo T. Cruzi, 
oferece mais de um lado curiozo em pesqui- 
zas dessa ordem. 

E verdade que a idade das lezões não 
poderá sêr determinada com a exatidão con- 
seguida no método da introdução aséptica 
de corpos extranhos (ANITSCHKOW 4 ). Assim 
alguns estadios de dezenvolvimento do pro- 
cesso inflamatorio não serão apanhados com 
facilidade, não podendo sêr estabelecida com 
a mesma precizão a geneze de determinadas 
especies celulares. 

En> compensação, as lezões do miocardio 
obtidas em animais apropriados (cais novos) 
oferecem uma regularidade notaveí que pódc 
sêr oposta á inconstancia daquellas ocaziona- 
das pela introdução na circulação de subs- 
tancias toxicas (adrenalina -sparteina, toxina 
diftérica). 

Não é também menos interessante o fato 
de se conseguir aqui uma lezão inicial que 
pode atinjir unicamente fibras musculares 
cardiacas izoladas, e poder estudar a forma- 
ção do tecido de granulação em torno destes 
elementos. Lej-ões tão limitadas são sempre 
difíceis de se conseguir, tizando de um outro 
método. 

Obedeceram as nossas pesquizas á se- 
guinte orientação: 

"Miocardite" na molestia 
cie Chagas. 

FAZE INICIAL. 

FORMA AGUDA DA MOLESTIA. 

A. Grupos de alterações patolojicas 
prezentes no miocardio dos 
cazos agudos: 
\o - Alterações parenquimatozas. 

a) lezões diretamente cauzadas pelo 
T. Cruzi; 



116 



b) outras lezões da fibra muscular 
cardiaca existentes. 
2°- Alterações do tecido intersticial do 

miocardio. 
3 o -Lezões dos vazos. 
B. Patojenia da miocardite na moles- 
tia de Chagas (forma aguda). 
Examinaremos neste trabalho, o que ali 
está grifado. 

Literatura e Histórico. 

Devem ser notados entre os principaes trabalhos 
sobre a anatomia patolojica das tripanozomozes, os de 
MOTT31, BALDWIN*, SPIELMEYER" e «, BREINL»>, 
PETTIT34, DARLING", LAVERAN & MESNIL2*, e 
RAVENNA*. 

Contribuições interessantes a esse respeito, fornece- 
ram também CLAUDE & RENAUD'*, ROUDSKY^, 
YORKE", BATTAGLIA6, BOYCOTT and PRICE JONES?. 

No trabalho de BALDWIN* lemos que o exame mi- 
croscópico nada revelou para o lado do coração, cap- 
ailas suprarenaes. glándulas salivares, pancreas, testí- 
culo e ovario dos animais experimentalmente infetados 
pelo Trypanosoma Brticei, com exceção de uma conjestão 
aguda mais ou menos acentuada. 

DARLING 17 aprezenta observações sobre as alterações 
anatomo-patolojicas verificadas em diferentes animais, 
equídeos, cais, "racoon", macacos, cobaios, ratos, ca- 
mundongos, e toati, experimentalmente infetados pelo 
Trypanosoma hippiatm, ájente da 'murriña", uma tri- 
panozoraoze que dizima os equidios da Rej ublica do 
Panamá. 

As alterações notadas para o lado do coração 
foram: nos equidios, o endocardio e o epicardio mos- 
travam uzualmente, grandes e pequenas hemorrajias; 
estas acliavam-se situadas, muitas vezes, ao nivel dos 
músculos papilares, nas válvulas mitráis, e também na 
cordura cpicardial ao longo das arterias coronarias, 
perto da baze do coração. Liquido claro, serozo, côr de 
âmbar era prezente, ás vezes em quantidade notável, 
nas cavidades peritoneal, pleural e pericardeal. Em um 
cavalo, as hemorrajias patequiais muito numerozas, exis- 
tentes ao longo das arterias coronarias e de cada lado 
do sulco auriculo-ventricular, mostravam um aspeto ca- 
racterístico. O coração pálido, as hemorrajias sub- 
endocardial c epicardiais, ora grandes, ora pequenas, 
foram vistas em outros equídeos. 

O autor conclue dizendo que a tripanozomoze (mur- 
riña) é uma intoxicação, a qual provoca dejenerações 
celulares e necrozes. 

As extensas equímozes terminais e petequias, no 
epicardio, endocardio, pleura, peritoneo, conjuntivas 
nazal e ocular, rins e ganglios limfaticos renais, são cer- 
tamente devidas á destruição da continuidade do endo- 
telio; á« lezões do endotelio achara-se igualmente ligados 
O edema local, os derrames serozos e a glomerulite. 

Como nesta infecção as células endoteliais dezera- 
p.nham um papel importante na fagocitoze, supõe que o 



endotelio em certos pontos, é destruido graças a mu 
mecanismo citolitico intimamente ligado á dijestão intra- 
celular que se segue á fagocitoze. 

Lezões macroscópicas semelhantes ás verificadas 
pelo DARLING —derrame serozo no pericardio— cora- 
ção pálido e flácido— petequias ao longo dos vazos 
coronarios - equimozes sub-pericardiais -encontramos, na 
monografia de LAVERAN & MESMIL 24 , assinaladas par.i 
diferentes tripanozomozes (tripanozomoze dos equidios 
de Annam -nagana — mal de cadeiras). 

Oferecem para nós um interesse maior, as lezões do 
endocardio verificadas pelo RAVENNA** na tripanozomo- 
ze experimental ('). 

A principio mostraram-se duas vezes em um grupo 
de 5 cais adultos inoculados cora o tripanozorao, modi- 
ficações estruturais agudas das válvulas cardiacas. 

Essa complicação cardiaca da tripanozomoze é con- 
sideiada pelo autor como assunto inteiramente novo, 
não tendo sido até então posta em evidencia por nenhum 
pesquizador. Cora efeito, na monografia de LAVERAN 
& MESNIL, editada en 1904, só eram citadas como 
lezões do endocardio pas diferentes tripanozomozes. 
petequias era bovidros doentes de Galzietke, e equimo- 
I zes sub-serozas vista: em um cavalo doente de nagana . 
| MASSAGLIA*, em 1905, descreveu lezões do miocardio 
i e nada assinalou para o endocardio nos animais experi- 
mentalmente infetados pelo nagana e surra. 

Querendo esclarecer o assunto, RAVENNA tentou 
j novas experiencias, pelas quais verificou notável fre- 
I quencia das lezões do endocardio, sendo então levado a 
j considerar uma relação de cauza a efeito entre estas, e 
I a prezença do parazito no organismo. 

Examinemos o que existe a respeito da tripanozomo- 
I ze humana que grassa entre nós. 

Pesquizas sobre a anatomia patolojica da molestia de 
CHAGAS foram iniciadas pelo próprio CARLOS 
CHAGAS^ no decurso de autopsias feitas na rejião onde 
i grassa a doença. Autopsiando uma criança de 3 mezes de 
idade, cazo de forma aguda meningo-encefalica, encontrou 
na cavidade torácica o seguinte : derramamento abundante 
serozo na cavidade pericardial ; focos hemorrajicos no 
pericárdio ; coração aumentado de volume, com sinais 
de intensa miocardite; derramamento serozo pouco 
abundante nas cavidades pleurais ; numerozos ganglios 
engurjitados no mediastino. 

As primeiras pesquizas histolojicas foram feitas por 
GASPAR VIANNA<6. Em seu trabalho aprezentou ura es- 
tudo detalhado das lezões determinadas nos diversos 
aparelhos pelo T. Cruzi com a morfolojia especial, des- 
! coberta pelo autor, de corpúsculo leishraaniforme. Apro- 
veitou uma autopsia de cazo agudo e dez de cazos cro- 
i nicos da molestia e material de infecção experimental 
! pelo T. Cruzi era animais de laboratorio. Estudando as 
¡ alterações cardiacas, descreveu com especial cuidado as 
i lezões das células nobres cauzadas pelo parazito. 



(•) O autor não identificou o tripanozomo, porque o 
cazo dolorozo de contajio do prof. LANFRANCHI per- 
mitia rezervas a respeito da identidade do germe com que 
trabalhou. 



[17 



Eis as suas principais concluzões a esse respeito: 

Nas células de numero diminuto de germens, estes 
localizam-se na parte central perto do núcleo, isto é, no 
protoplasma não diferenciado. Por multiplicação tomam 
a zona do sarcoplasma, atinjem a parte fibrilar que des- 
troem localmente. Em cortes transversais póde-se verifi- 
car excavações produzidas pelos esquizotripanos na parte 
contratil por elles ocupada. Pela multiplicação do germe 
são invadidos os segmentos de WEISSMANN vizinhos, 
assim se constituindo um cisto parazitario de grande vo- 
lume. A fibra assim lezada não aprezenta grande alte- 
ração em sua fibrilação. É certo que em certas células 
o parazito cauzou quazi por completo, o dezaparecimento 
da parte diferenciada, reduz^do-as á membrana. Viu 
multiplicação do nucleo e lijeira pigmentação no proto- 
plasma. Onde o processo destruidor era mais intenso, 
viu rutura das membranas das fibras. Refere ainda que 
existem cazos, nos quais ha dejeneração bastante curioza 
da célula cardiaca, sem comtudo serem vistos aí para- 
zitos, ao passo que a infecção é pozitivamente verificada 
em outras células do organismo. No tecido conjuntivo 
intersticial existem ora fenómenos inflamatorios genera- 
lizados (cazo agudo) ora focos esparsos. Após rutura da 
fibra, produz-se reação franca por parte do tecido con- 
juntivo. Verificou inflamações perivasculares. Nos cazos 
agudos viu fenómenos de pericardite e endocardite sem 
a prezença do parasito. Num cazo de forma cardiaca os 
fenómenos de pericardite eram muito pronunciados, ha- 
vendo mesmo pontos hemorrajicos ; a miocardite e a 
lezão cardiocelular igualmente nítidas. 

ROCHA LIMA39 descreve os processos anatomo-pa- 
tolojicos que poude constatar para os diferentes apare- 
lhos, em macacos (M. rhesus) inoculados com o T. Cruzi. 
Outros animais foram também pesquizados, principal- 
mente camondongos brancos. As lezòes dos músculos 
estriados são descritas com detalhe. Os parazitos formam 
aí grandes aglomerados que não são propriamente 
cistos visto que os parazitos acham-se colocados entre 
as fibriias musculares. Pelo fato do aglomerado, muitas 
vezes, ocupar toda a largura da fibra muscular sem que 
esta aumente de calibre de um modo considerável e a 
estrutura restante pareça alterada, supõe o autor uma 
atrofia e uma resorpção de fibrilas naquelles lugares. 

Os fenómenos intersticiais eram mais acentuados no 
coração que nos mnsculos. Particularmente em um ma- 
caco, a miocardite intersticial difuza era acentuada de um 
modo dezuzado. Consistia em proliferação das células 
proprias do tecido conjuntivo e de glóbulos brancos. 
Nos outros macacos e na maioria dos outros animais, 
apezar do numero de fibras parazitadas sêr bastante 
considerável, não existiam fenómenos inflamatorios difu- 
zos no tecido conjuntivo, sendo elles, quando prezentes, 
limitados a pequenos focos. 

A não sêr a perda de substancia cauzada pelo 
acumulo de parazitos, e a atrofia por compressão de- 
pendente da proliferação intersticial, as fibras musculares 
cardiacas não mostravam em geral outra alteração. 
Apenas em pontos izolados aparecia uma hialinização da 
estrutura em torno dos aglomerados de parazitos. 

Nos pontos em que os parazitos evoluídos deixaram 
a fibra oh não evoluídos sofreram destruição, verificava- 



se uma invazão do espaço vazio assim orijinado, por leu- 
cocitos e fibroblastos. No ultimo cazo podia-se vêr pa- 
razitos pouco alterados no interior de células fagocita- 
rias. Apenas nos cazos de pronunciada miocardite inters- 
ticial, o autor encontrou uma pericardite serofibrínoza, 
com tripanozomos no transudato claro. 

Pesquizas foram de novo feitas por MAYER & 
ROCHA L1MA2T, em animais inoculados com o T. Cruzi, 
principalmente camondongos e cobaios, e também maca- 
cos, ratos e coelhos. 

Rezumindo as constatações que aí puderam reali- 
zar, dizem os autores que o dezenvolvimento normal do 
Schizotrypanum nas células não parece de modo algum 
lezal-as. Mesmo as consequências da ação mecânica de um 
grande acumulo de parazitos, são, pelo menos na fibra 
muscular, reparadas depressa e sem deixar vestijio. 
Substancias toxicas, provavelmente só se orijinam quando 
os parazitos são de algum modo danificados. Células hos- 
pedeiras contêm frequentemente parazitos morfolojica- 
mente alterados e lezados em seu dezenvolvimento. 

Em geral fenómenos de dejeneração e provavelmente 
também alterações funcionais não guardam relação algunu; 
imediata com a localização dos parásitos nos órgãos 
respectivos. Uma relação fortuita com as lezões existe 
apenas quando os parazitos se rompem em grandes 
quantidades, o que traz como consequência uma des- 
truição da célula hospedeira e muitas vezes também 
extensos fenómenos inflamatorios. 

É por isso inadmissível considerar a simples exis- 
tencia de parazitos como expressão equivalente de al- 
terações anatómicas e nellas bazear o esclarecimento de 
fenómenos clínicos. 

Fazem um estudo microscopio detalhado do coração 
de um dos macacos (macaco I. Ma^acus rhesus). 

EUCARIO NOVAES32 efetuou pesquizas em animais 
infetados pelo T. Cruzi.— macacos, camondongos e cais; 
uma parte das preparações e das peças foram cedidas 
ao autor pelo Dr. ROCHA LIMA. 

As suas concluzões aproximam-se das de ROCHA 
LIMA e MEYER-ROCHA LIMA. 

Oferecem excepcional interesse as alterações anatomo- 
patolojicas vistas por CARLOS CHAGAS nas autopsias 
de cazos agudos e relatadas em seu ultimo trabalho 
sobre a forma aguda da molestia. 

As lezões macroscópicas verificadas na cavidade to- 
rácica foram : ganglios do mediastino hipertrofiados e 
conjestionados. A cavidade pleural mostra de modo in- 
constante, pequena quantidade de líquido amarelo-citrino. 
Pulmões inteiramente livres, nada oferecendo de anormal 
ao exame macroscópico. A cavidade do pericardio 
contem constantemente liquido que é amarelo-citrino, 
nunca hemorrajico, revelando-se ás reações especiais 
como exsudato. A quantidade desse liquido é quazi 
sempre pequena, atinjindo apenas algumas gramas ; cm 
alguns doentes, porem, a quantidade de liquido era 
mais considerável, achando-se a seroza distendida. Mostra 
o coração aumento de volume pouco considerável, sendo 
de consistencia mole, achatando-se sobre a superfície. 
Gordura sub-epicardial bem conservada, traduzindo-se 
por grandes depozitos de gordura nos sulcos periféricos. 
Musculatura dos ventrículos flácida, de coloração aver- 



118 



melhada. Ao exame grosseiro não se pôde afirmar a 
existencia da dejeneração gorduroza : aquella que se 
.iprezenta sob a forma de pequenas manchas amarelas 
(aspecto de pele de tigre) existentes na musculatura, não 
foi encontrada. Endocardio lizo em toda a extensão. 

Válvulas pulmonar e aórtica livres, sem depozitos 
nem espessamentos. Tunica interna liza, brilhante, sem 
manchas. Válvulas mitral e tricúspide bem moveis. 

Aprezenta o coração, assim, sinais de intensa mio- 
cardite. Pericardite foi vista em alguns cazos. 

O exame microscópico revela no miocardio abundan- 
cia notável de aglomerados de T. Cruzi ; em quazi todos 
os campos microscópicos dos cortes de coração, são en- 
contradas fibras parazitadas. 

Material e Métodos de Pesquiza 

O material que serviu ás nossas pesqui- 
zas, provem de 4 autopsias de cazos agudos 
da molestia de CHAGAS. Fazem elles objeto 
das observações No 2 (Alberta), No 8 (Deolin- 
do), No 22 (Paulo), e No 23 (Philomena) 
relatadas no trabalho de CARLOS CHAGAS 15 
sobre a forma aguda da molestia. 

A. (Obs. No 2). 

Criança de 4 mezes e 9 dias de idade, de côr parda, 
moradora em lugar distante 2 quilómetros de Lassance 
(E. de Minas). 

Evolução provável da doença em 19 dias. Morte no 
4o dia da observação. 

T. Cruzi em grande numero no sangue periférico 
desde o primeiro dia de observação. A morte foi pre- 
cedida de convulções repetidas e de vómitos, segundo 
referencia dos projenitores. A autopsia foi feita a 7 de 
Junho de 1910 poucas horas após a morte. Foram reti- 
rados de diferentes rejiões do coração fragmentos pe- 
quenos que foram fixados em formol a 10 °/ 0) sublimado- 
alcool (2 p. de sol. aq. sat. de sublimado corrosivo mais 1 
p. de alcool absoluto) e liquido de ZENKER, e inclui- 
dos em parafina. 

D. (Obs. No 8). 

Criança de 3 mezes de idade, de côr preta, reziden- 
te «n lugar distante 2 quilómetros de Lassance. 

Evolução provável da doença em 22 dias. Morte no 
14o dia de observação. 

T. Cruzi em grande numero no sangue periférico. 
A morte, segundo informação dos pais, foi precedida 
de convulsões. Encontrámos no material do Dr. 
CHAOAS grandes fragmentos do coração deste cazo 
conservados no formol a 10 o/ . Conseguimos igualmente 
deste coração, fragmentos fixados no sublimado-alcool e 
liquido de ZENKER e incluidos em parafina. 

P. (Obs. No 22). 

Criança de 7 mezes de idade, de côr parda, natural 
de Ccrde6burgo, rezidente em Lassance. 



Evolução provável da doença em 17 dias. Morte no 
70 dia de observação. 

T. Cruzi em grande numero no sangue periférico. 
A morte do doente iealizou-se no hospital. Auzencia de 
convulsões ; o doente aprezentou crizes intensas de 
dispnéa, com sinais evidentes de colapso cardiaco 
(CHAGAS). Autopsia feita a 19 de Fevereiro de 1914, 
duas horas após o falecimento. 

Fragmentos pequenos de varias rejiões do coração 
foram fixados em formol a 10 ° o, sublimado-alcool e 
liquido de ZENKER e incluidos em parafina. A porção 
restante do coração foi conservada em formol a 10 %. 

Ph. (Obs. No 23). 

Criança de 20 mezes de idade, de côr parda, rezi- 
dente em Laranjeiras, proximo de Lassance. 

Evolução provável da doença em 3 mezes e 5 dias. 
A doente achava-se em estad j atrepsico. Sinal de KERNIG, 
rijidez da nuca, cenvulsões. Morte no 5o dia de obser- 
vação. 

T. Cruzi em numero regular no sangue periférico. 
Fragmentos do coração fixados em formol a 10 o/ e 
sublimado-alcool e incluidos em parafina. 

O cão mostrou muitas vantajens utilizado 
como animal de laboratorio, para a apreciação 
das lezões do miocardio experimentalmente 
determinadas pelo T. Cruzi. Pode aí sê; 
feito, em melhores condições do que no co- 
baio e no coelho, um estudo anatomo-pato- 
lojico do miocardio. 

A virulencia do T. Cruzi para essa es- 
pecif animal (principalmente quando são 
empregados animais de algumas semanas de 
idade) é assaz grande. 

A regularidade com que se mostraram 
as lezões do miocardio foi notável. 

Em quadro junto, rezumimos o proto- 
colo dessas observações. 

Uzamos dos seguintes métodos de coloração : he- 
matoxilina-eozina, hematoxihna— v. GILSON e hetnatoxi- 
lina férrica segundo M. HEIDENHAIN. Este permite 
uma bôa observação de alguns detalhes da estrutura da 
fibra muscular, particularmente do protoplasma diferen- 
ciado, e foi por isso correntemente empregado. 

As preparações pela hematoxilina férrica destinadas 
a estudo, devem sêr otimas. Estas, apezar de se seguir 
rigorozamente a técnica, são sempre poucas dentre um 
grande numero de outras tentadas. 

Obtivemos resultados muito satisfatórios, principal- 
mente quando á coloração dos parazitos, adotando a 
modificação de ROSENBUSCH. Em vez da solução corante 
aquoza do processo de M. HEIDENHAIN, é emprega- 
da a sol. alcoólica a 1 o/ de hematoxilina. Na ocazião 
do emprego a ella se junta algumas gotas de uma sol. 
aq. sat. de carbonato de litio. Os cortes não devem ter 
sido colados com albumina. No mordente (alume férrico 



119 



a 3,5 o/ 0) preparado a frio, com cristais de coloração 
ametista), os cortes eram deixados durante uma noite; 
demoravam-se depois, 24 horas no corante. 

Seguindo essa modificação, com mais facilidade con- 
seguíamos preparações otimas quanto aos detalhes de 
citolojia do parazito, e os artificios de técnica parece- 



ram-nos também menos frequentes que no processo ori- 
jinal. 

Na pesquiza da gordura adotaraos os métodos de 
DADDI e de HERXHEIMER. 

Foi experimentada a formula de SCHARLACH R 
aconselhada por BULLARD'i. 



Animal 


Idade 


Uocal da 
Experiencia 


Data da 
Inoculação 


Data da Morte 


Duração da 
Infecção 










Morto a 




Cão n.o 9 a 


Algumas semanas 


Lassance 


24 Agosto 1912 


14 Setembro 1912 
Morto a 


21 dias 


Cão n." 9 b 






24 Agosto 1912 


14 Setembro 1917 
Morto a 


21 « 


Cão n.o 8 






24 Agosto 1912 


19 Setembro 1912 
Morto a 


26 c 


Cão n.o 17 






11 Setembro 1912 


4 Outubro 1912 
Morto a 


23 « 


Cão 22 A 20 






14 Setembro 1912 


29 Setembro 1912 
Morto a 


15 « 


Cão 21 B 






14 Setembro 1912 


14 Outubro 1912 
Morto a 


30 « 


Cão 22 A lo 






14 Setembro 1912 


28 Setembro 1912 
Morto a 


14 < 


Cão 24 I 10 


' 




28 Setembro 1912 


10 Outubro 1912 
Morto a 


12 < 


Cão 24 I 20 






28 Setembro 1912 


14 Outubro 1912 
Morto a 


16 < 


Cão 38 






19 Novembro 1912 


5 Dezembro 1912 
Morto a 


16 < 


Cão Exp. 22 


Mais de 1 ano 


Rio de Janeiro 


20 Agosto 1915 


13 Setembro 1915 
Sacrificado a 


24 c 


Cão Exp. 42 


Algumas semanas 


c c < 


23 Outubro 1915 


10 Novembro 1915 
Sacrificado a 


18 « 


Cão Exp. 43 


2 mezes 


« € € 


18 Novembro 1915 


26 Novembro 1915 
Sacrificado a 


8 « 


Cão Exp. 44 n«. 1 


1 


« « C 


14 Dezembro 1915 


27 Dezembro 1915 
Sacrificado a 


13 c 


Cão Exp. 44 n.o 2 


1 « 


c « c 


14 Dezembro 1915 


3 Janeiro 1916 
Morto a 


20 c 


Cão Exp. 44 n.o 3 


1 


« « c 


14 Dezembro 1915 


11 Janeiro 1916 
Morto a 


28 c 


Cão Exp. 45 n.o 1 


8 dias 


€ « C 


20 Dezembro 1915 


12 Janeiro 1916 
Morto a 


23 « 


Cão Exp. 45 n.o 2 


8 


« « 


20 Dezembro 1915 


30 Dezembro 1915 


10 <■ 



Alguns animais (cobaios, cais e coelhos) 
aos quais inoculámos respectivamente toxina 
diftérica e adrenalina associada ao sulfato de 
sparteina, servindo-nos da via sub-cutanea 
para os cobaios e cais, e da endovenoza 
(veia marjinal da orelha) para o coelho, nos 
forneceram bom material de estudo. Verificá- 
mos a inconstance de rezultados para uma 
mesma doze de substancia toxica emprega- 
da e para animais do mesmo pezo, que é 



assinalada por alguns autores (ANITSCH- 
KOW 3 ) que aplicaram esses métodos ao es- 
tudo da histojene7e das alterações inflama- 
torias no miocardio. 

Comtudo o material proveniente de 
alguns animais mostrou-se interessante e 
bastante util como termo de comparação, 
tanto para as lezões da fibra muscular, como 
para o estudo do tecido de granulação no 
miocardio. 



120 



Alterações parenquimatozas do coração 
na forma aguda da molestia de Chagas. 

Lezõcs dintamente camadas pelo 
T. Cruzt. 

A) DESCRIÇÃO. 

Um corte de coração normal, como é 
íabido, mostra que as fibras que foram sec- 
cionadas transversalmente, têm uma forma 
variável. Umas. a julgar pelo corte, são cilin- 
dricas como as dos músculos do esqueleto; 
outras, vizinhas, sofrendo talvez desse fato 
uma depressão (RENAUT & MOLLARD"), 
tomam a forma de uma goteira. Também a 
configuração da seção transversal depende do 
ponto por onde passou o corte ; ella é muito 
irregular nas vizinhanças dos pontos de bi- 
furcação (RENAUT & MOLLARD). 

Esse aspeto variado é vizivel em seções 
-ndeas fibras de uma certa rejião foram cor- 
'ndas mais ou menos exatamente em plano 
perpendicular ao seu grande diámetro. Póde- 
se observal-o em cortes do coração dos 
cazos agudos, em fibras não parazitadas. Ao 
nivel do aglomerado, porém, a fibra parazi- 
tada perde de um modo quazi constante essa 
configuração variada, para adquirir sob a sua 
influencia uma conformação que se aproxima 
sempre muito da cilindrica, sendo frequente- 
mente a de um cilindro-o\aI pouco alongado. 

A Fig. I Est. 30 mostra o corte transversal 
de uma fibra parazitada; comparando-a ás 
fibras não parazitadas vizinhas, orientadas no 
mesmo sentido, tem-se uma ideia da disten- 
são que o aglomerado determina. 

O diâmetro transversal da fibra parazita- 
da é naturalmente dependente do ponto do 
aglomerado seccionado e do numero de ele- 
mentos que este contem. Elle é, na media 
de 10,7 fi nos cortes de coração de P. (obs. 
22) e A. (Obs. 2). Fibras não parazitadas, 
medidas nos mesmos cortes, em pontos em 
que a seção transversal apanhou o núcleo, 
mostram o diámetro medio de 6,6 n. 

Eis alguns diâmetros enocontrados : 

A (Obs. 2) 
Fix. - sublimado-alcool. 



Color. - Hematox. - térrica. 

Corte A 
1- Fibras cardiacas parazitadas. 

Os números arotados são, para cada fibra, a medi:; 
dos seus dois diâmetros— o maior e o menor. 

13 /í-10 fi-9 /x-11,5 fi-l2fi-Uft-nj5fi 
13,5 ^-13 /t-9,5 p 

Média 11,4 n 

Mesmo corte: 

2 Fibras cardiacas não parazitadas (me- 
didas todas ao nivel do núcleo). 

7,5 p-1 a«-6 a*-7 fi-8 a*-5 ¿t-7 /u-8 ft 
7 /í-7,5 n 

Média 7 /a 

P. (Obs. 22) 

Fix. -Sublim. alcool. 
Color.- Hematoxilina férrica de M. 
HEIDENHAIN. 

Corte A 

1- Fibras parazitadas. 

13 fi-9£ ft-8 f* 

2 — Fibras não parazitadas. 

7 ¿1 — 6 f* — 6,5 fi—6 ft — 5,5 t¿ -6 a* -7 /u 
6,5 /"-5 f.i 

Média -6,2 « 

Em todas as fibras parazitadas medida?, 
já era observada a "dispozição marjinal" do- 
feixes fibrilares, que descreveremos adiante. 

Querendo fazer uma ideia mais exata 
do grau de distenção que sofre a fibra mus- 
cular em virtude de seu parazitismo, empre- 
gámos na avaliação da area de uma fibra para- 
zitada e de uma fibra normal (cortes transver- 
saes) o seguinte processo O : cortes (de 6,fif) 
/i de espessura), exatamente transversais, de 
fibras musculares, são dezenhados por meio 
da camará clara, em papel quadriculado; a 



(*) Devemos a sua indicação ao Dr J. GOMES DE 
FARIA a quem nos confessamos muito agradecidos. 



121 



superficie da fibra é avaliada segundo o nu. 
mero de quadrados contidos no dezenho, 
tendo sido a area de cada um destes calcula- 
da para o sistema ótico empregado. 

Este processo foi uzado pelo SCHIEF- 
FERDECKER 42 na pesquiza das alterações de 
volume da fibra muscular na molestia de 
THOMSON; aí muito se faz sentir a necessi- 
dade de um método rigorozo para a aprecia- 
ção de diferenças sensíveis. 

Medimos em 6 cortes diferentes do co- 
ração de A. (obs. 2), da espessura de 6,66 
fi, fixados pelo sublimado - alcool e corados 
pela hematoxilina férrica, 50 fibras muscula- 
res parazitadas seccionadas transversalmente 
e 50 não parazitadas seccionadas transversal- 
mente (ao nivel do núcleo). 

A superficie media de uma fibra muscu- 
lar parazitad.i mostrou-se igual a 97,9S ,« 2 ; 
algumas delias tinham uma area igual a 162 
170 e 182 «2. 

A superficie media de uma fibra mus- 
cular não parazitada, nos mesmos cortes, 
mostrou-se igual a 36,64 n 2 . 

Fibras parazitadas 

Area em p 2 

40— 40—43—44—51 —54—54—56—57—65 
67—67-69—70—75-76—77- 79—79—80 
86— 87— 87 - 90-93-93— 95- -97— 99— 102 
105-113—114—119-119—119-129-136—137-138 
140—141—144—115—147-151 — 156-162—170—182 

media -97,98 u 2 

Fibras não parazitadas 

Area em n 2 

1 9—24—25—25—27—27-28-30—3O—31 
31—32—32-32—33—33—34—34-35—35 
35 - 35-35-35-36-36—36-37-37-37 
38-38 -38— 38-40— 41 —41 -4 1 -42-43 
43—43—44—45—45—45—45—46—51—60 

média -36,64 u 2 

O parazito ocupa na fibra muscular o 
protoplasma axial. Quando a secção trans- 
versal mostra ao nivel do protoplasma axial 
apenas um ou dois elementos aflajelados, 
póde-se verificar que o aranjo da substancia 
contratil em camadas concêntricas sucessivas 
não sofre alteração, o campo de CONHEIM 



tendo assim o aspeto normal. 

É o que nos mostra a Fig. 2. Est. 
30. 

Aí os feixes fibrilares corados em 
negro inienso aparecem como uma serie de 
pontos dispostos em camada subjacente ao 
sarcolema; esse aspeto e o arranjo dos 
feixes fibrilares é exatamente semelhante ao 
visto na fibra cardiaca normal; a zona central 
do sarcoplasma, livre de fibrilas, é ocupado 
em quazi toda a sua extensão por dois or- 
ganismos aflajelados. 

Cortes com esse aspeto, naturalmente, 
podem reprezentar o seccionamento transver- 
sal de um aglomerado de T. Cruzi em faze 
inicial de multiplicação. Mas podem também 
sêr a seção transversal dos pontos extremo? 
de um grande aglomerado, onde. comovere- 
mos adiante, comumente o numero de para- 
zitos dispostos em um mesmo plano trans- 
verso é pequeno (3, 2 ou mesmo um só in- 
dividuo). Em qualquer dos cazos, o que im- 
porta salientar é a perfeita conservação do 
arranjo normal dos feixes fibrilares no corpo 
da fibra. A' medida que o numero de para- 
zitos aumenta no aglomerado, lezões do ele- 
mento paremquimatozo vão surjindo, direta- 
mente cauzadas pelo parazito. A que vamos 
relatar é de uma constancia notável nos aglo- 
merados cujo corte transverso contem 8-16 
elementos. 

Consiste no "dezaparecimento do campo 
de CONHEIM" (Fig. 3. Est. 30). 

Examinando essa figura, vê-se a porção 
central da fibra seccionada transversalmente, 
ocupada por 16 para/.itos; o espaço entre 
estes compreendido mostra, pela técnica 
uzada, a auzencia absoluta de uma estrutura 
qualquer. Olhando agora a porção periférica 
da fibra, vê-se que os feixes fibrilares per- 
deram completamente a dispozição em ca- 
mada que aprezentam na fibra noimal. Elles 
não foram, porém, destruidos, fato que é in- 
dicado pelo estudo de cortes lonjitudinais. 
Apenas acham-se aplicados todos de en- 
contro ao sarcolema. 

Essa "dispozição marjinol" dos feixes 
fibrilares (individualmente conservados) da 
fibra muscular cardíaca parazitada, é, pois, a 



122 



alteração mais considerável que nos revela o 
estudo dos cortes transversais das fibras pa- 
razitadas. 

De importancia é o estudo, em cortes 
lonjftudinais, das porções da fibra que se 
>eguem imediatamente á zona ocupada 
pelo aglomerado. 

A obs-ervação da Figura 4 Est. 30 melhor 
informará do que qualquer descrição. 

Vê-se que, cessado o aglomerado, reto- 
mado o seu diámetro transverso habitual, a 
fibra muscular recupera a sua morfolojia 
normal. O protoplasma contratil volta á es- 
trutura que reveste na fibra sã; se o corte 
permite a boa observação da mesma fibra 
em zona acima e também abaixo do aglome- 
rado, como é o cazo na Fig. 4 Est. 30, vê-se que 
ha aí correspondencia exata dos segmentos 
sucessivos (segmento Z, segmento J, 
segmento anizotropico Q, segmento J, seg- 
mento Z) de cada miofibrila, no conjunto de 
feixes fibrilares. 

Então, pelo exame do seu protoplasma 
diferenciado, não se pôde dizer se a fibra 
muscular é um elemento não parazitado, ou 
se, pouco adiante, contem um grande aglo- 
merado. 

Não vimos assim, nem destruição local 
da parte fibrilar da fibra, nem atrofia e re- 
sorpção de fibrilas ao nivel dos aglomera- 
dos. O que vimos pode ser rezumido do 
modo seguinte: 

"O estudo dos cortes transversais mostrou 
que os feixes fibrilares não são alterados em 
seu numero ao nivel do aglomerado. Não ha 
deslruição, assim, de miofibrilas ao nivel do 
ponto parazitado Um corte lonjitudinal que 
passe pelo ponto parazitado não pôde 
apanhar um feixe fibrilar devido á exiguida- 
de de dimensões e sobretudo á notável dis- 
persão destas formações aí. Não se pode, 
portanto, fazer uma observação direta de sua 
estrutura nesse ponto. Mas se o corte permite 
a bôa observação L\d mesma fibra 
muscular cm zona logo ¡mediatamente 
acima e também abaixo do aglomerado, 
vê-se que o arranjo e a estrutura das mio- 
fibrilas, alie acolá, são exatamenteos de uma 
fibra normal (Fig. 4 Est. 30). 



Ao nivel do aglomerado, entre os para- 
zítos, pelos métodos comuns, não é revelada 
a existencia de estrutura alguma; á periferia 
distingue-se o sarcolema reforçado pelos 
feixes fibrilares que contra elle foram me- 
canicamente aplicados pelo aglomerado, como 
nos informou o estudo dos cortes transver- 
sais (Figs. 1 e 3 Est. 30). 

Certos pontos do miocardio dos cazos 
agudos, orientados de modo a que os feixes 
musculares que predominam na rejião possam 
ter unicamente suas fibras seccionadas em 
sentido lonjitudinal, mostram um aspecto ca- 
racterístico (fraco aumento). São compostos 
de grande numero de segmentos de peque- 
na extensão, de fibras cortadas lonjitudinal- 
mente. Estas não mostram as conexões 
(Anhang von Nechbarsegmenten, M. HEI- 
DENHAIN) tão evidentes nos cortes de co- 
ração normal e que dão ideia nitida da dis- 
pozição plexiforme das fibras musculares car- 
diacas. 

Assim, as fibras todas foram seccionadas 
em sentido lonjitudinal. Seguindo-se, porém, 
cada fibra de modo izolado, vè-se que ella 
foi apanhada pelo corte em um percurso muito 
curto; o seu proseguimento, bem como as 
anastomozes que a ligam ás fibras vizinhas, 
achavam-se em um plano diferente. Isso é 
atribuível á intensidade dos fenómenos in- 
flamatorios que se processam no miocardio; 
as fibras musculares separadas umas das 
outras, devem aprezentar, então, em seu per- 
curso, mudanças de direção muito acentuadas 
e d'aí maior dificuldade de um córle apanhar 
uma fibra muscular em longo percurso se- 
gundo uma mesma direção. A observação das 
peças intercalares {Schaltstiicke) e a limita- 
ção dos segmentos acham-se assim bastante 
dificultados. 

Algumas vezes vimos, em duas fibras 
musculares vizinhas e ligadas por uma ex- 
pansão anastomotica, dois aglomerados apa- 
rentemente se continuando nessas duas ce- 
lulas, atravéz da anastomoze. 

Alguns aglomerados, compostos de nume* 
rozos elementos, vistos em cortes lonjitu- 
dinais de fibras, ocupavam a seguinte ex- 
tensão: 



123 



A. (Obs. 2) 

Corte I: 

Fix. -Subi. -ale. 

Color.- H. férrica seg. M. HEIDE- 
NHAIN. 

Fibras parazitadas: 30 /t*-36,5 ju-54 ft 
34 ft -36 ft. 

Corte II: 

Fix. e color. -as mesmas do precedente. 

23,5 ft - 22,5 it - 59 ft - 26,5 ft. 

P. (Obs. 22). 

Corte I: 

Fix. -Subi. ale. 

Color. H. férrica. 

Fibras parazitadas: 59 ft -59 ft -61 ft. 

Talvez os limites aparentes do quisto, 
nestes cortes, sejam de fato, mudanças de 
direção da fibra, e não expressem a exten- 
são real desta, que é ocupada pelos parazi- 
íos. 

Em um corte do coração de P. (Obs. 
22) que examinámos, em ponto onde a infil- 
tração celular era pouco pronunciada, pu- 
demos acompanhar aglomerados de T. Cruzi 
que ocupavam uma mesma fibra muscular na 
extensão de 78 ft e 84 ft. 

A maior largura das fibras parazitadas 
seccionadas lonjitudinalmente, é, em média, 
de 11 n. Ha comtudo, tendencia do aglome- 
rado a tornar-se fuziíorme; nas extremidades 
os parazitos são em menor numero, e aí um 
corte transversal só poderá encontrar em um 
mesmo plano, tres, dois ou mesmo um só 
parazito. 

Alguns aglomerados, em estadio inicial 
de formação, podem mostrar os parazitos 
localizados ao protoplasma axial, aí formando 
cadeia simples. 

Vimos em um corte lonjitudinal, 
dois aglomerados, em uma mesma 
fibra muscular, separados por um curto seg- 
mento completamente livre de parazitos; a 
esse nivel, a fibra muscular ficava como que 
cintada, sua largura sendo a de um elemento 
normal; entre os dois aglomerados, conser- 
vavam-se Íntegros, alguns inofragmas. 



E* possivel que esses aglomerados con- 
sideráveis de 78 n e 84 fi, se tenham constituí- 
do pela confluencia de aglomerados outros, a 
principio individualizados. 

Em cortes lonjitudinais, ás vezes, vê-se 
os parazitos seguirem até a rejião juxta-nucle- 
ar, desviando o núcleo de seu sitio normal. 
Os aglomerados, no interior da fibra mus- 
cular, não são limitados por uma membrana 
ou qualquer outra formação análoga. 

A impossibilidade de difuzão ao longo 
do protoplasma axial, dos parazitos, mesmo 
nos aglomerados compostos de elementos 
flajelados e provavelmente moveis, é garan- 
tida pela existencia das membranas funda- 
mentais e dos mezofragmas. 

Nas fibras musculares do coração dos 
cazos agudos examinados por nós (crianças 
de 3 a 20 mezes de idade), não verificamos 
a existencia das granulações pigmentares. 

Estas, como é sabido, mostram-se cora- 
das pela hematoxilina férrica em azul-escuro, 
e só começam a aparecer no homem, aos 
dez anos de idade (RENAUT & MOL- 
LARD37). 

B) INTERPRETAÇÕES PROVÁVEIS 

1. Modo de constituição das alterações 
vistas na fibra muscular cardiaca. 

Sabe-se em virtude das pesquizas de KRAUSE 
(1869), FLÕGEL (1872), CAJAL (188S), MAC CALLUM 
(1887), e principalmeute de M. HEIDENHAIN (a partir 
de 1889), que a fibra muscular é atravessada transver- 
salmente por membranas (duas segundo M. HEIDE- 
NHAIN, o tclofragma e o mezofragma). 

Destas, as mais importantes são as membranas fun- 
damentais (Grundmembranen) de KRAUSE (telcfragma 
seg. M. HEIDENHAIN22, 1911). São uma película da es- 
pessura aproximada de 0,2 /< ; dividem a fibra muscular 
em uma serie de compartimentos semelhantes. 

Fixam-se as membranas fundamentais de um lado 
e de outro, no sarcolema (M. HEIDENHAIN, MAR- 
CEAU, RENAUT, E. HOLMGREN. K. W. ZIMMER- 
MAN N) com o qual mantém uma continuidade orgânica. 

Ao nivel das fibrilas musculares, as membranas fun- 
damentais confundem-se com a estria Z. 

Segundo M. HEIDENHAIN^, as membranas funda- 
mentais nada têm a vêr diretamente com a contração 
muscular; são dependencia do protoplasma e dizem res- 
peito á estabilidade do tecido. Ellas é que conferem aos 
feixes fibrilares um sitio constante no corpo da fibra (o 
que produz, nos cortes transversais, o aspecto em 
"campo de CONHEIM'V- 



124 



Outros autores, como HOLMGREN e THULIN, ao 
contrario, consideram-nas como uma via segundo a qual 
se efetua a saida e a entrada de diferentes substancias 
na fibra muscular. E. HOLMGREN chama-a "Plasmopho- 
ren'\ 

PRENANT (1911) tem uma opinião mais eclética, ad- 
mitindo que o papel mecânico das membranas Z não é, 
sem duvida, o primipal. Elias constituem antes, planos 
diretôres das trocas nutritivas da célula musculai- em ati- 
vidade, do que planos de apoio mecânicos. 

E' sabido que o T. Cruzi tendo pene- 
trado no interior da fibra muscular cardiaca, 
aí se multiplica ativamente por divizão bi- 
naria com a morfo'ojia de corpúsculo leish- 
nianiforme, formando aglomerados de di- 
mensões consideráveis (G. VIANNA 47 ). 

Conhecidos os detalhes de estrutura re- 
feridos, parece-nos indispensável supor que 
o aumento numérico de parazítos no in- 
terior da fibra muscular, forçozamente deter- 
mine o rompimento das membranas trans- 
versais {tiiofraginu e mezofragma, M. HEI- 
DENHAIN). 

Convém lembrar que os compartimen- 
tos limitados pelos telofragmas ("inokommas"' 
na terminolojia de M. HEiDENHAIN) tem 
no homem, a extensão de2/«e que existem, 
como vimos, aglomerados que ocupam a 
fibra muscular em uma extensão de 78 i¿ e 
84 fi. 

O que enunciamos acima tem grandes 
probabilidades de expressar uma realidade, 
porque muitos dos aspetos que descrevemos, 
encontram por esse meio uma inte.pretacão 
fácil. 

Reprezentam uma consequência direta 
da destruição das estrias Z e M. 

Assim a ''destruição do campo de CO- 
NHE1M" (cortes transversais, Fig. 1 e Fig. 
3 Est. 30), com "conservação individual dos 
feixes fibrilares", só pôde sêr dessa maneira 
compreendida. 

A "dispozição marjinar dos feixes fi- 
brilares (Fig. 1 e Fig. 3 Est. 30) tão caracte- 
rística nos cortes transversais, é a consequência 
da pressão mecânica do aglomerado sobre es- 
truturas não consol dtdas e incapazes de 
oferecerem a rezistencia normal. 

E isso é tanto mais verdadeiro, quanto 
se sabe que nos aglomerados de poucos 
corpúsculos leishmaniformes, onde por con- 



sequência, os inofragmas foram destruidos 
em extensão pequena do corpo da fibra mus- 
cular, os feixes fibrilares aprezentam ainda 
um certo grau de consolidação. Tal é devida 
á existencia, logo abaixo ou logo acima, de 
inofragmas intactos. Isto foi suficiente para 
garantir o seu arranjo normal em campo de 
CONHEIiW (Fig. 2 Est. 30). 

O mesmo se observa em pontos extre- 
mos de um grande aglomerado; os cortes 
transversais que por aí passam, mostram um 
aspecto normal do campo de CONHEIM; 
este é assegurado pela existencia de mem- 
brane! as intactas em rejião muito próxima e 
onde faltam parazítos. 

A falta de consolidação dos feixes fibri- 
lares (destruição da membrana Z de 
KRAUSE) e a pressão exercida pelo aglo- 
merado, parecem sêr os dois fatôres das 
alterações vistas na fibra muscular que aca- 
bamos de referir. 

Os fatos que observámos, trazem assim, até 
certo ponto, uma confirmação á hipoteze de M. HEI- 
DENHAIN a respeito da função das membranas funda- 
mentais, ou á dos que reconhecem, pelo menos em 
parte, um papel mecânico a estas estruturas (PRENANT"). 

Em rezumo, as lezões da fibra muscular 
cardiaca determinadas pelo T. Cruzi, são de 
ordem mecânica. 

N?.o foi encontrado um aspecto qualquer 
que indicasse uma ação de ordem toxica do 
parazito nesta faze de sua existencia, sobre o 
elemento histolojíco que parazita. 

Consistem as lezões mecânicas em des- 
truição das membranas Z de KRAUSE. 

Cauza imediata disso, é a multipiicação 
dos corpúsculos leishmaniformes. 

A lezão é morfolojicamente traduzida por 
uma destruição do campo de CONHEIM, e 
uma dispozição mjrjmal dos feixes fibrilares. 
Estes, individualmente, conservam inalterada 
a sua estrutura. Não sofrem destruição: em 
cortes transversais póde-se vêr que se acham 
apenas recalcados de encontro ao sarcolema; 
essa dispozição dos feixes fibrilares é, pois, 
atribuível á destruição das membranas Z 
de KRAUSE. 

Acreditamos que a discordancia entre as 
lezões que descrevemos e as assinaladas por 



125 



outros pesquizadores na fibra muscular car- 
diaca como cauzadas diretamente pelo T. 
Cmzi, seja devida á técnica empregada. 

G.VIANNA 47 assinala a destruição local 
da parte fibrilar da fibra pelos parazitos que 
entraram em multiplicação. 

R. LIMA39 diz: "Pelo fato do agio- 
merado, muitas vezes, principalmente 
no coração, ocupar toda a largura 
da fibra muscular sem que esta aumente 
de calibre de um modo considerável e 
a estrutura restante pareça alterada, devemos 
supor uma atrofia e urr.a resorpção da fibri- 
las naquelles lugares (*)". 

Uzaram aquelles pesquizadores dos se- 
guintes métodos de coloração -hematoxilina 
V. GIESON-CURTISS e OIEMSA a hú- 
mido -G. VIANNA; GIEMSA a húmido -R. 
LIMA. Tais métodos não permitem uma apre- 
ciação bôa de alguns detalhes da morfolo- 
jia da fibra muscular, entre outros, a es- 
trutura das miofibrilas. 

Como estadio mais adiantado da Iezão, 
é observada a rutura da fibra. É motivo 
disso grande pressão exercida sobre o sar- 
colema pelo aglomerado dos parazitos que 
se multiplicaram com a morfolojia de cor- 
púsculos leishmaniformes. Esse fenómeno foi 
verificado diretamente em muitos cazos. 
Atinjido então o limite máximo de extensi- 
bilidade do sarcolema, este rompe-se. 

Não foi visto, mas é provável que a des- 
truição do sarcolema também Sc possa efe- 
tuar pelo parazito, de um modo ativo. 

Isso se fará, desde que o T. Cmzi revista 
a morforlojia de flajelado e se torne um or- 
ganismo movei. 



(•) Em trabalho posterior de MAYER & ROCHA 
LIMA*', não encontramos referencia a estas constatações 
primitivas de ROCHA UMA. Ao contrario disso, os 
autores dizem: "Die Querstreifung der Muskelfasern 
bleibt selbst in den Fibrillen, die manchmal durch den 
Parasitenherd laufen, intakt" 



2. Rutura da fibra muscular cardiaca. 

Relação das lezões com o ciclo evo- 
lutivo do T. Cruzi. 

Intensidade do parazitismo das fibras 
museu 1 res cardiacas. 

A apreciação das dimensões das fibras 
musculares parazitadas, pode fornecer algu- 
mas indicações. 

Examinando grandes aglomerados que 
ocupam uma mesma fibra muscular na ex- 
tensão de 78 fi e 84/<, vê-se que a sua maior 
largura (cortes lonjitudinais) é de 1 1 n, isso, 
com pequenas variações, em toda a exten- 
são do aglomerado (exceto nos pontos ex- 
tremos, onde as dimensões diminuem). 

Em cortes exatamente transversais, nunca 
encontramos fibras parazitadas com diâmetros 
muito mais consideráveis : os mais elevados 
eram de 12 ft, 13 u, e 13,5 p. 

Expressarão elles, indiretamente, o limite 
máximo de distensão que pôde sofrer o sar- 
colema? 

Constata-se a auzencia de fibras pa- 
razitadas com diâmetros transversais mais 
consideráveis; póde-se pois, desconfiar de 
que uma maior pressão cauzada pelo aglo- 
merado, determinará a sua ruptura. 

A cauza da ruptura da fibra muscular pa- 
rece, pois, sêr uma pressão, cauzada pelos 
parazitos em multiplicação, incompatível com 
o grau máximo de extensibilidade do sar- 
colema. 

É ponto discutível se a morfolojia do 
parazito tem relação imediata com a ruptura 
da fibra muscular parazitada. 

Talvez a simples multiplicação dos ele- 
mentos aflajelados traga a pressão capaz de 
determinar a ruptura do sarcolema. 

Falam a favor disso os encontros 
frequentes, no miocardio dos cazos agudos, 
em focos inflamatorios, de grandes poliblas- 
tos com elementos aflajelados fagocitados. 
Também nas miocardites experimentais em 
cais, foi possível vêr fibras musculares rom- 
pidas, mas conservando ainda alguns para- 
zitos aflajelados: espalhados pelos interstí- 
cios conjuntivos vizinhos, via-se elementos 



126 



aflajelados não fagocitados. Isso parece sêr a 
observação direta do fenómeno a que nos 
referimos. 

Comtuuo é muito provável que, reves- 
tindo a morfolojia de flajelado, o parazito 
seja capaz de sair atívamente da célula car- 
diaca, e acarrete nesse momento, então, a 
ruptura da fibra muscular. 

Os núcleos das fibras musculares, mesmo 
em pontos vizinhos a grandes aglomerados, 
aprezentam-se com a estrutura normal (Fig. 
4 Est. 30). Nãofoi verificada proliferação dos 
núcleos musculares 

Devemos, finalmente, agora informar do 
grau de intensidade com que o elemento pa- 
remquirnatozo do miocardio, nos cazos 
agudos, mostra-se parazitado. 

Isso varia naturalmente conforme o 
ponto examinado. 

Nos pontos mais parazitados não era di- 
ficil, em cortes lonjitudinais (da espessura de 
6,66 n) do coração de P. (Obs. 22) conseguir 
colocar em um mesmo campo do microscopio 
(Oc. 2, Zeiss, Obj. imm. 1 12) -cinco, seis, 
sete e oito algromerados de T. Cruzi, nitida- 
mente individualizados, ocupando fibras mus- 
culares diferentes. 

AAais comumente, porém, encontrava-se 
ali, uma ou duas fibras parazitadas por 
campo do microscopio ; não são frequentes 
os campos em que não se verifica fibras mus- 
culares parazitadas. 

O mesmo grau acentuado de parazitismo 
era encontrado no miocardio de A. (Obs. 2) 
e de D. (Obs. 8). 

Era igualmente intenso o parazitismo da 
fibra muscular cardiaca, nos animais experi- 
mentalmente infectados pelo T. Cruzi. 

Em certos cazos era possível collocar até 
12 aglomerados diferentes (cortes lonjitudi- 
nais) em um mesmo campo microscópico 
(Oc. 2, Zeiss Obj. imm. 1/12), como se po- 
derá ver pelo seguinte protocolo paiciaL 

CÃOZINHO EXP. 44, N. 3 

Dia 7-10-916. 

Examinei cortes corados pela H. — v. 
OIESON do coração d'esté cãosinho, colhidos 
ao nivel dos seguintes pontos: 



1. - Sulco interventricular ant. (parte media) 
-bloco compreendendo a porção superfi- 
cial do fragmento tirado a esse nivel. 

Infiltração celular do tecido intersticial 
muito pronunciada. Parazitismo notável da 
fibra muscular. (2, 3 e 4 aglomerados diver- 
sos era possível em certos pontos colocar 
em um mesmo campo microscópico, cortes 
lonjitudinais Oc. 2 -Obj. imm. 1/12). Deje- 
neração ceroide da fibra muscular, sobrevin- 
do em fibras izoladas e limitada a pequenos 
segmentos delias. A pesquiza da gordura 
(sol. de SCHARLACH R- acetona, alcool a 
70 %, agua, hematoxilina, glycerina) foi ne- 
gativa, efetuada em um fragmento do cora- 
ção conservado em formol a 10 °/o, colhido 
n'esta data, em rejião vizinha á da que provem 
o pedaço incluido em parafina. 

2.- Espessura do ventrículo esquerdo.- 
Infiltração celular do tecido interstical m. 
acentuada. Parazitismo muito intenso da 
fibra muscular (4, 5, 8 e 9 aglomerados di- 
ferentes era possível, em certos pontos col- 
locar em um mesmo campo microscópico, 
cortes lonjitudinais. Oc. 2-Obj. imm. 1/12). 
Dejeneração ceroide da fibra muscular, so- 
brevindo em fibras izoladas e compreen- 
dendo apenas curto segmento das mesmas. 
Núcleos em picnoze. A pesquiza de gordura 
feita nessa data em um fragmento tirado de 
rejião vizinha, foi negativa. 

3. -Ápice.- Parazitismo da fibra mus- 
cular pouco acentuado. Infiltração celular 
do tecido intersticial limitada a certos 
campos, não considerável. Era prezente a 
dejeneração ceroide da fibra, sempre limitada 
a pequenas zonas de fibras izoladas. 

Pcsquizamos a gordura ainda em frag- 
mentos das seguintes rejiões — espessura do 
ventrículo direito, músculos papilares. A pes- 
quiza foi negativa; em alguns espaços con- 
juntivos, em torno de grandes vazos, eram 
vistas células contendo goticulas de gordura. 

CÃOZINHO EXP. 45, N. 1 

Dia 7-10 916. -Cortes corados pela 
hein; toxilina-v. G1ESON. 

]. — Parede do ventrículo direito. — Parazi- 
tismo extraordinariamente acentuado da 



127 



fibra muscular. (5, 7, 9 e 12 aglomerados 
diferentes era possível em certos pontos, 
colocar era um mesmo campo, cortes lonji- 
tudinais, Oc. 2-Obj.imm. 1/12). Dejeneração 
ceroide da fibra muscular cardiaca sobrevindo 
em fibras izoladas, e ocupando segmento 
curto das mesmas. Infiltração celular do 
tecido intersticial acentuada. 

2. -Espessura do ventrículo esquerdo. - 
Parazitismo intenso da fibra muscular (2, 3 
e 4 aglomerados diferentes era possível, em 
certos pontos, colocar em um mesmo campo, 
cortes lonjitudinais, Oc. 2-Obj. mm. 1/12). 
Infiltração celular mais acentuada que no 
corte precedente. Dejeneração ceroide. 

3. — Sulco interventricular anterior (parte 
media. - Parazitismo acentuado da fibra mus- 
cular (2, 4 e 6 aglomerados era possível col- 
locar em um mesmo campo, cortes lonjitu- 
dinais, Oc. 2-Obj. imm. 1/12). Infiltração 
celular notável, porem menos acentuada 
que no corte precedente. Dejeneração ceroide. 

4. -Ápice. -Parazitismo accentuado da 
fibra muscular (2, 4 e 6 aglomerados dife- 
rentes era possível colocar em um campo 
microscópico, Oc. 2-Obj. imm. 1/12 (cortes 
lonjitudinais). Em um corte transversal era 
possível collocar em um rnesmo campo mi- 
croscópico (Oc. 2, Obj. 1/12) 19 a 20 aglo- 
merados diferentes de T. Cruzi. Infiltração 
celular pouco pronunciada. Dejeneração 
ceroide. 

Outras ¡ezões da fibra muscular car- 
diaca prezeníes. 

A. Dejeneração ceroide. 

lo DESCRIÇÃO 

A dejeneração ceroide, hialina ou homo- 
jena "wachsartige Degeneration", "Hyalinisa- 
tion", "Homogenisation, scholliger ZerfalV) da 
fibra muscular cardiaca foi encontrada no 
miocardio dos cazos agudos autopsiados. 

Em sua pesquiza mostrou vantajens a fixação das 
peças pelo sublimado alcool e coloração pelo método da 
hematoxi.ina férrica de M. HEIDENHAIN ou uma de 
suas modificações. 

Constata-se todas as carateristicas que 
lhe são próprias -constituição brusca da al- 



teração, não se observando estadios interme- 
diarios entre a fibra normal e a fibra com 
homojenização - perda da estrutura comum 
da fibra muscular, a qual mostra, então, em 
seu plasma, substancias inteiramente homo- 
jenias, fortemente refrinjentes, aprezentando 
grande afinidade para os corantes ácidos ; 
nas preparações pelo motodo de M. HEI- 
DENHAIN, essas substancias aparecem como 
blocos de configuração variada, corados em 
negro intenso, e de granulações de diversas 
dimensões, ora muito finas, ora mais volu- 
mozas, igualmente coradas em preto -auzen- 
cia de nitidez dos contornos da fibra mus- 
cular, os quais apagam-seem muitos pontos; 
em certos outros, os blocos de substancia ho- 
mojenea excedem, de um lado e de outro, a 
largura normal da fibra muscular. 

E mais correto considerar a homojenização da fibra 
muscular cardiaca, não como pertencendo ao grupo das 
dejenerações, mas sim ao das necrozes, e neste, ao das 
necrozes do tipo de coagulação, 

Fundamenta-se isto, em muitos caracteres tirados do 
exame microscópico, entre outros : a rápida transforma- 
ção da fibra muscular em uma massa sem estrutura, 
não havendo estadio intermediario entre esta e a fibra mus- 
cular normal— forte afinidade das massas para com os 
corantes ácidos— destruição total da porção do tecido 
afetada (ANITSCHKOW?, ASCHOFFs). 

Como dissemos, são observados os ca- 
rateres peculiares a esta lezão. E' particula- 
ridade conhecida a limitação da necroze hia- 
lina a determinado segmento da fibra mus- 
cular; muitas vezes, a uma zona da fibra 
muscular onde o processo é muito intenso, 
pode fazer imediatamente seguimento uma 
outra onde a estrutura do elemento parem- 
quimatozo mamtem-se integra (Fig. 5 e Fig. 
6 Est. 30). No limite das duas rejiões, é 
vista, ás vezes, uma massa volumoza, de 
configuração especial (narbenahnliches Band 
de ZENKER). 

A dejeneração ceroide, em algumas 
fibras musculares, traduz-se pela existencia, 
em seu plasma unicamente, de pequenas 
massas coradas em negro carregado, e finas 
granulações um oouco mais intensamente 
coradas (Fig. 5 Est. 30). 

N'outras fibras musculares, as massas 
coradas em negro oferecem dimensões 



128 



muito maiores : tais, ás vezes, que 
um desses blocos excede, em uma e outra 
borda, a largura normal da fibra muscular. 
Ao lado desses volumozos blocos, a mesma 
fibra muscular pode conter outros menores 
e granulações de todas as dimensões (Fig. 
7 Est. 31). 

Essas granulações se constituem, nas 
fibras que sofreram a dejeneração ceroide, pela 
dezintegracão das grandes massas e blocos 
de substancias que de cometo se formaram 
na célula. 

Em algumas fibras musculares, as massas 
homojeneas afetatn uma dispozição em 
forma de escada; aparecem, então, na fibra 
muscular como faixas transversais irregulares 
em zig-zag (Fig. 6 Est. 30). 

Alterações nucleares intensas, indo até a destruição 
dessas estruturas, são verificadas nas fibras musculares 
que sofreram a dejeneração ceroide. 

Fibras musculares, com o aspeto variado 
que descrevemos, são encontradas, com 
grande frequência (isso no coração de 
A. (Obs. 2), P. (Obs. 22) e D. (Obs. 8), 
izoladas no seio de feixes de fibras mus- 
culares com a estrutura normal, outras do 
mesmo feixe mostrando simplesmente aglo- 
merados de parazitos, sem indicio de um 
processo regressivo qualquer. 

Outras vezes, porém, muitas fibras mus- 
culares se aprezentam interessadas a um 
mesmo nivel (Fig. 7 Est. 31). 

Desse modo se constituem verdadeiros 
focos de destruição do paremquima cardiaco. 
Isso se observa sobretudo, no miocardio de 
P. (Obs. 22) e de D. (Obs. 8) onde a de- 
jenereção da fibra muscular cardiaca é muito 
pronunciada; existe também, no de A. 
(Obs. 2). 

Nesses focos (Fig. 7 Est 31) vê-se grande 
numero de massas coradas em negro intenso, 
de forma e dimensões muito variadas (vo- 
lumozas massas, blocos pequenos semelhan- 
do grossos bastonetes uns maiores, outros 
curtos, granulações grossas e finas). 

Estes elementos perderam, muitas vezes, 
toda a relação reciproca (Fig. 7 Est. 31), 
sendo impossível precizar exatamente o 
elemento de que provem e saber quantas 



fibras musculares foram atinjidas nesse ponto 
pela dejeneração. 

Todos os aspetos tão variados da de- 
jeneração ceroide, são encontrados n'um só 
desses focos, em diferentes fibras muscula- 
res (Fig. 7 Est.31). 

Segundo ANITSCHKOW?, cuja opinião é reprodu- 
zida por THOREL", duas alterações da célula muscula: 
existem, assinaladas por diferentes pesquisadores, de uma 
distinção morfolojica muito difícil, senão impossível. 

São a dejeneração ceroide (wachsartigc Degeneration) 
e a dejeneração hialina (hyaline Entartung). 

Tal a dificuldade, que impossível se torna saber 
a qual delias, em alguns trabalhos, é feita referancia. 

Seria, no emtanto, acentuada a separação desses 
dois processos no ponto de vista de sua classificação, o 
primeiro pertencendo ao grupo das necrozes, e o se- 
guudo filiando-se ao grupo das dejenerações. 

A única distinção viria da histojeneze da lezão. 

Segundo RIBBERT (citado de ANITSCHKOW*) na 
dejeneração ceroide, a substancia da fibra muscular se 
transforma primitivamente em uma massa homojenea a 
qual, mais tarde, se decompõe era granulações e frag- 
mentos, e se desfaz. 

Na dejeneração hialina, ao contrario, no dizer de 
SCAOLIOSI (cit. de ANITSCHKOW*), são observados 
fenómenos justamente contrarios: a fibra muscular se 
decompõe primitivamente em granulações izoladas : 
estas se fuzionam secundariamente, e forma-se então, 
uma massa homojenea, brilhante, hialina. 

Parece, porém, que não ha uma diferença tão nítida 
entre essas lezões. 

Assim, em alguns trabalhos mais recentes, como o 
de TANAKA«5, as lezões encontradas são consideradas 
como pertencendo a um grupo de dejeneração ceroide 
ou hialina, e dezignadas pelo termo de "scholliger 
Zerfall" ; os processos encontrados no miocardio de 
doentes de difteria pelo BUROER 12 não são dezignados 
por um termo que os caracterize de modo particular, 
mas considerados como próximos, e talvez incluzos na 
categoria das dejenerações ceroides. 

2 Cauza e importancia da lezão. 

A dejeneração ceroide da fibra mus- 
cular não é uma lezão determinada pelo T- 
Cruzi de um modo direto. 

Como em outras infecções (difteria, 
febre tifóide, infecção pelo streptococo, influ- 
enza, intoxicação experimental pela adrenali- 
na ASCHOFF 5 ,) reprezenta ella a conse- 
quência de perturbações da circulação. 

Pudemos vêl-a, não só no coração de 
tres, dos quatro cazos agudos autopsiados, 
como em animais de laboratorio (cais novos) 
inoculados com o T. Cruzi, onde aspetos 
vistos no miocardio, tanto no tecido mus- 



129 



cular, como no interstical e nos vazos, bastante 
se aproximam dos existentes nos cazos hu- 
manos de evolução aguda. 

Conseguimos bom rezultado na pesquiza da dejene- 
rnção ceroide no miocardio dos cais, corando os cortes 
feitos no microtomo de conjelação, pelo método da 
hematoxilina férrica de M. HEIDENHAIN (24 horas no 
mordente, 2 horas no corante). A fixação pelo formol 
não é desfavorável a esse tratamento e permite prepa- 
rações apenas pouco inferiores ás obtidas com material 
fixado em sub. alcool, e incluido em parafina (v. ANI- 
TSCHKOW* p. 199). 

Cortes de rejiões diferentes do coração 
(paredes do ventrículo esquerdo, do ventrí- 
culo direito, músculos papilares, apex) de 
P. (Obs. 22) e D. (Obs. 8) mostravam com fre- 
quência, focos extensos de destruição do pa- 
renquima, a cujo nivel muitas fibras musculares 
sofriam conjuntamente a dejeneração ; aí existia 
igualmente, intensa infiltração do tecido in" 
tersticial por pequenas células redondas se- 
melhando linfocitos, por grandes mononuclea- 
res, fibroblastos e leucocitos (v. Fig. 7 Est. 31). 

No miocardio de A. (Obs. 2), a dejene- 
ração ceroide, com muita frequência, sobre- 
vinha em determinada rejião de uma fibra 
muscular no seio de um feixe muscular 
intacto em seus outros elementos; também 
eram vistos focos extensos de dejeneração 
ceroide, porém com menos frequência que 
nos dois cazos acima citados. 

No miocardio de Ph. (Obs. 23) não foi 
encontrada a dejeneração ceroide. 

A miocardite achava-se aí, em faze ini- 
cial de constituição. Eram vistas algumas 
fibras musculares parazitadas. Em certos 
pontos, via-se no tecido intersticial acumulo 
de elementos celulares (pequenas células 
redondas semelhando linfocitos, grandes 
mononucleares, fibroblastos e leucocitos) sem 
a prezença do parazito. 

Ao nivel desses pequenos acúmulos ce- 
lulares, outras vezes, distinguia-se fibras mus- 
culares parazitadas. As vezes já se efetuára a 
rutura da fibra muscular e via-se, então, 
corpúsculos leishmaniformes no plasma de 
grandes mononucleares que os fagocitaram. 

Os cortes porém, mostravam quazi 
sempre extensas rejiões onde o miocardio 
tinha a estrutura normal. 



A dejeneração ceroide é, pois, lezão 
constante da fibra muscular, na miocar- 
dite de CHAGAS. 

A sua frequência e intensidade fazem 
delia ai, uma das principais le/.ões pa- 
renquimatozas assinaladas, e, sem duvida, 
a mais digna de nota após aquella que se re- 
laciona com o dezenvolvimento do T. Cruzi 
no interior da célula cardiaca, e que, como 
foi visto, finaliza pela sua destruição. 

E' lezão muito frequente, ainda, no mio- 
cardio de cais novos que sucumbiram á in- 
fecção pelo T. Cruzi (23o, 28° dias de ino- 
culação). Vimos em alguns cais (cão Exp. 
44, No 3) a destruição da fibra muscular por 
esse processo oferecer intensidade compará- 
vel á vista do miocardio de P. (Obs. 22), 
A. (Obs. 2) e D. (Obs. 8). 

Outros processos regressivos da fibra 
muscular cardiaca, tais como a dejeneração 
granuloza, a dejeneração gorduroza não 
pudemos conseguir experimentalmente nos 
animais infetados pelo T. Cruzi. 



Com frequência se pode encontrar nos 
cortes de coração dos cazos agudos (método 
da hematoxilina férrica de M. HEIDE- 
NHAIN), fibras musculares aprezentando a 
seguinte alteração. 

Ao passo que algumas miofibrilas 
mostram a sua estrutura normal, ao mesmo 
nivel, em outras, a estrutura acha-se alterada. 
A coloração preta conferida pela hematoxili- 
na férrica, na miofibrila normal, excluziva- 
mente á rejião que corresponde ao segmento Q, 
nellas se estende ao longo da miofibrila, 
até o segmento Q mais proximo. 

Formam-se assim, na miofibrila, zonas 
coradas em preto como o segmento Q da 
miofibrila normal, as quais tem extensão 
variável, correspondendo comumente, a dois 
ou tres ¡tomatas, ás vezes, perém, ocupando 
dez ou mais; neste cazo, a porção da mio- 
fibrila, atinjida aprezenta-se como um longo 
bastonete corado uniformemente em preto, 
ou mostrando ainda pontos onde a coloração 
é mais intensa e que correspondem aos pri- 
mitivos segmentos Q (Fig. 8 Est. 31). 



130 



Como esta alteração é observada em 
muitas miofibrilas de uma fibra muscular 
em um mesmo ponto, e ocupa em cada uma 
daquellas, uma altura diferente, e ainda 
mais, como entre ellas são intercaladas outras 
miofibrilas de estrutura perfeitamente normal, 
segue-se que a estriação transversal da fibra 
muscular, nesse ponto, é inteiramente alte- 
rada. 

O aspeto é bastante característico, e a 
Fig. 8 Est. 31 que foi dezenhada de uma 
preparação particularmente bôa, dá bastante 
ideia disso. 

Ou, ou, os núcleos da fibra muscular mais 
próximos da alteração, mostram a es- 
trutura normal. 

Esta alteração, de observação delicada, só deve sér 
apreciada, em preparações ótimas pela hematoxüina fér- 
rica, onde não haja artificios de técnica, que são, aliás, 
de aspeto grosseiro e inconfundível com a alteração des- 
crita. 

Póde-se observar, em preparações de tecido mus- 
cular (coração normal de homem, de cão, de coelho, de 
cobaio) pela hematoxüina férrica, mas nas quais a fixa- 
ção defeituoza, ou uma outra cauza, não permitiram a 
execução de ura bom preparado, aspetos, que lembram, 
grosseiramente, o que descrevemos. Estes, porém, erara 
prezentes em preparações ótiraas do coração das crian- 
ças, onde as finas estruturas do tecido podiam sêr apre- 
ciadas com seus caracteres próprios ; mostravam-se como 
uma alteração real da estrutura, constituida em vida do 
doente. 

Seria exato considerarmos esta alteração 
como um estadio inicial de constituição da 
dejeneração ceroide ? 

Não possuímos provas suficientes desse 
fato, e por isso nada podemos decidir a res- 
peito. Apenas rejistramos a frequência grande 
com que podia sêr vista em cortes do mio- 
cardio onde a dejeneração ceroide era muito 
mtensa. 

Na literatura, as informações mais detalhadas que 
encontramos a respeito dos estadios intermediários entre 
fibras musculares e fibras homojenizadas, foram de 
ANITSCHKOW?, as quais aqui reproduzimos inte- 
gralmente. 

ANITSCHKOW? assinala a existencia ao longo da 
fibra muscular, junto das partes homojenizadas, de pontos 
"die blasser sind ais sonst und undeutliche gleichsam 
zerflossene kontraktile F.lemente enthalten : man kann 
solche Partien infolgedessen mit einer gewissen Wahrs- 
cheinlichkeit ais frühe Homogenisationstadien der Mus- 
kelfasern betrachten". Não dá dezenho desse aspeto, nem 
maiores pormenores a respeito da supozição que formu- 



Em raras fibras musculares ¡zoladas 
(cortes do miocardio dos cazos agudos), 
vimos estruturas que lembram o "aspect 
grillagé" de MOLLARD & REGAUD*». 

B. Dejeneração granuloza. 

Outro processo regressivo encontrado 
no paremquima do coração, nas infecções 
agudas pelo T. Cruzi, foi a dejeneração gra 
nuloza (kõmige Entartung, kõrniger Zerfall). 

A fibra muscular cardiaca, em vez das miofibrilas 
com os segmentos regularmente arranjados, aprezenta no 
seu protoplasma, granulações de diferentes tamanhos 
coradas em pardo escuro pela hematoxüina férrica, em 
geral menos intensamente que os segmentos Q do- 
mesmos preparados. A tonalidade da coloração é muito 
dezigual e até certo ponto depende das dimensões da 
granulação ; as maiores coram-se menos intensamente ; 
algumas das menores mostram uma coloração mais es- 
cura, que pouco difere da coloração dos segmentos Q. 
Em alguns pontos as granulações tomam uma dispozição 
em série linear que lembra a dispozição regular dos 
segmentos Q na miofibrila normal. 

Tais granulações, em certas fibras, existem em 
quantidade muito considerável ; a estrutura comum destas 
acha-se então, inteiramente perdida. Em outras fibra?, 
póde-se, além dos granulos, distinguir ainda elementos 
contrateis conservados. 

A dejeneração granuloza era bastante 
dezenvolvida no miocardio de Deolindo (v 
Fig. 9 Est. 31). 

Pesquizal-a pela técnica já indicada: cortes de mate- 
rial fixado em formol a 10 o o, feitos no microtomo de 
conjelação, são tratados pelo método da hematoxilina 
férrica de M. HEIDENHAIN, demorando 24 horas no 
mordente, e algumas horas no corante; diferenciar, dc- 
zidratar e montar em balsamo. 

Fragmentos tirados de diferentes pontos 
desse coração (musculo papilar do ventrículo 
direito, parede do ventrículo direito, parede do 
ventrículo esquerdo) mostraram a prezença 
dessa dejeneração em quazi todas as fibras 
musculares. 

Esta dejeneração, no coração de outros 
cazos agudos, P. (Obs. 22) e A. (Obs. 2), e 
no material de miocardite experimental, foi 
vista apenas em raras fibras musculares izo- 
ladas, podendo mesmo, ás vezes, sêr com- 
pletamente auzente. 

C. Dejeneração gorduroza 

(degenerative Fettinf titration) 

A dejeneração gorduroza foi pesquizada, 
em vão, no miocardio de P. (Obs. 22) e no 



131 



de varios cais, onde a intensidade dos 
processos era muito acentuada. 

No miocardio de D. (Obs. 8) porém, foi 
encontrada. Em quazi todos os cortes (frag- 
mentos tirados ao nivel da parede do ventrí- 
culo direito, junto ao sulco auriculo-ventri- 
cular, ao nivel da parede do ventrículo es- 
querdo, da parede do ventriculo direito (outro 
ponto), musculo papilar do ventriculo direito) 
podia-se vêr algumas fibras musculares, que 
em certa extensão mostravam goticulas de di- 
ferentes dimensões, situadas no sarcoplasma, 
coradas em amarelo-alaranjado pelo Schalach 
R fsol. alcalina), e em tonalidad? mais vizi- 
nha do vermelho pelo Schalach R isol. feita 
com acetona). 

A solução alcalina oferece a vantajem de não dár o 
precipitado tão frequente ras preparações tratadas pelo 
Señalaren R (sol. feita com acetona). 

A dejeneração gorduroza, nas fibras mus- 
culares do coração de D. (Obs. 8), aprezen- 
tou-se sempre sob a forma de pequenas e finas 
granulações, situadas no sarcoplasma, e 
ocupando, ás vezes, duas ou mais fibras mus- 
culares vizinhas, em extensão muito consi- 
derável. 

Não vimos fibras musculares com 
granulos volumozos, ou grandes missas de 
gordura rezultando do fuzionamento desses 
granulos. 

Vimos, igualmente, granulações gor- 
durozas no plasma de algumas células 
existentes no tecido intersticial. 

Assim, o coração de D. (Obs. 8) mostra- 
va alterações parenquimatozas que existiam 
muito discretamente (dejeneração granuloza) 
ou faltavam inteiramente (dejeneraçãc gor- 
duroza) nas outras observações. 

Como dissemos attaz, as outras altera- 
ções parenquimatozas, parazitismo da fibra 
muscular e dejeneração ceroide - eram aí 
também prezentes e intensas. 

Importancia para a clinica, das lezões 
anatomo-patolojicas verificadas. 

Rezulta de nossa descrições que as 
lezões parenquimatozas do musculo cardiaco 
em algumas autopsias da forma aguda da 
molestia de CHAGAS, atinjiam um grau no- 
tável de intensidade. 



As constatações anatómicas são capazes 
de justificar alterações pronunciadas do fun- 
cionamento do coração ; a morte do doente, 
em alguns cazos pôde sêr uma consequência 
direta de tais lezões. 

Já a destruição do parenquima cardiaco 
é ativamente efetuada pelo ájente etiolo- 
jico, achando-se na dependencia estreita de 
uma faze evolutiva delle. 

A essa bastante considerável destruição 
da fibra muscular cardiaca, atendendo ao 
grau de parazitismo verificado, juntam-se 
outros processos, como a dejeneração ceroide, 
que provocam igualmente a perda total da- 
quelle elemento. 

E' esta uma lezão constante no mio- 
cardio das infecções agudas. 

O grau de intensidade com que ella se 
manifesta, é sobremodo pronunciado. 

No coração diftérico, a dejeneração ceroide 
teria uma considerável importancia segundo 
certos autores (ROSENBACH4°, RIBBERT 3 *). 

Devemos notar que o substrato anató- 
mico de algumas constatações clinicas vistas 
para o lado do coração na difteria, é ainda 
sujeito a discussão. 

Está nesse cazo o colapso cardiaco ; 
no coração de crianças que morreram subita- 
mente no decurso da difteria podem faltar 
inteiramente no miocardio, sérias alterações 
anatómicas. 

Não deu explicação ao fenómeno, o en- 
contro de alterações anatómicas regulares em 
um sistema de fibras musculares especifico 
(feixe auriculo-ventricular). 

Com efeito, a dejeneração gorduroza 
izolada do feixe de HIS, considerada por 
MÕNCKEBERG3" como a cauza do fenó- 
meno, não recebeu confirmação de trabalhos 
posteriores: AMENOMIYA', TANAKA" 
HEILHECKER 23 , verificaram que o processo 
não se limitava a esse sistema especifico de 
fibras musculares; depois ASCHOFF e 
ENGEL demonstraram a prezença frequente 
nos adultos, de um depozito de goticulas de 
gordura nas fibras do feixe de HIS, sem per- 
turbação aparente da função do mesmo. 

Convém dizer que é fato hoje geralmen- 
te admitido que lezões do feixe de HIS, 



132 



acarretam constantemente uma dissociação 
completa do ritmo auricular e ventricular (*) 

Dentre alguns cazos da experimentação 
c da clinica que constam da literatura de- 
Mionstrativos do fato, lembraremos o exami- 
nado por MAGNUS ALSLEBEN 25 : em uma 
criança de 8 anos de idade, doente de difte- 
ria, a dejeneração ceroide das fibras especi- 
ficas do feixe de HIS foi bastante para ex- 
plicar o aparecimento no 4° dia de doença, 
de uma dissociação auriculo-ventricular com- 
pleta, com pulso 24-38. 

Outras alterações foram invocadas para 
explicar o colapso cardiaco na difteria -tais 
alterações dos ganglios e nervos do coração, 
alterações dos centro vazo-motores, altera- 
ções do tecido cromafino. 

Nada de precizo porém, ficou estabe- 
lecido. 



(") É saLido que nem todos os cazos de bloqueio 
cardiaco são determinados pela destruição do feixe de 
HIS. Outras cauzas podem produzir a mesma dissocia- 
ção do ritmo auricular e ventricular. 

Em 1910 KRUMBHAARa mostrou que podia existir 
durante anos um bloqueio cardiaco completo sem lezão 
do feixe de HIS demonstrável pela autopsia. Alguns 
cazos mais, foram aprezentados por OPPENHEIMER 
and WILLIAMS» e outros. 

O empiego de instrumentos modernos de precizão 
mostrou cue formas graves de aritmia cardiaca (blo- 
queio cardiaco, fibrilação auricular) eram mais comuns 
do que a principio se supunha. Também pensava-se que 
tais aritmias graves eram sempre condições permanentes 
devidas a extensas alterações orgânicas. Mas em obser- 
vações recentes foi possível evidenciar o carater tranzi- 
torio de tais aritmias, não só da fibrilação auricular 
(KRUMBHAARc), como também do bloqueio cardiaco 
(KRUMBHAARd). 

a) KRUMBHAAR, E, B., Adams-Sto^s Syndrome, 
with Complete Heart-Block without Destruction of the 
Bundle of HIS. Archives Inter. Med., Vol. 5, 1910, p. 
583. 

b) OPPENHEIMER, B. S. and WILLIAMS, H. B. 
Prolonged Complete Heart-Block without Lesion of the 
Bundle of HIS and with Frequent Changes in the Idio- 
ventricular Electrical, Complexes. Proc. Soc. Exper. 
Biol, and Med., 1913, 10, p. 86. 

c) KRUMBHAAR, E. B. Transient Auricular Fibril- 
lation. Archives Int. Med., 1916, Vol. 18, p. 263. 

d) KRUMBHAAR, E. B. Transient. Heart-Block- 
Electro-cardiographic Studies. 

Archives Inter. Med., Vol. 19, P. I no. 5, 1917, p. 
750. 



Severas destruições de fibras musculares 
por meio da dejeneração ceroide ou gor- 
duroza, principalmente quando abranjem 
grande extensão do miocardio, danificam se- 
guramente o funcionamento do coração. 

A esse respeito a opinião é unanime. 
Isso é que queríamos salientar aqui, pois 
tal nos parece sêr o cazo na forma aguda 
da molestia de CHAGAS. 

E' dificil de ajuizar com certa precizão 
da importancia que as lezões do miocardio 
revestem na forma aguda da molestia. 

Comtudo os seguintes dados, que rezul- 
tam dos trabalhos de CHAGAS 13 , 14 e >\ 
devem sêr tomados em consideração. 

Verifica-se, em primeiro lugar, na forma 
aguda da tripanozomoze americana um 
coeficiente de letalidade não pequeno 
47,82 o/o. 

Com efeito, de 23 cazos cuja evolução é 
conhecida, entre 29 observados, 11 foram 
cazos mortais (CHAGAS 15 ). 

Desses, 4 foram submetidos ao exame 
microscópico. 

Lezões cardiacas tão intensas que só por 
si eram capazes de explicar a morte 
do paciente, foram constatadas em tres cazos. 

Em 2 desses, porém, existiam graves 
alterações do sistema nervozo central, as 
quais, aí puderam sêr responsabiliza- 
das pela morte dos pacientes. O exame his- 
tolojico permite afirmar que as lezões do 
miocardio concorreram também aí, em 
grau acentuado pasa o mesmo fim. O outro 
cazo aprezentou sinais evidentes de colapso 
cardiaco, parecendo ter sido essa a cauza 
da morte (CHAGAS 15 ). 

Em um dos cazos autopsiados o pro- 
cesso no miocardio achava-se em faze ini- 
! dal de constituição. 

Nos outros 7 cazos, a morte efetuou- 
se fora das vistas do medico. Em 1 (Obs. 
6), clinicamente podia-se suspeitar de um 
ataque aos centros nervozos. Nos 6 outros, 
é impossível dizer se a morte foi devida ás 
lezões dos centros nervozos, ou efetuou-se 
independentemente disso. 



133 



E' interessante notar, nas infeções expe- 
rimentais peJo T. Cruzi, não só o ataque 
constante ao miocardio, como a intensidade 
aí dos processos, intensidade comparável em 
alguns, á dos existentes no coração dos 
cazos agudos da molestia de CHAGAS. 

Tal se verifica com grande regularidade, 
quando se emprega daquelles animais 
dos mais sensíveis ao T. Cruzi- tais o cão 
e o sagui- indivíduos jovens -cais de sema- 
nas de idade, saguis novos. 

Isso faz suspeitar da prezença, e prová- 
vel importancia das lezões do miocardio nos 
cazos agudos da molestia (habitualmente cri- 
anças de pouca idade) que escaparam ao 
exame anatomo-palolojico. 

Patojenia da miocardite na molestia 
de Chagas. 

Algumas vezes verifica-se a coexistencia 
dos processos regressivos a que nos referi- 
mos, e parazitismo da fibra muscular cardiaca. 
A dejeneração ceroíde e as outras altera- 
ções independem, porém, do T. Cruzi, 
de um modo direto. 

Reprezentain a consequência de pertur- 
bações circulatorias, como é o cazo para 
as verificadas nas diferentes infecções 
(difteria, febre tifóide, infecção pelo strep- 
tococo, influenza, intoxicação experimental 
peia adrenalina -ASCHOFF). 

Não é isso uma supozíção gratuita. 

O estudo do material de miocardite ex- 
perimental que obtivemos inoculando cais 
com o T. Cruzi forneceu-nos uma orienta- 
ção nesse sentido. 

Daremos aqui um rezumo do que ali 
vimos. 

No miocardio de certos cais inoculados 
com T. Cruzi e oportunamente sacrificados, 
as lezões cauzadas pelo parazito são ás 
vezes, bastante esparsas. 

A observação dos estadios iniciais da 
miocardite é assim mais facilitada. 

Aí não ha, com efeito, a intensidade de 
processos que existe no miocardio dos 
cazos agudos, e que quazi impede a apreci- 
ação desses estadios. 



Vê-se aproximadamente o seguinte: 

Por maior que seja o aglomerado de 
corpúsculos leishmaniformes e por mais avan- 
tajada que se torne a dilatação da fibra mus- 
cular assim provocada, ao seu nivel não se 
observa o mínimo indicio de reação inflama- 
toria. Isto, emquanto o aglomerado não se 
romper, e a fibra muscular mantiver a sua 
integridade perfeita. 

Rompido o aglomerado, surje a lezão 
inicial, que também é a de mais importan- 
cia em relação á patojeneze da miocardite 
nesta doença. 

Com efeito, a intensa miocardite cons- 
tatada em certos cais tardiamente sacrifica- 
dos e comparável á vista em alguns cazos 
agudos da molestia, reconhece como ponto 
de partida, essa lezão. 

As porções restantes da fibra muscular 
destruída, são ativamente reabsorvidas. 

Afluem ao ponto em que se efetuou a 
destruição, numerozos poliblastos, dotados 
de grande atividade fagocitaria. 

Esses aglomerados de poliblastos em 
torno de fibras musculares destruidas, são 
bastante consideráveis para se aprezentarem 
ao exame com fraco aumento (Oc. 2. Zeiss 
Obj. AA), como focos na espessura dezoms 
normais mais ou menos extensas do muscu- 
lo cardíaco do cão.- (Cão n. 9a, n. 9b, Exp. 
44 n. 2). 

Dá-se aos poucos a confluencia dos 
focos em consequência de um parazitibmo 
mais intenso das fibras musculares (cais sa 
crificados em periodos mais adiantados de 
infecção— Cão Exp. 44, n. 3, Cão Exp. 45, 
n. 1). 

Para o miocardio dos cazos agudos 
onde o numero de fibras musculares para- 
zitadas e depois destruidas é considerável, 
bem se pode avaliar quão grande não deve 
ter sido o numero de focos que se fuzio- 
naram. 

Agrava ainda mais a complicação dos 
processos aí vistos, o fato dos focos conflu- 
entes terem, necessariamente, uma idade di- 
ferente: é sabido que a variedade de especies 
celulares prezentes em cada um délies, deve 
depender estreitamente de sua idade. 



134 



Em tais cais, a dejeneração ceroide 
existia apenas naquelles sacrificados tardia- 
mente, em um estadio adiantado do proces- 
so; aí, um parazitismo muito intenso, e por 
conseguinte uma destruição grande de fibras 
musculares e intensa infiltração celular do te- 
cido intersticial, determinaram importantes al- 
terações para o lado da vasculalização e no in- 
tercambio nutritivo da vicera. 

Resta-nos explicar como foram obtidos 
os elementos indispensáveis á execução deste 
trabalho. 

E isso de dezempenho tanto mais agra- 
dável quanto o ensejo se nos aprezentará 
de agradecer a quem nol-os prodigou-o Dr. 
CARLOS CHAGAS. 



I . 



E a elle, os nossos agradecimentos não 
são obrigação de estilo, afirmamos leal e al- 
tivamente, mas expressão de sentimento 
muito profundo e sincero. Á sua benevolencia, 
devemos o ter acompanhado os trabalhos 
da Comissão Medica que dirijiu em Las- 
sance. 

Periodo de noss* existencia sempre lem- 
brado será esse, tão agradáveis as impres- 
sões que delle guardamos. 

Tivemos, com efeito, a ventura de en- 
contrar nos Drs. LEOCADIO CHAVES 
EURICO VILLELA e ASTROGILDO MA- 
CHADO, além de mestres proficuos, amigos 
cuja bondade e gentileza são inexqueciveis. 

Ao Prof. CELESTINO BOURROUL 
muito agradecemos as preparações que gen- 
tilmente nos ofereceu. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
— TOMO IX— 1917 — 



ESTAMPA 30 



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CASTRO SILVA del. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
— TOMO IX— 1917 — 



ESTAMPA 31 







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CASTRO SILVA del 



135 



Explicação das estampas. 

As figuras 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e8 são dezenhadas de 
cortes da espessura de 6,66 /", de material fixado pelo su- 
b limado-alcool, incluido em parafina, e corado pelo mé- 
todo da hematoxilina férrica de M. HEIDENHA1N. 

A figura 9 é dezenhada de um corte da espessura de 
10 H feito no microtomode conjelação (fixador - formol a 
10 o/ — método de coloração— hematoxilina férrica de M. 
HEIDENHAIN). 

Foram dezenhadas com camará clara, á altura da 
meza, sendo o comprimento do tubo do microscopio de 
15 cm., Obj. imersão homojenea 1/12, Oc. comp. 6 de 
ZEISS. 

As figuras 4 e 7 foram feitas com Ob. im. homoj. 
1/12 e Oc. 2 de ZEISS, á altura da meza, sendo o com- 
primento do tubo do microscopio de 16 cm. 

Estampa 30. 

Fig. 1. - Coração de P. (Obs. n. 22) cazo 
agudo da molestia de CHAGAS. 

Corte transversal de uma fibra muscular parazitada. 
Comparando-a ás fibras não parazitadas vizinhas, orien- 
tadas no mesmo sentido, tem-se uma ideia da distensão 
que o aglomerado de parazitos determina. A superfície 
media de uma fibra muscular parazitada mostrou-se igual 
a 97,98 fi 2 ; algumas tinham uma area igual a 162, 170 e 
182/t* 2 . A superficie média de uma fibra muscular não para- 
zitada, nos mesmos cortes, mostrou-se igual a 36,64 f< 2 . 

Nota-se a configuração variada das fibras musculares 
normais. A fibra muscular parazitada tem uma confor- 
mação que se aproxima sempre muito da cilindrica, 
sendo quazi sempre a de um cilindro-oval pouco alongado. 

Fig. 2. -Coração de A. (Obs. n. 8) cazo 
agudo da molestia de CHAGAS. 

A fibra muscular cardiaca seccionada transversalmen- 
te contem em seu protoplasma axial apenas 2 elementos 
aflajelados. 

Verifica-se o arranjo normal dos feixes fibrilares em 
camadas concêntricas sucessivas, tendo o campo de 
CONHEIM aspeto normal. 

Fig. 3.- Coração de A. (Obs. n. 2) cazo 
agudo da molestia de CHAGAS. 

Corte transversal da fibra muscular cardiaca parazi- 
tada, no qual se pôde verificar o "dezaparecimento do 
campo de CONHEIM". 

A porção axial da fibra muscular é ocupada por 16 
parazitos. 

Olhando a porção periférica de fibra muscular vê-se 
que os feixes fibrilares, tendo perdido completamente a 
dispozição em camadas concêntricas (campo de CO- 
NHEIM) acham-se todos imediatamente aplicados de en- 
contro ao sarcolema. 

Essa "dispozição marjinal dos feixes fibrilares" 
(individualmente conservados) é constatada em todas as 



fibras musculares parazitadas desde que a seção trans- 
versal não tenha apanhado a estrutura em rejião vizinha 
aos pontos extremos do aglomerado. 

O aspeto que mostra esta figura.bera como o que 
se vê na fibra muscular parazitada da Fig 1, reprezen- 
tam uma consequência da destruição das membranas Z 
de KRAUSE, efetuada pelo T. Cruzi em multiplicação 
ativa no interior do elemento parenquimatozo do mio- 
cardio. 

Fig. 4. -Coração de A. (Obs. n. 2) cazo 
agudo da molestia de CHAGAS. 

Corte lonjitudinal de fibras musculares cardiacas 
parazitadas, no qual também se pode examinar a estrutura 
das fibras musculares em zona que fica imediatamente 
acima e abaixo do aglomerado de parazitos. 

Constata-se que, cessado o aglomerado, a fibra mus- 
cular readquire sua morfolojia normal. O protoplasma 
contratil volta á estrutura que reveste na fibra sã ; ba 
perfeita integridade e correspondencia exata dos seg- 
mentos sucessivos (segmento Z, segmento J, segmento 
anizotropico Q, segmento J, segmento Z) de cada tnio- 
fibrila, no conjunto de feixes fibrilares. 

Fig. 5. - Coração de A. (Obs. n. 2) cazo 
agudo da molestia de CHAGAS. 

Corte lonjitudinal de fibra muscular cardiaca que 
sofreu a dejeneração ceroide. 

Fig. 6. -Coração de A. (Obs. n. 2) cazo 
agudo da molestia de CHAGAS. 

Corte lonjitudinal de fibras musculares cardiacas que 
sofreram a dejeneração ceroide (dispozição em forma 
de escada das massas homojeneas). 

Estampa 31. 

Fig. T.- Coração de P. (Obs. n. 22) cazo 
agudo da molestia de CHAGAS. 

Muitas fibras musculares sofreram, ao mesmo nivel, 
a dejeneração ceroide. É, ás vezes, impossível precizar 
quantas fibras musculares foram atiiij.Jas nesses pontos 
pela dejeneração. 

Esses focos de destruição do paremquima cardiaco 
eram prezentes, com muita frequência, em cortes do 
miocardio de P. (Obs. 22;, D. (Obs. 8) e A. (Obs. 2), 
cazos agudos da molestia de CHAGAS. 

Fig. 8. - Coração de A. (Obs. n. 2) cazo 
agudo da molestia de CHAGAS. 

Corte lonjitudinal de fibra muscular cardiaca na 
qual são prezentes alterações de sua porção fibrilar. 

Fig. 9.- Coração de D. (Obs. n. 8) cazo 
agudo da molestia de CHAGAS. 

Dejeneração granuloza da fibra muscular cardiaca. 



1) AMENOMIYA, R., 1910 



2) ANITSCHKOW, N., 1913 



3) ANITSCHKOW, N., 1913 



4) ANITSCHKOW, N., 1913 



5) ASCHOFF, L, 1911 

6) BALDWIN, F. A., 1904 

7) BANTI, G., 19U7 

8) BATTAOLIA, M., 1912 



9) BOYCOTT, A. E. and 1913 

PRICE JONES, C, 
10) BREINL, A., 1906 



II) BULLARD, H. HAYS., 1912 



12) BURGER, M., 


1911 


13) CHAGAS, C, 


1911 


14) CHAGAS, C, 


1916 


13) CHAGAS, C, 


1916 


16) CLAUDE, H. ct RE- 
NAUD, M., 


1907 



- - 136 — 
Literatura 

Ueber das Atrioventrikularbündel des Herzens bei 
Diphtérie, Virchow's Arch. Bd. 202, H. 1. 
p. 107. 

Ueber die Histogenèse der Myokardverãnderung bei 
einigen Intoxicationen, Virchow's Arch. 
Bd. 211, H. 2, p. 193. 

Zur Frage d. Verànd. d. Myokards bei Adrenalinver- 
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Pathological Report on the Histology of Sleeping Si- 
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Nova entidade mórbida do homem. Rezumo geral de 
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Processos patojenicos da tripanosomiase americana. 
Mem. Inst. Oswaldo Cruz. T. VIII. Fase. 
2. p. 37. 

Tripanosomiase americana. Forma aguda da doença. 
Mem. Inst. Oswaldo Cruz. T. VIII. Fase. 
2. p. 37. 

Remarques sur les lésions des tissus de quelques 
chiens infectés par le trypanosome de la 
dourine. Assoc, française p. l'avennernent 
d. sciences: |.c partie, p. 318, 2.c partie, 
p. 1069. 



137 



Ï7) DARLING, S. T., 



1912 



18) ENGELMANN TH. 1911 
W., Cit., HEIDENHAIM M. 

19) FIESSINGER, W. et 191? 
ROUDOWSKA, L., 

20) FLEISCHER, M., u. 1909 
LŒB, L, 

21) HE1DENHAIN, M., 1892 



22) HEIDENHA1N, M., 1911 



23) HEILHECKER, W., 1911 



24) LAVERAN, A. et 1912 
M ESN IL F., 

25) MAGNUS-ALSLE- 1910 
BEN, E., 

26) MASSAGLIA^ 1905 



27) MAYER, M u. da 1914 
ROCHA LIMA, H., 

28) MOLLA RD, J. et RE- 1897 
GAUD, CL, 

29) MOLLA RD, J. et RE- 1899 



30) MÕNCKEBERG, J. G. 1908 

31) MOTT, F. W. f 1906 



The Pathological Anatomy of Natural a. Experimental 
Murriña -a Trypanosoma! Disease of the 
Isthmus of Panama. Jour, of Med. Rese- 
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Plasma u. Zelle. G. Fischer. Jena, p. Ó23. 

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Ueb. experim. Myokarditis. Ztbl. f. allgem. Path. Bd. 
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Ueber Kern u. Protoplasma, 1892. Referate (Schiffer- 
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G. Fischer. Jena. 

Zur Pathologie des Hisschen Atrioventrikularbiiiidels 
bei dem Adams— Stokesschen Sympto- 
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f. Pathol. VIII, 2, cit. Thorel, Ch., Erg. 
d. allg. Path. u. Path. Anat. 1915 p. 412. 

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Masson, & Ce. pp. 155, 411, 446,527, 596 
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Zum Verhalten von Schizotrypaiwm Cruzi in Warm- 
bliitern u. Arthropoden, Arch. f. Sch. u. 
Tropenhyg., Beihefte Bd. 18, p. 257. 

Lésions du myocarde dans l'intoxication aiguë par la 
toxine diphtérique. Ann. d. l'Inst. Pasteur 
lime Année, n. 2, p. 97. 

Contribution a l'étude expérimentale des myocardites. 
Lésion chroniques du myocarde consécuti- 
ves a l'intoxication diphtérique. Journ. de 
Phys. et de Path. Gén. p. 1186. 

Untersuchungen über das Atrioventrikulatbündel im 
menschlichen Herzen, G. Fischer Jena. 

The Microscopic Changes in the Nervous System in a 
Case of Chronic Domine or Mal de 



138 



32) NOVAES, E., 


1916 


33) OPPEL, W. v., 


1901 


34) PETTIT, A., 


1912 


35) PRENANT, A., 


1911 



36) RAVENNA, E., 



1913 



37) RENAUT J. et MOL- 1904 



LARD, J., 
38) RIBBERT, H., 



1900 



39) ROCHA LIMA, H., 1912 

40) ROSENBACH, J., 1877 

41) FOUDSKY, D., 1911 



42) SCHIEFFERDE- 1904 

KER, P. 



43) SPIELMEYER, W. 1906 

44) SPIELMEYER, W. 1907 

45) TANAKA, T., 1912 



Coit, and Comparison of the Same with 
those Found in Sleeping Sckness. Proc. 
of the Royal Soc., S. B., v. 78, n. 522 
p. 1. 

La trypanosomiase brésilienne et son sapportavecle 
corps thyroide, R ev. Méd. de la Suisse 
Romande 36 ann. n. 9, p. 592. 

Ueber Verãnderungen des Myokards unter der Ein- 
wirkung von Fremdenkõrpern, Virchow's 
Arch. Bd. 164, p. 406. 

Transformation lymphoide au cours des trypanosomia- 
ses, Presse méd., n. 41, p. 436. 

Problèmes cytologiques généraux soulevés par l'étude 
des cellules musculaires. Journ. d. l'Anat 
et d. I. Phys. XLVII Année, n. 5-6, p. 
449. 

Lesioni endocardiche nella tripanosomiasi expérimen- 
tale, Arch. p. le Se. mediche, v. XXXVII, 
n. 10, p. 236. 

Le Myocarde. Revue gén. d'histol. Fase. 2, p. 142. 



Ueber Myokarderkrankungen bei Diphtérie Mitteil. a. 

d. Grenzgeb. d. Med. u. Chr., V. 

Cit. THOREL, Ch., Erg. d. allg. Path. u. 

Path. Anat. d. Menschen u. d. Tiere 1915 

p. 102. 
Ueb. d. Verh. d. Erregers, d. bras. Tryp. d. Menschen 

a. d. Geweben, Verh. d. D. Path. Ges., p. 

454. 
Ueber Myocarditis diphteritica, Virchow's Arch., Bd, 

70, p. 353. 
Lésions cellulaires produites chez la souris par le Tr. 

Lewîsi Kent renforcé, C. R. d. 1. Soc. ae 

Biol., 9, p. 901. 
Beit. z. Kennt. d. Myotonia congenita, der Tétanie m. 

myotonischen Symptomen, der Paralysis 

agitans u. einiger anderer Muskelkrankhei- 

ten, zur kennt. d. Aktivitáts -Hipertrophie 

u. d. norm. Muskelbaues. Deut. Zeits. f. 

Nervenheilk. Bd. 25, p. 1. 
Experimentelle tabes bei Hunden (7rypanosomen- 

Tabes). Münch. med. Wochenschr. n. 48 

p. 2338. 
Schlafkrankheit u. progressive Paralyse, Münch. med. 

Wochenschr.. n. 22, p. 1065. 
Ueb. d. Verand. d. Herzmusk. vorallem des Atrioven- 

trikularbundels bei Diphtérie; zuglcich ein 

Beitrag zur Fage d. Selbstándigkeit des 



139 . 

Bimdels. Virchow's Arch. Bd. 207, H. 1. 
p. 115. 

46) THOREL, CH., 1915 Path. d. Kreislauforgane d. Menschen. Erg. d. allg. 

Path. u. path. Anat. d. Menschen u. d. 
Tiere. Siebzehnter Jahrgang : II Abtei- 
lung, p. 90. 

47) VI ANN A O., 1911 Contribuição para o estudo da anatomia patolojica da 

Molestia de Carlos Chagas (Esquizo- 
tripanoze humana ou tireoidite parasitaria), 
Mem. Inst. Oswaldo Cruz. T. HI, Fas. 2. 
p. 275. 

48) YORKE, W., 1911 A Note on the Pathology of Lesions of the Cornea ft 

Skin in Animals Experimentally Infected 
with T. rhodcsiense. Ann. of trop. Med. & 
Paras., vol. 4, n. 4, p. 385. 



microplancton do Atlântico nas imediações de Mar del Piafa 

pelos 
Drs. ARISTIDES MARQUES DA CUNHA e O. DA FONSECA. 

(Com 2 figuras no texto.) 



O trabalho que ora publicamos é o resul- 
tado de pesquizas qualitativas feitas sobre 
material que fora confiado a um de nós pelo 
Professor Dr. ANGEL GALLARDO, director 
de Museu Nacional de Historia Natural de 
Buenos Aires; ao ilustre naturalista argenti- 
no agradecemos a oportunidade que nos ofe- 
receu de estudar assunto até agora ainda não 
pesquizado. 

As diversas amostras de plancton foram 
colhidas a bordo do navio "PATRIA", á dis- 
tancia variável entre 5 e 10 milhas da costa 
nas aguas fronteiras a Mar del Plata, mais 
ou menos a 38^ de latitude Sul e 57° e 30' 
de longitude, a este de Greenwich. Parte 
desse material incluía apenas animais macros- 
cópicos, copépodos, isopodos e chetognatas, 
cujo estudo não empreendemos; a maioria 
dele, entretanto, era constituida por micro- 
plancton em que, além de copépodos em fases 
diversas de desenvolvimento, de larvas Pluteus 
de echinodermas e de larvas de moluscos, en- 
contravam-se formas de diatomaceas, ptridi- 
neos, tintinideos e silicoflajelados; só os re- 
presentantes destes quatro últimos grupos 
fazem objeto do pre^e-ite trabalho. 



Conseguimos determinar 52 especies, das 
quais uma apenas consideramos nova; dessa 
especie unicamente, apresentaremos descrição 
e figura; a maioria das restantes já constituiu 
assunto de trabalho sobre o microplancton 
da baía do Rio de Janeiro, realizado, em co- 
laboração com um de nós, pelo Dr. j. GOMES 
DE FARIA; sobre esses planctontes já aqtn 
assinalados nenhuma outra indicação se torna 
necessária, constituindo informação suficiente 
a lista que abaixo apresentamos. 

I Zooplancton. 

Tintinnodea. 

\ — Tintinnopsis beroidea Stein, 1867. 

2-Tintinnopsis plataisis, n. sp. 

Descição - Carapaça cilindrica, estrei- 
tando-se bruscamente no inicio de seu terço 
posterior em que adquire perfil ojival; do 
vértice da ojiva parle um prolongamento 
caudal longo, afilado e mais ou menos acen- 
tuadamente curvo. Partículas esparsas de si- 
lica revestem os tres quartos anteriores, cor- 
respondentes á parte cilindrica e ojival da 
carapaça. A curvatura aparente do prolonga- 
mento caudal varia com a posição do animal, 



141 



ás vezes simulando ele ser completamente 
réto. 



â 









Dimensões- Comprimento total 250 /< ; 
comprimento do prolongamento raudal 60 fi; 
largura da parte cilindrica 45 /.i. 

Habitat- Atlântico Sul, imediações de 
Mar del Plata. 

II. Phytojilancton. 

Dinoflagellata. 

3-Dinophysis homun cuius Stein,, 1883. 
4-Dinophysis ovum Schuett, 1895. 
5-Glenodinium trochoidciim Stein, 1883. 
6-Diplopsalis lenticula Bergh, 1881. 
1 - Peridi nium conicum (Gran, 1900) 

Gran. 
8- Peridinium depressum^ Bailey, 1885. 
9 - Peridinium divergeas Êhrenberg, 1840. 
10 - Peridinium oceamcum Vanhoeffen, 
1897. 

var. oblongum Aurivillius. 



11- Peridinium obtusum (Karsten, 1906) 

Fauré - Fremiet. 

12- Peridinium pentagonum (Gran, 1900) 

Gran. 
Yh-Ceratium furca (Êhrenberg, 1859). 
U-Ceratium fusas (Êhrenberg, 1833) 

Dujardin. 
\5-Cerutium tripos (Mueller, 1781). 

Bacillarïophyta. 

\6-Paralia su/rata (Êhrenberg, 1837). 
Yl — Stephanopyxis appendicula Êhren- 
berg, 1854. 

18 - Skeletonema costatiim (Greville, 1866). 
\9-Lauderia glacialis Gruenow, 1884. 
20 - Leplocylindrus dánicas Cleve, 1889. 
21- Gui '/i ardia f incida Castracane, 1886. 

22 - Coscinodiscus excentricus Êhrenberg, 

1839. 

23 -Coscinodiscus radiatus Êhrenberg, 

1839. 

24 - Actinoptychus splendens (Êhrenberg, 

1844). 
25- Actinoptychus vulgaris Schumann. 

26 - Rhizosolcnia ala ta Brightwell, 1858. 

var. genuína Gran, 1911. 
var. indica Peragalio, 
1892. 

27 - Rkizosolenia calcar-avis Schultze, 185S. 

28 - Rhizosolenia robusta Normann, 1861. 

29 - Rhizosolenia schrubsolei Cleve, 1881. 

30 - Rhizosolcnia setigera Brightwell, 1858. 

31 - Bacteriastrum furcatum Schadb., 1854. 

32 -Chaetoceras contorctum Schuett, 188S. 
33- Chaetoceras curvisetum Cleve, 1889. 

34 - Chaetoceras didymum Êhrenberg, 1845. 

35 - Cht'ctoceras holsaticum Schuett, 1895. 

36 - Chaetoceras laciniosum Schuett, 1S94. 
37 -Chaetoceras pelagicum Cleve, 1873. 
38 -Chaetoceras schuetti Cleve, 1894. 

y) -Chaetoceras subtile Cleve, 1896. 
40- Chaetoceras weissfloepi Schuett, 1895. 
41 -- Hemiaulus sinensis Greville, 1865. 
42-Cerataulina bergonii Peragalio, 1890. 
43-Biddutphia favus (Êhrenberg, 1839> 

v. Heurck. 
\\- Biddulphia mobiliensis (Bailey, 1850) 

Gruenow. 



142 



45 - Biddulphia rhombus (Ehrenberg) W. 

Smith, 1844. 

46 Biddulphia sinensis G revi I le, 1866. 
tf - Beüerochea malleus (Brightwell, 1858). 
4S-Lithode$mium undulatum Ehrenberg, 

1840. 
A9-Ditylium brightwelli (West, 1860). 



50- Thallassiothrix nitzschloides Oruenow, 

1862. 
51 - Asterionella japónica Cleve, 1882. 

Silicoflagellata. 
52- Dictyocha fibula Ehrenberg, 1839. 



Estudos sobre tuberculose 

pelo 

Dr. A. FONTES 

Chefe de serviço do Instituto Oswaldo Cruz 
(Com a estampa 32.) 



Toxidez da tuberculina. 

Compreende-se que a tuberculina antiga 
seja toxica por ser um produto compIexo ? 
derivado do metabolismo bacteriano em um 
meio rico em albuminóides. 

Basta a desintegração da molécula albu- 
minóide, quando mais não seja senão como 
produto de sua autolyse, para que se reco- 
nheça a toxidez de um caldo de cultura. In- 
dependente disso, entretanto, a cultura de tu- 
berculose é o fator preponderante na toxidez 
da tuberculina, pois que, mesmo na ausencia 
de caldos de cultura, lidando-se somente 
com os produtos extraídos dos bacilos, pro- 
duzem-se as mesmas reações biolojicas que 
as obtidas com os caldos tuberculinicos, 

Donde deriva a ação toxica ? A química 
do bacilo é complexa. Ao lado de substan- 
cias de natureza albuminóide encontram-se 
no interior do corpo bacilar lipoides, ácidos 
graxos de gorduras neutras, ceras etc. Os tra- 
balhos de MUCH & LESCHKE mostram que 
a emulsão bacilar contem albumina, gordura 
(ácidos graxos, lipoides e gorduras neutras), 
veneno e substancia odorante. 



Hipersensibilidade na tuberculose 

Sabemos que com qualquer dessas 
substancias se pôde determinar uma reação 
de hipersensibilidade e, com algumas delas, 
se pode produzir o schock anafilatico que 
acarreta a morte do animal. 

WHITE & AVERY atribuem a uma to- 
xiproteina, obtida pelo método de VAUGHAN, 
a função toxica no veneno tuberculoso, pois 
que com ela conseguem determinar a anafi- 
laxia em cobaias e, em outro trabalho, WHITE 
nega mesmo aos lipoides bacilares qualquer 
propriedade hipersensibilisante. THIELE & 
EMBLETON, entretanto, concluem de sua 
experimentação que os fosfatides do bacilo 
da tuberculose podem provocar a formação 
de anticorpos (precipitinas, BORDET-GEN- 
GOU, anticorpos anafilaticos). Experimenta- 
ram estes autores com produtos isentos de 
albuminóides, o que verificavam pela reação 
da ninhidrina. 

Os próprios trabalhos de MUCH & 
LESCHKE mostram que: "a reação da tuber- 
culina não é uma reação uniforme, mas de- 
pende das diversas substancia que a compõem. 
Tanto as substancias albuminóides quanto 



144 



as substancias graxas, assim como as toxinas 
dissolvidas e voláteis do virus da tuberculose 
podem provocar uma reação de hiperensibi- 
lidade". 

Os trabalhos de THIELE & EMBLETON 
mostram ainda que os fosfatides do Bacilas 
ttibtrculi podem tornar cobaias hipersensíveis 
não só a essas mesmas substancias, como 
ainda ;ís proteínas do bacilo, com tima sin- 
tomatolojia idêntica á que ocorre com a ana- 
filaxia aguda, determinada pela proteína es- 
pecifica. A reciproca é também verdadeira. 
As cobaias sensibilisadas pela proteína ba- 
cilar reajem anafilaticamente aos fosfatides 
específicos. 

MUCH & LESCHKE pensam ainda que 
a reação tuberculinica varia de indivíduo para 
individuo. Em alguns casos ela é uma reação 
que se passa entre albumina e anti-albumina, 
em outros entre gordura e anti-gordura, em 
outros ainda entre toxina e anti-toxina. Além 
disso, em outros indivíduos, diversos desses 
componentes podem ajir simultaneamente, de 
modo que todos os casos possíveis de va- 
riação, por calculo, se podem apresentar.» 

Hipersensibilidade ou anafilaxia. 

As perturbações da vida somática no or- 
ganismo tuberculoso se afastam ainda das 
reações conhecidas geralmente e mais pro- 
priamente com o nome genérico de anafila- 
xia. 

O próprio FRIEDBEROER e seus cola- 
boradores (apud LESCHKE, op. cit,) mostram 
"que na hypersensibilidade á albumina, quan- 
tidades pequenas de albumina provocam febre 
na re-injeção e quantidades maiores acarretam 
a morte acompanhada de cólicas, queda de 
temperatura, desaparecimento do complemen- 
to e flatulência pulmonar. Na hipersensibili- 
dade á tuberculiua, pequenas quantidades de 
tuberculina produzem também febre (reação 
geral), ao passo que quantidades maiores 
causam a morte acompanhada de queda de 
temperatura. Faltam aqui, porém, a flatulên- 
cia pulmonar e o desaparecimento do com- 
plemento; além disso, a queda da tempera- 
tura não é tão aguda como na hipersensibi- 
lidade á albumina". 



Uma outra prova da diversidade desses 
estados se tira da observação de tratamento^ 
tuberculinicos mal dirijidos. Emquanto que 
pela ação de antijenos que se adicionam a 
toxojeninas formando apotoxinas (RICH ET); 
de sensibilisinas e sensibilinojeno (BESRE- 
DKA): de coagulinas e de lysinas (NICOL- 
LE): do grupamento toxico da albumina 
(VAUGHAM & WHEELER); da substancia 
peptoniferme (KRAUS & BIEDDL); do deriva- 
do alexico (DOERR), citados por BESREDKA; 
do anticorpo toxojenico (ALCANTARA 
GOMES) — pela ação de qualquer desses prin- 
cipios hipotéticos — st determina o schok ana- 
filatico, nos individuos tratados pela tubercu- 
lina, as manifestações de um emprego intem- 
pestivo se traduzem pelas reações de foco 
s em os fenómenos determinantes da morte 
brusca. 

Poderia essa diferença correr por conta 
da velocidade da reação, como BESREDKA, 
acredita se dar na pratica da imunisação 
anti-anafilatica. 

Pelo exposto se vê, pois, que na infeção 
tuberculosa se manifesta um estado especial 
de hipersensibilidade aos venenos do virus 
que não é idêntico aos estados conhecidos cm 
biolojia pela designação de anafilaticos e 
para cuja explicação as teorias propostas não 
fornecem ra/ões que satisfaçam de modo 
cabal. 

Hipersensibilidade, fenómeno da reação 
celular autónoma e individual. 

Creio poder presumir que esse estado 
de hipersensibilidade é a expressão de uma 
modalidade reacionaria, inteiramente especial 
á célula sensibilizada que reaje individualmen- 
te e de modo autónomo. A seguinte obser- 
vação parece isso demonstrar. 

Na clinica hospitar do Exmo. Snr. Prof. 
REGO LOPES apresentou-se um doente com 
uma lesão tuberculosa ocular, cujo diagnosti- 
co clinico fora confirmado por uma cuti- 
reação positiva (v. P1RQUET). Após ter ces- 
sado o periodo reacionario foi instituido o 
tratamento tuberculiuico, em cujo decurso se 
manifestou intensa reação, traduzida por um 
psoriasis do antebraço onde dous mezes antes 



145 



se havia praticado a reação diagnostica, e 
pela revivecencia da reação especifica. 

Da intensidade da reação havida a figu- 
ra junta dá poderoso testemunho. Assim o 
organismo tuberculoso, não obstante ser loca- 
lizada a infeção, reajiu primeiramente pela 
£uti-reação;a tuberculinização do paciente de- 
terminou uma hipersensibilidade das células 
que anteriormente haviam reajido e cuja 
reação cessara dous mezes antes, permitindo 
uma realivação da modalidade reacionaria, 
que se mostrou então mais intensa que da 
primeira vez, e o aparecimento duma lesão 
nova (psoriasis). 

A diferença reacionaria nesse ante-braço 
por elementos celulares da mesma natureza, 
solicitados pelo mesmo principio toxico, não 
encontra explicação fácil e mostra que células 
do mesmo tecido, no mesmo individuo, solici- 
tadas pelo mesmo toxico, podem agir de modo 
autónomo, individualmente e diversamente. 

Atenuação ou destruição dos venenos 
hipersensibilisantes ? 
Tuberculinoterapia ou soroterapia antitu- 
berculosa ? 
Imunidade antituberculinica. 

De ha muito vêem os investigadores se 
preocupando com a possibilidade de destruir 
ou atenuar o poder hipersenslbilisante dos 
venenos tuberculinicos. As investigações ten- 
dentes á obtenção de soros nitidamente anti- 
toxicos, pelas dificuldades do seu preparo, 
pela inconstancia de sua produção e pela di- 
verjencia dos resultados obtidos em mãos de 
experimentadores competentes, mostram não 
ser essa a via promissora, pelo menos no mo- 
mento atual, para a terapêutica especifica. 

E' verdade já adquirida que os fenóme- 
nos de imunidade artificial em tuberculose 
existem de fato, mas são eles de tal sorte 
inconstantes e de tão difícil obtenção que na 
pratica corrente, tudo faz crer serem de valor 
pouco seguro. * 

Entretanto o mesmo não se pode afirmar 
de modo tão categórico em relação a imuni- 
sação ativa anti-tuberculinlca do organismo 
tuberculoso. 



A tuberculinoterapia sem ser a solução 
ideal, pelo menos como os clínicos querem 
compreender o problema terapêutico, espe- 
rando desse método ação rápida, eficaz e 
permanente, satisfaz conitudo as duas ultimas 
condições, não podendo satisfazer á primeira, 
pela propria natureza do seu efeito, determi- 
nante duma imunisação ativa, de resultado 
tardio consequente ás reações orgânicas. E' pois 
esse método e de acordo com os fatos que 
regulam os processos biolojícos da cura, o 
que mais vantajens oferece na pratica terapêu- 
tica. 

Para isso bem compreender é preciso 
que partamos do princípio verdadeiro que a 
tuberculose é uma infeção de marcha crónica, 
que, ás mais das vezes, permite ao organis- 
mo lutar vantajosamente contra a toxiernia. 
A tuberculinoterapia tem pois por escopo 
principal determinar um estado de imunidade 
relativa do organismo tuberculisado aos ve- 
nenos bacilares, oriundos dos focos de infe- 
ção. Os elementos nobres do organismo 
ficam insensíveis a eles de tal sorte que pode 
assim ser atinjido o acmé da defeza orgâni- 
ca com a expulsão ou enquistamento do 
foco tuberculoso. A imunisação tuberculinica 
oferece, porém, o perigo de hipersensibiliza- 
ção do paciente quando seu emprego é in- 
tempestivo, ou, mesmo em casos especiais, 
por motivos ainda desconhecidos, mas que 
estão intimamente ligados ás propriedades 
dos venenos ditos anafilatisantes. 

Daí as investigações tendentes á neutra- 
lização ou destruição desses tóxicos. LOE- 
WENSTEIN e PIRQUETforain os primeiros 
que observaram a desintoxicação da tubercu- 
lina pela adição de soro de indivíduos tuber- 
culosos, reconhecendo assim a existencia de 
anticorpos. Esses autores pensam que a neu- 
tralização só é possível com soro de indiví- 
duos tuberculosos. 

WHITE & GRAHAM verificam comtu- 
do que a nentralisação se dá também com 
o soro de individuos normais que mostra entre- 
tanto capacidade de neutralisação menor que 
o dos indivíduos tuberculosos. Nestes soros, 
comtudo, também se pode notar a ausencia 
de corpos neutralizantes. 



146 



As ideas de LOEWENSTEIN e PIRQUET 

foram corroboradas pelos trabalhos de outros 
autor: s, entre os quais pelos de ALBAHARY, 
que, estudando as toxalbutninas da tubercu- 
lina observou que estas sofrem uma alteração 
de sua ação fisiolojica em presença de soro 
sanguíneo. Uma serie de ensaios mostrou- 
Ihe que o soro sanguíneo influe sobre a tu- 
berculiza de tal maneira que esta ultima 
perdia tanto mais de sua força reativa sobre 
animais infetados com tuberculose, quanto 
mais tempo ele deixava dijerir a mistura de 
tuberculina e soro sanguíneo (em condições 
asépticas).- Desse fato ele concluiu que o 
soro sanguíneo continha determinadas subs- 
tancias que possuiam ação neutralisante sobre 
as toxalbumínas da tuberculina. 

Em seus primeiros ensaios empregou a 
tuberculina de Koch misturada com a mesma 
quantidade de soro sanguíneo centrifugado, 
posta a mistura a dijerir durante 3 a 4 dias 
em lugar escuro e quente (20°). Para exami- 
nar a sua toxidez todos os 3 dias fazia uma 
injeção de 1 cc. desta mistura em 3 cobaias. 
A mesma experimentação ele repetiu substi- 
tuindo o soro de sangue de animal são pelo 
soro de sangue de animais tuberculosos e 
constatou resultados quasi iguais, que lhe 
permitiram concluir que tanto a mistura de 
tnberculina e soro de animal são como a de 
tuberculina e soro de animal tuberculoso não 
provocam efeito notável em animais sãos, 
apenas pareceu-lhe que as cobaias que rece- 
beram tuberculina e soro tuberculoso sofriam 
mais no principio que os outros e mostravam 
menos apetite. 

Algum tempo depois o autor repetiu 
esses ensaios (1907-1910, op. cit.) e verifi- 
cou que os animais tuberculosos inoculados 
com tuberculina e soro normal morreram da 
ínfeção nos 2 a 8 mezes que se seguiam, ao 
passo que do grupo tratado com tuberculina 
e soro tuberculoso um animal morreu depois 
de 6 mezes e os dois outros ainda viviam 
um ano mais tarde. Por autopsia esses ani- 
mais mostravam um notável hipertrofia gan- 
glionar, parecendo comtudo os pulmões e fi- 
jado normais. 



Estes resultados fizeram-n'o suspeitar 
duma ação imunisante da mistura de tuber- 
culina e soro tuberculoso e, em seguida, co- 
meçou a fazer ensaios sistemáticos com este 
preparado a que ele denominou "tuberculina 
sensibilizada". No correr de novos ensaios 
chegou o autor á convição que a tuberculina 
sensibilizada, quando inoculada na cobaia e.m 
pequenas quantidades, durante 2-3 semanas, 
pode atrazar a infeção tuberculosa ; se, porém, 
forem esses animais sujeitos durante 2-3 
mezes á ação dessa vacina em injeções regu- 
lares de pequenas doses da mistura a 10 °/o, 
podem eles chegar a uma imunidade muito 
considerável. Assim, pensa o autor que "a 
tuberculina sensibilizada, se ela é o antijeno 
da tuberculose, deve, quando inoculada em 
animais sensíveis, neles provocar sintomas 
desta molestia, de acordo com a lei fisiolojica 
universal, conforme a qual uma imunidade 
ativa só pode ser obtida depois de realizadas 
manifestações patolojicas". 

Para isso verificar cm colaboração com o 
Snr. J. E. DUMONT, injetou 2 cc. de tuber- 
culina sensibilizada no pescoço dum touro de 
630 quilos, que não reajira á tuberculina pura 
e que pelo exame veterinario se mostrara 
completamente são. A temperatura media do 
animal que orçara entre 38,3 e 38,4, se elevou 
depois de 10 horas a 38°,9 e permaneceu 
assim durante 12 hora3 mais ou menos. O 
animal, apezar de conservar o apetite, mos- 
trara-se com o pêlo erriçado e os olhos turvos. 
No dia seguinte a temperatura caiu a 38,1, 
e o animal parecia de novo normal. Uma se- 
gunda injeção duma dose um pouco mais 
forte não produziu efeito especial; na terceira 
injeção, porém, realizada 48 horas depois, a 
temperatura de novo subiu 0,9, para baixar 
depois de 10 horas a 37,9; durante este tempo 
o touro dá a impressão dum animal infeta- 
tlo; conjestão pulmonar com tosse, respiração 
acelerada, falta de apetite (as fezes eram to- 
davia normais), manifestaç9cs e«sas que 
depois de 18 horas retrocederam. O animal 
foi abatido e por autopsia se reconheceu que 
todos os órgãos estavam normais. 

Acreditando, portanto, que a tuberculina 
sensibilizada seja realmente o antijeno da 



147 



tuberculose, o autor examinou em seguida 
sua ação sobre animais ¡níetados e simulta- 
neamente, em colaboração com o Dr. VAS- 
SAL, sujeitou um tuberculoso em segundo 
periodo com larinjite aguda, a um processo 
de auto-vacinação, se utilizando de tubercu- 
lina Beraneck e serosidade obtida por ação 
de vesicatorio. 

Conjuntamente administrava extratos glan- 
dulares anti-toxicos. Os resultados foram 
concludentes, nesse e em dois outros casos, 
em quanto que em cobaias tuberculosas não 
obteve resultado, o que pensa ter sido devi- 
do a ter empregado apenas a tuberculina 
sensibilizada por soro humano, portanto tu- 
berculina sensibilizada heterojenea. Assim, 
termina o autor o seu artigo, pensando poder 
admitir que "a tuberculina sensibilizada por 
soro de individuos tuberculosos, possue uma 
ação imunisante, mas que para a cura da tu- 
berculose é necessária tuberculina sensibiliza- 
da por soro individual". 

Entre nós, ALCANTARA GOMES de- 
fende e desenvolve teorias baseadas em ex- 
periencias análogas a essas, propondo um 
método terapêutico, por ele denominado "ti- 
siovacina'-. 

SPENGLER atribue aos seus "Immuen- 
koerper" (I. K.) propriedades especiais ba- 
seadas na existencia de tuberculo-precipitina 
encerrada, segundo o seu pensar, em hema- 
tías. Enorme copia de trabalhos demonstra 
contudo, senão a ineficacia, pelo menos a 
grarde inconstancia desse processo. 

Entre os autores italianos BRUSCHET- 
T1NI tenta resolver o problema terapêutico 
apresentando sua vacina sensibilizada (sôro- 
vacina), BERTARELLI & DALTA constatam 
que os coelhos são susceptíveis de adquirirem 
uma imunidade á tuberculina, cujas injeções 
conferem ao soro desses animais proprieda- 
des antitoxicas, capazes de fazerem desapa- 
recer a reação febril que a tuberculina pro- 
voca em cobaias tuberculosas. 

Essas opiniões são corroboradas pela ge- 
neralidade dos autores que se têm ocupado 
do assunto e, seria demais fastidioso conti- 
nuarmos as citações nesse sentido. Colije-se 
pois, do que acima ficou exposto que: 



A tuberculina pôde determinar por ino- 
culações repetidas em animais sensíveis, sãos ou 
tuberculosos, um estado de imunidade RELA- 
TIVA, que se traduz pela existencia no soro 
desses animais de substancias que se opõem á 
sua função hipersensibilisante. 

Natureza química daí substancias neu- 
tral iza d o ras. 

Qual será então a natureza química dessas 
substancias neutralizadoras ? 

Resulta da observação de todos quantos 
se têm ocupado do assunto que a adição de 
substancias especiais denominadas lipoides 
aos venenos dos vírus em geral, e, em deter- 
minadas condições, aos do virus da tubercu- 
lose, atenua as reações de hipersensibilidade 
por eles produzidas, ou mesmo afastam-n'as, 
de modo a não serem percebidas. 

As primeiras experimentações feitas por 
WASSERMANN e TAKAKI, referidas por 
BANO com a toxina tetânica e emulsão 
de cerebro e medula, permitiram a esses su- 
tores concluir que a neutralisação da toxina 
se dá pela sua ligação á cerebrona, constituin- 
do um complexo atóxico. Constatou ainda 
TAKAKI que os imuni-sôros mostram uma 
maior percentajem em lipoides do que soros 
normais. 

Em relação á fixação do complemento, 
não obstante não ser esta reação das mais 
sensíveis para a verificação da infeção, nota- 
se contudo uma certa dependencia entre os 
lipoides no soro do sangue experimentado 
e o antijeno usado. 

Os anti-rorpos graxos estudados por 
MUCH (apud LOESCHKE op. cit.) mostram 
a possibilidade da obtenção de anti-corpos 
específicos ás substancias graxas que se 
formam com mais segurança nos organismos 
infetados que nos organismos sãos. Mesmo 
in vitro, pode ser verificada a influencia de 
substancias ricas em lipoides, como o oleo de 
figado de bacalhau, sobre o fenómeno da fi- 
xação do complemento. E' o que se deduz 
da experimentação que fizemos, transcrita nas 
tabelas I e IL 



148 



Empregávamos como antigeno a tuberculi- 
za T. O. A. (caldo de cultura do bacilo hu- 
mano, filtrado em vela de porcelana). 



lecitina em mistura com tuberculina antiga 
que deixava permanecer em contato durante 
muitas horas em estufa. Utilizando depois 



TABKLA I 

Serie feita com emulsão de oleo posta em contacto com a tuberculina no 

momento de se proceder á reação. 

O veiculo usado foi sempre agua tisiolojica a 9 o/ 00 . 



Tulx-rcullna 
T. 0. A. 


Oleo de fígado 

de bacalhau 
EmOlsab a 1» ■'« 


Complemento 


Boro hemolíti- 
co 1/2 00 


Emulsão de 
glóbulos a 5 o/o 


Agua fibiulo- 
jica 


Resultados 


0,2 
0.1 
0,2 
0,1 
0,4 

0,4 


0,2 
0,2 
0,1 
0,1 

0,4 

0,4 


1 cc. 

1 CC. 
1 CC. 
1 CC. 
1 CC. 
1 CC. 


1 CC. 
1 CC. 
1 CC 
1 CC. 
1 CC. 
1 CC. 


1 CC. 
1 CC. 
1 CC. 
1 CC. 
1 CC. 
1 CC. 
1 CC. 
1 CC. 


0,1 
0,1 
0,2 


Hemolise após meia hon; 

( « c « 

Hemolise rápida 
Não houve hemolise 



TABELA II 



Serie feita cor.i tuberculina saturada por oleo de figado de bacalhau, tendo 
o oleo permanecido em contato com a tuberculina cerca de 24 horas 
a 37o c. 



Tuberculina 
■ aturada 


Tuberculins 

pura 


Agua satura- 
da de oleo 


Complemento 


-ôro hemolí- 
tico 


Glóbulos 


Agua fisiolo- 
jica 


r.i^ultados 


0,1 


-- 





1 CC. 


1 CC. 


1 CC. 


0,3 


Fixação parcial 


0,2 


-- 


-- 


1 CC. 


1 CC. 


1 CC 


0,1 


Fixação forte 


0,4 


-- 


-- 


1 CC. 


1 CC. 


1 CC. 


--■ 


c 


-- 


0,2 


-- 


1 CC. 


1 CC 


1 CC 


0,2 


Hemolise 


-- 




0,2 


1 CC. 


1 CC 


1 CC. 


0,2 


« 



A experimentação exposta parece indicar 
haver necessidade de contato mais prolonga- 
do entre o oleo (provavelmente entre os 
lipoides do oleo) e a tuberc.-lina para que 
a fixação do complemento se dê. 

No tocante aos venenos tuberculinicos 
BEYER constatou, de acordo com as ideas 
de CALMETTE (cit. por BEYER) que a le- 
citina tinha a propriedade de evitar a reação 
tuberculinica em individuos tuberculosos. Para 
esse fim empregou BEYER uma emulsão de 



1 essa mistura por via cutanea, hipodermica ou 
i conjuntival, os resultados foram incertos. 

LEMOINE e GERARD estudam a ação 
antitoxica e anti-bacilar dos lipoides em tra- 
balhos confirmados posteriormente por ISCO- 
VESSO, CHAUFFARD e GRIOAULT, EHR- 
LICH, FERMI, PRIBRAM, RAUBITSCHECK 
(cit. por LEMOINE) um d'elles verifica 
(LEMOINE) que os lipoides biliares neutra- 
lisavam a tuberculina a ponto de impedir os 
fenómenos de óculo ou de cuti-reacão de se 



149 



produzirem em quasi a totalidade dos casos, 
porém não em todos. 

Repetindo esses estudos entre nós cons- 
tatámos que não só a lecitina como a coles- 
terina exercem ação antitoxica em relação á 
tuberculina; ou digamos melhor, exercem ação 
impediente á reação tuberculinica. 

Os mesmos resultados foram obtidos sa- 
turando a tuberlina com gema de ovo ou 
com oleo de figado de bacalhau e com 
bile. A experiencias procedidas cem a tuber- 
culina que assim preparámos foram feitas 
no Hospital de S. Sebastião pelo Exmos 
Snrs. Drs. JULIO MONTEIRO e PIRES 
SALGADO, na Polyclinica do Rio de Janeiro- 
pelo Exmo. Snr. Dr. DIONISIO CERQUEI, 
RA, DD. Chefe de Laboratorio do Serviço do 
Exmo. Snr. Prof. ALOYSIO DE CASTRO 
e na clinica civil pelo Exmo. Snr. Dr. PAULA 
BUARQUE, clinico em Petrópolis. A técnica 
seguida consistiu em empregar no mesmo 
individuo em um dos antebraços a tuberculi- 
na tratada pelas substancias acima referidas 
e em outro antebraço a tuberculina teste- 
munha. Só se uíilisava como tuberculina tes- 
temunha a que era preparada com a mesma 
cultura que servira para ser obtida a tuber- 
culina saturada pelos lipoides. 

Os resultados foram concordes na expe- 
rimentação: a tuberculina saturada por lipoides 
não determinava reação ou esta era fugaz em- 
quanto que as reações testemunhas foram 
sempre nitidas. 

As series experimentaes feitas em grande 
numero de cobaias não nos permitiram con- 
clusões seguras, pela inconsí?ncia dos resul- 
tados. 

Natureza da ligação tuberculina- lipoi- 
des. 

Pelo exposto se vê que, por qualquer 
principio, fisico ou químico, se dá a ligação 
e provável neutralização, ou impedimento de 
acção, dos venenos do virus por influencia 
diíeta exercida pelas substancias lipoides 
(principalmente colesterina e lecitina). Será 
essa ligação de natureza química, ou comi. 
nos parece mais provável, representará ela 
um fenómeno de adsorpção ? 



A diversidade da constituição quimica 
entre a colesterina (alcool) e a lecitina (fos- 
fatide) fala em favor da segunda hipótese; 
comtudo, quer em um quer em outro caso, 
não ha verdadeiramente neutralisação, no sen- 
tido químico (acido contra base), nem tão 
pouco destruição do poder hipersensibilisante 
daqueles tóxicos. A ligação (fosfatide-tuber- 
culina ou alcool-tubercuiina) se mostra frouxa, 
em certos casos dissociavel, permitindo sua 
inoculação que os fenómenos de hipersensi- 
bilidade se possam manifestar. 

Algumas vezes mesmo parece haver um 
aumento do poder toxico não obstante se 
verificar a fixação dos venenos com substan- 
cias ricas em lipoides, como sucedeu com a 
substancia nervosa em mãos de QUILLA1N, 
e LAROCHE. A explicação desses fatos an- 
tagónicos é entretanto, razoável, desde que 
nos lembremos ser uma propriedade dos 
lipoides agirem eles como ativadores de lisinas 
e de venenos. 

Resulta porém de nossa observação que 
a tuberculina tratada em determinadas con- 
dições pela lecitina e pela colesterina, pelos li- 
poides da bile, e pelos lipoides e outros princi- 
pios mal definidos do oleo de figado de baca- 
lhau se mostra com suas propriedades hiper- 
sensibUisantes atenuadas, de modo a poder ser 
empregada cm serie terapêutica sem receio de 
fenómenos reacionais prejudiciais, conservando 
entretanto propriedades imunisantes e curati- 
vas. 

Decorre essa afirmação do fato de termos, 
por mais de um ano, empregado tuberculina 
assim preparada, com fins terapêuticos, em 
casos de contra-indicação segura (formas 
conjestivas, febris, de lesões pulmonares ex- 
tensas) sem motivo de arrependimento e 
j antes sim nos louvando de seu emprego, 
pelas melhoras obtidas pelos pacientes. 

A tuberculina assim preparada, se apro- 
¡ xima por suas propriedades da E. B. K., pois 
1 que pela técnica segnida, se prodnz a desa- 
gregação dos corpos bacilares, a destruição 
da carapaça dos bacilos com a consequente 
i libertação de endotoxinas e de granulações 
I mais ou menos alteradas em sua forma. A 
j sua reabsorpção por via hiperdemica é perfeita. 



150 



Ação direta dos lipoides sobre os ba- 
cilos. 

Ação não menos interessante é a exer- 
cida pelos lipoides diretamente sobre os 
corpos bacilares, atacando sua carapaça cérea 
e desagregando as granulações. 

Em 1909 tivemos a oportunigade de ve- 
rificar a existencia, de isolar e de estudar um 
principio encontrado no pus de natureza tii- 
bercutosa que ajindo torno fermento dissolvia 
os bacilos, libertando as granulações. Contem- 
poraneamente observações idénticas eram 
feitas por FIESSINGER e BERQEL que 
assim confirmavam a nossa experimentação. 
Essa mesma ação pode ser exercida por li- 
poides isoladamente (colesterina, lecitina), ou 
em misturas complexas como na bile e no 
oleo de figado de bacalhau. 

A quimica complexa deste ultimo corpo 
não permite ainda, que de modo seguro se 
possa atribuir a qualquer dos seus constitu- 
antes a ação desintegrante por ele exercida 
sobre os corpos bacilares. Parece entretanto 
ser essa propriedade devida a varios de seus 
constituintes, taes como o colesterol e dife- 
rentes ácidos graxos não saturados, sob a 
fornia de esteres, como verificaram MILLER 
e MILDRED POWELL (cit. por MILLER) e 
OWEN-W1LLANS e FORSYTH estudando 
a ação do oleo de balea e do oleo de figado 
de bacalhau s^bre culturas e emulsões de 
bacilos de tuberculose. 

Como explicar a ação atenuadora dos 
lipoides sobre as toxinas. 

Como entretanto poderá ser explicada a 
ação atenuadora dos lipoides sobre as toxi- 
nas e endotoxinas bacilares? É fato fora de 
duvida que a reação hipersensibilisante éuma 
rcação originariamente celular. 

Compreende-se, pois, haver necessidade 
de incorporação do toxico á intimidade dos 
constituintes da célula para que a reação se 
produza. Quer a consideremos como produto 
de ação diastasica, olhada sob o ponto de 
vista estrictamente químico (desdobramento 
e hidrolise até redução a compostos menos 
complexos) quer a reconheçamos como de- 



rivante de atos bio-fisicos (coloides eletricos) 
o que é verdade adquirida é que as subs- 
tancias lipoides exercem ação preponderante 
no quimismo vital, se acreditando mesmo 
(IVAR BANO op. cit.), ser seu papel muito 
mais importante que o exercido pelos albu- 
minóides. Ainda mais, tudo faz crer que as 
ligações entre os corpos estruturais da uni- 
dade viva sejam tão estreitas que não se 
possa compreender a organisação plasmáti- 
ca e nuclear da célula como resultado de 
elementos heterojenos e sim como complexo 
onde esses corpos existam unidos por afini- 
dades intimas. As lecito-albuminas já deixam 
isto entrever. Sem que se tenha podido, até 
hoje, dar uma demonstração cabal, observa- 
ções diversas tendem a provar a veracidade 
dessa hipótese. Sabe-se com efeito, não ser 
possivel a verificação direta microquimica e 
indiretamente se conhece grandes correlações 
entre os lipoides e os fermentos, cuja ação 
sinerjica se confunde. 

Isso verificou LAPIDUS (cit. por BANG) 
estudando o estado da diastase do soro de 
sangue, antes e depois de ajitar o soro com 
éter, constatando uma diminuição do poder 
diastasico após o tratamento pelo éter. E' 
que provavelmente, o éter retirava uma subs- 
tancia ativante. A adição de leticina ativou 
novamente este soro emquanto que junta ao 
soro ar.terioi mente determinava um impe- 
dimento. Por isso admite BANO, (op. cit.) 
que os lipoides do soro podem influir sobre 
o processo diastasico de modo sensível e que 
até mesmo o governam. 

Relativamente á constituição anatómica 
celular os lipoides ocupam o primeiro lugar 
determinando a nutrição da unidade viva; 
na estrutura da membrana, coordenando os 
fenómenos de osmose, na intimidade do plasma 
e da substancia nuclear, presidindo aos atos 
fermentativos de nutrição e de oxydação 
(respiração celular). 

Conclusões. 

Resumo. 

Assim em resumo pensamos que a hi- 
persensibilidade na infeção tuberculosa é a 



151 



expressão duma reação celular, autónoma e 
individual, consequente á agressão brusca e 
á destruição (dijestão) incompleta dos tóxicos 
bacilares (proteínas, globulinas e lipoides), 
em combinação íntima ou isoladamente ; a 
adição aos tóxicos bacilares de lipoides di- 
versos (cholesterina, lecitina, esters^ e princí- 
pios mal definidos existentes no oleo de fí- 
gado de bacalhau, atenua a sna função hí- 
persensibilisante porque torna esses tóxicos 
mais facilmente incorporáveis á célula sensí- 
vel por adsorpção da substancia toxica ao 
lipoide. Esses corpos penetram assim no in- 



terior das células levando comsigo atiradores 
dos processos enzimáticos que não sõ favo- 
recem nma elaboração dijestiva mais perfeita 
como ainda unia meljf0r produção de anti- 
corpos. O aparecimento de pequenas moda- 
lidades reacionarias no decurso duma im- 
munisação ativa contra qs ímtljenos satura- 
dos por lipoides mostra a necessidade dum 
processo de desintegração para que a função 
toxica se manifeste. 



Dezembro 1917. 



152 



ALBAHARY, J. M. 

I3ANG, IVAR 
BERG EL 



1911 
1909 



BERTARELLI&DA1TA 1910 
BESREDKA 1917 

BEYER 1910 



BRUSCHETTINl 1912 

FIESS1NGER, NOEL & 1909 

MARIE, PIERRE 

FONTES, A. C. 1909 

GOMES, ALCANTARA 1914 

LAROCHE 1910 



LEMOINE 



LESCHKE, ERICH 



LOEWENSTEIN 1910 

MILDRED POWELL 1913 

MILLER, A. H. 1916 

OWEN WILLIAMS & 1909 

FORSYTH 

PICKERT 1909 

SPENGLER 1909 

TH1ELE&FMBLETON 1915 

WHITE, BENJAMIN 1914 



ESiljliogr-afia 

1914 Ueb. einen Tuberkuloseimpfstoff. Muench. med. Wc- 

chens:dr. Jnni, p. 1385. 
Oiemie und Biochemie der Lipoide. 
Fettspaltendes Ferment in den Lymphozyten Muecnh. med. 

Wochenschr. Jahrg. 56 No 2. 
Experimented Untersuchungen ueb. Antituberculin. 
Centralbl. f. Bakt. Orig. Bd. 58. Hft. 2. 
Théorie de l'anaphylaxie. 
Bull. Inst. Pasteur. T. 15 N« 14. 
Ueb. Beziehungen des Lecithins zum TuberkelbazHIus und, 

desses Produkten. 
Centralbl. Bakt. Orig. Bd. 56 Hft. 2 p. i60. 
Communicação ao Congresso de Roma Abril de 1912. 
La lipase des leucocytes dans les exsudais. 
C. R. Soc. Biologie T. 68 No 26. 
Estudos sobre a tubercuios?. 
Mem. Inst. Oswaldo Cruz, Vol. 1. 
These inaugural - Dezembro. 

Fixation de la tuberculine par la substance nerveuse. 
C. R. Soc. Biologie p. 220. 
Des résultats éloignés obtenus dans la tuberculose par l'action 

thérapeutique des lipoides biliaires. 
Bull. & Mem. Soc. med. Hop. Paris Ser. 3, T. 32 p. 638. 
Tuberkuloescimmunitat und Immuntherapie, c. in Internat. 

Centralbl. f. d. ges. Tnberkulose Forschung. 
1 Jahrg. 6. p. 499 & 563. 
Ueb. Antikoerper bei Tuberkulose. 
Zeits. f. Tuberkulose Bd. 15. 

Influence of unsaturadted fatty acids on the tubercle Bacillus. 
Liverpool med.-cir. Journ. Vol. 33 p. 213 cit. por MILLER. 
Reactions of tubercle bacillus io sperm-oil. 
Jouru. of Pathology & Bact. Vol. 20 No 4. 
The influence of the unsaturatep fatty acids in tuberculosis. 
Brit. med. Journ. Vol. 2 p. 1120. 
Ueb. das gesetzmaessig Auftreten vonTu u erkuh'nnntikoerpern 

in Laufe der spezifischen Behandlung u. seine 

Bedeuting f. die Thérapie. 
Dent. med. Wochenschr. S. 1514 (cit. por LESCHKE). 
Ueber I. K. Behandlung. 
Deut. med. Wochenschr. 
Lipoids in immunity (II). 
Journ. of. Pathol, x Bact. Vol. 19 No 3 p. 349. 
Some experiments in anaphylaxis with the lipoids of the 

tubercle Bacillus. 
Journ. of. med. Research. Vol. 30. 



19L 



1912 



153 

WHITE, BENJAMIN & 1912 The action of certain products obtaines from the tubercle 
AVERY, OSWALD Bacillus. 

Journ. of. med. Research. Vol. 26. 
WHITE & ORAHAM 1909 Studies in the action of sera on tuberculin cutaneous reac- 
tion. 
Journ. of. med. Research Vol. 21. 



154 



Explicação da estampa 32. 

Pig. 1 - Reaparecimento da reacio tuherculi- 
nica (V. Pirquet) dous mezes 
depois da reação diagnostica ter 
ceasado. Esta reação reapareceu 



no decurso do tratamento tuber- 
culinico do paciente em seguida 
a uma fa/e reacionaria. 
Flg. 2 e 3-LesOes psorisiacas que se apre- 
sentaram no curso da reação 
havida. 



MEMORIAS DO INSTITUTO OSWALDO CRUZ 
TOMO IX— 1917 



ESTAMPA 32 







Ano 1917 



INSTITUTO USWALM 



■maMMdKitU 



100135994