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Full text of "Methodo pratico para fallar a lingua da Lunda contendo narrações historicas dos diversos povos"

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METHODO PRATICO 



PABÁ FALLAB 



A língua da ltjnda 




EXPEDIÇÃO PORTUGUEZÂ AO MUATIÂNVUA 



METHODO PEATICO 



PARA FALLAR 



A LIMUA DA LUNDA 



CONTEHDO 



NARRAÇÕES HISTÓRICAS DOS DIVERSOS POVOS 

PELO 

CHEFE DA EXPEDIÇÃO 

HENRIQUE AUGUSTO DIAS DE CARVALHO 

Major do Estado Maior de Infanteria 



^«IWWÍWM» 



LISBOA 

IMPRENSA NACIONAL 
1890 



ZOé //S"- 3/0 



r 

A 



Sociedade de Geographia de Lisboa 



e. s>. ê. 



o chefe da Expediçio. 



1 



<A>o Escceí^-niiAMnio denoct/ 



Aniceto boò ^iò ^nçalvQò ^ianna 



dnxMV^it^ aauf o ncmz ò*c>h naio cmiiKuh gicttoloao e páofto^oiiia 

aptaz^tn^ iat ao ntc^mo kmvo vuSitco h^kinunAo bt auz otmaktiaí Utíout^^ 

tíccy pci fnifn ccfíyiòo no òo/itâc afíicanoy itâo htia o va/ot au^ agcta hm, 

d« aoiiUU tmn (otn amigo, com a ma vtovaòa ccmcchuda ocicnHfica, com 

a accnitaía e noSté òcbicaçâo auc tcva/a vot htòo aut xcòv^iia á no>da vahia, 

• com a GOibied « incsgfciavcí S^ntvolMtcia ò^ auc i bctabo, nâo Áchíkòm vinbo 

covoniaftcamcnh ctn meu auxiUo, òiziginòo^mc » aconHÍêanbo^in^y auo^ na 

GOf^mação quz apíÃOCuia o todumo òuni^tíco, auo/v cm gcial na «xcctiçâo 

bo víano pzatico que cu ccnctScMí vaza aia oSta, auct cm^n% na iaSovioia 

xavidâo t^pofiapXica òod hxtoò, còpcciaimcnh cem tcòpciío á zcpzcd^nkiçâo 

p^cnattca, 

S^A^laba cd/b bcviba âcpn^nagcfn, vobc o meu íivto òimHat-'òc á oiitíca 
So cnhnbiòoí, poufue ficatá òcmpx^ hanquiUa a mináa comcicncta. 



JVrevKrioue De Gat^aípo, 



\ 



o/lo (Dxceltenúbbvma òenv 



Ota 



Og). Jioóa wmtótttia zCÍteò © 



ctta 






Jvcnttout de Catvatto. 



índice 



Pâg. 

Carta á Sociedade de Greographia de Lisboa. 

Preftu!Ío i-vn 

Parte I. — Phonologia: 

Preliminares 3 

Sons vocálicos 5 

Ditbongos 7 

Articulações 8 

Vocábulos 11 

Contracções e elis5es 12 

Abreviações 13 

Interpolações 14 

Transcripçâo vulgar 17 

Parte n. — Morpbologia: 
L — Besumo sjnthetíco : 
Substantivos : 

Prefixos 21 

Classes 27 

Grenero 30 

Graus 31 

Adjectivos : 

Classe 31 

Numero 31 

Graus de comparação 32 

Adjectivos determinativos 33 

Adjectivos numeraes prdinaes 33 

Adjectivos partitivos 34 

Adjectivos attributivos 34 



XII EXPEDIÇZO PORTUGUEZÁ ÁO MUATIÍNVUÁ 

Pag. 

Pronomes pessoaes : 

Absolutos 34 

Possessivos 35 

Circumstanciaes 35 

Conjunctos — Reciproco 35 

Subjectivos 35 

Verbos 36 

Forma activa 37 

Formas objectivas 40 

Forma interrogativa 40 

Forma negativa 41 

Forma negativa e interrogativa 41 

Forma cansativa 41 

Forma passiva 42 

Preposições 42 

Advérbios : . . . 42 

Conjuncções 43 

Interjeições 43 

Exclamações opp. a 44 

II. -7- Desenvolvimento pratico : 

Artigos definidos 45 

Substantivos : 

Formação do plural 49 

Graus : Augmentativos e diminutivos 53 

Adjectivos 54 

Adjectivos determinativos 57 

Graus de comparação 63 

Pronomes pessoaes 66 

Possessivos 69 

Pronomes objectivos da 3.* pessoa 75 

Verbos : 

Forma activa 83 

Condicional 88 

Conjunctivo 88 

Forma objectiva .92 

Forma negativa e interrogativa 97 

Forma cansativa 104 

Forma passiva 129 

Preposições 138 

Advérbios 144 

Conjuncções 149 

Interjeições 155 



HETHODO PRÁTICO DA LIKGUÁ DÁ LUNDÁ XIII 

Pag. 

Derivações e composições 161 

Interpolações 179 

Parte III. — Syntaxe : 
L — Resumo sjuthetico: 

Regência 209 

Concordância 210 

Constnicçâo 211 

Syntaxe figurada 215 

IL — Desenvolvimento pratico : 
Phraseologia : 

Phrases vulgares 217 

Phrases para ofierecer 218 

Phrases para conceder 218 

Phrases para pedir 219 

Phrases para recusar 219 

Phrases para dar e receber agradecimentos 220 

Phrases para consultar 220 

Phrases para affirmar 221 

Phrases para negar 222 

Phrases de duvida, surpresa, admiração, etc 222 

Phrases de alegria 222 

Phrases de afflicçâo .' 223 

Phrases de cólera, ezprobaçáo, etc 223 

Diálogos : 

Para conversar 224 

Do tempo 230 

Levantar da cama 235 

Deitar 238 

Vestir 240 

Comer 242 

Passear 250 

O doente 255 

Comprar e vender 259 

Caçar e pescar - 267 

Provérbios 270 

Adivinhações 274 

Contos 275. 

Narrativas : 

Uma pergunta de um dignitário a seu amo 284 

Noticia 285 

Uma visita de Tâmbu de Cabongo ao chefe da Expedição 285 

Diversas opiniões por causa de um falsario 287 



XIV EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



Pag. 

Becordaçâo de uma irmã de Muatiânvua 289 

Notícia 290 

Outra notícia 290 

Uma diligencia frustrada 291 

Um combate de Lundas com Quiôcos* 293 

Um muata que falia com o Muatiânvua 293 

Opinião de dois potentados Lundas sobre os Uandas 294 

Um alvitre dos Quiôcos 296 

Quissengue partícipa a sua chegada 296 

Quissengue cede aos seus conselheiros 298 

Uma desordem 298 

Um concelho de Caungula ao Muatíânvua 299 

Uma desculpa de Caungula 300 

Resolução de um potentado Quiôco 301 

Como respondemos aos receios de Caungula 302 

Um recado de Quissengue para o Muatiânvua 303 

Um conselho bem acceito 304- 

Deliberação tomada depois de acceito o conselho anterior 305 

Boatos falsos que se propalam como verdadeiros 306 

Uma partícipaçâo 307 

Um alvitre para obter fazendas 308 

Uma diligencia que teve bons resultados 309 

Uma resumida narração feita por um amigo 310 

Umbala impòe-se para Muatiânvua 311 

Consequências das gazivas dos Quiôcos 312 

Últimos momentos do Muatíânvua Muteba 316 

Traição da corte 318 

Um encontro com duas velhas 321 

Morte por traição do Muatiânvua Cangápua 321 

Um alvitre tomado por alguns Lundas que estavam escondidos 

na mussumba 323 

Guerra do Muatíânvua Muteba contra o governador do Tenga 

no Cassai . . . ^ 324 

Umbala faz-se Muatíânvua 326 

Como o Lunda Cabeia se livra da prisSo dos Quiôcos 327 

Um reconhecimento feito por Lundas 328 

Os Quiôcos libertam todos os presos Lundas que lhes nSo con- 
vém 329 

Umbala antes de ser Muatíânvua quer ouvir a opinião dos da 

corte 330 

Xanama improvisa uma guerra para matar o valente Xamuana 
e outros 331 



METHODO PRÁTICO DÁ UNGUÁ DÁ LUNDÁ XV 



Pftg. 
Appendice. —Vocabulário : 

O mondo, corpos celestes, divisão do tempo 339 

Aspecto physico do terreno 341 

Género humano 842 

Partes do corpo humano 343 

Accidentes e propriedades do corpo humano 345 

Graus de parentesco 346 

Animaes — Nomes, partes e despojos 347 

Vegetaes 351 

Medicamentos •. 354 

Para diversos usos 357 

Capital da Lunda, suas divisdes 3H3 

Dignitários do Estado de Muatiânvua 364 

Funcionários em ezercicio 366 

Objectos de vestuário e de adorno 366 

Armas, instrumentos e outros utensílios 369 

Mobílias e objectos de uso domestico 371 



Apreciações da Imprensa 375 



i Sociedade de Geograpliia de Lisboa 



Dedicando a esta benemérita e illustrada Sociedade 
que honra o nosso paiz, uma parte dos meus estudos 
como chefe da Expedição Portugueza ao Muatiânvua 
na região austro-equatorial do continente africano^ 
cumpro um dever de reconhecimento e de respeito 
para com tão patriótica associação^ que muito me con- 
siderou admittindo-me no seu seio pouco depois de 
constituir-se. 

Como digo em outro livro, consultada esta auctori- 
zada corporação pelo governo, em janeiro de 1884, 
sobre a opportunidade de se enviar uma expedição 
scientifica e de intuitos commerciaes aos Estados d'a- 
quelle potentado, como eu tomei a liberdade de propor, 
na notável consulta d'esta Sociedade foi applaudido o 
pensamento inicial, e pela sua execução se insistia na- 
quelle importante documento. 

E pois motivado este pequeno tributo, prestado á 
cooperação efiicaz e constante que da mesma egrégia 
Sociedade recebeu a Expedição em todo o tempo do 
seu exercicio. 

Logo que cheguei a Malanje, ponto em que tinha 
de organisar o pessoal para as cargas da Expedição e 
já nos confins a leste do districto de Loanda, me pro- 



puz a consagrar todo o tempo que os deveres de meu 
cargo me permittissem ao estudo dos dialectos das dif- 
ferentes tribus que, a partir d'ali até a Mussumba do 
Muatiânvua, encontrasse no meu transito. 

Convencendo-me depois da minha residência entre 
os Lundas durante dois annos de que, conhecido o 
dialecto d'esta, facilmente se fallavam os outros, por- 
que além de muitos vocábulos serem os mesmos 
outros pouco difiFerem, consistindo as difiFerenças prin- 
cipalmente nos prefixos e terminações, e que além 
d'isso as regras grammaticaes que me foi possivel 
distinguir se observam em quasi todas as tribus, prin- 
'cipalmente as que conheci do Congo e do leste do 
districto de Loanda a contar de Ambaca até ao Cuan- 
go, que constituem a lingua conhecida pelo nome de 
Ambundo; por isso deliberei compendiar em regras 
grammaticaes o Methodo pratico para fallar a 
língua da Lunda que ao publico apresento agora, 
ficando de apresentar no volume consagrado aos vo- 
cabulários dos dialectos dos povos que conheço exer- 
cicios da lingua Ambunda, servindo-me das mesmas 
regras d'e8te Methodo, e que se observam pelo menos 
em Malanje. 



Por outro lado foi o dialecto dos Lundas aquelle 
que estudei mais a preceito; e como, que eu saiba, 
nenhum trabalho análogo ao meu sobre este dialecto 
foi ainda dado á estampa, no paiz nem fora d'elle, 
emquanto para os fallares affins de Angola e do Congo 
existam, mesmo sem citar a sua inclusão em escriptos 
especulativos e outros de africanistas generalisadores, 
não só publicações doeste século, do passado e do an- 
terior, porém as grammaticas modemissimas, de Héli 
Chatelain (Grammatica elementar de Kimbundu ou lín- 
gua de Angola) escripta em portuguez e excellente- 
mente methodisada e a do Rev. W. Holman Bentley 
(Dictionary and grammar of the Kongo Language), 
creio ser este meu estudo agora mais um subsidio útil 
a acrescentar aos trabalhos feitos no dominio d'esta 
familia de Unguas, cuja unidade está já bem assente, 
mas de que ainda não foram devidamente examinados 
muitos dialectos importantes. 

O resumo synthetico que precede a parte pratica 
d'este Methodo é mais um elo para a constituição da 
cadeia de idiomas dos povos Tus, a que ainda faltam 
tantos, e que se prolonga de costa a costa ao sul do 
equador. 



Foi durante a minha estada na Mussumba, depois 
de ter feito grande numero de correcções aos meus 
trabalhos linguisticos, emprehendidos com perseve- 
rança dia a dia em três annos, que tive a honra de me 
dirigir ao governo pedindo-lhe me auctorísasse a offerta 
da presente obra aos meus consócios, como parte, não 
a menos importante de certo, dos trabalhos que con- 
seguiu realisar a Expedição e que estão sendo publi- 
cados pela Imprensa Nacional. 

Por essa occasião suggeri ao, então, ministro encar- 
regado dos negócios da marinha e ultramar o ex.™* sr. 
conselheiro Henrique de Macedo, a conveniência de 
que esta publicação não fosse encetada antes do meu 
regresso á Metrópole, pois me parecia opportuno con- 
sultar sobre a sua execução individuos, que na Metró- 
pole tivessem voto auctorísado em assumptos de glot- 
tologia. 

Amparado com a annuencia d'aquelle nosso emi- 
nente consócio para esta minha proposta, só depois 
da volta a Ldsboa começou a composição typographica 
laboríosissima da grammatica, havendo previamente 
consultado varias pessoas, cujos conselhos e alvitres 
acatei e tive em consideração ao redigi-la, em tudo 



I 



quanto não contrariavam o methodo pratico, que tinha 
como mais adequado para habilitar lenta e gradual- 
mente os estudiosos a familiarisarem-se com o voca- 
bulário, morphologia e syntaxe peculiares d'estes 
dialectos e d'e8ta familia de linguas. 

Devo também advertir aqui já que os diálogos, que 
a alguns leitores poderão parecer triviaes ou pueris, 
sao especialmente destinados a servir de exercicio e 
de t^xto, visto não haver até agora impresso nenhum 
outro pelo qual se faça estudo; e que o trabalho de 
decifração e comprehensão d'esse texto é suflSciente- 
mente compensado pela acquisição gradual do voca- 
bulário e das formas grammaticaes. 

A mesma observação é applicavel aos provérbios, 
adivinhas e narrações que incluí. 

Direi algumas palavras também sobre a notação 
graphica adoptada nesta grammatica, e nas citações 
textuaes que faço nos differentes volumes de que se 
compõe a coUecção dos trabalhos referentes á Expe- 
dição Portugueza. 

Approximei-me, na escripta dos vocábulos africanos, 
tanto quanto a clareza o permittia, da orthographia 
usual portugueza, e a pag. 17 estão dadas as regras 



^ 






Á Sociedade de GeograpUa de Lisboa 



Dedicando a esta benemérita e illustrada Sociedade 
qne honra o nosso paiz, uma parte dos meus estudos 
como chefe da Expedição Portugueza ao Muatiânvua 
na região austro-equatorial do continente africano, 
cumpro um dever de reconhecimento e de respeito 
para com tão patriótica associação^ que muito me con- 
siderou admittindo-me no seu seio pouco depois de 
constituir-se. 

Como digo em outro livro, consultada esta auctori- 
zada corporação pelo governo, em janeiro de 1884, 
sobre a opportunidade de se enviar uma expedição 
scientifica e de intuitos commerciaes aos Estados d'a- 
quelle potentado, como eu tomei a liberdade de propor, 
na notável consulta d'esta Sociedade foi applaudido o 
pensamento inicial, e pela sua execução se insistia na- 
quelle importante documento. 

E pois motivado este pequeno tributo, prestado á 
cooperação efficaz e constante que da mesma egrégia 
Sociedade recebeu a Expedição em todo o tempo do 
seu exercicio. 

Logo que cheguei a Malanje, ponto em que tinha 
de organisar o pessoal para as cargas da Expedição e 
já nos confins a leste do districto de Loanda, me pro- 



puz a consagrar todo o tempo que os deveres de meu 
cargo me permittissem ao estudo dos dialectos das dif- 
ferentes tribus que, a partir d'ali até a Mussumba do 
Muatiânvua, encontrasse no meu transito. 

Convencendo-me depois da minha residência entre 
os Lundas durante dois annos de que, conhecido o 
dialecto doesta, facilmente se fallavam os outros, por- 
que além de muitos vocábulos serem os mesmos 
outros pouco difFerem, consistindo as diíFerenças prin- 
cipalmente nos prefixos e terminações, e que além 
d'isso as regras grammaticaes que me foi possivel 
distinguir se observam em quasi todas as tribus, prin- 
'cipalmente as que conheci do Congo e do leste do 
districto de Loanda a contar de Ambaca até ao Cuan- 
go, que constituem a lingua conhecida pelo nome de 
Ambundo; por isso deliberei compendiar em regras 
grammaticaes o Methodo pratico para fallar a 
língua da Lunda que ao publico apresento agora, 
ficando de apresentar no volume consagrado aos vo- 
cabulários dos dialectos dos povos que conheço exer- 
cicios da lingua Ambunda, servindo-me das mesmas 
regras doeste Methodo, e que se observam pelo menos 
em Malanje. 



Por outro lado foi o dialecto dos Lundas aquelle 
que estudei mais a preceito; e como, que eu saiba, 
nenhum trabalho análogo ao meu sobre este dialecto 
foi ainda dado á estampa, no paiz nem fora d'elle, 
emquanto para os fallares aflSns de Angola e do Congo 
existem, mesmo sem citar a sua inclusão em escriptos 
especulativos e outros de africanistas generalisadores, 
nâo só publicações doeste século, do passado e do an- 
terior, porém as grammaticas modemissimas, de Héli 
Chatelain (Grammotica elementar de Kimbundu ou lin- 
grm de Angola) escripta em portuguez e excellente- 
mente methodisada e a do Rev. W. Holman Bentley 
(Dictionary and grammar of tke Kongo Language), 
creio ser este meu estudo agora mais um subsidio útil 
a acresceintar aos trabalhos feitos no dominio d'esta 
família de linguas, cuja unidade está já bem assente, 
mas de que ainda não foram devidamente examinados 
muitos dialectos importantes. 

O resumo synthetico que precede a parte pratica 
d'este Methodo é mais um elo para a constituição da 
cadeia de idiomas dos povos Tus, a que ainda faltam 
tantos, e que se prolonga de costa a costa ao sul do 
equador. 



Foi durante a minha estada na Mussumba, depois 
de ter feito grande numero de correcções aos meus 
trabalhos linguisticos, emprehendidos com perseve- 
rança dia a dia em três annos, que tive a honra de me 
dirigir ao governo pedindo-lhe me auctorisasse a offerta 
da presente obra aos meus consócios, como parte, nao 
a menos importante de certo, dos trabalhos que con- 
seguiu realisar a Expedição e que estão sendo publi- 
cados pela Imprensa Nacional. 

Por essa occasião suggeri ao, então, ministro encar- 
regado dos negócios da marinha e ultramar o ex."® sr. 
conselheiro Henrique de Macedo, a conveniência de 
que esta publicação não fosse encetada antes do meu 
regresso á Metrópole, pois me parecia opportuno con- 
sultar sobre a sua execução individuos, que na Metró- 
pole tivessem voto auctorisado em assumptos de glot- 
tologia. 

Amparado com a annuencia d'aquelle nosso emi- 
nente consócio para esta minha proposta, só depois 
da volta a Lisboa começou a composição typographica 
laboríosissima da grammatica, havendo previamente 
consultado varias pessoas, cujos conselhos e alvitres 
acatei e tive em consideração ao redigi-la, em tudo 



quanto não contrariavam o methodo pratico, que tinha 
como mais adequado para habilitar lenta e gradual- 
mente os estudiosos a familiarisarem-se com o voca- 
bulário, morphologia e sjmtaxe peculiares d'estes 
dialectos e d'e8ta familia de linguas. 

Devo também advertir aqui já que os diálogos, que 
a alguns leitores poderão parecer triviaes ou pueris, 
são especialmente destinados a servir de exercicio e 
de texto, visto não haver até agora impresso nenhum 
outro pelo qual se faça estudo ; e que o trabalho de 
decifração e comprehensão d'esse texto é suflficiente- 
mente compensado pela acquisição gradual do voca- 
bulário e das formas grammaticaes. 

A mesma observação é applicavel aos provérbios, 
adivinhas e narrações que incluí. 

Direi algumas palavras também sobre a notação 
graphica adoptada nesta grammatica, e nas citações 
textuaes que faço nos differentes volumes de que se 
compõe a coUecção dos trabalhos referentes á Expe- 
dição Portugueza. 

Approximei-me, na escripta dos vocábulos africanos, 
tanto quanto a clareza o permittia, da orthographia 
usual portugueza, e a pag. 1 7 estão dadas as regras 



para converter essa notação no modo de escrever 
usual, mas methodico, seguido em todos os meus 
escriptos relativos á Expedição. 

Ao que acerca da pronuncia se lê nas primeiras 
paginas da grammatica só tenho que acrescentar que 
as letras tildadas g , d, i, b, v, etc, cuja adopção 
foi suggerida pelo competentissimo typograplio da 
Imprensa Nacional, o sr. J. A. Dias Coelho, repre- 
sentam respectivamente o valor de cada uma das 
mesmas letras sem o til, precedido de uma consoante 
nasal do mesmo órgão a que pertence cada uma d'el- 
las ; assim d, z equivalem a nd, ws, 6 a ifnb, etc. Ado- 
ptou-se este modo de escrever de preferencia aos mais 
geraes nd, n'd, 'nd, etc, porque, se a primeira d'estas 
graphias era em si exacta — n nasal linguál + d ex- 
plosiva branda lingual — , não tem por outra parte 
o nosso alphabeto caracteres para a nasal guttural 
[tj, k) ou labio-dental (v,f)^ sendo inteiramente infiéis, 
e portanto incoiTectas as outras duas graphias com o 
apostropho. 

Concluindo esta prefação direi ainda que entendi 
ser grato aos meus consócios e ao publico em geral o 
verem á frente doeste opúsculo os retratos do presi- 



dente annual e do secretario perpetuo da nossa Socie- 
dade, 08 ex."*®* srs. conselheiro Francisco Maria da 
Cunha e Luciano Cordeiro. 

E uma homenagem de muita consideração e de 
muita estima que d'este modo lhes tributo, avivando 
ao mesmo tempo no meu espirito e no dos meus leito- 
res a memoria dilecta de que a estes nossos dois con- 
sócios vim encontrar no meu regresso occupando, á 
testa doeste grémio illustre, os cargos importantes e a 
todos os respeitos bem merecidos, em que os deixara 
ao afastar-me da pátria, em serviço d'ella, com o ani- 
mo perturbado pelo ancioso receio de a não tornar a 
ver e pela magnitude das responsabilidades que assu- 
mia, e para arrostar as quaes tamanhas provas de 
con fraternidade e de incitamento e tão valioso amparo 
recebi sempre doestes nossos consócios e da benemé- 
rita Sociedade em geral, que no seu seio quasi que 
abrange quantos em Portugal estudam e trabalham 
desinteressadamente em favor da pátria. 



Henrique Augusto Dias de Carvalho. 



PREFACIO 



Durante a missão de que fui encarregado nas terras 
do Muatiânvua, impoz-se-me logo em Malanje a obri- 
gação de estudar as linguas dos povos com quem pre- 
cisava de entreter relações, pois que já conhecia por 
experiência que um interprete como intermédio nestas 
relações, além de fastidioso, rouba muito tempo du- 
rante o dia, commette erros, mesmo no que nos é mais 
trivial ; informador inconsciente, que, pelos interesses 
peculiares a que mira e ignorância da responsabilidade 
que assume, mente para nos ser agradável e toma-se, 
portanto, um perigo constante a nosso lado. 

D'esta entidade pode dizer-se, actualmente, ainda 
muito mais do que dizia Cannecattim no século pas- 
sado : < Os interpretes são negros do paiz, gente bruta, 
que ignora da sua própria lingua uma grande parte, 
e que da portugueza apenas sabe os termos mais vul- 
gares eusuaes; frequentemente ims taes interpretes, 



II EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

OU não percebem a força e o verdadeiro espirito das 
palavras portuguezas^ ou não sabem achar e escolher 
na sua língua termos que propriamente lhe correspon- 
dam, de que pode resultar o ensinar erros substan- 
ciaes, assim a respeito do que devemos crer, como 
do que devemos obrar. » 

Como todas as linguas agglutinativas não escriptas, 
as doestes povos dependem de felizes memorias e tra- 
dições, e d^ahi a variedade que nellas se encontra em 
períodos não mui longos. 

Não me admira que Cannecattim tivesse no seu 
tempo, com respeito á lingrjixi ambunda, de fazer alte- 
rações em apontamentos antigos que lhe legaram seus 
antecessores nas missões de Angola. Esses aponta- 
mentos eram para portuguezes e não tiveram a pro- 
paganda que era indispensável entre aquelles povos ; 
e demais, foram obtidos entre uma tríbu de uma dada 
região, sem se attender á proveniência da lingua que 
nella se fallava. 

Devido a isto certamente, na actualidade, tenho de 
acceitar alguns dos erros apontados e não as alterações 
por elle indicadas. Assim, por exemplo, Fr. António do 
Couto adoptou u para inicial do vocábulo na segunda 
pessoa do smgular dos verbos e mu para a da segunda 
e da terceira do plural em todos os tempos; Canne- 
cattim, quasi dois séculos depois, altera aquelle em gu 
e este em nu e a, conforme a pessoa. 

Pelo que observei em todos os povos desde Malanje 
e cujas linguas constituem o meu Vocabulabio, acceito 
u para a segunda pessoa do singular, nu para a se- 
gunda do plural e a ou òa para a terceira do plural ; 



METHODO PRÁTICO DA LÍNGUA DA LUKDA UI 

devo, porém, notar que em todos os povos se ouve 
muitas vezes mu em logar de nu, e que se Couto tam- 
bém para a terceira do plural o admittiu, é isso devido 
á confusão das vocábulos énu e éne fvós e elles», 
porque são pouco cuidadosos nas terminações, e ainda 
porque éne é raro empregar-se isolado na conversação, 
pois sempre Ihé addicionam vocábulos que indicam de 
quem se trata. 

Estes e outros defeitos de falta de investigação, e 
que se adquirem dos chamados práticos, são-nos trans- 
mittidos pela philaucia dos taes interpretes, indiví- 
duos estes que, quanto mais nos internámos pela pro^ 
vincia de Angola, menos comprehendem a sua e a 
nossa lingua. Além d'isto, não é no littoral, nem mesmo 
nas suas proximidades, que se deve fazer o estudo da 
lingua atrãmuda, porque as difficuldades e dissidências 
sobre um vocábulo e sua interpretação crescem da 
costa para o interior, onde, ainda assim, lá se ouve uma 
ou outra palavra portugueza já admittida, embora com 
prefixos e terminações da região em que se encontra; 
e, toma-se notável, que vocábulos derivados vão en- 
contrar suas raizes nos povos mais internados. 

A disposição das palavras é cousa que pouco im- 
porta, ou melhor, não percebem os interpretes, que 
chegam a ignorar também a sua significação, e d'aqui 
08 extensos circumloquios que nos impacientam, abor- 
recem e fatigam, obrigando-os a respostas não menos 
extensas, para que, ainda assim, nos possam transmittir 
apenas o que julgam essencial. 

Este defeito entre aquelles povos não se dá. Fazem 
suas narrativas extensas, porque os exórdios remontam 



IV EXPEDIÇXO POETUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

sempre a cousas antiquarias — recordações e compa- 
rações — para attingirem o seu fim. São^ porém, 
concisos nas suas conversações, e na falta de termos 
servem-se de gestos, tregeitos e exclamações que os 
substituem. 

Por isto se pode fazer idea das difficuldades com 
que teem luctado os exploradores estrangeiros, que com 
esses interpretes aprendem primeiro a lingua portu- 
gueza, para depois os entenderem na dos povos, por 
onde teem de transitar. E é devido ás más interpreta- 
ções e pouca consciência de taes mestres, que se notam 
erradas denominações nas cartas d'esses iUustres ex- 
ploradores sobre a região que percorri, dando até a 
serras nomes de riachos por que se conhecem os acam- 
pamentos, e substituindo o nome de potentados por 
aquelle que lhes lembra na occasião. 

Quando taes homens, a nós portuguezes, nos en- 
tendem com difficuldade ou não nos percebem, o que 
nos obriga a continuadas explicações, até de phrases 
e mesmo de vocábulos, quantas erradas interpretações 
não terão esses estrangeiros nos seus estudos de lin- 
guistica africana? 

Nos três mezes que estive em Malanje, tive a fortuna 
de encontrar sempre de bom humor para aturar as 
minhas impertinências, sobre o estudo da lingua am- 
bunda, uma intelligente, quanto bondosa senhora, filha 
d'aquelle prestimoso e tão fallado coronel e abastado 
proprietário Manuel António Pires, de Pungo Andongo. 

Educada em Loanda por um dos bons professores 
da lingua portugueza, que lá houve, conhecia bem a 
nossa grammatica. Este conhecimento, com o que 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA V 

tinha de todos os dialectos que se faliam de Loanda 
até Malanje, sua exti*ema bondade, discussões e con- 
sultas a que diariamente se prestava, eram predicados 
especialissimos da minha boa mestra, a quem devo a 
chave, que me deu entrada no estudo das linguas dos 
povos com quem tratei ; e dando a este publicidade, 
era dever meu reservar uma pagina para o seu nome, 
como prova da minha gratidão. 

O que mais embaraça neste estudo, é tanto a ado- 
pção de vocábulos portuguezes com prefixos e pronun- 
cias peculiares, como abreviações e composição de 
novos vocábulos, com o esquecimento de antigos, e 
principalmente a construcção. 

Exemplos : 

» 

Afogar. — kuneya, já substituem por kufolokala 

Barris de pólvora. — No Congo: jibarele fia fuãaya (de 
cbarril»). Em Malange e Cassange^ jilôba fia fudaya, 
(de c arroba»; peso antigo dos barris). Nos povos além do 
CoangO; jigoma fia faaa (de «um instrumento de pan- 
cadaria»; de que o barril; na forma; é uma miniatura. 

Consimir. — hUuga : já se disse Jcutuka. 

Qnardar. — hubaka, em vez de Iciduaa. 

Tem cá. — Zalcó, abreviatura de eza Icuno. 

Hão senhor. — kagana, abreviatura de kcma yana. 

Fidalga. — naíaSa, abreviatura de yina laza. 

Conheci logo em Malanje que muitos vocábulos, alii 
usados na lingua ambunda, o eram também em Cas- 
sanje, no Congo, e também na Limda entre o 6^ e 11^ 
latitude sul do equador, e do Cuc^ngo ao Lualaba, 
havendo em alguns povos d'esta vasta região insigni- 
ficantes differenças; o que se toma mais notável em 



VI EXPEDIÇZO PORTUOÇEZA AO MUATIAnVUA 

tudo O que nos é primitivo, como — designação das 
partes do corpo humano, graus de parentesco, nume- I 

raçSo, funcções naturaes, etc. 
Exemplos : 

Cabeça. — Em todos : múiuè. 

Miolos. — iiogo ou uhoyo. 

Olho. — Em todos : diêu.. 

Orelha. — ditúi ou Jcaiúu 

Barriga. — diim ou divumo. 

Pae. — tatá ou tátuko. 

Filho. — mona ou miUma. 

Primo. — Tciaoni ou musimu 

Dois. — adi ou ari. 

Três. — tato ou saio. 

Seis. — sâma^o ou sÔtíaVio. 

Des. — himi ou hmi. 

Comer. — Em todos: hidta. 

Beber. — Em todos: Jbtmua. 

Engnlir. — Em todos : humina. 

Orítar. — Em todos : kudikola. 

Mandar. — Em todos : kutuma. 

Concha. — Em todos : jilío. 

Companheiro. — muMêtu. 

Dar. — huhana ou kupana. 

Acabar. — kubúa ou kupua, kuabua ou kuapOa. 

Dobrar. — hmyiika ou kuvuya. 

Baralho. — vuda ou Iwmtao 

Companhia. — m&amdo ou miíavxidi 

Preparado com um importante vocabulário de seis 
dialectos diversos, e possuidor de um bom numero de 
regras grammaticaes, procurei fixar os sons, as formas 
e o sentido das palavras que ia escrevendo entre os 
povos com quem convivi ; e ac ando-me na capital da 



METHODO PBATICO DA LÍNGUA DA LUNDA YU 

Lunda, por onde, tudo me leva a suppor, passaram as 
correntes de emigração da maior parte dos povos, que, 
com o tempo, se foram espalhando de além do Cassai 
para aquém do Cuango, e com essas emigrações em 
diflferentes epochas, as Hnguas que a tradição lhes 
legou; resolvi organisar um trabalho inteu-amente pra- 
tico e escripto na mesma região em que me encon- 
trava. 

Julgo que preenchi uma grande lacuna nas Imguas 
agglutinativas da Africa Central austro-occidental, 
porque até ao presente ainda nâo appareceu uma mo- 
nographia abundante de vocábulos, de regras gram- 
maticaes e fa(ftos phonologicos bem caracterisados, 
como esta, em que me guiei pelos modernos processos 
de investigação, e que denominei — Methodo pratico. 

Dividi este methodo em trcs partes: phonoUogia, 
morphologia e syntaxe. 

Em cada uma d'ellas, conservando a evolução na- 
tural e communicativa por muitos exemplos, exercícios 
e narrações, procuro justificar as deducçSes a que fui 
levado, e o leitor pode ir construindo phrases e verter 
alguns trechos, á medida que for assenhoreando-se dos 
vocábulos e regras que se vão apresentando. 



I 



PARTE I 



PHONOLOGIA 



1 



PEELIMINAEES 



É difficil estabelecer orthographia para uma língua anal- 
phabetica, e mais diíEcil fazê-la comprehender, quando se 
considerem as diflferenças que existem na pronunciação dos 
caracteres romanos nos diversos idiomas europeus. 

O fundamento dos sons é, porém, assaz conhecido, e por 
isso tratei de reconhecer os que mais dominavam, e como 
se formavam em cada uma das regiões anatómicas do tubo 
vocálico. 

Os sons vocálicos (ou vogaes) sSo, em geral, como os nos- 
sos, estendendo-se, porém, mais a sua escala^ e dando-se mais 
sonoridade a cada um d^elles. 

Nós, em Portugal, apenas fixámos geralmente quinze doestes 
sons, sendo dez puros e cinco nasalados. O meu ouvido, escu- 
tando os indigenas com a máxima attenção, fez-me distinguir 
dezoito sons, sendo treze puros e cinco aspirados. 

Adopto, pois, para distincção dos sons glotticos puros, como 
se vê na pag. 3, os signaes graphicos *, ^, ", sobre as respe- 
ctivas vogaes, e com Lepsius* e outros ^ subscripto. 

Aspiram-se as vogaes com aspiração branda (como o He das 
linguas semiticas e h inglez medial, por ex.: my hand), o que 



Standard Âlphaòet, 1863, pag. 18 e pamm. 



' 



4 EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÁNVUA 

é característico das línguas da região central-austral, toman- 
do-se mais fiísante entre as tríbus de Quiôco^ Bângala, Ca- 
penda e Congo interior. É certo que entre nós também se 
aspiram algumas^ porém, como excepção e interjectivamente. 

As aspirações, entre elles, conhecem-se tanto mais quanto 
é maior a expansSo que pretendem dar aos vocábulos. Se 
passam' muitas vezes despercebidas, é isso devido á precipi- 
tação com que fazem succeder os vocábulos nas suas oraçSes. 

A nasalaçSo, que entre nós se faz por meio dos três signaes 
graphicos "* ^ m, n, represento-a apenas por ~ sobre a con- 
soante nasalada. 

A aspiração não posso deixar de a indicar com h, por causa 
dos accentos nos sons vocálicos. 

Uso da ligação (_) para unir dois vocábulos entre os quaes 
ha accommodação phonologica sem encorporação ; do hyphen 
(-) quando essa encorporação se dê; e do apostropho (') 
quando haja suppressão de letra. O accento agudo ( ' ) indica 
vogal aberta de syllaba predominante, e a dierese sobre o e 
(e) denota a crase de a -j- í = e. 

A regra de accentuação graphica que adoptei é a do menor 
numero de signaes: assim deixo sem o signal ^ as vogaes 
surdas postonicas, entendendo-se que a, e, i, o, u sem 
diacrítico, depois de consoante e da syllaba accentuada, em 
geral a penúltima, se pronimciam surdas; quando, por exce- 
pção, em tal caso, ellas tenham o som aberto, serão marcadas 
com o accento grave. 

Como, porém, as vogaes pretonicas sejam quasi sempre 
abertas, indicarei com o diacrítico ^ as que forem surdas antes 
da syllaba predominante. 

Marco com o conhecido signal de breve ('')oíeou átonos 
antes ou depois de vogal, equivalendo, portanto, as letras 
assim marcadas ás semivogaes palatal e labial, que na ortho- 
graphia ingleza são indicadas por y, w; sendo, pois, í = y^ 
e ú = w, letras estranhas ao nosso alphabeto, e cujo emprego 
assim evito, conformando-me com os systemas graphicos de 
muitos auctores, quer nacionaes, quer estrangeiros. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



Sons vooalloos 

Teem elles dezoito sons para as vogaes, sendo treze puros 
e cinco aspirados^ que distribuirei pela seguinte forma: 



C 



O 



XJ 



1 aberto : 


à 


como 


em 


vara 


t/àpç 


«bom». 


Puros < fechado : 


â 


» 


» 


cada 


kupânç 


«dar». 


( surdo : 


9 


» 


» 


cola 


ribêUç 


«calvo». 


Aspirado : 


ha 








môúhg, 


«palanquim» 


l aberto : 


è 


M 


» 


caneca 


pàlhpQ, 


«alto». 


Puros < fechado : 


ê 


» 


n 


cepa 


Ivpêtp 


«rico». 


( snrdo : 


% 


» 


» 


tarde 


lusç 


«ponta». 


Aspirado: 


he 








kukhlç 


«colher». 


-, í aberto : 
Puros { , 
( surdo : 


• 

1 


» 


» 


tiro 
cand» 


kâdi 


«pássaro», 
«ainda». 


Aspirado : 


hi 








kuhim^ 


«respirar». 


l aberto : 


òi 


» 


» 


bota 


tnòla 


«cinto». 


Puros I fechado : 


ô 


» 


» 


povo 


àôsp 


«todos». 


( surdo : 


9 


» 


o 


livro 


uàto 




«canoa». 


Aspirado : 


ho 








huhòhí} 


«lavar». 


Puros í ^^^"^ '' 


ii 


n 


» 


rua 


mòkutQ 


«caça». 


X uroB < , 

( surdo : 


l* 


» 


» 


tribtf 


kâmn 


«mais». 


Aspirado : 


hu 








dihulo 


«céo». 



Grupos de vogaes nao formando dithongo: 

ha como em ^ a casa kuzèa «enfraquecer». 

iui » » falua ditiía «vesiculas no corpo». 

kiía ktthiia «cair». 



1 o castelhano, entre ^ e ò. Em geral as vogaes abertas à, h, ò são 
menos abertas que em portuguez, sendo-o ainda menos antes de nasal; 
fora doeste ultimo caso marcámos com o circumflexo {ê, ô) as que nos 
parecerem decididamente fechadas. Semelhantemente á, é, 6, antes de 
nasal, indicam serem estas vogaes tónicas excepcionalmente abertas. 



6 EXPEDIÇÃO PORTUGUEZA AO MUATIANVUA 

Os sons surdos § e i, como terminação, na maior parte dos 
casos parecem confundir-se ; porém, distinguem-se bem quanto 
á ligação dos vocábulos, porque então se tomam agudos. Ex.: 
íuri, Íur§ a carneiro D. Conhece-se ser o primeiro porque se 
diz: buiri-úap§ e não buré-úapç a bom carneiro». 

O mesmo se dá com o e u finaes. Ex.: úato, úcUu ccanôa». 
Servindo-se do mesmo artificio elles dizem: úató-úap§, e não 
úatiiruap§ «bonita canoa». 

Também confundem o a e ^ no caso que consideramos: 
úap§^ iídpa, e outros como: hajUç, kajila, E o primeiro, e não 
o segundo, que devemos dizer, porque dizem: kajiléjcaúapç 
e não kajUáJcaúapç a bonito passarinho». 

Só o apuro do ouvido poderá dar taes distincçBes; porém, 
desconfiando muito do meu, e querendo frisar bem as termi- 
naçSes por não desejar attribuir ás pronuncias de diversos o 
que fosse defeito de audição, apurei o que me foi possível 
por este e meios análogos. 

Com úap§ «bom, bem», succede como entre nós com o ui 
de «muito», em que algumas provincias nasalam o ut; de 
entre elles alguns nasalam o p. Ex.: úap§. O mesmo se dá 
com ip§ «mau, mal», que também se ouve dizer ipç. 

Observações. — I. Na enunciação usual e desapaixonada 
os sons surdos das vogaes a, §, i, o, u, são ciciados, isto 
é, proferidos sem voz, em segredo, quando, após a syllaba 
tónica, são acompanhados de consoante surda {f,k^p,8, 
t, X, £) não nasalada, por exemplo em tátukç; sendo em tal 
caso essas vogaes quasi imperceptiveis, e sujeitas a de todo 
desapparecerem na pronimciação. 

Phenomeno análogo se dá com as vogaes e, i^ o, u, na 
mesma situação, em portuguez, proferindo-se também sem 
voz, como em segredo: do que são exemplos matç, matç, 
princvp^, etc. Pareceu-me ocioso marcar essa atonia com o 
signal ^ , de que me servi para a indicar nos vocábulos citados, 
visto que, pela sua analogia com facto idêntico em portuguez, 
ella será involuntariamente produzida, apontada como fica a 
lei que regula a sua manifestação. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 7 

n. Quando em qualquer vocábulo os sona deixem de ser 
indicados pelos devidos accentos, é porque se pronunciam as 
vogaes como em portuguez, e para nâo complicar a compo- 
sição typographica dos exercícios e themas os supprimi; en- 
tendendo-se que a ausência de accentuaçâo graphica sobre 
a vogal tónica denota ser esta a da penúltima syllaba 
do vocábulo, simples ou composto, primitivo ou derivado, 
quando a ultima syllaba nâo contenha dithongo cujo segundo 
elemento seja t ou ú, porque neste caso é esta a syllaba pre- 
dominante. 

Quando, nSo obstante estas regras, ao leitor se ofiTereçam 
duvidas, poderá recorrer ao VoCABULABiO que faz parte doesta 
obra, no qual todas as dicçSes estão accentuadas. 

Advirto também que o accento grave ( ' ) sobre as vogaes 
abertas ato nas converte-se em agudo (') quando passam 
a ser tónicas. Algumas syllabas tónicas, em que a hesitação 
me pareceu que seria mais fácil dar-se, são marcadas mesmo 
no texto. 

Ditliongos 

Distingo puros vinte e três dithongos, entre tónicos e atonos, 
e aspirado apenas um. Formam dois grupos, o primeiro dos 
quaes tem como predominante a primeira vogal, e o segundo 
a ultima. A vogal fraca doestes dithongos é i, ou ú^ que nos 
do segundo grupo equivalem respectivamente a y, w, inglezes, 
como já disse. 



São 


puros: 










0m 


lai 


como 


em 


alfaia 


kapata 


«cesto pequeno». 


S 


aú 


» 


» 


patíta 


kipaúa 


«malla de palha». 


^g^ 


éi 


j» 


n 


cei& 


uaéta 


«negocio». 




éu 


n 


n 


chap^ 


muléu 


«águia». 


2. 


^êu 


D 





judeu 


dizêu 


«dente». 


> 


ót 


j) 


» 


bota 


katói 


«mocho». 


• 

• 


ôi 


j» 


n 


30Í0 


moio 


«vida». 


s 


aú 


» 


a 


mat(m-a 


diloua 


«gancho». 


3 


\ui 


» 


j» 


alelma 


luia 


«amor». 



I 



8 



EXPEDIÇIO POETUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



I 

Cl 

I 

•o 



o 



S 

o 



ia 


como 


em 


dtabo 


té 




n 


» 


vt^a 


fé 




» 


» 


hyêti& 


tó 




» 


» 


médios 


%Ò 




» 


n 


medlo 


úá 




» 


» 


quatro 






» 


» 


agua 


(M) 


» 


» 


guano 


né 




» 


n 


sueco 


iíè 






1» 


aloés 


u^\ 


[úê) 


M 


a 


dueto 


úi 




» 


» 


rutnoBO 


uó 

\úô 




w 


w 


sudr 




J» 


M 


ovo 



ta 

kuiéla 

tê 

Hópo 

Hôêo 

úá 

kábua 

suana 

úa8Úéfi 

mútiih 

rhaúeno 

dizúi 

guó 

úoma 



«de». 

«doer». 

«sim». 

«copo». 

«qualquer». 

«é, de, lá». 

«cSo». 

«herdeiro». 

«bravio, teimoso». 

«cabeça». 

«sogra». 

«palavra, voz». 

«cubata especial». 

«medo». 



É aspirado: 



hoú como em Jmhoúa «banhar». 



Articulações 






Se 08 sons glotticos se apresentam em maior numero do 
que os que adoptámos na nossa lingua, as articulações fazem- 
se com rapidez, quer pelo movimento dos lábios, quer pelo 
da língua de encontro aos dentes, lábios e céu da bocca. 

Todos os indígenas teem estes orgSos bem proporcionados, 
e as articulações que fazem são perfeitas. 

O que notei de mais extraordinário é a grande tendência 
que teem a nasalar as príncipaes articulações e a facilidade 
com que trocam as articulações de regiSes dififerentes, e ainda 
nas mesmas, como a linguo-dental d com r e í, o que consti- 
tue uma das grandes dííEculdades da pronuncíação. 

Para nasalaçSo das articulações adopto o signal ~, como já 
disse. O í nasalado representá-lo-hei simplesmente por c. 

As articulações por elles adoptadas são as seguintes: 

Gattones. — (5^), h ^^a principio de syllaba. 

O g ante qualquer som vocálico, porque ge^ gi se substitue 
por je, ji, Ex.: ikaga costeiras», múege em vez de múegue 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 9 



ccaona»^ ãiUgile em vez de súiguile ctolo»^ musego tchifre»; 
òizcígulo cpente». Parece não existir g sem ser nasalado. 

O k substituo o c e o qu. Ex.: kakuata em vez de caquatay 
cauctoridade»^ xaJcéne em vez de xaqtienê cyerdade»^ ktãe- 
kexê em vez de culequexe cperdoar», kukina em vez de cu- 
quina «dançar»^ lukUa em vez de luquisa cpreguiça»^ iSUco- 
Icíolo «gallo»^ kukuete cter». 

O k, quando é nasalado, confundem-no muitas vezes com g 
egualmente nasalado. Ex.: laka ou laga c saudação da manhã» , 
kuleka ou kulega ccorrer^ fugir», ktibaka ou kubàga cfazer». 

Observações. — Posso assim dispensar o q, de que só teria 
a servir-me para os casos de que e qui, que ficaram substituidos 
por ke e ki. 

Ha vantagem em dar a cada uma das articulações (^), g ^k 
uma única letra, porque sempre que a palavra for composta 
e qualquer d^ellas for final de raiz, não muda, como succederia 
para o caso de que^ qui, e gue, guL Ex.: kuúika, kunikixa e 
não kuniquixa; kuleka, kulekexe e não kúlequexe; kuzuga, ku- 
zugixa e não kuzuguixa; kutaga, kuta^ele e não kuiaguele. 

As únicas articulações representadas por duas letras em 
portuguez, que lhes pude perceber, e bem distinctas, foram 
nh e eh, para as quaes adopto os signaes já conhecidos n e ò, 
devendo-se advertir que o d se pronimcia quasi como em inglez, 
hespanhol e nas nossas provincias do norte o eh, que por 
aquella letra substituo. Em geral estas articulações poucas 
vezes apparecem no meio de um radical, sendo o ò quasi 
sempre prefixo equivalente aos artigos portuguezes «o» ou 
ca». Ex.: tegani a flor», aumi tvão todos», iutagani cvamo- 
nos», akáatani «agarrem»; òikita cpelle», (ííamaòiko «amanhã», 
iòidi «fenda», íiiseke cchapellinho de sol», uluko «noite». 

UlgDO-palataes —j, x, em principio de syllaba. 

O j confimde-se em alguns vocábulos com z. Ex: ejUe, 
ezile «vieram», yika, ezika «sabem». 

Substituo sempre o nosso g antes de e e í^ porque adoptei 
ge e gi para gue e gui, como o tenho feito já. Ex.: kazúege 
«pobre»; ikugi «homem». 



10 EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÁNVUA 

O X substitue o eh (sh inglez e sch allemSo). Ex: xakéne 
«verdade», maxíka «frio». 

LingUO-dentaes. — d^ h ^^ ^^ *^ t^ z> em principio de syllaba. 

O d^ n, t, como em portuguez*. Ex.: didama «caco», dijina 
«nome»; mvkano «boca»; tadi «duvida», teau «desordem». 

O d confunde-se em algumas palavras com rei. Ex.: di- 
vumoj rivumo «barriga», udãe, ulile «comeu», hãvdika, kuiti- 
rika «concertar», kuxidUa, kuxilila «calcar.» 

O l confunde-se com r brando. Ex.: lulúa, rurúa; lúiza, 
riíiza; lúaye, riiaye «nomes de rios», mxduda, murada «amigo». 

O r poucas vezes tem o som forte, mesmo que seja ini- 
cial; mas quando o tenha dobro-o. Ex: rrvka «o infímde», 
marra (espécie de bebida). 

O 8 tem o mesmo som que em portuguez quando inicial; 
e substitue o ç e ««. Ex.: kase, kasasa «nomes de homens», 
kamé «fogo», kusoka «egualar», kusoneka «escrever». 

O z com o som inicial de syllaba portuguez e substituindo 
o 8 entre vogaes. Ex.: kazúeye «pobre», muzuro «nariz», ku- 
zaya «pentear», mazeu «dentes». 

LabiO-dentaes — / e Vj em principio de syllaba. 

Também estas as confundem em alguns vocábulos. Ex.: 
kuimaay kufuãa «embrulhar», kavuji, kafuji «emigrante». 

Esta confusão já foi notada por Gamitto na sua viagem em 
1851 ao Muata Cazembe^ quando ouviu fallar do grande po- 
tentado de quem este era súbdito. Ficou em duvida se devia 
dizer Muatianfa, Muatíafa ou Muatianva. Na verdade o v 
principia por som de / para terminar como v, e isto vem já 
do verbo kuviía «possuir». Aquelle titulo abrange três vocá- 
bulos: Múata ta avúa «senhor de riquezas». 

Labiaes puras. — 6, j? e m^ em principio de syllaba. Ex.: kabúa 
«cão», lupasa «caneca», mutena «sol», divumo «barriga», ka- 
mexi «gato». 



1 Ou melhor : como em inglez, isto é, no ponto em que proferimos o 
r de dar, caro. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 11 

Artlcnlaçíes nasaladas: — l, 3, / y, j, A^ n, p, t, v, z, c. Ex.: 

%aza «residência»; dada «algodão»; kufúa ou kaviia «perten- 
cer»; yaka «avô»; Jila «caminho»; kala «caranguejo»; haka 
«cobra»; jpaka «faca»; mtãu «pessoa»; vuaa «bulha»; zéò «for- 
miga»; ciei «se». 

Vocábulos 

As syllabas de que se compSem os vocábulos constam de 
dois elementos, o primeiro dos quaes consoante ou semivogal 
(t, ti), e o segundo vogal ou dithongo. 

O accento tónico recae quasi sempre na penúltima syllaba 
e por isso mesmo, com poucas excepções, os vocábulos são 
graves, o que se reconhece pelos exemplos já apresentados. 

Poucos são os agudos, como: dizm «dente», dvSíaMá «de- 
pois de amanhã». Porém os graves tornam-se agudos unindo- 
se a outros. Ex.: iíape, úapékamo «bom, melhor»; ukúete, 
vkúetéjiioma «tem, tem medo», o que já se advertiu a pag. 6. 

Muito poucos são os esdrúxulos ou proparoxytonos, como: 
scúiaho «seis», tátuko «pai». 

ObservaçOes. — I. Os bângalas e os quiôcos já vão diflfe- 
rindo dos lundas, fazendo predominar os accentos nas ultimas 
syllabas. 

n. No decurso doesta obra eliminarei em geral o accento 
marcado em vogal aberta, e que se entende ser o agudo ( ' ), 
ou antes de nasal o circunflexo (o que já ficou advertido a 
pag. 7, Obs. u), todas as vezes que recaia na vogal da pe- 
núltima syllaba. 

Doeste modo se simplifica em muito a escripta e composição 
typographica. No Vocabulário, porém, todos os accentos 
distinctivos vão assignalados. Os polysyllabos terminados em 
vogal oxytonos e proparoxytonos (agudos e esdrúxulos) vão 
todos accentuados graphicamente no texto, e assim também 
08 paroxytonos cuja vogal predominante seja â, e, o, caracte- 
risadamente fechados antes de consoante que não seja nasal 
ou nasalisada. 



12 



BXPEDIÇXO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



Nos vocábulos temos em attenção os prefixos, por ser nelles 
que se baseia a morphología da língua, e os suffixos, porque 
estes, já por addiçSes, já por eliminações e contracçSes, os 
fazem alterar. 

Também a troca de prefixos dá logar a alterações. Ex.: 



^úape «bonito». 

kúape « agradar» . 

kãapexe «embellezar». 

kiUa «metter». 

kuteka a guardar» . 

kutekexe «conservar». 

kuleka «deixar». 

kidekexa «largar». 

kulekele «perdoar». 



kúata « agarrar» . 

kúatana «ligar». 

kuatanexe «amarrar». 

ditoka «branco». 

kutoka «branquear». 

kutokexa «limpar». 

paka «faca». 

kapaka « faquinha» . 

kupaka «esfaquear». 



Contracções e elisões 



Na união de vocábulos notei que das seguintes contracções 
dos sons vocálicos contíguos resultam sons differentes, predo- 
minando a lei de elisão da vogal final do primeiro. Ex : 

c Ex. : divuga -{- edi = divug* edi «este panno». 
ma 4- wti = mèsu «olhos». 
bada -\- úape = bad* úape «boa mulher». 
lukaye -\- tólu = lukay^ tôlu «essa galli- 

nha do mato», 
ni 4- <» = wa (prefixo do pretérito). 
ikugi -[- ci = ikíig* eí «este homem», 
nt "|- ôcua = n^ôvúa «eu entendo». 
ku -\- ôtma = k'ôvua «entender». 
mutu -}- úipe = mui' úipe «má pessoa». 

Observação. — Com respeito ao a final e u inicial, a con- 
tracção dá-se em a se aquelle for aberto como no prefixo mà. 
Ex.: ma -j- uta = mata «armas». 



a final 


— e 


inicial 


e 


a » 


+ i 


» 


— g 


a » 


+ « 


» 


u 


c » 


+ i 


» 


• 

-- % 


• 

% • 


+ « 


» 


— a 


• 

% » 


+ « 


a 


e 


• 

» • 


+ 


o 


-= 


u » 


+ 


» 





u » 


+ » 


» 


— u 



n 



I» 



n 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LDNDA 



13 



Abreviações 

Fazem muito uso de abreviações, reunindo dois, três e 
mais vocábulos a constituirem um só. Ha mesmo monosyllabos 
que abreviam a phrase. Ex.: 



na 

mu 

tá 

kó 

me 

kaná 

aod^ ou avriê 

zakó 

úeai 



Mi 



lukokexe 



por gina 



mamqje-mak' ede 



9 



» 



«senhora, auetoridade». 

miiu «pessoa». 

leta ou neta «traze». 

hunouko «aqui». 

múane tê «sim senhor». 

kanagana «não senhor». 

avudi lê «sim, muito obrigado». 

ezá kunouko, ezá huno «venha cá». 

úeaele úape «bom chegasse». (Se um vem 
ao encontro de outro, é a saudação 
que este lhe dá: «bemvindo seja»). 

tala hUi «repare ainda, olhe, tenha atten- 
ção». (Maneira de um superior chamar 
o inferior que está a alguma distancia). 

lu kúoka exe «o que dá hospitalidade». 
(E o titulo que se deu a Luéji, pri- 
meira mãe de Muatiânvua). 

múamo dei maka ede «finalmente» (A 
letra: «assim se a conversa anda»). 



Observação. — É preciso ter em muita attenção as abre- 
viaç3es, para que não succeda como a Livingstone, que suppoz 
avriê corrupção de Ave Maria. Conhece-se que o r e d se não 
distinguem bem em muitos vocábulos, e o tê é só por si o vocá- 
bulo «sim»; portanto o vocábulo desdobra-se em avdi tê; ora 
como muitos povos pronunciam bem avtidi segue-se que aquelle 
é uma corrupção doeste, que se interpreta por «abimdancia, 
muito», etc. 



14 EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIANVUA 



Interpolações 

Consistem as interpolações em ims termos especiaeS; phra- 
ses antigas, interjeições adequadas, gestos e movimentos das 
diversas partes do corpo. E por meio d^ellas que conseguem 
obter a emphase e exagero que teem como indispensável, 
para melhor efTeito nos seus discursos. 

Ena mussumba, na corte, junto ao Muatiânvua, que mais 
se notam estas interjeições ; ainda que algumas são-lhes neces- 
sárias para a substituição de termos que não teem ou já esque- 
ceram, como as divisões do dia, indicação de rumos, distancias, 
alturas, espessuras, etc, que indicam com os braços e mãos; 
outras como rapidez, suspensões súbitas, perigos, precipícios, 
etc., que, além d^aquelles gestos e movimentos, são acompa- 
nhadas com trejeitos e vozes especiaes. 

Assim, por exemplo, as horas do dia são indicadas da se- 
guinte forma: levantando a mão direita para o seu zenith, é 
meio dia; estendida esta e apontando para o lado de onde 
nasce o sol, são seis horas da manhã; para o lado contrario 
(pôr do sol), seis horas da tarde. Calculam as nove da manhã 
e três da tarde, inclinando a mão no sentido da bissectriz dos 
ângulos respectivos. Inclinando as mãos a approximar-se mais 
ou menos das linhas principaes indicadas, não se affastam 
muito das nossas divisões do horário. 

Dão-nos idea das distancias, pondo a mão esquerda no 
peito, estendendo o braço direito e apontando com a mão o 
rumo, pouco mais ou menos, do logar a que se referem; e 
batendo ao mesmo tempo com a esquerda no peito, mostram 
as estações (dias de marchas, fundos* de duas a três horas 
de marcha), e dão estalidos com os dedos da mão direita como 
para indicar marcha. Indicam que é longe, dando apenas 
estalidos, e tantos quanto maior for a distancia; se é perto 



Acampamentoa 



METHODO PBATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 15 

em relação ao tempO; dizem ah! ka!, batendo as palmas das 
mSos lima vez e virando logo estas com um certo abandono 
indicando desprezo. 

As alturas, indicam-nas estendendo o antebraço direito um 
pouco para a frente e dobrando de modo que o braço fique 
para cima; se dobram o corpo um pouco para a direita e o 
braço vae descaindo com a mão mais dobrada, são as alturas 
menores; de modo que uma creança pequena é representada 
quasi com o corpo todo descaido e a mão fechada, e a de collo 
como se a tivessem deitada nos braços ; e as maiores alturas 
endireitando o corpo, e tendo o braço quasi na vertical, levan- 
tando-o ainda mais para designar as mais elevadas. 

As espessuras são reguladas pelas pernas, sendo a bitola 
desde o delgado até á coxa, e indicando, com as mãos o querer 
abraçá-la. Se se trata, porém, de grossos arvoredos, então o 
individuo que falia levanta-se, curva-se o mais que podo para 
a frente, e arqueia os braços, deixando grande intervallo de 
mão a mão e diz sempre: ah! ka ka! (olhando ora para um 
ora para o outro) iH ilãepe! «isto é pequeno». 

Fallando da grandeza de um dente de marfim, indicam-na 
pela perna até 60 libras (peso), movendo a mão direita desde 
o delgado até ao cheio. Acima do joelho é superior a 80 libras. 

Mostram a pouca importância que ligam ao que vêem ou 
ouvem, levantando repentinamente os hombros, e mais o di- 
reitp do que o esquerdo. 

A rapidez é indicada por estalidos com os dedos da mão 
direita, braço estendido, ao mesmo tempo que os beiços se 
protrahem e deixam ouvir um som guttural como rururu. . . 

A grande mortandade numa guerra, indicam-na agitando 
desordenadamente o braço direito para os lados, suppondo a 
mão o gume de uma faca cortando cabeças, e movendo os 
beiços rapidamente, ao mesmo tempo que franzem os sobro- 
lhos e nariz, e meneando toda a cabeça num vaivém para a 
frente, fazendo ouvir pum pum pum, e em seguida kutapa, 
kutapa ni kutapa. . . pum pum pum, kutapa, etc. «a guerra 
foi grande, matou-se muita gente a tiro e á faca». 



I 



16 EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIInVUA 

Os precipícios sSo indicados^ fazendo girar mn braço em 
tomo do outro três vezes e deixando cair depois o direito; e 
batendo logo em seguida com a mão direita uma palmada na 
esquerda^ vão segurar o queixo^ abanando a cabeça um pouco 
para baixo sobre a direita^ ao mesmo tempo que dizem ah! 
ka! ficando assim por algum tempo. 

A suspensão indicam-na^ levantando o corpo rapidamente 
e dizendo: úohúôl 

múantê òi noeji, que abreviam ainda em miíè H noeji e 
mesmo em ^ noeji, phrase usada como respeito para com o 
primeiro Muatiânvua; representado sempre pelo da actualidade^ 
é constantemente empregada entre periodos, entre phrases e 
até mesmo entre vocábulos ; o que a &z parecer um pretexto 
para fôlego, na rapidez com que fazem succeder as palavras 
na sua conversação, e também para lhes occorrer o vocábulo 
que teem a empregar em seguida áquelle em que pararam. 
Ex.: ámi ma di noeji ni múéne kase ni, ,. múe òi noeji. • . 
ni òibiaa pdtau pa. . . mHe òi noeji. . . pa fifuiuè^ etc. teu 
vou com (pela graça do superior) Muene Casse e . . . (idem) 
com o caçador ao porto. . . (idem) do Chiámbue, etc.» 

kaloíoj kaluya, zcJfn, tátvko, mOaniê, mvhiiaíago, múéne- 
yada, acompanhados de accionados^ e batendo as palmas e 
esfregando o peito e braços com terra, são intercalaçSes fre- 
quentes nos seus discursos, principalmente se forem inter- 
rompidos, embora apenas por uma phrase de assentimento, 
ou affirmativa, ou negativa de quem os escuta, e muito prin- 
cipalmente se for o potentado da localidade; chegando para 
este a deitarem o corpo no solo, e para o Muatiânvua a rebo- 
larem-se de um para outro lado, como prova de muita defe- 
rência e respeito. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 17 



Transcripçáo vulgar 

Terminarei a parte doeste resumo, que comprehende a pho- 
nologia da lingua lunda^ com algumas regras, que se devem 
adoptar para reduzir á orthographia usual portugueza os ca- 
racteres de que fiz uso na transcripçáo methodica, que adoptei 
para a representação dos sons que constituem o referido dia- 
lecto. 

L^ As consoantes nasaladas, a que sobrepuz o **, passam 
á escripta usual mudando-se aquelle diacritico em m antes de 
6 e jp^ e em n antes de qualquer outra consoante. Se forem 
iniciaes antep3e-se-lhes além d'isso a. 

2.^ O k passa a c antes de a, o, u; e antes Aq e, i b, qu. 
Semelhantemente entre g q e, i seguintes interpSe-se u, for- 
mando o grupo conhecido gu. 

3.* O 8 medial dobra-se em 88 para conservar a pronim- 
ciaç£o inicial de (• 

4.* d e n convertem-se em eh, nh. 

5.* Nos vocábulos cuja ultima syllaba contém as vogaes i, 
u, finaes ou seguidas de outra vogal, indica-se sempre a vogal 
tónica, por isso que os terminados em i, u são em portuguez 
quasi todos agudos, e os terminados em ia, ua, etc, variam 
muito na sua accentuação. 

6.* Quando i, u, formem por si sós a penúltima syllaba 
tónica de um vocábulo, serSo accentuados para se conhecer 
que nSo constituem dithongo com a vogal que os precede. 

7.* A outra accentuação conserva-se, com as simplificações 
asadas no methodo desde pag. 11. 

8.* Os nomes próprios escrever-se-hão com letra inicial 
maiúscula. 

9.* Os signaes convencionaes {a, ò, t, e, etc.) supprimem-se. 



\ 



PARTE II 



MORPHOLOGIA 



I 



EESUMO SYNTHETICO 



Substantivos 



Prefixos 



Sendo certo que são os prefixos dos substantivos que regem 
toda a língua, ou melhor, que todas as partes variáveis da 
oraçSo a elles se subordinam porque deixam os seus para 
tomar os d'aquelles quando se lhes juntam, é^ portanto, de 
inteira necessidade investigar quaes as funcç(5es que os prefi- 
xos exercem nos substantivos ou razSes de preferencia do seu 
emprego, para se conhecer a classificação ou modo de grupar 
os substantivos. 

E notável que já hoje apparecem muitos substantivos sem 
prefixo no singular; porém, como o teem no plural, o seu 
logar não pode deixar de ser ao lado d'aquelles que tiverem 
idênticos prefixos nesse numero, e sabe-se que alguns dos 
que não teem prefixos podem usar-se com os que correspon- 
deriam aos que elles teem no plural. 

Dependente da memoria de cada um esta lingua, compre- 
hende-se o trabalho que tivemos na arrumação dos vocábulos 
pelos prefixos, e sobretudo quando se não esqueça que a região 
central em que ella se falia é vastíssima e occupada por um 
grande numero de tribus, que se constituíram com individuos 
emigrados de outras mais ou menos affastadas. 



22 



EXPEDIÇlO POBTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



Quem tenha em attençSo estas e muitas outras circumstan- 
cias, comO; por exemplo, que novas emigraçSes trariam novos 
vocábulos e que a estes outros se juntaram de novos objectos 
que com o tempo se foram conhecendo, reconhece também 
que é difficil discriminar as primitivas classificaçSes, porque 
por analogia os vocábulos que se lhe seguiram foram encor- 
porar-se aos primeiros classificados. 

Nâo se devem esperar, pois, regras precisas para se conhe- 
cer do uso dos prefixos ; mas, no intuito de esclarecer e auxi- 
liar a memoria, apresentaremos o que devemos á pratica e 
ás nossas investigaçSes. 

Reduzem-se a cinco os prefixos, em que faremos entrar 
todos os vocábulos dos nomes substantivos, e são : 



ma 



Destacam-se, nos vocábulos que teem este prefixo, os entes 
animados, que no plural o mudam em a, dos outros que a 
estes 90 encorporaram e o mudam em mi. Ex.: 



Sing. 

m&ana 
múepiía 
mukaje 
Primeiro c&bo (mukato 

mvkita 
muruTO 
mulúa 



PI. 

«filho» ana. 

«sobrinho» aep&a. 

«mulher» ctkaje. 

«selvagem» akato. 

«osga» akita. 

«escravo» anaro. 

«portador» alua. 



Slng. 

múixi 



PI. 
mtm. 



«fíimo» 

mukada «abrigo» mikaaa, 

mukaka «mandioca» míkaka. 

Segundo caso ( mtyífcíto «serviço» mijikita. 

musaji «molho» misaji. 

muZima «estômago» miòima. 

mutodo «arvore» mitodo. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 23 

lu OU ru 

Sendo para notar que a região em que se falia a língua de 
que tratámos se denomina luda, e que os nomes da maior 
parte dos rios e riachos que a cortam teem por prefixo lu, 
ex.: Ivhcde, luaJge, lúde, luvo, lúôviuz, luòiko, lúdôimo, liwie, 
lúana, lúia, lufi, lulúa, lúiza, IvsaZeji, lumami, IvòUaxiy lúcHaba, 
etc, é de suppor que tal prefixo tenha uma ordem de prefe- 
rencia e sem duvida immediata á dos entes animados, que 
certamente foram os primeiros classificados. 

A este prefixo corresponde no plural Jt^ sem excepç8es. 

As nossas investigaçSes sobre os vocábulos que teem tal 
prefixo fazem-nos destacar os que são phenomenos da natureza, 
e por analogia os que representam objectos que terminam 
em formas mais ou menos agudas. Ex.: 

Sing. PL 

lúegele «abysmo» jieyele. 

Ivkido € vento» jikiao. 

Itmda «chuva» jivula. 

luvudo «bulha» jivuao. 

IvÃe «extremo aguçado» jiae. 

himki «cabello» jisuki. 

lumemo «barbas de gato» jimemo. 

Iviu «colher» jitu. 

lupada «esteio» jipaaa. 

luSala «unha» jiSala. 

ludimi «lingua» jidimi, 

ObsebvaçIo. — A par doestes já estão vocábulos novos 
como: Ivpasa «caneca», IvbdLo «parafuso das armas», luji 
«prego», Itíswmo «copo de vidro»; e também lutais «batata», 
luteya «poeira», Ivkooo «espécie de vassoura», luteao «bala», 
lukaxi «bofetada». Todos elles mudam para o plural do mesmo 
modo. Este ultimo exemplo toma-se mmto mais saliente porque 
«soco» e «couce» estão grupados na classe do prefixo Hj como 
o veremos. 



24 



EXPEDIÇÃO PORTUGUEZA AO MUATIANVUA 



6i OU ki 

Notam-se entre os voeabulos doeste grupo apenas, das partes 
do corpo humano, braço, mSo, e hombro, e também «o queé 
devido ao seu movimento», e isto faz prever que não lhes pas- 
sara despercebido o fazerem a tal respeito uma arrumação 
especial dos seus vocábulos. Todos mudam para o plural tro- 
qando o prefixo por t. Ex.: 



Sing. 




PI. 


òikasa 


«mão, braço» 


ikasa. 


^ikiji 


«hombro» 


• 7 • • • 

thiji. 


òikuío 


«cubata» 


ihjJfn). 


lUaía 


abainha das facas» 


ilala. 


^laapuUo 


«prato de madeira» 


isapuílo. 


^V IV 

cieya 


«prato de barro» 


\t IV 

leya. 


lisoka 


«machado» 


isoka. 


^izagvlo 


«pente» 


izagxdo. 


òUcdo 


«ponte» 


Halo, 


òikaya 


«esteira» 


ikaya. 


òisokolo 


«lança» 


isokolo. 


Uno 


«pilão» 


ino. 


Upa^a 


«cerca, cerrado» 


ipaya. 


Zipaia 


«cesto» 


ipata. 


lipaúa 


«malla». 


ipaúa. 



ObsebvaçXo. — Outros se juntaram a este grupo certamente 
por analogia, porque os emigrantes os trouxeram, ou antes, 
porque sendo o seu plural o mesmo, o habito lhes fez dar o 
mesmo prefixo do singular. Ex.: 



Sing. 

^Uata 

lUema 

tíkita 

òikaaa 

^ikam 



«ferida» 
«aleijado» 



PL 

itata, 
ilema. 

«pelle que tem pello» ikita. 

«pelle de porco» ikada. 

«soco» ikani. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUlíDA 25 



Sing. 




PL 


tísani c couce» 




isanu 


Ujigirilo csignal» 




ijigiruo. 


likala^a cninho» 




ikalaga. 


lisupe conca (fera)» 




isvpe. 


tíboae «porco» 




ihoae. 


Síoka «lombriga» 




toka. 


èiseke «chapellinho 


de sol» 


iaeke. 


tíko «praça, mercado» 


iko. 



ObsebvaçXo. — Na maioria doestes vocábulos parece haver 
para a sua arrumação neste grupo a influencia da guttural k 
por analogia com òikasa «braço»^ e é natural que depois uns 
chamassem outros, como, por exemplo, likada «pelle de porco», 
liboae «porco», etc. 

dl ou li ou ri 

Parece que este foi adoptado para arrumação de todos 
aquelles que por qualquer circumstancia não deviam ter logar 
nos três primeiros grupos e aos quaes se foram jimtando, 
tendo todos por prefixo no plural ma. Ainda assim na maioria 
dos vocábulos parece ter-se em vista a forma redonda dos 
objectos que representam. Ex.: 



Sing. 




PI. 


dibuko 


«buraco» 


mahuko. 


ãtoffiía 


«abóbora» 


maa^%ía. 


difuvo 


«abcesso» 


mafuvo. 


ditako 


«anca» 


matako. 


divumo 


«barriga» 


mavumo. 


dibala 


«calva» 


mabcda. 


dihóío 


«caveira» 


mabóto. 


dlhuro 


«céu» 


mahuro. 


ditííi 


«ouvido» 


matúi. 


ducda 


«pedra» 


mauda. 


difuda 


«embrulho» 


mafuda. 


disoji 


«pingo, lagrimai 


) masqji. 



26 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



ObsbrvaçSo. — A estes se gruparam ainda outros, certa- 
mente por analogia, se não de formas, de pronuncia ou qual- 
quer outro motivo. Ex.: 



Sing. 
dipCLVíd 

diloua 


«abertura, fenda» 
«anzol» 


PL 

mapana. 
maloiía. 


7 «7 w • • • 

dtouiji 
dikcda 


«bago» 
«carvão» 


mahúiji, 
makala. 


dizêu 


«dente» 


mazêu. 


diiHko 


«dia» 


ma^iko. 


difupa 

7 • u • 

dizut 

dijaoo 

difada 

T^' • • • 

dlijt 
d^eZe 


«osso» 

«palavra, voz» 
«sepultura» 
«pólvora» 
«folha de arvore» 
«roUa» 


mafupa. 

mazuu 

majc^o. 

mafaãa, 

maiji. 

maete. 


diiikita 


«floresta» 


matíkita, 


d^aba 
dikuba 


«cesto pequeno» 
«invólucro» 


maaba, 
makuba. 


dUele 


«mamma» 


modele. 


dipuUe 
ditaãa 


«bolha» 
«mocho, assento» 


mapúile. 
mataãa. 


dti 


«ovo» 


maí. 


divuya 


«panno» 


mavuga. 



ObservaçXo. — Nota-se ser esta classe e a que tem como 
prefixo mu as que teem maior nimiero de vocábulos. 



ka 



Este prefixo tem funcção determinada — fazer diminuitivos 
dos vocábulos positivos. Os que de si teem este prefixo per- 
manente representam animaes ou objectos relativamente pe- 
quenos. Todos elles formam o plural mudando ka em tu. Ex.: 



UETHODO PRATICO DA LINOUA DA LUNDA 



27 



Sing. 

katumo c 
kaméne c 
kahoko < 


agulha» 

vespa» 

icraneo» 


PL 

ttdumo. 
tuméne 
túhoko. 


katât i 


1 corvo» 


tutâí. 


kaòaka 


imilho» 


tubaJca, 


kaaaú < 


cmachadinhox 


» tusaú. 


kasega 

hxmu 

katuío 


1 migalha» 
(mosquito» 
( estrella» 


tusega. 

tumu. 

tutmo. 


kakugunHa 
kabúa 


«cotovello» 
«cão» 


tuhigunúa. 
tubúa. 


kamexi 


cgato 


tumexi. 


kcndo 

Jcakuda 

kadiga 


f sitio» 

(corcunda» 

«bombo»* 


• 

iuido. 

tukuaa. 

tudiga. 



ObsebvaçIo GEBAL. — Como este prefixo tenha uma funcçSo 
especial, só temos a considerar para os casos geracs os pri- 
meiros quatro, onde se podem, segundo o meu modo de ver, 
coUocar todos os vocábulos, quer tenham ou n3o prefixo no 
singular, e classifico do seguinte modo: 

Olasses 



Slng. 






PL 


1.* — mu 






a ou mt 


2.* — lu ou ru 






• • 


3.* — íí ou kl 




* 




4.* — dí ou ri 


ou 


li 


ma. 



ObsebvaçOes. — I. No vocabulário de nomes substantivos, 
sem prefixo determinado, actualmente, só encontro dois que 
teem por inicial i, alguns po^ inicial u, e todos os demais são 
iniciados por articulaçSes simples ou nasaladas. 



1 Mandioca seca, depois de estar de molho três dias no rio. 



28 



EXPEDIçlO PORTUGUEZA AO MUATIAnVUA 



Os que teem por inicial i, como sejam de entes animados 
e se lhes antepõe no plural a, os considero da primeira classe, 
que teem por prefixo mu. Ex.: 



Sing. PL 

ikugi chomem» aUctiyi 
ixi cpeixe» aSxi. 

Os que teem por inicial u, como se lhes anteponha no plural 
ma^ considero-os de quarta classe que teem por prefixo di ou 
ri ou li. Ex.: 



Sing. 

úata costado» 
úato 



PI. 
maúcUa. 

maúato. 



mauga. 
matdcdo 



«canoa» 
uga «fubá» 
vlalo «cama» 

tdaje «veneno» mavlaje. 

úito «rio» maúito, 

viadi «ferro» mautadi, 

utiíè «cinza» mautúi. 

úiji «ladrão» mauijL 

useta «negocio» mauséía. 

uviji «pello» mauvijL 

Os que teem por inicial qualquer articulação, ou teem por 
prefixo no plural a ou ji, e ainda os primeiros, como tenham 
referencia a entes animados, coUoco-os na primeira classe cujo 
prefixo é mu^ e os outros na segunda cujo prefixo é Ztt ou ru. 

Vocábulos iniciados por articulações simples, ex.: 



Primeiro caso 



Sing. 




PL 


tátuko 


«pae» 


atâtuko. 


maku 


«mãe» 


amaku. 


soji 


«tia» 


asoJL 


tuSo 


«rato» 


atuzo. 


sogani 


«formiga» 


asogani. 


tadaúaji 


\ «aranha» 


atadaúaje 



METHODO PBÂTICO DA LINQUA DA LUNDA 



29 



Sing. 

xipo ccinto» 

mono tremedio» 

]jíhidi csaco» 



jixipo. 

jimono. 

jifihidL 



Segundo caso r r .. r 

\pobo cmacaco, sp.» jxpobo. 

séú cflexa» jiséú. 

nugo cpanella» jinugo 



Exemplos de vocábulos iniciados por articulação nasalada: 





Sing. 




PL 




Igaía 
gaka 


c carregador» agc£a. 




cavo» 


a^aka. 




ggt 


«mosca» 


ageji. 




^ogo 


«palhaço» 


agogo. 




kala 


«caranguejo» akala. 


Primeiro caso^ 


kúedi 


«cunhado» 


aJcuedi. 




jihãvlo cneto» 


ajiktãulo. 




^íaka 


«cobra» 


aflaka. 




peie 


«cabra» 


apeUe. 




puka 
zéd 


«abelha» 


apuka. 




«formiga» 


azéd. 




Sing. 




PL 




hito 


«semente» 


jtHuto. 




daaa 


«algodão» 


jidada. 




auao 


«borracha» 


jiduao. 




aiigo 


«pimentinhasi 


> jidugo. 




goda 


«paiz» 


jigaaa. 


Segundo caso < 


gcije 

1 M M U 

gezua 


«dendem» 
«campainha» 


jigaje. 
jigezua. 




goga 


«patrona» 


jtgoga. 




paka 


«faca» 


jipaka. 




pexi 


«cachimbo» 


jtpexi. 




pupo 


«barrete» 


jipupo. 




100 . 

\zaje 


«raio» 


jizcge. 



30 EXPEDIÇXO POETUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

n. Apparecem vocábulos só prefixados em ma, mas isto 
não quer dizer que nSo tenham di para singular^ e neste 
caso estSo: mmele cleite», que é o plural de dvíde cmamma»; 
manana cbracelete de latSo», que é o plural de dinana cvara 
de latão»; mcdugula «calor», que também se diz dUugtda. 

Também é para notar que outros ha que não teem realmente 
singular; ou que conservam sempre os seus prefiixos em qual- 
quer numero em que se falia. Ex.: mate «cuspo»; malu ccas- 
tigo», makwro «despovoado», mafefe «traiçSo», makaso «men- 
tira», masehde «ourina», Tnasa^ano «encontro de rios»; nudau 
«pântano», maxi «sangue», maóika «frio», etc. 

Parece que o ma indica abundância. 

Ainda neste grupo devem entrar: mema «agua», mogiia 
«sal», marra «garapa», rruka «infunde», mciu «tio», miloga 
«causa, demanda, crime», etc. 

Estes dois últimos não deixam de chamar a nossa attenção, 
porquanto muloga, que parece ser o singular d'este, é o vocá- 
bulo «porque», e na verdade miloga, que representa as ques- 
tões que se levantam entre aquelles povos não se pode dizer 
que tomasse interpretação diversa. Com respeito ao primeiro 
é o vocábulo especial que se não deve confundir com cãu 
«pessoas» e como elle toma o prefixo a no plural, dá logar 
a suppor-se que o verdadeiro vocábulo teria sido miiciu. 

As considerações sobre vjfuãu e miloga levam-nos a suppô-los 
ambos da primeira classe, cujo prefixo é mu, sendo o primeiro 
dos entes animados que teem por plural a e o terceiro dos que 
teem por plural mu 

Assim discorrendo, nós podemos ir classificando todos os 
vocábulos nas quatro classes indicadas. 

Géneros 

Só teem género os substantivos classificados como entes 
animados, isto é, aquelles que teem por prefixo no plural a, 
salvo algumas excepções, dos poucos que foram grupados por 
analogia em outras classes. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 31 

E para estes, se o nome é genérico para os dois sexos, 
temos a ajuntar o vocábulo ioda cmnlher», para ò individuo 
fêmea; também se emprega, mas é raro, o vocábulo ikugi 
«homem», se temos a distinguir individuo macho. 

Grana 

Tomam os substantivos augmentativos juntando-lhes os 
adjectivos jima cmaior, largo, espesso, gordo», ou kene «gran- 
de», com o mesmo prefixo do substantivo. 

Querendo empregá-lo no diminuitivo antep3em-lhe ka. 
Ex.: 

FodtiTO AngmenUtiTO ' Diminoittro 

paka «faca» paka úa kene kapaka 

kabúa «cão» kabãa kajima kakabúa 

òikaga «esteira» Wcaga ^ikéne kàòikaga 

ObsebvaçIo. — Adoptam o prefixo u para a concordância 
quando os vocábulos começam por articulação nasal juntando 
a a esse prefixo para mais feudl ligação, como se vê do pri- 
meiro exemplo. Cf. a pag. 29 o adjectivo determinativo úa 
(tmã) e a pag. 30 adjectivos ATTRiBunvos. 



Adjectivos 

Em geral os adjectivos fazem-se succeder aos substantivos 
com 08 prefixos doestes, sendo os determinativos pospostos 
aos attributivos. Ex.: dileso diúape «bom, bello lenço», ikiig^éí 
«este homem», ikug' ia «aquelle homem», dileso diuape ta 
«aquelle bonito lenço», dUeao diuape edi «este bom lenço». 

Olasse 

É a mesma dos substantivos com os quaes teem de con- 
cordar. 



32 EXPEDIÇÃO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



Numero 

Como sSo os prefixos que mudani; o numero é o do sub- 
stantivo. 

Graus de comparação 

Para indicarem igualdade servem-se dos vocábulos muo- 
mo, , . mudi cassim. . . comop, quando affirmam; e de kagana 
múamo. . . mudi «não assim. . . como»^ quando negam. Ex.: 
divug' edi múamo diúape mudi dia «este panno assim bom como 
aquelle»; iku^* ta kayana muamo múipe mudi múana maku edi 
«aquelle homem não assim mau como irmão d^elle». 

Para indicarem superioridade servem-se dos vocábulos 
kaTno «mais»^ kadi kamo c ainda mais»; kaxi cmuito». 

Fazem a comparação affirmando a superioridade de um 
substantivo, negando a do outro. Ex.: nidi mulepe Jcamo, ha- 
yana mOana maku ámi «eu sou alto mais não irmão meu»; ámi 
kadi kamjo, kagan' éí «eu ainda mais, não tu»; miién edi xdepe 
ni kaxi «elle, alto e muito»; tahiko edi kamo ni kaxi «pae 
d^elle mais e muito». 

ObsebvaçIo. — O mesmo adjectivo muda de prefixos segundo 
os dos substantivos e ainda segundo os pronomes prefixos, de 
modo que muitas vezes um adjectivo pelo prefixo está occu- 
pando o logar do verbo que se subentende. Assim : lepe «alto, 
longe, distante» no terceiro exemplo acima, tomou o prefixo 
u da terceira pessoa, subentendendo- se v/U «é». 

Para indicarem inferioridade servem-se do vocábulo 
koMepe «pequeno ou pouco», e da abreviatura ka. 

Observações. — I. Repetem o vocábulo para designarem 
quantidade mais Ínfima. Ex.: kaktepe ni kaJãepe, que é o 
mesmo que koJãepe ni kaxi, 

n. — Tratando-se de qualidade, usam também antepor os 
adjectivos 2a e H para designar o que ha de mais superior 
ou inferior. Ex.: lakêne «muito grande, capaz, intelligente, 
etc.», laiape «muito bom, bello, bonito, etc», likepe «muito 
pequeno, infimo, insignificante, etc», Uipe «muito, mau, pés- 
simo, feiíssimo, etc». 



HETHODO PRATICO DA UNGtJA DA LUNDA 33 



V 



▲4J^tlT0« detemilnatiTOB 

â, é, Ô, ú, seguidos dos prefixos dos substantivos, no singtdar 
ceste; esta»; no plural cestes, estas», unú ceste (quando iso- 
lado)». 

ta, te, tô, tu, similhantejnente/ cesse, essa, esses, essas». 

tmá caquelle», que abreviam em úa. O prefixo u é substi- 
tuído pelos dos substantivos com quem tem de concordar. Cf. 
a Obs. a pag. 31. 

t2í ou iki cisto», iéi cisso», ieneU caquillo». Também dizem 
tu cisto», inú fisso». 

kiiaú coutro», mukúaú caquelloutro», muJcuaií uná caquelle 
de lá». 

ôso ctudo, todo», a$80 c todos». 

ÍÍÔ80 cqualquer», Bôso likuau, cqualquer outro», Ukwro 
cantigo», (Síiso cnovo», eU ou eki cque», A:oSa cqual», Tiaúi 
cquem». 

ObsebvaçIo. -^NSo devemos esquecer, que para a concor- 
dância com os substantivos os prefixos trocam-se pelos doestes. 

A<!Ueotivos nnmeraes òrdinaei? 

SSo grupados por dezenas e com nomes, boje distinctos, de 
um a dez : 

Tcáimiué cum» muêâícMo cseis» 

kcuidi cdois» saBúari csete» 

kasato ctres» }íinana coito» 

kaní c quatro» divu cnove» 

Tcatano c cinco» dikumi cdez» 

Para os grupos seguintes até cem, tomam o plural de dez, 
makumi, a que addicionam o plural do numero cuja dezena 
querem indicar, assim: makumi matano ccincoenta», e a esta 
ligam pela conjuncçSo m o numero de unidades, assim : ínciku- 
mi matano ni sato ccincoenta e três». 

8 



34 EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

Para o numero cem teem o vocábulo títota, e seguem 
para as centenas o mesmo que para as dezenas. Para mil o 
vocábulo é kanuno. 

ObservaçXo. — Nfio teem vocábulos para os números car- 
dinaes^ porém dizem úasaíele cprimeirov, de kusc£a «princi- 
piar», e depois, juntando-lbe as radicaes do numero de ordem 
de do-is a dez, obteem as equivalências de segundo até 
decimo. 

Adjectivos partitivos 

Apenas teem: likuko «porçSo (referindo-se a divisSo)», òtbalo 
«porçSo (referindo-se a calculo)», iHbde cretalho», kasaxi tme- 
tade», kaktepe «porção pequena». 

Adjectivos attributivos 

Como teem poucos, servem-se de substantivos, dos adje- 
ctivos que conhecem e de verbos, antepondo-lbes os prefixos 
dos substantivos a que se referem, precedidos do á e mais 
geralmente úa. Ex.: mukaje úaicsua «rapariga de força», em 
vez de «rapariga forte»; taíu úasiíeji «leão de bravura», em 
vez de «leão bravo»; ikuyi tajita «homem de guerra», em vez 
de «guerreiro»; ^oúma Síafúa «cousa de morre», em vez de 
«cousa quebrada»; muéiie úakvdima «senhor de lavrar», em 
vez de «lavrador»; dileso ãíaúape «lenço de bom», em vez de 
«bom lenço», etc. Cf. a OfiS. a pag. 31. 



Pronomes pessoaes 

Absolutos 

1.* ámi «eu» 1 1.' eòu «nós» 

Sing. \ 2.» eté «tu» PI. | 2.» énu «vós» 

3.* eai «elle» ( 3.' éne «elles» 

ObservaçXo. — É frequente dizerem múérieai (múéne «O se- 
nhor») «elle próprio, o mesmo», o que tem dado logar a inter- 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 35 

pretar-se muêne <o mesmo», porque usam apenas eai. Este 
vocábulo é mais usado como complemento de verbo e de pre- 
posição. Também em logar de éne se ouve algumas vezes ahíã, 
ahinaú. 

POBSeiBiTOB 

SSo os próprios pronomes absolutos a que se antepSem os 
prefixos dos substantivos. 

ObservaçXo. — Quando os substantivos não teem prefixos 
determinados, o prefixo usado para o possessivo é m. Ex.: 
múana úámi f filho meu», gaka úeai favo d^elle», peoe uámi 
ccabra minha», òíòoae Síámi «porco meu», ditada dtámi «ca- 
deira minha», etc. 

Olronmstanoiaes 

II.* ámi «mim, -migo» ( 1.* êtu «nós, -nosco» 

2.* eí «ti, -tigo» PI. < 2.* énu «vós, -vosco» 

3.* eai « . . .elle, lhe» ( 3.* éne « . . .elles, lhes» 

ObservaçOes. — I. Comovemos, sSo os pronomes absolutos, 
sem alteração ou com pequenas modificações na segunda 
pessoa do singular e primeira do plural, pospostos ás diversas 
preposições. 

II. Não se deve esquecer o que já dissemos com respeito 
aos pronomes absolutos «elle» e «elles», pois se ouve também 
nos circumstanciaes : amume, nimúéne, díahiíi, niaú, ahinaú, 
etc., em vez de: aedi, medi, dMne, mêne, etc. 

Goi^Junotos 

Beoiprooo 

Commum a ambos os números: ni «se». 

SnbJeotlTOB 

1.' ni «eu» í 1.* íw «nós» 

Sing. I 2.* ) l «tu» PI. I 2.* nu (mu) «vós» 
3.* ( ) «elle» f 3.*^ a «elles» 



36 EXPEDIÇXO PORTUQUEZA AO MUATLÍNVUA 



ObservaçXo importante. — Quando o aujeito for algum 

dos substantivos classificados, entSo o prefixo da terceira pessoa 

troca-se pelo d^aquelle. 

OliJeotiTOB 

1.' gu «me» [1.* êtu, gani «nós, nós todos» 

Sing. \ 2.* et «te» PI. < 2.* énu «vós» 

3.* mu «elle» ( 3.* i «elles» 

Nota. — O primeiro é infixo e os demais suffixos do verbo. 

Observação. — mu e i são equivalentes aos pronomes «o, 
os» e «a, as», porém também os empregam como «lhe, lhes» 
sempre que nâo tenham referencias a fazer, porque então nâo 
dispensam os pronomes pospostos indicados na pagina anterior. 

Empregam-se também edi no singular e nau no plural, por 
cmphase. 

Verbos 

Conjugam-se todos do mesmo modo, dividindo-se pelas ter- 
minaçSes do aoristo em duas classes, e cada uma d'estas em 
dois grupos. 

Pertencem á primeira classe, e, os verbos cujos aoristos 
terminam em ele e éne; são da segunda classe, i, os verbos 
cujos aoristos terminam em tle e ine. 

Tomámos como radical do verbo a sua forma mais simples, 
a segunda pessoa do singular do imperativo, pois nesta assenta 
todo o seu mechanismo por meio de prefixos, infixos e sufiãxos. 

Dado o radical, trata-se de conhecer a classe e grupo a que 
pertence por uma lei que observámos e de que pouquissimos 
verbos fogem, e quem sabe se podemos attribuir já a erro 
essas excepções. 

Se a penúltima syllaba termina em a ou e ou o, pertence o 
verbo á classe e, se em t ou u á classe í. Conhecida a classe, 
se a ultima syllaba principia por m ou n, pertence, por assi- 
milação parcial, ao segundo grupo da sua classe cuja termi- 
nação é ne, sendo qualquer outra letra pertence ao primeiro, 
cuja terminação é le. £x.: 



] 



HETHODO PBATICO DA LÍNGUA DA LCUDA 



,37 



• 




CT.A8SE I 






Primeiro grupo 


f 


Segundo grupo 


sala 


cfaze» sal-ele 


pana 


«dá» pan-éne 


tapa 


f corta» tap-ele 


xakama 


«senta-te» xakam-éne 


leta 


ctraze» let-ele 


jimana 


«enfada» jinian-êiie 


sota 


«procura» sot-de 


idama 


«precisa» , idam-éne 






CLASSE n 


1 




Primeiro gmpo 




Segundo gnipo 



xika «chega» xik-ile 

tiíòuka «levanta» tuíuk-tle 

suta «passa» sut-ile 

luka «vomita» luh-ile 



jima «apaga» jvm-me 

tuma «manda» tum-ine 

kuna «semeia» kun-ine 

suma «morde» sum-ine 



Forma activa 

E d'eBta forma que se derivam todas as outraS; e como os 
verbos compostos seguem as regras dos simples, o paradigma 
é o mesmo para todos, depois de o collocarmos no seu grupo 
o classe. 

Conhecida a segimda pessoa do singular do imperativo, 
formam-se as outras por meio dos prefixos correspondentes ás 
pessoas e dos suffixos. 

Para exemplo conjugaremos um verbo do primeiro grupo da 
segunda classe. 

O indicativo tem três tempos: presente, futuro e aoristo. 
O presente forma-se apenas prefixando os pronomes conjunctos 
subjectivos ao radical. O futuro forma-se antepondo ao radical 
os prefixos a-ka. O aoristo forma-se igualmente do presente 
mediante os suffixos indicados e prefixando ao radical a. 

Notámos que se servem muitas vezes do verbo kúeza «vir», 
no seu presente, com o verbo que pretendem conjugar, no 
infinito, para formarem um futuro ; assim dizem níeza kusota 
«venho procurar», úeza kusala «vens fazer», etc. 

O condicional tem só um tempo, hoje em desuso, e que 
differia apenas do futuro em trocar o infixo a-ka por a-jo. 



38 



EXPEDIÇÃO POBTCGUEXA AO HCATlljnrCA 



O conjunetiTO só se differença do indicatÍYO em qne o 
a 6jvú passa a e, como ee vê nas fi>niuLS qne, por symmetría^ 
dam^^s como terceiras pessoas do imperativo. 

O infinito éo radical com o prefixo inTaríavel k» (ku 
antes de vogal •. 

Para formaçlo das pessoas em cada tempo prefixam-se ás 
respectivas bases os pronome* conjunctos snbjectivosi devendo 
advertir-se: 1.* — qne na primeira pessoa singnlar do fíitaro 
e do aorísto o i de ni cae deante do prefixo, qne fica sendo na 
(ní -f- a)j 2.* — que a segunda e terceira pessoa do singular 
em cada tempo sSo perfeitamente idênticas, o que é importan- 
tíssimo como facto linguistico. 

Paradigma: rad. tníuka «levantar» 



IMPERATIVO 



Q ( tutmka 
' I u-Uãrtik-^ 

(ttt-tuíuk-êtu 
_ . tuíuk-énu 
\ a-tuíuk-e 



clevanta» 

«levante». 

«levantemos» 

«levantae» 

«levantem». 



INFINITO 

ku-tuívka «levantar». 



S. 2. 

(3. 
1. 
P.^2. 
3. 



INDICATIVO 
Preiente 

ni-tmtika 

U'tuLuka 

turtxãnika 
nu-tvímka * 
a-txãmka 



«levanto» 

«levantas» 

«levanta» 

«levantamos» 

«levantaes» 

«levantam». 



1 Ou mu-tuliulca. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 39 

Futuro 

1.* na-ka-tvíúka «levantarei» 

S. < 2.* ) „ , y , l «levantarás» 
„ ^ > u-a-ka-tuòuka { , . , 
3.* ) ( «levantará» 

1 .• tu-a-kortt&uha «levantaremos » 

P. \ 2.* nú-a-ka-iiSuka «levantareis» 

( 3 .* a-ka-tvLuka « levantarão » . 

Aoristo 

II .* na-tvímk-ile « levantei » 

2.* ) „ , r 7 .7 ( «levantaste» 

o « } u-a-tvjbuk-Ue \ , 

d.* ) ( «levantou» 

[1.*^ tu-a-tujfník-ile «levantámos» 
P. I 2.* nú-a-tuíuk-ãe «levantastes» 
(3.* a-tuíuk-ile «levantaram». 

CONDICIONAL 

Ha ainda quem se lembre, que em tempo differia apenas 
do fí\turo na mudança do infixo a-ka por a-p como se disse. 
Actualmente substituem-no pelo pretérito de qualquer dos ver- 
bos: kusota «querer», hãde «desejar», kma «ir», Âitíe^a «vir» 
(segundo o sentido), como auxiliar antes do verbo que se 
conjuga. Neste, por exemplo, diriam em logar de túajotiãmka 
«levantaríamos», túasotele kutuouka «queríamos levan- 
tar», etc. 

CONJUNCTIVO 

Tem 08 mesmos tempos do indicativo, com a differença de 
que o a final do radical do presente e futuro se muda em 
e, como já se disse, sendo o aoristo absolutamente idêntico. 
Antep5e-8e aos prefixos, conforme o sentido, qualquer das 
partículas seguintes: oa «se», ^i «que», eciki «ainda que», 
&€idso «quando», suka «mas». 

ObsebvaçIo. — NSo usam de tempos compostos e mesmo 
nSo lhes distingui a forma passiva, pois não teem participio. 
Em logar do nosso passivo, usam de construcçSo activa. Assim 



40 EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

dizem: cyi castigo» em logar de c tenho soffirido castigo, foi 
castigado», etc; <mandaram-no» em logar de cfoi mandado»; 
ccousa (qualquer) morreu» em^ logar de «foi quebrada, raxada, 
rasgada», etc. 

Formas objeotivas 

Para pessoas indeterminadas usam do pronome infixo mu 
e seu plural i, correspondentes aos pronomes co», «a». Ex.: 
nimtUuíuka flcvanto-o»; wmrntvLukile flevantou-o»; tóaJcetu- 
tuka «levantá-los-hemos»; núituíukUe «os levantaes», etc. 

Quando se trata de pessoas determinadas empregam os 
pronomes conjunctos objectivos. Ex.: agvttJíuka clevantam- 
me»; agutuítike «levantem-me»; natvíukíl' éí «levantei-te»; 
atvíukani «levantam-se»; ahãnikeni «levantem-se»; tutvivka 
gani clevantâmo-nos»; oct natvImkUe nau «se eu os levantasse, 
a elles»; eciki nituíuk' edi «ainda que o levante, a elle»; IStaõso 
nakatuímk' et «quando eu te levantar», etc. 

Se a referencia é a imi pronome exprimindo circumstancia, 
junta-se este ao verbo, se não houver pronome objectivo, que 
prefere na collocaçSo. Ex. utuíuka mámi «levanta commigo 
(partir para viagem)»; iíakattãniJc ei «levantará comtigo»; tutur- 
tuka niénu «levantámos com vocês»; nétvíukUe nténe «levan- 
tei-08 com elles», etc; Hagupana kúêtu «dá-me para nós»; 
ne-panén éí kúaôêo «dei-t^os para todos»; atiãtvkani nutu «le- 
vantem-se comnosco»; etc. 

Se a referencia é a cousas, o seu prefixo passa entSo a ser 
o do substantivo. Ex.: dUeso {didi) dtámi «o lenço (é) meu»; 
tubúa (túadt) tiiêtu «os cães (são) nossos»; ditada diiíafãile 
«a cadeira morreu (quebrou-se)»; ííópo Uúaf&ile «o copo par- 
tiu-se»; etc. 

Forma interrogatiya 

Fazem-na como em portuguez pela entonação se o sujeito 
é expresso, mas na maioria dos casos tomam aguda a vogal 
atona da terminação. Ex.: éíé iíalaaele òikagaf «compraste a 



HETHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUKDA 41 

esteira?!; múadi tãelá mu tidof ca senhora deita no somno? 
dorme?!, tãéla c deita, dorme». 

Também a fazem collocando* o verbo antes de pronome in- 
terrogativo. Ex.: tiscWeòif tque faz?! U80t'ekif tque procura? 
que quer? quanto custa?!; literalmente: cfaz o que?», c custa 
quanto?!. 

ObseevaçIo. — As respostas reduzem-se ao verbo no 
mesmo tempo e pessoa, mas, quando teem referencia 
a um substantivo expresso, então ao prefixo junta-se como 
infixo o do substantivo. Ex.: úatumine iijif cmandaste a car- 
ne?! úaitumine cmandaste-a»; aneténe topof «trouxeram os 
copos?» aineténe ctrouxeram-os». 

Forma negativa 

Faz-se de dois modos: 

1.^ Em seguida á affirmativa, a negaçSo biíate ou kagaiia 
ou naltke. Ex.: òidi Uiíape, kayana cé bom, não» (nSo é bom); 
kumusota, húate «procurá-lo a elle, não» (não o procure); ku- 
êoT i6i, fudike «fazer isto, não quero». 

2.® CoUocando o verbo entre as particulas ka, ki ou 5í ep§ 
para o singular e ka e p§ para o plural. Ex.: kiúapelepe «não 
presta», kaúapelepe «não prestam»; kinasotdqpe «não procurei», 
kaasotdepe «não procuraram», etc. 

ObservaçXo. — A primeira particula varia conforme as 
tribus lundas, assim entre o Cassai e Luembe dizem nu, e 
do Quicapa ao Cuilo ku e também ki. 

Forma negativa e interrogativa 

Faz-se a negação e na forma interrogativa. Ex.: éíé kanu- 
mldep ièit «v. não faz isto?» TãúkuâHape tijif «não comes 
carne?» kiúsotape marufof «não queres vinho de palma?». 

Forma cansativa 

Nesta se comprehendem os verbos compostos cuja termi- 
nação é exa ou ixa; os primeiros pertencem ao segundo grupo 



42 EXPEDIçlO POETUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

da primeira classe, e os outros ao segundo grupo da segunda, 
e como elles se conjugam. 

Estas terminações impõem a obrigação de se fazer o que o 
verbo indica. £x.: kúoka c tratar, cuidar», kúokexa c fazer 
cuidar, fazer tratar»; kiUaga c cumprimentar», kulagtxa c fazer 
cumprimentar»; kuxika tchegar», kuxiktxa cfazer chegar»; 
kutuma c mandar», hdumixa «fazer mandar»; etc. 

Desfaz-se a acção indicada pelo verbo pela terminação 
ununa. Ex.: kuscda «fazer», hisalununa «desfazer»; kujHma 
«coser», kuíimununa «descoser»; kupata «fechar», kiipatununa 
«abrir»; etc. 

Forma passiva 

Apenas a descortinei no aoristo para nossa interpretação, 
porque úa se pode tomar como é «está». Mas tanto o passivo 
nao existe que eUes empregam para o exprimir uma construc- 
ção especial activa, de que obtemos a equivalência, e não 
teem participio. 

Preposições 

Todos os prefixos, juntando-se-lhes a, representam a nossa 
preposição «de», mas di também. tem essa interpretação. 

Em geral, as nossas preposições mais frequentes encontram 
correspondências; assim por exemplo: m «a, com», mu «dentro 
de», bu «em, no, na», ku «a, para», te «até», kupolo «ante», 
kunima «após», BaJcadi, kudi «por», peúro «sobre», pakaxi 
«entre». 

Advérbios 

Dos adjectivos, substantivos e verbos formam advérbios, 
principalmente os de qualidade, antepondo-lhes como prefixos 
òi ou òta. 

Os advérbios correspondentes aos nossos são: 
De modo — ^úape «bem», &ipe «mal», miUtmo «assim», 
muamo múéne «do mesmo modo», écike o\x Jike «como», etc. 



METHODO PRÁTICO DA LÍNGUA DA LUNDA 43 

De tempo — katata cagora», katataka cimmediatamente», 
kali «já», uruele «logo», âmmáííko «amanhS», hiíate cnmica»^ 
oka, lele c então 9, lãaôso c quando 9, maòiko maôao «sempre^ 
todos 08 dias», leio choje», goloxe chontem», ^97iaA;t ccedo», 
hudidi cde madrugada», òina^i cno mesmo instante», etc. 

De logar — kunoúko, ko «cá», munumo, mumo, panapa, 
pa «aqui»; kuná «acolá», k&iao «onde», palepa «longe», pa- 
9uipe «perto», kiía «ahi», uxadi u ou unú «lado ou banda de 
cá»; uxadi úa ou uná «lado ou banda de lá», múine «dentro», 
poli «fora», kutaaa «em baixo», ktãvlu «em cima», etc. 

De quantidade — kaJãepe «pouco»; kamo «mais»; âS^óxe 
cmenos», kaod «muito», awdi «tanto», eci «quanto». 

De affirmação — tê, muantê «sim», ^kikéne «na verdade, 
verdadeiramente»; ^íaxa «com certeza», mahúi «assim mesmo». 

De negação — kagana, ka «não», ncdike «de neiíhum 
mcnlo» kadi «ainda», kaai kali «ainda não». 

De duvida — kiíiji lele «talvez, não sei então». 

De exclusão — kaso «só»; kaso kali «apenas». 



ConjunoQÕes 

Copulativa — ni «e»; que é o mesmo que a preposição 
«com». 

Disjunctivas e condicionaes — aZi «ou, se», kaga- 
na «nem, não»; kali «já»; lãaôso «quando», ni avudi eli «com 
tanto que». 

Causa es — jike «como», éki ou éòi «que»; kudiH «por- 
quanto», dmmaóikueza «por consequência», mxdoga «porque», 
mulogiki «porquê?». 

Adversativas — BeneH «porém, mas». 

Interjeições 

Como dissemoS; são elles muito expansivos; e por isso sob 
este titulo também consignamos phrases que lhes são usuaes : 



44 EXPEDIÇÃO PORTUGUEZA AO MUATIANVUA 

Admirando o que ouvem — ih! vh! kakál ehéh! 
um,,.! zaíi! cDeus!», kaloUo! .kalaaa! (equivale ao nosso 
uso «palavra de hom'a!»), hél ahakaká! ikuki! muhaké! (equi- 
vale a «oh! homem!»), Síahuhil «é isso!», mahvhi! ccomo 
diz!». 

Para alegria e satisfaçSo — doaximuane/ «tal qual! », 
ohóh! iyaiámi! «tal como desejava!», ihuhé laúape igai ámi! 
«como é bello para mim!». 

Dor, afflicçSo, tristeza — makúafé! «mãe, que me 
doe», úekako! «deixem-me!» ihuhé! oúhvhé! likomé! clar- 
guem-me!», atani! «acudam!», ayutani «acudam-me!», ma- 
kiié! makiíé! «minha mSè, valha-me!», ihoiíhiié inak&é! coh! 
mSe!», ihoii najipe! «feri-me!», naJUekté! «morro porquê! me 
matam porquê!», nikokié! «me castigam porquê!», naf&á mu 
amue! «me deixam morrer! salvem-me!», agukãata! «me 
prendem!», a^vbvla! «me batem!», mame! mame! «ai, ai, ai, 
etc.». 

Desespero — oA... ka! ah!... kaká! (como praga), 
kHatani! «agarrem!», budika! «safa d'aqui !», ihahihé! «d'aqui 
para fora! kaiaaa (praga). 

Como se vê, aqui apenas se apresentam equivalências por 
não haver uma verdadeira interpretação. 

As interjeições são sempre allusivas, ao contrario das 
nossas, que não são mais que expressSes ellipticas; por exem- 
plo é muito frequente esta, em que querem provar que não 
são timoratos: ka. , .%. . .a.. . .da, maku ámi úafa kali! «asse- 
guro-te, minha mãe já morreu!». 



i3xcuxAn4Xcúd) 



na /ã. n/n mak' ué/ 





uíueouttc. 



hi 



2 



hu é! 



h. 



^^ 



m 




Me^utto. 



ma. .... mê! 



^ 



^ iò ih. há. á/ 




J^^jâSeiata 



t^ 



j^^ 



mu 




w — 

lebã é/ 



m 




ããe^utíc 



ná mu honúo è/ 



m 



ZZL 



II 



DESENVOLVIMENTO PEATICO 



Artigos 

Artigos definidos 

Não 08 teem; porém^ os prefixos designando os números 
em que são tomados os substantivos equivalem aos nossos 
artigos «o^ osy a, as». Ex.: 

Sing. PL 

ikuSi <o homem» aikugi 

aaaa <o algodão» jiaaaa 

mutodo^ ca arvore» mitodo. 

ruto ta colher» jito 

HsapúUo «o prato», isapúão 

divuya co panno» mavuya 

iiato ca canoa» maiíato 

kabúa * co cSo» tubúa 

ObsebvaçIo. — No caso d^aquelles que nâo teem prefixos 
no singular, subentendemo-los nós conhecendo a interpretação 
do vocábulo pelo género que tem em portuguez. 



1 mutoão também é o vocábulo que designa qualquer «pau, cacete, 
bengala», etc. 



46 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIANVUA 



Artigos indefinidos 

Servem-se elles do seu numeral múe cum^ uma»; com o 
prefixo do substantivo indicado. Ex.: 



Sing. 

iktigt tmue 
dada urniiè 
mvtoao vmúè 
ruto rumuè 
(SisapaUo íimúè 
divuga dimuè 
úato umúè 
kabiia kamúè 



<um homem» 
€um algodoeiro: 
«uma arvore» 
cuma' colher» 
cum prato» 
a um panno» 
cuma canoa» 
cum cão» 



PI. 
aikugi ámúè. 

adada âmúè. 

mitoao mámúè. 

jito jimúè. 

isap&Uo imúi, 

mavuga mámué. 

maúato mámúè, 

tubúa tumúè^ 



"Vocabalario 



ditada c banco» matada, 

(^opo c copo » topo . 

paka cfaca» jipaka, 

òtkuío ccasa» ikuòo. 

kahúiko ccasaco» tubúiko. 

òikita cpelle» ikita. 

ioda c mulher» a!íada 

eZi, eki cque»; ni ce, com». 



^íaxa múane ou múaniê csim, 

senhor» . 
kayana múane ou buaie cniio, 

senhor» '. 
kukúete cter» 
kakúetepe cnSLo ter». 
kanikuetepe cnão tenho». 
kanakúetilepe cnSo tinha». 



nikHete ceu tenho» 
ukiíete ctu tens» 
ukúete celle tem» 
tukúete cnós temos» 
nukiiete cvós tendes» 
akúete celles teem». 



naJcuetile 

úakiíetUe 

úakuetUe 

túakúetile 

núakuetile 

akúetile 



ceu tinha» 
ctu tinhas» 
celle tinha» 
cnós tinhamos». 
cvós tinheis» 
celles tinham». 



1 Também em logar de múane, dizem : múana, tnúéne, múáta. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LtTNDA 



47 



nikiiete ruto ni paka. 
été^ ukiíete divuga. 
múéne ukuete diUida dimúè. 
énu^ àkúeU Bopo Hmúè. 
éne akúete divuga ni ditaaa. 



éíé ukúete pakaf (^ka ukuet' 
éifj. 

kagana, mOata. 

paka vkiitt' edi ni Stopo akiíet' 
éne, 

ruto eòi uJciíet' et? 

ánii nikiiete Hopo tímúl, ruto 
biUUe. 

múéne ukiíete kabOa kamiii, 

tukuete kabúiko ni diviíga di- 
mOè. 

eH divuga akHet' énu t 

tukOete kabúiko, kagana di- 
vuga. 

ukúet' edi divuga f 

laxa, múane. 

éne cJcúete jipakat 

búate, akúete jito ni topo. 

éíé ukúete ditada dimúl ? 
kagana, múata, nikúete mutoao 

unpúè. 
eH mutoao ukúetiV éí f 



S2xeroioios 

Eu tenho a colher e a faca. 
Tu tens o panno. 
EUe tem uma cadeira. 
V. teem um copo. 
EUes teem o paimo e a ca- 
deira. 
Tem V. (tens tu) a faca? 



NSo, senhor. 

A faca tem elle e os copos 

teem elles. 
Que colher tens tu? 
Eu tenho um copo, a colher 

nSo. 
Elle tem um cÀo. 
Temos o casaco e mn panno. 

Que panno teem v.? 
Temos o casaco, náo o panno. 

Tem elle o panno? • 

Sim, senhor. 

Teem elles as facas? 

NSo, senhor, teem as colheres 

e os copos. 
Tens tu uma cadeira? 
Náo, senhor, tenho um pau. 

Que pau tinhas tu? 



1 O prefixo da 2.* pes. sing. é sempre empregado para chamar a 
atlenção da pessoa a quem se falia ; e o da 3.* para evitar confusões. 

* O prefixo énu da 2.* pes. pi. com o verbo na 3.* emprega-se quando 
o sujeito é pluraL 



48 



EXPEDIÇXO POETUGUEZA AO MUATLÍNVUA 



ikug^ ikúete ^HcuZo tímúi. 
kanakúeiãepe mutoao, nakue- 

tUe 6ikita^, 
naJcuetile òisapúilo òimúè, 1^0 

rumué ni paka umúè. 
ioda ukúete dada. 
ikugi kaJcãetepe likviío ni ha- 

ijkàkuetilepe ditada dimOè. 
àkuetiT éne habua kámúèf 
huate, múane, akuetUe likita 

dmtiè. 
émi nakuetUe kabiía kaZaaa 

kámiiè, 
eci cisapuilo ikuyi ikuetUef 
ikúetãe tímúh, 
énu àk&etãe ditada dimOè? 
ka^ana, mOata, tukuetUe ni 

tukuete ruto rumúè ni isa- 

puilo. 
éòi mutoao ikuyi ikOete? 
mutoao eòi eté ukuetUe. 
eH ukOet' éí ? 
vkuet' éí kahHa kaòaaa ? 
laxa, mUane. 
ehi katukúetepe mitoao, 
eci mukuet eif 
ámi nikuete, éU k'ukuetepe. 
miíén edi kakúetepe òikmo 5i- 

miíè, 
éòi kabiía ukuetU' éí ? 
k'%iakii€tilepe kánmé. 
katiíakiíetílepe tubiíiko. 



O homem tem uma cubata 

Eu nSo tinha o pau, tinha a 
pelle. 

Eu tinha um prato, uma co- 
lher e uma &ca. 

A mulher tem o algodão. 

O homem não tem casa e 
não tinha uma cadeira. 

Tinham elles um cão? 

Não, senhor; tinham uma 
pelle. 

Eu tinha uma cadella. 

Que prato tinha o homem? 

Tinha um. 

V. tinham imia cadeira? 

NãO; senhor, nós tínhamos e 
temos imaa colher e os 
pratos. 

Que pau tem o homem? 

O pau que v. tinha (tu tinhas). 

O que tem v.? (que tens tu?) 

Tu tens a cadella? 

Sim, senhor (tenho). 

Nós não temos os paus. 

O que tem v.? (tendes vós?) 

Eu tenho, tu não tens. 

EUe não tem uma casa (ne- 
nhuma). 

Que cão tinhas tu? 

Não tinha nenhum. 

Nós não tínhamos casacos. 



1 Òikita «pelle de animal n em que se assentam os fidalgos, e também 
as que usam como vestuário, cobrindo-se da cintura para baixo, adeante 
e atraz. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 49 



Substantivos 

Formação do plural 

Os que tiverem o prefixo di, mudam-no em ma. Ex.: ditada 
ccadeira», mataaa; ditúí corelha»^ matíA. 

Os que tiverem o prefixo H, mudam-no em i, mas ha ex- 
cepções em ma e a. Ex.: òikasa cmSo (braço)», makasa; íioko 
cQuioco»^ aJSíoko. 

Aos que tiverem o prefixo u, antep8e-se ma, mas ha ex- 
cepções mudando-se em ma. Ex.: uvije cpello»; mavije; uta 
carma», rnata^ . 

Os que tiverem o prefixo em mu mudam-no em mi, mas ha 
excepçSes em a. Ex.: os substantivos classificados na primeira 
classe. 

Os que tiverem o prefixo em ka, mudam-no em tu, mas ha 
excepçSes em a. Ex.: os substantivos classificados de primeira 
classe. 

Os que tiverem o prefixo em i, antep3em-lhe a. Ex.: íkv^i 
chomem», atkugi; iíci cpeixe», aixi. 

Os que tiverem o prefixo em ru, mudam-no em ji. Ex.: 
ru9uki €cabello», jisuki; lutcâa tbatata»; jit<ã>a; rujpasa «ca- 
neca» , jipasa. 

Os que principiam por qualquer articulação formam o plural 
antepondo-se-Ihe a se o vocábulo significa ente animado, ou 
ji se significar ente inanimado. Ex.: tátuko «pae», atátuko; 
geia «carregador», ay(ãKi;pebe «cabra», apeie; xipo «cinto», 
jixipo; dada €algoãSio9^ jidaaa; pexi «cachimbo», j'ipeít?í. 

ObservaçIo. — Alguns não teem plural como : kasúè «fogo», 
mema «agua»; outros nSo teem singular como: mUoga «de- 
manda, crime», mãúina «distinctivo de Muatiânvua», makasu 
«mentira», mafefe «traição», masuko «capim». 



* moÁle «rcinza». 



50 



EXPEDIÇIO PORTUQUBZA AO MUATIÂKVUA 



Vocabulário 



muíu €pe88oa>. 
kakugi crapaz». 
kctíada craparíga». 
maku cmáei. 
kaxalapoli cserviçali. 
mukano cbocca». 
mtlaío cbeiçosi. 
rudimi clingaa». 
mueao cpé (perna)». 
c2tt covo». 
zolo cgallinha». 

nama Recame» ^ 
kji 



jãe cpassaro». 

rruka cinfunde». 

noiÍ6e cmel». 

bida €cabaça (para agua)»^. 

uhaaa crede». 

dtlesQ elenco». 

lukuni clenlia». 

^oUrna c cousa». 

úape cbom, bomto»^ 

ipe cmauy feio»^. 

Jcaadi cdois». 

kasato ctres». 

kaní cquatro». 

cídso ctodos». 

kaso C8Ó». 

kusala c fazer». 



nisala cea faço. 

usala ctu fazes». 

usala celle faz». 

tusala cnós ÍEizemos». 

nusala evos fazeis». 

asala celles fazem». 



iiascdele 


ceu fiz» 


iiasalele 


ctu fizeste» 


Oasalele 


celle fez» 


túasalde 


cnós fizemos» 


núasalele 


cvós fizestes» 


asalde 


celles fizeram». 



1 nama, qualquer animal ; lifi, pedaço de carne ou peixe que entrou 
ou vae entrar na refeição do dia ; xitu, porção que se pede do animal 
nama para comer. 

^ Este vocábulo que elles usam, creio ser dos povos áquem do Cuan- 
go, porquanto elles teem o seu Òisupe, 

' Também dizem úape. 

4 Também dizem ^e, £ notável que este vocabtdo seja o «bem» dos 
povos que limitam o norte com a Lunda, os baèUagt. 



METHODO PBATICO DA LÍNGUA DA LimDA 



51 



Sxeroioios 



ak&e!k' ênu mcd mc&olo í 
búcUe, Tiniane, tukúete anazolo, 

kcLgcma mcd. 
tukugi akuetíle mu makasa 

maí maadi. 
€Íu aôso akiiete rnatíH maadi, 

ni mukcmo umúè, ni miUwo 

maadi ni rudimi rumuè. 
ISasca, miíata. 
éne ak&etãe tuxalapoli tuscUo 

iuiíape. 
éíé ukúete xitu. 
mauhaãa maOape. 
nikuete mauhada maní maúa- 

j>e. 
ukiíet' éí matada maiíapef 
mkiiete maadi. 
múata, ámi nUcúete tubOa tu- 

ioda tasaio tuOape. 
maku vk&eie jistiki jiHape, tá- 

tuko havana. 
edu tukiiete rrvka, kçLgana "Uji. 

tátuko ukilete zolo wniiè kaso. 
dimiga ka§ana diUape. 
mtíén' eai ukãete jtíada jiadi, 
ámi kanikueUpejtniuè kaao^ 

éSu tuk&ete iikuJío Síijpe. 

éne aJeOetile tíkuío Hrd iiiíape. 

nasáUle iiato tuntiè. 

eòt usai* Aí 

niêala kabúiko kámiiè. 

tuasàlele iiato uni. 



y. teem ovos de gallinha? 
Não, senhor; temos frangSoS; 

nSo ovos. 
Os rapazes tinham nas mãos 

dois ovos. 
Todas as pessoas teem duas 

orelhaS; uma bocca, dois 

beiços e uma lingua. 
É assim, senhor. É verdade. 
EUes tinham três bons ser- 

viçaes. 
Tu tens carne (pedaço). 
Boas redes. 
Eu tenho quatro boas redes. 

Tens tu boas cadeiras? 

Tenho duas. 

Senhor, eu tenho três boas 
cadellas. 

A mãe tem bons cabellos, o 
pae nSo. 

Nós temos infunde, nSo temos 
carne. 

O pae só tem uma gallinha. 

O panno nSLo é bonito. 

Elle tem duas batatas, eu 
nSo tenho mná só (nenhu- 
ma). 

Nós temos más (feias) casas. 

Elles tinham quatro boas casas. 

Eu fiz uma canoa. 

O que faz v.? (fazes tu?) 

Eu faço um casaco (camisa). 

Nós fizemos quatro canoas. 



52 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



eU OÃCÍd' énu f (enu, asai' eli f) 
búate, miiane. 
aJôso asáLde mavuga maipe. 
aikugi aacdele Uma ^totimtiè 

^ipe, 
Icakugi uscdele louma tipe. 
kakugi úascdeV eòit 
isapúUo iní ni rutu rvmúè. 
noÃcide apcJca asato. 
nikuete úoúóe ni eíé jUe jimué. 

nUaT eUt 

hinikuetepe Uowna dimuè 2i- 

úape. 
kinisalape towna iúape, 
iíasalele rrukat Hasaléle. 
k'iía8alelepe ditada'} 
Wukúetepe rrujãesof 
nakúetHe masato, kiníkiíetepe 

dimiiè kaso. 
kakugi kakúet' e(Sií 
tukugi ni tuíaaa asalele loúrna 

iúape. 
ditaaa dikuete rmeao mini. 
kakugi kaJciiete makasa maadi, 
kdíada kak&ete likasa Zimúi 

kaso. 
mOata imãu muúape. 
ikugi ikuete apaka asato aipe. 
kakugi kakúet' eaijikunif 
kagana, bOate. 
eté ukOete maí maZolof 

mai mazolo, bOate. 

alada kakuetepe úoiàòe. 



O que fizeram v.? 
Nada; senhor. 

Todos fizeram maus paimos. 
Os homens fizeram uma cousa 

má. 
O rapaz fez boas cousas. 
O que fez o rapaz? 
Quatro pratos e uma colher. 
Eu fiz três facas. 
Eu tenho mel e tu (tens) um 

pássaro. 
Que faço eu? 
Eu nào tenho uma cousa boa. 

Nao faço cousas boas. 
Fizeste o infunde? fiz. 
NSo fizeste o -banco? 
Náo tens lenços? 
Tive três, nSo tenho nenhum 

(imi só). 
O rapaz o que tem? 
Os rapazes e as raparigas 

fizeram bonitas cousas. 
O banco tem quatro pés. 
O rapaz tem duas mãos. 
A rapariga tem só um braço. 

O senhor (é) boa pessoa. 
O homem tem três facas más. 
O rapaz tem lenhas? 
NSk), senhor. Não tem. 
V. tem (tu tens) ovos de 

gallinha? 
Os ovos acabaram, nSo ha, 

não tenho. 
As mulheres n&o teem mel. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



53 



mcd mazolo kaiíapel^. 

dSêêo hiúapelepe. 

Wa^H) Hipe (laipe), 

nasalde ruto rwmué riiape ni 

rúadi rúipe. 
kaxalapoli ukuete muJcano 

muape. 
kimk&ety^ hida ku mema. 



Os ovos nSo bons (nSo pres- 
tam). 

O lenço nSo presta. 

A casa (é) má. 

Fiz «uma colher boa. e duas 
más. 

O servo tem bonita bocca. 

NSo tenho cabaça para agua. 



OraoB 

AngmentatlvoB 

Segundo o sentido jimta-se ao substantivo jima «maior, 
largo, espesso», ou kéne «grande». 

DiminnltlvoB 

Ántep3e-se-lhe o prefixo ka ou junta-se kaJãepe «pequeno, 
pouco». 

Sbcercicios 



eítt tukúete tutabúa, éU mkãete 

tujirna. 
ciada àkuete tupaka tujima, 

elu t&ikiepe. 
nÍ9ala kaditaaa kámuè kaiíape. 
éne ascdde tudUeso tulàefpe. 

ám kinikúetepe kadUeso ka- 
Jãepe kaao. 
ntk&ete twruto tuM. 
mutoao majima, úato iíajima. 
énu nuscia kaióikaga. 
hinisalape UeapuUo ííakéne. 
kakugi kak&ete apaka akéne. 



Nós temos cSes pequenos, tu 
(os tens) grandes. 

As mulheres teem as facas 
grandes, nós as pequenas. 

Eu faço um banquinho bonito. 

EUes fizeram lencinhos pe- 
quenos. 

Eu nSo tenho nenhum lenci- 
nho. 

Eu tenho quatro colherinhas. 

Grande arvore, grande canôa. 

Vós fazeis uma esteirinha. 

NSo faço prato grande. 

O rapaz tem facas grandes. 



54 EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



Adjectivos 

Tomam o plural dos substantivos; com os quaes concordam 
pelos prefixos. 

Todos os adjectivos se collocam depois dos substantivos 
com os prefixos doestes, e são preferidos nessa coUocaçSo os 
attributivos. 

Os attributivos sSo em pequeno numero, e servem-se dos 
adjectivos, substantivos e verbos, precedidos dos prefixos dos 
substantivos seguidos de a, para equivalência dos que não tem. 

Alguns teem vocábulo especial, como por ex.: wvpt, úape 
cbom, bello, bonito»; ipe, ipe «mau, feio»; HakeTie «grande^ 
capaz, hábil, justo»; kaJãepe «pequeno, pouco, acanhado»; 
tUoka «branco, limpo»; ujala «preto, sujo», svSa «encarnado»; 
lupêto «rico»; kazúege «pobre»; mvkwrupi «velho», kaki «no- 
vo»; mvl&pa «alto», musúipa «baixo». 

Outros se obteem de substantivos, adjectivos e verbos, como 
por ex.: Hausúa «forte, de força»; úaiduluka «feliz, de apro- 
veitar»; úasiieji «bravo, teimoso, de teimar»; úaiaamene «in- 
feliz, necessitado, de precisar»; Oatudile «quieto, manso, de 
socegar». 

'Vocabulário 

turi «carneiro». kúiao, kiíisaJco «onde». 

mukoko «ovelha». panapa, pinapa «aqui». 

kamexi «gato». kunoúko «cá». 

p^ «cabra». kiíá «ali, lá, acolá». 

rmãoga «porque». vnu «em, no, na». 

mvlogikií «porque?». Tcuài «ser». 



nidi «sou» tudi «somos» 

vdi «és» nudi «sois» 

udi «é» aâi «sSo». 



METHODO FRATICO DA LÍNGUA DA 'LUNDA 



55 



Sxorcicios 



níkuete Zuri-Hape^, 

miiéne ndi^ ikugi imué iúape, 

ééu tukúete mukoko umúè ni 

úape, 
êne cdkum cãepe. 
ene c£ada^ asuipa. 
tátuko vkuet' eai kabúa kdJÍKiaa 

kârmiè kcLSof 
k'ukúetepe kámúi kaso, 
m&éneãi kazOege. 
ikuSi iãi Ica^e. 
Aé k^aidtãukilepe. 
é6u tííaidulvka. 
maku k'aiavlukape, 
tátuko udi kuisof mu ^iktJío. 
muénedi úaiatduka muloga 

ukuete tíkuLo ^isato ni ape- 

Ze aní Qipeoe jiníj. 
tvkugi tukúete makasa ma- 

jala. 
tátuko líwiepa, maka mumipa. 
HsapuUo íidi íitoka. 
muíada eH ukuete apeie, udi 

kuisof 

kcAúa HatudUef 
éU k'uku8alape ditada dimOè, 
mulogikif 



Eu tenho um bom carneiro. 
Elle é um bom homem. 
Temos uma ovelha, e boa! 

Elles (sSo) homens altos. 
Elias (são) midheres baixas. 
O pae tem só uma cadella? 

NSo tem uma só (nenhuma). 
Elle (é) pobre. 
O homem ó pobre. 
Tu nSo (foste) feliz. 
Nós (somos) felizes. 
A mSe não (é) feliz. 
Onde está o pae ? Na cubata. 
Elle é feliz porque tem três 
cubatas e quatro cabras. 

Os rapazes teem as mãos 

sujas. 
O pae (é) alto, a mãe baixa. 
.0 prato está limpo. 
Onde está a mulher que tem 

cabras? (Mulher que tem 

cabras onde está?) 
O cão (é) manso? 
Porque não fazes um banco? 



1 Os Inndas dizem indistinctamente mukoho. 
^ O usual é Bupprimir o verbo «ser». 
3 éne ctíaãa «ellas». 



56 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



muloga kinikiíetepe mutodo 

upiuè kaso. 
muénedt uasúe/i. 
kua, kakuetepe mitoao. 
kakugi kámúè uausiía, kadi^ 

lupêto, 
ikugi {peto isola ioiima iiíape, 
ikugi kazuege uaidaméne. 
kamexi udi kHiso ? kúâ, 
mukoko udi pinapa, l[>uri kOa. 

kinikiíetepe mikoko miiíape, 
nikuete agoie akurupi. 

éne akHete mavuga mausuza 
,maadi. 

akHeténu mavuga mãujala? 

ka^ana, mikUa, tukHete tutoka 
tumúi kaso. 

kamexi úatudUef 

bUate, múane, OasOeji. 

topo idi kúisof 

mu íikiSo òia maku. 

éne oLada aJcOete makasu. 



f 



énu kanutudilepe mtãogikií 



muloga pana^ kinidipe iíape, 
eíé nvdP mukwrupi ni ámi kaki. 
ene a!íada tuzOege ni éíu tOai- 

aaméne. 
kamexi kaíaaa kadipe pinapef 



Porque não tenho nenhuma 

madeira. 
EUe (está) zangado, teimoso. 
Acolá nâo tem (ha) arvores. 
Um rapaz forte é rico. 

O homem rico faz cousaB boas. 

O homem pobre (é) infeliz. 

Onde está o gato? ali. 

A ovelha está aqui, o car- 
neiro acolá. 

Não tenho boas ovelhas, tenho 
bois velhos. 

EUes teem dois pannos en- 
carnados. 

V. teem pannos pretos? 

Não, senhor, temos um só 
branco. 

O gato (está) socegado? 

Não, senhor, (está) bravo. 

Onde estão os copos? 

Na casa da mãe. 

Elias teem mentiras (são 
mentirosas). 

Vós não (estaes) quieto, por- 
que? 

Porque não (estou) aqui bem. 

Tu estás velho e eu novo. 

Elias (são) pobres e nós infe- 
lizes. 

A gata não está aqui? 



1 Trocou o prefixo por ka de kakugi. 

2 Abreviatura de panapa, que também se diz pinape, 

3 Pode Bupprimir-se. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



57 



A4j6otivo8 determinativos 

Os determinativos já ficaram conhecidos na primeira parte 
e a soa collocaçSo é em seguida ao substantivo ou adjectivo 
a que se referem. Ex.: dtleso edi ceste lenço», dUeso diúape 
eâi ceste bom lenço», dUeso edi diúape «este lenço (é) bom», 
ííapo íoH cesse copo», ^opo òiúape totí cesse bom copo», 
Síopo ioH, Húape cesse copo (é) bom. 

Vocabiilajfio 



m&ana, mona cfilho». 
imiana muíaãa cfilba». 
m&ana maka cirmSo». 
manamcJcarmlaliúnújk^. 
miana kaJci ccreança». 
mícma kaki mudada ccreança 

fêmea». 
muruaa c amigo». 
irumene c inimigo». 
kai ccorça». 
rukasu cenchada». 



katuio cestrella». 
mulúa cportador». 
dtftu^o clobo», 
lUúada cpreguiça». 
luvuao cbulha». 
mateao c desordem». 
Upa&a cmala». 
rusumo ccopo». 
úadimukine c esperto» 
ocí cou, se». 
goie cboi». 



nadãe ceu fui, era» 
widíle ctu foste, eras» 
iiadãe celle foi, era» 



tUadãe cnós fomos, éramos» 
núaãUe cvós fostes, éreis» 
adile celles foram, eram». 



JSzoroioios 

éne díada (adi) asúipa^. Elias sSo baixas. 

e5tt tUadi Udepe (éòu tuLepa), Nós somos altos. 

rméne kaziiege (miíén' udi ka- EUe é pobre. 
zúegej. 



^ Depois de j7 as finaes a e e confundem-se mesmo entre povos vizi- 
nhos ; assim dizem mis : oauipe, tulepa. 



58 



EXPEDTÇlO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



ikug* ta (idi) tíkiidvluka, Aquelle homem (é) pobre, tem 

ikiiete ZihJío lítmúè kaso. só uma cubata. 

tudi taz&ege, katuh&etepe òiou- Somos pobres^ nSo temos 

ma ZiJãepe kaso. cousa nenhimia. 

UsapuUo Hdi ^oka (lisapuUo O prato está limpo. 
Zitolca). 

Síopo óòi (lidi) Hjàla, toZi Este copo está sujo, esse está 



itoka. 



limpo. 



muSada múa vk&éte díwri ni Aquella mulher tem carneiros 



mikoko. 



e ovelhas. 



multada ééi vkiíete Hbugo, udi A mulher que tem um lobo, 



kiíisof 
udi mu íikiJio ^a tátuko. 
òibugo udi vtudãef 
bOate, mOane, iíameji. 
topo idi fcuisof 



onde está? 
Está em casa do pae. 
O lobo está socegado? 
NSo, senhor, (está) bravo. 
Onde estão os copos? 



kabúa kHa ISaiiape ni lakéne. Aquelle cão (é) muito bom e 

muito grande. 

laxa, múane. E assim, senhor. (É verdade, 

senhor.) 

jipaka nijito adi kúisof kúa. Onde estão as facas e as co- 
lheres? alli. 

makugi^ mapêòe^ ni maOape Os homens ricos e bons são 



aidvluka. 



felizes'. 



kakugi h&a, kazUegs ni uaiãu" Aquelle rapaz (é) pobre e 



Ivka. 



feliz. 



hdíada kHa (kadij kaki ni . Aquella rapariga é nova e 

kalepe. alta. 

nakOetile mona maku ámi^ . Tinha um^ irmão meu bom. 

miiape. 



^ ma ê nma excepção, porque o seu plural é a. 

2 Além do Cassai pêlo dizem pêòe. 

3 kúiAduka, « aproveitar». 

* ánd, neste logar equivale a «meu» 

^ «um» subentende-se por mona maku estar no singular. 



METHODO PRATICO DA LIKGUA DA LUNDA 



59 



pinape kadipe. 

t&akúetãe go3íe vmiiè ^úape 

ni lakéne. 
m&ana JcaJci vkuete ^paiia ^t- 

jima. 
eíi mavuga ákuetíléneí 
kamexi ' kudi kujcda. 
m&ane kaki TfívJÍKiaa vk&etUe 

hc& JcárMjlé iSaúape^. 
nudi énu atlwmene áci aruaaf 
muéne vkiíete m/iíana kaJci kA' 

miiè ^^akéne^. 
été ikídimukine. 
Tcaíada kHa Víipe. 
dxUso edi Jddiúapelepe. 
goBe oii udi iiajima. 
unáf bikUe fnukOau. 
gole yjala úausiícL ni iiasiíeji. 
mavuga ama adi majima. 
pinapa aôso adi atudUe. 
Hcuío 6t idi iHape, 
éne Inaruaape. 
ehí kiatíiatolcelepe. 
topo kâidipe pinapa. 
agc^ a adi ujima. 



Aqui nBo está. 

Nós tínhamos um boi bom e 

grande. 
A creança tem imia mala 

grande. 
Que pannos teem elles? 
O gato é preto*. 
A menina tinha uma bonita 

corça. 
Sois vós inimigos ou amigos ? 
Elle tem uma creança perfeita. 

V. (é) esperto. 
Aquella rapariga (é) má (feia). 
Este lenço nSo presta. 
Esse boi é grande. 
Aquelle? N8o, o outro. 
O boi preto (é) forte e bravo. 
Estes pannos são largos. 
Todos aqui estão quietos. 
Estas casas sSo boas. 
Elles nSo (sBo) amigos. 
NSo (estávamos) limpos. 
Os copos nSo estão aqui. 
Aquelles bois estão gordos. 



1 kamexi «gato domestico», kcioSo «gato do mato». 

2 «Preto» e «sujo» é o mesmo, e também «branco» e «limpo». A inter- 
pretação é dada pelo sentido. 

^ Neste caso o Òa é para dar mab força á expressão, aliás seria ha- 
úape, 

^ Sía ou Òa, è questão de pronimcla. Mas sendo Ba «de» e ia «indi- 
cação de superioridade», ainda neste caso não ha disparidade, porque 
kene é o vocábulo de «grandeza, capacidade, perfeição, etc.», e a inter- 
pretação literal é «capacidade, perfeição», o que equivale para elles a 
«capas, perfeito, etc.». 



60 



EXPEDIÇÃO POBTUGUEZA AO MUATIANVUA 



asada ou agaJía adi kúiso^f 
asada a kaadipe aJãepe, 

ana kaki adi kiiisof kunouko 

húate, adUe Tc&a. 
kinisalape òioima ^imúè kaso. 

jipaka yi ak&pe, 

Ikíxa, miiata, jipaka jiájiiiape. 

ana a!ci apê^, aZi tuzOegef 

ana (ãnma katuzUegepe. 
jisumo^ eji,jtadile kuisof 
ehi tudi aZi aruda a!ci airur- 

menef 
eté Oasalele dUeso edif 
kaigana, m&ata, mona maku 

ámi. 
maku uk&ete mona oaaa umúò 

^Uiúape, 
ukúet' éí kabúiko kámOè ka- 

Oapef 
énu mukOete ^ tuhiia tvoada tu- 

Oape, ni ámi nikúete tumexi 

tufada tujima. 
òikaga kiòidUipe UHape, nasa- 

lele íikiíaii. 
Oasalele laúape, mOata. 
rukiao eru ou lukiao elu. 



Ob rapazes onde estSo? 
Aquelles rapazes nSo sSo pe-' 

quenos. 
Onde estSo as creanças? Aqui 

nSo (estão), estavam acolá. 
Eu não faço nada. (Eu não 

£Etço uma cousa só.) 
Estas facas são pequenas. 
Sim, senhor, aquellas fac^ 

(são) boas. 
Os filhos (são) ou ricos ou 

pobres ? 
As filhas não são pobres. 
Estes copos onde estavam? 
Somos amigos ou inimigos? 

Tu fizeste este lenço? 

Não, senhor, (fez) meu irmão. 

A mãe tem uma filha bonita. 

» 

Tem V. um casaco bonito? 

Vós tendes boas çadellas e 
eu tenho gatas gordas. 

A esteira não era boa, eu fiz 

outra. 
Fez bem, senhor. 
Este vento. 



^ oêoãa, a§cAa, vocábulos que significam «rapazes já. maiores». 

2 ruwmo, é o nosso copo de vidro, e èíopo, o que elles fazem do fímdo 
das cabaças pequenas. 

^ Ouye-se moita vez substitair na segunda pessoa do plural o prefixo 
nu por mu. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



61 



divuga edi diUape, ãta diipe. 
òtbúiko eòi Siúape, Sía tiijpe* 

ruto rúa ruuape, iHscg^ílo eZi 

Sítjf>e. 
kaboSo dka kasúeji, tíbugo Ua 

línatudtle. 
kasiíè aka; kasiiè ka. 
mata ama; mata ma. 
tuí<yè etu; makugi makiiaú. 

maúato majima; matada ma- 

ipe. 
tuxalapoli etu kUswipddepe. 
múata múa nkãete alua aipe. 

s 

aJSioko aruaa, akuete maia 

maúape. 
aixi akuete mSsu majima. 
makasa mattJcugi ma adi ma- 

lepa ni majima, ni akuete 

maviji. 
nik&ete manugo maktepe. 
ene asaide manugo makéne ni 

mauape. 
jitc£a (jadij jtkUjpe, nijikuni 

jijima. , 
jikcuu kajiapelepe,jipaÃajiipe. 

iutuío (tuadi) túape. 



Este lenço (é) bom, aquelle 

(é) mau. 
Esta camisa (é) boa^ aquella 

(é) feia. 
Aquella colher é boa^ este 

prato (é) mau. 
Este gato (é) bravo, aquelle 

lobo (é) manso. 
Este fogo; aquelle fogo. 
Estas armas ; aquellas armas. 
Estes rapazes^; aquelles ho- 
mens. 
Canoas grandes ; cadeiras 

más. 
Estes serviçaes nSo prestam. 
Aquelle senhor tem maus 

portadores. 
Os amigos quiocos teem boas 

armas. 
Os peixes tem grandes olhos. 
Os braços d^aquelles htpazes 

são compridos e grossos e 

teem pellos. 
Eu tenho panellas pequenas. 
Elles fizeram panellas gran- 
des e boas. 
As batatas (são) pequenas, e 

as achas de lenha grandes. 
As enchadas nSo prestam, as 

canecas (são) más. 
As estrellas (são) bonitas. 



^ kaíc^e, é o homem considerado «forte, valente»; também o empregam 
no sentido de «rapaz», enl quem o potentado confia. Verdadeiramente o 
vocábulo quer dixer «algoc». 



62 



EXPEDIÇZO POBTUGUEZA AO MUATIÍHVUA 



éòi ^idikit 

mayJKJa maúape. 

muíada múa ukHete ana aão- 

pe. 
tuíaje etu (túadi) tíiasiíeju 
jikuúi eji kqjtapelepe. 

makaje^ moa ukúete mesu 

maiiape. 
kahua kc£aaa taka kakúete 

rvãimi majcda. 
miiana ou mona mukurupi âa- 

dUe kuiso f 
kiía, mu òikulio IStâmi. 
maJcugi makúaú madile ma- 

pê6e. 
éne aJcHetUe ágoUe asato ni 

tubúa tuní. 
nugo udi JcaMepe, m jitdía 

jijima. 
maku vJcuete jisuJci jUepa. 



*» •• 



rvkião TÚaMyi, 

ámi nikuete ikiJío iní^ ni cãolo 

aaato, ní isapiiilo tadi. 
cdua akuete mafefe. 



muata uaavua. 



kagana; nidi kazúege, tíaúua- 
méne. 



O que é isto? 

Boas redes. 

Aquella mulher tem bons 

. filhos. 

Estes rapazes (sSo) teimosos. 

Estas achas de lenha nSo 

prestam. 
Aquella rapariga tem bonitos 

olhos. 
Essa cadella tem Ungua preta. 

O filho (mais) velho onde 

esteve? 
Aliy na minha casa. 
Os outros homens foram 

(eram) ricos. 
Tinham três bois e quatro 

cSes. 
A panella é pequena e as 

batatas são grandes. 
A mSe tem os cabellos com* 

pridos. 
O vento (está) forte. 
Eu tenho quatro casas, três 

galUnhas e dois pratos. 
Os portadores sSo traiçoeiros 

(teem traição). 
O senhor é riquissimo (tem 

posses). 
NSO; senhor; sou pobre, des- 
graçado. 






1 fMikc^e, em rigor, é a mulher amante de qualquer ; a primeira, a de 
mais consideração, destaca-se das outras pelo vocábulo tnúari ou muadL 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 63 



Grans de oomparaç&o 

Para egualdade Bervem-se dos vocábulos miíamo, . . midi 
fassim. . . como», quando affirmam; e hagana m/ãamo. • . mtidi 
cnSo assim. . . como», quando negam. 

Para superioridade servem-se dos vocábulos kamo 
cmais»^ kaai kamo cainda mais», kaxt cmuito». 

Para inferioridade servem-se do vocábulo kaMepe, se- 
guido de m kaxi. 

Para comparação affirmam a superioridade de um sub- 
stantivo negando a do outro. 

Vocabulário 

Hboae cporco». gaaa cresidencia do chefe». 

Hcusa «piolho». ujcda cazul»^. 

pami cga&nhoto». ZUcuro «antigo». 

u^tfJbo «noite». mutyi «doente». 

musema «cabrínha». ^iso «firesco, novo». 

JUa «caminho». kapepele «fácil, leve». 

ií^Mga «povoaçSo principal». íisiiakéne «forte». 

ideio «tinta». ^adi «depois». 

nugo «panella». paJcOeza «por consequência». 

miana «herdeiro». kali «já». 

urúde «tarde». kupana «dar». 

mUcolíele «rua». kú^ «ceder». 

Observações.. — I. kupana pertence á classe I, grupo 2.', 
e kúika á classe 11, grupo 1.^ (V. pag. 37.) 

n. Os pronomes pessoaes coUocados depois dos substantivos 
e com o prefixo d'estes equivalem a adjectivos possessivos; 
collocados depois de preposiçSes tomam-se preposicionaes. 



1 Em geral as cores claras teem por vocábulo utoka «branco», e as 
escuras ujala «preto»; porém, destacaram sempre o «encarnado» mão, e 
ji conhecem actoahnente outros que a observação e a experiência lhes 
teem feito adoptar, o que veremos tratando-se de cores. 



64 



EXPEDIÇXO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



£Sxeroioios 



\3l(S/ aii, kagana m&amo vjcda, 
mudi uk&aú. 

iíadiLe úape miiçínw, mudi ou. 

nik&ete rãami umSè, úape ni- 
kttxi. 

aôso aipe kamo, eH ou. 

unú úape kamo ni kaxi, ka- 
gana aSso akuaú, 

ttdi ujala ni kaxi. 

múepúa Oámi udi kúisoí 

miíepúa mmada Oámi mnlepe 
kamp kayan' et, 

múepúa úeai mulepe ni kaxi. 

múén* udi mulepe kamo, kaga- 
na aôso ana iada maku edi. 

mona maku íaaa maku et, udi 
kúisof 

dika^' edi, kaJciepe ni kaxi. 

nikúete malesu maúakene kamo 
ni kaxi. 

ikidi ipepele ni kaxi. 

eié úaiduluka ni kaxi ^ ka^an' 



ámt. 



edi mukurupi kamo, kagana 

maku ámi. 
ukúef et mu Zikiã>o kamexi 

kamit 
búate, mvkúdíago. 



Esta tinta nSo asBim preta 

como a outra (não é tSo 

preta). 
Era assim boa como esta 

(tSo boa). 
Eu tenho commigo uma, muito 

boa 
Todaa (sSo) peores que esta. 
Esta muito melhor, não todas 

as outras (do que as outras). 
E muito preta. 
Meu sobrinho onde está? 
Minha sobrinha (é) mais alta 

do que tu. 
O seu sobrinho (d^elle) é muito 

alto. 
EUe (é) mais alto do que 

todas as suas irmãs (d'elle). 
Sua filha mais nova (de v.) 

onde está? 
Esta esteira pequena e muito. 
Eu tenho lenços muito maio- 
res. 
Isto é muito fácil (leve). 
Tu (és) mais prudente do 

que eu. 
Elle é mais velho do que 

minha mSe. 
Tens em casa o meu gato? 

NSo, senhor. 



1 £ freqaente nas comparações tomar-se haaci por «mais». 



MBTHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUin>A 



65 



dikso edi diiao mOamo mudi 
ánuím 

WcJbo }Síaj kagana mãamo 2í- 

jima mudi éói. 
étí, tífima kamo, mukúá líago. 
tíkuío tíJãepe Ua iiiíapdepe, 

Hdi tíkuro ^ . 
kagana, muhiiá líago, 5úZt Síiso. 
^Hdi tílqpe kamo Síám ou ka- 

gan ámi. 
iíkuío Sí&í tílepe kamo ni 

hssd. 
dSÍMO edi ditoka kamo, kagana 

diámi. 
mon* â6t mujivna kamo, ka^an* 

úámi. 
táiuko énu mudi mu ^ííkuíot 
kaãipe ou pekila^ . 
òtfcuSo ISedi miíape ni kaxi. 
<6íámi fiHape kamo, kagana 

Ue%. 
nxk&ete mavuga mavudi, mudi 



mon 0^. 



i kagaina nkHete matada 
maimdi mãamo, mudi mHe- 

pãa úedi. 

4en' eai kak&etepe mavudi 
mOamo mudi éí6. 



Este lenço (é) novo assim 

como o meu (é tão novo 

como o meu). 
Aquella casa não (é) assim 

grande como esta. 
Esta (é) maior, senhor. 
Aquella pequena casa não 

presta (porque é) velha. 
NSo, senhor, é nova. 
É mais alta do que a minha. 

A tua casa (é) muito mais 

alta. 
Este lenço é mais claro do 

que o meu. 
O teu filho (é) mais gordo do 

que o meu. 
O vosso pae está em casa? 
NSo está. 

A casa d'elle é muito boa. 
A minha (é) melhor do que 

a tua. 
Eu tenho muitos (tantos) pan- 

nos como teu filho. 
Tu nSo tens tantos bancos 

como o sobrinho d'elle. 

EUe nSo tem muitos assim 
(tantos) como tu. 



1 Pode dizer-se mulo§a èidi òikuro «porque é antigo», mas sempre 
qoe supprimem muU>§a «porque», dão logo a razão como consequência. 

' ptkUa é o vocábulo que exprime «não ha, n2o existe»; estou con- 
Tenddo de que é uma abreviatura, mas já com uma transposiç&o da 
negativa jpe, coUocada antes do vocábulo abreviado. 

5 



66 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



Pronomes pessoaes 

Já dissemos a pag. 35 que os Lundas teem os absolutos: 
ámi, èié, múéne^ ehi, énu e éne; os conjunetos: ni, u, ta, 
nu ou mu, a, gu (prefixos subjectivos), éi, eai, êtUy énu, nau, 
e o reciproco ni tse» (suffixos objectivoô); e os circum- 
stanciaes de que já temos usado nos anteriores exercícios. 



"Vooab alaxdo 



mú-epiia, pi. a-, csobrinho». 

di'8uná, pi. ma-, «panno». 

di-Uko, pi. tna-, cdia». 

lu-sago, pi. Jt-^ «recado». 

zuizé «José (do portuguez)». 

toni « António (do portuguez) » . 

noeji \ 

iavo > «nomes de homens». 

muUha ) 

pcdciga 

kata 

muhogo 

mciu, pi. a-, «tio». 

8oJe, pi. o-^ «tia». 



«nomes de mulhe- 
res». 



úoma, pi, ma-, «medo». 
katano «cinco». 
musé&aho «seis». 
saòúari «sete». 
^ítnana «oito». 
ítavudi «muito». 
nani «quem». 
eòiki?^ «como?». 
kulela «estimar, amar». 
kusota «procurar, querer». 
kuMíta «passar, atravessar», 
kumana «ver», 
kúimana «esperar». 
kutcda «olhar, reparar». 



Ebcoroioios 



jtpaka^ jtánii jtddi kúisof 
jiámijta ni jiei jipane^. 

elê, úaikue mavuga nanif 



As minhas facas onde estSo? 
As minhas (estSo) acolá e as 

tuas aqui. 
Tu a quem deste os pannos? 



1 ediki ou ejiki «como isto?». 

' Ji, excepção, em vez de a. 

' pane abreviatura de panapa «aqoi». 



METHODO PBATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



67 



mana mak' úám. 
napanéne toni liji. 

éí£ úasutUe munumo '. 
kagana muata, muna. 
eóu tukúete Uumene ikiepe, 
mkuete arada aMepe. 
mkiiete maruaa wnmé kaso. 
kinikuetepe muruda umúl kaso. 
nilda arua' ámi. 
tátuk' úéí uhúete aruda avudif 
éi£ usota kugusala Stoúma ii- 

múè. 
kagana, mulogtkií 
dUeso edi didi diêtuf 
dãeso edi didi dijcda kamo, 

kagana diámi. 
tuzé ni mona maku miUa 

iíeai jipeto jiakéne. 
mona iíéí mujima kamo kagan' 

Oâmi. 
tátuk' Hâmi vdi ma Hkvíoí 
kadipe ou pekila. 
Ukmo Heai Ziiíape ni kaxi, 
Háni HOape kamo, kagana 

(SUaL 
miíén' edi muiíape mOanw, 

mudi múana mak* iíeai, 
miSén' edi kagana muiíape 

mOamo, mudi miíata, 
tukOete mavuga mavudi, mudi 

ene. 



A meu irmão. 

Eu dei (um pedaço de) carne 

ao António. 
Tu passaste por aqui. 
NSo senhor, por ali. 
Nós temos poucos inimigos. 
Eu tenho poucos amigos. 
Eu só tenho mn amigo. 
Eu nSo tenho nenhum amigo. 
Eu estimo os meus amigos. 
Teu pae tem muitos amigos? 
Tu queres fazer-me uma 

cousa? 
NSo, porque? (Porque nâo?) 
Este lenço é nosso? 
Este lenço é mais escuro que 

o meu. 
José e a filha delle (sSo) 

muito ricos. 
O teu filho é mais gordo que 

o meu. 
O meu pae está em casa? 
Não está. (Não ha, não existe.) 
A casa d^elle (é) muito boa. 
A minha é melhor que a 

d^elle. 
Elle é tão bom como seu 

irmão. 
Elle não é tão bom como o 

senhor. 
Temos tantos (muitos) pannos 

como V. 



1 Também dizem mu unu, muunoú. 



68 



EXPEDIÇlO POBTUOUBZÁ AO MUATIÂKVnA 



mkuBota Hcuío, pekãa. 

noeji lUepa Icamo, Tcagana 

maku màKxida, úeai muhogo. 
nasotel^ éí mu ^íttcuHo muloga 

namúika Síaima Ziúape. 

naaotãe kumunuma, mu líihiío 

pekãa. 
éíé uJkuete iowna kaai kamo, 

kagan' ámi. 
kakugi hiia úadUe ntámi ma- 

Si%o mavudi. 
múén* eai miíepua miianamak' 

úámi. 
éSi Síotma muamo íiauapet 

mulogiki múéne iÁadUe muôiko 

ama ni tíét 
míuloga Tcugrãd' ámi ni kaxi. 
Síaúape. 
muata iíapanén' eai ^oOma 

lirniXéi 
iátuk^Hámi upanén* ámi tugobe 

tuêâíaHo, ni òadi mikoko 

misato. 
mona maku muki úámi vkiíete 

mal mazolo mascíniari ni 

ámi kaadi kaso; pakOeza, 

mak' Oámi, nisota kaní ka- 

mo, 
laxa, mian úámi, úatuããe, 

naka&'ã^rmimãoloanui. 



Eu procuro casas, nSo ha. 
Noéji é mais alto que soa 

írmS Muhongo. 
Frocurei-o ao senhor em casa 

para (porque) dar-lhe uma 

bonita cousa. 
Procurei vê-lo, em casa nSo 

estava. 
V. tem ainda mais cousas do 

que eu. 
Aquelle rapaz esteve commigo 

muitos dias. 
Elle (é) sobrinho de meu 

irmSo. 
Que cousa assim (tSo) boa! 

(Que bella cousa!) 
Porque esteve elle estes dias 

comV.? 
Por me estimar muito. 
Está bem. (É bom.) 
O senhor deu-lhe (a elle) 

alguma cousa? 
Meu pae deu-me seis bois, e 

depois três ovelhas. 

O meu irmão mais novo tem 
sete ovos de gallinha e eu 
apenas dois ; por isso, minha 
mSe, quero (procuro) mais 
quatro. 

Sim, meu filho, está quieto, 
eu te darei esses ovos. 



> É o fiituro. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



69 



Míope j mak'iiámi, mOamo udi 

úape ni Jcaxi. 
nikusota kusal* éí divuga di- 

mãè diúajpe. 
uguscde kabmko kámiUé hiiape 

Zcmudi, ^Sadi ámi noikaíd' eí 

m kaxi, imak* úámi. 
úaméri' éU maíada mUaí kor 

zâege ni kaxi. 
e6i úasàlde kúaf 
naméne ^ eói éíé Hascdele. 
muamf Héí úasutíle mujtla ômu. 

fd nanit 

ni noeji ni pcdága, 

Oamén^ éié kali kata. 

huate, hinimwnenepc. 

éU Oasalele Siipe kusota pi" 

nape. 
Jdnakdelepe ni Oape. 



Muito beni; minli^ mSe^ assim 

é muito boa. 
Desejo fazer- te umbompamio. 

Faça-me um casaco muito bom; 
depois eu a estimarei muitO; 
minha mSe. 

Tu viste aquella mulher? (É) 
muito pobre. 

O que fazias ali? 

Via o que tu fazias. 

O teu filho passou neste ca- 
minho. 

Com quem? 

Com Noeji e com Palanga. 

Tu já viste a Cata? 

Não^ nSo a vi. 

Fizeste mal (em) passar por 
aqui. 

NSo reparei bem. 



FossesslTo 

A forma do possessivo, expressa em portuguez pela prepo- 
sição «de», também os Lundas a fazem* variar nos seus prefi* 
xos, que s3o sempre os das palavras anteriores se os teem; e 
soffixando-se a. £x.: nt^o úa uma «panella de barro»; kabiia 
ka zoJía ccão de caça»; xipo xia òiòita^ ccinto de couro»; iiHta 
Sía iisitpa cpelle de onça»; ciu a ruaa (aJcOamaa) co povo 
da Limda»; jipàka jta Sioko cas facas dos Quiôcos»; ipcim ta 
uga cos cestos da farinha»; uga Ha kahaka ca farinha de 
milho»; Hkvío íía ... ca casa de F. . . ». 



1 nUne abreviatura de manéne. 

2 èiUta ou èikita «peUe e couro». 



70 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



Vocabulário 



mu-sasa, pi. mi-, cmanM». 
kudía pa musasa^ calmoço». 
kudta pa uriiele^ cjantar». 
púdete, pi. ji-, cgarrafa de 

vidro». 
Idma, pi. a-y cmacaco». 
polo, ^\* ji-, € sitio». 
iíito, pi. ma-, «rio». 
kumi «dez». 
kumi ni kámuè «onze». 
kumi ni sato «treze». 
makumi maadi «vinte». 
buididi «romper da manhS». 



pamaki «cedo». 

katataka «immediatamente». 

leh «hoje». 

goloxe chontem». 

eci «quanto». 

5ta «para». 

pa «de, a». 

kuxUca «chegar». 

kídeya «aprender; ensinar». 

hãoaa «fallar». 

kudta «comer». 

kunúa «beber». 

k&ipula «perguntar». 



SIzeroioios 



Hsapiíilo oH lidi Sia miiata 

muteba, 
mrãoyiki miíéne udi ni kudíla f ^ 
mUéne muoaaa ulela tátuko ni 

mak' úedi, 
ana aôso adi e^ikif 
tátuko ni miíana muZaaa akúi' 

kila^ (kaadípe) mu Òikubo. 
^iktwo Ha Boje údmi fòidij 

kaJãepe kamo, kayana eòi, 
Heié òidi líjima kamo. 
tOasala pamu likuZo ZimiX^Í 
axikiT énu urOele et f 



Aquelle prato é do sr. Mute- 
ba. 
Porque está elle a chorar? 
Ella estima o pae e a mãe. 

Como estão todos os filhos? 
O pae e a filha não estão em 

casa. 
A casa de minha tia é mais 

pequena do que esta. 
A sua é maior. 
Fazemos juntos uma casa? 
y. chegaram esta tarde? 



1 Á letra : «comida on o comer da manhã». 
' A letra: «comida da tarde». 
3 A letra : «está com chorar». 
* Phrase : «não ha». 



METHODO PRATICO DÁ LÍNGUA DA LUNDA 



71 



tíiaxikãe goloxe pa musasa. 
naxikãe muêosa ômu. 
e6u túasutãe goloxe munumo, 
éU úasviile (úasutíT éié) k&iso ? 
mak' úeí muruaanámi ni kaxí, 

goloxe nakvMUe pa v/rude ni 

mci' wH. 
msota^ ^oiíma ^imÚè ^iúape 

ni kaxi. 
laxa, m&ata. 
kima úasegana ni mutodo, 

ukusota kusala âm púelete 

imúèjtadi acijtsato. 
nimuimane pane biiididi, mu- 

Ioga nUcusota kidoa eai ni 

kaxi. 
pa dizúi^ . 
fnuruaanámi, ukusota kuniia 

(kunaj marra, 
pa musasa ninúa kaso mema, 
polo peai (udij Hape kamo, 

kagana ôpo. 
nUcusota kumidoaa. 
habOa ka zoia kúa, kajima ni 

kaxi ni ^iso. 



Chegámos hontem de manhS. 
Eu cheguei esta manhZ. 
Passámos hontem por aqui. 
V. por onde passou? 
Tua mãe é muito minha 

amiga. 
Hontem jantei com teu tio. 

Queres uma cousa muito boa? 

Sim, senhor. 

O macaco está a brincar com 
o paUy quer de uma gar- 
rafa fazer duas ou três. 

Espero-o aqui cedinho, porque 
preciso fallar-lhe muito. 

Está dito. 

Meu amigo^ quer beber ga- 
rapa^? 

De manhã bebo só agua. 

O sitio delle é melhor do 
que este. 

Preciso fallar-lhe. 

Aquelle cSo de caça é muito 
grande e novo. 



1 Devia ser uaota; porém, quando se referem á acção que se está 
praticando, juntam ao prefixo o infixo a, e pode interpretar-se úa por 
«está». 

^ pa dÍMui; pa preposição «no, na, dentro», dizui «palavra». A pessoa 
que emprega tal pbrase indica que fica dentro do que ouviu, isto é, que 
se suspenda qualquer solução a tomar depois do que se ouviu, até que 
eUe haja deliberado sobre o assumpto; quer pois dizer: «basta, não con- 
tinue, nem uma palavra mais». 

' Bebida — mel fermentado em agua. 



72 



EXPBDIÇZO POBTUGUEZÁ ÂO tCnÁTlÂNYUÁ 



topo {et (icuíi) ifiape kamo eSt 
támif 

hiíate, mxjtk&á lago, iêtu taipe 
ivudi. 

Uèot' e^if (uêof ikifj 

uga úa kahaka. 

ana éci 8(^e úeí ukiietef 

osâíaHo (ana asâHailo). 

vJcúete kamo, kagana mok* 
úámi. 

éòu tuaxika pa kalani, túi- 
mana mu Hmeta kudi mua- 
tíavila, túaloade medi, ni 
mHén' eai aci^: al^ani mu- 
ruaanámi, úimane màíiko 
maadi aZi masato kamo. 

kagana, miiane, kadãipe mu 

polo pêtu. 
uméne huxika mona mak'uedif 
udUe kuisof 
mu Oito. 
xieáld' eli k&aí 
nasotUe aíxi. 
kinamenepe^ kali aíxi, maòiko 

matmdi. 
naiméne goloxe Ha urHeie. 
Haiduluka kamo, kagan* ámi. 



Eu também. 

Os teuB copos bSo melhores 

que os meus 
NSoy fidalgo, 08 nossos (sZo) 

muito feios. 
O que quer? (o que deseja?) 
Farinlia de milho. 
Quantos filhos tem sua tia? 
Seis. 
Tem mais do que minha mSe. 

Chegámos ao Calanhi, espe- 
rámos no Chimeta' pelo 
Muatiânyua, falíamos com 
elle e o próprio (diz) que: 
digam ao meu amigo (que) 
espere dois ou três dias 
mais. 

NSO; senhor, nSo estava no 
sitiou 

Viu chegar o irmão d'elle? 

Onde foi? 

No rio. 

Fizeste lá o quê? 

Procurava peixe. 

Já nSo vejo peixe (ha) muitos 
dias. 

Vi-os hontem de tarde. 

E mais feliz do que eu. 



1 Phrase : «eu com eu». 

^ Largo á frente da residência. 

3 alH ábreyiatnra «o próprio que âdla, diz». 

4 Logarejo, terra. 

^ «NSo ver comida» equivale a «nAo comer». 



METHODO PRATICO DÁ UNGUÁ DÁ LUNDÁ 



73 



jiêumo eci túakúetãe ma St- 

kuBof 
jifima jifd, jUciepe jitano. 

umane Icaiata, teia bUi, tu- 

M^ ecif 
jijima fiaBi, kaláepe kánwA 

kaso. 
jthHaii jiadi kmsof 
kúijií^ 
ánd nada kaxi ema mci' iiéí, 

nwloga ana kaki aúape ni 

kaxi. 
Ido, iátuk* iíáfni iiadãe pa 

urude mu tíkuSo ni ana 

eai aÔ80. 
Hcugi ia usuta kunoOko maXiko 

maôso. 
ánd kinikiietepe ana avudij 

mudi eai. 
agoJíe eZi, $<^ úéí ukOetílef 
mahmd maadi ni katano. 
mUéne mxJíaaa Oaxíkíle kalit 
kagana, m&ata. 
mém mcuxfxi majima ni ma- 

jala. 
iifjgpe ia mema ma/ãejpe ni 

maíjpe. 
akcge a inHata aúape ni 

akéne. 
HM^ eH ámi nipan' A^ 
eH éié, múata^ úakueoia. 



Quantos copos tínhamos em 
casa? 

Quatro grandes e cinco pe- 
quenos. 

Veja agora, (veja ainda), 
quantos temos? 

Dois grandes e um só pe- 
queno. 

Os outros onde estSo? 

Quem sabe! 

Estimo muito os filhos de teu 
tio porque sSo muito boas 
creanças. 

Meu pae jantou hoje em casa 
com os filhos todos. 

Aquelle homem passa por 

aqui todos os dias. 
NSo tenho tantos filhos como 

elle. 
Quantos bois tinha tua tia? 
Vinte cinco. 
Ella já chegou? 
Nfto, senhor. 
Os olhos dos peixes (são) 

grandes e escuros. 
As cabaças da agua (sSo) 

pequenas e feias. 
As amantes do senhor (são) 

bonitas e capazes. 
O que querV. que lhe dê? 
O que o senhor quizer. 



1 Phrase : «n2o sei, que me importa, quem sabe, etc.». 



74 



EXPEDIÇlO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



apanên éí, ioúmai úape ivti* 

dif 
búate/ múata, agupanéne Hãe- 

pe ni tipe. 
e6u tumusutUe mu Hato êtu, 
maúato éíike aJcúeténef 
nupvJf et aZi uJcusota ^ioima 

Ziúape Zimúè. 
kaJcugi kúa usiia kéne, ni múa- 

na mak' úedi mmeji. 

kajile kadi mujãa. 

musema úei yoloxe ttóuko ni- 
muméne mu Ziktiío Sía sof 
uámi, 

disuna edi d^apepele, 

tátúk' úámi mona mak' úedi 



sOan' tíf 



ai. 



vloo ou udi ujala kamo, ka- 

yana ^ikuro, 
múepUa maíaa úámi ukúete 

^Uúaaa. 
Zipaya * Ita muteba Hdi òijima 

kamo ni usúa kéne kamo, 

kayana mci' úedi, 
kinikúetepe úonui jyila itipe, 

tala, jijUa ejijtipe. 

imane, cíci vkusota kumana 
tavo; úaxikUe urúeV oú. 



Deram-te muitas cousas bo- 
nitas? 

Não, senhor, deram-m'as pou- 
cas e más. 

Passámo-lo na nossa canoa. 

Quantas canoas teem elles? 

Pergunto-te se queres uma 
cousa bonita. 

Aquelle rapaz é muito forte 
(força grande) e seu irmão, 
(d'elle) doente. 

O passarinho está no cami- 
nho. 

A tua cabrinha via-a hontem 
á noite em casa de minha 
tia. 

Esta fazenda é muito leve. 

O irmXo de meu pae é seu 
herdeiro (d'elle). 

Esta tinta é mais preta do 
que a antiga. 

Minha sobrinha é preguiçosa 
(tem preguiça). 

A residência do Muteba é 
maior e mais forte do que 
a do seu tio (d'elle). 

Eu nSo tenho medo de maus 
caminhos. 

Repara, estes caminhos (são) 
maus. 

Espera se queres ver lanvo ; 
chegou esta tarde. 



Também dizem kipa§a. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



75 



Pronomes obJeotiTos da 3.* pessoa 

Em seguida ao prefixo subjectivo mu equivale a co^ a»; í 
a fos, as». Ex.: umúijika cconhece-o»; é6u imijika cnós os 
conliecemoB»; ámi nimumana feu vejo-o»; éne aiméne folles 
viram-os». 

"Vocabnlario 



mu-soni, pi. a-, fprimo». 
tí'kuko, pi. i-, f pedaço». 
tí-bele, pi. i'j c retalho». 
uséba, pi. c^, cnegociante». 
maúi c azeite». 
useíaj pi. ma-, cnegocio». 
mogúay jl. ji-, fsal». 
pamiU cjuntos». 
k(M cqual». 

iúapali cde pressa^ rapida- 
mente». 



âJiamoúSiko camanhS». 

bUi c ainda». 

kaai kali c ainda não». 

kuleta^ ctrazer». 

Tc&ijika €saber, conhecer». 

Tc&eza cvir». 

ktdaaa € comprar». 

kuctíata cpisar». 

Jcudila cchorar». 

kubula cbater». 

kuxcda cficar». 



Sxex*oioios 



mkusota^ hãoãa meã' úét, 

aci Ido ciei dxama^iko 
Ido mikéne udi mu lihJío di- 

liko dtôso. 
mdogiJdí 
iíimana mona maku mvíada 

mukuru^ iíeaú 
tmane bUij ntkusota kumumana 

iiape. 



Eu desejo feillar a teu tio^ ou 

hoje ou amanhS. 
EUe hoje está em casa todo 

o dia. 
Porquê? 
Espera sua irmS mais velha. 

Espere ainda^ quero vê-lo 
bem. 



1 Também dizem kuneta, 

' Muitos, principalmente no verbo kudota, n2o supprímem o prefixo 
ào infinito na 1.* pessoa do presente. 



76 



EXPEDIÇIO P0BTU6UEZÁ AO MUÁTIÂNVUÁ 



musoni mvíaãa iíéí udi kuisof 
kimijUcape. kinimuméne Ido. 
golooce úòvko iíadUe mu likuío 

íiêtu, m ikãoade, iUdodele, 

Oaloaele ni kaxi. 
leta (neta) kcuiiié. 
hwmusota kúisof 
eói ufusta rrm itkasaf 
dmiga dia mona mak' vAttd. 
múk' iiámi mupêto miíamo, 

mudi eié. 
múata iiapanén' edi mamga 

maníf 
búate, nfxpanén' eai masato 

kaao. 
nani úaik* et jitu ejif 
tátuk* uámi. 
goloxe ípSvJco naméne tuiuío 

tuúape ni kaad. 
iíaneta ni éíí 

kajãe kámOè, kugupan' ámi 

kakugi h&a eZi Oaloaa ni 

musoni Oámi^. 
ámi Jdnimumana. 
eté uméne mãepiía Oámif 
kagana mOata, nimúimana 

panapa (pinape). 
aZi ktdoda ni eai, ntkusota 

kumumana mu lUcuío ^iámi. 



Soa prima onde está? 
NSo sei. Nfto a vi hoje. 
Hontem á noite esteve em 

nossa casa, e fallou, fallou, 

fallou muito. 
Traz fogo. 

Onde hei de procurá-lo? 
O que traz na mão? 
O panno (veste) de meu irmão. 
Minha mSe é tSo rica como 

tu. 
O senhor deu-Ihe quatro pan- 

nos? 
NSO; dei-lhe só três. 

Quem te deu essas colheres? 

Meu pae. 

Hontem (á) noite vi estrellas 

muito bonitas. 
O que trazes comtigo? (O 

que trazes ahi?) 
Um passarinho (que) me deu 

a mim aquelle rapaz que está 

fallando com meu primo. 
Eu nSo o vejo. 
Vistes meu sobrinho? 
Não, senhor^ espero-o aqui. 

Se fallar com elle, eu desejo 
vê-lo em minha casa. 



1 Quando o sujeito e o objectivo são da mesma pessoa empregam 
moitas vezes o verbo no infinito. O pronome ámi qne se lhe junta é para 
dar mais força á eipressSo. 



METHODO PRATICO DÁ UNGUÁ DÁ LUKDÁ 



77 



himhdoda ni eãi leio, muloga 

fmàeju 
ia^ isapUiUo eji. 
kmsako^f 
ái bOi^I net' e«*? 
topo idi kúiso f 

mãáUU jitujikamo ma diXUco 

dimiàé, kagana mona maikf 

Hámi ma masato. 
wu polo pètu aaaiani makwmi 

jUu^ ni jiadi mu diòiko 

dhii. . 
noêaUle kali jipaka jisâJ^fio 

mu dióiko dÂadi, 
ám Ido nuU niiiape ni kaxi, 

iape homo m kaxi, kagana 

gdoxe. 
aôso ascda toima tatS. 

àm nisala kaso miãamo, mudi 
(Ufua adso Oámi asala. 

iiiíuta Tnunoúmo màòiko ma- 
ôso. 



NSo fallo hoje com elle porque 

(está) doente. 
Traga estes pratos. 
Aonde? 

O tu! o que trazes? 
Onde estSo os copos ? 
Foram-se (desappareceram). 
Eu fiz mais colheres em um 

dia do que meu irmSo em 

três. 
Na nossa terra £Etzem-se vinte 

e duas colheres por dia 

(em um dia). 
Eu já fiz seis fistcas em dois 

dias. 
Eu hoje estou muito bem, 

muito melhor que hontem. 

Todos fazem as suas cousas 

(d'elles). 
Eu só faço tanto como todos 

os meus sobrinhos feizem. 
Eu passo por aqui todos os 

dias. 



1 ia sbreyiatura de neta (leia), 

^ lóàièáko (huúo -f- ako). Esta terminação ako é muito usada para 
friaar bem o legar em que se deye passar a acção ; nesta phraae repre- 
senta a duvida «onde?». 

' Forma de chamar a attençâo de quem está distante : «olha lá, olha 
cá, oaye lá, ouve cá, etc.»; interpretação litteral «tu ainda!». 

* Faço notar a distincçSo de nei* iki «traga isto». 

' húaèi, que se diz rapidamente, é a expressão própria que indica 
«qaebrou-se, perdeu-se, desappareceu, nSo Y€jo, morreu, acábou-se, etc.». 

* O que se conta coUocam sempre antes do numeral designativo das 
Qmdades. 



78 



EXPEDIÇlO POETUGUEZA AO BCUATIAnVUA 



e^u tumuméne kustda goloxe 

urúde. 
Ido ámi m ámi nastUíle mu 

Jila tÍ6t. 
namuméne iaiiape. 
tumexi atuxikile goloxe bui- 

ãdãi búididi^ adi kúiso? 

iitúimenepe. 

tutubiia natuméne rmisasa oú 
(ômu) mu Jila. 

tátuk' uet Hakiíetile ibode 

tavulo (tavudijí 
Hakuettle, kaikiíetepe kali, 
mkusota likxwo èimOè kttdi^ 

tátuk' Oárni, 
kOa nimane }^imiíè Uiíape H- 

vudi, 
naóiméne kali, èijima ni lUepa 

Sia kamo. 
úipide aZi miíén' eai mu H- 

kuíof 
uêota kúijika mvlotjikií 

mxdoya nikusota kuJaa eai 

m/znt, 
miíén' eai kudíape maiíseía, 

maòiko ama maipe ku ma- 
uséia. 



Nós o vimoB passar hontem 
(de) tarde. 

Também hoje eu passei no 
teu caminho. 

Eu vi-o muito bem. 

Onde estão os gatos (que) 
chegaram hontem muito 
cedo (ao romper do dia)? 

NSo os vimos. 

Os cãesinhos vi-os eu esta 
manhS na estrada (cami- 
nho). 

Teu pae tinha muitos porcos? 

Tinha, (mas) já nSo os tem. 
Eu procuro uina casa para 

meu pae. 
Acolá (ha) uma muito boa. 

Já a vi, (é) larga e comprida 
de mais. 

Pergunte se elle (está) em 
casa? 

Quer saber porque? (Porque 
quer saber?) 

Porque quero comprar-lhe 
azeite. 

Elle não come (nSo fáz) ne- 
gócios. 

Estes dias (são) maus para 
negócios. 



1 A repetiçio de búididi exprime «o mais cedo possivel*. 
^ «Pelo, por» e em certos casos «como, para». 



METHODO PRATICO DÁ LÍNGUA DA LUNDA 



79 



ieza diHko ãikúaú. Ido dtipe. 

àkarvda aôao akiiete makasu. 

àSíoko aJÔso oleia akaje aiaú. 

Uakêne, m&ata, 

muíada mãa xdetele Tnani 

maúape. 
mia, fãeza âHamaíiko niéne. 
ám ni ámi, mia ni et, 

úijika useba ioúf 
ciu aôso am&ijika ni agvlef 
ánd íiiíape Uvudi Heai. 

agcíe ecike axiktle urUeV oHÍ 

malcund mascUo ni sc&aíío. 

tOalcíepe rd kaxi. 

sof iíedi tãoaa úape ni kamo 

ni eai, 
jifok^ yi jicU jia na muhoyOj 

nijitu iqjijta mutéba, 

moBUco madao é6u tuJcudíajpa 

musasa pamSé, 
aÔ8o mu iHktiío ítánd amúi- 

jika. 
an úámi aoso akusota kumU" 

mana. 
Hcuffi et mvkurupi ni kaxi. 
aÔ80 akurupi mu polo petu 

aleja: ééu túmUjikHa kali 

mukurupi, 
umuleta kunoiUco katcUaka. 



Venha outro dia, hoje nSo é 

bom 
Todos 08 Lundas sfto menti- 

rosoB (teem mentiras). 
Todos os Qoiôcos estimam as 

suas mulheres. 
(E) Verdade, senhor. 
Aquella mulher trouxe bom 

azeite. 
Vou e yenho amanhS com elles. 
Eu também (commigo) vou 

comtigo. 
Conheces esse negociante ? 
Todas as pessoas o conhecem 

e me dizem muito bem 

d'eUe. 
Quantos bois chegaram esta 

tarde. 
Trinta e seis. 
Muito poucos. 
Sua tia (d'elle) falia melhor 

que elle. 
Estas facas pertencem (sSo 

da) senhora Muhongo, e 

essas colheres do Muteba. 
Todos os dias almoçámos 

juntos. 
Todos em minha casa o co- 
nhecem. 
Todos os meus filhos querem 

vê-lo. 
Este homem é muito velho. 
Todos os velhos do nosso 

sitio dizem: nós já o co- 
nhecemos velho. 
Traga-o já aqui. 



80 



EZPEDIÇZO POBTUGUEZA AO ICUÁTliKVnÁ 



izaka. 

OU òiiiapeUpe. 

iHape m kaxi huãHa rd rruka. 

níeza kudi sof iiámi; úaxalde 
m úape rd ana kald eai. 

naezãe rd tátuk' uánd, naméne 

rruma mak' úd. 
koía diahutf 

naaoiãe tíbde tòi 9ía âisuna. 

let^ ánd UhJco Sía rmUodo 

rdmana kúa, 
ríSda rdrmdeta kaiataka. 
kakugi Icei ukúete udma ha 

rnukuaú. 
mci* wH ugupanéne kajile 

aka. 
ánd rdlde tujãe tuJAepe, mu- 

Ioga kasaldepe rd ipe rmãu 

umSè, 
Oaãe kuiêof 
naãe kusota ^SihjMO Sía mogUa. 

ana kaki ode JcHisof 
a£le kuêota mani. 
mãe rd musoni iiéí rd tuleta 
mani aci agaje^. 



O qae é isto? 

Folhas de mandioca. 

Ibbo nSo presta. 

Muito bom (para) comer com 
o infunde. 

Eu venho por (de casa de) 
minha tia; ficou bem (de 
saúde) com os seus filhos. 

Vinha com meu pae e vi o 
seu irmSo. 

Qual d^elles ? 

O mais novo. 

Eu queria esse retalho de 
fazenda. 

Traga-me aquelle pedaço de 
pau (que) vejo acolá. 

Vou e trago-o já. 

Este rapaz tem medo daqueF 
outro. 

Seu tio deu-me este passa- 
rinho. 

Eu estimo os passarinhos pe- 
quenos, porque nSo fazem 
mal a ninguém. 

Onde foi? 

Foi procurar um bocado de 
sal? 

Os rapazes onde foram? 

Foram buscar azeite. 

Vamos com seu primo e tra- 
remos azeite ou os fructos 
da palmeira. 



1 muka abreviatura de náíana kaki, 

^ a§qfe é o «firacto da palmeira», que pisam para &ier o azeite. 



METHODO PBATICO DÁ LÍNGUA DÁ LUNDÁ 



81 



mia kaU. imane bãi. 
isapOão ia ijima ivudi. 

naxikãe musasa ômu, tn kata- 

taka fuualele ipe ku Teima, 

na^Uakle mu Wcasa. 
kagana Hamuménef 
hikote. 

mulogiki miiíéne úakudílaf 
muloga mak' iiet úamvòtila 

mubtãa^. 
tumexi etu tOadi teH axikíle 

goloxe vZukot 
(Saxa, mukHá bago. 
kimldepe inaú; nodaotdepe 

ttyima, 
akOaii éôi^ tiUméne mu }íikuSo^ 

Via useba aúape kamo rd 

kaxi. 
auseba asalele mauseía ma- 

úape mu ^Hbago SHso SUiú, 

éne adimukine ni kaxi. 
aijika kusota cSu aôao ailele. 

ndtoao tuna idi ijima rd iHajpe 

rd kaxi. 
éne akiietíle makumi maaâi 

maleso ni maní. 



Vou já. Espere ainda. 
Aquelles pratos (sSo) muito 

grandes. 
Cheguei esta manhS, e logo 

fiz mal ao macaco; pizei-o 

na mão. 
NSo o viu? 
NSo. 

Porque está elle a chorar? 
Porque a mSe lhe bateu. 

Estes gatos sSo os que che- 
garam hontem á noite? 
Sim, meu senhor. 
NSo gosto d'elles; queria-os 

maiores. 
Os outros que vimos em casa 

do negociante (eram) muito 

melhores. 
Os negociantes fizeram bons 

negócios na sua nova casa 

de venda. 
EUes (sSo) muito espertos 

(intelligentes). 
EUes sabem procurar que 

todos os estimem. 
- Aquellas arvores sSo grossas 

e muito boas. 
Elles tinham vinte e quatro 

lenços. 



1 Repetem para dar mais força á expressão. 

2 eèi podia dispensar-se. 

' Bastava dizer mu uséba, subentendia-se èikuto, o qual também se 
pode sobstitiiir por òibago «casa de venda». 

6 



82 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIAnVUA 



mtisoni úánd kúezãepe Ido ku- 

gvmana, naãe kvdi murur 

danei kaugtãa^. 
diliko cRÔso nimiUméne. 
ncJcHetile dUcund ãm mai rd 

aiano* 
ia m nani^ 
m B(^ iíámi. 
8of Hei úia h&iso f 
maní^. 

nani tãeteV ikif 
tátuk^ úetu. 
úasalel' ikif 
bHate. 

éci nanif ou nanif 
kaiji ou kinijikape ou kaijika 

ou kúiji. 
kúiji mona mak* Hei. 
ZisapiíUo ^idi kúisof 
kinamumenepe. 

kakugi ket kicU ktipe ni kaxi. 
iopo ikuro iHape ni kaxi, ka- 

gana Jãiso, 
níkuêota k&ijíka katataka ji- 

paka jijima jiadi kúisot 

ia ni kúisota. 

iííleta kunoiiko kcUataka, 



Meu primo nâo veiu hoje ver- 
me, foi pelo seu amigo 
Caungula. 

Todo o dia o esperei. 

Eu tinha quinze ovob. 

Vaes com quem? 

Com minha tía. 

Onde vae tua tía? 

Não sei. 

Quem trouxe isto? 

O nosso pae. 

V. fez isto? 

NSo. 

Entfto quem foi? 

Não sei. 

Talvez seu irmão. 

O prato onde está? 

Não o vi. 

Este rapaz é muito mau. 

Os copos antigos (eram) muito 

melhores que os novos. 
Eu quero saber immediata- 

mente onde estão as facsía 

grandes ? 
Vá procurá-las. 
Traga-as aqui immediata- 

mente. 



1 Titulo de um potentado. 

2 mani desdobra-se em tna e iúi] ma é um prefixo do plural que se 
refere a tudo que alguém acaba de ouvir e lhe era ignorado; isto é^ em 
logar de maôao «tudo», ini «quê, qual». Ex. : tnaôso éU fíaleja mani! «tudo 
o que y. está dizendo, o quê!». Mostra assim a sua ignorância e en- 
fado o individuo a quem se culpa ou se interroga sobre o que elle não 
sabe, dizendo : maáL 



METHODO PKATICO DA LÍNGUA DA LtJNDA 



83 



Verbos 



Forma aotiva 



As fonoaçSes dos tempos e modoS; e bem assim o compe- 
tente paradigma, ao qual o leitor deve recorrer, e que por 
economia de espaço aqui supprimimos, ficaram indicados a 
pag. 37. 

Ás formas do presente e aoristo já teem sido empregadas 
nos precedentes exebcicios. 



Vooabnlajfio 



nwrjíhdo, pi. a-; cneto». 
mu-xiTnaf pi. vd-j ccoraçSo». 
murkakaj pi. mi-, cmandio- 

cai. 
ka-aiga, pi. tu-, c bombo». 
nrn-jikita, pi. mi-, c trabalho, 

serviço». 
yaka, pi. a-, cavo». 
viaxi csangue». 
maXiko n^so ctodos os dias, 

sempre». 
HeneH emas, porém». 



suka emas». 
ííaôso cquando». 
ku^tuma c mandar». 
ktUaga «contar, narrar, ler». 
katc£tda c receber». 
ktíseyana cbrincar». 
kuUda c dormir». 
kvbudika tsair». 
ktUaSuka «chamar, convidar». 
ktãadixa «vender». 
kudtoxa «tirar». 
kiiana «juntar, unir». 



Fatoro 

nakaxika «eu chegarei» 
uakaxUca «tu chegarás» 
úakaxika «elle chegará» 
túakaxika «nós chegaremos» 
nuakaxika «vós chegareis» 
akaxika «elles chegarSo». 



Imperativo 

xika «chega tu» 
iixike «chegue elle» 
tuxiketu «cheguemos nós» 
xikénu «chegueis vós» 
axike «cheguem elles». 



84 



EXPEDIÇlO POBTUGUEZÁ AO MUATIÍNVUÁ 



Sbceroicios 



vmêfn' eãi ikJcaasUca aci leio aci 

âxamatíJco. 
taZuJca muana kaki. 
kejtlepe kadi ou kadi kali. 
tcAtda kami^ kiía, dta Tm- 

dtata. 
Ido cuSióko aneténe ndscJca. 

èóu iukaxala dtamàòiko mu 
ZUcuío, éíé kagana, ulcaia 
kudi òisege^, 

gaka ukalda mujihão úedi 
maióiko maôso edi (vmèrC 
eãi) eH usala mujikUa 
múape. 

nakcdoda tátuk' Hei diliko 
éUmúò diMko kamo^. 

xcHa panapa, nakata ni ana 
kaki U6t. 

muraaanêtu viúimane kadi 
úóuko oú. 

tukata kali u6vko iieza^. 

tiÁokiiiaúi^ kttbudika wTOel' ou. 
tkHaú axalde kiíisof 



EUe chegará hoje ou amanU. 

Chama a creança. 

Ainda nSo veia. 

Receba aquelle bombo para 

pisar. 
Hoje 08 Quiôcos trouxenun 

mandiocas. 
Nós ficaremos amanhS em 

casa, V. (tu) nâo, irá(s) pelo 

Chissengue (quando tu fôres 

ao Chissengue). 
O avô amará seu neto sempre 

que elle faça bom serviço. 



Eu fallarei a teu pae qualquer 

dia. 
Fica aqui, (que) eu irei com 

teus filhinhos. 
O nosso amigo espera-nos 

ainda esta noite. 
Iremos já (porque) a noite 

chega. 
Vamos todos sair esta tarde. 
Onde ficaram os outros? 



1 AbreTÍatura de kaSiga, 
< Titalo de uma auctoridade entre os Quiôcos. 
3 Íl letra: «dia um, dia mais», isto é, «um dia ou outro». 
^ Expressão usual de «principiar a noite, escurecer», como o é também 
mutena uauí «o sol yae, desapparece». 
& É o mesmo que iuíaúi. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



85 



mu Upa!ga Hía mmfêa^. 
énu axikãe musasa ômuf 
kagana^ míariy tíícueikíle go- 

loxe urude. 
árrã fádi kunovko rd úape ni 

kaxi, ISteneH mon' úárrd 

kaàipe. 
éU u6uko oH úaãe huiso f 
naxcãde mu Itíkuío rd mona 

maku muJíaãa úámi. 
múéne gaãa, auseba^ a múéne 

puto axikãe kali pamaki 

hiUâidi buidiãi mu líiòago^ 

rd kuãta búate. 
eie, m eie, m eté% kadt atam 

husota kudía Mavudi, Jcudi 

aruãanánd. 
maku úatumine múana ueai 

kuêota mema, múén' eai úaUe 

kuaegana rd tuJcugi tukuaii^ 

kud' xH úamuimle^. 
maku Oaiga^, ana aipe aku- 

sota kumana malu\ 
auseba ct/Ue okiUsof 
amalaje. 



Na residência de Muítía. 
y. chegaram esta manlift? 
NSO; senhora, chegámos hon- 

tem de tarde. 
Eu estou aqui muito bem, 

porém meu filho nSo está. 

Onde foi V. esta noite? 

Fiquei em casa com minha 
irmS. 

Senhor da terra, os negocian- 
tes portnguezes chegaram 
ao romper da manhS á fei- 
toría^ e nSo teem de comer. 

V., com V., e mais V., v5o. 
ainda todos procurar de 
comer para os meus amigos. 

Á mSe mandou seu filho bus- 
car agua; e elle foi brincar 
com outros rapazes, por 
isso o castigou. 

Tem razSo a mSc; maus filhos 
precisam ser castigados. 

D^onde vieram os negociantes? 

De Malanje. 



1 Principal conselheiro na corte lunda. 

2 Também dizem mauêtba; o regalar, porém, é auseba por ser ente 
animada 

' «Casa de negocio»; como feitoria é interpretação já adoptada, 
por isso a empregaei. 

4 £ o usual, apontando para os indivíduos que se nomeiam. 
^ Abreviatura de bulile, de kubula «bater». 
* Phrase abreviada. 
' «Ver castigo». 



86 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



rmdena iiata kali; ãtanuiôiko 
ttckaloaa kamo ni kaxi. 



muén* edi iiata, ánd nakaxala 

kadi. 
énu ata kubudika, kuaal' eUí 
humana tuíoúma tuHape, au- 

seba aineténe, 
aci éne aneta moyiía, nisota 

kuámi, 
ánd rd ámi nUcusota jipasa 

jiacU jijiTna. 
kakuyi kúéi úaia ntêtu kideta 

mogúa ni jipasa. 



éíé bili, ia mahui, 

nataíúile jipasajini ni mogúa 

ISikuko Hlãepe kaso. 
nakatuma mujiktdo úámi kái- 

mana kadi éne. 
taSuka mona maJcu mvíaaa 

rrmka úánd. 
kcUcia^ Oaile pa musasa kudi 

mataba, uluko úyile kali 

ni múén* edi kuxUca kadi 

bOate. 
kiiiji^ mOéne vlala vZuko mu 

êié ukúete maxi mu mHedu 
maku^. 



Vae principiar a noite (aca- 
bou-se o dia); amanhã ad- 
iaremos mais (continuare- 
mos a conversa). 

EUe vaC; eu ficarei ainda. 

V. vão sair, fazer o quê? 

Ver cousinhas bonitas (que) 
trouxeram os negociantes. 

Se trazem sal, quero para 
mim. 

Eu também quero duas ca- 
necas grandes. 

O seu rapaz vae comnosco 
(para) trazer o sal e as 
canecas. 

Olá tu, vae com elles. 

Recebi quatro canecas e ape- 
nas um pedacito de sal. 

Mandarei meu neto esperar 
por elles. 

Chama minha irmã mais nova. 

Calala foi de manhi a Mata- 
ba, já é noite e elle ainda 
nSo chegou. 

É possível durma noite no 
caminho. 

V. tem sangue na perna es- 
querda. 



1 Chefe da força armada. 

> Empregam como duvida: «talvez, é possível, pode 9erque,etc.» 

3 O lado direito pertence ao pae, o esquerdo á mãe. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



87 



uasalde maxi mu tíkasa ecikeí 
miji, cíenect ici kcuauoma ka- 

lãepe^. 
úáloade kali ana ausebat 

kadi kali. 

naiméne kali, ^íienéói^ kãUoaa 

kagana kadi, 
àkcàaúi h&isota, ni doa éne^ 

nikuete máxima iSía^ kui- 

mana, 
dUoxa isapúHo eí ni úituma 

mujikid' Oámi. 
mujikul' Hei kadipe mu polo 

pêtUj úabudikxlepa musasa. 

ikãnidikUe ni kuloaa mámi 
kayana; áci kOeza, mutor 
zuka, 

musoni Heai Oataíútle tíbde 
dta disuna éíé wúumin' eai, 

ikuyi ia vJcuete muxima mu- 

jima^, 
mOana kald amu umana uto- 

ka^, 
mutodo Oasotíle kubula Wcor 

sa Síámi, 



Como fez sangue no braço? 
Não seiy mas isto nSo vale 

nada. 
Já £Edlou aos filhos dos nego- 
ciantes? 
Ainda não. 
Já os vi, mas ainda nSo lhes 

fallei. 
V8o (todos) procurá-los e di- 

gam-lhes que desejo (tenho 

vontade) vê-los. 
Tira estes pratos e manda-os 

a meu neto. 
Seu neto nSo está no sitio 

(povoação); sahiu esta ma- 

nhS. 
Sahiu e não me &llou; quando 

vier, chama-o. 

O primo d'elle recebeu o re- 
talho de £Etzenda (que) V. 
lhe mandou. 

Áquelle homem é generoso. 

Esta creança vê claro. 

Ia batendo com o braço na 
arvore. 



^ «Peqaeuma cousav. 

^ Podia dispensar-se. 

' £ também empregado no sentido de «dizer, commmiicar». 

4 Ha «para», empregam-no também no sentidodo «de». 

^ A letra : «tem coração grande». 

^ «Branco» é «claro». 



88 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVnA 



mona úA vk&eU muxima mu- 

toka^. 
kakugi ftm ukiiete muxima 

mmjala^» 
ééu tukaíoda mak' úedi ni 

úkamana malu. 
c&i éU úape, míuiu kaJciietepe 

muxima kubul' €t. 
nikuete mvxima Sía kudiaaíxi 

fãéne. 
úaigaj kumana úape kuãia 

úape kamo^. 
Unamenepe^ aíxi maióiko mor 

vudi. 
naiméne díamaòtko, ni Hape 

ni Jcaxi. 
niHapde^ ixi, nikusota kaai 

kamo liji. 



Teu filho é bondoso (justo). 
Esse rapaz é malvado. 

Nós fallaremos com a mSe 

d'elle e será castigado. 
Se tu (fores) bom, ninguém 

te bate (castiga). 
Tenho vontade de comer peixe 

com elles. 
Tem razão porque a appa- 

rencia é boa. 
Não comia peixe ha muito 

tempo. 
Comi-o hontem, e muito bom. 

Gosto de peixe, quero ainda 
mais (prefiro) carne. 



Oondldonal 

Não teem a forma simples como nós, porém servem-se de 
auxiliares (pag. 39) que dão a equivalência. 

Ck>x4Tmotivo 

Tem 08 mesmos tempos do indicativo com as differenças 
indicadas a pag. 40. 



1 Á letra : «tem coraçSo limpo, tranqoillo». 

' A letra : «tem coraçSo sujo, preto». 

' A letra : «ver bem, comer melhor (o que agrada á yista deye saber 
bem)». Phrase muito usual. 

^ «Ver» empregam-no também no sentido de «comer». Assim, dizem : 
«a barriga nSo viu», i. é., «nSo comeu». 

^ De úape, «bom», fozem o verbo ku&apeU «gostar». 



METHODO PRATICO DA UKGUA DA LUNDA 



89 



S2zeroioio8 



nasotde kuttSuJca mikaka éí 

aÔ8o aci nakãetãe ãiòiko 

díoso kudi ómi. 
nttãe kumana moíuna auseha 

amaneta aci ncdcídde, ha- 

Ioda meWt 



tuiakma kaso ha muavía h&a 
múíxãavúa, ^Síaôso tukaiji- 
ha a&oko aUe^ kali. 

aci jipasa fioso ámi nimana, 
kudi uámi, naisotde hitur 
Ifuka katcttaka, 

naUe kudtoxa panapa maleso 

maJtano, mka éiê kuloaa 

tátuk* Hámi, húate. 
aci naméne, naezile kuloaa 2a- 

kéne. 
tiasotde kOeza goloxe, aci 

mwptia uêtu, ciei edi rd edi, 

HezUe. 
éU tãoda ííauma Símâè^ mu- 

xuma uei ctkiíaú. 

eza ko^, ni aci éié tdcusota, 
tidoae tuJAepe. 



Eu levantaria todas estas 
mandiocas se tivesse vagar 
(todo o dia por mim). 

Eu veria as fazendas (que) 
trazem os negociantes se 
comprasBe. Comprar com 
quê? (se tivesse com que 
comprar). 

Só iremos á residência do 
Potentado quando souber- 
mos (que) os Quíôcos já 
(retiraram) foram. 

Se todas as canecas que 
vejo (fossem) para mim, 
levantárlas-ia immediata- 
mente. 

Eu tirana d'aqui cinco lenços, 
tendo a certeza que V. não 
dirá a meu pae. 

Se eu visse fallaría a verdade. 

Viríamos hontem se nosso 
sobrinho viesse também. 

V. nSo diz o que sente. (V. 

diz uma cousa, seu coraçSo 

outra.) 
Ápproxime-se, e se quer fal- 

lemos um pouco. 



1 Teem nin verbo especial para «retirar, yoltari9, mas usam muito de 
kuía «ir» para indicar a retirada. 

^ Abreviatura de kunoúko, A phrase ainda se pode abreviar em xchó. 



90 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO BCUATIÂNVUA 



ktãoãa mOamo, kuleja nanif 



tSt ciu aÔ80 amiiijika. 

nayile hdoaa muamo, aZi 

imãu cde/eV ámi. 
hãoaa, cdoda doso; kuijika^ 

hagana. 
kvloaa }^idi ZiHape, kúyika 

ZiiUn>e kamo. 
muruaa úeí usotde humúi- 

mana, áci eté vloade nieza 

leio m&amo. 
kakuyi kúeai úezUe, sulca úatle 

kali kusota múadmje^. 
nasotde kunúa marufo, aci 

namaméne. 
ámi nidi pane úape nt kaxi, 

êuka énu adi aipe. 
aeál' éòi panapa f 
Síetí été umana. 
adso éli axcdele leio ntámi 

akakuta diôiko dikiiaã hu- 
mana ima ia muaia. . . 
miían' tê, kaloíoí mvkúá layo. 
adi kiia ikuòo tadi iHape, kiH- 

sako aÔ80 akalala aOape 

ni kaxi. 
kusota violo úape, kusota ku- 

lala lUiiíape, 
diòiko dtipe, di6iko díaujala. 



Quem lhe ensinon a Míax 
as8Ím? (Fallar assim, en- 
sinar quem?) 

Isto toda a gente o sabe. 
(NSo se ensina). 

Eu fallaría assim se me en- 
sinassem. 

Fallar, iiodos faliam; saber, 
nâo. 

Fallar é bom, saber é melhor. 

O seu amigo esperá-lo-ia se 
dissesse que vinha (eu ve- 
nho) hoje mesmo. 

O rapaz d'elle veiu, mas foi 
já procurar de comer. 

Eu beberia vinho de palmeira 
se o visse. 

Eu estou aqui muito bem, 
mas V. estão mal. 

O que fazem aqui? 

O que V. vê. 

Todos os que ficaram hoje 
commigo irSo outro dia ver 
os macacos do sr. F. . . 

Obrigado, senhor (fidalgo). 

Estão ali duas casas boas, 
onde todos dormirão muito 
bem. 

Procurar boa cama (é) pro- 
curar dormir muito bem. 

Dia mau é dia triste. 



^ «Sustento, alimento», de kudia «comer». 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



91 



sala Tcaso BeU atumin' éí. 

mijika ana kaki úámi úasiígi 

ni kaxi, tíenééi nviiaj)de (2ta- 

hm miiarno. 
rmãu kudta madi múéne vkor 

80ta, udía úape. 
nasotde hãadixa jipaaa jini 

fia marufo kudi diw^a di" 

múè. 
ámi kayana; nasotele kuniia 

marufo maoso, kamaladixi' 

lepe mãamo ^âoumaòiJãepe. 
àói naviéne leio mak' úámi, 

nasotele kuia medi. 
túasoide kutaítda maleso ma- 

ôso, aci tiUjikUe nani úama- 

loade. 
ámi ni ámi nasotele kuscda 

mãamo. 
aci nakakuta mu luda, naka- 

neta ahye atato auape. 
tá iúape, suka ahinaú adi 

kúisof 
nakaikusota ni nakaineta. 

nakatuma kuijika, aZi kakuyi 

kiíeií Heztle kali. 
aci éíé VÃoT iki, muxima úámi 

úatoka. 
uâHoosa úajala úa muxima 

iMimt. 
matíko maôso ámi nibudtka, 

muxima vloda úape. 
(íiaôso naxala kaso, muxima 

&gala. 



Faz apenas o que te man- 
darem. 
Eu sei que os meus filhinhos 

(são) muito teimosoS; mas 

gosto d'elles assim. 
Cada um comer como quer, 

come bem. 
Eu venderia quatro canecas 

de vinho de palmeira por 

um panno. 
Eu não; bebê-lo-ia todo, não 

o vendia por tSo pouco. 

Se eu visse hoje minha mSe 

iria com ella. 
Receberíamos todos os lenços 

se soubéssemos quem os 

comprava. 
Também eu fÍEuria o mesmo. 

Se for a Lunda hei de trazer 
três companheiras bonitas. 

Isso é bom, mas onde estSo 
ellas? 

Eu as procurarei e hei de 
trazê-las. 

Eu mandarei saber se o seu 
rapaz já veiu. 

Se faz isto, fico muito con- 
tente. 

Causa-me prazer (tira o negro 
do meu coração). 

Sempre que saio fico satis- 
feito (o coração falia bom). 

Quando fico só estou triste 
(coração escuro). 



92 



EXPEDIÇlO POBTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



naiageU goloxe makumi ma- 

sato mazolo ni saUiiadi. 
gaka úéí úaméne aipe, mtdoga 

úatagele makumi maaato ni 

divu. 
kúiji kOeai, ámi natagde kaso 

íte^Si nimana. 
kãiji m/iãu ciei OacUoxele ma* 

kiíau éU hiikvmenepe. 
taSuke ciu aôso, ni ijptde kudi 

makiíaii. 
nasotde h&ipula, ^Rene6i ni- 

kOete lema kuisako arguta- 

mine» 



Eu contei hontem trinta e 

sete gallínhas. 
Seu avô viu mal, porque con^ 

tou trinta e nove. 

Culpa d'elle, eu só contei o 
que vi. 

Talvez alguém tirasse as ou- 
tras (que) V. nSo viu. 

Chame toda a gente e per- 
gunte pelas outras. 

Eu perguntaria, mas tenho de 
ir onde me mandaram. 



Forma objectiva 

Esta forma mais ou menos já tem sido empregada nos 
EXEBCICIOS; mas vamos agora insistir sobre ella, chamando 
a attençSo do leitor para as regras expostas a pag. 36. 

Vocabulário 



mu-Umo, pi. mi-, carco». 
H-soke, pi. i-, cmachado». 
murSOÃC, pi. mi-, ccarga». 
di'faãa, pi. ma-, tpolvora». 
k&edij pi. a-, c cunhado». 
duúOj 'p\' ji-, cborracha». 
goga, 'pL ji-, tpatrona». 
xipo, pi. yí-, € cinto». 



séú, p\. ji-, cflecha». 
hiseba cnegociar». 
kuf&a tmorrer». 
ktyipa cmatar». 
kubanda craxar». 
kutapa cmatar á faca». 
kutíiixa cpoder». 
kubukuna c quebrar, partir». 



S2xexH)ioios 



e3u tutúixa kúijiJca nani Ha- 
barulHe Síopo, suka kagana 
ttdeja mxãu. 

naiúixile kvbamda rmitoao, aZi 
nakuetãe lisoke tí,iíape. 



Podemos saber quem raxou 
o copo, mas nSo dizemos a 
ninguém. 

Eu raxaria a arvore se tivesse 
um bom machado. 



MBTHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



93 



Idma úafiíãe ou úafiia^. 
ISopo Síafua ou ííafií%le\ odi- 

biJcunine. 
mutoao úoBotde kwmijipa ki- 

ma. 

kima iíasotde kufãa^. 

uta tíq/tia^ 

Tmdemo amubukunine^. 

agvpanenejiaudo kudi mogUa, 
lRené6i nasoteU kamo^ mo- 
9tma maúape, rmdoga ana 
úámi adimiiamo Zihele ^mãè 
h&ale''. 

auseba ctgiUpule aci éU tátuko 
iíejUe kusota homo ^èíbúiko 
a&ape aci disuna dui ma- 
leso. 

ámi aci nalyd' éne, ia&ape 
acl akaloaa tatvk' úámi, 
diamaSiko úeza^, kusala 
maus&ía ni ana úeai. 

éU mOana kaki úadimukine, 
9uka vloaa ni kaxi. 



O macaco morreu. 

O copo quebrou-se, partí- 
ram-no. 

O macaco ia morrendo debaixo 
da arvore. (A arvore quiz 
matar o macaco.) 

O macaco por um pouco não 
morreu (queria morrer). 

A espingarda está inútil. 

O arco partiu-se (partiram-no). 

Davam-me borracha por sal; 
mas eu antes quiz boa fá- 
zenda porque meus filhos 
nSo teem que vestir (estJo 
a3sim, umretalhonSoteem). 

Os negociantes perguntaram- 
me se tu, pae, preferirias 
um bom casaco a um panno 
de lenços. 

Eu disse-Ihes (que era) bom 
fallarem com meu pae, e 
depois fazer negocio com 
seus filhos. 

V. é uma oreança muito es- 
perta, mas falia muito. 



1 £ indifferente. 

2 Empregam em logar de «qaebrar» quando se ignora se alguém 
praticou o acto. 

I £ uBual esta forma : «queria, esteve quasi, por um pouco». 
^ «Morreu, deu o que devia dar». , 

5 SuppÒe-se que alguém praticou a acçSo. 

* «Querer autes, preferir». 

'^ A letra : «EstSo assim sem um pequeno retalho». 

* âUxmaòUco úeaa «o dia de amanhi chega; depois». Phrase usual in- 
dicando ííttarídade. 



94 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



(i6i natííixãe nalodeU kamo, 
muloga ámi ni ámi ntkúete 
jiaudo jtámi, ni nqjisotde 
kuseba kudi toiíma ivtidi 
iiíape, éne aineténe. 

nagtUuíukUe leio rd muxima 
mujala, 

aycÍHi aneténe misase ia mi- 
kaka m&ata . . • úamitU" 
min' éz. 

upan' tnau èiJcuJco JSa difada 
rmãu umuè mxãu wnwlé. 

xipo eU dta nanit 

xipo hir&ijikape, goya jtiná 

mcãu Hámi. 
ia, ni kulaaa kHámi muLemo 

nijiséú. 
kulaaa nleòit ou ktdada ecikef 
tdíula^ maleso maióinana ni 

jiêéujtnu 
nimana kali íoUma imifá, mia 

katataka. 
miiamo nitúíxa ktdada aôso 

ííeU elé ukOete mu muxima. 
bu^tilo^ kOedi kHeai amujipa. 



atuHukeni, ni atani kataiaka 
kutc&uka (ãu aJoso, ni mata 
ni difaaa. 



Se eu pudesse fallava mais, 
porque também tenho a mi- 
nha borracha e negociá-la- 
ia por muitas cousas boas 
(que) elles trouxeram. 

Levantei-me hoje muito op- 
primido. 

Os carregadores trouxeram 
as cargas de mandioca que 
o F. . . te mandou. 

Dá-lhes uma porçSo de pól- 
vora a cada um (uma pes- 
soa^ uma pessoa). 

De quem (é) este cinto? 

O cinto não sei, aquella pa- 
trona (é do) meu tio. 

Vá comprar para mim om 
arco e flexas. 

Comprar com quê? ou como? 

Toma oito lenços e quatro 
flexas. 

Já vejo algumas cousas, vou 
immediatamente. 

Assim posso comprar tudo o 
que V. tem na vontade. 

Mataram o cunhado do Bun- 
gulo (cunhado d'eUe o ma- 
taram). 

Levantem-se, e vSo (todos) 
immediatamente chamar 
toda a gente com armas e 
pólvora. 



1 «Receber» também elles interpretam como «tomar, acceitar», etc>. 
^ Auctorídade immediata a Caongula. 



UETHODO PBATICO DA LÍNGUA DA LDNDA 



95 



ciu akiiaú hàkuet&pe difada, 
ánete mãeíno rd jiséã jiaú 
(jtahinaiij. 

aci agulejd* ámi^, éíi eíé tia- 
oariule tapo taat ta sc^Tueai. 

kagana ámi, musoni nwLada 

w w 

tiet. 
fmana mvJíaaa úedi amutapa 
fá mutapa Hatumine mào' 
ttavua. 



aytdnjJcumine pexi úámi, eH 
alode nani^t 



Ivkam du laipe kamo ni kaxi 

kagana tÍ6t. 
natíiixãe kusala mujikita múa, 

áci aigupanéne isoke iadi ni 

luhuu lumúè. 
aitapde azolo úám, nanPt 

ayuméne kvtapa azolo a miiéne 
gaia, mia humana nudu. 

nakaijika nani Habtikunine ji- 

kasu jiêtu, 
0^ úakatuixa kuijíka nani, 

urmduma humana malu ni 

hdaoA jtkúaií. 



Os que não teem pólvora, 
tragam os seus arcos e 
flexas. 

Disseramme a mim que tu ra- 
xaste dois copos da tia d'elle. 

Não (fui) eu, (foi) sua prima. 

A filha d'elle foi morta (a ma- 
taram) ás facadas de man- 
dado do potentado. 

Digam -me quem quebrou o 
meu cachimbo? (Quebra- 
ram-me cachimbo meu, que 
fallem quem?) 

Esta enchada é muito peior 
do que a sua. 

Eu faria aquelle trabalho se 
me dessem dois machados 
e uma enchada. 

Quem matou as minhas gal- 
linhas ? 

Viram-me matar as gallinhas 
do dono da terra, vou ser 
castigado. 

Eu saberei quem quebrou as 
nossas enchadas. 

Se puderes saber quem foi, 
faze-o castigar e comprar 
outras. 



^ ámi era desnecessário ; porém empregam-no sempre que querem dar 
mais força á expressão. 

^ Á letra: «qaebraram-me o meu cachimbo, que fallem quem (foi)?». 
£m dorida de que alguém praticasse algum acto pÕem o verbo sempre 
no plural. 

' A letra : «mataram as minhas gallinhas, quem ?» Vide nota anterior. 



96 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZÁ AO MUATIÂNVUA 



cígaia aneténe rmuase muJAepe. 

pane l^oiíma Umiiè kaziiege 

ha. 
kwpan' eSH, kiiámi buatef 

mitoao émi akuete úcfjima 

nueãu misaBúari. 
^apiiilo Sía Síaiiape, suJca 

èikuaii Sía^éòinakúUjeT^éí, 

^Síaúape kamo. 
úadUe kali^ masuna maôso, 

goloxe napanén' edi. 

úaxald'^ eZike jta jiaada^ 
musasa oii napanén éíf 

jikoBu ajinetén' êtu Ido, jia 
ana kcJoãcUa^ . . . 

múén' edi úaméne kali òikuío 
edt nalaaele Sía gaka úeaif 

kaiji^. 

gaka úámi úalejele matíko 
maôso : mtãu kagana kusala 
majxkita, kagana úijika ku- 
dia ni úape. 

aci kagana palq>a ni kaad, 
naãe ni eai. 



Os carregadores trouxeram 
pouca carga. 

Dá alguma cousa áquelle po- 
bre. 

Dar o que^ se não tenho para 
mim! 

Estas arvores teem oito pés 
de largo. 

Aquelle prato é bonito, mas 
aquelle outro que lhe mos- 
trei é mais bonito. 

Gastou (comeu) já toda a fe- 
zenda (que) hontem lhe dei 
(a elle). 

Quanto te resta do algodão 
(que) esta manhSl te dei? 

As enchadas (que) nos trou- 
xeram hoje (sfto) da gente 
do CacuataF. • . 

Elle já viu a casa que comprei 
para seu avô? 

Não sei. 

Meu avô costumava dizer 
(dizia todos os dias): quem 
nSo trabalha nSo sabe co- 
mer bem. 

Se nSo (fosse) muito longe, 
ia com elle. 



1 «Mostrar» também interpretam «faier ver». 
^ «Comer», conforme o sentido, é «gostar, gotar». 
3 O qne fica é sempre para elles «resto». A um orphio q^mwimw elles 
iiaxala «resto da fiunilia; orpb2o de pae e m2e». 

^ Sempre que tratam de porções o vocábulo é empregado no plural 

5 Titulo de um potentado. 

^ Outra forma de «nâo sei», abreviatura de ka^ikape. 



METHODO PRATICO DÁ LIKGUÁ DA LUNDA 



97 



nani utíiiaM hãoda laJcéneí 
muiu kaiji 

h&edi úámi uyiãoda, éU uabu- 
dUca nieai; utíiixa kutat 

nibudika ni edi, Heneòi meza 
kalij nik&ete mijikita ivuãi. 

uêcHa muxÍTna iUi tutota, 

muên' eai via tuêtu ni uneta 

misase aôso. 
aXbSgala aijipa (uoko ani a 

múana gana muxiko, 

aíbâgala aipe, aJcãete mafefe^, 
muxima ahinaú úcgala ni 
kaxi. 



Quem pode dizer a verdade? 

Ninguém sabe. 

O meu cunhado fSsdlou-me 

(para) saires com elle; 

podes ir? 
Eu saio com elle, mas venho 

já (porque) tenho muito 

serviço. 
Faze o que fôr da tua vontade 

(teu coraçSo quer). 
Elle vae comnosco e traz 

todas as cargas. 
Os Bãngalas mataram quatro 

QuiôcoB do potentado Mu- 

zico. 
Os Bãngalas (sSo) maus, trai- 
çoeiros, de maus figados. 



Forma negativa e interrogativa 

Já na parte pratica tenho usado do que é mais frequente; 
porém sendo estas formas variadas é occasião, lembrando-nos 
das regras estabelecidas a pag. 41, de lhes dar o necessário 
desenvolvimento. 

Vocabulário 



mu-ruro, pi. a-j cescravoí. 
H-pcAa, 'phji; tcesto». 
di-Juaa, pi. ma-, c embrulho» 
dir-em, pi. ma-, cpalavra». 
U4alo, pi. i'j cponte». 
hda, pi. ji-^ ffome». 
Ml, pi. i', cporto». 



òiJco, pi. i; cmercado». 
k&ata cagarrar, amarrar». 
kuteka cguardar». 
kiiitía cacceitar». 
hãèka -«deixar». 
ku^Uuka «voltar». 
hiéHvla «responder». 



^ Á letra : «teem malyades, traiçSo». 



a 



98 



EXPEDIÇlO POBTUGUBZÁ AO MUATIÂNYUA 



leio àSíoko ^ anetén* êtu mikor 

kat 
búate, kaêjãepe kaait 
aiói tmãu kugusota, amtióãula 

eai, ámi jpekila ou òidipe. 
tuccda ni úapeK 
agaia axikile Idot 

kagana, mOata, cdde^ kcãi 

pana u6uk' oti. 
tí/nijikúípe énu ata kuscd' eU 

ãíamaóiko pa kabehef 
éíu tuktuota humana aga^ 

aôsOj axikile masvía miía. 

difada edi nani úadineténet 
mídogiki kiúatekelepe difuaa 

edif 
tmãu kagana^ úadiméne. 
natúixãô hwdUeka^ aci Oadu 

méne^. 
éèu katuJcilety>e tiji, m&amot 

ou kadipet 
Zaxa, muana, aíiji aôso kua- 

púa^» 



Hoje os Quiôcos tronxeram- 

nos mandiocas? 
Não, senhor, idndanSo vieram. 
Se alguém me procurar respon- 

dam-lhe (que) eu nSo eston. 
Fique descançado. 
Os carregadores chegaram 

hoje? 
NSo, senhor, já dormiram cá 

esta noite. 
Eu não sei que vSo V. &zer 

amanhã a Cabebe? 
Queremos ver todos os car- 
regadores que chegaram 

áquella residência. 
Quem trouxe este embrulho? 
Porque nâo guardou V. este 

embrulho? 
(Porque) ninguém o viu. 
Guardá-lo-ia se o visse. 

Não temos carne, nSo é as- 
sim (não é verdade)? 

Sim, senhor, toda a carne 
acabou. 



Também dizem àXóko. 
Phrase usoaL 
Abreyiatara de alalele. 

É sempre de uso quando a negativa significa «pessoa algoma». 
Refere-se a difuãa «embrulho». 
Idem. 

Está no infinito mas assim o empregam como termo final : «acabou, 
morreu, uio quero ouvir mais, etc.». 



METHOPO PRATICO DA LQ9GUA DA LUKDA 



99 



ocí miêu iM^tibarulUe^ kagan* 

mkuiota hãodaymxadmaiiánn 
úat€ka\ 

Muatde kSimana kudi tukugi 
tiiôso, ííeneòi túaSe^ pa 
ia& ni hiieza kaganaK 

ámi fãta td ámi^, htíwmane 
homo, kagana. 

axala pancvpa ákugi coSÍqíío, 

atano mu iUcío tíaséba^, 
kuisako ámi m agaka úánd 
tuiani kaiataka. 

natcíiUlô ni naiekde mamga 
. maôio^ éU mãaia Ido úama- 
ladde useba tanu 

naSe ku úUo humana iílalo, 
SenèòiòUalobuate ou iiafiia 
ou k&apUaJ 

aHeagi kaitilipé mogOa kudi 
mcmtna, akuêota kamo nuh 
gia, kagana mawna^ 



Se alguém o rebentou nlo 
fiii eu. 

Nem maia uma palavra^ basta. 

Fallo porque estou innocente 
(meu corUçSo limpo). 

Eu esperaria por todos os 
rapazes^ mas elles foram ao 
porto e lá fioaram (e vir 
uSo). 

Vou-me embora^ nto os es- 
pero mais (esperarmos 
mais, nSo). 

Ficam aqui seis homens para 
traser as quatro cabras e 
os cinco carneiros ao acam- 
pamento dos negociantes; 
onde eu e meu avô vamos 
agora mesmo. 

Recebi e guardei todos os 
pannos que o senhor hoje 
comprou ao negociante An- 
tónio. 

Fui ao rio Ter a ponte^ mas 
esta desappareceu! 

• 

Os homens nSo acceitaram o 
sal pelas fazendas^ prefe- 
rem o sal ás íiEu&endas. 



1 Befere-se a difuda «embrulho». 

> Eipresflio usada para «umooencia, conseienda tranqoilla». 

' Devido ao prefixo tu de tukugi «rapaies». 

* Phrase usual para «demoraram-se. ficaram lá». 

* «Vou eommigo», que interpeotam por «you-me embora». 

* Admttte-se por abrefiatora. 



100 



EXFEDIÇlo PORTUGUEZA AO MUATliKynA 



ta ni kuUa múata wâêne gada, 

muxima uedi úape, kutuma 

aiu adso aedi akikUani mi- 

toão mtdêo, aXt atúixe Tcumi- 

mana^. 
cSala atukiiatelegani^ mujãa, 

tukuòUtikàgaúi. 
mu tíko aàíaje pekãa. 
ciu aôêo akiiete Sala, éòa ima- 

gani niêtu. 
éíé úaijUcile kaii, ééu tukuòir 

lukaganit 
U^ikUepe mulogikif 
pinape aôso ama/na kaso Sala 

ni Sala ni kaxi. 
énu aia m&amo, kakHetepe 

Oorna Ha Salat 
aci eZu ttikamana fruiãtaje, tu- 

kOete difaaa âÂa IcúHada. 
kattUúixape kulga òiaiima òi- 

miiè, cLci kagana líikúijika. 
aôso aly' iki mUamo, ISienéòi 

aloaa maz&i^ maadi. 
kuiji kUéne^, ámi niloda dizOí 

dimOè. 
m&én^ edi vkusota kuijika, 

vkusota nani amulej^ eai^. 
Hnakudilepe dHi dta, Hitape- 

lepe. 



Vá pedir ao potentado da 
terra o ' &yor de mandar 
toda a sua gente agarrar 
todos os paus que possam 
encontrar. 

Por causa da fome voltámos 
(todos). 

No mercado nSo ha de comer. 

Todos teem fome e yamo-nos 
embora. 

Já soubeste (que) nos retirá- 
mos? 

Nfto sabia porque (retiram)? 

Aqui o que se encontra é 
fome e muita fome. 

y. ySo assim, nSo teem medo 
da fome? 

Se virmos comida, temos pól- 
vora para a comprar. 

Nfto podemos dizer uma cousas 
se nSo a sabemos. 

Todos dizem o mesmo, mas 
faliam de modo differente. 

Nfto me importo com os outros, 
eu fallo sempre o mesmo. 

Elle quer saber, procura quem 
o ensine. 

NSo comi aquelle ovo (porque) 
não prestava. 



1 «Encontrar» também interpretam «achar com os olhos, ver». 

2 É frequente dizerem — nâo que nós vamos ao encontro dos perigos, 
mas ane s2o elles que nos apanham. 

' £ frequente dizerem : «duas palavras», por nâo ser certo o que disem. 
^ «A culpa é d*elle8, náo temos nada com isso, que se aguentem, etc». 
& hul^, segundo o sentido, interpretam como «ensinar, aproider». 



METHODO PRÁTICO DA UNGUA DA LUNDA 



101 



<£i tuiullukagam^ Ido, abainha-' 

lUco tutwxíU pa . . . 
napanén* A ipaiía táafíd, ku 

an* tMí ciôêo. 
dãeêo ãiei dtafiiíle\ nakapcm* 

éi dikãaii. 
iíakaòãuk^ éí méne, ciei été 

vkuete muxima. 
Jdnasotelepe éíé mu òíbulío íta 

kikdi muíaaa kúeí, natji" 

kãe éíé úadibukine pamaki 

h&ididi. 
niijika éâi éU òiúimenq^fe tár 

iuk* úámi, 
HfãilStUpe ipaía tôso é6i ^- 

kagi aineténe, tulãype m 

kaxi. 
ema hcúd cucia jivuaa jivudi, 

mkusota kuloaa ni múat' oú, 

mOamo kagulekape. 
éne aia kali tnámi pa Zaii, 

vtíiixa kuloaa ni muata, 

aôso muxima t(d£ vkusota. 
(ioda áUkde ipcAa panapa, 

m aUepa úito aJcusota aixi, 

ííenéH Ido wdjikíle kali 

aSxi hOaU. 

ámi ni ámi ntkHete mtmma 
dia hiâHa, maXiko maimdi 
kòuamanape. 



Se partíssemos hoje podíamos 
chegar amanhS a . . . 

Dei-te as minhas malas para 
todos os teus filhos. 

O teu lenço rompeu-se, dar- 
te-hei outro. 

Voltarás com elles se tiveres 
vontade. 

NSo te procurei em casa de 
tua cunhada (porque) sabia 
(que) tu saíste de madru- 
gada. 

Eu sei queV. nSo esperava 
meu pae. 

NSo acceítei todos os cestos que 
os rapazes trouxeram (por 
serem) muito pequeiios. 

As creanças fazem muita bu- 
lha, e nSo me deixam fallar 
com este senhor. 

EUas vSo já comnúgo para o 
porto, pode fallar com o 
senhor á sua vontade. 

As mulheres deixaram os 
cestos aqui e foram para o 
rio á procura de peixe, mas 
eu já sei (que) hoje nSo 
encontram. 

Também tenho vontade de o 
comer, (porque ha) muitos 
dias (que) o nSo como 
(vejo). 



1 htiuíuka «levantar» de acampamento para seguir yiagem. 
' Ainda se lhe podia dar a interpretação de «perdido, intitiliBado, 
etc»; qnestíU) das circmnstancias que só á vista se pode conhecer. 



102 



BXPEDIÇlO POBTCQOEZA AO MCATlillVnA 



iietu kudi jinu§o fUxú. 

múamo, akusof eiif 

eíé, kakugi kúámi, ta Ma, ni 
ipuT aú, áci akusota mani 
magcge maúape, eht tuk&ete. 

taSukagani ttíaje ^ tíiaJôêo aeza 
ni mata iaii, tukamana aci 
muaimo alada mogua ac% 
ka^ana, 

tulcge abuâxkíU pamaki apa 
huiãiãi, ni aUe palepa. 

mOamo, tuma aitaSukcyani, 

kagana nikusota kHimana 

kaai kudi âiàiko dikiía&. 

éKamaíiko mAamo urOele 

kali, 
Umkusotape ktdaaa lHoiima 

ZimUi kaso useha Ha; éíé 

úàòHaã' eãit 
éne kcuxkasalape useXa mugada 

aêtu, kagana mOamo ou 5a- 

kénef 
mOata viuma, úleja dizili dx- 

mãè ka»o ni ciu aõ$o aijika 

l^ikuscda. 



Os negociantes nSo acceitam 
comprar o nosso sal pelas 
suas panellas. 

Nesse caso (assim) o que 
querem? 

Vae lá tU; meu rapaz, e per- 
gunta-lhes se querem azeite 
de palma bom que nós te- 
mos. 

Chamem todos os rapazes 
com as suas armas, vere- 
mos se assim compram ou 
nSo o sal. 

Os rapazes sairam esta ma- 
nhS de madrugada e foram 
longe. 

É o mesmo, manda chamá-los, 
nSo quero esperar por outro 
dia. AmanhS mesmo (seria) 
já tarde. 

NSo quero comprar uma cousa 
que seja áquelle negociante ; 
V. compra-lhe? 

EUes nSo farSo negocio na 
nossa terra nSo é assim? 
(ou) nSo é verdade? 

O senhor manda, diga uma 
só palavra e todos sabem 
o que hSo de iazer. 



1 «Rapazes de animo, valentes, os de experimentada coragem»; tam- 
bém se tem interpretado erradamente por «algozes, executores da pena», 
porem é mais genérico. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA UmDK 



lOS 



áne apanéne kabiUko^ kamúè 
ha gáka úámi, ^Síenèói ku 
úámi kagana; é6u tHaka- 
mana aZi éne ascda maúsèia 
m miãu umtSè ha^o ma goda 
úámi. 

éíé Haiga; HeMiài ciei OaJcascda 

. ips kuãi auséba, éne aJcu- 
òãuka, ni aiagani hdoaa 
aruaa níaií, ni tisèba vmiiè 
kaso OcJcaeza kamo hwnou- 
Tco h&ate, 

kiUfi kHaú, nUcuêota éne aiji- 
ka ámi miiéne goda, 

muscima Hámi ikioade, étê 
kagana kiíitía eH tãeja, 
màamo. 



é6i éié vJtwma hxwxpe, ^ 
m&ata, ámi mururo. 

ISoí&ape, tOalekagani^ auséba; 
íieói Síaiiape ^Sia gaia, Sía- 
úa^ Ua arí eãu 

éíé úijxka nani Hadíoxéne ipata 
iaãi, áminatekdemu ZipaOa 
Oit 

hàgan* ámi, kiíiji mona mak* 
uáimi unwijika. 



Elles deram um casaco a 
meu avô, mas a mim nada ; 
nós veremos se elles fazem 
negocio com mna pessoa 
só (alguém) na minha terra. 

y. tem rázSo, mas se fizer 
mal aos negociantes elles 
retiram, fallarão aos seus 
amigos e nem um negocia- 
dor cá virá mais. 

Que me importa, quero (que) 
saibam (que) eu sou o 
doho da terra. 

Disse o que sentia. V. nSo 
acceita é o mesmo (meu 
coração fallou, V. nSo ac- 
ceita o que elle diz; é o 
mesmo). 

O que V. manda é bom, V. é o 
senhor e eu sou o humilde. 

Bem, perdoemos aos nego- 
ciantes ; o que é bom para 
a terra é bom para os seus 
filhos. 

y. sabe quem tirou dois ces- 
tos (que) eu guardei nesta 
mala? 

Eu nSo, talvez meu irmSo o 
saiba. 



1 Qualqaer traje que se ajuste ao corpo: «um casaco, nma camisa, etc.». 
< «Deixar» interpretam por «abandonar, não querer, perdoar, etc.», 
segundo o sentido. 



104 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUAUÂNVOA 



ikugi iauêúa, mudi éU, utéi' 

xãe kuleta iaúma ivudikamo 

ni ijima. 
nakãetãe muxíma, kagana 

U9iia. 
zala avudi, mtãu kakuetepe 

mauêia. 
mitía ííeli eíé uleja, ^Síene^i 

kuiji h&éi, ciei ukúete úavudi 

ukuâia Hawai. 
Zaxa múamo ou Síahut, tmãu 

Haf&a, ni axala Heai aSso 

adia mOéne iialekele. 



Um homem forte, como tu, 
podia trazer muitas cooim 
mais e grandes. 

Tinha vontade, mas nlo tenho 
força. 

Quando ha fome uma pessoa 
nSo tem forças. 

Acredito o que dizes, mas % 
culpa é tua, (porque), se 
muito tens, muito comes. 

Assim é, (porque) uma pessoa 
morre e os herdeiros comem 
tudo que elle deixou. 



Forma cauaatiya 



Verbos compostos de terminação em -^xa^, terminaçSo que 
impSe o dever de se fazer o que o verbo indica. 



hdeka cdeixar». 

kusaia cfazer, executar». 

kukikUa c agarrar, prender». 

JcOeda candar». 

kufuta cpagar». 

kuloaa cfallar». 

kuxala cficar». 

kutala cver, reparar». 

kuditana c enganar». 

Jcucma c juntar, reunir, ligar». 

kuteka cguardar». 

kusoka cegualar». 



"Vocabnlarlo 

hdekexa c abandonar». 
kítsalexa ccompor». 
huk&atexa cajudar, auxiliar». 
kuedexa c rondar». 
kufutexa^ cmultar». 
hdoaexa c explicar». 
kuxalexa c obrigar, depositar» . 
kutalexa c apreciar, comparar. 
kudiíanexa cilludir». 
kúanexa csoccorrer, ganhar». 
kutekexa arrecadar». 
kusokexa c ajustar». 



1 Também se ouve dizer exe mais para o interior. 
^ Pela regra da formação dos aoristos devia ser kufutixa; talvez seja 
excepção. 



MBTHODO PRATICO DA UKGVA DA LUNDA 



105 



Doe BubetantíYOS e adjectivo, também fonnam verbos com 
este suffixo. Ex.: 



iitm c ouvido». 

maga ccompanhia, grupo». 

Jeofíè cfogo». 

t9ka cbranco». 

úape cbom, bonito». 

Jlcepe abreviatura de híy^ cpe- 
quenOy pouco». 



hUexa c escutar». 

kumcígexa cgrupar^ ajuntar, 
colher, etc.». 

kukasHanexa c aquecer, aca- 
lentar». 

kutokexa cbranquear, limpar, 
aclarar». 

kuúapexa cembellesari ale- 
grar, contentar». 

kukepexa chumilhar, estreitar, 
baratear». 



Ha muitos outros verbos que tomam esta forma como: 

h&iaama cprecisar». híiidamexa cprejudicar». 

MapUa cacabar». kuapexa capromptar». 

kuicia cquerer, procurar». husoteoca cfazer procurar». 

Também dos advérbios: 

katataka cimmediatamente». kukaiatakexa cabreviar». 
«tiapaZi cforte». kusúapexa creforçar». 

ObservaçIo. — Todos os verbos assim terminados se conju- 
gam como os da classe I, grupo 1.^, i. é., teem por terminaçSo 
no aoristo — ele. 

XCxeroiolos 



(fmt. 
k!§HapeUfpe kujvi' eí íieèi éíé 

úasalexele, 
agtãekexa pane kaso, aSala 

akagtyipa. 



niudi-te, (porque) me enga- 
naram). 

NSo me agradou pagar-vos o 
queV. compoz. 

Abandonaram-me aqui sósi- 
nho, as fomes me matarSo. 



106 



EXPEDlÇlO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



éU úatalexele Ido mu tetame^ 
Ha miiaííaSiia^ alyd' éíit 

àSíoho cíci^: akâeza kúcmeoca 

miiaãaXnta^ aH mSén* eai 

kufuta inaú iHape. 
taZuka kcutalapóli^, ia ni ku- 

scUexa HpaUa elu 
kaxalapoU aZi ncdike ^; ikdeke' 
. xele òikuío ííeai, ni iiaUe 

ni tvxcdapóli tukuaí& ákua- 

texele mOéne Zaií^ kukuata 

ilato. 
tekexa toiima m toso mu H- 

kuío ZikOaií. 
tu kasokexape ni inú. 
nani utala mu JUa, úimane 

kadi, 
tu8€íga8€íga goloxe napanên' 

et, Oaxald' eòiket 
SíoUma Ulâepe, nalcuUle tkaya 

iadi. 
tãekf ámi^ aci nadiUanén* et, 

kuyt kúaú cíagulya ma- 

kasu. 
Oapex* éi, eii ámi ntiaama 

kubudika katataka* 
ikiodde ni nanif 



Y. hoje assistiu á audiência 
do potentado, o que disse- 
ram (o que se passou lá)? 

Os Quiôcos dizem que Tirão 
auxiliar o Muatiànvua, se 
elle lhes pagar bem. 

Chama o servo, (que) vá com- 
por esta mala. 

O servo recusou; abandonou 
a casa d'elle e foi com ou- 
tros servos ajudar o dono 
do porta a prender a canoa. 

Arrecade todas essas cousas 

noutra casa. 
Isto nSo ajusta com aqnillo. 
Quem olha para o caminho 

está esperando. 
Das missangas (que) hontem 

te dei quanto resta? 
Pouco cousa (porque) comprei 

duas esteiras. 
Perdoa-me se te enganei, 

culpa de outros (que) me 

mentiram. 
Despacha-te que preciso sair 

immediatamente. 
Com quem fallou? 



É a cerimonia da audiência. 

Em seguida ao individao é indicaçSo de que elle fiJla. 
£ o «rapas» que está de serviço. 
Uma forma de «negar, recusar». 

tnúéne, antes de substantivo, indica o seu possuidor, ainda que nSo 
seja senSo de occasiSo. 

< «Deixar» também interpretam como «desculpar». 



METHODO PRATICO DA ÍJKGnA DA LUKDA 



107 



ahí^ akSaruaa al^iUdamexene 
€tmidi mu mauséía úámi. 

mu maáiko mai6ikuro% uséba 
Haeza algaaa akúantaa, ka- 
kãéiepe úõma, adêo cUdele 
auseba; Ido^ kagana, akur 
90ia kuãta ioúma iõêo éne 
ainetene, kúijuta bilcUe, 

múaãaviia Hajvtexde . • . tso- 

p&ão idso muénf eai úalm- 

kunine kudi cú^ko. 
miãari, koía, úaxikãe úa 

uriíde, gaka muíaaa úárni. 
Tcaíaaa, kadi rd miíéne, mona 

maku muí<taa úámu 
ISlopo ISia íianoínií 
Viâmipe^ mujihdo úámi. 
tuBaaa t&amiSúna,mvBada^ 

koiaf 
nalaad* eai hdi maí mdzólo 

matano. 
Oaikuditle naúit kuiji JccAua. 

tteaipe, ana kaki aikuâttle. 
natekexde mcd maôêo mu òi- 
paua^ éH atãíoxéne, nanu 



Os Lnndas prejadícaram-me 
muito nos meus negócios. 

Noutro tempo um negociante 
vinha ás terras dos lundas 
sem medoy todos estimavam 
os negociantes; agora nSo^ 
querem tomar (comer) todas 
as cousas (que) elles trazem 
sem pagar. 

O Muatiftnyua fez pagar F. 
todos os pratos (que) elle 
quebrou aos Quiôcos. 

A senhora que chegou de 
tarde é minha avó. 

A rapariga que está com ella 
é minha irmS. 

De quem (é) aquelle copo? 

NSo (é) meu, (é) do meu neto. 

D'aquellas raparigas qual é 
a sua filha? 

Já lhe comprei cinco ovos de 
gallinha. 

Quem os comeu? Tahrez o 
cSo. 

NSo foi elle, foram as creanças. 

Quem tirou todos os ovos que 
eu guardei (fiz guardar) 
nesta mala? 



1 aíu podia snbentender-se. 

> Em vários vocábulos se nota passarem ao plural conservando o 
prefixo do singnlar. kulo: «velho, passado» é a rais. 

' Interpretam no sentido de «agora, nesta occasiSo, presente, etc.». 

^ Os pronomes e mesmo adjectivos collocados entre as partículas de 
n^gaçSo eqnivalem a snbentender-se o verbo «ser on estar», ex.: híeãipe 
«nio 6 ou foi eUe», ifáapepê «nSo é bom», Hâapdepe «nSo estava bom», 
kaííêííape «n2o são ou estSo fortes». 



108 



BXPEDIÇXO POBTUGUEZÁ AO MUÁTllNyUÁ 



ikugi tu, muén' eai, J&a naái 

ámi nikuloaa. 
muíaaa dUa kolía, éne, cíoaeP 

êtu udi kÚMOÍ 
mitía múéne úaUJiukine pa- 

maki apa. 
fiiêuino naMetãe kunoiiko m 

Uu udi kuisof 
ni nani ezé úaUe gólooce mu 

òikuío Sía mci^ imt 
linaUepe ni mtãu, nailè kaso. 

ieka mcuuna pa vido. 

Hf&ijikape ndíéne Soa úa goda 

Hm. 
uêàle kumagexe ciu aôêo aêtu 

ni mata ahinaú. 
ehi úaiaama kulaaa algoíe ni 

mani ni mogua. 
ia, ni òiruke^ leio kaai. 
Zakéne, hdoaa múamo ^a&a- 

pe homo kakuloaape. 
naxcdexéne íoUma tdso támi, 

mu òikuío Sía tátuk' úeai, 

múéne magada ama aôêo. 

ncdeU^ kali mauSuko mani 
mu iHkuío Héí, Ido ámi 
mia niámi, ZinUiiixape ku- 
lekexa maiôiko homo muamo 
ana Hámi. 



Esse homem (é) o próprio de 

quem eu fallo. 
Onde está a mulher da qual 

nos fSedlaram? 
Creio que partiu esta madru- 

gada. 
O copo (que) eu tinha aqui 

(ao pé de) nós^ onde está? 
Com quem foi. V. hontem a 

casa de seu tio? 
N8o fui com pessoa alguma, 

fui só. 
Ponha as fazendas sobre a 

cama. 
N&o conheço o dono do porto 

d'aquella terra. 
Faça reunir toda a nossa 

gente com as suas armas. 
Nós precisamos comprar bois, 

azeite e sal. 
Vá, e Yolte ainda hoje. 
E verdade, fallar assim é 

melhor nSo fallar. 
Eu depositei todas as minhas 

cousas em casa de seu pae 

(d'elle), o senhor de todas 

estas terras. 
Já passei (dormi) quatro dias 

(noutes) comtigo, agora vou- 

me embora, nSo posso aban- 
donar por mais dias os meus 

filhos. 



1 r em lagar de L 

' hdala é o infinito ; no aoristo abreviam lalde em Ide. 



METHODO PRÁTICO DA LINGUÁ DA LUNDA 



109 



imane hHi, ukãexa mu ikugi 
ta eii takúeaa nikiíedikiiet. 

texani: m&aJta tdodani ceruSa 
fãedi. 

nade kutexa ciu Sícdoaa ISior 
kéne ni Síaúape. 

nani úaloade leio mu tetame, 
^tn^ikiUpe mudi muatía- 
vúa ikuotile hakae&aneace 
tuaxdapóli tiedi k&edexa 
moio, leio vHvko. 



Espere um pouco, repare 
naquelle homem que anda 
com seu cunhado. 

Escutem: o chefe falia com 
os amigos d'elle. 

Gosto de escutar as pessoas 
que faliam verdade e bem. 

Quem fallou hoje na audiên- 
cia nSo sabia como o Mua- 
tiftnvua queria animar os 
seus policias (para) ronda- 
rem o acampamento na 
noite de hoje. 



Verbos derivados mediante o su£Sxo -tsca^ também sSo facti- 
tivos, ou modificativos: 



kúkina c dançar; mover». 
hipíla ccansar^ fittigar». 

kuitíia cacceitar^ acreditar». 
hâ&a cmoer; ameigar», 
ihiljta cforçar». 

huaâka cchegar». 
huxamuka czangar». 
Idiieiia cseguir». 
kueúipa c trocar». 
kuóiga c obstar». 
hgtía cengordar». 

kmjtka c saber, conhecer». 



kukinixa cmanejar». 
kupiiixa cacabar, concluir, 

cessar, des&Uecer». 
k&iíítaxi capoiar, aplaudir». 
kutíiixa c aguentar, resistir». 
kiãuixa cjogar a pancada, 

combater». 
kuxikixa caviar». 
kuxamukixa cdesesperar». 
k&iêidiaxi cperseguir». 
kusiiipixa c fazer trocar». 
kuòigixa coppor». 
kujiliasa calargar, augmentar, 

engrandecer». 
huijikixa cperceber, com- 

prehender». 



1 Em muitos doestes verbos onve-se j em ves de x. Ez. : hudikixa ou 



110 



:*í:t'.i'At. 



íÇlO POBTfTGUEZA AO MUATIÁNynÁ 



kutuma cmandar». 

kunika ctremer^ abalar». 

kuãia c comer». 
kudika cmostrar». 
jtkUa cagradecimento». 



kukmuasa cordenar, decidir^ 

resolver». 
kunikixa cestremecer, fiíuer 

abalar». 
kttdtioM c sustentar y manter i. 
kudikiwa tmostrar, apontar». 
kujikUixa cagradecei:». 



Vocabulaxio 



ka-tJíe, pi. tu-, cmulher viu- 
va». 

mu-ãtaHala, pi. o-^ c vadio». 

H-òiaa, pi. %', c caçador». 

mú-ari míí-ixi, pi. a-, ccozi- 
nbeiro». 

^'Ota, pi. i-, imestre de ceri- 
monias». 

Ivrzoila, phji-, cunha». 

mú-ini, pi. mi-, cdedo». 

fm-ka^, pi. mi-, «montaulia; 
carta». 

rvrkano, pi. ji-, cbracelete». 

dirjina, pi. ma-, cnome». 

^ia, pi. %', cporta». 

diríele, pi. m&s ^, cpeito^ mam- 
ma». 

Td-tcuda, pi. i-, cdoce». 

fnuriena, pi. mi-, csòl». 

murpaji, pi. mi-, cpau com 
que mechem o amido da 
mandioca quando £Eizem a 
rruka. 



dH-cígiia, pi. ma-^ c abóbora». 

murtete, pi. mi-, tpevide». 

Sí-ega, pi. i-, cprato de barro». 

dí-iji, pi. md-^ cfolha de plan- 
ta». 

ãi-isu, pi. mesu^ colho». 

di-zuro, pi. ma-^ cnariz». 

korScyoMga, pi. tur, cmissan- 
ga». 

di-zêu, pi. mch, cdente». 

mu-tcda, pi. mi-, c prateleira». 

òi-kani, pi. i-, csôco». 

íí-ota ou la-ota, pi. i-, ccasa 
grande para visitas». 

murvo, ou mA-alco, pi. im-, 
canno». 

U-no, pi. %', cpilSoy aImo£E^ 
riz». 

murtSè, pi. mi'^ ccabeça». 

ii'loJío, pi. %', cacampamento». 

Ifão, pi. a-, crato». 

kaaoJío i , , 

, «. [cnomes de homem». 
mukaza \ 



i mele ^ ma -{-ide «peitos; leite», que também dixem diele^ íkk. 



MBTHODO PRATICO DA LINQUA DA LUIfDA 



111 



^^tirdugo^, 'çí* ji-, fCoraçSo». 
kála, pi. or, ccarangaejo». 
goae, pL ji-, cloa^ mez»« . 
fMdi, jl.ji-^ tsacco». 
uhoga, pi. mo-^ cchave». 
íibAa, pL mo-, ccogumello». 
hj&a, ^\* ji-, camor». 
gema, jlí.ji-, tbarril». 
kulutiiè cadeante». 
peúlo c sobre, emcima». 
muixitu c dentro, no interior». 
kunima catrás». 
paxi cdebaixo^ em baixo». 
pola cdefora». 

pasuijpa cjtmtO) próximo, per- 
to, visinlio». 
pdepa donge, distante». 
hídi cpor». 

hueda elevar, transportar». 
kukasa cabraçar». 
hufmda capodrecer». 
húcatula ceortar». 
hújukda cpartir». 
hiàMUi csocar». 



kujala cyestír». 

k&aíclía centreter, divertir, 
conversar». 

kusoaa cemprestar» 

hutana cachar». 

hdaòa c demorar». 

ktduga c construir, residir. 

kwíiaa c contar». 

husakula cprovar, petiscar». 

kviííbvla c deitar fora». 

kuaebtãa tbater com o pé». 

kutoga cpensar». 

kuxãa ou kuóUa centomar». 

Imjãala cperder». 

kulabexa c interromper». 

kuSultãa cabrir». 

kuhetama cabaixar, esconder- 
se». 

kiuBíà Hkala ccomer nma di- 
vida, receber fiado, dever» . 

huiiJmla máxima cdeitarfora 
coraçSo; ter paciência». 

kukiieU muxima cter coraçSo, 
ter vontade, desejar». 



hu&a úa TdJtaaHa. 
Hyika, dijina diúito êíaf 
^iéUijikape. 

teka rukano eru mu típaiia 
Sídmí. 



A comida está doce. 
Sabes o nome d'aquelle rio? 
NSo o sei. 

Qiiarde este bracelete na 
qiinlia malla. 



^ Todos estes povos empregam para «coração» muxima «o que está 
dentro e n2o se vê». 



112 



BXPEDIÇXO PORTUGUBZA ÁO MUATllNyUA 



nakíetíle muxima kuIcMa ru- 

kano mudi eru. 
vXibule muxima^ cUòiko diúa- 

f&Ue, ditíko dik&aií dika^ 

Heza. 



rukano riía úainUanéne èU 

kiiisot 
mu mukoíde, pasiiipa pa Zi» 

kuBo òimuêoni iuA. 
mãén* edi utuya h&Uot 
páUpa pamuwía, ma Hpaga 

ISía tátuk' úedi. 
Hcxío %a òipaga Sía ijima ni 

kaxi ni iúape ifmdi. 

god* oú, énu akaxala kaãi 

hífuriiko ni êtu. 
muxima Oámi umusota mâa- 

mo, íieneòi kusala mujikita 

Hámi, nanit 



utoga ni úape: kusala mioji- 

kita, pakueza kúoíaJfta. 
muU^iki úaZulúila difuaa edi f 
naiaaméM kudJhxa divuya 

ãMmi kugujála. 
kuguneta ÍHega Sia. 
kagana ietí, òikiiaii. 
goloQce a^gudikija iíámi kabua 

kámSè kaiiape ni kaxi. 
éíi úamukuditle Heai Ukala 

limH!^^ 



Eu desejava comprar um bra- 
celete como este. 

Deite fora o coraçSo (tenha 
paciência); um dia morreu 
(acabou) outro dia virá; 
(atrás de tempo tempo 
vem, chegará um dia, em 
que o possa ter). 

Aquelle bracelete achou-o 
V. onde? 

Na rua, perto da residência 
de seu primo. 

Onde mora elle? 

Distante da capital na resi- 
dência do pae delle. 

As casas daquella residência 
(são) muito grandes, e 
muito boas. 

Este mez V. ficarlo ainda 
aqui conmosco. 

Meu coraçSo quere-o assim, 
mas fazer meu serviço, 
quem? (Eu tinba vontade 
de o servir, mas quem fiiz 
o que eu tenbo que fazer). 

Pensa bem : trabalhar e de- 
pois divertir. 

Para que abriu este embrulho ? 

Precisava tirar um panno para 
me vestir. 

Traga-me aquelle prato. 

N3o é esse, o outro. 

Hontem mostraram-me um 
cSo muito bonito. 

V. deve-lhe alguma cousa? 



METHODO PRÁTICO DÁ UNGUÁ DÁ LUKDÁ 



113 



wdefd' iki ku éU, nãnit 
ámi niipula, tmdu kiúaloae' 

lepe. 
nai&Ue maguna maúedi, huãía 

kaai kagana. 

tkucdde ni úape; iiamafittíxa 
úeai kaai, ^Sadi uâ^ aôêo 
ni muxima O&í. 



na§ilalíaíéne m kaxi ni cuani 
oBaãa oAtnoâ. 

naloaexde kaíi Heai tíaaa ééi 
naméne. 

auseba atugUe HUS^ l&akéns, 
ni ahtmixine ana aÔêo aéne 
ãta kiiiêidixa ikum íôso ta 
goda eííani haSUdexa. 



nasotUe kukina aci kagupiii- 

lepe, 
nagâipixUe masuna maôêo, 

agtíêotíle hudtíanexa; cíÔío 

ajala ni af&Ue* 

ande cka peUê âkJciUuãa. 
mOata, mâéne modgaaa, uãtixa 

ciu adêo aeai ataga mu 5»- 

paga VUai. • 

muamo muãit 

adêo afuta mtlalíoiia^ixakHe' 

ai, ni eai huãía kudi aiu 

aâso. 



Quem disse isso a V.? 
Eu pergunto^ e ninguém 
fallou. 

Aoceitei a &zenda d^elle, co- 
mer ainda nSo (mas nSo 
dispuz delia). 

Fez bem; mande pagar-lhe 
ainda (primeiro), depois co- 
ma toda com seu coraçSo 
(disponha d'ella, como fôr 
da sua vontade.) 

Diverti-me muito com as pri- 
mas d'elles. 

Eu já lhe expliquei a ella o 
que vi. 

Os negociantes construiram 
um grande acampamento, 
e ordenaram a todos os 
seus filhos (os da comitiva) 
de perseguirem os da terra 
que vfto rondá-lo. 

Eu dançaria se nSo me fitti- 
gasse. 

Eu fui trocar toda a fazenda, 
(porque) me queriam illu- 
dir; (estava) toda suja e es- 
tragada. 

O leite da cabra (é) doce. 

O potentado, dono das terras, 
sustenta todo o seu povo 
(d'elle) que habita na sua 
residência. 

Como assim? 

Todos lhe pagam tributos, e 
elle manda dar de comer a 
todos. 

8 



114 EXPEDIÇIO PORTUGCEZA AO MUATllNVnA 



úaijikíU Zaúape ni kaxi aôêo 

éU aH Hciqd' iíámi. 
kinikutííixape kuguòigixa an' 

úámi cuúipa tíeòi úa mu- 

xima ãíahuí. 
ana kaki àluixile mvloga ahge 

ahinaú cJdnine^ ni aStoko. 

aJcOaruda aJc&ete úoma kudi 

aSíoko. karuaa tUeja úámi 

kali: Uccda àói betama, mema 

masuia. 
tátuk' iíiííiocãe ana Hedi, eH 

asalele B>ia (SimOè ííaúape 

mu maUxko maadi. 
naxalexele maJcumi masatu 

maSoma^ ni saio. 
naUdxle kali makumi maotu 

ni adi asutUe Ido mu lUaU> 

etí. 
ni nani éíé Oaloãele Ido mu 

úitof 
kuijika iúi^f 
natogele aigtdumixine kuêeaa 

ayoma aôêo a difada, natU 

ni ámi kudi miíata muteha, 

ni mãéne Oabetama Oámi 

mu típaga Víei. 



Comprehendi muito bem tudo 

que me disse. 
Eu nSo posso oppor-me (a 
que) meus filhos troqaem 
o que é da vontade d^elles. 
Os rapazes jogaram a panca- 
da porque as suas raparigas 
dançaram com os Quiôcos. 
Os Lundas teem medo dos 
Quiôcos. Um já me disse: 
o caranguejo esconde-se 
(para) a agua passar. 
O pae elogiou seus filhos que 
fizeram uma boa porta em 
dous dias. 
Eu depositei trinta e três 

barris. 
Eu já contei vinte e duas 
pessoas que passaram hoje 
nesta ponte. 
Com quem fidlou V. hoje no 

rio? 
Para que queres saber? 
Pensei que me obrigavam a 
transportar todos os barris 
de pólvora^ e fui-me embo* 
ra para o sr. Muteba^ que 
me escondeu em sua casa. 



1 apa§anent, é mais frequente entre os Lundas alem do Chici^Mu 
• s É regra, quando a contagem se refere a mn substantivo, collocar 
este antes das unidades, precedido dos substantivos que designam as 
dexenas, centenas, etc.; litteralmente é pois a traducçâo. «... três de- 
zenas de barris e mais três». 

' Parece ser abreviatura de um vocábulo, que muito usam nas inter- 
rogaçòes, quando lhes causa espanto a pergunta. 



METHODO PRÁTICO DA LINOnA DA LUKDA 



115 



ngikãe irumene tmuè Tutso leu 
tátuko k&eí, cteneHaamusa" 
Ide Síipe Hmidi. 

kauíe ka nkiiete mtianma 
úajcda. 



fnuaniê. 



suipa cteya cíet m dtayúa ata, 

mitete dia cKayúa ni duyo ku» 
dia òaúape ni kaxi. 

nakúetãe máxima kunua mele 

pamaki pauso. 
Ioda ajíkido úámi nikusota 

kúimona kataiaka kunoúko. 

palàepe ni paJàepe túakaxika 
palepa. 

iaiya^ Sia tãoaa íiakéne. 

uleje dijincL di polo pane. 

umane oH utane mu mikada 
úámi tíno Hmúè Hkêne, ka 
kutúa tuaiya túaôeo^ ámi 
nitala kaai pa. 

ukuêota huijika mudtá Zalaf 
tala bili mu miini mu ikaaa 
iíedi, <i6i tikiíetile jtzala pa- 
kéne, utúixa kumúitía mu- 
duAala <S%akéne. 



Eu conheci um só inimigo a 
seu pae, mas fez-lhe muito 
mal. 

Aquella viuva está triste. 

Na verdade? Sim senhor. 

Troca o teu prato (de barro) 
por aquelle de abóbora. 

As pevides de abóbora com 
pimentinhas sSo muito boa 
comida. 

Tenho vontade de beber leite 
todas as madrugadas. 

Dize a meus netos (que) que- 
ro vê-los immediatamente 
aqui. 

A pouco e pouco chegaremos 
longe. (De vagar se vae ao 
longe). 

Tem rasSOy o que V. diz é 
verdade. 

Diga o nome do sitio aqui 
(doeste sitio). 

Veja se encontra nos meus 
fundinhos' um pilão 
grande para moer (esma- 
gar) todos estes bombos 
(que) eu ainda vejo aqui. 

Queres conhecer um vadio? 
Repara (ainda) nos dedos 
das suas mãoS; se tiver 
unhas grandes podes accei- 
tá-lo vadio (nSo duvides). 



Acampamento provisono. 



116 EXPEDIÇlO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVTJA 



pcuúipa tdcão iíámi ukatana 
ioiíma éíé uneta goloxe di 
tíkuío òteS. 

tíno éíi, uôitekexa JcHisof 

múikilaK 

éíé aíi wSxjídt goloxe tióukof 

kaiàepe, mona maka maíaãa 
úámi mmeji (úakata kute- 
la^J. 

nagií(ilíc£ene ni kaxi. 

muruaa^ úámi dijima diei. 

mtvniaanámiy nuU maJôso dei 
éíé uneta kikuxi^f 

najiíalele maleso maní, 

Icakugi, vkiíet' eòi peúlo disu 
dia màku^f 

miiari múixi úagubvlãe. 

kaúasalelepe íiowna ZiHape. 

àci tdeje eòi ámi kugtdaba ni 
kaad mu úito, ni eai usotele 
mema pa kuãiia pa musasa. 

iani hisota jvkidi dia tubúiko. 
ámi kinamumenepe. 



Perto (junto) da minha cama 
encontrará as cousas (que) 
y. trouxe hontem de soa 
casa. 

Onde armazena este pilSo? 

NSo se encontra, nSo ha. 

V. divertiu-se hontem á nou- 
te? 

Muito poucoy (porque) minha 
irmS estava doente. 

Diverti-me muito. 

O meu amigo como se chama. 

Meu amigOy todos os ovos que 
V, traz quanto custam? 

Perdi quatro lenços. 

Rapaz, o que tens tu sobre o 
olho esquerdo? 

O cozinheiro bateu-me. 

NSo fizeste cousa boa. 

Disse que eu me demorar 
(demorei) muito no rio, e 
elle queria agua para o al- 
moço. 

Vá buscar o sacco da roapa. 

Eu nSo o vi. 



1 É mna outra forma que usam para negar a existência. 

< Phrase asual «cetava doente». 

' Entre estranhos mesmo, a expressão meu amigo é muito usada 
entre todos os povos aquém e além do Cuango. 

4 kikuxif «o que quer Y.?» subentende-se «em troca». Muitas vezes 
significa: «como, quando, quantas vezes, etc.» A pratica esclarecerá 
sobre tal emprego. 

^ Para estes povos, todas as partes do corpo humano do lado esquerdo 
pertencem á mSe e as da direita ao pae, o que já se advertiu. 



METHODO PBATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



117 



mudi múixini^ mutala. 
nakàiHa úape aoso, múén' edi 

kuffutumixa. 
eóu tãakaxikixa ndsasa aJôso, 

é6i éíé úatekexde mu Td- 

loUo Taêtu, âMmaòiko biki- 

didij pólo pei. 
najUcitixa aénu ni kaxi. 
oSu écike^ goloxe uôuko adile 

mu gctda^ Vía ec^e muruda 

uHfé ka8C$o. 

ám ni numa mak' úárrU tUa- 
Uaine itota tacU ni maJcU' 
mi masato (cãu^) ni atano. 

uijtka nam muaãavua kam^f 

mijtka: mukaSa, ko%a amuji- 
péne^ a tubijV, é6i atekexe 
k&a mutOè úeai 



Está debaixo da prateleira. 

Acceitarei bem tudo (farei 
tudo o que eUe me ordene). 

Nós faremos chegar todas as 
cargas que V. depositou no 
nosso accampamento, áma- 
nhS cedo ao seu sitio. 

Agradeço muito a V. 

Quantas pessoas estiveram 
hontem á noute na residên- 
cia da tia do nosso amigo 
Cassombo. 

Eu e meu irmão contámos 
duzentas e trinta e cinco 
(pessoas). 

V. sabe quem (foi) o quarto 
Muatiânvua? 

Sei: Mucanza; a quem mata- 
ram nos Tubinjes, que lá 
guardam a sua cabeça. 



1 «Debaixo, de modo que se n2o veja ; dentro». 

' Segando o sentido : acomo, quando, quanto». Para este ultimo tam- 
bém empregam kuaci que mais se ouve nos povos aquém do Cuango. 

' É o logar da Hjpaga «cercado de moradias», especialmente destinado 
ás habitações do chefe. 

^ Neste caso aíu podia dispensar- se. Empregou se, porém, para se co- 
nhecer o motivo do prefixo que tomou o niunero que indica as unidades. 

& A regra era uasclbelaid; porém, é certo que elles muitas vezes substi- 
tuem ^tuudeU por ka^ porque, como numero cardinal, este prefixo muda 
por causa da concordância e nSo dá logar a confusões. 

* O verbo hujipa emprega-se sempre que a morte nSo for dada com 
a &ca, porque nesse caso diz-se huta^pcí^ e o homem que dá assim a 
morte por ordem superior é o nvàmt Icutapa. 

"^ £ a denominação de um povo junto á margem direita do Cassai, na 
fronteira a norte das terras do estado do Muatiânvua. 



f 

118 



EXPEDIÇlO POBTUOUEZA AO MUATIANVUA 



fniién* eãi úasúipixine 2ta tto- 

êotele kudi yotef 
kagana, múane. 
nUúixa kumúisidixíle, íieneíi 

kinimtisotape, 
Idnikanape^ mapexi, nikun&a 

mu mutopa^. 
ámi kayana Síagukata^ 2ta 

pexi, 
nitoga matopa ítij^e. 

úaxcda kunima, mulogtkif 
Jànutúixape k&eaa^ hãviiHé, 

naiaama, múê H noeji, ^ kur 

tala mtsasa támi. 
maiji ma dtagua, muê H noeji, 

diiíape leu kudia, 
mcuJtaje^ maiji, di noeji, òiúa- 

pdepe. 
kakuyi, sHapali, rusymo rOa 

mema Jciía múata. 



EUe fez trocar o que queria 

pelo boi? 
NSo, senhor. 
Eu poBBO persegui-loy porém 

nSo (o) quero. 
NSo fumo no cachimbo, fumo 

na mutopa. 
Eu não (me alegro) gosto do 

cachimbo. 
Julgo (que) a mutopa (&z) 

muito mal. 
Ficaste para trás^ porquê? 
NSo posso andar adeante, pre- 
ciso olhar (reparar) pelas 

minhas cargas. 
As folhas da abóbora são boas 

para comer. 
Sustento (comida) de folhas 

nâo presta. 
Rapazy depressa^ um copo 

com agua para este senhor. 



1 £ frequente abreviarem hunúa em kitna «beber», e sempre qae a 
este vocábulo se janta mutopaf ou ftxi, significa «fumar*. Só por bí 
« fumar » é kw^ía makaúa (nos povos áquem do Cuango), kunua ruada 
(nos povos alem do Cuango) — ciga interpretação literal é : «beber 
tabaco». 

' Cabaça onde fiimam, em geral, liala «cânhamo». 

3 Phrase especial para indicar «satisfação, alegria», húcata «estar» 
é também para elles um auxiliar, como veremos,, e de que já dêmos 
um exemplo em : úakata kuíela «está doente». 

^ Também neste caso se podia empregar kuia «ir». 
Porque sejam frequentes as interpolações, de que dêmos conheci- 
mento nas pag. 14 e segs., as empregaremos d'aqui em deante em alguns 
exercícios. 

Palavra derivada de kudia «comer». 



MBTHODO PRATICO DA UNGUA DA LUKDA 



119 



ida hOi, (dbâgala a lufiiZe 
^jiiakabiia,niakiiaiÍ€Ítão 
m ub&a ni jitaía. 

éU, iStíko dimiSè huo, Jcifúa- 
ftxtpe háa ni kusota eH 
amutumixal 

nUeíete úòma mia kubukuna 

fn&ed' úánd. 
éíé iiamuIodeU kutêof 
mu tíhJío íta mai* Hámi. 
miéne tdeíele wmi tuMa ttí* 

saio. 
muéne nrníaaa haumapanene" 

pejinamaf 
hiate. 

lánaUmenepe iega íámi. 
éié uyííalele éciket 
hmjikape. 
tátúk' Heai kaiiijikape aiu a 

wuêne puto. 
ana oaaa mak' Héí aZi aoícir 

oa mátíko maâêo. 
m/Hm' eai atítUogaúaiatduka. 
mulogikif Hnoejit uJcAeteScãa. 

mOapa aú áci Síámi, aSiãeíf 

tídiãeí. 

mucma mak* iíã éòi HajáleUf 

Vkita íia lima ou kima. 

hfô ula m kamoga. 

mazOi mdbla m rukiJo. 



Repare ainda, aquQlles Bftn- 
galas comeram carne de 
c8o, e OB outros ratos com 
cogomellos e batatas. 

Y.f um dia só, nSo apressa ir 
buscar o que lhe ordenam ! 
(V. nunca tem jHressa de ir 
buscar o que se lhe manda !) 

Tenho receio de quebrar uma 
perna. 

V. onde lhe fallou? 

Em casa de meu tio. 

Elle trouxe-me três cães. 

Ella nSo lhe deu carne? 

NSo. 

NSo achei os meus pratos. 

Como os perdeu V.? 

NSo sei. 

O pae d'elle nSo conhece os 

Portuguezes. 
As suas duas filhas (deV.) 

dirertem-se todos os dias. 
Elle julga-se infeliz. 
Porquê ? ! (grande espanto) 

tem fome? 
Esta mutopa é minha ou tua? 
É tua. 

Teu filho que vestiu? 
Pelle de macaco. 
Caje yae com Camonga^. 
As palavras vSo com o vento 

(palavras leva-as o vento). 



^ Equivale a: «Maria vae com as outras». 



120 



EXFEDIÇlO POBTDOUEZA AO MUATIÂKVnA 



Ha outros verbos derivados com as terminaçSes -unuma e 
-tfZu2a^ ou nas abreviaturas una ou via, que desfiAzem a acçSo 
indicada pelo verbo, que perde o a final, equivalendo esta 
derivaçSo á do prefixo d es- em português. V. pag. 47. 



Vocabulário 



huscHa cfazeri. 

hwSima ccoseri. 

hwpata cfechar, cercar». 

kubiíika ctapar, cobrir, aba- 
far». 

kasojika caba£Etr». 

kufuda c embrulhar». 

hujika centerrar, encerrar». 

kulameka cpegar». 

ku9Úika cprender». 

hgika cfechar caminho, empa- 
tar, embaraçar». 

hãnda cfiar». 

kusuipa ctrocar». 
kuzaga cpentear». 



kusalununa c desfazer». 

kuóimuimma c descoser». 

kupatununa c abrir». 

Jcubúikununa cdestapar, des- 
cobrir, desabafar». 

kusojikununa c desabafar». 

kuJkMununa c desembrulhar». 

kujikwnuna cdesenterrar». 

ktdamekununa c despegar». 

kusúikununa cdesprender». 

kujiktda c abrir caminho, des- 
impedir». 

kuhvhãxãa ou IcakfMLa cdes- 
fiar». 

lmmi§vi\jila ou hisiíipula c des- 
trocar». 

kmagtdída c despentear». 



JBIxercioios 



(xtátuk* Oaii ou atátuk' ahi- 

naú nanit 
énu kanúaijikapet 

vlaaele zoV oii hu rumif aH 
kúámi, aZi múyma mtJíaa 
úeif 

tala bãi, nidi mOamol 

ikug* et, edi dia nani nataHutle 
ioúma ivudi ia rulatt 



Quem sSo os pães d'elles? 

Vós nSo os conheceis? (nSo 
os estaes conhecendo?) 

Para quem compraste esta 
gallinha? Para mim ou para 
tua sobrinha? 

Fico assim! (estou reduzido 
ao que vê.) 

É este o homem de quem re- 
cebi tantos £Eivores ? ! 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUKDA 



121 



eiá fiajinuma ni kaxi, nrnUh 

gikif 
ndm* eai maòiko maôso Sía- 

mukata^ aci via ni h&eda 

éH ^Suigukata kaai, humana 
akSaiu anaúi fwdde ni dê! 

iíoâma Sdtfo nataíiUle wmsaaa 
6mu adi kuisof 

dSepa dipane; <i&oko aiseaa. 

été Haloaele dia nani f 
Jãdmipe, mana mak* ãet. 

mona mcúc* úánd miiana kaJdt 
H noeji, mâéne úadimukine 
kalàepe, hdoaa wuamo dSto- 
ko, H noeji, miloga takéne. 



iamulekexele, mukuá $a§o. 
aSíoko cfjikãe aJUa kiia mur 

Vãía, mtdomkif 
akusata difaaa ku aêne haso, 

adikumita k&a ruãa, bOate. 

iki Húapelepe, nasalumunine 
tôêo éòi éíé Haisalde. 



Porque está V. tSo triste ? 

EUe está sempre contente em 
viagem. 

O que me agrada ainda (mais) 

(é) ver aquelles a quem 

amo e me amam (por quem 

sou amado). 
As cousas todas (tudo que) eu 

recebi esta manhã onde es- 

tóo? 
Longe d^aqui; levaram-nas 

os Quiôcos. 
De quem fisdlou V. ? 
Não fui eu (que fallei, foi) seu 

irmSo. 
Meu irmSo é uma creança! 

pouco esperto, fisdlar assim 

(de) Quiôcos grande crime ! 

(nSo se lembra que fallar 

em Quiôcos é um grande 

crime!) 
Desculpai-o, grande senhor. 
Porque fecharam os Quiôcos 

o -caminho para a capital? 
Só querem pólvora para si, 

nSo a deixam passar para 

a capital. 
Isto nSo prestava; desfiz tudo 

quanto (que)V. fea. 



1 Quando se refere á 2.* ou d.« pessoa, iHamúkata, quando á l.« pes- 
Ba§ukat€L. S2o as duas formas do singular do presente. 

2 A letra : «aodar no caminho ou estrada; viajar». 



122 



BXPEDIÇlO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



éU mukâá lago, ám mururo. 

iimuna divuga ãíôêo edi, cS- 

aipe. 
nmkaje múa áci kuzcyultda, 

• • • a 

tnif 
mcnamak^úeaiiiafãtleu^kJc^u. 

êúikununa apeie aâêo Sía 
kuxani pa iiiio kunúa mema. 

nani ubur&Ue*^ dUeso edif 

kamèxi. 

ruêumo ôru rúa nanif oSíi iHa 
úéi, ciei rUa gaka úámit 

noeji, múana uasaíele Sía ini- 
bida Uuga ni lúeji lúa koli, 
koía, múami tí noéji, ciu 
úedi aêso amuijikUe nama 
mazêu, múê dt no^i, aci:^ 
ciu támi diòtko dimúè aso- 
tde iRoiima HmiSé, dUUco 
dilcâaú kadisotelepe, H noe- 
ji; dUama^tko díeza múéne 
puto mona mak* úámi kãi- 
dama ni kuizapane, òinoeji, 
dia kutaíula uat' oú; áci 
kagana, mHê di noeji, úatu 
Haia ni kusuia kúa tkasa ia 
ma^oko. 



V. é o grande (o fidalgo), ea 
o humilde (o servo). 

Descosa todo este pano (por- 
que) está mau. 

Porque se despenteia aqaella 
rapariga. 

Porque o irmSoIhe morreu esta 
noite. 

Desprende todas as cabras 
para irem ao rio beber agua. 

Quem desfiou este lenço? 

O gato. 

De quem é este copo? É teu 
ou do meu avô? 

Noéji, primeiro filho do caça- 
dor Ilunga e de Luéji, de 
Côntiy ao qual (a quem) sen 
povo cognominara (o co- 
nhecia por) carne dos den- 
tes (gengivas) dizia : a mi- 
nha gente (o meu povo) um 
dia quer uma cousa, no 
outro dia nSo; de futuro o 
meu irmSo rei de Portugal, 
precisa vir aqui, tomar 
conta deste Estado ; se nXo 
vier, o Estado vai passar 
para as mSos dos Quiôcos. 



1 O infinito é hUndula ou hàtÊmiíL^ já aiue f i ado de hmbmhdula eqoe 
ainda mais ,aJtaevum aa a sf ist o, o qual deveria ser buluUle ea èmnáBt, 

^ aiSif neste caso é prevenção do que segue^ é a traasmissio do que 
•e envia a outrem, e quem narra agora, toma o seu logar e procura imi- 
tá-lo em um gesto. 



MBTHODO PRATICO DA LIKGUA DA LUKDA 



123 



ínAan' tê, mukiiá Íago, mian' 
iêj kaldol tí noejil 

ákiiaruaa aJcOete mafefe €^ 
fwãéne puto ikdeka ama a 
mnaítaviia, asoT inift éU, 
mua£íavúa, nuturnixa alui 
aia kúa múéne puto kumu- 
taSuka ieza, múamê H noe- 
ji, kuiala úat* oú udí tuota 
kuaf&a^ hidi aSloko, òi 
noeji; múéne puto, tátuk* 
Hêtu akãaruaa aôso, mãén* 
eai haso, topata aSioko adio- 
kape.^ 

Haúape, akúaríma, ííaiia- 
pe. . • níia ni kutaZuka 
múéne puto, tátuk* úêtu, 
úeza; Síeneòi milaBo atane^ 
kúiêof 



ah! míukúá lago, akúaruãa 
aÔ90y múê òi noeji, cAani ni 
kusota mUaío Ma múéne 
puto. miau, tí noeji, kagana 



Tem razSoy grande senhor^ 
tem razSo. 

Os Landas nSo merecem con- 
fiança ; se o rei de Portugal 
recusa (abandona) os filhos 
de Maati&nvua, o que hSo 
de elles fazer? Ordena tu, 
Muatiànvua, que vSo porta- 
dores convidar o rei de Por- 
tugaly que venha ver como 
os Quiôcos estSo estragan- 
do este seu Estado; só elle, 
pae de nós todos os Lundas 
pode expulsar os Quiôcos 
para bem longe. 

Muito bem, gente da Lunda, 
muito bem. . • vou convidar 
o rei de Portugal, nosso 
protector, que venha; mas 
achar presentes aonde? 
(mas onde posso arranjar 
presentes para lhe enviar ?) 

Oh! grande senhor, todos os 
Lundas procorarSo presen- 
tes para o rei de Portugal. 
NSo ha ninguém que se re- 



1 O verbo é kufúa ; porém, para darem mais eipressâo ao termo fiãizem 
ouvir om a antes do /. 

* iopata aèioko adiokape é uma phrase muito usada, «empurrar os 
Quiôcos, saiam d*aqui». 

' Ouvi frequentes vexes ao Mnatiftnyua esta interrogaçSo : milalo, 
atant Id&iêof para os que o ouviam, se promptificarem a apresentá-los. 
£ uma forma de tributar, de modo que o tributado nSo fica descontente: 
e dá logar a que o Muatiànvua diga em seguida : muan' tê, kapoía, tman- 
ma «et úaként. «Sciente, Grande do Estado, o teu coraç&o é magnânimo». 



124 



EXPEDIçlO POBTUGÚEZÁ AO MtJATIÂNVnA 



vlek*éí hãeta mUcío mivudi, 

éié, mií(xniè H noeji, mOor 

^íavua, k&Uumina múéne 

puto mwnma tíet. 
ííaHape, SíaOape, nakaimane 

pa wriíd' oú. 
nani úamvkuòúihmine nug' 

Oaf 
kuyt múan muwn. 
ocinmen ediuijtlaUlcu/mubui-- 

ka katataka.. 
m&amo, kudile ^ utaítãe múixi 

ÍÔ80. 

mulogild kudtlcijilep' eai ^ú 

Mt 
cKapalepa dJía pava. 
miién* eai Zikctãipe iiaméne 

íiota Sía miiari. 
ia rd mudUcija. 

mukqje úa òiíago áJci; éíé umu-^ 

panén' eai ioiíma iHape ivu- 

di, 
eíéutanéne tuságasaga tUaoso, 

éíé Hatujtíalelef 
kaai kali. 
m&éne muíada ulel' etu, ni eòu 

tumulei* eai, 
mOéne upatunine ISíia 5ta Zipa- 

ga, ukusota uòipatef 
nalike ou naleka. 



cose a trazer muitos pre- 
sentes para que tu, Mua- 
tiânvua; 08 faças enviarão 
teu amigo rei de Portugal. 

Muito bem^ muito bem, aqui 
os espero esta tarde. 

Quem destapou aquella pa- 
nella? 

Talvez o cozinheiro. 

Se fosse o cozinheiro (sabia 
taparia) tapava-a logo. 

Doeste modo, a comida toma 
o gosto do fumo (recebe 
todo o fumo). 

Porque nSo lhe mostrou o seu 
porto? 

E muito longe d'aqui. 

EUe ainda nSo viu a sala de 
visitas da senhora. 

Vá e mostre'lh'a (vá mostrá- 
la). 

A mulher de Chibango diz: 
(que) tu lhe deste muitas 
cousas boas. 

Achaste todas as missangas, 
(que) perdeste? 

Ainda já (ainda não). 

EUa ama-nos, e nós amamo- 
la a ella. 

Elle abriu a porta da cerca; 
queres que a feche? 

Ntto. (Negativa.) 



1 De kudia «comer», fazem kudile «comida». 



HETHODO PBATICO DA UNGUA DA LUNDA 



125 



musoni tf6f úeza Ido, aci ni 
mutena ^ a^ ni v^ko f 

miiía Hiíeza Sía urúele, mka 
uóiruke^ Ido kadu 

múéne mvíaaa, maòiko manm- 
di, iieza ni mutena^, ma- 
Maú úeza mutena Haia kali. 

a§aía goloxe (ióirukine kua 
malaje, ananit 

ipule kabo totni^. 

iahdiíãe fukidi oú, nanií 

làáimpe, in&én eaL 

Hakata husal' eU kua í 

ta masuna peúlo pa ulalo. 

najotdcde ciei namaméne 
nakafuta mauséía maôso, eZi 

mon* úámi kiíeza pane ku- 

sala niet. 
aci èíé kasotape^ hyÚKda, 

ámi muamo. 
gdoxe mutena, nasaiexdeuUdo 

úámi; kugúanexde múepúa 

uet. 



Teu primo vem hoje de dia 
ou de noute? 

Creio que vem de tarde, mas 
volta ainda hoje. 

EUa muitos dias vem ao meio 
dia^ outros depois de pôr o 
sol (ao escurecer). 

Quem sSo os rapazes que fo- 
ram hontem para Malanje ? 

Pergunta ao cabo António. 

Quem abriu este sacco? 

NSo fui eu, foi elle. 

O que está ahi a fazer? 

Ponha as fazendas na prate- 
leira. 

Eu poria se as visse 

Eu pagarei todo o negocio 
que meu filho vier aqui fa- 
zer comtigo. 

Se V. nSo quer perder, eu o 
mesmo (também eu nfto). 

Hontem ao meio dia compuz 
a minha cama; ajudou-me 
seu sobrinho. 



^ mutena «sol» emprega-se muita vez como «meio dia», que se indica 
apontando para o zenith, em vez de dizer mutena peàro «sol no alto». 

2 èUuka ou èiruka, é o verbo ; porém os da Corte na 2.* pessoa do impe- 
rativo &zem geralmente a terminaçSo em e« como no subjuntivo, quando 
fidlam entre si, mas dirigindo- se aos de classe inferior, dizem Hruka. 

' mutena está empregado aqui, como «dia; claridade». 

^ Nós 08 europeus, geralmente, dividimos os carregadores em grupos 
por fogos, e ao cabeça que elles elegem chamamos caòo; pois os da Lun- 
da, que conheciam já essa auctoridade, entenderam ao que tinhamos de 
nome António chamá-lo kaòo toíúi, 

^ Abreviatura de kakiuotape* 



126 



EXPEDIÇXO POETUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



fUMotele kuòirukixe jmama ejt 
tíúapdepe, ni eòu katudUepe 
jinama jiavuaa hdi^; dte- 
netíj múéne yada aZi : nalu 
ke. 

nakuyuãibanêne aci namulejele 
yoloxe nakuetíle kali mazêu 
ma zavo niatano; ink&ete 
kaso mani, 

akiiatani ni akukasani kaku^ 
k&a, múata úeai úamufute- 
xUe, múéne kasotelepe kuia 
Ic&Uo mUata úamutumine 
pamapi apa. 

âile pa kaúeda kusota madna' 
je; pinape katumenepe diou- 
ma Hmúè kaso, m/oHko ma- 
vudi moêutUe. 

mona mak' úeai úasoteU ku- 
yiUdamexele mu usèta^ mka 
dei* úadiíanexele ni úaji- 
hdd' avudi akamo. 

katatakexe mujíkit' oii, nxkuêo- 
ta hdtãmka dtamaòiko búi- 
didi* 

ièi idi Hoúrna eH nisalexe mu 
diliko dimúi. 

maòiko maôso kuyUapexe ni 
kakíepe. 

nani uloaa ni kaxi, ujtlala 
mu useta. 



Eu recambiaria esta carne 
(que) nSo presta (porque) 
nós nSo comemos carne 
podre; porém^ o senhor da 
terra disse : nSo quero (re- 
cuso-a). 

Enganei-me se lhe disse hon- 
tem que tinha ji cinco 
dentes de marfim; só tenho 
quatro. 

Agarrem e amarrem aquelle 
rapaz multado pelo sen 
amo, (porque) nSo quiz ir 
onde elle o mandou esta 
manhS. 

Fora a Cauenda procurar de 
comer (sustento) ; aqui nXo 
se yê ha muito tempo (não 
se encontra) que comer. 

O irmão d'elle quiz prejudi- 
car-me no negocio^ mas 
enganou-se e perdeu muito 
mais. 

Apressa-te neste trabalho, 
(porque) quero partir ama- 
nhã cedo. 

Isto é cousa que eu arranjo 
num dia. 

Sempre me contento com 
pouco. 

Quem falia muito, perde no 
negocio. 



1 De kwmSa «apodrecer». 



METHODO PRÁTICO DA LIKGUA DA LUNDA 



127 



Ido naedele ni Tcaxi, Jcutana 
aSclo (iâi ku fn&ana mulííiãa 
úámi ^akaia kuiela. 

iiatianênef 

íaitanéne palepa pa. 

adi hJcíepe, ni naifuHle ni 
iUtpe ni kaxi. 

clu 0Ô9O asota kUsala úape 
ni kaxi a tuxúege. 

kaêeie hcgUe haúape, lÊíenéU 
mulaJíudi muúape homo ni 
kaxi; tujtle tíiaôso r&ijika, 
mxdcJíudi mudi Ha udila^ 
úape kamo. 

úyíka majina maôso ma mitoao 
eH tumane diapanef 

maôso kagana, niijika mavudi. 

énu kanúifikape aíxi aúape 
eH ma&Uo ama ak&ete; alei 
m&ijxkUe, maitíko maôso 
n&aUe kúisota ku kitídia ni 
kuHaaixa. 

akudUe fãipe mudi akudía, 
kagana ajokudUe kamo. 

vuje^ kauxikilepe kaãi dia ka- 
ksni^t 

uxát Ha té^ uSuko uj<da. 



Hoje andei muito para achar 
duas gallinhas para minha 
irmã (que) está doente. 

Achou-as? 

Acheiy longe daqui. 

S8o pequenas^ (mas) paguei-as 
muito bem. 

Todos desejam (querem) fa- 
zer bem aos pobres. 

O catete é um bonito passari- 
nhoy porém o mulambúdi é 
lindissimo ; de todos os pas- 
sarinhos (que) eu conheçO| 
este é o que canta melhor. 

Sabes os nomes de todas as 
arvores que nós vemos 
d^aqui? 

Todos nSO; sei muitos. 

y. nSo sabem os bons peixes 
que teem estes rios; se sou- 
bessem procurá-los-iam to- 
dos os dias para os come- 
rem ou os venderem. 

Comerem mal como comem, 
n2o comeriam mais. 

O Vunje ainda n8o chegou do 
Calânhi? 

Fica lá até alta noute. 



1 kudila — para pessoas : «chorar» e todos os seus sjnonimos ; para 
aves: «cantar, piar, etc.»; para quadrúpedes : «zurrar, uivar, balar». 

' Nome de homem. 

' Nome de rio, que dá o nome á localidade e á primeira massmnba 
do Mnatiânvua. 

* tlf van vocábulo já em uso, do nosso português «até». 



128 



EXPEDIÇZO POBTUOUEZA AO MUATIÍNVUA 



táJbvik' tidí kdâipe mukurtipi 
mUamo mudi úámi, haiía- 
kenepet 

kugtdekexepe, tátuk' úámi 
uk&ete kaso makumi maní 
mive ni tíncma amukuvala^^ 
ni Hei makumi nMsâòaHo 
mafiiile (masutíle, mapúi- 
xile). 

múêne mvJíada hadipe muamo 
mtdepa mudi musoni mu- 
iaãa Oedi, hadipe m&amof 

iutani kujaT itu, túiaamexe 
ttdnídikani hatataka. 

abudikine a polo paú. 

alyd' ámi, àSwko aeza magode 
maadi masutíle ni akusota 
kukãata ciu kamo; aimane 
kaso, m&éne puto úaíiruke 
pelo péí*. 



usala úakéne dijina díéí vJcur 

t&ixa kuia mu tulo. 
Hakata kuloaa ninanif 
agubulUe an' eai ocí kaíqélepe 

mvlogikit 



Seujpae nSo está tSo velho 
como o meu, nSo é ver- 
dade? 

Queira desculpar-me, meupae 
tem apenas quarenta e no- 
ve annos, e o seu sessenta 
já feitos (morreram, passa- 
ram, acabaram). 

EUa nSo é tSo alta, com soa 
prima (d^ella), nSo é assim? 

Vamo-noB vestir que precisa- 
mos sair immediatamente. 

Saíram (foram) para o sitio 
d^elles. 

Dizem-me (que) os Quiôcos 
virão daqui a dous mezes 
amarrar (prender) mais gen- 
te; só esperam (que) o 
Muene Puto se retire para 
a sua terra. 

Faz grande o teu nome podes 
ir no somno. 

Com quem estás a fallar? 

Os filhos delle bateram-me, 
sem dizerem porquê? 



1' kudala «parir». Sempre qae se trata de edades, se diz : — desde 
que o pariram, desde que me pariram, conto tantos annos. Estes, porém, 
sâo contados pelas estações das chuvas, o que dá a equivalência de 
dois, e em algans povos de três, dos seus annos por um nosso. 

< Não se deve confundir com kupolo «adeante, para frente, etc.», nem 
tampouco com poli «fora». 

' Equivale a: «cria fama e deita-te a dormir». 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 129 



Forma passiva 

Substitue esta forma uma construcçâo especial, a qual na 
generalidade consiste em coUocar em seguida ao sujeito o 
verbo na terceira do aoristo na forma objectiva. V. pag. 42, 
e pag. 39 Obs. Ex.: muéne amtUumine «elle, mandaram-no (foi 
mandado)», masuna amasotele ni kaxi ca fazenda (procura- 
vam-na muito (era muito procurada)». 

Quando a forma se dá em referencia á pessoa que falia o 
verbo é empregado no infinito, tornando-se a construcçâo activa 
e occupando o sujeito o primeiro logar, Ex. : mak' úámi kuyu- 
Ide «minha mãe estimar-me (sou estimado por minha mãe)» ; 
tukuyi kuytUazuka «os rapazes convidarem-me (sou convidado 
pelos rapazes)». 

Simplifica-se esta forma para o presente, sempre que em 
portuguez se emprega o verbo na terceira pessoa do singular 
do presente composto, porque os auxiliares «é, está ou tem» 
se intrepretam por úa antes do radical do verbo, que é a se- 
gunda do imperativo, miién* edi úakata kutda «elle está doen- 
te»; múaia úaiga «o senhor tem razão»; tátuko úajiZa «o pae 
é gordo». 

Observação. — úa está sujeito á concordância das regras 
dos prefixos e por isso se applica ás pessoas doeste tempo o 
que se estabelece para a terceira Ex. : eòu tuakata tuúape 
•nós estamos bons», que abreviam em eòu tuúape, âé úakudia 
kalãepe m Idepe «tu tens comido pouco» ; éne aúaeaa avudi 
«elles tem andado muito». 

\^ocabolario 

ka-tdo, pi. tu-, «sitio». mono, fl. ji-, «remédio». 

ka-saú, pi. tu-, «machadi- yeji, pi. a-, «mosca». 

nha». yoyo, pi. a-, «palhaço». 

ka-haka, pi. tu-, «milho». kala, pi. a-, «q^ranguejo». 

ka-seya, pi. tu-, «migalha». puka, pi. a-, «abelha». 

diiala, pi. ma-, «pedra». haka, pi. a-, «cobra». 

ma-úeno, pi. a-, «sogra». zéò, pi. a-, «formiga, sp.». 

9 



130 



EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIInVUA 



pupo, ^hji-, «barrete». 
zaje, pi. júj a raio». 
soganij pi. a-, «formiga, sp.». 
úata, pi. ma-^ «estado». 
uga, pi. ma-^ «amido de 

mandioca». 
utadi, pi. ma-j «ferro». 
utiiè, pi. ma-, «cinza». 
úije, pi. ma, «ladrSo». 
Itisolo «depressa». 
kideka «largar, abandonar». 
kúaga «cantar». 
kúoka «cuidar, tratar». 
ktduka «vomitar». 



hãaga «cumprimentar, feli- 
citar». 
kujima «apagar». 
kvkuna «semear». 
kusuma «morder». 
kudima «cultivar». 
kuxakama «sentar». 
kuj imana «enfadar». 
kuiela «doer». 
kvhoha «lavar». 
kiihúa «cahir». 
kuhima «respirar». 
kuòina «fugir». 
kukaia «buscar». 



XCzercioios 



ikugi úaaala mujikita inif 

ou mujikit' éòit 
mujikita, éíé ^Sía iiamumane. 
kajile òta kaúadile, 
niijika Sía kxigvkata. 
miiarí eòi úaxika, gaJca oaaa 

iiámu 
kaíada, é6i ni múéne, mona 

maku mvUla udmt. 
aJcaf^ a, muan' úei nanif 

ou (dJíakaje dia), 
kinijikape múéne * iSaú, miíéne 

paka, múéne katão. 



Que trabalho está fazendo o 

homem? 
O que estás vendo. 
O passarinho que está a cantar. 
Sei o que me apraz. 
A senhora que chega (está 

chegando) é minha avó. 
A rapariga que (está) com 

ella (é) minha irmS. 
D*aquellas raparigas, sua filha 

quem? (qual é sua filha?) 
Não conheço o senhor do 

porto, o dono da faca, o 

senhor do sitio. 



1 akaít designa as raparigas já depois da puberdade. 

2 múéne, antes de um substantivo, significa «possuidor», embora no 
instante considerado, por exemplo : o que limpa uma faca, seja de quem 
fôr, é nesse momento o míUnt; o que serve á mesa, emquauto está nesse 
serviço é o fiàUne da mesa, ete. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



131 



miiiêne úata (múata) mulepa 

ni úa u9Úa. 
malaia, ámi nimatekexe pane, 

amaseaele kali. 
maiíenu úámi kuyusota nikaxi. 

kabúa aka higusuma. 
ana kaki kugujimana. 

nãeau amihoheP iieif 

amihohele. 

dvíala diúahiia paxL 

utiiè uJiúa paxL 

kasaú kaúahiiíle paxi. 

asogani amikuêuma vr&edu 

Hámi. 
azéò tusega aúatuseda. 

aHaJca atvkusala ni vpe ni 

kaxi. 
mu katão kabaka pekãa, utor 

di. 
amutxmwne lusólo, ni múéne 

iiahHa paxi ni úaxala pa 

ni dimtmo diúakata kutde. 



uga atuSo audíxUn 

tOaiãaméne hãada mono tua- 
jipa ayyi. 



apupo a kúalada kúa nanif 

mona Hei ikdaga maúenu mu- 
laãa Hámi. 



O senhor do Estado é alto e 
forte. 

Já levaram as pedras (que) 
eu depositei aqui. 

Sou muito procurado (queri- 
do) por minha sogra. 

Fui mordido por este cão. 

Estou enfadado com os ra- 
pazes. 

Lavaram-lhe aspema8(deV.)? 

Lavaram. 

A pedra está caida no chão. 

A cinza cae no chSo. 

O machadinho caiu no chSo. 

Os meus pés foram mordidos 
pelas formigas. 

As formigas transportam as 
migalhas. 

As cobras fazem-nos muito 
mal. 

No sitio nSo ha milho (mas 
ha) ferro. 

Foi mandado depressa e está 
caido em terra, está com 
dores no ventre. (Ia a toda 
a pressa, caiu e aqui ficou 
com dores de barriga. 

A farinha foi comida pelos 
ratos. 

Precisámos comprar um re- 
médio (para) matarmos as 
moscas. 

Para quem foram comprados 
aquelles barretes? 

Seu irmSo está cumprimen- 
tando minha sogra. 



132 



EXPEDIÇlO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



mutena úasúanexe, mia ni dt- 
ruka; pakúeza^ ni kusota 
kHoviía (kovOa) akaje aci 
akakHaga. 

texani^j ámi ni kuloda, ni ku- 
sota akugúoviía (okugovúa), 

diani kúanexe tuzúeye túaôso 
túa^ eòi ajiòcdele toúma taxi. 

keape keni kúa. kelepe kêni 
pa^f 

edu katutanenepe kadi ikuyi 
imúe iiiape lia kusala mu- 
jikita; aÔ80 atoga kaso, 
mOamê èi noéji, kiídía ni 
kunúa iiiape, li noéji, ni 
kusota díakuiso ãtakúeza, 
kagana. 

aJcOaruda atluméne ni avudi 
aitanéne. 

tala òta mOéne úakata kusala» 

miíén' eai úakata kusegana ni 
vlooo, 

nani úaòUa tdoio f Oamulilele? 

múana kaki Oasegana ni Uma 
(kima), ni eòi (ekij uamu- 
iSilele ulooo, 

ia ni kumane nani úabula Síia 



O sol vae aquecendo, retiro 
(vou) e volto ; depois quero 
(desejo) ouvir as mulheres 
cantarem. 

Attenção, vou fallar e quero 
ser ouvido. 

VSo soccorrer todos aquelles 
pobres, que perderam as 
suas cousas (d^elles). 

Não vá por ali. Não foi por 
aqui. 

Ainda não encontrámos um 
homem capaz para traba- 
lhar; todos pensam só co- 
mer e beber bem, sem 
quererem saber d'onde ha 
de vir. 

Os Lundas teem muitos ini- 
migos. 

Veja o que elle está fazendo. 

Elle está brincando com a 
tinta. 

Quem entornou a tinta? Foste 
tu (que) a entornaste? 

A creança estava brincando 
com o macaco e este en- 
tornou a tinta. 

Vá ver quem está batendo á 
porta. 



* pakúeza indica «o que deve vir, chegar, etc. depois». 

2 Forma de chamar a attenção, de kutexa «escutar», e diz-se alto 
com emphasc, demorando o tom alto no é: té. . .xafiL 

3 São abreviaturas e viciações de tempo que deram logar a estas 
locuções hoje osuaes : — kaiapt kúa ni kva, ka tile pt kúa nipa, , 



METHODO PBÁTICO DA UMGCA ÚA LUKDA 



133 



W V 



úananif 

múepiia uet, 

nanif ou múén' tia*? 

taxa edí^y muMeai^. 

mupaji amutanéne pasúipa mu 

úito. 
kcTié^t múamo? 

tukuyi Síatuakusala Húapele- 
pe, nasaiumunine túaôso, ni 
pak&eza nakaaaiexa. 



ovagam jiságu muatiavua ua- 
jitumine kiía etu. 

muéne vkúete muxima éàu tua- 
xalde pa, maòíko kamo pa- 
muè dteaij di noéji, ni e^ 
t&akata kutele nijizala^ aci 
túaxdexele pinape, miíané 
tí noéjif tusota humana ma- 
lu, kaai kamo, ni túaôso 
túafiía. 

é6u túaxakama ^ kali ni kaxi, 
tukusota kuòiruka kali kúa 
kólo^ ketu. 



Quem é? 

Seu sobrinho. 

Qual d^elles? 

O mais velho; o mais novo. 

Foi encontrado próximo do rio 
o pau de m^xer o infunde. 

É isso? (é assim?) É ver- 
dade. 

O que os rapazes estavam 
fazendo não prestava, des- 
fiz tudo e depois concer- 
tarei. 

Ouçam as noticias que nos 
mfindou o Muatiânvua. 

Deseja (que) fiquemos aqui 
mais dias junto d^elle, (mas) 
nós estamos doentes e com 
fome, e se continuámos a 
ficar, mais temos a padecer 
e todos morremos. 



Nós já aqui estamos demo- 
rados ha muito (tempo) e 
queremos voltar já para a 
nossa terra. 



1 Formas de perguntar «quem é» a pessoa de que se trata. 

2 iaia julgo ser questão de precedência e que é derivado de kuta «ir». 
A juncçâo dos radicaes é de «vá» e «vou», e por isso talvez o considerem 
em primeiro logar, o mais velho. 

3 muki é abreviatura de mukie^ «mais pequeno, novo». 
* Abreviatura de kiene té. 

^ kuxakama «sentar» é empregado muitas vozes no sentido de «viver, 
existir, demorar- se num logar». 

< É mais empregado no sentido de «capital», porém ouvi indifferen- 
temente empregar para os mesmos casos polo e kolo. 



134 



EXPEDIÇXO POETUGUEZA AO MUATIInVUA 



tnulogtki kunouko mwxi mur 
vudi múixini mu òikuío eZi. 
jikuni Hjiapdepe, 
cdbcLgala kaezape mtdogikit 

kuijt kuau^. 

kúiji aéne dei (zkusota hUu- 

mixa mídúa Ma múéne goda 

kúêtu. 
aÔ80 cdjika kcdi jigada jia 

ruda ruafúa, rd mulu umúè 

kaso úakusota kueza aka^. 
túovani kali kuleja áSiolco 

ajijika jijUa jiaoso jtapane 

ni kúa mataba. 

tíasaíele oMbagala^ cgikU' 
êtu ni huago, alejele <ãu 
avudi ahinaú cff&xle kali 
mu úata úámi; pakúeza 
aXioko kasotape akOaruda 
aci asute magaaa^ mahúi. 

amOè m akHaú aiaaméne ku- 
mana, màlu Snpe ííéne Sí- 
kulo. 



Porque está tanto fumo dentro 
doesta casa? 

(Porque) a lenha nSo presta. 

Porque não vieram os Bân- 
galas? 

Eu sei lá. 

Talvez elles queiram fiEtzer 
mandar um portador ao 
nosso chefe. 

Todos sabem já (que) as ter- 
ras da Lunda estão mortas 
e ninguém já quer vir cá. 

Ouvimos ^zer que os Quiôcos 
tinham fechado todos os 
caminhos para aqui e para 
Mataba. 

Primeiro os Bângalas fecha- 
ram-nos com o Cuango, 
dizendo que morreu muita 
gente d'elles no meu Es- 
tado; agora os Quiôcos não 
querem que os Lundas pas- 
sem nas terras d'elles. 

Uns e outros devem ser cas- 
tigados, (porque) a sua 
maldade é antiga. 



1 huiji kúmi «calpa d*elle». Empregam-no no sentido de indifierença: 
«isso nSo é commigo, é com elles; pouco me importa; o que tenho eu 
com isso? etc». 

2 aka em terminaçSo de verbo significa proximidade de quem fidla: 
«eu, aqui». 

> akiba§ala é o plural do dialecto Bftngala, que os Lundas também 
usam. como usam para os mesmos de atuèajt «povo de Cassanje». 

4 É indifferente o prefixo ma ou ji para este e vocábulos análogos 
que principiam por consoante nasaL 



METHODO PEATICO DA UNOnA DA LUNDA 



135 



alu ama amufutixile kali adso 
eH adiUe kúa auseba. 

miiaííaviia noéji e6i úamudi- 
lanéne maòiko maoso useba 
galaaa^ kumvlej* eai: éòu 
tukafiãa masuma maôso tu- 
kudiile kali, ni múamo úa- 
muxakaméne ni kufuta húa- 
te. 

úijika nani utumine mtdaío^ 
ômu kucU múcUat 

^Hólo ^ kateoe mukulo Oautuma 
mOaBo miiiape araãa aôso 
úedi, 

aci atiavUa atcubúile matíko 
maôso mãcÍH) mvdi ta axi- 
kile leio kua musuía, naka- 
leja úata úa mOattaviía úa 
lupêto ni lúakéne. 

aci múéne úimane kiidi ámi, 
kelepe, naaotele Hoiíma ^*- 
kiiaú ni kagana naiaaméne 
kuta palepa múamo. 

tnkugi túaile ni eait 

aci aHe, aUe ktdutiAé kinaim^- 
nepe. 

vlekexe ana kaki, éne atoga 
kasaleUpe ni ipe k&a kubvr 
dika (kudtokaj. 



Já fizeram pagar a este povo 
tudo que comeram (disfiru- 
etaram) aos negociantes. 

O Muatiânyua Noéji engana- 
va sempre o negociante 
Graça dizendo-Ihe: nós pa- 
garemos todas as fazendas 
que já recebemos a credito, 
e assim o demorou e pagou 
nada (nimca pagou). 

Sabem quem mandou este 
presente ao potentado? 

O fidalgo (o grande) Caiembe 
tem mandado bons presen- 
tes a todos os seus amigos. 

Se os imperantes receberam 
sempre presentes como os 
que chegaram hoje á capi- 
tal, eu direi que o Estado 
do Muatiânyua é rico e 
grande. 

Se elle espera por mim, nSo 
ia, (porque) eu quiz outra 
cousa e não precisei ir tSo 
longe. 

Os pequenos foram com elle? 

So foram, foram adeante, 

(porque) eu nSo os vi. 
Deixe (perdoe ás) as creanças 
(que) julgam que nSo fa- 
zem mal em sair. 



1 £ o nome por que ficou conhecidoo fallecido Joaquim Rodrigues 
Graça, negociante portuguez que esteve na Mussomba em 1847. 

2 No plural dizem sempre milambo, 

3 £ nm titulo de grandeza no Estado. 



136 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIInVUA 



ánd dei nisala múamo, ene 

ascda dtòiko dikúaú 7ii ipe 

kamo. 
kuyujma maíiko maôsOj eU 

ámi naeza pa polo púeí, 

(polo opo), 
mitia, muloga múata úajiZa 

diliko ni diòiko. 

lidi múamo^ kusaV eH. 

ntámi kezepe^ mutu umuè. 
úezãe mtUu kunima dia múata f 
nani úezUt úaxakamaka, 
natogele kumana (kumona) 

mxãu makúaú. 
kakuyi^ net'êtu riíaaa ni kasúè. 
mu muvo úafúa (úasutile) na- 

díixine alu asâòano^ leio 

kaadi kaso, 
múène Haleje òiúatúixãe kusala 

mujikita oú mu máíiko ma- 

vãa (madivúa), 
tukamane, mia ni kumusota, ni 

múén' edi ukaloda aci umu- 

tuixa kusala. 
ámi kinikusotape kujika mutu, 

idkusota kaso kuleja^ (ku- 

iiileja) ikuyi ta, múéne ga- 
ja nanif 
kunima úámi ukaeza, nani 

vkasala ni ipe kamo. 



Se eu assim fizer, para a outra 
vez fazem peor. 

Sempre que venha ao seu (a 
este) sitio me canso. 

Eu acredito porque o senhor 
está engordando de dia 
para dia. 

E verdade, que lhe hei de 
fazer? 

Commigo nao veiu ninguém. 

Veiu alguém atraz do senhor? 

Quem veiu está aqui sentado. 

Pensei ver outra pessoa. 

Rapaz, traz tabaco e fogo. 
O anno passado sustentava 

seis pessoas, (porém) agora 

(hoje) só duas. 
Elle tem dito que podia fazer 

este serviço (trabalho) em 

nove dias. 
Veremos, vou procurá-lo e 

elle dirá se o pode fazer. 

Eu nâo quero empatar nin- 
guém, quero só ensinar 
áquelle homem quem é o 
senhor da terra. 

Atrás de mim virá quem peor 
fará. 



* Abreviatura de ka ezape. 

2 kudilefa é mais frequente e pelo infixo distingue-se de «diíer». 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



137 



amaku ana akumaoka ni ruta 

ruvudi, 
àci mana iiakata Mela, rmW 

uedi ia pasúipa ni eai^ ma- 

adipamãè mucfí. umúè. 
Ido miíêne OaJiiTna ni ipe. 
àci niagada jtaiíakuãima aza- 

la ^, pekila aiu aôso akOete 

dta kuãta. 
tukusota lema kOapexe kiía 

x&o. 
iiúcakulagani urOde kamo ni 

kalàepe. 
usala ni úape, kagana kutala 

mtãu, 
Oalaka mikme, tátako, azala 

avudi úakusota kugujipa, 

kedobo, éié miíêne agaaa^ 

aôso, nOatumixa azeda aia, 

elu tOaxala ni énu, divumo 

diasota kudía^. 



novãe Hiaiiape, nituma kali 
dia kiidia divudi kúa énu 
ni aiu úeu 

sákerila, mOéne taaa, mia ni 
ámi kali Hagukata. 



As mães são tratadas pelos 

filhos com muito amor. 
Se o filho Odtá doente sua mSe 

vae para junto d*elle, nSo 

se separam nunca. 
Hoje respira com difficuldade. 
Se as terras estão cultivadas 

(não ha fomes) todo o povo 

tem de comer. 
Queremos ir já ao mercado. 

Iremos todos um pouco mais 

tarde. 
Faz bem não olhes a quem. 

Bom dia, senhor (felicitação 
do dia), Pae, muitas fomes 
estão querendo matar-me, 
Grandeza; vós, o senhor 
(dono) das terras, ordenai 
ás fomes (que) retirem, 
nós ficámos comvosco, a 
barriga deseja comer. 

Ouvi muito bem, mando já 
bastante de comer para ti 
e tua gente. 

Obrigado, dos senhores o 
maior; vou-me (retiro) já 
muito contente. 



* Ouve-se aSala, mas pela regra devia ser o prefixo Ji, e creio que 
será para evitar a confusão com «unhas» que é jiiala plural de luSala. 

' Com respeito a este vocábulo no plural ouvimos os três prefixos 
ma, ka,ju 

> Foi a interpretação litteral, que facilmente se pode fazer em bom 
portugaez. 



138 



EXPEDIÇlO POBTUOUEZA AO MUATllKynA 



Preposições 

Todos 08 prefixos e cU equivalem á nossa preposição «dei^ 
e juntandO'lhe a ás contracçileB «do» e <da». 

As preposições mais frequentes sSo: ni, «com»; mu, cem, 
dentro»; òu^ cem, sobre»; ku, ca, para, atéB;^a^ «em, den- 
tro»; kudi, tpor»; té, katé, taté»; òiakadi, «sem»; peúro, cso- 
bre, em cima»; hipolo, cadeante»; kunima, «antes, atrás»; 
pakaxi, «entre, no meio de». 

"Vocabulário 



H-lúa, pi. i-, «lavra, terra la- 
vrada». 
mu'jtía, pi. «corpo». 
Zi-bólo, «alpercata, sapato». 
tí'kiji, pi. i-, «hombro». 
di-buko pi. ma-, «buraco». 
di'kala, pi. ma-, «carvão». 
lu'vulaj f\. ji-, «chuva». 
Hseke pi. i-, «chapéu de sol». 
mu-zuLo^, pi. «interprete». 
òi'lema, pi. i-, «aleijado». 
U-tata, pi. %', «ferida». 



di-pana, pi, mor, «abertura, 
fenda». 

di-fupa, pi. ma-, «osso». 

lu-sega, pi. ji-, «poeira». 

lu-kiao, pi. ji-, «vento». 

uxadi, pi. ma-, «lado, mar- 
gem, banda». 

saía «nome de mulher». 

kuviãamena «esquecer». 

kusanika^ «escrever». 

kusepa «rir». 

kuvuiuka «lembrar». 



Bxex*cioios 

naUe kunima díedi, kakugu- Fui atrás d^elle, nSo me vi- 

menepet ram? 

kikadipe naméne ízoúrna 5í Ainda nao vi uma cousa assim. 

múamo» 



1 Aquém do Cuango até á Costa muzulo «beiço»; parece ser d*este 
que buscaram o vocábulo «interprete». 

' saúika é o correspoudente a soneka aquém do Cuango, porém tam- 
bém este é usado. 



METHODO PRATICO DA UNOUA DA LUNDA 



139 



mu 2t%uSo pekãa xUu act^ 

Uji. 
ine atékele xoúma toso iêtu bu 

mutcla mUa. 

mu jãa, nani uta hwolo, aci 
umduke vltêtu <uaa Uema^ 
tadi, ni ikuaH xk&ete itata 
mu nãeau. 



xakama ku ámi. 

vk&eff eli mu difuaa edit 

rruka. 

akaje^ a tíbago Ido aòvdikine 
búididi, ni aeade hulutúi ni 
kaxi katé Uúa la múata 
dtahiíi. 

àei éU ukusuta kudi múari sala 
ukalef eai : dtamaiôiko tuic^ 
ni vxadi Ha kukata jiyoíe 
jiitu, jiaxalde itZuko upct- 
kaxi ou mu miuisvko. 



ida hãi^, luaega luvudi mm- 
xini mu Usdce ííámi. 

nani Hasdndil' eãif 
tátuk' Oeãi. 



Em casa nSo ha carne nem 
peixe. 

EUee gxiardaram todas as nos- 
sas cousas sobre aquella 
prateleira. 

Em marcha (em jornada^ ca- 
minho) quem vae adeante 
(que) se lembre, comnosco 
marcham (vão) dois aleija- 
dos e outros que teem fe- 
ridas nos pés. 

Senta-te junto (perto) de mim. 

O que trazes nesse saco? 

Amido de mandioca. 

As raparigas do Chibango hoje 
sairam ao romper do dia, e 
marcharam muito depressa 
até ás lavras do seu senhor. 

Se passares pela sr.^ Samba 
dir-lhe*has: (que) nós va- 
mos amanhã á outra banda 
(banda de lá) buscar os 
nossos bois que ficaram 
esta noite no meio do ca- 
pim. 

Veja primeiro a muita poeira 
(que está) dentro do meu 
chapéu de sol. 

Quem lhe bateu com o pé? 

Seu pae. 



^ aU depois da negativa traduz-se por «nem». 

' Também se interpreta como «cozo». 

' okajt sfto verdadeiramente as raparigas de serralho ou harém. 

4 UU também significa «primeiro, antes», segando o sentido. 



140 



EXPEDIÇÃO POETUGUEZA AO MUATIInVUA 



âipana edi bu ditada dxánd 

dzipe, 
nik&ete iiata Hãepe mu mujiòa 

iámL 
kugmela kamo nimane uki bu 

iíkiji lia tátuko. 
{boto támi idi kúiso f 

bu ulalo, ihiiile paxi, uxadi iia. 

rukiao riiasúeji ni luvtda lúae- 
zaj ámi niòiruka katataka 
líUoh) Síetu, nikusota kuxi' 
ka hua Hakadi luvula. 

taSuka muzuoo, ia ni ktdada 
makala mavudi kOa akaf 
úámi. 

mujtía mia mukaje muedimur- 
toka ni musala muHape. 

Oasep' eòif 

mOata úaloda. 

nitoga li kvloda llakéne lidipe 
kiãoaa Siipe, 

ámij ákugulábexe kali, ni lu- 
vula^ lúatanén^ ámi, niku- 
sota kuia kugusiíanexe. 

muruaanámi, kinitúixape ku- 
gvlaba kamo, luvula luejels 



Esta abertura no (sobre) meo 
banco (é) má. 

Tenho pequenas feridas no 
meu corpo. 

As do hombro direito é que 
me fazem soffirer mais. 

Ás minhas alpercatas onde 
estão? 

(Estavam) sobre a cama, caí- 
ram no chão, do outro lado. 

O vento está rijo e a chuva 
nSo tarda, retiro (volto) 
immediatamente para o 
nosso acampamento, desejo 
lá chegar sem chuva. 

Chama o interprete, (que) vá 
comprar bastante carvSo 
para as minhas amasias. 

O corpo da rapariga d'elle é 
limpo e bem feito. 

De que se ri? 

(Do que) o senhor está fal- 
lando. 

Penso que fallar verdade nlo 
é fallar mal. 

Fizeram demorar-me demais 
e a chuva me encontrou 
(me encharcou), preciso 
aquecer-me no fogo. 

Meu amigo, não posso demo 
rar-me mais, já chove, por 



^ Os accidentes naturacs, em geral tudo que lhes é extraordinário— 
vêem ao encontro do individuo. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



141 



kdi, múamo mia mávrd, 
nakaòiruka diòíko dikúaú, 

miéne muíaaa iiov^^ ekif 

dei úoviia Hakata kutela ni 
kaxi. 

(Síaipe kamo, 

tátuk* Hei úajiman' e^Hki? 

Oakata ni ipe ni kaxi ta mêsii. 

wàa kiíiso kOaf 

mu iliía mUa m&ata luvudo^. 

Hdipt kúa, kunu, 

aci natúixãe, nasotele kuta ni 

muata, 
xani^, ni kukate 6Í8eke HJàepe 

òidi pakaxi tubúiko túami. 

aci kuavtdamenepe kOeza u^uk^ 

u hãoaa mámi. 
ámi, diz^ i dimúè kaso (pa di- 

zu%). 

aci été vkaloda ni mOata, 

Oamãtik' et diámi, 
miím' eai cíH Oasepa dvími, 

rmdogikif 
úalej' eèi kOa tátvk' Oámif 



isso vou-me embora e vol- 
tarei outro dia. 

O que sente ella? 

Sente-se muito doente. 

Tanto peor (muito mal mais). 
Porque está seu pae tSo triste ? 
(Porque) está muito m&l dos 

olhos. 
Vão por ahi, aonde? 
As lavras do sr. Luvimdo. 
Nâo é por ahi, (é) por aqui. 
Se eu pudesse, iria com o 

senhor. 
VSo buscar o chapellinho de 

sol (que) está entre a mi- 
nha roupa. 
Não se esqueça de vir esta 

noite fallar commigo. 
Eu só (tenho) uma palavra. 

(Nâo é preciso dizer mais, 

basta.) 
Se fallares com o potentado, 

lembra-te de mim. 
Porque se está elle rindo de 

mim? 
O que diz de meu pae? 



^ Jcúovua ou kovúa «ouvir; entender». Também se emprega como 
■sentir», muito principalmente tratando dos órgãos humanos — só os 
olhos vêem, o mais tudo ouve — , deve ser pois a nossa interpretação 
«sentir». 

^ Nome de homem. 

' Muitas vezes ouvi dizer ian, que julgo ser abreviatura ou então 
vicio de.nasalação, e é o único caso dirigindo-se a uma única pesspa. 



142 



EXPEDIÇIO POBTUOUEZA AO MUATIÂNYUA 



fieòt úakusota âmi nãeje kudi 

miíén' Heait 
ciei ukusota nffej' edi ámi no- 

ima, muéne aci úaaepe. 
kusepa ítaúape kamo, kagana 

kúa kudUa. 
iieza niêtu húedagana. 
nasotde Tema aZi ruUanéne 

iboto tdmi. 
idi miitxini ta meza ^. 
goa éíi muêne utuíuka (tJcu- 

sota kuta) ku malajet 
uJcuta^ kaai yoB' oti. 
a!ci kagana uvtdaméne kuèza 

díama^tko ni mona im. 
uxala ni Hape (ni zaZiJ, nwn^ 

ánd vJcaeza. 
kuiji kuúajpe nakakuta ni 
. múana miía . . • uxacU úa 

hdadixa rOaaa rúámi. 
kuyt kuet. 

túaxakama pa, múa òihago^, 
agode atano awtHe (af&Ue) 
kali, ni akuguxalele kaai 
kunvJco^ agode adi kamo. 

Heza pe iso^f 



O que quer que eu diga ao 

sogro d'elle? 
Se quer que lhe diga (o que) 

sinto, elle ri-se. 
E melhor rir do que chorar. 

Vem passear comnosco. 

Iria se encontrasse as nunhas 
alpercatas. 

EstSo debaixo da mesa. 

Em que mez (lua) parte elle 
para Malanje? 

Vai ainda este mez. 

NSo se esqueça de vir ama- 
nhS com seu filho. 

Fique descançado (bem^ com 
Deus) meu filho virá. 

Talvez (seja bom) ir eu com 
o filho de F... á outra 
banda vender o meu tabaco. 

Isso é comtigo (tu é que de- 
cides, etc.). 

Estamos aqui (demorados) 
no Chibango ha cinco mezes 
(completos), e ainda cá me 
fazem demorar mais dois. 

D'onde vem ? 



1 Vocábulo portuguez que também se ouve òela. 

^ Lembrámos que em alguns verbos se emprega como infixo o pre- 
fixo do infinito para dar mais expressão ou força imperatíva ao que se 
pretende. 

' Nome de homem que, como se tem visto já, dá nome á terra e po- 
voação. 

4 Segundo a pronuncia pode ser nouko ou nuko. 

^ peiao e também pe oêo, empregam em logar de diakiUêo «de onde*. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



143 



pa kaugtãa. 

uhúc' u miíata kezapepanapaf 

kinitííixape, 

teka jipakfí peúro pa meza, 

fipaka jtecit 

Uda (kiãa). 

wílidUs jikumi kamo éíi eu 

díeii diúasqpat 

murudanámi, âJiééi diúcdoaat 

li&apélepe kusqpa ntavudi 
dUaôso. 

mona uta^ úaaotde ktióãtãa 
kudí múene goda, aZi miíéne 
ucdekeUj íteneòi miíéne aSi, 
iãatuòukayani, ni túaíani 
kutazuka aruaanêtu kúeaa 
polo. 

Ziseki eòi Ha nanif 

iafu' eli1\ 

uaf&iT usèía ni kaxi. 

uajuã* uséía ni kaxi (ufl* 
Uféía^), aci kcJãepe kaufi- 
lepe ni kaxit 



Do Caungula. 

Esta (á) noite o senhor nSo 
vem aqui? 

Kão posso. 

Ponha as facas em cima da 
meza. 

Quantas (facas) sSo? 

Conte. 

Contei mais dez que V. 

De que está rindo ? 

Meu amigO) do que esta fat- 
iando. 

NSo é bom rir muito de tudo. 

O filho da arma responderia 
ao potentado se o deixasse, 
porém este disse: levante- 
mo-nos e vamos convidar 
os nossos amigos a conti- 
nuar a marcha (andar para 
deante). 

De quem é este chapéu de 
sol? 

Quanto custou? 

Muito caro. (Morreu muito 
negocio.) 

Foi caro ou barato? (Morreu 
negocio muito ou pouco? 



1 mana tUa é o titcdo qae sempre recae no immediato ao dos her- 
deiros, cujo titulo é suana mulopo, 

2 No sentido de «matar, concluir emfim, pagar, custar (preço)». 
' t^ abreviatura de úafáiU. 



144 EXPEDIÇÃO PORTUGUEZA AO BÍUATIÍNVUA 

jisago eji, eU túovúUe leio. As notícias que ouvimos hoje 

jiúape. (foram) boas. 

nitoga ana mak' úámi akakuta Julgo que meus irmãos pro- 

knmana múata . . . ãta- curarão o sr. F. . . amanhã, 

máòiko, ni akaioa eai éòu para lhe dizerem que todos 

doso túaUruka kolo kúêtu. nós queremos regressar ao 

nosso paiz. 



Advérbios 

Além dos indicados a pag. 42 e 43, temos a accrescentar: 

De modo — ètaúi? maúif lé assim? é como está dizendo?»; 
mudi «como». 

De tempo — dióikocKá « depois de amanhã » ; dtakúadtá 
f ante-hontem»; mtisasa ide manhã»; urúele «de tarde»; ucuko 
«de noute»; mahuè «depressa»; súapele «promptamente»; «twpe- 
xe «rapidamente»; kiãutuè «adeante»; ^adi «depois»; ni ktepe 
ni ktepe «devagar. 

De logar — paxi (pa ixi) «no chão, em terra»; kunima 
«atrás». 

De quantidade — lumúh «uma vez»; lúavudi «muitas ve- 
zes»; ni «tão»; kamo «mais»; úajima «largo, grande». 

De qualidade — antep3e se aos adjectivos corresponden- 
tes e também a substantivos os prefixos òi ou ki e a preposi- 
ção úa «de», c também ni «com» ímsúa «forte»; òiúape «bem»; 
i^ipe «mal»; etc. 

"Vocabulário 

H-fúa, pi. í-^' «costume, mo- pugi, f^- ji-^ «conselho». 

do, génio». tulo, pi. ^ív «somno». 

^i-budo, pi. i-, «fructo». kufika «parecer». 

mu-kaaa, pi. mi-, «invólucro, kuxexa «estragar». 

carta, papel, livro». kiimda «parar». 

di-koai, pi. ma-, «banana». kuvuyixa «interromper». 

^u-fi^ pl • i* V * óbito » . kulayiika « 1 e vantar » . 

tadi, ^\. ji-, «duvida». kúeaagana «passear». 



METHODO PBATICO DÃ LIKOUA DA LUNDA 



145 



Xjzeroieios 



aJcaje úa IStbago goloxe wSvko 
akinine^ camãu 

mitia tn iiape, ^eH lnJcHoJce- 
xe^ kuguiuma kulya, ciei 
miíéne ukusota Jcuia ni ámi 
kudi táluk' úei, úeza, halo- 
ie^; ^SíeneH kuyvlabexe ko, 
mwSiko kamo nrndi ubcda 
ukusota, húate, 

fiani Oaiujikine ditada edif 

Iq* anani aia kapolo kaedape 
ni mahiíè^. 

ana kaki axalele kunima ni 
kaxi. 

nakata hãela mu muíOè. 

ia ni kusota auseba aci éne 
cusúipe wwna éí kudi difor 
da. 

nakakuia urOeT oH kúisota 
(kHasota). 

nalekele sof iéí mu likuío Ha 
k&edi Síámi, ko%a aci Oagule" 
lye uxalapane diòíko diôso. 



As companheiras (amasias) 
de Chibango hontem á noite 
dançaram bastante. 

Pela minha parte, se a Lucuo- 
quexe quer ir na minha 
companhia para seu pae^ 
não ha duvida, porém de- 
morar-me aqui mais dias 
como deseja Umbala, não 
pode ser. 

Quem quebrou este banco? 

Diga a quem vai adeante que 
não ande tão depressa. 

As creanças ficaram muito 
para trás. 

Doe-me a cabeça. 

Veja (vá procurar) se os ne- 
gociantes trocam estas cou- 
sas por pólvora. 

Irei esta tarde procurá-los. 

Deixei tua tia em casa do 
meu cunhado; que me disse 
passava lá todo o dia. 



1 Além do Chicapa é mais usado Jcupe§ana. 

^ Titulo de grandeza que foi dado á mãe do primeiro Muatiânvua è 
se tem conservado em filha de Muatiânvua, segando a escolha do que 
está no Estado, quando por morte se tem de preencher a sua vacatura. 

^ Interpolação usual de respeito pela pessoa de que ge trata. 

4 Como este adverbio se segue sempre a Jeiieda quando se trata de 
ligeireza, se o verbo é afirmativo omittem-no muitas vezes porque o 
subentendem ; mas para designar actividade elles teem o lusolo, que 
corresponde a legduka de aquém do Cuango, que também é usado, do 
verbo kuU§uluka de que fallarei nas DERr^AçÕBS s oomposiçobs. 

10 



146 



EXPEDIÇÃO PORTUGUEZA AO MUATIAnVUA 



c^kúaMá, an' énu axalele ni 
úape. 

kaxalapoli k&ei, nani éíu túa- 
loaele, aci úataoukine mu- 
sasa pamaJci húididi kúa 
kalani. 

múén' eai kajikilepe aci múéne 
muídda ukaúeza cKama^iko 
J^a (dièiko dia). 

eZu túakúimane ma^iko maoso 
múéne ukusota mu pólo pet. 

éne aejile múamo ni súapali 
mudi éne eH atúixUe, 

alúh a múata kitpana ^ aeaele 
ni mahué òiôso elu túasotele, 

muloyihi aikugi asala luvuao 

lúavudi f 
aÔ80 akusota aJcOatanijinama 

jiôso, eH múata diakinaú 

aikixi. 
leio kagana, díamaZiko di- 

kúeza, kúiji aci natúixe. 
musoni úámi ukúete kajile ka* 

múè kaúape ni kaoci, ni ku- 

dile úape ni avudi, 
múéne xúcusota kulaaixa kajile 

kaúape kúeai. 
ncúcaSíruka urúele kamo ku» 

Ioda meai, katata múéne 

udi ni cãu avudi. 



Ante-hontem seus (vossos) 
filhos estavam (ficavam) 
bons. 

Nós falíamos ao teu servo 
que nos disse que f5ra esta 
madrugada muito cedo ao 
Calânhi. 

Elle não sabe se ella virá 
depois de amanhã. 

Nós estamos esperando neste 
sitio o tempo que elle qui- 
zer. 

EUes viefam tão depressa 
quanto puderam. 

Os portadores do sr. Cumpana 
andaram tão depressa quan- 
to nós queríamos. 

Porque fezem os rapazes tanta 
bulha? 

Todos querem apanhar a car- 
ne que o senhor d'elles 
lhes deu. 

Hoje n^Oj outro dia é possí- 
vel (talvez eu possa). 

Meu primo tem um lindo 
passarinho, (que) canta 
muito bem. 

Elle quer vender o seu boni- 
to passarinho. 

Voltarei mais tarde para fallar 
com elle; agora está com 
muita gente. 



i Nome de homem. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



147 



úijika azolo ecike é^u tííalc&e- 

tOet 
makumi maxiouari ni ari (adi) . 
úaile lúavudi mumía úa ka- 

bebe * ? 
lumúò kaso kali. 
aZi énu kanuyuvuxíle, naile 

hu(Silul' edi katataka. 

niktisota kusaúik' eaimukaaa, 
}Sadi mia ni kugvlala mu 
tulo. 

e^ tutala kudi muén'edi: aci 
múéne ukaeza, tuiani medi, 
ciei kágana, tuxala kaãi 
panapa maÒiko maadi ka- 
mo. 

(^iiij kaa iki íiayukata ^ôèo 
rnia kiíeaa diíHko ni diòiko 
divudi. 

makoai majima, SíeneiSi ma- 
vuda. 

axexde toúma toso íánd. 

uamufik' eH, naiga aci kanai- 

gilepe f 
ciei ámi úape, kuyumana Uai- 

aídvka. 
mvlog* eH m&éne aci Ocda- 

ffdkine uriíele uvudi, úiji- 

kaf 
ukata kmda ni kaxi. 



Sabes quantas gallinhas tí- 
nhamos? 

Setenta e duas 

Quantas vezes foste á resi- 
dência de Cabebe? 

Uma, apenas. 

Se V. me nao interrompesse 
eu responder-lhe-ia agora 
mesmo. 

Quero escrever-lhe uma carta 
e depois vou dormir (dei- 
ta^ no somno). 

Esperamos por elle: se vier 
vamos (todos) com elle, se 
não ficámos ainda aqui 
dois dias. 

Seja assim, ainda que fico 

contente quando marcho 

dias seguidos. 
As bananas são grandes mas 

podres. 
Estragaram todas as minhas 

cousas. 
Que lhe parece, tenho ou nSo 

razão. 
Se eu fosse bom seria feliz. 

Porque se levantou elle tão 
tarde, sabe? 

Está muito doente. 



• Nome de localidade e de nma residência de l^fuatiAnvua, que fòra 
importante. 



148 



EXPEDIÇXO POETUGUEZA AO BÍUATIÂNVUA 



kinujikape (íteòi nasotUe ku- 
pana íia kuía meai. 

natúixãe kúeaa ni úape kamo 
aZi mujãa mudi muúape. 

úóuko úeza kali, tulani ni ku- 
lala mu tulo. 

nasotile kuía ni ámi, aZi ka- 
dilepe y/rude ni kaxí. 

Víagvkata kamo kuía nikOeaa 
mu paxi^ kagana mu úada. 

muxima úét úape, eté kirnir- 
dãeja majina úa mitpdo^ 
éíxL tumitala ãíako. 

sanika: musaxi, kaaua, kaie- 
%e, koÃ^e, mal^esele, mu- 
IvZaje, mukãa, makdzc^, 
rutvla, hjJcelu, katoli, ka- 
hodi, utóka. kiíapúa. 



pekHa kamo 

mu poV opo, húate. 

Ide, naJcúetíle muxima di k&i- 
jika aZi ágaaa a ruda maúito 
mavudi f 

mxivudi, mUane, Oa^iae : rOele, 
ruliko, rUalimo, ruía, ru- 
rua, rúiza, ruele, rumoni, 
rubi, rufi, rua, rOage, ru- 
toiia, ni akúaií avudi, mOa- 
mê H noéji, aÔ80 akHete ana 
avudi. 



Não sei o que daria para ir 
com elle. 

Eu andaria melhor se o ca- 
minho fosse bom. 

E noite, yamos dormir. 

Eu iria também se nSo fosae 
tão tarde. 

Gosto mais de andar a pé do 
que na rede. 

Obsequeia-me muito, dizendo- 
me os nomes das plantas 
que vemos d^aqui. 

Escreva: mussaxi, cândna, 
calembe, cassembe, ma- 
lembessele, mulunzaje, mu- 
quila, macaiombo, rutula, 
luquelo, catolé, cabode, 
utoca^. Acabou-se. 

Não ha mais? 

Neste sitio, não. 

Então desejava saber se nas 
terras da Lunda ha muitos 
rios. 

Muitos, senhor. Conte: Luele, 
Luchico, Luachimo, Luia, 
Lulúa, Luíza, Luembe, 
Lumonhe, Lubi, Lufi, Lua, 
Luângue, Lutoua e outros 
muitos, e todos teem muitos 
filhos (affluentes). 



1 Plural de mutodo «arvore» em geral, roas que tem applicaçâo a 
rarbusto, planta, madeira, pau, bengala, etc>i. 

2 V. Catalogo dos individuos do reino vegetal, na ultima parte. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 149 

ncísotihkujinumejiÔ8o,alcina- Vê-los-ia todos, se pudesse. 
tútxãe. 

íiukiietUepe úoma hnaniámi Atrever-se-ia (não tinha me- 

kujimane, aci kadilepe úa- do) a ir vê-los commigo, se 

kikUa m mijikita mivudi não estivesse oceupado com 

úeíf 08 seus muitos trabalhos? 



OonjunoQões 

Na pratica^ indistinctamente, já tenho dado conhecimento^ 
do modo de usar todas as indicadas na pag. 43, que são as 
mais frequentes. Pode dizer-se que a interpolação múamê òt 
noéji, e suas abreviaturas, substituo a copulativa portugueza 
te» cuja equivalência entre estes povos é m «com». 

Notei que o ni é uma ligação muito trivial para comple- 
mento d'um sentido e que se ouve para ligar oraçSes, i, que 
talvez seja uma abreviatura de ni, ou então a nossa copula- 
tiva ce», lá introduzida pelos nossos Ámbaquistas, ou indíge- 
nas africanos portuguezes dos sertSes do districto de Loanda. 

Também é de notar que, já em Malanje e em Cassanje, 
03 povos, mesmo considerados gentios, que estão mais em con- 
tacto com os que se fazem entender na lingua portugueza, es- 
tão adoptando muitas das nossas conjuncçSes, cujo emprego 
melhor comprehendem, e tão naturalmente o fazem que chego 
a convencer-me de que não as teem no seu dialecto e que evi- 
tam assim os rodeios e construcçSes longas occasionadas por 
taes faltas. Assim dizem: ora agora, pois então, por conse- 
quência, mas agora, depois, logo então, comtanto que, emfim, 
finalmente, etc. 

Vocabulário 

lurse, pi. ji-, «ponta, remate, di-loiia, pi. ma-, «gancho, an- 

extremidade aguçada». zol». 

mu-Uu, pi. a-, «águia». di-hózo, pi. ma-, «caveira». 

mu-kita, pi. a-, «osga». di-hala, pi. ma-, «calva». 

mu-saji, pi. mi-, «molho». di-húije, pi. ma-, «bago». 



150 



EXPEDIÇXO POETUGUEZA AO MUATIInVUA 



Zi-lala, pi. i-, «bainha de fa- 
ca». 

Hsokolo, pi. i-, c lança». 

Zi-kalaga, pi. i-, «ninho». 

Vi-oka, pi. i-, «lombriga». 

di-tako, pi. ma-, «anca». 

di-soji, pi. ma-, «pingo, la- 
grima». 

di-tikita, pi. ma-, «floresta». 

ka-tumo, pi. ^t^■^ «agulha». 



kormu, pi. tiir, «mosquito». 
mu-laje, pi. a-, «feiticeiro». 
zúb, ^\. ji-, «casa». 
luto, pi. jí-/ «semente». 
gezúa, pi. ji-, «campainha». 
viaje, pi. Trui', «veneno». 
úiji, pi. ma-, «ladrão». 
kulóza «caçar». 
kúauka «passar o rio». 
kiiita «pedir». 



Kxercioios 

tnúéne uaiaama maHko maôso Elle deve (precisa) levantar- 

se todos os dias mais ce- 
do, faz-lhe bem á saúde. 



aci kvlaguka ni búididi ni 
kamo; uscda niúape ni vsiia 
ku edi. 

Hbuao éli ^ijina íieaif 

Zikoae, 

(ici ámi luptto i aZi nakuetãe 
anavala^, axalele ni polo 
pau ni mak' úaii, i ámi na- 
sotile kutala agada ni atu, 
mxãu Hkadipe úamane. 

nasotile kusala úata Ha mUata 
úámi ukéne kamo ni úape 
kamo ni kaxi, 

múéne aZi úatogile úaidtduka, 
aci múana mmada úedi ka- 
gana úakaJta kuiela ni avudi. 



Como se chama esta fiiicta? 

Banana. 

Se (fosse) rico e tivesse filhos 
(próprios), ficavam na sua 
terra com a mae, e eu iria 
explorar terras e povos 
que ninguém viu ainda. 

Eu engrandeceria o meu paiz 
(faria o estado do meu so- 
berano maior e muito me- 
lhor). 

Elle dar-se-ia por feliz se 
a filha não estivesse tão 
doente. 



1 De IcudcUa «parir». Empregam este vocábulo para mostrar d'onde con- 
tam edades e proveniência, porque são seus os filhos de que tratam, 
visto que aos protegidos, sobrinhos, e em geral aos servos e ao povo 
sobre que imperam chamam também «filhos». 



METHODO PRÁTICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



151 



âijina JRedi múana muLada 
uetf 

kapcdaya. 

âijina diiape ! majina ma cãu 
múa ruda maipe, Siene^i 
edi diúape ni diúape ni 
kaxi! 

aci mUata úamuittUe ipuyi 
iámi, úasotUe kuxika kali 
m iihdo mu musuía úei, 

kanikixape meza^ tala bilinidi 

kusanika. 
hagtdek' ámi, Tdnatalelepe. 

àci eté vJcusotele kúitia ipuyi 
ta tatuk' úet, úadUe Oaiaiir- 
IvJca kamo, kagana oãou' m. 

hSkiji kOámi, nimana (himonaj 
malu, 

nani úaxexde mikaaa^ d^a 
difaaa, íieH peúro pa mu- 
tala, Oasalde ni ipe, linik&e- 
tepe mikHau. 

act eU, ojci kabua kuetf 

(Síámipe, kúiji kueai. 

e^ tuiúixile kuxika màóiko 
maadi masuta, aZi kagana 
tOastidiliUpe mu kafuxi^ 
kudi Oaluji lOa acda kisua. 



Como se chama sua filha? 

Capalanga. 

Bonito nome! Os nomes das 

pessoas na Lunda são feios, 

.porém este é lindissimo! 

Se o senhor tivesse acceitado 
(ouvisse) os meus conselhos, 
ha muito tempo teria já 
chegado á sua residência. 

Não faça tremer a mesa, re- 
pare que estou escrevendo. 

Desculpe-me (desculpar-me), 
nSo reparei. 

Se tu ouvisses os conselhos 
de teu pae eras mais feliz 
que os teus primos. 

A culpa é minha, nSo me 
queixo (vejo o castigo). 

Quem estragou os cartuchos 
que estavam na prateleira 
fez muito mal, (porque) não 
tenho outros. 

Foi V. ou o seu cão? 

Não fui eu, talvez (fosse) 
elle. 

Tinhamos chegado dois dias 
antes) se não parássemos 
em Cafúxi por causa do 
fallecimento de Ándala 
Quissúa. 



1 Plural de múkada «abrigo», que também applicam. a montanha, 
serra, invólucro, carta, papel, etc. 
s Nome de terra. 



152 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



túasalele ni ipe kuUia Hptigi 

SUdi. 
Síaôso màôiko (ma6ik* éci ou 

^iki) éíu túaeaa mu jUa f 

matano rd homo. 

dei túakúetile maúaaa, títaHU" 
xãe kuxíka biiididi kamo^ 
i úascJíele, havana taú, 

nani yJcalef êtu katata mujãa 
éne aãe kúeda (akuloaolelejf 
kumúipula kua ou fdnanif 

éne akúimanéne (akusudUile, 
akutalele) kúa mukaaa múa. 

tutani té kua, kuiji kutumane 
fmdu úijika kuttdej* êtu mu- 
jiT éíi éne aeaele. 



aióílukani mahúè. 

úaipuãe kaxalapoli kiíéi, aci 
úasedele kapata ka mai 
maSolo, 5t ikugi ta gdoxe 
ikdetel* êtuf 

cãu aôso akusota akuaS, aisala 
mijikita ni ahúi, íieneH éne 
(i6i akascda mujikita umúè 
koBO kãa kúaú, kagana, 
(kasotape). 

ag(iía kaxikilepe Ido kaai, 
miieH kugtiêcda ítipe ^ttm- 
di. 



Fizemos mal em attender ao 
conselho d'elle. 

Quantos dias gastámos em 
viagem (marchámos, andâ^ 
mos no caminho)? 

Mais de cinco. 

Se tivéssemos redes chega- 
ríamos em menos tempo 
e primeiro do que elles. 

Quem nos dirá agora o cami- 
nho (que) elles seguiram? 
Perguntá-lo a quem? 

Elles esperam (pararam, es- 
tio a observar) para lá da 
montanha. 

Vamos até lá, pode ser (tal- 
vez) encontremos (vejamos) 
alguém que nos saiba dizer 
o caminho que elles segui- 
ram. 

Voltem depressa. 

Perguntou ao seu creado (ser- 
vo) se levou o cestinho dos 
ovos que aquelle homem 
hontem nos trouxe? 

Todos querem que os outros 
os sirvam, mas &zerem um 
serviço sequer aos outros 
não querem. 

Ainda hoje nSo chegaram os 
carregadores, o que me 
transtorna ou prejudica 
muito. 



1 Locução : «meuos tempo, mais cedo». 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



153 



kmUcuetepe iadi k&itàlako ^ 
té ou pá cKamaòiko, Síeneii 
nik&ete máxima k&ijíka aJci 
éne akaeza, 

muéne Hascíde kuso^ úaeza 
pa. 

(tíSoko axexéne (igaaa aêta. 

ipugi {uape mudi iA, aZi ai- 

tia maXUco maôso, mtãu dei 

naUke. 
rmdéu, musasa oú, Oadile tur 

zelo tííôso. 
mu polo pêí tumu tuvudi, ku- 

lala mu ttão bOate. 

mikita aeda peúro ou bu záò, 

Tnudi mu JUa. 
luse lua ludimi lúámi kuguída 

ni kaxi, 
muJciUdi* oú lUaía Síedi iHOa- 

pdepe. 
UkalcígaSíatujih}£taia;ikJiua 

paxi i aci kiuapua. 



Eu nSo tenho duvida em espe- 
rá-los aqui até amanhS, mas 
desejo saber se elles virSo. 

É a primeira vez que elle 

vem aqui. 
Os Quiôcos estragaram as 

nossas terras. 
Conselhos bons eonio os seus, 

acceitam-se sempre, nin- 
guém recusa. 
A águia esta manhS comeu 

todos os írangSos. 
Nesta terra (sitio) ha muitos 

mosquitos, não é possivel 

dormir. 
As osgas andam sobre a casa 

como no caminho. 
Doe-me muito a ponta da 

lingua. 
A bainha d'esta faca nSo 

presta. 
O ninho dos passarinhos foi- 

se; caiu ao chllo, perdeu-se. 



1 A juncçâo de ho, abreviatura de hoTco^ hunoUJco, aos verbos termina- 
dos em a para indicar a proximidade do logar da acçSo dá logar a 
sappor-se um verbo differente, por se tomar aguda a vogal da terminação 
do verbo. £x.: úascíeláko, que se desdobra em úíxsalela ko «está princi- 
piado aqui»; k&italáko, que se desdobra em kuitala ko «esperá-los aqui». 

^ ktiêo «vez», de kuxi «quando», designa quantidade e por isso se 
interpreta «vez». £m logar competente mais desenvolvidamente darei 
noticia doeste vocábulo. 

' £ uma grande faca de dois gumes recortados terminando em ponta 
aguda e sáo bem empunhadas, mas o punho nSo tem guardas, sendo os 
bojos dos gumes que protegem as mãos. È uma arma para ataque e 
defesa pessoal, tendo de comprimento 60 a 70 centimetros. 



154 



EXPEDIÇXO PORTDGUEZA AO MUATIÂNVUA 



nani úiji kuseda goga ni ge- 
ziía úándf 

nitoga kàkiôko kámúè Oaxa- 
lele kunima, mulog' i6i ki- 
níijikape ou kagana? 

aci cUu 0080 atani ni ákuatani 
• eai, dizúi^ cKa miiata. 

ana kald kakúetepe tvlo, ni aci 
(úciíaíaía ni tttxalapoU. 

múéne kapctga úejUe kali Idof 

kagana, utumine kxdef etu 

ukaeza urúele kamo, ni Ha- 

xaía kiíaLaía kaJãepe niêtu. 

jwuto éíé Hamúikixã' ámi 
kua ktidima jiaianéne luvu- 
la liíavudi, Hjiúapelepe. 

ttikugi akusota kúit' énu kOa 
kutani ktdaaixa ruaaa rúaú 
mu 7nulugo\ nipakúeza ku- 
lutOè kamo kuladani jipeíe 
ni ihoae. 

mia ni humane ana kaki, ni- 
kusota kuitumixine kulala 
mu txdo, Hdi urúde kamo 
ni kali, 

tutani Ido kulozaf 

aci énu akusota, tutani kali. 



Quem (seria) o ladrão (que) 
levou a minha patrona e 
campainha. 

Julgo (que) ficou um Quiôco 
atrás, mas nSo sei para 
quê? 

Que vão todos ágarrá-lo, é a 
ordem do potentado. 

As creanças não teem somno, 
distraem-se com os crea- 
dos. 

O sr. Capanga já veiu hoje? 

Não, mandou dizer-nos que 
virá logo e que se demora 
para conversar um pouco 
comnosco. 

As sementes que tu me ce- 
deste para semear molha- 
ram-se com a chuva, não 
prestam. 

Os rapazes querem pedir-vos 
para irem vender o seu 
tabaco ao Mulungo, e de- 
pois mais adeante compra- 
rem cabras e porcos. 

Vou ver os pequenos (crean- 
ças), quero obrigá-los a 
dormir, já é muito tarde. 

Vamos hoje caçar? 
Se querem vamos já. 



1 dizui é também adoptado como «ordem», porque a palavra do chefe 
ou de qualquer superior é uma ordem. 

^ Nome de um rio, afflueute direito do Calâuhi. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



155 



Interjeições 

Além do que ficou exposto sob este titulo a pag. 43, pelo 
facto de serem expansivas e exaggeradas as interjeições fazem- 
se de momento, coliocando depois do vocábulo, d'uma phrase 
ou locução hé! — , e rara é a locução interjectiva onde nâo entra 
tátuko cpae», e muito principalmente maku «mãe». 

Apesar de muito frequentes, são tantas, que só havendo 
muita pratica se poderia fazer um bom registo em numero. 



Vooab olario 



Jcukoía «varrer, limpar». 
Icuoxa cassar». 
kudtata «pisar». 
kuvuya «enrolar». 
kukoni «dobrar». 



kuhia «roubar». 
kúoha «lavar». 
kutcILa «pescar». 
kúisuka «cozinhar». 
kutete «derrubar, abater». 



Bxercioios 

ah 1 kaká! éíé uguâxatele miieau 

úámi ni tisiía úosot 
murtiaanátru, éòi ukusota ku- 
' gidekexe, cinatalelepe. 
ihúhé! Síaúape igai ámi! múé- 

ne puto Haeza hé! úanet' énu 

touma luape ! igai etu ! igai 

êtu! 



Ido mu xiko, ciZi kagana uma- 

ne jinama ni cdxi, 
hakál leio cta túakucKaf 
rruka ni maiji. 
maijit maiji! maliko maôso 

maiji! 5?a tHakaleka ãía 

kudía maiji f 



Apre! que me pisou o p6 
com toda a força. 

Meu amigo, queira descul- 
par-me, nSo reparei. 

Olá! muito bem! que alegria 
para mim! O representante 
do senhor dos portuguezes 
está a chegar, traz-nos fe- 
licidade, alegria para nós! 
alegria para nós! 

Hoje no mercado não ha car- 
ne nem peixe. 

Então hoje o que comemos? 

Amido e folhas. 

Folhas, sempre folhas! quan- 
do deixaremos de comer 
folhas? 



156 



EXPEDIÇÃO 1'OttTUGUEZA AO IdUATIÁNVTJA 



íia kutuxika agada tia kale- 
gaK 

éne cUcda hili múata ahinaú, 
akaUy' aú, pa aoaa kiUsa- 
ako kiãa kúeaa kolo kua 
mana^ Zibéu mu lúifi^. 



ah! ka! Uiia têtu taôso éne 
exexine Jié! 

tuoaje aktdoza úíuk* u guvo 
iíajima, i éie aita múat' 
inaú eH úatumixine tuxa- 
lapoli túet aktanexe himu- 
seda pa musitía. 



múata aci: múan' it, leja lavo 

zakó. 
trwaje túámi ibiaa lúape^ íta- 

kenepef 
Síahíihi/ ^takéne, tátuk' úêtii, 

òi noéji! 
muhake ! úáóina hé ! mutoao ou 

úasota kúhxLa mu mutiiè ueí. 

mtUu utúixa kumuêota ni ku- 
mvloda úa^aíele kagana 



Quando chegarmos ás terras 
de Calenga. 

Elles esperam ainda o seu 
soberano (chefe para) dizer- 
Ihes no sitio onde aqui (por 
onde) ir andar (hffo de con- 
tinuar) para a residência do 
sr. Chibeu, na margem do 
Luífi. 

Oh! (contrariedade) elles vSo 
estragar as nossas lavras. 

Os rapa/es (valentes) caçaram 
esta noite um grande hyp- 
popotamo, e pediram ao seu 
chefe para ordenar que to- 
dos os seus servos os aju- 
dem a transportá-lo para 
a residência. 

O chefe disse: sim senhor, 
diga a lanvo que venha cá. 

Os meus valentes sfio bons 
caçadores, não é verdade? 

É assim, é verdade, pae nosso, 
pelo grande dos grandes! 

Oh! com a breca, fuja! esta 
arvore está a (querer) cair- 
Ihe na cabeça. 

Alguém pode procurá-lo e 
fallar-lhe primeiro do que 



1 Titulo de um governador nas terras de Mataba, junto ao rio Cassai. 

^ Como 86 trata de um Quiòco, usam do mona, abreviatura de tmtana 
§ana «senhor filho», potentados de que consideram o principal dula úa 
tefmè «pae de todos». 

3 Nome de um rio affluente da margem direita do Ruembe. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUKDA 



157 



ámi, ^^ahuhi úape kamo eré 
kuta Ido úa uriiele ni ku- 

Ml 

mtãeja eíu tiaidama Icula- 

dixa masuna. ciei eai tiku- 

sota kúilada ^Stagukata i 

najikitíxa kale. ^ 
ia fd kúoxa ixi irnOè, ntkOete 

máxima kudta ixi kumiio- 

xa. 
hoixa rusumo eru, 
ah! ka! vdile kúiaof taSuka ni 

taSuka, bOate; nikusota me- 

ma kuyxihoUa, pekUa, mxãu 

kinimumenepe, 
naile ni kukoía pa zúò pa mu- 

mãcmã. 
aliiè a mOéne kase^ aeza kali 

ni kutázuk' et leio kiíavka 

úito i anet' uA aixi ni xitu 

ua kat. 

mOamo, ^Siaúape kamo. 

makiiét makué! k&ata, kuata- 
ni múiji Oaòin' é kugvhia tu- 
sayasaya mukapata aka; 
amvMatani, mame! mame! 
aôso amulet' ámi, ahvhé! 
ahnhé! 

úekako ! ni tazuka, mviu kao- 
vUepe; naJUekíé! ahvhé! 

ah! ahakaká! muhake! aikug' 
a alúixa ikani, mateau ma- 
jima, énu atani kHa, kúi- 
kasununa. 



eu, por íbbo é melhor V. 
ir hoje de tarde dizer-Ihe 
que nÓB preeisâmos vender 
fazendas. Se elle quer com- 
prar fico contente e desde 
já agradeço. 
Vá assar um peixe tenho ape- 
tite de comer peixe assado. 

Lava (manda lavar) esse copo. ' 

Com a fortuna! onde foi? 
Chamo, chamo, ninguém 
apparece; quero agua para 
me lavar, não vejo ninguém. 

Fui varrer a casa do seu 
amigo. 

Os portadores do sr. Casse 
vêem já para te convidar 
hoje a passar o rio, e tra- 
zem-te peixe e carne de 
corça. 

Assim, muito bem mais (tanto 
melhor). 

Oh! mãe! oh! mãe! agarra, 
agarrem, roubar-me missan- 
gas doesta cesta, agarrem- 
no, mãe! mãe! todos me 
abandonam, ai! ai! 

Deixem-me! chamo, ninguém 
me ouve ! porque hei de mor- 
rer! ai! 

(Grande afflicção) aquelles ho- 
mens jogam (combatem) o 
socco, (é) grande a desor- 
dem, vão V. lá separá-los. 



158 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



naxikãe kiía ni aJôso aitnine 

kali. 
òiúape H kadi, 
kàiada! a&oko aeza, akuaru- 

da ajilekié! 
aci ênu aiani kutaòa mu rúi' 

za, anetani aixi avudi. 
múamo, Hdi muxima^ úetu. 
nani utumine ixi téi úasúana^ 

kcdi? 
múéne masaka úitumine, na- 

tosotde kutuma ikiíaú imúè 

liso; akaje úedi aci pekila, 

Zidi Hiiape jinama jtôso ku- 
jíoxa kali, mutena mu ma- 
èiko ama úasúeji, i jinama 
jivuda. 

nasotele kúitia úa muxima 
múape ipuyi tet, aci ámi 
natúixile kuyulàba maòiko 
kamo panapa, 

kugujimana, mOana maku mu- 
dada iíámi, kaiíaxikílepe 
ureV u mudi éíu túatalele. 

Iiê! murudanámi! tala hili! 
múatiavúa úaxakama mu 
tetame, mutu ktisala matedu 
pa, búate! 



Cheguei lá e todos fugiram já. 

Ainda bem. 

(Praga) vêem os Quiôcos, os 
Lundas morrem, porquê!? 

Se V. vfto pescar ao Luíza, 
tragam (todos) muito peixe. 

E esse o nosso desejo. 

Quem mandou esse peixe já 
seco? 

O sr. Massaca o mandou, quei- 
ra mandar um outro fresco, 
as raparigas d'elle disseram, 
nSlo ha. 

E bom assar toda a carne já, 
(porque) o sol nestes dias 
tem estado muito quente e 
a carne apodrece. 

Aceeitaria de bom grado os 
seus conselhos, se pudesse 
demorar-me mais dias aqui. 

Apoquentar-me (apoquento- 
me), minha irmã nâo che; 
gou esta tarde como nós 
esperávamos. 

Oh! meu amigo, repare ainda, 
o soberano está presente 
na audiência, ninguém aqu 
pode fazer desordens. 



* E o vocábulo que também adoptam para «vontade» porque o coração 
òí que dirige todas as suas acções — «o coraçSo assim o quer, mas bocca 
não pode fallar», expressSo que muito usam. 

2 hAsuana interprcta-se «seccar» tratando-so de alimentos. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



159 



nani úatíiixih kutete tkuío 

eji^ bu paad (boxij^f 
kagana àkuaii, àci aSíoko ha- 

80. 

úadíokene ãta ISilcuZo Itedi nP 
úaile h&a polo palepa, ni 
mu jila zala úamukúatele. 

ah! ka! jiV eki múéne edele 
múamo ^ipe, hé! 

amvbula mu lua nani! 

ámi, muteba. 

uzulula cíia i múén' edi úimane 
bu òwta, âmi mbudika kali, 
H noéji; énu atazuka ailolo 

. aÔ80, eèi akikze ni kovOa 
dia Oakusota kutuleja múéne 
maseaa, múaniê H noéji, 

amiiovile!... adikoni divuy' 
edi kututumixa múéne ma- 
seda, ni adueda, muame ci 
noéji, ãiamaíiko aezako í 
CLdineta kúa kugulejaúi aZi 
diúape cLci d^ipe^, 

katada . • . múéne maseda mu- 
laji, ukúete mafefe, énu 
múaMcíòúa núatumine, èia- 



Quem derrubaria esta cubata 
por terra? 

NEo outros, mas Quiôcos só, 
(Nâo foram outros senão os 
Quiôcos). 

Saiu de casa e foi para um 
sitio distante, e no caminho 
a fome agarrou-o (padeceu 
pela fome, teve fome). 

Oh! senhores! que caminho 
andou clle, assim tão mau! 

Quem bate á porta? 

Eu, Muteba. 

Abra a porta e elle que espere 
na casa das visitas, eu saio 
já; V. chamem todos os fi- 
dalgos, que venham ouvir 
o que está a querer dizer- 
nos o sr. Massenda. 

Ouviram, dobrem esse panno 
que nos mandou o sr. Mas- 
senda, e amanhai venham 
aqui e tragam-no para me 
dizerem se é bom, se é mau. 

(Rancor) o sr. Massenda (é) fei- 
ticeiro, traiçoeiro, vós Mua- 
tiânvua ordenae, é bom ; 



* Empregam como neste caso oj para frisar bem o plural. 

2 boxi é usado em logar de bu ixt «na terra, no paiz», e dizem axi 
ko§o «os do paiz do Congo», como nós diríamos Congnenses. 

3 Em muitos casos empregam, e neste se podia empregar, aSi em 
vez de ni, 

* Uma das comparações que fazem para que se medite sobre uma 
noticia que desagrada e a que tem de se dar resposta. 



160 



EXPEDIÇIO PORTUGDEZA AO MUATIÂNVUA 



úapCj múaniê òi noéji!, elu, 
ana énu, áxani kali, kcdo- 
Zo! kusala múéne maseda 
kumona malu, zaíi! aká 
múaãavúa múen* eait Hnoé- 
ji! éòu tmani Tcúa, akaje 
úeai túikasa ni túisea ênu, 
tátuk' úêtu mukúá tayo úa 
kapeaa! múéne taaal loa 
énu^diziíi dimúé kaso c2t énu, 
5i noéji! kúapiia, tuíani sua- 
poli, ni túafuile kudi éíé! 
múcUzavila! ttu, kaluga! 
túakuêota k&afúa múaniê H 
noéiil mururo umúè úeí ku- 
Ioda múamo, búate^! 



Síahuhít mitima^ ta ilclo támi 
aloaa mudi mikano taúf 
kaluga! ííaúape, ^Síaúape 
amaZurup^ úámi^ múanié dí 
noéji! ámi ktãoa iki f atani 
kali, nikusota humane pane 
mutue úa múéne maseda, 
húapúa, múaniê òi noéji! ta- 
hikani katataka. 



nós, vossos filhos, vamos já 
(por um Ídolo) castigar o 
sr. Massenda. Por Deus en- 
tão elle (é) o soberano? Nós 
todos vamos lá amarrar as 
mulheres d'elle e as trans- 
portámos para vós, o nosso 
pae, o maior entre os fidal- 
gos, o senhor de tudo, &1- 
lae, basta uma só palavra 
vossa, pelo grande senhor 
do mundo ! e acabou-se ; va- 
mos a toda a pressa, mor- 
remos por ti, nosso sobe- 
rano, pelo mar! queremos 
morrer, sim pelo grande 
do mundo, um vosso escra- 
vo fallar as^im, nunca! (nSo 
consentimos). 
É isso ? Os coraçSes dos meus 
grandes do Estado &llam 
como as suas bocas? Pelo 
mar, bem, muito bem, meus 
velhos, eu que fallar? Vío 
todos já, quero ver aqui a 
cabeça do sr. Massenda, 
acabou-se, por o superior 
a nós ! partam todos imme- 
diatamente. 



1 A traducção litterál é a mais conveniente neste caso, para se formar 
nm joizo seguro, sobre as suas conyersaçòes e enthoBiasmos e ir prepa- 
rando o leitor para a interpretação dos trechos da sna historia. 

2 No enthusiasmo com que faliam H é frequente em vez de H 6 
xif que numa conversa a sangue frio se ouve em muitos vocábulos. Neste 
caso, como temos empregado até aqui, diriam mixima plural de mtixt* 
ma, mas nos seus exaggeros dizem muèima e miHma. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 161 



Derivações e oomposições 

S8o muitos 08 vocábulos derivados e compostos e de alguns 
as raizes^ que por analogia se podem destacar^ não são usa- 
dos numas tribus, mas encontram-se noutras ás vezes muito 
distantes. 

Parece que depois de terem estabelecido alguns vocábulos 
para nomes do que lhes era mais trivial^ a necessidade os 
obrigou a adoptarem os que lhes eram mais indispensáveis 
para indicarem as acçSes que sabiam e podiam praticar ; e fo- 
ram estes os que constituiram certamente o seu grupo princi- 
pal, porque d^elle obteem o maior numero dos derivados e 
compostos. 

Como a sociedade em todas as tribus está dividida apenas 
em duas classes, a dos que mandam e a dos que obedecem, isto 
é, vencedor e vencido, naturalmente o mesmo vocábulo com 
a differença de terminação lhes dava os dois modos por que 
tinham de exprimir-se, ordenando e obedecendo ; e assim para 
o primeiro caso adoptaram a terminação a e para o segundo e. 

Assim diriam os da primeira aos da segunda classe: loãa 
ffala»^ Iga «dize», nua cbebe», tala «repara», imana «espera», 
kasa «amarra»; e responderiam os da segunda aos da pri- 
meira classe: — consinta, permitta que loae «falle», lye «diga», 
ntie «beba»^ tale «repare», imane «espere», kase «amarre», 
subentendendo-se a forma imperativa ou permissiva do verbo 
principal. 

E d' aqui os dois modos — imperativo e conjunctivo. 

Para indicar a acção, sem designação das classes, adoptaram 
o vocábulo da classe privilegiada antepondo o prefixo ku, pre- 
fixo cuja escolha não foi decerto indifferente, e talvez porque 
já indicasse como hoje a direcção «a, para, de». 

£ assim obtiveram o infinito : kuloaa, kvleja, etc. 

Com o tempo organisaram o simples paradigma do seu verbo 
de que dei conhecimento a pag. 38 e 39. 

11 



162 EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



Do infinito dos verbos obtiveram nomes derivados trocando- 
Ihe o prefixo pelos da classe em que tinham de encorporá-los, 
classificação já feita pelos que tiveram de a crear para deter- 
minados objectos que conheciam; sendo notável que em alguns 
ha também mudança da terminação da vogal a em 6 ou t^ e 
em o ou u, vogaes que na maioria dos casos^ como se viu na 
phonologia, parecem respectivamente confundir. 

Os adjectivos, para que nao teem vocábulo próprio, ou são 
derivados de verbos ou de substantivos. No primeiro caso, 
trocam o prefixo ku por wa, e no segundo juntam o infixo a 
aos prefixos dos substantivos ou trocam-nos também por m; 
e da mesma sorte se obteem substantivos de adjectivos. 

Também de uns substantivos se obteem outros só pela mu- 
dança de terminação. 

As composições fazem-se pela juncçao de vocábulos de no- 
mes sem ou com partícula de ligação, destacando-se no pri- 
meiro caso porque se toma aguda a vogal da terminação do 
vocábulo anterior, e nos verbos trocando a terminação a por 
outra que influe dando ao verbo uma interpretação difi'erente. 

Observação. — Antepondo múarij múene e fnukúá a um 
nome, o que se obtém designa o possuidor doesse objecto ou 
que exerce sobre elle actividade. 

E necessário ter em vista as observaçSes e considerações 
feitas sobre as articulações (pag. 8 a 11) e o que se expoz 
sobre os prefixos (pag. 21 a 30), para que bem se com- 
prehendam como se derivam e compõem os vocábulos que 
d'aqui em deante se apresentarão. 

Exemplos de derivações: 

kusúa «arder». kctsiiè «fogo». 

kusala «fazer; peneirar». musala «peneira». 

hibila «vigiar, guardar». kabila «porteiro, guarda». 

kuxala «ficar». úaxala «resto; herdeiro». 

kupana «dar». ãipana «abertura, fenda». 

kufuaa «embrulhar». difuaa «embrulho», 

kmda «doer». dnele «mamma». 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUKDA 



163 



kutala c observar». 
kukúata «prender». 

kuZuta «encolher». 



kukuta «apertar». 



JcuUãa «deitar». 

h&oka «medicar^ tratar». 
kukaãa «abrigar, cavar» 



kusoma espetar». 

kufuga «vigiar o gado». 
kukcua «amarrar, abraçar». 

kutoka «branquear». 
hudimine «trovejar». 
kiièida «riscar, contar». 



mutala^ «observador, vigia». 

muJcâata «prisioneiro». 

kakiíata «o que prende, agente 
policial». 

kaiuta «encolhido; individuo 
baixo». 

kaxeti^ «anSo». 

mukuta «pequeno panno que 
as mulheres apertam á cin- 
tura». . 

^ilalo «ponte». 

fdalo «cama». 

^ka^ «lombriga». 

mukada «abrigo, montanha, 
carta». 

òikaaa «pelle». 

dikaaa «pegada». 

mtJLSoma «espeto, cravo de 
madeira». 

kafuya «pastor». 

òikcua «braço, mSo». 

mukasa «objecto amarrado». 

di ou tUoka «branco». 

^idimino «trovSo». 

muòida «risco». 



1 £noontrei um potentado quiôco, estabelecido á beira da estrada 
que a Expedição seguia, e apresentaram-m^o como múana gana kaptiía, 
múént nuUala mu JUa múa múéne hÍ9tgt «O sr. Capumba, vigia do cami- 
nho do sr. Quissengue». 

2 kaxdí é vocábulo especial e que colloquei neste logar para se co- 
nhecer a disparidade, e que talvez possa ter alguma relação com xãit 
termo muito empregado para indicar pouca importância que se liga a 
ama qnestíU). £lx.: miloga úa múéne kase, xâte «a demanda do sr. Casse 
n2o tem valor algum, nada vale». 

' Ck>mo èíoka «lombriga» é para elles doença frequente, é de suppor 
que kúoka «medicar» venha do vocábulo íHoka. 






164 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIÂKVUA 



kuêoga cnarrar, noticiar». 
kujala cesctirecer». 

o(ye c animo». 

kuiaama cprecisar». 

Tcuiatãvka «aproveitar». 

kvkula «crescer». 

vtoha «branco». 

U9iía «força». 

useia^ «negocio». 

úata «estado». 

luse «extremidade, ponta». 



• . M 



juago «noticias». 
iUijala «escuro». 
Síajala «escnridSoj». 
kaíaje «algoz». 
úcJícríe «corajoso». 
iiaiaama «necessitado». 
úaiauluka «feliz». 
dtfcuZo «antigo». 
úatoka «limpo, claro». 
úausila «forte». 
tiseba «negociante». 
ii(xto «canoa». 
hiêuki «cabello». 



Exemplo de composições de nomes: 



múari kisaji «tocador de tecla- 
dos de ferrinhos». 

múari guvo «tocador de an- 
guvo*. 

múari kapeaa «tocador de ca- 
penda*. 

múari modo «tocador de mon- 
do*. 

múari múixi «senhor do fu- 
mo, cozinheiro». 

múéne 5au «senhor do porto, 
embarcador dos rios». 

múéne úato «o dono da ca- 
noa». 

mukúá òilúa «lavrador». 



muJcúá makasu «mentiroso». 

úafúa mUsu «morto dos olhos, 
cego». 

úafúa matúi «moxto dos ou- 
vidos, surdo». 

kaimòtbuii 

kasa katete 

T ? T .. f « pássaro pe- 
mukaòo kerajt ) ^„^„^^ 

kavuko vuko 
múadi piipo 

iagiagi «pássaro grande». 
Umaa makeji «pássaro gran- 
de». 
^oúaMia «pato d^agua». 
mueye mazavo «ananaz». 



queno 



I. 



1 Talvez este vocábulo fosse uséa e n2o tueta por cansa do deriyado 
useba. 

2 Instrumentos de pancada. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



165 



múêne goda c senhor da terra, 
propríetaríoi. 

mona uta cfilho da arma (ti- 
tulo)». 

mUadi ata to segundo das 
armas (titalo immediato 
áquelle)». 

kaxala poli co que fica de fo- 
ra, guarda». 



beaebede cpeixe, sp.» 

Hzuazua cborboleta, sp.». 

hafumofumo carvore, sp-»; 
em Angola cmafumeira». 

hxtete hauséba coouye portu- 
gueza». 

Iwjula mema cplanta leitosa», 
que aproveitam para cura- 
tivo de feridas. 



Na pratica, se dá conhecimento de outros muitos vocábulos 
assim compostos, que serSo notados sempre que f8r preciso 
esclarecê-los, tendo em vista o que se consignou a pag. 12. 

As derivaçSes e composições de verbos, por mais harmonia 
na parte pratica, julguei conveniente grupá-los segundo as ter- 
minaçSes em alguns exercícios. 

Os verbos cansativos, ou antes os que tomam a forma can- 
sativa, tomam-se compostos, como se disse a pag. 41, pela 
mudança de terminação. Tanto estes como os simples (pag. 12) 
dSo logar a novos compostos pela. intercallaçSo de letras ou 
de syllabas, tomando uma significaçSo diversa ou a mesma 
modificada. 

Assim para indicar que a acçSo se repete, persiste ou se 
prolonga, o que corresponde em portuguez ao re inicial, antes 
da syllaba terminação faz-se entrar outra, que tem por ini- 
cial j^ l ou n, e por final a vogal da syllaba anterior. 



hiijxka cconhecer». 
hulmdika tsair». 
kukakda ccortar». 
hujikula # abrir». 
kubukuna cquebrar». 
kutoka cbranquear, limpar». 



huijijika creconhecer». 
kubudijika ctomar a sair». 
kukatultda^ crecortar». 
kujihãtda «continuaraabrir». 
kubukunana cquebrar mais». 
kutajoka t tomar a limpar». 



1 Dos pedaços cortados cortar doyos pedaços. 



166 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



TcajUca «enterrar, fechar, em- 
patar». 

kumeka «apparecer». 

hitana cachar». 

Jcujituna c soltar, porem liber- 
dade». 
kiianuna «separar». 



kujijika (permanecem aqnel- 
las acçdes até que novas 
causas fjAçam suspendê-las). 

himejeka «apparecer conti- 
nuadamente». 

kutajana^ achar continuada- 
mente». 

kujitununa «soltar ou libertar 
completamente» . 

kiianununa a separar para sem- 
pre». 



Observações. — I. Muitas vezes para o caso de repetiçSo, 
em vez deste artificio, juntam ao verbo o vocabido kaai «ain- 
da». Creio mesmo, ser este o meio de darem mais força á 
expressão, sobretudo quando o que falia impera. Ex.: budtka 
kaai «saia outra vez»; katula kaai «corte mais»; jikula kaai 
cabra de novo». 

II. Alguns verbos que são transitivos, limitam a sua acçSo, 
tomando-se reflexos pela mudança das suas terminaçSes, mas 
doestes apenas conheço os que terminam em Za e na que mu- 
dam em Jka e os que terminam em eka e ika que mudam em 
ama. Ex.: 



kujikvJa «abrir». 
kukatula «cortar». 
kuanuna «separar». 
kujitiina «soltar». 
kuxakeka «assentar». 
kúijika «conhecer». 



kujikuka «abrir-se». 
kukatuka «cortar-se*». 
kHaiiuka «separar-se». 
kujituka «soltar-se». 
kuxakama «assentar-se», 
kuijima «conhecer-se^». 



* Houve a contracçSo a de ;a. 

* «Cortar-se» é para elles equivalente a «arrebentar» e vice-versa 
«arrebentar- se» a «cortar». 

3 Doeste tiraram dijina «•nome». 



METHODO PRATICO DA UNGUA DA LXJNDA 167 



m. Quando as terminaçSes só por si representam um vo- 
cábulo conhecido, a sua signicaçâo vae influir na interpretaçSlo 
do verbo em que entra, por exemplo: kuana cunir, ligar, 
soccorrer»; hãejana (= leja -f- ana tdiz -|- soccorre, etc.>) 
é para elles c mostrar, demonstrar, corrigir»; kudibana (= diía 
-f- ana «mentir -j- soccorrer») interpretam por «illudir, enga- 
nar»; kúata t prender, segurar», kúatana (= ata -f- ana «se- 
gurar -[- ajudar») interpretam «ligar, fortalecer, amigar». 

rV. Uma letra só que seja como inicial, trocando-se, muda 
completamente a interpretação, e é por isso necessária a má- 
xima attençâo da parte de quem escrever esta lingua. Ex. : 

kaoa «admoesta». hula «bate». 
\ada «compra». \vla «amarga», 

paoa «salva-te». pt^Za «rasga». 

\éka «deixa». íika «regula». 

mefai«apparece». jíAxi «encerra». 

teka «guarda». xtfea «chega». 

íuka «accusa». 
\uka «vomita». 
^úka «opprime». 
iuka «emprega». 
yuka «espreme». 

Da mesma sorte um som vocálico que seja, coUocado antes 
dos radicaes, pode dar novas raizes com interpretação diversa. 
Ex.: ijika «conhece»; iptãa «pergimta». 

V. Se o vocabulo-verbo que se rexme principia pela mesma 
vogal em que termina o antecedente colloca-se um j entre 
elles. Ex.: 

kubtdajcma (= bula +i + ^^ «barulhar». 
kúi^jana (= nia H-^ + ana) «combinar,' concordar», 
kutapajana (== tapa -{- j -{- ana) «desafiar». 
kusalajana (= scãa -\- j -\- ana) «descompor». 
ktãoãajana (= loaa +y -j" anoíj «luctar, profiar». 



168 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



Addícionando á terminação a do verbo um sabstantivo ou 
adjectivo formam um verbo composto á falta de vocábulo es- 
pecial, o que se toma mais notável com o verbo kusala «fa- 
zer, executar, obrar, etc.i. Ex.: 



Jeusalaiiape «beneficiar». 

kusalauma «forcejar». 
kuscdaiíjala «escurecer». 
Icusiãamujikita «trabalhar». 
kuscdcdeiele «obsequiar». 
kusalaiíakéne «engrandecer». 



kusalaiiipe «damnificar, pre- 
judicar». 
kusalajita «guerrear». 
kuscãautoka «aclarar. 
husàlauséía «negociar». 
kasalamulaío «ofifertar». 
kusalajima «alargar». 



ObservaçIo. — Ha verbos que por analogia devem ser 
compostos, mas cujas raizes já se desconhecem, encontrando-se 
algumas entre outros povos. Ex. : 



kusumana «morder». 
kupalayana «espalhar». 
kuseyana «brincar». 



kuadama «entrar». 
kusakana «encontrar». 
kubvlajana «brilhar». 



Vocabulário 



kidemeka «ferir». 
hãemama «ferir-se». 
kuxaneka «elevar». 
kuxanama «elevar-se». 
huximeka «gabar». 
kuximamu «gabar-se». 
kúixika «entornar». 
kuixama «entomar-se». 
kujijika «acoutar, esconder». 
kujigama «esconder-se em- 
boscar». 
kupegeka «entortar». 
kupegama «entortar-se». 
kuzegeka «curvar». 



kuzegama «curvar-se» . 
kusukeka «entalar». 
kusukama «entalar-se». 
kufukama «agachar- se». 
kuruka «lançar». 
kumika «enforcar». 
kusoaama «emprestar». 
kukadama «subir, trepar» 
kutetama «endireitar». 
kutúika «saltar, voar». 
kutadika «debater». 
kahaxika «empurrar». 
ktUexUca «arranjar». 
kufuika «imitar». 



HBTHOIK) PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



169 



hãaâika tadormecer^». 
humamka calumiar*». 
kuximuka «admirar». 
hudumuka «escorregar». 
kukula «resgatar». 
hdxãnda «penetrar^ furar». 
kuéitula «atirar fora». 
kusubda cerrar». 
hvbarula «repartir». 
hixaaxsta «apalpar». 
husúana «herdar^ exercer». 
humOana «aliiar». 
kukaãana «apaziguar». 
kuiatakana «exigir». 
hutú^cana «alternar». 
kumagana «reunir, juntar». 
hgimana «enfastiar». 
kiUigana «dividir». 
kupegana «bailar». 



kukanqjana «despedir, despa- 
char». 

kutetamana «acertar». 

kumiíaga «arrasar, escanga- 
lhar». 

kumuíimana «ousar». 

i-seye, 'phji-, «armadilha para 
peixe». 

mu-keyela, pi. mi-, «folha de 
abóbora». 

di-tcJía, pi. ma-j «folha de 
mandioca». 

ka-bamCj pi. tu-, «fio de mis- 
sanga». 

ka-tumo, pi. tu-, «agulha». 

jpata, pi. ji-, «zuarte, fazen- 
da». 

maxika «fno». 

mcãugula^ «calor». 



BIzerotoios 



Ido, mutefia muhtão, tuaku- 

kani hu úito. 
úit^ u dijina cKeai? 
rurúa. 
mataZa maitape kamo, kaga- 

na makeyda. 

Moacana rd ámi ^isalu &éí, 
gíámi aòijííalele muJUa. 



Hoje ao meio dia passámos 
(todos) o rio. 

Como se chama este rio? 

Lulúa. 

Ás folhas da mandioca são 
melhores que as da abó- 
bora. 

Empresta-me a tua peneira, a 
minha perdi-a no caminho. 



1 Devia ser hdalika de kulala «deitar para dormir», mas trocam o l 
de I» por d, 

< maM «aseite, gorduras, etc.». 
3 Também dizem mahigriUa, 



170 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



handa jinama eji, mutala 
múámi, mutaía mukuaú 
ayc^a ayanani umúè ni 
umué ou mxãu ni mtãu. 

tiikuyi aile ni jiseye jinaú kúa 
úito, akusota kukuata aíxi, 
i tuòaòa axalele pa ilúa 
úacRata tudiya. 

na«í upulile disuna edi? 
kuytdemama, (SieneH Hdixexe- 

lepe, 
ukúikaaanéne f 
naxikile na, aoso apalayana. 



kúileka, ^Síaiíape kamo. 

nani úasúanéne rvkano^ rua 
múata muteba miíafua? 

nòala úakusota kurujala, Uolo 

aZi kayana, múén' eai mOa- 

na kaki kaai. 
nalejanén' et kaJi ana kaki 

ámi, i eté Hkadipt kugtde- 

jana aénu. 

natuixãe kupúixa mujikita 
omuy aci mxãu umúi ku- 
yUanexe. 



Reparta essa carne, metade 
para mim, outra metade 
para os carregadores, (que 
a) dividam entre si (um a 
um, pessoa por pessoa). 

Os rapazes foram com as ar- 
madilhas para o rio, que- 
rem apanhar peixe; e as 
raparigas ficaram nas la- 
vras pisando bombo. 

Quem rasgou esta fazenda? 

Feri-me mas nSo a estraeruei. 

Apasiguou-os? 

(Quando) cheguei lá, todos se 
espalharam (correram em 
debandada). 

Deixá-los, tanto melhor (mais 
bem). 

Quem herdou o distinctivo do 
logar do fallecido sr. Mu- 
teba? 

Umbala quer vesti-lo, os gran- 
des do estado dizem nao, 
(porque é) creança ainda. 

Eu já lhe mostrei todos os 
meus filhos (menores) e V. 
nao me mostrar os seus 
(de vós). 

Eu acabaria este trabalho se 
uma pessoa me ajudasse. 



1 rukano é o bracelete de veias humanas, segundo elles, e distinctivo 
de soberania. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



171 



asada aseyanéne ^ mupala^ ha- 
ziíege, múéne ikudumukine 
ni úahúa paxi. 

atatakanên' êtu aci tuafute 
kuauka úito mu úato. 

u6ihuU maí mázolo; úamdíle, 
Ziúapelepe. 

muijt ctuakutile jttaba jtetu 
úakamaTia malu. 

aci éíé úamayanêne cãu ao$o 
aêtu, utuixãe kumana cãu 
amidi ni mata mahinaú. 

kudta^ Hahda, katukiktepe 
mogOa nt jtefu*. 

nikuêota mOéne mufo%o kuyvr 
kanajana, turuaa tuyujima- 
na ni kaxi ni makasu mu- 
hinaú. 

éíé kuyusalana^ avudi, kutoga, 
H noéji, aci ánii nasoMe 
Hoúma Síahuhi (mOamoJ hé! 

aci tuxalapoli tOámi aibidile, 
énu asalele níipe kuti tuai- 
ya ni (xíxi mu ikvLo ilcuaií^ 



Os rapazes apuparam o pobre 
velho (porque) elle escorre- 
gou e caiu. 

Exigem-nos que paguemos 
(para) passar o rio ua canoa. 

Deite fora os ovos; estão po- 
dres; nao prestam. 

O ladrSo que nos roubou as 
batatas será castigado. 

Se reunisse toda a nossa gen- 
te, veria muito povo ar- 
mado. 

A comida está amarga não 
temos sal nem pimenta. 

Quero (desejo que) o sr. Mu 
tombo me despache (des- 
peça), os Lundas enfastiam- 
me com as suas mentiras. 

y. escandalisa-me bastante, 
pensar que eu fizesse uma 
cousa assim ! 

Se os meus servos lhes bate- 
ram, V. fizeram mal em rou- 
bar bombos e peixes nas 
cubatas dos companheiros. 



1 «Brincar, zombar, apupar, cbacotean», etc. 

* Também dizem xinakaje quando os velbos sâo já decrépitos, em 
quanto mukurupi se emprega no sentido de « maiores» a quem se deve 
respeito. 

' Também se podia empregar kudtla como substantivo «comer», mas 
este seria entSo o «alimento». 

^ Uma semelbança da nossa pimenta. 

^ Neste yerbo supprimem muitas vezes a ligaçSo ja (J -\- a) e unem 
06 dois vocábulos. 

* «Outros» subentende-se neste e casos idênticos que sSo «compa- 
nheiros». 



172 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZÁ AO MUATIÂNVUA 



kagana é&a, ema a miténe pa- 
da, éne cuutãe úasaíde e2i 
6^ t atle aÔ80 éne améne 
ni aJtuixãe. 

miiaUaviia, ni múitia ni ha- 
napuía aloaanêne úóuk' u 
itòso, miiante ti noéfi, ni" 
toga aJciitiajanene kaku- 
UUaíukanipe i kutíiimane 
pinape, m&ami ti noéji, 
kuiúijika úasaíele jisàgo 
jta musuia. 

tiaúapej miiaííaSiia Hatumixa, 
t&akaxala, 

mUêne kibujiJdna^ Oejãe ni cãu 
avudif 

bOaie, mOéns ni tuxcdapoli 
tuúí ni mOari mãixi kaqi 
kaso. 

natogde muéne amtãodola cSu 
avucU, ti noéji, polo peai 
palepa ni kaxi. 

ipula mtãfoaa iiafua mêeu, 
mtdog^ eti goloxe kejãepe, 
i leio uejUe urUele ni kaxit 

kugtãeja mOana Hedi mvkuru- 
pi úakata hmela ni Jcaxi, i 
leio Habudikile ni kaso tia 
kuezako, muòikuío tieai òi- 
k&etepe tioúma timOè kaso 
kupana âxa kudta tia ana 
aÔ8o aeau 



NSo fomos nós, (foram) os 
filhos do sr. Panda (que) 
passaram primeiro que nós 
e roubaram tudo (que) vi- 
ram e puderam. 

O Muati&nvua^ Muitía e Ca- 
napumba conferenciaram 
toda esta noite, e penso 
(que) resolveram nSo par- 
tirmos e esperarmos aqui 
saber primeiro noticias da 
corte. 

Muito bem, o Muati&nvua or- 
dena e nós ficaremos. 

O sr. Quibujiquina veiu com 
muita gente? 

NSo sr., (veiu) com quatro 
serviçaes e o cozinheiro 
apenas. 

Julguei (que) o acompanhava 
muita gente (porque) o seu 
sitio é muito longe (d'aqui). 

Pergunta áquella cega porque 
nSo veiu hontem e hoje 
chegou tSo tarde? 

Disse-me que seu filho mais 
velho esteve muito doente 
e hoje sahiu apenas para 
chegar aqui, (porque) em 
sua casa nada tem para 
dar de comer a todos os 
seus filhos. 



* Nome de homem. 



MfiTHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



178 



urnupant típaia tía úga ni 
aZólo adi, i mUéne uiãule 
díamatíko búidtdi; ntkusota 
JciUjika múana úeai úaiíape 
homo aci kagana, aJccUde, 
nUuma JcutaSuka gaga úámi 
kuSa kunwmana. 

muniaanámi mulogtki aci Ha- 
lagukãe uriiele rd Jcaxif 

naJciíetile ttdo tuvudi, goloxe 
kugtãalde aaolo^ akudila 
kali. 

mOamo, Oaiga kilete ttão pa- 
maki opa. 

kabiía ka hãoza kt% kedif ou 
udi kúiêo f 

múakiiatani ou tnvkucUa. 

úafuU' ikit 

malcumi maadí ma miixi^ ma- 
9tma. 

naiogele éíé haJc&aií hzai. 

• 

êcjámi^ HaaxJcama pasúipa pa 
tnOata mak' utí. 

aSíoko adioxéne polo pau i 
ejUe ni ruma, dí no^i, ai- 
Ido a ruma aióinine agada 
ahut i aeade mahHè kOa ka- 
laái, tátvk* Oámil ^áSíoko 
akuiisedixãe té kaUeaa, 



Da-lhe nma cesta com ami- 
do e duas gallinhaSi e ella 
volte amanhS cedo; quero 
saber se o filho está me- 
Ihor, senão mando chamar 
o meu curandeiro para ir 
vê-lo. 

O meu amigo porque se le- 
vantou (acordou) tSo tarde ? 

Tinha muito somno, hontem 
deitei-me já os gallos can- 
tavam. 

Assim tem razão em ter somno 
esta madrugada. 

Onde está o teu cão de caça? 

Prenderam-no. 

Quanto custou? 

Vinte peças de fazenda. 

Suppuz (que) tu (tinhas) ainda 
outro. 

Minha tia sentou-se ao pé de 
sua mãe (mãe do sr.). 

Os Quiôcos sahiram de suas 
povoaçSes e vieram (che- 
garam) ao rio Lulúa, os 
potentados d^aqui, fugiram 
das suas terras e marcha- 
ram a toda a pressa para 



I èikololiÀo «galloj», mas empregam loto «gallinha» sempre que se 
subentende que é de macho que se trata. 

* vMaei «peça de panno» chamada de lei (8 metros, aproximadamente). 
3 9oy uámi é como deve dizer-se ; porém, abreviam. 



174 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÁNVUA 



tmlamê H noéji, kúisako 
axála, H noéji, ni atugUe 
ioeye ^ tsáoano % xoeye ikuau 
aedele kaaij múaniê òi noéji, 
umúè mua kapue kamaxi^ 
òi noéji, muJcúaú pasúipe 
m&ião ^ mu kcdani, òi noéji, 
ni mukúaií kaãi uxadi Ha 
kajidixi. A* 



akiiaruda adso asotde hOau- 
ka kalani, doso mudi kár 
miké, H noéji, i avudi auhUe 
mu mema, ah! ka! pOaòi! 
ni afua, múantS òi noéji, 
nani aci Oatúixile kupaaexe 
Haia kuteka^ pasúipa pa 
mOcUiaviía, ah! selej'^ ámi! 
múa&aviía ni atlolo'^ adso 



o Calânhi, meu pael ob 
Quiôcos perseguíram-noB 
até Cauenda, onde aqui fi- 
caram; e construíram seis 
acampamentos e outros 
acampamentos marcharam 
já, um para o sitio Cápue 
Camáxi*, outro para pró- 
ximo da nascente do rio 
Calânhi e ainda outro para 
a outra banda do rio Ca- 
jidíxi. 
Todos os LundaS; queriam 
passar o Calânhi (rio) ao 
mesmo tempo e muitos ca- 
hiram na agua e ah! que 
desgraça! morreram! quem 
se poude salvar foi acam- 
par perto do Muatiânvua 
(ah ! meu amo!), o Muatiân- 
Yua e todos os da grande- 



^ ibege «acampamento, comitiva» é vocábulo quiôco. 

2 kapúh kamaxi «aqui acabou- se o sangue, só eu mando, sou abso- 
luto», nome dado a uma mussumba por quem a mandou edificar. 

' hdxdo ou kururu é o verdadeiro vocábulo, mas quando o prefixo se 
troca por mu dizem muulu ou muuru para não confundirem com mururu 
«serviçal, abandonado», etc 

* A, B, Cf D indicam diversos Lundas qtte me transmittiram as no- 
ticias que rubricam. 

^ Fazem-no synonymo de «pôr, collocar», etc. 

* Interpollaçâo usual «meu amo». 

'^ Muitas vezes para melhor harmonia com os vocábulos que se suc- 
cedem conservam os prefixos do singular ao vocábulo anterior quando 
o teem de tomar no plural e em alguns casos como neste, o que lhe per- 
tencia no pluraL De kHolo o plural é Hoio, mas por causa de aôêo e por 
emphase dizem adolo aòso. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



175 



àci amaganéne, li noéji, 
kúijika katata asaleV eèit 
(asald' ikef). B 

maòiko mcuzdi kayana ascdele 
íioiima èimiié aci kayana 
(kaai kaso) kudilana tu- 
milè ni tukuaú, múamê òi 
noéju ú6uko úejãe i aiu 
adso á6i apalayanéne, òi 
noéjij twnmé túaile tiía ka- 
nokéne ^, tukiíaú katebe mu- 
kulo^, tukuaií kaai kúa ma- 
8uko^ òi noéji. C 

diòiko di úeza aSíoko akúadar 
ma mu musvía, múamê dí 
noéji, akOaruaa éne améne 
aBoko akiíanexéne (atokua- 
nexéne)^ ni aikuatani ma- 
kaje ni ana kaki aôso, éne 
ataleU bili ajiyaméne mu 
iêuko. D 

nani Oabujiktle katadilu ^ aka f 

múari úa bugvlo. 

mtoga eié aci uadtòa, 

kúiji múamo. 

nituixa kuãoxa katumo ká- 
múé lipaúa eòit 



za 86 reuniram (para) saber 
agora o que se devia fazer 
(fazer o quê?) 
(Durante) dois dias não fize- 
ram senSo enganar uns os 
outros. Chegou a noite e 
todos se espalharam (de- 
bandaram), ims foram para 
Canoquene, outros para o 
Caiembe (antigo) e ainda 
outros para o capim (escon- 
der-se no capim). 

De madrugada (o dia vem) os 
Quiôcos entram na capital, 
os Lundas viram os Quiô* 
cos fazerem-se soccorrer 
(auxiliarem-se) e prende- 
rem mulheres e creanças 
(que) elles viram antes 
esconderem-se no capim. 

Quem quebrou este espelho? 

A mulher do Bungulo. 

Penso que te enganas. 

Pode ser. 

Posso tirar imia agulha d'esta 
mala? 



1 Nome qne uma auctoridade deu ao sitio em que imperou. 

2 mvkulo «antigo», passado de Òikulo. 

^ Como no caso da nota 7 isuko é o singular. 

^ átokúanexéiie desdobra-so como £z antes para esclarecer, porém, 
quem fallava disse assim : aioko (no caso da nota 7), em que a termi- 
nação ko passou a Aru e serviu para a terminação do primeiro vocábulo 
ao mesmo tempo que para inicial do que lhe juntaram. 

^ Qualquer vidro, e vem de kiUcUa «olhar, observar». 



176 



EXPEDIÇlO POBTUGUBZA AO HUATIÂKVUA 



tiUxôso tííakusota. 

ôinikutiiixape k&itia goUe Hei 
Hafuile ni kctxi, kaak eH 
iHdi Hiíape kamo havana 
úámi. 

niijika iade^ ivudi axakamé' 
ne fáaòiko mavudi mudi 
múata úaxakaméne mu gaaa 
Ha ruda, eli kagana k&ijika 
kuioda mdimi ritetu mudi 
múata úaijtka ktdoaa. 

múata aci kudileja ni kaxi. 

/Cl ciai ruta ruei. 

mHamOj aZi namvlgele miieòi 
mxixima úámi tioinia. 

kúijika hãoaa ni Hape rudimi 

(muvudijj padi mutu Ha- 



V • • 



\* • 



putxt mazui mu muxtma 

úedi úakusota. 
IcuyyJcata ni kaxi kumumana 

Ido, dxamaòikoniHrukapolo 

uamx. 
Ioda kaai kamo, òinovilepe ni 

Hape ni kaxi. 
tuia kiUuxakeka mu urOelu 

miia mutoao mOakéne mOa. 
túakakikJíalía tHa) mudi mt5í* 

ma lètu akuêotele. 
Jioxa dia dipaiM rutumo rO' 

m&e, Sía kiUuniia mema 

ISíaôso kumtUuêota. 



Todas quantas queiras. 

NSo posso acreditar (que) o 
teu boi custasse tanto, ain- 
da que é muito melhor que 
o meu. 

Eu conheço muitos europeus, 
(que) estiveram tanto tempo 
nas terras da Lunda como 
o sr.y que nSo sabem Mar 
a nossa lingua como o sr. 
sabe fallar. 

O sr. applica-se muito. 

Isso é favor seu. 

E certo, disse-lhe o que o 
meu coração ouve (sente). 

Saber fallar bem a lingua da 
Lunda é difficil (grande tra- 
balho), cada um está aca- 
bando as palavras como co- 
raçSo d'elle está querendo. 

Estou muito satisfeito vê-lo 
•hoje, (porque) amanhã re- 
gresso ao meu sitio. 

Falle ainda mais (repita o que 
disse), não ouvi muito bem. 

Vamos assentar-nos á sombra 
d'aquellas arvores. 

Conversaremos ali, á vontade. 

Tira da mala um copo para 
bebermos agua quando qai- 
zermoB. 



1 mudele é o individuo da raça branca, e suppÒe-se neste exercício 
que 6 a europea de quem se trata. 



METHODO PRÁTICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



177 



tííaxikíle úasaíele SíaJciiaú; 
ttiokakuna rúaaa ni túimor 



ne. 



vleja Hape; úakata maòika, 

tukune rúaaa. 
vkoni divug' edi, mi&amo, aci 

dipula dHôso. 
éíé ukusota kagulaãixa aruro 

(ZÔ80 aénu, muãi écUcit 
ntkuita^ ou nikuaota jipeíe 

jiní ni ttUota tuhéze tutano. 

namutala múéne tíúeze huMa 
pa urúele mámi. 

úiijíka xipo úámi udi kuisof 

namutekde mu musete uet; ho- 
losa vkúete difada i ana 
haki atúixile kumuzvlula ni 
kupalayana dijuaa dUaôso. 

úamusalele niúape. 

múari ikdala kaãif 

kagana, úaòudikiíe Jccdi. 

ttííaãa tUapeganéne u^uko 
ÚO80, Síahuhí olaia kaai i 
kusakda mujikita musaaa 
oii, biíate. 

diòiko dimuè, kagana^ malUco 
maoso. 

nani úatetele mutodo oú. Uai' 
damêne humana mcdu, mu* 
toao mâamo miiakéne kaga* 
na aZi katetelepe. 



Chegámos primeiro que os 
outros; vamos fumar (em- 
quanto) esperámos. 

Diz bem; faz frio, fumemos. 

Dobre este panno, assim ras- 
ga-se todo. 

Por quanto me quer vender 
todos 08 seus servos? 

Peço quatro cabras e qui- 
nhentos fios de missanga 
(grossa branca). 

Espero (que) elle venha jan- 
tar commigo. 

Sabes onde está o meti cinto? 

Pu-lo na tua caixa» (porque) a 
patrona tem pólvora, e as 
creanças podiam abri-la e 
espalhar toda a pólvora. 

Fizeste bem. 

A sr.^ ainda está dormindo? 

KSo sr., sahiu já. 

As raparigas dançaram toda 
a noite, por isso ainda dor- 
mem e nSo trabalharam de 
manhã. 

Um dia, nSo sSo dias. 

Quem derrubou esta arvore 
precisava ser castigado, 
(porque) uma arvore gran- 
de como esta nSo se der- 
rubava. 



1 No sentido de desejar, por isso se pode empregar nikuêota. 

2 Podia adoptar-se só ka como abreviatura. 

ia 



178 



EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



modele Hasanikine mvkaãa, 
Hattile mema, unine, rusu- 
mo úartUekele pa meSa; õa- 
di Hkma òíee òibtdile^ mu 
i*u$umo i ôru úahúa paxi i 
uafua. 

muTruaanámi, mugada iiámi, 
acialejele : nani ukusota, 
úata; aci kagana, úatuma. 

akúaruda ni ahinaú aleja: — 
ukusota Síowna òimúè? ha- 
xcdape mu jila kutcUa uòi- 
mjcme, mvloya iíajoxaíde 
maòiko maôso kuôitala, 

aòioko atapajanéne múénepa» 
aa^ mu polo péí^ i maUko 
masato m/vsuta amutapani. 

éne atapa ikugi iiiape ivudi, 
eòi ascdele ni uape ni kaxi 
a tuzUege. 

mu òikuio íSiedi cUu aôso adzile 
ni anine ni iíape ni kaxi, 

leio naladele moyiía muvudi 
kudi ikeae^ riíada ini uséia 
iíajUe. 

Hàkata kuiza maxika. 
úakata kúiza malugula. 



O branco escrevia uma carta, 
pediu agua; bebeu, e poz 
o copo em cima da mesa; 
depois o seu braço bateu no 
copO; este cahiu em terra 
e .quebrou-se (morreu). 

Meu amigo, na minha terra 
diz-se : — quem quer, vae ; 
sen^, manda. 

Os Lundas também dizem: — 
queres uma cousa? nSo 
fiques no caminho esperar 
vê-la, porque ficarias todos 
os dias esperá-la: 

Os Quiôcos desafiaram o sr. 
Panda na sua residência, e 
três dias depois o mataram. 

Elles mataram muitos bons 
homens que protegiam oe 
pobres. 

Na casa d'elle toda a gente 
come e bebe muito bem. 

Hoje comprei muito sal por 
quatro pyramides de taba- 
co. O negocio está morto 
(é caro). 

Faz frio. 

Faz calor. 



^ De kubula «bater», mas este é empregado no propósito de dar pan- 
cadas, e «tocar» num instrumento em qne o som é devido a pancada, é 
também kubula, ^este caso seria melhor kubaxika « empurrar», mas para 
elles é indifferente. 

^ Nome de homem. 

i D2o ao tabaco de fumo formas diversas, a de pjramide oonica pe- 
quena, e a medida mais vulgar a que chamam Òikeae, 



METHODO PBATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



179 



maxika úeza. 

cUòUco cUúape, diíiko âíipe. 

iíakata kúeza rukiao. 

éíé úovúa aci malugvla aZi 

maxikaf 
novúa maòika mavudi. 
mulogiki kaunape Xíowna ^- 

9Íiaiia ^Sía ktMÚanex' eif 
nUcuete úama eòi hugíisala ni 

di6iko edi didi écikef 

musase oií úejile maxika ma^ 

vudL 
mutena muhuro úejile rukiao 

ruvudi. 



Chega o fiio. 
Bom tempo, mau tempo. 
Faz vento (está a vir vento). 
Tu sentes calor ou frio? 

Sinto muito frio. 

Porque nSo bebes uma cousa 
quente para te aqueceres. 

Tenho medo que me faça 
(fazer-me) mal. 

Que tal está o tempo? (Este 
d^a está como?) 

Esta manhã fazia (veiu) muito 
fido. 

Ao meio dia (sol no alto) fa- 
zia muito vento. 



Interpolações 



Para intelligencia do que sobre este assumpto ficou expos- 
to a pags. 14, lõ e 16, faço uso de vários signaes, que corres- 
pondem aos gestos e movimentos que entre aquelles povos sub* 
stituem vocábulos. Assim : 

-* Uma pequena flecha — indica o braço, que pela sua posi- 
ção e curvatura nos mostra o seu movimento. 

^ Vibração dos beiços. 

K Estalido com os dedos. 

-^ Palmadas. 

< Bater no peito com a mão. 

CX3 Esfregar o peito com a terra. 

vu Deitar-se no solo de costas. 

Rebolar-se no solo. 

% Apagar o que se riscou. 

Biscar qualquer com o dedo index da direita, na terra, tra- 
ços direitos a si indica numero. 



180 



EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



"Vocabnlairio 



dUikita, pi. ma-, «floresta». 

ka-taaa^j pi, tu-, airucto que 
cozinham». 

di'tama, pi. ma-, «face». 

ru'pàgo^ pi. ji-, «espécie de 
bengala». 

mu-sogo, pi. mi', «dor». 

lu-nimo, pi. ji-, «mendoim». 

ka-tala'^, pi. tu-, «fructo». 

ka-la^e,^ pi. ta-, «bicho do 
salalé». 

di-kine muxiyo, pi. ma-, «col- 
lar». 

ka-kudi^, pi. tu-, «pombo». 

ka-loyo, pi. íu-, «papagaio». 

mú-eye, pi. mi-, «canna». 

mu-joka, pi. mi-, «braça». 

ka-iíaza, pi. tu-, «massango». 

mu-sani, pi. mi-, «peixe miú- 
do, sp.». 

di-sese, pi. ma-, «lagarta d'ar- 
vore, sp.». 

di'kuai, pi. ma-, «feijão miú- 
do, sp.». 

Hhuiko, pi. i-, «tapa peitos». 



ha-Hkuyo, pi. tu-, «farrapo». 

U-hele,^ pi. í-, «retalho». 

lu'kaye, pi. jí-^ «gallinha de 
mato». 

ka-túi, pi. <tt-^ «coelho». 

mu-ía, pi. mi-, «espinha». 

di-vuya, pi. Tna-^ «duas bra- 
ças». 

mu-taro, pi. mi-, «golpe». 

di-vu, pi. wa-^ «terra». 

mw-ezrie^ pi. mí^ «vida». 

lú-ida, fl. ji-, «necessidade». 

dt-eZe, pi. ma-, «faquinha para 
rapar cabello». 

di-jiba, pi. ma-, «cheiro». 

otda, pi. ji-, «largo á frente 
da residência». 

úoki, pi. tna-, «mel». 

xiyo, pi. j^í-^ «pescoço». 

pasu, pi. a-, «gafanhoto». 

8080, i^\. ji-, «faisca». 

yúadi, pi. ji-, «perdiz». 

múeye âa zavo «ananaz». 

baao^, pi. ji-, «imidade de 
comprimento». 



1 Fructo amarello, redondo, do tamanho de uma maçS grande ; tem 
o gosto a beringela. 

2 É redondo e tem casca como o amendoim e o gosto doeste. £ fimcto 
de arvore e cozinhado faz lembrar feijão. 

' Bichos pequenos, que comem em substituição de carne e de peixe. 
* È o retalho com que as mulheres cobrem os orgSos genitaes. 
& E a unidade de medida de comprimento de ^enda, que £&zem va- 
riar de 0-,80 a l-,40. 



METHODO PRATICO DA MNGUA DA LUNDA 



181 



ZabUf pi. ji-^ «costella». 
môúka f palanquim». 
zegij ^l.jt', «feijão». 
moio «vida». 

ulogo, pi. ma-, «cumprimen- 
to». 
púila, f\. ji-, ««êde». 
mukaxi «dentro». 
hãaíula «presentear». 
kupote «torcer». 
kúaga «cantar». 
kuòaba «esfolar». 
kuxa «deixar, largar». 
káopata «enxotar». 
kupoga «advinhar». 
kudima «lavrar». 
kuta mahúè «correr». 
kupepa «assoprar». 
kúizida «inchar, encher». 
kudíoxa «tirar». 
hOaJca «entregar». 
kuhuma «seccar, emagrecer». 
kumvkisa «zangar». 
kúUeZa «rogar, pedir». 
kanona «escolher». 



kutaZuLa mkido «constipar- 
se». 

kupuda «cavar». 

kukcdala «tossir». 

kusepuMa «ajoelhar». 

k&ikuta «fartar, encher a bar- 
riga». 

kukusida «enxugar, limpar». 

kúista «nadar». 

kuèUuka «virar, voltar-se, tor- 
nar a apparecer». 

kiíemixa «occupar, empre- 
nhar». 

hãota «sonhar». 

kutdlala «molhar». 

kuneneta «socegar». 

kuzela «embebedar-se». 

kuvúa «pertencer». 

kud^oka «sahir para longe. 

kap&ita «puxar». 

kukUa «cortar o cabello». 

kuzoaatna «agachar-se, aco- 
corar-se». 

kukaga «torrar». 

k&ohixa «lavar um objecto». 



Sxercioios 



kalobo .-f»- tátuko -^ múêòi 

noéji -^ úalakat 
ueail 
viU&ê, mukúá hago cxd sdy' 

ámi oo vuâíê oo. 
dká Ide! aXíoko a^Ue agada 

armikurupi úámi, ni axexé- 

ne adsof 



Grandeza ! pae ! superior ! 

cumprimento-ol 
Bem vindo! 
Obrigado, fidalgo, meu amo, 

obrigado. 
Então os Quiôcos foram ás 

terras dos meus velhos e 

estragaram tudo? 



182 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIAnVUA 



muantê (D m&éne goda, naju 
Ivle 0. 

texani,loãa. ; 

ah ! ká! aSíoko, 2í noéjt,p<ãepa 
kadi atumine mulúa ISía 
múéne pada, múamê íí noé- 
ji, kúipana milaío iSíahui, 
múamê òi noéji, múéne pada 
<^ka^ana;ámimukurupi 
úa múatíafv. . .^ múê H 
no^i, a!ci áSioko akusota 
kúeza kuíata agada ámif 
kúeza, W noéji, kakúetepe 
iíôma,mak'uámiúaf&aM{, 
kaloio! 

uètiko úeza mulúa uòiruka, 
múamê íí noéji, múéne pada 
atu aÔ80 úedi kulala mu 
tvlo, húate; selef ámi, kúate 
mata, òi noéji, uíhiko úôso 
kúimane mu òipaga, mata 
mu ikaaa, aXioko axika. 

ditíko dxeza mutena -<- ah! 
kakát Jita altoko úakéne 
aeza, H noéji, mata pum, 
pum,pum... múéne paãa 
aci: túafúa pane nalike, H 
noéji, túadxoka, tuiani ku- 
iúimane poli, kutala <J>aje 
áSióko, múantê Hnoéji, akúá 
múéne pada aci: múamê, 
iuíani, H noéji, kttfúa lu- 
mSé, li noéji. 

áSioko aeda mahiíè, axika, 
ahãúajita, ah! múakel 



Sim senhor (é verdade), se- 
nhor da terra (que) eu falle. 

Attenção, falia. 

Os Qulôcos ainda longe man- 
daram um portador ao sr. 
Panda dar-lhe tributos para 
elles; o sr. Panda diz que 
não : eu sou um grande do 
soberano, se os Quiôcos 
querem vir buscá-los que 
venham não tenho medo, 
minha mâe já morreu ! com 
a breca! 



Á noute regressou o portador, 
e a gente do sr. Panda não 
dorme ; foi buscar as armas 
e toda a noute esperam na 
residência, com as armas 
na mio, a chegada dos 
Quiôcos. 

Ao romper do sol a grand^e 
guerra dos Quiôcos chega 
fazendo muito fogo. O sr. 
Panda diz: morrermos aqui 
não quero ; saiamos, vamos 
esperá-los fora, ver o ani- 
mo (coragem, valentia) dos 
Quiôcos. A gente do sr. 
Panda diz : sim senhor, va- 
mos, morre-se só uma vez. 

Os Quiôcos avançam rapida- 
mente, chegam, combatem, 
oh! homens! 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



188 



akúá miíéne pada apalayana 
^ kutapa ni kutapa ni Tcvr- 
tapa^ mata pum, pam, 
pum. . ., 2í noéjil aòíoko 
akãatani ákaje, akúata fd 
akiiatam, kaikal ka! akaje 
mitíma ahinaú aíina kudi 
aiSíoko, H noéjij mame! ecu 
tulaje túaôso tuafúa! miíé- 
ne pada aci : akalde ámi ni" 
kuBota kuf&a kudi akaje, d{ 
noéji, àkaje áíani ni miòima 
kudi aSíokof naJUekíé! 
kataaa, ámi ni kugumujipe 
ámi, ah! ka! àStoko kw- 
ynmane Hámi, kagane . . . 
pui. . .*^níadí*/ 

nikuete pilila ni kaxi. 

nUa mema. 

kakúetepe Oorna aZi kutaHkda 
rukidof 

lolof'^ elu tdoaà Zakéneí 

ia edbeV ako, 

nikHete ueani kugtdala miíamo 

búididi. 
m&éne uleja ámi StigHepe. 

aia eH Stakuzulula cru ííapa- 
iununa. 



A gente do sr. Panda corre 
em debandada perseguida 
a faca e a tiro ; os Quiôcos 
prendem as mulheres se- 
guidamente (grande espan- 
to); as mulheres por sua 
vontade vão para elles, 
(minha mSe !) nós todos os 
valentes morremos! O sr. 
Panda diz : então eu quero 
morrer por causa das mu- 
lheres e as mulheres vão 
por sua vontade para os 
Quiôcos ? morro porquê ? 
(praga) eu mato-me^ nao 
quero que os Quiôcos me 
vejam; e executou, morreu. 
* Tenho muita sede. 

Bebe agua. 

NSo tem medo de constipar- 
se? 

Este relógio está certo? (fal- 
ia verdade?) 

Está adeantado (vai primeiro 
lá). 

Tenho vergonha (de) deitar- 
me tSo cedo. 

EUe diz (que) eu nSo tenho 
razão. 

Esta porta estava aberta. 



1 Indica um facto consumado. 

^ De ibupâa «acabar, desfallecer», etc. 

> Vocábulo novo «relógio». 



184 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIÂKVUA 



vkusota gàga^, aci xiío^, aZi 

díía'^ aZi isekado^f 
òtnôvúiUjpe ^H úalej' eai. 

mulog' eòi úalalele mu ttdo, 
katataka úapuixUe dia ku- 
dia dia urúdeí 

nalde kaklepe ni lãepe. 

kuimusala ni ipe òiúapelepe aci 
hãala pakúeza pa kudia, 

dí kuyúôvúilepef matúi ma- 
adi — ► -«— . 

nakadUya ni kaxi i nakaloda 
nSa** ntaa ruapexe. 

noviía niiíape muruaaneí lavo 
aci mOéne tUoaapaJãepe pa- 
Mepe; suka, aci uloaa sua- 
pali ni etéj òinovúil^e ni 
úape mazúi maôso. 

HeU eté ukHete, lidi Ooma 
kudiíajana. 

mutena pa ido t Hejili malu- 
gula mavudi, SieneH kali 
úeza malika. mahiii pa 
urOela -> rukida ruezUe 



W V • • 



ruameji, 
kakuguvulukape, kugvkuata 
púila avudi mu mHeni úámi, 
mudi leio mutena --> . 



Quer algodao; ou xadrez, ou 
chita^ ou riscado? 

NSo percebi o que lhe estás 
dizendo. 

Porque dormiste depois do jan- 
tar (logo que acabaste de 
jantar). 

Dormi muito pouco. 

Faz-lhe mal deitar-se depois 
da comida. 

NSo me ouviu? tenho dois 
ouvidos (apontando). 

Estudarei muito e fallarei de- 
pressa a lingua da Lunda. 

Eu percebo bem o teu amigo 
lanvo quando falia deva- 
gar, mas se falia depressa 
comtigo, não comprehendo 
bem todas as palavras. 

O que V. tem é medo de en- 
ganar-se. 

Ao meio dia fez muito calor, 
porém agora faz frio. È 
assim porque de tarde so- 
prou vento rijo. 

Não me lembra na minha 
vida ter tanta sede como 
hoje ás três horas da tarde. 



1 Também o applicam ao paimo de algodão e por analogia ao de 
linho branco. 

^ xiio «chumbo», nome que os ambaquistas dão ao xadrez (fiazenda). 

' Vocábulo novo «chita». 

^ Idem «riscado». 

^ Snbentende-se rudimi «lingua». 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



185 



maóikofnaipe elutúastdãeniiia 

òibago. 
kanúadilipe pa musasa kadif 
kakadipe, m&ata. 
Síaúape, fd kudía ni muruaa- 

námi, mutena Hasúyi kali 

tínfíape katata ku ^ikuio 

Síámi. 
pa dizúi, ídeje zuzé eúakeji 

kudia pa Lam, HajJa 

m muruda kamo ni êtu. 
mcuHko maôso ámi nikusota 

kucKoka, dièiko díipe. 
dei yoae úabudika, raia ni ku- 

lala mu tudo. 
godé úiza kali. 
kOeza goae kuatoka ni Hape. 
yoloxe iíakula dikiji^f búate. 
ãé iíôv' ekif (em), 
luvtãa lOeza. 
luvula lHadika ku díamaZiko. 

nailãtd' edi kugvleja aòi miíé- 
ne Hakuêota kúikama ka- 
làepe. 

mOéne aci, kagana, tíící<ã>a 
kadi kujiko dia kamè^ 
(Tcajolo xipo). 

aci búididi kamo, eZu túaUe 
kiieaagana, katataka kagar 
na kudía kHasiia kali. 



Maus dias nós passámos no 
Chibango. 

V. não almoçastes ainda? 

Ainda nãO; senhor. 

Muito bem, eu almoço com o 
meu amigo, o sol já está 
muito quente, não vou ago- 
ra para casa. 

Basta, diga ao José : o almo- 
ço depressa, conte com um 
amigo mais comnosco. 

Todos os dias (que) eu quero 
sahir, o tempo (está) mau. 

Quando a lua apparecer vou 
dormir. 

Já appareceu a lua. 

Faz luar bonito (claro). 

Hontem ceou? Não. 

O que sente? 

Que vem chuva. 

A chuva dorme para amanhã 
(Hoje não chove). 

Pedi-lhe para me dizer se 
queria encostar-se um pou- 
co. 

Elle disse que não, quer ainda 
que conversemos juntos do 
braseiro. 

Se fosse mais cedo iamos pas- 
sear; agora não (porque) o 
comer está prompto. 



1 kukula diktji «cear», termo especial para indicar o «comer á noite». 
^ Também termo especial «o logar onde está o fogo para se aque- 
cerem. 



186 



EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



Ido tuavúa nudugúila kamo 
hagana goloxe, pakúeza ka- 
tuâxokape kali, dUamáíiko 
tikakcLeaagana. 

hagana iía pcdagexe touma 
loU; mak' úámi dei kumuki- 
xa, 

kugukiiatexe ktdeka toúrna 
mo, (Sakadi tátuk' uámi 
haxika. 

eié kaukunenetape, uvudagexe 
mu ioúma iôso, Zadi ámi 
nikuxcda kunouko Sía ko- 
vua gaka uet. 

Zinnjikape mudi múêne kakue' 
tepe usani tia kuUmajina- 
ma ejtj kajimenepe jivudãe, 
dijtoa ãíedi kaso diúapelepe, 

òidijilíape dtipe ku ámi. 

éíé ukúete muzuro muHape ni 
kaxi, kejikape diji^ ãxipe. 

diiikodíá titakumana, ditíko 
diuape, tukutaJíuka ni tu- 
kúauka úito, múamot 

tióuko úajadile ni kaxi, ni- 
toga avula avt(di akaeza 
pamaki; H noéji dutoA^u- 
sotape kiUiiôviia. 

ciei kutumana dÍ6%ko dtipe ka- 
gana kugtisala mipe ni kaxi, 
nikOete mujikita mn ^ikubo. 

goloxe dta nabvdikile ku^vu- 
lama òiseke, úanokéne ni 
kaxi i kugutalala avudi. 



Hoje sentimos mais calor que 
hontem, por isso n9o sahí- 
mos jA ; ámanhS passeare- 
mos. 

Nfto espalhe essas cousas, que 
minha mãe zanga-se. 

Âjude-me a guardar estas 
cousas antes de meu pae 
chegar. 

Tu nSo estás quieto, mexes 
em todas as cousas, depois 
eu cá fico para ouvir teu 
avô. 

Eu nSo sei como elle nSo tem 
vergonha de comprar esta 
carne, n2lo a viu podre, só 
pelo cheiro nSo presta. 

Não me cheira mal. 

Tens muito bom nariz, não 
conheces o mau cheiro. 

Depois de amanhS, se estiver 
bom tempo, levantámos e 
e passámos o rio, nSo achas ? 

A noite está muito escura, 
penso que virá muita chu- 
va; o nosso superior (Deus) 
nSo está (querendo) para 
ouvir-nos. 

Se estiver mau tempo nSo me 
faz muito mal, tenho ser- 
viço em casa. 

Hontem quando saí esque- 
ceu-me o chapéu (de chu- 
va), choveu muito e mo- 
Ihei-me muito. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



187 



ipug' téi aci kajihalape kali, 
di6iko dikiiaú cKeza. 

paJAepe ni paJâepe túakaxika 
mudi eai, 

aci mãéne kadtokenepe ^ kaai, 
muloga eié uta mahúè ni 
mahiíè, ukusota kumuimane 
pa mutenaf 

úaiga, mu tida * múUcUe uriíele 
urnOè Jcaso. 

úape kamo kvmutala^ hunoú- 
ko mu Hpaga Sía bugido. 

naovile lusago lukOail lHad^O" 
kde lila muxidi^. 

Ioda kaai. 

kagana, ulule' u íídso goda 
Oajigama, atani ni kugusa- 
kana mu mujsulu^ úa úito, 
túaiaama hãoaa lakadi 
mviu kutíioviia. 

múéne ukusota aôso amúlge, 
aci mikUiaviia uia polo 
pedi i kua kulúajita lua 
a^ko arudanedi; múanié 
U noé)% Síeneòi é6u kagana 
kutuixa kuloaa ma úseta 
ua iniiaUaviia. akalde milé- 
ne aci, aítoko akusota ámi 



Os seus conselhos nSo se per- 
dem já, outro dia vêem 
(ficam para outra vez). 

A pouco e pouco nós chega- 
remos como elle. 

Se elle ainda não saiu para 
que vaes com tanta pressa ; 
queres esperá-lo ao sol? 

Tens razSo, no largo nSo ha 
uma só sombra. 

É melhor esperá-lo aqui na 
residência do Bungulo. 

Ouvi outra noticia (que) veiu 
do Muxídi. 

Falia ainda. 

Nâo senhor, esta noute quan- 
do a lua se esconder vSo 
encontrar-me na nascente 
do rio, precisámos fallar 
sem que ninguém nos ouça. 

Elle quer todos lhe digam se 
o soberano vae para a cor- 
te a guerrear os Quiôcos, 
amigos d'elle; porém, nós 
não podemos fallar em ne- 
gócios do soberano. Então 
elle diz : os Quiôcos querem 
(que) eu, Muxídi, eu, re- 



1 hídioka é empregado no sentido de «sair para fora da residência». 

2 £ o largo onde se efPectuam as audiências publicas. 

3 hUcda é empregado no sentido de «estar demorado a olhar». 
^ Cognome de guerra de um filho de Xanama. 

^ mxuulu «nascente» é só empregado áquem do Cassai ; para lá é hi- 
ruru. 



188 



EXPEDIÇlO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



muxidi niuJíula rukano ni 
Tubete éíi muriha^ uajiba" 
néne mujita;miianiêiinoé' 
ji, ámi nalike, Oata úaviia 
gaka ni mat' úámi tavo 
súana mvlopo mtdeba, U 
noéji, gaka úámi úeza kali, 
mOéne úataítãa rukano ni 
ruieoe i Hakaifuta ni úape. 
sdej' ámi, ámi Hnitúixape 
huMa Oata Ha mOattaviía 
úasaBde; rnOén' eai i ámi 
òteH edi ukusota. A* 

mvkaxi mu òikuío maèika 
kamjo, kayana polL 

ana kaki akalalele ni kaxi 
pe 080^. ovúUepe?^ 

novUe, 

^ikuguòaxikape, úalek' ámi. 

milamo éòi atoko aocikãe, 
akiiarvda aôso aòinine uxor 
di Ha mulugo. 

éié uJcHete maxi mu ikasa, mu- 

log' é6ií 
cUeíe ou rieíe^ kugukatula. 



ceba bracelete e lubembe 
que Muríba perdeu na guer- 
ra; eu recuso; o Estado 
pertence ao meu tio avo 
lanvo, o herdeiro de Mute- 
ba; o meu avô vem já, elle 
recebe o bracelete e lu- 
bembe e pagá-los-ha bem. 
Eu nâo posso (comer) go- 
vernar o Estado do sobe- 
rano: primeiro está elle, e 
eu, o que eUe quizer. 

Dentro de casa está mais frio 
que fora (na rua). 

Ás crianças tossiram toda a 
noute. Ouviu? 

Ouvi. 

Não me empurre. Deixe-me. 

Assim que chegaram os Quiô- 
cos, todos os da Lunda fu- 
giram para a outra banda 
(margem) do Mulungo. 

Tens sangue nas mãos, por- 
quê? 

A faca do cabello cortou-me. 



^ Cognome de um Muatiftnvna. 

^ A indica um recado que Mudíxi mandara a seu tio lanvo, e que eu 
consegui escrever. 

3 pa aôso aaté toda», que dizem pt ôso, 

4 pe final, parece ser para chamar mab a attençSo da pedsoa a quem 
se dirige a pergunta. 

^ Faz lembrar a folha de um machado em ponto muito pequeno, tendo 
também o gume no rebordo exterior, a que dão fio para raparem oe ca- 
bellos da cara e cabeça. 



METHODO PRÁTICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



189 



ia ni kutete rúada ^ rúámi. 
cbci énu apúita kadi disuna 
múamo, adixexe aôso. 

tniíén eaiúijika kuJcUajisukit 
kutula ikasa, ijala mavu. 

tujUe tua atúikãe peúro, ni 
atani pàLepa ni kaxL 

tmdogiki ti£ada etu dei asa- 
pudinine f 

òidi (Hfiiiè^ Sía goda íieai kur 
jikitixa múamo Sioiíma òi- 
miíè Ha múata òzau. 

tiamipe múaia ahinaú. 

Zidi muruaaneai, 6idi múamo. 

ciu aÔ8o a kaigana cdoda, ka- 
gana asala ^ovma Hmué 
(Sakadi úasaUele azoaaméne, 

iuiada túaile mvtena miía -<- 
kupoaa mavu. 

naméne kali mona makwmu- 
lada múana kata ^ amile ni 
úape. 

urútl* ou iiadimine ni kaxi. 

zaje úauhile, ni HabandUe 
mUodo tavudi. 



Vá picar tabaco para mim. 

Se y. continuam a puxar a 
fazenda assim^ estragam- 
na toda. 

Elle sabe rapar os cabellos? 

Limpe os braços^ (estão) sujos 
de terra. 

Áquelles passarinhos voaram 
alto, e vão muito longe. 

Porque se ajoelharam estas 
raparigas? 

E costume da sua terra agra- 
decer assim uma cousa ao 
seu soberano. 

Eu não sou soberano d^ellas. 

E amigo d'elle^ é o mesmo. 

Todos estes povos nSo faliam, 
não fazem uma cousa sem 
primeiro se porem de cóco- 
ras. 

Ás raparigas foram ás seis 
horas da manhã cavar as 
terras. 

Vi já as filhas da sr.' Cata 
nadarem muito bem. 

Esta tarde tem trovejado 
muito. 

Um raio caiu e quebrou mui- 
tas arvores. 



i IcuUU como está antes de «tabaco», está empregado no sentido de 
■picar». 
2 Náo se deve confímdir com Hfua, de kufua «morrer». 
^ Nome de mulher. 



190 



EXPEDIÇÃO POBTUGUEZA AO MUATIANVUA 



Hnamenepe, i iiape kaãi ni- 
kiiete úôma. 

múari yuvo úaJmla^ ni btãa 
mutena úaia -*- goloxe ka 
tnutena kúeza kadi -<- Ido. 



òoúaòoiia úadta jibedeheãe 
jtaôso edi vkuata. 

iíato iía kalani amtisalele iía 
kafumofwmo, 

txã>aje túakutqjoka mata máhi' 
naií. 

akaje ámi akutajana tusa^a- 
saga. 

éne kugiUjijtkUe ni uape ni 
kaxi; lieneH nasotele Tcuji- 
tuna iubúa iíakadi IcuJcatu- 
luka jibaHo, Stahm nasuHle 
i kagana kuloaa maú. 

jiktdtãa tia iaôso. 

najikidtle kalil 

ijihda kadi kamo. 

dtta lia Síajikuka. 

nani úajituna kaòOaf 

edi úajituka. 

éíé Oalemanaf 

kagana, 9dy* ámi. 

nani ikmvJUmekaí 

kabúa k&í. 

tvktigi apegekele mutoao omu, 
i kaiji nani OakcUekama. 



Nâo vi, e ainda bem (porque) 
sou medroso. 

O tocador do anguvo tocou 
sempre desde hontem ás 
seis horas da tarde até 
hoje ás áeis horas da ma- 
nhã. 

O pato d^agua está comendo 
todos os bendes (que) pôde 
agarrar. 

 canoa do Calânhi é feita de 
mafumeira. 

Os guerreiros limpam as suas 
armas continuadamente. 

Ás minhas amazias acham 
(sempre) missangas. 

Eiles reconheceram-me muito 
bem; mas eu queria soltar 
os cães sem tomar a arre- 
bentar as correntes, por 
isso passei e não lhes fallei. 

Abra todas as portas. 

Já abri! 

Abra-as ainda mais. 

A porta abriu-se. 

Quem soltou o cão? 

(Foi) elle (que) se soltou. 

Tu feriste-te? 

NãO; meu amo. 

Quem o feriu? 

O seu cão. 

Os rapazes entortaram este 
pau, e não sei quem o en- 
direitará. 



1 kubula, neste caso, «tirar som, tocar «. 



METHODO PEATICO DÁ UNGUA PA LUNDA 



191 



azcfje akusota má&iko maôso 
itíkite ta mitoao ijima. 

aci éU úatana úoki, hdaaa 
kúámi; nikáete mitdima dia 
kudMi ni kaúaza. 

ayala écike aneta mazêut 



tala hUi, xamitteba 1 1 1 1 1 1 mur 
sâíafío, %aza kiyuri \\\\\ 
katano, %cãa zaji \\\\ kani, 
iaza záza \ \ kaadi, aJôso # 
dikumi m' saíiíari. 



maiòtko écike éne akúeda mu 
Jila. 

akokéne mu kába& / ^m^ 
tó, pa mu isuko, mutena 
iía K / hulala ; pamaki 
aejUe i ^pa kasai, mutena 
mu hvro K f kuiala, diòiko 
díkuaú kãauka ni kuUda, 
<5i no^i, aUxlukani \ ^ ^ 
^ kueaa kutíkume k&a 
mema pa kiliíata mutena Ha 
K -^ hãala, mOaniê H 
noéji, kiíeaa, kúeda \ ^ 
axika na iáSa mutena mu 
uro K t dtôiko kamo aMau- 
ka kaso likapa uxadi iia 
xa mvieba mona úeai Haie- 
U, òi no^i; goloxe kueaa 
-^^ ^^pa lÀMimo, mu- 
tena iía K / akuavka lHor 
Umo ni atekele, kuUda, mua- 



Os raios procuram sempre as 
florestas de grandes arvo- 
res. 

Se achares mel, compra para 
mim; tenho apetite de o 
comer com massango. 

Quantos carregadores trazem 
o marfim. 

Espere um pouco: (conta 
pelos chefes) Xamuteba, 
seis; Ambanza Quingúri, 
cinco ; Ambanza Zánji, 
quatro; Ambanza Zanza^ 
dois: (somma e apaga os 
riscos) ao todo dezesete. 

Quantos dias de viagem fize- 
ram (andaram). 

Sahiram de Cabau no rumo 
SW. andaram até ás 2 
horas da tarde e dormiram 
no mato; de madrugada 
seguiram no rumo S. até 
ao Cassai onde chegaram 
ao meio dia; no outro dia 
passaram o rio e descan- 
çaram ; partiram no imme- 
diato no rumo SSE. acom- 
panhando o rio até ás 
3 horas da tarde; ficaram 
no Quiluata ; marcharam 
depois no rumo SE. até 
Anguina Ambanza onde 
chegaram ao meio dia; no 
outro dia passaram apenas 
o Chicapa para a outra 
margem, por estar doente 



192 



EXFEDIÇlO POBTUGUEZÁ AO MUATIÂNVUA 



niê dt no^iy Ido atcJíukUe 
biUdidi -> ^ ^ 3^ axikOe 
mutena K-^Hnoéji, 4*- 4*- 
4*- lusago^. 



um rapaz do superior Mn- 
teba ; hontem marcharam no 
rumo E. até ao rio Loa- 
chimo, onde chegaram is 
11 horas; passaram este 
rio e acamparam; hoje 
partiram muito cedo no 
rumo E. e chegaram aqui 
ás 3 horas. 



1 Neste exercido indiquei os rumos suppondo a N. o alto da pagina; 
na pratica elles apontam com o braço o rumo que seguiram. 

Como, em media, se pode considerar geral, principalmente entre oe 
Bângalas, a partida das jornadas ás 7 horas da manhã, os estalidos 
indicam horas de manhS; e como elles nas suas narrações não occoltam 
as demoras e os motivos d*ellas e todas as occorrencias durante a via- 
gem, o que eu não fiz para não complicar o exercido, muito approxima- 
damente se pode calcular pelas suas informações o itinerário que fiBtzem, 
com os rios, linhas de aguas, serras, montanhas, povoações, etc 

Do caso sujeito condue-se que partiram de Cabau oito dias antes do 
dia da chegada, perdendo dois de marcha, um na passagem do Cassai, 
e outro na povoação de Anguina Ambanza por causa de ter adoecido 
um rapaz de uma das commitivas, e nos seis dias andaram 203,5 kilo- 
metros, os quaes se distribuem da seguinte forma : 



Dias 


Rtimoi 


Horu 


KilomctroB 


Acampámentof 


ObieiraçSet 


!.• 


8W. 


7 


88,5 


Mato. 


Partida de Cabao. 


2.» 


S. 


5 


27,5 


Margem D. do rio Cauai. 


— 


S.» 


— 


- 


— 


Margem E. do rio Cattai. 


Pastaram apenas o rio. 


4.» 


S6E. 


8 


44 


Povoaçio do Quilaata. 


Foram seguindo com o 
rio pela margem E. 


5.» 


SE. 


5 


27,5 


PoToaçio de Anguina 
Ambanxa. 


Ka margem E. do Chi- 
capa. 


€.• 










Passaram apenas o rio • 
acamparam na mar* 
gem D. por cansa ds 
um doente. 


?.• 


E. 


4 


22 


Margem D. Laachimo. 


Pastaram o Lnaobimo. 


8.» 


E. 


w 


U 


Chegada. 


Snpp8e-se no ponto em 
que estio os que ftJlanu 



METHODO PRATICO DÁ LÍNGUA DA LUNDA 



193 



aedeU ni aíxíía Slauapeé 

aóíbcígala ayUe Ha luhuko ane^ 
téne mazéu mavudi ni ma- 
kéne, múamo -*- 't- òiJãepe *. 



énu miiijika nt edi, kudía nia- 
sese ni rriika. 

tudía iu&ape hxnw tulayo. 

leio, énu akuêíW eHf 
mUani ni duigiía ni rrvka. 

divumo díaikuta, ámiSícígukar 

ta. 
apotde xigo Ha zoh. 

muUa nani Hagéne panuM 
ctpa Síauape 6ivudif 

musoni ietu pcãaga, koZa Ha- 
xiJcUe matíko maadi rniúa 
xakaZuJe. 

áci éne aselemukinepe, ámi 
nteaiòinaselumukinepey lie- 
neòi (àle kulvtíiò i ámi naile 
mujU' aú. 

kuiji Icúéí, mtdoy^ éòi wxitíiílej 
ene ata kulutuè, eté muku- 
ru§i\ 



Andaram^ com car^, mmito 
bem. 

Os Bângalas (que) chegaram 
do Lubuco, trouxeram mui- 
tos dentes de marfim e 
grandes, assim (indicando) 
pouco. 

y. também sabem comer la- 
gartas com a massa do 
amido. 

Gostámos mais dos bichinhos 
do salalé. 

O que comeram V. hoje. 

Peixinhos com abóbora e in- 
funde (de amido). 

A barriga está cheia e eu 
contente. 

O pescoço da gallinha está 
torcido. 

Que mulher cantou esta ma- 
nhã tSo bem ? 

Nossa prima Palanga, que 
chegou ha dois dias de 
Xacambimje. 

Se elles não escorregassem eu 
também nSo escorregava; 
porém elles foram adeante 
e eu em seu seguimento 
(no caminho d 'elles). 

A culpa é sua^ para que con- 
sentiu que elles fossem 
adeante sendo o senhor o 
mais velho. 



^ A grossura de um dente de marfim variando entre a do delgado da 
perna até ao joelho é por elles considerada de insignificante. 

IS 



194 



EXPEDIÇXO POBTUGUEZÁ AO MUATIÍNVUÁ 



éne akudUlè apukaf 

búate, éne akuãM tvbúa, kor 

gana apuka. 
muéne goda kututumixa ^paía 

Sía kaiiaza musasa ou. 



mu polo pa kaugtda naméne 
zego úatokaj i naíaade ku 
asaa árau 

ámi ní eai naméne masese ma- 
vudi, imaóiko rr.aôso an' ámi 
aUe kuimane (k&iaota) ni 
cmeténe mamidi. 

axkudxUe ni maJUtía aZi ni iU' 
toda. 

lid' ikif 

jipasujta hãoQca. 

mona maku muíaaa Oámi Ha- 
kata kutda ni misogo ma- 
vudi mu mutHè, ni dt^deãía 
tátuko. 

nteza Ha úito, kâiso naméne 
iíato ku^ilultila ni tukugi 
tusaíiíariy mOamê òi noéji, 
I I tíladi mema iHhaxi" 
kãe 8uka éne, aijikHe kiiiàia 
ni Oape ni kaxi i aHe uxa- 
di Ha, mOanii òi noéji; tOa- 
JcHaú I I I tusaio akHator 
jana mu iíato i kaJãepe ni 
kaMepe, U noéji, amuòaxi- 
kile ku pcLéaú, mttante Si 
noyi; ni aixala \ \ tOadi 
mOéne paiòau Ha mu- 



noen 
kam 



EUes comeram os ratos? 

KSO; comem ctes^ nSo (co- 
mem) ratos. 

O senhor da terra mandou- 
nos que trouxéssemos esta 
manhã uma cesta de mas- 
sango. 

No sitio do Caungnla vi fei- 
jão branco, e comprei para 
os meus rapazes. 

Eu também vi muitas lagar- 
tas, e todos os dias a minha 
gente ia procurá-las e tra- 
ziam abundância. 

Comiam-nas com folhas da 
mandioca ou com os fiructos 
(semelhantes á berinjela). 

O que é isto? 

Gafanhotos para assar. 

Minha irmã está doente com 
muitas dores na cabeça e 
no peito direito. 

Venho do rio, onde vi a ca- 
noa virar-se com 7 rapazes 
(risca): 2 a agua levou-os, 
mas elles sabiam nadar 
muito bem e foram para a 
outra margem ; (risca) três 
outros agarraram-se á ca- 
noa e pouco a pouco a em- 
purraram para o porto; o 
resto (risca) 2 ainda, o dono 
do porto atirou-lhe cordas 
que eUes agarraram bem, e 
assim (apaga o riscado) to- 



HETHODO PRATICO DÁ LINQUÁ DÁ LUNDÁ 



195 



^HbuIUe Tíuqji etí éne alcúar 
tani ni Oape, i # múamo 
tiíasáícmo túaôso aci cdu- 
jxzade, miiantê H noéji: 
(xtuxala kúa mu muiena. 
kalíaaa úakudilaníf 

kagana nikudUa, mukiíaíàgo. 

nimana m úape musoji umúè 
mu dÍ8u âM,. 

Hdi Sía muixi. 

ukusota kugudtlíanaf úascda 
fínpe. 

kaloio! mUaníe H noéji, ííní- 
iuixape kumudú^a, selef 
ámi, leio táJtvk* úámi, H 
no^i, ntijika tátuko, eíé 
uia polo pA i vkusota ku- 
guxa pane, H no^i, mu- 
gada oú ni akaje Héí, Zi 
noéfi, }^^iii nikudUa; ámi 
meai nasotele kma ni éU 
tátuk* Hámi, H noêjL 

€Íci éié vkuete muxima Ha kma 
ni ámij kagana úiaama ku- 
dUa, mUantê 5t noéji; uscda 
mvsase^ Hei ni utúixa kOeza 
ni ámij tí noéji, éiu t&or 
kauJíuka diamaóiko hiíididi 
ni hiíididi, 

nimla musa$a siíapali, kakOe' 
tepe toiima ivudi ia kuseda. 



dos os sete se salvaram: 
deixei-os ao 'sol. 



Rapariga, porque estás a cho- 
rar? 

NSo choro, meu fidalgo. 

Eu vejo uma lagrima num 
dos teus olhos. 

E do fumo. 

Queres enganar-me? Estás 
fazendo mal? 

Grande! sim descendente do 
grande! nSo posso enga- 
ná-lo meu amo ; agora meu 
pae, eu sei, pae, V. vae á 
sua terra e quer deixar-me 
aqui nesta terra com as 
suas amazias, por isso cho- 
ro ; eu também desejava ir 
com V., meu pae. 

Se tens vontade de ir commi- 
go, nSo precisas chorar; 
arranja a tua mala e podes 
vir commigo, nós partire- 
mos amanhã muito cedo. 



Arranjo a mala depressa, 
(porque) não tenho muitas 
cousas a transportar. 



1 muêBOse é uma espécie de canastra onde acommodam as cargas que 
transportam. Pesa, quando cheia, pouco mais de 15 kilogrammas. 



196 



EXPEDIÇlO POBTUGUfiZÁ AO MUATIÂNVUÁ 



tuamana mujW oú utadi kamo 

kagana cKala. 
jííaíu jta mukoko, aZi ajikúo' 

xde ni iíape, mvdi ukúete 

mani òtdi kuâHa kúape rd 

kaxi, 
SícyuJcata kamo, jta jtíaío jta 

òibode jta mani kamo. 
maeese ma ItUole dijina díaú 

didi apulo. 

úadaUe kalif 

kali, ni Síagukata ni kaxi. 

é6u túaxikile múéne masaJca 
goloxe mutena K *- i m&é^ 
ne, m&amo eòi kiUumana, 
úaâHoka ni makumi maadi 
mata ni kani iíaezUe kupa- 
na tdogo múata veta i umu- 

' neténe soba Oakéne Ha ma- 
rufo uape 6ia neai^ ni cãu 
an* edi. 

yaJca úét, hdakaje mudi múé- 
ne udi, òi noéji, Hasala mu- 
jikita muvudi maòiko madso, 
nimumana úa musasa Ha 
uriide ni úa uòuko, kagana 
aci kupiía. 

milén' edi kuxa kaso mijikita 
&a kudia ni kulala, H 
noéji; aci diliko dintuè ka- 
tumumenepe kusala m^jiku 
ta, òi noéji, aka mOéne 



Estamos vendo neste caminho 
mais ferro do que pedra. 

As costellas do carneiro^ se as 
assarem bem, como teem 
gordura^ s&o nma boa co- 
mida. 

Gosto mais das costeUas de 
porcOy teem mais gordura. 

As lagartas do bordão cha- 
mam-se (nome d^ellas é) 
ampulos. 

Já comeu? 

Já, e gosto muito. 

Kós chegámos hontem (ao 
sitio) do sr. Massaca ás 9 
horaS; e este assim que nos 
viu saiu com 24 (pessoas) 
armadas, veiu cumprimen- 
tar o nosso chefe e trouxe- 
lhe uma bilha grande de 
bom vinho de palmeira, 
para elle e para sua gente. 

Seu avô, velho como está, faz 
muito trabalho todos os 
dias ; vejo-o de manh&, de 
tarde e á noute (a traba- 
lhar) sem se cansar. 

Elle só deixa o trabalho para 
comer e dormir; se de 
dia o nSo vimos trabalhar 
então está doente, e entris- 
tecemo-nosporqueestámui- 



1 Além do Cassai usam maito collocar n antes de tãi. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



197 



ktãda i éíu Hiajimana mu- 
loffa mUéne kaadncJcaje i 
tukuete úoma kujilala moio 
úedi. 
matUadi jía jikami fia múari 
fia èibago fiakéne fiatmãi. 

al^el' êtu eii aSioko €^6inine 
Jculutuè mãéne masaka, ko- 
ía ni cã' iieai alozele mahi- 
nau pum pum pum i aijip* 
<ãu amtdi, múarnê, H noé- 
fi; á&oko eHaxalde, ahaait- 
kUe mu kasat uxaãi úa ni 
kuta ku mahué polo pau, 
múantê H noéji. 

miiamo múape, múéne masàka 
mtUu Oakéne. 

koffana kupuita muamo kudi 
likxLsa £ia kabaaa, 

amtdya iSíéòi énu amtisota 
múéne usale ni múéne úa- 
kakusala; á6i kctgana ku- 
sala kugulg* ámi eòi nituma 
kumona malu. 

kuaala úape ^akacU kumana 
kúa nani, 

fikasu fiidama kukúete mau- 
tadi Tnaúape, mtdoga kúa 
kupuaa mavu atúixa huta- 
na mmcãa i kuhukuka, 

agada aôso eòu tutúisca kuma- 
na dia kmwúko aSúa ano- 
nif 

múata kitaSo, kánda úa múa- 
tuwúa. 



to velho e temos receio de 
perder a sua vida. 



Os ferros das enchadas da 
primeira mulher do Chi- 
bango são muito grandes. 

Disseram-nos que os Quiôcos 
fugiram adeante do sr. Mas- 
saca^ o qual com o seu 
povo fez fogo sobre elles 
e lhes matou muita gente ; 
os Quiôcos que restavam 
passaram o Cassai para a 
outra banda e correram 
para o seu sitio. 

Assim (é) bom, o sr. Massaca 
(é) pessoa capaz. 

Não puxe assim pelo braço 
da rapariga. 

Digam-lhe V. o que querem 
que ella faça, e ella o &rá; 
se nSo fizer digam-me que 
eu a castigo. 

Fazer bem sem olhar a quem. 

Ás enchadas precisam ter 
bons ferros porque no cavar 
da terra podem encontrar 
pedras e quebrar-se. 

A quem pertencem todas as 
terras que podemos ver 
d'aqui? 

Ao sr. Quitanzo, tio avô (des- 
cendente) do soberano. 



198 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



ditame diéí úaizula, iíoma 
l^oúma mu ditame f 

novúile misogo mu mazeú. 

Ido, ruMao òiúapelepe ku 
kOoxa masuko, uatúixãe 
kubaxika kasiíè kua ipaga. 

éòu tOaJcaloda urúele kamo, 
ene Haiya i e^u kagana^pa- 
kOeza tukiiete kufuta, H 
noêji, úape kamo kuifuta 
hall, kakutúiííape miloga, 
múaniê 2t noéji, aZi tumúi- 
tia tHakaifut' aJiinaú kadi 
kamo, 

^H muruaanami kutoga òt^dt 
tHakasala, éíé úijika ni úape 
tfãa tajigaaa yi, 

Hnitvixape kúitía ana mak* 
úedi, aci cdekele dxa kusala, 
&e6i múéne tátuk' wi& uoí- 
tumine, ni dei áôinine ^Sía 
á&óko. 

anonéne moÃuna e^i mak' úenu 
leio úakúitiile aZi nunoné" 
nef (kúa kumonafj 

áci ikug* ia kuòiluka panapa 
Zinikusotape kumumana; ni- 
kumúijijika kali mudi muiji, 
úasotde kuguhia mu uséía la 
gote. 

aci éU úaile mu iliia te% na- 
kuetHe mu^ima kumutúale 
Sía kumana tuíaaa túéi 
akuaibéne. 



A tua fSEice está inchada, sen- 
tes (alguma) cousa na face? 

Dores de dentes. 

Hoje o vento não deixou quei- 
mar o capim; (porque) im- 
pellia o fogo para as resi- 
dências. 

Nós fallaremos depois, elles 
teem razão e nós n2o, por 
consequência temos de pa- 
gar ; (é) melhor pagar-lhes 
já, não acceitarmos deman- 
da, se a acceitâmos, pagar- 
Ihes-hemos ainda mais. 

O que o meu amigo julgar é 
o que nós faremos (porque) 
y. conhece bem os costu- 
mes doestas terras. 

Custa-me a acreditar que os 
filhos d^elle deixassem de 
fazer o que o sr. seu pae 
lhes mandou, e fugissem 
para os Quiôcos. 

Escolheram as fazendas que 
sua mãe hoje lhes pedia 
para escolherem? 

Se aquelle homem aqui vol- 
tar não quero vê-lo ; reco- 
nheço-o já como um ladrSo, 
queria roubar-me no nego- 
cio dos bois. 

Se fosses ás tuas lavras tinha 
vontade de acompanhar-te; 
queria ver (veria) as tuas 
raparigas lavrarem. 



METHODO PRATICO DÁ LIKGUÁ DÁ LUNDÁ 



199 



SíeH katusalape Ido, ciei uscda 

díaimaliko. 
iúakakuxa ãiamatíko. 
leio ttJiada túakubiíita mxka" 

ka rd jiffuba. 

goloxè aneténe avudi, nitcUa 
leio aneta rd vudi mudi go- 
loxè; nitúixa kali ãtamaói- 
ko kutuma mu xiko hãadi- 
xa ip<na ta mikaka ni ji- 
guba. 

vHileí' A, k€igana kubiUa kamo 
mu kakugi, kcJcúijipe kúeai, 
musoni úedi, omu Oapegana 
ni uná, koia iktíHnine % 
iiahiia paxi rd úaipulUe di" 
vuSa d^i. 

tíiataama kuloda múari goma, 
úeza òikubo SUtu kubtãa mu 
goma, ni mAari Jcisaje, por 
muè ^oHfnui òtúape ámi 
myika. 



ukusota hãadixa ^ikarcíolo 

etíf 
kutíladixa, 
ecikef 

nyokaHaxâo 
}Hvudi. mpcma baao^ ni kasaxi. 



O que se nSo fizer hoje faz-se 
amanhã. 

Iremos ámanhS. 

Hoje as raparigas estSo co« 
Ihendo mandiocas e amen- 
doim. 

Hontem trouxeram bastante^ 
espero (que) hoje tragam 
tanto como hontem; posso 
já ámanhS mandar ao mer- 
cado vender cestos de man- 
diocas e amendoim. 

Bogo-lhe que não bata mais 
no rapazy nSo foi culpa 
d^elle mas sim do primo; 
este estava brincando com 
elle, e fugiu e rasgou-Ihe o 
seu panno. 

Precisámos fallar ao tocador 
de tambor (para que) venha 
á nossa residência tocar no 
tambor, junto com o toca-, 
dor de marimbas (de fer- 
rinhos), uma cousa bonita 
que eu sei. 

Queres vender este gallo 

Vendo-o. 

Quanto (queres por elle)? 
Uma braça de xadrez. 
É muito. Dou metade e mais 
um quarto. 



1 O bcíão é metade de uma braça ; porém, devo advertir que se tem 
abusado doesta medida entre algumas tribns* fazendo-a o maior que lhes 
é possível obtê-la. 



200 



EXPEDIÇZO PORTUGUEZA AO MUATliNVnÁ 



múata ukusota kusaia uséia 
dizeu iecU kudi masuna. 

mmulaãixa; nikusota mata 
masâLaíío,jtgomaj%a difada 
jini, ni úaxala úa Tnuxsuna 
ntimona ni kwnona, 

mata rd difada, makumi ma- 
saio mixini masuna ni 
kaadi; aJca ecike mamna 
kamo ukusota kunonat 

makumi maadi ni linane. 

aôso pamiiè asala amixini 
makumi masâZaíío, Hnitúi' 
xape kiíitia useía mOamo. 

kugtãya : miíata Hapana écíkif 

dikumi ni díadi kaso kamo, 

Hajíka; tma kunona kali ma- 
8una, 

sdej' ámi, aiSíoko asato aejile 
nijidudo kOa kujilaaixa, i 
cnptãe aSi miíata ukusota 
kujilaaa f 

éne akusot* ikif 

difada. 

cH adama. 

akujUadixa ecikif 

tuaseaa misase masato ma 
izxãa, táakusota jiyomajta- 
di jimiiè. 

diUko leio, uséia Ha audo 
Oaipe, iíafuHe; (Síahiíi kupa- 
na kaso goma umiíè kumi 
musase. 



O senhor quer negociar essa 
ponta marfim por fcizen- 
das? 

Vendo-a; quero seis armas^ 
quatro barris de pólvora e 
o resto das fazendas quero- 
as (ver) escolher. 

Armas e pólvora (sZo) 32 
peças de fazenda; entSo 
que mais fazendas quer es- 
colher? 

Vinte e oito. 

Tudo junto faz sessenta pe- 
ças; não posso acceitar tal 
gocio. 

Diga-me o senhor quanto dá? 

Só mais doze. 

Está fechado; vamos agora 
escolher as fazendas. 

Meu patrSkTy chegaram três 
Quiôcos com borracha para 
vender^ e perguntam se o 
senhor quer comprá-la. 

O que querem elles? 

Pólvora. 

Que entrem. 

Vendem (a borracha) por 
quanto ? 

Trazemos três cargas cheias, 
queremos agora dois barris 
de pólvora por cada uma. 

Presentemente o negocio da 
borracha está mau, morreu ; 
por isso vou dar só um 
barril (de pólvora) por uma 
carga. 



METHODO PRATICO DÁ UNCFUÁ DA LUKDA 



201 



úakapana kadi tusagasaga 
fiía ákajt aêtu. 

nakapana ni kaxi, húate. 

úaméne kali mtUaro múakéne 
múéne iíasalele mu líikasaf 

iia9€ãeP iíi eZUcif 

wuotde kukattãa fn&eye múch 
jòna -*'^, paka utUikéne 
mu tíkasa, i zál maxi ma" 
vudi. '^ 

miktna kaki úámi §^oxe 
úahiia mu paxi Ha âitaaa^ 
ditada dibtdUe mutue úediy 
i Ido òitata Hjima eèu túor 
mana. 

itata mu mutãè uxipe (Húa' 
pdepej. 

ana aiaaa aííaiviia aci àkur 
búika kali ni tuòikuyo; mi- 
ve numUa aèeha kaezape ka- 
li kua musvJÍKt. 

akitaruaa amana kali mcdu 
xaií; c&i mâotuivâa m éne 
kagana nàiji ni kaxi, i 
nRaú áH aijikiU kucKa ni 
iiape Haia Hainaú ni kc^a- 
na kusala mateau kudi aXio- 
ko, (Miiipe pait kamenepe 
malu mUamo. 

koÊué HasUeji, isoso itúikaí 
tala bãi, isoso httape mu 
ikuío isiUpa. 

uàik^ u naméne (naianéne) 
peúlo (bu) ulàlo Oámi naka 



Dará ainda missangas para 
as nossas raparigas. 

Darei, muitas nSo. 

Viu já o grande golpe que 
elle foz (tem) na mSo. 

Como fez isto? 

Queria cortar uma canna 
grossa e a faca resvalou na 
mSoy feriu (fez) e muito 
sangue. 

O meu filho mais novo hon- 
tem caiu do banco, o banco 
bateu-lhe na cabeça, e hoje 
tem a ferida grande (que) 
nós vemos. 

As feridas na cabeça são más 
(nSo são boas). 

Ás filhas dos soberanos ta- 
pam-se (cobrem-se) com 
farrapos; ha annos (annos 
passam), e os negociantes 
já nSo chegam á capital. 

Os da Lunda estSo sofírendo 
o seu castigo ; se os sobera- 
nos e elles nSo fossem la- 
drões, e também se sou- 
bessem govemar-se e nSo 
fizessem desordens com os 
seus vizinhos Quiôcos, nSo 
soffiriam como soffirem. 

O fogo é demasiado, as fais- 
cas voam, repare niío vSo 
as faiscas para as cubatas 
próximas. 

Esta noute encontrei (vi) so- 
bre a minha tarimba uma 



202 



KXPEDIÇZO POBTUODESA AO MDATIIhVUA 



«* •• 



iíajtfna; mãamo •«- -> úaJãe- 

pe, naidaméne kataSuka tu- 

xciapoU túezani kuguanexe 

kumujipa. 
tvk&eU ma&ala ma kaftíè ^, ha- 

gana paka Ha kasúè^; 9uka 

éne jipaka jivudi i atíiixa 

kus&ipa vi etu. 
tupana aci tufd dei tutano 

tiãala i tuuãndapaka umuè, 

mahiUf 
Ioda miiari muixi kujipa td 

úape. Ido, Sala úêtu. 

múéne úalefa kudía kuapiia 

kalú 
íxi e% tih tuape, cteneci tkuete 

mita mivudi, katuatuixãepe 

kutmidía. 
nani tmeténe Ivkage dluf 

tnusani úei úaltUabidãe kudi 
alua úa múéne luhaaa kHa 
kuUkJcexe ku éU. 

ííaúape; òiagukata ni vuâi 
lukage kumúoxa. 

ia kuná mukaxi i neta Oámi 
mâege Ha zâvo ni úape. 



grande cobra; precÍBei cba- 
mar os meus servos para 
que TÍessem todos ajadar- 
me a matá-la. 

Temos pederneiras e nSo te- 
mos fíisís ; mas (como) elles 
(teem) muitos fusís, podem 
trocar comnoaco. 

Damos quatro oa cinco pedras 
e recebemos um fíisil, n2o 
é assim? 

Diga ao cozinheiro (para) 
matar hoje bem a nossa 
fome. 

EUe diz (que) a comida está 
prompta. 

Este peixe é bom^ mas tem 
muitas espinhas^ nSo pu- 
demos comê-lo. 

Quem trouxe esta gallinha de 
mato? 

Teu primo recebeu-a dos por- 
tadores do sr. Luhanda 
para t'a entregar. 

Muito bem; eu gosto muito 
da gallinha de mato assa- 
da. 

Vae lá dentro e traz um ana- 
naz bom (maduro). 



1 «Pedras de fogo» (pederneira). As das espingardas teem vocábulo 
especial. 

2 «Facas de fogo» (fusis). Também os das espingardas teem vocábulo 
especial. Tanto estas pedras, como as facas, indicadas mna tos na con- 
versa que sâo para fiuser fogo, se entende serem pederneiras e fíisis. 



METHODO PRATICO DA UNQUA DA LUNDA 



203 



kugupúa Ido avudi, muloga 
naiUe pclepa naedde diòi' 
ho díôêo ladi kãirnane ku 
jtgúack. 

miiéne masaJea Oalcyixa mu- 
rudaneai énumãcUa, imúéne 
ukusota ám nUej' énu : ámi 
miiéne mcuaka nUaíur énu 
jimana eji jta golugo ni 
jiaaba jisato jia marujo 
kiiénu, ni típata eòi Sía uga 
2ta kabaka kudi ema Oénu. 

akaòãvla miiéne maaaka eH 
ámi, kiguri, ^Siagukata ni 
vudi miiéne kuguvtãukama 
âíám ni an* ámi ni mãdío 
Oape. 

xa muteba utumix* éí hatíii 
aka Sía kuc&apa urOeV Oéí, 
ni kalogo aka Ua mOana 
mtJíada Hei. 

akoãoda^ xa mutela : muruda- 
námi najikitixa jivudi ka- 
logo ni katíii, i mOana mu- 
lada Oámi OailJíele xa mu- 
teba kúitia mukudikine omu 
dia xigo, rnOén* eai Oaealele 
Sía mUari Sía muruaanámi 
xa muteba. 

aSíoko aâxokene polo paii ni 
aiHajana aZi kumiiagexe mu 



Fatiguei-me hoje muito, por- 
que andei todo o dia sem 
parar a procurar perdizes. 

O sr. Massaca cumprimenta 
o seu amigO; senhor, e 
quer (que) eu lhe diga: 
eu sr. Massaca vos offerto 
esta carne de veado e tre^ 
bilhas de vinho de pahneira 
para vós, e este cesto de 
farinha de milho para vos- 
sos filhos. 

Responderão ao sr. Massaca 
que eu, Quingúri, muito 
folgo de elle se lembrar de 
mim e de meus filhos com 
um bom presente. 

O superior Muteba manda- 
te este coelho para o teu 
jantar, e este papagaio pa- 
ra tua filha. 

VSo dizer ao superior Mute- 
ba : meu amigo, eu agrade- 
ço muito o papagaio e o 
coelho, e minha filha roga 
a Muteba acceite este coUar 
(que) ella mesma fez para 
a senhora do meu amigo, 
superior Muteba. 

Os Quiôcos sairam dos seus 
sitios e combinaram re- 



1 Elias empregam o futuro quasi sempre no sentido de acçSo imme- 
diata. 



204 



SXPEDIÇIO POBTUGUEZA ÁO MUÁTIÂNVnA 



ha&eda, ni dia aeda aôso 
pa kalaúi, tumãè ku rnuuí- 
da, tukúaú ku múuro. 



kagana huxákama, maSuJa ka- 
kutidekape kali. kiíeaa ni 
úape, aci kuxakama kadi 
Síaipe. 

nikusota kumona aZi ntkutu- 
Tmka pa kúaluka godé, ciu 
aôêo úám akudUa ni Sala. 

íH Síeza k&iji kHedi, namule- 
jeV edi tíkuro etí, tuia ni 
káeaa, m&amo kuxakama 
maòiko maôso, katiiatúixi' 
lepe kumutúala. 

mona kisege úita murudaneai 
muata lufuma umulumixa 
púelete ni mono, muéne aci 
Oatela polo pedi nOa. 



iki kiúapel^ padi, uteji ni 
mono úeai. 

nitoga eH kakima Oemixa. 

Umijikape ocí Hemixa aci 
uateia, cíect mijika ctntma- 
na divumo díeai díajima, 
m&amo díoke dta ^ibago. 

dia umaa úape katúixapê 
kudioka dizúi díipe. 



nnir-se em Cauenda^ e d'alii 
todos marcham (seguem) 
para o Calânhi, uns para 
baixo (norte); outros para 
cima (sul). 

NSo se demore, (porque) as 
chuvas nào nos deixam já; 
andar bem^ demorar-se (é) 
ainda peor. 

Quero ver se parto para o 
mez que vem^ (porque) toda 
a minha gente chora (pade- 
ce) com fome. 

Isto succede (vem) por culpa 
d*elle, eu disse-lhe antes 
(ha muito tempo) que a 
demorar-se assim sempre 
(todos os dias) nós nfto po- 
diamos acompanhá-lo. 

O sr. Quissengue pede ao 
seu amigo o sr. Lufuma 
que lhe £Eiça enviar uma 
garrafa com remédio para, 
quando elle está doente no 
seu sitio, tomar (beber). 

Isso não (é) bom (nSo pode 
ser), para cada doença seu 
remédio. 

Julgo que a macaca está pre- 
nha. 

Eu não sei se está prenha ou 
doente, o que sei é que 
vejo a barriga d*ella gran- 
de, assim saiu do Chibango. 

Da boa amizade nSo pode 
sair uma palavra má. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



20 



mitta rrumíi maôso maúet, 
{MKokeU mukano dia muru- 
aa mUape. 

tãek' ámi áci mu masriii ama 
ámi úatana (úamana) umué 
kaiêapdepe kudi et; Hrdkur 
sotape dta muruaanámu 



tala, kumanika uxadi tia. ah! 

miíake! rdmana azaje ia 

manika^. 
mu ttíkita A rvkiao rúapepe 

fii usfía wudi. 
uòuk' u kabiia kalciepe kafãal 

muakel ^ipe! tàzuka gaga 
Hakéne úa kukota pa aoda 
pa ôso pa JU' aí*. 

úaijika rd aZi kabiia kalãepe 
kavalde muloga úaòilumén* 
edií 

ah! ka! ha! gohxe nalotele 
kabiia kaJãepe kafOa, dum- 
ma ISíipe likuaota kugutana 
ku mujãni kHámi. 

pekUa muíu kakUaka Oamu- 
sal* eí nxipe, urOde kamo 



Acceito todas as tuas pala- 
vras; pairam da booca d'am 
bom amigo. 

Desoulpe-me se nestas minhas 
palavras está encontrando 
. (está vendo) alguma nifto boa 
(que não é do seu agrado) 
para si ; eu nSo quero mal 
ao meu amigo. 

Veja^ relampejar na outra 
banda. Ah! senhores! vejo 
linhas de fogo. 

Nestas florestas o vento so- 
pra com muita força. 

Esta noite o cSozinho mor- 
reu I 

Oh! senhores! isso é mau! 
Chama um bom curandeiro 
para limpar todo o logar 
onde elle morreu. 

Quem sabe se o cãozinho nas- 
ceu porque tem inimigo 
d^elle? (por conta d'a]gum 
inimigo?) 

Com os diabos! (praga) hon- 
tem sonhei (què) o cãozinho 
morreu^ cousa má quer 
achar-me no meu corpo 
(está para me succeder). 

NSo ha pessoa agora que te 
faça mal; depois se entras a 



^ «Raios de alumiar». Entre elles n2o ha vocábulos especiaes, como 
entre nós, para designação de coriscos, fabcas eléctricas, ete. 
' Phrase especial para indicar onde jaz o corpo insepulto. 



206 



EXPEDIÇIO PORTUGUEZÁ AO MUÁTIÍNVUA 



áci eíé úadama kudta úata 
vicie hm atlolo à koli kilei 
éne ak&ete ifiía, akakasota 
katdtaka múana múatzaviía 
kumusúanexe mu Oata i Ide 
(dííajanene kuâAÍan' et % 
hujip' et. 

ISíákéM, mahúx, kagana ni 
Meda kupolo (Sakadi úcua- 
%de hdoaa ni atlolo aôso, 
àci éne asotde kugusúanexe 
hatataka akataSuka kaii, 
múana múaiíaviia mtòima 
ahinaú. 

amuòibiíile mmala, ni m&éne 
ni Ooma úaòinine. 

mOedu Ha ditada Hakuhikuka» 



governar o Estado^ repara 
sempre nos grandes da tua 
corte, elles teem o costume 
de procnrar inunediatamen- 
te um filho de soberano 
para o fazer herdar o Es- 
tado, e então combinaifo 
enganar-te e matarte. 

E verdade^ é assim, nSo doa 
um passo sem primeiro 
&llar com todos os gran- 
des, se elles querem sub- 
stituir-me «^So já chamar 
(chamarSo) o filho de so- 
berano da sua vontade. 

Apedrejaramno, e elle com 
medo fiigiu. 

A perna (pé) do banco que* 
brou-se; 



PAETEin 



SYNTAXE 



1 



EESTJMO SYNTHETICO 



Regenoia 

Se examinarmos as phrases isoladas^ ou melhor^ as suas 
curtas locuções^ vemos que observam uma certa regularidade. 
Es.: ánU mia k&a ruaa ceu vou para a Lunda»; éòu tUaMa 
xitu ni j^ilo ou jiQcia cnós estamos comendo carne com um 
firucto*», etc. Fora d'isto, porém, é sempre muito irregular. 

Se ás ligações dos seus vocábulos^ que variam segundo os 
prefixos d'estes, podemos chamar^ como eu suppuz^ preposições, 
teem elles todos os complementos que nós temos, porque di- 
zem o que comem, o que bebem, o que fazem, a quem 
dSo de comer e o que dSo, e porque o dão; etc. Ex. : 

noqi úcualele (uasala) ditada dimUi kiía m&ata. 
Noéji fez (está fazendo) cadeira uma para o senhor. 

mUêne úabujile mutiiè mila mona makf úedi. 
EUe quebrou a cabeça do irmSo d'elle (seu). 

éié Habtidikíle ni pupo iiámu 
Tu saiste com o barrete meu. 



^ Fructo acido, da grandeza de ama ameixa, amarello claro, rijo e 

que cozem ; tem um sabor que lembra o das azedas. 

u 



210 EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



Conoordajioia 

Os adjectivos concordam com os substantivos em classe e 
numero, como já se viu na morpliologia, e os verbos com os 
sujeitos em numero e pessoa pelos seus pi*efixos especiaes, 
e tomando os dos substantivos se se trata de objectos. Ex.: 
^oiima eH lidi ^iúape c cousa esta é boa». 

Se houver dois ou mais sujeitos pronominaes, contrahem 
estes no plural, segundo a preeminência determinada pela 
ordem das pessoas granmiaticaes, e assim dizem: e^ cnós» 
em vez de ámi ni éíé ceu e tu» ou ceu comtigo», tomando o 
verbo o prefixo correspondente; énu tvós» em vez de éi£ ni 
múéne ou eai «tu e ellei, ou de múéne ni eté celle comtigo», 
tomando então o verbo o prefixo correspondente á 3.^ pessoa 
do plural, por ser mais de um (vocês); ámi ni énu teu com- 
vosco» e énu ni éíu «vós comnosco», como o primeiro caso; e 
énu ni éne «vós com elles» e éne ni énu «elles comvosco» co- 
mo no segundo caso, que elles representam quasi sempre 
por Cíéne ou éne aôso. 

Quando se trata de diversos nomes de pessoas, depois de 
os declarar, ligando-os por ni, collocam o verbo na terceira 
pessoa do plural antepondo-lhe aôso (todos). Ex.: muteba ni 
mxihogo ni tavo aôso akumuk&atani mukaSa «Muteba e (com) 
Muhongo e (com) lanvo todos prenderam o Mucanza». 

Sempre que se indica a occasião, o tempo em que se pra- 
tica a acção de que se dá conta, o adverbio respectivo occupa 
o primeiro logar na oração. No exemplo anterior coUocando 
antes do primeiro sujeito yoloxe. Ido, ãíakiiadta, ú6úk' u, etc., 
indicar-se-ia que aquelles três individues effectuaram a prisão : 
«hontem, hoje, ante-hontem, esta noite, etc». 

Sempre que ha complementos terminativos seguem estes o& 
verbos e succedem-lhes os objectivos; nos circurnstanciaes, 
não ha ordem fixa, é o que primeiro lhes occorre que se vae 
juntando aquelles. 



METHODO PRATICO DA LIKGUA DA LUKDA 211 



1 

Nos exercícios práticos se tem feito conhecer todas as regras 
de sjntaxe/ e por isso^ e porque ainda em novos ezercicios 
estas se tomarão salientes^ ocioso seria apresentar agora novos 
exemplos. 

OonstruoQão 

Quando se trata de oraçSes isoladas^ pode dízer-se que a 
construcçSo usada é a directa, como entre nós ; porém nos seus 
discursos, descripçSes e noticias reconhecesse bem ser a con- 
strucção indirecta a mais usual. 

Pode dizer-se que a sua construcçSo nSo é mais que jux- 
taposiçâo de orações e de vocábulos, sendo preciso muitas ve- 
zes grande pratica para se conhecer de quem se trata, que é 
geralmente quem falia, porque demais é frequente o emprego 
de todas as figuras que conhecemos em portuguez: ellipse, 
syllepse, pleonasmo e hyperbato. 

Sirva de exemplo o seguinte commentario' de uma occor- 
rencia que se deu: 



1 £ necessário que se saiba que o Ambanza Madamba acompanhava 
com a sua comitiva o Muatiânvua, e uma parte d^ella, sem licença e 
mesmo sem conhecimento doeste ultimo, num dos acampamentos ante- 
riores procurou um caminho mais pelo sul (lado de cima) e foi passar 
um rio, aquém do qual estava o Muatiânvua acampado com sua gente; 
e também que além doesse rio eram as terras dos Tabas, que se consi- 
deravam em guerra com os Lnndas, defensores do governador doestas 
terras, que aquelles haviam derrubado do poder e assassinaram, pren- 
dendo toda a gente que lhe pertencia e que não poude escapar- se, e 
fazendo prisioneiros que depois vendiam. 

As compras eram feitas em troca de pólvora e armas, e portanto os 
qae acompanhavam o Muatiânvua, que seguia para a Corte, queixa- 
vam- se da parte da conunitiva do Xa Madamba, que se adiantara ás 
occoltas, nâo só porque ia fornecer aos inimigos dos Lundas armas e 
pólvora, mas ainda porque levava para as suas terras gente Lunda, por 
suppor que nesse numero entravam parentes dos que acompanhavam o 
Muatiânvua. 



212 



EXPEDIÇÍO POBTUGUEZA AO MUATIAnVUA 



UH QEAKDE DA CORTE 



xa madaía ^ iíasala tu ipe, aka 
viúéne Hamda kunoúko \ Ha- 
lek* on' eai^, aZi akasuta- 
ni^ vlvlo, makauke 5tufóè 
maJccâ é^ ku mataba, kúa Zi- 
Ji ni kauza ni kúUaa ahjfi f! 



aka fnvitia ôviia aci, kamtdeja 
múa^viia kutumixa aliía 
zakó'', eòi aòUúixa aibagcda 
kagana ata ni ktdadixa di- 
faaa ni mata kudi mataba^. 



O Superior Madamba está fa- 
zendo mal, então elle está 
passando aqui, está deixan- 
do filhos d^elle, passarem 
em cima, atravessarem (rio) 
Chiúmbue, irem até Mata- 
ba para o Ambínji e Caun- 
za, comprar-lhes gente?! 

Então o Muitia, ouve, diz : eu 
direi ao Muatiânvua para 
mandar portadores, vir 
aqui, que façam voltar os 
Bângalas, nSo vão vender 
pólvora e armas aos Tabas. 



RESPOSTA DO MUATIANVUA 

kumutaSukani mem' tudo^ ni Chamem o Agua- Amarga e 
tavoaúane^^jokamutanezo' o lanvo de Uane, vão en- 



1 Era um grande, potentado chefe de uma commitiya de Bângalas. 

2 «Janto de nós». No caso sujeito era comnosco. 

' Comprehende-se bem que são três vocábulos úaleka ana tdi, 

^ Futuros do snbjunctivo indicados no primeiro por aU e nos outros 
pela letra m antes do prefixo, o que lhes evita a repetição do àci. Devia 
o primeiro terminar em tf porém o ani «indicando todos», fê-lo desap- 
parecer. 

^ té abreviado em é, fazendo-se a contracção do e final do futuro. 

^ São dois vocábulos kúikula atu {atu, pron. diversa «gente»). 

"^ takó abreviatura de dois vocábulos — kúiza «vir», kunoúko «aqui». 
Subentende-se — para receberem as suas ordens. 

^ kudi matàba «pelos Tabas». 

' Nome de guerra de um chefe de diligencias (kakuata), que tem esta 
interpretação. 

10 uane é o nome da mãe d*este individuo que se chama lanvo, e que 
fica sendo o appellido de família para destaque de outros que tenham o 
mesmo nome. 



HETHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 213 



vo^bt^iih,àkatòilúixiaib(i- contrar o grande Bungulo, 

gala, aZi aleka kuiz' àko para fazer voltar os Bânga- 

iilúixani rnidiía, eza huno las; se recusam (deixam 

agvleje ni mtazuJca^ majita de) vir aqui, façam voltar 

akúikasa. um portador^ para dizer- 

me, e eu mando-os com 
guerras, para os prender. 

o AGUA-AMABQA (Appareoendo) 

múéne Tnagada, namutaSukine Senhor das terras, convidei 
muruaanéi xa maddía mu- o seu amigo o Superior 

Iq' edi atúaZuke múan' eai Madamba, fazer-nos acom- 

muloga p^ adP umúè, an* eai panhar de um filho d*elle, 

asutiV a* (RaliUo. para buscar os filhos d'elle 

que passaram lá em cima, 

RESPOSTA DO MUATIANVUA 

Muantê, Síaúape. Sim senhor, muito bem. 

Na interpretação livre em portuguez, vê-se bem que a con- 
strucçfto seria muito diversa. 

Outras narraçSes fidedignas de diversos Lundas, que con- 
segui escrever e de que darei conta, são os melhores exem- 
plos da sua construcção. 



1 iavo «elephante» como é o maior animal qae conhecem, adoptam o 
vocábulo para indicar grandeza, superioridade. Como houvesse duas 
auctoridades, ambas com o titulo de kalcUa, o principal era zavo e como 
seu estado era do hugvlo por isso o denominavam Zavo Òugulo «Anzavo 
Bungulo». 

2 kuaSuka «acompanhar, soccorrer», mi em logar dos encarregados 
da diligencia que esperam a volta do portador. 

3 p^adi ttmue em logar de j^a adi umúe *de dois um; algum», porque 
se trata de am numero indeterminado. 

^ astUil*a, contrahiram-se as duas vogaes mudas e e u (asutiU úa) 
«passaram lá». 



214 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUáTIInVUÂ 



O narrador coUoca-Be sempre no logar das pessoas a qnem 
se refere^ e por isso, depois de as indicar^ diz aci, e o que 
se segue, é como se fosse dito pelo próprio. 



Exemplo: 

túa/miène siíana mulopo kuxika 
pane, aci: úeza kúiptda ku- 
di miata Itisago liía muru- 
danei ^iseye; e^u túoviía 
ana lisege; aZi: túakusota 
kuez' ako kulúajita nici' ia 
muattavua; ámi Ivfuma na- 
mu^imUe : kayana, ci' úa H- 
sege kúiz' ako hdoaa múcUa 
muruaanéne, kutumixa alua 
akuia kndi tiji ni xa fiatma^ 
kanovúape mazúi mateau ni 
mona mak' úeai múatíaviia. 



Vimos o príncipe herdeiro 
chegar aqui, diz: venho 
perguntar ao senhor noticia 
do seu amigo Chissengue; 
nós estamos ouvindo filhos 
de Chissengue ; dizem : que- 
remos vir aqui combater 
com o povo do soberano; 
eu Lufiuna (o que falia) 
respondi: nào senhor, o 
povo de Chissengue vir 
(veiu) aqui fallar ao senhor 
(o patrão) amigo d^elles 
(povo) fazer mandar (man- 
de) portadores vSo ao Am- 
binji e Superior Nhanvua; 
nSo ouço palavras de des- 
ordem (más) com seu irmSo 
o soberano. 



Para quem pela primeira vez visita estes povos, tal forma 
de construcção dá motivo a confusSes, que augmentam segun- 
do o numero de pessoaa que se querem apresentar ao mesmo 
tempo, accrescendo as interpolações especiaes ou referencias 
incidentes, e succedendo varias vezes tomar-se difficil a ligação 
do assumpto. 

Em geral, mesmo entre elles, só no fim de longos periodos 
se pode bem comprehender o assumpto de que se trata, porque 
além das juxtaposiç3es, elles, ouvindo um aparte, respon- 
dem a este e só tarde voltam ao assumpto. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 215 

jNSo devemos esquecer ainda que limitam as respostas, na 
maior parte dos casos, a repetirem os verbos nos mesmos 
tempos e pessoas em que se faz a interrogação, como se disse 
na morphologia. Ex.: Já comeste hoje? Comeste, Chegaste 
hontem? Chegaste. Fallaste a F. . .? Fallaste. 

Também kadi (ainda) é empregado para confirmar acçSo 
passada. Ex.: Foste ao Muatiânvua? Ainda. Já levaste as car- 
gas que mandei? Ainda. 



Syntaxe figurada 

Todas as figuras são por elles muito usadas, como está dito; 
porém accrescem além doestas as abreviaturas, que mais 
concisas tomam as suas respostas. A extensão dos discursos 
é devida ás juxtaposiçSes, repetiçSes e rodeios de que se ser- 
vem para attin^rem o seu fim. Entre elles é considerado bom 
narrador o que se tomar mais extenso. 

Exemplos de figuras : 

ikug' túape cE um bom homem»; 

múcUa . . . iíaxal' éòií <o sr. F. . . está ficando como?»; 

úaxala úape cesta ficando bom, está de saúde»; 

noviíUe ni matúi Tnaadi couço com os dois ouvidos»; 

diziíi dimúè cuma palavra, só tenho uma palavra»; 

tUatani luvtda lúeza kali úa^eji, tubúikam ^iknio, túajigor 
ma mumu cvamo-nos, a chuva vem já impetuosa, tapemos uma 
cubata, escondamo-nos dentro (vamos concertar uma cubata 
para nos abrigarmos da muita chuva, que é de esperar que 
vá chover muito)»; 

kima iíamona mukiLa Ha mukúaií kulepa co macaco está 
vendo comprido o rabo do companheiro (vês defeitos nos ou- 
tros, não conheces os teus)»; 

úadimuka hãoda, kutula paxi, kagana kuloda kasu diziíi 
dia mãamo co esperto fallar, por alguma cousa no chão, não 
fallar só palavra de bocca (se queres ser attendido faze-te re- 
commendar). 



216 EXPEDIÇIO POETUGUEZA AO MUATIInVUA 

ObsebyaçXo. — E costame^ nas assembleas; os que teem 
demandas a apresentar para o potentado as resolver collocarem 
no chão deante de si o que trazem de presente ao potentado, 
para este lhes conceder a palavra e attender á sua queixa. 

Muitos exemplos de comparação e figuras vamos encontrar 
na parte pratica e por isso terminámos esta secçSo com este: 

aci ixidi ivudile katusotelepe kutuxakama ni aruaa. 
Se cargas abundam, não queremos demorar-nos com amigos. 



II 



DESENVOLVIMENTO PRATICO 



Phraseologia 



Phrases Tnlgares 



mcUíÂgUtla mofcuãi, 

maôíka Tnavudi. 

luStUa lúeza. 

unoka hwida halL 

kunoka Itmda. 

Icusaxina ou himanílca zaje. 

nanit 

aoiimf eiit 

éié nanif 

nwudi éòi nikúeU rmudma. 
eH muxima úovila. 
tímúine 
diziU diêtu, 
texa bãi. 
dvúa k&dmu 
ãíámi díeòif 

kaUUak' é6i namane muxima 
Hatoka. 



Faz muito calor. 

Faz muito frio. 

Vae chover. 

Está chovendo. 

Chove. 

Troveja. 

Quem é? (Quem bate á por- 
ta?) 

Isto para que serve? O que 
é isto? 

Quem é V.? 

Com tanto que eu seja livre. 

Que o coração sinta. 

Náo me importa. 

O nosso dialecto. 

AttençSo. 

Protege-me. 

O que pretendes de mim? 

Fico satisfeito quando vejo. 



' 



218 



EXPEDiçIo pobtttouezá ao muatiínvua 



mSm akuméne ãa muxima ku- 

nona, 
utc3f ámi. 
òimUamo. 
múape mtãu h&ei. 
muxima úape kôeu 
novile Jcalu 
eie mahue. 
UdU* éòií 
namane múamo. 



Com os olboB 86 escoUie. 

Conte commigo. 
Seja como dizes. 
Estou á sua disposiçSo. 
De boa vontade. 
Fico sciente. 
V. está com pressa. 
O que se passou? 
Sou franco. 



Phrases para offereoer 



iLSot' eUf 

mtucima úéi uman' eZit 

mijikita ecike nitúixa kumu- 

sala, 
nakamúákexeV elif 
nimiíakexe umúitia. 
nimúitia ku èíé. 



Que quer? Que pretende? 

O que deseja? 

Em que posso servi-lo? 

O que posso oflTerecer-lhe? 
Offereço-lhe para que acceite. 
Acceito para ser-lhe agradá- 
vel. 



Phrases para conceder 



netia mu iki, 
ni muxima utoka, 
múamo nikumtisota, 
ku eH kúeza nitúixa. 
íuzkéne aci nittixa karnusala, 
kuituna i^oúma ^múe nalike. 

inaoso ciami ciei, 

àci kusota kuámi Oafa usani, 

nidi dizúi ãiei. 



Consinto nisso. 

Com muito gosto. 

Estou ao seu dispor. 

Farei o que possa. 

Farei se puder. 

N2U) posso negar-lhe cousa 

alguma. 
Tudo que é meu está ao sen 

dispor. 
Se precisar de mim nâo se 

constranja. 
Fico ao seu dispor. 



METHODO PRATICO DA LINOUA DA LUNDA 



219 



diziíi dimúè ãíéí divudi. 



H eté kusota nasúapali. 



Uma BÓ palavra sua é bas- 
tante. 

Estou prompto para o que 
quizer. 



Fhrases para pedir 



tíêaio iSia kiiit' éi. 
rnUeí' et kuyulek' ámi. 

noviia ni kaxi kumvlabexa. 
niiaL' et oct kaganaf 
hai kutuna ikL 
kugúaka Uaclío mit' eaif 

utoka muxima kúámi. 

jíkitixa ivudi. 

mutena kãiso ninmmane ni 

ktdoaaf 
tumana apoia mixima hiiate. 



Tenho um favor a pedir-te. 

Supplico-te que me descul- 
pes. 

Sinto muito importuná-lo. 

Posso contar comV. ounSo? 

NSo me recuse isto. 

Concede-me o favor que lhe 
peço? 

Seja benévolo para commigo. 

Muito agradecido. 

A que horas lhe fallo? 

E difficil distinguir os bons 
dos maus. 



Plirases para recusar 



tki nalíke. 

Hd IStamipe, 

kovúa múamo kadimudi muor 

ta. 
mUeía kuptdeka ni kaxi. 
kagana leio, diòiko dikiiaú. 
kadipe kiíiji kúámi, 
kadipe kuámi. 
novúa kvlek' eí. 
úaxala Hakéne íídmi òm. 

nasotde kusala oct OatiiixUe. 



Isso de modo nenhum. 

Não me pertence. 

Sinto tanto como o senhor. 

Peço muitas desculpas. 
Fica para outra vez. 
Não é por minha culpa. 
Não depende de mim. 
Sinto deixar-te, abandonar-te. 
Fique certo, o que é meu 

está ás suas ordenç. 
Faria se pudesse. 



220 



EXPEDIçlO POETUGUEZA AO MUATLÍNVUA 



Fhrases para dar e reoeber agradeoimentos 



W W u 



viíãtê, tátuko. 

nejtkile muxima uei uape 

kanikut&ixape kuvtdama mu- 
xima úeí múamo múape. 

Viasàla kúámi ni úape kugu- 
vtdama búate, 

nidi áéjikitíxa ni kaxi, 

nàkata muxima úámi makasa 
úeai. 

iki Múapélepe. 

òiahiii huate, TcúikiT é6i, 

múata ^Síakêne Síaiiape. 

úitia ktimuteka mu miaxima 



uam%. 



fdkumu9udioxa ni kaxi. 

kaijipe mudi nituixe kujikitixa 
kuámi. 

Síagtikata kumuscí' et ni úape. 



Muito obrigado, senhor. 

Sei que tem bom coração. 

Não posso esquecer a sua bon- 
dade. 

NSo me esquecem os bene- 
ficies que recebo. 

Estou-lhe muito obrigado. 

Fico-lhe eternamente reco- 
nhecido. 

Isso não vale a pena. 

Não por isto. Não ha de quê. 

O sr. é verdadeiramente bom. 

Receba os sentimentos da 
mais profunda gratidão. 

Dou-lhe demasiado incom- 
modo. 

Não sei como possa agrade- 
cer-lhe o que tem feito por 
mim. 

Folgo de lhe ter sido agra- 
dável. 



Fhrases para consultar 



iíasaid' éói aci ámif 

âmi àci éié nasotih kuaala. 

nisaV éíií 

aci úitia nakaleja kali òuiSi 

nitúixa kusala. 
kaijipSy ISia mujikita. 
namane bai manaig' oú. 
utoga bu Vioúma éòif 
muxima úéí ulej' eHf 



O que fazia se estivesse em 

meu logar? 
Eu em logar de V. fazia... 
Que é preciso que eu faça? 
Se me quer acreditar, eis o 

que eu faria. 
Não sei, é difiicil. 
Ha um único meio. 
Que pensa a este respeito? 
Qual é a sua opinião? 



UETHODO PBATICO DA LIKOUA DÂ LUNDA 



221 



«/ •■» 



uatga. 

ámi mudi ete. 

hmueza kuscda muamo\ 
naméne ni ipe rd kaxi. 
tala hUi, nimane manago. 
kugtdej* iki iiiape. 
(Rakéne Haktdoaa Síauape. 

umanajikef 

nikusota kuscda mudi Aé umu- 

leja. 
muxima úámi umiioviía mtia« 

mo. 
kiUkãa manago mukúaú. 



Creio que tem razSo. 

Sou inteiramente do seu pa- 
recer. 

Faria o mesmo? 

Procedi muito mal. 

Espere, resta um meio. 

É este o seu conselho? 

Com effeito a sua idea é muito 
boa. 

Que lhe parece? 

Estou resolvido a proceder 
como me aconselha. 

Esta é a minha opinião. 

NSo ha outro meio. 



Phrases para affirmar 



katumenepe kadi ítoúrna 5ta- 

kéne mudi eli. 
nakamusala kumana ni úape. 

hàaaaj l^cúcéne kamo, 
nUcúete kaso dizui dimúè. 

nUoa éí h&apua. 

iki idi takéne. 

ovUa ni úape Hnileja. 

ut&ixa kugúitia. 

aci ustUile mudi naméne. 

ntijika ni úape íínimana. 

ntleja kaso Síeòi nimane. 

nidikija ikdga muxima Ha 

toka. 
aH kinamunenqpe hai namvr 

lejele. 



Nada ha mais verdadeiro. 

Eu lhe apresentarei as pro- 
vas. 

Juro-lhe que é verdadeiro. 

Dou-lhe a minha palavra de 
honra. 

Prezo-me de ser verdadeiro. 

Isto é certo. 

Fique bem persuadido. 

Affianço-lhe. 

Garanto-lhe o facto. 

Posso asseverá-lo. 

Affirmo o que vi. 

Tenho provas convincentes. 

Asseguro-lhe porque vi. 



222 



EXPEDIÇIO POETUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



Phrases para negar 



kakenep^. 

aZi vdiía. 

òidip* iki, 

iimuamope, 

iki makaso. 

nikvleja kamo kagana, 

narmdéka ni usúa. 

kanitúixape kumiíitia. 

kanamenepe makaso raiiamo. 

úaméne ni ipe. 

òiiíakiãeja nalike. 



Não é verdade. 

Engana-se. 

Kâo é isso. 

Não é assim. 

Isso não é verdade. 

Asseguro-lhe que não. 

Nego-o formalmente. 

Custa-me a crê-lo. 

Não ha nada maid falso. 

Está em erro. 

NSo acredito. 



Phrases de duvida, surpreza, admiração, eto. 



miíamo Jikel 
mHaket (Sakme miíamo! 
miíawf iki! mUamo jike! 
mOata kuyUiximukinel 
Hâf iki òiktyuanmuJca! 
íAitia ni mujikita mudi Ookénel 
úitia iiape òiHalejaf! 
lâenéí òidi kuximuka! 
iki kanitúixape kumuscdã! 
ítoúm/i mudi eH kanamenepe! 
ítaúape (íivudi! 
kali kamo naméne ítoúma 

mUamo! 
mnd' iki ikakupúixa! 
tiakéne òivudi! 



Como assim! 
Oh ! essa é a verdade ! 
Pode ser isso ! 
O sr. surprehende-me ! 
Eis ahi o que me espanta! 
Duvido que seja verdade! 
Está bem certo d^isso?! 
Isso admira-me muito! 
Para mim é impossivel! 
E uma cousa inaudita! 
E admirável! 
Nunca vi nada aasim! 

Como isto acabará! 
E uma grande verdade ! 



Phrases de alegria 



ahuhé! ^Síaiiape! 
mudi ámi naidúluka! 



Oh! que felicidade! 
Como eu sou feliz! 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



223 



zaíi iinoéjilSíaffukata^ivudil 

naiaulvka ni kaxi miiamo! 

kaijtape kujijixa ^Ua^o nata- 
Zvlile! 



Por Deus! Como estou con- 
tente ! 

Estou satisfeito com a minha 
sorte! 

Não posso occultar a minha 
satisfação ! 



Phrases de afflição 



úaidama namukasa. 
Hei ta ipe ivudi. 
luíguxima ni kaxil 
kuyumana ni máxima ujala! 
máxima úámi úakaaa, 
máxima úámi umane kaso 

musoyo! 
^úma Slipe mvdi éíi miUu 

kanamenepe! 
ao80 amona, malu musogo úámi 

vkusota mausúa nuyima ha- 

gana úámi! 



Opprime-me a desgraça! 
Isto é muito triste ! 
Dá-me muito pesar! 
Vê-me muito afflicto. 
Estou desanimado ! 
Soffiro muito! 

Nunca se viu tanta maldade! 

Soffi:e-se muito^ mas a minha 
dôr é superior ás minhas 
forças! 



Phrases de oolera, ezprobração, eto. 



nixakama úasúejL 

kanidipe ni úape méi, 

mulog* eH ciei úasúeji ni ivudif 

ayusalana ni kaxi. 

éié muxima úajala. 

^Sakadi tiseme, 

aci akúaxidi tavttdUe mu ku- 

pata maruda mafãa. 
uêetne úafúa mvxima úaji- 

mane! 
mutúh úei udi kúisof 
ah! ka ka! kcAadaJ dei amukua- 

tanij amujipani katataka! 



Estou desesperado. 

Estou descontente comtigo. 

Porque se zanga tanto? 

Offenderam-me muito. 

V. é um malvado. 

NSo tem vergonha. 

Se os invejosos augmentassem 

acabavam os amigos! 
A sua consciência accusa-o! 

Perdeu a cabeça! 
Com a breca ! se o agarrarem 
matem-no immediataji^ente! 



224 



EXPEDIÇlO POETUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



Diálogos 



Para oonversar 



ia kumana nani poli pa. 
miíata bv^gtdo ukusota hãoa 

eu 
muata tciseso eU iíeza kumu- 

Ic^úixa. 
rmdiía éíi uxikile goloxe Ha 

rúeie. 
umutuma kOaaama kiia íiota*^ 

ni lef edi ámi mia kali 

h&a. 
am&ata ámi, amOari ámiy 

muZima úámi ukusof énu 

diliko diiíape, 
neza ni kãilayúixa. 

tãoyo, mUéne yada, oo tátuko, 
4»- tátuko vud^, neza ku- 
mutuma mUata kapeda, selej' 
ávfíi, kcdoho CO aci niktisota 
kúijika aci miíata ni mOari, 
mOamê òi noéji, úalala 
uiíuko iíape, oo kalugal ku- 
gutúixa kumana leio mu 
tetame; lusago 4^. 



Vá ver quem está ahi fora. 

O sr. Bungulo que pretende 
fallar-Ihe. 

O sr. Quissesso que vem cum- 
primentá-lo. 

O portador que chegou da 
margem do Luembe. 

Mande-o entrar para a sala 
grande (locutório), e diga- 
Ihe que eu já lá vou. 

Meus senhores^ minhas se- 
nhoras, desejo-lhes um bom 
dia. 

Faço-lhe os meus cumpri- 
mentos. 

Viva, dono da terra, pae, 
pae a quem somos agra- 
decidos, venho de mandado 
do sr. Capenda, meu amo, 
grande, elle me encarrega 
de dizer- vos: eu quero 
saber se o potentado e a 
senhora, por tudo que ha 
de superior! tem dormido 
muito bem, fortuna ! se me 
puder ver hoje em audiên- 
cia; tenho dito. 



1 Hota é uma grande casa abarracada (a maior que fazem) para con< 
versar, beber com amigos, receber visitas, ete. 



METHODO PRATICO DÁ LÍNGUA DA LUNDA 



225 



òaúape, úedi; úaxàkama. 

áci kugvsota ni muxima úa- 
xakama^. 

murudanámi leio aci kovúa 
jikef 

tdej' edi najikitixa ni kaxi 
kua zc£i, (Si noéji, túaxike^ 
ni iíape, ni tUcJcamumana 
ni muxima miUoka matíko 
maôso m&én* eai Oez^ ako. 

ámi luta, H noéji, Haiatãuka 
nidi ni iiape, ntita kujikitix' 
edi mazúi maOape mvhC 
edi ^iiãoda kudi ámi. 

akiíénu^ adi ni iíape f 

naixalele ni iíape, najikitixa 
murudanámi kuipula kudi 
éne. 

hiràimanepe kali màòiko ma- 
vudi, 

akata mu ma^iko ama kali 
kuscda mijikit' aú, ^tahiíi 
katúixUepe kOeza kumula- 
gixa. 



Seja bem vindo; sente-se. 

Tenha a bondade de sentar- 
se. 

O meu amigo como se sente 
hoje? 

Diga-Ihe que graças a Deus 
estamos bons, e recebê-lo- 
hemos com grande alegria 
sempre que queira vir aqui. 

Eu felizmente estou bom, 
agradeço-lhe a sua atten- 
çâo. 

Os seus companheiros estSo 
bons? 

Ficaram de saúde, agradeço 
ao meu amigo perguntar 
por elles. 

Ha muito tempo que os nSo 
vejo. 

Elles teem andado nestes 
dias occupados com os seus 
trabalhos, por isso 'nSo 
teem podido vir cumpri- 
mentá-lo. 



1 Entre elles o tratamento de superior para inferior ou de igual é 
de «tu», o de inferior para superior é de «vós». Para com o europeu são 
as phrases de mais attenção as que apresento. 

2 túaxiki (túaxiòi ou túaòiòt) expressão auxiliar muito usada, deno- 
tando a existência do individuo no logar em que falia. Só encontrei este 
verbo na primeira pessoa do plural do presente do indicativo e não me 
foi possivel conhecer do seu infinito. Cheguei a convencer-me de que 
seria contracção de varias abreviaturas e que teria uma tal ou qual 
relação com kuxa «deixar de propósito, coUocar, pôr em qualquer logar», 
vocábulo que também só ouvi empregar no infinito. 

3 akúénu {akúa énu\ «os de Y., seus companheiros». 

15 



226 



EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



ni murudanámi, úaiduliíka 
kudi eôi tumana kúikila 
ntipe òiúez* ez. 

kagana múamo mudi tãeja, 
màóiko makumi maadi ni 
tano masuta nakúokéne ra- 
kiao nataíaUe, li kuyuleka 
kudíoxa bu likmo maòíko 
màóinana kamo. 

kanaijikilepe aZi Haxakaméne 
hãela, naUeb' eí* kuyvlek' 
ámi kcúcuiape kumumana, 

kinikúetepe kumideka^ mxdoga 
niijikika úape matiseía avu- 
di aúe% karmãekape kubudi- 
ka akuso aôso éié ukusota. 

takéne^. 

nezako diòíko dimúè ni diòiko 
dikúaú, nikusota kumana 
múari yvza, búate. 

úaile kolo kúa mOcUzaviía mu- 
goae úasutUe kagana kaãi 
kuíirukine, natabúile jisago 
jiúape, i pa Ivse vlef etu 

- kutoL' edi kudi maòiko ama. 

òiúeza òiúape ni usale úeda 
mu Jila ni úape, ISíeH ana 
TYiak* úedi^ ni aruaaniaii 
túakuBota, 

puMê, kudi edi ni kudi úámij 

' tátuk' úedi. 



Ao meu amigo, pelo que ve- 
mos; não ha mal que lhe 
chegue. 

Não é tanto assim, ha vinte 
e cinco dias que curei uma 
constipação, que não me 
deixou sair de casa mais 
de oito. 

Não soube que estivesse 
doente, rogo-lhe que me 
desculpe nâo ir vê-lo. 

Não tenho de que o descul- 
par, eu sei bem que os 
seus muitos negócios não o 
deixam sair quando quer. 

(Isso) é verdade. 

Tenho vindo aqui varias ve- 
zes e não consigo ver a 
sr.* Angunza. 

Foi no mez passado á corte 
e ainda não voltou, tenho 
recebido boas noticias, e 
por ultimo diz-nos que a 
esperemos por estes dias. 

Que venha de saúde e faça 
boa viagem, é o que nós 
todos, parentes e amigos, 
desejámos. 

Muito obrigado, por ella e 
por mim, seu pae. 



' ktiileoa «pedir» no sentido de sollicitar, rogar desculpa, perdão, etc. 

2 Subentende-se ikt. 

' Outro modo de dizer «parentes». 



HETHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



227 



■w 

múata tátuk' úet iícucala Jikef 
mu máíiko ama kedipe úape 

(Tcaúapepe), úaxalele mu 

uUda. 



novúa met. 



nitala kuiela kãoka kali, 

H noéji, múarno vmutumine. 

itoúma cikepe, ^neòi ni mive 
úedi aÔ80 túakusota kumu- 
mana kiíape. 

úaiya. 

múata mona mak' úet uxala 
Hapet 

múéne usúakéne ^ ni utadi,* uta 
ni kHeda maòiko maôso 
ktãoia, aZi kunoka limãa 
aZi úasàla malugUa. 

miiiéne usala ni ipe ni kaxi; 
musoni úámi ukuetUe m&et- 
ne muvudi mu múana kaki 
kadi; kaaotdepe kúitiajisc^ 
go jtámi, leio túamumana 
mvdi kaxinakaje Hafutamo^ 
ni misogo mu mujwa úedi. 

maliko mavudi mujioa úedi 
úafúa miãu kakutúixape 
kudtoka pa viola. 

e6u aÔ80 tudi múamò, tuijika 
kasu kutala moio ni úape, 
Sfedu túamuménepasúipapa 
kufUa. 



O senhor seu pae como está? 
Acha- se incommodado e está 
na cama. 

Sinto tanto como V. 

Espero que seja doença li- 
geira. 

Deus assim o permitta. 

E pouca cousa, mas na edade 
d^elle tudo nos dá cuidado. 

Tem razão. 

O senhor seu irmão passa 
bem? 

Esse tem uma saúde de ferro; 
todos os dias vae caçar, 
quer chova quer faça calor. 

EUe faz muito mal; meu pri- 
mo tinha bastante saúde 
quando era novo; não quiz 
attender aos meus conse- 
lhos e agora parece um 
velho corcovado com dores 
no corpo. 

Ha dias que está como um 
entrevado sem poder sair 
da cama. 

Nós somos todos assim, só 
sabemos apreciar a saúde 
quando a perdemos. 



^ Também se emprega ukaaakéne «rijo, duro, de boa saúde». 
^ De kufvía «arquear». 



228 



EXPEDIÇIO POBTUGUKZA AO MUATL&NYUA 



vleja úape ni kaxi; moto tídi 
Hpeto Itàkéne òivudi ISíeH 
éíu tvkutéka Síipe ^ikamo, 

ninani uktãoaa! nikuete múei- 
ne miíape, ni maéiko masti- 
ta, ámi noviia ntipe ni ka- 
xi, Síoiíma Bakepe kuffusala 
ni ipe. 

mtãu kagana ukaleja, é6u aôso 
tumumana ni pala Hfiía ni 
úape ni ivudi. 

iki ileja muruaanámi kuguso- 
ta ni rata kvloaa múamOj 
i ámi kinikutUixape kuxa 
kumujikitixa ÚA. 

hHate kúitia múamo, Hijíka 
Oape tudi t&aruaa túaxi- 
hão, ni arada kagana aiji- 
ka kusala mujikitixa. 

tukukOata ikasa ni kOapiía. 

urOele kali ni kaxi, ámi kuyu- 
lekaJco kuôiruka ni. ámi. 

^é6i! ukusota kali kugxdeka 
usUapàli ni kaxií 

ukusote kuitia, noviia kcdcu- 
túixape kuxalako mutena 
mavudi mu munana Hei. 

nikovOa ni ámi úeine Hei 
uMepe ni kaxi. 

aci kadilepe Ooma kumulahexa, 
nejile ktiso kamo ni kaxi. 

tátuk' Oárni ukakiíete òisa^o 
Sta kumumana. 

vJcusota kusala múéne aci ku- 
mdvJca ãiámi. 



Dizes bem; a saúde é um 
thesouro que nós nSo sa- 
bemos conservar. 

A quem o diz! eu tenho 
muito boa saude^ e dia» ha 
que estou indisposto e qual- 
quer cousa me faz mal. 

Ninguém o dirá, porque o ve- 
mos com bom parecer. 

Isso da sua parte é um com- 
primento que só tenho a 
agradecer-lhe. 

NSo acceite como tal, bem sa- 
be que somos amigos ve- 
lhos^ e entre amigos nSo 
ha cumprimentos. 

Um aperto de mão e basta. 

E muito tarde, dê-me licença 
que retire. 

O quê! quer já deixar-me 
tão depressa? 

Queira acreditar, sinto não 
poder ficar mais tempo na 
sua companhia. 

Sinto também (egualmente) 
que a sua visita fosse tSo 
curta. 

Se nSLo receiasse de incom- 
modá-lo, viria mais vezes. 

Meu pae terá muito prazer 
de o ver. 

Queira tomar-me lembrado. 



METHODO PRATICO DA LINOUA DA LUNDA 



229 



kagana nakcMumíaméTie StaÔ- 

80 kumuloaa edi. 
m&epiía ÚA tUuga pcUepa ni 

kaxif 
miJccíer eòi utug' éit 
mu mukoJíele mujima úa Hpor 

ga. 
utuga Jdiaf taxa. 
ciu éàUce utoga mu gad* ouf 

kuiji tununo dUeumi ni kaiano 

ni kamo. 
aci aadãía; tununo ni mahu^ 

mi maadi ni kani ni itota 

tadi ni makumi matano ni 

kasato. 
kanatogilepe mOamo muvudi. 
m&akel Udi muamo urude ni 

kaxif 
naiaama kuia ku ámi. 
uxcda ni zaíi. 
uxala Oape ni za!U pa kutu- 

manajana kaai. 
íAia mámi ^uxalape. (uxala 

Oape) ni ana aôso nikusota, 

zaln H noéji ukusota kumuma- 
na uape. 

zaíi ti 7U)^i ehí aôso múéne 
kutumana Oape. 

éòi zaJk kumutiiale mu Jtla 
Oómi. 

Heza diòHío dikHaii kuxakama 
kamo ni ámi. 

kagutala munumo urUele ka- 
mo maióiko Tnatinana. 



Seu sobrinho mora muito 

longe? 
Em que rua mora? 
Na rua principal da povoaçSo 

do potentado. 
Mora ali? Sim senhor, mora. 
Quanta população fazes a 

esta terra? 
Mais de quinze mil. 

Engana-se; vinte e quatro 
mil duzentos cincoenta e 
três. 

NSo imaginei tantas. 

Oh senhores! é possivel que 

seja tão tarde. 
Preciso retirar-me. 
Fique com Deus. 
Até nos tomarmos a ver. 

Retiro-me. Fique bem com 
todos os seus é o que eu 
estimo. 

Que Deus o acompanhe. 

Que Deus nos proteja a todos. 
Que Deus me guie. 

Venha outra vez para se de- 
morar mais commigo. 

Espere-me o mais tardar oito 
dias. 

Não se esqueça do que está 
promettendo. 



230 



EXPEDJÇXO PORTUGUEZA AO MUÀTIInVUÀ 



kakuvtãamenepe díéíi ãzaJdni- 

ne. 
Hkaguvulamenepe, búctte. 
ncdike, murudanámi muxima 



úámi umumana. 



H uasakane <w8o aúape mu 
bikuoo itéi mvdi éíé ukuso- 
ta, óidi SteH muxima úetu 
tukusota. 

vuâ}íe, najikita ni kaxi. 



NSo me esquecerei quando 
lhe fallar. 

Nâo me esqueço, nâo. 

De modo algum, o meu ami- 
go está sempre na minha 
lembrança. 

Que encontre tudo em casa 
como deseja, é o que nós 
queremos. 

Obrigado, agradeço-lhe muito. 



Do tempo 



diíiko cKenedi Jike? 



leio mutena múape ou diHko 
diúape. 

múamo úape màóiko ama. 

mudi leio úape kamo, diliko 
d/ía goloxe d^ipe ni kaxij aci 
muten aúasúeji, aci kwaoka 
luvula, ^eòi liakusala 6iipe 
íivudi mu mijioa têtu 

natalele ni ámi, mtãoga luvu- 
la lOayunokéne mujila lOa- 
yubukujuna mafupa. 

akaiele kakúetilepe òisekef 

dUado díatoka ni kaxi, kina- 
túixilepe kúguvuluka dia 
luvtãa, íiahiii kaseaelepe 5í- 
seke^ámi, 

mOamê, (SieneH leio dihvlo di- 
jika ni maulo malãepe ni 



Que tempo faz ? (Como está 
o dia?) 

Hoje faz bom tempo. (Temos 
bom dia.) 

Conserva-se bom. 

Tanto melhor, porque o dia 
de hontem esteve muito 
mau, ora o sol quentissimo 
ora aguaceiros, o que faz 
muito mal aos nossos cor- 
pos. 

Também notei, porque a mo- 
lha chegou-me aos ossos. 

EntSo nSo tinha chapéu de 

chuva ? 
O ceu estava tSo limpo que 

nSo podia lembrar- me da 

chuva, por isso nSo levei 

o meu chapéu. 
Sim senhor, mas hoje o céu 

está carregado de nuvem- 



HETHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



231 



majala, úaluyUe úasúeji, 
i ao80 OalejeV ttu diòiko 
dttpe; nitoya ikiúape, acieU 
uta kucKoka aci kudibúika 
ni úape i kakuvuJamenepe 
òiseke òtéí, 

kaniòilulepe òijmgi òtíet. 

maóiko ama, aôso, múamo ku- 
tutela. 

katataka rukido riieza, ktepe 
ni ktepe uaocika sueji kali 
ni kaxi, dihulo aci kudi- 
búika dta mavlo majtma, ni 
luvula lúakéne lúeza pa ni- 
ma, 

Oakata kunokaf 

Oanokéne kali. 

nimana luvula lúeza, 

nikúete úoma luvula lúakaeza, 

iseke ecike tukida mu tíkuio 
i^êtu? 

iadi, SíeneH òimúè Hamipe. 

ISia nanií 

Sía muaoni úét. 

kúiji kúedi, nakaseda éòi. 

uanokene eci eté uejilelF 

úascíexéne kunoka luvula $t- 

naxikãe mu ISia ítn, 
úakata kunoka luvula òia aa- 

oexe Sía yode, 
úamle jimino uZuk' oúf 
akajile jimino uhik' cm? 
ukúete úoma ta jimino f 
laxa, múana. 



zinhas escuras^ o calor é 
demasiado e tudo nos an- 
suncia mau tempo; é bom, 
se sair, abafai*-8e bem e 
não esquecer o chapéu de 
chuva. 

Não desprezo o seu conselho. 

Tudo agora é de esperar. 

De repente levanta-se o ven- 
to, pouco a pouco se torna 
rijo, o céu cobre-se de es- 
pessas nuvens e chuva 
grossa cae depois. 

Está chovendo? 

Choveu ainda agoira. 

Creio que vai chover. 

Receio que chova. 

Com quantos chapéus contá- 
mos em casa (temos em 
nosso poder)? 

Temos dois, porém um nSo é 
meu. 

De quem é? 

De teu primo. 

Não me importa, levo esse. 

Chovia quando V. veiu? 

Principiava a chover quando 
cheguei á sua porta. 

Tem chovido desde o princi- 
pio do mez. 

Sentiu os trovSes esta noite? 

Teremos trovoada esta^noite.? 

Tem medo de trovões? 

Tenho, sim senhor. 



232 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



tala hili, úakuêaxina zaje oii 

úakwmanika zaje, 
luvxãa lunoka kaaif IvMepe, 
kaãioxape múamo òakadi ka- 

buiho kakúaú* 
kuyusàl' ámi maluyãa mavu- 

di kabúiko kúakuaú. 
ãasalele ni ipe ni kaxi mu ku- 

budika nidióiko edi múamo, 
múata áci úaxakam' úa? 
kagana, naHluka kali. 
muruaanámi ndile kúiso pa- 

maki apa Ha luvula ètejile? 
palepa ni kaxi dia pane, jila 

umuè pa kuseaa misasa mu 

lAana kúiso, aci kagana ku- 

mana mutoao umúiè kaso 

kutubúika, 

aka luvtãa lúaôso lúanoka úa- 
mvkat' eu 

Isdi múamo, ni luvxãa lúa ku- 
kumúagana ni manika zaje 
ni jimino kúeza umúh kuni" 
ma ni akúaú, i rukido rúa- 
súeji rúayudíoxéne mupupo 
úa mutOè úámi, muloya mia 
mahOè ni kaxi pa nima 
múeai, ni luvula lúaôso lúa 
kunoka mujiia úámi, 

òíoúma òiipe kakúezape kaso, 

Òíakéne kamo, lidi òtcòi aci 
úasutile kudi ámi; nasotãe 
kukúata mupupo, natekele 
múedu bu ã^eai i katataka 
namúapúHe, 



Repare, estSo fazendo relâm- 
pagos. 

Chove ainda? Pouco. 

Não saia assim sem outro ca- 
saco. 

Faz-me muito calor aquelle. 
outro casaco. 

Faz muito mal em sair com 
este tempo. 

O senhor demora-se? 

Não, volto já. 

Onde estava o meu amigo 
esta manhã quando chovia? 

Muiio longe d^aqui, caminho 
para um dia de viagem de 
cargas (2 a 3 horas) num 
descampado onde não ha- 
via sequer uma arvore para 
nos abrigar. 

Então toda a chuva lhe caiu 
no corpo. 

Está entendido, e á chuva 
ajunte os relâmpagos e os 
trovSes que se succediam 
sem interrupção, e o vento 
impetuoso que me arrancou 
o chapéu da cabeça e me 
obrigou a correr atraz d*elle 
sempre debaixo de chuva. 

Uma desgraça nunca vem só. 

E mais do que verdade, foi 
o que me succedeu; quiz 
agarrar o chapéu, puz um 
pé sobre elle e logo o ras- 
guei. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUKDA 



233 



múaia aci úasepa, ^Síene^i ámi 
lele kanasapelepe natogile, 
ámi naiaaméne ni kaxi. 

pakúeza maxdo cíci apaUigana, 
dihulo dtatoka, mutena iieza 
kaaij mema masuta mahifá 
fd mahúè, j^Ua jtuma, rd 
muruaanámi úejUe ku dt- 
kuío Síét SíamuJcata ni ka- 
xi, kcdi muloga kagana ku- 
mukúata Haiaama úakéne 
kamo, kagana mOamof 

èidi míamo ou mudi muata 
úamuleje. 

mu mojòiko ama, jivula jta- 
siíeji, maúito meztãa kali i 
pasúijpa ni ahui miji jia 
mema makuro tOamana ka- 
li ni kaxi. 

iki idi ipe kamo, jimemafiama 
kutusala ni ipe mijtlia jiêtu. 

leio uijxle maxikaf 

avudu 

aci éié ula kucKoka, aci kabúi' 

ka mu mujiJía Hei ni ditmga 

diiíape, maxika mavudi. 
Udi Víaiíape kuxa kãeda mu 

ma^iko mudi diòiko dia 

leio, 
mkusota kamo moHka mOamo 

kutuma, kagana Hakutalala. 
kaomUpe Hjimana 6ia luvtda 

úòuko HamUHef 
tudagele ni úape ni ivudi, H- 

kugulagukapef 



O senhor ri-se, porém eu na 
occasiSo nSo ria, pensava 
na minha desgraça. 

Depois as nuvens espalha- 
ram-se^ o céu limpou, ap- 
parece de novo o sol, as 
aguas correm, os caminhos 
enxugam, e o meu amigo 
chegou a sua casa muito 
contente por nSo lhe suc- 
ceder mna desgraça maior^ 
n^ é assim? 

E assim mesmo. Como o se- 
nhor diz. 

Tem chovido muito, os rios 
já trasbordam e próximo 
d^elles já se encontram 
muitos charcos de agua 
fétida. 

Isso é o peior, porque essas 
aguas fazem-nos mal á 
saúde. 

Faz frio hoje? 

Muito. 

Se vai sair, cubra-se com um 
bom panno, porque o frio 
é muito. 

É muito bom caminhar em 
dias como o de hoje. 

Eu quero antes frio do que 

humidade. 
NSo sentiu a trovoada esta 

noite? 
Dormia muito bem, porque 

nSo me acordou. 



234 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



úijika kugukúatexe ni úoma. 

ukúete kumamka ni ivudi ku 
muiaaa, i ktaôso mauro 
maeza mUa luviãa lúaxíka 
katataka lúamma. 

rukido rúasaide kupepde ni 
dihvlo dmjala, lumtla lúaxi- 
ka katataka, 

tumixa kuMoxa toúma taôso 
eòi axakaméne kiihtima mu 
mutena, 

tala hUiy kusala kaai kiima- 
nika uxadi uná. 

ahí mOokel kúiji kutumana 
jizaje jiapúa paxi. 

asaíexe kaii kHapula mitoao 
mu itikita, 

pa aoda apa, ktaôso rukido 
rru. . .u. . .u. . ,kaniu8iía, 
túovãe kitao ni kaxi kúapa- 
la mitoao, aci ákvbukuna ni 
atujika Toanla. 

naméne mitoao ni vudi Oakiíi' 
bukine ni úaiíile paxi mu 
itikita ia guza mukiji. 

polo iopo àci kagana kiÁiximu- 
kina kali loúmu eji, polo 
iopo pa zaoukine, mitoao 
ikulo ivudi, ni rukiao maòi- 
ko maôso masúeji; aci umifá 
úakubukuna úan' u ma ku- 
hOa kululo, i kuaú ni kúihúa 
mu paxi. 

jivula jta puda mavu miji 
Oabudikine poli; mitoao He- 
pa ivudi ni izvlile, kausua 



Saiba que foi de respeito. 

Tem íusilado muito para o 
norte^ e quando aB nuvens 
correm de lá a chuva nlo 
86 demora. 

Começa o vento a soprar e o 
ceu a escurecer, a chuva 
nSo tarda. 

Mande tirar todas as cousas 
que estavam a seccar ao 
sol. 

Repare, também fazem re- 
lâmpagos d'aquelle lado. 

Oh! senhores! parece que 
vemos cair raios. 

Já começam a estalar as ar- 
vores nas florestas. 

Neste logar, quando o venlo 
sopra rijo rijo, é frequente 
o estalar das arvores que 
se partem e nos tapam os 
caminhos. 

Vi muitas arvores quebradas 
e derrubadas nas florestas 
de Angunza Muquinji. 

Nesse sitio não se admira isso 
porque o logar é muilo 
elevado, as arvores são 
muito velhas e o vento é 
sempre rijo; basta que- 
brar-se uma para essa cair 
sobre outras e derrubá-las. 

Ás chuvas teem posto a des- 
coberto as raizes ; as arvo- 
res sSo muito altas e co- 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



235 



JcaMepe ka rukião úamini- 

kixa ni úaihukiina. 
ak! kaka! Ivzaje lúasúeji ha- 

fiía mêsuf 
cm ukuete úorna, aZi kubúika 

ni dhiaa ni kaxike uvijL 



padasy e qualquer força de 
vento as abala e parte. 

Oh! com a breca, que raio 
tão forte, quasi que cega! 

Se tem medo cubra-se com 
um panno que tenha felpa 
(um cobertor de lâ). 



Levantar da cama 



nani poli pai 

ánu, 

utúixa kujihda, jikula. 

âíoxa mutoao; aaama. 

tuíúixa mutoao. 

ien^ ejikef 

lidi mutulo kaaif 

mutena muia kali mvJiurof 

ma kali. 

kanatoyUepe mutena kcdimúa- 

mo! 
laguka hUi; mutena eH tUaji- 

íalele katumanape kali ka- 

mo. 
Oaiga; laguka kali. 
mOata ka^iruãepe kiíámi? 
Oàòilukine kadi mu tulo? 
maHko maôso, eté Oazezalele 

ni kaxil 
muruaanâmij aZi ulaguka. 
nezile kumutazuka ^ikulo kali. 

mOéne gaaa úabudikine kali 
(Ha poli), ni utumixine: 
atazukani ailolo aôso. 



Quem está ahí fora? 

Eu. 

Pode abrir. Abra. 

Tire a tranca; entre. 

Faça cair a tranca. 

Como é isto? 

Ainda está deitado ? 

E muito tarde? 

Já é muito tarde. 

Não suppuz fosse tão tarde! 

Levante-se ; tempo perdido 
não se repara. 

Tem razão; levanto-me já. 
O senhor não me responde? 
Tomou a adormecer. 
Sempre é muito perguiçoso! 

Meu amigo, acorde. 

Estou a chamá-lo ha muito 

tempo. 
O potentado está fora (saiu 

para fora da habitação), e 

determinou: chamem todos 

os dignatarios. 



236 



EXPEDIÇlO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



úaxikelepa kaxalapoU kúedi, 
úeza kamvly' eté múata aZi 
kúiviia jisagu eji emle kolo 
keau 

tido tua pamaki ^Siaúape. 

^Síagukata ni kaxi kulcda mu 
tulo tua pamakL 

mámi Síagvkata; Síene^íi tala 
bili kaiudipe polo pêtu, i 
munumo muruda nani uka- 
sota kusàla ioúma eH uai- 
dama ia ana agada, ukiiete 
kumusala pamaJci mvtena 
úasiianexe húididi ni kaxi. 

kintijikape mudi mu gaaa oú 
aZi tUúiaía kuscakama mu 
uUdo ni kaxil 

tínovOape malugúila kamo mu 
tdalo nidi kiíámi niúape, 
kagana kali, íiaôso ni kúeaa 
poli úa mutclía ni muiaUa. 

ciei tínikOetepe sd&j* êtu, tu- 
tiUaca kuUãa ni iíape. 

amOata ajima (amatajima) 
akuUUa mitttdo ni kaki. 

jigaaa jiaôso, nani ukusala 
mujikita oci ukidaguka búi- 
didi ni kaxi. 

Viamipe mOana xidi. 

éié Oaloda mOamo, kaidamene- 
pe kusala mujikita. 

niijikape mvdi ktisuta diòiko 
dtdêo àci kugulaguka búidi- 
di, kuta pa musasa paôso 
kúa iula kugupúixa mau- 
9Ha kali. 



Aqui está o familiar d^elle 
que vem dizer-te para ou- 
vir as noticias que chega- 
ram á corte. 

O somno da madrugada ébom. 

Gosto muito de dormir de 
madrugada. 

Eu também ; mas repare que 
não estamos na nossa terra, 
e aqui na Lunda^ quem 
quer fazer alguma cousa 
que dependa dos naturaes, 
precisa fazê-lo cedo antes 
do dia começar a aquecer. 

Eu nSo sei como nesta terra 
se pode estar tanto tempo 
na cama! 

Afflige-me menos o calor na 
cama do que quando ando 
por fora de um lado para 
o outro. 

Quando se nSo tem amo po- 
de-se dormir tranquiUo. 

Os grandes senhores dormem 
pouco. 

Em toda a parte quem tra- 
balha levanta-se cedo. 

NSo sou ambicioso. 

Está fallando assim porque 
nSo precisa trabalhar. 

Não sei em que passar o tem- 
po quando me levanto cedo ; 
já me aborrece ir todas as 
madrugadas áa audiências. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



237 



tacdarniiamo mudiámi,kad{pe 

kusugirile kali. 
ítelíi mUata úcíscãaf 
nikúagana diòUco (2ea mute- 

na, mutaia umiiè íia kusa- 

la mujikita, mutaía mu- 

kuaú mukueaagana, i kadi 

akiíaú kuifnúixaarudanámi 

auape. 
éié úitia úape mu aruda ma- 

goda amai 
mxilog' eH nalikef 
mtdog* eiH éne du, ni éíu mi- 

adef 
úitia, éne mudi é6u; mixinia 

díéne aci atana úape ni vudi 

mu midele. 

(ãu adso kahUogajpe mudi 
miiata utoga. 

kiiiji JcHaú, kakusalape mudi 
ámi, eòi mia ikuio iaii ku- 
loaa ni éne, ni akaf aú ni 
ana ni ahúi; i mijika niua- 
pe Jike akuxike ni uruaa 
Oape i aci dele tumSé ni 
tukuaií, aJcOagana íteU 
akiiete (akuvHaJ kudi akHaú, 
aidaméne homo lakadi alo- 
dde kamo mu iki. 

miiata mia ni kuimuixa aru- 
danei pa musasat 

aci tHakusota kuieakana (hui- 
lana) m kUaíaJia méne 
aôso mOamo Víaiíape kamo 
hiUdidi ni kaxi, mutogapa- 



Faça como en^ que jA nSo se 
aborrece. 

O que faz o senhor? 

Divido o dia, parte para tra- 
balhar, parte para passear, 
e ainda outra parte para 
visitar meus amigos. 



Acredita em amigos nesta 
terras? 

Porque não? 

Porque elles sSo pretos e nós 
brancos? 

Acredite, elles são como nós, 
entre elles existem tão bons 
sentimentos como nos bran- 
cos. 

Nem todos pensam como o 
senbor. 

Pouco me importa, não fazem 
como eu, que vou ás suas 
habitaçSes fallar com elles, 
com as suas mulheres e 
filhos ; e sei bem como elles 
vivem em boa paz e se es- 
timam uns aos outros, re- 
partindo o que teem com os 
necessitados sem d'isso fa- 
zerem alarde. 

De manhã é que o senhor 
faz essas visitas? 

A melhor occasião para os 
encontrarmos a todos e 
conversar com elles é de 
madrugada, porque depois 






238 



EXPEDIÇlO POBTU0UEZA AO MUATIÂNVUA 



Meza mtãu nimxãu uíaku- 
sala mujikita ahinaii. 

éié úabudíka ni kaxi kuso pa 
musasat 

maòiko maôso, úadtoxa aci 
úasàla diòíko díipe. 

éòu túaxakama kaktepe kuso 
mu cikuío aci usala diôiko 
diúape, múanio kamo pa- 
kúeza úakuáta pa uriiela. 

usai' eHf 

aZi iíaíaí' elií 

tãcda mu tulo ecike? 

aci kúikUa godé, katat' e6i 
kOasaíexe cRa kujala; aci 
gole Oeza, nisala mudi éne 
ana gada, godé mu huro mia 
katataka kugulala. 

nikusota kali leio kusala mUa- 
mo. 

usala ni úape. 

âJíoka dia ulalo katataka; tuia 
ku poli, 

tala, kugulaguka kali. 
nidi pane usiía poli. 



cada um vae tratar dos 
seus serviços. 
Sae muitas vezes de manhã? 



Todas, excepto quando faz 
mau tempo. 

Estamos poucas vezes em 
casa se &z bom tempo, 
principalmente depois de 
jantar. 

O que faz? 

Em que se entretém? 

Quando se deita? 

Se nâo ha lua^ logo que escu- 
rece ; se ha, faço como os 
indígenas, espero a lua no 
alto para me deitar. 

Vou passar a fazer o mesmo.. 

Faz bem. 

Sae já já da cama ; vamos pa* 

ra fora. 
Espere, levanto -me já. 
Eis-me prompto. 



Deitar 



Oapudãe dièiko dtet dta lelot 

Zivudi, dienedí nUy* et ni iía- 
kéne òikugOapiía ni kaxi. 

mia ni kugidala kali, paxala 
paJâepe nidi mu tulo kaiji 
pata kOa zati Ha nani. 



Estás satisfeito com o teu 

dia? 
Bastante, mas confesso que 

estou muito fatigado. 
Vou deitar-me já, e d'aqui a 

pouco durmo e não sei o 

que se passa no mundo de 

Deus. 



METHODO FRATIOO DA UNGUA DA LUNDA 



239 



ukvkúatexe kugujola. 
mia ni muxima ni úape. 
Hapatele tiaí 

múantê, kuiji kuúape kuxa 
Ba Htnuè òakadi kupata. 
mvlog* ikif 
utala mtitena 5ta budika. 

■ 

kagana, tenét ncdike; pata 

taôso, pata taôso ni Sta 

úape òivudi. 
(SieH pa musasa tãodeV ámi 

nxalajikef 
tímijikape (Sieli vkusota Teu- 

gtdeja! 
kaoviUpe ámi nidi ni kufUa 

mu ttdof 
ulcusota ámi neza ni IcumaUa" 

gixaf 
aci éíé úeza kugulagixa, kúi" 

ji ntkuòíbula ni Boúma ni 

òikukuata pa òikasa. 

Sieneòi sdef ámi kugvleje mu- 
sasa Ôu òiOasotile kuMoka 
diamaòiko pamaki búididi! 

éíé vkusota "k&aSxJba, ni ámi 
vkusota kuta mu tido; uta 



m ete. 



tala aZi pata dipana odi, 
kudi kOa Oeza rvJciao kOa 
nrntOè úámij ni kugtisala 
ni ipe. 
ukusota Síoúrna káai kamof 
bHaUy ia ni òi noéji; tOakur 
ladika. 



Ajude a despir-me. 

Da melhor vontade. 

Fechou as portas? 

Sim senhor, mas talvez fosse 
bom deixar uma aberta. 

Porque ? 

Porque vê o sol quando ap- 
parece. 

NâO; isso de modo nenhum; 
feche tudo, feche tudo mui- 
to bem. 

Diga-me em que ficaram os 
projectos doesta manhS? 

Nâo sei o que me quer dizer! 

NSo percebes que estou a 

cair com somno? 
Quer que eu venha acordá-lo? 

Se vieres acordar-me, arris- 
cas-te a apanhar com a 
primeira cousa que eu en- 
contre á mão. 

Mas o patrão disse-me esta 
manhã que queria sair ama- 
nhã de madrugada. 

Tu queres conversar e eu 
quero dormir; vai-te em- 
bora. 

Vê se tapas aquelle buraco, 
que por ali vem vento para 
a cabeça, e faz-me mal. 

Quer mais alguma cousa? 
Não, vae com Deus; boas 
noites. 



240 



EXPEDIÇlO POBTUOUEZA AO MUATIÂNVUA 



Vestir 



miicUa ukugutumine neza ku- 

muUigixa nejile kumutc&U' 

ka. 
diòiko didi Jike f mutena eji- 

le? 
diúape ni kaxi; dihtão díato- 

ka, karukido kasuta. 
mia ni kuyrda^iika. 
ijala eHt eté mOata úkusota 

kujaV etí? 
mukozo iktjala ni itadi ta tdo, 

ni kabuiko kaktdeya ka- 

síãa, kugutumixa tátuk' 

úámi mUéne putOy ni ibolo- 

koto ni iupaga tunãeau tu- 

kiUeya. 
ukusota mupoda tisuza uci 

ujalaí 
usuSa. 
kakusotape kujala dtfouma mu 

xigof 
zdÍA ta ulo tíkíígiíakexe mu- 

ruaanámi mUata. • • 

kOa mutúè SíeU ou íiakuêotat 

sala usuSa mujima. 

let' áini dileso âxa se, xíbata 

ni mukHali. 
tuxalapoli aseaa poli ^iòita 

Sía tcãm, ditada ni uta Hámi 

mazuro maadi. 

(ãu avudi akaJta kugutala ou 
kugúimane 



O senhor ordenou-me que o 
acordasse, por isso venho 
chamá-lo. 

Como está o dia? O sol ap- 
pareceu? 

Muito bom; o ceu Umpa, 
corre alguma aragem. 

Vou levantar-me. 

Que roupa veste? O senhor 
o que quer vestir? 

O panno grande azul com 
galdes dourados^ a farda 
encarnada que me mandoa 
meu pae o Rei dos Porta- 
guezeS; sapatos e polainas 
agaloadas. 

Quer a facha encarnada ou 
azul? 

A encarnada. 

Não p8e nada no pescoço? 

Ponho a cruz do ouro que 

me deu o meu amigo o sr. 

F... 
O que quer para a cabeça? 
O penacho grande vermelho. 
Traze-me o lenço de seda, a 

espada e a faca. 
Os familiares que levem 

para fora a pelle de leJto, 

a cadeira e a minha arma 

de dois canos. 
Está muita gente á minha 

espera? 



MKTHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUKDA 



241 



naméne ailolo ani ni maia 
ahinaú maúata, 

kuguneta mema kHadíkila Teu- 

hohUa makcLsa lámL 
cíega cta foia cidi kuiso f 
faia ni kuSíata. 
bOate, tazuka kaxalapoli umu- 

neta; múéne kakúetepe muji- 

hita kusala kadi, éié ka- 

túixape kvMoka mipa iíámL 
tala bili, aci mãúina adi te- 

tama. 
Oakuki maku ukusota kuza- 

Zula; m&amo, òidi òiiíape. 
mana aci mUari vdi kali ni 

usOa kali. 
múéne kadi utaSukine muloíe 

úeai &a kumukHatexe ka- 

mujala. 
pata musete ia ijala aiji atui- 

xa kHeza. 
mu yada úa mUata aiji aeza f 

panapa ntaií padi aijif 

padi doaa ukasakana pa 
umOè; tcíula úoyo ni pa- 
hãeza Ha kumupata kuyvr 
mOakexe. 

kuyvleja kaai, aci ukusota 
kauta ka mazuro matanof 

nrnantê, kumusedexa kaxala- 
poli kakúaú. 

úkHete pane iioyo. 

musete kumupata kuúapef 

utala bili, aci Hdi òiúape. 



Vi 8Ó quatro dignitários com 
a »ua força armada do cos- 
tume, 

Traze-me agua quente para 
lavar as mHos. 

A bacia de folha onde está? 

Vou procurá-la. 

NSo, chama o servo que a 
traga; elle não tem agora 
serviço, e tu não podes sair 
de junto de mim. 

Bepara, se as miluíiias estSo 
direitas (symetricas). 

A da esquerda precisa levan- 
tada; assim, está bem. 

Vê se a senhora está prom- 
pta, 

Ella ainda ha pouco chamou 
a sua aia para a ajudar a 
vestir. 

Fecha a mala da roupa por 
causa dos ladroes. 

Na residência do senhor appa« 
recém ladrões? 

Também por aqui ha ladrões? 

Em cada canto encontras um; 
toma lá a chave, e depois 
de fechar a mala dá-m'a. 

É verdade, quer o revólver. 

Sim senhor, entrega-o a outro 

criado. 
Aqui tem a chave. 
Fechaste bem a mala? 
Veja ainda se está bem. 

16 






242 



EXPEDIÇlO PORTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



tiãani poli kali. leja kana- 
puUía utuma hdoza mata 
maúata. 

kúijilele múéne kusota difada. 

V ciei múéne ukusota múéne Tcúi- 

jika kudtita. 
tala hili, mtikozo omu Zikúa- 

pepe ni kabúíko áka, kugur 

neta kadi mukozo tisuza ni 

tutit^o túa tão. 
katata ukuta kuxakama kadi 

kúisúipa mikozo, i poli pa 

cãu avudi kali kúiman' éié, 

múatal 
kúijikúaú, kinaituminepe kúe- 

za húididi ni búididi. 
mukozo omu, múantê ii noêji, 

ujala ni úape ni kuley' aka; 

éíé úasúiyile kaíji kujala 

kudi ifúa. 
tutani, tukuòudíkayani. 



Vamos já para fora. Diga ao 
Canapumba que mande 
descarregar as armas do 
costume. 

E possível que clle precise 
pólvora. 

Se elle precisar sabe pedi-la. 

Olha, este panno não vae bem 
com esta farda, dá-me o 
outro encarnado com estrcl- 
las de ouro. 

Agora vae demorar-se muito 
a trocar os pannos, e lá fo- 
ra já está muito povo á sua 
espera, senhor! 

Não me importa, nSo os man- 
dei vir tão cedo. 

Este panno, sim senhor, veste 
bem com a farda; tu és 
tolo, não sabes vestir se- 
gundo as cores. 

Vamos, saiamos. 



Comer 



úaxika múata; liúeza kusala 
munuma f 

(Síayukata kumumana kúez' 
ako. 

neza kuioaa mét âxa usem 
úape, Zikxdo (èiasaíelej ni- 
kusota kudta likuMa pa 
musasa Siei, leio kanakudi- 
lepe kadi. 



Seja bem vindo, senhor; o 
que o traz por cá? 

Alegro-me da sua visita (de 
vê-lo por aqui). 

Venho fallar com V. (comtigo) 
de um bom negocio; mas 
antes aproveito-me do seu 
almoço porque ainda hoje 
não comi. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



243 



mutena poli pa múamo Jikef 
kadipe òifúa Héil 

laxa, nacKokéne pamaki hH- 
didi, katata kúeaa lia ku- 
nuko, Ha kúéne kúa, ktão- 
da kadi rãoú, urúde kamo 
ni mukiíaú, i mãamo ni mu- 
sasa (mutena utaile) kina- 
guvulvJcinepe dia kudUa ni 
aci kanamenepe muruaaná- 
mi kudia ni súapali ni ka- 
xi ni muxima mvioka gHa- 
di oú. 

àci uxika kuno ni kuxakama. 

mil mesa omu niaòiko madso 
padi doda xmvaé, aZi kagana 
kamo Sía arada é6i zabi li 
noéji ukusota kutamuma 
têtu, 

kiígvlek* ámi, aci ámi neza ni 
kumulabexa. 

kagana kejUepe, úitia iíapej 
Síagukata kamo kudía ni 
mukiíêtu kagana ámi ni ámi. 

ukusof tli iíasaíeleí elu tU' 
kHete kaso kali lidi bu me- 
sa (lidi mu mesuj. 

mttdi naman' aíxi, nikusota 
kuaoLexe kadi aixi. 

tala; tudin* akto : kasaií, ga* 
je, zada, bOaje, rvihwe ni 
kaUA. 

kalot kaJcugOapelqpe, nikasota 
kamo jibSe; jidi jHàepeji' 
kamo íieneli jiHape jikamo 
mu mukano. 



Como assim? tSo tarde não 
é o seu costume! 

E verdade^ saí de madrugada, 
e depois anda para aqui^ 
anda para acolá; falia agora 
com este, logo com aquel- 
le, assim se passou a ma- 
nhã, e nâo me lembrava de 
comer se não visse o meu 
amigo com tanto apetite 
devorando essa perdiz. 



Chegue-se para cá e sente-se. 

Nesta mesa ha sempre logar, 
ao menos para os amigos 
que Deus nos quer man- 
dar. 

Perdão, se venho interrom- 
pê-lo. 

Não veiu, não, acredite ; esti- 
mo mais comer acompa- 
nhado do que só. 

O que quer primeiro ? Temos 
apenas o que está sobre a 
mesa (o que está á vista). 

Como vejo peixe, principio 
por elle. 

Attenda; temos ahi: cassau, 
angaje, anzanda, buaje, 
lubembe e bagre. 

De bagre não gosto, prefiro 
os bembes; são pequenos 
mas são mais gostosos. 



244 



EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



úaiga; ^eneH beãebeãe úape 
kamo kaai kumiâHa ni mo- 
gOa, ahinaú atacda. 

ukusofa kali jinama jta baúf 
tisapúUo Siuná ukHet' eiif 
guvo, tídi kumiíimka íiaúape 
kudi múari múixi úámu 

kaai kali nàkudUe; nikusota 
kumupalca. 

múarãê; tíaHape, kadipe ma- 
òiko maoso. 

niHapde kamo Hnama ^Siapar 
Ioga, i muxima úéi úape 
kugúakexe lisapúilo 5ta H 
namane niedi úa kumuztiza. 

kakugi, cUoxa òisapiiilo eH Sta 
mikUa, let' eai paka umúè 
íia ukatvla úape. 

naméne kali aci aiSi hàgala 
akudile òinama Ha kabúa. 

òikugúiximukine é^enéí naka- 
ta kali kuxiki ni aiu akúaú 
ntaú akúijikile kuMa tu- 
húa, ni akiãéne akusota ka- 
mo tubúa túakúete rudimi 
rujala. 

mulog' eòi múamof 

òinlijikape ktiòilvT et, kali 
kamo naipúile mulog* eH. 

kakvMape imumaf 

mvíog' eòi kagana hisota! 

ííagukata kumona imuma, i 
kaxi kamo imuma ta gaa' 



oú la sasa. 



Tem razSo ; mas os bende- 
bendes ainda são mais sa- 
borosos comendo-OB com 
saly porque são doces. 

Quer agora carne de búfalo? 

Aquelle prato o que tem? 

Cavallo marinhO; que está 
muito bem cozinhado pelo 
meu cozinheiro. 

Nunca comi ; vou prová-lo. 

Sim senhor; é bom^ mas não 
para todos os dias. 

Gosto mais de carne de pa- 
langa, e é favor dar-me 
aquelle prato que eu vejo 
com ella assada. 

Bapaz^ tira este prato ao se- 
nhor, e traze-lhe uma faca 
que corte bem. 

Eu já vi os Bângalas come- 
rem carne de cão. 

Não me admiro d^isso, porque 
já estive entre outros po- 
vos que também a comem, 
preferindo os cSes que teem 
lingua preta. 

Porque preferem esses? 

Não sei responder-lhe; nunca 
me informei do motivo. 

Não quer finictas? 

Porque nSio hei de querer! 

Gosto muito de fructas, e mui- 
to mais das d'estas terras 
porque são acidas. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



245 



kakugij cKoxa isapSão iaôso, ni 
leta iirmma taôso litukúete 
Ido mu ^Hkt£o. 

humana kaso, húate] tíiaiau' 
luka kuna rúada rúape. 

riíaaa ruel rueza kúiso f 

ruakudirna mu Ma iámi; una 
aaJca, pakúeza vlej' ámi (M 
urãatana riiape rOa mu- 
kano. 

padi kasiiè. 

tala hili, kagana h&oxa iSêvu 



uet. 



rúada riiape rHakéne! kaioio/ 
muamel 

umana uiui uatoka ni kaxil 

Uakéne! aci nakiíetãe ^UOa 
^ riíaaa mudi Hei, kana- 
sotãepe kufUa ni Sala, 

kali kamo nina riíaaa riiape 
madi aru mujigaaa eji. 

úijika imuma iaôso Uadi ku 
mesti ni éíéí 

h&ate mOane; niijika kaso ka- 
li, mutege Ha zavu, mako- 
ai, jigiao ni makcdibane, 
akiiaii (taxalaj kaiji maji- 
na cKahinaii. 

nikusota ktãeja éí majina 
díaôso, kusaíexapa makoai 
mutaía kua. 

aka ntita kutala kàlciepe, ni- 
kusota kúisanika mu mika- 
aa mikiepe támi. 

sanika: majUogo, Zilolo, xu- 
ruão ni kabugo. 



Rapaz, tira todos os pratos e 
traze todas as finictas que 
hoje temos. 

Aproveitemos o intervallo a 
fumar bom tabaco. 

D'onde lhe vem o tabaco? 

É cultivado nas minhas la- 
vras; fume primeiro, e diga 
depois se o acha saboroso. 

Aqui tem fogo. 

Bepare, nSo queime a barba. 

Excellente tabaco! sim se- 
nhor! 

Veja que cinza tão clara! 

E verdade! se eu tivesse uma 
lavra de tabaco como a sua, 
não morreria de fome. 

Nunca fumei tfio bom tabaco 
nestas terras. 

Conhece todas as fructas que 
vê deante de si? 

Não senhor; apenas conheço 
ananaz, bananas, anguin- 
dos e o macalibane; as 
outras (o resto) n&o sei os 
nomes que teem. 

Vou dizer-lhe os nomes de 
todas, a principiar das ba- 
nanas para lá. 

Entfto espere um pouco para 
os escrever na minha car- 
teira. 

Escreva: majilongo, chilolo, 
xurundo e cabungo. 



246 



EXPEDIÇlO PORTUOUEZA AO MUATIÂNVUA 



Sietí ukusota kunúaf 

utúixa kunona muxima iieí: 
eòu tukúete mavâa ma xoka, 
fnaiírramatole,kasolo,ma- 
rafo ma dtxisa (dilúè), ni 
marufo ma mazavu. 

nikusota marufo ma dibúè i 
koMepe ni kaxi, kalcugUiji- 
dãepe kuniía marufo ama, i 
nikúete úôma kugusala mi' 
pe mu maliko masuta na- 
kata kmela muvumo. 

kakuyi, mHén' oii viuruaanámi 
kudía pa urúela ui ámi Ha- 
hiii nikusota ukusala (Stou- 
ma ^íiHape kamo kagana 
túakuMa pa musasa mulo^ 
ga miiata úaxala rã Sala 
úeai, i cUama^iko úedi uta 
ni kvloaa ni ipe dia kuMa 
teta. 

húate, muruaanámi, kagana 
kuloda múamo; naãiUe ni 
úape ni kaxi i ntikuta Sía- 
kéne dm ilcudUa iúape. 

vloaa múamo Hagukata kaso 
Síámi, kagana òidi mu mu- 



xima úei. 



ámi Stagukata kali húate ííipe 

mudi kudtapa musasa, koía 

HapedUe ni kaxi. 
miiata vkuete múari miiixi ni 

úape. 
kudUa pa urúela ukamuleja; 

tutani kúa eai kagana ku- 

talala. 



O que quer beber? 

Pode escolher segundo a sua 
vontade : nós temos cerveja 
(espécie) de milho, dita de 
bv rdão, dita de mel, vinho 
de palmeira, dito doce. 

Desejo vinho de palmeira e 
muito pouco, porque não 
estou acostumado a estes 
vinhos, e nestes dias tenho 
andado incommodado do 
ventre. 

Rapaz, este senhor meu ami- 
go janta também commigo, 
e portanto apresenta cousa 
melhor do que o almoço, 
porque elle ficou com fome, 
e depois vae dizer mal 
da nossa comida. 



NSo diga isso, meu amigo; 
eu comi esplendidamente, 
estou repleto de boas co- 
midas. 

Diz isso só para me ser agra- 
dável, mas nSo é o que 
sente. 

Contento-me que nSo seja 
inferior ao almoço, que 
estava excellente. 

O senhor tem um bom cozi- 
nheiro. 

O jantar o dirá; vamos a elle 
para não arrefecer. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUlffDA 



247 



mahiii mudi uktmuloda ámi 
rd ánd, Zikugúapelepe TcuâHa 
kumutalala. 

úaxakama. kakuyi^ tala hili, 
m&ata kak&etepe ruaumo, ni 
mogúa úaxalele palepa pa. 

lalula isapmlo laôso katúiji- 
ka Sieli tukuete kHa kucKa, 
ni kuaôso kutuaoíexe. 

ííaúape. kOa mu òUapiíão Ha 
nimana kali jilavu jta mu- 
koko, Síáminiiiapelenikaxi. 

nikusota kali kudia niúapele 
ni kaxi mixima :Jala Ha yo- 
Ixvgo kumizuza. 

ámi nikusota kamo kaxalapo- 
li kiíéí net' ámi anasuka a 
mu musaji Ha maxi, òinito- 
ga kúita kaai kamo. ' 

kanilejape H búate, mOari 
mãixi úámi Hijíka kmisvka 
ni Hape. 

nikOetô mv^xima Hakéne ^i 
mOata ukucKa ditako dta 
UjÍu Zi ámi nalozde goloxe, 

umusakula kakiepe, ni ukama- 
na jinama jiHape. 

umukudta ni maiji òidi ^%m- 
ma òíHape, i maiji orna 
aJc&isuka ni mai mazolo, 

maiji ama maeíif 

^Stakéne ámi nikOete i^aini ãHa 
kudia ku muxima ni kaxi, i 
kumana mOata kudia múa- 
mo koMepe ni kalãepe. 



Sou da mesma opinião^ porque 
também não gosto do co- 
mer frio. 

Sente-se. Bapaz; o senhor 
não tem copO; e o sal ficou 
lá longe. 

Destapa todos os pratos para 
sabermos o que temos, e 
por onde havemos de prin- 
cipiar. 

Bem. Além, naquelle prato, 
já eu vejo costelletas de car- 
neiro, de que gosto muito. 

Vou principiar por comer do 
que muito gosto: figados 
de veado assado. 

Eu prefiro que o seu creado 
me traga rins em molho 
de sangue, que penso ter 
de repetir. 

NSo digo que nSo, porque o 
meu cozinheiro os sabe ar- 
ranjar muito bem. 

Tenho muito prazer em que o 
senhor coma perna do leão 
que eu hontem cacei. 

Prove-a um pouco, e verá que 
é uma carne delicada. 

Coma-a com hervas que é 
muito bom, e essas hervas 
foram cozinhadas com ovos. 

Que hervas são estas? 

Na realidade estou envergo- 
nhado do meu apetite, e 
de ver o senhor comer tão 
pouco. 



248 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIANVUA 



maòiko maôso m&amo;pa mvr 
sasa ni kuâxa niúape ni 
kaxi, pa urúela palàepe. 

Haòifua (£ia kucKa úa rjMkoí 

^inikiUúixape kuxala òakadi 
kudta pa uZuko. 

aJca Iq* ámi múamo; kudta jm 
urúela pa mUata kaso kali, 
Tcusakula úakéne ktidta pa 
urúela úeí Zidi dta uàuko. 

kakiuRape rrukaf 

nikusota kamo dikodi dUalcúo- 
xa, aci kadiga iLsúana pa 
kasuè. 

mu òikuZo eH mtãu múikãa 
kakuãíape iMcadi rruka, kti- 
kúetu maliko maôso. 

kakuyt, paka apa kakutetape; 
tala aci d^amaíiko ukutuma 
(2ta kúisekula jipaka jtôso» 

múante, aelej* ámi. 

kúamixe ni úape rusumo eru, 
H nikusota kuruteka kaso- 
lo, mijika eté úapele ni 
kaxi. 

múaniêj mukúá lago, italala ni 
kaxi ni múape mu mukano. 

lele, kakudíape ioúma kamof 
um^na kua kazolo ka kúisuka 

mu maxij úape kúa kudía 

ni ntJca; kagana hisota? 
nikúete muxima muloíe úa 

yoie ni uòúa nimona nipala 

úakéne. 



£ sempre assim ; como muito 
bem de manhã, mas muito 
pouco de tarde. 

Costuma cear? 

NSo posso passar sem ceia. 

Então diga-me isso; o jantar 
para o senhor é apenas en- 
tretenimento, o seu verda- 
deiro jantar é á noite. 

Não come infunde? 

Prefiro antes banana assada, 
ou bombo passado pelo 
fogo. 

Nesta casa ninguém pode 
passar sem infunde. É o 
nosso principal alimento. 

Bapaz, esta faca não corta; 
vê se amanhã mandas afiar 
todas as facas. 

Sim senhor, meu amo. 

Limpe bem este copo, que 
quero deitar-lhe hydromel, 
de que eu sei que gosta 
muito. 

Sim senhor, meu fidalgo, é 
muito fresco e muito agra- 
dável. 

Então, não come mais nada? 

Temos ali irangão de cabi- 
dela muito bom para comer 
com infunde; não quer? 

Tenho apetite ao lombo de 
vacca com cogumellos, que 
tem lima apparencia excel- 
lente. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



249 



matibúa múamo katékape kolo 
kúêtu. 

mazego ni mvtíiè úa iHbole 

ukusotaí 
úajikitixa, úaâxUe kali ni ka- 

xi, 
^inidipe iiasiiyi ukudta, múari 

muixt uámi auate kuijika 

kuisuka kudUa oko mvdi kolo 

kuêtu, 
k&iji lele kuibula míCugo. 
nitoga aibode búate mani mu- 

di kua. 

kúifi mãamo. 

aci kagana úaaxdele Síaúape 
ni kudia pa urOela naileZa 
kugtãeka, muxima úámi 
ukusota huÃola niúape kudi 
muruaanámi. 

murtidanámi kugOakexe kuãta 
pa urúda kiia mOana mUa- 
ta; mOamo e^i áminatúixUe 
ktUala kamof 

mu Hkvío ^ámi kanikuetepe 
maóiko mvdi Ido eai. 

nakaXiruka kamo kakuaú, ni" 
kusota havana mazui ma 
ámi mudi muxima mutoka 
úámi Ooviia. 

éíé, úamujika muxima úámi. 



mazúi maúape namaovãe kali 
kamo nakavulaméne. 



CogumelloB como estes não 
apparecem nas nossas ter- 
ras. 

Quer feijSo com cabeça de 
porco? 

Agradecido, já comi muito. 

NSo teimo em que coma, por- 
que o meu cozinheiro não 
sabe fazer este prato como 
na nossa terra. 

Talvez por falta de temperos. 

Eu creio, porque os porcos 
nao são tSo gordos como 
lá. 

Pode ser. 

Se não ficou satisfeito com o 
jantar queiradesculpar-me, 
porque o meu desejo era 
ser agradável ao meu ami- 
go. 

O meu amigo apresentou-me 
um jantar de príncipe; que 
mais podia eu esperar.? 

Em minha casa não tenho 
dias como este. 

Voltarei mais vezes para pro- 
var-Ihe que as minhas pa- 
lavras exprimem o meu 
sentir. 

Fico-lhe muito reconhecido. 
(Está sepultado no meu 
coração.) 

Jamais esquecerei a sua be- 
nevolência. 



250 



EXPEDIÇZO PORTUGUEZA AO MUATIInVUA 



Passear 



katataka tmani kuedagana 
túisedexe ta kuãta mu ivií* 
mo. 

pa dizúi kamo; mia ni kumu- 
t&cãa ni muxima múape. 

kutukuta Jcúisof 

té (pá) hiòUculo Ma úito, kúa 
máíiko maôso kusuta kaZi- 
pepele. 

múéne gada kakatape kusuta 
munumo, aZi múamo úasote- 
le kali kutuma aiieai kuseta 
majUa ama^ múéne ukúets 
òiniyo ni kaxi mudi xenA. 

mOén' eai Oaidaméne muiu 
múakéne kúijika kaso ku- 
mona mujikita omu. 

mOéne ukuete, ^^>eneli ikugi oú 
pekHa, umutumine ni aliía 
Ha múata . . '. kidoaa ni 
ana kiieai uxadi Ha òikapa. 

mutodo mOa ^aJcéne Hajãa 
ni kaxi, ni vlepele ujima. 

úijika dijina d^edif 

mujàgama. 

i mxúcuaú Ha maijima ámi ni- 

mana mu iaaaf 
mukaoa. 
nikata ni kumana munoiímo 

mitodo tape ivudi, kakúite' 



Vamos agora passear para 
fazer a digestSo. 

Está dito; you acompanhá-lo 

com muito prazer. 
Aonde vamos ? 
Até á margem do rio, que ali 

corre sempre fresco. 

O potentado nlo tem passado 
por aqui, aliás já teria 
mandado os seus rapazes 
limparem estes caminhos, 
porque elle tem muito cui- 
dado nisso. 

Elle devia ter um homem 
especialmente encarregado 
doeste serviço. 

Tem, mas esse homem está 
ausente, porque elle o man- 
dou com os portadores do 
sr. F... fallar aos seus 
parentes na outra banda 
do Chicapa. 

Aquella arvore é na verdade 
muito frondosa, e de uma 
grande altura^ 

Sabe o seu nome? • 

Mujangama. 

E aquelPoutra de folhas lar- 
gas que eu vejo em baixo? 

Mucamba. 

Tenho visto por aqui muitas 
arvores boas, mas nSo cai- 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



251 



kanipe muxima úahinaú, 
axakama ni afúa Zakadi 
mtãu kutoga dtaéne. 

(ãu kakutoyape mu tenet, aci 
akuteka ikasa teai mu mu- 
todo umúè Hdi kaso Síaku' 
musala kumuxexa, aci kusa- 
lajikunijia kasúi mu iku- 
00 tau, 

atxexa akumiya akúaú, ka- 
kutoyape múamo an' aú di- 
Ziko dimué kakúezii ene 
akHete kúoviía kuaota pe-- 
kila. 

akusala ràipe Zakadi amuiji* 
ka; akúitia aci kayanaku- 
nouko kulutiíè kamo pakte • 
pe maZiko maôso atana aoaa 
kutuya ulo. 

éne akuta ni kuxikumuka ni 
maúito, akúitia jinama jta 
kuloza ni mitodo kali kamo 
akakHapúixa, 

múamo aci akudiòa nténel 
tala bãi; kamenepe kuhulo úa 

mutia úa mutodo kcuKaya 

kalãepe mudi kimaf 
Zidi, amutazitka bvji, 
i^kita Sía òima Hdi (Staúape! 

úa séStaseH ni mukilo uja- 

la! 
munumo mu káòimi vkúete 

ivudi, 
nikúete muxima kuseda òimúi 

kuta kolokuêtu. 



dam d^ellas ; vivem e mor- 
rem sem que a mão do 
homem as encaminhe. 
Esta gente não pensa nisso, 
e se tocam numa arvore é 
só para a destruir, fazer 
lenhas para aquecer as ha- 
bitações. 

Estragam-nas por innocencia, 
não pensam mesmo na falta 
que seus vindouros hão de 
encontrar. 

Fazem mal sem o saberem; 
suppSem que se não fôr 
aqui, um pouco mais longe 
sempre encontram sitio pa- 
ra fazer uma povoação. 

Vão descendo (caminhando 
para o norte) acompanhan- 
do 08 rios, e crêem que a 
caça e as arvores nunca 
acabarão. 

Como se enganam ! 

Repare; não vê no ramo d'a- 
quella arvore um animalzi- 
nho que parece um macaco ? 

Vejo sim, é o búnji. 

Que bonita pelle de macaco! 
é cinzenta e a cauda preta ! 

Aqui no (rio) Cachími ha 

muitos. 
Faço empenho em levar uma 

para a minha terra. 



252 



EXPEDIÇÃO POBTUGUEZA AO MUATIAnVUA 



tUilixa kúíitana katataka, 
mOamo eH ámi naloae múa- 
ta , , , 

najikit' et kcdi jivudi. 

natoyUe úit' oi úajiòa kamo 
ni kaxi, 

kakadipe úamuménef 

húate; leio diòiko disaka kui- 
za pa. 

tuia kutuxakama pasúipa mu 
^Ualo, mu mutía úa mutodo 
udi paxi pa maliko mavu- 
di uiúapali kuzaoula òílalo. 

uiikuêota ni úape, ZíUdo éòi 
Zijika, ni aci ukubvJcuka 
ítaôso mema kuHbúika. 

Meneei òidipe òilalo, aòUuoika 
mitoao ivudi kuhtão dta- 
kúaú lakadi kúikasa, múa- 
mo mema cíci masúeji, aku- 
Hna ^za kuiza máíiko mad- 
80 luvtãa lúasiíeji, aôso mi- 
toao akúikaka mema mu 
lada. 

katataka kaso nimane úito ka- 
kúetepe dijia divudi, 

mahúi; múamo kaai aci aJca- 
ta kiãoza ityuvo ni aci ku- 
mana agaao. 

mudi múamo I 

aikúeza úa rúeie^pa kúiso úif 

oú ma kusakana pasúipa 

pakúaú. 
novúa kaii. 



Pode obtê-la facilmente logo 
que eu falle ao sr. F... 

Desde já lhe agradeço muito. 

Pensei que este rio era muito 
mais largo. 

Ainda nSo o tinha visto? 

NSo ; hoje é a primeira vez 
que venho aqui. 

Vamos sentar-nos ao pé da 
ponte naquelle tronco de 
arvore, que jaz no chão ha 
muitos dias, prompto para 
reforçar a ponte. 

Bem precisa, porque esta ponto 
é um perigo, e desconjunta- 
se logo que a agua a cubra. 

Aquillo nâo é ponte, é um 
amontoado de troncos sem 
ligação, de modo que sen- 
do a corrente forte, o que 
succede sempre depois das 
grandes chuvas, todos os 
paus s^ levados para baixo 
(na corrente). 

Só agora reparo que o rio 
tem muito pouco fundo. 

Tem; mas ainda assim nelle 
se teem caçado cavallos- 
marinhos, e vêem -se jaca- 
rés. 

Como assim! 

Vêem do Luembe, onde este 
rio encontra aquelle perto 
d'aqui. 

Já percebo. 



METHODO PBATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



253 



mutena úafua kalij iajala; 
tutani kutuiuka ni kútílu- 
ka uhúete úoma kamuka- 
ao kukanunvJca wúcusalani 
kaxi ni luviãa lúanokéne 
maòiko ama, Jãa kidutúè 
ÒZ080 mujika ni mitoao. 

uhda ni úape; tala ni kueda 

niêtu. 
kutoka k&aki ktdiitúè kúaf 

kuiji aci kuoxapata SteneH 
Ido kugúiximvkine masuko 
matalala ni kaxi. 

kaovãepe kuigila mudi kudUaf 

&a kaaana kOoxapata. 
kut&eaa tusikJcali; kutala uape 
kagana kúipúa kali. 

ah! kat uloade kali palepa 
ainuguna cUabula kali ni 
usiía. 

murudanámi Oamêne niiíape, 
Udi mutaía muvudi Ha ka- 
lala úakata kutema. 
ukusota kuta kúa. 

tuíani; kúiji Ide mijikita têtu 
tape kudi éne^ aci kayana 
muamo tuia kãitala ni ku- 
9uta n' aio. 

atema kali ikvío isato, HmHò 
lipaddepe loima. 



O sol já se escondeu e prin- 
cipia a escurecer; vamo-nos 
retirar por causa da ladeira 
que temos a subir e está 
muito escorregadia com as 
idtimas chuvas^ e o cami- 
nho para deante está todo 
obstruido com troncos. 

Diz bem; vamo-nos embora. 

Que clar.^0 será aquelle lá 
adeante ? 

Talvez seja alguma queima- 
da; mas hoje admira-me, 
porque o capim está muito 
molhado. 

NSo sentiu gritos, que pare- 
cem de choro? 

Aquillo não é queimada. 

Apressemos o passo; tome 
sentidO; não dê alguma to- 
pada. 

Ui! já fallou fora de tempo; 
apanhei uma pancada rija 
no joelho. 

O meu amigo calculou bem, 
é parte da povoação do, 
Calala que está a arder. 

Quer lá ir? 

Vamos ; pode ser que os nos- 
sos serviços sejam precisos, 
e quando mais não seja 
vamos animar os afflictos. 

Arderam já três habitaçSes, 
e de uma nada se poude 
salvar. 



254 



EXPEDIÇIO POBTUOUEZÁ AO UUATIIntUA. 



axona aíaâa, akudOe mudi 
ana JcakL 

ipida mxãu muloy' éíi aéne 
akudile. 

axona! Jcúiji aj^alexa Í6idi 
10080 òidi ioiíma íkiepe, tu- 
aagasàya, manugo maadi 
aci umúi, divuya dimúè ni 
tupaia ni túkaya ni misasa 
ta kadiga ni 5t noêji úijiká 
palãepe kamo. 

aZi mOamo tumix' aú mtisuoa 
úámi, nakaipan ahinaú lenéi 
ni kamo òíoiíma òikOaií. aci 
dí 7ioéji kutupana tidi íía 
aÔ80, 

murudanámi^ nakalef aú ; ^e- 
néíi kusala múamo mudi 
muxima ukusota, tukamana 
kutema kaai ikuio Miau. 

bUate kutoga mOamo) kusala 
ni úape kagana kutala 
mutu, aleja múamo mu 
kolo kúêtu^ aZi kuvulaméne 
kalif 

muruaanámi úaxikUe panapa 
jigode jiadijta8utile,niámi 
nikuxakama kali kunoúko 
mive mivudi. 

^aúape, tutani kali ku ilobo 
tètu. 

úijikaJUa kúetf tala, úé uku- 
sota mia kumutúalef 

vuMê; múamo kuajala nitala 
kugudãni húate. 



Desgraçadas mulheres^ cho- 
ram como creanças. 

Pergunte a alguém porque 
choram ellas? 

Coitadas, talvez perdessem 
toda a sua fortuna, que 
eonsiste em pouca cousa: 
missangaS; uma ou duas 
panellaS; um panno, ces- 
toS; esteiras, e sabe Deus 
se alguma cousa mais. 

Se é só isso mande-as á mi- 
nha residência, dar-lh'o-hei 
e mais alguma cousa. Quan- 
do Deus dá é para todos. 

Meu amigo, vou dizer-lh'o; 
mas um benefício como 
esse, anima a repetirem-se 
os fogos. 

Não pense assim; faze bem 
não olhes a quem, dizem 
lá na nossa terra, não se 
lembra? 

O meu amigo chegou aqui ha 
dois mezes, e eu já por cá 
estou ha alguns annos. 

Bem, vamos agora para os 
nossos acampamentos. 

Sabe o caminho para o seu? 
Se quer vou acompanhá-lo. 

Muito obrigado; apesar de 
escuro espero não me en- 
ganar. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



255 



Ide^ kidadtka; hãagala ni 
uape, múamo muxima úámi 
umukusota. 

faia kaai kusanika mu muka- 
da úámi jisayo jiovOa nai- 
jikile leio áci asutUe. 

pa ãíamaliko; Uvxika laJca- 
di ni vpe. 

múamo kúeí; bdadUca. 

ttdadika; tutani ni zaíi. 



EntSO; boas noites; durma 
bem, é o que eu estimo. 

Vou ainda escrever no meu 
livro as noticias de que 
hoje tive conhecimento. 

Até amanhã; que chegue sem 
novidade. 

Egualmente ; boa noite. 

Boa noite; vamos com Deus. 



O doente 



(Sío\)úa muruãanámif 

nikovúa mutúh kutela, muka- 
no kuguma, paJàepe ni pa- 
híepe, nrntaia úa tátuko ku- 
husa zakata, kugmela (èitoga 
kúiji muxima, 

misogo úa mutaUía, dei iktdo 
act ttsof 

novile kali ikuso kamo, kagana 
masúeji mudi leio, Ziahúi 
naitile musoni [úámi kuta- 
zuk' éi, múéne gaga. 

múén* edi goloxe úaxakaméne 
kunoúko, ciei kuguleje eté 
múéne gaga úakéne dt úaxi- 
ka polo pêtu muve omu, 
Ziahúi nakúetHe muxima ku- 
mumanajana múata ni ámi 
kuijika tpugi uet. 

àci úasatexde kúovikí kmda 
mu dióiko écike ou jike f 



O que sente o meu amigo? 

Sinto dores de cabeça, mmtas 
seccuras, de quando em 
quando doe-me o lado di- 
reito acima do ventre, onde 
julgo ser o figado. 

As dores do lado são antigas 
ou modernas? 

Tenho-as sentido mais vezes, 
mas não tão fortes como 
hoje, por isso pedi a meu 
primo para chamar o se- 
nhor curandeiro. 

Elle hontem esteve aqui, e 
disse-me que o senhor é um 
curandeiro capaz que che- 
gou ao nosso sitio este anno, 
por isso tive vontade de 
o consultar. 

Quando principiou a sentir-se 
doente? 



256 



EXPEDIÇXO POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



maòiko mascUo novãe mutúè 
kuiela, ni kudi pa mutíih 
kúytLsaiexe kuula; najiiale- 
le muxima úa kudxa ni ku- 
lala mu tvlo pakiepe ni 
kaxi. 

nimana kali kuíela kúéi ^ipe 
kamo kúa muxima, ni omu 
nikusota kali kúikexa; 5iua- 
saZele murudanámi unúa 
mono Oakusuka, ãtamaiSiko 
nikiiza pamaki. 

kúiji nitala ukalala mu tido 
ni kíepe, muloya mvtíjA múa- 
pe kamo. 

Zi noéji umiioviia. naileta kuia 
katcUa kumana múan' ámi 
úakaia kuíela ni kaxi mu 
mesu, 

rniíaniê, mia kali. 

leio, Hayukata kamo kumana 
pala ttei. 

mono kugusala ni Oape, neile 
mu tulo pálàepe kamOy ni- 
kOete kali muxima úakuâxa. 

kudxa kali, òiHapelepe. 

Ido utúixa kunOa ka^o miaaje 
úa zolo, ãtamáéiko naka- 
kúijika kuloaa aci utúixa 
kudia (Sioúma aci kayana, 

mutúh úéí kuyidej' ecikef 

kiúapelepe kaai mudi nakúe- 
tile muxima, 

ntia ni kusala mono umúò 
díeli été ukakunúa rusumo 



Ha ires dias que as dores de 
cabeça me nào deixam, e 
por ahi começou o meu 
mal; perdi a vontade de 
comer e pouco teuho dor- 
mido. 

Vejo que a sua principal 
doença é do figado, e é 
essa que vau tratar de 
combater; mas antes de 
tudo o meu amigo vai to- 
mar um vomitório e ama- 
nha virei cedo. 

Eu espero que dormirá um 
pouco porque a cabeça ha 
de alliviar. 

Deus o ouça. Rogo-lhe que vá 
ver agora o meu filho, que 
está muito doente dos olhos. 

Sim senhor, vou já. 

O seu parecer é hoje melhor. 

O remédio fez-mc bem; dor- 
mi um pouco e tenho ape- 
tite de comer. 

Comer já nâo é bom. 

Hoje só pode beber caldos 
de gallinha, amanhã eu 
direi se pode comer algu- 
ma cousa. 

Da cabeça nada me diz? 

Não estou ainda bom como 
desejava. 

Vou preparar-lhe um remédio . 
de que tomará um copo 



METllODO PllATlCO DA LIXGUA DA LUNDA 



257 



rulãepe katataJca, rukúaú 
pa uriída, ni rukúaú kaai 
úa u^uko, likulo &a kma 
mu tido. 
hãtão kúa mutaía múeH úao- 
vUe misogo kumúixiyuna ni 
mono úa kapdete aka, pa- 
kúeza kubúika kúape muta- 
ha omu, ni (Cibele (Eia uvije 



uasúanexe. 



vudíêj vud/iê, murudanámi, 
mon^ ámi, mesu úedi axcUa 
ecike f 

úamiixele ni úape kamo ni ka- 
xi; goloxe eai ni eai kugu- 
Ioda ta misogo mu ditúi 
akadila, nitoga múéne úa- 
tabulUe rukiao mu Zihwo 
(£tao80 úaile mu tulo. 

ZUculo Síedi ka^ibúikilepe 
liúape. 

naméne tenel kali, nalejele ka- 
xalapoli keai aZi utuminine 
kuZa masuko kubúika liku- 
%o òiúape kamo. 

mukaje úá úajila ni kaxi, ni- 
toga úape umutuma kudto- 
xa lusde kumvkaaa edi úor 
púidUe. 

múén' eai úaloade ta misogo 
mu mini úedi. 

kugúigixa kamo kumucKooca 
Tnaxi mu mujiba úedi. 

múata gaga ukasala H kúo- 
vúa kúape. 

umana kali maieji mavudif 



pequeno immediatamente, 
outro á tarde, e ainda outro 
antes de se deitar. 

Sobre o lado em que tem sen- 
tido as dores friccionará 
com o remédio que está 
neste frasco, e depois cobre 
esse lado com um pedaço 
de baeta quente. 

Obrigado, meu amigo. Como 
está meu filho dos olhos? 

Deixei-o muito melhor; tam- 
bém hontem se queixou de 
dores no ouvido direito, e 
julgo que apanhou uma 
constipação na cubata, quan- 
do estava dormindo. 

A cubata d^elle nSlo está bem 
coberta. 

Nisso reparei logo, e disse ao 
creado d'elle que mandasse 
buscar capim para a cobrir 
melhor. 

 sua companheira é que 
está muito nutrida, e é con- 
veniente sangrá-la para lhe 
evitar algum ataque. 

EUa queixa-se de dores de 
garganta. 

Mais um motivo para lhe ti- 
rar sangue do corpo. 

Faça o senhor curandeiro o 
que entender. 

Tem já muitos doentes? 

17 



258 



EXPEDIÇlO PORTUGUEZA AO MUATXÂNVUA 



huate, mugaa oúpekila mate' 
ji; nimana kaao iakuida 
tulãepe, a nitana kamo Ua- 
mu mieau ni iãíatelo. 

akutokajikef 

kutoxese. 

aZi úakúiximúkineí múamo 
manago akiíipiiixa usiia ka- 
li ni ahinaú. 

muteji humana maiu kaJâepe, 
VieneZi múamo mu màôiko 
nuztano aci masâtaho uxa- 
la ni úape. 

yoloxe ajile ciu adi mu òipa- 
ga dta miiéne gaaa akata 
kutda mu mavumo akuetele 
usOa, matela mamúaka ma 
goae ama kunoúko mu uio. 

aZt múêne úakugutaSuJcile, kãi- 
ji lele aJci natúixãe kuipor 
da ni mono têtu; ene aitia 
kamo mu mono %a amuka- 
tu, ééi kaijikape ni iíape 
mazela ama. 

úisedixa katataka; vkusota 
kuia mu tulo ni katataka 
éòi kulaguka ukusota kudía 
kakiepe úa zolo. 

maòiko maeza Haidama kudza, 
ni dtama^iko aZi utúixa 
kuhudika iía ulalo ni kuta- 
lula ruJdao rúaluepe. 



N%o, nesta terra nSo ha doen- 
tes; só tenho visto ligeiras 
doençaS; e o mais frequente 
feridas nas pernas e em 
baixo nos pés. 

Como as cura? 

Fazendo-as queimar. 

Admira-se? £ o meio mais 
prompto de acabar com 
ellas. 

O doente padece um pouco, 
mas d'este modo em cinco 
ou seis dias "fica curado. 

Hontem morreram duas pes- 
soas na residência do po- 
tentado com doenças de 
barriga e fraqueza, molés- 
tias firequentes estes mezes 
cá no sitio. 

Se elle me tiresse chamado, 
talvez as pudesse salvar 
com os nossos medicamen- 
tos; mas elles acceitam 
melhor os remédios do 
gentio, que nâo conhece 
bem estas doenças. 

Vá descansar agora; veja se 
pode dormir, e logo que 
acorde faça a diligencia de 
comer algtim pedaço de gal- 
linha. 

Agora é tratar de ir comendo, 
e amanbS ja se pode levan- 
tar e tomar um pouco de 
ar. 



METHODO PRATICO DA LIKGUA DA LUKDA 



259 



múata gaga, nidi hdi niúape. 
vuã^è mujikita iíeH kudi ámi, 
naUeBa kali kuly' ámi ma- 
tíko maôso kúeza kunoiíko, 
nikusota mutena úa leio ku- 
fata kali mijikita útí úape. 

* 

UikcJcúleja ditíko dikúaú. 



Senhor curandeiro, estou já 
bom. Obrigado pelos mui- 
tos serviços quç lhe devo; 
rogo-lhe me diga quantas 
visitas fez, porque desejo 
hoje mesmo pagar os seus 
boils serviços. 

Fallaremos outro dia. 



Comprar e vender 



kakugi, aSolo ama akumaladi- 

oca. 
múaniê, sdej' ámi. 
zakó, leka bili usèía ikdeta 

iuloBolo tíiakéne ni tuzolo tu- 

êâlaílo. 
adso vlaaixa ecíkef 
kalc^lo kamúè mujoka ni tur 

zelo tiiaôso divuga. 
ah! ka kai úita niwdi, ma- 

suna mafãa kali, nifiita 

kudi ao80 rupasa riía di- 

fada. 
muata vfuta ni Hape mudi 

tàita, ÍUneòi nzia kuijika 

nuãí úámi kusota difaaa. 
akaia lusólo, atiíixa kiiimeka 

azolo kamo kOa ktdadixa 

kuiji rmãu kúileta Oasota 

difaaa. 
miiéne Haxala kunima, mia ni- 

kumutcãuka. 
kaktigi ni mak' iiedi aeza kali 

kúa. 



Rapaz, essas gallinhas são 
para vender? 

Sim senhor, meu amo. 

Vem cá, deixa ver «o negocio 
que trazes? 

Dois gallos grandes e seis 
gallinhas pequenas. 

Por quanto vendes tudo? 

Um gallo por dois bandos, e 
as frangas por um panno. 

Oh! com a breca! pedes 
muito, a fazenda já aca- 
bou, dou por tudo meia 
libra (peso) de pólvora. 

O senhor paga tanto como 

. eu peço, mas vou saber se 

minha mSe quer pólvora. 

Então vae depressa, podem 
apparecer mais gallinhas 
para vender e quem as 
trouxer procure pólvora. 

Ella ficou atrás, vou chamá-la. 

Lá vem o rapaz e a mãe. 



260 



EXPEDIÇlO PORTUGUEZA AO IfUATIÂKVUA 



tnak' w^ íiiUeja^ ciei kusota dir 

fada aci kaganaf 
difaaa biiate. aci mOata ukiie' 

te ttisayasaga kasat, uscda 

iLaéía azolo adi. 

mOéne vkusota ecike kudi cão- 
lo adif 

tvieSe tvJcumi ni tOadi. 

eh! eh! idi ivudi! nifuta di- 
kumi kaso. aci m&éne uku- 
sota kulaaixa tidoZolo tUadi 
nakafuta tubeze tukumi ni 
tOadi. 

aci m&ata tãada azolo asaUo' 
Ho mu divuya, xdeka kuxala 
ttiloholo maú kudi tubeze 
tukumi ni túadi. 

pa dizúi. nitazuka kali miíari 
múixi úámi dia kufut' éí. 

Hape. uleja mak' úet ééi kor 
lodape ni ámi, Zi kugtãeta 
uya âa kabaka ni maí ma- 
zolo, éòi ámi nikulaaa. 

mOéne kagana hdoaa ni (Aé, 
vkiUte úoma, diliko dimOè 
kali kamo Oaméne muade 
kusuta magaaa ama. 

ulej' cai miaele aikuyi mudi 
(ãu kasalape, ni ipe mvtu 
mukHaú. 

aci namtãejeV eai kali, Stene^íi 
ukHete uoma kaãi. 

mOéne kamenepe dt muaele 
Heza akumutiiale ni <ãu 



O que diz tua mSe^ quer pól- 
vora ou não? 

Pólvora náo quer. Se o senhor 
tem missangas miudinhas 
sarapintadas^ faz negocio 
por duas gallinhas. 

Quanto quer ella pelas duas 
gallinhas? 

Vinte fios. 

Oh! é muito! só dou dez fios. 
Se ella quer vender os dois 
gallos pagarei os vinte fios. 



Se o senhor compra as seis 
gallinhas por um panno, 
deixo ficar também os 
gallos pelos vinte fios. 

Está' dito. Já chamo o meu 
cozinheiro para te pagar. 

Prompto. Diz a tua mSe que 
não falia commigo, que me 
traga farinha de milho e 
ovos de gallinha que eu 
compro. 

Não falia comvosco porque 
tem medO; nunca viu pas- 
sar um homem branco nes- 
tas terras. 

Dize-lhe que os brancos são 
homens como os pretos, 
não fazem mal a ninguém. 

Já lhe disse, mas ella ainda 
tem medo. 

Ella não vê que o branco vem 
acompanhado com pretos, 



METHODO PRATICO DA UNGUA DA LUNDA 



261 



akieãi, ni éíi tuiada úa ido 
aeaagana mu ^Hloío Sía mti- 
ode òakadi úoma. 

eli vleta diamáòíko aci uriíeV 
oú kaai uga ni mai maSolo 
nikuisota, ni Ulula diòíko 
dikúaú kuscda mauséía me%, 
i kagana ukákuete úoma ta 
miaele. 

Uda hUi, mukaje Ha mOata. . . 
iieza hanei' ámi data, m&éne 
eòi umane aci mukaje ukOete 
úoma dia hãoa ámi. 

múata, nasotãe kaheze kasuza 

malia Oajima Síe^i kugúi' 

gilUe. 
Oasaíele nikusota humana eié 

ulet' ámi, 
taínda kabãe natyU' et. 
mUamê, tátuko, selej^ ámi vu- 

ãxe òi noeji. 
kabaaa, imana hili; tdya mu- 

i(zaa omu aci eié ukOete 

úoma ta miaele. 
ámi ff mulog' eòi kukúete úoma 

ia miaele f ahinaú asala ni 



e que as raparigas do sitio 
andam pelo acampamento 
sem medo. 

Que traga amanhã ou ainda 
esta tarde a farinha e os 
ovos que eu pedi, e que 
volte depois outro dia a 
fazer o seu negocio e per- 
derá o medo dos brancos. 

Olha, ahi*vem a companheira 
de F. . . trazer-me mudia- 
nhoca*; que veja se esta 
tem medo de fEdlar com- 
migo. 

Senhor, eu queria um fio de 
Maria II grossa, que me 
prometteu. 

Quero ver primeiro o que me 
trazes. 

Aqui está o fio promettido. 

Obrigado pae, meu amo, muitc 
agradecido por Noéji. 

Espera, rapariga ; dize a esta 
mulher se tens medo dos 
brancos. 

Eu?! porque hei de ter medo 
dos brancos? elles tratam 



1 Planta alta, que dá uma vagem delgada com sementes de forma de 
grão miúdo, as quaes, torradas e moídas como o café, e como elle prepa- 
radas adquirem aroma e gosto e chegam a illudir como se fosse esta 
cxcellente bebida. Fizemos muito uso d'ellas e podemos corroborar a 
illusâo, já notada pelo Dr. Welwitcb. Também das raizes fervidas obti- 
vemos uma bebida amarga, que por muito tempo nos suppriu a falta de 
solphato de qnina, o que também foi notado pelo mesmo doutor. 



262 



EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



úape cãu aôso, aXet' êiu tu- 
sagasaga rd mcísuna eH 
tuajcãat hdiisot' éài Jcaait 

katata mia iiJcuío &>a múata 
. . . kumana mujoJca kudi 
ixi eH, múéne viodd' ámi 
kulet' eai. 

aSi múéne kàkumuaotape, Ima- 
te kajiSbala cUóiko kHeza kw- 
noiíko leio, ámi nimtãaaa. 

ttagukata kali. 

mak' úámi úata ni eai, 

kaJcusotape kutaívia ámi ni- 
laa e?? 

múata ukafuta ^e^ ni ííaôso 
éié uhisota. 

iki múamo Húapdepe ; èvé tLsa- 
la useta mudi inuocima úA 
úakuêota. 

múata kugúoka úape ni ivudi, 
iiámi ntileoa cKa kúitia mai 
mazolo ni uga mudi miloLo 
úámi. 

ííaúape. Ido nakasala íenei 
takusota, di^iko â)ía8aka 
úezUe kugumana, kamo búa- 
te ukasala usêia jike uku" 
sota, éíu aJoso tukusota ni 
úape úêtu. 

vud^ mUaoo úet, tabula divu- 
ga dta maleso ni (íibaíe ni- 
kusota uruaa úámi; loaa 
mvxima úex úovúa úatoka. 



bem a todos; trazem-noB as 
missangas e fazendas que 
nós vestimos! Que mais 
queremos? 

Agora vou á habitação do sr. 
F... para me dar dois 
bandos por este peixe, que 
me disse lhe trouxesse. 

Se elle o não quizer, nSo 
perdes o teu tempo de cá 
vires hoje, porque eu com- 
pro-o. 

Já estou satisfeita. 

Minha mãe vae-se embora. 

Não queres receber o que te 
devo? 

O senhor pagará o que e 
quando quizer. 

Isso assim não me agrada; V. 
deve fazer o seu negocio 
como é da sua vontade. 

O senhor tratou-me tão bem, 
que eu rogo de acceitar os 
ovos e a farinha como uma 
lembrança minha. 

Sciente. Farei o que me pedes 
por ser a primeira vez que 
vieste ver-me, mais não 
farás negocio como quize- 
res, porque nós todos pro- 
curámos o nosso bem. 

Muito obrigado pela tua lem- 
brança, recebe um panno 
de lenços e coral; quero a 
tua amizade e diz se ficas 
contente. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



263 



Zaxa, sd&j* ámi. 

tátuko, múata úámi, úaxikile 
kaXioko kipoko ni dizêu, 
miiéne goloxe tdeja úasoti' 
le hãadix' (Hé múata. 

akamidiZe hãi, ni atola aZi 
vkilete miíaje. 

Ha mtãwe òitota ni makumi 
madivala maadi, i tuméne 
kali úape. 

umutuma kúaaama panapa. 
miién' eai ukusota kumona 
masuna, ni kagana tnkusota 
kúeaa kúa ni kuno; uxaka- 
mçJco kali. 

muruaanám, ákakuita mu di- 
zêu ecikef 

makumi manana amúixi úa 
kaega. 

IHdi SíinuZt. nituixa kuika ka- 
80 makumi masS&ailo. 

múeòi miiéne ukatogaf 

áci utúixa kuta useta Sía ku- 
laaixa. 

kagana; uk&ijita kufata ma- 
kumi masâHano ni kani ni 
mukala useta. 

^ktúape/ ttisala uséia makumi 
ma$âLano ni kaadi, i muka- 
la tílya kali éíé úakusota. 

Víege iSía fota, geSe, kahuiko, 
' '■ HtadUu, (SUapúilo ni ru- 
pasa riia mutena. 



Muito satisfeita, meu amo. 

Pae, meu senhor, chegou o 
quiôco Quipoco com uma 
ponta de marfim, que hon- 
tem disse que lhe queria 
vender. 

Vio pesá-la primeiro, e vejam 
se tem alguma raxa. 

Pesa cento e vinte libras 
e é boa. 

Manda-o entrar para aqui. 
Elle ha de querer ver fa- 
zendas, e não é conveniente 
andar de lá para cá; fica- 
mos já aqui. 

Meu amigo, quanto quer pela 
ponta. 

Oitenta peças de lei. 

E muito. Só posso dar ses- 
senta. 

Em que estará elle pensando? 

Pensa se pode vender por 
esse preço. 

NSo; tem de pagar sessenta 
e quatro e o arremate (gra- 
tificação final). 

Bem, faço o negocio por ses- 
senta e duas; emquanto á 
gratificação diga já o que 
quer. 

Uma bacia de folha, uma 
campainha, um casaco, um 
espelho, um prato e uma 
caneca dourada. 



264 



EXPEDIÇÃO POETUGUEZA AO HUATIAnVUA 



mudi nitala kuta useta Jcamo 
kadi ni éíé, ukamiÁUcisa ^éíi 
ete uita. 

katata tdeja Izéòi ukusota pa 
aoda ta makumi masâoano 
ni kaadi kaega, 

nikúete mata manama jiyO' 
ma jia difada jisâZaho, 
miixi fnapata maadi, miixi 
ma gaga mani, ma risekado 
ma xiiiíari ni mikozo iiíape 
iní, 

tala hili é6i axala muxi sâ- 
iafio kaso. 

pekila kamof 

lúcida ni úakatala, mukozo 
umúl mtixi misato, 

múanit; kugúakexe kamo ki- 
koxi lãa kasuè, i òiakuxala 
aÔ80 tusagasaga imnme 8u- 
za ni mesugeji, 

ukúete panapa aôso ni kamo 
mukalá; umana àci Hdi lia" 
kéne. 

mméne ludi, murudanámi, 
aôso aúape ; nikúete kadi di- 
zêu dikúaú mia ni kudtala 
dikiepe kamo, i nikúete mu- 
xima kudisúipa mu difada 
kaso, 

kl dimana hili, ni tukatúixe 
kuta useta, 

nzia mu òikuoo, i maliko ma- 
saio nakaxika panapa meai. 

ma ni zaoi 5t noeji. 



Como espero ainda fazer mais 
negocio com V., dar-lhe-hei 
o que pede. 

Agora diga o que quer em 
logar das sessenta e duas 
peças de lei. 

Quero oito aimas^ seis barris 
de pólvora, cinco peças de 
chita, duas peças de zuar- 
te, quatro de algodão, sete 
de riscado e quatro pannos 
bons. 

Repare que só faltam seis 
peças. 

Não ha mais? 

Conte e verá; um bom panno 
sSo três peças. 

Sim senhor; conceda-me mais 
um cobertor de IS encar- 
nada, e o resto em missan- 
gas Maria II e Cassai. 

Eis aqui tudo e mais o arre- 
mate; veja se está certo. 

Já vi, meu amigo, tudo está 
direito; tenho ainda outra 
ponta mais pequena que 
vou buscar e desejava ne- 
gociá-la só por pólvora. 

Só vendo-a poderemos fazer 

ajuste. 
Vou a casa, e só passados 

três dias aqui chegarei com 

ella. 
Vá com Deus. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



265 



Oaçar e pesoar 



muruaanámi, uejUe mu dióiko 
diiiape: e^u tuxákama, ámi 
ni aruaa ama, kutíioviicfjana 
ktitma ni kusala úamuzooa 
úakéne Sía Jcala^ kasega, 
hiía pasiJkipa mu rúeie; i 
mudi íía kuzoia akugutan^ 
ámi máòíko rinaôso maúape, 
ííentíi Síe^i naiaama kiH- 
jika diíiko mOeU arudanêtu 
akiÍ£te muxima kutuíuka 
díapanej Síámi uape kali. 

Wcaaipe tukúetile kuleja diòi- 
ko diiiape, Síaôso muruda- 
námi Oadaméne. 

tulcutuixa kuítSuka dikiadia 
búididi ni búidiãif 

kudi ámi ni Uape kakOetepe 
Síoiim^ kugukHata; miiari 
múixi Oámi úijika kali ni 
Uape, ííeH mjiéne ukúete Ha 
kusala mu ajila ama, miía- 
mo, nikuete kaso kutala ni 
Uape maia mámi, 

miUUa OatOale mata nanif 

Ha musani Oámi. 

niseaa maadi mahão ni umiiè 

úiso, òi akugOakexe Ha mi- 

lalo, úa kumtisomena kuni" 

ma, 
ah! ka! uta u ISioúmu eH 

miãu likadipe uméne mu 

jigada eji. 



Meu amigo, veiu em boa oc- 
casião; nós estávamos com- 
binando, eu e estes amigos^ 
ir fazer uma grande caça- 
da para lá do sr. Cassenga^ 
perto do rio Luembe; e 
como para caça encontram- 
se sempre promptos; mas 
o que eu preciso é saber o 
dia em que os nossos ami- 
gos desejam sair d'aqui; 
para eu me preparar. 

Ainda não tinhamos marcado 
o dia quando o meu amigo 
entrou. 

Podemos partir depois de 
amanhS de madrugada? 

Pela minha parte níío tenho 
impedimento algum; o meu 
cozinheiro já está acostu- 
mado a estas viajens e sabe 
o que tem a fazer, e eu só 
tenho de revistar as minhas 
armas. 

De quem sSo as armas que 
o senhor leva? 

As do meu primo. 

Jlicvo duas antigas e uma 
nova, que me deram de 
presente, de carregar pela 
culatra. 

Oh! uma arma assim é cousa 
que nunca ninguém viu 
nestas terras. 



266 



EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



múamo amuIejeT ámi; ámi 
aaka Zi kueka uta mudi oú. 

ámi niseda Hárrd Ha mazuro 
maadi, ni úi edí udi uta 
úape. fkamxdadele mivi mini 
misuta, i aÔ80 akuso uazo- 
%a ruãozele ni Hape. diòiko 
dinima nakuzoía natapeU 
a!guvo adi mu ditiSuè. 



nikHete muxima ni íuzgukata 
kumumana katata kutapa 
suiaa aci golugo. 

aci éíu kiUmana, nitcda kaku- 
gulekape huxala ni ipe ku 
mesu Hei. 

tukHagana kuisot 

mu ^ihwo éíi lidi mu ji- 
la, nimutalako, tHakasaJcula 
&oÍÂma ^iMepe ni tutani 
kutubudika kali. 

mOaniê, padizúi, 

Hape kamo kutuloaula mujUa 
mun' oú kohi tuia ditíMta 
kakadipe Ha kumúijika, ni 
tuakaiana jinama jiHape, 

kcuyviUlepe Zijimino íia lozát 

noviiile, nitoga (Stakéne lidUe 
akúetu têtu ahãoza. 

katata, murudanámi, hãoãa 
hHate, iuiani íta ííetí tOe" 
jile; nalHeza kali, i kagana 



Assim m'o disseram ; sou eu 
o primeiro que apresento 
uma arma doestas. 

Eu levo a minha de dois ca- 
nos; e esta que tem sido 
uma boa arma. Comprei-a 
ha quatro annos, e todas 
as vezes que a levo á caça 
sSo bem empregados os 
tiros que faço. A ultima 
vez que a levei á caça 
matei dois cavallos mari- 
nhos no (rio) Chiúmbue. 

Desejo ter o prazer de o ver 
matar um porco silvestre 
ou um veado. 

Se os encontrarmos, espero 
que nSo me deixe ficar 
mal na sua presença. 

Onde nos encontraremos? 

Kesta casa que fica no cami- 
nho, eu espero-o aqui, pe- 
tiscaremos qualquer cousa 
e seguiremos logo. 

Sim senhor, está dito. 

É melhor seguirmos por este 
trilho que vae a uma mata 
nSo explorada, e encontra- 
remos alguma caça boa. 

NSo sentiu um tiro? 

Senti, e certamente foi algam 
dos nossos companheiros 
que fez fogo. 

Agora, meu amigo, nada de 
fallar, vamos ao que vie- 
mos; já errei uma vez a 



METHODO PRATICO DÁ LÍNGUA DA LUNDA 



267 



nikúete muanma hãúeza 

kukúaii. 
pum. . . úafUaf 5te?t iialozaf 

golugo aci kahaje. 
i múata úcdoza cmaúit 
iaú, i nitoga kumutota; mia 

ni kumumana. 
nmvud* eòi asaaa aia kuJcúa- 

ta jinama jtámi, mia mvr- 

mimo Ha úito ni kOa, nai- 



man' éí. 



TsaUape; nani Oamutapéle gu- 

vof 
Ota aámi. Jcagana áci nalejeT 

éí Zi tUa kugulek* ámi ni 

ipe, húatef Jcagana uk&ete 

makasu. 
xaHape; guvo ni iaú kutuJciie' 

te kalL 

rnuantê, aôao tukuete humusa^ 
la kuvudi, JcuzcZa JcuHape. 
ánd ni ámi nileta Oámi 
itego i Jcagana Jcakupe. 

iukiiagana túaôso ni tutani 
tOêtu. 

arudanâmi akata JcuOape ni 
Jcuzoía JcHeí, ^enéòi ámi dt- 
Jcaaipe ni Jcatala JcOámi. 

naUeí^ A Jcugvkúatexe Jcuta 
iiaaa Oámi, paeH mipeto 
€&i ak&izula. 

niHapeU Jcamo Jcutaía Jcu 
loiia, ^eneU mudi adi Jcali 



pontaria e nSo deBejo errar 
outra vez. 

Caiu ! O que foi ? Veado ou 
antilope. 

E o senhor a que atirou? 

A um búfalo, e julgo que o 
feri ; vou ver. 

Emquanto os rapazes vão 
apanhar a minha caça, eu 
vou por aqui ao rio e lá o 
espero. 

Muito bem; quem matou o 
cavallo marinho? 

A minha arma. Eu nfto lhe 
disse que ella nunca me 
deixou ficar mal? nunca 
me foi falsa. 

Muito bem; um cavallo ma- 
rinho e um búfalo já nós 
temos. 

Sim senhor, todos temos feito 
uma boa caçada. Eu tam- 
bém trago um antilope que 
não é pequeno. 

Reunamos tudo e vamo-nos 
embora. 

Os meus amigos estão con- 
tentes com a sua caçada, 
mas eu não estou com a 
minha pesca. 

Peço-lhes que me ajudem a 
deitar a minha rede em- 
quanto se vão enchendo as 
armadilhas. 

Eu gosto mais de pescar com 
anzol, mas como estão com 



268 



EXPEDIÇÃO PORTUGUEZA AO MUATIANVUA 



ni núapáli hua kuôihika 
(Siahúi, niktisota kamo aka 
kutcía kúa úada. 
muteha Heza úa ni asada iíeai, 
anetani misasa ta axi. 

múén' eai úijika ni iíape aao- 
da ama, Siahiíi iíaiaulvka 
Hape kamo mutena kagana 
ctamt. 

mia humana dte^i múéne úa- 
tcíéne, 

leio nimana kali Ziúaiavluka 
ni úape kaxi. íteH úamuta- 
nénef 

^e^i ma humana, tala bili, 
misasa mu paxi. tala :jima, 
tulóí, buko, huajey zada, 
htòo, mijiji mivvdi, kasaú, 
muòaoala ni muteio. 

mOamê, ^aOape, kaloiol Sta- 
kéne ! murudanêtu kaxavala 
úatele kali úaaa, é6u tUima- 
ne kutala aZi leta aixi, 

pa doda apa líidipe ipe, utúi' 
xa k&ididukay kaméíi mjmui 
mahfiè, Heci ISiUapelepe ^a 
kutdía ni úaaa. 

aka muimdanámi adi pa ku- 
saT eòif kagana atelele eòi 
mipeto adi múizula ni axi 
avvdif 

tvkugi, atúika; atage tuk&ata 
aixt» 



pressa de voltar, por isso 
prefiro pescar agora com 
a rede. 

Lá vem Muteba com os seus 
rapazes carregados com 
peixes. 

EUe conhece bem estes lega- 
res, por isso aproveitou 
melhor o tempo do que eu. 

Vou ver o que elle pescou. 

EntSto já vejo que foste muito 
feliz. O que pescaste? 

O que vaes ver. Espera. Ar- 
reiem as cargas. Repara: 
jima, bagres, ambuco, bua- 
je, zanda, anzumbo, muitos 
miúdos, cassau, mubambala 
e mutembo. 

Sim senhor, muito bem ! gran- 
de pesca! O nosso amigo 
Caxavala deitou agora a 
rede, e nós esperamos ver 
se traz algum peixe. 

Este logar nSío é mau, talvez 
seja feliz, ainda que a agua 
corre muito, o que nSo é 
bom para pescar com rede. 

Então os meus amigos o que 
fazem aqui? não viram que 
as armadilhas se encheram 
com muito peixe? 

Rapazes, saltem ; vão apanhar 
peixe. 



METUODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



269 



ah! ha! eèi aíxi aúape tukuete 
kúal 

Hjima hxmo cUjina éKedif 

nwo, tukuete nãi kavudipe, 
niúapele ni Tcaxi âHedL 

anidanámi, aJcuguk&cUexe ni 
kupúita Hada, Uâi úaleToe- 
na ni iwdi. 

kaai úape; murudanámi Ha- 
hvUle kaso kuhUeja ikrniu- 
jpúixa mijikita tm. 

akupiiita kalã&pe ni kcúãepe, 
muloga muno ukuete maiala 
mavudi, i utUixa kuf&a úa- 
aa, tujiicda kagana kaso 
ctíxi kaai kamo, nikuete mu- 
jikita kamo dia kutexika, 

nakiade kali makumi maadi 
maixi ni kasatol 

nitala éli tuJcOete úa kukida 
kamo ni kaxi. 

makumi masato ni divUa na- 
kiaele kali. 

mcJcund mani. • • eU aci úa- 
dííele kali. 

kua òimanika mtidi kaauè, di- 
jina dUeaií 
kHe. 

ciaiiape. asada a ibiaa ítase- 
da kali, jinamajza kiãutiii, 
ni akOaú aHodida ni misa- 
sa ia aíxi. 



Oh ! com a fortuna ! que ma- 
gnificos peixes que nós ali 
temos ! 

Como se chama aquelle gran- 
de? 

Nhimbo, que tem poucas es- 
pinhas, e eu gosto muito 
d'eUe. 

Meus amigos^ ajudem-me a 
puxar a rede que está 
muito pezada. 

Ainda bem; faltava só o meu 
amigo mostrar-nos o resul- 
tado dos seus trabalhos. 

Puxem vagarosamente porque 
ha aqui muitas pedras e 
pode romper-se a rede e 
perdermos não só alguns 
peixes mas ainda ter o tra- 
balho de a concertar. 

Eu contei já vinte e três 
peixes ! 

Espero que contaremos mui- 
tos mais. 

Trinta e nove já eu contei. 

Quarenta... enganou-se já. 

Aquelle que brilha como fogo 
como se chama? 

Anquile. 

Muito bem. Os rapazes dos 
caçadores transportam já 
a caça para deante^ e os 
outros seguem-nos com as 
cargas de peixes. 



270 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUÁTllNVnA 



eiSu tutani kunima, kãiji Ide 
ktUumana ajUa kúaloza. 

xakéne. 

túaiavluka ni úape dièiko 
diêtu, ni Oaíaía úêtu mxãu 
kaktUalape polo pttu. 



Nós vamos atrás, talvez en- 
contremos alguns pássaros 
para lhes atirar. 

Tem razão. (Diz bem). 

Aproveitámos bem o nosso 
dia, o nosso divertimento 
vae causar admiraçSo no 
nosso sitio. 



Provérbios 



atuziíege hakuéKape tkaia, ni 
(Une apetu kakufanepe kiia- 
pana Síoúma tímuè kaao. 



kazúege viola mu ttdo mutena 
mu huro, mudi tíboaa ^Ji- 
la mu ida. 

kujala divuga dia iene, akur 
mujola mujila. 



paJãepe ni paJãepe aci Oakuta 
kiãepa ni kaxi. 

Oaòula kabUa ha muruaa, 
muruda Hamvbula. 



ukusotat nuta áé miíén' A; 
alei utuma, iíaxala kutala 
mujila. 



Aos pobres nSo comas divi- 
das, aos ricos não promet- 
tas dar-lhes uma coosa s6 
que seja. (A pobre nâo de- 
vas, a rico nSo promettas.) 

O pobre fica no somno sol 
alto, como porco que morre 
na pocilga. (Quem muito 
dorme pouco aprende.) 

Vestir panno de outros 
(alheio), o despem no ca- 
minho. (Quem o alheio 
veste na praça o despe.) 

A pouco e pouco se vae mui- 
to longe. (Devagar se vae 
ao longe.) 

Bater no cão do amigo, o ami- 
go é batido. (Quem meus 
filhos beija, minha b6cca 
adoça.) 

Queres? vae tu mesmo; se 
mandas, ficas a esperar no 
caminho. (Quem quer vae, 
quem nfto quer manda.) 



HETHODO PRATICO DÁ LINOUA DA LUNDA 



271 



úeãa ni mukano, kajiUrUepe. 



padi rmãu, ukiUta mukixi 



ue 



ãu 



nUmUca dijina âHámi, dimna 
dikuapuka. 

mtãu kaijikape òta vk&eza Jm- 
útnui» 

Tnazúi makuta ni rukiao. 

tuMepe ni ivMepe kiiizcdixa 
Jcapata. 

ua^vJtalcJcexe pa ^itata. 



amufmla Jdma, muíege usepa. 



oct mvdUe, wdils. 



mona miiiza usuipa, Oaloda 
kaU mUoga; Oaxapo. 

hgi ma ni kamoga. 

tuSo kakHetepe mapane maadi, 
katataka mudi mvJciiaia, 



Andar com bôcca não perder. 
(Quem tem bocca nSo se 
perde.) 

Cada pesíioa pede para o seu 
Ídolo. (Cada um pede para 
o seu santo.) 

Se cubro nome meu, o panno 
romper. (O habito não faz 
o monge.) 

Pessoa nSo sabe o que vem 
depois. (Ninguém é prophe- 
ta na sua terra.) 

Palavras vSo com o vento. 
(Palavras leva-as o vento.) 

Poucos com poucos fazer en- 
cher cesto. (Muitos poucos 
fazem muitos.) 

Me fez olhar para a ferida. 
(Quem tem mazella tudo 
lhe dá nella.) 

Batem num macaco, o compa- 
nheiro ri-se. (Rir-se do mal 
d*outrem.) 

Se comeu está comido. (O 
que não tem remédio^ está 
remediado.) 

A creança cresce, já falia em 
demandas ; deixá-la para 
ahi. (Cresça e appareça.) 

Cájí vae com Camonga. (Ma- 
ria vae com as outras.) 

Rato que não tem, que não 
conhece, dois buracos é lo- 
go agarrado. (Cautella e 
caldo de gallinha nunca fez 
mal a doentes.) 



272 



EXPEDIÇXO PORTUGUBZA AO MUATIÍNVUA 



aruãa ni aruda, padi muiu rd 
sapo úeaL 

usala ulalo úape, úakueotakur 
lala úape. 

mukoko ni iaa ctíeaL 



diòiko dimujikUa divtidi, dili" 

ko diúape. 
nãeau amutala muina. 



mazêú ma kabúa aJcumúoka 
ni uvije úa m&éne kabUa. 



úakusota kumuleja akumulej' 
eíf 

ciei (Sivttdi úkuete, Hmtdi uíi- 
kumúaga. 

ukuaála ni úape, kagana kuta' 
la mtãu, 

úakumusotele múamo, kúiji 
kúéi. 

kud^a ni kúikula udi pa ku- 

adíele. 
iki taaama mu ditúi edi úa- 

hudika kudi adi. 



Amigos com amigos, cada um 
com bolsa d'elle. (Amigos, 
amigos, negócios aparte.) 

Fazes boa cama, estás que- 
rendo deitar bem. (Quem 
boa cama fizer, em boa ca- 
ma se deita.) 

A ovelha no seu cmral. (Ca- 
da um no seu logar, ou, 
cada um sabe de si e Deus 
de todos.) 

Dia de muito trabalho, bom 
dia. (Bom dia, boa obra.) 

Os pés olham para a cova. 
(Estar com os pés para a 
cova.) 

Dentes de c3o tratam-se com 
o pello d'elle câo. (Morde- 
dura de cão cura-se com o 
pello do mesmo câo.) 

Queres ensinar os que nos 
ensinam? (Queres ensinar 
o padre nosso ao vigário?) 

Se muito tens, muito espalhas. 
(Se muito tens muito gas- 
tas.) 

Faze bem nSo repares pessoa. 
(Faze bem, nâo olhes a 
quem.) 

Quizeste-o assim, culpa tua. 
(Assim o quizeste, assim o 
tenhas.) 

Comer e coçar está no prin- 
cipiar. 

Isso entra por este ouvido, 
sae por aquelle. 



METHODO PBATICO DA LXNaUA DÁ LUNDÁ 



273 



ukusala úakéne dijina âHeí 
kuta mu tulo, úamusedina. 

divumo dia zala, kadipe Hsa- 
io. 

kusota kusiiana ta mif&a, íUp- 
xala kiiimane. 



mona xana ukiãoãa ni musaií, 
aci úaloaa ni mnãu nJcnòi- 
bula mu kasiiè. 



mxãu ni mujUdta úeãu 

dxoxe muxima kudi múata, mi- 
Ioga m afie haíL 



kax nalike kuvalele mu pala 
taíu. 

mona golv^o mu divumo aci: 
maku, tala dihuJco, 

mUana mOeíne mvlaJbvdi, 5í- 
kulío 5ta Imtugila mujila, 
cíaida kusota dikumi. 



Faz grande nome teu ir no 
somno, és feliz. (Cria fama, 
deita-te a dormir.) 

Barriga com fome nSio está 
graça. (Barriga vazia não 
tem alegria.) 

Queres ir herdar dos mortos, 
ficas a esperar. (Quem es- 
pera por sapatos de defun- 
to toda a vida anda des- 
calço.) 

Q orphâo falia só com o tra- 
vesseiro, se fallar com al- 
guém lança-se no fogo. 
(Mais vale só do que mal 
acompanliado.) 

Pessoa com trabalho d'elle. 
(Cada um no seu officio.) 

Arranca o coração ao poten- 
tado, as tuas demandas 
morrem já. (Antes uma 
ruim composição do que 
uma boa demanda.) 

A corça nunca pariu na fren- 
te do leão. (Quem tem um 
segredo não o divulga.) 

O veado na barriga da mãe, 
diz-lhe : mãe repara na co- 
va. 

A visita mulambúdi (passari- 
nho) construo sua cubata 
no caminho e chama dez 
mulheres. (Procura um le- 
gar no caminho; falia muito 
bem a todos os que passa- 
rem, e todos te procuram.) 

18 



274 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



nipiia kaHi mujUa nt ipe. 
eda ni úape, kagana úajipe. 



kala betame mema masuta. 



Já topei no mau caminho. 

(Torta vae ella.) 
Anda bem, nâo és ferido. (Se 

bem fizeres, bem acharás.) 
Caranguejo esconde-se para 

a agua passar. (Contra a 

força nao ha resistência). 



AdvinbaQões 



Hapakata seytt úakadi pé. , . 

pe. . , pei 
rnuleío. 

múata úalala paxi ikaya uha- 
Zele ku huro nanif 

(ãagua. 

ííakusedaf úakadi kutulaf 

lutala, 

eZi úasuta ni u^ko iiakadi 

kusiãaf 
mema ma úito, 
nama úakasa yada uakaúila 

gada igef mixita, 

imam' iki ukúete ikita ivudif 

kabaka. 
kadtape (ia pa urúa Uge dte- 

za naòto nanif 

uta Ha múéne puto, udía dif ar- 
da diedi. 



Quem traz comsigo apito e 
nSo toca nelle? 

A flor do mulembo (forma de 
apito). 

Quem é o muata que dorme 
na terra e as esteiras por 
cima? 

A abóbora (as folhas são as 
esteiras). 

Quem carrega (cargas) sem 
nunca arrear. 

A prateleira (tarimba). 

O que passa de noite sem pa- 
rar? 

A agua do rio. 

Qual a caça que atirada por 
terra vae cair em outra 
terra? O pó. 

Qual é o animal que tem mui- 
tas pelles. E o milho. 

Quem é o amigo que nos vi- 
sita e só come o que traz 
comsigo ? 

A arma de Muene Puto, que 
só come a sua pólvora. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 275 



Contos 

kajila ni kajila kahiíaú, laye ia peie ni kakutákma, maí ma 
tujtla ma ipe, ni makúaú maúape, ata mu dikikita ni hukuata 
isadi. 

kakutákma uezãe ni iíaóine ni mai makúaú, ni úaseaele mu 
dnala; mukúaú úeza, úaaota an* edi aúape: búate, aia ni a^ine 
ni kajila kakúaú, taye ia peie toka toka uma ni úadile. 

kakutákma dlz&ú dizozozo úamutane mtãu umukusota akuse, 
xtiaye mu (Rala dta, úatazuka úa tujila túaôso. 

m\ãu úaia, anama aôso kúeza, t<ãm dikaza úaxala ku diala, 
tíbuyo úeza makasa maxala ku d^ala, kúeza zavu múilo múa^- 
Qscda ku dtala, akúaú aezUe aôso ajwirila inama ikíepe ia mu* 
poa tahui. 

pakúeza kajila kaíiU kúeza diharula dtcda pakaxi, akuse 
bOate múadoka ana tage tapebe. 

INTERPRETAÇÃO LIVRE 

Um passarinho com outro passarinho, iangue-ampembe com 
cacuiacúia, este tinha bons ovos, aquelle maus, foram ao mato 
para apanhar tubérculos (batatas selvagens). 

Cacuiacúia voltou e fugiu com os ovos do outro e trans- 
portou-os para uma pedra; o outro veiu procurar os seus filhos, 
nSo os encontrou, desappareceram com aquelle passarinho. 
O iangue-ampembe retirou a chorar. 

O cacuiacúia de bico muito comprido encontrou uma pessoa 
que procurava peolhos, mandou-a para aquella pedra e que 
chamasse todos os passarinhos. 

A pessoa foi, todos os animaes vieram, o leSo deixou ficar 
a pata na pedra, o lobo as mãos, o elephante a tromba, em- 
fim todos os que vieram deixaram uma parte do seu corpo 
na pedra. 

Chegou depois o passarinho cachichi, partiu a pedra ao 
meio 6 em vez de peolhos sairam de dentro os filhos de ian- 
gue-ampembe. 



276 ' EXPEMÇlO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

makugi maadi ata ni kuzoia kiia maJe' úéne: kileza vula, mu- 
kúaú mukúidika kalHaiío pa kumajidike mak* úedi, malc&aú 
mak* úeai iiafiía ni vida, i múéne aZi mia ni kumujika mak' 
úámi, úakafada mama mu ijia dia kalúga, 

umvJtana disusubole Hagiiita Hlcasa, úamiíike; utage ni umu- 
tema disusubole díMaú úagiitta múedu, úamiiike . . . pcluse uo- 
múUce itulo disusubole dikHaii. Oaxala mutOè kaso. disusubole 
dHakunima úamuleja, %age mu Hito ciei aJcHele lete tOale, éíé útOo' 
le Jcu h&elaú aci tiíah. 

m&éne úaia ni mutue mu mema ku kiielaii aci tOale, kHabudâca 
tusupa túadi, kamviè ahudika (mama, kakuaií ana mak* iieai. 

m&éne aci ámi nata ni ámi ni aôso abudika ia tusupa, m- 
mana mukuetu Hajipa mak' úeai. 

mukuetu úeai ukusota medi kujika mak* úeai, úata ni usea* 
edi, ni úaitana à mastisubole úeiikixe jinama jta mok* úeai, 
úata kamo ni edi úibúixe, úamutana disusuhole dijina eòi úa- 
mtãefa, tage mu úito akúele leta kúa useaa, kúa kagana kuk&e- 
lau aci tuale. 

uiage ni úasala disusuhole d^amulejeV ei, kúahudika tusupa 
túadi abudikani atu aipe iakúaú asaluMmi amujipe. 

Dois homens foram caçar acompanhados de suas mSes. Como 
chovesse, um arranjou xmia pequena cubata só para abrigar a 
sua^ 6 a mãe do outro ficou á chuva e morreu; e o filho diese 
que ia sepultá-la, carregando com ella para a ir lançar no 
fimdo de um lago. 

Encontrou um phantasma que lhe pediu um braço, deu-o ; 
seguiu e encontrou outro que lhe pediu um pé, deu-o ; encon- 
trou outros que lhe fizeram também pedidos foi dando ... fi- 
nalmente deu 00 peitos ao ultimo phantasma. 

Ficou só a cabeça e aquelle phantasma disse-lhe no rio: Se 
lhe disserem traz, traga; V. leva (o que lhe restar) aos que lhe 
disserem leva. 

EUe foi com cabeça para a agua; no logar em que lhe dis- 
seram leva appareceram-lhe duas cabaças, de uma sairam 
animaes e da outra os seus parentes. 



METHODO PBATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 277 

Elle foi-se embora então com tudo que saiu das cabaças 
(riquezas), e o seu companheiro por inveja matou a mSe. 

Este quiz também enterrar a mSe e carregou com ella. En- 
controu phantasmas e recusou-se a dar parte do corpo doesta, 
continuou com esta (corpo inteiro); encontrou o mais poderoso 
dos phantasmas que lhe disse: vae ao rio e carrega com o 
corpo para aquelle que te dissera traz e não para os que 
te disserem leva. 

Foi e fez como lhe ensinou o phantasma, appareceram duas 
cabaças de onde sairam muita gente feia e doidos^ que o ma- 
taram. 



túanakaki tuwdi ata ni tampa mu kuvete mema: kúà mu* 
kúau múavete mema ai kakilaú kadi úata úavete memxi, kastupa 
diak' A kaHna mu mema. 

múéne Haia ni úipule aixi, kampa kamif amu6HvlMe %áge 
mu toda. múéne Haia Hamutane guvo, áci, úaménê Jcasupa 
kamit tage mu lada. úipule kalói úaméne kasupa kamif tage 
mu toda. 

úc&a kamo ni úamutanéne zoUn ta mema, ni úipule zaíi kalu* 
ga úakéne vudtê muxima úape múata ta amúata eié hduga H 
noéji améne aJôso uleja vudiê úaméne kasupa kámit nikúete kúa- 
dama mu mema kúata tusupa; kumana ikéí, kauiaka. 

múéne úkusota kubudika kedi. zcJfn aci búate, úaxala. ana 
kaki edi adi kujala múéne kasupa ni masuna ni mazúda ni tur 
sagasaga. zaJíi àZi tage pa âmla ni anakaki edi, múéne pa ka* 
xi ni ana kaki kuse. 

kúedige mulu kukattda jixige, muJcúá kasupa dZi, eié kusala 
ikege ioko, lo.. . (íolólo, iage úcSili mcJc' úámi, múan' éi úaia 
mahili mu ijiga dia mukixi 5o . . . òolólo. 

muiu kamenepe nani ukúete kulodixi, ciei, faia kamo ni ku- 
talvla jix^e, úaia kujikatula ovúa kamo pa diala, éíé kusala 
ikege ioko do . • . loUlo, iage úaíUi mjak' úámi, múan' éí ma 
mahili mu ijiga dia mukixi do . • • lololo. 



278 EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIAnVUA 

mtãu ukutcãuka ágàga atagani pa mema pa nkúete Icaino 
nani úàktãoaa ni ámi, énu núajigama, ámi nata kukattãa jixt- 
ge, niíoímagani ni úape nani Tcidoaa ni ámi, 

mukuá kasupa úoèUiUa, áé kusala ikege toko, tage mOamli 
mak* úámi miian' e! úaia mahili mu ijiga dm mvkixi 5o . . . 
Moio, 

agaga amOasa mono mu mema, mUéne kasupa úazala ni Ha- 
zala kamo, amukúate, túana kaki túaHne mu mema, akarnOaíUi 
tátuk^ iiaii múéne amukOata. 

tátuko úaMoka mu mema Ha uluko, úaza ni Oakumusota ka- 
mo múéne, é6i vbvdika tutêtu, mOéne Haloda húate, kagtape kamo, 

zctíi aci iíaguUce ioúma eté Oasedele, uiúixa kuxala kamo, 
kaudíape Hoúma, aci úadta íioúma, Hafua, 

Muitas creanças foram com as pequenas cabaças encher de 
agua. Estava uma a encher a sua e chegou ainda outra para 
encher a d'ella, e a sua cabaça foi levada na corrente. 

Esta foi perguntar pela sua cabaça aos peixes, que lhe res- 
ponderam que fosse para baixo. Foi e perguntou ao cavallo 
marinho que lhe disse o mesmo. Perguntou ao bagre que lhe 
respondeu o mesmo, e assim perguntou aos outros. 

Continuou marchando e encontrou o Deus das aguas e per- 
guntou ao Grande Deus humildemente como ao Senhor de to- 
das as grandezas, que tudo vê, lhe dissesse por muita graça 
ondo vira a sua cabaça? e este responde : Tenho-a eu, entra na 
agua e agarra as pequenas cabaças; e vendo a sua foi a que 
apanhou. 

Queria retirar com ella e Deus disse-lhe que nâo, que ficasse. 
Os filhos de Deus foram vestir o dono da pequena cabaça com 
fazendas, guizos e missangas. 

Deus ordenou que fossem para uma pedra, o dono da ca- 
baça sentado no meio e os filhos d^elle de um e outro lado. 

Estava imia pessoa a cortar angôa na margem, e o dono da 
cabaça diz: tu que cortas esse capim. . . chô chô chô, vae di- 
zer a minha mãe que seu filho vae-se embora para o escon- 
derijo do Ídolo . . . chô chô chô. 



METUODO PRATICO DÁ LÍNGUA DA LUNDA 279 

A pessoa que nSo via quem lhe fallava, disse, vou outra 
vez cortar angôa e foi; continuou a ouvir fallar da pedra: tu 
que cortas capim na margem. . . ckô chô ckô, vae dizer a mi- 
nha mãe que seu filho vae-se embora para o esconderijo do 
Ídolo . . . chô, chô, chô. 

Então aquella pessoa chamou os mezinheíros e disse-lhes que 
entrassem na agua, onde estava alguém que fallava com elle, e 
se escondessem emquanto elle ia cortar angôa, que ouvissem 
bem fallar com elle. 

O dono da cabaça voltou : tu que cortas capim na margem, 
vae dizer a minha mãe que seu filho vae-se embora para o 
esconderijo do idolo. . . chô chô chô. 

Os mezinheiros lançaram remédio na agua, o dono da pe- 
quena cabaça tremeu, tremeu muito, agarraram-o, as creanças 
fagiram e foram para a agua e disseram aiD pae que foi agar- 
rado. 

O pae saiu da agua de noute, foi procurar aquelle, a quem 
disse que voltasse para o logar onde esteve, e elle disse que 
não, que não ia mais. 

Deus exigiu as cousas que elle trouxera comsigo e (disse- 
Ihe) que podia ficar, mas não comesse cousa alguma, porque 
se comesse morria. 



kahuji ni gúadi aia ni kúoxa masvko akúata apuko. 

gúadi úamuleja kabuji eòi tmani, e^é tage mu kaxi mu ma- 
sulco, ámi ni kaxi lamo. 

mukaxi kabuji kala mu dibuko kujigamamo, mukúaú mukoxi 
mamko kumúipule; kahuji úatema? kahuji aci, búate. 

apúixa masuko xage èié gúadi, gúadi úaxika mu isuko úaji- 
gama mutue masuko, kahuji kai koxi kakúate kumúipule, gúa- 
di úatema f gúadi úaòilula, búate murudanámi. 

aka kabuji koxi kamo rruzôso ma isuko ko, ni kúa ni kuna 
ta, ta, ta, ta. .. aôso amukãoxa ni ipula; gúadi úatema f 

úaneneta, gúadi úafúa, úamutemáne mu kaxi. 

kabuji kamunona kumuxa mu sapo, kumuaeãa. 



280 EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIInVUA 

Raposa e perdiz vão queimar o capim para apanharem 
Inatos. 

A perdiz disse á raposa vamos, tu yaes para dentro do capim 
e eu queimo-o de fora. 

A raposa lá dentro procurou uma cova e escondeu-se em- 
quanto largava fogo ao capim aquella^ que depois lhe pergun- 
ta, rapoza queimaste-te? 

Não, lhe diz aquella. 

Apaga-se a queimada e a raposa disse á perdiz: vae agora 
tu. A perdiz chegou ao meio do capim e escondeu a cabeça 
entre elle. A raposa que estava fazendo arder o capim, per- 
gunta: perdiz, queimaste-te? 

Nâo minha amiga, respondeu a perdiz. 

EntSo a raposa corre todo o capim em roda queimando-o e 
pergunta: perdiz, fueimaste-te? 

Silencio. 

A perdiz morreu, estava queimada no meio do capim. 

A raposa apanhou-a, deitou-a na bolsa e carregou com ella. 



tkugi takúetíle kajila, fnúan' cai úedige ni zala, uakak&aU 
kajila, iíakauminina, úacKoka kaâm, iíaãíile, kajtla kaHru, 

tátuk* úeai úeza, úedige ni zala, aci miian éi, leta kajila; 
múana úaloaa kamo kajUa kaHne; tátuk* iíedi tdeja, tage ni ht- 
kúata kajile kánu, múana úadile, éié tátak' úâmi, kajila kà6í$ie, 
ámi katuíape kumukúata. 

tátvko úaloaa hadi, làge katataka ni kukuata kajila kámi. 

múana uata ni gorria ni kabúa keai mukuêta dteai maòiko 
maôso kúa maisukoj úaxakama ni kahúa pasúipa pedi, úataSu- 
ka tujila túaôso, keza kajila húate, úatazuka kamo, keza kajila, 
húate, úatazuka kadi kakúaú, keza kakó. 

úaJcumúata kumuxa mu goma, eai úaloaa, nafile kíét 

naiaama kajila tátvk' úámi: úatazhka kúeai. kakó úaUmúd- 
ne, úatazukine, pi^ pi, pi; kajtla keza, múane akaúHe kamo, 
úaleka kakó. 



METHODO PRATICO DÁ LÍNGUA DA LUNDA 281 

tíótilco úajcia, miiéne iiaméne kaóikuío hua; úata katata, 
úadama, úakianle kaxinakaje é6i úcdoaa, mujíkvl* úámi, iiaxch 
kama. 

miiéne úaxakaméne, kajinakaxi aZi, tclínila higaje ôlu. múé- 
ne úadUe ni uamúapde ni kaxi. 

úaipiãile hamo, kúebe kúacUoka lugaje ôluf 

gaka úámi âmmaôiko mídej' ámi ku mutoao kúa lugaje ôJu f 

Idgala, ãtamcíòiko kutvloãa. 

múane úata mu tulo^ kaxinakaje úqxákamu utadi mu kasúè, 
kahúa ukúete kumana kcdi òteH kusala kaxinakaje. 

múén' eai úakúata tUadi usúanine vJcúete kumujipa kali 
múane, kabúa úatúike kaxinakaje, òi úamutaZuka mujíkvlu ku- 
dUa kabúa kugusuma. 

mukúá kabúa aZi, vugama; kabúa úavugaméne. 

kaxinakaje kuxa kamo utadi mu kcísúè, ni úata kamo ku 
mujikuL' úet, kahúa úatúika kamo, kaxinakaje úaloaa kamo, 
mujikul' úámi, kabúa kugusuma kaai, 

mujikulo kuvugama kabúa, mutena úahudika, i eai aZi, gak* 
ámi kuguleja mutoao úa jigajef 

eza námi, kaaama ka mutoao kúa. múane xaúape ámi mia, 
gak* ámi tabula mnseg' úámi, kaxinakaje kumuta pa xigo peai. 

m&ana úata ni kukaaama kúa mutoao, gaka úaloaa^ eté mu- 
toao eht iage kamo kuiulo ; mujikxdu úaloaa mede, eté musegu 
úehl múile múape kaxinakaje pa xigo. 

kaxinakaje úanika aôso, úakudila, mutodo eh! úeza paxi, 
úeza paxi, mujikul' úámi, mujikul' úámi cKoxa musegu múipe 
Ômu pa xigo úámi. 

eh! gaka úámi, imana bUi, úadUe, úadUe, ^ ámi ni kata ku- 
katula jigaje jia mutoao, mia kali kutcuíula musegu úámi úape. 

úakcítula ni úakatula jigaje, po, po, po, jigaje jiúahúa paxi 
Zo lo (So, múane úatuluka, úata kúa kaxina kaje úamudíoxene 
musegu mu xigo mutedi, úaleja: gaka úámi úajikitiosa ni vudi 
úaxala ni zciíi. úakúata jigaje ajtkuxa mu goma ni kajila, úata 
mujUa meai ni kabúa ku rulúè. 

múana úaaama ku likuío Sía tátuk' úedi, namana tátuko 
úaloaa, tátuk' úámi tclíula kajila kéí ni acKa aedi. 



/ 



282 EXPEDIÇIO PORTUQUEZÁ ÁO MUÁTIÂNVUA 

tátuko Oapatunine goma, JcajUa Heza, jigaje jiwdi jxahia 
paxi, tátuko kujidm. xaúape xaúape miían' âmi. 

múana ac\ tátuko eté úapedilef akacKoxa jigaje eji mitoao 
jiedu tátvko aZi kagana kajUa kámi úamtdej' eí k&ebe mujita- 
na; ta éié múane, ámi kalagepe, mukui'upij naxala^ eté miiana 
kaici xaúape, kukaaama kúa mitoao : ámi nataíula ni kuâta eté 
kukattda ni kvleta. 

Um homem tinha um passarinho, e o filho que tinha fome 
agarrou-O; apertou-o^ saiu comida, comeu, e o passarinho 
fugiu. 

Veiu o pae que estava com fome e disse ao filho que trou- 
xesse o passarinho e elle respondeu que fugira; o pae insistiu 
para que o filho o fosse agarrar e este chorou dizendo ao pae 
que não podia agarrar o passarinho. 

O pae tornou a insistir que fosse immediatamente agarrar o 
seu passarinho. 

Foi o filho com um tambor e o c3o seu fiel companheiro 
para o mato, onde se sentou com o cão junto de si, e chamou 
todos os passarinhos que não vieram, tornou a chamar e ainda 
não vieram, chamou mais uma vez e apparece o kakó (ave 
pequena). 

Agarrou-o, metteu-o no tambor, elle disse porque me mata? 

Preciso do passarinho de meu pae, chama por elle. Kakó 
chamou, chamou (imita: pi pi pi); veiu o pássaro, o rapaz apa- 
nhou-o e deixou fugir o outro. 

Era já noute, e o rapaz vendo uma pequena cubata dirigiu- 
se para ella, entrou, e estava dentro um velho que lhe disse: 
meu netto sente-se. 

O rapaz sentou-se, e o velho deu-lhe um fructo da palmeira, 
que elle comeu e muito gostou. 

Perguntou depois, d'onde sairá aquelle fructo? 

Meu avô, amanhã diga-me de que arvore é este fructo? 

Deita-te e amanhã fallaremos. 

O rapaz foi dormir, o velho foi aquecer um ferro no fogo, 
o cão esteve vendo o que o velho fazia. 



METHODO PRATICO DÁ LÍNGUA DA LUNDA 283 

Este tomou o ferro já quente e com elle queria queimar o 
rapaz. O cSo salta para o velho; que gritou pelo netto para 
que lhe aceudisse, porque o c3o o queria morder. 

O dono do câo procurou socegá-lo e socegou. 

O velho volta a aquecer o ferro e toma a querer queimar 
o rapaz, o cão torna a saltar de novo sobre o velho e este 
chama outra vez o rapaz para que lhe accuda, porque o cão 
ainda o queria morder. O netto socegou o cão, e como era dia, 
pediu ao velho que lhe ensinasse onde encontraria a arvore 
que tinha o fructo que lhe dera. 

Vem commigo e sobe áquella arvore, lhe disse o velho. O 
rapaz muito satisfeito respondeu que ia, e entregou-lhe o seu 
amuleto, que o velho coUocou no pescoço. 

O rapaz subiu pela arvore e o velho gritava: olá arvore! 
faze-te mais alta, e o rapaz gritou também; olá amuleto ! aperta 
bem o pescoço ao velho. 

O velho treme todo, grita: oh! arvore, abaixa-te, abaixa- 
te; meu netto, meu netto, tira este maldito amuleto do meu 
pescoço. 

Eh! meu avô espere um pouco, grite, grite, que eu tenho 
de cortar os fructos da arvore e depois vou receber o meu 
bom amuleto. 

Cortou, cortou fructos (imita) os fructos caem no chão (imi- 
ta) desceu, foi ao velho tirou-lhe o amuleto do pescoço e disse- 
Ihe: meu avô muito agradecido, fique com Deus. Apanhou os 
fructos, metteu-os no tambor onde estava o passarinho e reti- 
rou para casa com o cão, que ia adeante. 

Entrou em casa do pae, e vendo-o, disse-lhe : meu pae rece- 
ba o seu passarinho com a comida d'elle. O pae abriu o tam- 
bor, o passarinho saiu e os fructos cairam no chão; o pae 
comeu d^elles e ficou muito satisfeito com o filho. 

O filho disse ao pae: V. gostou? Vamos obter esses fructos 
nas suas arvores. O pae disse que não, que fora o seu passari- 
nho que ensinara onde havia de encontrá-los, e por isso fosse, 
pois elle estava velho e ficava; tu és ainda rapaz e podes muito 
bem subir ás arvores: eu recebo e como, tu cortas e trazes. 



284 EXPEDIÇXO POBTUGUEZÁ ÁO MUÁTIAnVUÁ 



Narrativas 

Uma pergunta de um dignitário a sen amo 

múata, selef ámi, utúleja bili, dtòiko di kuta alúè kúa o^i, 
liúape kuikana dmmaòiko, en' ezãe katataka td eài iúyika dta 
kutuJbvka tmani ntêtu kúa kaugtda tííakamutana múata kakur 
ruha. 

Qcaúape. (dúi adi kali pa, cKamaòiko aJcúauJca ni aXUúka ka* 
tataka. 

Senhor; meu amo, queira dízer-nos (diga-nos ainda) o dia 
em que vâo (dia de ir) os portadores para o Ambínjí (nome 
do governador de Mataba); sendo bom que os despaches 
amanhã (bom despachá-los amanhã) para voltarem depressa, 
e nós marcarmos o dia da nossa partida (e nós sabemos o de 
partir, irmo-nos embora) para o Caungula; onde vamos encon- 
trar o potentado dos Lubas. 

Sciente. Os portadores estSo promptos (estão já aqui), ama- 
nhã passam o rio e voltam depressa (immediatamente). 

O Muatiànvua Mnteba e seus dignitários na audienoia^ 

M. — aZi énu àgaka muméne aseba axikUe Ido munumo, ase- 
ode iòidi {wdif 

I. — Stakéne, mukúáòago, Zitota kamo makumi maadi. 
M. — ah! kál ká! makasul 



1 Dei a esta narrativa a forma de dialogo para melhor comprehensâo 
do leitor; mas devo advertir que mo foi feita por mn velho Landa, qae 
pretendia provar-me a esperteza d*aquelle Muatiânvna, qae conhecendo 
08 exageros dos que o rodeavam, estava sempre prevenido para lhes 
mostrar qae o nSo enganavam; e &zendo a narração principiava por: 
múatiadúa muteba aêi: e transmittia tudo seguido, sem fetzer os des- 
taques do que era dito pelo Muatiânvua ou pelos dignitários. 



METHODO PRATICO DÁ LÍNGUA DA LUNDA 285 

L — kagana mikme ivudi kamo âíoTce ku nuzzeUe ni ku miêsu 
kamuxé. 

M. — kagana, makasu, ámi nakiaile kali, maJcumimasaio kaso 
ma ióidi ni túana túaú aseaele tumisasa tu madíaje. 

M. — Se V., avós, viram hoje chegar aqui os negociantes 
digam quantas cargas trariam? 

D. — Com verdade, grande senhor, mais de cento e vinte. 

M. — Qual historia! isso é falso! 

D. — Nâo senhor, trazem muitas mais, formavam uma linha 
maior que o comprimento da sua residência. 

M. — Nfio é yerdade, eu contei-as, só chegaram vinte car- 
gas de negocio, o mais que viram, eram cargas de manti- 
mentos para a Expedição. 

NoMoia 

kaúaga tavo mulaji iíaxika leio, úaâ/íoka iía kaugtda k&a ma" 
taba, ikdeja, jisagu jiajita jta iyi ni múattavúa, aci kúikUa. 
kaugvla aci kamtdeja, tatvk* úámi, kúeza kunoúko kúijika kuta 
kolo kúedi, iiji naleta jita ni mikUxaviía, palepa pa xakama 
mu iSibago. aãolo á kolo mesu mujila akumutala múéne maga- 
da Oaruda kúikila múana mukurupi ukutama ana akúaruaa. 

Cauanga lanvo Muláji chegou hoje do Caungula de Mataba 
e diz que nSo ha noticias de Ámbinji querer guerrear o Mua- 
tiânvua. O Caungula encarregou-o de dizer a este que fosse 
para a sua terra para combinarem a partida para a corte, 
porque o Ambínji não quer guerras com elle, que se tem 
demorado muito no Chibango, e os dignatarios da corte já o 
esperam como seu soberano, pois não ha outro filho de Mua- 
tiânvua em que possa recair tal cargo. 

Uma visita de Tambn de Gabongo ao ohefe da EzpedigSo 

pa urOela tUaimene tcllm iía kabogo ni miían^ edi, ezile kudi 
miiéne puto^ kota dei: túeza ni ktãagixa mOêne puto, tUaijika 
miiíéne puto Oakéne íícttumixe iode ia ku Tnema, akeza Jcutuga 



286 EXPEDIÇXO POETUGUEZA AO MUATIÂKVUA 

típaka mu tão úáim ni akaxakama; àgúikapo akHete ma uséia 
akúilada, kamakueUpe akuxakama kaso múamo tíkaio, ana 
múéne puto aJcuffuludikUe goda muloga atoko agvJcasa, ana ni 
àkaf támu 

miíéne puto aci ^úape, mia hili ni kumutúale mua davwi 
pa kalanij iadiy kuòiluka pana nikuleja anámi iaôso akusotele 
kitxala ni eié miíéne atage ni kutuga mu gaa et. 

INTERPRETAÇÃO LITERAL 

De tarde vimos Tâmbu de Cabongo e filho d*elle; vieram 
pelo representante do Rei de Portugal o qual disse: viemos 
cumprimentá-lo. Sabemos Rei de Portugal grande, que faça 
mandar brancos da agua, construir recinto fortificado no sitio 
meu e permanecerem, dâo-me, se teem negócios que lhes com- 
pram, não os teem permanecem só assim, ficam ahi, os filhos 
-do Rei de Portugal governarem as terras, porque os Quiôcos 
amarram-me os filhos e minhas companheiras. 

O representante disse : muito bem, eu vou ainda acompa- 
nhar o Muatiânvua ao Calânhi, depois voltar aqui eu digo 
filhos meus que quizerem, vSo morar na terra de V. 

INTERPRETAÇÃO LIVRE 

De tarde vimos Tâmbu de Cabongo e seu filho, que vieram 
procurar o representante do Rei de Portugal, a quem aquelle 
fallou: nós viemos cumprimentá-lo; sabemos que o Rei de Por- 
tugal é poderoso, sollicitamos-lhe que mande europeus estabe- 
lecerem-se em um recinto fortificado no meu sitio, dar-me-hSo 
alguma cousa se effectuarem transacções commerciaes, se nSo 
forem negociantes é o mesmo, contento-me que governem as 
minhas terras, pois os Quiôcos levam comsigo o meu povo e 
as minhas amasias. 

O representante respondeu-lhe que ficava sciente; que ia 
acompanhar o Muatiânvua ao Calânhi e na volta dizia aos que 
quizessem ficar com elle que fossem estabelecer-se nas suas 
terras. 



HETHODO PRATICO DÁ LÍNGUA DA LUNDA 287 



Diversas opiniões por oansa de um falsario 

tiiadi panapa, kutala mona uta tik&ez' oã ni kaxcdapoli keai 
ni mukaaa leu Hkasa, eki úcuRoka kúa múéne kãniao, úamúika, 
hl múata kiã>ana. 

múata kutala mu mukaaa éíi ayciía aleka kúeda, múéne ki- 
hiao Ide úasanika inai, i mukaaa úakumuleja múata kuíana 
(^080 Síavudi (Siasuta, kúiji kuntma kudi muruda neai, 

múata kuHana úataya mukaaa xamukixi, úataSuka muzuoo, 
e^i eíé muzuZo úata katataka múénegaaa kamuleja: aci edi uo- 
tumixi (Êíajika kúimíka, múéne kãudo úa kakulef ámi díama- 
líko búididi; niijika kma kumuíilulixa múéne kioudo pa kúeza 
panapa, túijika dia kuia akúêtu ku kúUu, nimana muxima úedi 
kasotelepe kuia ku polo 

múéne gada aci: úaloaa múêmumu nanif kumukasa múén edi, 
múéne kiíuao úaleka amutumixa kunoúko ni miô/ edi kúa múé- 
ne puto, muruaanámi, amuteka mu kalèí, aci kumutapa. tumu- 
tapa, ukúete mafefe, 

ná muteba aci, íiadi kolo kúêtu túamutapa ni katataka : mtãu 
úakumutapa tíúakúete mazuí maadi. 

súana mulopo dei: múéne gada dxama^iko nileka kúámi, mia 
ni muxaela túakamukaie pa mtoúji pa kuòãukape, ni sutile kali 
ta rúana, ni kúibúitile tudiga. 

INTERPRETAÇÃO LITERAL 

Estávamos aqui, ver filho da arma vem cá com servo d^elle 
com carta na mílo que sae do sr. Quimbundo lh*a dá para o 
sr. Cumbana (potentado d'aquelle). 

Este ver na carta que carregadores recusam andar, o sr. 
Quimbimdo entílo está escrevendo isto e carta está dizendo 
sr. Cumbana tudo quanto se passa, culpa atrás pelo amigo 
d^elle. 

O sr. Cumbana está lendo carta, zangado, está chamando 
interprete, que V. vai immediatamente ao senhor da terra, 
dirá se elle está fazendo mandar que suspendam marcha ao 



288 EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUÁTIÂNVUA 

• 

8r. Quimbundo o diga a mini; amanhã de madrugada eu sei 
fazer v^oltar o sr. Quimbundo vir aqui, nós sabemos ir nossa 
terra no Cuílo, eu vejo coração d'elie não quiz ir para deante. 
O senhor da terra diz: Está fallando isto quem? o amarrem 
a elle; que o sr. Quimbundo^ deixe o tragam aqui amarrado com 
cordas que o ponham na cadeia do representante do Rei de 
Portugal ou o matem. Nós o matamos tem traição. 

A sr.^ Muteba diz: Se nós estivéssemos na nossa terra o 
matávamos immediatamente; matamos a pessoa que tem duas 
palavras. 

O príncipe herdeiro diz: Se o senhor da terra (dá licença) 
amanhã eu vou com o Muxaela amarrar (falsarío) nas cordas 
para voltar aqui, e passamos então no Luana (río) e apanhamos 
(arrancamos) as mandiocas. 

INTERPRETAÇÃO LIVRE 

Nós vimos chegar o filho da arma com o seu criado, que 
trazia uma carta do sr. Quimbundo e a entregou ao seu po- 
tentado, o sr. Cumbana. 

Participa-lhe que os carregadores não queriam andar, des- 
culpando-se serem as ordens do seu amigo potentado que es- 
tava com elle atrás. 

O potentado Cumbana, ao ler tal noticia, zangou-se, chamou 
o interprete e ordenou-lhe que fosse immediatamente dizer ao 
senhor da terra (o amigo) que se fora elle que fizera suspender 
a marcha do sr. Quimbundo o declarasse, porque então amanhã 
de madrugada iria fazer retroceder o sr. Quimbundo e segui- 
riam para a sua terra na margem do Cuílo, visto elle (senhor 
da terra) não querer avançar. 

O senhor da terra, admirado, perguntou quem dissera tal 
cousa, que o fossem prender ; e o sr. Quimbundo que consen- 
tisse que o trouxessem preso com cordas para entrar na cadeia 
do seu amigo o representante do Rei de Portugal, ou para ser 
morto. Na sua terra matam-se os traiçoeiros. 

A sr.^ Muteba disse : Se estivéssemos na corte o mataríamos 
immediatamente, porque ahi matam-se os falsaríos. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 289 

O príncipe herdeiro pediu ao senhor da terra que o dei-, 
xasse ir amanhã com Muxaela (um caçador conhecido) pren- 
der com cordas o falsario para o trazerem, e no regresso, 
passando o rio Luana, colhiam mandiocas ^ 

Recordação de uma Irmã de Maatiànvna 

kayapúa úamujipa múUia ni suana muruaa ni kanajpnia, 
akaruda amupugana aci kadimukinepe, úata ukúapele aãólo 
ajima. aka lele éié kayapúa ayak' et iíata vJcu(Ra rC eai ini? 
mahúi mamulekele mukuata kvdi Jcaríba, 

amutapa kayapúa, kariha úa musúana, íieíi akúaruda eci 
kayana úata úaéne úa xamadiaia, iê kariba úadi kúeai eai xa- 
nama kakusúanape múatiavúa. 

aká úatiavúa úakumusúanéne ku kúeai eci kúa múana mak' 
úeai múarif ^ahúi Ua mvlekele u akúaruda kumúata kudi 
a^oko Síamutapa. 

ah! ka! ka! ná múane! tátuk' úéí múaUavúa muteha úalejele 
ni úape: diàUco dHafúa d^ávii, ruaa rúafúa. 

INTERPRETAÇÃO LIVRE 

Cangápua (Muatiânvua) ordenou que fossem mortos o con- 
selheiro do Estado, a senhora das terras e o chefe das forças 
que sempre acompanham o soberano. Os Lundas aconselha- 
ram-no que não continuasse a proceder d^aquelle modo, por- 
que ser soberano era bom quando houvesse harmonia com os 
maiores dignitários. Matando elle os dignitários de maior 
grandeza, seus parentes, com quem havia de governar. Elle 
nâo attendeu aos conselhos e por isso o entregaram a Cariba. 

Assassinaram Cangápua, succedeu-lhe Cariba, o que alguns 
Lundas nEo queriam por a successâo pertencer a lanvo (Xa 



I A epocha em que se passara este facto era uma epocha de fome, 
e pensaya-se em colher mandiocas onde as houvesse, e por isso a razão 
do ultimo querer aproveitar no regresso trazer mandiocas para o acampa- 
mento, que ficava a dois dias de distancia do rio Luana, onde as havia. 

19 



290 BXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATliKVnÁ 

Madiamba) e Cariba pelo facto de ser cunhado de Xanama 
nSo tinha direito á successão. 

Nunca, dizem elles; a successão no Estado do Muatiânvoa 
teve logar pela linha materna e por isso alguns Lundaa o 
abandonaram, entregaram-no aos Quiôcos, que o mataram. 

Oh ! que fizeram ! senhora ! seu pae o Muatiãnvua Muteba 
dizia bem : — quando eu morrer morre a Lunda ! 

Notioia 

oct tavo úeza, úaile pa xcúcuscà vkúitanéne aXíoko atataként 
(ãu á múaiiaviía kúikasa mata, aSíoko aJbafníile makoyo kudi 
ana múata majolo. 

xakusal aci kagana aJcasa ana aruaanámi múéne ptUo ní 
miíatíaviía. úacKoxa masuna neai, úafutile kudi anedi, aci ui- 
yani pa, kuòUvJca dt amvlejani tatvk' úedi, gana majolo, hugUi" 
òãúiosa masuna mami ^úafutile. 

Dizem que chegou lanvo, que fora ao sr. Cussai, porque 
os Quiôcos (povos doeste) exigiram á gente do Muatiânvua que 
lhes entregasse as armas, por causa de abonos que teem feito 
á gente do sr. major. 

O sr. Cussai nSo consentiu que se fizessem taes exigências 
á gente de seus amigos Kei de Portugal e Muatiânvua. Foi 
buscar fazendas d'elle e pagou á sua gente aquelles abonos e 
disse aos que seguiam que no regresso dissessem ao seu chefe, 
o sr. major, para ser reembolsado dos pagamentos que fez. 

Ontra notioia 

tuxike ni múata kaaala, kutumona múata musevo úaxUca; aci 
neza ni kúaLaía, nikúete zala ta kaoiji, aci raia m ámi kudi 
tátuko múata kaaala, aci úa kúete kaíiji úakata kudta edi, ku- 
gukexe aka nisukile ni rruka, munumo múikila iiji. 

jikúaú, musevo aZi, túovúa jisago jia dtoka kúa Zisege, Usegt 
eli uxamukixa dizúi ãta muleja mvlúa úeai kumubtda kudi akaje 
dia kaúgtãa. 



MBTHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUKDA 291 

eai Uségej úasotde kúiza kunoúko, úovúile kaai 5t ana kaú- 
ytda aloza múana úa mukaSa, Síeòi makasUy mateau ahúi kcilar 
la ni ana kaugvla. 

miUUa kalala, aci, kagana, lisége murudan' ámiy Oatjika kor 
li, rd toúrna uunUile i múéfí' eai iíakusota kaso, akaje úa kaú- 
ytda amufuia hubula mulúa úeai miíe6i asalele ni ipe, ni kaxi 
ni àmi novúa úape kaúgxãa amujuta. 

Estávamos com o sr. Candala^ quando vimos chegar o sr. 
Mussenvo que disse vinha conversar^ pois tinha appetite de lun 
pedaço de carne e lembrou-se de vir procurar o seu protector 
o sr. Candala, que se a tivesse para o jantar lhe cederia uma 
porção para comer com o seu infunde^ pois de outro modo nSo 
o podia conseguir na localidade. 

Depois disse que tivera noticias de que Quissengue estava 
muito zangado, porque o portador d'elle lhe contara que fôra 
maltratado pelas amasias do Caungula. 

Soubera mais que Quissengue queria vir aqui, porque lhe 
disseram também que a gente do Caungula ferira a fogo um 
rapaz de Mucanza, o que é falso porque a desordemi (que 
houve) deu-se entre a gente do Calala e Caungula. 

O sr. Calala disse: nSo é assim, o meu amigo Quissengue 
sabe muito bem, como as cousas se passaram, e elle quer 
apenas que as amasias do Caungula lhe paguem o crime de 
espancar o seu portador, no que fizeram muito mal; e eu en- 
tendo que lhe devem pagar. 

Uma diligenoia frustrada 

kapeaa ni SoSu ajxikih kúa bugtão kúaile mu mtimía úa 
múéne biiyxão amuUjde éòi kasúaga túamtUana, túamúakexe, 
mukaaa, túamuloda mtãu á mvòaaa bamona ni múan' eai ebu, 
túezUe ni kmnúata. 

kcuúaga úamuUf êtu eòi kagana, akiucala niámi, énu mukuta 
ni k&Haàixa kudi atôko, aUeka, selef énupa kutílvJca Jc&a ruda 
kmjika kúezako akúiseda neai polo peai malaje; kagana kuía 



292 EXPEDIÇlO POBTUQUEZÁ AO MUÁTIANVUÁ 

ni aéne a^ada moa, hamona úakúete an' adi, nani úaseaa 
múana múiso ni musasa úa mad^aje ahinaúf 

kapeda ni lavu ciei kagana túakúete kutata, dtzúi dia sde- 
f êtUj amukúata hamona mu Hkasa, úajmita Wcasa tíaia «laftáè 
ma isuko, kujiyama, úalala, 

pamaki úaxikapolo kasúaga aci mtixani mámi, kueda, akalya 
selej* enu, akúiza ku ruaa úaijika ni kúiseda maku ni an' eai. 

Capenda e Ambanvo, que foram á principal povoação do 
Bungulo, de lá regressaram e disseram que encontraram o 
Cassuanga, a quem deram a carta e lhe fallaram com respeito 
á mulher Bamona e sua filha £bu que iam buscar. 

Cassuanga disse-lhes que as não deixava vir com receio que 
elles as fossem vender aos Quiôcos, por isso ficavam ainda e 
o patrão d'elle quando voltasse da Lunda podia lá ir buscá-las 
e levá-las para Malanje; que não podiam ir agora á Lunda, 
porque Bamona tinha dois filhos, e quem havia de transportar 
o de mamma e a carga de mantimentos? 

Capenda e Ambanvo, que tinham ordem do patrão para as 
acompanharem, prenderam Bamona por um braço (com cordas) 
mas ella poude safar-se, correu para o capim, lá se escondeu 
e dormiu. 

De madrugada Cassuanga disse aos rapazes que a deixas- 
sem, se retirassem e dissessem ao patrão que, voltando da 
Limda, fosse la buscar a mãe e os filhos. 

Um oombate de Landas com Qniòoos 

mulaji ni kapeda atulha Ivsayo lOa lugvlo kaíoZo ukiiete 
rnOan edi úatalúile úiaya úa ká&.oko, mufuta kagana, hiSioko 
^mukisa ni úakúata miikaje úa bugtdo. 

buytUo ni edi úatazukine tuíaje ni mata, àci: tutani túakuta' 
hda mukaje úa mukakasa kudi aòíoko, ni éne akúeia, akáeSa 
ni akúeda . . , té, kuxíka kúa òitede òiasúeji. 

ana huyido, umúè úasúigile, kaiinanepe, úabtda uta pa hda 
dm litede. ana òiteae ntaú asúejiji ni vudi abudika ni mata 



METHODO PRATICO DÁ LINGUÁ DÁ LUNDÁ 293 

cJc&atape kuloza, loza, . • hum. . . bum. . . bum. . . pum! armíbu- 
kunamúanabugvJomúeau. . • ti. . . ti. . .ti. . .,bum. . . bum. . ., 
pum! amutapa kadi kúaú. . . bum. . . bum. . . bum. . . xote! 

an' eai bugulo apcdagana maú i maú i mau, i kamo ni polo 
pau. . . ah! ká! ká! aéne aôso áíinine, áôtoko anime akuka- 
sa aZada atanéne ni mata tuiaje túahiía paxi, éne akujigama 
mu òipaga òía bugulo iieai, ni àSioko ana Htede aòUukani akata 
mixima atoka ni akaje amusedele, 

Muláji e Capenda disseram-nos que um filho (rapaz do po- 
vo) de Bungulo Cambombo recebeu um remédio de caça de 
um Quiôco a quem não o pagou, e este zangado levou comsi- 
go amarrada uma amasia de Bungulo. 

Bungulo mandou armar todo o seu povo para ir buscar a 
amasia e pozeram-se em marcha, que foi de algumas horas, 
para chegar até á residência de Chitende que estava deses- 
perado. 

Um dos rapazes de Bungulo, tolo, que nSo quiz esperar, 
dispara a arma no largo á frente da residência. A gente da 
Chitende muito bravia, saem para fora da residência, cercam 
aquelles e disparam logo sobre elles, quebrando uma perna a 
um dos rapazes de Bungulo. Continuou o tiroteio, mataram imi 
outro, e acabou-se! 

Os rapazes de Bungulo debandaram e deitaram a correr o 
mais que podiam para a sua terra, e oh ! senhores ! fugiram, e 
os QuiôcoB que os perseguiam foram amarrando as mulheres 
que encontravam e apanhando as armas que elles iam deixan- 
do cair na terra. Aquelles esconderam-se na residência do seu 
chefe e os Quiõcos de Chitende voltaram muito contentes com 
as mulheres que prenderam. 

Um mnata qne feiUa oom o Mnatiànvua 

kaOaga wimutanéne panapa muaUavúa, aZi: — éié tátuko! 
múoMaviia! neza, múamê H noeji, kumulagixa. èié, tátuko ana 
aôso akúaruda, mOanzê òi noyi, nikuleja ámi muan' et nikusota 



294 EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATllKVnA 

• - 

TcumUccma ni murada nA miiêne puto; ámi kaiUga 5t noêji ki- 
najUepe ni kuxakama pa muantê H noêji nêzíle ni kumisakana 
tutani ku kaugvla H noêji, tHakapúixe makasu ma Stjí ni ana 
mak* Oeãi H noéji túakuxika kolo k&akata mOantê òi noéji, ku- 
mituna kutaSuka. èíé, tátvko, mUêne agada aôso Oaleka li noêfi; 
ámi ni kuta k&ámi kOa kaugvla H noéji, nakamvleja: eli éíé, tá- 
tuko, iUdeka kuta ku polo mOantê li no^i; vkusota kufixa aga- 
la á nwruda néi muéne puto ni zaía li noéji, nakuaruaa akOaií 
akata kali kuloda ni ipe mOéci noéju 

— oMiUape. kaiiaga, úluko úeza, tualala mu ttão, dtama^iko 
tUaloaani. 

Cauanga encontrou aqui o Muatíânvua e disse-Ihe: 
— Oh tu! pae Muatíânvua! eu venho cumprimentar-te. Pae 
de todos 08 Lundas, eu, teu filho, vou despedir-me do teu 
amigo o representante do Rei de Portugal, porque eu Cauan- 
ga não vim para ficar aqui e sim para te encontrar e irmos 
todos para o Caungula, acabarmos as intrigas com o Ambfnji 
e seu povo e seguirmos para a corte, onde estão os grandes 
que nos mandaram chamar. Tu que és senhor de todas as ter- 
ras, recusas ; e eu vou-me embora para o Caungula e dir-lhe- 
hei que tu, pae, não queres ir para deante; queres Ceizer mor- 
rer de fome os carregadores (lo teu amigo representante do Rei 
de Portugal, e também os Lundas que já se queixam. 

— Sciente. Cauanga (diz o Muatíânvua), é noite, vamos dor- 
mir e amanhã todos fallaremos. 

Opinião de dois potentados Landas sobre os Uandas 

miíéne paaa ni múéne gu§o dei tueza pane kumtãa§txa tSí 
mOata, tUejile kudi miíéne kogo úamúakexe kaltbele ka disuna 
disuza, úamutana pekUa, ^ahiii tOasutile mila mOata tOamule' 
ja jisagu jia miíéne beza ni mabaza, majala mavumo nakiai 
ijala Hita, 

atúipule mUata aci enou akata kumulaZilãa mOaííaviia aci ha- 
gana 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 295 

múéne pada ni múéne gugo ciei adi kali iíkulo Vialdíúil' aú, 
Tcatata úaleka ítadi akaiu i nudúa úa miiatíaviia kaso, kakatape 
kuxíkako. 

ahúi ikuZo ia tug' aú la kudila kaso, havana hdaV ama 
akata kulala mu makako íía kaganape ktitumnako alúè aku- 
taòtda dtakinaú mikJio. 

múaia àci, mUaíuãiia kuia ni kuitajga Oailekdakif 

miiiéne pada áci, kmako k&aiíape pçL kaòikvlapa ttkutana 
amijikila kali mu jUa kudi akOaú akata ni kumiòina pa hãa 
0080 mukujtila kuéne kOa. 

mOata aci, m&atíavúa kutuma mtãiia ku iu^íilage ajike muíaaa 
aúm, muaUctSOa rnOén' edi kucKoka ni aruaa atsakéne pa kaxa 
pe kakut&ixape auihinaú kuijipa. 

miiéne pada cxi akúijipe kadi. 

O sr. Panda e o sr. Angungo foram procurar o represen- 
tante do Rei de Congo para lhes dar um pedaço de fazenda 
encarnada e como não o encontrassem, passando por aqui, 
cumprimentaram o senhor do sitio e deram-Ihe noticias dos 
chefes Beza e Mabaza e dos (povos) que se cobrem com a 
própria pelle da barriga e dos que se cobrem com pelles de 
animaes. Âquelle perguntou-lhes se estes eram ou nSo tribu- 
tários do Muatiânyua. 

Besponderam-lhe que antigamente eram, porém agora tor- 
naram-se selvagens, e um portador do Muatiânvua isolado 
teme-se de ir ter com elles. 

Porque nSo vae então o Muatiânvua submettê-Ios? perguntou 
o senhor do sitio. 

Para lá todos podem ir, diz o sr. Panda, mas na volta já 
encontram os caminhos cortados pelos que fogem adeante dos 
primeiros que lá entram. 

Se o Muatiânvua, diz ainda o senhor do sitio, mandasse 
ordem aos Chilangues para lhes tomarem o caminho pelo norte 
e partisse com os seus Lundas ao encontro d^elles, cercava-os 
e já nSo podiam ser mortos por elles. 

Ainda assim os matavam, respondeu o sr. Panda. 



296 EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIANVUA 



Um alvitre dos Quiòoos 

pinape jisayo jíakata iSía katau kuiaii mu buguro ajtíura 
ecike kúena kua túovire: eci múattaviía úejUe múén' eai títúa- 
riíixe nedi jita muloga ooanama noéji úatmka kali paka ta kúi- 
tapa allolo aôso a múattaviia; ê katata xamaUaha Síeza ni múéne 
puto muruaa iía múaãavúa ni (Sisege, e^u túaka^ana ktdoaa 
tutala dizui dta múéne puto ni âxaoso dia kuloaa ni dia ^isege 
ni dUa ocamaUcãa kamo, atureja kudi múéne puto úakúete aru- 
daneai, tvkaôvúa ^taôso ^a kuloaa múéne puto ni òisege ni 
múattavúa di aSíitta atu aôso ni jigada jiaôso akôvúa. 

Vou dar-lhe noticias que muito em particular ouvimos com- 
municar a Bungulo por gente que lhe era extranha: Chegou 
o Muatiânvua a quem podíamos fazer guerra, porque Noéji, 
governador do Tengue, nos deu uma faca para matarmos todos 
08 dignitários da Lunda; mas como Xa Madiamba (mestre 
em fumar liamba) veiu com o representante do Rei de Portu- 
gal, amigo do Muatiânvua e do Quissengue, nós nao fazemos 
cousa alguma sem primeiro sabermos o que delibera aquelle 
representante e em que concordam os seus amigos Quissen- 
gue, Muatiânvua e todos os que tomarem a palavra na entre- 
vista entre elles. 

Quissengue participa a sua chegada 

tage éíé, mon ámi, úakamutana múattavúa kamuleja : e^i ámi, 
^isege, úaxika kali ku lúana pa kateíe nikusota kovúa dizúi 
dÂa múattavúa kutúixi ni kuta múa kaugula ^ilolo Sía múattavúa 
ladi múén' eai kusaíele kuxika, kugutumixa kúeaa ktdutOè, tth 
baje túámi akusota kuta kúeai apet>e oZi iboae aci mikoko éne 
akumana, aci múattavúa kovúa múamo úakaloda ni ipe, e5í 
múana rruxk* úámi úeza ni kulúa ailólo ámi» 

kagana úaxakama kaai maèiko mavudi ni múéne puto, biji 
úasúeji kasotelejTe kuloaa mukano, úasota kamo kvloza, i ámi 
Usége, múana amukúaruda kudi ISióko ku kamaku, kagana ku- 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 297 

xexa jiyada jta mak' úêtu, úahidi múaUaviía hugvlya l^aôso 
iie^i ééu tHakasala, 

cLci íiji ukúiza ni hukuata mavu ^^oiíma ^múè^ oct kagana 
Hkiiaii ; ámij múéne puto pamué, túaijika dia kalúa neai. 

õi múattaviia ni múéne puto murudanêtu, aeza katataka mu 
maíiko masato, kagana kuxakama kadi máíiko kamo, mu jila 
aíioko ámi kanimanape axakama ak&ete muxima akulúanedi 
oiji jita. 

múattaviia úaovíle aci: íiaúape mukúaòago, túatala díama^i- 
ko kasega kalaZa, kúeza dikiadía túijikani kúeda. 

Vae tu, meu filho, ao encontro do Muatiânvua e dize-lhe : que 
eu Quissengue já cheguei ao Caiembe, na margem do Luana, 
e sem ordem d'elle não vou para o Caungula, que é seu súb- 
dito, onde elle deve entrar primeiro para me ordenar que 
avance, porque a minha gente pode roubar-lhe algumas ca- 
bras, porcos ou carneiros que encontrem, e depois o Muatiân- 
vua censura-me^ dizendo que eu, seu parente, lhe vim fazer 
guerra nos seus súbditos. 

Não se demore muitos dias com o representante do Rei de 
Portugal, porque o Ambínji está muito atrevido, não quer con- 
versas, prefere combater, e eu Quissengue sou filho de Lunda 
c de mãe Quiôco, não quero portanto estragar as terras dos 
meus patrícios sem que o Muatiânvua me diga tudo quanto 
eu devo fazer. 

Se o Àmbínji vem pedir perdão é uma cousa, se nSo outra ; 
e eu e o representante do Rei de Portugal juntos, saberemos 
dos motivos. 

Que o Muatiânvua e o representante do Rei de Portugal 
nosso amigo, venham dentro em três dias, nSo se demorem 
mais, porque nao me responsabiliso pelos Quiôcos, que já se 
pimparam para fazer guerra ao Ámbínji. 

O Muatiânvua, que ouviu o portador, respondeu: que ficava 
sciente e só esperava no dia seguinte que chegasse Cassenga 
Calamba (potentado do sitio em que estava), e todos partiriam 
com elle. 



298 EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIInVUA 



Qxiissengae oede aos seus oonselheiros 

kcSca Jcazari úamutana mwxta majori aci: xakaaaje murúa úa 
mikiãaviia úaãe kiia Usége, úaxikile leio ni úamuUj* edi, di^iko 
ditúaxikãe muriia ikai, lisege úarmdoaele kàli matedu úasotéU 
panapa ni aícMa a kaugvla ni mtãúa úedi, Siamusakana ko' 
bama mu disu, ni Hsége Tnuleje e(Si nata kali kuliíagana ni kau- 
guhxj kusala ni ipe ni miiéne ukúete pugi imiíè ni iyíú 

atlolo a lisege amwíilUixa kagana, éci kutusala múamo uku, 
mvk&aJtexe iíoma mUattavOa ^i vkamtãeja klujilepe kaúgula aci 
kugupeka kuámi múafíaviia. 

Zisege aci: múamo. 

O potentado Cazal encontrando o sr. major disse-Ihe: que Xa 
Candanje, portador que o Muatiânvua mandou ao Quissengiie 
já ahi está, e ^articipou-lhe que no dia em que se avistaram 
com o seu amigo Quissengue, este já sabia das desordens das 
mulheres do Caungula com o seu portador, que lhe bateram 
num olho com uma chibata, e Quissengue queria fazer guerra 
a Caungula, porque o supp5e mal aconselhado com o Ámbinji. 

Os seus conselheiros contiveram-no, lembrando-lhe que, se 
procedessem assim, o Muatiânvua receoso diria que Quissen- 
gue queria guerrear com elle e não com o Caungula. 

Teem razão, disse o Quissengue. 

Uma desordem 

goloxe nadãe panapu kumona akaje ta kalala zomi, akata 
kusuta mahHè aci kalala mujipa. aíaaa kuanka kOa atana mue- 
p&a úedi kalala koÍa eai, amuhuja mutO^ ni mitoao. 

éne kaugula niaU aovUe ciei mOana mak* úedi kaugvla amu- 
jipa kudi kalala, dtoAtíí Ziakumaganene majita mutaUía ni mutaJía 
kuxika pa mateau; kumtUana kalala, aci lekani, kutapajana 
túa mvneia. 

múaítaSúa ni múéne puto kagana ajita dia kutap* ciu ni ma- 
ta mHoga úa miJíaaa uná kúateh peíe. 



METHODO PRATICO DA UKOUA DA LtJNDA 299 

Hontem estive aqui e vi passar correndo as mulheres do 
Calala superior, gritando que tinham morto o seu Calala. Sus- 
penderam a corrida no logar em que encontraram um sobrinho 
d'aquelle com a cabeça partida com uma paulada. 

Os de Caungula e outros ouviram dizer que um irmSo d'este 
fôra morto pelo Calala, e por isso se reuniram forças de parte 
a parte, e já estavam em conflicto quando appareceu Calala a 
socegá-Ios para que se nSo matassem uns aos outros. 

O Muati&nvua e o representante do Rei de Portugal nSo 
querem que os seus povos se matem com as armas d^elles, 
por causa da questSo de uma mulher de quem eu amarrei a 
cabra. 

Um conselho de Oanngula ao Muatiànvaa 

milcíãaviiaí ámi, hmgula, neza kuiwuko hua Teuhd^a mãoga 
úa tyfi nana mak' úedi akusota kútza kukúata tnavu, 

^úape kutumixa Jcãa muliia êtu úcíía ni mtãila úa rnuén* eai 
l^i ni fana akaileja eH múaHiaviia úaxika kali mUa kaugvla 
aeza pane, akúata mavu mvloga oZtiè a lisege uía kali ni kuisa- 
kana. ISaúape kuêcioele hSiza tOaludika nehi mHoga ni miãaãaviia 
ííakuxika tísege kutuiana túalvdikíle Síaôso Sía tukufuta lise- 
ge, mOadaviia efika kHeda kolo kéí m&agàba a mataha itcdcde 
ni iape. 

aci %v[i, Oaleka dizui diiiape dta mvleja m&atuXfua ni ámi 
kaugvla miktn* éi, kúiji kiiedi mukHaii gúeji ta mvma Oasotele 
hãa kudi hudi ttiíahéle e6i akugujijika. %tã>a nalike, eòi tílvka 
uía kudi Stfí Hatapa nehi mukaSa, e^u á tulaJia tOaôso kaHíi- 
jxkape jipugijia kumutapa muka2a mtdoga lyfi nana mak* iíehi 
ahúi afixa kali anêtu kujita ta Hu^a xanama. 

imèn* eai uaHe kali kolo ni Itiía, aci úeza kali ni kahxiea 
amtUuma ni dizui diiiape dia kutapa mukaSa H iamtdekele 
m&ên* eai mOana mOatiaviia umutapa ^ilolo Síakéne Sía mOa- 
tí(wiia tátuk* Oedi, kagana himutapa. 

éíé gúeji éH tílolo Sía euana mvlopo 2ta mukaSa úakeãa diziíi 
dia mukiienu dxipe i ámi iuHia ndlike mudi múamo. éíé StJ eza 
kaiataka tuloda ni tátuk*uètu mikxíianíma tutalalexa magtiía iêtu. 



300 EXPEDIÇIO POETUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

Muatiânvua^ eU; Caungula^ venho aqui para fallarmos das 
questSes de Ambínji e seu povo, que querem vir pedir-vos 
clemência. 

E bom nós mandarmos um portador que vá com o de Am- 
bínji e Fana dizer-lhes que o Muatiânvua já aqui chegou, e 
podem vir porque os portadores do Quissengue já para la se- 
guiram. E conveniente antes da chegada de Quissengue o 
Muatiânvua pôr termo a estas questões. Quando este vier pa- 
ga-se-lhe, e o Muatiânvua segue muito sossegado pelas terras 
de Mataba para a sua corte. 

Se o Ambínji nao fizer caso doeste nosso aviso, queixe-se 
então de si. 

Emquanto ao outro Anguéji de Muiamba, quiz ir esconder- 
se nas terras de Ambumba Bele. 

Este recusou-se a recebê-lo e disse-lhe que voltasse para o 
Ambínji, a quem auxiliou na morte do Mucanza, á qual elle e 
todas as auctoridades subalternas foram extranhas, e não que- 
riam agora envolver-se nessas questSes, pois por causa do 
irmão do Ambínji e dos seus já elles soflFreram uma guerra* 
do Muatiânvua Ambumba (Xanama). 

O próprio Ambínji foi mandado para a corte, e se agora 
veiu com Cahunza e trouxe ordem de matar o Mucanza, que 
deixasse este, que é filho de Muatiânvua, matar um grande 
dignitário da corte do seu pae e não fazê-lo elle. 

Anguéji, que é súbdito do herdeiro do Mucanza, aceitou os 
liiaus conselhos, e eu Ambumba não quero proceder assim. 

Manda dizer ao Ambínji que venha immediatamente para 
fallarmos com o nosso pae Muatiânvua, afim de sossegar as nos- 
sas terras. 

Um desoolpa de Canngnla 

kaugula aci: namutazukine ^, murudanámi, tíiaJcumtdeja ta 
miloga ta yoloxe, kukana cdiiò kiía xaruwo, 

ndlekele kupana mulúa muloga, ámi natumine kali múliia 
úakaiaulau, uakadi kiiiviía cUu avudi, Síakúi ítagutumixine 
kuleja xa navo, múén' edi xJciíete iíoma ikikuaú xamuhogo. 



METHODO PBATICO DÁ LIKGUÁ DÁ LUm)Á 301 

aci mvlHa iíaile ni mutena, xamuhogo eZi evúa Uma kúUcasa 
ciada polo peai Sia nalekele kupana mtdiia Hadi turrmtala bili 
úasaiele mvlúa iíaile. 

goloxe kinatúixUepe kidej' iki éié, múata muruaanámi, mtdoga 
padãe cUu avudi pa aoaa êtu. 

òaOape mOéne yaaa, Sia^ukata kumoviía Oaiga kuLoaa mOamo, 

Caimgula disse : chamei o meu amigo para conversarmos 
sobre as questões de hontem, com respeito a despachar um 
portador para o Xa Nhanvo. 

Recusei-me a fazê-lo porque já tinha mandado um portador 
muito em segredo, sem que pessoa alguma o percebesse, por- 
que Xa Nhanvo me mandou dizer que receia muito do seu 
companheiro Xa Muhongo. 

Se o portador fosse de dia e Xa Muhongo desconfiasse, 
mandava logo prender as mulheres do Estado do companheiro, 
por isso recusei mandar um portador sem que voltasse primeiro 
aquelle. 

Eontem nSo podia dizer isto ao senhor, meu amigo, porque 
estava muita gente junto de nós. 

Muito bem, senhor do sitio (dono das terras, soberano), 
alegro-me, estou satisfeito de o ouvir, porque tem razão de 
ser o seu procedimento. 

Resolução de nm potentado Qoiòoo 

káSioko lukokexe vief etu; éói nezile kHa rOana, ni kuta kudi 
Hsege, kugutazulca liiíeza kunoúko kutuga òibege: eié tátak' 
Oámi, kagana Oatuga òibege Italepa nana mak' úei, tOaxakama 
neí pasúipa kutuijika kuta ni ktãoaa ni Oape miloga ta tiji, 

ámi, Ivkokexe, mia ni kumidaíiíila kúijika ktUuga òibege, ni- 
líiluka kusakana anami axalele polo pitu, àci nikOete Solo ni- 
munete kudi múata. 

leio nitcda mOéne likala íiámi 5a mvtu nakalaíiitle muruaa- 
neí ^isege, kugúijika tátuk' úedi udimvkine, mOén* edi kuxala ni 
muxima OcUoka ni vudi. 



302 EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIINVUA 

O Quiôco Lucoquexe disse-nos : venho da margem do Lua- 
na e vou para o Quissengue, que me chamou para ir con- 
struir um acampamento perto do d^elle^ porque me considera 
seu pae^ e um pae não deve estar longe dos filhos, e próximos 
podemos melhor resolver as questões com Ambínji. 

Vou pois, eu Lucoquexe, presenteá-lo e saber onde quer 
que faça o acampamento; voltarei ao meu sitio para chamar 
o povo e se lá encontrar gallinhas trago uma para o senhor (á 
pessoa a quem falia). 

Disse ainda que esperava hoje um devedor que lhe devia 
pagar um servo, que desejava levar de presente a Quissen- 
gue, para este o reconhecer como um pae intelligente e ficar 
muito satisfeito com elle. 

Como respondemos aos receios de Oaongola 

kaugiãa alei: Síasalele mUéne puto lEtaúape, kutcíula paka 
makaaa Ha iisege. 

e^ túaleja kadi, anakaruda kayana kali, d^amaòiko kuta ku- 
tazuka cuRoko, múloga ahúi akata kuta kudi cuSwko, ê ãtama- 
l^Uco kiieza, kutvioaa kadi dikuaú. 

múéne puto aci; kayana, nUcíula paka ni kiUa nato ni koli 
kúámi, kagana kumúakexe énu akaruaa, dtamaiôiko âxeza kusa- 
lumune kaai mateau ni aSíoko. 

Uaôso nixika kHa múéne puto, aci noviía akiíaruaa asala 
mateau ni á&^ko, nitílúka; nakakuta kuUca paka kakuaií kudi 
iisege i ocí novOa eòi akúaòisege Oasota kaai mateau nakúaru- 
da úámi, neza kaai pa, napúixUe kali mateau pakaxi. 

Caungula disse: o que fez o representante do Rei de Por* 
tugal é muito bom, receber a faca dos mãos de Quissengue. 

Nós diremos agora á gente da Lunda que nSo vá amanh2 
convidar os Quiôcos, como é do seu costume, para nos guer- 
rearem e depois &llarmos contra elles. 

O representante do Rei de Portugal disse: nSo ha de ser 
assim, porque eu recebo a faca e levo-a commigo para a mi- 



METHODO PRATICO DA LIKGUA DA LUNDA SOS 

nha terra^ não a entrego á gente da Lunda, porque mais tarde 
principiavam novas questSes com os Quiôcos. 

Quando eu chegar ás terras do Rei de Portugal^ se ouvir 
que os da Lunda contendem com os Quiôcos, volto e irei 
entregar outra vez a faca a Quissengue; e se ouço que os de 
Quissengue querem mais luctas com os meus Lundas, venho 
logo para aqui, porque as questSes ficaram terminadas. 

Um reoado de Quissengue para o Moati&nvoa 

cisege kutúita : akaleja mona mak' údmi múafáavúa, kunoúko 
byfi, úáUkele, vkafuta pa makasa pa múoHcíúúa, kayana ku 
miUiiaJita. múên' eai miiafíaSiía hiyxãej* ándpaôso ni kuxakama 
túijika kuloaa ni úape ni miloga âm paka kugupana xanama. 

mona mak* Hámi úijika kuia koh h&eai ukasúana Hafíaviia, 
ni paka ikdekaf aZi múamo uleja, ãiamaóiko òUukani kuyuaor 
kana ni eai. 

ak&aruaa íiaovile lusago lHa muzuío ahúi akalumuna kali 
makaau, edí òisege, ukusota kúiza kidúixa Jita ni múaãavOa. 

muzuío aZi kagana, líisege kaòUoaelepe m&amOj usota kúiza 
ni kovúajana ni múcUtaima ni múéne puto Oaikixe naú paka òidi 
mu makasa ví eai ni miíoMavua kumúika Cisege toúma imúè mu 
jUa mutoke, 

mOata majolo aZi, muzuío kwSUuka ni mvlúa Ha miíaíía^iki, 
akamvleja cisege eza, kutuga iíbege uxacKa Ha kaòime pa mia" 
na mtdopo Ha kaugula, xakama pa, kutuijika kuloaa n' eai mi- 
loga agaaa aôso hUoka majUa. 

Quissengue pediu-nos: cVSo dizer ao meu parente Muatiân- 
vua que o Ambínji, que está próximo de mim, pede perdão, 
pagará voluntariamente, não quer guerras. O Muatiânvua que 
me mande dizer onde eu devo acampar para conversarmos 
bem sobre a questão da faca que me entregou Xanama. 

O meu parente não deve ir para a corte herdar o Estado 
dos seus antepassados sem resolver esta questão. Se assim fi- 
zer terei de voltar então á corte para me avistar com elle.» 



304 EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIINVUA 

Os da Lunda, que ouviram este recado do interprete, prin- 
cipiaram logo deturpando como é de seu costume, dizendo: 
que Quissengue queria fazer guerra ao Muatiânvua. 

O interprete disse que nao era assim, que Quissengue nâo 
fallára doesse modo; queria vir conferenciar com o Muatiân- 
vua e com o representante do Rei de Portugal para lhe entre- 
gar a faca que estava em poder d'elle, pagando o Muatiânvua 
alguma cousa para se limparem os caminhos. 

O sr. major disse : que voltasse o interprete com um por- 
tador do Muatiânvua, e dissesse ao Quissengue que viesse 
acampar na margem direita do rio Cachime, em terras do her- 
deiro de Caungula, e esperasse ahi para fallar com elle sobre 
o modo de todos ficarem em paz. 

Um oonselho bem acceito 

miiattavúa, murtidan' ámi, vkusotapugi úapef túakatuma edite 
aúape kua xa navo kumuleja eòu túaxikUe panapa ni tííakatala 
maòiko masato maauta, kuta ni kúahuka riíeíe mu pa iSaú peai, 
eòi múén' eai utuma mazúi m'eai akúaiiixa akatúaiíixe ni mu- 
vudi múêtu aôso. 

xa navo OaJcaZilúixa dizúi dimOè dteai alOè aêtu, edí vku- 
túixa diUape aci cKipe ni múamo tiíaijika kali Heci tukOetu cKa 
kusala^ kayana mOén' eai úakamudiía kamOy atu akuiza kule- 
f êtuy xa navo kêjikape tOadi panapa, múéne úitile tátuk' ikai 
kaugula katataka kutuxikako, polo pedi umutumixin' eai rmãia 
nikumumana, búate (kadi), 

muattavúa aci, murudan' ámi, vleja (Saúape ni kaxi, túaiãa- 
jana kali, kúapiia, d^amaòiko díeza, túakaloaa ni arí ámi aôso, 

buyvlo aci, pugi Hape, akumúijika kumúitia ni úape. 

Muatiânvua, meu amigo, quer um conselho? Vamos mandar 
bons portadores ao Xa Nhanvo dizer-lhe, que chegámos aqui 
e esperámos em três dias estar promptos para passar o rio 
Luembe no seu porto; que dê elle ordem aos seus pilotos para 
nos proporcionarem a passagem e ás nossas comitivas. 



METHODO PRATICX) DA LÍNGUA DA LUNDA 305 

Xa Nhanyo ha de dar uma resposta aos nossos portadores^ 
que pode ser boa ou má, e assim já nós sabemos como have- 
mos de proceder, e não nos enganam mais as pessoas que de 
lá chegam, dizendo-nos que Xa Nhanvo não sabe que nós 
estamos aqui, porque pediu ao seu pae Caungula que, logo 
que nós chegássemos ao sitio d'elle, lhe mandasse um portador 
a avisá-lo, o que até agora este nao fez. 

O Muatiânvua disse : «Fallou o meu amigo, muito bem, está 
combinado; acabou-se, fallaremos amanhã ao meu povo. 

O Bungulo disse : — O conselho é bom e todos o ácceitam 
bem. 

Delll>eração tomada depois de acceito o oonsellio anterior 

múamo mudi goloxe túaiúajanéne nataSukUe pa nrnsoÃa a 
n' ámi aôso ni ahinaú atcãmile ni úape naitíilepugi uéí, túamutana 
kali muliía uêtu ni túatala kaao kumana úel muraaan' ámi, ku- 
túijika kidoaa maií kúilef aú iíteH é6u túakuaota éne akaleja 
miiata xa navo i Jcatataka kúikana ni úape aci ákulabexme ka- 
^ana pugi Oet úape katOakujioãepe di^iko kumusalexe kali, 

ISaUape, Hagukata an' ez aZi ataíúile iiape Hpugiy mutila 
Hámi yãe míámij Zidi kabaje kua énu kumúijika kali kudi mu 
jUa ni úape mOéne úaeaele ku kalani. 

wuan' tê eòu aôso tOaxala muxima ni Hape ni kaxi ni eai, 
^úaza, Oaijika hdoaa ni úape kakãetepe mukasu, ^Saúape mu- 
rudanámi, k<J[>aje múén' edi, kadipe úoma, nJcúete máxima, 
íte^i túakusota kviuma kudi éne ta akatu á mataòa. 

ovanil alue túakúijika ámi múattavúa ni múéneputo kutuma 
akumulejani xa navo. 

texani hilil aôso texanit múcUiavúa tátvk' Uêtu úaloaa ukál 
vhál vhál 

akaleja xa navo ámi ni múéne puto díamáòiko taíukani ni 
atuzani kúeaa pa úito diktadia kúeda kamo, diUko dikúaú kúa- 
huka, xa navo húimana kudi etu kutúijika ni kuia ni múéne 
ISipaga ííedi. 

atani maú ni dí noeji, zaJíi, 

20 



306 EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIInVUA 



Assim como hontem combinámos, chamei esta manhã toda a 
minha gente, e elles receberam bem e acceitaram o seu conse- 
lho; já nomeámos o nosso portador e só esperamos o do nosso 
amigo, para lhe fazermos saber o que queremos : que digam a 
Xa Nhanvo, e immediatamente os despacharemos bem para 
se não demorarem. 

Foi bom o seu conselho, e nâo percamos tempo em o fazer 
executar. 

Muito bem, alegro-me de que acceitassem o conselho; o 
meu portador veiu conmiigo, é aquelle rapaz já conhecido pela 
sua boa diligencia ao Calânhi. 

Sim senhor, ficamos muito satisfeitos de que elle vá; sabe 
fallar, não é mentiroso. Muito bem meu amigo, elle é um ra- 
paz destemido, tem animo, e são portadores como este que 
precisámos mandar áquelles selvagens de Mataba. 

Ouçam o que eu Muatiânvua e o representante do Rei de 
Portugal vamos dizer aos portadores, para o transmittirem ao 
Xa Nhanvo. 

Attendam um pouco! Attençao! O Muatiânvua nosso pae 
está fallando, eh! eh! eh!. 

Vão dizer ao Xa Nhanvo que eu e o representante do Rei 
de Portugal amanhã partimos e seguimos para o rio; que no 
dia seguinte continuamos a marcha e no outro queremos passar 
o rio; por isso, que elle Xa Nhanvo nos espere para nos acom- 
panhar para a sua residência. 

Vão-se embora, que Deus os acompanhe. 

Boatos falsos que se propalam como verdadeiros 

leio axikUe panapa makasu, maJcasu mavudi, búididi muMa- 
rada úaUe kiãeja múattavúa, aZi múéri eai úaijikile kalixaki' 
lete iíahukile rúeíe nijita, miloga ta mateau múéne iíakiíetíU 
ni ana mak' úeai i ctci úapekde polo opo ni kulúa êtu. 

urúela kali aJcugtdej' ámi é6i tilada túa múattaviía úakudíU, 
(wvile jisago ii múana úa múatlavúa amukasele uxadi úa kudi 
ciu a mataba. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 307 

mvdi ámi àci naméne kusuta munumo mOatíavúa, namúipulile 
àci edi úaij^ikUe Hoúma múamof an! eai eci ejile akumusota 
alef edi eH àkúovUe, kalala úedij úaza uxaMa úa, kma ni ku- 
neta mak' úedi amukasa atu a mataba. 

muaãavúa pakúeza iiakoviía tenei ma mahuè maôso. 

ííeH ^080 makasu ni makasu kamo! 

mukuaruaa múén' edi vleja, cUu akaruaa akúete makasu, aci 
avxãaméne eH múén' edi úaloaa m^akasu ni rnutu íí kumOoviia, 
kumuijika úape, 

adso mUamo, aniane akúaú akiíete makasu, kayana aimana 
ahinaú. 

Hoje correram por aqui muitos boatos falsos. De madruga- 
da um Lunda foi dizer ao Muatiânvua se elle já tinha conhe- 
cimento que Xa Quilembe passara o rio Luembe com uma 
guerra, por causa das questões que teve com os irmãos, e se 
dirigia para este sitio para nos atacar. 

Já de tarde, deram-me parte que as raparigas do Muatiân- 
vua estavam chorando, porque tiveram noticias de que um 
rapaz do Muatiânvua fora preso na outra banda (do rio) por 
gente de Mataba. Como o Muatiânvua passou por aqui, per- 
guntei-lhe o que havia de verdade a tal respeito; e alguma 
gente do seu povo, que veiu procurá-lo, interrompeu-nos, di- 
zendo -lhe que ouvira que o seu Calala tinha ido á outra banda 
para ir buscar a mãe, que fora presa por gente de Mataba. 

O Muatiânvua, depois de ouvir isto, retirou a toda a pressa. 

E afinal tudo o que se disse era uma fabula ! 

O próprio Lunda diz que a gente da Lunda mente sempre; 
08 Lundas quando faliam esquecem-se de que estão mentindo, 
e quem os ouve sabe perfeitamente que elles mentem. 

Todos são assim, conhecem as mentiras dos outros e não se 
apercebem das suas. 

Uma participação 

nejile kua kisege, múéne saaa kaai, (íikuyukateV ámi ni vudi, 
Siakéne e^u ttikumana jipala mixima hOate, Tnaíiko masuta 



308 EXPEDIÇXO PORTDGUEZA AO MUATIÂNVUA 

kaai kamo kutusaíexe hãoaa miloga kueZi túamutaSukine miíéne 
ú^Ue pane kaso kaai, akcUumana aci muèix' eai 6idi eH iiat<h 
ga aZi biiate. 

leio kumulagixa miíéne úaxika, íteH miíéne iíajUcUHe ni ka* 
xi; Mamàíiko pa maki nakaòUuka kOa kutúijika kali hdoaa 
miloga. 

novile ni Hape ni kaxi, murudan' ámi kuguly' ámi, jaje ia 
jaje^. 

ciei e^u kaiiíaijikHepe muxima Oéí ni iíape ni kaxi kúêtu, tiía' 
kamiíijika kali tumum/xna. 

Lá estive com o Quissenge; é ainda um rapaz que me en- 
cantou sobre modo. Em verdade nós vemos caras nSo vemos 
corações. Mais tarde quando principiarmos a tratar das ques- 
tões para que o chamámos e elle veiu até aqui, veremos se é 
o que parece, ou não. 

Hoje apenas fizemos cumprimentos por elle ter chegado o 
que agradeceu muito; amanhã de madrugada lá volto para 
principiarmos as negociações. 

Ouvi muito bem o que o meu amigo me participa e aos meus 
o transmitti. 

Se não soubéssemos quanto tem sido bondoso para comnos- 
CO, tínhamos agora esta prova. 

Um alvitre para obter fazendas 

tííaknxaJcama ni ipe tukumona nuãu kakúetepe kuHa, oavu 
iíamxdy' ámi kamenepe aZolo mu tão. 

àci nitumixa mu aSioko asúipa, éne akuêota kaso masuna, 
ni tukiíete kaso mixi ladi ciei isato. 



1 O Muatiânvua e em geral os Muatas, sempre que ouvem uma pessoa 
de consideração, logo que esta acaba o seu sângu (recado) volta-se para 
08 que o rodeiam, bate as palmas e diz : jaJe ia Jaje, o que quer dizer: 
«ficam certos do que ouviram?» e todos respondem batendo trea pal- 
madas e dizendo Sali Òi noeji^ «por Deus sciente». 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUOT)A 309 

tuakata kutuxaJcama ni kaxi ^idipe (Êía kúiximukine iiakazúege 
Ha maauna kinijikape ^edi kutúixa kusala nimona ^oiima òtipe. 

natumine kali mulúa kumana aci úakusakana munana umúè 
dl (isota kuséia ni ámi masuna, difada^ mata ni tiisayasa^a 
aÔ8o aleta, Henéòi múéne úaia kali ni leio kusuta maHko mata- 
no, ni kiiiza kagana kadi, múamo ukumutana mtãu mu (^ibayo 
nitúixa kaso kúijika lusayo, mxvSiko masato kamo. 

aZi umana kali, malu úakéne kutiiimane panapa mudi niku- 
leja kali. 

Haiga xakêne, kutala hili, niijika xa madaia an edi kakutui- 
xape kasúipe mustina maôso éne asedele kua kaaai, kúiji aku- 
8ota kúiladix* éí murudan' aú, mia katataka ni kuloda xa TTia- 
dcJba murudanámi. 

Estamos muito mal com respeito a sustento, porque o Am- 
banvo disse-me que não ha gallinhas no sitio. 

Se mando aos Quiôcos, vizinhos, elles só querem fazenda, e 
eu nâo tenho senão duas ou três peças. 

Temo-nos demorado muito e por isso não 6 para estralihar 
que estejamos pobres de fazendas. 

Eu já mandei um rapaz ver se encontrava alguma comi- 
tiva que queira negociar commigo fazendas, pólvora armas 
e missangas, emfim o que traga :u; mas elle já fez cinco dias 
que anda por lá, e mesmo que encontre alguém no Quibango, 
só posso ter noticias d'aqui a três. 

Já se vê que temos muito a sofFrer nesta terra, como disse. 

Tem muita razão, mas espere ainda, porque eu sei que os 
rapazes do sr. Madamba não puderam negociar toda a fazen- 
da que levaram para o Cassai, e como são seus amigos talvez 
Ih^as vendam. 

Eu vou immediatamente fallar com o meu amigo sr. Ma- 
damba. 

Uma diligencia qne teve bons resultados 

goloxe kutexiko, eòi aXíoko attane kudifa tlega, amutane kúi- 
80 f atixacKape. é6u ima hili kumana aòcwa kOahúi kúaiT oú. 



310 EXPEDiylO POBTDGUEZA AO MUATIÁNVUA 

ttdoduluka hili ciei túaitanani keza n* aú. túahtidike kutane 
mukúa musvio kaúito zoú! 

aísof imane, túedexe, kutala maiaú, naoakéne ktdoduLa éne 
avudi, xalani pinape, rrbú, rrhú, rrhú, nuJcuzaye, nubtidika, 
aúapani, 

ikténe xiói kinani? túezile kusota kavbo, luvula liía súeji, 
maòiko manika; tahúi kamine logejani, túokúani poli, múata 
karukane úasúeji, 

tmagani kakuyi panape k&aúj túeza kàli, kamuleja karuka- 
ne, xote. eH Haúape, 

Ouvimos aqui hontem, que os Quiôcos amarraram o sr. Ilen- 
ga, e perguntámos onde o prenderam. Do outro lado do rio^ 
nos disseram, e nós continuámos o nosso caminho em procura 
das mulheres que fugiram. 

Seguimos na intenção de as encontrar-mos e voltarmos com 
ellas, por isso fomos até ás nascentes d^um pequeno rio, sem 
ver ninguém. 

Nâo sabendo para onde tinham ido, demorámo-nos a procu- 
ra-las em outros portos; como eram muitas, seguimos as pega- 
das que conhecemos d^ellas correndo, e encontrámo-las todas. 

Que fazem aqui, lhes perg^intáraos? Viemos procurar cogu- 
mellos, nos responderam^ e dusculparam-se, que chovendo muito 
não voltaram para casa, esperavam melhor tempo. Dissemos 
a Camina que nos seguisse, mas ella recusava-se com receio 
de que o sr. Rocha {car acarto «o do annel») estivesse muito 
zangado. 

Vamos, lhe retorquimos, clle não mata ninguém. Viemos 
logo, ella fallou ao líocha e acabou-se, tudo ficou em paz. 

• 

Uma resumida narração feita por um amigo 

goloxe tuxike paxi tukate kuna ruaaa^ kutala makala ieza. 

aci nezile mu kaseji, túezile kúahvka mu kajidixi ni múa- 
íiâviía tiíatala kunima miãúa a múéne kalaha é6i mwx&avia 
íianika, múéne kalaía nalike, éíi katape kali pa kcdani. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 311 

ánd kalata nJôvHa H áSíóko axika, katlepe kali. 

ò<zdi mala ciei, laúape Mau, túokiíani éne akaruaa. 

ah! ka! ámi makala katlepe kaai k&ámi medi miiailav&a, 
nata kali k&ámi kua mOéne puto nakaxakame ni muruaanámi 
iluga, 

íaúape, abada axala mu jila, âS,amaéik' úa nailodide nakeza 
naii tOasaie kutexage eH nikovúa leio, íi oMoko ata. 

ámi naòiruke kunima Ha, kumúata kamo mãatiaviia, kum&i' 
kixe muruaanedi iruga. Zaiíape. 

Hontem estávamos descançados Aunando^ quando chegou o 
Macala. 

Disse, venho do Casséji, passámos o rio Cajidíxi com o 
Muatiânvua, e veiu atrás de nós um portador do sr. Calamba 
pedir em nome d'eBte ao Muatiânvua que retrocedesse, não 
fosse já para o Calânhi. 

O sr. Calamba tinha noticia de que os Quiôcos ainda nSo 
tinham retirado. 

Umbala (o Muatiânvua) disse que se não importava com 
isso e seguia com a gente da LuDda. 

Eu Macala fiquei surprehendido com tal resolução e não fui 
com o Muatiânvua, resolvi-me a vir para o acampamento do 
Rei de Portugal e ficar com o meu amigo Ilunga. 

Cá estou, as mulheres ficaram no caminho e amanhã vou 
ter com ellas depois de saber o que ha acerca dos Quiôcos. 
. Amanhã irei então para acompanhar o Muatiânvua fazendo- 
Ihe saber o que me disser o amigo Uunga. Está dito. 

UmbalA impõe-ae para Muatiânvua 

tuxike miiane pinape, libmtenepe ^ouma, kutexani ulSvko 
tani paxi huit úeza pcdaya aci: nezile mu kataaame nèdele 
karúada. Uako leio useta^ seúf ámi ni kHeta. Síaiiape. 

akei kUéne úoMokoko, úax' vko mazúi makif kinijikape, k&iji 
foSo (Síámi nakudUa mOaãaviía igetu tumutexe víala ladi edi 
^Síámi ntia kali. 



312 EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

múéne úirrdni mua kamúixi. ámi kHahiii naãHokde, ncíagala 
kataaama pahúi narmUanêne kaUda eli mtitumag' et miíana tage 
âia rniíaúaviía, kamtdeje, e^i kcdala namuxe kataaama li tuaile 
h&a múata gvza aci úalike, m&atiaviía ueza, éòi aXtoko haka- 
dipe age Aé úeza kaxakama pane! uamxãeja múatiavua didi ô$o 
dia múaitaviia eai kuZuriíix* ta nakumane kamo, 

edi múane ni kuiaige támi ni ámx nikúeza kuno. ^aúape» 

Viemos aqui senhor por termos ouvido dizer (nâo vimos) 
que alta noute veiu o Palanga, e disse que viera Catandama 
onde fôra á procura de tabaco, e lá disseram-lhe que fizesse 
ali o seu negocio, e como acceitassem as flechas, de que elle 
só podia dispor, ficou. Perguntaram-lhe d'onde vinha e o que 
se dizia por lá; e como respondesse que nada sabia, disseram- 
lhe que lanvo queria succeder no estado do Muatiânvua. 

Umbala que estava conmosco disse, antes d 'elle vou eu já. 

Ficou no Camuíxi, e eu segui e fui dormir no Catandama, 
onde encontrei o Calala, que tinha mandado um dos seus ra- 
pazes dizer ao Muatiânvua que elle estava em Catandama; 
tinha ido ao sr. Ángunza, que reprova a vinda do Muatiânvua, 
porque os Quiôcos ainda nao retiraram d'aqui, e lhe fizesse 
constar tudo quanto tinha em projecto para elle saber o que 
tinha a fazer. 

O filho foi, e eu vim sozinho para aqui. Tenho dito. 

Oonsequenoias das gazivas dos Quiôcos 

úalaka! miiane litumenepe kamo eli Hoúma limúl, kutexe eci 
kcdala iíezUe, amutume é6i tage kudi múéne puto, ta, amutume, 
eòi dtamaliko dikueza kudi m&éne puto. 

elu tudani kuta tOaòiruke kali, tiíamusakane kaiala, duma- 
^iko dtahúi dikúezi kúalãato kúkaxumuka kalala úeza vlogo, 
namutúale kudi múéne puto kúmulagixa, 

úeza kali, úaxika eli é6u túalagukine. 

túakatukine mataba múa kutexàgani éli mudibi úafúa, teu 
túeza, túaxike, mu rurua úeza múkaza, amuseda múaiiaim 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 313 



ámi naxika pa musege e^ texâni eòi múéne puto úezãe. aká! 
^úape, Udi muap' o l 

tutexe kunima é6i oHôko, aeza tJiât múaJce! jike túoviicuetí 
múéne pato iialamun' aú paka Hakoli kudi a iHsege ? jike áSíO' 
ko aeza ecike atou nakabujikanif túakmani kudi muattavúa, 
túakajile kuéne hiia. 

maHko maadi pa kalani, túalagala^ múéne puto múén^ eai 
túamanejan* eai ^aJd tuv . . . mukaSa imana Ide, kagana, aka- 
ruda aÔ80 apalagana, Zo, ^o, òo, púil texani múéne puto búate 
aÔ8o aòinine. 

túokuiani kaso, túaía kali mutada, túaxike kudi á múéne ka- 
nokéne. 

túaèima/ne akaòaú jikuni amujipe, akavite mema amtyipe. iki 
búate, túokúani ruaa rusota ni púa, tuia kumuJcanéne múéne 
kanokéne. 

éói ^aúape ámi ndage &íé uíxjía im^ana bili. búate, ruda 
rúaíéne rúapúaJ elile kulele dikumi dtcãu. úacU'&ixe. aci búate, 
nikusota kadi dikumi kamo, úapanéne kaai 

múéne kanokéne eai aUci, kuòiboae talula iala edixa ruda. 

mia kali múa kapaíaíe akadilumu diòoa edí. kagoae kúa 
túadikine múinoúmo, éíé kalala ta pa múkclÍHi kamúage. 

nalcUe maòiko maadi kutala atlolo búate. ah! ka! ámi mia 
na Hrvke kúámi kudíoko múoMavúa atlolo kugúike xat, Zina- 
menepe kadi. 

nata kali kudi múéne puto, naòiruJce Ide kaaif búate. zala 
ta súefi. nakuxakama kaso pa d^i múéne pato pa, aúapele kvr 
mekana tíobo túakac^ge kaai. túamutexe lele múattavúa dei 
kasúapdepe, naleka murúa akamutane. 

úaxemunuka múa múata itaje, ake ^^ahúi nezane, ncdoade 
kudi múéne puto rusago. 

ak* eai, múéne puto ni eai, úagu^uruadji rusago, aci ah! ku- 
xala pane, búate, ubala ukimane bili, ámi múéne puto kunoúko 
ni aW ámi akata kúeda, éíi a&oko iminá, kaai kali aia! éié 
kalida tage, ámi pane búate. nalike. ah! ka! ISiaúape kúaú aka- 
ruda, puhá eai múéne puto paloae tape, aXíoko aimenepe kaai. 
mudi úaloaagef 



314 EXPEDfçZo PORTUGUEZA AO MUATLÍNVUA 

nata kcdu ige eié muzuío úalike kiãogile kudi ai miíéneputot 

muamo úape kamo, nalogele w^uko, díamdóiko n(zs€&e kuta 
Ide. 

ladi êtu ni muzi^o miiinaú vk&elani eòi aruda kamo dimuè, 
kakuramúagape nata kali, sedani. mé ulc&de akuopat' éi dade- 
kéne panapat nUcmage m&ane, lia ikdai múéneputo kuno, ahúi 
aezay axadUe pa. 

kalala iíala kali, miíéne puto úaxala, edi kunoúko úasueji 
ciei, ámi cKamaíiko ndag' ámi, kutala lumda, luvala masuta, 
asaíe kuta Ide, ahúi akugtistidixe kumuxima íiahiít Oasiiejiji 
ni kaxi. 

Bons dias sr., nós vimos aqui apenas porque o Calala se 
apresentou dizendo-nos que o Muatiânvua lhe ordenara hon- 
tem que viesse fallar com o representante do Rei de PortugaL 

Logo que nos encontrámos dissemos-lhe que retirasse, e hoje 
de madrugada admirámo-nos de o tornar a ver ; mas como diz 
que veiu para dar noticias ao senhor, por isso o acompa- 
nhámos para o cumprimentar. 

Aquelle, feitos os comprimentos, disse: chegámos (bontera) 
e dormimos (bem). 

Quando estávamos no mato em Mataba ouvimos dizer que 
tinham morto o Muatiânvua Muriba, por isso saímos d*ali, e 
quando chegámos ao Luiúa soubemos que foram buscar o 
Mucanza para lhe succeder. 

Seguimos para o sitio do Mussengue e ahi soubemos que 
tinha chegado o representante do Rei de Portugal. Muito bem, 
é bom que assim seja, dissemos nós. 

Ouvimos depois que os Quiôcos vinham atrás delle, ficámos 
surprehendidos. Como é isto? o representante do Rei de Por- 
tugal acabou as nossas questSes com os Quiôcos, resgatando a 
faca. das mSos de Quissengue, e aquelles voltam de novo a 
perseguir-nos? Vamos para junto do Muatiânvua, morremos 
todos com elle. 

Dois dias depois chegámos ao Calânhi ; dormimos, e no ou- 
tro dia avistámos o representante do Rei de Portugal e depois 



METHODO PRATICO DA LINOUA DA LUMDA 315 

puf. . . grande balbúrdia, Mucanza nSo quiz esperar; todos 
os Lundas debandaram cada um para seu lado ; nSo havia or- 
dem, nâo prestavam attcnçSo ao representante do Rei de 
Portugal, todos fugiram. 

Nós fugimos com os que foram para o norte, para a terra 
do sr. Canoquene. 

Aqui os Lundas, que iam ao mato buscar lenha, eram mor- 
tos; os que iam ao rio buscar agua eram mortos; vimos que 
estavam os de Canoquene dispostos a matar os Lundas a eito 
e deliberámos despedir-nos do sr. Canoquene. 

Este queria que o nosso amo Umbala se demorasse ainda, 
e elle recusou, allegando que, se continuasse ali, todos os filhos 
da Lunda que o acompanharam eram mortos. Ent^ pagúe-me 
dez pessoas disse aquelle, o que Umbala lhe entregou. Quero 
ainda mais dez, exigiu elle; e Umbala n8o teve outro remé- 
dio senão dar-lhas. 

Satisfeito Canoquene, deu um porco a Umbala, dizendo-lhe 
que dividisse pela sua gente para comer. 

Vamos para Campambambe respondeu Umbala, e lá come- 
rão o porco (o que se fez); e chegados aqui ordenou-me que 
eu Calala quando apparecesse a lua nova partisse para o sitio 
do Mucamba Camuangue. 

Dormi aqui dois dias, e admirado porque se não me apre- 
sentaram as auctoridades que Umbala disse viriam ao meu 
encontro, resolvi retirar-me. 

Lembrei-me de vir procurar o representante do Rei de Por- 
tugal) no propósito de não voltar sem primeiro, havendo aqui 
mandiocas de as pôr de molho para comermos, por termos 
passado fome. Mas antes quizemos saber se o Muatiânvua 
(Umbala) se apressava a vir, ou nSo, e mandámos um portador 
para ir ao seu encontro. 

Já havia mudado de sitio para a terra do sr. Itaje, por isso 
vim entSlo (com a minha gente) dar noticias ao representante 
do Rei de Portugal. 

Este respondeu logo: nSo consinto que fiquem aqui; Umbala 
que se deixe lá estar com a sua gente, que eu fico aqui com 



316 EXPEDIÇZO POBTUGUEZÁ AO MUáTIINVUÁ 

OB meus companheiros. Os Quiôcos que aqui vieram nSo se re- 
tiraram e eu nSo quero envolver-me em questSes, Vossê, Calala, 
parta já, vá dizer-lhe que eu ii2lo consinto que venham para 
aqui. Isso é o que os Lundas queriam! ala! alai 

O representante do Rei de Portugal fallou bem : os Quiôcos 
ainda cá estão, elle não podia fallar d^outro modo. 

Vou-me embora, V., interprete, não queria que eu fallasBe 
com o representante do Bei de Portugal; assim foi melhor, 
durmo cá esta noute e amanhã regresso.» 

Depois eu com o interprete fomos dizer aos da comitiva 
que fossem obedientes, que não alterassem o que se havia 
determinado. 

— Eu retiro, disse o Calala aos seus, levantem as cargas.— 
V., lhes responderam aquelles, se quer ir para o mato, para 
que exigiu vir para aqui? eu vou, pois o representante do 
Bei de Portugal não nos quer cá, porque prejudicámos os que 
estão com elle. 

Calala partiu já, e o representante do Bei de Portugal ficou 
muito zangado e disse que amanhã, se não chover, retira, 
porque os Lundas o estão incommodando muito. 

Últimos momentos do MnatiÀnvua Muteba 

iuxiki mOaííaviia mtUeba amutane kudi ai kasako di iiato pa 
mema, iiato húate ni ezani kumulejimo. 

laiiape. nata^nka ni kmaya miía múUaíe; kutana mukala, 
apane ipeZe, aOase tusoTce, úahiia. 

ámi HnovUepe ni úape kuiele ta mtãemine,.tuókani, iiato ia- 
xala hali, kupúixa kaai, húaJte. ikza mu limane, Halale, HasiUji 
homo musoge, katatani gaga. 

Oezíle gaga kumiiikixi mono kHape, hHaJte. 

aci lekani, nafiía kali kiíámi, sukulani^ aiani kumutaSuka 
katataka sOana muropo tavo, akamuly' eãi Oeza kali kud*a 
Haia, ámi nafiía kali. 

arooeka kali, mOéne aZi, amutane sOana muruaa. siana mu- 
ruM Oezíle, muteba ikdoaa kaai, tuíule nJcano, Siamukixe xa 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUlilDA 317 

moãxcía aZi énu ailolo amtUáSukine xanama, wxta Oaf&a, ákor 
ruaa aôso akapalagana kali. 

ámi nafiía kali k&ámi, zabi utcda ni mesu muape gaaa eai 
iaruãa. 

ahl ha! ha! miiíén' eai úafiiUe kali! 

ake muteba iíafia kali kakutúijikape xa macKc^a udi kuisof 
m&amo sOana uk&aú kudi isof 

tumúelani v^a, eié muaãavúa iiíamusota, amttseaa siiana. 

túakmani pa kalani, tuauka, tOaxike pa kalani. 

t^ale úaaaméne. miénf eai muteba amusutixe kvzene pa zat, 
amutiiale pa za% amujikanu amujika kali, 

iiiokani pa kalani kudi éi súana. 

iia iiafua kali, miiaãaviia itêtu (^idi éíé uíala. Ioda eòu a^so 
aruro et ehl 

mua^vOa aZi muletani mOana via dmre, etí, amutapde, 
<£ia!ge, neai ni tátuk' úeai. 

múêne riniga úasOeji aci bOate, miíéne vide uajúf ikif èói ahiii 
asediOa ni adUe pamOèf iSíaJÔso mOaúaviía kakumutapelagape 
mrãu, òige rukokexe tau vkutapalani mviu. 

Viviamos aqui no tempo do Muatianvaa Muteba, e um dia 
èncontrámo-lo no Cassaco (embarcadouro do Calânhi), onde lhe 
deram parte de haver falta d'uma canoa. 

Bem, disse elle, eu parto, e foi para Muilambe (residência 
d'elle), escolheu uma mucamba (arvore), e depois de umas 
ceremonias do rito, cortaram-na a machado e derrubaram-na. 

Não me sinto bom, disse Muteba, a doença atacou-me, dei- 
xem agora a canoa, acaba-se depois. 

Recolheu á sua residência em Chimane, deitou-se, mas o 
padecimento augmentou e elle ordenou que chamassem um 
curandeiro. 

Veiu este e deu-lhe um remédio, que n8o fez effeito. 

Que me deixem, disse elle, vou morrer, deitem isso fora e 
vão chamar immediatamente o meu successor lanvo, digam- 
lhe que venha depressa para tomar posse do meu cargo, por- 
que eu estou prestes a morrer. 



318 EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

Aspergiramno ao seu uso, e elle ordenou que chamassem a 
senhora das terras. Vendo esta, determinou-lhe que recebesse 
o lucano e o entregasse a Xa Madiamba dizendo : Se vós, digni- 
tários da corte, chamardes o Xanama (governador do Tenga) 
o estado acaba, e toda a gente da Lunda terá de debandar. 

Eu morro já. Que Deus olhe com bons olhos para estas 
suas terras da Lunda! 

Todos ficaram surprehendidos de que elle morresse em se- 
guida. 

N&o sabendo ninguém onde estava Xa Madiamba, trataram 
de escolher outro successor. 

Recaiu a escolha em Umbala, a quem foram procurar, e 
disseram-lhe: Es tu o Muatiânvua que queremos, e Iranspor- 
taram-no como successor para o Calânhi. 

Umbala entrou na mussumba, e o corpo de Muteba foi le- 
vado para fora da residência, para o logar em que se deposi- 
tam as reliquias do Muatiânvua, afim de o enterrarem. 

Os que o acompanharam voltaram á mussumba para junto 
do herdeiro. 

— Aquelle morreu já, lhe disseram os que o rodeavam, tu 
Umbala és agora o nosso Muatiânvua, falia que todos te obe- 
decemos; és o senhor, nós somos teus servos. 

O Muatiânvua respondeu: Tragam-me aqui o filho da arma 
Diúre, matem-no e levem-no para junto de seu pae. 

O grande dignitário Dinhinga, desesperado, retorquiu: Nâo, 
senhor; porque o matam? Então porque elles se estimavam e 
viviam como bons amigos querem juntá-los mortos? Quando 
tem morrido um Muatiânvua nunca se matou pessoa alguma, 
essa honra só se tem concedido a Lucuoquexe. 

Traição da oòrte 

múattcwiia muteba^ musoye úamutane^ kutda, úafúa! éòimona 
múattaviia naúi tíiakumufsúanexe, aci aoso kadimukmepef kúiji 
ufxúa ^edi taii mona múaãaviia túamana. museaani, tiiokuiani 
pa kalani. namuji um mujtln imúè^ mufi úaxcda kunima, mu- 



METHODO PRATICO DA UNGUA DA LUNDA 319 

siíana úatakeltko, tua mufueai muteba. siíuna mu goda kute- 
xeko, e6i xanama úeza, koía rukokexeuia ukase manado íiakeza 
xanama. xanama úata ujUe, akojdia vííala mvlog' eòíf kutumixi 
xanama, ciH naleka, koia úasúigile, akezo kueaa liZuho. (Sadi 
xanama vkúeza kal' aú, rukokexe namuhutxãe tiíala, kumúikixi 
xanama aòilolo aci ítaiiape turan' edi kamo úakúata difaaa ni 
múitia ni rvkokexe. 

viola amukayani, úamúaga âm6e mu laií, úajile rukano ma 
tido, úadíoxe iipale, úakume mu ^íkakago, mukúahuJcage» 

múitia iíaaame mu gada, éié murOa íagani kali kamuaiiape- 
jani xanama, âmi kuno, naran' edi uòala iiata kali mahHêy Ha- 
múipule, ecike amuxixi kadif eH ámi nitala mu jila aiagani 
éne arttó. 

xanama aci nixala bUa, ae^a arúe kumiãeja rukokexe eii Ha- 
tani mM' iieai, koZa makasu, úiikata úorna, 

éciksf úaleja rukokexe, iirukani kali, éne alOè kumutane 7núa 
pa miUitíaviia xanama, kooa aci, tOokani kali, nikHezage, utule 
fa kaaakakale. 

tagctni alue kamuleja rukokexe mal' Hei úaxika panapa, asute 
pa muruaanámi karukano, éli murudanei oú pahiii iáamuxa 
kúaíia Oasemine nu kusutani, úata muruaaneai karukano ku- 
dUagisca neai. * 

Zaúape kali, nakutana kali éí, eté úaaixe úat' o, kuyurukixa 
Zi namuòuruxa niÒe, nakutana kali, mia bili kúahukaye naku- 
tulagepe pa kalani. gcà êtu òaúape kali, ubala, túamuleke, 
múana túakusotele úaeza, òaúape 
kúafúa, xâte. 

O Mnatiânvua Miiteba atacado repentinamente d'nma dôr, 
adoece e morre. Os da corte procederam á eleição do filho de 
Muatiânvua, porque nem todos estavam no caso de succeder- 
Ihe e a escolha recaiu em Umbala^ a quem foram buscar para 
entrar na residência do Calânhi. 

Entrou este para poder sahir o corpo do fallecido, que foram 
enterrar. No entanto ouvira Umbala que a Lucuoquexe era 
de opinião que se tivesse chamado Xanama (sobrinho d^ella)^ 



320 EXPEDIçla POBTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

porque este tinha soffirido por causa do estado e nSo havia 
razão alguma para ser preterido por Umbala. Ficou assente 
que se mandasse chamar Xanama, e se este não quizesse vir, 
Chibumbo (irmão d^elle). Xanama acceitou, e a Lucuoquexe 
dispoz-se a combater com o Umbala para o entregar a Xa- 
nama. Os dignitários approvaram que se guerreasse Umbala, e 
Muitia e Lucuoquexe distribuiram a pólvora para esse fim. 

Umbala, ao facto das combinações, conseguiu evadir se da 
residência e dirigiu-se para o embarcadouro do rio, tirou o 
lucano (do braço) e escondeu-o numa cova, que fez na praia 
com a lança, e onde ficou esta espetada, e passou o rio. 

O Muitia entrou na residência e ordenou que um portador 
fosse a toda pressa chamar o Xanama, lhe dissesse que elle 
Muitia não ia (ao seu encontro porque ficava combatendo com 
Umbala, e que o prevenisse se alguma cousa o impedia ainda 
de marchar, pois elle ficava esperando a resposta pelos porta- 
dores. 

Xanama resolveu fazer regressar os portadores para dizerem 
a Lucuoquexe que seu tio ainda não podia seguir por estar 
doente, o que era pretexto, porque tinha medo. 

A Lucuoquexe, suprehendida, manda voltar os portadores, 
que foram encontrar XanaAia já no caminho, o qual disse — 
vamos seguindo — e vieram dormir em Cassancale. 

Ordenou Xanama aos portadores que fossem participar á 
Lucuoquexe que seu tio chegara a este sitio, e passassem pelo 
Rocha, seu amigo, para lhe dizerem, onde de madrugada dei- 
xaram o amigo d 'elle, que, continuava a sua viagem passando 
pelo seu sitio, pois o queria cumprimentar. 

Seguiu; e avistando-se com o I^^cha disse-lhe: Ainda bem 
que encontro ainda por cá o meu amigo, a quem devo o suc- 
ceder no Estado dos meus avós, por causa das fazendas que 
(em tempo) me forneceu. Vou já passar o rio e continuo para 
o Calânhi. O povo aqui recebeu-o com grande alegria, dizendo: 
Ainda bem que chegaste, repellimos Umbala, porque o filho 
de Muatiânvua que queríamos eras tu; chegaste, ainda bem. 
Acabou-se, nada mais. 



METHODO PRÁTICO DA UNGUÁ DÁ LUNDA 321 



Um encontro oom dnaa velhas 

goloxe túokaúi pa uxadi pa kcdani, t&akutala bãi, tílabudu 
ka, kutane ciu afiía. túokani pa zai, túahudika panapa, ktUane 
mapala maadi aci éàu tujipe kaat. 

eòi múène puto pa uxadi, kuijike hwxte, mudi t&aUe kali, 
akatudi panapa! Ivkáokexe Oakata kulekako cãu akiUexani aZi 
aXíoko aci cita kali^ tuia kaso, túamana maru zala, SUxkutuha- 
xíke, túakaJUe kali polo pêtu, hUukutadixa, 

Ido túasaíe kúeza, túakurumuka, túahuka ku kalaúi, túaxika 
katmo, uòtiko úajala. 

Hontem fomos ao outro lado do rio Calânhi para obtermos 
notícias do que se lá tem passado; chegámos e vimos muita 
gente morta. Entrámos no recinto reservado ás reliquias dos 
soberanos, e encontrámos duas velhaSi que nos disseram que 
estiveram prestes a serem mortas. 

NSo sabiamos, nos disseram^ que o representante do rei de 
Portugal estava do outro lado; se soubéssemos não estávamos 
aqui. 

A Lucuoquexe deixou-nos ficar sós^ para sabermos o que 
se passa; se os Quiôcos já retiraram^ o nosso padecimento foi 
só a fome; se nSo que nos maltratem, morremos na nossa terra 
observando os acontecimentos. 

Hoje retirámos, descemos pela ipargem do rio (Calânhi) 
atravessámo-lo e chegámos aqui já noute fechada. 

Morte por traig&p do MuatlÀnvoa Oangápoa 

tuxike mu tíkuio, tutexe éíi aJSíoko aeza. eié, múaitaviia ka- 
gapOa, íiovUepe múêne diniga eU áSioko amutanef 

arúè aeza kumvleja mOaUaviia, múéne diniga iaú OattUuma, 
éH mUaííaviía akeza kunoiUco aSíoko a^sueji. 

ladi mOaííavUa, laUape. tekdaniko aliiiè a m&êne diniga. ámi 
nãoãiUa panima iíatcÍAika kagapúa, akiAage, axikHe mu kaOe- 
aa, axakama máíiko matmdi. 

SI 



322 EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

múatíaviía áci, éne acíoko axika isof aZi pasúipa kamo, na- 
Tcmage^ ámi múattavúa, òtabudikani, kúiji nikúimana kadi 
alSíoko, koia muriba ni an' eai. 

túalalani. IcúaSta úasclíuka mata . . . ta, ta, ta, pum, pwn, 
pum. . ., eza kali jita mudibe kumujiíe pum, pum. . ., t»ai4u- 
kikUa kayapúa, úamukúata kadi mudibe. 

akaruda apalayana, koZa múéne dintya adi a pa kaUi. tòa 
úatudíLelani kadi áSíoko, kooa mvdíbe, ah! ka! akamukuata 
kagapiía! kúeza múéne diniya mukHakuúi úatudiíelani, tíomu- 
jijiMne mudibe, muruaanedi, aZi Síeza, túoviia eòi kOeza aBoko, 
tuia pa kadiy kutudiía, úakata kujijika ana miíaíUnAa, eai 
kutudâa likueza altoko. kufúa k&afat kayapúa, múéne diniya 
úeai tukumujipe ni eai. 

akúaruda amuseaa mudiba, túokanipa kalani. kayapúa iiofa 
kali, éíé mudiba múattavúa úêtu, túokani kali pa kalani. 

Foram dizer-nos a casa que ob Quiôcos vinham ahi. Tu so- 
berano não ouviste dizer que o fidalgo Dinhinga foi preso pe- 
los Quiôcos ? 

Chegaram portadores do mandado doeste para o soberano, 
pedindo-lbe que fosse em seu auxilio porque os Quiôcos esta- 
vam attrevidos. 

O soberano respondeu que ficava sciente, que regressaram 
08 portadores e que ia segui-los. Partiu Cangápua com a sua 
gente, e chegando a Cauenda accamparam por muitos dias. 

Onde estão os Quiôcos? perguntou o soberano. Se elles se 
approximam, digam que eu soberano vou ao seu encontro. 
Elle estava enganado, era Muriba (filho de Muatiânvua) com 
a sua gente. 

No dia immediato, ao romper da madrugada, começaram a 
disparar as armas . • . era já a guerra de Muriba que chegava 
disparando as suas armas e matam Cangápua. 

Os do Muatiânvua debandaram, tendo tomado parte na con- 
spiração o fidalgo Dinhinga, e diziam : Nós fomos enganados 
com guerras dos Quiôcos quando eram de Muriba para matarem 
o Cangápua. O fidalgo Dinhinga tomou-se um traidor que nos 



METHODO PRATICO DA UNGUA DA LUHIDA 323 

enganou, dizendo que era uma guerra de Quiôcos, tendo elle 
escondido Muriba para o fazer succeder no Estado a Canga- 
pua, a quem mataram. Engana-nos com os QuiOcos escondendo 
os filhos de Muatiânvua. Ha de ter morte também como teve 
Cangápua, e seremos nós que o havemos de matar. 

Os conspiradores transportaram MuribA para o Oalânhi, dizen- 
do-lhe: Cangápua já morreu, tu agora és o nosso soberano, va- 
mos para o Calânhi. 

Um alvitre tomado por alguns Lnndas, que estavam escondidos 

na mussumba 

çtíagani kali, tikJcatani ni êtu, ruda rúafa, tuJcAiza leio, tOa^ 
xike pane, 

amukúata, amúajike mu òikuío tekeko kcuúè muana Tnuba 
iaU m miíaii lavo, ^Síahúi UkvLo HmSé SiamÔx^ Uaú. 

nu hmage ni êtu, tiíeV écikef 

lukúokexe kututexe U úimind mu kaíUãfa kasega, mudi ai 
luk&okexe akata kumúopata eU iani kaJUani kolo kãeãi, 

éH tukuia áketuhifile muno, kutexike hili, aci tuovile aSíoko 
c&a kali tuoBcíe kuta ni úape. 

kúapUa. 

Foram-se já (os Quiôcos), vamo-nos embora, a Lunda mor- 
reu, partimos hoje e aqui chegámos. 

Prenderam Iate, filho de Ambumba (Muatiânvua Xanama) 
e da mulher lanvo, metteram-no dentro de uma cubata, a que 
largaram fogo. 

Nada podiamos fazer em seu favor, retirámos. 

Ouvimos dizer que a Lucuoquexe estava aguardando os 
acontecimentos no sitio do fidalgo. Cassenga; faremos como 
esta, vamos para o mato e morreremos na nossa terra. 

Estamos dispostos a morrer ahi esperando saber se os 
Quiôcos nos deixam de todo, porque sendo assim podemos 
regressar sem receio. 

Está combinado, é o que vamos fazer. 



324 EXFEDIÇZO POBTUOUEZA AO MUÁTIÍNVUÁ 



Qnerra do KuatiAnTiia Kateba oontra o govemador do Teoga 

no Oasaai 



tuxike múoéiavila mulaji dei, été muteba iage mudi xanama 
miía tege, kudia úaJta, mUéne uia, Haxike mu tege. 

ladi kali aseba a miêne pato axikUeko akusoteU hãa hta 
musvía, akalde xanama alej* aúy éòi kaJcutage kudi miat' ttií 
ámi múaííaviia, amutúadiU nani di fadai 

umâotnta fn&amo muteba % ah! há! mtãu omu, aseba aJado- 
dul' ámi, ig* edi úaJcata kUixixík' ikef tuna kali kamo Ha. 

úatalíuka katataka muteba aoso akumutalani, k&UcUa ka- 
xala. 

cãu aôêo tOok&ani kamo naoêo ni kwíage, túakahna m ib- 
lúajita kali ni edi xanama. 

tOabudike miía tege k* uxadi unu a kasát. muteba Hamudoxi 
murUa kudi a xanama, aBi Oele udi ikugi, ámi nahuka tuaka- 
fãe kamilè. 

miléne alei bUate, ámi ni mUana, eãi tátuko, nukurape táhh 
k* uámi mateau, bUate muteba aci, Zauape, akafuia Ide kieaa 
dteau 

xanama ISaiiape akimane, nimutexa bãi useba Oezele, dijina 
dteai karukano kugútkixe maeuna nUala niói paxi, makubi mar 
êato, tOaUani kOa muteba. 

muteba Haloaéle aUclo aedi, tuia ni tUamuleka Ide, tnáíM 
useba ieza ni êtu pa ruaa. karukano Haxikile, uiule pampa, 
ikdale. ahl kál rukião luvala lOakéne ni liíasiíeji, zavu iuMa, 
eH naximst 

kututuíukani digúi dia muteba^ hãa^ani mu (tímane, én» 
akaruãa, ámi naile kali. natulukine, ámi mUaãcniUa karnuioM 
xanama, akutúeza kali, ladi zavu úahHa, xdaji uinu HeJk xar 
nama iaú iiahJííle kali. 

Sabemos que o Muatiftnvua MuIAji nomeou Muteba par» 
Xanama (goyernador) do Estado do Tenga, elle foi e tomoa 
posse. 



HBTHODO PRATICO DÁ LmOUÁ DÁ LUKDÁ 325 

E depois doeste tempo que os negociantes, que de Angola 
seguiam para a residência principal do Muatiânyua, eram im- 
pedidos pelo Xanama, no Tenga^ de continuar a viagem^ dizen- 
do-lhes que nSo havia outro Muatiânvua senão elle e que para 
elle queria a pólvora. 

Muteba (Muatiânvua)^ sabendo d^isto, extranhou que tal au- 
ctoridade se atrevesse a impedir a passagem dos negociantes 
que se dirigiam para elle, e disse: cVou já até lá!» Partiu 
immediatamente e todos sem excepçHo o acompanharam. 

Foram todos animados para fazerem guerra a Xanama (ao 
governador do Tenga). 

Dirigiram-se ao Tenga e acamparam na margem direita do 
rio Cassai, de onde o Muatiânvua fez logo partir um portador 
para dizer áquelle: cque, se era homem, tivesse a coragem de 
passar ó rio, para um dos dois morrer (o Muatiânvua e o Xa- 
nama)» • 

Xanama respondeu: cDe modo nenhum, eu sou o filho, elle 
é o pae, nSo quero fazer desordens com meu pae». 

— cNesse caso, diz Muteba, está bem, que pague as des- 
pesas da nosssa viagem. 

— cSim senhor, respondeu Xanama, espere um pouco, que 
está a chegar um negociante chamado Rocha, que me ha de 
abonar fazendas» (subentende-se que este chegou) e mandou- 
Ihe três £Etrdos. 

Muteba satisfeito disse aos seus fidalgos: cVamo-nos em- 
bora e deixemo-lo, se elle nSo impedir que aquelle negociante 
venha comnosco para a capital». O Rocha viera sem encontrar 
difiiculdades e dormiu (no acampamento do Muatiânvua). Fo- 
ram surprehendidos por um vento forte e rijo, que derrubou 
o grande barracão das recepçSes (o que era de superstição) 
e logo disseram: cCousa má está para succeder». 

Retiremos, foi a «ordem de Muteba, vamos para Chimane 
(capital). Todos os da Lunda sabem que eu, o soberano, vim 
aqui para me eúcontrar (bater-me em guerra) com Xanama. 
Chegámos, o barrado em que ÍEizia as minhas audiências caiu, 
foi feitiço que elle me enviou. 



326 EXPEDIÇZO POBTUGUEZÁ AO IfUÁTiiNVnÁ 



Umbala faz-se MuatiànTiia 

goloxe tHovíle eZi tiíala Icudi ai áci, ntia ni ktidta Haia i hh 
huokexe áci, nalike ni miiajike muteha xa muana» 

rãxda áci, laúape^ muteba mOana kald, bat kOaaama, frmltt- 
rupi âMmi nacKa kaii tokeleí mOéne íiaía, mUéne Icapaga, n^ 
amuk&aú atagani kimanani ámi, nixala bilu 

naloaule pa mOéne òilade umxãej' edi, aci Oaxike muria ua 
miíafíaviia Stezile kunima oúko, nailani Icudi ai múéne puto, 
kamtãeje mazúi mapane muatlavúa xJbala, akda mupoae, òiji- 
dixe Ha mOéne puto i ámi mijike kola muruaanámi nt^ike 
uòixe kamo, òinikuta nakamutane. 

kuiji lele, aZi kuxik' ai muriía leio, tumôvHa Ide, ni hão- 
a aí mUa mutumin' aií kudi ai uíala, 

Hontem ouvimos que Umbala, lá por onde está disse: cEa 
vou governar o Estado de Muatiânvua, e a Lucuoquexe opp3e- 
se querendo fazer entrar o Muteba seu amasio. 

Umbala, ao &cto d^isto, disso que Muteba é ainda muito novo 
para governar, que elle e mais velho e vai tomar já posse do 
cargo e ordenou aos grandes do Estado, Chíamba, Capanga e 
outros que adeantassem a marcha e fossem esperar por elle 
ainda que tinha alguma demora. 

Eu segui até ao sitio do sr. Chilande e disse-lhe que se 
chegasse um portador do Muatiânvua Umbala, que vinha atrás 
de mim para aqui, lhe fizesse saber que eu avançara a dar 
parte ao representante do Rei de Portugal do que me ordenou 
Umbala, e receber doeste um signal para elle saber que o sen 
amigo ainda cá está para vir ao seu encontro. 

E possivel que hoje chegue o portador e nos dê mais algu- 
mas noticias do que se tem passado com Umbala» • 

Oomo o Lunda Gabela se livra da priísão dos Qnlòoos 

goloxe Oatutana kabéía, áci, aiukiiaia áSioko ínuiaaa. kãna- 
puía Hatle rd é6u tOaile ni áSíoko a UsiíasUa, tOahtika kalani, 



HETHODO PBATICO DA LINGDA DA LDNDA 327 

tSapiUU ku maiage. SUâas&a úexa kudi mÚêTte puto a£Í, naku- 
mikanéne, ámi nata kcãi, túatuLukani mu icahehe. túakUe, kúa 
da luui^e mu kaãeda. 

miãu áafiia, aítoito aSinu ni uSuko, amuxa kaedi mti iikubo, 

tÚeaa t. . . ê.. . dé. . .miku rúiza. 

ánà A liSi tUaHine miíamo trmtu. . . 

Ha uíuA 

muf a hue. 

aSíoh j muruaan' êtu, Siruke kúet, 

tàalike i It^ aci kadipe eíé, rumií tíuje, 

eté mun i kaxi. 

íitoAui to tátuko akaruda aôso, múé- 

ne puto VXtíci, kanapu^ eãi muiada mãa úcãepe, kasal' eSif 
kamijikape Jiaxakama kcãi pinape, tutexani ahvà xakéne, aci 
amúimike akúa ubala. 

aci kuiúoviia múéne iUza, eíu tOaBaba kiíahuka akúettt aôio 
adi pane. 

Hontem encontrámos Cabeia que nos disse: lEu fui preso 
pelos Quiõcos DO norte; o'Canapuniba eafou-se, e eu e outros, 
conduzidos pelos Quíôcos de Cliissuáseua, depois de passarmos 
o rio Calftnhí fomos descançar no mato. 

O Chissuássua veiu risítar o representante do Rei de Por- 
tugal por despedida, o deu ordem de marcharmos para Cabebe 
(uma mussumba), onde fomos dormir, e de madrugada fomos 
para Cauonda (outra extincta massumba). 

Tinha morrido uma pessoa, e os Quiõcos fugiram de noite 
deixando o morto numa cubata. 

Marchámos toda a noite até ao rio Luiza. 

Eu Cabeia perguntei aos QuÍ&cob porque fugíamos a correr 
de noite e elles responderain-me : «por causa do morto», e 
fugimos sempre até á residência do sr. Casse. Os QuiGcos 
chamaram-me: Oh W. Calala Cabeia, nosso amigo, Tá-se em- 
bora, nfto o queremos comnosco; as doenças já vieram ao nosso 
encontro e não sabemos se és tu ou o3o o culpado, retira, tu 
és um bom amigo, mas muito longe de nés». 



328 BXPEDIÇIO POKTUGUEZA AO IfUATIÂNVUÁ 

Por isto eu vim logo procurar o representante do Eei de 
Portugal, pae de todoe os Lundas, e aqui o encontrámos; e 
como nSo sabemos se o Canapumba está para o norte, muito 
loDge, nem o que havemos de fazer, ficamos aqui na incerteza 
se elle estará doente ou impedido por Umbala. 

Se tivermos noticia que elle se aproxima, passamos o rio 
com os nossos companheiros, que por aqui estSo, e vamos com 
elle. 

Um reconhecimento feito por Lnndas 

tualaka múane, tulakedine miUnumo, tutani ni kuêota kaubo 
mu dimane túokutani ni kutage. tíiaxika kutala ciu ind ancm, 
imanane bUi, kaye aSíoko h&ate, aruaa éne xalani pinape ni i 
kubilame. 

ámi miãu ikugi kubudika kúitana, koha aruaan' ak&êtu, eza- 
ni ni kusota maubo. túokmani, limila lOeza kali lOcus&eji^ tik- 
búikani òiku%o tujiya mamo. IwmLa àci likuuta, t6u túoêcia 
kuia Ido, kolo ku etu, dtoAut íiezago uòuko. 

ok' éne Ha ilani maubo Oaimana n' iso aSíokof hiíaJte, aíU 
kali kutaií, aôso kâmo, xâte. 

Saudamo-lo, senhor. Nós amanhecemos cá no sitio e fomos 
procurar cogumelos em Chimana (ex-mussumba). Combiná- 
mos ir e fomos. Quando ali chegámos vimos gente desconhe- 
cida acampada, que desconfiámos serem Quiôcos; mas eram 
Lundas que por lá ficaram escondidos. 

Eu sou homem e não devo ter receios, fíii reconhecê-los e 
eram nossos patricios que foram áquelle logar apanhar tam- 
bém cogumelos. 

Como chovesse muito tratámos de reparar uma cubata para 
nos abrigarmos, na intenção, logo que cessasse a chuva, de 
recolhermos ao nosso sitio e aqui chegámos de noite. 

EntSo os que foram buscar cogumelos n2o encontraram 
Quiôcos? 

— N5o senhor, todos os Quiôcos já se retiraram, já se n3o 
vê^nenhum. 



HBTBODO ^TICO DA LINGDA DA LUNDA 



butida 
AI 
<&/ 

dama 
hM l 

nalaU k<ili pane, ^amaSUco nahuka iátni nakabuhme kitabê, . 
huágo. 

Hontem Benhor, fomos ao outro lado rio por dos ter«m dito 
qae de lá vinha gente, que de facto vimos e camprimeD- 
támoB. Deram-nos notida de terem ido para o norte, oode 
foram atacados pelos Quidcos, que prenderam muita gente, 
entrando nesse numero o que nos foliou e os seus compa- 
nheiros. 

— «(^aem é V., lhe perguntaram aqnelles*, ao que elle res- 
pondeu ser Canapumba do MuatiíLnvua. 

Caminharam debuxo de prie&o com os QuiGcos, mas estes 
em certa altura disseram: iNSo continuemos, vamos escolher a 
gente que queremos, o resto pode ficar aqoi, libert&mo-la; 
por isso os que vimos (os qae tínham sido rejeitados) vieram 
até ali saber se Umbala tinha oa nSo entrado no Estado de 
Muatíãnvua. 

Como fosse possível que o sr. Canoqnene e os seus lhe 
tenham impedido a marcha, por isso resolveram-se a vir 
procurar o representante do Rei de Portugal para saberem se 
haveria algumas noticias do Umbala, e como viessem correndo 
e estSo fatigados desejam dormir- aqui. 

Amanbft passam o rio e fazem accampamento. Foi lato, o 
qne nos disseram. 



330 EZPEDiyXo PORTUGUEZA AO HUATIÂNVUA 



Umbala antes de ser Maatiànvna qaer oavlr a opinlSo 

dos da oôrte 

kiiiji Ide uíala, nakaâHa kcdí miíattaviia kugiUkixe atlolo, éH 
túok&aúi homo nakaMahúi amakurupi; %ená kulejani eai mu^ 
kaSa, tiícàa kcdi kúeaa ámi úata úámi. 

akaedi dijina úadi múata úata neaunit ámi Uolo Í€^80 cão- 
adani, huiji Ide éne makarupi kugumúâixa. 

amakurupi étí. tutexeko bili ave á^ko aiminá éU t&amôvHa, 
aoi c&a kali túijika lele tumvseaa, tukutúale úa kuaãama kamo, 
Oakadta kamo Hat' Oedi, kufila kali palepa^ mu ku p* opata. 

úeíé wãxãa iiéne Hat' oú! ah! kúiji lele, éne agaka aloaa 
kamo dimOè; aci úape Oadama, pakueza kik&edelepe pe ladena, 
aci kimUatepe, pa lidi apa kali, àciy aloaa ^ 

Umbala dispoz-se a ir governar o Estado de Muatiânvua com 
o apoio dos dignitários da corte que o acompanham; e ordenou 
que fossem participar a Mucanza que elle ia já tomar posse do 
seu Estado. 

Elle (Mucanza); que era Muatiânvua interino, n2lo tinha na 
occasifto quem o apoiasse, emquanto que o Umbala contava 
com o apoio de todos os dignitários que o acompanhavam, e 
votaram para ser elle o Muatiânvua. 

Queriam os mais velhos dos dignitários que se soubesse 
primeiro se os Quiôcos ainda estavam emboscados (em redor 
da mussumba) ou se já haviam retirado; nesse caso iam acom* 
panhá-lo para tomar posse do cargo de Muatiânvua, a que 
(segundo elles) tinha jus Umbala por ter padecido bastante 
escondido nos matos, esperando que a successão lhe perten- 
cesse. 

Vós disse elle aos dignitários, dizeis que a successão me per- 
tence ! eu peço aos meus avós que digam o que sentem ; se eu 



1 A pontuação neste caso vai marcada no logar das interpollaçdes : 
fwàaniè èi noéji; calooo, selef ámi, etc. 



METHODO PBATICP DÁ LIK6UÁ DÁ LUNDÁ 331 

tomar posse nSo digam depois que o Estado pertence a outrem 
e que eu nâo sou mais que um intruso : tomem uma resoluçSo 
definitiva e fallem então. 



Xanama improvisa tuna guerra para matar o valente Xamuana 

e outros 

tttícike, Ubiaa úcna kúa kaieíe mukulo, múattaviia Zttía úa- 
pane àijada, akarnusaJcan' eau 

Ubiaa eai úamôviia, aci, hwxU, nade kúámi, úeza kagujipe, 
éíé yaka kateíe kuyujijikámi; Ste2a kumukixi, úasúeji, nata ha- 
li, namuloatde kamo, nakamujípe, úakutalukine, kamutane zoo!^ 

úamupúile kaxeZe mukulo umujipile! ah! ká! éU úamuj^ike 
diteaa, úamuzabule, úamusúanexe. 

aildo aci Síaruki, nalike. uhá! úata avháj úabvdikUe mu dí- 
tazo; úatehde. kutuga mutogo, úaurá! aruaa pinape, búii!^ 

iiruki, nalike, úataíuka kaai, uota múa mukelege lolío, úa- 
teka, kutala cU tode, húi ka! 

eai úaxakama kali palepa, akiíaruda aci kuikila kurajita 
túokwíani poh^ aci búate, mu fita nakumutanéne kali. 

lula Oatudiianéne, éíi éíé m&adi dJiLane kmela, aka lula 
úaioaa ailolo ieai ééi nmadi úatela kali tuítika éíé xa m&ane, 
te% múattavúa úajita; ámi naxala bili ni múadi éié taye kúita- 
pe múéne tode naú. 

attãmka ailolo aJôso, kúikila kuxala, nekuiage kHeza^ kubu- 
dika; kOe^ kuitana akúata tnitôè isato, ah! ka! ka! atani 
axudUe ta mitOè iaato, ladi búi! 

saka mOêne riniga amusakéne kali; mOéne òitaSo amuaakéne 
kali; mukelege lolo ni múéne hJfmao amvkúata; ruaa iji! iji! 

Oaxala xa mOane, úimane úedi, iíascíe, Haloza. • • úaloza. • . 
pim!. • . pim. • • pim. » . mutena urúele, iiaòibula utá, Oapúite 
jipakajiadi. . • nukutape!, • . nukutape!. . • nukutape!f aòiruke 



1 Mnito prolongado. 
^ Idem no t . 



332 EXPEDIÇZO FOBTUGUEZA. AO MUATIInVUÁ 

úeea, úaxakama, iíana, úatvíule kamo marufo, úana. kutala 
ííeza kaai ajita, Hatulíuka, nuhtUape. . . nukutape, • . nukuia' 
pe\ . . úeza, Oaxakama, Oana kaai, kutaT eza kaai kamo ajita, 
Oakúíuka kaai kamo ntikutape. • • nuhUape. • . nukuêape . . • 
btiho!! 

akaruaa apalc^ana; Oaióiruke kuna! h/ital' eza kakuaú ajita 
akéne, kOapiia; úaUejard, imanaúi, ámi niloda bUi. 

amúipiãe ii anif xa mOane, tatá úedi miiaRaviia. 

oh! ihú! eh! uhé! elíu kúiji iniiaãavila!!! kota múéne k&eai! 

ezani, papaka kugusai, nafia kali, iuía kugujipe. palagc^ 
nani, mukúeza mahiíè; saka miíéne kahuSa iaú amúile Imba xa-, 
miiâne anrnkOata aruaa xâte. 

logejani umvleja liJía nata kali pa kalani; líadi kOeza, iU^ 
hvkUe m&a mukiía lHaae ni úitule mu mukOa mona katata; 
iUdale makumi ma^iko ni ^nane kamo iuía <ici akakutuga zavo 
OajpUa. 

Oeza múaiUaviia, Hafiíini pa zc& ni éòi amutape mxãu, ámi 
namiãalula rniíadi mutela ni iiatatakéne kamo, makumi maadi 
ma cãu kummkisce mãadi ileai i Ide tOokutanipa kalani, aezile 
ni axikile. 

lúkuokexe dei tOahuka, iuia Mate, alagala maôiko mavudi 
ni pane, akamukwxta miíéne paaa, mUaduUa ni maike, akugu- 
netani mitOè iaú, aineténe, àkalde tuia, lUiHape nahvka kali 
ni aú. 

Somos do tempo em que Ditenda (o caçador) fíigia para 
o sitio do Caiembe MucolO; pelo que o Muatiânvua Ambumba 
distribuiu pólvora aos seus^ dando-lhes ordem para que o fos- 
sem prender. 

O caçador avisado, receando que o matassem^ pediu ao seu 
avô Caiembe que o escondesse, e Ambumba sabendo d^isto, 
desesperou-se, e elle mesmo o quiz perseguir para o matar, 
mas nSo conseguiu encontrá-lo. 

Dirigiu-se então ao Caiembe, a quem arrastou e matou, 
dizendo-lhe: cTu soubeste esconder o Ditenda, pois o teu 
herdeiro que tome posse do seu cargo. 



KETHODO PRATICO DÁ LIKOUÁ DÁ LUNDA 333 

Depois d^isto os dignitários queriam regressar^ mas Âm- 
bomba nSo quiz; ordenou que se caminhasse para o sul e se 
construisse um acampamento no sitio de Chitanzo. Desabou a 
residência d^elle em construcçSo sobre os Lundas que nella 
trabalhavam. 

Regressemos, insistiam os dignitários, mas Ambumba nSo 
quiz, e ainda continuaram a marcha para o sr. Lombo, onde 
acamparam, i yista da povoaçSo de sr. Tonde (potentado inde- 
pendente). 

Passados alguns dias os da Lunda gritavam que nSo havia 
guerras, e queriam regressar ás suas terras; porém Âmbumba 
recuBOu-se a regressar, dizendo que a guerra já elle a tinha 
encontrado. 

Ambumba enganava-nos porque disse á sua senhora que se 
fingisse doente, e pretextando aquelle motivo ordenou ao ama- 
sio da Lucuoquexe, que tomasse o logar d'elle na guerra em- 
quanto se demorava ao lado da doente, e matasse o sr. Tonde 
e o seu povo. 

Partiram todos os dignitários, que foram, vieram com três 
cabeças e tomaram a partir; mas ohl grande desgraçai paga- 
ram bem caras aqueUas três cabeças I 

Primeiro mataram o maior dignitário da corte o sr. Dinhinga, 
depois o sr. Chitanzo e em seguida os grandes potentados Lombo 
e Cabundo; pelo quê todos os Lundas debandaram I 

Ficou só o amasio da Lucuoquexe fazendo fogo desespera- 
damente contra o inimigo até muito tarde, e atirou para o lado 
a arma, e com duas facas luctou ainda, cortando as cabeças 
dos que se approximavam. 

O inimigo recuou e elle veiu sentar-se e bebeu por três ve- 
zes malufo ; mas vendo que voltava uma força inimiga foi ao 
seu encontro com as facas e cortou mais cabeças. Voltou a sen- 
tar-se e a beber malufo. Toma a vir outra força, e elle toma a 
voltar a seu encontro ainda com as facas e ainda cortou muitas 
outras cabeças. 

Os Lundas tinham-se espalhado ; mas elle que voltou a be- 
ber, vendo que voltava uma outra força ainda maior, como á 



334 EXPEDIÇXO POBTUGUBZA AO MUATIINVUA 



nSo podia combater, gritou-lhe que esperassem que queria 
fallar-lhes primeiro. 

Pergantaram-lhe quem era elle? Respondeu que era o ama- 
sio da Lucuoquexe, que fazia as vezes de pae do Muatiâuvna. 

Os do inimigo muito admirados exclamaram: c£ nós que 
pensávamos que era o Muatiânvua, e apparece-nos um repre- 
sentante em seu logar». 

— cVenham agora, lhes diz elle depois, tragam as facas 
para me fazer em postas, que morro em vez do Muatiânvua 
Ambumba^. 

Retiraram a toda a pressa os Lundas espalhados, e o pri- 
meiro que chegou junto de Ambumba foi Cahunza (filho d'elle) 
que lhe participou que o amasio da Lucuoquexe f5ra preso 
pelo inimigo, e os Lundas retiraram. 

— c Que se apromptem, ordenou Ambumba aos seus, pois 
regressámos já para o Calânhi». Passaram nesse dia o rio 
(Cajidixi) no porto do sr. Chilande, e acamparam no sitio do 
sr. Catota, onde depois de uma demora de mais de* dezoito 
dias, deu ordem Ambumba para que se construisse uma grande 
casa reservada para as entrevistas com a sua senhora Muteba, 
casa que dois dias depois caiu por terra. 

Poz-se em marcha entSo o Muatiânvua e quiz que se fizesse 
a dança de guerra no recinto onde se depositam os restos 
mortaes dos soberanos; que se matasse uma pessoa para se 
depor a cabeça aos pés de sua senhora; e exigiu que os digni- 
tários lhe tributassem vinte servos para com elles presentear 
aquella, e só depois deu ordem de marcha para o Calânhi, 
onde chegaram. 



1 £ da praxe, o Muatiftnyua on ha de ser vencedor numa guerra ou 
ha de morrer nella. Vencido não pode occupar o seu cargo. O Mnatiân- 
yna Ambumba, annos depois quiz desprezar a praxe, vencido na guerra 
com Ditenda, de que fugira; porém foi perseguido pelos seus próprios, 
que o frecharam e fizeram em postas, sendo estas depois queimadas na 
muBsumba em presença do novo Muatiânvua Ditenda, em audiência 
solemne. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 335 

A Lucuoquexe queria que passassem o rio (Calânhi), mas 
Ambimíba nSo quiz e ficaram naquella mussumba alguns dias^ 
para se executar a ordem que elle dera de prenderem o sr. 
Panda^ o filho das armas, e o sr. Maique, e de lhe apresen- 
tarem as cabeças, com as quaes aos seus pés na canoa passou 
o rio. 



APPENDICE 



VOCABULÁRIO 



n 



VOCABTJLAEIO 



O mundo, oorpos celestes, divisão do tempo 



zcJ/í ii noeji co ente superior 
ao primeiro Muatiânvuaqiie 
se chamava Noéji; invisi- 
vel, mas vê e ouve a to- 
dos i. 

mukulo zcJk c outra denomi- 
nação para o mesmo ente, 
considerado como predeces- 
sor da humanidade e a 
quem invocam •. 

zali «simplesmente, emprega- 
se, para render graças a 
esse poder sobrenatural, 
invocando o favor d'aquelle 
entei. 

zaíi kataga (subentendendo- 
se úataya makasa ni mie- 
Su) fé ainda o mesmo ente, 
com o attributo de dar vi- 
da ao género humano, vida 
que para elles consiste no 
exercício das faculdades 
physicas. É creador supre- 
mo, o único que fabrica com 



08 movimentos indispensá- 
veis os nossos órgãos, que 
elles restringem a braços 
e pernas ; mas para elles o 
coração, vê, falia e é quem 
nos domina. Imaginam esse 
ente com figura de homem 
como os seus idolos. 

zclíi úa miaeU fé o Deus do 
Muene Puto (dos brancos), 
nome que dão aos crucifi- 
xos que o commercio lhes 
tem levado; consideram-no 
superior ao seu porque nas 
terras de Muene Puto ha 
mais esperteza que nas 
d^ellesi. 

mutena «sol, empregam tam- 
bém para designar o dia e 
o tempo, para o qual nSo 
ha equivalente!. 

likatayo crefracçSo em torno 
do sol no tempo do cacim- 
bo». 



340 EXPEDIÇÃO PORTOGUEZA AO MUATIANVUA 



riíale riia mutena c disco do 
sol». 

mutena úabudika co nascer 
do sol». 

mutena iiata co pôr do sol». 

goae aa lua». 

rusala rúa goae co disco da 
lua». 

yoae úameka clua nova». 

yoae úakudile c quarto cres- 
cente». 

gode iziãa «lua cheia». 

goae Zipiiixa c quarto min- 

rante». 
úabudika c nascer da 
lua». 

gode úafâa kali cpor da lua». 

goae Ha tetame cpor analogia 
assim chamam se a lua ap- 
parece dentro d'um circulo. 
Se algum satellite a acom- 
panha é o caxalapóli do 
Muatiânvua, que é a lua ; e 
se acontece algum planeta 
ficar também dentro do cir- 
culo é a muári». 

katuío cestrella». 

òisoga cestrella errante». 

miuwo mu tutuho co cruzeiro 
do sul e as estrellas dispos- 
tas em cruz». 

Zipaga dta tutuòo cas que 
formam quadrilátero». 

naka úa tutmo co escorpião e 
as estrellas dispostas em 
curva». 



hu6ia, múiza c Vénus». 

tutua misele cas Plêiades e 
todas as estrellas que nos 
parecem pequenas e muito 
unidas». 

múata ZiMaa ena Orion a 
que fica mais a sul e afas- 
tada». 

kahua cidem, a meioi. 

nama cidem, a norte». 

líage oage ca Siriusi. 

rutuoo rukano c Saturno (an- 
nel)». 

7nvkoT>de dta zalbi cvia láctea •. 

miíuro cceu». 

dxuro c nuvem». 

Tcasuè cfogo». 

kasuè ha mutena c calor do 
sol». 

kasijké kauseha cpalito phos- 
phorico (fogo dos nego- 
ciantes)». 

kogolo carco iris». 

mema cagua». 

vula c chuva». 

kido evento». 

luvula ou lukido lúasúeji • chu- 
va ou vento, rijo, forte, 
impetuoso». 

díuro disuSa c aurora». 

kakipepele c brisa». 

jimino c trovão». 

zaje craio». 

úamanika c relâmpago i. 

dibulo c nevoeiro». 

maumi corvalho». 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



341 



mama f ãoculos brancos sobre 

as plantas 1. 
mtA8080 c faísca». 
múixi cfumo». 
mituko clavareda». 
mururo úa kcuuè cchamma». 
òidilu òta kasiiè cbrasa». 
utúè c cinza 9. 
imitena úasúana, úasúeji ou 

úasúejiji CO sol aquece^ 

queima; está insupporta- 

vel». 
malugtle cfaz calor». 
kutaga dturo c trovoada». 
amúoxa Icudi zaje c ferido pelo 

raio». 
miíuma csecca». 
maxika «frio». 
ruvula rúa matala c chuva de 

pedra». 
mutaúxi c húmido». 
úatoiixi «humidade». 
tclala c fresco». 
uriíele c sombra». 
muve «anno». 
diòiko cdia». 
musasa cmanhS». 
uriíele c tarde». 



uóuko cnoute». 

pamaki «madrugada». 

búididi «muito cedo». 

kukta «romper do dia». 

dtamàóiko «ámanhS». 

dií^aãiá «depois d'amanhã». 

dmkúadíá «ante-hontem». 

dtamaòiko úeza «o dia se- 
guinte». 

dièikúau «outro dia». 

leio «hoje». 

goloxe «hontem». 

yoa u «este mez». 

yoa unu «aquelle mez» 

yoa Oaile ua « o mez passado » . 

yode liúeza «o mez que vem». 

úajála «principia a escure- 
cer». 

úòuko Ha paxi «noute alta». 

luvaia muvu «cacimbo». 

musaji úavula «período de 
setembro a janeiro». 

mukaxi úamukaiukine «perío- 
do de janeiro a março». 

^gala «interrupção de chu- 
vas». 

dinika, mtixiao «tremor de 
terra». 



Aspeoto physioo do terreno 



Suma «descampado». 
mxikaaa «montanha». 
mukaaa miúiye «serra». 
míUaia «falda». 



muxina úa mukaaa «sopé da 
montanha». 

mmueyeU «abysmo, precipí- 
cio». 



342 



EXPEDIÇlO POBTUGUEZA AO MUATllNVnA 



múuro ccume». 

dnala c pedra i. 

kapata ka mmala c pedreira». 

mumakulu «deserto». 

pata c baldio». 

gaaa «terra (paiz)». 

òUu «lavra». 

kudima «lavrar». 

mavu «baiTo». 

likuâmpe «estéril». 

úito «rio». 

lau «porto, embarcadouro». 

Zilálo «ponte». 

ditugo «ilha». 

dizaSa ou teya «lago». 

likumo «praia» 

múaaama «saliência». 

ikoai «bahia». 

ftioo «ponta». 

rnupúeji «agua corrente». 



mcmiana «agua estagnada». 

mcTna utoka «agua limpa». 

mema ujala «agua suja». 

mema vlaú «agua baiTenta». 

mururo «nascente». 

kuxina «corrente». 

koxi cKa úito «leito do rio». 

kaúito «riacho». 

kaúito kaktepe «ribeiro». 

mulaú «lameiro». 

dtjia «charco». 

polé mema «queda d' agua». 

dibuko dia memn «poça». 

Zisayo «pântano». 

uxadi ua «margem de lá». 

uxadi unu «margem de cá». 

uxadi Ha tátuko «margem di- 
reita» . 

uxadi Ha Tnaku «margem es- 
querda». 



Oenero humano 



mxãu ((ãu^) «pessoa da raça 
preta». 

muaele «pessoa da raça bran- 
ca». 

ikuai «homem». 

lada «mulher». 

múari ou mOadi «a mulher 
mais considerada na fami- 
lia». 



mukaje «mulher amanceba- 
da». 

mujike «mulher solteira». 

múatana «homem que tem 
companheira». 

mUatana muíada «mulher que 
tem companheiro». 

na mufi «viuvo». 

mOana mufi «viuva». 



1 atu também se interpreta como «povo». 



METHODO PBATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



343 



^ipala^ « velho 1. 
^ipala mvíaaa c velha». 
kaxinakaje cmuito edoso». 
lEíàgudima «rapariga de doze 

a quatorze annos, as que 

entram já no serviço de 

lavoura». 
fiuma xoúna corphSo de pae 

ou de mãe». 
mona ou múana c filho». 
mona mtSaaa «filha». 




{ «rapaz até 12 annos». 

bisada «rapaz até 15 annos». 

kaiíaje «rapaz que já entra 
em guerras». 

múana kaki «criança». 

múana múizo (maUle) «crian- 
ça que mamma». 

úaxala «orphSo de pae e de 
mSe». 

kaxete «anão». 

vlepde ni kaxi «gigante». 



Partes do oorpo humano 



mtãu ou mutúè «cabeça». 

diboío «caveira». 

dUogo ou kahoho «crânio». 

vkògo «meolos». 

háíaiakata ou pala «testa». 

pctícda oujpoaaS «fonte». 

pikoxi «nuca». 

rusuM «cabello». 

^fufo «caracol, annel do ca- 
bello». 

dibala «calva». 

mvkani «cabelludo». 

maaúaei «sobrancelha» 

^^StieUa ou òibãilo tia dUu 
«pálpebra». 

ruvúile, rumãúele «pestana». 

katukadisu ou mcma disu «a 
menina do olho». 



dÍ8u «olho». 

dizuro «nariz». 

dizuro mtãepe «nariz direito». 

dizuro batatene «nariz abata- 
tado». 

mupane mu dizuro «venta». 

mukano «bocca». 

hãulo a mukano «ceu daboc 
ca». 

rudimi «lingua». 

mulato «beiço». 

mídaío kúido «beiço supe- 
rior». 

mídaío xini «beiço inferior». 

ãitíH «orelha». 

dipana ditúi «ouvido».. 

rtibani «queixo». 

kaladi «barba». 



1 mukuru^i emprega-se como «velho», mas é vocabtilo que se deve 
interpretar^ na comparação de edades^ «superior e antigo». 



344 



EXPEDIÇIO PORTUGUEZA AO HUATIÁNVUA 



mupcUa «cara». 

ddtama «face». 

xigo «pescoço». 

miíemo c bigode». 

múediji ou múeH ou múevu 

c barba em toda a cara ou 

em parte». 
dizêú c dente». 

mazeú rnúiso « dentes de leite » . 
^idigurile «presa». 
mauje cqueixaes». 
uxixini «gengiva». 
mini «garganta». 
museye úa mini «goela». 
iikije «hombro». 
dibOaòo «peito». 
díde «mamma». 
miiixine matele «seio». 
nimxi ou inima «costas». 
mui(J)a «lado». 
luHavu «costella». 
m&ogo ccolumna vertebral». 
Htegáéi «tronco». 
muhuaa «cintura». 
rudugo «coração», 
mtmma «estômago». 
mukano iía muxima «bocca 

do estômago». 
muxima utoka «pulmão». 
mvxima ujala «figado». 
mona suka «rim». 
Ixdamate «baço». 
mulooe «lombo». 
rudaaaú «diaphragma». 
divumo «barriga». 
mula «tripa». 



mukuvu «imíbigo». 
jníimm «baixo ventrei. 
jikuma «cadeiras». 
^ikasa «braço e mSo». 
mukono «ante braço». 
kakogani «cotovello». 
múkuapo «sovaco». 
muvumo mu òikasa «palma 

da mão». 
peúro pa ^ikasa «costas da 

mão». 
múiúi «dedo». 
munugo mu múini «phalangei. 
IvSala «unha». 
kabukosa «pulso». 
tuzunesnme «espiga». 
í^tala «dedo polegar». 
suana mulopo «o indexi. 
pakaxi «o do meio». 
kanapvía «o annular». 
kanasa «o minimo». 
m&eau «perna e pé». 
kavumo ka mOedu «barriga 

da perna». 
ditudo dia mOedu «coxa da 

perna». 
ditaJco «nádega». 
mumaiUle «virilha». 
dinuguna «joelho». 
kabokoso ka mOedu «delgado 

da perna». 
òidtatelo «planta do pé». 
kabukuno «calcanhar». 
ruja «membro». 
múiso mOa ruja «urethra». 
makuto «testiculos». 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



345 



biâcde «vagina». 
dikixi c útero». 
òisekúilo c bexiga». 
mupane canus». 
mujioa «corpo». 



mujUa «yeia». 
maxi «sangue». 
Wcada «pelle». 
uvije «pellos no corpo». 
difupa^ «osso». 



Aooideites e propriedades do oorpo humano 



lisapvka «espirro». 
kusapuka «espirrar». 
Zikalala «tosse». 
kukaicda «tossir». 
kaji «soluço». 
kufetcfete «soluçar». 
Hm&apde «grito de alegria». 
Hmukidili «grito de dor». 
Hsepa «riso». 
hisepa «rir». 
iisiiedixa «descanço». 
kusiíedixa «descançar». 
kuhona* «resonar». 
hdota «sonhar». 
iikuma «magro». 
kukuma «emmagrecer». 
zala «fome». 
kukuete zala «ter fome». 
kugupúa «cansar-se». 
uaúa «força». 



kukasakana «restabelecer». 

Zikime «gemido». 

kuJdme «gemer». 

kaxurrmka «estremecimento». 

kukaxumuka « estremecer» . 

kulaguka « despertar ; levantar 
da cama». 

kukaaakene mu mujiha «ter 
saúde». 

tido «somno». 

kulala «deitar». 

kulala mu tulo «dormir». 

isikixa «suspiro». 

kúisiktxa «suspirar». 

mutala mukéne « estatura ai ta » . 

mutala muki «estatura peque- 
na». 

mutala pakaxi «estatura me- 
dia». 

Uavlule «transpiração». 



1 Em geral empregam difupa para qualquer osso, e quando querem 
especialisar, addicionam a parte do corpo a que pertence ; assim dizem : 
difupa dia Òikije «claviculao ; difupa dia múedu «o peroneo» difupa dta 
múini «rphalange». 

Ao esqueleto denominam mafupa lufi para assim distinguirem do plu- 
.ral de difupa. 



346 



EXPEDIÇ!0 POBTUGUEZA AO MUATIÍKVUA 



kustãuU «transpirar». 
dizii^ «VOZ; ordem e palavra». 
TcHvála «parir». 
kvkxãa «crescer». 
mate «cuspo». 
kwíila mate «cuspir». 
kuzema mate «babar-se». 
iauro úa iíaye «bilis». 
mani «gordura, sebo». 
(Síele «leite». 



hiíamUa «mammar». 

disoji «lagrima». 

kudila «chorar, gritar, etc.». 

maxi «sangue». 

musururo «suor». 

masekula «ourina». 

tuje «excremento». 

maaekura ma ruvaji «sémen 

himiano». 
múeine; moio «vida». 



Oraus de parentesoo 



ayakulúla «ascendente». 

ajikuhda «descendente». 

ana tátuko ni maku «progeni- 
tura». 

kuka^ tátuko «linha paterna». 

kuka maku^ «linha materna». 

yakvlo «bisavô». 

gaka «avô». 

jikultdo «neto». 

kajikidulo «bisneto». 

tátuko «pae». 

maku «mãe». 

mona ou múana «fílho». 

mona maku «irmão». 

mona iene «filho adoptivo». 

mona katuZo «enteado». 

mona mu òikasa «irmão cel- 
íaco». 



mona mogúa^ «afilhado». 

knedi ccunhado»» 

mukurupi «mais velho». 

kaki «mais novo». 

maiu «tio». 

soji «tia». 

múepua «sobrinho». 

musoni «primo». 

mu òidi úêtu ou divumo di 

úêtu «nossa familia». 
fumo «marido». 
mvkaji «mulher». 
tat&eno «sogro». 
maiieno «sogra». 
tátuko 9iíana «padrasto». 
maku súana «madrasta». 
ikma «ama sêcca». 
Hana mc&de «ama de leite». 



1 ku em legar de kunima^ que elles subentendem. 

2 Nâo teem, mas sabem usá-lo, tendo-o aprendido dos Ambaquiatas. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUKDA 



347 



Animaes 



Noxii,es, partes e despojos 



biji^ c carne». 

kima c macaco»* 

buji, pelvha, polo, mutege, ku- 

je, yoaOf puyi, kalcda «si- 

mios». 
naana ou iname cum animal 

quadrúpede». 
zavo celephante». 
goZe «boi domestico». 
baú «boi bravo». 
kabiia «cTío». 
kamexi «gato». 
mukoko «carneiro». 
pele «cabra». 
tíhugo «bode» 
òiboae «porco domestico». 
súiaa «porco brafvo». 
kasaka «porco espinho». 
musema «cabrinha». 
katúi «coelho». 
kaí «corça». 
mukeye «raposa». 
taíu «leão». 
libugo «lobo». 
liíupa «onça». 
múieií, kasaaa «cSes doiâato» . 
kaòozo, xiba «gatos do mato»^ 
Hkai «gato de algalia». 



golugo «veado». 

òipakcísa «búfalo». 

kabukua «seixa». 

itegOf kahaje, kifele, m&idi, 
zuje, karuxiai, seji, típege, 
gvio, kagolo, Ukusúa, òise^ 
kebúa, mxtxíla^jiío, kapiãa, 
kcJfmji, rmusevo, jirna, zuzo, 
rukaka «quadrúpedes». 

kisega talu «a quimalanga de 
Angola». 

talu, fugo, lifulo úa mema 
«quadrúpedes que vivem 
nos rios». 

pvJco «rato». 

igelo, kabuji ta malege, kago- 
ge, ikata, múikire, gúani, 
zulo, Ivíúiza, ixike, Hbede, 
tala, madilo, katadi, ka- 
lale, múiseketa, kafulo usu- 
ko, limate kamulogo, lúpu- 
lo, piãfa «ratos». 

jile «qualquer ave». 

likolololo «gallo». 

zolo «gallinha». 

haga, salali cgallinhas de 
mato». 

mona zolo «frangSo». 



1 Também empregam nama «carne». 



348 



EXPEDIÇlO P0RTU6UEZA lo MUATIÂNVUA 



kudiía « pombo 1. 

kakudioa cborracho». 

(ReZe a rola». 

patu «pato». 

yúcLdi «perdiz». 

ku8o «papagaio». 

kalogo «papagaio de pennas 

carmezins». 
kaka, keyi «periquitos». 
mukioo, òikuyo «águias». 
muleií «gavião». 
kubi «marabú». 
kúaje, ^ikuali «corvos». 
mukuko «cuco». 

Mi 

kasaka, kakide «canários». 

píajna «pardal». 

katete, kdbuòibuòij kasakatete, 
kxwioe, kaúaya, kazeza, zi- 
ba, mulaítiãta, múikele, 
kaciói, rtijigo, mukcío ka- 
zaji, rubet, tagtagi, vuao- 
vuao, aúa, karova, kaúema, 
ifuse, ãmaa, fwwma, iku- 
ao, kasúa, kavukovuko, 
Ziukurukulo, múadipupo, 
kúoxi, mugaje, kasuje, mu- 
ruão, íitetoteto, kasaji, ka- 
zodi, kasapiíUe, ikuoe, ka- 
súelele, kavuso, kctanandía, 
musako, kajabi, gúego ma- 
sole, íimugúè, zegal<iliy ki- 
tuko, uzúelej ijoko, mudi- 
mUj^ kdtata, hulomeji, dinu- 
ga, kàbúahúa, katelúexe, 
guzo, kaZtãa mutete, ^ima- 
go «espécies de aves». 



ííci «peixe». 

kasaúj goje, saaa, nibeae, 
seji, kcdóbóko, mxUefm, mu- 
hclíala, kalói, bedebede, dí- 
kami, kagiíaaaf Íuko, mu- 
jiji, iaza, Zikaga^ kapaga- 
na, zuio, juna, muvuao, 
não, gaje, dikuje, jime, 
ruziza, mutéíne, muzoko, 
ocãa mvkine, kapuxe, òitata, 
mukeio, cikile, sozo, kasa- 
kani, tago, kafuto, tntiaco- 
go, kakuga mukepe, muki- 
lege, mukugo, mukuso, kuao^ 
gula «espécies de peixes». 

dixi «lagarta». 

naka «cobra». è 

katotoka, mukOo, mulali, ka- 
sage kagogo^ cije, toro, ko- 
loholo, kisakUata, loka, ka- 
kuxi, katoao komo, kaloío^ 
5t noéji, sepe, kaíadajUa, 
mime, Ufio, kisabo, kateãe, 
mudikixi, lãazagcZe, xaka- 
la, mukogolo, bidiki, ^t9U- 
de, kololapaku, luòiba, ka- 
Hpamat «cobras diversas». 

morna, katoúpo, kauugapata, 
gaio «espécies de giboias». 

zegedta, mukite, tíkalapoli, 
kàgala sega, òikolokoza, 
múikala, kaje, kakapaíaía, 
dikalaga, kakarula muko- 
no «lagartos pequenos». 

iugvlo, rubviLo kabáka, muko- 
ke, munani, nogúa, d(&o. 



BfETHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



349 



ptão, kivala, tàletete, ^o- 
kine, íizaoale, kazege zege, 
Hjijani, iaede, disesôj 2í- 
múagasase, dinugo, ka^ai- 
la «lagartas^». 

pasu c gafanhoto». 

dimina, sasamAne, jogo, bu- 
kolubuko, ^agatata, soooj 
Icajagajaga, dizeze, kahólo, 
kamanij kamaji, namupaje, 
kaaado, Mtaxi, ikuzidapata, 
boba kadiga, taia, katata, 
kivuva makodi, ZidUa ma- 
pote, òituto xamapulo, ka- 
Jâago, kadta mvlege, na- 
rmãepe mulepe, Htela, ka- 
Vida sege, káíipalapcda, 
ijoú, kase, ^ibiíata mat, 
katala meatc, kaiala usuza, 
lukulu lua kabaka, lukulu 
lúa maságo, mupepo, kaxe- 
neta, dihaname, kaãía mu- 
xilo, ikoki, mudadi, dtuga 
cgafanhotos». 

kagalasega ccamaleSLo». 

dolo, kapikita, òibiíije, beba, 
seki, mukáóisi, kavuda ni- 
mo, kajiko matey ka/ehafe- 
ka redegedege, k<watata, 
kaxekaxeka, kapoko, Zivu- 



vo vioka, Zivfuxo ujala, ti- 
divu, káguri, mazemate, 
ipobo, katobo, ijiae, safuxi, 
maJcuaa, kazeZule, diseda, 
xixi, kafenete^ muzogolo, 
kibiokoto «espécies de re- 
ptis pequenos». 

gtivo «cavallo-marinho». 

gado «jacaré». 

kala «caranguejo». 

&ola «rã». 

dizudo «sapo». 

kafxão «sapo concho». 

Tcasulo «centopeia». 

zeze «grillo». 

kaata begalala «cigarras». 

peji, pdékese, kokamajila «ca- 
rochas». 

zéò, sogani, kaãm musogo, 
kisogo kagigine, Ivkaíala, 
muta karuga, tíxikina «for- 
migas». 

dírií «bezouro». 

kamena, «vespa». 

tadaúaje «aranha». 

dizoLa ou dizma «sanguesu- 
ga». 

kabata «caruncho». 

òikotokoto « escaravelho » . 

kusiía úa kabiía «carraça». 



1 Algamas conhecem-se pelos nomes de arvores, fructos ou plantas, 
addicionando estes ao dixi dia. Assim: dixi dia pepe; dixi dia èijita, 
hapajilo, maaaxi, mídolo, úuse, êiiasua, kaúala, mufuka, mtikuho, kalolo, 
vlaia, mupaH, mtde^a, dipupo, múiaSa, òibale, etc. 



3Õ0 



EXPEDf ç2o pobtuguezá áo muatiânvua 



IV • • 



geji cmosca». 
kageji « mosquito •. 
kisafu c pulga». 
kcSndvlo «mosca pequena». 
lukuso cpeolho». 
katolela (mahuaa) abicho do 
pé». 

matué «cabeça». 

mupcda «focinho». 

moxi ia dizuro « ventas i. 

mukano «bocca». 

mvlaoo «bico». 

dizêú «dente». 

cUsez «crina». 

ludeíe «pello». 

cikega «um fio». 

Ukita «pelle e couro». 

mukúcUo, múilo «tromba de 

elephante». 
musego «chifre». 
Ukelehele «crista». 
ipaka paka, lupotUo, mvbaba 

«asas». 
lusakaje, dikuto «bandulho». 
divumo «barriga». 
dikurugo, malakani «papo». 
mukila «cauda». 
mono «penna». * 
kasoLano «esporSo». 
múia «espinha». 
makakala «escama». 
Hkaú «pelle do peixe». 
Zipepe «rabo do peixe». 
kizokolo «pata». 
dikaza «unha raxada». 



ku80 zahi «peolho do capim t. 

òizúazúa, òibãde «borbole- 
tas». 

musuasua, gcDímka, dikge, ha- 
zage «salalé». 

kadta ku uma «soUtaria». 

^ka «lombriga». 

Ivzala «garra». 

dti «ovo»rf 

maí múixi «ova de peixe». 

mitete úa òikolobolo «pluma- 
gem do gallo». 

kadtão «fel». 

makakala ta gacío «escamas 
do jacaré». 

^ala dta kafião «concha do 
cágado». 

riUle «casca do ovoi. 

kitmini «debicar». 

kufutamena «chocar». 

kukooa mai «pôr ovos». 

kaòisúali «ninho». 

dii disiãa «gemma». 

dti ditoka «clara». 

ana mtUujila «ninhada». 

úaaa úa taaaúaje «teia de 
aranha». 

ulaje «veneno». 

úoòi imel». 

kiselo «favo». 

kuboza «ladrar». 

kukietne «zunir». 

kuteaa «cantar de gallo». 

kudãa «berrar, zurrar, uivar, 
latir, etc». 



KBTHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



851 



Vegetaes 



ato calho». 

data ou muc^ úoka «arbusto 
que dá vagens com uns pe- 
quenos grftosy que seccos, 
torrados e moídos lembram 
no aroma e gosto o .café ; 
das raízes fazem uma infu- 
sSo amarga que suppre o 
quinino». 

cKagúa c abóbora amarella 
(faz lembrar a nossa abó- 
bora menina, mas é muito 
mais adocicada)». 

diagúa dia kútdoj diagiia dUa 
kasolo c espécie de abóboras 
pequenas». 

dibu c palmeira que dá o firu- 
cto dendem de que fazem 
azeite e sabão, e cujo caro- 
ço é o coconote». 

difaaa cpalmeira da margem 
do Luachimo, de que tam- 
bém extrahem vinho». 

dikido «palmeira a que os 
Ambaquistas chamam ka- 
rima, d'onde extrahem o 
vinho e de cujas fibras fa- 
zem chapéus imitando os de 
palha». 

dikode dia katata, dikode dia 
hãoga (Ra tato, dikode dia 
za^o, dikode dia kogolo, 



dikode dia lèUudo «espé- 
cie de bananas». 

diteda, kabata, mukuso «espé- 
cie de abóboras, (pequenas 
até ao volume de maçã, 
mais ou menos acidas)». 

ditúo dia paxi, ditúo dia gu- 
vo, ditiío dia kogóloj ditiio 
dia hãfi «espécie de bata- 
tas silvestres, (de todas 
comem, bem como as folhas 
cozinhadas)». 

diiuta ou majãogo «arbusto 
que dá uns pequenos fru- 
ctos muito agradáveis». 

ãíigo Ha kasaxi^ augo úa ka- 
tete, augo úa Itisumo «espé- 
cie de pimentinhas». 

giao «planta que dá um fru- 
cto em forma da carambola 
da Ásia, que é a batata 
de planta (uma espécie de 
canna)». 

jilo ou xia «planta que dá um 
fructo do mesmo nome, pe- 
queno, redondo, amarello, 
esverdeado exteriormente, 
como uma ameixa, rijo, 
acido e muito agradável». 

kabaka «milho». 

kale^aUe «folha da batata do- 



ce». 



352- 



EXPEDIÇlO POETUGUBZA AO MUATIÂNVUA 



kamukuH «feijão miúdo de 
Canhiuca (vagem delgada e 
comprida)». 

kapora ou kaéile, musaso, ka- 
legéle, mulegaleya, xiruao, 
kapila, kapi, kaloaa «plan- 
tas acidas (cozinham os 
fructos)». 

htsadi abatata brava (forma 
rhomboide, escura exte- 
riormente, avermelhada no 
interior, pequena, faz lem- 
brar no gosto a batata in- 
gleza miúda)». 

kasako «planta (cozinham as 
folhas e picam os fructos 
com o sal)». 

katete «espécie de couve, (co- 
zinham as folhas e fructos)» . 

katete úa múeto «espécie de 
couve». 

katete úa tiseba «couve por- 
tugueza (devida aos Amba- 
qnistas)». 

Jcatokatoka ou kamuzele «fei- 
jão branco, cheio». 

katoli úa yuza, katoli dia ka- 
bata, katoli iía mudabale, 
katoli iía xitoka, katoli ika 
kajila, katoli úa kaZina 
«planta que é o úu8e dos 
Ámbaquistas, que cozinham 
as folhas e fructos; lembra 
azedas, e é esta a inter- 
pretação que lhe dão os 
Ámbaquistas». 



kaúage «trepadeira (cozinham 
as folhas)». 

kaxat «milho com os bagos 
maiores que o massango». 

kazego «trepadeira (cozinham 
as folhas)». 

kazuii «batata brava (es- 
branquiçada interiormente, 
maior e mais acida do que 
a do Cassádi)». 

kibatUj katadi, kapeze, katói, 
múisaga, òikeíe, rusim, 
moúho «capins que quei- 
mam extrahíndo sal das 
cinzas». 

ki ou òisaka, ou mataSía «folha 
da mandioca». 

lutoie «bordão de que também 
extrahem vinho». 

makudi makiêe «feijão miúdo 
(o pardinho)». 

makudi ma zego «feijão vul- 
gar». 

masago «milho miúdo». 

múagaòi, Zikalala, mudía úa 
túaje, musesa «plantas de 
que cozinham os fructos». 

múege úa Zíívu «ananaz». 

múege utoka, ujala «cannas 
branca e vermelha, doces». 

muiamula, kakuda kaúale, 
muhupo «arbusto que dá 
fructos miúdos, que comem 
como feijão». 

múilelo «planta que lembra 
o Quiabo (cozinham as fo- 



METHODO PRATICO DA LIGUA DA LUNDA 



353 



lhas e 08 fructos, que são 
gommosos)». 

mukaka «espécie de man- 
diocat . 

mukegele «folha de abóbora». 

rmdadala nuyo ou tefii «plan- 
ta que dá uns pequenos 
bagos pretos, que depois de 
seccos e pisados lembram 
a pimenta da índia». 

miãeyn ou boa, mujiji, dimU 
nimini «plantas de que co- 
zinham as folhas 1. 

mximate «o nosso tomate de- 
generado». 

mupáòi «arvore que da um 
fructo que lembra um pouco 
o safú da ilha de S. Thomé 
(comem-no cozido e é agra- 
dável com sal)». 

mupUe, mudvlo «plantas que 
dão fructos doces». 

mupudi, kahole, kaxeko xibo, 
muxilo «arvores que dKo 
uns fructos ácidos muito 
agradáveis íT. 

mupuni «trepadeira (cozinham 
as folhas)». 

musàla, mvleyo, mulktlúa, mu- 
foyo «arbustos que dâo 
fructos muito doces». 

musiiji, kaicda «arbustos que 
dào um fructo com uma 
feijoca e que lembra o gosto 
do amendoim (cozem-no e 
fazem uma boa sopa)». 



matuto òinCj mupepa, Tcafu- 

ma fuma «arvores de que 

comem as folhas». 
muHa ou mukza «arvore que 

dá fructos doces». 
nimi ou yuba «macarra ou 

amendoim». 
pada «planta aquática que faz 

lembrar o inhame, batata 

pequena». 

pugo «planta (cozinham as 

folhas e os rebentos)». 
riaba «cânhamo; fumam as 

folhas seccas». 

ruaaa «tabaco». 

rutudi «é*o yúeye dos Ámba- 
quistas, planta que tem o 
fructo ao pé da raiz; a 
casca é grossa, atirando 
para vermelho, do tama- 
nho de um ovo de pata, 
muito acida». 

seZo «trepadeira (cozinham as 
folhas)». 

stiyi «arvore que dá fru- 
ctos, que torrados lembram 
amêndoas». 

taia ou íozo «batata doce (in- 
digena)». 

v!íala «milho com os bagos 
menores». 

iihudo «palmito de palmeira; 
depois de cozido e com 
molho de manteiga faz 
lembrar a nossa couve- 
flôr». 

«8 



354 



EXPEDIÇlO POBTUGUEZA AO MUATLÍNVUA 



Ukaú c milho com os bagos 

menores». 
Ziloío ou dilolo f planta que 

dá um fructo, cuja forma e 



côr exterior sSo como as 
de um tomate muito pe- 
queno; o sabor é muito 
doce». 



Medicamentos 



dtsole c planta; fervem as fo- 
lhas para banhos contra a 
fogagem e sarna». 

(/aio cpisam as raizes e appli- 
cam o sueco sobre as feri- 
das syphiliticas». 

haka «fervem as folhas e be- 
bem a agua contra as lom- 
brigas». 

jumu kasui «planta; applicam 
as cinzas das folhas, sobre 
as queimaduras». 

kaivlaíiíaU «planta; fervem 
as raizes e bebem contra 
as lombrigas». 

kabulavta «planta; lavam o 
corpo com as folhas fervi- 
das em azeite de palma, 
para se livrarem de sarna». 

kajidisi «planta; as folhas pi- 
sadas e fervidas em azeite 
servem-lhes para limparem 
a cabeça». 

kajUaií «planta; com as folhas 
e agua friccionam o corpo 
contra a debilidade». 

kakéne «planta; fervem as fo- 
lhas para na agua lavarem 
o corpo». 



kalamate «arbusto, de que 
fervem as folhas e bebem 
a agua contra as lombri- 
gas». 

kaleia kúaji «trepadeira de 
que fervem as folhas e be- 
bem a agua contra incha- 
ções de ventre». 

kapiíipua «arvore de que ba- 
tem as cascas em agua e 
com a escuma lavam a ca- 
beça, como remédio contra 
dores. O Muatiânvua bebia 
a agua em que tinham pos- 
to folhas de infusfto, dizen- 
do que era para aiujentar 
feitiços do seu corpo». 

kaxume itigugo «a múéia dos 
Ambaquistas; mastigam as 
cascas dos troncos delga- 
dos, contra o escorbuto». 

karusaje «arbusto; fazem pa- 
pas da raiz pisada com 
fubá, que applicam sobre 
dores no corpo». 

IcasaLa kapala «planta, de que 
fervem as folhas e bebem 
a agua contra as lombri- 
gas». 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



355 



kateío múiji «planta; fervem 
as raizes e bebem contra 
as irritaçSes». 

kaxike iaza «arvore; bebem 
a agua das folhas como re- 
médio contra lombrigas». 

kííi mtiH «arvore de que fer- 
vem as cascas, e bebem a 
agua contra as cólicas e 
dores de ventre». 

ludimi lúa Iwupa «planta; 
fervem as folhas e bebem 
a agua contra o maculo». 

Ivkooo lúa zali «planta; pi- 
zam a raiz em agua fria e 
lavam a cara e bocca con- 
tra dores». 

luposa «planta; molham as 
folhas e applicam-nas sobre 
feridas». 

liivida mema «planta; appli- 
cam o sueco leitoso contra 
feridas». 

madima múano «planta; fer- 
vem as raizes e bebem a 
infusão como remédio para 
a tosse». 

muhololo «arvore ; as folhas 
fervidas applicam-nas con- 
tra dores de cabeça». 

muaele «arvore; pisam as 
cascas e applicam-nas con- 
tra feridas». 

múêne tUaoa «planta; fazem 
um' laxante dos bagos e 
raizes pisadas em agua». 



muíaje «planta; fervem as 
folhas e bebem a agua con- 
tra as dores no ventre». 

muíoòi «arvore de que pisam 
as cascas, que fervem em 
agua, e com esta lavam fe- 
ridas e o logar de quebra- 
duras; a massa collocam-na 
sobre a parte oflfendida». 

mujiZo «ai"vore de que quei- 
mam as folhas, applicando 
as cinzas contra feridas». 

mujto «arvore de que fervem 
as cascas e bebem a agua 
contra as dores de estôma- 
go». 

mujipa iloae «planta; appli- 
cam o sueco da folha pisada 
contra dores de ouvidos». 

mukumúayana «planta; fazem 
um laxante da sua raiz, 
pisada com azeite de pal- 
ma». 

mulatana «arvore de que fer- 
vem os fructos e bebem a 
agua contra as cólicas». 

mtdeZa «arvore de que fervem 
as folhas em agua para be- 
berem e chamarem a tran-. 
spiraçâo ; com as folhas de 
infusSo em agua lavam os 
olhos». 

mumago «trepadeira de que 
fervem as folhas e bebem 
a agua contra as lombri- 
gas». 



i 



356 



EXPEDIÇÃO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



musayale «planta; as folhas e 
raizes pisadas applícam-nas 
como clysteres ás crian- 
ças». 

mutata xiZa «planta, fervem 
as folhas para banhar as 
crianças, contra o macu- 
lo». 

mutoao úa múaje «arvore a 
que os de Cassanje chamam 
aúa; das raizes fazem la- 
xante^ e a agua em que 
depositam cascas durante 
dois dias serve para dar 
banhos ás crianças recem- 
nascidas». 

muxaxakixi «fervem as folhas 
em agua, e applicam-na 
como clysteres». 

mtixikile gaga «arvore; p3em 
as folhas de infusão em 
agua, para semicupios con- 
tra dores nos rins». 

mtízaviji «trepadeira de que 
fervem os fructos e bebem 
a agua contra as indiges- 
tões». 

muzeze «arvore de que fer- 
vem as cascas e bebem a 
agua contra as dores de 
ventre». 

muzúa ou múudi «arvore, de 
que applicam as cascas 
gommosas interiormente so- 
bre mordeduras de cobra». 

rujaya «planta; fervem as 



folhas e applicam em clys- 
teres. 

rumono «arbusto (mamona); 
do fructo fazem laxante». 

rutoke «planta, de que fervem 
as raizes e bebem a agua 
contra as lombrigas». 

rutuZo «planta; fervem as 
folhas e applicam em clys- 
teres». 

teyo la teyo «planta; é a ka- 
dúa dos Ambaquistas, flor 
em estrella com as extre- 
midades vermelhas ; bebem 
a agua em que fervem as 
suas folhas, contra as lom- 
brigas». 

xakatúale «arbusto, fazem das 
folhas mechas que introdu- 
zem no anus das crianças 
contra o maculo». 

^tayala «planta semelhante á 
folha da piteira, que abrem 
ao meio, e o interior que é 
gommoso applicam-no sobre 
queimaduras com algodão 
em pasta». 

Hjite «arvore, de que fervem 
as cascas e bebem a agua 
contra a asthma». 

cilobo Sía gúadi «planta que 
dá um tubérculo como a 
mandioca; este pisado éap- 
plicado contra feridas». 

ZiJ.olo «arvore de que nasti- 
gam os rebentos dos tron- 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



357 



COS como remédio contra o 
escorbuto». 
cisobele «planta; fervem as 
folhas em agua com que 
bochecham, contra as dores 
de dentes». 



liuko «planta de que fervem 
as raízes e com essa agua 
fazem o infunde, que co- 
mem como remédio contra 
a dyscnteria e outras doen- 
ças». 



Para diversos usos 



buLa «planta de que aprovei- 
tam as folhas, que pisam 
para tinta azul». 

dada «algodoeiro». 

diyo úa muzot «trepadeira, 
de que aproveitam as cor- 
das para atilhos e a tinta 
azul que larga a casca como 
anil». 

dikahakaha (é a dittha dos 
Ambaquistas) ; palmeira de 
leque, de que extrahem as 
ipala (fibras), e seccam as 
folhas para fazerem os en- 
canastrados». 

divudi et noéji «espécie de 
palmeira pequena que col- 
locam ás entradas das resi- 
dências por veneração a 
Ídolos». 

duaulo «arbusto resinoso, fo- 
lha recortada e em larga 
curva; da resina extrahem 
um veneno, e o fructo, que 
faz lembrar um limão ver- 
de,^ pequeno, serve-lhes pa- 
ra lavarem a roupa». 



tsune ou ulo «arbusto ; servem- 
se das folhas pisadas como 
isca para apanhar peixe». 

kabama, kalolo «plantas das 
margens dos rios; das fi- 
bras seccas fazem cestos, 
peneiras, chapéus, etc». 

kábofío «arvore resinosa de 
que aproveitam a resina e 
cordas » . 

kabubiãa t/úadi «arvore; dos 
troncos fazem armadilhas 
para perdizes». 

kaaayoma «grande arvore, que 
teem nos largos das resi- 
dências para sombra e em 
torno da qual se fazem as 
audiências». 

kadivu kazavu «espécie de 
palmeira pequena (pau de 
sabão de S. Thomé), que 
collocam ás entradas das 
residências por veneração 
a Ídolos». 

kafumofumo «é a mvfuma de 
Angola; dos seus grandes 
troncos fazem canoas». 



358 



EXPEDIÇZO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



kahtdo c arbusto que dá uns 
bagos redondos, pretos e 
com pintas brancas, que 
depois de seccos, enfiam 
num fio e suspendem ao 
pescoço como se fosse con- 
tarias. 

kaíaycda c planta; do fructo 
obteem tinta preta e dos 
troncos as armadilhas para 
pesca». 

kajije € planta, de que apro- 
veitam os troncos para lim- 
par os dentes». 

kakoZo, makoyolo, rmdele, ha- 
bolo «plantas aquáticas; das 
fibras fazem esteiras». 

kakúelo c arbusto, de que apro- 
veitam as varas direitas e 
delgadas para varejo das 
coberturas». 

kalejpa c planta para ornamen- 
tações, e serve-lhes para 
afugentar feitiços». 

Icalogo «arvore frondosa que 
tem uma bonita flor car- 
mezim, que figuramos no 
volume III da DESCRirçXo 
DA Viagem; aproveitam a 
madeira para travesseiros, 
caixas de marimbas, coro- 
nhas de armas, etc». 

kapajila, jiiíurila, ruhuía, ka- 
seseni, diòiko, dilege^ kasa- 
ze, kaleieleoe, iaelernej ka- 
siiama gúculij mulele, mu- 



kilo úa tcíu «espécie de 
capim; o seu préstimo, de- 
pois de secco, é para cober- 
turas de habitações, abri- 
gos, etc». 

kapala maztú «arvore de que 
aproveitam as varas para 
fazerem tabiques». 

kapaza uta «arbusto; dos 
troncos fazem as suas fle- 
chas». 

kapúipe^ musese «arvores pe- 
quenas, de que também fa- 
zem carvão. 

karaza «arbusto grande, que 
conhecemos por urucú e 
figurámos no vol. i da 
Descripçao da Viagem; 
aproveitam as sementes da 
capsula para tinjir a ver- 
melho as mabellas, esteiras, 
coronhas e também o algo- 
dão». 

karumo ka ruguyo «arvore, 
(mudfa dos Ambaquistas), 
de cuja madeira fazem bom 
carvão». 

kasane «grande arvore, tendo 
a madeira macia e branca, 
de que fazem pratos, co- 
lheres, etc». 

kasapo, kanine, musabo «tre- 
padeiras de que aprovei- 
tam as cordas». 

kategani «espécie de arbusto 
(cançoneira de Angola) > . 



METUODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



359 



kaiiala mujia «arbusto, de que 
as raparigas cortam em 
pedaços os tronquinhos que 
teem uns rebentos brancos 
enfiando-os depois de sec- 
cos num fio, que suspendem 
ao pescoço e ao qual cha- 
mam ana (filhos) t. 

kaxiko ou kapaaa kaxiko 
tgrande arvore; do fructo, 
que é redondo como uma 
laranja regular, amarello 
claro e de casca muito 
grossa, aproveitam a vis- 
cosidade do seu interior 
para apanharem pássaros». 

kijUa c trepadeira; das cordas 
fazem cintas». 

Iãoyo «arbusto para ornamen- 
taçSes e que faz lembrar o 
nosso alecrim». 

kieeyoseyo «arvore frondosa 
que poupam ás queimadas, 
para lhes dar sombra». 

kisoyo «espécie de cacto cujo 
sueco é muito perigoso nos 
olhos». 

kiêupa lãa mutopa «planta, 
que lhes fornece as caba- 
ças de collo longo em que 
fumam». 

kitepa «grande arvore, (é o 
kisoli dos Ambaquistas), 
fazem dos seus troncos al- 
mofarizes de differentes 
tamanhos». 



Muda «arbusto; lembra a pal- 
meira nova, quando as fo- 
lhas partem da terra, e dá 
um fructo que lembra o 
ananaz, mas que é muito 
maior e mais claro e que 
nno comem». 

kixoka «planta aquática de 
que fazem chapéus de pa- 
lha como os nossos». 

kizezeya «arvore grande, que 
conservam para sustento 
das lagartas gordurentas 
que elles comem». 

kiSubi «planta aquática (a 
yoa dos Ambaquistas); das 
fibras fazem esteiras». 

kúaini «trepadeira; do tronco 
fazem os arcos com que 
lançam as flechas». 

kúane «trepadeira, de que 
aproveitam as cordas com 
picos, que lançam no solo 
entre a mandioca para feri- 
rem 08 pés aos ratoneiros». 

luhvza arvore de cujas varas 
se servem para a con- 
strucçào de habitações». 

hãele «arvore que só lhes 
serve para lenha». 

makadi «bordão de que ex- 
trahem as fibras para o fa- 
brico de mabela». 

tniíaaa «arvore pequena, de 
que aproveitam a casca 
como cortiça». 



360 



EXPEDIÇZO POBTOGUEZA AO HDATIÂNVUA 



m0 

maâxa kat t arvore grande, 
de que aproveitam o sueco 
do fructo, no qual mistu- 
ram ferro para obterem 
uma boa tinta preta». 

intídía íaje € arvore para 
ornamentações e que invo- 
cam para lhes dar animo 
para as suas empresas». 

mudía maíeíe a arvore; da 
sua madeira fazem caixas 
e bancos». 

mvfúa pã>e t arvore frondosa 
de que aproveitam os tron- 
cos para cercas». 

vnvjvfata «arvore cujas raízes 
lhes servem de sabão». 

mujamaòi «arvore, de que ex- 
trahem a gomma vermelha 
carregada». 

mujtagama «arvore grande, 
(teem respeitado a secular 
do Calânhi); aproveitam a 
ramagem para cobertura de 
cubatas e revestimento das 
cercas T. 

mujíamaxi, mvLsadaka^a «ar- 
vore grande de que apro- 
veitam os troncos em for- 
quilhas para sustentarem 
as coberturas das cubatas». 

mujima úa gúamo «arvore pe- 
quena, de que aproveitam os 
troncos em almofarizes pe- 
quenos para pisarem taba- 
co, cogumelos seccos, etc». 



mukoía «grande arvore; do 
tronco principal fabricam 
canoas de uma peça». 

mnkuyo «arvore, que tomaram 
especial, aproveitando os 
seus troncos direitos para 
o transporte de cadáveres. 
Para os Quiôcos é crime 
cortar uma arvore doestas». 

mulaíe «arvore pequena de 
que aproveitam os troncos 
para construcçào de habi- 
tações». 

mídela «fícus elástica, de 
que aproveitam as cordas 
e de cuja madeira fazem 
os seus almofarizes». 

mulete ilogole «planta de fo- 
lhão estreitas e compridas ; 
dos seus fios fazem cordel » . 

muleío úa kiho «arvore gran- 
de, de cuja madeira, muito 
branda e macia, fazem as 
caixas ornadas á faca, dos 
instrumentos de pancada». 

miãozo «arvore de qiie ex- 
trahem a gomma branca». 

múlúa ni zajcj likola kara 
zavo ou kara zaje «arbusto, 
(é a data dos Ambaquistas); 
tem os troncos delgados e 
direitos, com transversaes 
quasi na linha horizontal e 
terminando em ponta; ser- 
vem-lhes de pára-raios nas 
suas habitações». 



METHODO PRATICO DA UNGUA DA LUNDA 



361 



munagama € grande arvore, 
que poupam por ser procu- 
rada pelos macacos» 

munuyo t arvore grande; da 
sua madeira fazem caixas 
e bancos t. 

miioviia «é o muyo dos Am- 
baquistas, que da sua boa 
madeira fazem portas para 
janellas, entradas, etc». 

mupapaxi «arvore, da madei- 
ra que é branca e macia, 
fazem pratos de diversos 
tamanhos». 

mupaòi «(é o muhafo dos Am- 
baquistas) d'elle extrahem 
a gomma vermelha escura» . 

mupolo «arvore grande, ma- 
deira branca; dos seus tron- 
cos direitos fazem as varas 
para os palanquins». 

muptJxãnjiía «arvore; da ma- 
deira que é amarellada, 
fazem caixas, cachimbos e 
bancos». 

musala «arbusto, de que apro- 
veitam as fibras para arma- 
dilhas de pesca e as cas- 
cas para remédio contra o 
escorbuto». 

musego «arbusto de que apro- 
veitam os troncos para ca- 
bos de machados e de en- 
chadas». 

musoío «arvore grande; com 
as cascas molhadas afiSagam 



as panellas quando o barro 
ainda está húmido e se 
amolda». 

musúaktUa «arvore grande; 
da casca extrahem tinta 
vermelha». 

musiiasiia «arvore grande que 
lhes serve de lenha». 

mutepa «arvore de que apro- 
veitam a resina e cordas». 

mutuna «arvore; dos troncos 
fazem as colheres ornadas 
com que mexem o malu- 
fo, e das cascas, obteem a 
tinta amarella para tingirem 
madeira, mabellas e algo- 
dão». 

múíiae «arbusto; da madeira 
que nâo raxa, fazem bons 
cachimbos». 

muxanena pooo «arvoro, de 
que fervem as cascas em 
agua para obterem tinta 
encarnada». 

muxije «(é o mahú dos Am- 
baquistas, papyrus), planta 
aquática; das fibras fazem 
esteiras». 

muzeío «arvore; dos troncos 
obteem os paus rijos com 
que pisam a mandioca». 

muzeze «arbusto de aroma 
agradável, e cujos troncos 
teem picos que ferem; da 
casca obteem tinta verme- 
lhai». 



3G2 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZA AO MUATIINTUA 



rutane t arvore para oma- 
mentaçSes, e que invocam 
quando toem de se defen- 
der de feitiços». 

sala karula € arvore que parte 
do tronco de uma outra, 
embora diversa, e que teem 
em veneração. 

tupúe katúixe t arvore fron- 
dosa, de que aproveitam as 
varas para construcçSes». 



Síaia «arvore (é a ditoão dos 
de Malanje) de veneração. 
No Lombe só os velhos sls 
plantam». 

Zipopo * arvore grande; com 
as raizes pisadas fazem 
uns bolos, que pelo cheiro 
afastam as cobras». 

òipuaa Ha maxi «planta, que 
lhes fornece as cabaças 
para guardarem o azeite». 



buto «semente». 

dihúiji «fructo». 

dHiji «folha». 

dilata «matta, floresta». 

dituto «logar arborisado». 

hviya «farinha». 

lahuma «secco». 

xasúa «maduro». 

kasolo «bebida de mel fer- 
mentado». 

kúini «lenha». 

maéle «leite». 

makala «carvSo». 

marra ma kahaka «milho fer- 
mentado, uma espécie de 
cerveja». 

marra ma masayo «milho 
indigena miúdo; fermenta- 
do é uma espécie de cer- 
veja». 

marufo ma jiyaje «vinho de 
palmeira». 



marvfo ou malvfo «vinho». 

marufo ma mabu «vinho de 
palmeira». 

marufo ma matoíe «vinho de 
bordão». 

moyúa «sal». 

mutat ou muiago «tronco». 

mutete «pevide». 

mutodo «arvore». 

mtka «infunde». 

talala «verdura, fresco». 

ukini «flor». 

uJcini iia katete «flor de Ca- 
tete». 

ukini Ha dtayOa «flor de abó- 
bora». 

ukini úa riiada «flor de ta- 
baco». 

ukini Ha rutudo «flor de era- 
vOy vulgo de defuntos». 

udòi «mel». 

úubo «cogumello». 



METHODO PRÁTICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



363 



Capital da Lunda, suas divisões 



mti^iiSa «todo o grande espa- 
ço occupado pelo Muatiân- 
vua 6 a gente que o acom- 
panha». 

múila «a parte que ali oecu- 
pa a Lucuoquexe e o povo 
que a acompanha». 

Zipaga ca parte que ali occu- 
pa qualquer dignitário e 
seu povo». 

tibayo «qualquer povoaçlo». 

yddu «o logar em que habita 
o potentado c a £Etmilia que 
com elle vive». 

%ula «grande largo á frente 
da gaaat, 

makeíde «rua principal, no 
sentido do comprimento». 

muaa^o mukoZele «rua trans- 
versal; ha sete». 

úakatuluia mukotele «beco ; ha 
diversos». 

xiko «mercado ; na mussumba 
é diário». 

Zikvío «habitação; segundo a 
forma tem diversos nomes». 

pakaxi pa Hcuío «largo; ha 
diversos» 

paxi ou paci «o piso, solo». 

maga «logar cercado, pateo». 

majcJ^ «logar reservado para 
sepulturas, cemitério». 



zcA pa mvteba «recinto onde 
guardam as umas {dikuZo) 
com as reliquias do Mua- 
tiânvua que fallece em paz 
com o seu povo, taes como 
cabellos, unhas e amuletos 
de seu uso». 

kataaama «cemitério onde se 
sepultam as Lucuoquexes». 

kitu «um riacho affluente do 
rio Calânhi, em cujo leito 
sepultam o corpo do Mua- 
tiânvua». 

Zineza «varanda coberta, em 
roda da habitação». 

kapalaJcana «divisão, reparti- 
mento». 

kukisa «portal de entrada». 

tía «porta; uma antepara fei- 
ta de varas revestidas de 
capim, com que fecham as 
entradas nas habitaçSes 
pela parte interior». 

zavo «uma casa grande com 
uma cobertura cónica de 
grande altura a que os 
Ambaquistas chamam tor- 
re, recinto reservado para 
conversaç3es de importân- 
cia». 

Mota ou Síota «casa á entrada 
da lipaga para locutório». 



364 



EXPEDIÇXO PORTUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



Zizcãa «cozinha». 

mesu «povoações á entrada, 
na frente da mussiunba, 
onde domina o Calalai). 

rnazeòe «povoações atrás da 
mussumba, onde domina o 
Canapumba». 

mukano «povoações que ficam 
aos lados do méssu : nas da 
direita, domina o Muitía, 
nas da esquerda, o Suana 
Mulopo». 

mukala «povoações que fe- 
thsLm os lados da mussum- 
ba : a da direita úa miíari, 
da Muári, a da esquerda, 
úa temeinej da Temeínhe, 



segunda mulher do poten- 
tad.OB. 

iaia «recinto especial e um 
pouco afastado onde vae 
habitar a Muári quando 
está com os seus incommo- 
dos». 

papa «recinto especial e mn 
pouco afastado onde vae 
habitar a Temeínhe quando 
está com os seus incommo- 
dos». 

muíase «recinto especial e 
um pouco afastado onde 
vae habitar a Suana Mura- 
da quando está com os seus 
incommodos. 



Dignitários do Estado de Muatiànvua 



siíana mulopo «o herdeiro, que 
6 geralmente um irmão ou 
sobrinho». 

teoúh «filho de Muatiânvua, 
immediato d^aquelle». 

mona uta «Blho de Muatiân- 
vua, immediato de Tém- 
bue, a quem se confia a 
arma do soberano». 

múadíiata «filho de Muatiân- 
vua, immediato do antece- 
dente; guarda todas as ar- 
mas do Estado». 

xakala makala «filho de Mua- 
tiânvua, tio do que impera 



(cárula), equivalente a um 
almoxarife e toma a re- 
gência na mussumba, au- 
sente o Muatiânvua». 

mikitia «filho de Muatiânvua, 
também tio do que impera 
(cárula), equivalente a pro- 
curador da coroa». 

kalala «grande do Estado; 
toma o commando das for- 
ças em operações, sempre 
na avançada, também filho 
de Muatiânvua (cárula)». 

kanapuia «grande do Estado ; 
toma o commando das for- 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



365 



ças que rodeiam o sobera- 
no». 

múari múixi «grande do Es- 
tado, cozinheiro mór». 

múéne kajefuma tuxala «gran- 
de do Estado, chefe dos 
tuxalapólis (guardas de vi- 
gilância) 9. 

kahaje ta pe^a «grande do 
Estado, chefe dos tubaje, 
algozes». 

múata kadala, múata mai ou 
mcd munene, múata hi^a- 
na, múata mukaza vulgo 
ijuvOj xanamxi, múata kau- 
ytãa, múata hugvlo «gran- 
des do Estado, dos ascen- 
dentes do soberano cárula 
(conselheiro)». 

múéne pada, múéne kapaya, 
múéne riniga, múéne kahvr- 
za, múéne xakahnje, múéne 
kiòudo, múéne kaleya, múé- 
ne òibayo «grandes do Es- 
tado, dos ascendentes do 
soberano cárula; todos sSo 
senhores de grandes domi- 
nios, que constituem o gran- 
de Estado, tendo na corte 
os seus representantes». 

2íoto «grande mestre de ce- 
rimonias». 

múéne masaka «grande mes- 
tre de cerimonias. O go- 
vernador dos Uandas súb- 
ditos da Lunda». 



múéne hàbatalala, múéne mu- 
sege, múéne seji, múéne ka- 
ãiga, múéne dikoòa, múé- 
ne masada, múéne kaneji, 
múéne kase, múéne kihaha, 
múéne kixidila «súbditos 
dos cárulas com honras de 
grandeza». 

lukúokexe «a soberana que 
representa a míte do pri- 
meiro Muatiânvua, depois 
de viuva». 

BÚana mwuda «a que repre- 
senta a mesma pessoa 
quando solteira, a senhora 
das terras: é o laço entre 
os primitivos povos Bungos 
e os Lundas». 

gina múana (na múana) «a 
que representa a màe do 
soberano em exercicio, se 
ella não existir». 

gina Zaza (na Oaza) «repre- 
senta a irmã mais velha do 
mesmo». 

xa múana «o marido da Lu- 
cuoquexe, filho de Mua- 
tiânvua, que ella escolhe 
depois de elevada a tal 
categoria, mas de quem 
não pode ter filhos». 

múari «primeira mulher do 
Muatiânvua». 

tememe «segunda». 

kaxeuluka «terceira». 

kisakéine «quarta». 



366 



EXPEDIÇZO POBTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



mahika €qiiinta». 
tnutoao uméne c sexta». 
Uuga bei «sétima». 
na palaga «oitava». 



akaje «mulheres do serra- 
lho». 

amãole «aias da Muiri e da 
Lucuoquexe». 



Fanooionarios em ezeroloio 



kabila «porteiro da anganda». 

famuisasa «guarda das fazen- 
das». 

kikoôa dia mata «fiel da casa 
das armas». 

kanayoluyo «o que vigia pelas 
aguas». 

fuma kiyada «o agricultor do 
Estado». 

úana «ama sêcca». 

úana mutobo «o mezinheiro 
que faz os muquíxis». 

úaiia mupiiyo «o que guarda 
o svrabolo do commando 
(caudas de animaes)». 

iíana paka «o que guai*da as 
facas do soberano». 

iifina muaele «o que guarda o 
Ídolo principal». 

úana málufo « o que vigia pe- 
los vinhos». 



kaseia «o que distribue os 
vinhos». 

kamúema «o que extrahe o 
vinho das palmeiras». 

muvaro «o mestre dos músi- 
cos». 

lúina «o que vigia pelos ar- 
tigos de mobilia». 

kiseaa manuyo «o que vigia 
pelas louças». 

fuma misele «o chefe do pes- 
soal de transportes». 

kimayata «o que transporta 
o palanquim^ ou sobre os 
horabros o próprio poten- 
tado». 

kaxálapoU «o fâmulo, poli- 
cia, vigia, etc». 

kabuta «o carrasco». 

fuma iseke «o guarda da um- 
bella». 



Objeqtos de vestuário e de adorno 



mukikij kapat, tubari «dis- 
tinctivo que o Muatiânvua 
usa no alto da cabeça». 



òibayyla «distinctivo que os 
dignitários usam na cabe- 
ça, espécie de diadema». 



HETHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



367 



milúina «distinctivo que usa 
o Muatiânvua, em forma 
de chifres e que partem de 
sobre as orelhas para a 
frente». 

sala ta kalogo c distinctivo 
feito de pennas de papa- 
gaio; encarnadas, que os 
fidalgos usam no alto da 
cabeça». 

sala úa mema <um distinctivo 
idêntico feito de pennas de 
pomba». 

sala ua mukuko «distinctivo 
feito de pennas de cuco 
que os quilolos usam á 
falta de salaT». 

sala úa kanage «distinctivo 
feito de pennas d'um pás- 
saro branco que usam os 
filhos de Muatiânvua no 
alto da cabeça». 

dikiíaka dta misagala «distin- 
ctivo análogo feito com 
peinas grandes e direitas, 
castanhas e sarapintadas 
de branco». 

ibéífie «um aro de metal de 
diversos feitios, que usam 
no alto da cabeça». 

kaboda «uma fita bordada a 
missanga, que usam sobre 
o cabello á frente». 

mutúè Ha katada «um casco 
ornado em forma de capa- 
cete». 



musalo «um enfeite de metal 
com que apertam as tran- 
ças dos cabellos». 

tuitari tu matúi «canudos de 
metal e pequenos paus que 
atravessam nos buracos das 
orelhas». 

mutoao úa muzuro «cannudos 
de metal e pequenos paus 
que atravessam na carti- 
lagem do nariz». 

iiriao Sía xi^o «uma çspecie 
de collar de fazenda». 

mukoi pa xigo «uma espécie 
de collar de missangas». 

tupaga «umas faxas reves- 
tidas de contaria, em for- 
ma de braçadeiras, que 
usam nos braços e pernas». 

malàlete «cinto que fazem de 
búzios». 

múoji tusaga «cinto que fazem 
com missangas». 

poda «uma espécie de ban- 
da». 

xipo «cinto de couro». 

goga «uma espécie de patro- 
na que usam no cinto, á 
frente». 

Ivkano «bracellete, que devia 
ser feito de veias huma- 
nas e que só é dado aos 
muatas». 

kazekde «argola feita de um 
fio de cobre, que usam nos 
braços e nas pernas». 



368 



EXPEDIÇÃO PORTUGUEZA AO MUATIÍNVUA 



manana a um fio de metal 
araarello que usam nos bra- 
ços e nas pernas». 

^izakase a um fio que usam 
atado no braço^ acima^ do 
cotovello, com algumas con- 
tas ou missangas grossas^ 
ou fructos pequenos sec- 
cos». 

kadifóla «fio que usam atado 
no braço acima do coto- 
vello, com um pequeno 
chifre ou dente de animal». 

dipvdi aé também nm fio 
atado no pulso e no del- 
gado da perna com o fi^u- 
cto dipúdi secco». 

sabo «argola que fazem dos 
fios que extrahem da cas- 
ca do bordão, entrançados, 
e usam nas pernas». 

Ixikaya «argola feita de fibras 
de plantas têxteis, entrela- 
çadas, e usam os dignitá- 
rios na perna direita». 

majata «é uma fiada de fru- 
ctos seccos de que extrahem 
o meolo, e introduzindo-lhe 
dentro cousas que choca- 
lhem; usam -na nas pernas, 
nos braços e mesmo á cin- 
tura, para quando andam e 
principalmente dançam fa- 
zerem bulha a compasso». 

cihde «assim chamam ás ro- 
meiras e a tiras de fazen- 



da, que passando sobre os 
hombros caiam adeante so- 
bre o peito; e quando nes- 
tas prendem um crucifixo 
de metal, que muito apre- 
ciam, denominam-as então 
cibde Sía zabi^, 

divuga «qualquer panno de 
chita, riscado, algodlo ou 
xadrez que regula de 1 
metro a l'",4». 

mukozo «panno de mais de 
2 metros de comprimento 
por 1™,20 de largo, de chita 
ou de lenços, sendo os su- 
periores de casimiretas». 

katoio «é um mucozo feito de 
mabela, que tingem de ver- 
melho escuro». 

kizaya «é uma divunga feita 
de mabela». 

kalibele «retalhos de fazenda 
ou de mabela com que 
cobrem as partes genitaes» . 

HHta «pelles de animaes». 

kaxavu «pequeno panno ou 
mabela que ajustam as mu- 
lheres ao corpo, da cintura 
até ás coxas». 

maJcuta «pequeno panno até 
ao joelho, que também fa- 
zem de fazenda, com pouco 
mais de uma jai*da de com- 
primento». 

808a «pequeno panno feito de 
mabela grossa, que as mu- 



BIETHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



369 



Ikere^ ajustam ao corpo^ 
da cintura até ao joelho». 

tíbúiko c qualquer retalho com 
que as mulheres tapam os 
peitos». 

kabúiko ctudo que se ajusta 
ao corpo e o cobre, tenha 
ou não mangas, assim: ca- 
misa, camisola, collete, ca- 



saco, farda, e por analogia, 
calças, ceroulas, etc, acres- 
centando ao vocábulo mieau 
pernas». 

uvije cé o nome que dSo á 
felpa dos cobertores». 

múipoxipo c baeta». 

makuba cé o nome que dão 
á linhagem grossa». 



Armas, instrumentos e outros utensílios 



uta cera a arma de flecha; 
depois que conheceram a 
espingarda ficaram cha- 
mando a esta uta e aquella 
uta úa mulemo (arma de 
corda)» 

kaãíago carco». 

mulemo «corda de fibras com 
que apertam os extremos 
do arco». 

seu flecha». 

musaka «aljava». 

Síuje «coronha». 

Utaia «chapa do couce». 

dizuro «canno». 

uviyate «vareta». 

mukuane «cfto». 

ilide «cabeça do cSo». 

kakite «pederneira». 

ruhfxsúe «caçoleta». 

musaú «descanço do cfto». 

mukalío úa pene «mola da 
caçoleta». 



iopo «peça cavada em que 

assenta a caçoleta». 
dise «ouvido, canal de com- 

municação com a culatra». 
kaaabúile «gatilho». 
mulime «guarda-mato». 
dikoza «braçadeira». 
kadtayama «bandoleira das 

espingardas granadeiras». 
musata (de «saia») «o sacco 

em que envolvem a arma 

até um pouco acima da 

fecharia, e que fazem de 

pelles». 
muztiío «lança de ferro». 
mukúba «lança terminando 

em meia lua». 
lUpále «lança com corte dos 

dois lados». 
kaleZele «azagaia». 
òiaakião «lança com ponta 

no extremo e corto d'um 

lado». 



570 



EXPEDIÇ20 POBTUGUEZA AO MUATIInVUA 



ãXbela c farpa de madeira». 

kasaka c farpa de madeira 
mas com maior numero de 
harpSes». 

Zipaza c bengala de ferro ter- 
minando em ponta aguda». 

^isege «bengala de madeira 
terminando superiormente 
em curva». 

dilaaa «bengala de madeira 
mais pequena ornada com 
missangas». 

úune «moca de madeira». 

^mukáali «grande faca: folha 
larga com dois gumes em 
curvas». 

musamuna «uma faca ainda 
maior^ differindo nas sa- 
liências dos gumes». 

rukUa «uma espada com co- 
pos». 

mukoiabale «uma espécie de 
florete». 

mtisokolola «baioneta». 

òilala «bainha». 

mcíia «talabarte». 

rukibo «escudo». 

usage «uma semelhança dos 
nossos varapaus». 

muxía «idem; curto com bas- 
tão em moca». 

pàka «qualquer faca pequena 
ou grande». 

riembe «rapadeira para os ca- 
bellos». 

mukita «peça de ferro». 



mustimuni «cabo de madejya». 

tíluta «machadinha». 

kasaú «machadinha mais pe- 
quena e elegante». 

rukasu «enchada». 

mutopa «cabaça em que ta- 
mam a liamba e também 
tabaco». 

muxía «o cannudo em que en- 
tra o reservatório para o 
tabaco». 

musaka «reservatório». 

pexi «cachimbo». 

òiseke «sombreiro». 

diiu dta úubo «umbella». 

môhúa «palanquim». 

miaele «varaes». 

ISisaje « marimba de ferrinbos » . 

maJcidi «marimba de teclas 
de madeira». 

tumijigo «marimba de caba- 
ças». 

rxibeíe «duas campanulas de 
ferro, ligadas por um arco 
ou régua de metal em que 
tocam com uma vara». 

ruh(ií>o «uma corda que fazem 
vibrar sobre uma cabaça 
com uma vara delgada». 

muona, katoú, ditoao, muze- 
Ide, dilde «apitos, feitos 
de capim, de madeira ou 
de marfim, que segundo o 
numero de buracos e posi- 
çSo para os dedos teem 
aquelles nomes». 



HETHODO PRÁTICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



371 



moao cínstromento de pan- 
cada; uma tora de madeira 
que tomam ôca e em que 
batem com maçanetas de 
borracha». 

ki ou liguvo c instrumento de 
pancada de forma trape- 
zoidal^ trivial em todo o 
continente; toca-se com va- 
quetas, em cujos extremos 
se adapta um revestimento 
de borracha para obter 
melhores sons sobre a ma- 
deira». 

yoma t espécie de tambor, de 
que ha grande variedade; 
toca-se com as mSos nas 
pelles». 



goma ia mvkcUía cé o maior, 

« o das guerras; tem só pelle 
no extremo mais largo em 
que se bate com as mãos. 

kalega cidem, mais pequeno, 
ornado por fora de mis- 
sangas; toca-se com as 
mftos nas pelles de ambos 
os tampos». 

rituía cidem, delgado mas 
alto; frequente nas suas 
danças». 

mvkupda cidem, pequeno, 
com pelle dos dois lados; 
suspende-se ao pescoço pa- 
tocar». 

Uparuma «trompa de caça: 
um chifre». 



UobiUas e objectos de uso doxnestioo 



vlalo ccama». 

mutala «prateleira». 

ditada «banco». 

fntisaú «travesseiro». 

ki' ou òikaga «esteira». 

ttêko «sacco de mabela gros- 
sa». 

Jikidi «sacco pequeno de ca- 
pim secco». 

ISibtdila «sacco para transpor- 
te, feito de fibras». 

Upaúa «uma espécie de mala 
feita de capim secco fcZm- 
A;o^». 



Zip<ãa «uma cesta em forma 
de vaso». 

kapaxa «cesta pequena usual» . 

sapo «bolsa de palha, (capim 
secco)». 

Tfúiri «boceta de palha». 

diaba «caixa cylindrica pe- 
quena, com tampa feita de 
fibras». 

kagalo «uma capaia de pe- 
quenas dimensSes». 

musete «caixa de madeira que 
lhes serve ao mesmo tem- 
po de banco». 



372 



EXPEDIÇIO POBTUGUEZÀ AO MUATIÂNVUA 



dizuZe cuma com tampa feita 
de fibrasi». 

kasase ccanastrai». 

Jcabáôi cuma espécie de ban- 
deja feita de fibras». 

musasa «canastra em que 
transportam as cargas^ até 
trinta kilos». 

muscde cpeneira em forma de 
vaso, feita de fibras». 

lúale «peneira em forma de 
bandeja^ feita de fibras». 

Uêap&ão «prato que fazem 
de madeira». 

dUcuío «bacia feita de madei- 
ra». 

kacipúaói «prato fundo em 
forma de vaso^ com tampa» . 

ZUoaa «prato de louça nossa; 
os d^elles^ análogos, são de 
barro». 

tíega «prato de folha de 
Flandres». 

rupaaa «caneca de louça». 

rusumo «copo de vidro». 

puelete «uma garrafa das nos- 
sas de vidro». 

kapUdete «frasco de vidro». 

íiopo «ftindo de cabaça, por 
onde bebem agua». 

kariba «panella grande de 
barro». 

nugo «panella de barro de 
dimensões regulares». 

mupaji «pau com que mexem 
o iníiinde». 



muvuro cuma espécie de co- 
lher de grande haste, com 
que mexem o malufo». 

iihegele «panella em forma de 
alcatruz». 

soba cuma espécie de garrafiet 
de barrO; de gargalo alto, 
para vinho». 

Jcaaaba cidem, pequena para 
azeite». 

dibugo cuma espécie de jarra 
de barro, que lhes serve 
para cozinharem». 

dtno ou kino «gral de ma- 
deira, formas o grandezas 
diversas». 

múixi CO pilSo ou pau com 
que esmagam a mandioca» . 

iUsupe «cabaça em que trans- 
portam agua». 

kapuaa ha Tnani «cabaça pe- 
quena, que apertam a meio 
collo para azeite». 

rulmgo «cabaça grande pare- 
cendo duas unidas, apro- 
veitando-se a pequena su- 
perior para copo». 

^itaía «cabaça espherica que 
aproveitam para caixa». 

mtmao «cabaça de forma cy- 
lindrica que aproveitam pa- 
ra guardar miudezas». 

nUo ou luto «colher que fa- 
zem de madeira 

musoma «um espeto de pau 
ou dè ferro, por analogia 



BIETHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 



373 



palito ou prego^ de que se 
servem como liós do alfi- 
nete». 

íizagiitlo cpente feito de bor- 
dão». 

òUadilu «qualquer vidro; por 
analogia luneta, espelho». 

mvkahda «uma tira de caba- 
ma com que raspam a lín- 
gua». 

mupala «o pau que lhes ser- 
ve de escova para limpa- 
rem 08 dentes». 

katumúa «uma agulha de cos- 
tura como as nossas». 

aada «algodão em pasta, li- 



nha e também panno de 
algodão». 

kamuburi «um alfinete como 
os nossos». 

disega «uma armadilha para 
peixe, que fazem de vari- 
nhas delgadas». 

kataaa «armadilha para pei- 
xe feita de fibras». 

mujia «armadilha para peixe 
tendo a forma de duas py- 
ramides unidas pelos vér- 
tices». 

Ivkiao «armadilhas fpitas de 
estacas nas margens dos 
rios». 



APRECIAÇÕES DA IMPRENSA 



A Africa é hoje objecto da attenção das naçòes europêas, e cada uma 
d*ella8 procura deixar lá assignalada a sua ingerência ou o seu predomi* 
nio. Pois bem : onde quer que appareça uma denominação portuguesa, ou 
uma feição de escripta portuguesa em um nome local ou pessoal indí- 
gena, ficará indelevelmente assignalada a nossa interferência; esse ves- 
tígio, por ténue que pareça, é documento autentico, é monumento dura- 
douro da nossa influencia no Continente Ignoto. 

Yae ser publicado em breve mais um trabalho de altíssimo valor, e 
que confirma, com os que o precederam, o nosso empenho em contribuir- 
mos para se desacompanhar de tal epitheto a parte do mundo de mais 
remotas eras visitada e explorada, e ainda hoje tão imperfeitamente 
conhecida. 

Esperámos do patriotismo, da sisudez e do saber do seu auctor que 
terá em attenção o que deixo exposto, e que reivindicará com as formas 
portuguesas dos nomes africanos o nosso predomínio, contestado mas 
incontestável entre aquelles povos. 

Dê e restitua o sr. major Henrique de Carvalho as denominações 
com feição portuguesa a todos os nomes cafiriaes que houver de mencio- 
nar, e fará assim um grande serviço ás sciencias geographicas entre nós. 
Creia que receberá por isso applausos, dentro e fora do pais, da parte 
de todos os qUe, sem interesses mesquinhos compromettkios ou em per- 
spectiva, aguardam anciosamente a narrativa da nossa expedição ao Mua- 
tíânvua, e os resultados scientificos que d*essa laboriosa peregrinação 
se obtiveram. 



(A. B. Gonçalves Viaitiia, in Revièta de educação e ennno, n.<* 10, 
outubro de 1888, pag. 219.) 



376 EXPEDIÇXO POBTUGUEZA AO 1ÍDATIÍNVUA 

Hekbiqub db carvalho. — Methodo pratico para foliar a Ungua lu$èda 
(Lisboa 1888, — em via de pnblicaçSo) — Vocabulário dos diaUctoe afri- 
canoê de vários povoe (Lisboa, idem. — Idem). 

Como se sabe, as linguas de Africa nlo só sâo muito numerosas, mas 
formam diversos grupos e familias. Entre estas ultimas, uma das mais 
extensas é a fieunilia banto, a que pertence a lingua lunda, próxima pa- 
renta da bunda. A familia banto abrange com efieito toda a Africa ao 
sul do equador, com excepção da área em que domina o grupo botten- 
totebuxman. 

O estudo d'aquella familia interessa-nos, pois, a nós portugueses, por 
isso que alguns dos estados de Portugal estão nos domínios d*ella. 

Também nós, ha séculos, quer com fins scientífícos, quer com fins prá- 
ticos das missões cbristãs, não temos deixado de a estudar. A lista dos 
trabalhos que existem é já longa, e eu publical-a-hia agora aqui, se ella 
não estivesse para apparecer no numero da minha Revista Lusitana, pró- 
ximo a sair do prelo. Custaram-me portanto a ler as seguintes linhas com 
que o inglez Roberto Cust, no seu livro As linguas de A/rica, Paris 1885 
(trad. fir.), pretende amesquinhar-nos : «Os portugueses occupam ha mais 
de dois séculos a bacia do Zambeze, no emtanto isto não fez adeantar 
cousa alguma a sciencia linguistica» (pag. 25). £ uma falsidade. O pró- 
prio auctor encarrega- se, porém, de a desmentir noutro ponto da sua 
obra. 

Diz elle: «A existência de grammaticas e vocabulários das linguas 
bunda e congo, preparados dois séculos atrás pelos missionários portu- 
guezes, era um facto averiguado, e esses trabalhos excitavam a curiosi- 
dade nas grandes bibliothecas ao lado de um pequeno numero de livros 
ethiopicos da mesma época e da mesma impressão» (pags. IB e 17). 

Então, num caso os portuguezes não deram impulso nenhum á glot- 
tologia africana, noutro caso foram elles quem preparou o movimento 
scientifico nesse assumpto! A contradicção salta aos olhos, e só um fir- 
me propósito de vituperar o nosso nome poderia levar Cust a escrever 
aquellas impensadas palavras que citei em primeiro logar. 

A plêiade dos escriptores portuguezes que se teem occupado das lin- 
guas africanas veiu ultimamente juntar-se mais imi ; refíro-me ao iUus- 
trado e talentoso major, o sr. Henrique Augusto Dias de Carvalho, chefe 
da Expedição Portugueza ao Muatiânvua em 1884-1888. Compenetrado 
d'esta grande verdade — que a pátria não se defende e não se glorifica 
só com a espada, mas também com a penna, e que todo o bom cidadão 
deve fazer alguma cousa em beneficio d'ella, — abalançou-se á empresa 
de escrever os dois livros cujos titulos me servem de epigraphe. 

O Methodo pratico, além do seu destino especial, creio que fornece 
muitos dados, tanto á glottologia africana como á glottologia geral : digo 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUKDA 377 

isto, a julgar pelas folhas que já vi impressas. O sr. major Henrique de 
Carvalho é um observador intellígente, e, embora no campo todo pratico 
em que se circumscreveu, nSo deixa de ministrar muitas notas miúdas e 
de archivar muitos factos curiosos, que de certo hão de interessar bas- 
tante os philologos. Logo no principio do Methodo ha um capitulo sobre 
a linguagem emocional dos negros, que particularmente me agradou. 

Como introducçâo ao seu MModo, o auctor expõe a phonologia, a 
morphologia e a syntale da língua lunda, o que serve de grande auxilio 
aos estudiosos ; de mais a mais elle nio se poupa a minudencias e expli- 
cações. 

O Vocabulário refere-se ás linguas de Malanje, Congo, Cassanje, 
Quiôco, Chilangue e Lunda, mas contém também alguns termos de Ma- 
taba e Canhiuca, tudo acompanhado de vários exercícios explicativos e 
comparativos; acresce ainda uma collecção das phrases mais usuaes do 
dialecto de Malanje. 

D'essa succinta noticia vê-se que o major sr. Henrique de Carvalho 
é um benemérito ; não fugindo a fadigas nem a difficuldades, tentou dotar 
as letras pátrias com uma obra da valia doestas. É isto o que eu posso 
dizer do que por ora ainda só li, e do ponto de vista geral em que me 
colloquei, pois eu não sou africanista, e unicamente um africanista está 
no caso de fazer uma apreciação circumstanciada. 

Vem a propósito observar que seria da maior conveniência que todos 
aquelles que vão como empregados do estado para as nossas possessões 
ultramarinas possuíssem um conhecimento sufficiente das respectivas 
linguas, e o levassem de cá ; para esse iim o governo estabeleceria o 
ensino official d'ellas. Já em 1878 a Sociedade de Geographia de Lisboa 
se lembrou d*isto, mas a proposta não foi por deante. £scusava-se mesmo 
de crear um Instituto especial ; bastava addícionar algumas cadeiras a 
qualquer dos existentes que mais próprio parecesse. 

(J. Lbite ds Vascongellos, in O Dia, n,^ 333, 1888.) 



Da Expedição Portugueza ao potentado africano da Lunda, o Mua- 
tiânvua, resultam vários trabalhos escriptos, constituindo uma serie de 
publicações sobre diversos assumptos relativos á Africa sub-equatoríal. 

D'eUes o primeiro, não na ordem da sua importância ou oppoiiu- 
nidade, mas apenas na de publicação, é o «Methodo pratico para fallar 
a lingua da Lunda», devido ao chefe da expedição, o sr. major Hen- 
rique Augusto Dias de Carvalho, e cujo primeiro frusciculo acaba de 
sair á luz. 



378 EXI»EDIÇ20 POBTUOUEZÁ AO MUATIÍKVUA 



£ tâo raro que entre nós se £Btça um qualquer trabalho de glottolo- 
gia ao par da sciencia, que é indispensável dar conta resumida dos que 
forem apparecendo, e este é um delles. 

É a língua da Lunda um dos numerosos dialectos d^essa família, per- 
feitamente constituída e characterizada hoje, de linguas, a que se deram 
08 nomes de «família banto», e de alinguas cafreaes>, qualquer d^elles, 
em grau e por motivos diversos, impróprio. Chamemos-lhe provisoria- 
mente — família de linguas africanas meridionaes — nome também in- 
conveniente, visto que nessa generalidade se incluiriam a dos Hotteoto- 
tes e a dos Buxemaues, radical e morphologicamente distinctas d^aquellas. 

Como é sabido, esta família de linguas pertence ao systema das deno- 
minadas agglutlnativas, denominação que indica antes um estado de 
desenvolvimento, do que um cliaracteristico. Cabe-lhe todavia no sys- 
tema um logar seu privativo, pela posição que os elementos de relaçio 
grammatical occupam, no vocábulo feito, com respeito ao radical doesse 
vocábulo. 

Ao contrario da maioria dos idiomas agglutínativos, taes elementos 
antepõem- se ao radical, quasi invariável por suffizos, pois que estes sio 
principalmente destinados á derivação, ou modificação, nesse radical, do 
valor attributivo ou qualificativo. 

Nâo cansaremos mais o leitor com a exposição de tal sjstema de lin- 
guas, exposição que pode ver-se desenvolvida em obras especiaes. Basta 
que digamos aqui que o auctor do «Methodo da língua da Lunda» teve 
sempre em vista por diante dos olhos do estudioso a evidencia d'essa 
feição peculiar. 

O primeiro fascículo contém, condensado em 44 paginas, um resumo 
grammatical da língua, e o começo da parte pratica, que occupa as res- 
tantes 20 paginas. O resumo é dividido em duas partes : I Phonologia, 
n Morphologia. 

Sem referencias históricas ou genealógicas acerca doeste idioma, refe- 
rencias e investigações que, sem duvida, se reservam para o voliune que 
ha de tratar da nEthnographia», é a succinta exposição grammatical feita 
com toda a clareza, sem apparato pretencioso de erudição, mas com rigor 
sufficiente de classificação e de nomenclatura. 

A base da transcripção phonetica é a orthographia portuguesa, isto é, 
o valor dos characteres romanos em português, e merece o nosso sincero 
applauso essa preferencia, porque uma grande parte dos nossos escripto- 
res doeste século a têem tido, e ainda mal, em muito pequena considera- 
ção. Assim a firicativa surda paladal vêmo la aqui representada por a;, 
symbolo convenientíssimo mesmo para uma transcripção geral ; e as semi- 
vogaes palatal e labial são figuradas por i, u com o signal de breve so- 
breposto em vez de y, w, que não pertencem ao nosso alphabeto, e que 
estão banidos até por africanistas estrimgeiros. 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 379 

A peculiar nasalisação das consoantes, que consiste em antepôr-se- 
lhes, fundindo-a com ella, a bem dizer, uma consoante nasal homorga- 
nica, é representada pelo til sobreposto á consoante nasalada {=fnp, 
nt, etc). 

A accentuaçâo predominante na penúltima syllaba nSo a marcou o au- 
ctor por ser a própria das linguas cafriaes, como o é da portuguesa e de 
outros muitos idiomas, dos mais d'elles talvez, assignalando com o accento 
agudo ( ' ) sobre a vogal tónica os raros desvios desta regra. O accento 
circumflexo denota as vogaes fechadas ã, ê, ô, como em português. 

8Ío expressos também por diacriticos o eh castelhano e português 
septentrional, e o nA portuguez, diacriticos sobrepostos, respectivamente, 
ás bases c, n. 

Conehte a Parte I do resumo grammatical por uma pagina, em que se 
indica o modo de translitteraçâo para a escripta vulgar portuguesa, sem 
signaes diacriticos, fizando-se assim implicitamente uma orthographia 
usual dos nossos nomes africanos, a qual nos parece racionalissima, e 
que muito conviria fosse adoptada officialmente, evitando-se doesta forma 
as ^lygraphias e a inconsciente imitação estrangeira. 

A competência provada do intelligente e estudioso artista, a quem na 
imprensa nacional foi confiada a direcção da composição typographica, 
se deve o primor da ediçlo, que faz honra á arte portuguesa, e que com- 
pete com o melhor que vemos lá fora neste genoro. 

Pela parte pratica já publicada vemos que ella consiste cm diálogos 
muito bem escolhidos, todos referentes a assumptos africanos, precedi- 
dos de algumas observações grammaticaes e de vocabulários, os quaes 
sem duvida se completarão, como o próprio titulo promette, por algumas 
paginas de texto mais seguido, para exercício de traducçâo e memoraçSo 
das regras grammaticaes. 

(A. R. Gonçalves Viahha, in Bevista de educação e ensino^ 1889, pags. 
151-153). 



Acaba de ser publicado o primeiro fasciculo do Methodo pratico para 
faUar a lingua da Lunda, um dos volumes das diversas obras que por 
conta do governo vão ser dadas á estampa, e nas quaes se dá conta dos 
resultados da expedição portugueza ao potentado africano Muatiânvua, 
commandada pelo sr. major Henrique Augusto Dias de Carvalho, auctor 
do referido methodo. 

N'um meio, como o nosso, eccassissimo em trabalhos linguisticos, não 
podemos deixar de celebrar com applauso o apparecimento de um estudo 
de glottologia africana, em que se observaram com discernimento os 



380 EXPEDIÇIO POETUGUEZA AO MUATLÍNVUA 



princípios Bcientificos, indispensáveis hoje em dia em qualquer obra 
d'esta natureza, não obstante o methodo ter por objecto o ensino pratico 
de um dialecto da familia de línguas africanas, fieunilia perfeitamente 
caracterisada e constituída já pela sciencia como uma das mais homogé- 
neas, qualquer que seja o ponto, de costa a costa, em que os seus innn- 
meros dialectos sejam fallados. 

O methodo pratico é precedido por um resumo theorico, redigido com 
muita clareza e concisão, e pelo qual se pode formar idéa sufficiente- 
mente nítida, das feiçÒes grammatícaes doeste idioma. 

A transcripçâo, scientífica e consequente, tem por base o valor usual 
dos caracteres romanos em portuguez, o que é muito de louvar, pois, em 
geral, os nossos escriptores não teem em vista esta condição essencial de 
todos os trabalhos análogos, que pretendam obter o cunho de nacionaes. 

Quasi ao mesmo tempo appareceu também no nosso mercado outro 
valioso trabalho glottologico, que se refere igualmente a uma língua 
cafirial. E a Grammatica elementar do Kimhundu ou língua de Angola^ 
escripta em portuguez pelo glottologo suisso o sr. Héli Chatelain, trabalho 
excellentemente concebido e elaborado, e cuja &lta era de ha muito sen- 
tida por todos os que teem de entrar em relações com o gentio d*aquella 
província, visto que este idioma é ali, a bem dizer, a língua de commu- 
nicaçao. 

Sabemos que o seu auctor, a quem são familiares, alem de três línguas 
clássicas — latim, grego e hebraico — , as mais usuaes européas, e entre 
estas a nossa, e a quem se deve já uma cartilha para o ensino da leitura 
do quimbundo aos naturaes, e uma traducção do Evangelho de S. João 
no mesmo dialecto, está preparando para o prelo um vocabulário quim- 
bundo, obra de igual necessidade e urgência, visto achar-se esgotado o 
de Cannecatim, que aliás quasi nenhum valor teria na actualidade, não 
só por ser atrazada e imperfeitíssima a sua execução, mas ainda porque 
a língua ali representada está em parte fora do uso hodierno. 

Dois volumes constarão, entre os trabalhos do sr. major Henrique de 
Carvalho, de vocabulários portuguezes cafreaes e vice- versa, o que é ou- 
tra boa notícia. 

A transcripçâo adoptada pelo sr. Chatelain na sua grammatica quím- 
bunda é também baseada na orthographia portugueza, constituindo ella 
assim uma obra, a bem dizer, nacional, pelo que merece o seu auctor 
franco applauso nosso : diverge essa transcripçâo, na essência, da ado- 
ptada pelo sr. major Carvalho, apenas na quasi completa abstenção de 
signaes diacriticos, não só porque n^este dialecto elles são pelos modos 
menos necessários, mas também provavelmente porque d*esta maneira 
se facilitou a sua composição typographica. 

A edição, feita em Genebra, é bellíssima, o que é tanto mais de admi- 
rar, quanto, conforme o seu auctor confessa, as três línguas ali empre- 



MISTHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUKDA 381 

gadas, portugaezy inglez e quimbundo eram totalmente desconhecidas dos 
compositores suissos. 

£m Lisboa encontra-se por emquanto á venda somente na livraria 
Evangélica, e o seu custo é de l^SõO réis, módico na verdade. 

Do methodo da lingua da Lunda não nos consta que hajam sido ex- 
postos ao publico exemplares sufficientes, sendo de presumir que se lhe 
aguarde a conclusão para tal fim. 

A edição é perfeitisima e honra a Imprensa Nacional e o intelligente 
e estudioso artista que a dirigiu em parte, affirmando de novo a sua 
especialíssima, rara e já provada competência para trabalhos doesta 
ordem. 

Qualquer dos livros, de que eentimos não poder dar mais extensa 
conta aqui, deve occupar o logar que merece nas estantes de todos os 
estudiosos, e não digo já somente dos que á glottologia se dedicam, mas 
igualmente de todos os que se interessam pela Africa e pelos seus po- 
vos, ou que com estes tenham de tratar occasional ou permanentemente. 

(Os Debates, n.« 223, 1889). 



Cet ouvrage fait partie de la collection fort importante de publica- 
tions de Texpédition portugaise chez le «Muatiânvua», souverain dupays 
Lunda. Cest, comme j'aimerais à le voir indique dans une courte préfa- 
ce^ la monographie théoriqnc et pratique d'un idiome bantou du groupe 
Occidental (Congo), le lunda, 

Monsieur Carvalho, qui a passe quatre ans dans le pays et connait 
três bien de lunda et d^autres dialectes bantous, joint à ces qualités de 
chef d'expédition et d'explorateur, une réelle aptitude linguistique et 
beaucoup d'honêteté scientifique. Mais personne n'est univcrsel, et M. C* 
n'est ni linguiste, ni maitre phonétique de profession : rien d'étoiinant 
donc, si tout en admirant son ouvrage, je dois faire quelques reserves au 
point de vue de Tcxactitude phonétique et de la olarté pédagogique. 
Quelques points sont même si obscurs que j 'ai ád pour les éclairer m*ad- 
dresser à M. Yianna, linguiste portugais des plus distingues, qui a vu 



* Vcja-M o prefacio i grammatloa, no qual eite 6 outros reparos do notável critico estto 
respondidos. O artigo critico, a todos os respeitos interessante e imparcial, está escripto em 
notaçJU) phonetica, qne teve de ser reduzida k orthographia normal francesa pelo sr. Gon- 
çalves Vianna, a quem em vários passos o sen anctor se refere. Este periódico mensal vae 
Ji no qninto anno da soa pnblicaçAo, e é tido em mniU consideração pelos glottologos e 
professores de línguas. 



382 EXPEDIÇXO POBTUGUEZA AO MUÀTIÍNVUA 

et entenda à Lisbonne des babitants da Landa. H m*a repondo, avec 
une obligeance que j 'avais déjà mis à Tépreuve, une lettre fort interes- 
sante, dont je profíterai largement ponr la rédaction de cet article, et 
qui me permettra de combler quelques lacunes du vMtthodo Pratico: 

Le premier fascicule qui vient de parutre se divise en deux parties : 
1® pbonologie ; 2« morpbologie. 

I. PhoTiologie. Nous j trouvons d*abord une énumération des signes 
au moyen desquels M. C. note les sons, plutot qu'une description de ces 
sons. Pour décrire d'une façon à la fois scientifíque et pratiqne les sons 
d'une langue, il faut : 1® donner leurs équivalents approcbés dans les lan- 
gues les plus connues; 2^ les décrire physiologtquement Or c^est 
presque uniquement avec les sons portugais (à cinq ou six ezeeptions 
prés) que M. C. compare les sons lundas, et le manque absolu de descri- 
ption pbysiologique se fait d'autant plus sentir que certains signes, par 
exemple h, d, /, g, j, k, n, p, t, v, z, c tildes sont par eux mêmes embar- 
rassants. Heureusement M. Yianna me permet de les expliquer: «c^est 
tout simplement mò, ndf etc. Le tilde y tient lieu de la nasale bomorga- 
nique parasitaire qui precede immédiatement la Mcative ou Texplosive.» 
Quand à h c^est «à-peu-près Titalien (daj noi, atmo, si ce n*e8t que 
rélément vocalique est plus perceptible dans les mots bantousa. C^est 
donc un n long. Enfin x et í^, valent respectivement eh et tch, Mainte- 
nant pourquoí M. C. emploit-il des signes simples pour représenter des 
sons composés? Cest d'abord, me dit M. Yianna, pour ne pas suggérer 
au lecteur portugais une fausse prononciation, les consonnes nasales 
apuyées signifíant en portugais : nasalisation de la voyelle precedente : 
mlunda serait interprete luda,» 

Toute la transcríption d^aiUeurs est faite au point de vue exdusive- 
ment portugais, ce qui en rend Fintelligence fort difficile poor ceux qui 
ne connaissent pas le sjstème pbonétique três complique de cette langue. 
Cest là, me dit M. Yianna, une «necessite patriotique: beancoup de 
mots bantous reviennent sans cesse sous la plume d'écrivains portugais, 
il faut qu'ils éprouvent le moins d'aItération possible en passant d'ane 
langue à Tautre». 

Notons quelques faits intéressants ; ils abondent C*est Tinstabillté 
des consonnes : d, l, et r; — j\ etz; — v, et/, — tM et ht, se confondent 
et changent fréquemment Cest Tavancement de Taccent tonique sur 
la demière syllabe lorsqu^il y a liaison : uáto mais uatóuaptf — puis le 
cbapitre sur les contractions et élisions, et sur les abréviations. Mais 
ce qu'il y a de tout-à-fait curieux, c*est le cbapitre relatif aux «interpo- 
lações»: M. C. y décrit des interjections et mouvements de tout le corps, 
qui rendent le discours plus empbattque et suppléent même à certaines 
lacunes du langage parle. Nous y voyons à quel point le geste fait par- 
tie du langage conscient de ce peuple primitif qai exprime les divisions 



HETHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 383 

da jour, rindication des chemins, des distances, des hantenrg, des épais- 
seurs, etc., presque uniquement par des mouveme&ts accompagnés seu- 
lement dlnteijections spéciales. 

//. Morpliologie, La seconde partie se subdivise en deux autres : resu- 
me Bjntbétique ; développement ou plutôt exposé pratique. «Le réaumé, 
m*écrit encore M. Vianna, est un ouvrage à part destine à être la par 
ceux qui, ne voulaot pas apprendre cette langue dans un but pratique, 
auront cependaat le désir de se faire une idée exacte de sa structure». 
Cette explieation aurait été utile dans le •Methodo pratico 9, ou mieux 
encore, j^aurais, comme M. Vianna, préféré voir paraitre le résumé séparé 
de Texposé, et constituant à lui seul le premier fascicule. 

Passons aux détails : le résumé iyntMtique contient des observations 
générales sur la grammaire lunda. jy remarque une étude interessante 
sur le role des prefixes des noms : ils servent à la fois pour marquer le 
nombre, pour rattacher au nom Tadjectif, lequel prend le prefixe du 
nom qu'll qualifie, et pour grouper le nom en classes : chaque prefixe 
était primitiyemente une étiquette accolée au nom d*une certaine caté- 
gorie d^objets : le nom désignant des personnes (fils, femme, esdaye) 
avait pour prefixe mou au singulier, a au pluriel. Le nom désignant des 
phénomènes naturels (vent, pluie, etc) avait pour prefixe lou ou rou au 
singulier, et^i au pluriel. Cette régularité qui paraít ayoir existe autre- 
fbis s'est d'ailleurs altérée par suite de difiPérentes causes : aujourd^hui, 
des noms présentant ayec ceux de telle classe une analogie de forme 
(et non plus de sens), entrent dans cette classe; si bien que des mots 
dont le sens est presque identique peuvent être separes en deux diffé- 
rentes : ainsi trois mots désignant un coup avec la main ou le pitd sont 
separes en deux classes et reunis dans Tune avec les phénomènes natu- 
rels, dans Tautre avec les parties du corps humain. 

Je youdrais m'étendre sur les remarques relativos aux autres parties 
du discours. Je ne puis, faute d'espace, que noter dans les formes três 
synihétiques des verbes; une tendance déjà marquée vers les formes 
analjtiques : les fdturs se forment souvent avec Tauxiliaire venir, et 
Tancien conditionnel synthétique, dont se souviennent encore les vieux 
babitants, est aujourd'hui remplacé par Temploi, selon les cas, des verbes 
que M. C. traduit par qutrtr, dea^ar, ir, vir, c^est-à-dire vouloir ou 
aimer, désirer, aller, venir, 

Dans Texposé pratique, M. Carvalho reprend toutes les parties du 
discours portugais, et leurs équivalents lundas. Tantòt il resume d*une 
façon dogmatique et dans un but pratique ce qui a été exposé en détiul 
dans la partie precedente, et alors nous n'avons qu'à louer cette méthode 
excellente et três peu pratiquée, tantôt il ne fait que répéter presque 
dans les mêmes termes. Les régies sont suivies d*un vocabulaire, des- 
tine sans doute à être appris par coeur pour servir de préparation aux 



384 EXPfiDIçZo POBTUGUEZA AO MUATIAnVUA 

ezercices qui suivent Ceuz-ci consistent en phrases lundas avec trada- 
ction portagaise, disposées de façon à décliner un verbe tout en servant 
d'ezemple auz régies precedentes : «je tiens une cuillère, tu tiens un 
drap, etc. Je ne yois guère Tutilité du yoeabulaire puisque tons les mots 
qull contient se retrouvent avec leur traduetion dans les ezercices. 

Les critiques que j'ai faites au livre de M. C. et celles que nos lecteors 
j ajouteront peut-étre d'après mon compte-rendu, seraient graves si elles 
B^addressaient à un ouvrage de millième main, comme la plnpart des 
grammaires des langues les plus connues ; elles ne sont rien quand elle 
B^addressent à un ouvrage de découverte, et elles disparaissent devant 
le mérite três réel de Touvrage de M. C. Nous devons le remerder 
d'avoir entrepris et mené à bien une étude qui n*était pas sa spécialité 
et qui est difficile méme pour les spécialistes. 

(Jban Passy, Neuilly êur Seine, in Le Mattre Fonétique, mai 1889.) 



Henrique Avgttsto Dias de Carvalho, Mkthodo pratico PÁmA PAixAm ▲ 
LiMGUÁ DÁ LuMDÁ. Lisboa (Imprensa Nacional), 1889, in-8®, 64 pag. — 
Depuis que la conférence de Berlin a reporte le long du Quango la 
frontière orientale le leur colonie d*Angola, les portugais se sont mis à 
étudier le territoire ajouté à leurs possessions et ont poussé leurs ezplo- 
rations au dela du Quango, dans le pays de Lounda, dont le souverain, 
le Muata Yamwo, est le plus puissant des róis nègres. Une grande 
ezpédition, commandée par le major d*infanterie Dias de Carvalho, a 
récemment traversé le grand empire et atteint les rives du Kallauji (en 
portugais Calanhi). D a été publié sur cette ezploratíon une série de 
mémoires qui en ezposent les résultats à tous les points de vue : géogra- 
phique, ethnographique, linguistique, etc. L'un des plus interessante est 
celui que nous avons sous les yeuz : dô à la plume du chef méme de 
Tezpédition, il foumit une méthode pratique pour a{yrendre la langue 
du Lounda. Nous ne pouvons dire quelle étendue aura cet ouvrage, car 
nous n'en avons reçu encore que le premier fascicule composé de 64 pa- 
ges, mais il nous suffit pour reconnaitre que la méthode dont il 8'agit, 
ezposée avec clarté, est réellement simple et pourra être employée avec 
succès par les voyageurs et par les cólons du Lounda. 

Les diz-sept premières pages sont consacrées à la phouologie, c*est- 
à-dire à Tétude des sons, des lettres et de leur permutation, chapitre 
difficile, sana aucun doute, car on sait à queis obstades se heurte la 
transcription des sons d*une langue afiricaine dans une langue enropéen- 
ne. Ensuite vient le traité de la forme des mots et de leurs transforma- 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 385 



-tioiís, en d^autres tennesj.là morphologie.Les régies relaitivesàTarticle, 
au substaotif, à Tadjectif, au pronom, à la formation du pluriel, etc,, 
sont successivement passées eh revue ; plusieurs paragraphes sont con- 
sacrés à des exercices rediges sous forme de conversation, dans lesquels 
les principales régies de la grammaire trouvent leur application. 11 8'agit 
là d'une oeuvre originale et sérieusement faite, de nature à intéresser les 
philologues aussi bien que les yojageurs dans le centre de PAfrique. 

(U Afrique explorée et civilisée, n" 7, Juillet 1889.) 



Do nosso illustre africanista e benemérito explorador o sr. major Hen- 
rique de Carvalho recebemos a parte publicada de um dos livros que 
4^onstituem a obra valiosissima da sua expedição ao Muatiânvua. Intitu. 
la-se — Methodo pratico para fallar a lingua da Lunda, contendo narra* 
coes historícas dos diversos povoa. 

Este livro vae em paginas 224 e é de certo um dos mais interessantes 
e dos que revelam mais lúcido estudo e paciente investigação entre os 
que formam o vasto relatório da expedição que Henrique de Carvalho 
dirigiu com superior critério e brilhantíssimo êxito. 
i Pouquíssimas expedições africanas terão dado tâo largos e provei- 
tosos estudos como esta. £m nada menos de nove volumes se enthesou- 
ram todas as riquezas de observação e ensinamento colhidas pela missão 
politico- scientifíca ás terras da Lunda. Se a descripção da viagem é 
interessantissima, se o estudo ethnographico e histórico é de altíssimo 
valor, se os trabalhos acerca de climatologia e meteorologia são precio- 
sos, se valem muito as noticias sobre producçoes naturaes, se os mappas 
e diagrammas são primorosos, a Methodo da lingua Lunda representa 
uma tare& laboriosíssima de investigações e vale um relevante serviço 
á sciencia e á civilisação e um titulo honrosisslmo para o paiz. 
« . Ninguém faz idéa do trabalho paciente que este livro custou e do es- 
tudo enorme que exigiu ao auctor ! O sr. Henrique de Carvalho teve de 
aprender uns poucos de dialectos, de gastar longos dias no sertão em 
investigações directas, e tem tido necessidade de estudar aqui os seus 
próprios apontamentos e de colher lição dos homens entendidos n'esta 
espécie de estudos para organisar um methodo completo da lingua da 
Lunda, organisado segundo os modernos processos. 

É de grandíssimo valor o serviço que o seu livro vae prestar ás ex- 
pedições commerciaes e scientiíicas n'aquelle vasto e importantíssimo 
paiz, e é grande o brilho que este livro dá á nossa obra civilisadora nos 
sertões. 

25 



386 EXPEDIÇXO POETUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

Na Africa nSo procnrâmoB apenas o dominio politico, não nos apoiá- 
mos á nossa antiga tradição épica, alheiados do movimento scientifíco 
moderno, também sabemos estudar, e á medida que radicámos o nosso 
dominio culto vamos ampliando os limites da civilisação. 

Temos estudos antigos acerca de algumas línguas da Africa e do 
Oriente, mas esmorecemos n'esta ordem de trabalhos utilíssimos e de ha 
muito que estávamos abaixo das nossas próprias tradições e tínhamos 
abandonado o encargo aos estrangeiros. Era uma vergonha de que nos 
estamos resgatando agora. A obra do sr. Henrique de Carvalho é mais 
do que um resgate ; é uma affirmaçâo nobilissima. 

O próprio trabalho material do livro tem imposto ao auctor porfiado 
e incessante labor, para tornar a sua obra perfeitamente comprehen- 
sivel. Os próprios signaes convencionaes representam um largo estudo 
dos methodos modernos de linguistica e correspondem ao empenho de 
tornar o livro bem claro e intelligivel. 

Na parte do livro com que a amabilidade do auctor nos honrou vêem 
já largamente tratadas a phonologia e a tnorphologia da língua e uma 
parte da sua syntaxe. 

Foi para conhecer bem a ethnograpliia e a historia do paix que ex- 
plorava que o sr. Henrique de Carvalho aprendeu a língua Lunda, tão 
importante que o seu estudo é valioso para o conhecimento da língua 
ambnndaf a língua primitiva de Angola, e dos dialectos do Congo e das 
regiões do Cuango e do Lualaba. 

Repetimos : é valiosíssima a obra scientifica da expedição ao Mna- 
tíânvua, como foi importantíssima a sua missão politíca. 

Ninguém a imaginava de tanta valia, e maravilha agora o silencio 
iníquo, a índííFerença deplorável que tem obscurecido esta fecunda e 
gloriosa expedição scientifica. 

Vão-lhe fazendo agora justiça, tardia justiça, mas chegou emfim. 

A nossa pena ó que a obra toda se não tome conhecida da Europa 
pela versão nas línguas mais conhecidas. 

Ao sr. Henrique de Carvalho o testemunho do nosso reconhecimento 
pela preciosa offercnda. 

(Esquerda Dynastica, n." 499, 1889.) 



Nas publicações acerca da expedição portuguesa ao potentado da 
Lunda, adoptou o seu chefe, o major Henrique de Carvalho, uma ortbo- 
graphia para os nomes próprios e para outros vocábulos africanoa, que 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUNDA 387 

no texto pullolam, a qual nSo é mais que a regularisaçSo da escripta 
portuguesa tradicional, que sempre fora empregada pelos nossos escri- 
ptores. Seria muito para desejar que todos o imitassem. N&o ha nenhum 
individuo que saiba ler português, que não possa pronunciar aquelles 
vocábulos e nomes, que, doeste modo, sem destaque, se fundem no léxico 
português, ao qual ficam pertencendo. 

Na grammatica da lingua da Lunda, na qual uma transcripçSo scien- 
tifica foi adoptada, ha uma pagina consagrada á conversão d*esta na que 
o auctor usa em todos os demais livros de que se compòe a publicação. 
Essa pagina deveria ser lida por todos os portugueses que houverem de 
escrever nomes africanos. 



(A. E. Gonçalves Vianha, in O Dia, n.» 746, 1890.) 



Já por diversas vezes nos temos referido aos importantes trabalhos 
do chefe da Expedição Portugueza ao Muatiânvua, o distincto major 
do estado maipr de infanteria Henrique Augusto Dias de Carvalho, e 
promettemos voltar de novo ao assumpto logo que tivéssemos conheci- 
mento das obras que, sobre a dita expedição se estão imprimindo na 
Imprensa Nacional. 

Uma das obras que temos presente, e em que mais se nota a paciente 
investigação do auctor, é o «Methodo pratico para fallar a lingua da 
Lunda», cuja impressão já alcança a pagina 335 do respectivo volume. 

No prologo diz o auctor : 

«Preparado com um importante vocabulário de seis dialectos diver- 
sos e possuidor de um bom numero de regras grammaticaes, procurei 
fixar os sons, as formas e o sentido das palavras que ia escrevendo en- 
tre os povos com quem x^onvivi ; e achando-me na capital da Lunda, por 
onde, tudo me leva a suppor, passaram as correntes da emigração da 
maior parte dos povos, que, com o tempo, se foram espalhando de além 
do Cassai para áquem do Cuango, e com essas emigrações em differen- 
tes épocas, as linguas que a tradição lhes legou; resolvi organisar um 
trabalho inteiramente pratico e escripto na mesma região em que me 
encontrava. 

«Julgo que preenchi uma grande lacuna nas linguas agglutinativas 
da Africa Central austro-occidental, porque até ao presente ainda não 
appareceu uma monographia abundante de vocábulos, de regras gram- 
maticaes e foctos phraseologicoB bem caracterísados, como esta, em que 



388 EXPEDIÇXO POETUGUEZA AO MUATIÂNVUA 

me gaiei pelos modernos processos de investigação, e que denominei — 
Methodo pratico. 

«Dividi este methodo em três partes: phonologia, morphologia e 
syntaxe. 

«Em cada ama d^ellas, conservando a evolução natural e communi- 
cativa por muitos exemplos, exercícios e narrações, procurei justificar as 
deducções a que fiii levado, e o leitor pode ir construindo phrases e ver- 
ter alguns trechos, á medida que for assenhoreando-se dos vocábulos e 
regras que se vao apresentando». 

Effectivamente, como muito bem diz o major Carvalho, preencheu 
uma grande lacuna nos estudos das linguas agglutinativas da Africa 
Central e com isso prestou um grande serviço á ethnographia e á histo- 
ria dos povos que habitam nessa região do continente negro. 

Está hoje sufficientemente demonstrado o grande valor que para a 
ethnographia teem os estudos glotticos, e este valor tanto mais augmenta 
quanto se dá com estes povos a circumstancia de nâo terem escripta pró- 
pria em que possam fixar os factos da sua historia, que só por tradição 
são transmittidos de gerações em gerações. 

Além d'isso o Methodo é um grande auxilio para os viajantes e ex- 
ploradores que teem de percorrer a Africa Central, onde os dialectos pre- 
fixativos que ahi dominam se assimelham, derivados quasi todos de um 
idioma commum que se subdividiu depois com o correr dos tempos e 
com as diversas correntes migrativas nesses dialectos. 

O major Carvalho também no capitulo II da sua Ethnographia e His- 
toria dos LundaSf faz um estudo completo dos caracteres linguisticos que 
dominam entre os povos a que ellc muito propriamente denomina de tus 
ou antas. O Methodo^ c os Vocabulários que estão no prelo, são, por assim 
dizer, o complemento e a applicação pratica d'esse estudo. 

# 
# # 

Depois do portuguez Francisco Maria de Cannecattim, appareceram 
de importância os trabalhos sobre linguistica africana de James F. Schon 
de Schweinfurth, de A. F. Nogueira, de José de Almeida da Cunha, de 
Héli Chatelain, e, muito recentemente, do missionário Bentlev. 

Cannecattim, na sua Collecção de observações grammaticaes sobre os 
dialectos de Angola denominou de bundo ou bunda a língua que abrange 
todos esses dialectos ; mas o major Carvalho discorda, e, emquanto a nóe, 
com razão, da significação que esse escriptor dá áquelle vocábulo. 

O bundo é um idioma que deu origem aos differentes dialectos que 
se foliam na nossa província de Angola — é a lingua dos invasores, doe 
imbundo (plural de quimbundo «invasor»). 



METHODO PRATICO DÁ LÍNGUA DA LUNDA 389 



Pelas tradicçoes que existem está quasi demonstrado que, em diver- 
sas epochas, do N.-E. de Africa differeutes migrações seguiram para a 
região de que se trata, n2o tomando todas o mesmo caminho, mas, pelo 
contrario, dispersando-se em differentes sentidos, nas direcções Occiden- 
tal, oriental e meridional do continente negro. Esses povos reuniram-se 
em diversos centros, para, de novo, se dispersarem em correntes migra- 
tórias secundarias, soffrendo as influencias do meio differentc em que 
entravam e, pelos cruzamentos com os povos já existentes, modificações 
ethnicas importantíssimas. 

A lingua modificon-se' também em dialectos differentes, pelo contacto 
com as de outros povos, principalmente do sul, os Boximanes e os Hot- 
tentotes. 

Essas modificações soffridas pela primitiva lingua bunda observam- 
se também nas outras linguas africanas que Hovelacque com razão diz 
serem independentes. 

Hovelacque rejeita a denominação de cafreal para o grupo de diale- 
ctos de que estamos tratando e applica-lhes a de bântus^ apresentando 
as classificações de Miiller e do dr. Bleek, que nem uma nem outra sa- 
tisfazem, como muito bem diz o major Carvalho, na sua Ethnographxa^ 
ás exigências da sciencia. 

. Os srs. Nogueira e Cunha, nos seus estudos sobre os dialectos falia- 
dos no interior de Mossamedes e na província de Moçambique, rejeitam 
tamb.em a designação de bântu do dr. Bleek, pelo que merecem o apoio 
do major Carvalho, que, na pag. 124 da sua Ethnographia, diz : 

«Mas por que razão, estudados mais ou menos diversos dialectos de 
uma lingua a que os nossos antepassados, os primeiros a quem se devem 
os conhecimentos da linguistica africana, chamaram lingua bunda, se nâo 
deviam reunir sob a mesma denominação todos os outros dialectos que 
se fossem estudando e com aquelles tivessem afinidade de vocábulos e 
de principies grammaticaes e ainda outros laços que podessem prender 
os povos que os faliam? 

«Era muito mais acertada a denominação de línguas dos invasores, 
que a moderna de pesêoas^ quando outros motivos não houvesse para a 
rejeitar. As invasões deram-se para as costas occidental e oriental e com 
ellas de certo veiu a lingua originaria, que se foi modificando com o 
tempo nas localidades onde se foi fixando e misturando com os dos po- 
vos distinctos de norte e sul, que vieram ao seu encontro. 

«E em virtude d^esses últimos que se sentem mais differenças nos dia- 
lectos das tribus que povoam a região central na direcção da linha N-S. 
do que na de E.-O.» 

Depois, na mesma obra, o distincto explorador demonstra, da pag. 
125 a pag. 180, qual o erro em que Hovelacque caiu, querendo justificar 



390 EXPEDIÇXO POETUGUEZA AO MUATIÂNVUA 



a denominação de bârUu que elle erradamente interpretou por «homem» 
e termina : 

«Postos estes princípios em evidencia vê-se, pois, que tu, du, lu^ ou 
mesmo hlu ou thu, quer sejam ou não articulações nasaladas, são a raiz 
do vocabulário que designa o indígena de toda a vastíssima região que 
occupam as tribus consideradas ; e, aparte os defeitos de audição do inves- 
tigador ou as pronuncias dos indivíduos d^essas tribus, e considerando 
ainda que o n por t só apparece nos povos mais distantes, pode accei- 
tar-se que todos esses povos se denominam tu ou antu e que como os 
dialectos que elles faliam estão subordinados a uns princípios granmia- 
ticaes que assentam sobre concordância, alterações, omissões e justapo- 
sições de prefixos, constituem ellas a família de línguas de prefixos que 
se pode denominar de línguas prefixativas ou de prefixos, quando se não 
queira admittir a de língua ambunda dos nossos antigos, que devia te 
a priíAazia». 

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E sobre os dialectos d'essa língua originaria, que se faliam na Lun- 
da, que principalmente trata a nova obra do major Carvalho, que fialta 
de espaço nos inhibe de analysar detidamente. 

Héil Chatelain publicou ultimamente a sua Grammatica do Quimbun- 
do, ou língua de Angola, e o missionário Bentley a sua obra sobre os 
dialectos do Congo; mas nenhum d'elies mostra uma tão alta competên- 
cia como o nosso explorador no assumpto de que se trata. Bentley, até 
de caso pensado, mostra ignorar a grande influencia que exercemos nos 
dialectos fallados na região congoense. 

Com a publicação doesta obra e com a dos Vocabulanos, que estão no 
prelo H. de Carvalho presta indubitavelmente um enorme serviço á 
Ethnographia e á Linguistica e obterá o primeiro logar na lista dos escrí- 
ptores que teem tratado até ao presente das línguas africanas, não só 
pelo valor dos materiaes que pacientemente recolheu durante os quatro 
annos da sua permanência na Africa austro-central, mas principalmente 
pelo methodo e orientação scientifíca com que os soube condensar e 
dispor. 

£ de espantar a paciência, a dedicação e a força de vontade d^esses 
heróicos exploradores que, luctando na Africa com a malária e com as 
péssimas condições de existência, num combate constante com a natu- 
reza, conseguem reagir contra a influencia deprimente do clima, contra 
a nostálgica e enervante influencia das saudades : sós, longe da pátria 
e da família ! 

Que força de vontade ! Que abnegação ! 



METHODO PRATICO DA LÍNGUA DA LUKDA 391 

Nas horas de descanço, no meio do hru-ha-ha dos acampamentos, domi- 
nam o somno, reagem contra os accessos febris, e conseguem registar 
essas notas que depois se tornarão em obras que sâo uma honra para 
a sciencia e para Portugal ! 

£ o mesmo pulso latejante de febre, que tem o vigor para empunhar 
a bandeira da pátria e des&aldá-la aos ventos cálidos do sertão, é tam- 
bém o que sustem a mão do escriptor que em centenas de paginas poe 
á luz da sciencia factos e feitos novos e desconhecidos ! 

£ 08 nossos inimigos que nos calumniem, que nos insultem ; porque 
perante os olhos da Justiça Universal abriremos as obras de Serpa Pinto, 
de Capello e Ivens e de Henrique de Carvalho ! 

{Jornal do Commercio, n.» 10:886, 1890.)