(navigation image)
Home American Libraries | Canadian Libraries | Universal Library | Community Texts | Project Gutenberg | Children's Library | Biodiversity Heritage Library | Additional Collections
Search: Advanced Search
Anonymous User (login or join us)
Upload
See other formats

Full text of "Novo diccionario da lingua portugueza. O mais exacto e mais completo de todos os diccionarios ate hoje publicados, contendo todas as vozes da lingua portugueza, antigas ou modernas, com as suas varias accepções, accentuadas conforme à melhor pronuncia, e com a indicação dos termos antiquados, latinos, barbaros ou viciosos; os nomes proprios da geographia antiga e moderna; todos os termos proprios das sciencias, artes e officios, etc., e a sua definição analytica; seguido de um diccionario de synonymos"

NOVO DIGCIONiRIO 



DA 



língua portugueza. 



o m lum í m (ometii Bt ms os mmim m n pciucm. 

COIVTEMOO 

TODAS ÁS YOZES DA LÍNGUA PORTUGUEZA, ANTIGAS OU MODERNAS, COM AS SUAS VARIAS ACCEPÇÕES ACCKNTOAOAt 

CONFORME Á MELHOR PRONUNCIA, E COM A INDICAÇÃO DOS TERMOS ANTIQUADOS, LATINOS, BÁRBAROS OV 

TICIOSOS.— OS NOMES PRÓPRIOS DA GEOGRAPHIA ANTIGA E MODERNA. — TODOS OS TERMOS PBOPRIOB 

BAS SCIENCIAS, ARTES, OFFICIOS, ETC, E SUA DEFINIÇÃO ANALTTICA. 

SEGUIDO DE UM 

iiiiiiiiili ii Sfiiifiii. 



POR 



écmama ac ^'arca. 



Flclalso Ca^alleiro da €aza «Be Sua llageniade Cavalleiro 
da Ordem de Cbi'i«ito. 



SEGUNDA EDIÇÃO. 



TYJ^OGRAPHIA UNIVERSAL, 

RUA DOS CALAFATES N.* 114. 



1853. 



^% 



''f m fc.- 



HP i,^âÉÍ 



»'iUúÍiJ{u 



^ ris r T 



\s a 1,1 




D. FE 




DO 



■ ■ » 



COM O MIS nmm mmm 



■ Hf! mi 



m 



o AWO». 



IMiíMâKi.'!?/ 




II OQHAHfl]! Q 



l.li IH I 




.3^ 



li 




DA 



língua fostugdeza. 



o 



o, a quarta das vogaes e decima quinta 
letra do alphabeto Portuguez. 

Tem Ires sons ; forte como em dó, lô, pó, 
mór; brando e longo, como em dôr, côr, pôr; 
e surdo e breve como o final em do, choro, la- 
do, talo. 

o, letra numeral entre os Romanos, valia 
II, e com um traço por cima 1 1,000. Na nu- 
meração arábica é o zero. 

Os antigos Romanos a usaram primitiva 
mente em vez de w. 

o, adj. articular ou artigo masculino (do 
Gr. ho, como o escreviam os nossos antigos 
autores, v. g. ho homem), f. a, pi. os, as. 

O, adj. articular de que usamos para desi- 
gnar particularizando cousa, pessoa, ideia ou 
nome coUectivo, v. g.o rio Tejo; o imperador 
da China; o colosso de Rhodes; o século de 
Augusto ; o projecto de fazer communicar o 
mar Roxo como o Mediterrâneo ; o descobri- 
mento da America ; a China, as Índias, as fei- 
ções do sujeito ; as pyramides do Egypto ; a 
invenção da pólvora, da typographia ; o ho- 
mem, o género humano ; as mulheres. 

o, A. usado como relativo, referem -se a no- 
me substantivo, a um adjectivo ou a phraze 
attributiva : ex. este homem não é o que hon- 
tera vi em tua casa. Este cavallo não ó o que 
ganhou o priímio nas corridas. A boa fortuna 
não o ensoberbeceu ; a má não o desalentou, 
t %\\p. A ojbra qão é qual eni 9 esperara, ou 



qual a representaram os amigos do autor. Es- 
ta mulher não ó tão formosa como a pintam. 
Este oílicial não é tão valente como o repre- 
sentam. 

o, substantiva os infinitivos, adjectivos e 
phrazes inteiras, tanto como artigo, como em 
qualidade de relativo, ex. o ser douto, valen- 
te, discreto, virtuoso, isto é, o facto, o dom de 
ser douto, etc. As feias nem por o serem dei- 
xam de serem estimáveis se tem virtudes, pe- 
lo facto ou defeito de serem feias- « Não sabia 
que era vossa esposa ; se soubera que o era, 
seria mais obsequioso, » o facto de ella ser es- 
posa do sujeito. « Ia todos os dias ver a sepul- 
tura de seu irmão, e que o havia de ser sua. » 
Nesta ultima phraze o denota o destino futu- 
ro da sepultura. Morrem, soffrem, padecem 
muitos, que o não merecem, que não mere- 
cem essa sorte. Ha verdades que a nós não o 
parecem, não parecem taes ou ser verdades. 

o, artigo, não se usa com nomes próprios de 
homens, excepto quando se particularisa o 
individuo, v, g. Camões é o Virgílio portu- 
guez. O nosso Camóes, o Camões, isto é, o 
poeta ou o celebre vate. 

o, por lhe, aelle, & eWe. Nãoopode{[hQ\ 
resistir. Ella o queria perdoar, a elle. 

ó, abreviação de Ao, encontra-se nos po^ 
tas, e até nos prosadores antigos, e em Vieira- 
Pergunto ó (ao) mar. Vk ó (aos) pés. Ó m$-' 
nosy ao menoflit % 



OBD 



OBE 



ó 1 ou OH í interjeição de exclamar, cha- 
mar, admirativa ou de magoa, desejo, ironia, 
etc. O Pedro ! ô filho l ó que maravilha I 
ó Deus ! 

ós, s. m.pl. beberetes e merendas que se 
davam nas calhedraes, coliegiadas e mostei- 
ros nos sete dias antes do Natal, começando 
no dia de Nossa Senhora denominada do 0. 

OAKAM, (geogr.) cidade de Inglaterra, ca- 
pital do condado de Rutland , a 7 léguas 
S. de Leicester ; 2,000 habitantes. 

OAKHAMPTON, (geogr.) cidado de Inglater- 
ra, a 8 léguas 0. d'Esceter, sobre o Oak ; 
2,100 habitantes. 

OANNES, (myth.) deus chaldeo, civilisador 
da huacanidade nascente, era meio homem, 
meio peixe; saiu do marErythes para en- 
sinar aos homens as artes, a agricultura e 
as leis. 

OARACTA, (geogr.) ilha da Ásia antiga, no 
golpho pérsico. 

OASis, (geogr.) nome dado a diversos lo- 
gares que no meio dos desertos de areia de 
Africa ou da Ásia, oíTerecem agua e vege- 
tação e são uma espécie de ilhas de verdu- 
ra. Os principaes Oásis são : i.'' o Grande 
Oasis\ow. Oásis de Thebas, Oásis magria, 
hoje El-Ouah ou El-Khargeh, a O. do Nilo, 
e a sete jornadas de Thebas e d'Abjdos ; 
2.° o pequeno Oásis , Oásis parva , hoje 
El-Ouah-cl-Dahrijeh, ao N. da procedente 
na região do antigo lago Moeris ; 3.*^ Oasis 
d'Ammon hoje Sionah, a O. do Nillo, e na 
parte da Ljbya, situada ao S. daGyrenaica, 
4.** Oasis interior ou occidental, Oasis in- 
terior, hoje Dakhel a O. do Grande Oasis. 

OAXACA ou GUAJACA, (gcogr.) cidadc da 
America do Norte, capitai do Oaxaca, sobre 
o Rio-Verde, a 90 léguas SE. do México ; 
24,000 habitantes. 

OAXACA (Estado de) (geogr.) um dos Es- 
tados da confederação mexicana, tem por 
limites os Estados dê Puebla ao N. e aO. de 
Vera Cruz ao NE. de Guatemala a E. e o 
Grande Oceano ao S. 6C0.O00 habitantes. 
Capital Oaxaca. 

oií, (ant.) V. Oa. 

OB, prefixo e preposição latina, que designa 
opposição, situação opposta, contra. Vem do 
Egypcio oube, contra, formado de ouei, estar 
distante, distancia, e he, face. V. Obvio, Obs- 
táculo. 

DBA. V. Opa. 

obcecação, s. f. V. Cegueira. 

OBCECAR, V. a (Lat. obca^co, are.) (ant.) V. 
Cegar. 

OBDORiA, (geogr.) nome antigo de uma 
região da Sibéria , ôituada na embocadura 
do Obi, designava as peninsulas entre os 
golphos de Kara o de Obi. Está coberta de 
gí^lo quasi todo o anno. Este paiz está hoje 



compreendido no governo de Tobolsk. Per- 
tence aos gran-duques da Rússia desde o 
século XV. 

OBDORSK. (geogr.) cidade da Rússia Asiá- 
tica, na Sibéria, sobra o Obi. E' a cidade 
mais septentrional da Sibéria. 

OBDUCTO, A, adj. (Lat, obductus, p. p. de 
obduco, ere, pôr, couduzir contra.) (ant.) co- 
berto, tapado. 

OBEDECER, V. tt- (Lat. obcdio, ire, que os 
os etymologistas derivam de ob , defronte, 
diante, e audire, ouvir. Creio que vem de edi- 
co, ere, publicar edictos.) ceder, submeller- 
se á ordem, preceito, executara ordem, o pre- 
ceito, o mandado ; reconhecer-se vassallo, 
prestar vassallagem, v. g. os Circassianos o6«- 
decem hoje á Rússia. — a febre, a doença, 
ceder aos remédios. 

Alguns autores, como Vieira, usaram deste 
verbo em sentido activo, v. g. para obedecer o 
que nos mandares, em vez de no que, como 
hoje dizemos. Melhor os obedeceram, em vez 
de lhes. Não ha razão para que os imitemos. 
Obedecer-se a si mesmo, [loc. p. us.) ceder á 
consciência, á razão. 

OBEDEENÇA, (aut.) V. Obediência. 

OBEDIÊNCIA, s. /". (Lat. O bedicH tia. ) s\ihmiS' 
são á vontade de outrem, superior em autori- 
dade ou em poder ; cumprimento das ordens 
delle. — , sujeição, dominio, v. g. sujeitou 
estes povos á sua — . Ter debaixo da sua — . 
Dar, fazer — , mostrar fazer, dar mostras de 
obediente Levantar a — a alguém, dispen- 
sa-lo delia. Levantar alguém a — , faltar a 
ella, rebsUar-se. — , pequeno mosteiro, ca- 
sa de residência religiosa, mosteirinho. Dar 
— , diz-se do prelado que manda a um frade 
que vá residir em algum convento, ou que fa- 
ça alguma cousa por obediência. 

Syn. comp. Obediência, submissão, kobe' 
diencia ó a acção de obedecer, e a disposição 
habitual a obedecer. 

Neste ultimo sentido é que são synonymos 
a obediência e a submissão, com a diíferença 
que obediência indica particularmente o cos- 
tume de obedecer ás ordens, aos mandados, 
do mesmo modo que são dictados ; e submis- 
são indica uma disposição geral e perma- 
nente, não só para executar as ordens e os 
mandados, senão também para conformar- 
se com todas as vontades, desejos e incli- 
nações dos outros de qualquer modo que se 
dêem a conhecer. 

Pela obediência se executam as ordens que 
se recebem : pela submissão estamos natu- 
ralmente dispostos a executal-as. A obediên- 
cia recae sobro a acção mesma ; a submissão 
sobre a disposição interior do animo. 

Uma pessoa pôde obedecer sem estar sub- 
missa, isto é, sem dobrar sua vontade á de 
outro ; neste caso a obediência é inVolun- 



OBS 



ObL 



taria e forçada , a subjnissão ao contrario 
suppõe sempre a disposição á obediência e 
a promette. 

OBEDiENCiAL, adj . dos 2 g. Potencia — , 
(theol.) capaz de effectuar o que parece con- 
trario ás leis da natureza, v. g. ado fogo pa- 



OBFIRMADO, A,~p, p. de obfirmar, adj. (p . 
us.) firme, conòtanto, renitente. 

OBFIRMAR, V. a. (Lat. obfirmaré), (p. us.) 
porfiar, ser renitente. 

ÓBIDOS, (geogr.) \illa daprovincia doPa 

rá no Brazil, na margem esquerda do rio 

ra abrasar as almas dos condemnados no in- , das Amazonas, perto ^do contluente do rio 

terno. — , s. m. (ant,) qualquer official de j Oriximina, 180 léguas com pouca differen- 



um convento, v. g.o procurador, enfermeiro, 
sacristão. — , o cónego que repartia aos ou- 
tros o dinheiro que se lhe dá cada dia a mati- 
nas, no coro. — , cónego regrante, que está 
com licença fora do claustro. 

OBEDIENTE, ãdj . dos 2 g. (Lat. obediensjis, 
p. a. de de obedio, ire.) submisso ; (fig.) que 
cede, V. g. o navio — ao leme. Signo — , (as- 
trol.j o que declina para o sultanto como o 
imperante para o norte. 

OBEDIENTEMENTE , adv. [mente suff.) com 
obediência, com submissão. 

OBEDIENTÍSSIMO, A, ttdj . superl. de obe- 
diente. Súbditos , filhos — .s, mui submis- 
sos. 

OBEID-ALLAH-AL-MAHDY , (hist.) fuudador 

da djnastia dos califas fatimitas, nasceu em 
88Í, e pertendia descender de Ali e de Fá- 
tima, donde provém os nomes deAlidasou 
Fatimitas dados a seus descendentes. Pos- 
tando-se á frente dos restos dos Karmathas, 
que se julgavam anniquillados, tomou em 908 
o titulo de emir-al-moumenim (commenda- 
dor dos fieis) fundou Al-Mahdyab, que fez 
capital do seu futuro império, acabou o do- 
mínio dos Aglabitas destruiu o império dos 
Edrisitas , tentou debalde a conquista do 
Egypto e assollou as costas da Calábria. 
Morreu em 934. 

OBELiscAL, adj. dos 2 g. de obelisco, «• 
g. forma — . 

OBELISCOS, (hist.) pyramides quadrangu- 
lares muito communs entre os Egypcios. A 
sua altura varia de 20 a 40 metros. Muitos 
dos obeliscos eram monolithos. O seu logar 
ordinário era pouco adiante dos grandes 
templos. Do cume á baze os obeliscos estão 
cobertos de hieroglyphos. Augusto e outros 
imperadores fizeram transportar muitos obe- 
liscos para Roma. Hoje ainda ha treze nes- 
ta cidade. 

OBÍLO, s. m. signal orthographico com 
qne os antigos copistas marcavam as passa- 
gens alteradas dos autores ; era um / atra- 
vessado. 

OBKRADO, V. Onerado, Gravado, Empe- 
nhado, j 

OBERAR, V. a. (Fr. obérer ) V. Onerar, | 
Empenhar. 



ça ONE da cidade de Belém;, e 16 ao OE. 
de Alemquer. 

OBiTO, s. m. (pron, óbito. Lat, obiíus , 
de obeo, ire, ob pre., contra, e ire, ir. O 
termo equivale a que vai adiante, que pre- 
cede os que ficam vivos), fallecimento, mor- 
te. Livro dos — , em que o parocho lança 
os nomes dos defuntos da sua parochia. 

OBJECÇÃO, s. f. (Lat. objectatio, onis] , 
(fig.) argumento, razões com que se com- 
bate, argumento, opinião, doutrina, com 
que se procura dissuadir de projecto, em- 
preza. 

OBJECÇÕES, s. f. pi. (ant.) pertenças, de- 
pendências de uma herdade. 

OBJECTADO, A, p.p. de objcctar, ad/. op- 
posto, produzido contra. 

OBJECTAR, V. a. fLat. objectare, frequen- 
tat. de objicere, ob pref. contra, e jacio, 
ere, lançar), oppor razões, continuar, im- 
pugnar. 

OBJECTIVAMENTE, adj. (mente suíf.) de 
modo objectivo, em respeito ao objecto. 

OBJECTIVO, A, adj. Lente — , nos óculos 
é o vidro que se volta para o objecto. O 
— , subst., o vidro — . 

OBJECTO, s. m. (Lat. objectus), tudo o 
que se põe diante de alguém, de modo a 
ser percebido ; tudo aquillo que os senti- 
dos podem attingir ou a que tendemos, v. 
g.o — do meu amor, do meu desejo. — 
(fig.) tudo o que se apresenta ao entendi- 
mento ; (fig.) matéria, sujeito, assumpto, ex. 
O — que tenho em vista. O — da delibe- 
ração, da questão. Os nossos órgãos são — 
dos corpos. Os ouvidos são — do som, lo- 
cuções de Barros, hoje desusadas com ra- 
zão, porque os órgãos considerados como 
formando parte do nosso individuo só po- 
dem ser olhados como objecto de intelli- 
gencia externa, v. g. das settas, dos tiros 
lançados por alguém contra nós, e não dos 
agentes naturaes, como o ar. 

OBLAÇÃO, s.f. (Lat. oblatio, onis), o ac- 
to de offerecer a Deus ou aos santos ; of- 
ferta, a cousa oífereciíla. Altares cobertos 
de — . 

Stn. comp. Oblação, offerenda. Ambas es- 
tas palavras vem do verbo latino offero, oífe- 



OBESiDADK, s. f. fLat. obcsitãs, tis) (med.)' recer, porém differençam-se em que offeren^ 
nimia gordura. í da é o que se offerece a Deus, a seus san- 

OBEso, A, adj. (Lat. obesus.) (med.) ex-1 tos, a seus ministros ; oblação não se diz 
cessivamente gordo. | sen&o do que se offerece a Deus com certas 

2 * 



8 



OBO 



OBR 



ceremonias estabelecidas pela igreja. A o/fe-r redondado, de maneira que representa o 
renda do pão e do vinho no sacrifício da | plano de um ovo cuja ponta mais estreita 
Missa é uma oblação. Os presentes que os í estivesse para baixo. 



cathdicos fazem 80 altar eiii proveito dos 
sacerdotes ou das igrejas são offerendas e 
não oblações. Toda a oblação é pois offeren- 
da ; porem nem toda offerenda é oblação. 
OBLADAGEM, s. f. (aut.) oblatas, oflertas 
de pão, etc. que os fieis levavam á igreja 
em certos dias de anno. 

OBLATA, s. f. (do Lat. oblatus, p. p. de 
offero, oíferecer), offerta no altar; o vinho, 
hóstia e agua da missa antes de consagra- 
ção. 

OBLATO, s. m. nos mosteiros benedictinos 
menino oíferecido ao abbade, para a reli- 
gião ; o leito ou donato que se oíTerecia pa- 
ra o serviço religioso. 

CBLiDAR, (ant.) V. Obrigai. Creio que é 
erro typcgraphico. 
OBLiGAÇÃo, (ant.) V. Obrigação. 
OBLiGAR, (ant.) V. Obrigar. 
OBLiGAÇOM, (ant.) Y. Obrigação. 
OBLIQUAMENTE^ ttdv. [mente suíí.), em di- 
recção obliqua, de modo obliquo. 

OBLIQUAR, V. a. [obliquo, ardes, inf.), dar 
direcção ou movimento obliquo , torcer. — 
em sentido abs., obrar tortuosamente. 

OBLiQUiDADE, 5. f. (Lat. obliquitas, atis), 
direcção obliqua í — da ecliptica, (astron.) 
O angulo que faz a ecliptica com o equa- 
dor. 

OBLIQUO, A, adj. (Lat. obliquus ; de oò , 
diante, contra, e liquo, ere, correr), incli- 
nado para um lado. de soslaio, deviez; (fig.) 
indirecto. Meios, louvores — , 

OBLITERADO, p. p. de oblitcr^r ; adj. apa- 
gado ; (fig.) destruído, que não deixou tra- 
ços. V. g.Os órgãos da geração — s. 

OBLITERAR, V. a. (Lat. oblitere, are ; ob, 
contra, e litera), apagar, fazer desapparecer 
as letras de escriptura riscando-as ou bor- 
rando-as , (fig.) destruir: v.g. — os órgãos 
da geração ; — do coração o instincto mo- 
ral, a sympathia. 

OBLONGO, A, adj. (Lat. oblongus ; 06 pref 



6 longus) , (geom ) que é mais comp>rido V. Oblata, Offerta. 



OBRA, s. f. (Lat. opera, trabalho, opera- 
ção, obra ; do Egypc» hob que corresponde 
ao Lat. opus), operação; producto natural 
ou artificial; acção, acto. — s boas; — s 
de caridade ; execução, effeito : pôr em ou 
por — ; fazer — . — , feitio, lavor. A — ex- 
cedia a matéria, ex. « Edifício da — . » Lu- 
cena. — litteraria, livro, producção do en- 
genho. — prima ou de examinação, a peça 
que faz o aprendiz para seradmittido a mes- 
tre ; (fig.) obra mui perfeita, apurada. — 
feita, diz-se do oflTicial mechanico, v. g. de 
sapateiro, alfaiate. — , mão, diligencia, v.g. 
Por — delle. — , estructuj-a , edifício, e em 
geral tudo o que a industria e trabalho áó 
homem compõe, fabrica, v.g. A — vai adian- 
tada. Fazer — , produzir eíTeito. '^.5'. o pur- 
gante, a bateria, frz muita — . Mestre de — 5. 
o que dirige na construcção de edifícios os pe- 
dreiros, carpinteiros. — s, acções : — pias, 
esmolas, missas, preces, orações, jejuns, etc. 

— de misericórdia, em auxilio do próximo. 

— s, trabalho no proseguimento de edifício. 
v.g. As obras da cidade. — s mortas, (naut ) 
tudo o que no navio fica da coberta para cima. 

— (^theol.) as acções que seriam meritórias 
se quem as faz não estivesse em peccado 
mortal. — s vivas, (naut.) a parte do navio 
desde a quilha até á primeira coberta. — , 
usado adverbialmente , perto , cerca. — de 
vinte pessoas, de trinta embarcações. Será 

— de vinte léguas. 
Syn. comp. Obra, producção A obra é o 

resultado do trabalho de um agente, d'um 
obreiro. A //ro(/«cfão é o que uma cousa tira 
de si mesma por sua própria eíTicacia v. g. 
as producçõcs da terra, as producções do 
entendimenro, do génio. O universo é a pro- 
ducção d'uma potencia infínita que o tirou 
do seu seio ; é a obra de uma intelligencia 
infínita, que deu ã matéria suas formas e sua 
coUocação primitivas. 

OBRAÇÃo, s. f. (alterado de oblação] (ant.) 



que largo e não anguloso 

OBNOxio, A, flí/y. (Lat. obnoxius', 06 pref. 
enoxius, culpado, criminoso), receoso por 
ter consciência da culpa ou crime commet- 
tido. — sujeito ao castigo. 

OBOÉ, s. m. (t. Ital. V. Boé], instrumento 
musico de sopro ; (fig.) tocador de oboé. v.g. 
é o primeiro — da capella. 

OBOLO, s. m. (pron. 060/0 : Gr. óbolos) , 
moeda grega, de prata que valia ít centis 
francezes. ící» iív.í 

OBOMBRAR. V. Obumbrar. 
OBOVAL, adj. di2-se de uma parte muís 
coBQj)rJda que larga, e f^tijo coíítorho é ai*- 



OBRADA, (ant.). V. Oblata. 

OBRADAçÃo, (ant.) e hoje provinciaL T. 
Oblata. ^• 

OBRADAR. (ant.) V. Offertar, fazer obla- 
çãOo 

OBRADEiRA, s. f. (ant.) ferpo de fazer Hós- 
tias. 

OBRADO, p. p. de Obrar ; adj. executado , 
feito, operado. 

OBRADOR, s. m. o que obra, executa, au- 
tor : V g. — de grandes feitos, — de mila- 
gres. 

OBR AGEM, s. f. (ant.) I (do Fr. ouvrage) , 
trabalho, lavor. 



OBR' 

'<^ OBRANTE, adj. dos 2 g. (Lat. operans, tis^ 
p. a. de opero, are, obrar.) (p. us.) que ope- 
ra, executa. 

OB^ÁRi f).a. (Lat. opero, are; de opus, obra, 
Eg\ ' "'.) executar, produzir eíreito, v. g. 
— ;, ,, ,;ias, milagres. — , portar-se, ha- 
ver-se, conduzir-se, v. g. — bem, boas ac- 
ções. — «ia/, más acções. — , ter evacuação 
alvina. — , fazer o seu effeito. O remédio 
obrou, produziu o desejado effeito, ou o6rou 
por cima, fazendo vomitar, ou por baixo, 
purgando. Obrar tem o o mudo excepto no 
prés. indic. eu obro, as, a, elles obram ; 
no subj. obre, es, e, obrem, enoimperat. 
obra, obrem. 

OBREA. V. Obreia. 

OBRECflT, (hist ) sábio francez, nasceu em 
16Í6, morreu em 1701 ; viajou na Allema- 
nha. Deixou : Alsaticarvm rerum prodro- 
mus; De legibus agrariií populi romani. 

OBREGÃo, s. m. (ant.) homem que por ca- 
ridade se dedicava ao serviço do hospital. 

OBREGON (Bernardino) , (hií^t ) instituidor 
dos Armãos-enfermeiros-menores , os quaes 
tractatn dos doentes nos hospitaes de Iles- 
panha, nasceu em Las lluelgas em 1540 
morreu em 1599. 

OBREíA, s. f. (B. Tat. oblia, Fr. ant. oblie 
ou oublie.) folha delgada de massa de fari- 
nha 'de trigo cozida em ura f'3rro para hóstias 
na missa, e para fechar cartas. — 5 doces, em 
que se mistura assucar. 

OBREiEiRO, s. m. (des. eiró.) homem que 
^""oiíírEiRA. V. Obreiro. 

OBRKiRO, s. m. (des. eiro.) operário, arti- 
Ace, iraualhador. — evangélico, missionário. 

ORRKPçÃo, jí. f. (Lat. obrepíio, onis.) fjur.) 
o acto de expor falsamente o facto ou alguma 
(\ps circuuistancias delle, v. g. — e subre- 
pção. 

OBREPTicio, A, adj. (I at. obreptitius.J em 
que ha ou houve obrepção ; conseguido por 
obrepção, v. g. graça, decreto, breve. 

OBR'DAÇOM, (ant.) V. Obrigação. 

OBRiDAR, (ant.) V. Obrigar. ' 

OBRIGA, s. f. (ant.) V. Obrigação. 

OBRIGAÇÃO, s. f. (Lat. oblígaíio,onis,ob 
pref., e ligatio, ligação.) vinculo, necessi- 
dade moral de cumprir com algum precei- 
to, dever,© ^. temos — de soccorrer os des- 
graçados, — de educar os filhos, de defender 
a pátria. Fazer a sua— , cumprir com, de- 
sempenhar os deveres. —naíwra/, a que li- 
ga no foro interno. — civil, que obriga no 
foro civil, estabelecida pela lei. — , escripto 
pelo qual alguém confessa dever, e se obriga 
a pagar a outrem. Ter—, estar em — a ai- 
gyiem, deve-lhn favor. «. gr. devo-lhe muitas 

'garões. Pessoas da sua — , da sua fami- 
Homem de muitas obrigações, de mui- 

VilL. IV. 



tos encargos, deveres. Palavras de mulfc^--^ 
obrigatórias , obsequiosas. Prometer cork 
grandes obrigações, com clausulas mói oljri- 
gatorias. \^ ' "' '^ '.'"\,'^ ! 

Syn. comp. Obrigação, ^Sèter. Bctier^'\% 
Trévoux, é aquillo a que estamos obrigados 
pela lei, pelo costume, (pelo decoro. H^çíc- 
veres da vida civil, de amisade, de attenção, 
de politica. 

A lei impõe-nos a obrigação, e a obrigação 
gera o dever. Estamos ligados pela obrigação^ 
e somos obrigados a um dever. A obrigação 
designa a autoridade que liga, e o dever o su-. 
jeito que é ligado. O dever presuppõe a obri- 
gação. Temos obn</afão|de fazer uma cousa, 
nosso dever é fazel-a ; a obrigação é quem 
nos liga, e ao deceréque ella nos liga. "t 

Barbeyrac estabelece por principio de o6"n- 
gamo propriamente dita a vontade de um 
superior a quem se reconhece e se obedece, 
Burlamaqui observa que a rasão deve apj)ro- 
var e reconhecer o rfeeer, pois sem, isto não 
seria mais que violência. . j 

A obrigação não pôde estender-se além da 
autoridade do superior que manda : nem o 
dever além dos meios e forças do inferior 
que obedece. Não ha obrigação se a cousa 
não podia ser mandadaj; nem dever se não 
pode ser executada. 

Onde ha obrigações ha deveres, e onde ha 
deveres hà obrigações; porém a obrigação é 
sempre o principio do dever, \ ' 

OBRiGADissiMO, A, odj . superl. áeohvigà-^^ 

niioamAnto "I^i^^^cA^,?!: A^^^^-^e famihar e elli-^ 
pucamente no sentido de : jicu-mo rr..,it^ 

obrigado, por favor recebido de alguem:^« 
OBRIGADO , A , p. p. de obrigar ; adj. 
constrangido physica ou moralmente, re- 
conhecido, grato por favor ou serviço rece- 
bido, V. g. eslou-Ihe, íico-lhemuilo— . Nas 
sjmphonias dá -se o nome de obrigado ao 
instrumento que não pôde dispensar-se na 
execução da partitura. — , (jur.) hypothe- 
cado, dado em penhor, v. g. prédio— pela 
divida. — , que licou por fiador, v. g. fico — 
pela divida do amigo. — , (p. us.) sujeito, ex*^^ 
posto. si 

OBRiGADOR, A, adj. quo obríga. 
OBRiGAMENTO, s. m. (|). US.) obrigação á^> 
divida. — , o obrigar-se a pagar. '^ 

OBRiGANTE, adj, dos 2 g. (des. do p. a. 
Lat. em ans, tis.) que obriga, obsequeia. 

OBRIGAR, V. a. (Lat. obligo, ar*,' cingir, 
atar á roda, enlaçar, ob, contra, e ligo, are] 
ligar) constranger physica ou moralmente, 
V. g. obrigou-o à ajoelhar, a levar a carga / 
ás costas; — a servir no exercito, a fugir.n 
Obrigou a guarnição a render-se. — por} 
justiça, demandar, exigir a execução de con^u 
tracto, pacto, promessa. — 05 bens, hypo- 
Iheca-Ios, dá-los em penhor. En vo&obri- 
3 



i 



10 



0B& 



go minha fé^ ou palavra, empenho. — aí- 
guem, obsequia-lo, render-lhe serviço pelo 
qual a pessoa fica obrigada. — a vida, empe- 
nha-la. — SE, 13. r. comprometter-se, contrair 
obrigação. — por alguém, responder por el- 
le, ticar por seu fiador, dar-se por obrigando, 
e portar-se como tal. '.., 

Syn. comp. Obrigar, precisar, forçar, 
violentar. Obrigar éum acto de poder que 
impõe um dever ou uma necessidade. Pre- 
cisar é um acto deoppressão pelo qual se 
pôe a uma pessoa na precisão de fazer uma 
cousa contra sua vontade. Forçar é um ac- 
to de potencia e de vigor, que por sua ener- 
gia destroe a de uma vontade opposta. Vio- 
lentar é um acto de violência ou de bru- 
talidade, o que emprega o mais forte para 
lograr o que de outro modo não podéra al- 
cançar. 

OBRIGATÓRIO, A, adj . (des. dno.) que en- 
cerra obrigação, que obriga, v. g. contra- 
cto—; clausulas— s. — , (p. us.) annexo , 
V. g. trabalhos tão — ávida. «Tudo o que 
tendes haveis por — ao vosso estado. » in- 
dispensável. 

OBRiNGUS ou OBRiNCA, (geogr.) hoje Ahr, 
rio da Gallia, separava a Germânia Supe- 
rior da Germânia inferior. 

OBRiNHA, s. f. diminuí, de obra. 

OBROTSiTES, (gcogr.) nomo de uma tribu 
slava da Germânia, fazia parte dos Weudes 
e Venédos, habitava as margens do Alto- 
Oder, no paiz, que forma hoje o Meclem- 
burgo.^Tinhamj)or^r^^^ com 

obscenidade. j ^ 

OBSCENO, A, adj. (Lat. obsc<Bnus, áeccB- 
num sujidade, cousa immunda, impureza, 
Gr koinos, impuro, e opis, aspecto, appa- 
rencia Talvez venha de kuôn, cão, donde se 
deriva' Cl/nico.) impuro, torpe ; sensual, im- 
Ldico ,%. 9- pensamentos, amores, ditos, 
gestos -s. Partes—, as da geração.-, as 

^^SYN^comp Obsceno, deshonesío Desho- 
nesto no sentido próprio diílere inteiramen- 
te de obsceno, e no fig. refere-se ao quee 
contra o decoro, a decência, sem designar 
com especialidade a lascívia ou torpeza sen- 

"""oBSCURAMENTE , adv. [mente suff,) com 
obscuridade; sem lustre, sem esplendor, em 
situação obscura, v. g. viveu e morreu 



OBSCURECER, i;. a. [obscuro, des. incepU- 
va ] fazer, tornar obscuro, escurecer. Lo 
mesmo verbo que escurecer, mas usa-se de 
preferencia no sentido moral, v. gf. — a la- 
ma, o merecimento. 

Íbscubidade, s. f. escuridade. €sa.se 
mais no sentido fig., falta de lustre, de es- 



OBS 

plendor. — do nascimento, — do estylo, 
falta de clareza. 

OBSCURO, A, adj. [Ldt. obscurus,] escuro, 
mais usado no sentido fig., «. //. Otrigeqç^in-» 
nascimento, estylo — . \ . Escuroy.^^ . > r.'':5 

OBSECRAÇÃo, s. f. (Lai. obsecratJQ,oni&^ 
rogo humilde e aílectuoso aos deuses. 

OBSECRADO, A, p. p. de obsecrar; adj. sup- 
plicado. 

OBSECRAR, V. a.(Lat. obsecro, are; ob pref.^) 
e sacer, .sacra, um, sagrado.) supplicar hu- 
mildemente, com reverencia. 

OBSEQUENS (JuHo), (hist.) autor latino, \'i^^ 
via no aiino 388 de Jesu-Christo. E' co-«i 
nhecido por uma compilação De prodigiis, 
tirada de Tito-Livio. 

OBSEQUENTE, ttdj . dos%g. (Lat. obsequens, 
íú.jque acompanha como servidor; obsequiori 
so, dócil. — , obediente. rr 

OBSEQUENTissmo, A, adj. superl. de obse- 
quente. 

OBSEQUIADO, A, p. p. de obscquiar; adj. 
tratado com obsequio. 

OBSEQUIADOR, A, s. pesgoa amiga de obr- 
sequiar. 

OBSEQUIAR, V. a. (Lat. obsequor, i, acom- 
panhar.) tratar com agrado, fazer cousa agra- 
dável, V. g. — alguém. 

OBSEQUIAS. V. Exéquias. 

OBSEQUIO, s. m. (Lat. obsequium.) acção 
ou expressões dirigidas a obter o agrado, a 
benevolência de alguém, v. g. fez-lhe muitos 

~!^.... -...,. , --_ 

obsequio, de modo obsequioso. 

OBSEQUIOSO, A, adj. (des. oso.\ disposto 
a obsequiar, amigo de fazer obsequio, v. g. 
anhno, vontade—. Palavras, maneiras —* 
Syn. comp. Obsequioso, officioso, servi- 
çal, prestadio. Obsequioso é o. que está dis 
posto a fazer obsequias que o relacionam 
com a pessoa a quem os faz, obrigando-a 
a que por sua parte lhe pague com uma ex- 
pressão de benevolência, de aífecto, de agra- 
decimento. Olficioso é o que tem natural- 
mente a disposição de fazer bons ojjicios, 
isto é, serviços uteis e agradáveis. Serviçal 
éo que está prompto a servir a outro n'uma 
occasião em que o necessite, como o pôde 
fazer um criado a um amo. Pr estádio é o 
que tem préstimo e so presta de bom grado 
ao que lhe pedem. 

O obsequioso lisonjea-se etera prazer em 
servir a alguma pessoa ; porém sempre as- 
pirando a uma recompensa. O officÁoso pro- 
cede com aífecto e zelo, ajuda aquelle por 
quem se interessa, porém pôde ser interes- 
seiro. O serviçal folga de ser útil ; tudo o que 
pôde fazer por si só o faz ; mas por circutn6>- 
tancias, e por caracter e costume é interes- 
seiro. O jjresíadio talvez ache prazer em que 



(m 



OBS 



iX 



digam o que é, mas não obra por interes- 
se, e não espera ou lia paga senão a reci- 
procidade e o reconhecimento. 

OBSRRVAÇio, s. f. (Lat. observatio, onis.) 
acto de observar ; exposição dos factos ob- 
servados, V. g. observações — s. — , (p. us.) 
observância. 

Syn. comp. Observação, experiência. No 
sentido physico, observação é a acção de ob- 
servar, islo e, de examinar altentauiente os 
phenomenos da natureza. Experiência é a 
acção de fazer apparecer por industria e 
artificio nosso alguns phenomenos, que^^^m 
elles não seriam conhecidos. \;j', 

A astronomia está fundada na observação 
a chimica n&experencía. Aquella deu nas- 
cimento a muitas artes ; esta as alimenta e 
aperfeiçoa. O curso dos astros, a apparição 
dos meteoros, a vegetação das plantas, a ge- 
ração dos animaes, etc, são objectos da 06- 
servoção ; os phenomenos da electricidade, 
do magnitismo, do galvanismo, da pilha vol- 
taica, etc; são resultados da ejr;>mew cia. 

No sentido vulgar não é menor a diíTe- 
recça que ha entre estes dous vocábulos. Ob- 
servamos o que se ])assa fora de rós e está ao 
alcance de nossos sentidos ; experimentamos 
o que se passa em nós, o que nos toca ph;ysica 
ou moralmente. PtJa oòseriofâo adquirimos 
noticia e conhecimento de muitas cousas; pe- 
la experiência aprendemos a saber usar d'el- 
las, por isso disse o Séneca Portuguez : 

o que não experimentares 
Não cuides que o sabes bem. 

Syn. comp. Observação^ observância. Não 
obstante virtm eslas duas palavras do veibo 
observar, tem cada uma d'ellas tão diíTerente 
significação que apenasse podem chamar sy- 
nonjmas. Observação é aíicção úe observar, 
no sentido de olhar attentamcnte e examinar 
os phenomenos naturacs, e tudo que é ou se 
passa fora de nós ; ao que exerce esta acção 
chama-se observador. Observância é a acção 
de observar, no sentido de cumprir exacta- 
mente uma lei ou mandado ; ao que assim pre- 
cede se chama observante. JVJuitos philosophos 
são cuidadosos na observação dos phenome- 
nos da natureza, e poucos são exactos na ob- 
servância da lei de seu autor. 

OBSERVADO , A , p. p. de obscrvar ; adj. 
considerado attentamente. 

OBSERVADOR, A, s. pessoê quG obscrva. — , 
ac(y', que observa, habituado a observar, há- 
bil em observar, v. g. espirito — . 

OBSERVÂNCIA, s. /. O acto dc cumprir; cum- 
primento das leis, decretos, instituto. — , vida 
reformada, consciência escrupulosa. Porem 
— , fazer executar. 

O psiRVAME, adj. dos^g. (Lat. Qbservans 



tis, p. a. de observo, are.) que observa, guar- 
da a regra, v. g. Frauciscanos — s. 

OBSERVANTiNo , A , adj. qjio jespoita aos 
Franciscanos observantes. ^^ ^ 

OBSERVANTissiMO, A, aáj . superl. deobhf.) 
servante. ♦ 

OBSERVAR, t». a. (Lat. observo, are; ob pref 
e servo, are, conservar.) olhar, notar com, 
continuada attenção, v. g. — o movimento 
dos astros. — , guardar, cumprir, v. g. — as 
leis, a regra, o instituto. — , ponderar, refle- 
ctir, fazer reparo, reflexão. — se, v. r. tomar 
cuidado. 

. OBSERVATÓRIO, s. w. (dcs. ório.) cditício 

construído expressamente para observar o 

movimento dos astros, v. g. — astronómico. 

OBSERVÁVEL, adj. dos 2 </. (des. atei.) que 

pode observar-se. 

OBSESSÃO, s. /". (Lat. o6^6.ssio,om5.) vexa- 
ção do demónio feita a pessoa endemoninha- 
da (segundo a opinião do vuJgo supersticioso). 
OBSESSO, A, adj. (Lat. obsessus.) possesso^j 
veiado do demónio. . 

OBSU, .. /. (ant.) V. Ussia, capella-mór. 
OBSiDENTE, adj. dos 2 g. (Lat. obsidens^y, 
tis.) sitiante, que põe cerco, assédio. { 

OBSiDiANA, s. f. (do Gr. o/?s, O olho, 6 éi- 
dos, forma, apparencia.) pedra preciosa mui 
cristallina com apparencia de vidro. 

OBSiDioNAL, adj, dostg. (lat. obsidiona- 
lis.) de assédio. Coroa — , a que os antigo^ 
Romanos concediam ao chefe mihtar que ti^.j 
nha feito levantar o cerco p^slp por inimigo «a 
cidade ou fortaleza. " ?i.h,i- -> 

OBSOLETO, A, adj. (Lat. ohsoleíus.) desusa- 
do, que cniu em desuso, v. g. termo — . Lo- 
cução — . 

OBSTACLLO, s. m. (de obstar.) impedimen- 
to, estorvo, embaraço, jhjsico ou moral; tu- 
do o que se oppõe, obsta a ajguni fim, ol3Je- 
clo, designio. 

Syn. comp. Obstáculo, dijficuldade. O o6«- a 
ta cu lo faz a cousa impraticável, a difliculda- ' 
de fa-la difficil, árdua. Em quanto duram 
as difjlcuidades adianta-se pouco ; em quantoi,'. 
subsistem os obstáculos não se adianta nada, '• 
porque o que chamámos vencer um obstáculo, 
é evita-lo, ou destrui-lo ; e em tal caso, o ser , . 
a operação praticável consiste em que o 0;6sía- ; 
culo não existe já ; porém a dificuldade pôde 
vencer-se sem que deixe de existir, empre- 
gando meios superiores a ella. lia dijjiculda-,,^ 
de em andar por um máo caminho, no meio de i 
precipícios, porém pouco a pouco se vai adian- {, 
te. -Lm grosso tronco derribado atravez da es- ?j 
trada, uma cheia que cobre as pontes, podem -3 
ser obstáculos que nos não permittam coa- ■ 
linuar a viagem. ;. 

OBSTANCA, í. f. {]^. MS.) Y. Obstáculo. j 
OBSTANTE, adj. dos 2 g. (Lat. obstans y j 
iiSf. p. a. de ohtare.) queob&ta; só usado bo- 
3 * 



f 



^ 



0Í¥^ 



oèe 



<» 



je côm á negativa : não — éssá raíãrt/ esâa 
desculpa, essa consideração, n?io obstando, 
a despeito, a pezar de. 

OBSTAR, V. a. ou n. (Lat. obstare, de ob 
diante, e síare, estar.) oppôr-se, formar es- 
torvo, embaraço, empecer,' d. ^í. a essa pre- 
tenção obsta a lei expressa. A essa resolu- 
ção obstam mil objecções. 

OBSTINAÇÃO, s. /'. (Lat. obstinatio, onis.) o 
obstinar-se , teima, affinco na opinião, no 
propósito. 

OBSTINADAMENTE, ttdv. [mente suff.) com 
obstinação. 

OBSTiNADissiMAMENTE,adí). supcvl. de Obs- 
tinadamente. 

obstinadíssimo , adj. superl. de obsti- 
nado. 

OBSTINADO, A, p. p. do obstinar; adj. tei- 
moso, aferrado á sua opinião, ao propósito. 

obstinar, í). a. (Lât. obstino, are, de ob, 
contra, diante, e sto, are, estar firme.) (p. 
us.) fazer teimar, emperrar. — se, v. r. tei- 
mar-se, emperrar-se. 

obstrucção, s. f. (Lat. obstructio, onis.) 
(med.) embaraço, encalhe do sangue ou de 
humores nos vasos ou no tecido orgânico, 
enfarte. 

OBSTRUÍDO, a, p.p, de obstruir; adj. em- 
baraçado, impedido; enfartado. 

OBSTRUIR,» a. (Lat. obstruo, ere, ob, pref., 
diante, contra, estruo, ere, amontoar.) em- 
baraçar; enfartar. — o fígado, o baço; (fig.) 
impedir, estorvar, v. g. — o passo, — a cir- 
culação das fazendas.— se, V. r. tapar-se, en- 
fartar-se, v. g. — o fígado, o baço. 

OBTENiMENTO, s. m. [mento suff.) (ant.) V. 
Obtensão, 

OBTENSÃo, s. f. (Lat. obtentio, onis.) con- 
seguimento. 

OBTER, V. a. (Lat. obtinere, ob pref., dian- 
te, e teneo, ere, ter, haver.) alcançar, conse- 
guir, V. g, — emprego, cargo, graças, atten- 
ção, approvação. 

Syn. comp. Obter, conseguir, impetrar. 
Obter é alcançar uma cousa que se preten- 
do, ou deseja, ou nos é grata. Conseguir 
é alcançar o que se diligenciava, e após de 
que se andava. Impetrar é alcançar do su- 
perior a graça que se havia sollicitado. 06- 
tem-se cargos, dignidades, favores, atlen- 
ções, etc. ; tudo o que nos é honroso, útil, 
agradável ; « se obtém de iguaes, de supe- 
riores, de inferiores. Consegue-se o que com 
diligencia e perseverança se busca, ou se pre- 
tende. Vê-se pois que este vocábulo tem si- 
gnificação menos genérica que o precedente, 
e mais restricta a tem ainda o terceiro, pois 
só impetrámos graças de um superior, pre- 
tendendo-as e sollicilando-as com rogos e sup- 
plicas. 

OBTESTAR, «. a. (Lat. obstesíor, ari; ob 



pref., étestor, ari, testemunhar.) protestar; 
rogar, supplicar, rogar conjurando. 

OBTIDO, A, p.p. de obter; aí/j. alcançado, 
havido á mão, conseguido. 

OBTRO, (ant.)V. Outro. 

OBTUNDiR , V. a. (Lat. obtundo, ere, ob 
pref., e tundo, ere, bater, pisar.) (med. ant.) 
corrigir a acrimonia dos humores, que os an- 
tigos médicos attribuiam á agudeza das partí- 
culas. 

0BTUSAN6UL0, ttdj . w. que tem angulo ob- 
tuso. 

OBTUSO, A, adj. (Lai. obtusus, de obtundo, 
ere.) abolado, não agudo. Angulo — , maior 
que o recto. Homem — , (fig.) tolo, de escassa 
intelligencia, que penetra diíficilmente. 

OBUMBRAR, V. a. (Lat. obumbro, are; ob 
pref., diante, e umbra, sombra.) nublar, tol- 
dar, assombrar. 

OBUZ, s. m. (Fr. obus, do Lat. objicio, ere, 
lançar contra.) bomba sem azas. — , morteiro 
que lança obuzes. 

OBuzEiRo, s. m. (Fr. obusier.) morteiro que 
lança obuzes. 

OBVIADO, A, p. p. de obviar; adj. que se 
obviou, atalhou ; atalhado. 

OBVIAR, V. a. [obvio, ar des. inf.) atalhar, 
estorvar, prevenir. 

OBVIO, A, adj. (Lat. obvius; o&pref., dian- 
te, e via, caminho.) manifesto, patente; (fig.) 
fácil de achar, v. g. o sentido — das palavras. 
Espécies — s, fáceis de achar, não recôndi- 
tas. 

OBYDIENTE OU OBYINTE , abrOV. V. OÔC- 

diente. 

OCA, s. f. (doltal. oca, ganso.) Jogo da — , 
do ganso. Joga-se com dados sobre um papel 
com casas ou rfipartimentos pintados. 

OCA (Serra de), (geogr.) Idubeda mons , 
a paríe mais septentrionol dosjncontes Ibé- 
rios na Hispanha, são unidos com a ver- 
tente meridional dos montes Cantabrios, na 
provincia de Falência, entre as nascentes 
do Kbro e do Pisuerga, dirige -se ao S. na 
provincia de Burgos, e vae unir-se com a 
serra de S. Millan. 

OCANA, (geogr.) hoje Althcea ou Olcania ci- 
dade de Hispanha, a 3 léguas do Tejo, a 
10 NE. de Toledo; 5,(JO0 habitantes. 

ocANA, (geogr.) villa da Nova-firanada , 
sobre o Rio de Ouro ; a 100 léguas JNE. 
de Bogotá. 

OCAR, V a. fazer ôco ou ouço. 

OCCA, s. f, V. Oca. 

OCCAM, (hist.) celebre escolástico inglez , 
da ordem dos Carmelitas, nasceu em 1280, 
morreu em 1343. Estabeleceu-se em faris, 
e tomou a defesa de rhilippe-o-5e//o con- 
tra Bonifácio VIII, atacou com violência as 
pretenções e vicios dos pjipas, pelo que foi 
0XC9mmuQg«do em 1330. Os principaes es- 



occ 



occ 



N 



criptos de Occam sao : Super quatuor li- 
hros sententiarum ; summa logicce ', Quod- 
liheta ; super potestate summi ponti fieis. 

occASiÃo, s f. (Lat. occaíio, onis; oc por 
06, diante, e casns, caso.) opportunidade de 
lugar ou de tempo, ensejo, v. g. boa — de ou 
para fazer alguma cousa. — , causa. «Foi — 
da sua ultima ruina. » Xtraes. Estar em — 
próxima de pecar, mui propenso, arriscado. 
Por — , (loc. adv.) por acaso. — menstrual, a 
regra, o fluxo menstrual das mulheres. 

Syn. comp, Occasião, ensejo, opportuni- 
dade, conjuncção, azo. Occasião, segundo 
sua etymologia de occido, occasum, é o caso 
de que podemos lançar mão. Ensejo é a occa- 
sião ou yezoi)\)OTtunSi. Opportunidade éboa 
occasião , commudidade de tempo e lugar 
conveniente Conjuncção é concurso simul- 
tâneo de circumstancias favoráveis ou desfa- 
voráveis para alguma cousa, izo é occasião 
commoda, geitosa para o que se intenta. 

A occasião e a conjuncção podem ser boas 
ou más, próprias ou impróprias, por isso se 
diz : Vir em boa, vir em má occasião, etc. O 
ensejo, a opportunidade, o azo sempre são a 
propósito, a geito, a tempo para o intento de 
quem delles sabe aproveitar-se. 

occAziÃo , (myth ) divindade allegorica , 
que presidia ao momento favorável de ope- 
rar. Era representada na forma de uma mu- 
lher nua, encabellada por diante e calva 
por detraz, com um pé no ar e oputro so- 
bre uma roda. ' ; 

occAsioNADOR, A, s.o que occasiona, cau- 
sa, o que deu occasião. 

OCCASIONAL, adj. dos2g. (Lat. occasiona- 
lis.) que succede por occasião, sem connexão 
immediata ; accidental. Causas occasionaes, 
que dão occasião á acção das que produzem 
immediatamente um effeito. 

occAsioNALiDADE, s. f. O sev occasional. 

OCCASIONALISTA, s. dos 2 g. pcssoa que se- 
gue a doutrina que pretende attribuir as nos- 
sas percepções a uma harmonia preestabe- 
lecida, e não ao influxo directo dos órgãos 
seusorios. . R/yib • 

GCCASioNALHtiNTE,' adv. [mente suff.) por 
occasjão, accidentalmente. 

occasionar, V. a. (do Lat. occasionem, 
acc. de occasio, onis, ardes, inf.) dar occa- 
sião, causar accidentalmente. Aferida Iheoc- 
casionou a morte, isto é, morreu por occasião 
delia, mas não foi a morte eífeito necessário. 
— alguém a trabalhos, a ganhar fama, (é 
loc. ant.), assim como a seguinte : occasiona- 
rem-no (o bom ladrão na cruz) ao perdão das 
culpas, dar occasião , crucificando-o com 
Jesus. — SE, V. r. succeder, verificar-se, ter 
lugar, V. g. deste successo se lhe occasioíiow' 
grande desgosto. 

occAso, s. m. (Lat. occasus, queda, baixa, 

VOL. IV» 



acçSo de baixar, de occidere; oc pref., "pòflít^',' 
contra, e caderCf cair.) o occidente; o pôr-sèí 

o sol. , K :•> ^ 

ocCHiALr, (hist.) renegado calabrez, apri- 
sionado muito moço pelos Turcos , foi pi- 
rata ás ordens do Dragot , elevou-se aos 
primeiros postos da marinha ottomana, dis- 
tinguiu-se em 1571 na batalha de LepantQ, 
conduziu os restos da esquadra turca a 
Constantinopla , foi nomeado por Selim íl 
capitão-pachá, tirou aos liispanhoes Gour 
letta (forte de Tunis) e morreu cheio de 
gloria em 1577. 

OCCIDENTAL, adj.dos2g. [Lai. occidenta- 
lis.) do occidente, v. g. terras occidentaes. 

OCCIDENTE , s. m. (Lat. occidens, tis.) ] 
a parte occidenlal do céu e do globo terjra-.^' 
queo. 

OCCIDENTE (Império do), (geogr.) um dos ' 
dous impérios, formados do império romã-' 
no, por partilha entre Valenciano e Valen- 
te em 3fi4, e depois pela partilha diíHniliva 
entre Honório e Arcádio em 3J5. Na pri-'' 
meira época não compreendia senão 5 dio- 
ceses (Britannia, Gallia, Hispanha, Itália, e' * 
Africa. Ni» segunda epocha, a diocese de 
Ulyria foi dividida em duas, e da mesma, 
sorte a diocese de Itália , vindo por esta"** 
forma a ter sette dioceses o império do Oc- 
cidente. Acabou depois de ter perto de um, 
scculo de existência, no reinado de Rómulo''* 
Augustulo em 476. Desde 408 foi perden-^^ 
do províncias ou por invasão dos barba-'^ 
ros, ou por abandono voluntário. Milào, '. 
depois Ravenna foram, depois de lloma, " 
as capitães do império do Occidente. Cha-" 
mou-se segundo império do Occidente aqueíle 
que foi fundado por Carlos-Magno em 800'^ ^ 
e que acabou em 911, por morte de Luií'^ 
iV, o Menino, ultimo dos Carlovingios ; foi^'* 
substituido pelo império de Allemanha, cons- 
tituído em 962 por OÚiko-o- Grande. 

OCCIDENTE (Igreja do), (hist.) nome dado''^ 
á igreja latina, por opposiçào á igreja gre- " 
ga ou igreja do Oriente, foi empregado, de- , 
pois do começo do scisma do Oriente, para '' 
designar todas as igrejas, que na Europa , 
e mesmo na Africa, reconheciam a auto-. '"^ 
ridade do papa. ''^ 

occiDuo, A, adj. (Lat. occiduus.) Occiden- 
tal. Amplitude — , (aslr.) arco do horizonte'*" 
comprehendido entre o verdadeiro ponto dé 
oeste, é aquelle em que o sol se põe. V. Oc- 
caso. 

occiPiciAL. V. Occipital. 

occipicio, s. m. (Lat. occipitium.) (anat.) c 
parte posterior da cabeça. 

OCCIPITAL, adj (Lat. occipitalis.) áo occi- 
picio. O osso — , ou subst. o — , o que forma 
a parte posterior do craneo. 

ocCTPUT,' s. mi. parte posterior inferior d a' *^^' 



14 



occ 



OCE 



cínteça dês do meio do vertex até ao, gran- 
de Duraco occipital. fV.(v".'i'í 

occisÃo, s. m. (Lat. occisio, onisj dè occi~ 
do, ere, matar.) o acto de matar. 

occisivo, A, adj. (des. ivo.) (p. us ) que 
mata ; seguido ou acompanhado de morte. 

occiTANFA, (geogr.) nome dado muitas ve- 
zes ao Languedoc e mesmo a todo o litto- 
ral írancez do Mediterrâneo, durante a ida- 
de media. 

occoEMBRO, s. m. (t. Brasil.) herva do Bra- 
sil também chamada pelos indígenas embuia- 
embo. 

occoRRER, V. a. oun.{L&t. occurro, ere, 
oc por 06, diante, e currere, correr.) vir ao 
encontro; (fig.) offerecer-se, vir á memoria, 
ao pensamento, v. g. occorreu-me um argu- 
mento, um expediente. — , acudir, prevenir, 
V. g. — ás necessidades. — , (ant.) cair, ex. 
« se no dia octavo — festa de primeira classe. 
— , adj. occorrido. 

occuLTAçÃo, s. f. acção de occultar, ou de 
se occultar. 

occuLTADO, A, p,p. de occultar; adj. es- 
condido, encoberto. 

occuLTADOR, A, s. pessoa que occulta. 

occuLTAMENTE, adv. [mente sufí.) escondi- 
damente, a furto, secretamente, v. g. ir, en- 
trar, vender — . 

OCCULTAR, V. a. (Lat. occulto, are,oci[iOv 
ob, diante ; oculus, olho, e tollo, ere, tirar.) 
esconder, encobrir, v. g. — alguém; — a ver- 
dade, os pensamentos, o segredo; — os fur- 
tos de outrem. — os bens, para os sonegar no 
inventario, ou evitar penhora. — se, v. r. en- 
cobrir-se; esconder-se. 

occuLTissiMO, A, adj. superl. de occulto. 

occuLTO,A, adj. [LsLt.occultus.) escondido, 
encoberto, não sabido, v. g. caminho — , pro- 
jectos, designios. Homem — , que se não dá a 
conhecer, que anda mcognito. 

occuPAçÃo, s. f. (Lat. occupatio, onis.) ac- 
ção de occupar ou de ser occupado ; emprego 
de tempo em algum negocio, trabalho; oíTicio, 
modo de vida, profissão, v. g. — da praça pe- 
las tropas inimigas. 

OCCUPADO, A, p.p.de occupar; adj. de que 
se tomou posso, v. g. foi a praça — pelo ini- 
migo. Os Mouros, depois de — a Hespanha, 
tomada, conquistada. Homem muito — , em 
negócios , ou no seu officio . 

occuPADOR, A, adj. ^•. queoccupa. 

OCCUPAR, V. a. [L&j/ occupare;oci^OT ob, 
diante, e eapio, ere, Aomar.) encher, tomar 
algum espaço, v. g/ — a área, o recinto, a 
praça. O exercito occwpow o canapo inimigo ; 
(fig.) preencher, v. g. — um lugar, cargo, 
emprego, posto. — , tomar, apoderar-se, v. 
g. os Árabes occuparam a Hispanha ; o temor 
occupa o animo. — alguém, dar-lhe occupa- 
çào, dar-lhe (jue faier^dar-lbe ol^ra, trabalho 



a executar. — . rogar a alquem que se interes-^ 
se a nosso favor. — se, v. r. dar-se a traba-r\ 
lho, empregar utilmente o tempo, v. g. — em 
estudar, escrever. 

occuRRENCiA, s. f. succcsso quo occorre, 
conjunctura de tempo, de negócios. 

occuRRENTE, adj. dos 2 </, (Lat. occurrens, 
tis, p. a, deoccurro, ere.) que occorre. 

occuRRENTES, s. f. pi. V. Occurvencia. 

occuRSAR, V. a ou n. V. Occorrer. 

occussE , (geogr.) districto maritimo da 
Ilha de Timor, situado ábeira-mar, e dis- 
tante de Dilly 8 dias de jornada, 29,000, 
habitantes. Seu regulo sempre foi isemptQg 
de pagar tributos. b 

OCEANIA, (geogr.) quinta parte do mundo, ^ 
é composta de ilhas espalhadas no Grande 
Oceano; o seu comprimento é pois de 174) 
gráos ; a sua largura vai diminuindo gra-^t 
dualmente conforme se avança para este. A 
Oceania é dividida em três regiões, subdi- 
vididida cada uma, como se segue, em ar- 
chipelagos ou grupos : 



q 

p 



.11 



MALAISIA ou NOTASIA A O. 



Archipelago de Sonda. 



Grupo de Sumatra. 

Grupo de Java. 

Archipelago de Sumbava-Timor. 



Archipelago das Molucas. 

Grupo das Molucas. u 

Grupo de Celèbes. 'p 

Grupo deBorneo 
Archipelago das Philippinas. 

AUSTRÁLIA (nO MEIO). 

Ausfralia propriamente dieta , chamada 
também continente central da Nova-Hollan- 
da. 

Archipelagos. 

Grupo de Papouasia. 
Archipelago da Luisiada. 
Archipelago da Nova Bretanha. 
Archipelago de Salomão. 
Archipelago de Pfirouse 
Archipelago de Qiiiros. 
Grupo da Dieraenia. 
Grupo da Nova Caledónia. 
Grupo de Norfolk. 
Grupo de Tasmanw, -y 



oa^í 



OCE 



Viii 



« 



POLTNESIA OU MICRONÉSIA (a E.) 

Polynesia Boreal. 

Archipelago de Mossonia Volcanica. 
Archipelago das Mariannas. 
Archipelago de Palaos. 
Archipelago das Carolinas. 
Sporades Boreaes. 

Archipelago central ou de Mulgrave. 

Polynesia Austral, 

Archipelago de Viti. 
Archipelago de Tonga ou dos Amigos. 
Archipelago d'Ou3-Horn. 
Archipelago d'Hainoa ou de Bougainville. 
Archipelago de Kermadec. 
Archipelago de Cook. 
Grupo de Toubouai. 
Archipelago d'Otabiti. 
Archipelago Paumalou, 
Archipelago de Mendana. 
Archipelago de Hawaii ou das ilhas 
Sandwich. 

Sporades austraes. 

A Oceaniá tem poucas montanhas, exce- 
pto nas ilhas occidentaes. O clima é quente 
e húmido ; o solo muito fértil ; o mar abun- 
da em peixes, moUuscos ezoophitos. Os ha- 
bitantes são ou malaisios ou negros, e em 
geral pouco civilisados. Só no principio do 
século afetual se teve a ideia de fazer da 
Oceania uma parte do mundo. Deve-se o 
conhecimento d<;ste paiz as descobertas de 
Cook. 

OCEANIA poRTUGUEZA, (geogr.) noffle que 
so pôde dar ao grupo de ilhas de que pos- 
suímos a soberania na quinta parte do Mun- 
de ; è de que as principaes são : Timor , 
Flores, que também se chama Solor novo, 
e Knde ou Oende, Solor velho ou f)eque- 
no, Alíor grande, e Allor pequeno , EndeS 
ou Oende meilor, e Adonare, além d'outrá, 
de menor importância, 2!lH,5lO habitantes. 

OCEÂNICO, A, adj. do oceano. 

OCEANIDES ou OCEANITlDES, (myth.) dctí- 

sas subalternas dos mares, filhas do Ocea- 
no e de Thetys, eram mais de 3,000. 

ocRANo, (myth.) deus do mar entre os pa- 
gãos, irmão e esposo de Tethys, e pae das 
Oceanides. 

OCEANO, A, adj, do oceano, v. g. s>s —s Òh- 
das. '^.'^ 't' 

OCEANO, (geogr.) é assim (íhamlbffá á itó- 
mensa extensão dè ítgtfét salgada, que cobfe 
a maior parte do globo ; e dividido em 5 
gran^èíí teères ()fiftetí>ae^: 1." o Gfaíidé- 
Oçeano enm H Aíí!éHcêl> é hm # « ífdfiá-iiía- 



nada; 2.** o Oceano Atlântico entre a Eu' 
ropa, a Africa e a America; 3.** o Oceano 
índio entre as índias, a Africa e a Nova- 
HoUanda ; 4.^ e 5.° o Oceano glacial Ár- 
ctico, e o Oceano glacial antárctico entre 
os dous poios. 

OCEANO (Grande-), (geogr.) chamado tam- 
bém Oceano Pacifico e impropriamente mar 
do Sul. Este immenso Oceano, limitado ao 
N. e ao S. pelos dous mares polares, a E. 
pelas costas occidentaes da America, a 0. 
pelas costas orientaes da Ásia, separa-se do 
Atlântico ao SE. por uma linha, que par- 
tindo do caboHorn, segue o meridiano de 
t9o 40' long. O. Ao SO. o meridiano dé 
145® long. E. e o separa do mar das índias. 
Na sua parte Occidental, onde estão os di- 
versos archipelagos da Oceania, este Oceano 
toma diversos nomes, taes como o de mar 
das Molucas, de Celébes , de Mindana, de 
Java, de Sonda ; mais ao norte distingue-sé 
o mar da China, o mar Amarello, a Mancha 
de fartaria, e o mar d'Okhotsk : ao N. ó 
mar de Behring faz communicar o Grande 
Oceano com o Oceano glacial árctico ; 6- ' 
nalmente a E. acha-se o golpho da Cali-. 
fornia, ou mar Vermelho. 

Syn. comp. Oceano, mar. « O ocmwo, diz 
Vieira, é aquelle pego vastíssimo e immenso, 
que elle só é todo o elemento da agua; e es- 
tendendo seus infinitos braços, está receben- 
do como nas pontas dos dedos o tributo de to- 
dos os rios do universo (II, 20). O que antiga- 
mente se conhecia com o nome de rriar, e nas , 
Escripturas se chamava mdre magnum, era o . 
Mediterrâneo; mas depois qué se descubriu ó ] 
Mundo-Novo, logo se conheceu também que 
não era aquelle o m,ar, senão um braço delle, 
e o mesmo nome , que injustamente tinha ij 
usurpado , se passou sem controvérsia aó 
Oceano , que é só o cjue por sua immensa ^ 
grandeza absolutamente, e sem outro sobre-., 
nome, se chama mar (IV, 498). i > 

Diz-se mar simplesmente para significar a 
vasta extensão dg agua que oceupa uma gran- 
de parte do globo que habitámos, fazendo op- 
pOsição a terra. O oceano encerra em si uma,( 
ideià mais particular, e diz-se dò maf em ge- ; 
ral, por opposição aos mares compreíiendidos 
ehtre terras. (3 oceano rodèiá igualmente Oji 
ttiundo novo e o antigo; porém nos mar«ç.j 
eíidetràdos èm certos espaços de terra, ono- ; 
íne oceano não exprime de todo esta ideia. Áp., 
oceano póde-sç chamar mar, por^m ao BJedi-jj 
4erraneo, aò Báltico, etc., hão se pôde pha- 
mar oceano. . ...^ ' ^ i > 

ocello m LÚCANU , (hist.) philosopbq,^ 
grego, nasceu na Lucania^ florecia noannoj 
i>00 àtiies de Jesu-ChristQ , e pertencia ^/i 
escòlá pythágorica. tla.^cqip o sçu nomi^ 
iim í>é(jiiénd itmkdo íútltutâcíô : miiaiu" 
4 * 



% 



|0C1,-„| 



àvi* 



re;^0 do Univer.so^ eoi que tracta de tudo. 

'^o,ç,í;i^LopuRUM, (geogr.) cidade de Hispa- 

im;^^y entre os. Vacceos , hoje Zamora ou 

^,.j(j)CELí>uij[ OU OCELUM, (geogr.) hoje Oulx 
òii Usseaux, cidade da Gallia transpadana, 
capital dos Garoceles , servia no tempo de 
César de limite á Ilalia , depois foi com- 
preendida nella. 

OCHARIA. Y. Uçharia. 

\çcEAS,s. f. (do Fr, ant. oche, corte, golpe; 
ochier, ochir, ferir, malar, do Lat. occido, 
ere.j Andar ás — s, litigar, contender. 

OCHAVA s. f. feminino AQOchavOf ant. a oi- 
tava^parte. 

pCHAViLHA. V. Ochava. 
l"' ÒCHAVO, A, adj. V. Oitato. 
'' OCHER, (geogr.) rio de Allemanha, nasce 
no reino de Ilanover, rega parte do ducado 
de Brunswick e lança-se no Aller. Nas mar- 
gens do Ocher ha uma villa do mesmo no- 
me, que pertence em commum a Brunswi- 
ck e ao Hanover. 

''.ocHLOCRATico, A, ttdj . da ochlocracia. 
'ocHMíANA, (geogr.) cidade da Rússia Eu- 
ropea, a 14 léguas SE. de Yilna ; 4,000 
habitantes. 

pcHOsiAS , (hist.) rei de Israel em 888 , 
seguiu os exemplos do impio Achab, seu 
pae e seu predecessor, consultou sobre a 
sua sorte a Belzebuth, deus d'Áccaron , e 
morreu pouco depois. 

ocHOsiAS, (hist.) rei de Judá, filho de Jorão 
e de Athalia, subiu ao trono em 877, uniu- 
sé com Jorão , rei de Israel, para faz:er 
guerra a Hazael, rei da Syria, e foi morto 
por ordem de Jehu, seu general, em 876. 

ÒCHRE, s. m. (o eh sôa k : do Gr, okhros, 
pallido,) oxydo de- ferro de varias cores, usa- 
do por pintores : o mais vulgar é amarello. 

'ÒCHRiDA, (geogr.) Lychnidus , cidade da 
TWquia europea, capital de livah, na mar- 
gem N. do lago Ochrida, a 45 léguas N.de 
Janina ; 2,300 habitantes. O lago d'Ochrida, 
Lychnidus lacus, na Roumelia, é atraves- 
sado pelo Drui. 

"òcHRORiA,(bot ) género de plantas da fami- 
liêf das Apocyneas. E' um arbusto da ilha 
Mascarenhas. 

ocHs, (hist.) doutor em direito, nasceu em 
Bile em 1749, seguiu o partido da demo- 
cracia na Suissa, tomou parte na revolução 
helvética em 1798, e foi nomeado membro 
dóDirectorio. Morreu em 1808. Deixou: His- 
toriei da cidade e território de Bale. 
"òbiENTE. V. Occidente. 

ocio, s. m. (Lat. otium, que Court de Gé- 
bélin deriva de ol, que diz significar tempo. 
Cí:êiO que vem do Egypc. oçk, tardar, demo- 
raír-sé, formado de ceou ou ciou tempo, e khe, , 
périnanecer.) folga, tempo de folga, desoccu- 



0c3b0 

pação, estado de quem não trabalha; (fig,) oc- 
cupação divertida , desenfado, passatempo. 
« Estás com as musas em honesto — occupa- 
do. » Ferreira. 

OCIOSAMENTE, flcíf. {meute suíf.) em ocio ; 
com negligencia. 

OCIOSIDADE, s. f. ocio habitual, negligen- 
cia, vida ociosa. 

OCIOSO, A, adj. {LdX.otiosus.) que se não dá 
a trabalho útil, negligente. Homem — , vadio. 
— , desoccupado, de folga, sem emprego ac- 
tual, V. g. tropas — .9- 

ncLASiR, (geogr.) cidade da índia ingleza, 
no Guzzerate, a 2 léguas SE. de Baroutch ; 
8,900 habitantes. 

ôco ou ouço. A, adj. (Moraes o deriva do 
Gall. ou Celt. ogo. Creio que vem do Gr. an- 
gos, vaso.) vão, vasado, não solido; (fig.) fú- 
til. Cérebro — . phantasia, desvairada. 

o'coNNOR, (hist.) nome de uma dynastia 
de reis Irlandezes, que reinava no Connau- 
ght ou Connacia, antes da conquista da Ir- 
landa pelos Inglezes ; os mais conhecidos 
são : Turlogh 0'Connor-o-Grande, que nas- 
ceu em 10H8 e morreu em 1156, fez esfor- 
ços para dominar em toda a ilha e teve por 
principal adversário 0'Brien ; e lioderik 
0'Connor, que reinava em Il7i, época em 
que Henrique dlnglaterra se apoderou da 
Irlanda. 

ocoNTECER. V. Aconteccr. 

OCRE. V. Ochre. 

OCTACORDO , s. m. um instrumento mu- 
sico de oito cordas. 

OCTAEDRO ou OCTOHEDRO, S. m. [octo, OÍtO, 

e hedra, assento.) (geom.) solido de oito lados 
iguaes. 

ocTAGENARio. V. Octogenario. 

OCTAGESiMO. V. Octogesimo. 

OCTAVIA, (hist.) irmã d'Augusto, casou em 
primeiras núpcias com M. Cláudio Marcello, 
e em segundas com António, cuja affeição 
não pode caplivar apezar das suas virtudes 
ebelleza. A morte dojoven Marco-llo, fructo 
do primeiro matrimonio, aííligiu-a tanto que 
lhe abbreviou os dias. Morreu no 4 anno 
depois de Jesu-Christo. 

OCTAVIA, (hist.) filha do imperador Cláu- 
dio, eirmã de Britannico, foi dada em ca- 
samento a Nero, o qual a repudiou para ca- 
sar com Poppêa. Esta mandou-a matar no 
anno 62. Octavia tinha 20 annos. 

OCTAVIANO, (hist.) foi cstc O uome que Oc- 
távio tomou depois da ser adoptado por Ju- 
ho César. 

OCTAVO. V. Outavo ou Oitavo. 

ocTEviLLE, (geogr.) cidade de França, a 
meia légua SO Cherbourg ; 1,500 habitan- 
tes. 

OCTODURUS, (geogr.) cidade dos Helvécios, ^ 
capital áos Ver ag ri, hoje Martigny. ,o 



osm 



ODl 



17 



OCTOGENÁRIO, A,adj. (Lat. oetogenarius.) 
que tem oitenta annos de idade. Pode usar-se 
adjectivamente. Uma pessoa — . 

OCTOGÉSIMO , A , o,dj . (Lat. octogesimus.) 
que corresponde ao numero 80. 

ocTOGONO, A, aâj. (octo, oito, egonia, an- 
guio.) (geom.) que tem oito ângulos. 

ocTONARio, A, adj. (Lat. octonarius] de 
oito, v.g. numero — . 

ocTOPODES, (h. n.) uma das divisões dos 
Molluscos, que são diíTerençados pelo nume- 
ro dos braços. Os Decapodes são aquelles, 
que teem dez braços. 

OCTOSYLLABO, A, adj, que tem oito syllabas. 

oCTURfDADE. V, Autoridãde, 

OCULAR, adj. dos 2 g. (Lat. ocularis; de 
ocuhis, o olho.) do olho, da vista. Lente — , 
a que seapplica ao olho. Espectros — . Tes- 
temunha — , de vista. 

ocuLARMENTE , ãdv. {men(e suff.) com os 
olhos, pelos próprios olhos, v. ^.averiguar 

ocuLATissi5io,A,ac(/ superl. desus. e Lat., 
mui attento. mui vigilante. 

OCULISTA, s. m (des. Í5ía.) cirurgião que 
se dedica exclusivamente ao tratamento das 
doenças dos olhos. 

ÓCULO, s. m. (pron. óculo : do Lat. oculus, 
olho.) instrumento de um|Ou mais vidros com 
que se ajuda a vista. — de punho, — de ver ao 
longe, longamira. — s, dois vidros encaixilha- 
dos que se põe sobre o nariz, ou se seguram 
diante dos olhos por hastes que cingem a ca- 
beça, e que facilitam a vista, corrigindo a ni- 
mia convexidade ou o achatamento da cór- 
nea. Caixa de — s, estojo. — , (chul.) homem 
sem prest-mo, v. g. é boa caixa de — s. 

ocuLOSo , A , adj. (des. oso) , que tem 
muitos olhos. ex. « O oculoso pastor. » Bo- 
cage. 

OCULTAR e deriv. V. Occultar. 

OCUPAÇÃO. V. Occupação. 

OCUPAR. Y. Occupar. 

ocuTiNA, (h. n.) género dePolypo;"os da 
ordem dos madrepérolas. 

ODA, V. Ode. 

ODE, s. f. (Gr. ódé , canto , canção , de 
aeidôj cantar) , poema lyrico em que se 
cantam louvores , amores , etc, v. g. Odes 
pindaricas, anacreonticas. 

ODENATO (Septimio), (hist.) princepe ára- 
be, era filho de um cheik das tribus sarra- 
cenas de Palmyrena, também tinha o titulo 
de senador da colónia romana de Palmyra, 
Depois da morte do usurpador Jotspiano, em 
quanto diversos competidores disputavam o 
Oriente , elle conservou-se independente. 
Ajudou Sapor nos seus ataques na Syria, de- 
pois perspguiu-o na retirada. Todavia sollici- 
tou o seu auxilio quando Valeriano caiu nas 
mãos domonarcha Sassanida» masrecebçar: 

TOL. IV. 



do delle uma repulsa injuriosa, lançou-se 
nos braços dos Romanos, bateu Sapor nas 
margens doEuphrates, eobrigou-o a retro- 
ceder até Ctésiphonte ; marchou depois coa-' 
tra os tyrannos, que tinham tomado a pur- 
pura por morte de Macriano e desbaratou-os 
todos, llalliano recompensou-o com o titu- 
lo degenerai de todo o Oriente, mas pouco 
contente com este posto subalterno, tomou a 
purpura e obrigou o imperador a reconhe- 
ce-lo por coUega. Morreu assassinado em 
tmeso no anuo 267. 

ODENSEA, (geogr.) cidade de Dinamarca, 
no centro da ilha" deFionia, sobre o Odense, 
a 35 léguas SO. de Copenhague ; 8 300 habi-' 
tanles. f' 

ODEO ou ODEON, s. Tti. (do mesmo rad. 
que ode, V.), theatro, logar onde se canta 
e toca. 

ODER, (geogr.) Viadrus e Guttalus, rio 
de AUemanha, nasce na Moravia, rega a Sile- 
sia, o Brandeburgo, a Pomerania, divide-se 
perto de 'iartz em 4 braços, mas reune-os 
todos depois e cae no mar Báltico. 

CDERZO, (geogr.) Opitergium, cidade do 
reino Lombardo Veneziano, sobre oMunti- 
cano, a 6 léguas NE de Trevizo ; 4,600 ha- 
bitantes. '^' 
ODESSA, (geogr.) cidade da Rússia euro- 
pea, a 42 léguas OSO. de Kherson, sobre o 
ipar Negro; 40,000 habitantes ; muitos del- 
les Gregos. Porto franco. Cidadella. '\ 
ODESSus, (geogr.) hoje Varna, cidade da^-- 
Mesia Inferior, sobre o Ponto Euxino, era 
nma colónia de Mileto. i 
ODEYPOR, (geogr.) cidade da índia ingle-^ 
za mediata, no antigo Adjmir, capital de um 
principado do mesmo nome. O estado de 
Odeypor , chamado também Mewar ou 
Miouar, occupa aparte SO. do Adjmir, e ó , 
cercado por montanhas ; solo fértil, mas mal • 
cultivado. 

ODi (corrupção do Arab. uad, rio e não 
guadi, como pretende D, Tiunes de Leão. i 
Não vem, como inculca Moraes, do Fr. caw, !) 
agua, que sôa ô), prefixo de nomes de rios ' 
í). ^. Odiana, hoje Guadiana. 

ODiÁ, 5, m. (t. Asiat,), presente, mimo. F. 
Mendes Pinto, cap. 64. 

ODIADO, p. p. de Odiar ; adj. detestado, :. 
aborrecido. pri 

ODIAR, V. a. [ódio, ar des. inf.) detestar, 7 
ter ódio, aborrecer : — alguém ; — umapes- \ 
soa com outra, inimiza-las. — se, v. r. fa-sn 
zer-se odioso, aborrecido. 

ODIENTO, A, adj. que conserva ódio, ran- . 
coroso. 

ODiLA (S.), (hist.) patrona da Alsacia, fi- u. 
lha de um duque d' Alsacia, abbadessa de 
iloiíeuburgo, morreu em 690, é festejada *x>' 
43 dciuzembro. ; > W^o eá 



19 



ODI 



ODO 



ODTLLON (S.), (hist.) abbade de Cluny, nas- 
ceu no Auvorgne em França no anno 952, teve 
relações com o imperador S.Henrique, com os 
reis de França Hugo ('apeto, Roberto e Henri- 
que í, com o rei de Borgonha, Rodolpho, com 
Cazimiro do Polónia, e todDs estes monar- 
chas o veneravam muito. Recusou o arcebis- 
pado deLyão. Morreu em 1048. E' comme- 
morado no 1 de Janeiro. ; ^í^-') hí 

ODiN, (myth.) Wodan em allemão, o maior 
dos deuzes scandinavos, era considerado pae 
dos deuzes edo mundo. Era também o deus 
dos combates. Tomou por mulher a Frigga, 
filha de Fiorquino, e teve delia Thor, Balder, 
etc. Habitava o palácio de ValhoU ou Valhalla 
na região do ceu ou das nuvens, e ahi rece- 
bia assombras dos bravos mortos nas bata- 
lhas. E' crivei que uma grande parte dos 
acontecimentos attribuidos a Odin e de que 
andam cheias as lendas pertençam á vida 
de um antigo chefe , que conduziu os 
Scandinavos da Ásia á Scandinavia, e que se 
suppõe ter vivido /O annos antes de .íesu- 
Christo. Representam Odin, montado em um 
cavallo de outo patas, com lança na mão, c 
nos hombros d(jis corvos seus mensageiros, 

ODio, s, m. (Lat. cdlum, Lat. odi ou hodi' 
aborreço; Sax. hatian, em Goth. halyan; 
em Ingl. hate ; em Fr. hair , ant. oir , 
aborrecer. Nenhum etyraologista acertou com 
a origem deste vocajjulo , nem do corres- 
pondente (ir. oduné, dô,, odussó, irar-se. 
Ambos, a meu ver, (vem do Egyf)C. Iii ou 
hit, lançar, arremessar, e het, animo , co- 
ração), aversão enlranh^ivel, desejo que ve- 
nha mal á pessoa a quem criámos aversão. 

Syn. comp. Ódio, aborrecimento, rancor. 
O ódio é a ira inveterada, diz Cicero ; é uma 
paixão cega e arraigada no coração viciado 
pelo capricho, pela inveja, pelas paixões, e 
em nenhum caso deixa de ser baixa e indigna 
de um aniiuo honrado e generoso. (X aborre- 
cimento é ura affecto nascido do conceito que 
forma nossa imaginação das más qualidades 
do objecto aborrecido, e compatível com a 
honra e probidade quando seu objecto é o 
vicio. ./5nf.Jbfj;í? ' ;;• i ,"?»!; 

Daqui vem que' cha*nilâm6s Implacável ao 
ódio, e não applicâmos ordinariamente este 
adjcelivo ao aborrecimento , porque olhámos 
áquelle como uma paixão cega, que nunca 
perdoa, antes degenera em rancor e anda 
acompanhada da má vontade; e ao aborreci- 
mento o olhámos como eífeito de uma persua- 
são, que a razão ou o desengano podem che- 
gar a destruir. O rancor é ódio inveterado e 
occulto, e por isso mais vil e traiçoeiro que ú 
ódio 

Um hometh honrado perdoa a oífensade 
um traidor, de um assassino, porque não ca- 
be qUo em sua aobre çousidera^âd ; por ém 



não pôde deixar de aborrecer tão execráveis 
monstros da sociedade. O malquerente, o ira- 
cundo ferido de inveja, arde em rancores, e 
aguarda o momento em que possa dar pasto a 
sua vil paixão. 

O aborrecimento faz -nos olhar com des- 
gosto a seu objecto; o ódio no-lo faz olhar 
com ira ; e o rancor, com animo malévo- 
lo. 

ODIOSAMENTE, adv. (mmíe]suíf.) de modo 
odioso. 

ODiosiDADE, s. f. qualidade odiosa, cara* 
cter odioso. A — d'esta calumnia. 

odiosíssimo, a, adj. superl. de odioso. 

ODIOSO, A, adj. (Lat. odiosus.) que causa 
ódio, aversão ; que indica ódio, v.g.toáoo 
privilegio é — . — calumnia. Fez-se — pe- 
las suas injustiças. Modo — . 

ODO, s. m. (t. Asiat.) arvore sagrada en- 
tre osCanarins. 

odoacro, (hist ) conquistador de Itália, era 
íilho de ura ministro de Attila. Perdeu seu 
pae em 465, andou algum tempo na Mo rica 
vivendo de roubos ; depois foi admittido com 
seus companheiros na guarda imperial em 
Ravenna, e foi assim chefe dos Herulos a sol- 
do do império. Revoltou-se contra o imppra- 
dor Augustulo, ao qual destronou sem diíTi- 
culdade, supprimiu o titulo de imperador do 
Occidente e contentcu-se em governar a Itá- 
lia com o titulo de patrício. Distribuiu aos 
seus companheiros o terço das terras conquis- 
tadas ; todavia tornou-se estimado pela sua 
moderação, virtudes e pelas reformas úteis 
que fez ; aífastou das suas fronteiras os po*<ii 
vos bárbaros da Gallia e da Germânia; batean 
osRagios em >ôrica esubmetteu a Dalma**-- 
cia. Era 489, Theodorico, seguido de quasi 
toda a nação dos Ostrogodos invadiu a Itália 
e bateu-o, até o obrigar a encerrar-se em 
Ravenna, onde Odoacro se deíTendeu mais 
de dous annos, e só entregou a cidade com 
a condição de reinar com o princepe godo. 
Mas alguns dias depois de abertas as portas 
da cidade Theodorico mandou-o matar em 
um banquete. 

ODON (S.), (hist.) nasceu em Inglaterra no 
fim do iX século, de paisdinamarqnezes, foi 
empregado pelos reis Alfredo e Eduardo 
em negócios muito importantes, fo' capellão 
do rei Athelstan, depois bispo de Wilton, e 
a final arcebispo de Cantorbery. Morreu em 
961. E' cnmmemorado a 4 de Julho. Outro > 
S. Odon, deTours, abbade de Cluny de 92 /ob 
a 942, écomraemorado a 18 de Novembro. 

ODON DE DEUiL, (híst.) Odo dc Díoffifo, 
nasceu no começo do XH século em Deuil, no 
valle de Montmorency, morreu em 1162, foi 
capellão de Lui2-o-vtoço, acompanhou-o i 
Terra Santa, e quando voltou foi nomeado 
fbbacte íje S. Djni». ^«ortte^ : fíe Ludòvloi 



(ED 



(EK 



ODONTALGiA, s. f. (Lat. do Gr. odontes, ge- 
nit. de odoús, dente, e algheôy sentir dôr.) 
(med.) dôr de dentes. 

ODONTOLOGIA, s. f. (med.) tratado sobre 
os dentes. 

ODONTOLOMA, (bot.) genero de plantas da 
familia das Synaalhereas e da Syngenesia 
igual, L. 

ODOR, s. m. (Lat. odor, de óleo, ere, chei- 
rar ; 1 gypc. scholem, cheirar.) (p. us.) chei- 
ro, aroma. V. Cheiro. 
ODORADO, por ÁdooradOf Doente. 
OBORATissiMO, A, adj. superl. alatinad», 
muito cheiroso. 

ODORÍFERO, A, adj, (Lat. odoriferus.)Qhm- 
roso, que oxhala cheiro grato, resceadente ; 
(fig. e p. us.) Fama — , boa. 

onoRiFUMAiSTE. adj. dos l g. (poet.j cujo 
fumo lança bom cheiro, aroma. O vinho, o 
incenso — . 

ODOROSo, A, adj. (Lat. odorus.) fragante, 
que exhala cheiro, rescendente. 

ODRE, s. m. (Lat. uter, utris. Creio que 
vemdoEgypcio hot, odre.) a pelle inteira do 
bode, curada e feita em sacco atado na boc- 
ca, para conter vinho, azeite, etc. 

ODREiRO, í. m. (des. eivo) homem que faz 
odres ou os vende. 

ODRiNHO ou ODREZiNHO, s. w. dimínut. de 
odre. 

ODKTSES, (hist.) povoda Thracia, habita- 
va O centro deste paiz, nas margens do liei- 
ro, da Agrianes e do Contadesdo. Os poetas 
designam algumas vezes, toda a Thracia com 
o nome de Odrysia Tellus. 

(EASO (promontório), (geogr.) hoje cabo 
Machicaco, promontório deliispanha, per- 
to de Fontarabia. Perto delie encontra -se 
uma ilha, chamada Hea ou Ea. 

íEBALiA, (geogr.) (Ebalia, nome dado á 
Saxoiia, em honra de (Ebalo, um dos seus 
antigos reis; ' ' 7fni[ s;- 

(echaÍia, (geogr.) Carpenitza, cidade da 
Thessalia, era a morada de Euryte, pai de 
lolo ; foi tomada e assolada por Hercules, 
que levou delia lolo. 

ffiCOLAMPADB, (hist.) uM dos autofcs da 
Reforma, nasct^u em 1682 em Weinsberg, 
depois^ de tomar ordens no convento d'Al- 
ton»jdeclarou-se abertameate pela llijforma, 
cazMM-se e a final seguiu a doctrina de Zwin- 
gle. Beixou Commeiítarios sobre diversos 
livros do antigo e novo Testamento ; um 
tratado De vero intelteetu vérbo^um, ele. 

•KoeMA, s. f. (med.) humor dilluso, sem 
rubí)r, nem tensão, nem dor, cedendo á 
pressão do dedo, e conservando-a durante 
algum tempo : formadO' por seroeidade in- 
filtrada no tecido oellular, 



Vil Francorumreyis, profectionein O rien- \symptomas inflamatórios, distingue o (Bde*f. 
tem. ma do phlegmão. 

(EDENBURGO, (geogr.) Soprony em húnga- 
ro, Sempronium dos antigos cidade dos Es- 
tados Austríacos, capital da província de 
(Edenburgo ; 13,000 habitantes. 

(EDENBURGo(provincia de) (geogr.) na Hun- 
gria, além «lo Danúbio, entre a Áustria ao 
N. e a 0., o governo de Wieselburgo ao N. 
e a E., e o de Eisenburgo^ao S ; 190,000 
habitantes. 

(EDERA, (bot.) genero de plantas dafami-' 
lia das Synanthereas e da Syngenesía su-- 
perflua. 

(ÉDIPO, (hist.) rei de Thebas, íilho de Laio 
e de Jocasta, vivia no século XIV antes de 
Jesu-Christo ; foi exposto logo depois de 
nascido porque um oráculo tinha predicto 
que elle havia de ser o matador de seu 
pai e marido de sua mãi, foi salvo por um 
pastor de Polybo, rei de Corintho, e edu- 
cado na corte deste príncipe como seu pro- ' 
prio íilho. Quando depois soube a fatal pre- • 
dição do oráculo, apartou-se daquelle, que-í 
jilgava seu pai, mas o destino fe-lo encon- ' 
trar com Laio, ao qual matou sem o co- 
nhecer Decifrou o enigma do Sphinge, en- 
tão flagello dos Thebanos, e recebeu em re- 
compensa a mão de Jocasta e o trono de 
Thebas. Etéocle efolynice, Antigono e Is- 
mene deveram a vida a esta união inces- 
tuoza. Instruído depois sobre o seu fatal en- 
gano (Édipo vazou os olhos e viveu retira- 
do no seu palácio ; foi expulso por seus fi- 
lhos, levou vida errante sob a guarda de 
Antigono, que nunca o quiz abandonar, e 
morreu em Colones , território da Atti* 
ca. ■ ■'■ 

(EHRiNGEN, (gcogr.) cídadc do reino deWuf- 
temberg, a 13 legoas ao NE. de Stuttgard-j 
5,760 habitantes. ■■■'': ori 

OEIRAS, (geogr.j villa de Angola, onde exis- 
te um bom estabelecimento de fundição de 
ferro, que foi fundado em 1767, e para o 
qual foram em 17H8 quatro mestres bis- ' 
cainhos, que morreram no anno seguinte 
sem deixar discípulos. 

osLAND, (geogr.) ilha da Suécia, no Bál- 
tico, perto da costa de Calmar, da qual é 
separada polo estreito de Calmar ; 30,000" 
habitantes. Capital Borkholm. 

(ELS, (geogr.) ekfede dos Esta'dos prussia- 
nos, a 6 léguas NE. de Breslau ; 6,000' ha- 
bitantes, 'jni ,<T!> '!fl»ft! ■-!• •!•'! 

OKNAUTE OU oÉifAÍfTHÍ, é. m. (Lat. dbOr. 

olnos, vinho,! e aní/ios, fter.)plarita de has- 
tes quadradas e nodosas, e de' folhas miúdas, 
repartidas de três cm três ; dá flores azues 
e sementes coma a^seirtonas. 

GENEO, (hist.) rei de Calydon, teve do AU ' 
A ausência dos^tije*, &m ]»r«iei»a ésjwza, Méléap\> e M-' 



Kl 



-OtS^ 



OFF - 



janira ; de Peribea, a segunda, Tydéo, pae 
de Diomedes. 

CENOMAUS, (hist.) rei de Pisa, pai d'Hip- 
podamia e sogro de Pelops, 

cEríONA, (myth.) nyrapha do monte ida, 
foi amante de Apollo (do qual recebeu o 
dom de predizer) e depois de Pan, que a 
abandonou. Predisse a este ulliajo que um 
dia a viria procurar, e com effeito assim 
succedeu, quando elle foi ferido por Phi- 
loctetes com uma das settas de Hercules. 
CEnona tentou em vão cural-o, e depressa 
o seguiu ao tumulo. 

cENOPiDEs, (hist.) philosopho peripatetico 
de Chios, contemporâneo d'Anaxíigoras (no 
século Vantes de Jesu-Chrisjo). Attribuem- 
Ihe muitas descobertas malhematicas e ana- 
tómicas ; elle dava ao anno 36j dias e 8 
horas 

(ENOTRiA. (geogr.) um dos antigos nomes 
da Itália meridional, assim chamada em me- 
moria da emigração de (Enotro aos logares 
outora habitados pelos Gusanos. Extende- 
se algumas vezes o nome de QEnolria a toda a 
Itália, 

CENOTRO, (hist.) o mais moço dos filhos 
de Lyconte, rei de Arcádia, estabeleceu-se 
na Itália meridional, no anno 1710 antes 
^ de Jesu-Christo, e deu o seu nome a este 
paiz. Alguns auctores affirmam que GEno- 
tro era rei dos Sabinos, e querem que se- 
ja o mesmo que Jano. 

OEREBRO, (geogr.) cidade da Suécia, ca- 
pital do Lan ou governo de ffirebro, sobre 
O lago d'Hielraâr, a 14 léguas ao O. de Sto- 
ckholmo; 3,400 habitantes. 

OERHAUSEN, (geogr.) villa da Baviera, ai 
légua e um quarto ao SO. de INeuburgo, 
perto do Danúbio. 

OESEL, (geogr.) ilha da Rússia europêa, 
no mar Báltico, na entrada do golpho de 
Livonia; 35,000 habitantes. Capital Arens- 
burgo 

OESNORoiísTE, s. w. pouto do ceo, e ven- 
to que medeia entre o noroeste e o oeste. 

OESOPHAGO, s. m. conductor cylindrico, 
musculo membranoso, fazendo parte do ca- 
nal alimentar, e estendendo-se da pharyn- 
ge até ao estômago, ao qual conduz os 
alimentos ; situado no pescoço, adiante e um 
pouco á esquerda do corpo das vértebras 
cervicaes, atraz da parte esquerda da tra- 
chea-arteria ; alojado depois na separação 
posterior do mediastino, inclinando-se da 
esquerda para a direita desde a quarta ou 
quinta vértebra dorsal ate á nona, para dar 
lugar á costa; d'ali se encaminha da direi- 
ta para a esquerda e dé traz para diante até 
a abertura do diaphragma, que o transmit- 
te ao abdómen. 

OESSUDUÉSTE, í. w. ponto dohorizontc, e 



vento que medeia entre o oeste e o sudués- 
te. 

OESTE, s. m. (do Teutonieo vest ou uest, 
cuja origem ainda ninguém deu com acerto. 
Vera de este, em AU. ost, com o prefixo v o«i 
w era Allemão, contracção de wider, contra 
widrig, opposto. 'V. Este. Ilorne Tooke en- 
ganou-se derivando-o do Anglo-Saxão uesan^ 
em Ingl. wet, molhar, porque, diz elle, o 
vento oeste traz sempre chuva.) ponto do ceo 
opposto ao de este. occaso, lugar do pôr do 
sol; vento que sopra d'este ponto. 

OESTERSUND, (geogr.) cidade, da Suécia 
capital da prefeitura d'Iamtland ; 200 ha- 
bitantes. 

OESTRYMNicus siNus, (gcogr.) golpho do 
Oceano Atlântico, hoje golpho de Gasco- 
nha. 

OETA, s. f. (Fr. ouaíe, primeira seda que 
se colhe dos casulos do bicho da seda. M. 
Sonnini deu a verdadeira origem d'este ter- 
mo, que ó Syriaco derivado do Egypcioe si- 
gnifica lanugem mui longa e fina que cobre 
as sementes da asclepias eque ócomo seda. 
Orad. Egypc. éo«í^, semente, ehit, lançar.) 
carepa densa, ou lanugem que nasce sobre 
alguns fructos do oriente, segundo Bluteau, 
mas engana-se ; o termo tem as significações 
acima apontadas. Os Francezes o tiraram da 
Syria e doEgypto. 

OETA, (geogr.) hoje monte Commaita ou 
o Katavothra, monte situado nos confins 
da Grécia ])ropria e da Thessalia, perto do 
golpho Maliaco e dos Thermopylas, e no meio 
da Dorida. 

OETiNGER, (hist.) sabío wurtemburguez, 
nasceu em 1702, morreu em 1782. Tradu- 
ziu as obras mysticas de Swedenborg. 

OETTiNGEN, (geogr.) cidadc da Baviera a 
15 léguas ao SO. de Nuremberg, 2,300 
habitantes. 

OFANTO, (geogr.) o antigo Aufide, rio do 
reino de Nápoles, nasce no principado ul- 
terior, separa esta província de Bassilicalo, 
corre a E. depois ao ^ilí, e cae no Adriá- 
tico entre Branlelta e o lago de Salpi. 

OFEN ouoE-BUDA, (geogr.) villa da Hun- 
gria, ao N. de Buda, e sobre a margem direi- 
ta do Danúbio ; 8,000 habitantes. 

OFFA, (hist.) rei de Mercia, o maior dos 
reinos da Heplarchia, reinou de 757 a 796, 
juntou a seus Estados o reino de Est-Anglia, 
matando o rei Ethelberto, foi depois a Ro- 
ma implorar o perdão do papa e foi a*^sol- 
vido. 

OFFACiNO. V. Omphacino, 

OFFEGAR, V. n. (t. da Beira) anhelar aço- 
dado, respirar com difficuldade. Do Fr. ant. 
ofegar, deriv. do Lat. sufjocare. 

OFFEGO, s. m. respiração curta, cansa- 
da. ' 



OFF: 



oprn<) 



«f 



OFFEGUENTO, A, adj . anhelante, queres-v 
pira com difiiculdade. 

OFFENBACH, (gcogr.) cidadc do gran-du- 
cado d'Hesse-Darmstadt, sobre o Meno, a 1 
léguas ao Slí. de Francfort-sobre-o-Meno ; 
V,OnO habitantes. 

OFFENBURGO, (gcogr.) cidade do gran-du- 
cado de Bade, a IG léguas ao S. de Carls- 
ruche ; 3,0U0 habitantes. 

OFFENDEDOR, A, adj. 6 5. pessoa queoífen- 
de. 

OFFENDER, V. a. [Lãi. offeYido, ere, áeob, 
e /indere, fender.) causar dôr, desprazer, 
causar mal physico ou moral, v. g. a nimia 
brancura, a luz mui viva o/fende avista, os 
olhos, A discordância das vozes, a obscenida- 
de das expressões ofjendem o ouvido. — , 
lesar, não guardar a justiça, faltar á urbani- 
dade, desaltender, v. g. — alguém. — a 
Deus, peccar. Em sentido abs. é ant. e des- 
usado, dar topada, ex. «Uma pedra em que 
muitos gentios offenderam e empeçaram. » 
Paiva, Serm. 

OFFENDicuLO, s. w. V. Obstãculo, Em- 
baço. Impedimento. 

OFFENDiDo, A, p. p. dc offeuder ; adj. que 
recebeo ou que fez oíTensa, lesão. 

OFFENSA, s. f. (Lat. offensio.] actodeoffen- 
der ; lesão, mal physico ou moral a alguém, 
aíTronta. Receber, fazer — . (íig.) ressenti- 
mento de damno ou injuria recebida. — de 
Deus, peccado. Sem — dos ouvidos, sem os 
offender. 

OFFENSÃo, s. f. (Lat. offensio, onis.) (p. 
us.) ataque; oppõe-se a defensão. 

OFFENSivo, A, adj. (dcs. ivo.) que oíTen- 
de. Armas — s. Guerra — , de agressão. Chei- 
ro — , queincommoda o olfacto. 

OFFENSO, A, adj. (Lat. offensus.) (p. us.) 
offendido, losado. 

OFFKNSOR, s.m,. O quo oíTendeu. 

OFFERECEDOR, A, adj. pessoa que offere- 
ce. 

OFFERECER, V. a. (lat. o/fcro, rre; de of 
por 06 diante, efero, erre, levar.) apresen- 
tar alguma cousa a alguém para qne a acei- 
te gratuitamente ou por preço, v. g. — di- 
nheiro, o seu préstimo, a casa, a filha para 
casar ; — preço ; — pazes. — batalha, apre- 
sentar-se. — se, v. r. expor-se, v. g. — á 
morte, a morrer pela pátria. Offereceu-se oc- 
casião, occorreu, apresentou-se. 

OFFERECíDO, A, p. p. dc oífcrecer ; adj que 
se oífereceu, queoffereceu. — , (ant.) peita- 
do, a quem se offereceu peita ; exposto, ar- 
riscado, cx. «Andam sempre — s áscalum- 
nias e perseguições. » Tinha — dadivas, o 
resgate. Tinha-se — occasião opportuna. 

OFFERECiMENTO, s. m. [mento suíT.) acto 
de ufferecer ou de ser offerecido ; cousa offe- 
recida, v. g. íez-me graudes — s, 

YOL. IV. 



OFPERENDA. V. Ofjrenda. 

OFFERENTE, adj. dos 2 g. (Lat. ofJerenSt' 
tis, p. a, de o/ferre.) (p. us.) que offerece. 

OFFERTA, s. f. oblação, dom que se offe- 
rece a Deus, ou aos sacerdotes. Pôr d — , 
imagem ou reliquia do santo, expo-la ao pu- 
blico, para coihf^r esmolas. - 

Syn corap. Offerta, promessa. A offerta é 
uma demonstração de desejo que temos, ou 
affectamos ter, de que se receba ou acceite o 
serviço ou a cousa que oíferecemos. A pro- 
messa é uma obrigação que nos impomos de 
fazer algum serviço, ou de dar alguma cousa. 
O que offerece com pouca vontade de dar, ex- 
põe-se a que lhe acceitem a offerta. O que 
pramette com vontade , ou sem ella , deve 
cumprir sua promessa. Acceita-se com agra- 
decimento a offerta ; e exige-se o cumpri- 
mento da promessa. 

Wa palavra offerta só se descobre a vontade 
do que offerece ; na palavra promessa desoo- 
bre-se a acceitação daquelle a quem se pro- ' 
metteu. Fulano o/?'erecew-mea suacasa, po- ' 
rém eu não a acceitei ; prometeu-me vir á 
minha, e espero que não faltará á sua pala- 
vra. 

OFFERTADO, A, p.p. de offertar ; adj. dado 
em offerta ou oblação. 

OFFERTAR, V. a. fazcr offerta, oblação, of- 
ferecer. 

OFFERTAZiNHA, s. f. diminut. do offcrta. 

OFFERTORio, s. w, (dcs. ório.] a parte da 
missa em que o sacerdote offerta a Deus a 
hóstia e o caliz. f 

OFFiciADO, A, p. p. de officiar ; adj. em ' 
que se faz oofticio divino. 

OFFiciADOR, s. m. quo ofíicia. 

OFFiciAL, s. dos 2 g. [ofjicio, des. ai.) 
homem ou mulher que exerce officio manual 
e mecha nico ; também se contrapõe a mestre 
para quem trabalha o official, v.g. — desa-- 
pateiro, carpinteiro. — , pessoa empregada 
no serviço do estado, civil, administrativo, 
judicial, militar, etc, v.g. of^ciaes da jus- 
tiça, da fazenda, das secretarias. Of^ciaes ^ 
superiores, — inferiores, das tropas de ' 
terra e de mar. — da relação, desembarga- 
dores. — da camará, vereadores, etc. — 
de justiça, alcaide. Officiaes da alma, sa- 
cerdotes. 

Acha-se usado no f. ex. tu E'hodi official. y> 
Jorge Ferreira, Aulegr. 

OFFICIAL, adj.dos^g. feito por officio ou 
obrigação. Devassa — . Despacho — , de mi- "^ 
nistrode estado, diplomático, ou escripto por 
official militar superior, ou pelo general. 

OFFiciALiDADE, s. f. O corpo dos officiaes 
militares. 

OFFiciALMENTE, adv. [meiíte suff.) de of- 
ficio, por officio authentico. v. g. Noticia — '■ 
participada. 

e 



^ 



OFP 



OGY 



OFFiciANTE, s. m. (des. do p. a. Lat. em jardeg. inf. E' formado á maneira do Latim), 
ans, tis)r o sacerdote que faz algum oíTicio fazer fusco, escurecer, v. g. o nevoeiro,'!^ 
divino GIL ecclesiastico. fumo do carvão de pedra offusca o ar, os 

OFFiciAR, V. a. [officio, ar ães. iní) Officiar' olhos, avista. — o entendimento, a ver-^ 
amissa, 9]aàar a celebra-la. — em sentido dade, escurecer. — se, v. r. obscurecer-se,' 



abs.. hoje muito us., participar de officio. v.g. 
OÍBciou á sua corte. 

OFFiCNA, s. f. (Lat. átíopus, efacio, faço), 
casa onde se executa trabalho mechanico, v. 
g. — de boticário, typographica, de ferreiro. 
— - s de convento, refeitório, cozinha, etc. — 
(fig.) logar onde se elabora alguma cousa, v. 
g. o cérebro é — do entendimento, o fígado 
da bilis. O claustro é — de maldades. As cor- 
tes são — s da tyrannia. — s da morte, chd^- 
ma Fernão Mendes Pinto a certas forcas. 

OEFiciNAL , adj. dos 2 g. de ofticina. — 
pharmaceutico. v.g. Remédios, preparações 
oííicinaes. Plantas — , empregadas na medi- 
cina. 

OFFICIO, s.m, (Lat. ojpxium; de opus, obra, 
e facere, fazer), arte mechanica, occupação, 
modo de vida, v. g, — de sapateiro, alfaiate, 
marceneiro ; cargo, emprego publico, civil, 
administrativo, de fazenda, justiça, militar, 
etc. ex. «O — e dignidade de rei. » Leão. O 

— de escrivão, de porteiro de tribunal. — 
obrigação, dever. O — do rei é fazer seus 
vassallos felizes. Fazer — de amigo. Fazer 
bons ou maus — s a alguém, dar boas ou 
más informações delle, obrar em abono ou 
desabono. — , carta , despacho oíTicial de 
chefe militar, de ministro de estado ou di- 
plomático. Ex — , loc. latina, por obrigação, 
dever, em qualidade oíTicial. — s divinos , 

— de Nossa Senhora, rezas em louvor de Deus 
da Virgem, etc. — de defuntos, preces pelas 
almas delles. O Santo — , a inquisição* — , 
entre sapateiros, alcofa ou a banca da ferra- 
menta. — s, oíTicinaa, v.g. — do paço, ucha- 
ria, mantearia, etc. — nome de um jogo em 
que cada pessoa representa um oíiicio me- 
chanico. 

OFFiciosAMENTE, [acíw. por officiosidade, por 
obsequio, e não por obrigação ; de modo 
officioso, 

OFF ciosiDADE^ s. /".. disposição officiosa ; 
obra, acto, serviço voluntário e não obriga- 
tório. 

OFFICIOSO, A, adj. (Lat. ojficiosus) , que 
faz bons oíTicios a outrem, amigo de obse- 
quiar. 

OFFRANviLLE, (gcogr.) cid^dc de França, 
a 4 léguas ao S. de Dieppe ; 1,700 habi- 
tantes. ' 'l; ., 

OFFRENDA, s. f. i^Ff. offrande] , oíferta , 
oblação, oblata. 

OFFRENDAR. V. Offertar. 

OFFuscADO, p.p. de OíTuscar; aí(;'.| obs- 
curecido, deslumbrado. 

OFFuscAB, v.a. (o/"poro6, diante, fif>9co, 



deslumbrar-se com outra luz mais viva. A» 
estrellas menos brilhantes ofJ'uscam-se com 
a esplendor das maiores, isto é, perdem do' 
seu brilho. : 

OFREÇOM. V. Ofjferta. 

OG, (hist.) rei de Basan, era da raçadoS' 
Gigantes, foi atacada e exterminada jeom 
lodo o seu povo pelos Israelitas conduzidos ' 
por Moysés. ' 

OGANHO e OGANO, ttdv. (doLat. hoc, anno}i 
neste anno. '''■'' 

OGE, (ant.) V. Hoje. 

ÓGEA ou OJA, s. f. ove de rapina do ta- ' 
manho do francelho ; vive de passarinhos. 

OGER-O-DINAMARQUEZ OU OGIER, (hist.) 0^ 

verdadeiro nome deste individuo é Autcairv^ 
guerreiro da Austrasia, celebre nos romances* 
de cavallaria como um dos mais bravos pa- '- 
ladinos de Carlos Magno ; cançado de com- 
bater retirou-se á abbadia de Meause, on- 
de morreu no meado do século iX. 

OGERiZA, s. /. (Cast. ojeriza.) V. Antipa- ' 
thia. 

OGHAM, (myth.) em latim Ogmius, deus * 
gaulez, ao qual representavam velho, calvo, 
armado de arco ede aljava, puchando a si •' 
os homens com filetes de ouro e de âmbar, '^ 
que saiam da sua bocca. Este deus parece 
ser o symbolo da força eda eloquência. Os 
antigos chd.mh\&m-\he) Hercules gaulez. Tem ^ 
muita analogia com o Hermes dos Gregos. 

OGILBY ou ooavY, (hist.) escriptor esca^»b 
cez, nasceu em 1600, morreu em 167H. Dei-t 
xou muitas traducções em verso, entre el- 
las da Eneida, da Ilíada, da Odyssea 

OGLio, (geogr.) Ollius, rio do reino Lom- 
bardo-Veneziano, nasce na província de Ber- 
gamo, atravessa o lago de Iseo, e junta-ser»j 
com o Fó ; abaixo de Borgoforte. •> ^ • 

OGNATE, (geogr.) cidade de llispaHha a 11 
léguas ao SE., de S. Sebastião ; 4,250 ha- 
bitantes, v .» ,r 

oGYGEs; (hist.) rei de Attica, e da Beó- 
cia, no século XIX antes de Jesu-Christo, 
passava por filho de Neptuno ; edificou a 
cidade d'Eleusina. No seu reinado teve lo- * 
gar o diluvio, que é conhecido pelo seu no*»"» 
me, o qual invadiu todos os seus estados^ 
Querem que este diluvio acontecesse 250 an- >• 
nos antes do de Deucalião, no anno 1832 
antes de Jesu-Christo. Segundo alguns au- 
tores Ogyges não é mais do que o diluvio 
personificado. 

OGYGiA, (geogr.) 0<7?/^ia, terra fabuloza, on- 
de reinada Cahpso, e da qual fazem uma 
i;lba próxima ás^ £osta$ de Itália. Também 



, :/, - ,■ ^^ 



OIS 



OKH 



i» 



se deu o nome ãeOgygm ao paiz, emqnoi 
reinava Ogyges, e que foi depois a Altica 
ou a Beócia. 

oii ! interjeição instincliva, a qual segun- 
do a entoação da voz denota alegria, admi- 
ração, espanto, ou dôr, magoa, indignação, 
desprezo e outros affectos. Oh lá ! para cha- 
mar. Oh bemaventurados os surdos ! Oh 
desgraça ! Oh que maravilha! « Oh que não 
sei de nojo como o conte 1 » Tamões, Lu- 
siad., V. 56. 

OHio, (geogr.) grande rio dos Estados Uni- 
dos, é formado pela reunião do Alleghany, 
e do A^onongahela em PittsJ3urgo. 

OHIO (Estado de) (geogr.) um dos Estados- 
Unidos da America da norte, a O. da Pen- 
silvânia e da Virginia, ao S. do lago trié 
edo território doMichigan; l,5iy,AòO ha- 
bitantes. Capital éColumbus, .mas a sua ci- 
dade principal é Cincinnali. E dividido em 
l'à condados. 

OHLAU, (geogr.) cidade murada dos Esta- 
dos prussianns, a 6 léguas ao NE., de Bres- 
lau ; 3,05t> habitantes. 

OHoi) (monte), (geogr.) próximo de Medi- 
na a O., onde Mahomet foi vencido pelos 
de Meca em 625. 

OHRDRUF, (geogr.) cidade murada do gran 
ducado de Saxe-botha, sobre e Ohra, a 3 
léguas ao SE., de Got-ha ; tem 4,500 habi- 
tantes. 

01, diphtongo, que muitos, conformando- 
se com a pronunciação, tem substituido a 
€u, V. g. oiro, moiro, por ouro, mouro. 
Rão ha inconveniente nesta substituição. 

oiGNON, (geogr.y rio de França, no dis- 
tricto do Alto-Laona , e separa-o dos dis- 
Irictos de Doubs e do Jura, ecaenoLaona, 
abaixo de Pontaillier. 

oiGouRS, (geogr.) povo tártaro da familia 
ouralianna, o mesmo talvez qne os Húnga- 
ros ou Hunogouses, emigrou da Ásia para a 
Europa no V século da nossa era. Este povo 
era celebre na idade media pela sua cruel- 
dade, e a palavra ogre. tão famosa nos con- 
tos das fadas, é sem duvida derivada delle. 

oiLEO, (hist.) rei dos Locrios, foi o pae de 
um dos Ajax ; também foi um dos Argonau- 
tas. 

OIRO. V. Ouro. 

oiBSCHOOT, (geogr.) cidade dallollanda, a 
3 léguas e meia WO. d'Enidhoven : 5,200 
habitantes, 

oisB, (geogr.) ffisií, jTsara, rio de França, 
nasce na Bélgica, atravessa Guise, la Fere, 
Compiegne, Pontoise e cae no Sena em Con- 
flans-Santa Hanorina. 

oisE (departamento de), (geogr.) um dos 
districtos de França, entfe os de Somme ao 
N., d'Acine a E., de Serra e Marne, ao S., 
d'£ure e do Sena Inferior a O. ; 368,640 



habitantes. Capital Beauvais. Foi formado da! 

ilh'i de França e da;Picarrfia. • ' 

oiSESíONT, (geogr.) villa de França, a 10 
léguas 0^ de Arniens ; 1,700 habitantes. 

oiSEAU, (geogr.) cidade de França, a 2 Ití^- 
guas NO. deMayenne ; 3,860 habiiantes. ' ' 

OTSSEL-LA-RiviERE, (gcog.) cidade de Frah- ' 
ça, a 3 léguas S. de Rouen ; 3,190 habi- 
tantes 

OITAVA, s. f. (subst. da des. f. de oiíaw.) 
a oitava parle ; oitava parte da onça, ou 
três escropulos, drachma ; estancia de oito 
versos ; o dia oitavo de alguma festa ou so- 
lemnidade, v.g. a — da Paschoa, do Natal. 

OITAVADO, A, p. p. de oitavar; adj. de 
oito lados, V g. mesa, salla, edifício — . 

OITAVAR, v.a. [oitavo, ar des. inf.) fazer- 
de oito lados, v. g. — a mesa, a salla; — 0''^ 
cano da espingarda. — , impor o ónus do 
oitavo ; repartir em oito partes, para cobrar 
d'ellas o oitavo dos fructos da terra. 

oiTA VARIO, s. m. (des. ário.) o espaço de 
oito dias de festa ou solemnidade de san- 
to. 

oiTAVEiRO, A, adj. obrigado a dar ou a 
pagar de oito um. Terra — , que paga o oi- 
tavo ao proprietário. 

OITAVO, s. f. a oitava parte ou porção, v. 
g. dos fructos do prédio. 

OITENTA, adj. dostg.iiu r&iral, oito ve- 
zes dez, ou dez vezes oito. ■ 

oiTicuRÓ, s.m. (t. Brasil.) fruta do Brazil ' 
de casca parda, áspera e tosca, e mui gosto- 
sa. , ■ 

oiTiTURUBA, s.f. (t. Brasíl.) fruta do Bra- 
zil do tamanho de uma laranja ; tem um ca- 
roço preto de um lado, que reflecte a luz co- 
mo um espelho. <• "^ 

OITO, cidj. numeràTãòi'^ g. (Lat. octo^ 
Gr. oktô, Sanscrit axta. Persa, hext, cuja 
origem ninguém que eu saiba tem tentado ; 
dar. Talvez venha do tgypcio phtou, qua- ' 
tro, e ke duas vezes.) duas vezes quatro. 

oiTOCENTESiMO, A, adj. nuM. ordin. o nu- 
mero que na serie se segue ao 799. 

OITOCENTOS, AS, adj. oito centenas , oito 
vezes cera. 

oiTONAL. V. Outonal. 

oiTONo. V. Outono. 

OJEDA, (hist.J aventureiro hispanhol, nas- 
ceu no XV século, acompanhou a expedi- 
ção de tolombo, e commandou a expedição ,. 
de 1499, aquella feita á custa de Américo . ' 
Vespucio. Ujeda passou por uma iníinidada ^^ 
de aventuras extraordinárias e morreu em 
extrema pobreza. 

OKA, (geogr) rio da Rússia europea, nas- 
ce nos governos d'Orel, e rega osdeToula, ' 
Kalouga, Riazan, Tambor, Vladimir, ejun- 
ta se como Volga emNijnei-Novogorod. 

OKHOTSK, (geogr.) cidade da Rússia Asia-^ 

p 4i 



^ 



ou 



0LD5!T0 



tica, capital do dislricto de Okhotsk ; 2,000 
habitantes. 

OKHOTSK (districto de), (geogr.) uma das 
sete divisões da Rússia Axiatica, a E. da 
província de lakoutsk, a 0. dos mares de 
Okhotsk, e ao S. do Oceano glatúal Árcti- 
co ; 19,00U habitantes. 

OKHOTSK (mar de), (geogr.) vasto golpho, 
do grande oceano Boreal, entre o Kamtchatka 
6 o districto Okhotsk. 

OKNA, (geogr.) nome de duas villas, uma 
na Moldávia, o cutro na Valachia, 

OKTAi, (hist.) gran-khan dos Tártaros Mo- 
goes, 3.*^ íiiho d(; Gengiskhan, succedeu-lhe 
em 1227, conquistou o norte da China e 
da Arménia, apoderou-se de Moscou, da Po- 
lónia, da Hungria e fez tremer a christanda- 
de. Morreu em 1241. 

ÓLÁ ! intcrj. (d ou oh, e lá) de chamar pes- 
soa que está em alguma distancia mas que 
pode ouvir a nossa voz. 

OLA, s. f. (t. Asiat.), palmeira. — folha de 
palmeira em que os Asiáticos escrevem depois 
de lhe dar certo preparo. Também se cobrem 
casas com ola. 

OLAN, (geogr.) monte do França, entre os 
dislrictosde Isere e dos Altos Alpes. 

OLANDAOu HOLLANDA, s, f. uome de paiz ; 
(fig ) lençaria fina de linho que vem de liol- 
landa e fabricada lá. v, g. Mal de — , (alveit.) 
glândulas que vam aoscavallos. E' corrupção 
de landoa, já alterado áe glândula. 

OLANDiLHA, s. f. dimin. de Ulanda ; (fig.) 
panno, de linho grosso engommado ou ence- 
rado, que serve para entretelas de vestidos. 

OLANDiLHAS, s. w. pi. (do precedentcj, (fig.) 
forricocos de procissão, que levam túnicas de 
Olanda azul. roxa, etc, com capuz que cobre 
o rosto, e abertos no lugar dos olhos. 

OLARGUEs, (geogr.) cidade de França, sobre 
o mar, a 4 léguas WE. de S. Pont ; 1,300 ha- 
bitantes. 

OLARIA, s, f. (Lat. olla, pote, panella), offi- 
cinade fazer louça, vasos de barro. Devera 
escrever-se ollaria. 

OLARSO, (gíjogr.) cidade de Hispanha, en- 
tre os Vascões, junto aos Pyrineos, é hoje 
Oyarzo. 

OLAUsouoLOF, (hist.) nome commum a 5 
reis da Noruega, a :i da Dinamarca e a 1 da 
Suécia. 

OLAUS. (hist.) rei da Suécia , nasceu em 
984, morreu em IO26, foi o primeiro prín- 
cipe deste paiz, que tomou o titulo de rei, 
e também o primeiro que abraçou o christia- 
nismo. 

OLAUs I, (hist.) rei de Dinamarca , e só 
reinou na Jutia ou Jutland, e morreu em 814 
em um combate entre os Francos. Olaus II, 
terceiro filho de Sanson II; e successor de 
Canulo IV reinou de 1086 a 1095. 



OLAUS 1, (hist.) rei da Noruega, subiil ao 
trono era 994. Foi elle que introduziu o chris- 
tianísmo na Noruega, na Islândia e no Groen- 
land ; morreu no anno lOOO. Olaus II, cha- 
mado o Gordo ou o Sancto, subiu ao trono 
em 1017, e foi destronado em 1030, morreu 
em 1032. Olaus III, o Pacifico reinou com 
seu irmão Magnus II de 1066 a 1068 e só de 
1068 a 1087 ; protegeu muito a religião. 
Olaus IV, filho do Magno IIÍ, reinou com seus 
dous irmãos, Sigurd e Eystein, de 1103 a 
a 1116. Olaus V nasceu em 1370, neto de 
VValdemar, succedeu a seu avô em 1376 no 
trono de Dinamarca, a seu pai no trono da 
Noruega em 1380, e teve pretenções ao trono 
da Suécia. Morreu em 1387. 

OLAViDA, (hist.) estadista hispanhol, nas- 
ceu em 1725. Tendo proclamado a sua adhe- 
são ás doctrinas philosophicas, que domina- 
vam em França, foi accusado de heresia ao 
tribunal da Inquisição, mas teve d eio de se 
retirar a França para escapar ao castigo. No 
fim da sua vida converteu-se , escreveu o 
Triumpho da Fé, e regressou a Hispanha 
onde morreu em 1803. 

OLAYA ou OLAIA, s. /. [Idit. ligustrum per- 
sicum ou lybiacum), arvore de Judéa que 
dá flores em ramalhetes arroxadas, azueis, 
cinzentas ou brancas. 

OLBERS, (hist.) medico e astroDomo alle- 
mão, nasceu em 1758, morreu em 18^0, tor- 
nou- se celebre pela descoberta dos cometas 
Palias e Vesla e muitos outros. Deixou um 
methodo para o calculo dos cometas. 

OLBiA, (geogr.) chamada também Borijs- 
thenis ou MHetopolis, cidade da Scythia eu- 
ropêa, sobre o tíorysthenes, perto da sua 
juncção com o Hypanis, era colónia dos Mi- 
letos, efoi muito florescente nos séculos IV 
V antes de Jesu-Chrislo. 

OLDENBURGER, (hist.) pubUcísta allemão, 
morreu en 1678. Deixou entre outras obras 
uQi Thesaurus rerumpublicarum totius or- 
bis. 

OLDENBURGO, (geogr.) Oldeuburg, cidade 
d'Allemanha, capital do ducado d Oldenbur- 
go, a 7 léguas 0. deBreme; 5,800 habitan- 
tes. Foi fundada em 1155 pelo conde Ghris- 
tiano l. 

OLDENBURGO (ducado de), (geogr.) estado 
da Confederação Germânica , fica encravado 
aoS. aO.eaE.no reino deHanovre, masé 
limitado ao N. pelo mar; 2f)5,000 habitan- 
tes. Capital Oldenburgo. E' dividido em 6 cír- 
culos. 

OLDENBURGHO , (híst.) phísico allcmão , 
morreu em 1678, era secretario da Socieda- 
de Real de Londres, da qual foi um dos pri- 
meiros membros. Pubhcou Transacções phi- 
losophicas. 
OLDENLANPiA, (bot.) genero de plantas da 



OLE 



OLB 



n 



família das Rubiaceas e da Tetandria Mono- 
gjnia ; é um pequeno arbusto originário da 
índia. 

OLDHAM, (geogr.) cidade de Inglaterra, a 2 
léguas JNE. de Manchester; 32,000 habitan- 
tes. 

ÓLÍ / interj. de quem se admira. 

OLEADO, A, p. p. de olear; adj. embO" 
bido em óleo, com certa tempera, para não 
deixar passar a agua, t?. ^f. pano, tafetá — . 
Usa-se como subst. por eUipse, subentendido 
estoiro, pano, etc. 

-♦OLEAGNEO, A, aJj. (Lat. oleaginus, ouolea- 
gineus.) de oliveira, de azeitona. 

OLEAR, V. a. [óleo, ar des. inf.) untar, em- 
beber de óleo, v. g. — a madeira, panos, ta- 
fetás, ele. 

OLEARius, (hist.) sábio allemão , nasceu 
em 1600, morreu em 1G71. Deixou Viagens 
d Moscotia, Tartaria e Pérsia. 

OLEARIUS (Godofredo), (hist.) escriptor al- 
lemãr, nasceu em 1672, morreu em 1715. 
Traduziu em Latim a Historia dapliiloso- 
phia de Stanley , e compnz uma Historia 
romana e de Allemanha, 

OLEG, (hist,) segundo gran-duque de Mos- 
co via, de 879 a 915. Concorreu muito pa- 
ra o augmento da Rússia com as suas con- 
quistas. 

OLEKMA. (geogr.) rio da Rússia asiática > 
sao dos montes Stanovoi, corre ao Í1. e cae 
no Sena. 

OLEIRO ou antes OLLEiRO, s. m. [Lai. olla, 
pote, panella.) o que fabrica louça de barro. 

OLEN , (hist.) antigo poeta e pontífice 
grego, anterior a^Orpheo, era da Lycia, 
e, segundo outros , de Sarmacia. Can- 
tavam-se em Delphos e em Delos, nas fes- 
tas solemnes, hyranos compostos por elle 
Também sejulga que foi Uien que estabe- 
leceu o oráculo de ApoUo em Delphos. 

OLENUS, (geogr) cidadeda Achaia, aoNO. 
sobre o mar de Crissa, entre Dimes a O. e 
Patrus a E. foi construida por Oléna, filha 
de Júpiter. Era uma da 1^ cidades da con- 
federação achaiahna. 

OLEo, s m. (Lat. oleum, óleo, olea, olivei- 
ra, Gr. elaia, oliveira, azeitona. Em Egypcio 
lale significa untar, o / radical denota cousa 
escorregadia, lúbrica.) liquido unctuoso que 
se extráe das frutas e outras partes das plan- 
tas, dos animaes e de algumas substancias mi- 
neraes, v. g. — de azeitonas, de nozes, de 
amêndoas, de linhaça ; — animal, — de pe- 
tróleo. — , (íig.) uncção Os santos — s, de que 
se usa no bapiisrao, chrisma, nas ord-nsec- 
clesiasticas, naexlrema-uncção, etc. O — da 
graça, virtude, influxo. « Uaspar o — e chris- 
ma de quem é, » (loc. ant.) fazer cousa que 
desdoura, deshonra a pessoa. 

OLEOGiNOSO. V. Oleoso, 

YOL. IV. 



0LE0.S0, A, adj. (Lat. o/tf05uá.) unctuoso, 
que contêm óleo, v. g. sementes — s. As par* 
tes — s da transpiração, da gordura. 

OLERiA. V. Ollaria ou Olaria. 

OLERON ou CASTELLO d'oLERON, (geOgr.) 

cidade de França, sobre a costa E. da ilha 
d'Oleron, a 2 léguas de Masennes ; 2,640 
habitantes. 

OLERON (ilha de), (geogr.) Uliarus e Olaria 
ilha de França, no Oceano, defronte das em- 
bocaduras do Sendre e do Charente ; 19,000 
habitantes. 

OLESNiKi, (hist.) celebre Polaco, nasceu 
em 1389, morreu em 145S. foi secretario 
de Ladislau 11 ao qual salvou a vida ; foi 
bispo de Cracóvia, cardeal e embaixador. 
Em 143i fez eleger Ladislao III era Posen ; 
em 1444 annulou a eleição de Boleslao e 
fez eleger Cazimiro IV. 

OLKTTA, («eogr.) cidade de França , a 3 
léguas. SO. de Bastia ; 901} habitantes. 

OLETTE, (geogr.) villa de França a ó lé- 
guas SO. de Prades; 700 habitantes, l 

o'FACTivo, adj. que tem relação com o 
olfacto. 

OLFACTO, s. m. (Lat. ol/actus, deolfacio, 
ere, dar cheiro, cheirar, tomar o cheiro; rad. 
óleo, ere, cheirar.) o órgão por meio do qual 
percebemos o cheiro dos corpos odoríferos; é 
mui connexo ao do paladar, e forma a parte 
a mais delicada do sabor. 

Syn. comp. Olfacto, c/í-«tro. Um dos sen- 
tidos do homem, cujo órgão é o nariz, e pelo 
qual elle percebe os cheiros, é o olfacto. A 
i;npressão que os effluvios dos corpos fazem 
no olfacto, é o cheiro. Ao que perdeu o olfa- 
cto nada lhe fede, nem lhe cheira. 

OLFATO. V. Olfacto. 

OLFEGO. V. Ofjfego. 

OLGA, .9. f. courela de terra própria pa- 
ra dar cânamo. 

OLGA , (hist.) mulher do gran-duque da 
Rússia Igor ; era de baixa origem. Foi re- 
gente depois da morte de seu esposo, vin- 
gou sua morte sobre os Drcdios, depois en- 
tregou o governo a Sviatoslav l seu íilho. 
Foi baptisada em Constantinopla cora o no- 
me de Helena ; morreu em 968. E' conside- 
rada como sancta pelos Gregos. 

OLGiRRD, (hist.) gran-duque de Lithuania 
de 1330 a 1381, era filho de Ghedimin. 
Destronou seu irmão Javnut. Vingou a mor- 
te de seu pae sobre a ordem teutonica, á 
qual tomou as conquistas feitas na Samo- 
gicia ; tirou aos Tártaros a Podolia , duas 
vezes foi aprisionado pelos cavalleiros teu- 
tonicos e d'ambas se escapou por estrata- 
gema, e impediu que a Ordem se estabe- 
lecesse na Lithuania. Morreu em 1381. 

OLHA, 5. f. (Cast. olla, pron. olha , do 
Lat, olla, panella.) o caldo grosso, a gordu- 
7 



OLH 



OLH 



ra do caldo de carne cozida ao lume com adn- 
bos. Tirar a — á panella. — podrida, caldo 
feito com carne de boi, de p< -rco, com perdi- 
zes, carneiro, etc. — , a panella que contêm 
o caldo e a carne posta ao lume. 

OLHADO , A, p. j). de olhar ; adj. fitado 
os olhos, V. g. — com attenção. Tinha — 
para o mar. Bem — , ou mal — , bem ou 
mal YÍsto, reputado. — com inveja. Cousa 
mal — , desapprovada, censurada. — , (p. us.) 
que tem olhos. 

OLHADO, s. m. quebranto, doença que o 
Tulgo crédulo e supersticioso attiibue ao 
olhar malfazejo de bruia ou feiticeira. 

OLHADOR, s. m. observador. — , uranós- 
copo. 

OLHADURA , í. /. (dos. uva.) acto de 
olhar. 

OLHAL, s. m. {olho, des. ai.) yão dos ar- 
cos de ponte ou de arcada. 

ÔLHALEGRE, adj. dos 2 g. [olho e alegre.) 
que tem olhos alegres. 

OLHALVA , s. f. no termo de Leiria, é a 
terra que se lavra duas vezes no anno, e que 
dá duas novidades. 

OLHÃO, s. m augment. de olho 

OLHAR, V. a. [olho, ar des.) (p. us.) en- 
carar, -c. g. — alguém com favor, amor, ira. 
« A fortuna invejosa olha a virtude com torci- 
dos olhos. — o bem publico, considerar. « Ce- 
gais a quantos olhos olhais.» Camões, Se- 
leuco. — , pôr os olhos, dirigir a vista. — pa- 
ra alguém ou alguma cousa ; — para si, cui- 
dar nos seus negócios, attender aos próprios 
interesses, examinar-se. — por alguma cou- 
sa, attender a ella, — ao diante, cuidar no 
futuro. — por si, vigiar-se, acautelar-se. — 
pelo bem, pela fazenda, vigiar. — para uma 
mulher, requesta-la. — a despezas, reparar, 
orçar, regrar. — , estar defronte. Cidade que 
olha ao oriente, estar voltado, -y. ^. os dentes 
do elephante olham para baixo. — se, v. r. 
considerar-se, ver-se ao espelho. 

Syn. comp. Olhar, ver, esguardar. avis- 
tar, enxergar, lobrigar , divisar. Olhar é 
lançar os olhos ; applicar o órgão da vista. 

Vêr é o effeito do olhar : é apprehender 
com a vista o objecto, a que se lançaram os 
olhos : é sentir a impressão, que o objecto 
fez no órgão da vista. 

Esguardar é olhar e ver attentamente : 
«er examinando, attentando, reflectindo. 

Avistar é chegar a ver ; alcançar com a 
vista ; encontrar com os olhos, ou o objecto 
que está ao longe, ou o que passa rapidamen- 
te, ou o que quasi nos escapa no meio da 
multidão. 

Enxergar éfcr apenas; rèr quanto basta 
para perceDer o objecto, sem divisar ou dis- 
tinguir as suas particularidades ; entre- 
ver. 



Lobrigar é amstar, ou enxergar no meio 
da escuridade, ou da confusão. 

Divisar é ver discernindo, e distinguindo. 

Olhamos, v. g. para o mar com o fim de 
vermos e observarmos oquenelle se passa ; 
avistamos ao horisoníe alguns corpos flu- 
ctuantes, e d'ahi a pouco enxergamos a sua 
forma, e o seu velame, e reconhecemos que 
são navios. Aproximando-se mais, começa- 
mos a divisar cada uma das suas partes, a 
figura dos vasos, a forma e cores das bandei- 
ras, o trajo dos marinheiros, e outras parti- 
cularidades, que nos dão a conhecer se os na- 
vios sã® mercantes, ou de guerra, a que na- 
ção pertencem, etc, e talvez no meio da con- 
fusão da chusma lobrigamos alguma pessoa 
que nos é conhecida, etc. 

OLHEiRÃo, s. m. augment. de olho. Uns 
olheirões de agua, nascentes que brotam da 
terra. 

OLHEIRAS, 5. f. pi. [olho.) circulo livido 
por baixo dos olhos com alguma incitação, 
causado por insomiiia, magoa, choro, etc. 

OLHEIRO, s. m. o que vigia, inspector, v. 
g. de trabalhadores, oíTiciaes mechanicos, 
obreiros. — s, olhos de agua. 

OLHiBRANCO , A , adj. quo tem os olhos 
brancos. 

OLHiNEGRO , A , adj. quo tem os olhos 
negros. 

OLHiNHO, s. m. diminui, de olho, peque- 
no olho. — s, (fig.) olhos lindos. 

OLHiZAiNO, A, adj. que olha atravessado. 
V. Zaino. 

OLHizARCo, A, adj. que temos olhos zar- 
cos. V. Zarco. P 

OLHO, s. m. (Lat. oculus, e antigamente 
ochus ; Gr. ops ; Sanscrit. acxi. Em Proven- 
çal ou lingua dos trovadores huelh, oili, em 
Catalão ull ; Fr. ml. Parece-me derivado do 
Gr. Ulos, o olho, de illô, volver. Oculus, ant. 
ochus e os seus análogos acxi, augo, og, eg, 
nas línguas do norte, parecem-me referir-se 
ao rad. Egypcio ouonk, manifestar, paten- 
tear.) órgão da vista situado na orbita, e de 
forma mais ou pienos globular, no homem, 
nos quadrúpedes, nos pássaros, peixes, etc. 
Os olhos nas classf s de animaes apontadas são 
dois, um em cada orbita ; no homem, e no 
macaco e em alguns oufros animaes situados 
de modo a poderem ambos fitarem ura mes- 
mo objecto posto em cerla distancia, se bem 
que de ordinário fixemos com um só olho ca- 
da objecto. Menina do — , a pupilla. — , (fig.) 
vista, Ter bom — , ter vista penetrante, ver 
bem. — , ter penetração, perspicácia. Ter os 
— s abertos ; abrir os — s, (fig.) vir no claro 
conhecimento dos desígnios de quem procu- 
ra illudir-nos. Abrir os — s a alguém, tira-lo 
do engano em que estava. — os olhos , (loc. 
íamil.) morrer. Fechar os — s sobre os actos 



OLH 



OU 



de alguém, não attender, ou affectar que nSo 
vê o que é reprehensivel ; usar de conniven- 
cia. — ao perigo, nào attender a elle. En- 
cher os — , alegrar a vista. Levantar os — s 
a Deus, para o implorar. Abater, abaixar 
os — s, fiia-los no chão. Ter os — s cheios 
de pessoa ou cousa , rever-se nella , sentir 
grande satisfação em a contemplar. Passar ou 
correr os — s por papel escripto ou bvro , 
ler rapidamente, sem attenção e não seguida- 
mente. Correr com os — s algum lugar, exa- 
minar, considerar de passagem. Estar com 
ou ter os — s em alguma cousa , tê-la em 
vista, attentar nella. Ter diante dos — 5, ter 
presente, considerar. Pôr diante dos — s de 
alguém , representar-lhe. Estar com os — s 
longos, desejar com ardor. Caírem os — s 
com somno, (íig.) fechareuí-se as palpebris. 
— s, (Hg.) pessoas que olham, ex, « todos 
os — s da náu correram a ver o monstro ma- 
rinho. Os — s do entendimento , a intelli- 
gencia. — do coração, o sentimento. Ver 
com os — s do interesse, da concupiscência, 
do ciúme, ser dirigido, excitado por estes 
aíTectos. Os — s da cauda do pavão, os cír- 
culos que a ornam. Os — s do queijo, cír- 
culos oucos que forma a massi. Olhos do 
sol , os raios que peneiram por greta ou 
resquício. Olhar ou ver com bons — s, favo- 
ravelmente. Com maus — s , desfavora- 
velmente. A —s vistos, locução vulgar e usa- 
da por Barros : « ella (a náu) aos olhos vis- 
tos se ia ao fundo. » Dec. 2, 2, 8. Moraes 
censura a expressão e quer que vistos concor- 
de com a cousa que se vê, e por conseguinte 
Barros devia ter dito « ella (a náu) aos — s vis- 
ta, etc. » Mas quem errou foi Moraes e nào 
Barros, que sabia bem a lingua Moraes não 
comprehendeu a força do termo «isío, que 
nesta phraze tem sentido activo. A — s vis- 
tos equivale a : com olhos que fixam o ob- 
jecto. Saltar, vir aos — s; metter-se pelos 
— s, ser manifesto. Valer, custar os — sda 
cara ; dar os — s na cara, fazer grande, o 
maior sacrificio. Ter sangue nos — s, brio, 
pundonor, coragem. Tirar os — s a alguém 
por alguma cous > , insistir muito, importu- 
nar muito. Meus — s expressão carinhosa. Os 
— s da alma, (fig.) sentimento profundo. Ter 
— , attender, vigiar, v. g. — á sua utilidade. 
Ter em — pessoa ou cousa, observar. Tra- 
zer alguém de — , ou em — , vigia-lo An- 
dar com o — sobre o hombro, andar alerta, 
acautelar-se. Dar de — , acen r, fazer si- 
gnal com o olho. A — , (loc. adv ) visivel- 
mente, V. g. crescer, emmagrecer — . Ven- 
der a — , a esmo. Fechar o — , morrer. Ven- 
to pelo — , ponteiro, pela proa. Ao — do sol, 
bem defronte delle, v. g. pôr-se ao — do sol. 
Pôr alguém no — da rua, (loc. pleb.) ex- 
pulsar da casa, pôr no meio da rua. — de 



agua, nascente que rebenta da ferra. -^<fo 
planta, gommo, renovo, grelo. — da ponte, 
do arco, olhai. — , aro em que se mette ca- 
bo, V, g. — do machado, da enxada, do al- 
vião, da pedra de amolar. — de boi, negrume 
que precede o tufão. — , espécie de maçã. — , 
pampilho, herva. — de gaio, onyx, pedra 
preciosa. — de lebre, — de gallo, plantas as- 
sim denominadas. 

OLHO d'agua, (geogr.) serra da província 
dos Alagoas, no Brazíl, 6 léguas ao ft. do sal- 
to de Paulo Affonso no rio de São Francis- 
co. 

OLHUDO, A, adj. que tem grandes olhos. 

OLiBANO, s. m. (Lat. o/i6anum.) incenso 
macho, o primeiro que decorre da arvore. 

OLiERGUES, (geogr.) cidade de França, a 
4 léguas 1^0. de AmDert ; 1,900 habitantes. 

OLiGANTHES, (bot.) genero de plantas da 
família das Synanthereas , e da Syngenesia 
egual. 

OLiGARCHiA, s. f. (Gr. oUgos, pouco, ar- 
chia suíf.) governo de um pequeno n umero 
de magnates. 

OMGARCHico, A, adj . coucemente á oli- 
garchía, v. g. governo — . 

OLiGOSPERMO, adj ,{hot.) diz-se de um fructo 
que contém só um pequeno numero de se- 
mentes. 

OLINDA, (geogr.) praso da Coroa Portugue- 
za, no dístricto de Quílamane, de que se não 
sabe a extensão e limites. E' abundante em 
todo o genero de mantimentos, e tem muita 
caça. 

OLINDA, (geogr.) uma das mais antigas ci- 
dades do Brazíl ; 3,000 habitantes. 

OLisippo, (geogr.) Felicitas Júlia, hoje Lis- 
boa, cidade da Lusitânia, assim chamada , 
diziam os antigos, por ter sido fundada por 
Ulysses. 

OLiTE, (geogr.) cidade de Hispanhâ, alO 
léguas S. de Pampelona ; 2,9(J0 habitantes. 

OLIVA, s. f. azeitona.— , (alv.) tumor que 
vem ás bestas entre a queixada e o pesco- 
ço. V. Óleo e Oliveira. 

OLITA, (geogr.) villa dos Estados prussia- 
nos, a 2 léguas KO. de Dantzick ; 600 ha- 
bitantes. 

OLiYA , (geogr.) ad Statuas , cidade de 
Hispanhâ, a 4 léguas NO. de Denia ; 5,600 
habitantes. 

OLIVAL, s. m. (des. collectiva a/.)matade 
oliveiras, v. g. os olivaes são muiproducti- 
vos. 

•LivARES, (geogr.) villa de Hispanhâ , a 
6 léguas e meia E. de Yalladolíd ; 600 ha- 
bitantes. 

OLivARES (Gaspar Gusmão , conde de) , 

(hist.) celebre ministro hispanhol, nasceu 

em Koma em 1587, ganhou a confiança do 

infante^ depois Philippe IV, ^ quando este 



28 



OLl 



OiO 



príncipe subiu ao trono, nomeou-o seu pri- 
meiro ministro e duque de S. Lucas. Conce- 
beu gigantescos projectos para elevar a His- 
panha, que descaia sensivelmente. Tentou 
animar a industria ; tramou diversfs intri- 
gas com os Calvinistas francezes , e travou 
guerra com a França ; a lucta ao princi- 
pio favorável a llispanha tornou-se des- 
vantajosa ; a insurreição da Catalunha e a 
revolução de Portugal era 1640 deram-lhe 
golpes terríveis, que tornaram inevitável a 
queda do ministério. Perseguido por mil 
inimigos morreu de pesar em 1643. 

OLivEDO, s. m. (Lat. olivetum ) olival. 

OLIVEIRA , (bot.) género da familia das 
Jasmineas e da Diandria Monogynia ; é a ar- 
vore mais útil e de mais valor, e é o sym- 
bolo da paz. 

OuvE'RA (Christovão Rodriguez de), (hist.) 
escriptor portuguez, natural de Lisboa, vi- 
■?ia no reinado de el-rei l). João III }.elos 
annos 15ul. Escreveu: Summario.emque 
se contém algumas causas, que ha na ci- 
dade de Lisboa. 

oLrvEiRA, (geogr.) antiga povoação e nova 
villa da província de Minas-Geraes, no Bra- 
2Í1, na comarca do liío Grande, 10 léguas ao 
S. da villa de Tamanduá ; 1,600 habitan- 
tes. 

OLIVEIRAS (o monte [das), (geogr.) hoje 
DJebel-tor, montanha situada a E. de Je- 
rusalém, e separada desta cidade pela tor- 
rente do Cedron e o valle de Josaphat. lia- 
ria nesta montanha um sitio, onde cresciam 
muitas oliveiras. Foi para|elle que Jesu- 
Christo se retirou algumas vezes com os seus 
discípulos; foi lambem no monte das Oli- 
veiras, que Jesu-Christo foi agarrado pela 
traição de Judas para ser entregue a Pilatos. 

OLIVEIRINHA, s. f. diminut. de olivei- 
ra. 

OLiVEL, s. m. V. Nivel, e Livel. 

OLiVELAR. V. Nivelar. 

OLIVENÇA, (geogr.) cidade de nispanba, a 
6 léguas S. de Badajoz; 10,500 habitantes. 
Praça d'armas notável; pertencia a Portu- 
gal e foi cedida á Hispanha em 1801. 

OLIVENÇA , (geogr.) villa da província da 
Bahia, noBrazil, vantajosamente situada per 
to do mar n'uma collina entre duas ribeiras 
de desigual cabedal, 3 léguas ao S. da villa 
de São Jorge; 1,500 habitantes. 

OLiVET, (geogr.) cidade de França, a uma 
légua e um quarto S. de Urleans ; 3,380 
habitantes. 

OLivET, (hist.) celebre grammalico francez, 
nasceu em 16 2, morreu em l768. Publi- 
cou : Historia da Academia Franceza ; Tra- 
ctado da Prosódia ; Ensaios de Gramma- 
tica, etc. 

OLiYíio, (geogr.) cidade do reino de Nápo- 



les, a 11 léguas SO. de Matera ; 6,200 ha- 
bitantes. 

OLiviER, (hist.) elymologista francez, nas-,' 
ceu em 1756, morreu era 1815. As suas 
principaes obras são: Memorias sohre & eij^i 
mologia, agricultura e botânica ; Historia 
natural dos Cleopteros, etc, 

OL'A, s. f. (Lat. olla, panella.) panella. 
V. Ola. 

OLLARiA, s. f. (des. ia.) fabrica de lou-" 
ça de barro. 

OLLEiRO, s. m. (Lat. ollarius.) o que fa- 
brica louça de barro. 

OLLERiA, (geogr.) cidade de Hispanha, a 2 
léguas e um quarto de S. Philippe; 3,700 
habitantes. 

OLLiouLES, (geogr.) cidade de França a 2 
léguas O. de Toulon ; 3,130 habitantes. 

OLMAFi. V. Marfim. 

OLMEA, s. f. nome de uma droga. 

OLMEDAL, s. m. (dcs. collcctiva aí.) bos- 
que de olmeiros. 

OLMEDO, s. m. V. Olmedal. 

OLMEDO , (geogr.) cidade murada de His- 
panha , a 6 léguas SK. de Medina-del- 
Campo ; ^,150 habitantes. 

OLMEIRO ou OLMO, s. wi. ^Lat. ulmus.) ar- 
vore vulgar. V. Ulmo. 

OLMETO. (geogr.) cidade de França, a 14 
léguas de Sarténe; 1,4. O habitantes. 

OLMi-E-CAPELLA, (gcogr ) vil!a de França, 
a 6 léguas e meia E. de Calvi ; 750 ha- 
bitantes. 

OLMUTz, (geogr.) Holomauc em moravio, 
Eburum em latim, cidade dos Estados Aus- 
tríacos sobre o March, capital d'um circulo, a 
1 6 léguas E. deBrunn; 19,000 habitan- 
tes. 

OLNEY, (geogr.) cidade de Inglaterra a 4 
léguas e meia SE. de Morthampton ; 3,000 
habita-.tes. 

OLÓGRAPHO, ou antes hológrapiio, a, adj. 
(Gr. holos, todo, e graphosuíí.) Testamen- 
to — , escripto todo da própria mão do tes- 
tador. 

OLOR, s. m. (Lat. olor.) cheiro. 

OLONA, (geogr.) rio aífluente do Pó, pas- 
sagem Milão; dava o seu nome a um distri- 
cto francez, que tem por capital Milão. 

OLONETz ou OLONEJE, (gcogr.) cidade da 
Rússia europea, a 4 léguas S, de Petroza- 
vodsk ; 8,000 habitantes. 

OLONNE, (geogr.) villa de França, sobre o 
mar, a uma légua N. de Sables-d'01onne; 
2,400 habitantes. 

OLOSZAC, (geogr.) cidade de França, a 6 
léguas S. de S. Pons ; 1 ,200 habitantes. 

OLORON ou OLFRON. (gcogr.) lluro, cida- 
de de França, a 8 léguas SO. de Pau ; l620 
habitantes. 

OLORON, (geogr.) rio de França, é íormíi- 



?í-, 



•f !" 



■•*JM<: 



?^í:^]> 



OLt 



OMi 



0^ 



dò pela reunião dos rios Ossau e d 'Aspe , 
corre ao NO. e lança-se em Pau, um pou- 
co acima do Peyrehorade. 

OLOROSO, A, adj clitíiroso. 

OLor, (geogr.) cidade de Hispanha, a 5 
léguas Kj. de Girnna ; 13,9'JO habitantes. 

OLTEN, (geogr.) JJltinum, cidade daSuis- 
sa, sobr.^ o Aar ; a 8 léguas NE. de So- 
leure; 1,300 habitantes. 

OLVERA, (geogr.) llipa, cidade de Hispa- 
nha, a 5 léguas emeiaSO. d'Ossuna ; 6,000 
habitantes. 

OLVIDADO, A, p. p. de olvidar ; adj. es- 
quecido. 

OLVIDAR, V. a. V. Esquecer. 

OLVIDAK-SE , V. í. (p. US.) V. EsqUC- 

cer-se. 

OLVIDO , s. m. (Cast. olvido, Fr. oubli.) 
(p. US.) V. Esquecimento. 

OLYBRio (Anicio), (hist.) esposo de Placi- 
dia, filha de Valentiniano 111 [e general de 
Leão 1 ; foi enviado ao Occidente para sus- 
tentar o imperador Aolhémio contra o re- 
belde Ricimes ; mas elle aceitou a purpu- 
ra das mãos deste ultimo , o qual passado 
algum tempo marchou para Roma, lomou-a 
e matou Anthemio, cm ^72. Oljbrio reinou 
poucos mezes e morreu no mesmo anno. 

OLYMPIA OU OLYMPIADA (Sauota) , (hist.) 

nasceu em HtJ8, morreu em 410, foi casada 
com Nebrido, prefeito de Constantinopla ; 
enviuvou depois de 20 annos de casamen- 
to ; viveu praticando todas as virtudes chris- 
taas; é festejada a .7 de dezembro. Uma 
outra sancta Olympia é festejada a 12 de 
janeiro. 

OLYMriA, (geogr.) hoje Miraka ou Lou- 
genico, legar da Elida, aO. e perto de Pisa, 
era celebre pelos jogos olympicos, que lodos 
os 4 anros se davam em honra de Júpiter 
olympico, pelo soberbo templo consagrado a 
este deus, pelos bosques sagrados , que o 
cercavam, finalmente pelo numero extraor- 
dinário de estatuas, que decoravam o bos- 
que, o templo e o Stadio. 

OLYMPIADA, (hist.) ospaço de quatro anuos, 
que decorriam entre as duas celebrações 
consecutivas dos Jogos Olympicos. Um sé- 
culo corresponde pois a 2o Olympiadas. A 
primeira Olympiada começou no anno 776 
antes de Jesu-Christo, anno, em que os jo- 
gos foram organisados e onde Corcebus foi 
vencedor; a ultima -em 2^)3. 

OLYMPiAs, (hist.) filha de Neoptolemo, rei do 
Epiro, mullier de Philippe II, rei de Mace- 
dónia, mãe de Alexandre-o- (iVandc, foi re- 
pudiada no anno 33B, antes de Jesu-Chris- 
to, retirou-sc ao Epiro, e, provavelmente , 
fez mover o braço, que matou Philippe , 
Toltou á Macedónia depois da morte deste 
principe, fez grandes honras á memoria do 

VOL. IT. 



fii 



assassino e obrigou Cleópatra, sua rival, a 
enforcar-se. Não soíTreu quasi mal algum 
durante a ausência de Alexandre, mas nem 
por isso deixou de fazer mal a Antipatro, a 
quem Alexandre tinha confiado o governo 
da Macedónia. Retirou-se immediatacr.ente 
ao Epiro depois da morte de seu filho ; to- 
mou todavia parte nas guerras macedonicas, 
uniu-se com Iloxane , voltou a Macedónia 
depois da morte de Antipatro, e fez morrer 
Eurydice e Arrhidea, e deu assim o exem- 
plo para se derramar o sangue da família 
de Alexandre. Foi morta em um tumulto 
em 317. 

OLYMPICOS (Jogos), (hist.) festas celebradas 
em Olympia, em honra de Jupiíer Olympio, 
eram feitos de quatro em quatro annos. Es- 
tes jogos os mais magnificos de quantos se 
celebravam na Grécia, tinham sido instituí- 
dos por Hercules , muita* vezes interrom- 
pidos, foram renovados por Pelops , depois 
por Iphito, legislador de Elido , no anno 
884 antes de Jesu-Christo e receberam um. 
novo regulamento em 7/6. 

OLYMPIO, A, adj, de Olympia. 

OLYMPiODORO, (hist ) philosopho platónico," 
que ensinou em Alexandria, no principio do 
VI século. Deixou um Cowimeníario sobre o' 
primeiro Alcebiades, precedido da Vida de 
Platão. V'"' 

OLYSiPO. fgeogr.) Olympus, nome commum 
a duas celebres cordilheiras, uma entre a 
Macedónia e a Thessalia (hoje Lacha), ou- 
tra na Bythinia Occidental, nos confins da 
Phyrgia e da Mysia (hoje o Hechich Dagh 
ou a montanha do monge). Á. primeira é a 
mais elevada e os antigos faziam delia a 
habitação dos deuses. 

OLYNTHO , (geogr.) Olynthus, cidade da 
Chalcidia, não era mais do que uma mise- 
rável villa, quando o rei de Macedónia Per- 
diccas II a deu aos emigrados das colónias 
athenienses da Chalcidica, no anno 433 an- 
tes de Jesu-Christo Olyntho dentro em pou- 
co se tornou poderosa, estendeu o seu do- 
mínio sobre 30 cidades circumvisinhas, es- 
capou aos Athenienses e aos Spartiatas, mas 
foi reduzida por Philippe e reunida á Ma- 
cedónia. 

OM, (hist.) syllaba mystica, que precede 
todas as orações e invocações dos índios, 
tmlingua sanscrita, escreve-se Aum, por- 
que esta lingua não tem vogal simples para 
o som O. Estas três lettras representam a 
trindade indiana. A Vichnou ; U Siva ; 3f 
Brahma. 

OM, (geogr.) rio da Rússia asiática, na Si- 
béria, vem da Steppe deBaraba, corre a O. 
e cae noirtich em Omsk. 

oiA, (geogr.) uma das Molucas, tem por 
capitai a forte Zelândia ; 5,000 habitantes. 
8 



b 



30 



0MB 



OMM 



OMAGH, (geogr.) cidade da Irlanda, capital 
do condado de Tyroner, a 9 loguas NE. d'En- 
niskillen. 

OMALiso, (h. n.) género d'insectos da or- 
dem <los Toléopteros, secção dos Pentamé- 
ros, familia dos Serricornes, tribu dos Lam- 
py rides. 

OMAN, (geogr.) uma das cinco regiões da 
Arábia, a mais ao SE., sobre ogolpho Pérsi- 
co, e sobre o mar d'Oman, compreende en- 
tre outros estados o iraamato de Mascate o o 
Estado deBelua-Ser, queoutr'ora dependia 
de Mascate. 

OMAN ou SOHAR, (geogr.) cidade da Ará- 
bia, a 55 léguas NO. de Mascate. 

OMAN (mar de), (geogr.) porto de mar da 
índia, que rega as costas da Arábia ; com- 
munica com o golpho Pérsico pelo estreito de 
Ormuz. 

OMAR I (Abou-Hafsa-Ibu-al-Khattab), (his.) 
segundo califa, era primo em terceiro gráo 
de Mahomet, e foi ao principio ardente per- 
seguidor do islamismo, converteurse em 615, 
foi um dos principaes apóstolos do prophe- 
ta , foi cbanceller d'Abou-Bekr 1." califa, 
succedeu-lhe em 634, augmentou muito os 
limites do império árabe, e foi morto por um 
fanático em 644. 

OMAR (Abou-Hafs-al-tialedh-Ben-Schoaib), 
(hist.) nasceu nos arredores de Córdova, re- 
voltou-se contra Abderrame II, foi batido, fu- 
giu, percorreu o Mediterrâneo como pirata, 
conquistou Creta, onde construiu um forte 
que chamou El-Rhandak , foi este forte a 
origem do nome Cândia. 

OMAR-AL-MOTAWAKEL-AL-ALLAH (AboU Mo- 

hammed), (hist.) chamado El-Aftas, ultimo 
rei mouro de Badajoz, reinou de 1079 a 1094 
foi celebre pelas suas riquezas, prosperida- 
de ebom gosto pelas artes. ,. 

OMAXEM. V. Imagem. . hííí^ ; . ■ 

OMBAY, (geogr.) uma das ilhas àa Sonda 
em Malaisa, ao N. de Timor. 

OMBELLTFERAS, (bot.) nome de uma da fa- 
milia as mais naturaes do reino vegetal. 

OMBOs, (geogr.) hoie el-Boueth ou Koum- 
pwòo*, cidade do Egypto, na Thebaida, na 
margem oriental do Nilo, entre Syena e Apol- 
Hnopoli-a-Grande, era celebre pelo culto, 
que nella se rendia aos crocodilos, e pelo seu 
ódio a Tentyra, que despresára este culto. 
Defronte de Ombos, do lado opposto do Nilo 
ficava Contra-Ombos. 

OMBRADOR, s M evà officio antigo da ca- 
sa real de Portugal. Moraes crè que é cor- 
rupção de alfombrador ou alfombreiro. 

OMBREIRA, s. f. Y. Hombreiías. 

OMBRiA , s, f. (do Lat. umbra, sombra.) 
a parte da montanha que está da parte da 
sombra ou do poente. 

OVBRTA, ^geogr.) Úm.bria, região da Itália 



antiga, entre aEtruria, oPicenum e o paíz 
dos Sabinos Fulginium era a sua cidade prin- 
cipal. Os Umbrios, seus habitantes (cujo no- 
me deriva á^Ombra, homem forte, em cél- 
tico) eram Gaulezes de origem e muito bár- 
baros. Tomaram parte nas grandes guerras 
dos Etruscos e Samnitas (contra os Roma- 
nos. Foram snbmettidos em 280. 

OMERiDADE. V. Hombridade. 

OMBRiNA, s. f. nome de um peixe. 

OMBRios ou PLUVIALIA, (geogr.) uma das 
ilhas Afortunadas, a ilha de Ferro actual. 

OMBRO. V. Hombro. 

OMBRONiA, (geogr.) Umbro, rio do gran- 
ducado de Toscana, nasce nosApennmos, a 
5 léguas E. de Srenne, cae ao S. e lança-se no 
Mediterrâneo. 

OMBRUDO. V. Hombrudo. 

OMEGA, s. m. (pron. J/we^a. por uso. De- 
vera ser oméga, nome da ultima letra do al- 
phabeto grego, o longo [m,egas, grande) ; 
(fig.) o ijltimo, o fim, v.g. o alpha eome- 
ga. ' '*' 

OMEM. V. Homem. 

OMENAGEM. V. Homenagem. 

OMENTO, s. m. (Lat. omením», do Gr. /lo- 
moein, unir, ligar.) (anat.) o epiploon, re- 
denho, membrana pingue que cobri3 ante- 
riormente os intestinos. 

OMER (S.), Audomarus, era monge de Lu- 
xeud, foi depois bispo do Therouanna em 
637. Morreu em 670 ; a Igreja commemo- 
ra este santo a9 de Septembro. 

OMESSA, (geogr.) villa da Córsega, a 2 lé- 
guas NE. de Corte ; 800 habitantes. 

OMEZTO ou OMiZTO.V. Homizío. 

OMicio. V. Homicidio, Homizio. 

OMiCRON , s. m. (o e mikros, pequeno.) 
nome do O breve, no alphabeto Grego. 
. OMiLiA. V. Homilia. 
\ ,. OMíNADO. V. Augurado, Agourado. 

OMINOSO, A, adj. (Lat. ominosus, áeomen, 
agouro.) que contêm agouro, agourenlo, 

OMISSÃO, s. f. (Lat. omissio, onis.) o ac- 
to de omittir, de não fazer menção, ou de 
deixar de fazer alguma cousa, v. g. pecado 
de — . 

OMiSTiQuio, orth. ant. e barbara. V. He~ 
mistichio. 

OMITTIR, V. a. (tat. omittOf ere ; o por ob, 
diante, contra, e mittere, pô,.) deixar de 
mencionar, ou de fazer alguma cousa, pas- 
sar em silencio. 

OMiziAR, OMizio e dériv. V. Homiziar , 
Homizio. 

OMMIADES; (hist.) celebre dynastia árabe, 
subiu ao trono de Damasco em 661 por mor- 
te de Ah, na pessoa de Moawiah, descendente 
d'Ommiah, reinou esta dyuastia alé 749 ; 
destronado nesta epocha pelos Abbassidas, 
foi então ^ffitia^ jfii|^s|)ãniia, onde debaixo 



OMP 



01!D 



8» 



do nome do Califado de Córdova , formou um 
império novo. Este segundo califado come- 
çou a descair no anno 1000 ; o ultimo Om - 
miade deixou de reinar em 1031. 

OMMíAH, (hist.) princepe da tribu dos Ko- 
raichitas, que dominou em Meca, morreUno 
principio do Vil século, antes queMahomet 
pregasse. 

OMNiA, s. f. (Lat. omnia, pi. n. de om- 
nis, tudo.) pomar, ou horta de muitos e 
vários fructos. E p. usado. 

OMNIMODO, A, adj. (Lat. omnimodus .) de 
todos os modos, v. g. historia, autorida- 
de — . ,,^ .. 

OMNiPARENTE, adj. dos 2 g. (Lat. omnis, 
todo.) (poet ) pai universal, v. g. Deus — . 

OMNiPATENTE, ãdj . dos 2 g. (Lat. omnis, 
todo.) (poet.) patente a todos, aberto, ex- 
posto por todas as partes, v. g. o ar — . . 

oaNiPOTENGiA, s. f. O poder sem limite, 
V. g. di — de Deus. 

OMNIPOTENTE, adj. dos2 g. [iâX. omnis, 
todo.) todo poderoso. De^^s — , ou subst. 

O—. \;;':; . 

omnívoro, a, adj. (Lat. omnis, todo, e 
voro, are, devorar.) que se sustenta de to- 
da a sorte de alimentos. 

OMO-HYOiDEO, s. m. (auat.) nome d'um 
musculo colocado obliquamente sobre os la- 
dos e adiante do pescoço, e que se estende 
do bordo superior da omoplata, ao bordo in- 
ferior do corpo do osso hyoide. 

OMONiNO. V. Homónimo. 

OMOPLATA, s. m. (Gr. òmos, hombro , e 
platus, chato.) (anat.) osso que forma o hom- 
bro, ou a espadoa. 

OMOBCA, (myth.) divindade chaldaica, era, 
segundo Bervie, mulher de Baal, eco-existia 
na eternidade -com este deus ; quando che- 
gou o tempo da creação, foi cortada em dous 
pedaços por seu marido ; a parte superior 
formou o céu, a inferior foi a terra. Da ca- 
beça d'Omorca nasceu a raça humana. 

OMPHACiNO, A, adj [Làt omphacinus, áo 
Gr. omphax, uva azeda.) Óleo — , de azeito- 
nas verdes 

OMPHALE, (hist.) rainha da Lydia, esposa 
de Tmolo, ficou senhora do trono depois da 
morte deste príncipe. Comprou Hercules, 
quando em expiação dos roubos e homecidic)S, 
com que se manchou, foi vendido por àler- 
curio. O seu maior desejo era encadear este 
heroe a seus pés. Concebeu porelle grande 
amor e teve dellc um filho, Agelau ou La- 
mòn. Segundo alguns mythologistas, Hercu- 
les^ passando pela Lydia, viu Omphale, evo- 
luntariasnente se tornou seu esci-avo. Uma 
dynastia de reis lyHios pertendia descf.ncfpr 
de Hercules e de Omphale e toicavír o nome! 
de lleraclidas. 

^^JiptlALOCECR, s. m. Tir. qmfhafo.s^eivv 



bigo, e kdé, tumor.) (med.) hérnia umbili- 
cal. 

ONA. V. Alna, vara franceza. 
ONAGRA. s. f. nome de uma planta ame- 
ricana, espécie de lysimachia. 

ONAGRE , s. m. (Lat. onager.) nome de 
uma machina antiga de guerra, que lançava 
grandes pedras. 

ONAGRO, s. m. (Lat. onager, do Gr. onos, 
burro, e agros, campo.) jumento bravo. 

ONAGRO, (bot.) género de plantas da famí- 
lia das Onagrarias e da Octandria Monogy- 
nia, L. 

ONAN, (hist. s.) filho de Judá e marido de 
Thamar, entregou-se a um vicio infame e 
morreu subitamente, amaldiçoado porDeuç. 
ONASTRO, (ant.) V. Asneirão. 
ONÇA. s. f. (Lat. uncia, peso romano de 
sólidos e líquidos equivalente a 24 escropu- 
los ; pollegada, de unguis, uoha.) peso de 
oito oitavas ou drachmas, a li* parte da li- 
bra ou arrátel, ou lo*, conformo as libras. 
Comer por — -9, mui poaco. 

ONÇA, s. f. (corrupção de lynce.) animal 
feroz da Africa e America meriodinal, lyn- 
ce, espécie de panthera pequena. 

ONÇA, (geogr.) povoação da província de 
Minas-Geraes no Brazil, no districto de São 
João d'El-Rei. ., .^^ 

ONÇA, (geogr.) ilha do ríó Quajuà na pro- 
víncia do Pará, no Brazil, no districto da ci- 
dade de Belém , povoada dlndios civiliza- 
dos. 

ONCHESTE, (hist.) antiga cidade da Beócia 

sobre o lago Copais, perto de Haliartes, foi 

fundada por um filho de Neptum ; desde o 

tempo de Pausanias que estava em ruínas. 

ONCO. V. Anco. 

ONDA, s. f. (Lat. unda, de udus, húmi- 
do , ou de eundo, gerúndio de ire, ir.) a 
porção de agua que se levanta acima da su- 
perfície do mar, lago ou rio. A — de fer- 
vura, as bolhas, —s do ar, porção delle 
agitadas. — s que faz a labareda, ondula- 
ções. — s de gente, ffig.) tropel ondulante. 
— da soberba, da ira, agitações. — s das 
roupas, dos cabellos, fofos, dobras em for- 
ma de ondas. — da seda, do mármore, veios 
circulares. — s da paixão, da concupiscên- 
cia , (fig.) Ímpetos, impulsos. « — s se me 
vão, — s se me vem, » sinto impulsos suc- 
cessiVos. 

Syn. comp. Ondas, vagas. Significam es- 
tas duas palavras as diversas elevações que 
formam as aguas agitadas, mas com as se- 
guintes differenças. , 
As ondas são as men^^res destas elevações ; 
são o eíTeito natural de Pua fluidez , e se 
elevara pouco por. cima de .«^ua superíiúe , 
!iv»bro (> rr.ar. '^iill^.' ns ljijg.>á solfí^u i/S rios. 
4ij !ii,i ;<ç':t jy;..: r.alc-.55ou,ít^í^e|(|eiop ven- 



# 



ONÍÍ^*> 



0)SI 



tos'Í ffipb^tà'áésf forma as' »if<;«/,''qíie sSÓ' 
ondas empoladas e montuosas que correm 
para o lado a que os ventos as impellein , 
rolam á praia, e com ruido se despedaçara 
contra os rochedos. Um navio com as velas 
enfunadas sulca as ondas ; muitas vezes em 
arvore secca 6 balido pelas vagas, e corre 
á mercê delias e do vento. 

ONDA, (geogr.) Oronda, cidade de ílispa- 
nba, sobre o Mijares, a 6 léguas N. de Ségor- 
be; 5,200 habitantes. 

ONDAS, (^eogr.) pequeno íio da província 
da Bahia no Brazil, nasce perto do Sobrado, 
corre rapidamente em sentido contrario e para 
o S., evai-se ajuntar com o rio Grande, 5 lé- 
guas abaixo do confluente do das Eemras. 

ONDADo, A , adj. da feição de ondas, v. 
g. cabello — . Roupas, sedas, labnredas — s. 

ONDE , adv. (do Lat. unde, do lugar cm 
que, se fez por corrupção o M^e, que corres- 
ponde ao Lat. ubi, em Fr. ou, do Gr. ho- 
thi, ubi. Parece-me vir de eô, adv., alli, 
para alli, naquelle lugar e da prep. de.) o 
sitio em que, qual lugar O lugar —estou, 
no qual sitio. — vás ? para que silio^ lugar? 
i)' — vens, de que sitio, luga/ ? Por — ca- 
minhaste? por que caminho? Onde não é 
articular relativo como quer Moraes, e si- 
gnilica unicamente o Ivgar, o sitio deter- 
minado. 

Syn. comp. Onde, donde. Onde é o ubi 
lalitio, e donde, ou d'onde, é o unde. Erra- 
ram muitos de nossos clássicos ^confundindo 
estes dous advérbios do logar, sem duvida 
por seguirem a língua castelhana, em que 
donde corresponde a vbi. Não assim Vieira 
que bem positivamente fixou o respectivo uso 
destes advérbios, dizendo : « ?ião só diz Deus 
o lugar onde o poz (David), senão também 
o lugar donde o tirou : o onde e mais o 
donde... Lembrar-se-ha donde o tirei, e onde 
o puz ; e logo lhe pareceram grandes as 
mercês. Fstes ondes e estes dondes não se cos- 
tumam registrar nos livros das mercês 11 
308). » ^ • 

ONDEADO, A, p. p. de oudcar ; adj. mo- 
vido, agitado em ondas; feito em forma de 
ondas, v. g. sedas, tecidos, mármores — s. 

ONDEANTE , adj. dos 2 g. (des. po p. a. 
L^t. em ans, tis.) que faz, forma ondas, 
ondulante. O cabello — . Á chamma , as 
roupas — , fluctuantes. 

ONDEAR , V. a. {onda, ar des. inf.) fazer 
ondas. — os cabellos. as roupas, dar feição 
de ondas, v.g. —os estoíTos. A natureza on- 
dca os mármores. — os estandartes, fazer 
fluctuar , agitar. « Ondeou-lhe natura as 
tranças de ouro. — , fluctuar, formar on- 
das. Ondêa a labareda. « Ondeam as rou- 
pas , os cabellos. «Sentia — no coração o 



rM. "^ft. V:1fiÍ6toSr;'áÍírèV^èéfíP8iíí 



dulações. 

ONDE-QUER-QUE, tidv. comp. em qualquer 
lugar. 

diminuí, de onda. 
f. movimento semelhante 
Undalação. 
p. de onerar ; adj. car- 



ONDINHA, s. f. 
ONDULAÇÃO, S. 

ao das ondas. V. 

ONERADO, A, p. 

regado, gravado. 

ONERAR, V. a. (Lat. onerare, de onus^ 
peso, gravame.) carregar, gravar, v.g. — 
de impostos, tributos, obrigações, deveres. 
ONDiNOS, (myth.) génios elementares, ima- 
ginados pelos cabalistas, e que segundo elles, 
habitam as profundidades dos lagos, dos rios 
e do Oceano, de que elles são guardas. 

ONEGA, (geogr. J rio da Rússia europea, 
nasce no governo d'Olonetz, o qual rega as- 
sim como o d'ArkhangC'l, corre ao NE. depois 
ao NO. ecaenogolpho do mar Branco, cha- 
mado golpho d'Onega. 

ONEGA, (geogr.) lago da Rússia Europea, 
entre o lago Ladoga eomar Branco. 

ÓNETDA, (geogr.) lago dos Estados-Unidos, 
communica com o Ontário pelo Oswego. 

ó'neili- ouó'nial, (hist.) antigo rei da Ir- 
landa, reinou sobre a Momonia de 379-a- 
402 da Jesu-Christo, reuniu-se com os Pi- 
ctas e com os Scotos contra os Romanos, con- 
tribuiu muito para expulsar os Romanos da 
Bretanha, e invadiu a America em 3b8. Mor- 
reu, assassinado por Eocha, princepe de uma 
província dlrlanda. Os descendentes de 
0'Neill reinaram na Irlanda 500 annos. 

oneille, (geogr.) Oneglia era italiana, ci- 
dade dos Estados Sardos, capital de uma pro- 
vinda do mesmo nome, a 15 léguas NE. do 
Nice ; 5>000 habitantes. 

ONEROSO, A, adj. (Lat. onerosus.) gravo- 
so, pesado ; que impõe ónus, v. g. contra- 
to — . Doação — . Clausulas, estipulações, 
condições — . Impostos — s. 

ONEsiCRiTO, (hist.) historiador grego , de 
Egira, seguiu Alexandre áAsia, como com- 
mandantedos triremes, e escreveu uma //is- 
toria da expedição deste princepe, espécie de 
romance, interessante pelos factos relativos 
ágeographia e historia natural das índias. 

ONEsiMO (S.), (hist.) discípulo de S. l'aulo, 
era escravo de Philémon, rico habitante de 
Colosses, fugiu de casa de seu senhor depois 
de otfr roubado. S. Paulo converteu-o, es- 
creveu a seu senhor uma carta para o des- 
culpar, e teve-o corasi^ro para que o servisse. 
Onésimo soffreu omartyrio em 95. £' com- 
memorado a 16 de Fevereiro o a 10 de Abril. 
ONESTAR. V. Honestar. 
ONESTO, (ant.) V. Honesto. 
ON'Ão. V. União. 
ONíAS, (hist.) nome de quatro grandes sa- 



Espirito Santo com abundante graça. » Ar-'cnficadores de Judea. Oniasl reinou de 327- 



omr«> 



ONZ 



33 



a-300 antes de Jesu-Christo', Onias lí de 
241-a-'í29; Onias III succedeu em 200 an- 
tes de Jesu-Christo a seu pae Simão II, go- 
vernou cora sabedoria, ale que foi deposto 
por Antiocho Epiphanes, e foi assassinado por 
ordem de Andronico ; Onias IV, filho d'Onias 
III, não reinou na Judea, mas obteve de Pto- 
tolomeo IV autorisação para construir um 
templo judeu perlo de Bubaslis, e de neiia 
viver como soberano. Onias foi morto por 
Physcon. 

ONísco. V. Onyx. 

ONKiLOS, (hist.) rabbino ao qual se attri- 
buc o Targum (paraphrase chaldaica ào 
Pentaleuco) foi, segundo uns discipulo de 
Gamaliel e condiscípulo de S. Paulo, e segun- 
do outros, é o mesmo que Aquila, autor de 
uma traducção grega do antigo testamento, 
e contemporâneo d'Adriano. ' 

ONNAiNG, (geogr.) villa de França , a 2 
léguas de Valenciennes , 2,786 habitan- 
tes, 

ONOCENTAURO, s. m. (Gr. OHOS, jumento, 
e ccníatiro.) monstro fabuloso que diziam 
nascido do homem e da burra. 

ONODROTALO , s. m. (Gr. óhos, burro, o 
królos, ruido.) nome que os Gregos davam 
ao pelicano, cuja voz arremeda o zurro. 

ONOLZBACn, (geogr.) cidade da Baviera, a 
mesma que Anspach. 

OKOsiACRiTA, (hist.) poeta e adivinho de 
Athenas, é considerado como autor das Poe- 
sias, que seattribuem a Orpheo eaMuseo; 
florescia no anno 516 anles de Jesu-Chris- 
to. 

ONOMATScrA, s. f. [ánoma, nome, e man- 
eia.) adivinhação da fortuna de alguém, ti- 
rada das letras do nome. 

ONOMARCO, (hist.) general phocio, com- 
mandou primeiramente com seu irmão Phi- 
lomelo, durante a guerra Sagrada, depois da 
morte de seu irmão ticou único chefe do eior- 
cilo phocio. Tomou Thrnnium, Amphissum 
e as cidades principaes da Dorida, invadiu a 
Beócia, e baleu duas vezes Philippe naThes- 
salia. Foi mandado justiçar por Pheres em 
85J. . J V F 

osoíASTico, A, adj. em que se explicam 
os nomes, v. g. vocabulário — . 

ONOMATOPEiA, s. f. {ónoma, poieô, fazer.) 
vocábulo que imita o som natural da cou- 
sa significada, v. g. tinir, sussurrar, sumi- 
do, bomba, trom. 

ONOMATOPico , A , adj. que encerra ono- 
matopeia, imitativo do som da cousa signi- 
ficada , V. g, os primeiros sons proferidos 
pelo homem foram — s, v. g. vocábulo — . 

ONONiMO, (ant?) V. Homónimo. 

ONONis , s. m. ("Gr. ónos, burro.) planta 
espinhosa de que os burros gostam muito. 

ONopoRDO, (bot.) género de plantas da fa- 

VOL. IV. 



milia das Synanthereas, tribu das Carduaceas 
e da Syngenesia igual, L. 

oifORE ou HANAWAR , (geogr.) cidado da 
índia ingleza, a 45 l 'guas de Mangaloro, per- 
lo domarUman. Pertenceu aos Portuguezes 
no XV século. 

ONOSANDRO , (hist.) oscriptof grego, que 
vivia, segundo sejulga, no reinado de Cláu- 
dio, no 1 século de Jesu-Christo. E' autor de 
um livro intitulado , Slrategikos-logos^ ou 
Sciencia áo chefe do exercito. 

ONOSERiDK, (bot.) geuoro de plautas da fa- 
milia das Synanthereas e da Syngenesia su- 
pérflua. 

ONossiA. (bot.) género de plantas da fa- 
mília das Borragineas e da Pentandria Mono- 
gynia. 

ONRA ou oXRRA 6 defiv. V. Houra, etc. 

ONTÁRIO, (geogr.) lago da America do Nor- 
te, entre os Eslados-Unidos e o Canada, é 
o mais oriental dos cinco grandes lagos. Com- 
munica pelo Niagara com o lago Erié, como 
mar por S. Lourenço. 

ONTEM. V. Iloniem. 

ONTENiENTE, (geogr.) cidade de Hispanha, 
a 5 léguas e meia ao SO. de S. Philippe, 
12,000 habitantes. 

o.NuPHis OU OMpn^s, (hist.) um dos três 
bois sagrados do Kgypto (os outros dous são 
Adis e Muevis) ; é uma das encarnações ani- 
mães de Osiris. 

ONUPHis, (geogr.) cidade do Baixo Egypto, 
era no reino Atarbechite do Nilo. entre Bou- 
to ao N. e o Isidis oppidiim ao S. 

ONUSTO, A, adj (Lat. onustus, de ónus, 
peso.) (p. us.) excepto em poesia, carrega- 
do, cheio. 

ONZANEíRO, (ant.) V. Onzeneiro. 

ONZE, adj. dos 2 g. numeral (Lat. ííti- . 
decim, unus, um, e decem, dez.) uma de- 
zena com a addição de um, dez mais um. 

ONZENA, s. J. [onze, des. da Lat. enus, 
a.) o numero onze. — , usura excessiva, on- 
ze por cento. 

Syn. comp. Onzena, Usura. Onzena ex- 
prime usura immoderada e illegilima. 

Usura não involve necessariamente a idéa 
da illegitimade do lucro. Onzena encerra 
necessariamente essa idéa. 

Usura é por consequência empregado 
muitas vezps em bom sentido. Onzena sem- 
pre significa uma acção criminosa. 

Usura exprime em geral o avantajado lu- 
cro, que se tira do uso de alguma cousa, e 
mais em particular o avantajado lucro, que 
se tira de alguma negociação, e especial- 
mente do dinheiro, que se dá a outrem a 
ganho. * 

ONZENAR, V. a. (onzena, ar des, inf.) exi-" 
gir {.rande usura, ganhar, lucrar como usu- 
rário ; ' ar dinheiro a usura excessiva ; (tíg.)' 
9 



«r 



OPE 



opn 



lucrar mais do que é jusio. « Os príncipes 
nas honras e satisfações dos vassallos on- 
zenam serviços,» lucram serviços, que va- 
lem muito mais que as recompensas. 

ONZENARio, A, ad!;". (des. ário.} usurário^ 
de onzena, muito usurário, v. g. contra- 
to —. 

ONZENEAR. V. Onzenar. 

ONZENEIRO, A, s. homem ou mulher ex- 
cessivamente usurário. 

ONZENEIRO , A, ãdj . ouzenarío, usurário. 
— 0NZENO, A, adj [onze, dos. da Lat. enus.) 
undécimo. 

ONYX , s. m. (Gr. onyx , unha.) agala 
opaca. 

oosTERHOUT, (geogr.) cidade deHoUanda 
a 2 léguas ao INE. de Breda ; 6,300 habi- 
tantes. 

ooTMARSLM, (geogr.) cidade deHollanda, 
a 4 léguas ao E. de Almeloo ; 4,500 ha- 
bitantes. 

OPA, s. f. (do Fr. aube.) vestidura solta 
e comprida ; manto régio ; e (fig.) o rei , 
porque a veste. — , capa de irmandade 

OPACIDADE, s. f. (Lat. opaciías, íii.) qua- 
lidade opaca, V. g. a — . 

OPACO, A, adj. (Lat. opacus, cuja origem 
nenhum etjmologista tem achado. Creio que 
vem do Gr. phakos, lentilha, mancha, ne- 
gra.) que não se deixa atravessar pela luz 
Os corpos — s, faltos de transparência; (iig.) 
escuro, sombrio. 

Syn. comp. Opaco, Sombrio No sentido 
recto, opaco é o corpo que não ó transparen- 
te, que impede o passo á luz ; no sentido 
figurado, confunde-se com escuro, sombrio. 
que em sentido próprio significa o em que 
falta o dia, em que não penetra a luz. Uma 
taboa. uma lousa, etc. éo/?aca, sem sev som- 
bria, uma selva, uma gruta, etc. é sombria, 
e pôde também dizer-se opaca. 

OPADO, A, a (/j. (alterado de oppí7ado.)op- 
pilado, inchado. 

OPALA, s. f. ou or ALO, s, m. (Lat. opa- 
lus OVL opalum,, do Gr. phalós, luzente.) pe- 
dra preciosa matizada de varias cores. 

OPALANDA , s. f. fFf . houpclande.) opa 
grande , roupa longa , talar com mangas 
Barros traz oparlanda. 

OPÇÃO, s. f. (Lat optio, onis.) acto de 
escolher entre diversas propostas ; direito 
de optar. 

. OPERA, s. f. (pron. ópera, d(> Ild.) dra- 
ma em musica : — italiana. — , ihjntro on- 
de se representam e cantam opora.s. 

OPERAÇÃO, s. f. [hdil. operai io. anis.) slc- 
to de obrar, acção de um agente, v. g. as 
operações das causas naturaes ; — do enten- 
dimento, Por — da electricidade. — , obra, 
acção acompanha-la de effcito, v. g. a — da 
purga, do vomitório. - -, calculo arithmeti- 



00 ou algébrico. — cirúrgica, appHcação de 
meios mechanicos para curar doenças lo- 
caes ao alcance de mão ajudada de instru- 
mentos cortantes, perfurantes , comprimen- 
tes, etc. Operações mi/iíares, as do exercito 
em campanha. — mercantis, negociações. 

OPERADOR , s. m. cirurgião que faz ope- 
rações. 

OPERANTE , adj. dos 2 g. (Lat. operanSf 
tis, p. a. de operor. ari.) que opera. 

OPERAR , V. a ou n. (Lat. operor, ari ; 
de opus, eris, obrar.) obrar, exercer oíTicio; 
fazer operação cirúrgica. Nesta accepção 
usa-se ás vezes como v. a. , v. g. o cirur- 
gião operou o doente. O remédio operou a 
cura. A purga operou bem, teve bom ef- 
feito. 

OPERÁRIO, s. m. (Lat. operarius.) obrei- 
ro, trabalhador, artífice. — , (p. us.) re- 
presentante em operas, dramas. As classes 
— s, industriosas, occupadas na agricultu- 
ra, nos odicios mechanicos, nas fabricas. 

OPERATIVO , A, adj. próprio a operar, a 
executar acção, movimento. A parte — da 
cirurgia, a que ensina a fazer operações. 

OPERCULARIA, (bot.) gcncro de plantas da 
família das Rubiaceas e da Pentandria Dy- 
gynía. 

OPERCULO, s. m. (bot.) espécie de tampa 
que fecha a urna dos mugos ; em ichthyo- 
logia, um apparelho ósseo composto de qua- 
tro peças que em muitos paizes cobre e pro- 
tege as guelras. 

OPERLANDA. V. Opalauda. 

OPEROSO, A, adj. (Lat. operosus.) traba- 
lhos. — , que tem effeito, í). ^. suíTragío — , 
o do sacrificio da missa, efficaz. 

oPHiASis, s. f. (do Gr. óphis, serpente.) 
calricie, doença que faz cair o cabello dei- 
xando a cabeça em calvas serpeantcs. 

OPfiioPHAGO, A, adj. (Gr. orphis, serpen- 
te, e phagô, comer. )que se nutre de serpentes. 

OPHTALGIA, (med.) nome que seda a to- 
das as dores dos olhos sem inflamoiação, 
mas particularmente á nevralgia ocular. 

OPHTHALMiA, s. f. (Lat do Gr. ophthalmos, 
olho.) (med.) inflammação dos olhos. 

opHTHALMico, A, adj. coucerneute á oph- 
thalmia. 

OPHTALMOTOMIA, (auat.) parte da anatomia 
que tem por objecto a dissecção do olho. 
Extirpação do olho. 

OPHIR, (geogr.) paiz oriental, ao qual as 
frotas de Salomão iam buscar ouro ; para 
lá irem erabarcava-se no porto de Asion- 
bager, e desembarcavam no golpho arábi- 
co ; os sábios coUocaram Ophir, uns na Afri- 
ca oriental, outros na índia, ou nas ilhas 
de Sumatra, Java, ele. 

OPHIR. (geogr.) monte da ilha de Suma- 
tra, (juazi debaixo do Equador, 



OPI 



im 



35 



opHiusA, (geogr.) Fòrmentera, uraa das 
Baleares ao S., era infestada de serpentes 
(em grego Ophis) d'onde deriva o seu no- 
me. 

OPHRIDA, (bot.) género de plantas da fa- 
mília dosOrchideas edaGynandria Monan- 
dria* 

opiADO, A, adj. {ópio, des. adj. ado.) (med.) 
em que entra ópio, v. g. emulsão — . 

OPíATO, A, adj. V. Opiado. 

OPIATO, s. m. (subst. do precedente) pre- 
paração pharmaceutica em que entra ópio. 

opiCA, (geogr.) Opica, nome dado a uma 
grande parte da Itália do S. edo centro no 
tempo dos antigos. Os habitantes de Opica 
chamavam -se O picos, Opoci, Oscos. 

opiFCE, s. m. (Lat. opifex, de opus, obra, 
efacio, faço.) V. Artífice. 

opiFicio, s. m. (Lat. opificium.) (p, us.)- 
fabricação, trabalho de operário. 

opiLAÇÃo. V. Oppilação. 

opiLAR. V. Oppilar. 

N. B. Moraes diz que estes termos vem 
doFrancez, hngua em que se escrevem por 
um s6p; mas não advertio que vem do Lat. 
oppilare, e que em Latim opilio significa um 
pastor. 

opiMio, (hist.) romano celebre pela sua 
lucta contra C. Graccho, foi eleito cônsul 
no anno 121 antes de Jesu-Christo, e em- 
preendeu fazer cessar as leis agrarias dadas 
pelos Gracchos. Tendo experimentado algu- 
ma resistência, fez com que o senado lhes 
de-se poderes illimitados, citou Graccho pe- 
rante o seu tribunal, e como ellenão appa- 
recesse atacou-o por tal forma que o obri- 
gou a matar-se ; depois fez construir um 
templo á Concórdia. Opimio morreu dester- 
rado e miserável em Dyrrachio ; tinha-se 
deixado corromper por Jugurtha, contra o 
qual fora mandado. 

opiMO, A, adi. {Lnt.opimus, de opes, ri- 
quezas.) rico ; fértil, abundante. Despojos 
— s, ricos, ex. « A terra responde com fru- 
ctos — 5. » Insul. — s parreiras. « Tu, Mi- 
nho alegre, que com vêa — . » Mousinho. 

OPiMos, (Despojos) (hist-) dava-se este no- 
me em^Horaa aos despojos tomados pelo ge- 
neral em chefe dos romanos ao general era 
chefe dos inimigos, eram consagrados a Jú- 
piter Feretrio. A histeria romana só nos apre- 
senta três exemplos de despojos opimos, fo- 
ram alcançados, por Rómulo sobre Acron- 
te, por Cornelio Cosso sobre Lars Tommio, 
e por Marcello sobre Viridimare. 

OPINADO, A, p. p. de opinar ; adj. ava- 
hado, julgado. 

OPiNANTE, s.m. [LSii. opinans, tis, p. a. 
áeopinor, ari.) o que opina, vota, diz o seu 
parecer. 
OPINAR, V. n. (Lat. opinar, ari, do Gr, 



ops, a Toz humana.) votar, dar o seu voto 
ou parecer. — , avaliar, reputar, julgar. 

OPINATIVO, A, adj. que se funda na opi?; 
nião particular de alguém, em quequalquet 
pode dar a sua opinião, v. </. questões — s. 
OPINAVEL, adj. dos^g. (Lat. o/íinaòi/is.) 
que se pode decidir segundo a oj)inião de cada 
um. 

OPINIÃO, s. f. [Lat. op imo, onis, áe opi- 
nar, ari.) parecer, juizo, dictame, persua- 
são intima, crença. Na minha — , segundo 
creio. — , voto. Dar, dizer a sua — . — , 
conceito, reputação, boa ou má. Homem de 
— , bem conceituado na opinião do publico. 
Opinião de si, presumpção. Desistir da — , 
da empreza, do projecto meditado, resolvi- 
do. Fazer — , fazer timbre, pundonor. — , 
fazer autoridade, ser homem cuja opinião, 
cujas decisões são acolhidas com respeito. 
Andar em opiniões, ser controverso ; ter re- 
putação duvidosa. 

Syn. corap. Opinião, parecer, dictame,^ 
Tem-se a opinião, dá-se o parecer ouodi« 
ctame. Aquella só explica o juizo que se 
forma n'um assumpto, em que ha razões pró 
e contra ; estes explicam a exposição da 
opinião. — Fulano tem sua opinião, porém 
não a manifesta. Dou meu parecer, ou meu 
dictame, segundo a opinião que tenho. 

Entre os vocábulos parecer e dícíame ha a- 
differença que o primeiro applica-se com mais 
propriedade quando se trata da existência 
de uma cousa, da asserção de um facto ; e o 
segundo quando se trata do que se deve 
executar, do partido que se deve preferir. O 
'parecer do medico recai sobre os symptomas 
e conhecimento da doença ; o dictame, so- 
bre a resolução que deve tomar-se para 
cural-a, os remédios que se derem tomar^ 
ou preferir. 

OPINIÁTICO, A, adj. presumpçoso, presu- 
mido, que faz de si grande conceito ; obsti- 
nado. — , (p. us.) amigo de novas opiniões. 
opiNioso, A, adj. Y. Opiniático. 
opio, s. m. (Lat. opium, do Gr. ópion^ de 
ópos, sueco.) sueco das papoulas espesso, 
muito usado na mçdicina como soporifico, 
e calmante. — , (fig. e famil ) logração, v. g. 
pregar um — . Dar — , lograr. 

opio, (hist.) pintor de Historia inglez, 
nasceu em 1761, morreu em 1807, era fi- 
lho de um carpinteiro e foi primeiramente 
destinado ao estado de seu pai. Os seus prin- . 
cipaes quadros são : a Morte de Rizzio, a 
Morte de laques I , a morte de Zaphira. 
OPIO, (bot.) é um sueco gomono-resmo- 
zo, sobido. oxtraido da papoula somnifera. 
[Papaver somni/erum.) 

opiopHAGO, A, (opio, e pft-a^d, comer.) ha- 
bituado a tomar opio, ex. os Turcos ricos e 
OS Chins são — s. 



,af* 



* Í1'í 

OPP 



ÔHparò, a, adj . {Ldit. opiparus ; àeopeSy 
riquezas.) custoso, rico, magnifico, v. g, ban- 
quete — , mesa — . 

opis, (myth ) divindade schyta, provavel- 
mente a maior de todas, e aquella a quem 
em Taurida sacrificavam viclimas huma- 
nas. Os gregos idjnlificaram-a com a sua 
Diana. 

opiSTHOTONO , s. m. (Gr. ópisthen, para 
trás, e tonos, tensão.) (med.) tétano que faz 
dobrar o corpo para trás. 

opiTZ, (bist.) Opiíius em latim, poeta e 
litterato allcmão, nasceu em 1597, morreu 
em 1638, passou vida muito vagabunda, 
viajou por quasi toda a Allemanha. Escre- 
veu em todos os géneros litterarios, sobre 
tudo em poesia didactiva. 
*'opiTz (Henrique) (hist.) orientalista alle- 
itião, nasceu em 1652, morreu em 1712. 
Lente de iheologia e hebreo, era um dos 
mais sábios protestantes do seu tempo. Pu- 
blicou entre outras obras uma Diblia he- 
braica muito estimada, 

OPOBALSAMO, s. m. (do Gr. ópos, sueco, e 
bálsamo.) bálsamo liquido e puro, mui aro- 
mático. 

OPONTE, igeogv.) Opus, hoie Talanti, ci 
dâde da Grécia, capital do pequeno estado 
dos Larios Oponlios, perto do mar de Eu- 
bea. 
;^ OPOPANACo. V. Opoponaco. 

OPOPuNACo, s. m. (Lat., e Gr opoponax; 
ópos, sueco, pán, tudo, e aheô, curar.) sue- 
co resinoso, gommoso, extrahido da pana- 
céa, planta umbellifera do levante, o a que 
os antigos atribuíam grandes virtudes cura- 
tivas. 

' OPPA, fgeogr.) rio de Allemanha, aííluen- 
te do Oder, separa a Silesia de Mora via. 
■ OPPELN, (geogr.) Oppolia em polaco, ci- 
dade dos Estados prussianos, capital da re- 
gência de Oppoin, aliloguassE. de Bres- 
lau ; 5,000 habitantes. 

^ OPPELN (regência de), (geogr. )parte meri- 
dional da Silesia prussiana, é maior do que 
o antigo principado deOpp(;ln. Capital Op 
pcln. É dividida em 16 círculos. 

opPENriEiii, (geogr.) Z?o7iconica, cidade do 
gran-ducado de Ilesse-Darmstadt, sobre o 
ílheno. a 4 léguas ao NE. de Reggio ; tem 
8,00o habitantes. Bispado. Ha outra cida- 
de do mesmo nome no reino de Wapoles ; 
"Opinum dos antigos ; a 6 léguas ííO. de Po- 
tenza ; 2.0U0 habitantes. 

oppjDOLO, (geogr.) Mamertum^ cidade do 
reino de Nápoles, a 9 léguas ao NE. de 
lU-ggio; 8,0(.«j habitantes. Bispado. 

oppiDOLo, (geogr.) capital da ilha Para- 
tellaria, a i^ léguas ao SO de Girgenti ; 
3,400 habitantes. 
oppíENO, (hi»t.) poeta- grego de Anazarbe 



na Cilicia. Consagrou-se á poesia e soube 
agradar a Caracalla. Deixou dous poemas 
didactivos, a Ptsca [Halieutica] e a Caça, 
(Gynegetica.) 

oppiLAçÀo, s, f. (Lat. oppilatio, onts), 
(med.) enfarte, obstrucção dos vasos secre- 
torios : — do figádo, do baço. 

oppiLADo, A, p. p. de oppilar, adj. obs- 
truído, enfartado , doente de obstrucção. 

OPFILAR, v.a. (Lat. oppilare', ojsporoò, 
diante, contra, e pilo, are, pôr, metler), 
obstruir, tapar os vasos secretorios. 

oppio, (hist.) tribuno do povo no anno 21 5 
antes de Jesu-Christo. Em consequência das 
desgraças cauzadas pelas vidorias de Anni- 
bal, fez publicar uma lei que punha limi- 
tes ao luxo das mulheres. Esta lei produziu 
grande descontentamento entre as damas 
romanas, e 13 annos depois, conseguiram 
faze-la revogar, apezar da resistência de Ca- 
lão. 

OPPOEPíTE, s.m. (contracção de of)j(iionen#, 
tis, Lat.) litigante, adversário, opponente ; 
— , oppositor a cadeira de universidade, a 
cargo, beneficio. 

OPPÔR, V. a. (Lat* opponere, op, contra, 
diante, e pono, ere, pôr), pôr, ou dirigir ' 
contra, com o fim de obstar a golpe, perigo 
ou acto hostil, v. g. — o escudo á lança do 
contrario ; — fortes baterias aos ataques dos 
inimigos ; — um poderoso exercito ás armas 
invasoras. — , objectar, v. g. — aos argu- 
mentos do adversário ponderosas razões, im- 
pugnar, V. g. — os embargos. —SE, v. r. 
resistir; — ao inimigo; — com embargos, 
allega-los, — a cadeira, a beneficio, ser op- 
positor. 

oppoRTUNA (Santa), (hist.) era abbadessa 
de Montreuii no VIIÍ século ; morreu em 
770 É commemorada a 22 de abril. 

oppoRTUNAMENTE, adv. (men íe suff.), com 
opportaniJade, em tempo opportuno. 

nppoRTUNiDADE, s. f. (Lat. opporlunitas, 
tis), occasião opportuua, tempo próprio, 
conveniente. 

oppoRTUNissiMO, A, ãdj . superl. de oppor- 
tuno. 

OPPORTUNO, A, adj. (Lat. opporlunus, de 
ops, soccorro, e porto, are, levar, dar), ada- 
ptado, conveniente para se fazer alguma cou- 
sa, ou que vem em tempo conveniente. Oc- 
casião— . Chuva — .Soccorro—, que che- 
ga a tempo de salvar. Tempo e lugar — . 
Sitio opportuno para fundar uma cidade.- 

GPPOSiçÃo, s. f. (Lat. oppositio, onis), po- 
sição defronte, opposta, v. g. — da terra, 
da lua, que causa os eclipses do sol, ou da 
lua. A lua está em — , defronte do sol. — , 
o acto de se oppôr, de resistir, contrariar, 
impugnar, resistência; —á codpira, argu- 
imento em concurso para obter cadeii^á em 



OfiP 

universidade ou eschola. O partido da — , 
(nas assembleas legislativas) os membros ou 
vogaes que atacam o ministério e votam con- 
tra clle. 

OPPOSiTO, A, adj. (Lat. oppositus, p. p. 
de oppcnere, oppôr), opposto, em — , defron- 
te. £ desusado. 

OPPOSíTOR, s. m. o que pretende cadeira 
de lente, ou beneficio ecclesiaslico. 

opposiTORiA, s. f. casa de conversação na 
universidade de Coimbra onde concorrem 
os oppositores. 

opposTAMENTE, adv. [mente suff.), com 
opposição, em contrario. 

OPPOSTO, A, p. p. de oppôr, adj. situa- 
do defronte, contra ; que se oppôz ; que op- 
poz ; contrario, adverso, v. g. He-me op- 
posto. 

oppRESSÃo, s. f. (Lat. oppresio, anis], o 
acto de opprimir ; o vexame da pessoa op- 
primida ; peso incommodo, v g. — da res- 
piração, do estômago. 

oppRESSo, A, adj. (Lat. oppressus^ p. p. 
de opprimare, opprimir), oppimido : v. g. 
— de dôr, de misérias, — dos inimigos, — 
de diviias. 

oppREssoR, s. m. (Lat.) o que opprime, 
Texa. 

OPPRiMiDissiMO, A, ttdj . superl. de oppri- 
mido. 

oppRiMiDO, A, p. p. de opprimir, adj. que 
soífreu oppressão ; que opprimio ; violenta- 
do, forçado, ex. « A mãi de Platão foi — . » 
Arraes. 

OPPRIMIR, 15. a. (Lat. opprimo, ere, op, 
contra, diante, e premo, ere, apertar), ve- 
xar, molestar, affligir. 

OPPROBRio , s m. (Lat. opprobrium ; de 
opproboy are ; probrum., deformidade, des- 
honra, eop, diante), deshonra, infâmia, igno- 
minia, aíTronla, injuria. 

oppROBRioso, A, adj. (des. aso), que traz, 
causa opprobrio , que serve de oppro- 
brio. 

OPPUGNAçÂo, s.f. (Lat. oppugnatio, onis), 
o acto de oppugnar, ataque, combate para 
render. 

oppuGNADO, p. p. de oppugnar; adj. ata- 
cado, combatido. 

OPPUGNADOR, s. Til. (Lat. oppiíguator), o 
que ataca, combate praça para a render. 

OPPUGNAR, V. a. (Lat. oppugnare ; op, con- 
tra, e pugno are, pugnar, combater), atacar, 
combater : — a praça, para a render. 

Syn. comp. Oppugnar, expugnar, Oppu- 
gnar é atacar com força para render uma 
praça, uma fortaleza, ctc. ; expugnar é to- 
mar uma praça á força de armas. Todas as 
praças e fortalezas se podem oppugnar ; mas 
algumas são inexpugnáveis. Gibraltar foi 
oppugnado pelos Hespanhoes, porém nSo 
YOL. ir. 



(m 



8f: 



foi expugnado , pelo que se diz inexpi 
gnavel. 

ops, (myth.) grande deusa itálica doíJtem-i 
pos primitivos, passava por mulher de Sa- 
turno, foi identificada com Rhea, Cybele e 
a Terra. O seu nome quer dizer terra, e 
é o mesmo que Opes (riquezas) como se es- 
ta divindade fosse a riqueza por excellen- 
cia. 

OPSLO, (geogr.) cidade da Noruega, con- 
tigua á Chrisliania, a E. É cidade muito 
antiga e residência do bispo de Christia- 
nia. 

0PS0P0£us, (hist.) pbilologo allemão, nas-;< 
ceu no século XV, morreu em 154ii. Dei- 
xou notas sobre Demosihenes e um peque- 
no poema de Arte bihendi, etc. 
OPTALMiA. V. Ophthalmia. 
OPTATIVO, adj. (do Lat. opto. are, dese- 
jar) , que exprime desejo, v. g. Modo — , 
(gram. grega e latina), cujas variações en- 
cerram desejo. Eui portuguez os 'tempos do 
subjunctivo supprem o optativo, ea?. Tenhas 
tu a fortuna que mereces. Gozasse ella de 
prospera sorte. O — , subst. , o modo ou 
tempo optativo. 

ÓPTICA, s. f. (Fr. optique. do Gr. optomai, 
ver), parle da physica que ensina as leis da 
visão directa. 

OPTATO, (Santo), (hist-j Optaíus, bispo de 
Milevo na Numidia, no século IV, morreu 
em 384. Deixou um tratado De schismate 
Donatistarum. É commemerado a 4 de ju- 
nho. 

OPTACIANO , (hist.) Publius Porphyrius 
Opiatianus, poeta latino, vivia no reinado 
de Constantino. Deixou um Panegyrico de 
Constantino. 

ÓPTICO, A, aí/J. concernente ao olho, e á 
vista. V. g, O nervo — , cuja expansão forma 
a retina, órgão immediato da vista. — perito 
na óptica, instrumentos — , que auxiliam e 
facilitam a vista. Eixo — visual, linha que 
passa pelo centro do objecto e do olho. 

OPTiMATES, s.m.pl. [Lai. de opiimus), os 
principaes, os grandes da nação ou da corte. 
ÓPTIMO, A, adj. (Lat. optimus, superl. for- 
mado de opto, are, escolher), o^melhor, o mais 
excellente ; muito bom. ; 

OPULÊNCIA, s. f. [Lai. opulentia. de opes,. 
riquezas), grande riqueza, com fasto, osten- 
tação. 

Syn. comp. Oppulencia, riqueza. Oppuleu" 
cia é grande riqueza com ostentação, e tal- 
vez com poder, credito, inQuencia. 

Riqueza é superabundância de bens de 
fortuna — de cousas que tem um valor pe- 
cuniário. vV 
OPULENTAMENTE , adv. [mente sufif.), com 
opulência, magnificência, v. g. Viver, tratar- 
íe — . 

10 



S8 



€»à 



ORA 



opulentíssimo, a, adj. superl. de Opulen- 
to, muito rico. v. g. Cidade — . Nação — , 
Commercio — , de grande producto. 

OPULENTO, A, adj. (Lat. opulentns], muito 
rico, V. g. Homem, estado — . Cidade — . 

OPLNTiA ou OPUNCIA, s. f. (t. Lat. botau.), 
figueira da índia. 

OPÚSCULO, s. m (Lat. opusculum, dim. de 
opus), (fig ) pequeno escripto, folheto, obra 
litteraria de pouca extensão. 

OQUE. V. Ochre. 

OQUEA, s. f. (t. Asiat.) moeda da índia que 
valia um cruzado no tempo de Fernão Mendes 
Finto. 

OR, des. verbal masculina, ora f. Latnia. 
Vem do Gr. orò. impellir, excitar, e denota 
agente, cíc. autor, amador, atirador, arma- 
dor, namorador , fiador. É substantiva , e 
adjectiva. 

OR, (geogr.) rio da Rússia europea, nas- 
ce nos Kirfjhiz, corre ao N. depois a E. e 
desagua no Ourai. 

ORA. V. Hora. 

ORA, adv. (do Lat. hora), agora, já, neste 
momento. — logo, portanto, nesse -caso. v. g. 

— admittido este principio, segue-se. — , re- 
petido em duas phrases consecutivas ó dis- 
tribuitivo, e equivale a umas vezes. Ex. — um 

— outro. — acommettia com fúria, — simu- 
lava retirada. 

ORAÇÃO, s. f, (Lat. oratio, nis, de orare, 
orar), discurso eloquente no foro, em as- 
sembléa publica , accusando , defendendo 
pessoa ou opinião, ou em louvor de alguém. 

— preces, supplicas a Deus, resa, acto de 
orar, rezas: v.g. — de cego, discurso sem 
affectos, sem tom oratório. — (gram.) phrase, 
sentença que exprime um sentido completo. 

ORAçoEiRO, s.m. (ant.) livro de preces, de 
orações. 

ORAcuLAR, adj.dos2g. próprio de orácu- 
lo ; dito em tora de oráculo, mysterioso. v.g. 
Templo — , onde havia oráculo. 

ORÁCULO, s. m. (Lat oraculum, de os. oris, 
hocca, G caleo, ere, aquecer), resposta, quasi 
sempre mysteriosa dada pelos sacerdotes ou 
sacerdotisas que o vulgo tinha por inspirados 
pelo influxo divino, a quem os consultava so- 
bre o futuro ; sanctuario onde residiam os 
sacerdotes e onde elles davam estas respos- 
tas, ■y.^. O — de Delphos. F aliar de — , em 
tom dogmático e mysterioso. — , resposta 
»mphibologica , com ar mysterioso. — (fig.) 
pessoa cuja opinião, cujas decisões são res- 
peitadas como infalliveis. — verdade infalli- 
vel ; a verdadeira religião revelada. — , des- 
pacho verbal que dá o papa. v g. Os — de 
Roma, os summos pontifices. — (ant.) orató- 
rio. 

ORÁCULOS, (myth.) Oracula^ estabeleci- 
mentos sagrados entre os pagãos, onde eram 



consultados os deuzes sobre o futuro ; aai 
respostas, que elle* davam também tinham 
o nome de oráculos. A Ásia Menor, a Gré- 
cia, a Itália tinham muitos oráculos. As res- 
postas obtiíiham-se de diversas maneiras. 
Em Delphos eram dadas por uma sacerdo- 
tiza chamada pythonisa ; em Dodona eram 
dadas ou por mulheres, ou por pombas, e 
até pelo ruido das arvores ; no antro de 
Ttophonio o deus fallava aos fieis em so- 
nhos, etc. Os oráculos foram acabando á 
medida que diminuiu a idolatria e que o 
Christianismo fez progressos. 

ORADOR, s. m. (Lat. orator), o que ora, fal- 
ia em publico, no foro, no senado, no púl- 
pito ; o que reza, faz preces a Deus. 

ORADOUR-suR-VAYREs. (gcogr.) ciilade de 
França, a 3 léguas ao SE. de Rochechouart ; 
3,340 habitantes 

ORAGO, s. m. (de oráculo), int. oráculo. — , 
santo a que uma igreja é dedicada. — (p. us.) 
agouro, cousa que prediz, vaticina, v. g. — s 
de infortúnios. 

ORAL, adj. dos ''lg. (do Lat. os. oriSj .^bocca, 
des. adj. aí),xleviva voz, vocal. v. g. Lei tra- 
dição — . 

ORAN, (geogr.) portusmagnus, cidade ma- 
ritima da Africa franceza, capital do gover- 
ne de Oran, a 9C^ léguas ao SO. de Alger, 
13,618 habitantes. O governo d'Oran, um 
dos três de Algéria compreende toda a parte 
Occidental da regência desde a embocadura 
de Tunnis até ás fronteiras do império de 
Marrocos. 

ORANG, (h. n.) espécie de macaco, o maior 
desta familia, e muito parecido com o ho- 
mem dos bosques. 

ORANGE, (geogr.) Arausio, cidade de Fran- 
ça, perto de Aygues, a 5 léguas e meia N. 
de Avinhão : 8,870 habitantes. 

ORANGE (principado de), (geogr.) parte 36^ 
Baixo Delphinado encravado por todos os 
lados no condado Yenesino. Cidades prin- 
cipaes : Orange (capital), Courteson, Causans. 
Quatro cazas reinaram successivamente nes- 
te principado alê que foi reunido á Fran- 
ça : a caza de Giraud d'Adhemar ; á de 
Baux ; a de Chalons, e de INasseau. 

ORANGE, (geogr.) nome de muitos condá^' 
dos dos Estados Unidos, nos Estados da Ca- 
rolina do Norte, de Indiana, de Vermorit^P 
da Virgínia e de New- York ; este ultimo ó 
o mais importante ; conta 60,000 habitan- 
tes 

ORANGE ou GARiEP, (geogr.) rio da Africa 
austral, é formado pordous braços, o Ga'^''''- 
riep ou Rio Amarello. que nasce entre os ■ 
Caffres, e oiVoro Gariep ou Rio Negro, do' 
qual não se conhece exactamente a nascen- 
te, desagua no Atlântico. 

ORAWGE (Pbiliberto de Chalon, príncipe'' 



on 



CHftfi 



» 



de), (hist.) grande capitão do século XVI, 

nasceu no castello de Nozeroy em 1502. 
Sendo-lhe confiscado o seu principado por 
não querer reconhecer a suzerania de Fran- 
ça retirou-se para a corte de Carlos V, que 
lhe deu o condado de S. Pol. Aprizinado 
pelos Francezes em 1525 ficou preso até 
1027; acompanhou depois o cardeal de Bour- 
bon ao cerco AeBoma, apoderou-se do cas- 
tello de S.Angelo. Foi nomeado vice-rei de 
ffapoles em 1518, mas deshonrou-se neste 
cargo pela sua crueldade. Encarregado do 
commando do exercito imperial, cercava 
Florença em 1530, quando foi morto com 
28 annos de idade. 

ORANGiSTAS, (hist.) Oraugemcn, nome de 
desprezo, que pela primeira vez em í689 
foi dado aos protestantes de Irlanda, que 
reconheciam a usurpação de Guilherme de 
Orange, pelos catholicos que se conserva- 
ram lieis á canza deJacques II. Esta deno- 
minação ficou depois aos protestantes, du- 
rante as luctas que alíligiram a Irlanda até 
ao bill d'emancipação dos catholicos. Hoje 
o partido orangista está confundido com o 
partido tory. Na Bélgica chamam orangis- 
tas aos partidários da caza de Orange, que 
antes de 1830 reinava nos Paizes-Baixos. 

ORANiEisBAUM, (gcogr.) cidade da Rússia 
europea, a 8 léguas SO. de S. Petersburgo, 
l,50u habitantes. 

ORAR, v.n. (Lat. oro, are, de os, oris, boc- 
ca, ro em Egypcio), fallar em publico, defen- 
dendo causa no foro, opinião no senado ou 
outra assembléa deliberante ou no púlpito. 
v.g. Cicero orou no senado contra Catilina. O 
pregador orou com grande eloquência. — , 
dirigir preces a Deus, fazer oração rehgiosa. 
— em espirito, sem palavras, com o pensa- 
mento. 

ORAR, V. a. (p. us.) pedir, supplicar. ex. 
« Oraram e exoraram a vossa piedade.» Viei- 
ra, p. p. de orado. 

ORA sus 1 inter j., eia pois I ex. « — I gen- 
te forte. » Camões. 

ORATES, s. m. (do Gr. orô, incitar, per- 
turbar), homem estouvado, doido. v. g. Casa 
dos — , dos doidos. 

ORATÓRIA, s. f. (Lat.) arte do orador, ar- 
te de orar. 

ORATORiAMENTE, acíu. (mcníe suff.) segun- 
do as regras da arte oratória. 

ORATÓRIO, s. m. quarto da casa particu- 
lar com imagem de santo, onde se ora, reza 
e muitas vezes com altar onde se diz mis- 
sa. — , camará na cadeia onde se encerram 
os réos condemnados á morte para orarem 
a Léus. Estar no—, (fig.) em grande an- 
gustia. — , drama de ordinário em musica, 
cujo assumpto é tirado da escriptura sa- 
grada. 



ORATÓRIO, A, ac(j. [Lat. oraíorius), de ora- 
dor. V. g. Estylo, discurso—. Arte orato-( 
ria. 

ORATÓRIO (padres do), (hist.) congrega- 
ção fundada em Roma por S. Philippeííe- 
ri em 1550, teve ao principio o nome da 
Confraria da Trindade, o foi destinada a 
dar soccorros aos estrangeiros, levados a Ro- 
ma pela devoção, depois teve a cargo a edu- 
cação da mocidade. Na sua origem era com- 
posta de 15 membros, mas dentro em pou- 
co augmentou ; a sua sede era a egreja de 
N.S. de \ alWceWdi, ChiesaNuova. Esta con- 
gregação foi-se depois organisando em diver- 
sos reinos da Europa. 

ORATORiozmno, s. m. diminuí, de ora- 
tório. 

ORBA ou ORB, (gcogr.) cidade da Baviera, 
a li Ipgoas ao NE. de Wurtzurgo, í,500 
habitantes. 

ORBE, s. m. (í.at. orhis, cousa redonda, 
circulo, disco ; de or ou hor. o sol), a es- 
phera celeste; o globo terrestre, todo o uni- 
verso, — , orbita. 

ORBE, (geogr.) Orbea on Orbacn em al- 
lemão^ Vrba em latim, cidade da Suissa ; a 
6 léguas O., deLansanna; 2,101) habitan- 
tes. 

ORBEC, (geogr.) cidade de França, a 4 
léguas e meia SE. de Lisieux ; 3,200 ha- 
bitantes. 

ORBEGA, (geogr.) rio deHispanha no rei- 
no de Lfão. 

ORRELUS, (geogr.) hoje o Árgtntaro, mon- 
te da Macedónia, nos limises da Macedoni*: 
e da Thracia. 

ORBEY, (geogr.) villa do departamento do 
Alto-Rheno, em França, a 4 legoas ao NO. 
de Colmar ; ?,5U0 habitantes. 

ORBiBULAR, adj . dos 2g. (Lat. orbicula- 
ris), redondo, espherico, circular, v. g. Mus-: 
culo — , um dos que levantam e abaixam as 
pálpebras. — , v. n. T. Gyrar. 

ORBITA, s. f. {orbe, a des. de ilum, sup. 
de eo, ire, ir), cavidade do olho : — dos pla- 
netas, o circulo em que se movem. 

ORBiTELLO , (gcogr.) cidadc d'Italia, no 
grau ducado de Toscana, a 25 léguas SE. dôs 
Sienna ; 3,000 habitantes. 

oRBivAGO, A, adj. que vaga pelo orbe, 
vagamundo. 

ORCA, s. f. peixe monstruoso, inimigo da 
baleia. 

OUÇA, s. f. Meter á—, (naut.) iráboli^i 
na, mui chegado ao vento. V. Orçar. . :,i 

ORCADES, (geogr.) Orkney em inglez Or* 
cadesemlaúm, grupo de ilhas aoN. da ponta 
seplentrional da Escócia ; São 3o, 2t) delias 
habitadas ; 2H,000 habitantes. As Orcades 
juntas ao Shetland formam um dos condados 
d« Escócia, de queKirkwall é capiíaliè -^ «*• 
10 * 



4a 



0RC 



ORD 



ORCADES AUSTRAES , ( geogr.) chamadas 
timbem Novas Orcades e Peivel, grupo ã% 
ilbas do grande Oceano Austral, ao SK. da 
America, e a tNE. do Archipelago daNova- 
Shetland. São áridas e desertas. 

0Rç\D0, A , p. p. de orçar; adj. esma- 
do, avaliado. — , metido á orça. 

ORÇADOR, s. m. o que orça, far orçamen- 
to, esmador. 

ORÇAMENTO, s. m. [meiíto suíf.) acto de 
orçar, esmo, estimativa, v. ^.— dasdespe- 
zas do estado. 

ORÇAR, V. a. (do Lat. orsa, orum , pro- 
jecto , desígnio , de orsus, começado.) es- 
mar, avaliar, fazer estimativa. — adespeza, 
os gastos. 

CRÇAR, V. n. (de ora, borda, extremida- 
de. Gr. horas, limite.j governar o navio de 
modo que indo á bolina se cinja ao ven- 
to. 

ORCHA, (geogr.) cidade da Rússia europea, 
sobre oDniepr, a 18 léguas N. deMohilev; 
1,900 habitantes. 

ORCHATA, 5. f. (do Fr. orgcat, orge, ce- 
vada.) bebida feita com as quatro sementes 
frias , amêndoas doces pisadas, assucar e 
agua. 

ORCHESTRA, s. f. (prou. ch sôa k : do Ital. 
do Gr. orkheistai, dansar.) os instrumen- 
tos músicos que acompanham as vozes dos 
cantores, e os passos dos bailarinos. 

ORCHiDEAS, (bot.) família de plantas mono- 
cotyledones, de estames épygynes ; apresen- 
ta formas e uma organisaçào muito natu- 
ral. 

ORCHiES, (geogr.) Origiacum, cidade de 
França, aAleguaslNE. deDonai; 3,840 ha- 
bitantes. 

ORCHiMONT, (geogr.) villa da Bélgica, so- 
bre o Semoy, perto da fronteira de França ; 
300 habitantes. 

ORCHis, s. f. (Lat., do Gr. or/íTi is, testí- 
culo.) satyrião, planta cujas raizes duplica- 
das tem alguma semelhança com os testí- 
culos. 

ORCHOMÉNE, (geogr.) Orchomenus, nome 
de muitas cidades gregas, as mais celebres 
são : Orchomene d' Areadia, hoje Helpaki, 
ao W. deMantinea ; Orchomene dosMingos, 
ou Orchomene da Beócia, hoje Scripou, ao 
N.e perto de Lebadea, não longe d'um lago 
do mesmo nome. 

ORCiÉRES, (geogr.) cidade de França, so- 
bre oDrad, a 4 léguas N.d'£mbrun; 1,700 
habitantes. 

ORCO, s. m. (Lat. orcus, do Gr. oryssó, 
enterrar.) (poet.) a região dos mortos ; a 
morte. 

ORCO, (myth.) nome de Plutão entre os Ro- 
manos. Deriva- se do latim urgeo apertar, 
do grego eiorgo encerrar, ou então á'orkos 



juramento, porque Plutão era invocado quan- 
do se prestavam juramentos. 

ORDAUA ou ORDEAL, (híst.) do saxonío 'or- 
dal, o mesmo que wrí/iei7, julgamento, nome 
dado algumas vezes ás provas judiciarias. 

ORDEDURA. V. Ordidura. . 

ORDEM, s. f. (Lat. ordo, inis, do jr. or- 
thos, direito, orl/id, pôr direito, erigir.) dis- 
posição, collocação das cousas no lugar que 
lhes compete, serie regular, v. g. a — da 
natureza. Tudo está em — ou em boa — . 
Pôr em — . — , modo, maneira de proceder, 
teor. Viver com — , regradamente. — , cou- 
sa que o superior manda executar, mando, 
V. g. dar ordens, uma — - Ajudante úe or- 
dens. V. Ajudante. — , divisão, categoria de 
cidadãos. A — equestre, dos cavalleíros na 
antiga Roma. Ordens religiosas, commu- 
nidades. — , em historia natural, subdivi- 
são das classes. — , um dos sete sacramen- 
tos da Igreja pelo qual se conferem ao sa- 
cerdote os diversos graus de poder eccle- 
siastíco. Ordens sacras, as de missa. — , na 
architectura, certa disposição nas proporções 
e ornatos das columnas, suas bases, capi- 
téis, frisos, etc, v. g. — ionica, dórica, co- 
rinthia, compósita. 

ORDENAÇÃO, s. f. leí, do,creto, alvará com 
força de lei. A — , o corpo de leis do reino, 
código : — Affonsina, Manuelina, Filippi- 
na. — , o acto de conferir o sacramento da 
ordem» 

ORDENADA, s. f. (math ) linha perpendi- 
cular tirada do ponto da curva ao seu eixo. 

ORDENADAMF.NTE , adv. [mente SUÍF.) com 
ordem, por sua ordem, em boa ordem. — , 
(ant.) ordinariamente. 

ORDENADÍSSIMO, A, adj, supcvl. de orde- 
nado. 

ORDENADO, A, p. p. de Ordenar; adj. pos- 
to em ordem. — , estabelecido, constituído. 
— , mandado, prescripto por ordem, orde- 
nança. Exercito — , pcsto em ordem de ata- 
que e de defesa. « Iam — s para andarem 
da armada com Affonso de Albuquerque. » 
« Os reis foram — s por Deus, » Barros, ins- 
tituídos. Assim foi — pelo senado. — , a quem 
se conferiu o sacramento da ordem. 

ORDENADO, s. m. O salarío certo ordena- 
do por decreto, lei ou regimento, a empre- 
gado publico. 

ORDENADOR, s. wi. O que Ordena, dis- 
põe. 

ORDENAMENTO, s. m. [mento suíf.) (ant.) 
ordem, disposição, mandado ; — , ordena- 
ção, estatuto, lei, regimento. 

ORDENANÇA, $. f. lei, ordenflção, disposi- 
ção, ordem de corpo de tropas, do exern, 
cito, da batalha ; exercício militar. Trojoa, 
gente de — , ou as ordenanças, mihcia ir- 
re guiar, que só se disciplina em tempo d*í 



ORÍ) 

guerra pá fá defesa do território. '».g. A — 
prussiatia, fí-aiiceza, o regulamento do eícer- 
cicio railit.ir. — , disposição, forma da lei ; 
— , ordem, estylo, v.g. — de architectura. 
Por — moderna.—, exi)cdiento regular de 
despacho, estabelecido em rrgra. 

Ordenando, s. m. (des. do p fut. Lat ), 
O que está para tomar ordens sacerdo- 
taes. 

ORDENAisTE, s. wi. (des. do p. a. Lat. em 
ans, tis), o que confere o sacramento da 
ordem. Acha-se erradamente usado por or- 
denando. 

ORDENAR, V. tt. ( at. ordinare, de ardo, 
inu, ordem), pôr, disporem ordem, porem 
seu lugar, collocarcom concerto, regra, me- 
thodo, V. g. — as tropas, — o processo, fa- 
ze-lo segundo a ordem judicial; — versos, 
compor regularmente, segundo as regras 
da metrificação. — , mandar por lei, decre- 
to, ordem. — . dirigir, regular, d. g. — , a 
vida. — , dispor, traçar, — uma festa, um 
enterro, — enganos, ciladas, a morte a al- 
guém. — , conferir o sacramento da ordem, 
as ordens sacras. — , construir, ex. « Sem 
rendas com que se possam — as oílicinas e 
cerca do convento.» Carla do cardeal D. Hen- 
rique no tlucidario. È antigo. — se, r. r. 
tomar ordens sacras. — , dispor-se, appare- 
Ihar, V. g. — para o combate. 

ORDENAVEL, ãdj . dos 2 g. capaz de ser 
ordenado, disposto, dirigido. 

ORDENHADO, A, f>. f. de ordenhar, adj. 
mungido. 

ORDENHADOR, A, s. pessoa quc ordenha, 
munge as vascas, cabras; ovelhas, etc. 

ORDENHAR, V. a. (do (ir. orros, leito, e 
Wrto, correr, manar), mungir as vaccas, ove- 
lhas, cabras, etc. 

ORDERic VITAL, (hist.) historiador inglez, 
nasceu em 1075, morreu em 1 50. Deixou 
uma Historia ecclesiastica desde o nasci- 
mento de Jesu-Christoaté aoanno de 1141. 

ORDiAiRO ou ORDiAYRO. V. Ordinário. 

ORDiDO, A, p. p. de ordir; adj. dispos- 
to o urdume no tear; (fig.) tramado, arma- 
do^ V. g, tinha — a intriga. 

ORD'L0R, A, s. pessoa que urde. 

ORDiDURA , s. f. ordume ; (íig.) disposi- 
ção, entrecho, v. g. — da historia escripta. 

ORDiM. V. Ordem. 

ORDiMENTO, s. TH. [mcnío suff.) O acto do 
ordir ; (fig ) principio, começo, v. g. — de 
nova vida. 

ORDINAL, adj. dos 2 g. (Lat. ordinalis.) 
qufe oxprime ordem, lugar de uma serie, r. 
g. adjectivos ordinaes, primeiro, decimo. 

GROiNAR, V. a. (ant.) V. Ordenar. 

ORDINÁRIA, s. f. (subst. da des. f. de or- 
dinário.) pensão alimentaria, ração diária, 
mensal ou annual. — magna, um dos actos 

VOL. IV. 



OAP ijji 

(Jue se faziam na universidade de Coimbra 
antes da reforma de l772. 

ORDINARIAMENTE, adv. [meute sufí.) de ot' 
din\rio, commummenle, as mais das vezes. 

Syn. comp. Ordinariamente commum- 
mente. Commummente refere-se á multi- 
dão de pessoas que fazem a mesma cousa ; 
ordinariamente, á multidão de vezes que 
acontece a mesma cousa. Tal porto é or- 
dinariamente frequentado de navios ; quer 
dizer, é qua?i sempre frequentado de na- 
vios. Os militares são commummente pou- 
co religiosos, isto é, são quasi todos ou pela 
maior parte pouco religoos. 

Casos ha em que as duas expressões se- 
jam exactas, posto que em sentido diífe- 
rente. O vulgo erra ordinariamente ou 
commummente em seus juízos, isto é, erra 
quasi sempre, ou erram quasi todos os que- 
se incluem na denominação de vulgo. 

ORDINÁRIO, A, adj. (Lat. ordinarius, de 
ordo. inis, ordem.) usual, regular, v. g.o 
curso — do processo; a marcha — do nego- 
cio. O preço — deste género. Homem — , 
plebeu. — , vulgar, de qualidade inferior. 
Pano — . Comida — , grosseira, como a do 
povo, do commum da gente. Acção ou tia 
— , no foro, a que segue a forma regular 
prescripta pelas leis. Juiz — , nomeado pe- 
la camará municipal, juiz não letrado, juiz 
leigo. O — , em direito canónico, o bispo, 
arcebispo ou prelado. De — , loc. adv. or- 
dinariamente. O — , a comida ou o tratamen- 
to quotidiano. Um — , correio, portador de 
cartas. 

ORDiNHADO. V Ordenado, clérigo. Elu- 
cidário. 

ORD R , (Lat. ordior, iri, de oriri, nas- 
cer.) dispor no tear o ordume ou primei- 
ros fios da têa ; (fig ) traçar, armar, v. g. 
— enganos, intrigas, enredos. 

Syn. comp. Ordir, tramar , tecer , ma- 
quinar. Se os primeiros três vocábulos con- 
servassem rigorosa analogia no sentido fi- 
gurado com as suas significações no senti- 
do próprio, ordir seria lançar as primeiras 
linhas d'um enredo ; tramar exprimiria o 
enlaçamenlo do enredo, a acção do lhe dar 
força e consistência ; e tecer, exprimiria am- 
bas as cousas, isto é, começar e proseguir 
uma t'iia de enredos , ele. Com tudo tra- 
mar é o termo que vulgarmente se usa 
como mais enérgico para exprimir a astú- 
cia e ardil com que se preparam e concertam 
enredos, enganos, para lograr o fim que so 
intenta. 

Ifa^ttinar tem mais ampla significação, e 
vale o mesmo que traçar artificiosamente, 
idear na phanlasia com sublilesa e astúcia ; 
por isso se diz í «Maquinar a ruina da pá- 
tria ; maquinar contra a republica; » e 
11 ' 



éi 



om 



<m. 



neste easa nHo • §ô . Rwieriar dizer í^úh/rtaf,» 
que parece íér pj^«r^Q estreita- cora<enpedòs' 
ee^g-aaos. , , 

qjRDO.^ .^,,j^^^lt^U hordeum.} (aEtt.) V. 



5, m. 



OBPUJiE ,,. s, m. (de ordir.). os primeir-osí 
^ós ^ da , têa lançados ^no tear. ;. (íig.) cpri^po- 
sfçab impepfèita-,» esÉpço. ;, - . , 

È.pet.jl ij^oJfiÉ^s dos Jbosqwes e dos mon- 

' :0r|6ap^ 5. ih. (Lat. on^num, do/ioí^a^,' 
mofatè^ e ^(ínos^a|{3gria\),espeGÍedB mange- 
fona" que se dá" nas monta nba§. 

OREGpN ou coLUMl5iA^.(geogT.) rio dos" Es- 
tados l5nidos, no território,, a que dá o seu' 
nÒBÇie, iiasee iios montes Pedrègosps, e kn- 
çlji-se hp Ôceanp, ^ , . .. 

' ò*REÚ.LY, (íist.)' general irlante^ a& ger?-" 
viijo' de. jâisj^ntó r nasceu^ em 1 To5y mprpeui 

rí/'94. Serviu primeiramente na França^ 
['ante. a guerra' dos Se-te Anno&. Sai-vouí 
a Yida,'^ ao rèi Carlos líí em utoa rf^volta' 
siispiiada- em Madrid em I76(>;r obteve a| 
amisadè deste príncipe qjue o mandou to- 
mar posse da JLuiziania cedida- pela Fraiiça' 
áí Hispanhã, foi encarregado em l774- de 
uma expedição contra Àlger, ficou' mal nes- 
ta empresa, e foi supplantado na graça dc^ 
mbnajrcfia alf 1786. 

OR«L ou ORLaw, (geogr.) cidade' da Ruâ- 
sià Êuropeai capitai do governo d'OrôlvSO- 
ÉrejO Oka^ ^ a Mrli]£ ;. t^^COÚ' habita«tes.» 
0^ governo diDrel situado entr^- os- de^ fca»-' 
longa eftíulaaoN., Smolensk e Tcherni^v' 
a U. conta l,350,.0(iO' hateitairtesv Capital^ 
Órel. , . , 

„0RELH4, s.' f. [úo 1^&,- çreille, pron,. dre- 
tRe, .do Lat. aviriçuh^^ dim. áorãwfU. Creio' 
que àuhs yein do- Gr. o»*e^d,>esiendeP.):ex- 
pansãò cartilagiEpsa eni toftap' do meato au- 
di.tÍY0 externo ;; (íig. ) a puvidov i>aT -s,» ou- 
vidos, escutar. Faze-r-^s- de v. ercador^. ou 
ç^uvir cain —s 5*t.rrfcs,(loe. íamil ),íifigjrque 
não ouve,: não dar ouvidos. Buttr ?l«— ,i 
agradar, pelo som . Quebrai as — *-,' ©'^fodaV,' 
com pratica impertinento- Traura^—-oóm- 
•gridof sohr& algu&m, (loc. p'.> us.-) a«d8!< es-; 
cutandp A que elle diz. To/rotr & — , (fig'.) 
sçTi&^^eT-ser. Ficar Comr às — s 6ma?cís,'hu- 
ipilhado.' Abanar as — -s,- ncgér o que se 
pede. — do martello,' a parte- fendida delle 
çpm que-, se arraflcam pi^iégos. — efe itrso , 
planta, e-peci^e de denl,uí>'a.> Viiikod^ — ,■ 
(ant.) Íx)m.' Uisipo. Esta locução é tirada do' 
Fr. ce vin a un oreille, cujo sentido é-ttial^ 
exf4ícado pelos- commé ntador es dei4 a bela is, 
diz^ndp'. q*>e; o bom vinho faz abanar uma 
of^hfr Çt p-.ffláUr du-as. A. pbraze signitíêa 
que o bOBv vinho faa dt)rmip i^ooegedo toda 
a tioiteí^ &(^re''uoQa s6 orelbtt> Í9tO' é, com' 



somao: profandò-, sei* tó. volts*: M^catr' 
mav. . ^.;r ■ V .-■■■• -- ■■:■■■■ ■ 

■ ouBLHADO, A,. «(/;'(. V. O rilhado'.- 

ORcuHÃo,^ s f. (Fr. oréUion ,■ aúgni.rdô 
oreilkf orelhai.) puxão de orelhas — , peií- 
xe grande do mar que tem* grandes* barba- 
tanas como orelhas.—, (fortif.) obra avan- 
çada de forma cireulap na- e>paldadosba^ 
tiões para cobrir a ai filharia. 

Of^«l.nÃo,i, A, aájl. \ . Orelhudo: 

OR€*,»EhaA,. s. /.orelha d-e porco guisa- 
da. — s, brincos, pingentes das orelhaSv . 

ORELHINHA, s. f. diminut. de orelha.. 

OREi^flUBO , A, adjt. (des,. udo.) qjie, tem 
(grandes orelhas.- .i 

PRELLANAy (hist.) v-iajante hispanfeol, nafr- 
.ceu no pri'ncipio dp- XVI seculoy morreu em 
,i,54yv segiiiu Uizarrp, desceu â. coerente do 
|pio das- Amazonas,* e «on&e^uiu desçobiir a 
-embocadura deste rio, qae depois tomou o 
iseu nomo. , 

I . OREMÁwÁos,^ (geogf.j, grande nação de'iii- 
,dios da- Guiana l^azileif a- :■ dominava nas 
,margen6í dos rios Negroy Caburi, Brancp, 
IChiuTa. e outros, tributários do rio Negroi 
.tgnora-^se quaes fossom os seus costumes:, 
.hoje acham- se civilizados,' e povoam coca 
.0 nome de Manáos as diíferentes villas e 
.povoares que banha o mencionado rio Ne- 
gro- 

- 0Kf:N«i!RGO, (geogp.) cidade forte da Rús- 
sia europea, no governo de OrenburgOv na 
.direita- do GU-ral; 4,000 haÉitantos. . 

ORENRURGo OU ouFA (governo de)„ (geogr.*) 
,um dos governos orienVaes da Rússia EufO- 
pea,- confina com a Ásia, aoS. ficamosge^- 
tvepuips de Saralo e Astrakhau ; 1 , 1 00,,(J00 
.habitantes-, i apitai Ou'fa. 

ORENoco, (geogr.) Orinoco pm, bispanhoP, 
gráíide rio da America do Sul, nasce nos 
imonttísdéPãrimo, corre ao Pit.ea E. e lanç*- 
.se no Atlântico. j 

. óítENoGO (departamento de}v (geogr.) na 
republica;, de Venezuela , outr'ora parte da 
.Goiud;bias> é divididb om três províncias 
.(.Vari-nas;. Apure e Guyana) tem pop capital 
Varinas. O rio Amazonas separa-o do Brazil' ; 
18(\O0OKebitanteS', ... ,,,, 

. , OBK&ME,' (hist.) eseriptPr trancez, nasceu, 
.em 1320, morreu em 1 '82-; .foi enoarreg^^ 
do em l^tO da educação doDel^^him (depois 
■Carlos V.)'.e em l;j/7 foi nomeado bispo do. 
;Sisieux. 

ORESSA, 5. f. (do Lat aura.) [i.- daBpi* 
ijra). virado. 

, OR«ST€S,í(myth.) Orestes, filho d'igame- 
mnoh e;deCl^l.emnestra, passou a sua mo^ 
cidade com o rei da Tho-ida, Strophio, seu 
tio;- dépoiS; dá morto d'Agamerr)non, con- 
ttè-iijcom Pylades, a amizade, que os tornou 
cetebreá. Vingou o morte' d&scu pai com a 



OHG 



oirô 



dos'dDtiS'ass?issino?^,mfts poTico f1epoÍ!í'fbi*pe>- 
se^uido pelas farias;c foi atormentado porto- 
da a parle pelos remorsos e pela demencia-.Foi 
á Attica onde o Areópago e Minerva o rerebe- 
ram, a Trézóna, eáTaurida onde acabou dé 
se purificar com risco d« sua vida, e onde 
encontrou sub irmã Jphigenía", Voltando' á 
Grécia, deu Electra, sua^ irmã mais' velha, 
em casamento a Pyladps; matou Pyrrbòeni 
Delphos, casoii com Hermione , e morreu 
picado por uma serpente com mais de ÍJO 
annos. • ■ 

CRESTES, (bist;) Orestes', pai doimperador 
Augustulo, era um dos rbagnates da corte 
d'Altila. Indo viver nat Itália tornou-se mui- 
to poderoso no reinado doiulperador Julió 
^epote,•mas dentro em pouco deslroiiou este 
printíipe e deu a coroa a seu' filho em'47L». Foi 
morto por Odoacro em 47ÍÍ. 

DRETUM, (geogr.) cidade de Hispanba-, para 
o lado das nascentes do Anãs ((»uadiana), ca- 
pital dos Oretani , hoje Calatrava, ou N. 
Senhora dè Oreto. 

OBFA , (geogr.) primitivanáeilte Callirhòè 
Edessn dos antigos Gregos e Cruzadt)s, cha- 
mada algumas vezes Antiochia , cidade' da 
Turquia Asiática, perto' do lago Ibrahim-el- 
Kalil; a 45 léguas SO. de Diarbefcir. 

ORFÃA, dRPHÃv orphaN. V. Orphãa. 

ORFANDADE.' V. Orphatxdade; _ 

ORFANO, (geogr.) cidade dií- Turquia. V. 
Contesm, • 

OHFANO, (^Ipho de)v (geogr.) Strymoni- 
óus sinus, golpbo do Archipélago, nas cos- 
tas do livah- de Salonica. Assim chamado da 
cidade de Orlano, que fica nas suas margens. 
[*, oRFÃo. V. Orphão. 

ORFl^DADE,■ (ant.) V. Orphanctade . 

ORFORD, (geògi'.) cidade de Inglaterra-, a' 
(5 léguas E. de Ipswich ; 1,2€(^ habitan- 
tes. 

ORGAWEiRO, s. w. oíTicial qué faz-otgãos. 

ORDANico ,' A , cdj. da organisação, dos 
órgãos da corpo animal otí vegetal, v. g. 
iisovimentos — s." Estructura — . 

ORCANiSAÇÃo, s. f. disposição, contextu- 
ra e nexo dos oi^ãos do corpo atiimal ou^ 
vegetal; (fig.) norma, systema regular, v. 
g.-^àò governo, doexercito. 
' ORGAWiSADO, ir, f. p. de órganisar ; adj. 
coDÒposto de órgãos eonnexos. A natureza 
-^. Os corpos— s, animaes e vegetaes. — , 
(fig ) disposto de modo regular. Tinha— a 
adminisiraçúo, o governo, o exerciw, no- 
meado as pessoas qne o deviam reger eas^ 
signado «~ catlã' unf o-sèu poíto e TJe^vBres. : 

ORGANiSADOR, s. m, O qub' org^isa . i 
■ ORGANiSAMfeNTO , s. m V. Orgànisaçâo. 

. orpawiSar ou crgatíízar. V,- a.' [orgúo , 
era Lat. organum, nome genérico de ins- j 
trumentios músicos >e outros, des. isor ou' 



imr.) fbnWai* e dispAr cofiv^ieYHterflênfe os 
mçmhíos ôii'org;&os dOs atíimsft^sôuVegetaes. 
<í I><Bus qoíe org-úmisou 6' horiâeíri' de b&ffò, 
os animaies, a^ plantará — , (fig.) dái' ftif- 
ma reguiír, itasliluir, «. ^.-^ o' exército, o 
govéf'río,> a marinhai — óí? eécnâos de afrnã^, 
segundo as regras do brazão. — itrn} jna'ão 
forte, dar-lhfi o soA db ôt^glo portínièiode 
canudos", ere^í silos. 

1 organismo, s'. m. (adat^j úniHó' das pattes 
qiíe constituem um- ente vivo, paYteis arratt- 
jadasí segundo rnna oi'dém regititoa utóa^' a 
respeito das outras,- e dotadas' díeforças' psef- 
ticuiarés, das qtra^s cadn^ uma serve- para o 
totío,é dominada por elle"; e s6 t^tó^poder de 
obrar por que Ihfe perteníce. 
' ORGANISTA', s.- w. locíádoir dfe orgào,iâS- 
ittuBQento musico. -'' '* - , 

OIÍGANSIM ou ORGXlíZm!; 'í. ?n*.'(ír. OY^fí' 

■sin ; ital. òrgansiJnó.) seda* torcida e prepa- 
rada para ordume;. " ; ^" 

orgão, s. m. (Lat. organum,áo^T ò^- 
gmvón V rád. or^crjzd', iVicilar, ariitíráí.) ins- 
trumento musico de canudos e registos'.- ^tórí- 
to de — ■; a>coiíipfeinhathj pêlo oi^gão.-^,» par- 
le dislincta do corpo' aniibal* ou Vegetal, v. 
g: membro, entranha, apparelho (ífegéntíl', 
segregar, etc,,- v. ^. o -^ào ouvido'. ôff-^« 
da geração.' — / páú fo\\x^o.—^d;téstêi(fe'if6, 
onde prende a cabeceira da'téa'.--^ rfe^íVtí^, 
em que se eiivôlve' o' pano- tecido;— ,• na 
adega,' é o syphãó piifeumaticó' pormetó'cío 
qual se transvasa o vinho de uma vasifba 
^ara outra, -^s ,^ na fortificâçãl>, mâd^éiros 
•ferrados nas extremidísdes qufe se suspeiír- 
dem no alto das poUas, por coifas, qaé, 
cortadas, os ^deixam cair para atalhar o pas- 
iso ao initeigo.' -' ^ ^ .. ' ■•••- 

ORG-Ãos, (gdogr.j cordilheira' do BrâíSiqiife 
se estende pela beitamar de leste a' su^fó^ 
estfe-,' nas provincias dt) Rio de Jatiéíro, ^. 
Paulo e Santa-Caiharina'. O rio Pafahiba tífe 
província de S. laulb, e d Parahibiltia' na 
do Rio de' Janeiro, dividem esta serrania dh 
do sertão appellidadB da Mantiqueira. 

ORbÃos (Serra dós), (geogt.) i*attrtydá cor- 
dilheira deste noitoe, na província do I\iio'd]B 
Janeiro, no Brazil, ja 12 léguas distantte da 
bahia dbMtberôhi. É separada da còrdilhéifa 
dbs Aimorés- pelo rib Macácú', e vetii à s^ 
a estrema da corda de serras dn* mesmo ilttí- 
me que se dilata para o sul, até á'pro\Hn- 
cia de Santa Calharina. -^ 

ORGASMO, s. m- (Lat.- é Çit. à^òt^àxâ, 
incitar,' animar.) (med.) agitação dbshuiút^ 
res-etensãt) dos- Vasos.- • - : r 

• òirGAZ,' (geogr .|7l-Ai/tírâ, cidade' d'e^lfis|)i^ 
nha, a tj leguas-e meik-^f.-de-fotedôí 2;^2!) 
habitantes, . '• " ■ ' — ''■""' 

ORGE, s^. ff (Fr. or^;- do' Lat. tòJettewwr) 
(flui;), y. dévada: -^.'^ .. . . 
11 ♦ 



44 



ôna 



oní . 



ORGE, (g60g^.) pequeno rio de França, nas- 
ce perlo de Rambouillet, atravessa Arpajon, 
passa perlo de Juvisy, e lança-se no Sena, 
ao SE. de Yilla-Nova de S.Jorge. 

ORGELET, (geogr.) cidade de França, a h 
léguas S. de Sens-le-Saulnicr ; 2,300 ha- 
bitantes. 

0RGÍÍ.RES, (geogr.) villa de França, a 7 lé- 
guas e de Chaleaudun; 400 habitantes. 

ORGETORix, (hist.) rico Helvécio, decidiu 
os seus companheiros a lançarem-se sobre 
aGallia, no anno 61 antes de Jesu-Christo; 
para que o seu plano fosse bem succedido fez 
uma convenção com o Sequanez Caslico e 
com o Eduo Dumnorix, induzindo-os a lor- 
narem-se senhores do poder cada um na sua 
republica, promettendo-lhes fazer o mesmo 
entre os Helvécios. Estes, advertidos de tal 
plano, citaram Orgetorix para ser julgado. 
Orgetorix escapou ao julgamento mas mor- 
reu pouco depois. Julga-se que se suici- 
.dou. 

(dRG^vÃo, s. m. (Lat. veròena.) planta me- 
dicinal. 

ORGHO, (Lat. hordeum.) V. Cevada. 

ORGIAS, (hist.) Lat. Orgiae; festas em hon- 
ra de Baccho, eram as mesmas que as Dio- 
niziacas ou Bacchan^es, e devem o seu no- 
me ao furor sagrado {orge] de que eram 
transportados os celebrantes. 

ORGON, (geogr.) cidade de França, sobre o 
Durance, a 9 léguas NE. de Aries ; 2,040 ha- 
bitantes. 

ORGULHAR-SE, V. r. [orgulho, ar áes.int.) 
encher-se de orgulho, ensoberbecer-se: os 
antigos diziam argulhar-se. 

ORGULHO, s. m. (Fr. orgueil, Uai. orgo- 
glio, do Gr. orghilos, irado, colérico, ou 
de orgaôf intumescer.) grande conceito in- 
timo que alguém faz de si, ufania, sober- 
ba, altivez. — , (volateria) estado do falcão 
bem nutrido e indócil, bravio. 

Syn. comp. Orgulho, vaidade , presum- 
pçãOf altivez, vangloria. O orgulho é a 
opinião vantajosa que formámos de nosso 
merecimento. A vaidade é o desejo de ins- 
pirar esta opinião &os outros. Xpresumpção 
é a demasiada confiança era nós mesmos. A 
altivez é a isenção de toda a baixeza o toda 
a idéa humilde. A vangloria é a jactância do 
próprio saber ou obrar. 

O orgulhoso considera- se com suas pró- 
prias idéas, e vive satisfeito de si mesmo. 
O vaidoso considera- se com relação aos ou- 
tros ; cobiça sua estima, e deseja viver no 
pensamento de todos. O presumpçoso pre- 
snaie muito de si, de suas prendas, e jul- 
ga-se capaz de grandes cousas, e apto para 
tudo. O altivo tem idéas elevadas, e se 
não pratica a humildade tão pouco conhe- 
ce a baixeza. O vanglorioso desvanece-se 



facilmente dô gloria sem fundamento, oíi 
se jacta de cousas que não dão yerdadeira: 
gloria. 

A vaidade deseja as honras ; a presum- 
pção julga-se digna delias ; a altivex não 
as pretende nem as refusa -, o orgulho affe • 
cia desdenhal-as ; a vangloria abusa del- 
ias quando as adquiriu. 

Syn. comp. Orgulho, soberba, arrogân- 
cia. Orgulho, como acabámos de vit, ó 
uma alta opinião de si mesmo. Soberba é 
a manifestação deste orgulho, por meio de 
acções, modos, palavras e movimentos exa- 
gerados. O orgulho nem sempre se dá a co- 
nhecer, e algumas vezes se disfarça com a 
mascara da humildade ; a soberba não se 
esconde, nem se peja de ostentar seu ar 
entonado e desdenhoso. O or</M//io pôde mo- 
dificar se ; a soberba não sabe conter-se. 

Arrogância é a soberba atrevida e inso- 
lente. 

ORGULHOSO, A, adj . (des. oso.) cheio de 
orgulho, brioso, mui soberbo. Mar — , (fig.) 
túmido, agitado, ex. «Ser Deus tão— anos 
obrigar ao servir.» Paiva, Serm. Eloc. ob- 
soleta. 

ORi , s m. (t. Asiat.) na Ásia Portugue- 
za, os ganhos das tangas, ou jonos. 

ORiA ou URiTANA, (gcogr.) cidadc do Tcino 
de Nápoles, a 8 léguas E. de Tarento ; 4,800 
habitantes. Bispado. 

ORIA , (geogr.) cidade de Hispanha, a 5 
léguas e meia E. de Baza ; 0,200 habitantes. 

ORiBASo, (hist.) de Pergamo, medico do 
imperador Juliano, seguiu este príncipe á 
Gallia, onde facilitou a sua elevação o im- 
pério , e acompanhou-o na expedição da 
Pérsia. Juliano linha-o nomeado questor 
do palácio ; Valenciano e Valente tiraram-lho 
este emprego e desterraram-o. Oribaso al- 
cançou grande fama entre os povos bárba- 
ros. Afinal foi recompensado pelo imperador, 
(.ompoz, entre outras obras, um grande re- 
latório, em 70 livros, das passagens impor- 
tantes dos antigos médicos ; restam-nos 22 
somente em grego publicadas com o titulo 
Collectanea artis medicae. 

ORiCALCo ou ORiCHALCo. V. Âurichalco. 

ORicuM, (geogr.) cidade e porto doEpiro, 
sobre o mar Adriático no fim de um golpho, 
que serve de limite ao Kpiro e á Ulyria. 

ORIENTADO , A , p. p. ôe Orientar ; adj. 
dirigido bem a um ponto. A náu ia bem 
— , com rumo certo, com as véks bem dis- 
postas. 

ORIENTAL, adj. dos 2 g. {Lat. orientalis.) 
do oriente. Igreja — , a que segue o rito 
grego. Línguas orientacs, o Arábico, Chal- 
daico , Hebraico , Syriaco, etc. Pérola — , 
que tem oriente. 

ORIENTAR , V. a. [orienlc, ar des. inf. , 



OKI 

moderno adoptado do Fr. orienier.) dirigir 
i'em, indicar o rumo, a direcção, o norte. 
— o navio, pólo no rumo. — as velas, á'\S' 
pô-las do melhor modo para seguir a der- 
rota. — SE, ti. r. certilicar-se do caminho , 
da direcção, do ponto, e (fig.) tomar o nor- 
te, inteirar-se da marcha a seguir era algum 
negocio. 

ORIENTE, 5. m. (Lat. oriens, tis, p. a. de 
orior, iri, nascer, rad. or ou hor, o sol.) 
ponto do horizonte onde nasce ou se levan- 
ta o sol, levante, nascente. O — das pêro 
las, o reflexo nitido com aguas e visos de 
vermeliio que distingue as mais bellase esti- 
madas. 

ORi^ENTE , adj. dos 2 g. nascente : o sol 
— . E p. us. 

ORIENTE (Fernão Alvares do], (hist.) um 
dos nossos elegantes escriptores do século 
XVI. Foi natural de Goa, e serviu na ín- 
dia, sondo capitão de uma fusta da arma- 
da, com que o vice-rei D, António de No- 
ronha sahiu em 1572 em soccorro do Da- 
mão. Temos delle a Lusitânia transforma- 
da, em que prova o seu claro engenho. Os 
seus versos, ainda que em parte diíTusos c 
intrincados de conceitos, são de grande do- 
çura e suavidade. 

ORIENTE (império do), (hist.) cham.ida rle- 
ipois Baixo Império, Império Grego ou By- 
zantino, Império de Constantinopla, nome 
do império, de que Constantinopla foi sem 
interrupção a capital, e qu?, começando na 
morte de Tht odosio, acabou com a tomada 
de Constantinopla, em 1453. A verdadeira 
data do principio do império do Oriente é 
395. Tinha havido no anno antecedente, 
uma partilha oíTicial do império entre Valenti- 
cianue Valente; a mesma tetrarchia de Dio- 
cleciano havia estabelecido uma divisão real 
em império do Occidente e império do Orien- 
te, mas esta divisão nã'! foi completa e difini- 
tiya senão depois da morte detheodosio. A 
Historia do império do Oriente é dividida em 
seis periodos. Durante ol.*' (395-565), de 
que Justiniano éa personagem principal, o 
império grego depois de ter soíTrido as asso- 
lações dos Hunos, o perdido quasi toda a Ar- 
ménia, vê acabar o império do Occidente ; 
mas não tardou a recuperar alguns dos seus 
despojos. íSo 2."" periodo (565-717) começa a 
sua decadência. Com o 3.^ periodo (717-867) 
começa a dynastia isauriana, que se prolonga 
até 802 , e cujo zelo inoclausta causa a 
perda de quasi tudo o que restava aos Gre- 
gos na Itália. A djnaslia macedonica, preen- 
che o 1.° periodo (867-lOM)), sustem o im- 
pério na sua qu(.'da e apresenta alguns reina- 
dos_ notáveis. >o começo do 5 ° periodo 
(1056- 12u0) os Seldjoucidas apoderam-se 
do resto da Ásia Menor. O 5.° imperador de 
voL. nr. 



CRI 



tò 



Nicea, Miguel Paleologo cômeçíP d S,^ pé-" 
riodo cora a tomada de Constantinopla e 
com o estabelec-mento da dynastia dos Pa- 
leologos. Depois de muitos esforços e revezes 
dos príncipes desta dynastia, Mahomet 11 to- 
ma Constantinopla apesar da heróica resistên- 
cia do ultimo dos Constantinos, e a tomada 
da capital é seguida da submissão dos pe- 
quenos Estados do Danúbio, e da Morea e 
Trebizoiída. O império do Orient'3 é no- 
tável p''l.i .«^ui longa duração; os seus an- 
naes fó aos oíTorecera uma serie de crimes, 
de tr-igòes e de b^iixezas; sempre occupa- 
dos (• !:ii questõus theologicas, os imperado- 
res liào sabem resistir aos Bárbaros , e a 
finnl, o império, enfraquecido de dia em 
dia ptl.is invasõí^s, pelas dissensões intesli- 
nr.s e pel'»s vicios dos príncipes, morro de 
dL-crppitnde. 

As províncias do império do Oriente, de 
395 a 534, são pouco mais ou menos as mes- 
mas, que no império romano, compunham 
as doas perfeituras da lllyria Oriental e do 
Oriente propriamente dito. As conquistas dos 
imperadores foram de dia para dia alargan- 
do os domínios deste império. No momen- 
to da tomada de Constantinopla , todas as 
possessões gregas consistiam nesta cidade, 
com 20 on 30 villas visinhas o dous di3- 
triclos na .Morea. 

Imperadores do Oriente. 
\.^ Dynastia Theodosiana. 



Arcádio. 

Theodosio lí 

Pulchena só... . . 
Fulcheria e Marciano 
.Marciano só 



2.^ Dynastia da Thracia. 



Leão I 

Leão II 

Zenão, pela 1 
Basilisco.,. 
Zenão, pela 2. 
Anastácio I .. 



vez 



vez. 



'«V 



r95 
408 
450 
450 
453 



457 
474 
474 
47[» 
477 
491 



3° Dynastia de Justiniano e seus annexos. 



Justino I , 

Justiniano I ■ 

Justino II 

Tibério II 

Maurício 

Phocas 

4,° Dynastia de Heraclio, etc. 
Hcraclio I 



62i7 
565 
578 
582 
602 



610 



,d 



4(f 



op 



Her^çlio Çonstffi.,^^, 

Con«it|iu]le 11 ... , ... _.^.. ... 

Lesmm '"■ .V \v ••• ••/ 

Tit^rípffl ._,,.., ... 

Iusti^ia,pjp 11, i^pT. ... .... 

Phi^f^ic|9 óíi í^hffiRí^ÇP .... 

Anji^tócio H .,.. ... ... ... 

Thçp|o^9 ly(l.. ,..,. .... \.. 



m 

m 

m 
■^? 

,695 

7u5 
%<\ 



í>rPm^âí{^\k^wiW'f^^ 0^ ,3 ^^m$ 



Le|fO 3.°, jQl^ji*r,p,, 
Cq^stantípò p. ... 

JL6jlO jl^..» ... .'. 

Irene ... 

Staur^ç ... ...,. 



''•^n 'úl 



' .11. 



717. 

74á; 

775. 

Í8.Q; 

797 
,811 



JmU\ 

Tftçc^nilQ 



-^•^ Pyfif^?' Mm^domeí.' 



Basílio I., 



842 



»^>7 



Constantino VI com Basilio seu pae. 868-87K 



Leão VI o P^ç^çphfp .. 

Alexandre 

Constantino VH, primeiramente só, 
^d^pois com Romano I Lecapeno, 
^ ,^eus três filhos <'hrisíovào^ E§- 
(^v|io e Ccnstantino VIil ... ... 

Cq^s^ntinó Vil, só, de ^iXO ... 

Rqiijqiino ÍI ... ... ... 

Basiiio II e Constâncio IX ... ... 

copp N^coph(9J:o lI^J^i\c((ças 
com João I Zimiscès .,. 
sós ambos 

Ccjp^tantino IX, só 

Rcjçpfi^no III , 

Mig\i^l IV, o Paphlagonio 

Mig\iel V ... ,... ... 

Zoe çom Constantino X. ... ... 

Theodora 



886 
911 



ORÍ>, 

1 4ív}^bÇ>ro l\^ fi ríicfí{^ço jiy ,^.u 

.qqmpfiUd^r... ... .. J078 

íA;leixç)^ I. Wl 

joãp II (J<^9j rÇómqenft) .... ... UlB 

JVÍanuél 1 1143 

Aileixo 11, .... ... .„ .^.. ... 1180 

Aji^djççiniçó )I... l;I8j 

)Isaac ill, pel^ d*? ve^ (11^5 

Aleixo III 14J95 

J^a^c H, 2. ?.V;ez, coça Aleijo ly, seu 

filho ... ■ 1203 

Ateo y ... 4Z04 

., (, 
j8.? 05 GrfigQ^ .reia^ííJiw ,em Mcea , £m 

.ÇonstaminopiU . 1204-1261 

J^er,a4çres Lçítjims . 



iljaldjí^iiío ri 4e jFluiiLdrias/ 

ilenrique de Flandres ... 

.1 ,ed i;9 ^Id Ç9u,rtenay 

R oh^to ^ e . Co yrt^p^ ... 

Baldjij^o 1,1 ... . ... . 

Jo|i9 ;de^4qnpe,itut<>r, ,(^epo(Í5 .im- 
perador 



iy'J70iíV 



>919 

96:> 

963 
b69 
.9.7^. 

io4 

1023» 

im 

i,0:i2 

1054 



, '/i^ CommenoSf Ducas e Auges, qnt&f 
'' aAleixos. 



nun 



fi I Comméno : ... 1^57 

Cc^Jantino XI Ducas ;)^59 

Ew][9:|LÍa com Miguel VII, Androni- 
co e Constantino XI duas vezes 

(todos tcBS P^Çft^) ... .. .. 1067 

Romano ÍV e Eudoxia.V. •• .•• 1068 

Migv^l Vil, .2.« vez e só WH 



1206 
1216 

laiB 

1228 
1231 



!9.° Py,vi,as,Ufl dqs J^,aleolog,as , depois delles 

Migjjpl fat, '^^i^logo, ,ou ftUguel 

Anprpjn,i,ço l . ... ...;, ... ... 1261 

An^ronico "1,1 ,s(^ .. ... ,,<5»wij ^ft. tS^ 

Au^ron^ç fll ^e V-íigUAl í?^'«.V." i... Í?93 

A,n|jrofl|Íço li só.pel^ 2.^ yez ... 1329 

A,ndronií}'9 JÍI, .o Moço (PftleolQgo), 1328 

Jloãio y PMeylpjgo..'^, 13 ti 

João yjt.Cçvi;^t,acvízei^()(eíroão V Pa- ; 

iepl^go. [ .....* .... ... ... ..: 13W 

João V^ , ]y^âtí\etif ,CantaQgze«o e .,., : 

.4q|io y, .,'..' ..."■ ,.' 1355 

Jo|i6 V, .^(J ;.. ... ... ... ... 135,U 

Maçuel ^^ Paleplqgo 1391 

Jojio, VIJ, I^aleoio^o ... 1399 

JopÒ Vlli Pja,^^]q,g9 ..,.,, ... ,1425 

'(^ia^fi^^^o j^íi jPrapQses Pal^ 14^ 

oi^iESíVfL (càboj , {geogj'.) extremidade 
NE 4a ,As^, dejÇrpu^te 4^ caibo occidental ^ 
i^a America ^o Norte 

x«iipíiT^ ,(iWar), (geogr.) Toung-Hai,em 
^VWÇZ» j>Míe 4o «çMvr da -China, eatrp «^ 



ClwíMi, Formosa, as "ilhas Lieou-tieoa, e o 
Jal^riõ* ' ' •• ' ' • -^ ^' ' ;:"^ 

ORIFÍCIO , í. m. [lat. orifíctunij dè' Òs,' 
ons, b(3ca , abertura .) buraquinho, poío; ,ey-' 
tradà mui estreita, t?. 5^. 'O — daurèthráí; 
do sacco lacrymal. 

ORIFLAMA ou ORIFÍ AMMA , S. f. (Ff. "OTjf- 

flamme ) estandarte bordado de ouro, de qhe 
os arrtigos reis de' Françi usavapi nagttjr-' 
ra. ílra vermelho ou cor de fogo e senieàdo de 
charamas de ouro, 110 seu "principio era a 
bandeira da abbadia de S'. Diniz. 'Gomo pa- 
tronos da a'bba<iia os condes do Ve'scino le-' 
vavám-o á guerra ; quando Phflip.pel, em 
10H2 reuniiio Vessinó ao dòmiiiiò 'dácõrôíií, 
herdou tãra4)em o^fiireito de levar ^guerra b 
oriílamma Foi Luiz 'Vi o que primeiro o íèt 
levar á frente do exercito francez em 1 í'^4," 
avançando para oflheno corílra ò imoperadòr' 
Henriqu'! V; nunca mais tornoíi a appacecer 
depois na baíal-ha tí'Az:inconrt em 1415. " 

ORiGAN, (bot:) generõ de plantas da fa- 
milk das Sabiadas eda Dydirianiià^yínflos- 
per«iica. . / .< 

orWem; s. 'f. ttat. oriíio, ini^,'d^]^riòr, 
tri, nascer ) ponto; lugar doado alguma coiji- 
sa 'brota , na^sce , mana , cresce ; cotn'éÇ0 ," ' 
principio ; font«, 'nascente, loãi donde naáce' 
rio, ribeiro, 'inrinancial, x>.'g ^- de timpt na.-' 
ção. A. ^ das' palavras: — ,' causa, v. g-Á-a 
guerra, das discórdia"?; dos erros, abusos. '' 

or. GENES, (hist.) celebre doutor da igreja, 
nasceu em Alexandria em 18), viu cortar a 
cabeça, em 2(t?, a seu pai Leonidas, que era 
chnstão ; ensinou grarama-tica para~j)fover 
ás ftécessidadps dasuafamilia, substituiu 'S.' 
Clemente, seu mestre; na d^irec^ãp -da escoía' 
ebristà de Alexandria , assignalou'-se efrtão 
por uma rigi''ez de rrincipios, que levou a 
ponto de se mutilar para escaparás tentações, 
deu licçõps publicas em Cesárea na Syria, 
foi « Mhenas para soceor^^r as igrejas de 
Acfeaia e recebeu ordens em íerusrfíenl' ént 
23§. fhirante a perseguição de Decio, Orige- 
nesfoi preso, ca-rregado de ferros e pÂsto 
a tormentos. Morren em 553, 'l^eixou rnui- 
tos "esc-ripto:? em gr^o , entre éiiestíistin- 
guemse os seus Cemmentarios ísg^ívô toda (£' 
Èscriptnra Sagrada, e as suas Hexaplas. 

OR-iREWSTAS, (hist.) Home dado aos seeta - 
rios de ôrigenes. Eram rnuito nu-mérosos h^ 
Egypto e na 'Nuina í^s setts erros foram cofl- 
demnados em Alexandria om '99, c rto -èe^ 
gundo €oncitto de "Constíftrtinopia em 55-Í-; 
até -101 p.rohibida é ieitiíra' dos li-ifíOs d^-ôiti- ' 
genes. ■ • ■ ' " 

OR>Gi^Ai>o, A, p. p. de oi4gHíar-se';^í^jf.' 
nascido, causado, procedido.' " ' -' 

ORtciNADOfr , A, «. (Hl €í4j. ^ne deu oi4-- 
gere, oaasador.' " 



(m 



5? 



^PfWíitivo, (^e 0Fiçea\. Ojpiecado — ^^çc^mm^t- 
■tido ^0 primeiro hpria^mXájiriràeii^^^ 
4her; (Àg.) víôio geral, bprpmyi'ipy— ^' i.'^/, 
■o escripto primeiro dçqpe depois ^e ííiò- 
'ram cópias', v. g. o — éreKÔ.*— , còtisa 'í^i^ 
'quer se' tirou còpra. " '' •" "' '" 

' OR^GiríALiDADE , s. f. quallijade Originai,]. 
U —date pensamento, concepção .originai. 
'— , singularitade. 

ORrG[XALMf;];í;i;E, adv. (wen^ stí-tT.j ^rin\t- ' 
tLvamemte, em sua origem. — ,i[p. lís.*) cba-, 
forme o .original. J- 

originar-se, p. r. (do Lat. ,origp, in'§\ 
des. ar:) rtyisçer, pi:oQeder,\ser causaáp, .t>.^ 
\g. da insaciável çirtjiça se on5''i?taM §1 à.ecá- 
nenfia dè IVoma. Ha .nossa lyraHma e mfí' 
a<^mim'straçâo' sé originou a peq^Ja ' das imf 
portantes ponguyistas ^e 'havi^imps íeltó tí^í 
A.sia. .,:'■.■. r . . 

' ORibiNARíOj A , ,arf/. (des ário ,) ^yte dá 
origetp] ,íj. g. fonte -^ donde os yicjpSDi^o- 
çédem. — , provêm, tira a 'sua oi^igem. — 
4^ Frç,fifía. Nobre^k'—:,'Qxie xenpi feànte^ 
passados: ' \ ■^-' -'í "» «^ *- ' ' '' '[^ 

ORiHL^ELA, (^ep2;^r.) OrcdU, cidade tíe^.is- 
panha, §pt)|re o Segura, a t kguas NÍ.. 4é' 
■Murciâ ; 2ft,G00 'hàb\twtes'* 'Bispà^ » ^ trçsj 
u^iiversidadas. ' ' ,' ' ..., , 

o R y o N ES, s m . pl{ iapit .«)^ 'pécegps|^(3C|i^' 
dós ao sor e feitos em' doíié.-'' ■'■-'' 

ORiíjiApo, $. m. Ido C^t.oriUa, bord^^ 
ourelo. J tecido grosseiro ^e Jà^ .usa^p jjn- 
ti^a mente em vestidos 'de luto. 

or'[Lh'as, s: f. pi. {'óúvljrí) as Í)ppiias (ip"^ 

engaste; os'aÍtos que forííiam k 'cerlcádu/j« 

' orfna e íleriv. V. Oiirina, etc. _ ^ 

' ORiNE, (^epgr.) hoje Da^aíàc,j\hà dÒ'Í[Pi- 

pfio arábico, na òo^ta da-^thíppfa. '''^ 

ORio, (Jesinencia, da l.íii,. orius.' Í'em d^' 
des. verbal or, 'que (?értot;vagénté^ e"eí);'írfi 
iji ex. amatprio, isujdatprio, Or,at0rl6. 

ORio. y, Úemda. "^ 

ORÍON, -{mytli;^ jftlhd t(^^yfiêp/ .segu];i.çlp a 
■fabula saiu da heííe de uraà' ntívíthàj ^acrif 
' -Çcadâ 'jior seú pai axjis deuses (IVèptv^pp, "IVl^arr-. 
çurio e ítipiteri. Era íiabll'£ jnjfaí.ig^y^l (;a^ 



.çadoí". ^Diijçpii de^çfiçr Irtanâ, òu &&^u9dp.oiiJr 
trps,' dèsdèrVhbu o.seiu ^mo^,. Â'dey.5^ P9rá'p; 
piinir fez cpm qxie v^m escòr|^ãò ó pip^^^e,, 
depois inconsolável p^i.a sua inórt^ ^pbt^^^v^e 
gije •fpssètrasl^^adó ivarji i0^'ôe,u,'píi(je for- 
ma lima di»^ rríáis bnttiapíes ',ç<;^^1táçQQSjj 
As re^açpps .depj|ic(á e'd*0.r;òa'.teíi dad.o l.ij.- 
gfl^r asuppôr qdè p fift^b de JíJTjep tií^^ 
'^gqsi^o ÉQuito v1vpji3à 'astr9.ii9^i5ti<ai . ^^ 

o^ísÒT^fE. y^.'^rl%ont§: , . - , ' 

0R*i9áX'òu 'ÒRrçÀH, fgieòg?^') antiga proviri- 
(5ifi do Indostão, entre Bengaja ao N. ç .ps Çir- 
'ça,re aoS., 1 .ebO^t^éÕMljítanjle?. .?,^^^^^ 
a'çapi4aj. Hoje j^iéft^ic^ aos Xíigle^íes, ,è|p^ 
'^f .Jítftt. mÀginaUèij ma *f> districtos da presidência de Cjflcutta, ^ 

12 



CAL 



ôRistANOOuORiSTAGNi, (geogr.)cidade dos 
Estados Sardos, na ilha de Sardenha, a 19 
léguas de Cagliari e de Sassari, porto do Tir- 
so , 5,600 habitantes. 

ORIUNDO, A, adj. (Lat. oriundus.) nasci- 
do cm um paiz, originário, v. g. — de Fran- 
ça, da Grécia. 

ORix, s. m. (Lat., do Gr. de oroí, monte. j 
cabra montez. 

ORiZABA, (geogr.) cidade do México, a 22 
léguas 80. de Vera-Crnz ; 8.000 habitan- 
tes. 

ORiZES-PROCAZES, (geogr.) tribus de Ta- 
puias, intrépidos guerreiros que viviam nas 
serras da provincia da Bahia, noBrazil, no 
lugar onde jaz presente Santo António das 
Queimadas, nas cabeceiras do Ilapicurú. 

ORjAVÀo. V. Orgevão. 

ORKHAN, (hist.) segundo sultão ollomano, 
filho de Oihman I, ia apoderar se da Prús- 
sia cm 1325, quando foi chamado ao thro- 
no. Escolheu para ministro o sábio Ala-Ed- 
djn, conquistou a Bithynia, submelleu os 
principados de Carasi e assolou os arrabaldes 
de Constantinopla. Deu leis e instituições ao 
seu império, e formou os Janizaros. Cazou 
com Theodora, filha do imperador J. Canla- 
cuzeno. Morreu em 1360. 

ORKHON, (geogr.) rio da Mongólia, entre 
osKhalkhas, corre ao NE. e lança-se no Se- 
lenga. 

ORLA , s. f. (do Fr. orle, filete, do Lat. 
ora, borda.) borda da vestidura. — , no bra- 
zão, cercadura do escudo. — da moeda , 
borda onde vai o nome de quem a mandou 
cunhar. 

ORLADO, A, p. p. de orlar ; ad^ guarne- 
cido de orla, debruado. 

ORLADURA, s. f, oila, debrum. 

ORLAR, V. a. [orla, ar des. inf.) debruar; 
pôr orla, guarnição, cercadura. 

ORLEANEZ , (gcogr.) antiga provincia e 
grande governo de França antes de 1789, ti- 
nha por limites; ao N. a ilha de França, 
ao S. o Berry e a Turena ; a O. a Normandia, 
Perche e o Maine ; a E. o Nivernez e Cham- 
panha. O Orleanez forma hoje o departamen- 
to de Loir o Cher, quasi lodo o d'ture-e- 
ioire, e grande parte do de Loiret. 

ORLEANs, (geogr ) iwrtf/tani em latira, ci- 
dade da França, capital do departamento do 
Loiret, na direita do Loire/ a 56 léguas SO- 
de Paris ; 40,270 habitantes. 

ORLEANS (Nova), (geogr.) cidade dosEsta- 
dos-Unidos, capital do Estado deLuisiania, 
na direita do Mississipi, em uma ilha, a 40 
léguas do mar do México ; 102,190 habitan- 
tes. 

ORLEANS (reino de), (geogr.) reino forma- 
do duas vezes pelos desmembramentos que 
tiveram lugar pela parte de Clóvis e pela de 



Clotario I. Da primeira vez, de 511-a-í;33, 
compreendeu o Marne, o Anjou, a Torena o 
o Berry; dasegunda, de561-a-59 5, f 3Íau- 
gmentada com o reino de Borgonha, e a ca- 
pital foi Chalous-sur-Saone, em logar d'Or- 
leans. 

ORLEANS (condado e ducado de), (geogr.) 
feudo francez, não foi primeiramente mais 
do que um condado do império carlovingio, 
e quando Carlos-o-Calvo fez renascer os du- 
cados, Orleans fez então parte de ducado de 
França, e por consequência pertoncente á co- 
roa. Mas cl'ahi a pouco, em 923 Roberto I 
era conde defaris e d' Orleans, ao mesmo 
tempo que duque de França. Hugo-o-Gran- 
de e Hugo a Capeto herdaram o ducado. Fo- 
ram estas bases do novo dominio e por 
consequência do poder real. O condado de 
Orleans não foi separado da coroa no tempo 
dos Capetos directos, mas depois delles mui- 
tas vezps foi alienado; 1.° Philippe VI eri- 
giu-o em ducado para Philippe, seu 4 " fi- 
lho; 2.^ Carlos V deu otilulo a seu 2.<* fi- 
lho; 3.°LuizXIll alienou-o em favor de seu 
irmão Gastão ; 4.*' passou depois ao irmão 
de Luiz XIV, Philippe. Luiz Philippe, 5." des- 
cendente deste ultimo rei, subiu ao tro- 
no de França em lb30 e deixou o titulo de 
duque d'Orleans a seu filho primogénito Fer- 
nando-Philippe. A seguinte é a lista genealó- 
gica das duas principaes cazas d'Orlcans : 

1.^ Casa. 

Luiz I filho de Carlos V 1392 

Carlos 1407 

Luiz II (depois rei com o nome 

de Luiz XII) 1465 

2.^ Casa. 

Philippe I (irmão de Luiz XIV).,. 1661 

Philippe II (regente) 1701 

Luiz I 1723 

Luiz Philippe I 1752 

Luiz José Philippe 1785 

Luiz Philippe U (rei em 1830) ... 1795 

Fernando Phihppe 18JU 

ORLEANS (Luiz I, duquc de), (hist.) tron- 
co da primeira casa d'Orleans, era o ?." fi- 
lho de Carlos V, e irnão de Carlos VI. Repre- 
sentou um dos primeiros papeis durante a 
demência de seu irmão, e morreu assassina- 
do, por ordem de João-sem-Medo, duque de 
Borgonha, seu rival. 

ORLEANS (Carlos de), (hist.) conde d'Aa- 
goulerae, filho do precedente e de Valentina 
de Milão, nasceu emlH9l ; fez todos os es- 
forços para vingar a morte de seu pai. Dis- 
tinguiu-se em 1415 na batalha d'AzÍ!icourt, 



ORL 



i 



onde foi ferido e feito prizioneiro. Oá Ingle- 
zes conservaram-no preso 25 annos. Voltan- 
do a França, debalde tentou lomar posse do 
ducado de Milão, que lhe pertencia por par- 
te de sua mãi; morreu cm 146 j. Deixou al- 
gumas poesias, compostas durante o seu ca- 
ptiveiro. 

ORLEANS (Gastão duque de], (hist.) nasceu 
era 1608, filho de Henrique IV e irmão de 
LuizXlII, foi o objecto constante dociumee 
desconfiança deseu irmão. Entrou nascons- 
pirações formadas contra Richelieu, e viu 
morrer os seus ndherentes Montmorency e 
Cin-Mars, por elle abandonados á vingan- 
ça do implacável ministro. Ganhou alguma 
gloria nas campanhas de 1644, 45, 46, mas 
representou um triste papel durante a Fron- 
da. Morreu em 1660. 

ORLEANS (Phihppe í, duque de), (hist.) 
ramo da 2.'* casa d'Orleans, irmão de Luiz 
XIV, nasceu em 1640, morreu em 1701, ca- 
sou pela primeira vez em 1661 com Henri- 
queta d'Inglaterra, e pela segunda em 1671 
com Carlota Izabel de Baviera, fez as campa- 
nhas dos Paizes-Baixos, bateu o princepe de 
Orange e inspirou alguma desconfiança a 
Luiz XIV, que nunca mais lhe deu comman- 
do. 

ORLEANS (Philippo II duque de), (hist.) 
chamado o Regente, filho do precedente, nas- 
ceu em 16y4 Dotado do talentos brilhantes, 
distinguiu-se nas campanhas de i^dó. AíTas- 
tado dos exércitos entregou-se ao estudo das 
sciencias naturaes. Todavia alguns annos de- 
pois foi encarregado do commando na Itália 
e na Ilispanha. Testemunha da fraqueza de 
PhilippeV, aspirou ao trono de Ilispanha, e 
desde esta occasião jamais deixou de ser olha- 
do com repugnância por Luiz XlV. Nomea- 
do em 1715 presidente do conselho da regên- 
cia, o duque d'Orleans logo fez mudar a face 
da França • os Stuarts deixaram este reino : 
os Jesuítas perderam o seu poder, foram li- 
cenciados 25,000 soldados, e as dividas fo- 
ram extinctas. Philippe d'Orleans morreu em 
172J. 

ORLEANS (Luiz, 3.°duquede), (hist.)íilho 
de precedente, deu exemplos do virtude e pie- 
dade, passou os seus últimos annos na abba- 
dia de Santa Genoveva, protegeu os sábios, 
e adquiriu reputação pelo estudo da língua 
hebraica. Era jansenista e deixou algumas 
obras do devoção, que íicaram manuscrip- 
tos. 

OALEANS (Luiz Philippe, ^i.° duque de), 
(hist.) filho do precedente, tomou parte nas 
campanhas de 1742, 43, 44, foi tenente gene- 
neral, governador do Delphinado, protegeu 
a introducção da vaccina em França, passou 
os seus últimos annos na sua diliciosa casa 
deBagnolet. protegendo os sábios e repre- 
vut. IV, 



sentando comedias. Foi casado secretamente 
com a senhora de Montesson. 

ORLEANS (Luiz Philippe José, 5.° duque de), 
(hist.) filho do precedente), nasceu om 1747; 
fez sempre opposição á corte. Commandou 
em 1778 uma esquadra no combate d'Oues- 
sant. Desde 1 785 o duque d'Orleans foi o pro- 
tector dos inimigos da corte, e não foi estra- 
nh) aos acontecimentos, que prepararam a re- 
volução, nem nos seus primeiros actos. Em 
í 7^7 declarou nos Estados lleraes que elles se 
liuiiam o din iio de votar os impostos. Era 
178'.) foi deputado aos 1 stados Geraes pela 
nobreza de Pari/, pronunciou-se no sentido 
das ideas novaò, e íoi do numero dos nobres 
qiii; duram o exemplo de se reunirem ao ter- 
ceiro estado. Foi membro da Convenção, to- 
mou nesta assembleia o titulo de Pkilippe- 
Egualdade, ligou-se com o partido da Monta- 
nha, evolou pela morte do rei. Apesar das 
suas ideas exaltadas não deixou de ser ao- 
cusado ; foi guilhotinado a 6 de .Novembro de 
179 J. Seu lilho primogénito, Luiz Philippe 
d'Orleans, nasceu em i ^73, teve primeira- 
mente o titulo de duque de Charles, e depois 
odeOrlears, e foi proclamado rei dos fran- 
cezes em 1810. O titulo dMUuquo d'Orleans 
passou em 1830 para o filho deste príncipe 
Fernando I'hilippe Luiz ('arlos Henrique. 

ORLO, s. m. (t. Asiat.) instrumento mu- 
sico Fern. Mendes. 

ORME, (hist.) historiador inglez, nasceu em 
1728, morreu em 1801. Deixou : Historia 
da guerra dos Inglezes no Indostão. Histo^ 
ria das guerras da! adia. 

ORMEA, (gêogr.) eid.ide dos Estados Sardos, 
a 7 léguas S. de Mondovs ; 5,230 habitan- 
tes. 

ORMESSON, (geogr.) aldeia de França, a lé- 
gua e meia ISO de S.Diniz. 

ORiíiNio , s. m. (Lat. orminium.] planta 
semelhante á salva, nas folhas. 

ORMOND, (geogr.) cantão dlrlanda, no con- 
dado de Tipperary. 

ORMORiA, (bot.) género de plantas da famí- 
lia das Leguminosas e da Decandria Monogy- 
nia. 

ORMSKiRK, (geogr.) cidade d'ínglaterra, a 
5 léguas NE. de Liverpool; 4,2J0 habitan- 
tes. 

ORMUZ ou nORsiuz , (geogr.) Annuzia, 
Ogyris, cidade e porto da Ásia, na costa NE. 
da ilha d'Ormus, não longe da costa de Fars, 
á entrada do golpho pérsico, que une o es- 
treito d^Ormuz com o mar Oman; 300,000 
habitantes. A ilha d'Ormus era outr'ora o cen- 
tro das ricas pescarias dos arredores ; tinha 
algumas forteticações, que passavam por inex- 
pugnáveis, todavia foi tomada porAífonsode 
Albuquerque em 1514, e foi uma das pri- 
laiirits estações portuguezas no Oriente. 
13 



m 



4)m^^f ^im-yÚi.lo.Oromaeo .dôs Gregos, o f 
bom principio entre -ostPersas, era lem tudo 
antaganista d'Ahrijja«n, e o immediMo xíq 
de^us ?(?r,vâíie A-k/erepe. Miltherçi é a sua enr 
cafoçição ;n'uma esphera dníerior. Foi elle 
que QrQOu o oaundo ,e todo o.exeroito das Es- 
Irelílas, é quem espalha a luz e o caior, quem 
luQta contra o espiralo das trevas , éelle (jue 
cQTÔa os reis, o que armou os Djemchid eos' 
Feiíidoun, e o que inspirou Zoroastro. 

ORíiuziANO, A, adj. e s. -natural de Or- 
rojiikz , pertencente -a Ormuz , cidade da 
Asiip. 

ORNA, ^. /. (it. Asiat.) cffl do 4o 'legume 
chamado tori. Gouto, Dec. Vlll. 

•OiRNAiBO, A, p p. de orpar; aá;. adorna- 
do, composto, enfeitado. 

OR^"AnoR, <s. m. o que orna. 

4í)R;]jíAiN, (geogr ) TÍo de França, nasce no 
capitão deSailIy , ao SE. de ílomviíle, rega 
Geondrecourt, Ligny, Bar-k-í^uc elança se 
noMarne 

ORijíAMENTO, A, f. p. de Ornamentar; ad^. 
adornado, enfeitado. 

rORNAMENTAR , fC. 61. [omamento , ar des. 
iof.) adornar, enfeitar, paramentar. 
''.ORNAMENTO, s. 17!. (Lat. omameníum.) 
ornato, adorno. 

ORNANO^ (geogr.) villa da €orsega, a31e- 
gu-as SE. á' Vj.iccio. 

OKNANo, (hist.) faruilia originaria da Cór- 
sega, a que perteftcerara dous marechaes e 
muitos outros officiaes distinctos 

ORNAíís, (geogr.) cidade de França, so-bre 
o Lone, a '> leguasSE. deBesançon; ,3>^G96 
haj>itantes. , 

ORNA-R, V. a. (Lat. ornare,,'áoCiT:'4re6, 
ter cuidado, ôra, cuidado.) compor, enfei- 
tar, aformosnar cora enfeites, atavios, ador- 
r.os. — o discurso, (fig.) com flores da elo- 
quência 

ORNATO, s. w;,ft>t; ornaíiis) adorno, en- 
feito do corpo, .dôfbra de arfíhitectiira,e;>- 
culí)tura , pintura , de jardins, e (íig.) do^ 
discurso. , . ■ ■, ■ 

€R^E, (geogr.) -Oiiiia, rio de 'França, nas-' 
ce no departaraerito, a que dá o seu nome, 
corre ao NO., depois a INE. iè ]ança-se na 
Mancha. , ■ ■, '^-'^-^^ l-''.^--'^;!; /^ ' 

ORNE (departamento de),' (geogr.) deparla-f 
mento da França, -entreis Calva dos aoN.. 
deMayennee de í-arllieao S. daManch-a^aO., 
de Eure e Eure Loir a E. ; 443, €8 J habitan- 
tes. Capital Aílençon. 

ORNEAR, y. Ornejar. i 

■o.RNEJADOR , A, -adj . que or-fieja, «tírra'. 

ORiNEJAR , V. a. ou n. (do ]>at orneus , 
Gr. ornem, berrar.) zUirrar o >burr0. 

OJRNiTHOLOGiA , s. f: (do 'Gr oríds, or^i 
ni4hQ^, ave, .pássaro, e íogfía.) part« (S«'lpris- 
pria naturai <jwe iffifa 4^ ayes. 



0R0„ 

ORNifl"EKna&iG0, A, aify'. <5oncftcnente á oc- 
nitlidogia, ívtejTsado na ornithiilogia ; 

ORM-TiíOMANCiA, s. f. [maneia su€.) adi- 
rinhação pelo vôo dos pássaros. V. Orni- 
thologia. 

ORNiT;H0MYA, (h. «.) geuero dUnsoctos da 
ordem dos Dipléros, familia dos Pupipares, 
Aribu dos Çuriaçeos. 

OiRÓ. V. lOri. 

«ROBALÃO, s. m. (t. Asiat.) Os -orobalões 
■de Malaca, iiomens >nobres, íiàalgos. — d* 
mamlha de ouro, -são os nMcis nobres. 

«ROBio (Isaac), (hist.) escriptor Judeu, nas- 
ceu em Hispanha jk)'XWI século, linha si- 
do educado no christianismo. Foi lente de 
mathematicas na univ6rsidadtí-de<Sâ:lamanca. 
Morreu em il6'87. As suas principaes obras 
são : Certamen philosopkicum adversus Bre- 
denhorgium et Spinosam ; í),e teriitaíe rcli- 
gionds christian(B .eollaíio cum Judaa. 

OROBO , s. m. ('L»t. orobus ) (bot:) plan- 
ta -medicina»! da familia das i^eguminosas e 
da Diadelpbia iDecand.ria. : ' ■ 

oíi^BO, (geogr.) antiqmssima Aldeia da pro* 
vincia do Espirito Santo, no Brazil,' funda-' 
da no século XVI pelos jesuítas, a 3 'léguas 
do mar, nasxiabeceiras dorio Reritigbá. 

ORÓBO (geogr.) serra da província da Ba- 
hia ;no ;Brazil, na •antiga comarca de Jaco- 
bina. 

OROÇA, vem no Elucidário, e em Moraes 
erradamente por coí-.ofo, e não é mero erro 
'tyi:iGgraphico porque é seguido de uma ex- 
plicação em que se ^repele duas vezes oro- 
ça: citarei a passagem de Moraes. « Ser 
— , como capa de simonia,'qual era o apre- 
sentado em beneficio, que o servia, conten- 
do o apresentante^ renda. Beneficio ern^^^' 
o que andava Heste modo. » Elucidar. 

ORODES , (hist •) rei dos Parthos no í se-' 
culo antes de Jesu-Christo, filho de Phraato 
II!, foi atacado por Crasso, tnasSurena, ,gh'=;- 
neral partho, venceu e matou o general ro-^- 
mano na batalha deCarrbes, L3íanno5, An- 
tes ide JesunGhT-isto. Orodes foi depois bati- 
do por Ventidio, general romano, -i.' annOS 
•antes de Jesu-Christo. Morreu pouco -depois 
assassinado por seu filho, 

OROMOLASSAS, (expr.plebêa corruptn e des- 
usada), em muito má hora. 

ORONTE, {^Q<ò^>c.) Orontes, o\x Avcius,^ "k^e 
Aasi, rio da Syria, sae do l.i'bano, rega An-Í 
tioch ia, .depois cae no Mediterrâneo. 

OROPEL. V. Ouropel. 

OROPESA, (geogr.) cidade da Bolivia, ca- 
pital da província de Cocha hanjbia, a 8 léguas 
N. <le Cochabamba ; !l7,.0(K) habilanttis; Baa 
Hispanha bamuiloslugar.es com «ste no- 
me, í 

OROPiWENT-E. W^. Oiuropimcntf 

OROSf/Opo. y. Uorosec^o. 



^ORO^AZA, (geogr.) qida^e d^,H\}í]gi;^, .a 
1 llQgua? SÔ . de Be|íe3 ,; Ç,QOO,haÍ)ilanti^. , 

ÓROSO, (hist.j historiador catalão, no im 
doiy s^ç\ilo de ^esu-Çhristo foi 4iscipulpde 
Santo Agostinho, ezelozo autagoi;iista doPer, 
legianismo, e ejxí^ortpu p Santo Doutor a com- 
bater esta he^cegi^, cpntra a qual , escreveu : 
Apole,getic;u.s de arbitrai libertaste. ^ 

ORÒSPEDA, (geogr.) cordilheira de monta- j 
nl\,as 4^/Uisp?inha, separava a. Betica.çlaTer- 
raconeza. 

^ç^ioTAVf, (^eo^r.) ovitr'ora /aorp, cidade 
da ilha de Tenerife, a 8 léguas 0. de Santa 
Criiz ; 6,^00 Habitantes. 

OROT^VA (pprtp de), (^epgr.) çic^ade e por.-; 
lo, aliegi^ 4a .precedente ; 3.800 habita n.-| 
tes. ' \ 

PRPRÃA, ORpnà .ou pB|PHApr, $. f. (subst. ^ 
do adj.) pessoa do sexo fe.ínininp «ujo paij 
e mãi mprreram. r~ de dois filhos, a mãi 
privada deUeg. 

ORPHANDA,DE, 5. f. cstado dp orphão; (fiff.) 
dpsamparo, por falta dos pais ou protecto- 
res. * , 

Pr,piia]S.ití:s ,pu íOrphãos, (hlst.) seita do 
Bussiias,.quedeppis damorte de Ziska, prp- 
fessa.ndo profunda admiração pela sua me 
morÍ3, não quizeram dar-lhe successores ,e 
confiariam a direcção dosqegocips aumcon- 
selhp. Precopio-b-Pequenp alcançou sobre 
ellesrnuità influencia. Os Orphanites era o 
partido hussita ,mais forte depois dos tabo- 
ritas. 

ORPiiÃo, AN, fláj. (Lat. orphanus, do (jT. 
orp^anos, ,rad. orphnos, tenebroso, privado, 
de luz.) que perdeu pai e mãi, ouumdel-j 
les. lie .ordinário se diz de pessoas em ten-' 
ra idade ; (íig.J privado, v. g. a mulher — . 
de dois filhos. — , ,s. pessoa em estado de; 
orphaçdade. Juizo d^s—s. .()<?^j\,- .éu os' 
meninos — s. ' ' '■ 

ORpriERiqp,;^,- adj, de Qrpheo, mui sua- 
ve ao ouvido, V. g. — suavrdade. 

ORPiiiío, (myth.) Orp/ieus, segundo a my- 
tholpgia é um poeta da Thracia, filho do rei 
CEagroe da musa Calliope, segundoputros, é 
filho de Apollp e de Clio ; viveu- um século an- 
tes da guerra de Tróia, foi discípulo de Lino, 
tomou parte na expedição dos Argonautas, 
viajou no Egyplo, onde sua esposa Eurydice 
foi mordida no calcanhar por, ijtria serdenle, 
ou.zpu descer aos infernp$ para a pedir a Pl^i- 
tãp; ob^çve-á mas com a condfiçãp.de não olhar 
para ella em quanto nçio saisse dos mfprnos, 
infr^i^iu p .ajuste eperdeu-se para ^pçppre. 
Voltou então á Thracia, ao pçiiz dos Cico- 
nes, viveu reliradp nos ,I?psques, desabafan- 
do " a sua dôr em , canto? fu,ne.l;H-es ; ao 
som ^e sua vp;z os.ajiimaes ferpzeç cprxif^m 
submissos, e as^arvores agitavam os ;sens rçi- 
mos com cadencia. As ínu^te^^s 4.a íUr.a- 



ORT U 

W 

cia tenta.çftm em ,yão faz^r-lhp .esquecer op 
seus ^pQzares, .furipzas pelo seu desdém, 
despèd/içaram-o. 

ORPHiNDADE. V. Qrphandçicle. 

^pR^iA, vem no Elucidário , por hora. Dev^ 
ser erro do Documento por ora. 

QRRACA ou ARRACA, s. f. (t. (la Asia),yiv 
nho de jagra usado na Ásia. — , aguarden- 
te de cOco. 

ORREpoR, erro vulgar por Arredor. 

ORRETA, s. f. (do Gr. oros, monte.) valle 
mui apertado entre dois montes ,çom ppu- 
co arvoredo. 

ORSEOLO, (hist.) nomecpmmum a 3 doges 
.de Veneza : PedçoOrseolo, successpr de Gaur 
dianoIV, de 976 a 978; Pedro OrseololI, 
,doge de 991 a 1009, Olhpn tÒrseolp, doge 
do iL09 a 1023, morreu em C4onslantino- 
.pl^ em 1032. 

ORsiNro.n.psuRSiNOs, (hist.) Celebre famí- 
lia dosestadosromanos, rival da dos Çplonna, 
tanto pela grandeza das suas ppssesões, como 
por partido politico. Era gueífa e sustentava 
a causa dos papas e a iridep''ndencia italiana. 
O primeiro Orsi^i conhecidp é Jordano Orsini 
que fez, como general, grandes. serviços a Uo- 
ma foi feito cardeal em IH 5, e enviado co- 
mp legado ao i aperador Conrado em 1152. 

QRsiNi (Fulvio), (hist ) Fulvius Ursenius, 
antiquário ephilolpgo, filho natural de um 
comirieniador de .\'alla, nasceu em Roma 
em 1.529, foi abandonado por seu pai, ven- 
ceu todiis os obstáculos, qne lhe oppunha 
a miséria, e tornou- se unidos homens mais 
eruditos ilo seu tempo; morreu em 1660. 
Deixou: De verborum siijuificatione;. Vir- 
gilius collatione scriptorum grcecoram il- 
lustratus, etc. 

ORSKALA^ (geqgr.i) forte da Rússia, a i5 
léguas ao E. deOrenhurgo ; 2, OíiO habitan- 
tes. 

ORSOVA, (geogr.) nome de dups cidades 
da Hussia situadas perto da embocadura de 
la Çuserna no Danúbio; também ha , uma 
Volha-Orsova, na margem esquerda do Da- 
núbio, no banato Valachio, a 15 léguas SE. 
de ^Veiss-Kirchcn. 

oitsoY, (geogr ) cidade daPrussia rhcna- 
na, a 10 léguas ao SE. de Cleves, na es- 
querda do llheno, 
- ORTA. V. Horta. 

ORTA (QçLTcia 4a), (hist) celebre medico 
portuguez, nasceu na cidade de Elvas em 
1534, frequentou as universidades de M- 
,€alá e Salamanca aonde recebeu o grau ^e 
doutor em Medecina; foi lente de jP.hilosp- 
phia na de Lisboa até ão auno de 1534, 
em que se embarcou pai;a a Ipdia , onde 
fallqceu e,ni larga idade. AppliWíi--:5e ,fi jn- 
yestj^^ção da virtude das ,planta$ e.he^ya^,, 
,|ue produziam as regiões orientaes, íiojjrç 
14 • 



ont 



o que escreveu uma excellente obra em 
Latim, que depois traduziu em Porluguez, 
e publicou em Goa em 156), cora o titulo 
de Colloquios dos simpíices e drogas e cou- 
sas medicinaes da índia e fructas nella 
achadas. Esta obra de grande mérito teve 
a maior acceitarão e foi traduzida em vá- 
rios idiomas. 

ORTA, (geogr.) cidade do Estado da igre- 
ja, a 6 léguas e meia INE. do Viterbo, so- 
bre o Tibre. 

ORTA, (lago de), (geogr.) lago dos Esta- 
dos Sardos, a 0. do lago maior. 

ORTALiÇA. V. Hortaliça. 

ORTAR, ORTADO. V. Hortar, Horlado. 

ORTEGAL, (cabo), (geogr.) o cabo mais se- 
ptentrional de Hispanha. 

ORTELÃA, ORTELÃ OU ORTELAN , S. f. (de 

hortus, horta, jardim.) herva hortense mui 
verde, crespa e aromática, com que se tem- 
pera a olha. — sylvestre, mentraslo Sym- 
bolicamente ortelan é crueza. 

ORTELÃo. V. Horielão. 

ORTELio, (hist.) célebre geographo fran- 
cez, nasceu em Antuérpia em 1527, morreu 
em 1698, viajou muito pela Europa. Compoz 
o primeiro Alias conhecido, e outras obras. 

ORTELSPiTZE, (gcogr.) vulgarmente Orílcr 
montanha do império austríaco, a mais alta 
dos Alpes rheticos, nos limites do Tyrol e 
do reino Lombardo-Yeneziano, perto de Bor- 
mio. 

ORTEVIELLE OU ORTHEVIELLE, (geOgr.) cha- 

mado também Aorte, villa de França, no 
canlão de Peyrehorade, a 6 léguas ao S. de 
Dax ; 900 habitantes- 

ORTHEs ou ORTHEE, (gcogr.) Horthesium 
na idade média, porto de França, a 10 le- 
guasaoNO de I au ; 7,860 habitantes. 

ORTEio , do (ir. orthos , recto , direito, 
prefixo que entra na composição de alguns 
termos scienlilicos. 

ORTHODOXiA , s. f. [ortko pref., e doxa, 
opinião. 'conformidade com a verdadeira dou- 
trina religiosa, isto é, com a que domina em 
um paiz. 

ORTnoDoxo, A, adj, conforme á doutrina 
reputada a única verdadeira. 

ORTHODROMÍA, s. f. [ortho pref., e dro- 
mos, carreira.) (naut.) derrota direita do na- 
vio. 

ORTiiOGONAL, adj. dos 2 g. (orí Ao pref., 
e goniay angulo.) Linha — , a que no pla- 
no cáo rectamente sobre a que lhe fica per- 
pendicular. 

ORTnoGRAPHiA, s. f. (l.at., do Gr. ortho 
pref., c graphô , escrever) escriptura cor- 
recta. - -, (forl.) perfil. 

ORTiioGRAPHico, A, aá/. concemante á or- 
thographia, v. g. Systema, methodo—. Re- 
gras — s. 



ORT 



^7í 



ORTnÓGRAPHO , s. m. O que sabe ortho- 
graphia ; que escreve uma lingua correcta- 
mente. 

ORTHOMETRIA, s. f. [oTtho prcf., e metria.) 
medida certa, recta, exacta. 

ORTHOPNÉA, s. f. [ovtho pref., direito, e 
pncô, respirar.) (med.( respiração laborio- 
sa, excepto estando o doente na posição ere- 
cta. 

ORTHOPTEROs, (h. u.) é Rssim chamada 
a quinta ordem da classe dos insectos. 

ORTIGA ou URTIGA, s. f. (Lat. urtica, de 
uro, ere, queimar.) herva cujas folhas ap- 
plioadas á pelle picam, ou causam um pru- 
rido com ardor. — s no peito, na consciên- 
cia, fllg.) remorsos, cuidados pungilivos. — , 
género de plantas que deu o seu nome á 
familia natural das Urbiceas, coUocado na 
Monoecia Tétrandria. 

ORTiGAoo, A, p. p. de ortigar ; adj. pi- 
cado, esfregado, açoutado com ortigas. 

ORTIGÃO, s. m. augment. de ortiga. 

ORTIGAR, V. a. [ortiga, ar des. inf.) pi- 
car, esfregar, açoutar com ortigas, 

ORTiLA ou ORSiLA, s. /". hcrva que SB cda 
na borda do mar, e serve na tinturaria. 

ORTivo , A, adj. (Lat. orlivus, de orior, 
i, nascer.) (astr.) oriental. Amplitude—, ar- 
co do horizonte entre o verdadeiro ponto do 
leste e o ponto donde o astro nasce qual- 
quer dia. 

ORTO, s. m. (Lat. ortus.) (astr.) nascimen- 
to, apparição de astro acima do horizonte. 
— , couve de folha miúda que lança mui- 
tos ramos, e tem mais de um côvado de 
altura. 

ORTOCiDAS, (hist.) isto é filho dô Ortoky 
djnastia turcomana do século XI, que em 
1U82 se estabeleceu na Syria ena Arménia. 
iMtílik-Chah abandonou Jerusalém aos Orto- 
cidas ; mas estes foram despojados pelos 
Fatimitas por occazião da primeira cruza- 
da. 

ORTOGRAFIA. V. Orthographitt. 

N. B. João áò Parros, na sua grammali- 
ca, diz que, a p3sar da etymologia, deve 
escrever-se ortografia, porque assim pronun- 
ciamos. É escusado refutar tão absurda opi- 
nião, e só direi que por es.se mesmo princi- 
pio é que elle escrevia frol, que o vulgo 
ignorante perverteu de flor. 

ORTONA, (geogr.) nome de duas cidades 
no reino de Nápoles; i.° Ortona-a-Mare ; 
a 3 léguas e um quarto ao M. de Lhieti, 
7,000 habitantes; 2.° Ortona-a-Marsi, ali 
leguai d'Aquila. 

ORTYGiA, (myth.), Ortygia, nome célebre 
era mylhologia, parece ter sido dado a mui- 
tas ilhas ou terras por cauza da abundân- 
cia de codornizes [Ortijges], que nellas sç 
encontravam. Delos Içve este nome. 



OSÍ, 



'Af 



OS^ 



a* 



ôftuçií, s. m. (t. Brasil.) abelha granda e 
brava do Brasil, que dá muito mel. 

GRUGA, s. /. (Lat. eruca.) nome de uma 
herva. 

ORURO, (geogr.) cidade da America do Sul, 
capital de província, a 25 léguas SO. de 
Oropeia ; 5,000 habitantes. 

ORVALHADA, s. f. (subst. da des. f. de or- 
valhado,) o orvalho que cáe de manhã. 

ORVALHADO, A, p. p. deorvalhar; adj. es- 
pargido, borrifado com orvalho ou em for- 
ma de orvalho. 

ORVALHAME, adj. dos 2 g. (des. do p. a. 
Lat. em ans^ lis.) que orvalha. 

ORVALHAR , V. Q. [orvallio, ar des. inf.) 
borrifar, molhar com orvalho, ou a modo de 
orvalho. — , cair orvalho. — se , v. r. (p. 
us ) desfazer-se em orvalho ; cobrir-se de 
orvalho. 

ORVALHO, s. m. (do Lat. rora/ú, orvalho- 
so, de ros, roris, orvaiho.) vapor conden- 
sado em gotas ténues que cáe da atmosphe- 
ra á noite e de madrugada; (lig.) influxo 
benéfico, como o é ás plantas o orvalho, v. g. 
o — da graça, dos benefícios. 

ORVALHOSO, A, adj. (des. oso.) coberto de 
orvalho, que esparge orvalho. Manhãs — s. 

ORViETAN, (geogr.) antiga província dos 
Estados ecclesiaslicos tinha por capital Or- 
vieto, e hoje está compreendida nas dele- 
gações d'Orvieto e de Viterbo. 

ORViETO, (geogr.) Urbs vetus ou Ilerba- 
num, cidade dos Kstados ecclesiasticos a 9 
léguas N. de Viterbo; 4,000 habitantes. 
Bispado. Capital da delegação de Orvieto. 

ORViLLE, (hist.) sábio hollandez, nasceu 
em 1G90, mcrreu 1751, viajou muito. Foi 
collaborador de Burmann nas Observatio- 
nes inisccllaneae. 

ORYO. V. Cevada ou Arroz. 

ORYX, s. m. V. Orix. 

ORZECHOwsKi, (hist.) Orichoviíis em la- 
tim, historiador polaco do século XVI. As- 
sistiu como núncio á dieta de 1501. Deixou: 
Annaes da Polónia ; Annacs do reinado de 
Segismundo- Augusto, etc. 

ORZi-Nuovi, (geogr.) cidade do reino Lom- 
bardo Veneziano, perto do Ogiio, a '/ lé- 
guas ao SO. de Brescia ; tem 4,800 habitan- 
tes. 

ôs DA BOCA, {do Lnt. os, oris, boca, en- 
trada.) (ant.) V. Epiglote. 

ós, contracção de aos, usatía anligamen 
te pelos poetas, e hoje na conversação. 

OSADAS, s. {. A — , (ant.) ousadamente. 
á fé, certamente ; confiadamente. 

OSAGE, (geogr.) rio dos Estados Unidos, 
o qual se perde noMissori, juncto a Jaffer- 
son. 

OSAGES, (hist.) tribu americana, que faz 
parte da familia Sioux-Osage, parte d'ella ha- 

VOL. IT. 



bíta no districlo de Osage, e os resto nas 
marg<ms dos confluentes do Arkansas, efa-^ 
zem continua guorra aos selvagens occiden- 
taes. Esta tribu valente e guerreira era nu- 
raeroza ni^s antigos tempos, hoje está redu- 
zida a 7,000 indivíduos. Começou a civi- 
lizar-se e occupam duas grandes cidades. 

OSAKA, (geogr.) cidade do Japão na cos- 
ta SO , 'da ilha de Mphon, uma das cinco 
cidades imperiaes, a 10 léguas ao SO. de 
Miyako ; conta 80,000 homens em estado 
de pegarem em armas. 

OSANA, s. m. (do Hebr. hosanna, que si- 
gnifica : Senhor, salvai-nos !) louvor, invo- 
cação a Deus. — s, usado no feminino, os 
ramos que se distribuem nas igrejas no do- 
mingo de Ramos. 

os.iR. V. Ousar, 

osAS. V. Ossas. 

oscA, (geogr.) hoje Iluesca, cidade de 
Hispanha, entre os Iteryeles, ao ISO. de 
Cissarea Augusta (hoje Saragossa). 

ORCUATz, (geogr.) cidade murada do rei- 
no de Saxe. a 13 léguas INO. de Dresde ; 
3,400 habitantes. 

oscHERSLEBEN. (geogr.) cldade da Prússia, 
capital de circulo, a 7 léguas ao SO. de 
Magdeburgo, 3,100 habitantes. 

osciLLAÇÃo , s. f. (Lat. oscillatio, onis.) 
movimento libratorio de corpo suspendido 
como pêndulo. Centro de — . — , abalo de 
corpo agitado, v. g. da terra, por convulsão 
volcanica ou terremoto. — , (fig.) variação, 
inconstância, estado volúvel, v. g. oscilla- 
ções do animo volúvel, de coração leviano. 
— de doutrinas. 

osciLLÂDo, A, p.p. de oscillar, posto em 
oscillaçào, vibrado, librado. 

osciLLAu, V. a. ou n. (Lat. oscillum. ca- 
beça do ariete de bater.) fazer oscillações, 
vibrar, librar-se. 

osciLLATORio, A, adj. (des oVío.) quo Vi- 
bra , oscilla , V. g. movimento — do pên- 
dulo. 

osco, A, adj (ant.) V, Embuçado, En- 
capotado. 

ospiTAçoM , s. f. obrigação de hospe- 
dar. 

oscos , (hist.) Osci , povo indígena da 
Campania, e que mesmo depois da conquista 
da Etruria formou a maior parte da popula- 
ção do paiz. Os Oscos não são mais do que 
uma fracção da grande população opica, a 
primeira que habitou na Itália. A língua 
Osca também foi uma das linguas primiti- 
vas de Itália ; diíferia muito do velho latim, 
assim como do etrusco. 

OSCULAR, V. a. V. Beijar. 

oscuLATORio, s. m. (des. drío.) portapaz, 
reliquario com que se dá a paz na missa of- 
ficiada em algumas igrejas. 
14 



osd^ 



osC^co, s. m. (ppóti. ósculo', h&t. osct^-' 
lum, dim. dé o^, boca.) beijo. 

Syn. coiíip OscnJo, beijf). Ainbíts ostas 
palavras significam a mesma cousa ; toda- 
via á primeira anda annrxa a idéa de de- 
cência, de amisadn, do respeito , por isso 
se. diz o osculo de paz, etc. ; á segunda" 
anda annexá a idéa de amor lascivo, como 
se vê em Camões : 

No ar lascivos IjeijoS se vão dando. 
Ôh que famintos beijos na ííoresta, ., 
(l'os;, IX, á4'e'23:) 

OSENA. V. Ozena. 

osio, (bist ) o primeiro dos propbetas me- 
nores, viveu no reinado d*Orias e seus suc- 
cessores até Ezecbias, e morreu no anno 722 
antes de Jesu-Christo. A sua prophecia com- 
põe se de 4 capítulos, e tem por objecto 
principal a ruina do reino de Jerusalém. 

osERO. (geogr.) Apsorus, ilha dos Esta- 
dos austríacos, no Adriático ; ao SO. de 
Cherso ; 3,05(i habitantes. Capital Lussin- 
Piccolo. 

osGA, s f. espécie de lagartixa veneno- 
sa. Por modo de—, (phr. chula) com dissi- 
mulação, para lograr. 

osíANA ou LOANDA^ (gcogr.) cidade da ( ap- 
padocia sepentrional, hoje Inzghat. 

osiAiSDER,(hist.) tíipologo prolcstante, nas- 
ceu tm 1498, morreu em 11552. Foi dos pri- 
meiros a adoptar a Reforma de Luthero, e 
teve parte na confissão de Fé chamada Coji- 
fisião d'Augsburgo.. Das suas muitas' obras 
a mais conhecida é Uarmonice evangéli- 
ca. 

OSTÇOM , s. f. (do Fr. ant. ussir, Ital. 
uscire, sair, do Lat. exire.) saida, appari- 
ção. Woraes não entendeu a significação drs- 
te vccíibulo, que suppÕe sei- supposição na 
passagem que cila : «A noute era mui cla- 
ra, porque entam fora o dia da — da lua.» 
Ined., ]]], ÍHb. E sjunta. « Será opposição 
da lua com píol ?». 

osíLO, (geogr.) Ericenum de Ptolomeu, 
cidade da Sardenha, a 2 léguas deSassari ; 
5,tí00 habitantes. 

osíMO, (geogr.) Âiiximum, cidade dos Es- 
tados ecchsiasticcs, sobre oMasene, a A lé- 
guas ao S. d'Atcona ; li, 700 habitantes. 

oslo^ V. Úvsio, Ovsadia. 

osíBis, (mjth.) chen ado Hysiris, Lirius 
Âisat, (m Igjpcio Oi/s?i, e (Jmhti, dcLs 
egípcio, nascido desiite^iro, teve por mu- 
lher Íris, e por filho Or(u Horus; lodos 
três junclos repreí^tntam o btm principio, 
ou « reunião das influencias benéficas, e 
se cppõem ao piír malévolo Typhon e ^ef- 
tè, Osiris todavia teve, sem o querer, com- 
luercio com ^efté, a qual deu ao miindo 



Atíbo' ou^A^nubis'. OSiíi^is foi CT.Viliíãdor ^éònr^^i 
quistadnr. Em' quanto' íris itaiciílva oâEg|y*- 
pcios na agricultura, édiíícaVa- ao mbsmo 
tempo Thebas instituía leis, estabeleÒia o 
caz''imonto, faVia conhecer asártos ; depois 
disto pôz-se em march.-í para' E. é subttiéf'- 
teu tudo até ao nislr Erythreo e á ín- 
dia. ÍVa sua volta e no meio do' tr^ium^ho^,., 
foi nfiorto por Typhoíi, ^Uii" abàridonòu ò ' 
seu cadavef á corrente do Nilo ; Íris pro- 
cúrou-o e eriterrou-o ; mafe' Ty*phon ábrtã 
a sepultura, cortou o corpo de Osíris éíh 
14 pedaços e espalhOu-óá' por todao Egyp- 
to. Isis tornou a acha-los, exfcépto' uni e 
de novo lhe deu- sepultura. Era uma ideia 
popular no Egypto qué a alma de Ofeiris" tí^ 
nha passado para úm boi ; ôsta éá origéín 
do culto rendido so boi A pis, qUie sé acre- 
ditava ser o próprio Osíris. 

osrsMir, (gfogr.) povo da Gallia Lyoriesa 
3.* tinham o mar a O, e ao N.; os Curios<^ 
lites a E. os Cnrisopites aoS.-; Virgaríiv^th 
era a sua capital. 

OSKOL, (geogr.) duas cidades da Ilussia', 
europea. Staroi-Oskol, a 30 léguas ao SE', 
de Hoursk ; 6,0;HÍ habitantes; outra, No- 
Toi-OskoL- a. ■'ib léguas ao SE. de Roursh'; 
f>,600 habitantes. 

OSMA. V. Bando, Parcialidade. 

oSma, (geogr.) cidade de Hispanha, anti- 
gamente Uscama, a 13 Icguas do SO. de 
Soria'; 1,000 habitantes. 
, osMANLis, (hist ) nome dado tnuitas ve- 
zes aos Ottomanòs, é derivado dé* Osíii/iil', 
fundador do se^u império 

OSMAR. V. Esmar, Conjecturar. 

oso, desinência, em lat. OsUs, qud de»- 
nota pleriitude, posse plena. Em E^ypc.òtl- 
ci significa plenitude, e encher.- Ex. gosto- 
so, amoroso, ditoso, furioso. 

osMOisD (S.) (hist.) filho do conde deSáez; 
seguiu (luílhermé o Conquistador* a Itlgla- 
tf rra ; morreu em 1099. Foi canonizado; e 
é com memora]:! o a 4 de derembro.- 

OSMOND, (hist.) nobre e antiga cacada 
Normandia ; data do século XII, os seus 
chefes- tinham o titulo' de ma^quèzes". 

OSNOBRLCK, (géogr.) cidade do reino db 
Ilanovei', capital do governo d'Usiiabruck', 
sobre o Base, a Í9 léguas ao O. de Ilano- 
ver ; 11,500 Jiabitantes. 

osNABRLCK, (govcmo do), (gcogf.) dívíslíò 
do reino de Hanover, compreende a antiga 
Frisa oriental, ettm por limites, a O. o rei- 
no de lloUanda, aoN. ogoverno d'Aiirich ; 
conta 240,000 habitantes. Capil&l Osna- 
bruçk. 

osoBio (D. Jeronymo) , (hist.) distinctís- 
simo historiador porluguez do século XVR 
Fqí bispo de Silves. Eiscrev.ôu em liaiím a 
Vivia à'elrei B MaMud', e'<mtní$ otóraí'clÇ 



08S 



089^v 



»■ 



grande erndicçío c eloquência , qne Ib 6 
grangeafam o titulo de Ctcero Christâo. 
osPEDE. V. Hospede. 
OSPEDAR. V. Hospedar. 
osQuiDATES, (gf^ogr.) povo da Gallia, na 
Novenipopulania ao S., tinha por cidades 
principaes Beneharnurri e Ihro. 

OSROEISE, (geogr.) região da Ásia limita- 
da ao ri. pelo Tauro, ao S. eaE.peloCha- 
boras, a O. pelo Éuphrates ; foi cOnquisla'- 
da por Trajano. 
ossÀ, s. f. V. tlrsa. 

ossA, (geogr.) cordillieira de montanhas 
no Alémtéjo de Portugal que se estende de 
E. a O. pouco ao N. d'Evora, cuja alt^ura 
mediana nunca excede 2,(30 pés acima do 
nivel do mar, e as suas ramilicações se vãb 
perder no Guadiana, havendo percorrido os 
terrenos de Estremoz, Villa-"Viçosa, Alan- 
droal, Évora -Monte, etc. 

ossA, (geogr.) hoj^ Èissabo ou Kissovo, 
pequena cordilheira de montanhas de Thes- 
saUa, na Wagnesia, sobre o golpho Ther- 
maico ; é céíebre em mylhologia como ha- 
bitação dos Centauros, e como uma. das mon- 
tanhas, de que os gigantes se serviram pa 
ra escalarem o ceo. 

OSSADA, s. f. o esqueleto desfeito. A — 
de uma ndu, os destroços e fragmentos da 
náu naufragada. Fazer a ndu a — , nau- 
fragar. .1 — da cidade, os alicerces e mi- 
nas. 

ossAiA, (geogr.) cidade de Toscana, a 2 
léguas ao ínE do lago de Perouse,; tira o 
seu nome da grande quantidade de ossos 
humanos, que nella se descobriram. 

ossARiA, s. f. (des. ária.) multidão de 
ossos em campo ou ossário. 

OSSÁRIO, s. m. (Lat. ossuarmw.) casa de 
ossos de finados, 

ossASi 5. f. (aut.) dom que os noivos fa- 
ziam ás noivas,' e as noivas aos noivos. 

ossAU, (geogr.) lio de França, nasce no 
pincaro do Meio iDia, ejunta-se com o As- 
pe em Oleron. 

ossELLA, (geogr.) aldêa de Portugal, con- 
celho de Oliveira d'Azemeis, a 12 léguas de 
Coimbra, ctntém alguns rtstos de antigui- 
dades mouriscas , e cerca de 1,200 habi- 
tantes. 

ÓSSEO, A, adj. (Lat. osseus.) da nature- 
za de OSSO, duro como osso. 

ossETEs, (geo{^r.) povo da Rússia cauca- 
siana, muito grosseiíoe ladrão ; habita des- 
de DarielatéKaitlíaour ; conta 10,OOU guer- 
reiros. O seu principal chefe reside em Kat- 
bek. j' .' ^ 

ossiAN. (híst.) célebre bardo escocez do 
século 111, teve por paiFingal, rei deMor- 
vén, ppr mulher Everallina. e por filho Os- 
car, ia umr seuHlào á bt^UaMaivina ecoan- 



do o vín morrer. Para- cumuto de dèggía- 
ça, o ve'ho perdeu a vista ,. Malsina ficíHi 
com oljo, mas o infeliz leve a dôr de lhe 
sobreviver e foi o ultimo da sua raça, que 
norreu Ossian espalhava as suas magoaô, 
cantando os seus feitos d'armas e as desgra- 
ças da sua familia e dos seus compatriotas. 

ossicos, s. m. diminut. de ossos, os os- 
sinhos. 

ossiFiCAÇÃo, s. f, (iat. osmfcatio, onis.), 
a conversão dos partes priraitivamjente moMes 
em osso, v. g. — das suturas ; — das carti- 
lagens, das artérias, na velhice 

oss^FiCADO, p. p. de ossificar ; adj. con- 
veríido em osso, endurecido, 

ossiFiCAR, v.a. (Lat. mod. oss^ificare)^ con- 
verter em osso as partes primitivamen-to 
molles. — SE, V. r. converter-se em osso. v.g. 
>'as crianças depressa se ossificam as saturas 
do crânio ; na velhice osmficam-se as car-' 
tilagens, as artérias, etc 

ossifino s. m. diminut. de osso, pequeno 
osso. , , , 

osso, s. m. (Lat. os, ossis^ Gr. osteon^ em 
I-gypc./ía.s) parte solida, dura e mais ou ma- 
nos branca do esqueleto humano e dos qua- 
drúpedes, das aves e dos cetáceos, tj-gí, — de 
correr, o de boi que tem tutano. Em carne e 
— , vivo, pessoa viva. Mochos — s, pisar com 
pancadas. — ceuslicar, importunar. Roer os 
— s, (íig.) íicar frustrado do ganho e lucro de 
al^umseryiço, e onerado das obrigações db 
emprego; não tirar senão jnui ténues luc os 
de cousa em que outros se enriqueceram. 
v.g. Carne sem — , (lig ], proveito sem in- 
commodo ou risco Em,—, sem sella ou al- 
barda, c.^í. Montar em -?^, 

ossoLA, (geogr.) província dos Estados sar- 
dos, na intendência de Novara, entre a Suis- 
sa e a provinda de Pallanza, tem por ca- 
pital Domo d'0?sola. e conta 35,000 habi- 
tantes. 

ossoNOBA, (geogr.) cidade da Lusitânia, 
no Cuneus, (Algarve), na embocadura do 
Solves. , 

ossuARio. V. Ossário. 

OSSUDO, A, adj. (des. udo) que tem ossos 
grandes, grossos. 

ossuN, (geogr.) cidade de França, a 2 
lepuas e meia ao SU. de tarbes ; 1,800 ha- 
bitantes. 

ossuNA (duque de), (hist.) celebre esta- 
dista hispanhol, nasceu em 1579, foi vice- 
reida Sicilia e de Nápoles, desenvolveu gran- 
des tabntns nestas duas praças, bateu os 
Venezianos e relirou-se a estabelecer a in- 
qui?ição I o reino de >apoles. Morreu em 
16:4, preso no castello d-í Almeida, pelí>' 
criflpé de pretender tornar independente jo^ 
reino de Kapoles. 
OSSUNA, (geogr.) UrsoovLGenm Ursorúm 

i4 # 



^ 



OâJU^ 



OSÍ 



cidade de llíspanha, a 20 léguas E. de Se- 
vilha ; 16,000 habitanles, 

ossuoso. V. Ossudo. 

osTAES, s. m, pi. (Ingl. staijs ; do Fr. ciai, 
(ant.) estai', esteio, escora ; raJ. Lat. sto, 
are, estar fixo), (naut.) cabos grandes que 
vem dos calcezes dos mastros, e se^íiiam na 
proa por seus cadernaes. Outros escrevem 
estaes. 

OSTAGAS, s. f. pi. {V. o precedente), (naut.' 
cabos que sustentam as vergas cm uns moi- 
tÕ3S chamados de coroa, e vem por cima da 
pega. 

osTARiA, 5. f. (Do Fr. ant. ostelerie.) V. 
Estalagem, Casa de Pasto. 

OSTE, s. m. (do Ital. oste) , (naut. ant.) 
vela d' — , vela latina do mastro grande. 

OSTE. V. Hoste. 

osTAKOV, (geogr.) cidade da Rússia euro- 
pea, capitcil de dislricto, sobre o lago Seli- 
goner; 7,0OJ habitantes. 

OSTENDE, (geogr.) (isto é , extremidade 
oriental) cidade de Flandres, a 5 léguas O. 
de Bruges, sobre o mar do Norte ; 1 1 ,0U0 ha- 
bitantes. 

osTEDA, s. f. estoffo antigo de Ostende 
ou de França. 

osTENDER, (Lat. osteudere, mostrar, de os, 
e tendere.) (ant.) V. Mostrar. 

OSTENSIVEL, ttdj . dos 2 g. (do Fr. osten- 
sihle, do Lat. ostendere, mostrar.) que pô- 
de mostrar-se, que é para semoslrar; os- 
tensivo. E moderno, adoptado do Francez, 
e escusado. 

osTENSivELMENTE , adv. [mente suíT ) de 
modo ostensivel, por mostra, em apparen- 
cia. Ostensivamente seria mais Portuguez. 

OSTENSIVO, A, adj. (do Lat, ostensio, onis, 
mostra.) destinado a mostrar-se, i?.^. carta 
— . Poderes —s. Instrucções — s. Oppõe-se 
a confidenciaes, secretas. 

osTENSOR, s. m. o que mostra, cousa que 
mostra. 

OSTENTAÇÃO, s. f. (Lat. cstentatio, onis.) 
mostra fastosa, vaidosa, de riqueza, saber, 
dotes da natureza, etc. — . mostra de saber 
em universidade, dissertação improvisada em 
concurso de oppositores a cadeira. 

OSTENTADO , A , p. p. de osteutaf ; adj. 
alardeado, assoalhado por vangloria. 

OSTENTADOU , A , adj. 6 s. quc ostenta, 
alardêa. 

OSTENTANTE, adj. dos 2 g. ou s. V. Os- 
tentador. 

OSTENTAR, V. tt. (Lat. osteuto, are, fre- 
quent. de osicndere, mostrar.) mostrar, fa- 
zer mostra, assoalhar, alardear por vanglo- 
ria, V. g. — as suas riquezas, perfeições, do- 
tes, saber ; — numero, comitiva. — , em sen- 
tido abs., fazer ostentação académica. Os- 
tentou em theologia. 



ostentativa, 3. f. y. Ostentação, 

osTENTATivo, A, adj. costumado a osteií- 
lar, inclinado a ostentar. 

OSTENTOSAMENTE, ttdo. [mânte suff.) com 
ostentação, alardeando. 

OSTENTOSO, A, adj. (des. oso.) d*i osteri-' 
tacão, magnifico, que annuncia grancíeza, f . 
g. palácios, obras — 5. Victoria — .Discur- 
so — , pomposo. Génio, espirito — , bri- 
lhante. Occasião — . 

osTEOCOPA, s. f. (Gr. osteon, osso, e ko- 
ptô, ferir.) (med.) dôr nos ossos. 

OSPEOGRAPHIA, s. f. [graplúa suffs) des- 
cripção dos ossos do esqueleto. 

OSTEOLOGIA , s. f. (mesmo radical, e lo- 
gia suff.) conhecimento dos ossos do esque- 
leto, principalmente do homem. 

osTEOTOMiA, s. f. (mcsmo rad. , e íomia.) 
dissecção dos ossos. V. Anatomia. 

OSTERODE, (geogr.) cidade murada do lla- 
novre, no antigo principado de (irubenha- 
gen e no governo actual de Ilildesheim, a 2 
léguas emeia SJ. de Klansthal; 4,400 ha- 
bitantes. 

osTUEiJí, (geogr.) cidade dogran-ducado 
de Saxe-Weimar, a 25 léguas SO. de NYei- 
mar ; 2,400 habitantes. 

OSTÍA. V. Hóstia. 

OSTIA, (geogr.) Ostia, villa do Estado ec- 
clesiastico, na embocadura do Tibre, a 5 lé- 
guas Sl). de Roma. 

osTiAKS, (geogr.) povo da Sibéria, forma 
três tribus, quedifferem pela sua linguagem, 
equeteem os nomes de Ostiaksdo Obi, Os- 
tiaks do Jenissei, Ostiaks de Torgovut. 

osTiARiATO , s. m. a. ordem do ostiario, 
uma das quatro menores. 

OSTIARIO, s. m. (Lat. ostiarius, deostium, 
porta.) porteiro. Uma das quatro ordens me- 
nores ecclesiasticas. 

osTiGLiA, (geogr.) Hostilia, cidade do rei- 
no Lombardo-Veneziano, sobre o Pó a 7 lé- 
guas SO. deMantua; d, 150 habitantes. 

OSTINAÇÃO. V. Obstinação. 

OSTINGAR. V. Estingar. 

OSTINGUES e OSTINQUES. V. Estingucs. 

osTPiiALiA, («eogr.) nome vago dado nos 
séculos VII e VIU á parte da Saxonia situada 
a E. do Weser ; oppunha-se á Westpbalia si- 
tuada a 0. do mesmo rio. 

OSTRA, s. f. (Lat. ostrea, do Gr.ostreou, 
formado de osteon, osso, e keô, abrir, fen- 
der ) marisco de concha, vulgar e excel- 
lente para comer. — , pedra preciosa da fei- 
ção da concha das ostras. 

OSTRACISMO, (hist.) ospccie de julgamento 
muito usado em Athenas : consistia em pro- 
nunciar por meio do suffragio universal e sem 
forma de processo, sobre oexilio de um ci- 
dadão, cujo poder ou ambição inspirava re- 
ceio, oexilio devia durar 10 anãos. Os ci. 



OSY ■ 



OTH 



isf 



dadãos davam o seu voto escrevendo em uma / em Thebas no inlervalio do século XV aa 



f. pedra da feição de os- 



conchn (era grego, ofttraçon) o nome do ia 
dividuo que quMriam banir. O ostracismo foi 
instituído no anno 509 antes du Jesu-Lhris- 
to. 

osTRACiSTA. s. TO (des. ista.) approvador 
do ostracismo. 

OSTRACITES, S 

tra. 

osTRARiA , s. f. (des. (iria.) lugar alis- 
trado de ostras , camadas naturaes de os- 
tras. 

OSTRAS (riodas), (geogr.) pequeno rio da 
província do Itio de Janeiro, no Brazil, no 
dislricto de Macalié ; tem apenas 2 léguas 
do curso. 

OSTREIRA , s. f. lugar onde se criam 
e se apanham ostras , viveiro de ostras 
Ostreira , mulher que vende ostras e as 
abre. 

osTRiNHO. s. m. pequeno marisco menor 
que a ostia. 

OSTRO, s. m. (Lat. osti-um.) a purpura ; 
a tinta de que ella se faz, e que é extraí- 
da de ura marisco chamado em Lat. os- 
trum. 

osTROG, (geogr.) cidade da Rússia euro- 
pea, na Volhynia ; 4,(5' K) babilanies. Foi nes- 
ta cidade que se imprimiu apriuieira bíblia 
esclavotiia. 

osTRononos, (gpogr.) Ostrogotiii, nome 
dado áqnelles «iodos, que se achavam ao 
oriente dos outros. 

osTROGOJSK, (geogr.) ciílade da Rússia eu- 
ropea, a 23 léguas S de Veronéjo ; 11,000 
habitantes. 

osTROLENKA, (geogr.) cidado da Uussia eu- 
ropea, a 35 léguas NK.dePlok, sobre o Na- 
rew ; 1,9 'O habitantes. 

osTROvsKi, (hist.) celebre general polaco, 
foi derrotado e aprisionado pelos Russos na 
batalha d« Vedrokha em 1500; regeitou os 
offerecimentos que llie fez Ivan III pa'"a o re- 
solver a entrar no seu serviço; derrotou em 
1514 os llnssos em Orja; alcançou bril», antes 
victorias sobre os Turcos, Mdldavos, Tárta- 
ros daCrimea, e ficou victorioso eraOlche- 
nica, onde livrou mais de 40,000 prisionei- 
ros chrístãos 

osTLNi, (geogr.) Ostunum, cidade do rei- 
no de Nápoles, a 9 léguas KO. de Brindigi, 
perto domar Adriático. 

oswALD, (hist.) escriptor escocezdoXVIll 
século, seguiu o caminho traçado por Reid 
e Beattie eapoiu-se sobre o senso commum 
para combater as doctrinas paradoxaes ou 
perigosas de l oke e de llume. 

oswF.STRY, (geogr.) cidade de Inglaterra, 
a 7 legoas ao NL de Shrewsbury ; 4,000 ha- 
bitantes. 
osyMANDTAs, (hist.) rei do Egypto, reinou 
voL. n. 



XVII, e, .«ei?undo Diodoro, prf cedeu o rei 
Uchoreo em outo geraçõ''S. i.evou as suas 
armas até á Hactriana ; é sobre tudo cele- 
bre pela su^ Bibliothcca publica, intitulada 
Hemedios da alma, e pelo seu tumulo, em re- 
dor do qual, dizem os antigos, estava coK 
locado um circulo de ouro de ò65 cova- 
dus. 

OTAH TI ou TAiir, (geogr.) a Saggitaria 
de Qiiiros, a Nova-Cythera de BogaiaviUe, 
a raaior das ilhas da Sociedade, e uma das 
maiores da i'ol}'nesia, é formada de duas pe- 
nínsulas , o conta 7,000 habitantes, ts- 
tá debaixo da protecção da França desde 
18^2. 

OTAHiTi, (archipelago de) , (geogr.) no- 
me proposto por alguns geographos pa- 
ra designar o grupo de ilhas da socie- 
dade. 

OTAi.GiA, s. f. (Lat., do Gr. ótos, geni- 
tivo de oúas, ouvido, ea/^/ied, soíTier dôr.) 
(med.) dôr de ouvidos 

OTALGico, A, adj. atacado de otalgia. 
OTAVALO, (geogr.) cidade da republicado 
Equador, na província de Imbabura, a J4 
léguas ao INE. de Quito; conta 15,000 ha- 
bitantes. 

OTE, desinência diminutiva, v. g. peque- 
note, rapazote. 

OTFRiD, (hist.) theologo aísaciano do iX 
século, é conhecido pela sua traducção do 
Evangelho, em versos tudescos, traducção. 
que é o primeiro monumento desta lín- 
gua. 

OTiiÃo. (hist.) Marcus Salvius Olho, im- 
perador romano, nasceu no anno 32 de Je- 
su-Christo, tinha sido favorito de Nero, e 
o primeiro marido da celebre Poppéa. Nero 
obrigou-o a ceder esta mulher, que elle 
amava e enviou- o como questor á Lusitâ- 
nia. Othão foi um dos primeiros a decla- 
rar-se por (ialba, esperando ser adoptado 
por este ancião, mas como se visse prefe- 
rido por Písã'>, excitou uma rt^volta , em 
que este e (ialba foram mortos, e fez-^e pro- 
clamar imperador. Alarchou depois contra 
Vitellio, acciamado pelo exercito da Germâ- 
nia, e depois de algumas victorias, perdeu 
a batalha de BeJriac, e pelo desgosto de a 
perder matou-se em 69. 

OTHÂo I, (hist.) o Grande , imperador de 
Allemanha da 2.^ dynastia saionia, nasceu 
em 912, foi eleito rei da Germânia em 396, 
batteu em muitos encontros os Hunos e os 
Húngaros, tornou a Bohemía tributaria da 
Germânia, fez guerra a Luiz-d'-Alemmar ; 
tornou á França em i 46 . como alliado de 
Luiz contra IIutíO-o-Grande ; casou em 951 
com Adelaide viuva de Lothario, rei dos Lom- 
bardos, e em consequência deste casamen- 
15 



OTO! 



OtT 



to entrou na Ttalia, onde foi coroado em 961, 
reunindo este reino á Aliem anha. Morreu em 
993. 

OTHÃo II, O RuiviO, fiilio e successor de 
Othão i, nasceu em 9:>5 , foi proclamado 
imperador da Germânia em 973, teve por 
competidor a Henrique de Baviera, o qual 
batteu, teve guerra com Lolbario , rei de 
França, e penetrou até Paris, entrou depois 
na Itália, restituiu Benedicto 11 ao troiio 
pontifical ; tomou Nápoles, Saierno, Tarento 
e depois foi battido, e com diíTiculdade es- 
capou aos Gregos, que o tinham aprisiona- 
do. Morreu em lioma em 98 5. 

OTHÀo III, (hist.) filho e successor d'Othão 
II, nasceu em 980. Depois de uma regência 
agitada, durante a sua menoridade, passou os 
Alpes, tomou Milão, voltou á Allemanha 
para se oppor aos Slavos e morreu em 
1002. 

OTHÃo IV, (hist.) nasceu em 1175, 3." 
filho de Henrique de Baviera e de Malhilde, 
foi eleito imperador de Allemanha em 1198, 
uniu-se com João Sem-Terra para fazer 
guerra a Philippe-Augusto, conduziu Ii00*i0 
homens a Flandres, foi batido e morreu em 
1218. 

OTHÃO DE NORDHEiM, (hist.) duquo de Ba- 
viera, príncipe saxonio, foi creado duque 
de Baviera em 1061 pe a imperatriz re- 
gente Ignéz ; mãi de Henrique IV, todavia 
conspirou contra a sua bem feitora e apos- 
sou-se do poder imperial. Henrique IV ti- 
rou-lhe o ducado, mas depois reconciliou- 
se com elle , foi morto na batalha de 
Volksheim. 

OTHÀO DE wiTTELSBACH, (hist.) duque de 
Baviera, descendente de Àrnaldo-o- ^''ao , 
da antiga casa de Baviera, serviu fielmen- 
te, e com gloria, a Frederico Barba-Uoxa, 
o qual o recompensou com o ducado de 
Baviera. 

OTHÃO DE FREISINGEN , (hist ) chrouisla , 

filho de Leopoldo, marquez d'Austria , e 
de uma filha de Henrique IV. Morreu em 
1158, deixando uma Chronica desde Adão 
até ao anno 1147. 

OTHE, (geogr.) antigo e pequeno paiz de 
França, no Senonez, hoje compreendido ao 
NE. do díslriclo de Yonne e no 80. do de 
Aube. Logar principal Aix-en-Othe. 

OTHMAis, (hist.) 3.'^ califa, reinou de 644 
a 656. Era piedoso, humano , mas pouco 
capaz de governar, foi apunhalado por 
Mohammed, filho deAbouhekr. l o seu rei- 
nado foi destruído o 2.° império dos Per- 
sas. 

OTHMAN I, (hist ) chamado El Ghazi (o 
Victorioso) fundador do império dos Turcos 
Ottomanos, nasceu em Soukout em 1259, 
£ugrandeceu-se á custa dos Estados visi. 



nhos conquistou Kara-Híssar, e morréta em 
32í3. 

OTHMAN II, (hist.) foi coUocado no trono 
em 1618, concluiu paz com a Pérsia , foi 
batido })elos Polacos, e foi assassinado pe- 
l'S Janissaros em 1022. 

othomano ou ottomano, a, aij. perten- 
cente ao império turco. O vocábulo vem de 
Qlhman, celebre imperador dos Turcos. 

oiHONiEL, (hist.) primeiro juiz dos israe- 
litas de()OÍs de Josué, t©mou Karial-Se.'her, 
livrou os seus compatriotas da escravidão, 
governou-os 40 annos e morreu era 151». 

othonna , (bot.) género de plnntas da 
família das Sjnanlhereas e da Syngenesia 
^ecess<^ria. 

0T0RGA. V. Outorga. 

otorgar. V. Outorgar. 

OTRANTO, (geogr,) Hydruntum dos anti- 
gos, cidade do reino de Nápoles, sobre o 
Adríatico, a 9 léguas SE. de Lecce, 2,500 
habitantes. 

OTRANTO (terra de( , (geogr.) Terra di 
Otranto, Japygia dos antigos, província do 
reino de Nápoles, a mais a E. sobre o Adriá- 
tico e o golpho de Torento ; 3J0,0h0 ha- 
bitantes. Capital Lecce. 

OTRicoLi, (geogr.) Oíricw/wm, villadoEs" 
lado Ecclesiasiico, a 7 léguas NO. de Rieti-; 
800 habitantes. 

OTT (P. Carlos, barão de), (hist.) feld-ma- 
rechal austríaco, nasceu na Hungria, dis- 
tingiiiu-se contra os Turcos em 1^89, entrou 
nas campanhas de Itália, commaiidou o 
r*erco de Génova em 1799, morreu em 
1809. 

OTTA, (geogr ) ppquena povoação de Por- 
tugal, 1 légua emeia aoN. d' ilemquere lO 
de Lisboa, situada nas faldas da serra do 
mesmo nome, ramo da de Montejunto. 

OTTAWA ou GRANDE RIO, (gcogr.) Great- 
River, rio ila America do Norte, no Cana- 
dá, nasce no Lago Superior, separa o Alto 
doBaixo-Canadá, e juncla-se com o S. Lou- 
renço defronle da ilha Montreal. 

oVtawas, (geogr.) tribu da America do 
.Norte, habita no Estado d'Ohio e o terri- 
tório de Michigan, na margem occidental 
do lago Michigan. 

OTTOKAR I, (hist.) duque de Bohemia em 
lli»2, foi deposto em llb3, restabelecido 
em 1197, nomeado rei pelo imperador Thi- 
lippe de >uabia em IIUV*, e reconhecido 
como tal por Olhão iV e iimocencio Hl em 
12(13. 

OTTOKAR II, (hist.) O Victorioso, succes- 
sor de Venceslao III, reuniu á Bohemia a 
Austría e a Stjria em 1253, fundou cida- 
des, protegeu a exploração f^as minas, obte- 
ve por testamento a Corinthia e a Carniuia, 
protestou contra a eleição de Kodolpho dç 



OUB 



OEN 



59 



Absburgo. Morreu na batalha de Laa em 

1278. 

OTTOMANO (Império) , (hist.) Porta otto- 
aana. Sào designadas com este nomo as 
possessõt^s do Gran -Senhor. Compreendem 
a Turquia europea,a Turquia asiática com 
as ilhas do Mediterrâneo, com o Egypto, o 
Hedjaz, Tunis, Tripoli, ele. Kstas ultimas 
províncias só nominalmente dependem da 
Turquia. 

OTTOMANos, (hist.) nome dado 3 um tron- 
00 da naçào turcomana , é derivado de 
Othman I, fundador do império turco. 

OTTUMBA , (geogr ) cidade do México , a 
11 léguas Nli. do México; 5,000 habitan- 
tes. 

OTUS, (myth.) gigante, filho de Keptuno e 
de Jphira dia, mulher d'Al<>éus. 

OTWAY , (hist.) poeta inglez nasceu em 
1()51, morreu em 1685, foi actor. Us in- 
glezes dão-lhe o primeiro logar depois de 
Sbakspeare. As suas melhores peças são : 
D. Carlos, Caio Mário , a Otphã, Veneza 
salva. 

ou (Fr. ou, Lat. aut, Gr. eite. Vem to- 
dos do rad. Egypc. eí, separar, de íoi, por- 
ção, parte, dar, repartir ; cttoi, dado, re- 
partido.) co"juncção disjuncliva e alterna- 
tiva, V, g. isio ou aquillo ; este ow aquelle 
homem. Morrer ou viver. O vicio om a vir- 
tude. 

ou, (ant ) (do Fr. ou.) onde; por ao. 

ou, diphthongo, que usualmente se pro- 
nuncia e se escreve oí', v. g. ouro, doudo, 
louro, ou oiro, díido, loiro. 

ouAHOu, (geogr.) Woahou dos Inglezes , 
uma das ilhas Sandwich , ao NO. da ilha 
de Onhyhea ; 60,i'00 habitantes. 

OUALO, (geogr.) Whalo dos inglezes, rei 
de Senegambia, sobre o Oceano Atlântico , 
entre o Trarzas ao iN., o Cayor ao S. ; 
40,O(!O habitantes. 

ouA^DJPOLR, (geogr.) cidade da Ásia cen- 
tral, no Boutan. 

ouAKKARA, (gcogr.) divisão da Africa Oc- 
cidental, compreende os reinos de JNifé, de 
Yarriba, de lounda, de Benin, etc. 

OUAOUA, (geogr.) cidade da Nigricia, ca- 
pital do remo de Mobba ou Bergon. 

ouARAKSKNis, (g<'0gr.) montaiihas de Al- 
géria, no meio do Atlas, ao SE. de Oran. 

OUAR, (geogr.) cidíide da ^igricia , ca- 
pital do reino de Ouari, a 15 léguas S. de 
Benin; 3,(00 habitantes. 

OLRi ;reino de), (gtogr. na Guiné septen- 
trionid sobre ogolpho de Benin; IJ.IOO ha- 
bitantes. 

OUBOLCBA, (hist.) khan mogol, era ocheí- 
fe da giftnde iriLu dos Eleuihs Torgouls , 
não podendo accommodar-se com as ins- 
tituições, que os Kussos queriam estabele- 



cer entre a sua tribu , deixou o paiz en- 
tre Don e o Nolga, atravessou durante 8 
me7.es. os desertos do Turkestan, chegou ás 
margens do Ili, e foi muito bem recebido 
lío t( rritorio chinez. Ouboucha recebeu 
muitas honras e presentes da corte de Pe- 
kin, a qual, provavelmente, tinha aconse- 
lhado esta emigração. 

OUÇA , s. f. (du Fr. ant. oucin, do Lat. 
uncinus, uncus, curvo.) peça de páu atra- 
vessada na ponta do timão ; serve de ter 
mão nos tanoeiros. 

ouçÃo, s. m. (do Lat.- uncus, curvo, de 
gancho.) bichinho da forma do lêndea. Fa- 
zer de um — um cavalleiro , (expr. prov.) 
exaggerar muito. 

OUÇAS, s. f. (de ouço, ouça, do v ou- 
vir.) Ter boas — s, (ant.) ouvir bem. 

ouCENÇA. V. Ouiença. 

ouCHE (paiz de) Uticum, parte da Alta- 
Normandia, entre o Rilíe e o^Carentone. 

ouciDENTE e ouciENiE. V. Occideute. 

OUDDEN , (geogr.) cidade do Yemen na 
Arábia, residência d'um cheik, a li léguas 
No. de Taus; 600 casas. 

OUDENARDE OU AUDENARDE, (geOgr.) Al- 

denardum em latim, Oudenaarden em fla- 
mengo, cidade da Bélgica, a 7 léguas S. de 
Gand ; 4,61*0 habitantes. 

ouDENDORP, (hist.) phílologo hollaudoz , 
nasceu em lhD6, morreu em 1761, foi rei- 
tor das escolas de Nimegue e de llarlem. 
Deixou edições estunadas de Júlio Obseque- 
nor, deLucano, Frontino, etc, 

ouDiN, (biiit.) jesuita, nasceu em lt)73 , 
morreu em 1752, sabia seis linguas. É co- 
nhecido pelos seus trabalhos na Bibliothe- 
ca latina dos escriplores da sociedade de 
Jesus. 

ouDiNSK, (geogr.) cidade da Ilussia asiá- 
tica, a 60 léguas SE de irkoutsk; 4,800 
habitantes. 

ouDJB N, (geogr.) a Ozena dos antigos, 
cidade do Sindhia, no antigo iMalwa, a nOÚ 
léguas O. de Calcutta ; 80,0<'0 hcbitantes. 

ouEi ou oui , (geogr.) uma das quatro 
províncias do Thibet, tem por limites ao 
N. o Bontan, ao S. o Turkestan, chinez. 
Capital Lahsa, 

ouEi-TCHEOu, (geogr,) cidade da China , 
(apitai de província, a 57 léguas S. de Tian- 
king. 

ouEL 011 HOEL, (hist.) cbamado o Bom, 
rei do paiz do Galles de 907 a U48, ó co- 
nhecido por uma cfllecção de leis muito 
sabi.i;?, e que elle fez sanccioiiarpelo papa. 

OUELBE, (geogr.) rio da Aíri a oriental , 
nasce entre os líerlouna-Gflllas, corre ao 
SE. e cae no mar das Índias em Brava. 

OEN (Santo), (hist.) Audoenus nasceu em 
609 em Sancy, morreu em 686 , viveu na 
15 « 



OVQ 



OUR 



corte de Clotario II e de Dagoberto, este 
ultimo confiou-lhe a pnarda do sello real. 
Foi sagrado bispo de liuão em 64(í. Admi- 
nistrou a sua diocese com sabedoria , e 
morreu em ( bchy. E' commemorado a 24 
d'Agosto. 

OUEN-TCHEOU (gcogr.) cidado da China , 
capital de província , na embocadura do 
Youn-ho. 

ouESSANT , (geogr.) Uxantis ou Vxisa- 
ma , ilha de França, na costa do districto 
de Finislera, no Oceano Atlântico, a 6 léguas 
e meia do continente; 1,700 habitantes. 

ouFA, (geogr.) rio da Rússia, sae dos mon- 
tes Ouraes, no governo de Orenburgo ; 
H,000 habitantes. Residência do arcebispo 
de Orenburgo e de Oufa. 

OUFANIA. V. Ufania. 

OUFANO. V. Ufano. 

ouGLiTCH, (geogr.) cidade da Rússia Eu- 
ropea ; 5,5' O habitantes. 

ouGUE' LA, (geogr.) pequena praça d'armas 
do Alemtívjo, em Portugal, situada sobre o rio 
Xevora, que a separa da raia hispanhola, 1 
légua ao N de Campo IMaior e 4 d'i.lvas. 

ouiDDAH ou JUDA (geogr.) fpequeno reino 
de Guiné, na cosia dos Escravos, entre os 
d'Ardra de Popo, de Dahomey, e é tribu- 
tário deste ultimo , tem por capital uma 
cidado do mesmo nome com 8,000 habi- 
tantes. 

ouiNNiPEG OU ouYNíPi, (geogr.) lago da 
America do JNorte, communica pelo Savers 
com a bahia de iludson; tem '61 catara- 
ctas de aspecto muito grandioso e vario. 

ouiscoNsiN ou wiscoNSiN , (gcogr ) rio 
dos Estados Unidos, no território do INO. 
corre ao SE. e lança-se no Mississipi. 

OULÁ. V. Olá. 

oulchy-le-chateau, (geog.) villa de Fran- 
ça, a 5 léguas S. de Soissons ; 600 habi- 
tantes. 

ouLLEi, (gpogr.) ura dos Estados mandin- 
gues da Nigricia occidental ou Senegambia ; 
tem por limites ao M. oFonlatoro, aE. o Bon- 
dou, capital .Vledinah ; 5.000 habitantes. 

OULOHG-BEG, (hist.) filho de Chah-Rokn. 
nasceu em 139'*, reinou sobre a Transoxia- 
na desde 1409, sobre quasi todo o império 
de Tamerlào desde 1446, c foi morto era 
144'J por um dos seus filhos revoltado. Apai- 
xonado pela astronomia formou umas Ta- 
hoas astronómicas. 

oulouk-tag (montanhas), (geogr.) grande 
cordilheira, que separa a Sibeiia do impé- 
rio chine/. edoTurkestan. 

oupijiGAH, (geogr.) rio da Paz, na Ame- 
rica do Norte, sáe dos Montes Pedregozos, 
reunido com oStone-River forma o rio do 
Escravo. 

ouQuiA, s. f, (t, da Ásia.) moeda de ou- 



ro do J)Gso de doze cruzados. Santoá < 

Ethiop. 

OURADO, A, p p de ourar ; adj. ourija- 
do, que tem tonturas, hallucinado. 

ouRAL OU JAIK, (gcogr.) Kkymniis, gran- 
de rio da Rússia europea, nasce nos montes 
Ouraes, corre ao S. e a O. e cáe no mar Caspio 
por três bocas. 

0URALES ou POYAS (moutanhas) , (georg ) 
(estas duas palavras em Tártaro querem di- 
zer cimo) cordilheira de monianhas que se- 
para a Europa da .Ásia, e se extende do Ocea- 
no glacial Árctico ao mar Caspio. 

OURALSK, (gcoRr.) cidade da Rússia, so- 
bre o Ourai; J5, 000 habitantes. (Cosacos). 

olraag-outango ou orang-otang, s. m. 
(t. Malaio que significa homem do mato ou 
selvagem.) mono o mais parecido com o ho- 
mem pela estatura, posição erecta, etc. 

ourar, V. a. ou n. (ouras, ar des. inf.) 
ha!!ucinar-se, ter tonturas. V. Ourijar. 

OURAS, s. f. (do Ur. orô, incitar, pertur- 
bar.) tonturas na cabeça, v.- í/. dão-lhe — . 

OURCQ, (geogr.) rio de França, nasce na 
floresta de Ris, e cáe no Marne em Lizy. 

OUHGA ou KOUREN, (gcogr.) Cidade do im- 
pério chinez, sobre o Toula ; 7,000 habitan- 
tes, 

ouRÉGÃo ou ORÉGÃO, s. m. V. Orégão. 

OURELA, s. f. (do i.at. ora, bord , e elo.) 
borda, beira, costa. — , ourela do pano. — 
das vestiduras, borda. A — de agita, borda. 

OURELO , s. m. borda de tecido grossei- 
ro que remata o pano para se não desfiar, 
V. g. sapatos de — s. 

OUREM, (geogr.) antiga e notável villa de 
Portugal, no districto deieiria, donde dista 
3 léguas a SE., e 21 em linha recta a>E.de 
Lisbua, está situada no cume de um alcan- 
tilado outeiro de custosa subida por todos os 
lados, cercada de muros, o com um antigo 
castello ; 3.840 habitantes. 

OUREM, (geogr.) pequena villa da provin- 
da do Pará, no Brazil, na margem direita 
'io rio Guamá, 24 léguas a lésle da cidade 
de Belém. 

ouREvzEF.iRO, (aut.) V. Ourives. 

OURGHENDJ ou OURGnANTCHE, (gCOgr.) ci - 

dado dokhanato de Khiva noTurkestan in- 
dependente, a 11 léguas NO. de Khiva ; 5,000 
habitantes. 

OURIÇADO, A, p. p. de ouriçar ; adj. er- 
riçado, encrespado, v. g. os cabellos — s. 

OURIÇAR, V. a. entesar, encrespar, v. g, 
— o cabello, as sedas. V. Erriçar. 

OURFÇO, 5 m. envoltório exterior e espi- 
nhoso da castanha. — cacheiro, animal cu- 
ja pelle é armada de puas que ellc á von- 
tade encolhe e erriça. — , trave grossa ar- 
mada de puas de ferro que se põe á entra- 
da das barreiras nas fortificações. 



(WR 



úm 



êí 



OURIETÍTE. V. Oriente. 

ouBiJAUO, A, p. p. de ourijar ; arf;'. hal- 
lucinado ; vertiginoso. 

ouaiJAH, V. a. ou n. ourar, hallucinar- 
se ; ter tonturas , vertigens. V. Ourar e 
Ouras. 

ouRiNA , s. f. (Lat. urina, Gr. oilron) 
mijo , liquido excreinenticio segregado nos 
rins, e delles conduzido á beii;^a do homem 
e dos animaes, que sáe pela urelhra. 

OURINADO, A, p. p. de ourinar; adj. eva- 
cuado pela urethra ; misturado com a ouri- 
na ou como ourina. 

OURINAR, V. a. oun. [ourina, a?* des. inf.) 
expellir pela urethra a ourina. — sangue , 
misturado com a ourina, ou em íiocomoa 
ourina. 

ouRiNCÚ , s. m. V. Lumieira, Vagalu- 
me. 

ouRixoL, s. m. {ourina, des. ol, doLet. 
olla, panella.) vaso em que se ourina. 

OURIQUE. V Anrique da ancora. 

OURIQUE, (geogr.) villa efreguezia, de Por- 
tugal, no Alemlejo no districlode Beja, don- 
de disia 7 léguas e meia a h. e 4 ao IN. da 
serra do Caldeirão no Alsrarve, siluadn saibre 
uma eminência que domina o Cam/ío de Ou- 
rique. 

ouRivAL , s. m. planta com folhas como 
as do ou refrão. 

cuRiVASAKiA. V. Ourivcsaria. 

OURIVES, s. tn (Lat. awri/cj?.) o que tra- 
balha e lavra ouro em vasos, peças de or- 
nato, etc. — da prata, praieiro. >"ãoé usa- 
do hoje no pi. ; antigamente dizia-se ouri- 
vezes. 

OURIVESARIA, S- f. [áes. ãria) officinadc 
ourives; obras de ourives. 

ouRizo. V. Oiu-iço. 

ouRHiAGH. (geogr ) cidade do Iran, nas 
margens do lago d'Ourniiagh. 

ouHMíAGii (lagode), (geogr.) no Iran, a 10 
léguas SO. de Tauris. 

OURO , s. m. (Lat. aurum, Fr. or. Vem 
indubitavelmente de or ou /lor, nome do dia 
ou do sol diurno [luras) em Egypc; cere, 
sol, e ho , face.) metal amarello, dúctil, o 
mais pesado depois da platina, e o mais pre- 
cioso ; (íig.) obras feitas de ouro, v. g. em- 
penhou o seu — . — , dinheiro em ouro amoe- 
dado, V. g. tem muito—. — bruto on vir- 
gem, como sáo da mina. — mate, não poli- 
do. — lavrado, obras feitas de ouro. — po- 
tável, pireparaçào liquida de ouro. — ful- 
minante, fíia;ihoreíico. V. estes termos. Pães 
de — . V. Pão Século, idade de — , época 
imaginada pelos poetas, em que o homem 
vivia em estado de innocencia e de felici- 
dade — , tempo mui ditoso; época em que 
viveram sábios, e escriplores iilustres. — em 
fio, em equilíbrio. Andar ou ficar — em 

VOL. iV. 



fio. Fezes de—. V. Fezes e Litliarffyrio. 
Côr de — , amarello, no bra7ão. 

OURO (ilha do), (geogr.) ilhota isolada do 
rio de S. Francisco, no Brazil, defronte da 
província do Sergipe c das Alagoas, G lé- 
guas abaixo da ilha do Ferro. 

OURO (Monte de), (geogr.) monte de Fran- 
ça, no centro da ilha de Córsega, a 9 léguas 
N. d'Ajaccio. 

OURO [Monte de), (geogr.) monte dos Al- 
pes R '.! iico?, entre o cantão dos Grisôes « 
Valteri.i. 

oi'10-BflANCO, (geogr.) serra da província 
de Miiias-Geraes, no Brazil, no districto da 
villii de Queluz 

ouKO-F!!so , (geogr.) antiga povoação da 
provin^ia <le Oí)3'ár, no Brazil, 4 léguas a 
lésle da ciiiade do mesmo nome. 

ouHo-PRETo, (geogr.) comarca da provín- 
cia de Miíias-Geraes, no Brazil, creada an- 
tigamente com o nome do Villa-IUca. mas 
muito mais vasta do que é actualmente. 

ouRo-PRF.To, (gf^ogr.) grande cidade do 
Br.izii , capital da província de .Viinas-Ge- 
raes, e cíiboça da comarca de seu nome. 

oiiRo-pRETO, (geogr.) serra d:i província 
de iMinas-Oeraes , no Brazil, aggregado de 
vários montes, era Ires dos quaesestá sita a 
fidade de seu nome, capital de Minas-Geraes. 

oi.RHBAi.Ão. V. Orobalão. 

OUROLO, s. m. (de orla] V. Adjacência, 
contorno. «O — da cidade.-» Elucid. 

OUROPEL, s m. (Fr, oripcau, Ital. orpel- 
lo. úii oro, ouro, o /'c/Ze.) f«iiha mui delga- 
da c lustrosa de latão, que parece ouro ; 
(fig.) cousa cujo aspecto brilhante illude , 
«ouropéis da eloquência, » ornatos frívolos, 
que brilham sem aclarar, que lísongéam o 
ouvido sem commover. 

OUROPIMENTE OU OUROPIMENTO, íf. m. (Ff. 

orpiment, do i^at. au7'i pigmentum. ) ialde, 
rosalgar amarello; arsénico combinado com 
enx.ofre. 

OUROUP ou ALEXANDRE, (geogr.) uma das 
Kourílas russas, fundada pelo imperador 
Alexandre. 

ouRTHE ou ouRT, (geogf.) rio da Bélgica, 
nasce no gran-ducado de Luxemburgo, corre 
aoN., entra na província de Uege e lança-se 
no Me use em Liege. 

ouRViLLE, (geogr) cidade de França, a 4 
léguas NO. d'Yvetnt ; 1,1()0 habiiantes. 

OUSADAMENTE, ttdv. [mente suíT.) com ou- 
sadia. 

OUSADIA, s. f. audácia, atrevimento. — , 
empreza, façanha de gente ousada. 
! ousADiNno, A, adj. diminut, (p. us.)do 
i ousado. 

i OUSADO, A, p. p. de ousar ; adj. atrevi- 
1 do, ardido, audaz, v. g. animo — . Tinha — 
\acommetlcr a praça — , tido a audácia. 
16 



62 



ODT 



OUT 



ouSAMENTO, s. w. V. Ousaditt. 

OUSANÇA. V. Ousadia. 

ousÃo. V. Atrevimento, Ousadia. 

OUSAR , V. a. (Fr. oser , do Lat. auáeo, 
ere, atrever-se, e do p. p. ausus, que se atre- 
veu.) ter o atrevimento, atrever-se, v. g. 
não ousou tentar o assalto da praça. Não om- 
so dizer o que sinto. — , atrever-se , aba- 
lançar-se, arriscar-se. — se, v. r. (ant.) ter 
ousadias. — com alguém, insultar, affron- 
tar. 

OUSE, (geogr.) nome detrez rios d'lngla» 
terra: o 1.° no condado d'Yorck; cáe no 
Humber; o 2.° chamado Grande Ouse [Great- 
Ouse), nasce no condado de iíorthampton, e 
cáe no mar do Norte ; 3.^ Pequeno Ouse 
[Litle-Ouse] nasce no condado de Norfolk, e 
perde-se no grande Ouse. 

ousECRAR. V. Obsecrar, 

ousiA, s. f. V. Vssia, Adussia. 

ousio, s. m. V. Ousadia. 

ousKOUB, (geogr.) Scopi-Justiniana cida- 
de da Turquia, capital de l ivah, a 4j léguas 
80 de Sofia : 6,000 habitantes. 

oussiA. y. Ousadia. 

ousT, ((íeogr.) cidade de França , a 3 leguâs 
S. de S. Girons ; l,7t0 habitantes. 

ousTiouG-jEiEZOPOLSKOi, (geogr.) cidade 
da liussia europea, sobre o Mologa, a 112 lé- 
guas E. deNovogorod ; 3,í OO habitantes. 

OUSTIONG-VELIKI, (gOOgP.) istO Ó Oustiovg- 

a-Grande, cidade da Rússia Asiática, sobre 
a Soukonia. a 1 i) léguas E. de Vologda ; 
10,^00 habitantes. 

ousTvuLA, (gedgr.) o anligo Granico, rio 
da Turquia Asiática, no hvah de Biga. 

OUTÃA, s. f. obsol. « Lma perna de porco 
com sua — , » com parte levantada e direi- 
ta sobre elle. 

ouTÀo, s. m. (pedr.) parede a prumo dos 
lados do edifício, qne não é nera a de fren- 
te nem a fundo. 

OUTAR, V. a. ajuntar a palha ou casulo 
de trigo fazendo gyrar a joeira. 

ouTARViLiE, (geogr) villa de França, a 4 
léguas NO. dePilhiviers ; 500 habitantes. 

omAVA. V. Oitava. 

ouTAVADO. V. Oitavado. 

OUTCHE, (geogr.) cidade do reino de i aho- 
re, a 37 léguas S. de Moultan, perto da con- 
fluência do Setledje e do Tchennab. 

ou-TCHEOu, (geogr.) cidade da China, a 5 
léguas S. de K.ouei-hing ; capital de provín- 
cia. 

ouTEiRiNHO , s. m. diminut. de outei- 
ro. 

OUTEIRO, s. m. (Ff. hauteur.) collina, te- 
so pouco alto. Fazer — , mostaria. «Os — s 
aspiram a montes. » Vieira, alludindo a gen- 
te de baixa esphera que aspira a grandes 
cargos. — , (fig ) concurso de poetas que glo- 



sam motes. A denominação vem do monte 
Parnasso 

OUTEIRO, 'geogr.) ha em Portugal algumas 
povoações deste nome, cujas principaes são ; 
1 .*, que é villa do districto de Bragança, don- 
de dista 3 léguas para o SE. 628 habitantes. 
2.*, povoação do concelho de Refojos de Bas- 
to ; a 6 léguas de Braga, 500 habitantes. 3.^ 
fregufzia do concelho de Vianna do Lima, 
85U. 4.*, denominada — da Cortiçada^ no 
concelho de Santarém, 350. 5.' outra povoa- 
ção denominada — Secio, no concelho de 
Chaves, 480. 6.^, com o apelido — dos Ga- 
tos, ao S de Lamego ; 460 habitantes. 

OUTEIRO, (geogr.) villa da Guiana brazi- 
leira, n'uma colUna nas .idjacencias da la- 
goa Urubuquára, formada pelo rio do mes- 
mo nnme, aílluente do Amazonas, pela mar- 
gem esquerdfl. 

OUTIVA, s. f. (do Lat. auditus.) ouvido. 
Paliar de — , por ter ouvido, pelo que ou- 
viu dizer Aprender de — , de orelha, ou- 
vindo lições e S"aQ Itr. 

OUTO. V. Oiio. 

ouTO, s. m. (de outar.) ajuntamento de 
palha e casulo do trigo na joeira. 

OUTONAL, adj. dos 2 g. (Lat. autumna' 
lis.) do outono, v. g . kaiasoutonaes. Equi- 
noxio — . 

ouTONAR , V. a. [outono, ar des. inf.) 
(agric.) abrir com as primeiras aguas do ou- 
tono, V. g. — as terras. 

ouTONiço, A, adj. \ , Outonal. 

OUTONO, s. m. (Lat. awíwmntís, que creio 
derivado do Egypcio outah, fructo.) a esta- 
ção em que a maior parte dos fruclos das 
arvores amadurecem nos nossos climas; se- 
gue-se ao estio e conjprehendeos mezes de 
í>etembro, Outubro e Novembro. — , (fig.) o 
trigo, cevada e centeio que se colhem no 
outono. O — da vida idade que precede a 
velhice. 

OUTORGA, s. f. consentimento, approvação, 
permissão. 

ouTORGADAMENTE, udv. (aat ) do boa men- 
te, de boa vontade. 

OUTORGADO , A, p, p. de outorgaf ; adj. 
concedido, v. g. graça — . 

ouTORGADCR , A, at/j. OS. que outor- 
ga- 

ouTORGAMENTO, s. w. V. Outorga. 

OUTORGAR , V. a. (Fr. octroyer , do Lat. 
auctoro, are,) conceder, permittir. — se, v. 
r. reconhecer- se , confessar-se, «4Jue vos 
oittorgueis por vencido. » Barros, Clarim. 

ouTREFURENS, (geogr.) vilIa de França, a 
1 quíirio de légua E. de Santo Estevão ; 3, .^^00 
habitantes. 

ouTREGA , s. f. rixa nova, briga repen- 
tina. 

OUTREM, s. dos 2 g. (do Fr. autrui.) on-^ 



ORP 



OIW 



tra pessoa. — ninguém, {Ant.) nenhuma ou- 
tra pessoa. 

Syn comp. Outrem, outro. A diíTerença 
que existe entre alguém enigum, se (]áres- 
peotivamente entre outrem e outro. Outrem 
refere-se sempre a uma pessoa indetermi- 
nada ; outro é um adjfclivo que se diz de 
uma pessoa ou cousa distincta da que fal- 
ia, ou da de que se falia. No seguinte lu- 
gar de Vieira se vê o verdadeiro u«o destes 
vocábulos. « Mas como então não havia no 
mundo ouíi^o amor , nem outrem a quem 
amar, que faria Adão para provar o amor que 
desejava encarecer? iI, 9 8). » 

OLTRi. V. Outrem. 

OUTRO, A, adj articular (Lat. alter, ur. 
heteros ; rad. élés, sócio ; Fr. autre.) não 
o mesmo, diverso. Jorna — caminho, enão 
vás por este. Não ha — meio. — eu, istoé, 
pessoa que faz as minhas vezes, ou que eu 
considero como se fora a minha proprsa pes- 
soa. De — modo ; por — maneira. O— dia, 
próximo passado. — dia , um dia próximo 
futuro, V. g. fica para — dia. 

ouTRosi ou ouTRosiM , ãdi'. lambem de 
mais. além disso. É usado nas leis. 

OUTROTANTO, A, adj. m. OUTRATATSTA, f. 

(comp.) igual em quantidade, numero, pe- 
so, qualidade. 

OUTUBRO, s m (í.at, octeber,áe octo, o - 
to, porque era o oitavo mez do antigo an- 
uo romano.) o mez que se segue a Setem- 
bro e precedo iNovembro ; é o decimo do nos- 
so aimo. 

ouvENÇA. V. Avença 

ouvENÇAL, s m. (ant.) official da fazenda 
ou de justiça ; nos conventos, o religioso 
que exerce algum cargo administrativo. 

ouvezaría, erro por Urivesaria. 

ou VIA R. V. Uivar. 

OUVIDA, s. f. (subst. da des f. de ouvi- 
do.) outiva, o acto de ouvir. Saber de — , 
pelo ouvir dizer. Testimunhade — : Lugar 
boa — , (ant.) onde se ouve bem. 

OUVIDO, * m. (Lat. auditus, de audio, 
ire, ouvir.) o órgão de ouvir, o interior do 
meato auditivo Dizer ao — , em voz baixa, 
para que outros não oução. íla fundição, o 
orifício por onde corre o metal para o mol- 
de. Na arma de fogo, o buraco por onde se 
communica o fogo da pólvora á carga. Dar 
— s, (fig.) prestar attenção. Abrir os — sda 
alma, excitar a attenção. 

Syn. comp. Ouvidos, orelhas. O ouvido é 
o sentido de ouvir, e o órgão coUocado na 
cabeça dos animaes pelo qual percebem os 
sons. Orelha é a parte externa e cartilagi- 
nosa deste órgão, a qual lhe serve de guarda 
e como que recebe os sons que se dirigem ao 
Bepebro pelo ouvido, e em seotjdo figurado, 



o 0Uf^o, como BestAi locuções ; « ]>Ár ore- reu^.em 1^78. 



lhas, fazer orelhas de mercador, prestar ore^ 
lhas attentas, ter orelhas delicadas, etc. etc » 
Com tudo o uso prefere o vocábulo OMuidoí, 
com bf)a razão, sempre que nos referimos 
á percepção auditiva, e deixa o vocábulo 
orelhas para designar a parte extern» doou. 
vido, com a mesma differença que tinham os 
dous Latinos, auris e auricula. S. Pedro 
í artou a orelha a Malcho, e não o ouvido. 
Meter um fuso na orelha, é fura-la com el- 
le ; meter um fuso no ouvido, é introduzi- 
lo pelo orifício do ouvido. As frieiras nas 
orelhas causam uma sensação dolorosa que 
nada se parece com a dôr de ouvidos. 

OUVIDO, A, p. p. de ouvir; adj. percebi- 
do o som ; escutado, attendido, v. g. tinha 
— o<5 tambores ; linha — dizer. 

OUVIDOR, s. m. primitivamente juiz pos- 
to pelos donatários em suas terras ; depois 
for^m magistrad >s nomeados pelo rei, e su-f 
periores aos juizes de fora. v. g. — da a/- 
fandega, que ouviam as causns dos nego- 
ciantes. — do eivei, do crime. Hoje sãocar-^ 
gos do conselho d'estado. — , (p. us.) our 
vinte que avalia os méritos. — , tubo ou 
funil acústico, parafacditar o ouvir ás pes- 
soas duras em ouvido. 

ouviELAS, s. f (t. do Alemtejo) aberturas 
nas terras para o escoamento das aguas da 
chuva. 

ruviNTE, s. m. (Lat. audiens, tis, p. a. de 
audio, ire, ouvir.) o que escuta. 

OUVIR, V. a. (Fr. ouir, do Lat. aud>re.) 
sentir, perceber os sons, as vozes ; escutar, 
V. g. — de confissão, os pecados de que o 
penitente se accusa ao confessor. — a razão^ 
altender a ella, adraittir. 

Syn. comp. Ouvir, escutar. Oimrépert 
ceber os sons p-dos órgãos do ouvido. Es^ 
cutar é applicar o ouvido para oitnr bem o 
que se diz. Ouvir é ura acto natural de tO" 
dos os animaes que não são surdos ; escutar 
é uma acção reflexa que vem da curiosidade 
oij da desconfiança, por isso dizemos prover- 
bialmente : Quem escuta, de si ouve. 
ouvo. V. Ono. 
OUZTA. V. Ousadia. 

ouzouER-LE-MARCHE,fgeogr.) villa de Fran-» 
ça, a 1 2 legnas ^E. de Blois ; ! ,100 habitan- 
tes. 

ouzouER-soBRE-o-i.OTRE, (geogf.) viUa do 
França, a 4 léguas NO. def,ien; 700 hab. 

ouzouN-HAÇAN, (hist.) chamado vulgar- 
mente Uzum Catan, príncipe turco da dy- 
nastia do Carneiro Branco, destronou e fez 
morrer (leangir, filho de Tamerlôo entrou 
em guerra com os Turcomanos do Carneiro 
negro, tomou-lhes todas as possessões, voltou 
as suas aroias contra Mahomet lie invadiu a 
Ásia Menor, mas foi vencido em 1477 e mor- 



II 



OVK 



OVI 



OVA, s. /"., ffiais us. no pi. Ovas, osovo- 
zinbos do peixe e de alguns insectos enoer- 
rados em unia bainha membranosa. Kas bes- 
tas, foHiculo nos pés perto das jiinlas. 

OVAÇÃO, s. f. (Lat. ovatio, oais, de ovis, 
ovelha, porque a viclima sacrificada ora uma 
ovelha , e não um touro, como no trium- 
phoj triumpho menos solemne, entre os an- 
tigos Romanos. Tinha logar a Ovação por al- 
guma vantagem secundaria alcançada sobro 
o inimigo, ou por alguma victoria sobre es- 
cravos, piratas ou rebeldes. O vencedor era 
conduzido ao Capitólio onde se sacrificava 
uma ovelha preta. 

OVADO, A, adj. da feição de ovo, oval. 
OVADO, A, p. p. de ovar. criado ou posto. 
OVAL, adj. dos 2 g. (Lat. oi;a/Í5.) da for- 
ma de ovo, ovos. 

OVANDO, (hist.) governador da ilha de S. 
Domingos pela rainha izabel (de 15i)l-15U8) 
serviu-se dos mais atrozes meios para man- 
ter o seu dominio, reduziu a populaçào da 
ilha, despovoou asLucayas para compensar 
o vácuo produzido em S. Domingos e para os 
trabalhos das minas, morreu em Hispanha 
em pacifico retiro. 

OVAS, (geogr.) povo da ilha de Madagáscar, 
habita o interior em numero de 1 , 01)0, 000 
habitantes, e tem por capital Tannanari- 
va. 

ovATíTE, adj dos 2 g. que triumpha em 
ovação ; (fig.) triumphante, ufano. 

OVAR, V. a. ou n. {ova, ar des. inf.) criar 
ovas, o peixe; pôr ovos, a galMnha. 

OVAR, fgeogr.) vila e freguezia de Torlu- 
gal, situada no canal do mesmo nome, af- 
fliipnte do rio de Aveiro, e na margem se- 
ptenlrional da mesma ; 1 i ,700 habitan- 
tes. 

OVÁRIO, s: m. (Lat. ovarium.) Os — s, 
(anat.) são dois corpos que encerrara os ovos 
nos animaes oviparos, ou os germes na mu- 
lher e nas fêmeas dos viviparos. 
OVE. (ant.) por Houve. 
OVEENÇA, (ant.) V, Ovença. 
OVEENÇAL, (ant.) V. Ovençal. 
OVEIRO, 5. m. ovário. — , na volateria , 
orificio por onde saem os excrementos gros- 
sos do falcão ; peça de servir na mesa os 
ovos cozidos ou assados. — , peixinho verde 
da lagoa de Óbidos. 

OVELHA, s. f. {Lai. ovicula, àim. deovis; 
Egypc. ohi , rebanho, e ecoov , ovelha.) a 
fêmea do carneiro : symbolo da mansidão e 
docilidade. As — «, (fig.) os parochianos a 
respeito do parocho ou pastor. 

OVELHA DO MARÃO, (geogr.) villa de Por- 
tugal, no concelho de Amarante ; 780 ha- 
bitantes. 

OVELHEIRINHO , s. w. diminut. de ove- 
Iheiro. 



ovRLHÉiRO, s. m. (des. eiró), pastor de 
ovelha. 
ovELHiNHA, s. f. diminut. de ovelha. 
ovELHUtf, adj. m. de carneiros, borre- 
gos, cordeiros e ovelhas. Gado — . 

OVEM, s. m. (naut.) termo genérico dos 
cabos que sostem mastros a prumo descen- 
do da garganta destes até ás mesas da guar- 
nição. Vi. Ovens. 

ovencaduua, s. f. (naut.) a totalidade dos 
ovens, a enxárcia real. 
OVENÇA, (ant.) oíficio. 
OVENÇAL, s. m. (ant.) oífi ciai como mor- 
domo cobrador de rendas, oíTicial de jus- 
tiça ou da fazenda. — s do convento, olfi- 
ciaes, adranistradores. 

ovKRBEECK, (hist.) pintor hollaudcz (IG60- 
1701)) estudou em Roma, voltou á sua pátria 
coiTi uma rica coUecção de desenhos, e mor- 
reu moço em consequência do excesso de tra- 
balhos e prazeres. 

ovER-YssEL, (geogr ) província do reino de 
llollanda, entre asdeFriza edeDrenthe ao 
N., o reino do Hanover a E , a Prússia ao 
SE., a província do Gueldre ao SO. ; 160,000 
habitantes. Capital Zwoll. 

ovíADo, A, adj. [de ovação), (ant.) trium- 
phante, soberbo. 

ovinio, (hist.) P. Ooidíus Naso. celebre 
poeta latino, nasceu em Salmona no anno 
43 antes de Jesu-Christo, foi mandado para 
Homa a estudar jurisprudência, mas dedi- 
cou-se á poesia, e p'l<ts seus versos obteve 
entrada no palácio doAiigusto, teverel;tções 
com todas as manbilidades lilterarias do seu 
século. No anno 9 de Jesu( hn*sio foi exila- 
do por Augusto para Tomes O pret^^xlo des- 
ta desgraça foi a licença das suas poesias, me- 
nos livres todavia do que muitas dos seus 
comtt^mporaneos, a verdadeira causa nunca 
se soube. Ovidio morreu era Tomes dt^pois 
de 8 annos de exilio. As obras de Ovidio são : 
As Metamorplioses ; as Heroides ; os Tristes; 
o liemedio d' Amor, etc. 

oviDiopoL, (geogr.) Hadjider dos Turcos, 
cidade da Rússia Europea, sr»bre o Dniestr, 
a 5 léguas do mar Negro ; i ,600 habitantes. 
• OVIEDO, (geogr.) LacMS ^síwrum, Ovtum, 
cidade de Hispanha , capital das Astúrias 
e da intendência d'Oviedo a 97 léguas NO de 
Madrid; 10,500 habitantes. 

OVIEDO (intendência de), (geogr.) uma das 
divizões administrativas de Hispanha , no 
mesmo terreno que o antigo principado das 
Astúrias. 

OVIEDO (reino de), (geogr.) primeiro nome 
do reino das Astúrias, ou reino das Asturias- 
e-Leão, assim chamado desde a rpocha pri- 
mitiva da mor archia hispanhola, de!>Je Froi- 
la, 3.° successor de Felagio, que fez a sua 
residência em Oviedo atéOrdonholl, que se 



OVE 

< 'Xt > 

estabeleceu era Leão. Dez reis se succederara 
no trono de Oviedo; os seus nomes são os 
seguintes : 

Froila 757 Aífonso [resta- 

Aurélio 768 bckcido) ... 791 

Silo 774 Ramiro I. ... 8V2 

AíTonso II , o Ordonbo I. ... 8MÍ 

Casto 783 AÍFonso III ... 866 

Maurpgalo ... 78.'^ Garcia I.. 'Jl0-91o 

Bermudo 788 

OVIEDO E VALDEZ, (hist ) viajaute e histo- 
riador hispanbol. nasceu era 147^, foi in- 
tendente das minas d'ouro da Daria. Deixou : 
Historia geral e natural das índias occi- 
dentaes. 

oviELAS, s. f. pi. no Alémlejo, alverc.ft.>. 

oviLABíS, (geogr.) cidade da iNorica, sobre 
o Tranniis (Traun) éhoje Lambach ou Wels. 

OviPARO, A, adj. (Lai. oviparus, áeovum, 
ovo, (ifiario, ere, parir), quepõeovos, dos 
quaes fecundados sahem os pintos, etc. Ani- 
maes — s. 

oviSTA, s. m. (des. ista], o naturalista 
que adopta a opinião de Spallanzani, e crê 
que lodo o animal procede do nm ovo que 
contém os rudiíientos do futuro aniraah 

ovo, s. m. (Lat ovum, Gr. 6on, em Eó- 
lio ôfon, egyp. ouoli, do rad oué, gprme). 
corpo de diversa forma , espherica ou el- 
liptica, composto de uma substancia araa- 
rella ou gcmma, envolta em oulra branca 
albuminusa ou vlnra, e encerradas ambas 
em uma capa mais ou menos solida, e de 
côr em pr^ral branca ou esbranquiçada. — s 
de galUnha, de ema, de crocodilo, etc. Cheio 
como nm — , bem cheio. Sair da casca do 
— , (fig ) começar a ser senhor de si. Âo 
frigir dos — s, (phr. vulg.) qu;«ndo vier a 
occasião. — s moUès, doce feito do ovos e 
assucar, —s fiados, dote de ovos em forma 
de íios. — , ornato oval das columnas ióni- 
cas. — philosophico, um vaso usado em ope- 
rações chimicas. 

ovÔA, (geogr.) villa de Portugal, no con- 
celho de Tondella, a 6 léguas de Vizeu ; 
contém 900 habitantes, e o seu concelho 
1,500. 

OVULO, (bot.) é assim chamado o grão ain- 
da encerrado no ovário, antes ounaepocha 
da fecundação. 

owEN, |;hist;.) Oemis ou Audoenus, poe a 
latino moderno, nasceu no paiz de Galles. 
Deixou dez livros deepigrammas, que imi- 
tara muito oi de .Marcial 

ovEN CAMBRIDGE, (hjst.) pocta inglcz, eS' 
criptor distinclG, nasceu em 17! 4, morreu 
em 1802. Escreveu a Scribleriada ; Historia 
da guerra da índia entre os Inglezes e os 
Francezes na cosia de Coromandel. 

VOL. IV, 



OXY 



65 



owHYHíiA ou oouAiHi, (geogp.) a maiof das 
ilhas Sandwich e mesmo de toda a Polyne- 
sia ; 150,000 habitantes. Capital Tiah-Tato- 
na. 

OXALÁ, iníerj. (do arab. enxá Allah, quei- 
ra Dou>, se Deus quizer. E voz composta 
(^a fu-uiiiu!,! en, se, do verbo xá, querer, 
e Allah , iJcus), queira Deus, provera a 
Deus. 

oxALiDEAS, (boi.) familia natural de plan- 
ta^, corhecida peks seguintes- caracteres: 
cálice com cinco divisões profundas, direitas 
algumas vezes um pouco desiguaes e presis- 
Irmtes; a corolia é composta por cinco péta- 
las onguiculadas, iguaes entre si, livres e 
c.iiírii ('"?'ií juntas, d« maneira aparecerem 
uma corolia monopetala ; estamines em nu- 
mero de dez, cinco alternas, pequenas e op- 
postas ás pétalas ; todas são monadelphas 
pela baâo. 

OXAMALA, interj. de lastima, ou senti- 
mento de compaixão. E' usada nas pro- 
víncias. 

oxEL, fgeogr.) aldéa da provinoia (Je Bar- 
dez com uma freguezia da itivocacão do Se- 
nhor do mar. 

OXENSTIERN OU OXETVSTIERNA (Âxel, COudo 

de), (hist.) ministro sueco, nasceu em Upland 
em 1583. estudou em Allemanha foi empre- 
gado, por Carlos IX era diversos luissões im- 
portantes, foi nomeado chanceller e .1 .° mi- 
nistro quando Gustavo Adolpho subiu ao tro- 
no, seguiu orer nas suas campanhas contra 
os Russos, negociou em 169/ a paz de Stol- 
bova, dirigiu algumas operações na guerra 
da Polónia, foi governador g^^-al da Prussia 
durante aoccupação Sueca; foi a Tais con- 
ferenciar com Uichelieu depois da b.Ua lha de 
.Nordlingen euniu-secora «He contra a Áus- 
tria. Morreu em 165 k Escreveu algumas 
obras. 

oxiío, s.m. o espantar ou levantar a ca- 
ça. 

OXFORD, (geogr.) Oxonium, cidade d'In- 
glaterra, capital do condado e bispado, en- 
tre o Cherwell e o íris, a 22 leguns O. de 
Londres, 2 1,000 habitantes ; l,(iOt) estudan- 
tes. Bispado ; Universidade celebre ; biblio- 
theca cora ^'00,000 volumes e '2r)000 manus- 
rriptos. O condado d'Oxford, entre os de 
Rorthanipton ao NE. Buckingham a E , Berks 
aoS. eaoSO., Warwick a O. ; 152.000 ha- 
bitantes, lia muitas cidades do nome d'Ox- 
ford nos Estados Unidos ; as mais importan- 
tes são na Kew-Jersey, em New- York, no 
Maryland. 

oxi, em lermos derivados do Lat. e Gr. V. 
Oxy. 

oxG, do Gr. oxifs, acido, azedo. 

■ MCANTHA, 5. f. {oxy prcf. G acantho)^ 
'■irUíci-^o. 



i7 



66 



OXP 



ozo 



oxTCRATO, s. w». (oa?t/ pref.), viaagre des- 
temperado. 

oxYCROCio, adj. m. [ph&rm.) Emplasto — , 
em que entram diversas substancias entre as 
quaes predomina o vinagre e açafrão, [ero- 
cus Lat.) 

oxYDAÇÃo, s. /". verb. (chim,) conversão 
em oxy lo. 

oxYDADo, A, p. p, de oxydar, adj. con- 
vertido em oxydo. 

OXYDAR, v. a. (chim.) converter em oxydo : 
— os metaes. 

oxYBO, s. m. (chim.) corpo combinado 
com o oxy {eneo , que não goza das pro- 
priedades de acido. 

oxYDRACOs, (gfiogr.) povo da índia, áquem 
do Ganges, habitava na confluência do lly- 
draote e do Acesino. i41exandre esteve para 
perder a vida no cerco da sua capitl. 

OXYGEN.AÇÃo, s. f. verb. (chim. mod.) com- 
binação de um corpo com o oxygeneo. 

oxYGENADO, A, p. p. de oxygeoar, adj. 
combinado com o oxyueneo. 

oxYGENAR, V. a. (chim. mod.) combinar 
com o oxygeneo. — se, passivo e impessoal, 
combinar- se com o oxygeneo. 

OXYGENEO, s. wi. (chim.) nome dado pe- 
los chimicos a um corpo reputado sim- 
ples que na maior parte dos compos- 
tos ácidos é o principio scidificante. O ior- 
mo, derivado do Grego, significa </cracío pe- 
lo acido, e não gerador de acido, ni«s pre- 
ferio se a desinência gen a gon, par» evi- 
tar a confusão com oxygono. aciitaniíulo. 
Outros o denominaram ar ri tal porque vi- 
vifica o sangue venoso no bofo. 

OXYGONO, A, adj. {oxy pref , í^gudo, o 
gonia, angulo), (geom.), que tem os ângulos 
agudos. 

f XYMEL, s. m. [oxy pref-, e me/), mel 
mi.',lurado com vinagre : — scillitico, em que 
entra scillo ou cí bul'a alharran. 

OXYUIA, (brit.) género de plantas dafami- 
iia das i'olyg!inefiS e da liexandria Digynia, 
Linneu. 

oxYRRHYNCO, ígeogr.) hojeBéhnésé, cidn- 
de do Kgypto, sobre o canalde Joseph, a O. 
do Mio. 

0XYRRH0D1N0, s.m. [oxy pref. erhodon, 
rosa), composição de agua rosada, óleo e vi- 
nagre rosados. 



oxYS. s. m. [oxy pref., e saccharum as- 
sucar), bebida de vinagre, sumo de jomaas 
e mel. 

OYA, s. f. (t. asiat.) titulo de alta no- 
breza do reino de Sião. 

OYÃA, (geogr.) aldeia de Portugal, a légua 
e meia de Aveiro; 2,6^0 habitantes. 

OYAPOCK ou OAYAPOCK , (geogr.) pío dd 
juiana brazileira ; nasce da serra Baracai- 
na, corre pelos montes sempre doocciden- 
te para o oriente até ir desembocar no mar, 
servindo de limites ás Guianas Ingleza, ilol- 
landeza o Franceza. 

OYAPOK, ('geogr) rio daGuyana, separaa 
Guyana Franceza do Brazil e cáe no Oceano 
Atlântico. 

oyarzun, (geogr.) CEaso, cidade de His- 
panha, a 2 léguas SÁ. de S. Sebastião ; 3,400 
habitantes. 

OYONNAX, (geogr.) cidade de França, a 3 
léguas de Nanuia ; í ,980 habitantes. 

OYS DA RIBEIRA, (geogr.) viUa e freguezia 
de Portugal, a â léguas de Aveiro, situada 
sobre o rio Águeda ; 36i> habitantes. 

ozAGRE, s. 71%. bostellinhas que nascem na 
moUeira das crianças, selspgum. 

ozena, s. f. (lat. ozcena, do Gr. ózó, 
cheirar mal), chaga corrodente no nariz e 
que verte pus fétido. 

OZANAM, (hist.) malhematico francez, nas- 
ceu em 1 4i>, morreu em 17l7. Deixou: 
Tractado Gnomonica ; Methodo geral para 
traçar os quadrantes; Uso do compasso na 
proporção explicada, ele. 

OZARK, (geogr.) montanhas da America do 
Norte, extendem-se do Missouri a Heel-Ri- 
ver. 
! OZEROY, (hist.) autor dramático russo, nas- 
! ceu em 1770, perto de Tver, morreu em 
18.6, sérvio com distincção. Assuas princi- 
; pães obras são: a Morte d'Oleg ; Q^dipoem 
\ Álhenas ; Vingai ; Dm,itri-Uonskoi, ele. 
I oziERi, (geogr.) cidade da Sardenha, capi- 
tal da provincia d'Ozieri ; a 11 léguas SE. de 
Sassari ; 8,00 < habitantes. Bispado. 

ozoPHAGO, V. Esophago. 

oz «RIAS, s. f. pi. jogo de cartas, que 
se joga dando a cada parceiro nove car- 
tas. 



PAC 



PAC 



P 



p, s. m. pê decima sexta letra doalpha- 
beto portugiiez, e duodécima das cunsoan- 
tes. É aíliin do B Edtre os gregos era nu- 
meral de St* P, abreviatura por Pecfe, Pro- 
vará, Pergunta 

PÁ, s. f. (Cast. e Lat. pala], instrumen- 
to de páo ou ferro, cora cabo e extremida- 
de espalmada e levemente excavada, cujo 
uso he de tirar o lixo, a lama das tuas, etc. ; 

— de forneiro, a cora que se tira o pão do 
forno ; — de beHa!í, cavallos, bois, a parte 
mais alta e carnuda da perna junto á arti- 
culação comotronco. Ficarápá, (loc.) ple- 
bêa, estar reduzido a varrer o lixo, a lima. 

PAACKftio, s m. (de paço renl), (ant.) 
guarda do p.-íço : — môr, vé lor das obras 
dos paços reaes ; — do terreiro do trigo, 
administrador. 

PAAÇo, (ant.) V. Paço. 

PAADiNHAMENTE, (adv. ant.) alterfçào de 
palatinamente, ás claras. V, Claras (ás). 

PAATEiRA, s. f. (ant ) V. Padeira. 

PAATEiRO, s. m (ant.) V. Padeiro. 

PÁBULO, s. m. (Lat, pabulum, alimento) 
(ant ) pasto, alimento, sustento. O ar é o 

— da vida ; — , chulo, diz-se por parvo, 
patola, V. g. fulano é mui — . 

PACA, s. /. (h.n.) animal quadrúpede mon- 
tez do Brazil, pareci io com o porco. — , gé- 
nero de roedores, pertencentes á divisão dos 
Nào-CIaviculares, e cujo typo é um quadrú- 
pede da America meridionai, indicado pelos 
autores com o nome de Cavia Paca. 

pacaCiano, (hist ) P. Claudíus Mareias 
Pacaiianus, tomou a purpura na Gallia me- 
ridional em 249 , mas foi derrotado por 
Decio. 

pacacidade, s. f. V. Mansidão. 

PACAJAZ ou PACAYÁ, (geogr.) rio da pro- 
víncia do iará, no Brazil, no districto da vil- 
de Cametá. que vem de mui longe, ese ajun- 
ta com o Taigipurú ou braço meridional do 
Amazonas, abaixo da confluência do Ana- 
pú. 

PACAL, adj. dos'^ g. es. m. adjacente aos 
paços. pi. Paçaes. V. Passal. 



pacandiere; (geogr.) villa de França a 5 
léguas e meia NO. de iloanne ; l,7oO ha- 
bitantes. 

.PAÇANHA, (geogr.) aldeia da província de 
Minas Geraes,no Brazil, na comarca do Serro, 
28 léguas com pouca diíTerença ao SE. da 
cidade do mesmo nome, e44 ao NE. da de 
ouro Preto ; 1 2()U habitantes. 

PACA-isovA, (geogr.) rio da província de 
•vIato-Grosso, no Brazil. 
\ PACÁo, s. m. nome de um jogo de car- 
tas, e particularmente orei, o sate e o dois 
i neste jogo. 

i PAÇÃo, adj. dos 2 g. (ant.) V. Cortezão^ 
Palaciano. 
Pacato, adj. dos tg. (Lat. de pax, cis^ 
i pazj, quito, tranquíllo. socegado, pacifico de 
I condição. Homem, animo — . 
I PACATO DEPRANio , (hist,) po^ta 6 ora- 
dor latino, nasctu em Bordeos ou Agen, 
; teve estreita amisade com Ausonio, Foi 
I mandado a Roma era 388 para felicitar 
1 Theodosio pela victoria alcançada sobre Má- 
ximo, e nesta occa>iào pronunciou um Pane- 
gyrieo do imperador. 

PACATLBA, (geogr.) antiga aldeia da pro- 
víncia do Sergip>, no Brazil, 

PACCANARi, (hist. ^ enthusiastatyrolez, fun- 
dou no X Vlll século a ordem dos Padres da Fé 
restabelecendo assim debaixo de outro nomo 
a ordem dos Jesuítas . que acabava do ser 
abolida. Morreu em 18()i. 

PACCioNAR, V. n. Y. Pactear, Pactuar. 
PACEiRO, s. m. (ant) o mesmo que par- 
ceiro. 

PACENSE, adj. dos 2 g. (do nome Lat. 
de Beja, Pax Julia), da cidade de Beja, no 
Alémtêjo. Colónia, bispo — . 
PAGER, V. a. V. Pascer, Pastar. 
PACHA ou BACfiA, (hist.) nome genérico, 
com que se designa os altos funccíonaríos 
turcos encarregados da administração civil, 
militar, judiciaria e financeira das provín- 
cias ou pachalik A insígnia dos pachás é 
uma cauda de cavallo ; a uns compttem 
duas, a outros três, a alguns só uma, cou* 
17 * 



pAc 



PAC 



forme o gráo, que occupara na hierarchia. 

PACiiÃo, s. m. nome de ura peixe do rio. 

PACiiARiL, s. m. (t da Ásia), arroz com 
casca. 

PACFIECO, (gengr,) cidade do nispanba, a 
5 léguas e meia JNO. de Carthagena ; 4/íOO 
habitantes, 

PACHECO (Duarte) , (hist ) distinctissimo 
guerreiro pnrtuguez, (Mim dos que por seu 
valor e altos feitos mais illuslraram o nome 
portuguez no Oriente, polo que mereceu os 
numes de Achilles Lusitano, que lhe deu Ca- 
mões, e o de Sansão Porluyuez. Em compa - 
nhia de AíTimso de Albuquerque passou ú Ín- 
dia, onde obrou por toda a parle prodigios de 
valor, e." peei íil mente era Cochim e (iambalào, 
e na acção qae teve logar entre os reis 
de Cochim e Calecut em 18 de Março de J 5()4, 
junto ao rio que divide aquelles dois reinos, 
aonde elle commandava cento e cincoenta 
Portiiguezes, com que derrotou milhares de 
inimigíts. Em 1505 voltou ao reino, indo El- 
Rei D. Manuel rerebe-Io, etrazendo-o d. bai- 
xo do palio; mandando além disso o mesmo 
monarcha dar parte de suas façanhas ao papa 
e aos soberanos da Europ.n, ufanado de ter um 
tal va'^sallo, e na verdade as victorias de Pa- 
checo puzerara extaclivo todo o Oriente e en- 
cheram de estrondo o Universo. Nomeou-o 
El-Uei D. Manuel governador de ?<. Jorge de 
Mina ; raas sendo calur.niado pelos seus in- 
vejosos, jazeu por muito tempo n'uma prisão, 
depois de solto viveu em tal misf-ria, que foi 
morrer aura hospital, c foi sepultado por es- 
molla. Tal foi o lim do heroe da Ásia I Dei- 
xou um livro : Esmeraldo de situ arbís, em 
que trota das descubertas dos Porluguezt-s, e 
que ainda não foi impresso. 

PACHECO, (Francisco sinto) (hist.) viveu 
século XVIÍ, foi natural davilla de Tanger 
onde foi capitão mór. Escreveu Tratado da 
cavaUaria de Gineta. 

PACHECO (Maria), (hist,) esposado D, João 
de Padilha. Depois da derrota de Villnlar, e 
execução de seu marido, mostrou heróica 
coragem para o vingar, e sustentou era 
J552 um etéreo em Toledo contra as tropas 
de Carlos-Quinto ; faliando-lhe os viveres 
evadiu-se da cidade e refugi^u-se em Por- 
tugal, onde morreu pobre e obscura. 

PACHECO, (hist ) pintor, poeta e escriptor 
hispanhol , nasceu em 1571, morreu em 
.l6-')4, fui o fundador da escolla sevilhana 
e mestre de Velasquez. O seu primor d'ar- 
te é o Juízo Universal. Escreveu Um tra- 
cfado elementar de pintura. 

PACuiNo, (geogr.) Pachiviim, cidade da 
Sicilia, a 6 léguas S. de Noto. 

PACHiRA, (bui ) género de plantas ria fa- 
milia das Bombaceas, da grande tribu das 
Mdlvaceas. 



PACHLYDE (h. n.) género de insectos da 
ordem dos llemipteros. 

PACHO, (hist.) viajante italiano, nasceu em 
171)4, visitou muitas vezes o Egypto, pene- 
trou na Maraiaricaena Cyrenaica. Suicidou- 
se em 182ÍJ. Escreveu Viagem na Murm,arica 
e Cyrenaica. 

PACHOLA, s. m. (pleb.), madraceirão. 

PACHONCHETAS, s. 171. pi. (pleb.) palavras 
fúteis. 

PACnÔHRA, s. f. disposição mui mansa, 
fleumalicamente, vagar. 

PACHORRENTAMENTE, adv.{mente suíT.) com 
pachorra. 

PACHORRENTO, A, ttdj . dotado dc pachoF- 
ra, que se não altera nem apressa com cousas 
de cuidado. 

PACHUCHADA, s. /". (vulg.) parvoico grande 
no fallar, despropósito. 

PACHYDERMES, (h. u.) sexta ordcm da clas- 
se^dos Mammiferns, no reino animal. 

PACHYMERE , (hist.) histoHador bizantino, 
nasceu em 12V2, morreu em 1310. Deixou 
uma Historiado Orienie e outras obras 

PACHYsiEROS, (h. n.j goucro de insectos da 
ordem dos Hemipteros, secção dos Heterople- 
ros. 

PACHYNEMA, (bot.) gcuero do plantas da 
família das Dill-niacpas e da DacandriaDi- 
gyiiia. 

PACHYPHYLi.uji, (bot.) gencro de plantas 
da familia das Orchideas, e da Gynandria 
Monandria. 

PACHYRizo, (bot.) género de plantas da 
familia das Leguminosas , e da Diadelphia 
Diicandria* 

PACHYSATSDRA, (bot,)genero de plantas da 
familia das Euphorbiaceas e da Monoecia Te- 
tra nd ia. 

PACHYSTEWON, (bot.) género de plantas da 
familia das Euphorbiaceas e da Dioecia Mo- 
nandria. 

PACHYSTOMA, (bot.) gcucro do plantas da 
familia das Orchideas e da Cynandria Dian- 
dria. 

PACíAUDi, (hist.) ura dos mais sábios anti- 
quários do XVlll século, nasceu em Turim 
em 1710, morreu era 1785. Deixou : De sa- 
cris christianorum balneis ; Monumenta pe- 
loponesiaca, ele. 

PACiDO, A, p.p. de pacer. V. Pascer. 

PACIÊNCIA, s. f. (Lat. patientia, de pa- 
liar, i soíTrer), soíTrimento, tolerância de dór 
physica ou moral, de trabalhos, aílliccões, 
— , perseverança em trabalho, obra que re- 
quer muito tempo e continuada applicação 
ou esforço. Obra de — . Ter — ; levar com 
j — . Não ter — a cousa, oupessoa, (loc. ant.) 
i não podf^r tolerar. Apurar a — , mortilicar 
! com acções ou palavras, irritar. Os antigos 
usaram do pi. —s, hoje é desusado. — , (fig ) 



uc 



PAC 



69 



escapulário ; -*, jocoso escudeiro de fidalga 
em Lisboa. — ', s. f. (Fr. patience], espécie 
de cabaça, planta medicina!. 

PACíEiSTE, adj. doslg. (Laí.patiens, tis, 
p. a. do joaííor, t, soíTrer), soíFredor, solffi- 
do qtic tem paciência, supporta bem dôr phy- 
sica ou moral, pachorrento, assidao, perse- 
verante eni obra enfadonha que requer con- 
tinua applicação ; que soíTre doença, raal, 
paixão, aífecto. 

PACIENTE, s. m. (grara.), pessoa ou cou- 
sa quo é objecto da acção do agente, ou do 
verbo — , o que padece, solfre. 

PACENTEfiENTE, ttáv. [mente suíT.), com 
paciência. 

pacientíssimo. A, Gc(;'. sitperl. de pacien- 
te, mui paciente, soffredor. 

PACIFICAÇÃO, 5. /". o acto de fazer as pa- 
zes, de piciíicar; Címclusão de paz. 

PACIFICADO, A, p. p. de paciíicar, adj. res- 
lituido ao estado de paz. 

PACIFICADOR, s. w. O que pacifíca, faz as 
pazes; apaziguador, restituidor da paz, que 
poz termo á guerra, ás contendas. 

PACIFICAMENTE, adv. [mciite suff.), de mo- 
do pacifico. 

Pacificar, v. a. (IM. pacifico^ are], res- 
tituir á paz. apaziguar, v. g. — as nações 
belligerantes ; — contentas, desavenças, dis- 
sensões, aquietar, concordar. — se, -». r. 
apaziguar- se, ser restiluido ao estado da 
paz. 

PACIF CO, A, adj. (pron pacifico ; Lat. 
pacificus) amigo da paz, do socego, tran- 
quillo. quieto, v. gAíomem, intenções — ; 
— . conciliante, v. g. palavras, proposições 
— ; — , não perturbado, v. g. posse. — não 
disputada. Veiilo — , Jurando. A — oliveira 
(lig ) qao inculca disposição de paz, syrabo- 
lo da paz. Mar — , manso. 

PACIFICO PiCENO, (hist.) irmão menor, da 
Marcha de Fermo (no antigo Picenum) adqui- 
riu grande fama noXlllsuculo como trova- 
dor. Frederico 11 deu-lhe otitulo de rei dos 
versos. í 

PACIFICO "(o Padre), (hist) capuchinlio, foi 
missionário e superior da sua ordem na .Ime- 
rica ; morreu em í'aris era 165J. Deixou: 
Viagem da Pérsia ; Relação dus Ilhas de S. 
Ckrislovào e Guadeloupe. 

PACÍGO, s. m. (de pascer) pasto onde an- 
dam animaes. Pascigo é mais correcto. 
^ : PACIGOO, í. m. (ant.) V. Pacigo. 

PACio, (hst.) Pacius, professor de direito 
na Suis<a, em Allemauha e na Hungria, dei 
xou enlre outros escriptos. De Jure maris 
adriatici ; De conlraclibus ; Synopsis jú- 
ris, etc. 

paço, s. m. (contrar.ção de /;a/acio], casa 
nobre, palácio, habitação regia ; casa de con- 
celho, tribunal. Pa^os reaes, corte palácio 
yoL. IV, 



do rei. Desembargadores do — , que antiga- 
mente despachavam comel-rei. — , corte; 
(lig.) cortezia, cortezania ; vida cortezan : — 
gracejo. Homem do — , cortez, cortezão. — , 
dissimuliado, homem de refolhos, v.g.ler 
— com alguém, gracejar, mofar, divertir-se 
com alguém. INão estar para — , (ant.) pa- 
ra gracejar. 

PAÇO d'arcos, (geogr.) povoação dó Por^ 
tugal, no concelho de Oeiras, donde dista 
meia legua a E., situada na direita do Tejo 
2 léguas a (J. de Lisboa, em agradável posi- 
ção, e muito frequentada no tempo dos ba- 
nhos; 1,50) habitantes. 

paço, passô e passos, (geogr.) comestes 
três títulos ha em Portiigal 20 povoações, to- 
das insignilicantes ; citaremos apenas asse- 
huintes : Vaco de Vinhaes, aldeia de 980 
habitantes a 10 léguas de Miranda ; Paços, 
frcguezia do concelho d;». Melgaço, 700 ha- 
bitantes ; outra no de Villa Ueal, 850; Pa- 
ços de Brandão, frcguezia do concelho da 
Feira, (350 ; Paços de Ferreira, no de Pe- 
natiel, (500; Paços de Gaiolo, no mesmo 
Concelhos, 900 ; Paços de Villiarigas, a 3 
léguas de Viseu, 800 ; Paço, vilia situada 
junto ao Távora a 2 léguas de Lamego, 500 
habitantes ; e Passos da Serra, freguezia do 
concelho de Santa Marinha, perto de Cea, 
1,000 habitantes. 

PACOBA, s. f. fruto da pacobeira. 

pagodeira, s. f. arvoro brasílica e africa- 
na que dá as pacobas. 

PAC0M0 (S ), (hist.) nasceu na Alta The- 
baida em 2d:i, morreu cm o'i8, foi soldado, 
converteu-se ao chnstianismo. e foi discípu- 
lo dosaucto solitário Palen.on ; exerceu tal 
influencia pelos seus exemplos dicções, que 
por sua morte a Thebaida contava 5,O00 cí'- 
nobltas, de que elle era chef-». 1/ comme- 
morado a 1\ de maio. 

PACOTE, s. m. (Fr. paquet) fardo peque- 
no, v. g. — de panno de linho. 

PACOTINHO, s. in. diminuí, de pacote. 

PACORO , (hist.) chamado Bakour , filho 
mais velho de Orode. rei dos Parlhos, con- 
tribuiu muito para a batalha de Carrhes 
sobre Crasso (53 annos ante? de Jesu-Chris- 
to). No anuo 40, ligou-se com Sabieno, e 
batteu tão completamente Decidio, gover- 
nador da Syria, que este general, temendo 
cair-lhe nas mãos, suicidou -se. 

PACORO % (hist.) appellidado Fí/roMs", rei 
{.artho, era filho d'Artaban, e subiu ao thro- 
no no anno 9v) antes de Jesu-Chrislo. Pro- 
tegeu as artes e embellezou Ctésiphonte, da 
qual fez a sua capital. Morreu em 107. 

PACouiiiNA, (l)ot.) género de plantas da 
familia das Synanihereas e da Syngenesia 
egual. 

PACTA coNVENTA, (hist.) Capitulação, que 
18 



w 



MD 



PAD 



as dietas de Poíonía redigiam e apresenta- 
vam áassignatura do rei em ca<]a nova olei- 
ção. Esles pacta contenta, cad i vez rnriis 
carregadas de condições onerozas, iimitavani 
muito a auctoridíide real. 

PACTAB, V. Paclear. 

PACTARio, A, adj. {pacto, des ária), que 
faz pacto ou ajuste. 

PACTEAR. V. a. [pacto, ar dos. inf.), ajus- 
tar, estipular, v. g. — condições de paz. 
— , V. n. fazer pacto, ajuste. — se, v. r. 
ajustar-so. 

PACTO, s. m, (Lat. pactum, áepaciscor. 
i, pactus, sum, ajustar, pactear), ajuste, 
convenção, contracto entre duas ou mais 
pessoas ; — nu, de palavra, sem escriplu- 
ra. Seguir o — , gu«rdar, observar. 

Syn. comp. Pacto, convento. Convénio 
é menos que pacto. O convénio é o desejo 
mutuo de duas ou mais pessoas para fazer 
voluntariamente alguma cousa, porém sem 
que as ligue a lei nem tenham outros laços 
que este mesmo desejo e sua consciência. O 
pacto provém sempre de uma obrigação le- 
gal. O convénio suppõe vontade reciproca; 
o pacto, reciproca obrigação. 

PACTOLO, (geogr.) Pactolus, hoje rio de 
Sart ou Bagonlet, pequeno rio da Lydia, 
saía do monte Tmolo, passava emSardese 
caia no llermo. 

PACTUAR, V. n. [pactum Lat., ardes, inf.), 
V. Pactear. 

PACUHi, (geogr.) rio da província de Minas 
€eraes, no Brazil, no Norte da comarca de 
Bio de Jequitinhonha; nasce do vei tente Oc- 
cidental da serra Branca. 

PACuvio, (hist.) poeta dramático latina, 
nasceu em Brindes era 218 antes de Jesu- 
Christo, era sobrinho d'Eunio e amigo de 
Accio. A orreu em Tarento, lia alguns fra- 
gmentos das suas tragedias e comedias. 

PACUVIO CALAVio, (hist.) seuador de Ca- 
pua fez declarar a sua pátria em favor de 
Annibal depois da batalha de Cannas e re- 
ccbeu-o em sua caza. O filho de í ecurio 
quiz assassinar o general cnrthaginez, mas 
seu pai dissuadiu-o deste criminozo projec- 
to com um bello discurso, quo se lé em 
Tiío Livio. 

PACY, (geogr.) cidade de França, a 5 lé- 
guas ao E. de Evreux ; tem 1,;,90 habi- 
tantes. 

PADA, s. f. (Fr. ant. pa, pão, des. ada, 
de dar), pão pequeno, pedaço de pão longo, 

PADAMO, (geogr.) rio de Venezuela, nasce 
da parte das nascentes do Orcnoco, e cáe 
neste rio. 

PADANG, (geogr.) estabelecimento fundado 
pelos hoilandezas na costa SO. da ilha de 
Sumatra, a IO0 léguas ao NO. de Bencou- 
^0. 



[ PADAR, s. m. V. Paladar. 
I PADARIA,, s. f. (pron. padaria, do Cast. 
paiuideria), rua, bairros de padeiros; (t\^. 
vulg.), gente plebêa, o vulgo. 

PADD^NGTow, (geogr.) viUa de Inglaterra, 
na extremidade ao O. de Londres, sobre 
um canal do mesmo Londres ; 8000 habi- 
tantes. 

PADECEDOR, s. wi. pessoa que padece, adj. 
que padece sofíre. 

PADECENTE, s. lu. (des. dop. a, Lat. em 
ens, tis), o que padece dôr, afllicção ; o que 
vai padecer pena capital. 

PADECER, V. a. (Lat. patior, i, soffrer), 
soífrer (mal physico, ou pena moral), v. g. 
— dores, pena, injuria, miséria. — , soíTrer, 
consentir, comportar, v. g. isso não — du- 
vida. IS'ão o — a sua dignidade. — , v n. 
soífrer, v. g. padeço de gola. 

PADECIMENTO, s. m. [menio suíf.) estado 
de suífrimento, o mal physico ou moral que 
alguém padece. 

PADEIRA, s. f. (V. Padeiro), mulher do 
padeiro, ou dona do forno de fazer pão. 

PADEIRO, s.m. (Cast. panadeiro, âepan, 
pão), homem que amassa e coze pão no 
forno. 

FADEJADO. A, jo. p. dc padejar, adj. re- 
volvido com a pá. 

PADEJAR, V. a. [áepã, àes. ejar), revol- 
ver com a pá, alimpar (o trigo) ; — , em 
era sentido abs. ou n. fazer oíTicio do pa- 
deiro. 

PADELiÇAS, s.f.pl. (ant.) pasto para ani- 
maes. 

PADERBORN, Cgeogr. Paderbunum, em la- 
tim moderno, cidade dos estadoí prussia- 
nos, a l7 léguas ao S. deMuiden; 7,000 
habitantes. 

PADERBORN, (bispado do) (geogr.J estado 
do império d'Allfemanha no circulo de West- 
phalia, entre o Hesse, ea abbadia deCor- 
vey, o principado de Calenberg, e o con- 
dado de Lippe. Conta 2;{ cidades. 

PADERERiA, s. f. V. Padaria. 

PADERiA. s. f. V. Padaria. 

PADEHNE, (geogr) aldeia dePoí"tugal, no 
concelho de Monção, 6 leguns ao ^E. de Vian- 
ua, a cujo districto pertence, 2,00»» habi- 
tantes. 

PADERNE, (geogr.) villa de Portugal, no 
concelho d'Albufeira ; e conta 1,000 habi- 
tantes. 

PADES, s. m. Y. Pavez. 

PADESADA ou PADESSADA, S. f. V. PãVe- 

zada. 

PAiiicnAH, (hist.) (do turco paio. defensor, 
e chah rei ou príncipe) é o titulo que toma 
o sulião dos oliomanos ; a sua insígnia era 
sete caudas de cavailo. 

PADiEiRA, 8. f. a verga da porta. 



PAMLSA, (D. João de) (híst.) de «ma íl- 
lustre família castelhana, declarnu-seem 1520 
pelo partido nacional contra Carlos V. Apo- 
derou-se de pessoa de João-o-Louco, mas 
dentro era pouco se vio abandonado dos seus 
partidários, foi apanhado e justiçado em 
1522. 

PADiLLA DE ABAXCO, (geogp.) víUa de His- 
panlia, ali léguas aOi»iO. de Burgos, per- 
to da margem esquerda de Pisnega ; 600 
habitantes. 

PADiLi.A, (Santo António de) (hist.) villa 
do México, a 8 léguas ao O, do NovoSan- 
tander. 

PAUiLLA, (Maria de) (hist.) favorita de Pe- 
dro o Cruel, rei de Castella, empregou os 
seus encantos para augraentar a desconfian- 
ça e o furor deste prmcipe, e teve grande 
parte no tratamento odiozo que soffreu líran- 
ca de Bourbon. Teve muitos íilhos do rei em 
Sevilha em 1j61. 

PADirtiiA, s. f.-diminut. de pada, peda- 
cinho de pão ; (Pig.) pessoa mui pobre, que 
nem de pão tem fartura. 

PADiNHAS, .5. f. (ant.) forma que se dava ao 
cabello em toucado antigo. 

PAD OLA, s. f. (talvez do Lat. pes, dis, pó, e 
tollo, ere , levar ) leito quadrado de taboa 
com quatro braços de que pegam dois ou qua- 
tro homens para transportar materiaes de 
construcção, etc. 

PADRÃO, s. m. (Fr. joaírow, amostra, mo- 
delo. Os etymologistas não dão a raiz des- 
te termo, que creio derivado do Lat. pes, 
pedis, o pé, typo de medidas de extensão.) 
typo, modelo de pesos e medidas. — , titu- 
lo authentico, v. g. —de tença, juro.— de 
armas, as esculpidas ou pintadas no escu- 
do. Daqui vem o sentido de padrão, pedr.i, 
columna com as armas reaes esculpidas que 
os descobridores portuguezes cravavam em 
terras novamente descobertas para signal de 
tomar posse. 

PADRASTO, s. m. [padre, pai, e estar, que 
está em lugar de pai.) homem que casa com 
mulher viuva , relativamente aos lllhos do 
precedente matrimonio. — , monte , altura, 
que domina algum terreno, v. g. a praça, 
o castello tinha por — um monte, isto é, que 
lhe licava a cavalleiro, superior ; (flg.) cousa 
donde pode vir perigo, ataque. — , espiga 
grande que se separa dos dedos junto á raiz 
dos dedos. 

PADRE, s. m (Lat. pater.) pai. Ifoje nnste 
sentido, é só usado nas seguintes locuções. — 
nosao, fallando de Deus. O — santo, o papa. 
— . (tig-) sacerdote. — de missa, presbitero. — 
espiriiuaí, confessor, di eclor. Os santos— s, 
os doutores da Igreja. — s conscriptos, os se- 
nadores da antiga Roma. 

PADRiNHAR, V. a. V. Apadrinhar. 



HE 



Ul 



PADRINHO, s. m. diminui, de padre (pai), 
ê como segundo pai ; o que assiste como 
testimanha ao baptismo, casamento , dcu- 
torido. ao neto de armar cavalleiro, e quo 
toma debaixo da sua protecção a pessoa 
que é olíjecto destas ceremonias ; o que 
mede o campo e protege o combatente em 
duello, justas, etc, (íig.) protector, patro- 
cinador. 

PADROADO , s. m. (Lat. patronatus] , o 
direito de patrono, que adquire o que fun- 
da uma igreja, que a dotou ou reedificou ; 
o que tem jus a apresentar ao legitimo 
prelado os curas e outros ministros [ue 
sirvam igreja. 

PADROEIRA, s. f. (V. Pãdroeíro), mulher 
que tem o direito de padroado ; protecto- 
ra, patrocinadora, v. g. Nossa Senhora da 
Concesção padroeira do reino de Portu- 
gal 

PADROEIRO, s. m. (do Lat. patronus, pa- 
trono), o que tem o direito de padroado ; 
fundador de mosteiros a que doou bens , 
com certos encargos ; (fig.) protector , pa- 
trono. — (anl.), o senhor que forrou o es- 
cravo. 

PADRÕKS , (geogp.) villa de Portugal, no 
districto de Beja, H léguas SE. de Castro-Ver- 
de sobre o rio Oeiras ; 2,U09 habitantes. 

PADRoa, s. m. (ant.) V. Padroeiro, e Pa- 
trono do liberto. 

PADiioOii, s. m. V Vadrão, marco. 

PÁDUA, (geogr.) Paíaum.'- em latim, Pa~ 
dova em italiano, cidade do reino Lombar- 
do- Veneziano, capital de uma delegação do 
governo de Veneza, a 8 léguas ao 0. de 
Veneza ; 50,000 habitantes. Bispado ; uni- 
versidade, bibliotheca. jardim botannico.etc. 

PADRON (El), (geogr.) Iria Flavia, cidade 
de llispanha, a 5 léguas S. de Santiago ; 
3,9j0 habitantes. 

p^AN, (ííiyth.) Pcean, um dos nomes de 
Apollo, quando considerado como deus do 
dia e principalmente como medico. Também 
se dava o nome de Péans aos hymnos de- 
dicados a este deus. 

p.EDERiA. (bot.) género de plantas da fa- 
mília das ílubiaceas e da PentandriaMono- 
nogyuia. 

PAE, s. m. V. Pai. 

NB. ?ae é correcto, mas pai é mais usa- 
do e conforme á pronunciação. Ambos estão 
tão alterados do Latim paíer, patrem, patre^ 
edogenitivopaíris, que a vogal final óindif- 
ferentè. Nos dialect<iS meridionaesda França, 
e em Francez antigo, diz-se pairo. 

PAER, (hi-^t.) compositor e pianista dis- 
tiucto, nasceu em Parma em 1774, morreu 
em 18 D. Quando tinha apenas 14 annos 
fez zepresentar em Veneza a opera Circo, 
depois compoz muitas outras. 
i8 « 



n 



V ■ 

PAft 



pARSTUM, (geogr.) em grpgo Posidoníaí , 
h'^je Vesti, cidade da Grande-Grecia , na 
costa da Lucania, foi muilo ílorpscente no 
XII, VI, e V séculos antes de Jesu-dhristo, 
depois caiu era decadência, final foi coló- 
nia romana. 

PAETis (Cecina), (hist.) marido da celf^bre 
Arrie, entrou na conspiração |de Senbonio 
contra Cláudio, e foi condemnado a mor- 
rer ; sua mulher matou-se cora elle. 

PAETUS (Thraseas), (hist ) senador roma- 
no, illustre pela sua virtude e coragem ; 
gpnro da celebre Arrie, foi um dos lepre- 
seniantes da fraca opposição , que ousou 
desapprovar Nero; saiu do senado para não 
ouvir a apologia do tyranno. Accusadofpor 
frívolos pretextos, foi condemnado a mor- 
rer, abriu as veias e eí^vaiu-se em sangue 
no anno G6 de Jesu-Christo. 

PAFZ, (Álvaro) (hist.) distincto pnrtuguez 
foi discípulo em Pariz do celebre i scotto 
ou Scotto; bispo de Silves, e secretario do 
papa João XXII. Foi homem de muito sa- 
ber, e deixou varias obras, entre ellas De 
Planta Eccksiae, quo foi traduzida em mui- 
tas línguas. 

PAEZ, (Balthazar), (hist.) célebre pregador 
portuíjuez ; nasceu em Lisboa em 1571, 
morreu em 1638. Deixou uma collecçãode 
Sermões são uma prova da sua erudição e 
talento. 

PAEZ (Manoel), (hist) professor da arte de 
artilharia ; compoz e imprimiu no século 
passfido um Compendio da arte de arti- 
lharia. 

PAFO, s m. (ant.) V. Varagrapho. 

PAGA, s. f. (de pagar), estipendio, satis- 
fação de divida, jornal, serviço; remune- 
ração de beneficio, recompensa ou agrade- 
cimento. 

^YN. comp. Paga, salário, soldo. Paga 
é termo genérico para indicar satisfação em 
dinheiro de divida, de jornal ou serviço, e 
estensivamente remuneração de beneficio. O 
salário é a paga ou retribuição devida a 
um trabalho, a um serviço. Suldo é o salário 
dos militares. 

PAGADO, A, p. p. de pagar; adj. pago; 
premiado, recom[iensado , v. g. m;d — do 
seu amor, dos seus serviços. — , satisfeito, 
V. g. tão ~ do F(u valor, da sua genero- 
sidade. V. Pago. 

PAGADO, (ant.) V. Pacato. 

PAGABoiRO, A, adj. (des. oiro, do p. fut. 
Lat. urus.) (ant.) pagável, que se deve pa- 
gar. 

PAGADOR, s. m. o que faz pagamentos, 15. 
g. — da tropa, da marinha 

PAGAiiM-Miou , (geogr.) cidade da índia 
transgangelica, outr'ora capital do império 
birman, na margem esquerda do Iraouaddy. 



PAG 

PAGAMENTO, s. m. [moito íiuff.) 8cto do 
pagar: fazer — . — , paga,, salário recebi- 
do, v. g. recebi o — . 

PAGAMiA, (bot.) género de Plantas da fa- 
mília das Rubiaceas e da Tetrandria Mo- 
nogynia. 

PAGAN (conde I de), (hist.) engenheiro e 
astrónomo francez, nasceu em 1(3 J'f, mor- 
reu era C6j, distinguiu se nas guerras de 
Itália, Picardia e Flandres Escreveu : Tra- 
ctado de fortificações ; Theoremas Geomé- 
tricos, etc. 

PAGANi, (hist.) txome de cinco pintores 
italianos: o 1.° VifienlR, de Monte Uubia- 
no, discípulo de Itaphael aucior de uma 
bella Assumpção , viveu no XV século ; o 
2.^ Lactancia, de Kimini, filho de Vicente, 
toi um dos princípaes magistrados de Pc- 
rouse em 15 3; o ó.^ Francisco de Flo- 
rença, 1:^31-61, discípulo de Maturino , 
imitador de Caravagio , é auctor 'de um 
bello quadro de Júpiter q Juno] o 4. " Gre- 
gório, de Florença, e filho de Francisco , 
1548-HiOl , auctor de uma Inxevrào da 
Cruz; o 5.*^ Paulo, nasceu em Milanez, ó 
auctor de muitos quadros. 

PAGANiEL , (hist.) sábio francez, nasceu 
em rt<45, morreu em 18i6. Deixou, entre 
outras obras, um Ensaio histórico e cri- 
tico da revolução franceT.a. 

PAGANISMO, s.m. [pagão, àQS ísíno.)gen- 
tílisrao, idolatria; (fif^.) os pagãos. 

PAGANO. V. Pagão. 

PAGÃO, AN, adj. (Lat. paganus, áepagus, 
aldeia.) que segue as doutrinas das religiões 
fundadas na mythologia ; gentílicio ; [ilg.) 
não baptísado. 

PAGAR , V. a. (do Lat. paciscor, pactus, 
ajustar, fazer contrato, ajuste. E incrível a 
discrepância e extravagância das etimolo- 
gias que os sábios tf>m dado deste verbo. 
Vossio o deriva da B. Lat. pacare, apazi- 
guar; i\. Eslienne áa pagns, aldeia. Sau- 
maise, cora mais acerto, o faz vir de pactare, 
pactear.) dar o preço estipulado por cousa 
vendida ou por serviço feito. — a tropa, os 
soldados, os jornaleiros ; — os viveres, o fre- 
te, etc. ; remunerar, recompensar, v. g. — 
serviços. — , retribuir beneficio, aíTecto, ou 
injuria, damno, v. g. — o amor cora ingra- 
tidão ; — o mal , a injuria cora beneficios. 
— na mesma moeda, (loc. faraíl ) tratar al- 
guém como delle fomos tratados. — , desem- 
bolsar, satisfazer despeza ou multa incorri- 
da, aposta perdida, v. g. pagou as custas, 
os gastos, o dinheiro da aposta. — o pato, 
(loc. adv.) isto é, aquillo que outrem deve, 
o mal que outra pessoa fez , ser castigado 
[or falia ou delíctocommettido i»or outrem. 
— , soffrer castigo, v. g. pagou o crime 
com a cabeça ou pelo corpo, soffrendope- 



íf4 



Vk 



^Aí 



.p 



M còrpiorea. — , soffrer detrimento , v. g; 
tu tu'o pagarái , soffrerás em castigo do 
mal que me fizeste. — , compensar com lu- 
cro, V. g. esta cUÍtui-a, fabricação nãopa- 
ga o custo, o trabalho. —Se, v, r. conten- 
tar-se, v. g. — das razões de algíiem ; re- 
ceber satisfação, gostar, ser sensível, t>. g. 

— dos obséquios ; — de alguém. Deus pa- 
ga-se de corações singelos, ^aome pago de 
irivolas desculpas. — a visita, visitar a quem 
nos visitou. — , (ant.) por Aplacar, Apazi- 
guar. 

PAGASES , (geogr.) Pagaste , hoje Volo, 
pequena cidade da Thessalia , so^re um 
golpho chamado Golpho Pagazetico, hoje 
Golpho de Volo. No seu porto é que foi 
construído o navio dos Argonautas chama- 
do muitas vezes Pagasoea ratts. 

PAGÁVEL, adj. dos 2 g. (des. avel.) que 
se deve pagar, v, g. letra — á vista. Effeitos 
pagáveis a prazos. 

PAGEADA, s. f. (des. collect. ada.) multi- 
dão de pagens, comitiva de pagens. 

PAGEL, s. m. V. Paguei. 

PAGELLA, s. f. (Lat dim. de pagina, fo- 
lha pequena.) (fig ) pagar por — s. 

PAGEM, s. m. (Fr. page, B. Lai. pagius, do 
Gr. pais, rapaz, moço de servir.) moço de 
acompanhar o rei ou pessoa nobre; na guerra 
e nas justas levava a espada, a lança e o escu- 
do do amo. — da lança. — da náu, marujo, 
inferior ao grumete. 

PAGEMZiNHO, s. m. diminut. de pagem, pa- 
^em muito moço, v g. — da tocha, do estra- 
do. 

PAGES (visconde de), (hist.) viajante fran- 
«ez, nasceu em 1748, morreu em 1793 , 
"visitou a Luisiania, serviu na guerra da 
America e foi assassinado em uma revolta 
•de Negros. Deixou: Viagem em redor do 
inundo e aos dous poios por terra e por 
mar. Quadros históricos da revolução fran- 
ceza, etc. 

PAGi, (hist.) escriptor francez, nasceu em 
1624, morreu em 1690; é auctor da Cri- 
tica histórico -chronologica in Annales ec- 
clesiasticoB cardinalis Barnoii. 

PAGiço, adj. (tast. pazigo.) de palha. 

PAGINA, s. f. (Lat., que os lexicographos 
^derivam de pan^fcre, escrever.) superfície pla- 
na de uma folha de papel ; (fig.) escriptura. As 

— da fama, a historia. — , chulo, narração 
importuna. Aturou-lhe a — , a importuna 
garrulice, a seccatura. 

PAGNiNi, (hist.) carmelita, nasceu em Pis- 
tola em Vi37, morreu em 1814. Traduziu 
em versos italianos Theocrito, Bion, Mos- 
chus, Hesiodo , Anacreonte. Compoz epi- 
grammas latinos, gregos e italianos ; tam- 
bém deixou alguns opúsculos mathemati- 



fos. 



VOL. IT. 



í»AGO, p. p. irreg. superl. de pagar; adj. 
que recebeu paga, salário ; estipendiado, 8á- 
lariado, v. g. tropa -— . Tinha — as dividas, a 
ingratidão, pagado. V. Pagado e Pagar. 

PAGO, s. m. paga, recompensa, remunefá- 
ção, V. g. Deus lhe dará o — . 

PAGO, (geogr.) ilha dos Estados Austría- 
cos, no Adriático, sobre a costa da Croácia, 
ao S. da ilha d'Arbe ; 4,000 habitantes. 

PAGODE, s. m. (t. Asiat. pagodah' doSans- 
crít. but ou put, ídolo, e khoda, casa, resi- 
dência.) templo da religião brahmanica ou 
budhísta na Ásia, ídolo adorado nesses tem- 
plos; (fig.) ajuntamento de religiosas idola- 
tras, funcção. Fazer — , (ant.) funcções de 
comezana, canto, dansa, divertimentos licen- 
ciosos, folganças, como as que so fazem na Ín- 
dia com as bailadeiras dos templos. — , moe- 
da de prata de Bagadate que vale 500 réis. — 
de ouro, que vale 12,800 réis. 

PAGODiCE, s. f. (des. ice.) folgança licen- 
ciosa. 

PAGODINHO, s. m. diminut. de pagode. 

PAGRATiDES, (híst.) dyuastía de reis ar- 
ménios, reinou na Arménia de 885 a 1079. 

PAGUADo, (ant.) V. Pagado, 

PAGLEL, s. m, (t. da Asia.) sorte de embar- 
cação da Asia. 

PAHANG, (geogr.) cidade da índia trans- 
gangetica sobre o Palia ng, a 5 léguas do 
mar, ao NE. de Malaca ; capital do reino 
de Pahong, o qual é situado entre os de 
Djohore ao S., de Salengore aO.,deTrin- 
gano ao N. 

PAI, s. m. (Lat. pater, e piter em compo- 
sição. Gr. pater; Sanscr. pita; Zend. fedre ou. 
feder; Augl.-Sax. /ader; Aliem. tjaíer(pron, 
(pron. fader); Ingl. father, tatá, tato, tote^ 
em Sérvio, Frisio, Finnez, e tuato em Finnez 
da Carelia. Todos estes termos e muitos ou- 
tros análogos, ou delles derivados, vem a meu 
ver, do Egypcio pi-oit, o pai, coma addição 
de ra, gerar, produzir Só nesta língua se en- 
contra um sentido completo desta importante 
palavra; iôt é composto de owe ou owi, ger- 
me, e ti, dar.) gerador dtí criança, de filho ou 
filha. — de familiaonde familias (Lat. pa- 
terfamil ias) cheíe de família, cabeça do casal, 
marido da mãi dos filhos — de éguas, g^ra- 
nhão. — , (fig.) protector, beneficiador, v. g. 
— dos pobres, — da pátria. — de velhacos, 
(ant.) homem antigamente salaríado pela ca- 
mará de Lisboa para vigiar sobre os moços de 
servir, e lhes procurar amos. — de meninos, 
antigamente no Porto, era um cidadão encar- 
regado de vigiar sobre as crianças enjeitadas. 
— , (fig.) autor, instituidor, v. g. Heródoto — 
da historia. — velho, (loc. das escolas) traduc- 
ção lítteral de clássico latino ou grego. 

PAiAGEM. V. Palhagem. 

PAiMBOEUF, (geogr.) cidade deFranç»,'!» 
19 .•.->-t.',j 



k 



PAI 



m 



esquerda de Loire, a 13 léguas 0. de Nan- 
tes; 4,000 habitantes. 

PAiupoL, (geogr.) cidade de França, so- 
bre a Mancha, a 10 léguas NO. de S. Brien ; 
2,012 habitantes. 

PAiMPONT, (geogr.) villa de França, a 2 
léguas NO. de 1 lélan ; b,690 habitantes. 

PAINA ou PÃiNA, s. f. espécie de cotão ou 
substancia semelhante a algodão, mui íina e 
branca, que se cria em algumas arvores do 
Brazil, em capsulas que encerram carocinhos. 
É menos consistente que o algodão ordiná- 
rio. 

PATNço, s. m. (Lat. ;?anicMm.) grão cereal 
farináceo menor que o milho miúdo. 

PAiME, (hist.) publicista inglez, nasceu em 
1737, morreu em 1809. Publicou os Di- 
reitos do homem ; também é auctor do ce- 
lebre pampheleto do Senso commum. 

PAINEL, s. m. (talvez do Fr. ant. panei, pe- 
daço grande de pano ou de estoífo qualquer, 
ou pauneau Fr. mod., taboa, almofada de 
porta.) pintura feita sobre pano, taboa, lami- 
na de cobre, etc; quadro. «O — que o pin- 
tor lavra. » Lucena. — do coche, a taboa pin- 
tada. — , (pedreir.) cimalha da porta. — , es- 
tante em que alguns mechanicos guardam a 
sua ferramenta.— ,(fig.) quadro, v.g.de hor- 
rores. Painéis, (fig.) perspectiva, quaáro na- 
tural, paisagem. 

PAIO, s. m. (do Fr. boyau, e ant. houel, tri- 
pa.) carne de porco ensacada 

PAIOL, s. m. (Parece me vir do Ingl. /lo/á, 
paiol de navio; o p pode ser contracção de 
ship, navio.) divisão interior do navio mais ou 
menos chegada á quilha, onde vão os manti- 
mentos, a pólvora, etc. — da pólvora, (fort.) 
cova coberta de faxina onde se guarda a pól- 
vora para o serviço das baterias. 

PAIRADO, p. p. de pairar ; adj. que se pai- 
rou; que pairou (navio). Tormenta — com 
grande constância, aguantada. \. Pairar. 

PAiRADOR , s. m, o que paira. — , adj. 
que aguanta o pairo. 

PAIRAR, D. a. (do Fr. parer, rebater, re- 
sistir, do Gr. para, contra, de um e outro la- 
do.) soster, aguantar, resistir, v.g. —& tor- 
menta ou á tormenta; — trabalhos; — alguém. 

— suas manias, seus caprichos , soffre-los, 
supporta-los. — o tempo ', temporizar. — , 
(naut.) estar á capa, não surdir; cruzar, bor- 
dejar em certa altura; (fig.) soffrer, supportar. 

— com alguém, por não quebrar com elle. — 
em algum negocio, temporizar, differir a con- 
clusão. — , (fig.) estar irresolu to. 

PAIRO, s. m. (naut.) acção de pairar, estado 
do navio quando paira, que consiste em terás 
velas tendidas, as escotas soltas, ou em arvo- 
re secca, atado o leme. Andar ao — . Soffrer 
o — . Sustentar (a náu) o — , resistir bem, sos- 
ter-se em temporal. Ter^se ao— com alguém, 



' resistir-lhe, em quanto nâo melhora á nosisa 
posição. 

PAÍS ou PAiz, s. m (Fr. pays, que os ety- 
mologistas Francezes derivam do Lat. pagus, 
aldeia.) terra, região. — es, paisagem (na pin- 
tura). 

PAISAGEM, s. f. (pint.) vista ou representa- 
ção do campo, de lugares campestres, v. g. 
painéis de boas paisagens. 

PAISAGISTA, 5. do.s 2 g. pintor ou pintora 
de paisagens. E moderníssimo. 

PAISANO, s. m. {paiz, des. ano.) compatrio- 
ta, do mesmo paiz. — , (do Fr. paysan, cam- 
ponez.) homem não militar. 

pAisiELLO, (hist.) celebre compositor de 
musica , nasceu em Tarento em 1741, mor- 
reu em 18I6. As suas principaes operas 
são : a Pupilla ; il re Teodoro ; la Moli- 
nara ; Nina ; o Barbeiro de Sevilha, etc. 

PAisiSTA , s. dos 2 g, pintor ou pintora 
de paisagens. 

PAisLEY, (geogr ) cidade da Escócia, a 3 
léguas SO. de Glasgou ; sobre o White- 
Cart; 50,000 habitantes. 

PAIVA e FONA (António), (hist ) juriscon- 
sulto portuguez, nasceu na cidade de Bra- 
gança em 1650, formou-se em Coimbra na 
faculdade de Leis, serviu alguns cargos pú- 
blicos, como foram os de Provedor de Miran- 
da em 1711, e de Évora em 1718. Escreveu: 
Orphanologia Practica. 

PAIVA, (geogr.) rio de Portugal na Beira 
Alta, onde nasce nas serras do Carapito e 
da Lapa, passa por Fragoas, Castro-Daire, 
recebe á esquerda a Povoa e entra na es- 
querda do Douro. JNas suas margens e con- 
celho da Feira fica a grande freguezia de 
Paiva, que tem perto de 8,00J habitantes 
e dista 6 léguas de Lamego. 

PAIXÃO, s. f. (Lat. passio, onís, depatior, 
i, soffrer.) affeclo violento da alma, v.g. o 
amor, a ira, o ódio, a vingança, a ambição ; 
desejo mui vivo; grande apego, inclinação, v. 
g. tem grande — pela pintura, pela musica. 
— , impressão feita poragenle, — , doença, 
moléstia, dores. A — de N. S. Jesu -Christo. 
As paixões, [^g.)os evangelhos em que narram 
a Paixão de Jesus. — , compaixão. — , pala- 
vras que exprimem paixão. « Temos piedade 
ou — segundo nossa affeição presente nos 
guia. » Eufr. « Mais curava de andar que das 
paixões que lhe ouvia dizer. » Barros, Cla- 
rim. Tomar — por alguma cousa, apaíxonar- 
se. aííligir -se. Tirar paixões dentre desavin- 
dos, fazer cessar inimizades, ódios ; compor 
desavenças. Flor da — , uma flor que encerra 
os principaes instrumentos da Paixão deChris- 
to ; a cruz, os cravos, etc. ; a domaracujá- 
açu, no Brasil. Paixões dejurisdicção,{i^.\ís.) 
conflictos. 

Stn. comp. Paixões, affectos, O bem, om 



PAI, 



[PÁl. 



% 



o mal, isto é, o prazer, ou a dor, sentido, 
ou apprehendido nos objectos pela nossa 
alma, excita nella commoções , ou movi- 
mentos de attracção para aquelles que se 
lhes representam como maus : e estas com- 
moções communicam-se ao corpo, e produ- 
zem nelle effeitos proporcionados, que se 
manifestam nos olhos, na cor do rosto, no 
movimento do sangue, e ás vezes em toda a 
pessoa do homem. 

Quando estas commoções, consideradas em 
si e nos seus effeitos, são brandas, doces, 
temperadas, -chamam-se simplesmente affe- 
ctos. Quando fortes, violentas, impetuosas, 
chamam-se mais propriamente paixões. 

Os affectos inclmam a alma suavemente, 
ou a procurar o objecto como bom, ou a fu- 
gir delle como mau. As paixões arrastam 
(por assim dizer) a alma, perturbam-na em 
suas operações, dominam e tyrannisam a 
rasão, e quasi a forçam a resoluções muitas 
vezes arriscadas, e perigosas. 

Aamisade, a compaixão, o amor filial, o 
reconhecimento , etc. são affectos. O amor 
sensual, a ambição, a cólera, a vingança, etc. 
são paixões. 

Com tudo, como os affectos, passando a 
ser immoderados e violentos, se transfor- 
mam cm paixões, e nos é impossível fixar o 
grau, ou momento, em que se verifica esta 
transformação ; e como por outra parte os 
affectos e paixões se excitam, e calmam pe- 
los mesmos meios, coofundem-se muitas ve- 
zes esles dous vocábulos, e usam-se indiffe- 
rentemente nahaguagem dos philosophos e 
dos moralistas. 

PAiz, s. m. Y. melhor orthogr. que /?a w, 
pois, omittido o accento, confunde-se com o 
pi, dejoai. V. Pais. 

PAiz DO VINHO, (geogr.) alcantilado, pit- 
toresco e romântico tracto de terra que se 
estendo sobre a direita do Douro desde o 
rio Corgo até acima do Tua. isto é, desde 
Yilla Keal até perto de Anciães , com uma 
superfície de perto de 28 léguas ao N. do 
Douro. 

PAJOLA , s. m. augment. de page, page 
grande. 

PAJOU, (hist.) estatuário francez, nasceu 
em 17íiO, morreu em 1809, foi-lhe dado o 
nome de Restaurador da arte. As suas prin- 
cipaes obras são as estatuas de Descartes , 
Bossuet, Pascal, Turenne , Demosthenes e 
Buffon. 

pakang, (geogr.) cidade do Indostão. Mer- 
cado considerável , frequentado pelos Thi- 
betanos. 

PAKENHAM, (geogr.) cidade da índia trans- 
gangelica, sobre o Meinam a 2 léguas da 
sua embocadura. 

PALA, s. f. (Gravador) engaste de pedra pre- 



ciosa, jóia, V. g. — do annel. — do sapato, a 
porção de coiro pegada ao rosto, onde assen- 
ta a fivela. — da polaina, peça que cobre o 
sapato por cima ou o peito do pé. — do escvr- 
do de armas, barra ou fuxa lançada de alto a 
baixo, ou formada de diversas peças sobrepos- 
tas. — do cálix, peça quadrada de pano de li- 
nho engommado com que se cobre o cálix.-;— , 
(chulo) engano, logração. 

PALABRA, (ant.) V. Palavra. 

PALACEGO, adj. V, Palaciano. 

PALACIANO, A, adj. (palttcio, des. ano.) au- 
hco, cortezão ; (fig.) cortez , civil, urbano. 
Usa-se subst. e de ordinário á má parte. 

PALÁCIO, s. m. (Lat.;?a/aímw, monte Pa- 
latino, segundo os etymologistas, onde Evan- 
dro fez construir uma casa nobre. Eu creio 
que vem de palàm, manifestamente; pala- 
tum significa a abóbada celeste.) casa grande, 
nobre, paço.—, (ant.) convento, casa reli- 
giosa. Também se diz de edificio onde se 
ajuntam magistrados, v. g. — do concelho, 
da relação. 

PALÁCIOS, (geogr.) nome commum a mui- 
tos logares em Hispanha ; o principal é Pa- 
lacios-de-Campos, a 2 léguas Wifi. de Me- 
dina- de-Rissecco. 

PALADAR, s. m. (Lat. palatum, e os, oritt 
boca.) céu da boca; órgão do sabor; (fig.) gos- 
to. Tem bom — , gosto apurado, dehcado. Ào 
— de alguém, conforme ao gosto delle. 

PALADiM, s. m. (Fr. paladin, do Lat. pala' 
tinus, ofiicial do palácio.^ cavalleiro andante. 
aventureiro. 

PALADiNAMENTTE, adv. (do Lat. |)atóm, ás 
claras, mente suíf.) (ant.) ás claras, aberta- 
mente. 

PALADINO, s. m. Y. Paladim. 

PALADINOS, (hist.) nome dado nos roman- 
ces antigos aos companheiros de Carlos- 
Magno, depois deu-se este nome a todos os 
cavalleiros errantes. Parece ser derivado tal 
nome de palatino (conde do palácio). 

PALÁDIO. V. Palladio. 

pALiEOPOLis, (geogr.) (isto é, cidade «c- 
Iha) cidade da Campania , perto do sitio , 
onde depois foi construído Wéapolis, era de 
origem grega. 

PALAFOx, (hist.) prelado hispanhol , nas- 
ceu em 1600, morreu em 16o9, foi bispo 
d'Angelopolis na America. Deixou uma liFtí- 
toria da conquista da China pelos Tárta- 
ros, e uma Historia do cerco de Fontara- 
bia, 

PALAFREM, s. «i. (Fr. paUfroi, que Barba- . 
zan deriva de palesiros fractus ou frenatus, 
bem ensinado, adestrado.) cavallo de ceremo- 
nia, e de ordinário em que monta alguma da- 
ma, mui dócil e bem ensinado. 

PALAFRENEIRO, s. m. [¥t. paUfrcnier, do 
, Lat. palestrou frenaíor.) propriamente é mo- 
19 « 



ii PAI 

ço de cavallariça, mas é só usado no sentido 
de moço de libré que acompanha a pé o amo 
que vai a cavallo ou em carruagem. 

PALAis, (gftogr.) cidade e porto de Fran- 
ça, em Belle ile-en-Mer, ao iy.;3,6'i0 hab. 

PALAis, (geogr.) vilia de França, a 5 lé- 
guas SE. de Nantes. Pátria d'/ibaiUardo. 

PALAiSEAU, (geogr.) Palatiolum , cidade 
de França sobre o Yvelle , a 3 léguas SE. 
de Versailles ; 1,650 habitantes. 

PALAMALHAR, 5. /. (de pala oiipellã, e ma- 
lhar.) jogo de bola em que ella é impellida 
por uma espécie de malho ou martello de ca- 
bo longo. 

PALAMALHO, s. m. (Ff. palcmail, do Lat. 
pila, bola, e malleus, martello.) espécie de 
jogo de bilhar ou truque de taco. 

PALAMAS , (hist.) arcebispo Thessalonico 
do XIV século, teve vivas disputas theolo- 
gicas com Barlaam , ao qual fez condem- 
nar em dous concílios, em 1342 e 1347. 
Também teve dissensões com Mcephoras 
Grégoras. 

PALAME. V. Pellame. 

PALAMEDES, (myth.J filho de Nauplio , rei 
d'Eubea ; foi. segundo dizem, o inventor 
dos pesos e medidas. Descobriu o estratage- 
ma de Ulysses, que se fingia doudo para 
não ir ao cerco de Tróia, este para se vin- 
gar , accusou-o de intelligencias com os 
Troianos, fel-o condemnar morreu apedre- 
jado. 

PALAMENTA, s.f. {C&sl. do palo, páu, Fcmo.) 
appeliação dos remos de uma galé. — , (artil.) 
todo o apparelho necessário para o serviço de 
um canhão ou morteiro. 

PALANCA, s. f. (fort ) fortim de estacas re- 
■vestidas de terra, obra exterior de praça. 

PALANCiANA. V. Palaciana , f. de Pala- 
ciano. 

PALANCO, s. m. (Fr. palan, palanquinet, 
talvez do Saxonio pullian, puxar, Ingl. to 
pull.) (naut.) corda que passa por um montão 
que está na ponta da vela, e serre para a içar, 
V. g. as velas içadas nos — s. 

PALANFRORio, s. m. corrupção de Palavro- 
rio. 

PALANGANA, s. f. (do Fr. ant. paele, hoje 
poèle^ frigideira, do Lat. patella.) vaso de bar- 
ro de muita circumferencia, e pouco fundo. 

PALANQUE, s. m. (Fr. aut., do Lat. joa/Mí, 
estaca.) circo com degraus para os espectado- 
res se sentarem, para ver algum espectáculo, 
V. g. cavalhadas, touros. Ver touros de — , 
(fig.) presenciar lance arriscado sem correr 
perigo. — , (fort.) palanca. V. Palanca. 

PALANQUETA, s. f. (do Lat. pila, bola, des. 
dim. etc.) (artilh.) balas fixadas nas extremi- 
dades de uma barreta de ferro, Usam-se prin- 
cipalmente em combates navaes, para destro- 
çar a mastreação e enxárcia. 



PALANQUIM, s. m.(do Indio palké, do Sans- 
crit, paluk, cama.) leito portátil de rede ou 
com fundo de taboas geralmente usado na 
Ásia, tem um varal por onde lhe pegam os 
moços. — , cadeirinha usada por mulheres ou 
pessoas doentes. No Brazil ás redes portateíâ 
chamam tipóias, nome Africano de Ango- 
la. 

palaocastro , (geogr.) nome de muitos 
sitios do Estado actual da Grécia, entre ou- 
tras uma villa da ilha de Negroponto, no 
logar da antiga Eretria. 

palaochori, (geogr.) villa da Grécia, a 2 
léguas E. de Misitr/í, sobre o Iri ; occupa 
o logar da antiga Sparta. 

PALAOUAN ou PARAGOA, (geogr.) uma das 
ilhas Philippinas , é uma das maiores do 
archipelago ; mui pouco conhecida. 

PALAPRAT, (hist.) poeta cómico francez , 
nasceu em 1650, morreu em 1721. E' co- 
nhecido pela amisade, que ouniuaBrueys 
e pelas peças, que ambos composeram . O 
segredo revelado, o Louco, o Mudo, o Con- 
certo ridículo, etc 

PALATCHA, (geogr.) a antiga Mileto , ci- 
dade da Turquia asiática, sobre o Buiuk- 
Meinder, a 3 léguas da sua embocadura. 

PALATINA, s. f. (Fr. palatine. do Palatina- 
do em Allemanha . ) ornato de pelles finas que 
rodeia o pescoço e vem cruzar sobre o peito, 
usado por senhoras. 

PALATiNADo, (gcogr.) uomo coiumum a 2 
paizes do antigo império de Allemanha : 1.° 
o Alto Palalinado (no circulo de Baviera) 
entre a Baviera, Kuremborg , Bayreuth, 
Neuburgo e a Bohemia ; 2.° o Baixo-Pa-^ 
latinado ou Palalinado do Rheno (no cir- 
culo do Alto llheno), sobre ambas as mar- 
gens do Rheno, ficando-lhe ao S. a Lorre- 
na e a Alsacia , a O. Treves, Moguncia e 
Liege, e ao N. Bade e o Wurtemberg , do 
outro lado dí» Rheno; este ultimo era o 
verdadeiro palalinado, o resto do paiz era 
dividido em l3 grandes bailliados. O pala- 
linado do |Rheno formava um eleitorado. 
A origem deste estado vem dos condes Pa- 
latinos , que os imperadores estabeleciam 
em cada ducado para representarem a aucto- 
ridade real ; de todos estes condes palati- 
nos, dous somente , os de Borgonha e de 
Lorrena se mantiveram poderosos ; os do- 
mínios de um foi o Franco-Condado, os do 
outro o palalinado do Rheno. Este depois 
de ter passado de familia em famiha , fi- 
xou-se em 1215 na de Witlelsbach, a qual 
por muito tempo reuniu a Baviera e o Pa- 
lalinado. Em 1294 esta familia formou duas 
casas, a Ludovicianna, que teve a Bavie- 
ra e depois o Alto-Palalinado ; e a Rodol- 
phina, á qual ficou o Palalinado do Rhe- 
no, esta era a mai9 velha , ainda existe , 



ir. : 

PAL 

mas a outra extinguiu-se em 177/. A casa 
palatina, dividiu-se em linhas, troncos, etc. 

PALATINO (monte), (geog.) FalatinusmonSf 
uma das sete coUinas principaes de Roma, 
era muito perto do Tibre, a t. deste rio, e a 
O. dos montes Aventino, Esquelino, Viminal, 
e Quirinal. Sobre o Palatino foi coostruida a 
Pallantéa deiEvandro, e depois a cidade de 
Rómulo. 

PALATINO (conde), (hist.) grande ofíicial , 
encarregado, nos primeiros tempos do impé- 
rio de Aliemanha, da superintendência das 
rendas do monarcha, e de uma parte da sua 
jurisdicção. Os condes palatinos, em negó- 
cios crimes, eram os assessores dos duques. 
Eram nomeados pelos imperadores e con- 
trabalançavam o poder dos duques Este car- 
go por íim tornou-se hereditário ; havia 
condes palatinos na Lolharingia ou Lorre- 
na, na Baviera, na Saxonia, na Suabia, e 
depois na Borgonha. O de Lorrena era o 
mais nobre. 

PALATINO (Grande), (hist.) era na Hun- 
gria o primeiro ministro e representante do 
rei, o general do exercito, o chefe supre- 
mo da justiça, o regente em caso de ausên- 
cia ou menoridade, o medianeiro entre os 
Estados e o monarcha. Havia ura para to- 
da a Hungria, mas as divisões dos territó- 
rios, chamadas palatinados [eram confiadas 
a palatinos especiaes. O titulo de grande 
palatino da Hungria já hoje não subsiste. 

PALATINO, (hist ) governador de um pa- 
latinado ou voivodia, na antiga Polónia. Os 
palatinos tinham entrada no senado; não 
eram hereditários, mas nomeados pelo rei. 

PALATO, s. m. [Lat. palatus ou palatum.) 
V. Paladar. 

PALAYÁ, s. f. (t. Africano) dysenteria. 

PALAVRA, s. f. (Fr. parler, paléer ou paller, 
B. Lat. parábola, e parabolari, do Gr. para- 
ballein, conversar.) som articulado significa- 
tivo ; (tig.) falia, v. g. o dom da — . — , pro- 
messa verbal. Deu-me a sua — . Cumprira 

— ; faltará — ; não ter — . Homem de — , 
oudesua — , que a cumpre, guarda Cair a 

— no chão, não se effeituar a promessa. Pas- 
sar — , (loc. mil.) dar ordem que passa de sol- 
dado a soldado. — , ajustar-se com alguém 
para obrar de accordo. Tomar a — a alguém, 
receber delle promessa, que fará cousa deter- 
minada, ajustada. A — divina, o Verbo de 
Deus. A — de Deus, a doutrina evangélica. 
Sobre minha — , confiando nella. — de hon- 
ra, promessa solemne. — , loc. adv. elliptica, 
affirrao, ou prometto á fé de homem do hon- 
ra. Dar — s, illudircom promessas, com vo- 
zes vãs Em uma — , por conclusão, resumin- 
do o que fica dito. 

Stn. comp. Palavra, voz, vocábulo, ter- 
mo, expressão. Valaura é uma voz articula- 

YOL. IV. 



PAL 

da, de uma ou muitas syllabas, que significai 
um conceito ou pensamento da alma, ou suas; 
modificações. Voz é o som formado na gar- 
ganta e proferido pela boca do animal ; em 
sentido translato, é o mesmo que vocábulo^ 
que é uma voz significativa própria de al- 
gum idioma. Termo é o vocábulo próprio da 
sciencia, arte, ou disciplina de que se trata, 
ou da linguagem eestylo em que se falia. Ex- 
pressão é a palavra ou palavras com que se 
declara o conceito da alma, o que passa nella. 

Voz e vocábulo referem-se mais commum- 
menle á composição material e ás circumstan- 
cias grammaticaes da língua a que perten-. 
cem. Palavra refere-se com particularidade 
á pronunciação e circunstancias em que tem 
parte a pronunciação e ooHvido. Termo re- 
fere-se á precisão de enunciar as idéas do 
modo mais conforme ao assumpto que se 
trata. Expressão refere-se mais particular- 
mente ao modo como expremimos pela voz 
nossos conceitos ou sentimentos, e á quali- 
dade dos vocábulos com que os enunciamos. 

O dom da palavra é um dos privilégios da 
espécie humana ; pronunciando palavras. 
manifesta o homem do modo mais nobre e 
eíTicaz seus pensamentos ; a diíTereíiça des- 
tas palavras e de suas variações, a differen- 
te maneira de as pronunciar, e as inflexões 
com que se articulam, constituem as lin-. 
guas. Cada idioma tem seus vocábulos parti- 
culares, e delles depende a pureza da lin- 
guagem. Os termos de cada sciencia ou arte 
formam uma espécie de lingua diíTerenteda 
vulgar, que ordinariamente só entendera os, 
que a estudaram, mas que servem de funda- 
mento a um sentido figurado na linguagem 
ordinária e commum. Das expressões nobres, 
engraçadas e enérgicas depende a elegância 
da phrase e a bellesa do estylo. ,;;,» 

PALAVRADA, s. f. dictcrio , palavra pesada 
de pessoa irada ou mal ensinada. — , jactân- 
cia. — , expressão indecente. 

PALAVREADO, A , p. p. dc palavrear; flí/j. 
Certidão — , (em estylo de escrivão), é a que 
contém exposição succinta doestado, termos, 
e contexto dos autos, do processo. ,, 

PALAVREADOR, A, adj . palavrciro, loquaz, 
palavroso. — , palreiro. 

PALAVREAR, V. a. OU 71. [palavra, ar des. 
inf.) dizer palavrorios, dicterios. — , fazer ex- 
posição ou relação palavreada. 

PALAVREiRO, Á, adj. vcrboso, loquaz, pa- 
lavroso. 

PALAVRINHA, s. f. dimínut. de palavra.^. 

PALAVRORio, s. m. (dos ório.) muita pa-^ 
lavra inútil e supérflua. 

PALAVROSO, A, adj. (des. oso.) verboso, co- 
pioso em palavras, loquaz, fallador, diffuso 
em fallar ou em escrever. « Dos velhos é se- 
rem — s. » fastidiosos em narrar. 
20 



78 



PAI, 



pai; 



PALAZZOLO, (geogr.) cidade do reino das 
Duas Sicilias, a 3 léguas O. de Syracusa ; 
8,000 habitantes. 

PALCO, e. m. (ant.) estrado, leito portátil ; 
ferretro. 

PALE, (geogr.) nome dado durante a ida- 
de media e até 1,600 á parte da Hollanda 
submettida pelos Inglezes. 

PÁLEA, s. f. V. Pala do cálix. 

PALEADO, A, adj. V. Palliado. 

PALBABio , (hist.) António delia Paglia , 
escriptor italiano, foi lente de latim e grego 
em Sienna. Accusado de favorecer a reforma, 
foi preso e enforcado por ordem do papa 
Pio V, em 1566. Entre outros escriptos dei- 
xou um poema em três cant3s: Deimmor- 
talitate animarum. 

PALEMBANG , (geogr.) cidade da ilha de 
Sumatra, capital da residência de Palem- 
bang, sobre o Moussia ; 30,000 habitantes. 

PALEMBANG (reiuo de), (geogr.) reino da 
ilha de Sumatra, entre os Menangkalou e 
ode Jambia aoN., os Lampongs ao S. , o 
mar da China ao NE. ; 100,000 habitan- 
tes. Hoje é mais uma residência hollande- 
za áo que um reino. 

PALEMON, (myth.) deus marinho , esposo 
de Melicerta. 

PALÉMON, (hist,) grammatico latino, nas- 
ceu em Vicencia, filho de um escravo, en- 
sinou em Roma no tempo de Tibério e Cláu- 
dio. Deixou um precioso tractado De ponde- 
ribus et mensuris. 

PALENCiA, (geogr.) cidade de Hispanha , 
capital da intendência de Falência, na es- 
querda do Carrion, a 56 léguas NO. de 
Madrid ; 1 1,000 habitantes. A intendência 
de Falência é uma das cinco do reino de 
Leão ; fica-lhe ao S. a intendência de Val- 
ladolid, a E. a de Burgos ; 120,000 habi- 
tantes. 

PALENQUE, (geogr.) ou S. Domingos de Pa- 
lenque, cidade da confederação mexicana, no 
Estado de Chiapa, a 37 léguas. E. de Chiapa. 

PÁLEO, s. m V. Pallio. 

PALEOGRAPHiA, s. f. (Lat., do 6r. palaiós, 
antigo, graphia suff.) arte de ler as escriptu- 
ras antigas. 

PALEOLARiA, (bot.) gcuero de plantas da 
famiha das Synanthereas e da Syngenesia 
igual. 

PALEOLO&o, (hist.) nome de uma celebre 
familia byzantina , que subiu ao trono de 
Constantinopla na pessoa de Miguel VIII , 
em 1260, e nelle se manteve alternando ou 
partilhando o poder com os Cantacuzenos, 
até á queda do império grego em 1453; o 
ultimo herdeiro desta casa foi João- Jorge - 
Faleologo. que morreu em 1533. 

PALEPHATO, (hist.) \Palaphatus, escriptor 
grego, auclor de um tractado das Cousas 



incriveis {De incredilibus)^ viveu, segundo 
Suidas, no anno 472 antes de Jesu-Chris- 
to, era natural de Faros ou de Friene. 

PALERMO, (geogr.) ¥anormus, cidade do 
reino das Duas-Sicilias, capital da Sicília e 
da intendência de Palermo, a 75 léguas S. 
de Nápoles; 175,000 habitantes. Foi Pa- 
lermo que deu em 1282 o signal das Vés- 
peras sicilianas. 

PALESTINA, (geogr.) PaloBstina, nome dado 
pelos romanos á Judéa na sua maior ex- 
tensão, não compreendendo porém a Phe- 
nicia. Dividiam-na em 4 partes : Galiléa, 
Samaria, Judéa, Feréo. Augmentada com 
muitos districtos vizinhos foi no IV século 
dividida em três partes: Palestina 1.^ so- 
bre as duas margens do Jordão, capital de 
Scythopolis ; Palestina 2.^ a mais septen- 
trional de todas ao longo do Mediterrâneo, 
capital Cesárea ; Palestina .^.* ou Salutar 
formada dos paizes árabes ao S. da ver- 
dadeira Palestina eao N. da Arábia Potréa, 
capital Petra. A Palestina corresponde ao 
antigo paiz de Chanaan, e o seu nome é 
provavelmente uma corrupção do de Phi- 
listeos, que occupavam a parte occidental 
desta região. 

PALESTRA, s. /".(Lat., do Gr. pa/^, lucta.) 
(hist. ant.) o lugar onde se exercitavam os 
athletas, luctadores, jogadores de bola, etc; 
(fig.) lugar de exercicio litterario ; lugar onde 
se exercita arte liberal. Hoje toma-se quasi 
exclusivamente por pratica, conversação. 

PALESTRico, A, adj. (des. ico.) da pales- 
tra, dalucta. 

PALESTRiNA, (gcogr.) a antiga Proeneste, 
cidade do esta(lo ecclesiastico, a 3 léguas 
ao NE., de Frascati ; e conta 6,500 habi- 
tantes. 

PALESTRINA, (gcogr.) cidade do reino Lom- 
bardo-Veneziano, a 3 léguas ao S. de Ve- 
neza, em uma ilha das lagoas de Veneza ; 
6,000 habitantes. 

PALESTRINA, (hist.) célebrc compositor ita- 
liano, appellidado o príncipe da musica^ nas- 
ceu na Palestina em 1529, morreu em 1595. 
A sua melhor obra é a sua missa dò papa 
Marcello, o seu Stabat e o seu moteto Po- 
pule meus. 

PALETA, s.f. (Fr. palette, do Lat. pala, pá.) 
taboazinha larga e delgada em que o pintor 
dispõe as tintas de que se quer servir. 

PALEY, (hist.) theologo e moralista inglez, 
nasceu em 1743, morreu em lò05, foi ar- 
cediago do doutor Lan. Deixou algumas 
obras, que se tornaram clássicas nas esco- 
las de Inglaterra. Elementos de moral ede 
politica ; Hora Paulina ; Evidencia do chris- 
tianismOy etc. 

PALFui, (hist.) célebre cirurgião francez, 
nasceu em 1649, morreu em 1/30 ; iai^n^ 



fAIi 



fJã, 



79 



tou algans instrumentos de cirurgia e es- 
creveu : Osteologia ; Anatomia do corpo 
humano, ete. 

PALHA, s. f. {L&t.palea, que os etymolo- 
gistas derivam do Gr. pallô, palleô, agitar, 
porque assim se separa a palha do grão. Eu 
incliuo me a crer quejvem áepellis, pelle, Gr. 
phlôos.) a cana ou haste de trigo, mdho, 
cevada, senteio, e outros cereaes depois de 
secca e separada do grão ; serve para sus- 
tento de bestas, bois, para colmar choças , 
para encher enxergões, albardas, etc. — , 
pellicula, cascas seccas de legumes. — s alhas, 
as dos alhos, e fig de nenhum valor. Conten- 
der por dá cá aquella — por motivo levíssimo. 
Ter alguém em uma — , não fazer caso delle. 
Travar — com alguém, (phraz. jocosa) en- 
tender com elle, contender, estar aos itens. 
Tomar a — de fino, ser fino como o alambre. 
Partir a — , acabar a amizade. — , acabara 
contenda que versa sobre cousa insignifi- 
cante. Tomar a — a alguém, ser mais que 
elle; (fig.) levar-lhe vantagem, exceder, le- 
var a melhor. — de camello ou de mecca , 
junco cheiroso, esquinantho, — de canniço, 
espécie de colmo que nasce' pelos rios e vaila- 
dos. — carga, espécie de junca estreita ; tem 
umas quinas agudas que ferem. A lume ou fo- 
go de — , (loc. adv.) rapidamente, como arde 
a palha. — . (ant. forens.) Moroes diz que 
éabrevietura de palavra, e cita muitas passa- 
gens da Ordenação Manuelina em que dar, 
pedir — parece significar licença verbal pa- 
ra citar alguém ; o que comprova esta opi- 
nião é que nos lugares correspondentes da 
Ordenação Philippina se diz citar por pala- 
vra. Na Ord. Affonsina lemos : « Se alguma 
parte quizor citar per palha, deve' requerer 
ao corregedor, e elle lhe dará palha. » — 
de fuste diz o autor do Elucidário era « cano 
canhão ou pedaço de palha que os juizes da- 
vam aos porteiros, para com elle fazerem ci- 
tações, execuções, darem posses. » 

Eu penso que o verdadeiro sentido de pa- 
lha nesta accepção vem do Fr. ant. pales, 
manifesta, aberta, livremente, do Ital. ;)a/«- 
se, epa/e^are, manifestar, intimar, citar. Em 
quanto á palha de fuste, equivale á vara dos 
officiaes de justiça, e ao bastão dos consta- 
hles de Inglaterra. Em Fr. ant. pail significa- 
va páo, estaca. 

Se com effeito significa palavra, pode vir 
do Fr. ant. paller, fallar. 

PALHACANA, (gcogr.) povoação de Portu- 
gal no concelho de Alemquer, 1,000 hab. 

PALHAÇO, s. m. (Fr. paillasse) gracioso de 
companhia de volteadores que arremeda os 
mais actores. Vem-lhe o nome de estar ves- 
tido de panno de enxergão. 

PALHAÇO, A, adj. (depoí/ia) depalha. Ca- 
$af — í, palhoças, choças, 



PALHADA, 8. f. {palka^ des. 8. ada) palha 
cortada miúda cozida com farelos para as 
bestas comerem. — , (fig. efamil.) amontoa- 
do de allegações, raciocínios sem solidei. 
PALHADiçA, s. f. (aut ) V. Palha. 
PALHAGEM, 8. jf. (des. coUcct, o^few.) mui- 
ta palha junta. . í 
PALHAL, s. m. V. Choça, Palhoça. 
PALHAR, s. m. casa de palha, colmo, cho- 
ça. 
pALHATORio, (ant.) V. Parlatorio. 
PALHEGAL, s. m. torrcHo onde ha pa- ^ 
lha crescida. Palhegaes contínuos, flist. ' 
naut. ' il 
PALHEIRO, s. m. {palha, des. eiró ; de área) 
casa onde se recolhe e guarda a palha. Bus* 
car agulha em — , trabalhar em vão, prô- - 
curar conseguir cousa quasi impossível. "^ 

PALHEIRO, A, aáj. que gosta de palha v. 
g. mula — . 

PALHELAS, (bot.) São assim chamados 
certos órgãos foliaceaces, que existem nas 
flores de certos vegetaes, eque não podem 
assimilhar-se positivamente aos órgãos se- 
luaes ou a seus annexos, taes como aco- 
rolla e o cálice. 

PALHETA, s. f. (Fr. palette) instrumento 
de jogar apella ou ao aro, taboazinha oval 
com uma abertura por onde o pintor passa o 
dedo, e sobre a qual dispõe as tintas. — , la- 
mina de metal que se mette na bocca ou no 
orificio de instrumentos de sopro, se compri- 
me mais ou menos para variar o som, como 
nos fagotes, e doçainas d'orgão. — , lamina- 
zinha mui delgada, de ouro, prata, ou ou- 
tro metal tirada á fieira. — , (anat.) \.Epi- 
glotte. — s, peçasdo volante do relógio, nas 
quaes topam os dentes da roda catarina. — , 
(ant.) (do Fr. palet, bastão, cajado.) páo, va- 
rapao. 

PALHETÃo, s. m. augment. de palheta, pa- 
lheta metallica mais reforçada ; parte da cha- 
ve opposta á argola, que tem dentes, e se 
mette na fechadura para dar volta á lingue- 
ta. 

PALHETE, adj. dos 2 g. {palha, des. dim. 
ete.) de côr de palha. Vinho — , pouco tin- 
to ; de palha. Chapéu — , feito de palha. 

PALHiço, s. m. (des. dim. iço) palha miú- 
da quebrada emoida. — , (naut.) bagaço de 
canna de açúcar moido misturado com ester- 
co de gallinhas de que os náuticos se servem 
para tapar, gretas por onde o navio faz 
agua. 

PALHIÇO, A, adj. de palha. Casa — , cho- 
ça coberta de palha. Capa — , feita de pi- 
lha. 

PALHINHA, s. f. diminut de palha, palha 
miúda ; nome de um jogo de cartas. 

PALHOÇA, s. f. {palha e choça) casa térrea 
coberta de palha pucolípo. 



80 . PAL 

FALHOTA, s. f. V. Palhoça, 
P^PALi ou BALI (língua), (hist.) idioma scien- 
iifico da índia transgangetica, usado desde o 
império dos Birmans até aos reinos de Sião 
6 Tsiaropa. Distingue-se o Pali antigo e o 
Pali moderno; o primeiro é derivado do 
samcripto, e é um meio termo entre esla 
lingua e o prakrit; eo idioma, era que fo- 
ram escriptos quasi todos os livros sagrados 
dos Bouddistas. O Pali escreve-se da esquer- 
da para a direita. 

PALiBOTHRA, (geogr.) grande cidade de 
índia antiga, capital do reino ò^androcoííus, 
era entre os Prassi, perto da confluência 
do Ganges e do Erannoboas. 
5! PALIÇADA. V. Palissada. 
PpALicos, (myth,) Paliei, nome dedous ir- 
mãos gémeos, adorados na Sicilia, filhos de 
Júpiter e de uma nympha. 

PALicousKA, (bot.) género de plantas, per- 
tencente á farailia das Rubiaceas, e áPen- 
trandia Monogjnia. 

PALiLHO, s. m. (dim. do Lat. palus, pao.) 
pao curto, pouco grosso e roliço, em que os 
tintureiros enfiam as meadas para as espre- 
merem da tinta ou agua da lavagem, torcen- 
do-as. 

í PALiNGE, (geogr.) cidade de França, a 4 
léguas ao NO. de CharoUes ; 1,200 habi- 
tantes. 

. PALiNODiA, s. f. (Lat. do Gr. rad. palin, 
segunda vez, eódé, canto.) versos emquoo 
poett se desdiz do que antes dissera ; o des- 
dizer-se, retractação. 

PALiNURO (cabo), (geogr.) Palinurum pro- 
montorium, cabo do reino de Nápoles, a 
20 léguas ao SE. de Salerno. Deve o seu 
nome, segundo Virgilio, a Palinuro, piloto 
do navio de Eneas. 

PALINURO, s. m. nome do piloto do navio 
de Eneas ; (fig. e poet.) piloto. 

PALISSADA, s. f. (Fr. palissade, de pai, es- 
taca, Làt.palus, pao.)(fort.) estacada, cer- 
ca de paos fincados na terra, para defender 
oaccesso a algum posto; liça, liçada, cerco 
para justas, torneios, etc. — s, (naut.) obras 
levantadas sobre as bordas para rebaterem 
os tiros do inimigo. Também se fazem palis- 
sadas de cestos de terra, ou de areia. 

PALissoT DE MONTENOY,(hist.) litterato fran- 
cez, nasceu em 1730, morreuem 1814, sus- 
tentou pelo espaço de l3 annos uma these 
de Iheologia. Compoz duas tragedias Zarés, 
e Nino : Memorias para servirem á histo- 
ria da litteratura franceza, desde Fran- 
cisco I até nossos dias , Historia dos pri~ 
meiros séculos de Roma até d rrpublica, 
etc. 

PALITAR, V a. {palito, ardes, inf.) esgra 
vatar, limpar com palito, v. g. — os den- 
tes. — , t>. n. (fig. e famil.) practicar cr m 



PAL 

alguém por desenfado, e de ordinário fazen- 
do chacota da pessoa. 

PALITEIRO, s. m. [palito, des. eiró ) o que 
faz palitos ; estojo de palitos. 

PALITO, s.m. (dim. doCast. paia) pedaci- 
nho delgado de pao aguçado de uma ou de 
ambas as extremidades para esgravatar e 
limpar os dentes depois da comida ; (fig.) ob- 
jecto de mofa. Fazer — de alguém, escarneo, 
chacota. — , no truque de taco ; peça de fer- 
ro fiia, e levantada defronte da barra. — mé- 
trico, nome de uma composição burlesca em 
latim macarronico. 

PALIURO, (bot.) género de plantas da fa- 
mília das Rhamneas e da Penlrandria Try- 
gynia 

PALizzi, (hisl.) familia siciliana, foi no 
século XIV a alma de uma facção que du- 
rante longo tempo governou o rei Pedro II 
e abusou do poder, foi banida com os Chiara- 
montes ; foijchamado por intrigas da rainha 
Izabel, do que se originou uma longa guer- 
ra civil, que só acabou com a pai entre 
Frederico II e Joanna 1.** de Nápoles, em 
1H72. 

PALiZADA. V. Palissada. 

PALK (estreito de), (geogr.) braço de mar, 
que separa a ilha deCeylão da costa da ín- 
dia e liga o golpho de Bengala ao golpho 
de Manaar. 

PALLA, s. f. V. Pala. 

PALLADiNo, (hist.) chamado também Jac~ 
quês de Teramo, nasceu em 1349, morreu 
em 1417. Deixou uma espécie de roman- 
ce ascético intitulado Consolatio peccato- 
rum. 

PALLADio. s. m. (hist.) (Lat, paUadium, da 
deusa Palias) imagem da deusa Palias; escudo 
venerado entre os antigos Gregos e Romanos 
de cuja conservação se julgava depender a da 
republica ; era o grande idolo dos Troianos. 
Dizia-se ter caido do céo, e conservavam- 
na preciozamente em Tróia, julgando que 
a sorte da cidade estava ligada a ella. Ulyses 
e Diomedes, penetrando de noute em lllion 
foram rouba-la ao próprio Sanctuario da 
deuza, e só então foi tomada Tróia. Segun- 
do a tradicção romana, os dou.> heroes gre- 
gos roubaram, não o verdadeiro mas o fal- 
so Palladio ; o verdadeiro foi levado por 
Eneas á Itália, e por consequência a Roma, 
onde estava guardado em um logar secre- 
to, conhecido somente do gran-pontifice e 
da gran-vestal. (fig.) sustentáculo, protecção, 
v.g. a liberdade de imprimir sem censura 
previa é o — das nações. 

PALLADIO, (hist.) bispo de Helénopolis, 
nasceu na Galacia em 3(58, foi viver na so- 
lidão, em Nitria no Egypto, efoi amigo de 
S. João Chrysostomo. Deixou uma Histo- 
ria dos Solitários. 



vil' 



PA 



i'' 



81 



tp. 



PALLADio, (hist.) Hutilius Taurus /Emi- 
lianus Palladms, agrono no, filho de Eisu- 
perantius, prefeito das Gallias, nasceu em 
405. D(.'ixou 14 livros de De Re rústica. 

PALLADIO (André), (hist.) celebre archi- 
tecto veneziano, nasceu em 1518, morreu 
em 15^0, foi discipulo de Fontana. Foi o 
architeclo do theatro olympico de Vicença, do 
pelacio dos doges de Veneza, e do celebre 
theatro de Parma. Deixou um tratado de 
archilectura. 

PALLANDRAS, s. f. pi. duasbarcaças em- 
parelhadas, levadas a reboque, sobre as quaes 
vão as cíírcassas para o ataque de portos. 

PALLANTÉA, (geogr.) Paltaiiteum, cidade 
da Arcádia, perto da Mantinea, foi edifi- 
cada por Palias, uma das filhas de Ljcaon. 
Foi a pátria d'Evandro, 

PALLANTiAES, (hist.) filho de Pallas, irmão 
de Egêo, Querendo roubar a Thesêo, filho 
de Egêo, o reino d'Athenas, foram todos 
mortos por este heroe 

PALLANZA, (geogr.) cidade dos estados sar- 
dos, capital de intendência, a 13 léguas ao 
N. de Novara , 1 500 habitantes. A inten- 
dência de Pallanza, entre as d'Ossola, Yal 
de Sesia, e >'ovara, e o lago maior conta 
70,(iOO habitantes. 

PALLAS, (myth.) deusa itálica, presidia ás 
poezias pastoriaes, ^e parece ter sido a gran- 
de deuza primitiva dos romanos. Roma foi 
fundada a 21 de abril ; neste mesmo dia 
eram celebradas as festas de Palas, chama- 
das Palilias. 

PALLAS, (hist.) filho de Evandro, rei do 
Lacio, deu o seu nome á cidade de Pallan- 
teum ou Palatium, sobre a colina, que ti- 
rou d'isto o nome de monte Palatino. 

palla;>, (hist.) liberto e favorito de Cláu- 
dio fe-lo cazar com Agrippina e adoptar 
Nero; matou este príncipe com veneno, de 
accordo com Agrippina, mas foi depois en- 
venado por Nero, que lhe confiscou os bens 
que excediam o valor de uns poucos de 
milhões. 

PALLAS, (Simão), viajante e naturalista 
prussiano, nasceu em 174 1 , morreu em 1811 
vizitou a Sibéria, a Taurida, diversas par- 
tes da Rússia e penetrou até ás fronteiras 
da Rússia Deixou : Elenchus zoophytorum 
Spicilegia zoológica; Viagens a diversas par- 
tes da Rússia ; Memoria sobre os povos Mo- 
goes, etc. 

PALLATORio, s. m {áo¥r. axii. palUv, fal- 
lar, conferir.) (ant.) locutório de convento 
de freiras, parlatorio. 

PALLAVACiNO, (hist.) capitão italiano do sé- 
culo XIII século, serviu Frederico II con- 
tra Gregório iX eos Genovezes, tomou um 
corpo temivel de ca valia ria, batteu Ezzelin 
romano, creou uma soberania na Lombar- 

VOL. IV. 



dia e foi nella o chefe do partido gibelino » 
morreu em 1289 Pallavacino (Sforza), je- 
suíta, nasceu em Roma em 1607, morreu 
em 1667. Escreveu a Historia do concilio 
de Trento. 

PALLENE, (geogr.) hoje peninsula de Cas- 
sandria, a mais Occidental das três peque- 
nas penínsulas, que terminam ao S. da »-hal- 
cidica. Cidade principal Potídea. 

poLLENis, (bDt.) género de plantas da fa- 
mília das Synanthereas e da Syngenesia 
Supérflua 

PALHADO, A, p. p. depalliar; ací/. que se 
palliou, V. g. doença — ; a que se deu côr, 
disfarce. Informação -^, inexacta, em que 
a verdade é alterada. Resposta — , ambígua, 
dilatória. 

PALLiADOR, s. wi. O que pallia. 

PALLiAR, V. a. (do Lat. pallium, capa) en- 
cobrir com disfarces, colorar, v.g. — o cri- 
me, — a ingratidão, — doenças, males, mi- 
norar, remediar por algum tempo. 

PALLLVTivo, A, ttdj . (dcs. ivo] quo pallia. 
Remédio — ; cura — , que diminue a força 
do mal, que allivia por algum tempo. 

PAi.ijÇAov. s. f V. PalUssada. 

PALL DEZ, s. f. (des. ez) apparencia palli- 
da do semblante; côr pallída. 

PALLiDO, A, adj. {Lai. pallidus ) que per- 
deu a côr encarnada O rosto — . — , quo 
causa pallidez, v.g. a — morte, — doença, 
o pallído temor, ciúme. 

PALLiKARES, (híst.) nome dado aos gregos, 
qne faziam parte das milícias nacionaes re- 
conhecidas pelos turcos, por opposição aos 
Helepes, que existiam fora da lei. Os che- 
fes destes bandos gregos chamavam-se ar- 
matoli, eos seus ajudantes de campo, pro- 
to pallíkar. 

PALLio, s.m. [L&t. pallium, capa) ornato 
distinctivo dos papas, patriarchas. arcebispos, 
bispos ; sobrecéo portátil sustilo por varas 
levadas por homens, debaixo do qual sáe o 
sacramento á rua, ou o santo lenho, os reis, e 
os více-reis quando tomam Tposse .Receber com 
— , (fig.) com grandes honras. — , ornamento 
que o papa enviava aos metropolitanos, e ar- 
chiepiscopal pelo qual elle lhes dava a inves- 
tidura. Este uso existia já havia longo trmpo, 
quando em 877 o concilio de Ravenna, decla- 
rou em o metrepolítano, que não sollicitas- 
se o pallium em três annos não poderia 
exercer funcção alguma. 

PALLIO, s. m. [antJj por páreo ou páreo. 
Correr o — . V. Pario. 

PALLÔR, s. m. (Lat.) V. Pallidez. 

PALLUAN, (geogr.) Paludellum, villa de 
França, a 9 léguas NE. de Sablès d'Olonne ; 
OuO habitantes. 

PALJiA, s. f. (Lat., talvez do Egypc. dja/, 
ramos, palmitos, e ma, dar, ramo e folhas 
21 



->^-~ 



H 



ri* 



da palmeira ; a palmeira (arvore) ; (ílg.) A — , 
da victoria, o triumpho de que en» symbolo o 
palmito que se dava ao vencedor. A — da vi- 
ctoria, — domartyrio. Levara — , vencer, 
triumphar. — e capella, palmito e capella 
de flores artificiaes que levam os defuntos em 
tenra idade, donzellas, homens castos. Ir de 
— e capella. 

PALMA, s. f. (Lat., do Gr.palámé, mão; 
rad. j3a//d, vibrar, bater.) — da mão, apar- 
te liza da mão contra a qual se dobram os de- 
dos quando se eontrahem para pegar em al- 
gum corpo, ou para formar o punho. Lizo 
como a — . — s, pi. palmadas era applau- 
so; (fig.) applauso Andar nas — s, tervo- 
voga, fama. Tocar, bater as — , applaudir. 
Trazer nas — 5, louvar muito, fazer gran- 
de apreço de alguém, eprestar-lhe todos os 
bons officios. — , (astr. p. us.) duas estrellas 
fixas da terceira grandeza na mão esquerda 
do Sagittario. — , (alveit.) a parte do casco 
das bestas entre o sanco e as ramilhas. 

PALMA, (geogr.) capital das ilhas Baleares 
e da intendência de Palma, na ilha de Maior- 
ca, sobre a costa ao S ; 36,000 habitan- 
tes. A intendência de Palma, da mesma ex- 
tensão que a capitania general de Maiorca 
abrange todas as Baleares. 

PALMA, (geogr.) uma das Canárias ; tem 
30,000 habitantes. 

PALMA DEL RIO. (geogr.) Dccuna, cidade 
de Hispanha, na confluência de Gualdalqui- 
vir e do Xenil, a 12 léguas aoSO., de Cór- 
dova ; 6,800 habitantes. 

PALMA, (geogr.) antiga comarca da pro- 
víncia de Goyaz, no Brazil, de que foi ca- 
beça a villa de S. João da Palma. 

PALMA (rio da) (geogr.) rio da província 
de Goyaz, no Brazil, na comarca de Porto 
Imperial. 

PALMA-CHRiSTi, « f rlcluo, Carrapateiro, 
planta cujo fructo é oleoso e medicinal. Óleo 
de — , é purgante mui benigno. 

PALMADA, s. f. (des. s. ada.) golpe com a 
palma da mão, v. g. — s em applauso. 

PALMANOVA, (geogr.) cidade forte do rei- 
no Lombardo-Venezlano, sobre o canal de 
Roja e de JNallsone, a 4 léguas e mela SE. 
de Usine ; 4,íjO0 habitantes. 

PALMAR, í. m. [palma, arvore, des. s. ar) 
meta de palmeiras ; aldeia ou quinta no melo 
de palmar. 

PALMAR, s. m. (dejoa/mar, adj.) carda fei- 
ta de cardo para cardar pannos á mão, — 
de cardas. 

PALMAR, adj. dos 2g. [áe palma da mão 
ou áe palmo, des. adj. ar) da grandeza de 
um palmo ; patente como a palma da mão. 
Erro — , manifesto, grosseiro, palpável, mui 
grande. 

j?AMi4Rif5, (geogr.) (juilombo célebre dd 



serra do Barriga, no Brazil, perto da pro- 
vinda de Pernambuco. 

PALMARES (rio dos), (geogr.) ribeira da 
provinda de S. Pedro do rio Grande no Bra- 
zil ; nasce ao sul do Tramandahl ou Tara- 
mandabú, e vai desaguar na extremidade 
septentrlonal da lagoa dos patos. 

PALMARiNHO. s. w. diminut. de palmar. 

PALMAS (c'dade real de las), (geogr.) CJJ- 
pltal da Grande-Canarla ; 9,000 habitan- 
tes. 

PALMAS (golpho das), (geogr ) Sulcitanus 
sinus, golpho da Sardenha, sobre a costa 
ao SÓ.; entre esta Ilha ea de S Antlocho. 

PALMAS (Ilha das), (geogr.) três são as ilhas 
deste nome na provinda do Rio de Janeiro 
no Brazil ; a primcúra na bahla de Mthe- 
rohí, ao oriente e a pequena distancia de 
Ilha do Governador ; a segunda no archlpe- 
iago fora da sobredita bahia : e a terceira 
ao sul da provinda, diante da costa do dls- 
tricto da villa de Parati. 

PALMAS, (Ilha das), (geogr.) três ilhotas 
d'este nome, na provinda de S. Paulo, no 
Brazil. 

PALMAS (Ilha das), (geogr.) Ilha da pro- 
vinda de Santa-Catharina, no Brazil, na 
entrada da banda do sul da bahla d'este 
nome. 

PALMAS, (geogr.) ribeiro da provinda de 
S. Pedro do Rio Grande, no Brazil, tribu- 
tário do canal chamado rio de São Gon- 
çalo, que faz communlcar a lagoa Mirim 
com a dos Patos, e ao sul da confluência 
do rio Plratlnlm. 

PALMATOADA, s . f . [^Qv palmatoriado] gol- 
pe nas palmas das mãos com palmatória ; 
(fig.) castigo. Levar — . 

PALMATÓRIA, s. f. [palma da mão, e Lat. 
tero, ere, pisar, contundir.) peça chata e re- 
donda de páo, sola, etc, com cabo, para 
dar palmatoadas nos rapazes nas escholas ; 
(fig.) castigo. — , castiçal de pouca altura 
pegado a um prato que tem cabo ou rabo. 
É de prata, latão, etc. 

PALMATORiADA, s f. V. Palmatoada. 

PALMATORiADo, A, p. p. de palmatorlar, 
adj. castigado com palmatoadas. 

PALMATORiAR, V. tt. [palmatória, ar des. 
Inf.) castigar com palmatoadas. 

PALMEAR, v.a. (de ;)a ima da mão, ardes, 
inf.) applaudir com palmadas ou palmas. Bo- 
cage. 

PALMEIRA, s. f. (des. eira.) (bot.) arvore 
que dá as palmas ou palmitos. As palmei- 
ras constituem uma família multo natural 
de vegetaes nonocotyledones de estamines 
peryginos, notáveis pela elegância da sua 
forma , e pela multa utilidade que dão aos 
povos das regiões, em que crescem. — ia- 



PAI. 

PALMEIRA, (geogr.) freguezia de Portugal, 
visinha de Braga, 2,524 habitantes. Ha outra 
do mesmo nome a 3 léguas com 300 habitan- 
tes, e outra a 4 com 700. 

PALMEIRA DOS ÍNDIOS, (geogr.) autiga po- 
voação e nova villa da provincia das Ala- 
goas, no Brazil. 

PALMEIRAL, 9- wi. V. Palmar. ^ 

PALMEIRAS, (geogr.) vilIa d« provincia de 
São Paulo, no Brazil, na comarca de Curi- 
tibi, 2,150 habitantes. 

pALMEiRiNHA, s. f. diminuí. de palmei- 
ra. 

PALMEiRO, s. m. (des. eiró) (ant.) peregri- 
no que trazia um palmito ou palma na 
mão. 

PALMEJAR, s. m. [de palma da mão) (naut.) 
peças que cingem o navio da popa a proa 
por dentro, endentando-se como os lia- 
mes. 

PALMEJAR, s,m. [de palma, des. e;"ar.)ap- 
plaudir Datendo as palmas ; em sentido abs. 
ou n. bater as palmas, applaudir. 

PALMELLA (duque de), (hist.) Pedro de 
Sousa Holstein, distincto diplomata e esta- 
dista portuguez ; nasceu na cidade de Tu- 
rim em 1781 , morreu em Lisboa em 
1850. Distincto por nascimento pois des- 
cendia de D. Luiz AfiFonso , filho natu- 
ral d'el-rei D. AfFonso 3.°, e de D. Manuel 
de Sousa, que se enlaçara com a casa real 
de Holstein, o Duque dePalmella não o foi 
menos pelos seus talentos, e serviços. En- 
cetou a carreira das armas em 1796, sen- 
tando praça no regimento de Mecklem- 
burgo, foi ajudante de ordens do duque 
de Lafões, e tomou parte na lucta contra 
a invasão franceza. Começou a servir na 
diplomacia em 1H02, anno em que foi 
nomeado conselheiro da legação em Roma, 
onde foi depois em 1805 encarregado de 
negócios. Desempenhou importantes missões 
diplomáticas em ilispanha em 1812Í , em 
Londres em 1814, 1826, 183J , e 1838 , 
em que assistiu á coroação da rainha de 
Inglaterra, rivalisando á sua custa, com os 
outros embaixadores , no luxo , com que 
então se apresentaram; em Paris em 1816, 
1882 ; e finalmente no celebre congresso 
de Vienna em 181í» , onde conseguiu que 
Portugal fosse representado , apesar das 
grandes potencias quererem excluir d'alli 
as nações pequenas. Serviu também den- 
tro do paiz lugares importantes ; em 1 820 
foi chamado ao Rio de Janeiro, e ahi no- 
meado ministro dos Negócios Estrangeiros ; 
formando parte do Ministério em 1823, 
1832, 1834. 1835, 1842 e 1846. Prestou 
os maiores serviços á causa liberal; em 
1828 foi presidente da junta, e comman- 
dante áas forças do Forto, e tendo mallo- 



Vàl 



* 



grado esta tentativa, fretou em Inglaterra 
embarcações, que vieram buscar a Gallisa 
os seus companheiros, e conseguiu que os 
fossem depois desembarcar na ilha Tercei- 
ra ; alli chegou em 1830, como presiden- 
te da regência ; em 183i desembarcou no 
Mindello, aonde voltou no anno seguinte 
com munições, soldados, e o almirante l!fa- 
pier ; entrando em Lisboa em 25 de Julho 
de 1833. Foi creado conde de Palmella em 
181 2í, marquez em 1823, e duque do Fayal, 
titulo que depois se trocou pelo de Pal- 
mella, era 1833 ; em 1826 foi nomeado par 
do reino, e em 1833 conselheiro de estado 
e presidente da camará dos pares ; foi elei- 
to muitas vezes senador, (e a esta camará 
presidiu) de 1838 a 1841. Era condecora- 
do com as ordens do Tosão d'ouro, grão 
cruz de Christo , Torre e Espada, Carlos 
3.°, Legião d'Honra , e de S. Alexandre 
iNewski, e com o habito de S. João de Je- 
rusalém. Tinha casado em 1810 com uma fi- 
lha dos senhores Marquezes de Niza , de 
quem teve descendência. Deixou : Discur-* 
SOS parlamentares, a sua correspondência 
diplomática, que se está publicando agora, 
e outras obras ainda não impressas. 

PALMELLA, (gcogr.) villa Celebre e muito 
antiga de Portugal com 3,400 habitantes, si- 
ta n'um dos mais elevados cumes da serra 
do mesmo nome, 875 pés acima do nivel e na 
esquerda do Tejo, 1 légua ao N. de Setúbal. 

PALMELLÃo, s.m. onadj.m. de palmella, 
villa fronteira a Lisboa. Vento — , que sopra 
dePalmella. 

PALMER, (hist.) celebre actor inglez, nas- 
ceu em 174 1, morreu em 1784, morreu na 
scena , representando a Misanthropia e o 
arrependimento, pela dôr que sentiu com 
esta pergunta do seu interlucutor : « Como 
passam vossos filhos?» Acabava de pisrder 
nm filho. 

PALMES (cabo das), (geogr.) na Guiné sep- 
tentrional, na extremidade NO. do golpho 
de Guiné. 

PALMETA, s. f. diminut. de palma. — , 
(pharm.) espátula de estender emplastos e 
unguentos ; palmilha de sapato ; cunha de 
mira, na artilharia ; cunha de ferro longa, 
estreita, com cabeça cylindrica, e forrada no 
lugar em que se bate, para abrir buracos, e 
para acunhar os aguilhões dos eixos das 
moendas de açúcar ; peça de madeira que se 
mete debaixo do corpo que se quer alçar, para 
lhe dar maior altura ou para o pôr a pru- 
mo. 

PALMi, (geogr.) cidade do reino de Ná- 
poles, a 8 léguas NE. de Reghio; 6,000 
habitantes. 

PALMILHA, s. f. {palma da mão, des. ilha 
dim.) palmeta da sola do sapato ; a parte da^ 
ti ♦ 



Â' 



vW 



PAL 



irieias que fica por baixo da planta do pó ; 
ferro depanno de linho que se lhe cose, V. 
Palmilhas. 

PALHiLHADEiRA, s. f. (des. eira) mulher 
que deita palmilhas nas meias e as remen- 
da. 

PALMILHADO, A, f. p. de palmilhar ; adj. 
guarnecido de palmilha; que palmilhou; 
(fig.) cursado a pé. 

TALMiLHADOR, s. m. homcm que remen- 
da meias, que lhe deita palmilhas. 

PALMILHAR, V a. [palmilha, ar des. inf.) 
deitar palmilhas, remendar, v.g. — meias. 
— , (famil. e íig.) andar a pé, v. g. palmi- 
lhou muitas léguas de terra. 

PALMILHAS, s. f. pi. de palmilha, pés que 
se deitam ás meias para as remendar ou for- 
talecer alfim de aturarem mais. 

PALMiNs, s. m. pi. (termo da Ásia) portei- 
ros das várzeas que cuidam das valias. 

PALMiPiDE, adj. dos 2 g. (l.at, palmipes, 
dis) (h. n.) que tem as articulações dos pés 
unidas por membranas como os patos, adens, 
phocas, etc. 

PALMiTAL, s. m. (palmito, des. collect. ai) 
palmar, que dá palmitos. 

palmiteso, a, adj. (alveit.) casquicheio, 
que tem a palma do pé tesa. 

Palmito, s. m. (Lat. palmes, itis, ramo de 
vinha ou de palmeira) ramo de palmeira ; pal- 
ma ou ramilhete que se põe aos defuntos in- 
nocenles, ás virgens, etc. ; miollo de certas 
palmeiras que se come guisado. 

PALMO, s. m. (de palma da mão) medida 
de extensão ; é a distancia entre a extremida- 
de do dedo pollegar eadominimo, estando 
o mais apartados possível, aberta a mão ; me- 
dida convencional. — craveiro, a quinta par- 
te da vara, e a terça do côvado. — geomé- 
trico, doze pollegadas. í/m — de terra, (fig.) 
porção mui pequena. Não vê — de terra, 
nada distingue, nada entende. Conhecer o 
terreno a —s, com toda aexacção. Ganhar 
terreno -a—, aos poucos, combatendo a 
cada passo. Crescera —s, mui rapidamen- 
te. 

PALMYRA, (geogr.) Tadmor em árabe, ce- 
lebre cidade do reino de Arábia, assim 
chamada pelos Romanos por causa das suas 
belias palmeiras, situada entre a Syria e o 
Euphrates. Aitribue-se a sua fundação a 
Salomão. As ruínas da cidade de Palmyra 
ainda são magnificas. 

PALNATOKE, (hist.) cclcbre corsário dina- 
marquez do X século, tinha formado uma 
espécie do associação de pirateria cavalhei- 
resca, de que era capital Jamsborg. Matou 
em 991 Uaraldo Blaatand. 

i'ALo, (geogr.) cidade do reino do Nápo- 
les, a 4 léguas SO. de Bari ; 4,700 habi- 
tantes. .. 



PALO OU PALON, (geogr.) cidade da Tur- 
quia asiática sobre o Kuphrates, a 33 lé- 
guas NO. de Diarbokir ; 8,OtJ0 habitantes. 

PALOMiNO DK CASTRO E VELAS, (hist.) Ce- 
lebre pintor hispanhol, nasceu em 1653, 
morreu em 1725, foi discípulo de Valdês. 
O seu melhor quadro é a Confissão de S. 
Pedro' 

PALOMAS, s.f.pl. (do Cast. pa/oma, pom- 
bo) (naut.) cabos das vergas onde se fixam 
espontas dasostagas. A denominação vem do 
hf\i. palumbus, pombo bravo, do Gr. palló, 
agitar. 

PALOS, (geogr.) Palus Eneph, cidade de 
Hispanha, a légua e meia SÉ. de Huelva ; 
1,000 habitantes. 

PALOTA, (geogr,) cidade de Hungria, a 5 
léguas íhE. de Yeszprim ; 4,000 habitan- 
tes. 

PALOVEA, (bot.) género de plantas da famí- 
lia das Leguminosas e da Lnnandria Mono- 
gynia. 

palpadiSlas, s. f, pi. V. Apalpadelas. 

PALPADO, A, p. p. de palpar; adj. apal- 
pado. Cavallo — , que tem remendos claros, 
cavallo russo. 

PALPAR, V a. V. Apalpar. 

palpável, adj. dosig. [à^s.avel) que se 
pode palpar ou apalpar, tangível ; (fig.) ma- 
nifesto, patente, evidente, v. g, razões, erros 
palpáveis ; verdade — . 

PAiPAVELMENTE. ttdv . [meu te sufí .) do ma- 
neira palpável, evidentemente, sensivelmen- 
te. 

PÁLPEBRA, s. f. maisus. nop/. [Lat. pál- 
pebra, áepalpare, tocar brandamente, amei- 
gar.) capella do olho, prolongação da pelle 
que cobre e protege o olho cerrando- se : — 
superior ou inferior. 

PALPITAÇÃO, s. f. [LrI. palpitatío, nií) mo- 
vimento tremulo dos músculos. Diz-seprin- 
cipalmente do coração, v.g. ter, sentir pa/- 
pitações. 

PALPITANTE, ãdj . dos 2 g. (Lat. palpitans, 
tis, p. a. áv.palpitere) qne palpita, «.^í. en- 
tranha, peito, coração, membros — s. 

PALPITAR, V. n. (Lat. palpitare, frequent. 
áepalpare, palpar.) soíTrer movimento tre- 
mulo ou convulsivo nos músculos, nas entra- 
nhas, na respiração, cj;. « Víam-se-lhepa/- 
pitando os míollos. » Barros. « D'outros as 
entranhas palpitando. » Camões. 

PALRA, s. f. V. Parola. 

PALRADO, A, p. p. de pairar, fallado n:ui- 
to, parolado. 

PALRADOR, s. w. V. Fallador, Parolei' 
ro. 

PALRAMENTO, s. m. V. Parlamento. 

PALRAR, v.n. (contracção de parolar, ou 
doFr. ant. pa//cr, fallar, discorrer.) (famil.) 
parolar, fallar muito, tagarelar *, parolar para 



impor e illudír ; descobrir o segredo ; (fig.) 
chilrar, gorgeíar (o pássaro), v.g. -^ o es- 
torninho. — , V. a. (ant.) dizer, publicar, 
patentear, ex. «Os olhos pa/raw os segredos 
da alma. » Eufr. 

PALRARiA, s. f. (des. aHa) o vicio de ser 
palreiro, fallador ; fallatorio, parola, garru- 
lice. 

PALRATORio, s. m. V. Pavlatorio. 

PALREiRAMENTE, udv. {mente suíf.) como 
gárrulo. 

PALREIRO, A, adj. fallador, gárrulo, que 
não guarda segredo. Usa-se s. m. Éum — , 
gárrulo. O — faz seu amigo mudo. Os — s 
passarinhos, gárrulos. 

PALRiSQUEiRO. V. Palreíro. 

PALRONio, s. m. V. Palreiro. 

PALUD, (geogr.) villa de Hispanha , a 5 
léguas ME. de Orange ; 2,313 habitantes. 

PALUDAMENTO, s. m. (Lat. paludamentum) 
(hist. ant.) vastido branco ou côr de purpu- 
ra de que usavam os generaes, cônsules ro- 
manos, e depois os imperadores. 

PALUDE, s. f. (Lat. palas, dis.) V. Alagoa. 

PALUDOSO, A, adj. [LSii. paludosus, de pa- 
lus, dis, lagoa, pântano) pantanoso, alaga- 
diço, apaulado. 

PALUSTRE, adj.dos2g {i&i. palusíer] das 
lagoas, que as frequente , v. g. aves — s. 

PAM, s. m. V. Pão. 

PAMAS, (geogr.) aldeia da província de Ma- 
to Grosso, no Brazil, na margem direita do 
rio Madeira, perto do salto Giráo. 

PAMBAMARCA, (googr.) monle dd Nova Gra- 
nada, a 8 léguas N. de Quito. 

PAMBU, fgeogr.) pequena villa da provín- 
cia da Bahia, no Brazil na comarca de Ja- 
cobina, na margem esquerda do rio do São 
Francisco, 22 léguas acima da cachoeira de 
Paulo-AíTonso, 1,200 habitantes. 

PAii'ERS, (geogr.) cidade de França a 5 
léguas e meia N. de Foix, sobre o Ariege ; 
6,y00 habitantes. 

PAMiso, (geogr.) nome de três pequenos 
rios da Grécia antiga, dois na Messenia , 
lançavam se no golpho deste nome, e um 
na Thessalia aíílaente do Penêo. 

pAMLico-souND, (gcogr.) golpho dos es- 
tados Unidos, na Carolina do Norte. 

PAMPANADA, s. f. {pampano, des. s. ada.) 
(chulo.) cousa van, sem fundamento, appa- 
rencia van, como a dos pâmpanos sem uva. 

PÂMPANO, s. m (pron. o accento na pri- 
meira, as outras breves e surdas: Lat.pam- 
pinus, do Gr. poa-amphi-oínem, herva em 
torno da vinha) sarmento novo, pimpolho da 
"vide ; parra, folhada videira. — , peixe pe- 
queno da feição da choupa. — dacannade 
açúcar, a planta mui grossa, com demasia- 
do viço e aguada, que faz pouco emáo açú- 
car. 

YOL. IV. 



PAMPAS, (geogr.) vastas planícies da Ame- 
rica do Sul, extendem-se na parte meri- 
dional do governo de Buenos-Ayres, desde 
o Rio da Prata até junto das Andes. São 
habitadas pelos Gaúchos , d'origem hispa- 
nhola. 

PAMPAS DEL SACRAMENTO, (geogr.) nome 
dado ás vastas planícies situadas no N.. do 
Peru, a E. da intendência do Truxillo. Des- 
cobertas em 1726. 

PAMPELONNE, (geogr.) cidade de França a 
6 léguas KE. d'Alby ; 2.000 habitantes. 

pampelona, (geogr ) Pompeiopolis, Pam- 
pelo, cidade de Hispanha, capital da in- 
tendência doste uome o da capitania-go- 
neral da Navarra, sobre o Arga, a 80 lé- 
guas NE de Madrid; 15,000 habitantes. A 
intendência de Pamplona é o mesmo terre- 
no que a antiga Navarra. 

PAMpriiLio, (h. n.) género de insectos da 
ordem dos Hymenopteros, secção dos Tere- 
brantes família dos Porta-Serras. 

PAMPHYLio, (hist.) pmtor grego, nasceu na 
Macedónia, vivia no reinado dePhílippe, no 
IV século antes de Jesu-Cliríslo. Fundou a 
escola sycyoníana , e foi mestre d'Apelles. 
Também era bom mathematico. 

PAMPHYLIO (S.), (hist ) de Beryto, substi- 
tuiu Origenes na direcção da escola d'Ale- 
xandria, fundou outra escola em Cesárea da 
Palestina ; soíTreu o martyrio em 309. E' 
commemorado no 1.° de junho. 

PAMPHYLIO, (geogr.) primitivamente Mop- 
sopia, hoje parte U. do pachalik. de Itchií e 
parle SE. da Anatólia, região da Ásia Menor 
ao S, sobre o. Mediterrâneo entre a Lycia e a 
Cicilia Era limitada ao N. pela Pisidia. 

PAMPILHO, s. m. (do mesmo radical que 
pâmpano, pela semelhança ao pimpolho.) 
garrocha, aguilhada curta de picar o gado, 
haste com ferrão ; olho de boi, espécie de 
parietaria, herva. 

PAMPILHOSA, (geogr ) villa e freguezia de 
Portugal no districto de Leiria, donde dista 
14 léguas a NE., e 1 ao N. do Zêzere, 2,500 
habitantes. 

PAMPiNEO, A, adj. Lat. pampineus] de pâm- 
panos, das vides. 

pampinoso, a, adj. [Lat. pampinosus) cheio 
de pâmpanos, coberto, ornado de parras, v. 
g. as — s vides; o — outono. 

PAMPLONA, (geogr.) cidade da America do 
Sul, capital da província do mesmo nome, 
sobre o Zulia, a 107 léguas NE. de Bogotá ; 
3,200 habitantes. A província de Pamplo- 
na é uma das 4 da divisão de Boyaca ; 
conta 78 OOO habitantes. 

PAMPOLHO, s. m. V. Pimpolho. 

PAM-PORCINO, s. m. V. Pão de porco. 

PAMPOSTO, s m. nome de uma planta (ena 
Lat. caltha) malmequer amarello. 
21 



m 



vÈ 



PAN, (myth.) deus grego, filho de Júpiter e 
de Calisto, presidia aos rebanhos e aos pas- 
tos, e passava pelo inventor da charamela. 
Namorado da nympha S^riux, deu-se a 
perseguil-a e teve o desgosto de a vêr mu- 
dada em orvalho quando ia agarral-a. is&o foi 
mais feliz com a nympha Echo. Representa- 
se Pan com pés de bode e coberto com o pello 
do mesmo animal. Dá-se-lhe por cortejo se- 
res da mesma forma, chamados pans, panis- 
cos ou ógipans, isto é Pans-cabras (do nome 
de Pan edo grego aiges^ cabras). O Fauno 
dos Latinos parece-se muito com o Pan dos 
Gregos. Na Arcádia é que Pan era muito ve- 
nerado. As suas festas chamavam se Lyceas 
e em Roma Lupercaes. 

PANACÉA, s. /". (do Gr. pan, tudo, e akos, 
remédio) (med.) remédio contra todas as 
doenças, universaes. 

PANACÉo, s. m. panacéa ; herva cura-tu- 
do. 

PANACÚ OU PANACUM, s. m. (t. Brasil., pa- 
nicUf na lingua dos indígenas) espécie de ces- 
to comprido com as bordas voltadas para 
dentro. 

PANADURA, s. f. (do Fr. panneaUj pao, es- 
taca mettida em encaixe) eixo de moenda 
de açúcar. 

PAN^cio, (hist.) philosopho stoico, nas- 
ceu em Rhodes no anno 190 antes de Jesu- 
Christo, florescia no anno 150. Estudou pri- 
meiramente em Athenas com Zenão, ao qual 
succedeu na cadeira do Pórtico, depois esta- 
beleceu-se em Roma, onde abriu uma escola 
frequentada pelos mancebos de maior distinc- 
ção. Compoz diíTerentes obras, entre ellas um 
tractado dos Deveres ; um livro das Sei- 
tas. 

. PANAL, *. m. (des.coUect. a/)pannocheio 
de palha; panno de tender o pão. Dar, em- 
purrar o — , (fig. e famil.) descarregar so- 
bre outrem o peso de cousa, de negocio in- 
commodo. 

PANAMÁ, (geogr.) cidade da America do 
Sul, capital da província do mesmo nome, e 
de toda a divisão do isthmo, no fim de uma 
vasta bahia sobre o Oceano Pacifico ; 12,000 
habitantes. A província de Panamá, uma das 
duas províncias da divisão do isthmo, sobre 
os dous Oceanos, ao S. deGuatimala, conta 
60,000 habitantes. 

PANAVA (isthmo de), (geogr.) isthmo que 
junta as duas Américas. E' tão estreito em 
alguns sitios que se empreendeu fazer sobre 
elle um caminho de ferro. 

PANARIA, s. f. (des. ária) (ant.) tulhas, 
almazens de recolher o trigo ou farinhas 

panarício, s.m. [Fr.panaris, Lai. pana- 
ritiuSj alterado do Gr. paronykhia, de para, 
juDto, e onyx^ unha) tumor mui doloroso 
junto á raiz das unhas. 



PAU 

PANARIO. í. m. V. Panasqueira. 
PANARO, {geog.)\ScuUena, rio de Itália, sae 
dos Apeninos, separa o Estado da Igreja do 
ducado de Modena, e lança-se no lo pela 
margem direita. Tinha dado o seu nome a 
um districto do reino de Itália de Napoleão, 
o qual tinha por capital Modena. 

PAKASco. s. m. espécie de herva de pas- 
to. 

PANASQUEIRA, s. f. campo em que ha pa- 
nasco, terra de pasto, de hervaçaes. 

PANATHENEAS, (hist.) Panath(Bncea (de pan 
tudo, e Athene, Minerva, ou Athcencea festas 
de Minerva) grande festa atheniense, cele- 
brada em honra de Minerva. Instituída por 
Erichthonius em 1495, antes de Jesu-Christo 
recebeu novo lustro de Theseo, que fez de 
Minerva a deusa de toda a Attica e da sua 
festa o logar de reunião de todos os povos 
deste paiz. Depois houveram às grandes e pe- 
quenas Panathenéas. As primeiras celebra- 
das de 4 em 4 annos ; as segundas todos os 
annos. Desenvolviam nestas festas um luxo 
extremo; a principal cerimonia ora a pro- 
cissão do peplum ou \eo de Minerva ; depois 
seguiam-se as lampadodromias (carreiras 
com fachos na mão) jogos gymnaslicos re- 
presentações, e finalmente banquetes pú- 
blicos. 

PANATi, (geogr.) tribu de Índios que vi- 
viam na serra que d'elles retém o nome. 

PANATí, (geogr.) serra da província do rio 
Grande do Norte, no Brazil, no «Uslricto da 
villa do Porto Alegre. 

PANAY, (geogr.) uma das ilhas Pbilippi- 
nas : 2o6,000 habitantes Papus, Byssayos. 
Residência de nm governador hispanhol. 

PANCAA, s. f. (obsol.) rolo de páo que se 
mette por baixo de cousas pesadas para fa-f. 
cilitar a sua condução de um lugar para ou- 
tro. 

PANCADA, s. f. (em Gallego significa pon- 
tapé) golpe |com páo, e, por ampliação, gol- 
pe com a mão com qualquer arma contun- 
dente e não cortante, ou co'ii a parte d'ella 
que não talha ; (fig.) golpe, lance adverso ou 
repentino- Dar — s, espancar. Levar — s, 
recebe-las. Uma — d' agua, chuva grossa e 
repentina. — de dinheiro, grande quantia 
ganhada ou perdida de repente. Miollo que 
já traz — , eivado, meio louco. De — , (loc. 
adv.) de repente ; inconsideradamente. A — , 
a um tempo, juntamente. Andavam á — , 
ou ás — s, brigando. 

PANCADiNHA, s f. diminut, de pancada, 
toque ligeiro. 

PANCARPiA , s. f. (do Gr. pan, tudo, e 
karpos, fructo, e carpo, articulação do pu- 
nho.) Este termo significou a princípio col- 
lecção de fructos, depois collecção de flores,, 
e fig. coroa de flores litterarias, miscellaaea, ^ 



.N-it' 



PAU 



m 



»i 



nnica accepção em que nós o usamos. Emfim 
também significou combate de homens no cir- 
co contra toda a sorte de animaes. 

PANCARPO, s. m. combate de homens con- 
tra animaes. V. Pancarpia. 

PANÇA, s. f. (Lat. paníea:, Fr. ant. pance, 
mod. panse.) V. Ventie, Barriga 

PANCHA. V. Prancha. 

PANCHAiA, (geogr.) parte da Arábia Feliz, 
muito afamada entre os antigos pela quanti- 
dade de perfumes, que produzia ; era na Sa- 
bêa, sobre o golpho Pérsico. 

PANCHARATi, s. w. (t. da Asia Poflugue- 
za, de pancha, cinco, em Sanscr. e Hindu, 
e rati, estipular.) prazo de cinco dias, em 
que se dá aviso que se hão de fazer as ar- 
rematações nas terra j de Salsete. 

PANCHREAS. V. Pancrcas. 

PANCHYMAGOGO , s. fu (do Gr. pau , tu- 
do, kheô, dissolver, espalhar, ear/d, provo- 
car.) (med. hoje desusado.) purgante que 
evacua todos os maus humores. 

PANCiAT',(hist.) poderosa fa mil ia de Tos- 
cana, estava á frente dos Gibelinos de Pistoia. 
Baniu os Tedici , que tinham vendido esta 
cidade a Castruccio Castraconi , e concluiu 
em 1327 um tractado com Florença, era vir- 
tude do qual Pistria tornava-se, com o ti- 
tulo de amiga, dependente de Florença e 
recebia guarnição florentina. 

PANCiROLi, (hisl.) escriptor italiano, nas- 
ceu em lb23, morreu em 1599. Publicou, 
entre outras obras importantes : Commen- 
tarius in Notitiam de utriusque imperii 
magistratibus ; De claris júris interpreti- 
bus ; De rebus inventis et perdiíis. 

PANCRACio , s. m. (do Gr. pan, tudo, e 
kralos, força.) exercícios gymnasticos da lu- 
cta epugillato. 

PANCRACIO, s. m. espécie de ceboUa al- 
yarran. 

PANCRATiuM, (bot.) gencpo de plantas da 
família das Narcisseas e da Hexandria Mo- 
nogynia. 

PÂNCREAS, s. in. (Lat., do r.r. pan, to- 
do, e kreas, carne.) (anat.) órgão lobuloso 
de côr amarellada, situado no epigastrio, de- 
baixo do estômago, na espessura do meso- 
colon. 

PANCREATico, A, adj . (auat.) do pâncreas. 

PAND.íMONiUM, (hist.) uome dado por Mil- 
ton á assembleia dos demónios e ao logar 
da sua reunião. 

PANDALO (h. n.) género de Crustáceos da 
ordem dos Uecapodes, famiha dos Macrou- 
res, tribu dos Salicocos. 

PANDARANE , s. m. paragem da costa do 
Malabar cheia de ilhotas, onde os Portu- 
guezes desbarataram a armada do rei de Ca- 
lecut ; daqui veiu a expressão : dar com tudo 
ém íandaranCt estragar, desbaratar tudo. 



PANDARO, (hist.) filho do Troiano Lycaon e 
amigo de Paris, era um dos mais bravos 
guerreiros do exercito de Priamo durante o 
cerco de Tróia. Impaciente por combater 
violou as tréguas concluídas entre os Troia- 
nos e Gregos, atirando um dardo sobre Me- 
nelao. Foi pouco depois morto por Diome- 
des. 

PANDATARiA , (geogr.) Veudotiene, ilhota 
do mar Tyrrhio, defronte do Cabo de (]ir- 
cé, era um dos logares d'exilio no tempo do 
império. Foi nesta ilhota que morreram des- 
terradas Júlia, filha de Augusto, Aggripina, 
e Octavia filha de Cláudio. 

PANDEAR , V. a. (Lat. pando. ere. abrir, 
patentear.) bojar, iuchar, como o vento quan- 
do enfuna as velas. 

PANDECTAS, s. f. (Lat. pandect<2, do Gr. 
pan , tudo, e dekhomai, tomar.) obra que 
trata de diversas matérias, como a que com- 
poz Tiro, liberto de Cícero, Depois appli- 
cou-se ao Digesto ou corpo das leis roma- 
nas, colligido por ordem de Justiniano. 

PANDEiREiRO, s. Hl. /'dos. eiro.) O que faz 
pandeiros ; o que toca pandeiro. 

PANDKiRiNHO, s. TO. diminut. de pandei- 
ro. 

PANDEIRO, 5. TO. (talvez do Fr. pandore, 
instrumento antigo de musica, espécie de 
alaúde, do Gr. pandoúra.) instrumento mu- 
sico formado de udi aro de madeira com 
soalhas, enfiadas em arames dispostos em 
vãos na altura do aro; agita- se com a mão 
direita , fazendo bater as soalhas de latão 
umas nas outras, e de quando em quando 
batendo com o instrumento na palma da mão 
esquerda. Faltar como um — , sem tom nem 
som, sem dizer cousa que valha. Em boas 
mãos está o - -, isto é, em mãos de quem 
dará boa conta do negocio que se lhe con- 
fiou. 

paNdepour, (geogr.) cidade da índia an- 
tiga, sobre o Bimah ; a 7õ léguas SE. de 
Ponnah; 15,000 habitantes. 

PANDERETA, s. f. [io \.&t. pandcre, àbrlv.) 
aberta. Tosquiar ás — s, deixando claros ou 
desigualdades em carreiras no pello ou cabei- 
lo. Serviços alinhavados ás — s, mal, como 
cabello mal tosquiado. 

PANDiLHA, s. f. (do Gr. joan, tudo, 6 drf- 
los, dolo, fraude.) concerto entre varias pes- 
soas para fraudar, roubar alguém, principal- 
mente ao jogo. 

pANDiLHEiRo, s. TO. (des. eiro. ) quB faz 
pandilha ao jo^o, gatuno. 

PANDioN, (hist.) rei d'Athenas, que, se- 
gundo a tradicção, instituiu as Pandias , 
festas de Júpiter [Zeus, Dios) commum a 
todos [pantes] os habitantes da Attica, era 
filho e successor d'Erichthonius, e foi pai 
d'Esechthêo, de Progné e de íhilomela; 



# 



m 



reinou de 1556 al525antesde Jesu-Chris- 
to, e venceu o rei de Thebas, Labdaco. 
tJm outro Paadion subiu ao trono d'Athe- 
nas em 140j, e foi banido depois de 24 
annos de reinado pelos Métionides, Foi pai 
de Egêo, que subiu ao trono do Atbenas. 

PANDiON (reino de) , (geogr.) Pandionis 
regnum, paiz da índia além do Ganges , 
sobre a costa occidental, provavelmente no 
Kaenatic actual e nos arredores de | Ma- 
thonra e Marava. E' provável que os seus 
limites variassem e que se extendessem 
muito pelo interior. A fama do reino de 
Pandion espalhou-se até á Itália desde o 
tempo de Augusto. 

PANDiTO, (bist.) nome indio, que corres- 
ponde ao de doctor, é usado pelos Brabmi- 
nes que se destinam ao ensino. 

PANDJNAD, (geogr.) grande corrente de 
agua, aííluente deSuid, é formado da reu- 
nião de quatro grandes rios , que com o 
Sind, regam o Pendjab. Estes rios são o 
Djelam ou Behah (o Hydaspe dos antigos), 
o Tcbennab [Acesines], o Rovei (Hydraote), 
e o Setledje ou bharra [Hyphase], 

PANDO, A, adj. {Lai. pandus.) aberto, bo- 
judo, enfunado. As — s azas. As velas — s, 
enfunadas, incbadas pelo vento. Cavaí/o — , 
que tem o espinbaço concavo, curvado pa- 
ra dentro, sellado (como se diz vulgarmen- 
te). 

PANDOLPHO I , (hist.) chamado o Cabeça 
de Ferro, principe de Capua, filho e suc- 
cessor de Landolpho IV, reuniu ao seu do- 
mínio as cidades de Benevente, Capua, Sa- 
lemo, Camerino, Spoleto, teve guerra com 
os Gregos, que o bateram em Bovino e o 
aprisionaram ; quando recobrou a liberda- 
de, vingou os ataques que os Napolitanos 
tinham dirigido contra os seus Estados, ein 
quanto estivera ausente e morreu em 981. 
Quatro príncipes do mesmo nome remaram 
em Capua. 

PANDORA, (myth.) nome da primeira mu- 
lher, segundo a mythologia grega. Foi mo- 
delada por Vulcano, animada por Minerva, 
dotada de todas as qualidades pelos deuses, 
dos quaes cada um lhe fez um dom (esta 
a origem do seu nome, pan tudo ; doron 
dom), depois foi enviada por Júpiter a l'ro- 
motheo com uma boceta, em que estavam 
enterrados todos os males. Promolheo, des- 
confiando de alguma traição, recusou Pan- 
dora e os seus presentes ; mas Epimetheo, 
seu irmão, tomou-a por esposa, abriu a bo- 
ceta e deu assim saída a todos os males. 
Não ficou no fundo da boceta senão a es- 
perança. A invasão de todos os males sobre 
a terra fez nascer o século de ferro. 

PANDORGA, s. f. (do LSit.pando, ere, abrir, 
e owres, ouvidos, ou Gr. orgaô^ excitar, ajpij- 



mar.) musica ruidosa de mtiiiosinslrUDàen- 
tos ; (fig ) cousa descompassada. — , homem 
ou mulher que tem granae barriga, pansudo. 
Sendo homem, é s. m. Vm — . 

PANDOStA, (geogr.) cidade do Epiro , ao 
S. sobre os confins da Molossida e da Thes- 
protia , sobre um rio chamado Acheronte. 

PANDOUR, (geogr.) villa da Hungria, a 9 
léguas S. de Kelotza ; os seus habitantes 
primeiramente empregados na perseguição 
dos ladrões, depois arregimentados em cor- 
pos francos, fizeram dar o nome de Pan- 
dours aos diversos corpos francos, que ha- 
via na Áustria. 

PANDOus ou PANDA VAS, (myth.) ciuco ir* 
mãos celebres na mythologia india, os quaes, 
segundo o Mahabharata, disputaram o tro- 
no da Índia aos Kousous, seus primos, e 
a final venceram-os com a protecção de 
Krichna. 

PANGEO. (geogr ) hoje montes Castagnats^ 
pequena cordilheira de montanhas na Thra- 
cia, une oUhodopoao Hemus. É delias que 
sae o Neslo. Contém minas de ouro e de 
prata. 

PANGOTAKi (hist.) vulgarmonto Panagiotés 
de uma das famílias gregas chamadas Fa- 
nariotes, foi o priratiiro drogman da Porta. 
Deixou uma Confissão de fé orthodoxa das 
igrejas catholicas do Oriente. 

panegírico. V. Panegyrico. 

PANEGYRico, s. m. (do "ir. pan, tudo, e 
aghyris, assembléa.) festas ou feiras em que 
se celebravam jogos a que concorriam os po- 
vos visinhos, na antiga Grécia. — , poema, 
discurso em louvor de alguém, como era cos- 
tume pronunciar nas ditas festas; elogio, ora- 
ção laudatoria. 

PANEGYRICO, A, adj . laudatorio, v. g. ser- 
mão, oração — . 

PANEGYRis, s. íH. V. Pauegyrico. 

pANEGYRiSTA, s. w. (dos. Í5ía.) O que faz 
um panegyrico. 

PANEGYRiZAR , V. a. (des. izar.) louvar , 
elogiar, exaltar, com panegyrico, v. g. — 
as virtudes, os talentos, o patriotismo. 

PANEiRO, s. m. (Fr. panier , oesto, Lat. 
panarium, de pauis, pão.) (artilh.) cesto de 
vimes cora azas, da forma da alma do pe- 
dreiro, no qual se mette cheio de pedras. 

PANELLA, s. f. (do Lat. pausa, de pan- 
dus, bojudo, e olla, panella.) pote, vaso 
bojudo de barro ou de metal para cozer ao 
lume comida diária e para outros usos; (fig.) 
a olha, e comida diária, v. g. caldo da — . 
Assucar — , de mui baixa qualidade. 

PANELLiNHA, s f. diminut. dcpanella. Fa-. 
zer — com alguém, (loc. famil.) associar-so 
para murmurar, maldizer ou intrigar, 

PAHiTE, s, m. diminut. (ant.) de pão. 

pahete;, *. f». (arit.) diminut. de pano. 



PáK 



í*ítAn 



Í9 



trapo. — Sj pi. trapos, farrapos. Tomar o 
— , (phr. vulg.) fugir. 

PANETELA, s. f. ((lo Lat. pauis, pão) so- 
pas ou papas doces de pão ralado ou de mi- 
gas de pão. 

PANGAio, s. m. (t. da Ásia) embarcação de 
remo, espécie do canoa q^ue se rema com 
remo de pá, e é cosida com cairo. 

PANGAJÔA, *. f. embarcação da Ásia, de 
remo. 

PANGiM, (geogr.) cidade. V. Goa. 

PANGOÉ, (geogr.) praso da coroa porlu- 
gueza no districto de Sofalla, que tem uma 
eslensão de três léguas, pouco mais ou me- 
nos sobre quasi metade de largura. 

PANHA. V. Paina. 

PANiio , s. m. (ant.) V. Pano ou Pan- 
no. 

PANiANY , (geogr.) cidade da índia , na 
embocadura do Vaniany no mar das índias, 
a 15 léguas SE. de Caiicut. 

PAWiCAL , s. m. (t. da Ásia.) mestre de 
esgrima dos Waires. 

PANiCALE, s. m. (termo da Ásia.) doença 
frequente na índia , que faz inchar os 
pés. 

PANÍco , s, m. diminut. de pano, pano 
de linho ou de algodão mui fino. — rei, pa- 
no mui fino de algodão da índia. Hoje dize- 
mos paninho. 

PÂNICO, A, adj. (pron. pânico : Lat. pani- 
cus, que todos derivam de Pau, deus dos bos- 
ques, cuja voz assustava. Talvez venha de 
jpan, tudo, todos, e ekhos, o éco, o som.) 
Medo, terror — , súbito e sem causa suffi- 
cienle , v. g. o que faz fugir um exercito 
pela crença errada que tudo está perdido, 
e que o inimigo os tem cortado. 

-PANicuADO, A, adj. (È correcto e confor- 
me á etymologia.) V, Apaniguado e Pani- 
guado. 

PANicuLO ou PANNICULO, s, ui. (anat.)V. 
Tez. 

PANiGAROLA , (hist.) pregador de Milão , 
nasceu em i54H, morreu em 1592. Além 
dos seus Sermões deixou um Traclado da 
eloquência do púlpito, intitulado // predi- 
catore. 

PANiGUADO, A, adj. (do Lat. poíiw, pão, 6 
agua, des. adj. ado.) que recebe ração, sus- 
tento de alguém, que come o seu pão; pessoa 
da obrigação , e fig. do partido de outra ; 
cliente entre os Romanos. « Seus cazeiros, — s 
e servidores. » Ord Man, 

PANioNiuM , (hist.) nome dado á confe- 
deração jonia e ao iogar, onde se reuniam 
os seus deputados. 

PANIPOT ou PANiPET, (gcogr.) cidado da 
índia logleza , a 20 léguas NO. de De- 
Ihi. 

PANissiERES, (geogr.) cidade de França a 

TOL. lY. 



3 léguas e meia NE. de Feurs; 3,780 ha- 
bitantes 

PANNAH, (geogr.) cidade da índia ingle- 
za, a 8 léguas SE. de Tchatlerpour. 

PANNAR ou PENNAR, (gcogr.) rio da ín- 
dia, nasce a 5 léguas N. de Nondy-Urong, 
no Maissour, corre ao SE. atravessa o Ba- 
laghat e o Karnatic e cae no golpho de 
Bengala. 

PANNATi, (geogr.) serra limitroplie das 
províncias de Parahiba e do rio Hrande do 
Norte, no Brazil. 

PANNiNHO, s. m. diminut. de pano, pa- 
no de algodão fino da índia, de Inglaterra, 
ele. Um — , pano pequeno de linho ou algo- 
dão. 

PANNO, s. m. [Ldit. pannus, de pando, ere, 
mostrar, abrir, estender.) tecido de fios de li- 
nho, algodão, lã, pello, etc, para roupa de 
corpo e mesa , vestido e outros usos. — , 
(naut.) as velas. Meter mais — ; a todo o — , 
com todas as velas soltas, e fig. pondo todo o 
esforço. Dar, aguantar o pano. Estar ou 
pôr-se ao — , capa, pairar; (fig.) ficar neu- 
tral, esperando o successo. — , (fig.) vesti- 
do, roupas. Trazer — de alguém, vestir a 
farda ou libré, ou receber delle o vestuário. 
— s ordinados, hábitos de frades e de cléri- 
gos. — longos, haÉitos talares. — de segu- 
rança, habito de ordem religiosa. — largos, 
roupas mui largas. Ser todo de um — , (fig.) 
igual, sem mistura, t?. ^. de palavras ou lo- 
cuções estrangeiras, fallando de obra littcra- 
ria. — , (fig.) diz-se de cousa que tapa, co- 
bre, tolda, tira a transparência. — dos o lhos ^ 
névoa^ belida. — do vidro, humidade con- 
densada que o empanna. — , nódoas escu- 
ras que vem á pelle de mulheres prenhes, 
e em varias doenças. — do muro, lanço del- 
le. — de apanhar, nas chaminés , é o que 
descansa sobre a verga. — estendido , 6 o 
interior da parede, do lar para cima. — de 
agua, pancada delia, chuva, repentina e, 
grossa. --, (ant.) pranchada com a parte 
chata da espada. — de pintor, em queelle 
pinta o quadro (ó de brim, canhamaço, li- 
nhagem, etc.) — s quenteSf (fig.) remédios, 
meios palliativos. " ; j 

paNjSONia, fgeogr.) Pannonia, hoje par- 
te da Áustria, da Esclavonia, da Croácia,* 
região da Europa antiga, limitada ao N. e. 
a E, pelo Danúbio, a O, pela Norica. Este,. 
paiz foi no 1.° século dividido em duas' 
províncias; Pannonia 1.* ou Alta; Pan- 
nonia 2.* ou Baixa-, a 1.* tinha por ca- 
pital Petomo (hoje Petau) : a 3.* primeira- 
mente Aquincum , e depois Sirmium. Os 
primeiros habitantes da Pannonia foram 
Celtas de origem. 

PANOPOLis, (geogr.) (istoó, cidade dePan)^ 
primitivamente Chemmis, hoje Akmyn, cvr,, 



w 



MÂJH 



pjyi 



4ade do Alto Egyptb ,'''fta direita do Nilo, 
entre l*tolomeida e Antoeopolis. 

PANORMA, (geogr.) hoje Palermo, cidade 
da Sicília, na costa N,, fundada pelos Phe- 
nicios, foi a capital da Sicília carthagineza. 

PANOURA, s. f. (t, da Ásia), embarcação 
como galé, e mais alterosa. — s. m. pi. (t. 
da Asia^ grandes espadas curvas que os ele- 
phantes de peleja levam fixadas nos dentes. 

PANPHALEA , (bot.) genero de plantas da 
família das Synanthereas e da Syngenesia 
igual. 

PANSA (G. Vibio). (hist.) cônsul no anno 
43 antes de Jesu-Christo com Hincío , foi 
vencido diante de Modena por M. António 
e morreu na batalha. 

PANTAF AÇUDO , A , adj . (chul.) que tem 
grandes bochechas. Do Gr. pantos, genít. de 
pas, todo, e f açudo. 

PANTALÃo , s. m. (do Ital. Pantalone , 
Pantaleão, nomecommum entre os Venezia- 
nos, a quem por isso os outros Italianos da- 
vam este appellido genérico.) bobo de farças 
italianas. Veneziano que traz calças largas ; 
bobo das operas buffas, ou farças italianas ; 
(íig.) pessoa ridiculamente jactanciosa, que 
affecta ser homem de grande importância. 

PANTALEÃO (S.) , (hist.) saucto veuerado 
pelos Gregos, soíTreu o martyrio no reina- 
do de Galero em 303. É commemorado a 
27 de julho. 

PANTALONAS, s. f. calças que descem até 
aos tornozelos. 

PANTANA , s. f. (de pântano.) atoleiro. 
Dar com tudo em — , arruinar-se, perder a 
fazenda. 

PANTANAL, s. m, [ai dcs. extensiva) ato- 
leiro espaçoso. 

PÂNTANO, s. m. (pron. o accento na pri- 
meira : talvez do Lat. pando, ere, estender, 
e nans, que nada; ou do Gr. pan, todo, e no- 
ieô, estar húmido.) atoleíro,lamarão, lodaçal, 
tremedal, terreno baixo alagadiço. 

PANTANOSO, A, adj. (dos. oso.) em que 
ha pântanos, alagadiço, , v. g. terras — s. 

PANTASMA , (geogr.) rio de Guatímala , 
corre a OSE., depois ao NE. e cae na ba- 
hia dos Mosquitos, 

PANTELLARiA OU PANTALARiA, (gcogr.) an- 
tigamente Cosyra, ilha do Mediterrâneo , 
mais perto da Costa d'Africa do que da Si- 
cília, e todavia dependente desta ; 5,000 ha- 
bitantes, 

PANTENO (S.), (hist.) stoico, couverteu-se 
ao christianísmo, foi em 179 chefe da es- 
cola chrístã d' Alexandria, foi instituído pelo 
patriarcha Demétrio apostolo das nações 
orientaes. fc' contado entre os doctores da 
igreja, e commemorado a 7 de Julho 

PANTHEisMO, s. m. (des. Wíwo.) a opinião 
DU systema dos pantheistas. 



PANTHEiSTA, *. m. (do Gr. pan, tudo, e 
theos, deus.) philosopho que crê ser o univer- 
so o único Deus. 

PANTHEISTAS, (híst.) (de pan tudo, e théos 
deus) philosophos , que reduzem todas as 
existências a um só ente, que elles cha- 
mam Deus; e, concedendo a todos os ou- 
tros seres uma realidade só apparente, os 
absorvem na substancia divina. Attribue-se 
este systema aos mais antigos philosophos 
da índia. 

PANTHEON, (hist.) Celebre edifício de Ro- 
ma, construido nos tempos de Augusto, á 
custa de x^ggripina , no campo de Marte. 
Ainda que dedicado a Júpiter Vindicator 
foi destinado a receber as estatuas de to- 
dos o« deuses {pan. theos). Foi restaurado 
por Adriano. O Pantheon de Paris, começa- 
do em 1798 , foi destinado para formar a 
igreja de Santa Genoveva ; na llevolução 
porém foi consagrado a receber os bustos 
dos grandes homens da França. Tem no 
frontispício esta inscripção : Aos grandes 
homens a pátria reconhecida. 

PANTHERA, s. f (do Gr. pafíthêr ; pan, 
tudo, inteiramente, e thér, fera J fêmea do 
leopardo ou onça. Esta ó accepgão do termo a 
mais usual ; mas rigorosamente fallando a 
panthera é espécie distincta , caracterisada 
pelas malhas redondas nas costas, e longi- 
tudinaes na barriga. É originaria da Africa. 

PANTiCAPEO, (geogr.) PantícapoBum, hoje 
Kertch, cidade da Taurida, sobre o Bos- 
phoro Cimmerio, era de origem milesia. 

PANTiN,' (geogr.) cidade de França, per- 
to do canal d'Oureg ; 1,200 habitantes. 

PANTÓGRAPHo, s. m. (do Gr. pantos, tu- 
do, e graphô, traçar.) instrumento que ser- 
ve a copiar desenhos em ponto maior ou me- 
nor. 

PANTÓMETRA. V. Pcmtómetro. 

PANTÓiWETRO, s. M. (Gr. pantos, genitivo 
de pas, todo, e metro sníí.) (geom.) instru- 
mento próprio a medir todos os ângulos e 
distancias 

PANTOMIMA, s. f. drama representado por 
gestos, e de ordinário acompanhada de musi- 
ca e dansa. — , gesticulação expressiva dos 
actores. V. Pantomimo. 

PANTOMiMico, A, adj. concomente á pan- 
tomima, á mimica, 

PANTOMIMO, s. m. (do Gr. pantos, V. Pan- 
tómelro, e mimus , imitador. V. .'Mimico.) 
actor que representa por gestos notheatro, 
de ordinário em bailes. 

PANTONEiRA, s. f. (ant.) Moraes cuida que 
será panturrilha. 

PANTUFADA , s. f. (dcs. s. ada.) golpe , 
pancada com pantufo. 

PANTUFO, s. m. (ítai. pantofola, Fr. pan-^^^^ 
íouflet do Lat. pedum infula, coberiuTà doS 



PAO 



PAO 



91 



pés segundo M. de Roquefort. Sperling quer 
que seja composto de pan , contracção de 
pannus, panno, e tufola em Ital., cousa li- 
geira, leve, porque era chinela de panno e 
não de coiro, com sola de cortiça. Outros 
o fazem vir do Gr. sem a menor razão, e 
Ménage do Aliem, bein, pé, e tojfel^ lami- 
na, sola. Em Sueco, Dinamarquez e llusso 
tojfel ou tufftl significa chinela.) calçado an- 
tigo como chinelas, com sola de cortiça, v.g. 
— sáe velludo. 

PANTURRA, s. f. (do Lat. paníeo?, barriga, 
des, urra augm. e peiorativa.) barriga gran- 
de, pansa ; (fig ) infaluação. 

PANTURRILHAS, s. f. des. dím. ilha, bar- 
rigas das peruas postiças cozidas nas meias. 
— naturaeSf barrigas das pernas. 

PANViN ou PANViNio, (hist.) sabio italia- 
no, nasceu em lòl29, morreu em 1568, foi 
eremita de sancto Agostinho e lente de theo- 
logia em Florença. Deixou muitas obras de 
historia e antiguidades, entre ellas : Epito- 
me romanorum ponlificum usque ad Pau- 
lum IV ; Fasti et triumphi Romanorum, 
etc. 

PANYASis , (hist.) antigo poeta grego de 
Halicarnasso, autor de um poema sobre os 
12 trabalhos de Hercules, vivia no princi- 
pio do V século antes de Jesu-Christo. Foi 
morto por mandado de Lugdamo , rei de 
Caria. 

PANZER, (hist.) ministro lutherano, nas- 
ceu em Sulzbach em 17i9 , morreu em 
18U5. Deixou Annales typographici ab ar- 
tis inventae origine. 

PANZO, (geogr.) prazo da coroa portugue- 
za no districto de Tette com 5 léguas de 
comprimento e 3 de largura. 

PAO, s. m, (Fr. ant. pau, Cast. paio, do 
Lat. palus, estaca ; do rad. 6o, arvore, em 
tgypcio e em outras linguas, donde vem o 
Fr. bois \ Aliem, baum, arvore.) lenho, ma- 
deira , V. g. — brasil, — ferro, — santo ou 
jacarandá ; — de aguila. — , bordão, cajado. 
Jioda de — , muitas pauladas. Icíjar tudo a — , 
á força, por violência. Dar com — , paola- 
das. — , (naut. p. ns ) navio. E o melhor 
— , isto é, navio da melhor madeira. — , ca- 
bo, V. g. — de vassoura, rasoura. — do ar , 
cornos de animaes. Pés de — , varas altas 
com mossas para segurar os yiés, em que 
andam rapazes, e os habitantes das Landes 
ou areaes em França, para caminhar com 
mais facilidade e poderem chegar acs pi- 
nheiros em altura sufíicienle para lhes dar ta- 
lhos donde corre a resina. — , (fig.) castigo. 
Pão e — , sustento e castigo. — «, peças ro- 
liças do jogo da bola, e que esta deve aba- 
ter. Pagar os — s, pagar quem perde ao do- 
no do jogo da bola. JSáo querem as bolas 
tomar — í, (loc. íamil.) não tomam ascou- 



l 



sas o caminho regular, não tem o negocio 
bom andamento. Na picaria os paos são duas 
estacas altas cravadas em distancia de seis 
a sete palmos uma da outra, para ensinar o 
manejo alto aos cavallos. Nas cartas de jogar, 
ó o naipe que nas antigas cartas, e ainda ho- 
je nas Ueípanholas, representa cajados. Ar^ 
mar os — s, dispôr-se. Peixe — , peixe que 
se secca e fica muito duro. 

PÃO , s. m. (Fr. pain, Ital. pane^ Cast. 
pan, do Lat. panis^ que os etymologistas de- 
rivam do rad. de ^jasco, Gr. j^ad, pastar, co- 
mer. Esta etymologia não satisfaz, porque o 
grão pisado não foi o primeiro alimento do 
homem. Eu creio que o vocábulo óEgypcio, 
povo que incontestavelmente precedeu os ha- 
bitantes da Itália na fabricação do pão. Na lin- 
gua Egypcia evni, ebni, facilmente alterado 
em epni, significa mó de moinho e moer, e 
em Lat. mola tem a mesma accepção e tam- 
bém a de farinha, e mola salsa era um bolo 
usado nos sacrifícios. Em Egypcio nuit si- 
gnifica farinha, e uik, pão, e com o artigo 
masculino pi-nuit, pi-uik.) grãos e cereaes 
reduzidos a farinha e amassados com agua, 
com fermento ou sem elle ; grão cereal. Os 
pães, todo o género de plantas cereaes, trigo, 
milho, senteio, cevada, painço, etc. — trigo, 
de farinha de trigo estreme. — caseiro, dera- 
la, rolão. V. estes artigos. — francez^ pe- 
queno e delicado, feito da flor da farinha. — 
de munição, o que se dá á tropa. — meiado, 
de duas sortes de grãos farináceos, v. g. de 
trigo e senteio. — terçado, de três sortes, v. 
g. de trigo, milho e senteio. — de ló, de fari- 
nha, assucar e ovos. — , (fig.) sustento, ali- 
mento. O — quotidiano. — dos anjos ou da 
vida , o sacramento da eucharistia. — por 
Deus, o que se dá em dia de finados. — , (fig.) 
cousa que tem forma de pão, isto é, arre- 
dondada, V. g. jjães de ouro, de anil, deco- 
ra, sebo. — de porco, herva. — de gallinha, 
insecto que se cria nas bagaceiras, no ester- 
co ; ó branco, molle, tem a cabecinha côr 
de castanha, róe as cannas e o arroz tenro. 

páo-d'alho, (geogr.) villa da província de 
Pernambuco, no Brazil, cabeça de comar- 
ca de seu nome, na margem direita do rio 
Capibaribe, 10 léguas aoOSE. da cidade de 
Ohnda : 1,400 habitantes. 

PÃO-DASSUCAR, (geogr.) antiga aldeia da 
província das Alagoas, no Brazil, no distri- 
cto da villa de Porto das Folhas, perto de 
Penedo. 

pão-d'assucar, (geogr.) serra da provín- 
cia das Alagoas, no Brazil, junto á villa de 
Penedo. 

PÃO d'assucar, (geogr.) penhasco enorme 
de puro granito, no Brazil, despido de to- 
da a vegetação, elevado obra de 100 bra- 
ças acima do nivel do mar, assentada so- 
23 * 



m^ 



HV 



d\i'sífra 'pára' indicar a entrada da bahia de 
Nitherohi ou do iiiode Janeiro. 

PAO-KiNG, (geogr ) cidade da Chiaa, ca- 
pifai' de província . --"'«^''^^i-' ^«rt m: 

Vaola ou PAU? A, fif^eo^r;|%i'd^aé do rei- 
no' de IS apoies;'' a 6 legu«s NO. de Cosenza ; 
4,900 'habitantes. 

PAOLADA, s. f. (des. s. ada.) golpe com 

-''^Mi; (líi§tl]í.celebt^fe''géftfefM Còrsíí^ nas- 
ceu em 1726 , sustentou como chefe da 
ilha de Córsega uma corajosa lucta cora os 
Genovezcs , depois reorganisou a justiça ; 
qtiando Génova cedeu á Córsega á França, 
tôntoii mas cm vão resistir á nova pot3n- 
cia, foi vencido e refugiou-se em Ingla- 
terra. Morreu em Londres em 1807. 

PAO-NiNG, (geogr.) cidade da China, ca- 
pital da provincia de Masc. o)^j;^** • 
'PÃOZINHO, s. m. diminut.áa -pao. 
"Cãozinho, #. m. dimimit. de pão, pão 
pequeno, molle. 

PAPA, s. f. (voz infantil imitativa do som 
que fazem as crianças comendo papas.) mas- 
sa molle de farinha cozida em agua ou leite. 
Cobertor de — , de lã, assim chamado por- 
que tinham nomeio o retrato de um papa. 

Papa, (geogrj Araxus promentorium ca- 
bo da Grécia, na Costa NO. da Moréa, na 
entrada do golpho de Patras. 
v'^paPa, (hist.) chefe visivel da egreja , vi- 
gário de Jesu-Christo e successor de S. Pe- 
dro. Reside em Roma e tem ao mesmo tem- 
po um poder espiritual e outro temporal. 
Como chefe espiritual o papa tem soberana 
autoridade sobre a igreja catholica roma- 
na, faz observar os cânones, renne os con- 
cilios, nomeia os cardeaes, vélia pela ma- 
nutenção dos dogmas e da disciplina, apro- 
va ou censura as doctrinas , publica para 
este fim as bulias, os breves, as cncy dicas ; 
pronuncia ou levanta as excommunhões , 
concede as grandes dispensas, distribue as 
indulgências, etc. Como príncipe temporal 
o papa governa com poder absoluto a cida- 
de de Roma e os Estados da igreja. Envia 
para as diversas cortes estrangeiras legados 
e núncios, que representam os seus pode- 
res, temporal e espiritual. A insígnia do papa 
ó uma tríplice tiara, symbolo dos diversos 
poderes, que reúne sobre a sua cabeça (che- 
fe da igreja, bispo de Roma, soberano tem- 
poral dos Estados Romanos), tem nas mãos 
daas chaves, uma de ouro, outra de prata, 
chamaúaiS as êhaves de S. Pedro. E' eleito pe- 
los cardeaes fechados em conclave, e esco- 
lhido entre elles. A eleição é feita no Qui- 
rinal ; é seguida da exaltação , na qual o 
novo papa, collocado na sede pontifical ó 
evado aos hombros até á igreja de S. Pe- 



dro ; depois dá exaltação tom íogar a co- 
roação. O papa dá a si mesmo o título de 
Servo dos Servos de Deus ; também se lhe 
dá o titulo da Soberano pontifice, Saneio 
Padre, Santíssimo Padre ; faltando dire- 
ctamente com elle diz-se Vossa Santidade. 
A palavra papa, que em grego sígniíica 
pae e avó era outr'ora applicada a todos 
os bispos ; só depois de Gregório Vil (1073) 
é que foi applicada exclusivamente ao so- 
berano pontífice. A serie dos papas data sem 
interrupção de S. Pedro, que tinha sido es- 
colhido por Jesu-Christo e que fundou a 
Sede de Homa. A supremacia da de Roma 
foi reconhecida desde a sua origem, e por 
que os bispos de Constantinopla pertende- 
ram ter uma auetoridade igual á do papa , 
deram origem ao scisma do Oriente. Nos 
primeiros séculos os papas não tinham mais 
do que o poder espiritual e obedeciam aos 
imperadores ou príncipes que os represen- 
tavam na Itália; só depois de 775 é que 
começaram a exercer poder temporal em 
parte dos estados conquistados por Carlos 
Magno e por elle cedidos aos papas. 



Lista chronologica dos Papas. 



S. Marcello ... 308 
S. Eusébio ... 3.0 
S.Melchyadesou 

Milciades ... 311 
S. Sylvestrel... 314 
S. Marcos. ... ^36 
S. Júlio ... ,.. 337 
S. hiberio. ... 352 
S. Félix II ... 355 
S. Liberio , de 

novo 358 

S. Damazo Por- 

tuguez 366 

Ursino,anti-papa » 
S. Siriaco. ... 384 
S. Anaslacio ... 398 
S. Innocencio... 402 
S. Zozimo. ... 4l7 
S. Bonifácio!... 418 
S. C.eleslino ... 422 
S Xisto III ... 432 
S:Leao-o-Gran- 

de 440 

Santo Hilário... 461 
S. Simplício ... 468 
S. Félix III ... 483 
S. Gelasio. ... 492 
S. Anastácio II. 496 
Syfnmaco.. ... 498 
Lourenço anti- 

papa , » 



S.Pedro 


34 


S. Lino 


66 


Santo Anacleto. 


78 


S. Clemente I.. 


91 


S. Evaristo ... 


10t> 


S. Alexandre.. 


109 


S. Xisto 1. .. 


119 


S. Thelesphoro. 


127 


S. IJygino. ... 
S. Pio I 


139 
142 


S. Aniceto. 


157 


S. Sothero. ... 


168 


S. Eleutherio... 


177 


S. Victo I. ... 


19:^ 


S. Zepherino... 
S. Calislo 1 ... 


202 
219 


S. Urbano. ... 


223 


S. Poncio. ... 


230 


S. Anthero ... 


;í35 


S. Ffíbíano ... 


2.J6 


S. Cornelio ... 


251 


Noviciano anti- 




papa ... ... 

S. Lúcio I. . . 


251 

252 


Santo Estevão.. 


253 


S. Xisto 11. ... 


257 


S. Diniz 


259 


S. Félix 


26.) 


S. Eutychio ... 
S. Caio 


275 
283 


S. Marcellino... 


296 



fkV 



^ 



Hormisdas. ... 514 

João I 52:^ 

Félix IV... 
Bonifácio II 
f João II, chama- 
do o Mercúrio 533 
Agapeto I. ... 535 



L30 



Silvério 
Vigilio ... 
Pelagio I.. 



536 
537 
555 



João III ... 
Benedicto I 



Pelagio II. 



574 

578 

S. (iregorio-o- 
Grande. ... 590 

Sabiiino 60 i 

Bonifácio III ... 607 
Bonifácio IV . . 608 
B. Deodato614ou6l5 
BonifacioV 617ou618 
Uonorio I. ... 638 

Severino 640 

João IV 640 

Theodoro 6'i2 

S.Martinho I... 649 
S. Eugénio I... 654 

Vitalino 657 

Adeodato 672 

Ponus ou Pora- 

nus 1 676 

Agathon 678 

S. Leão II. ... 682 
Benedicto ... 684 

João V 685 

Pedro e Theodo- 
ro anti-papas » 

Conon 686 

Sérgio 1 687 

Theodoro e Pas- 
qual anti-papas » 

João VI 701 

João VII 705 

Sisinnio 7u8 

Constantino ... 708 
Gregório II. ... 71") 
Gregório III... 731 
Zacharias ... 741 
Kstevão eleito , 
mas não con~ 
sagrado ... 752 
Estevão II ... 752 

Paulo 1 757 

Théophjlacto , 
Constantino , 
Philippe anti- 
papas » 

Estevão Hl ... 768 
Constantino, an- 

ti-papa . . » 
Adriano I. ... 772 
Leão lII 795 

VOL. IV. 



Estevão IV ... 

Pascal I 

Eugénio U ... 
Zizimo anli-pa- 

pa. ... ... 

Valentim 

Gregório IV... 

Sérgio U 

Leão IV 

Benedicto ill... 
Anastácio anti- 

papa 

Hicoláo I. ... 
Adriano li. 
João VIU. ... 
Martinho II .., 
Adriano III, ... 
Estevão V. . . 

Formoso 

Sérgio anti-pa- 

pa 

Bonifácio \I... 
Estevão VI . . 
Bomano.., ... 
Theodoro II... 

João IX 

Benedicto IV. . 

Leão V 

Chrislovuo 
Sérgio lil. ... 
Anastácio III... 

Sandon 

João X 

Leão VI 

Estevão VIÍ... 
João XI... ... 

Leão Vil. ... 

Estevão Vlil... 
Martinho III... 
Agapeto II ... 
João XII. ... 

Leão Vlil. ... 

lienedicto V... 
João XllI. ... 

Benedicto VI... 
Bonifácio VI, an- 

li-papa. 
Ponus ou Pom- 

nus II 

Benedicto VII. . 
João XIV. ... 
Bonifácio VII de 

novo 

João XV 

João XVI. ... 
Gregório V ... 
João XVI. ... 
Sjlvestre II 
João XVII. 
João XVIII 
Sérgio IV. 



816 
817 

824 

» 
8^7 
8í7 
84 'i 
847 
855 

» 
858 
867 
872 
8B2 
884 
885 
891 

» 

896 
89/ 
898 
898 
9iO 
903 
903 
904 
jíl 
913 
914 
9i8 
9ii9 
931 
936 
939 
942 
946 
956 
963 
9H4 
965 
972 

» 

974 

975 
b83 

li8õ 
. 985 
. 986 
, 996 
, 9.>7 
. 999 
..003 
,1U03 
,1009 



fienedicióVIIÍ.itOia 

João XIX 1024 

Benedito IX. 1033-48 
Sylvestre o João 
XX anti-pa- 
pas ....... » 

Gregório VI ..'.1044 
Clemente II ...1046 
Dâmaso II ...1048 
S. Leão IX ...1049 

Victor I( 10)5 

Estevão IX ...1057 
Benedicto X,an- 

li-pa)a ... » 
Nicolao'lI. ...10r»8 
Alexandre 1I..;1Ô61 
iloncrio 11, an- 

ti-papa.-i' ;.g. ' '»'■ ■ 
Gregório VW LWr^ 
Clemente líí au- ; ■ 
ti-pa[M. ...1(^0 
Victor llf. ...1086 
Urbano 11. ...1088 
Pasqual U. ...1099 
Alberto e Theo- 
dorico anti"! 
papas...' ''...' » 
Gelasio 11. ...Ill8 
ilauiicio Bour-. 

din anii-papa » 
Calisto. 11. ...1119 
Honório d ...1124 
Calisto ill anti- 

papa » 

Innocencio II...II0O 
Anacleto o Vi- 
ctor anti-pa- 

pa » 

Celestino II ..AU3 

Lucas II 1144 

Eugénio III . .1145 
Anastácio iy...ll53 
Adriano IV ...115i 
Alexandre III... 1159 
Victor IV, Pas- 
qual 111 Calis- 
to, Innocencio 
anti-papas ... » 
Lucas l.I. ...1181 
Urbano III ...1185 
Gregório VIU. ..1187 
Celestino III ...li 91 
Innocencio 111.1198 
Honório III ...1216 
Gregório IX ...1227 
Celestino IV . .Ií41 
Innocencio IV..12V3 
Alexandre IV. ..1254 
Urbano IV. ...126i 
Cleoiente IV ...1265 
Gregório X ...1271 



' InnoUncíòMV.ul^Tfi 
Adriano VI por-»'""^'! 
'"tèauez. ...127(> 
Joílò XXÍ. ...1276 
Nicoku LI ..,1277> 
Martinho IV . .12Sl< 
Honório iV ...128[/ 

Nicoiao IV ...nm 

Celestino V ,.1294 
Bonifácio VÍILÍ1941 
S.BenedicfoIX:130íH 
Clemente V. ...1305 
João XXII j,;1346 
Pedro dií Cor^^ '2 

•^:^ tiereanti-pavi ; 
pa ... ..u^»^ 
Benedicto Xil..l334 
Clemente VI ...1342 
Innocencio YI.v.1352 
Urbano V. J..l3t)2 
Gregório XI ...iòW 
Urbano VI ...1378 
Clemente VII... 13/ 8 
Bonifácio LX...1389 
Benedicto. XUL1394 
Innocencio Xíl. 14-04 
Gregório Xil...l406i 
Alexandre, ^..1409^ 
João XXIÍl. . .f41«^í 
Martinho Y; ..vlií7 
Clemenle anti- lu 
papa .;i 14^-^» 
Eugénio IV 1431 ^47^ 
Felix V... i4a9''í9 
!S'icaláO' !yn!fin3u144íí 
Caliuo III ...1455 

Pio U vi458 

Pauio II \AU. 

Xisto IV..T',...1471 
Innocencio VUI.1/í84 
AlexaiidniMVL'.iUW2 
Pio III í/, ..>,.k,03 

Júlio 11 I0O3. 

Leão X ... Y...Í5Í3 
A*driano VI -.m.15í'2 
Clemente Vil... 152 3 
Paulo UI. ,..1534 

Júlio 11! 15";0 

Marcetlo II ...1555 
Paulo iV.. ...1555 
Pio IV ... ,w...l559 
Pio V Aj^wiiv<.1565 
Gregório XIIL.. 1572; 

Xixto V 1585.Í 

Urbano VU ...5590 
Gregório XIV... 1590, 
Innocencio IX.15yL> 
Clemente YIIl.1592 
Leão XI. . ...1605 

Paulo V... ...1605,1 

Gregório •XV...162t -^ 

24 



M 



fAP 



tAP 



Urbano VIII ...1623 
Innocencio X...1644 
Alexandre VII..1655 
Clemente IX... 1667 
Clemente X ...1670 
Innocencio XI. .1676 
Alexandre V1II.1689 
Innocencio XII. 1691 
Clemente XI ...1700 
Innocencio XIII. 1711 
BenedictoXm..l724 



Clemente X11...1730 
Benedicto XIV. 1740 
Clemente XílI.. 1758 
Clemente XIV.. .1769 
Pio VI .,. ...1755 

Pio VII 1800 

Leão Xlí 1823 

Pio VIU 1829 

Gregório XVI... 1831 
Pio IX 1846 



PAPADA, s. f. (de papo.) barbella; tumor 
glanduloso na garganta. 

PAPADiNHA, í. f, diminuí, de papada. 

PAPADO , A, p. p. de papar ; adj. comi- 
do. 

PAPADO, s. m. (de papa.) o summo pon- 
tificado, V. g. o — de Leão X. 

PAPAFiGO , s. m. /'Lat. ficedulla.) avezi- 
nha amarella. — , (naut.)vélaa mais baixa, 
D. g. ir a náu em — s. 

PAPAGAIA, s. f. a fêmea do papagaio. 

PAPAGAIAR, V. a. OU n. fallar como pa- 
pagaio ; (fig.) fallar muito e sem reflexão. 

PAPAGAIO, *. m. (t. Americ.) ave debico 
revolto que ensinada imita a falia humana. 
Fallar como um — , fallar muito e sem re- 
flexão. — , flor de cores variadas como as da 
ave. — , (fig.) papel ou panninho disposto em 
um arco de pao, em forma quasi triangular 
que o vento faz subir ao ar, e que os rapazes 
seguram por um cordel que lhe atam. — elé- 
ctrico , armado de um conductor metallico 
para attrair a electricidade atmospherica; foi 
invenção de Franklin. 

PAPAGENTE, adj. dos 2 g. V. Anthropo- 
phogo. 

PAPAJANTARES, s. áos 2 ^í. pessoa que an- 
da jantando por casas alheias. 

PAPAL, adj. dos 2 g. [papa, des. adj. ai.) 
de papa, do papa, v. g. missa, sentença, 
bulia — .- 

PAPALVA, s. f. espécie de doninha. 

PAPALVO , A , adj. (chulo) tolo , simpló- 
rio. 

PAPAMOSCAS, s. m. insecto que come mos- 
cas. 

PAPAMOSCAS, adj. ou s. dos2g. (chulo) to- 
lo, basbaque, que está de boca aberta, em- 
basbacado. 

PAPANODisiA, (geogr.) uma das ilhas dos 
Príncipes, no mar de Mamara ; 5,000 ha- 
bitantes. 

PAPÃO, s. m. (de papar, comer, des. au- 
gment. ão.) coco, o que papa meninos. Diz- 
se ás crianças para lhes meter medo. 

PAPAR, X). a. [papa. s. f., ar des. inf.j 
(t. infantil) comer; (fig. e jocoso) gosar. — a 
moça, (phraz. chula) gosar delia, ou casar 
com ella. 



PAPARA, (geogr.) serra da província do'^ 
Ceará, no Brazil, no districto de Mecejana. 

PAPARiCHO, s. m. (chulo) guisado guloso, 
acepipe. 

PAPAROTADA, s. f. (de papar.) comida de 
porcos. 

PAPAROTAGEií. V. Paparotada. 

PAPAROTE. V. Piparote. 

PAPARRÁs, s. m. semente de herva pio- 
Iheira. 

PAPARRiRA , adv. (ant.) de barriga para 
cima. Passar a vida — , sem fazer nada, em 
ócio. 

PAPAVEL, adj. (de papa, des. avel.) que 
tem ou merece ter voto para ser eleito pa- 
pa. Car deães papáveis. (E p. us). 

PAPAVERACEAS, (bot.) família natural de 
plantas dycotiledones, polypetalas, de es- 
tames hypoginios. 

PAPAZ , s. m. sacerdote christão no Le- 
vante, ou do rito Grego. V. Papa. 

PAPAZANA. V. Comezana. 

PAPRAR, V. a. ou n. {papo, ar des. inf.) 
tagarelar. 

PAPEIRA, s. f. {papo, des. extensiva eira.) 
bócio, tumor indoleiíte e volumoso na gar- 
ganta ; doença que afoga os porcos ; doença' f< 
dos bois, saco hydropico na papada de bois 
mui magros. 

PAPEiBo, s. m. (des. eivo.) vaso de cozer 
papas, migas. 

PAPEiRo, A, acíy. (de pajoo.) que tem papo, 
ou papeira, doença. 

PAPEL, s. m. (Fr. papier, do Lat. e Gr. 
papyrus, nome de uma planta do Baixo Egy- 
pto de cuja pellicula ou casca interior se 
usava como nós hoje do papel. Em Egypcio 
piroui significa o papyro, a cann&.) folha 
delgada feita de trapos de linho cortado mui 
miúdo, macerado, reduzido a polme, ou de 
algodão, seda, palha e casca interna de di- 
versas arvoíes; serve para escrever, estam- 
par , embrulhar, forrar, etc. — pardo, de 
embrulhar. — passento, mataborrão, usado 
para absorver a tinta com que se escreve. — 
de escrever ; — de peso, mui fino para cor- 
respondência com terras estrangeiras onde o 
porte das cartas se paga a peso. — de filtrar, 
que não tem colla ou gomma. Papeis pinta- 
dos, para forrar as paredes, e caixas de pa- 
pelão. — moeda, apólices estampadas que a 
lei autorisa a correr como moeda, pelo va- 
lor expressado em cada apólice. Setim — , 
delgado como uma folha de papel. — limpo, 
não escrito. Livro em — , não encadernado 
nem brochado, como saiu da imprensa. — , 
(fig ) documento, v. g. papeis importantes. — , 
(fig.) a parte que um actor faz em drama, re- 
citado, cantado ou em pantomima. Fazer 
bem o seu — , representar bem a personagem 
dodram. Fazer — , arremedar. Fazer — d& 



Pipj 



PAF 



95 



tolo, de enfadado. Deixar alguém a papeis , 
(loc. ant.) logrado com documentos de ne- 
nhum valor. 

PAPELADA, s. f. (des. collectiva ada.) quan- 
tidade de papeis, requerimentos. 

PAPELAGEM, s. f. V. Papelada. 

PAPELÃO, s. m. augment. de papel, pa- 
pel grosso, encorpado, para capas de livros 
e outros usos ; (fig. e famil.) homem ridi- 
culamente bazofio, que aífecta de persona- 
gem importante. 

PAPELEIRA , s. f. traste de formas diffe- 
rentes, que abre em forma de mesa e tem 
gavetas para guardar papeis. 

PAPELiço, s. m. embrulho de papel, 1). ^í-. 
— de doces, confeitos. 

PAPELINHO, s. m. diminui, de papel, pe- 
queno papel, 

PAPELisTA. s. m. (des. isía.) investigador 
de papeis e escripturas antigas. 0/^.cia/ — , o 
que nas secretarias tem a seu cargo pôr em 
ordem e guardar os papeis. 

PAPELizo. V. Papeli^o. 

PAPELOTES, s. m. (Fr. papillotes.) peda- 
ços de papel brando em que as mulheres en- 
volvem porções de cal ello, para as poderem 
apertar com ferro quente ficando em roscas 
ou anneis. 

PAPELS (paiz dos), (geogr.) na Senegam- 
bia, ao S. do rio de S. Domingos : cidade 
principal. Cacháo. 

PAPEZA ou PAPizA , s. f. de papa : a — 
Joanna. 

PAPHíA , adj. f. de Paphos, epithèto de 
Vénus adorada em Paphos, 

PAPHLAGONiA, (googr.) hoje livahs de Kas- 
tamouni, de Kiangari, etc. ; região da Ásia 
Menor, sobre a costa N., entre a Bithynia 
e o Ponto, limitado ao S, pela Galacia, ti- 
nha por líidades principaes : Amastris, capi- 
tal ; Gangra e Sinope. 

PAPHOS, (geogr.) nome commum a duas 
cidades da ilha de Chypre, chamadas a an- 
tiga Paphos, e a Nova Paphos. A primei- 
ra era na costa 0. da ilha e devia a sua 
origem aos Syrios ou aos Phenicios. A se- 
gunda, hoje Bafa, era a 4 léguas NO. da 
precedente 

PAPiAS, (S.) (hist.) discípulo de S. João 
Evangelista e bispo de Hieraplo, é autor de 
uma explicação dos discursos do Senhor. 
Morreu noanno 156. Ecommemorado a 12 
de fevereiro. 

PAPiLioNACEO, A, adj. (Lat. papilio, bor- 
boleta.) que tem feição de borboleta, v.g. 
flor, flores — . 

PAPiLLO, s. m. (ant.) V. Papel. 
PAPiLLON, (hist.) poeta francez, nasceu 
em 1487, morreu em 1559. Escreveu: o 
Novo amor-, Victoria e triumpho da prata 

ontra o deus de amor, 



PAPILLON, (hist.) senhor de Lasphrise, poe- 
a francez, nasceu em l^iSS, morreu em 1599. 
Deixou : Amores de Theophilo ; Amores de 
Noemi, etc 

PAPiN, (hist.) célebre phisico francez, nasr : 
ceu em 1650, morreu em 1710. Foi o pri-. 
meiro que conheceu todo o poder do va- 
por e o partido, que delle se podia tirar 
para as machinas. Deixou difí"erenles obras 
de phisica, 

PAPINHA, s. f. diminui, de papa (de co- 
mer), papas ralas. Dar — a alguém, (loc. ,^ 
famil.) illudir como faria a uma criança. , 

PAPTNiANO, (hist.) jEmilius PapinianuSy 
o primeiro jurisconsulto da antiguidade, nas- 
ceu na Phenicia em 142, foi advogado do 
fisco no reinado de M. Aurélio, depois pre- 
feito do pretório, deífendeu '^>eta contra Ca- _ 
racalla , e foi degolado por ordem deste ul- . 
timo por se ter negado a fazer a apologia 
do fratrecidio, com que este priocipe se ha- ^ 
via manchado. Compoz muitas obras dedi- ^ 
rei to. 

PAPiRio, (S.)(hist.) censor, general da ca- 
vallaria em 340 antes de Jesu-Christo, con- 
solem 32o. 319. 318, 3H, 312; dictador 
em 32^ e 308 assignalou-se contra os Sam- 
nites , os Sabinos e os Prenesticos ; repa- 
rou a vergonha das Forcas Caudinas, ead- , 
quiriu nome de hábil general, A severida- 
de de Papirio, em quanto a disciplina, era 
tal, que condemnou á morte, Fábio seu gene- j 
ral de cavallaria, por elle ter dado batalha 
sem sua ordem, e foram precizos os rogos «j 
de todo o povo para livrar Fábio, ainda , 
que victoriozo, desta sentença. 

PAPIRIO ou PAPisio, (hist.) appellido de 
duas familias romanas, uma patrícia, outra i^ 
plebêa; a primeira era dividida em seis ra-- 
mos: os Crassos, os Mugillanos, os Cursos, 
os Maso, os Pretextatos, e os JPoBlos ; em 
quanto á segunda o mais conhecido é o dô. , 
Carbon, \^ 

PAPIRO ou PAPYRO , s. m. papel egy- 
pcio, '{ 

PAPiRONGA, s. f. (chulo) papinha, HO fig. ;. 
Fazer — a a/^wem, dar-lhe papinha. 

PAPISTA, s. f. nome que os protestantes 
dão aos catholicos romanos, em razão da 
obediência destes ao papa. s» 

PAPO , s. m. (do Gr. paò, comer.) bolsftf») 
ou estômago em que as aves e outros aiui-rji 
mães ajuntam a comida antes de passar ^ 
moela. — , fundo da garganta (no homemjtsfj 
Fallar do — . De — , (fig.) com jactancia^ji 
De — descansado, de sangue frio. Não faz — , t 
(ant.) não enche as medidas. Eufr. Nada lhe 
faz — , (loc. famil.) nada o satisfaz. Esiar 
com a alma no — , quasi expirando Dar<^ 
aos soldados um — quente, o saque livrQ-i 
de cidade. Couto. — , bolso, — de almiscaf.:t 



?(? 



PAR 

-^S^aiiM^i^céi^í^oylÉ:-^ V. Pa- 

peira. . . y 

PAPOA, (geogr.) serra da cordilheira da 
proviíicia de Santa-Catharina, no Brazil, por 
detráz das minas de carvão de llodeio-Bo- 
nito, no districto da villa da Laguna. 

PAPOUASIA, (geogr.) chamada também ter- 
ra dos Papuas ou Nova Guiné, grande ilha 
da Austrália ou Oceania central, ó mais 
comprida do que larga. 

PAPOUASIA (Archipelago da), (geogr.) é for- 
mado pela Papouasia, e pelo grupo de Wai- 
giou, submeltido ao gran-sultão de Tidor, 
e pelos grupos d'Arron, de Freevill, e de 
Geilwinck. 

PAPOULA, s. f, (Lat. papaver) dormideira 
sylvestre, cujas sementes são narcóticas e 
medicinaes : — s brancas. — , (Dg.) o som- 
no, asomnolencia. 

PAPÓYAS ou PAPÓiAs, s.f.fl. (naut.) paos 
pegados na coberta ao pé dos mastros, com 
suas roldanas em que andam as driças. 

PAPPENHEIM, (geogr.) cidade da Baviera, 
a 5 léguas aoS.de Nuremberg; â, 400 ha- 
bitantes. 

pAPpus, (hist.) mathematico de Alexandria, 
vivia no fim do século IV antes de Jeru- 
Christo. Deixou Collecçôes mathematicas 
em grego. 

PAPÚAS, s.m. pi. [significa, pretos, negos.) 
(geogr.) povos da ilha que nós chamamos de 
D. Jorge, a leste das Moluccas. 

PAPUDO, A, adj. [des. udo.) que tem gran- 
de papo (ave) ; proeminente Olhos — , de 
grossas pálpebras ; inchados por mal dor- 
mir. 

PAPUSES, s. m. pi. (em Turco badbugd, 
do Persa papús, papusch ; Fr. babouches.) 
chinelas usadas pelos orientaes. 

PAQUEBOTE, s. M. (de lugl. packet-boat, 
barco de levar cartas, pacotes) paquete (co- 
mo hoje se diz) ; carruagem de quatro ro- 
das. 

PAQUERETTE, (bot.) gencro de plantas da 
famiha das Synanthereas e da Syngenesia 
supérflua. 

PAQUETA, ilha fértil e aprazivel dabahia 
do Rio de Janeiro. 

PAQUETE, s. m. correio marítimo, e prin- 
cipalmente entre a Inglaterra e Portugal. — , 
(chulo) moço de levar recados e cartas de 
amores. 

PAR, s. m. (Lat. V. Par adj.) parelhas, 
duas cousas iguaes, que emparelham, sepa- 
radas ou unidas, «. g. um — de meias, de 
luvas, de castiçaes ; um — de óculos, de cal- 
ções. — , duas pessoas ligadas por vínculos 
de matrimonio, de amizade ou associadas, v. 
g. estes esposos formam umbello — ; for- 
te — de velhacos. A — , (loc. adv.) junto, ao 
lado, hombro eom hombro, emparelhando. 



PAR 

De — em — , de todo, inteiramente. Porta 
aberla de — e — , com os dois batentes in- 
teiramente abertos. 

PAR, adj. dos 2 g. (Lat. de partio, ire, 
separar, partir) igual, semelhante. Sem — , 
singular, que não tem igual, ex. « Bem que 
não tem — .» Bernard., Rimas. Esta dama 
não tem — na formosura. « Mudar costume 
é — de morte, » (loc. ant.) Ulis., i, scena 9. 
Pares, parelhas, aos dados. Pares ou nanes, 
numero par ou impar. 

PAR, s. m. (subst. do precedente) pessoa 
igual a outra. Serjulgado por nossos pares. 
Pares de França, (ant.) eram os nobres da 
maior graduação. A camará dos pares, em 
Inglaterra é composta de nobres titulares, e 
hereditária, assim como na constituição ou- 
torgada por Luiz XVIlI.lIoje em Portugal esta 
camará também é hereditária e o rei nomeia 
os pares debaixo de certas condições e res- 
tricções da|lei. 

PAR, prep. obsol. (do Fr. par) por : « — 
estas (barbas) que me nascem. » Ullis., 4,2. 

PARÁ, s. m. (t. da Ásia) medida de grãos 
de Ceilão, ex. « Dous — s de trigo. » Couto. 
• PARA (do Gr. para, na accepção de meio, 
instrumento, ou de tendência aura fim, ob- 
jecto, ou designando comparação. Vem do 
rad. Egypc. hera ou hara, face, vulto, usado 
igualmente como pronome possessivo da pri- 
meira pessoa. Pron. os dois aa surdos) pre- 
posição que indica o termo, fim, emprego,, 
objecto de movimento, acção, v. g, partiu 

— Inglaterra, esta madeira éboa — navios. 
Este sujeito é para pouco, tem pouco prés- 
timo. Os Portuguezes são bons — marujos. 

— a semana. — o sul, — norte. — a di- 
reita, nessa direcção. — , indicando proxi- 
midade de espaço ou tempo, v. g. estáva- 
mos — dar á velha. — o mez que vem. Eu 
estou prompto — fazer o ajuste. Das plan- 
tas umas dirigem os ramos — o ar, outras 

— a terra. Ua seis — sete annos. — , in- 
dicando relação intima moral. De mim — 
mim, no meu interior. Ser bom, affavel, 
justo para os companheiras, discípulos, ou 
para com todos. È idiotismo portuguez. 

N. B. Moraes censura os afranc(;sados 
que dizem amor polo ou pelo povo, polas 
ou pelas letras, em yez de para o povo, para 
as letras. Sem duvida é erro quando para 
corresponde ao Lat. versus, mas as seguintes 
phrases são correctas: Olhar pelo bem do 
estado, pela arrecadação da fazenda, pela 
administração de justiça. Amor ao povo, 
as letras é preferível a para. V. Por e Pelo. 

Syn. comp. Para , a fim. A primeira 
destas expressões marca o objecto immedia- 
to da acção, a segunda o mais remoto, 
segundo o intuito d'aquelle que a faz. Ls- 
tudo para medico, para letrado, a fim de 



Wíi 



^Wfe 



97 



ter nm modo de vida deèehte. 'O bom ec- 
clesiastico trabalha para a santificação das 
almas, a fim de as ganhar a Jesu-Christo. 
Syn. comp. Para, por. Quando se em- 
pregão estas preposições paraexplicnr a ra- 
zão ou motivo de alguma acção, são syno- 
nymas, por exemplo : procurou cortar a con- 
versação para não expor-se, ou por não ex- 
por-se a dizer mais do que quizera. Porém 
pôde noíar-se entre ellas esta differença : com 
a primeira se explica mais. directamente o 
poder ou a influencia do motivo ou da ac- 
ção no efl"eito; cora a segunda se explica 
mais directamente a intenção, ou o fim com 
que se executa a acção. Assim que, para 
se applica com mais propriedade quando se 
suppõe suíliciencia na acção ou seguridade 
de seu eíTeito ; e por, quando se suppõe so- 
mente probabilidade ou possibilidade de lo- 
grar o que se intenta. Movo os pés para 
andar, ando muito por ver se posso dor- 
mir melhor. Saio de casa para ir ao cam- 
po, onde darei um passeio por dissipar a 
melancolia. 

PARÁ. (geogr.) vasta província marítima 
do Brazil. Antes do descobrimento do Bra- 
zil era este paiz habitado pelos Índios Ta- 
pujas, aos quaes se aggregáram j)S Tupi- 
nambas. Acha-se nesta província, bera que 
em pequena quantidade, minas, cristal, es- 
meraldas, prata, granito eargilla de diver- 
sas cores: malas d'onde se tira óptima ma- 
deira de construcção, de carpentaria e mar- 
cenaria : 139,000 habitantes civilizados, e 
100,í»O0 Índios bravos. 

PARÁ, (geogr.) povoação da ptovincia de 
Minas Geraes, no Brazil. 

PARÁ, (geogr.) rio da província de Minas 
Geraes, no Br.szil, nasço dos montes que ja- 
zem entre a villa de Tamanduá eo rio Pa- 
raubéba e vai incorporar -se com o rio de 
S. Francisco, pela margem direita, entre 
os confluentes dos nos Lambari e Parau- 
péba. 

PARABÉM, s. m. pi. Parabéns {para, e bem 
substantivo) felicitação que se dá a alguém 
por successo feliz, v, g. dei lhe o — ou pa- 
rabéns da chegada do seu navio, do casamen- 
to, ou pelo despacho do filho. 

Syn. comp. Parabém, feliciiação. O pa- 
rabém refere-se principalmente a um acon- 
tecimento feliz na vida domestica. A felici- 
tação tem um sentido mais extenso, e re- 
fere-se á celebração d'um acontecimento pu- 
blico, que tem relação com os cargos so- 
ciaes da pessoa que a recebe. 

Um amigo dá os parabéns a outro pelo ' 
bom successo de sua esposa. Uma camará '; 
felicita a el-rei por um successo prospero. ■ 

PARÁBOLA, s. f. (proo. parábola, Lat. do I 
Gr, parabolé\ comparação ; rad. ballô, lançarj 

VOL. IV. 



epará, ao íácfo,'^' próximo) narração allegori-' 
ca que encerra uma verdade importante. — , 
(geom.) linha curva formada pela secção de 
um cone por um plano parallelo ao seu la- 
do. — recta ou direita, que tem o axe pa- 
rallelo á base. — inclinada, cujo axe faz 
com a base dois ângulos desiguaes, — pa- 
rallela. V. Asymptota. 

parabolicamentí;, adv. [mente suff.) em 
forma de parábola moral. •'; 

parabólico, a, adj. que encerra parabò'-*^' 
la; deforma de parábola. Espelho — . 

paracatú, (geogr.) cidade e antiga villa 
da província de Minas Geraes,- no Brazil, a 
140 léguas ao NO. da cidade de Ouro Pre- 
to. 

PARACATU, (geogr.) rio da provinda de 
Minas-Geraes, no Brasil, na comarca que 
tem o mesmo nome. 

PARACELSo, (hist.) pretendido thaumatur- 
go, nasceu em 1494 em Kinsiedeln, viajou 
por toda a Europa estabeleceu-se em Ba- 
"le, onde regeu a cadeira de medecina, e per- 
tendeu fazer uma revolução nesta sciencia, 
destruindo a auctoridade de Hippocrales, 
de (ialieno, de Avicenno, mas depressa se 
cnnhcc-^u n falsidade das suas regras, e per- 
deu os discípulos e os doentes, Morreu em 
1541. 

PARACKNTESE, s. f. [LoX.paracentesis, do 
^v.pará, próximo, ao lado, ekcntéo, picar) 
(cirurg.) puncção do abdómen para evacuar 
alympha doshydropicos, na ascites. 

PARACLETEAR, V. ã. [paraclcto, ar des. 
inf.) sug2;erir a resposta, ajudar a responder 
a quem é interrogado 

PARACLÉTO, s.m. (doGr. parakalêô,Gonso- 
lar) consolador. Diz-se do Espirito Santo. — , 
(famil.) o que aponta, snggere a outra pessoa 
o que ha-de responder. 

PARACLETO, (g^íogr.) vil!a da antiga Cam- 
panha, a 3 ieguas ao SE. de Nogent-sur- 
Seine. 

PARÁCLITO, s. m. Espirito Santo. 
PARACMASTico, A, adj (med.) V. Decres- 
cente. 

PARADA, s. f. (de parar, em todas as ac- 
cepções doverbo) acto deparar, de suspen- 
der a marcha, o movimento de progressão ; 
lugar onde para o correio ou viajante para 
mudar de besta ou bestas; lugar onde estão 
mudas, posta, ou eslafete que toma a mala 
de cartas do que chega aposta. Ter sahidas 
de cavallo e — s de sendeiro, (loc. famil. — (Fr. 
parade) mostra, revista de tropas, e exercido 
d'ellas ; sitio, praça onde se faz amostra, à 
mostra, a revista. — (do Fr parer, aparar, 
desviar) movimento com que se rebate o gol- 
pe do contrario, na esgrima. Furtar a — a 
a gacm preveni-lo, antecipa-lo. — , o di- 
nheiro que se aposta contra o banqueiro, em'?^ 
25 



98«^ 



PAR 



PAR 



jogos deparar. — , (ant.) colheita, jantar 
que se dava ao rei ou a senhor territorial em 
.jornada. 

PARADA, (geogr.) ha mais áe 1^ povoa- 
ções deste nome em todo o reÍQO de Por- 
tuguez, 

PARADAS, (geogr.) cidade de Hispanha, a 
légua emeia SE.de Marchenna ; 4,320 ha- 
bitantes. 

PARADEIRO, s.m. {parada, des. e»'ro) lugar 
onde alguma cousa vai ter ou parar, v. g. o 
rio é — das immundicias da cidade. A sepul- 
tura é o — do pobre e do rico. 

PARADELLA, (geogr.) freguezia de Portu- 
gal no districto de Bragança a 2 léguas ao 
ISE. de Miranda do Douro, sobre o riacho 
Fresno. 

PARADIGMA, S.m. (Lat., do Gr para, ao 
lado, e deikô, mostrar) exemplar, modelo, 
V. g, — de um príncipe perfeito. 

PARADO, A, p. p. deparar; adj. que pa- 
rou ou fez parar; que desviou golpe; que 
suspendeu a mircha, fez parada, r. gr. o re- 
lógio está — , Bem — , cobravel. O mais bem 
— do seu rendimento, das dividas, que tem 
mais probabilidade de se cobrar. Divida mal 
— , de devedor que não tem meios ou bens 
porque possa ser obrigado a pagar, ou de que 
por falta de clarezas, se não pode exigir o pa- 
gamento. 

PARADOR. V. Aparador. 

PARADOURO. V. Paradeiro 

PARADOXA, s. f. V. Paradoxo. 

PARADOXAL, adj dos 2g. (des. adj. a/) que 
encerra paradoxo. Doutrina , proposição 

PARADOXO, s. wi. (pron. o X sôa C5, Lat.pa- 
radoxum, do Gr. para, alem, edoxa, opi- 
nião) proposição contraria ás opiniões geral- 
mente recebidas. 

PARADOXO, A, adj. V, Parodoxal. 

PARADOXURO, (h. n ) Paraduxurus, gé- 
nero ^pi mammiferos, muito parecidos com 
as Martas. 

PAR^TONiuM, (geogr.) Ál Baretoun, cida- 
de e porto da Fibyn, na Marmarica, a 0. 
de Alexandria. 

PARAFO. V. Paragrapho. 

PARAFOGO, s. m. [deparar, desviar) peça 
de papel, seda, panno, etc, encaixilhada, 
que se põe diante das chaminés dos quartos, 
nos paizes frios, para resguardar a cara da 
chamma do fogo. 

PARÁFRASE. V. Paraphrase. 

PARAFRASEAR. V. Paraphrasear, etc. 

Parafusado, a, p.p. de parafusar, medi- 
tado, cogitado, dado tratos á mente. 

PARAFUSADOR, S.m. O qus parafusa. 

parafusar, V. n. {parafuso, ar des. inf.) 
(famil.) meditar, cogitar profundamente em 
questão, matéria difficil. A metaphora é ti- 



rada do parafuso que penetra com difíicul- 
dade a madeira. 

PARAFUSO, S.m. {par-a-fuso, semelhante 
a fuso) peça de ferro ou outro metal, de páo, 
marfim, etc; lavrada em rosca espiral, que 
se mette e prende na porca. — de através^ 
sar, (esping.) os que seguram o cano na cro- 
nha. Compasso do — , munido de parafuso 
que impede as pernas de se fecharem. 

PARAGANAS, $. f. pi. (íiut.) [para, e Fr. 
ant. gan ou gain, ganho, lucro, renda, ren- 
dimento, emolumento) bens feudaes com en- 
cargo de serviço na paz e na guerra. 

PARAGÃo, s.m. {Fr. parangon, doGr. pa- 
raghein, comparar ; rad. para, ao lado, e 
agô, conduzir, levar) (p. us.) comparação. 

PARAGEM, s. f. [deparar, des. agem] sitio, 
lugar onde alguém costuma parar, ou onde 
o navio anda pairando, ou onde costuma lan- 
çar ferro. Paragens. 

N. B Mora(!S insinua que é talvez alte- 
rado de pairagem, mas rão reflectio no ra- 
dical. 

PARAGO, (h. n.) género de insectos da or • 
dem dos Dipteros, familia dos Athericeros, 
tribu dos Syrphios. 

PARAGRAFO. V. Paragrapho. 
PARAGRAPHO, s. M. (prou. pardgvapho : do 
Gr. pard, alem, e graphô, escrevo) separa- 
(jãodeperiodo, de livro ou carta; signalque 
marca esta separação (§). 

PARAGUÁ, (geogr.) rio tributário do Gua«7 
poré, no Brasil, pela margem esquerda. E 
considerado n'uma parte de seu curso co- 
mo um dos limites do Brazil. 

PARAGUA, (geogr.) dous rios da America 
do Sul ; um no Venezuela, cae no Caroni 
de Barceloneta ; o outro no Brasil, perde- 
se no Guapore. 

PARAGUAÇU, (geogr.) o rio mais caudaloso 
dos que desaguam na bahia de Todos os 
Santos, no Brazil ; nasce na serra da Cha- 
pada. 

PARAGUAÇuziNHO, (geogr.) ribsiro da pro- 
víncia da Bahia, no Brasil, na comarca da 
Jacobina. 

PARAGUAI, (geogr.) grande rio da Ameri- 
ca meridional, no Brazil, cujo dilatado cur- 
so segue constantemente o rumo do norte 
ao sul, até juntar-se com o Uruguai, for- 
mando ambos reunidos o rio da Prata. 

PARAGUAY, (geogr.) estado da America do 
Sul, ao N. das províncias Unidas do Rio 
da Prata, a O de Brasil; 500,000 habi- 
tes. Capital Assumpção. 

PARAiiiBA, (geogr.) cidade e capital da pro- 
víncia do mesmo nome, na margem direita 
do rio Parahiba a 4 léguas domar, 15,000 
habitantes. 

PARAHIBA, (geogr.) rio do império do Bra- 
zil que fertiliza as províncias do Rio de 



PAR 



PAR 



Janeiro e de S. Paulo. Seu nome é deriva- 
do de duas palavras; paro, rio; e hiba, 
agua clara. 

PARAHiBA, (geogr.) rio do norte do im- 
pério do Brazil, do qual tomou o nome a 
província per onde corre do 0., para o ENE. 
Wasce na serra Jabitacá, ramo da dos Cai- 
riris- Velhos, perto dos nascentes do Capi- 
ribe, que se dirige para a cidade do Re- 
cife. 

PARAHIBA DO SUL, (geogr.) villa da pro- 
vinda do rio de Janeiro, assim cognomina- 
da, em opposição com a cidade de Para- 
biba, capital da província deste nome, que 
jaz ao norte do império do Brazil, 2,000 
habitantes. 

PARAHiBUNA, (geogr.) pcqueua villa da pro- 
víncia de São Paulo, no Brazil, obra de 20 
léguas ao NO., da cidade d'estenome. Tem 
2,000 habitantes. 

PARAHIBUNA, (geogr.) rio que divide a 
província do rio de Janeiro da de Minas- 
G«raes, no Brazil. 

PARAHiBUNB, (geogr.) rlbelro da província 
de S. Paulo, no Brasil, o qual se ajunta 
com o rio Parahiba pela margem esquerda, 
obra de 2 léguas abaixo da villa de Para- 
hitinga. 

PARAHiM, (geogr.) rio estreito e profundo 
da provinda do Piauhi. 

PARAHiTiNGA, (gftogr) pequeua villa da 
provinda de São Paulo, no Brasil, na pri- 
meira comarca de que é cabeça a villa de 
Taubaté. 4,000 habitantes. 

PARAiMENTES, (aut.) [parai ; e mentres, Fr. 
ant. e Ital. entretanto) reparai. 

PARAÍSO, s,m. [pron. paraíso, L&t. para- 
disum, Gr. paradeisos. propriamonte jardim. 
Do Persa, firdeus, jardim de arvores íructi- 
feras.) jardim. O — terreal, onde Deus poz 
Adão e Eva ; jardim delicioso ; (fig.) abem- 
aventurança. — celeste, a bemaventurança 
eterna. Ave do — , manueodiata. 

PARALE, (hist.) galera sagrada, que os 
Athenienses todos os annos expediam a De- 
los, carregada de oflerendas e pessoas, que 
deviam servir nas ceremonias sagradas nos 
aliares de Appollo e de Diana. Esta viagem 
chamava-se theorica, eos viajantes theori- 
cos. Durante a ausência da galera não po- 
dia ser justiçado conderanado algum. 

PARALEA, (bot.) género de plantas da fa- 
milia das Dyospyreas e das Eiéanaceas e da 
Decandria Monogynia. 

PARALHEiRO, s.Tu. Hos cugenhos dc açucar, 
panellas em que se vasa o mellado dos tachos. 
Hoje chamam -se formas. 

PARALiPOMENON, s. m. [CiT. pard, alem, e 
leipomai. deixar) nome de um dos livros do 
Antigo Testamento, supplemento aos livros 
dos Reis. É vulgarmente attribuido a Esdras, 



e n'elle se acham couzas, que tinham sido 
omittidas nos quatro livros dos Beis. Viei- 
ra põe o accento na penúltima , de ordiná- 
rio se põe na antepenúltima. 

PARALISAR. V. Paralysar. 

PARALISIA. V, laralysia. 

PARALiTiCADO, ^,p-p. de paralltlcar ; adj. 
feito, tornado paralytico. 

PARALiTiCAR, V. a. (aut.) V. Paralysar. 

PARALÍTICO. V. Paralytico. 

PARALLAXE, s. f. (do Gr. para, alem, e 
alloio, mudar.) (astr.) arco celeste compre- 
hendido entre o lugar verdadeiro de um as- 
tro eoseu lugar apparente, isto é, entre os 
dois pontos do ceu em que seria visto do cen- 
tro e da superíicio da terra. 

PARALLAXico, A, ttdj . ^ue respclta á paral- 
laxe. 

PARALLELIPIPEUO, 5. wi. (do paralUlo, e 
Çtv.pedion, superfície plana) (geom.) corpo 
solido terminado por seis parallelogrammos 
dos quaes os oppostos são iguaes eparalle- 
los entre si. 

PARALLELiSMO, s. m. (gcom. 6 astr.) apo- 
sição parallela de duas linhas ou dois planos. 

PARALLELO, A, adj. (Lat. parallelus, do Gr. 
para, igualmente, alem, eallélos entre si.) 
(geom.) que dista igualmente em toda a sua 
extensão. Linhas — s, igualmente distantes 
entre si. — , s. f. (subst. do precedente) li- 
nha parallela. — , (fort.) estrada funda pa- 
rallela ao corpo da praça, para a bater. Pri- 
meira, segunda, terceira — , a segunda se 
approxima da praça, a terceira é a mais che- 
gada a ella. 

parallelÔgramho, s. m. (Gr. parallela , 
e grammé , linha), (geom.) figura plana 
terminada por linhas parallelas cujos lados 
correspondentes são iguaes, quadrado longo. 

paralogisar, V. u. (do Gr. para, ao la- 
do, e logos, discurso), procurar, persua- 
dir com argumentos viciosos, que não pro- 
vem a these. 

PARALOGISMO , s. m. (dcs. ismo), argu- 
mentação errónea, viciosa, não concludente. 

Syn. comp. Paralogismo, sophisma. O 
paralogismo é um raciocínio falso, um ar- 
gumento vicioso , uma conclusão mal de- 
duzida, ou contraria ás regras da lógica. 
O sophisma é uma argumentação artificio- 
sa, um raciocínio subtil e capcioso. Aquel- 
le pecca na forma, este na matéria. Am- 
bos induzem em erro ; porém o primeiro 
por ignorância, por falta de conhecimento 
e de applicação ; o segundo por malicia , 
ou por uma subtileza mal intencionada O 
paralogismo é contratio ás regras de bem 
raciocinar ; o sophisma é inteiramente op- 
posto á rectidão da intenção. O primeiro 
engana de boa fé ; o segundo tem interes- 
se em enganar, e illude com má intenção. 
25 * 



i 



PAR 



PAR 



i >aralysa'r, «. a. (V. Paralysia), (tóed.) 
fazer paraljtico, tolher o movimento dos 
membros e a sensação; (fig.) inutilisar, ti- 
rar ou suspender a energia, a acção.f.^-;— 
a autoridade, a industria. v.^aaahá' 

PARALYsiA, s. f. (Lat. do Gr. paraluo , 
relaxar, debilitar), (med.) privação do mo- 
vimento muscular o da sensação da parte, 
ou de uma só destas funccões. 

PARAi-Yrico, A, adj. atacado de paraly- 
èia, entrevado, tolhido 

PARAMARiBO, (gcogr.) Capital da Guyana 
hollandeza, sobre o Surinam, a 100 léguas 
NO. deCayena; 20,000 habitantes. 

PARAMENTADO , superl. de paramentar ; 
adj. ornado, revestido (no sentido próprio 
o ligurado). Sacerdote — , revestido das ves- 
timentas. Igreja — . Matrona — de virtu- 
des. 

PARAMENTAR, V. a. {paramento, ar des. 
inf.), ornar, aparamentar: v.g. — as igre- 
jas, o sacerdote. — se, v. r. o bispo para- 
mentou-se. 

PARAMENTO, s. m. [Fv. paremeiít, de pa- 
rer. Lat. parare, compor, ornar) , mais 
usado no pi., vestes solemnes , vestimen- 
tas, v.g. — de sacerdotes, roupas ornadas, 
ricas. V. g. — de reis. Os — s pontificaes. 
— arreios de cavallo ; tudo o que servo 
para ornar, enfeitar, cobrindo ou revestin- 
do, V. g. — de igreja, casa, camera do na- 
vio ; — das ruas, em festa solemne, — , 
(arlilh.) moldura do baccal do morteiro. — 
(ant.) direcção, governo, ex. « Para bom — 
da nossa terra. » Ord. AíTons. 

PARÂMETRO, s. TO. (do Gr. parú, 'ao lado, e 
ínelro suff. (geom.) linha constante o in- 
variável que entra na equação de uma 
curva, e que serve de termo de compara- 
ção das suas ordenadas e abscissas. 

PARA-MIRIM, (geogr.) pequeno rio da pro- 
víncia da Bahia, no Brazil, na comarca do 
lUodas Contas. 

PÁRAMO , s. m (ant.) (de amparar. V. 
Amádigo. 

PÁRAMO, s. m. (Cast.), campina erma. 
ex. « Nos — s do hiimido elemento. » Diniz 

PARAMYTHiA, (geogr.) cidadc da Turquia 
europ,ea, a 12 léguas SO. deJanina; 3,500 
habitantes. 

PARANÁ, (geogr.) grande rio da America 
do Sul, é o principal braço do rio da Prata. 

PARANÁ, (geogr.) nova comarca da provín- 
cia de Minas Geraes, no Brazil. 

PARANÁ, (geogr.) grande rio da America 
meridional, que tem principio no império do 
Brazil, e toma este nome na confluência do 
rio Paranaiva com o Grande. O primeiro d'e;»- 
tes rios atravessa a província de Goy^íz do 
norte para o sul, e o segundo a de Minas Ge- 
raes^ de este a oeste, e ajuntara se um com 



outro pouco mais ou menos, em 20° latitu- 
de, edão nascimento ao Paraná, o qual em 
seu curso serve alternativamente delimite ás 
províncias de Guiáz, São Paulo e Mato Grosso, 
e aos Estados do Paraguai e d'Entre-Rios. 

PARANACiCABA, (geogr.) serra do Brazil, na 
província o districto de São Paulo. 

PARANAGUÁ, (geogr.) villa e cabeça da quin- 
ta comarca da província de São Paulo, no 
Brazil, 7,000 habitantes. 

PA RANAGUA, (gcogr.) bailia da província de 
São Paulo, no Brazil, a cuja margem está as- 
sentada a villa do mesmo nome. 

PARANÁ iiiBA, (gcogr ) antiga villa da pro- 
víncia do São Paulo, no Brazil, 7,000 habi- 
tantes. 

PARANAN, (geogr.) serra da província de 
Goyáz, no Brazil, entre esta província e a 
comarca de São Francisco da província da 
Bahia. 

PARANAN, (geogr. y rio da província de 
Goyáz, no Brazil. iNasce do vertente Occiden- 
tal da serra Paranan, engrossa-se com as 
aguas de muitos ribeiros nas serras dos Cou- 
ros ou do General, das Araras e dosViadei- 
ros. 

PARANAPANEMA, (geogr.) río da província 
de São Paulo, no Brazil, qiio não dá navega- 
ção por ser entulhado de rochedos. 

PARANAPíAÇABA, (gcogr.) sorra da provín- 
cia de São Paulo, no Brazil, ramo da cordi- 
lheira Cubatão. 

PARANAPUcuHi, (geogr.) antiga aldeia de 
índios Tamoyos, na ilha do Fundão ou do 
Gato, presentemente ilha Raza, defronte da 
entrada da bahia deNitherohi ou do Rio de 
Janeiro. 

PARANATiNGA, (geogr.) río da província de» 
Goyáz, no Brazil. -^ 

PARANÇA, s. f. (ant.) estado do negocio. 
V. Paramento, direcção, v g. Boa ou má — . 

PARANGONA, adj. f. (aul.) Letra — , sor- 
te de typo de impressor fFr. parangon]. 

PARANGUE, s. TO. (t. da Asía) , embarca- 
ção de carga cosida com cairo. 

PARANHOS, (geogr.) aldeia de Portugal vi- 
zinha do Perto, com 2,200 habitantes. Ha 
outra a 2 léguas de Braga, e outra no con- 
celho de G}3, a 13 léguas de Coimbra, ca- 
da uma com 700 habitantes. 

PARANOMASis, s. f. (lat. do Gr. para, pró- 
ximo, e ónoma, nome), semelhança entre pa- 
lavras de línguas diversas, que indica ori- 
gem commura. 

PARANTE. V. Perante. 

paranympa, s. f. (V. ParanympJio), ma- 
drinha da noiva ; (fig.) protectora. 

PARANYMPH\R, V. fl. V. Apadrinhar. 

PARANYMPHico, A , ãdj . do noívos. V. g. 
Discurso — , feito á rijegada de algum es- 
poso nobre^ isúiuiu ' 



fm 



fh 



m 



í»'AnAí?VMiiib ,' ¥:"m: (Gr. pardnyiHplios, ^meníóV e^pâhtatiéo' ou ' ^6oftíóiutíííè^(!'6, 't^^ J * 
padrinho de noiva ou noivo, pard, jtinto, ,0 cavaílo, o relógio parou. Parou-lhe o 
é nymphé, esposa, padrinho da noiva oa do I pulso. — , ir ter, Ufrniitiar. v. g. A estrada 
noivo. v. g. O — Gabriel , anjo qiio veio | vai — ao rio. O negocio veio a v-om nada. 
assistir ás núpcias ; (fig.) padrinho de can- | Km qno pararam as victorias do Napoleão''' 



didato era universidade ; protector 

PARAO, s. m. (t. da Ásia), embarcação de 
guerra na índia. 

PARAPADA, s. m. animal da ilha Marou- 
pe, no rio Sofala. Santos, Ethiop. 

PAUAPANDA, s. f. (voz Afric), trombeta 
usada pelos Cafres, de som ingrato e mui 
forte. 

PARAPEiTADo, A, adj . {parapeito, des. adj 
ado], guarnecido de parapeito. — postado 
de traz de parapeito, defendido por pa- 
rapeito. 

PARAPEITO, s. m. (Fr. parapet, Ttal. para- 
peito, do Lat. paro, are, proteger, e pectus, 
O peito. K' assim chamado porque na bor- 
da se encosta o peito), muro de encosto ou 
de abrigo sobre ponte, terraço, oacs ; es- 
paldão, muro que dá pelos peitos, detrás 
do qual se põ:'ra os soldados e se assesta a 
artilharia. Faz-se de terra, faxina , cestõos, 
etc. 

PARAPETALAS, (bot.) da-se este nome ás 
partes, que em certas Qores se parecem per- 
feitamente com as pétalas, mas que estão si- 
tuadas em um sitio mais inferior ; são es- 
laraes avortadas. 

PARAPHERNAL, adj\ dos 2 g. (do Gr. pard, 
alem, e pherné, dote), (jur. ) Bens para- 
phcrnaes, os de que a mulher se reserva a 
posse por contracto de casamento, e que 
não fazem parte do seu dote. 

PARAPHiMOSis, s. m. [para pref. Gr. alem, 
para trás, e p/iimos-i^, V.), (med.) forte con- 
tracção do prepúcio retrahido atrás da glan- 
de. 

PARÁPHRASE, 5. /*. (jyará, pref. Gj., alem, 
e phrase), explicação de texto por outras 
palavras e com mais extensão. 

PARAPFiRASEADO, superl. de paraphrasear ; 
adj. explicado em paraphrase ; acompanha- 
do de paraphrase, v. g. o código — por um 
juris-consulto. 

PARAPHRASEAR, V. a. {parapkrase, ar des. 
inf,), explicar em paraphrase, elucidar com 
explicação breve : v. g. — o texto. 

PARAPIIRASTE OU PARAPHRASTA, S. m. , O 

que paraohrasêa, autor de paraphrase. 

PARAPHRASTico, A, ttdj. da uatureza de 
paraphrase, que explica, elucida, v. g. in- 
terpretação — . 

PARA QUE. V. Para, e Que. 

PARAR, «.a. (do Lat. parco, ere, abstor- 
se ; em Vasconço baratcea, parar, cujo ra- 
dical é bara], suspender o movimento, es- 
pontâneo ou coramunicado, v. g. — o ca- 
vaílo, a roda. — , t?. «., suspender o movi- 
yoL. ir. 



Onde irá — este homem ? que ííqí terá f 
Foi — nas galés, — na forca. Onde irá — 
o seu discurso? Onde /(araram os seus pro- 
jectos? Não para ahi o negocio, isto é, vai 
mais longe, não liça al!i.' — consistir uni-' 
camente. v. g. A obrigação do juiz não ;>ára 
no nome. Parar mentes, [\oo. ant.) reparar, 
tomar conhecimento, ex. « E para bem men- 
tes assi aos cavallos como aos potros, se são 
bem sãos. » Ord. A.ffons, «Em elle (no fei- 
to) nom parem mais mentes, » Ibid. não en-^ 
tendam mais. Parar diante, esperar a pé 
íirme, resistir. Não lhe puraram diante os 
inimigos, não sostiveram o ataque Parar 
d banca, apontar. 

PARAR, V. a. {¥r. parer, do Gr. para , 
além.) rebater, r. g^—a estocada, a cii-" 
tilada. — , fazer parada, apostar contra o ban- 
queiro (a jogos de azar. Jogos de -, em que 
os pontos apostara contra o banqueiro ou 
contra o jogador qne lança os dados. Pa-_ 
rou grandes sommas. — , (ant.) pagar. 

PARAR, V. a. (do Lat. /)arar<?, faz t, pôr, 
dispor, etc.) (ant.) converter em , fazer « de- ' 
sejos maus de seus corações, que era pouco" 
os parum brutos animaes. » os tornam, Lu- 
cena. «Chegaram os padres sem alento, sem 
côr nom semilhança de vivos, que assim os ^ 
tinha parado o caminho e a fome. 

Moraes confunde este verbo com parar, v, 
a . suspende r o moviraen lo ? 

PARASANGA, s. f. VOZ Porsica farsung ou 
farsahk] medida itinerária da Pérsia que He- 
ródoto diz equivaler a 30 estádios gregos, ou 
o750 passos, mas depois tem tido diversos 
valores. Hoje é perto de 4 milhas inglezas. 

PARASCEVE, s. m. (do Gv.paraskué, pre- 
paração. JNão ó voz Hebraica ccmo diz o ad- 
ditador de Moraes) sext« feira em que os 
os Judeus se preparavam para celebrar o 
sabbado ou qualquer dia lascivo, e principal- 
mente a Paschoa; sexta feira santa. 

PARASELENE,.s. m. (do Gr. para, junto, ao 
lado, e selené, a lua.) (meteor.) apparencia de 
uma ou mais lua na proximidade da verdh-,. 
deira. ' ''' 

PARASiTíco, A, adj. [parasito, des. ico.) 
de parasito, de comedor, que desfruta al- 
guém. V. g. lisonjas — s. Plantas — s. V.^ 
Parasito. ■ ••" '■'."' i . ■ ; * '" ' . 

parasito; ^'rrtil' {ííéX.^^àrasitu$,'d(f''(Ífy 
pardsitos ; de pard, junto, proxinio,'e si-' 
tos, trigo.) Primitivamente significava bs 
que tinham a seu cargo a intendência do tri- ' 
go destinado aos templos, e que tinham parte 
na distribuição das viandas dos sacriíicios ; 
Vi 



102 



PAR 



PAR 



depois applicou-se aos que se introduziam 
nas casas dos ricos para lhe comer os jan- 
tares; papajantares. 

PARASITO, A. adj. de parasito. PM/itax 
— s, as qu6 crescem sobre outras plantas e 
tiram delias parte da sua nutrição, v. g. os 
musgos, etc. 

PARASOU-RAMA, (hist.) brahimne guerrei- 
ro, filho do brahimne Djamadagni e de ile- 
monka ; foi educado por Siva, abateu uma 
das deíTezas de Ganeça, vingou a morte de 
seu pai e de sua mãi sobre os filhos de Vacich- 
tha, expulsou d'Aiodhia e de toda a índia 
os Chattryas, assegurando assim a preeminên- 
cia aos brahmnes ; finalmente recolheu-se ao 
seio da divindade, donde só tornou a sair 
no tempo de Rama, como septima encarna- 
ção de Vichnon. 

PARASTATA. V. Prostata. 

PARATARi, (geogr.) pequeno rio, affluen- 
te da margem direita do Amazonas, noBra- 
zil, no qual desagua 12 léguas abaixo da bo- 
ca principal do rio Purú. 

PARATI, s, f. (t. Brasil.) peixe parecido á 
tainha ou mugem ; são as pequenas. Cori- 
man é a tainha grande na língua dos indíge- 
nas. 

PARATI, (geogr.) nova cidade cantiga villa 
populosa e mercantil da província do Rio de 
-Janeiro, na margem occidental da bahia de 
Angra dos Reis, 35 léguas pouco mais ou 
menos OSO. da cidade do Rio de Janei- 
ro. 

PARATiGi, (geogr.) ribeiro da província das 
Alagoas, no districto da cidade de Maçayó. 

PARATiG^ (geogr.) ribeiro da província da 
Bahia, aííluente dorio Maarahú. 

PARATi-MiRiM, (gcogr.) povoação da pro- 
víncia do Rio de Janeiro, f\ léguas ao SE. da 
cidade de Parati. 

PARATi-MiRiM, (gcogr.) ríbciro da provín- 
cia do Rio de Janeiro, ao S. da cidade de Pa- 
rati. 

PARATiNi, (geogr.) pequeno rio da provín- 
cia de São Pedro do Rio Grande, na comarca 
das Missões. 

PARATiTLA, s. f. brcve annotação ou ex- 
posição de algum livro, particularmente de 
jurispiudencia. 

PARATiTLAR, adj. dos ^ g. (para pref. 
Gr., junto, e titulo.) (jurispr.) que faz bre- 
ves annotações ou explicações a algum tex- 
to. — , s. : os paratiílares das institu- 
ías. 

PARAÚHAtó, (geogr) pequeno rio da pro- 
víncia do Pará; aííluente do rio das Amazo- 
nas, no qual desagua. 

PARAUHiBA, (geogr.) ilha do rio da Madei- 
ra, na provinda do Pará, abaixo, da das 
Arraias. 
. jAKAtJHA, (geogr.) povoação da província 



de Minas Geraes, 11 léguas ONO. da cidade 
do Serro. 

PABAÚNA, (geogr.) ribeiro da província de 
Minas Geraes, no firazil. 

PARAUPEHA, (geogr.) povoação da provín- 
cia de Minas-Geraes, no Brazil, 3 léguas ao 
S.davilla de^ueluz, na cabeceira do rio de 
que tomou o nome. 

PARAVANTE, s. m. {para, e avante.) (naut.j 
a parte do navio que vai do mastro grande 
até áprôa. 

PARAVEL, adj. dos 2 g. (de parar, fazer, 
pôr.) fácil de conseguir. 

paravento, s. m. (deparar, resguardar, 
e %ento.) biombo para resguardar do vento ; 
põe-se diante das portas. 

PARAVOA, s. \f. V. Palavra. 

PARAY-LE-MONIAL, (geogr.) Parcium-Hío- 
niale ou Moniacum cidade de França, a 3 
léguas 0. de CharoUes ; tem 3,480 habitan- 
tes. 

PARCAMENTE, adv. [menie suíf.), com par- 
cimonia, com regra, poupadamente. v. g. 
Gastar, viver, traiar-se — . 

Syn. comp. Escassamente é mais, e de- 
nota privação do necessário. 

PARÇAR, v.n. [do Làt. par s, parte), (ant.) 
ter parçaria, em negocio, contracto ou em 
renda de terras. 

PARÇARIA, s. f. (Fr. ant. parcerie), socie- 
dade, em matéria de negocio, renda de ter- 
ras. Terras de — , que alguém traz de ren- 
da por uma quota parte dos fructos que dá 
ao proprietário. A ou de — , de meias, de 
sociedade. Andar de — , de sociedade, em 
boa harmonia, ex, « Não quero gostos sem 
— . »Eufr., de que eu só goze. A miseri- 
córdia anda de — com a justiça. Impacien- 
tes — na jurisdicção, e mando , que não 
querem partilhar. 

PARCAS (as três), (myth.) Clotho, Lache- 
sis, Atiopos, divindades do inferno encarre- 
gadas de fiar a vida dos homens, Clotho 
preside ao nascimento e pega no fuso, La- 
chesis fa-lo girar, e Atropos corta o fio. 

PARCE, (geogr.) villa de França, a 4 lé- 
guas KE. de la Fleche ; tem '2,260 habi- 
tantes. 

PARCEARIA. V. Parçaria. 

PARCEIRO, A, s. (Fr. ant. parcien) , pes- 
soa que joga ou dansa com outra , sócio 
em negocio, lavoura, e em qualquer em- 
preza ; companheiro ; — na liga, collígado, 
allíado. 

PARCEL, s.m. pi. Parcéis (do Lat. pro- 
cello, are, bater com in peto , derribar), 
baixo de areia ; mar cheio de restingas , 
bancos. Differe de alfaque porque neste o 
fundo é desigual. 

PARCELAdo, A, adj. {parcel, des. adj. ado), 
onde ha parcéis. v. g. Praia-—- 

ff .jo^ 



PAR 



PAR 



m 



PARCELLA, í. f. (dim, doLat. pars, parte), 
porção de quantia ; artigo de conta ou som- 
m&.v.g. Ksta — não deve entrar em conta, 

PARCEM. (geogr.) aldeia da província de 
Pernem. 

PARCERIA. V. Parçaria. 

PARCHE, s.m. pedacinho de panno ou ta- 
fetá sobre que se estende emplasto para 
applicar a ferida, chaguinha, ou para cau- 
terisar, sendo cáustica a massa emplastica : 
V. g. — cáustico. — mancha pequena, sal- 
pico redondo, ex. « Justilhos de seda sal- 
picados de pequeninos — s de escarlate. » 
Galhegos. 

PARCHiM, (geogr.) cidade do gran-ducado 
de Mecklembuigo-Schewérin, sobre oKlda, 
a 9 léguas ao Shl., de Schewérin, 4,500 
habitantes. 

PARCIAL, adj.dos2g. (do Lat. pars, tis, 
parte], que forma parle de algum todo, que 
abrange só parte de algum todo. v. g. A 
chuva foi — , não se estendeu a toda a 
cidade ou districto. — , que segue algum 
partido. — , que julga por affeição ou des- 
aífeição ás partes, e não pela recta justi- 
ça. V. g. Juizes parciaes. — , por partici- 
pante , é impróprio e desu5. Freire usou 
delle neste sentido, ex. « igualmente par- 
ciaes ua gloria e no perigo. » 

PARCíALiDADK, s. f. {pardal, des. idade), 
affeição; bando, opinião, v.g. Us da sua 
— . Julgar com — , com affeição ou acei* 
tacão de pessoas, segundo o juiz é affecto 
á parte que favorece. 

PARCiALiDAR, V. a. fazcr parcial, associar, 
ligar, V. g. X má educação parcialida os 
néscios com seus erros. — se, v. r., abra- 
çar o partido de alguém ; ligar-se , asso- 
ciar- se. 

PARCiALiZAÇÃo, s. f. acto do parciali- 
sar informação, sentença, decisão, juizo.* 

PARCIALIZADO, supcrl. do parcialisar ; adj. 
feito com parcialidade. 

PARCIALIZAR, V. ã. (parcializar, itar áes. 
Gr. Lat.), julgar com parcialidade, v.g. — 
a informação, a sentença. — altrahir ao par- 
tido, ev. « Com estas artes os parcializou 
aos rebellados. » 

PARCiMONiA, s. f. (Lat. ou parsimonia , 
de parcus, parco ; monia vem de minuo , 
diminuir, encurtar), regra, grande mode- 
ração na despe za, acto de poupar. — es- 
treiteza no gastar, v. g. Viver com mui- 
ta—. 

PARciONEiRO, adj. V. Parceiro, Sócio. 
•PARCissiMAMENTE, àdv. supcrl. de parca- 
mente, com muita parcimonia. 

PARCissiMO, A, adj. snperl. áe^tUTco, mm 
parco. 

PARCO, A, adj. (Lat. parcus,, de parco, 
£re^ usar com moderação, pôr de parte, pou- 



par; rad. pars, parte, porção.) poupado, mo- 
derado nas despezas, poupador ; frugal, mo- 
derado no comer, beber, dormir, etc. 

Syn. comp. Parco, sóbrio, temperado, 
moderado. Parco diz se só do homem, eé 
o que, por convencimento próprio, come e 
bebe pouco. Sóbrio é o homem que, por 
inclinação natural e por seu temperamen- 
to, faz o mesmo. Temperado é aquelle que 
excedendo ao parco e ao sóbrio se contém 
em suas acções no circulo de uma vida ajus- 
tada e bem entendida, iífoderaíio a pplica-se 
com mais frequência á parte ideal, e se diz 
daquelle que deseja que nada se faça com 
violência nem com precipitação, e que em 
tudo procede com moderação. 

PARCQ, (geogr.) villa de França, a 5 lé- 
guas de S. Pol ; 800 habitantes. 

PARDAÇO, A, adj. augment. de T^&r do, dl- 
gum tanto pardo ; amulatado. 

PARDAL , s. m. (de pardo.) pássaro pe- 
queno vulgar. 

PARDALOTE, (h. D.) geuero de pássaros da 
ordem dos insectivoros. 

PARDAO, s. m. (t. da Ásia) moeda da ín- 
dia que valia pouco mais de três tostões, 
ou 360 réis. 

PARDAR, V. a. ou n. {pardo, ar des. iní.) 
fazer-se pardo, escuro. 

PARDELHA, s. f. uomo de um peixinho de 
côr parda (em Lat. smaris, dis). 

PARDES, exclamação ant. (do Fr. pardieuXf 
por Deus.) por Deus, em nome de Deus. O 
additador de Moraes suppõe ser pardiez, pe- 
los dez preceitos da santa lei de Deus. 

PARDIEIRO, s m. casa velha arruinada. 

PARDIES, (hist.) geometra francez, nasceu 
em I63ti, morreu em 1673. As suas obras 
são: Herologium thaumanticum duplex; 
De motu et natura cometarum ; De movi- 
mento local ; Elementos de geometria ; Atlas 
celeste, ele. 

PARDiLHO ou PARDiNHO, A, adj. diminut. 
de pardo, tirante a pardo. 

PARDO, A, adj. (Lat. pardus, leopardo ; 
rad. arda, nódoas.) de côr como a do leopar- 
do, escura como a dos mulatos. Homens — s, 
baços de pelle. — , leopardo. 

PARDiLHo, (geogr.) povoação de Portugal, 
no concelho de Estarreja, 6 léguas ao S. do 
Porto, 2,2u0 habitantes. 

PARDO, (geogr.) rio do SO. do BraziL Nas- 
ce na província de Mato Grosso e deve sua 
origem ájuncção doSanguexuga com o ri- 
beiro Vermelho. 

PARDO, (geogr.) pequeno rio da província 
de Minas Geraes, na comarca de Paracatú. 

PARDO, (geogr.) rio da província de São 
Pedro do Rio Grande. Nasce nas matas da 
serra Geral, entre os rios Jacuhí e Tacoari. 

PARDO, (geogr.) rio da provineia d© S. Pau- 
26 -o 



m 



PAR 



PAR 



lo, que vera da antiga colónia de São João de 
El Rei, e vai lançar-se no rio Grande. 

PARDO, (geogr.) rio que nasce na comarca 
de Sapucahi da provincia de Minas-Geraes, 
nas antigas minas d'Ouro Fino. 

PARDO, (geogr.) villa de llispanha, sobre 
o Mançanares, a 3 léguas emeia EO. de Ma- 
drid ; 900 habitantes. 

PARDOCA, 5. /. a fêmea do pardal. 

PARDOSO, A, adj. (des. oso.) mui pardo. 

PARE, (hist.) celebre cirurgião francez, nas- 
ceu em 1518, morreu emlò90. Era ornais 
habii operador do seu tempo. Deixou algumas 
obras, a mais estimada é a Maneira de curar 
as feridas feitas por arma de fogo, 

PÁREAS, s. f. (do Lat. paro, are, deriv. de 
par^ igual, ajustar, contar, pagar.) tributo 
que um estado ou príncipe paga a outro em 
reconhecimento de obediência ou vassalk- 
gem. Pagar, cobrar as — . — , (anat.) as 
secundinas, a placenta. 

PARECENÇA, s. f. [parccer, s., des. erifa.) 
semelhança nas feições. Tem grande — com o 
avô. É termo usual e útil. 

PARECENTE, adj. dos ^2 g .Y . Semelhante. 

PARECER, v.n. (Lai. páreo, ere. Gr. pá- 
reimif estou presente, rad. para, próximo, 
e eimi, estar, vem do Kgypc hera, face, 
rosto, com o artigo masculino, pi-hera), d])- 
parecer ; patentear-se, mostrar-se, ter ap- 
parencia. v. g. O ar estava tão escuro que 
parecia noite. Parecia cousa sobrenatural. 
— , afigurar, cuidar. Pareceu-nos ver a ter- 
ra, mas era névoa. Parece-me bem, julgo 
ser bom, conveniente. — , (ant.) ter pare- 
cença, assemelha r-se. —se, v r. ter pare- 
cença, semelhança, v. g. O menino parece- 
se com o pai nas feições, na falia, e no 
génio. — , (ant.), mostrar-se, ver-se. 



Dizem ser de Ceio e Vesta filha, 
O que no gesto bello se parece. 
CAMÕES, Lus., cant. III, 141. 



PARECER, 5. m. feições do rosto, talho do 
corpo, apparencia exterior, v. g. Homem, 
mulíier de bom — , hoje dizemos : hem pa- 
recido. — , (mais us.), voto, opinião, sen- 
timento. V. g. Sou do seu — . Cada um deu 
o seu — . Os — s estão conformes. 

PARECIDO, A, p. p. de parecer, adj. que 
pareceu, v, g. Pessoa bem ou mal — , de 
boas ou más feições, bonita ou feia. 

PAREDÃO, sm. augment. de parede, mu- 
ro grosso, forte. — , (íig.) — de nuvens, mon- 
tão espesso, espessura delias. 

PAREiK, s, f. (Lat. paries, tis, de pars, 
íWt parttj divisão, porqne serve de separar,) 
ijQuro de pedra, tijolo, de taipa, etc, que 
cer«a prédio, forma o recinto do edifício, ou 
separa os diveyfiííç repartimentos da casa. — 
♦ di 



mestra, a principal, a mais solida do edifieio. 
— meia, a que ó commura adois ediíicios 
contíguos. Morar — s meias, em casa conti- 
gua a outra. — em meio, e fig. Ser — .an- 
dar próximo, V. g. o exercício do laful an- 
da — em meia do furtar. Lufr. Fazer — , 
phraze escholaslica , ajustarem-se os estu- 
dantes para não entrarem na aoldaouvira 
lição ou para outro acto de insubordinação. 
As — s tem olhos e ouvidos, adagio com que 
se recommenda reserva nas acções e no fal- 
lar, para não ser visto nem ouvido por pes- 
soa indiscreta ou malévola. Pôr ou arrimar 
os pés á — , (fig.) porfiar, resistir com per- 
tinácia a acto ou raciociaio. 

PAREDEiRO, s. m. (ant.) V. Pardieiro. 

PAREDEfRO, A, adj. (aut.) de parede. Plan- 
ta ou herva — , parietaria. 

PAREDES, (geogr.) algumas povoações ha 
deste nome no reino, entre outras uma no 
concelho de Monção, a 8 léguas de Braga, 
com 600 habitantes ; 2.* — da Beira, villa 
vizinha de Trancoso, situada n'uma eminea-- 
cia, a 7 léguas de Lamego, 1,208 habitan*»! 
tes. 3.^ — Seccas, villa a 2 léguas de Braga 
248 habitantes. 4." — de Viadores, aldeia 
do concelho de Penafiel, 900 habitantes. Dis- 
ta 8 léguas a E. do Porto. 

PAREDES-DE-NAVA, (gcogr.) cidade de His- 
panha, a G léguas NO. de Palencia ; 5,500 
habitantes. 

pAREDiNíiA, s. f. díimimtí. de parede, pe- 
quena parede. 

PAREDRO, s. m. V. Director, Conselhei- 
ro, Assessor. 

PAREiA , s. f. (de par adj.) padrão pelo 
qual se regula a capacidade das pipas. 

PAREJA, (hist.) pintor hispanhol, nasceu 
em 1606, morrou em 1670, foi por muito 
tempo escravo do famozo Velasquez. O seu 
melhor quadro é a Vocação de S. Mat- 
theus. 

PARELHA , s. f. [par ; a des. de liar ou 
ligar.) um par, v. g. — de cavallos. — , o 
macho ou fêmea que forma um casal comJ 
outro animal de sexo differento; cousa que 5 
emparelha, tem grande semelhança com ou-»il; 
tra; igualdade. Boa — , duas pessoas on cou- " 
sas que condizem bem. Correr — s , correr 
páreo ; (fig.) ser igual ; competir , emular, 
comparar-se, v. g. os Alpes não podem cor- 
rer -^í cnmo os picos do Ilimalaya. A — ,•>! 
adv. igualmente, ao mesmo tempo, a umiJ 
tempo. Pôr á — , igualar. ;i) 

PARELHO, A, adj. (ant.) (do Fr. pareille, 
igual, semelhante) , igual, ex, « Falta-lhe 
esposa parelha na qualidade. « Ulis.«Par»ji 
levarem suavemente o jugo buscam-se bois 
— s, « iguaes, que emparelhem bem. Ber-r<;q 
nard. Floresta. 

PARÉno, s. w. (do .Gf. fará, junto, pro- 



w^; 



fAR 



PÁR 



m 



ximo, e hélioSt sol), imagem do solemnu' 
Yem, apparencia meteórica. 

PAREMAi , s. f. (p. us.) sentença vulgar, 
provérbio. 

PARENCHYMA, s. wi. (do Gr. pari pref., 
en, e khyo, derramar) (anat.) substancia 
cellular das vísceras ; (bot.) polpa medular 
das plantas tecido molle e esponjoso das 
folhas e hastes. 

parenese e pàRenesis, s. f. (do Gr. pa- 
raineô, advertir), discurso moral, eihorta- 
ção á virtude. 

PARKNETico, A, flá/., moral. v. g. Dis- 
curso — . 

PaRenquyma. V. Parenchyma. 

PARENTA, s. f. (de parente), mulher que 
tem parentesco com alguém. 

paRENTado, adj. V, Aparentado, 

PAREHTADO, s. m. V. Parentellaf Paren- 
tesco. 

PARENTALHA, s. f. V. Parentella. 

PARENTE, adj. dos g. (Lat. parens , tis, 
de pario, ire , parir, produzir, criar.) que 
tem parentesco com alguém. Os — s. 

PARENTEAR, V, a. OU n. [parente, ar, ÚBS. 
inf.) (p. us.) ter parentesco. 

PARENTEiRO, A, adj. (des. eiró.) (p. us.) 
amigo, favorecedor de parentes ; (fig.) par- 
cial, inclinado, v. g. — com a terra natal. 

PaRentella , s. f. (des. collectiva ella.) 
grande quantidade de parentes. 

PARENTESCO, s. w. (des. csco, que deno- 
ta possessão, do Gr. skhô, ter.) relação entre 
as pessoas que procedem dos mesmos pais, 
ou a que se contráe por casamento, compa- 
drado, etc. ; (fig.) affinidade, relação, con- 
nexào. 

PARSNTHES1S , s. t». OU f. (do Gr para , 
entre, e tihemi, pôr.) phraze interposta na 
oração ; oração incidente ; o signal ortho- 
graphico () em que de ordinário se inclue a 
dita phraze. 

PARENTis, (geogr.) cidade de França , a 
16 léguas NE. de Monte-de-Marsan; 1,500 
habitantes. 

PARENZo , (geogr.) cidade dos Estados 
Àustriacos, sobre o Adriático , a 17 léguas 
S. de Trieste ; 4,000 habitantes. 

PÁREO ou pÁRio, s. m. (Fr. pari, aposta, 
de par, ris, par, do jogo de par ou impar.) 
«posta, competição entre dois ou mais con- 
tendentes para ganhar o premio. — da cor- 
rida, sobre quem primeiro tocará a meta, a 
cavallo ou em carro. — naval, entre embar- 
cações que partem de um ponto ou mesmo 
tempo e forcejam por chegar primeiro a cer- 
to sitio á força de remos. Correr o - -, con- 
tender para ganhar o premio. Os antigos disse- 
ram correr o pallio,áo Castelhano pa/io, ban- 
deira, ou peça de seda que se dava por pre- 
mio ao vencedor na carreira. Bão é erro como 



insinua Moraes, mas é inteirameâte obsoleto. 

parergo, s. m. [Qt. paid,B\éta,éergòn, 
obra.) additamento exornativo de sentença. 

PARES, s. m. as pessoas de igual gradua- 
ção. Os — de França. — ou nones , (t. do 
jogo de dados) par ou impar. — , (mus.) os 
modos pares ou baixos chamados discípulos, 
e os altos ou mestres; os primeiros são 2, 4, 
6, 8, e os segundos 1, 3, 5, 7. V. Par. 

PARETACÉNB, (geogr.) vasta região do im- 
pério dos Persas, ao N. das montanhas da 
Persida, e ao SE. da Media, era um immenso 
deserto unido aos da Media e da Carmania. 

PAREUS, (hist.) philologo allemão, nasceu 
em 1576, morreu em 1648. Deixou excel- 
lentes trabalhos sobre Planto. 

PARFAiCT (Francisco e Cláudio) , (hist.) 
appellidados os Irmãos ; publicaram a His- 
toria do theatro francez. 

PARGA, s. f. (agric.) monte de palha e tri- 
go feito de modo a não deixar molhar o 
trigo quando chove. V. Pragana. 

PARGA, (geogr.) cidade da Turquia euro- 
pea, a 20 léguas SO. de Janina. defronte 
da ilha de Paxo ; 4,000 habitantes. 

PARGANA. V. Pragana. 

PARGO , s. m. (Lat. pargus ou phager.) 
peixe do mar semelhante á dourada, mas 
ruivo. 

PARI, (geogr.) rios de pouca importância 
na província de Mato Grosso, no Brazii. 

PARTA, s. m. (t. da Ásia) chamados tam- 
bém Chandalas, a casta intima dos índios 
desprcsada por todas as mais, e que se em- 
prega nas occupações reputadas baixas e vis. 
Formam uma classe á parte, universalmen- 
te desprezada, e é o refugo de todas as cas- 
tas. E' composta de todos os desgraçados, 
que violam as leis religiosas ou civis. Per- 
seguidos por todos os outros índios, os Pa- 
rias não podem habitar o interior das ci- 
dades 

PARIA, (geogr.) cidade da Bolivia, a 10 
léguas SO. de Oruro. Dá o seu nome ao 
lago de Paria, o qual communica com o 
lago Titicaca. 

PARIA (golpho de), (geogr.) golpho do mar 
das Antiliias , entre a costa NE. de Vene- 
zuela o ilha dt Trindade. 

PARIAS. V. Páreas, secundinas. E mais pró- 
prio, visto ser derivado doLat. pario, ire , 
parir. 

PARIAS. V. Páreas, tributo. 

O Elucidário diz que vem dePário, ant., 
pena pecuniária, mas não dá a etimologia 
deste termo. 

PARIDA, s. f. (de parir.) mulher que pa- 
riu recentemente. 

PARIDA (Serra da), (geogr.) serra que se 
dilata entre as províncias de Minas Qreraes e 
de Goytz. 

17 



pARiDABí, t f. (de par, igual, des. ida- 
de, do Lat. itas, tis ) semelhança, igualda- 
de ; grande semelhança ou analogia. 

PARIDEIRA, adj. f. (do Lat. paritura, des, 
f. do p. fut. de pario, ire, parir.) que está em 
idade de parir (mulher) ; que pare a mivdo 
(mulher ou fêmea de animal). Gallinha — , 
que põe muitos ovos. 

PARiDURA, s. f. V. Parto. 

PARIETAL, adj. dos 2 g. (Lat. parietalis^ 
de parieSj tis, a parede.) (anat ) dos lados 
do crânio. Ossos parietaes, ou subst. os pa- 
rieíaes, são os dois ossos que formam os la- 
dos do crânio. 

PARiETARiA, s. f. herva medicinal que nas- 
ce de ordinário sobre paredes, alfavaca de 
cobra. 

pARiFORME, adj dos 2g. {pari e forma.) 
semelhante na forma. 

PARiFORMEMEME , adv. {mente suff.) (p. 
us.) de modo pariforme, igualmente. 

parigne-l'eveque , (geogr.) cidade de 
França , a 4 léguas SE. de Mans ; 3,370 
habitantes. 

PARiLiDADE, s. f. V. Paridade, Confor- 
midade. 

PARiMAS (montes), (geogr.) em Venezuela, 
occupam toda a parte SO. da província de 
Orenoco. 

PARiNA, (geogr.) cabo do Peru, de que 
forma a ponta mais occidental. 

PARiNARi, (bot.) género de plantas da fa 
milia das Rosaeeas e da Dodecandria Mo- 
nogynia. 

PARiNí, (hist.) poeta italiano, nasceu 'em 
1729, morreu eni 1799. Deixou Odes e um 
poema muito estimado, que tem por titulo 
As quatro partes do dia na cidade. 

PARio, s. m. competição entre dois indi- 
vidues para ganhar o premio destinado ao 
vencedor. Cavallos de — , que partem juntos 
em corrida. V. Páreo, aposta. 

PARio, (ant.) O Elucidário explica o termo 
dizendo ser pena convencional dos contra- 
tos, que pagava quem os não cumpria da 
sua parte. Vem do Lat. pario, are, ajustar 
contas, cobrar o que se despendeu. 

PARiPE, (geogr.) povoação da província e 
do dístricto da Bahia, noBrazil. 

PARIR, V. a. (Lat. pario, ereon ire. Court 
de Gébelin dá este termo como radical, o que 
é inadmissível. Creio que vem de aperio, ire, 
abrir, ou do Egypc. ra, produzir ) expellir 
do útero a criança (a mulher), ou o filho ou fi- 
lhos (as fêmeas dos animaes), v. g. a mulher 
pariu um menino, ou — gémeos. A cadella 
pariu sete cachorrinhos. — , (fig.l produzir, 
causar. Neste sentido é hoje pouco usado. 
« Nobreza de sangue ás vezes causa e pare vil 
lania da alma. » « A variedade de comidas 
pariu a intemperança. » — , (fig. e jocoso) 



PAR 

lançar de si. Pariu a montanha um ratinho. 
« Levantou-se a coberta da náu encalhada, e 
pariu o batel. » Couto. ' — de alguém, de su- 
jeito que emprenhou a mulher. — pela ran- 
ga da camisa, (ant.) perfilhar , porque era 
uso vestir a mulher que perfilhava criança 
uma camisa larga por cima das roupas, e 
introduzida a criança por baixo da fralda, 
fazia-se sair por uma das mangas. 

Muitos dizem j^atraw, no prés. subj., em 
vez de param, para evitar o equivoco com o 
verbo parar ; mas deveria pela mesma razão 
dizer- se pairo. Todavia isto não evita o equi- 
voco com o verbo pairar. 

PARIS, (geogr.) Lutetia e Pansii em la- 
tim, capital da França, sobre o Sena, que 
a corta em duas partes desiguaes. a maior 
das quaes fica ao N. e forma três ilhas Cite, 
a ilha de S. Luiz, a ilha Louviers ; conta 
1,000,000 de habitantes. Paris é uma das 
mais btíilas capitães, possue numerosos mo- 
numentos, bibliothecas, sociedades, e uma 
universidade, lindos passeios, e muitns so- 
ciedades.— (condes de), (hist.) este titulo foi 
creado no VIU século por Carlos Magno. 
Hugo Capeto reuniu á coroa o ducado de 
França, e ao mesmo tempo o condado de 
Paris. 

PARIS, (myth.) chamado também Alexan- 
dre, filho de Priamo e de Hecuba, celebre 
pela sua belleza e cobardia , foi exposto , 
porque sua mãi tinha sonhado que daria á 
luz um facho, que reduziria a cinzas a Eu- 
ropa e a Ásia. Foi salvo pelos cuidados de 
Hecuba e passou os seus primeiros annos 
entre os pastores do monte Ida Escolhido 
por juiz entre Minerva, Juno e Vénus adju- 
dicou o pommo a esta ultima. Recolhendo 
ao palácio paterno, foi enviado á Grécia 
para trazer Hesione roubada por Hercules, 
mas elle roubou a bella Helena, esprsa de 
Menelao, rei de Sparta, que o tinha rece- 
bido na sua corte. Durante a guerra de 
Tróia, offereceu-se para combater com Me- 
nelao, mas fugiu diante deste heroe. Ma- 
tou Achilles á traição, e foi ferido mor- 
talmente por Pjrrho ou Philocteto ; foi soc- 
corrido nos seus últimos momentos pela 
pastora (Enona, á qual tinha traído e aban- 
donado. 

PARIS (^iatheus), (hist.) chronista inglez , 
nasceu no fim do XVI século, morreu em 
i259. Deixou uma Historia major Ang lia. 

PARiSATico, s. m. arvore chamada triste 
da índia porque de dia está encolhida , e 
tem as flores cerradas, e as abre de noite. 

PARISIENSE, adj. dos 2 g. natural de Pa- 
riz, capital da França. 

PARTS'ENSE, s. m. (Fr. ;?arms.) nome de 
uma moeda antiga de França. 

PARisii, (geogr.) pequeno povo da Lyo- 



PAR 

neza 4.*, nas margens do Seguana{Sens), 
tinha por capital Farisii ou Lutetia hoje 
Paris. 

PARisis, (geogr.) antigo paiz da França, 
na parte centrai da ilha de França, ao N. 
de Paris. A pequena cidade deLuucresera 
a sua capital. 

PARiz , s. f. (bot.) nome de uma planta 
venenosa. 

PARizELLA, s. f. (bot.) planta que dá flores 
azues e temifolhas largas, compridas e ner- 
vosas, com muitas hastes. 

PARKER, (hist.) arcebispo anglicano de 
Cantorbery, e um dos mais ardentes parti- 
dários da Reforma, nasceu em l50i, mor- 
reu em 1575, foi o protegido de Cranmer. 
Secundou a rainha Isabel em todos os seus 
projectos e tornou-se odioso não só aos 
catholicos, mas também aosrefoimados. 

PARKUisoNiA, (bot.) geuero de plantas da 
farailia das Leguminosas e da Decandria 
Monogynia. 

PARLAMENTEAR , V. tt. OU u. fFr. parla- 
menter, do mesmo radical que parlement.) 
conferir com delegado ou delegados do ini- 
migo sobre proposiçõt^s de capitulação, tro- 
ca de prisioneiros, suspensão de armas, etc; 
tratar de capitulação ; capitular. V. Parla- 
mento. 

PARLAMENTO, s. m. (Fp. parlement, da B. 
Lat. parlamenlum, de parábola , pratica , 
discurso.) tribunal supremo de justiça em 
França antes da revolução, que exercia al- 
gumas prerogaiivas soberanas, registando de- 
cretos do rei para novos impostos, ou op- 
pondo-se á sua promulgação ; algumas ve/es 
votava subsidios. Em Inglaterra são as^ duas 
camarás legislativas, a dos com muns electi- 
va, e a dos pares hereditária, e cujos novos 
membros são nomeados pelo rei. O mesmo 
nome se dá entre nós ás duas camarás, a 
dos Pares , e a dos Deputados. Convocar 
prorogar, adiar, dissolver o — . — , (p. us.) 
conferencia miUtar. « Chamou o exercito a 
— . » >.on. Lus. — , discurso, falia em jun- 
ta, concelho, assembléa, sobre negocio em 
discussão. 

PARLANDA , s. f. (de parlar, Fr. parler, 
fallar.) (fam.) discurso importuno, fallalorio 
com más razões para persuadir. 

PARLANFROis, s. IH. V. Palanfrorio. 

PARLATOBio, s. m. (dcs. dno, do Lat. OS, 
om, a boca.) grade de freiras com saleta ex- 
terior, locutório, onde as freiras recebem as 
visitas de pessoas que não sâo admittidas no 
interior do convento. 

PARLEiRO , Â , adj. E correcta orthogr , 
mas por uso geral. V. Palreiro. 

PAKLEZiA. V. Paralysia. 

PARMA, (geogr.) rio que passa em Par- 
ma e cae no Po em Bressello. 



PAR 



107 



PARMA, (geogr.) Parma em ita^no, Par- 
ma e JuHa Augusta em latim, cidade da 
Itália, capitai do ducado de Parma, Pla- 
sencia e duastalla, a z7 léguas SE. de Mi- 
lão ; 3»',? 00 habitantes. 

PARMA-PLASENCIA-E-GUASTALLA ( ducadO 

de), (geogr.) parte da antiga Gallía Cispa- 
dana e da Liguria, pequeno Estado da Itá- 
lia septentrional, entre o reino Lombardo- 
Veueziano ao N. o gran-duciido de Tosca- 
na ao S., o ducado de Modena a E. ; os 
Estados Sardos a O. ; 440, OOU habitantes. 
Capital Parma. Rios : o Parma e o Taro. 

Duques de Parma e Placencia. 



Pedro Luiz Farnése 


1545 


Octávio Farnese ... ,.. .. 


1547 


Alexandre Farnése 


1586 


Reinucce 1 Farnése 


159á 


Eduardo Farnese 


1622 


Reinucce 11 Farnese 


1646 


Francisco Farnese 


1694 


António Farnese 


1727 


D. Carlos de Bourbon, Carlos 


[ 17òl 


D. Ihilippe 


1748 


Fernando - .. 


li65 


Luiz 1, rei de Etruria. .. 


1802 


Luiz 11 


. 1803-1807 


Maria Luiza 


1815 


''arlos Luiz 


1847 


Carlos 111 


1849 



PARMA (D. Philippe , duque de), (hist.) 
quarto^ íilho de Philippe V rei de Hispanha, 
nasceu em 1V20, casou com Izabel de Fran- 
ça. O tractado d'Aix-la-thapelle deu-lhe 
os ducados de Parma, Placencia e Guas- 
talla. Morreu em 1765. 

PARMENiDES, (hist.) philosopho grego, ,da 
escola eleatico, nasceu no anno 535 antes 
de Jesu-thristo em Elea, foi discípulo de 
Xenophane. Deu sabias leis á sua pátria, 
iiorreu de avançada idade. Professava co- 
mo Xenophane a doctrina da unidade abso- 
luta, mas deu uma forma mais rigorosa a 
este systema. 

PABMENiÃo, (hist.) general de Philippe e 
d'i.leiandre, contribuiu para as victorias de 
oranico e de Isso, conquistou Damasco e 
á Syria, e fo'\ d'opiniào que Alexandre ac- 
ceilasse as propostas de Dário, que oífere- 
cia ao rei da Alacedonia a mão de sua fi- 
lha e a Ásia até ao Euphrates. Depois da 
batalha d'Arbelles, Parmenião foi nomeado 
governador da Media ; mas d'ahi a pouco , 
Alexandre cioso do seu poder condemnou-o 
á morte no anno 329 antes de Jesu-Christo. 

PARNAHiBA, (gcogr.) villa do Brazii, amais 
mercantil da província do i iauhi. Eslá situa- 
da a .0 léguas domar, na margem direita do 

27 * HláiOllAV 



PAR 

rio t*árnahíba acima do lugar onde pela mar- 
gem opposta deita este rio um braço appel- 
lidado Tutoya ; 10,000 habitantes. 

PARNAHIBA, (geogr.) rio do império do 
Brazil que nasce do vertente septentrional da 
serra da Tabatinga, na provincia de Goyéz ; 
e desapparece no Oceano. 

PARHAHiBA, (geogr.) pcqueno rio da pro- 
víncia de Mato-Grosso, no Brazil. 

PARNASO, (geogr.) Parnassus, hoje Lia- 
koura, monte da Phocida a 0. d'Heliconte, 
entre Amphisse e Trachina ; era muito al- 
to. A fabula faz deste monte a principal 
residência de Apollo e das Musas. 

PARNELL, (hist.) poeta inglez, nasceu em 
Dublin em 1679, morreu em 17 1 7. Foi 
amigo de Pope e d'outros grandes escri- 
ptores de Inglaterra. Deixou : O Eremita ; 
Conto das Fadas; Egloga sobre a saúde, 
etc. 

PARNY, (hist.) poeta erótico francez, nas- 
ceu em 1753 , morreu em 1814. As suas 
principaes obras são : Isnel e Aslega , os 
Scandinavos ; Goddam , Viagens de Celi- 
na, etc. 

PARÓ. V. Parao. 

PAROCHiA, s. f. fpron. parôha; Lat do 
Gr. para, junto, próximo, e oikos, casa, mo- 
rada.) igreja matriz em que ha parocho. 

PAROCHiAL , adj. dos 2 g. (des. ai.) de 
parochia. Igreja — ., 

PAROCHiANO, 8. w. [ch sÒA k), fregucz da 
parochia. 

PAROCHiAR, V. a. [parochia, at des. inf.) 
curar almas, dirigir como parocho. — , exer- 
cer o ministério de parocho, fazer de paro- 
cho. 

PAROCHO, 1. m. (pron. párroko ; Lat. pa- 
rochus. Pároco é mais correcto, e conforme 
ao rad. Gr.) o sacerdote, cura de almas de 
parochia ou freguezia. 

PAROCiSMO. V. Paroxysmo. 

PARODIA, s. f. (do Gr. para, próximo, e 
ódé, poema.) imitação burlesca de compo- 
sição seria, principalmente de drama. 

PAROL , s. w. (talvez de aparar.) coche 
grande de páu, cobre ou ferro coado onde 
se ajunta nos engenhos de assucar o sueco 
da cana ou caldo. 

PAROLA, s. f. (Fr. parole, palavra, do Lat. 
parábola, discurso ) palavrorio, loquacida- 
de ; copia de palavras para enganar alguém, 
distraindo-lhe a attenção do objecto que im- 
porta ter presente; lábia. Ter muita — . 

PAROLADOR. V. Parolciro. 

parolagem, 5. f. [parola, des, collecfíva 
agem.) muita parola. 

parolar ou PAROLEAR, t. Q. [parola, ar 
des. inf.) dizer muita parola ; usar de pa- 
iavrorios, tagarelar. 

PAROLEIRA, s, fk botija afunilada em que 



PAR 

se mettem azeitonas. — , «eirinha com figos 
seccos, passas de uvas. V. Peroleira. 

PAROLEIRO, A, adj. fallador, gárrulo, ta- 
garela. 

PAROLENTO, A, ãdj . V. Parolciro. 

PAROLiM , s. m. (Fr. paroli^ de parer , 
apontar, fazer parada.) (t. de jogo deparar) 
parada em que se deixa o dinheiro que se 
apontou e o do primeiro lance favorável , 
para que, saindo outra sorte igual, se tres- 
dobre o ganho. Faxer — , ganhar um — . 
— de campanha, que o ponto gatuno arma 
dobrando a orelha á carta, não tendo ga- 
nho o primeiro lance. Vulgarmente pronun- 
nuncia-se corruptamente pirolo. 

PAROPAMisAS (montanhas), (geogr.) cha- 
madas também pelos Gregos Cáucaso das 
índias, hoje Hindou-Khouch , cordilheira 
de montanhas, que dão o seu nome á re- 
gião precedente. 

PAROPAMiso , ( geogr.) hoje Kandahar , 
região da Ásia antiga , entro a Bractriana 
ao N., a índia a E; tinha altas montanhas 
chamadas Paropamisas. 

PARos, (geogr.) hoje Paro, ilha do Ar- 
chipelago, uma das Cyclades, entre Naxos 
e Delos, defronte de Oliaros. A sua princi- 
pal cidade também tinha o nome de Paros 
(hoje Parkia ou Parecchia). 

PAROS (mármores ou chroaicas de), (hist.) 
chamadas também mármores d'Axumdel ou 
d' Oxford , series de taboas chronologicas 
gravadas em mármore por ordem do go- 
verno. Achadas no principio do XVII sé- 
culo na ilha de Paros, vendidas em 1627 
ao conde d'Azundel, estes mármores foram 
depositados na bibliotheca de Oxford. Con- 
tinham um intervallo de 1319 annos. 

PAROTiDA, s. f. (pron. parótida; do Gr. 
para, junto, e oútos, gen. de oúas, a ore- 
lha.) (anat.) glândula situada detrás e um 
pouco abaixo da orelha. — , tumor dessa 
glândula inflammada. 

PAROU VELLA, s. f. (corrupto de />arco, cs- 
tupido.) parvoíce, tolice. 

PAROXYSMO, s. m. (Lat. paroxysmus, do 
Gr. para , alem , muito , e oxys , agudo.) 
(med,) crescimento, exacerbação de doença, 
V. g. os — s das febres intermittentes, da ma- 
nia. Os últimos — s da cída, os symptomas 
que precedem a morte. Deve pronunciar-se 
paroccismo, e não parocismo, como diz Mo- 
raes. 

PÁRPADOS, *. m. V. Pálpebras, 

PARPATANA. V. Barbatana. 

PARQUE, s. m. (Fr. pare. É termo com- 
mam a quasi todas as linguas da Europa. 
Vem do Lat. parcere, abrigar, pôr em se- 
gurança ; B. Lat. parcus.) Antigamente era 
área destinada ao combate, a justas, e de- 
pois significou lugar para guardar gado. Ho« 



PAP 



PAP 



ftO0 



je significa terra de mate ou bosque tapado 
para guardar caça, tapada. — de artilha- 
ria campo murado onde se guardam os ca- 
nhões e as carreias. — , a artilharia de um 
exercito. 

PARR (Catharina) , (hist.) sexta esposa de 
Henrique VIII, era viuva do barão Latimer, 
quando casou com orei em 1543; 34 dias 
depois da morle de Henrique tornou a casar 
com Thomaz de Seymour. Muilo zelosa lu- 
therana, correu grande risco de perder -à 
vida, com um monarchf que não admitlia 
theologia orthodoxa senão a sua. Ella mor- 
reu em 1548. 

PARR (Thomaz) , (hist.) do condado de 
Shrop, ó um dos mais celebres macrobios 
conhecidos. Casou com 12C annos de idade, 
e morreu em 1634, com 15 á .-nnos. 

PARRA, s. f. (talvez do Gr. habdos, sar- 
mento.) a vide ; as folhas da videira. 

PARRADO , A , adj. e p. p. de parrar-se, 
disposto em latadas como as vides ; com ra- 
ma baixa e dilatada como a vinha. « Arvore- 
do parrado á maneira das balsas. » Barros. 

PARRAFO. V. ParagraphQ. 

PARRAMATA OU ROSE-HILL, (geOgr.) cidadc 

da Nova Hollanda, na Kova Galles do Sul ; 
a 6 léguas ONO. de Sydnoy ; 4,000 habi- 
tantes. 

PARRAS, (geogr.) cidade do México a 76 
léguas S. de Moncloxa ; 7,000 habitan- 
tes. 

PARRAR-SE, c. r. [parra, ardes, inf.) lan- 
çar ramos, sarmentos bastos e rasteiros. 

PARREIRA, s. f. [parra, des. eira.) ramo 
da vide que dá folhas e fructos ; cepa, vide 
levantada em latada, — , symbolicamente, 
esperança perdida. Camões, Kleg. 7. — bra- 
va, bútua. 

PARREIRAL, s. m. (dcs. collcct. ttí) Carrei- 
ra de parreira em latada. 

PARREO. V. Páreo. 

PARRHASio, (hist.) celebre pintor grego, 
que vivia 420 annos antes de Jesu-Chrislo, 
compoz um quadro allegorico representan- 
do o Povo de Athenas e um Meleagro e 
Atalante. 

PARRHASIO (Aulo Jano), (hist.) cujo ver- 
dadeiro nome é João Parisio, philologo 
italiano, nasceu em 1470, morreu em 1533 ; 
ensinou bellas-letlras em Milão , Roma e 
Vicence, fundou a academia Cosentina. Dei- 
xou notas sobre Planto, Cicero e Cláudio e 
uma dissertação curiosa De septenario die- 
rum numero. 

PARRICIDA, s. dos 2 </. [Laí. par icida, de 
pater, pai, e ccedére, matar) matador do pró- 
prio pai ou da mãi. — , adj. dos 2 g. que 
matou o próprio pai ou mãi. Mão — . 

PARRiciDAL, adj. dos'ig. (des. adj. ai) re- 
lativo ao parricidio. 

70L. IT. 



PARRICIDIO, *. m. [l&t. par icidiumy cacto 
de matar o próprio pai ou a mãi ; (fig.) mor- 
te dada a pessoa que merece a veneração de 
pai. 

PARRiLHA, g. f. panno de Saragoça gros- 
seiro. 

PARRiLHA, adj. f. Salsa. V. Salsaparri' 
lha. 

PARROcn A. V. Parochia. 

PARRUDO, A, adj. (des. udo) baixo, rastei- 
ro cemo as parras. Homem — , baixo e gros- 
so. 

PARSEO, s. m. originário da Pérsia. Os — s, 
homens originários da Pérsia, e que habitam 
a índia Pron. pdrsco. 

PARSDORF, (geogr.) villa da Baviera, a 3 
léguas de Ebersberg. 

PARSEYAL-GRANDMAisoN, (hist ) pocla fran- 
cez. nasceu em 175U, morreu em 1834. A 
sua melhor obra é um poema intitulado 
Philippe- Augusto. 

PARSiMONiA. V. Parcimonia. 

PARSOLETA, *. f. uome de um jogo anti- 
go- 

PARTANNA, (geogr.) cidads da Sicilia, a 3 
léguas KE. de Castello-Vetrano ; 9,770 ha- 
bitantes. 

PARTASANA, *. f. (Fr. pertuisanc, do Lat. 
pertusus, p. p. áepertundo, ere, furar.) hal- 
labarda antiga muito aguda e larga. 

PARTE, s. /". (Lat. pars, íi.ç, àQpartio,ire, 
partir, separar) porção de um todo separa- 
da d'elle, ou considerada como podendo des- 
tacar-se, v. g. — do horizonte, — do dia, 
da noite, — da vida ; de uma quantia ; por- 
ção, numero, v.g. parte da tropa, da arma- 
da. — , divisão da terra, d. ^f. as quatro par- 
tes do mundo. — , quinhão. A sua — das 
presas. — , divisão de obra litteraria. — , 
lado, banda, v.g. d'esta — do rio. — , par- 
tido. Ter da sua — , por si. Ser da — dê 
alguém, favorece-lo, prestar-lhe ajuda, au- 
xilio. Por — da mãi descende dos Medicis. 
— de drama, papel que faz o actor. — , 
participação. Dar — , (milit.) communica- 
ção oíiicial. Ser — para algum fim, con- 
correr. — , mandado, v. g. da — d'El-Rei ; 
trouxe-me um recado da — do ministro — , 
(for.) litigante, v. g. à — adversa. Ser — 
no processo, autor ou autora. A má — , em 
sentido máo. Tomar ou lançar á má — , 
em sentido desfavorável. De — o — , a tra- 
véz, V. g. furou-o de — a — . De — , ou á 
— , fallando a alguém sem que os circums- 
tantes o possam ouvir. — s, pi. divisões, por- 
ções, secções, v g. as — s do corpo; — pu- 
dendas. — $, prendas, dotes do espirito edo 
corpo, V. g. homem de boas — s. — , ban- 
do, parcialidade, facção, partido. Sustentar 
as — s a alguém. Faser as — s de alguém, 
apadrinhar. — , fazer as vezes, o officio. Va- 



tío 



ptK 



mos por — *, consideremos a matéria por ar- 
tigos, analysemos. 
Ij PARTECiPADOR. V. Participadov. 
V? PARTECiPAR. V. Participar, etc. 
^PARTEIRA, s. f. [parto, des. eira) mulher 
que assiste ao parto, queparteja. 

PARTEIRO, s.m. {parto, des. eiró] cirur- 
gião ou medico que assiste no parto as mu- 
lheres, queparteja. 

i^PARTEjADA, ttdj. f. assistida no parto por 
parteira ou parteiro. 

PARTEJADO, A, p.p. de partejar ; adj. Ti- 
nha — a mulher com grande pericia. 

PARTEJAR, V. a [parto, des. ejar) ajudar 
a parir, facilitar o parto, v. g. partejei-a do 
seu primeiro filho. 

PARTELEiRA. V. Prateleira. 

PARTESANA. V. Partasaua. 

PARTEZiNHA, s, f. diminut. de parte. 

PARTHENAY, (geogr.) cidade de França a 
12 léguas NE. de INiort; 4,228 habitantes. 

PARTHENAY, (hist.) iUustre casa de Fran- 
ça, oriunda, segundo se julga, da de Lu- 
signan, antes do anno lOOO. 

PARTHENio, (bot.) geuero de plantas da 
familia da Synanthereas e da Syngenesia 
necessária. 

PARTHENios, (hist.) eram assim chamados 
os Lacedemonios nascidos, durante a pri- 
meira guerra de Messenia, do commercio 
illegitimo das mulheras de Sparta [parlhe- 
nos) com os mancebos, que tinham saido 
do campo para substituírem a ausência dos 
maridos e obstarem a que o Estado soíTres- 
se por falta de cidadãos. Despresados pelos 
seus compatriotas , os Messenios conspira- 
ram com os Ilhotas , foram descobertos e 
obrigados a sair de Sparta. Foram estabe- 
lecer-se na costa oriental de Itália , onde 
edificaram Tarento. 

PARTHENIOS, (hist.)poeta grego deNicea, 
foi levado escravo a lioma no anno 65 an- 
tes de Jesu-Christo , e pelos seus talentos 
obteve a liberdade. Só nos resta delle um 
pequeno escripto em prosa De amatoribus 
affeclione liher. 

PARTHENON, (hist ) Celebre templo d'Athe- 
nas, dedicado a Minerva [Parthenos , vir- 
gem) era situado no mesmo rochedo que a 
cidadella. Destruído pelos Persas foi reedi- 
ficado por Péricles. 

PARTHENOPE, (myth.) sereia que se na- 
morou de Uljsses. Despresada por este prín- 
cipe lançou-se ao mar no sitio, em que foi 
construída Nápoles, que na sua origem te- 
ve o nome de Parthenope. 
'. PARTHENOPEO, (myth ) Parí/^eno/JCMí, filho 
de Meleagro e de Atalante, tomou parte na 
primeira guerra de Thebas, e foi um dos 
sete chefes, que morreram diante desta ci- 



PáR 

PARTHENOPEONNA (rcpublíca), (geog.) no- 
me dado ao reino de Nápoles, durante o 
curto espaço, que* decorreu desde a entra- 
da de Championnet em Nápoles, a 23 de 
fevereiro de 1799, até á tomada desta ca- 
pital pelo cardeal Ruífo, a 15 de maio do 
mesmo anno. 

PARTHIA ou PARTHIENA , (íjeOgr.) hoje O 

E. d'Irak-Adjemi e o O. do Khoraçan, re- 
gião da Ásia antiga, entre a Hircanía ao 
N., a Carmania deserta ao S. a Ásia a E. 
a Media a O., tinha por cidade principal 
Hecatompilos. Era um paiz selvagem, e ári- 
do ; os seus habitantes bellos cavalleiros , 
bravos e grosseiros. 

PARTHOS (império dos), (geogr.) vasto im- 
perioj da Alta-Asia, fundado no anno 2t>5 
antes de Jpsu-Christo pelo partho Asace á 
custa do império dos Seleucidas, ao prin- 
cipio só conr.preendeu a íarthiena, mas de- 
pois abrangeu toda a Alta-Asia, a E. do 
Euphrates. e a O. do império de Bactria- 
na. O governo de Parthos era monarchico, 
mas feudal. A seguinte é a lista dos reis 
Parthos, chamíQos Arsacides : 

Arsace [antes de Jesu-Christo).. 255 

Tiridoto ou Arsace H 274 

Artaban I ou Arsace II 216 

I hriapacio 196 

Phraato 1 182oul78 

Mithridates 1 164 

Phraato II 139 

Artaban II 127 

Mithridates I! 124 

Mnaskirés 90 

Sinatrokés 77 

Phraato III 70 

Mithridates IH 61 

Orodes 1 57 

Phraate IV 37 

Phraatace [depois de Jesu-Christo) 4 ou 9 

Orodes II 14 

Vonones I '. l5 

Artaban 111 18 

Tiridate 36 

Artaban [restabelecido .' b6 

Vardane 44 

Gotarse 47 

Vanones 11 50 

Vologeso I ... 60 

Pacorus I ... 90 

Chosroes ou Khosrou 107 

I arthamaspato 116 

ChosToes [restabelecido) 117 ■ 

Vologeso II 121 

Vologeso III ... 150 

Ardawan 192 

Pacoro II 207 

Vologeso IV ... 209 

4rUt)da IV ,. ... iíQ-m 



PAR 



PAR 



ili 



PARTIÇÃO, 5. f. (arith.) divisão, repartição, 
partilha. Partições, pi. porções deterra se- 
paradas por vallados, nos, ribeiros, estei- 
ros. — , (ant.) convenação, convivência, v. 
g. partiçon honesta. Ord. Affons. 

PARTiciMEiRO, A, adj . (ant.) V. Pariici^ 
pante. 

PARTICIPAÇÃO, s. /. o acto de participar ; 
communicação, conversação. 

PARTICIPADO, A, p.p. de participar ", adj. 
que se participou ; communicado ; que teve 
parte em alguma cousa. 

PARTiciPADOH, s m. que participa, tem 
parte, participante. 

pARTiciPAL ou PARTiciPiAL, adj. dos 2 g . 
(gram.) derivado de parlicipio.iVome — . Par- 
ticipai ómais correcto. 

Participante, adj. es. dos 2 g. (des. do 
p. a Lai. em ans, tis) que tem parte em algu- 
ma cousa, qi^e participa. Excommunhão de 
— , que se comraunicci a quem trata com ex- 
commungado. Estão de — s , (loc. famil.) não 
se conversão, não se tratam, esião mal. — , 
emaisus , estar distrahido. — , s. (forens.) 
corréo. 

PARTICIPAR, V. a. (Lat. participo, are, de 
pars, tis, parte, e capio, ere, tomar) dar 
parte, noticia, communicar; ter parte em al- 
guma cousa, V. g. não participo dos seus 
convites, divertimentos. — , (ant.) ter com- 
municação com alguém ; — cora elles. 

PARTíCiPAVEL, adj dos 2 5^ (des. ttíje/j que 
se pode participar, communicar. 

PARTICIPE, adj. (pron. participe : Lat. par- 
ticeps] (desji^s.) V. Participante, Compli- 
ce. 

PARTicipio, s.m. (Lat. par ticipium) {gram. ) 
vocábulo que participa da natureza do verbo 
de que é uma modificação, e ao mesmo tem- 
po do adjectivo. — do presente ou activo, an- 
tigamente usava-se como em Latim regendo 
nomes, v. g. perlas imitantes (que imitam) 
a côr da Aurora. Pão roborante o coração 
quorobora. Hoje são meros adjectivos, equa- 
si sem excepção não tem caracter de yerbo. 
j' ^lenle a Deus, que teme Deus: é um dos 
pv. icos exemplos em que se conserva o cara- 
cter do participio presente ou activo latino. 
— passivo ou peteriío, exprime acção sof- 
frida ou passada, v. g. foi mordido por um 
cão, — ferido por arma cortante Muitos 
d'estes participios são verdadeiros supinos, 
activos ou absolutos, v.g. ocão tinhamor- 
dido a criança. O toureador tinha já feri- 
do o touro. Sido, chovido, vivido, são su- 
pinos absolutos. A parte mordida, ferida; 
o homem morto ; a mulher parida ; o ins- 
trumento tocado ; são adjectivos. V. Supi- 
no. Adjectivo. 

Antigamente também usávamos da des. 
oítq ou ouro, do participio do futuro em 



urus, v.g. doestadoiro. Ainda conservainos 
duradouro, vividouro. 

Moraes inclue nos participios os gerúndios 
em do, como podendo, querendo, o que ó 
inadmissível. 

PARTiçoM. V. Partição, Partilha. 

partícula, s. f. (pron. partícula : Lat. 
dim. de pars, a parte) porção ténue, dimi- 
nuta ; hóstia pequena que, consagrada, se 
dá a coramungar. Uma — de alguma cousa, 
(p. us.) artigo, capitulo. — s da oração. Os 
grammaticos dão este nome ás preposições, 
conjuncções, advérbios, e interjeições, por 
serem muitos d'estes vocábulos curtos. A 
denominação é imprópria e inexacta. Estes 
termos, que Horne Tooke chama azas da dic- 
ção, são palavras contractas, verbos, nomes, 
eafé phrases ellipticas, v g. eia, ora sus', 
oxalá, até, porém, logo, aqui, àlli, fora, 
etc. V. nos seus lu8:ares os artigos Preposi- 
ção, Adverbio, Conjuncçào, Interjeição. 

particular, adj dos2g. (Lat. particula- 
ri<i, de pars, tis, parte) próprio, peculiar 6^ 
cousa ou pessoa ; singular, especifico, v.g. 
medicamento. — , privado, não publico. Em 
— , sem que outros presenceiem. — , com 
especialidade, v.g. recommendo-te o estudo 
daslinguas, e em — do Grego. Negócios par- 
ticulares, não públicos. ^, substantivado, 
pessoa não publica. Um — . Os particula- 
res. — , particularidade. Neste — , neste ne- 
gocio. No seu — , no interior de sua casa. 

particularidade, s. f. (des. ida,de] cir- 
cumstancias características ou miúdas. — ò 
que é secreto e não se communica a estra^ 
nhos. — , trato familiar. 

PARTICULARISSIMAMENTE. adv. $Uperl- .(fe 

particularmente. 

PARTICULARÍSSIMO. A, adj.supcrl. de par- 
ticular, muito i. articular. Favor — . Auxí- 
lios — s, mui singulares. 

PARTicuLARjzADO, A, p.p. de particulari- 
zar ; adj. referido por miúdo, de que sef^ 
parti(!uíar menção ou apreço. 

PARTICULARIZAR, V. a. {particular, de|. 
Gr. Lat. izar, pór, collocar) referir joaiuM- 
raente, distinguir cada cousa de per si, indi- 
car, apontar com individuação, v.g. — Vs 
circumslancias do caso ; — os pontos em di^ 
cussão; — os serviços da pessoa. — se, v. f. 
distinguir-se; singularizar-se. — , (p. us.) 
familiasar-se. 

PARTICULARMENTE, adv. (wi«w íc suíT. ) em 
particular, em segredo ; com parti cularidãT- 
de ou individuação ; com especialidade; 
principalmente ; como pessoa particular. 

PARTIDA, s. f. (subst. da des- f. ôeparíi^, 
p.p. de partir, V. abs., sahir de uni íiigãf.) 
o acto de partir. Estar de — , jpro^iõ^o a par- 
tir. Dia da — ^. 

PARTIPA, *. f. [à^^ P^^Mr^^m^Úm" 



tú 



f\h 



PAR 



ção, numero de jogos ou de pontos que con- 
stituem o total de cada páreo, v,g, áorob- 
ber de whist. Joguei uma ou duas — s de, 
bilhar, de gamão. — , sortimento. — de coi- 
ros, bretanhas, remettida, vendida ou com- 
prada. — , parcella em contas mercantis. 
Escripturação em — s dobradas, (phr.) mer- 
cantil. — , divisão de tropas, troço, v.g. — * 
avançadas. — , região. Correr as sete — s, 
(loc. famil.) viajar muito, correr o mundo. 
— . (naut.) rumo ; pi. rumos da agulha de 
de marear. Meia — , vento que sopra de 
um ponto que medeia entre dois rumos. As 
leis das sete — *, código publicado porEl- 
Rei D. AíFonso o Sábio de Castella em sete 
' volumes, traduzido em Portuguez por or- 
dem de El-Rei D. Diniz. 

PARTIDAMENTE, adv. mente suíT.} separa- 
damente. 

PARTIDÁRIO, s. m. {partida, des. ário) 
(ant.) chefe do partido ou troço de tropas, 
destacado 4e exercito ; (Og.) valentão, chefe 
de valentões. 

Hoje usa-se geralmente no sentido de se- 
quaz, que segue o partido de alguém, v. g, 
é — de Inglaterra. 

PARTIDO, *. m. (Fr. parti), parcialidade, 
partes, bandos, facção, %>. g. O — inglez, 
f rancei, o — do pretendente. — , (fig.) meio, 
• expediente. Tomou o — de evitar o com- 
bate. Hão ha outro — a tomar. — , con- 
dição , estipulação t. g. Entregar-se a — 
capitular com certas condições. « Deram a 
cidade a ■— das vidas e fazendas. » Com- 
metter — , oíferecer, propor meios, condi- 
ções : commetter — á guarnição da praça 
situada. Estar de melhor — , em melhor 
condição. Tirar — , aproveitar-se, — , (ant.) 
pôr por condição. Ter ou não ter — com 
alguém, poder ou não poder competir em 
destreza, no jogo, na esgrima, em combate, 
em discussão. Dar — ao parceiro, conceder- 
Ihe condição vantajosa, para compensar a 
nossa superior pericia. — , (fig.) lei, natu- 
reza, aquillo que coube em sorte a alguém, 
condição da existência ex. « Minguar e cres- 
cer (a lua) é seu partido. » Camões, eleg. — , 
ajuste, condições remunerativas de algum 
servifo. Servira — , por premio, paga. Me- 
dico de — , aquém seda uma remuneração 
annual para tratar os doentes de alguma fa- 
mília, communidade, villa. etc. Assentar o 
— , no jogo ajustar as condições. Mulher de 
— , meretriz. Tomar — , resolver-se : tomar 
— por alguém, declarar-se a favor d'elle. — , 
districto. O — do Minho. Meste sentido vem 
do verbo Partir, dividir. 

PARTIDO, A, p. p. de partir, (repartir, di- 
vidir) adj. repartido, dividido, separado, cor- 
' tado. V. g. A herança — eitre os filhos. O 
escudo ^10 meio, (t. do bras.j, dividido de 



alto a baixo em duas partes iguaes. Conse- 
lho — em pareceres, divididos os vogaes. A 
braço — , combatendo de perto um contra 
o outro. V. Arca partida. Justa — , (ant.), 
em que entravam menos justadores que na 
justa real. Tinha lhe — a cabeça com uma 
cutilada ; aberto, fendido. 

PARTIDO, supino de partir, (sair de um 
lugar), que partio, se ausentou. Quando che- 
guei ao porto tinha já — o navio. Se tivésse- 
mos — mais cedo teríamos chegado a tompo 
de embarcar. 

NB. Não se deve confundir com o prece- 
dente. Partir, v. a. e Partir, v. n. posto 
que derivados do mesmo radical pars, tis, 
tem accepções distinctas e diíTerentes. 

PARTíDOR, s. m. o que parte, reparte, di- 
vide ; o que faz partilha da herançi, o que 
separa, aparta, ex. «A noite foi o — desta fú- 
ria (da peleja).» Barros, l — , (arith.) V. Di- 
visor. — de lenha, rachador, o que racha, 
fende lenha. 

PARTiDOURAS, s. f. as pcunas de falcão, 
e outras aves, que lhes nascem nas juntas das 
azas da banda de dentro. 

PARTiJA, s. f. (ant.) multidão. 

PARTILHA, s. f. {parte, áes. ilha, doLat. 
alius. outro), divisão de bens, de herança 
ou de lucros, ganhos, sorte, porção, qui- 
nhão que cabe a cada um dos interessados 
ou contendentes. d. g. Não ficou de peior 
— . ex, « As aves carniceiras brigam sobre 
a — da carne dos cadáveres.» Segundo Cerco 
do Diu. Carta , folha ou formal de — , 
auto, escriptura em que se especificam os 
bens das heranças, os quinhões dos herdei- 
ros ou parceiros. 

PARTiMENTO, s. t». V. Partiçâo. 

pARTiR, tj. a. (Lat. partio, ire, áepars, 
tis, parte, [quasi in partes agere], dividir 
em partes, fazer em pedaços, rachar, fen- 
der, V. g. — o pão, o queijo, a lança, o 
madeiro. — nozes, avelans, abrir-lhe a cas- 
ca, racha-la — os mares, (p. us.) sulcar. — , 
sulcar. — ; dividir, repartir (numero, quan- 
tidade) ; — , partilhar, v. g. Os povoí^ do 
norte partiram a Europa entre si, — a <iif- 
fereiíça, tomar um termo médio entre o preço 
pedido e o offerecido, cedendo cada um dos 
contractantes das suaspretenções. — , apar- 
tar, separar, v. g. — a briga, a contenda, 
os combatentes, — , (ant.) — alguém de si. 
despedi-lo, afasta-lo. — o marido da mu- 
lher, separa-los. — o sol, (ant.) era assigna- 
lar campo aos combatentes de modo que o 
sol não desse no rosto a nenhum delles. — 
SE, V. r. dividir-se, f>. g. partiram-se os 
votos. Partir, em sentido abs. ou n, con- 
finar. V. g. A. minha quinta parte pelo no r- 
te com a tapada real. — , v. n. ou — se, 
como diziam os antigos, sair de um lugar, 



PAR 



PAS 



ín 



afastar-se, ausentar-se. i?. ^r. Par íio o exer- 
cito, a esquadra. Partir-se, diz-se das pes- 
soas ; o pronome denota energia pessoal, 
acto voluntário. 



Partimo-nos assi do sancto templo. 
Parte-se costa abaixo (o Gama)... 
Camões, Luslad. 



O gosto vai-se logo, o mal tarde se parte. 
— do amigo, da amiga, apartar-se ; — da 
demanda, desistir delia ; — do acções más, 
refrear-se absler-se. 

PARTITURA, s. f. (italiano) as divcrsas par- 
tes de que se compõe um concerto, sympho- 
nia, opera ou outra composição de musica, 
V. g. a — da missa de defuntos deJomelli 
ou Mozart, os cadernos de cada instrumento 
e voz. 

PARTiVEL, adj. dos 2 g. (des. tvel), que 
se pôde partir, divisível, v. g. herdade — ; 
bens — s. 

PARTO, s. m. (Lat. partus, do p. p. de 
pario, parir), acto de parir, de expulsar do 
útero o feto, a criança. Estar de — , diz-se 
da mulher que pario ha pouco, e está de 
regimento. Morrer de — , no acto de pa- 
rir ou das suas consequências immediatas. 
— , o feto recem-nascido, — , os lochios. 
Corre bem o — . Suspendeu-se o — , cessou 
a evacuação dos lochios. V. Lochio. — sup- 
posto, prenhez fingida, simulada. — , (fig.) 
producção, obra, v. g. — feliz do entendi- 
mento, — do seu engenho. — da montanha, 
resultado nullo ou insignificante de empre- 
za annunciada com grande ostentação. 

PARTURIENTE, adj. dos ^ g .) (Lat. par- 
turiens, p. a. de parturio, ire, parir.), 
que está no acto de parir. Mulher — . Es- 
tado — , de mulher ou de fêmea de animal 
que está no acto de parir. A montanha — , 
titulo bem conhecido do apologo de Phedro 
e Esopo. 

PARU, s. m. (t. brasil.) certo peixe de 
gosto especial. 

PARU (Serra do), (geogr.) serra altíssima 
da província do Pará, na Guiana brazileíra ; 
estende-se parallelamente, e a pequena dis- 
tancia, com a margem esquerda do rio das 
Amazonas, entre a villa do Outeiro e o rio 
Paru. 

PARU, (geogr.) rio da Guiana brazileira ; 
nasce na serra da Velha, e dirigindo-se4)ara 
o sul. 

PARULiDA, s. f. (pron. parúlida ; Lat. 
parulis, do Gr. para, junto, próximo, e 
oulon, gengiva), (med ) tumor inflammato- 
rio das gengivas, que as vezes suppura. 

PARURO, (geogr.) cidade do Peru, a 6 lé- 
guas SO. de Cuzco ; 20,000 habitantes. 

PARUTA , (hist.) historiador venezian • , 

VOL. lY. 



nasceu em 1540 , morreu em 1 508 , foi 
procurador de S. Marcos. Entre outros es- 
criptos deixou uma Historia de Veneza , 
dividida em duas partes. 

PARVA, s. f. (subst. de parva, f. de par- 
vus, Lat., pequeno), comida leve, como a 
consoada em dia de jejum. 

pARVALHÃo, s. m. ou adj. augment. de 
parvo, estúpido, v. g. Fulano é um — , 
mentecapto. 

PARVO, A, adj. (Lat. parous, pequeno. 
Court de GébeUn o deriva dorad. depver, 
menino, paucus, pouco, etc. ; mas o radi- 
cal não é Latino nem Grego, mas sim o 
Egypc. pire, a porção, fracção de um nu- 
mero inteiro, do verbo rash, dividir), pe- 
queno, (p. us.) — , (fig eus.) quetem pou- 
co juizo, estúpido. Conclusões — s, (ant.) pe- 
quenas, em opposição a magnas. Os anti- 
gos faziam a des. f. em oa^ v. g. « algu- 
ma parvoa tenção. » gCamões, Filodemo. 

PARVOALHo, A, adj. estupido, muito par- 
vo, pateta. Farvoeirão e parvalhão sao mais 
usados. 

PARVOAMENTE, V. Tolamente. 

PARVOEiRÃo, adj. m. parvoeirona, s. f. 
augment. à%^^vso, estupido, estólido, mui- 
to parvo, paleta. Também se usa subst. E' 
um — . 

parvoejar, V. n. [parvo, des. ejar, lan- 
çar), dizer parvoíces ; fazer parvoíces, dis- 
parates. 

PARVoíçADA, s. f. {parvotce, des. ada), 
acção, dito de parvo. 

PARVOÍCE, s. f. [parvo, des. ice), tolice, 
acção, ou dito de parvo. 

PARVOíNHO, A, adj. dim,iuut. de parvo, to- 
linho, tontinho. 

PARVULEZ , s. f. (p. us.) V. PucriHda' 
de. 

PÁRVULO, s. m. [LSii. parvulus áim.) me- 
nino, criança. Os — s, osmiseros, mesqui- 
nhos, o povo humilde. 

PARYNAGOR, (geogr.) cidade do Indostão, 
no principado de Sindhi, a 51 léguas SE. 
de Haideradab. 

PARYSATis, (hist.) esposa de Dário II, fa- 
voreceu a revolta de seu filho Cyro-o-Joven 
contra Artaxerxes Mnemon , irmão deste 
príncipe ; depois da batalha de Cunaxa en- 
venenou a rainha Statira e fez morrer mi- 
leravelmente os inimigos de Cyro. 

PAS, (geogr.) villa de França, a 3 léguas 
E. de Doulens ; 1,000 habitantes. 

pAS-DE-CALAis, (geogr.) estreito, que une 
a Mancha ao mar do Norte e separa a Fran- 
ça da Inglaterra. Os Latinos chamavam -lhe 
Fretum Gallicum. 

pas-de-calais, (geogr.) districto maríti- 
mo H.i França, sobre a Mancha, o Pas-de- 
( alais e o mar do Norte, entre os districtos 
29 



k- 



114 



HB 



fàS 



do Norte a WE ; de Somme ao SO ; 664,650 
habitantes. Capital Arras. 

PASARGADE OU PASAGARDE , (gfiOgr.) FeStt 

ou Pasa, cidade da Ásia antiga, uma "das 
residências dos antigos reis da Pérsia, nos 
confins da Carmania. 

PASCOAL ou PASCHOAL I (S ), (hist.) PaS - 

chalius em latim, papa, de 817 a 824, nas- 
ceu em Roma, tinha sido director do mos- 
teiro de Santo Estevão, recebeu de Luiz-o- 
Clemeníe a Córsega e a Sardenha, coroou 
Lothario imperador em 823. E' commemo- 
rado a 17 de maio. 

PASCOAL II, (hist.) foi eleito papa em 101)9 ; 
teve que combater dous anti-papas e mor- 
reu em ill8. 

PASCOAL III, (hist.) anti-papa, era cardeal 
quando o papa Adriano IV o encarregou de 
uma negociação com o imperador Frederi- 
co Barbaroxa ; deixou-se seduzir por este 
principe e por el!e foi nomeado papa em 
opposição a Alexandre iil em 1164. Mor- 
reu miseravelmente seis annos depois. 

PASCOAL, (hist ) celebre escriptoregeome- 
tra francez, nasceu em 16i3, morreu era 
l(J6i. Tinha 16 annos quando compoz um 
tractado de secções únicas. Deixou muitas 
obras , entre ellas Cartas ProrAnciaes e 
Pensamentos, obra, que não pôde concluir 
e na qual se propunha reunir todas as pro- 
vas da religião. 

PASCACios, s.m.pl. (nome próprio) Liw- 
gua dos — , fphr. joc.) lingua peJaníesca, 
por ser alatinada com affectaçào. 

pascar, V. a. (ant.) V. Pastar. 

PASCER, V. a. (I.at. pmco, e.re, do (?r. 
pdo), comer, pastar, x).g. — aherva, a rel- 
va, os renovos, ex. « Pascia o cervo um 
bom prado.» Sá Miranda. — ,{fig.) nutrir, 
cevar, v. g. — esperanças. — , v.n. apas- 
centar, andar pastando, ex. «(J eniipal que 
— do ar » (o cameleão como o vulgo crê), 
se nutre. Vieira. 

PASCHius, (higt.) raoralisía e theologo ale- 
mão, nasceu ei» íMi , ajorreu em 1707. 
Deixou: Tractatus de novisinventis, quo- 
rum accuraliori cuhui facem prcetulit an- 
tiquilas, etc. 

PASCHOA, s. f. (orth.) mais correcta, mas 
por uso. V. Páscoa. 

PASCiíGO, s. m. (qie pascer), lugar, cam- 
po onde pasce o gado ; v. g. Bons ~s pa- 
ra ovelhas. 

PASCiGOSo, A, adj. (p. us ) que dá pasto 
para os gados. Terras, campos —s. 

PÁSCOA, s. f. (pron. páscoa, corrupção 
Lat. eijr. pascha, do llebr. pessah, ou pes- 
sah, do Chald, phase, que significa passa- 
gem, isto ó, a do sol no equinoxio), festa 
judaica correspondente. á primeira, em me- 
qaoria, di^em os rabbinos, da passagem do 



mar Vermelho, eda do anjo exterminador 
quando, na noite que precedeu a s«hida dos 
judeos para o deserto, matou os filhos mais 
velhos dos Egypcios. Esta explicação mysti- 
ca é pura invenção sacerdotal. Ha toda a ra- 
zão de crer que esta solemnidade foi intro- 
duzida mui tarde entre oshebreos e imita- 
da das nações que festejavam o sol equi- 
noxial da primavera, debaixo do seu emble- 
ma zodiacal de Aries, o cordeiro ou carnei- 
ro. Com eíTeito não consta que Samuel, Saul, 
Salomão nem David celebrassem a Páscoa, 
e no livro iV dos reis, cap. 24, v. 21, 22, 
23... se lê: t Celebrai a Páscoa em honra 
« do Senhor vosso Deus, de modo que es- 
« tá escripto neste livro do concerto. Por- 
« que desde o tempo dos Juizes, que julgá- 
« ram Israel, e desde todo o tempo dos reis 
« d' Israel, e dos reis de Jadd, nunca a PaS" 
« coa foi celebrada como esta que se fez em 
« honra do Senhor em Jerusalém, no anno 
« decimo oitavo do rei Josias : » e v. 13 : 
« Ide e consultai o Senhor acerca de mim 
« (Josias) sobre as palavras deste livro que 
« se achou : porque a ira do Senhor se ac- 
« cendeu grandemente contra nós, porque 
« nossos pais não ouviam as palavras e nãq 
:< fizeram o que nos fora prescripto ; istQ 
« é, entre outros preceitos, o da celebra- 
ção da Páscoa. K posto que nos Paralipo- 
menos, liv. U. se diga que Ezechias cele- 
brara a Páscoa, isto ó contradito formal- 
mente nos cap. 34 e 35, v. 13: «Nãohou" 
« ve Páscoa semelhante a esta em Israel des- 
« de o tempo do prophetq, Samuel, e den- 
« tre todos o$ reis de Israel não houve ne- 
« uhiim que fizesse Páscoa como a que fez 
fJosiff^. » Jra,d^cç^o de Pereira de Figuei- 
redo. O que prova contra a celebração an- 
terior sob Ezechias, p ter sido achado o jLjr 
yro da Lei escripto do mão de Uoysés, pe^ 
lo pontifice ijelkiah no reiftadq de Josias, 
e a grande surpreza que causou a este ^ 
leitura das p^^sôge^s ^Q dito Jivro em que 
se prescreve a celebração da Páscoa. Mas s§ 
esta Cesta (oi instituída por Moysés, como ó 
possivel que fiem Saloqaão neRQ Davi4 a tjr 
vessem celebrado I — , cordeiro pascoal. Cor 
mer a — . — , entre os .christãos, é festa conjr 
meajoraíiya fia resurr/sição dp Jesijs-Cliris- 
to, denominado o cordeiro de Deus ; éíesif 
movei, e corresponde aoprioaeiro domingo 
depoJLS díilua cheia de Mãfço queíica ifid^ 
próximo do equinoxio verbal fixado aos 2^ 
deste mei : pode variar entre 22 dç Jdar- 
ço e 25 de Abril. Domingo de — , pu df 
Ress^irreição, o que se segue ao de Uamoç 
— do Espirito-Santo, pentecostes. — das 
Flores ou Pascoela, q domwigo q^^e se se- 
gue ao da Páscoa. Santas — s ! espécie de 
Volerjeição (amiliajr; e<}uiy«le a mo estou 



PAS 



PAS 



ill 



por isso, ou pouco importa, pouco se me 
dá d'isso. 

PASCOAL , adj. dos 2 g. da Páscoa. O 
cordeiro — . Cirio — , brandão de cera que 
se acende em Sabbadosantooude AUeluia, 
em cerlos oíiicios divinos. 

PASCOAR, V. a. [páscoa, ar des. inf.) ce- 
lebrar a Páscoa. 

PASCOELA, s. f. dimimit. de Páscoa. jDo- 
mingo da — , o que se se segue ao da Pás- 
coa. 

PASEWALK , (geogr.) cidade dos Estados 
prussianas, a 7 léguas S. d'Uckermunde ; 
4,900 habitantes 

PASiMAN, (geogr.) pequena ilha dos Es- 
tados Austriacos, no Adriático. 
" pAsiPHAÉ , (rayth.) filha de ApoUo e da 
nympha Perseide, foi mulher de Minos, de 
quem teve um filho, Androgéo, e duas fi- 
lhas, Ariadna e Phédra. Segundo a fabula 
teve coramercio monstruoso cora um touro, 
e do qual nasceu Minotauro. 

PASiTANO , (geogr.) cidade do reino de 
Nápoles, a 7 léguas SO. de Salerno ; 4,000 
habitantes. 

PASiTÉLE, (hist.) esculptor grego, que se 
estabeleceu em Roma no anno 169 antes de 
Jesu-Christo, morreu no circo despedaçado 
por uma panthera , no momento, em que 
modelava ura leão. 

PASiTHEA, (mylh ) filha de Júpiter ed'Eu- 
rynorae, era a primeira das Graças. Este no- 
me também é dado a Cybele considerada 
como a mãi dos deuses. 

PASMADO, A, p. p. de pasmar ; ad/. cheio 
de pasmo, admirado, maravilhado, assom- 
brado, espantado. — , tolhido, desfallecido, 
V. g. olhar — . Ficar — . 

PASMADOS, (geogr.) antiga aldeia da pro- 
vinda de PernamlDuco, 2 léguas ao N. da vil- 
la de Higuaraçú, sobre a estrada de Goyan- 
na, 1,000 habitantes. 

PASMAR , V. a. (do Fr. ant. pasmer, ou 
pausmer, hoje se pâmer, deriv. do Lat., e 
Gr. spasmus, espasmo.) ficar attonito, estu- 
pefacto , desfallecido, sem sentidos ; (fig.) 
admirar-se, maravilhar-se, espantar-se, so- 
bresaltar se. — com prazer. « Que não lhe 
pasmassem os braços. » ficassem tolhidos. 
Vieira. «A nau pasmará em meio dás on- 
das, » ficará parada Bernard. Florest. 

PASMAR, V. a. causar pasmo, espanto, 
admiração. Os restos da architectura egy- 
peia pasmam todos os viajantes. A audácia 
dos facciosos pasmou a todos 

PASMATORIA , S. /". e PASMATORIO, S. M. 

[pasmo , des. alatinada em vez de pasma- 
do, e ório.) (farail.) estado de pessoa pas- 
mada, embasbacada. 

PASMO, s. w. (contracção de espasmo.) es- 
tado de pessoa altoaita, estupefacta; grande 



admiração, espanto ; (fig ) cousa que espan- 
ta, assombra, prodígio, maravilha. 

PAsaosvMKNTE, adv. [mente suff.) de ma- 
neira pasmosa, assombrosa, espantosamen- 
te ; admiravelmente, maravilhosamente. 

PASMoso. A, adj. (des. oso.) que causa pas- 
mo, assombroso, prodigioso, estupendo, «, 
g. — edificio, arrojo, atrevimento. 

paspalo, (bot.) género de plantas da fa- 
railia das Graraineas e da Triandria l)ygi- 
nia. 

PASQUiER , (hist.) jurisconsulto francez, 
nasceu em 1529, morreu em 1615. As suas 
principaes obras são Observações sobre a 
França : Conferencias dos Príncipes. 

PASQUIM, s. m. (do ital. paschino) sa- 
tyra, epigramma satyrico pregado em lugar 
publico. 

PASQUINADA, s. f. pasquim, OU pasquins, 
pi. 

PASQUINO, (hist.) fragraíinto deuraa stalua 
antiga de gladiador, que ainda hoje se vê 
em Roma ao canto do p.dacio dos Orsini ; o 
povo escolheu-o para nelle prega** todos os 
epigrammas e pamphletos, que dirige con- 
tra o governo papal; estes escriptos cha- 
raara-se Pasquins. 

PASSA, s. f. (do Lat. wm pa^sa, uva sus- 
pendida ao sol para secoar.) fructo seccado 
ao sol. — de uvas, figos, peras, ameixas, etc. 
No pi. entende-se de ordinário por pass IS de 
uvas. 

PASSACULPAS, s. w. juiz, OU confessor in- 
dulgente, que desculpa as faltas, e absolve 
facilmente quem as commette. 

PASSADA , s. f. um passo. Dar uma — . 
— , passagem, acto de passar de um lugar 
para outro. Dar — , deixar passar, escapar, 
fugir, dar licença ; dar meios de escapar, 
fugir. Fazer — o pellouro, penetrar, entrar. 
— s, passos, diligencias. O negocio custou- 
me muitas — s. Dar — em vão, passos, di- 
ligencias inúteis, baldadas. De — , loc. adv. 
de passagem, sem se demorar muito. 

PASSADEIRA, s. f. (dcs. eifa.) alpondra, 
pedra atravessada sobre ribeiro, charco, etc, 
para dar passagem á gente. — , coador, co- 
vo de cobre com cabo longo de páu, para 
coar ou passar o mollado nos engenhos de 
assucar. — de banco, (artilh.) peças de páu 
em que os artilheiros marcam o diâmetro 
das bombas. 

PASSA-LEZ, s. m. jogo de parar, que se 
joga com três dados. 

PASSADIÇO , s. m. (des. iço. que indica 
acção repetida, habitual.) corredor que dá 
passagem e serventia de um edifício a outro 
que está no lado opposto da rua. — , adj. 
mexeriqueiro, que vai contar quanto ouve 
em confidencia ; emissário do inimigo que 
vem commuQicar novas falsas. 



116 



PAS 



PÁS 



PASSADIÇO, adj. V. Transitório. 
PASSADO , A , jo. p. de passar ; adj. que 
passou, pretérito, v. g. o tempo, o anno, o 
mez — . — , s. o — , tempo revoluto , suc- 
cessos acontecidos. — , varado, atravessado, 
V, g. — com espada, lança ; fig. — de me- 
do, de terror. — , levado, transportado. Ho- 
mem — , (p, us.) matreiro, esperto. — , sec- 
cado ao sol, v. g. fruta, uvas, ameixas— s. 
— , tocado de podridão. Madeira — , aguada. 
PASSADOR, 5. TO. O quo passa ou faz pas- 
sar, que leva, transporta. — de gado,q\ie o 
faz passar a outro reino, que o leva para fo- 
ra do reino. — de moeda falsa , que a põe 
em circulação. — de fazendas prohibidas , 
contrabandista. — de fazenda por a/ío, des- 
encaminhador. — de letra, (merc.) sacador, 
o que dá ordem de pagar o importe da le- 
tra a outrem ou á ordem deste. — , setta 
mui forte. — , o copete de espora mouris- 
ca por onde passam os talões. — de oiro ou 
pedraria, jóia da forma de setta, que se 
crava nas tranças do cabello, ou argola oval 
e achatada em que se prendem as tranças do 
cabello. — da silha, espécie de argola de so- 
la por onde se enfia e prende a ponta que se 
afivela na silha. 

PASSADOR, A , adj. que passa , traspassa 
rompendo, \irote — . A seita — . 
PASSAES, s. m. V. Paçal. 
PASSAGEIRO, A, s. TO. viaudauto , pessoa 
que passa pela estrada ou pela rua ; o que 
vai embarcado sem pertencer á tripolação 
do navio.—, que passa rapidamente, tran- 
sitório. Mal — . — , por onde passa muita 
gente, v. g. lugar, sitio — . _, de passagem. 
Aves — s, de arribação. — , leve, que merece 
desculpa, indulgência. Erros, culpas— s. 

PASSAGEM , s. f. (des. agem.) acto de ir 
embarcado ou de fazer caminho de um lu- 
gar para outro ; viagem por mar. Tivemos 
boa-^; — breve , prospera. Impedir a — , 
atalhar o passo. Impedir a — do rtt), o atra- 
vessa-lo. Dar—, receber alguém a bordo de 
navio para o transportar. — pelas suas ter- 
ras, conceder licença de as atravessar Bar- 
co ou barca de ouda—, que transporta gen- 
te e bestas de uma banda do rio á outra De 
— , loc. adv. sem se demorar, levemente , 
sem muita attenção. — de autor, passo, lu- 
gar que se cita ou se analysa. — , na musi- 
ca, mutança, o passar para outra consonân- 
cia. — , preço de viagem em embarcação , 
ou de atravessar em barco, barca. — , (ant.) 
pensão que pagavam os foreiros e emphiteu- 
tas do Minho quando o rei ou o príncipe 
herdeiro passava o Bouro, yl santa—, (ant.) 
a crusada para recobrar os lugares santos de 
Jerusalém. — , (fig.) desculpas. Dar— a taes 
despropósitos, a erros, culpas^ não reparar 
nelles, descupa-los. 



PASSAGEM, (geogr.) cidade e porto de His- 
paiiha, a 2 léguas NE. de S. Sebastião ; 1 ,250 
habitantes. 

PASSAGEM FRANCA, (gcogr.) uova villa da 
província de Maranhão, no Brazil, na co- 
marca de Pastos Bons. 

PASSAIS, (geogr.) cidade de França, e 3 
léguas SO. de Domfront ; 2,350 habitantes. 

PASSAL, s.m. (ant.) passo, medida agra- 
ria de varias grandezas. Passaes das igre- 
jas. V. Paçaes. 

PASSAMANARiA, s f. (dcs. ãriã) fabrica de 
passamanes. 

pASSAMANEiRO, s. w. (dcs. eiro) fabrican- 
te depas.amanes. 

PASSAMANES, s. TO pi. (do Fr. passcments.) 
fitas ou cordões de fio de prata, ouro ou se- 
da. É tecido mais fino que o galão. 

PASSAMENTE, adv.{&nX.) em voz baixa, de 
vagar. 

PASSAMENTO, s. TO. [mento suff.) acto de 
expirar. Estar em — , na hora da morte, 
nos últimos transes da vida. — , (ant.) de- 
mora, detença. 

PASSAMUROS, s. TO. [passa, traspassa, e 
muros) canhão reforçado antigo 

PASSANTE, adj.dos2g. (des. do p. a. Lat. 
em ans, tis.) (bras.) em postura de passar. 
Animal — . — , adj. ous. m, que excede, 
V. g. — de vinte moios de trigo. — , s. m. 
o religioso que, depois de ter frequentado as 
aulas de philosophia ou theologia, ia argu-» 
mentar ás sabbatinas e outros exercícios es- 
cholasticos. 

PASSAPASSA, s. m. (V. passepasse) peloli- 
cas. Jogar o — . UHsip. 

PASSAPÉ, s. m. {passa, e pé) cambapé; 
ou passapiê (do Fr. passepied) espécie de dan- 
sa oumenuete. 

PASSAPELLE. V. Pospello. 

PASSAPELLO, s.m. [áo ¥r. passepoU) gu&T- 
nição de pelles que passa um pouco da orla 
das roupas; vivos de farda militar. 

PASSAPORTE, s.m. {Pv. passcpovt) \ieTmis- 
são por escripto dada em nome do governo 
para viajar, transitar dentro do paiz ou para 
sahir d'elle ; (fig.) e á má parte, faculdade 
de fazer acção má impunemente, v g. oca- 
racler de ministro de estado é de ordinário 
— para commetter desaforos. 

PASSAR, V a. {passo, ardes, inf ) transi- 
tar, ir de um lugar para outro, atravessar, 
V. g. — o rio, a ponte, os montes. — , ir 
além, deixar atras, v g. — a meta, a fron- 
teira; exceder, v. g. — a alguém em altura. 
O bom discípulo passa o mestre. — o fio 
pela agulha, enfiar. — o corpo com espa- 
da, lança, traspassar, atravessar. Passou a 
guarnição á espada, matou. — , dar passa- 
gem, fazer entrar ou sahir, levar para lugar 
opposto, V. g. — alguém aos hombros pelo 



PAS 



PAS 



tlTt 



vao, por entre a labareda ; — mercadorias 
para fora do paiz ou para dentro ; — por alto. 

— moeda falsa, dâ-la em pagamento, fazê- 
la correr. — , expedir, lavrar, publicar, v. 
g. — decreto, ordem, mandado de prisão, 
de penhora, certidão. — , dar reciprocamen- 
te , V. g. — prendas , entre noivos. — 
em conífl, (merc.) abonar parcella. — lição, 
marcar a que o discípulo deverá estudar. — 
pelos olhos, ver, olhar rapidamente. — um 
licro, corrê-lo. — em claro, não attender, 
omittir, não fazer menção, v.g. na historia 
de Portugal passou em claro o tempo dos Phi- 
lippes. — por alto, não fazer menção, não 
fazer caso. v. g. — as objecções do critico. 

— pelo pensamento, occorrer, v, g. passou- 
me essa ideia pelo pensamento. — , descul- 
par, tratar com indulgência ; — as culpas. 
— , ceder, transmittir, v. g. — a herança, 
a divida, o direito a alguém. — cartas (no 
jogo) ceder ao parceiro o direito de as tomar 
da baralha. — o tempo, distrahir-se Passei 
as festas no campo, residi lá durante as fes- 
tas. Passámos bom tempo, dias alegres, dis- 
fructámos. — a vida no ócio, viver ocioso. 

— á acção, executar o que estava no pen- 
samento ou em projecto. — as costuras, (al- 
faiate) assenta -las passando um ferro quen- 
te por cima. — , soffrer, v. g. — trabalhos, 
fomes, sede, miséria, perseguições. — , sec- 
car ao sol (uvas, figos, ameixas, etc). — , 
coar, (o liquido, a dissolução, o cozimento). 
— , V. n. transitar, ir de um lugar para ou- 
tro, V. g. passei á outra banda do rio ; — 
de Inglaterra a ou para França. As aves de 
arribação passam para a Europa na prima- 
vera. O sol passa para o hemispherio boreal. 

— para o inimigo, desertar. — de um as- 
sumpto para outro. — adiante, progredir. 
— , escapar, fugir, v.g. o tempo passa ra- 
pidamente. — bem, ter, gozar de saúde — 
mal, estar adoentado. Ter com que — , de 
que subsistir. — , cessar, deixar de existir, 
D. g. — a dôr, a paixão. Isso passou de mo- 
da. Passou o império romano. — , aconte- 
cer, V. g. o caso que ou como passou. Dir- 
te-hei o que passou entre os dois sujeitos. 
« Os amores de ígnez que ali passara » goza- 
ra , tivera. Camões. — por alguma cou- 
sa, não a fazer omittir, não fazer menção 
d'ella. — por culpas, faltas, desculpa-las, 
trata-las com indulgência. — , exceder, v. 
g. — da marca. Passou de três mil o nume- 
ro dos inimigos mortos. — , correr, v.g. as 
patacas hespanholas passam por 860 réis. 
— , escapar, v. g. — da memoria ; — o tem- 
po, a occasião de fazer alguma cousa, per- 
der-se. — , no jogo, não fazer jogo. — a 
mais, segunda vez. — por, ser tido, repu- 
tado, V. g. — por sábio, virtuoso, santo. — 

a seTf tornar-se, vir a ser, v. g. de moçof 
TM. if . 



passamos a velhos. — por alguém^ não olhar 
para a pessoa encontrando-a. — pelas mãos 
de alguém, ter conhecimento perfeito de al- 
gum negocio, V. g. o dinheiro passou por 
minhas mãos. — por, ter experimentado, 
v.g. isso passou por mim. — , sertransmit- 
tido, v.g. — a herança, o titulo a outrem. 
— em julgado, (phr. for.) ter pleno eíTeito 
a sentença, visto não ter sido embargada, ap- 
pellada ouaggravada em tempo útil. — pela 
chancellaria, ser registado nella. — poralto^ 
ser introduzido em fraude. Passe muito òew», 
(phras, famil.) com que nos despedimos de 
alguém, desejando-lhe saúde. Passa fora, 
interjeição vulgar de indignação, usada de 
ordinário enxotando cães, ou fallando a es- 
cravos e gente baixa e vil. — , (ant.) morrer, 
expirar. — se, v. r. mudar de residência, 
partir, v.g. — a Inglaterra. — ao inimigo, 
desertar. A dôr, a gota passou-se ou passou 
dope para o joelho. — se, desmaiar; estar 
expirando. — se, acontecer, v. g. ninguém 
sabe o que se passou naquella conferencia. 
— se, seccar-se, v. g — a uva, os figos. — se, 
decorrer, v. g. passou-se muito tempo an- 
tes de se dar no roubo. 

PASSARA, s. f. (de pássaro) a fêmea do pás- 
saro, e particularmente a perdiz. — , termo 
obsceno chulo. 

PASSAREiRO, s m. (dcs. eiró) caçador de 
pássaros ou perdizes. 

PASSARINHA, s. f. ; — do porco, o baço. 
Tremer a — , (loc. chula) ter grande medo. 
Tremeu-me a — , tive grande medo. Fazer 
tremer a — , meter grande medo, assus- 
tar. 

PASSARINHAR, V n. caçar pássaros. 

PASSARiNHEiRO, s. m. (dcs. círo) caçador 
de pássaros Cavallo — , espantadiço, como 
o são os pássaros. 

PASSARINHO, s. m. diminut. de pássaro, 
are pequena. 

PÁSSARO, s. m. (do Lat. passer, pardal.) o 
macho das aves, e nome genérico de ave. 

PÁSSARO (cabo), (geogr.) Pachynum pro- 
montorium, ponta SE da Sicilia. 

PASSAROLA, s. f. augmcnt. de pássaro, 
pássaro mui grande, ou imitação d'elle. 

PÁSSAROS (ilha dos), (geogr.) ilha do rio 
Tacoari, entre a povoação de Pouzo- Alegre 
da província de Mato-Grosso, e o confluente 
do sobredito rio com o Paraguai. 

PASSAROUANG, (gcogr.) grande cidade da 
ilha de Java, a 75 léguas SE. de Batavia, ca- 
pital de uma província do mesmo nome si- 
tuada a SE. da província de Sourabaya, a E. 
da de Basaki. 

PASSAROViTZ , (geogr.) cidade da Servia, 
perto do Morava, a 6 légua E. de Semen- 
dria. 

PASSATEMPO, s. m. {vãssa o tempo) entre- 



ÍÍ8 



PAS 



PAS 



tenimento agradável, recreação deshones- 

ta. 

PASSAU, (geogr.) Palavia em lalim mo- 
derno, Batava casíra dos antigos, cidade da 
Baviera, sobre o Danúbio ; 9,000 habitatiles. 

PASSAU (bispado de), (hisl.) Kstado do Im- 
pério, no circulo de Baviera, entre a Baviera, 
a Bohemiae Áustria. 

PASSA VANTE, 5. w. (cm Fr, passavant, era 
grito, brado de guerra dado pelos arautos. 
u nosso termo é propriamente o poursuivant 
d' armes ^ official subordinado aos arautos ou 
reis d'armas) (ant.) espécie de arauto que tra- 
zia o brasão no peito esquerdo, ao contrario 
dos arautos que o trazião no direito. Hoje 
apontão as linhagens e dão cartas ordinárias 
de armas e brasões. 

PASSAVOLANTE, s. m. {áo ¥c. passe-volaut, 
homem não alistado, que figura em mostras 
de regimento como soldado eífectivo) peça 
de páo pintada imitando canhão de bronze; 
peça de artilharia de calibre mui pequeno. 

PASSE, s. m. (subst. doimperat. &q passar) 
despacho que habilita o estudante a passar a 
outra aula por estar approvado ; despacho 
de juiz ou de ministro, mandando lavrar ou 
passar certidão, carta ou patente. Dar um 
— , passar alguma cousa, dissimular. 

PASSEADO, A, p p. de passear ; adj. que 
passeou, que se fez passear, ?;. ^. ocavallo 
ardente, depois de — , pode montar-se ; por 
onde se passeia, v. g. rua, praça — dos ja- 
notas; por diante de quem se passeia, vi.g. 
dama — dos galantes, que a requestam pas- 
sando-lhe por diante dasjanellas. 

PASSEADOR, A, s. ptíssoa quc passcia mui- 
to, qne dá grandes passeios. 

PASSEÁDOURO, '5. m. (des. ouro) lugar por 
onde se passeia ; passeio. 

PASSEANTE, s. dos 2 g. que passa o tem- 
po a passear, arruador. 

PASSEAR, V. n. {passo, ardes, inf.) andar 
a passo, de vagar, por exercido, divertimen- 
to ou vadiação; (íig.) — em sege, a cavai- 
lo. — a nau, fazer bordos, bordejar. — a 
uma dama, requesta-la, namora-la passan- 
do-lhe p@r diante dasjanellas. — , (tig.) va- 
gar hvremente, v, g. — o pensamento. — , 
V. a. percorrer de passeio, v. g. — as ruas 
da cidade. — o cavallo, faze-lo andara passo 
ou de vagar para exercício, ou para lhe di- 
minuir o fogo. Sair a — as ruas, diz-se 
do comdemnado a levar açoutes do verdugo 
peias ruas da cidade, ou a ouvir o pregão 
da culpa e pena. —se, v. r. (p. us.) pas- 
sear ; ser passeado. 

PASSEIO, s. m. o acto de passear ; o lugar 
onde se passeia. — publico, jardim, ala- 
meda onde o publico passeia., — , (fig.) andar 
compassado, grave, garbo. E ant. neste sen- 



PASSEiRO, A, fflrf;. que anda a passo, vaga- 
roso, tardador, que não se apressa. Papel 
— . V. P assento. 

PASSEivÃo, s. m. {ãepaço, ou talvez voz 
Asiat.) (ant ) Vem em F. !Vtendes Pinto : ex. 
«fui ao — das casas d'El-Rei. » Parece si- 
gnificar páteo. 

PASSENTO, adj. Papel — , poroso, em que 
a tinta alastra, mal collado. 

PASSEO. V. Passeio. 

PASSEPASSE, s. m. Jogo de — , peloticas; 
(fig.) alternativas. «Jogo de — da fortuna 
c'os estados humanos. » Eufr. 

PASSERiANO, (geogr.) cidade do reino Lom- 
bardo-Veneziano ; a 2 léguas i\E. de Campo 
Formio ; 3,000 habitantes. 

PASSERONi, (hist.) poeta italiano, nasceu 
em 171/-Í, morreu era i802. As suas poesias 
são no género satyrico, principalmente o seu 
Cicerone. 

PASSiFLORA, (bot ) typo de uma familia dis- 
tincta de plantas , cujos caracteres são os 
seguintes: cálice arceolado na suabase, com 
cinco divisões muito pr- 'fundas e iguaes, co- 
rolla composta de cinco pétalas alternas ; os 
estames e o pistilo são unidos a um eixo cen- 
tral, estes estames são em numero de cinco. 

passignano, (hist.) pintor italiano, nasceu 
em 1560, morreu em 1(>88, foi discípulo de 
iNaldini ; distinguiu-se pela sua rara facili- 
dade. O seu Martyrio de Sancta Reparata 
foi feito em oito dias ; S. João Gualberto em 
18 horas e de noute. 

PASSiGO, s. m. V. Passagem ou Passa^ 
diço. 

PASSiONAL, s. m. (Lat. passio, onis, pai- 
xão.) livro em que aniigamente se escreviam 
as lendas dos martyres ; martyrologio. 

PASSioNARio, s. m. (des. ário.) livro que 
contêm os quatro evangelhos da Paixão de 
Christo, que se cantam pela Semana Santa. 

PASSiR, (geogr.) cidade da ilha de Borneo, 
capital do reino de l'assir. Este reir.o fica en- 
tre os de Banjermassing e de Cotti-Lama. _ 

PASSIVAMENTE, adv. [mente sufi.) de mo- 
do passivo. Participio tomado — , v. g. foi 
mordido por um animal. Oppõe-se ao acti- 
vo ao supino : o cão tinha mordido o rapaz. 
Soffrer, sup[iorlar — , sem resistir nem quei- 
xar-se . 

PASSÍVEL, adj. dos íi g. (des. ivel.) su- 
jeito a paixões, a soffrer. 

PASSIVO, A, adj. (; at. passivus.) sujeito 
a paixões, sujeito a pidecer. Voz—, o direi- 
to de ser eleito, e não o de eleger. Aposen- 
tadoria — , privilegio de conservar a casa 
que se occupa. ISão ter voz activa timi — cm 
algum negocio, não influir nello. Verbo— on 
— do verbo activo, que exprime acção soffri- 
da, padecida por pessoa, animal ou cousa ; 
forma-se do participio passivo com o ver- 



PÀd 



pâs 



Hf 



bo ser, v. g. ser amado, ferido, levado, ou 
com o verbo activo e o pronome se, quando a 
acção se não refere a individuo determinado, 
V. g. lavra-se a ttrra, tece-se o linho, (|ue 
equivalem a : a terra ó lavrada ; o linho é 
tecido. Farlicipio — , é todo o participio que 
exprime acção pretérita que pôde referir-se 
a individuo ou objecto modihcado por ella 
ou paciente, v. g. ferido, levado, conjuga- 
dos com o verbos ser, estar, ficar e outros re- 
flexos, V. g. sentir-se, ferido, levado. 

PASSO , s. m. (Lat. passus, de pandor , 
abrír-se, alargar-se.) espaço abrangido entre 
um e outro pé no acto de andar, caminhar, 
movimento de homem ou animal que anda. 
V. g. deu dois — s. Fez um — atrás Dar — s, 
(fig.) fazer diligencia;}. Dar um — , fazer 
uma acção Seguir os — s de alguém, (lig.) 
imitar, seguir o exemplo. Tomar o — , ir 
diante, tomar a dianteira, guiir os outros, 
ser o primeiro. Andar igual — , (fig.) se- 
guir os mesmos termos. Andar uma cousa 
ao — de outra, acompanha-la, correr pare- 
lhas. Ao — que elle avançava, ao tempo, em 
quanto, á medida. — , andadura que ?e en- 
sina ás bestas. Ter bom — ; — largo, cheio, 
apressado. — , medida de dois pés e meio. — 
geométrico, de cinco pés. — a — ou — e — , 
compassadamente, de vagar. Andar — , pau- 
sadamente. Contar seus — , (fig.) ponderar, 
ir com tento no que se obra. — , aberta . 
lugar estreito que dá passagem (na terra ou 
em rio , porto ou no mar). O — das Ther- 
mopylas. Guardar o — , atalhar o passo. 
Dar — a alguém, passagem. Cartas de — s, 
(ant.) passaporte. — da voz ou da gargan- 
ta, trinado. — , successos, v. g. os — s da 
Paixão de Christo, os tormentos que pade- 
ceu, e fig oratório onde elles são represen- 
tados. — , lugar, passagem de um livro, au- 
tor. Tocar de — em alguma matéria, de pas- 
sagem, levemente. Dar — a alguma cousa, 
dissimular, tolerar, deixar passar sem oppo- 
sição. O — das ates, passagem das de arri- 
bação. — , paciência, pachorra. Lerara/^w- 
ma cousa a — , com prudência, paciência, 
sem se alterar. «Perder o — , » Vieira, a 
prudência, o bom governo, a boa direcção 
do negocio. «Aqui perdeu o ^ toda a sua 
sabedoria. » Arraes. O extremo — , a morte. 
— , adverbialmente, ou mui — , devagar , 
pausadamente, sem ruido. Dizer, fallar ~, 
em voz baixa. Passo ! interjeição, diz-se a 
quem falia em voz mui alta, equivale a fal- 
lai baixo. — de parafuso, o vão entre as ros- 
cas ou espiras 

PASSO DO LUMIAR, (geogr.) antiga villada 
ilha do Maranhão, 3 léguas ao oriente da ci- 
dade de hão Luiz. 

PASSoziNHO, adv. de vagarinho, de man- 
sinho. Fatiai — . 



PASSWAN-OGLou , (hist.) cclebrè rebelde 
turco, nasceu em 1758, fugiu para as mon- 
tanhas depois da morte de seu pai, que o 
gran-visir tinha feito decapitar por causa 
das suão riquezas e credito ; tomou Widdin, 
suslentou-se contra forças numerosas en- 
viadas para o anniquillar, e a final obteve 
o seu perdão com o saundjakato de Widdin, 
o qual governou até á sua morte em 1807. 

PASSY, (geogr.) villa de França, a légua 
e meia S. de Neuilly; 6,000 habitan- 
tes. 

PASTA, s. f. (do Gr. pasta ou paste, de 
passo , humedecer , molhar ) papelão, car- 
teira de papelão coberto de coiro em que 
os rapazes levam traslados á escola, os ma- 
gistrados e ministros de estado requerimen- 
tos, consultas e outros papeis a tribuuaes, ou 
ao despacho do rei ou chefe do governo. — , 
massa de farinha ou de outra substancia glu- 
linosa. Este é o sentido próprio, do qual os 
outros são ampliações. — , lamina, folha cha- 
ta, plana, de massa, de metal, vidro, fel- 
tro, ou de algodão batido. Uma — de vidro, 
seis peças delle para vidraças, que vem em 
cada liassa ou balsa. 

PASTACA, (geogr.) rio da Columbia , nas 
Andes, corre ao N., a ESE. , ao S. e cae 
no Amazonas. 

PASTADO, A, p. p.^Q pastar ; adj. Terra 
— por gado, onde elle pastou. O gado ti- 
nha — toda a herta, comido. 

PASTAGEM, s. f. [pasto, des. agem ) ter- 
ra de pasto, onde pasta o gado. 

PASTANEAR. V. Pcstanear ou Pestane- 
jar. 

PASTAR, V. a. [pasto, ar des. inf.) comer 
o pasto, a herva ou relva; levat* ao pasto, 
dar pasto. — suas ovelhas. Os Alarves que 
pastam aquelle deserto , (fig.) que vagam 
por elle conduzindo rebanhos ao pasto. 

PASTiL, 5. m. (Fr. ant. pastel, de past, 
alimento.) massa de farinha da feição de ter- 
rina redonda ou oval que se enche de carne, 
peixe, fruta, doce, nata, picado, etc, e que 
se coze no forno. v. g. Pasteis de na- 
ta. — , (Ital. pastello.) (bot ) planta cruci- 
fera bisannual que dá uma b lia côr azul 
com que se tinge, e que suppre o anil. E' 
da família das Cruciferas e da Tetradynamia 
siliculosa. 

PASTELÃO, s. m. augment. de pastel, pas- 
tel grande de fruta, ou de avéâ inteiras, 
frangos, peixe, etc 

PASTELARIA , s. f. (des. ária.) telida de 
pasteleiro ; os pasteis e massas de que se co- 
bre uma mesa esplendida. 

PASTELEIRA, s. /". (dcs. círa. ) mulher quc 
faz e vende pasteis ; mulher da pasteleiro. 

PASTELEIRO, s. m. (dcs. ciro.) o que faz 
e vende pasteis, assados, guisados. 
bO * 



iw 



PÁS' 



PAT 



PASTELINHO . s. tn. diminut. de pastel , 
pequeno pastel. 

PASTILHA, s. f. diminut. de pasla, com- 
posição de drogas aromáticas que se quei- 
mam para perfumar, ou se trazem na boca 
para dar bom bafo, ou medicinaes , v. g. 
— s de cato, de alcaçuz. 

pASTiNACA, s. f. cenoura, planta horten- 
se. — , nome de um peixe do mar. 

PASTiNHA, s. /". d/rniíiuí. de pasta, chape- 
linho achatado que homens vestidos em cor- 
po levam debaixo do braço, e que se não 
põe na cabeça. 

PASTO ou s. JuÃo-DE-PASTO, (geogr.) ci- 
dade da Nova Granada, a 75 léguas KE. 
de Quito; 7,000 habitantes. 

PASTO, s. m. (lat. pastus, áepascor, i, 
pastar.) a herva de que se apascenta o ga- 
do ; O lugar onde ella cresce, pastagem, ter- 
ra de pasto ; alimento (dos homens e dos 
animaes). « Os Geos, cujo — é sangue e car- 
ne humana. » Lucena. Casa de — , onde se 
dá de comer ao publico por dinheiro, fiom 
— , boa mesa , comida delicada. — espiri- 
tual ou do espirito, (fig.) a leitura, a me- 
ditação, o estudo. — espiritual da alma, a 
palavra de Deus, os sacramentos. Dar — á 
alma, contemplar. — ás paixões, nutri-las. 
A — , (p. us.) com fartura, v. g. comer, be- 
ber — . Quando as prosperidades andam a — . 
Na velhice as doenças andam a — . Comer 
á — , em mesa redonda por escote determi- 
nado. 

PASTOR, s. m. (pron./jaíídr.) o que guar- 
da e apascenta o gado ; (fig.) o cura de al- 
mas que administra o pasto espiritual. — 
universal, o summo pontifice, o papa, v. g. 
— que ordenha a enseccar, rez ou cria que 
quer matar. Adagio. 

PASTORA, s. /. (de pastor.) a mulher que 
guarda e apascenta o gado, a mulher do pas- 
tor. 

PASTORADO, A, p. p. do pastorar. 

PASTORADOR , 5. w. O que vigia o gado 
para que não entre em terras de lavoura ou 
em plantações onde cause damno. 

PASTOHADOURO , s. tH. (p. us.) Itrra de 
pasto. 

PASTORAES, (hist.) caterva de vagamundos, 
a qual em 1250 se formou em França, sob 
o pretexto de fazer uma cruzada para livrar 
S. Luiz, tinha á sua frente um certo mon- 
ge húngaro, o qual se intitulava, senhor da 
Hungria. Era composta quaziloda de pas- 
tores, esta éa origem do seu nome. Depois 
de terem assollado muitas cidades foram ba- 
tidos e desfeitos em 1251. 

PASTORAL, adj. dos 2 g. de pastor. Bá- 
culo, vida — . Cartas pastoraes, de bispo 
aos seus diocesanos. 

PA 8T0RÁL, s. f. obra poética pastoril^ co- 



mo egloga, idyllio. — , carta monitoria, de 
bispo a seus diocesanos sobre matérias de 
moral ou doutrina. 

PASTORALMENTE, adv. [mente suff.) como 
pastor ; paternalmente. Viter, tratar, cu- 
rar admoestar, 

PASTORAR. V. Pastorear e Apascentar. 

PASTOREAR , V. fl. [pastor , ar des. inf.) 
apascentar, levar o gado ao pasto e cuidar 
delle. — ovelhas. 

PASTORET (marquezde), (hist.) jurisconsul- 
to francez, nasceu em 1756, morreu oml840. 
Deixou entre outras obras nm Tractado de 
leis penaes ; Historia geral da legislação dos 
povos, etc 

PASTORIL, adj. dos2g. (des. i/.) de pas- 
tor, do campo, rústico, v. ^. vida — . Poe- 
sias pastoris. Frauta — . 

PASTORINHA , s. f. diminut. de pastora , 
rapariga que guarda o gado. 

PASTORiNHO , s. m. diminut. de pastor, 
rapaz que guarda o gado. 

PASTORiLS, (hist.) historiador polaco, nas- 
ceu em 1610, morreu em i681. Publicou 
Florus polonicus. Historia polonica ah obi- 
tu Uladislai IV usque ad annum 1651t. 

PASTORZiNHO, s. w. diminut. de pastor. 
V. Pastorinho. 

pAsTOS BONS, (geogr.) pequena villa do 
sertão da província do Maranhão, 84 léguas 
ao sul da cidade de São Luiz, e 40 aoSSO. 
da villa de Caxias, entre o rio Parnahiba e 
o Itapicurú. 

PASTRENGO, (hist.) juriscoiisulto italiano, 
no XIV século. Fez o primeiro ensaio d'um 
Diccionario histórico, bibliographico e geo- 
gr aphico. 

PASTURA, í. f. (des. ura.) pasto, herva; 
(fig.) alimento. 

PASTURAL, adj. dos 2 ^r. (des. adj, a/.) de 
pasto. Terras pasturaes , de pasto , pasta- 
gens. 

PATA, s. f. fêmea do pato. 

PATA, s. f. (do Fr. patte, ant., J9aí«, pó 
de animal, do mesmo radical que f^.) pede 
animal, pé espalmado ou grosso. — do ca~ 
vallo, boi, cão, (fig.) toucado antigo armado 
em arames, e com extremidades largas pen- 
dentes, donde lhe vem o nome. Guarda — í, 
parte do toucado guarnecida de rendas, de 
bordado, ou de fio de ouro ou prata. Moraes 
confundiu pata, animal, com faia, pé. 

PATACA , s. f. (de patac, patacon, pata» 
gon, moeda de prata cunhada em Flandres; 
valia a principio 48, e depois 58 soldos.) 
moeda hispanhola de prata chamada piso du~ 
ro, do valor de 760 a 800 réis. Ko Brasil 
a pataca vale 320 réis. — , malha branca re- 
donda dos cavallos ruços rodados. Não se 
enxerga — , (phraz. chula) não se vê nada. 

PATACÃo , s, m. pttaca hispanhola. — , 



vPAT 

moeda antiga de cobre de Portugal; no tem- 
po de D.João III, valia dez réis, e três no 
de D. Sebastião. — de prata, na Ásia, xe- 
rafim, do valor de 320 réis. No Brazil o pa- 
tacão vale 9tiij réis, ou três patacas. Fazer 
terreiros depatacões. (phraz. chula) fazer of- 
fertas jactanciosas. V. Pataca. 

PATA-CHOCA, s. m. (chul.) servente de sa- 
cristia. Denominação jocosa de despreso tira- 
da do modo de andar dos sacristães como uma 
pata no choco. 

PATACOADA, s. f. [pataca, des. cellectiva 
ada.) grande quantidade de patacas oupa- 
tacões ; (fig.) ostentação, jactância ridícula. 
Fez grande — . 

PATADA, s. f. (des. ada.) golpe com a pa- 
ta ou planta do pé ; (fig.) passo grosseira- 
mente errado. Dar uma — , commetter erro 
palmar. 

PATAGÃo, s. m. homem daPatagonia, ou 
Terra de Magalhães. 

PATAGONfA ou TERRA DE MAGALHÃES , 

(geogr.) a região mais meridional da Ame- 
rica do Sul, ao S. do Chili, e da Confede- 
ração argentina ; limitada pelo Oceano- 
Atlanlico a E., o Grande Oceano a O. , e 
o Rio Negro. ao N. É um paiz muito frio, 
montuoso, e cortado por muitos lagos. Es- 
te paiz foi descoberto em 1519 por Fernan- 
do de Magalhães, navegador portuguez. 

PATAK, (geogr.) cidade da Hungria, so- 
bre o Bodrog , a 4 léguas SE. d'TJjhely ; 
8,000 habitantes. 

PATAiAS , (geogr.) povoação de Portugal, 
situada a 3 léguas de Leiria ; 1 ,000 habi- 
tantes. 

PATALA, (geogr.) antiga cidade da índia, 
na ponta do delta do Indo. 

PATALOu , s. m. (ant.) V. Ranúnculo e 
Patola. 

PATAMAR, vulgo PATAMAL, S. m. (do Lat. 

patularium, formado de patulus , alerto, 
largo, e atrium, átrio, páteo.) espaço mais 
ou menos largo no topo dos degraus de es- 
cada diante da porta, ou entre duas portas 
fronteiras. Pi. Patamares oa Patamaes. 

PATAMAR , s. m. (t. Asiat. do rad. pad , 
pé.) correio a pé, caminheiro. — , embarca- 
ção ligeira, aviso. 

p ATAM AZ, adj dos ^ g. [t. provincial) bea- 
tarrão, santarrão. — , muito besta, tolo, par- 
voeirão. 

PATAN, (geogr.) cidade do Indostão, no 
Estado de Boundy, a 9 léguas SE. de 
Boundy. 

PATANA, (geogr.) uma das três divisões 
do Maissur ao S., tira o seu nome de Pa- 
tana ou Seringapatam , sua cidade princi- 
pal. 

PATANGANTiM, s. w. (t. da Asia, de pati, 
senhor.) o cabeça da povoação. 



fAT 



m 



PATANi, (geoçr.) cidade da índia ti^ans- 
gangelíca , capital do reino de Patani, riR 
parte JNE. da peninsula de Malaca. ^^ 

pataTís, (hist.) nome dado na índia; ''na 
idade media, aos Afghans, e que provavel- 
mente não quer dizer outra cousa senão 
tribus, porque os Afghans eram organisa- 
dos em tribus. ''^ 

PATAO, adj, m. ou s. w. (do Fr. paíttMíTJ 
pron. pátô.) (chulo) pesado, feito grosseira- 
mente. — , tolo, estólido, parvo. 

PATÃo, s. m. (Fr. patin.) tamanco 'íHis'- 
tico. ■''■'■ 

PATARA, (geogr.) hoje Patera, cidade da 
Lyeia sobre o mar, no pachahk actual de 
Ada na; era celebre por um templo ou orá- 
culo de Apollo. ;í ' ^^ 

PATARATA, s. f. (do Fr. pétàfddé, estron- 
do de peidos ou foguetes, do Lat. peditare^ 
dar peidos.) ostentação vã, mentira jactan- 
ciosa ; cousa vistosa mas de pouca dura ou 
solidez , V. g. pauno, estoífo. — , patara- 

teiro. , '*3 

j BiBq os ai>}(i 

^' HAiaTA*!' 
Teu pai foi um trovão de 'pataratas.- ^ j ^s 
Bocage. 



PATARATEAR, V. fl. ou ?i. [patarata , av 
des. inf.) dizer pataratas. 

PATARATEiRO, s. m. (dcs. cifo.) O qúe diz 
pataratas. 

pATARECAs. V. Pataregas. 

PATAREGAS, s. f. em Alcobaça, feijões que 
se comem em vagem. Talvez seja corrupção 
do Fr. haricots , feijões , e potager , da 
horta. 

PATAREO. V. Patamar da escada. 

PATARiNOS , (hist.) hereges que pretetf;^, 
diam que a oração do Pater era a unicá 
e suíTiciente, também ensinavam que o ho- 
mem e o mundo eram obra do demónio.' 

PATA-ROXA, s. f. [pata e roxa.) nome de 
um peixe parecido com o cação ; pesca-se 
na costa de Cezimbra. 

PATARRAES, s. m. (naut,) apparelhos de 
calabres grossos para segurar os mastros áo[ 
costado, em temporaes ,.riios. 

PATAS. V. Pata. 

PATAViUM, (geogr.) cidade da Itaha anli-. 
ga, entre os Veneti, hoje Pádua. ' 

PATAXO ou PATACHO, s. m. (Fr. patache,^ 
deriv., segundo M. de Roquefort, do Gr. pa- 
tein, passear.) (naut.) navio ligeiro armado, 
que precede ou segue uma armada e vai ex- 
plorar portos, rios, etc. 

PATAY, (geogr.) villa de França, a 6 lé- 
guas NO. d'Orleans ; 1,000 habitantes. 

PATAYA, s. f. (t. da Asia) tulha. ^ 

PATCHAKAMAK, (hist.) O graudo deus (ifos 
Peruvianos , era o sol considerado como 



crèador e conservador. Os Incas pertenaiam 
descender deste deus. 

( PATE, s. m. (t. da Ásia, do Sanscrit. pati 
ou. poti, senhor.) chefe de aldeia. Couto, F. 
Mendes Pinto. 

PATEADA, s. f. [pata, planta do pé, des. 
ada.) golpes com os pesem signaldedesap- 
provação de actor, cantor, etc. , vaia, ma- 
traca. 

PATEADO , A, p. p. de patear ; adj. que 
levou, a quem se deu pateada. — , que deu 
paleada, v. g. o actor foi — . O publico, de- 
pois de ter — a peça e os actores. 
,, ^PATEADURA. V. Paímáa. 
_^'^,'|.PATEAR, tJ. a. [pata, pé, ar des. inf.) ba- 
ter com o pé em signal de desapprovação. 
V. g. — os actores, a peça. — , dar pateada. 
, PATECA, s f. (Arab batehka.) V Melan- 
bià. — , (t. da Ásia) espécie de vestidura usa- 
da no Malabar. 

PATEiRO, s. m. (des. eiró.) o que cria e 
guarda patos ; (fig. e chulo) o frade leigo 
bom só para pateiro. 

PATEJAR. V. Patinhar. 

PATEL. V. Patê. 

PATELA, s. f. (Lat. patella.) V. Rótula, 
ou Rodela de joelho. 

^. PATELHA, s. f. (naut.) couce do leme, en- 
caixe na quilha no fundo do cadaste onde 
joga o leme. 

PATEtfA, (geogr.) cidade de Hispanha, a 
8 léguas iNE. d'Almeria; 1,630 habitantes. 

PATENA, s. f. (Lat joaíína.) vaso sagrado 
de ouro ou de prata em forma de prato em 

{[ue se põe a hóstia, e com que se cobre o ca- 
ix na missa. 

PATENTE, adj. dos 2 g. (Lat, patens, tis^ 
p. a. de pateo, ere, estar patente.) apparen- 
te, manifesto ; publico. Carta, cartas ou le- 
tras — s, dadas pelo rei a alguém conceden- 
do-lhe privilegio. 

PATENTE, s. f. carta patente, letras pa- 
tentes pelas quaes o rei confere posto, gra- 
duação militar (começa pelo nome do rei, 
c* g. D. João, etc). — , (a nt ) carta aberta, 
espécie de certidão que dá o superior de 
communidade aos seus confrades. Pagar a 
— , pagar o preso ao entrar na cadeia, ou 
O novato na universidade uma certa quan- 
tia aos companheiros para ser gasta em al- 
moço ou merenda. Nos autores antigos acha- 
se patente, s. m. um — . 

PATENTEADO, A, p. p. de patentear; adj. 
feito patente, manifestado. 

PATENTEAR, V. a. {patente, ar des. inf.) 
fazer patente, publico ; manifestar. 

PATENTEMENTE, ttdv. {mente suíf.) de ma- 
neira patente, aberta, manifestamente. 

PÁTEO, s. m. (do Lat. pateo, ere, estar pa- 
tente.) recinto murado e descoberto diante 
(PU detrás da casa. — , na universidade, as 



flT 

aulas menores. — , píatéa de fneatro , por- 
que antigamente em páteos descobertos ou 
cobertos de toldo se representavam dra- 
mas. ., 

PATERNAL, adj. dos 2 g. {Ldit. paternusl 
des. adj. ai.) de pai ou de mãi. Amor — . 
Cuidados, sentimentos paternaes, de pai, af- 
fectuosos como os do pai para os filhos. 

Syn. comp. Paternal, paterno; mater- 
nal, materno. Osdous primeiros adjectivos 
se formão da palavra latina pater, pai, e 
a ella referem, porém com diíTerente rela- 
ção. 

Paíerna/ exprime o que é próprio de pai, 
o que pertence á qualidade de pai conside- 
rada em geral. Pa íerno significa o que per- 
tence ao pai determinado, ou dflle deriva. 
O amor paternal é muitas vezes mais noci-^ 
YO que útil á boa educação dos filhos; isío 
é, o amor que os pais em geral, sem de- 
signar nenhum, têem aos filhos, etc. A mi- 
nha herança paterna era considerável ; quer 
dizer, a herança que tive de meu pai, os 
bens que delle herdei, etc. 

A mesma diíferença se nota entre wiaíér^ 
nal, e materno. Antigamente a autoridade,' 
a benção paternal e a ternura maternal 
eram mui apreciadas dos filhos. Hoje, ape^ 
nas os filhos, saem da casa paterna, ou S9 
emancípão do pátrio poder, não têem em 
nenhuma conta a autoridade paternal, e 
bem depressa se esquecem da ternura ma- 
ternal de quem receberam tantos carinhos. 

PATERNAi-MENTE , adv. {mente suíT.) com 
sentimentos paternaes, com amor de pai. 

PATERNAMENTE , adv. {mente suff.) como 
pai. com amor do pai ; da parte do pai. 

PATERNIDADE, s. f. (Lat. patcmitas, tis.) 
a qualidade de pai, o ser pai. — , titulo que 
se dá aos religiosos. Vossa — . 

PATERNO, A, adj. (Lat. paiernus.) áo^&i, 
que pertence ao pai , que foi do pai : da 
parle do pai. Avô — . Bens — s, herdados 
do pai. Casa — , a do pai. 

PATERNO (S.), (hist.) bispo de Vannes em 
540, morreu em 555 ; é commemorado a 
15 de Abril, dia da sua morle. Um outro 
S. Paterno, monge de Sens, é festejado a 
12 de novembro. 

PATERNO, (geogr.) Hybla major , cidade 
de liispanha, a 5 léguas NO. de Catane ; 
9,800 habitantes. 

PATERNOSTER, s. m. palavras latinas, paj^ 
dre ou pai nosso, a oração dominical, que 
começa por estas palavras. 

PATERSONiA, (bol.) gcucro dc plantas da 
familia das irideas, e da Triandria Mono- 

PATESCA, s. f. (do Casl. patesca, montão 
com grande rodo por onde corre a driça do 
mastro grande) Rodas de — , (artilh.) sem 



m. 



;lBJt 

raios, inteiriças como as dos carros de bois 
em Portugal. 

PATHETiCAMEETE, ãdv. {mente suff.) de mo- 
do palhetico. 

PATHETico, A, adj. {Lai. paíheticus , do 
Gr. paskhô, soílrer, do inus. jjathó] que 
move os aíTectos, que excita as paixões, Vi 
g. estjlo, discurso — . ..li.i''' 

PATUMOS , (geogr.) hoje Patmo ou Pai*- 
mosa, iliia do Archipelago, a mais septen- 
trional das Sporades, ao SE. de JNicaria e 
defronte do Mileto. 

PATHOGNOMONico, A, ãdj (do Gr. pathos, 
doença, e ghinosko, conhecer ) (med.) ca- 
racteristico de cada doença, v. g. signaes 
— s. 

PATHOLOGiA, s. f. (^Lat., do Gr. pathos, 
doença, e logia sutf.) (med.) parte da medi- 
cina que ensina a conhecer as doenças. 
«. pATHOLOGico, A, adj. que pertence ápa- 
thologia ; que trata da palhologia , v. g. 
systema — ; trat»do — . 

PATiBULAR, adj. dos 1 g. (des. adj. ar.] 
de patíbulo; que merece morrer no patíbu- 
lo. Este homem tem inclinações, hábitos 
patibvlares, ou cara patibular. 

PATÍBULO, s. m. [pron. patíbulo', do iat. 
patior, pati, soílrer. ) lugar onde os condem- 
nados soífrem pena capital, forca. Entre os 
Romanos era uma cruz em íórma de Y sobre 
a qual se pregavam os padecentes com os bra- 
ços apertados e lixados em cada um dos ramos 
da haste lorcada. V. Cruz. 

Syn. comp. Patíbulo, [orca. Patíbulo é 
nome genérico que sigMfica o lugar em que 
padece o condemnado, seja radalalso, íor- 
ca, polé, pelourinho, etc. Forca é uma es- 
pécie de patíbulo, que consta de trez páos 
fincados na terra em ti iangulo onde se pen- 
durem de cordas os condemnados a morrer 
enforcados. 

PATIFA, s. f. (t. da Ásia) sorte de embar- 
cação. Couto. 

PATlFÀo, s. m. augment. de patifo. 

PATJFAR'A, s. f. (des. ana.) acçâo dc pa- 
tifo, desaforo. 

PATIFE, s. f. (talvez do Fr. ant. putefoi, 
má lé , baixeza.) moço da ceira, ribeirinho 
que leva o jeixe a casa dos compradores. — , 
maroto, desavergonhado. 

pATiGUÁ, s. m. (t. Brasil.) e vulgarmen- 
te Patuá. Grande cesto de palha tecida em 
que os indígenas guardam a sua rede ; saco 
ou bolsa em que a gentalha no Brazil traz re- 
médios e amuletos a que attriLuem a virtu- 
de de preservar de tiros, leridas e malefí- 
cios. 

PAT'LHA. V. Palheta de prata, ouro, tic. 

PATIM, s. m. diminui, de {,óleo , páteo 
pequeno. — , (Fr. patins ) chapins de lerro ; 
chapins guarnecidos por baixo de uma peça 






123 



liza estreita de ferro terminada alem da poft- 

ta do pé em volta curvada para cima, que 
se ajusta ao calçado para correr escorregan- 
do sobre o gefo ora em um pé ora no ou- 
tro, 

PATINA, s. f. V. Patena do calíx. 

PAT NAR, V. a. ou n. {patins, ar des. inf.) 
correr escorregando sobre o gelo dos rios, 
lagos, etc, sobre patins, ora em um pé ora 
no outro. JNes paizes em que o frio é inten- 
so e continuado, a gente do campo traz os 
seus géneros aos mercados, patinando sobre 
os canaes, v. g. da UoUanda, e rios como 
o Neva, o Vistula, etc. 

PATINHA, í. f. diminuí, de pata (ave, e pó) 
nome de uma avezinha 

patinhaR, V. a. ou n. {pato, des. inhar^ 
do Lat. ineo, ire, entrar.) remexer a agua 
com os pés, como fazem os patos em la^ôa 
ou poça de agua. — , (X. chulo de jogado- 
res) jogar mal, não saber fazer jogo, nem 
aproveitar a fortuna aos jogos de azar quan- 
do ella é favorável. — , lazer alguma cousa 
mal, sem conhecimento perfeito, e como ás 
apalpadellas. 

PATINHO , s. m. diminuí, de pato, pato 
novo. — , (chulo) o que facilmente se deixa 
enganar, principalmente ao jogo. 

PÁTIO. \. Páteo. 

PATiPE, (geogr.) rio conhecido na pro- 
víncia de iWinas Geraes com o nome de 
Pardo, no fcrazil, não sendo mais que um 
simples ribeiro, e com o de Patipe, na pro- 
víncia da Bahia. 

PATiTiBA , (geogr.) rio da província do 
llio de Janeiro, no districlo da víUadeJPa- 
rati, no Brazil, onde se lança na bahía de 

Angra doo Reis. ,ih li. '^.a-vi^i^ «.íi^ívá 

PATiY£L , adj. dos z g. (do iat. patior, 
i, soílier.) Qualidades pativeis,as paixões. 

PATNA ou PATNÁH, (gcogr.) Cidade da lu- 
dia ingleza. capital do Bahar, sobre o Gan- 
ges ; òlO,tOO habitantes. 

PATNi, (hist.) medico francez, nasceu em 
11)0', morreu em 1672. Deixou um Tra- 
ciado da conseriaçáo da saúde, e Cartas. 

PATO, s. m. (cm Arab. batton , mas eu 
antes o derivara do Lat. patulus, espalma- 
do.) ave domestica de pés espalmados com 
os dedos unidos por membrana, de bico rom- 
bo e chato. Pernas de — , diz-se dequem as 
tem mui curtas. — , (chulo) homem fácil de 
lograr. — , (do Fr. páte, massa de farinha.) 
É só usado na phiaze vulgar : pagar o — ^ 
o damno feito por outrem. Fm Fr. porter 
la pâte au /6wr, levar o pão ao forno, tem 
a Uicsma signilicaçào. — , (t. da Ásia) ponte. 

PATOLA, adj. dos 2 g. {de pato, des. ola, 
de Lat. olco, ere, cheirar, dar-se a conJ^ 
cer.) (chulo) tolo, estólido, pateta. ^.j^ 

PATORNEAR. V. PatroneuT. 
31 * 



PATOS (lagoa dos), (geogr.) grande lagoa 
íio Brazil, na província do Rio Grande. 

PATOS, (geogr.) nova villa e antiga fre- 
guezia da província de Parahiba, no Bra- 
zil. Eslá situada 80 léguas ao poente da 
cidade de Parahiba, 2,000 habitantes. 

PATOUILLET, (híst.) jesuita francez, nas- 
ceu 9m J699, morreu em 1779. Compoz 
Cartas edificantes ; a Historia do Pelagia- 
nismo ; Historia da Cartucha. 

PATRANHA , s. f. couto meutíroso, para 
enganar alguém, ou para entreter. 

PATRANHENTO , A , adj . (des. ento.) que 
conta ou escreve patranhas. 

PATRÃO, s. m. (Fr. patron, Ital. pàdro- 
tie, do Lat. pater, pai.) arraes de barco ou 
embarcação pequena, mestre de navio; do- 
no de loja, chefe de casa de commerc/o, re- 
lativamente aos seus caixeiros. — widr, ins- 
pector da ribeira das naus, superintenden- 
te das construcções e da gente do mar. — , 
(ant.) padroeiro, v. g. Santiago — da His- 
panha. — , V. Padrão. 

PATRAS, (geogr.) Aroe, depois Patrae, ci- 
dade do Estado da Grécia, sobre o golpho 
■ de Patras, a 25 léguas ^0. de Tripohtza ; 
6,000 habitantes. 

PATRAS, (golpho de), (geogr.) golpho que 
dá communicaçáo ao mar jonio com o gol 
pho de Lepanto. 

PÁTRIA, s. f. (Lat., de pater, pai.) a ter- 
ra em que alguém nasceu. «Aterra é — das 
dores. » \ieira. A — celeste, o céu. 

PÁTRIA, (geogr.) Linterna palus, lago do 
reino de Nápoles, a 6 léguas NO. de Ná- 
poles. 

PATRiARCHA , s, m. (Lat., do Gr. pater, 
pai , e arkhé, primasia.) dignidade eccle- 
siastica superior ao arcebispo. — , (íig.) os 
santos, instituidores de ordens religiosas. Os 
— s, os do Antigo Testamento, os chefes das 
gerações de que faz menção a Génesis. (O 
eh sôa k, assim como nos derivados. 

PATRiARCHADO, s. w. (des. ado.) a digni- 
dade de patriarcha e sua jurisdicção. 

PATRiARCHAL, adj dos 2^. (des. adj. a/.) 
concernente ao patriarcha. Vida — . Cos- 
tumes patriarchaes, semelhantes aos dos pa- 
tríarchas do Antigo Testamento. 

PATRIARCHAL, s. /. sá, igreja do patriar- 
cha. i — de Lisboa, 

PATRiARCHAS, (hist.) esta palavra tem dous 
sentidos: 1.° designa os chefes succesivos 
da família, de que devia sair Christo ; es- 
tes são : 

Adão 4963-4033 

Selh 4833-:^921 

Enos 4729-3824 

Cainan ... ... ...... ...4639-3729 

Malaleel 'iíV ''i...";!i* • ... ...4519-3674 



PAT 

Jared 4504-3542 

Henoch ... 4348-3478 

Mathusalem 4^77-3408 

Lamech ... ííÍ?;«; .?M.íj!ít:k... 4090-3.i13 

Noé ... 3908-2958 

Sem ii^^'li^*n;.'nV:\%^A... 3408-2808 

Arphaxad 3'06-2868 

Cainan 3201-2841 

Saleh ... 3171-2738 

lieber 3041-2637 

Phaleg 2907-2666 

Réu 2777-2538 

Saroug 2645-2415 

Nachor 2515-2367 

Tharé 2436-2291 

Abrahão ^. ... 2366-2191 

Isaac 2266-^^086 

Jacob 2206-2061 

Juda- 2116-1997 

2.^ diz-se dos bispos ou arcebispos que 
teem o governo immediato de uma diocese 
ou de uma província archiepíscopal , ou 
que teem auctoridade sobre muitas provín- 
cias ou metrópoles. Nos primeiros séculos 
da igreja applicou-se este titulo aos 5 bis- 
pos de Roma, Constantinopla, Alexandria, 
Antiochia e Jerusalém. 

patrica, (geogr.) antigamente Laviniunif 
villa dos Estados da igreja, a 2 léguas SE. 
de Frosinone. 

PATRICIADO ou PATRICIATO , S. M. (Lat. 

pairiciatus.) a qualidade de patrício entre 
os antigos Romanos ; ordem dos patrícios. 

PATRiciDio. V. Patricidio. 

PATRÍCIO, s. m. (Lat. patricius, de pater ^ 
pai.) em Roma antiga, cidadão nolDre, padre 
conscrípto de família antiga; (hist.) dignidade 
dos primeiros tempos do império romano, 
foi creada por Constantino. Não se conce- 
dia senão ás pessoas que tinham desempe- 
nhado os primeiros cargos ou feito emjai- 
nentes serviços, mas ella não conferia po- 
der algum. Depois deu-se também aos go- 
vernadores das províncias afastadas, 'final- 
mente depois da invasão estabeleceu-se o 
uso de o conferir a alguns reis bárba- 
ros. 

PATRÍCIO, A, adj. (de pátria; a des. vem 
do Lat. exeo, ire, sair.) da mesma pátria, 
conterrâneo. 

PATRÍCIO ou patrick (S.), (híst.) aposto- 
lo e patrono da Irlanda, nasceu na Escos- 
sia em 372, pregou a fé na Irlanda em 431, 
foi sagrado bispo, fundou a igreja metro- 
politana d'Armagh. Morreu em 464. E' com- 
memorado a 17 de Março. 

patrimonial, adj. dos 2 g. (Lat. patri- 
monialis.) que pertence ao património, her- 
dado dos país. Bens patrimoniaes. 

p ATR1M0NI0 , s. m. (Lat. patrimonium.) 



I 



PAT 

bens paternos, bens herdados do pai ; bens 
pertencentes a uma pessoa. 

PATRIMÓNIO DE s. PEDRO, (geogp.) antiga 
provinda dos Estados da igreja, entre o 
Orvielan ao N., a Ombriíi ea Sabina a C, 
a Canopanha de llooia ao SK. e o mar Tyr- 
rhio ao SO., e a Toscana ao NO. Capital 
Viterbo. 

PATRiN, (hist ) mineralogista francez, nas- 
ceu em 1742, morreu era 1815. Deixou uma 
Historia natural dos mincraes. 

PÁTRIO, A, adj. (Lat.paí/m^, do pai, pa- 
terno.) da pátria. Os ares — s. Os — s la- 
res. Direito — , as leis particulares de cada 
nação. 

PATRIOTA, s. dos tg, (Fr. pa/r/o/e.) pes- 
soa que ama a pátria, que é dotada de pa- 
triotismo. 

PATRiOTiCAMENTE, adv. [mente suff.) com 
sentimentos e zelo de patriota. 

PATRIÓTICO, A, adj. [¥r. patriotique.) ze- 
loso por tudo o quo tende a promover a 
prosperidade e gloria da pátria. Sociedades 
— s, destinadas a promover o bem commum 
dos cidadãos. 

PATRIOTISMO, s. m. (Fr, patriotisme.) amor 
e zelo pelo bem commum , prosperidade , 
honra da pátria e dos conterrâneos. 

N. B. Este termo e os três precedentes, 
adoptados modernamente do Francez, são 
indispensáveis. Patriotismo é mais expres- 
sivo que amor da pátria, porque encerra a 
ideia de zelo activo. 

PATRissAR, V. a. ou 71. desus., scp Seme- 
lhante ao pai, imitar o pai. Macedo. 

PATRiZAR, V. a. ou 11. (dc pátria.) [ant.) 
haver-se como patriota. « Obrigou-me a na- 
tureza a que patrizasse, » Barros, Prol. ás 
Décadas , a que fizesse cousas úteis á pá- 
tria. 

patrizzi, (hist.) philosopho platónico ita- 
liano, nasceu em 1529, morreu em lu97. 
Foi geometra, historiador, militar, orador 
e poeta. As suas principaes obras são: 
Delia Storia dieci dialoghi; la Milizia ro- 
mana ; Paralleli militares, etc. 

PATROA, s. f. mulher do patrão de loja, 
dona de loja. 

PATROCINADO, A, p. /). de patrociuar; a(í;". 
protegido , defendido , favorecido pelo pa- 
trono. 

PATROCINADOR, s. M. O que patrocina. 

PATROCINAR, V- d- (Lat. patrociuor, ari] 
proteger, defender, favorecer algueaj, v.g. 
— os réos. a causa, o crime. — igreja^ ser 
patrono d'ella. 

PATROCÍNIO, 8. m. (Lat. patrocinium) am- 
paro, protecção, auxilio; defesa de causa 
ou pleito forense. 

SvN. cOiíip. Patrocinio^ amparo, protec- 
ção. O patrocínio refere-se sempre aos fa- 

YOL. IV. 



vores que a amizade dispensa á desgraça. 
O amparo é aquella acção que soccorre a 
alguém contra um agente ou causa que o 
persegue. A protecção é o favor d'um po- 
deroso em beneficio de pessoa que elle es- 
tima, e o desejo de continuar-lh'o. Um tio 
que se encarrega da educação d'um sobri- 
nho pobre, patrociona-o. Um rico qne do- 
ta donzellas, alimenta viuvas, ampara-&s ; 
um fidalgo que mantém em sua casa um 
afilhado, quo procura dar-lhe um emprego. 
protege-o. 

PATROCÍNIO, (geogr.) nova villa da provín- 
cia d%MÍ!i;is-Geraes, 20 legnas ao norte da 
villa d'Araxá, .l,[iOO hci])ilanles. 

rATRacL0,(hist.) filho do rei de Locrida Me- 
necio, era amigo de Achilles e acompanhou-o 
ao cerco de Tróia. Quando Achilles, agas- 
tado contra Agamumnon, recusou comba- 
ter, Patrocle dirigiu-so ao campo de bata- 
lha com as armas do heroc, teve alguma 
vantagem ao principio, mas foi morto por 
Heitor. A esta noticia, Achilles armou-see 
vingou no sangue de Heitor a morte de seu 
amigo, depois fez-lhe magníficos funeraess^, 

PATRONA, s. f. (Lat.) mulher que patro- 
cina, padroeira. 

PATRONA, s. /*. (do Aliem, patrone, cartu- 
cho) cartuxeira em que os soldados levam a 
pólvora eneartuxada diante da. cintura ou a 
tiracollo. 

PATRONA-KALiL, (hist.) Albauez, chefe da 
celebre revoltado 1730 contra Achmet III, 
nasceu em 1604. A insurreição, de que era 
chefe triumphou ; o sultão foi deposto o 
substituido por Maha.oud 1. Mas a inso- 
lência de Patrona depressa cançou Mahmond,^ 
que o fez degollar na sala do divan. 

PATRONADO, s.m. [Lài. patrouatus) termo 
de direito romano ; prerogativas do patrono 
sobre os seus escravos e libertos ; padroado, 
protecção do patrono. , ., .^ 

PATRONAGE, s. f. (dcs. agé] protecção do 
patrono a favor do cliente, servo ou de|)en- 

dentes. , j, ;^ '.j^mu .,"^^,.«^1 

PATRONEAR, V. n. {pãtronj ar des. inf.), 
fallar em tom de patrão ou amo ; pairar, 
fallar em cousa de pouco merecimento. Nes- 
te sentido é antiquado. 

patronímico. A, adj. (Lat., áo Gr. pater, 
pai, e ônomiay nome) derivado do nome do 
pai. Nomes — s , por ex. : Gonsalves, fi- 
lho de Gonsalo; Nunes, de Nuno. 

patrono, s m. {Lai. p a tronus] protectoi^,' 
defensor, advogado no foro : o que dava li- r 
herdade ao escravo, e ficava seu protector, e 
o forro se dizia seu liberto ; advogado pe- 
rante Deus. 

PATRUÇA, s.f. [Lait. patressa] peixe do rio 
semelhante ao redova lho. Na província de. 
Entre. Douro-e-Minho chamam-lhe solha. 
32 



196 



^^ 



PATRULHA, s.f. {¥r.patrouille, áepatrouil- 
lis, lama) ronda militar de noite em praça 
de guerra, nas ruas de cidade ou no acampa- 
mento. 

PATRULHA (Santo António da) , (geogr.) 
pequena villa da provincia de São Fedro 
do Rio Grande, em terreno levantado , no 
Brazil, 16 léguas a LNE da cidade de Porto 
Alegre, 3,000 habitantes. 

PATRULHAR, v. n. {patrulha, or des. inf.) 
rondar em patrulha. — , v,a. guarnecer de 
patrulha. 

PATTi , (geogr.) cidade da Sicilia, a 15 
léguas 0. de Messina ; 5,G00 habitantes. 

PATTOLA. V. Patola. 

PATTÚ (Serra do), (geogr.) serra da pro- 
víncia do Rio Grande do Norte, no distri- 
cto e ao sul da villa de Porto Alegre. 

PATUÁ. V. Patigua. 

PATUDo, A, adj. {pata, pé) que tem gran- 
des patas ou pé ; rapaz crescido e gordo per- 
nicurto. Anjo — , o diabo, que o povo sup- 
põe ter pés de pato. 

PATUSCADA, s. f. (crcio que vem do Lat 
poto, are, beber vinho, eesca, comida. Mo- 
raes o deriva do Cast. apustusco, que signi- 
fica ornato I) (famil ) função entre amigos 
feita em lugar remoto ou pouco patente ; de 
ordinário é comezana lauta, em que se bebe 
muito, e muitas vezes com moças. 

PAU, (geogr.) cidade de França , capital 
de districto dos Baixos Pyreneos, a 2 )1 lé- 
guas SO. de Paris; i 2,600 habitantes. 

PAU, (geogr.) rio de França, é formado 
pela juncção dos rios de Bareges e de Ga- 
varnia, nasce no districto dos Altos-Pjri- 
neos, e langa-se do Adour a O. de Peyre- 
horade. 

PAUCTON, (hist.) mathematico francez, nas- 
ceu em 1736, morreu em 1798. Deixou um 
Tractado de medidas, pesos, moedas anti- 
gas e modernas , e uma Theoria das leis 
da natureza. 

PAUGAGEM, s. f. (aut.) V. Paisagem. 

PAUiLLAC, (geogr.) ci lade de França, a 4 
léguas e meia St. de Lesparre ; 2,700 ha- 
bitantes. 

PAUL, s. m. {Lat. palus. dis, higôa) pân- 
tano, terra alagadiça, encharcada, lenleiro. 
Lameirão e lameiro são menos extensos. 
Paúes, eant. Paúles. 

PAUL , (geogr.) aldeia da ilha de Santo 
Antão, situada á beira-mar distante da vilia 
mais de 2 léguas, 720 habitantes. 

PAUL DO MAR, (geogr.) aldeia da ilha da 
Madeira, 667 habitantes. 

PAULA /'Santa), (hist.) Romana, do san- 
gue dos Scipiões e dos Gracchos, nasceu 
em i4/, fez-se christã e enviuvando votou- 
se á vida penitente no convento de Bethleem, 
do c^ual foi abbadessa e oode morreu em 



FAU 

404. A igreja celebra a sua festa a 26 de 
Janeiro. 

PAÚLADO. V. Apaulado. 

PAULATINAMENTE, ãdv. («leníe suff.) passo 
a passo, pouco a pouco, aos poucos, de \&^ 
gar. O 

PAULATINO, A, adj. (do Lat. paululus, mui- 
to pequeno; a des. de ineo ere, entrar) fei- 
to pouco a pouco. Congestão — dos humo- 
res. 

PAULicios, (hist.) heréticos, que renova- 
ram nos séculos X e XI as heresias de Ma- 
nes, suppunham o mundo actual creado e 
regido por um dos seus dous prmcipios, o 
mau ; o outro devia reger o mundo futu- 
ro, o qual seria perfeito. Tiravam o seu 
nome de Paulo, d'um dos seus chefes, nas- 
cido em 8^4 na Arménia. A côrle byzan- 
tina fez todos os esforços para os destruir 
e conseguiu expatriai os para a Arábia, on- 
de fizeram muitos prosélitos >í! 

PAULINA, s. f. carta de excommunhão com- 
rainatoria a quem não revelar o que sabe so- 
bre alguma matéria de que só por essa r&M 
velação se pode vir no conhecimento ; (figr 
e famil.) descompostura com ameaças. — <]' 
ant. e de origem incerta, bebida venenosa, 

PAULINA BONAPARTE, (hlst.) priuceza Bor- 
ghése, segunda irmã de Napoleão , nasceu 
em Ajacc'0 em 17ÍS0, morreu em 17:^5; foi 
cazada com o general Leclerc, e enviuvan-*^ 
do passou a segundas núpcias com o prín- 
cipe Camillo Borghese. Foi uma das mulheres 
mais bellas do seu tempo. 

PAULINO (S.) , (hist.) Pontius Meropius 
Paulinus, bispo e poeta, nasceu em Bor- 
deos em 353, morreu em 431, foi nomea- 
do cônsul em 378, tomou ordens sacras em 
3U3, e foi sagrado bispo de Nole em 4U9. 
ittribue-se-lhe a invenção dos sinos. E' 
commemorado pela igreja a 22 de Junho. 

PAULINO DE S. BARinOLOMEU, (hist.) Sa- 

bio missionário austríaco, nasceu em 1748',-^ 
embarcou para o Malabar em 17 M donde 
voltou em 1790, morreu em 1806. Con- 
correu muito pelos seus escriptos para íà^^ 
zer conhecido o Oriente. 

PAULISTA, s. m. religioso da ordem de S. 
Paulo eremita ; collegial do collegio de S-P 
Paulo em Coimbra; natural da província e 
cidade de S. Paulo, no Brazil. ''H 

PAULMIER DE GRENTEMESNIL, (híSt.) appe-" 

lidado Palmerius, sábio philologo francez, 
nasceu em 1^87, morreu em 1670. Deixou 
Exercitationes in autores grcecos ; Grcecia 
antiguce descriptio. 

PAULO. V. Paul. 

PAULO, (S ) (hist.) apostolo dos gentios, 
nasceu no anno 2 de Jesu-Christo, de pais 
judeus, em Tarso, teve primeiramente o no- 
me de Saulo, e foi um dos perseguidores 



.VI .JOV 



X PAU 

dos christãos, converteu-se por causa de 
uma vizão e foi um dos mais ardentes após- 
tolos da nova religião. Pregoa o evange- 
lho aos pagãos na Ásia Menor e na penin- 
sula grega, voltou á Jerasalém em 58, foi 
atacado pela populaça, que o queria ma- 
tar, depois foi preso na cidade do Cesárea, 
e como appellasse para o imperador foi con- 
duzido a Horaa e absolvido; voltou depois 
para o Oriente para consolidar a organiza- 
ção da igreja, e em 63 ou 64 voltou para 
Roma, onde já havia muitos christãos, mes- 
mo no palácio dos Césares, incorrendo po- 
rém no ódio do imperador foi decapitado 
com S. Pedro em 65 ou ^^6. Commemora-se 
a 29 de Junho e a sua conversão a 25 
de Janeiro. 

PADLO I., (S.) , (hist.) papa , substituiu 
Estevão II, seu irmão, e reinou de 757 a 
767. Deixou 22 cartas, 

PAULO II, (hist.) P. Barbo, papa de 146i 
a 1571, eicommungou o rei da Bohemia, 
Jorge Podiebrad, e deu os seus Estados a 
Mathias Corvino, pregou em vão a cruzada 
contra os Turcos, e começou a restauração 
dos antigos monumentos de Roma. 

PAULO III, (hist.) Alexandre Tornese, pa- 
pa de 16H4 a 1549, mostrou muita firme- 
za nas suas relações com Henrique III, for- 
mou com Carlos V e com Veneza uma liga 
contra os Turcos, approvou a ordem dos 
Jesuitas, convovou o concilio de Trento e 
confiou a construcção da igreja de S. Pe- 
dro a Miguel Angelo. Foi o primeiro autor 
da celebre bulia In ccenà Domini, tinha si- 
do cazado e tinha um filho, que foi duque 
de Parma. Deixou Cartas a Erasmo, oSa- 
dolet, etc. ''■ '* 

PAULO IV, João Pedro Caraffa, (hist.) pa- 
pa de 1555 a 1559, reformou muitos abu- 
zos, e lançou anathemas contra os hereges, 
inas a sua severidade, e a fraqueza para com 
seus sobrinhos irritaram o povo, que de- 
pois da sua morte lançou o seu cadáver no 
Tibre. Paulo IV redigiu o regulamento 
dos Theatinos. 

PAULO V, íhist.) Camillo Borghese, papa 
de 16"5 a 1621, terminou a contenda en- 
tre os dominicos e jesuitas, deu a ultima for- 
ma á bulia ín ccena Domini, approvou as 
ordens do Oratório e da Vizitação e cano- 
nizou a S. Carlos Borromêo. 
-'PAULO I, (Petrovitchi, (hist.) imperador da 
Rússia, nasceu em 1754. Foi eleito impe- 
rador em 1762. e conservou-se na obscu- 
ridade e inacção até á morte deCatharina, 
depois tornou-sí campião dos velhos prin- 
cípios monarchicos e foi o cheio da segun- 
da coalizão contra a França, de repente mu- 
dou de opinião, fez alliança com Bonapar- 
e ^^ pr eparou os tratados de Luueville e de 



PAU 



117 



Amiens. Morreu estrangulado por alguns se- 
nhores, ali demarco de 1801. Saccedeu- 
Ihe Alexandre seu filho. 

PAUio DE SAMOSATE, (hist.) bispo de Sft- 
mosate, sua pátria, depois Patriarch a d'Ale- 
xandria, foi o auctor de uma heresia, que 
negava a Trindade divina e a divindade de 
Jesu-Christo. Teve por partidário o papa S. 
Félix e foi excommungado no concilio de 
Antiochia. 

PAULO d'egina, (hist.) medico grego, na- 
tural de Egina vivia no VII século de Je- 
su-Christo, e estuíR^u em Alexandria pou- 
co antes da tomada desta cidade por Am*' 
ron. 

PAULO WARNEFRiDE , (hist.) hístoriadoF, 
nasceu em Cividale em 740, morreu em 801. 
Deixou Historia dos Lombardos, Chronica 
do Monte-Cassino, etc. 

PAULUS (JuUus), (hist.) jurisconsulto ro- 
mano, foi contemporâneo e rival de Papi- 
niano, florescia no principio do 111 século. 
Foi primeiramfcíute advogado, depois côn- 
sul, e prefeito do pretório. Dos muitos es- 
criptos, que compoz, só nos restam 5 liTrat. 
Recepíarum sententiarum. >. 'f .eíj 

PAUPERRiMAMENTE, adv. superl. alatinadof^I 
mui pobremente. '^i 

PAUPÉRRIMO, A, adj. (Lat. pauperrimus, 
superl. de pauper, pobre) poJbrissimo, mui 
pobre. 'i , v'-:^ 

PAUSA, s. f. (Lat.) cessação, suspensão ou 
interrupção de movimento. Fazer uma — -, 
parar declamando, cantando ou fallando ; 
na solfa. signal que indica os intervallos em 
que se deve fazer pausa, cantando ou tocan- 
do. 

PAUSADAMENTE, adv. {mente sufif.) com 
pausas, com descanso, de vagar, sem pre- 
cipitação, V. g. tazer as cousas — . 

PAUSADO, A, p. p. de pausar ; adj. vaga- 
roso. Homem — ■, que obra com reflexão, 
não accelerado. Canto — , não apressado. 
Faltarem tom — , pesando as palavras, com 
gravidade. Trabalho — , fei^ cora descan- 
so. • íifiJ 'jrjp í' r^ ".'■ 

PAUSADOR, A, adj. que fez pausas. Ho^ 
mem — , pausado. 

PAUSAGEM, (ant.) V. Paisagem. 

pAusANiAS, (hist.) celebre general lace- 
demonio, filho do rei de Sparta Cléombro- 
te, governou o reino durante a mocidade 
de Plislaco, filho de Leonidas, concorreu 
muito para a victoria de Platea e para o 
livramento das cidades gregas da Ásia, maíi 
manchou a sua gloria, dando ouvidos Í9 
offertas dos Persas, e concebeu o desígnio 
de sujeitar a sua pátria com o soccorro es- 
trangeiro. Foi chamado pelo senado, entre- 
gue aos ephoros, convencido de traição e 
condemnado á morte. Uefugiou-se em um 
81* 



128 PAU 

temfflo lie Minéirva, cujas portas foram lo' 
go entaipadas e morreu de fome em 477, 
Um outro Pausanas, neto do precedente, rei- 
nou em Sparta de 409 a 397, morreu exila- 
do em Tégeo. 

PAUSANiAS, (hist.) escriptor grego, viveu 
em Roma, no século II, e morreu muito ve- 
lho. Compôz no anno 174 de Jesu-Christo, 
uma Viagem histórica na Grécia, que é 
uma das obras mais preciozas da antigui- 
dade. 

PAUSAR, V. n [L&t. pauso, are, àeposi- 
tum, sup. de pono, ere, pôr, assentar, que 
vem do Gr. poús, pé, e/iúd, assentar) sus- 
pender movimento começado, parar ; fazer 
pausa para reflectir, considerar, v. g. pau- 
semos um pouco e ponderemos na matéria. 

PAUSíAS, (hist.) pintor de Sycionne, no 
anno 360 antes de Jesu-Christo, foi disci- 
pulo de Pamphylio e adquiriu grande re- 
putação. 

PAUSiLippo, (geogr.) Posilipo, montanha 
do reino de Nápoles, ao SO. de Nápoles, 
entra pelo mar até defronte da ilha de Nisi- 
da. t coberta por vinhas e atravessada pe- 
lo caminho subterrâneo, que vai de Nápo- 
les a Pouzolles. A' entrada deste subterrâ- 
neo vê-so o tumulo de Virgílio. 
I PAUTA, s. f. (do Lat. paíco, ere, estar pa- 
tente, aberto, extendido ao comprido) papel 
regrado com linhas transversaes negras em 
intervallos sufficientes, que se mete por bai- 
xo da folha para escrever as regras direitas. 
— -, taboa com fios de arame ou cordas de 
viola dispostas da mesma maneira, e que se 
p6e sobre o papel para o mesmo fim. — , rol, 
lista de pessoas, cousas, parcellas ; lista de 
pessoas propostas ou eleitas para cargo. A lim- 
par a — , escolher o magistrado entre os 
eleitos para oíiiciaes do conselho ou das me- 
sas de confrarias os que julga próprios para 
esses cargos, excluindo os inhabeis. — , (ant.) 
escriptura de convenções ou qualquer outra. 
— da alfandega, tarifa, lista dos géneros 
e mercadorias que tem entrada ou sabida, e 
dos direitos que pagam á entrada eá saída. 
— , (fig.) aranzel, regulamento, v.g. — das 
suas acções. 

PAUTADO, A, p. p. de pautar; adj. escri- 
pto com pauta ; posto em pauta ou rol. Pa- 
pel — , riscado como pauta. 
'PAUTAR, V. a. {pauta, ardes, inf.) riscar 
O papel com traços impressos por fios de ara- 
iJae ou cordas de viola ; pôr em pauta ou rol; 
tarifar os géneros ou mercadorias. 

PAUTO, (ant.) V. Pacto. 
-■ PAuw, (hist.) philologo hollandez, nas- 
ceu em 1681), morreu em 1/50. Deixou 
grande numero de edicções dos auctores 
gregos. 

PAUW, (Cornelio de) (hist.) sábio de Ams- 



PAV 

lerdam, nasceu em 1739, morreu em 1799. 
Publicou Observações philosophicas sobre os 
Gregos, sobre os Americanos, sobre os Egy^ 
pcios e os Chinezes. 

PAUZAGE, (ant.) V. Paisagem. 

PAvANA, s. f. (Cast.) dansa hespanhola 
grave. Tocar a — , (chul ) zurzir. 

PAVÃO, s. m. {L&t.pavo, onis, nome ti- 
rado do som da voz da ave) ave gallinacea, 
com cauda que abre em forma do leque cir- 
cular e a qual oííerece como olhos de cores 
bellissimas, assim como a plumagem. Todos 
tem seu pede — , adagio, istoé, todos teem 
suas imperfeições ou defeitos, como os pés 
do pavão, que não condizem com a belleza 
das pennas. 

PAVEA, s. f. feixe de cinco ou seis gave- 
las de espigas cortadas. 

PAVELHÃo. V. Pavilhão. 

pAvESAN, (hist.) paiz do ducado de Mi- 
lão, cuja capital era Pavia. 

PAVETTA, (hist) género de plantas da fa- 
mília das Uubiaceas e da Tetrandria Mono- 
gynia. 

PAVEZ, s. m. (Fr. pavois, Ital. pavese] es- 
cudo grande e largo que cobria o corpo todo 
do soldado. Pavezes de navio de guerra, 
reparo de redes ou taboas para resguardar 
a tripulação dos tiros do inimigo ; em terra, 
mantas pequenas para o mesmo fim. — de 
campo ou ferrados, detraz dos quaes se as- 
sesta artilharia. 

pavezada, s. f. {pavcz, des. ada) pavez de 
panno basto ou de rede que cobre os bordos 
dos navios ; reparo defensivo. 

PAVEZADO, A, p. p. de pavezar ; adj. or- 
nado com pavez, defendido com pavez ou 
pavezes. 

PAVEZADURA. V. Fãvcxada. 

pavezar, V. a. [pavez, ar des. inf.) guar- 
necer de pavezes : ornar com pavez ou pa- 
vezes, V. g. — os navios de guerra, os ba- 
téis ; — os homens de peleja, a bateria (em 
terra). 

PAVIA, (bot.) género de plantas da famí- 
lia da iiippocastaneas, 

PAVIA, (geogr.) villa e freguezia de Por- 
tugal, a 6 léguas NO. de Évora ; i.00 ha- 
bitantes. 

PAVIA, ( geogr. ) Ticinum dos antigos , 
Papia na idade média, cidade de Itália, 
no reino Lombardo-Veneziano, capital da 
delegação de Pavia, sobre o Tessiao, a 8 
léguas S. de iMilão ; 23,000 habitantes. Pa- 
via édo tempo dosGaulezes, e foi uma das. 
cidades dos Insubres. 

PÁVIDO, A, adj. (Lat. pavidus) medroso, 
cheio de pavor, intimidado ; temecoso, tími- 
do, V. g. as — s lebres. ,• 

PA vieira. V. Padieira, Verga de porta. 

PAVILHÃO, s. f. [Vv.pavillo\i, Itil. padi- 



?^ 



PÁ 

gUone, ao Lat. papilio, oníSy borboleta, e 
barraca) tenda de campanha, barraca de vi- 
vandeiro. — da cama, cortinado, sobrecéu. 
— de arvores, caramanchel. — do sacrário , 
cortinado 

PAviLLON, (hist.) poeta francez, nasceu 
em 1632, morreu em 1603, Deixou poesias 
no género de Voiture. 

PAViLLY, (geogr.) cidade de França, a 5 
léguas ao NO. de Ruão ; 2,330 habitan- 
tes. 

PAVIMENTO, s. m. (Lat. pavimentum, de 
pavio, ire, bater, calcar) sobrado, solho de 
casa feito de taboas, ladrilho, lagens. 

PAvio, s. m. torcida de vela ou de candeia; 
rolo de cera, torcida encerada. Gastar — , 
(fig.) tempo. , 

PAVIOLA, s. f. (áepavez, padiola). \. Pa- 
diola. 

PAVLOvo, (geogr.) cidade da Rússia, so- 
bre o Oka, a 4 léguas S, de Gorbatov ; 8,000 
habitantes. 

PAVLOVSK, (geogr.) nome de duas cidades 
da Rússia Europêa, uma no governo de S 
Petersburgo, a 8 léguas ao SE. de S. Pe- 
tersburgo ; 900 habitantes. 

PAVO, s. m. (Cast.) V. Peru, ave. 

PAVÔA, s. f. fêmea do pavão. 

pavoassan, (geogr.) capital da ilha de S. 
Thomaz, na costa occidental. Residência do 
governador. 

pavonaço, a, adj. [pavão, des. aço, que 
denota semelhança) de côr roxa, como a de 
violetas. O — do mantelete, s. Vieira. 
. PAVONADA, s. f. {pavão, des. ada, que de- 
nota acção) a roda que o pavão taz abrindo 
a cauda ; (fig.) ostentação aíTectada. Dar — 5, 
passear com aííeclada gravidade e ufania. 

PAVONADO, A, adj. V. Apavonado. 

PAVONEADO, A, p. p. de pavoHoar ; adj. 
quepavonòa; enfeitado de bellas peunas co- 
mo o pavão ; desvanecido como o pavão ; 
(fig.) ufano. 

PAVONEAR, V. a. [pavão, ou Lat. pavonem, 
accus. de pat'o, ardes, inf.) enfeitar de or- 
natos vistosos como a piuri.agem do pavão ; 
(fig.) encher de vaidade, de ufania. — se, v. 
r. enfeitar-se com ornatos mui vistosos, co- 
mo a plumagem do pavão ; (fig.) vangloriar- 
se, desvanecer-se de cousas fúteis. 

PAvoNiA, (bot.) género de plantas da fa-- 
milia das Malvaceas e da Monadelphia Po- 
lyandria. 

PAVOR, S: m. (pron. pavor, Lat. pavor. 
Court de Gébeliu quer que venha de pau, ra- 
dical imitativo; outros o derivam áQ pavio, 
ire, bater, que referem ao Gr. paio, dar gol- 
pe. Eu cie o quo vem à.Q pais, criança, e oro- 
deô, ter medo, susto) ttjmor grande, com es- 
panto c sobresalto. 

Syn. comp. Pavor, susto, medo. Pavor 

V§L. lY. 



PAZ 129 

suppõe objecto próximo ou patente. Susto é 
repentino e transitório. Medo é genérico e ap- 
plica-se a cousas presentes^ remotas ou fu- 
turas. 

Temor é vago e indeterminado. 

PAVOROSAMENTE, adv. [mcute suíf.) com 
pavor. 

PAVOROSO, A, adj. (des. oso) que inspira, 
causa, enche de pavor. 

PAv^iNEES ou pANis, (googr.) nação guer- 
reira e muito numeroza da America do Nor- 
te, nas margens do Lobo ; tem 3 grandes 
villas e perto de 6,000 habitantes. 

PAX AUGUSTA, (g<^ogr.) hoje Badajoz, ci- 
dade dellispanha, sobre o Anãs, perto das 
fronteiras da Lusitânia, 

PAX JÚLIA, (geogr.) hoje Beja, cidade de 
Portugal, entre os Ce/íici, para o S. aper- 
to do Anãs. 

PAXO, (geogr.) Paxos, umas ilhas jonias, 
a 3 léguas ao S. de Corfu ; 3,97u habi- 
tantes. 

PAXOEIRO, s m. (ant.)nvro que contem os 
evangelhos da Paixão. V. Passionario. 

PAY, e outros termos não derivados do Gre- 
go, escriptos com y, como payo, payol, V. 
com i, V. g. Pai, etc. 

PAYALVo , (geogr.) villa de Portugal , no 
districto de Santarém, a uma légua 0. de 
Thoiíwr •, l,l70 habitantes. 

PAVÃO, (geogr.) freguezia de Portugal, no 
concelho da Figueira, a 6 léguas de Coim- 
bra ; 3,230 habitantes. 

PAYENS (Hugo de) , (hist.) fundador da 
ordem dos Templários, era da caza dos con- 
des de Champanha. Tendo ido á Palestina, 
estabeleceu em 1128, comouto cavalleiros, 
a confraria da milicia do templo, e f oi o 1,° 
gran-meslre da ordem. 

PAYERNK, (geogr ) Peterlinyen em allcmão, 
cidade da Suissa, a 4 léguas 0. de Friburgo ; 
2,50o habitantes. 

FAY-HO ou PEi-HO, (geogr.) rio do im- 
pério chinoz, que cáe no mar Amarello. 

PAYNE-GANGA, (geogr.) rio da Índia, nas- 
ce a 7 léguas ao S. de Adjantah, e corre 
ao SE. e a K. e perde-se no Uuardah. 

PAYO (S,) , (geogr.) ha no reino algumas 
povoações deste nome ; as principaes são : 
a 1.* a 11 léguas de Braga, cora 830 ha- 
bitantes ; 2.^ no concelho de Gouvea; com 
640 habitantes. 

PAYTA, (geogr.) cidade e porto do Peru 
a 1<'0 léguas ao NO. de Truxillo. 

PAZ, s. f. (Lat. pax, eis, dopactio, ajus 
te. convençãoy cessação das hostilidades fir- 
mada por tratado, pacto ; suspensão das hos- 
tilidades, trégua ; estado tranquillo ; socego 
de espirito. Viver em — , em boa harmc- 
nia, convivência. Fazer a — r assentar , pa- 
zes com o inimigo ou adversário, pôr ter- 
33 



180 



PÊ 



mo á guerra, congraçar-se, reconciliar-se. 
Terem — , manter, conservar, v. g. — o rei- 
no, os vizinhos. Meter em — os desavindos, 
reconciliar. Vir de — , com animo pacifico, 
sem designio hostil. Gente de — , paciíica, 
amiga. Bandeira de — , do partido que pro- 
põe capitulação ou suspensão de hostilidades. 
Ficar em — (nojngo) não perder nem ga- 
nhar. — de parolim ou depirolo, como se 
diz vulgarmente, parada em que só se arris- 
ca o ganho do parolim, e não a massa pri- 
mitiva. Estar á — , (loc. famil.) reduzido 
ao ultimo recurso. Dar o — , na missa, dar 
a beijar uma cruz ou relíquia. 

Syn. comp. attendendo á etymologia, não 
pode confundir-se paz com iranquillidade, 
quietação, socego, etc. Paz refere-se a guer- 
ra ou desavença. 

PAZ, f^íiogr.) cidade do Mcxico a 25 lé- 
guas ao NO., de Valladolid ; 3,00J habi- 
tantes. 

PAZÃo, s, m. (t. da Ásia) animal quadrú- 
pede da índia, semelhante ao bode. 
paziguar. V. Apaziguar. 
PAZZí (Os), (hist.) celebre familia de Flo- 
rença, originaria do valle de Arno, onde pos- 
suis grandes feudos, e rival encarniçada da 
dos Medicis. 

pií, s. m. (Lat. pes, dis ; Gr. poús, po- 
dos \ Sanscr. pad; Bali ou fali; òaí ; em 
Pers. pai, que todos vem, a meu ver, do 
Egypc. pat, phat ou fat, pé, cijo radical é 
fai, soster. sustentar.) aparte dos membros 
inferiores do homem, que termina a perna e 
que sustenta o corpo, andando ou na situa- 
ção erecta ; a parte inferior das pernas dos 
animaes, e nos quadrúpedes das trazeiras : 
as dianteiras áeaommnva-se mãos. Estar em 
— , erecto. De — , não deitado por moléstia, 
ou a dormir. Andar a — , não em cavalga- 
dura ou em carruagem. Estar em — , ((ig ) 
manter-se , permanecer, v. g. edifício, lei, 
costume. Não se poder ter em — , vacillar 
por grande debilidade, embriaguez ou outra 
causa. Estar com bom — , firme, e fig. bem 
estabelecido, reputado. Fazer — atrás, re- 
cuar. — , recuar para dar salto, ou para cair 
com mais Ímpeto sobre o contrario. Fazer 
finca — , firmar-se, e tig. teimar. Pelejar — 
a — , passo a passo. Arrimar os — sá pare- 
de, (fig ) porfiar, obstinar-se. Tomar — , em 
rio, achar fundo onde se segurar ; (fig.) cer- 
tificar-se, firmar-se , entender bem alguma 
matéria. Perder — , não achar fundo onde 
pôr o pé. Meter — em algum negocio, en- 
trar, meter-se nelle. Armar o —, (p. us.) 
dar carabapé. Fazer—, (p. us.) restabele- 
cer- se bem. Cair em—, (fig.) sair-se bem 
de lance arriscado. Bater com o — , dar 
patada, patear. Dar com o — , bater . dar 
patada, e fig. maltratar. Dar de — a al- 



'Tà'í 

guerrij (p. us.) ajudar a subir, a trepar. Dar 
de — ou de — s a alguém, (fig.) desjjrezar. 
A — enxuto, sem molhar os pés, v. g. atra- 
vessou a — enxuto por ser na rasante da ma- 
ré Arrastar os — s, estar trôpego. Entrar 
com o — direito, (fig.) começar empreza ou 
negocio debaixo de bons auspícios. Pôr os 
— s em polvorosa, fugir. Dos — s até á cabe^ 
ça, inteiramente Negar aos — s juntos, [loe. 
famil.) obstinadamente, e de ordinário ac- 
ção má commettida pela pessoa. Ser — s ê 
mãos de alguém, o seu principal conselhei- 
ro e agente. Andar ou estar com os — «pa- 
ra a cova ou com um — na sepultura, com 
indícios de morrer cedo. Pôr, meter debai- 
xo dos — *, espésinhar humilhar. Pôr o — 
no pescoço , (fig.) subjugar, opprimir. Não . 
lançar — além da mão, (fig. p. us.) ter cur- 
ta intelligencia, não adiantar negocio. Pas- 
sar o — além da mão, adiantar, attingir. 
Não dar pelos — s a dlguem, (fig.) ser-lhe 
inferior em talento, capacidade, etc. Ver a 
Deus pelos — s, ter fortuna inesperada. Á 
— quedo, sem se mover. Esperar o tniwi- 
go a — quedo, com resolução. — ante — , 
de mansinho. Não ter uma cousa nem — s 
nem cabeça, ser disparatada. Abalar os — 8 
a alguém, fazer vacillar. — polim. V. Polim. 
Pôr-se ao^ — sde alguém, expressão de res- 
peito. Lançar-se, deitar-se aos — s de al- 
guém, implorar a sua piedade, auxilio, fa- 
vor, perdão, etc. Estar com o — no estri- 
bo, em acto de partir. Homem de — , peão. 
Gente de — , soldados de infantaria. — de 
exercito, corpo de tropas que forma o cas- 
co de exercito. — de castello, guarnição se- 
dentária. Ao —, próximo, perto, na proxi- 
midade. — da letra, literalmente, em senti- 
do estricto, V. g. traduzir ou tomar o texto 
ao — da letra. Com — s de lã, (loc. famil.) 
sorrateiramente. — de boi, diz-se de homem 
mui prudente, que faz tudo com pausa. — , 
medida de extensão que tem diversos valo- 
res, segundo as nações. O pé portuguez tem 
palrao e meio craveiro. O geométrico tem 
doze pollegadas. O pé grego tinha só deza- 
seis dedos, e equivale a três decimetros fraa- 
cezes. — de angulo, (artilh.) esquadra. — di- 
reito, (arch ) altura. — s direitos, hombrei- 
ras das portas, a altura. — de pata , ferro 
que sustf^nta o varal da liteira. — de ca- 
bra, alavanca espalmada e fendida como a 
unha ou orelha do martello. — s de cabra, 
balas de chumbo de pequeno calibre. — s 
altos, paus mais altos qne um homem, por 
onde entram os barrotes das tranqueiras. — 
de gallo , ferro que desce de uma travessa 
entre os varaes de paquebote, e prende no 
jogo dianteiro. — , (naut.) apparelho que 
I vem do mastareo da gata prender á verga 
! da mesena — , luparo, berva. —s de car^ 



PEA 

neirOt (naut.) paus perpendiculares firmados 
no porão, que sustentam a coberta, e que 
tem mossas por onde os marinheiros des- 
cem e sobem. — , diz-se de toda a extremi 
dade ou extremidades inferiores que sus- 
tentam algum traste ou corpo, v g.o — do 
castiçal, do candieiro ; os — s do leito, ca- 
deira, canapé. Os — s da cama, a parte op- 
posta á cabeceira. — . haste de planta, v. g 
vinte — s de oliveiras, de larangeiras, de cra- 
veiros, de alecrim,, de buxo, etc. — ,a par- 
te inferior, v. g. — do monte, domuro. — , 
sedimento, v. g. — do liquido. — da azei- 
tona, albufeira. — das uvas, folhelho. — , 
no jogo. oppõe-se a mãò. Ser — , ser o ul- 
timo a jogar. — de vento, furacão. — de ai 
tar, as esmolas e offertas que se dão ao cura 
poroccasião de baptisados, casamentos, en- 
terros e outros oíficios , ou , mais exacta- 
mente, o dinheiro exigido pelo cura por es- 
tes e outros oíTicio?, que constitue boa parte 
do seu rendim mto. — , (fig.) modo, manei- 
ra, estado, v g.as cousas ficaram no mes- 
mo — . Conservar o exercito no — de guer- 
ra, como se (an^ havendo guerra. — , (fig.) 
pretexto, occasião. Tomar —, por pretexto. 

— de xibão, dansa antiga portugueza. — de 
lista. Na carta regia de 14 de Outubro de 
1710, se lê, fallando do Brasil : « Que se re- 
metam annuslmente ao conselho d'uUrarTiar 
os — s de lista. » O sentido é escuro — de 
burro, nome de um marisco (Lat. spondylu^). 

— de bezerro. V. Jaro , herva. — de galli- 
nha, a planta chamada pelos gentios do iíra- 
sil capimpuba, ou capim moUe. — de gato, 
pe^a do canhão do freio. — de lebre, Ler- 
va (Lat. lagopus). — de leão, herva (Lat. al- 
chimilla). — s columbinos, aquilegia. — de 
verso, certo numero de syllabas longas ou 
breves de que se compõem os versos latinos 
e gregos, V. g. — jambico, trocheo, etc. V. 
estes termos. 

PEA, s. f. (de pear) laço de corda, coiro, 
ou corrente de ferro que prende os pés das 
bestas um ao outro na estrebaria ou na pas- 
tagem. — , (ant.) pena 
■ PEAÇA, s f. (pêa, des. augment. aça.) pêa 
com que se ata o boi pelos cornos á can- 
ga- 

PEADO, A, p. p. de pear; adj. preso com 
pêa. Ganhar seu pão — , (ant.) a muito cus- 
to Kufr. 

PEADOiRO, A, adj. digno de pena, puní- 
vel. 

PEAGE, s. f. (Fr. péage. V. Pedágio.) im- 
posto, direito que se paga na passagem de 
pontes, de barcas. 

PEAGEiRo, s. w. collector de peage. 

PEAL. V. Escarpim. 

PEAN, s. m. [Lat. poean, do (jt. paian, no- 
me de Apollo ; rad. paio, sarar, curar.) hym- 



PEÇ 



w 



no a Apollo, eaos outros deuses, v.g. caii- 
tar o — . 

PEANOA, s. f. [pé, anha suflf , do Lat. /i-» 
gnea, de páo) base de imagem, estatua , (Qg-l 
base, sustentáculo. 

PEANHA, s. f. [pé e sanies) (alreit.) chaga 
que vem ao casco das bestas causada pela 
lama. 

PEATSHO, s. m. (ant. naut.) quilha e par- 
te inferior do navio. ex. « tom os — s em 
terra.» Couto, fallando de uma nau abica- 
da a uma ribanceira de rio. 

PEÃO, eaat. peom, s. m. [de pé, des. ão, 
alterado de homo Lat., homem ; Fr. ant. 
pion) homem de pé, toldado que combate a 
pé, não cavalleiro. V. Pião. — de som- 
breiro. 

PEAR, V. a {pêa, ar des. inf.) prender com 
pêa, pôr pêa a bestas, (fig.) impedir o passo.' 
Calças de — , usadas antigamente, mui jus- 
tas. 

pear, (ant.) V. Punir, Castigar. 

PEARCE, (hist.) sábio bispo inglez, nas- 
ceu em 1690, morreu em 1774. E' autor 
de ura Emaio sobre a origem e progresso , 
dos Templos. 

PEART-RiVER, (gcogr.) rio dos Estados Uni- 
dos, nasce no Missouri, separa este Estado 
do de Luisiania, e cae no lago Borgne. 

PEARSON, (hist ) bispo de Chester, nasceu 
em i()lá, morreu em 1686. E' autor de uma 
Exposição da Fé. 

PECAMENTE, adv. [mentc suíS.) com pequi- 
ce. 

PECAR, V. n. {peco, ar des. inf.) fazer-se 
peco, V. g. a fruta. 

PEÇA, s. f. {Fr.pièce, eant.pieça, que M. 
de Roquefort deriva do Lat. spatrum, espa- 
ço. >ão posso admittirtal etymologia, e creio 
que vem do Céltico pez ; pedaço, ou do Lat. 
pars, parte, e scissa, cortada) parte desta- 
cada ou qne pode destacar-se de corpo so- 
lido, V. g, — d(i traste, machina. — , traste, 
movei, jóia ; pedaço, porção, v. g. uma das 
— s do relógio, do navio, do mastro. Fazer- 
em — s, quebrar, espedaçar. — d'armaSf 
parte da armadura antiga, v. g. á viseira, 
o escudo. — , de moeda. Uma — , diz-se 
particularmente das raeias do|)ras de6, <00 
réis, depois de 7,500, e hoje 8,000 réis. 
— s do jogo, do xadrez, damas, gamão, ta- 
bolas. — s de artilharia, canhões de diver- 
sos caUbres. — , de estoíTo depanno, seda. 
Novo da — , cortado d'ella. Em — , ainda 
não cortado e talhado em vestido, roupas, 
etc. — , obra, v. g. — de theatro, drama. 
— de poesia; — de musica, composição de 
musica vocal ou instrumental ; composição 
litleraria, oratória. — -, lograçào, v. g. pre- 
gar uma — ou — s. — , presente, offerta, v. 
g. cada um deu sua — . — de gentç, -^ 



m 



PÉC 



PEC 



i^%aus, (ant.) numero. — s, cabeças, indi- 
víduos. Dizia-se no Brazil dos negros impor- 
tados nos navios que faziam o commercio de 
escravaria. — , (ant.) porção, espaço de tem- 
pos ou de caminho. — ha, ha tempos. Boa 
ou gran — , um bom pedaço de caminho. 

PEÇA, s. f. V. Pecha. 

pECCADAço, s. m. {peccado , des. augm. 
aço) (joc.) grande peccado. 

PECCADiNHO, s. m. diminuí, de peccado, 
leve. 

PECCADO, s. m. [LQ.i.peccatum, àepecca- 
re, peccar) transgressão dos preceitos religio- 
sos, culpa ; acção má, censurável. — da 
carne, sensual. — mortal, que conduz ás 
penas eternas. — renial, leve, perdoável. 
Mal — , em vez de mal de — ou de —s, 
em castigo d'elles. Usa -se também como in- 
terjeição. E — , cousa mal feita. 

Syn. comp. Peccado, delicto, crime, fal- 
ta, culpa. Todas estas palavras designam 
acções contrarias á boa moral e ás leis po- 
sitivas, porem cada uma d'ellas tem sua re- 
lação particular ou differente gráo de gravi- 
dade. ,,-,.'V ., 

Peccado é o facto, o dito, o desejo contra 
alei de Deus e da Igreja, e em geral tudo 
que se aparta do recto e do justo. Delicio é 
o quebrantamento d'uma lei humana, nasce 
commumeníe da desobediência á autorida- 
de legitima e é reputado menor que o crime 
o qual é um delicio grave, que merece cas- 
tigo, porque perturba sempre a ordem so- 
cial, e contra elle se fazem e executam as leis 
criminaes. Falta é propriamente o defeito de 
obrar contra a obrigação, nascido mais da 
humana fraqueza que da malicia e deprava- 
ção do coração. Culpa é a falta ou delicio 
commettido por própria vontade, ou, como 
diz D. Fr. Francisco de S. Luiz, a relação 
moral que resulta do peccado, delicio, cri- 
me 011 falta, e pela o qual homem contrahe 
a quahdade de culpada), eíica sujeito a uma 
pena ou castigo. 

Accusâm-nos de nossos peccados , pedi- 
mos perdão de nossas culpas; perdoam -se 
as falias ; esquadrinha-se a natureza dos 
delidos; castigam-se os crimes. 

peccador, a, adj. que pecca, commette 
peccado. — , s. pessoa que pecca, que com- 
mette pecado habitual. 

PECCADORAço, A, adj. (qço. dcs. augm.) 
(chul.) grande peccador. 

PEccAis, (geogr.) forte de França, no 
districto de Gard, a 2 léguas ao SE., de 
Aguas-Mortas, sobre o canal de Silvereal. 

PECCAMiNOSo, A, ttdj . (do Lat. peccamen) 
da natureza do peccado. v. g. acção — . 
_ PECCANTE, adj. dos 2 g. (lat. peccans , 
t\s, p.a. de joeccarc, peccar), que pecca ha- 
bitualmente, que tem certo vicio, balda ou 



fraqueza, v. g. Humor — , (med.) viciado , 
que causa doença. 

PECCAR, V. n. (Lat. pecco, are, falhar, 
commelter erro. Court de Gébelin o deriva 
de um radical que significa aanargo. Eu creio 
que vem do Gr. épô, fazer, dizer, e hakôs, 
mao, mal), commetler oíTensa contra as leis 
religiosas, transgredir a lei de Deus e os 
preceitos da Igreja ; infringir as regras da 
moral, da conscieucia :vg. — contra Deos ; 

— em um mandamento; — com uma mulher. 
Peccar, errar, v g. — em fallar de mais. 

— ter balda , fraqueza habitual , v, g. — 
pela superstição, avareza. Peccar, commet- 
ter crime — em humores, (med.) ter hu- 
mores viciados, O anno peccou desecco, de 
invernoso, foi mau em rasão da muita sec- 
cura ou chuva. 

PECCAR, V. a. (ant,) commetter ; — pec' 
cados. ex. « Peccou David o peccado de 
desobediência. » Vieira. E hoje desusado , 
e co.m rasão. 

PECEGO, s- m. (alteração do Lat. malum 
persicum, pomo da Pérsia), fruclo do pe- 
cegueiro, de que ha varias espécies : — mo- 
lar, miraolho, maracotão, calvo, de Janeiro, 
Gil Mendes, veneziano, etc. 

PECEGUEiRO, s. w». (Lat. pcrsica) , arvore 
que dá os pêcegos. 

PECEGUEIRO, fgeogr.) ilhota de Portugal, 
situada a légua e meia a 0. da villa de 
Sines. 

PECENO, (ant.) por pequeno, do Fr. (ant.) 
pécliignot. 

pecha, s. f. (do Fr. péché, peccado) , de- 
feito, tacha. V. g. Póe-lhe a — de indis- 
creto. 

PECiiÂNTRE, (hist.) medico e depois poe- 
ta trágico francez, nasceu em 1(5 >8. mor- 
reu em 1708. Compoz três tragedias : Ge- 
ia, Juguriha, e a Morte de Neso. 

PECHELiNGUE, s. m. (corrupto de Flessin- 
gue{, (ant.) corsário Hollandez de Flessin- 
gue. 

PEcniNCHA ou PEcniNXA, s. f. (não vem do 
Cast. pecha, tributo, direito que pagavam os 
peões, como diz o additador de Moraes, mas 
sim do ital. piccin, pequeno, subent. ga- 
nho), ganho ténue e sem custo. 

PECHISBEQUE, s. m. (do Ingl. pinch-beck, 
que se diz vir do nome do inventor), liga 
de cobre e zinco de côr semelhante ao ou- 
ro, chamada em Fr. similor. 

PECHOso, A, adj. (p cha, des. aso), que 
põe pecha a tudo, descontentadiço. — mul^ 
perluxo em parecer bem. ex. « Por não - 
ser tão — , não qneria ser namorada. » Fer- 
reira, Cioso. 

PECHOTE, adj. 6 s. m. (de pecha), jogador 
inexperto, que commette muitas faltas. V.. 
P eixo te. 



PEC 

PKCO, s. m. (do Lat. paucus^ pouco, peque- 
no, diminuto), vicio que dá nas arvores e 
plantas, que definha os fructos. v. g. Deu o 
— nos pomares. 

PECO, A, adj. (do precedente) , que tem 
peco, definhado. — néscio, tolo. v. g. Não 
é— . 

PECOREAR, V. n. (ant.J (do Lat. pecus, oris, 
gado), passar a noite no campo, como o ga- 
do na malhada, amejoar. 

PEÇONHA, s. f. (Fr. poison, do Lat. potio, 
onis, bebida), veneno, no sentido physico e 
no moral. v.g. Muitas cobras tem — . A — 
da lingua. — , (fig.) e impróprio, matéria 
saniosa de chaga. 

PEÇONHENTAR. V. Envenenar. 

PEÇoNHENTissiMO, A, adj. supcrl. de] pe- 
çonhento. 

PEÇONHENTO, A, adj. (des. possessiva ento), 
que contém , encerra peçonha , venenoso. 
V. g. A baba — da cobra surucucú. 

PECORONE, (hist ) novellista florentino do 
século XIV. Deixou Novellas. 

PECQ, (geogr.) viila de França, a l quar- 
to de S. Germano-em-Laye. 

PECQUET, (hist.) grande anatomista fran- 
cez , nasceu em IblO, morreu em 1674. 
Fez grandes descobertas em medicina. 

PECTAR, (ant.) V. Pagar, Peitar tributo. 

PECuiNHA, s. f. (voz dimiuutiva e imita- 
tiva), as primeiras vozes que a ave tenra 
solta depois da muda. — s , remoques pi- 
cantes, ou amorosos 

PECULATO, s m. (Lat. peculatus), furto, 
roubo de dinheiro do erário, do íisco. 

PECULIAR, adj. dostg. (Lat. peculiarius), 
(forens.) do pecúlio : bens — s, próprios da 
pessoa. — próprio, particular, especial, v.g. 
Idiotismos — s da nossa Jingua. ex. «Povo 
de Deus eleito — e especial. » Couto. Com 
— attenção. 

PECÚLIO, s. m. (Lat. peculium. de pecus, 
gado, rad. de pecunia^ dinheiro, bens, ha- 
veres), (jurid. rom.) o património do filho- 
familias, ou do servo, que o pai ou o se- 
nhor lhes dava para negociar. Este se deno- 
mina profecticio ; — adventicio , o que é 
dado por pessoa estranha ; — castrense, ad- 
quirido no serviço militar. — , coUecção de 
apontamentos jurídicos, de máximas, de 
exemplos, de notas scientiíicas feitas por al- 
guém para uso próprio. 

PECUNiA, s. f. (Lat. de pecus, gado, que 
nos principies do Roma constituía a prin- 
cipal riqueza , e por ampliação, dinheiro), 
termo só usado em estylo jocoso, dinheiro. 
PECUNIÁRIO, A, adj. (Lat. pecuniorius] , re- 
lativo a dinheiro, v. g. Pena — , muleta. 



m 



133 



do), guardador de rebanho, subordinado ao 
pastor. Pegureiro é mais usado e meno? 
correcto. 

PEDACINHO, s. m. diminuí, de pedaço. 

PEDAÇO, s. m. (do Lat. pars, parte, e' 
quassa, quebrada), fragmento, parte, peçá^ 
cortada, quebrada, separada de um todo. 
v.g. Um — de pão, pão, queijo, carne. — ;^ 
porção que se pôde separar de um todo / 
V. g. um — de terra, campo, de caminho, 
de tempo. Estatua feita de — s. Composi- ■» 
çãode — s, que não é toda do mesmo tom. 
Fazer em — s, espedaçar. A — s, aos pou- 
cos, por vezes, v. g. fazer o caminho, a 
jornada, a obra a — s. — s d' alma, coração, 
diz-se de pessoas que amamos como se 
fosse parte de nós mesmos. ' "" 

PEDÁGIO, s. m. (ant.) (do Lat. pes, dis, o 
pé, e ágio, de agere, fazer), tributo que 
se pftga por passagem de ponte, barca, cal-j 
cada, etc. 

PEDAGOGIA, s. f. (pedagogo, des. ia), tom 
de pedagogo ; dogmatismo ; pedantaria. 

PEDAGÓGICO, A, adj. (dcs. ógico), de pe- 
dagogo, v.g. Tom, estylo — , Maneiras 
— s. de mestre de meninos, de pedante. 

PEDAGOGO, s. m. (Lat. do Gr. pais, dós,, 
criança, e dgo, conduzir), mestre de me- 
ninos ; aio , preceptor de mancebo ; ins- 
tructor ; (fig.) homem dogmático, pedante. 

PEDANEO, A, adj. (Lat pedaneus, depes, 
dis, pé), inferior. Juizes pedaneos [Ldit. ju- 
dices pedanei), os da terra, não lettrados. 

PEDANTARIA, s. f. (dcs. aria], tom, ma- 
neiras, jactância de pedante. 

PEDANTE, s. m. (do Gr. pais, dós, crian- 
ça, e anta, diante, na presença; equiva- 
le a mestre ensinando as crianças) , peda- 
gogo, mestre de meninos ; (fig. e mais us.) 
erudito sem critica e vaidoso, que ostenta 
erudição indigesta. 

pEDANTEAR, V. a. [pedante, ar des. inf.) 
fazer de pedante, ostentar erudição iadi^t 
gesta. ' '' ' '','•» 

PEDANTESCAMENTE, adj. [mente suff.), co- 
mo pedante, de maneira pedantesca. 

PEDANTESco, A, adj. [pedante, des. esco\,-- 
próprio de pedante, v. g. Linguagem — ,, 
de quem ostenta erudição indigesta , sem.^ 
critica. 

PEDANTISMO, s. w. (des. xsmo 
ção ridícula de indigesta erudição, de co- 
nhecimentos supertíciães, jactância, osten- 
tação pedantesca. 

pÉ-DE-GALio, (naut.). V. Pé. ^ ^ 

PEDEO, (gpogr.) nome de dous rios dos^ 
Estados Unidos, um, o Granrfe Pedeo, nas- 
ce na CaroHna do Norte e cae na bahia de 
pECUNioso, A, adj. (Lat. pecuniosus), en- 1 Winyaw ; o outro, o I equeno Pedêo, nas- 
dinheirado, rico, que tem muito dmheiro. ce a E. de llockingham e junta-se na Ca-, 
PEGUREIRO, s. m. (do Lat. pecus, oris, ga- 1 rolina, do Sul com o Grande Pedèo. 
yOL. IT. ò»^lOi*iiiy; ,*ú .i w> 34 



ostenta- " 



\ 



PEDEMíAL, I. f». (pcam^ des. ai), peder- 
neira ; veia de perderneiras. Pedernaes lii. 

PEDERNEIRA, s. f. {pedra, Lat. e Gr. pe- 
tra, neueron, força), pedra siliciosa de ffv 
rir lume; a pedra fixada no cão das espin- 
gardas, pistolas e hoje nas peças de arli- 
Iharia, com que se fere lume para dar fo- 
go ou desparar a arma. — (naut.) arrecife 
de pedra viva. 

PEDERNEIRA, (geogr.) villa e freguezia de 
^Portugal, no districto de Leiria, 18 léguas 
ao M. de Lisboa, situada na bahia do mes- 
mo nome onde se lança o Alcoa com 6 lé- 
guas de curso ; 2,020 habitantes, e todo o 
concelho 2,8(J0, pela maior parte pescado- 
res. 

PEDERNEIRA, (geogr.) aldeia da província 
do Pará, na margem direita do Tocantins, 
no B-^azil , 22 léguas acima da villa de 
Cámelá, 5 abaixo do forte d'Alcobaça. 

PEDESTAL, s. f». pi. Pedcstaes (do Ital. 
piedeslallo, Fr. piédesial. M. de Roquefort 
quer que venha de Lat. pes, dis, e de stare, 
estar direito e firme, e não do Gr slylos, co- 
"^ liimna, mas penso que se engana, visto que 
só a idéa de columna é essencial), (arch.) cor- 
po ou membro que sustenta as columnas ; 
compõe-se de base e cornija e tem formas di- 
versas em cada uma das ordens de archi- 
tecturá. 

PEDESTRE, adj. dos 2 g» (Lat, de pes. 
dis, pé), de pé, que caminha a pé. Homem, 
gente — , viandante ; s. m. correio de pé, 
caminheiro. 

PEDiçÃo, s. f. V. Pedimenio, Petição. 

PEDICULAR, aáj. dos 2. g. (Lat. pedicu- 
laris, de pedicellns, piolho pequeno, rad. 
pes. dis, pé), de piolhos. Doença — , cau- 
sada por grande quantidade de piolhos, que 
se geram na cabeça e pelo corpo. 

PEDIDA, s.f. (subst. da des. f. áe pedido), 
(ant.) espécie de finta, pedido, cousa pedi- 
da ; licença pedida ao senhorio para cei- 
far. 

PEDIDO, Á, p.p. de pedir, adj. que se 
pedio, requerido. Pessoa — , a quem se pe- 
de, requer alguma cousa. v. g. Foi el-rei 
. pedido que houvesse de prover ; rogado, 
sapplicado. Tinha — a filha em casamento. 
As filhas já — s em casamento. -;;,/,!, 

PEDIDO, s. th. cousa pedida ; contribuição 
que os reis de Portugal pediam ás cortes pa- 
ra necessidades pubHcas. Kào se sabe o que 
significa a expressão que se encontra a ca- 
da passo nos actos das antigas cortes: v.g. 
um — , — e meio, dois, três — s. E' eviden- 
te que o pedido era quantia determinada, 
mas qual fosse o seu importe não sabemos. 

PFDiDOR. s.m o que pede esmola, pedinte 

PEDIGOLHO OU PBPI60NH0, S, m. (chuloj. 



ped 

pedidof importuno, mendigo impertinente. 

As des. são peiorativas. 

PEDiLuvio, s. w. (Lat. pediluvium) (med.) 
banho aos pés em agua quente. . 

PEDiMENTO, s. m [mento suíL), acção dei 
pedir, rogo, supplica, peditório, v. g. A 
— de parentes el-rei lhe commutou a pe- 
na. 

PEDINCHÃO, ONA, adj. (des. peiorativa e 
frequentativa), que pede com importunida- 
de, que pede muitas cousas, que está sem- 
pre a pedir. 

PEDINCHAR. V. a. (frequent. e peiorativo 
de pedir), estar sempre a pedir, pedir com 
importunidade e a miúdo, como os men- 
digos, eos frades mendicantes. Também se 
usa em sentido abs. p. p. sup. pedincha- 
do. 

PEDiNTA, s. f. {áe pedinte), (p. us,) mu- 
lher, pedinte, mendicante. 

PEDiNTÃo, ONA, adj. (chulo) V. Pedin- 
chão. 

PEDiNTARiA, s. f. (des. ária), mendiguez. 
o estado do mendigo, de pobre pedinte, i 

PEDINTE, s. dos 2g. (des. do p. a. Lat. 
em ens, lis), mendigo, homem ou mulherJ 
que pede esmola. D. Fr. Manuel usou dói 
f. pedinta, hoje desusado. 

PEDIR, V. a. (Lat. peto, ere, pedir, sup- 
plicar, buscar; de pes, dis, o pé; signifi- 
ca propriamente ir, ter, ir em busca, di- 
rigir-se a alguém), SDllicilar de alguém fa- 
vor, auxilio, V. g. — misericórdia, — di- 
nheiro emprestado, — esmola, — paz, — i 
conselho, voto, adjutorio, — mulher emca- 
zamento. — , requerer, v. ^. — justiça, sa-^j 
tisfação da injuria recebida, — campo, (oq 
desafiado). V. Campo. — tempo, dilação,!^ 
demora, espera, requerê-la ao juiz ou tri-í) 
bunal. — , exigir, pn cisar, v ^. Essa ques- 
tão pede madura reflexão. Isso joerfe tempo. 
Esse negocio jocde segredo, prudência, acti- 
vidade Moraes diz que neste sentido é neu-/ 
tro, o que é inexacto, pois nestas locuções! 
é o verbo tão activo como nas seguintes: 
peço segredo, grande reserva. — desculpa^.} 
desculpar-se, rogar a alguém que desculpeb 
alguma falta ou desattenção nossa. — per^p 
dão, de oífensa commettida, mais ou menos-, 
grave. Peço perdão, é locução de civilidade 
quando involuntariamente commetteraos al- 
guma irrevert ncia A — por bocca, loc. fa- 
mil., promptamenle e como desejamos, dei 
modo a síilisfazer instantaneamente os nos* > 
SOS desejos. — k (ant.) ir ter, procurar, at- 
tingir : « uma serrania de viva pedra com 
grandes e ásperos pico.«, que pedem as nu- 
vens (om sua altura. » Barros, Dec. 1, 8, 4. 
Este é o sentido primitivo do Lat. petere. 
— por alguém, em sentidp abs. oun.,im- 
^ lorar perdão ou favor a bem de alguém. 



RD 



í 



m 



^ , , , ir per^ 

dão. Quem se mostra sem culpa, justificaa- 
do-se d'uma falta apparente, pede desculpa. 
Quem reconhece sua falta, e quer evitar o 
ser punido, pedeperdão. A primeira expres- 
são refere-se á imputação, da qual nosjus- 
tificâmos ; a segunda reconhece a culpa, e 
mostra arrependimento. O animo nobre des- 
culpa facilmente; não hesita em perdoar o 
coração generoso. 

Syn. comp. Pedir, orar, exorar, rogar, 
supplicar, implorar, obsecrar, demandar, 
requerer^ exigir. De lodos estes vocábulos 
o mais genérico é pedir, porque não espe- 
cifica nem a cousa que se pede, nem a pes- 
soa a quem se pede, nem o modo como se 
pede. Pedimos justiça, ou uma graça ; pe- 
dimos o que se nos deve, ou o que desejámos 
obter por favor ; pedimos a Deus, aos ho- 
mens, em juízo, ou fora d'elle, de palavra 
ou por escrito, etc. 

Orar é pedir a Deus, diz Vieira, isto é, 
fazer orações para que Deus nos ouça, e de- 
fira ao que lhe pedimos. Exorar é pedir com 
instancias, demover, dobrar com snpplicas. 
Rogar é pedir por graça e mercê. Supplicar 
é pedir com humildade e submissão. Implo- 
rar é pedir com rogos e lagrimas, quando 
nos vemos em aíllicções e trabalhos. Obse- 
crar é pedir humilde e aííectuosameale por 
alguma cousa sagrada ou mui respeitável. 
Demandar é pedir em juízo, pedir por e com 
direito, como disse Vieira: «Peíitr a quem 
me deve mais é demandar que pedir (Serm. 
doHoz. I, 476). » Requerer é pedir ao ma- 
gistrado, ou fazer requerimento á autorida- 
de superior, para que se nos delira como é 
do justiça, se nos dê o que a lei nos concede, 
ou nos autoriza a pedir. Exigir é pedir com 
autoridade e instancia o que é devido. O so- 
berano tem direito de exigir a obediência de 
seus súbditos. Grandes crimes exigem exem- 
plares castigos. 

PEDORiDO, (geogr.) povoaçáo do concelho 
de Paiva, situada a 7 léguas a U de Lamego ; 
1,200 habitantes. 

PEDOTRiBA , s. m mestro da arte athle- 
tica. 

PEDOTRiBico, A, adj . Arte — , athletica. 

PEDRA, s. f. (Lat. bGt. petra, ou petros, 
rochedo. Os etymologistas não dão a origem 
satisfactoria deste nome. Talvez de írekhò, 
ser áspero, duro, e epi, sobre.) corpo com- 
pacto, térreo e mais ou menos duro que 
forma pf.rte do nosso globo ; seixo, calhao, 
e qualquer outra substancia dura, concre- 
ção, V. g. — da bexiga, dos rins. — s finas, 
as que se distinguem pela sua bella côr , 
transparência, dureza, e susceptíveis de re- 
ceberem um bello polido, v. g. & ágata, a 
i^rnalioa, o lápis lazuli, o jaspe, o porphy- 



TO, ôtc. — preciosas, as que se dístíngueoi 
pelo seu brilho e côr e a que se dá grande 
valor, V. g, o diamante, o rubi, a esmeral- 
da, a saphyra, o topázio, etc. — calcarea, 
a que consta principalmenta de cal. — si- 
liciosa, composta principalmente desilicia. 

— hume ou ahume, composta principalmen- 
te de alumina. — da chuva, saraiva, pe- 
drisco. — do raio , aerolite. — de cevar , 
iman, magneto — de toque, pedra dura em 
que os ourives roçam as peças ou barras de 
ouro e prata para provarem a sua puresa. 

— pomes, pedra porosa, producto dos vol- 
cãos. — de cantaria, própria para se lavrar 
e construir edifícios. — aguila, elites. — de 
amolar , em que se amolam instrumentos 
cortantes grosseiros. — de afiar, em que se 
dá o fio a navalhas de barbear, a cannive- 
tes, instrumentos cirúrgicos cortantes. — ba- 
zar, V. Bazar. — lithographica, pedra po- 
rosa própria para lithographar. — infernal, 
nitrato de prata, cáustico lunar. — lipes , 
sulphato de ferro, vitiiolo azul, natural ou 
artificial. — lios. V. Lióz. — de sal, as por- 
ções em que o sal se crystalliza. — da es- 
pingarda ou de arma de fogo, a pedernei- 
ra que fere lume e põe fogo á escorva. — 
de ara, a que se pÕe nos altares. — do la- 
gar, galga. — do moinho, mó. Primeira — , 
ou — fundamental, base do edificio ; (fig.) 
fundamento. — angular, a que forma os 
cantos do edificio; (fig.) principal força, es- 
teio. — de toque, (fig.) signal certo, ma- 
neira infallivei de ajuizar da bondade de al- 
guém ou de alguma cousa Lançar a pri- 
meira — a um negocio, por-lhe os funda- 
mentos, dar-lhe principio, fazer as primei- 
ras disposições. — branca, (fig.) marcar 
com — um dia, marcer como feliz, ou mar- 
ca?' com — preta, por infausto. — de es- 
cândalo, (fig.) objecto de escândalo, cousa 
que escandaliza, causa indignação. — phi- 
losophal, supposto arcano que os alquimis- 
tas procuraram por muito tempo : segando 
elles devia operar a transmutação das sub- 
stancias umas nas outras, e por conseguinte 
converter qualquer metal em oliro, e lam- 
bem devia ser panacea para curar todas as 
enfermidades. Achar a — , meio secreto de 
enriquezer. /)e — , pétreo, (fig.) cousa dura. 
Coração de— , duro, insensível. Cabeça de 

— ou de — e cal, mui dura, obstinada. Es- 
tar de — e cal, mu» firme, obstinado em 
uma opinião ou propósito. Lançar a — e es- 
conder a mão , adagio, fazer o mal enco- 
berlameote. ior uma — em cima, fallando 
de processo, demanda, embaraçar o progres- 
so, pôr era silencio. Dar de — entre ouri- 
ves, passar a pedra pomes sobre as peças 
de ouro ou prata antes de as polir. Doudo 
de — s, que atira pedras desatioadamente : 

34» 



136 



PED 



(fig. ) homem estouvado. Quem cala — s 
apanha, adagio com que se exprime que 
quem dissimula a offensa prepara a vin- 
gança. Não deixar — sobre — , arruinar 
completamente, 

PEDiiA, (geogr.) aldeia da provincia do 
Rio de Janeiro, na margem direita do rio 
Piírahiba e abaixo da confluência do Bosa- 
rahi, no Brazil. 

PEDRA-BONITA, (gGogr.) s^rra da provín- 
cia de Pernambuco, 22 léguas ao JNO. da 
Villa de Flores, no Brazil. 

PEDRA-BRANCA, (geogr.) villa da provin- 
cia da Bahia, 5 léguas OSO. da povoação 
de Genipapo, no Brazil. 

PELRA-LiSA, (geogr.) serra da provincia 
do Rio de Janeiro, no Brazil, nas matas 
que jazem entre o districto da cidade de 
Campos, e o da villa de Cantagallo. 

PEDRADA, s. f. {pedra, des. ada) , golpe 
de pedra; (fig.) remoque, dito picante. 

PEDRADO, A, adj. salpicado, com pintas 
pretas e branco, v. g. Falcão — . Ornamen- 
to de branco — de ouro. — , guarnecido de 
pedrinhas. — , calçado de pedras, v. g. es- 
trada, rua, cães — . duro como pedra, i?. 5'. 
fructos — s. Tetas — s das vaccas, callosas, 
endurecidas. 

PEDRAGOZo, V. Pedregoso. 

PEDRAGULiiENTO. V. Pedregoso. 

PEDRAL. y .Pedregal. 

PEDRANCEiRA, s. f. (p, us.) monte de pe- 
dras. 

PEDRÃo, (geogr.) povoação da provincia da 
Bahia, nodistricto da cidade da Cachoeira, 
no Brazil. 

PEDRARIA, s. /*. (des. aHa), pedra de can- 
taria, opposta á de alvenaria; (ant.). — , 
pedras preciosas ; — grossa, pedras finas 
como cornalina, ágata. 

PEDRAS, (gtogr.) povoação do Brazil, na 
provincia do Mato-Grosso, nas margens do 
Porrudos ou rio de São Lourenço, 26 léguas 
ao NE. da cidade de Cuiabá. 

PEDRAS, (geogr.) povoação do Brazil, na 
provincia da Bahia, 3 léguas ao NE. da pon- 
ta deltapuanzinho, e outro tanto ao SE. da 
povoação dellapuan. 

PEDRAS, (geogr.) rio da provincia de Mato 
Grosso, no Brazil, i[ue se ajunta com o rio 
Guaporé, pela margem esquerda. 

PEDRAS (rio das), (geogr.) rio da provincia 
das Alagoas, no Brazil, onde é também co- 
nhecido com o nome de Manguape. 

PEDRAS (lagoa das), (geogr.) Ingoa da pro- 
vincia do Rio de Janeiro, entre o rio Muriaré 
e a margem esquerda dot^arahiba. 

PEDREGAL, s. m. Pcdregoes, pi. (des. col- 
lectiva ai], logar onde ha muita pedra. 

PEDREGOSO, A, adj. (dcs. oso], cheio de pe- 
. dras soltas, v. g. Caminho, campo — . 



r)llJ.lV-9tl 



PED 

PEDREGULHO, s. ííi. (des. ulho), quo denota 
multidão de cousas miúdas) , muita pedra 
miúda, peixinhos dos rios. 

PEDREIRA, s. f. [pedra, des. eira que deno- 
ta origem), rocha d'onde se corta e quebra' 
pedra; (fig.) origem. Degenerar da — , dos 
pais, antepassados. — protector , valedor f 
empenho, ex. « Basta uma — . » Vieira. « Lhe 
mettiam — s para isso, » Couto, empenhos, 
como hoje se diz. 

PEDREIRO, s. m. (des. eiró), officialque tra- 
balha em obras de cantaria ou de alvenaria. 
— s livres, membros de uma sociedade se- 
creta espalhada por todo o globo, e que 
se suppõe ter principiado por uma associa- 
ção de architectos de diversas nações , na 
idade media. — , peça de artilharia mon- 
tada em cavallete, e que atira de ordinário 
pedras em vez de balas de chumbo ou de 
ierro ; — encampanado ; — encamerado. 

PEDREZ, adj. dos 2 g. (des. ez, que de- 
nota semelhança), semelhante a superfície» 
semeada de pedrinhas, ou a pedra cheia de 
pintas. V. g. Cavallo — , que tem pintas ou 
signaes pretos e castanhos sobre fundo 
branco. Ferro — , quebradiço como pedra, 

Moraes define pedrez cor de pedra, como 
se todas as pedras tivessem a mesma cor. 

PEDRINHA, s. f. diminut. de pedra, seixo, 
pedra pequena, fragmento de pedra. 

PEDRINHO, A, adj. (ant.), de pedra. v. g. 
Lagar--. Docum. Ant. 

pEDRisco, A, adj. (des. isco, que denota 
fragmento), em fragmentos de pedra. 

PEDRisco, s. m. (do precedente saraiva. 

PEDRO, (8.) (hist.) Pelrus em latim. Ce- 
phas em hebreo, chamado o principe dos 
apóstolos, era irmão de Santo André, pri- 
meiro discípulo do Salvador. Jesus escolheu> 
em Ij2 para vigário dirigindo-lhe as seguiu-- 
tes palavras: «Tu és pedra, e sobre esta pe- 
dra eu construirei a minha igreja. » Assusta- 
do durante a paixão, Pedro negou seu mes- 
tre, mas depressa se arrependeu. Pregou o 
chrislianismo em Jerusalém, na Antiochia e 
em Roma, aonde foi marlyrisrdo com S. Pau-' 
Io em 65 ou 66. E' commemorado a 29 de ju- 
nho. Ha mais alguns sanctos com o nome de 
Pedro: um bispo de Sebaste, morreu em 387, 
é commemorado a 9 de janeiro ; S. Pedro 
Chrysologo, foi bispo de Ravenna desde4j2 
até 452, é festejado a 4 de Dezembro ; S. Pe- 
dro de Alcântara, e S. Pedro Nolasco. 

PEDRO 1, (D.), (hist.) rei de Portugal, [fi- 
lho d'elrei U. ylíTorso IV e da rainha D. 
Brites sua mulher, nasceu em Coimbra em 
1320, reinou em 1H57 a 1367, anno em 
que morreu em Estremoz, e jaz em Alco- 
baça, junto de sua segunda mulher, a ce- 
lebre D. Ignez de Castro. Impaciente de 
vingar a morte desta , logo que subiu ao 
oq o ,oq<ift|, o ,íki\«ii aiq«í o ,«xi;imnoa 



PED» 



PEI> 



mt 



trono , fez alliança com Pedro-o-Cri/e/ de 
Castella contra o rei de Aragão, para obter 
a exlradicção dos matadores de sua mulher, 
de quem tirou crua vingança (V. D. Ignez 
de Castro). Convocou cortes em Cantanhe- 
de, aonde jurou o casamento com D. Ignez, 
que em 13tíl fez desenterrar para lhe dar 
as honras reaes. Applicou-se depois á re- 
forma lios abusos, que grassavam pelo rei- 
no, o que levou a effeito com constância e 
imparcial justiça. Viajou amiudadas vezes 
pelas provincias, syndicando sobre o bem 
viver dos povos; procurou reprimir o luro, 
sendo o primeiro a dar o exemplo, andan- 
do sempre com accompanhamento modes- 
to, e até muitas veze^ a pé pelas ruas, O 
commercio e a navegação continuaram em 
progresso no seu reinado. O que mais ca- 
racterisa o reinado deste monarcha foi a 
sua justiça rigorosa , que lhe grangeou o 
nome de Justiceiro. Foi D. i'edro casado 
pela primeira vez com D. Constança , de 
quem teve 3 filhos ; casou depois com D. 
Ignez de Castro; de quem leve 4 filhos, e 
teve alem destes 2 filhos naturaes, um dos 
quaes foi o celebre D. João, mestre de Aviz, 
que subiu ao trono por morte de D. Fer- 
nando 1. 

PEDRO II, (D.), (hist.) rei de f ortugal ; 
foi o sétimo filho del-rei D. João IV, nas- 
ceu em Lisboa em 1648, foi nomeado re- 
gente era 1()67 , rei em 1683. e morreu 
em 1716 em Alcântara; jaz em S. Vicente 
de Fora. Tendo seu irmão elrei D. Aífonso 
VI obrigado pelos acontecimentos, que mar- 
caram o fim do seu desditoso reinado, re- 
nunciado em 1667 a coroa em favor delle, 
D. Pedro foi logo acclamado regente pelo 
povo, e em Janeiro de 1G6S foi declarado 
e jurado pelas cortes herdeiro presumpti- 
vo da coroa, e regente do reino. Nomeou 
então os ministros, que tinham servido no 
reinado de seu pai, mandou recolher as 
pessoas, que no anterior reinado tinham si- 
do desterradas, procurou augmentar as ren- 
das do estado, e;acabaram com as desordens, 
que tinham lugar durante o governo de seu 
irmão, fazendo-se amar dos povos, no que 
punha o maior empenho. Concluiu paz com 
Castella , pondo termo a uma desastrosa 
gu€rra de :28 annos, com condições vanta- 
josas e honrosas para Portugal. Restabele- 
ceu as rtlações com a corte de Roma, e 
renovou os tractados com as principaes po- 
tencias de Europa , principalmente com a 
Inglaterra e liollanda , no que se houve 
com summa prudência. Diminuiu a despe- 
za publica, licenciou parte do exercito, me- 
lhorou a arrecadação da fazenda , e deu á 
corte o exemplo da frugalidade. Tendo fal- 
lecido D. Affonso VI em 1683 foi logo o 

VOL. IV. 



infante D. Pedro acclamado rei, mas no sen 
reinado não foi tão feliz como durante a 
regência. Conseguiu por algum tempo con- 
servar a neutralidade de Portugal nas guer- 
ras, que agitavam a Europa; mas por fim, 
oífendido com a altivez das cortes de Ma- 
drid e Versailles, e fascinado pelas vanta- 
gens, que se oíTereciam a Portugal , deci- 
diu entrar na Grande AUianra , e apoiar 
as pretenções do archiduque Carlos ao tro- 
no de llispanha. Foram os successos desta 
guerra alternativamente prósperos e des- 
graçados. Em I7lí4 o marquez das Minas 
entrou victorioso em Madrid á frente das 
tropas portuguezas, mas Carlos 111 demo- 
rou-5e demasiado e perdeu assim a única 
occasião de se apoderar da coroa ; as tro- 
pas portuguezas tiveram depois que retirar 
e soífreram bastante perda. Em 1706 pro- 
curava D.Pedro 11 fazer novas levas, quan- 
do cahiu doente, e dessa doença se lhe se- 
guiu logo a morte. Casou este monarcha 
em primeiras núpcias com D. Maria Fran- 
cisca Izabol de ^»boia, mulher que fora 
de D.AíTonso VI, para o que seobteve dis- 
pensa do papa, depo'\s de anuUado o casa- 
mento com aquelle monarcha. Casou em 
segundas núpcias em 1687 com D. Maria 
Sofia de Newburgo, filha do eleitor palati- 
no do Rheno. De ambas leve descendên- 
cias. Este monarcha viveu 58 annos, dos 
quaes governou 38 , sendo 15 como re- 
gente e 23 como rei. Foi dotado de gran- 
de intelligencia e juizo solido. Era sensí- 
vel, caritativo , e hábil nos negócios pú- 
blicos. A felicidade dos povos era o obje- 
cto do seu maior cuidado. 

PEDRO 11 (D.), (hisl.) rei de Portugal 
por ter casado com a rainha D. Maria J, 
sua sobrinha. Nasceu em Lisboa em 1717, 
sendo filho delrei D. João V, e da rainha 
D. Maria Anna sua mulher ; casou em 1760 
com sua sobrinha D. Maria, herdeira pre- 
sumptiva da coroa, e com elia subiu ao 
throno em 1777, tomando o titulo de rei 
por já ter filho varão ; morreu em 1786, 
e jaz em S. Vicente de Fora. liontava D. 
Pedro 63 annos quando sua mulher subiu 
ao throno ; viveu ainda mais 9 sem 
de maneira alguma interferir na publica ! 
admnistração ; vivia retirado no palácio de 
Queluz, onde dava esplendidas festas a sua 
esposa ; se esta o convidava para assistir 
ao conselho d'estado, alli permanecia mu- 
do expectador excepto quando se tratava 
da casa do infantado, que lhe pertencia. 

PEDRO IV (D.) (hist.) 1 do Brasil, rei de 
Portugal, e imperador do Brasil, nasceu 
em Queluz em li 98, o foi filho delrei D. 
João VI, e de sua mulher a rainha D. 
Carlota Joaquina ; foi declarado herdeiro 
35 



m 



PEDí 



PED 



da coroa em 1826, mas abdicou logo em sua 
filha; falleceu em 1834 no próprio quarto do 
palácio onde nasceu. Em 1807, por occa- 
sião da invazão franceza, passou com a 
sua familia ao Brazil. aonde se conservou 
até 1831, apezar dos vivos desejos que 
teve de vir tomar parte na guerra penm- 
sular. Em 1821, tendo vindo para Portu- 
gal elrei D. João VJ, D. Pedro ficou re- 
gendo o Brazil ; e, apezar dos exforços que 
fez para o conservar unindo a Portugal, a 
serie dos accontecimentos o levaram a eman- 
cipar aquella nossa possessão, para evitar 
que elle passasse a extranhas mãos. D. Pedro 
foi declarado imperador e Defensor perpetuo 
do Brazil, cuja independência foi reconhe- 
cida pelo tractado, assignado no Rio de 
Janeiro a 29 de Agosto de J825, e ratifi- 
cado em Lisboa a 5 de Novembro do mes- 
mo anno. Kste tractado concedia a D. Pe- 
dro o titulo de Imperador do Brazil c 
Príncipe de Portugal e Algarves, reservan- 
do D. João YI para si unicamente o titulo 
de Imperador e Rei. 

Por morte de D. João YI, foi D. i edro 
reconhecido herdeiro da coroa de Portugal, 
e nomeada na sua ausência uma regência. 
O novo monarcha a 26 de Abril desse an- 
no concede uma ampla amnistia por crimes 
políticos ; a 29 outhorgou a Carta Constitu- 
cional, e a 2 de Maio abdica em sua filha 
a Senhora D. Maria II, dedicando depois to- 
dos os seus esforços a assegurar-lhe o tro- 
no. A 7 de Abril de 1831 abdica igualmen- 
te a coroa do Brazil em seu filho e Senhor 
D. Pedro 11, (actual imperador), e no dia 
13 saiu daquelle império acompanhado da 
sua familia, e aporia a Cherburgo a 12 de 
Junho do mesmo anno. Toma então o titu- 
lo de Duque de Bragança, e determina pôr- 
se á frente dos que procuravam reivindicar 
a coroa para sua filha, e restabelecer o sys- 
tema constitucional, destruído pelos parti- 
dários da monarchia a}>soluta, que em 1828 
tinham collocado no trono o infante seu ir- 
mão. Depois de ter contraído um emprésti- 
mo em Londres, D. Pedro reune-se aos emi- 
grados que estavam em Belle-Isle, e com 
elles parte daqnelle porto de França a 10 de 
Fevereiro de 1832 n'uma pequena esqua- 
drilha, que aporta á ilha de S. Miguel no 
dia 22 do mesmo mez e anno. Tendo per- 
corrido as differentes ilhas do archipelago 
açoriano, e organisado as suas forças, parte 
daquella ilha em 57 de Junho de :í8jS, 
acompanhado do seu exercito, com o qual 
desembarca nas praias do Mindello, junto á 
cidade do Porto, a 9 de Julho do mesmo 
anno. De posse desta cidíde, nella se sus- 
tentou por mais de um anno, contra as for- 
ças íDtímtaDQente superiores, contra elle 



mandadas ; supportando as maiores priva- 
ções, e dando provas do seu valor e acti- 
vidade. 

A 28 de Julho de 1833 desembarcou D 
Pedro em Lisboa, que já estava a seu fa- 
vor ; pois o Duque da Terceira, depois de 
entrar no Algarve a 24 de Junho seguira vi- 
ctoriosa até Almada , que tomou a 23 de 
Julho, e no dia seguinte, passando o Te- 
jo, entrou na capital. A guerra ainda con- 
tinuou por algum tempo, até que a con- 
venção de Évora Monte em 27 de Maio de 
1834 lhe poz termo. Dedicou-se então D. 
Pedro ás reformas, que julgou necessárias, 
e que pedia o novo sjsteraa do governo. 
Propõe ás cortes a nomeação da regência, 
que as cortes confirmaram na pessoa de D. 
Pedro. Conhecendo porém que estava próxi- 
mo o fim da sua existência, communica o 
seu estado ás cortes, para que declarassem 
maior a rainha sua filha, aquém dá os mais 
sábios conselhos para que felecite o povo 
que vai governar. Finalmente a 24 de Se- 
tembro do mesmo anno expirou 1). Pedro 
no palácio de Queluz, depois de se ter des- 
pedido da sua familia, e dos seus amigos, 
encarando a morte com a mesma serenida- 
de com que arrostara os perigos na vida. 
Jaz em S. Yicente de Fora, e o seu cora- 
ção na cidade do Porto, a quem o legou. 
Casou pela primeira vez em 1816 com a ar- 
chiduqueza D. Maria Leopoldina, filha do 
imperador d'Austria Francisco II, eem 1826 
pasiou a segundas núpcias com a Senhora 
D. Amélia de Leuchtemberg, e de ambas 
teve descendência. Monarcha instruído e 
verdadeiramente magnânimo, abdicou vo- 
luntariamente duas coroas, para só se de- 
dicar á felecidade de seus filhos e dos po- 
vos que nelle tinham confiado. 

PEDRO (o infante D.) . (hist.) duque de 
Coimbra, e regente de Portugal durante a 
menoridade d'el-rei D. AíTonso V seu so- 
brinho, foi o ^.^ filho d'el-rei D. João 1, 
e por tanto irmão del-roi D. Duarte, e do 
celebre infante D. llenrique. Educado como 
seu irmão em todas as boas artes, honrou 
o nome portuguez era Ceuta, e foi o maior 
viajante portuguez dos seus tempos. Em 
1425 partiu de Lisboa , desembarcou na 
Bf jgica, sendo recebido em Burges por sua 
irmã a condessa soberana de Flandres ; 
correu a Allemanha , Hungria e Dacia, e 
ajudou o imperador Sigismundo nas guer- 
ras contra os Turcos, obtendo em premio 
do seu valor o destresa militar a Marca 
Trevisana com o titulo de Marquez de Tre- 
viso. Yisitou os lugares sagrados de Jeru- 
salém, esteve nas cortes do Gião Turco e do 
Soldão da Babylonia, recebendo de ambos 
excessivas honras ; tratou em Roma com o 



PED 



VED 



139 



Papa Martinho V, e com todos os Príncipes 
da Itália. Deu volta per Inglaterra onde rei- 
nava seu tio Henrique IV, e esteve tam- 
bém em F rança, Aragão , Navarra e Cas- 
tella ; até que voltou ao reino depois de 
três annos de peregrinações, em que por 
toda a parte fui honrado e festejado como 
grande homem. Em 1438 falleceu seu ir- 
mão el-rei D. Duarte, e no anno seguinte 
as cortes reunidas em Torres Vedras no- 
mearam regente o infante D. f edro duran- 
te a menoridade de D. Affonso V. D. Pe- 
dro acceitando a seu pesar a regência deu- 
se todo aos cuidados do governo, que di- 
rigiu com prudência e sabedoria ; esme- 
rando-se igualmente em dirigir a educação 
do joven monarcha. Durante o seu gover-. 
no descobriram os Portuguezes as ilhas de 
Arguim em 1143, e em 1445 as ultimas dos 
Açores e Cabo Verde, com 60 léguas mais 
para o Sul, cujos archipelagos mandou po- 
voar. Finalmente chegando D. Affonso V á 
sua maioridade, lhe entregou o regente o 
reino muito mais florescente do que o rece- 
bera ; mas o joven monarcha Ihe^supplicou 
continuasse a ajudal-o com seus conselhos, 
e o infante continuou ainda por dois annos 
a dirigir o leme do estado. Comtudo os seus 
inimigos, tendo a sua frente o Duque de Bra- 
gança (que do infante seu irmão havia re- 
cebido aquelle senhorio e titulo) procuraram 
perde-lo no animo do rei, no que mais se em- 
penharam quando o infante desgostoso se re- 
tirou ás suas terras. Prohibiu-se toda a com- 
municação com elle, e se lhe ordenou que en- 
tregasse as suas fortalezas e armas. Quiz o 
infante vir á corte justificar-se, e neste in- 
tento saiu de Coimbra, acompanhado de 
gente de pé e cavallo. Então foi o infante de- 
clarado traidor e el-rei poz em campo as suas 
tropas contra elle. 

Encontrando-se junto a Alfarrobeira, tra- 

You-se peleja, e o infante foi logo morto, 

juntamente com o conde de Abranches, um 

dos mais illustres guerreiros da nação, eos 

mais fidalgos, que o accompanhavam. Ficou 

o corpo do infante por3dÍ8s sem sepultura 

no campo da batalha, até que occultamente 

o foram sepultar em Alverca. Os seus ossos 

foram depois levados a Abrantes e passados 

annos depositados no sepulcro que junto ao 

de seu pai lhe fora destinado no convento da 

Batalha. Teve sempre em vista o bem dos 

povos, aquém tratava com summa bondade. 

f ci homem de grande instrucção, e mui pe- 

Fito na lingua latina, e delia verteu os Offi- 

cios deCicero, e o livro de Vegecio sobre a 

arte da guerra. Temos delle uma imforma- 

ção sobre as necessidades do reino, dirigida 

a el-rei D. Duarte, e que se encontra nas 

Dissertações chronologicas e criticas de João 



Pedro Ribeiro, vol. I.; eescreyeii também 

outras obras em prosa e verso. 

Outros infantes houve deste nome, dignos 
de mencionar-se, lacs são : 

PEDRO AFFONSO, filho natural do conde 
D. Henrique ; foi embaixador em Pariz, gran- 
de guerreiro, e monge de S. Bernardo, mor- 
reu em 1169, ejaz em Alcobaça. 

PEDRO (D.), filho d'el-rei D. Sancho I, e 
da rainha D. Dulce ; foi dos mais incança- 
veis guerreiros do seu tempo. Nasceu em 
1189. Por dissensões, que teve com seu ir- 
mão se retirou de Portugal ; dirigiu-se a 
Leão, embarcou depois para a Africa, ser- 
vindo com o Imperador de Marrocos ; voltou 
a Leão, onde tomando parte em muitas ex- 
pedições adquiriu grande gloria. Passou de- 
pois a Aragão, auxihando seu sobrinho D. 
Jaime 1 contra os Mouros ; ealli casou com 
a filha e herdeira de Armengol VIU conde 
deUrgel. Este por sua morte em 1271 lhe 
deixou em testamento o condado de Urgel, e 
outras possessões na Galiza, que depois tro- 
cou pelas ilhas de Majorca e suas dependen- 
tes. Nesta ilha residiu algum tempo, e fun- 
dou um estado e uma sede episcopal. Ainda 
voltou muitas vezes a Castella , pellejando 
sempre em todos os campos de batalha. Em 
1247 e 1248 veiu a lortugal auxiliar seu so- 
brinho D. AíTonso 111 ; voltou depois á An- 
daluzia aonde ajudou D. Fernando a tomar 
bevilha, recebendo em recompensa possessões 
«consideráveis. Finalmente este esforçado 
guerreiro só descançou, e deixou de comba- 
ter quando em 1258 desceu ao tumulo. 

PEDRO AFFdNso (D.), filho d'elrei D. Di- 
niz : foi conde de Barcellos, Alferes mór 
do reino, e é celebre pelo seu livro de 
geneologias ou JSobiliario, que lhe gran- 
geou grandes créditos de erudito entre na- 
cionaes e estrangeiros Applicou-se também 
e com feliz talento á poesia. Jaz sepultado 
na sé de Lisboa. 

PEDRO I, (hist.) reid'Aragão desde 1094 
até 1144, foi proclamado diante deHuesca 
depois da morte de seu pai, Sancho llami- 
res, tomou esta cidade depois da victoria 
d'Alcaraz, conquistou depois Barbastro e 
outros districtcs e deixou o trono a seu ir- ., 
mão; ASonso-o- Guerreiro. 

PEDRO II, (hist.) rei d'Aragã0, filhoesuc- 
cessor de Affonso li, reinou desde 1196 até 
1213, baniu os Vaudenes refugiados nos 
seus Estados, uniu-se com o rei de Castel- 
la AíTonso JX contra Sancho Vil, rei de Na- 
varra, depois marchou com estes dous prín- 
cipes contra os Almohades, que venceu em 
Navas de Tolosa em I2i2. Depois foi em soc- 
corro dos Albigenses ; derrotado por Simão 
deMontfort em Mureteml213, morreu no 
campo de batalha. 

35 ♦ 



nh 



FEO 



PEDRO ni, (hist.) o Grande, rei d*Árágâó do' 
1270 a 85, nasceu em 1239, foi secretamente 
o promotor das Vésperas Sicilianas, foi ro 
conhecido rei da Sicilia, foi excommunga- 
do pelo papa, que deu os seus Estados a 
Carlos de Valois, mas defendeu-se bem con- 
tra Carlos e contra sea próprio irmão, rei 
de Majorca , e morreu antes de acabada a 
guerra. 

PEDRO IV, (hist.) Cerimonioso, rei de 
Aragão de l33tí a 1387. filho e successor 
de AíTonso IV, nasceu em 1319, apos- 
sou-se de Majorca , alliou-se com Portu- 
gal e Caslella contra os Mouros , ba- 
teu no mar os Genovezes, que lhe dispu- 
tavam a Sardenha, sustentou Henrique de 
Trastamara contra seu irmão , mas depois 
ligou-se com o rei de Portugal contra o 
mesmo Henrique. 

PEDRO, (hist.) chamado-o- Cntc/, rei de 
Castella, de 1350 a 69, nasceu em 1334, 
filho e SBCcessor de Aífonso XI, governou 
despótica e cruelmente, fez morrer Eleono- 
ra de Guzman, amante de seu pai, aban- 
donou no dia seguinte ao do seu casamento 
Branca de Bourbon, depois prendeu-a e a 
final mandou-a matar ; matou João, seu 
primo, Frederico, seu tio , e preparava a 
mesma sorte a seu irmão natural Henrique 
de Trastamara ; mas este príncipe fugiu 
para França, e voltou seguido de Dugues- 
clin o de um exercito francez, que destronou 
o tyranno em 13tJ6. No seguinte anno Pedro 
foi restabelecido pelo príncipe Negro, e ain- 
da se tornou mais cruel. Duguesclin bateu-o 
em Mor.tiel em 1369, depois fel-o prisionei- 
ro. Pouco depois foi morto pela mão de seu 
irmão Henrique. 

PEDRO I, (hist.) rei da Sicilia desde 1282 
alé IÍ5, é o mesmo que Pedro 111 rei de 
Aragão. 

PEDRO II, (hist.) rei da Sicilia, de 1337 
a 42, filho e successor de Frederico I. Tor- 
nou-se odioso excitou revoltas , e ia em- 
preender novamente uma guerra quando 
morreu. 

PEDRO o Bom ou Gallopierre, (hist.) Va- 
laquio de nascença, fundou com Asan, seu 
irmão, o terceiro remo da Bulgária ou reino 
Valaquio Búlgaro, á custa dos Gregos, em 
1186. Morreu assassinado em 119^. 

PEDRO, (liist.) o Grande, czar ou impera- 
dor da Rússia, nasceu em 1672, era o ter- 
ceiro filho d' A lixo. Por morte de seu ir- 
mão primogénito Fedor Hl, em 168á , foi 
coUocado no trono pelos grandes, com pre- 
juízo de Ivan, mais velho, mas julgado co- 
mo incapaz de governar. Pedro resolveu li- 
bertar, augmentar e civílisar a Rússia. Pa- 
ta conseguir os seus intentos quiz visitar 
as nações mais civilisadas ; saiu da Rússia 



6m Í697, acompanhado por Lefort ; foi pri- 
meiro á Hollanda aonde aprendeu a arte de 
coiistrueção de navios, depois foi a Ingla- 
terra, aonde escolheu hábeis engenheiros 
para fazerem um canal do Don ao Volga. 
Chamado á Rússia em 1698 por uma re- 
volta, mandou matar 4,000 dos seus sol- 
dados revoltados. Fundou S. Petersburgo em 
1703, depois uniu-se com o rei da Polónia 
contra Carlos 11, e depois de ter sido batido 
muitas vezes por esle, venceu-o em Pul- 
tawa. Tomou a Suécia a Livonia, a Estho- 
nia, a Caretia , depois marchou contra os 
Turcos alliados de Carlos XII; mas cerca- 
do em llusck deveu a salvação á impera- 
triz Catharina , sua esposa. Conquistou a 
Finlândia e o Aland. Durante estas guer- 
ras nunca deixou de proseguir nas suas 
reformas, melhorou a justiça , a pohcía , 
creou uma marinha , animou as manufa- 
cturas, instituiu o santo synodo em substi- 
tuição do patriarchado, e fundou a Acade- 
mia das Sciencias de S. Petersburgo. Mur- 
chou porém a sua gloria mandando matar em 
1718 Alixo seu filho , que se proclamava 
altamente contra as reformas. Morreu a 8 
de Fevereiro de 1725 

PEDRO II, (hist.) filho d'AUxo e neto de 
Vedro-o-Grande, teve o titulo de czar des- 
de 1727 até 1730. Morreu de bexigas na 
idade de 15 annos. 

PEDRO III, (hist.) imperador da Rússia, 
filho de Carlos Frederico, duque d'Holsteín- 
Gottorp,ede Anna, filha de Pedro-o-Graw- 
de, nasceu em 1728, foi creado gran-duque 
em 174^, casou com a celebre Catharina de 
Anhalt-Zerbst, com oqual viveu muito mal; 
subiu ao trono em 1762. Assignou paz com 
Frederico 11, rei da Prússia. Reformou di- 
versos abusos, e creou algumas instituições 
úteis, mas desagradou aos Russos por se cer- 
car de estrangeiros. Dispunha-se a repu- 
diar Catharina, quando esta prínceza o fez 
abdicar, proclamando-se ella imperatriz e 
mandando malar seu marido, em 1762. 

PEDRO, (hist.) appellidado o Allemão, foi 
rei da Hungria desde 1038 até 1041, des- 
agradou pela sua crueldade, exacções e amor 
pelos Allemães, foi expulso e substituído por 
Aba, voltou em 1044 ajudado pelo impera- 
dor Henrique III e reconheceu-se vassallo 
do império germânico. Excitou novas revol- 
tas, e morreu em 1047 em uma prisão. 

PEDRO DE COURTENAY, (híst.) COUdo de 

Auxerre e de Nevérs , francez , imperador 
de Constantinopla , era primo de i hiiíppe 
Augusto. Chamado por morte de Henri- 
que 1 para lhe succeder, em 1216, poz-se 
a caminho, mas foi traido pelos Venezianos 
no cerco de Durazzo e caiu [nas mãos de 
Theodoro Angelo , que o mandou malar 



PED 



PÉ^ 



uí 



em 1219, depois do dous annos de prisão. 

PEDRO , (h'st.) o Eremita, natural de 
Amiens, era nobre. Deixou as armas pelo 
habito d'eremila , f >i como peregrino á 
Terra Santa em 1093 , voltou e dirigiu-se 
a Roma, cora uma carta do patriarcha Si- 
mão para o papa e pintou tão pathetica- 
mente os soíTrimentos dos christãos e os 
ultrages feitos ao santo sepulchro, que Ur- 
bano X[ encarregou-o do preparar os âni- 
mos para a primeira fíruzada. Pedro percor- 
reu o Occidente com os pés descalços, uma 
corda ao pescoço, um crucifixo na mão e 
por toda a parte levantou as populações ; 
depois quando em 1095 se decidiu a cru-] 
zada no concilio de Clermont, marchou com 
Guathler á frente do primeiro exercito de 
cruzados. Não tendo viveres, nem dinheiro, 
perdeu muita gente na Hungria, na Bulgá- 
ria e na Ásia Menor e chegou quasi só a 
Constantinopla ; assistiu ao cerco d'Antiochia 
1098 e morreu em 1115. 

PEDRO d'abatío , (hist.) medico e astrólo- 
go italiano, nasceu em 1250. morreu em 
1316. : Deixou ConcUiator philosophorum 
et prcBcipue medicorum. 

PEDRO, (S.), (geogr.) entre as povoações 
desta invocação, que se encontram no rei- 
no, notam-se as seguintes : 1.^ S. Fedro, 
da Cadeira, no concelho de Torres-Vedras, 
a 8 léguas de Lisboa, com 2,000 habitan- 
tes ; 9..* S. Pedro das Águias, a 5 léguas 
de Lamego, situada na esquerda do Távo- 
ra, com 300. ^.^ S. Pedro da Cova, notá- 
vel povoação de 1,001) almas; situada per- 
to de Valongo a 2 léguas do Porto. 4.* S. 
Pedro de França, a 2 léguas deVizeu, com 
1,648. b^ S.Pedro doSul,villa a 3 léguas 
da mesma cidade, sobre o Vouga, com 1,700 
habitantes. 

PEDRO MIGUEL, (geogr.) aldeia da ilha do 
Fayal, situada á beima-mar ao NK. da aldeia 
da Praia. 

PEDRO (S.), (geogr.) aldeia grande da ilha 
de Santa Maria, situa la sobre uma rocha á 
beira-mar, duas milhas distante da \illa. 

PEDRÓGÃO, (geogr.) Ha no reino algumas 
villas e aldeias deste nomo, as principaes 
são: 1.* aldeia do concelho de Cuba, 4 
léguas ao S. de Évora ; 9U) habitantes ; 
2.* Pedrógão Grande, villa importante, si- 
tuada n'uma aba da serra da Estrella, 7 lé- 
guas a E. de Coimbra, com 2,640 habitan- 
tes, etodo o concelho cora 8, 4aO ; 3.^ Pe 
dragão Pequeno, a meia légua da esquerda 
do Zêzere, e uma e meia ao S. de Pedrógão 
Grande, é lambem villa, e contém 1,244 ha- 
bitantes ; dista 8 léguas a E. de Coimbra e 
pouco ao N. de Cerlàa. 

PEDROSO. V. Pedregoso. 

PEDROSO, (geogr.) villaefreguezia dePor- 
voL. IV. 



tugal, a 2 legaas do Porto ; 3,570 habitan- 
tes. 

PEDROUÇO, s. m montão de pedras. 

PEDROUços , (geogr.) bonito arrabalde de 
Belém, situado em frente da torre de S. Vi- 
cente, entre o mosteiro e templo de S. Jero- 
nymo, e a estrada que conduz a Paços d' Ar- 
cos ; consta áô duas ruas principaes, algu- 
mns travessas e largos. E muito frequenta- 
do no tempo dos banhos. 

PEDÚNCULO, s. m. (pron. o accento na an- 
tepenúltima. Lat. pedunculus.) (bot.) pé da 
flor. 

PEEBLES, (geogr.) cidade de Escossia, ca- 
pital do condado, a 6 léguas ao NO. de Sel- 
kirk; 2.800 habitantes. 

PEEXçÃo. (ant.) V. Pensão. 

PEENDENÇA, (aut.) V. Penitencia. 

PEGA, s. f. (Lat. pica.] ave de pennas pre- 
tas e peito branco, que se ensina a fallar ; 
(fig.) mulher mui palreira. Aventar as — s, 
(fig.) prever desgraças. — , /'naut.) espécie 
de carapuça de madeira que se põe como 
remate no topo dos mastros e mastareos. — , 
peça de bronze que se põe sobre a ponta da 
moenda de engenho de assucar. Vem do Fr. 
ant. pech, summidade, cimo. 

PÉGA. s. f. (de pegar.) prisão dos bois; 
braga de ferro que se põe aos escravos fu- 
gitivos ; cousa por onde se pega em algum 
vaso ou instrumento, v. g. aselha, cabo. Fa- 
zer — a ancora, cravar-se no fundo. 

PEGADA, s. f. {])von. pé gáda, o SiCcento na. 
penúltima : de pé, e Lat. quatio, ere, cal- 
car.) vestígio do pé, que deixa impresso na 
terra ou areia o caminhante ou o animal. Se- 
guir as — s , a trilha, as pisadas, e fig. o 
exemplo ; imitar. 

PEGADiço, A, adj. {pegado, des. iço, que 
denota habito, frequência.) pegajoso, glutí- 
noso ; que se pega, communica. Doença — , 
contagiosa. Vícios — s. 

PEGADO, A, p. p. de pegar ; adj. aggluti- 
nado, V. g. — com grude, (fig.) aferrado, - -á 
sua opinião ; — a alguém ; — ás cousas do 
mundo. — com alguém, que não o larga. — , 
próximo, contiguo. Casas — s na mesquita ou 
com a igreja « A frota vinha mui — na ter- 
ra. Barros, cozida com ella. - , (:mt.) mui 
parecido, semelhante. « Cousa mui — com 
esta. » 

PEGADOR, s. m. peixe que se pega á barri- 
ga do tubarão e o chupa ; tem o corpo roliço, 
cinzento, olhos amarellos e pequenos. 

PEGAFLOR ou BEIJAFLOR. V. Picaflor. 

PEGAJOSO, A, adj. (des. oso.) glutinoso, 
que se pega. — , contagioso, pegadiço ; )íig.) 
importuno Jíomcm — , seccante, que não lar- 
ga a pessoa com quem uma vez começa a 
conversar. 

PEGAMAço, s. m. [àt pega Q massa.) mdiS'' 
36 



l 



141 



fl& 



PEG 



sa de pegar , grudar, lama mui viscosa de 
terra barrenta. Ficar em — , pegado, coita- 
do. — , (fig. e famil.) homena seccante que 
não larga a pessoa com quem trava conversa- 
ção. Herva dos — , bardana, 

PEGAMENTO, s. m. [mento sufi.) adheren- 
cia por conglutinação. Herva dos — , bar- 
dana. 

PEGÃO, s. m. augment.áei^é. — de vento, 
grande pó de vento, furacão. — , botaréo, ar- 
co- botante, obra de pedra cal que sostêm a 
columna exterior de algum arco ou abó- 
bada. — , de pego, grande pego, 

PEGAR, V. a. [do Lat. picar e, besuntar de 
pez, rad. pix, Gr. pissa pez) unir, fazer ad- 
herir um corpo a outro por meio de grude, 
pez ou outra massa pegajosa ; (fig.) appli- 
car de modo que se não separe, v.g. — fogo, 
incendiar. — as bexigas ou a variola, com- 
municâ-la a alguém. — um nome ou algu- 
nha a alguém, pôr-lh'o de modo que fique 
em uso, ex. aPegaram-lhe o nome de galé.» 
— a virtude, piedade, os vicias a alguém, 
fazer que siga, adopte. — , v. n. adherir, 
iicar unido por conglutinação, v. g. & colla 
pega bem, ou não pega em superfície azei- 
tada. — , (fig.) segurar, tomar : — com a 
mão, com os dentes em alguma cousa ; — 
da ou na espada, empunha-la. — de al- 
guém, toma-lo pelo braço. — , (fig.) come- 
çar, V. g. — no somno, adormecer, come- 
çar a dormir. Pegou a febre ás seis horas 
da tarde, começou. -^, (fig.) impedir, reter, 
tolher. Pode ir-se que eu não lhe pego, não 
o estorvo, não o retenho. — , (fig.) ficar ad- 
herente, tereffeito. Pegou avaccina, pega- 
ram as bixas, isto ó, a inoculação do virus 
vaccino ou variolico teveeífeilo, communi- 
cou-se a doença á pessoa inoculada, — com 
alguém, engar. — de palavras, travar ra- 
zões, altercar; reparar em palavras, notar, 
reprovar palavras, expressões, dando-lhes 
demasiada imporíancia. — da palavra, acei- 
tar a proposta, apenas feita. Não ter por on- 
de lhe pegue, diz-se de cesto, cesta, vaso 
que não tem azelhas, cabo, etc. (fig.) de ho- 
mem intratável, ou que não tem préstimo, 
de que é impossível lançar mão para algum 
emprego. — , estar contíguo, v.g. esta casa 
pega com acerca das freiras. — , firmar-se 
o pé da planta lançando raizes, v.g. as es- 
tacas da oliveira pegara i-, — , fazer pega, 
prender, v.g. pegou a ancora no fundo — 
SE, », r. contrahir adherencia em razão da 
viscosidade ; (fig.) ficar como pegado ao mes- 
mo lugar. Este cavallopega-se, emperra-se 
anão andar. Pegam-se-lhe os pés, (fig.) é 
mui tardo ou demorado. Pegam-se-lhe os 
pés aquella casa, isto ó, demora-se muito 
nella, custa-lhe a sahir d'ella. Pegam-se-lhe 
«f mãos^ (fig.) diz-se do empregado publico 



que furta ou recebe peitas, e do homem que 
furta e se appropria parte do dinheiro alheio 
que lhe vem ás mãos. — se, cingir-se, v. g. 

— ás palavras da lei, á palavra dada. — se, 
appellarpara, recorrer, v.g. peg ou~ se & esie 
subterfúgio, á ambiguidade do texto da lei. 
Pegou-se a ou com a Virgem Maria. — se com 
alguém, travar -se de razões, ter razões, con- 
testações, rixas, brigar. — se, communicar- 
se, V. g. — a variola, a sarna, o contagio, — 
o cheiro ao fato, á roupa. — se d opinião 
de alguém, valer-se d'ella para apoiar os 
nossos actos. — a própria opinião, aferrar- 
se a ella. Os vicios, os máos exemplos pe- 
gam-se, são contagiosos. — se, ligar-se, se- 
gurar-se, firmar-se, v. g. pega-se a amiza- 
de com a mutua prestança e beneficência. 
— 56, estar contíguo, v g. estas casas pe- 
gam-se com o muro da cerca dos frades, 
tieste sentido pegar, abs., é mais usado ; (fig.) 
contrahir união, ex. « O coração naturalmen- 
te se pega eaffeiçôa ao que frequenta. » Ár- 
raes. — se com pouquidades, fazer nimio re- 
paro demorar-se nellas. 

PÉGASO, (myth.) cavallo alado, era, se- 
gunda a fabula, filho de Neptuno e de Me- 
dusa, ou nascido do sangue de Medusa, 
quando Perseo lhe cortou a cabeça. Este 
heroe montado em Pégaso livrou Androme- 
de, que estava exposta a um monstro ma- 
rinho. Bellêrophonte também se serviu delle 
para combater a Chimera. Com uma patada, 
Pégaso fez brotar a fonte d'Hippocrene, on- 
de os poetas iam beberinspirações. Elle mes- 
mo é o symbolo da veia poética ; suppõe- 
se que leva os poetas pelo espaço e os trans- 
porta a Heliconte, Outras vezes é collocado 
sobre os astros. 

PEGEADOURO, (aut.) Y.Pcjadouro de moi- 
nho. 

PEGNiTZ, (geogr.) Pegncsus, rio da Bavie- 
ra, nasce no circulo do Alto-Meno, rega uma 
cidade que tem o seu nome e cae no Reg- 
nitz. 

PEGO, s. m. (de pé:e agua) a parte mais fun- 
da de rio, lago, mar, onde não se toma pé ; 
(6g.) ornar. O — ou o alto — ; (fig.) um 

— de sabedoria, profunda, vasta. O — do 
esquecimento, o mais profundo. Bocage. O 

— dos arcanos, dos vicios. 

PEGO, s. m. (Lat. picus) uma ave. 

PEGO, (geogr.) cidade de Hespanha, a 4 
léguas ao O de Denia ; tem 5,000 habi- 
tantes. 

PEGÕES, (geogr.) povoação e palácio dô 
Portugal. V. Vendas- Novas. 

PEGOLETTiA, (bot.) geuero de plantas da 
familia das Synanthereas e da Syngenesia 
Polyaudria igual. 

péGOMANGiA, s. f. {pego e maneia] arte de 
adivinhar pela agua das fontei . 



RI 



PH 



148 



piGORAR, (ant ) V. Peiorar ou Peorar. 

pEGOEiRo, s. m. (Lat. pix, pez, pes. eiró.) 
o que extrahe pez dos pinheiros. 

PEGu, PEGON ou BAGou, (geogr.) cidade 
da Ásia, antigameate capital do reino do Fe- 
gu, 6 a 7,000 habitantes. 

PEGU (reino do), (geogr.) antigamente es- 
tado da Índia, além do Ganges, indepen- 
dente, hoje provincia do império Birman ; 
tem por limites ao N. o Arakan e o Ava, 
a E. o Murtaban. E' dividido em 3 provín- 
cias : Pegu ou Talong, Dalla, Persaim 

PEGUiAL. V. Pegulhal. 

PEGUILHO, s. m. diminuí, de pega, obstá- 
culo, cousa que prende, estorva ; (fig.) pre- 
texto comque seamofini alguém. Ter — de 
alguém. Prestes. 

PEGULHAL, s. m (do Lat. pecus, gado) re- 
banho de gado de todas as espécies ; (íig.) 
multidão de gente desprezível, í?. 5». de Mou- 
ros. — , (ant.) pastor de ovelhas. 

PEGULHAR. V, Pegulhal. 

PEGUREIRO, s. m. [L&t. pecus, gado, des. 
eiró) guardador de gado subordinado ao pas- 
tor, o intimo dos pastores. 

PEHLVi (lingua), (hist.) idioma da antiga 
Media; pelas raizes das suas palavras pare- 
cia-se com ashnguas semíticas, e pelas suas 
formas grammaticaes com a lingua persa. 

PEIA. V. Péa. 

PEIDAR, V. 11. {peido, ardes, inf.) diirpei- 
dos. 

PEIDO, s. m. (Lat. peditum) ventosidade 
que sáe com estrondo pelo anus. Dar —s. 
peidar. 

PEiDORREAR, V. n. frequent. de peidar, dar 
amiudados peidos. 

PEiDORREiROj A, adj . habltuado a dar pei- 
dos. 

PEiLAu, (geogr.) cidade da Prússia, per- 
to das nascentes do Peila ; 4.000 habitan- 
tes. 

PEiNA, (geogr. Boynum, cidade murada 
do Hanovre, capital de BaiUiado, a 6 lé- 
guas ao N ). de Hildesheim ; 3,060 habi- 
tantes. 

PEiOR, ou PEOR, maisus. adj. comparai, 
dos 2 g. (Lat. pejor) mais mau. O — que 
pôde succeder, a cousa, mal peior. 

PEIOR ou PEOR, adv. mais mal, ex. « Chris- 
to affrontado — que ladrão. » Paiva. Serm. 

PEIORADO ou PEORADO, A, p. p. de peÍO- 

rar ; adj. que peiorou, deteriorado. O doen- 
te tinha — , istoé, a doença tinha-se aggra- 
vado. 

PEiORAMENTO, s. m. [mcnto sufF.) estado 
do que se torna peior, que muda de mal para 
peior. 

PETORAR ou PEORAR , v. a. {joeior , ar 
des. inf.) fazer mudar para peior estado, 
pôr em peior estado , deteriorar. Peio- 



rar , Vf n. mudar para peior estado , ir 

a peior, v.g. peiorou o doente, afortuna, a 
republica. 

peioria ou PEORiA, s. f. (des. ia) deterio- 
ração, estado de cousa que vai a peior. 

Moraes quer que escrevamos peior eseug 
derivados pori/, o que nem quadra com a 
pronuncia geral, que é peor, nem cora a ety- 
mologia. 

PEipus ou psipos (lago), (geogr.) Tchoxk- 
dskoe-Osero, em russo, lago da Rússia eu- 
ropea, entre os governos de S. Petersbur- 
go, Pskov, Riga, Uevel. 

PEITA, s. f (do Lat. peto, ere, exigir.) (ant. 
tributo que antigamente pagavam aos reis 
de Portugal os que não eram fidalgos, « As 
— s que lançara aos povos. » Leão, Chron. 
de D. Duarte. «Seja havido por plebeu assi 
nas penas, como nos tributos e — s. » Lan- 
çar — s, impor taxa ou contribuição extraor- 
dinária. Nunca significa pedido, como traz 
Jáoraes, nem estrictamente muleta, e só pa- 
gamento de muleta. 

Syn. comp. Peita, na accepção de taxa, 
é imposição extraordinária, e por isso diífe- 
re de taxa, tributo, imposição, que são ge- 
raes e permanentes. Finta pode ser volun- 
tária, e é contribuição rateada. 

PEITA, s. f. (do Lat. pactio, ajuste, con- 
venção, e não do precedente, como affirma 
Moraes. Nada pode haver mais opposto que 
dinheiro extorquido ou exigido violentamen- 
te, e dinheiro oííerecido para subornar) di- 
nheiro ou cousa de valor offerecida ou dada 
para subornar, corromper,». ^. o juiz: da- 
diva corruptora. Dar — s, peitar, subornar* 
Aceitar — , deixar-se corromper, subor- 
nar. 

PEITADO, A, p. p. de peitar (de peííataxi^ 
adj. (ant.) pago como taxa de peão ; imposto 
como contribuição temporária. 

PEITADO, A, p.p. de peitar [de peita, su- 
borno) ; adj. subornado, corrompido por pei- 
ta. Dinheiro — , dado em peita. 

PEITAR, p, a [de peita, taxa, tributo, at 
des. inf.) pagar peita, tributo, taxa, contri- 
buição ou muleta imposta ; impor peitas, con- 
tribuições, ex. « Ca os fidalgos nunca soube- 
ram — , salvo os corpos a seu rei e senhor.» 
Ord. Aífons., 11, 59. §. 3, isto é, pagar, con- 
tribuir com dinheiro. — encoutos, pagar 
muletas, coimas. — do seu, pagar, dar cons- 
trangida e extorsivamente. Ord» Aífons., 11. 
— SE, V. r. pagar-se, v.g. — da amizade. 

PEITAR, V. a. (quasi pactear) corromper 
com dadiva, subornar, v. g. — o juiz, os 
guardas da alfandega, dar peitas. 

PEiTAVENTo, adj. [pcito ao vento) (volat.) 
com o peito contra o vento, v. g. vôa a 
ave — . 

PBiTiiRO, A, oáy. (des. eiro) que paga pei-» 
3(J* 



im 



ffô 



PEl 



t», tnbíito; peào, plebeo, bilião, sujeito a 
peita. 

PEIXEIRO, A, adj. (des ciro) que (U pftita 
ao juiz, que suborna, corroniíie. Arraei;. 
&* PEITILHO, s.m. diminut.á(i\w\\!\r, orna- 
to triangular de seda ou de pedraria que as 
mulheres põe no peito sobre o vestido coma 
ponta entre os peitos. Também os ha de duas 
pontas, uma superior, e outra inferior, que 
corresponde á cintura. 

PEITO, s. m. (Lftt. 'pcchia, do ílr. péteó, 
abrir, extender ; ou do KH-THC^- P^ '*^^ ^ ^^' 
ração) o thorax, a cavidade formada pelas 
costellas, espinha dorsal e o sterno, separa- 
da do ventre pelodiaphragma, o que encer- 
ra o coração e o bofe; a porção do homem, 
dos quadrúpedes e das aves desde a parte in- 
ferior do pescoço até ao ventre. Os — s, as 
mamraas da mulher e do homem. Criar aos 
— .?, dar de mammar. Leite de — , de mu- 
lher. Aberto dos — 5, diz-se da besta esfal- 
fada. Doença de — , do bofe. Poro — aal- 
guma cousa, arrostar, v g. — á corrente. 
Ter — d corrente, resistir á força da agua. 
Por o — em terra, desembarcar hostilmen- 
te. — por terra, humildemente, submissa- 
mente. — a vento, contra o vento ; (fig.) 
luctando cora os maiores obstáculos, diíTicul- 
dades. Pelejar com — , travado, arca por 
arca. — do pé, aparte opposta á planta, e 
amais proeminente. — da nau, a parte on- 
de está o beque, a roda da proa. — , peça 
que cobre o peito. — d'armas ou de aço, 
peça da armadura, que cobre e defende o 
peito. — de prova ou d prova, qne resiste 
a tiros de bala; (fig.) insensível, que resis- 
te, V. g. — aprovadas settas que Amor dis- 
para; — dos perigos — , (fig.) animo, es- 
pirito, coração entendimento. Amar do — , 
cordialmente, com ternura. Ódio de — , en- 
tranhado. Guardar no — , conservar, guar- 
dar segredo, tenção. — forlo, audaz, ani- 
moso. — sapiente, (p us.) homem sábio, 
ex. « Armou-se do — forte da contemplação » 
Vieira. — aberto, animo sincero. Abrir o 

— com alguém, comraunicar-lhe osmais ia- 
timos pensamentos. Tomar alguma cousa a 

— ou peitos, empenhar-se muito em fazer 
ou conseguir ; tomar grande interesse nella. 
Assentar em seu — , estar mui resoluto, for- 
mar firme propósito. Mela a mão no — , 
(fig.) consulte a própria consciência e veja se 
ella o não accusa. Cair o — , descoroçosr, 
esmorecer. Caíu-me o — aos pés. (loc. fa- 
mil. fig. e enérgica) esmoreci de todo. — , 
voz. Ter bom — , voz for le. Voz do — , diz- 
se era opposição á da garganta ou falsete. 



Para julgares 

Que osMelindanos tem tão rude peito, 
Que não estimem muito um grande /eito. 
Camões, Lus. ?, est, iii. 



pfATú , s. m. (ant.) por peita, em todas 
as aocepções da palavra. 

PEiTOGUEiRA, s. m. (p. US.) tosse. 

PEITORAL, s. w. (des. s. a/.) correia presa 
na dianteira das sellas, que cinge o peito do 
cavallo ou besta, para que a sella não corra 
para as ancas no subir ladeira. 

PEITORAL, adj. des 2 g (Lat. pectoralis.) 
do peito. Musculo — ou grande — . Cruz — , 
— , bom para curar ou alliviar doenças de 
peito, catharros. Substancias, remédios, es- 
pécies, plantas pcitoraes. Cozimento peito- 
ral. 

PEITORIL, s. m. (des. oril, do Lai. ora^ 
borda.) muro que dá pelos peitos, parapei- 
to, V. g. — das janellas, da varanda. 

PEiTORir, adj, dos 2 ^f. do peito, próprio 
para cobrir ou ornar o peito. Pedras pei- 
toris. 

PEIXE, s. m. (Lat. piseis, que significa pro- 
priamente peixe que tom escamas. Court de 
Gébelin o deriva do Céltico isc, agua, equiva- 
lendo a que vive na agua. M. N. Webster, no 
seu excellente Diccionario da Lingua Ingle- 
za (1832), referindo os diversos nomes do 
animal , a saber pesk em Armorico ou B. 
Bretão, pysg em (laulez, e iasg em Irlan- 
dez, o deriva de fysg Gall., rápido, impe- 
tuoso. Em Saxonio zé ou zeg significa mar, 
em Vasconço sah. Em Sanscrit. visara, bisa- 
ra ou pisara, significa peixe, sarít, lago, sru, 
correr liquido ; e arivi, rio. O Gr. ikhthys 
parece vir de iktar, com celeridade. Creio 
que a etyraologia de Court de Gébelin é a 
verdadeira, mas os radicaes são Kgypcios : 
pe, ser, estar, e .*;chelí ou schik, profundo, 
ou hep ou hí[), esconder, e içken, borda do 
rio.) animal que se cri.io vive na agua, com 
escamas ou sem cilas, barbatanas e rabo pa- 
ra nadar, guelras para respirar, espinhas, 
e sangue de temperatura pouco elevada e pou- 
co corado. — do mar, — de rio, que habita 
o mar ou os rios. — , (fig.) a polpa dos pei- 
xes que se come. Comer de — , abster-se de 
carne. Dia de — , em que a Igreja veda as co- 
midas de carne. Estar como o — na agua, 
(loc, famil.) muito a com'modo, com toda a 
satisfação, no seu elemento. Ser — podre, 
não ter préstimo, não prestar para nada. O 
signo dos — s. V. Pisoes. Tomar — , com 
rede, pescar. Usa-se como nome coUectivo. 
Houve muito — . 

iV. B. Ha muitos animaes que vivem sem- 
pre ou parte do tempo na agua que se não 
denominam peixes, t?. g. os cetáceos como a 
balêa, os phocas, delphins ou golphinhos, as 
rãs. Aos de concha se chama de ordinário 
marisco. 

Entre os zoologistas modernos os peixes 
são animaes vertebrados que vivem na agua 
e respiram exclusivamente pelas branchias ou 



1>EJ 



PEJ 



145 



guelras. Uns os coniprehendera em uma só 
classe ; outros fazem duas. 

PEIXE (lagoa do), (geogr.) lagoa da pro- 
víncia de S. Pedro do Rio Grande, appelli- 
dada também lagoa de Mostardas, no Bra- 
zil, situada entre a lagoa dos Patos e o mar, 
no dislricto da villa de Mostarda. 

PEIXE (rio do), (geogr.) rio da provincia 
de Mato Grosso, no Brazil. ^asce da cordi- 
lheira Parecis, corre rumo do norte, e vai se 
lançar no Tapajoz, pela margem direita. 

PEIXE (rio do), (geogr ) rio da provincia de 
Mato Grosso, no Urazil, que deve asuaj^ri- 
gem á juncção dos ribeiros Raizame e Tacoa- 
ral. 

PEIXE (rio do), (geogr.) Rio na provincia 
de Parahiba, no Hrazil, que nasce na serra 
de Luiz Gomes. 

PEIXE (rio do), (geogr.) Pequeno rio da 
provincia de Goyás, no Brazil, que vem 
das serras vizinhas da villa de Meia-Pon- 
te. 

PEIXE (rio do), (geogr.) Ribeiro da pro- 
vincia de Goyáz, no Brazil, na comarca de 
Sanla-Cruz. 

PEiXEBRAvo (serra do), (geogr.) Serrada 
provincia de Minas Geraes, no Brazil, na 
comarca do rio-de-jequitinhonha e ao-sul 
da villa de Januaria. 

PEIXEIRA, s. f. (des. fira.) regateira, mu- 
lher que vende peixe. 

PEIXEIRO, s. m. (des. eiró.) homem que 
vende peixe. 

PEixEZiNHO, s. m. diminuí. V. Peixinho. 

PEixiNHEiRo, s. m. (ant.) homem que tra- 
zia peixe pescado em rio do interior do reino. 
Em documentos antigos denomina-se 'pica- 
(feiro. V. este termo 

PEIXINHO, s. m. diminuí, de peixe, pei- 
xe pequeno. — í, peixes miúdos como os de 
que se faz viveiro em tanques, petinga. To- 
dps pronunciam hoje jacicm/io. 

PEIXOTA, s. f. (ant.) a pescada, peixe. 

Peixoto, hojeappellido, Yem áepeixe, com 
a des. Oto, augmentativa. 

PEixoTE , s. m. (des. ote, augm.) peixe 
maior que o miúdo ou peixinhos, v. g. sar- 
dinhas, e menor que os mui volumosos co- 
mo o bacalhau, rodovalho, atum, corvina, 
peixe de mediana grandeza: (fig.) homem to- 
lo, bolonio, fácil de enganar ; jogador pouco 
experto que não sabe o jogo. Hoje todos di- 
zem pichote ou pechote, que pôde mui bem 
vir de pecha, falta, erro. porque o jogador 
inexperto commette muitas faltas. V. Pe- 
chote. 

PEJADAMENTE , adv. (mente suff.) de má 
vontade, agastadamente, conslrangidamente, 
pesadamente. 

PEJADO, A, p. p. de pejar ; adj. carrega- 
do, opprimido pela carga ou peso, empa- 

VOL. IV. 



chado, V. g. navio. Estômago — , de quem 
comeu com excesso, ou por comida indiges- 
ta que carrega, pesa no estômago. Galeota 

— do remo, pesada, ronceira. Consciência 
— , de peccados, de crimes. « Como vinha 
armado e era homem grosso (D. Constantino) 
vinha afrontado e — , » Couto, Dec. 7, 6, 5, 
isto é, caminhava com diíTiculdade, com pas- 
sos pesados. — , estorvado, embaraçado por 
obstáculo que impede os movimentos lirres, 
V. g. — os passos ou passagam, com estaca- 
das, artilharia, ets. O porto — , por naus de 
bloqueio ou de cerco. O feito mui — , (ant.) 
difficil, cheio de difíiculdades. Mulher — , 
cujo ventre denota gravidez, mas que pôde 
não ser verdadeira prenhez. O ventre de se~ 
nhora — mas não gravido. V. Gravido e 
Prenhe. — , [de pejo), atalhado por pejo, mo- 
déstia. — , agastado, ressentido, escandalisa- 
do, mas sem o dar a conhecer por algum 
tempo , usando de dissimulação para tirar 
vingança do aggravo recebido, v. g. de injus- 
tiça recebida, ou de não merecida preferen- 
cia dada a outrem. « Andavam os grandes — s 
com a sua muita valia (de um privado); — com 
a sua bandeira, por a trazer de capitão raór. » 
« And>Tvam os mais dos fidalgos (na Índia) — s 
no governo do Lopo Vaz, porque cuidava ca- 
da um lhe cabia melhor aquelle lugar que a 
elle. » Couto. Rol de —s, (ant.) lista de juizes 
suspeitos ás partes , e de que ellas receiam 
sentença injusta. Dava-se ao regedor da jus- 
tiça, para elle nomear outros. 

PEJADOR e PEJADOURO, *. í». (pe/or, des. 
ouro.) nos engenhos de assucar 6 o mesmo 
que adufa nas azenhas; serve de fazer parar 
as rodas. 

PEJAMENTO, s. m. [mcnto suff.) cousa ou 
cousas que pejam, embaraçam, estorvam a 
passagem de ruas, praças, cáes, lojas, etc. 

PEJAR, V. a. (Fr. empêcher, do Lat. im- 
pedio, ire, ou mpeáiío, are, embaraçar, com- 
posto do in e pedes , subentendendo ligar, 
atar, prender, enleiar os pés, e não deixar 
andar.) embaraçar, impedir, estorvar o mo- 
vim^^nto, o andar, carregando o individuo de 
grande peso ou do cousas volumosas. « Em- 
baraçado no subir porque o pejavam as ar- 
mas. » Barros, 2, f, 6.—, gente ou cousas 
que impedem o passo, estorvam o movimen- 
to, tomam ou enchem o espaço. « Muita gente 
que pejavam a mareagem do navio. » Barros. 
Trastes velhos que só servem de — a casa, 
tomar o vão, o espaço. — o tempo, toma-lo 
com discurso, narração mui prolongada. — o 
entendimento, carregara memoria, o. ^í. — 
com cousas miúdas. — , em sentido abs. ou n. 

— a mulher, emprenhar, ou mais estricta- 
meiíte, sentir-se com o ventre mais volumo- 
so. — o moinho ou azenha, entrar nelle mui- 
ta agua que impede o rodízio de se mover. — 

37 



140 



PEL 



fftL 



o engenho de assucar, cessar de moer. — sb, 
V. r. embaraçar-se, v.g. — a língua, não po- 
der articular bem. — se, ficar, estar impedi- 
do, estorvado V. g. o navio com demasiada 
carga ou com genie de mais. — , experimen- 
tar incommodo, v. g. do inimigo que abor- 
dou a fiáu. — se, agastar-se, re^ísenlir-se — 
com alguém. — se, (de pejo, vergonha) en- 
Yergoiihar-se, ter pejo, vergonha, acanhar-se 
por modéstia ou timidez, u. g. a moça pejou- 
se ao sair do rio, vcndo-se rodeada de ho- 
mens. 

PEJO, s. in. (do Lat. pigeo, ere, pertur- 
bar-so , vexar-se.) vergonha, embaraço do 
animo, enleio, acanhamento Ter — , enver- 
gonha r-àe. Perder o — , desav€rgonhar-se. — 
d verdade, faltar a ella despejadamente. — , 
(de pejar, impedir, Vv. ant. empas, [iú. im^ 
picúio, impedimento, embaraço, estorvo.) 
(ant,) impedimrnto, obstáculo, embaraço, es- 
torvo. « Sapato largo faz — . » Lobo, Eglog. 
5. « O — das mãos doentes, — da velhice. » 
Inedit. Sl06. « Eu a mim mesmo ás vezes me 
sou — . » — , repugnância, diíliculdade, ??. 
g.iQT — em estar pelo juizo de algum arbi- 
tro. Couto. Ter era algucm — , mà suspeita 
delle a noss® respeito (V. Pejado, rol de pe- 
jados), « Tinha — naquella fortaleza, » sus- 
peita de ella ser levantada em damno delle. 
Chron. de D. João Uí. — , peíto, superabaa 
dancia que incommoda, v. g. — de humores. 

Moiaes não só confunde pejo, cousa que 
empece, com /?e/'o, vergonha, mâs evidente- 
mente dá a entender que es.io sentido c de- 
rivado áo outro e que o peio moral e o em- 
baraço do espirito corno o pejo physico em- 
baraça, enleia e impede; mas não reflectiu 
que o enleio de pessoa pudibunda é eííeito e 
não causa. Éde notar que em Latim, Italia- 
no, Francez, llespanhol, Àllemão è In^lez 
não existe termo que tenha as duas accepções 
referidas, O psjo pudico ó sentimento innato, 
e procede do rec<'.io de ser increpado por al- 
guma falta commettida, ou dê sec suspeitado 
de cousa que se áeseja ler secreta, coino à& 
inclinação amorosa. 

PE-Kíi^NG-UO ou TClíING^KrANG, (geOgr ) 

rio da China, na-co a 7 léguas ao P^E de 
«an-Young, dotre ao S., passa em Cantão 
e cáe no golphò de Cantão. 

PEKiN., Pe-KING, (giX)gr.) (isto é corte âo 
Norte) ©u Kíngsse (a capital), antigamente 
Car/íbalon, hoje Chun iian, em chinez, ca- 
pitai do Pe-tckí-h e de todo o império chi- 
ijez, ecH UQDa vasta planície, a 12 léguas ao 
S. da grande muralha; 2,000,; iO(? de ha- 
bitantes. 

PELA, contracção de per, ant., por, e /a 
artigo Castelhano, Italiano e IPrancez, e tam- 
bém Portuguez antigo, t. y.emtodalas. V. 



PELA&iA, (Santa), (hist.) nasceu no século 
V, tinha sido comediante em Antioehia, fez-se 
religioza e retirou-se ao monte das Olivei- 
ras em Jerusalém. K' commemorada a 8 de 
outubro. Outra Saneia Pelaeia também de 
Antioehia, matou-se na idade de 15 annos 
para salvar a sua castidade. E' commemo- 
rada a 9 de junho. 

pfíLAGiANisiio, s. m. (des. ismo.) a seita 
de Pelagio. 

PELA&'0, (bist.) chamado primeiramente 
Morgan, celebre heresiarcha do século V, 
nasceu na Gran-Bretanha, fez-se monge, 
foi a iloma, foi amigo de Sancto Agostinho 
e d'outras personagens illustres, mas den- 
tro em pouco deu-se ás discu-ísões raetha- 
physicas, e veio a formular sobre a graça 
e a liberdade doctrinas contrarias á fé. A 
sua doctrina foi condemnada era 3 concílios. 
Julga-se quo morreuem 432 , mas a sua 
doctrina conhecida pelo nome de Pelagia- 
nismo subsistiu até ao século VI. 

PELAGio I, (hist.) papa, successor de Vir- 
gílio, reinou de 555 a rj59. Fez comefar 
em Koma a igreja de S. PhiUppe. 

PELAGIO II, (hist.) papa, successor de Be- 
nedicto I, reinou de 578 a 590. Tentou em 
vão abafar em Istria o scisma chamado dos 
três capítulos. 

PÉLAGO, (hist.) rei das Astúrias, foi o che- 
fe dos godos e dos christàos fieis, que de- 
pois da batalha de Xeres, se refugiaram 
nos montes de Cantábria ; alli se conservou 
'^ annos ignorado dos vencedores, e saiu de 
repente bateu os Mouros em Covadonga, e 
morreu em 337. 

PÉLAGO, s. m. (Lat. pelagus^ Gr. áepleó, 
navegar, e agô, conduzir.) (poet.) mar alto, 
pego ; (ant.) pego do rio. Commeíter o — . 
Em — de sangue, rios de sangue. 

PELACONiA, (geí>gr.) eantãoda Macedónia, 
ao Is ; cantão da Thessalia onde eram as 
cidades d'Azor e Pythium e Doliques. 

PELANGANg. (feogr.) sitio proximo do So- 
fá lia ^viíla), donde dista uma hora de cami- 
nho. 

PELARGoSiuií, {bot.) género de plantas da 
família das Gerinaôs e da Monadelphia He- 
ptandria 

PELASGios ouPELASftoSí (hist.) habitantes 
primitivos da Grécia e da Itália, parecia per- 
tencerem á ra^a indo-germanica. 

PKLASGiotioE, (geogr.) região da Thessa- 
lia, ao S,, entre a ^'errhebia aoIS., a Thes- 
saUotide ao S., e entre o Peneo, o Ualia- 
cmon e o Sperihio ; era habitada pelos Pe 
I ágios. 

p«LASGico (golpho de), (geogr ) Pelasgi" 
cus sinus, hoje golpho de Volo, golpho do 
mar Egêo. entre a ponta N. da ilha deEu- 
l;>da, a PbthioUde e a Magaesia. 



PEL 



?a 



147 



PELEGRIME, s, w. HO Brasil dão este Dome 
ao peixe que acompanha o tubarão. Moraes 
suppõe cora razão vir do Inglez pilgrim, pe - 
regrino. 

PELEJA, s. f. [de pelejar.) briga, comba- 
te, batalha. Homens, gente de — , comba- 
tentes. 

PELEJADO, A, p. p. de pelejar ; adj. que 
pelejou. Estar — com outro, que teve razões, 
que brigou com alguém. Os dois exércitos 
tinham — esforçadamente. 

PELEJADOR , s. m. O que peleja, comba- 
tente. — , adj. que combate, peleja. 

PELEJAR, v. a. (Cast. pelear, do Lat. pel- 
lo, ere, repellir , repulsar, ferir, impeliir ) 
brigar, combater. — batalha, combater o 
inimigo em batalha. « Pelejou Judas Macha- 
beo tantas batalhas. » Vieira. — .brigar, com 
bater, batalhar, guerrear, v. g. — com o ini- 
migo ; (fíg.) luctar, v. g. — com as paixões, 
— com os appelites. — com alguém, ter ra- 
zões, altercar. — , reprehender asperamen- 
te. 

Syn. comp. Pelejar , combater, lutar , 
brigar, guerrear, batalhar. O mais gené- 
rico d'estes vocábulos, e o de que mais 
usarão nossos bons escritores, é pelejar, do 
castelhano pelear, corrupção de proeliari ; 
e exprime todo o género de contenda com 
o fim de resistir e vencer a parte contra- 
ria. Usa-se este verbo tanto na voz activa, 
cemo ne neutra, de que Vieira nos deixou 
boiis exemplos . « Pekjou Judas Machabeo 
tantas batalhas (X, 201). » Os homens de 
inferior condição, ainda que sejão valero- 
sos, pelejão sós ; o nobre sempre pelei a 
acompanhado, porque peleja com elle a 
e mbrança de seus maiores, que é a me- 
hor companhia. Em Ascaniope/e;*at>a Eneas 
p Heitor ; em Pyrrho pelejava Achilles e 
eleo ; nos Decios, nos Fabios, nos Sci- 
Piõs pelejavão os famosos primogenilores 
"e S'^,us appellidos (VII, 478). « A carne 
Peleja contra o espirito, e o espirito con- 
tra a carne (VI, 80). » 

Combater é propriamente bater-se com,. . . ; 
é pelejar militarmente fazendo força a fer- 
ro e fogo ; e também, oppôr resistência, v. 
g. combater os erros^ as inclinações, etc. 
ou combater contra erros, etc. « A intei- 
rez i combate contra a cobiça (V do Aro, 

I, (■;. » 

Lv.íar é contenderem ou pelejarem áuàs 
pessoas corpo a corpo, sem armas, a bra- 
ço partido ; e no sentido figurado é pelejar 
por vencer, resistindo porfiosamente. Jacob 
lutou com Deus. O homem, em toda a 
vida, luta com adversidades, e no fimd'ella 
tem que lutar eom a morte. 

Brigar, do italiano brigare , é ter briga 
com ftlguem. pelejar de razões ou a ferir, 



de homem a homem, ou d'um partido com 

outro. 

Guerrear é fazer guerra, combater, pe-^ 
lejar na guerra. Suppõe todo o género de 
hostilidades que costumam fazer-se as na - 
ções ou partidos belligerantes. 

Batalhas é pelejar com armas, pelejar 
hostilmente um exercito com outro, ou uma 
divisão com outra do inimigo. 

Quando duas nações guerream, batalham 
seus exércitos e suas armadas, pe/e;'am valo- 
rosamente seus capitães, cor/iòaíern- seus sol- 
dados, e As vezes toda a nação, por defen- 
der sua independência. Nas guerras civis 
brigam as facções, os partidos, os bandos» 
e a sua peleja antes se deve chamar luta 
porque nenhum partido se dá por conten- 
te sem deitar por terra e pizar aos pés seu 
adversário. 

PELEO, (myth.) Peleus, rei da Phthiotide 
e de lolcos, era filho de Eaco, e irmão de 
Tela non e de Phocus. Tendo morto este 
ultimo por engano, expatriou-se e foi á cor- 
te de Eurytion, rei de i hthiotida, com a fi- 
lha do qual casou. Teve ainda a desgraça 
de matar, sem querer, e de passar por no- 
vo exilio. Recebido em lolchos, inspirou 
amor á rainha Erelheiá, ecomo desdenhas- 
se esto amor criminoso, viu-se calumniado 
pela princeza para com Acasto, seu esposo. 
Esto mandou-o prender era um bosque, mas 
Pelêo achou meio de cortar as prisões, ma- 
tou Acasto e sua esposa, e fez-se rei de 
lolcos. Morrendo a sua primeira mulher, ca- 
sou com Thetis o delia teve Achilles , que 
confiou ao centauro Chiron e passou pelo 
desgosto de o ver ir para Tróia. Foi destro- 
nado pelos filhos de Acasto. 

PELEU ou PALUOS, (geogr.) archipelago do 
Grande Oceano, a O. das ilhas Carolinas. E 
composto por dezoito ilhas muito férteis e po- 
voadas. 

PELHANCARIA, S. f. 6 PELHANCAS, S.f.pl. 

[pelle ; a des. vem de Cast, ancha, larga, 
extendida), pelles pendentes do homem, oa 
animal que emmagreceu muito. 

PELHOS, pronunciado pel-hos, usado an- 
tigamente era vez de pelos, e formado de 
pel por per, por, e hos ortographia antiga, 
por OS artigo m. pi. Barros, Góes. 

PELiAS, (myth.) rei de lolcos, devia ser 
ao commercio adultero de Tyro com Neptu- 
no. Foi exposto logo depois de nascido e sal- 
vo por uns pastores. Quando foi morto Ere- 
theo, marido de Tyro, tirou o trono de lol- 
cos a Eron, depois mandou matar a esposa e 
os filhos deste principe, excepto Jason, que 
se escapou. Expiou seus crimes com morte 
horrorosa ; foi degoUado por suas filhas, que 
julgavam, segundo a promessa de Medea, to- 
ma-lo moco, tirando -lhe todo o sangue Telho. 
37 • 



m 



PEL 



P£& 



PELICANO, s. m. (Lat. pelicanús ou pe- 
lecanus, do Gr. pelukus, machado, porque 
o bico desta avo tem feição do ferro de ma- 
chado), ave aquática, maior que o cysne, 
da ordem dospalmipedes, família dospaa- 
nipedes, de bico longo e chato guarnecido 
inferiormente de um saco membranoso ca- 
paz de conter duas ou três canadas de agua, 
ou um volume igual de peixe que a ave 
apanha mergulhando. D'esta ave diziam os 
antigos que alimentava os filhos com san- 
gue que tirava do peito, ferindo-se. — , 
(chim.) alambique fechado, munido de duas 
azas ouças: — , (cirurg.) espécie de boticão 
para tirar dentes da feição de bico de peli- 
cano. 

PELiCEiRO. V. Pelliqueiro. 

PELiGNios, (hist.) Peligui, pequeno povo 
da Itália antiga, habitava a E. dosMarsos, 
acima do Picenum e perto do mar. As suas 
cidades principaes eram Corfinium e Sul- 
mo. 

PELiON, (geogr.) Peira, monte da Thessa- 
lia, na Magnesia, ao S., não era mais do 
que a continuação do Olympo. 

PELissANE, (geogr.) villa de França, a 7 
léguas NO. de Aix ; 2,261 habitantes. 

PELITRE. V, Pyrethro, herva. 

PELLA, s. f. (do Gr. palia, d&pallô, ar- 
remesar), bala elástica de coiro cheia de 
lã, com que se joga o jogo chamado da — . 
Jogar a — com alguém, (fig.) fazer jogue- 
te, fazer soífrer alternativas faustas e infaus- 
tas. Ter as — s ao inimigo, resistir-lhe re- 
bate-lo. — , (ant.). bala de chumbo ou fer- 
ro presa a um cabo por corda, que se lan- 
çava contra alguém e se tornava a recolher 
depois de dado o golpe. A férrea — , bala 
de artilheria. — , ('ant.) rapariga que baila- 
va posta no hombro de dansarino. — de uvas. 
V. Uva e Pellota. 

PELLA, s. f. (de Fr, poere, frigideira), 
(t, do Minho), frigideira. 

PELLA, (geogr.) hoje Palatisia, cidade da 
Macedónia, na Emathia, sobre o Ludio. 

PELLACiL. V. Alacil ou Alãcir. 

PKLLADO, A, p. p. de pellar, aclj priva- 
do (la pelle ou de pello, calvo ; (Hg.) terra 
— , escalvada, calva, sem vegetação. 

PELLADOR, s. m. O que pella. 

PELLAME, s. f. V. Alopedia. 

PELLAME, s. m. {pelle, des. do Gr. /ia??ia, 
juntamente), pelles não cortidas coirama ; 
— , valias e tanque de cortume ; as pelles 
no cortume. 

PELLÃo OU puLLÂo, s. m. (do Cnst. pelon, 
fidalgo pobre, filho segundo. Vem do Fr, ant. 
polains, polans, poulains ou pullains, fi- 
lhos de Europeo nascidos na Palestina no 
tempo das Cruzadas; filhos demãieuropea 
e de pai syriaco; eram geralmente despre- 



zados. Em Fr. ant. poulain significa cara- 
ponez, rústico. Ambos vem do Lat. pullns, 
moreno, queimado de sol), fidalgo pobre ; 
peão, homem pobre, rústico. 

PELLAR, t>. a. [pelío, ar, des. inf., con- 
tracção de tirar), tirar o pello, mettendoo 
corpo em agua muito quente ; — tir^r o pel- 
lo, o cabello, fazer cahir o pello, o cabei- 
lo. — SE, V. r. cahir a pelle, perder a pelle, 
ou o pello. — se por alguma cousa, appe- 
tece-la anciosamente, v.g. — me por bana- 
nas, melões, frutas. Nem ào Lat. pello, ere. 
impellir. 

PELLE, s. f. (Lat pellis, que os lexico- 
graphos derivão, pela maior parte, do Gr. 
phellos casca de arvore. Eu creio que vem 
de vellus, pelle de animal, vello, primiti- 
vamente fellus ou fellís. O f ê affim do p 
e continuamente se troca por v ep), tegu- 
mento exterior do homem e dos animaes. 
Diz-se de todos os animaes que não tem es- 
camas, ou tegumentos mui duros, a que se 
dá o nome de coiro. Também se diz dos 
peixes que não tem escama. — em cabello, 
ainda não cortida. — da fruta, a casca fina. 
Nú em — ou em pello, sem vestido ou co- 
bertura, despido inteiramente. — , (fig ) o 
individuo, v. g. Não caber na — ; em si, 
não se conter, exultar, — de contente, de 
soberbo. Defender a — ; tratar da — . Ju- 
rar-lhe pela — , ameaçar alguém de o mal- 
tratar ou matar. — , (fig ) o exterior. Rir-se 
sobre a — de alguém, á custa delle. Jul- 
gar alguém pela — , pelos exteriores. Des- 
pir a — , larga-la como fazem as cobras e 
serpentes ; ^fig.) re.noçar, mudar de senti- 
mentos, de proceder, de opinião. 

PELLEGRIN , (hist ) autof fraucez, nasceu 
em 166 í, morreu em 1745. As suas melho- 
res peças são : O Novo Mundo, e Pelopéa. 

PELLEGRiNO (PeMogrino Tibaldo dc), (hist.) 
pintor a architecto italiano, nasceu em 1527, 
morreu em 1592, foi chamado a llispanha 
por Ihilippe II, pintou o claustro e a bi- 
bliotheca do Escurial. 

PELLEGRINO Dl S^N-DANIELLO, )hist.) piu- 

tor italiano do século XVI, morreu em 16^6. 
O seu melhor quadro é uma Madona senía- 
da entre as quatro virgens deAquiléa.Oa- 
tro Pellegrino, deModena, discipulode Ra- 
phael, deixou diversos quadros, o melhor 
ê uma Natividade de Nossa Senhora. 

PELLEGRUE, (geogr.) cidade de França, a 
5 léguas NE. de Reole ; 1,600 habitantes. 

PELLERiN, (hist.) celebre antiquário frau- 
cez, nasceu em 1684, morreu em 1782. Keu- 
nm um bello gabinete de medalhas, que 
vendeu por 300,000 francos a Luiz XVI. 

PELLETATSf, (hist.) cirurgião francez, nas- 
ceu era 157:2, morreu em 1829. Publicou 
uma Clinica cirúrgica. 



PEL 



FEL 



fm 



PElLETERiA, s. f. (do Fr. pellelerie), gran-' 
de quantidade de pelles em cabello, e princi- 
palmente para forrar roupas, v. g. — de mor- 
tas, ginetas, lobos, coirama, pellame ; — , 
o coramercio de pelles para forrar. Outros es- 
crevem pellíleria. 

PELLETiER, (hist.) pharmsceuiico 6 chimi- 
co francez , nasceu em J76l , morreu em 
l'/97. Deixou Memorias e Observações de 
Chimica. 

pelleziuha, s. f. diminuí, depelle, pelle 
finae pequena. 

PELLiCA, s. f. diminut. depelle, pelle de 
carneiro corlida que íica mui branca e mui 
flexível, para luvas e outros usos. 

PELiiçA ou PELissA, * /. (Fr. pelUsse), rou- 
pão de mulher e do homem nos paizes septen- 
trionaes, forrado de pelles íinfs, para resguar- 
dar de frio, e também por ornato. iNa Turquia 
o gran-senhor dá pelliças para honrar as pes- 
soas. V. g. aos embaixadores das cortes es- 
trangeiras, aos pachás, vizires, 

PELLiCE, s.f. (Lat. pellex, icis, âepclli- 
cio, ere, alliciar, Gr. pa//o/ítí, rapariga jaa/- 
lak, moço, adolescente), (p. us.) amiga, con- 
cubina de homem casado 

PELi.ico. s. m. (de pelle), vestido de pas- 
tor feito de pelles de carneiro com a lã. 

PELLicuLA; 5. f. dúnmwí. de pcllc, (anat. 
ebot.) pelle delicada, epiderme. 

PELLiNHA, s. f. diminut. de pelle, pelle 
delgada, fina. 

PELLiQUEiRO, s. m. [ãepelHca], o que pre- 
para pellica e vende pelles para forrar roupas 
pelleteiro. 

PELLiscÃo, s. m. V. Belliscão. 

PELLissoN (Paulo), (hist.) escriptor fran- 
cez, nasceu em 1624, morreu em 1693. Dei- 
xou Memorias em favor de Fouquet seu 
protector ; Historia da Academia Franceza. 

PELLiTEiRO. V. Pelliqueiro. 

PELLiTEBiA. V. Pellcteria. 

PELLiTRAPO, A, udj . V. Esfarrapado. 

PELLO, 5. m. [do L&t. vellus, vello, tosão) 
vello ou cabello que cobre a pelle dos ani- 
maes ; buço do ^adolescente, pennugem que 
cobre mais ou menos o corpo do homem e da 
mulher, lanugem, cotão da fructa, v.g. — 
do marmello, — pecego, — do panno de lã 
frisa. Chapéo de — , com felpa. — da espa- 
da, (p, us ) o gume ; espada de bom — . 
Em — , nú, inteiramente despido. O caval- 
gar ou andar em — , montado em cavallo 
ou outra besta sem sella, albarda ou outra 
cobertura. Ser de — negro, (fig ) mui ma- 
nhoso, velhaco. Vira—, (loc. fam.) a pro- 
pósito, em tempo opportuno. A — , adv., 
na direcção do pello. A pospello. V. Pos- 
pello. — , doença nos sancos da besta. — s, 
as diversas sortes de fio de seda findas nas 
machinas de fiação. 

YOL. IT. 



PELLONTIER, (hist.) historiadof prussiano, 
nasceu em 1694, morreu em 1757. Entre 

outras obras publicou uma Historia dos 
Celtas. 

PELLOPONESO. errada orlhogr. V. Pelopo-^ 
neso. 

PELLOLA, s. f. (de pella, des. otá). pella 
de ferro ou chumbo. 

PELLOTÂo, má orthr. V. Pelotão, 

PELLOTE, s m. [pelle, des ote, contr. do 
Fr. cotte, saio, vestido), vestidura antiga 
portugueza que se trazia por baixo da capa. 
Andar em — , em corpo, sem capa; — de 
panno. ex. « Moços que andavam ao paço 
em — e não de capa. » Chr. de D. João III. 
Erra pois o autor do Elucidário vertendo pel- 
/o/ecapa forrada de pelles. Melhorar de — , 
(loc. fam. ant.) melhoriír de fortuna. 

PELLOTiCA, s.f. diminut. de pellota, bo- 
linha com que os pollotiqueiros fazem ha- 
bilidades, ligeirezas de mão. Fazer — s, li- 
geirezas de mão, v. g fazer desapparecer 
as bolinhas postas debaixo de vasos de me- 
tal sem que os circumstantes percebam o 
como. 

PELLOTINHO, s. m. diminut. de pellote. 

PELLOTiQUEiRO, s. m. (des. eiró.) homem 
que faz ligeirezas demão oupelloticas ; ve- 
lhaco, que furta com astúcia, gatuno ao jo- 
go- 

PELLOURA, s. f. V. Pellouro. 

PELLOURADA, 3. f. (des. ada) golpe, tiro de 
pellouro, 

PELLOURiNHA, S.f. [àut.) diminut. dcpel- 
loura. 

PELLOURiNHO. V. Pelourinho. 

PELLOURO, s. m. [pella, ou do Lat. pello, 
ere, lançar, arremessar) bola de metal para 
ser lançada por arma de fogo, como espin- 
garda, arcabuz; bola de cera dentro da qual 
se mete um papelinho com o nome da pes- 
soa de que se faz escolha para juiz ordiná- 
rio ou vereador, e em geral bilhete de elei- 
ção, voto de eleitor. Sair nos — s, nomea- 
do, eleito. 

PELLuciA, s.f. [Yr. peluche) estoffo felpu- 
do de seda ou lã. 

PELLUCiDO, A, adj. (Lat. pellucidus, for- 
mado de per e lúcidas) transparente. 

PELLUDO, A, adj. [pello, des. udo) que tem 
pello, cabello, velloso. 

PELO, (composto da preposição per ou por, 
elo, do artigo lo, Cast, o), v. g. — mesmo 
motivo, — rei. 

PELOPiDAS, (hist.) Thebano, amigo de Epa- 
minondas, era muito rico e valente ; chefe 
dos Thebanos banidos, teve a principal parte 
na conspiração, pela qual os Spartiatas fo- 
ram expulsos de Thebas, em ci79 antes de 
Jesu-Christo. Commandou em Leucteres o 
batalhão sagrado; seguiu Epaminondas na 
38 



ff» 



PEI. 



vm 



sua expedição ao Peloponeso : soccorreu as 
cidades Thessalonicas contra o tyranno Ale- 
xandre de Phéres, pacificou a Macedónia, 
submettendo-a á influencia thebana. Mor- 
reu na Ihessalia em 365 alcançando a vi- 
ctoria de Cynoscephales. 

PELOPONESO, (geogr.) Peloponesus, (isto ó, 
ilha de Pelops) primitivamente Apia , hoje 
Morétty península, que termina a Grécia ao 
S., é unida ao continente pelo isthmo de Co- 
rintho, dividida vulgarmente em 7 provina 
cias : Achaia e Corinthia ao N. ; Argolida , 
E. ; Laconia e Messenia ao S. ; Elida a O. 
e a Arcádia no centro, 

PELOPONESO (guerra do) , (hist.) grande 
guerra entre Sparla e Atbenas, tomaram par- 
te nella todos ©s povos da Grécia; durou i7 
annos, de 431 a 404, antes de Jesu-Chris- 
to* 

PELOPS, (myth.) filho de Tântalo, rei da 
Lydia, foi morto por seu pai, e seus membros 
foram servidos aos deuses em um banque- 
te, n'um dia em que elles tinham ido visi- 
tar Tântalo, Júpiter, reconhecendo logo es- 
ta detestaval iguaria, reuniu os membros do 
joven príncipe (excepto uma espádua, que 
tinha sido comida por Ceres) e restituiu-lhe 
a vida. Pelops depois passou a Elida, casou 
com Hippodamia, filha do rei Qilnomaus, e 
reinou na maior parte da península, que to- 
mou o seu nome. 

PELOTÃO, s. m. (Fr. peloton, depeloíte^ no- 
velo) (mil.) pequeno numero de soldados en- 
fileirados. 

PELOTAS (geogr.) cidade da província de 
São-Pedro-do-Rio-Grande, no Brazil. S lé- 
guas ao noroeste da cidade do Rio-Gran- 
de, e 45 pouco mais ou menos ao sudo- 
este da de Porto-Alegre, 2,420. 

PELOTAS (geogr.) rio limitrophe das pro- 
víncias de Sào-Pedro-do-Rio-(irande e de 
São-Paulo, no Brazil. 

PELOURINHO, s. m. (do Fr. pilori, do Lat. 
pila, pilar, pilastra, e não áe pellouro como 
quer Moraes) columna de pedra, picota pos- 
ta em praça de cidade ou villa, a que se atam 
os criminosos expostos á ignominia, ou con- 
demnados a açoutes ; é rematada por pontas 
de ferro onde se espetam as cabeças dos de- 
golados ; tem também argolas onde se pode 
enforcar, 

PELTARiA, (bot,) género de plantas da fa- 
mília das Cruciferas e da Tetradynamia si- 
liculosa, L. 

PELTRE, s. m. (Moraes o deriva do Ingl. 
peicter, o qual vem do Ital. peltro, liga de es- 
tanho e azougue, Cast peltre, liga de esta- 
nho e chumbo) (ant.) liga de estanho com 
cobre ou chumbo. 

PELUSO, [geogr.) Pelnsivm, primitivamen- 
te Ataris, Sobrta da Fscríptura, cidade do 



Egypto inferior, sobre a boca oriental do 
Nilo, a 1 légua do mar. ^^ 

PELUssiN , (geogr.) villa de França , a 5 
léguas E, de Santo Estevão ; 500 habitan- 
tes. 

PELTATO, A, adj. [Lat. peltatus, depelta, 
escudo pequeno) na antiga milícia romana, 
armado de broquel, abroquelado. 

PELYMSK, (geogr.) cidade da Kussia-Asia- 
tica, a 50 léguas If. de Touriusk ; 1,800 
habitantes. 

PEMBROKE, (geogr.) cidade de Inglaterra, 
no paiz de Galles, capital do condado do 
mesmo nome. a 11 léguas SO. de Milford ; 
6,500 habitantes. O condado de Pembroke 
situado entre os de Cardigan ao NE., de 
Caermarthen a E., e o canal de Bristol ao 
S., conta 81,320 habitantes. 

PEMPiNELLA. V. Pimpinella. 

PENA, s. f. [Lat. pcena, Gr.poiné, depe- 
nomaij trabalhar, afadigar-se, soífrer ; tal- 
vez do E^ypc, pi, art. m,, q nehpi, choro, 
afllicção, pena, lamentação, neph, chorar ; 
ou de pi~nouxp, consternação) dôr, aíílicção 
causada por mal physico ou moral, trabalho 
fadigoso ; moléstia, incommodo, v. g. gran- 
de — me causou a morte do amigo, magoa. 
— s da vida. Com — punha os pés no chão. 
Mousinho, Afr., foi, 93. «Carne, vinho... 
tudo com — se achava, » Resende, Misc, 
istoé, com trabalho, difficuldade, em tempo 
de fome que houve. Éantiq. neste sentido. 
— , castigo, V. g. — de morte, de degredo, 
de açoutes; — pecuniária, aíílictiva ; — de 
sangue, (ant.) a pena pecuniária que se infli- 
gia a quem feria ou matava. Dar as — s, 
Arraes, castigar. Tomar as — s de alguém, 
(ant.) castiga-lo. Eneid. de F. Barreto, XI, 
174. A penas. V. Apenas. 

SYN, comp. Pena, sentimento, dôr. Expli- 
cam estas tr( s palavras a differente impres- 
são que faz o desgosto em animo ; porém 
a pena pôde applicar-se mais vagamente, 
e denotar um desgosto mais accidenlal que 
o sentimento, o qual não presenta a idéa 
d'uraa sensação tào profunda como a dor, 
que é um sentimento penoso e profundo. 
Causa^-nos sentimento a perda d'um bem 
que nos interessa, a desgraça d'um amigo, 
a morte d'um conhecido. Temos dôr d'alma 
na morte do pai amoroso, da cara esposa," 
do filho amado ; temos dôr de haver offeny^ 
dido a Deus. 

PENA, s. f. (do Cast. pena) penha. O con- 
vento da — . Nossa Senhora da — . 

PENACOVA, (geogr.) villa de Portugal cora 
3,0^0 habitantes , e o seu concelho com 
9,332, situada 3 léguas a E. de Coimbra,-^ 
em fronte da confluência do Alva e na díreital 
do Mondego. * 

PENADAMENTE, oáv. (dcsus.) [mente suíT.)' 



PM^ 



PED 



l&l 



com pena, dôr, ex. « — sesosteve. » Meni- 
na e Moça, 2, II, com difficuldade, por não 
cair em cama. 

PENADO, A, p. p. depenar; adj. punido, 
castigado, afflicto com pena, dôr, trabalho, 
ex. O — mancebo. Naufr. de Sepúlveda* 

« de puro — morre, » Gamões, Re- 

dond., aíllicto de penas. 

PENADOiRO, A, adj. V. Punivel. 
PENAFERRiM, (geogf.) povoação de Portu- 
gal, no concelho de Cintra, a 4 léguas de Lis- 
boa, com 1,35U habitantes. 

PENAFIEL , (geogr.) (chamada tarabnm de 
Souza ou yírri/anarfe^owza), antiga cidade 
de Portugal, dista 6 léguas a E. do Porto, e 
06 de Lisboa, contém 2,500 habitantes, e 
o seu concelho 19,383. 

PENAFIEL, (geogr.) cidade dellispanha, a 
11 léguas S£. de Valladolid ; 3,3oO habi- 
tantes. 

PENAFLOR, (geogr.) nome de muitas cida- 
des de Hispanha ; uma na intendência de 
Córdova, a 15 Itguas ^-0. deCordova ; 2,100 
habitantes ; outra na intendência de Sara- 
goça, a 3 léguas NE, de Saragoça. 

PENAGUIÃO, (geogr.) V. Santa Marta de 
Penaguião. 

PENAL, adj. dos2g. [L&t.poenalis.) con- 
cernente pena ; que impõe penas. Leis pe- 
naes. Código — . Convenção — , de pena 
convencionada em contracto. 

PENALBA, (geogr.) cidade de Hispanha, a 
16 léguas SE. de Saragoça; 800 habitan- 
tes. 

PENALIDADE, s. f. [pev.al, des. idade] sup- 
plicio, pena; trabalho. Arraes. «As — 5 da 
vida humana. » Pinheiro. 

PENALIZADO, A, p. p. de pcualisaf ; adj. 
affligido, afflicto, magoado. 

PENALIZAR, V. a. {penalf des. izar.) cau- 
sa pena, afflicção, dôr, ex. «A inveja que o 
penalizava. Macedo. 

PENALVA d'alva , (geogf.) villa de Portu- 
gal, na vizinhança de Pombeiro. donde dis- 
ta 6 léguas a E., e i ao S. do Mondego ; 
1,500 habitantes, e com o concelho 3,0(14. 

PENAI. VA DO castello, (geogF.) V. Cas- 
tello. 

PENAMACOR, (geogr.) villa de Portugal, no 
districlo da Guarda, donde dista 8 léguas; 
contém 1,8']6 habitantes em três freguezias, 
e tcdo o concelho 4,600. 

PENAMAR, adj. dos 2 g. Pérola — , que 
tem pouco lustre, como coalhada. 

PENÃo, *. m. (Fr. ant. penon ou pennon, 
pendão, áoLal. pannus, panno) pendão, ga- 
lhardete, bandeirola. 

PENÃO, s. m. (em vez de pennão, augm. 
áepenna) (ant.) ponteiro, estylete com que 
se escreve em ola ou folha de palmeira, ex. 
€ Um — de ferro sem tinta. » Barbosa. 



PENAR, «. a. (jotfna, ar des. inf.) penali- 
zar, causar pena, dôr, aíílicção, atormentar; 
punir, castigar, impôr pena. 

o famoso Pompeio, náo te pene 
De teus filhos illustres a ruina. 

G.\MÕES, Lus., cant. iii, 71. 

«Mais me pena ser esta vida cousa tão pe- 
quena. » Bernard. Lima, Cart.7. « Pe^ 

nando os que fizerem om contrario. » Ord, 
AíTons., 2. — seu castigo, soffrô-lo. — , v. 
n. soffrer, padecer pena, dôr. tormento, 
afflicção, n.g. no inferno, no inferno, —se. 
V. ?•. (ant.) causar pena a si próprio, e-r. Alli 
se — e atormenta o triste. » 

PENARANDA-DE-BRACAMONTB, (gCOgr,) cida- 
de de Hispanha, .« 4 léguas de Aranda do 
Douro; 1,100 habitantes. 

PENARANDA-DO-DOURO, (geogr ) cidado de 
Hispanha , a 4 léguas NE. de Aranda do 
Douro; Vf,Ono habitantes. 

pENAS-DE-s. -PEDRO , (geogr.) cidadc de 
Hispanha, a 12 léguas NE. de Alcaraz ; 
9,0íj0 habitantes. 

PENAS-ROiAs, (geogr.) villa e freguezia de 
iPortugal, a 5 léguas O. de Miranda do Dou- 
ro ; o seu concelho contém 1,544 habi- 
tantes. 

PENATES, (myth.) deuses romanos que pre- 
sidiam á conservação e augmento «los ber.s 
domésticos [penus]. Os gr. ndes deuses, Jú- 
piter, Juno, etc, eram também considera- 
dos como deuses penates pelas famílias que 
se collocavara debaixo da sua protecção. 

PENAVEL. V. Punivel e Penal. 

PENAVis, s. w. pi. (do Fr. ant. piwt. bnlo, 
do L&i. panisy pão, e piseis, peixe) bolos de 
peixe frito com manteiga. 

PENCA, s. f. (do Gr. púknôs, grosso, es- 
pesso) folha grossa que sáe com outra de um 
\>é,v.g. da herva babosa e outros aloés, co- 
mo a piteira ; (fig. o chulo) narigão, nariz 
mui grosso. Uma — de bananas , esga- 
lho d'ellas adherenle a um pé como os 
dedos árnão, eests; pegado ao cacho. As — s 
do bofe, (anat.) os lobos do polmão que pen - 
dem separados. 

pENDANGA, s. f. uojogo da garatusa, são 
os oitos e noves de oiros a que se dá o va- 
lor que cada um quer; (fig ) cousa de que 
se usa continuamente para diversos fins; e 
só usado hoje, occupação acccssoria eiricom- 
moda. — s, pi. officios, occupações accesso- 
rias de que se encarrega alguém. ?íeste ulti- 
mo sentido vem de appenso, 

PENDÃO, s. f. [depender] guião ou bandei- 
ra farpada por baixo. — de irmandades, o 
que as irmandades levam nas procissões. An- 
tigamente era bandeira que levavam á guer- 
ra os ricos homens, capitães e os reis, e que 
ia arvorada nas marchas. Senhor de — e cal^ 
S8 * 



tôr 



fm 



fm 



deira, insígnias do mando e do sustento dado 
á gente de guerra pelos senhores torritoriaes. 
Acudir a — ferido, á pressa, ao rebate. — , 
(fig.) guia, guiador, etc. ; mostra, v. g. — 
de hypocrisia. — dos pães, a bandeira, v. 
g, do milho zaburro. 

PENDKWÇA, s. f. (ant.) V. Pendência. 

PENDENÇA, s. f. V. Penitencia, Castigo, 
Trabalho, Muleta. 

PENDENÇAL, s m. T. Penitenciário, Pe- 
nitencial. 

PENDÊNCIA, s. f. (de pender] lucti penden- 
te, briga, conílicto ; contenda. Ter — s com 
alguém, altercações, contender, ex. «A re- 
nhida — na guerra, » Freire, conílicto. 

pendenciaR, V. n. {pendência, ar, des. 
Inf.) ter pendência com alguém, p. p. sup. 
Pendenciado. 

PENDENissE, (geogr.) cidade da Comage- 
ne, ao SO. de Saraosata. 

PENDENTE, adj. dos 2 g. (Lnt. pendens, 
tis, p. a. áependeo. ere, pender), que pen- 
de, está suspenso, v. g os frutos — da ar- 
vore, pendurados ; a aljava ^. Sello — , que 
seíixa por fita ou cordão a documento. A 
espada estava — sobre a cabeça do infeliz. 
— , inclinado. A não — . A cabeça do bê- 
bado — , por não a poder soster. — , que 
dura, que não eslá decidido, Lite — , que 
corre seus termos no foro, e não está ain- 
da decidida, v. g. Trazer alguém — da sua 
vontade ou despacho, dependente. — , im- 
minente. « O perigo — . » Eneid. de F. Bar- 
reto, VIII, 12, 

PENDER, V. n. (Lat. pendeo, ere, de pen 
emCelt,, monte, summidade, cimo, hyper, 
e hypo, em cima, que vem do tgypc. rpe, 
cabeça), estar pendurado ou seguro por uma 
extremidade em lugar ou corpo elevado, v. 
g. os ff uclos pendem da arvore, a espada do 
boldrié, a aljava dos hombros ; — , incli- 
nar-se, estar inclinarJo, v. g. a náu pende 
para um bordo. O muro pende para fora, 
boja. Os ramos das arvores pendem com o 
peso dos fructos. O mastro pende para es- 
tibordo, (fig.) — para alguma pessoa, par- 
tido, opinião, inclinar-se, ter disposição a 
seguir. — de somno ou de bêbado, cabecear. 
— para a vaidade, para o rigor, a clemên- 
cia, propender, inclinar-so, ter propensão. 
— ^depender, v.g. Isso — de opiniões, ex. 
«. Pendo án providencia.» Camões. K' hoje 
desus. — , carregar. « Sobre quem então pen- 
dia a ordem d'aquelle negocio. » Barros. — , 
estar suspenso, indeciso, v. g. — o Hle, o 
pleito, correr, não estar ainda decidido. — 
da bocca do alguém, estar suspenso ouvin- 
do com acatamento, ou esperando as ordens 
de quem está fallando. 

PENDESSA, (ant.) V. Penitencia. 

PENDicuLO, V. PendulOf s. e pendoado, 



pendoar, (ant.) V. Pendurado, Penduraf,^ 
fazer pendor. 

penljab ou pandjab , (geogr.) (isto é, 
paiz dos cinco rios), província do reino de 
Labore, tem por limites ao NE. o Konhis- 
tan Índio, ao SE e a 0. o Monltan, ao NO. 
o Afghanistan. Cidade principal Labore. 

PENDLETON, (gcogr.) cídade de luglatQrra, 
a 0. de Manchester ; 6,000 habitantes. 

pendoenças, s. f. pi. (ant.) V. Peniten- 
cia. Moraes traz o termo e a citação seguin- 
te, sem explicação. « Cheguemo-nos a Deus 
per pendoenças, » e ajunta « será por mor- 
tificações, pendanças, penitencias ou por 
endoenças ? » O vocábulo vem do Fr. ant, 
peneance, em Vro\en^d\ penedanz a, do Lat. 
poenitentia. 

PENDOLA, s. f. (pron. o accento na pri- 
meira), penna de escrever. Insulana (é des- 
usado). 

PENDOR, s. m. (de pender], declividade, 
inclinação Dar — ás náos, encosta-las pa- 
ra as calefetar. Fazer — á balança, fazer 
pender um dos pratos delia. ex. « Os gran- 
des pendores e balanços que dava anáo. » 
Mendes Pinto. — , (fig.) propensão. Ter — 
a alguma cousa, propender. Pendores, (ant.) 
bandorias, partidos. 

PENDORADA , (geogr.) villa de Portugal , 
vizinha de Penafiel; 1,050 habitantes. 

PENDORADO, V. IncHnado, Encostado. 

PENDORAR, V. Inclinar, Encostar. 

PÊNDULA, s. f. (pron. o accento na pri- 
meira, Fr. pendule], relógio de parede mo- 
vido por um pêndulo oscillante, vibratório : 
— do relógio de algibeira, regulador, mo- 
lazinha espiral que regula o movimento. 

PÊNDULO, s. m. (pron. o accento na pri- 
meira : subst. de pêndula, adj.) (mecli.),. 
corpo pesado, de ordinário disco metallico, 
suspendido de maneira a poder oscillar em 
torno de um ponto fixo descrevendo arcos, 
de circulo, por efí'eito da sua gravidade. 

PÊNDULO , A , adj. (pron. o accento na 
primeira , Lat. pendulus) , pendente , que 
pende, pendurado, suspendido. 

PENDURA , s. f, (de pendurar] , acto de 
pendurar; cousa pendurada, v.g. Uvas de 
— . Umas — s de moscatel. 

PENDURADO , supcrl. de pendurar ; adj. 
suspendido, pendente, encostado, inclinado 
a um lado , (fig.) incerto, indeciso. Pen- 
durados dos desejos de vos ouvir ou. da boc- 
ca do orador, suspensos , ouvindo mui at- 
tentos. — s de esperanças, enganos e favO" 
res, esperando sollicitos. Palavras — s, de 
estyío altiloquo, empoladas. Os jardins — s 
de Semiramis , feitos em terrenos elevados 
por arte acima do solo, figurando montes. 

PENDURAR, V. a. (de pendor, ardes, inf.), 
suspender em lugar elevado algum corpo 



vi.MH 



PEN 



atando-o ou segurando-o por gancho ou 
aro : •. g. Uvas, arraas, alampadas, corti- 
nas. — os olhos , (fig.) fita-los em algum 
objecto com grande atlenção ; — o pensa- 
mento de esperanças, estar pendente. — se, 
V. a. suspender-se, estar pendurado ; (íig.) 
fazer depender, ex a D'onde minha espe- 
rança se pendura, » Cruz, poesias. — da 
Providencia, pôr toda a confiança nella. — 
em palavras, fallar era estylo elevado , al- 
tiloquo ; — de esperanças e promessas, ater- 
se a ellas. Pôde — de cera, diz-se de quem 
escapou de um grande perigo, alludindo ao 
uso de pendurar nas igrejas imagens de 
cera em testemunho de cura altribuida á 
intercessão da Virgem ou dos Santos. 

penduricalho, s. m. (des. dim. e peiora- 
tiva), trapo pendente, fitas, ornatos pen- 
dentes. 

PENEDIA, s. f. (des, ia), penedos numero- 
SOS e unidos. 

PENEDio, s. m. V. Penedia. 

PENEDO, s. m. (de penha), rochedo , 
rocha inclinada, pendente, penha, pe- 
nhasco. V. g. — s de Cintra. 

PENEDO (geogr.) nova cidade e antiga e 
importante viUa da proiincia das Alagoas, 
no Brazil. 

PENEFiCAR, V. a (aut.) impor penas. 

PENEIRA , s. f. (quasi paneira), instru- 
mento circular de pao delgado cujo fundo 
é feito de fio de metal, seda ou de clina de 
cavallo, palhinha ; sorve de separar a parte 
mais subtil da farinha ou de outra substítn- 
cia moida. da mais grosseira que não passa 
pelos inlerslicios dos fios Também ha pe- 
neiras para separar os diamantes e as pé- 
rolas miúdas das mais grossas : v. g. — 
grossa ou rara, cujos fios são mais ou me- 
nos cerrados. Ver por — s , (phr. vulg.) , 
obscuramente. Querer cobrir o eco com uma 
— ou joeira, adagio, encobrir o que lodos 
vêem, e não se pode occultar. 

PENEIRADO, A, supcrl. de peneirar ; adj. 
passado pela peneira, joeirado. 

PENEIRAR, V. a. [peneira, ar des. inf.) , 
passar pela peneira substancias moidas, pa- 
ra separar a parte miúda da mais grossa : 
tf. g. — farinha, areia ; — pérolas, diaman- 
les, para separar o miúdo do grosso. — se, 
V. r. mover-se como quem peneira , bam- 
boleando ; — a ave no ar, estender as azas 
e librar -se nellas ficando suspensa sem ade- 
jar. 

PENEIREIRO, A, s. (dcs. cifo, c), O que faz 
peneiras. — o que pretende adivinhar por 
meio de peneira ou joeira. — raro como o 
cie peníira que põe na cara quem vai cres- 
tar colmêas, para não ser picado pelas abe- 
lhas, 

PENEIRO, «.w. peneira. «Onem crê deli- 

VOL. IT. 



geiro agua recolhe em—,» provérbio. ■**«;? 
tecido como o do fundo da» peneiras usa- 
do para entesar as roupas ou as abas das 
casacas, ditas de — s. 

PENELLA, (geogr.) villa de Portugal, a 4' 
léguas de Coimbra, contém 2,0/3 habitan- 
tes, o todo o seu concelho 0,522. Ha uma 
aldeia do mesmo nome [Nossa Senhora do 
Pranlo), a 7 léguas de Lamego, com 712 
habitantes. 

PENÉLOPE, (mylh.) mulher de Ulysses, mãí 
de Telemaco, é celebre pela tenaz resistên- 
cia, que oppoz aos rogos daquelles que per- 
terdiam sua mão , durante a auzencia de 
Ulysses, a qual durou 20 annos, e pelos es- 
tratagemas de que se serviu para não lhes 
responder definitivamente. Trometleu-lhes 
fazer a sua escolha quando acabasse uma 
teia que estava urdindo, mas desfazia de noi- 
te o que arranjava de dia. 

PENEO, (geogr.) Peneus, hoje Salampria, 
rio da Thessalia, tinha a sua nascente nos 
confins deste paiz e da Macedónia, percor- 
ria uma parte da Thessalia e lançava-se no 
golpho Thermaico. Segundo a fabula este rio 
era pai de Daphné, que foi mudado em lou- 
reiro. 

PENESTES, (geogr.) povo da lllyria meri- 
dional, nas fronteiras do Egiro, limitado a 
E. pela Elymiotide. 

PENETRABILIDADE, s. f. (phys.) a quali- 
dade do ser penetrável, ííjp 

PENETRAÇÃO, s. f. vcrb. (Lat. penetratio, 
onis], acto, acção de penetrar, profundar, 
V. g. — da agua nos poros da esponja, do 
azougue nos raetaes ; — da ferida, feita por 
arma penetrante — , (fig.) perspicácia, fá- 
cil intelligencia de cousas difliiceis, profun- 
do conhecimento. 

PENETRADO, A, supcrl. de penetrar ; adj. 
em que se penetrou, v. g. Tinham — na ca- 
verna. A arma linha — até ao coração ou 
bofe , (fig.) commovido, v. g. — de dor, de 
amor, zelo. — descoberto, profundado, v. g. 
linha — o segredo, mysterio, projecto, sen- 
tido escuro. 

PENETRADOR, í. w» O que penetra, v. g. -^j» 
das intenções, V. Fenetrante, < 

PENETRAL, s. m. (Lat. penetrale). O addi- t 
tador de Moraes verte : vestíbulo, entrada^ 
e cita a Almainstruida; mas em Latim si- 
gnifica a parte mais retirada, recôndita da 
casa, do edifício, e assim o pede o radical. 

PENETRANTE, adj. dos2g. (Lat. penelrans, 
íw, p. a. áepenetro, are), que penetra, en- 
tra profundamente, v. g. arma — , ferida 
— ; raizes — s, que profundam muito a 
terra. Esteiros — s a terra, (anl.)e em senti- 
do participial, que entram pela lerra. Óleo 
— , que peneira a substancia a que se ap- 
plica. Cheiro — , mui aclivo. Frio — , que 



IM 



'IfflK 



PEN 



regela os membros. — , (fig.), que commo- 
ve, move, agita a alma, o coração, v. g. dor, 
magoa — . — que profunda, v. g. juizo — . 

PENETRAR, V. tt. (Lat. penetro, are, forma- 
do de pen, eintro, are, entrar. Court de (ié- 
belin quer que pen signifique o interior ; ou- 
tros dizem que é ponta. \iv:\ Egypc. pe/i, pek 
ou pheh, phek, poh ou phoph, significa pe- 
netrar), introduzir no interior, forçar a en- 
trada ; atravessar v. g. k setta penetrou o 
escudo, o peito. A luz penetra o vidro. A 
estocada penetrou o bofe. Penetramos o 
mato. O frio penetra os membros. — , (fig.) 
descobrir, conhecer a fundo, v.g. —o se- 
gredo, as intenções, do inimigo; — questões 
difficeis , as cousas recônditas, mysterios. 
— , (fig.), commover. ?). ^. O medo peneira 
o coração. — com a vista, alcançar, v.g. — 
o^interior de um templo, ex. ^ Penetram-vos 
parvoíces que ficaes delias um saco. » Pres- 
tes. — , V. n. entrar profundamente, v.g. — 
no interior da caverna, nos esquadrões ini- 
migos ; (e fig.) o medo penetrou nos âni- 
mos. — SE, V. g. convencer-se intimamente, 
V, g. — das razões, da verdade, do dever, 
do des(íngano. — (ant.) entrar, penetrar, ex. 
« Penetraram-se os cordéis pela carne pro- 
fundamente. » Vieira. 

PENETRATIVO, A, adj . V. Penetrante. 

PENETRÁVEL, adj, dos2g. (Lat. penetrabi- 
íií), que se pôde ou deixa penetrar ; (fig.), 
que se pôde penetrar com o entendimento. 

PENHA , s. f. (Cast. pena , do rad. Celt. 
pen, montanha, do Egypc. ape, cabeça, sum- 
midade), rocha viva e elevada com picos. 

Penha, (geogr.) povoação da província 
de Minas-Geraes, no Brazíl, a 1 légua ao 
NO. da villa de Cabeté. 

PENHA, (geogr.) freguezia da província de 
Mínas-Geraes, no Brazil, 2i léguas ao Su. 
de Minas-Geraes. 

PENHA , (geogr.) freguezia da província 
de Minas-Geraes, no Brazil, na comarca de 
Pa raça tú. 

PENHAGARCiA, (geogr.) antiga povoação 
de Portugal, no districlo de eastello-Bran- 
co, légua e meia a E. d'idanha a Velha. 

PENHASCO, s. m. [penha, des. asco, do pre- 
fixo do Lat. ascendere, subir), penha, rocha 
elevada. - escolho no mar, cachopos. 

PENHASCOSO, A, adj. [àes.oso], cheio de, 
obstruído por penhascos. 
■ PENHOR, s.m, (s at pignus, oris, Fr. ant. 
peinora ou peigneur. Court de i>ébelin o 
deriva de pac, rad. de /^/acío), cousa que se 
dá 80 credor para segurança He dívida con- 
trahida ; contracto de hypotheca, bypothe- 
ca ; segurança. Os filhos são penhores do 
amor conjugal, ler por ou em — a palavra, 
promessa lormal , obrigatória. Para — da 
ímoisade. Ficarem — , em reféns. Dar pe- 



nhores^ diz-se de jogos em que quem perde 
dá alguma cousa para signal afim de ser, 
no fim do jogo, condemnado a fazer o que 
se lhe prescreve. — , signal certo. ex. « O 
rosto dá claros penhores da ira no animo. » 
Vida do Arceb. « i-m — do que dizia dava 
sua cabeça. » Chron. de D João 111. 

PENHORA, s. f. o acto de penhorar. Fazer 
— , penhorar. — , (ant.) penhor, segurança 
do direito ou acção de outrem, hypotheca. 
Ord. Man. 

PENHORADO, A, p. p. do ponhorar ; adj. 
que soífreu ou que ff^z penhora ; (fig.) dado 
palavra. Estar — com alguém em fazer ai' 
guma cousa, ter-lhe dado palavra, ter-se 
obrigado por palavra — , (fig.) obrigado, 
cheio de gratidão por beneficio recebido, v. 
g. estou — dos obséquios que recebi; das 
provas de amizade, amor. — do tempo, (loc. 
ant.) que tem de continuar no começado, se 
não quer perder o tempo que já gastou nes- 
se objecto. 

PENHORAR, V. a. [pcuhora, ar des. inf.) 
fazer apprehensão judicial dos bens do deve- 
dor, para segurança da divida. — os bens, 

— alguém, fazer penhora nos bens do su- 
jeito. — alguém pela palavra, exigir o com • 
primento da promessa. — . obrigar, fazer 
obsequio, beneficio, v.g. muito me penho- 
rou o bom agasalho que me fez ; muito me 
penhoraram as mostras de amizade que me 
aeu. — SE, íJ. r. (fig.) reconhecer-se obriga- 
do, V. r. — da amizade, dos favores, do 
agrado, do bom modo que alguém n,is mos- 
trou. — em palavras com alguém, compro- 
metter-se, obrigar-se por ellas, protestar, ^ 
proLtettfr que havemos fazer alguma cousa.'* 

— com alguém, prometter- lhe alguma cou-" 
sa boa. — se, (ant.) meter-se em empenhos, 
embaraços, diíTicu Idades. 

PENICHE, (gtogr.) villa e praça de guer- 
ra, de Portugul, no districto de Leiria, si- 
tuada n'uma península fortificada perto do 
cabo Carvoeiro, fronteiro ás Berlengas. Esta 
península, donde veio o nome alterado de 
Peniche, tem legua e meia de circuito, ó 
unida á terra por lím isthmo de 400 bra-'*I 
ças, e n^s alios e fragosos rochedos que a'^ 
cerfão apresenta uma forte defesa natural'* 
e abrigo seguro com os tros ventos ^'S1^^ 

PENisco, s. m (do Lat. pinna, pinhão), * 
semente de pinheiro. ^ 

•PENiscoLA, (geogr ) cidade d'|-ispanha, a* 
12 léguas, S. de Tortosa , 2,200 habitan-H 
tes. 

PENITENCIA, s. f [lat. poeniten tia, àepoB- - 

nilere, arrepender-se), arrependimento, dôr^ 

pezar deacíãomá commeltida, depeccado;'^ 

satisfação do peccado, ou seja mortificando^, 

í o corpo, ou fazendo dbras de caridade ; cas- 

Itigo, piniçâo infligida por culpa com- 



PEH 



PEU 



155 



mettida. O iribunal da — , confissão auri- 
cular. 

PEMTENCiADO, A, p. p. de penitenciar, 
adj cas'igadocom penitenciaimposta ; ma- 
cerado, mortificado com penitencias. 

PENITENCIAL, adj. dos t g . (des adj. ai] 
concernanteá penitencia Tribunal — . Cas- 
tigo, obras penitenciae^. Psalmos — , são 
sete que de ordinário se mandão rezar por 
penitencia. 

PENiTENCíAL, s. m. livro quc regula as 
penitencias que se hão- de impor. 

PEMTENCiAR, V. a. (penitencia, ar, des. 
inf.), impor penilenrias : — o corpo, mor- 
tifica-lo. 

PENITENCIARIA, s. f. (dcs. aría), tribunal 
da cúria romana em que se concedem dis- 
pensas e absolvições em nonte do píipa. 
Prisão em que os presos se acham isolados, 
ou são obrigados ao sil^^ncio e ao trabalho. 

PENITENCIÁRIO, s. w. (des. ário], O Car- 
deal que preside á penitenciaria, o ec,cie- 
sjastico que impõe penitencia, e absolve de 
casos reservados. Nas cathedraes é cónego 
e dignidade. 

PENiTENCiAZiNHA, 5. /". diminut. de peni- 
tencia, leve peniteucia. 

PENiTENCiEiRO, s. w. (dcs. ciro), minis- 
tro de penitenciaria. 

PENITENTE, adj. dos 2 g. (Lat, posnitens, 
tis, p. a. de poeniteo, erc, arrepender-se), 
arrependido, que faz penitencia por culpas, 
peccados commetíidos. Vida — , passada em 
mortificações do corpo por penitencia. — , 
s. dos 2, g. pessoa que se confessa de :jeus 
peccados 3 um sacerdote ; — , disciplinante 
que acompanha procissão emtrage de quem 
faz penitencia, e que de ordinário se disci- 
plina. 

PENiTENT^ENTE, adv. [mente suíf.), de 
maneira penitente, com penitencia. 

PENiTENTissiMO, A, adj. svperl. de peni- 
tente, mui penitente. Homem — . 

PENEJiNA, (geogr.) rio da Rússia asiática, 
nasce nos montes Stanovoi, cae na parte 
^. do mar d'Okhotsk. 

PERN, (hist.) ligislador da Pensylvania, 
nasceu era Londres em Ifi-i, era filho de 
Sir WilliamPenn, almirante inglez ; que fez 
muitos serviços aos Stuarts. Herdando per- 
to de 6 contos de réis de renda e um credito de 
60 francos sobre a coroa recebeu em paga- 
mento desta quantia a propriedade e sobera- 
nia da parte da America de líelaware, onde 
fundou em 1681 a bella coUonia. quedelle 
tomou o nomo de Peii«yhania. Morreu em 
1718. 

PENNA, s. f. (Lat. penna, de ave, e aza. 
Em Egypc. pi lenk, significa aza), pluma, 
tiíbo, canal guarnecido de barbas ou de pen- 
jiugem que reveste o corpo das aves, — 



reaes, as mais compridas das aves que es- 
tão junto ás texouras até á volta das azas. 
Aves de — , diz-se das domesticas, como gal- 
linhas, perus, etc. — s de escrever, as de 
pato, gaiiS(j, corvo, ele, com que se escre- 
ve. — , (fíg ) escriptor ; — bem aparada, es- 
tylo, culto, apurado. — s, (fig. e poet.), azas. 
— , medida de agua que corre de nascente 
ou bica. Quatro — s lazem um annel. A de- 
nominação vem do diâmetro médio das pen- 
nas de pato. — da mesena, (naut.) ponta da 
mesena • chama-se lais nas outras vergas. 
— s, taboazinhas dos repartimentos da roda 
do moinho. 

PENNA, (geogr.) freguezia de Portugal, 
no concelho de Villa-beol, situada no Ma- 
rão, 600 habitantes. Penna Maior, aldeã 
no concelho de Refoios, a 4 legeas do 
Porto, 840 habitantes. Penna Verde, villa 
e freguezia 6 léguas. a E. deVizeu, ambas 
comtem 2,048 habitantes. 

PENNACHO, s. m. [acho des. augmentati- 
va, do Cast. ancho, largo), molho de pen- 
nas ou plumas que por adorno ou insignia 
se traz nochapéo, capacete ou elmo. ouse 
fixa no topo das cabeçadas de cavallo, co- 
car de plumas ; (fig.) vangloria. Fazer — 
de alguma cousa, ostentação. 

PBNNADA, s. f. (des. s, ado), rasgo feito 
com penna de escrever; (fig.) cousa dita 
ou escripta. v. g. Deu a sua — , razão, opi- 
nião. 

PENNANT (hist.) naturalista inglez, nasceu 
em 3 26, morreu em 1798. Deixou Zoolo- 
gia Britânica, e Zoologia critica. 

FENNE (geogr.) cidade de França, a 6 
léguas mo. de Gaillac; 2,000 habi- 
tantes. 

PENNEJ ADO, A, adj. (p. us.) [penna Gcjar 
do Castelhano echar, lançar), traçado com 
penna. Riscos, debuxos — s. 

PENNES (geogr.) villa de França^ a 4 
léguas SO. d'Axin ; 1,300 habitantes. 

PENNi (hist.) pintor florentino, nasceu em 
li 8, morreu em 15-8 , foi moço da oííi- 
cina de haphael, e depois seu discipulo 
muito estimado. O seu melhor quadro é a 
Sancta Famiiia. 

PENNiFERO, A, ttdj . (Lat. pcuna, e fero, 
levo), o que tem pennas, emplumado. 

pENNUDO, A, adj. V. Pannijero. 

PENNUGEM, 5. f. (dcs. ugem), as pennas 
as mais finas das aves ; — da barba, buço, 
os primeiros pellos que apontam ; — da frus- 
ta, colão. '^^P 

pEKNLGENTo, A, odj . (des. posscssiva enío 
que tem pennugem. coberto de pennugem 
ou de cotâò. Galantarias — s de aldeão, 
(ant.j sem sal, grosseiras. Lobo. 

poÒL, s. m. (do Lat. penna), (naut.) poií- 
S ta da verga. ■''''■' 



m 



IM 



im 



PENON DE vELEz; (geogr.) uiii flos presí 
tlios cl'ííispatiha, na costa O. do Estado de 
Mflrrocos, a 27 léguas E. de Meldla. 

1'ENOSAMENTE, ãdv. (ííicnítí suíT), coiB pe- 
na, trabalho, moléstia, a custo, v. g. res- 
pirar — , com diíliculdade, ter a respiração 
alta, curta, opprimida. Viver — . 

PENOSÍSSIMO, A, adj. superl. de peno- 
:so, muito penoso, Trago, lance — . Fadi- 
gas — s. 

PENOSO, K,adj. (des. oso.) que causa pe- 
na, dôr, moléstia, fadiga, oppressão, v. g. 
— dever, trabalho. Obra, empreza — . — , 
acompanhado depenas, trabalhos, í;.^. vi- 
da — ; — , pezaroso, que sente pena. 

PENRiTH, (geogr.) cidade d'lnglaterra, a 7 
léguas SO. de Carlisle; 5,400 habitantes. 

PKNSACOLA (geogr.) cidade dos Estados- 
Unidos, a l«7 léguas SO, de Tallahassee ; 
1^,000 habitantes. 

PENSADO. A, p.p. adj. de pensar, (cogi- 
-tar)^ meditado, reflectido, em que se pen- 
rsou, Tenho — muito na matéria, cogitado, 
reflectido. 0"^"^ ^^^ houvera — ? crido, 
julgado, previsto. De — , sobre — , ou caso 
— , (loc. adv.), com reflexão, intenção, de 
propósito, deliberadamente. 

PENSADO, A, p. p. de pensar (bestas), e 
adj. a que se deu o penso. Cavallo bem 
— , tratado, e hmpo. Criança — , lavada e 
alimentada. 

PENSADOR, s. m. o que pensa, medita ; 
(fig.) O que pensa livremente em matérias re- 
ligiosas e philosophicas. 

PENSADOR, A, s. m. pessoa que ponsa, 
dá penso, a bestas, ou a crianças. 

PENSADORA, s. f. (des. ura], o acto de 
pensar uma criança ; as roupas que se lhe 
vestem depois de lavada. 

PENSAMENTEAR, V, n. [pcnsamento, ar, 
des. inf.) discorrer prevendo o futuro, co 
gitar. (E' p. us.) 

PENSAMENTO, s. m. [mcnlo suff.) cogita- 
ção, qualquer acto do entendimento, ideia, 
lembrança, conceito ; intento, desígnio, v. 
g. Poz o — nisso. Veiíi-me ao — . Tive 
um—, ideia, lembrança. Esse — não cabe 
em mim. Homem de altos — 5. Isso nein 
por — , ou nem me veiu ao — , não cogitei 
•de tal cousa, e muito menos tencionei fa- 
ze-la. Em um — , (fig.) era brevíssimo mo- 
mento, em um instante. —5, (fig.) argoli- 
nhas de ouro que as mulheres trazem nas 
orelhas, sem duvida como lembrança de 
quem deu os brincos. 

PENSÃO , s. f. (í-at. pensio, onis.) renda 
«nnual que se paga pelo logro de terra, her- 
dade ; assignação de quantia que alguém se 
obriga ou é obrigado a pagar a outrem ; 
parte da renda do J)eneficio que o benefi- 
ciado é obrigado a dar a alguém por man- , 



dado pontifício. — , (fig.) ónus Os filhos são 

— do matrimonio, carga. — , (gallicismo 
útil e indispensável) , casa onde por certa 
pensão mensal ou annual se ensinara rapa- 
zes ou raparigas, e que lá residem e são 
sustentados. Também se diz de casa parti- 
cular em que por pensão diafia, mensal, ou 
annual se dá de comer, ou cama e mesa a al- 
guém. 

PENSAR, V. a. ou n. (Lat. pensare^ pesar, 
apreciar, avaliar.) cogitar, ter ou formar no 
entendimento ideia de alguma cousa, com- 
parar as ideias, julgar, imaginar, — em ai- 
guma cousa, matéria, meditar nella. Pensei 
que assim aconíecerm, cuidei, persuadi-me. 
Quem tal podia — ? imaginar. Penso, logo 
existo, celebre proposição de Descartes, mui- 
to admirada, se bem que sfja uma tautolo- 
gia, visto que o sentimento da existência se 
confunde com o de qualquer sensação ou ac- 
to intelleclual, e quando dizemos ei* penso, 
não temos mais prova da própria existên- 
cia que dizendo eu como, ando, sinto dôr^ 
tenho sede. 

PENSAR, V. a. [Fr.panser, dardeoomer, 
limpar, do Lat. pantex, icis, ventre, estôma- 
go, ventre.) dar o sustento, asseiar, limpar. 

— bestas, cuidar delias, dar-lhes de comer, 
almofaçâ-las, cura-las — os feridos, fazer as 
applicações convenientes ás feridas, por-lhes 
03 appositos. — uma criança, lava-la, vesti- 
la, e dar-lhe o sustento. 

voraes confundiu em um só artigo pen- 
sar, raciocinar, e pensar, dar penso I Mas 
acertado seria escrever este segundo verbo 
pençar, e o s. penço. 

PENSATIVO, A, adj.{àes. ivo.) absorto em 
meditação, cuidadoso, entregue a pensamen- 
tos importantes. 

PÊNSIL, adj. dos 2 g. (Lat. pensilis, de 
pendere, estar pendente, suspendido,) sus- 
pendido no ar sobre columnas, pilares, pos- 
tes, etc. Jardins pensis, nos eirados das ca- 
sas, donde pendem os ramos das arvores ou 
plantas que estão á borda, ou flores e arbus- 
tos em vasos, caixas postas em balcões, va- 
randas, janellas. Os celebres jardins pensis 
de Semirarais eram compostos de arvores, e 
arbustos plantados em terreno elevado por ar- 
te em forma de montes ou coUinas, donde 
muitas das arvores pareciam pender, v. g. 
os chorões. 

PENSIONADO, A, p. p. de peusionar; adj. a 
quem se impoz pensão ou ónus ; que gosa de 
pensão, 

PENSIONAR , V. a. (do Lat, pensio, onis, 
ar des. inf.) impor pensão, ónus, ou encar- 
go. — um beneficio ecclesiastico, obrigar o 
beneficiado a pagar pensão a alguém. — , (t. 
moderno e utilj dar, pagar pensão, manter, 
V. g. — alumno. O governo fraacez pensiO" 
S9 « 



PEN 



va 



157 



na em Roma um certo numero de pinto- 
res, esculptores earchitectos. 

PENSiuNARio, s. m. (des. árío.) o que pa- 
ga ou recebe pensão ; rapaz ou rapariga que 
paga pensão em casa de educação, educando 
de cama e mesa á custa de seus pais ou paren- 
tes. O — ou gran — de Hollanda , era um 
raagistrad'^ supremo, eleito pelos estados ge- 
raes, e a quem se conteriam grandes preroga- 
tivas. Era chamado também Adsessór ju' 
risperitns , competia-lhe propor ao con- 
selho os objectos de discussão , recolher 
os votos , receber [as notas diplomáticas 
das potencias estrangeiras, e vigiar a ad- 
niinistra(,ão das finanças. Este cargo dura- 
va cinca annos ; mas o gr< nde pensiona- 
rio podia ser reeleito. Os — s de França , 
os artistas destinados a aperfeiçoar-se em 
Roma. 

PENS^ONARio, A, ãdj quQ recebo pensão, 
tença ou mantença. As classes — sdo estado, 
pensionados ; (íig.) suj<Mto, v. g. o homem 
— ao trabalho, — á morte. 

TENsioNEiRO, A, ttdj. OU s. (des. eiro.] que 
paga pensão, ex. « Os mercadores — 5 da cu- 
bica, » que são dirigidos por ella. 

PENSO, s. m. (V. Pensar, dar sustento, 
limpeza ) o tratamento em comer, limpeza 
e vestir que se faz aos homens, ás crian- 
ças, o trato das bestas e gado, v. g. dar — . 
— , trabalho, tarefa. 

PENSO, (ant) V. Pensamento. 

PENsoso, (ant) V. Pensativo. 

PENSYi.vANiA, (gcog.) um dos Estados-Uni- 
dos d'Araerica do Morte, limitado pelos de 
New-Yorch ao N, Viginia ao S. Ohio a O. 
New-Jersey e o Atlântico a E. 1,742,000 
habitantes. A capital actual 6 Ilarrisburgo, 
mas Philadelphia (antiga capital) e l'it- 
tsburgo teem muita importância. 

PENTACHONDRA (bot.) genero de plantas 
da família das Epacrideas, e da Pentandria 
chtonogynia, L. 

PENTAFiLLÃo. V. Pentaphyllão, herva cin- 
co em rama. 

PENTÁGONO, s. m. (do Gr. pente, cinco, 
e gonia , angulo.) (geom.) figura de cinco 
ângulos. — , ^fort.) citadella, forte de cinco 
baluartes. 

PENTAGRAMA OU anteS PENTAGRAMMA , S. 

f- OU m. (do Gr. peiite, cinco, e qramma, 
suíf., de graphô, escrever, traçar.) as cinco 
linhas ou riscos transversaes e pa'*allelos so- 
bre que se escreve a solfa ou notas de mu- 
sica. 

PENTAMÉros (h. n.) primeira secção da 
ordem dos Coléopl^^ros. 

PENTAMETRo, s. m. (do Gr. pente, cinco, 
e melro.) verso de cinco pés, dactylos e es- 
pondeos. Verso — , que tem cinco pós métri- 
cos. 

voi.. ir. 



PENTANEMA (bot.) gcnero de plantas da 
família das Synanthereas e da Syngenesia 
supérflua, L. 

PENTAPOGON, (bot ) gcnero de plantas da 
faraiUa das uramineas o da Triandria Di- 
gynia, L. 

PENTAPOLE (geogr.) [de pente cinco, e po- 
lis cidade), nome dado pelos antigos a 
muitas regiões onde havia cinco cidades 
principaes. As mais conhecidas são : a Pen^ 
tapole [de Lybia, na parte NE. de Cyre- 
naica ; comprehendia as cinco cidades de 
Cyrene, Berenice, Arsinoe, Apollonia e Pto- 
lemais ; a Pentapole da Palestina, era com- 
posta porciuco cidades Sodoma, Gomorrha, 
Adama, Sebonis e Segor ; a Pentapole dos 
Philisteos, na costa SO. da Palestina, com- 
prehendendo as cidades de Gaya, Ascalon, 
Azot, Oad e Accaron ; a Pentapole d^Itaha, 
no exarchato de Ravenna formada das ci- 
dades de Rimini, Pesaro, Fano, Seniga- 
glia e Ancona. 

PENTARRAPHis, (bot.) gcnero de plantas 
da família das Gramíneas, e da Polygamia 
Monaecia, L. 

PENTATEUcno, s. m. (o c/i soa /r:doGr 
pente, cinco, o teiíkkos, \iYro.) os cinco li- 
vros da Lei Judaica, ou do Antigo Testamen- 
to, de que Moysés foi author , chamados 
em Gr. e Lat. Génesis , Êxodo, Números, 
Levitico e Deuteronomio. 

PENTATHEUCO, orth. vicio3a. V. Penia- 
teucho. 

PENTATHLO, s. m. (do Gr. pente, cinco, e 
atklos, combate.) (hist. ant ) homem ades- 
trado nos cinco exercícios da gymnastica, v. 
^. lucta, disco, pugilato, páreesaltos. 

PENTE ou PENTEM, 5. m. chapa dentada 
de marfim, osso, cascado tartaruga com que 
se penteia o cabello. — , chapa de páu ou 
metal guarnecida de puas comquesecíirda 
lã, estopa, ou para rasgar as carnes. — ftno, 
cujos dentes são mui finos e cerrados, para 
limpar o cabello de bichos e carepa. — gros- 
so ou de alizar, qua serve para correr o ca- 
bello. — , entre esleireiros, páu atravessado 
na teia com muitos furos por onde passam os 
juncos ou esparto e se apertam em espaços 
iguaes. — , (fort.) tanchões aguçados de ma- 
deira rija , fixados perpendicularmente ao 
meio do parapeito, fincando as pontas de fo- 
ra. — . o cabello que guarnece o púbis do 
homem e da mulher. 

PENTEADO, A, p. p. de pentear; aí// com- 
posto o cabello, toucado; cardado (lã). — , 
a compostura do cabello. 

PENTEADOR, adj . m. que penteia, serve 
para penteiar. Cardo — , espécie delle usa- 
do para cardar a lã. 

PENTEADOR, s. in. espccle de roupão de 
linho, ou algodão com que se cobre quem é 
40 



IS8 



KP 



PEP 



penteado por cabelleireiro ou criado, rou- 
pão de camará usado por senhoras. 

PENTEADURA, s. f. (des. uru.) o acto de 
pentear o cabelleireiro alguma pessoa, v. g. 
leva um cruzado por cada — . 

PENTEAR, V a. [pente, ar des. inf.) de- 
sembaraçar, alizar o cabello. — lã, carda-la; 
(fig.) compor o cabello, toucar. 

PENTECOSTE OU PENTKCOSTf.S , S. m. (do 

Gr. pentekosté, quinquagesimo , subenten- 
dendo dia.) o quinquagesimo dia depois da 
Páscoa da Ressurreição; Páscoa do Espiri- 
to Santo, festa instituída em memoria da 
descida do Espirito Sancto , a qual teve 
lugar 50 dias depois da resurreição de 
Jesu-Christo , e 10 dias depois da Ascen- 
são. Os liebreos lambem tinham uma fes- 
ta chamada i'entecoste, instituída em me- 
moria de Deus lhes ter dado a lei no monte 
Sinai , òO dias depois da saida do Egypto. 

PENTELHO ; s. M. (t. obsceno) o cabello 
que nasce no púbis dos homens e mulhe- 
res. 

PENTELico, (geogr.) hoje Peateli, monte 
ao NE. da Âttica, celebre pelos seus már- 
mores. 

PENTEM, s. m. (pron. o accento naprimei- 
ra.) V. Pente. 

PENTEYRN, (hist.) Vulgarmente Pendragon^ 
nome dado pelos antigos Bretões ao chefe 
general das suas tropas quando se confe- 
deravam. 

PENTHEO, (hist.) Pentheus, filho e suc- 
cessor do rei de Thebas hchion, é celebre 
pela tenaz opposição que fez ao culto de 
Bacho. Morreu tragicamente estrangulado 
por sua mãe e duas tias, as quaes, cegas 
por Bacho, o tomaram por um Leão È pro- 
vável que Penthêo prohibe-se a introduc- 
ção das vinhas nos s^us estados, e que por 
esta causa fosse morto em alguma sedi- 
ção. 

PENTHESiLEA, (hist.) rainha das Amazo- 
nas, figurou muito entre os alliados de 
i riamo, durante os últimos annos do cer- 
co de Tróia, morreu aos golges d'Achilles, 
o qual despojando-a das armas ficou tão 
tocado da sua belleza que chorou. 

PENTHiEVRE, (geogr ) fortale a do França, 
a 2 léguas N. de (juiberon. 

PENTHORUM, (bot.) geuero de plantas da 
famiUia das Crapulaceas e da Decandria 
Pentagynia, L. 

PENTiMA, (geogr.) cidade do reino de Ná- 
poles, a légua e meia S dePopoli; 1,600 
habitantes. 

PENTOGRAFO. V. Pantogvapho. 

PENUDE, (geegr.) aldeã de Portugal situa- 
da perto de Lamego, junto do alto monte 
do mesmo nome, ramo da serra de Muro 
l.|00 habitantes. 



PÉNULA , s. f. (Lat. penula on poenula ) 
(ant.) capa, capote de pello comprido para 
o frio, manta, bedem 

PENÚLTIMO , A , ttdj . (Lat. penullimus.) 
que precede o ultimo, v. g. a — syllaba. 

PENUMBRA , s. f. (do Lat. pene, quasi, e 
umbra, sombra.) (astr,) luz frouxa que nos 
eclipses precede a escuridão total. 

PENÚRIA, s. f. (Lat., do Gr. penes , po- 
bre.) falta do necessário, indigência, gran- 
de pobreza, v. g. — de diiiheiro , viveres, 
munições ; — de bons engenhos, de virtu- 
des. 

PENURioso, A, adj. (des. oso.) em que ha 
penúria, v. g. anno — , tempo — . — , que 
soílre penúria, v. ^. homem — . 

PENZA. (geogr.) cidade da Rússia euro- 
poí», capital do governo de Penza, na con- 
fluência da Penza e do Soura ; 4,000 ha- 
bitantes. O governo de Penza, situado en- 
tre os de ISijn» i-."Sovgerord ao !N. de Saratw 
ao S. de Suisbirsk a E. conta 1,070,000 
habitantes. 

PENZANCE, (geogr.) cidade e porto d'In- 
glaterra, na margem ISO. Mountsbay, a 25 
léguas SO. de Launceston ; 5,000 habitan- 
tes. 

PEON, (oiyth.) medico dos deuzes, segun- 
do a mythologia, curou Víarte, ferido por 
Dirmedes , e Plutão ferido por Hercu- 
les. 

PEONAGEM, s. f. (des. agem.) multidão de 
peões ; a gente de pé do exercito, os ser- 
ventes do exercito; (fig o ant.) «muita — 
de dicções. » Barros, cousas subordinadas 
a outras principaes, 

PEÓNiA, s. f. (Lat. pmnia.) herva e flor 
medicinal. 

PEOR, PEORAR. V. Peiov, Pciorav. 

PEPiA. V. Pipia. 

PEPiNAL, s. m. (des. collectiva a/.) horta 
de pepinos. 

PEPINO, s. m. (Lat. joepo. EmEgypcioou 
Coptico pelpen significa melão.) fructo cu- 
curbitactío vulgar. — s de são Gregório, es- 
tramonio, planta e fructo venenoso, e usado 
em medicina. 

PEPiTÓRiA , s. f. (t. de cozinha) guisado 
feito das azas, pescoço e miúdos de aves. 

pÉPOLiM ou PEPULiM, adj. dos 2.g.A — , 
coxeando. 

PEPARETHE (geogr.) hojo Peperi, ilhota 
do mar Eg''o, na costa da Macedónia, ao 
NE. d'Halinesus. 

pepilR(>mia (bot.) género de plantas da fa- 
miUia das Pipéraceas e da Diandria .\lono- 
gynia, L. 

PEP1N0-0-BREVE, (hist ) rei dosKrancezíS, 
o primeiro rei da dynastia carlovigia , era 
filho de Carlos ílartel. Morreu em 76H. 

PBPmo i«, (hist.) filho de Carlos Magno, 



PEQ 



PIR^ 



Ift 



foi proclamado rei d' Itália na idade de 5 
annos, em 781. Morreu em 8)0. 

PEPINO I, (his.) rei d'4quitania, 2.° filho 
de Luiz-o-Cleroente, recebeu de sou pae 
em 817 o reino d'Aquitania. Morreu em 
838. 

PEPINO II, (hist.) filho primogénito do pre- 
cedente, combateu contra Luiz o Clemente ; 
alliou-se com Lothario contra Luiz de Ba- 
viera e Carlos o Calvo : foi entregue a Car- 
los em ^^52, mas fugiu e reuniu-se aos Nor- 
mandos ; foi morto era 864, 

PEPINO DE LANDEN (hist.) chamado o Fe- 
Iho, mordomo do palácio, no reinado de 
Uotario II, de Dagoberto I e durante a 
menor idade de Sig<^ferto, morreu em 649. 
É considerado como Sancto e a Igreja cele- 
bra a sua festa a 21 de fevereiro. 

PEPINO D'nKRisTAL, (hist.) chamado O Gor- 
do, filho d'Ansegisa e de Begga, morreu 
era \7\ \. Foi nomeado duque d'Âustrasia. 
Submetteu os duques dos Bretões, dos Pri- 
sões e dos Allemães. Foi o pae de Cailos 
Martel. 

PKPLiDA, (bot.) género de plantas da fa- 
mília das Salicareas e da Hexandria Mono- 
gynia, L. 

PEPLUM, (hist ) vestuário das senhoras en- 
tre os Gregos. Era um vestido muito cur- 
to preso no hombro por colchftte. Minerva 
era represei) lada com um rico peplum, 

pEPOLi, (hist.) familia muito ricae turbu 
lenta, de Bolonha, começou a ser reconhe- 
cida no XIV século ; o mais celebre desta 
famillia foi Jacopo Pepoli , que vendeu 
Bolonha aos Visconti em 1350. 

piíPYS, (hist ) secretario do almirantado 
nos reinados de Carlos II, e Jacques il, 
d'lnglaterra. Deixou umas Memorias mui- 
to curiosas pelas noticias que dão sobre a 
corte dos Stuarts e costumes do seu tem- 
po. 

PEQUENETE , adj . m. diminut. de pe- 
queno. 

PEQUENEZ, e PEQUENHEZ, S. f. (dcS. eX.) 

pequena estatura,, t?. g. — de uma arvore, 
— de um animal. 

O primeiro é mais portuguez ; o segundo 
é acastelhanado e mais usado. 

PEQUENiNEZA, (ant.) V, Pequenez. 

PEQUEN NO, A, adj. diminut. de peque- 
no, t». g. um pé — . 

PEQUENO , A, adj de diminuta estatura, 
V. g. arvore — Homem — . — , diminuto 
em volume, extensão, ou numero, v. g. na- 
vio — ; — espaço ; — numero. — , de pou- 
ca importância, v. g. — damno Os — í, a 
gente não nobre ; os meninos. — poder, de 
tropas. 

PEQUBNOTE, adj. úos 2 g. diminut. de pe- 
qu^Qo. Hapa» — , de mediana estatura, 



PEQUIÁ. s. m. madeira brasílica demtf- 
chetar. — marfim, ó branca, de gran fina, 
e recebe um bello polido. V. Petiá. 

PEQUICE, s. j. (p^co, des. ice.) oserpôco, 
acção, dito de tolo, tolice, parvoíce, sandi- 
ce, inépcia. 

PER, proposição Latina usada ant. em Por- 
tuguez, a que hoje se substituo for, exce- 
pto como prefixo, v. g. permeio, perfazer. 
Tem duas accepções, a primeira que deno- 
ta transito, transição, caminho, meio de con- 
seguir, attingir, v. g. peregrinar , perten- 
der, pernoitar, percorrer, em Gr. peri, em 
Sanscrit. pari. Vem do rad. pes Lat.,eir«, 
ir. A segunda accepçào de per denota per-J^ 
feição, acabamento de obra, e vem do Gr. 
peras, fim, termo. v. g. perfeito, perfeiçãOj 
perludio, pertinácia, perplexo, ou de hyper, 
sobre, que em composição denota excesso, s«h 
perioridade, preeminência, eicellencia. Os 
antigos usavam de per e de por, não confun- 
dindo uma preposição com a outra, e diziam 
per mar, per terra, por causa, por amor^ 
e unida ao artigo jt?c/o, pela, polo, pola. Ho- 
je por é universalmente usado em vez de per, 
em razão da euphonia, e do som ingrato de 
per quando não está Ugado com outro vocá- 
bulo. Por isso dizemos pelo, pela, e não po-- 
lo, pola, V. g.- pelo mar, pela terra, epcZo 
motivo , pela razão. Os Hispanhoes usam 
igualmente de por [pro Lat.), casual, e em 
vez do antigo per, excepto em composição; 
V. Por, Pela, Pelo. 

PERA, prep. (ant.) V. Para. 

PERA, s. f (LhX. pirum) fructoda pereira, 
de que h» grande numero de variedades, ». 
g. virgulosa, parda, marqueza. lambe-lh'os 
dedos, de São Bento, do conde, carvalhal, 
pigarça. 

PERA, (geogr.) freguezia de Portugal no 
Algarve, no concelho de Silves, donde dis- 
ta í légua, 1,300 habitantes. 

PERABOLA. V. Parábola. 

PERADA, s. f. (des. ada) doce de peras. 

PERAFUZAR. V. Parafuzar. 

PERAGRATORio, A, ddj . (do Lat. peragrOf 
are, vagar.) (astron, p. us.) Mez — do soi, 
o tempo que elle gasta a percorrer um sign». 
do zodiaco. — da lua, periódico. j 

PERAL, s. m. (des. collectiva oi) pomar dé 
pereiras. 

PERALTA (geogr.) cidade d'Hispanha, per* 
to do Agra. a 4 léguas 80. d'01ite ; 4,00ft 
habitantes. • 

PERALTEA, (bot.) geucro de plantas da 
f a milha das Leguminozas e da Diadelphia 
Decandria, L. f^ 

PERANTE, prep. composta de per, Qaní$^ 
em presença, diate, v. g. < — o joií. 

PERA-pÃo, 3. f. {pêra, epão) pêra insipi-» 
da« 

40» 



jl 



PER 



PER 



PBRAU, s. m. (t. us. no Brasil, do Fr. per- 
ron ou ant. perroy , borda d'agu8, margem) 
poça profunda d'8gua, caideira. 

PERAU (hist.) escriptor franc^z, nasceu em 
1700, morreu em 1(67. Continuou as Vi- 
das dos homesns illusíres de França, d'Au- 
vigny. 

PERÁVAA. (obsol.)V. Palavra. 

PERCA, s. f. (Fr. perche, do Lat. perca, Gr. 
perké, de pérkos, salpicado de preto) peixe 
que tem pintas negras. 

PERCA, subjunctivo de perder. O vulgo diz 
erradamente perca por perda, s. f. 

PERCALÇAR, V, a. (aut.) V. Percalça) ga- 
nhar, lucrar, aproveitar. 

PERCALÇO, s. m. (do Fr. ant pourchaas, 
pourchais, sollicitaçào, lucro, proveito) emo- 
lumentos, lucro, proveito. Os — s, emolu- 
mentos, lucros eventuaes. 

PERCATADO,PERCATAR, V. Prectttado, Pre- 
catar. 

PERCEBER, V. a. (Fr. percevoír, do Lat. per- 
cipio, ere ; per pref., e capio, ere, tomar.) 
receber, cobrar, v. g. — as rendas, os direi- 
tos, os fructos ; comprehender, entender, v. 
g. — o engano, — as intenções do inimigo. 
— , (ant.) V. Aperceber. — , (ant.) avisar. 
— SE, V. r. apparelhar-se 

PERCEBIDO, A, p.p. de perceber ; ací;". co- 
brado ; entendido ; avistado ; apercebido ; 
acautelado, ex. « O corregedor deve ser — 
de ver osforaesdecada lugar. » Ord. Affons. 
Sede — s de perguntar, advertidos. 

PERCEBIMENTO, S. 1». (wiCníO Suff.) (aut.) 

o acto de perceber ou de se aperceber, ap- 
parelhar ; os apparelhos, preparos, provi- 
mento, V. g. — de madeira, pedra, para edi- 
fício. Signal de — , para seapromptar. 

PERCEPÇÃO, s f. [L&t. per cep tio, onis) acto 
de perceber, compreliender, entender ; cons- 
ciência de sensação recebida ; sensação a que 
a mente attende ; cobrança, acto de rece- 
ber, V. g. rendas, direitos, fructos. 

Synf. comp. Percepção, sensação, senti- 
mento. Distinguem os philosophos moder- 
nos duas espécies de percepção, interna e 
externa. A percepção interna, a que tam- 
bém chamam consciência, e a que os anti- 
gos chamavam senso iniimo, é aquelle sen- 
timento interno pelo qual somos sabedores 
[conscii sumus) de tudo que em nossa alma 
se passa. A percepção externa, a que tam- 
bém se chama relação dos sentidos, é a que 
temos dos objectos corpóreos por meio dos 
sentidos. 

Sensação é aquella aíTeição da falma que 
nasce de commoção feita nos órgãos sen- 
sórios. 

Confundiram os philosopos sensualistas a 
sensação com a percepção, porém a escola 
escoceza demonstrou que havia eutre ellas 



grande diíTerença. Eis-aqui como as cousas 
se passam: 1.° Recebem os órgãos sensó- 
rios a impressão ou contacto dos objectos 
exteriores ; "S..^ commovem-se os órfãos sen- 
sórios com esta impressão ou contacto; 3.** 
trapsmilte-se ao cérebro esta commoção por 
meio dos nervos ; 4.° da commoção trans- 
mittida ao cérebro resulta um sentimento^ 
e porque este sentimento vem dos sentidos 
chama-se sensação ; 5.° finalmente, a esta 
sensação segue-se ^percepção do objecto. 

Considerados estes vocábulos segundo a 
linguagem commum, diremos que todos três 
designam a impressão «jue os objectos fazena 
na alma, com a differença qne a percepção vai 
ao espirito ; a sensação limita-se ao senti- 
do ; o sentimento vai ao coração ou o pos- 
sue. 

A vida mais agradável ésem duvida algu- 
ma a que se compõe de percepções claras e lu- 
minosas, de .çensafdes gratas e aprazíveis, e 
de sentimentos vivos e g(»zosos, isto é, conhe- 
cer, amar e gosar. 

O sentimento extende seu dominio até aos 
costumes ; faz que nos excitem igualmente a 
honra e a virtude. A sensação não passa além 
do physico ; faz unicamente sentir o que o 
movimento das cousas materiaes pódeocca- 
sionar de dôr on de prazer pelo mecanismo 
dos órgãos, A percepção comprehende em seu 
circulo as sciencias e tudo de que a alma pô- 
de ter ideia ; porém suas impressões são mais 
tranquillas que as do senlimento e da sensa- 
ção, ainda que mais promptamente recebi- 
das. 

PERCHA, s. f.{Vr. perche, do LhV per tica, 
varapáo) vara forte de madeira que serve de 
estelar, escorar vigas s espigão. — de beque, 
(naut.) os braços que correm da ponta do 
beque alé ao casco da náu pela parte de fo- 
ra. 

PERCHE, (geogr.) antigo paiz de França, 
entre a Normandia, o Maine, o Orleanez, 
e a ilha de França. 

PERCiçoEiRO, (ant.) V. Processionario. 

PERCiNTADO, A, adj . [per i>Te( . , B cintado) 
cingido, cercado de todas as partes. 

PERCORRER, V. tt, {pen^vei., e correr) cor- 
rer algum espaço, correr atravessando, v.g. 
— interior do paiz. Os planetas percorrem 
os espaços celestes. — acabar de correr, pre- 
hencher a sua revolução, o seu gyro, v. g. 
o sol percorre a eclipti 'a na sua revolução 
annual. O projéctil percorre uma curva. 

pERCuciENTE, adj. dos 2 g. (Lat. percu- 
tiens, tis, p. a. de percuiio, ire, ferir dar 
golpes) que fere de morte, ex. « Pôs um an- 
jo percucíente com espada de fogo de mor- 
taes febres. » Barros, Dec. i. 3, 12. 

PERCUSSÃO, s. f. {L&t. percnssio, onis) acto 
de percutir; choque, embate; acto deferir 



PER 



PER 



161 



com ferro, goipò 'que fere, corta, que faz vi- 
brar, V. g. — da luz, do som, da voz, do 
corpo sonoro. 

PERCusso, A, adj. (Lat percussus, p. p. de 
percutio, ire) ferido, percutido. 

PERCussoR, s. m. (Lat.) o que fere, per- 
cute ; adj. percuciente. 

PERCUTIR, V. a. (Lat. percutio, ire, per 
pref. , e quatio, ere, bater, dar golpe) ferir 
dar choque. 

PERCY. fhist.) nobre e antiga famillia d'In- 
glaterra, originaria da Normandia, teve por 
chefe (juilherme Percy, que acompanhou 
Guilherme-o-Conquistador na sua expedi- 
ção em Inglaterra. 

PERCY, (geogr.) cidade de França, a 6 
léguas SO. de Sado; 3,180 habitantes. 

PERDA, s.f.[Lb{.á&perdo, ere, quasi /^er- 
dita res, cousa perdida) detrimento, damno, 
v.g. — da saúde, do juízo, dos sentidos, da 
■vida ; — dos filhos, da mulher. Fazer — , 
causa-la; soffre-la. Ressarcir a — . 

Syn. comp. Perda , damno, detrimento. 
Perda é a privação de cousa útil, necessária 
ou commoda, da qual resultou damno, de- 
trimento. 

Damno, detrimento denotam o mal rece- 
bido. 

PERDÃO, s. m. [de perdoar) absolvição de 
culpa, crime, delicto ; remissão de pena in- 
corrida. Conceder — ; indulgência, vénia, 
v.g.\)Q(\ir, obter — . Conceder, negar o — . 

PKRDAVAiSTE. V. Por diante. 

PERDER, V. a. (Lat perdo, ere, do Gr. per- 
thein, arruinar, destruir, de perô, passar 
alem, atravessar) deixar de possuir cousa ou 
pessoa por ser privado d'ella, v. g. — um 
braço, uma perna ; — os bens, a honra, 
os sentido. — a mulher, os filhos, ser pri- 
vado d'elles por óbito. — a demanda, a ba- 
talha, ser vencido pelo adversário. — san- 
gue na briga ; — dinheiro ao jogo. — um 
habito m,au, — o medo, desembaraçar-se 
d'elle. — alguém, deitar a perder, arruinar. 

— alguém, de amigo, perder a sua amizade. 
— , não aproveitar, v. g. — a occasião. — , 
errar, v. g. — o caminho. — o respeito a 
alguém, faltar-lhe ao respeito, desatlender. 

— de vista, cessar de avistar ; (fig.) não pres- 
tar attenção, v. g. — o assumpto, desviar-se 
d'elle — SE, V. r. arruinar-se, soíTrer rui- 
na total ; naufragar, v. g. — o navio. — se, 
errar o caminho. Perde se orio, sumindo- 
se no solo. — se acolheita, a /Vmc ia, falhar. 

— o peixe, a carne, apodrecer, corromper- 
se. — se a memoria, ser privado d*ella. — 
de vista alguma matéria, deixar de se at- 
tender. — se no sermão, no discurso, não 
poder seguir o fio do discurso. — se por al- 
guma cousa, ama-la extreraosamcmte, ser 
capaz de se expor a todos os riscos para a ob- 

VOL. IV. 



íer, ou gozar d*ella. — se o navio, naufra- 
gar. — gente em batalha, morrer ou des- 
apparecer pela fuga, ou aprisionada. — se, 
morrer em peccado mortal. 

PERDIÇÃO, s. [. (Lat. perditio, onis) ruí- 
na, estrago. — da alma, condemnação eterna. 

PERDICCAS, (hist.) nome de três reis da 
Macedónia, que reinaram : o l'*^ de 695 a 
6W antes de Jesu-Christo ; o 2.° de 452a 
429 ; o 3.« de 366 a 360. 

PERDICCAS , (hist.) general d'Alexandre, 
recebeu deste príncipe moribundo o seu 
annel o que parecia designal-o como suc- 
cessor d<) reino, foi um dos quatro regen- 
tes nomeados depois da sua morte e en- 
carregado de dividir as províncias. Não re- 
servou nenhuma para si, intentou torna r- 
se o único senhor do reino e com este in- 
tuito casou com Cleópatra, irmã d'Alexan- 
dre. Perdiccas foi morto pelos sens oflTicia- 
es revoltados em 321. 

PERDIDA, s. f. (subst. da des. f. de perdi- 
do). V. Perda. 

PERDIDAMENTE, adv. [mente suff.) com per- 
da, ruina ; sem proveito. Viver — , de ma- 
neira que conduz á perdição, desregradamen- 
ie ; louoaraftnte, extremosamente, com ex- 
cesso, V. g. amar — . 

PERDiDiço, A, adj. (des. iço) que se finge 
perdido ; que se dá por perdido. 

PERDIDÍSSIMO, A, adj. supcrl. de perdido, 
muito perdido. Almas — s. 

PERDIDO, A, p. p. de perder; adj. que se 
perdeu, que perdeu, v.g. o navio tinha-se 
— nos baixos. A batalha esteve — , a pon- 
to de se perder Os ministros tinham — todo 
o pejo. A batalha, as esperanças — s. Ho' 
mem — , arruinado ; estragado, de máoscos- 
tumes. — de amores, excessivamente apai- 
xonado. Moço — , desregrado, demauscos- 
tumes. Mulher — , ))rostituta, meretriz. Tiro 
— , sem pontaria. Sangue — no combate, 
derramado, que corre deferida. Homem — 
da fazenda, dojuizo, que perdeu. — da ver- 
gonha ; — do temor de Deus, que perdeu, 
privado. 

PERDIDO, (monte), um dos mais altos cu- 
mes dos Peryneos. 

PERDiDOSO, A, ad[/. (des. oso) que perde ou 
perdeu, v. g. batalha, demanda, ou no jo- 
go. É antiq. 

PERDIGÃO, s m. o macho da perdiz. Cha- 
çar o — , fugir, furtar as voltas ao caçador; 
(fig.) negociar com destreza fraudando. 

PERDiGOTiHHO, s. m. diminut. de perdi- 
goto. 

PERDIGOTO, s. m. diminut. o filho novo 
da perdiz ; (fig.) munição de matar perdizes. 
— y, ///. (fig.) pingos de saliva que pessoas 
desdentadas ou descortezes lançam da boca 
fallando com alguém. 
41 



16S 



PER 



'^•IF" 



PERDIGUEIRO, A, adj . (des. círo) que caça 
perdizes Cão — . — parado (subst.) cão de 
mostra. 

PERDIMENTO, s.m. (wicnío stiff.) pppda, V. 
g. condemnado em — de bens : — da pátria, 
dos parentes, ruina, estrago. ~- próprio, 
por amores. 

PER D! ss IMO. V. Perdidíssimo. 
PERDIZ, 5. f. {L&t per dix, eis, fir. perdia;, 
deperi, ároda, ediô, caçar, perseguir, te- 
mer, ter medo) ave bem conhecida, de que 
ha diversas vatiedades. — vermelha, que 
tem os pés d'esta côr. Cão de — s, perdi- 
gueiro. 

PERDOADO, A, p. p. de pcrdoar ; adj. que 
recebeu nu deu perdão. 

PERDOADOR, A, ttdj . facil cm perdoar, in- 
dulgente, V. g. — das injurias. 

PERDOANÇA, 5. f. (aut.) ^. Perdõo. 

PERDOAR, V. a. (Ital. perdonare, Fr. par- 
donner, do Lat. per pref. transitivo, e dono, 
aie, dar, conceder) absolver, reraittira cul- 
pa, a pena. v. g. — os peccados, a culpa; 
o degredo, a pena de morte ; as injurias — , 
renunciar o direito, a acção — a divida, 
não exigir o pagamento, dá-la por satisfeita. 
— , (ant.) poupar, — trabalho, dgsp za. Sem 
— a despeza. — , (ant.) deixar livre, cx « Nas 
horas que me perdoavam os cuidados da guer- 
ra. » Freire. — ás orelhas, não dizer cou- 
sas desabridas. Não — , maltratar, oílender, 
ex. « Tal era que tudo lhes servia de alimen- 
to, não perdoando a cães, gatos » Freire. 
«Deu morte a todos, não perdoando a me- 
ninos, mulheres, velhos. 

tiuitos dos antigos clássicos diziam o per- 
doa, em vez de perdoa- lhe, como hoje di- 
zemos. — SE, V. r — a si mesmo, ser in- 
dulgente para com as próprias culpas, faltas. 
— , (p. us.) poupar-se, v.g. a nada seper- 
doa. 

Syn. comp. Perdoar, remittir, absolver. 
Perdoar ó acto de generosidade, e que não 
só remitte a outrema pena, a divida, e deixa 
de exigir satisf.ição, mas também indica a 
disposição indulgente de quem perdoa, que 
nãt» conserva disposição desfavorável ao per- 
doado, 

fíemiltir é não exigir aquillo a que temos 
direito. 

Abwlver é desligar da obrigação, ou ocri- 
minoso dos laços da justiça, das penas im- 
postas. O juiz aòso/fe o innocente, o rei per- 
dôa. Remittir é acto de moderação ; rerait- 
te-se a divida, a pena. 

PERDOÁVEL, adj. dos 2 g. [áes.avel), di- 
gno, merecedor de perdão. 

PERDUDo, (ant.). V, Perdido. 

PERDULÁRIO, A, adj. (do Lat. perdere , e 
(Bs, (Bris, dinheiro], estragador, dissipador, 
gastador dos bens, da fazenda. Si;b$t, Um—. 



PERDURAçÃo, *. f. {per intens., e duração, 
grande duração. 

PERDURÁVEL, adj". dos 2 g. (per intens., e 
durável], de longa duração, eterno : v.g. a 
vida — . Gozos perduráveis, ex. m k — gen- 
tilesa consiste na alma. » Eufr. 

PEREA, (geogr.) Peroea, um dos quatro 
grandes districtos da Palestina, compreen- 
dia toda a parte E do Jordão. 

PEREA, (geogr.) fio da provincia do Ma- 
ranhão, no Hrazil, corre 10 léguas do S. pa- 
ra o .N., e vai lançar-se na bahia de S. José. 

PERECFDEiRO, A, ãdj . (dtís. civo, por owro, 
do p. íut. Lat. em urus], caduco, que ha-de 
perecer. 

PERECER, V. n (Lat. pereo, ire. Os etymo- 
logií.tas concordam em o derivar de per e 
ire, ir, e tomam per no sentido transitivo, 
no que se enganam, a meu ver. Eu penso 
que perire vem, do Gr. peras, fira , termo, 
e ire, ir, terminar, acabar de viver, finar- 
se, deixar de existir, morrer ; acabar, ces- 
sar. Pereceram muitos da epidemia, mor- 
reram. Pereceu a memoria dos antigos im- 
périos, ex « Foram causa de perecer muito 

serviço de V. Alteza, » soffrer detrimento, 
perder. Couto, Dec. iv, 6, 8. Este sentido 
é obsoleto e impróprio. 

PERECIMENTO, s. m. [mento suff.) (ant.) 
propriamente deve significar acabamento , 
extincção, riias acha-se usado no sentido de 
perda, falta, v. g. «de que se segue gran-r 
de — de justiça. » Elucidário. 

PERECíoso, A, adj (des. oso)^ que cau- 
sa damno, perda, detrimento : v. g. — amor. 
Bocage. Pernicioso é mais próprio. 

PEREGRINAÇÃO, s. f. (Lat. pcregrinatio -, 
onis], o viajar ou fazer jornada por curió* 
sidade ou devoção religiosa, u. ^.oschris- 
tãos a Jerusalém, os musulmanos á íf.ecca; 
(fig.) a vida neste mundo. A — de um pen-^ 
samcnto (Camões. 

PERiGRiNADO, A , supcrl. dc peregrinar ; 
adj., que p"regrinou ; percorrido, v. g. Fer-* 
não Mendes Pinto, depois de ter — grande 
parte da Ásia, voltou a Portugal. Desertos 
peregrinados de tão santos varões , ou á^. 
mercadores em cáfilas. 

PEREGRINADO*, s. M. (Lat. peregrinator)^ 
peregrino, viajante, principalmente por de- 
voção rehgiosa. 

PEREGRiNANTE, adj. dos 2 g. (Lat. perô" 
grinans, tis], que peregrina, viajante, viaa« 
dante. 

PEREGRINAR, V. a. (Lat. peregrinor, ari^ 
V. depoente ; de pereger, estranho, estran- 
geiro, peregrè, fora da pátria ; per pref, 
transit., e a^fcr, campo, segundo Court de 
Gébehn. Eu preferiria per, e egredior , i , 

1 sair, de e e gradior, andar, rad. gradus , 
passo, passada), percorrer viajado , v. |. 



PER 



PER 



l«l 



«peregrinou toda a Africa. » Barreiros. 
Chorogr. « Os lugares que Lereno peregri- 
nava. » Lobo, Peregr. — , (ant.) , mandar 
viajar, v.g. — mancebos, para os aperfei- 
çoar; (fig.) — pelo mundo a sua ignorân- 
cia, dá-la a conhecer em diversas terras 
viajando. — , v. n. correr terras por curio- 
sidade, necessidade ou devoção religiosa : 
v.g. — a outras partes, regiões, pelos de- 
sertos, (íig.) « peregrinava meu animo in- 
do e vindo de longas terras. » Arraes, 1, 20. 
PEREGRINO, A, adj . (La,, perecer, estran- 
geiro, ou do verbo pereijrinor, ari, peregri- 
nar), estrangeiro, natural de outra teira, 
de outra gente, nação, estranho. 

Quando alevantarain 

Um por s&u capitão, que peregrino 
Fingiu na cerva espirito divino. 

Gamões, Lusiad. 

alludindo ao romano Sertório refugiado na 
Lusitânia. «Palavras peregrinas, » estran- 
geiras. Lobo. Plantas — , exóticas , não 
indígenas. Costumes, hábitos — . Peregri- 
no, errante, v.g. da sua pátria. Astro — , 
(astrol.) que occupa signo dn zodíaco onde 
não pôde exercer influencia. Peregrino , 
(tig.) raro, extraordinário. Belleza — . 

PEREGRINO, s. m. (subst. do precedente), 
homem que faz romaria ou peregrinação , 
principalmente por devoção religiosa, v. g 
á Terra-Sanla ou a Santiago de Compos- 
telia. 

PEREGRINO, (hist.) philosopho cynico do 
J 1 ." século da nossa éra, nasceu perto de 
Tampsaco, passou a mocidade muito dissi- 
padameute , depois fugiu para a Judea, 
aonde se fez christão, abandonou esta reli- 
gião para se tornar philosopho, foi a Homa, 
d'onde foi banido, e dirigiu-se á Grécia, 
aonde morreu em 165. 

PEREiASLAVL, (geogr.) cidade da Rússia 
Europêa, perto de Dnicpr, a 23 léguas SE, 
de Riers; 9,000 habitantes Outra Pereias- 
lavl, anligamente Marcianopolis, na hou- 
melia, era a capijal dos Búlgaros. 

PEREIRA, s. f. (Lat. pirus), arvore que dá 
peras. 

PEREIRA, (hist.) medico hispanhol, publi- 
cou em 1.-j54 um tractado intitulado Anto- 
niana Margarita. 

PEREIRA, (geogr.) villa e freguezia de Por- 
tugal a 2 léguas de Coimbra, cora 1,600 
habitantes. Ha outra do mesmo nome, per- 
to da Feira, cujo concelho contem 4,450 
habitantes. 

PEREiRAL. V. Peral. 

PEREIRINHA , diminut. de Pereira , pe- 
quena pereira. 

PEREIRO, s.m. (des. eiró), arvoro que dá 
peros. 

PKRKKOP, (geogr.) Taphros dos Gregos, 



Or-Kapi em tártaro, cidade da Rússia eu- 
ropêa. sobre o isthrao de Perokop, o qual, 
une a Criméa á Rússia, a 31 légua N. de 
Siiuféropol; 1,000 haMta tes. 

PEREMPTORIAMENTE , adv. [meute sufT.) , 
de modo peremptório, sem dilação, deci- 
sivamente, expressamente. 

PEREMPTÓRIO, E, adj. (Lat. peremptorius, 
per pret. intens., e emptorius, de emo, ere, 
emptuin, comprar, obter), (jur.) decisivo , 
que não admitte replica nem dilação. Ter- 
mo — , ultimo, final, que se não pôde ex- 
ceder, e dentro do qual se deve terminar 
qualquer acto. Dez dias — s. Excepção — , 
a que corta, destroe acção começada Res- 
posta — , a que atalha todas as replicas, 
decisiva, categórica, que termina todas as 
duvidas. Admoestação — , que se faz uma 
vez sómen.e, que se não reitera. .Si^nai ^i-, 
certo, decretorio. 

PERENNAL, adj. dos ^1 g . {perenne, des, adj. 
ai), perenne, perpetuo, que não soífre in- 
terrupção. V. g. Agua, fonte — . Somno , 
pranto — . — contentamento. Festas peren- 
naes. 

PERENNALMENTE. V. Percnuemente. 

PERENNE, adj. dos2g. (Lat. perenais, per 
pref. transit., e annuus, annual), perpetuo, 
continuo, não interrompido, v. g. Agua, fon- 
te, luz — . Lagrimas — s. (fig.) de longa 
duração, v. g. oração — . Louco — , sem lú- 
cidos intervallos. Laus perenne , exposição 
p<M'petua do Santíssimo Sacramento, que se 
continua de umas ás outras igrejas de uma 
cidade em todo o curso do anno. 

PERENNEMENTE, adv. [mente suíf.), conti- 
nuamente, sem interrupção, perpetuamen- 
te. V. g., Fonte que manava — . 

PERENNiDADE,5. /*. (Lat. pereunHas, (is), 
o ser perenne ; conL-nuação, duração pe- 
renne, não interrompida. 

PERENTORIAMENTE. V. Peremptoriamente. 

PERESAS. Moraes diz que ê erro lypogra- 
phii;o na l)rd. Affons.. iv, 107, 6, por prezas 
()\i perseas, tapeçarias da Pérsia. 

PERESAVL-zALESKi, (geogr.) cidade da Rús- 
sia europea, a 28 léguas O. de Tladimir; 
4,200 habitantes. 

PERFAZER, V. a. {per pref. intens., e faaer), 
acabar de fazer, consummar, executar com- 
pletamente, completar, preencher, v. g. — o 
numero, a Fomma ; — os regimentos, pre- 
sídios, guarnições das praças. — a querela , 
(for. ant.) dá-la perfeita. 

PERFAZiMENTO, s. Til. (aut.) [mcnto suff.), 
acabamento, perfeita execução. 

PERFECIONADO, (ant.) V. Apcrfeiçoãdo. 

PERFECTAR, V. tt. (ant.) V. Aproveitar. 

PERFKCTivEL , adj. dos 2 g. (des. ivel) , 
susceptível de aperfeiçoamento. Faculdades 
perfectmis. 

♦1 ♦ 



164 



PER 



fm 



PERFBCTivo , A, ãdj . (des. ivo), que dá, 
confere perfeição. 

PERFECTOR, adj . V. Apcrfeiçoador. 
PERFEIÇÃO, s. f. {Lat. p6rfectio,onis), es- 
tado perfeito, bem acabado, excellencia phy- 
sica OU n.oral , execução perfeita; pleno 
desenvolvimento, crescimento de animal ou 
planta : v. g — do quadro, da obra, Stulher 
dotada de todas as perfeições , qualidades 
excellentes, phjsicas o raoraes. 

PERFEiçoAR e deriv. V. Aperfeiçoar, etc. 
PERFEiTAçÃo, s.f. (ant.j. Perfeição, Pro- 
veito. 

PERFEiTAMExME , adv. {mente suíí.) com 
perfeição, de modo perfeito. 

PERFEiTíssiMAMENTE, adv.superl. deper- 
feitamente. 

PERFEITÍSSIMO, A, ãdj. superl de perfei- 
to, summamente perfeito, muito perfeito. 

PERFEITO, A, adj. e p.p. irregul.áe\)Gr- 
fazer (Lat. perfectus, p. p. de perficio, ere, 
áepet e facw), completamente acabado, bem 
acabado, dotado de perfeição, completo; 
que não tem defeito physico ou moral. -» </. 
Prazer—, puro, sem desconto. Obra — . 
— , (gram.), tempo que exprime acção in- 
teiramente acabada v. g. Tempo—, na mu- 
sica, aquelle em que anota antecedente vale 
três das subsequeriies. Querela-, (for. ant.) 
a que se den com todas as circumstancias 
prescriptas pela lei. isto t^ com juramen- 
to do quereloso, designação das testemu- 
nhas, etc. 

Syn. comp. Perfeito, completo. O que 
está acabado, inteiramente feito, que em 
tudo o que lhe ó próprio, a que nada falta, é 
perfeito. O que é cabal, tem a plena união de 
tudo que pôde ter; que reúne todos os graus 
possíveis ; a que nada se pó'le ajuntnr. é 
completo. Melhor se aprecia a diíTerença des- 
tes vocábulos se altendermos á sua origem la- 
tina. O primeiro vem de perficio, que signifi- 
ca perfazer, fazer acabadamente ; e exprime 
a ideia do qu?. está de todo feito, consumma- 
do. O segundo vera do compleo, que signi- 
lica encber do todo ; e exprime a plenitu- 
de inteira o absoluta. 

pr:RFKiT0{S.), (hist.) martyr; nasceu era 
Córdova no anno 800, assistiu aos chris- 
tãos oprimidos pelos mahometanos, o que 
excitou o furor destes últimos, que o ma- 
taram em 8-„0. E' commemorado nela Icre- 
ja a 18 dabril. ^ ^ 

PERFiA. (ant.). \. Porfia. 
PERFIDAMENTE , ãdv. {mente suff.) , com 
perfídia, aleivosamente. 

PERFÍDIA, s. f. (Lat. de perda, ere, per- 
der, ou de perso, ire, perecer, e fides, íé), 
traição, aleivosia, infracção da fó prometti- 
da ; apostasia. 

PERFiDiuso, A, adj, (des. oso), cheio de 



perfídia, que contém perfídia, v g Astúcia — . 
PÉRFIDO, A, adj. (Lat. perfidus), que usa 
de períidia, aleivoso, perjuro. 

PEHFiL, 5. w. {Fr.prnfil, Ital. profilo, do 
Lat. filum, fio, linha), delineação da cara, fi- 
gura ou de qualquer objecto visto de um só 
lado, ou de edifício por uma secção per- 
pendicular ou lateral ; contorno ; adorno 
subtil da borda, do conLÍorno. v.g. Osaureos 
perfis das brancas nuvens. — (braz.) linha de 
outra côr que separa uma superfície da outra. 
« Banda roxa (nas armas) com perfiles de 
ouro. » Monarch. Lusit. — , na esgrima , 
postura de lado. Retrato de meio — , visto 
de um só lado. v.g. Ver as cousas de — ou 
de meio — , (fíg.) só de um lado, por uma 
face, debaixo de um só aspecto. Perfis, pi. 
Perfiles, (ant.) 

PERFILADO, A, supcvl. de perfilar; adj., 
delineado de perfil; posto eni fileira, v.g. 
soldados —s, em postura de lado. Estar — 
— na esgrima. — , terminado por uma li- 
nha. 

PERFILAR, V. a. {perfil, ar des inf ) de- 
linear de perfil; rematar o contorno por 
ura traço ou linha, de ordinário de outra 
côr, v.g. a purpúrea côr que per/í/aaquel- 
la nuvem, —de ouro ou de prata um bor- 
dado. — soldados, dispo-los em fileiras, era 
linha, unidos lado com lado. 

PF-RFiLUAçlo, s. f. pertilhamento, adop- 
ção de filho. 

PERFILHADO, A, p. p. do perfilhar, adj., 
adoptado por filho: adoptado. «Este autor 
tem — muitos versos de muitos poetas» in- 
serido nas suas obras como plagiário. 

PERFiLiiADOR. A. s. m. 'J)e?soa que per- 
filha. 

PERFiLHAMENTO, 5. m. (mcnío sufT.), ado- 
pção. 

PERFILHAR, V. a. (per pef., em vez de 
por, filho, ar, des inf.) adoptar por filho 
com as solemnidades Ipgaes : — um filho a 
alguém, altfibuir-lh'o ; — enxertar, ex. «In- 
dustriosa mão 03 doces pomos perfilha á 
inútil arvore. 

PERFILO. V. Perfil. 

PERFLUxo, s. m. {per pref. intensit., e 
fluxo), fluxo copioso de humores. 

PERFORAçÃo, s. f (cirurg ) o aclo de fu- 
rar. 

PERFORADO, A, p. p. dc perforar, adj. 
furaflo, traspassado. 

PERFORANTE, adj. dbs 2 ç. (Lat. perfo- 
rans, tis], que perfura. 

PERFORAR, V a. (Lat. perfor, are, per, 
pref. transit., cforo, are, furar), furar, pe- 
netrar com instrumento agudo. 

PERFULGENTE, adj. dos 2 g. {per pref, 
e fulgente], mui resplandecente. 

Moraes diz (pie a ctymologia pede pre- 



PER 



PEK 



m 



fulgente, o que prova que ignorava as duas 
accepções do prefixo per. 

PERFUMADO, A, p. p. íle perfumar, adj. 
que rccube as exhala(.-ões de per fumes quei- 
mados, iuipregnado das emanações odori- 
feras. Fio de p-rata — de ouro, a que se 
dá a côr de ouro com cerlos ingredientes. 
Subst. e auL, pessoa — , que usa de per- 
fumes. 

PERFUMADOR, s. m. caçoula, vaso em que 
se queimam p3rfumes, aromas. — s de ouro, 
prata, bronze. 

PERFUMANTE, adj. dos 2 </. (des. do p. 
a. Lat. em ans, tis), que perfuma, que ei- 
hala clieiro agradável. — s rosas. 

PERFUMAR, V. a. {perfume, ar, des. inf ) 
communicar ciíeiro agradável queimando 
perfumes, substancias aromáticas, que ex- 
haiam emanações rescendentes. v. g. As flo- 
res perfumam o ar. — o hospital, o navio, 
as casas, corrigir o raáu cheiro por emana- 
ções de substancias saudáveis, v. g. de vi- 
nagre e outros ácidos. 

PERFUMARIA, s. f. (Fr. pãrfumerie), lo- 
go de perfumeiro, oííitíina em que se per- 
pa.*am perfumes composições odoriferas. 

PERFUME, s. m. (Fr, parfum, do Lat. per, 
pref. transitivo, efumus, fumo), emanação 
volátil exhalada de substancia aromática, 
aroma. 

PERFUMEIRO, s. m. (Fr. parfumeur], o 
que prepara composições cheirosas, como 
pommadas, nguas, óleos, espirites aromá- 
ticos, pós de cheiro, sabões odoríferos, etc. 
PERFUNCTORíAMENTE, ado. [meiíte suff.), 
com desmazelo e desleixo. 

PERFURANTE, V. Pevforante, Q Penetran- 
te . 

PERGA, (geogrj hoje Karakissar, cidade 
da Pamphylia, ao SO. do Selga , sobre o 
Cestre, perto da sua nascente ; era celebre 
por causa de um templo de Diana. 
PERGAMTLHEiRo. V Pergaminheiro. 
PERGAMiNHEiRO, s. m. (dcs. ciro), O quB 
prepara pergaminhos. 

PERGAMINHO, s. m. (Lat. pergamena, char- 
ta — , áe Pergam^o, cidade, onde se diz que 
foram preparados os primeiros pergaminhos), 
pelle de carneiro preparada para se escre- 
ver nella, e para capas de livros. 

PERGAMO , (geogr.) Pergamus, hoje Ber- 
gamo, cidade da Mysia, na confluência do 
Caico e do Cecio, no 111 século de Jesu- 
Christo, foi a capital do reino da i'ergamo. 



estas duas províncias, a Phrygia Hellespon- 
tica e a Grande-Phrygia, teve por limite ao 
S. o Tauro. Os romanos engrandeceram este 
reino com cUe recompensaram a fidelidade do 
Eumeneo lí. 



Soberanos de Pergamo. 



Philetero, governador 
Euraenes I, primeiro rei 

Attalo I 

Eumenes II. ... 
Attalo II Philadelpho. 
Attalo III Philométor. 
Aristonico 



26:J-2U 
241-198 
198-157 
i 57-137 
137-132 
132-129 



PERGEN, (geogr.) cidade dos Estados Aus- 



tríacos, a 5 léguas E. de Trento; 12.000 



habitantes. 

PÉRGOLA, (geog.) cidade dos Estados eccle- 
siasticos, a 5 léguas e meia SE. de Urbino ; 
3,000 habitantes. 

PERGOLiíSE, (hist.) celebre compositor na- 
politano, nasceu era 1704, morreu em 1737. 
As suas melhores composições são um Sta- 
bat ; e uma opera a Serva padrona. 

PERGuiCEiRO, s. m. (talvez do Fr. perche, 
vara de barqueiro, des. eiró), empregado 
nas pescarias do Algarve que dirige a com- 
panhia. 

PERGUiçA, (geogr.) rio limitrophe das pro- 
víncias do iiaihi o do Maranhão, no Bra- 
zil. 

PERGUNTA, s. f. (V. Perguntar), acto de 
perguntar, as palavras com que se inter- 
roga. Ir a — s, a ser interrogado em juí- 
zo. 

PERGUNTADO, A, p. p. do perguntar, adj. 
interrogado. 

PERGUNTADOR, s. m. (Lat. percontaíov), 
o que pergunta ; pesquizador, curioso ; que 
faz muitas perguntas. 

PERGUNTAR, V. a. (Lat. percontor ou. per- 
cunctor, ari, inquirir, indagar, que Court 
de Gébelin deriva de contus. Gr, kontos, 
vara comprida de barqueiro, e diz que o 
termo significa sondar, tu creio que se en- 
gana, e julgo o termo composto de per, 
transilivo, e contueor, eri, observar, ver, 
espreitar, de con, e tueor, eri, examinar, 
observar. Por isso a orthographia percun- 
tari é correcta, eoc ajuntado empercunc- 
tari é vicioso, e provavelmente veio da er- 
rada supposição que o radical era cunctus. 



h' a origem do nome pergaminho (per</a- completo, total, inteiro), inquirir, pedir a 

mena charla) cuja fabricação os soberanos alguém informação sobre alguma cousa. 

de Pergamo animaram. \ Perguntei ao piloto que rumo seguia. Che- 

PERGAMO (reino de), (geogr.) pequeno es- | gado ao porto perguntei se meu pai tinha 

tado fundado em 283 por Philéièro, não com- morrido. — por alguém, inquirir alguma 

pitendfcu piimeiíaiLtrite senão algunifis par-, cousa concernente a elle, v. g. seestá em 

tes da Mysia e da Lydia, abrangeu depois^ casa, se vai melhor de saúde, — , fazer per- 

YOL. IV. 42 



%m 



PER 



PER 



gunta, questionar; propor questão e pedir 
solução d'ella. v. g. Perguntei a causa do 
alvoroto, ou qual era a causa ; etc 

Syn. coinp. Perguntar, interrogar, in- 
quirir. Perguntar denota meramente dese- 
jo da saber. Interrogar é perguntar, inqui- 
rir com auctoridade, v, g. — oréo, as tes- 
temunhas. Inquirir significa examinar, in- 
dagar com miudeza, (juando se applica a 
inquirição de tt;stemunhas significa interrogar 
sobre todas as circumstancias do processo. 

PERT, preposição grega que entra na com- 
posição de muitos termos derivados d'esla 
lingua ; significa em torno, á roda, em re- 
dor, acerca, v, g. peripheria, periosteo, 
periphrase. 

PERiANDRO, (hist.) tjranuo de Corintho , 
successor de Cypselo, seu pai, governou de 
6 *< a 584 antes de Jesu-Chrislo com sa- 
bedoria, no principio do seu reinado, mas 
depois tornou-se odioso pelas suas cruel- 
dades e violências, a ponto de obrigar seu 
filho a fugir de Corintho. Morreu em idade 
muito avançada. 

PERiAPATAM, (geogr) cidado da índia, no 
Estado de Maissur, a j5 léguas O. do Se- 
ringapatam. 

PERiBEA , (hist.) filha d'Álcatho, rei de 
Megara, foi condemnada por seu pai a mor- 
rer afogado no mar, por se ter deixado se- 
duzir por Telamon , mas foi c «nduzida a 
Salamina pelo guarda encarregado d'esta 
commissão e casou com Telamon. Teve delle 
Ajax, que depois foi rei de Megara. 

PERiCARDiA, s. f. V. Pericardio. 

PERICÁRDIO, s m. iperi pref., e cárdia, 
coração) (anat ) membrana que envolve o co- 
ração e contem um fluido. 

PERiCARPO, s. m. (peri pref., e carpo) (bot.) 
pellicula que envolve o fructo de algumas 
plantas. 

PERiCHE, 5. m. género de embarcação. 
Gouv., Jornada do Arcebispo. 

PERÍCIA, s. f. [Lãt. peritia. V. Perito) co- 
nhecimento perfeito em alguma sciencia ou 
arte, erudição. 

PERiCL:és, (hist.) celebro. Atheniense, nas- 
ceu em 94 antes de Jesu-Christo, adqui- 
riu fama e popularidade pela sua eloquên- 
cia e liberalidade ; tornou-se em 459 chefe 
do partido democrático opposto a Cimon, e 
conseguiu fazer banir os seus rivaes ficando 
senhor da direcção dos negócios. Assigna- 
lou a seu governo pela construcção de bel- 
los edifícios e por festas sumptuosas. A sua 
politica era evitar as empresas lon^jiquas e 
arriscadas, não pôde comtudo evitar uma 
guerra com Sparta, e ficando mal depois 
de ter adquirido algumas vanla^fns foi 
condemnado a uma aulia, e despojado da 
auctoridade. Morreu em 4S9, 



PERTCOTO. V. Picaroto. 

pERiCRANEO, s. TYi. {pcvi pref-, 6 craueo) 
(anat.) membrana que envolve o craneo. 

PERiECos, s. m. pi. iperi, pref., e Gr. 
oikeô, habitar) (geogr.) povos que habitara 
pont' s oppostosdogloblo em um mesmo pa- 
ralleio ou mfridiano, era igual distancia do 
equador, em cada um dos dois hemisphe- 
rios. 

PERiER (Casimiro), (hist J politico francez, 
nasceu em '77/, morreu em 18ii2.Foi um 
dos oradores mais eloquentes da camará dosí 
deputados de 1817. Foi nomeado chefe do 
gai)ineteem j8<30 e desenvolveu grande fir- 
meza contra as tendências anarchicas. 

PERIFERIA. V. Peripheria. 

PERiFRASE. V. Periphrase. 

PERiG DO, sup. de perigar; adj. ex. «A 
minha alma — . » Elucid., em perigo de se 
perder. 

PERíGALHO, s. w. [pcri, á roda, el.at, gu- 
la, guela, pescoço) pelle que pende da bar- 
ba ou da garganta, par velhice ou magre- 
za. 

perigalhos, 5. m. pi. [peri pref., eLat. 
galea] (naut.) cordas que saem de uma polé 
presa no tope do mastro da mesena, e sustem 
a extremidade superior da vergada mese- 
na. 

PERIGAR, v.n. {perigo, ardes, inf.) estar 
em perigo, correr perigo, v.g. periga ávi- 
da, a honra, a reputação. Perigava o nnvio. 
Moraes ajunta a accepção perecer, mas era 
todas as citações que aponta, o verbo signi- 
fica correr perigo, maior ou menor, e em ne - 
nhuma perecer. 

PERiGEO, s. m. {peri pref. denotando pro- 
ximidade, e Gr. ghé, a terrra) (astr.) ponto 
do ceu em que um planeta está na menor 
distancia do centro da terra : é o ponto op- 
posto ao apogêo. 

PERIGO, s. m. (Lat. periculum, do Gr. pei- 
ra, empreza, tentativa, eoleô, perder, arrui- 
nar, matar) risco, lance arriscado, damno 
pendente que ameaça ; pressa, aperto; pas- 
so arriscado. Estar em — de vida, de a 
perder. — de bens, — da honra. Os — * dé*J 
Scylla e Charybdis. s loi 

Syn. comp. Perigo, risco. Perigo é rUití^l 
positivo e suppõe probabilidade de infortú- 
nio. Risco applica-se mais a operações mer- 
cantis e á possibilidade de perda de bens. iXãiòR 
se diz estar em ri^co de vida. Aariscado^ 
suppõe perigo eventual, v. g. empreza -^ ; . 
empreza perigosa ofTerece perigo certo. Ris- 
co denota perigo, damno possivel, mais otf 
menos provável. 

PERiGORD, (geogr.) antigo paiz de França, 
ro ]N. da Guyenna. tinLa por capital Peri- 
gueux, era dividido em Alto-Perigord ou 
Perigcrd-Branco , compreendendo : Peri- 



PEK 



PKK 



167 



gueux, Bergerac, Mussidan , Aubeterre ; e 
em Baixo Perigord ou Perigord-Negro, 
compreendendo Sarlat, Castillon e Terras- 
son. 

pertctOsamente, adv. {mente suff.) coin 
perigo. Esíá — ferido. Adoeceu — , de doen- 
ça perigosa. 

PERIGOSO, A, adj. (Lat. periculosos. V. 
Perigo), acompanhado de perigo, on que 
expõe a perigo contingente, provável. Doen- 
ça — . Empreza — . — , que exj õe a peri- 
go. Hábitos —s. Mulher — , para qnera del- 
ia se deixa captivar Homem — , que pôde 
causar grandes míiles ao publico, ou a par- 
ticulares. « Lugar — de entrar. » Barros. 

PERIGUAL, (adv ant.) por igual. 

PERiGUEUX , (geogr ) Vesuntia o\i Petro- 
conii, capital do districto de Dordogne, so- 
bre o Isle , a Í18 léguas SE. de Paris; 
11,570 hahiiantps. 

PERiHELio, s. m. {peri pref., próximo, e 
Gr. helios, sol) (astron.) o pontu do céo em 
que um planeta se acha mais próximo ao 
sol. 

PERiLHA, 5. /. dimindt. (p. us.) de pêra, 
perinha, bola pequena. — s de âmbar. Ten- 
reiro. 

PERiLO, s. m. (t. da Ásia), remate pyra- 
midal do telhado. 

PERiM, (geogr.) Insula Diodori, no estrei- 
to de Bab-el-Maudeb, a 2 léguas O. das cos- 
tas da Arábia. 

PERÍMETRO, s: m. [peri pref., e metro)y 
o âmbito de uma figura geométrica. 

PERiNEO, s. m. (peri prof. e anus, o ano) 
(anat.) o espaço entre a raiz do penis e o 
anus, no homem, e entre a commissura in- 
ferior dos grandes lábios e o anus, na mu- 
lher. 

piRiNÉos (geogr.) Lago da província de 
Parahiba no Brazil, no districto da villa d'A- 
Ihandra. 

PERINHO, s. m. diminut. de pêro, pêro 
pequeno. 

PERiNO DEL VAGA, (hist.) piutor ílorcnti- 
no, nasceu em 1501, morreu em 1j47, íoi 
discipulo e collaborador de Haphael. Pintou 
em Roma a famosa sala real. 

PERINTHO ou HERACI.EA , (geOgr.) hojo 

Erekli , cidade da Thracia , alliada dos 

Athenienses, sobre o Preponlido , perto de 

Byzancio. 

PERIODICAMENTE, ãdv. [mente suíT.), por 

períodos ; em períodos ou epoclias determi- 
nadas, f. g. A convocação da legislatura se 
fará — . A epidemia se reproduz — . 

PERIÓDICO, A, adj. (Lat. periodicMs), que 
volta OU se renova em tempo fixo, em cer- 
tos periodos, v. g Movimento — da lua, da 
terra, dos planetas, — apparente do sol ; — 
que consta de periodos. v. g. Discurso — . 



papeis, escriptos — , que apparecem por fo- 
lhas ou secções em épochas determinadas. 
Doença — , cujos accessos ou ataques se re- 
novam cui épochas fixas. Hoje emprega-se 
o tormo — subst., para designar periodica- 
mrnttí obra que apparece, todas as semanas, 
lodos os mezes, etc. 

PERIODISMO, s.m. (des. wmo), estado pe- 
riódico de todo o corpo ou phenoraeno su- 
jeito a movimentos, alterações ou renova- 
ções periódicas, v. g. o — dos movimentos 
planetários, das eitações, dos accessos das 
febres intermittenies 

PKRiODiSTA, s.m. (des isía), autor de es- 
cripto periódico, litterario ou politico. 

PERIODIZAR, X). a. [periodo úardes. inf.) 
sujeitar a movimentos, a renovações ou al- 
teraçõi^s periódicas, v. g. A natureza — cer- 
tos phenomenos. 

PERÍODO, s. m. (pron. periodo, Lat. pe- 
riodus, do Gr. peri pref. em torno, á ro- 
da, e/iocíos, caminho), estrictamente circui- 
to, revolução em que se completa algum mo- 
vimento, y. g. o gyro dos planetas; ou 
em que se renova, reporduz ou se com- 
pleta algum phenomeuo, em que uma cou- 
sa volta ao mesmo lugar ou estado ; dos 
accessos de febre int(3rmittente, do cresci- 
mento dos animaes e das plantas; — , épo- 
cha determinada, intervallo de tempo com- 
prehendido entre dois limites, v. g. Us — 5 
da grandeza, da prosperidade, e o da de- 
cadência dos imperadores, U ultimo — da 
vida. — do discurso, clausula inteira que 
consta de dois até quatro membros ; — na 
poesia, o numero de estancas em que se 
dividem as odes. 

PERiosTEO, s.m. (Lat. periosteum ', peri 
pref, á roda, em torno, e Gr. osíeon, osso), 
(anat.) membrana que envolve os ossos. 

PERiPATETico, A, adj. (do Gr. peri, em tor- 
no, e pateia, caminhar, porque Aristóteles 
dava as suas lições passeando no jardim do , 
Lyceo), da eschola de Aristóteles ou do Ly- 
ceu ; (fig. c fam.) ridiculamente subtil e 
fatil ; moralisador. 

pERiPATisMO ou pesipato, s. wi. doclrina 
de AristoteleS; principalmente em. physica 
e philosophia moral Diz-se de ordinário 
desta doutrina tornada inintelligivel pelos,; 
commentadores. 

PERIPÉCIA, s. f, (Gr peri pref. contra, e 
piptô, cahii), (poet ) •iT)udança súbita e im- 
prevista <]e fortuna, desfecho de poema, épi- 
co, ou de drama, catastrophe, 

PERiPHERiA, s. f. (Gr. peri pref. em torno, 
ep/ierd, levar), cijcumferei^cià do circulo ou 
de figura curvilínea, como a ellipse, a pará- 
bola. 

Lns pronunciam periferia, outros perife- ; 
ria, e por contracção per/eria. O segundo ó 
41 « 



108 



nvi 



fSR 



conforme ao Grego, o primeiro é segundo a 
prosódia Latina. 

PERiPHRASE, s. f. (Lat. peripkrasis ; peri 
pref., e phrose), circumloquio, circumlocu- 
ção, figura de vheloncR.Vron. per ifrase. 

Syn. comp. — PeriphrasCy circumlocu~ 
ção. A priíneira d'eslas palavras é grega , 
periphrasis, e a segunda latina, circumla- 
cutio, e ambas dizem o mesmo que « ro- 
deio de palavras » e consistem era dizer 
por mais palarras o que se poderia decla- 
rar por uma só. Differençara-se porem estas 
palavras em que a primeira é um termo 
de rethorica ; e a segunda é uma expres- 
são da linguagem commum. A periphase é 
uma figura de ornato, mui própria do es- 
tylo poético e oratório ; a circumlocuçâo 
ou circumloquio não se usa por arte nem 
adorno senão por necessidade ou conve- 
niência. A circum locução é pois a peri- 
phrase commum, familiar, sem pretenção 
de estylo e de esmero na elocução, e até 
pôde ser muitas vezes um defeito; a peri- 
phrase é a circumlocução oratória ou poé- 
tica feita para aformosear o discurso, en- 
nobecer idéas mui trilhadas, o evitar ter- 
mos vulgares. 

Camões, não querendo usar das quatro 
palavras mui vulgares « norte, sul, nas- 
cente e poente, » disse por periphrase : 

Alli se acharam juntos num momento 
Os que habitão o Arcturo congelado, 
E os que o Austro tem, e as partes onde 
A Aurora nasce, e o claro sol se esconde. 

[Lus. , I, 24.) 

E achando pouco poética a palavra « 
vinho, » disse também por periphrase : 

D;\-lhe conversa doce, e dá-llie o ardente. 
Não usado licor que dá alegria. 

[Lvs. , L 61. 

Nas conjugações dos verbos latinos ha 
mais circumloquios que nas dos verbos gre- 
gos, e muitos mais nas dos verbos das lín- 
guas neolatinas, os quaes se não podem cha- 
mar periphrases, antes são provas da po- 
breza d'estas línguas comparadas com a 
grega. 

PERiPHRASEAR, V. ã. {periphrase, ar des. 
inf.), expor em periphrases ou circumlocu- 
ções. 

PERIPHRASIS. V. Periphrase. 

PERiPNEUMONiA, s. f. (Lat. pcri pref., e 
pneumonia) , (med.) inflammação do pol- 
mão. 

PERiPUiERA. (geogr.) Povoação e ribeiro 
da província das Alagoas no Brazíl. 

PERIQUITO, s.m. (do Fr. perroqnet, pa- 
pagaio, dim de Perrot, dim. de Pierre , 
Pedro, porque, como bem notou Ménage , 



sempre foi uso dar nomes próprios de ho- 
mens ás aves),'iave semelhante ao papagaio, 
mas mais pequena ; (fig.) topete da cabe- 
ça. — folhos ou bofes ^postiços para enco- 
brir camisa de panno grosso ou suja, usa- 
do por militares que trazem a farda abo- 
toada até acima. 

PERIQUITO (geogr.) Ilha do rfo da Madei- 
ra no Brazíl na província _de Mato-Grosso. 
Tem obra de 1 legoa de comprimento^ e 
fica abaixo do confluente do rio Piraia-Na- 
ra, e acima da ilha do Pagão. 

PERiscios, s. m. pi. (peri pref., em tor- 
no, e Gr. skia, sombra), (geogr.) os habi- 
tantes das zonas frigidas cuja sombra faz o 
gyro do horisonte em um mesmo dia no 
tempo do anno em que o sol se mantém 
acima do horizonte naquelles climas, 

PERissoLOGiA, s. f. (do Gr. perissea, abun- 
dância, excesso, e logos suff.) (gram.) re- 
dundância de palavras. 

PERissoLOGico, A, adj , [mente suff.) em 
que ha redundância de palavras. 

pERiSTALiico, A, ad] . {peri pref., cou- 
tra, e slello, apertar), (anat.) Movimento — 
o dos intestinos que se movem como ver- 
mes serpeando para facilitar a absorpção 
do chylo, e evacuação dos excrementos. 

PERiSTYLLO , s. IH. (Lat. peristyllum ; 
peri pref., em torno, e slylos, columna), 
edificio rodeado de columnas, columnata 
que serve de entrada a edificio. 

PERiTissiMO, A, adj. svpcrl. de perito, mui 
perito. 

PERITO, A, adj. (Lat. peritus, deriv. a 
meu ver do Gr. peri, em torno, e etazô, 
examino, busco, indago], versado, douto, 
instruído, hábil. 

PERiTONEO, s. m. (Lat. peritoneum ; peri 
pref., á roda, e teinô , estender), (anat.) 
membrana que forra por dentro todo o abdó- 
men, e dá uma túnica a cada uma das vísce- 
ras desta cavidade. 

PERiVEL, adj. dos 2 g. (snt.) V. Perece- 
deiro. 

PERJUDICADO, A, supcvl do pcrjudicar ; 
adj. que sofTreu perjuizo, damno. V. Pre- 
judicado. 

PERJUD'CAR, V. a. causar damno, perjui- 
zo, perda. V. Prejudicar. 

PERJUDiciAL, arfj. dos2g. Y. Prejudicial. 
PERJUIZO, s. m. damno, perda causada a 
alguém, accidentalmente ou com intenção. 
V. Prejuízo. 

N. B. Estes termos vem do Lat. prceju- 
dicare, prajudicium, que significão julgar, 
decidir com antecipação, antes de ouvir «s 
partes e por conseguinte julgando, não com 
justiça mas por parcialidade. O sentido de 
causar damno resulta do juiz iníquo. Pre 
he a orthographia conforme á etymologia ; 



pm 



PU 



m 



mas pêr transitivo exprime muito bera e 
mais directamente a ideia de causar damno, 
tí he análoga aos compostos latinos ferju- 
rare, violar o juramento, e peri-c?'ícre, per- 
verter. Além destes, perjuizo, limitado á ac- 
cepção de damno, não se confundirá com 
prejuízo, juizo antecipado, anterior a exa- 
me attento. 

PERJURADO, A.,p p. do porjurar, acT/", ju- 
rado falso, quebrado o juramento; abjura- 
do. Calumnia atroz, e ainda — por seu 
autor. 

PERJURAR, V. a. (Lat. perjuro, are ; per 
pref. transitivo, Qjuro, are, jurar), violar, 
quebrar o juramento ; jurar falso para en- 
ganar e fazer mal a alguém : — a fé, ab- 
jurar. — SE, a. r. quebrar o juramento, 
faltar á promessa jurada, feita com jura- 
mento. 

PERJÚRIO , s. m. (Lat. perjurium) , o 
acto de se perjurar, o crime do perju- 
ro. 

PERJURO, A, adj .\L^i. per j urus), que ju- 
ra falso para enganar e fazer mal a alguém ; 
que falta ao que prometteu com juramento, 
á fé jurada. 

PERJURO, s.m. perjúrio. «Para o réo cair 
em — . » Ord. Affons. 

PERKiN WAERBER, (hist ) chamado o faU 
so duque d'Yorck. Impostor, que a duque- 
za de Borgonha, irmã de Eduardo IV, ima- 
ginou fazer passar por seu sobrinho, Ri- 
cardo d'yorck, assassinado em 1483, e de 
o oppor a Henrique YIl. Foi enforcado em 
Tyburn em 1499. 

PERKiNS , (hist.) medico americano do 
ultimo século, morreu em 1800. Adqui- 
riu fama pelo seu tractamento metálico, 
espécie de apparelho formado de agulhas 
de metaes differentes, o que elle applicava 
ás partes doentes. 

PERLA. V. Pérola. 

PERLEBEJ , (geogr.) cidade dos Estados 
prussianos, capital do cirí^ulo de West- 
priegnitz, a 26 léguas NO. de Portdam ; 
3,110 habitantes. 

PERLENDO, A, ttdj . {ani.)\ . Lido. ex. «A 
qual cédula — . » Órd. AíTons. 

PERLiTEiRO, s.m. arbusto espinhoso, es- 
pécie de sarda (em Lat. alba spina) V. Pir- 
liteiro. 

PERLONGA, s f. (pcr prcf., iuteusitivo, e 
longa, subentendido demora, detença), de- 
mora, detença em fazer cousa que requer 
brevidade ou tem prazo fixo, delonga, —s 
pi, razões diíTusas que tomam inutilmente 
o tempo. Âs — s dos mãos advogados. (O vul- 
go diz perlengas). 

PERLONGADAMENTE. ãdv. (mcnttf Suff.), COm 

muitas demoras, delongas. 
PERLONG^DO, A, p.p. dc pcrlongar, adj. 

VOL. IV. 



(íemorado, delongado; — , suspenso, sus- 
pendido, sustentado, ex. « A sentença (de 
morte) seja — ataa (até) 20 dias. » Ord. Af- 
fons., V. 70; — , posto bordo contra bor- 
do, lado com lado (o navio) V. os dois ver- 
bos. 

PERLONGADOR , s. m. O quo prolonga, 
delonga, demora, procrastinador, detenço- 
so. 

PERLONGANÇA , (ant.) V. Detença, De- 
longa, "'^í 

PERLONGAR, V. u. {per prcf. transitivo, 
contra, longo, ar, des. inf.) (naut.) pôr o 
bordo ou o costado de um navio parallelo 
e chegado ao de outro ou a muralha, praia, 
etc. — o navio com o muro, — , cm sen- 
tido abs., mover-se seguindo o longor, v. 
g. o navio perlongando com a terra. Um 
capitão a cavallo perlongando com as es- 
tancias. — SE, V. r. tem as mesmas accep- 
ções: — com acosta, com o navio inimigo, 
com o muro. 

PERLONGAR, V a. [per, intensitivo, lon- 
go, ar, des. inf.) estender, dar maior lon- 
gor. V. g. — acorda, — , dilatar, demorar, 
delongar, prolongar, v. g. — a demanda, o 
casamento, a restituição. Prolongar é mais 
usado e preferível. 

PERLUSTRAR, V. a. (Lat. perlustro, are, 
per pref , traisit. elustrare, gyrar, olhar), 
só usado na poesia, gyrar, percorrer ob- 
servando, ex. « Antes que Apollo três vezes 
perlustre océo rotundo. » Mascarenh., Des- 
tr. da Espanha. Weste exemplo citado por 
Moraes pode meramente significar gyrar, vol- 
ver, p. p. sup. e adj. Perlustrado. ' ^'' 

PER LUXO, A, adj. (alteração de prolixo), 
prolixo, sobejo, diíTuso em palavras; — , 
minucioso. Diz-se com preferencia das pes- 
soas. Homem — . Paliando de estylo, pro- 
lixo é mais usado. 

PERLUxo, s. m fructo brasílico, semelhan- 
te a cerejas, de cuja casca se faz excellen- 
te doce. 

P-ER3I, (geogr.) cidade da Rússia, capi- 
tal do governo de Perm, a 493 léguas E. 
de S. Petersburgo ; 6,000 habitantes. 

PERM, (governo de) (geogr.) parte na Rús- 
sia europea, e outra parte na Rússia asiá- 
tica, tem por limites os governos de Vo- 
lagda ao ^0. de Tabolsk ao NE., de Vi- 
atka a 0.; 1,3UO,000 habitantes. Capital 
Perm. 

PERMANECENTE. V. Permanente. 

PERMANECER, V. u, (Lat. permaneo^ ere, 
per pref. intensitivo, emanere, ficar, con- 
servar-se no mesmo estado portempo mais 
ou menos dilatado, durar, aturar sem mu- 
dança notável. Diz-se das cousas, das pes- 
soas, e do« seus actos. 

PERMANÊNCIA, s f. (dcs. cncia), estado 
43 



170 



fSR 



nsk 



permanente, durável, estabilidade. As cou- 
sas humanas não tem — I 

PERMANENTE, adj . dos '2 g . (Lat. perma- 
nens, tis, p. a. de permaneo^ ere, perma- 
necer), constante, estável, firme, inalterável, 
que se conserva, permanece sem ou com 
pouca alteração, v. g. Ura exercito — é 
mcompatiyel com a liberdade da nação. 

PERMANENTEMENTE, adv. (wicníe suff.) com 
permanência. 

PERMEADO, A,p. j9. do permear, adj. par- 
tido pelo meio ; atravessado pelo meio ; che- 
gado ao meio , v. g. tinham — o espaço, 
caminho. A agua tinha — os fardos, a rou- 
pa. « E acharam a noite quasi — . » em meio. 
ínedit. 

PERMEAR, V. a, (Lat. permeo, are ; per 
pref. transitivo, e meo, are, passar), atra- 
vessar, passar pelo meio ou atra vez. v. g. 
A agua permea os tecidos, — , partir pelo 
meio. (p. us.) — , v.n. interpôr-se, acon- 
tecer no intervallo de tempo, v g. Entrq a 
queda do império e o restabelecimento das 
lettras permearam muitos séculos ; — , in- 
tervir como medianeiro, metter-se de per- 
meio. {E'p. us.) Entre as potencias bellige- 
rantes permeou o papa. 

PERMEDIDA OU PERMEDIVA, (obsol.) COrrU- 

pto de Primicia. V. Primicia. 

PERMEIO, adv. usado sempre com a prep. 
de anteposta : de — , no intervallo qne se- 
para dois corpos interposto, v. g. Metter- 
se de — , medeiar, — um dia .feriado ; — , 
interpôr-se. Metteram-se de — , para obstar 
á briga. V. Meio. 

PERMEIO, s. m. (p. us.), cousa ou pes- 
soa que intervém, medianeiro, v. g. — da 
paz. 

PERMESSO, (myth.) Permessus , pequeno 
rio da Reveia, nascia no monte Helicon e 
caia no lago Copais. 

PERMEYO, ortographia de Moraes. V. Per- 
meio. 

PERMiA ou BiARMiA, (geogr.) antiga e vas- 
ta região situada no ]NE. da Kuss'a euro- 
pea, abrangia, alem do governo actual de 
f erm, os de Vologda e d'Arckangel. 

PERMissA, má orthographia. V. Premissa. 

PERMISSÃO, s. m. (Lat. permissio, onis], 
licença, consentimento, acto de permitlir^ 
conceder. PI. Permissões. 

PERMISSIVAMENTE, adv. [mente sufí.) com 
permissão, licença. 

PERMisso, s. m. V. Permissão. 

PERMisso, A, adj. (Lat. permissus, p. p. 
permitto, ere, permittir), permittido, con- 
cedido ; não prohibido, não vedado, hcito. 
Caso — . 

PERMISSIVO, A, adj. (des. itó), consenti- 
do, que dá permissão, que contém permis- 
são, licença para fazer «Iguma cousa. 



pBRMiSTÃo, \. Mistura. 
PERMITTIDO, A, p. p. de permíttiT, adj. 
consentido, v. g. Tinha — aos soldados irem 
fazer a colheita. — , licito. He — trabalhar 
nos domingos em obras de urgente neces^ 
sidade. 

PERMITTIR, V. a. (Lat. permitto, ere, no 
sentido de conceda r licença), conceder li- 
cença, consentir, tolerar, não obstar, v. g. 
As leis de Inglaterra permittom o divorcio. 
Antigamente os governos não permittiam a 
exportação de ouro e prata amoedados. — , 
(fallando de cousas) dar lugar. O frio não 
permitte a navegação do Báltico no inver- 
no> A estação permitte ainda a navegação ; 
— , admittir. v. g. O negocio não permit- 
te demora. — se, d. r. impessoal, ser per- 
mittido. V. g. Hoje — a exportação do nu- 
merário. 

PERMUDAÇÂ0. V. Permutação, Mudança. 
PERMUDANÇA, s. f. (aut.) permutação, tro- 
ca , mudança de casa, demorada. 

PERMUDAR, V. a. (aut.) permutar, trocar. 
PERMUTA, s.f. [de permutar] Casas de — , 
estabelecidas pelo gfoverno no Brazil para a 
troca de ouro empo por moeda. 

PERMUTAÇÃO, s. f. (Lat. permutatio, onis] 
troca, commutação de um género ou merca- 
doria por outro, ou de qualquer outra cou- 
sa. 

PERMUTAR, V. a. (Lat. permuto, are ; per 
pref. transitivo, emuto, are, mudar) trocar, 
escambar género por género, v.g. vinho por,, 
trigo. ,- 

PERNA, s, f. (Lat. perna, de animal, e per- 
nada de arvore. Vem do rad. perpor/er, de 
fero, erre, suster, levar ; a des. na vem do 
p. a. CMHS, que caminha) os membros sobre 
que se sustem e andam osanimaes de dois, 
ou quatro pés; no homem, aparte compre- 
hendida entre o joelho e o pé. Barriga da 
— ,- aparte posterior proeminente d'ella on- 
de os músculos são mais volumosos. Em — s, 
sem meias ou outro calçado que as cubra. 
Estender as —s, (fig.) passear. Deitar ai- 
guem de —s arriba, (Og.) arruina-lo, dei- 
ta-lo a perder. Estar de — tendida, ou es'^: 
tendida , ocioso , sem fazer nada. Estar de- 
— quebrada, (fig) falto de saúde. Estar de 
—s abertas, (fig. efamil.) disposto para ser- 
vir alguém ou comprazer com elleemtudo, 
licito ou illicito. A — solta, descansadamen- 
te. Ameaçar de cortar as — s, (fig.) de gran- 
de mal. — , (fig.) extremidade, ramo, v. g. 
— 5 do compasso, — da imprensa ; — da 
banca, — da disciplina. O cabo da bolina 
tem tres-^;?. — s do carro, são páos do fora 
em ^ que se mettem os caibros oudegráos. 

PERx\ADA, s. f. (des. ada] couce. — de ar^ 
vore, os ramos mais grossos que o tronco lan- 
ça. — s de ribeiro, regato, esteiro, braços 



PER 



PER 



5171 



pequenos derivados, ex. « Estes dois esteiros" 
se communicam e fazem — s , pela terra. » 
Barros, 3, 5, 1. 

pern'alto, a, adj. que tem pernas altas, 
V. g. ave — , cão — . 

PERNAGUA, (geogr.) pequena villa do Bra- 
zil. na província de Piauhi, na margem 
Occidental da lagoa vulgarmente conheci- 
da com o nome de Pernaguá, tem 4,000 
habitantes. 

PERNAGUÁ, (geogr.) lagoa da província de 
riauhi, no Brazil, sobre cuja margem está 
situada a yilla d'este nome. 

PERNAMBUCANO, A, ãdj . de Pemambu- 
co. 

PERNAMBUCO, (geogr.) província marítima 
do Brazíl, entre 7 e 9 grãos do latitude, 
cujo nome querem alguns autores que seja 
derivado de Paranabuca, palavra do idio- 
ma dos índios Cahetés que estavam de pos- 
se des'e paiz, no tempo em que foi des- 
coberto, a qual significava Rochedo cavado 
das aguas do rio ou mar ; 32u,000 habi- 
tantes. 

PERNAviLHEiRO, s. m. madoíra que rece- 
be um bello polido. 

PERNEAR, v.n. {perna, ear por e/ar) agi- 
tar convulsivamente os pés e pernas, como 
fazem indivíduos debatendo-se contra quem 
os quer violentar, ou pessoa no acto da suf- 
focação,^ e anímaes violentados* ou feridos. 

PERNEIRA, s. f. doença qne dá nos Idoís e 
lhes apodrece a carne. — , coiro ou panno 
grosso usado pelos sertanejos do 1 razil para 
cobrir as coxas e pernas quando montam a 
cavallo, para resguardar da lama. 

PERNEM, (geogr.) pequena província de 
Goa, nas chamadas ^ova5 Conquistas. A 
sua capital é a villa de Cassabé. Consta de 
26 aldeãs, e uma ilha, a de Arabó, I9,54y 
habitantes. 

PERNES, (geogr.) villa de Portugal, situa- 
da a 2 léguas ao N. de Santarém, junto 
ao rio Alviella. O seu concelho conta 2,400 
habitantes. 

PERNES, (geogr.) villa da França, sobre 
o Píesque, a 1 légua S. de Carpentras. 

PERNETY, (hist.) escriptor frajicez, bene- 
dictino, nasceu em 1716, morreu em 18' 1. 
A sua melhor obra é a Historia de uma 
viagem ás ilhas Malvinas. 

PERMABERTO, A, adj. quo tem as pernas 
abertas. Cantoneiras — 5, que se prostituem 
com todos. 

PERNICIOSAMENTE, adv. {mente suíT.) com 
damno, ruína, de maneira perniciosa. 

PERNICIOSO, A, adj. (Lat. perniciosus, de 
pernicies, morte, ruína) mortífero, ruinoso; 
que traz damno, ruii;a. — ú saude^ nocivo. 
Febre — , maligna. 

PE RNicioZAS (ilhas), (geogr.) archipelago 



I do W6T Máo, descoberto por Roggeween 
em 1712. 

PERNicuRTO, A, adj, que tem as pernas 
curtas. 

PERNIL, s.m. presunto na parte mais che- 
gada ao pé ; o osso do pé ou da mão de ani- 
mal. — do odre, parte da pelle que cobria 
as pernas do animal de que são feitos os 
odres, e que lhes serve de asa por onde se 
lhes pega. 

PERNINHA, s. f. diminuí, de perna. E! *' 

PERNO, s. m. (do Cast.) agulha que as iUtí- 
Iheres traziam por ornato Ea cabeça ; uma 
peça do coche ; eixo do compasso de três per^ 
nas, barreta de ferro que une aspalauque- 
tas. Exame d'Artílheiros. V. Cavilha. — s, 
(naut.) páos que atravessam osncoitõespelà 
banda de dentro em que laboram as rodas. 

PERNOITAR, V. n. {per pref. transit. noite 
ar des. inf.) passar a noite em algum lu- 
gar. 

PERNÓSTICO, A, adj. (corrupção de pro- 
gnosiico) (famil.) que fallft muito no que não 
entende ou não importa, que seda por mui 
avisado, ex. « >unca vi velha tão — . » Fer- 
reira, Cioso. 

FERNov , (geogr.) Peinau em allemão, 
cidade forte da Rússia europea, a 37 lé- 
guas N. de Riga ; 10,300 habitantes. ' ' 

PERO conjuncção antiga e castelhana, mas, 
posto que. -^ 

PERO, s. m. espécie de maçã oval e doce 
que tem semelhança com algumas peras, 
d'onde lhe vem o nome. - ^ 

PERO E CASA-VECCHiA, (geogr.) logar da 
ilha de Córsega a 7 léguas de Bastia ; ()00 
habitantes. 

PEROBAS, (geogr.) povoação na província 
do Espirito -Santo, a 2 legoas da villa de 
Yianna, no Brazíl. 

PERO-cÃo, (geogr.) serra na costa da pro^ 
vincia do Espirito-Santo, no Brazíl, na mar- 
gem esquerda do rio Guarapari. 

PÉROLA, s.f. {]^ron. pérola . doLaUperu- 
la cu pirula, de pirum, pêra) corpo bran- 
co, Ijzo e lustroso que se acha nas copchas de 
certas «ostras, principalmente no mar jJe Ba- 
barem, onde se pescam as mais bellas. ,^7-. 
apingentada, da forma de pêra. — neta} 
lunpa. — oriental, a que tem amais bella 
côr e lustre. Deitar ou lançar — s a por- 
cos, adagio, dizer cousas discretas e judicio- 
sas agente incapaz de as apreciar. É uma 
— , diz- se de pessoa dotada de preciosas qua- 
lidades. Dizer —s, (íig.) fallar com muito 
acerto, eloquência. Chá — , miúdo como al- 
jôfar ou pérola^ miúdas, e mui ar^ç^ajtjco. 
—s, (f)g. epoet.) lagrimas., ',^'^,^.^4 ^i 

PÉROLAS, (ilhas das) (geogr.) ilha da Ame- 
rica no golpho de Panamá, 
p iBCLiJBA, s. f. {}>íi(jla, des. eira) botija 
43 * 



172 



PER 



P£R 



grossa de barro afunilada em que se guar- 
dam azeitonas. 

PERON , (geogr.) naturalista e viajante 
francez, nascru em 5775, morreu era 1810, 
Escreveu a Viagem ás terras austraes fei- 
ta durante os annos de 1800 a l8U4. 

PERONNE, (geogr ) cidade de França, na 
margem direita do Somme, a l2 léguas E. 
d'Amiens ; 4,120 habitantes. 

PEROOM, obsol. A — , adv. por a prom, 
a plumo ou a prumo. Feio lombo a — , aci- 
ma. 

PERORAÇÃO, s. f. (Lat. peroraíio, onis) 
(rhet.) conclusão de qualquer discurso ou ora- 
ção. 

PERORADO, A. p.p. de perorar ; adj. con- 
cluído com peroração ; advogado, v. g. ti- 
nha — a causa. 

PERORADOR, s. m. O que perora, orador; 
(fig.) o que ora, discorre com vehemen- 
cia. 

PERORAR, V. a. (Lat. peroro, are ; per pref. 
intensit., e oro, are, orar) terminar, con- 
cluir o discurso com peroração. — a causa 
de alguêm, advogar, defender. Arraes. — , 
em sentido abs. ou n. fallar, discorrer com 
vehemencia, emphase. 

PEROSES ou FiRouz, (hist.) Tci sflssanida 
da Pérsia, era filho de Yezdedjerel 1, e ti- 
rou o throno a seu irmão mais velho Uer- 
-mouz. Morreu em uma batalha depois de 
um reinado desgraçado. 

PEROTA, s.f (doCast.) nome de uma ave 
de arribação. 

PEROTE, (geogr.) cidade do México, a 7 
léguas O. de Jalapa. 

PEROviSEU, (geogr.) povoação de Portu- 
gal, no concelho do Fundão, a 7 léguas 
da Guarda, com 1,100 habitantes. 

PEROZiNHO, (geogr.) aldeã de Portugal, no 
concelho de Gaia , a 2 léguas do Porto, 
1,240 habitantes. 

PERPAO. V. Prepao. 

PERPASSAR, V, n. [per pref. transit. epas- 
$ar) passar ao longo de alguma cousa, ir de 
passagem, v. g, perpassando um navio pelo 
outro. 

PERPENDICULAR, ttdj . dos 2 g. (Lat. per- 
pendicularis] que cáe a prumo sobre uma li- 
nha ou superfície, v. g. Hnha — , plano — 
a outro. 

PERPENDICULARMENTE, ãdv. [mentC SUÍF.) 

em direcção perpendicular, a prumo. 

PERPENDicuLO, s. w. (Lat. perpendiculum) 
prumo, nivel. A — , perpendicularmente, a 
prumo. — , pêndulo astronómico para me- 
dir e tempo. 

piBPENNA , (hist.) Romano do partido 
de líario, foi no anno 79 antes de Jesu- 
Christo lugar tenente de M.Emilio Lfpido, 
pae do Triumviro, e depois da morte des- 



te juntou suas tropas ás de Sertório ; mas 
depois cioso da superioridade deste gene- 
ral , fel-o assassinar. Depois deste facto 
foi chefe do exercito da sua victima, mas 
comraelleu muitas faltas, até que se dei- 
xou apanhar e foi morto por ordem de 
Perupés no anno 74 antes de Jesu-Chris- 
to. 

perpetana. V. Barbatana. 

PERPETiNGA, (geogr.) ribeiro na provín- 
cia de Minas-Geraes, no Brazil. 

PERPETRAÇÃo, s f. (Lat. pcrpetratio, onis) 
acto de perpetrar, v. g. — de crime. 

PERPETRADO, A, p. p. de perpetrar ; adj. 
commettido, v. g. crime — . 

PERPETRADOR, «. m. O que perpetra, com- 
mette crime. 

PERPETRAR, V. a. [L&t. perpetro, are) com- 
metter, v. g. — crime, delicto. 

PERPETUA, s. f. (bot.) flor roxa ou bran- 
ca que conserva a côr, ainda depois de sec- 
ca, espécie deamaranto. 

PERPETUA (Sancta), (hist.) virgem chris- 
tã, foi martyrisada em Cartago com Sancta 
Felicidade em 203 ou 205. A Igreja cele- 
bra a sua festa a 7 de Março. 

PERPETUAÇÃO, s. f. O acto dc perpetuar ; 
perpetuidade, continuação em perpetuidade, 
v.g. — dos bens, da pena, do degredo, das 
felicidades. Para — de sua illustre casa, — 
de memoria de tão illustre feito, 

PERPETUADO, A, p. p. de perpetuar ; adj. 
conservado , transmittido em perpetuida- 
de. 

PERPETUADOR, A, adj. que perpetua. 

PERPETUAMENTE, adv. (mewíesuff.) em per- 
petuidade, sem interrupção nem fim. 

PERPETUANA, S.f. (anl.) droga de lã en- 
corpada, de muita dura. 

PERPETUAR, V. a. [LdiX. perpetuo, are ; per 
pref. transit., epeto, ere, buscar) fazer du- 
rar, sem interrupção, fazer perpetuo, v. g, 

— a memoria de pessoa ou feito ; conservar. 

— alguém em cargo, emprego, transmittir 
para sempre, v. g. «quiz — assombros á 
posteridade. » Vieira. — a acção, fazer al- 
guma diligencia legal, para impedir apres- 
cripção da acção ou da excepção, ex. « Fi- 
cará perpetuada esta excepção. » Ordenação 
Aff^ons. 

PERPETUiçÃo. V. Perpetuidade. 

PERPETUIDADE, S.f. [líit. perpetuitãs, tis) 
duração não interrompida, continua e sem 
alteração ; conservação successiva, v. g. n 

— das espécies ; — de fonte perenne. — , 
fundação, instituição perpetua, ». g. — d© 
obras pias. 

PERPETUIZAR. V. Perpetuar. 

PERPETUO, A, adj. (Lat. perpeíuus) conti- 
nuo, sem interrupção nem termo. Parame- 
moria — , que se conservará até ámaisre- 



PER 



PER 



173 



mota posteridade. Movimento — , que não 
cessa. 

Syn. comp. Perpetuo, perenne. Perpetuo 
é o que dura mui largo tempo ou sem fian ; 
perenne junta a esta ideia a d'uma acção 
continua e incessante. Os movimentos dos 
astros são perpétuos e perermes ; perpétuos 
porque hão de durar em quanto durar o 
mundo ; perennes porque diíTundem luz 
continua que nunca cessa. Diz-se que uma 
fonte, um manancial é perenne e não per- 
petuo, porque se attende ao fluxo continuo 
da a2ua, que não cessa no estio, e não á 
perpetuidade de sua duração. 

pERpiGNAN, (geogr.) Perpinnianum em 
latim moderno, cidade de França, capital 
do dep^irtamento dos Pjreneos orientaes, 
sobre o Tet ; 17,018 habitantes. 

PERPLEXAMENTE, adv. {mcnte suff.) com 
perplexidade. 

PERPLEXIDADE, s. f. cmbaraço, enleio, en- 
redo ; irresolução, hesitação, estado de pes- 
soa perplexa. Diz-se das cousas e das pessoas; 
confusão no que se diz oi escrere, estylo em- 
baraçado, ex. « As —5, tão contrarias á li- 
berdade do espirito. » Arraes. 

PERPLEXO, A, adj. (Lat. perplexus, per pref. 
intensit., e plexus, de plccto, ere, dobrar, 
tecer) enleiado, irresoluto, embaraçado, ata- 
lhado, que hesita sobre o que ha-de fazer, 

— no meio desta incerteza, Vieira, e faltan- 
do das cousas ; intrincado confuso. O esta- 
do — das cousas ; o caminho — , cheio de 
rodeios. 

PERPOEM, s m. [doFr.pourpoint) gibão, 
ou veste de abas longas ao uso antigo. 

PERPONTE, s. m. gibão forte acolchoado e 
pespontado para rebater a ponta de lança, 
espada ou outra arma aguda. 

PERPUNTO. V. Perponte. 

PERRA, s.f. [de perro, s. m., cão) cadel- 
la. — , adj. f. (ant.) teimoso, ex. « é a mais 

— velha. » Ferreira, Cioso, 4, i. V. Per- 
ro. 

PERRARiA, s. f. [perro, des. aria) cousa 
que se faz a alguém para o amofinar e fazer 
raiva, grande injuria, aíTronta. 

PERRAULT, (hist.) mcdico o depois archi- 
tecto francez; nasceu em 1613, morreu 
em 1688. immortalisou-se, pelos dese- 
nhos e o risco para o palácio do Louvre. 
J<^,^ irarão, Carlos PerrauU , nasceu em 
1628, morreu em 1703. E' auctor das no- 
ticias soi)re os homens illustres do XVII.° 
século ; o que o tornou celebre foram os 
seus Contos de Fadas. 

PERREGiL. V. Perrexil. 

FERREIRO, s. m. [pcrro, cão, des. eiró) 
eniota-cães de igreja. 

PERRENGO, A, adj. V. Enperrado, Encan- 
zinado. 

VOL, IT. 



PERRENGUE, adj.dos'Íg. (desuâ.) \.Per- 
rengo. 

PERRELX. (geogr.) cidade de França, a 
1 légua E. de Roanne ; 2,600 habitantes. 
PERREXIL, s. m. herva de que se faz con- 
serva em vinagre, que excita o appetite ; (íig.) 
pico, sal. Este sujeito é o — da conversa' 
ção, o que afaz desenfastiada. 

PERRHEBiA, (gcogr.) Pcrrhahia região da 
Thessalia, nas margens do lenôo, entre 
AtraD e o valle de Tempé , era habiada 
pelos Lapithas antes de derrotados pelos 
Lentauros. 

PERRiCE, s. f. [perro, cão, des. ice.) pe- 
ça feita a alguém para o amofinar, fazer rai- 
var. , 
-PERRiN, (hist.) chamado o ahbade Perrin 
autor francez, nasceu em 16 "O, morreu 
em 1680. A sua principal cpera é Po- 
mona. 

PERRO, 5. m. (Cast. perro, cão, do Vas- 
conço ora ou hurra, em Egypc pi, o, ouhor, 
cão.) cão. Ser — velho, fino, matreiro. 7>ar 
alguém a — s, desejar-lhe a morte e que seja 
devorodo pelos cães. Dar-se a — s, desespe- 
rar. A omro — com esse osso, adagio, buscai 
outra pessoa que o creia ou soífra. 

PERRO, A, adj. de perro ou cão; (fig-)obs-' 
tinado, teimoso, emperrado. — , durodesof- 
frer. « É — estado o de requerente. Eufros. 
— , diíTicil de abrir e fechar, v. g. fecho, fe- 
chadura — . 

PERROS gu;rkc, (geogr.) cidade de Fran- 
ça, a 2 léguas N. de Fauniou ; 1,500 ha- 
bitantes. 

PERSA. adj. dos 2 g. da Pérsia. 0$—$,s 
m. pi. 
PERSA, (ant.) V. Prejrea.joia. 
PERSAMi, (geogr.) Bassein dos Birmans, 
cidade do império Birman, a 50 léguas SO. 
de Pegu. 

PERSANTE, (geogr ) rio dos Estados Prus- 
sianos, sae de um pequeno lago aoNO.de 
Neu-Stettin, e cae no Báltico, perto de 
Colberg. 

PERSAMENiA, (gcogF,) Arménia pepa, no- 
me dado á parte da Arménia, pertencen- 
te á Pérsia. 

PERSCRUTADO, k, p. p. de perscruUr ; 
adj. indignado, investigado com curiosi- 
dade. 

PERSCRUTADOR, s. m. (Lat. perscrutator.) 
indagador, investigador, 

PERSCRUTAR, V. a. (Lat. perscruto, are ; 
per intensit. ou transit., esorwío, are, inda- 
gar.) investigar , indagar curiosamente , a 
fundo, com miudeza, v. g. — os segredos da 
natureza ; — os documentos da antigui- 
dade. 

PERSCRUTAVEL, adj. dog 2 g. (des. avel.) 
que se pôde prescrutar, indagar, averiguar. 
44 



174 



PER 



PER 



PRRSEA, f&nt)y. Prwca, joia de preço. 

PERSECUÇÃO. V. Perseguição. 

PERSECUTÓRIO, A, adj . Acção — , (jurid.) 
pela qual se demanda alguém por cousa de 
que elle está de posse. 

PERSEGUIÇÃO, s. f. acto de perseguir, ve- 
xação injusta. 

PERSEGUIDO, A, p. p. de perseguip; adj. se- 
guido por quem pmcura toma-lo ás mãos ; 
vexado, atormentado ; amofinado, imoortu- 
nado. — pelo inimigo, que vai em seu alcan- 
ce, V. g. — pelos fanáticos ; — por um bando 
de requerentes. 

PERSEGUIDOR , s. w. O que persegue , 
«. g. — dos judeus, dos idolatras, dos cíiris- 
tãos. 

P' PERSEGUiMENTO, s. m. {mento suíf.) (p. us.) 
proseguimento , execução de alguma obra, 
feito. 

'PERSEGUIR, t). a. (alterado do Lat. prose- 
quor^ i; pro pref., esequor. i, seguir.) ir no 
alcance de alguém, em seguimento para o 
apanhar. — a caça, o inimigo, (fig ) moles- 
tar, avexar, atormentar de todos os modos. — 
demorte, até a dará alguém. — , importunar 
com soUicitações, v. g. perseguiam-me \m- 
portunos requerentes com repetidas instan- 
cias. 

PERSEMELHANTE, adv. (ant.j V. Semelhan- 
temente: 

'' PERSEO, A, ou PERSIANO, A, ãdj . da Persia, 
natural da Pérsia. 

PERSEO, (mylh.) heroe grega, filho de 
Danae e de Júpiter, que se havia metha- 
morphoseado em chuva d'ouro para a se- 
duzir. Persco foi abandonado ás ondas com 
Danae, mas foi aportar á costa de Sesipho, 
e achou apoio no rei Polydeste ; salvou sua 
mài da brutalidade deste princepe, venceu 
o.> Gorgonas e cortou a cabeça a Medusa, 
viu nascer Pégaso do sangue que acabava 
de derramar e montado neste cavallo li- 
vrou Andromeda, com a qual casou. Teve 
a desventura de matar seu sogro Acrisio 
nos jogos públicos ; succedeu-lhe em Argos ; 
fundou My cenas e morreu em 1397. 

PERSEO, (hist.) rei de Macedónia, filho 
natural de « hilippe V. Foi aclamado rei 
no anno 178 antes de Jesu-Christo, com 
prejuizo de seu irmão, filhr) legitimo de 
Philippe , assassinado em consequência das 
calumnias de Perseo. Foi vencido, e apri- 
sionado pelos Romanos que o deixaram 
morrer de fome na prisão. 

PERSEPA, í. /, (ant.) V. Presepe, constella- 
ção. */ ; * 

PER5EP0US, (geogr.) hoje Tchehil-m,inor, 
isto é as 40 columnas, capital da Persida, 
e de toda a monarchia medo-persa, so- 
bre o Arasco; foi tomada por Alexandre 
QO 4aao 330 aatõ§ 4õ Jesu CUristo. 



'"PERSERIN OU PRiSRENOL, (geogr.) Theran- 
da, cidade da Turquia europea, capital do 
um Livah, junto ao monte Teharlag, a 65 
Uíguas NO. de Salonica ; 15,500 habitan- 
tes. 

PERSEVÃo, 5. m. aparte interior do coche 
onde assentam os pés do que vai dentro. V. 
Pesfíbrão. 

PERSEVE, s. m. (do Fr. ant. perre, pedra, e 
lat sipj, tubo.) marisco de pedia que se api- 
nhoa ; é do comprimento de um dedo, com 
uma unha no cabo por onde se tira de con- 
cha. 

PERSEVEJO, s. m. (do Fr. ant. pers , de 
côr escura livida, ou magro, secco, chato, do 
Gr. perkos, negro ; e viez, feio, asqueroso.) 
insecto chato que chupa o sangue, e que es- 
magado derrama um cheiro mui desagradá- 
vel. 

PERSEVURADAMENTE, ttdv, (mewíe suff.) com 
perseverança. 

PERSEVERADO, A, j). p. dc perseverar; 
adj. que perseverou ; que tem perseveran- 
ça, aturado. «Satisfaz o — costume.» Pi- 
nheiro- 

PERSEVERANÇA, s. f. [Ld^t. perseverantía.) 
constância em continuar empreza começada, 
constância aturada, v. g. -T^nos estudos, nas 
investigações, fios perigos, no infortúnio. — , 
continuação aturada, duração coostante, v. 
g. a — das leis da natureza. 

PERSEVERANCiA, s.f. (Lat. joersccfiraníia.) 
V. Perseverança. 

PERSEVERANTE, adj. dos 2 gí. (Lat. perse- 
verans, tis.) que persevera, aturado, v g.— 
na empreza, nos hábitos, vicios ; constante, 
V. g. -^nas opiniões, na crença, nos traba- 
lhos ; continuo e fervoroso. Oração — . Ca- 
lamidade — , aturada, que não cessa. 

PERSEVERAR, v a. OU w. (Lat. persevero , 
are ; porintensitivo, é severus, severo, serio.) 
persistir com constância no com*^çado, v. g». 
— na rwolução, na empreza, nos vicios, nos 
trabalhos, na teima. 

PERSEVES. V. Perseve 

PÉRSIA, (geogr.) Persia, vasta região da 
Ásia. 



/. Persia Antiga, 



Tinha por limites ao S. o mar das 
índias, e ao N. o Cáucaso , o mar Cas- 
pio e uma linha que junctava a cidade 
Anal ;d'Herat ao Djihoun e o Djihoun ao 
Attok , a O. os montes dos Kurdos e do 
Koristan , a E. as montanhas da índia : 
este vasto espaço compreendia o Tran actual, 
o reino d'Herat, o de Cabul, a confedera- 
ção dos Beloutehis e o S. da Rússia Cauo 



TER 



PER 



175 



casiana. Como Estado a Pérsia tem varia- 
do muitas vezes de extensão. Cyro divi- 
diu este vasto império em 120 governos 
pequenos ; Dario I, separou-a em Í0 gran- 
des governos ou satrapias, a saber: 



1.° Lydia e Pisidia. 
2.° Caria, Lycia e 

Pamphylia 
3.°Phrygia, Cappa- 

docia e Paphlago- 

nia. 
4." Cicilia e Syria 

Septentrional. 
5.° Syria meridional. 
6.° Egypto. 
7.° Transoxiana. 
8.° Susiana. 
9.° Syria dos Rios, 

Babylonia e Assy- 

ria. 
10.« Media. 



11.® Costa S. domar 
Cas|ão. 

12.° Bactriana, 

13.° Arménia. 

14.° Drangiana, Car- 
mania , Gedrosia. 

15.*^ Paiz dos Saces. 

1-6.^ Sogdiana, ária, 
Chorasmia e Par- 
tuienia. 

17." Colchida. 

18.0 Albânia e Ibé- 
ria. 

19.« Ponto. 

20.° Arachosia e ín- 
dia. 



serie_ d'acontecimentos, que dào á Pérsia 
uma antiguidade exaggerada. 



DINASTIAS K SOBERANOS DA PÉRSIA* 



Dynastia fabulosa. Pychdadianoi ou 
Kaiomarianos. 

1 .* Achemenides ou Kaianianos : 



// Pérsia moderna ou Iran. 



Estado da Ásia occidental, limitado ao 
If . pelo império da Rússia, o mar Caspio e o 
Turkestan, a E. pelos reinos d'líerat, de Ca- 
boul e a Confederação dos Beloutchis, ao 
S. pelos golphos d'Oman e Pérsico, a O. 
pela Turquia asiática ; 9,000,000 de habi- 
tantes, capital Teheran. E' dividida em 11 
províncias : 



Províncias. 



Irak-Adjemi 

Tabaristan 

Mazendéran 

Aderbaidjan 

Ghilan 

Kurdistan persa 

Xhonsistan 

Fars ou Farsistan 

Kernian 

Kouhistan 

Khoraçan occidental 



Capitães. 



Téhéran. 

Demavend. 

Sari. 

Ta uris ou Tebriz. 

Recht. 

Kirmanchah. 

Chouster. 

Ghiraz. 

Sirdjan. 

Cheheristan. 

Mesched. 



O clima da Pérsia é muito vario, em ge- 
ral quente , em algumas partes ardente , 
temperado e em algumas partes frio, nas 
montanhas. 

A historia da Pérsia começa em Cyro, 
no anno 538 antes de Jesu-Christo. Antes 
desta epocha os aiinaes persas narram uma 



Cyro 536 

^ambyses 530 

Smerdil-o-ífa^fo 523 
Dario 1.° íílho 

d'flystapes 5Í1 
Xerxes I 485 

(Artaban) M'2 

Artaxerxes I , 

Longimano 4/1 



2.* Reis estrangeiros : 



Xerxes II 


m 


Sogdiano 


424 


Dario 11 Notho 


4?^ 


Artaxerxes 11 , 




Mnemon 


404 


Ocho 


362 


Arsés 


338 


Dario 11, Codo- 




mano 


336 



Alexandre I , o 

Grande 330-813 

I. Intervallo de 323 

antes de J. Ca 2i6 

defois de Jesu- 



Christo preenchido 
por dynastias dos 
Seleucidas e dos 
Parthos ou Ársaci- 
des. 



3.* Sassanidas 

Artaxerxes ou 
Ardechir 
Sapor I 
Hormisdas I 
Varane ouBah- 

ram I 
Varane II 
Varane III 
Narsés 

Hormisdas II 
Sapor li 
Artaxerxes II 
Sapor III - 
Varane III 



Yezdedgerd I 
Varane IV 
Yezdedgerd II 
Peroses I ou Fi- 

rouz 
Balascés 



226 
288 
271 

273 
276 
293 
i96 
303 
3 
380 
38 i 
389 
399 
420 
440 

457 
484 



■) 



Cabad 
Chosroés I., 

Grande 
Hormisdas III 
Chosroés U 
Siroés 
Adezer 

Sarbazas ou 
Schahriar 
Tourandokht, 

rainha -^ 

Kochanchdeh 
Arzoumidokht, 

rainha 
Cosroes 111 
Peroses 
Foroukzad 
Yezdedgerd 

III 



491 

531 
579 
590 

6i8 



^€29 



.632 



632-652 



4.^ Califas do Oriente desde Othman : 

1652-1258. V. Califas. 

5." Juntamente com os Califas , mas só 
om alguns pontos : 

44 ♦ 



Í76 



PER 



Taheridés 820-872 

Soffarides h72-902 

Samanides 902-999 Bouidas do 

Bonidas do Faros 932-10Í9 



Írak-Ad- 

jemi 932-1056 



6.* Ghaznevides na Pérsia e índia 



Alp-tekin 
Mahmoud 



973 Maçoud 
997 



1028 



7.* Seldjoucidas da Pérsia : 

Tagroul 1038 Mahmoud 

Alp-Arslau 1064 II 

Malek-chah 1072 Solimão- 

Barkiarve 1093 chah 

Mohamniod I 1105 Arslan- 

Sandjar ~^ chah 

Mahmoud I >ii[^ Togrol 

Maçoud i 11 
Mohammed II 



1158 

1160 

1161 

1176-1194 



8.« Os Sultões do Kharizm (1187-1225). 
9.* Grandes-khans mogoes. 



'iengis 
Oktai 



1225 Kaiouk 
1229 Mangou 



1242 
1250 



10,* Khanata mogol d'Iran : 



lloulagou 

Abaka 

Ahmed 

Argoun 

Kaudjatou 



1258 Baidou 1294 

1265 Casan ou Haçan 1295 

128 i Aldjapalou 1304 

1284 Abousaid 1317 

1290 Anarchia (133^-60). 



11.^ llkhanianos : 

Hassan-Bouzrouk- (Ao mesmo tompo 

Kekkhan 1336 Djoubanaiios e Mod- 

Aveis 1 1356 haíFerianos). 

Ahmed-Gesair ou Tamerlão 1360-1405 
Aveis II 1381-90 

12.* Turcomanos. 



Dynastia do Carneiro Negro. 



Eskander 1407-35 Geangir 14Ò5-68 



Dynastia do Carneiro Branco. 



Ouzonn-Haçan 146S Roslam 1490 

Yekout 1478 Ahmed 1497 

Djoulaver ll85 Alvant 1497 

Baysingir 1486 



13.» Sophis : 

Ismail I 149.) 
Tharaasp I 1524 
Ismail II 1575 
Khodavend 1j77 
Ilamzad ou 
Mir-Iíemzed 1585 
Ismail III 1585 
Abbiis I o Gran- 
de 1087 



Sefi 

Abbas II 
Solimão II 



1629 

1642 
1606 



Husstíin 16'J4-1722 



Mahmoud 
^schrat 
Thamasp II 
Abbas III 



1722 
1725 
1728 
1732 



14." Desde a queda dos Sophis até á 
epocha actual : 



Nachi-chah 1736 
Ah-KouU-Khan i747 
Ibrahim 1747 

Ismail-chah em 
nome í 747-1761 



mente. Ali-Merdan, 
Azad, Mohammed- 
Haçan). 
Kerim-Va- 
kil 1761-1779 



{mas reinando real- Guerra-civil 1779-94 
15.* Dynastia dos Kadjars : 



Aga-Moham- 

med-Khan 

Feth-Alichah 



Mohammed- 
1794 Chah 1834 

1797 Nereddin-Chah 1848 



PÉRSICO, (golpho), (geogr.) algumas vezes 
Mar Verde; Persicus Sinus^ maré Bahylo- 
nium ou Erythrceum dos antigos, golpho 
formado pelo Oceano Indico na costa S da 
Ásia, entre a Pérsia ao iN. e a E., a Tur- 
quia asiática ao ISO., a Arábia a 0. e ao 
SO., communica com o mar d'Oman a E. 
pelo estreito d'ormuz. 

PERSiDA, (geogr). Persis, hoje Fars, re- 
gião da Ásia, tinha por limites ao N. a 
Media, ao S. o golpho pérsico, a 0. Baby- 
lonia e Susiana, a E a Carmania, tinha 
por capital Persepohs. 

PERSiGAL, s. m. (de porco, quasi porsi- 
gal.) (ant.) possilga, chiqueiro, — , varaJe 
porcos. 

PÉRSIO. V. Pérsico Persiano Persa. 

PÉRSIO, (hist.)iá. Persius Flaccus, ssiyn- 
co latino nasceu no anno 34 de Jesu-Chris- 
lo em Volaterra, era rígido stoico. Morreu 
com 28 annos, no VIIÍ. anno do reinado 
de Nero, no anno 62 de Jezu-Chrislo. Le- 
gou 100,OJO sesterciosa seu mestre, ophi- 
losopho Goraulo. As sátiras de Pérsio são 
6, precedidas de um prologo. 

pERSiSTKSCiA, s. f. (dos. eucia, que de- 
nota duração.) o persistir, permanência, fir* 
me adhesão, v. g. — na opinião, nos senti- 
mentos, na resolução, no mal, na virtude, 
nos vicios. A — do cálix, de certas plantas, 
que subsiste passada a época da florescên- 
cia. 



PER 



PER 



177 



VEKSiSTmTv.,adj.dos2g.{Lail.persislens,{{ig.) clareza do eslylo ou do discurso, v, 

g. liste autor expõe com a maior — os 
assumptos os mais diíTiceis de comprehea- 
der. 

Syn. comp. Perspicuidade, clareza. Pers- 
picuidade é expressão ínais valente, e de- 
nota não só cl.iri'za na phrase, mas uma 
escolha de termos qne pintam as cores lú- 
cidas as ideias. Clareza tem muita analogia 
com perspicuidade, e a diír>írença é delica- 
da. Expor cora clarexa é exprimir-se sem 
obscuridade, em phrase, estylo livre de am- 
biguidade, e de construcção fácil de com- 
prehender 

PERSUADIÇÃ.O, (anl.) V. Persuasão. 

PERSUADIDO, A, /?. p. de pcrsuadir, adj. 
intimamente convencido. Estou, fiquei. — 
O orador tinha — o auditório ; — , das cou- 
sas), — esta enganosa máxima, inculcada. 

PERSUADiMENTO, s. m. (aut.) V. Persua- 
ção. 

PERSUADIR, V. a. (Lat. per transitivo, e 
suadeo, ere, persuadir Cou^^t de Gébelino 
deriva do Hebr. sueh, utilidade, útil, o que 
é inadmissivel. A meu ver vem do Gr. seio, 
mover), inspirar convicção sobre facto, ou 
raciocini ), ou fazer adoptar resolução dis- 
correndo com eloquência, empregando meios 
oratórios, argumentos, gestos, inculcar opi- 
nião. V. g. O orador eloquente facilmente 
persuade o auditório, e lhe faz abraçar a 
opinião que lhe inculca. O aspecto da mi- 
séria não merecida persuade mais que as pa- 
lavras. — SK, V. r. convencer-se, adquirir 
convicção, crer firmemente, v g. — das 
verdades, da realidade dos factos. 

PERsuADivEL adj. [àQS. ivel], que se pô- 
de persuadir (cousa) ; que se deixa persua- 
dir (pessoa), V. g Circumslancias que fa- 
zem — o farto, crivei. Homem — de tudo, 
que facilmente se deixa persuadir. (E' an- 
tiquis ) 

PKRSUASÃc, s. f. [Ldii. per e su,asio,onis). 
crença firme, convicção intima que alguém 
sente ou comraunica a outrem. Este ora- 
dor tem o dom da — . 

Syn. comp. Persuasão, convicção. Per- 
suasão pôde existir sem provas suíBcientes 
V. g. em matérias de religião, de metaphy- 
sica, e muitas vez.^s é meramente conjec- 
tural. A persuasão communica-se muitas ve- 
zes menos por argumentos sólidos que por 
artificio oratório e linguagem que move pai- 
xões. Co n c ícpão r efe re-sc unicamente ao en- 
tendimento, e resulta da comparação dos ob- 
jectos e das ideias pelo raciocínio. 

PERSUASIVEL, ttdj . dos 2 g. (des. ivei.) 
dócil á pe-suação (pessoa), digno de se in- 
cubar, persuadir. Doutrina — . 

PEiísiAsivo, A, adj. (des. úo), que per- 
suade, próprio a persuadir, v. g. Eloquen- 
45 



tis, per transitivo, o sisto, ere, continuar.) 
permanente, durável, que continua a subsis- 
tir. Cálix — das plantas, — no affecto, no 
amor, constante, firme. 

PEHSisTiR, V. a ou n (Lat. per transi- 
tivi>, c sistcrc, coiuinuar.) continuar a su!)sis- 
tir, aturar, permanecer. — , (das pessoas) 
perseverar, insistir, v. g. — na resolução, no 
intento. 

PERSÒA , s. f. (Lat. persona ) (ant.) V. 
Pessoa. 

PERSOAL, (ant.) V, Pessoal. 
PERSOAVELMENTE, (ant.) V. Pessoalmeute. 
PERSOLANA. V. Porcclana. 
PERSOLVER , V. V. (Lat. per intencivo, e 
solvere, pagar.) pagar inteiramente. 

PERSONAGEM, s. m Q f. (Fr. pcrsounagc, 
do Lat. persona, mascara de actor.) pessoa 
autorisada, de representação, pelo seu car- 
go, dignidade, interlocutor de drama. — mu 
da, que apparece no drama, mas que não 
falia. Os antigos o faziam de ordinário mas- 
culino. 

PERSONAL. V. Pessoal. 
PERSONALIDADE, s. f. (do Fr. pcrsonua- 
lité.) allusões oítensivas ao autor de obra 
litteraria ou a orador, v. g. em vez de com- 
bater os argumentos deescriptor ou orador, 
recorreu a — s. E termo moderno e neces- 
sário. 

PERSOONiA, (bot.) género de Plantas da 
famiUia das Protéaceas e da Tetraudria Mo- 
nogynia, L. 

PERSOVEJO. V. Persevejo. 
PERSPECTIVA , s. f. (Fr. pcrspectivc , do 
Lat. perspecto , are , olhar em torno, ao 
longe.J arte que ensina a delinear ou a 
pintar as imagens de objectos debaixo de 
ângulos e com gradação de cores que re- 
presentam aos olhos as distancias e con- 
tornos reaes ; desenho ou pintura feita pe- 
las regras da perspectiva ; o que a vista 
ale nça ao longe; (lig.) apparencia de ob 
jecto mais ou menos próximo no espaço ou 
no tempo; successo provável, v. g. — de 
brilhante fortuna, de prósperos successos. 
(Nunca significou apparencia enganosa, co- 
mo diz Moraes, e unicamente apparencia 
do futuro, fausto ou infausto). 

PERSPECTIVO, A, adj. hábil na perspecti- 
va. Pintor — . 

PERSPICÁCIA , s. f. (Lat. perspacitia.) 
agudeza da vista ; penetração do enlendi- 
mento. 

PERSPICAZ, adj. (Lat. perspicax, eis; per 
transitivo , e spicio, ere, olhar ) agudo da 
vista, e de entendimento, tj g vista — . Ho- 
mem mui — . 

PERSPICUIDADE, s. f. (.Mat. prespicuitãs, 
tis), propriamente significa transparência ; 

VOL. IT. 



178 



PER 



TER 



cia, voz, tom — . As peitas são mui persua-i 
sivas para com juizes corrompidos. Subst. ' 
a des. f. — , arte de persuadir, eloquência 

PERSUASOR, A, adj . G s. pcssoa que instiga, 
procura persuadir, que aconselha. 

pfiRSUASOftíA, s. f. [oria des.) razão pro- 
pila para persuadir. 

PERSUis, (hist.) compositor francez, nas- 
cmi em 1765, morreu em 1819. Compoz 
as operas : Triumpho de Trajano ; e Jeru- 
salém libertada. 

PERsuppÔR, V. Prestippôr. 

PERTENCiMfiNTos, s. m. pi. (ant.j V. Per- 
tença. 

PERTK?íÇA, s. f. parle accessoria, depen- 
de .d« outra annexa aella. v. g Urna quin- 
ta, casa, um prédio com suas — s. Todas 
as — de alguém, tudo o que lhe pertence, 
todos 05 s<íus bens, haveres. 

P«RTt:NÇÃo, V. P retenção. 

Sobre a orihographia deste termo. V. Pcr- 
tender e Pretender. 

PERTENCENTE, alj\ dos 2 Q. (des. do p. 
a. Lat. em eus. tis), que pertence a pessoa 
ou cousa. Os bens —s ao morgado. Os do- 
mínios — a Portugal. — , (ant.) aplo, hfibil 
para cargo, emprego ; — , próprio, v. g. os 
maleriaeíç — para uma obra. 

P£ftTEfíCíiíSTEA5ENTE (aut.) V. Apíomenle, 
Convcnif^níetnenle. 

PERTENCER, V. u (Lat. pcríineo, cre, per, 
eíenco, ere, alcançar), tocar, formar parle 
de aíguui« cousa ou da propriedade de -al- 
guém, v.g. Estas iihas peritncem a Portu- 
gal. — ser devido por direito. Perícnce-me 
esse lugar, eniprego. — dizer respeito, v. g. 
a s-^lijçào dessas questões períenco á phy- 
siología. 

PfiRTEKi)«-KTE. V. Pretendente. 

pEtiTKisoER. V, Pretender. 

So^bre a orfhographia deste verbo c de 
pertenção e derivados faz Moraes a seguinte 
observação. « l'arece melbor orthographia 
que pretender (de per e tcndere, caminhar 
por a-lguraa via ou raeyo, diverso de prccQ 
tcndere), ir diante e pretextar. » Sem du- 
vida se p verbo exprimisse o caminho ou 
meio que conduz a um fim, per seria acer- 
tada orthographia, mas refere se ao objecto 
que se deseja attingir, e por isso deve es- 
crever-se por pre, como em Francez pré- 
tendre. Tendo, ere, significa tender, cpro?, 
diante, verdadeiro sentido do nosso verbo 
que equivale a querer alcançar. 

PERTa, (g-eogr.) cidade d'Escocia, capital 
do condado Perth, na esquerda do Tay, a 
17 léguas iX. de Edimburgo; 2C,000 ha- 
bitantes O condado de Perth situado ao 
S. dos de Aberdeen e de Inverness, ao N. 
do Fritíj, iconia 150,000 habitantes, 

- ■ ,>' I I.'-; ;:■!; > s u' 



PERTHiN,(geogr.]antigo paiz da Champanha 
em França, ao 8. do Argonne, tinha por ca- 
pital Vitry-o-Francez ; está hoje conpreen- 
dido nos departamentos de Marne e do Alto 
Marne. 

PERTiGÀ, s. f. (Lat. pertica, de pergo, 
ere, ectum, avançar), varapao. Pron. pér- 
tiga. 

PERTiGUEiRO, s. m. {pertigo, vara, de*. 
eira), (ant.) alferes, justiça : v.g. — morde 
Santiago, protector d'aquella igreja, cargo 
eminente. 

PERTINÁCIA, s. f. (Lat. V. Pertinttz), gran- 
de tenacidade, aferro a opinião ou resolu' 
ção, perseverança tenaz. Diz-se mais fre- 
quentemente á má parte, aferro a erros , 
ou obstinada negação da verdade. V. Per- 
tinas. 

Syn. comp. Pertinácia, obstinação, lei" 
ma. Coafundem-se ordinariamente estes vo- 
cábulos, e casos ha em que se podem usar 
indistintamente, com tudo póde-se entre 
elles estabelecer a seguinte differença. 

A pertinácia é vizinha da perseverança, 
como disse Cicero : « Pertinácia perseve- 
rantiíB finitima est [de Inv. II, 54). » To- 
ma-se em boa e em má parle, mas quasi 
sempre em má, e pôde definir-se, perse- 
verança teimosa no erro de ma fé, afferro 
á su.n opinião errónea, por isso disse Viei- 
ra, faltando dos herejes : « a pertinácia de 
errar. » 

A obstinação é o effeito d*uma falsa con- 
vicção, fortemente impressa no animo, ou 
d'um empenho voluntário com determinado 
interesse. A teima não necessita de inte- 
resse nem de convicção, basta o amor pró- 
prio mal enteniJido ; é um defeito adquiri- 
do ou arraigado pela educaçã®, ou inhe- 
rente á pessoa inchnada a contradizer a 
opinião ou vontade alheia, e a sustentar a 
sua. 

E pertinaz o que presiste e persevera 
afincadamente numa resolução, como que 
se compraz no erro, e não quer abrir os 
olhos á luz da verdade. E obstinado em 
seu erro aquelle a quem não convencem 
as razões mais cliras e evidentes. E teimoso 
o que, convencido das razões, não cede a 
ellas. E pertinaz o hereje que não quer 
sujeitar-se á autoridade da Igrejí, e per- 
siste de má fé em seu erro. Kstá obstinado 
o Tço que nega seu delicio, por medo do 
castigo. E teimoso um rapaz mal educado 
por pura malignidade de seu viciado cara- 
cter. 

PERTINACÍSSIMO, A, adj . supevl. ds per- 
tinaz, mui pertinaz, emperrado. 

PERT'NAx, (hist.) P. Helvécio, imperador 
romano, nasceu na Liguria no anno 126, 
filho de um liberto, dijtinguiu-se çomoge" 



FER 



PER 



179 



neral na Germânia. Foi aclamado em 193 ; 
foi ínorto pelos çoldados. 

PERTINAZ, adj. doí 2 g. (Lat. pertinaca, 
eis ; per pref. intensit., e tenax, eis, tenaz) , 
apego, aferro tennz á opinião, ao partido. 
v.g. — em defender , sustentar , negar ; — 
defensor, asseverador ; — no erro , na he- 
resia, , — no propósito. 

PERTiNAZMEiíTE , ttdo. [mcute suíT.), com 
pertinaoia. 

PERTINENTE, adj . doí 2 </. (Lat. perlinens, 
tis], que vem a propósito, que quadra bem 
com o assumpto, v. g Artigos — á demanda, 
Ord. AíTons , relevantes, que provados fazem 
a bem da parte que irs produz. 

PERTO, adp. (do Lat. apertus, na acoepção 
de fácil de altingir , que está próximo, á 
mão, de aperio^ ire, ertum, abrir, paten- 
tear, descobrir), na proximidade, v.g, — 
da cidade, do mercado, da igreja. Aqui — . 
— da praia ou á praia, á ribeira. De — , 
em pequena distancia. Vejo bem de — , os 
objectos pouco distantes dos meus olhos. 
Se de — não vês põe-te distante. A villa 
mais — , phrase ellipt., subentende-so que 
fica, está situada. — , quasi í v.g. — de 
cem sacas, de trinta, cavallos, homens; — 
de um mez, anno ; — da noite, próximo á 
noite, quasi noite. São — de seis horas. 

PERTO, usado como adj. m. (aiit ), e hoje 
desus. : ex « ... na mais — fortaleza. » Cas- 
tanh. « ... das mais — povoações. » Barros. 
Os — s, r, (pint.), os objectos figurados co- 
mo míis próximos, os planos dianteiros, t. 
g. Tem melhores os longes que os — «, diz- 
se de pintura que faz melhor effeito vista de 
longe, e de pessoa feia, que o parece me- 
nos vista dy longo. 

pjtRTUCHAR, V a. {pertucha, ar áes.ini.), 
(naut.) metter as velas nos rizes. 

PBRTUCHAS, i. f. pi. (do Ft. pertuis, ita4. 
pertugio, buraquinho), (naut ) buraquinhos 
ao longo das velas por onde se eníiarn os 
rizes. 

PERTUCHOS, *. m. pi. (V. o precedente), os 
buraquinhos da fieira de tirar fio de metal. 

PERTUIS, (geogr.) cidade de França, a 
5 léguas SE. d'Apt ; 4,470 habitantes. 

PERTUis-BRETÃo, (geogr.) estreito entre a 
ilha de He e a costa de França. 

PERTU z, de Antiochia (geogr.) estreito 
entre as ilhas de Oleron e do Ke. 

PERTURBAÇ.Ão, s. f. (Lat. perturbatio, onis', 
per pref. intensit.), grande turbação, desor- 
dem, nas cousas e nas pessoas : ». g. — do 
estado, do espirito, ki perturbações scci&es, 
commerciaes 

PERTURBADAMENTE, adv. {mente suff.), cora 
perturbação, em desordem. 

PERTURBADÍSSIMO, A, adj. supert. de per- 
turbado. 



PERTURBADO, A, p.p. supcrl. de^pertur- 
bar; adj. posto em perturbação. tJ. g. A 
guerra civil tinha — a nação. Cícero ficou 

— vendo o senado cercado de tropa. 
PERTURBADO», s. m. O que perturba. — , 

adj. que perturba .• v. g. — da paz, da or- 
dem. 

PERTURBAR, V. a. (lat, perturho, ate ; per 
pref. intensit.), causar perturbação nas cou- 
sas, nos ânimos e pessoas : v. g. ^ sociedade, 
a paz, a ordem, os ânimos, o juizo ; — a 
marcha, de doença, com medicamentos ou 
tratamento desacertado ; — a- ordem d^s 
proporções (ariíhmetica e geometria), tras-^- 
tornar. — se,í). r., soífrer perturbação,».^.' 

— a pai, o socego publico, ficar confuso, 
atalhado, v.g. — nò meio do discurso.f 

PERTURBATiro, A, adj que perturba (cou- 
sa). ex. «Opiniões —s do socego publico. ^ 
Leide Junho de 1 /69 

PERTUXAR, tj. a. V. Pertuchar. 

PERTUIAS, s. f. pi. V. PertuchQs. 

PERTUxos, s m. pi. V. Pertuclios. 

PERU, s. m. ave domestica bem conhecida, 
t principio chamada gallinha do Peru, don- 
de nos veiu. De ordinário dh-se perum. Pe- 
runs, em vez de perus. 

PERU, (geogr ) designou-se muito tempo 
com este nome uma vasta região da Ame- 
rica do S. que se extcn-iia pelo Oceano Pa- 
cifico e ficava quasi toda compreendida en- 
tre o fquador e o trópico do Capicoruio. 
Tinha por limites a O. o Oceano racifi<x), 
ao N^. o Popayan, a E. os desertos desco- 
nhecidos do Brazil e uma parte das Cordi- 
lheiras, ao S. o Tucuman, o Paraguay, o 
Chiii. Este imraenso paiz depois de ter for- 
mado um império independente sob o do- 
mínio do5 incas, fei um vice-reinado dos 
Hespanhoes e hoje está dividido em duas 
republicas distinctas : o Baixo Peru ou Re- 
publica de Peru ao NO., e o Alto Peru q^l 
republica de Bolívia ao S. 

PERU, (geogr.) republica da .America do 
Sul, limitada ao S. pela do Equador, a 
S, e a ti pela Bolívia, a O. pelo Grande 
Oceano, conta ll,7ÔI,èOO habitantes. Ca- 
pital Lima. 

E' dividida pela forma seguinte em 7 
(Jistrictos : 

SUL. 



^isíricios. 


Capitães. 


Lima 


Lima 


Arequipa 


Arequipa 


Puno 


Puno. 


Cuzco 


Cuzco. 


Ayacucho 


Huamanga 



45 



^ - 



180 



PCS 



NORTE. 



Junin 
Liberdade 



nuanuco. 
Truxillo. 



PERUA, s. /". fêmea do peru. 

PERUANO , A , adj. do Peru , natural do 
Peru. 

PERUCA, s. f. cabelleira. 

PERUGiNoou PERUsmo, (geogr ) território 
do Persa, formava antigamente uma pro- 
vincia dos Estados da Igreja, está hoje 
compreendido na parlo O da delegação da 
Persida. 

PERUGiNO, (hist.) celebre pintor italiano, 
nasceu em 1U6, morreu em 1524, foi 
chefe da escola romana, mestre de Raphael, 
e auctor de bellos quadros, dos quaes o 
mais magnifico é o Casamento da Virgem. 

PERUHiPE, (geogr.) rio na província da 
Bahia. Kasce na cordilheira dos Aimorés, 
no Brazil. 

PERUQUA, s. f. (Fr. perruque). V. Peruca. 

PERuwELZ, (geogr.) cidade da Bélgica a 
4 léguas SE. de Tournay ; 5,^70 habitan- 
tes. 

PERUSA, (geogr.) Verugia dos Italianos 
Perusia dos Latinos, cidade dos Eslados Ec- 
clesiasticos, capital da delegaçàc de Peru- 
sa, perto do Tibre ; 30,000 habitantes. 

PERUSA (delegação de), (geogr.) uma das 
divisões dos Estados Ecclesiasticos, limitada 
ao N. pela d'Urbino e íesaro, a O. pela de 
Viterbo. 

PERVERSAMENTE , ado. (mente suff.) com 
perversidade ; com perversão do sentido. 

PERVERSÃO, s. f. V. o acto dc perverter, 
mudança para estado perversa : v. g. — do 
sentido, alteração delle dando-lhe ura cara- 
cter de maldade que elle não tem. 

PERVERSIDADE, s. f. (Lat. pervcrsitas, tis), 
caracter perverso ; acção perversa ; depra- 
vação em summo grão. 

PERVERSÍSSIMO , A , adj supcrl. de per- 
verso, summamente perverso, depravado. 

PERVERSO, A, adj. (Lat. perversus, p. p, 
de perverto , ere , perverter. Propriamente 
significa trastornado , virado de cima para 
baixo), depravado em summo grão, de pés- 
sima Índole, v.g. Homem — . Costumes—. 
Gente, lingua, índole—. 

PERVERSOR. V. Pervertedor. 

PERVERTEDOR, A, s. pcssoa que pervcrtc ; 
adj. que perverte, corrompe, deprava : v. 
g. — dos costumes, da innocencia. 

PERVERTER, V. a. (Lat. perverto, ere ; per 
pref. transit., contra, e verto, ere, voltar, 
virar debaixo para cima, trastornar, (íig.) 
deitar a perder, arruinar), trastornar, alte- 
rar deteriorando, depravar : v. g. — os cos- 
tumçs, a mocidade, a innçcencia, deitar a 



PÉS 

perder, depravar, corromper ; — o sentido ^ 
altera-lo interpretando-o á má parte. As 
paixões violentas pervertem o juizo. — se , 
v.r. depravar-se, trastornar -se, deteriorar- 
se. V. g. Com a introducção do luxo, e se- 
de de riquezas , perverteram-se os antigos 
costumes. Perverter, v. n. (ant ). V PrC' 
varícar. 

PERVERTIDO, A, p. p. supevU dc pcrvcr- 
ter; adj, trastornado,, depravado, altera- 
do para mal. v.g. Gente—, perversa. 

PERviCAz, adj, dos 2 g. (Lat. previcax , 
eis). V. Pertinaz. 

PERviGiL, adj. dos 2 g. (Lat.), (p. us.) , 
mui vigilante. 

PERviNCA, s f. (bot.) (Lat.) planta com 
folhas como as do louro. 

PERViNCO, A, adj. (ant.) (corrupto do Lat. 
provignus), propinquo, próximo, v, g. Ir- 
mão — , como os primos co-irmãos. 

PERVio, A, adj. (Lat. pervius, per, pref. 
transit., e via), que dá passagem, que se 
pôde atravessar, v. g. Tecido — aos fluidos, 

— accessivel (no sentido moral). 
PES. (ant.) V. Peixe. 

PESA, s. f, (ant.) V. Peso, Pesada. 

PESADA, s. f. (subst. da des. f. de pe- 
sado) , o que se pesa de uma vez e cabe 
na concha de balança grande, v. g. Uma —- 
de assucar, ferro, pao brasil. (l)e ordinário 
é uma arroba.) 

PESADAMENTE , adv. [mentô suff.), cora 
passo pesado, tardamente v. g. Andar, ca- 
minhar —, com peso, gravame, molesta- 
mente. Dormir—, profundamente. Casti- 
gar, reprehender —, com mão pesada, com^ 
aggravação da pena, ou em linguagem mui 
áspera. Receber alguém — , com semblante 
carregado, com má cara, mao modo, fa- 
zendo-lhe mao agasalho. 

N. B. Os antigos usavam deste adver- 
bio na accepção de com pezar, pezadume, 
porque escreviam pezar com s. V. Pezaro- 
sãmente. 

PESADELO, s. m. (do Cast. peso, e duele, 
doej, sonho oppressivo em que a pessoa se 
sente suffocada, e attribue esta sensação a 
corpo pesado que lhe carrega sobre o pei- 
to, u.^. o de um cavallo, de um penedo, 
etc; (fig.) pessoa mui importuna ou cuja 
conversação é summamente fastidiosa. 

PESADÍSSIMO, A, adj. supcrl. de pesado , 
mui pesado. 

PESADO, A, p. p. superl. de pesar; adj. 
que se pesou em balança : v.g. —a ouro, 
posto em equilíbrio com peso igual de ou- 
ro, e (tig.) por mui subido preço, mui ca- 
ro ; que causa peso, moléstia, incommodo. 
v.g. Este homem faz-se — a todos. Não ser 

— a outrem. — carregado de gordura ou de 
humores; oppiimido pelo peso do sangue 



ou cie tumores. A cabeça — , com sensa- 
ção de peso. Golpes — . applicados com for- 
^a. Graças — , offensi\as. Tempo — , ares 
■^Sj q(ie tornam o corpo pesado, pouco 
disposto ao movimento. liosto , semhlanle 
— , carregado. — , ponderado, meditado, v. 
g. Tendo — as razões, os méritos, a justi- 
ça das partes. Uomem — , ponderado, re- 
flectido. Estado — , carregado de obrigações 
deveres de familia. Navio — na véla^ pou- 
co veleiro, ronceiro, — no remo, pouco li- 
geiro. 

PESADOR, A, s. m. o qufi pesa em ba- 
lança. 

pesadumbrk, 

pesadume, s 



pEâ 



m 



(fast.) V. Pesadume. 
m. (des. ume, do Lat. hu- 
mus, solo, chão), peso, sensação gravativa 
no corpo, e principalmente na cabeça ; (fig.) 
pezar, moléstia *, pejo ; cousa molesta, in- 
commoda. Fazer alguma cousa com — , de 
má vontade. 

PESA-LicoR, s. m. instrumento de physi- 
ca e chimica para determinar a gravidade es- 
pecifica dosliquidos, areometro. Dislinguem- 
se os pesa-licores i^diVa os fluidos alcoholicos. 
e os que servem a determinar o estado de 
concentração das dissoluções salinas. 

PESAME ou PEZAME, s. m. [peza-mc, te- 
nho pezar ou sentimento), (mais usado no 
pL], dar os — s a alguém, expressar-lhe o 
nosso pezar pela morte de pessoa que lhe 
diz respeito, 

PESANTE, s. TO. (do Fr. bésant ), moe- 
da antiga de valor incerto. V. Besante. 
PESANTE, adj. dos 2 g. \. Pezaroso. 
PESAR, s. m, V. Pezar. 
PESAR, V. a. (Fr. peser, do Lat. pensita- 
re, frequentat. de pendere, e formado do 
sup. fcnswm, pesado), equihbrar em balan- 
ça, equiponderar, determinar opesod'uma 
cousa pondo-a em equilibrio com padrão co- 
nhecido de peso : — o ouro, a prata, o al- 
godão, acera, o cebo, a agua, a ar) v. g. 

— em balança romana, bydrostatica ; (íig.) 

— as palavras, ponderar; — na balança, 
avaliar» apreciar o mérito. — , (ant.) carre- 
gar, fazer pesado ; (fig.) gravar, ex. « os ví- 
cios que pesam a alma. » Paiva, Sermões. 

— o sol, (naut. e p. us.), tomar a altura. 
— , V. n. gravitar, terpeso, (fig.) fazerpe- 
so, ser gravoso, v.g. O animal pesa dez ar- 
robas. Sobre os hombros do mimsiro pesava 
lodo o governo doestado. — se, v. r. (ant. 
desus.) sentir pezar, ficar pesado, triste. 
ex. « Não lhe fez (el-rei a Diogo Botelho) 
gasalhos, antes se carregou epeíou muito. » 
Couto, Dec. V. 1,2. 

PESARESE, (hist.) pintor e gravador italia- 
no, nasceu em 1616, morreu em 1648, foi 
discípulo e imitador da Guido. 

PESAROSAMENTE. V. PezãTosamente. 

VOL. IT. 



PESARO, (geogr.) Pisaurum, cidade dos 
Fstados ecclesiasticos, capital da delegação 
d'lJrbino-e-Pesaro, perto do Foglia o do 
Adriático, a 6U léguas .NE. de Roma; 14,OUO 
habitantes. 

PESAROSO. V. Pezaroso. 
PESCA, s. f. o acto de pescar, pescaria; 
o peixe pescado ; ooíTicio de pescador. 

PESCADA, s. f. nome do ura peixe vul- 
gar. 

PESCADEiRA, V. peixcira. 
PESCADEiRO, V. Peixeiro. 
PESCADINHA, s. f. díminut. de pescada, 
pescada pequena. 

PFSCADo, A, p. p. de pescar, adj. colhido 
pescando, v. g. Tinham — muito bacalháo. 
O atum — na costa do Algarve. 

PESCADO, s. m toda a sorte de peixe : — 
real, o solho. 

PESCADOR, s m. (Lat. piscator), homem 
que pesca, que vive da pesca. O anneldo 
— , o sello do papa que representa S. Pedro, 
pescador. 

rESCADORiNno,§s. m. diminuí, de pesca- 
dor. Vieira. 

PESCATRA, (geogr.) Pescara em italiano, 
Aternum êm latim, cidade do reino de iNa- 
poles ; a 3 léguas .NO. de Chieti ; 2,500 
habitantes. 

PESCAR, V. a. (Lat. piscor, ari, depoen- 
te, apanhar peixe com rede, anzoes, fisgas, 
harpões, etc, nos rios, lagos, costas ou no 
alto mar : — atum, sardinha, arenques, tru- 
tas, bacalháo, baleias. — , colher do fundo 
do mar, v. g. — coral. — , (fig.) alcançar,, 
apanhar, v g. O tiro o foi — no recanto 
onde se tinha escondido. Pescou muito di- 
nheiro. Pesquei o conteúdo da carta, do de- 
cumenlo, isto é, em um volver d'olhos, de re- 
lance, á sorrelfa, — , (chulo), attrahir. v. g. 
As moças gentis e astutas pescam os homens 
incautos. 

PESCAREJO, A, adj. de pescador, concernen- 
te á pesca. Barco — . 

PESCAREZ, adj. dos 2 g. Y. Pescar e^ 
jo. 

PESCARIA, s, f. (des. ia), pesca, o pescar 
peixe ; ribeira ou mercado onde se vende 
peixe. 

PESCAZ, s. m. (do Lat. pessulus, cavilha) 
cunha que tempera o teiró para o segurar 
no temào, e que aperta o arado com a rá- 
bica. 

PESCENNio, (hist.) C. Niger, general ro- 
mano, natural d'Aquinum, tinha governa- 
do a Syria com bastante prudência, quando 
o seu exercito o proclamou Augusto de- 
pois da morte de Didio em quanto Severo 
era proclamado pelas legiões da lUyria. Em 
vão tentou compor-se com o seu rival foi 
por elle vencido e teve de fugir : os seus 
46 



m 



np 



fEP 



soldados mataram-o perto de Cyzico em 
195. 

PESCHIERA, (geogr.) Ardelica ou Pisca- 
ria, cidade do reino Lombardo Veneziano, 
a 6 léguas 0. de Verona ; 2,400 habitan- 
tes. 

PESCíA^ (geogr.) cidade de Toscana, a 10 
léguas NK. de Florença; 4,000 habitantes. 

PESCINÀ, (geogr.) cidade de Nápoles, a 
11 léguas SO. d'Aquila ; 3,000 habitan- 
tes. 

PESCOÇADA, s, f. (des. ada]f pancada da- 
da com a mão no pescoço de alguém 

PESCOçÃo, s.m. (des. ão, que denota acção) 
pancada com as costas da mão dada no 
pescoço ou no cachaço de alguém. PI. Pes- 
coçôes. 

PESCOCEiRA, s. f. V. Cachaço. 

PESCOCINHO, s. m. diminut. de pescoço, 
— , e muito usado, collarinho de cambraia 
cingido á roda do pescoço dos homens, e pre- 
so detraz com íivéla. 

PESCOÇO, s.m. (doLat 6o5, boi, e Fr. cos 
eólio, pescoço), collo. a parte do corpo entre 
a cabeça e o peito. Ficar pelo — , (Hg.) íicar 
apanhado, proso, como a ave no laço. Poro 
peno—, (fig.) opprimir, subjugar, humilhar, 
■violentar. 

PESCOÇUDO, Aj adj. (des. udo) que tem o 
collo grosso e longo, cu alto. Ave — . 

PESCOTA. V. Pescada, Peixota. 

PESCCDAR, (ant.) hoje popular. V. pes- 
guizar, Inquirir. 

PESEBRÃo, 5. TO. (de pés, e sobre) pavi- 
mento de carruagem onde assentam os pés 
de quem vai dentro. 

PESENHO, A, adj. côr de pez. V. Peze- 
nho. 

PESEPEL10, ou A — , adv. a pospello V 
Pospello. Garção usou d'este termo na ac- 
cepção de a pé, descalço e mal vestido. 



O Nádegas, que viste esfrangalhado 
A péscpello vir da sua aldeia. 



Moraes censura o poeta, e quer que seja 
a pós pello, isto é, a pé ou descalço, e em 
pello. 

PESiNiio, s. m. diminut. de peso, peque- 
no peso. 

pÉsiNHO ou ptóziNiio, s. VI. diminut. de 
pé, pó pequeno, delicado. 

PES-REDONDOS, s. TO. pi. (naul.) paos quo 
formam o contorno interior do carro da popa 
de navio. 

PESMES, (geogr.) cidade de França, a 4 
léguas S, de Gray; 1,:-íOO habitantes. 

PESO, s.m. [Vr. poids, áohal.pondus, de 
pensum, sup. de pendo, erc, pesar) a força, 
com que um corpo carrega sobre outro, ou 



gravita no espaço, amassa de matéria pon- 
derável que constitua um corpo. — especi- 
fico. Porção de metal ou de outra substan- 
cia que serve de Ijpo ou padrão para de- 
terminar o peso dos corpos. — s, pi. as sub- 
divisões ou múltiplos do padrão. JJm — de 
linho, quatro arráteis. — do lagar, a pedra 
que está pendente do parafuso preso na va- 
ra. — de relógio, peça metallica que pende 
da mola de relógio de parede, e cuja oscil- 
lação põe em movimento as rodas. Dinheiro 
de — , que tem o peso de metal prescripto pe- 
la lei. — forte ou cíwro, a pataca hespanho- 
la. A — d' ouro, mui caro, por preço su- 
bido. — , (fig.) tudo o que pesa, carrega, 
se ajunta' em grande massa, quantidade. — 
de agua, grande massa d'ella que faz força 
contra algum corpo solido, v. g. muro, di- 
que, açude. — de humores, que acodem a 
alguma parte do corpo, v g. na cabeça, 
nas pernas. — de gente, grande aífluencia, 
particulariTiente de tropa que cáe sobre o 
inimigo. — , (fig.) ónus, cargo, encargo, v. 
g. o— do negocio, do governo, da batalha 
recahiu sobre elle, o mais diíTicil, árduo. — , 
(fig.) ponderação, importância, gravidade, 
solidez. Razões de — , attendiveis. Homem 
de — , de caracter grave, respeitável. Tomar 
alguma cousa em — , encarregar-se d'ella 
só, sem adjutorio. O dia em — , inteiro, to- 
do o dia. Suster o — do dia, supportar a 
maior parte do trabalho que se faz em um 
dia. Fazer tudo com — e medida, madu- 
ramente, com muita reflexão. Estar a ba- 
talha em — , indecisa. — , casa ondeseve- 
rifica o peso de géneros, e se cobram direi- 
tos impostos segundo o peso das mercado- 
rias que se vendem m peso. V. Ver o peso, 
Aver ou Haver de peso. 

PESO DA REGOA, )geogr.) villa de Portu- 
gal situada na direita do Douro, a pouco 
mais de 1 légua a SO. de Villa-Real, a 
cujo districto pertence, 14 léguas a E> do 
Porto, contem 2,2;i4 habitaníys. 

PESPEGADO, A, p. p. de pcspogar ; aéj. 
assentado, applicado com força, v. y. qua- 
tro bofetões bera — s. 

PESPEGAR, Vi. a. (vulg ) asscutar com for- 
ça, V. g. — um bofetão. 

pESPiTA. V. Âheloa. 

PESPONTADO, A, p. p. dc pcspontar ; adj. 
ornado de lavor de pesponto. 

PESPONTAR, c a, [ponto, ardas, inf.) or- 
nar de lavQF de pesponto. 

PESPONTO, s.m. (d^pós, e ponto) costura 
na borda do panno com pontos encadeados. 
— do ceu, (fig. e desus.) as estrellas. Cha- 
gas, Cartas Espirit. 

PESQUEIRA, s. f. (des. cirã) lugar onde ha 
armações de pescaria. 

PESQUEIRA (s. JOÃO da), (gcogr.) vlUa de 



PE8 



ÍES 



183 



Forlugal , situada perto da esquerda do 
l)ouro, 7 léguas a È. de Lamego, contem 
1,750 habitantes, e todo o concelho 3,400. 

PESQUEIRO, s. m. V. Pesqueira. 

PESQuiZA, s. f. indagação, busc.i, o acto 
de posquizar, inquirir. Fazer — , indagar, 
inquirir, fazer dihgencia. — contra os de- 
linquentes. — , inquirição de testemunha. 

PESQUiZADO, A, p. p. de pesquizar; adj. 
indagado, investigado, inquirido. 

PESQuizADOR, s. íM. O quG pesquiza. 

riSQUiZAR, V. a. (do Lat. perquiro; per 
pref., e qucero, «re , situm, buscar.) inda- 
gar, buscar, procurar com diligencia. 

PESSAC, (geogr.) cidade de França, a 2 
léguas de Bordeaux ; 1,500 habitantes. 

PÊSSEGO, s. m. mais conforme ao Latim 
malum persicum. V. Pécego.. 

PESSEGUEIRO. Y. Peceguciro. 

PESSEPELLO. V. Póspello c Pescpello. 

PESSIMAMENTE , ttdv . [mente sul!".) muito 
mal, do peior modo possivel. 

PÉSSIMO, A, adj. (Lat. pessimus, superl, 
de pejor.) muito máu. excessivamente máu. 

PEssiNONTE, (geogr.) Pessinus, cidade da 
Galacia, entre os Tectosfges, sobre o San- 
gario, a 0. de Gordium, era celebre por 
um templo de Cjbelcs e por uma estatua 
da deusa, a qual se dizia ter caido do 
ceo 

PESSOA, s. f. (Lat. persona, mascara de 
actor, pessoa, personagem, de persenare , 
soar forte, como a voz do actorcom a mas- 
cara.) um individuo, homem ou mulher. — , 
(ant.) ou — alguma, como hoje dizemos, 
ninguém : « palavras de comprimento não 
obrigam a pessoa. « Eufr. i.t ires -s da 
Santíssima Trindade, (thef>l.) distinctas e 
todavia constituindo ui» só Deus, mysterio 
incomprehensivel. Batalha de — a — , ou 
por — , duello, combate singular, campal, 
formal. Prometíer de — a — , de viva voz. 
Ir em — , pessoalmente, o próprio indivi- 
duo. — , (fig.) valor, coragem, brio, esfor- 
forço, habilidade. Cavalleiro, ou homem 
de sua — , esforçado, ou muito de sua — , 
mui valoroso. Fazer de — , (ant) haver-se 
valorosamente. « Fizeram honridamente de 
sua — na peleja.» Barros. «Depois que eu 
fiz de — ,» Lobo, Peregr., mostrei a minha 
habilidade. Metter a — , (no jogo, era ne- 
gocio. — , (fig.) vulto, estatura, corpo. « To- 
da a — do santo penitente desfeita. » Lu- 
cena. Não ter — , não ser bem apessoado, 
ter pequeno corpo, e fraco; (lig,) não ter 
protector, pessoa que o proteja. « A pe 
quena — dos carrascçs em que se cria a 
grãa. » Leão, Descr. E desusflda nesta ul- 
tima accepçào. — , (gram.) o mdividuo que 
falia, de quem se falia, ou a quem se di- 
rige o discurso. A primeira — , eu ; a se- 



gunda, lu ; a" terceira, elle, ella. Nos ver- 
bos, a* pessoas a que se refere a acção ou 
acto são indicadas por modificações nas ter- 
minações ou desinências, com ou sem o adju- 
torio do pronome, v. g. amo, amas, ama, 
amamos, amais, amam, ou eu amo, tu 
amas, elle ou ella ama, nós amamos, vós 
amais, elles ou ellas amam. Ama ou ama 
tu, amai ou amai vós, amo eu, amo elle, 
etc. — , (astr. ant ) V. Aspecto. — , (ant.) 
dignidade, prebenda maior de cabido. Elu- 
cidário. 

PESSOADEGO, s. m. (ant.) o direito deser 
pessneifo ou cabecel do prazo. Elucid. 

PESSOADIGO, (ant.) V. Pestoadega. 

PESSOAL, adj. dos 2 g. (des. a-fj. ai] da 
pessoa, pertencente á pessoa, feito pela pes- 
soa OU á pessoa. Serviço — , feito pelo in- 
dividuo. Citação — , feita á própria pessoa. 
Obrigação, pricilcgios pessoaes, da pessoa, 
annexos á pessoa. Modo — , na grammalica, 
a correspondência das desinências aos pro- 
nomes pessoaes que indicam a pessoa a que 
se refere o verbo ; oppõe-se a impessoal, no 
qual o verbo exprime acção, mas não execu- 
tada ou soíTrida por pessoa ou pessoas, r. 
g. os infinitivos puros ou absolutos, p. ex. 
comer, beber, viver, e os verbos impessoaes, 
p. ex. chove, troveja. 

PESSOALMENTE, adv. (mení^suíT.) em pró- 
pria pessoa, sem intervenção de outrem, v» 
g. comparecer — em juizo. 

PESSOARTA, s. f. (dcs. ia.) (ant.) as acções 
que exerce o cabecel de casal, cm que é enca- 
beçado, por eíTeito do gozar do uul senhorio, 
ou como representante de outros com-domi^ 
nos Elucid. V. Pajseiro. 

pessoavelmente, (ant.)V. Pessoalmente. 

PESsoEiRA , s. f. (ânt.) pessoa que está 
em uma das vidas de um prazo. 

PEssoEiRO, s. m. (ant.) cabedal, cabede- 
leiro. Outros dizem que também significa- 
va um dos senhores communs ou com-do- 
minos da herdade. No Alemtejo significa 
parceiro , consorte , que vera do Fr. ant. 
pcrsonnier ou persoaier, sócio, coherdeiro. 

pestalozz sh. (hist.) celebre philantropo 
suisso. nasceu era 1745, morreu em 1827. 
Depois de ter estudado thcologia e agricul- 
tura dedicou-se á instrucção das classes po- 
bres. D^'ixou algumas obras d'instrucçào, 
entre ellas Leonardo e Gertrudes. 

PESTANA , s. f. raais us. no pi. (do Gr. 
óps, o olho, e teinô, extender, tocar, ap- 
plicar-se.) cabellinhos das capulias dos olhos. 
Queimar as—s, (fig ) estudar muito. — , 
debrum de costura, ou peça estreita pega- 
da á borda. — de viola, a peça de marfim 
posta acima do espelho com regos onde en- 
tram as cordas para ficarem espaçadas, e 
levantadas do tampo. 
46 « 



■m- 



íU 



PU 



Pfjt 



' ^^ 



PESTANEAR. V. Pcstonejar. 

PESTANEJAR , V. ã. OU n. [pestãria, des. 
ejar, do Cast. echar, lançar.) mover as pes- 
tanas. 

PESTANUDO, A, adj , (des. udo.) de gran- 
des pestanas, v. g. olhos- -s. 

PESTE , s f. (Lat. pestis, do Gr. pipt/^, 
cair por terra , ser morlo , do inus. peô.) 
propriamente significa doença que mata 
muita gente ; doença contagiosa caracteri- 
zada pelos bubões que apparecem nos sova- 
cos e virilhas, e pelos estragos que causa. 
— do Levante, assim chamado porque na 
Turquia, Egypto e Syria é, ha muitos sé- 
culos, endémica, e de lá se communicou 
muitas vezes a toda a Europa ; (fig.) diz-se 
de tudo e que traz grande mal, perigo, v. 
g. a hypocrisia e o fanatismo religioso são 
a — dos estados. Também se diz das pes- 
soas. Os ciganos são uma — , gente ni.v 
civa. 

PESTELENÇA ou PESTELEisciA. V. Pesti- 
lência. 

PESTENCIA, PESTENKNCIA, (aut.) V. Pesít- 

lencia. 

PESTii, (geogr.) Contra-Acuicum dos Ilo- 
manos , Pestum ou Pestiniim em latim 
moderno , cidade dos Estados austriacos , 
capital da província de Pesth, defronte de 
Bude ; 50,000 hagitantes. A província de 
Pesth fica entre as do Neagroel, d'Hevech, 
Bais e a pequena Cumania, conta 450,00 j 
habitantes. 

PESTiFERARENTE, ttdv. (mcníe suíf.) á ma- 
neira de peste, com mfluencia pestífera. 

PESTÍFERO, A, adj. (Lat. pestis, peste, e 
fero, levo.) que traz ou propaga a peste , 
que contêm emanações perniciosas , pútri- 
das, damnosas, fótidas, v. g. vapores, ares ' 
— s. — , (tig.) malévolo, damnado. A — in- 
veja. Doutrina — , corruptora, cuja ten- 
dência é extremamente nociva, perniciosa 

PESTILE^XIA, s. f. peste, contagio da peste. 

PESTILENCIAL, adj. dos 2 g . [áus. ãáy ai.) 
da natureza da peste, summamente damno- 
so e contagioso, v. g. emanações pestilen- 
ciaes. CarbvMculo — , contagioso e de na- 
tureza perniciosa. 

PESTiLENCiALMENTE. V. P CS ti feramente. 

PEST LENTE. V. PcstHencial. 

PESTiNENTE, pestinencial, (aut.) V. Pes- 
tilente, Pestilencial. 

pestrumeiro. V. Postumeiro. 

PESTULEíRO. (ant.) V. Epistolairo. 

PEsuEiRO. V. Pisoeiro. 

PESUME. V. Pesadume. 

PESUNHO , s. m. (de pé, e unha, Cast 
pes^ma, ou pesuno, pé, e unha deanimal.j 
pé de porco, e por extensão do sentido, a 
parte inferior das pernas do boi, vacca, jun- 
to á unha. 



PETA. V. Petorra. 

PETA, s. f. (famil.) lograçâo, mentira ío- 
graliva de pouca importância. Pregou-lhe 
uma-^. Moraes o deriva do Ingl. f^iícque 
significa morder, o que não tem a menor 
probabilidade. Talvez venha do Lat. puto, 
are, julgar, crer, ou de Peta, deusa que 
presidia ás perguntiis curiosas. 

PETA, s.f (do Lat. puto, are- cortar, 
podar), a machadinha do podão. 

PETA, s. f. V. Lula, peixe. — nome de 
uma ave que se nutre de insectos. Prova- 
velmente vem do mesmo radical que o se- 
guinte. 

PETA, s.f. (creio que vem do Lat. /jícía, 
f. de pictus, pintado , manchado, (alveit.) 
mancha na córnea do cavallo. 

PÉTALA, s. f V. Pétalo. 

PETALiSMO, (hist.) do gvego pctãlon (folha) 
espécie de julgamento popular usado al- 
gum tempo em Aihenas, consestia em es- 
crever sobre uma folha o nome do cida-* 
dão, que se queria banir. 

PÉTALO, s. m. (Gr. pétalon, folha), (bot.) 
os petalos são as divisões da corolla, quan- 
do ella não é inteiriça. 

PETARDAR, V. a. (do Fr. pètarder], t. de 
bombeiros, applicar o petardo á parte da 
praça que se quer romper. 

PETARDEIRO, s. 'rt. (des. ciro), o artilhei- 
ro que dispõe e despara o petardo. 

PETARDO , s. m. (Fr. pétard, de péler, 
de peidar, fazer explosão), pequeno canhão 
de bronze de feição de um cone truncado, 
que se ataca de pólvora para romper por- 
ias de cidade ou de edificio. 

PETAU, (hist.) em latim Petavius, sabío 
jesuíta Irancez, nasceu em 15S3, morreu 
em lu52. Entre outras obras deixou : De 
doctrina temporunif Matiniarum tempo- 
rum ; Theologica dogmala, etc. 

PETEAR, V. a. {peta, ar des. inf.), pre- 
gar petas, lograr alguém. 

PETCHENEG, (g^ogr.) Cidade da Rússia eu- 
ropea, a l3 léguas E. de Khargov ; 7,000 
habitantes. 

PETEiiENEGUES. (geogr.) chamados lam- 
bem Pazuikita ou Bedjenak, povo turco 
d'origem, sabido do Turkestan, passou o 
Volga,e estabeleceu-se nas margens do 
Don, nas de Dniepr e do Danúbio. 

PETEHORA, (geogr.) rio da llussía euro- 
pea, nasce no governo de Perm, e cae no 
Oceano glacial asiático. 

PETEGAR, V. a. (ant.) peia, de manchada, 
des. gar, do Lat. ago, ere, fazer) , cortar 
rijo com machada. 

pETEiRO,sf.m.(des. eiró), o que prega petas. 

PETERBOROUGH, (geogr.) cídadc d'Inglater- 
ra, a 7 léguas e meia N. deNorthampton ; 
8,600 habitantes. 



Pbt 



PET 



18§ 



pèterHkad , (geogr.) cidade d'Eseo8SÍa , 
10 léguas NE. d'Aberdeen ; 6,400 habitantes. 

FETKRiiOF, (geogr.) villa da Rússia euro- 
péa, a 6 léguas SO. de S. Petersburgo ; 
bOO habitantes. 

PETERRA, s. f. (ant ) moeda de ouro de 
El-Rei D. Fernando, que valia 216 réis. 
Elucid. 

PETERSBURGO, (gcogr.) cidade dos Esla- 
<lo<-Unidos, a 9 legoas S. do lUchmond ; 
6,7410 habithantes. 

PETfiRWARADlN OU PETERVARAS, (geOgr. ) 

em alifiuão Peterivardein, em latim Acu- 
num, C4<lade dos Estados austríacos, capi- 
.tal da regência de Peterwaradin, a ti \e- 
%\ias SE. de Eszeh ; 3,800 habitantes A 
f-cgencia ou districto de Peterwaradin, ó si- 
Ui^n entre o governo de Smyrnia e o dis- 
tricíG dos Tschaikistas ao N., o banato Al- 
lemào a E, a Servia e a Bósnia ao S. 

PETEYAR. V. Petear. 

PETHiON ou PETioN, (hist.) chamado o 
Villa-Nova, maire de iaris, nasceu em 
1759. Foi deputado da assembleia Nacio- 
áaal e da Convenção, pediu que Luiz XVI 
íosse mettido em processo, foi nomeado 
imaire de Paris e tornou-se por algum tem- 
ipo o Ídolo do povo. Foi proscripto com os 
«Girondinos em 1793. Fugiu e morreu nos 
mattos de Bordeos, onde foi encontrado o 
seu cadáver, já muito estragado pelos lo- 
bos. 

PBTiÁ, s. f. (t. brasil.), madeira amarel- 
Itda usada para marchetar, v. g. — marfim, 
«erla espécie que admitte um bello lustre. 
Outros dizem pequiá. 

f»ETiçÃo , s. f. (Lat. petitio , onis, de 
peto, ere, pedir, procurar), acto de pedir, 
pcdimento, requerimento, feito porescripto 
ao rei, ou a tribunal, juiz ou oulra auto- 
ridade. V. g Fazer uma — . A' — do reino em 
cortes, supplica, peditório. Petições. Desem- 
bargador das petições ou aggravos. 

PETIÇÃO DOS DIREITOS, (hist.) celcbrc por- 
posta formulada pelos chefes do partido pa- 
.triotico do parlamento inglez de 1628 e 
.adoptado por Carlos I. As camarás queixa- 
vam-se nella de A abusos, que queriam 
wer cessar; 1.° o vexame de arrecadar as 

• contribuições para o rei ; 2.° os arrestos e 

• detenções illegaes ; 3.° o boleto dos milita- 
ntes ; A.^ as sentenças dos militares. Estes 
.quatro artigos foram objecto de viva dis- 
>.cussão, e tiveram em resultado os llannos 
»de governo sem camará, os quaes prepa- 
raram a revolução republicana de 16^4 a 
.1660. 

PETiCECO, A, adj. (do Fr. petit, pequeno, 
pouco, o cego) que tem a vista mui curta, 
«que vê pouco. 

PETiMETRB, s. m. (Fr. peíit maitre, pe- 

YOL. IV. 



ralta, caa^uilho) E' gallicismo moderno e que 
se deve evitar porque temos para a mesma 
ideia 05 termos peralta, casquilho, adama- 
do, bonifrate. ' 

PETiNGA, s. f. (do Fr. petit, pequeno) pei- 
xinhos usados para isca ou engodo, ou para 
povoar tanques, viveiros; peixe miúdo. 

PETiNGA, s ou aàj. f. (t. Brasil) fedoren- 
ta. Mingua — , o da mandioca puba ou mal 
lavada e de mau cheiro. 7'in^a na linguados 
indígenas significa fedor. 

PKTiNTAL, s. m. (ant.) homena do serviço 
das galés. O Elucidário interpreta calafate 
ou carpinteiro de naus. 

PETioN, (his.) presidente da republica do 
Haiti, de côr preta, nasceu em i770, mor^- 
reu em 1818. Ganhou muito território pe- 
los seus talentos e moderação. 

PETionriLLE, (geogr.) cidade da ilha de 
llaiti, a 3 legoas E de Porto-do-Prmcipe. 

PKTiPÉ, s. n%. (do Fr. peíit, pequeno, e 
pé) escala ou regoa dividida geometricamen- 
te para tomar as medidas a edifício; escala 
graduada que se ajunta a niappas geographi- 
cos, para por ella se medirem as distancias. 

PETis, (hist.) orientalista francez, nas- 
ceu em 1622, morreu em 16ií5. Deixou : 
um Diccionario Francez-líirco, e Turco- 
Francez, e uma Historia de Gcngiscan. 

PETISCA, *. /". [da petiscar) jõ^o de rapa- 
zes : consiste em atirar a uma moeda de co- 
bre posta no chão como a alvo, ganhando o 
que acerta. 

PETISCAR. V. n. (do Lai. peto, ere, bus- 
car, procurar, esca, comida, ar des. inf.) to- 
car levemente, v. g. — na comida, comer bo- 
cadinhos, provar. — no ferrolho, tocar le- 
vemente. — na pederneira, ou — fogo^ fe- 
rir fogo. — , (fig. e famil.) ter noticia super- 
ficial, saber pouco, v. g. — de medico, de 
philosopho ; mostrar signaes, começos. — 
de calvo. E' p. us. neste ultimo sentido. 

PETISCO, s. m. o apparelho de ferir lume, 
a isca, pederneira, fusil, etc. — , (famil. e 
us.) acepipe, iguaria que excita o appelite, 
ou appetitosa, v g. iscas de carne de porco, 
anchovas, sardinhas assadas, t' bom — . 

PETiSECCo, A, adJ. (do Fr. pelit, pouco) 
um pouco, ou meio secco, ex « Kstas arvo- 
res são — s, e de poucas folhas. » Arte da 
Caça. 

PETIT, (hist.) célebre cirurgião e anato- 
mista francei, nasceu em 1674, morreu em 
1750. Deixou um Tratado das doenças dos 
ossos, e outro das Doenças cirúrgicas. 

PETiT-BURGO, (gcogr.) aldeia do departa- 
mento do Sena e Oise em França, a 1 lé- 
gua ao N. de Corbeil. 

PETiTE-piERRB, (gcogr) Lutzelstein, em 
allemão, villa de França, a 3 leguasNÒ. de 
Saverne; 1,300 habitantes. 



1S6 



MT 



PET 



PETiTíS, aij, pi. doê 2 g. (do Fr. petites) 
(ant.) pequeno. Torneses — , moeda d'tl- 
Rei D. Fernando I. 

PETITÓRIO, s. m. (Lat. petitorius, perten- 
cente ao demandante em juizo) peditório, pe- 
tições amiudadas ; districto onde os frades 
mendicantes pediam esmola. — , (jurid.) ac- 
ção em juizo para obter a posse de proprie- 
dade. V. Peditório. 

FETiTOT, (iiist.) celebre pintor genOvez, 
nasceu em 1607, morreu em 1691. Foi emi- 
nente efn miniatura. 

PETIIOT, (hist.) auctor francez, nasceu em 
1772, morreu em 1825. Publicou três tra- 
gedias : A Conjuração de Pison ; Gèta e 
Caracalla í Lourenço de Medíeis ; também 
traduziu algumas do italiano. 

PETiT-RADEL, ( hist. ) cirurgião francez, 
nasceu em 1749, morreu em 1815. Deixou 
um Diccionario cirúrgico, e obras recrea- 
tivas. 

p:éto, a, adj. (ant) {Ld.t. pcetus, um pou- 
co vesgo) Olhos — , que olham de esgue- 
lha, com um geito que lhes dão os namo- 
rados. 

petorra, s. f. (do Fr. ant pietoir, andar) 
pião comprido que os rapazes fazem gyrar 
açoutando-o com um azorrague de trena. 

petra, (geogr.) Araceme, hoje Krak, ci- 
dade dos Nabathéos, a 15 léguas S. do Mar 
Morto, capital da Arábia Betrea no tempo 
do império romano. 

PETRARCHA, (hist.) célebro poeta italiano, 
nasceu em 1304. morreu em 1374. As obras 
mais célebres de Petrarcha são as suas poe- 
sias italianas, principalmente aquellas onde 
exhala o seu amor pela célebre Laura de No- 
ves. Também deixou Cartas e poesias lati- 
nas, entre estas são mais notáveis as Eglo- 
gas e o poema épico da Africa. 

PETRECHAD0, A, p. p. dc pctrechar ; adj. 
provido de petrechos, munições, v.g.&ndiU 
estava bem — . 

PETRECHAR, V. a. (Cast. pertvechar, do Fr. 
ant. trenchier, abrir fosso, minarj prover de 
petrechos, municionar. 

PETRECHOS, s. m. pi. (Cast. pertrcchos] ins- 
trumentos de guerra. — de coxinha, frasca 
do serviço d'ella. — de manufactura, todos 
os instrumentos que servem á fabricação 

PETREio, (hist.) lugar tenente do cônsul 
António, no anno 6'^ antes de Jesu-Chris- 
to, batteu tatiliana em Pistola, foi vencido 
por César na Hispanha em 49 ; assistiu ás 
batalhas de Fharsaia e Tapso ; julga-se que 
depois desta ultima, elle e Juba mataram- 
se para escapar ao vencedor. 

PETREIO, (hist.) historiador dinamarquez 
'do XVI século. E' celebre pelo seu livro in- 
titulado : Cimbrorum et Gothorum origi- 
nes et migrationes. 



I PETRBO, A, adj. (Lat. petreus) de pedra ; 
cheio de pedras pedregoso. Arábia pétrea. 

PETRETTo-E-B'CCHiSANO , (geogr.) villa da 
Córsega, a 4 léguas ao N.Me Sartenne ; ^00 
habitantes. 

PETRiFiCAÇÃo, s. f. acto de petrificar ; cor- 
po convertido em pedra. Metrificações, pi. 
substancias vegetaes ou animaes convertidas 
em pedra. 

PETRIFICADO, A, p. p. dc petrificar; adj. 
convertido em pedra ; — , s. m. um — , pe- 
trificação. 

PETRiFiCANTE, adj. dos 2 g. V. Petrifi- 
co. 

PETRIFICAR, V. a. (Lat. petra, des. ficar) 
converter em pedra. — arvores, ossos, in- 
filtrando nos poros d'esses corpos dissolu- 
ções calcareas. — se, v. r. tornar-se empe- 
dra. 

PETRIFICO, A, adj. que petrifica. Â — ca- 
beça de Meduza, que torna imraovel quem 
a vê. 

PETRINA, s. f. (do Fr. ant. pétrine, peito, 
hoje poitrine) peça de ornato do peito, par- 
te da vestidura ou gibão que cobre o peito; 
cintura. 



Da alva petrina chammas lhe sahiâo. 

Lusiad., II, 36. 



Diz Camões fallando da cintura de Vénus. 
Em muitas edições vem pretina, e talvez as- 
sim o escrevesse o poeta, do Castelhano pre- 
tina que também é termo Castelhano. 

PETROCORis, (hist. )Peírocom povo da Gai- 
lia , primeiramente na Céltica , depois na 
Aquitania 2.^ O paiz que occupava forma o 
Perigord actual. 

PETRÓLEO; s. m. [de petra Lat., pedra, e 
óleo) bilume inClammavel que reçuma das 
fendas de alguns rochedos, asphalto. Óleo 
de — , náphta, usado na medicina. 

PETRONE, (hist.) escriptor latino, natural 
de Marselha, procônsul naBjlhinia, no rei- 
nado de Cláudio, foi um dos favoritos de 
Wero, que lhe deu o titulo de arbiter ele- 
gantiarum. 

PETRONiLHA (Santa), (hist.) vivia em Roma 
no tempo deS. Pedro, ondesoíTreu o mar- 
tyrio. E' festejada a 31 de maio. 

PETROPATLOSK, (gcogr.) cidado e porto do 
do Kamtchatka, frequentado pelos baleeiros 
e navegantes do mar polar. Ha na Rússia 
asiática uma cidade do mesmo nome, a lOO 
léguas ao S. de Tolbosk ; 800 cazas. 

PETROSO, A, adj. (des. oso) pétreo. Ossos 
— s, (anat.) a parte espessa e mais dura dos 
temporaes que encerra os órgãos auditivos. 

pfiTROZADOVSK, (gcogr.) cidade da Rússia 
•uropea, capital do governo d'01onetz, a 70 



PKT 



fiz 



m 



léguas aolHE. deS.Petersburgo; 8,500 ha-ff deraçío dos Seiks, fi 20 léguas ao 0. deAl^ 

lok; 100,000 habitantes. 
PEY0U6A, s. f. (ant.) chispes, pés de poí- 



bitantes. 

PETTAR, (ant.) V. Peitar. 

PKTAU ou PETTAU, (geogr.) Pctovío dos 
antigos cidade da Styria, a 7 léguas SE. de 
Marburgo; 2,000 habitantes. 

PETROPHiLA, (bot.) gcncro de plantas da 
família das Troteaceas, e da Tetrandria Mo- 
nogjnia, 

PETULÂNCIA, s, fi (Lat. petulantia] des- 
pejo, atravimento, desaforo, insolência. 

PETULANTE, adj . dos 2 g. {L&í.petulans, 
tis) atrevido, desaforado, insolente, desman- 
dado ; obsceno, impudico, deshonesto, ex. 
«O gado — , » Camões, Egloga 2, as ca- 
bras lascivas. 

PETULANTEMENTE , ttdv. [mente suff.) 
com petulância , desaforada, deshonesta- 
mente, 

PEUCE, (geogr.) grande ilha formada pe- 
las duas boccas mais septentrionaes do Da- 
núbio Foi durante algum tempo habitada 
pelos Bastarnes. 

PEUCEDANO, s. m. (Lat. peucedanum) fun- 
cho de porco, herva. 

PEUCETIA, (geogr.) P«wc«íia, região de Itá- 
lia, sobre o Adriático, entre a Apúlia pro- 
priamente dita e a Japygia. Os seus habi- 
tantes eram os Pecetes ou Pediculos. 

PEUGADA. V. Pingada, Trilha. 

peurbaCh, (hist ) afamado astrononao aus- 
tríaco, nasceu em 1423, morreu em 1461. 
Deixou uma Theoria dos planetas ; e Taboas 
dos eclipses. 

PEUTiNGER, (hist.) sabio antiquário alle- 
mão, nasceu em 1465, morreu em 1547. 
Compoz muitas obras, entre ellas : Roma- 
nce veínstalis fragmenta in Augvsta Vin- 
delicorum reperta : e sermones convivales, 
etc. *> 'o? • 

PEVENiSET, (geogr.) cidade de Inglaterra, 
a 5 léguas e meia ao SO. de Hastings, 

PEVIDE, s. f. (do Fr. pepin, que M. Ua- 
vier deriva do Gr. pepainô, maturar. Nós cre- 
mos que vem de pejoo. abobra, eintus, den- 
tro. Em pevide o v é substituído a p) se- 
mente de melão, melancia, e de fructo, co- 
mo peras, maçans, laranjas ; doença das gal- 
hnhas que consiste na formação de uma pel- 
licula que lhe forra a lingun por baixo. — , 
defeito de articulação que subsiitue o / aor, 
diíTiculdade em articular. Aão ter — na lín- 
gua, ser despejado em fallar. — de can- 
deia, fagulha. Barros, 

PEViDoso, A, adj. (des. oso) que pronun- 
cia mal por ter pevide na lingua. 

pEviRADA. V. Pivirada. 

PEYA. V. Pêa. 

piTCHAWER OU piCHAOUEB, (geogp.) cida- 
de da Ásia, capital de uma província da 
do Afghanistan , que pertence á confe- 



00. 

PETRAC, (geogr.) villa de França, a 2 lé- 
guas ao NE. de Gourdon ; 1,000 habitan- 
tes. 

PEYRARD, (hist.) mathematico francez, nas- 
ceu em 1760. Traduziu as obras delrchi- 
medes, e os Elementos de geometria de Eu- 
clide. 

piYRE, (hist.) architecto francez, nasceu 
em 1730, morreu em 1785. Escreveu um 
livro, que tem por titulo Obias de Árei^ 
tectura. \\^ 

PEYREHORAD , (geogF.) cidade de França, 
a 5 léguas ao S. de Dax ; l,iOO habitaur 

teS. ryf^ 

PEYHELEAU, (geogp.) cídade de França, a 
4 léguas ao NE. de Milhau; J,OOU habi- 
tantes. 

PEYRiAC-MiNERVEZ, (geog.) cidado de Fran- 
ça, a 5 léguas ao NE. de Carcassona, 1,300 
habitantes. 

PEYROLLis,' (geogr.) cidade de França, a 
4 leguasi e um quarto NE. d'Aix ; 1,000 ha- 
bitantes. 

PEYRON, (hist.) célebre pintor, francez nas- 
ceu em 1744, morreu em 1815. Os seus prin- 
cipaes quadros são : Um Paulo Emílio com 
Perseo a seus pés ; a morte d^ Séneca ; 
Curió e os Samnites. | ; :' ;E3 í 

pEYRUis, (geogr.) villa de França, sobre 
o Durance, a 4 legoas N. de Forcalquier. 

PEYSSONNEL, (hist.) viajante francez, nas- 
cfu em 1700, morreu 1757, percorreu a Ásia 
Menor efoi cônsul em Smyrna. Deixou mui- 
tas Memorias e umai r elação da sua viagem 
ao Lesante. 

PEZ, s. m. (Lat. pix^ eis) resina do pi- 
nheiro, hquida ou concreta. 

PEZ, (hist.) benedictino francez, nasceu 
em 1683, morreu em 1735. Deixou T/i«sau- 
rus anecdotorum. 

PEZ (Jeronymo), (hist.) benedictino, pu- 
blicou Scriptores rerum Austriacarum, , 

PEZADUME, s.m. V. Pezadume, e Pexali, 

PEZAY (marquezde), (hist.) poeta francez. 
nasceu em i741, morreu em 1777. As suas 
poesias foram impressas com o titulo de obra^ 
agradáveis e moraes. 

PEZAME, s. m. (formado do rerbo pezar, 
e me) expressão de sentimento, v. g. dar a 
alguém os — s da morte de pessoa carav ^ 
parente . ,7,a'>í')'-^.,'i ••■ ■ '■>. '< 

PEZAR, s. m. [âoLaX.^gfo, «re, causar 
moléstia, magoa, inccmmodo, sensação pe- 
nosa) sentimento doloroso, em razão de ac- 
ção feita pela própria pessoa, ou por suc- 
cesso infausto ; arrependimento, ». 5». tenho 
grande — do partido que o meu amigo to- 
47 « 



^H 



Míà 



moii, oii —^ cTd conselho que lhe deu. A — , 
(loc. adv.) não obstante, a despeito, v. g. — 
do aperto em que se viu ; — da resistência. 

PEZAR, V. n. e impessoal ter pezar, v.g. 
peza-me ter-vos offendido, não ter seguido 
o vosso conselho. 

N. B. Os antigos em geral confundem 
pezar s. e verbo com pesar, não obstante a 
pronuncia differente do e brando e longo de 
pexar e forte de pesar, em alguns tempos, 
V. g. pêxa-me, pêza-te, e peso, pesa, pese, 
etc. A etymologia pode ser a mesma, deri- 
vando ambos áoYr. peser, ou. Lat. pender e; 
masparece-me que entre peso, ainda no sen- 
tido moral, e pexar, arrependimento, magoa, 
existe differença notável. Dizemos, v. g. te- 
nho um peso na consciência, ou pesa-m« na 
consciência ter dado tal conselho. Peza-me, 
tenho pezar não pode substituir-se nestas 
phrases, epeza-me na consciência seria erro, 
porque o verbo já exprime o sentimento in- 
timo, o arrependimento. 

PEZAROSAMEUTE, adf). [mcnte suff.) com 
sentimento, pezar. 

PEZAROsissíMO, A, adj . superl.,áe peza- 
roso. 

pizAROSO, A, adj. [pezar, des. aso) que 
sente pezar, magoa, pena, penalisado, ar- 
rependido. 

piZEBRÃo. V. Pesebrão. 

PEZENAS, (geogr.j cidade de França, so- 
bre o Herault, a 5 léguas e meia NE. de 
Beziers; 7,970 habitantes. 

piZENHO, A, adj. (des. enho) da côr de pez. 
Cavallo — . 

PEZRON, (hist.) escriptor francez, da or- 
dem dos Bernardos, nasceu em 1636, mor- 
reu em 1706. Deixou Antiguidade dos tem 
pos ; Historia evangélica confirmada pela 
judaica e romana. 

PFAFF, (hist.) theologo protestante, nas- 
ceu em Stuttgard em 1686, morreu em 1760, 
visitou a Itália, a Hollanda, a Inglaterra, a 
França e a AUemanha; foi conde palatino, 
membro dos Estados de Wurtemberg diri- 
giu a edicção da Biblia chamada Bíblia de 
Tubingui, e deixou muitas obras, entre el- 
las Dissertationes antibcelianoe. 

PFAFFENDOBF, (geogr.) villa dos Estados 
prussianos, a meia légua ao M. de Liegnitz , 
300 habitantes. 

PFAf FENHAUSKH, (hist.) cidade murada da 
Baviera, a 2 léguas N. deMindelheim ; 1,000 
habitantes. 

PFAFFENHOFKN, (geogr.) cidade da Bavie- 
ra, a 12 léguas NO. deMunich; 1,800 ha- 
bitantes. 

PFEFFBL, (hist.) jurisconsulto e publicis- 
ta francez, nasceu em i726, morreu em 1807 
Deixou um Resumo chronologico da histo- 
ria e do direito publico de Alleinanhat etc. 



PFEFí-EL (Conrâdoj, (hist.) irínão do-pre^ 
cedente, nasceu em 1738, morreu em 1809. 
Deixou Obras poéticas. 

PFAFFiA, (bot.) género de plantas da fa- 
mília das Araaranthaceas o da Pentandria 
Monogynia. 

PFiNZ, (geogr.) rio do gran-ducado de 
Bade, nasceu no Wurtemberg, e cahe no 
kheno a 2 laguas E. de Graben. 

PFORZHEiM (geogr.) cidade do gran-du- 
cado de Bade, a 7 léguas SE. de Carls- 
ruhe ; 5,500 habitantes. 

PH. Os Romanos, que não tinham o som 
do p aspirado ou ph dos Gregos, nem por 
conseguinte caracter para o designar, sup- 
priram esta falta, não por /, mas por ph, 
que em l'ortuguez e nas mais línguas da Eu- 
ropa se pronuncia /. E' indispensável o uso 
do ph para os termos tirados directamente 
do grego, ou adoptados da transcripção la- 
tina escriptos por ph. Embora mofe Moraes 
da ostentação etymologistica ; não imitemos 
os Italianos eHespanhoes que substituem ao 
ph o f, e seguindo o exemplo dos Francezes, 
Allemães, e Inglezes, escrevamos philosophia 
Phebo, pharo, pharol, e os nomes próprios 
Phidias, Philostrato, Phalera. V. Phalan^ 
ge. 

PHACEA, ('hist.) rei d'ísrael, de 758 a 
726 antes de Jesu-Christo, foi primeira- 
mente general de Phaceia, ao qual usur- 
pou o trono depois de o ter assassniado, 
fez muitas invazões no reino de Judá. foi 
atacado por Salmanazar, e foi morto por 
Oseas. 

PHACEIA, (hist.) rei d'ísrael, successor de 
Manahem, so reinou um anno, de V54 a 
753, foi morto por Phacea, um dos seus 
generaes. 

PHAETONTE , (myth.) filho do sol e de 
Clymena , filha de Júpiter. Tendo aíiir- 
mado Epapho que elle não era filho d'Apo!- 
lo, foi procurar seu pai, para saber a ver- 
dade da sua própria bocca, depois de se 
haver certeficado da verdade pediu-lhe que 
lhe concedesse uma cousa para provar que 
não era seu filho. Apollo jurou pelo Stygio 
não lhe recusar cousa alguma , então Phae- 
tonte pediu para conduzir o carro do sol, 
somente um dia ; Apollo, obrigado pelo 
juramento que fizera, teve de annuir ásua 
louca supplica. A empreza era superior ás 
forças de Phaetonte ; os cavallos mal di- 
rigidos arrebataram-o, abrazaram a super- 
fície da terra e seccaram as aguas. Júpiter 
para pôr termo a estas desordens fulminou 
Phaetonte com um raio e precipitou-o no 
Eridan. 

PHAGfANTHO, (bot.) geuero de plautas per- 
tencente á Monadelphia Decandria, L. 

PHAGNALB» (bot.) genero de plantas da 



PHA 



PHâ»v 



1^ 



famillia das Sytiaathereas, trfbu das lau- 
leas. 

PHALACROLOMA, (bot.) gencro tie plantas 
da fauiillia das Synanthereas e da Synge- 
nesia supérflua, L. 

phalangarchia. s. f. (o eh sôa k : pha- 
lange, e arc/iía) dignidade de chefe de pha- 
lange, na milícia antiga dos Gregos. 

PHALARGE, s. f. (Gr. p/ia/afix. Os lexico- 
graphos não dão etymologia que satisfaça, 
e todavia ella é obvia. E' formado dep«- 
las, perto, e anghô, aperto) corpo de infan- 
teria macedónia de fileiras cerradas e de 
maior fundo que frente. As — s dos dedos, 
os ossos de que se compõem os dedos, por 
que estão dispostos como a phalange, os de 
um dedo a par dos do outro. — diz-se de 
qualquer corpo considerável de tropas, (fig.) 
de quantidade, copia grande : — de hym- 
nos, Garção. Wos antigos encontra-se. Um 
— , masculino. 

Este termo, escripto falange, não permit- 
te acertar com o radical : o p fi o ph, são 
letras que em Grego se trocam uma pela ou- 
tra, mas o digamma Eólio ou f correspon- 
de aowou y, ou á aspiração do e, v.g.em 
hyos, de que os Latinos fizeram ^/úts, eear, 
ér, de que os lonios fizeram bér, os Kolios 
fér, e os Latinos ver, primavera. 

PHALANTE, (hist.) Pkãlantus, Lacedemo-v 
nio chefe dos Parthenios, fundou com elles 
a colónia de Tarento, em 707 antes de 
Jesu-Christo. 

PHALARiCA, s. f. lança que em uma das 
extremidades era involvida em rolo ou man- 
ga cheia de matérias inflamniaveis a que se 
punha fogo, arrojando a arma contra os na- 
vios ou edifícios inimigos para os incendiar. 
Diz-se ter sido inventada por Phalaris, ty- 
ranno de Syracusa. 

PHALARIS , (hist.) tyranno d Agrigento , 
era Cretez d'origem ; apoderou-se do poder 
no anno 506 antes de Jesu-Christo e rei- 
nou 16 ânuos. Tornou-se odioso pela sua 
crueldade e morreu apedrejado pelos seus 
vassalos. 

PHALERO, (geogr ) Phalerus. porto d'Athe- 
nas, a 1 léguas do mar ; só podia receber 
embarcações pequenas. 

phalsbourgo, (geogr.) (isto é villa palati' 
na, Pfahburg), cidade de França, a 4 lé- 
guas NE. de Sasreburgo ; 3,720 habitan- 
tes. 

PHANTAsiA, s. f. (Gr. de phainô, brilhar, 
luzir) V. Fantasia. 

PHANTASiAR. V. Fantasiar, etc. 

FHANrASMA. V. Fãutasma. 

N />. Estes termos deveriam escrever-se 
por ph, mas em Portuguoz, assim como em 
Francez, tem prevalecido & respeito d'elles 

o uso do /. /. ,,« ,:" ' 

roL. IT. 



priANtASHAGORiA, s. f. {phaníasmQt 6 úgo-' 
ra, assembleia) espectáculo era que por meios 
ópticos se fazem ver em sala escura espec- 
tros e figuras, sendo perfeita a illusão. 

PHARAMONDO, (hist.) personagem duvidot,, 
sa, que por muito tempo se julgou ter sido 
o primeiro rei de França, não foi mais do 
que um chefe ou duque dos Francos, so 
realmente existiu : dão-no por filho de 
Marcomir e suppõem que passou o Rhe- 
no em 419, avançando até Tongres ou Tro- 
ves. 

PHARAÓ, (hist ) nome commum á mui-r 
tos reis do Ègyplo. A Biblia designa com 
esto nome dez reis differenles. Os mais co- 
nhecidos são aquelles, de quem José ex- 
plicou o sonho ; aquelle que começou a 
perseguir os Hebreos, o que fez morrer to- 
dos os recem-nascidos ; aquelle que foi in- 
timado por Moyses para deixar sair os He- 
breos, este ultimo foi pai deSesostris. , ^ 

pnARASHAKK , (hist.) nome commum a- 
sete reis da ibéria, que reinaram do i ao 
VI século depois da Jesu-Christo. O único 
notável é Pharasmane I, que reinou do 
anno 35 ao anno 54 de Jesu-Christo. Foi 
alliado dos Romanos, fez guerra aos Par- 
thos, a qnem conquistou o reino. 

PHARBETiTE, um dos noices do Baixo- 
Egypto, tirava o seu nome de Pharbele, a 
0. do braço bubastico do Nilo. 

PHARETRAR, V. a. (Lat. pkaretra, aljava) 
V. Settear. .k-t 

pHARiSAico, A. adj. de phariseo ; (íig.) Caj^ff 
so, hypocrita. _ í,p 

PHARiSAiSMO, s. m. (des. timo) doutrina 
e moral corrompida dos phariseos, hypo- 
crisia. 

PHARISEO, s. m. eniergão de palha, cha- 
mado iambem judeu. 

PHARISEOS, (hist.) Pharismi, seita judai- 
ca opposta á dos Saduceos, destinguia-se 
pelo seu zelo excessivo nas praticas exte- 
riores do culto e pelo seu. espirito arden- 
te de prosélytismo. Os Phariseos gosavaca 
grande auctoridade em Jerusalém e perse- 
guiam os inovadores. Josuó atacou-os em 
mais de uma occasião e accuzou-QS de 9^t» 
gulho e d'hypocrisia. 

PHAR3IACEUTICA. V. Pharmacia. 

PHARMACEUTico , A, adj. quo respeita 
á pharmacia, v. g preparações pharmaceu- 
ticos. 

PHARMACEUTICO, s. 'i'. boticario. 

PHARMACIA, s. f. (Lai., do Gr. pharmakon, 
medicamento) parte da medicina que trata 
dos medicamentos simples e compostos, e 
ensina o modo de os preparar 

PUARMACOPKIA, s. f. (Lat pkarmacopísia) 
livro que contem adescripçào dos medica-» 
mentos o jpethodos de os preparar., ^ ^ ^|^ 
4tí ■ 



5' 



190 



PHA 



PHB 



^PHARMACOPOLA., *. m. (Lat.)| V. Boticá- 
rio. 

IHpharmagopolia. V. Botica. 
, _,^PHARNABAZO , (hist.) nome muito com- 
mum no antigo império dos Persas. Um 
Pharnabazo, satrapa da Phrygia, ateou a 
guerra do Peloponeso, foi por muito tem- 
po favorável a Sparta, foi batido por Alci- 
bíades nas batalhas d'Abydos e de Cjzico 
foi depois amigo d'Athenas, e alcançou com 
Cenon a victoria de Guido em 394. 
' PHARNACES, (bist.) rei do Ponto, filho de 
Mithridates e avô de Mithridates-o-Grande. 
Fez guerra a Eumenes, rei da Pérsia. 

PHARNACES II, (hist.) rei de Bhosphoro 
Cimmerio, filho de Mithridates-o-Grande , 
traiu seu pai a favor dos Romanos, e su- 
biu ao trono de Bhosphoro em 64 antes de 
Jesu-Christo. Tentou reconquistar os Esta- 
dos de seu pai, mas foi atacado por Cezar 
e perdeu a batalha de Zéila. 

PHARO, s. m. (Lat pharus ou pharos, do 
Gr. phaneros, apparente, visivel) pharol, tor- 
re alta com pharol para indicar aos nave- 
gantes baixos, bancos, entrada de porto, v. 
é: ò-^áe Alexandria, deMessina. — , (fig.) 

PHAROS, (geogr.) Pharos, pequena ilha 
próxima ao porto d' Alexandria, foi reuni- 
da ao continente por o anno 28 :» antes de 
Jesu-Christo, e foi ornada com uma alta 
torre, no cimo da qual se accendiam fachos 
para de noute guiar os navios ; este apare- 
lho tomou o nome de pharol, que depois 
se entendeu a todos os edifícios do mesmo 
género. 

PHAROL, *. m. (de pharo e luz] o fogo ou 
luz que de noite se acende nos pharoes para 
sèr avistada de longe pelos navegantes ; (fig.) 
guia. 

PHARSALiA, (geogr.) Pharsalus ou Phar- 
salia, hoje Tersa, cidade da Thessali?, a 
Ei d'Epidano e perto d'Enipea. -'a^ « ' 
^ iPHASE, (geogr.) Phasis , rio da Colchi- 
dá, nascia na Arménia, corria a E e a O. 
e caia no Ponto- Euxino. 

PHASES, s. f pi. {(jr.phasis, apparencia, 
de p^ainô, 'brilhar) (àstr.) apparencias diver- 
sas da lua e dos planetas illuminados pelo sol; 
(fig.) mudanças, variações. As — da revolu- 
ção. Moraes diz que fazes é melhor orthogra- 
phia. Nâo pode haver maior absurdo que 
confundir este termo com o verbo fazer. 

PHATiosiM. V. Emphyteusis. De — , per- 
petuamente. "";^ '^' ' 

PHATMETICO ÒU PHATNITICO, (geOgr.) pro- 

íongamento do braço Athribitico do Nilo. 

PHAYLLO, (hist.) general phocio, irmão 
d'Onomarco , succedeu-lhe no comman- 
dó dos Phoceos, durante a guerra sa- 
i^ , YWCietj m Beoeios m aono 'áb% 



antes de Jesu-Christo e saqueou o templor; 
de Delphos. Morreu pouco depois. 

PHAZANiA, (geogr.) Phazania, hoje Fez- 
zan, região da Lyb\a interior, perto da pe- 
quena Syrta. 

PHAZES. V. Phases. 

PHEACios, (hist.) nome dado na Odyssea 
aos habitantes da ilha de Corcyra, que ti- 
nham Alcinous, filho de Phean por seu 
rei. 

PHEBE, s. f. {Làt. PhcBbe, do Gr phoibos^ 
claro) (poet.) a lua. 

PHEBEO, A, adj. (poet.) de Phebo, do sol. 
Alampada — , o sol. Camões. 

PHEBO, s. m. (l.at. Phcíbus, do Gr. phoU 
bos, claro, lúcido) (poet.) o sol, Apollo. 

PHEDON, (hist.) philosopho natural d'Elis, 
discípulo e amigo de Sócrates. Sendo na sua 
mocidade apanhado por piratas, foi comprado 
por Sócrates, que o admittiu ás suas lic- 
ções depois da morte de seu mestre voltou 
á pátria, onde fundou a escoUa chamada 
d'Elis, a qual se destinguiu pela fidelidade, 
com que conservou as doutrinas de Sócra- 
tes. 

PHEDRA, (myth.) Phoedray filha do rei de 
Greta, Minos edePasiphaé, e irmã d'Ariad- 
na, casou com Theseo, reid'Athen8s. Con- 
cebeu violenta paixão por liyppolito, seu 
genro, e como elle lhe não correspondes- 
se, accuzou-o de a ter querido seduzir e 
foi assim causa da sua morte. Pouco depo- 
is enforcou -se de desespero. 

PHEDRO, (hist.) Phosdrus, philosopho epi- 
curiano ; florescia em Athenas 5U annos 
antes de Jesu-Christo. Foi um dos mestres 
de Cicero. Entre outras obras compoz ura 
tractado Da natureza dos deuzes. 

PHEDRO, (hist.) fabulista latino, nasceu 
na Pieria no anno 30 antes de Jesu-Chris- 
to foi levado como escravo a Roma, e foi 
liberto de Augusto ; perdeu a sua fortuna, 
por ter atacado um grande personagem/t 
que se julga ser Sejano. e morreu no an- 
no 44 de Jesu-Christo. Deixou cinco hvros 
de Fabulas, os quaes são notáveis pela pu- 
reza d'estilo, pela franqueza e grandeza de 
pensamentos. 

PHEGEO, (hist.) Phegeus, rei da Arcádia, 
recebeu Alcmeon, depois de ter morto sua 
mãi admittiu-o a expiação e deu-lhe em 
cazamento sua filha Alpheribea. 

PHEMio, (hist.) poeta latino, casou com 
Critheis, quando ella estava gravida d'Ho- 
mero, e foi mestre deste menino. 

phenaS, s, f. aves filhas dos halietos. Ar- 
raes, I, 15. 

PHKNiciA, {geogr.) Phoenicia, pequena re- 
gião da Syria, entre o Anti-Libano e Oj 
mar, extende-se desde a embocadura d<jí - 
Elôutherio ao H., até á do Mnt ao S, ô^ 



PHI 

PHENlcopTERO , s. m. (Lat. phcBnicopte- 
rus, de phcsniceus, de côr vermelha, elír. 
teroriy aza.) pássaro que tem aspennas das 
azas vermelhas. 

PHENicopTERO, (h. n.) gBnero de pássaros 
da ordem das gralhas, 

PHENII ou PHENIS, S. f. 0\im. {^TOn. fé- 

nix, ou fénis ; Lat. phcBnix, do Gr. phoinixy 
tAmãra, côr vermelha, como a do fructo.) ave 
fabulosa, que se dizia viver muitos séculos, e 
depois de morta renascer das suas cinzas. E' 
emblema solar allegorico , e provavelmente 
designava a renovação do cyclo ou período 
solar allegorico composto de 1461 annos de 
365 dias ; (fig.) cousa singular, única da sua 
espécie ; pessoa de raro engenho, v. g é um 
— . Raphael é o — dos pintores modernos. 

Não muda no plural. A ave symboli- 
ca é representada com pés vermelhos. Pín- 
tavam-a do tamanho de uma águia , com 
bello martinete sobre a cabeça, ps pennas 
do pescoço douradas, a cauda branca com al- 
gumas pennas escarlates e os olhos brilhantes. 
Segundo a Mythologia quando vê aproximar o 
seu fim este pássaro forma um ninho com 
plantas aromáticas, expõe-o aos raios do sol, 
sobre elle se consome; da medula dos ossos 
nasce um verme do qual se forma outra phe- 
nii, O primeiro cuidado do filho é render 
ao pai as honras da sepultura ; forma com 
myrrha uma massa á maneira de ovo, me- 
te-lhe dentro o corpo do pai e leva-o a 
Heliopolis ao templo do sol. Julga se ser 
a fabula da phenix uma espécie de symbo- 
lo da imqaortalidade da alma. 

PHKNix, (hist.) filho d'Amynto, rei dos 
Dolopes, seu pai mandou arniscar-lhe os 
olhos em castigo de um crime, que falsa- 
mente lhe imputaram ; recobrou a vista cora 
remédios, que lhe deu Chiron, foi paestre 
d'ichiUe8 e seguiu-o a Tróia. 

PHENOMENO, s. m. (do Of. phaitiomai, ma- 
nifestar-se, apparecer.) apparencia de astro, 
astro que se mostra de novo ; eífeito natural, 
V. g.os —$ da lua, electricidade, da vegeta- 
ção. Escripto por f, como quer ¥oraes, pare- 
ceria vir de feno, em Lat. fcsnum, ou de fe- 
nus ou fanus, usura, juro de dinheiro, e do 
Gr menô, durar, permanecer. 

PHERKCRATES , ( hist. ) poeta comíco de 
Athenas, no anno 420 antes de Jesu-Cris- 
to compôz 17 ou Í3 comedias, de que so 
nos restam alguns fragmentos, entre outros 
um trecho de uma peça, intitulada Chiron. 

PHEEECYDEs, (his.) philosopho grego nas- 
ceu no anno iiOO antes de Jesu-Cristo na 
iUja dô Syros, abriu uma escola em Samos, 
e, contou Pythagoras no numero de seus 
discipulos. Murreu de idade muito avan- 
çada. 

PHERBs, (^ogr.) V9k9tin9f cidade da 



PHI 



mt 



Thessalia, perto de Magaesía, a algacaas 
milhas da costa, tinha por porto Pagases. 

PHERESEOS, (hist.) um dos povos, que 
habitavam a terra de Chanaan, antes do 
estabelecimento dos Hebreos neste paiz ; 
viviam nas duas margens do Jordào ©ao 
N. de Sichem. Foram exterminados pelos 
Israelitas. 

PHERETRO. V. Féretro. 

PHERON, (hist.) rei do Egypto, filho de 
Sesostris, succedeu a seu pai no anno 1600, 
e não fez cí>usa alguma digna de menção. 

PHiDiAs, (hist.) e mais celebre estatuário 
da antiguidade, nasceu em Attica, no aia-. 
no 498 antes de Jesu-Cristo, morreu ^m 
430, executou a estatua de Minerva guer- 
reira, de Minerva poliade, de Minerva lem- 
niana. de Júpiter olympico, etc; foi nomea- 
do superintendente de todos os trabalhps, 
de arte empreendidos por ordem do pqvpi,., 
e de acordo com Péricles fez muitos bel-' 
los monumentos. Morreu desterrado em 
Ehi. 

PHiDON, (hist.) tyranno de Argos no an- 
no 667 antes de Jesu-Cristo inventou a ba- 
lança, e foi o primeiro que fez juijitH^. 
moeda de prata. -... ;.^.,^.-. .^' 

PHiGALiA, (geogr.) cidade da Arcádia ao 
S., entre os rios Nedí^ e^ ,J.ymax^ hqjoP.au;- 
litza. .. .,,,\, ■,■ .-;.,». „Wvv'- 

PHiLA, (geogr.) Tachompso gp^ antigos 
Egypcios, Geziret-el-Heif ou El-Birbé dos 
Árabes, ilhas do Alto Egypto, a 1 quarto 
de légua S. de Syena. 

PHíLACTERTAS. V. Phylãcteria^. 

PHiLADKLPniá, fgeogr.) Philadelphia, ho- 
je Alachekr, cidade d» Lydia, ao pé do, 
monte Tinolo, foi construída por Attalo 
Philadelpho, rei de Pergamo. Na Palestina 
também havia uma cidade chamada Philurr; 
delphia, ho^e Ámmon. , , , 

PHILADELPHIA, («eogr.) cída^o dosJEs;t%fí 
dos-Unidos da America do Nort« a 50 lè-, 
guas NE. de, m^hington ;. ??^,830 habjr^ 
tantes. m^o 'A .Ov ohm ou . i r.n 

PHILANTHROPTA ou PHILAIlT*(9PlA,í./'. (^aj^*. 

do Gr. philosi amigo, e anthropos, ^pm^np.) 
amor da humanidade, beneficência. „^, 

pHiLANTHRopico, A, adj. b«i?efiço, diriginj 
do pela philanthropia, v, g. instituição —-.i^n 

pHiLANTHROPO, s í». amigodafeiipfti>kÍIWL 
de.y. Philanthropia. , . •■] ^ ^m«íí.í,'.; ( 

PHTLASTERIAS. V. Pkylacterias. 

PHiLAUciA, s. f. (Lat. philautia, do Gr. 
phileò, amar, e autos, o mesmo; propH^)i 
amor próprio excessivo, egoísmo. r 

PHiLAUcioso, A, vdj. (des. oso.) cheio do 
phílaucía, egoísta. . 

PHii.RLPHO, (his.) sabú) italiapo, nasceu 
em là98, morreu em 1481. Deixou muitos 
escriptos em proza e em tww» (çatyras, fe* 
48 ^ 



m 



PH! 



f i 



bMi/etò.f e Sígutnas traducções do Gre- 
go. 

PHiLEMON, (hist. ) poeta cómico grego, 
nasceu em Soles na Cilicia no anno 320 
antes de Jesu-Crislo quasi que igualou Me- 
nandro. Compoz mais de 80 peças, de que 
50 nos restam alguns fragmentos. 

PHILEMON, (hist.) grammatico do XII. sé- 
culo, e auctor de um Lexicon technologico. 

PHILENES, (geogr.) Philosnorum arm, ci- 
dade d'Africa sobre o mar, entre Carthago 
6 Cyrene. 

pHiLESiA, (bot) Género de Plantas da fa- 
millia das Asparagens e da Hexandria iMo- 
nogynia, L. 

PHiLÉTERO, (bist.) PhiloBterus, fundador 
do reino de Pergamo, era um eunuco pa- 
phlagonio. Nomeado por Lysimaxo gover- 
nador de Pergamo , apossou-so do poder 
nesta cidade, no anno ^83 antes de Jesu- 
Cristo. Governou pelo espaço de 20 annos, 
mas sem tomar o titulo de rei ; deixou os 
seus estados a Eumenes, seu sobrinho. 

PHiLiBKRTÀ, (bot.) Género de Plantas da 
famillia das Apocineas, e da Pentandria Dy- 
gynia, L. 

PHILIPON DE LA MADELElNE, (hist.) Sabio 

francez, nasceu em J734, morreu em 1818. 
Deixou muitas obras úteis, entre ellas : Dic- 
cionario portátil das rimas ; Homonymos 
francezeSy etc. 

PHiLippE (S.), (hist.) um dos doze após- 
tolos, nasceu em Hethsaida na Galiléa, foi 
um dos primeiros chamados por Jesus e 
seguiu-o até aoJardim das Oliveiras. Depois 
da descida do Espirito Sancto, foi pregar 
o Evangelho na Phrygia, aonde morreu no 
anno 80. É commemorado no 1.° de maio. 

PHiLiPPE (S.) , (hist.) um dos sete disci- 
pulos que os apóstolos escolheram para 
desempenharem as funcções de diácono. 
Depois da ascenção de Jesu-Cristo pregou 
o Evangelho em Samaria, a onde fez nu- 
merozas conversões. Morreu em Cesárea, 
na Palestina, no anno 70. É commemora- 
do a 6 de junho. 

PHiLippE, (hist.) Cinco reis da Macedónia 
usaram este nome : Philippe I. (B09-576 
antes de Jesu-Cristo) ; Philippe II (360-336 
este foi o mais «elebre) : Philippe III ou 
Arriíleo (323-3 7) ; Phihppe IV (221-178). 

PHILIPPE , (hist.) rei da Syria, um dos 
últimos Seleucidas, filho de Antiocho VI II, 
foi aclamado rei no anno 93 anl«?s de Jesu- 
Christo, e sem cessar teve guerra com os 
seus competidores, An»iocho X, Antiocho 
XI, Antiocho XII. Foi deposto para sem- 
pre e pela segunda vez pelos «eus vassallos, 
no anno 80, e morreu como simples parti- 
cular no anno 57. 

PHILIPPE, (hist.) filho de Herodes o írmn- 



dé,'''M ãâ! SmMj obteve de Augusto, no 
anno 1.° de Jesu-Christo, o titulo ás Te- 
trarcha com muitas províncias do reino da 
Judea ; governou-as com prudência e mor- 
reu no anno 33 de Jesu-Christo. 

PHILIPPE, (hist.) appeli-lado o Árabe, Mar- 
co Júlio Philippe Árabe, imperador roma- 
no, nasceu .em Bosra, filho do um chefe 
de salteadores. Elevou-se pela sua cora- 
gem e talentos aos primeiros postos do ex- 
ercito ; aproveitou a sua influencia sobre 
as tropas para as revoltar e depois de fa- 
zer assassinar Gordiano, tomou o titulo de 
imperador em 244. Fez paz com os Persas 
cedendo-lhes a Mosopotamia, repelliu uma 
invasão de bárbaros e foi a Roma, aorde 
celebrou os décimos jogos seculares. Phi- 
lippe foi vencido e morto em Verona em 
2^9 por Decio, ao qual elle tinha enviado 
contra os seus competidores. 

PHILIPPE I, (hist.) rei de França, filho de 
Henrique I ; succedeu-lhe em 1 060 , na 
idade de oito annos, sob a tutella de Bal- 
doino, conde de Flandres. Em 1092 foi ex- 
commungado por ler repudiado Bertha pa- 
ra cazar com Bertrade, casada com o con- 
de de Anjou. Dez annos esteve sob o peso 
desta sentença, que excitou muitas revoltas, 
no fim delles submetteu-se mas o seu po- 
der estava tão abalado, que teve de asso- 
ciar no governo seu filho, Luiz o Gordo. 
Morreu em 1108. 

PHILIPPE II, (hist.) chamado P/ii/ijopeAu- 
gusto, rei de França, filho de Luii Vil, suc- 
cedeu-lhe em 1180, na idade de 15 annos. 
Uniu-se ao sangue de Carlos Magno pelo 
seu casamento com Izabel de Hainaut, que 
lhe trouxe em doto o condado de Artois , 
encheu o seu thesouro por cruéis persegui- 
ções contra os Judeus, e fez algumas guer- 
ras felizes e brilhantes contra alguns vas- 
sallos poderosos. Reclamando depois os seus 
direitos sobre o Vexino, que um casamen- 
to tinha dado a Inglaterra, luctou com van- 
tagem contra Henrique II excitando seus 
filhos contra elle. Pj3r morte deste prínci- 
pe uniu-se estreitamente com Ricardo-Co- 
ração-de-Leão , e empreendeu com elle a* 
terceira cruzada. Chegados á Sicília os dou» > 
reis entraram em desarmonia. Todavia Phi- 
lippe continuou a sua marcha para a Ásia 
e teve gloriosa parte na tomada de S. João 
d'Acre ; mas voltou pouco depois para Fran- 
ça , aonde suscitou inimigos a Ricardo, 
íjuando este príncipe voltou a Inglaterra, 
rebentou a guerra entre os dois rtis , em 
quanto Ricardo foi vivo , Philippe não le^t 
vou a melhor , mas depois da sua morte ,d 
alcançou algumas vantagens sobre seu suc^^ 
cessor João-sem-Terra. Em 27 de Julho de 
i2l4 ganhou a batalha de Bouvines ao du- 



que dr, P|j»n*iro3, «jícád-sera -Torra e «o 
im[)t'ra(lar Olhão ÍV. Esta vicloria asso;:çu- 
roti toilas a-; siMs ocnquislaso doii-lhe dis- 
liiict.í preoiniiipncia snUr-í lo los os jtridci- 
pes (la Kuropa. MorriMi im» 1?2;3. 

rniLippE rii, (hiu.l o Attrecido, rei de 
Franra filho 'le l.uiz IX, semiiu seu pii á sn - 
gundn cruzada ; su- cfideu-lhe em 1270 o fez 
immudiaiamentc paz cora o soberano de Tunis 
e voltou a Tranç-t. Foz guerra ao conie de 
Foix, quo r(>cusava reconhecer a sua suzo- 
rania ; e por morte de Henrique, rei de 
ISavarra, obrigou o> Nav/irrozes a obedece- 
rem a Joanna, sua jiven riinha, que (lia 
havia desposarlo com seu íilho I'hili[)pe De- 
pois 'ias ycsperas Sicilianas, fo< guerra ao 
rei dií Aragão Morreu em Perpignan era 
1285. 

PÍIILIPPE IV, (hist.) Beílo, rei de França 
filho de Ihilippe III, succedeu-lhe em 1285. 
Terminou-a guerra do Aragão pelo tractado 
de Terascona ; [dirigiu depois as suas armas 
contra Eduardo, rei de Inglaterra, o qual fez 
alliança cora o conde de Flandres ; esta 
guerra terminou pelo tractado de Montre- 
nil. Teve depois uma contenda com o papa 
Bonifácio VIII ; o qual pretendia ter direi- 
to de suzerania sobre todos os tronos. Bo- 
nifácio fulminou Philippe com muitas bul- 
ias uma das quaes elle fez queimar, e con- 
vocou em l;'Oi, os primeiros Estados Gc- 
raes, os quaes promeUeram defender a in- 
dependência da coroa ; accusou o papa de 
heresia e de muitos outros crimes, e inci- 
tado por outra bulia de excoraraunhão en- 
viou tropas á Itália as quaes se apodera- 
ram da pessoa do papa ; descançado por 
este lado voltou suas armas contra os Fla- 
mengos, os quaes venceu. Por morte do pa- 
pa Bonifácio, Benedicto IX, fez eleger um 
papa francez, Clemente V. Promoveu pro- 
cesso contra a memoria de íionifacio VI II . 
e aboliu a ordem dos Templários, de cujas 
riquezas se apossou, entregando á íoguei- 
ra os principaes chefes desta ordem. Phi 
lippe morreu erfi 13; 4. 

PHILIPPE v, (hist) rei de França filho de 
Philippe IV, foi encarregado da regência por 
morte de Luiz X seu irmão, o qual tinha dei- 
xado gravida a rainha Clemência de Hungria. 
Morrendo o filho de Clemência , Philippe 
foi proclamado rei, apesar da opposieào de 
rauitcs príncipes de sangue, que não ad- 
mittiam a exclusão das mulheres, e que que- 
riam collocar no trono, a filha de Luiz 
Joanna de Navarra ; mas os Estados 
Geraes aprovaram e sanccionaram a sua ele- 
vação ao trono, iiiilippe Un. alguns regu- 
lamentos úteis 80 seu reino, mas foi cruel 
com os heréticos, e com os judeus. Morreu 
cm 1322. 

VOL. IT. 



pil'-. 



iM 



..^tí:^.;.:! 



pfiíLipPE VI, (hist.) chamado de Valois , rei 
dií França chefe do ramo real dos Valois, era 
filho de Carlos de Valois. Foi regente do reino 
por morto de (Carlos IV, que tinha deixado 
gravida sua esposa, mas dando esta princeza 
á luz uma menina, foi acclamado rei, ape- 
sar dl opposição de Eduardo III, rei de 
Inglaterra. Chamado em soccorro do conde 
de Flandres, que tinha sido expulso pelos 
seus vassallos], PhiHppe ganhou aos Fla- 
mengos a batalha de Cassei, a 23 do agos- 
to de 133S. Dez annos depois rebentou a 
celebre guerra dos Cem annos. Philippe , 
depois de ter soffrido differenles revezes 
nesta guerra, morreu em 1357. 

PHILIPPE I, (hist.) rei de nispanha chama- 
do o Bello, chefe da casa d'Austria, que reinou 
em Hispanha, era filho do imperador Maxi- 
miliano e de Maria de Borgonha. Teve primei- 
ramente o titulo d'archiduque d'Austria, em 
1482 foi proclamado soberano dos Paiz -s Bai- 
xos, e pouco depois rei do Castelia A sua con- 
ducta neste reino foi ao principio popular, 
mas depois demittiu os funccionarios caste- 
lhanos para os substituir por Flamengos ; 
finalmente quiz encerrar como louca Joanna 
sua esposa Morreu em 1506. 

PHILIPPE lí, (hist.) rei de Hispanha ; nas- 
ceu em 1527 ; era filho de Carlos Quinto. 
Duque de Milão desde 15iO, foi aclamado 
rei de Nápoles e da Sicilia em 1551, pou- 
cos mezes depois soberano dos Paizes Bai- 
xos, e finalmente rei de Hispanha 9m 1556. 
Ardenledefensor da fécatholica, luctou du- 
rante todo o seu reinado contra os progressos 
da Reforma ; pelo que lev^í guerra cora os In- 
glezes Em 1 5 -(8 perdeu a Invencível Armada 
que enviiva contra os inglezes. Depois de 
ter por muito tempo entretido a guerra 
civil em França, foi obrigado a assignar a 
paz de Varvim em 5'08 e morreu nest» 
mesmo anno. Em V^Hi), por morte do car- 
deal D, Henrique, tinha se apossado do rei- 
no de Portugal. I bilippe foi um príncipe 
cruel, que nem mesmo poupou a sua familia. 

PHILIPPE III, (hist.) rei de Hispanha e de 
Portugal, reinou de.sde 1598 até lt>21 ; teve 
por primeiro ministro o duque de Lerma. 
O reinado deste príncipe foi muito desgra- 
çado, concorrendo muito para isto o exilio 
de mais de 200, OQU mouros, que não quize- 
ram seguir a religião christà , ficando por 
está forma a Hispanha privada dos seus bra- 
ços mais industriosos. 

PHTLippE IV, (hist.) rei de Hispanha 
e de Portugal, filho de PhUppe III , 
succedeu-lhe em 1(321, esteve a maior parte 
do seu reinado debaixo da tulella de seu pri- 
meiro ministro o conde de Olivares. Este 
principe Eoffreu muitos revezes ; perdeu a 
Hollanda ; entrando na lucla da casa d'Aus- 
4ií 



19 4 



PHI 



fm 



tria contra Richelieu perdeu muitas pro- 
vindas ; a Catalunha sablevou-se , e Por- 
tugal reconquistou a sua independência em 
16 íO. desanimado por ladtas perdas; Phi- 
lippe àssignoií ó tfaclado de paz chamado 
dos Pyreneòs pefó qiiáí eédeu á Fraífça o 
Roiiásilloh, ò Jrtoise todos os seus direitos 
sobre a AIsácia. Sorreu em I6íi5. 

?fliÍJPPE V , (hisl.) chefe da ca^a dos 
Poúrbons de llispanha , nasceu em 683, 
eFá filho dodelphim huiz de França e neto 
de ttiz XIV, teve primeiramente o titulo de 
duque d'Ahjou. Èm 1700 foi chamado ao 
timono de llispanha peio léàlámehlo de Car- 
los li. Teve que lúctár contra o Archidu- 
que Carlos, seu competidor, o qual fez uma 
liga, em que entraram a Aijstria, Inglaterra, 
tíollãnda, f russia e Portugal; estos poten- 
cias encetaram á guerra, conhecida pelo no- 
mo dò guerra da successão de Hispanha. Ex- 
pulso de lirspanha pelos Austríacos Philippe 
foi restabelecido pela victoria de Almanza, 
ganha por Beiwich em 1707. Morreu em 
1746. 

PHILIPPE I, (hist.) chamado de Bouvres, 
duque de Borgonha, neto do duque Eudes 
IV, succedeu-lhe em 13^9, e morreu, pas- 
sado um anno, sem posteridade. 

PHILIPPE lí, (hist.) o Altrevido, duque àe 
Borgonha, quarto filho de João, rei de Fran- 
ça, nasceu em 1342, fez prodígios de va- 
lor na batalha dePoitiers. Em I3'3iecebeu 
o ducado de Borgonha, e em 1384 herdou 
o condado áe Flandres, o que o tomou um 
dos mais poderosos soberanos dá Europa. 
Por duas vezes governou a Françé, como 
reí;ente, a priíreira depois da morte de Car- 
los "V,e durante a menoridade de seu filho, 
* a segunda durante a demência deste ultimo. 
Morreu em 1404. 

PHiLiíPE iiT, (hisl.) o Bom, filho ôeJoão 
sem Hleâo, succedeu-lhe no ducado de Bor- 
gonha em 141 U. AUiou se com os Inglezes 
e com elles fez guerra aos Francezes , até 
qué assigtiou com estes últimos otractado de 
Arrfls.pelo qual, reconhecendo o rei de Fran- 
ça .por seu suberano, ficou de facto indepen- 
denle, e obteve a cessão dos condados de 
Auxerre e^ de Maçou. Alguns annos depois 
da ássignajura deste tractado, juntou aos seus 
dominios o Brabante e a IloUanda. Morreu 
em 1467 no momento em que preparava 
uma crusada contua os Turcos. 

PíiiLiPTE De suabia, (hist.) imperador de 
Ajlemanha, filho de Frederico Barbaroxa, 
nasceu em 1178. Reinou dous annos,. foi as- 
sassinado em 1208 por Olhão de Witlelsbach. 

PHILIPPE, (hist.) medico de Alexandie-o- 
Grande, curou-o de uma doença, que elle ti- 
nha apanhado banhando-se no Cydne. De- 
uuaciado por iarmenião como vendido ao i 



rei da Pérsia, inspirou todavia bastante con- 
fiança a ilexandre para que este príncipe 
bebesse um remédio que elle lhe apresen- 
tava. 

PHrLippE , (hist.) poeta grego , viveu no 
reinado de Trajano e Nerva ; é conhecido 
por alguns epigramraas cheios de espirito e 
graça e pela Anthologia de Phiiippc. 

PHiLippEs, (geogr.) P/itiíppi, cidade da Ma- 
cedónia, entre os Edones. Foi uma das pri- 
meiras cidades que abraçaram o chrislia- 
nismo. 

PHiLipPEViLLE, (geogr.) cidade da Bélgi- 
ca, a 10 léguas SU. de Namur ; 1,100 ha- 
bitantes. 

PHiLippEviLLE, (geogr.) cidade e porto da 
Algéria, na bahia de Stora ; 6,001) habi- 
ta Ltes. 

PHíLippicis , (hist.) nome commum a 4 
celebres discursos de Demosthenes contra v 
rhilippe, rei da Macedónia ; também se dàr 
este nome a 14 discursos de Cicero contra 
António. ,., 

PHiLippico, (hist.) chamado primeiramcn*ji 
te Vardan, imperador grego, natural da Ar- 
ménia. Foi proclamado em 711. Tornou-se 
odioso pelos seus vícios e indolência. Foi 
privado do trono e da vista em 713, e mor- 
reu pouco depois. 

PHiLippiNAS (ilhas) , (geogr.) grande ar-^,; 
chipelago da Malaisia, a maior destas ilhas éf 
Luçan. 

PHiLippopoLi ou FiLiBE, (gcogr.) Philip-, 
popolis, cidade da Turquia europêa , a 3Ííj 
léguas HO. de Andrinopla ; 30,000 habi- 
tantes. 

PHILIPS , (hist.) poeta inglez, nasceu no 
condado dè Leicester; compoz so Pastoris, 

PHiLiPSBURGO , (geogr.) cidade do gran- 
ducado de Bade, sobre o Zulibàch. a meia,i 
légua do íiheno ; 1,200 habitantes. , , 

PniLlPSBURÃO ou GRANDE BAHIA, (gCOgr.j 

capital da parle hollandeza da ilha de S. 
Maninho, na estremidade meridional, 

PHiLiSTEOs, (hist.) pequena ração da Sy- 
ria, entre a íribu de Dan ^o N., a tribu 
de Simeão a E., o oEgypto ao S. Tinham 
por cidades principaes Gaza, Ascalon, Azoth, 
Ascàron, Anthédon. 

PHiLisTO, (hist.) historiador grego, nas- 
ceu em 481 antes de Jesu-Christo; foi che- 
fe dos corlezàos contra a facção de Dion, ma^^i 
foi vencido por este em 411. Escreveu ^ 
Historia de Dionizio e a Historia da Sici-fa 
lia. 

PHiLO, (hist.) poeta grego da idade me- 
dia, nasceu em Epheso em 1275, morreatj 
em 1340. Deixou diversos poemas em ver- . 
so.. 

PHiLOCTETO, (myth.) heroe grego, amigQ;^^ 
^e Hercules, era filho de Poean. àercul^.' 



í.f 



fHI 



m 



antes de morrer entregou -lhe as suas flechas, 
prohibindo-lhe eiitrega-lasa pessoa alguiína. 
Philocleto assim o jurou. Mas depois ceden- 
do ás soUicitações dos Gregos, que não po- 
diam vencer Tróia senão com as flechas de 
Hercules, indicou-lhes cora o pó o lugar em 
que ellas estavam escondidas. Embarcou de- 
pois para Tróia; mas durante a viagem, cain* 
do-lhe uitia flecha no pé originoií-Ihe uma 
ferida, o qual deitava tal cheiro que foi 
abandonado pelos companheiros na ilha de 
Lemnos. Só no fim de dez annos é que o 
foram procurar a Leranos, porque a^; flechas 
eram necessárias para pôr termo á guerra. 
Foi curado por Machaon e Podaliro. 

PH LODEMO, (hist ) philosopho grego, epi- 
curco, vivia no l.*' século antes dé Jesu- 
Christo. Foi a Roma onde abriu uma esco- 
la. Escreveu sobre moral, rhetorica e sobre 
a musica, etc. Muitos fragmentos dos seus 
escriptos foram eaconlrados em Ilercula- 
num. 

PHiLOKiA ou FiLOKi, (geogr.) Argos Am- 
philochium, cidade do Estado da Grécia, a 6 
léguas SE. de Arta. 

PHILOLA.U , (hist.) philosopho pylhagori- 
00, de Cortona, segundo uns, de Tarento, 
segundo outros; nasceu no anno 500 antes 
de Jesu-Christo e pôdft receber as lições de 
Pythagoras. Habitou successivamenteem Cor- 
tona, Metaponto, Heraclea, passou algum tem- 
po em Thebas, onde teve por discipulos Sira- 
mias o Cebês, e morreu no anno42') antes 
de Jesu-Christo. Foi o primeiro pythagorico 
que escreveu sobre a doutrina de seu mes- 
tre ; compoz ti-es livros sobre a natureza, 
dos quaes Platão fazia tanto apreço que os 
comprou aos seus herdeiros pelo valor de 
9,000 francos, ... . ,,^ . 

PHiLOi.oGiA , s. f. iLsiUt^l^éGr,. philos , 
amigo, e /o^í ta.) critica grammatical OU rhe- 
torica dos autores clássicos antigos e moder- 
nos. Diz-se de ordinário das obras gregas e 
latinas ; lilteratura. , 

PHiLOLOGico, A, adj . [áe^. icê.) tqUIívo á 
philologia, V. (j. exame — . Critica — . 

paiLOtiOGO, s. m, (Lat. philolegus.) ver- 
sado na philologia, critica. 

PHILOMEtA 6 PÍIILOIENA, S. /". (Lai. fflllO' 

mela, do Gr. phúoSi aroiso, e melog^ canto.) 
(poet ) rouxinol, ave cujo canto é muito agra- 
dável. P/ii/ow«íMi ó impróprio : vem na Ma- 
laca Conquist. 

PHiLOMELA,(hist.) pltilomcla, íilha de Pan- 
dioq, rei de Athenas, foi victima do brutal 
amor do rei da Thraeia, Terêo, seu cu- 
nhado, ò qual depois lhe mandou cortar a 
liDjçua pára lhe impedir de revelar seu crime - 
e teve-a constantemente íechada. Conseguia, 
evadir-se com o soccorro de Progué, 9u<i.i 
iril>%^ e vin^ii-se de|olaado o íitíio de Te- ' 



rêo, e servindo o corpo da crian<}a a seu pai. 
Philomela escapou ao furor de Terêo pela ra-^ 
pidez da sua carreira, e foi depois metamor- 
phoseadaem rouxinol. Progné, sua cúmplice 
foi metamorphoseada em andorinha. 

PHILOMELA. , (hist.) PhHotnelus , general 
phocio, saqueou o templo de Uelphos, e fei, 
por esta causa rebentara guerra sagrada. Ob* 
leve ao principio alguns Iriumphos, foi de- 
pois batido pelos Beócios, e foi obrigado, pa- 
ra não cair nas niãos dos inimigos, a preci- 
pitar se do alto de um rochedo, no anuo 354.; 
antes de Jesu-Christo. 

PHiLON DE BYZANCio, (hist.) engenheiro do • 
século 11 antes de Jesu-Christo, visitou Hho- 
des e Alexandria, adiantou muito o estudo 
da architeclura e da mecânica, e deixou en- 
tre outras obras um Poliorcetíco. 

PHiLON o JUDEO, (hist.) philosopho plato- 
nico, nasceu no anno 30 antes de Jesu-Chris- 
to, era Alexandria, era dt raça sacerdotal dos 
Judeus. Estudou profundamente a philoso- 
phia dos G regos e foi appellidado o Platão ju- 
deu. No anno 40 de Jesu-Christo foi enviado 
pelos Judeus de Alexandria a Roma, para pe- 
dir a Caligula o direito de cidade romana, mas 
não obteve o que pertendia. Não se sabe em 
que anno morreu Philon. Compoz muitas > 
obras, as mais importantes são : De Mundi i. 
cretione secundum Mosen ; De vita Mon > 
m, etc. 

PHILON DE BYBLOS , (hist ) Herennius ^ 
Çrammatico e historiador, nasceu em By- 
blos no anno %\ de Jesu-Christo, publicou 
entre outros escriptos, uma traducção gre- ' 
ga da Historia Phenicia de Sanchoniaton. 

reiLONio, s. m. (Lat. philonium.) pharm., 
medicamento opiado, espécie de triaga. 

PHiLOPíEMEN, (hist.) general grego de Me^»' 
galopolis, na Arcadiaj diitinguiu-se tíiuito 
cedo nos exércitos da liga achaica, foi no- 
meado general da cavallaria, derrotou os Elo- i 
Hos na batalha de Larissa no anno ^^Oantee:» 
de Jesu-Christo» depois fdi eleito pretor ou ' 
chefe da liga, ganhOu a victoria decisiva de 
Mantinea, matou o txranno e forçou Sabis a 
levantar o certjo de MessenSi ; batido rio mar 
por este príncipe, depressa tirou a desfor- 
ra na batalha d6 Gylhio, entrou vencedor 
ém Sparta, ê. obrigou esta potencia a acce* < 
der á liga. Morreu em uma batalha contra ■ 
Dinocranto 

PHILOSOPHAOO, Â, p. p. de philOsophar; 
adj . discorrido philoâophicamente. tJs sys- 
lemas de Xant, Fichte e Schílling, renovados 
-a doutrina brahmanica é platónica» são — n 
com mais subtileza que acerto. Muilose tem 
— sobre o absoluto melaphysico. 

PHILOSOPHAL, adj. dos tg. (des. adj. ai.) '■ 
da phdoaophia. peaíra—, t) írcaoo dus »i- 
quiaiistas. ^ -.1". M.»i •■, 

^ 4» « " ^ 



196 



ffií 



]?HL 



peiL0S0PHA.R, ». a. OU n. (philosopho, ar 
des. inf.) discorrer sobre objectos raoraes, 
physicos , ou sobre metaphysica ; meditar 
profundamente. 

PHILOSOPHFA, -í. f. (Lat., do Gr. philos, 
amor, e sophia, sapiência.) amor da sapiên- 
cia, estudo do homem moral. — , por exten- 
são do sentido primitivo, estudo dos pheno- 
menos naturaese suas causas, v.g. —moral, 
natural. 

PHiLOSOPHiCAMENTE, adv. [mente sníT ) se- 
gundo as regras da philosophia ; á maneira, 
segundo as máximas dos philosophos ; com 
espirito independente das opiniões vulgares 
ou dominantes. 

PHiLOSOPHico , A, adj. (Lat. philosophi- 
cus.) concernente á philosophia ou aos phi- 
losophos, V. g systema, discurso — . Vi- 
da — . 

PHiLOSOPHisMO, s. fíi. (do Fr. philosophis- 
me.) abuso da philosophia, tendência contra- 
ria á philosophia espiritual, á psychologia e 
aos dogmas religiosos. Este termo foi cunha- 
do pelos inimigos da philosophia sceptica do 
XYIU século. 

PHILOSOPHO, s m. (Lat. philosophus, do 
Gr. V. Philosophia ] cultor da philosophia, 
que segue as doutrinas e máximas de algu- 
ma escola de philosophia ; homem dado ex- 
clusivamente ao estudo ; independente , e 
despresador das opiniões dominantes, edas 
honras e cargos públicos. 

PHiLOTiMiA, s. f. (Gr. philos, araigo, e ti- 
mão, honrar.) (p. us.) empenho em conser- 
var a honra e estimação própria. 

PHiLOSTORGE, (hist.) historiador ecclesias- 
tico, nasceu no IV século da nossa era, em 
364, naCappadocia, viveu muito tempo em 
Constantinopla, e foi zeloso Ariano. Escreveu 
uma Historia da Igreja. 

PHiLOSTRATO, (hist, ) rhetorico, natural de 
, Lemnos, segundo uns ; de Athenas, segun- 
do outros ; ensinou rhetorica em Roma no 
III século de Jesu-Christo, e foi um dos prote- 
gidos de Júlia, esposa do Imperador Septimo- 
Severo. Deixou, entre outras obras, a Vida 
de Apollonio de Tyana ; um Dialogo entre 
Vinitor e Phenix, etc. 

PHiLOTAs, (hist.) filho de Parmenião. par- 
tilhou com seu pai o favor de Alexandre. Ex- 
citando a inveja dos cortezãos, foi accusado 
de ter conspirado com Dymno contra Ale- 
xandre. Condemnado á tortura, confessou 
tudo, e morreu apedrejado. 

PHiLOXENE, (S.), (hist.) poeta do IV sé- 
culo antes de Jesu-Christo, nasceu em Cythe- 
ra, morreu em Epheso no anno 38i> antes 
de Jesu-Christo, viveu muito tempo na cor- 
te de Dionizio. 

PHILOXENE, (S.)(hist.) chamado também Xe- 
naiaSf escriptor syriaco da seita dos Mo- 



nophysitas ou Jacobitas syrios, nasceu em 
Tubal, na Susiana, foi eleito bispo de He- 
liopolis na Syria, combateu decis5es do 
concilio de Chalcedonia, e foi desterrado 
em 5l8 peloimperador Justino, para <íran- 
ges, na Cappadocia, onde morreu em 522. 

PHILTRO, í. m. (Lat. phillra, pi., do Gr. 
philein, amar.) amavia, beMda a que se al- 
tribuia a propriedade de excitar o amor, de 
fazer amar. 

Não sei porque Moraes não escreve filtro. 

PHiNEAS , (hist.) rei de Salmydessa na 
Thracia, no tempo dos Argonautas, fez va- 
zar os olhos a seus filhos em consequência 
das falsas accuzações da sua madrasta Os 
deuses, para o punirem, cegaram-no, e en- 
tn?garam-o á perseguição das harpias, que 
lhe tiravam as iguarias de cima da mesa. De- 
pois foi livre, por Calais e Zethés das per- 
seguições destes monstros, mas sempre fi- 
cou cego. 

PHiNKAS, (hist.) irmão deCephêo etio de 
Andromeda, eslava para casar com sua so- 
brinha, quando ella lhe foi roubada para ser 
exposta a um monstro marinho. Salva por 
Perseo acceitou amãodoheroe. Então Phi- 
neas desesperado pegou em armas para a ti- 
rar a Perseo; mas foi petreficado pela cabe- 
ça de Medusa. 

PHiNEAS, (h. s.) filho d'Eleazar, e neto de 
Aarão, foi o terceiro summo sacerdote dos 
Judeus. Mostrou grande zelo contra os que 
se tinham tornado culpados de fornicação, e 
matou Zambri, um dos chefes d'Israel, que 
linha levado uma Madianila para a sua ten- 
da. 

PHiNG-LiANG, (geogr.) cidade da China, 
capital de província. 

PHiNG-YUisG, (geogr.) cidade da China, ca- 
pital de província. 

PHiNG-YONEi, (geogr.) cidade da China, 
capital de provinda. 

PHiNTiAS, (geogr.) hoje A/icaía, cidade d»; 
Sicilia antiga, colónia de Gola, nas mar-** 
gens do rio Ximero. 

PHippsíA, (bot.) género deplanías da fa- 
mília das Graminoas e da Triandria Digynia. 

PHisiCA. V. Physica. 

PHLEBOTOMIA, S. f. (lat., do Gf. phUpSt 

veia, e temnô, abrir, cortar.) (cirurg.) san- 
gria. 

PHLiGETHON, (myth.) [áo grego phlegethein 
queimar) rio dos infernos, cercava o Tártaro, 
e a sua torrente era de chamma. 

PHLEGETONTE. s. m. (do Gr. phlegô, ar- 
der.) (poet.) o inferno dos Gregos. 

PHLEGMA ou PHLEUMA, S. Wl. OU f. (Gr., 

de phlego, arder, queimar.) (chim.) resí- 
duo da distillaçào. — , (med.) pituita, humor 
frio ; (fig.) pachorra. 

PHLEGMATIGO OU PHÍ.EUMATIC0, A, udj. 



no 



pno 



m 



(lúeá.) ena que predomina a pituita, v. g. 
temperamento — . Homem — , (fig.) pachor- 
rento. 

piiLKGON, (hist ) historiador grego dosf3CU- 
lo X/, natural deTrallcs, hberto de Adria- 
no, morreu no reinado de Antonino lio. 
Escreveu : Historia de Sicilia, Dèscripção 
da Sicilia ; e um Tractado das festas dos 
Homanos. 

PHLEGREOS (campos). (mylh.) campos ar- 
dentes [áoQtr.phelegein, arder) campos pró- 
ximos a Cumes, nos quaes Hercules jijudou 
os deuzes a abater os gigantes. Este sitio es- 
tava cheio de enxofre, e muitas vezes coberto 
de chammas. 

PHLEGYAS, (mylh.) rei de Pblegyade, fi- 
lho de Marte e pai de Coronis, que foi se- 
duzida porApollo; para se vingar deste ul- 
traje lançou fogo ao templo de Delphos. 
Apoilo malou-o com as suas frechas. ÍSos 
Infernos, o desgraçado Phlegyas ve sem ces- 
sar pendente sobre a sua cabeça um roche- 
do prestes a esmaga-lo. 

ruLEO, (bot ) Phleum género de plantas 
da familia das Gramíneas edf Triandria Di- 
gynia. 

PHLiASiA, (geogr.) pequeno estado do Pe- 
loponeso, ao S. da Sicyonia, a 0. da Co- 
rinthia. 

PHLioNTE, (geogr.) Phlius, cidade de Pe- 
loponeso, a algumas léguas de Sicyone. Ha- 
via outra Phlionte naArgolida. 

piiLOGOsis ou piiLOGOSE, s. f. (Lat., do 
Gr. phlége, arder.) (med.) inflammação, es- 
tado inílammatorio. 

PHLOMiDE, (botj género de plantas da fa- 
milia das Labiadas e da Didynamia Gym- 
nospermica. 

piiLOX, (bot.) género de plantas da fami- 
lia das Polemoniaceas e da Pentandria Mo- 
nogynia. 

PHOCA, s. m. animal marinho de que ha 
diversas espécies ; tem cabellos, e dedos se- 
melhantes aos do homera unidos por mem- 
branas. Os feios — s. Camões. Encontra-se 
também do género feminino : a — . Lobo. 

PHOCAS. (S.) (hist.) martyr do tempo de 
Diocleciano, vivia do producto de um peque- 
no jardim perto de Sinope, quando foi de- 
capitado em 303. É commeraorado a 3 de 
Julho. 

PHOCAS, (hist ) imperador grego, era exar- 
cha dos centuriões quando foi proclamado 
em 602 pelo exercito acampado ao W. do 
Danúbio. Marchou sobre Constantinopla e 
fez cortar a cabeça ao imperador Maurício 
e a seus filhos. Mostrou-se fraco, voluptuo- 
so, cruel ; foi destronado por Heraclio de- 
pois da batalha naval de Constantinopla, e 
foi decapitado em 610. 

PHOCÉA, (geogr.) cidade da Ásia Menor, 

TOL. IV. 



compreendida na confederação jonia, na coff- 
ta da Mysia, sobre o golpho de Cumos. Ea 
actual cidade deFokia, situada a 11 léguas 
ao NO. deSmyrna. e conta 4,000 habitan- 
tes. 

PHOCIDA (Locrida e), (geogr.) um dosde2 
nomos do moderno reino da Urecia, tem por 
capital Salona. 

PHOCIDA, (hist ) região da Grécia antiga, 
entre a Beócia a K., a Ktolia a 0^., o mar 
d'Eubea ao NE., o golphode Corintho ao 
S A Phocida formava nm corpo, que envia- 
va seus deputados á Amphictyonía dos Ter- 
mopylas. 

PHOCio, (hist.) patriarcha de Constantino- 
pla, nasceu nesta cidade, já tinha sido em- 
baixador na Pérsia e primeiro secretario do 
imperador Miguel, quando foi ellevado, ain-( 
da que secular, ao patriarchado do Constan- 
tinopla, em logar de Ignacio, que acabavai 
de ser deposto, era 857, Odiozas violências 
assignalaram a sua inlruzão, á qual se op- 
pôz o papa Nicolau I. Phocio foi anathema- 
tizado pelo papa em um concilio ; elle reu- 
niu os bispos e também anathematizou o 
papa o que deu origem ao grande scisma do 
Oriente. Basilio-o-Macedonio restabeleceu 
Ignacio e Phocio reassumiu as suas func- 
ções depois da morte do patriarcha. Foi exi-» 
lado por Leão-o-Philosopho e morreu em 
um convento da Arménia em 8^1. 

PHOCION, (hist.) general atheniense, nas 
ceu no anno 400 antes de Jesu-Christo, d^ 
uma familia obscura, estudou philosophij' 
com Platão e Xenocrates, distinguiu-se n . 
exercito e na tribuna e foi o chefe do partido 
aristocrático de Athcnas. Não cessou de reo. 
comraendar a moderação com os alliados 
estricta vigilância com Philippe , econo' 
mia na administração e o exemplo das vir'» 
ludes antigas. Desagradou pela sua rigidez 
ao povo de Athenas, o qual comludo não 
o desistimava eo nomeou 4j vezes general 
em chefe. Phocion fez eminentes serviços 
durante a guerra social contra Athenas, li- 
vrou iiubea dos ataques de Philippe e obri- 
gou este príncipe a levantar o cerco de Bi- 
zâncio. Depois do saque de T bebas foi en- 
viado a Alexandre para lhe propor a ma- 
nutenção da paz, e agradou muito ao prín- 
cipe macedónio, a qual lhe fez seductoras 
oíTertas, que clle sempre recusou Phocion 
oppoz-se á guerra lamiaca, todavia acceitou 
o commaudo nesta guerra e bateu os Mace- 
donios. Quando Athenas foi occupada por 
Polysperchon, foi condemnado á morte pela 
populaça incitada por este general, e bebeu 
summo de cicuta no anno 317. ^ 

PHOCYL'DA, (hist.) poeta gnomico de Mi- 
leto, vivia no fim do século VI. Compoz 
poemas heróicos e elegias, etc. Só nos res- 
50 



198 



PHO 



PHR 



iam delle sentenças moraes em 217 versos. 
ii PHOEBIDAS, (hist.) generallacédemonio, o 
qual no anno 382 antes de Jesu-Christo, to- 
mou Thebas, violando a lei dos tractados. 
Foi multado por ter operado sem lhe ser orde- 
nado. Depois foi-lhe restituído o comman- 
do e enviado á Beócia ; os Thebanos cer- 
caram-o em Thespia e foi morto em uma 
sortida. 

PHOLiWA, (bot.) género de plantas da fa 
milia das Myoporineas e daDidynamia An- 
giospermia. 

PHORBAS, (hist.) filho de Argus, reina- 
va em Argos no anno I7U0 antes de Jesu- 
Christo. 

PHORBAS, (hist.) (neto do precedente), li- 
vrou os Rhodios de um dragão, que assol- 
lava a sua ilha. 

PHORBAS, (mylh.) chefe dos Phlegios, na 
Phocida, homem cruel e violento, tendo-se 
apossado das avenidas, que conduziam a 
Delphos obrigava todos os passageiros a ba- 
terem-se com elle, e depois de os vencer 
íazia-os morrer em cruéis tormentos. Appo- 
lo apresentou-se ao combate disfarçado em 
athleta, e matou Phorbas com um murro. 

piiORGYS, (myth.)deusdamythologia pri- 
mitiva dos Gregos, na ceu de Pontos e de 
Gea (o Mar e a Terra) cazou com Ceto, que 
delle teve os Greos, e as Gorgonas, o dra- 
gão das Hespérides, o Scylla, e Throsa. 

PHORMiUM, (bot.) planta natural da Nova 
Zelândia, de que os habitantes se servem á 
naaneira de linho, para fabricar tecidos e cor- 
das de excellentc qualidade, pertence áfa- 
milia das Asphodeleas e da Uexandria Mo- 
nogynia. 

PHORONEO, (myht.) filho esuccessordelna- 
cho, e segundo rei de Argos, foipaideNio- 
hé, d'Apis ede Argus; nomeado arbitro en- 
tre Juno e Neptuno, pronunciou em favor 
de Juno, o qual depois protegeu Argus. Deu 
leis a seus vassallos e iniciou-os nos bene- 
fícios da civilização ; sustentou grandes guer- 
ras contra os Telchines e os Curetes. 

PHCSPiiOREAR, t). a. ou n. [phosphoro, ear 
des. inf.) luzir como o phosphoro, emittir 
luz phosphorica. 

PHospHORico, A, adj. (des. ico.) que con 
tém phosphoro, que eraitte luz como phos- 
phoro. Luz — . Acido — , formado pelo phos- 
phoro combinado com o oiygeneo : com as 
b«ses salinaveis fórina phosphates, phosphi- 
tes. Os phosphuretos são combinações não 
acidas do phosphoro. 

PHospHORiZAR, V. O. [phosphoro, uar des. 
inf.) communicar as propriedades lúcidas do 
phosphoro. 

PHOSPHORO, s. m. (Lat. phosphorus, des 
Gr.-Lãí.phós, luz, éphere, levo, trago.) es-- 
trella d'alva, Vénus, Lúcifer. — , substan- 



cia mineral mui inflammaTcl, e que emít- 
te luz visível na escuridade. — artificial^ 
composição que tem as propriedades lúcidas 
do phosphoro. 

pnou-TCHEOU, (geogr ) cidade da China,*' 
a lUO léguas SO. de Thaiyouen. 

paraataces, (hist.) rei partha, conloiou- 
se com Therrausa, sua mãi para matar a 
Phraate IV no anno 9, e foi degollado pe- 
los seus vassallos revoltados no anno 14. 

PHRAAT0, (hist.) nome commum a cinco 
reis dos Parthos, cujo verdadeiro nome é 
Hradad : Phraato I, que remou de 182 « 
164, subjugou os Mardos ; Phraato II , que 
reinou de 139 a 127; phraato Til reinou 
de 70 a 61, foi morto em uma conspiração 
de seus dous filhos Míthridates III e Orodes ; 
Phraato IV subiu ao trono no anno 37 an- 
tes de Jesu-Christo depois de ter morto 
seus irmãos ; Phraato V, um dos filhos de 
Phraato IV, estava como refém em Roma, 
quando Tibério o entregou aos embaixado- 
res harthas para excitar revoltas contra Ar-^ 
taban III. iMorreu no anno 35. 

pijRAUZA ou PHRAUTZES , (hist.) historia- 
dor byzantino, nasceu em Constantinopla em' 
140J. Deixou uma Ckronica de Constan-^ 
tinopla. 

pnRAORTE; (hist.) rei dos Medos, filho e- 
successor de Djocés, reinou desde o anno 
657 até ao anno 634 antes de Jesu-Christo, 
conquistou muitas regiões , mas foi venci- 
do perto do Euphrates pelos Assyrios. 

PHRASE, s. f. (Lat. plirasis, do Gr. phra- 
se, fallar.) expressão, locução ; sentença bre- 
ve; (fig.) eslylo. «A linguagem, tanto nas pa- 
lavras como na — , é puramente portugueza » 
Vieira. 

PHRASEADO, A, p. p. do phrasear ; adj. 
exprimido com phrases. — , s. m. o — , o 
estylo. 

PHRASEADOR , A , adj. quo falia por cir- 
cumloquios. 

PHRASEAR, V. a. {phvase, or des inf.)ex- 
prmir por circumloquios. 

PHRASEOLOGíA, s. f. {phrasc B logitt.) &\[- 
gação, nexo das phrases, estylo. 

PHRASis. V. Pkrase. 

PHRENESi, s. m. (do Gr. phren, o c&té-' 
bro, a mente.) agitação violenta do espiri-, 
to ; grande impaciência. — , (p. us.) phre- 
nisis, doença. 

PHRENETico, A, adj. (des. ICO.) doente de 
phrenitis ; (fig ) extremamente impaciente. 

PHRENiTis, s. f. (med.) inflammação do 
diaphragma (em Gr. phrénes.) ou das mem- 
branas do encephalo. '■* 

PHRENODiAco, A, adj. Deicurso — , feito' 
por occasiào de alguma calamidade pu- 
blica. ' 

PHRENOLOGiA, s. f. (do Gf. phrefi, oce- 



PHU 



]^Ht 



199 



rebro, e logia.) (t. novo) scíencía das func- 
ções iatellectuaes do cérebro e 5uas diversas 
partes. 

pHRENOLOGico, A, ãdj . (des. tco.) que res- 
peita á phrenologia. 

PHRENOTRii, (h. n.) género de pássaros , 
indigeuos de Java, muito parecidos com os 
corvos. 

PHRTGiA, (hist.) Phrygia, região da Ásia 
Menor, cujos limites foram por muitas vezes 
mudados. 

PHRYJÍA, (bot.) género de plantas | da fa- 
milia das Labiadas e da Dydynamia Gym- 
nospermica. 

PHRYRE , (hist.) uma das mais celebres 
cortezãs da Grécia, vivia no IV século an- 
tes de Jesu-Christo. Teve por amante o pin- 
tor Praxitele e serviu-lhe de modelo para 
as suas estatuas de Vénus. Era tSo rica que 
se offereceu para reedificar Thebas á sua 
custa. 

PHRYNiCHO ARRHABio , (hist.) grammalico 
bylhynio, auctor do uma coUecção das pa- 
lavras do dialecto attico. 

PHRYNiCBO , (hist.) poeta trágico d'Àlhe- 
nas, vivia no VI século antes de Jesu-Chris- 
to , ioi disoipulo de Thespis e auctor de 
nove tragedias perdidas ; inventou o jerso 
jambico tetrametro. 

PHRYNis, (hist.) poeta e musico de Mity- 
lene, nasceu no anno 480 antes de Jesu- 
Christo ; rival de Timotheo , ajuntou duas 
cordas ás sele, que já tinha a cithara e 
inventou uma moda aíTeminada. 

PURYNIUM, (bot.) género de plantas da fa- 
mília das Canneas e da Menandria Mono- 
gynia. 

PHRYXO, (myth.) filho" de Athanias e ir- 
mão de Ilellé, tinha inspirado a sua ma- 
drasta um amor criminoso, que elle despre- 
sou, foi calumniado por ella e condemnado 
Á morte, mas salvou-se com Hellé, sua ir- 
mã, chegou á Colchi^la sobre uraa ovelha 
com veu de ouro, que lhe fora enviada por 
Júpiter ; immolou a ovelha e offereceu o 
velo a Marte. 

PHTiA, (geogr.) cidade da Thessalia, ca- 
pital da Phthiotidaj a O. perto de Pharsalia. 

PHTHioTiDA, (geogr.) pequeno estado da 
Thessalia no tempo da guerra de Tróia , 
compreendia toda a parte meridional desta 
região. 

PHTHisiCA, í. f. (Gr. phihisis, marasmo, 
de phlhio, seccat, definhar.) (med.) doença 
que consome lentamente, marasmo, vulgar- 
mente tisica. V. Tísica. 

PHTHisico. V. Tísico. 

PHTisiCA. V. Tisica, 

PHUL ou SARDANAPALO U, (hist.) fllho de 

Sardanapalo I, rei de Assyria. Depois da 
queda de Sardanapalo e desmembramento 



do império de Assyria, Phul só conservou 
o reino de Ninive aonde reinou desde 75*J 
até 742. 

PiiYLvCrKRiAf?, s. f. (Lat. phylacterium, 
do Gr. p't)//a4'5c, guardar, conservar.) amu- 
letos que os antigos traziam para evitar doen- 
ças e outros males; (lig.) subtileza, embus- 
tes. « Os hypocritas ensanchavam suas — .» 
Couto. 

PHYLIC4, (bot.) género de plantas da fa- 
mília das Rhamneas e da Ientan4ria Mcp 
nogynia. 

PHYLTATHO, (bot) geucFO de plsntas da 
famillia das Kuphorl)iaceas e da Jàonoecm 
Wonadelphia, L. 

PHYLLIDE, (bot.) género de plantas da 
famillia das Hiibiaceas e da Pcntandria Mo- 
no^ynia, L. ';' 

riiYL'0MA, (bot.) género de plantas d.3 
famillia das Asphodeleas e da iiexandrla 
Monogynia. L. 

PFiYSALiDA, (bot.) genero de plantas da 
famillia das Solaneas e da Pentandria Mo-^ 
nogynía, L. 

PHYSALO, (h. n.) Physalus, genero de 
Mammiferos da classe dos Cefaceos. 

PHYsiCA, s. f. (Lat., do Gr. physiké, de 
physis, natureza, o nascer.) sciencia que 
trata dos phenomenos naluraes e indaga^ 
propriedades dos corpos, as leis da gravi- 
tação e do movimento, por meio da obser- 
vação e de experiências, mas sem os decom- 
por como fazem os chimicos. — , (ant.) me- 
dicina. 

PHYSiCAMEKTE, adv. {mente suff.) segunr- 
do as leis da pliysica, ou da natureza, u. ^^' 
isso é — impossível. 

PHYsico, A, adj. (des. ico.) natural, cor- 
póreo ; concernente á physica ou á medici- 
na. Propriedades — s. — , s. o — do homem, 
isto é, o homem considerado era quanto ás 
funcçÔes discerniveis dos órgãos : oppõe-se 
ao moral do homem, ou funcções intelle- 
ctuaes. O mundo — . 

PHYSICO, s. m. o que é versado na phy- 
sica ; medico. 

PHYSíoGNOMico , A , ttdj. que respeita á 
physionomía (arte). 

pnYsroGNOMisTA, s. dos 2 g. (des. istçi.] 
pessoa que julga com acerto da Índole de 
alguém pela physíognomía. 

PHYSIÓGNOMONIA , e pOF USO PHYSIOGSO- 

MiA, vulgarmente Physionomía, s. f. (for- 
mado do Gr. physis, natureza, e gnomon, 
mostrador, indicio.) as feições do rosto; (fig.j 
arte que ensina a conhecer a índole, inc\j^ 
nações e talento das pessoas pelas suas fei)- 
ções. A — de Lavater, tratado deste autor. ^ 
pHYsroLOGiA, s. f. (Lat., do Gr. physis, 
natureza, e logia.] parte da medicina que 
trata do mecanismo orgânico das funcções 
50 * 



I 



w 



260 



M 



aniraaes, vitaes, da geração, etc. — vegetai^ 
que tem por objecto os funcções das plan- 
tas. 

PHTSiOLOGico, A, ofij. (des. ico.) que diz 
respeito á physiologia. Systema — . 

PHYSiONOMiA. V. Physiognomonia. 

phySionomico. V. Physiognomico. 

PUYSIONOMISTA. V. Physiognomista. 

PHYSiPHORA, (bot ) género de plantas da 
famillia das Violareas. 

PHTSOCALYMNA, (bot.) genero de plantas 
da famillia das Salicarias e da Icosandria 
Monogjnia, L» 

PIA, s. f. (do Lat. piscina.) pedra exea- 
vada, ou receptáculo de pedra que contém 
agua para beberem as bestas, — baptismal, 
a que encerra a agua que serve ao baptis- 
mo. — de porcos, vaso de páuou pedra on- 
de se lhes põe o comer. — , (naut.) V. Car- 
linga. — , (subst. do Fr. pie, remendado, 
cavallo.) faca ou égua remendada. 

piÃA, s. f. (de pião.) (anl ) mulher não 
nobre, plebêa. 

riACEE, (loc. Ital. piac«, pron piaíxêiSgrâ- 
da, éapnizivol. Tarde — , anl., Eufr. e Uli- 
sip., já não é tempo, deixou passar a occa- 
siào. 

PIACULAR , adj. dús 2 g. (Lat. piacula- 
ris.) (p. us.) expiatório, íj. 5^. sacrifício, vi- 
etima — : dons, oblatas particulares. 

riÁcuLO, s. m. (Lat. piaculum ) (p. us.) 
grande crime que se deve expiar pelo sacri- 
fício de alguma victima ; sacrifício expiató- 
rio. 

PIADA ou p davra, (geogr.) a antiga Epi- 
daiira, cidade da Grécia moderna, 9 lé- 
guas JNK. de Nauplia. 

piADADE. V. Piedade. 

PIADO, s. m. (subst. do supino de jotctr.) 
o pio (u soido dos pintos, ou das aves; o 
som sibillante da respiração dos asthmaticos. 

PIADOR, A, adj. que pia. « O mocho — . 
Bocage. 

PIADOSAMENTE. V. Piedosamente. 

piADosAMENTE, ttdv (do Fr piteuscmení.) 
(ant.) V. Escassamente. « — rende, e chega 
para os custos. » Couto. 
pjADOSO. V. Piedoso. 

piÃES, (geogr.) freguezia tle Porlugil, no 
concelho de S. Fins, a 6 léguas de Lame- 
go ; 1,600 habitantes. 
piAL. V. Poial. 

PiALi, (hist.) capitão pacha, era Húnga- 
ro, e foi na sua infância achado pelos Turcos 
no campo do batalhado Mohocz. Foi crea- 
do no serralho por ordem de Mahomet II, 
chegou ao posto de capitão pacha, tomou 
com a esquadra turco -franceza Messina e 
Ileggeio, assoUou Majorca, Jíinorlae Iviça, 
batteu em 15Íj9 a esquadra de Philippe II, 
a condu;siu a espedição de jChypre, foi po- 



rem demettido antes da empresa pfOf Se- 
lim 11. 

piAMATER, s. f. (Lat. pia, branda, ma- 
cia, e mater, mãi.) (anat.) membrana in-" 
terna do encephalo sotoposta á tíwramaíer. 

pÍÂmbre, s. m. (t. da Ásia) Fernão Men- 
des Pinto usa deste termo na accepção de 
tribuna cap. 122. « A pessoa d' El-Rei esta- 
va em cima no — , qu'3era a tribuna.» Moraes 
lhe di também a significação de uma sorte de 
andas. 

PIAMENTE, adv. [mente suíf.) com pieda - 
de ; religiosamente. 

piANO-FORTE, s. m. (do Ital.) Instrumen- 
to de musica e teclado bem conhecido ; é 
um cravo aperfeiçoado. 

piANOZA, (geogr.) Planasia, ilha do mar 
Tynhio, nas costas da Toscana, ao SO. da 
iiha d'Elba. 

piANTE, adj. dos 2 g. (des. do p. a. Lat. 
em ans, tis, que pia, dá pios, piados ; (fig. e 
jocoso) que se lastima, aíllige, v. ^f. namo- 
rados —s. 

PIÃO ou PEÃO, s. m. (Fr. ant. pion, do 
Lat. pes, pedis, pé.) homem que combatia 
a pé, na milicia antiga, homem plebeu, não 
cavalleií^o ; no jogo de xadrez os piões são 
as peças de menos valor que representamos 
soldados. — , soldado de infantaria que fica 
firme nas evoluções lateraes. — , bola de páu 
rematando inferiormente em cone onde está 
cravado um ferrão, sobre o qual gyra quando 
se lhe dá impulso rotatório; éjogo de rapazes,, 
— , viga da atafona que gyra sobre dois fer-; 
rões dos extremos, e sobre o taco. — da tenda 
de guerra, o páu do meio que sostêm o pavi- 
lhão cónico: também se denomina pião dos 
sombreiros. — do canhão, repairo sobre que 
se move a peça, pequeno — do falcão. — , (t. 
de picaria) maní^jo, pilar com três cavas para 
marcar as voltas do cavallo, e defender o ca- 
valleiro das pernadas. V. Peão. 

PIAR, s. m. (ant.) V. Pilar, Poste e Poial. 
PIAR, s. m. (origem e significação incerta.) 
« meias calças sobre ceroulas de pinno i&vciji 
bem azul, de — inteiro » Tenreiro, Itiu.^ 
cap. 17. Moraes verte até baixo, pantalo- ^ 
nas, mas não dá explicação do termo. Tal- 
vez venha do lersico pai-ru, peão, criado 
de pé, e nesse caso panno piar significa-^ 
ria ordinário, grosso. É de notar que Tenrei^j, 
ro diz meias calças, o que por certo não equiy, 
vale a até a baixo, ou a pantalonas. 

PIAR, v.a. n. [pi voz imitativa, ar des. inf.) 
soltar a voz como fazem os pintos e as avesU, 
nhãs. — , em sentido activo usado na poesia. 
« Piem- íc agoureiras aves negras venturas, » 
proferir em voz lúgubre, triste. — , (ant. joco- 
so) beber. — de godo, Úlis., beber regalada- 
mente. Vem do Fr. piot^ vinho, do Gr. pinô^ 
beber. 



PIC 



WC 



SOI 



ir 



PIARA, s. f. (t. Cast.) manada de porcos, 
rebanho de ovelhas, do Lat, porcwí, porco.) 
(ant.) bando, roda, troppl de gente do povo. 

PIAS, (geogr.) villa efreguezia de Portu- 
gal, situada âlrguasaoN. deThomar, con- 
tém 3,0()(> habitantes. Ha raai3 3 povoações 
do nnesmo nome : l .* no concelho de Monção, 
90o habitantes; 2.® junto a Penafiel; 3 "no 
concelho de Moura; districto de Beja ; 850 
habitantes. 

p'AsiNA, (geogr.) rio da Sibéria, corre ao 
KO. e lança-se no Oceano Glacial. 

riASSÁ, piASSATA ou piASOAVA, s f. (ter- 
. mo Brasil.) espécie de junco prelo e mui 
flexivel de que se fazem vassouras, escovas, 
amarras, cordas, etc. 

piAST, (hist.) tronco da dynastia polaca 
dos Piasts. Era um simples camponez da 
Cujavia. Seus concidadãos, apreciando as 
muitas virtudes, que o adornavam, confia- 
ram-lhe o supremo poder com o tituío de 
duque em 842; fez pelo espaço de l9 an- 
nos a felicidade da Polónia. 

piASTRÃo, s. m, (do Ital. piasírone, au- 
gment. de piastra, lamina de metal, e não de 
piasíre, Fr., que nunca teve tal significação. 
O termo correspondente Fr. éjj/asíroTi,) pe- 
ça da armadura que forma a parte anterior da 
coiraça. 

PIASTS, (dynastia dos) (hist.) dynastia po- 
laca, que reinou desde 842 até 1370. O 
primeiro desta dynanlia foi Piast, o ultimo 
Cazimiro-o-Grande. 

piALHi, (geogr.) pequena província do 
norte do Brazil, entre a do Maranhão ao occi- 
dente, e a do Ceará ao oriente. Vem-lhe o 
nome que tem de duas palavras do idioma 
dos Índios, piaií, peixe, e hi. agua, 60,000 
habitantes. 

piAuni, (geogr.) rio que rega a província 
do mesmo nome, no Brazil. 

piAUHi, (geogr ) rio que nasce na provin- 
da deMinas-Geraes, ao ^. da serra das Es- 
meraldas, e vai lançar-se no rio Jequiti- 
tonha, no Brazil. 

piAUHi, (geogr.) pequeno rio da provín- 
cia de Sergipe, no Brazil. 

piAVK (geogr.) Plams,TÍo do reino Lom- 
bardo Veneziano, nasce nos Alpes Noricos, 
corre ao SO. e lança-se no Adriático. 

piAZzi, (hist.) astrónomo italiano, nasceu 
em 1/46, morreu em 1826 Os seus prin- 
cipaes escriplos sào. Licções d' astronomia ; 
Catalogo das Estrellas', Memoria sobre o 
novo planeta Ceres. 

PIBA-GRANDE e PIBA-PEQUEKA, (gPOgr.) sãO 

duas serras visinhas uma da outra, ambas 

na provincia do Rio de Janeiro, no Brazil, 

a pHmeira no districto da cidade de >ilhe- 

rôhi, e a segunda no da villa de Maricá, 

PICA, s. f. (de picar.) (ant.) pique. — , 

TOL. IT. 



(nant.) os delgados das obras da popa e 
proa. — , pinta de cavallo. — , obsceno, o 
membro viril. Todas estas accepções vem da 
ideia de cousa aguçada. 

PICA , *. f. (do Lat. pungo, ere, picar.) 
(mod.) appetile depravado e pungente, t). ^r. 
das mulheres pejadas. 

PCACEO, A, adj. (med.) que tem appeti- 
te depravado, como algumas mulheres pe- 
jadas. 

PICADA, s. f. (subst. da des. f, depica^ 
do, p. p ) golpe de cousa bicuda, picante, 
como ferrão, v. g. — de agulha, lanceta, es- 
pinho ; dôr lancinante como a que resulta de 
picada feita com instrumento agudo. Sentir 
— s por todo o corpo, como em algumas doen- 
ças eruptivas, herpeticas. — s, a carne picada 
que seda de cevo ás aves de caçar. — , (fig.) 
correria contra o inimigo, damno leve. — , ca- 
minho estreito aberto por entre o mato. 

PiCAUEiiiA, s. f. {picado, des. eira.) pica- 
reta, ferro com que se picam as mós de moi- 
nho ; martellinho de gume usado pelos pe- 
dreiros para lavrar e afeiçoar tijolo de ladri- 
lho. — , (ant.) aguilhoada. «i.ntãocoma — 
começai-o d'aficar. » Cancioneiro, p. 21. 

PICADEIRO , s. m. (de picador, picaria, 
des. eiró, de área.) área onde se ensina a 
picaria, e se amansam e adestram cavallos; 
área onde andam as bestas ou bois em en- 
genhos cujas rodas põem em movimento ; 
lugar, nos engenhos de assucar, onde se 
ajunta e pisa a canna. — de lenha, lugar on- 
de ella se ajunta na proximidade das forna- 
lhas. — 5. (naut.) os paus que sostêm a náu 
no encovadouro e que se picam ou cortam 
quando é lançada ao mar. — s, (ant.) por pts- 
cadeiros ou pescadeiros, homens que tra- 
ziam peixe dos portos de mar ao interior do 
reino, ou certidão de se não ter podido efife- 
ctuar a pesca. Moraes diz que pôde também 
ser correcto picadeiros, por tirem picando, e 
a todo tira pela posta, tu lhe perguntara on- 
de elle achou que os pescadores antigamente 
em Portugal corriam pela posta, carregados 
ou não de peixe. 

piCADETE, adj. dos "i. diminuí, de pica- 
do, levemente irritado, ou picado (em senti- 
do figurado).^ 

PICADINHA, í. f. diminui, de picada, le- 
ve j içada. 

PICADO , A , p. p. de picar ; adj. ferido 
com instrumento agudo, v, g. com ferrão, 
aguilhada. — , cortado miúdo, v. g. linha — 
a carne, o toucinho ; (íig.) pungido, estimu- 
lado, irritado. Está- — por lhe terem fal lado 
á civilidade, por não ler sido convidado. — , 
(ant.) presumido, v. g — de gracioso. O 
mar — , alterado, agitado. E um mar — ^ 
(íig.) espirito inquieto, desassocegado. — ," ' 
(braz.) que tem ip\ui6sm'má&s. Leopardo — 
51 



m 



TÍC 



fíC 



de prata. — , cortado a pique, Íngreme, dif- 
ficil de subir. Subida do monte — . Escada 
— , erapina*da. Telhado — , acoruchado, com 
grande declive para facilitar o escorrer das 
aguas. — , quo tem sabor picante. Garapa 
— ■ , fermentada, que passou pela fermen- 
tação vinosa. 

PICADO, s. m. carne ou peixe cortado mui- 
to miúdo e guisado para recheio, ou cozido no 
forno. 

piCADOR, s. m. o que ensina a picaria aos 
homens, e o manejo aos cavallos 

piCADURA, s. f. dôr de picada, effeito da 
picada : a superfície desigual, dentada a mo- 
do de lima grossa, v. g. nos alfinetes, for- 
nilhos para fazer pega e não escorregar. — s, 
as lasquinhas e pó que saem das pedras la- 
vradas ao picão. 

piCAFLOR, í. m. avezinha também chama- 
da chupamel e beijaflor. 

PTCAMiLHO, s. w. (de pica emi//io.) epí- 
theto dado á gente do Minho, que come pão 
de milho, boroeiro. 

picANCEiRA , s. f. nome de uma herva 
branca e tomentosa. 

PICANÇO , s. m. (Lat. picus.) ave de ar- 
ribação que fura as arvores. 

PICANTE, adj. dos 2 g. (des. dop. a. Lat. 
em ans, tis.) que pica, punge, x>. g. espinhos 
— s ', que pica na língua, como apimenta, o 
sal, a hortelã; a mostarda ; (fig.) pungente, 
penetrante: dôr — . Ditos —s, que tem sal, 
agudos, facetos, ou mordentes. Graças— s, 
mordentes, queoffendem. -7-, notável, inte- 
ressante pelo contraste. E gallicísmo mo- 
derno, e que se deve evitar, v. g. seria — 
fazer encontrar os dois rivaes, istoé, cu- 
rioso, divertido. 

PICÃO, s. /*. {picar, des. augm, ão.) ins- 
trumento de ferra com que o canteiro la- 
vra a pedra. — , (ant.) facha de armas com 
ponta de picão. Pellouro de — , bala de 
ponta. — , peixe que tem no focinho um os- 
so mui forte e agudo como espada com o qual 
fura o costado de navios. — , (fig. e chulo, 
valentão. 

piCAPAU, s. m. ave que tem bico agudo e 
foite com que pica ou bate no páu para fa- 
zer sair os vermes que este encerra e que el- 
la come. — , (t. do Brazil) barrete alto en- 
gommado de trazer por casa. 

PICAR, V. o. (do Lat. pungo, cre, forma- 
do de açus, ferrão, acuo, ere, picar, ou de 
ico, ere, ferir ; o p inicial é contracção de 
op ou ob, contra , do lado opposto.) intro- 
duzir com força corpo agudo, v. g. — a 
carne, a folha, a casca, o papel; — o ca- 
vallo com as esporas, os bois com a aguí- 
Ihada. — com faca ; — a veia c«m lanceta. 
A vespa picou-me. — , cortar miúdo, fazer 
em picado, v, g. — & carne, a gallinha, o 



toucinho. — , pungir, causar sensação acre, 
V. g. & pimenta, a mostarda pica a língua. 
— , molestar, v. q. picámos o inimigo ou 
a retaguarda até Santarém. — as amarras, 
corta-las. — o muro, com o picão, para o 
derribar. — o debuxo, com alfinete, segun- 
do a direcção das linhas, para estrezir. — , 
recortar, fazer lavores nas roupas, —pedra, 
lavrar com o picão. — , morder. v,g. O peixe 
pica a isca, ou em] sentido abs. : o peixélpi- 
ca. — , (fig.) incitar, estimular ; molestar. 
O coração, pungir. « A raiva, a cubica pi- 
cam-nos. » Lobo, Deseng. — alguém, of- 
fende-lo , irrita-lo, causar-lhe dissabor. — 
os envites, em jogos de parar, augmentar as 
paradas, cobrir as do parceiro. — alguma 
matéria, tocar superficialmente. — , agitar, 
revolver. O vento pica o mar. — se, v. r. 
irrítar-se, offender-se. — , presumir, ». g. 
— de eloquente. — se o mar, alterar-se, agi- 
tar-se. — se, no jogo, dobrar as paradas, de 
enfadado. — , disseminar-se, grassar cau- 
sando moléstia, incommodo. Picava a fome; 
começava a — a peste, fazia progressos. Pi- 
cam as occasiões, amiudam-se. — , (famil.) 
dar lucros pequenos e amiudados. Este of- 
icio sempre pica. — , (fig.) apressar-se. Pi" 
cdmos até d cidade, isto é, os cavallos, para 
os fazer andar mais depressa. 

piCARAMENTE, adv. [mente suíT.) com pi- 
cardia, como picaro. 

piCARD, (hist.) astrólogo francez, nasceu 
em 1620, morreu em 1682 Escreveu: 
Historia celeste ; Medida da terra ; O co- 
nhecimento dos tempos. 

PICARDIA, s. f. (Cast.), velhacaria, acção 
vil, de picaro ; acção deshonesta. 

PICARDIA, (geogr.) antiga província e gran- 
de governo da França, era limitado ao N. 
pelo Artois e o Bolonhez, ao S. pela Ilha 
de França, a E. pela Champanha, a O. 
pela Mancha e a ISormandia. Cppital Amí- 
ens. Era dividida em Alta e Baixa Picar- 
dia. 

PCAREL. (h. n.) género de peixes dafa- 
millia dos Percoides. 

PICARESCO, A, adj. de picaro , burlesco, 
chulo. Estylo — . Lobo. 

PICARETA, S. f., e PICARETE , S Wl. (de 

picar, des. eta ou ete dim.)martello de pe- 
dreiro e de ladrilhador. 

PICARIA, s. f. (des. ia.) arte de ensinar 
a montar a cavallo, e manejo. — , picadei- 
ro. — , multidão de piques. Y. Pique- 
ria. 

PICAROTO, t. m. V. Cum$. 

piCATOSTK, s. m. (t. de cozinha) recheio 
de picado de carneiro com ovos e pão ralado 
temperado com limão. 

PIÇARRA, s, f. (do Fr. ant. pie ou piech, 
monte, outeiro, e aréa.) terra misturada com 



nc 



Pie 



m 



âréa, pedra arôenta. ^. (ant.) schislo la- 
mielluso, ardósia. 

piçARRAL, s m [piçarra^ des. collect. ai.) 
BQonte de piçarra, 

piçARRÃO, s. m. augment. (p. us.) de 
piçarra^ 

PIÇARROSO, A, adj. (des. oso.) onde ha pi- 
çarra ; da natureza de piçarra. 

picciNi, (hist.) compositor allemão, nas- 
ceu cm 1727, morreu em 1800. Deixou 
150 operas, as mais conhecidas são: Ze- 
nobia, Olimpiada, Roland, Atys, Dido, etc. 

piccoLOMiisi, (hist.) nome de uma das 
famillias nobres que entre si disputaram o 
poder em Sienna. Succederam era 1538 
aos Petrucci como chefes da republica ; mas 
em 1541 a influencia d'flispanha fez cessar 
o seu dominio. 

piccoLOMiNi (Alexandre) , (hist.) da nobre 
famillia dos Piccolomini, nasceu era 1508, 
morreu em 1578. Entre muitas obras es- 
creveu : Tractados de Moral e Philoso- 
phia. 

p GEMINO, (geogr.) hoje Marcha d'Ancona, 
pequeno estado d'ltaHa, sobre o mar Adriá- 
tico, entre os Senones ao N. os Prcetutiis 
ao S., tinha por cidades pricipaes Asenbum, 
Picenum, Firmum, Auximum e Cingulum 

piCENTiNos , (geogr.) Picenlini , hoje a 
parte NO. do Principado interior, (Nápoles) 
pequeno estadoi d'Italia , ao S. da Cam- 
pania. 

piciidadianos, (hist.) a mais antiga dynas- 
lia dos reis da Persin, ó mais fabulosa do 
que histórica. Este nome, que deriva da 
palavra pichdad, sobrenome de um dos reis 
da dynastia, parece resumir todas a popu- 
lações persas, que precederam Zoroaslro. 
A dynastia dosPichdadianos foi fundada em 
uma epocha muito remota por Kaiomaratz 

piCHEGRU, (hist.) general francez, nasceu 
em 1/01. Abraçou com ardor as doutrinas 
revolucionarias. Nomeado general do exer- 
cito do norte, reorganisou-o, bateu os al- 
liados em Cassei, Courtray, ^enin, Rous- 
selaer. entrou em Bruges, Gand, Antuérpia, 
Bois le Duc, Venloo, etc, mas no meio 
dos seus triumphos, deixou-se seduiir pelas 
promessas do príncipe de Conde, fez servi- 
ços á causa realista, e consentiu que a 
Áustria alcançasse algumas vantagens sobre 
as suas tropas. Morreu em 1804 preso no 
Templo. 

piCHEL, s. m. (do Fr. ant, picher vaso, 
bilha para vinho.) vaso de recolher vinho 
tirado das pipas para uso immediato. — , 
vaso para beber. « Grandes picheis de pra- 
ta, » para agua e vinho que se distribuía no 
paço. Góes. 

PICHELEIRO , s. m. [pichei, des. eiró.) o 
que faz vasos de estanho ou de lata. 



piCHKLiNGUE, s. m. (corruplo de F/«mn- 
gue, porto donde antigamente saiam mui- 
tos corsários ou piratas.) (ant.) corsário, la- 
drão. . 

PICHEM, adj, Uta — , uma espécie uvas 
Alarte. 

piCHESBEQUE. V. Pcchisbeque. 

picnmciiA, (geogr.) volcão da America 
do sul, na republica do Equador, ao SE., 
a 3 léguas O de Quito. 

PICHO, A, adj. [Lai. piceus, de pix, eis, 
pez.) de pez, negro como pez. 

PICHO, s. m, V. Pichei e Pincha. 

piCHORRA, s. f. pichei com bico. V. Pi- 
chei. 

piCHOSAMENTE, ãdv. [mente suíl.) de mo- 
do pichoso. 

piCHoso , A , adj. nimiamente apurado , 
atilado ; fastiento ; minucioso. V. Pechoso. 

piciNA. V. Piscina. 

PICO, *. w. (do Céltico eSaxonicojoeac ou 
pig, cume, do mesmo radical qnt o Latino 
açus, ponta. Gr, aké. Em Egypcio khaé si- 
gnifica ultimo.) summidade , cume agudo 
dos montes ; monte mui alto terminado em 
pico, V. g. o — de Tenerife. — , picão, ins- 
trumento de picar muros. — , cousa picante, 
espinho. Os— 5 das plantas; (fig,) sabor pi- 
cante e agradável, v g. o — do sal, da pi- 
menta, do vinho ; e no sentido moral, sal, 
graça, chiste As poesias de Nicolau Tolen- 
tino tem muito — . 

PICO, s. m. (Lat. picus.) V. Picanço. 

PICO, s. m. (t, da Ásia) certo peso. Um 
— de prata, valia 1500 cruzados, segundo 
F. Mendes Pinto. Vm — de seda. 

PICO DE MiRANDOLA, (hist.) famillia ita- 
liana, assim chamada do castello de Miran- 
dela, perto de Modena, possuia, alem de 
Mirandola, Concórdia e Quarentola. Tor- 
nou-se independente no principio do XIV 
século. Representou um pap.rl importante 
no partido gibelino, durante as guerras ci- 
vis d'Italia. Foi despojada dos seus Estados 
pela Áustria em 17 1 0, por se ter reunido 
á França na guerra da Successão d'Hispa- 
nha. 

PICO DE MIRANDOLA, (hist.) da famillia dos 
Mirandolas, foi celebre pela sua sciencia, 
nasceu em 1463, morreu em 111j4. Apre- 
sentou-se em Roma para sustentar a these 
De omni re scibili. Deixou : Conclusiones 
philosophica , cabalisticce et íheologicce , 
etc. 

PICO (ilha do), (geogr.) uma dasdoarchi- 
pelago dos Açores, assim chamada de uma 
alta montanha, a que se deu esse nome; 
28,730 habitantes. Esta ilha dista 1 légua 
do Faial, 3 de S. Jorge, 11 da Graciosa, 12 
da Terceira, 32 de S. Miguel, 39 das Flores, 
40 do Corvo, e 47 de Santa Maria. 
51 « 



■1 > ' i\ • > 1 



L 



901 



WC 



PIE 



PICO DE REGALADOS, (geogr.) vílla de Por- 
tugal, 2 léguas ao JN.de Braga; 6(J0 habi- 
tantes. — dos Reis, freguezia do mesmo 
concelho, 550 habitantes. * 

PICO, (geogr.) ilha d« forma cónica na 
do districto de Parati, na provincia do Rio 
de Janeiro, no Brazil, e a pequena distan- 
cia da dita costa. 

PICO (Serra do), (geogr.) serra mui alta 
da cordilheira dos Aimorés, no Brazil. 

picoLA, s. f. (t. de ordens religiosas.) Dar 
uma—, condemnar um frade a comer no 
chão ou em mesa baixa. 

Picos , (geogr.) serra da provincia de 
Goyaz, no Brazil, coroada de três morros, 
a pequena distancia uns dos outros , os 
quaes se avistam de mui longe. 

picoso. A, adj. {pico des. oso), (p. us.), 
mui alto, de muito altos picos. v. g. Ser- 
ra — . 

PICOTA, s. f. (de picar), páo alto que ser- 
ve de pelourinho em villa. — , páo que pe- 
ga na extremidade do zoncho com que se 
dá á bomba. 

PICOTE, s. m. (de picar, por ser áspero) 
burel, panno grosseiro e áspero de que se 
vestiam os rústicos. Fernão d'Uliveira, Gram. 
Havia — de felpa grossa. 

picoTiLHO, *. m. diminui, de picote, bu- 
rel menos grosseiro que o picote. 

PICOTO. V. Cume. 

picpo, (geogr.) pequena villa de França, 
a E. de Paris, reunida actualmente ao ar- 
rabalde de Sancto António. 

piCQUiGNY. (geogr.) cidade de França, a 
3 léguas ISO. d'Amiens ; 1,'uOO habitan- 
tes. 

piCROCHOLO, A, adj. (do Gr. pikros. amar- 
goso, e khole, bilisj, (med.) (p. us.), doen- 
te de humor cholerico, atrabilario. 

PICTAVI ou PICTONES, (gcogr.j povo da 
Galliza, compreendido primeiramente na Cél- 
tica, depois na Aquitania segunda ao í^., 
tinha por capital Jt*ictavi, antigamente Li- 
monum [Portiers). 

piCTES, (geogr.) Picti, antigos habitantes 
da Caledónia, começa a figurar na historia 
no século II , e tornaram-se celebres desde 
o reinado de septimo Severo. No III.* sé- 
culo toda a Bretanha barbara foi dividida 
entre Pictes e os Scots. 

piCTET, (hist.) theologo protestante, nas- 
ceu em Génova em 1655, morreu em 17il4. 
Deixou 50 obras , entre ellas : Tractado 
contra a indiferença das religiões : Théo- 
logia christá ; Historia da Igreja e do 
mundo, etc, 

PICTET, (hJst.) sábio genovez, nasceu em 
1752, morreu em 18Í2I5. Creou a Bibliothe- 
ca britannica , chamada depois de 1816 
Bibliotheca unitersal de Genota. 



PICTET (cARLos), (hist.) írmlo do prece- 
dente, nasceu em 1/55, morreu em 1824. 
Escreveu o Curso d' agricultura ingleza ; 
Theologia natural, etc. 

picuMNO E PILUMNO, (mjth.) deuzes ita- 
hanos, íllhos de Júpiter presidiam aos ca- 
zamentos eás tutellas, e ensinaram o pri- 
meiro a estercar as terras ; o segundo a 
moer o grão. 

picus, (myth.)rei dos Aborígenes na Itá- 
lia, era filho de Saturno, amou Canente, e 
foi transformado ©m picanço por Circé, a 
quem elle tinha desprezado. 

PIDA, PTDE e piDO, variações antigas de 
pedir Hoje dizemos peça, pede, peço, o que 
é irregular, mas mais grato ao ouvido. 

PIEDADE, s. f. (Lat. pietas, tis, reveren- 
cia religiosa, devoção, etc.) amor aos pa- 
rentes, ternura, v. g, — dos pais para com 
os filhos, dos filhos para com o pai, a mãi, 
aífecto reverente, v. g. — do povo para com 
o rei, compaixão, dó. Tratava os pobres, 
os presos, os infelizes com — . — , vida es- 
piritual de gente pia, devota, religiosa, re- 
verencia religiosa. Arca de — , coííre onde 
se guarda o dinheiro de condemnações pa- 
ra obras pias. Monte de — , instituição on- 
de se empresta ar, publico dinheiro sobre pe 
nhor, A intenção de lodos os fundadores foi 
que o juro fosse módico, e as avahações 
equitaveis, mas de ordinário a usura ó ex- 
cessiva. Religiosos da — , uma das seis pro- 
víncias da ordem dos franciscanos. — s, pi. 
lastimas, queixumes com que se procura ex- 
citar compaixão, v. g. as — dos vencidos. 

PIEDADE, (geogr.) serra da provincia da 
Bahia, na comarca do llio de Contas , no 
Brazil. 

piEDicoRTE, (geogr.) villa de França, a 
4 léguas SE. de Corte ; 600 habitantes. 

riEDiCROCE, (geogr.) villa de França, a 
4 léguas NE. de Corte ; 500 habitantes. 

PIEDOSAMENTE, ttdv. [mente suíT.), com 
piedade, de modo a excitar compaixão, — 
(do Fr. piteusement), escassamente, a custo, 
mesquinhamente, ex. « A índia para si ren- 
de — . » Couto, Soldado pratico, apenas, 
escassamente. 

PIEDOSÍSSIMO, A, adj. superl. de piedoso, 
mui piedoso; mui compassivo, ilfãi — . En- 
tranhas — . 

PIEDOSO, A, adj. (des. oso), affectaoso e 
reverente para os pais, parentes : que tem 
reverencia a Deus ; compassivo, v. g, — pa- 
ra com os pobres, os doentes ; pio, desti- 
nado a fira pio : obras — s, úteis ao povo, 
V. g. hospitaes, escholas, fontes, pontes. — 
(do Fr. piteux), que excita a compaixão, 
miserável, maltratado, reduzido a estado la- 
m^enlavel. ex. « — estava a fortaleza, ona- 
YÍo. » Couto. 



FIE 



HG 



piEDRAS, (geogr.) capital do Estado de la 
Plala, sobre o Atlântico, ao S. e defronte 
de Montevideo. 

PIEIRA, s. f. (de pé, des. eira), doença 
que vem aos pós dos bois, causada pela 
immundicia em que os acravam nos cur- 
raes. 

PIEMONTE, (geogr.) [isto éPaii ao pé dos 
montes), em italiano Piemonte, em latim 
moderno Pedemontium ^ região da Itália 
septentrional, a E. dos Alpes gregos, e ao 
N. dos Alpes maritimos , forma com a 
Sabóia o centro dos Estados Sardos, e com- 
preende 5 intendências, geraes ; Turim , 
Coni, Alexandria, Novara, Aoste ; 2,600,000 
habitantes, (apitai Turi'n. 

PiENTissiMO. V. Piedosíssimo. 

PIKNZA, (geogr.) antigarap.nte Corsignano, 
cidade da Toscana, a 2 léguas e um quar- 
to SO. de Montepoliciano. 

piERiA, (geogr.) Pieria, região da Mace- 
dónia, na costa Occidental do golfo Ther- 
maico, entre o Haliacmon e o mar. 

piERiDES, (mytb.) hlhas de Piero rei da 
Macedónia, disputaram ás Musas o preço do 
canlo, foram vencidas e metamorphoseadas 
em pegas. Os poetas também chamam ás 
musas Pierides, por cauza do monte Piero, 
que lhe era consagrado. 

PTERio, A, adj, (Lat. Pieriíís), (poet.) das 
musas. 

PIERO ou P'RRTAS MONS, (geogr.) Cordi- 
lheira de montanhas da Macedónia ficava 
parallela ás margens occidentaei do golfo 
Thermaico. 

piERRE, (geogr ) cidade de França, a 7 
léguas ao íl. de Louhans; 1,600 habitantes. 

piERRE-BUFFiERE, ('geogp.) cidade de Fran- 
ça, a 4 legoas SE, Limoges ; 1,[)00 habi- 
tantes. 

piERRE-CHATEL, (gcogr.) foftc de Frauça 
sobre o Rhodano. 

piERREFiTTB, (geogr.) cidade de França, 
a 7 legoas ao KO. de Commercy; 1,000 
habitantes. 

piEHREFONTAiNE, (geogr.) cidade de Frau- 
ça, a 5 legoas Sil. de Baurae-les-Dames ; 
Í,3U(? habitante^, 

piERREFORT, (geogr.) cidade de França, 
a 6 legoas iO. de S. Flour ; 1,300 habi- 
tantes. 

piKTisTAs. (hist.) chamados também 5/)^- 
nerios, seita de Lutheranos, que affecta- 
Tam grande piedade, e preferiam os exer- 
cícios privados aos cultos públicos. Teve [or 
chefe Spener, professor de iheologia, o qual 
se esforçou para reformar o Lulheranismo. 
Os Pietistas teem alguma alegria com os Qut- 
kers pela severidade da sua moral e pela 
má aversão aos prazeres mundanos. 

PIBIOLA, (geogr.) ÁndtSf viUa do reino 



Lombardo -Veneziano, a 3 quartos de lé- 
gua ao SE. de Mantua. 

piETRAFESA, (geogr.) cidade do reino de 
Nápoles, a 4 léguas ao SO. de Portenza ; 
2,000 habitantes. 

PrETRAMALA, (geogr.) burgo de Toscana, 
a lo legoas ao NE. de Florença. 

piETRA SANTA, (geogr ) cidade da Tosca- 
na, a 7 legoas ao NO. de Lucques; 3,000 
habitantes. 

PIEUSE, (geogr.) cidade de França, a 5 
legoas ao SO. de Cherburgo ; 1,700 habi- 
tantes. 

piEVE-Di-SACCO, (geogr.) cidade do rei- 
no Lombardo-Veneziano ; a 2 legoas e 1 
quarto ao SO. de Pádua ; 5,650 habitan- 
tes. 

pieve-porto-morone, (geogr. 1 cidade do 
reino Lombardo Veneziano, a 2 legoas e 1 
quarto de Corte-Olona ; 2,900 habitan- 
tes. 

píEVE-SAN-STEFATfo , (gfiogr. ) cidade do 
ducado de Toscana, a 2^5 legoas ao O. de 
Florença *, 3.420 habitantes. 

PIFA NO. V. Pifara. 

PÍFARO, s. m. (em Fr. fifre, do illem. 
pfeiffe. nome do instrumento ; pfeiflen, to- 
car pifaro, e pfeifer, o tocador. São todos 
derivados do radical pftf imitativo do som 
agudo), frauta fina e de som agudo usada 
pela infantaria, o tocador delia. 

piFiAMRNTE, adv. {mente suff.) (chulo) de 
modo pifio. 

pífio, a, adj. (chulo) baixo, vil, mesqui- 
nho. 

piGAÇA, adj. f. Peva—, na Beira, cha- 
mada do conde ou de conde. 

PTGAFETTA, (hist.) escriptor italiauo, acom- 
panhou o navegador portuguez Fernando de 
Magalhães na sua expedição, e fez o diário 
desta primeira viagem em roda do mundo. 

piGAisiOL DE LA FORCE, (híst ) historiador, ■ 
e geographo francez, nasceu em 1673, mor- ' 
reu em 1753. Deixou entre outras obras : 
Descripção histórica e geographica de Fran~ 
ça. ^ 

PIGARRO, 8. m. (do Gr. bex, tosse, e ara- [ 
amos, ruido), som ronco causado pela dif- 
ficuldade de expellir o escarro viscoso nos 
catarrhos. j 

piGAULT-LEBRUN. (hlst.) romaucista fran- ' 
cez, nasceu em 1753, morreu era 1835. 
Escreveu uma Historia de França para 
uso das pessoas do mundo. Os sens roman-. 
ces são cheios de naturalidade e graça, mas 
á força de querer ser cómico cae no gru- 
tesco o trivial. (>s s'^us romances, que ti- 
veram mais voga foram r O Filho do Car- 
naval, os barões de Felsheim, meu Tio 
Thomaz, M. Botte, o Citador ; este é mui- 
to irreligioso, os outros s&o imoQoraes, 
52 



206 PIL 

piGDA, (h. n.) espécie de pássaro muito 
parecido com o Pica-Flor. 

piGEAu, (hist.) jurisconsulto francez, nas- 
ceu em 1750, morreu em 1818. Deixou: 
Introducção ao processo ciml ; Vommenta- 
rios sobre o Código do processo civil, etc. 

piGMEO. V. Pygmeo. 

piGNATELLi, (hlst.) priocipe de Strongoli, 
ministro do rei de Nápoles Fernando VI, 
nasceu em 1/32, morreu em i812, tor- 
nou-se odiozo pela sua crueldade. Na oc- 
casião da invasão francesa, foi nomeado ti- 
gario geral do remo, mostrou a maior pu- 
sillanimidade assignou um armistício, no 
momento em que Championet corria já 
grandes riscos, e fugiu para a Sicília, de- 
pois de queimar a esquadra napolitana, dei- 
xando a populaça senhora da cidade. 

riGNEROL, (geogr.) em italia Pinerolo, ci- 
dade dos Estados sardos, capital de uma 
província do mesmo nome, a 10 ao léguas 
SO. de Turim ; 6,200 habitantes. 

piGKOTTi, (hist.) escriptor italiano, nas- 
ceu em 1739, morreu em 1812. Entre as 
suas poesias as mais notáveis são umas Fa- 
bulas, que o tornaram popular. 

piGULHAL. V. Pegulhal. 

PUS, (hist.) litterato francez, nasceu em 
1755, morreu em 1832. Escreveu muitas 
comedias e poesias. 

piissímo, A, adjf superl. de Pio , muito 
pio. 

pilado, a, p. p. superl. de pilar; adj. 
pisado no pilão ; descascado, v. g Casta- 
nha — . Arroz — . 

piLADOR, s. m. V. o que pila. 

piLANGA, s. f. (t. da Ásia), tribunal , re- 
lação. F. Mendes Pinto. 

PILÃO, s. m. (Fr. pilon, do Lat. pilum, 
V. Pilar, verbo), mão do gral. — no Brazil , 
gral de pao rijo onde se pila ou descasca 
arroz milho. v.g. Sebe de — , parede tai- 
pal, sebe de taipa. 

riLÃo-cÃo, (geogr.) sitio na ilha de Santia- 
go, pertencente á fregueziu de S. Miguel, e 
concelho da Villa da Praia , 700 habitan- 
tes. 

piLÃo-ARCADO, (geogr.) pequena villa da 
província da Bahia, na comarca do Rio de 
São Francisco, no Brazil. 

PILAR, s. m. (Lat. pilarium, de pila, co- 
lumna cyhndrica ou quadrangular, sem cor- 
nija ou outro ornato ; esteio ; pião ou guar- 
dador de manejo ou picadeiro. 

PILAR, ». o. (Lat. pilo, are, de/?i/a, gral. 
Gr. pelos ou pilos, gral, pilcô, apertar, pi- 
sar), pisar no gral, de ordinário para tirar 
a casca ou peUicula. v. g. — o arroz, a ce- 
vada. No sentido de fazer cahir a casca ou 
pelle sem pisar no gral. v.g. — a casta- 
nha, parece-me vir de peilç o petlar. 



MH 



riL 



I •!. ^i...4n'a 



PILAR, (geogr.) villa da província de Pa- 
rahiba, na margem esquerda do rio deste 
nome, no Brazil, na comarca de Brejo de 
Área, 12 léguas pouco mais ou menos ao 
SE. da capital da província. 

PILAR, (geogr.) villa da província de Goyaz, 
no Brazil, vantajosamente situada sobre a 
estrada do norte, 45 laguas ao K da cidade 
de Goyaz. 

piLARETE, s. m. diminuí, de pilar, peque- 
no pilar 

piLARTE, s. m. moeda antiga de prata de 
El-Rei D Fernando. O Elucidário diz que 
valera 13 réis e 2 ceitis, e que depois se 
abaixara a 7 dinheiros ou ceitis. 

piLASTRA, s. f. pilar de quatro faces, das 
quaes uma fica embebida na parede ; co- 
lumna attica. 

piLASTRÃo, s. m. augm. de pílastra. 

PILATOS, s. m. (fig.) nome de uma ban- 
deirinha que] vai na procissão dos fina- 
dos. 

PILATOS (Poncio) (hist.) Pontius Pilatus, 
era procurador da Judea no anno 27 de 
Jesu-Christo Tendo os Judeos accusado pe- 
rante ello a Jesus, Pilatos declarou-se incom- 
petente para o julgar e enviou-o para o rei 
Herodes (Antípas). Como era costume na 
festa da Páscoa perdoar a um condemnado, 
Pilatos designou para esta graça Barabbas 
e Jesus, contando que o povo preferiria a 
innocencia ; Barabbas foi preferido. Pilatos 
deu então ordem para o supplicio, mas an- 
tes delle lavou as mãos para declinar a res- 
ponsabilidade deste homicídio. Pilatos mor- 
reu em Isere no anno 40. 

PILATOS, (monte) (geogr.) montanha da 
Suíssa, entre os cantões de Lucerna e de 
Linderwald, na margem Occidental do lago 
de Lucerna ; é uma ramíQcação dos Alpes 
berraeses. 

píLCOMAYO, (geogr.) rio da America do 
Sul, sae das Andes, e cae no Paraguay, 
defronte d'Assumpção. 

piLDAR, t?. n. (t. chulo), safar- se, fugir. 

piLDORA, (ant) V. Pilula. 

piLEO, s. m. (Lat. pitéus. Gr. pilos, fel- 
tro, barreie), barrete ou carapuça de que 
usavam os antigos gregos e romanos. 

piLERNE, (geogr.) aldeia da província de 
Bardez; 2,195 habitantes. 

PILES, (hist.) litterato e pintor francez, 
nasceu em 163ú, morreu em 1709. Escre- 
veu um Curso de pintura. 

piLETRE ou piLiTRE V. Pyrcthro. 

PILHA, s, f. (Fr. pile, Lat. pila , do Gr. 
pilein, apertar), montão de cousas em ca- 
madas umas sobre outras, v.g. — de sardi- 
nhas, de lenha, de balas. — s de sal, (fig.) 
tei — , graça, pico. Está o comer uma — . 
de sal, mui salgado. — de pesos, pesos ^ra- 



PIL 



PIM 



107 



duados e oucos, mettidos uns dentro dos 
outros. 

PILHADO, A, p. p. superl. de pilhar ; adj. 
roubado, apanhado ; conseguido. 

piLUAGEM, 5. f. (des. agem), roubo, presa 
feita por corsário, v.g. Andar á — . 

piLHANCRA. V. Pelkancas. Ferigalho. 

piLHANTE, s. m. ladrão, salteador. 

PILHAR, V. a. (Fr. piller, pron. pilhe, do 
Lat. pilare , roubar, que Festo deriva do 
Gr. Eol. piletés, por philités, ladrão, usa- 
do por Homero nos hymnos, e no sentido 
de salteador por Hesiodo), roubar, apanhar 
andando a corso. v. g. Andar pilhando. — 
(chulo), haver alguma cousa por meios des- 
honestos. 

piLiiEiRA, s. f. {pilha, des. eira) , lugar 
onde estão cousas empilhadas, v. g. — de 
cinza, areia. 

piLHEiRO, s.m. (p. us ) deposito onde se 
ajunta agua para diversos usos. Creio que 
vem do Gr. pylé, porta. 

PILHÉRIA, s. f. (de pilha de sal], (famil.) 
chiste, graça, sal na conversação, v.g. Es- 
te sujeito tem muita — . 

PILHÉRIA. V. Pilhagem. 

piLiERi, (geogr.) burgo da Sicilia, a 7 
legoas SO. de Mazzara. 

PíLLAU, (geogr.) cidade marítima dos Es- 
tados prussianos, a 9 legoas cl quarto SO. 
de Konigsberg ; 4,500 iiabitanles. 
^ PiLNiTZ, (geogr.) Pillnitz ou Poelnitz, 
villa ecastello real da Saxonia, a 2 léguas 
e um quarto ao SE. de Drcsde. 

PILO, s. m. (Lat. pilum), dardo de arre- 
messo, arma usada pelos antigos Romanos. 

PILÕES, fgeogr.) pequeno rio aurífero da 
província de Goyaz, no Brazil. 

PTLOSELLA , s. f. (Lat.), planta que tem 
pellos ou felpa. 

piLOSo, A, adj. (Lat. pilosus , de pilus , 
cabello), cabelludo, que tem pello. 

PILOTAGEM, s. f. (des. agem), arte do pi- 
loto ; mareação do navio dirigida pelo pi- 
loto. 

piLOTEAR, V. n. [pilotoar, des. inf.), ma- 
rear, dirigir a derrota do navio. 

PILOTO, s. m. (Fr. pilote, de pile, haste, 
e led, lod. ou lot em Saxão e línguas ger- 
mânicas, guiar, dirigirj, o oíTicial que go- 
verna, dirige a derrota do navio por meio 
do leme; (lig.) guia. v.g. E o meu — . 

PILPAY ou ANTES BIDPAY, (híst.) O EsOpO 

Índio, foi visir do rei da Judeia, chama- 
do Dabshehm , e viveu n'uma epocha des- 
conhecida. É conhecido como auctor de 
umas Fabulas, escriptas primitivamente em 
Sanscriplo, e conhecidas pelo nome áe P an- 
icha Tantra. 

PTLRETB, *. m. (corrupto de 6í/roedim.), 
(chulo), homemzinho, 



PILRITEIRO, s. m. (desa ei/ro], arvore que 
dá o pilrito. Outros escrevem e dizem Pir- 
liteiro. 

PILRITO ou piRLiTO, s m , fructo do pil- 
riteiro. 

piLSEN, (geogr.) cidade dos Estados prus- 
sianos, alo léguas ao N. de Klaltau ; 7,000 
habitantes. 

piLTEN, (geogr.) cidade ecastello da Rús- 
sia Europea, a 37 legoas NO. de Mittau. 

PTLULA, s. f. (Lat. diminut. de pila, bo- 
la), (pharm.) , bolinha medicamentosa que 
pesa até cinco ou seis grãos, o de ordiná- 
rio de dois a quatro, v. g. Engulir a — , 
(chulo), acreditar peta. — soíTrer dissabor. 
Vulgarmente pronuncía-se pirola. 

PIMENTA , s. f. [ em índio pipel , 
Sanscr. pipalô, Pers. pilpil, planta e a sua 
semente aromática e picante. Ha três espé- 
cies : a preta, originaria de Java, Sumatra 
e Ceilão ; a branca, que é a semente pre- 
ta descascada ; e a longa , mais cáustica. 
Além destas ha a pi) enta de cheiro, a co- 
mari, e a malagueta ; estas duas extre- 
mamente acres, e ardentes, são usadas em 
forma de cataplasma em moléstias graves , 
como epispasticos, e em clysteres contra a 
doença chamada carneirada na costa de- 
Africa. 

PIMENTA (Diogo Bernardes), (híst.) poeta 
portuguez, mais conhecido por Diogo Ber- 
nardes ; nasceu na villa de Ponte de Lima, e 
falleceu em Lisboa e n 1596. Foi um dos 
nossos melhores poetas, como o attestam os 
seus contemporâneos Sá de Miranda e An- 
tónio Ferreira ; e no género bucólico talvez 
nenhum o excedesse. Temos delle : Rimas 
varias, Flores do Lima ; que consta de So- 
netos, Sextinas, Canções, Elegias, etc. O 
Lima de Diogo Bernardes, que consta de 
Éclogas e Cartas ; Varias Rimas ao Bom 
Jesus c á Virgem Gloriosa. 

piMENTAL, s. m. (des. collectiva ai), lugar 
plantado de pimenteií^as. 

PIMENTÃO , s. m. augment. de Pimenta, 
fructo vermelho quando maduro, e mui pi- 
cante. Do fructo verde se fazem conservas 
em vinagre, v.g. Nariz de — , mui verme- 
lho. 

PIMENTEIRA, s. f. (dos. tfira), arbusto que 
dá a pimenta, de varias espécies, tanto *as 
da índia como do Brazil : v. g. — de cheiro, 
que dá fructo amarello ; — comari , mala- 
gueta, cornicabra. 

PIMENTEIRO, s. m. (des. eiró) , pimentei- 
ra. — o vaso em que se serve a pimenta nâs 
mesas. 

PIMENTEL (Luiz Serrão), (híst.) distincto 
maihematico portuguez ; nasceu em Lisboa 
em 161ò, foi tenente general deartilheria, 
cosmographo mór e engenheiro mór do rei- 
52 « 



808 



WN 



WN 



no, falleceu ma mesma cidade onde nascera, 
em 1679. Deixou: Arte pratica de navegar 
e Regimento de Pilotos ; Roteiro da Nave- 
gação do Brazil, Guiné, S. Thomé, Ango- 
la, índias e Ilhas Occidentaes e Orientaes, 
Cabo de Finisterrce até ao estreito de Gi- 
braltar. Methodo Lusitano de defender as 
fortificações das praças ; Pagan resumido, 
Pratica de Arithmetica decimal. Trignome- 
tria pratica, Compendio de alguns proble- 
mas de Geometria ; e theoremas de especu- 
lativa, Roteiro do Mar Mediterrâneo. 

PIMENTEL (Manoel), (hist.) filho do prece- 
dente, a quem succedeu no cargo de Cos- 
mographo mór do reino. Foi distincto ma- 
thematico, publicou e annotou muitas das 
obras de seu pai, e escreveu uma Arte de 
Navegar, que foi no seu tempo havida por 
texto, e mereceu os applausos dos professo- 
res estrangeiros. 

PIMENTO^ s. m. V. Pimenta. 

PIMPÃO, s. m (chulo), valentão, guapo ; 
. outros interpretam enfeitado, loução. Vem 
talvez do Inglez pimp, rufião, alcoviteiro , 
ou do Fr. pompon, laço; nó de fita. 

piMPiNELLA, s. f. (Lat.) herva medicinal 
aromática. 

piMPLA, (geogr.) montanha da Macedónia, 
na Pieria perto do Olympo. 

piMPLAR, V. n, [pimpleo, ar des. inf.) flo- 
rear com o pimpleo. 

PIMPLEO, 6'. m. (de pimpolho), garrochi- 
nha enfeitada com fitas, que o toureador 
traz na mão. 

PIMPOLHO, s m. (do Lat. pampinus), reno- 
vo, gomo da videira. 

FINA , s. f. (do Lat. pinna, aza, pennas 
das azas de aves, as pinas são as peças que 
formam a circumferencia das rodas de co- 
che, sege, ou carreta de artilharia, e no in- 
terior dos quaes se embebem os raios. 

PINA (Ruy de), (hist.) historiador portu- 
guez ; nasceu na cidade da Guarda, igno- 
ra-se em que anno , mas suspeita-se que 
em 1440, floresceu durante os reinados de 
D. João II. D. Manoel, e falleceu na sua 
quinta de Santiago, junto á Guarda no prin- 
cipio do reinado de D. João III. Em 1482 
foi secretario da embaixada em Castella, e 
dois annos depois desempenhou o mesmo 
cargo em Roma. Voltando desta commissão 
o elicarregou elrei li. João II de escrever 
as chronicas do reino, apesar de Lucena ser 
o chronista mór concedendo-lhe uma ten- 
ça. Ainda desempenhou outra missão im- 
portante em Castella, até que no reinado 
de D. Manoel foi nomeado chronista mór , 
guarda mor da Torre do Tombo e da livraria 
real, em i497. Em lá04 concluiu os seus 
trabalhos históricos, e recebeu de D. Ma- 
nwl aOYfts tenças ; passando o resto da sua 



vida cheio de honras e recompensas. É o 
chronista de que nos restam mais Chroni- 
cas, pois temos delle ; as de D.Sancho I, 
D. iffonso 11, D. Sancho II, D. Affonso 
III, D Diniz, D. Affonso IV, D. Duarte, 
D Affonso I, e D. João II. Esoroveii alem 
disso : Do fallecimento delrei D. João I 
deposito do seu corpo, e trasladação para 
o mosteiro da Batalha , e Compendio das 
grandezas e cousas notáveis d' Entre Douro 
e Minho. Duvidam alguns que esta obra 
seja de Ruy de Pina ; bem como a respeito 
das chronicas é opinião seguida que só as 
duas ultimas são originaes, e que as outras 
são resumo ou extracto de obra feita por 
Fernão Lopes. O que é incontestável é que 
Ruy de Pina foi com Fernão Lopes e Azu- 
rara, um dos fundadores da historia por- 
tugueza , e que tiveram a gloria de fi- 
xar a língua, e encetar o grande século da 
litteratura portugueza. 

PINA (Fernando de), (hist.) filho do pre- 
cedente ; nasceu na cidade da Guarda , e 
foi estudar fora do reino. D.João II o no- 
meou em 148á secretario da embaixada em 
Londres ; D. Manoel lhe commetteu a re- 
forma dos Foraes do reino, e D. João lII 
o nomeou Chronista Mor do reino, o Guar- 
da Mor da Torre do Tombo, logares em 
que succedeu a seu pai. Escreveu Refor- 
mação dos Foraes do Reino, Memorias dos 
Re>.s de Portugal. 

piNAÇA, s /". do [tal. pinnacia, depintis, 
pinho, madeira de que são construídas), em- 
barcação pequena estreita , de vela e re- 
mos. 

piNÁcoLO. V. Pináculo. 

PINÁCULO, s. m. (pino, eL»t. açus, cousa 
aguda), o corucheo, a parte mais alta de edi- 
fício ; (fig.) auge, o mais subido, v. g. Levar 
ao — , gabar excessivamente. 

pinàrio e poticio, (hist.) amigos e com- 
panheiros d'Evandro, seguiram-no á Itália 
a onde foram Sacerdotes d'flercules ; a sua 
posteridade formou duas raças : os Pina- 
rios e os Poticios. 

piNÁsio, (t. de carp.) a peça do meio, em 
portas de três peças. 

píncaro, s. m. V. Cume, Cimo. 

PINÇA, s. f. (Fr. pince, de pincer, apertar), 
tenazinha de cirurgião. — instrumento usa- 
do pelos bombeiros, tem a forma de um S, 
com pouca differença. 

PiNçÃo, s. m. V. Pinçote. 

PINCEL, s. m. (Lat. penicillus, ou penicil- 
lum, dim. áepenis, cauda, rabo), molho de 
cabello, clina, cerdas ou pello de animaos 
atado auma hastezinha, cabo, ou fixado na 
extremidade de uma penna, para applicar as 
cores á pintura, v. g. Os pinças de gris, são 
de pello o aaais macio ; os de peiane são mais 



FIN 



i» 



S09 



ásperos. Os grossos chatnam-se brochas. 
Os de caiar sào grosseiros e tem cabo com- 
prido. — , (fig ) pintura, pintor, v. g. Dar 
o ultimo — , pincel«da. aperfeiçoar a pin- 
tura, (íig.) aperfeiçoar o poema. v. g.Bom 
— , pintor. — poeta que pinta ao vivo com 
imagens. — colori4o, v. g. o — da adula- 
ção. 

PINCELADA, s f. (des. oda), traço, toque 
de pincel. 

PífíCELADO, A, adj. tocado, retocado com 
pincel ; caiado, v. g. Paredes — , (ant.) pala- 
dar. 

PiNCELEiRO, s. m. (des eiró], o que faz 
e vende pincéis. — vaso com liquido apro- 
priado para nelle se lavarem os pincéis 
depois de ter servido. 

PINCHA, (l. da Beira). Y. Qalheta. 

PINCHAR , V. c. (do Lat pinso, are, ou 
ere, bater), (ant.) bater, impellir, dar gol- 
pes para derribar, v. g. muralha , porta. 
Banco de — , machina antiga de bater as 
muralhas. — no brasão, banco sem encos- 
to, que os infantes trazem no escudo das 
armas, entre o baixo da coroa. — , em sen- 
tido n. saltar folgando. Diniz, Dilhyr. 

PiNCHEBEQUE, s. m. (do ingl, finchbeck , 
que se diz darivado do nome do inventor), 
liga de cobre e zinco, de côr amarella , e 
de que se fazem íivelias e outras obr^sde 
ornato. 

PINCHO, s. m. golpe violento, embale ; 
pulo, salto. 

p/NçoTE, s. m. (naut.) pao que pega na 
ponía da cana do leme, e serve para o 
governar: v.g. — da bomba, mangote. 

piHDA, (geogr.) praso da Coroa Portugueza 
no districto de Quilignane, 

PINDAÍBA, s, f. (t. Brasil) , corda de fio 
de palha de coqueiro para pescar ao an- 
zol. 

PiiíDAMONHANGABA, (gcogr.) villa da pro- 
vi.nçia de S. Paulo, no Brazil , na margem 
direita do rio Parahiba. Çstá assentada 
n'uma planície, 32 léguas ao NE. da cidade 
de ià Taulo, o 4 aL. da villa de Taubaté, 
4,000 habitantes. 

eiNUARES, (bist.) (isto é habitantes das 
moutanhas), Iribu do Hindoustão, nos eâ- 
isidos d'Uolkar e de Sinhya, e no princi^- 
pado de Bopal. 

piNu^uÉ, (geogr.) pequeno rio da provín- 
cia do IVÍaranhào, no Brazil. 

piNDARO, (hist.) o mais celebre poeta lyri- 
co grtíç^o, nasceu em Thebas no anno 520 
antes do Jesii-Christo, morreu no anno 456. 
De todas as suas poesias só nos restam 45 
hymnos ou odes divididas em 4 partes : os 
Oíympicos, oi Py laicos, Qs ísthmicos, os 
Neméenos. 

piNDEMONTB, (hist.j um dos melhores poe- 
YOL. lY* 



tas italianos do XVIII século, nasceu em 
1757, morreu em 1801. Traduziu os dous 
primeiros cantos da OdysseaeouUtsobrèt. 

PINDO , s. n\. monte da Arcadi* consa- 
grado ás ílusas. v.g. Ás tnoradoras dt — , 
as Musas. 

PINDO, (^eogr.) povoação de Portqgaj, a 
2 léguas de Viseu. |,iJ0|3 habitantes. 

PINDO, (geogr.) Pindus , hoje Mexxovo , 
Ágrafa, cordilheira de montanhas da Gré- 
cia, separa a T[iessalia da Athamania. 

piNDOBA, s. f. (t. Brasil ), espécie de co- 
queiro que dá cocos pequenos. 

piNDOTiBA, (geogr,) serra da provinda do 
Rio de Janeiro, no Brazil, ao N. da sorrt 
de Piha-Grande, e ramo da cordilheira dos 
Aimorés. 

piNDRA, e piNDRAR, (obs.) V. Pcnhora, 
Penhorar. 

piNEGA, (geogr.) rio da Rússia europea, 
nasce no governo de Vologda, e cae no 
Dzvina. 

piNEL, (hist.) medico francez, nasceu em 
1745, morreu em 1826. Deixou, entre ou- 
tras obras, um Tractado medico-philosophi- 
CO sobre a alienarão mental. 

piNEO, A, adj. (pron. pUeo : ÍRt.pineus), 
de piíiho , ou pinheiro, v. g A — selva, 
(poesia). O — iirdor, de fogueira de pi- 
nho. 

PINEY ou PINET-LUXEMBURGO, (geOgr.) ci- 

dade de Fiança, a 5 léguas e meia NE. de 
Troyes ; 1,300 habitantes. 

PNfG-NAN. (geogr.) província da Corea , 
a E. e aoS. daMantchouria ; capital Ouei- 
youen-si. 

piSGA, s.f.v [de pingar), gotta que cahe ; 
(fig.) porção minima, mui ténue. v. g. Uma 
— d'agua. Nem — de sangue lhe íicou no 
corpo. A'oa—, diz-se jocos mente de vinho 
ou licor especial, e lambem de tabaco ou 
rapé. 

PINGADEIRA, s. f. (d€S. círa), vaso offi quô 
cabem os pingos da carne que s« está assan- 
do. 

PINGADO, A, p.p.superl. de pingar; adj. 
que recebeu pingos ; queimado cora pingos 
de azeite fervendo, por tortura ou castigo. 
VI. g. Escravo — , castigo atroz dado aos ne- 
gros no Brasil por senhores crues. Gatos 
— if. V. Gato. 

PINGALHETE, .?. m. (do Lat. pinax, grade 
de painel, e clavus, prego), preguinho co- 
rpo os de que usam òs pinto^es paia pre- 
gar o panno na grade. — pãozinho de aw^ 
mar as costellas de apanhar pass&ros-." 

PINGANTE, s. m. (chulo. V. g. Um — , ho- 
mem pobre. 

PINGAR, V. a. {pingo, ar des. inf.) deitar 
pingo ou pingos^ e principalmente de azei- 
te ou gordura fervendo para atormootar ai* 
53 



fia 



PIN 



PIN 



guem : t?. g^-^-o escravo, deitar-lhe azeite 
ou gordura a ferver sobre a pelle. 

PINGAR, V. n. cahir aos pingos ou ás got- 
tas, gottejar, v. g. — a carne quando se 
assa; — o nariz de pessoa encatarrhoada. 
Andar pingando, viver pobremente, andar 
como o boi mui magro que se dessora em 
suor. 

Syn. comp. Pingar, Estillar, Gottejar. 
Pingar de ordinário se applica a fluidos 
animaes. Estillar denota operação distilla- 
toria natural, ou artificial. Gottejar diz-se 
de qualquer liquido. A etymologia de pin- 
go lira toda a ambiguidade. 

PINGO, s. m. (do Lat. pingue, epinguedo, 
a gordura) pinga, gotta de gordura, ou de 
suLs anciã oleosa que gotteja da carne assa- 
da, do toucinho — do nariz, aguadilha 
que corro do nariz nocatarrho cu de quem 
toma tabaco ; o pingar com gordura ou azei- 
te fervendo por tormento ou ciistigo. — , (fig ) 
nódoa, (ant.) ex. « Deitar — s na fama, » 
mancha-la. Camões, tarta I. 

Syn. comp. Pingo, gotta. Pingo é gotta 
de sohdo crasso derretido. Gotta é porção 
mui ténue de um fluido. 

PINGO (Serra do), (geogr.) alta serra da 
província da Bahia, na comarca de lliode 
Contas, ao poente da serra de Villavelha, 
no Brazil. 

píNGRE, (hist ) astrónomo francez, nasceu 
em l711, morreu i796. Deixou Cometo- 
graphia ou Tractado histórico e theorico 
dos cometas. 

PINGUE, adj. dos ^g. {L&i. pinguis, gor- 
do, pingue, gordura. Vem do Gr. pion, pió- 
dés^ gordo, piotés, gordura. EmEgypcioou 
Coptico j?i-dí significa a gordura, ekhôtou 
ghot, gordo, crasso, que creio vir áetdnho, 
ajuntar, pôr junto) gordo; (íig. emais us.) 
grosso, fértil, abundante. Pingues vaccas, 
bois. Terra — , grossa, fértil. Herança — , 
grande. Beneficio — , rendoso. Aras pingues, 
as cm que os idolatras sacrificavam animaes 
gordos ou parte d'eiles cobertos de gordu- 
ra. 

piNGUEDO, s. f. (Lat ) V. Gordura. 

PINGUELA, s. f. ou piNGUELO, s wi. Vari- 
nha com que se arma o laço para apanhar 
aves, e que levemente locada o faz cerrar fi- 
cando presa a caça, gancho de armar ratoei- 
ra para o mesmo fim; viga ou prancha atra- 
vessada que serve de ponte. 

piNGUiNHA, s. f. diminuí, de pinga. 

PINHA, s. f. (do Lat. pinus, pinheiro) fru- 
cto do pinhei'*o ; qualquer fructo da mesma 
forma pyramidal agglomerada, v.g. o ana- 
naz; (íig.) cousa mui basta. Uma — de geá- 
lo Soldados juntos em — , ou em uma — . 
Em —, mui basto. A arvore fecunda dá fru- 
ctcs em — . — da meia, quadrado, lavor 



que se faz ás meias desde abaixo dos torno- 
zelos até -à barriga da perna . 

pinhal, s. m. (des. collectiva ai) mata de 
pinheiros. 

piNHANços, (geogr.) povoação de Portugal, 
no concelho de Cea, 14 léguas a E. de Coim- 
bra, 1,40J habitantes. 

PINHÃO, s. m. Pinhões, pi. (do Fr. pignon, 
pron. pinhon) amêndoa da pinha. Dá-se o 
nome de pinhões a diversos fructos semelhan- 
tes á pinha. 

PINHÃO, (geogr.) rio de Portugal, no dis- 
tricto de Villa-Heal, nasce perto d'Alfarela, 
na serra daFalperra, e desagua na direita 
do Douro 1 légua e meia a SO. de Favaios. 

PINHEIRA, s. f. (t. provincial) navela : a ar- 
vore que dá as pinhas doces no Brasil. 

PINHEIRAL. V. Pinhal. 

PINHEIRO, s. m. (Lat. pinus] arvore que 
dá pinhas e resina, e de que ha varias espé- 
cies, v.g. — bravo; manso; alvar ou bas- 
tardo. 

PINHEIRO, (geogr.) com este nome ha em 
Portugal 20 povoações, as principaes são : 
1.* povoação no concelho de Penafiel, 625 
habitantes; 2.^ villa a 4 léguas de Lamego, 
534 habitentes; 3.* freguezia do concelho 
d'Ourique, 900 habitantes ; 4.^ — d^Azere, 
villa a 6 léguas de Viseu, 70J habitantes ; 
5.'^ — da Bemposta, villa perlo d'Estarreja 
e a O léguas de Aveiro, 1,3^0 habitantes ; 6.* , 
-- Grande, povoação no concelho de San- 
tarém; 7." — de Lafões, freguezia do con- 
celho de Lafões a 5 léguas de Viseu, 1,OiO 
habitantes; 8.* — e Mução, villa a 3 léguas 
de Lamego, 1,300 habitantes; li.^ — Novo, 
e 10.^ — Velho, duas povoações dodistri- 
cto de Braga que não excedem 300 habitan- 
tes cada uma. 

PINHEL, (geogr.) cidade de Portugal, situa- 
da sobre o rio do mesmo nome, a 4 léguas 
da raia hespanhola, no districto da Guarda, 
donde dista 5 léguas a NE. e 2 d' Almeida; 
2.000 habitantes. 

PINHEL, (geogr.) pequena villa ou antes 
aldeLt da provinda do Pará, no Brazil, na 
margem esquerda do rio Tapajoz, 20 léguas 
acima de sua confluência com o Amazonas. 

PINHO, s. m. [Làt. pinus] madeira do pi- 
nheiro ; (fig. epoet.) navio feito de pinho. 

piNHOADA, s f. (des. ada] pinhões passa- 
dos por calda de açúcar, ou confeitados com 
mel. 

piNHOCA, s. f. (t. da Beira) Y. Cangalho. 

piNHOECA, s. f. seda com círculos avellu- 
dados. 

piNHOLA. V. Pinhoca. 

PiNHOTA, s. f. {pinha, des. dim. oía] pi- 
nha de flores, cacho. ex. « Nasce o cravo era 
— s como madrosilva. » Castanh. 6, cap. i. 
Barros diz cacho de cravo. 



PIN 



PIN 



211 



'íAit-V 



PiNiFERO, A, adj. (Lat. pinus pinheiro, e 
fero, trazer) (poot ) que dá pinheiros. — s 
montes. 

piisj ENTES 5. m. pi. (alterado dependen- 
tes) pedra da feição de pêra, pendente dos 
brincos das orelhas. 

piNKERTON. (geogr.) sábio escossez, nas- 
ceu em i758, morreu em 1826. Deixou : 
Geoijrnphia redigida sobre um novo pla- 
no i Ensaio sobre medalhas. 

piNNA, (geogr.) cidade d'ltalia, entre os 
Veslini, ao S. do Picenum, hoje Civita du 
Teuno. 

piNNEBERG, (geogr.) villa de Dinamarca, 
a 8 léguas SE. de GÍuckstadt ; 400 habi- 
tantes. 

piNNULAS, s.f.pl. [Ldil. pinnula, dim de 
penna) duas peças elevadas nos extremos de 
alguns instrumentos mathematicos com ori- 
cios por onde se enfia o raio visual, miras. 

PINO, s. rn. (provavelmente doLat.f>mMs, 
pinheiro, em razão da altura da arvore) au- 
ge, o mais alto ponto. No — do sol, do dia, 
quando o sol está mais elevado. — dt, noite, 
no meio d'ella. — da calma, quando ella 
é mais intensa, ex. «Sou um — de oiro, » 
Eufr., muito garboso e gentil. Tem — , — 
tem, diz-se ás crianças quando começam a 
pôr-se empo. — de choca, o badalo de páo 
com bola no extremo. — s de sapateiro, tor- 
nos de páo de pinho para pregar os saltos. 

piNOLS, (geogr.) villa de França, a 7 lé- 
guas S. de Brionde ; 900 habitantes. 

PINOS ou ILHA DOS PINHEIROS, (geOgr.) 

El Evangelista de Christovão Colombo, uma 
das Antilhas hispanholas, a 20 léguas da 
Costa S. de Cuba. 

PINOTE, s. m. [pino, des. ote] salto de bes- 
ta para cima 

PINOTEAR, V. n. {pÍ7iote, ar des. inf.) dar 
pinotes, espinotear ; (fig.) saltar de contente, 
de prazer. 

piNCTÉRES, s. f. pi. espécie de marisco : 
«das lindas ~s enconchadas. » Elegiad. 

PiNQUE, s.m. embarcação de carga usada 
no Mediterrâneo e costas de Itália. 

piNSK, (geogr.) cidade da Rússia euro- 
pea, sobre o Pina, a 06 léguas SO. deMi- 
nsk ; 4,000 habitantes. 

PINTA, s. f. (de pintar] raanchazinha de 
côr diíTerente, v.y. nas pennas das aves, no 
pello de cavallos ; (fig.) signaes exteriores, 
V. g. conhecer alguiím pela pinta, velhacos 
ehypocritas pela — se conhecem. — , pi. 
nódoas, manchas cutâneas no homem, na- 
turaes ou effeiío de doença ; um jogo de car- 
tas de parar (pintadas por fora). 

PíNTA, s. f. (do Fr. píníe) medida antiga 
de líquidos ainda usada na Beira, equivalen- 
te a três quartilhos. 

PINTADO, A, p.p. de pintar; adj. a que se 



applicou côr ou tinta cim pincel, represen- 
tado com colorido; que piatou. As paredes 
— s. Um quadro bera — s. O pintor tinha 

— o teclo da igreja. Não poder ver alguém 
nem — , ter-lhe grande aversão, não lhe 
querer ver nem a imagem. — , (fig.) nem o 
mais — , avantajado. — hade ser quem lhe 
puzer o pé adiante, isto é, mui fino, ex- 
perto. Moraes explica o sentido figurado di- 
zendo : « Não existo ou não ha quem isso 
faça. » Ku creio antes que nerta phrasepm- 
tado significa excellente, eximio, represeíi- 
tado com as mais vivas cores por hábil pin- 
tor. — , (fig ) figurado em estylo cheio de 
imagens, v. g. — era versos engenhosos. 
Veio-lhe — , diz-se de cousa favorável que 
acontece a alguém, ou que lhe vem a pro- 
pósito. Quanto vai do vivo ao — , da na- 
tureza á copia ou imagem d'ella. 

PINTAINHA, s. f. afemêa do pintainho. 

PINTAINHO, s. m. diminuí, de pinto, o 
frango apenas saído do ovo, qne ainda anda 
atras da mãi. 

pintalegrete, s. m. (ant.) casquilho, ho- 
mem mui apurado no vestir. 

piNTÃo, s m. augment. de pinto, frango, 
pinto já crescido. Pron o accento na pri- 
meira. 

pintar, V. a. (do Lat. piclor, pintor, pi- 
ctura, pintura, com a des. inf. ar] applicar 
tinta, côr com pincel, v. g — o corpo, as 
paredes, o navio ; representar figuras, ima- 
gens de objectos, paizes, perspectivas, etc. 
por meio de tintas de diversas cores que imi- 
tam as da nitiireza ; matizar, ornar de cores, 
fazer brilhar, v. g. a natureza de vivas rosas 
pintou 8s faces da bella dama. « A varia côr 
que pinta o roxo fructo. » Lusiad. «Favo- 
nio pinta o prado de flores. » — , afigurar 
com palavras ou na imaginação, imaginar, 
phantdsiar, v. g. — asbellezas da natureza, 
os estragos da guerra, a força das paixões. 

— no rosto, mostrar o que a alma sente. 
Pintei-lhe um cruzado na palma, (loc.joc.) 
proraelti-lhe e fiz-lhe ver um cruzado. — 
ao desejo, (ant.) — como querer, imaginar 
conforme desejamos. — , entre encaderna- 
dores, applicar folha de ouro com o ferro 
quente. — , (t de bordador) bordar, mati- 
zando. « Com a destra agulha pinta. » (poet.) 
— SE, V r. afigurar-se, representar-se, v. 
g. pintou se-lhe na phantasia ou em sonho 
uma maravilhosa scena ; fallando de outrem, 
ser representado, v. g. pintou-se me esse 
homem como um prodígio de saber, mas ape- 
nas o tratei conheci que só possuia erudi- 
ção superficial. — , v. n. tomar côr. Pmta 
a uva, começa a roxear (a uva tinta). — a 
azeitona, (fig.) dar boas mostras. Pintam 
bem as cartas, os dados, sahem favoráveis 
ao jogador. Já lhe pinta o bastardo, (loc. 

53 « 



212 



PIN 



PIO 



chula) diz-se do moço quando lhe aponta o 
buço, signal de puberdade, pela semelhan- 
ça coDQ a côr da uva. 

ffiNTARROxo, s.m. [pinta GTOxo, om Lât. 
rubeçula), pássaro vulgar. 

yiNTASiLGO, s. m. (Cast, pintacilgo), ave 
vulgar. 

piNTASiRGO. V. Pintasilgo. 
ipiNTiNBO. V. Pintainho. 
CINTO, s. m. (talvez de piar), o filho da 
galinha ao sahir do ovo, e antes de estar 
empluraado ou de ser frango. — , (chulo), 
um cruzado novo em ouro, provavelmente 
em razão da côr ; — , um crui^ado novo em 
pr^ta. 

PINTO (Heitor), (hist ) distincto morahsta 
portuguez ; nasceu na villa da Covilhã, foi 
religioso da ordem de S. Jeronymo, um dos 
. mestres da Sagrada Escriptura , que mais 
ennobreceram a universidade de Coimbra ; 
assistiu era 1j59 á coroação do Papa Pio 
IV em Roma, onde se achava a negócios 
da sua ordem; e falleceu em 1584. Inscre- 
veu : Imagem da vida christã ordenada 
por diálogos, obra que mereceu ser tradu- 
zida em Latim, Francez, Italiano e liespa- 
nhol, e foi muitas vezes reimpressa. Foi 
este monge um dos principaes moralistas e 
clássicos do seu século ; e os seus Diálo- 
gos são um modelo de pureza de lingua- 
gem ê encanto de estylo. 

PINTO (Fernão Mendes) , (hist ) escriptor 
portuguez, nasceu em Monteujor-o-Velho 
em ihi)^; fallecnu na villa de Aliiia'!a em 
15S0oulrí8i. Havendo passado os primei- 
ros aunos da sua vida na pobre casa de seu 
pai; se embarcou aos 20 annos para a ín- 
dia,, e lá gastou 21 era continuas e traba- 
lhosas, viagens Visitou a China, Tartaria, 
Sião e çiuilos outros lugares ; e de tudo o 
que viu e lhe aconteceu nos deixou noti- 
cia em um livro, que intitulou Peregrina- 
ções. Esta obra ó uma das óptimas , que 
temos na nossa lingua, e pôde ser que nas 
outras com diíliculdade se aponte outra no 
mesmo gepero, que em interesse, discrip- 
ção e clegancija lhe ganhe preferencia , so- 
bretudo, se altendermos ao tempo em que 
foi escripla. As muitas edicções e traduc- 
ções, que teve em diversas línguas, attes- 
tam, o meritp do livro e do seu autor. 

PINTO (i^AAc) , (hist.) Juíleu nascido em 
Portugal do XVlil século. Defendeu os seus 
correligiimarios contra Voltaire em um opús- 
culo intulado : Reflexões criticas sobre o ar- 
tigo de VoUaírei a respeito dos Judeus ; escre- 
veu ajem diisto um Traclado sobre o luxo e 
ou.t,ras obras. 

PINTOR, s. m. (Lat. pictor, de pivgere, 
pintar), o que sabe delinear as imagens de 
Uguras e objectos naturaes dançlo-lhes as 



cores appropriadas : — de retratos, de his- 
toria^ de paizes, de scenario, de perspec- 
tiva, de flores, fructos. — , (fig ) poeta : —r 
de phantasia, que pinta ou descreve obje- 
ctos imaginário^. — , também se diz do que 
applica cores, v. g. de portas, paredes ; bor^ 
rador. 

piNTOEA, i. f. mulher que pinta ; (ftg.) 
a natureza — , que pinta, matiza. 

PINTURA, s. f. (Lat. pitura), a arte do 
pintor de pintar; cousa pintada, quadro, 
painel, composição pintada, v. g. u palá- 
cio tinha uma magnifica galeria de pintu- 
ras dos melhores mestras das escholas ita- 
liana, franceza, hollandeza, flamenga, hes- 
panhola, allemã, e ingleza. — , (íig.) re- 
presentação animada feita por orador, his- 
toriador ou por poeta, v.g. a — dos desas- 
tres da guerra civil, das calamidades, das 
paixões. Fez uma viva pintura dos funestos 
eíTeitos da superstição. — a fresco, a tem- 
pera, de illuminação, de cáustico, de mo- 
saico, figulina, etc. V. estes termos. — do 
pennejado, debuxo feito á penna, com pen- 
na de escrever o tinta preta ; — de esmal- 
te ou porcelana; — de chitas, feita por im- 
pressão de cores em moldes — , (fig J cou- 
sa mui vistosa. Paliando de uma mulher f(jr- 
mosa e bem ataviada, dizemos : está uma — , 
isto é, mereceria ser retratada. 

PINZEL, V Pincel. 

PIO, s. m. voz imitativa do som dos pin- 
tos, frangos e de muitas aves. Dar pios, 
piar. 

pió, s. m,. o sem que fazem os frangai- 
nbos. ex «Pagará duas gaUinhas que não 
digam pió ntiu cró, » isto é, nem fragai- 
nhas nem chocas. Escripturas antigas. 

PIO, A, aú(/. (Lat. piwy, de p/are, reveren- 
ciar, expiar), que reverenciar os parentes; 
que compre co,m os deveres da religião; 
dotado de piedade, ou movido pela pieda- 
de. Pios desejos, pias lagrimas. Obras — s, 
de benelicencia, destinadas a soccorrer os 
necessitados, os doentes, á educação das 
crianças, á utilidade publica, como hospi- 
taes, escolas, albergarias, pontes, estradas, 
fontes, etc. Casa — . instituição onde se dá 
educação a rapazes e raparigas pobres, ou 
occupação manual a pobres ou a indivíduos 
encarcerados por mal morigerados. Monte- 
pio, instituição de um fundo para manten- 
ça das viuvas, on para dar soccorros por 
oceasião de enfermidade. 

PIO I (s.), (hist.) papa desde o anno de 
142 a 157, combateu as heresias de Valen- 
tino e de Marcion. Foi apelhdado Pio pela 
sua muita piedade. 

PIO it, (hist.) /Eneas Sylvius Piccolomini, 
papa desde 1458 até 146i, uasceu em Cor- 
signano em 140D. Foi ao me&mQ tempo 



/ PIO 

theologo, orador, diplomático, historiador, 
geographo, e até poeta. Deixou entre ou- 
tras obras: Descripção do Estado d'Alle- 
manha, no reinado de Frederico IIÍ, etc. 

IMO iji, (hist.) Fr. Todeschini ^m Picco- 
mini, filho do uma irmã de Pio II, que lho 
permittiu tomar o s^u nome. succedeu, em 
15n3, ao papa Alexandre VI ; só reiííou 2o 
dias, e foi snbstituido por Juho U. 

PIO if, (hist.) /. Angelo Mediei ou Me- 
dickino, papa desde 1559 até 15(J5, irmào 
do marquez de Marignan , fez guerra aos 
Turcos, confirmou os cânones do concilio 
de Trento, reslabeUoeu a ordert de S. João 
de Jerusalém, e creou a typngrrtphia do 
Vaticano 

PIO V (s ), (hist.) Miguel Ghisleri, papa, 
nasceu em 1504, entrou na ordem dos 
Domenicanos, da qual foi prior, e foi elei- 
to papa em 1.65. Foi severo com os he- 
reges e entregou muitos ao tribunal da 
inquizição. Foi canonizado no anno de 
l7iJ. 

PIO VI, (hist.) .7. Angelo Brachi, papa 
desde 1775 até 1799, nasceu em Casena 
em 1717. Ueprovou a constituição civil do 
clero francez, favoreceu os Auslro-llussos, 
perdeu LVbino, Ferrara, Bolonha, e Anco- 
na, assignou a paz com a republica fran- 
ceza cm 1797, pagou 31 milhões de fran- 
cos, e perdeu muitos quadros, de preço. 
Foi depois destronado e morreu em Valen- 
ce em 1799. 

PIO Vil , (hist.) Barnahé Chiaramonti, 
papa desde 1800 até 1823, foi eleito papa 
em 1800, reorganisou e fez florescer o Es- 
tado romano, assignou um» concordata com 
Napoleão, depois foi sagral-o a Paris em 
1804, mas dentro em pouco se desaviu com 
elle e excommungou-o. Aprizionado em Ro- 
ma pelo general MioUis ; foi conduzido a 
Savona, e depois a Fontainebleau, aonde 
soffreu duro tractamento. Voltou aos seus 
estados em 1814 e teve a generosidade de 
dar asilo em Uoma á famillia do seu anti- 
go perseguidor 

PIO Yiii, (hist.) Saverion Castiglioni, nas- 
ceu em Cingoli em 1761, foi eleito papa 
em 1829 depo'\s da morte de Leão XII. 
Morreu em 1830. 

PICADA, s. f. (ant.) V. Peonagem. 

pioGADA ou piuGADA, s. f. (o mesmo que 
pegada) caçadores, rasto, trilha de caca ; — , 
a trilha do homem. Ir-lhe pela — , no alcan- 
ce, (fig.) curso ordinário, v. g. a — dosli- 
bellos, o curso forense. Outros escrevem peu- 
gada. 

Moraos, não obstante a evidente relação 
do vocábulo com pé e pegada, diz que lhe 
parece derirado de piox, correia que se pren- 
de aos pés dos falcões. 

TÔL. IT. 






213 



piOLi», (geogr.) Tilía de França, a lé- 
gua e meia a NO. d'Orange ; 1,700 habi- 
tantes. 

PiOLiiAR'A. 9. f. (des. ária], fervedouro 
do piolhos, (fig.) multidão de mendigos ou 
dt» gHiite i)i)bre, eque sollicita com impor- 
tunidriiie. 

pioLiiKiR.v, s f. (ena tr. herheaux poux)^ 
planta que se parece na folha cóm a vide 
brava. 

PIOLHO, s. m. (corrupto do Lat. psdicu- 
lus, áepes, pedis, opó), animal que se cria 
na cab3ça e no corpo do homem, equecflu- 
sa comichão : — ladro, que se aferra na pel- 
le do pribis, sovaco, etc, de maneiri a ser 
difficil arranca-lo. lia tambfím diversas es- 
pécies de piolhos que se criam no corpo dos 
aniraaes e nas plantas e arvores, v.g. Met- 
ter-se como — em ou por costura, (phr. fana.) 
entremelter-so importunamente onde o não 
chamam. 

PIOLHOSO, A, atiy. fdes. oso), cheio de pio- 
lhos. 

piOMBiNO, (geogr.) Populonium, cidade 
da Toscana, capital do principado, defron- 
te da ilha d'Elba, a 27 léguas SO. de Sien- 
na ; ; .2j0 habitantes. 

piOMBiNo (lago de) , Vetulonius lacxhs^ 
lago da Toscana, a 3 quartos de légua NE. 
de Piombius. 

pioNAGEM. V. Peonagem. 

piOTíiA. V. Peonia, planta. 

piooES, (ant.) V. Peão, Peões. 

PIOR V. Peior ou Peor. 

PIORNO, í. m. giesta brava, planta. 

piORRA. V. lilorra. 

pioz, s. f. pi. Piox on Pioscs {áepé), cor- 
reia que se prende ao pé dos falcões e outras 
aves de volateria ; pea. 

PIPA, s. f. (Fr. pipe, cuja etymologia os 
leiicographos referem sem a menor proba- 
bilidade a pipe, canudo. TaWez venha do 
Gr. pipiskô, dar de beber), vasilha de tanoa 
de guardar vinho, azeite, vinagre. A pipa 
de Lisboa é meio tonnel ou duas quartolas 
leva í26 almudes de 12 canadas cada um. A 
pipa do Porto leva mais. 

PIPA, s. f. (Fr. pipe, ingl. id. E voz imi- 
tativa do som do assobio), (ant.) gaita, irau- 
ta. 

PIPAROTE. V. Pipvte. 

PIPAROTE OU ant. paparote, s. m. golpe 
dado com o dedo mediano fincado no pol- 
legar, e delle destacado com força. Dar — 
no narix de alguém. 

piPERNO, (geogr.) cidade do Estados Ec- 
clesiasticos, a 5 léguas N. de Terrácihà; 
3,6t!0 habitantes. 

PIPI, s. m. (voz imitativa), nome de uma 
ave da Africa. 

PIPIA, s. f. (voz imitativa de assobio), can- 
5^ 



áí4 



Pio 



fíH 



itiá de cevada em que os rapf zes sopram ; 
passarinho de barro com assobio no pé, jo- 
guete de eriánças. 

PIPIAM ou pipiÃo, s. m. moeda antiga por- 
tugueza tão miúda que valia só duas mea- 
lhas. 

PIPILAR e piPiTAii, V. n. (Lat. pipilo, are, 
voz imitativa do pio das aves), dar a ave 
pios. Outros querem qne pipilar seja voz de 
alvoroço, e pipitar de queixa. Mas em La- 
tim pipilare não tem outra accepção que o 
som das avezinhas, o piar dos pintos, que 
muitas vezes é com effeito indicativo dedôr, 
de queixume. 

pipiNO, (geogr.) praso da Coroa Portugue- 
za nodistricto de Quilimane com 1 légua de 
largura ecujo comprimento se ignora. 

pipiRA , (geogr.) rio da província de S. 
Paulo, noBrazil. 

piPLEr, (geogr.) cidade da índia ingleza, 
a 9 léguas INK. de Belasor. 

piPOTE, s. m. diminui, de pipa, vasilha 
pequena da feição de pipa, c. g. um — de 
páo, de vidro, de ferro, eobre. 

piPRiAC, (geogr.) cidade de França, a 5 
léguas NB. de Redon ; 1,600 habitantes, 

PIPUACA, (geogr.) ilha do rio da Madeira, 
na província do Pará, no Brazil, abaixo da 
villa de Borba. 

PIQUE, s. m. (do Fr. pique, lança. V. Viar 
Pico,) lança de ferro curto e agudo ; acção 
de picar ou cortar; golpe que corta. v. g. 
Dar — s na amarra, para a cortar. Deu um 
— nos cabos. Estar o navio a — , ou com 
as amarras a — , prompto a desaferrar, a 
levantar ferro. Estar a — , (fig.) prompto, 
presto, preparado, disposto, v. g. para> a 
batalha. Sahir a — ao inimigo, á espora fi- 
la, de repente. — s, (do Fr. pie), acção de 
talhar, do cortar com o picão, aprumo, v. 
y. iocha talhada a — , alcantilada. Melter 
a — o navio, ou ir a — , para o fundo do 
mar. — , (t. debordador), tira de papel pi- 
cado com alfinetes para fazer renda de bil- 
ros. Levantar um — , acabar uma lira de 
renda conforme á amostra picada. — , (fig.) 
toque, remoque satyrico. Dar um — . — , 
(fig.) ressentimento. Ter — com alguém, es- 
tar picado, ressentido. — , no jogo dos cen- 
tos, é contar um dos parceiros sessenta pon- 
tos, tendo só trinta, e o outro nada ; — , 
nome de um jogo de quatro parceiros a dois 
dos quaes se dão nove cartas. 

piQUE'RO , s. m. (des. eiró.) oíTicial que 
faz piques, soldado que faz piques. 

piQUERiA, s. f. (des. eria ) multidão de 
piques , ou de homens armados de piques. 

PIQUETE , s. m. (Fr. piquet.) (mil.) pe- 
queno destacamento avançado. — , chape- 
leta, circules que faz na agua estanque uma 
pedrinha que se lhe lança. 



PIQUETO, A, adj. V. Pequeno. 

piQUiRi. (geogr.) rio da prOviíicia àó Ma- 
to-Grosso, no Brazil. 

piQUiRi. (geogr.) pequeno rio da provín- 
cia de S. Paulo, no Brazil, nasce nos campos? 
de Guarapuaba. 

PIRA. V. Pyra. 

piRACANJÚRA, (geogr.) pequeno rio da pro- 
víncia de Goyaz, no Brazil. 

PIRACICABA ou PERCicÁBA, (ge3gr.) río da 
província de Minas Geraes, e um dos primei- 
ros aííluentes do río Duce, no Brazil. 

PIRACICABA, (^eog^.) rio da província de S. 
Paulo, no Brazil, que resulta da juncção dos 
ribeiros Atibaia e Jaguari. 

piRACiNUNGA, (geogr.) pequeno rio da pro- 
víncia do Rio de Janeiro, no Brazil. 

piRACRÚCA, (geogr.) pequena villa da pro- 
víncia de Píauhí, no Brazil, sobre a ribei- 
ra de que toma o nome. 

piRACUNAN , (geogr.) rio da província do 
Maranhão, no Brasil, que separa a comarca 
d'Alcantara da de Guimarães. 

piRAiii, (geogr.) nova villa, e antiga fre- 
guezia da província do Rio de Janeiro, no 
Brazil, na comarca de Rezende. 

piRAHi, (geogr.) rio da província do Rio de 
Janeiro, no Brazil, na comarca de Rezende. 

piRAiA-NARA, (geogr.) ilha do río da Ma- 
deira, do Brazil, na província do Pará. 

PiRAiBi, (geogr.) ilha do rio Cuiabá, na pro- 
víncia de Mato-Grosso, no Brazil, com perto 
de 9 léguas de comprimento. 

piRAJÁ, (geogr.) pequeno río da província 
da Bahia, no Brazil. 

PIRAMIDAL. V. Pyramidal. 

PIRÂMIDE. V. Fyramide. 

piramena , .. m. peixe brasílico da fei- 
ção de robalo, 

PIRANGA, s. ou adj. dos 2gr. (do Fr. ant. 
paure , pobre.) (chulo) pobre, miserável , 
mesquinho. 

PIRANGA , s. f. (t. Brasil.) barro verme- 
lho. 

PIRANGA, (geogr.) nova villa e antiga fre- 
guezía da província de Minas Geraes , no 
Brazil, na margem esquerda do río de que 
tomou o nome, 8 léguas ao sueste da cidade 
de Marianna. 

PIRANGA, (geogr.) rio da província de Mi- 
nas-Geraes, no Brazil 

PIRANGE , s. m. (t. da Ásia.) carro com 
três rodas por banda usado na Ásia. F. Men- 
des Pinta. 

piRANGi, (geogr.) rio da província do Cea- 
rá, no Brazil , no distrícto de Montemor- 
Novo. 

piRANGUARA, (geogr.) Serra da província 
do Rio de Janeiro, no Brazil. 

PIRANHAS, (geogr.) serra da província do 
Ceará, nodistricto de Mecejana, no Brazil. 



NR 



m 



m 



PIRANHAS (Rio das), (geogr.) rio que nas- 
ce na serra dos Cairifis, no Brazil. 

piRANO, (geogr.) cidade da Áustria, a 6 
léguas ao SO. de Trieste; 6,800 iiabitan- 
tes. 

PIRÃO, s. m. (t. usado no Drasil.E cor- 
rupção do Uai. pilão, arroz guisado.) fari- 
nha de mandioca fervida em agua ou em 
caldo, que se come com o conducto. — es- 
caldado, fervido em caldo. — de agua. — 
temperado, adubado. 

PíRAQUERA, (geogr.) lagoa e rio do con- 
tinente da província de Santa Catharina, no 
Urazil. 

pirara' ou pirarara', (geogr.) aldeia de 
índios da Guiana brazileira , defronte, se 
bem que muito arredada do Estado de Ve- 
nezuela, perto da lagoa Amacú e nas mar- 
gens do ribeirão de que toma o nome. 

PIRATA, s. f. (Fr. pirate, do Gr. peira- 
tés, de peiraò, tentar.) ladrão que anda rou- 
bando pelo mar, e dando assaltadas em 
terra. 

piRATAGEM, s. f. (dcs. agem.) roubo de 
pirata. 

PIRATARIA, s. f. (des. aHa.) vida, officio 
de pirata ; acção, roubo de pirata. 

PIRATAS (guerra dos), (hist.) da-sc este 
nome á expedição, que Tompeo fez no an- 
no 67 antes de Jesu-Christo, contra os pi- 
ratas da Cicilia e d'ísauria, que infesta- 
vam o Mediterrâneo, interceptavam os vi- 
veres a Roma e arruinavam o commercio. 

PIRATEAR , V. a. ou u. [pirata, ar des. 
inf.) roubar como pirata, andar a corso. — , 
roubar como pirata, v g. — amigos e ini- 
migos. 

piRATico, A, adj. de pirata. 

piRATiNi, (geogr.) rio da provinda de S. 
Pedro do Rio Grande, no Brazil, na comarca 
de Missões. 

piRATiifiM, (geogr.) pequena villa da pro- 
víncia de S. Pedro do Rio Grande, no Brazil, 
na m