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Full text of "O Arqueólogo português"

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ARCHEOLOGO 

PORTUGUÈS 



Obn& composta e impressa na Imprensa ^acional 

Fdlf &o e propriedade do Masea Ethnologioo Portagaòs 



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ARCHEOLOGO 




COLLEG^iO ILLDSTRADi DE MATERIAES E NOTfCIiS 



PUBLICADA PELO 



MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUES 



REDtCTOR — J. Leite DE ViseoNCELLOs 



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Veterum volvens monumenta virorum 
LISBOA 

IMPBENSA NACIONAL 
1907 



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THE NEW YORK 
PUBLIC LIBRARY 

652709 A 

ASTOR, LENOX AND 

TILDEN FOUNDATIONS 

R 1933 L 



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VOL. XII ■ JANEIRO A ABRIL DE 1907 N."' 1 A 4 



O^CHEOLOGO 




COLLEG^iO ILLUST|iDA DE NATERIiES E NOTICIiS 



PUBLICADA PELO 



MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÉS 



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Veterum volvens monumenta virorum 



LISBOA 

IMPRENSA NACIONAL 
1907 



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STJls/LlsaiJ^'RXO 



MaTERIAES para O ESTUDO DAS MOEDAS ARÀ13IC0-HISPA^"ICAS E3I POR- 

tugal: 1. 
Numismatica e Archeologia: 23. 

PrOJECTO de ORGANIZA^AO DOS ARCHIVOS E MUSEU8 DA InDIA: 32. 

Ara celtiberica da epoca romana: 36. 

MeDALHA commemorativa da INSTITUI9AO DA ACADEMIA ReAL DA 

hlstoria portuguesa: 52. 
Lapide romana de Ferreira do Alemtejo: 70. 
Protec^ao dada pelos Goveunos, CORPORA90ES OFFicuES e Ins- 

titutos scientificos a Archeologia: 72. 
A matriz de Villa do Conde: 76. 
Catalogo dos pergaminhos existentes no archivo da Insigne 

e Real Collegiada de Guimaraes: 79. 
Miscellanea: 92. 

AcQuisiguES DO lIusEu Ethnologico Portugués : 105. 
Ono3ìiastico medieval portugués: 111. 
Chronica: 125. 
Bibliographia: 127. 
ReGISTO BIBLIOGRAPHICO DAS permutas: 128. 



Este fasciculo vae illustrado com 16 estampas. 



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ARCHEOLOGO P0RTUGUÈ8 

EDICÀO £ PROPRIEDADE DO 

MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS 



COMPOSTO B INPRESSO HA IIPRENSA MGIOHAL DE LISBOA 



VOL. XII JANEIRO A ABRIL DE 1907 N." 1 A 4 

Materiaes para o estudo das moedas arablco-Mspanicas 

em Poptugal 

Da ininha coUecgao monetaria fazem parte alguns exemplares de 
moedas arabes, que nlo dispertam a atten9ào nem pela quantidade, 
nem pela qualidade. Sao poiicos e communs. 

No entanto parece-me de alguma utilidade publicar a sua descrì- 
9ào, nao so porque a numisinatographia arabico-hispanica é pobrissima 
em Portugal, contrastando singularmente com a da vizinha Hespanha, 
mas ainda porque o estudo e conhecimento das moedas arabes, cunha- 
das na peninsula, ou que nella tiveram curso, é interessantissimo sob 
todos OS aspectos, principalmente por nellas se encontrarem, por vezes, 
indicagoes e dados, que muito podem contribuir para esclarecer alguns 
capitulos da historia do dominio mu9ulmano no occidente, ainda infe- 
lizmente bastante obscuros. Nao julgo por isso tempo perdido o que 
se empregar em recolher, e tornar conhecidas, moedas d'està serie, 
ainda as que paregam de somenos valor numismatico. 

Demais, é possivel que o exemplo frutifique, e que os coUecciona- 
dores portugueses comecem a dedicar às moedas arabes a atten§ao de 
que ellas sSo dignas, chegando ao convencimento da sem razSo com 
que allegam, para justificar o abandono a que as tem votado, que urna 
collec^ao de taes numismas é poiico interessante pela sua monotonia, 
e que o desconhecimento da lingoa Ihes nào permitte classificà-las e 
descrevè-las convenientemente. E a priori da improcedencia do alle- 
gado se convencerào, reflectindo que, se uma collec9ao de moedas 
arabes é monotona, comò alias o sao todas as coUecgoes de objectos, 
qualquer que seja a sua fórma e natureza, nào o é mais do que a de 
algumas secjSes da serie monetaria portuguesa — cruzados novos^ ma- 
cutas, patacas, etc, etc, com seus multiplos e suh-multiplos ; e que, 
se nào é necessario o conhecimento, que ninguem possue, da lingoa 
ou lingoas, que antigamente se fallaram e escreveram na peninsula, 

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O Archeologo Portugués 



para classificar e descrever as moedas ibericas, da mesma fórma nSo 
é indispensavel saber arabe para seriar e descrever as moedas arabes. 
Por isso me abalancei a descrever em breves e despretensiosas noti- 
cias, f[ue successiva e desordenadamente irfto apparecendo n-0 Archeo- 
logo FortuguSsj gr&^SLS à benevolencia do seu sabio Director, as poucas 
moedas arabes, que possuo, demonstrando assim praticamente que a 
serie das moedas arabico-hispanicas ó mais variada do que geralmente 
se penaa e diz, e que ellas podem ser classificadas e descritas sabendo- 
se da liugoa arabe apenas o que se póde aprender no classico IVcUado 
de Numi&ìmtica Ardbigo-Espafiola, do venerando professor e academico 
Sr. D. Francisco Coderà, e no exceliente livro Monedas de las Dinas- 
tim ArdhìfjO'Espa^olas, do entendido numismata Sr. D. Antonio Vives. 
Com tao seguros guias e com traballio algo se consegue. 



Mo«das de Àl-Hàquem II 

Falleeido, depois de um reinado de 50 annos, 7 meses e 3 dias, em 
Novembre de 961 de Christo — ramadhan de 350 da Hegira, jLì^ 

ij^jl\ j^\ a3ìI ^jJ ^LJ! ^^jà^J^ ^i soberano AbdArrahman, 
protéctor da religiao de Deus, principe dos crentes, succedeu-lhé seu 
filho *-Wt, Al'Hdqtiem^ que por entSo contava 47 a 48 annos de idade, 
e cuja asecnsSo ao throno foi festejada com deslumbrante pompa, a que 
nem sequer faltaram os canticos dos poetas celebrando-lhe as virtudes 
e exal^audo-lhe os meritos, e os vaticinios dos astrologos profetizando- 
Ibe a continuajSo do glorioso reinado de seu pae. E, centra o que 
geralmente succede, nem estes se enganaram nas suas profecias, nem 
aquelles foram mentirosamente lisonjeiros nos seus louvores. 

Al-IIàquem appellidou-se * JJb y^sx:u^\^ o que implora o auxilio 
de Deusj e continuou a usar os titulos sultanicos de soberano e principe 
dos creìites, que Abd Arrahman se arrogara; appellido e titulos que fi- 
guram nas suas moedas, nas quaes foi conservado o typo geral adop- 
tado por seu pae depois de 316 da H. — 25 de Fevereiro de 928 a 
14 de Fevereiro de 929 de C. — , quando se proclamou ^^^ji\ ^^', 

i D. Modesto Lafuente, Hisi. Gen. de Espaha, parte ii, libr. i, cap. xvi, diz, 
transi^re vendo da Chronica musulmana, que Al-Hàquem II se appellidou Almos- 
tancer Hillah no seu regresso a Cordova em 963 de C. (351-352 da H.), depois de 
termìnadaB com ezito as opera95es militares, que nesse anno emprehendera, contra 
o Con de de Castella, Feruan Gonzàlez. As inscrip^òes das moedas contradizem pò- 
rem formalmente està asser^^o, pois jà nas de 350 da H. (961-962 de C), primeìro 
anno do seu reinado, apparece o seu nome com o lacah de — a3jLj j ^\ ^ ^*^\ . 



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O Archeologo Portugués 



principe dos crentes; isto é, no campo do anverso: a profissào de fé; 
e no do reverso: o seu nome, appellido e titulos; nas orlas: numa a 
indica9lo da officina monetaria e o anno da cunhagem, e na outra a 
misslo profetica. £m quasi todas ainda figura, ora no anverso, ora no 
reverso — um nome proprio: jà o do primeiro ministro com designarlo 
do cargo; jà, sem essa indicarào o de outras personagens, cujas func- 
ooes officiaes, e razào^ por que apparecem nas moedas, so pelos dados 
historicos, e muitas vezes so por meras hypotheses, se podem determinar 
com maior ou menor grau de certeza; suppondo-se, todavia, com fundar 
mento, que se trata na maioria dos casos dos superintendentes ou di- 
roctores da casa da moeda. 

Os nomes que se encontram nas moedas de Al-Hàquem II constam 
do seguinte quadro: 



Anverso 


Roverso 


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350 e 351 da Hegira. 




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363 da Hegira. 




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Observagdes. — Ob tra90s horizontaes do interior de cada rectangulo, na 1.* 
e 2.* colamnas, representam respectivamente, as legendas nos cajopos do anverso, 
e do re ver 80 das moedas. 



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O Archeologo Portugués 



So nas moedas de 357 a 359 da H. apparece o nome de ^ ^àtsw 
Jar-^l eT*^' e/a/ar Ben Otnian Al-Mashafi, general conceituado, 
e homem poderoso que, logo ao assumir o poder, em 350 da H., Al- 
Hàquem II nomeara s^.^-s9.L3c^t, primeiro ministro. Os nomes de ^jfsrl, 
Yahia, ^^J\ ^^ Abd-Arrahman, J^^, Xohaid e uoU, Amir, for- 
mam porém serie segiiida, e sem penetragào de 350 a 361 da H., 
serie que, interrompida em 362 da H., em qjie as moedas contém 
apenas o nome do imperante *, continua com o nome de j>»U, Amir 
de 363 a 365 da H. E porém de notar que na serie se intercallam os 
nomes de J^, Mohammed, i^, Nasr? e ^^srj, Yahia^ respecti- 
vamente em 360 e 363; 361; e 363 da H., anomalia que nSo tem 
sido explicada satisfatoriamente ; e que de 361 e 363 da H. existem tam- 
bem moedas tendo apenas, com exclusSo de qualquer outro, o nome 
do soberano*; e ainda que o Sr. Coderà (ob. cit., p. 300) dà conta de 
duas moedas, nas mesmas circunstancias, dos annos 353 e 365 da H., 
de que alias o Sr.Vives nao faz mengSo. 



Nao se conhecem moedas de cobre, yJj—feluB^ d'este periodo; 
suppondo-se por isso que Al-Hàquem II cunhara apenas moeda de 
prata: ^•j-^j dirhemes, e de ouro: ^^, dinar es, 

Continuou neste reinado a funccionar a casa da moeda em Lj^x^» 
Iy>v3l, Cidade de Azzahra, onde Abd Arrahman III a installara em 336 
^ H. —23 de Julho de 947 a 14 de Julho de 948 de C— , reappa- 
recendo no entanto no ultimo anno do reinado de Al-Hàquem II a in- 
dicagao da cunhagem em AlandaMs, ^aìYLj. 



Simplesmente para facilidade do estudo e da descrigSo podem as 
moedas de Al-Hàquem II dividir-se nestes grupos, typos e sub-typos : 



1 Sr. Coderà, Trat. de Num. Aràbigo-Espahola, p. 90, diz que o nome de 
y»U, no reverso, figura nas moedas de 360 a 365 da H. ; e a p. 305 dà conta de 
duas moedas, e dubitativamente de mais outra do mesmo tvpo, do anno de 3G2 
da H., que conhecia de visu ou pela descrÌ9ào. 

Sr. Vives, Mon, de lae Din. Aràhigo-Espaiwlas, p. xvjii, tambem diz que o 
nome de y U, no reverso das moedas, apparece de 360 a 365. NSo obstante de pp. 54 
a 61 da ob. cit., n.*»' 447 a 497, n3o se encontram do anno de 362 da H. mais do 
que um dinar (n.*» 484) e um dirheme (u.<» 485), e em nenhum d'elles figura nome 
algum, quor no anverso, quer no reverso, a nao ser o de Al-Hàquem II. 

2 F. Coderà e A. Vives, ob. e loc. cit 



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O Archeologo Poetugués 



Notas 

(a) Profissào de fé: Nào ha mais do qut — um so Deus — e sem companheiro. 

(6) MÌB9&0 profetica: jSsr^l /^.Oj >^J^L^ iJLjl JJt J^>*-j J^ 
^^J\iult tS Jj aIT f.y*^^ eJ*^ '^/^^^ Mohammed é o enviado de Deus; 
ermoU'O cova a boa direcgào e a religiào da verdade para que elle a fizesse preva- 
lecer sobre todas as outras, ainda que os polytkeistas a detestem. 

(e) soberano Al-Héquem — principe dos crenies — o que implora o auxilio 
de Deus. 

(d) Data: h^ l^jJI ìLjJs^ J-^*^' ^^^ v-^^r^ ^^ a*^> ^^ 

nome de Deus. Fai cunfiado este dinar na cidade de Azzahra no anno 

(e) Yahia. 

(f) Amir. 

ig) Nasrf 

primeiro ministro 
<*> J^r 

(i) ProfiBsSLo de fé: Nào — ha mais do que — um so Deus — e sem companheiro. 

(J) soberano — Al-Hàquem, principe — dos crenies — o que implora o auocilio — 
de Deus, 

{k) Data: Il^ |j&Jt luJ^ *ajjJI li-> ^.^r^ ^i /»*^f ^^ 

nome de Deus. Foi cunhado este dirheme na cidade de Azzahra, no anno 

(l) Xohaid. 

(m) Mohammed. 

,, Abd 

(") 



(P) 



Arrahman. 
A 



mir. 

(q) Nào ha mais do que — um so Deus — e sem companfieiro — Amir. 

(r) soberimo — Al-Hàquem — principe dos crenies — oque implora o auxilio — 
de Deus. 

4 

{s) Nào ha mais do que — um sé Deus — e sem companheiro. 

{ t) O soberano — Al- Hàquem, principe^-dos crentes — o que implora o auocilio — 
de Deus. 

(u) Data: ixw ^JjjYLj a»»jJI Ijj? V^Vr^ ^^ **^' ^^ "^^^ 

de Deus. Foi cunhado este dirheme em Alandalùs no anno 



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IO 



Archeologo Portugués 



Nos Ijpos e sab-typos, pormenorizados nos quadros antecedentes, 
ainda se distinguem variedades, resultantes: jà de sinaes de adomo, 
-qtie se ob^ervara qiier nos campos das moedas, quer acompanhando 
^s legendas das orlas; jà provenientes da diversidade das datas, e do 
mais OH menos eompletas, qua se apresentam as legendas das orlas 
pela melhor oii peor distribuÌ92[o das letras; e ainda pelos differentes 
Ijpos d'estas. 



Devido decerto a paz interna que, durante os dezaseis annos do 
fleti rcinado^ se manteve na parte peninsular do Califado do Occidente, 
€ à prospcridado publica, fomentada por um governo illustrado, e pro- 
tector desvelado das artes e das letras, e deveras empenhado no de- 
senvolvimento e progresso da agricultura e das industrias, que tanto 
floreseeram no tempo de Al-Hàquem II, as moedas d*este monarcha 
sRo bastante communs. 

Do fìxam© do quadro de pp. 484-485 das Mon. de las Din. Aràòigo- 
EspaìifAas^ do Sr. Vives, conclue-se que em 1893 eram por elle conhe- 
cidas 89 moedas de ouro e 1003 de prata de Al-Hàquem II, fazendo 
parte de 51 collec95es hespanholas e estrangeiras, — moedas que se 
ilistribiiiam pela fórma seguinte: 



1) Classlflcadas por typos e snb-tjpos 

A) Moedas de ouro (89) 



Typo n.M 10 

Typo n.« 2-1) ... 3 

Typo n.« 2-2) ... 12 

Typo n.« 2-3) ... 20 



Typo n.« 2-4) 
Typo n.« 3 . . . 
Typo n.M . . . 



7 

35 

2 



B) Moedas de prata (1:003) 



Typo n.« 5 . . . 
Typo n.« 6-1) 
Typo n.« 6-2) 
Typo n.^ 6-3) 
Typo n.« 7-1) 
Typo n.« 7-2) 
Typu n." 7-3) 



50 

16 

276 

2 
69 
34 

1 



8-1) 
8-2) 



Typo n. 
Typo n. 
Typo n.« 9 . 
Typo n.« 10 
Typo n.« 11 
Typo n.« 12-1) 
Typo n.^ 12-2) 



520 
5 
4 
1 
6 
12 
- 7 



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O Archeologo Portugués 



11 



2) Clagslfleadas por audos 



350 
351 
352 
353 
354 
355 
356 
357 
358 



MoedHs 


ur 


Prata 




34 


"" 


100 




90 


-. 


105 


- 


99 


- 


79 


- 


95 


11 


81 


15 


35 



Anno» 



359, 
360. 
361 . 
362. 
363. 
364. 
365» 



Moedaa 



Ouro 



9 

13 
16 

2 
21 

2 



89 



Praia 



32 
90 

52 
23 
39 
30 
19 

1:003 



Apesar d'estes quadros se referirem a 1893, ainda assim, d'elles 
se deduz, com relativa seguran^a, qiial a raridade absohita e relativa 
das moedas de Al-Hàquem II. 

As mais communs de ouro sSo os dinares do typo n.® 2-3) do anno 
de 360 da H., e os do typo n.® 3 do anno 358 da H., dos quaes eram 
conhecidos 13 e 11 respectivamente; e as mais raras os dinares do typo 
n.*^ 3 do anno 361 da H. de que era apenas conhecido iim exemplar 
existente na collec^Io do Sr. Vives. 

De prata sSo mais abundantes as do typo n.^ 8-1) dos annos de 
353 e 354 da H., de que eram conhecidos 105 e 99 exemplares res- 
pectivamente; e as que em menor numero existiam eram dirhemes do 
typo n.® 6-3) dos annos de 360 e 361 da H. de que erara conhecidos 
apenas dois exemplares, um de cada anno, existentes na coUec^So do 
Sr. Vives, e as dos typos n.** 7-3) do anno 364 da H., e n.® 10 do 
anno 361 da H., de que tambem eram conhecidos apenas dois exem- 
plares, um de cada typo, e pertencentes à collec9ào de P. Gr^yangos, e 
finalmente um dirheme do typo n.® 11 e de 361 da H. existente no 
Museu Archeologico de Hespanha. 



* Delgado, Cai. dea Mon, et des Méd, Ant. de M. G. D. de Loi'icha, e Lavoix, 
Cat. dea Mon. Musnlmanea de la Bibliothhque Natimiah, citados por Vives, des- 
crevem respectivamente um dirheme de 366 da H., cirnhado em Alandalùs e ou- 
tro da mesma data da cidade de Azzahra. 



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12 



Archeologo Portugués 



M^H^da» de Al-Hàquem 11^ exlstentes na coUecf fto de M. F. de Y» 



il 



n 



DirheiiiQ 



^ E 



Jt'N.'-T-l. 



g I s 



Dlrbeme 



I 



N.» 8-1. 



3 ^ DirLemp ^ N." 8-1. 



4 Dit-heme 



25 



N.' 8-1. 



23 



l'i 



24 



2,75 



DIfferenf as pntre o trpo de comparatilo 
e o exemplar comparado 



Anv. — Data: L^j rrr***^ *^' 
a7?«o trezentos e ci/icocn^a. As pala- 



vras: 



\^^ f^ wj ' >»*»J 7 



Em nome de 



25 ; 2,65 



2,92 



2,25 



Deus. Foi cunhado, em linlia recta; 
o resto da legenda da orla, ligeira- 
mente polygonal. 
Rèv. — Missao profetica: até i^, todas, 
faltando, por nao caber na moeda, o 
resto da legenda : »^yujl »^^j, 
ainda que a detestem os polytheistas. 
Sinaes particulares : Fig. 1. 

Anv. — Data em legenda circular: iLw 

io8 e cincoenta e um. 
Rev. — Missao profetica completa. Si- 
naes particulares: , da palavra 
sjX>>^ multo floreado ; Fig. 2. 

Anv. — Data em legenda circular : L^ 
O^Jbj ^;wM^4^j ^Joi.1, anno trez- 
[entos] e cincoenta e um; faltando o 
final jijL», centos, por nao caber na 

moeda. 
Rev. — Missao profetica completa. Si- 
naes particulares : » de O-^C wd» 
floreado; Fig. 3. 

Anv. — Data em legenda circular : Ix^ 
iufljjjj ^^^^^*^,6^j ^^\^anno trezen- 
to8 e cincoenta e doia. 

Rev. — MissSo profetica faltando, por 
nao caber na moeda, o . da ultima 
palavra [ ..] ^T JL*JI, polytheistas. 



Sinaes particulares : % de O-C 



t' de 



Fig. 4. 



crr-^ 



multo floreados; 



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O Archeologo Pobtogués 



13 



o e ; 

111 



I 

a. 
fi 



Dirheme JBL N.» 8-1 






Dirheme JBL 



5 2 



23 



Dlffereu^as entre o typo de coinpara^io 
e o exemplar comparado 



3,02 



N.» 8-1. 



22,5 



7 Dirheme 



S j Dirheme 



Dirheme 



M 



N.o 8-1. 



22,5 



JBL ! N,*> 8-1. 23 



N.o 8-1, 



23 



2,25 



2,93 



2,13 



2,60 



Anv.-^Data em legenda circular: iu- 
L-fljJjj ^jj^^^^àj ^^j:-Jjt, a/mo tre- 
zenios e cincoenta e doÌ8. 

Rev. — Miss^o profetica completa. Si- 

naes particulares : . final de 

wJ:;j I algum tanto, o » de oX 



Fig. 5. 



de 



cT^r*^^ 



bastante fioreados; 



Anv. — Data em legenda circular: Llw 

Lj^ibj w;-**.^^j ^^\^ anno trezen- 

to8 e cincoeììta e dois. 

Rev. — Missao profetica, faltando, por 

nao caber na moeda, o .da ultima 

palavra [ .jj^jujl, polytkeiatas. 

Sinaes particulares: i final de 

wJUJ I bastante, o » de sJXì yL e o 

^ de >^,>^ multo fioreados; Fig. 6. 

Anv. — Data cm legenda circular: 'L^ 

to8 e cincoenta e dois. 
Rev. — MissSo profetica completa. Si- 
naes particulares: » de O-^CjJj 
muito, e o » de , . ^ n ^-^ multo pouco 
fioreados; Fig. 7. 

Anv. — Data em legenda circular: iju- 
L^iljj ^.***.^.à.j ^^^1, anno trezen- 
to8 € cincoenta e dois, 

Rev. — Missao profetica, faltando, por 
nao caber na mocda as syllabas fi- 
naes ^yS de [%S]Ju^\i polytheis- 
tas. Sinaes particulares: ,y final 
de ,.»^1 um tanto, e o de ^y.^*.*^ 
bastante fioreados ; Fig. 8. 

Anv. — Data em legenda circular: L*- 
v.i,jij, anno de tre- 



L^j 



zentos e cincoenta e tres. 



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14 



O Archeologo Portugcés 



II 



i 




o 


E i 


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Ili 


M 


£ 




^ i 


C 



DffTereuvas entro o typo de comparavio 
e o cxoinplar comparado 



10 



n 



19 



13 



Dìrheme 



Dìrtieme 



M , N,* 8-1, 



Rev. — MissSo profetica até iJ^, todiu, 
faltando, por nSo caber na moeda, 
o resto da legenda: Hj^ .?— 1> 
.«•Tj^I, ainda que a dettsttm os 
polyOieistaa. Sinaes particidares : ^ 
de . . ^ nntf-\ um tanto floreado ; Fig. 9. 



m ' 2,4B 



JL K.-'S-l. 



Dirhemo 



Dirli^ine 



iaK.'8-i. 



N,- 8-1. 



21 



^ 



21 



2,60 



2,45 



2,12 



Anv. — Data em legenda circular: JLu- 

/otf 6 cincoenta e tres. 
Rev. — Miasao profetica até «jT, a de- 
ttateiny faltando, por nao caber na 
nioeda, o final tjS\i*JI, polt/theis- 
tas, Sinaes particulares : j de 
sjX>y^ muito floreado; Fig. 10. 

Anv. — Data em legenda circular: ì;l^ 
L^*j ^;^^.*^j w-lj', anno trezen- 
io» e cincoenta e tres. 

Rev. — Missao profetica, faltando o v 
da ultima palavra f^]jS\iuJ!,jpo/y- 
theistas, por nSo caber na moeda. Si- 
naes particulares: ^ jj <i® /. 
um tanto, e o . de 



floreados; Fig. 11. 



^C y^ muito 



Anv — Data em legenda circular: ìs^ 
L^^ ^^-.-.^^.j vJiJL?, anno trezeii- 
to8 e cincoenta e tres. 

Rev. — Missào profetica completa. Si- 
naes particulares: j de 
muito floreado ; Fig. 12. 



Sjj^ 



Anv. — Data em legenda circular: L.^ 
L^iljj ^^-•^•^j wJj'> anno trezen- 
tos e cincoenta e tres. 

Rev. — MissSo profetica, bastante apa- 
gada, mas parecendo completa. Si- 
naes particulares: . de 
muito floreado ; Fig. 13. 



^ yZ, 



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O Archeologo Pobtugués 



15 



a: 

Ss 

14 



I» 

Q 

Dirbeme 



3 



^ e 



N.» 8-1. 



15 



Dirheme 



A 



N.° 8-1. 



16 



Dirheme 



N.» 8-1. 



17 



Dirheme 



A 



N.<>8-1 



18 



Dirheme 



N.- 8-1. 



I I 



23 



23,5 



23 



23 



22 



3,02 



Differen^AS ontre o typo de comparaffto 
o o exemplar coniparado 



2,93 



2,40 



2,25 



2,47 



Aiiv. — Data em legenda circalar: i::^ 
}^ ^.....Aa.j >u) 3H (sic), ann(^ 



trezentos e ctncoenta e quairo (a), 
Rev. — MisBfto profetica até ^.Jlf, todaa^ 
faltando, por nao caber na moeda: 
^I^Tj^Jt vS ^j, ainda que a de- 
testem os polythtistas. Sinaes par- 
ticulares : Fig. 14. 

Any . — Data em legenda circular : II^ 
Ldibj ^*--»^^j ^ji? atiìio trezen- 
tos e cineoenta e quatro. 

Rev. — MissSo profetica até aJ^, todas, 

faltando, por nSo caber na moeda: 

^^^TjlJI zS jJj, ainda qiit a de- 

testem os polytheistaa. Sinaes par- 

ticulares: Fig. 15. 

Anv. — Data em legenda circular : ÌLw 
ÌL*iJjj .^..M.d-^j /^ r^ ^^^^ trezen- 
tos e ctncoenta e quatro. 

Rev. — MissSo profetica até iJ^, todas, 
faltando, por nSo caber na moeda : 
^^jTJuJI 9S Jj, ainda que a de- 
testeni os polytheistas, Sinaes par- 
ticnlares: Fig. 16. 

Anv. — Data em legenda circular: Ix^ 
L«^j ^^*-*à.j s^s^ì ctnno trezen- 
tos e cineoenta e quatro, 

Rev. — ^MissSo profetica até aJ^, todas, 
faltando, por nào caber na moeda: 
^jS\iUJI vS jiy ainda que a de- 
testem os polytheistas. Sinaes par- 
ticulares: , de >*C ,ìl» e o » de 
, multo floreados ; Fig. 17. 



Anv. — Data em legenda circular: JLw 
4J.dJaj« y^*^z>^ i-i<»g> ) anno trezen- 
tos e tincoenta e cinco. 



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IG 



1 



Archeologo Portugoés 



SI 
^ t 



^ 
ST 
^ 



19 



Dirkeme 






JB N.° G-2.! 21,5 



20 



Dirbane M 



m 



DlrLume 



& 



N.<» 6-2. 



N.o G-2. 



i s 



2,41 



22 



21 



2,71 



2,12 



Dlfferenf as entre o typo de compararlo 
e o excmplar comparado 



Rev. — Missào profetica até aJ^, todag, 
faltando, por nSLo caber na moeda: 
.jS\*mJI vS ^y ainda que a de- 
testerà os polytheiéta». Sinaes par- 
ticulares: » de sjjo yt* multo flo- 
reado; Fig. 18. 



C^ 



Anv. — Data : . t 

yJ:^ y anno trez[tiUo8\ e cincoenta e 
sete. NSo coube Da moeda o final 
àjL», centos. As palavras aIÌI ^%*«j 

v^^^^to, Em nome de Deus. Foi cunha- 
dOf em linha recta ; o resto da legenda 
da orla ligeiramente polygonal. 
Rev. — MissSo profetica até Jl^, todasy 
faltando, por nSo caber na moeda: 
\SjL^\ zS Jj, ainda que a de- 
testerà OS polytheistas. Sinaes par- 
ticulares: , de x^^-ìò^-, leve- 
mente floreado; Fig. 19. 



Anv. — Data em legenda circular: h^ 
Lmjj ^^;j*-^^j Z*?-^' anno trezen- 
tos e cincoenta e sete. 

Rev. — MissSo profetica até ,.yjJli a 
religiàoy faltando, por nSLo caber na 
moeda: .^..à^l zS ^^ jj^, as 
outras todaSf ainda que a detestem 
OS polytheistas. Sinaes parti culares: 
Fig. 20. 



j crr**^*^j J 



U' ìl 



Anv. — Data: 

anno [trezentos] e cincoenta e aito. Nào 
coube na moeda: jÌjUjJj, trezentos. 
As palavras v^^»^ aIÌI ^^.o, Em 
nome de Deus. Foi cunhado^ em linha 
recta; o resto da legenda da orla li 
gciramente polygonal. 



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O Abcheologo Portugdés 



17 



II 
1% 






3 

o 



•'I 

o 



22 



Dirheme 



iEL 



N.» 6-2. 



23 



Dirheme 



N.o 6-2. 



24 



Dirheme 



A'N.«6-2. 



25 



Dirheme 



N.» 6-2. 



2 I 
a I s 



22 



22 



22 



S I § 

C5 



3,52 



2,50 



3,40 



2,55 



Dlfféreù^aa entre o typo de comparafio 
e o ezomplar eomparado 



Bev. — MìbbSo profetica até jjj, ainda 
que, faltando, por «lo caber na 
moeda: .jSyuJI »^, a detestem 
o» polytheidae, Sinaes particulares : 
O , de 1^ um pouco floreado; 
Fig. 21. 

Any.— Data em legenda circulflr: 
L.òiìjj f^j^ì (falta a palavra L^, 
anno) trezentaa e tessenta (ò). 

Rev. — MìbbSo profetica a que falta 
Uwjt, enviou-o. Sinaes particttlares : 
Fig. 22. 

Any. — Data em legenda circular: Llw 
iLdibj i.r^^i anno trezentos e ae$' 
senta. 

Rev. — MÌ882o profetica até ò3^, todas, 
faltando, por nSo caber na moeda: 
fjj^j^^ ^S y^y oinda que a 
detestem os poìytheUta», Sinaes par- 
ticulares: Fig. 23. 

Any. — Data em legenda circnlar, bas- 
tante apagada, parecendo todavìa 
ser: witUj ijr^ ^^> ^'•"^ ^^' 
zentos e eeèsentct, 

Rev. — Miss&o profetica, bastante apa- 
gada no final, mas parecendo condiiir 
em iJ^, teda», faltando, por nào ca- 
ber na moeda: .i^ JlJ! zS JL, 
ainda que a detestem o» polytheistas. 
Sinaes particulares : Fig. 24. 



Anv. — Data: j ^^rr^ ^» ^^^^ P*^ 
zentos] e sessenta. N&o coube na 
moeda : h Ujtlj , trezentos, As palavras 
y^^j^ a\)1 amO, Em nome de Deus, 
Fot cunhado, ani linha recta; o resto 
da legenda da orla circular. - 
i 



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18 



O Archeologo Portugués 



^f 



It 



m 






Dirheme 



27 



Dirheme 






N.° 6-2. 



e 2 

a I s 



22 



N.o 7-1, 



- I i 



2,20 



Dlffereofas entro o tjrpo de compararlo 
e o ezemplar comparado 



28 



2,98 



Hev. — MissSo profetica até le, tohre^ 
faltando, por nSo caber na moeda: 

^/jij\ »/ jJj Jr ^^,aJi, 

<o€la« a# outras ainda qut a detesiem 
08 polylheisUu. Sinaes particalares : 
Fig. 25. 



Anv. — Data: 



J 



anno [/resento«J e sementa e um. N2o 
coabe na moeda: ìjUiIj, ^resento^. 
As palavras ,^^j^ à^\ ^^^^^ Em 
nome de Deus, Fot cunhado, em linha 
recta; o resto da legenda da orla 
sensivelmente circular. 
Rev. — Misslo profetica até X^aobre, 
faltando, por nfto caber na moeda: 
j^^SyuJI ZjS jJj òJ^ fji^^^ 

toda$ as otdras, ainda que a detestem 
OS polytheistas, Sinaes particalares: 
Fig. 26. 

Anv. — Data: j ijr^j y^AJ L— , 
anno [trezentos] e sessenta e tres, KSo 
coube na moeda: LUitU, trezentos. 
As palayras wm^ A\)t v^, Em 
nome de Deus. Fot cunhado, em linha 
recta; o resto da legenda da orla le- 
Yemen te polygonal. 

Bey. — MissSo profetica até U^, todas, 
faltando, por nXo caber na moeda : 
%j-S\-JUjl VjS j-Jj» ainda gue a 
detesiem os polytheistas. Sinaes par- 
ticalares : Fig. 27. 



{a) A. Yives, Mon. de las Din. Aràbigo^Espaholas, p. 55, n.<^ 458, dà conta 
d€ um dirheme do mesmo typo, sub-typo e anno, em qae as onidades da era estào 
assim : f^^v 

(b) A. Vives, Mon. de las Din» Aràbigo-Espaholas, p. 56, n.<» 462, dà conta 
de um dirheme, d'este typo e sab-typo, a qae tambem falta I;^, ma&ded61 da H. 






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O Archeologo Portuoués 19 



E impossivel, por falta de dados, fazer o inventario das moedas de 
Al-Hiqnem II existentes nas colIec9oes portuguesas. O illustre pro- 
fessor Sr. David Lopes di, n-O Archeologo Portuguès, i, 4, um suc- 
cinto exame de 18 moedas arabes pertencentes k familia Scusa Rocha, 
de Castro Marim (Algarve), das quaes 7 (n.*** 9 a 15) s8o dirhemes de 
AI-Hiquem II. 

A n.** 9 é do typo n.« 8-1) e de 355 da H.; 

As n." 10 e 11 sSo do typo n.^ 6-2) e de 357 da H. ; 

Ab n.®» 14 e 15 do typo n.* 7-1) e de 363 daH.; e finalmente: 

As n.^' 12 e 13 sSo, respectivamente, de 360 e 361 da H.; e se, 
corno é de suppor, nflo se tratando de dinares, que entSo pertenceriam 
ao typo n.*^ 2-3), n%o houve lapso on equivoco na descrisse, sSo dirhe- 
nies do typo n.® 7-2), e constituem duas variedades desconheeidas, 
pela data, ao Sr. A. Yives, oft. cit,, que so apresenta, assinadas com 
yU no reverso, dinares de 360, 361, 363 e 364 da H., e dirhemes, 
nas mesmas circunstancias^ de 363 e 364 da H. 

— No Museu Municipal do Porto nSo existia em 1882 moèda aignma 
de Al-Hiquem II {Caialogo doM moedas arabes existentes no Museu Mu- 
ideifal Partmen$e, de$eriiaM, cUusificadas e ordenadas chronologicamente 
por José Pereira Itèlie Nelto^ Lisboa 1882). 

— A rìquissima coUec^So monetaria do Sr. Indice dos Santos, infe- 
iizmente perdida para Portugal, tinha, corno se ve do catalogno para 
a venda no leilào, que se effectaou em Amsterdam em prìnoipios de 
Junho de 1906, alem de 11 dirhemes (lete n.® 3:031) que nSo vem 
descrìtos, mais os seguintes: 

Typo n.» 7-1)— 1 de 350 da H. e 1 de 363 da H. 

Typo n.^ 8-1)— 2 de 351 da H.; 3 de 353 da H.; 4 de 354 da 
H.; 3 de 355 da H.; e 1 de 356 da H. 

Typo n.<» 6-1)— 1 de 356 da H. 

Typo n.« 6-2)— 1 de 356 da H.; 5 de 357 da H.; 1 de 359 da 
H. e 3 de 361 da H. 

Typo n.« 12-1)— 1 de 365 da H. 

E ainda os dois interessantìssimos numismas: 

a) Dirheme de 363 da H., variedade unica do sub-typol) 



j^^ 



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20 



O Archeologo Fortuoués 



ou do sub-typo 2) 



do typo nJ^ 12, o que nSo se póde detennmar por insufficiencia da 
descrì^, e qae vem demonstrar que j& anteriormente a 365 da H., 
cozitrarìaniè0te ao que era admìttido pelos numìsmatas, apparece nas 
moedas de Al-Hàquem a ceca ^JjjY. 

b) Dirheììie de 365 da H., constituindo um novo sub-typo do typo 
n.^ 12 de qualquer das.tres fórmas: 



.ut 



òi\ 



J-c 



ou 



r' 



*tìl ^^ 



o que nEo é possivel precisar por deficiencia da descri^fto; exemplar 
tambem unico, e que aos nomes proprios, que figuram nas moedas 
de ÀI-Hiquem II, vem juntar mais o de *^) ^, Abdallah. 

Em resumo: da coIIec930y que anticamente pertenceu ao Sr. Judice 
das Santos, faziam parte, pelo menos, 40 dirhemes de Al-Hàquem 11^ 
eatre os quaes dois extremamente raros. 

Faz pena ver corno tem saido, e vae saindo^ para fora do pais, 
tanta preclosìdade, que religiosamente devia ser conservada. 

— De outras collec^Ses publicas e particulares nfto possno esclareci- 
mentos a%uns, em parte por culpa minha^ visto que ao Sr. Dr. José 
Leìte de Yasconcellos, meu prezadissimo amigo, Director do Museu 
Etltnoloj^ìco Portugués e Conservador da Bibliotheca Nacional de Lis- 
boa, devo gentil favor, que mais uma vez Ihe agradefo e que infe- 
lìzmente amdame nSo foi possivel utilizar, de poder examinar e des- 
crever as moedas de Al-Hàquem II que, com outras, existem naquelles 
estabelecimentos publicos, encontradas em differentes localidades do 
nosso pais. 



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O Abcheologo Poetcgcés 



21 



Fig. 1. 



-«5^'^ 



Fig. 2.< 



Fig. 3.' 



-*^. 



Fig. 4.' 



«43D»* 



Fig. 5.» 



**0>» 



*=«#»» 



Fig. 6.' 



Fig. 7.' 



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Fig. 8." 



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* 



Fig. 9.» 



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Fig. 10.' 






Fig. 11.' 



Fig. 12.* 



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Fig. 13.« 



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Fig. 14.' 



Fig. 15.- 



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Fig. 16.« 



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• *'->»^^» 



T7^ 



22 



O Archeologo Portugués 



Fig, 17.' 



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Fig. 22.' 



Fig. la- 



J®^ 



Fig. 23.' 



I 



Fig. la* 



Fig. 24.' 



i^*f-! 



'- 



Fig. 20.- 



4^V 



Fig. 25." 



U 



Fig. 2L* — 



) o 



Fig. 26.' 



Fig. 27.' 



^.^. Bm c^a 6giira o traco horizontal continuo representa a legenda das moe- 
d^s: Da L" e 3.' cohimnaB as dos campos do anverso e do reverso, respectivamente; uà 
2." e 4." coUimnaa as iìm f>rla8 do anverso e reverso, respectivamente. que no desenho 
està acinia oii abaiio d'esse tra^o é o que se ve nas moedas — sobre ou sob as legendas 
dos campala —, ou oircundando as legendas das orlas, ou é por ellas circundado. 



Lisboa, Abril de 1007. 



M. F. DE Vargas. 



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O Archeologo Pobtugués 23 



Numismatica e Archeologia 



M oedas romanAg eoloniaeg (hispAnleas) «ehadas em Tràs-os-Montes e Beira 

E apenas de seis a minha coIIecgSo. 

Foram obtidas ao acaso, e na sua descriglo e classificaQSo sigo 
o TrcUado de MedaUas de las Colonias, Municipios y Ptieblos Antiguoe 
de Espaìia, por Fr. Henrìqaez Flores, Madrid 1757, e o Catalogo das 
Moedas e MedaUias antigas do Museu Lorichs, redigido por D. Antonio 
Delgado, 1857. 

A proposito de cada urna indicarci a sua proveniencia. 

A) Galagorris Jalia 

1.*— H. Flores, t.* xui, e D. A. Delgado, n.^ 694. 

Anv.— IMP. CAESAR AVGVSTVS.^Cabe9a de Augusto, lau- 

reada, voltada para a direita. No exergo PP . . . . F 

n 
^. — Boi para a direita. Deante do boi VIR. Por baixo à esquerda 

Q . . . . BELAVO.— Diametro (r,028. 

Anverso, bom. Re verso, mediocre. 

Foi-me dada pelo Rev.^® P.® Adriano Guerra, de Moncorvo. 

2.*— H. Flores, t.* xiii, n.** 8 (?), e A. Delgado, n.« 702 ((>). 

Anv.— T. CAESAR DIVI AVG F AVGVSTV. . . — Cabega 
laureada de Augusto para a direita. Contramarca no collo: a cabe9a 
de urna aguia. ^ 

Sr. — Boi voltado para a direita. Sobre o boi CCERE. Adeante VIIR. 
Atràs M Por baixo CRECT.— Diametro 0",029. 

Bom exemplar. 

Differe das moedas descritas por Flores em ter por contramarca 
a cabeja da aguia e n2o um C, e da do M useu Lorichs em ter contra- 
marca. 

Està moeda foi encontrada em Rio Torto, concelho de Valpagos, 
com uma moeda romana de cobre e com uma fivela tambem de cobre 
e um alfinete, por um lavrador que numa pequena propriedade, que 
possue perto d'essa povoagSk), tem achado muitas vezes moedas e outros 
objectos. 

Obtive a moeda, assim comò a fivela e o alfinete, por interven9ao 
de um empreiteiro das Obras Publicas, Joaquim Martins, d'està villa. 



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24 O Archeologo Pobtugués 



B) Gelsa Angusta 

1.* — H. Flores, t.* xviii, n.^ 10. Falta no catalogo Larichs. 

Anv. — AVO VSTVS DIVI. — Cabega nua de Augusto para a direita. 

5e. — Boi voltado para a direita. 4-Sobre o boi L • SVRA. A es- 
querda C • V- ICEL. Deante . . . R. Debaixo L • BVCCO— Diametro 
0",029. 

Exemplar bom. 

Foi obtido em Lamego, numa coUecgSo que là comprei ha seis 
annos. 

2.*— H. Flores, t.* xix, fig. 1 e A. Delgado, n.^ 805. 

Anv.— AVCVSTVS DIVIF.— Cabega laureada de Augusto à di- 
reita. 

5r. — Touro de cauda levantada voltada para o lado direito. Kao 
se distingue nesta face senSo, por baixo do touro, . . . FEST. — Dia- 
metro 0"»,027. 

Està medaiha està em muito mau estado, por ter sido atacada 
pelas aguas sulphurosas do Moledo, comò muitas outras, todas mais 
ou menos deterioradas. Algumas apresentam-se com o aspecto de urna 
esponja. 

Estas moedas pertencem a casa da Ferreirinha, no Porto. 

3.*— H. lìores, t.* xxix, fig. 1 

Anv.— AVCVSTVS (à direita), DIVIF (à esquerda). Cabega lau- 
reada de Augusto voltada para a direita. 

5f. — Touro de cauda levantada e voltada para a direita. Por cima do 

II 
touro L BACCIO. Adeante VIR. Por baixo . . FEST. . Atràs C — 

Diametro 0"*,028. 

Mediocre. 

Està moeda, ao contrario da do n.® 2, tem o reverso em melhor 
estado do que o anverso, que estragaram para a limparem. 

Foi obtida em Lamego, na mesma coUecgao da 1.* de Celsa. 

C) Glnnia 

1.*— H. Flores, t.* xix, fig. 11, e A. Delgado, n.^ 824. 

Anv.— TI CAESAR AVGF- AVGVSTVIMP.—Cabega laureada 
de Tiberio para a direita. 

5f. — Touro à esquerda. Em cima Clunia. Em volta CNPO^P. 
A'MOTAN . . RANIIIIVIR. Sem contramarca.— Diametro 0^,027. 

Exemplar bom. 



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O Archeoloqo Portugués 25 

Ha differenQas entre Flores e Delgado no reverso, na palavra A^O, 
que em Delgado é interpretada AVO, e em Flores ANTO. 

^. — Boi & direita. Em cima Clunia. No exergo . . . TCON . . . Em 
volta .... ANO . . . IIIIVIR. 

Anverso, bom. Reverso, mediocre. 

Quando, ha annos, foi explorada a nascente do rio Douro, appareceu 
grande qnantidade de moedas coloniaes romanas, mais ou menos dete- 
rioradas, no Moledo, cajas thermas s^o bem conhecidas. D'estas algumas 
foram entregues aos empregados da casa da Ferreirìnha, que as leva- 
ram para o Porto, onde m'as mostraram no escritorio que, nesse tempo, 
era na Rua dos Ingleses. 

No Moledo foram vendidas pelos trabalhadores mnitas aos banhistas, 
e entre ellas, com todas as probabilidades, as que comprei em Lamego 
e a que me foi oflFerecida pelo meu bom amigo P.* Guerra. 

E de presumir que todas as moedas, menos a de Rio Torto, fossem 
encontradas no Moledo, junto ao Rio Douro, no locai da nascente. 

II 
Objeetos prehistoricos do concellio de ilijó 

Por um meu amigo de Villa Verde, o Sr. Joaquim Alves Rodrigues, 
foram-me dados tres objeetos de pedra prehistoricos que oflFereci, com 
outros da mesma proveniencia, ao Sr. Dr. Leite de Vasconcellos. 

SSlo OS seguintes: 

1.**) Um objecto de fórma eliptica de O^jllS de comprimente, de 
{r,05 de largura, de 0",03 de espessura. 



Fig. !.■ 



É de ardesia, polido nos bordos, convergentes para as extremidades 
d'estes, assim comò nas de uma das faces. 

Parece de schisto ardosiano e tem configurajSo diflFerente das de 
todos OS outros que temos visto. Fig. 1. 



a 



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26 



O Archeologo Portuguès 





2.^) Urna linda enxó de pedra de cor mannoreada, e perfeitamente 
polida nas faces, desengrossadas symetrìcamente para a base e vertice 

de modo que fórma dois gumes, 
um no vertice e entro na base. 
Os bordos sXo rombos. O com- 
primento é de 0",05 ; a Iar;gura 
na base é de 0™,035 e no vertice 
de 0™,012. A maior espessura 
é de (Ffil. Fig. 2.* 

3.®) E um instrumento per- 
feitamente polido, de quartzo 
marmoreado, cortante apenas no 
gume, que é convexo e formado 
pelo desengrossamento de urna 
Fig.2.» Pig.s.* das faces. Fig. 3.* 

seu comprimente é de 0",045, a sua largura de 0™,015 e a maior 
espessura de 0",01. 

Ili 

Lapldes eom iascrlp^Oes romanag do dlstrieto deYiila Real 

I. Oonoelho de Villa Pnuca de Agniar 

1. No conceiho de Villa Pouca, na freguesia das Tres-Minas, em 
volta das exploragSes do tempo dos Romanos, conhecidas pelos nomes 
de Lagos de Covaa e Ribeirinhaj appareceram tres lapides que pude 
obtei*, duas ha mais de vinte annos, e urna ha tres. 

As duas primeiras, de fórma prismatica, de secgao quasi quadrada 
e de 0™,80 de altura aproximadamente, cedi-as ao illustradissimo ar- 
cheologo F. Martins Sarmento para o Museu a que tao j ustamente 
deram o nome de Martins Sarmento, e là foram recolhidas com grande 
satisfajSo d'aquelle homem de bem que nSo possuia nesse tempo la- 
pides dedicadas a Jupiter. 

Urna das lapides foi desenterrada e conduzida lego para minha easa^ 
e encontrava-se em muito bom estado ; a outra serviu muitos annos para 
maQarem linho nella, e tinha parte das letras bastante gastas, o que 
nào obstou a que Martins Sarmento as decifrasse da maneira seguinte : 

I. O. M. 

VOT... 

MIjL. LEG. 

VII ìGEM. 

PVLLIN.... 



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Archeolooo Poetugués 27 

Jovi OpHmo Maximo. Votum \9olverunÌ\ milites Legionis Septimae 
Gemifioe Pullin[tts] {posuitf), 

L O, M. 

MIL-CH. 

I. GALLI 

CAE. EQ. 

C. RV. S 

L. M. 

Jovi Optimo Maximo. Milites cohortìs primae GaUicae equitaiae 
civium Romanorum solverunt libentes merito. 

A inscrip^Xo da prìmeira foi interpretada pelo mesmo dìstinctiBsìmo 
archeologo na Rev. de Guimaràes, voi. XI, n.® 4, Outubro 1894, p. 205. 

A terceira lapide tem fórma maito differente das outras duas. É 
urna grande pedra de granito, de grSo miudo. Tem de comprimente 1"*,1 
e de largara 0™,75 ; a espessura é designai, mas grande em quasi teda 
a sua extensSo. A lapide tem as extremidades quebradas, muito bem 
lavrada na frente, o que nao se dà nas costas e lados. A inscrip9So està 
dentro de urna moldura de forma polygonal, cavada na pedra, de alguns 
centimetros de largura e de profundidade. Por cima da inscripgUo véem- 
se uma foiba de hera dentro de urna meia-lua. Fig. n.'' 1. 

A inscrip9lU), cuja decifra9fto està confiada ao Sr. Dr. J. Leite de 
Vasconcellos, a quem tive o prazer de offerecer a lapide, vae copiada 
na fig. 1.* 

Està lapide, em razlo do seu grande peso, foi difficil de transportar 
para o Museu Ethnologioo, mas là està collocada e em eondÌ95es de 
ser estudada*. 



^ [A inscrìp^So diz: Prima L(ucii) Itdi Dextri lib{eria)^ Amanda [L^ucii) 
Juli Dextr[i] [l]ib(erta) h{ic) [«J(t7a«). .Talvez quo no firn houvesse primitivamente 
mais letras, mas nSo se póde saber isso, por estar quebrada a pedra. Traduc9fto : 
«Prima e Amanda, libertas de Jalio Dextro, estSo aqui sepultadas». Amanda, que 
na origem é participio do verbo amare, nSo està ainda registado no Corpus das 
inscrip^des da Hispania, sómente o masculino Amandus. Do cognome DtxUr re- 
gistam-se là mais exemplos. luli por lìdii é corrente. — Està lapide toma-se no- 
tavel pelo symbolismo que apresenta na parte siiperior : um crescente com uma 
folha de hera dentro d*elle, — e é a primeira vez que o encontro (do crescente com 
uma estrella ha exemplos: cf. Portugalia, ii, 12&-127, artigo de R. Severo; e co- 
nhe^o outros). Altura da pedra (granito) 1",12; largura O^jSO. Altura das letras : 
0",07 a O^^OS. — Mais uma vez agrade90 ao Sr. Dr. Henrique Botelho a sua da- 
di va. E jà avultado o mimerò de objectos que o Museu deve à generosidade de 
tao prestante e illustrado cavalheiro. — J. L. de V.]. 



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28 



O Archeologo Pobtugdés 



2. Na mesma fregiiesia das Tres Minas, no logar de Villarelho, ha- 
via parte de urna lapide de pedra que estava a formar o peitoril de urna 
janella e ainda tem as letras que se léem no desenho junto (altura da 
lapide j granito, 1°',05, largura, 0"'j60; altura das letras, (r,07. {Fìg. 2-*). 

Kào se ve o resto da inscrip^Io por faltar parte da pedra, a qual 
foi Gjieontrada por nm lavrador d:i povoa9ao, quando lavravaum souto. 
Estava a cobrir uma scpiiltura vazia, cujas pedras là deixaram enter- 
radas. 




LIDEXTRI*^ 





P!*^ 



^^ 



C e OVNP 
ANCV^. 

rv.^ci F cLv 

CIV 



Fiff. 1,* 



Fig. 2.« 



A pedra é de granito, de fórma elliptica, com uma faixa em alto 
rele%'o em toda a peripheria, meoos na parte quebrada; tem na parte 
superior nma espceìe de t>iiipaint, com uma figura circular provida de 
um ponto centrai. 

Comparando estas letras coin as que vem a p. 480 das Memorias 
para a Hisforkt Eccìesif natica do Arcebispado de Braga j pelo contador 
de Ar^ote, parece poder affirmar-se que é a lapide a que elle se refere. 

A outra metadc^ a despeito Av todos os esforyos do meu bom amigo 
Hermenegildo dos Reìs Teixeira, a quem devo muitos obsequios no que 
diz respeito a aiitiguidades da freguesia das Tres Minas, e entre elles 
^sta lapide que offereci ao Sr. Leite de Vasconcellos, nao foi encontrada. 



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Archeologo Portugués 29 

A inscrìp^So, corno vem nas Memorias, de Argote, copiada depois 
de Ihe juntarem a parte da pedra, que Ihe disseram servia de lado a 
tim forno, é a seguinte: 

C. COV^E. 

ANCVS 

FVSCIECLU 

N XL 

LA^CIV 



VSC 
XXXHSE 

n. Oonoelho de Villa Real 



Na parede de um palheiro de Sangunhedo, e fregaesia de M0U9ÓS, 
pude descobrir urna pedra com urna inscrìpgSo, de que fiz acqQÌ8Ì9So, 
mandando substituir a pedra por outra. 

E de fórma rectangular, de grSo grosseiro, a pico miudo na face 
em que està a inscrip^So, e mal e grosseiramente desbastada na face 
opposta a outra, assim corno nos bordos. 

No aito da pedra, acima da inscrìp9So, vé-se urna especie de tym- 
pano (?) arredondado muito irregnlarmente. Fig. n.® 3. 

A decifrarlo da inscripfSo é ponce facil. 

A lapide foi, corno as outras, para Museu Ethnologico. 

Tal corno nós a pudemos ler, e com as nossas duvidas, apresenta- 
mo-Ia ao leitor, que póde ir estudà-la no Museu: 

DMS 

ANI. AVITO 

ANXLCOC 

ETPI PO ALB 

ALBINAAVI 

AVIT^ F AN 

XIieETPIPGT 

Numa vinha de Mateus, pertencente & casa Paulo, appareceu urna 
lapide com urna inscrip^So, alem de outros objectos de que tenho feito 
men^ào noutras noticias para Archeologo. • * • 



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30 



O Akcheolooo Portugués 



A lapide foi mandada pelo Sr. Conde de Villa Real para urna 

propriedade sua, e là esteve durante mnitos 

^■J^K^^^f^^^ìt^ meses. Nos fins do anno de 1905 foi recolhida 

▼IAnmmwiì^^KJ no Maseu Etimologico, a pedido do Sr. Dr. 

Leite de Vasconcellos, a quem o Sr. Conde a 
offereceu gostosamente. É de granito de grlo 
miudo, e com molduras simples; apresenta al- 
gumas fractnras de pequenas dimens^s. Nas 
faces anterior e lateral esquerda encontram-se 
duas excava9Ses rectangulares, qne nào vi 
ainda nas outras lapides de que tenho conhe- 
cimento; devem ser accidentaes. 

A altura da lapide é de 0™,65, a largura 
0™,15 e a espessura de 0",30. 

Na base e na parte superior ha tres mol- 
duras muito perfeitas. 

A inBcrip93o, cujas letras est&o muito dis- 
tinctas e bem conservadas, vae representada na fig. 3 (altura da pedra, 
©•"jTlj largura, 0",30; altura das letras, 0^,05). 




lU. Noyas lapidea faiierarlas do OonoeUio 
de Villa Pouoa de Agular 

1. Ultimamente pude obter para o Museu Filianliigtrii Ftorli^s«és 
(para onde irà brevemente) mais urna ÌWfUk fiHHtsifa, apparecida em 
Campo, freguesia da Vereia d^ J d fccr , concelho de Villa Pouca. 

Ao lavrar-se um cmapf^ de milho deu o arado com ella, ao pé de 
outras lapidea, q«e os donos extraviaram. 

Tem lana inscripgSo, que, ao que nos parece, diz o seguinte: 

DMS 

F ORTVv^ 

NATA FILI 

A MATRI 

AVNIAE 

PIAP FT 

PATRIZI! 

•OAA[?] 

É de granito, de grSo grosso, a lapide, de fórma de pyramide ir- 
regular, de secfSo triangular, sem molduras de especie alguma, com 
algumas quebraduras na face anterior junto & face lateral esquerda, 



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O Akcheolooo Portugués 31 

e no lado direito e esquerdo da parte inferìor da face anterior. Disto 
tudo resultou estarem destruidas algumas letras. 

Malto perto de Campo ha am castello e trabalhos importantes 
dos Romanos, a que se refere Argote nas suas Memoruu Ecclesiastìcas 
do arcebispado de Braga, t. II. Diz a tradigllo qae nuina das gràndes 
valas mencionadas por Argote, e que se conservam muito distinctas, 
apparecera, em tempos remotos, urna grande barra de euro com a 
fórma de nm pedal de tear antigo. 

NSo longe de Campo, em Moreira, eKControa^se ha muito urna la- 
pide com uma inscrip9lU>, em que figura um Beburrus, a qual se perdeu, 
e de que nio pude obter a menor noticia. Faz d'ella mengSo Argote. 
Alem de vestìgios importantes de archeologia romana, ha perto de 
Campo alguns dolmens, todos devassados jà. 

Do castello conhecido pelo nome de Castello de Cidaddha, tenho 
urna noticia que o meu amigo Hermenegildo dos Reis Teixeira, a quem 
devo o descobrimento d'està lapide, assim comò das de Villarelhos^ 
me enviou ha alguns meses, e que se publicari lego que haja oppor- 
tonìdade. 

2. Outra lapide de Villarelho, freguesia de Tres Minas, concelho 
de Villa Pòuca. 

Depois de perdidas as esperansas de descobrìr o resto da lapide 
de Villarelho, descrita supra, pp. 28-29, um lavrador de Villarelho veio 
offerecer outra lapide com algumas letras, as quaes sto as mesmas 
que vem na inscrìp^So copiada nas Memoriai de Argote, t. ii, p. 480, 
e que sSo as seguintes: 

VSC 

XXXHSE 

A pedra tem de comprimente 0",56, de largura 0^,40 e de espes- 
fiura 0^,20, é de granito de grllo meudo, e nSo parece ser da mesma 
constituiylo da mencionada acima; pelo contrario parece fazer parte 
de outra diversa d'està. 

Encontra-se actualmente no Museu, para onde a enviei com a outra. 

ViUa Real de Tràs-os-Montes, 1905-1906. 

H. BOTELHO. 



• Le vrai patrìotisme. . veut avant tout s'appujer sur la vérité, 
écarte les illusions, et cherche à fonder la conscience du présent et 
l'espérance de l'avenir sur la connaissance exacte et le sentiment juste 
du passe». 

Oabtoh Pàbib, La LiUéraiurc Normande, Paris 18d9, pp. 4-5. 



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32 O Archeologo Portugués 



Projeoto de orgranlzagfio dos arohivos 
e museus da India 

Pela portarla de 6 de fevereiro de 1906 foi enearregado o Sr. Dr. 
Alberto Osorìo de Castro, Procurador da Coroa e Fazenda, e Vogai 
da ComrmssSo de Archeologia, no Estado da India, dos servigos e es- 
tudos relativos a algumas scieneias auxiliares da Historia. SSo estas 
a archivistica, a archeologia e a ethnographìa. 

Como e sabido, a organiza9lo dos archivos é extremamente rudi- 
mentar em todo o territorio portugués, e por isso tanto mais louvavel 
se torna qualquer disposigUo attinente a conservar e inventariar a 
classe dos monumentos escritos em papel e pergaminho, tSo facilmente 
sujeitos é destruÌ9&o. Os archivos da India mencionados na portarla 
sEd OS da KepartÌ9SLo Superior de Fazenda, os municipaes das Ilhas, 
Sabete e Bardez, e os ecclesiasticos hospitalares da Misericordia, con- 
frarias. fabrieas e communidades. O intuito que se tem em vista é col- 
ligi r e catalogar t os documentos que interessam & historia da sociedade 
luso-indiana em todos os seus complexos aspectos e principalmente das 
institui^oes j aridicas e economicas da India Portuguesa». Os documen- 
tos eotiìgìdos £ìào destinados cpara a forma93o de um tombo especial». 
A palavra tombo aqui empregada revela bem a influencia de um ju- 
risperito na rt dac9&o da citada portarla. 

Simpit s comò parece este programma, é todavia na essencia cheio 
de diffit^uldades, e so definitivamente realizavel por uma ou mais ge- 
ra^Ses de individuos applicados. A tentativa, porém, de separar num 
montao de documentos aquelles que sHo importantes e unicamente de 
valor historico jà deu as suas provas, e taes ellas foram, que hoje 
d'isso se lamenta a sciencia historica em Franga *. Todos os documen- 
tos desnecessarios para os negocios correntes sSo hoje considerado his- 
toricos* Em logar, porém, de notar os inconvenientes trazidos pelo 
ciimprimento literal da portarla nesta parte, mehcionarei, applicando-o 
à India, o sistema mais radicai usado nos paises adiantados da Europa, 
nSo obstantf' certas divergencias secundarias. 

Num edificio ìsolado, bem protegido dos incendios e das intempe- 
ries, situadu em Nova-Goa reunir-se-hiam todos os archivos das dìver- 
sas repartigSes e tribunaesde que se compSe o £stado da India Por- 



* Nto tue rcfiro a Portugal por brevidade, sendo alias bem de suppor as or- 
gìa^ de deBorganiza9Ìo qae entra nós sé pràticaram. 



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O Aecheologo Portugués 33 

tugaesa, que nlo fossem necessarìos para os negocios correntes, para 
que se escolherìa urna data extrema de recolhimento, por exemplo, 
1834. Os documentos posteriores a este anno contìnuariam a guardar- 
se nos estabelecimentos respectivos. Os livros e documentos recolhidos 
ficariam dispostos de tal fórma que contìnuassem a conservar a ordem 
que tinham no estabelecimento d'onde provieram, evitando-se que se 
misturassem para dispd-los chronologìeamente ou por outra qualquer 
fórma. 

Todas as outras autoridades admìnistrativas e ecclesiasticas (catho* 
licas e acatholicas), corporagSes munìcipaes, relìgiosas e beneficentes 
seriam obrigadas a ter em boa ordem os seus archivos ou cartorios, 
devendo remetter dentro de certo prazo ao Governo do Estado da 
India um inventario de todos os livros e documentos de que estives- 
sem de posse. Toda a autoridade ou corporagSlo que se provasse ter 
ao abandono o seu cartono e nào cumprisse a disposijXo acima, deve- 
ria ser desapossada da parte delle, anterior a 1834, a qual se encor- 
poraria no Archivo Geral da India. 

Assim que fosse possivel, o Governo mandarla publicar os inven- 
tarios dos livros e documentos, devidamente numerados, que se hou- 
vessem completado, para facilitar as investigacSes historicas e admi- 
nistrativas. 

Por fórma igual ou semelhante se cibaria pelos cartorios notariaes. 

Concluirei està leve nota sobre os archivos indianos recommen- 
dando a leitura de uma obra que poderi servir de guia util, posto se 
refira a Franca, às pessoas que o tomarem a peito. Intitula-se Le Ser- 
vice des Archives DépaHemtntcdes. Conférences faites aux élèves de 
VÉcóle des Charles les 10, 18, 25 e 30 juin 1890 par Gustave De»- 
jardins. Chef du bureau des Archives au Ministère de Vlnstruction Pu- 
blique et des Beaux-Arts E. Bourlston, Paris, 1890, 104 pp. in-8.® 

A segunda disposÌ9%o da portarla versa sobre as escava93es que 
possam fazer-se nas ruinas da Velha Goa, a Goa de Affonso de Albu- 
querque, da cidade inolvidavel para todos os portugueses, e que hoje 
jaz por terra comò o poderio e quasi a independencia de Portugal. 
O estudo d'estas ruinas, a desobstrucjào das ruas, a coUocacao, em 
museu especial, dos objectos encontrados, farlo reviver nos tempos pre- 
sentes a cidade luso-indiana dos tempos heroicos da conquista portu- 
guesa. Teriamos entao na nossa frente uma Pompeios dos sec. xvi 
e xvn. 

A terceira disposigSo, relativa a um museu ethnographico em que 
sejam representados exemplares da cultura e da arte indiana no pas- 
sado e no presente, e que sirva de modelo de estudo, é de absoluta e 

3 



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34 O Archeologo Portugués 

inadiavel necessidade para conservar e registar objectos muitas vezes 
unieoSj quCj se assim nSo se proceder, desapparecerao com perda mani- 
festa da sciencia. Para a parte archeologica e ethnographica os perio- 
dicos Bevuta Lusitana, O Archeologo Portugués, a Portugcdia e o 
Boletim del Sociedade de Geographia de Lisboa poderSo oflFerecer mo- 
delos para classificagSes adaptadas às circunstancias asiaticas. Os ob- 
jectos duplicados poderiam ser removidos para a metropole. 

A tàrufa imposta ao Sr. Dr. Osorio de Castro nSo é de pequena 
monta, por isso que se oflFerece à sua compro vada competencia, dedica- 
gSo e reccmhecimento pelo valor dos estudos historicos, vastos campos 
de aetividade. Mas, alem da exploragào e do recolhimento, ainda com- 
pete olhar por um outro assunto a que geralmente se nSLo presta at- 
tenglo. E nicessario impiantar a semente dos estudos historicos, obter 
auxilìares e fazer proselytos, de fórma que se continue no futuro e 
alargue no presente a explorajSo dos terrenos por desbravar. E ne- 
cessario que obtido com tanto esforco se conserve para o futuro 
dando-se-lhe o devido valor. A verdadeira civiliza^So consiste no apro- 
veìtamei^nto da sabedoria do passado, aperfei^oando o util e eliminando 
o superfluo. Nós os portugueses pecamos extremamente nesta parte, 
por isso que raras vezes aproveitamos a experiencia jà feita, sondo o 
resultadtì o procedermos sempre revolucionariamente e sem contacto 
com o preterito. A nossa individualidade e independencia perdem-se 
sempre em tentativas que, quando chegam a resultados proficuos, nSo 
duram mais do que a vida do inventor. Vem a talho de foice referir 
que que a portaria de 6 de fevereiro pretende criar no ramo de ar- 
ehivos, jà existiu na India, porquanto tambem ahi houve no sec. xvil 
uma Torre do Tombo. 

E, porém, de suppor que a intelligencia e a tenacidade da pessoa 
em quem reeaiu a nomeafSo d'estes servigos logre estabelecer de vez 
iia nossa colonia, minuscula na superficie, mas grande na historia, 
OS estudos historicos, quer indianos quer portugueses, no pais em que 
tanta aetividade Portugal desenvolveu. No legar eminente que occupa, 
e tendo 4 mSo agentes expeditos e habeis, poderà o Dr. Osorio de 
Castro deìxar um monumento importante da sua passagem. 

E necessario, porém, ter a franqueza de confessar que, tirando o 
pequena numero de iniciados, de neophytos e de amadores, que, apesar 
de todos reunidos, dispSem de pouca influencia a totalidade do nosso 
povo se nfto é hostil pelo menos é cordialmente indifferente a todas 
e quaesquer ìnvestigagSes scientificas. Entro nós, a sciencia que brilha 
com mais intensidade e mais bem cuidada é, limita-se à medicina pra- 
tica. O povo que ha seculos multiplicava os estabelecimentos religiosos 



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O Abcheologo Portugués 35 

com o firn de ser agradavei a Deus, a quem deixava o eneargo de evitar 
as pestes e de Ihe prolongar a vida, é o mesmo que reconhece hoje na 
medicina o mesmo firn, nSo recusando, portanto, aos modemos sacer- 
dotes, OS melos de trazerem sempre em dia a sciencia respectiva. Sendo 
o medo da morte o que faz com que tragamos a sciencia medica a par dos 
progressos realizados, e nào tendo as outras sciencias a mesma arma, 
segue-se que o progresso d'ellas muito se assemeiha entre nós a retro- 
cesso. Urge, portanto, incutir nas classes pudentes, nSo com fórmas 
poeticas, sentimentaes e eclamatorias, mas com modos correctos e posi- 
tivos, a necessidade de conhecer todas as manifestagòes do passado. 
Neste ponto, a unica arma, o unico recurso é a demonstragào quoti- 
dianamente exemplificadà de que os negocios correntes do Estado e o 
bem-estar dos cidadSos perdem-se e sào mal encaminhados pela ignoran- 
eia do passado. Quasi a cada passo, a cada disposigSo das leis, vemos 
erros flagrantes, que se nSo praticariam, se disposÌ98es anteriores fossem 
conhecidas. Precisamos man ter constan temente a uniSo com o passado, 
corno Bismarck dizia que era politicamente um mal e um perigo, quando 
a nagSo perdia o sentimento de contacto com o seu passado historico, 
sentimento que so era mantide com frescura pela historiographia ba- 

seada em fontes autenticas ^ 

Fedro A. de Azevedo. 



cA foiba officiai de antehontem publicou a seguinte portarla, que 
damos na integra pela importancia do assunto: 

€ Considerando a urgencia de se proceder a um estudo regular e 
metbodico dos ricos arcbivos da RepartiQào Superior de Fazenda, mal 
conbecidos ainda, e tambem dos das municipalidades das Ilhas, Sai- 
sete e Bardez, da Santa Casa da Misericordia, confrarias, fabricas e 
communidades, coUigindo-se e catalogando-se para a formagSo de um 
tombo especial, os documentos que interessem à historia da sociedade 
luso-indiana, em todos os seus complexos aspectos, e principalmente 
das instituigSes juridicas e economicas da India Portuguesa; 

Considerando ainda o alto interesse scientifico de se proceder, sob 
uma direogfto propria e especializada, ao servilo de escavagSes archeo- 
logicas de desobstrucgSo da antiga rede de arruamentos da Velha Ci- 



* Apud Dr. Koser, director geral dos archi vos da Prussia, XJber dm gegen^ 
warttgen Stand der arMvalischen Forsdiung in Preuasti^^ 1900, p. 29. 



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36 O Archeologo Pobtugués 

dacie em ruinas, mandando-se, para tanto, instaurar todos os pleitos 
de revindica^ào, que sejam rigorosamente necessarios para esse firn, 
ou propor superiormente a conveniencia de expropria9oes a fazer, e 
outrosim fiaoalizar a conserva92lo dos monumentos que forem classifi- 
cados corno uaeionaes, ou dignos de perdurar comò testemunhos de his- 
toria, Beando , quanto ao servigo de escava93es e classifica95es de 
mcmumentos, errino corpo consultivo a CommissSo de Archeologia da 
India Portuguisa^ criada pela portaria provincial n.*' 133 de 25 de 
maio de 1903; 

Sendi* indispensavel fazer-se um estudo sobre a historia da cidade 
de Goa, e seuB habitantes, e, comò parte importante d'esse ensaio, o 
estudo de todas as industrias artisticas ou de luxo das populajSes de 
Goa, tanto sob o ponto de vista da bistoria da arte indiana e suas 
infliunc'ias ostrangeiras, e da educa9ao esthetica do povo, pela expo- 
si^^o methodiea no Museu Real de S. Gaetano dctodòs^ofe especimes 
represcijtativris de uma corrente tradicional ou merecedores de fixagào 
ou adapta^Sto, comò sob o ponto de vista economico de um commercio 
de exporta^So e concorrencia, devendo comò consequencia d'este tra- 
balho e corno elemento primeiro de inquerito para um estudo de reor- 
ganiza^Ho do eiisino industriai, recolher-se de todos os edificios do 
EstadiK ou mesmo adquirirem-se dos particulares os exemplares dignos 
de entrar numa cxposigSo de arte decorativa ou industriai: 

Hei por conveniente, attendendo às circunstancias que concori'em 
no bacbarel Albi^rto Osorio de Castro, Procurador da Corca e Fazenda 
Lt Vogai da Commissao de Archeologia, incumbi-lo de todos os servi- 
gos e eatudos acima designados, do que apresentarà periodicamente 
rolatorios qìie ufficialmente serao publicados». 

(0 Heraido^ di' Nova Goa, de 6 de fevereiro de 1906). 



Ara oeltiberioa da epooa romana 

(Um DOTO «Genio») 

I 

Nas scieneias historicas, evocar do passado um facto desconhecido 
consti tue 3 corno verdadeira criagSo que é, uma das mais appetecidas 
colhfìtas para quem lavra nesta penosa messe da antiguidade, e re- 
diinda nura dos melhores gozos intellectuaes para quem vive na pes- 
quisa do homem que passou. 



1 



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O Archeologo Portugués 



37 



O caso que enseja està considera9lU) é o descobrimento de urna 
ara de granito, votada a urna divindade tutelar inedita do olympo 
iberico-romano *. 

Um dedicado amigo meu* escrevia-me num dos prìmeiros meses 
de 1905 qae, haveria tres annos, ao fazerem-se obras no altar-mór da 
ìgreja parochial de EstorSos, a am palmo do pavimento, e nas sabs- 
true$8es do mesmo aitar, apparecera uma pedra esenta que, depois 
de transferida para o adro, servia de tpé» a uma mesa de pedra. 

A freguesia de EstorSos (de «Asturianos», Arch. Pori., iv, 149) 
fica a duas legnas de Ponte de Lima, pela estrada de Vianna, nas raizes 
orientaes da serra de Arga. O Lima, quieto e 
manso, passa ahi, ao longo de grandes e fecun- 
das varzeas que devem ter sido irresistivel prisco 
das migraQ^es, ao surgirem na crista das asperas 
serras, que guiam ao mar o flumen oblivionis de 
L. Floro. Estoràos quasi margina a via militar 
no trogo de Braga a Tuy; railiarios com a nu- 
meragSo xviii e xxi mp. conservam-se ainda 
naquelles Ibgares (aMilliarios», por M. Capella, 
p. 54). O Museu Ethnologico possue um, dividido 
ao alto em dois, com a numeragSo de xxi mp. ; 
o qual veio da Correlha, fi'eguesia fronteira de 
EstorSlos, na margem esquerda do Lima^. 

Colheu-se agora ahi, em piena era lusitano- 
romana, um estadio de uma civilizacao pre-roma- 
na; àmanhà hSo de encontrar-se os das civiliza- 
goes que ainda precederam aquella. Assim se avanga no presente, re- 
cuando cada vez mais no passado. 

A ara de EstorUos està hoje no Museu Ethnologico Portugués; é 
uma das suas mais bellas acquisigoes, avultada no tamanho e na valia. 
Por solicitagSo do Rev.**® P.® Cunha Brito, conseguiu-se que o Rev.**® 
Parocho da freguesia, abbade José Fiuza da Rocha, resolvesse pron- 
tamente a sua cedencia ao Museu, ficando na igreja uma copia de gesso. 




Ara ccltiberica 
da epoca romana 



* Em 16 de novembre de 1906 era publicada na Palavra, do Porto, uma lei- 
tara feita sobre o calco de gesso, que ficca em EstorSos, na igreja, por memoria 
da remessa da ara para o Masca Ethnologico. Essa leitara porém differe am 
pouco da minha, qae é feita directamente fobre a pedra. 

2 P.« Manoel J. da Cauha Brito, entao professor no lyceu de Ponte de Lima. 
N5o pouco Ihe deve a archeologia do Alto-Minho. 

3 Mercé da interferencia d'este mesmo meu amigo. 



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38 O Archeologo Pobtugués 

da inscripgào. Honrosissimo procedimento^ qae dea causa a qae se nSo 
extraviasse um monumento do mais alto valor archeologico. 

O cippo é maior que possue o refendo Museu. A altura total é de 
l^^jOTj e a largura a meio do corpo, é de 0™,44. A epigraphe occupa 
um campo de 0"',62 X 0™,44 e os caracteres tem de alto a mèdia de 
0'",065. As molduras, espessas, estSo por assim dizer esbogadas, e a 
base, muito volumosa, grosseiramente desbastada, afigura- se ter tido 
destino primitivo de ficar enterrada no solo, coUocado o monumento 
no logar proprio. Na face superior da ara ha urna cavidade, que mede 
nos lados 0",10 e de fundo 0",06. Creio nSo serfocultis, mas encaixe 
adeqiiado a segurar a base de qualquer remate que o cippo suppor- 
tass:^ : lima estatua cu busto do Genio. Ha no Museu Ethnologico mais 
exemplos d'este facto. Nas faces lateraes da ara nSo ha nenhum sim- 
bolo ou emblema. 

A leitura do texto faz-se sem difficuldades, mas as letras sào um 
poiico toscas e desiguaes. As palavras tem pontuacao. 

Le-se : 

1 C A4 L A • A R 

QVI • F • TAL 

A B R I G E N 

SIS • GENIO -T 
5 IAVRi\^CEAI 

CO V- S L M 

Iste corresponde aos seguintes dizeres: Camola Arqui filia Teda- 
hritjensis Genio Tiauranceaico (ou Tiaurauceaico) votum sohit Ubens 
merito. 

Traduzindo: Camola TalàbHgense^ filha de Arquio, cumpi^e de boa- 
mente um voto ao Genio Tiauranceaico (ou Tiaurauceaico). 

E urna lapide dedicatoria ou votiva a urna divindade ignota, o 
Genio Tiauranceaico. 

A analyse propriamente epigraphica d'este titulo tem secundaria 
importancia deante dos inesperados elementos de estudo que nesta 
curta formula se encontram. Pelo menos assim me pareceu. 

Nel 1.* linha ha 3 htras conjuntas: AMA de Cornala. Era, por 
assim dizer, uma fórma estereotypada nesta palavra; tSo commum é o 
seu emprego. 

Ka 5.* linha o abridor gravou um A. Està feÌ9ao de A encontra- 
Be em algumas epigraphes do Corpus de caracter mais rude e attri- 
bnidas, as que o podem ser, ao sec. ii ou ili. Mas nSo se póde localizar 



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AfiCHBOLOGO PORTUGUÉS 39 

em nenhama regiSlo especial da Hispania (Vid. Corp, Inscr, LaJt., ii, 
5148, 5431, 6163, 6191 e indices). 

Na mesma lìnha apparecem duas outras letras conjuntas, e essas 
sào discativeis. SerSo A V ou AN? Precisamente s4o parte da palavra 
mais interessante da epigraphe. 

Querendo ser rigoroso com a paleographia do monamento, a fórma 
d'este digamma corresponde a AN e nSLo a A V; é ler a p. Lxvm dos 
Exempla Script, epigraph,, de Hùbner. 

Na 4.^ linha ha um N, que se póde considerar importante elemento 
para a eapitula93o chronologica da ara. Diz Hùbner {oh, ciL, p. Lxm) 
que està fórma do N é caracteristica do fim do sec. ili on iv (Vid. 
Corp, Inscr, Lai,, il, 512); e nos epitafios christàos do sec. vi vemo-la 
muito empregada (Inscr. Hisp. ChìH^t,, Hùbner; passim). 

Segiie-se, pois, que é um sinal de epoca de decadencia e trans- 
formagEo epigraphìca, e que, por isso e pelo facto de ser a letra de 
emprego mais tardo na presente inscripQào, é ella que serve especial- 
mente para datar a ara de EstorSos do sec. ili ou IV, o que ainda 
assim a agrupa na serie menos numerosa da epigraphia lusitano-romana 
{Exempla Script, epigraph,, p. 269). 

II 

A quem tiver noticia das circunstancias do apparecimento d'està 
e de outras aras votivas da epoca lusitano-romana, urna reflexSo lego 
acode ao perpassà-las : é a persistencia dos achados d'està natureza 
em templos christàos. Està ara de Estorftos procede das substrucgSes 
de mn aitar, o altar-mór da igreja parochial. 

A lapide votiva de Villa-Mou, ha pouco estudada, provém dos es- 
combros de urna igreja parochial. O cippo de Santa Vaia, relatado nas 
Eeligides da Lusitania, II, appareceu nas paredes de imia capella cas- 
treja, por sinal com o titulo de S. Cipriano*. 

Em S. Miguel da Mota (Terena), o exemplo é estrondoso; as pe- 
dras votivas a Endovellico appareceram là nas mesmas condifSes em 
grande copia, comò se póde ver na obra citada, p. 111. 

Neste mesmo livro referem-se varias outras inscripgSes consagra- 
das a divindades indigenas, cujos monumentos foram exautorados e 
derribados nas fundagSes dos novos templos de um Deus unico, comò 
vencidas que eram e proscritas. Parece-me presumivel existir sobre 



^ flsta informasse e stava inedita, mas asseguro a sua autenticidade por 
a ter recebido sem intermediarios. 



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40 O Archeologo Portugués 

estes factosj repetidos e generalizados, urna iutengio constante, Os lo- 
gares do culto antigo conservararn-ae ; os fana tiveram de ser arra- 
sados, e por sobre os seus destro^os e a custa do3 seus mais privile- 
giados materiaes, emergiu a ìgreja ehrìstS, deante da qual se viram 
desfilar os mesmoa romeiros e as tnesmas romagens, inalteravelmente 
eivadas do antigo sentimento paglo, da antiga concepgào naturalistica, 
e da tradirlo ethnographica *• 

Sfto muitas vezes referidos os canones da Igreja na luta contra o 
aapecto persistente e eontumaz da religiSo popular, que ainda hoje 
conserva inconacientemente multo do seu rìtiial ethnographico-. O phe* 
nomeno geral, pois, è ji do dominio dos publicistas (cfr, v, g, Revisfa 
<fo Guimaràes^ i, 167); esto aspeeto especìal que teaho deseavolvido é 
que me parece nUo ter ainda vindo a terrei ro. 

Complementarmente, emquanto nSo sSo raras nestas condigoes as 
làpides votivas, as funerarìas faltam por completo- 

seu diverso caracter, a sua innocuidade religiosa nao as faziam 
aproveitaveis para a affirma^ito de um trìunfOj e tal ve e foaaem consl- 
deradas ìmpuras para material constructivo de urna igreja eh rista. 

Eespondem a estas reflex^es nas Btligides da Lusitania^ voL II, 
as Upides dos Lares Cusicelenses (p» 18 1)^ dos Erredicas (p. 183), 
dos Cerenaccos (p. 1H3), do Tutela Virienae (p, 197), das deusas Ca- 
bar.<<(p. 317), do deus Turiaco (p, 324) e do Durberico (p. 329i, 

Mas sEo exomplos mais frisantes aquellas outnis aras a que pri- 
meiro me refiro. 

Ili 

Està ara, corno alias todos os monumentos d'està especie, tem urna 
parte etimologica e urna parte bagiographica ; corno quem dissease: 
urna parte bumana e urna parte divina. Primeiro a pessoa dedicante, 
depoia o deus aelamado. 



* Bìio multo ciiriosos, pelo seu sabor tradìcionaL os fiictos narrado& em unia 
ijiouographia do Sr. Fed. MaDcioeira y Pardo sobrc El Santuario dt S. Afuiréé 
do TtLxldo (1907). 

2 Para cxemplificar vf feri rei apcims o que se fa» com aquelle S. Cipri ano de 
que falò no ttìxto. Quando o povo de Santa Vaia d*^ EÌo dr Muiuhos (Valdcyezl 
Beute a sède dei agua dos srus campos, a imagem du Satito é le va eia a urna foute 
do castro e ahi mergulbada. Quando é o sol que é rt^clamatlo : ao tuosmo logàr vae 
o Santo cm procìssSo, e d*eHta vea affroiitam-lhe o astro escoudido. Ai do cleri gti 
que ulo camp re elle proprio^ toni ve s tee rituaetij i-sta liturg^ia^ toda pag^! 

No legar deTibo, freguesia da Gavieira (ransmo concellio), quando alguem 
luorre, mettenullie luima algibeira da mortalha um bocado de brna ^^para a vlagem» . 



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" 5iw, i^M.(*i;ì*r-^ ' 



O Archeologo Portugués 41 

Quanto àquella: 

a) Temos a ethnicidade e a diffusSo geographìca. Camola era de 
um sangue muito abondante na Callaecia em particular (Citania^Viseu, 
Braga...). A lapidaria lasitano-romana frequentemente o declinou. 
Escusado é compro và-lo. 

Camola é em Holder (Alt- Celi. Sprachschatz) o feminino do nome 
celtico CamalO'8^. 

b) Vamos a Arquius. Pertence ao espolio celtico, na opinilo de 
Holder. 

Eate nome vé-se na legenda da celebre pàtera de Alvarelhos, em 
que, segundo a interpreta9So de Hùbner e Mommsen, se deve ler 
S(extìjuì) Arqui(u8), nome do dedicante. Diz o Sr. Dr. Leite de Vas- 
concellos que Arqui{ó) podia naquella legenda ser um nome de divin- 
dade por estar depois de um hipothetico 8(acrum)^ mas que por outro 
lado ArquUua) tambem occorre varias vezes comò cognome. Na ara de 
EstorSos, Arquius é mais uma vez nome pessoal. 

Temos pois, em regimo de Grovios, nova lapide com onomastico 
pessoal de tronco celtico; uma observajio porém devo fazer: é que 
nao eram orìundos d'essa regilo os dedicantes nella residentes, senio 
da Lusitania. 

Nos Monum, Ling, Ibericae encontraremos Arquius no indice dos no- 
mes ibericos da Hespanha (p. 255), e ao mesmo tempo Hùbner (p. cxxiv) 
o inclue em o numero dos que se transformaram por influencia das ter- 
mina93es latinas; de Arquio procede Arquius, visto que o suffixo -ius 
é romano. 

e) De Talahriga, se dizia a dedicante de Estoràos. No Itinerario 
de Antonino ha mengào de um oppidum assim denominado. Quem Ihe 
chama oppidum é Plinio, texto mais antigo que o Itinerario (Nat. Hist,, 
IV, xxxv). Tambem chama oppidum a Conimbriga e bem sabemos a 
que condÌ93es estrategicas correspondem as ruinas de Condeixa-a-Velha 
e de todos os outros oppida. 

Alem d'isto, o elemento briga é considerado celtico e significa: «ai- 
tara, castello» (Alt-Celt. Sprachschatz, A. Holder, s. v. briga), Isto 



* Hùbner, cuja obra Monumenta Lingiiae Ibericae è anterior a Holder, duvida 
da celticidade d'este nome. Veja-se ob. cit, pp. cxx, cxxiii e 257. Na Bevtie Celti- 
quCf XXXIII, no artigo «Les celtes de la Lusitanie portugaise» do Sr. Dr. Leite 
de Vasconcellos, p. 78, lé-se : Camalus a=3 Cam-al-us, où entre le suffixe -aZ- 
(Zeuss, Gram. Celt., p. 776) et l'élément cam-, qui est en rapport avec TìrlandaiR 
camb, cumachta «potestas». celtismo d*esta palavra està hoje autenticado na ara 
de Bandoga^ onde um Celtius era filho de Camalus (Belig. da Lusit.y ii, p. 317). 



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'^if^mp^fws^ 



42 O Archeologo Portugués 

deinonstra que Talabriga deverà ser povoagSo de origem preromana 
e situada numa emìnencia, acaso provida de cintura de muralhas cu 
equivalente sistema de defesa. A Talabriga do Itinerario, na via ro- 
maQa Lisboa-Braga, nào està ainda identificada. Suppds-se que seria 
Aveiro ou jimto d'està cidade. O que porém acabo de dizer é suffi- 
ciente, ereìo eu, para enfraqueeer està opinilo; as niinas de Talabriga 
nSo terSo de encontrar-se em terrenos planos e sem cabe90S aproprìa 
dos, corno sao as cercanias de Aveiro. 

É plausi\ el aereditar que a patria do dedicante da ara de EstorSos 
seja a Talabriga do Itinerario^ corno a mais proxima e conhecida do 
logar habitado por tJamala. 

^^mmium eati hoje provado, por urna inscrip9So romana, ser a 
actnal Coimbra (A. Filipe Sim3es, ob. cit., pp. 24 sqq., e Borges de Fi- 
gueiredo, BOjipida Kestitutà» in Boi. da Soc. de Geographia^n.^ 2, 1884 
e Eev, Arch. e HÌhì., n, 66 e Inacr, Hisp. Lat., suppl. n.** 5239). 

Tàibriga distanciava-se 18 milhas para o sul aproximadamente 
de Langohriga (sic no Itinerario) e 31, na mesma orienta^So, de Calem, 
que corresponde a urna cidade marginai do Douro, perto da foz d'este 
(ReUgims da Lusiéania^ II, 29, n. 7). 

Langohriga seria, no pensar do Sr. Dr. Leite de Vasconcellos 
(Rdlg, da Lmit., ir, 34), a povoagXo de Longroiva^ entre Marialva 
e Freixo de Numao, no concelho de Meda. Langobriga^ computada a 
milha romana em 1:481 metros *, dista 26:658 m. de Talabriga e 
19:253 m. de Calem. A situa9ao d'aquella Longroiva nSo corresponde 
à distanzia mareada no Itinerario com respeito a Gaia; em linha recta, 
seriam 1*J9 kilometros para leste. Havia pois mais que uma Langobriga, 
reeonhecendo-se que aquelle vocabulo deve ser etymo de Longroiva. 

SiJ de JEmlnium e de Calem do Itinerario, por serem pontos incon- 
troversosj principalmente o primeiro, é que podemos partir para veri- 
ficar a situarlo de Talabriga. E à identificaQao d'està cidade com Aveiro 
ou arredores obstani, alem do que jà expus, as medigSes do Itinerario 
e outros considerandos, que mais categoricamente desenvolvo em espe- 
cial artlgo, que fii.^a no prelo. 

Depois de registada a conclusSo a que chego, embora conclusao de 
gabincte, restarA pc^squisar in loco as ruìnas ou os vestigios que possam 
confirmar ou enjeitar o alvitre apresentado. Ora segundo as medÌ5oes 
do Itinorario^ que, nesta parte, concordam com a realidade, comò de- 



* Veja-sp Dict da antiq. grecq. et rom.j por Saglio & Daremberg, s. v. Mil- 
liarium. A rnillm l' sa età era 1481,50 metros. 



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O Archeologo Portugués 4a 

monstrarei^ Talabrigà distava 59*^'",240 ou XL mpm. de Eminio, para 
norie ; este afastamento nào se concilia com o de Aveiro, mas obriga 
a collocar o velho oppido ao norie de Vouga e nSo multo longe de Al- 
bergaria-a-Velha. 

Plinio (Nat. Hist., IV, xxxv) dà-nos Talabrigà comò cidade dos 
TUrduli veteres, situada entree o Tejo e o Douro, na regiSo do Vouga 
e do Mondego. Alem d'este escritor antigo, tambem Ptolemeu e Appiano 
referem TalaJ>riga. Aquelle inclue-a na lista das cidades dos lusitanos 
(CI. Ptolemaei Geographia, ed. de Car. Mùller, i, 137). Este narra 
um episodio da campanha de Decimo J. Bruto passado com està cidade, 
oma das menos resignadas, a principio, ao dominio romano {Appiani 
Alex. Rom. HisL q. 8. Didot, 1840). 

Parece que na Hispania nSo era urna so a povoa9So com este nome, 
o que alias succedia, corno acabo de mostrar, com Langobriga e, alem 
d'estes, com outros nomes. Hùbner chega a dizer que, talvez em ne- 
nhuma outra regimo comò na peninsula iberica, se encontrem repetidos 
tres e quatro vezes os mesmos nomes de rios, montes, povos e oppidos 
(Mon. Ling. Iber., p. ic) *. Ainda succede o mesmo. 

IV 

d) GENIO TIAVRA/'CEAICO. 

E està a parte mais interessante da presente ara da Gallaecia e o 
extravagante appellido um dos motivos do titulo com que individuei 
este esento. Estamos em dominios do idioma iberico pela divindade 
proclamada; corno nos achavamos entro célticos pela prosapia dos de- 
dicantes e porventura pelo seu habitaculo. 

Devemos recordar, o leitor e eu, que este monumento è do final 
do seculo III ou iv, epoca em que a romanizagao da Hispania era com- 
pleta. Comtudo ainda os descendentes da raca celtica nao tinham es- 
quecido os seus patronimicos, nem a hagiographia nacional tinha sido 
completamente transformada ou supplantada pela mithologia romana. 



* Està repeti^So do onomastico locai póde explicar-se, ou porque alguns no- 
mes tenbam sido outr'ora appellativos, ou porque as migra9des os tenham trans- 
portado de una a outros logares; em todo o caso indìcam que a mesma lingua 
estava espalhada por largo espa^o. Quanto a Talabrigà, jà referi que o segundo 
elemento é celtico; o primeii*o nSo o é. Entre as trinta palavras que trazem o 
componente briga, so tres, na opinilo de Gluck, é que parecem ter tambem a raiz 
celtica, e sao — Nemetobriga, Nertobriga, Segobriga. As outras raizes s5o mais 
semelhantes às ibericas (Mon. Ling. Iber., p. xcviii). Sendo assim a duplica^ao 
das Talabrigaa, devia dar-se depois de assim consti tuid a a pai avrà debaixo da 
influencia da civiIiza9ào celtica, e portante tambem na àrea respectiva. 



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44 Archeologo Portugués 

Um genius naturalizava-se cà e tornava nome de origem autentica- 
mente iberica: Tiauranceaicus (ou TXaurauceaicus). 

Sem ter a pretensSo de profondar o assunto, vou em todo o caso, 
com mSlo prudente, encadear certo numero de consideragSes tendentes 
a pesquisar a procedencia d' aquella invocaglk). 

Em primeiro legar, ninguem duvidarà de que Genio Tiauranceaico 
està em dativo, sendo o primeiro termo do grupo um substantivo la- 
tino em concordancia com o segundo, que é fórma adjectival terminada 
pelo suffixo -aico, cujo nominativo latino seria -aicus. 

Tiauranceaico (ou Tiaurauceaicó) é urna palavra genuinamente ibe- 
rica. O thema està por assim dizer autentìcado por uma das myste- 
riosas lapides ibericas ou turdetanicas. NSo póde ter melhor abona^ao. 
Os romanos interpretaram a seu modo, talvez até para os tornar mais 
accessiveis à loquela do Laeio {Mon. Ling. Iher., p. LXXXix), os nomea 
ibericos (ignobiles et barbarae appelationis populus, no dizer de Plinio) * ; 
este phenomeno reconhece-se nas moedas e nas inscripgSes em latim 
{Man. Ling, Iber.^ cxxi, cxxxviii). Ahi pois nSo os vemos puros; o que 
representa a genuina lingua iberica sào as epigraphes escritas em ca- 
racteres proprios {Ibid., cxx e cxxxix). Podemos nSo comprehender 
a lingua que representam, mas é esse o unico enigma que espera o seu 
Edipo; ao resto, a separagSo das palavras jà é algumas vezes possivel. 
Por isso apparecer interpretada, pela vez primeira, numa inscripgao 
latina, uma palavra de que se encontra por assim dizer o correspon- 
dente, o originai tragado com caracteres ibericos, parece-me facto digno 
de nota, e até mais importante do que se o termo fosse apenas um ine- 
dito latino-iberico. 

A primeira parte da palavra iberica em estudo é precisamente a 
mesma que Hùbner interpretou e insulou na lapide LXiv dos seus 3fo- 
numenta, procedente de Ourique: 

|[. . . o] k q r i I a r a i h th 
(Estoraos)... ARVAI T 



O thema pois d'està palavra vem confirmar e consagrar a leitura 
feita por aquelle grande epigraphista e ratificar a correc9ao que elle 



* A interpTeta9So ou adapta9£lo romana póde, neste caso, visto corno a de- 
dicante era de estirpe celtica, ter sido ainda precedida de uma adapta^ào phone- 
tica celtica, pelo que pensa Httbner, oh. cit, pp. cxx e cxxi. Todavia, através da 
possibilidade d'estas transfonnaySes, o radicai surge intacto, comò se póde ver. 



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O Archeologo Portuqués 45 

entendeu que devia fazer na folha oa copia de Cenaculo, pela qual é 
conhecida a inscrìp^lLo de Ourique. Està circuustancia dà ao monumento 
galleco peculiar valor. 

Mas nào é so iato. 

Na inscrìp9lo Lxv dos mesmos Monumenta, Hubner leu (ponho 
agora em esenta para a direita) : 

th [h i] r a| [s] e a s a [h] k p ìf || etc. 

BH^ SA 

T lAVRANCEA 

Aqui temos a mais do que no precedente titulo, e em mais com- 
pleta correspondencia ou equìvalencia com a palavra de EstorSos, duas 
ou tres letras, pois que està se continua com tiaurancea (ou tiau- 
raucea), embora Ihe fatte o digamma au do radicai; o que póde ser 
incidente de antiga interpreta9So. Està difFeren9a nSo impedirà nin- 
guem de ver numa e neutra palavra a mesma raiz *. 

Cotejemos ainda o titulo LXI de Alcald del Rio (margens do Gua- 
dalquibir). Hubner leu nesta inscripjSo: 

th i r a e a e a 

Na epigraphe que primeiro adduzi, viu-se que o 1.® a de thiara 
correspondia a au na lei tura de EstorSos; e agora póde tambem 
notar-se que ao 2.® a de ihiareaca talvez corresponda um au na mesma 
lapide, se se dever interpretar o N por AV e nSo por AN, corno 
alias presumi. Este relacionamento dependeria em todo o caso do va- 
lor phonico do e (. . .ceai. . .) de Estoràos, correspondente ao s hipo- 
thetico da epigraphe lxv de Hubner (. . .a[«]ea. . .) e ao e da epigra- 
phe n.® LXI em . . .aca'^. 

Estas duvidas porém nSLo invalidam a identidade do thema do nome 
da divindade agora estudada e da palavra das lapides referidas. 



* Hubner fez urna separa^ào de palavra antes do [»]. Apesar d'isto, competia- 
me notar a correspondencia ou sobreposi^ao de elementos até onde era possivel. 

2 Na epigraphe bilingue dos Mon, Ling. lòcr., n.° xlv (Cfr. Corp. Inecr, Lai. 
II, 3294) ha um nome iberico escrito em latim: C ASTLOS AIO (om) (ou uaf) que 
parece corresponder a Castulonen^s. Em Tiauranceaico o suffixo é o mesmo, e o 
ce parece corresponder ao s da inscrip9£to bilingue. Haverà identica correspon- 
dencia nas epigrapbes lxv e lxi a que me refiro no texto? Poder-se-ha perguntar 
se ofl romanos interpretar am sempre com o mesmo sinal cada som da linguagem 
indigena . . . 



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46 O Archeologo Portugués 



Conseguimos assim chegar a este quadro: 



Ara latina 
de Estorftos 



JTIAVRANC... 
Lapidea iberica» J T H I A R A {Mofi. Lhig. Iber., LXIV). 
de ourique j T H [H I] R A (Idem, LXV). 

Lapide alcalaense [THIRAEAC... (Idem, LXl). 

£m Hùbner estas interpretagSes trazem indica92o dubitativa; ama 
primeira illa^ao da epigraphe de EstorSos é tornar certo o que para 
aquelle seguro espirito ainda era incerto (Man, Ling. Iber., Indice i, 
p. 219); thema apparece-nos escrito e trasladado pelos caracteres 
romanos contemporaneos em coincidencia suggestiva com a interpre- 
ta9ao moderna dos sinaes ibericos. 

No estudo dos elementos que compSem as palavras que nos restam 
do idioma escrito nas lapides ibericas, Hùbner ministra-nos alguns ar- 
gumentos que nos interessam. Assim o digamma ea (-ia) deve consi- 
derar-se caracteristicamente iberico, e o exemplo é precisamente Tear 
(Tiar)^ nome de povo ou legar (Mori. Ling. Iber,, proleg. § 38, p. evi). 

O ditongo au (Tiaura..) é frequente nas fórmas antigas, corno 
em Itaraugatae, Banda, e te. Os exemplos de Hùbner sào todos da 
Gallecia, onde tambem estamos (Ibid., p. cv, cxi e cxxvi). De Holder 
colhe-se a mesma indicagSo. 

Em iberico, o a póde juntar-se a u para ditongo, comò vimos (e 
ainda mais a p. lxiii), mas tambem póde o mesmo ditongo vir antes 
de r para formar aur, o que encontramos na nossa ara em Tiaur. . 
(Ibid., p. LXv). Nao so està raiz é um nome geographico *, mas para 
Hùbner as tres palavras das lapides ibericas que acima recordei, pa- 
lavras terminadas em a, correspondem a nomes de oppidos (Mon. 
Ling. Iber., p. cxxxix), comò identicos vocabulos inscritos nas moedas 
{Ibid., p. cxxiv). Aqui temos pois um caso de toponimia iberica, no 
ceste da peninsula. 



1 Holder, s. v. Twr, TVar, reporta-se a Httbner, que cita Plinio, Nat Hist, ii, 
23 (Teari qui Jìdimses) no Convent. Tarrac. Alem de Plinio, Ptolemeu, ii, 6, 63. 
Consultando a edÌ9ao de C. Mailer {CI. Ptolemaei Geographia, i, p. 187), encon- 
tra-se entra os oppida mediterranea dos Ilercavones : Tiwriulia, E, em urna nota, 
refere o editor o que traz Plinio e accrescenta que ha outro Tiar entre Ilici 
e Carthaginem, hoje no castello de Tiar, campo de Salinas, junto a San Gines. 
Eate é pois do Convent. Carthagin. 

Holder, s. v. Thiar^ diz que é nome de logar, na Hespanha (Orihuela). 

O Dice. Ettcicl. hesp. amer. regista Thiar e Thiar Julia ou Thiarulia (nap 
\vi\\a de Ptolemeu); mas na Argelia ha tambem uma Tiaret, em Oran, onde res- 
tam ruinas romanaa. 



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O Archeologo Portugués 47 

D'està fórma podemos desde jà concluir que a expressZo adjectival 
lìauraneeaico (oa Tiaurauceaico) em concordancia com Genio se re- 
porta ao nome de nm oppido do qnal se invocava o Genio protector^ 
comò na epigraphe do Corpus, li, 3294 (Cfr. Man, Ling. Iber., XLv), 
o termo CasUosai-c (om ou -us) é um adjectivo concordante com Diphi- 
lus, indicativo da sua patria. 

Mais difficultoso é certamente o exame dos elementos consecutivos 
ao radicai e intermedios da palavra de origem iberica, que estou apre- 
ciando nas consideragSes j& ezpostas. 

O terreno nesta parte sinto-o menos chSo, e demandarìa estudos 
mais especiaes de glottologia antiga. Direi em todo o caso o que pode 
ter confronto com Hubner^ 

Na epigraphe de Estorca pareceu-me mais harmonico com a pa- 
leografia latina desfazer o AT em AN do que em AV, iendo assim Tiau- 
ranceaico e nSo Tiaurauceaico. Croio que pelos exemplos Huberianos, 
se a alguma copulag&o se póde dar preferencia, sera à de auy comò ji 
vimos. Ne vem porém exemplificada na p. LXX e uc veja-se a p. lxv. 

Confesso-me porém mal documentado nesta parte do vocabulo de 
que me occupo e por isso passarei ao snffixo -aico. 

Diz sabio epigraphista allemSo que, entre os testemunhos do 
idioma iberico, avultam com especial importancia os oitenta nomes de 
deuses e deusas, com as suas denominaQSes tiradas das dos logares ou 
igaaes a estas (Mon. Ling. Ibei\, 339, p. cviii e Indice, III, i, a). Na 
nomenclatura d'este olympo refere-se Hùbner, entre outros, aos nomes 
que terminam em aicus, etc, e que abundam nas regiSes setentrionaes 
da Callecia e Asturias, onde existem muitas memorias da antiga reli- 
giio e caediculas sanctornm ex fanis paganorum ortas» (Ibid., p. ex). 

O rigor do parallelo nìnguem m'o contestarà. NSo so o suffizo 
-aicue (Tiauranceaicus) no nome da divindade, comò a natureza e ori- 
gem d'està (nome de legar), comò a proveniencia da ara (tempio chris- 
tao successor de um fanum pagfto) tudo concorre para o bom cabi- 
mento da minha cita^So. 

Diz o Sr. Adolfo Coelho {Revista de GuimarSes, ili, 169) que este 
suffixo é ao mesmo tempo dos mais frequentes e dos mais caracteristicos 
do antigo onomastico peninsular, sendo a Callecia que offerece o maior 
numero de nomes em -aico (ou -aeco). Fora da Hespanha é rarissimo ^ 



1 Este suffixo nSo o regista Holder; mas ama das palavras apontadics por 
Habner com o suffixo -aicus é Cerenaici, e Holder consìdera-a celtica. Quanto ao 
soffixo -aigus, que é identico, Holder cita Ctceargus ou Ceceaecus, e pergunta se 
sera vocabulo iberico. 



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48 O Archeologo Portuoués 

Acrest^nta o Sr. A. Coelho que, debaixo do aspecto geographico, 
è provavel que os nomes em aico, de que apresenta urna lista haurìda 
no Corpus e noa A A- gregos e latinos, perten9am a urna mesma lingua 
ou diaLeetos affius, e mais abaìxo qae para esplicar estas formaQSes 
em ako, aera preciso proceder ao estudo dos themas de que os nomes 
respeetivos derivam, e dos outros elementos do antigo onomastico. 
Parte rias Lasea d'estes nomes, entende o illustre professor, póde pro- 
vir de linguas div( rsas d'aquella do siiffixo. No nosso caso o thema 
era ji conhecido por varias epigraphes gravadas em caracteres ibericos, 
o quf . 8Ó por &ì I (iianto à lingua, pouco ou nada diz, porquanto os 
mesmos caracteres podiam reproduzir uma ou mais linguas, que nos 
ficaiii desconhet'idas, 

Hùbner insiste na frequencia de certas formagoes em determinadas 
r^p-ìi^es da peDÌnsidiij mas para n^o sair d'està concIusXo: iberico ou 
celtiberìeu {Alrm. Ling. Iber,, p. Clli), acreditando porém que uma so 
seria a lingua falacla na Iberia. (Rid.y § 39). 

No qne em todvi o caso do celtico é conhecido, nXo se encontra o 
suftlxu -a tao e [laia os que, comò o signatario d'este estudo, estes as- 
suntos especialiseadoa oflFerecem, por falta de prepararlo, difficuldades 
insupera veisj o ineio de o averiguar é a consulta do diccionario celtico 
do Ho!der, onde nao se encontra o sufSxo -aico, o que confere com 
a snpradita obsi?rva<;ao do Sr. A. Coelho de que, fora de Hespanha, 
estas forma^rtes «ào «rarissimas» (Cfr. Hiibner, Monumenta Linguae 
Iherkae, p. CXI!) *. 

D.t fjue jà deixo escrito poderei, com seguranra, deduzir que o 
(.lenio, iiwoeado cutn fórma adjectival na ara de EstorSos, era a divin- 
dadù prut'jctora de um oppido, cujo nome, escrito por caracteres ibe- 
ricos ein nionum''ntos lapidares contemporaneos entre si e interpretado 
pelo idioma latino i^-^ualmente em monumento lapidar da epoca romana, 
eorresponclia a Thnira, . . ou Tiauran, , . ou Tiaurance, . . 

Se percorre rnio^ nas Religioes da Lusitania, il, 324, as divindades 
dos Gruvnos e fiy euiijecturas do A. sobre a sua natureza ethnica, vere- 
mos que, ou sào consideradas celticas (umas segundo o Sr. Dr. Leite 
de VascoiieeU*is, mitras segundo o Sr. A. Coelho in Rev. Lusitana^ i, 35) 
ou duvidosas e (d»si^uras; e se as compararmos com o que acérca do 
Giiiììu tic Er^tiiraos temos estudado, parece que a està nào póde caber 



1 Denti ftt. ujU»ir liittìnuo (nomina Gallica deorum), quae in Hispania iam/re- 
tpirntia sunL ut -aious, -aegus, -ìcns^ formata . . . Veja-se tanibem Bev. Ltisitana, 
I» 'Il^y e lìf*. Arehcuìoi/ica, iii, 5. 



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O Archeologo Portugués 



49 



a clas8Ìfica93o de celtica, mas de iberica, senio pela forma9So adjecti- 
val, ao menos pelo radicai ^ 

V 

D'aqui se póde, jnlgo eu, tirar algama li<;Sio para o estudo ethnico 
d'aquelles antigos habitadores de Alem-Douro, tio suggestivamente 
lembrados pelo Sr. Dr. Leite de Vasconcellos no Arch. Pori,, x, 287. 

Està ììi}^o pretendi eu aventarà-la com o confronto das daas cartas 
abaixo apresentadas. A carta A é decalcada sobre a que illustra o ar- 
tigo referido. Sao os logares, onde o onomastico revela ainda hoje 
revivescencias do ethnico Grovio, logares que estào inscritos no peri- 
metro d'aquelles povos^ deduzido dos textos. A carta B é estrezida 
sobre uma parte da que Hùbner traQOu, localizando a distribuijSo dos 
roonumentos ibericos na peninsula; essa parte, nitidamente confinada 
e insulada, abrange a regiao de Alem-Douro, onde se demonstrou o 
habitaculo dos Grov^os. As alludidas epigraphes d'està regiSo nSo ap- 
pareceram gravadas em caracteres ibericos, comò as da Lusitania me- 
ridional ; apesar d'isso, o sabio allemlo inseriu-as na sua carta, porque 
iberico que ellas contém nSo deixou de o ser, pelo facto de estar 
exarado em caracteres latinos. Demonstrada a absoluta identidade da 
palavra TIAVRANCEAICO às outras que se léem nas lapides ibericas 
do sul da peninsula, julguei-me autorìzado a ampliar este mappa de 
Hùbner com a nota9lLo do sitio de Estoraos. 

E assim vemos que na regiào dos Grovios, delimitada corno està 
das que a circundam, se aceumularam inscripgoes de lingua iberica, 
ìnsulando-se da ìnteira escassez que, nesta especie de monumentos, 
caracterìza as regiSes circumjacentes, corno se póde verificar no mappa 
completo de Hùbner {Mon. Ling. Iber. in fine). 

Este confronto faz-me ir mais longe do que fui no meu artigo «Um 
Grovio autentico» (Arch. Pori,, xi, 202). Poder-se-ha deduzir da com- 
paragào dos dois mappas que as minhas reservas acérca do celtismo 
fundamental dos Grovios, esbo^adas naquelle meu escrito, tem agora 
mais um fundamento, que nSo é facil anniquilar ou esquecer. Vè-se que 



< Para, a exemplo de Hiibner, Ihe chamar celtiberico, confesso que na pala- 
Tra em estado nSo me dizem os AÀ. cìtados nenbnm elemento definidamente cel- 
tico. Aquelle grande epigraphista escreve porém: «Itaqne etiam deorum nomina 
haec, etiamsi Celtica quaedam insunt — nam snos sibi deos secum tulisse Celtas, 
cura in paeninsulam immigraverint, atqne ibi coluisse non mirabimur — propria 
tamen eant Iberorum pleraque vereque dici possant Celtiberica* {Mon, Ling, 
Iber., p. cxi). Vid. Rev. Archtologicaj iii, 5. 

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50 



O Archeologo Portugdès 



a lingua iberica tinha grossas raizes em regiSo de Grovios. Mais alem 
d'isto, é que tambem nSo irei, por emquanto *. 

VI 

Onde localizar a povoagSo tutelada por este Genio? E verosimil 
acreditar que, embora proviesse de regiào estranha {Turduli veteres) 
a dedicante da ara, o Genio invocado sé-Io-hìa do proprio logar em 




Carta A — Area geographica dis palivras Qrovia, etc, 
sogundo o Sr. Dr. Lelto de Vasconc^l'o-i. {Arch. PorUj x, 287). 

que a t'amala habitava; a especial indole d'estas divindades impede- 
me de julgar importado^ o proprio onomastico d'ella^. 



' Trataodo da eplgrapbe xlvih (Mon, Ling. Iber.)^ Hiibner diz que a palavra 
Cnnifùdùudadigoe, nome provavel de divindade, é semelhante ao vocabulo Grovii, 
ÀEfSìtn, oste pareo tesco philologico nSo parece ìndiffereiite às minhas reservas. 
Holder. (oh. di.) s. v. Gravi, nSLo affirma que seja celtica està palavra cu relacio- 
iiave] cotn o celtico, mas simplesmente Ihe junta està interroga9&o : iberischf 

' O suffico -ateo em Caatlosaicits (vid. supra) parece corresponder ao -entis 
latino (Casiulonenais), Talvez o -saicus teuba side aqui interpretado por -ceaico e 
entlo teriamos um etbnico Tiaurancensis e um topico Tiauran. . . Algumas porém 
daA derìva^^oes em -aico eào patronimicas (Vid. A. Coelbo, loco cit,), 

3 ProjEÌino de £storào8 ba um castro; é o castello da Formiga (Arch, Pori,^ 
IV, 149). Sera este o oppido? 



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O Akcheologo Portugués 



51 



Està nova mscrìp9So votiva velo: a) — comprovar a existencia no 
norie de Portugal do mesmo elemento iberico do sul *, particularmente 
affirmado pelas lapidea cbamadas tambem turdetanicas; b) — dar-nos 
pela prìmeira vez, em monumento lapidar autentico^ uma referencia ao 
oppido preromano Talahrlga, oonhecido pela literatura antiga e pelo Iti- 
nerario; e) — offerecer-nos mais um Genio de nome indigena (Vid. Rd. 
4la Lii8., pp. 194 e 312), o que é um phenomeno de romanizagao cultual; 
d) — revelar-nos uma palavra inedita de origem autenticamente il)erica. 



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Carta B — Mappa doH Jfonttmenta lÀnguae IbeHcac 

Kfgnndo E. Hubner. (Frainnonto coin aa inRcrfp^òes 

do Dorocjsto (la peuiuKula ou Alom-Donro) 



Na epoca d'este monumento, a escrita iberica estava jà decerto 
abandonada e substituida pela latina; ainda assim a tenacidade da lin- 
gua indigena mantinha-se na interpretagào romana. 
O facto a que està ara corresponde é o seguinte: 
Uma dona de estirpe celtica, e pessoa de qualidade, pois que, 
mulher, podia mandar lavrar e erigir a expensas proprias um monu- 
mento de grandes dimensSes, veio da Lusitania no sec. in ou iv d. C* 



1 A landa narrada por Estrabao e, corno em muitos outros casos, o vestigio 
de am facto historico, qaal, nes'e caso, a immigrr.Qlo de Ceìtas e Turdalos no 
noToeste da peninsu^a. NSo està longe de o pensar tambem o Sr. Dr. Leite de 
VascODcellos nas Beligidee da LusitcniOf ii, 65. 



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52 O Archeologo Pobtugués 

Iiabitar na Galleria um logar a cuja protectora divindade de caracter 
iberico dedicoii um aitar, e, por isso que a regiSo estava romanizada^ 
na lingua de Roma foi lavrada a inscripfSLo. E um facto de celtiberismo 
passado ainda nos ultirnos seculos da epoca lusitano-romana. E a razSo 

do titulo d'està notìciii. 

Agosto de 1900, 

Felix Alves Pereira. 



Medalha oommemorativa da instituigào 
da Àcademia Beai da Historia Portuguesa 

Su nini ario 

Ncitjcia acarpa da ii)*ttitiiiyfto da Àcademia. — Origene, no scio d'ella, do estudo 
da MetlaUiistii:» ein Portiigal. — Confa rencia Academica de 22 de Outabro 
de 1721, em que stì fi^K a entrega de urna medalha a D. Joao V. — De8crÌ9So 
(la mcdaìlia.— CoTi5Ìdéra96es a respeito d'ella, e referencias a um projecto 
de Vieìra Liiaitano,=— Appendice: breve noticia de nmas medalhas que a 
Àcademia projectou para commemorar os casamentos do Principe do Bra- 
sila D. Jotiéf Qom D. Mariana Victoria, e da Infanta D. Maria Barbara com 
o Principo da» Asturi as. — Outros projectos de Vieira Lusitano. 

Ko dia 4 de Novembro de 1720 communicou D. JoSio V a D. Ma- 
noel Cantano de Sousa a ideia que ti vera de fundar em Lisboa urna 
assooia^So literarìa, com o fim de escrever a Historia de Portugal. 
Poiicos dias depnìs u P." D. Manoel Gaetano de Sousa apresentou ao 
uiouan'ha o seu parecer, por escrito, no qual desenvolvidamente mos- 
trava a utilidade da ideia, e indicava a fórma de a por em pratica. 
Em vista d'esse pareeer encarregou-o D. JoXo V de proceder aos tra- 
balhos preliminares e de estudar as bases em que deveria assentar 
a futura Àcademia. 

O iucansavel or^anizador da associagSLo, tratando de dar cumpri- 
mento a està ordem, reuniu, em 19 de Novembro do mesmo anno, no 
seu proprio quarto, que era na Casa de N.* Sr.* da Divina Provi- 
deneia, algiins personagens illustres: o Marqués de Alegrete, o Conde 
da Ericeira, Martìnho de Mendon9a de Pina e de Proenga, e o Conde 
de Villa Maior. Nejsta assembleia preparatoria tomaram-se deliberagSes 
importantes, que o mouarcha approvou. 

Com a mesma actividade com que caminhavam estes trabalhos, 
procedia-se ao arranjo de uma das salas do antigo Palacio dos Duques 
de Braganga, pois que era alli que, no dia de N.* Sr.* da Conceijlo, 
a 8 de Dézembro, se deveria realizar a primeira sessào inaugurai. 



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O Archeologo Portugués 53 

Na conferencia preparatoria de 3 de Dezembro declarou o director 
qne D. JoSLo V havia conferido o titulo de Academìà Real da Historia 
Portuguesa a nova ìnstituijao, da qual se constituia protector, e na 
de 6 de Dezembro tomaram parte, pela primeira yez, os Marqueses 
de Abrantes e de Fronteira. 

Com a assistencia de 34 socios, conforme o desejo do soberano, 
realizou-se no dia 8 de Dezembro de 1720 a sessSo solemne de inau- 
gara9&o da nova Academia. 

Fez-se està cerimonia comegando o director pela leitura do decreto 
que fondava a insti tuigSo, datado do mesmo dia. Ordenava o monarcha 
que esse decreto fosse registado ^j e nelle declarava que a escolha do dia 
de N.* Sr.* da ConceigEo fora intencional. 

Terminada a leitura, D. Manoel Gaetano de Scusa, que tinha sido 
eleito director na ultima conferencia preparatoria, proferiu um desen- 
volvido discurso, e, por fim, elegeram-se os socios encarregados de ela- 
borar OS estatutos, sendo eleitos, o director, o Marquès de Alegrete, 
o Conde da Ericeira e D. Francisco Xavier de Menezes. O projecto 
que està commissSo apresentou na sessào de 21 de Dezembro foi appro- 
vado, e veio a receber a sancgSo real em 4 de Janeiro de 1721. 

Nos dez paragraphos de que se compunham, determinavam os esta- 
tutos, entre outros assuntos: que os academicos seriam em numero 
de 50, cuja elei(So iìcaria sempre dependente da confirmagSo regia; 
que fim da Academia era escrever a Historia de Portugal, devendo 
comegar pela ecclesiastica; que todos os annos, a 9 de Dezembro, 
haveria eleigdes dos cargos de director e de censores; que o legar de 
secretano, cujas amplas attribuiySes eram definidas no § v, seria per- 
petuo. Foi este cargo por largos annos desempenhado pelo Conde 
de Villa Maior, depois Marquès de Alegrete, D. Manoel Telles da Silva. 

Desde o l.*' de Maio até o fim de Setembro, aos domingos, de quinze 
em quinze dias, pelas quatro horas da tarde, haveria sessSes geraes, po- 
dendo, alem d'essas, os censores terem as que quisessem com o director. 

Para auxiliarem os academicos haveria officiaes e escreventes em 
numero sufficiente. Nos dias dos anniversarios do Rei e da Rainha 
as conferencias realizar-se-hiam no Pago, onde os academicos deveriam 
ler producfSes literarias. 



1 A Academia Real da Historia tinha diversos livree para registos, que hoje 
estSo na Biblioteca Nacional de Lisboa. primeiro intitula-se : Livro Primeyro 
tm que se hào de langar o Decreto de Stia Magestade da institui^ào da Acadeniia, 
09 $eug estatutos, etc., eie. Biblioteca Nacional. Ms. n.<^ 684. 



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54 O Aecheologo Poutugués 

A Academia adoptou para empresa «o simulachro da Verdade^ 
corno a representam os antigos com està letra: RESTITUET OMNIA» . 
O sello compunha-se do escudo das armas reaes, estando debaixo d'elle 
A fi^'^ura do Tempo, preso com eadeias; em volta tinha urna legenda, 
euja redacgSo, porém, nXo agradou, e fez levantar graves disciissoes, 
qu^^ terminaram com a intervenfao do monarcha, a quem foram apre- 
sentadas nada menos de tres legendas. D. JoSo V mandou adoptar 
a s 'quinte*: SIGILLVM REGIAE ACADEMIAE HISTORIAE 
LVSITANIAE. 

O cargo de protector qiie o monarcha a si proprio se impós nào 
foi apenas bonorìfico. Dotou a Academia coro urna renda anniial de um 
conto de réis^; mandou vir do estrangcTO typographos e gravadores; 
isentou as suas producgoes da licenga do desembargo do Pa90, desde 
qae fossero approvadas pelos censores; assistiu a muitas conferencias : 
pò.s ao dispor da institiiigSo todos os archivos do reino; e, por decreto 
de 14 de Agosto de 1721, prohibiu que se destruissem quaesquer mo- 
numentos antigos, que servissem para documentar a Historia, nio sondo 
esqueeidas as moedas e as medalhas, as quaes mandava que se conser- 
vassem'. 

Està Academia, se nlo cumpriu 4 risca o seu programma, nSLo dei- 
xoii por isso de prestar servigos relevantes à Historia do nesso pais. 
Produziu numerosas obras de vulto, que occupam legar de honra na 
bibliographia portuguesa, sondo està fecundidade devida à illustragào 
e boa vontade dos seus socios e ao methodo e disciplina, verdadeira- 
mente notaveis e dignos de serem imitados. 

Por isso, tanto a memoria de D. JoSo V, que assinalou o seu rei- 
nado ( om a in8tituÌ9ao d'està Academia, comò a das illustres indivi- 
dualidiides que nella floresceram, sào credoras da nossa mais viva 
adniiragào e respeito. 



* Vid. Historia da Academia Beai da Historia, p. 84 sqq. 

Tanto a empresa corno o sello foram compostos pelo Marqués de Abraotes, 
segundo o que elle proprio disse na 8." conferencia, que se realizou a 18 de Mar90 
de t7:^l. Vid. o liv. ii dos registos das conferencias, do anno de 1721, a fi. 26 r. 
Bibliottica Nacional. Ms. n.« 685. 

^ Por decreto de 6 de Janeiro de 1721. Està quantia era paga aos quarteis 
pela tbesouraria da Casa da Moeda ao thesoureiro-mór do reino, que a despendia 
pcir ordt^s da Academia. decreto està registado no liv. ii do Registo Geral 
da Casa da Moeda, a fi. 287 (no archivo reapectivo), e no liv. i dos registos 
da Academia, a fls. 34 e 34 v. Biblioteca NacionaL Ms. n.« 684. 

3 Este decreto tambem està registado no ultimo livro citado na nota antece- 
dente, il fls. 83 e 84. 



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O ÀBCHEOLOGO P0RTUGUÉ8 55 

Depoìs da morte do monarcha perdeu a Academia, poiico a pouco, 
a sua primitiva actividade até qiie^ por fim^ cedeu seu logar à Aca- 
demia Real das Sciencias. 



Cumpre-nos agora accentuar um facto: É ao seio da Academia 
Real da Historia qua se vae buscar a origem do estudo methodico 
da Medalhistica em Portugal^ pois qne foi um dos seus mais iliustres 
membros, Marqués de Abrantes, D. Rodrigo Annes de Sa Menezes 
e Almeida^ quem o iniciou. 

Até entio, afóra uma ou outra' indicasse avulsa ^ ainda nenhum 
portugués tinha feito estudos especiaes sobre este assunto^ nSo obstante 
algons escritores terem jà tratado de Numismatica. 

Foi o proprio Marquès que, por sua livre vontade, quis esse en- 
cargo. Na citava conferencia, fealizada em 18 de Margo de 1721, 
de que foi director^ fallando da obrigagSo que cada um dos academicos 
tinha de apresentar estado de adeantamento dos seus trabaihos, 
disse que de si «pouco podia dizer, pois se Ihe nio encarregara mais, 
que a compozigao* da empreza, e do sello da Academia, ao que logo 
obedecera; porém que para demonstrar que sacrificava de boa vontade 
a sua inhabilidade ao commum interesse d'està gi*ande obra, se encar- 
regava de reduzir a dous volumes a descrip^So de todas as medalhas^, 
e moedas que desde que se introduzio no mundo està especie até 
o presente, se tem publicado neste Reyno, e a colle(*.92Lo das mais dignas 
inscripQoens antigas, e modernas, que nos pertencem, pois que humas, 
e outras contem noticias, que estampadas, e manuscriptas em metaes, 
e em marmores conservào apezar das injurias do tempo a gloriosa fama 
da QO8S8 Na^ào no tempio da immortalidade»^. 



^ Por exemplo : Maaoel Severim de Paria descreveu urna medalha uas saas 
Notidas de Portugal, discurso viii, no final da biographia do Cardeal D. Jorjc 
da Costa, p. 262 da edi^fto de 1740, que temos à mSo. A 1.* é de 1655. 

^ A palavra medalhas empregada ne^te discurso do Marqués abrange, evi- 
dentemente, nào so as antigas, corno, por exemplo, as romanas, mas tambem as 
modernas, portuguesas, pois que o firn que elle tinha em vista era pnblicar em 
dois volumes a descripgào de todas as medalhas e moedas, qne desde que se in- 
trodaziu no mundo està especie, até o prestrUe, se tinha publicado neste reino 
Os seus trabaihos confirmam o que dizemos. 

5 Biblioteca Nacional. Ms. n.° 685, fl. 26 v. Este discurso foi mandado im- 
prìmir, segnndo consta do mesmo livro a fl. 30 v. Em conformidade com o plano 
tra9ado, come^ou o Marqués os seus trabaihos pelas moedas, e na conferencia 
de 13 de Agosto de 1722 disse o segninte : «agora desejava mostrar que se nSlo 



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56 O Archeologo Portugués 

Infelizmente, o Marqués de Abrantes nào chegou a publicar a sua 
obra, que, segundo parece, estava bastante adeantada; mas, gra9as 
a um sinal que D. Antonio Gaetano de Sousa adoptou, podemos boje 
apreoi4-la. As estampas das medalhas, que no tomo iv da Historia 
Genecdùijica da Casa Beai apparecem com auseneia de filete, foram 
mandadas gravar pelo Marquès, que as destinava ao seu trabalho. SXo 
apenas sete; nisto se resumé a sua obra sobre Medalhistica. Quem 
ha, porém, que Ihe negue o devido valor? Se & primeira vista o nu- 
mero parece diminuto, nSo se deve esquecer que nada mais poderia 
fazer-se numa epoca em que as medalbas nXo abundavam. Demais, 
urna d'ellas, a de D. Affonso VI*, teria ficado desconheeida, pois que 
tiBm mesmo D. Antonio Gaetano de Sousa a viu. 

Algiimas eram t2o raras que jà em 1795, Boueh, no seu prospecto, 
dizia*: aEm Inglaterra um ourives irlandez, Daniel Goningham, jà fal- 
lecidu. fez passar as medalhas portuguezas sunmiamente raras dos Se- 
nhores D. Jo^o IV, D. Affbnso VI e D. Fedro II, cujos exemplares 
debalde nos cansariamos para os acharmos hoje em Lisboa, pois que 
OS dos referidos monarchas provém da mobilia do defuncto marquez 
de Abrantes, Rodrigo Annes de Sa». 

Poróin, todo o trabalho do Marquès de Abrantes acérca de Me- 
dalhistica ter-se-hia irremediavelmente perdido se, dentro da mesma 
Acadeniia, nSo houvesse outro homem, nSLo menos illustre, que o apro- 
veìtaase. D. Antonio Gaetano de Sousa, o celebre autor da Historia 
Genealotjica da Casa Real, querendo continuar o trabalho encetado pelo 
seu collega, dedicou um capitulo especial às medalhas portuguesas no 
tomo IV d'està sua monumentai obra, e, muito honradamente, comò 
era proprio do seu caracter, declarou que publicamente confessava, no 
grande theatro do mundo, que Ihe haviam servido de base os trabalhos 
do primeiro^. 



desciiidava das moedas Portuguezas dando à Academia à iniita^&o dos catalogos 
hitma i^ytiopesis de mais de cento e vinte moedas dos nossos Reys, cunhadas nos 
Ires nH'taes, e que a muitos dos Academicos era notorio que a improvìsa ausen- 
eia de litim artifice Ihe diffìcultara a execu^So deste intento, mas que jà outro 
trabaìba, e esperava que poderia conseguir o que desejava de sorte, que satisfarà 
a tiirinsidade publica». Biblioteca Nacional. Ms. n.° 686, fl. 231. 

1 Historia Genealogica, tomo iv, fl. be, n.« 2. Lopes Fernandes, n.® 16. 

* A inda nào conseguimos ver este prospecto de Bouch, nem as reproduc95e8 
de medalbas por elle feitas, de que falla Lopes Fernandes na sua Memoria das 
medalhaSj a p. 2. Transcrevemos, por isso, este passo do livro de AragSo, tomo i, 
p. 111). 

* Xìd. Historia Genealogica, tomo iv, pp. 103 e 104. 



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O Archeologo Portugués 57 

Pelos referidos frìsos, qne estào collocados em volta das estanipas *, 
facilmente se distinguem as que D. Antonio Gaetano de Sonsa addi- 
cionou &s do Marqués de Abrantes. 

As sete medalhas qae este tinha deixado gravadas juntou mais 
treze, dando assim à publicidade nm total de vìnte. Para maior eia- 
reza fez as suas descrÌQSes que, por vezes, sào acompanhadas de im- 
portantes noticias biblìographicas. 

Se é, pois, digno de elogio o trabalho do Marqués de Abrantes, 
nILo é menos o de D. Antonio Gaetano de Sousa. 

Muitas das medalhas que veem estampadas na Historia Genealogica 
sSo hoje quasi lendarìas! Os coUeccionadores fixam nellas olhares ga- 
nanciosos, com e8peran9à de as poderem alcanjar! Mas é tempo per- 
dido. Quando muito, poderXo obter urna ou outra, em algum leilSo no 
estrangeiro. . . mas falsa! 

Ainda que com estas consideragoes alongassemos demais este ar- 
tigo, julgamos ser desculpados d'essa falta, pois que seriamos bastante 
injustos, se, ao fallarmos da Academia Beai da Historia, nào prestas- 
semos justa homenagem à memoria d'aquelles dois illustres academicos, 
que tanto a honraram, e que criaram entro nós o estudo da Medalhis- 
tica, — Marqués de Abrantes e D. Antonio Gaetano de Sousa, o pri- 
meiro corno fundador e o segundo comò continuador, nSk) menos illustre. 



Em obediencia aos preceitos dos estatutos, a Academia realizou a 
sua conferencia no Pago Real em 22 de Outubro de 1721, dia do anni- 
versario de D. JoSoV. 

Fez-se està solemnidade com a magnificencia propria da epoca. 
A Familia Real sentou-se em rico throno, coberto com docci, e as damas, 
OB officiaes e o resto da corte accommodaram-se nos seus respectivos 
logares. Para os academicos havia um recinto reservado, dentro da teia. 

Findo beija-mllo, o Marqués de Abrantes, na sua qualidade de 
director, em discurso laudatorio, dirigiu ao monarcha felicitagoes pelo 
seu anniversario natalìcio, e em seguida, pela ordem alfabetica dos 
nomes, varios academicos leram os seus trabalhos. Coube o primeiro 
legar a Martinho de Mendon^a de Pina e de Proen9a, seguindo-se-lhe 
depois P.* Fr. Miguel de S.** Maria, Fr. Pedro Monteiro e o P.* 
D. Rafael Bluteau. 



1 Vid. o livro citado na nota antecedente, p. 106. 



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58 O Archeologo Poetugués 

Por ultimo, corno academico, tomon a fallar o Marqués de Abrantes, 
que comegou o seu discurso por offerecer a I). JoSLo V urna medalha^ 
commemorativa da instituicào da Academia, dizendo: tOfferece Senhor 
ft Y, Mag.^* està Real Academia a sua primeira Medalha, é nella da 
partr principal figurado o decorozo aspecto de V. Mag.*^' com o g^lo- 
riozii tìtulo do seu Augusto nome nestes termos: Joaìmes VlAisitano- 
rum HiX, 

Da outra parte da Medalha se reprezenta V. Mag/' em pé reves- 
tidip da Real purpura, dando a m2o ao simulacro, ou figura da Historia, 
para que se levante, com tSo soberano arrimo do abatido estado, em 
que de muitos tempos a està parte jazia, dizendo-lhe a inscr]p9So: His- 
toìia Resurges, 

E na parte inferior se le notado o tempo, em q. V. Mag/* creou 
està Academia; Kegia Academia Historiae Lìisitanae insHtuta VI Idus 
d€cmihn8 CLJIDCCXX. 

I^Iedallia semelhante publicou o senado Romano em tempo do Empe- 
radiir Vespasiano, com a diflferenga porém, que a figura, a quem o Empe- 
radtij" dava a mao, era a de Roma, tanto inferiores huma e outra, quanto 
s5o mais estimaveis o simulacro da Historia, que o symbolo de Roma^ 
a ìjnagem de V. Mag.**' que o retrato de hum Emperador dos Roma- 
nos. . . w*. 

Dhjjoìs de en tregue a El-Rei o exemplar, de curo, distribuiram-se 
muitMs outros, de curo e de prata, pela Familia Real, pelos academicos 
V jjfjìisoas da córte. 

« 

Timos uma d'estas medalhas. Vid. a fig. 1.* 

Anv. — Busto de D. Joào V, laureado e com grande cabelleira, 
vultado à esquerda. O monarcha està vestido com armadura ornamen- 
tada. sobre a qual tem langado um manto de arminho, que dà volta 



* Vìd. a descri^So da solemnidade, bem comò este discurso, no livro dos re- 
gjfritijj^ (]ti3 confereDcias da Academia Keal da Historia do anno de 1721. Biblio- 
teca Njicional. Ms. n.*» 685, fi. 119 v e sqq. discurso vem na p. 124, e é curioso 
qui" ;mtPB do comc9o deixaram um espa^o em branco, precisamente o necessario 
psvra rmlìe ser dcsenhada a medalha, em tamanho naturai, o que infelizmente nSo 
tì/A'raiii, 

Vid. tambem a ColUcgam dos doctimentos, estatutos e memoriaM da Actidemia 
J'eitl ifa Historia, ordeuadas pelo Conde de Villa Maior, tomo i, no capitulo que 
tniìì iis aoticias da Academia Real da Historia de 22 de Outubro de 1721. (As pa- 
pthi> iTcìste livro nsio tem numerarlo; comò porém no exemplar da Biblioteca 
hotivc o cuidado de fazer esse traballio, a lapis, podemos citar a p. 206). 



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O Archeologo Portuguéb 59 

pelo peito e se prende sobre o hombro esquerdo com um broche de 
pedras preciosas. Neste mestno hombro, ornamentaDdo a armadiira, 
ha lima cabeca de lelU). Em volta do pesco90 tem collarinfao de cam- 
braia encanudado, e no exergo, escrita com caracteres bem legiveis; 
a assinatnra do gravador: A. MENGIN. 

No arco superior da orla, a legenda: IOANNES*V*LUSITA- 
NORUM*REX» 

Jt-. — Sobre o friso que separa o exergo, do lado direito, D. JoSo V, 
de pé, offerece a mao direi ta a cHistorìa», personificada em figura de 
mulher, que na sua frente està semi-ajoelhada. 

D. JoXo V tem grande cabelleìra e coroa de louro ; està vestido com 
armadura e coberto com grande manto de arminho. Uma penta d'este 
fica snspensa do brajo que o monarcha tem estendido. Com alguns dedos 
da mSo esquerda apanha uma outra parte do manto, de modo que este 
fica com uma curva graciosa, junto da cintura. Com o dedo indicador 
d'essa mesma m&o segura o seeptro, que està encostado ao hombro 
e ao longo do tronco. 

Do lado direito vé-se a penta da espada, em posiglo obliqua. 

A figura da mulher, que personifica a «Historia», està descalga, 
tem vestuario leve e simples e os bra90S nus. Apoia o joelho direito 
em terra tendo o outro erguido. Na mao direita segura uma penna, 
com a qual pretende escrever num papel que està no chào, por detràs 
do seu pé. A situa^&o do papel obriga-a a ficar com o bra90 estendido, 
em POSÌ9S0 for9ada. Com a mao esquerda segura a que Rei Ihe es- 
tende . . . para se ergtier com este soberano arrimo. 

No arco superior da orla ha a legenda :# HISTORI A* RESUR- 
GES « e no exergo, em tres linhas, a data da instituÌ9fto da Academia, 
nestes termos: 

REG. ACAD. HIST. LVSIT. 

INSTIT. VI. ID. DEC. 
CIOIOCCXX 

Està medalha é de prata; pesa 59^^20; tem de diametro 49,5 mil- 
limetros e de espessura 3,5. E muito rara. 

Està bem conservada, nào obstante ter ura furo na parte superior, 
que a atravessa de um a entro lado, feito comò intuito de a suspende- 
rem, e estar levemente amolgada na face do busto do anverso e por cima 
da figura da «Historia». Estes defeitos, porém, pouco a prejudicam. 

Nunca vimos medalhas iguaes de cobre. 

Vem estampada e descrita nas seguintes obras : Collecqam dos Do- 
cumentos, estatutos e memorias da Academia Beai da Historia, tomo I, 



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60 O Archeologo Poetugués 

p. 209 V * (o reverso tambem vem estampado no frontispicio de todos os 
outros volumes d'està mesma obra); HisL Gen., tomo iv, fl. gg, n.® 1 
e p. 492; Memoria das Medalhas, de Lopes Femandes, n.® 31 e p. 25. 
Vem sómente descrita : na HUtoria da Academia Real da Historiaj 
tomo I, pp. 372-373; no Elogio Funebre e Historico de D. Jocio V, por 
Francisco Xavier da Silva, p. 229; na Histoire du Travati, de Ara- 
gào, p. 102, n*' 1376; no Catalogo da Collec^ào do Sr. Eduardo CarmOj 
feito pelo Sr. Dr. Fedro Augusto Dias, p. 161, n.® 5; no Panorama 
de 1840, tomo iv, pp. 29-31, que da urna noticia acèrca da Acade- 
mia; e no catalogo intitulado: Medalhas do Museu Municijpal do Porto, 
feito por Manoel Joaquim Pereira, guarda do mesmo museu, sob o n.® 5. 



Estas medalhas foram cunhadas na Casa da Moeda, com autori- 
za9ào de D. Joào V, corno consta da seguinte nota, que transcrevemos : 

•Reg.*" de bum Aviso do Secretario de Estado e ordein do Vedor da faz.***, 
e dcBp.« desta Gaza p." q. nella se lavrem medalhas de curo e prata com o retrato 
de S. Mag.**» q. Da. g.*' 

S. Mag.«*« q. Ds. g> lie Servido q. V. Ex. mande cuuhar na Gaza da moeda 
Imma medalha feita com o retrato de S. Mag.''* por occazifto da in8tituÌ9Sio da 
Academia Real da Hìstoria Portugueza, e que se lavrem de ouro doze, e de prata 
cento e vinte q. se entregarSo a An.° Rebello da Fonseca das quais nos darà 
conta e assim a despeza dos metais, e do lavor corno a dos cimhos, e do ofiÌ9Ìal 
q. OS esculpe as.'™ conforme o seu ajuste se deve pagar o trabalho de os gravar 
tudo se 8ati8fa9a pelle thezr.» da Gaza ficando nella os cunhos p.* se pudereni 
lavrar mais medalhas semelhantes quando S. Mag.*'* assim o ordenar, e conser- 
varà tambem o thezr.» algumas medalhas j4 feitas p.* o cazo em q. S. Mag.^« 
as queira em breve tempo, e quando estas se gastarem se fabricarSo lego outras 
p.* q. sempre se achem promptas quando S. Mag. as quizer. Ds. g.**« a V. Ex.* 
Pa90 a tres de outubro de mil sette centos e vinte e hnm. 

P.' Marques de Frontr." Diego de Mendonsa Gorte Real». (Seguem-se os des- 
pachos do Veder da Fazenda e do Provedor)*. 



< As paginas d'este livro nao sao numeradas, comò j4 dissemos; porém um 
dos exemplares da Biblioteca Nacional tem numera9So a lapis. Neutro exemplar, 
do mesmo estabelecimento, nSo vem a gravura. 

* Vid. no Archi vo da Gasa da Moeda o liv. ii do Begisto Geral (anno de 1687 
a 1723), a fl. 264 v. 

Aragào nSo transcreveu este registo no seu livro, comò fez com varios outros 
registos referentes a medalhas, mas citou o legar onde elle existe, em uma nota 
por elle posta no ezemplar da obra de Lopes Femandes que Ihe pertencia, o qual 
hoje està em poder do nosso bom amigo o Sr. D. Fernando de Almeida. Guiados 
por essa cita9£o fbmos copià-lo à Gasa da Moeda. 

A proposito diremos que nos é sempre agradavel termos ensejo de paten- 
tear ao publico a nossa gratidào para com as pessoas que amavelmente se pron- 



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O Aecheologo Pobtugués 61 

A determinagSlo regia foi cumprida, pois que ainda hoje existem 
na Casa da Moeda os seguintes ferros: 

1) Pun^So com o retrato de D. Joào V, que serviu para o cunho 
do anverso. 

2) Conho do anverso, no qual se le a assinatura do gravador. 

3) Pan9So com as figuras do lado do reverso, levemente variadas 
das qne esUlo na medalha. A variante mais notavel é a ausencia do scep- 
tro na mào do Rei. (Comp. com a figura da medalha). 

4) Outro pungao com as figuras do reverso, no qual està o sceptro 
mas falta a parte do manto que fica pendente do brago que o monar- 
cha tem estendido. NSo obstante està circunstancia, parece que foi este 
que serviu, pois que, aletn de se ajustar no cunho com que se ba*- 
ten a medalha, era costume antigamente, segundo me informou fessoa 
competente, deixarem os pungSes incompletos e depois gravarem no 
proprio cunho o que fai tasse. 

5) Urna matriz d'este ultimo pungao. 

6) Um cunho do reverso em bom estado; nelle se adapta a nossa 
medalha. 

7) Outro cunho do reverso, quebrado, que varia do antecedente 
nas dimensSes das letras das legendas. Cremos que fosse inutilizado 
intencionalmente, porque continha uma imperfeigSLo notavel: a data 
que se le no exergo nUo se ajustava ao centro da linha, ficando mais 
desviada para o lado da figura da Historia, de modo que, para se 
corrigir esse defeito, foi preciso preencher um pequeno espago, que 
restava à direita, com dois arabescos, sem graga nem symetria*. 

Os cunhos que serviram para bater a medalha devem, pois, ser 
OS que vSo indicados sob os n.®' 2 e 6. 

Foi seu autor Antonio Mengin, gravador francés que viveu du- 
rante bastantes annos em Lisboa. Nasceu em 1690. Foi nomeado abri- 
dor de cunhos para a Casa da Moeda em 26 de Maio de 1721. Fal- 
leceu em 1772 deixando dois filhos, Paulo Aureliano Mengin e Pedro 



tificam a anziliar os nossoB trabalhos. Est^o nesse caso o Sr. Casimiro José de 
Lima, milito digno Director da Casa da Moeda, e o Sr. Julio Yigon Ibafiez : o pri- 
meiro, alem de importantes informa^òes qae nos fomeceu, concedeu-noB autori- 
zsL^ìLo para eonsultarmos documentos e Termos os ferros ; e o segundo, que com 
muita intelligencia dirige o archivo d'aquelle estabelecimento, prontificou-se a 
attender-noB com toda a beuevolencia. 

Aqui Ihes tribntamos, pois, o nosso reconhecimento. 

1 Todos estes ferros estSlo no gabinete do Director da Casa da Moeda, guar- 
dados em estantes. • 



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02 O Archeologo Portugués 

Antonio Mengin, que foram seus discipulos e que tambeni se dedi- 
caram d mesnia arte *. 

Continuando a compulsar os livros de registos da Academia, averi- 
^uàoios que a ideia de se cunhar a medalha partiu do Marqués de Abran- 
tes. AssiiUt na junta dos censores, que teve logar em 20 de Agosto 
de 1721, disse elle o seguinte: tComo Ihe tocava fazer as medalha^ 
achaira preoiso que se fizesse huma para se publicar na Academia- 
dos annos de El-Rey visto que o tempo nXo permitia que fosse na de 
sette de seterabro, e que El-Rey se agradava muito disto e que se 
fizesse de prata para os Academicos, e de euro para El-Rey, e que 
elle Marqués darla conta do que ella havia center que devia ser sobre 
a insti tui^ao da Academia» ^. 

Ve' se d'està acta que havia intenglo de entregar a medalha a El- 
Rei na sesslo de 7 de Setembro, a qual deveria realizar-se no Pa^o 
por ser o diu do anniversario da Rainha. A falta de tempo determinou 
o adiamento da entrega, que se fez na conferencia do dia dos annos 
do soberano» comò vimos. 

Quis o proprio Marques enearregar-se da escolha do typo da me- 
dailia^ mas para levar a effeito este desejo viu-se obrigado a destrair 
certas observa^Ses, que alguns dos seus coUegas Ihe fizeram quando 
aprcsentou o projecto: da acta da junta dos censores, de 8 de Ou- 
tubro de 1721, consta que «o Marqués de Abrantes leo bum diseurco 
em que convencia de pouco efficazes as duvidas que dous Academicos 
pozerSo à medalha que estava feita, e sogeitando-se a censura da con- 
ferencia se assentou que na medalha proposta se n&o devia mudar nada 
por estar composta com teda a felicidade e acerto» ^ 

De facto assim era. A medalha continha um bonito pensamento, 
que, embora nào originai, se impunha feÌ3i felicidade da adaptagilo. 

Do discurso que o Marqués de Abrantes proferiu na presenga de 
D, Jólo V vè-se que o illustre academico se inspirou em uma medalha 
romana, a qnal nos nSo foi difficil conhecer, em virtude dos elementos 
de que dispomos. Assim, da segunda parte d'esse discurso deduz-se: 

1) que a medalha era do tempo do Imperador Vespasiano ; 

2) que este dava a mào à figura de Roma para a ajudar a levantar-se; 
3} que era semelhante àquella de que nos occupamos; 



* ViiL as respectivas biographias no livro de Aragao, Descn'pgào Qeral e Hic» 
loHcaj €tc.f tcmio i, pp. 76, 80 e 81. 

^ Ibto é^ c^essào academica. 

1 Biblioteca Nacional. Ms. u.° 685, fi. 85. 

* Biblioteca Nacional. Ms. n.° 685, fl. Ili v. 



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O Archeologo Portdgdés 63 

4) que foi dedìcada ao Imperador pelo Senado Romano. 

Ora, procurando no livro de Cohen* as descrÌ95es das medalbas 
referentes a Vespasiano, ahi encontramos urna que contém todos os re- 
quisitos acima expostos; foi, por conseguinte, essa a que inspirou o 
Marqués. 

Cohen descreve-a da seguinte fórma: IMP. CAESAR VESPA- 
SIANVS AVG. P. M. T. P. P. P. COS. IL Sa téte lauree à droite. 

gr. ROMA RESVRGES. Vespasien laure debout, donnant la main 
à Rome agenouillée qui lui est présentée par un soldat. F. G. B^. 

A semelhanga das legendas do reverso ainda mais corrobora o nesso 
parecer. 

Na medalha da Academia foi eliminado o soldado (Marte?), que 
està na romana, porque nella nSo convinha representar sen&o os dois 
persoaagens que là figuram: o monarcha e a Historia. 

Comona coUec^ào da Biblioteca Nacional ha algumas reproduo95es^ 
d'està medalha romana, fizemos estampar uma d'ellas, para que melhor 
se possa fazer o confronto. Vid. a fig. 2.* 

Na figura 3.^ apresentamos o reverso da mesma, ao qual mandà- 
mos eliminar o soldado ; a semelhanga è completa. (Comp. com a figura 
da medalha da Academia). 

Pelo estudo que fizemos de uma interessante collecglo de desenhos 
de Vieira Lusitano, que existe na Biblioteca de Evora, nos convence- 
mos de que este artista nào foi estranho à execugSo da medalha de 
que tratamos, pois que entre elles apparece o seguinte projecto (Vid. 
a fig. 4.% onde vae representado em tamanho naturai): 

A direi ta ha um anjo, que sus tenta com a mSo esquerda um livro 
e colloca com a outra uma corca de louro sobre a cabega de D. JoSo V, 
que està de pé sobre os degraus de um throno, coberto com docci. 
O monarcha traja de Imperador romano e tem grande manto. A seus 
pés està ajoelhada a e Historia», personifìcada, sobre euja cabe9a elle 
estende o manto com o brago direito. A Historia segura flores com 
a mSo direita e a seus pés ha varios livros. Leg.: MERCES VIR- 
TVTVM. No exergo outra legenda, em tres linhas: ACADEMIA 
HISTORIiE— PROTECTIONE SVSCE— PTA 1720. 



1 DeMcription historique des monnaies frappées sous Vempire romain, tome i, 
p. 317, n» 391. 

> Cohen n&o mencìona as duas letras S C que se léem na medalha. 

3 Ha tambem um esemplar na Biblioteca da Universidade, que vem deecrito 
no Catalogo das moedas romanaa, feito pelo Sr. Dr. Mendes dos Hemedios, p. 59, 
ii.»79. 



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64 O Archeologo Portugués 

Uota-se que està legenda alterou outra que primitivamente existiu, 
da qual ainda se vèem vestigios. 

Este desenho a sanguina, apenas esbogado, contém em parte o pen- 
samento da medaiha adoptada: o rei, de pé, estende a mcto sobre a ca- 
iega da Historia que na stia frente està ajodhada. 

Conelue-se, assim, que o Marquès de Abrantes, ao pretender adap- 
taf è, medaiha da Academia a ideia contida na romana, se dirigia a um 
artista de valor, comò era Vieira Lusitano *. Este projecto representa 
certamente o primeiro ensaio, que depois sofFreu modifica93o. 

Faz parte de um quadro que contém cince desenhos, coUados em 
cartSo, dispostos com symetria e adornados de filetes. 

Na parte superior està ornamentado com os emblemas da pintura, 
que sSo atravessados por uma fita onde se le: PENSAMENTOS ORI- 
GINAIS DO INSINGNE VIEIRA {sic). 

Tanto a disposilo dos desenhos comò a parte ornamentai sSo obra 
de um antigo collecionador, que tambem era artista de merecimento. 

Na fig. 5.* fizemos reproduzir o refendo quadro, que tem o n.® 221, 
para que o leitor possa ver o legar que nelle occupa o projecto^. 

No dia 22 de Outubro de 1722, pelo motivo do anniversario de 
D- JoSo V, realizou-se nova conferencia no Pago, e, «antes que prin- 
cipiasse este acto mandou o Director, que foi o Marqués de Abrantes, 



* Como se sabe,.Vieira Lusitano foi multo protogido pelo Marqués de Abran- 
tes, que o leyou uà sua companhia para Roma quando para là foi corno embai- 
:£adnr. Havia, pois, entre ambos intimas rela9Òes de amizade. Este facto corrobora 
fl no8sa conclusSo. 

Vid. interessante poema: Pintor insigne, ledi espoao, pelo proprio Vieira 
è Amores de Vieira Lusitano, por Julio de Castilho (Visconde de Castilho). Este 
esplendido livro contém preciosas noticias biographicas d^aquelle pintor e fiza 
Tarlas datas que so puderam ser determinadas k custa de laboriosas investiga- 
le». A epoca em que este projecto foi feito coincide com a estada de Vieira em 
Lisboa. Acérca do ordenado de Vieira, vid. Biblioteca Nacional. Ms. 716, fl. 7. 

2 Com autori za^So do Sr. Gabriel Pereira, multo digno e illustre Inspector 
di)s archivoB do reino, que teve a estrema benevolencia de attender o nosso pe- 
dìdo, o que multo reconhecidamente agradecemos, fomos à Biblioteca de Evora 
mandar tirar as photographias d'esses desenhos, e ali nos receben, atteneiosa 
e multo amavelmente, o seu illustrado director, o Sr. Antonio Joaquim Lopes da 
Silva Junior, o que em estremo nos captiyou e a quem fidimos altamente re- 
conltecidos. 

Tiyemos conhecimento da existencia d*estes desenhos por dois livros do Sr. 
Gabriel Pereira; o primeiro intitulado: Estudos Eborenses, fasdculo que irata 
de ExposiQoes de Arte Ornamentai, p. 20; e o segundo: A collec^ de desenhos 
e pintui'os da Biblioteca de Evora em 1B84. 

À numerario actual dos desenhos j4 nSo corresponde à d^este ultimo folheto. 



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O ARCHEOLOGO PORTUGUÉ8 65 

que Porteiro da Àcademia distribuisse pelos Academicos a medalha 
que tinha composto na institui^So da Academiai^. 

Em um dos citados livros de registos^ encontra-se urna outra nota, 
maito vaga, que diz: csobre se se hlo de dar as estampas da medalha 
se mandou que se publiquem sem ordemt. Ter-se-hiam publìcado as 
medaihas em estampa? 

No livro das despesas' tambem figura a seguinte verba: f0600 — 
Por dourar huas medaihas i. 

Se està nota se refere às medaihas que estudamos, certamente al- 
gumas foram douradas por ordem da Àcademia. 

O facto de ter havido cuidado de distribuir medaihas aos acade- 
micos, antes de entrarem para a sala do Pa90, e de a nossa medalha 
estar furada na parte superior, leva-nos a admittir, comò possivel, que 
elles as tivessem usado comò insignia, pendentes do pescogo. KSo te- 
mos, porém, dados que confìrmem està supposÌ9lo. 

Parece-nos ccioso perder tempo em apontar defeitos nas estampas 
que reproduzem as medaihas, pois que os estudiosos jà Ihes conhecem 
as causas; comtudo sempre diremos que em todas as obras que citàmos, 
onde vem estampada a presente medalha, houve, entre muitos outros 
descuidos, de nSo ser meneionada a assinatura do gravador. 

Dà-se um facto curioso: alguns cscritores^, e por sinal os mais 
importantes, descreveram d'este modo a legenda do reverso: RIS- 
TORI A RESURGENS. Ora està observacSo passaria sem reparo, pois 
que podia tomar-se comò simples descuido, analogo a tantos outros que 
a cada passo escapam a quem se dedica a estes trabalhos, se erro 
nio fosse antigo. 

Vaillant', ao descrever a medalha romana que serviu de modelo 
a està, escreveu ROMA RESURGENS, e igual erro commetteu Bel- 
lori us^. 

Num livro que pertence ao illustrado numismata Sr. Ferreira 
Braga, onde a refenda medalha vem estampada, algum possuidor an- 



1 Biblioteca. NacionaL M«. u.» 686, fl. 906, in fine. 

2 Biblioteca Nacional. Ms. n.» 685, fi. 119 f. 

3 Biblioteca NacionaL Ms. n.o 714, fi. 9. 

* Aragao, Bùioire éu TravaU, n« 1376.- Lopes Fernandes, Memoria das 
Medalhai, p. 25, e Catalogo da collec^ pertencente a Eduardo Canno, p. 161, n.<* 5. 

^ NumUmaia Imperatorum JRomanorum Praestantiora a Jvlio Caesare adpos- 
tumum ittque, eie,, ediv^o de Boma, 1748, tomo i, p. 32. Biblioteca Nacional, n.° 206 

< AdrèOtaliones nune primum evulgatae in XII priorum Caesarum numismata 
ab aaua vico parmensi, oiim edita. . . p. 62, n.^ 17. Biblioteca Nacionai, n.» 502 
(sec^^ de Numismatica). 

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66 O Archkologo Poutugdés 

tigo coUocou lira til sobre o segundo E da palavra resuuges, para que 
està iicasse com o som de resurgens ! * 

Mas, depois de percorrermos todos os autores citados, tivemos ainda 
a siirpresa de encontrar a refenda legenda escrita da seguinte fónna 
no livTO de Jacobus Musellias^, que é esento (o que é mai;s grave), em 
htim: «ROMA RESURGES (sic) sì Isto é, o autor coUocou a palavra 
str por achar a legenda mal redigida! • 

Km vista pois da insistencia que tem havido em alterar estas le- 
^^endas, nao deve tomar-se esse proposito comò simples descuido. Aos 
autores citados soava melhor a expressSo resurgens do que resurges, 
mas sem razào, pois que tanto na medalha romana, comò na da Aca- 
(Ipniia se le, respectivamente : ROMA RESURGES e HISTORIA 
JtESURGES, e estas palavras cuja traducQao é «Roma, resurgiràs», 
flllistoria, resurgiràs», exprimem, por modo bastante elevado, o pen- 
srijuento que nellas se contém. 

Appendice 

Em um dos livros da Academia Real da Historia' està registada 
a seguinte carta: 

nDo Marq.* de Abrantes 

^ieu irmao e meu s/; dias ha q. sou dévedor a v. e. nSo de amizadc, por q. 
pontualm.^ Ihe pago, mas de hiia carta e de bua adverteucìa. Na carta me favore- 
i^ia v\ e. por ocaziSo das minbas fun95es com tSlo encarecidoB termos q. so Ihes 
sicImi compara^ao na generozid.® do animo de v. e. e no meu reconbecido agra- 
decÌTii.° ; a advertencia me fez v. e. comò secret.*» da Acad.* p.* q. nesta ocaziao 
BC i^gtampasBcm algiìas medalbas : confesso q. o assumpto be daquellcs que dizem 
mais no tit.** em q. se propoem, do q. deixSo p.* os tercetos em q. se deelara o 
cf»Dceito. ' 



' livro é de Antonius Zantanìus, e intitala-se : Primor XII Caesanim ve- 
fiithJmae imagines ex antiquis numÌ9mai%b\ dessvmptae, editio tertia, 1614, n.® 17 
(ìaìi medalbas de Vespasiano. 

* Numiamata antiqua a Jacobo Musellio, collecta et edita Veronae, anno 
M-3IJCLI, tomo I, p. 79. Biblioteca Nacional, n.» 390 (sec9ao de Numismatica). 

^ Biblioteca Nacional. Ms. n.» 712, fls. 137 e 138. Muito antes de procedermos 
ti Tiosjja busca nestcs livros jà nos tinha sido communfcada a existencia d'este 
pa^i^o pelo Sr. Manoel Joaquim de Campos, que o encontrou quando procedia a 
trabalbo identico. Como bom amigo, entregou-nos a cita^So do livro, dispensando- 
ac aaeim de publicar està curiosa noticia, o que agradecemos. 

Algam tempo depois, foi-nos de novo indicado o mesmo passo pelo Sr. José 
Antonio Moniz, illostrado conservador da Biblioteca Nacional, a quem nunca nos 
cjuj.^arcmos de agradecer muito proveitosas indica^òes que por vezes nos fomece. 



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O Archeologo Portugués 67 

Jà se sabe, que o corpo das medalhas hande ser os retratos dos noivos, nao 
8<S porq. assy se costuma em semelhantcB cazos, mas porq. ainda q. muito se pro- 
cure se nSo acharao mìlhores corpos. Sendo doue os casam.^"" devem ser duas 
as medalhas; e sendo eUes tao ig^aes, nao podem ellas ser m.^*^ diferentes porq. 
se o foBsem, escandalizariamos a bua das partes, quando com ambas nos achamos 
igualm.^ empenhados; e assy me parece q. a face principal da medalba ha de 
reprezentar o retrato del Rey na forma, e com o tit.<» costnmado, ao q. acresceu- 
tarà 0. M. on P. F. dizendo = Joannes Quintus Lusitanorum Bez, Optimus Ma- 
ximus, ou Pius Felix *, e que na outra face se aprezentem os retratos dos noivos, 
em forma mais pequena p.* bem poderem caber com as suas epigraphes, comò 
v3o apontadas na foiba inclnza ; em baixo de cada busto o seu nome ; em cima 
a roda da face da medalba a sua legenda e na parte inferior, a que os franceses 
ebamam exergue, a sua data. 

Tudo vay sogeito a delibera9ao dos s.*' censores e à critica de v. e. ainda 
q. seja rigoroza comò a do Conde de Assumar e nao benigna corno a do nosso 
amavel companbr.°; que bom ebasco me deu nao bó no publico dessa Acad.* mas 
àinda no desta corte, em q. o seu Panegirico tem sido admirado. Fico à obed.* 
de V. e.» q. Deos g.^; Madrid 24 de Fev.» de 1728». 

A folha inchisa, a q}\^ està carta se refere, tambem està registada 
no mesmo livro, e contém o seguinte: 

«Publicam bilaritatem reciprocant. 

Josepbus Maria Anna 

Princ. Lusit. Hisp. Reg. F. 

Conjugali fide 

Vili Eal. Jan. anno 

CIOIDCCXXVII 

Accepta 

Mutuam tranqnilitatem firmant 

Ferdinandus Maria 

Princ. Hisp. Lusit. Reg. F. 

Connubiali Foedere 

Ut Idns Januarìì 

MDCCXXVIII 

Sancito». 

Relacionando-se com o mesmo assunto encontràmos mais os se- 
g^intes registos: 

1) Na reuniSo dos censores de 10 de Mar 90 de 1728; «Em primeiro lugar 
leo o Secretano a carta que tinha recebido do Marqués de Abrantes em resposta 
da que se Ihe tinha escrito para dispor a medalba que se bade formar pela occa- 
ziSo dos casamentos de suas Altesas, na qual dà a forma da medalba, e mandando 
tambem os retratos dos Principea das Asturias, e da Princessa do Brazil e as Epi- 
grafe» e legendas q.* bSo de ter as duas medalba.s, q. tantas parecem ao Marqués 
que devem ser, e votando-se se davidou se. se havia de aprovar lago, ou se se 
devia communicar a mais alguma pessoa, e se assentou que ae mandasse abrìr 



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G8 O Archeologo Poetugués 

ao buril para que aprovandosse e dandose conta a S. Mg> se mande cunhar noe 
metais que S. Mg.^* ordeiìar»^. 

2) Na jonta dos censores de 27 de Abril de 1728 : «Disse mais o Director 
(que era o Conde da Ericeira) q. £1 Rey tinha visto a idèa para a medalha q. se 
detremina fazer quando chegar a Princessa do Brazil, e q. detreminaria o q. se 
devia ezecutar» *. 

Em vista d'estes documentos faremos algumas considerafSes, qae 
eiles naturalmente suggerem. 

Mallogrado o projecto de casamento da Infanta de Hespanha, D. Ma- 
riana Victoria, filha de FilipeV, com Luis XV, Rei de Franga^, mos- 
trou aqnelle monarcha desejos de que a mSo da joven Infanta fosse 
dada ao herdeiro da coroa de Portugal, D. José; pedindo em troca^ 
para o Principe das Asturìas, a Infanta portuguesa D. Maria Barbara^. 

Assim foi communicado ao nosso embaixador, Antonio Guedes Pe- 
reira. 

D. JoSLo V, acceitando a proposta com agrado, mandou a Madrid, 
comò enviado extraordinario para tratar d'este negocio, José da Cunha 
Brochado, que, pouco tempo depois de &li chegar, assinou, com o seu 
collega Guedes Pereira, em 7 de Outubro de 1725, os preliminares do 
tratado de casamento. Ratificados estes pelos respectivos soberanos, 
houve troca de embaixadores extraordinarios, a quem foram dados ple- 
nos poderes para tratarem dos contratos definitivos. 

Para Lisboa veio o Marqués de Belvazes e para Madrid foi o Mar- 
qués de Abrantes, que ali chegou em 3 de Setembro de 1727. 

Ambos estes embaixadores fizeram entradas publicas solemnissimas 
nas respectivas cortes. 



1 Biblioteca Nacional. Ms. n.» 692, fls. 27 e 28. 

2 Vid. mesmo livro citado na nota antecedente, fl. 44. 

' Tinha a Infanta apenas 3 annos de idade quando foi igustado o seu casa- 
mento coni o Rei de Fran9a, que contava 11. D. Mariana Victoria esteve em Paris 
durante bastante tempo. Fez a sua entrada solemne naquella córte onde foi. apre- 
sentada corno a futura esposa do Bei ! Por conveniencias poUticas, foi posto de 
parte o projecto d'este casamento quando Luis XV attingiu a idade de 14 annos, 
dando-se corno pretesto a pouca idade da Infanta, que entfto tinha 6 annos. Com- 
memorando estes projectos matrimoniaes, cunharam-se algumas medalhas, urna 
das quaes figura no catalogo das MédailUé fratt^'ses doni Uè cotnè soni contrvéè 
au MuUe Monetaire, edì^Ao de 1892, p. 216, n.« 31. 

* Acérca d'estes casamentos vid. ò livro intitulado: Fasto de Hymeneo, ou 
hUtoria pcaiegyriea dos desposo rios dos Fiddissimos reys de Portvgal, nossos senho- 
reSf D. José leD, Maria Anna Victoria de Borbon, etc, por Fr. Joseph da Nati- 
vidade, etc' Lisboa 17^. 



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O Archeologo Pobtuoués 69 

Na occasiSo em que o Marqaés de Àbrantes estava em Madrid, 
por este motivo, recebeu urna carta -do secretano da Academia, o 
Conde de Villa Maior, em que o advertia da conveniencia de serem 
cimhadas medalhas commemorativas de tao faustuoso acontecimento. 
O Marqués, apaixonado amador da Medalhistica, abragou a ideia com 
enthusiasmo e escreven entSo a carta que publicàmos, na qual indicava 
o typo que ellas deveriam center e, diplomaticamente, aconselhava 
que se cunhassem duas semelhantes para nSo escandalizar nenhuma 
das partes. 

Teve igualmente o cuidado de remetter os retratos dos principes 
hespanhoes. 

Do final da carta parece deprehender-se que o Marqués, ao es- 
crevé-la, adivinhava algum dissabor. Se assim é, nSo se enganava. 

Na junta dos censores de 10 de Margo (cuja acta transcrevemos), 
a qual assistiu o Conde de Assumar, levantaram-se duvidas, resolvendo- 
se, por fim, mandar abrir as medalhas a huril e dar conta a El-Rei *. 

Porém, alguma cousa de mysterioso envolvia este plano, pois que 
El-Rei viu projecto, ^cando de determinar o que havia de executar-se . . . 

O facto é que o tempo foi passando ; os dois monarchas com suas 
familias fizeram magnificentissimas jomadas através dos seus territo- 
rios, para se encontrarem nas fronteiras em um palacio expressamente 



^ £ possivel que um outro desenho deVieìra Lusitano, que tambem faz parte 
da collec^ào da Biblioteca de Evora, onde tem o n.* 137, seja um projecto para 
alguma d'estas medalhas. Parece que se relaciona com os casamentos que entSo 
se effectuaram, mas n^ temos provas para afRrmar que fosse feito para as me- 
dalhas que a Academia projectou. 

Na duvida, nào obstante nào condizer com as indica^Ses enviadas pelo Mar- 
qués de Àbrantes de Madrid, fizemos reproduzi-lo na estampa supplementar n.° i, 
fig.A. 

Descricao: 

A esquerda estSo duas rainhas, que se abra^àm, sentadas num banco de pe- 
dra, e 4 direita Mercurio e o Hymeneu, de pé, abra^ando-se tambem. Junto de 
uma das rainhas està encostado um escudo. Leg. : FELICITAS DYPLEX. 

Visto que se offerece o ensejo, é opportuno fazermos referencia a mais dois 
projectos de medalhas, do mesmo artista, e que tambem fazem parte da refenda 
collec9Ìio. primeiro, que vae reproduzido na estampa supplementar n.'' i, Hg. 6, 
é um projecto para uma medalha commemorativa da chegada dos reis e princi- 
pes a Lisboa, em 1729, que tinham ido k fronteira trocar as princesas, comò dis- 
semos. 

Bepresenta uma quadriga, guiada pelo Hymeneu, sobre a qual vae sentada 
uma figura symbolica (talvez a Concordia), que sustenta um escudo bipartido 
onde estSo as amias de Portugal e de Hespanha. Leg. : CONCORDIìE TRIVM- 



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70 Archeologo Portugués 

eonstruido sobre o rio Caia; trocaram as princesaS; realizàram se os 

casamentos, . . . mas as medalhas, pelo menos que nos constO; nào se 

cunharam. Porqué? Ter-se-hia opposto o Conde de Assumar com a sua 

critica rigorosa f 

Junqueira^ Fevereiro de 1907. 

Arthur Làmas. 



Lapide romana de Ferreira do Alemtejo 

Faz parte da collec9ao lapidar do Museu Ethnologico Portugués, ^ 
aonde entrou ha pouco, por generosa dadiva de S. Ex.* o Sr. Vis- 
conde de Ferreira do Alemtejo,© monumento que se repreeenta 
na figura junta. 

Este monumento constitue a parte inferior de um cippo funerario da 
epoca romana. E de marmore e tem as seguintes dimensoes: altura 
0",60; largura 0™,50; espessura 0™,38. Na parte anterior lé-se, em 
duas linhas, um fragmento de inscripQào, cujos elementos vou discutir. 

L. !.• A primeira letra, comqaanto A primeira vista paro9a o, é sem du- 
vida Q, seguido de um ponto. Adeante està ivmivs, mas o segundo i é muito me- 
nor que as restantes letras. Depois a pedra acha-se um tanto delida; em todo 
o caso parece-me ahi distinguir p, que póde estar seguido de a. A ultima latra 
que se distingue é daramente f. Adeante d'ella devia haver a letra i, mas nem . 
a vista, nem o tacto a reconhecem. 

L. 2.* NSo offerece difficuldade a leitura d^esta linba. A ùltima letra é muito 
menor que as restantes, e està collocada no alto da linha. Cf. o i da linha ante- 
cedente. 



PHVM: e no exergo: ADVENTVS REGVM PRINCIPVM — QVE VLISIPO- 
NI— MDCCXXIX. 

No campo, escritas com letra do sec. xvm, estSo as seguintes palavras ita- 
lianas: li carcUeri più picìnini (?). 

Cremos que este projecto nao tem nenhuma rela9ào com os projectos da Aca- 
demia. 

Este desenho; que reproduzimos cm tamanho naturai, està contido no mesmo 
quadro que vae representado na ^g, 5.* 
~ Na estampa supplementar n.* ii, fig. C, vae estampado o segundo projecto. 
Refere-se este ao nascimento da prlncesa da Beira, depois D. Maria I, primeiro 
fruto do casamento de D. José com D. Mariana Victoria. 

A esquerda, de pé, està a figura de Jnno, que tem junto de si o competente 
pavào, segurando nos bra90s a princesa para a apresentar ao deus Pan, que na 
sua frente està sentado, empunhando a flauta e espargindo flores. Leg. : 8PES 
ALTERA; e no exergo, em tres linhas: NATALIS PRINCIPI» BERIuE — 
XVI KAL lANVARI ANNO— MDCCXXXIV. 



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Archeologo Porluguès— Voi Xll— 1907 



ESTAMPA l 




Flgr. 2.» 





Fig. 3." 



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Archeologo Porlugué? -Voi XII— 1907 



ESTAMPA II 



Fi?. 1.^ 




Fij;. ó." 




Archeologo Portagués — Voi. XIì— 1907 



ESTAMPA SUPPLEMENTAR I 



Fig. A 




Fig. B 




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Archeoloqc PGrtjgufts— Vcl XII— 19(7/ 



ESTAMPA SUPPLEMENTAR li 



Fig. C 




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O Archeologo Portugués 



71 



Em vista d'isto leio: Q(uintu8) lunius pa{ter) f\}^io pientUsimo, 
iste é « . .Quinto Junio, seu pai, dedicou este monumento ao piedosis- 
simo filho». O nome do falleeido estava na parte qua falta na pedra. 

Nas inscripgSes peninsulares nSo é vulgar vir apenas o praenonien 
com o nomen gentilicium, sem cognome, comò aqui; todavia ha Q. Vi- 
lius no Corp. Inscr. Lai., li, 1913, Z. lulius namesma obra, 5308, etc. 
Comquanto nas inscripQÒes romanas se encontre frequentemente Jilio 
pientissimo, on Jilio acompanhado de outro adjectivo, sem que o epi- 




Lapide romana de Ferrelra do Alemtejo 

theto pater preceda està formula, pois elle é pleonastico, le-se porém 
pater JUio.. -issimo no Coip, Inscr, Lat., ii, 2741, e pater JUio piis- 
simo na mesma obra, n.° 3177. Pelo contràrio, o epitheto mater é 
muito usado: ibid. 319, 330, 348, 534. Outros epìiheto&: JU(ius) patH 
piissimo, 989; JUia mater pientissiniae, 357; Jilii mairi karìssimae, 
3700. — No index das abreviaturas do voi. ii do Corpus nSo vem 
PA==PA(ter), so ha >A. = MA(ter); no Cours d'Epigraphie de Cagnat, 



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72 O Archeologo Portuguès 

no respectivo index, vem comtudo pa = PA(ter). Por isso justifica-se 
a explicagào que a cima dei. 

Segando me informou o Sr. Visconde, està lapide appareceu, em 
1898, numa eourella de terra de semeadura de cereaes chamada do8 
Alpendres, annexa à herdade da Fonte-Boa, que pertence a S. Ex.% 
e fica na freguesia e concelho de Ferreira do Alemtejo. Com ella havia 
outras, que, numa occasiào em que o Sr. Visconde estava ausente, 
uns pedreiros metteram nos alicerces de um ccasSot que andavam 
construindo na Fon te- Boa; a unica a que o mesmo Sr. pode acudir, 
quando voltou, foi a que com tanta amabilidade offereceu ao Museii 
Ethnologico. 

Provavelmente no locai do apparecimento houve outr'ora uma vUla 
romana, corno as lapides o dSo a entender. Consta que d'antes se en- 
contravam tambem por ali restos de construcyoes e grandes tijolos, 
que mais confirma o que digo. O povo, conforme o costume, dizia 
que tudo isto era do tempordos Moiros. 

O pequeno monumento, na sua modestia, vem preencher uma la- 
cuna no Museu Ethnologico, onde ainda nSo havia nenhuma lapide 
romana d'aquella localidade, e é ao mesmo tempo padrSo historico 
que, nobilitando o concelho em que appareceu, enaltece tambem ipso 
facto OS pergaminhos do illustre fidalgo que tem no seu titnlo heraldico 
nome de Ferreira do Alemtejo. 

J. L. DE V. 



Ppotecgao dada pelos Qovemos, corporagoes offlciaes 
e Institutos soientificos à Archeologìa 

26. ExcaTa^Oes archeologicas em Namancia 

aMadrid, 10 de outubro. — Prometti ir dando conta dos interessan- 
tissimos trabalhos de excava9§o que realizam actualmente as duas com- 
missoes hespanhola e allemS nas ruinas da Numancia. 

Todas as pessoas medianamente instruidas sabem o que representa 
nos annaes da Peninsula Iberica esse feito verdadeiramente homerico 
— a defesa de Numancia centra o cérco apertado, crudelissimo, posto 
à modesta povoaQSo por ScipiEo Emiliano, o ferreo destruidor de Car- 
thago [sec. ii a. C.]. 



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O Archeologo Portugués 73 

E tem sob este aspecto valor excepcional a reconstituigUo historica 
que, decomdos dois mil annos, se està fazendo por ìnìciativa da 
Allemanha primeiro, e do governo hespanhol depois, em 
terrenos proximos da actual povoa^ào de Garraj, a curta distancia de 
Soria, OS quaes abrangem nao so o territorio da velba e nobre Numan- 
cia, corno o comprehendido pelas varias fortificafSes romanas dispostas 
e govemadas por ScipiSo no memoravel cèi-co. 

Nas riiinas de Namancia trabalha este anno a commissSio de peritos 
nomeada pelo governo hespanbol. Nos terrenos exteriores, fazendo a 
cnriosissima investiga^^ dos acampamentos romanos, trabalham actual- 
mente os dois sabios allemàes, Sr. Schulten, cathedratico da Univer- 
sidade de Goettingen, e Sr. Hofmann, cathedratico da de Heidelberg, 
estando este ultimo especialmente encarregado de medÌ93es, aljados 
e desenhos. 

O professor Schulten tem jà publicado um livro intitulado Numantia, 
e tem em via de publicagào outro que naturalmente abrange os estudos 
e ìnvestiga(3es realizados este ultimo anno no terreno circumjacente, 
o dos acampamentos romanos. Com Schulten tem trabalhado este anno 
cérca de quarenta operarios. Considera o sabio professor allemao comò 
a prìmeira autoridade na hìstoria de Numancia o romano Appiano, 
porque referiu o depoimento de urna testemunha presencial, Polybio, 
companheiro de Scipito na conquista da heroica povoa9lLo. Segundo 
esse depoimento, os Romanos organizaram o primeiro cérco sobre a 
base de dois grandes acampamentos que deviam ter-se estabelecido 
aos dois lados do cerro de La Abuela. Sapp5e Schulten. que um d'esses 
acampamentos demorasse no hoje chamado «Cerro del Castillejo», numa 
exceliente posÌ9ào estrategica sobre o «Cerro de la Muela» onde se 
estendia Numancia. Mas ainda nfto colheu elementos sufficientes para 
confirmar està supposi^ào. 

Depois d'esses dois a&ampamentos principaes, parece que as tropas 
de Scipito apertaram mais o cérco com uma linha de circumvalacào, 
a nns 300 metros da povoa9ào sitiada, e nella estabeleceram mais sete 
acampamentos. Um d'estes està jà completamente a descoberto, a su- 
daste de Numancia, num sitio conhecido por Penaredondo. Este acam- 
pamento, tal comò està a descoberto, considera-se capaz para tres ou 
quatro mil homens. 

Schulten està tSo satisfeito com estes seus trabalhos do presente 
anno comò com os anteriores realizados no recinto numantino. 

O descobrimento dos acampamentos confirma a existencia de Nu- 
mancia, jà antes demonstrada. 

Schulten tenciona agora dedicar-se repousadamente a escrever a 



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74 O Archeologo Portugués 

sua obra dctìnitiva sobre Numancia, a qual permiltirà que seja livre- 
mente traduzida em castelhauo. 

Os visitantea da parte jà descoberta das ruinas, onde sio admittidos 
por bìlhete, estao encaiitados do trato afFavel d'este sabio, que se 
le vanta com u sol e està ern toda a parte, acompan bando 
3 opera rlos e trabaihando com elles, feliz ante o descobri- 
mento de uni muro completo ou de qualquer objecto digno de figurar 
no Museu Nu montino que em Garray se està organizando. 

O achado dos projeeteis de pedra despertou vivissimo interesse. 
Suppoe Schulti^n que naquelle sitio deviam estar as catapultas. Rece- 
bendo commuuicagilo du facto, o imperador da AUemanha, que acom- 
panha com o maior interesse os actuaes trabalbos de reconsti tuijao 
historica, pos ao dispor de Schulten doze mil marcos para 
a iiivestig'a^Io excluaiva do alcance da «artilharia» romana,'construindo- 
se urna catapulta com que pode arremessar-se a trezentos e vinte me- 
tros uni projeetil de onze libras hespanholas. 

Os traìjalhos realizados no recinto propriamente numantino pela 
eomniissììo bospanhola despertam tambem interesse vivissimo. O que 
importa multa é que a commissao disponha de mais largos meios ma- 
teriaes para a delìcada empresa a que metteu hombros. 

Creem alguns historiadores que, após a espantosa tragedia numan- 
tina, Scipiao devia ter destruido a parte da cidade respeitada pelas 
chammas, vendendo depois as terras aos habitantes das povoagSes vi- 
zinhas jà submeltidas ao jugo romano. 

Das investigaenes praticadas agora, conclue-se que houve urna ci- 
dade celtibero-romana sobreposta à destruida Numancia, na construc^ào 
da qual se respeitou a antiga disposiyào, até no tra^ado das ruas, 
tendo estas em geral a largura de tres a quatro metros e, por excep- 
c^Dj eineOp 

As casas d'està povoacao celtibero-romana deviam estar assentes 
sobre aa numantinas, sendo apenas a sua constnicgào mais simples e 
mais modesta. Os restos de ceramica, encontrados em abundancia, e que 
devem attribuir-se a essa epoca, tem todos os attributos caracteristicos 
doa romanos, feitos de barro vermelbo lustroso. Encontram-se mistu* 
rados com outros de proeedencia iberica. 

Siippòe a eommissào hespanhola que dirige estas excavaQoes que 
a cidade romana duraria até a invasao dos Barbaros. 

Todos OS dlas se vae enriquecendo o nascente Museu Numantino 
de Garray, um dos maiores attractivos, sem duvida, ofFerecidos aos 
olhos dos visitantes amadores da reconstrucgào historica, que dentro 
de poueo tempo acudirao interessadissimos a està especie de Pompeios 



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O AllCHEOLOGO PORTUGUÈS 75 

hespai^iola, que o governo hespanhol emfim se resolveu a 
patrocinar depois que o impulso veio com for^a das sa- 
bias terras da Allemanha». 

(Correspondencia assinada por «Caiel«, e publicada no Diario de Koticias 
de 15 de Outubro de 1906). 



Como appendice a està noticia, póde accrescentar se que o Prof. 
Sehulten, com o fim de se inteirar do conhecimento da archeologia lu- 
sitana, esteve ultimamente no nesso pais, onde visitou varios menu- 
mentos archeologicos e museus. Tambem esteve no Museu Etimologico 
por varias vezes, cujas ricas collecgSes multo interesse despertaram 
nelle. 

27. Monetario Berlinés 

• Berlin, 26 Setiembre. — El monetario berlinés, cuya organización 
actual data sólo del siglo xix, estaba aùn basta ahora muy por bajo 
de los monetarios del British Museum e de la Bibliothèque Nationale, 
yendo a la zaga de estos en compania de todos los monetarios del 
mundo, pues ambos gozaban ia fama de insuperables. Merced à una 
nueva extraordinaria adquisición, el monetario nuestro no sólo ha lle- 
gado à eompetir con aquellos, sino que en varios conceptos basta los ha 
superado. Un coleccionista particular, Arturo Lòbbecke, de Brunswick, 
ha reunido en treinta anos, guiado por sus conocìmientos estéticos y 
cientificos, una colección muy celebre y casi ùnica, que cuenta nada 
menos que 27.904 ejemplares, entro ellos 341 piezas de oro ó aelectron» 
y 8.444 monedas de piata ó «potin». Està colección la ha podido 
comprar el monetario berlinés por 575.500 marcos, ad- 
quiriendo asi gran nùmero de rarezas y acufiaciones curiosas. Es rica 
especialmente en magnificos ejemplares de arte monetario griego, dis- 
poniendo ahora el monetario berlinés de mas 100.000 monedas griegas 
en junto». 

(Està noticia, impressa em papel avalso, foi enviada à redaccào d-0 Ardito- 
lago Porlìtguès pelo Sr. D. Pedro de Mugica, professor em Berlim). 

28. FouiUes en Égrypte 

Uous lisons, dans Nature de Londres, d'intéressants détails sur 
des fouìUes faites récemment en Egypte par le Dr. Reisner pour le 
compte de T Universi té de Californie. 11 s'agit d'une vaste nécropole 
renfermant des sépultures partant des époques préhistoriques et allant 
jnsqu'aux époques coptes et ptolémàì'ques. A Girga, dans la Haute- 



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76 O Archeologo Portugués 

Egypte, on a exploré des tombes remontant à 8.000 ans au moins et 
qui renfermaient des corps admirablement conservés, gràce pròbable- 
ment a Textrème sechereste de ratmosphère et à la perfection des 
moyens employés pour Tembaument. Le Dr. Elliot Smith, professeur 
d'anatomie à TÉcole de médecine du Caire, les a étudiés. Les cheveux, 
les ongles, les ligaments, les muscles et les nerfs eax-mèmes sont en 
excellent état. Parfois mème le cerveau et les yeux munis de lenr 
cristallin ont été observés. Enfin le Dr. E. Smith a pu faire plusieurs 
fois l'anatomie des plexus nervsux des membre8.=iV. B. 

(De V Antropologie j voi. xui, pp. 414-415). 



A matriz de Villa do Conde 

Quando, ao percorrer o ultimo fasciculo d-0 Archeologo, se me de- 
parou exceliente artigo de Mousenhor Ferreira, acérca da linda rai- 
nha do Ave, toda a minha pena me nSo foi bastante para me lamentar 
de nao terem sido reproduzidas entXo duas photographias, que ha annos 
en tomàra em Villa do Conde e precisamente do portico e do arco do 
còro da igreja a que o esclarecido ecclesiastico se refere. 

Retrotràiam porém os leitores as minhas illustragSes às palavras 
enthusiasticas de Monsenhor Ferreira e verlo que, iparte a diflFerenga 
de meritos, Ihes parece que umas foram feitas para as outras, tanto 
se completam. 

N§io quero por de minha casa prata de mau quilate, e por isso 
selecciono de tres escritores algumas linhas que nSo permittirio que 
as photographias v^o assim muito nuas de commentario autorizado. 

O primeiro escritor é estrangeiro e parece que, por n2to ser dos 
nossos dias, anda agora um pouco esquecido. Pois viu muito no nosso 
pais e a sua penna nlo nos fere. Diz, falando da «... . architectura 
de D. Manoel: estilo participante do gotico e que serve de passagem 
para o renascimento, estilo tSo variado, que produziu tantos fragmentos 
curiosos de architectura entre 1480 e 1550. Em todos estes generos 
de architectura ha alguma cousa de particular que pertence semente 
a Portugal». {Lea arts en Portugal, par le Comte A. de Raczinski, 
p. 410). 

E urna apologia da arte nacional d'aquelle periodo, embora escrita 
com economia de palavras. 

Agora de um escritor portugués, tratando mesmo de Villa do Conde: 

a A sua bella igreja parochiat, da invocagao de S. Joao Baptista, 



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O Archeologo Portugués 77 

é obra do sec. xvi. seu estiio, posto que jà muito deturpado pelas 
successivas restaurafSes, póde deiinir-se corno perteQcendo ao chamado 
impropriamente de decadencia — a evoIugJo do estilo gotico em Por- 
tugal, que o torna gotico florido porventura menos severo e menos 
contemplativo e que entre nós se generaliza desde os dias de D. Ma- 
noel até D. Sebastiào». {A Arte e a Natureza em Portugal: II. «Villa 
do Conde>9 por J. Caldas). 

O terceiro e ultimo escritor é o Sr. Ramalho Ortiglo no Culto da 
arte em Portugal, Desde p. 142 por deante o brilhante critico investe 
contra o dogmatismo que pretende ver na igreja da Batalha o ultimo 
e inaccessivel modelo de architectura em Portugal, appellidando de 
decadencia quanto se Ihe seguiu mas que para aquelle claro espirita 
ce a modifica93o portuguesa d'esse estiio (o gotico), é a sua naciona- 
liza^ao, é a originalidade locai, imposta pelos architectos portugueses 
do sec. XVI, a um sistema geral de construc9ào, commum a toda a Eu- 
ropa». (P. 146). 

O Sr. Ramalho Ortiglo nlo traz nenhuma referencia particular 
ao monumento de Villa do Conde, mas faz o encarecimento do estilo 
manoelino e do que elle vale e significa corno producto do traballio 
nacional. Por isso o chamo para aqui. 

«Em Portugal tem sido accusados os arcliitectos manoelinos de in- 
vadirem pelo vegetabilismo ornamentai todos os perfis da construcgào, 
submettendo assim as fórmas constructivas i ornamentagSo escultural. 
Os grandes criticos da Inglaterra, que tSo consideravel impulso teem 
dado às ideias estheticas e à moderna evolucSo artistica, entendem 
porém, ao contrario dos nossos, que a sciencia de edificar e de dispor 
linhas é na construc93o de um monumento um ramo seoundario da arte 
de esculpir. Està afiirmativa envolve a consagra9ao da escola manoe- 
lina pela critica que neste seculo mais minuciosamente e mais profun- 
damente tem estudado a arte gotica e a arte da renascenga». (P. 145). 
Ainda està ironia: «E ;l decadencia do gotico da Batalha que nós 
devemos a incomparavel claustro dos Jeronimos, segundo Haupt o mais 
bello claustro de todo omundo, bem comò a fachada da igreja de Christo, 
em Thomar, onde a flammejante janela da sala do capitulo é a obra mais 
eloquente, mais convicta, mais poetica, mais enthusiasticamente patrio- 
tica, mais estremecidamente portuguesa, que jamais realizou em nossa 
raga o talento de esculpir e de fazer cantar a pedra». (P. 147). 

A matriz de Villa do Conde é um d'esses monumentos, ger&do na 
idade aurea da nossa historia, numa villa que tinha a seus pés aquelle 
mar invio, mas que para nós foi a senda illuminada do engrandeeimenlo. 
Bastarà encarar a sincera majestade e graga d'esse portico para ex*- 



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78 



O ARCHEOJ.OGO PORTUGUÉS 



pulsar do nosso criterio essa ideia de decadencia, eom que se pretende 
apouear a escola manoelina. A inexpressio fria e despotica do Renasci- 
mento corno que foi obrigada a vir sorrir-se em Portugal nos edificios ma- 
noelinos. 

As obras d'està epoca no nosso pais dào-me a ideia de urna cons- 
trucgao mais ou menos riscada pelas linhas e fórmas do Renascimento y 
mas transparentemente colgada de urna renda tecida na ornamentagao 




Portico da Igreja matriz de Villa do Conde 

gotica por mSos de portugueses que se criavam e viviam pelo mar. 
O gosto architectonico que edificava estas estrophes de pedra era corno 
urna saudade do estilo ogival que passava, sentida e envìada pelo novo 
estilo, que no incessante rodar do tempo e da arte surgia algemado 
à immutabilidade do classicismo. 

Seria um servijo pre^tado & historla da arte nacional o publica- 
rem-se todos os especimes d'està nossa architectura, ainda os mais sin r 



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O ARCnEOLOC.O POUTUGUÉS 



79 



gelos, que poderSo esconder-se inesperadamente nos recantos das prò- 
vincias. £m aldeias humildes da Beira-Baixa tenho eii visto numerosos, 
cmbora modestos, exemplares do gosto manoelino em portas, em janeias 




Arco do còro da igroja matrìz do Villa do Condo 



de edificìos simples, mas chelos do encanto portuguès. Estudemos o que 
ha e é nosso para sabermos o que devemos ser e nao somos. 

F. Alves Pereira. 



Catalogo dos pergamlnlios exlstentes 
no arcMvo da Insigne e Real CoUegiada de Ouimar&es 

(Contlnua^fto. Vid. o Areh. Port., xr, 219) 

CCXLI 

24 de novembre de 1429 

Traslado da clausula testamentaria de Leonor Domingues, pela 
qual lega aos elerigos coreiros 40 soldos annualmente com obriga9ao 
de urna missa cantada e duas rezadas. 



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80 . O AaciiEOLOOo Portuoués 

O testamento foi apresentado pelo testamenteiro Jojatn (?) de Scu- 
sa, abbade de Santa Christina, do termo do mosteiro e conto de Tra- 
vanoa, estando presente Fernando Affonso, abbade de Cortegaga e 
procurador dos coreiros; e o traslado foi passado em Fonte Martet/a 
(talvez Murteira, pois esìste hoje um casal com està denominaQào), le- 
gar da dita freguesia, por Affonso Annes, tabelliSo do julgado de Santa 
Cmz de RibaTamega. 

CCXLII 
12 de fevereiro de 1430 

Posse da igreja de Santo Estevam de Urgeses; qae os procuradores 
do cabido de Guimarftes, em virtude da carta de annexagio refenda 
Bob n.^ CCXL, tomaram quando se celebrava a missa do dia. 

Foi feito inventano dos omamentos que nella havia, a saber: 
f ciuco livros, bum missal mistico e ontro san tal de quanto e outro co- 
Iheytanho e outro santal de resar e bum salteiro e bum quaderno de 
officio de Corpore Xpi e de Santa Maria das Neves e buma ara e bum 
calez destanho e duas vestimentas e dous picbos e buma caldeyrinha 
e duas campajnhas britadas e buma cruz darame». 

Escrito o. instrumento pelo tabelliào de GuimarSes Joao Annes, 
que pelo caminbo contou xxx reaes. 

CCXLIII 

5 do julho de 1430 

Escambo entro o cabido de GuimarSes (sendo conego que tem o 
carrego de cbantre Martim Affonso, e tbesoureiro Fedro Annes) e Fe- 
dro Domingues, mercador, e mulber Catalina de Freitas, ficando estes 
com umas casas do cabido sitas na rua de Val de Donas e o cabido 
com berdades fora da villa, que receberia annualmente 3 libras da 
moeda antiga emquanto nSo fosse en tregue das berdades. 

Escrito pelo tabelliSo Nicolau de Freitas, sendo testemunhas o al- 
moxarife Diego Martins, e Joào Martins, abbade de S. Lourengo de 
Kiba de Selho. 

CCXLIV 
29 de julho de 1430 

Emprazamento, em tres vidas, de umas casas sitas a par de S. Paio 
conjuntas com a albergaria da confraria do Servilo de Santa Maria, 
feito por està confraria a Alvaro Gon9alves, 9apateiro, e mulber Leo- 
nor Gii, com o foro de 1 maravidi. 

Escrito na Clasta de Santa Maria pelo tabeilifto Vasco Affonso, 



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O Abchbologo Pobtugués 81 

CCXLV 

18 de agosto de liSO 

Doa9So das casas, que chamam Torneìro, e dos campos de Lamas, 
silos na fireguesia de S. Fedro de Escudeiros, e da vinha da bou9a 
da devesa com seu campo na fregnesia de S. Vieente de Pen90, feita 
ao cabido de GuimarSes (sendo thesoureiro Fedro Annes, e conegos 
Gervaz GonQalves, abbade de S. Gens de Montelongo; JoSo Gonyal- 
ves, abbade de Cerzedo; Affonso Rodrìgaes, abbade de S. Martinho 
de Candoso); por Jolo da Forta e mulher Maria Louren^o, da dita 
freguesia de E^cudeiros, com obriga^Slo de urna mìssa officiada annual- 
mente na sexta feira anterìor aò dia de Natal. 

Escrito em Guimarlles pelo tabellifto Alvaro Annes, sendo uma das 
testeBuunhas nm criado de Jolo Fogafa, cavalleiro. 

CCXLVI 
12 de oatubro de 1430 

Sub-emprazamento, em tres vidas, do casal de Ansede, sito no 
Conto de Moreira, feito por Gii Louren90, cavalleiro, alcaide de Mi- 
randa, e mulher Joanna Gongalves, que o possuiam por prazo do ca- 
bido de GuimarSes, a Gonzalo LoureuQO e mulher Maria Fìres, com 
a renda annual de 13 Ys teigas de pSio meado, marrft, regueifas, cabaga 
de vinho, uma duzia de colmo, 5 homens para cavar, 7 homens com 
bois, um par de gallinhas. 

Escrito no dito Conto nas casas dos referidos emphyteutas, pelo 
tabelliSo de Guimarlles JoSo Vasques, vassallo de el-rei. 

CCXLVII 
12 de oatubro de 1430 

Snb-emprazamento, em tres vidas, do casal da Carreira, sito no Conto 
de Moreira, feito pelos emphyteutas referidos nò numero antecedente a 
Fernando Affonso e mulher Domingas Domingues, com a renda annual 
de 12 maravidis da moeda antiga, geira cada doma, marrS, regueifas, 
cabaga de vinho, 4 homens para cavar, 2 homens com bois. 

Escrito no mesmo legar do antecedente e pelo mesmo tabelliSo, 
sendo nma das testemunhas Fernando Ayres, sobrinho do dito Gii 
Lourengo- 

ccxLvm 

12 de oatubro de 1430 
Sub-empràzamento, em tres vidas, do casal do Outeiro, sitò no Conto 
de Moreifa, feito pelos mesmos emphyteutas referidos no numero an- 



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82 O ÀRC?HEOL0G0 P0RTUGUÉ8 

tecedente a Affonso Domingues e mulher Margarìda Domingues, com 
a renda annual de 13 maravidis da moeda antiga, geira cada doma, 
4 homens, 2 com bois, marrl, regueifas, cabala de vinho, e com re- 
serva para os sub-emprazantes de 4 soldos que adquiriram no mesmo 
casal dos filhos de Martim Annes. 

Escrito no mesmo logar refendo e pelo mesmo tabellilo. 

CCXLIX 
29 de junbo de 1431 

1>oa9lU) do direito, que tinfaa no ncLoinho da BouQa, sito em Riba 
de Selho, freguesia de Santa Maria de Silvares, feita por Constan9a 
Annes, viuva de Joào Garcia, mestre de obras, ou da obra, a Lopo 
Martìns, alf&iate, e mulher Maria GonQalves, sobrinha da doadora. 

Escrito em Guimarles, nas casas da morada da doadora, pelo ta- 
bellilo Jo&o Vasques, sendo testemunhas, entre outros, dois custureiros 
de Affonso Gii, alfaiate. 

CCL 

15 de Janeiro de 1452 

S6nten9a proferida em Braga por Gii Affonso Leitao, arcediago do 
Conto, por JoSo Femandes, bacharel em degredos e conego de Braga, 
a por Fernando Affonso, bacharel em leis, vigarìos geraes do arcebispo 
]). Fernando, julgando que o prior do Convento de S.Torquato tinham 
dii'eito a receber annualmente 40 soldos por umas herdades sitas na 
fre^mesia de S. Romào de Sisto. 

Conserva pendente sello d£^ corte da igreja de Braga, um baixo 
relevo verde, redondo, em cera branca, tendo no centro a imagem da 
Virgem sentada com Menino no regajo. 

Na orla: + SELLÒ Braga. 

E que julgo ler. 

CCLI 

8 de fevereiro de 1432 

Posse da igreja de S. Cosmade da Lobeira, vaga pela transferen- 
cia para oiitra de JoSo Annes Albemaz, tomada pelo prior de S. Tor- 
quato Alvaro Martins, em virtude da senten9a de annexa93o de 24 
de abril de 1425 (doc. n.® ccxxiv), estando presente Bernaldo Annes, 
conego de S. Torquato e capellSo da dita igreja, que se empossou dos 
objectos a ella peptencentes, a saber: um livro de missàs de festas, 
um dito de baptisar e encommendar, duas vestimentas velhas rotas, 



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O Archeòlogo Portugùés 83 

nm calix de estanho, um thuribuio de ararne, dois picho» de estanho, 
urna cniz de pau coberta de leniogene», urna caldeirinha de còbre de 
benzer a agua, urna cuba de 7 palmos de ter vinho^ duas de p3o velhas, 
outra de . . . moio veiha, urna arca veiha sem cobertoira, outra cuba 
velha. 

instrumento foi lavrado pelo tabelliào de GuimarSes Jolo Annes. 

CCLII 
28 de abril de 1432 

Doac^o do casal de Riba, sito na fregìiesia de S. JoSo de Semelhe, 
couto de Braga, feita ao cabido de Guimaraes por Vasco Gongalves", 
dito Meyrim, e mulher Joana Domingues, por servilo de Deus e da 
imagem de Santa Maria da Oliveira, cotti obriga^So annual de anni- 
versarias rezadas e urna missa. 

Escrito no dito casal pelo notario apostolico Pero LourenQO, conego 
de Braga. 

CCLIII 

19 de agosto de 1433 

Carta de confirma^So e instituiglo canonica, dada no mosteiro de 
Mancellos pelo arcebispo D. Fernando, de Joào Annes, clerigo de 
missa, corno capéllSo perpetuo da igreja de Santo Es^vam de Urgezes, 
assinando-lhe para seu salario e sustentamento 40 libras da moeda au- 
riga, qae. o cabido de Guimaraes, apresentante, Ihe pagana, e o pé 
de aitar. ". . 

arcebispo conferiu-lhe a coUaQSo «nom embargante a consti Gui- 
goni da. nossa egreja de Braga na quali se cpntem que nenhum nom 
possa seer provido das egrejas parochiaes ou capellas- senom aquelle 
qne souber leer e cantar e entender ao menos quanto ao pee da lettra 
pera elle poder teer e receber licitai^ente a dita egreja ou capella nom 
embargante a dita constituÌ9om corno dito he porque nós achamos o 
dito Johane Annes por delligente inquiri^om elle seer de honesta e lau- 
davil conversa9om e boa fama é assaz bem responder dos sacramentos 
ecclesiasticosf. 

CCLIV 

., , 28 de de^embro de 1434 

Carta de el-rei D. Duart^ confirmando ao abbade de Tolloes todas 
as gra^às e prìvilegios, que Ihe tinhàm sido concedidas pelos seus an- 
tec;*sspres. 



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84 O Archeologo Portugués 

Dada em Santarem por Affonso Geraldes e Luis Martins, vassallos 
de el-rei e do seu desembargo. 

Conserva pendente o sello real em cera, mas jà partido. 

CCLV 
9 de mar^ de USÒ 

Posse de metade de urna casa sita na rua da Enfesta em virtude 
da senten9a proferida a 7 do mesmo més, no Pago do concelbo, pelo 
juiz ordinario de GuimarSes, Pedro Alvares, mercador, a qual foi to- 
mada pelo procurador dos clerigos coreiros Joao Martins, abbade de 
S. Lourengo de Riba de Selho. 

Està casa foi legada aos referidos clerigos pela clausula testamen- 
taria de Fernando Affonso, abbade de S. Lourengo de Calvos, com 
obrigagào de uma vigilia e missa por sua alma e de sua mSie e irmà. 

Esento pelo tabelliSo Pero Annes. 

COL VI 

16 de novembre de 1436 

Nota.de emprazamento, em tres vidas, do casal do Outeiro, fregue- 
sia de S. Torquato, que se obrìga a fazer na fórma legai, pela corte 
de Braga, o prior do mo^teiro de S. Torcade, Alvaro Martins, a Affonso 
Gongalves e mulber Catalina Gongalves, com o foro de 5 raaravìdìs da 
moedaantiga, pagos a 700 por um comò agora el-rei manda; 5 homens 
para cavar no dito mosteiro, em cima de fevereiro ou k entrada de 
margo; o dizimo do que Deus der; um cameiro ou uma marrSL, k es- 
colha do prior; e qbrigagSo de ir ao prado tirar a aguà corno é de 
costume. 

Escrito em GuimarSies pelo tabelliSo JoSo Annes. 

CCLVII 

? de inarco de 1487 

Emprazamento, em tres vidas, de uma vinha com suas ^vesas, sita 
no legar de Aldeia, termo de GuimarSes, feito pela confraria do Ser- 
VÌ90 de Santa Maria cóm foro de 3 maravidis. 

Escrito na crasta de Santa Maria, na capella de Alvaro Gongalves 
de Freitas, pelo tabelliSo Vasco Annes. 



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O Archeologo Pobtugués 85 

CCLVm 

31 de Janeiro de 1438 

Confinnaf So e instituÌ9So canonica de JoSo Vicente, conego de Gui- 
maràes, em nma ragSo da ìgreja de S. Gens de Montelongo, vaga por 
morte de Martim Esteves, conferida por AflEònso André, conego de Gui- 
marSes e abbade da refenda igreja. 

O coUator, sentado jnnto dos pagos do Conde D. Affonso, imp8s o 
barrete sobre a cabe9a do ragoeiro, que estava ajoelhado ante elle. 

£scrìto pelo tabellifto JoSo Annes, sendo urna das testemunhas Gon- 
9alo Martins, escudeiro de Martim Vasques da Cunha. 

CCLIX 
25 de maio de 1439 

Emprazamento, em tres vidas, de nma casa sita a cérca da porta da 
villa, qne chamam de Val de Donas, feito pelos clerigos do coro, sendo 
prioste Vasco Affonso, a Vasco Annes, pregoeiro da villa, com o foro 
de 2 maravidis da moeda antiga, pagos a 700 por um. 

Esento pelo tabelliSo JoSo Annes. 

CCLX 
9 de Janeiro 1440 

Emprazamento, em tres vidas^ do casal de AldSo, feito pelo cabido, 
sendo chantre Fedro Affonso, a Alvaro Annes e mulher Leonor Fer- 
nandes, com a renda de 5 maravidis de moeda antiga, a 700 por um. 

Escrito no cdro pelo tabelliao Joao Annes, sendo uma das teste- 
munhas JoSo Martins, abbade de S. Louren90 de Riba de Selho. 

CCLXI 

10 de Janeiro de 1440 

Doa9So de metade de umas casas, sitas na rua Nova do Muro, feita 
por Domingos Qon9alves, sapateiro, à confraria do ServÌ90 de Santa 
Maria, com obriga9ao de o admittir por confrade e de celebrar, por 
sua morte, uma missa annual por sua alma. 

Escrito na capella de S. Bris, onde se dizem as missas da confraria, 
pelo tabelliSo Rodrigo Annes. 

CCLXII 

10 de fevereiro de 1440 

Emprazamento perpetuo do ter90 de uma casa, sita dentro da cérca 
velha do Castello na rua direita, feito pela confraria do ServÌ90 de 



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86 AKau:oLOGo Poktugués 

SanU Maria a Affonso Louren^o, prior do mosteiro de Souto, e ao seu 
convento, com o foro de 20 soldos. 

Esc rito na crasta de 8anta Maria, a par da capella de S, Bras, 
onde se dizem as missas da confraria, pelo tabelliào Rodrigo Annes, 
sendo urna das testemunhas o confrade Affonso Vasques Peisoto, 

CCLXIII 

10 de ftìTercìro de 1440 

Posse de metade das easas da ma Nova dn Muro, em que mora 
Gonzalo Annes, pintor, doadas à confraria. do ServÌ9o pelo documento 

B." CCLXI. 

Escrito pelo tabelliKo Rodrigo Annes, criado da Rainha. 

CCLXIV 
14 de mar^o de 1442 

Sentenza praferida no pa^o do conceiho por Affonso Vasques Pei- 

xoto, vassallo da el-rei e juiz de QuiiuarSes, lavrada pelo tabelliào Fer- 
nando Affonso, sendo testemunlias os tabellìSes Joto Vasques, Vasco 
Annes, Luiz de Amarai, Kuno de Avb, Affonso Pires e JoSo Affonso, 
e Q juiz dos reguengos Vasco Martins, julgando deserto o aggravo 
interposto peìos reus con tra a sente nca proferida a 29 de novembni 
de 1441 pelo juiz de Guìmar^es Pedro Alvarcis, mereador. 

A ac^-ao foi in tenta da a 22 de novembro do mesnio anno pera ole 
Lopo de Castro, vassalJo de el-rei e juiz de Guimaraes, por Alv^aro 
Martins, prior do mosteiro de S, Torquato, contra diversos lavradores 
que, fazendo moinhos e presas, ìmpediam a correntcza da agua da foz 
de Rial e de Requeixo no rio de Selho para as terras do mosteiro. 
prior apresentou era publìea forma 09 segiiintes documentos: 

1.'^ Henten^a profcrida em (iuimaries, a 16 de jullio da era de 1441 
(Gli- 1403), por Payo Rodrigucs, vassallo de el-rei e juiz de Gnimarà^rs, 
em acylo intentada por Affonso Martini, prior crasteiro, por entào nlo 
haver prior maior, mantendo a està e ao mosteiro o direito e posst^ 
da refenda agna. 

2:° Sentenza proferida era GnimarSes, a 20 de Janeiro da era de 
1450 (Ch» 1412), por Gii Domingues e Alvaro Annesj juizes de Gui- 
maraes, mandando cumprir a sentenza antecedente* 

3," Sentenza proferida no pa^o do conceiho, a 29 de julho da uni 
de 145L (Ch. 1413) ^ por Alvaro Annes^ inquiridor e onvidor em lugar 
de Diogo Martins, almoxarife de el-rei em Guimaraes, julgando que 



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O ABCH£OU>00 PORTUGUÉa 87 

Affonso da Batpca regue as suas proprìedades reguengas, sem embargo 
do prior de S. Torquato, mas dSU> faga presas, nem as ajude a fa^er^. 
no rio de Selho, desde o moinho de Vasco de Figueiras aie a veiga. 
de Freitas, e fazendo-as, ou qualqaer oatro, o prior as poderia des- 
fazer. 

A senten9a, profonda a 29 de novembro de 1441, manda cumprir 
e guardar està ultima. 

No verso: Sentenza proferida no pago do concelho a 4 de julho 
de 1492 por Alvaro Finto, escudeiro fidalgo e juiz de GuimarSes, 
isentando da multa em que incorrerà Pero Gongalves, de Reboredo, 
por impedir a correnteza da mesma agua, porque provou nSo ter conbe- 
cimento d'està sentenza. 

CCLXV 

13 de dezembro de 1443 

Posse de umas casas, sitas na rua Q^P^teira, que tomaram os eie- 
rigos do coro, representados pelo prioste Joào AflFonso e pelo seu 
procurador JoSo Martins, abbade de S. Lourengo, em virtude da di- 
miqào e encampamento que d'ellas Ihes fez Joanna Annes. 

Esento por Jo2o Annes, tabelliSo por eirei em GuimarSes. 

CCLXVI 
1 de dezembro de 1445 

Emprazamento de herdade, sita na freguesia de S. RomSo de Mei- 
gomfrio, feito por Luiz Alvares e mulher a Vasco Lourengo e mulher 
Constanga Gii, com o foro de 40 soldos da moeda antiga. 

Esento, em Guimaraes, pelo tabelliào JoSo de Sousa. 

Falta a primeira parte do documento, que foi cortada. 

CCLXVII 

18 de outubro de . . . 

Sentenga proferida por Luiz Alvares e Lopo de Castro, vassallos 
de el-rei e juizes de GuimarSes, mandando dar traslado das clausulas 
testamentarias de Pero Vasques, que foi casado com Maria Affonso, 
jà finada, a requerimento da confraria do Servigo, que antigamente 
se chamava dos tabelliSes, pelas quaes elle deixara 3 maravidis im- 
postos em casas da rua de Santa Maria. 

Oppunha-se a este requerimento o tutor dos filhos menores do fai- 
lecido, Gii, Inés e Fernando. 



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88 O Archeologo Pobtugués 

O documento nSo tem a mdica9lo do anno eìn que foi lavrado por 
Rodrigo Annes, criado da Rainha e tabelliSo de el-rei em GuimarSes; 
mas, pelo que se le no doc. CCLXIX, foi esento antes de 1446. 

CCLXVIII 
23 de maio de 1446 

Emprazamento, em urna vida, do Couto de Moreira, feito pelo ca- 
bido, a que pertenciam Diego Affonso, thesoureiro, Joào de Resende, 
mestre-escola, e Lopo AflFonso, abbade de Brito, a Diego Affonso 
Malheiro, contador de el-rei nos almoxarifados de Guimar^es e de 
Ponte de Lima, com a renda annual de 250 libras de moeda antiga. 

Escrito no coro da Collegiada pelo tabelliSo Jolo Vasques, escu- 
deìro, vassallo de el-rei, sondo urna das testemunlias o senhor Ruy 
da Cunha, prior da igreja de Santa Maria. 

CCLXIX 

16 de junho de 1446 

Traslado das clausulas testamentarias de Rodrigo Annes, tabelliSo, 
pelas quaes deixa todos os seus bens & confraria do Servigo de Santa 
Marìa^ com reserva do usufruto para a mulher e irm^s d'elle, com 
ohrigSL^o de dez missas resadas e urna officiada annualmente. 

Passado pelo tabelliSo Jo3o Annes, por mandado do juiz ordinario 
de GuimarSes Lopo de Castro, vassallo de el-rei, que era casado com 
Constanja Martins, mulher que fora do dito Rodrigo Annes. 

CCLXX 

15dejunhodel447 (?) 

Emprazamento, em tres vidas, de umas casas, sitas na rua Nova do 
IMiiro, feito pela confraria do Servijo, de que é confrade Diego Mar- 
tina, almoxarife de GuimarSes, a Vasco Martins, ferreiro, e mulher 
Branca Affonso. 

Escrito na capella de Alvaro Gonjalves de Freitas, pelo tabellilo 
Affonso Pires. 

CCLXXI 

15 de setembro de 1447 

Alvarà do Infante D. Pedro, curador e regedor do reino, dado 
^m Cintra, dirigido aos juizes, vereadores e homens bons de Guima- 



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O Abcheologo Portugués 89 

rSes, em virtude de aggravo do prior e cabido por se baver langado 
4 reis aos seus caseiros e lavradores para pagamento dos salarios aos 
procuradores das uUimas cdrtes, mandando guardar os privilegios da 
Collegiada, que a isentam de contribuir para as fintas, talbas e pedidos. 
No verso: ApresentagUo d'este alvarà à camara de Guimar2es, 
estando presentes o juiz Pero Alvares, os vereadores Lopo Machado, 
Joào de Evora e JoSo de Monte-Rey, o procurador do conceiho Alvaro 
Yasques, feita pelo prior Ruy da Cunba a 20 de outnbro do mesmo 
anno, de que se lavrou instrnmento pelo escrivSo da camara JoSo 
Yasques, sendo urna das testemunhas 6on$aIo Peixoto, irmSo do com- 
mendador da Faya. 

CCLXXII 
15 de agosto de 1448 

Emprazamento de um chSo, sito na rua Q^pateira, feito pela con- 
fraria do Servigo de Santa Maria a Alvaro Gomes, sapateiro. 

Escrito na capella de Alvaro 6on9alves de Freitas pelo tabelliSo 
JoSo de Sou^a, sendo urna das testemunbas Gongalo Rodrigues de 
Barros, tabelliSo. 

CCLXXIII 
20 de agosto de 1448 

Sentenga proferida no pa^o do conceiho pelo juiz ordinario de Gui- 
marSes JoSlo Pires, mercador, à cérca do foro annual que devia pagar 
aos clerigos do coro o possuidor de umas casas sitas k esquina da rua 
^apateira, que tinham sido emprazadas, sendo pardieiro, em 1 de abril 
da era de 1424 (Ch. 1386) por um instrumento lavrado pelo tabelliSo 
Alfonso Femandes, no qual se diz que ellas confrontavam com casas 
de Gonzalo Domingues, que foi almoxarife. 

Escrito pelo tabelliSo JoSo Vasques. 
» 

CCLXXIV 

29 de mar^o de 1449 

Posse da terga parte de umas casas, sitas na Judaria, nas quaes 
moravam os judeus Salomom Querido e David AUes, tomada pela 
confraria do Servigo de Santa Maria, à qual foram doadas neste dia 
por Lopo Affonso, vassallo de el-Rei, escrivSo das sisas em GuimarSes, 
corno testamenteiro de Constan$a Annes, viuva de JoSo Garcia, mestre 
de pedraria, com obrigagSo de urna missa officiada por alma d'està 
e do testamenteiro e de sua mulher Catalinha Palos. 

Escrito pelo tabelliSo JoSo de Sousa. 



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90 Archeologo Portugués 



CCLXXV 

30 de junho de 1449 

Traslado da seguinte clausula testamentaria de Alvaro 6on9alves 
de Freitas, vedor da fazenda de el-Rei, cujo testamento estava em 
j)oder de JoSo GonQalves Vieira, morador em GuimarSes: 

«Rogo a Diego Martinz a quem dou carrego de faser a capella de 
Sam Braas que a nom faga baixa e se gaarde das janellas descontra 
vandavall e que fa^a faser hy bum boo aitar e pintar toda a parede 
do aitar be poer by buma Jmagem de Sam Braas e outra de Santa 
Maria e que ponbam by bum qualez de prata de bum marco e meo 
e bumas galbetas com as minbas yestimentas e que se ponbam em 
buma arca fecbada pera quantarem com ellas nos sabados e nas missas 
do Syrvijo de Santa Maria e nas missas que se disem por minba alma 
e da dita Beringeira Gii e que quatem boos pedreiros e boo pyntor 
que saibam bem obraar todo que se nom perca o que se by despender». 

Passado, a requerimento do mordomo da confraria, por mandado 
de Estevam Rodrigués, vassallo de el-Rei e juiz ordinario da villa 
de Guimaràes, no pago do concelbo, por Vasco AflFonso, vassallo de 
el-Rei e seu tabelliSo na dita villa. 

CCLXXVI 

24 de Janeiro de 1450 

Composigào sobre a renda de 16 libras, que foram deixadas à con- 
fraria do Servigo de Santa Maria por Pallos Domingues, feita entra 
està e Leonor Gongalves, ficando propriedade da confraria o casal de 
Ferreiros, sito na freguesia de Polvoreira. 

Um dos confrades da confraria era JoSo Estevez de Ponte, almo- 
xarife de GuimarSes. 

Escrito na crasta de Santa Maria, à entrada da capella de Alvaro 
Gongalves de Freitas, por Joao de Scusa, «publico tabelliào por o snr. 
Duque de Braganca do pago na dita villa». 

CCLXXVII 

11 de julho de 1450 

Emprazamento, em tres vidas, do casal de Ferreiros, sito na fre- 
guesia de Polvoreira, feito pela confraria do Servigo de Santa Maria 
a Pedro Annes, lavrador, e mulber Senborinba Affonso, moradores 
no logar do Telbado da mesma freguesia, oom o foro de 44 e meia 



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O Archeologo Pobtugués 91 

libras da raoeda antiga, de 700 por urna, e mais dois alqueires de pào 
pagos a el-Rei. 

Esento na praga da villa de QuimarSes por Qon9alo Rodrigues, 
tabelliSo do pago da mesma villa pelo Sr. Duque de Braganga, sendo 
«ma das testemunhas um conego de Santa Maria de Oliveira. 

CCLXXVIIÌ 

22 de setcmbro de 1450 ' ' 

Traslado do emprazamento, em tres vidas, de tres leiras, que foram 
viiìhas e ora jazem em monte^ sitas atris o castello no logo que chamam 
Oolpilhaes, feito pela confraria do Servigo de Santa Maria, sendo juiz 
Diogo Pires, almoxarife de Guimarles, a Gongalo Affonso, ferreiro, 
•e mulher Caterina Estevez, com o foro de 20 soldos. 

Escrito o emprazamento na capella de Alvaro Gongalves de Freitas, 
onde se dizem as missas da confraria, pelo tabelliào Joào Vasques, 
«scudeiro. 

CCLXXIX 

30 de setembro de 1450 

Ratificagao de doagSo de um maravidil, feita por Senhorinha Paes, 
moradora na rua de Gatos, a confraria do Servigo de Santa Maria, 
oom obrigagSo de urna missa annual. 

Escrito pelo tabelliào Gongalo Rodrigues. 

CCLXXX 
2 de outubro de 1450 

Acordao tornado pelo prior D. Affonso Gomes de Lemos e Cabido, 
sendo chantre Pedro Affonso e tbesoureiro Affonso Pires, pelo qual, 
attendendo ao desfalque das rendas, se resolveu conceder sepultura 
no corpo da igreja e capellas, principal e collateraes, a quaesquer pes- 
soas que julgassem dignas d'isso e se estas por està concessilo dotassem 
a igreja de omamentos, privilegios, honras, liberdades, terras, herda- 
mentos, censos, anniversarios ou outras quaesquer rendas perpetuas, 
as quaes serìam repartidas igualmente entre o prior e cabido. Foram 
exceptuados d'este encargo os conegos, que teriam livremente sepultura 
no legar por elles assinado, entre os altares da Trindade e do Santo 
Conde, infra cancellos tràs de Santa Maria do Parto. 

Escrito pelo tabelliào Joào Vasques, escudeiro, criado do Duque 
de Braganga e Conde de Barcellos. 

(Cofìtinùa), 

abbade J. G. de Oliveira Guimaraes. 



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92 Ahcheolooo Portuoués 

Miscellanea 
I 

Notioias -vArias 

1« Inyeiitario dos bens naclonaes 

«Existe na bibliotheca da Universidade de Coimbra um pequeno 
volume lindamente calligraphado em pergaminho, com letras capitaes 
realgadas de euro e adomado primitivamente de 14 estampas em foiba 
solta, oatras tantas miniaturas ou quadrinbos sacros, devidos ao pincel 
subtil de um pintor anonymo. SSo umas Horas de Nassa Senhora, 
um d'esses preciosos devocionarìos que faziam o encanto espiritual das 
damas galantes e religiosas dos seculos medievaes e ainda dos primei- 
ros annos depois da inveuQ^o de Fausto e Guttenberg. 

Mao profana cortou vandalicamente oito d'essas estampas, com in- 
tuito por certo ganancioso. De quatro d'ellas sabia-se a existencia em 
posse de particulares, e à custa de laboriosa campanba e até de sacrì- 
ficios conseguin o illustre director d'aquella bibliotheca que as pombas 
extraviadas voltassem ao ninho materno, d'onde nunca deverìam ter 
saido. 

As vicissitudes d'este episodio acham-se delicadamente narradas, 
para nSo ferir susceptibilidades pessoaes, num dos ultimos numeros 
do Archivo Bibliographico da Bibliotheca da Universidade de Coimbra. 
Ahi se fazem, com o mais levantado patriotismo, com o mais puro 
amor pela sciencia, pela arte e pela litteratura, judiciosas considera- 
(Ses sobre a necessidade de inventariar methodicamente e com o mais 
criterioso escrupulo os objectos dignos de aprego que existem no nesso 
pais e que devem ser transmittidos à posteridade, com piedoso respeito, 
comò thesouro inviolavel, que, longe de ser defraudado, se deve ir 
aumentando de dia para dia. 

Estamos de perfeito accordo com estas ideias e gostosamente as 
reforgaremos, sentindo nlU) ter mais autoridade para fazer com ella 
pender o prato da balanga em favor de uma questSo i&o momentosa. 

Em todos OS paises cultos se tem comprehendido e considerado 
comò principio axiomatico que o meio mais efficaz de occorrer i perda, 
mina e extravio dos objectos preciosos, de caracter mais ou menos 
monumentai, é proceder ao seu cadastro, jà por meio das estagSes 
officiaes, jà por meio das corporagSes de qualquer natureza, seculares 
e religiosas. 



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O Archeologo Portugués 93 

Etn FranQa deu-se come90 a um trabaiho d'està ordem no anno 
de 1878, em que se publicou o 1.^ volume com o titolo de Inventaire 
general des richesses d'art de la France. O ultimo, isto é, o 16.® da 
serie, sondo o 3.® dos monumentos religìosos, saiu em 1901. 

NUo so debaixo do ponto de vista artistico e archeologico, mas 
tambem debaixo do comesinho ponto de vista economico e regulamen- 
tar, a feitura e generaliza9So d'estes inventarios toma-se urgente, im- 
prescindivel, inadìavel. Sabemos de algumas repartigSes onde se nSo 
faz re^sto dos objectos entrados, de modo que é dif&cii, senSo impos- 
sivel, exercer-se rigorosa fiscalizafSo. O que vale é que a honradez 
proverbiai dos seus directores. tem ob3tadQ, aenSo em absoluto, pelo 
menos quanto possivel, a que haja depredafOes e extravios de maior 
vulto. 

Na Academia de Bellas Artes e no museu respectivo por muitò 
tempo se deixaram de inventariar os objectos entrados, de sorte que é 
hoje muito difficultoso catalogà-los, ^indicando a ma procedencia. 

Se o desleixo e a incuria reinam em grande parte, é gostoso con- 
fessar qué nSo faltam louvaveis excep(Ses à regra, e neste caso està 
o archivo do Tribunal de Contas, que nos dizem ser um perfeito modelo. 

Oxalà que as demais repartigSes o imitasseml 

E sabido que quasi todos os ministerios publicam' obras por conta 
propria ou adqnirem exemplares de edi^Ses estranhas. Essas obras 
parece que nSo slo arrecadadas nem distribuidas conscienciosamente. 
Ao passo que se contenvpla o primeiro adventicio quei as solici ta, dei- 
xam de ser énviadas para bs estabelecimentos de ensino a cargo do 
Estado. Vio, por exèmplo, à Torre do Tombe e, vejàm quantas obras 
existem là de semelhahte procedencia officiai! Em compensasse appa- 
recem nos alfarrabistas e nas tendas. 

A Imprensa Nacional foi parar esporadicamente, nSo sabemos a 
que titulo, e sob que pretexto, o livro das flora* dà rainhaD. Leonor, 
procedente, se nSo estamos em erro, do extincto mosteiro da Madre de 
Deus. Este precioso manuscrito, de grande originalidade e de execu(£o 
primorosa, é dos mais notaveis que possuimós, e devera ser recolfaido, 
jnnto dos seus congeneres, ou na Torre do Tombe, ou na Bibliotheca 
Nacional. AH é que é o seu legar proprio. 

Para se mostrar quanto certos archivos estSo longe de correspon- 
der ao seu firn, citaremos as fadigas e diligencias, tantas vezes infru- 
tuosas, que teem custado ao illustre engenbeiro Sr. Adolfo Loureiro 
o coUeccronar plantas e outros elementòs, alias modemos e contem- 
poraneos, para a elaborajSo da sua monumentai memoria descritiva 
dos nossos portos maritimos, sobretudo o de Lisboa: 



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94 O Archeologo Poutugués 

Por todos OS factos que vamos apontando, pelas breves considera- 
95es que nos siiggerìram e que poderìamos ampliar indefinidamente, 
vé-se de relance, e sem grande esforgo, qual é a vantagem e a conve- 
niencia do Governo realizar desde jà algumas medidas que ponham 
termo ao estado de desordem que domina em alguns estàbeleciinentos^ 
reservando-se para apresentar às Cortes urna lei que resolva definiti- 
vamente problema, satisfazendo as aspiragSes de todos os que dese- 
jam e fazem votos pela integridade do patrimonio' nàcional». 

(Do Diario de Noticias, de 31 de Julho de 1906). 

2. Os managcritos da Beai Biblioteca da ijnda 

«A Biblioteca Real da Ajuda é uma das nossas bibliotecas que 
possuem maior somma de manuscritos, alguns dos quaes'dé singular 
importahcia, jà sob o aspecto litterario e historico, jà sob o aspecto 
artistico. 

Os que se interessàtn pelo désenvolvimento intéllectuàl do nesso 
pais lastimavam que essas preciosas collecgSes n&o estivessétn devida- 
mente catalogadas de maneira que satìsfizessem de pronto sobre qual- 
quer assunto a curiosidade dos estudiosos, quer nacionaes quer estran- 
geiros, sendo indùbitavèl, comò é, que a Biblioteca Real da Ajuda goza 
de merecida fama, comò repositoiìo bibliographico, tanto em Portugal 
corno là fora, 

A lacuna!, porém, vae brevemente ser préencbida, porquanto a 
organiza^SLo do catalogo em bases scientiticas està incumbida a urna 
pessoa competentissima, com larga erudigào *e conhecimentos dò lin- 
guas, a qual, desde outnbro a està parte, nSlo tem descànsado da sua 
ardua missào, espinhosa sobretudo pelos escassòs sùbsidios de consulta 
e de confronto que existe no nesso pais para semelhantes estudos. 

Actualmehte jà se acham inventariados quatto mil numeros, que 
comprehendem os manuscritos autonomos e os volumes que eontém 
diversas pegas, algumas d'ellas de pequehas dimens^Jes. Todas slo 
descritas por fórma que se fica sabendo a materia exàcta do seu con- 
tendo. 

Estas descrigoes referera-Se riSo sd à parte intrinseca da obra, mas 
aos seus caracteres extrinsecos, ou parte material propriamente dita. 
Assim se inencidnanir a ìnateria ^TÌiiia, pergaminho oii papél e neste 
ultimo caso a marca de agna, o armato com a medida das liribàs; 
se o manuscrito é originar ou copia; qùém o executou calligraphica 
ou artisticamente ; descrigSo dos desérihos e niiiìiaturas ; b mesmo com 
respeito às encaderna^Ses ou oùtra circunstahcia congenere, indicagSo 



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O ÀRCBEOLOqO PORTUGUÉS 95 

dos ex-Iibris e lista chronologica das livrarìas e pessoas a que a obra 
pertenceu, etc. 

Por està breve resenha se ficari fazendo ideia aproximada da 
perfeÌ9^ bibliographica do catalogo, que, oxalà, se conclua o mais 
breve possivel, sendo depoìs divulgado pela imprensa, para que os 
seas résultados beneficos mais facilmente sejam attingidos por todos 
OS que mourejam neste campo das letrai9^ 

Sua Majestade o Sr. D. Carlos, por indicagSo do Sr. Ramalho 
OrtigSo, foi quem ordenou que se procedesse, ainda que dispendiosa- 
mente, a este util e proficientissìmo trabalhó, que El-Kei vae seguindo 
com maxime interesse. 

Tem side postas em evideneia muitas obras de alto merecimento, 
que jaziam ignoradas ou esquecidas. Entre ellas citaremos uma tra- 
ducgfto hespanhola da Biblia, feita no sec. xv para uso dos Judeus. 

É com prazer que registamos estes pormenores, esperan^ados de 
dar noticia, em nào longinqno prazo, de se haver ultimado, com extra- 
ordinario proveito e nSo pequena gloria para o seu autoi-, a empresa 
que Ihe foi incumbida e que muito realQarà o seu nome, que por agora, 
para nSo offendermos a sua modestia, nos vemos obrigados a omittir» • 

( Do Diario dt Nottcias^ de 1 de Agosto de 1906). 

S. Portugal e a Catalunha (Escolas de pintura) 

€Meu caro Dr. Alfredo da Cunha. — Num artigo intitulado tPortugal 
e a Catalunha», accentuava ha dias o seu exceliente jornal, a propo- 
sito da cria9&o, em Barcelona, de duas cadeiras para o estudo da 
lingua, da litteraturà e da historia do nesso pa{s, que, ji pelas tradi- 
Qoes historicas, j& pela affinidade de ideias e de tendencias, a Catalu- 
nha é, para nói^ uma das regiSes mais sympathieas de Héspanba. 

A leitura d^esse artigo suggeriu-me o pensamento de divulgar um 
facto revelado pelo erudito escritor hespanhol Sanpere y Miquel, num 
livro recentissimo, Los euatrocentistas CcUalaneg, facto que, sendo do 
mais alto interesse sob o ponto de vista da génese da nossa antiga 
escola de pintura, constitue, ao mesmo tempo, mais uma prova das 
rela^Ses que outr'ora ligaram o extrenKM)ccidente e o extremo-oriente 
da Peninsula. 

Refiro me à'presen^a, documentalmente provada, dos pintores por- 
tngneses Vasco Femandes e JoSo Paiva em Tortosa e Barcelona, res- 
peetivamente, em 1459. 

Este V/isco Femandes nSo é, decerto, o autor do famoso S, Fedro, 
da Sé de Viseu, o artista visiense que uma escritura descoberta e im- 



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96 O Archeologo Portogués 

pressa pelo Sr. General Brito Rebello nos «presenta em Lisboa, na 
officina do pintor Jorge Affonso, em 1515, e qyate^ segundo docmnentos 
publicados pelo Sr. Dr. Maximiano de Arag3o, foi, desde 1512 até 1541, 
emphy tenta de urna casa em Viseu, sendo ji faHecido^em 13 de setem- 
bro de 1543. 

Sera, porém,o Vasco, cillnminador» da corte de D. Affonso Y, a 
quem se refere um documento, muitas vezes citado, de 1455? Pràdo 
a crer que nSk). 

Seja corno for, é inquestionavel que, perente o facto apontado pelo 
sr. Sanpere y Miquel, corre-nos o dover de estudar com attengSo os 
cprimitivos» catalUes, e determinar a influencia que acaso tenham exer- 
cido na formagSo da nossa antiga escola de pintura, até agora exdu- 
sivamente filiada pela critica na arte flamenga. 

Mais uma vez se prova a impossibilìdade de estudar a nossa arte 
sem estudar simultaneamente a arte hespanhola, e mais uma vez fica 
evidenciada a necessidade de reunir numa «xposigSo os niimerosos 
quadros anteriores à influencia da Benascen9a italiada que se encon- 
trem no pais, — a exemplo daexposigio dos cprìitiitivos» flamengos 
realizada em Brugejs em 1902; da exposigSo de arte antiga nesso mesmo 
anno organìzada pela commissSo municipal de bellas-artes de Barcelona^ 
e que determinou a elabora$So do bello estudo do Sr. Sanpere y Miguel ; 
da exposigSo simultaneamente efiectuada no Louvre e na Pibltotheca 
Nacional de Paris em 1904, e que teve por objecto a arte francesa 
durante o governo dos principes dà" casa de Valois (1328-1589); etc. 

Jà em- 1895 ou 1896 propus & grande commissSo do centenario 
da India, de que tive a honra de fazer parte, que, por occasiSo das 
festas, se levasse a effeito em Lisboa uma exposÌ93o que permìttisse 
estudo da nossa antiga pintura-^ a detèTmina9Xo das inflnencias que 
nella actuaram, a evidenciaQ^o do que nella hàja de typico e originai, 
a fermaglio de grupos ou series, e, tanto quanto possivel, attrìbuigSes 
segnras, pelo estudo conjugado de fontes pictorias e foutes documen* 
taes. — D. José Pessanha». 

(Do Diario de NoUcia», de 16 de Agosto de 1906). 

4« HoTimento artistico 

«Quando ha pouco se inaugurou no Porto uma exposigSo comme- 
morativa do centenario do eminente pintor Vieira PoHuenBe^ assim co- 
gnominado para se distinguir de outro artista que o precederà, o n&o 
menos afamado Vieira Lusitano, pronunciaram-se diversos discursos, 
em que se accentuou mais urna vèz a nota deprimente da nosda deca- 



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O Archeologo Portugués 97 

dencia artistica, e se accusaram os nossos govemos de terem deixado 
ao abandono as cousas das bellas-artes, e nSo terem protegido conve- 
nientemente OS seus cultores. 

£sta crìtica, em absoluto, é injusta, porque é menos verdadeira. 
Nao pretendemos absolver e muito menos fazer a apologia da ac9ao 
governativa; desejamos apenas evidenciar que os factos nSo corroboram 
a censura, mórmente quando està se manifesta com singular exaggèro. 

A prova mais convincente de que o antigo regimen nSo descurou 
o ensino e boa pratica do sentimento esthetìco, encontra-se ahi a cada 
passo nos innumeros monumentos de toda a especie que ainda nos 
restam, e alguns dos quaes fazem a admira9So do estrangeiro. 

Apesar de mais sujeitos às diversas causas destruidoras do que 
a architectura e a escultura, os thesouros da antiga pintura portuguesa 
ainda sSo preciosos, sendo bastantes as povoagSes do reino, do norte 
ao sul, que se podem orgulhar da posse d'essas inestimaveis joias. 

As cathedraes, igrejas e outras corporagSes de Evora, Setubal, 
Lisboa, Thomar, Coimbra, Viseu, S. Jo2to de Tarouca, Porto, conser- 
varli nos seus recintos coUecgSes mais ou menos avultadas, que formam 
galerias, e podem servir ao mesmo tempo de regalo & vista e de con- 
solo ao espirito, porque sJo outras tantas paginas historicas e outras 
tantas miniaturas do livro do bello. 

Està hoje prò vado que no tempo de D. Manoel houve em Lisboa 
urna importante escola de pintura, ou antes, para melhor dizer, um 
grande centro de faina artistica, do qual saiam diversos mestres a 
disseminar-se por outras terras do reino, onde iam exercer mais ou 
menos temporari amente a sua actividade. 

Entre elles conta-se Vasco Fernandes, conhecido vulgarmente por 
Gran Vasco, o sublime autor do S, Fedro, da Sé de Viseu. 

O movimento, porém, jà vinha de longe, sendo nào poucos os artistas 
que trabalharam no reinado de D. AfFonso V e dos quaes chegaram até 
nós alguns apreciaveis vestigios. 

Nos reinados a seguir ao de D. Manoel a corrente nSo se partiu 
embora ficasse estacionaria no periodo filipino até que D. JoSo IV 
que prezava sobre tudo a musica, Ihe deu novo impulso. 

O numero de artistas portugueses que em todos os tempos, por 
conta do rei ou do governo portugués, foram estudar là fora é bastante 
avultado, e pena é que se n^o tenha organizado uma lista, por epocas 
e por especialidades, pela qual se pudesse formar ideia aproximada 
da influencia que tem exercido as escolas estranhas sobre os nossos 
artistas. A Flandres, a Italia, a Hespanha e a Franga sSo os paises 
que elles mais tem frequentado. 



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98 Archeologo Portugués 

Nos tempos moderaos os nossos artistas mais em voga tem side 

pensionistas do Estado no estrangeiro, e por isso nSU) se póde dizer qae 

& mingua de protecgao officiai é que os seus talentos n&o se tem ex- 

pandido, de modo que formem reputajoes universalmente conhecidas». 

(Do Diario de Noiidas, de 21 de Agosto de 1906). 

5* Ceramica Portagaesa 

e A ceramica é, sem dùvida, urna das industrias artisticas que mais 
tem prendido a attengSo de quantos se interessam pela arte. 

Que em Portugal foi larga e brilhantemente cultivada, provam-no 
as bellas faiangas que na segunda metade do sec. xvia e nos primeiros 
annos do seculo passado se fabricaram em Lisboa (Rato, Bica do Sa- 
pato, etc), no Porto, em Coimbra, em Vianna do Castello, em Estremoz, 
etc, as caracteristicas faian9as decorati vas das Caldas da Rainha, os 
formosissimos azulejos, de diversos generos e de diflFerentes epocas, que 
revestem as paredes de muitas das nossas igrejas, capellas, conventos 
e palacios, e àté de nao pequeno numero de modestas residencias. 

Nos ultimos annos, tem os productos da ceramica nacional sido 
coUecionados e estudados com certo enthusiasmo, devendo citar-se, 
corno das mais evidentes mauifesta98es d'esse interesse, a exposìgao 
levada a efFeito, no Porto, em 1882, pela benemerita Sociedade de 
InstrucgSo, os eruditos estudos do Sr. Joaquim de Vasconcellos por 
essa occasiSo publicados, e a constituigSo de numerosas collegdes par- 
ticulares, formadas, por vezes, à custa de avultado dispendio. 

Faltava, porém, urna historia geral, quanto possivel completa e 
documentada, da nossa actividade nesse ramo das industrias de arte, 
e um diccionario de marcas, que servisse de guia ao amador. 

Esse trabalho, acaba de realizà-lo um artista distincto, o Sr. José 
Queiroz, que a elle consagrou, com rara perseveranza, mais de dez 
annos de estudo sobre alguns milhares de pegas, umas de coUecQoes 
officiaes e particulares, outras dispersas, e sobre as fontes documen- 
taes de que pòde haver noticia. 

O livro, em que o Sr. Queiroz vae apresentar-nos o resultado das 
suas longas e trabalhosas investigaz^es, deve ser publicado no pro- 
ximo inverno. Comprehende um esbo90 historico da ceramica em Por- 
tugal, noticias documentadas acérca das principaes fabricas, um dic- 
cionario de marcas para o qual o autor colligiu mais de 650, quasi 
todas ineditas, outro dos nossos ceramistas, um estudo sobre o azulejo 
e outro sobre a escultura ceramica, etc. 

Fórma, ao que nos consta, um bello volume de cérca de 400 pa- 
ginas, ampiamente illustrado. As gravnras sSo do atelier do Sr. Tho- 



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O Archeologo Portuguès 



99 



mas Bordallo Pinheiro, e a parte typographica foi confiada às officinas 
do Anmcario Commercial, de que é proprietario o Sr. Manoel José da 
Silva, e que, decerto, hSo de por o mais acurado esmero na execujao 
d'essa obra, destinada, pela sua natureza, a um publico selecto, aqui 
e no estrangeiro, onde, felizmente, a nossa historia, a nossa litteratura 
e a nossa arte vSo despertando interesse». 

{Do Diario de Noticias, de 29 de Agosto de 1906). 

6. Alnio^agreme 

«Foi neste pittoresco legar, pertencente ao concelho de Cintra, onde, 
conforme nos noticiou o nesso dedicado correspondente, se realizou no 
domingo a festa annual a Nossa Senhora das Gra9as. 




Almo^ageme — Urna ca«a antiga 



As nossas gravuras representam: urna casa antiga, que achamos 
curioso publicar, e a outra, o largo principal onde se efFectuou o arraial». 
{Diario de Noticias^ de 10 de Outubro de 1906). 

j^oUf. — Fora dos estudos do Sr. Rocha Peixoto, publicados na PortugaXia, 
poaco mais ha sobre as habita9Òes rusticas em Portugal, o que é devido à falta de 
inclìnacao d'aquelles a quem mais competia esse trabalho para tudo quanto ha tra- 
dicional entre nós. Todavia nós nao podeinos .bem conhecer o desenvolvimento 
da civilizavao em Portugal sem irmos às aldeias mais reconditas do pais, para ahi 
apanharmos em flagrante as manifesta^òes diversas da antiguidade que ainda 
hoje sobre vi vem. Especialmente a habitaQào oflferece-nos com faeìlidade o auto- 
matismo ethnico e os effeitos das conquistas em gran de subida pureza. 

Quanto mais subirmos na antiguidade, tanto mais facilmente podemos com- 
prehender os productos modernos que tcndem a unificar-se. E o que succede nos 
individuos que, à medida que vao envclhecendo, vao perdendo cada vez mais a 
cspontaneidade da manifesta9ao dos sentimcntos. 



652709 A 



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100 Archeologo Portugués 



7* Ujh cemiteriol 

«Cintra, 13. — Na Praia das Ma$3s, na encosta sobranceira & praia, 
para o lado do nascente, ou seja na margem direita do rio, por vip> 
tude de umas escavagoes que ali se tem feito ha dias, para arrancar 
burneira, — areia petriiicada, empregada nas construcfSes, em substi- 
tuigào do tijolo, — tem apparecido muitas ossadas humanas, que dào 
ideia de ter sido aquelle locai algum cemiterio antiquissimo. 

Os trabalhadores empregados naquella exploragSo, tinliam até hon- 
tem destruido quatro sepulturas, que silo abertas na bumeira, e de 
onde extrahiram muitos ossos, alguns dos quaes se desfizeram por 
completo. 

Recommendàmos-lhe com empenho, attendendo ao interesse que 
d'ali poderia vir aos estudiosos, que de futuro se limitassem a descobrir 
as sepulturas, deìxando-as intactas, e as ossadas que Contivessem. 

Chega-nos a noticia de que estSo descobertas nove sepulturas, que 
so amanhSL poderemos examinar, visto que os nossos trabalhos nos 
nào permittiram ir hoje ali. 

Trata-se, ao que parece, de um antigo cemiterio. De que epoca? 
Ninguem nos sabe explicar, pois ninguem conserva memoria de ter 
havido ali qualquer povoa9ào. O que é certo, porém, é que aquellas 
sepulturas estSo na mesma linha em que se encontram as ruinas ro- 
manas no anno passado descobertas proximo de Almogageme. 

A noticia ahi fica para que competentes ali vSo ver do que se trata, 
limitando-nos nós a dar a noticia do que vimos, se por ventura tive- 
rem sido attendidos os nossos conselhos para que nSLo se destrua tudo». 

(D-0 Seculo, de 14 de Outubro de 1906). 

8. Àpparecfuiento de ossadas na Praia das Ma^fis 

«Cintra, 13. — C. — Na Praia das Magas, proximo do locai teì^ninus 
dos carros electricos, foram abertos uns caboucos para explorafEo de 
pedra. Agora appareceram nove sepulturas, e numa d'ellas urna ca- 
veira em bora estado de conservasse. 

caso produziu bastante sensa^So, tendo jà hoje ido ali grande 
numero de pessoas examinar estes sepulcros. 

Sabemos que o Sr. Visconde de Idanha, digno. administrador do 
concelho, vae ali amanha, nao consentindo que naquellas escavasSes 
se fa^am quaesquer trabalhos que possam destruir ou prejudicar a es- 
tructura das mencionadas sepulturas». 

( Do Diario de Noticias, de 14 de Outubro de 1906). 



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O Archkologo Portugués 101 



9. Ah sepaltaras oa Praia das Ma^as 

«Tem sido grande o numero de pessoas qne, attrahidas pela nossa 
noticia de hontem, foram hoje à praia das Magàs ver as sepulturas 
ali descobertas. Infelizmente pouco tem para ver, pois que o espirito 
destruidor d'aquella gente, e talvez que o desejo ou a esperanga de 
descobrirem alguns objectos de valor, tem destruido os vestigios de 
todas as sepulturas descobertas, em numero superior a dez. Hoje 
so urna sepultura existia intaeta, mas a sepultura so, porque a ossada 
foi tirada de là em grande parte, e o cranio, que ainda estava inteiro, 
partido de encontro a urna pedra. 

As sepulturas, porém, parece prolongarem-se par»^ a estrada, e 
talvez que fosse possivel alguem ter forga naquella gente para conse- 
guir que algumas deixem intactas, a fim de se poder melhor averiguar 
a epoca a que pertencem. 

As sepulturas que hoje ali vimos, e que é, comò jà dissemos, ca- 
vada na bumeiraj nao tem dois metros de comprido, e mede so dois 
palmos de largo. A ossada que ali se encontra apresenta-se completa, 
tanto quanto o podia estar attendendo à sua antiguidade ; estava comò 
todas as que se tem encontrado, com a cabega para o lado do rio e 
OS pés para o nordeste. 

Sobre as covas ha uma camada de terra negra, de pouco mais de 
um palmo de espessura, e, por sobre està, areia na altura mais de um 
metro. 

Temos procurado investigar se tem apparecido e sido recolhidos 
alguns fragmentos de ceramica, armas ou moedas, e tem-nos afHr- 
mado que nada tem apparecido. 

Nada ha, pois, que nos possa dar a certeza se ali foi cemiterio, 
e em que epoca, ou se, segundo alguns dizem, serSo cadaveres arro- 
jados a praia que ali tinham sido enterrados, o que nos nSo parece 
provavel por serem em tSo grande numero». 

(Do Diario de Noticias, de 15 de Outubro de 1906). 

10. Descobrlnieoto de sels sepaltaras e ossadas 

«Covilha, 13. — C. — Os jornaleiros empregados na plantagSo do 
pinhal do Sr. José Maria de Mollo, no sitio do Cabejo do Senhor Jesus, 
acabam de descobrir seis sepulturas e respectivas ossadas, que pare- 
cem datar de longa epoca. O chefe da policia foi visitar o locai e co- 
Iher informa95ès, constando que ha ainda mais sepulturas, feitas todas 
em saìbro ou fraga, com vSos para os pés e cabcQa, ficando està in- 



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102 O Archeologo Portugués 

variavelmente para o nascente. Vae ser ouvido o sub-delegado de saude 
e levantado o competente auto». 

(D-0 Seculo, de 15 de Outubro de 1906). 

11. Duas inscrip^Oes romanas na praia de Santa Criii 

«De Santa Cruz pouco se póde adeantar com respeito & sua orìgem. 
Apenas da DescìHpgào Historica e Economica da Villa e Termo de Tor- 
res Vedras se póde concluir que fora urna grande povoa9SLo no tempo 
dos romanos. Com o correr dos seculos decaiu da sua grandeza, che- 
gando a ter uns 7 a 8 fogos e uns 28 a 30 moradores, sendo o ter- 
reno arido e coberto pela maior parte de areias, que os ventos tem 
acarretado para terra. 

Em 1861 jà ali se via maior numero de casas, e de entao para cà 
tem aumentado bastante, sendo aquella a praia predilecta dos mora- 
dores da villa e termo de Torres Vedras. 

E tradÌ9ào que fora parochia de ^ touguia. 

A attestar a antiguidade de Santa Cruz existem vàrias sepulturas, 
de Romanos bem abastados on illustres, uma das quaes foi levada em 
tempos para o extincto convento de Penafirme; outra ainda se ve em 
Santa Cruz, junto às casas do illustre viticultor torreense Sr. Manoel 
Francisco da Veiga, e è um caixao de pedra lioz, com seu ornato de 
relevo dos lados da parte de baixo, e tem numa das cabeceiras um 
epitaphio que so em setembro de 1858 se descobriu e leu, porque até 
ahi estavam as letras quasi todas soterradas. Muitas das letras estavam 
em parte gastas, e em parte quebradas por mSo rustica quando para ali 
a conduziram; mas as que se descobrem sSlo muito bem abertas e com 
pontuajào exacta de pontos. 

O que ainda se le, segundo pessoas competentes, ó o seguinte: 

e Caio. . .filho de Quinto. . , de idade 25 annos, està aqui sepultado. 
Valerio e Julia. . . o mandaram fazer. Seja-te a terra leve». 

Està sepultura foi achada nos alicerces da primitiva ermida de 
Santa Helena, ha 150 annos, a qual se desmoronou por estar jà a 
cair no mar». 

(Do Diario de Noticias, de 16 de Outubro de 1906). 

12. theatro romano de Lisboa, segundo uni antlgo vli^ante sneco 

«Com OS mais desencontrados sentimentos foi-me dado hoje contem- 
plar um notavel monumento archeologico, que no outomno passado sé 
descobriu casualmente na Rua de S. Mamede. 

Tendo previamente tomado as necessarias informagdes, dirigi-me 
para esse legar. Chegado a uma das mais altas collinas da cidade, 



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O Archeologo Portugués 103 

de onde se goza urna linda vista dos bairros baixos e do rio, desci 
por um caminho muito sinuoso, entre terrenos estratificados, até que 
fui dar a urna pequena pra9a, onde muros de terra limitavam o hori- 
zonte por todos os lados. 

Columnas abatidas, umas inteiras, outras em peda90s, architraves 
e capiteis jaziam espalhados aqui e acolà. Era o sitio onde se erguia 
outr'ora um theatro romano. 

No ampfaitheatro, de marmore de corea, mais ou menos conservado, 
havia urna inscripgao que permittia fazer ascender a sua antiguidade 
ao anno 57 do nascimento de Christo. Era consagrada a Nero por 
um sacerdote augustano, chamado Caius Heius Primus, e continha 
uma enumera^ao dos titulos adoptados pelo imperador*. Sob um silen- 
cio de abandono, achava-me pois numa praga onde em tempos remotos, 
subditos da na9ao, que era soberana no mundo, se davam reuni3es 
para gozar os bellos prazeres da arte! Mas era apenas a sombra de 
antigas pompas o que se via nessas ruinas, que, depois de tantos se- 
culos occultas do olhar dos homens, comegavam agora a surgir de 
novo numa luz duvidosa. A adulaglo em louvor do mais abominavel 
tyranno da terra, estava ali orgulhosamente perpetuada naquella lisonja 
lapidar. A inscrip9ào comtudo era mais simples do que muitas outras 
de seculos posteriores em honra de principes fracos ou tyrannos, e que 
celebravam virtudes que elles nao tinham, em contraste flagrante com 
OS vicios, que formavam o tra9o principal do seu caracter». 

(Diario de Noticias, de 29 de Novembre de 1906. TraducfSo do sueco por 
Antonio Feijó das Viagens em Portvgal, 1798-1802, de C. J. Ruders). 

Fedro A. de Azevedo. 

II 

S«pultura8 de Alforada 

Segundo uma informa9lk> do Sr. Cayeux, funccionario do Jardim da 
Escola Polytechnica, transmittida ao Museu Etimologico pelo Sr. Paul 
Choffat, consta que numa propriedade -do Sr. Conde da Ervedeira, 
junto a estrada de Reguengos, perto da Vendinha, monte de Alforada, 
a explora9So de uma pedreira oceasionou o acharem-se, ha quatro ou 
eìnco annos, algumas sepulturas formadas por lousas, e com esqueletos 
dentro. Podem ver-se ainda no logar algumas lousas. Nao se encontrou 
objecto algum. Parece que tambem se encontraram galerias de esque- 
letos qua se consideram romanos. (1906). 

F. A. P. 



1 [Cf. Corp, Inscr. Lai., ii, 183]. 



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104 O Archeologo Portuqcés 

III 
ÀBsInar de cruz 

Era costume outr^ora asshuirem de cruz nos documentos officiaes 
OS individuos ^ue nào sabiam escrever. Hoje esse costume està em 
decadencia, posto que eu o tenho observado bastantes vezes. D'ahi 
vem que se le em Moraes, Dice, da Ling, Pori,, s. v.: aassinar de 
jfcruz dizemos que o faz o membro de alguma corporacSo, ou contrato, 
eque por ignorante, ou deferente e subserviente, faz quanto querem 
j>d'elle, e nSo tem voto seu». 

A regra hoje é quem escreve o documento fazer nm trajo horizontal 
entre os dois nomes da pessoa que assina, por ex.: Manoel — Dias; 
t' està depois completar a cruz : Manoel -\- Dias. 

Num manuscrito de 1582-1583, muito roto e estragado, perten- 
i^ente à Misericordia de GuimarSes, encontram-se os seguintes sinaes 
no meio dos nomes de pessoas que nSo sabiam escrever: 



1)+ ^f^ 



2) 



3) 




^ 



No prlmeiro exemplo vemos slmplesmente cruzes, embora cada 
urna de sua fórma. No segundo està uma cruz inserita em um circulo. 
No terceiro figura um signum-Salomonis, que para o povo tem pouco 
mais ou menos o mesmo valor religioso que a cruz *. 

J. L. DE V. 
IV 

Nero additamento à noticia ueGrologrica do Dn Teixeira de Aragito 

(Vid. O Arch. Poh., xi, 253) 

Por indicafSo do Sr. Annibal Fernandes Thomas, encontrei no Al- 
manach Arsejas mais os seguintes artigos do Dr. Teixeira de Aragào : 

a) Diabo e a sua corte: Almanach de 1877, p. 49 sqq. ; 
ò) Typos historicos: Almanach de 1878, p. 51 sqq. 



* Iato que dìgo póde tambem verificar-se nos amuletos, onde a cruz alterna 
cf)in sino-saimflo. 



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O Archeologo Pobtugués 105 

Estes dois artigos foram, comò verifiquei, aproveitados depois por 
Aragào no seu livro Diabruras, Santidades e Propkecias, Lisboa 1894, 
pp. 11 sqq. e 42 sqq, e pp. 133 sqq. e 147 sqq. Tratam de supersti- 
9oes populares, e dos prophetas do sec. xvi, Bandarra e SimSo Gomes, 

J. L. DE V. 



AcquisigSes do Museu Etimologico Portugués 

Fefereiro de 1V06 

O Sr. Fedro Ferreira offereceu vinte e tres moedas indo-portu- 
guesas e um pataco de louga. 

A Sr.* D. Maria Guilherniina de Jesus offereceu nove moedas 
bysantinas, de cobre. 

O Sr. Fedro de Azevedo offereceu dois machados de pedra da fre- 
gaesìa de Lousa, concelho de Loures, e outro da freguesia de S. Ma- 
mede da Ventosa, concelho de Torres Vedras. 

O Sr. Jf. Gualdino Pires offereceu um machadinho de serpentina. 

O Sr. Francisco Sìmoes offereceu urna tegula, quasi inteira. 

O Sr. Dionisio Angusto offereceu um machado de pedra de Cida- 
delhe, concelho de Pinhel. 

O Rev.^^ Manoel Soares da Silva offereceu duas lapides romanas. 

O Sr. Director do Museu adquiriu os seguintes objectos: 

Duas moedas de prata do, continente do reino e urna rupia da 
India portuguesa; 116 pergaminhos, soltos, dos sec. xiv, xv e xvi; 
20 documentos, escritos em papel, dos sec. xvi e xvu; ciuco livros ma- 
nuseritos, dos mesmos seculos; um ma90 de documentos do sec. xvi; 
e tres machados de pedra e um de bronzo, por intervengào do Sr. Jaime 
Leite de Yasconcellos Fereira de M elio. 

O Sr. Dr. Felix Alves Fereira, officiai do Museu, adquiriu os se- 
guintes objectos, de Arcos de Val de Vez: 

Modelos de tallo, de tear, de lagar, de espigueiro e de arado sem 
rodas (cabrita) ; um modelo de armario de cozinha minhota, e uma car- 
ranca de pedra de epoca portuguesa. 

Obtive em um Icilio quinze moedas in4o-portuguesas de prata e co- 
bre, uma das quaes, atùl de Diu, do tempo de D. Fedro II, é muito rara. 

Mar^o de 1906 

Sr. Mario Abren Marques offereceu dois machados de pedra. 
Sr. Manoel Fernandes Junior offereceu uma langa de bronze. 



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106 O Aecheoloqo Pobtdouès 

O Sr. Antonio Thomas Pires ofFereceu urna ronca alemtejana. 

O Sr. Dr. Artur Lamas ofFereceu duas dobadouras antigas, diffe- 
rentes urna da outra. 

O 8r. José Benedite de Almeida Pessanha offereceu urna ara de- 
<lieafla a Jupiter (Co»y. Inscr. Lat., il, 2476). Vi/' l.X^L 

Sr. Dr. Antonio Pereira de Sonsa oflfereceu iim jarro de ma- 
dt^^ira, antigo. 

O Sr. José Angusto Coelho Fior offereceu urna lapide com ins- 
tTÌpc;ao latina. 

(j Sr. Director do Museii obteve varias gravuras antigas e um 
objeoto cordiforme de bronze. 

Oliti ve, por compra, urna serie de pesos de ferro, antigos, e um 
pt'su de 10 taeis, de Macau, com duas marcas chinesas. 

Abril de 1900 

CI Sr. Joaquim Correla Baptista offereceu dois palmitos e urna 
httfjftf'fij para trazer o podao. 

i ) 8r. Fernando de Assis Pacheco offereceu as seguintes armas 
^"-entìlicas do interior de Benguela: duas azagaias; um pente oma- 
mf lUado; dois amuletos de chifre; uma boceta para rapè com o moi- 
ehe tj ura punhal, objectos de trazer à cinta. 

Sr. Antonio Bernardo da Costa offereceu uma cruz com embu- 
tldos de madreperola e quatro facas africanas, de pan, com as respec- 
tivas bainhas. 

Sr. Dr. Manoel Mateus e o Sr. Harris offereceram uma fibula 
romaua e um simpulum de bronze, um vaso de barro com mamillos 
e litro com duas asas, tambem romanos. 

O Sr. Pedro Ferreira offereceu uma moeda romana imperatoria, 
de prata. 

A Sr.* D. Maria Guilhermina de Jesus offereceu: dez medalhas 
purtii^^uesas de cobre; trinta e uma moedas de prata, quarenta e duas 
do bnlh3o e tres de cobre, portuguesas. 

( > Sr. Cesar Pires offereceu varias lascas de silex e um fragmento 
de pintura a ocre, que provieram da gruta de Altamira de Santilhana 
( Hei^panha). 

O Sr. Conselheiro Manoel F. de Yargas offereceu um machado de 
brruize, cuja lithographia foi publicada n Arch, Port,, vili, 136. 

{) Sr. Dr. Tito de Xoronha offereceu um machado e um martelo 
d»^ p«'di'a. 

8r. Alberto Celiaco offereceu os tres volumes da obra numisma- 



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I 



O Archeologo Portcgués 107 

tica de Teìxeira de AragEo, tres mocas africanas e um ganSz de ma> 
deira, da India portuguesa. 

O Sr. Leao de Meyrelles offereceu doìs vasos e urna langa de eobre. 

O Sr. Antonio Thomas Pires o£fereeeu urna medalha, de latSo, com 
a Cruz de Avis. 

O Sr. Christovam Brochado offereceu um machado de pedra, da 
fieira, um instrumento de ferro, antigo, duas moedas romanas e va- 
rios instrumentos de musica e brinquedos infantis. 

O Sr. Director do Museu obteve numa excursào os seguintes ob- 
jectos: Um Manual dos confessore», do sec. xvi; um manuscrito do 
Conde de Castello Melhor; uma folhinha bracarense; duas aguias de 
metal; um par de castanholas de buxo; dois apitos de chavelho; dois 
pioes e um rapa, de buxo; alguns centenares de pequenos bronzes 
romanos, bem conservados na maior parte; dois aneis de ferro; um 
lencinho com versos; uma cruz metallica, em fórma de cruz de Avis, 
do sec. XV, ou do xvi; cince moedas ie pataco e uma de vintem; uma 
tigelinha ou escudela, de pau; petrechos para caga aos pombos; duas 
teimosas (brinquedos) e uma taramela. 

De diversas proveniencias obteve o mesmo senhor: uma lapide ro- 
mana; um copo de chifrè; um amuleto; um bacamarte antigo; dois 
livros com encadernagoes antigas; ciuco lapides romanas, do Norte; 
dois pondera de barro; uma chapa de aguadeiro, de Lisboa; treze 
machados de pedra, da Estremadura ; tres pesos de barro prehistoricos 
e um caco ornamentado, tambem preistorico; um objecto de marcar 
dece; nove figurinhas de barro, que representam trajos portugueses; 
uma estampa pintada em pergaminho; duas figurìnhas de marfim, an- 
tigas, e setenta armas dos indigenas da Africa portuguesa : azagaias, 
langas, punhaes, espadas, travesseiros e um tambor. Por compra ad- 
quiriu tambem os vinte braceletes de euro, cuja photographia vem in 
Portugalia, II, 63-71. 

Sr. Jaime Leite enviou os seguintes objectos: um escopro e uma 
cunha de bronzo; quatro machados e duas langas de bronzo; uma fi- 
gurinha de chumbo, colorida; sete machados de pedra; um ceitil de 
D. Affonso V e um meio-real de 10 soldos de D. JoSo I. 

Obteve-se uma figura marmorea romana, que representa Hercules 
deitado sobre a pelle de leSo (provém da antiga Olisipo). 

Maio de 1906 

Sr. Domingos de ]llendon<2a e Silva offereceu uma insignia de 
bronze; uma langa romana e quatro machados de pedra. 



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108 O Archeologo Portdgués 

O Sr. José Julìo de Mascareuhas offereceu um machado de pedra. 

O Sr. José Fraucìsco Villana offereceu um machadinho (raspador); 
um cajado e um pau de cavalleiro. 

Sr. José Paulo offereceu um tinteiro de louga. 

Sr. Jaime Leite de Vasconcellos Pereira de Mello offereceu urna 
m<?tlida de oitava, de pau, e um peso antigo, de bronze. 

Sr. José Serafim dos Reis offereceu um machado de pedra. 

Sr. Antonio Maria Garcia offereceu dois machados de pedra e 
um co58oiro de barro. 

Sr. Conselheiro Augusto José da Cunha offereceu um exemplar 
da medalha de cobre, que os empregados da Casa da Moeda Ihe dedi- 
earam. 

O Sr. Mario Abreu Marques offereceu um machado de pedra. 

O Sr. Adelino Bahia offereceu dois machados de pedra. 

Offereci urna pataca cunhada em 1751 no Rio de Janeiro. 

U Sr. Director do Museu obteve em urna excursSo os seguintes 
nìl^j1 clos: oito machados de pedra; uma imagem de pau e outra de 
l>arro^ pintadas; um quartilho de barro; varias moedas, veronicas e 
amiilatos; tres bicos de escamisar; um agulheiro lavrado; cincoenta 
e um iastrumentos da idade da pedra. 

De varias proveniencias adquirlu o mesmo senhor os seguintes ob- 
jectos: Mm pondus de barro; varios objectos ethnographicos da actuali- 
ilade; dois machados prehistoricos de pedra, do concelho de Alcoba9a; 
um quadro de vidro que representa um santo; um vaso de vidro; 
varios azulejos hispano-arabicos ; uma moeda de curo visigotica do 
n/i Leovigildo; oito azulejos portugueses, antigos; duas medalhas e 
urna moeda de cobre, portuguesas; varios manuscritos e niusicas an- 
tifras- uma bengala antiga; uma moca e uma verdasca; uma eaixa 
ilr cbavelho, antiga; tres moedas imperiaes romanas, de cobre, e uma 
(mia africana. 

Junho de 1906 

Sr. Francisco Maximiano Freire offereceu um buie, um traves- 

seiro e um polvorinho, de madeira, dos indigenas da Africa portuguesa. 

O Sr. Joaquim Antonio Rosado offereceu uma azeitoneira alem- 

O Sr. Dr. Sousa Viterbo offereceu um machado de pedra, achado 
no Sanatorio da Covilha. 

Obtiveram-se os seguintes objectos: uma fibula de arco, de bronze; 
urna espada de antenas; um ferro de langa, vergado, e um freio de 

ferro. 







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O Archeologo Portugués 109 

O Sr. Director do Miiseu adqairìu, por compra, os seguintes ob- 
jectos: um par de castigaes de folha de ferro, antigos; iim anel de 
unha da gran-beata, amuleto de cobre; um sinete de cabo de marfim 
com armas episcopaes; dois botSes, antigos, com pintura de paisagens 
e ca9adores ; urna veronica de Nossa Senhora da ConceiQào ; a imagem 
de Santo Amaro dentro de moldura com fundo vermelho resguardada 
por um vidro, para ser suspensa; o busto de D. Miguel calcado em 
chapa de latSo, o qual parece ter ornamentado a tampa de urna caixa 
de rapè; um real prete de D. Affonos Ve urna moeda de 40 réis (pa- 
taco) de 1826; um livro, manuscrito, com capa de pergaminho, que 
trata de assuntos religiosos, principalmente confìssSes, cujo encerra- 
mento foi feito era 1603; um catalogo de musicos portugueses com letra 
mannscrita do sec. xvui, ou primeiro quarteldo seguinte, encadernado; 
um jogo do gamào com tabulas, copos e dados de marfim, completo; 
duas medidas de barro e um machado de pedra do concelho de Obìdos; 
tres fusos de fiar e dois de torcer; um machado de bronze do concelho de 
Oaldas da Rainha; um varapau ferrado (cacete); urna roca de fiar com 
inscripfao amorosa; dois quadros religiosos de pendurar na parede; 
tres sereias, um Zé Povinko e outros objectos de barro (rouxinoes); 
um pifano de barro; uma forquiiha para trazer na mào; um perfumador 
de barro vermelho, um barrii e uma bilha de barro, vidrados (louga 
moderna de Mafra); papeis com sortes do S. Joào e S. Fedro (ora- 
culos); figuras de barro (gaiteiro, mulher que toca pandeiro); corayao 
de Santo Antonio; brinquedo infantil do moinho de vento; flores de 
pape] com sortes (oraculos); gaitas de barro e lata; uma boquilha de 
ambar, com caixa; um piào. 

O Sr. Dr. Felix Aires Pereira obteve os seguintes objectos: tres 
grandes livros de cantochSo encademados em coirò com ferragens 
(dois de pergaminho e um de papel, que eram de estantes de coro 
conventual); um livro com ephemerides de obitos, encadernado; um 
barre te que os frades deixaram na sacristia de um convento em 1833 
e que ali se conservou occulto num gavetao ; uma quartela de madeira 
para servigo de uma confraria. 

O Sr. Director do Museu, numa excursSo, obteve os objectos se- 
guintes: uma telha com a data de 1700; um amuleto, semi-lunar, feito 
de uma moeda de cobre; uma moeda romana e um conto para contar, 
com furos (amuletos); outro conto para contar, sem furo; um sinete 
de marfim, com figuras, e outro de metal; um botSo de prata e varias 
meudezas metallieas; uma figurinha de marfim com as maos postas; 
um sello de chumbo com cruz e espada; uma medalhinha encastoada 
era prata; uraa raedalha com a inscripgao ao merito; uma medida 



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110 O Archeologo Portugués 

para liquidos (canada?); urna chocolateira de barro com tampa; um 
espelho de porta, antigo; dois testos de barro, antigos, concavos, com 
botalo centrai para péga; um aznlejo com a data de 1640 (data bem 
memoravel); treze machados de pedra polida e dois fragmentos de 
outros; um frasco antigo; um tacho de rabeta, do Redondo, e dois 
pesos antigos de bronze, portugueses. 

Julho de 1900 

O Sr. Joaqaìm Correia Baptista ofFereceu uma ronca (brinquedo 
infantil), um chocalho e materiaes para o fabrico dos mesmos. 

O Sr. Dr. Felix Aives Pereira, officiai do Museu, offereceu o manus- 
crito de um vocabulario, escrito pelo seu parente o Sr. Joaqnim Alves 
Pereira, que foi DeSo da Sé de Coimbra, e o manifesto imperiai de 
Maulei Abdallah, manuscrito arabe do anno de Jnmadi Tani de 1183. 

O Sr. Dr. Max Verworn offereceu ciuco machados de pedra e tres 
fragmentos de vasos de barro da civiliza9ao a que os allem3es chamam 
Bandkei'amik, isto é, ceramica com omatos em fórma de faxas. 

O Sr. Miguel Gomes offereceu um tinteiro-areeiro de lou^a antiga 
de Caldas da Rainha. 

O Rev.'*** ?.• Leal offereceu um sello de chumbo com a cruz de 
Avis; um dedal de bronze, antigo; um anel de ferro; um amuleto de 
chumbo com o sino-saimlo gravado; treze ceitis e outras moedas an- 
tigas de cobre; e uma placa prehistorica de lousa. 

O Sr.Tiago Floriano offereceu tres machados prehistoricos de pedra. 

O Sr. Joaquim Kuues da Cuiiha offereceu um anel, que parece sor 
do sec. XIV ou xv. 

O Sr. CapitSo Marques da Costa offereceu o modelo de um vaso 
prehistorico do castro da Rotura. 

O Sr. Director do Museu adquiriu numa excursSo os seguintes 
objectos: uma imagem de marfim, que representa aVirgem; uma pla- 
quinha de chumbo rectangular, prehistorica, com um furo em cada 
extremidade, encontrada entre a Rolifa e a Columbeira; dezasete ma- 
chados de pedra, inteiros; duas placas de lousa; placa e meia de pi- 
garra e uma faca de silex, provenientes da gruta da Amoreira; dez 
machados de pedra de diversos logares; dois pergaminhos do sec. xviii 
(carta de bacharel e de familiar do Santo Officio), e uma fita de curo 
(diadema preromano?). 

O mesmo Sr. Director obteve em Setubal um^ conto para contar, 
do tempo de D. Joào III; uma tabaqueìra de lata; uma cafeteira de 
barro preto e um cestinho rendado. 



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O Archeologo Poetdgués 111 

De diversas proveniencias tambem obteve, por compra, o segainte: 
tres manuscritoB e varios livros avulsos; urna haste metallica; um bi- 
Ihete de visita, antigo, qae tem impresso o nome de e Antonio Ignacio 
Coelho de Moraes»; um sello antigo de latSo; urna moeda de bronze 
de AeliasVerus; ama medalha escolar, de latto; um conto para con- 
tar, do tempo de D. JoSo I, cunhado no Porto, extremamente raro 
e muito bem conservado, e entro de D. Joao III; um pergaminho por- 
tugués e varios papeis mss.; um ritual de cantochio, antigo, manus- 
crito; noventa azulejos arabes e mosarabes; treze instrumentos de pe- 
dra polida, prehistoricos, do concelho de Elvas; um botto antigo com 
carro do sol; um brasto de armas de casa fidalga portuguesa, de 
marmore; quatro livrinhos com encadema95es antigas; varios folhetos 
de litteratura de cordel; uma suspensto para candieiros, tres mocas, 
urna bengala, um banco de cortÌ9a e um copeiro; um capacete de aQO 
do sec. XVII ; dois jogos indianos, e os seguintes objectos da Africa 
portuguesa, fabricados de madeira: uma grande caneca com asa; um 
travesseiro; duas banquinhas, do Bailundo; uma concha para tirar 
agua; dois pratinhos; um prato com asa; uma colhér grande, enfei- 
tada; um copo com colhér junta; quatro pentes; um cachimbo; um 
celiar de dentes de macaco, de S. Thoraé; uma terrina; uma cabala 
grande, enfeitada; urna colherinha; dois pentes de tartaruga; uma ca- 
bacinha; seis milongos (bentinhos do pescogo), e um agnlheiro, de 
S.Thomé; duas caba^as e dois manipauQOS. 

O Sr. Bernardo Antonio de Sé, na exploragto que fez a S. Ma- 
mede de Obidos, obteve muitos objectos prehistoricos de pedra, barro 
e alguns de bronze, e cranios da gruta da Amieira. 

O Sr. José de Almeida Carvalhaes, collector-preparador do Museu, 
obteve da regiào de MarvSo o seguinte: dois objectos de barro ponde- 
riformes com quatro furos, prehistoricos; um fragmento de objecto de 
barro, curvo, com furo; uma esferazinha de pedra e duas placas de 
lousa, ornamentadas, e metade de outra. 

Manoel Joaquim de Campos. 



Onomastico medieval portugués 

(Coatinnafào. Vid. o Arch. Pori., ix, 302) 

Lucidìus, n. h., 922. L. Prete. Dipi. 16.— Id. 195. 
Lucidlz, app. h., 919. Doc. most. Lorvao. Dipi. 15, n.^ 22. 
Lucido, n. h., 922. L. Prete. Dipi. 16.— Id. 67. 



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112 O Archeologo Portugués 

Lucidus, n. h., 911. Dipi. 12, n.'^ 17.— Id. 190. 
Lucifel, app. h., 1258. Inq. 392, 1.* ci. 
Luqifer, app. h., sec. xv. S. 344. — Inq. 386, 1.* ci. 
-Luciti, app. h., 924. L. Prete. Dipi. 18.— Id. 181. 
Luco, lì. h., 1064. Dog. most. VairSo. Dipi. 275.— Id. 62. 
Lucricia (Sancta), geogr., 1220. Inq. 14, 2.* ci. 
Lucudus, n. h., 1040. Dipi. 190. 
Ludeiro, geogr., 1258. Inq. 690, 2.* ci. 
Ludeiroo, geogr., 1220. Inq. 144, 1.* ci. 
Lugerges, geogr., 1258. Inq. 594, 2.* ci. 
Lngrice (Sancta), geogr., 1258. Inq. 323, 1.* ci. 
Lugricia. Vide Logricia. 

Luifrei e Loifrei, geogr., 1220. Inq. 152, 2.* ci. 
Luifpey, geogr., 1258. Inq. 628, 2.* ci. 
Luilas (casal de), geogr., 1258. Inq. 669, 2.* ci. 
Luiriz, geogr. (?), 1220. Inq. 39, 1.* ci. 
Luis, n. h., sec. xv. S. 288. — Id. 359. 
Lula, n. h. (?), 1258. Inq. 644, 2.* ci. 
Lumbela, geogr., 1258. Inq. 734, 2.* ci. 

Luinbello (mamola de), geogr., 1047. Doc. most. Moreira. Dipi. 216. 
Lumbu, geogr., 1258. Inq. 312, 1.* ci. 
Lumece, app. m., 1089. L. Prete. Dipi. 430. 
Lumeeiras (Bouzas das), geogr., 1258. Inq. 330, 2.* ci. 
Luneta, castro, 1072. Doc. most. Gra9a. Dipi. 309. — Inq. 519. 
Luou (cortinal de), geogr., 1258. Inq. 405, 2.* ci. 
Lupa, n. m., 1089. L. Preto. Dipi. 434, n.° 725.— Id. 240. 
Luparia, geogr., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138.— Inq. 727. 
Luparie, n. h., 1039. L. Prete. Dipi. 186. 
Lupelis, app. h., 1033. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 170." 
Lupelliz, app. h., 1041. L. Prete. Dipi. 195. 
Lnpon, n. h., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9. 
Luppe, n. h. (?), 1058. L. D. Mum. Dipi. 249, 1. 27. 
Luriz, geogr., 1220. Inq. 39, l.* ci. 
Lurzaua, villa, 1097. Doc. most. LorvSo. Dipi. 503. 
Luseucias, geogr., 1258. Inq. 679, 2.* ci. 
Luseiiza, geogr., 1258. Inq. 641, 1.* ci. 
Lusidio, n. h., 995. Dee. most. Gra9a. Dipi. 109. 
Lusiis, n. h. (?), 1258. Inq. 538, 1.* ci, 
Lusie, geogr., 1258. Inq. 373, 2.* ci.— Id. 375. 
Luso, villa, Era 1102. L. Preto. Dipi. 277. 
Lustri, n. h. (?), 867-912. L. Preto. Dipi. 3. 



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O Archeologo Portugués 113 

Lusy^ geogr. 1258. Inq. 583, 1.* ci. 

Latreda, geogr., 1084. Doc. most. Ave-Maria, Dipi. 377. 

Luz, app. h., 995. L. Preto. Dipi. 107.— Id. 216. 

LuzeUos, geogr., 1193. Doc. do Elucid. de Vit., 2.*, p. 28, 1.* ci. 

Luzi, app. h., 1074. Doc. most. Gra9a. Dipi. 318.— Id. 407. 

Lazido, n. h., 1034.T(Mnbo S. S. J. Dipi. 174.— Id, 205. 

Luzo, app. h., 1220. Inq. 193, 2.» ci.— Id. 48. 

Luzrici, geogr., 1080. Doc. most. Qraga. Dipi. 350. 

Luzso, n. h., 1085. Tombo S. S. J. Dipi. 387. 

Luzu, app. h., 1087. Dipi. 407, K 3. 

Lvcidus, n. h. 915. L. Preto. Dipi. 14. 

Lyuarelo, geogr., 1258. Inq. 438, 2.* ci. 

Maa, app. m., 1258. Inq. 294, 2.* ci. 

Haadino e Maadio, app. h., 1220. Inq. 115, 1.* ci. 

Maado, geogr., 1258. Inq. 361, 1.* ci. 

Alaadoes e Madoes, geogr., 1258. Inq. 563, 1.^ ci. 

Maagoyra^ geogr., 1257. For. Codessaes. Leg. 675. 

Maagoza, geogr., 1220. Inq. 40, 2.* ci. 

Maaguìroos, rio, 1212. For. Canedo. Leg. 561. 

Maaldi, geogr., 1258. Inq. 429, 2.* ci. 

Màaos, app. h., sec. XV. S. 303. 

Maaosedas, geogr., 1258. Inq. 738, 1.* ci. 

Maarda, app. h., 1258. Inq. 308, 2.* ci. 

Maarigas, geogr., 1258. Inq. 698, 2.* ci. 

Maapiz, geogr., 1220. Inq. 328, 1.* ci.— Id. 27 e 104. 

Maaauia, app. h., 1018 (?). Doc. most. Lorvlo. Dipi. 149. 

Maazedo, geogr., 1258. Inq. 369, 1.* eh 

Maazos (Portela de), geogr., 1258. Inq. 343, 2.* ci. 

Macada, geogr., sec. xv. S. 346. 

Macadi, geogr., 1258. Inq. 340, 1.* ci. 

Macaeira, geogr., sec. xra. For. Mós. Leg. 391, 1. 25. 

Maea-madeira, app. h., sec. xv. S. 183, — Id. 340. 

Haeauede, app. h., sec. xiii (?). Figanière, Mem. das R. de Portugal, 

f. 247. 
Macanedo, geogr., sec. xv. S. 272. 

Macaneira, villa, 1079 (?). Doc. most. Pedroso. Dipi. 343. 
Maceeipa (S.^** Leocadia de), geogr., 1220. Inq. 195, 2.* ci. -Id. 305. 
Maceeiro, geogr., 1258. Inq. 412, 2.* ci. 

8 



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114 O Archeologo Portogués 



VMF1 



Maceeyra, app. h., sec. xv. S. 284. 

Macenarìa, geogr., 1080. Doc. most. Pendorada. Dipi. 349. — Inq. 
723. 

Maceyras, app. h., sec. xv. S. 284. 

Machados, app. h., 1258. Inq. 375, 1.* ci. —Rio, 1258. Leg. 679. 

Machanaria e Machenaria, geogr., 1055-1065. For. Paredes. Leg. 
347. 

Machido, ribeiro, 1258. Inq. 512, 1.» ci. 

Machoo, n. h., 1258. Inq. 482, 1.* ci. 

Machos (Semedeyro de), geogr., 1270. For. Villa VÌ9osa. Leg. 717. 

Macìa, app. h., sec. xv. S. 210. 

Ma^ia, app. h., sec. xv. S. 303.— Id. 350. 

Maciel, n. h., 1258. Inq. 359, 1.* ci. 

Macofinis, geogr., 1258. Inq. 459, 1.* ci. 

Macota, app. m., 1258. Inq. 678, 1.* ci. 

Madanella, n. m., sec. xv. S. 323. 

Maderau, geogr., 1258. Inq. 428, 2.* ci. 

Madia, app. h., 1258. Inq. 593, 2.* ci.— Id. 480. 

Madìnì, Mandim e Moudini, g^ogr., 1220. Inq. 35, l.'^ e 2.^ ci. 

Madoes. Vide Maadoes. 

Madorro de Spiido. Vide Spiido, 

Madrebona e Madre Bona, n. m., 1037.Tombo S. S. J. Dipi. 179.— 
Id. 215. 

Madrecella, app. m., 1078. Doc. most. Moreira. Dipi. 337. 

Madredona, app. m., 1078. Doc. most. Moreira. Dipi. 337. 

Madreona, app. m., 1092. Doc. most. Moreira. Dipi. 462. 

Madrona, n. m., 1041. L. Prete. Dipi. 194.— Id. 532.— Inq. 710. 

Madriam, geogr., 1258. Inq. 312, 1.* ci. 

Maduffo (Agro de), geogr., 1258. Inq. 690, 1.» ci. 

Mae boa, geogr. (?), 1258. Inq. 333, 2.* ci. 

Maede, serra, 1142. For. Leiria. Leg. 377, 1. 6. 

Maeli, geogr., 1258. Inq. 563, 1.* ci. 

Maes, geogr., 1258. Inq. 356, 2.* ci. 

Mafada (sancta), villa (?), 897. Doc. most. Pedroso. Dipi. 7, 1. 19. 

Mafalda, rainha, 1151. For. Loiisa. Leg. 378. 

Mafalde, rainha, 1186. For. Covilha. Leg. 456. 

Mafaldo, app. h., 1258. Inq. 347, 2.* ci.— Id. 396.— S. 145- 

Mafara (conto de), geogr., sec. xv. S. 253. 

Mafarraie e Meffarraie, app. h., 983. Dipi. 85. 

Maferrig, n. h., 1090. L. Preto. Dipi. 436. 

Maffalda, n. m., 1258. Inq. 480, 1.* ci.— Id. 543. 



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O Archeologo Pobtugués 115 

Maffomade, geogr., 1258. Inq. 723, 2.* ci. 

Mafnniutì, castro, 944. L. Preto. Dipi. 31. 

Magaliaes, geogr., 1258. Inq, 412, 2.* ci. 

Magana, geogr., 1258. Inq. 4-99, 1.* ci. 

Maganos, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 259, 1. 2. 

Magarafez, app. h., 1258. Inq. 738, 1.* ci. 

Magareffe, app. h., 1258. Inq. 720, 2.* ci. 

Magarla, geogr., 1258. Inq. 570, 1.* ci. 

Magarim, geogr., 1258. Inq. 372, 1.* ci. 

Magartido, geogr., 1258. Inq. 334, 2.* ci.— Id. 398. 

Magarza, app. h., 1258. Inq. 357, 1.* ci. 

Magas, app. h., 1115. Concilio Ovet. Leg. 140, 2.* ci. 

Magide, app. h., 1258. Inq. 731, 2.* ci. 

Magiom, app. h., 1258. Inq. 378, 1.* ci. 

Magnedo, geogr., 1258. Inq. 593, 1.* ci. 

Magnante, geogr., 1258. Inq. 303, 2.* ci. 

Magrelos (Portella de), geogr, 1068. Doc. most. Pendorada. Dipi. 

296. 
Magro, app. h., sec. xv. S. 162. 
Magrom, app. h., sec. XV. S. 339. 
Magadi, app. h., 1258. Inq. 550, 2.* ci. 
Magudo, app. h., sec. XV. S. 177. 

Magueja, geogr., 1346. Doc. do Elucìd. de Vit., ì.% p. 130, 1.* ci. 
Magnrrì, geogr., 1258. Inq. 730, 1.» ci. 
Mahalda, raìnha, 1151. For. Lous^. Leg. 378. 
Mahaldi, geogr., 1258. Inq. 502, 2.* ci. 
Mahalta. Vide Mahauta. 

Mahamudì, app. h., 976. Doc. most. Lorvao. Dipi. 74, n.® 117. 
Mahamudi, villa, 922. L. Preto. Dipi. 16.— Monte. Id. 97. 
Mahamut, monte, 990. L. Preto. Dipi. 99. 
Mahauta e Mahalta, rainfaa, 1151. For. LousS. Leg. 377. 
Mahaute. Vide Mafalda. 

Mahmatis, villa, 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32. 
Mahomad, n. h., 1018 (?). Doc. most. LorvSo. Dipi. 149. 
Mahomat, n. h., 968. Doc. ap. sec. xni. Dipi. 60. — Id. 143. 
Maia, geogr., 1097. Doc. most.Vairao. Dipi. 512. — Inq. 512. 
Mainedo, geogr., 1258. Inq. 543, 2.* ci. 
Maino, n. h., 1038. L. D. Mum. Dipi. 185. 
Maior, n. m., 1258. Inq. 497, 1.* ci. 
Maioreles, geogr., 1258. Inq. 597, 1,* ci. 
Maiorella, n. h., 927. Doc. most. Lorvao. Dipi. 20. 



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116 O Archeologo Portugués 

Maìorìna, n. m., 976. Doc. most. Lorvào. Dipi. 74, n.** 118. 
Maiopinu, n. h., 1013 (?). Dipi. 137. 
Maiorìnus, n. h., 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36. 
Maìoriz, app. h., 974. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 72. 
Malado, app. h., 1258. Inq. 347, 2.* ci. 

Maladoira ou Malhadoira (Petra), geogr., 1220. Inq. 13, 1.* ci. 
Maladou, n. h., 973. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 67. 
•Maladorìa, geogr., 1258. Inq. 690, 2.* ci. 

Malafaia, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.% p. 1.% C. 120. 
Mal burguete, app. h. (?), 1258. Inq. 367, 1.* ci. 
Mal Christiane (casal de), 1258. Inq. 352, 2.* ci. 
Maldoado, app. h., sec. xv. S. 226. 

Mal dorme, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr* D. J. 1.®, p. 2.*, C. 19. 
Maldrada, app. m., sec. xv. S. 155. 
Malecomedisti, geogr., 1270. For. Villa Vigosa. Leg. 717. 
Maledicte, app. m., 1258. Inq. 706, 2.* ci. 
Malespinha, n. m., sec. xv. S. 361. 
Maliadada, app. m., sec. xv. S. ? 

Malfadado e Mafaldo, app. h., sec. xv. S. 145. • 

Malfado, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.", p. 1.*, C. 43. 
Malho, app. h., sec. xv. S. 169. 
Malhóo, app. h., sec. xv. S. 349. 
Malie, n. h., 1016. Doc. most. LorvSo. Dipi. 143. 
Maliete, app. h., 1258. Inq. 386, 2.* ci. 
Malio, app. h., 1258. Inq. 376, 2.* ci. 

Mallatones, geogr., 985. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 93. — Id. 96. 
MaUio, app. h., 1258. Inq. 160, 1.* ci.— Id. 255. 
Mallis, villa, 897. Doc. most. Pedroso. Dipi. 8, 1. 8. 
Maloo, geogr., 1258. Inq. 730, 1.* ci. 
Maloquinici, app. h., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57. 
Malrrique, app. h., sec. xv. S. 274. 
Mameda, n. m., 1258. Inq. 321, 1.* ci. 

Mamede e Momede, app. h., 1220. Inq. 25, 2.* ci. — Id. 315. 
Mamedas, n. h., 1258. Inq. 315, 1.* ci. 
Mamelas, geogr., 1220. Inq. 78, 2.* ci. 
Maraoa, geogr., 1258. Inq. 338, 2.* ci.— Id. 440, 1.* ci. 
Mamoa negra, geogr., 1298. Doc. do Elucid. de Vit., 2.% p. 109, 

1.* ci. 
Mamoa rasa, geogr., 1020. L. Preto. Dipi. 152. 
Mamoas, geogr., 1258. Inq. 440, 1.* ci. 
Mamodoaa, n. m., 981. Doc. most. Lorvao. Dipi. 80. 



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Archeologo Pobtuqués 117 

Mamoella e llamoneUa, geogr., 1097. Dipi. 513. — Inq. 469. 

Mamola (Agro de), geogr., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57. 

Mamola cavata, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci. 

Mamola terrenia, geogr., 907. Doc. most. Lorvao. Dipi. 10. 

llamona (Coutum de), geogr., 1258. Inq. 646, 1.* ci. 

Mamona de bichi, geogr., 1258. Inq. 484, 1.* ci. 

Mamona petrosa, geogr., 1258. Inq. 488, 1.* ci. 

Mamona Sancti Romani de Cornado, villa, 1258. Inq. 511, 1.^ ci. 

MamoiieUam, geogr., 1098. Dipi. 518, 1. 18. 

Mamula, geogr., 1088. Doc. most. Moreira. Dipi. 422. 

Manancos, geogr., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35. 

Manareta (Casal da), 1258. Inq. 418, 2.'* ci. 

Manapiz, villa, 1258. Inq. 523, 1.^ ci. 

Mancarche e Mancarchino, geogr., 1272. Doc. do Elucid. de Vit., 2.°, 

p. 371, 2.* ci. 
Mancebo, app. h., 1258. Inq. 375, 2.* ci. 
Mancellus, geogr., sec. XV. S. 376. 
Mancelos, geogr., 1258. Inq. 200, 1.* ci.— Id. 61 e 243. 
Manci e Manzi, geogr. (?), 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9, 1. 17 

e 31. 
Mancius, n. h., 1159. For. Redinha. Leg. 386. 
Manco, app. h., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 230. 
Manco, n. h., sec. XV (?). For. Tomar. Leg. 401, 2.* ci. 
Mandamento, geogr., 1258. Inq. 683, 2.* ci. 
Mandan, n. h., 1077. Doc. most. Pedroso. Dipi. 334. 
Mandazoes, geogr., 1258. Inq. 399, 1.^ ci. 
Mandezom e Maudaqom, geogr., 1220. Inq. 11, 2.* ci. 
Mandim, geogr., 1220. Inq. 243, 2.* ci.— Id. 115. 
Mandin, villa, 1067. Doc. most. Moreira. Dipi. 284.— Id. 330. 
Mandinaz, app. h., 1097. L. Preto. Dipi. 506. 
Mandini, villa, 1013 (?). Dipi. 136, 1. 37. 

Mandiniz, app. h., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 230. — Id. 479. 
Mandinu, n. h., sec. xi. L. D. Mum. Dipi. 564. 
Mandinus, villa, 1258. Inq. 496, 2.* ci. 
Mandones, rio, 960. L. D. Mum. Dipi. 50, ult. 1. 
Maudraes, Mondraes e Mondiaes, geogr., 1220. Inq. 121, 2.^ ci. 
Manelli, app. h., 1115. Concilio Ovet. Leg. 141, 1.* ci. 
Manent, geogr., sec. xv. S. 359. 
Manenti (Cauto de), geogr., 1220. Inq. 18, 1.* ci. 
Manfredi, n. h., 1250. Leg. 185. 
Manga, geogr., 1258. Inq. 710, 1.* ci.— Id. 316 e 343. 



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118 O Archeologo Poetugués 

Mangas, gQOgr.^ 1258. Inq. 407, 1.* ci. 
Mangas de Moesendi, geogr., 1258. Inq. 370, 1.* ci. 
Mangiona, app. h., 1258. Inq. 324, 2.* ci. 
Maugoeiro, geogr., 1258. Inq. 373, 1.* ci. 
Mangpis, app. h., 1220. Inq. 83, 2.* ci. 
Mangudas, geogr., 1258. Inq. 514, 1.* ci. 
Mangunario, geogr. (?), 950. Doc. ap. sec. xill. Dipi. 35. 
Maiihaldi, villa, 1258. Inq. 484, 2.* ci.— Id. 505. 
'Maiiheiite, geogr., sec. xv. S. 168. 
Manho, n. h., sec. XV. S. 269. 

Manicius, n. h., 1174. For. Tornar. Leg. 401, 1.* ci. 
Manico (Cortina de), geogr., 1258. Inq. 587, 1.* ci. 
Manidiz, app. h., 1220. Inq. 147, 1.* ci. 
Maniedo, geogr., 1258. Inq. 608, 1.* ci. 
Manila, n. h., 927. Doc. most. Lorv^o. Dipi. 21. 
Manilani, n. h., 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36. — Id. 52. 
Manilla, n. h., 964. L. D. Mum. Dipi. 56.— Id. 135; 
Manilli, n. m., 1076. Doc. most. Pendorada. Dipi. 326. 
Manie, app. h., 1258. Inq. 354, 1.* ci. ^ 

Maniocco, fonte (?), 1054. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 239. 
Manioi, n. h., 964. L. Proto. Dipi. 55.— Id. 111. 
Maniom, app. h., 1258. Inq. 367, 1.* ci. 
Manioncellos, villa, 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. 
Maniozellos, villa, 1066. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283. 
Maniozi, villa, 1053 (?). L. Prete. Dipi. 235. 

Manialfiz, app. h., 1056. Doc. most. Pendorada. Dipi. 243. — Id. 285. 
Maniulfizi, app. h., 1047. Doc. most. Pendorada. Dipi. 219, n.° 358. 
Maniulfo, n. h., 1013. Dipi. 136.— Id. 160. 
Mankara, geogr. (?), 1044. Doc. most. Gra9a. Dipi. 204. 
Manno, n. h., 990. L. Proto. Dipi. 99. 
Manola (Casal de), geogr., 1258. Inq. 653, 2.* ci. 
Manos d^Agaia, app. h., sec. xv. S. 326. 
Manrrique, n. h., sec. XV. S. 254. 
Manrriqnez, app. h., sec. xv. S. 254. 
Mansara, geogr., 1258. Inq. 333, 2.* ci. 
Mansardega (Nevico de), geogr., 1258. Inq. 320, 2.* ci. 
Mansila, n. h. (?), 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, 1. 55. 
Mansion frigido, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 261. 
Manso, app. h., 1220. Inq. 5, 2.* ci.— Id. 196. 
Mansura, n. m., 967. L. Proto. Dipi. 58. 
Manteiga, app. m., 1258. Inq. 720, 2.* ci. — S. 156. 



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O Archeologo Portugués 119 

Mauteigae, app. m., 1258. Inq. 711, 1.^ ci. 

Mantel, geogr., 1258. Inq. 595, 1.^ ci. 

Mantelìna, geogr., 1162, For. Covas. Leg. 387. 

Hanieyga, app. m., 1258. laq. 713, 2.* ci. 

Mantila, n. h., 927. Doc. most. LorvXo. Dipi. 21.— Id. 28. 

Manualdi, villa, 994. L. Preto. Dipi. 106.— Id. 124. 

Manualdiz, app. h., 1019. L. Preto. Dipi. 190.— Id. 177. 

Mauualdus, n. h., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9. — Id. 25. 

Manuel, n. h., 984. Doc. most. Moreira. Dipi. 89. — Id. 101. 

Manuffos, geogr., 1258. Inq. 686, 2.* ci. 

Manilla (Agro de), geogr., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9, 1. 16. 

Manulfu, n. h., 937. Dipi. 26, n.*> 43. 

Manxoes e Moixoes, geogr., 1220. Inq. 51, 1.* ci. 

Manzi. Vide Manci. 

Manzor, n. h., 1056. Doc. most. Pendorada. Dipi. 243. 

Manzores, villa, 1068. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 293. — Id. 381. 

Manzoriz, app. h., 1087. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 410. 

Maoel, geogr., 1258. Inq. 305, 1.* ci. 

Maondo. Vide Meuendio. 

Maor, n. m., 1258. Inq. 347, 1.* ci.— Id. 423. 

Màos-d^aguia, app. h., sec. xv. S; 165. 

Maostina e Mayostìna, n. m., 1258. Inq. 355, 1.^ ci. 

Maquia, app. h., 1258. Inq. 705, 1.* ci. 

Maquias, geogr., 1258. Inq. 205, 2.* ci. 

Maram, geogr., 1258. Inq. 540, 1.* ci. 

Marauiz, app. h., 1258. Inq. 630, 2.* ci. 

Marano, geogr. (?), sec. xv. S. 182. 

Maranho, app. h., sec. XV. S. 254. 

Haranos (Casal de), geogr., 1220. Inq. 130, 1.* ci. 

Maraou, monte. Era 1154. Dissert. chron., t. 3.®, p. 68. 

Maranilha, app. h., sec. xv. S. 351. 

Maravila, app. h., 1258. Inq. 632, 1.* ci.— Id. 634. 

Mararilas, geogr., 1258. Inq. 632, 1.* ci. 

MaravUia, app. h., 1258. Inq. 617, 2.* ci. 

Maravirala, app. h., 1258. Inq. 423, 2.* ci. 

Marcela, n. m., 1043. Doc. most. Moreira. Dipi. 200. 

Marchao, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.^, p. 2.*, C. 21. 

Marcichol, n. h., 1258. Inq. 467, 1.* ci. 

Marcii, app. h., 1089 (?). Doc. most. Moreira. Dipi. 433. 

Marcum de Rna, geogr., 1258. Inq. 732, 1.^ ci. 

Marcus, n. h., 976. Doc. most. LorvSo. Dipi. 74. 



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■"^ 



120 Archeologo Portugués 

llarecos e Mereces, geogr., 1220. Inq, 112, 1.* ci. — Id. 163 e 186. 

Marecus, n. h., 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36. 

Marequiz, app. h., 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 413. — Id. 417. 

Mnretaes, geogr., 1258. Inq. 323, 2.* ci. 

llai^zes, geogr., 1258. Inq. 310, 1.* ci. 

Marezos, geogr., 1059. L. D. Miim. Dipi. 262, 1. 9. 

Maigaride, geogr., 1258. Inq. 735, 2.* ci. 

Margaridi, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 260, 1. 26. 

Margarita, n. m., 1258. Inq. 458, 2.* ci. 

Margariti, villa, 1021. L. D. Mum. Dipi. 153.— Id. 203. 

Margaida, n. m., sec. xv. S. 298.— Id. 382. 

Margayda, n. m., sec. XV. S. 265. 

Margedub, villa, 1087. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 409. 

Maria, geogr., 1258. Inq. 699, 2.* ci. — Santa Maria de Lamas, geogr., 

1)61. Dipi. 53. 
llariacha, app. m., sec. XV. S. 174. 
\larialba, castello, 1145. Elucid., 1.% p. 188, 1.* ci. 
.\larialva, villa. For. Marialva. Leg. 440. 
MaHame, n. m., 908. Doc. most. Moreira. Dipi. 11. 
Slariameiì, n. m., 907. Doc. most. Moreira. Dipi. 10. 
Mariaua, n. m., sec. XV. S. 152. 
ll^i'ianes, n. m., sec. xv. S. 165. 

Maria Vilida, geogr., sec. xii (?). Elucid., 2.^ p. 30, 2.* ci. 
Malie (Sancte), geogr., 870. L. D. Mum. Dipi. 3.— Id. 4 e 13. 
^larigo, n. h., 1008. L. Preto. Dipi. 125, n.« 204. 
Marim e Maxim, app. h., 1220. Inq. 28, 1.* ci.— Id. 106. 
Marina, n. m., 922. L. Preto. Dipi. 16. 
Marinas, geogr., 1258. Inq. 459, 2.* ci. 
Marinha, n. m., sec. XV. S. 212. 
Marinho, n. h., sec. xv. S. passim. 
Mariola (Casal de), geogr., 1258. Inq. 361, 1." ci. 
Mai-kiz, app. h., 1100. L. Preto. Dipi. 560. 
Matmam, app. h., 1258. Inq. 355, 2.* ci. 

Marmedeira e Marmeleira, geogr., 1151. For. LouzS. Leg. 377. 
Marmelar, geogr., sec. xv. S. 319. — Leg. 489. 
Mcirmeleira, geogr., 1018 (?). Doc. most. Lorvào. Dipi. 149. — Id. 07. 
Mai'nel, geogr., 1037-1065. L. Preto. Dipi. 279. — Inq. 306. 
Marnel, rio, sec. XV. S. 201, 1. 2. 

Maruele, cidade, 1095. Doc. most. Lorvao. Dipi. 488, n.** 819. 
Marnelle, geogr., 961. Doc. most. LorvJo. Dipi. 53. — Id. 444. 
Marnoti, app. h., 1220. Inq. 80, 1.^ ci. 



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O Archeologo Portugués 121 

Marnoto, app. h., 1220. Inq. 36, 1.* ci. — Id. 109 e 345. 

Marnotos^ villa, 1070. JDoc. most. Pendorada. Dipi. 304. 

Marnotos (Marco dos), geogr., 1258. Inq. 345, 2.* ci. 

Marqaes, app. h., sec. xv. S. 285. 

Marqaesa, n. m., sec. xv. S. 150. 

Harqueza, n. m., sec. xv. S. 176. 

Mapquiz, app. h., 1083. L. Preto. Dipi. 374.— Id. 157. 

Marquìzi, app. h., 1068. Doc. most. Moreira. Dipi. 292. 

Marra, geogr., 1098. Doc. most. Pendorada. Dipi. 527. — App. h., 

1220. Inq. 17, 2.* ci.— Id. 90. 
Marrafes e Marrefes, n. h. (?), 1220. Inq. 109, 1.* ci. 
Marrancos, geogr., 1220. Inq. 100, 2.* ci. — Id. 181. 
Marrao e Marrano, app. h., 1220. Inq. 130, 2.* ci.— Id. 346. 
Marroa, app. m., 1258. Inq. 346. 
Marrocos, geogr., 1258. Inq. 316, 1.* ci. 

Marroudos (porto de), geogr., 1083. L. Preto. Dipi. 374.— Id. 523. 
Marrandos (porto de), geogr., 1100. L. Preto. Dipi. 562. 
Martelus, n. h., 1220. Inq. 223, 1.* ci. 
Martiiiigos (Casaes dos), geogr., 1258. Inq. 361, l.*^ ci. 
Martiiz, app. h., 1272. Leg. 727. 

Martilom (Castellum de), geogr., 1258. Inq. 723, 2.* ci. 
Martim (Casale de), geogr., 1220. Inq. 9, 1.* ci.— Id. 88. 
Martini Correa, villa, sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.", p. 1.*, C. 79. 
Martin, n. h., 992. Doc. most. Lorv^o. Dipi. 102.— Id. 110. 
Martina, n. m., 989. Dipi. 98, n.« 157. 
Martinaes, villa, 1258. Inq. 485, 1.* ci. 
Martiiieiros, geogr., 1258. Inq. 682, 2.* ci. 
Martine!, n. h., 1220. Inq. 54, 2.* ci. — Id. 112 e 579. 
Martinici, app. h., 1037. L. Preto. Dipi. 181. 
Maptiniz, app. h., 1025. L. Preto. Dipi. 160.— Id. 307. 
Maruan, n. h., 998. Doc. most. Lorvao. Dipi. 110. — Id. 114. 
Mariianiz, àpp. h., 1076. Doc. most. Pendorada. Dipi. 328. 
Marnffi e Marufi, geogr., 1258. Inq. 333, 2.* ci. 
Maruuaniz, app. h., 1092. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 469. 
Marzal (Piga), geogr., 1258. Inq. 382, 2.* ci. 
Marzeli, app. h., 1258. Inq.. 634, 2.* ci. — Id. 629. 
Mascauio, rio, 1224. For. Mur^a. Leg. 600. 
Mascotelhos e Mazcotelis, geogr., 1220. Inq. 11, 2.* ci. 
Mascutellis, geogr., 1258. Inq. 705, 2.* ci. 
Maskinata, villa. 1066. Doc. most. Pendorada. Dipi. 282. 
Masoato, geogr., sec. xiii. For. Mós. Leg. 391, 1. 19. 



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122 O Archeologo Pobtugués 

Maspeayo, geogr., 1258. Inq. 595, 2.* ci. 

Massaiidinoin, geogr., 1258. Inq. 594, 1.^ ci. 

Masteiros^ geogr., 1258. Inq. 431, 2.* ci. 

Mastrolìos e Mastrulìos, geogr., 1258. Inq. 400. 

Mastudo, villa, 960. L. D. Mum. Dipi. 51, 1. 18. 

Maszanarie, geogr., 1258. Inq. 481, 2.' ci. 

Mata, geogr., sec. XV. S. 348. 

Mata Boi, geogr., 1258. Inq. 116, 1.* ci. 

Matados, rio (?), 1224. For. Cidadelhe. Leg. 599. 

Matamaa, geogr., 1220. Inq. 4, 2.^ ci. 

Mataniéla, villa, 1050. L. D. Mum. Dipi. 229.— Id. 252. 

Matan, n. h. (?), 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 230. 

Matancia, app. h., 1220. Inq. 43, 1.* ci.— Id. 191. 

Mata paloiubas, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. l.**, p. 1.*, 

C. 131. 
Mata vacas, geogr., 1258. Inq. 420, ].* ci. 
Mateira (Sancto ioanne de), villa, 1088. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 

241. 
Matelo, geogr., 1258. Inq. 317, 2.* ci. 
Materna, n. m., 867-912. L. Preto. Dipi. 3. 
Matesinis, geogr., 1258. Inq. 525, 2.* ci. 
Mateslnus, villa, 1032. L. Preto. Dipi. 167. 
Matheo, geogr., 1220. Inq. 8, 1.* ci. 
Matheus, n. h., 964. L. Preto. Dipi. 55. — Id. 48, 1. 8.— Geogr. 

Inq. 238. 
Matiiha, géogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.°, p. 2.*, C. 105. 
MatiUi, n. m., 1019. L. Preto. Dipi. 149. 
Matinhata, g^ogr., sec. xv. S. 344. 

Mato (Sancta Maria de), geogr., 1092-1098. L. Preto. Dipi. 531. 
Matoes, geogr., 1258. Inq. 582, 2.* ci. 
Mato malo, geogr., 1073. Doc. most. Moreira. Dipi. 313, 
Matos, geogr., 1258. Inq. 584, 2.* ci. 
Matraza, geogr. (?), sec. xi. L. D. Mum. Dipi. 563, 1. 44. 
Matreboua, n. m., 1028. Tombo S. S. J. Dipi. 163.— Id. 178. 
Matreodoua e Matreona, n. m., 1093. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 473. 
Matrioue, n. ra. (?), 1018. L. B. Ferr. Dipi. 147. 
Matrona, n. m., 1083. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 372. 
Matto (Sancta Maria de), geogr., 1085. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 382. 
Matucas (Casal de), geogr., 1258. Inq. 677, 2.* ci. 
Matul (pena), geogr., 1070. Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 301. — 

Id. 526. 



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O Archeologo Portugués 123 

Maium nnee, g^ogr., 1258. Inq. 595, 2.^ ci. 

Matns, villa, 1258. Inq. 527, 2.* ci. 

Matusini, villa, 1258. Inq. 467, 1.* d. 

Maucos, geogr., 1220. Inq. 81, 2.* ci. 

Mandalena, n. m., sec. xiii. Dqc. do Archeologo port., t. ix, p. 67. 

Maugadiz, app. h., 985. Doc. most. da Gra^a. Dipi. 92. 

Manmadomna, n. m., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 230. 

Maura, app. h., 1220. Inq. 27, 2.* ci. 

Mauraiz, app. h., 1220. Inq. 26, 2.* ci.— Id. 104. 

Mauram, n. h., 1008. L. Prato. Dipi. 125. 

Maura morta, g^ogr., 1258. Inq. 498, 1.* ci. 

Maurane, geogr., 1042 (?). Doc. most. Moreira. Dipi. 196. 

Mauranii, app. h., 1040. L. Preto. Dipi. 190.— Id. 296. 

Mauraz, monte, 981. Doc. most. Lorvao. Dipi. 80. 

Manrecatus, n. h., 935. Doc. most. LorvSo. Dipi. 25. 

Manregado, n. h., 1005. L. Preto. Dipi. 119. 

Maureli, geogr., 1220. Inq. 115, 1.* ci. 

Maurelici, app. h., 1037-1065. L. Preto. Dipi. 280. 

Maurelìo, Maurilio e Mourelio, app. h., 1220. Inq. 104, 1.* ci. 

Maureliz, app. h., 1016. L. Preto. Dipi. 141.— Id. 194. 

MaureUe, n. h., 946. Doc. most. LorvSLo. Dipi. 32. 

Maurelli, geogr. (?), 1008. L. D. Mum. Dipi. 123.— Id. 249. 

Maureuti, monte, 1080. Doc. most. Pendorada. Dipi. 355. — Id. 391, 

Maurgado, n. h., 991. Doc. most. VairSo. Dipi. 101. — Id. 246. 

Maurgayde, geogr., 1258. Inq. 582, 2.* ci. 

Mauri, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 261, 1. 5.— Id. 46 e 548. 

Maurieado, n. h., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57. 

Manricius, bispo conimbr., 1002. L. Preto. Dipi. 114. — Id. 411. 

Maurieos, campo, 967. Doc. most. LorvXo. Dipi. 59. 

Maurigo, n. h., 1002. Doc. most. Moreira. Dipi. 115. — Id. 122. 

Mauriguiz, app. b., 1037-1065. L. Preto. Dipi. 280. 

Maurilino, n. h., 1258. Inq. 306, 2.* ci. 

Maurini, n. h., 773 (?). L. Preto. Dipi. 1. 

Mauriniz, app. h., 773. L. Preto. Dipi. 1. 

Maurjsea (carraria), geogr., 953. Doc. coUeg. Guim. Dipi. 39, 1. 8. 

Mauriz e Mourìz (Quintana de), geogr., 1220. Inq. 18, 2.* ci. 

Manrize (Kasalle de), geogr., 907. Doc. most. Lorvao. Dipi. 10. 

Maarone, n. h., 922. L. Preto. Dipi. 16. 

Maurontani, villa, 1013 (?). Dipi. 137, 1. 3. 

Manselus, Maurelus, Mauselo e Maunelo, n. h., 1059. Dipi. 263. 

Mausi, geogr., 1258. Inq. 582, 1.* ci. 



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124 O Archeologo Portugués 

Mauzoos e Moucoos, villa, 1220. Inq. 40, 1.* ci. 

Mavaldi, app. h., 1220. Inq. 160, 1.* ci. 

Maxim. Vide Marìm. 

Maxitus, n. h., 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36. — Id. 410. 

Mayareles, geogr., 1258. Inq. 596, 2.* ci. 

Mayor, n. m., sec. xv. S. 273. 

Mayopaez, geogr., 1258. Inq. 373, 2.* ci. 

Mayostìna. Vide Maostina. 

Mayqui, geogr., 1258. Inq. 437, 2.* ci. 

Maza, app. h., 1220. Inq. 17, 2.* ci.— Id. 372.— Leg. 673. 

Mazaas^ geogr., 1258. Inq. 666, 1.* ci. 

Mazada, geogr., 1002. Doc. most. Lorv3o. Dipi. 116, 1. 2.— Inq. 42 

e 123. 
Mazadorìa, geogr., 944. L. Preto. Dipi. 31. 
Mazaedo, app. h., 1220. Inq. 91, l.^ ci.— Geogr., 1220. Inq. 18, 

1.^ ci. 
Mazaeira, Mazeìra e Mazeeira, geogr., 1220. Inq. 114, 1.* e 2.* ci. 
Mazaes, geogr., 1258. Inq. 589, 2.* ci. 

Mazanaria, villa, 991. Doc. most. Moreira. Dipi. 99.— Id. 70 e 106. 
Mazanario copozario, geogr., sec. xi. L. D. Mum. Dipi. 562, 1. 42. 
Mazaneda, villa, 1013 (?). Doc. most. Pedroso. Dipi. 134.— Id. 18 

e 235. 
Mazanedo e Mazaedo, geogr., 1258. Inq. 300, 2.* ci. 
Mazaneira, villa, 1072. Doc. most. Moreira. Dipi. 310. — Id. 196. 
Mazaueta, geogr., 1055. Doc. most. Pedroso. Dipi. 241. 
Mazaref e Ma^araf, app. h., 1220. Inq. 137, 2.* ci. 
Mazarefes, geogr., 1258. Inq. 315, 2.* ci. 
Mazarìa, geogr., 1077. Doc. most. Pedroso. Dipi. 334. 
Mazarros e Mozarros, geogr. (?), L. Preto. Dissert. chr., 4.°, pp. 175 

e 176. 
Mazas, villa, 1258. Inq. 609, 2.» ci. 
Mazcotelìs. Vide Mascotelhos. 

Mazegio, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, 1. 37. 
Mazenaria, villa, 1066. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283. 
Mazinata, geogr., 994. Doc. most. Moreira. Dipi. 106.— Id. 304 e 334, 
Mazocos, geogr., 1258. Inq. 584, 2.* ci. 
Mazorra (quintana de), geogr., 1258. Inq. 645, 2.* ci. 
Mazugìlzì, app. h., sec. xii. L. D. Mum. Dipi. 7. 
Mealha, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 2.% C. 47. 



1 



(Coìitinùa). 



A. A. Cortes AO. 



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O Archeologo Portugués 125 



Olipoiiioa 

Nas vesperas da abertnra do Congresso de Medicina (1906) recebeu 
Museu Ethnologico a visita officiai de S. Ex.* o Ministro dàs Obras 
Publicas, Sr. Conselheiro Pereira dos Santos, que veio acompanhado 
dos Srs. Conselheiros Severiano Monteiro, Director Geral Interino das 
Obras Publicas e Minas, e Costa Couraga, Chefe da 1.* RepartigSo da 
DirecjSo Geral. 

O Museu esteve patente aos Membros do Congresso de Medicina, 
que visitaram em grande nùmero (nacionaes e estrangeiros). A secgao 
de Physiologia do mesmo Congresso visitou-o officialmente. 

# 

Durante as festas que em Junho de 1906 se realizaram em Lisboa 
foi o Museu aberto ao publico, e muito concorrido. Por essa occasiao 
publieou-se, era folheto de quatro paginas, o seguiate: 

Plano sainmario do Musen Ethnologico Portugnès 

Este Museu, onde se expoem methodicamente elementos materiaes para que 
se estude e conhe^a a vida do povo portugués, consta de tres sec^Ses principaes : 
Archeologia, Etbnographia e Anthropologìa ; e de duas subsidiarias: secQào co- 
lonia] portnguesa (Ethnograpbia) e sec^&o estraugeira (Archeologia). Museu 
occupa urna ala do mosteìro dos Jeronymos (com tres payimentos) e um bar- 
racao annexo. 

I — Archeologia: 

A nossa Historia admitte tres grandes divisSes : 

tempos prehistoricos, que so conhecemos pelos objectos que restam de entSo 
(ntensiliós, armas, construcgSes, ossadas, etc), pois nSo ha a seu respeito no- 
ticias escrìtas: 

tempos protohistoricos, de que jà ha algumas noticìas escritas, quer em ins- 
cripQoes, quer em obras de autores antigos (é a epoca dos Celta», dos Phenicios, 
— dos LusitanoR, etc. ; chega at^ o sec. ni-i antes de Christo); 

tempos historicos, que comegam com os Romanos (do sec. in-i antes de 
Christo, em deantè. 

Todas estas divisoes estao, mais ou nienos, representadas no Museu : 

^ [ A) idade eolithica? \ „ 

Epoca ì ^. . , , , 1. , . 1 ,1 , ì Tempos 

, , . < B) idade paleohthica ou da pedra lascada > , . r . 

dapedra» ) «s .j j i-*i.- j j i-j i prehistoricos 

( C) idade neolithica ou da pedra penda ; 



1 Assim chamada, porque os utensilios e armas, que depois se fabricaram 
de metal, erSo entao fcitas de pedra. (Os metaes nao se haviam ainda descobcrto). 



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126 O Archeologo Pobtuguès 



Epoca 
dos metaes^ 



D) idade do bronze : 

a) periodo chalcolithico (uso da pedra con- 
comitantemente com cobre) [ Tempos 

b) periodo do bronze > protohisto- 



E) idade do ferro (até o sec. iii-i a. C.) l ricos 

a) periodo de Halstatt^ 

b) periodo de La Tene' 

F) epoca lusitano-romana (do sec. iii-i a. C. ao 

sec. v) 

G) epoca lusitano-germanica (do sec. v ao sec. viii) ( Tempos 
H) epoca lusitano-arabica (do sec. viii ao sec. xi) / bistoricos 
J) epoca portuguesa propriamente dita (do sec. ' 

X( em deante). 

A, B, C e parte de D, bem comò as suas secgoes lapidares e as de E, F» 
(t e H estao no rés-do-cbSo ou pavimento 1." 

resto de D, e os objectos meudos de E, de F, de G e de H estao no an- 
dar nobre, ou pavimento 2.** 

A parte menda de J està no pavimento 3.", junta com a Etbnographia; a sua 
secQ^o lapidar està num barracao annexo ao Museu; a collec9ao das moeda» 
e medalhas portuguesas està num gabinete do rés-do-cbSo. 

Os objectos de ouro e os manuscritos estao num gabinete especial. 

II — Ethnographia : 

Està secQao està no pavimento 3.** Por ora acham-se esbocjados os seguin- 
tes grupos : 

1. bordoes 

2. vestuarios e aderegos (exemplares reaes e modelos) 

3. industria dos pastores (alentejanos, etc.) 

4. lougas antigas 

5. azulejos 

6. heraldica e brasoes das cidades portuguesas 

7. pinturas antigas 

8. utensilios de fumar e cheirar tabaco 

9. vida agraria (Minho, etc.) 

10. armas e armaduras 

11. indus trias caseiras (tear, pesos de tear, fusos, dobadoiras^ etc.) 

12. arte da escrita (tinteiros, pergaminhos, etc.) 

13. historia do correio 

14. brinquedos infantis, espectaculos e jogos 

15. musica popular e infanti), e antiga 



1 Asslm chamada, do predominio dos metaes no fabrico dos instrumentos 
de trabaiho e guerra. Primeiro descobriu-se o cobre, e os instrumentos eram 
de cobre e bronze (Uga) ; depois o ferro. 

2-3 Estes nomes prov(^m dos de estacòes typicas da Austria e SuÌ9a. 



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O Archeologo Pobtogués 127 

16. gravaras portngiiesas antigas 

17. «regìstos» de romagens (lendas religiosas) 

18. livros concernentes à Igreja lusitana 

19. ex-votos 

20. varios objectos religiosos 

21. amuletoB e veronicas 

22. nma maquineta armada 

23. historia do jornalismo 

24. historia da encaderna^ào 

25. historia da typographia 

26. coUec^o de ex-libris antigos e modernos 

27. ntensilios para ca^ar e pescar 

28. objectos correlacionados com a alimenta^fto 

29. ntensilios caseiros 

30. pesos, medidas e relogios 

31. indnstrias tradicionaes (lon^a, etc.) 

32. ferragens (espelhos de porta, etc.) 

33. typo de nma sala alemtejana 

34. aspecto de nma casa estremenha 

35. cnriosidades e consas varias. 

in — Anthropologia : 

Tambem no 3.° pavimento. Consta apenas de tres gmpos: 

1. ragas da Lnsitania (cranios) 

2. varias ossadas antigas 

3^ cranios portngneses modernos. 
Tem jnnta nma collec^ao de bibliographia portnguesa. 

A secQao colonial portnguesa occupa urna saleta no 2." pavimento. A sec^&o 
estrangeira occupa a escadarìa que vae do rés-do-chfto para esse pavimento. 

J..L. dkV. 

BibliograpMa 

Boletin de la R€^l Academla de la Historia. t. l, fase. 1.",. 
Janeiro de 1907. 

Entre os artigos contidos neste fascicnlo, conta-se o do Sr. Dr. Kicóla Fe- 
licianì, intitnlado Le fonti per la 11'' guerra punica nella Spagna, e publicada 
de p. 5 a 32. Nào é està a primeira vez que o Sr. Feliciani se occupa da Fenin- 
sula Iberica. Alem de outro trabalho que elle cita no refendo artigo, e que naa 
conhe^o directamente, publicou estes, que conbego: L' Espagne a ìufin dum* 
siede no Bóletin de la R. Academia de la Historia, t. XLVi, e Contributi alla. 
Geogr, ani. della Spagna na Riv. di Storia Antica, x, 3 sqq. 

presente artigo comp5e-se de duas secgdes. ^a primeira expSe e discute 
A. as fontes historicas que podemos utilizar para o conhecimento da 2.' guerra. 



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128 O Archeologo PoRtuGuÈs 

punica, qne, tendo comegado com a tomada de Sagnnto por Hannibal (219 a. C.) 
e terminado na batalha de Zama (202), em que P. Cornelio Scipifio, o 1.° Afri- 
cano, derrotou aquelle general carthaginés, Be passou em grande parte na HÌ8- 
pania. A segunda secgào trata das fontes geraes da geographia iberica. 

Ao A. é familiar a litteratura do assunto, sobretudo allemà. Por isso o seu 
trabalho consti tue util supplemento ao jà raro livro de Hiìbner, La Arqueólogia 
de Eftpana [y Poì^gal]^ Barcelona 1888, que Feliciani porém nSo cita. Outros 
trabalhos hubnerìanos sobre a Iberia, igualmente omittidos, sfio: Die Romische 
Herschaft in Westeuropa (1890j* e Die Nordwest- u. d, Sildwetftspitze voti Hi»- 
panieri (1898)^. Quanto a Portugal, o Sr. Feliciani, embora no seu interessante 
estudo abranja toda a Peninsula, n&o faz urna unica allusfio ao que no nosso pais 
se tem publicado. Notarci um equivoco a p. 24: o A., fallando da Ora maritima 
de Avieno, considera no plural este titulo, quando elle ^stà no singular {ora, 

•ae, «praiai, «costa»). 

J. L. deV. 



O Archeologo Portugués— 1907 

Reglsto bibliographico das permutas 

(Continua^ào. Vid. o Arch. Pori., xi, 888) 

Atti della R. Accademia dei Lincei; 1905, faBcicuIos 7 a 12. Acham-se descrìtos 
nestes fasciculos recentes achados, priDcipalmentc sepulcrologieos, da Italia, 
quer arcaicos, quer romanos e até barbaros; muitas inscrip^òes, ceramica 
italiana, criptas funerarias, antiguidadcs recentes de Pompeios, ricos sarco- 
phagos, etc. 

Bollettino di Paletnologia Italiana; anno xxzi, n.» 712 (1905). Summario: Tombe 
eneolitiche di Viterbo (Roma), por L. Pemier; sao covaee ovoides de inhuma- 
9ao. Un sepolcro primitivo ad Andria e l'eneolitico nell* Apulia Barese^ por 
A. Jotta ; rito da inhumacSo, curiosa ceramica analoga a alguma que appa- 
rece em Portugal e que atravessou tambem o periodo anterior. Necropoli 
à grotte artificiali scop. dal Prof. A. Taramelli, por A. Colini (Sardenha); sao 
criptas communicantes em que eram depositados os cadaveres, e que se re- 
lacionam com a architectura prebistorica do sul da Franga e da Hespanba 
(e ezemplos ha em Portugal). espolio constava de objectós de pedra polida 
e retocada, armas metallicas, enfeites de origem minerai e animai (conchas, 
dentes), ceramica- analoga tambem -a alguma nossa; Abbozi diaseie mtiaUicke 
n. neW Isola Virginia (Lago di Varese) y por P. Castelfranco; é o estado de um 
ripostiglio de cunhas de bronzo, muito pouco ligado, pertencente a palafitti- 
colas. Oggetti enei della prima età del ferro scoperti à Poggibonsi in Val 
d^Elsa (Sienna), por A. Colini; artigo em que se descreve o provarci espo- 
lio de bronzo de urna sepultura da primeira idade do ferro, espolio especial- 
mente constante das curiosas rodelas, de fibula, etc. — Società Archeologica 
Italiana — Recensioni — Notizie — Necrologie. 

F. A. P. 



» Cf. Arch. Pori., vi, 55. 
2 Cf. Ardi. PoH., vi, 57. 



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VOL. XII 



MAIO A AGOSTO ie07 N." 5 A 8 



ARCHEOLOGO 




COLLECfiO ILLUSTMDA DE MATERIAES E NOTICIiS 



PUBLICADA PKLO 



MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÉS 




iS 

W3 



Veterani rolvens monumenta virorum 



LISBOA 

IMPKENSA NACIOKAL 
1907 



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&TJlsa:is/LJ^TlXCD 



GeOGUAPIIIA PROTOIIISTORICA DA LUSITAXIA — SlTUA^AO COXJECTU- 

KAL DE Talabuiga: 129. 
Medalha de D. Carlos I, commemorativa da acclama^ao, para 

galardoar servi9aes: 159. 
d0i8 miliarios ineditos: 162. 
Numismatica portuguesa — real preto: 164. 

iNSCRIPgoES ROMANAS DE CASTELLO BrAXCO: 172. 

Os pergamixhos da Camara de Ponte de Lima: 178. 
Projecto de moeda de 20 réis para Angola: 195. 
Antigualiias de Bl'Joes: 199. 

CONSELHO DOS MoNUMEXTOS NaCIONAES: 201. 

PkOTEC^AO DADA PELOS GOVERXOS, CORPORAgijES OFFICIAKS E InS- 

TITUrOS SCIENTIFICOS A ARCHEOLOGIA: 204. 
ESTA(;UES PREIIISTORICAS DOS ARREDORES DE SeTUUAL: 20l). 

AcQUisigoES DO Museu Ethnologico Portugués: 217. 

(3N0MASTIC0 MEDIEVAL PORTUGUÉS I 22G. 

Ara consagrada a Juppiter: 242. 

Observa^ao A-dO Archeologo Portugués»: 243. 

Bibliographia: 244. 

Registo hibliographico das permutasi 249. 



Este fasc'iculo vae illustrado com 28 estampas. 



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ARCHEOLOGO P0RTUGUÈ8 

EDfCÀO E PROPRIEDADE DO 

MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS 



COIPOSTO E IIPUSSO U IIPRKNSA lUCIORAL BE LISIOA 



VOL. XII MAIO A AGOSTO DE 1907 N." 5 A 8 

Oeographia protoMstorica da Lusitania 

Situatilo eoqjectnral de TaUbriga 



Siiiiiini3i]rio 

1. Estado da questuo — 2. Autores antigos— 3. Itinerario — 4. Exame do mappa 
— 5. Topographia e onomastico da regiao — G. Os castros do trajecto da Via. 
— 7. RegiSo mineira — 8. Localiza9ao de Talabriga — 9. Opinino de Gaspar 
Barreiros — 10. Geographia arabica — 11. StratamaurUca — 12. Biade Aveiro 
e oVouga — 13. Historia de Talabriga. 



Algum tanto sem o presentir, ao fazer o estudo da ara de Estor&os, 
{Arch. Pm^., XII, 36) encontrei-me no limiar de um problema que, de 
modo definitivo, nào se resolver^ senSo com a verificammo in loco de 
vestigios archeologicos ineontrastaveis. 

E problema da trajectoria exacta da via romana entre Aemi- 
nium e Calem, da qual nSo se eonhecem milliarios decisivos e suffi- 
cientes, especialmente da sua passagem por Talabriga. 

assunto, parcialmente considerado, tem sido alvo das principaes 
referencias na pugna litteraria em que os paladinos de Agueda, de Aveiro 
e de Coimbra patrioticamente articulavam preeminencias genealogicas, 
qae é da praxe mencionarem-se em monographias locaes, mas que hoje^ 
quanto a Coimbra (e Condeixa-a-Velha) estSo sentenciadas, em pre- 
jaizo até heraldico de Agueda ^ 



^ brasao de Agueda ostenta nrnn lemnisco o mote Aeminiuin, Mas Coimbra 
tem hoje ama lapide, que Ihc dà irrecusavelmente o foro de dettele aeminieneU. 



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130 O Akcheologo Pobtugués 

PropositadameQte, porém, o problema nSo foi ainda estndado debaixo 
do sen aspecto geral ; apenas por incidente tem sido versada a localizac^ 
de Talabriga. N3o venho com o proposito de o dar corno resol vido, é certo ; 
mas desejo englobar neste estudo um certo numero de considera9c>es, 
que podem preparar o desenlace d'este ponto controvertido da geogra- 
pbia protohistorica da Lusitania, no campo adequado, e qiii(à orientar 
pesquisas. 

Onde foi Talabriga? Até hoje nenbum d'estes indices peremptorios 
que marcam inilludivelmente a situa9ào das antigas cidades, comò para 
ConimhHga (Condeixa-a-Velha), Aeminium (Coimbra), Br<zcara Au- 
gusta (Braga), Olisippo (Lisboa), Pax Julia (Beja), etc, se nos antolha 
para dar resposta nitida iquella pérgunta. 

Guiados pelas indica9oes geographicas do Itinerario e de Plinio, 
OS nossos escritores teem querido alternadamente que Aveiro, Cacia, 
Esgneira occupem hoje o logar que outrora se chamou Talabriga. De 
facto, Itinerario, ao contar as milhas que de Aeminium vao a Calem 
(Gaia ou Porto?) pela via militar, devia ter especial valor para este 
problema; mas a comprehenslo da necessidade de verificar rigorosa- 
mente as indica^Ses d'aquelle documento, a consulta de edigoes criticas, 
tomando-se por base a decisSo do problema de Aeminium, e talvez o de- 
saflfecto de uma ou outra solugao é que teem, no meu humìlde entender, 
faltado a todos os autores que mais modernamente do assunto se teem 
abeirado*. 

II 

A geographia classica n3o é de todo omissa a respeito d'està antiga 
povoayào. testimunho de Plinio, que é o A. mais expresso, vem a ser 
seguinte: A Durio Lusitania incipit. Turduli veteres, Paesurì,Jlumen 
Vagia^, Oppidum Talabrìca, Oppidum etflumen Aeminium, Oppida Co- 



' Um dos autores que se destacam por tentar a determinayilo de Talabriga 
e Langobriga (e aìnda outras esta^oes da via ab Olisipont Bracaram Atiffustam) 
por rnn processo exacto é o 8r. J. Henriques Pinfaeiro, fallecido professor do Lyceu 
de Braganya. Mas talvez em consequencia de trabalbar sobre uma carta (a de 
Folque) multo reduzida e de se servir da reduc^ao de milhas a leguas, localiza Ta- 
labriga em Aveiro e Langobriga na Feira. Em todo o caso, nao podendo conciliar as 
distancias relati vas a Langobriga, concine que ha erro nos Codices {Esttido da 
Estrada Militar Romana de Braga a Astorga, por J. Henriques Pinbeiro, Porto, 
1896, p. 129). 

2 Sr. A. Coelbo diz que a fórma verdadeira é a de Estrabao, corno o prova 
a moderna Vouga e Vatiga dos documento s em baixo latim anteriores ao sec. zìi 
(Milatigee Qraux, 1882). Yìd. Rdiguka de Lusitania, n, 28. 



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O Archeologo PortugIiés 131 

niunòrica, Colltppo, Ehurobritium, (C. Plinii Secundi, Nat, Hist., ed. 
de Detlefsen, mi, 113). Isto tem o ar de urna seca enumera9ao choro- 
graphica, que se desdoba do norie para o sul, a contar do Douro, e que, 
restringida -ao nosso caso, nos dà està sequencia: 

a) rio Vouga; 

6) cidade de Talabrica; 

e) cidade e rio de Aeminio (Coimbra); 

d) e as cidades de Conimbrica (Còndeixa), 

e) CoUippo (Leiria) e 

/) Eburobricio (Obidos, Vejani-se Rdig» da Lusit,, li, 31). 

Se nào fòr certo, corno nao me parece, que Vouga é ao norte de 
Talabriga e este oppido ao sul do mesmo rio, pelo menos conclue-se que 
Talabriga vizinha de um lado ou outro aqueile estuario. 

Nio trago nenhum outro autor antigo, porque elles nSo adeantam o 
problema chorographico. Na Cosmografia de Ravennate (ed. de Pinder 
& Parthey, p. 307) Talabrica apparece transformada em Terebrica e fica 
na seguinte localiza^ào relativa: OZmpona — Terebrica — Langobrica — 
Cenoopido — Calo . . . 

Ili 

Vamos pois ao Itinerario ^ ec^^ discussào das suas indica9oes. En- 
contra-se nelle, que nos sirva: 

Eminio mp. x. 

Talabriga mp. XL (= 59:240 metros) 

Langobriga . . . mp. xvxii (= 26:658 » ) 
Calem mp. xiii (= 19:253 » ) 

105:151 » 



A equivalencia que sigo é a de 1 milha= 1:481 metros (Saglio & Da- 
remberg, s. v. MUliarium). 

A trajectoria d'està via desde Coimbra (Aeminium) a Gaia (Calem) 
deixaria de ser ponto controverso se, corno succede 'noutras estradas 
romanas, alguns milliarios sobreviventes escalonassem bs seus vestigio». 



* Nas Noticias Archeologicas de Fortugal, de Hiibncr, trad. do Visconde de 
Jaromcnba, vem um extracto do Itinerario segundo a ed. de Parthey & Pinder 
(1^8). Prefiro a liQao briga a brica de Wesseling, ed. dos Velerà romanorum Itine- 
raria, HDCCXXXV. 



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132 Archeologo Poetugués 



Nao ha porém, neste particalar, mais que isto: 

1.° Um fragmento de milliario com 2"504 de alto X l'",40 de circuito, 
que appareceu na Mealbada ao norte de Coimbra e so tem M.xii. 

2.° Outro que foi encontrado mesmo em Cóinibra e aponta M.llii. 

Nem aquelle nem muito menos este servem- ao meu intento; o tra- 
9ado litigioso no nosso caso é para norte da Mealbada e Anadia, e nao 
entre Mealbada e Coimbra. (Vid. Borges de Figueiredo, Oppida resti- 
tuta, p. 82; Hiibner, Notas arcHeólogicas sobre Portugal, p. 67, trad. 
cit.; Catalogo dos ohjectos existeiites no Museu de Archeologia do Insti- 
tuto de Coiwihra, p. 0; A. Filipe Simoes, Escintos diversos, 1888). 

3.^^ Um pretenso milliario descrito por Fr. Bernardo de Brito na 3/0- 
narchia Lusitana, II, v, p. 3. Este vicio de origem obriga-me a por 
ainda de parte este monumento comò comprobativo da directriz; Hii- 
bner fulmina-o com a sua desconfian9a {Corpus, il, 55 a*) dizendo que 
Brito queria demonstrar com elle a existencia de Vacua. NSo Ihe darei 
porém eu maior valor que o proprio monge, que, comò por prevengSo, 
confessa que as letras da pedra eram e mal distinctas e muy quebradas». 
Assim a sua interpretagao deve desinteressar-nos, visto que nSo ha raeio 
de contraprovar a leitura de Fr. Bernardo de Brito, duvidosa para elle 
proprio. Para este, a lapide era porém um padrUo de estrada, o que 
pouco vale por entretanto para nós; mas provinba do Castello de S. Giao, 
ao que parece, castro rico em ruinas de muros, etc. Isto, cuja irapor- 
tancia so modernamente se aprecia, è que nào se inventa e dà visos 
de que com effeito alguma cousa li pudera ter apparecido. Mas Brito, 
com dizer que a lapide era padrào de estrada, contrariava sem o ad- 
vertir a propria cren9a de que a via romana seguia pela beiramar e Ta- 
labìnga era em Aveiro. (Mon. Lusit., id., p. 130). 

Nao obstante, ponha-se de parte a exactidEo da epigraphe do sup- 
posto, mas rehabilitavei, milliario do castro de S. Giao, e fique^ pro- 
vispriamente, apenas um facto — o achado de um padrSo de via romana 
num castro das margens do Caima. 

A opiniao de que Aveiro fòra o assento da antiga estasio do Itine- 
rario tinha ainda por si, alem do mappa de Abr.*'' Ortelius (ThecUrurn 
orbis t€ì*rarum, Antuerpia, CIO • IO • CHI) o pensar de Florez (Es- 
pa^a Sagrada, tomo xiv, p. 73), que lèra Plinio e uma edijSo antiga 
do Itinerario romano. E pódc dizer-se que foi essa a corrente que do- 
minou até hoje, se com Aveiro abrangennos o aro circunjacente. (Vejam- 
se Adolfo Loureiro, Os portos maritimos de PoHugal, li, p, 3; Marques 
Gomes, Districto de Aveiro, onde restringe * a Cacia o uhi de Talabriga; 



< Nao pudc havcr à mao as Memorias d'este mesmo senbor. 



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Archeologo Poutugués 133 

Borges de Figueiredo, Oppida restituta, 1885; Pinho Leal, Portugal 
Antìgo e Moderno, s. v. Aveiro; Gaspar Barreiros, Chorographia de 
alguns logares; D. Nunes de LeSo, Descripgào do reino de Portugal; 
Francisco do Nascimento Silveira, Mappa breve da Lusitania antiga, 
etc.)*. 

RegressenQOs porém ao Itinerario, e vejamos se sera possivel con- 
ciuir algo quo um dia a pesquisa e expforagao persistente do archeologo 
possa contraprovar. E o meu sonilo. • 

Que a medigào total do Itinerario relativa à via ah Aeminio Calem 
està notavelmente exacta, demonstra-o està verificagSo facil: a somma 
das milba^ que se contaram de Eminio a Gaia, reduzida a kilometros, 
(unidade mais pratica e mais exàcta que a de leguas, até agora adop- 
tada) era de 105:151 metros, comò vimos; a distancia computada 
actualmente na Carta de Estado Maior d'està regiSo pela directriz da 
estrada real é de 105:100 metros*. NSo podendo sor mais breve a dis- 
tancia d'està estrada, comò se verifica cibando os tragados rectificados 
ao lado do mappa junto, em que a distancia em linha recta e a recti- 
fica9SLo exacta da extensSo efFectiva da estrada fazcm pequena difFe- 
renga, o que mostra qujB os desniveis ou as infiexSes do tra9ado sSo 
assaz reduzidos; conclue-se que a via romana, desde que marca igual 
extensSo kilometrica, nSo poderia seguir eaminho mais longo que ella, 
nem pertanto muito distanciado dVlIa. 

Està coincidencia de medÌ98es é suggestiva e nSo permittirìa, so 
por si, que a trajectoria da via romana e da actual estrada real diver- 



' Como precioBÌdade estrangeira, desejo referir que o alias eminente celtista 
D'Arbois de Jubainyille, num e^tudo erudito sobre «Les Celtes en Espagne »• {Revue 
Cdtique^ xiv, g 8) diz, de passagem, ser Talabriga a actual poyoacao de Sousa, 
coDC. de Alenqucr! Presumo que està incongruencia é proveniente do que es- 
creveu C. Mailer em uma nota da CI. Ptolemaei Geographia (i, 137) a respeito 
de Talabriga: Oppidum haud longe a Vougafiuvio circa hod. Sovza alicuhi ateterit. 
Aceuratius locum definire non licei. Como ha mais Marias na terra, d*abi provoio 
»coDfnRSo.yeja-Be Sousa a 0. deVagos. 

2 Por partes temos : 

De Gaia à Feira 21:000 metros 

Da Feira a Oliveira de Azemeis 10:900 » 

De Oliveira de Azemeis a AU>ergaria 18:000 » 

De Albergaria ao rio Vouga G:800 « 

Do rio Vouga a Agueda 9:000 » 

De Agueda à Mealhada 22:000 » 

Da Mealhada a Coimbra 16:500 » 

105:100 « 



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134 O Archeologo Portuqués 

gissem muito. Se està desenhasse urna iuflexSo pronunciada no sen 
trajeeto de Coimbra a Gaia, claro é que era possivel, seni exceder 
a mesma extetìsUo, encontrar outra curva symetrica que locasse em 
pontos intermedios diversos e afastados, e coincidisse ape.nas nos respe- 
ctivos extremos, o quo nada util me seria; mas nas circunstancias que 
se dao e jà saliente!, e que me permittiram estudar sobre urna carta 
este problema, a coincidencia effectiva das dua» vias de communicacSo 
deve em grande parte quasi corresponder à coincidencia theorica, 
agora expendida. 

Isto opp5e-se a que a via romana passasse em Aveiro, ponto milito 
afastado e divei*gente do trajeeto theorieo*. 

IV 

Vou porém demonstrar por partes comò isto assim deve ser. E pre- 
ciso partir do principio jà demonstrado, embora para o total da distan- 
eia, que as medi^Ses do Itinerario nSo contém erro. Qualquer inexacti- 
dào nas milhas marcadas para cada uma das sec(oes da via militar 
alteraria a somma, desde que, por um acaso unico, nào fosse compen- 
sada por outra inexactidao. 

Ora a via romana de Eminio contém tres trogos ou secjSes; o 1.^ de 
Eminio a Talabriga; o 2.® de Talabriga a Langobriga; o 3.** de Lan- 
gobriga a Cale. Se uma sequer das distancias correspondentes do Iti- 
nerario contivesse erro, a somma total accusi-lo-hia; mas nós jà vimos 
que a distancia de 105 kilometros corresponde a uma realidade. Come- 
cemos pelo extremo norte da via. Isto conduz mais claramente ao meu 
fim ; e descobre mais prontamente o erro em que até agora me parece 
que tem laborado os escritores. Tomemos o mappa*. 

Se tra^armos um arco de circulo, cujo centro seja Gaia e o raio 
igual & distancia de Cale a Langobriga, isto é, a 19 kilometros (veja-se 



* Escreveu o autor do Portxigal Antigo e Moderno que a via romana seguirla 
pouco mais ou menos o trajeeto da linha ferrea. Assim era preciso, se Talabriga 
fosse Aveiro, quer no tro^o ao norte, quer no tro^o para sul, em atten9So às cou- 
dÌ9oes topographicas. Neste caso, porém, a distancia de Coimbra a Gaia seria ne- 
cessariamente pelo mcnos a que hoje é por aquelle caminho; nada menos de 115 
kilometros, o que està bem longe dos 105 kilometros da via romana e da estrada 
real. Num diagramma da carta indico a difFeren9a das distancias entre Cale e 
Talabriga e Gaia e Aveiro pela via ferrea (46:800 metros e 59:000 metros). 

2 No mappa com que documento este estudo, lancei b6 os elementos que me 
eram uteis. Tudo o mais ficou no originai, a que até accresci alguma cousa a mais, 
por assihi convir k minha demonstraoao. 



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Abcheologo Pobtugués 135 

a escaia), teremos obtido urna curva theorìca (LL no mappa) que no 
terreno representa urna faixa de tolerancia, mais ou menos larga, dentro 
da qual e numa zona d'ella que seja compativel com um trajecto inin- 
temipto da via, cuja extens&o jà definida se nSo póde exceder, o archeo- 
logo deverà procurar os vestigios de Lancobriga. 

Està zona, ou este segmento, nXo poderà pois, em principio, afastar- 
se consideravelmente da directriz da estrada real. 

Consultemos de novo o Itinerario. Entra Langobriga e Talabrìga 
medeiam 26:600 metros. Ignorando ainda qual o ponto preciso que 
na curva LL marca o primeiro d'aquelles oppidos, deveremos traQar 
um arco de circulo parallelo ao antecedente e & distancia que a escala 
indica. Como o terreno nSo é pròpriamente uma carta celeste * em que 
OS pontos podem ser rigorosamente ìndicados, a nova curva deixada 
pelo compasso é representativa de uma scgunda faixa de tolerancia, 
susceptivel de maior ou menor elasticidade, mas confinada, quanto 
k sua extenslo, pela continuidade do trajecto viario em direcySo a Ae* 
mininm, trajecto cujo comprimente tem limite determinado de milhas. 

E assim temos o arco TT. 

Nesta curva, que nào é mais que uma zona media, deverào sur- 
gir ao appellido do archeologo as ruinas do que outrora foi Talabriga. 
Està conclusSo emerge logicamente das bases que temei: o acerto evi- 
dente do Itinerario no total e muito provavel nas secgSes; a coinciden- 
cia das extens5es da via antiga e da estrada moderna. 

Se agora, por contraprova, apontarmos o compasso a Eminìo e gi- 
rarmos. com um raio de 59 kilometros, verificado segundo a escala, 
obteremos outra curva, a terceira, tangente à segunda e que tem a 
missSo de indicar a zona util, o segmento dos arcos, correspondente 
i area provavel da situajSo de Talabriga. Porque o que nào póde 
haver, é um hiato, uma interrupjao de trajecto de Cale a Aeminium*. 

Està primeira phase da minha demonstraQ^o, porém, jà torna in- 
compativel a actual situajfto de Aveiro com vestigios de Talabriga. 
E mais do c[ue iste; vem levantar um equivoco de Plinio, que parece 



1 É for^a porém attentar na exigua difFeren9a que no caso presente existe entra 
a recta, que unisse os dois pontos extremos (Coimbra e. Gaia), e o desenvolvimento 
da distancia effectiva pela estrada real, entre os mesmos pontos. Bem sei que diffe- 
rentes parcellas podem dar a mesma somma, mas difficultoso seria crer que, acer- 
tando o Itinerario na distancia total entro Aemintum e Cale, delinquisse nas 
parcellas, que vem a ser as tres seccdes da via militar. Veja-se o diagramma. 

* Pela linha ferrea de Coimbra a Aveiro bSo 56 kilometros ; pelo caminho 
romano de Coimbra a Talabriga eram 59 kilometros. 



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136 ÀBOHEOLOGO PORTUGUÉS 

suppor aquelle oppido ao sul do Vouga; se assìm fosse, n^o seria possi- 
vel encontrar o ponto de reuniSo do caminho que descia de Cale a en- 
centrar Lancobrìga aos 19 kilometros e se prolongava na direcgao do 
sul até mais 26 kilometros, onde devia beijar a Talabrìga do Itinerario 
sem encontrar a de Plinio *. O hiato resultante fica, parece-me, fechado 
e annuUado, desviando Talabriga de Aveiro e aproximando-a de Alber- 
garla, ao norte do Venga; iste é, a hipothese que proponbo é a que se 
concilia em todos os pontos com o Itinerario. 



Mas nSo se concilia so com està fonte documentai: é a mais plau- 
sivel em face das condigSes topographicas e historicas da regiSo de 
Entre-Vouga-e-Douro. 

A actual directriz da estrada real é a que mais ou menos devia 
ter seguido a via romana que procurasse unir Eminio a Cale, dado o 
tragado que ella jà trazia desde Lisboa. 

Em primeiro legar: as condigSes topographicas d'aquelle grande 
delta do Vouga nEo eram sen^o de molde para difficultar a abertura 
de uma estrada na epoca romana, em concorrencia com tragado mais 
firme e duradouro, mais economico, mais util e mais commercial. 
Aquellas planuras deviam existir jà entSo, coino um presente do Vouga, 
segundo se tem dito, croio, do Nilo. 

Se eram naquelle tempo pantanos, ou bosques intransita veìs ^ ou 
veigas retalhadas, comò hoje, por um dedalo de canaes e esteiros, nXo 
me cabe a mim defini-lo. De qualquer d'estas fórmas, uma via romana 
n^o irla atravessar uma regiSo em que a falta de pedra é quasi abso- 
luta, e a multiplicidade de trabalhos de architectura civil ou de obras 



^ Nada mais possìvel do que um erro de informa^So de Plinio. Mas poderia 
tambem haver aqui uma confusào entre a Talabriga do roteiro romano e a Vacua, 
de que parece csistircm minas no Cabeco de Vouga (Cit. Oppida roftitutdy 1885). 
Mas o Itinerario omitte-a, o que é apcnas argumento negativo. Ainda se poderia 
dar o caso de Vacua n^o ser mansio do caminho romano. Havia um codice do Pli- 
nio que nomeava Talabriga e Vacca e uma cosmographia antiga que refcrc Vacia 
(sic) e nilo Talabriga, qac alias deycria ter conhecido pelos AA. 

Jorge Cardoso, no Agiólogio, ii, 65, qucr que Vacua tenha sido emVisen. l*eor ! 

2 Nos Pori. Man. Hist^ «Diplom. & Chart.», vem um documento (n.*» 815 do 

anno de 1095) cujo teor nos nao prende, mas onde se le : I»ia igitur atictori- 

late confUms ingressus «um et ego densissimam éilliam (silvam) que ab antiqnh 
temporibìts hahitactifnm eroi ì^atiarnm. . . .Trata-se de arredores de libavo. 



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Archeologo Pobtugués 137 

de arte urna consequencia inevitavel. Era preciso combater por um 
lado a poiica firmeza do terreno, por outro contar com o cnsto da em- 
presa ^ ou os impecìlhos da viagem. 

Por isso OS mesmos motivos que na idade media afastaram a cons- 
truegUo, ou melhor, a conservammo de urna estrada velha para longe da 
costa, obrigando-a a passar nas pontes que ainda existem, devem ter 
sido OS mesmos que desvìaram os engenheiros romanos de lanmarem 
a via militar através de campinas encharcadas, so para irem buscar 
a embocadura do Vouga, antes de attingir Calem. 

Depois preciso é notar que havia outra directriz ao alcance da 
administragSo do Imperio, directriz que nio podia admittir confrontos 
com a tracada através do delta do Vouga« Essa directriz levava a 
estrada romana pela orla fora do terreno firme e accidentado e da 
regimo povoada de castros e abundosa de minerios, regiSo que ainda 
hoje podemos ver acompanhada pelo trajecto da estrada real. As vias 
de communica9lo teem muitas vezes urna directriz fatai e tradicional 
através de longos tempos e povoadores successivos*. 

Póde soflfrer destruicSo o caminho, sem estancar a arteria de com- 
municagHo. 

A lictual estrada real ou de macadam foi ainda, por assim dizer, 
decalcada pela anterior, a medieval, cujos restos subsistem nas pontes 
antigas de que os chorographos fallam. Està orientou-se pela compre- 
hensSo das conveniencias, e afastou-se da embocadura do Vouga, se- 
guindo a directriz mais economica e mais util; nIo direi ainda a di- 
rectriz romana porque é o que pretendo demonstrar, mas a que era 
directriz tradicional, corno vou explicar. 



^ NoR. arredorcs de Aveiro ha ponto» com as cotas de 15, 27, 46, 57, 48, 38, 
23, IG, 24 e 10 que correspondem a relnvoB siiaves. Todos estes pontes estSo si- 
tnados na margem esquerda do Voup^a. Ma» na hipothese de Talabriga, a estagao 
(Io Itinerario, sor Aveiro ou proximidades, a estrada romana, chegada ahi, ver- 
»e-hia forgada a atrayes^ar o Vouga desde £ixo para balzo, em direcfao ao Norte. 
E digam-me se todo esse trato de terreno, comprehendido entre a margem di- 
reità do Vonga, desde a ponte de S. Joao de Loure, corno vertice meridional, e 
05 sitios de Fro^os, Angeja, Formela, Canellas e Salreu, nao eram de fazer rocaar 
engenheiro romano que por ahi tentasse obter saida para o norte, em direc9ao 
a ('ale, tendo outra incomparavclmente mclhor? 

2 Tenho sempre cspecial satisfa9;io quando yejo que conccitos meus foram 
j4 formnlados por cscritores de outro cunho. Assim na Reviie des Études Anciennea 
(1905, p. 389), Cam. Jullian, referindo-se a caminhos de epocas prehistoricas, 

dìz: Et il rÌ9ulte hien que beaueoup dt» grandea lignea de circulaiion actuelle 

«e «m/ que lee héritiers dea piatea tracéea il y a dea millitra d^antìéea. 



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138 O Abcheologo Pobtugdés 



VI 

Os castros ou montes habitados encontram-se precisamente no se- 
guimento da via romana; os oppidos referidos pelos AA. antigos, as 
hrigae, e as cidades romanizadas nSo sSo mais que uma evolucao 
d'aquellas estancias, consoante as denominajSes que Ihes applicaram * ; 
era por essa corda alem, que o terreno baixo e plano da zona maritima 
comegava de elevar-se. A estrada romana desenrolava-se por entre 
esses centros da habitaQSo, abandonando ao lado um pais chato, poueo 
firme e talvez quasi invio. 

Do sul para o norte Anadm està situada nas abas de um monte 
de Crasto (Pinho Leal e M. Gomes). 

Agueda està tambem perto de um Crosto (Pinho Leal). 



^ Para os leitores habituaes do Archeologo Portugues, seria ociosa està nota ; 
para os que porventura o assunto do presente estudo desperte de-novo, é uina 
prevencào necessaria. Quando se falla em coéiros com supposta referencia à epoca 
romana, nSo se irata dos castra, acampamentos ou abarracamentos (Saglio & Da- 
remberg) fortificados que as forcas militares de Roma construiam em catnpanha : 
nunca vi ruinas de nenhum d'estes castra, nem me consta que as haja verificadas 
no pais. E comtudo os caatroa, ou cra^tos no fallar do povo, sao abundantissimos 
entre nós. . . porque silo cousas multo diffcrentes. Estes castros sSo apenas uns 
montes com vestigios de habita^fto ante-romana e quasi sempre de obras de for- 
tificammo de terra ou de muralha. Assim os castros sfto outeiros, cabe908 habitados 
e fortificados, nao pelos romanos, mas contra os romanos, pelo menos, e pertencen- 
tes aos antigos habitadores do pais. Os castros devem pois aos romanos, nào o seu 
princìpio, mas a sua decadencia e o seu fim, porque foi a conquista e foi a civili- 
zam^o romana que os tornou desuecessarios naquelle tempo. Como se Ihes dà entao 
este epitheto que nao vem senào causar confusòes? epitheto encontramo-lo 
na toponimia locai; foi o povo que conservou até hoje està designa^ao que nós 
vamos encontrar com frequente emprego nos documentos da idade media. E que 
no singular ca«/rui7i significou secundariamente um castello, uma fortaleza; cita 
Rich capitulo vi da Eneida, onde se le (w, 771 a 776) : 

Qui juvenes quantas ostentant, aspice, vires ! 
At qui umbrata gerunt civili tempora quercu, 
Hi tibi Nomentum, et Gabios, urbemque Fidenam, 
Hi Collatinas imponent montibus arces, 
775 Pometios, Castrumque Inni, Bolamque, Coramque: 
Haec tum nomina erunt, nunc sunt sine nomine terrae. 

{(Eitvrtt de VirgUe, par E. Benoist;vol. i, Hachctte, 1882). 

(Trad.) Contempla corno sào grandes asforgas que aqttelles mancehos ostentami 
Pois d*entre os que trazem a fronte sombreada pelo carvalho civico, uns construir- 
te-hào Nomento, Gabios e a cidade de Fidena^ ontros assentarao em montanhas as 



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O Archeologo Portuguès 139 

Nas margens do Vouga, naquelle logar onde subsiste ainda a ponte 
medieval (Pinho Leal), encontra-se na aldeia de Vouga um morrò que 
foi castro (Brito e P.* Carvalho, li, 161); explica Francisco do Nasci- 
mento Silveira (Mappa breve da Lusitania, p. 239) que Vacca ezistia 
em sitìo forte por natureza, entro as pontes de Vouga e Marnel, por- 
que alli se vèem vestigios de muros antìgos e sinaes de urna majestosa 
grandeza; existem ainda tijolos, cantarias, muralhas em Lamas de 
Vouga (Arch, Pori., v, 50 e vir, 191) *, e havia ahi a civitas Marnde 
(PoH. Mon, Hist, aDiplom. de Chart.», n.** 819)*, cuja origem deve 
ter sido outro castro. 



fnrtalezfu Collatiruia, Pometioa, o castello de Inuo, Boia e Cora (antigas povoa^des 
(lo Lacio) : estea serào oa nomes d'aqueUes logares, que estào agora na terra sem nome. 

Foi certamente d*esta accop^SLo que derivou para o latim corrente, e em se- 
guida para o fallar medieval das nossas popiila9Òes, a denomina9&o de castro ou 
crosto. 

Na Bevue des Études Andennes (iv, p. 43, 1902) vem urna serie de cita^òes 
para demonstrar que no firn do Imperio pela palavra ca^trum se designavam fre- 
quentemente as cidades fortificadas ; de entre todas extraio a seguinte de Isidoro 
(Origints, xt, 2, 13): Castrum antiqui dicebant oppidum loco altissimo situm. Com 
referencia a sitios nossos, temos, bibliographicamente, o conhecido Portumcah 
castrum, de Idacio. 

Mas a par d*aquella, outras se formaram, comò castellOf cristélo, crastélo e cas- 
irelo. Castellum (cfr. cìt. Rev. des Et. Anc.) na lingua latina, era um deminutivo 
de castrum e applicava-se tanto a um redncto transitorio, comò a um forte per- 
manente, quasi sempre situado em logar elevado (Saglio & Daremberg, a. v. 
Castellum). Depois, é explicavel que a linguagem popular prescindisse da origem 
DHo romana d*estes pontos estrategicos, e applicasse o termo a alguus castros, 
talvcz aos mais deminutos. Aos mesmos montes se véem tambem applicadas as 
de8igna9ues de cividade mais ou menos pura, cidadélhe, coroa e outras ainda. Os 
autores antigos usam o termo oppidum applicado a alguns d'estes eentros de 
popula^So {oppidum Aeminium). £ ainda se encontra junto ao nome originario 
da povoacSo, a modo de suffixo, o termo de origem celtica briga, que tambem quer 
dizer castello, altura fortificada (Talabriga). 

Os romanos, no nosso caso, tramando a via militar através d'estes montes 
habitados, nSo fariam mais do que seguir um caminho bistorico e uma directriz 
freqnentada. 

^ O parocbo de SegadSes (1758) informava que a antiga cidade de Vaca (sic) 
fora assolada pelos mauros. Os leitorca conbecem estes mouros... (Arch. Port., 
TU, 191). 

2 Yarios outros documentos d^esta rcgiSo de Entre-Youga-e-Douro compulsei 
ea nesta coIlec^So, que se reportavam a castros, mas nSlo pude localizar as refe- 
rencias com a presteza que era necessaria. Até se me deparou a fórma rara crésta 
icresto ualanes, doc. dxlix do anno 1077), da qual conhe90 outraactual no conce- 
Iho de Yaldevéz. 



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140 O Abcheologo Pobtugués 

Na carta geodesica vé-se, junto ao rio, um Castello (111). Isto é 
ainda do concelho de Agueda*. 

Na freguesia de Sereni, tambem concelho de Agueda, outra civi- 
tas (Viterbo, s. v. Cidade); ha là sitios elevados a norte e a sul (Cfr, 
M. Gomes). 

Na freguesia da Branca ha um logar de Cristellos (M. Gomes e 
Arch. Poh., ir, 313). 

Na serra de S. Juliào, mesma freguesia, onde passa a estrada real, 
diz Sr. M. Gomes que ha ruinas de rauralhas e fossos; acreditava- 
se (Arch. Pori,, loc. cit.) que ahi era a antiga Langobria (sic). NSo 
sei se é precisamente o mesmo locai a que Brito (Mon. Lusit,, II, v, 
p. 3) chama castello de 8. Oiuo, onde havia ruinas de muros e elle en- 
controu o tal padrSo suspeito e onde presume Lancóbriga, nSo na Feira, 
diz, mas entre Albergarla e Bemposta, defronte de Pinheiro. Significa- 
tiva confusalo ! Aquelle logar de Cristello vom na carta geodesica entro 
Estarreja e a estrada real*. 

Na freguesia de Ul ha outro castro (aldeia do crasto)^ de que porém 
nSo conhego o ubi. Tem uma cintura de muralha de pedra solta cu 
cousa que o valha. (Pinho Leal, s. v. Ul). 

; Nas proximidades de Azemeis parece que nSo sSo escassos cstes 
monumentos (Quatro Dias na Serra da Estrella, por E. Navarro, 
Porto 1884, p. 174). 

Em Ossella ha um castro com ruinas de muralhas (Brito, loc. cit.). 

Entre S. Martinho e S. Tiago vé-se na carta geodesica um crosto, 
a O. da estrada real ; isto é no parallelo de Ovar. Sera aquelle a que 
Pinho Leal chama Castro Troncai ou Francai (s. v. C. de Cucìyàes)? 

No Arch. Port., vi, 68, diz-se que ha em Oliveira de Azemeis um 
logar de LacZes, onde foi a antiga Lancobriga («ic), porque ahi se 
ajustam as medid^s do Itinerario e nXo na Feira ou Bemposta. Este 
sitio é elevado e estrategico; a sua cota é de 287 metros e fica na 
fronte de um promontorio fechado por duas ribeiras e no extremo de 
uma chapada em cujo prolongamento se conta ainda a altitude de 274 
metros. E, pelo que se ve, um castro. Lancobriga é que nSo. 



* Na fé de NaRcimento Silvoira (Mappa breve da Lusitania, p. 22C), em Man- 
cinhata, bob cruzeiros ha inseripQÒeB que ainda ninguem entendcu. 

* NoB Port. Mon. HisL, «Dipi, et Chart», n." cccclxxi, vena um documenta 
que diz: Cesari. . . subtue monte cagtro calho. . . Cf. o n." cccclxx. NSo pude ave- 
riguar se é um Monte Calvo que vejo perto de Romariz. Cesari (gen. de Cesaritts, 
-ti) deu Cesar, corno Severi (Port. Jlfon. JStVrf., «Dipi, et Ch.; passim j e Arch. PoH., 
II, 252, art. do Sr. P. de Azevedo) deu Sever. 



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O Archeologo Portugués 141 

Em Madeira de Cambra ha iiin castro (Arch, Pori., vii, 54)*. 

Em Romuriz informa o Sr. M. Gomes que ha um Crasto, onde 
appareceram antigualhas da epoca romana; o que é presumivel e prova 
ter recebido a influencia dos seus conquistadores. 

Os antigos chorographos portugueses nSlo teem dado valor aos ca- 
begos elevados, onde se encontram os vestigios do que póde ter side 
um eastro, urna citania, emfim urna estag&o archeologica pre-romana, 
e isso nào admira; mas o facto é esse e consti tue urna deficiencia na 
descrigào dos logares, que actualmente seria imperdoavel, e que, num 
caso comò o que estou versando, sonega lamentavelmente elementos 
aproveitaveis de estudo. 

Junto ao mar, e bastante para o norte, em Esmoriz, encontro 
menomo de um castro, especialìzado hoje pelo erudito estudo que d'elle 
fez documentalmente o meu erudito amigo Sr. Fedro de Azevedo {Arch, 
Port., Ili, 137). Era o castro de Aville, Ouvil, Ubile e ObU, denominagSes 
que se applicavam a lagoa que ainda existe, e que elle dominava. 
Ore distincto publicista que aquelle castro é o mesmo outeiro a que 
parocho depoente de 1758 chamou Monte do Murado, pertencente & 
freguesia de S. Martinho de Mozeltos. Fico porém em duvida, pois que 
estando o castro prope Utore maria (Docs. de 1055, 1076) bem comò a 
lagoa (Docs. de 1057 e 1090), Mozellos parece um pouco afastado para 
interior. Confessando que, sem a inspecgSo dos logares, a base é 
ÌQstavel, em todo o caso afBguram-se-me aqui dois castros distinctos. 

Em S.^^ Maria de Fiàea apparece outro castro ou cpovoagSo de Mou- 
rosi (Arch. Pori., iv, 250). 

E d'ahi para o norte, sào frequentes na faixa atravessada pelo 
caminho romano. Sera algum d'estes castros o jazigo de Langobriga? 

Este inventario, tendo origem, comò tem, exclusivamente bibliogra- 
phica, nao póde deixar de ser omisso. A averiguagSlo locai e a infor- 
niagUo competente accrescenti-lo-hiam, se eu d'estes dois factores me 
tivesse soccorrido. Para o meu intento, o pouco que joeirei, era co- 
Iheita bastante. 

VII 

Alem d'estas averiguadas condigSes de habitabilidade que se en- 
contravam no trajecto da via romana e que, em meu entender, con- 
JQgadas com as da elevarlo e relevos de terreno, que para as popu- 



^ Vira de Calambriaf perganta A. Herculano (Hiataria de Portugaly iii, 423). 
Cfr. Arck. Pori., art. do Hr. A. CortcsSo, ix, 232. Teremos aqui alguma CcUam- 
hrUfa? Um ihesouro de IG argolas de oaro é de 1&. (Arch, Pori., u, 87). 



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142 O Abghkologo Poktugués 

lagSes ante-historicas constituiam urna necessidade vital, concorreria 
tambero, nio sem ligSL^^o com ellas, a existencia de jazìgos metalliferos. 

Ncni todas as minas quo enumero seriam conhecidas na antigui- 
dade, mas em algumas ha vestigios da remota laboragào e o quo tudo 
attesta é que a regìEo era mineira e portanto centrìpeta de populacoes. 

Os locaes explorados sào Telhadella, Albergarla, Palhal, Milheìrós, 
CucujSes, Nogueira, Ossella, Palmas, Carvalhal, Pindello, Silva Es- 
cura, Ul, Talhadas, Bra9al, Covai da Mó, Malhada. 

Os minerios sSo cobre, tao procurado na antiguidade, chumbo, 
prata, etc. 

D'estes jazigos, aquelle em que sao mais importantes os vestigios 
de antiga lavra, é o da Malhada, urna das concessSes das chamadas 
Minas do Bra9al. As madeìras de entiva^ào, que foram encontradas 
dentro da mina, denotam tal antiguidade que parecem fossilizadas, em 
consequencia da cor negra que adquiriram. Os trabalhos antigos at- 
tingem a profundidade de 45 metros (Catalogo Descriptivo da Seccào 
de Minas, pelos Srs. Severiano Monteiro e J. Augusto Barata, p. 188). 

A respeito dos outros, a noticia de antiga explora^Jo é multo vaga 
para que me seja licito insistir. Nas minas de Palhal tambem ha ves- 
tigios antigos. (Cfr, Marques Gomes, Districto de Aveiro). 

Vili 

Que se póde concluir das considera9oes que até aqui tenho enca- 
deado? 

Por um lado, o estudo do Itinerario levou-me a aventurar na carta 
geographica, largamente circunscritas, as zonas em que o calculo faz 
presumir que se devem encontrar as ruinas de Talabriga; por outro 
lado, a inquirigEo topographica e onomastica da regiSo, tanto quanto 
era possivel com a escassez de elementos, indicou-me alguns logares 
de archaicas estajBes archeologicas do genero da que deve ter sido 
Talabriga, comò castro ou oppido submettido ao poder de Roma. 

Quero lembrar que briga so póde corresponder a urna posieSo ele- 
vada, a um outeiro ou cabejo fortificado; por onde Talabriga nunca 
pudera ser Aveiro ou arredores (Vid. Arck. Pori., xn, 42). 

Relan$ando novamente o olhar ao mappa, poder-se-hà notar que a 
zona attribuivel a situagào de Talabriga* nao està erma de castros, 



1 Eu n&o me occupo especialmente da Ijingobriga do Itinerario, mas é facil 
ver que identicos raciocinios Ihe sao applicaveis e em consequencia, a situacao 
d'este segundo oppido deveria Ber na faixa de terreno vagamente indicada pela 



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O ÀBCHEOLOGO PORTUGUÉS 143 

autes nella se dSo varìas circunstancias que nSo posso deixar de apro- 
veitar para a minha these conjectural. 

Branca é urna freguesia cuja sède fica uà margem direìta de Caima 
e que é cortada pela estrada real; ha nella um logar de Cristdlos, 
que so pelo toponimo demonstra a exìstencia de um castro ou oppido. 
Mas alem d'este, infere-se do Sr. Marques Gomes, de Fr. Bernardo 
de Brito {loc. cU.) e d-0 Arch. Pori, (il, 313, cMem. Parochiaes») 
que ha um locai sito na serra de S. JuliSo, atravessado pela estrada 
real e que Brito mais claramente chama cartello de S. Giào (castello 
por castro), no qual, seguudo aquelles tres testimunhos, ha ruinas de 
muralhas e fossos, que o Sr. M. Gomes presume serem ruinas de urna 
QiaHia e que o parocho das Memoria^ tambem capitola de vestigios ro- 
manos, acrescentando muito singularmente (note-se bem o que isto 
póde significar) que ahi esteve. . . Langohria {sic), Foi aqui que Brito 
diz ter eneontrado a tal pedra de letras lìial distinctas de que nSo affian9a 
a leitura, mas que Ihe parecea padrào de estrada. 

E aqui tem cabimento o que jà atràs deixo dito, para absolver de 
fraude consciente a noticia archi vada em Fr. Bernardo de Brito. 

Parece-me pois ser neste aro, se nào neste mesmo ponto, que se de- 
verà procurar o jazigo, n^o de Langobriga, mas da nossa Talabriga, 
e é precisamente a estas immedia95es que o compasso me levou ao me- 
dir sobre a carta a primeira secato da via romana de Coimbra a Gaia ^. 



euFTa LL, um pouco ao norte da Feira. No meu estudo da ara de Estoràos, as- 
aentei qae està n&o é a aetual Longroiva, caja fórma medieval era Langobria, 
iPort Man. Hist., «Dipi, et Ckart.» cccxjxx). Do que deponho a p. 141, parece que 
é a algum dos castros de Obil ou do Monte do Murado que deverà convir a locali- 
za^ào de Langobriga. Este fica a 6:000 metros para leste da lagoa. 

Para longo- e lango- comò para hrxca e briga, n5o encontram difficuldade os 
eeltiatas. {Élém. celi, dans les noms de personnes de» inscr. d^Esp., por A. Camoy. 
Lavaina 1907). 

< A legitimidadc do processo que segui, empregando o compasso e a escala 
para determinar a zona em que, segimdo as indicacòes do roteiro romano, devo 
(Dcontrar-se o jazigo de Talabriga, tein urna averiguaQSo facil, apesar da estra- 
nheza que possa causar. Se eu, coUocado em Eminio, quisesse determinar a situa- 
^ de Cale, cujo anorteamento jà conh^cia previamente, e para isso adoptasse 
identico systema, o compasso levar-me-hia a urna zona de terreno, onde nSo me 
^ria impossivel encontrar localizà^des compativeis com uma esta9ào d'aquella 
natureza. 

Creio todavia que nem com todos os terrenos assim se póde proceder. 

Comprova tambem a plausibilidade do resultado a circunstancia de fazerem 
peqaena differen9a a distancia em linha recta entre Coimbra e Qaia e a rectifica-^ 
eào da estrada entre os mesmos pontos. 



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144 O Archeologo Poetuguès 

NSlo desconhego quanto de problematico isto tem antes de sereiu 
perguntados pelo archeologo os logares, as ruinas, os vestigios e os 
montes e as vozés da regiào, mas nem por isso o meu. espirito deixa 
de ficar demonstrado, até o possivel, que as cinzas de Talabriga nunca 
podem estar guardadas em Aveiro. As coincidencias que acabo de no- 
tar, nào sSLo bases frivolas. 

So pois a inspec9ao directa do terreno, nas immediafjSes da Branca, 
poderà concorrer para confirmar ou destruir a minha conjectura. 

D'està regiao para o norte, a via romana seguiria até Cale, mais 
ou menos proxima do actual leito da estrada real; so alguns vestigios 
ou referencias de documentos, comò os de Qrijó, e a inquirigào dos lo- 
gares e tradigSes poderSLo concorrer para precisar a trajectoria d'aquella 
antiga via de communica^ao ; o caso em si, porém, é indifferente para 
a questuo primacial que motivou este estudo. O que é certo, é que a 
estrada romana sulcava a faixa comprehendida entre a estrada real e . 
a linha ferrea até o vertice de Gaia. 

Ao sul de Branca e Albergarla, a directriz da via militar sente-se 
escalonada nos vestigios medievaes que deixei explanados nas paginas 
anteriores. Albergarla denota bem que o sitio era de assiduo e antigo 
transito (Viterbo, Elucidarlo de palavras, etc, s. v. Albergarla) ponto 
necessario de passagem para quem do sul buscava o norte do pais. 
As man$lone8 tinham o oaracter de pousadas. 

Em tempos de lazer para obras de piedade, é que a insti tuigXo cari- 
tativa se fundou, comò implemento de urna necessidade que jà existia. 

As pontes de Vouga e Marnel s2o indicios bem importantes da 
frequencia das viagens através d'està parte da regimo, afastada da 
costa baixa e paludosa. S^o decerto obra^ da idade media, dos mouros, 
diz Pinho Leal (s. v. Marnel e Vouga). Mas os indicios pre-romanos 
e romanos soletram-se nessas ruinas de muralhas, pedras lavradas, 
vestigios de edificios e toponymia, que oscabcQOS de Vouga e Marnel 
nos conservam, segundo descrevem Brito, Pinho Leal e os paroohos do 
sec. xviii nos extractos publicados pelo Archeologo Portuguts. 

IX 

O sentimento de Gaspar Barreiros (Chorographla de cdguns loga- 
res, MDLXi, p. 48 sgs.) era que a situàgSo de Talabriga devia ser a 
actual Cacia, especialmente na igreja de S. Juliio, onde apparecem 
vestigios antigos. Varios autores o seguem. 

As raz3es d'este illustre escritor do sec. xvi merecem alguma dis- 
cuss^o. 



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O Archeologo Poetugués 145 

Barreiros funda-se no Itinerario e conta, no sentido d'este roteiro, 
as milhas de Conimbriga para o norte. E por coniirma§So d'este ar- 
gumento, traz o passo de Plinio que eu jà transportei a este estiido, 
mas com urna differenga que elle tomo a de nm arche ty pò Toletano 
(p. 51), declarando poróm que alguns exemplares de Plinio nSo sào 
aceordes com aquelle. A li^ao citada é pois està: A Dario Lusltania 
incipU, Tardtdi veteres, Pe$uri, Jlumen Vacca, oppidum Vacca, oppi- 
dum TaJUibrica, oppidum et Jlumen Minium, etc. Està variante demons- 
tra a existencia de uma cidade Vouga, que G. Barreiros colloca na 
Ponte de Vouga (p. 50 v). Algumas cartas antigas reflectem està in- 
dicarlo. Isto posto, G. Barreiros leva a contagem de Conimbriga para 
Talabriga por espago de 50 milhas, o que é exacto, esparo que elle 
computa equivalente a 12,5 leguas e enumera: 

De Condeixa a Coimbra 2,5 leguas 

De Coimbra à Mealhada 3,5 

Da Mealhada a Avellàs 2 

De AvellSs a Agueda 2 

De Agueda à Ponte de Vouga 1,5 * 

De Ponte de Vouga a Cacia 1 

12^ 

fNa qual villa & igreja de sanct. JuliS nas ribciras de Vouga situa- 
das, se acham vestigios antigos. s. os fundametos de bua torre que na 
memoria dos homes inda stana quasi inteira, onde em outro tipo se- 
gando ficou fama de bus em outros chegauam nauios da foz do mar, 
porqne inda ali se acharam pedagos d'elles & anchoras iuncto da dieta 
torre em bua lagoa Afora muitos vestigios & ruinas d'argamassa que 
dentro em seu ambito c8prehende bua milha pouco mais ou menos» 
(p. 50). 

A nào ser que tenhamos de recorrer a uma mudauQa da primitiva 
sitnar^o, nós temos de procurar em Talabriga a cidade preromana, 
que no sec. Il a. C. Decimo Junio Bruto reduziu a miseria e & impo- 
tencia, segundo narra Appiano. E esse oppidum teria que possuir con- 
di^oes estrategicas identica^ às dos outros oastros preromanos, taes 
corno elles nos acenam que foram escolhidos pelas popularSes proto- 



1 . . . .por scr tam grande corno todos sabc', de q d prouerbio uo pouo. (Ibid. 
p. 50). Ji dìo c so pois grande a legua da Povoa! 

10 



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J 



146 Archeologo Pobtuguéb 



historicas; teria que justificar o proprio designativo de caracter cel- 
tico briga — altura fortificada. 

Creio poder affirmar que nada d'isto se encontra em Cacia. Alem 
d^sto proprio Q. Barreiros, no dizer que, entre os vestigios antigos, 
sobresaia urna torre, que ainda andava lembrada, e se topavam cruinas 
de argamassa», quasi estabelece urna chronologia, porque taes vesti- 
gios nào podem ser anteriores aos romanos; poderdo attribuir-se me- 
nos à sua epoca que às posteriores. Para a contemporaneidade, teriamos 
que admittir e demonstrar urna deslocaQlo do primitivo assento de op- 
pidum, corno vimos ; se esses vestigios se afFectam às epocas successoras 
dos romanos, o facto sae para fora do problema e d'elle me nSlo 
posso occupar. 

principal estorvo, porém, que a opiniao de Barreiros encontra, 
é aquelle que eu quis descobrir e evitar, quando ajustei a medigào do 
Itinerario a contar de Cale para o Sul e n^o de Aemimium para o 
Norte. Evitei assim o erro de cair em Aveiro, em Esgueira e agora 
em Cacia, onde muito bem podia ir passar com o roteiro romano nas 
màos. 

Isto illumina-se & luz da carta. Barreiros vem seguindo, com os 
ouvidos na tradÌ9ao do seu tempo, o leito do caminho romano (dito 
mourisco) pela Mealhada, Agueda, até k ponte de Vouga, e até aqui 
bem elle vem; chegado porém a està altura, desnorteia-se e inflecte 
para Ceste para fazer a primeira estacào de Itinerario em Cacia, imagi- 
nando-se em Talabriga. Eilometricamente, creio n2o haver que Ihe 
objectar. A distancia da ponte de Vouga a Cacia é proximamente igual 
k que entre o mesmo ponto se nota e a linha-zona TT^ que eu deter- 
minei. Portante nào falseava o illustre chorographo qoinhentista a 
tabella do Itinerario, isto é, as 50 milhas desde Condeiza (Conimbriga). 

Mas a precanQ^o de comegar a contagem de Cale para Talabriga^ 
obsta ou impede aquella inflex2o e obriga a trazer o caminho numa 
directriz mais desempenada para a ponte de Vouga. Volvendo os olhos 
k curva TT do mappa, ver-se-ha que Cacia Ihe fica a distancia grande 
porque, com este desvio da trajectoria normal, a mediglo romana per- 
deu espafo, atrasando-se. 

Se nJo fosse este meio de verificar o erro, era possi vel a desorien- 
tagto. 

Creio, pois, ter demonstrado pela ethnographia e pela geometrìa 
topographica que Talabriga nSlo póde ser coUocada em Cacia, quer se 
olhe k Talabriga preromana ou protohistorica, quer k romana ou his- 
torica; à Talabriga de Appiano e D. J. Bruto ou k da epoca ìmperìal 
e do Itinerario. 



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O Archeologo Poktuguès 



147 



Como, segando se infere de Appiano (vid. adeante), o oppidum 
de Talabriga contìnuou a ser habitado depois da sua rendÌQSo no 
sec. II a. C. e emfim ainda existia no sec. iv d. C, poderia succe- 
der que elle conseguisse resistir à vinda dos barbaros, e chegar ao 
dominio dos arabes. Convinha pois consultar a geographia arabica, 
e nome de Edrisi, geographo do sec. xii, impunha-se-me lego. 

que das suas diflferentes traducQÒes se conclue, nào é nada claro 
para mim que ignoro o arabe, mas poderi auxiliar o estudo da questuo 
por parte dos arabistas. 

Ha urna edÌ9ao de 1619 (Paris) com o titulo de Geographia Nu- 
biensù, que quero por em confronto com a traduccSo de Amédée 
Jaubert {Géographie d'Edrisi, Paris 1840). 

Edrisi descreve dois caminhos de Coimbra a Santiago de Compos- 
tella: um por terra, outro por mar. 



Caminho por terra 



Ed. de J610 (trad. Ut.) 



Ed. de 1S40 (trad. fr.) 



«Iter autem terrestre a Colimria ad 
S. Jacobum est hujusmodi : a CoUmbria 
ad oppidan) Aba statìonis habetur in- 
tervallum. Ab Aba ad oppidum Vaiira 
statio. Ab hoc ad primos tcrmioos re- 
gionum Portugalliae, statio, pergit que 
iter secans terram Portugalliae spatio 
dici, ibique conspicitur oppidum Bona- 
car ad ripam fluminis Durii, quod est 
flumen Samor ac, atque illic trajicìen- 
dam cjmbis ad hoc paratis. Ab oppido 
ad amnem Minio, indeque ad castellum 
Abraca LX M. P. duae videlicet sta- 
tiones. A castello Abraca ad castel- 
lum Tui stationes duae». 



«0 itinerario por terra de Colomria 
(Coimbra) a S. Tiago é corno segue: 
de Coimbra a Abàh (Ribadavia) (!) al- 
deia, uma jornada. De Abah a Titta- 
ria (Huetaria) (?) aldeia, uma jornada. 
D'ahi à fronteira de Portugal, uma jor- 
nada. caminho vae através das ter- 
ras de Portugal durante uma jornada^ 
ao firn da qual se chega a liuna-Car, 
aldeiasinha nas margens do Douro, que 
é o rio de Zamora. Passa-se o rio em 
barcos proprios para isto. D'este logar 
ao rio Minilo ow. antcs ao forte Abraca 
(insua de Caminha) (?) 60 milhas ou 
duas jornadas. Depois Tuia (Tuy) ci- 

dade pouco notavel, mas bella e numa 

regiào fertil, duas jornadas» (ii, p. 232) 
editor de 1619 diz que nao ha me- 

dida certa para as stationes, expressào 

que se referia a pousada dos viandan- 

tes. As stationes justas erain de 25 

milhas, mas algumas tinham mais, ou- 

tras menos. Parece que seria o espaco 

que se poderia percorrer em um dia. 

Temos aqui duas traduc9oes do texto arabe, uma em frente da outra, 
e a verdade é que sufficientemente se correspondem. principal para 



No texto francés, ao vocabulo statio 
corresponde Joiim^, que eu traduzì por 
jornada (de um dia). 



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148 O Archeologo Portugués 

meu firn seria a localizacào das estagSes de Edrisi; neste ponto o tra- 
ductor francés apenas conserva intemeratamente as tradÌ9oes dos es- 
trangeiros quando^ fallando on escrevendo, debicamnanossageographia. 

Nem ao diabo lembra que a Coimbra se siga. . . Ribadavia! 

A primeira esta9ào ao deixar Coimbra é Aba (ed. 1619) ou Abah 
(ed. 1840). Fodera corresponder a Agueda? Jaubert desejaria falar ern 
Riba-d'Agueda? E provavel. 

A segunda estaySo foi interpretada por Vatira (ed. 1619) e Uetaria 
(ed. 1840). N^o sei identificar està localidade, assim desfigurada. 

Em seguida a isto, se na versSo latina parece haver urna incoii- 
griiencia, ella desapparece na traducgSo francesa. Através das terras de 
Portugal, chega-se com um dia de viagem &s raargens do Douro. Iste 
parece ser bem o tradicional caminho que entesta na foz do Douro. 

NSo diz geographo arabe em que ponto da margem do Douro 
ficava Bona ou Bwna-car, expressào que nào sei reconhecer, mas pa- 
rece-me que deve ser a embocadura d'este rio, e é a seguinte a razSo. 
Diz Edrisi que de Botia-car ao rio Minho sSo 60 milhas; ora, numa 
pagina anterior (p. 227) elle conta da foz do Douro a do Minho as 
mesmas 60 milhas. Pertanto creio que Buna-car era aproximadamente 
em Gaia, onde depois o rio se atravessava em barcos ^. 

Desorevendo o mesmo caminho por mar, iste é, a viagem de Coim- 
bra a Santiago, o primeiro ponto onde diz que se abica, é.a foz de 
nahr-Bydhu (rio Vadeo, traduz A. Jaubert!) que corresponde aoVouga, 
rio, acrescenta, consideravel, onde entram embarca5oes grandes e pe- 
quenas (li, 227). Està aclarajào parece indicar que naquelle tempo a foz 
do Vouga e o lago interno serviam a urna navegagSo bastante activa. 
Quanto ao relacionamento da antiga Talabriga com alguma das esta95es 
do caminho medieval descrito por Edrisi, nenliuma conclusSo posso tirar 
com seguranga. 

Com muita probalidade porém se infere d'isto que o caminho fre- 
quentado entao devia ser o que hoje corresponde à estrada real com 
a passagem nas pontes medievaes de Vouga, mas emquanto nào se fixa- 



< eecritor espanhol Eduardo Saavedra, num artigo ìntitulado «La geografia 
ilrabe de Portugal» in Revista Archeologica e Hiatoricay i, 49, siipp5e qae o tra- 
jecto descrito por Edrisi vae de Coimbra a Viseu e Braga «por um caminho 
milito frequentado», fazendo o primeiro de^canso em Avo, 45 kil. a NE. de Coim- 
bra; o Beguiido em S. Miguel do Outeiro, 10 kil. a O. de Viseu no caminho de 
8. Fedro do Sul ; depois chega-se ao Douro, que se passa em embarca^òes defronte 
de urna aldeia, que é Yillaboa de Quircs, a E. de Penafiel. D'aqui duas jornadas 
a Braga e outras duas a Tuy. 

Salvo o devido respeito, isto parece urna viagem ... « voi d'oistau ! 



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O Archeologo Portugués 149 

rem estes dois ponlos duvidosos, localizagao muito verosimil de Aba 
ou Abah em Agiieda e incerta de Vatira ou Uetaria, o testemunho do 
geographo aral)e apenas serve seguramente para loealizar as testas d'este 
caminho, estabelecer com grande plausibilidade a tradÌ9^o do caminho 
historico pela orla das montanhas e revelar-nos o movimento commer- 
cial da foz do Vouga. 

XI 

Tratando-se pesqnisa dos vestigios da via romana ah Aeminio ad 
Golem, testemunho de Viterbo {Elucidarlo^ s. v. Estrada mourisca) 
devia ser ponderado. Diz este illustre antiquario que, nos documentos 
de Grijó, se fazia larga mengSo de propriedades que ficavam umas da 
parte de cima^ outras da parte de baixo da estrada mourisca. No anno 
de 1148, Trutesindo doa ao celebre mosteiro o que possuia em Bran- 
ties e em S. Felix mbter illam Stratam Maxiriscam, discurrente riuulo 
Cerzedo. 

Acrescenta o sabio antiquario que a estrada era mourisca por ter 
sido aberta pelos Mouros, que abandonaram a romana que vinha ali 
a passar entre Lancobrìga e o mar, pois que com o rodar dos annos 
a costa se entupira e alteara por causa das areias e os rios estagnados 
nao so esterilizaram os campos, mas fecharam a passagem dos cami- 
nhos. E mais dep5e Viterbo que a estrada mourisca ia do Porto a Agueda 
por Azemeis, Albergaria, Vouga, etc. 

Antes de mais: notemos està opinilo corrente, està tradigSo, tao 
concordante com o que eu jà procurei accentuar, de que a tal estrada 
mourisca descia do Porto a Agueda precisamente por Azemeis, por 
Albergaria e por Vouga. 

Que Viterbo Jhe cbamasse moumsca nSo é de espantar ; era a voz 
popular que ainda hoje nos falla de Mouros sempre que tem de refe- 
rir-se a povos muito antigos, preromanos, romanos, barbaros, etc*. 

Mas o documento de 1148 jà tratava de mourisca urna obra que 



1 Nos Port. Mon. Htst, «Diplom. de Chart.», apparecem mais documentos em 
que se encontra està mesma designacSo. Estes por ezemplo : 

N.® 67 do anno 953 :. . . et inde per carraria mourisca. . . (Iste era nas vizi- 
nhan^as de Villa do Condc). 

N.* 614 do anno 1083:. . . et inde per t>ia maurisca : . . . (territorio de Arouca). 

Póde nSo se tratar nestes dois documentos de vias militares romanas, comò 
nlo se trata ; mas nem por isso a designa9ào deixa de ser inexacta no seu sentido 
proprio. Eram antigos caminhos, anteriores aos arabes. Alias teriamos que admit- 
tir que 08 filhos do Islam andaram por terras de Villa do Condo e de Arouca a 
abrir estradas em fórma, por serem invios os territori os. 



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ItoO O Archeologo Portugués 

nSLo podia ser dos Sarracenos, a esse tempo ainda no sul de Portugal. 
Creio nSo se poder sustentar que a estrada que passava em Cerzedo 
era construìda por arabes; aproveitada sim, porque sendo o caminho 
que elles ainda encontravam à sua disposÌ9ào, devia ser aquelle que 
inundavam do terror das suas algaras. 

£m que elemcntos se estribava Viterbo para dizer ainda que a mesma 
estrada mourisca tonava em Oliveira de Azemeis, Albergaria, Vouga 
e Agueda? Confesso que n^o os conheyo, a nSo ser que a memoria 
e uso d'este caminho tradicional se perpetuassem através de tantos 
seoulos e tSo profundas transformag^es sociaes. 

Informa Pinho Leal que na freguesia da Trofa (eoncelho de Agueda) 
ha ainda o ogar de Mourisca, à margem da estrada, e que o nome Ihe 
veio d'està. Traduzindo mourisco em romano, póde ser acertada a sup- 
posÌ9ào. Isto transcreveu-o elle de Viterbo, s. v. Estrada. 

Mais expressivo é o topico de um sitio, perto de Lamas e junto 
da estrada real ; chama-se elle Fundo da rua. Tal rua nào é outra senio 
a via romana. Està explicagào afferò pela que di o Corpus (ii, p. 363) 
com referencia a uma freguesia de Santo Estevam da Rua, onde pas- 
sava urna estrada romana (oppido quod a via romana nomen duxit). 
A 3:500 para O. da Feira ha um sitio chamado Rua Nova. Aqui é 
que so a inspec^Io dos logares poderìa indicar-me o significado d'este 
tòpico. 

Num escritor estrangeiro do sec. xviii, lè-se uma descriglo litte- 
rarìa do caminho através do campo de Aveiro, que so se entende se 
o suppusermos encostado às montanhas de leste, permittindo que se 
descortine para a banda do mar toda aquella immensidade de terras 
feracissimas que aquelle autor olhava corno planicie encantadora (An- 
nales de VEspagne et du Portugai, Alvares de Colmenar, Amsterdam 
1741, p. 253). 

Isto demonstra que a estrada real de hoje é um caminho velho e 
tradicionalmente batido para ligar Coimbra ao Porto. 



Demonstra isto que os amanuenses do secs. z e xi j& nSo sabiam estremar roma- 
nos (e visigodos) de serracenos. Era pois, corno hoje, o fallar do povo. 

E tambem este o sentimento do Sr. Fedro de Azevedo (Arch, Pori,, in, 137 
sgs.). Este facto é bastante expressivo. NSo passAra um secalo ainda depois da 
expulsao dos arabes naquella regimo, e a ÌQterrap9H0 de tradi9des locaes tinha 
sido tao intensa que a mera conjectura tomara o logar d'aquellas, attribuindo 
aos mu9ulmanos as obras de via9ao de que elles apenas tiveram a utilidade 
(Veja-se Hiet, de Portugal, por A. Herculano, ni, 421). Em Fran9a nao se dava 
isto. Ruy de Pina na Chronica do sr, rey D. Aff<m»o V (p. 569) diz : «E na cidade 
de Nimìs leixou El-rey a estrada romam, que vay a Avinham*. 



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O Archeologo Pobtuqués 151 

Nos Pori. Mon. Hist. nSo se encontram referencias mais claras 
do que està de Viterbo e as que adduzi em nota, à antiga via romana. 
Compnlsei bastantes documentos d'aquella publica9So e nella encon- 
irei varìadas referencias a caminhos, mas em termos d'onde nSo se 
podia conclair cousa alguma que indicasse o conhecimento da existen- 
eia de urna estrada da epoca romana, considerada comò tal ^ 

XII 

Um esclarecimento dà Viterbo que ó exacto e tem importanoia 
para a Ustoria d'està regiào tributaria dos esteiros vacuenses. 

Befiro-me ao f entupimento» da costa que com o rodar dos annos se 
foi alteando e ao e estagnamento» dos rios que esterilizava os campos e 
fechava os caminhos. Està acgEo do mar na costa de Aveiro tsm sido 
am problema technico e administrativo extremamente complicado para os 
govemos portugueses, nSo so pelas condÌ95es commerciaes de Aveiro, 
mas pelo estado sanitario de toda està regimo. O coragSo d'este problema 
é a barra do Vouga. 

E difficultoso dizer o estado d'està embocadura nos tempos que 
interessam ao presente estado. Tenho lido que, na epoca romana, en- 



^ Seria longo transcrever os trechos respectivos d'esses documentos; e nem 
sempre é possivel acertar a que especie de caminhos se referem as ezpressdes 
usadas nos documentos. E commam o termo strada, strata; algumas vezes adjec- 
tivada strata utrtdaria ( Dipi, et Chart., n.° 174) em opposi^ao a alia carraie (id.) ; 
tstrata de uereda (id. n.® 13); in estrada qui discurrit uia de uereda (id. n.® 24) ou 
strato maiore (id. n.^* 563, 378 e 549). Tambera se encontra a expressao carreira 
antiqua (id. n." 620 e 639), karraria antiqua (id. n.°« 888), carraria antiqua 
(n.<^" 639 e 287), carerà antiqua (id. n.°' 366). Via de strada e strada de uiminana 
léem-se no doc. n.<* 817 (ob. cit.) Ainda hoje se póde dizer caminho de estrada. 
Carreira é termo agora quasi so locativo, mas ainda se ouve no norte applicado 
és larga» entradas de algumas casas antigas, precedidas de uma alameda piana; 
certamente carreira inclue a ideia de carro, comò carraie. Outra denominatilo 
que encontrei foi a de via publica (ob, cit., n." 676), que parece corresponder 
a caminho publìco. 

Karraria antiqua era certamente uma estrada carreteira antiga j& naquella 
epoca e pertanto tradicional, mas d'aqui nSo se póde concluir que essa estrada 
fosse via militar romana. Assim o doc n.,® 570 do anno 1079 refere- se à fregne- 
sia moderna de Pacò, no concelho de Valdevéz (uilla Palatiolo), onde nunca pas- 
sou via militar e onde a carreira antiqua poderia bcm attingir a epoca romana. 

Alguns d'estes documentos foram indicados pelo erudito conservador do Ar- 
ebiyo Nacional e meu amigo o Sr. Fedro de Azevedo ; outros rebusquei-os propo- 
Mtamenie com o aoxilio do valioso trabalho do Sr. Gama Barros, A adminiHra^ào 
Publica em Portugal, entre os que pertencem k regiiio de Entre-Vouga-e-Douro. 



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152 Archeologo Portugués 

travam a foz do Vacua embarcajSes de grande arqueamento (Os por- 
to8 maritimos de Portugaly pelo Sr. Adolfo Loureiro, li, 3). Nào sei que 
fundamentos póde ter està assergào, que em lodo o caso é relativa a 
tonelagem dos antigos navios. 

Os geographos antigos que se referem a este rio lusitanico, nao 
dizera cousa d'onde se possa inferir a sua capacidade para grandes em- 
barcagSes, corno alias se tem escrito. 

O mais explicito é EstrabSo (Geographia, liv. IH, III), que ver- 
tido a latim, diz: Deincepa poatTagum nobilissima Jlumina sunt Mu- 
liadas, parvas habens navigationes. Itidem Vacua jluvius, post quos 
Durius longo fluens cursu, etc. geographo grego iguala o Mondego 
(Mulìadas), rio de navega^ao diminuta, ao Vouga, da mesma fórma 
{itidem) estuario de diminuta navegagSo. E tanto mais é està a naturai 
hermeneutica, que o contraste é frisante com a importancia do Douro, 
longo ftnens cursu, EstrabSo escreveu no sec. I a. e d. de C. ; comò póde 
affirmar-se que no tempo dos romanos entravara o Vouga embarcac3es 
de longo curso e a sua foz era um porto de grande commercio e muita 
prosperidade? 

Ora isto vem ao intento de eu pretender que no surgidouro do Vouga 
nSo havia nos primeiros seculos, pelo menos da epoca romana, povoa9lo 
de vulto que determinasse urna passagem forQada na via militar e um 
desvio da naturai directriz ab Aeminio Calem, E para um porto de 
tamanho trafego, era pouco um simples vicus. 

Temos pois a aiKi*ma9So estraboniana ^. E antes? 

Menos ainda. Diz-se que em alguraas minas da regiSo metallifera 
de Entre-Vouga-e-Caima tem apparecido vestigios de antigas labo- 
ragSes. Apesar da falta de precisilo chronologica nesta noticia, póde 
presumir-se o facto até para a epoca preromana. E neste caso, a via 
iluvial seria a mais pronta saida do mineiro para o commÀ'cio externo. 

Mas um òbice encontro agora. Seria consequente que este trafico 
determinasse a formaQtlo de um povoado a beira-mar ou na enseada 
interior. A essa gente faltaria, porém, uma cousa, que se Ihes tornerà 
tSo indispensavel, comò o pSo para a boca: era a seguranja pessoal, era 
ninho de aguia. Com as planuras nSo se queriam elles. A nSo ser que 
deroguemos os conhecimentos adquiridos no que até agora se tem 
encontrado. 



* No mesmo pensar encontro-me com o Sr. Alberto Sampaio na Porlugalia, 
II, 216 {A9povoa9 maritimos do norie de Portugal). Assim se exprime: «As unicas 
povoa95e8, vizinhas do mar, oxistentes ontào (no tempo dos romanos), eram Calom 
e Portucale». 



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Archeologo Portugués 153 

Alem d'isto, que motivos ha para tirar eflfeito tambem retroactivo 
i noticia de Estrahao? 

Um primorosìssimo escritor *, filho de Aveiro, evita, com exemplar 
abnega^ao patriotica, o problema archeologico da origem preromana 
da sua terra natal, mas propende à presampQlo de que algum povoado 
assentaria antigamente na foz do Vouga os seus lares. E enfeixa o 
illustre homem de letras duas razSesj 1.*, a geographica; 2.*, a da ex- 
plora^So do sai. Aquella parece-me menos conciliavel com a ethno- 
graphia dos povos a que se deseja alludir, comò notei. E està? Para 
commercio, quer interno quer extemo, temos ainda o mesmo senSo. 
Os mamotos d'aquelle tempo onde se acoitariam*? 

Que, posteriormente a EstrabSo, as parvae navigationes crescessem 
em numero e tonelagem nSo é impossivel, porque a vida social co- 
melava jà a fervilhar nas planicies. 

E a industria do sai, cuja utilizagào alias jà data dos tempos neo- 
lithicos, poderia commercializar-se (perdio para o neologismo) d'essa 
epoca em deanté, se tomarmos por base da hypothese o caracter latino 
da technologia ^ e o que sabemos por aquelle geographo da importancia 
das salgas {Geographie de Strabon, por Am. Tardieu, 1886; III-iv-2). 
Mas entSo jà a via militar ab Aeniinio ad Calem là estaria antes de 
ser necessaria, se necessaria se pudesse considerar por motivo do com- 
mercio extemo, num porto afastado da linha naturai de oomrounica^&o 
e posto em duvida pelo silencio dos textos, comò vimos. 

Do que o Vouga seria na idade media possuimos o testemunho do 
geographo arabico Edrisi (Géographie d'Edrisiy trad. de P. Amédéc 
Jaubert, Paris 1840 li, 227). 



* £ o Sr. Consclheiro Luis de MagalhasB, em A arte e a ncUureza eni Portitgal, 
Tol. lY- A de8crÌ9So da ria immeDsa de Aveiro, com as salinas espelhadas que a 
cobrem, com os seus cones alvissimos de sai, que marchetam a planicie sem firn, 
é nm d*estc8 primores de prosa gracil e diaphana, que mais ninguem poderia 
cflcrever com igoal cora^dlo e com pulso comparavel. Parece que a scdiic^ào 
(Vcssc panorama nSo me sera mais intensa, quando com os olhos o vir, do que 
quando o adivinhei naquellas tio poupadas paginas. 

2 A grandissima maioria das povoa95es d'estas epocas era nos altos; ahi 
tcm BÌdo encontrados os seus vestigios. Para a alguma se attribuir situacilo 
aberta comò a de Aveiro, necessario seria documentar a excep^dlo. 

Nao repugna absolutameute admitti-la no nesso caso, mas é hypothese pura. 
E depois, là temos o distiuctivo briga. nome da cidade comsigo traz a natureza 
do seu assento. No Algarve, Oasonoba e Bolsa, nao demoravam em outeiros. (Vide 
Rtligide» da Lttsitana ii, 85). 

^ Portugalia, ii, 220, «As póvoas maritimas do norte de Portugal», pelo Sr. 
Alberto Sampaio. 



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154 Archeologo Portugués 

O nosso rio foi transposto para aqaella lingoa por nma palavra 
que A. Jaubert representa na graphia francésa por Boudhou (ou=ii); 
e assim conforme o texto arabico vemos que o nahr-Budhu é um rio 
consideravel onde navegam embarcagSes grandes e pequenas, e a na- 
vegaySio se estende a 70 milhas da sua foz. Agora jà comegamos a en- 
trever urna popula9ao occupada no trafego maritimo. 

A diplomatica tambera proporciòna alguns elementos de estudo 
relacionaveis com este, mas propriamente està epoca jà nSo interessa 
& questuo posta. 

Ha, porém, ama cousa que nSo posso omittir. 

E documento n.® LXXVI dos Pori. Mon. Hist., cDipl. et Chartae», 
onde se le a fórma medievica de Aveiro, a qual é alauarìo, o que so por 
si dcsmorona as hypotheses etymologicas a que varios chorographos se 
tem apegado, mas revela pela primeira vez a existencia de urna povoa^Xo 
onde hoje é Aveiro (assim tambem Talabasio e Tavelro. Doc. cxxviil). 

O trabalho do mar e das aguas na desintegra^So de um subsolo 
brando e a forga do vento nos areaes movedÌ90s devem ter sido causa 
perenne e inflexivel dos aforeamehtos e obstrucgao da navigabilidade *. 
O factor é antigo, tSo antigo quanto o póde ser, por maneira que aquella 
regiSo nunca teve, fora das epocas geologicas, outra face topographica 
muito diversa da dos nossos dias *. E presumivel que elevadas florestas 
forrassem com sombras impene tra veis toda essa immensa orla limitada 



^ Explica9So geologica d'estes phenomenos : «C'est après avoir traverse les 
marécages du Vouga, que Ton entre dans les terraiDs anciens; ce sont d'abord 
dcs schistes luisantB, généralement cachet) par des dépots saperficiels: eables 
des doDCB, graviers pHocènes et graviers kaoliniques appartenant au Crétaciqae. 
Ces demiers ne montent pas plas haut qu*Estarreja et le Pliocène est rarement 
visiblo depuis la voie ferree. Parfois ce soubassement de rocbes solides n'eziste 
pas, on du moins ne se tronve qa'à une certaine profondeur au-dessous du niveau 
de la mer; dans ce cas, la cote subit des alternances d'accroìssement et de dé> 
croissement qni peuvent étre funestes à Tbomme trop empressé de s'approprier 
le terrain que les sables ont gagné sur la mer; tei est le cas à Espinho*. Pro- 
menade au Gerez (Souvenir§ d^un géologue), por Paul Cboffat, 1895, p. 1. 

* Poderìa aqui investigar-se das alteracoes da costa que possnm ter modifi- 
cado o aspecto do surgidouro doVouga. Um apello, publicado no Arch. Pari., ii,301, 
teve em resposta o silencìo. N2to tratando dos factos de periodos geologicos cu 
indeterminados {Arch, Pori., vii, 274 e x, 193) pouco é o que se tem recolhido e às 
vezes antagonico. A^oreamentos em epocas historicas foram notados na Povoa 
de Varzim, Villa do Conde, Fio, Esposende, Vianna, em Setubal, no Algarve ( Por- 
tuffalia, I e ii, paMim)^ e ea mostro que na faiza de Esmoriz a Mira elles se deram 
tambem em epoca que nSo posso precisar. Num mappa que illustra o Uisp. A PorL 
Itinerarium de Martin Zeiler (1656) Aveiro é situada ao norte doYouga. E n2o é 
o unico mesmo de datas maÌB recentes. 



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Archeologo Portuguès 155 

pelo mar a Oeste e pelas montanhas a E., na regiào e na epoca de que 
me occupo* comò em outros pontos supp^He o Sr. Alberto Sampaio 
[Portugalia^ II, 215, art. cit.); mas isso nSo importa acreditar a pos- 
sibilidade da via romana por terrenos de tal especie. 

Informou-me o distincto engenheiro Sr. Mello de Matos, que, ao 
proceder-se aos trabalhos de construcQào de uma ponte nas proximidades 
de Vagoè, se encontrou encastoado nas areias o cavername de um navio, 
que infelizmente nSo foi estudado. Na Eagueira, achara-se outro. 

Narra Pinho Leal que ha annos em Vagos se descobriu uma ponte 
sobre um ribeiro que a areia das dunas entupiu completamente. Es- 
cusado é acrescentar que a ponte foi logo capitulada de romana, nada 
menos. 

Estes factos nào tem sido apenas recentemente verificados. Jàvimos 
num trecho, que desatei do nosso Oaspar Barreiros (p. 50) que pelas 
alturas de Cacia se tem encontrado, submersos na terra, cascos de 
navios e ancoras. o que radicou a crenga de que as embarca98es che- 
gavam até ahi em tempos antigos. Està apreciagào jà é do sec. xvi. 

D'este millenario ha um mappa, publicado por AbrahSo Ortelius, 
onde se reconhece nitidamente a bacia de Aveiro. (Vide Theatrum 
orbis terrarum, ji citado a pag. 132). 

Estes factos esclarecem o assunto e reatam a tradiQ^o de que os 
fandos da ria se vào alteando com a obstruc9So nos esgotos das cor- 
rentes fluviaes. Fr. Bernardo de Brito (Monarchia Lusitana, il, v, 
p. 130) diz que, do tempo d'elle, Aveiro, muito concorrida de gente 
de mar e pescarias, era cidade florescente*. 

O Sr. Cons.^ Luis de MagalhSes tambem entende que, tendo ahi 
embarcado para uma jornada de Africa os ter90s da Beira, é porque 
porto consentia a arqueajSo das caravelas. 



< Ha um dceomento do sec. xi que faz uma referencia aproveitavel debaixo 
d'este aspecto: é o d.® dcccxt do anno 1095 (doacSo à sé de Coimbra da igreja de 
S. Christovam, junto a Ubavo) . . . Ista igìtur auetoritate conjusus ingrtasm mm et 
tgo den$Ì88Ìmam silliam (silvam) que ab antiqnia temporibus habitaculum eroi bestia- 
rum, . . 

2 Elitre as cartas antigas qae folbeei, desejo destacar uma do sec. xvii, assi' 
nada por N. Sanson, ekrist Gali, regis geografo (Hispaniae antiquae tabulae, 1641). 
mappa de Portugal antigo individua, na regìSo que andei estudando, Conim- 
brica em Condeixa, Aeminium na margem norte do Mondego ; Talabriga ao N' 
do Youga, um ponce afastada do estuario, a 20 ou 25 milliaria da foz do Vouga 
(isto é, na altura onde eu localizo està povoa9ao) ; e, seguindo no mesmo ramo, 
Langobriga. E na Bibliotbeca Nacional, um grosso volume in-folio, recentemente 
encademado com o distico — Mappas— e sem frontispicio. 



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156 . O Archeologo Portugués 

D'està epoca ha mais elementos coneordantes no movimento com- 
mercial de Aveiro e portante no estado da sua barra. (Vid. Os porto» 
maritimos de Portugcd, pelo Sr. A. Loureiro, ii, 3). 

O que Barreiros conta relativamente a Cacia, encontra-se reper- 
cutido num locai situado muito mais acima sobre o Venga. No sec. xvm 
corria que em eras passadas ainda os navios subìam aquelle estuario 
até a antiga cidade de Vacua *^ onde depois foi a villa de Vouga e agora 
mero cabego de Vouga (Arch, Pori., vii, 191), que alias tende a desap- 
parecer, comò desappareceu a de Marnel pelo impaludismo (Pinho Leal, 
Pori. Ani. e Mod., s. v. Vouga), 

Està noticia, porém, deve interpretar-se com nma informagào mais 
minuciosa que encontro em uma obra de 1741 {Annales de VEspagne 
et du Portugal, por Alvares de Colmenar, Amsterdam). Diz este A. 
que Aveiro é uma cidade bastante consideravel, situada na testa de 
um pequeno golfo que a mare estabelece na embocadura do Vouga. 
Este rio fórma um porto de limitadas dimensSes, onde os navios me- 
diocres, que nSo demandam senSLo 8 ou 9 pés de agua, podem entrar 
na preamar, com a direcgào de pilotos do sitio. Este A. jà falla na 
grande producgSo de sai e nas fortificacdes constantes apenas de uma 
muralha flanqueada de algumas torres. 

Na lagoa de Esmoriz, de que falla um doc. do sec. ix, (Port. 
Mon. Hiat., «Dipi, et Chart.», n.** xii), havia uma barra por onde en- 
travam as caravelas em antigos tempos e depois se entupiu (Arch, 
Poh., IV, 144). 

O caso do cavername encontrado perto de Vagos liga-se com a 
noticia do sec. xviii, transmittida pelas Memoriaa Parochiaes, segundo 
as quaes o bra90 da ria que existe entre Aveiro e libavo dava anti- 
gamente fundo para caravelas e agora t* vadeavel {Arch. Port., iv, 
329). 

Em Mira, numa lagoa de agua doce, conta um informador que 
nella se encontram vestigios de casas, moedas e alicerces de uma pa- 
redo ou caminho que a atravessou pelo meio. Alem d'isto, pelo nortc 
e poente, tem-se agoreado {Arch. Port.,Y^ 297). 

Quanto se póde deduzir d'estas noticias, o extenso delta vacuenso 
tem side invadido com trabalho successivo pelas areias que causam 
a obstrucgào dos esteiros e a diminuisse da navegabilidade. De ne- 
nhuma noticia, porém, se póde concluir que na epoca romana o aspecto 
topographico e a constituicSo orographica da regiSo fosse tao diverso 



1 Està lenda porém reprodnz-se om mais localidadcs, fSra d'epta regiSo. 



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O Archeologo Portugués 157 

do qne é actualmente, quo a via romana là pudesse passar preferente- 
mente ao trajecto mais intemo, na base da montanha, através dos cas- 
tros e das minas. 

XIII 

DeTalabriga temos uma das paginas da sua historia esenta por 
am autor do meio do sec. li d. C, Appiano de Alexandria. 

E certamente este um caso partioular, mas nSo deverà deixar de 
ser considerado corno uma amostra de dramas analogos que succede- 
ram com os oppidos lusitanos, no embate das cohortes romanas. 

Talabriga, escreve Appiano, era uma das cidades (da Lusitania) 
que mais frequentemente se revoltava. Està falta de resignaQSo, este, 
direi eu, germen de patriotismo ou melhor de municipalismo, nSo podia 
tranquillizar Decimo Junio Bruto, que julgou que o caso era de recla- 
mar a sua presenga no locai da cidade. Partiu com numerosa gente, 
e ao seu apparecimento responderam os irrequietos Talabrigenses com 
supplicas e o seu incondicional abandono à discrigSo do conquistador. 
Entao J. Bruto foi energico e insaciavel, mas ao mesmo tempo teve 
um lango inesperado de generosidade. Quis fazer-lhes sentir primeiro 
a dureza cruci do seu brago de gueiTciro, e para isso imp6s-lhe a im- 
mediata entrega dos transfugas das hostes d'elle, certamente alliados 
dos romanos, a dos prisioneiros, a de todo o armamento e ainda por 
cima exigiu refens. Depois chegou a ordenar-lhes que abandonassem 
a cidade com suas mulheres e filhos. Parece que o prestigio militar 
de J. Bruto nào valia menos que seu tino de politico e conquistador. 
Os Talabrigenses aprontaram-se para obedecer alli mesmo. Mas o ca- 
pitlo romano queria compór-lhes um quadro que Ihes impressionasse 
perduravelmente a imaginagao. E ia espreitar o efFeito produzido. 

Desdobrou em circulo as suas tropas e, agglomerando dentro a chus- 
ma dos habitantes humilhados, arengou-lhes. Fez-lhes perceber que nSlo 
receava a sua turbulencia indomita, porque quantas vezes desertassem, 
outras tantas elle viria combaté-los e reduzi-los com a necessaria fir- 
meza. Incutido assim o receio e a convicgSo de que no momento ade- 
quado, J. Bruto cairia sobre elles com teda a energia, o general ro- 
mano quebrantou a sua ira, satisfeito com estas objurgatorias. Mas 
nSo sem que Ihes tornasse os cavallos, os mantimentos, os dinheiros 
da cidade com todo o outro material publico *. Isto era claramente 



^ . . ,pecìiniÌ8 publiciSf cum rdiqtio publico apparatv, ademtis. Iste dà bem a 
entender que havia uma perfeita orgamza9ao politica, e nella se estribava a or- 
ganiza9ao de ama defesa militar centra a invasilo romana. 



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158 O Archeologo Ì^ortugués 

deixà-los na in^potencia e aie na penuria. £ por firn J. Bruto, contra 
tudo quanto os Talabrigenses podiam jà esperar (praeter Bpem), resti- 
tuiu-Ihes a cidade para nella continuarem a habitar. Isto passava-se jà 
meado o see. ii, antes de Christo (138 a. C). 

Feito isto, conquistador regressou a Roma. 

Està pagina da conquista da Lusitania é tanto mais importante quanto 
é, com igual individuagào, a unica que nos resta de historia escrita dos 
oppidos lusitanos, e, embora narre um so episodio da guerra da con- 
quista, nio deiza de ser elucidativa. 

Quando li este trecho de Appiano {Appiani Alexandrini Rom. His- 
toriarum qune supersunt. Parisiis. F. Didot. MDCCCXL), confesso 
que senti amargura por n%o podermos ainda ir conversar na regimo 
do Vouga com as ruinas da cidade onde estes successos crueis se 
desfiaram, e segredar às cinzas d'aquelle abrasado patriotismo que 
mesmo sentimento, que chammejou nesses lusitanos insoffridos, ainda 
se nik) arrefentàra com o soprar sobre ellas de vinte vezes cem invernos, 
e em mais de um dia, jà da nossa existencia nacional, elle se tem ateado 
em protestos bem tumidos de caler. 

Talabriga continuou a existìr e refazer-se, atravessando a epoca 
imperatoria, corno nos attesta: 1.^, a data a que pertence a ara de 
EstorSos, sec. iii-iv; 2.®, a sua inscripgào no Itinerario (sec. iv). 

Que seculos Ihe trouxeram o ultimo acto das suas tragedias? Os do 
mal afamado frankisk barbaro ou os do pavor sarraceno mais verda- 
deiro e rea! que aqnelle^ sobretudo no territorio portugalense? 

Entrevejo pois para a archeologia portuguesa este problema: sondar 
jazigo de Talabriga, verdadeiro simbolo do nosso sentimento de 
independencia territorial e figura-se-me que mostrei onde com toda a 
probabilidade elle se deve encontrar. Espero ter eu mesmo ensejo de 
averiguar se o simples e frio raciocinio me guiou, sem desvio, até as 
trincheiras historicas, que occultam os miserandos restos de Talabriga. 

Conservar- se-ha ainda evolucionado este toponimo? Responderà o 
onomastico, paternalmente assistido pela philologia, nào se dando o 
caso mais provavel do verso susodito de Vergilio: 

Haec tum nomina eruntf nunc eunt aine nomine terrae! 

Mar90 de 1907. 

F. Alves Pereira. 

P,S. No mappa do (h'ieliusy de que me soccorri a pp. 132 e 155,Yejo nova 
Lancobriga, pelo sul de Scalabis: teremos tres? (Ver OArdi. Port, xii, 42). 



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O Archeologo Pobtugdés 159 



Medalha de D. Carlos I, commemorativa da aoclamaQfto, 
para galardoar servìQaes 

Por occasiSo das suas visitas officiaes às cortes estrangeìras cos- 
taimam os soberanos conceder mercès honorificas a certos e determi- 
nados personagens que o protocollo indica. Segando o uso geralmente 
adoptado^ essas mercés consistem em condecora(3es de antigas ordens 
militares e religiosas ou de outras semelhantes de caracter civil. 

Àpesar das distancias de categoria social que naturalmente existem 
entre as pessoas que recebem a gra9a, ha sempre meio de regularizar 
essas concessSes de modo que o gran da mercè que se confere deixe 
bem claramente manifestada a distincgSo: para uns ha as gran-cruzes, 
para outros os simples habitos de cavalleiros, bem comò as commen- 
das e OS ofBcialatos. As proprias ordens tem categorias; umas sào 
mais nobres do que outras. 

Mas estas condecora§Ses, afóra casos excepcionaes de relevantes 
servifos, nào se conferem Benito a pessoas de eerta posigào social. 
Tal restricglo embaragava os soberanos por nSo Ihes ser facil conde- 
corar, por fórma equivalente, individuos de classe ìnferior, corno, por 
exemplo, os criados que, nos pa90s onde se alojam, Ihes prestam ser- 
VÌ908. 

As gratificagoes pecuniarias, pelo seu pouco valor moral, nSo bas- 
tavam. A recompensa honorìfica, recebida das proprias mSos do mo- 
narcha, teria maior significa^ào. 

Parece que se resolveu este problema, modernamente, desde que 
OS soberanos adoptaram systema de repetir amiudadas vezes as suas 
visitas às cdrtes estrangeiras, com fim de estreitarem os lagos de 
amìzade que entre si devem manter. 
I- Crìaram-se medalhas destinadas a serera conferidas aos servì^aes^ 
] Nio sabemos de onde partiu a ideia, mas vé-se que foi geralmente 
Veita, porque grande numero de soberanos a adoptaram. Assim é 
por occasiào das suas recentes visitas a Portugal, os monarchas 

Allemanha, da Hespanha, da Inglaterra, da Saxonia e de Si^o, 
em corno Presidente da Republica Francesa, distribuiram larga- 
mente d'essae medalhas pelo pessoal que esteve ao seu servÌ90. 



^ Em regra, estae medathas sào iudependeutes ; mas, scgpindo nos consta, 
yiììsLB na^Òes annexaram-nas a algumas das suas ordeuà militares, das quaes fica- 
ram conetituindo um grau inferior. 



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160 Archeologo Portugués 

Sua Majestade El-Rei o Senhor D. Carlos criou tambem urna me- 
dalha identica, qiie ainda é pouco conhecida em Portugal, e quc, segundo 
cremos, està inedita. Vid. a estampa i. 

Tem no anverso o busto do Monarcha, em Gabello, fardado, vol- 
tado a esquerda, em cujo peito se vèem tres condecoragoes. Por baixo 
da dragona lé-se a assinatura do gravador: V. ALVES; e no exergo ha 
um pequeno florSo. Leg.: D. CARLOS I REI DE PORTUGAL. 

^. No campo, dentro de uma corea formada por dois ramos de 
carvalho, atados em baixo com um no e soltos nas extremidades, em 
cince linhas horizontaes, a seguinte inscripgao: 

28 

DE 

DEZEMBRO 

DE 

1889 

data em que Sua Majestade foi acclamado Rei. 

As medalhas sSo circulares. seu diametro é de 33 millimetros. 

Como se destinam a ser suspensas, tem argola na parte superior. 

Sào umas de prata e outras de cobre. Com a concessSo de umas 
ou de outras se differencia a ìmportancia dos servigos e a categoria 
das pessoas. 

Até hoje ainda se nio cunhou nenhum esemplar de euro, mas ex- 
cepcionalmente concederam-se duas medalhas de prata dourada, a dois 
mogos do Presidente da Republica Francesa. 

Consta-nos que o seu typo foi indicado pelo proprio Soberano. 

A primeira vez que serviram foi na viagem de Sua Majestade a 
Franga e Inglaterra, em 1904, comò averiguàmos. E, pois, no legar cor- 
respondente a està data que tem de ser coUocadas nas coUecgoes que 
estSo dispostas por ordem chronologìca, e nao no legar correspondente 
ao anno de 1889, corno poderia suppor-se. 

A escolha da data de 1889 foi na verdade muito feliz, pois que, 
por està fórma, se evita o ter de alterar repetidas vezes os cunhos, 
come succederia, se, para cada viagem, se gravasse na medalha data 
differente. 

A sua designagào officiai é de: Medalha commemorativa da cuccia- 
magào de S. AL El-Rei D. Carlos 7, ou simplesmente, Medalha d^ 
D, Carlos /.Tem ella pois o triplice caracter de — commemorativa, 
de galardào e condecorativa. 



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O Archeologo Poj^tuguès 161 

A primeira cunhagem realizou-se no mesmo anno em que comega- 
ram a servir, isto é, em 1904. Parte d'està emissào cremos que foi 
levada para Londres pela comitiva de El-Rei, e a outra parte remet- 
teu-se para Paris, onde aguardou em casa do Ministro portuguès o 
regresso do Soberano a essa cidade. 

Houve nova cunhagem em 1905, pouco tempo antes das visitas da 
Rainha de Inglaterra e do Imperador da AUemanha. 

numero dos exemplares d'està emissSo era igual ao que se ti- 
nha cunhado anteriormente. 

Distribuiram-se alguns d'estes pelos criados d'aquelles dois sobe- 
ranos. 

Em 11 de Dezembro de 1905 foram requisitadas a Casa da Moeda 
as medalhas destinadas para a viagem de El-Rei a Madrid, que se 
realizou em Maryò de 1906. 

A medaiha usa- se do lado esquerdo do peito, suspensa de uma fita 
azul-clara orlada de branco*. 

A principio concedia-se mais corno brinde ou lembranga do que 
comò mercé honorifica, por isso os nomes dos condecorados nao se re- 
gistavam. Hoje que a medaiha tem caracter definido de condecoragSo, 
ainda que particular, pois que nfto foi estabelecida por decreto, o ex- 
pediente relativo a sua concessào corre coni toda a regularidade pela 
Mordomia-Mór da Casa Real, onde existe um livro para registo dos no- 
mes dos agraciados, iniciado em Margo de 1905. 

Acompanha a medaiha um diploma, passado pelo Conde Mordomo- 
Mór, cujo modelo, reduzido, vae figurado na estampa il*. 

Sào muito poucos os portugueses condecorados com està medaiha, 
que na sua origem se destinava especialmente a estrangeiros. 

E por isso louvavel a ideia de se ter encarregado da sua fabrica- 
cao a Casa da Moeda de Lisboa, onde um artista de valor, o Sr. Ve- 
nancio Pcdrof de Macedo Alves^, soube produzir um trabalho de merito, 
que vae honrar no estrangeiro a arte da gravura no nesso pais. 

A medaiha é simples, elegante e de bom effeito. 

Por uma ordem particular de Sua Majestade, datada de 20 de 
Abril de 1907*, a sua concessào tornou-se extensiva aos criados do 



^ As prìmeiras que se distribuiram, porém, tinham fìta bipartida, verde e 
branca (còreB da Casa de Braganca). 

^ No originai as arnias e respectiva legenda sao douradas. 

' Alguns apontamentos biographicos d'estc artista eneontram-se no Biogra- 
phical Dictionary of Medalliats, de Fon-er, s. v. « Alves», e no periodico Occidente, 
n.» 683, de 20 de Dezembro de 1897, pp. 274 e 280. 

4 No archi vo da Mordomia-Mór da Casa Real. 

ii 



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162 O Archeologo Portdgués 

Pa^o que, pela assidiiidade, bom procedimento e fiel cnmprimento 
das suas obriga95es, sejam dignos de a obter. 

Tornam-se necessarias as seguintes condÌ9Ses: 

Dez annos de servigo, sem nota e mediante a informagao favora- 
vel que do postulante der o chefe de servigo, para poderem obter a 
medalha de cobre. 

Vinte annos de servigo, nas condigSes supra, para habilitarem a 
receber a medalha de prata. 

Ào agraciado com a medalha de cobre, o qual, durante mais dez 
annos merecer a benevolencia de Sua Majestade, poderi ser trocada 
a sua medalha por outra de prata. 

Excepcionalmente poderà ser conferida a medalha de prata dou- 
rada^ quando os servigos prestados forem taes que meregam essa dis- 
tincgSo; e so sera dada a quem contar pelo menos trinta annos de ser- 
VÌ90 bom e activo. 

As pessoas que se julguem com direito a essas medalhas dirigem 
o seu requerimento a Sua Majestade, entregando-o ao Mordomo-Mór, 
que por sua vez entrega a El-Rei, devidamente informado. 

Caso Sua Majestade conceda a graga, sera registado o nome do 
agraciado em livro especial, e o mesmo Mordomo-Mór Ihe passara 
um diploma. 

Foi este regulamento elaborado pelo actual illustre Mordomo-Mór, 
Sr. Conde de Sabugosa, a quem devemos muitas informagòes que 
nos serviram para este estudo, e que muito reconhecidamente agrade- 
cemos *. 

Junqueira, Junho de 1907. 

Arthur Lamas. 



Dois mlliarios ineditos 

Tr%}ect09 em territorio portiiguès, de urna via romana de Chares a Àstor^a 

N-0 Arch, Pori., vi, 146, a proposito da noticia que ahi dei de um 
miliario encontrado na igreja de S. Claudio de Gostei, pròximo do 
Castro de Avell3Ls, apresentei varias consideragSes sobre a probabi- 
lidade que de Chaves partissem differentes vias romanas, devendo 
talvez uma, attentos os vestigios que se encontram d'essa epoca, 



* Tambem temos de agradecer ao Sr. Augusto Ladislau Gerschej, fimccio- 
nario superior d'aquella reparti^aO; a benevola paciencia com que nos attendeu. 



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OAfclieoIogo Porlugijés—Vol. XII— 1907 



ESTAMPA I 





MEDALHA DE D. CARLOS 



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Archeologo Portuguès-Yol. XII- 1907 ESTAMPA II 






allenf/enao acA óf4vi^oó /ueétaaoó Aoi 



a Aoi éùfn conccdei-lhe u fneacuna ite Aiata 






(^ gonfie Q/^if/cmo Q^ói 



Siàéoa c/c oie /^O 



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O Archeologo Portugués 



163 



seguir por Valle Telhas, Torre de D. Chama, Melhe, RebordSos e Cas- 
tro de Avellàs, e d'aqni por Gimonde a Babe em direcgSo a Astorga. 

Vejo felizmente hoje confirmada està minha conjectura, pois que 
acabo de estudar em Lamalonga, povoagSo a seis kilometros a nor- 
deste da Torre de D. Chama, a que jà me tenho refendo por mais 
de urna vez no Archeologo, dois padrSes ou miliarios ultimamente 
desenterrados no adro de urna capellinha de S. JoSo, que Ihe fica 
j[anta e a noroeste^ e por onde passava a antiga estrada de Braga a 
Braganga. A capella é de construcQio moderna, mas ha no povo a vaga 
tradigSo de ter existido ali um edificio antigo (tempio romano?) de 
que se nSo véem vestigios nem se encontraram agora quando se pro- 
cedeu às obras da sua rep'ar aglio. 

Os padrSes estavam enterrados a SE. da capella, junto um do 
outro, e sSo dois cipos quasi cylindricos, de granito grosseiro, que 





Plg. !.• 



Flg. 2.» 



medem: um (fig.* 1.*) 1™,72 de alto por l'^jTS de circunferencia na 
parte mais grossa; e o outro (fig, 2.*) 1™,66 de alto por 1"*,5 de cir- 
canferencia. Este està tSo deteriorado, que nSo se Ihe véem indicios 
de ter tido qualquer inscrip§ào; naquelle, porém, posto que esteja 
tambem bastante estragado, póde ainda ler-se o que se ve na fig. 1.* 
Al.* linha està completa e bem clara, n^o admittindo duvidas, 
isto é : Imp, Flavio Vallerto, està ultima palavra com llj em vez de Va- 
imo. Na 2.* lé-se s6, mas distinctamente, COSTANTIO. A 3.* està tSo 
mal perceptivel, que so depois de longo e aturado estudo è que se 
poderSo reconstituir algumas letras: talvez OS ou b em vez de o; 
e L em vez de s. Na 4.* véem-se so distinctamente as letras que 
vao indicadas. NSo vi sinaes de outra linha. A inscripfào julgo-a fiel- 
mente copiada, regulando a grandeza das letras por 0",07. 



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164 Archeologo Portugués ^^^ 

Pena é que a 4.* linha nSo esteja toda ella bem legivel, pois n< 
estou convencido que indicava os passos (M • P •) que o locai distava 
de Aquae Flaviae, i [ f 

Ainda assim estes dois padrSes, e muito especialmente o dafig. 1/, 
constituem um achado archeologico preciosissimo e de grande valor, 
porque com os que jà se conheciam permittem marcar, em territorio 
portugués, trajecto, sem soIuqSo de contìnuidade, de uma das vias 
romanas que de Chaves se dirigiam a Asterga, conforme indicamos 
no mappa ou graphico junto. E ao mesmo tempo, se està estrada n3o 
fez parte, corno sou de parecer que fez, do Itinerario de Antonino,'"® ^ 
vae facilitar muitissimo a fixaQào das suas estagSes ou cidades tao ar« 
den temente procuradas. Quem conhecer a natureza do terreno d^esta 
regimo, todo montanhoso e cortado de caudelosas linhas de agua, veri-^ 
que seguimento d'està via é o mais naturai, pois encurtava as dis» 
tancias entre as principaes esta(oes que ella liga,ya. 

E de toda a justiga que mencione aqui os nomes dos Ex."™®* Srs. 
General Antonio Augusto de Miranda, Rev. Abbade Domingos Lopes 
da Silva e Diego Pinto da Silva : aquelles, porque providenciaram para 
que estes dois monumentos nao fossem destruidos e com o maior inte- 
resse e a mais decidida vontade me coadjuvaram e auxiliaram no seu ea- 
tudo^ este, porque é um verdadeiro benemerito, sendo quasi a expensas 
suas que se fizeram as repara95es da capella, que importaram ainda em 
bastante dinheiro, contribuindo o povo apenas com diminuta quantia, 
E assim se salvou o templozinho de desapparecer dentro em pouco, 
por causa do estado de ruina em que se encontrava, e se tiraram de 
debaixo da terra estes dois monumentos que langam tanta luz sobr€ 
a historia do passado, jà tSo distante, d'està regimo. 

Braganga Janeiro de 1907. 

Albino Pereira Lopo. ^^^ 



Numismatioa portuguesa em 

rcal preto vi 

Bb< 



Em um estudo que fizemos sobre a origem do ceitil de cohre, pu^^ 
blicado no Arch. Pori., vili, 24, pretendemos demonstrar que a pri^ 
meira emissEo d'aquella moeda se deveria attribuir ao reinado àc/i. 
D. Alfonso V e nSo ao de D. JoSo 1, comò em differentes publicagoei'*?/' 
tinha sido affirmado pelos escritores que por essa occasiao citàmos 



05 



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na carta itineraria do Corpo do 
•ìtrados. 




Rcbordaos 



eram oadroes ou miiiarioi 



1 



250:000 



* /'//./ì>fAénf 16-OusIlhSo tcm ppoximo urh importante castro vf^- 
\ 'cA /V S.^/?f mano. 

17- Em Milhao ha um castro romano pento da sruinas 
de S. Pedro Veiho de Babei 

'IS-Das antiqui dades dcRebordaos veia-se O.ArcJf, 



em Goslei 
368 è romana 
veja-5e 
< a bore romana- 
;ito domiiia. 

a. 
:h.Py.3.ya 

05 romanos. 



Sraq^ncéf -Ja/?e/ro c/e /So7 



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.vi^-'A 



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Archeologo Portugués 165 

As proposiQÒes a que avangàmos, e as provas que adduzixnos em 
defesa da nossa ideia, eram jiistificadas por citaQ^es extrahidas de 
varias obras antigas e modernas, muito particularmente das Ordenagdes 
AffoDsinas e Manoelinas, provas que até hoje nSo foram contraditadas, 
oem a conclusXo que d'ahi tiràmos foi impugnada, parecendo^ por- 
tanto, estar a razSo do nosso lado. 

Comtudo, alguma cousa de importante deixàmos por dizer, Beando, 
por esse facto, incompleto aquelle traballio. 

Mnito naturalmente, ao espirito das pessoas que se dedicam ao 
cstndo da Numismatica, e que leram aquella monographia, occorreu 
decerto a seguinte objec(So: 

Se a moeda que Teixeira de AragSo apresenta corno ceitil na est. ix 
do voi. I da sua obra* sob o n.® 35, talvez na intengSo de authenticar 
a noticia que d'esse numisma nos dà Severim de Faria*, (alias sem 
fondamento algum), nào é realmente o ceitil de cobre, que nioeda é entSo? 

Foi este tambem o pensamento que mais tarde nos assaltou, quando 
nos convencemos de que a cunhagem de urna moeda de cobre nJo podia 
ser em resultado de medida economica, corno julgàmos, quando pela 
primeira vez tratàmos este assunto, mas sim uma necessidade que se 
imponha, e por isso, procedendo a varias investigaQSes, obtivemos 
resultado que vamos expor. 



NSo ha duvida alguma de que a moeda de que se trata é de cobre, 
ffig. 1.*), e, comò tal, a primeira que se cunhou no reino, sem liga de 
qualquer outro metal. 




Mas, a circumstancia de serem depois, nos reinados de D. Aflfonso V 
e seus successores, lavrados os verdadeiros ceitù naquelle metal, nio 



* Ducripqào geral e historica das moedas cunhadcu em nome doa reUy regentes 
« govemadore» de Portugal, 1874. 

* ^^otieia$ de Portugal, dÌBCurso iv, g 27.<», 1.» ed., 1653, pp. 180 e 181. 



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166 Archeologo Pobtugués 

« 

é, corno cremos, razfto sufficiente, nem base segura, para se dar Ul 
classìficafSlo àquella moeda, que é manifestamente urna copia, reduzida^ 
do real de 3 */» libras *. 

Pertanto a denominafJo de ceitU, dada por Teixeira de AragSo a està 
moeda, que nenhuma rela9So de peso, typo e valor tem, que a possa 
assimilar ao legitimo ceitil dos reinados subsequentes, parece-nos im- 
propria e inacceitavel, visto que, sendo de cobre puro, corno està pro- 
vado pelas analyses feitas, tornando-se por isso distincta das soas 
predecessoras, e nào podendo ser recebida pelo povo com valor iden- 
tico ao primitivo real de 3 */« libras, foi-lhe dado, corno veremos, um 
outro mais inferior, com o qual te ve curso, nSo so nos ultimos annos 
do reinado de D. Joio I, mas tambem no de D. Duarte, o que se 
verifica no exemplar desenhado na fig. 2.*, cuja semelhanfa é indis- 
cutivel, e à qual Teixeira de Aragào, por coherencia, teve de denomi- 
nar ceitil. 




Tambem se nao j^óde considerar quebra de moeda, porque nesse 
caso, deveria ella center uma liga qualquer de prata ou estanho, por 
pequena que fosse. 

Se attendermos ainda a que naquella epoca* se achavam em cir- 
culagSLo, alem dos reaes brancos, outras moedas chamadas grossas, 
e que escasseavam no mercado as de pouco valor para as pequenas 
despesas, comò se ve de um documento de que adeante muito teremos 
de nos servir, no qual se diz: «que a dita moeda ^ he logo tam pouco 
» quanto necessareo he para vzo comum, a saber pera esmolla e pera 
•compra de cousas meudas», temos de concluir que a moeda represen- 
tada na fig. 1.* foi destinada a ter um valor minimo, devendo conside- 
rar-se, com muita probabilidade, o primeiro real chamado preto para se 
distinguir dos reaes brancoa. 

Està distincgSo entre o real preto e o branco consistia apenas na 
rela9So de valor entre as duas moedas, mas nSU) no seu typo, pois que 



1 Teixeira de AragSo, ob. cit, t. i, est. viii, n.*»' 12 a 17. 
> TTansÌ9&o do reinado de D. JoSo I, para o de seu filho D. Duarte, 1432 
a 1434. 

' Real preto de 3 Vi libras. 



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O Archeologo Portugués 



167 



sao bastante semelhantes ; e essa semelhan9a aecentua-se mais no rei- 
nado de D. Duarte, nomeadamente na cunhagem feita na casa mone- 
taria do Porto, onde o recU preto, na sua disposi^So geral, parece quasi 
ama copia do real branco, guardadas as propor^Ses devidas a cada uma 
das referidas moedas (Figs. 3.^ e 4.*). 




O facto de encontrarmos nos reinados de D. Duarte e D. AflFonsoV 
uma outra moeda, de pequeno modulo, com a denominagao de reaì preto, 
(figs. 5.* e 6.*), longe de destruir a nossa conjectura, vem confirmà-la? 




Fip. 5.* 




porque essa pequenez de modulo é devida, naturalmente, a ter a moeda 
soffrido uma reducfSo qualquer, obedecendo assim à regra geral a que 
as moedas anteriores foram mais ou menos submettidas desde o reinado 
de D. Fernando e multo particularmente no de D. Joào I, que, comò 
se sabe, consistia na successiva diminuigSo de modulo, toque e peso, 
e augmento de valor. 

Poucos escritos encontràmos elucidativos do assunto que nos inte- 
ressa, e, esses raesmos acham-se publicados e por diversas vezes citados 
no voi. I da obra de Teixeira de Aragào, onde se nos deparam muitos 
elementos de estudo bastante valiosos. 

Analysando cuidadosamente um documento comprovativo que se 
ve a p. 374 do refendo voi. i, e cujo originai existe no Archivo Na- 
cional, Sala da Livraria, n.** 15-A, Remessa de Santarem n.® 16*, 



^ Em uma folha de pape) coUada no interior de urna das capas d'este codice, 
encoDtra-se a seguinte nota. = Na remeesa de documentos, que a Camara de San- 
tarem fez para o Real Archivo, veio um livro com capa de pergaminho e com 



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168 Archeologo Portugués 

nelle achamos varios esclarecimentos de siibida importancia que vamos 
extractar. 

Em 1470, D. AfFonso V fez expedir para a Camara Municipal do 
Porto e outras, urna carta regia *, consultando-as sobre a fórma de se 
remediarem os males que ao commercio causavam as moedas de Cas- 
tella, e documento a que acima nos referimos, parece constituir a res- 
posta dada pela Camara Municipal de Santarem. 

Prescindindo da maior parte dos assuntos que essa resposta contém, 
por serem estranhos ao nosso proposito, vamos colher o que ali se 
diz com respeito a moedas de cobre, e que muito nos esclarece. 

Nao tem este importante documento data nem principio, mas 
abrange epocas diversas, parecendo ser urna compila9So de anteriores 
consultas, ou resenha de opinioes economicas, expostas em periodos 
distanciados sendo a mais notavel justamente a que respeita ao reinado 
de D. Duarte. 



o n.° 16, todo desencadernado, jà truncado e sem priucipio. No verso da capa da 
frente trazia a declara^So seguinte — Portcnce à 5.* estante, volume 10.** Tem a 
mesmo 107 fblhas, principia em folhas 51 ; falta a foiba 54, foiba 60 até 63 e foiba 
96. Foi recolbido no Archivo separadamente no Armario 36. Cumpre advertir qne 
José Anastacio de Figaeiredo, na Sinopsis Chronologica, cita o mesmo livro da 
maneira seguinte: «Real Arcbivo da Torre do Tombo Liv.° N.° 16 da Remeesa 

de Santarem. Estante 5, voi. 10.° fol » comò se póde ver no 1. 1 p. 147, ou«Real 

Archivo da Torre do Tombo Liv. n.* 16, da Remessa de Santarem fol » comò 

se vera no dito tomo i p. 151. As noticias mais circunstanciadas serao expendidas 
no Inventario do Arcbivo, quando do mesmo livro se tratar. (a) Francisco Nune» 
Franklin. 

1 A carta regia encontra-se na Collec^ào de Cortes, da Academia Real das 
Sciencias, t. iv, p. 57, e é do teor seguinte : « Juizes, vereadores, procurador e ho- 
«meeus boòs da cidade do Porto nos el Rey vos envjamos muito saudar, fazemo» 
«saber que consyramdo nos ho gramde damno que recebem nossos rregnnos pelo 
«gramde danificamento dns moedas dos rregnnos de Castella veendo que sse a elio 
•nSo posermos cedo alguum rremedio que cada vez o rreceberam mayor, orde- 
nnamos de proveer sobello e fazer alguua moeda tal que seja nosso 8ervÌ90 e pro- 
«veito do nosso poboo, e porem vos encomendamos que vos ajuntees com pessoas 
■que nello entemdam e avido vosso sobrello nos escrepuee o que vos acerqaa 
«dello parece e se moedo vos parecer que he necessario de se fazer nos escrepuee 
•e que jamda e de que lev e talba vos parece que he bem de a fazermos, e esto 
•seja o mais em breve que vos poderdes, por que loguo com nosso conselho e o que 
•parecer a lizboa e a vos e aas outras villas e luguares de nossos regnnos orde- 
•naremos comò se a elio de rremedio o melhor qne podermos. Escripta em San- 
•tarem 9 dias de dezembro. G." Boiz a fez anno 1470. = REY. . .» 



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O Abcheologo Portugués 169 

Cometa elle por historiar o systema monetario de D. Diniz e o dos 
remados seguintes até D. AfFonso V, e acha-se dividido em paragraphos. 

assunto que nos interessa trata-se nos §§ 5.®, 9.® e 10.**, dizendo-se, 
no segundo d'elles, o seguinte: «E quanto he este presente tempo em 
>que somos desta era presente do nascimento de nosso senhor Ihu zp5 
>de 1435 annos se correm reaes de 10 reaes pega dos quaees som os 
•de mais delles de ley de um dinheiro E em 836 delles ha huum marco 
»de prata de ley de 1 1 dinheiros estes sobredictos reaes de 10 em peja 
vsom reaes brancos dos de 35 libras E em cada huum destes reaes 
fbrancos ha 10 reaes pretos que som de 3 libras mea cada hua pe^ 
i>d'elles9j 

Està notizia dada com rela9lò ao anno de 1435 assegura-nos que, 
tndo quanto d'aqui se eztractar, deve considerar-se argumento indis- 
cutivel, para comprovar a existencia do reaipreto^ chamado ainda, e sem- 
pre, de 3 V« libras, por ter sido està a sua primitiva designarlo, e, tanto 
mais està citarlo nos aproveita, quanto é certo que se estava no ter- 
ceiro anno do reinado de D. Duarte, attingindo, sem duvida, as refe- 
rencias d'aquelles paragraphos os ultimos annós do reinado do Mestre 
de Aviz e os primeiros de seu filho, que é precisamente o periodo em 
que incidem as nossas pesquisas. 

Cumpre-nos agora mostrar comò o real de 3 */« libras ou 70 soldos 
que tinha sido lavrado nos annos de 1398 a 1408, foi reduzido no seu 
modulo, peso, toque e valor, passando a chamar-se real j^reto dos que 
eram precisos dez para perfazer um real branco, facto que se devia 
ter dado no periodo que decorre d^aquella data até 1433, em que 
D. Joào I falleceu. 

Encontra-se a prova cabal no mesmo documento*, onde se léem 
OS seguintes periodos: «E porem declarando estes reaes de 10 reaes 
jpega, sabede que sam dos de dez reaes pretos em os quaes 10 delles 
>ha huum reair branco: E contando em cada huum d'estes reaees 
ipretos 3 libras */« por cada hua pega d'elles, seriam em o reali branco 
>35 libras por que no real branco som 10 reaes destes pretos, etc. 
e amda na mesma resposta da Camara Municipal de Santarem, quando 
diz^: «E em rezam dos reaes pretos de 3 libras mea que se ora lauram 
»que sam sem nenhuma liga de prata e dez delles valem hum reali 
•branco, he muito grande torvagam ao Reyno porque as pessoas que 



1 Remessa de Santarem, fi. 52, lin. 17. 

2 Documento ctV., fl. 51 v, lin. 14. 

' Documento cit,, folhas 52, linha 38 e folhas 52 v. 



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170 O Archeologo Pobtugués 

»tein OS reaes brancos guardam nos e non nos qnerem trazer a vzo co- 
)>mum porque segando o valor do cobre de que elles sam feitos 30 delle» 
ideviam de valler huum Real branco e mais nam e esto porque nom 
»tem liga nenhua de prata ca sam de cobre^. 

Fica, pertanto, claramente demonstrado: 

1.** Que primitivo real de 3^/% libras ou 70 soldos foi reduzido 
no modulo, corno se ve dos exemplares que representamos nas figs. 
J.*2.' e 4.* 

2.*^ Que foi reduzido no peso, pois que, tendo sido de bolhSlo e pe- 
sando na sua origem 51 a 55.gràos, os de cobre apenas variam entre 
24 e 38. 

3.^ Que tambem foi reduzido no seu valor, visto que eram precisos 
dez para perfazer um recd branco, quando este, anterioimente, Ihe era 
inferìor, n^ so no toque corno em valor. 

Ainda mais: no documento que vimos extractando* encontra-se 
mais urna prova indiscutivel de que o n,° 35 de Aragào, representado 
na nossa fig. 1.^ é o real preto^ pois diz que, em 1345, um marco 
de prata da lei de 1 1 dinheiros, produzia 8:360 reaes pretos, lavrados 
a razào de 120 pe^as por marco, o que devia dar de peso a cada 
uma d'ellas pouco mais ou menos 38 gràos, que é o que effectivamentc 
se encontra nos de D. JoSo I e de D. Duarte, pertanto impossivel 
de se confundir com as moedas de D. Duarte e D. Affonso V que damos 
nas figs. 5.* e 6.', que apenas tem de peso 15 a 18 gràos, e com os 
quaes poderia haver ideia de confundir pela analogia do nome, o que 
seria sem fundamento, visto que estas pequenas moedas, se assim 
se denominam e o typo é semelhante às outras, o seu peso indica cla- 
ramente serem uma reducg&o, comò acima se diz. 

Alem d'isto, nlo havendo duvida alguma de que, tanto no reinado 
de D. Jole I, comò no de D. Duarte, os reaes pretos tiveram curso, 
nSo encontramos entre as moedas conhecidas e cunhadas por estes dois 
monarchas, nenhuma outra, a nào ser aquella de que vimos tratando. 
que pudesse ter essa denomina9ao. 



A falta de legislajSo monetaria, e, em vista dos elementos que 
temos apresentado, nSo nos parece infundada a conjectura que fa- 



* Documento cit,, fl. 56 v, liu. 28. 



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Archeologo Portugués 171 

zemos de que, por motivo da expedigào a Ceuta, ao lavrar-se em 1415 
a moeda quo vae desenhada na fig. 7.^, e à qaal foi depois dado o nome 




de real branco, D. JoSo I ordenaàse a cunhagem, em cobre, do real 
preto^, ou està moeda, por ser multo baìxa, viesse a ter esse nome, 
corno era uso em outros paises naquella epoca*. 

Como ceitil é que ella nunca deveria ter sido eonsiderada, por isso 
que essa designa9So nao era eonhecida ao tempo, nem comò tal apparece 
citada em documento algum authentico^. 

Pelo contrario, Viterbo* da-nos noticia de um titulo pertencente 
a Santo Tirso com data de 1419, ìsto é, quatro annos depois da lavra- 
gem dos reaes de 35 libras (ou reaes brancos) a que acima alludimos, 
no qual se acba escrito, mil e duzentos reaes brancos de dez reaes cada um. 

NUo se póde duvidar que os dez reaes, a que o titulo de Santo 
Tirso allude, deviam ser os reaes pretos, porque, segundo o que se 
deduz do que temos apresentado, erara dez d'elles que perfaziam o 
Ttal branco de 35 libras, e, esse valor de decima parte, era ainda 
assim tido pela Camara Municipal de Santarem comò exagerado, pois 
diz na sua consulta, comò acima se ve, que o real branco deveria va- 
ler trinta rea^es pretosj e nSo dez, tal era a differeuQa que se dava 
entro urna e outra moeda. 

Por ultimo, em 1422, fazendo-se uma notavel remodelagSo de va- 
ores em todo o systema monetario de D. Joao I, o real de 3 */« libras, 



^ FemSo Lopes, Chronica de D. Joào /, parte i, cap. l, e Historia da Sociedade 
m Portugal no sec. xv, por Costa Lobo, cap. iv, p. 291. 

2 Na idade media a moeda denominava- se Wanca onpreta, segundo continha 
liga de prata ou era so de cobre, argentum nigrum. 

' A pag. 221 do voi. i da ob. cit, deTeizeira de AragSo, diz o autor, tra- 
tando das moedas que na sua est. x tem os n.<>* 5 e 6 de D. Duarte (figs. 2.* e 4.*), 
que no reinado seguinte deixaram ellas de ter as iniciaes do rei, passando a ter 
as torres de Ceuta, e qut entào tomaram o nome de ceitiL 

♦ Elucidario, t. ii, p. 269. 



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172 O Archeologo Portugués 

com a indicagào de antigo, e conservando sempre a sua primeira de- 

signa(ào, passou a ter o valor do redi branco *. 

Està é a prova decisiva de que o real de 3 Ya libras, da liga de 

3 e 1 y^ dinheiros^, teve em todo o tempo um subido valor, apesar do 

constante envilecimento da moeda, ao passo que o.seu derivado valeu 

sempre dez vezes menos, por ser de cobre puro, e, por isso, conhecido 

pelo nome de real preto. 

Lisboa, Junho de 1907. 

Febreira Braga. 



InscripgSes romanas de Castello Branco 

Ao apreciar com a sua habitual benevolencia de sincero amigo 

umas paginas por mim publicadas em 1903 a proposito de algumas 

antigualhas dos arredores de Castello Branco, referiu-se o Sr. Dr. 

Lei te de Vasconcellos a uma tegula que encontrei e descrevi e na qual 

se via, marcada com carimbo na pasta ainda molle, a seguinte inscri- 

pcSo : 

DAIO 

« TemoB aqui, diz, a primeira inscripqào romana registada no aro de 
Castello Branco, Pelo meìios o Corpus^ nào menciona ahi neìihumat^. 
Nào teve comtudo a primazia essa inscrip9ào. Uma existia publicada 
desde 1891 '\ É a seguinte: 

LVCANO. AN. XXX 
AM(ENA.= AN. XVL MAXI 
M^. AN. XIIL CILIVS 
BOVTE. PATER. ET SVNVA 
APANONIS. F. MATER 



^ E com essa detfigna^&o e equivalencia de valor se conservoii por multo 
tempo, comò se yé de um artigo do Sr. Anselmo Braacamp, intìtalado «A honra 
de Resende», publicado no Archivo Histortco, ly, 30, no qual, tratando-se de um 
contrato antenupcial, celebrado em 1450, isto é, 52 annos depois da primeira 
emissao dos reaes do' 3 V2 libras; se estipala uma ten9a de 20:000 reaes, oa 
700:000 libras. 

2 Documento cit, fi. 52, lins. 7 a 9, Bemessa de Santarem, 

' Corpus Inscriptionum Latinarum, por Emilio Hùbner. 

* Vid. Ardi. Pori., viii (1903), p. 318. 

5 Vid. A. Boxo, Monographia de CaatéUo Branco (Elvas 1891), p. 10. Embora 
està copia me pare9a errada, reproduzo-a sem altera^ao, e tal qual se encontra 
na obra citada a cima. 



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O Archeologo Portuguès 173 

Perdeu-se quando foi demolida a parte da muralha da cìdade, onde 
■estava mettida, comò material, junto da Porta da TraigSo. 

A nSo ser em trabalhos manuscritos ainda ineditos ^y nenhuma 
ODtra copia existe, que eu saiba, de inscripgSes apparecidas no aro 
d'està Gidade. Apenas um autor affirma ter visto il dentro da villa* e 
nos campos vizinhos, algumas inscripgoesi^^ e d'ellas prometteu dar no- 
ticia na segunda parte das suas Memorias ^. Mas essa segunda parte 
nio chegou a ser publicada, «.talvez em razào da morie do autor», corno 
diz Innocencio*. 

Em uma foiba locaP, noticiei o apparecimento de duas inscripgSes 
romanas dentro dos muros da cidade de Castello Branco^. Motivos di- 
versos levaram-me a publicà-las precìpitadamente e antes de comple- 
tamente realizada a tentativa de reconstituigào do seu contexto. 

Facto é esse, que me induz agora a publicà-las novamente e a apro- 
Yeitar o ensejo para tornar conhecidas outras, que desde entao encontrei 
« recolhi na faxa de territorio que me propus estudar, sem me desvia- 
rem d'ÌBso as difBculdades do assunto. 

* 

A primeira inscrìpgSlo encontrada estava ha tempos immemoriaes 
fazendo parte de uma umbreira de portai na parte mais alta do burgo. 

^ Doìb s. n. pertencentes à minha collec^ào e um pertencente hoje ao 8r. 
A. P. Correla d'està cidade. 

^ Castello Branco é cidade desde 1771. 

3 Memorici para a hiatoria ecclesiastica do hispado da Guarda, por Manoel 
Pereira da Silva Le al, (Lisboa 1729), parte i e unica, p. 334. 

* Vid. Dicctonario bibliographico portuguès, vi, 81. 

* Vid. Districto de Castello Branco, n.» 756 de 1 de Dezembro de 1904. 

® locai onde hoje se ve a cidade de Castello Branco parece ter sido pri- 
mitivamente um castro, corno o foi o Monte de S. Martinho, que Ihe fica fronteiro. 
À proposito d'este ultimo e de dois curiosos monumentos nelle encontrados, podem 
ver-se algumas referencias nos mcus opusculos : 

a) Notict sur deux monuments épigraphiques (Coimbra 1905). 

b) Dr. Capitan e a vNotice sur deux monuments, etc» (Coimbra 1906). 

e) Congresso prehistorico de Franga, artigo na revista do Instituto de Coim- 
bra, vol.v, de que depois se fez separata (Coimbra 1906). 

£ ainda as seguintes: 

a) Compte-rendu du Congres préhistorique de France (sessSo de Perigueux, 
1905), (Paris 1906), p. 281 e sgs. 

6) Revùe de V Ecole d'Anthropologie de Paris («0 disparate do Dr. Capitan»), 
Novembro de 1905, p. 384, 

e) UHomme préhistorique, ni (1905), pp. 345, 351 e 352, e principalmente 
p. 379. 

d) Arch, Port,, x (1905), 403, e xi (1906), 128. 



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174 O Archeologo Poktugués 

E urna inacripgào tumular, gravada em um pedalo de granito de 
grSo fino (0'",83 X 0™,43 X 0'»,24). As letras bastante apagadas, em 
virtude da deterioraglto da superficie da pedra pelo tempo e pelo 
vandalismo das popuIa$8es que por aqui germìnaram durante tSo largos 
annos, léem-se a custo. Dizem o seguinte: 

CILIAE FILAE 

SVAE ET SVNVAE FLA 

VI NERII SVAE 
SVNVA DSFC 

Na primeira linha ha restos de mais 7 letras. As mìnhas tentativas 
de restituisse dSo, umas vezes: 

LVBAECI 

outras : 

LVPARCI 

e ainda: 

IVBAECI 

Na 4.* linha ha tambem mais seis ou sete letras bastante apagadas. 
Parece-me ler o seguinte: 

ETSIBIF 



A segunda inscripgao està gravada na parte centrai de uma ara de- 
dicada a uma divindade qualquer, cujo nome ainda nSo consegui re- 
constituir. Encontra-se em pessimo estado e as letras quasi apagadas 
por completo. Reproduzo apenas as que consigo ler: 

ARATE 
ROVIR 

V \ Cvl \ S 
L \ I B 
ILB"RI 

Està inscripgSo estava mettida, comò material, na parede de uma 
casa nos arrabaldes da cidade. A parte superior e a inferior da ara 
foram desbastadas. Em todo o caso, a parte em que estava gravada 



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O Abcheologo Portugués 175 

ainscripgao, està completa (0™,47X0'",30X0'",22); a difficuldade da 
leitura resulta unicamente da deterioragào da superficie da pedra. 



A terceira ìnscripgSIkO foi marcada com carimbo na pasta ainda 
molle de urna tegula. As suas letras mostram-nos o nome do oleiro^ 
oa da officina onde a tegula foi fabricada. Na lista de algumas cen- 
tenas de nomes de oleiros e officìnas romanas, conhecidas hoje pelas 
ceramicas marcadas ou carimbadas dos museus da Europa ', nenhum 
encontrei que se assemelhe ao da tegula da coUec^ao albicastrense. 
Està tegula foi encontrada durante as pesquisas a que procedi em 
S. Martinho em 1905*, e é hoje publicada pela primeira vez. 

Embora apparecesse em um locai habitado ao tempo da dominasse 
romana, póde dar-se o caso de center o nome de qualquer artista ou 
officina medieval, visto ser provado que o uso das tegulas continuou 
depois do periodo luso-romano. Prefiro comtudo attribui-la a um ar- 
tista romano. 

resnltado dos esforgos empregados para a sua leitura é o se- 
gainte : 

DIVOI 

umas vezes; e outras (intervindo-a) : 

lONCI 



Alem d'estas inscripgSes provenientes da cidade de Castello Branco, 
ou das suas immediagSes, outras deram entrada na minha collecgao. 
Devo-as à amavel generosidade de alguns amigos. 

SSo as seguintes: 

1.* Urna pequena ara (0"*,3 1X0", 14X0,07) dedicada a Juppiter 
Conservador, encontrada juntamente com outros vestigios archaicos 
entre Escallos-de-Cima ^ e Lousa, a 15 kilometros de Castello Branco. 



^ Cf. La poterle antique parlante, de Théophile Habert, p. 177 e sgs., e Lea 
vates eéramiques orfié» de la Gaule Romaine, por Joseph Dechelette, i, p. 245 e 
sgs.; e ZI, p. 353 e sgs. 

2 A tres kilometros de Castello Branco (vid. nota 9). 

3 Em Escallos-de-Cima, alem dos restos de edifica9de8 romanas que se en- 
contram a pouco mais de um kìlometro, ha urna anta quasi destruida. Occupar- 
me-hei d'ella noutra occasiào. 



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176 O Archeologo Pobtugués 

Foi amavelmente offerecida para a minha coUecgXo pelo Sr. Vis- 
conde de Castello Novo, em 1904. Diz o segainte*: 

JOVI OPTI 
MO M CO 
NS IvL RVF« 
NA ANI L 
P0NIT*3 

2.^ Metade de urna inscripg&o tumular encontrada ha poucos annos 
entre Samadas e Villa- Velha-de-Ródam, num locai que eu tenciono 
explorar em occasiSo opportuna. Foi generosamente offerecida para 
està collecgào pelo dono da propriedade, o meu prezado primo Luis 
de Sampaio Torres Fevereiro, em 1905. Apesar do pessimo estado 
da superficie da pedra (0™,45X0™,36 X0'",21) consigo ler o seguinte: 

....ISI F CON 
....lENSI ANIX 
....RA PATERNI* F 
....RITO F C * 

A fractura d^esta pedra separou (e quem sabe se para sempre!), 
da metade que cu possuo, a primeira parte da inscrip9ao que, pela 
designagào locativa que continha (lin. 2) podia ser talvez de grande 
valor para o estudo das antiguidades d'està regiSo. 

3.* Metade de uma ara dedicada & densa Arencia e ao deus Aren- 
cio^. A parte que possuo d'està inscripgao està nitidamente gravada 



1 De todas estas mscrip95es, copio apenas os sinaes ou letras nào duvidosos. 

2 RVPNA ou RVHNA? 

3 No mesmo locai appareceu ha annos outra ara, igualmente dedicada a 
Japiter Conservador, na qaal o nome da divindade està escrito com todas as le- 
tras. Referir-se-ha opportunamente a ella o meu amigo e sabio collega Dr. Felix 
Alvea Pereira. 

* No comedo da 1.* e da 2.' linha nSo figura nenhuma letra completa, porque 
tra^o que esiste visivel tanto póde ter pertencido a um M, corno a um N, corno 
a um I. Tambem, no final da 2.* linha parece que nunca houve ponto entre o N 
e o I de IX. E pois arriscado affirmar se a leitura deve ser A N I • X ou se 
AN IX. 

* Vid. Dr. J. Leite de Vasconcellos, Rdigives da Luaitania, voi. xi, p. 312 
e sgs., e especialmente p. 822. 



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O Archeologo Portugués 



177 



em nm bloco de granito (0'",45X0™,26X0"\23) multo micaceo, e ad- 
miravelmente conservada. E possìvel qua a parte inferior da inscrip92o 
(duas ou tres linhas) seja encontrada quando eu realizar umas pesquisas, 
jÀ planeadas, no locai em que està ara foi encontrada, proximo da pò- 
voaQSo Ninho-do-AQor, onde teem apparecido ontras antigualhas. 

Faz parte da minha collecQlo desde Janeiro de 1906, mercé da 
amabilidade do meu muito prezado amigo Padre Manoel Martina, dit»- 
tincto professor no collegio de S. Fiel. Diz o seguinte: 



ARENtAET; 

AREJN* 

MO^A 

NVS 
TAN©« 







4.* Finalmente, em 16 de Janeiro d'este anno, adquiri por compra 
em Condeixa-a-Velha, entre outros objectos*, um fragmento da parte 



^ [0 deus Arentitts figura na inscrip9ao corno pàredro da deusa Arentia, Cfr. 
Fotdanus et Fontana em uma ÌDscrip92lo romana de Bencatel, hoje perdida. as- 
pecto adjectival da terminacfto de Arentius e de Arenila faz crer que o caracter 
das divindades estava muito proximo da sua origem primitiva, porque ellas eram 
mais censi deradas comò gualidades do quo corno mbstancias; quem proferia essas 
palavras, subentendia mentalmente ainda deus e dea. No Museu Ethnologico ha 
ama ara consagrada a Arentius. A respectiva inscrip^&o foi publicada nas Beli- 
gioes da LustianiOy ii, 322; comò porém saiu com algamas inexactiddes, reprodu- 
zo-a aqui: AREÌIiO || SVNVA || CAfALI • F || V# SLM || . Tanto na !.• linha, 
corno na 3.*, ha letras enla^adas ou nezos ; a ultima letra da 3.* linha é F, mas 
a pedra tem uma falha, o que faz parecer P ao repente (e assim pareceu ao gra- 
ndor da fig. 71.* do meu livro) \ depois do V da 4.* linha ha uma depressSo na 
pedra, semelhante a ponto, embora nSo se percebam pontos depois das letras 
seguintes (o unico ponto claro na inserì p^So é o que està na 3.* linha). — J. L. 

DB V.]. 

^ Alem de algumas dezenas de moedas romanas, de prata e de cobra, os se- 
guintes objectos: 2 camapheus, 1 fivela de bronzo iuteira (typo commum de 
Commbrij?a e Briteiros ; vid. J. Fortes, Fihulas e fivelas^ pp. 9 e 10 ou Arch. 
Pori., voi. IX (19<)4), pp. 7 e 8), lins 15 machados de pedra polida (um de fibolite), 
metade de uma bacia de O',40 de diametro, com a marca SABINI tra9ada com 
ponteiro no rebordo, quando o barro ainda estava molle, etc. 

12 



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178 Archeologo Poetugués 

centrai de urna inscrip^So romana nitidamente gravada em rocha cai* 
careà. Contém apenas duas letras: AR, cujas dimensòes me impedem 
de as attribuir às inscrip^oes fragmentadas da mesma proveniencia, 
hoje guardadas no museu do Instituto de Coimbra. Tenho asaini um 
elemento para affirmar a existencia, em epocas remotas, de mais urna 
inscrip9ào romana no conhecido oppidum de Condeixa-a-Velha, ao qiial 
me prendem gratas recordaQSes dos meus primeiros ensaios de cavou- 
queiro nesta encantadora sciencia das cottsas-velhas. 

ò.^ Urna inscripQào tumular romana, encontrada ha 15 annos em 
uma quinta que a Sr.* D. Maria da Piedade Ordaz possue a pequena 
distancia de Castello Novo. A S. Ex.* se deve o existir ainda hoje 
està lapide, que durante muitos annos serviu de amoladeira de facas. 
Felizmente os barbaros amoladores respeitaram a face gravada, e ne- 
nhuma letra foi destruida. A Ex."' Sr.* D. Maria da Piedade agra- 
de90 eu hoje o ter salvado està lapide da destrui^So que a esperava, 
e ofFerecimentò que d'ella fez à minha collec9ao. A inscrip9So diz 
seguinte: 

CAIOCAENONIS. 

F ETCL CMIMAE* 

CLSEVERVS 

PATRI ET- MATRI 
FC 

Castello Branco, 18 de Mar90 de 1907. 

F. Tavares de Proen^a Junior. 



Os pergaminhos da Oamara de Ponte de Lima ^iiLl\ 

Com duplo firn de exercita9ào paleographica e de ver se encon- 
trava algumas noticias que fossem uteis ao meu vizinho concelho dos 
Arcos de Valdevez, emprehendi a lei tura dos pergaminhos do archi vo 
municipal de Ponte de Lima. 

Depois, no decurso d'essa leitura, vendo a desordem em que esta- 
vam e notando que a sua numera9ào era completamente arbitraria, 
e nSo respeitava ordem chronologica nem qualidade de assuntos, o que 
tornava demorada a sua consulta, apesar de o numero nao passar 



:CMINAE? 



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Archeologo Poetugués 179 

muito de se tenta, — resolvi fazer d'elles breve indiculo, oii resumido 
catalogo, dìspondo-os pela ordem chronologìca e siibstituindo-Ihes a 
namera^Io antiga, a firn de poupar a quem de novo os quisesse com- 
pulsar tanto tempo corno eu gastei, — embora com a compensa9ào, pelo 
menos, de travar conhecimento directo com o portugués arcaico a 
partir do primeiro quartel do sec. xiv. 

Coiiversando eu um dia com o meu amigo e compatricio, o Sr. Dr. 
Felix Àlve^ Pereira, a respeito d'estes pergaminhos e do meu in- 
tento de OS catalogar para uso da Camara e commodidade dos estu- 
dìosos, lembrou-me elle a conveniencia de publicar este catalogo n-0 
Archeologo Portugties, a exemplo do que aqui tem feito o douto Abbade 
de Tàgilde a respeito dos pergaminhos que ainda restam na CoUegiada 
de GuimarSes. 

Para me auxiliar. a leitura, que eu ia fazendo sem guia nenhum, 
teve Sr. Dr. Alves Pereira a amabilidade de me emprestar um livro 
de paleographia, e, para me convencer de que nSLo eram sem impor- 
lancia os pergaminhos do archivo municipal de Ponte de Lima, e bem 
assim da conveniencia de os tornar conhecidos dos leitores d-0 Arcfieo- 
Ioga Portugues, citou-me o seguinte passo das Obseì'vagdes hiètoìncas 
e criticas, de JoSo Pedro Ribeiro, parte l, p. 11: 

e A camara de Ponte de Lima tem ainda muitos documentos iute- 
ressantes de Pergaminho desde D. Affonso IV, algumas Cartas Regias 
em papel e outras registadas em um Livro, desde o reinado do Senhor 
D. SebastiSo. Entro os Pergaminhos se acha originai urna ProvisSo 
da Infanta Dona Branca, filha do Infante D. Pedro e neta de El-Rei 
D. Sancho de Castella, Esposa destinada ao Senhor D. Pedro I quando 
principe; datada de Santarem * a 9 de Fevereiro da era de 1370. Tudo 
porém se acha em confusSo, comò nos outros archivos de Camaras». 
Em vista d'isto decidi-me à publicagào do presente catalogo, mas 
muito mais desenvolvido do que a principio o planeàra, e dando de 
cada documento uma reducQÌo quanto possivel completa, até onde o. 
permittir o estado de conservagào dos pergaminhos, que em muitos 
d'elles deixa bastante a desejar. 

Devo aqui deixar registado o meu agradecimento ao Sr. Casimiro 
Alves Pereira, zeloso e intelligente escrivSo da Camara de Ponte de 
Lima, por me ter confiado e posto à minha disposÌ9ao os valiosos do- 
CQmentos do archivo da mesma Camara. 



* [Em vez de Santarem cu loie no documento originai Estremoz, e creio ser 
està a leitura exacta]. 



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180 O Archeologo Portvgués 

Além do citado Jo3o Fedro Ribeiro, tiveram conhecimeiìto d'estes 
documentos Viterbo, o autor do Elucidarlo, corno se póde ver dos 
vocabulos Pendenfol e Ttnceiro, e o antiquarie pontelìmense e pacìente 
pesquisador de eartorios e archÌTOs, Mìgael Boque dos Reis Lemos, 
ha anno» falleeido, o qual a elles se referìn por Tezes em varios peque- 
nos escrìtos qne espalhon pela imprensa periodica. 

Por serem breves e nos seos dizeres quasi identicos a outros post«- 
riores da mesma natureza, don na integra os dois prìmeiros e mais 
antigos originaes^, resolvendo a maior parte das abre^iatnras. 

I 
(17 de Kaio de 1326) 

Dom Affonsso pela gra9a de Deos Rey de Fortugal e do Alganie 
A quantos està carta virem fago saber que eu qnerendo fazer graga 
e mergee ao Con^elho de Ponte de Limha, Otorgolhj e conffirmo seu 
foro que barn feito, e seos b5os usos e cnstumes, assy corno os ouue- 
rom en tenpo dos Reys que ante mi foorom. 

£n testemonho desto dey ao dito Conyelho està mha carta DSte 
en SantarS dez e sete dias de mayo. El-Rey omàdou martim steuez 
affez Era de mill trezentos sas&eenta e quatro Anos. 

ElRey auiu. 

II 

(9 de Fevereiro de 1332) 

DemJ Ifante dona brSca filha do mujto onrrado Ifante dom F.^ 
filho do muj nobre Rey dom Sancho de Castola Aquantos està carta 
uirem fa90 saber que Eu querendo fazer graga e mergee ao Conyelho 
de Ponte de Liniha Outorgolhj e còfirmolhj seu foro e seus busos e 
bSos custumes corno en eles som coteudos e corno os auyam outorga- 
dos e cSfirmados per ElRey meu padre. Por que mSdo e deffendo que 
nom seia nSfaruu ousado que Ihjs cStra eles vSan En testemubo desto 
Ihys dey està carta. Date en Stremoz noue dias de feureiro a Ifante 
mSUlou per Gomez lourego seu changeler Gongalo martjnz a ffez 
Era de mill e trezentos e sateSta Anos. 

Gomez lourego ••• 



^ Ha algUDs docamentos mais antigos, de D. Affonso III e de D. Denis, mas 
68868 vem transcritos em documentos posteriores, e d'elles sera dada noticia 
na altura competente. 



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O Archeologo Portugués 181 

III 
(30 de Maio de 1360) 

Carta de sentenQa d'el-rei D. Fedro I a favor do concelho de Ponte 
de Lima contra os moradores da Terra de S. Martinho de Riha de 
Lima (hoje S. Martinho da Gandra), que sequeriam eseusar de con- 
tribuir em iintas e talhas postas pelo dito conoelho. 

Allegam os moradores da Terra de S. Martinho em sua defesa: 

Que tiveram sempre e teem sua terra e termo estremados dos da 
villa de Ponte e seu termo com que partem por logares assinalados. 

Que e de huu Anno e dois e dez e trynta e quarenta e Cento e 
duzentos Annos e mays per tanto tempo que a memoria dos homSes 
n3 he en contrairo» houveram sempre seus foros, jurisdÌ95es e liber- 
dades em seu cabo e estremados dos da dita villa. 

Que todos OS annos, quando se deviam fazer juizes para ouvirem os 
feitos, elles faziam seu juiz, sem que nunca os da villa o là fossem fazer. 

Que OS do dito concelho faziam sxxsisjustigas, convem a saber: dous 
homens bons que entre si escolhiam para prenderem os que mal fizes- 
sem na villa e termo d'ella, aos quaes ouviam e Ihes applieavam as 
penas: e que o refendo juiz, que os de S. Martinho elegiam, tambem 
ouvia todos os feitos acivys e cremynaaes que tangem a morte e a 
peas corporaaesB. 

Que sempre fizeram seus procuradores para os regerem e fazerem • 
aquellas cousas que aos procuradores pertencem. 

Que sempre fizeram e fazem seu meirinho, que prende e guarda 
aquelles que devem ser presos, o qual meirinho Ihes fora concedido 
por el-rei D. Affonso IV. 

Que, quando havia guerra e os reis mandavam pelos concelhos para 
Ihes fazerem servÌ9o e defendìmento dos seus reinos, os de S. Martinho 
sempre foram e vSo em seu cabo, estremados dos da dita villa e seu 
termo. 

Que, quando cumpria langarem talhas, sempre as lan9aram e lan- 
9am entre si em seu cabo. 

Que, quando os reis manda^^am dar a alguns fronteiros alguns con- 
celhos e povos que com elles estivessem, o dito concelho ia com sua 
fsigna» e com suas Justigas em seu cabo, e os de S. Martinho iam 
com seu juiz em seu cabo. 

Que, tendo os da dita villa lan^ado a postura de quinze soldos de 
portugueses sobre cada moio de vinho que os moradores de fora do 
tenne colhessem na dita villa, sempre exigiram esse imposto aos de 
S. Martinho, do mesmo modo que aos de outras comarcas e julgados, 



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182 O AUCHEOLOGO PORTUGUÉS 

e Ihes tomavam penhores quando nSo pagavam : d'onde se ^ia que os 
nào havìam cper seus vezìhos ne desseu termko, mays que eran 
poboo stremado sobressy corno dito he». 

Que, quando alg^um rei ou infante fazia alguma cpedida» aos con- 
celhos e povos do seu Senhorio para algumas cousas que Ihe convinha, 
08 da villa e seu termo lan9avam para esse firn suas talhas em seu 
cabo, e os de S. Martinho langavam entre si em seu cabo as suas 
fintas e talhas para os ditos servi^os. e os jurados da sua terra as ti- 
ravam e davam aos seus procuradores, que as entregavam ao rei on 
infante que as pedia. 

Que OS da dita villa, nSo tendo os da Terra de S. Martinho por 
de seu termo nem seus vizinhos, fizeram entre si postura e vereagào 
que nenhum dos calugueiros» moradores da dita villa e seu termo fosse 
fazer servÌ90 «por dinheirost fora da mesma villa e termo — «E se Alo * 
fossen que pagassen peas» — prohibindo-lhes particularmente que fos- 
sem fazer servÌ9o a alguem da dita Terra de S. Martinho. 

Concluiam os de S. Martinho o seu libello dizendo que, corno os 
de Fonte achassem que precisavam de laudar sisa, pediram a el-rei 
Ihes concedesse poderem lan^à-la na sua villa e termo nas cousas que 
se ali compravam e vendiam ; que el-rei Ihes outorgara, por carta sua, 
que assim fizesssem na dita villa e termo, nSo Ihes dando licenza nem 
mandando que em outro legar a pusessem. E que os da dita villa «fa- 
zendo for^a e sen rrazan aos moradores da dita terra poseron Sysa ora 
nouamente na dita terra nas cousas que sse Alo conprauam e vendyan 
e conpran e vende n8 a auendo de poer segudo n5 sson seu termho 
ne Ihys sseendo mSdado per mym que a Alo posessen». E tomaram 
penhores e prenderam algumas pessoas, as quaes tiveram presas até 
que pagaram o que Ihes exigiam; e outros, com medo de serem pra- 
SOS, tambem pagaram quanto Ihes pediam. 

Por tudo iste pediam os moradores da Terra de S. Martinho a el- 
rei que «al9as8e for9a» dos da villa de Ponte de Lima, mandasse que 
OS n3lo constrangessem a pagar a dita sisa, e que Ihes entregassem 
OS penhores que tinham tomado por causa d'ella e os dinheiros que 
tinham levado e que calculavam em cincoenta libras de portugueses. 

Em contrariedade a este libello allegam os de Ponte o seguinte, 
entre outras cousas que n2o pude apurar por causa das manchas e fa- 
Ihas do pergaminho que està muito deteriorado: 



* = là. No Elucidario, de Viterbo, vem a fórma aUó. Ci. acó, tambem are, 
na Bev, Lusit,, ix, 6. 



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O Archeologo Portugués 183 

Que a villa de Ponte de Lima era cabeja da dita Terra de S. Mar- 
tinho. 

Qae o juiz da dita villa oavia todos os feitos, tanto eiveis corno 
criminaes, da Terra de S. Martinho, corno em seu julgado e termo. 

Que OS tabelliàes da dita villa escreviam e davam fé tanto na villa 
corno na Terra de S. Martinho comò seu termo. 

Que alguns moradores de S. Martinho teem sido citados por cartas 
de el-rei, e nessas cartas manda-se que sejam citados corno mora- 
dores do termo de Ponte; e que o concelho e juiz da dita villa de Ponte 
de Lima faziam no 1.® de Janeiro meirinho na dita Terra de S. Mar- 
tinho comò seu termo e julgado, o qual meirinho prendia e guardava 
todos OS da villa e seu julgado que Ihe o juiz mandava prender. 

Que, quando acontecia que na dita Terra de S. Martinho faziam 
alguns feitos que fossem por Hppella9ào da parte da justiga, os do con- 
celho da villa os pagavam comò em seu julgado e termo que era; e que 
assim lovavam os presos da dita villa e t«rra caa ssa custa dhuu lugar 
pera outro quando conpria sen dando dello encarrego aos da dita terra 
de sa Martynho». 

Que, quando acontecia guerra entre os reis, o juiz da villa levava 
e mandava levar os da dita villa e terra, os quaes todos iam cmes- 
turados» ou estremados, conforme convinha, nSo tendo o juiz mais 
poder sobre uns que sobre os outros e per que todos sson juntos e n3 
departidos». 

Que, quando os de 8. Martinho lan^avam algumas talhas, ou os 
da villa, isso se fazia por mandado do juiz da dita villa, e d'ellas Ihe 
dSo contas tanto uns comò outros. 

Que juiz e vereadores da dita villa, por mandado dos Correge- 
dores, iper que na dita villa auyS mujtos encarregos e n3 auya prol 
dos moradores de Penella e de Reffoyos e de Sauto* que son julgados 
stremados sobressy» e nào davam nenhum rendimento à villa, e està 
tinha vinhos de seu em abundancia, tanto da villa corno da Terra de 
S. Martinho, fizeram vereagSo para que os nSo colhessem ali, mas 
colhessem os de S. Martinho quanto quisessem; e porque Ihes nio 
lanQaram talha para as despesas da justÌ9a e por o concelho e a dita 
terra nSo terem rendas que fossem do commum, mandaram que pa- 
gassem quinze soldos de cada moio, ou entào pagassem talhas pela 
mesma fórma que as pagavam os yizinhos da dita villa. Que n3o havia 
ontra distincfSo entre uns e outros senio està. 



[Hoje Souto de Reborddes]. 



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184 O Akcheolooo Poetugués 

Que el-rei mandara fazer cérca na dita villa e pdr sisa nella e em 
seu termo, e o Corregedor (Alvaro Paez), vendo o que el-rei Ihe man- 
dava dizer a tal respeito, pusera a dita sisa na villa de Ponte e na 
Terra de S. Martinho, porque era termo da dita villa, n3o a pondo 
maior numa parte do que noutra. 

Que, finalmente^ de todas estas cousas e de cada uma d'ellas «era 
voz e ffama e creen^a». 

O corregedor julgou «por contrairos» os precedentes artigos dados 
por parte do concelho de Ponte de Lima e mandou que se inquirìssem 
dez testemunhas de cada lado. Enviado o feito e as inquirÌ95es a el-rei, 
este, presente Rodrigo Anes, procurador dos moradores da Terra de 
S. Martinho, e Gongalo Martinz, procurador do concelho de Ponte, 
julgou que aquelles nào provavam bastante e que provava melhor 
o concelho de Ponte de Lima, e absolveu este da demanda. 

A carta de sentenga é datada de «Leirea» a 30 de Maio da era 
de 1398. 

jN^.-B. — Alarguei-me no extracto d'este documento, e ainda no do 
seguinte, n3o so por ser interessante a renhidissima questlo entro os 
moradores da Terra de S. Martinho e a Caraara de Ponte de Lima, 
mas tambem por ser occasionada pela construcQSo das muralhas que 
cercaram a villa até meados do seculo passado, e de que restam apenas 
a torre de S. Paulo ou da £xpecta9ào, no comeco do Passeio de D. Fer- 
nando, a torre que està servindo de cadeia, ao fiin do dito passeio, 
e uma porta a seguir a està ultima torre. Existe outrosim o lanfo de 
muralha entre as duas referidas torres, mas està completamente enco- 
berto por casas encostadas a elle de uni e outro lado. 

IV 
(12 de Setembro de 1368) 

Cérca de sete annos depois da senteuQa constante do documento 
precedente, os moradores da Terra de S. Martinho intentam nova de- 
manda perante o corregedor de entào centra o concelho da villa de 
Ponte de Lima, sendo-lhes dada sentenza contraria. 

Em vista d'isso aggravam para el-rei D. Fernando, o qual, depois 
da contestammo apresentada pelo dito concelho ' e inquiridas testemunhas, 



* Emprego a palavra concelho no sentido que geralmente entSo tinha e teve 
durante 08 seculos segnintes, iste é, de camara municipal. A palavra «rcamara» 
(camera), tambem se usava ent2o, mas quasi sempre no sentido de seasào; dizia- 
86 pois : fazer camera^ etc, corno hoje se d\z: fazer aessào, reunir-se para deliberar. 



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Archeologo Portuoués 185 

coniìrma a sentenQa do corregedor, em data de 12 de setembro da era 
de 1406. 

Diziam os de S. Martinho no seu libello contra o concelho de Ponte 
de Lima (cLjmhaB): 

Que sempre estiveram e estào «en posse e lìuredSe de nò sseerem 
tehudos. nS costràgudos de pagarem S talhas ne En ffyntas que o dito 
Conyelho ponha ne lange na dita villa». 

Que nessa posse e isengSo estavam desde tempos inmiemoriaeS; 
e que so quando el-rei punha juiz no dito concelho <e Ihjs dauS cSltya 
de dinheiros que os do dito congelho AuyaL de dar Ao dito juiz», entfto 
cUes haviam de pagar as duas partes e o dito concelho urna terQa; 
que nunca se recusaram a pagar. 

Que, estando assim na dita posse, e os moradores de Ponte cvedoo 
e cSsentyndoo è n5 o cStradizedo n8 refertando» — so agora novamente, 
no més de dezembro da era de 1404, Rui LoureuQO, e Vasco Louren90, 
tabeliao, e Martim da Cabrita, meirinho da dita villa, foram à Terra 
de S. Martinho, cAo logo que chamS fontaao, e que per sua for^a 
e Autoridade e contra suas voStades» tomaram a varios moradores 
d'esse logar em penhor csayas e pelotes de raolheres e ssauàas e mH- 
téés e outras cousas per Raz8 de talhas que dezià que o dito Conge* 
Iho lan^ara Antresy». 

Que eram cisentos e escusados de nS pagarem n5 seedo Ante 
chamados ne ouuydos comò o dereito quer, fazendo em elo forQa e 
esbulho». 

Que por muitas vezes depois pediram que Ihes entregassem seus 
penhores, e o nSo quiseram fazer. 

Por isso pediam que Ihes al9assem a dita forga e esbulho, Ihes en- 
tregassem seus penhores ou o que se achasse que elles valiam. 

concelho da villa de Ponte contestou dizendo: * , 

Que no anno da era de 1397 (1359 P. C), «quando se comegara a 
cercar a dita villa de Ponte de Ljmha», por motivo dos encargos que 
d'essa obra Ihe advinham, acordara o concelho por sisa na dita villa e seu 
termo sobre todas as cousas que se compravam e vendiam, salvo pSo. 

Que pedìra por mercé a el-rei D. Pedro autorizagào para poder 
por a dita sisa na villa e seu termo, e que el-rei assim o outorgara. 

Que pusera a dita sisa na villa e na Terra de S. Martinho comò, 
seu termo, e que os moradores da dita Terra nio queriam «pagar 
na dita sisav, dizendo que nào eram termo da dita villa nem isso se 
entendia da carta d'elrei. 

Que, emfim, em raz2o d'isso os moradores de S. Martinho deman- 
daram o concelho de Ponte de Lima perante o Corregedor de Entre- 



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186 O Archeologo Portugués 

Douro-e-Minho, Alvaro Paez, sendo o concelho da dita villa absolvido 
da demanda. 

A sentenga que consta do documento n.^ ili faz parte da defesa 
do concelho de Ponte de Lima, e transcreve-se em resumo grande parte 
dos dizeres d'ella. 

Nas costas d'este pergaminho léem-se tres documentos reUtìvos a 
execugào da sentenza d'elle constante, os qnaes tem a data respecti- 
vamenté de 2, 6 e 8 de Outubro de 1368. Para o dito fim reunem-se 
na mamoa quintàa de JoSo Lourengo Buual, meirinho-mór de Entre- 
Douro-e-Minho, sita no julgado de Ponte, os procuradores de um e 
de outro lado, a saber: Gii Estevez, pelo concelho de Ponte, e Este- 
vio Martinz, dos Casaes, pela terra de S. Martinho. No terceiro dos 
tres escritos diz-se so na mamoa: Sào feitos por Mestre Gongalo, ta- 
belliSo de el-rei. 

V 

(8 de Noyembro de 1360) 

O concelho e homens bons da villa de Ponte de Lima enviaram 
dizer a el-rei D. Fernando que a dita villa «auya pequeno termho, 
E era de pouca companha, e no Era pobrada Como conprija, E que 
outrossy o termho que auya Era de pouco pam». Por isso pediam-lhe 
que «desse móór termho Aa dita uylla per que sse a dita uylla pò- 
desse melhor pobrar». 

Eirei, querendo fazer graga e mercè aos moradores e «pobradores» 
d'ella, e «per que en auer bòo termho a dita uylla he per hy mais on- 
rrada e mais auSdada das Cousas que aos moradores della faz mester 
e des hy melhor guardada e deffesa em tenpo de mester, ueSdo e cons- 
sy rande todo» — e tendo isso por seu servigo, deu por termo a dita 
villa «0 julgado de Penella, que he juto c5 a uylla e o de ual de uez 
comò parte pelle barco de Soeiro (?) e des hy Aa Egreia de Sam pero 
do Souto e Seija a Egreia do julgado da dita uylla e dhy Como parte 
per mSte Redondo e dhy Aa deuesa do porto do juiz e pella Carreira * 
Como sse uaij Ao spynheiro do Conto Como parte c5 o julgado de 
frayam. 

Outrossy Ihy dou por termho o julgado dagyar (?) de neuha(Neiva)». 

Manda el-rei que d'ali em deante o concelho da villa de Ponte de 
Lima use sobre os ditos julgados de teda a jurisdigao comò em seu 



^ Silo conbecidos ainda hoje os sitios de Porto-Juiz, na frèguesia de MoDt<' 
Redondo, e da Carreira, na Miranda, concelho de Arcos de Valdevez. 



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O Archeologo Poetugués 187 

termo, e que esses julgados nSlo tenham outros juizes, nem vereadores, 
nem procuradores, nem meirinhos, nem outros officiaes senao os da 
dita villa, ou os que pelos juizes e vereadores do refendo concelho 
Ihes forem dados. 

A carta que contém està merce foi dada na cidade de Viseu a 8 
de Novembre da era de 1407. 

VI 

(7 de Abril de 1383) 

El-rei D. Fernando manda aos juizes e justigas de Ponte de Lima 
qae cumpram a sentenga dada pelo corregedor Affonso Martins Alva- 
rez numa demanda entre Martim Pirez, carniceiro, morador na dita 
villa, de uma parte, e da outra o concelho da villa de Ponte de Lima, 
representado por seu procurador Gongalo Anes, tabelliao. 

Dizia Martim Pirez que tinha e era seu dentro dos muros da villa 
um pedago de terreno, campo, ou chào, «que dezia que forom casas», 
qual ficava na rua da 9^P^taria, entestando na dita rua por uma 
parte, por outra f centra (ima na rua que chamà da Brancaria» e par- 
tindo das outras partes com casas de Lopo Affonso, alfaiate, e de 
Joào Estevez e Pero Lourengo, gapateiros, todos da dita villa. Que o 
concelho da villa Ihe tomara o dito terreno e fizera d'elle rua por 
onde se vai para a rua nova das Pereiras e a dita da Brancaria. 

Requeria pois o autor ao corregedor que mandasse que o concelho 
desembargasse o dito terreno e nào fizesse nelle a dita rua, pois d'elle 
queria cfazer sua prol». 

procurador do concelho confessa que o terreno em questuo era 
do autor, mas que o concelho o nSo podia escusar para rua e «servi- 
mento» da villa; que se visse quanto elle valia e o concelho o pagaria 
por essa avaliagfto. Nisto consentiu o autor. 

corregedor sentenciou que o concelho pagasse a Martim Pirez 
a qaantia de 100 libras em dinheiros, e Ihe desse dentro da cérca da 
villa outro tanto terreno para nelle fazer outra casa, ou para d'elle se 
utilizar. 

A presente decisSo é datada em Ponte de Lima em 7 de Abril 
da era de 1421. 

Nas costas do pergaminho estào escritos dois documentos, da era 
de 1428 um, e outro da de 1430, dos quaes parece deduzir-se que, 
apesar de os juizes intimarem o procurador do concelho a pagar a 
Martim Rrez a quantìa constante da senten9a supra, este ainda nSo 
estava embolsado do seu dinheiro. 



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188 O Archeologo Portugués 



VII 
(10 de Setembro de 1386) 

O concelho e homens bons de Ponte de Lima enviam dizer a ei- 
rei D. JoXo I que recebem aggravamento com a doacXo que elle fizera 
a Mem Rodriguez de Vaseoncellos da terra de S. Martinho, Lavruja 
e Lavrujó, que foram sempre termo da villa de Ponte em tempo de 
D. Affonso IV, D. Pedro e D. Fernando, «Aos quaes Deus perdom». 
e dos outros reis que antes d'elles foram. 

El-rei, pois que Ihe n^o fSra dito nem declarado que aquellas terras 
eram termo da dita villa, nSo embargando a doa^ào que d'ellas ha\ia 
feito a Mem Rodriguez, ha por bem e manda aos juizes de Ponte de 
Lima que, se ellas foram sempre, comò dizem, termo da dita villa, 
deixem usar o dito concelho, homens bons e officiaes da mesma \ìlla 
da jurisdi^Io das referidas terras e havè-las por termo, corno sempre 
usaram e houveram; e que os juizes e officiaes nellas postos por Mem 
Rodriguez nSo usem d'alli em deante de nenhuma jurisdi$ao, pois nào 
fora tenjào de el-rei tolher à villa de Ponte o seu termo nem jurisdÌ93io 
que sempre houvera. 

Dada està carta na cidade do Porto em 10 de Setembro da era 
de 1424. 

Vili 

(8 de Dezembro de 1387) 

O concelho e homens bons da villa de Ponte de Lima mandaram 
dizer a el-rei D. Jo2to I, nas cortes que acabavam de reunir na cidade 
de Braga : 

1.^ Que alguns senhores e pessoas poderosas, quando chegam a 
villa e seu termo, tomam pSo, vinho, cames e outras cousas sem man- 
dado das justi(as e sem nada pagarem aos donos d'ellas. 

El-rei manda às suas justigas que a todos aquelles, sejam de que 
condÌ9So forem, que taes cousas tomarem sem mandado e centra von- 
tade de seus donos, fa^am entregà-las ou pagà-Ias no dobro do que 
valerem; que, quando essas pessoas poderosas, ou os homens de el-rei, 
precisarem de mantimentos, Ihes os mandem dar por seus justos valo- 
res; e, finalmente, que nSo consintam que essas pessoas lancem peitas 
nem talhas aos moradores das terras que de el-rei tiverem, nem Ihes 
tomem nenhuma cousa de seu centra sua vontade. 

2.® Que alguns fidalgos, quando chegam à dita villa e logares, 
quando el-rei alli nào està, tomam pousadas e fbarras», havendo esta- 
lagens onde pensar e nào querendo pensar nellas. 



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O Akcheologo PoRTuauÉ8 189 

El-rei manda às suas justi^as que nSo consintam que esses fidai- 
gos tomem as ditas pousadas e barras, se taes estalagèns houver. 

3.® e . . . que OS copeìros nossos e da Raynha mìnha molher e dos 
Condes e mestres e outros senhores tomam adegas em os logares en 
que DOS e eles somos e en outros logares e defendem aos donos dellas 
que nom vendam ende dellas nShuu vinbo auSdo nos ditos logares bSos 
vinhos atauernados de que tornar, por leuarem dos sobreditos, a que 
asi defendem que nom vendam, peitas e algos porende». 

Manda el-reì que nào consintam que taes cousas se fagam e que 
se nesses logares nSio houver vinhos que sirvam, que os fa9am dar por 
seu dinheiro ou penhores que os valham ; e prohibe aos copeiros faze- 
rem taes cousas por sua autoridade, sob pena da real mercé. 

4.® Que OS condes e mestres e outros senhores tomavam à forga 
em suas terras, que teem de el-rei, as bestas e armas que os morado- 
rea d'ellas teem para seu servigo. 

Manda el-rei que isso se nào consinta e que se alce forya aos que 
taes cousas tomarem. 

5.® Que entre el-rei D. Fernando e o povo fora feito um compro- 
miso f em razào das armagSes do mar», em virtude do qual as Justigas 
das terras deviam constr/mger e prender os homens para as galés, e 
que agora o almirante, capitào e alcaides do mar fazem meirinhos 
que prendem aquelles para d'elles levarem peitas e algos. 

Ordena el-rei que taes cousas se n3o consintam, e que cada um em 
^eu cabo cumpra o dito compromisso. 

documento presente é datado de Braga em 8 de Dezembro da 
«ra de 1425. 

IX 

(Ultimo de Fevereiro de 1300) 

coneelho e homens bons de Ponte de Lima representam a el-rei 
U. Joào I que algumas pessoas houveram d'elle, assinados por sua 
mào, alvaràs para nSo servirem, nem pagarem, nem contrìbuirem nos 
•encargos do coneelho; pelo que recebem grande aggravamento, perda 
« damno. 

£l-rei, porquanto havia ordenado que se nUo guardassem nenhuns 
alvaràs, salvo as cartas selladas com o seu sello redondo ou pendente, 
Ila por bem e manda que aquelles alvaràs nào sejam acatados, e que 
aquelles que os tiverem sejam constrangidos a servir e contribuir 
corno OS outros moradores igualmente em todos os encargos, comò 
56 taes alvaràs nSo tivessena. 

Dada em Coimbra no postrimeiro dia de Fevereiro da era de 1428. 



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190 O Archeologo Portugués 

X 

(14 de Fevereiro de 1391) 

Nas cortes de Evora foram apresentados a D. Joào I, por parte 
do concelho de Ponte de Lima, capitulos especiaes, entre os qnaes um 
que dizia que o dito concelho costumava enviar às cortes os seus 
procuradores, a quem os vereadores e homens bons do concelho man- 
davam dar das rendas do mesmo concelho o dinheiro necessario para 
suas despesas e mantimento; e que, quando à villa chegavam mogos 
com cartas e mandados de el-rei, Ihes mandavam dar sua gorgeta dos 
dinheiros do concelho: os quaes dinheiros Ihes nSo querem «receber 
em conto», sendo elles vereadores e homens bons obrigados a pagar 
de suas casas. 

El-rei ordena ao meirinho-mór, corregedores e mais justÌ9as, a 
quem a presente carta dever ser apresentada, que sem nenhum outro 
embargo recebam em conto ao dito concelho, vereadores e procurador 
todos 08 dinheiros que foram ou houverem de ser dados aos procura- 
dores enviados às cortes, e nSo os que forem dados aos mo^os man- 
dados por el-rei. 

O documento de onde isto consta tem a^ data de 14 de Fevereiro 
da era de 1429, e foi passado na cidade de Evora. 

XI 
(20 de Dezembro de 1391) 

Oito capitulos geraes apresentados nas cortes que acabavam de 
reunir-se era Viseu, e respectivas respostas. 

Datado de Viseu em 20 de Dezembro da era de 1429. 

1.® Os procuradores dos concelhos do reino dizem a el-rei que 
elle bem sabia que os reis seus antecessores ordenaram que fossem 
ccostràjudos OS seruidores e dados aaquellas pessoas que os mere^esem 
e mays teuesem de fazer» e que todavia el-rei mandara o contrario, 
isto é, que n&o fossem constrangidos a servir: do que se seguia grande 
damno para os povos, pois havia muitos que tinham encargo de cavallos 
e grandes fazendas, e de aproveitar muitos bens e honradas fazendas 
que teem, de que el-rei tem de haver seus direitos e tributos para pro- 
veito do seu reino, e muitos nestas condigòes nào podiam lavrar nem 
«aproveitar» os seus bens. Pediam portante a el-rei que mandasse que 
08 ditos servidores sirvam e morem comò no tempo dos outros reis. 

El-rei responde que se alguns tiverem filhos ou i&lhas, «quantos 
quer que seiam», que taes filhos ou filhas, «em mente esteuerem emo- 



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O Archeologo Pobtugués 191 

rarem com seus padres e madres nom seiam obrìgados morar com 
ontros». Item, que se alguns ou algumas morarem com alguem por 
saas vontades, nSo sejam tirados àquelles com qnem morarem, Dem 
obrìgados a morar com outrem. E tirados estes casos, aos que forem 
taaes pesoas que seiam pera seruir outrem, que seiam a elio costràjudas» 
pelas jnstÌ9as da terra, ataixandolhes asoldadast pela forma corno el-rei 
acordar com o sen conselho. 

2.** Outrosim dizem que el-rei mandara que nSo houvesse almota- 
9aria no reino em nenhuma cousa, e que d'isso se seguia grande pre- 
jttizo para os seus povos, porque as cousas nSo sào dadas por seus 
prefos, e aquillo que custa um dinheiro é vendido por vinte, e por 
està razào as cousas s2o postas em grande carestia por falta da dita 
almotagaria, porque os que hlo de manter fazenda de ricos tomam-se 
em pobres e os regatoes enriquecem. 

Concede el-rei o que é pedido, f Saluo que se ante soya dauer al- 
mota9arias em sellas e freos e em nas armas de quali quer maneira que 
seiam e em gapatos desfrolados (?) e em todo lauor de polayna de 9apa- 
teiros ou em (apateiros que husarem deste mester e em tapetes e vidros 
e borilamentos (?) que queremos que era estas coussas as nom ajat. 

O outorgado nestes dois capitulos nSo se entende com a cidade de 
Lisboa^ onde el-rei tinha promettido nada mudar emquanto outra nSo 
fosse a vontade dos moradores e dos que nella tinham mesteres. 

3.^ Qae ordena^So fSra posta pelos reis passados para que nenhuma 
pessoa fosse presa por «carta de malldizer, nem por libellos famosos 
ne por querellas nem denugiagSes que della forem dadas por pessoas 
a que os ffeitos n5 perteen9am». Pedem pois que el-rei mande que isso 
se cumpra e ninguem seja preso por taes «enfamagSes» ou accusagoes, 
tea muytos forom por ellas presos e danados do que auySLi», — e se 
guarde o que el-rei D. Affonso IV mandou: « que nenhuu seja preso 
saluo se dell for querelado e jurar e nomear testemunhas». 

Praz a el-rei que se guarde a dita ordenafao. 

4.® Pedem a el-rei que fa§a guardar a ordenag^o que prohibe aos 
corregedores tomarem conhecimento dos feitos de que os juizes das 
terras dissessem poder fazer direito, pois isso se n3o observava, apesar 
de por el-rei jà ter sido mandado em cortes; e que os corregedores 
«leuam comsygo os presos e que degastam o que ham». 

El-rei manda que se guardem as ordenafoes, comò nellas é contido, 
e que, se os corregedores forem contra isto, Ihes o estranharà. 

5.° Que algumas pessoas atrajem Rendadas E aforadas herdades 
E outras posyssSes digreias E moesteiros e doutras pessoas» por certos 
precos, e acontece que as ditas pessoas teem «os nouos e fruyjos em 



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192 O Akcheoloqo Portugués 

seus agros e pousadas as quaees Ihe som acontyadas nas peitas e pe- 
didost, nfto descontando as rendas que por ellas dao nem as despesas 
que com ellas fazem. Pedem pois que so seja cacontyadoi» a cada um 
o que iòr seu {«o que ham em saluo»). 

A isto responde el-rei que se estimem estes emprazamentos no valor 
que teriam com todos os seus encargos, e que so sejam tributados nesse 
valor. 

6.** Pedem a el-rei que, no caso de haver guerra, aquelles que 
tiverem propriedades em legar em que n2o as possam lavrar, com re- 
ceio dos inimigos, nào paguem nos ditos pedidos por essas propriedades, 
«porque nom ham dellas proli». 

El-rei responde que pedem bem e que Ihes agradece mnito tal 
e peti torio 9. 

7.^ Que el-rei bem sabia jà Ihe terem pedido que nestes avalìa- 
mentos, que se haviam de fazer por todo o reino para o dito pedido 
que se vae arrecadar, nao entrassem cavallos nem armas d'aquelles 
eque som contyosos de as terem», nem suas casas de morada^ nem 
oavallarÌ9as, nem roupas de cama nem de vestir, porque d'isso Ihes 
nào provém rendimento algum e por el-rei e Ihes foy outorgado parte 
dello». Pediam pois a que Ihes desse em elio liuramento para hauerem 
suas cartas». 

Resposta de el-rei: eque nos praz que se nom contyem cauallos nem 
armas, mays do ali, que dizem, que nos nom parege Razom E a quanto 
meos dos bees contarem tanto mays pagarom o que he peyor pera 
elles». 

8.** Pediam mais os procuradores dos concelhos que nenhuma pes- 
8oa fosse escusada neste pedido por carta, ou alvarà', ou privilegio 
que tivesse, «saluo se for donas e caualeiros E todos aquelles que con- 
tynuadamente seruirom na guerra ataa o ^erco de tuy E os creligos 
daquello que ham dos seus benafigios e se ouuerem bees patrimonyaaes 
que paguem delles come cada huu dos leygos». 

Ao que responde el-rei que Ihe praz, i Saluo dos creligos benefigiados 
OS quaees no he aguisado pagarem de seus b^es poys em sua parte 
pagam dos benefigios que teem». 

XII 

(1 de Janeiro de 1394) 

Alguns capitulos especiaes apresentados a D. JoSo I pelos procura- 
dores de Ponte de Lima nas cortes ultimamente reunidas na cidade 
de Coimbra. 



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O Archeologo Pobtugués 193 

] .** Dizem OS procuradores do concelho e homens bona da villa de 
Ponte de Lima que na dita villa ha almocreves e que parte d'elles se 
tornaram em pessoas poderosas e obtiveram cartas de el-rei que os 
escusam de todos os encargos, sendo poucos os outros que fieam ser- 
vindo seu officio; e que, quando é lan9ado algum encargo do con- 
celho, Ihes é demasiadamente pesado, resultando de ahi grandes custas 
e perdas. 

El-rei responde que os ditos almocreves sìrvam o concelho no dito 
officio de almocrevaria, emquanto d'elle usarem, nio embargando as 
ditas cartas. 

2.® Que na dita villa estSo os escudeiros de el-rei ha tres annos, 
e por carta de el-rei Ihes d2o pousadas e camas sem dinheiro; o que 
é grande aggravamento aos donos das casas e roupas. 

Responde el-rei que déem aos ditos escudeiros algumas pousadas 
eseusadas por algum tempo, até que se possam alugar em alguma 
parte, e que os ditos escudeiros busquem roupas em que «donnSt. 

3.** Que no termo da dita villa tem a Ordem do Hospital e de 
Christo certos casaes, e que alguns d'esses casaes «se espede9a em 
partes, per gisa que o que auja de seer pobrado por bua pessoa 
repartesse per mujtas» e as ditas pessoas lavram e aproveitam ou- 
tros bens que teem seus ou de outras pessoas, e, pelo que assim 
teem das ditas Ordens, escusam-se de servir e pagar nos encargos 
do concelho. 

Em resposta a isto manda el-rei que paguem das outras herdades 
suas e alheias, que lavrarem, e sejam escusados de pagar das que 
Irouxerem das ditas Ordens. 

4.*^ Que el-rei confirmara por sua carta ao dito concelho os seus 
privilegios, usos e costumes que sempre houveram; que sempre os de 
Ponte levaram suas mercadorias a Viana e pela foz d'alli para Lisboa 
e para outras quaesquer partes, sem encargo nem embargo nenhum; 
e que agora novamente os alcaides, moradores e homens bons da dita 
villa de Viana puseram postura e ordena^So que qualquer que à mesma 
villa trouxer vinhos, ou pelo rio os passar pela foz, pague ciuco libras 
para o concelho, sendo certo que os do concelho de Ponte de Lima 
teem privilegio de nSo pagarem portagem, nem passagem nem costu- 
magem. 

Resposta: 

Que se assim é que os da villa de Viana puseram a dita postura, 
ella Ihes nSo seja guardada, e que os de Ponte de Lima sejani escu- 
sados d'ella, comò pedem. 

Dada na cidade de Coimbra no 1.® dia de Janeiro da era de*1432. 

13 



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194 O Archeologo Portugués 



XIII 
(14 de Jnnlio de 1306) 

Na era de 1434, a 13 de Junho, na villa de Viana «de foz de Ijmha» 
perante Luis Vasco de Tarouca, escolar e ouvidor na correifào de 
Entre-Douro-e-Minho, por D. Frei Alvaro Gon9alvez Camello, Prior 
do Hospital e Marechal da hoste de £1-Rei e seu Meirinho-Mór entrc 
Douro-e-Minho eTràs-os-Montes, appareceram AfFonso Martinz e Este- 
vao Gon9alvez, homens bons e moradores da villa de Ponte de Lima, 
e disse ram ao dito ouvidor que o concelho e homens bons da dita villa 
de Ponte, porquanto recebiam alguns aggravos do concelho e homens 
bons da villa de Viana, e porque sabiam que elle ouvidor estava nesta 
mesma villa fazendo correi^So, os mandaram i presenta d'elle ouvidor 
para Iho dizerem aquelles aggravos e semrazSes que recebiam^ para 
dito ouvidor os fazer chegar ao conhecimento dos homens bons do 
concelho de Viana. 

O ouvidor mandou entao chamar à sua presenta os juizes, verea- 
dores, procurador e homens bons da dita villa, expós>lhes as queixas 
que acabava de ouvir, e ordenou-lhes que dissessem o que a tal res- 
peito Ihes parecesse. Os de Viana pediram que os ditos aggravos Ihes 
fossem apresentados por esento, que em seguida responderiam. E lego 
OS ditos Affonso Martinz e Estevào Gonjalvez aderom huua gedolla 
e escripto de q o thor tal he ouuydor estes som os agrauos q Entende 
OS homes bSos e cÒQelho de ponte de Ijmha rre9ebem», etc. 

1.® Queixam-se os «peixeteiros» de Ponte de que os peixeiros de 
Viana Ihes nio deixam comprar nenhum pescado antes que elles com- 
prem; e que às vezes acontece que os peixeiros de Ponte compram 
um barco de pescado, ou outra por9So do mesmo, e as regateiras e 
peixeiros de Viana Ihes «demàdam e pedem q Ihys dem quinham E o 
Almoadom co elles ffazendo esto por leuarem gan9as do pescado mais 
q por elles quererem cSprar e auendo em a dita uilla outros pesca- 
dos — outrosy Acontece q os nossos peixeiros c5prom as uezes o pes- 
cado e tenho coprado e pagado e tomolho os de viana». 

2.® € Outrosy os vezinhos de Ponte Am de trager e tirar per a foz 
em fora sai e pescado e vinhos e outras mercadorias E as leuarem 
pera a dita uilla e os de viana os enbargon e Ihys nS querem leixar 
husar dello Auendo nos dusar com elles come vezinhos». 

3.® Alguns habitantes de Viana, para causarem prejuizo aos de 
Ponte, crendom a mal tosta E cotrangam os moradores de ponte q pa- 
gem huu marauedi velho de cada tonel de vinho q tirarem pella dita 



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O Archeologo Portuguès 



195 



ffoz em fora ssendo certos e sabedores q os de ponte ssom Eixentos 
de no pagar as ditas cousas E comò quer q este trabuto é delrrey 
Segudo elles dizem os de viana sa apertom mais a esto q elrrey». 

E expostos assim os referidos aggravos, os de Viana respondem: 

Ao 1.® capitolo dizem «q a elles praz q quando se aconte^er q os 
peixeteiros da dita uilla de ponte de Ijmha mercarem pescado na dita 
uilla de viana eom os peixeteiros e rregateiras da dita uilla de viana 
e ffezerem almoeda q os de ponte aiam quinham do dito pescado come 
nossos vezinhos». 

Ao 2.® capitulo dizem que Ihes praz de usarem com elles comò 
sempre usaram e Ihes nào embargam trazerem ou tirarem sai, nem 
vinhos, nem outras mercadorias, pagando a el-rei os seus direitos, e 
ao concelho os seus. 

Ao 3.®, que nào embargam nem eonstrangem os vizinhos de Ponte 
pelas cousas tconthudas» no dito capitulo. 

D'isto tudo pediram os de Pónte de Lima està carta testemunha- 
vel, sob o sello de el-rei que anda na dita correÌ9So, e o ouvidor Ihes 
a mandou dar na dita villa de Viana em 14 do dito mès de Junho. 

Gonzalo Louren^o a fez. 

aConfertada està carta pellas rrespostas e capitollos dellas pellas 
ditas partes». Y^^i.lUU- 

^ P.*' CUNHA BRITO. 



Projecto de moeda de 20 réis para Angola 




D. LUIZoIoREIoDEoPORTUGAL. Busto à esquerda dentro 
de um circuito de globulos. No exergo « 1886 «. Na orla circulo de 
grani tos. 

8r. PROVINoIAo DE «ANGOLA. No campo 20 (indicajSo de 
valor) dentro de uma corca de louro e carvalho. No exergo a palavra 
« ULTRAMAR o. Na orla circuito de granitos. Cobre. Peso IF^^jOS. 
Diametro de 32 millimetros. 



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196 O Archeologo Portugués 

Urna questao de interesse geral na cidade de Loanda, a falta de 
agua potavel, foi o motivo que originou a cunhagem do ensaio mone- 
tario que acabàmos de descrever. 

A as80cia9ao intima que neste caso ha entre a moeda e a agua 
parecerà suspeita, ou de fraca evidencia, a qiiem ignore as conside- 
ra9oes que preeedem o decreto de 12 de Dezembro de 1885 e o teor 
geral d'elle, publicado no Diario do Governo n.® 290 de 23 do mesmo 
mès e anno. 

Neste diploma o Ministro da Marinha e Ultramar, Manoel Pinheiro 
Chagas, disse: «A mais importante cidade da Africa Portuguesa nao 
podia ter importante desenvolvimento de popula^So por falta de agua 
aos moradores e para aguada dos navios. Desde o sec. xviii datam 
as tentativas para trazer & cidade as aguas do rio Quanza. No sec. xix 
chegou a formular-se um contrato em que uma sociedade particular 
se compromettia a trazer a Loanda as aguas do rio Bengo'canalizadas. 
O contrato nSo teve effeito e a cidade, entre dois rios, este ao norte 
e Quanza ao sul, por falta de meios, que nSo de iniciativa, corno 
vemos, continuou a lutar com a falta de um genero tao necessario àvida. 
Em 1885 a agua do rio Bengo vinha & cidade em pipas, em barcos, 
e era vendida por pregos exorbitantes. Tratava-se da construcgSo do 
caminho de ferro (do Ambaca) e comprehendia-se que durante a cons- 
trucglo e ainda depois d'elle concluido, pela afBuencia de forasteiros, 
a falta seria enormemente sentida». 

Ultimamente outras propostas tinham sido apresentadasi. Newton 
e Eduardo Ayala dos Prazeres propunham-se organizar uma companhia 
com capital de 675:OOOi5000 réis. Governo da metropole autori- 
zaria a emissao de 540:000/5(000 réis em papel moeda e asseguraria 
consumo diario de 50 metros cubicos de agua ao prejo de 1^000 réis 
por cada metro cubico. 

Està proposta nSo foi acceite. Governo teria de pagar 91:000^000 
réis pelo consumo annual sem que o Thesouro auferisse lucros, e era pro- 
vavel que o aumento da circuiamo fiduciaria na provincia angolense 
desagradasse ao commercio em geral. 

A firma Silva Sanches & Bouvret fixava no seu projecto. de con- 
trato pre9o da agua em 500 réis por metro cubico e pedia ao Estado 
a garantia de 500 metros cubicos diarios e nSo ihe offerecia vantag^ens. 

Nesta malfadada situagSo de projectos irrealizaveis, Alexandre Pe- 
res, concessionario do caminho de ferro de Ambaca, propós a emissSo de 
550:000^000 réis em moeda de cobre para a circula^Io na provincia, 
fornecendo elle o metal para a cunhagem e pagando as despe&as d'ella. 
O Estado lucrava a senhoreagem da emissSo e o juro de 6 por cento 



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O Archeologo Pobtugués 197 

ao anno, pjigo pelo proponente sobre as quantias que recebesse a titulo 
de emprestimo, as quaes pagaria em qualquer especie de moeda cor- 
rente. 

As aguas do rio Bengo, captadas em Quifangonde, entrariam em 
Loanda e seriam vendidas ao preyo de 500 réis por cada metro cubico. 

O Estado acceitou a proposta,' vantajosa comò era, e o contrato 
foi fechado em 12 de Dezembro de 1885. 

A importancia de 550:000/5000 réis em moeda de cobre nào era 
exeessiva, comò parecerà & primeira vista, pois que d'ella sempre havia 
grande falta na provincia. Um curioso motivo da escassez é narrado no 
seguinte trecho de informagSlo, dada pelo Governador Qeral de Angola *: 
«O dinheiro em cobre é urna mercadoria corno outra qualquer, um meio 
de permuta9ào indispensavel, e o gentio tem por costume enterrà-lo, 
nao dizendo onde, para nSo ser roubado, e assim succede que de cen- 
tenas de contos de réis d'este genero, que tem sido importados na 
provincia, quasi se nao conservam em circulagSLo nem 5 por cento». 

Alexandre Peres carecia de muito abundantes sommas de dinbeiro, 
infimamente subsidiario, para distribuir aos seus trabalbadores jà 
occupados na construcglo da via ferrea e àquelles que convidaria para 
a realiza^^ do novo emprehendimento. Centenares de indigenas afflui- 
rìam a Loanda, avidos do metal amoedado que melhor Ihes convinha 
para opulentar thesouros escondidos. Jà nlo havia mcicvitas; a moeda 
Continental, importada outrora, era enterrada em vida! e perdia-se na 
memoria o tempo em que o Angolense recebia de bom grado o insi- 
gnificante cauri {Cyprea caurica, de Lamarck), denominado zumbo em 
Angola. Vemos, pois, que a somma de 550:000^000' réis nào era de- 
masiada para figurar nas compras diarias do indigena, sem prejuizo 
do estranho modo pelo qual arrecadava as suas magras economias. 

A Direcgao da Casa da Moeda foi consultada acèrca do typo com 
que devia ser emittida a projectada moeda, comò sempre succede em 
easos analogos. 

A informa9ao nSo se fez esperar*. Seria conveniente que a moeda 
nào tivesse o typo igual ao da metropole, a fim de que nào voltasse aqui. 
regresso importarla prejuizo para o Thesouro, que nSo auferiria 
lucros da amoeda9ào que estava autorizado a effectuar para o curso 
no continente do reino, por disposiySLo do Parlamento. A Direcgao pon- 
derava que desde 1871 até 1879 mais de 100:000i5000 réis de moeda 
de cobre, typo da do reino, enviados para Angola jà nSo existiam ali 



^ Vide decreto de 12 de Dezembro de 1885, jà refendo. 
^ Liyros 25 B e C do Archi ve da Casa da Moeda. 



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198 O Archeologo Portugués 

na circula9ao. Muitos caixotes idos num vapor voltavam intactos para 
a metropole no regresso do mesmo. Exemplìficava que a Inglaterra 
adoptou tjpos especiaes de moeda para cada urna das suas eolonias, 
a firn de que nio abunde ou fatte em qualquer d'ellas, viajando, com 
prejuizo no bona andamento das transacgoes do pequeno commercio. 
Em consequencia d'estas consideràcSes convinha adoptar-se um typo 
especial e de certa novidade. 

Tinha razSo o illustre Director da Casa da Moeda, o Conselheiro 
Augusto José da Cunha. E certo que a moeda de XX, X eV de 1867, 
mandada para Angola por decreto de 26 de Junho do mesmo anno, 
typo dos n/* 10, 11 e 12 da estampa Lix do voi. 2.® de Teixeira de 
Aragào, e bem assim a de 1874, enviada para as ilhas de S. Thomé 
e Principe, circularam livremente no reino. 

Para a apreciagSo do Ministro da Marinha e Ultramar, que se con- 
formàra com as consideragSes supra referidas, a Casa da Moeda enviou 
um modelo ou projecto para o anverso da moeda de 20 réis, conforme 
desenho aqui tìgurado, com a modificagào constante de dois floroes, 
em vez de dois pontos, que acompanhassem a data, e dois modelos 
para o reverso da mesma moeda. O primeiro, o approvado, é o que 
apresentamos; o segundo, que apenas differia d'aquelle por conter na 
orla superior as palavras AFRICA oPORTUQUEZ A, que substituiam 
a legenda PROVINCIA « DE « ANGOLA, foi o rejeitado. 

Os padroes de 10 e de 5 réis teriam typos absolutamente iguaes 
aos desenhos da moeda de 20 réis que fosse approvada. Os pesos e dia- 
metros regular-se-hiam pelo modo seguinte: 



Padròos 


■ 

Peso* 


Diftiuetma 


Moeda de 20 réis 




0S012 
0S006 
0S003 


0-',032 
O-,025 
0",021 


Moeda de 10 réis 


Moeda de 5 réis 







Em consequencia de o Governo ter recommendado brevidade na 
prontificacào dos pungSes e matrizes, foram aproveitados trabalhos de 
gravura que estavam em uso; assim, o pun9ào do retrato de EUrei 
é o que foi dado à moeda de XX réis do reino, cunhada desde 1882, 
e a corca de louro e carvalho do reverso nSo se diiFerenga da que servili 
na moeda de X réis da mesma epoca. 

Nota-se que na legenda do reverso falta a letra C, substituida por 
urna arruela na palavra PROVIN « I A. A falta explica-se pela seguinte 



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Archeologo Portugués 199 

theorìa de convenQXo no fabrico de ensaios monetarios. Quando ha duas 
provas referentes a projecto novo, é costume deixar bem visivel numa 
d'ellas a falta de letra, ou letras, ou outro sinal qualquer, a firn de quo 
a prova escolhida facilmente se distinga da rejeitada. 

Infelizmente os Srs. numismatas nunca obterSo exemplares de 
moedas cujos desenhos sejam conformes com o ensaio aqui figurado, 
porque nào existem. A prova é unica. Existia na coUeogEo monetaria 
que foi organizada pelo fallecido numismata José Lamas. No catalogo 
respectivo teve o n.** 1:141 de ordem. As provas ou desenhos dos pa- 
drSes de 10 e de 5 réis nSo foram executadas. 

Em 2 de Dezembro de 1887 foi ordenado o embarque da primeira 
remessa de numerario por conta de 550:000^5000 réis destinada ao 
concessionario Alexandre Peres. Foi para Angola no vapor S. Thomé, 
que seguiu viagem a 6 do mesmo més. Constou de 40:000^5000 réis 
no padrao de 20 réis, de 14:000,^000 no de 10 réis e de l:00OfJ0OO 
no de 5 réis. Teve o typo da moeda do reino. Ignora-se por que mo- 
tivo cadueou o projecto especial, approvado comò fora com as forma- 
lìdades devidas. No reino tem circulado moedas d'aquelles padrSes com 
o millesimo 1887. Serio parte das que viajaram até Loanda, para ali 
promoverem um emprehendimento de interesse geral e absolutamente 
necessario? 

Lisboa, Janeiro de 1907. 

Manoel Joaquim de Campos. 



Antigruallias de Duj8oo 

Depois de escrita a pequena noticia que publicàmos n-0 Arch. 
Pori., IX, 53-54, tivemos occasiEo de ir ver a vinha em que appare- 
ceram os objectos de que se faz menalo nella, e adquirimos: dois dena- 
rios dos seis achados pelos cavadores, os dois objectos de cobre descritos 
no 4.® fasciculo da Portugalia, p. 827, um moinho romano com as duas 
pedras que cedemos ao Museu Ethnologico, assim comò tres pesos de 
barro e qnatro fragmentos de vasos de argilla. Fassamos a descrever 
rapidamente tudo isto. 

A) Peso» 

1) Um peso de barro avermelhado, de fórma prismatica, de sec- 
9S0 sub-quadrada, de 0™,12 de altura, furado no vertice; pesa 450 
grammas. 



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200 O Akcheologo Pobtugués 

2) Um peso de barro, igual ao do n.** 1, de fórma prismatica, de 
sec9ao quadrada, de 0™,115 de altura, furado no vertice; pesa 200 
grammas. 

3) Um peso de barro, igual ao dos outros dois, de fórma prisma- 
tica, de secgSo rectangular, de 0'",22 de altura, furado no vertice corno 

OS outros. 

B) FragnieiitoB de Taso» de barro 

1) Um fragmento de vaso (?) de grande diametro, de barro de cor 
acizentada, com um cordao de 0"",01 de largura e outro tanto de al- 
tura, situado a 0™,08 da parte superior da boca, a qual, assim corno 
de outro fragmento da Cumieira, n.® 12, nXo ó horizontal mas curva, 
a ponto de parecer constituir a abertura de um forno de pequenas dì- 
mensSes, semelhante a alguns actualmente usados e que se podem 
deslocar de um ponto para outro. 

Este fragmento é muito liso, ennegrecido pelo fogo ou por carvXo 
na face interna toda e parte do bordo. 

2) Um pedalo de vaso de grande diametro, de barro avermelhado, 
de boca horizontal, sem ornamentammo, com um grande rebordo sepa- 
rado apenas do ventre do vaso por um sulco bem pronunciado, liso e de 
massa bastante gosseira, sem vidrado de especie alguma. 

3) Um pedaQO de outro vaso de grandes dimensSes, grosseiro, com 
urna forte asa trans versai, de c5r acinzentada, sem ornaraentamao de 
especie alguma. 

4) Parte de uma asa de um vaso de barro, em que se observam 
na consti tui^ào da parte tres camadas, duas das quaes, a externa e a 
intema, de cor vermelha e a media cinzenta, muito liso, com um sulco 
em meia cana ao longo da asa. Dos quatro fragmentos é este o de 
mais acurado fabrico. 

Por occasiXo da visita soubemos dos donos da vinha: 1.®, que ha 
annos appareceram alguns caixoes de tijolos (sepulturas de tijolos 
iguaes às de Athey — Arck. Pori., ii, 298); 2.°, uma pedra com uma 
inscripfào latina, que descreveremos neutra noticia; 3.°^ um subterraneo 
pouco alto com o pavimento formado de tijolos e as paredes de can- 
taria; 4.®, uma pedra, comò uma caixa de rufo, de 0™,25 de diametro 
e 0°*,35 de altura, a pico miudo e com uma falba num quarto da cir- 
cunferencia; 5.°, limalha de ferro em grande quantidade; 6.**, grande 
numero de pedagos de tijolos e de vasos de barro de differentes dia- 
metros, sendo d^estes ultimos os que nos pareceram mais de nota os 
quatro acima descrìtos. 

Villa Real, 1 de Janeiro de 1906. 

Henrique Botei-ho. 



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O Archeologo Portdgués 201 



Conselho dos Monumentos Naoionaes 

I 
Sess&o em 17 de Janeiro de 1907 

iO Conselho dos Monumentos Nacionaes reuniu, corno disseraos, 
ante-hontem à noite, sob a presidencia do Sr. Luciano de Carvalho, 
achando-se presentes os Srs. José de Figueiredo, Cordeiro de Sousa, 
Finto da Veiga, Fernando de Serpa, Salgado, Ventura Terra, Mardel 
e Leite de Vasconcellos, etc. 

Sr. Luciano de Carv^alho apresentou o pfojecto de classifica- 
$ao dos monumentos nacionaes do pais, precedido de um substancioso 
relatorio e acompanhado de notas historico-descritivas, relativas aos 
diversos monumentos. Sito mais de 400, e comprehendem antas, marcos 
miliarios, thermas romanas, estatuas, pontes antigas, castellos, igrejas, 
tiunuios, cruzeiros, cathedraes e palacios (cuja edificagSo é anterior 
ao anno de 1800), etc. 

conselho lan^ou na acta um voto de congratula9ao e de agrade- 
cimento ao Sr. Luciano pelo seu exceliente trabalho e deliberou que 
fosse impresso, para ser apreciado nas proximas sessSes. 

Sobre o assunto, o Sr. Ramalho Ortigào mandou uma proposta, 
esenta, que se refere a varios monumentos. 

Tambem se votou uma congratula9ào a Camara Municipal do Fun- 
dao, pela restauragào, a que mandou proceder, do seu pelourinho». 

(Do Diario de Noticias, de 18 de Janeiro de 1907). 

II 
Lista do8 monumentos apresentados pelo Sr. Ramalho^ OrtigUo 

«Na ultima sessSo d'este Conselho, realizada na quarta feira proxima 
passada, foi submettido à discussào o quadro da cla88Ìfica9Xo dos monu- 
mentos nacionaes apresentado pela commissào nomeada pelo Conselho 
para o elaborar. 

Resolveu-se que este quadro fosse impresso e distribuido pelos vo- 
gaes do Conselho para mais, ampia discussào. 

O vogai Sr. Kamalho Ortigào sustentou por escrito a classificajao 
de differentes nlonumentos pelo seguinte modo: 

S. Ex.^ entende que, para os effeitos da classifica9So a que se està 
procedendo, a importancia de um monumento architectonico se deve 
menos deduzir da magnitudo das suas propor9oes materiaes que da sua 



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202 Archeologo Portugués 

especial accentuajào esthetica. Nas grandes obras architectonicas pre- 
domina geralmente o gosto e o criterio intemacional em voga no tempo 
em que se fizeram, e nellas mais que na humilde construcjào dos pe- 
quenos edifieios, se attenua, se desvigora ou inteiramente se dìlue 
a expressXo ethnica do talento locai, o espirìto provincial da regiHo, 
a sua particular e caracteristica maneira de sentir, de pensar e de trans- 
mittir no lavor da pedra^ corno a qualquer outra transformagto da 
materia, a afHrmagSo de um ideal. 

Convem advertir ainda que a missXo do Conselho dos M^numentos 
Nacionaes é proteger e defender dos estragos calamitqsos do tempo, 
das destructivas injurias da desgovernada estupidez do homem, para 
bem da comprehenslo historica do nesso passado, da civilizaQào da 
nossa raja e da religiào da nacionalidade a que pertencemos, os har- 
moniosos vestigios de amor, de poesia e de arte, com que os antepas- 
sados tXo liberalmente ennobreceram o solo da nossa patria. 

Ora é evidente que as grandes fabricas architecturaes mais facil- 
mente por si mesmas se defendem quo as nSo menos preciosas edificaQoes 
obscuras, que tao saudosos sorrisos de arte espalham ainda pelos mais 
deslembrados recantos das doces villas e aldeias de Portugal. 

Parece-lhe duvidoso que, por emquanto, alguem ouse arrasar a Ba- 
talha, Àlcoba(a ou os Jeronymos para fazer mais urna avenida, um 
mercado, uma estagSo de caminho de ferro, ou uma «garage» de auto- 
moveis. * 

E bem tragicamente certo que sob pretextos ainda os mais frivolos 
todos OS dias temos visto e continuamos a ver destrnir importantes 
monumentos provinciaes unicamente accusados da culpa de existirem. 

O que a està mesma bora se està fazendo em Evora, em Braga 
e em Aveiro é a mais espantosa affronta de arte à presumida civilizajào 
dos nossos dias e à hypotbetica acgao fiscal do Conselho. 

Em vista das consideraySes expostas, e para que se nao cuìde que 
pela algidez do seu contacto pretende arrefecer a fé dos seus collegas 
na efficacia dos seus meios de accSo sobre os destinos dos monumentos 
nacionaes, propSe que no rol dos edifieios que o Conselho tem a obri- 
gagfto de proteger se incluam os seguintes: 

1. Goes: ìgreja matriz. Contém o bello jazigo do Conde de Sortelha, 
estatua orante, sec. xvi. 

2. Trofa, perto de Agueda, igreja do Salvador, sec. xvi. Bello 
pantheon dos Lemos. 

3. Igreja de S.'* Maria de Almacave, em Lamego, sec. xii, 

4. Paco de Scusa, igreja do Salvador, sec. xii. Contém o tumulo 
de Egas Moniz. 



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O Archeologo Portugués 203 

5. Igreja de S. Fedro de Rates, na Povoa de Varzim, sec. xii. 

6. Igreja matriz de Fonte Arcada, Povoa de Lanhoso, sec. xi. 

7. Igreja de S. Christovam de Rio Mau,Villa do Conde. Tem a data 
do sec. XI. 

8. Igreja de S.'* Maria do Castello, em Torres Vedras. Bellos qua- 
dros portugueses do sec. xvi^ bem conservados. 

9. Pagos dos Duques de Bragan9a, ruinas, em GuimarXes. 

10. Convento de S. Francisco, em Serpa, sec. xv, typo analogo 
ao da Ermida de S. Bràs, em Evora, e de Santo André- em Beja. 

11. Ermida de Santo André, em Beja. Constriic9ao gothica em 
tijolo, sec. XV. 

12. Villar de Frades, Barcellos. Bellissima portada romanica do 
sec. XII. 

13. Ermida de S. Bràs, em Evora, sec. xv. 

14. Igreja de S. Salvador de Arnoso. Ruina romanica. 

15. Cantanhede. Capella de Narziella, bellas escnlturas da Renas- 
cenga, escola de Coimbra, sec. xvi. 

16. Thomar. Igreja de S.** Maria do Olival, sec. xii. 

17. Mosteiro de Pombeiro. 

18. Igreja matriz de Villa do Conde, secs. xv e xvi. 

19. Igreja matriz de Miranda do Douro, antiga Sé, sec. xvi. De 
Tioralva. 

20. Mosteiro de Arouca. 

21. Guimaraei^. Igreja de S. Miguel do Castello, onde foi baptizado 
D. Affonso Henriques. 

22. Santarem. Igreja de S. JoSo de Alporlo, sec. xii. 

23. Lisboa. Ermida de Santo Amaro, a mais importante collec9ào 
de azulejos polychromicos do sec. x^^. 

24. Coimbra. Palacio de Sub-Ripas, manoelino. 

25. Evora. Casa Pia. 

26. Evora. Mosteiro do Espinheiro. Tumulo de Garcia de Resende. 

27. Torres Vedras. Igreja de S. Pedro, sec. xvi. 

28. Igreja de S. JoSo de Tarouca. Deposito de pintura do sec. xvi, 
tao preciosa comò a de Viseu, Coimbra, Setubal ou Evora. 

29. Convento de Santo Tirso. 

30. Convento e igreja do Varatojo. 

31. Gollega. Igreja matriz, manoelina. 

32. Ermida de S. Jorge no Campo de Aljubarrota, funda^ào de 
D. Nuno Alvares Pereira. 

33. Igreja de Lega do Balio, sec. xiv. 

34. Azurara. Igreja matriz, manoelina. , 



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204 O Archeologo Portugués 

35. Povoa de Mirleu. Capella de S.Vicente, sec. xii. 

36. Villa Real. Capella de S. Bràs, sec. xui. 

37. Villa Real. Igreja de S. Domingos, fundajlo de D. Jolo I. 

38. Guimaraes. Igreja matriz de S. Martìnho de Candoso. Data 
do sec. XII. 

39. Vianna do Alemtejo. Igreja matriz (restauragSo de D. JoSto II 
e de D. Manoel). 

40. Igreja de S. Quintino. Sobral de Monte Agrago, manoelina. 

41. Torre de Quintella. Villa Marim. 

42. Igreja de S.^ Maria do Castello, em Abrantes. Pantheon dos 
Abrantes. 

43. Montemor-o-Velho. Igreja matriz de Nossa Senhora dos Anjos. 
Bellos tumulos de Renascen^a francesa de Coimbra. 

44. Seminario de Portalegre. Esculturas da Renascenga, sec. xvi. 

45. Claustro de Chellas. Coimbra. 

46. Coimbra. Convento de S. Domingos. 

47. Coimbra. Igreja de Sant'Anna. Rena8cen9a. 

48. Coimbra. Convento de S. Marcos». 

(Do Diario de Noticias, de 19 de Janeiro de 1907). 



A maior parte d'estes monumentos figura tambem na lista apresen- 

tada ao Conselho pelo Sr. Luciano de Carvalho. A igreja de S. Joao 

de Tarouca fora jà proposta comò monumento nacional n-0 Arch. Poti., 

X, 40. 
' J. L. DE V. 



FroteOQ&o dada pelos Govemos, oorporagdes officiaes 
e Institutos soientifloos & Archeologia 

29. Protec^ao à archeologia 

Na Eevue des Études Anciennes (1906, vm, n.° 3) Émile Cartailhac 
escreveu um artigo biographico do grande palethnologo francés Eduardo 
Rette, fallecido com 81 annos. Era um emerito pesquisador, que tra- 
balhava k custa da sua bolsa. Pagou elevadas contas de explora^Ses, 
corno està de 12:000 francos (2:160<J000 réis). Pois éste benemerito fez 
presente das suas coUecgSes inestimaveis ao museu de Saint-Germain, 
estabelecendo apenas que a nSlo queria fraccionada. 

Aqui està um exemplo. Tamanho era o valor d'este espolio que 
aqueile illustre homem de sciencia comprehendeu que Ihe nSo perten- 



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Archeologo Portugués 205 

eia, mas & na(Eo francesa. Acrescenta Cartailhac que a familia do 
eminente patriota via com boa sombra os trabalhos e as grandes des- 
pesas archeologi cas do seu chefe. 

E que monotonia de aspecto devem ter para o publioo as nume- 
rosas coUecgSes legadas por este benemerito à FranQa? 

NSlo obstante valem ouro! 

F. Alves Pereira. 

80. A respelto do Norie de Africa 

«Si, en son temps, roccupatiòn militaire a cause un grave préjudice 
aux monuments, de nos jours les officiers fran9ais, principalement par 
les levés topographiques du pays et la recherche activement poussée 
des ruines dans ce pays, sont devenus les coUaborateurs indispensables 
de ceux qui recherchent les antiquités africaines. Le gouverne- 
ment a fait composer pour les officiers une instruction 
relative aux antiquités, et Tlnstruction rédigée par la Commis- 
sion d'Afrique pour la recherche et la description des monuments 
antiques est tout spécialement destinée aux mìlitaires». 

A. ScHULTEN, UAfriqut Bomaifie^ Paris 1904, pp. 11-12 

81. La protectlon dea monomentg préhistorlques 

Sur la pro^osition de M. Seger, directeur du Musée de BreslaUj 
le Congrès allem^d d'Anthropologie de 1903 a nommé une commis- 
sion composée de MM. Ranke, Schumacher, Seger, Soldan et Voss, 
qui a pour but d'étudier les mesures à prendre pour obtenir des divers 
gouvemements une protectìon effective des monuments préhistorìques. 
En eflFet, depuis que la science préhistorique a été popularisée, le nom- 
bre des amateurs et des simples coUectionneurs a augmenté dans des 
proportions formidables, en mème temps que des gens du vulgaire font 
des fouilles dans le but de revendre les objects trouvés, la plupart du 
temps sans indication exacte d'origine. On congoit que dans ces con- 
ditions les objects les plus intéressants risquent d'étre à jamais perdus 
pour la science, et que les gisements les plus rìches sont rapidement 
épuisés sans profit réel. 

La situation parwt étre encore plus défavorable en AUemagne que 
chez nous, gràce, sans doute, à ce que le tourisme y est davantage 
pratiqué. M. Seger estime en eflfet que le cinquième à peine des objets 
trouvés arrivo dans les collections publìques. Quant aux monuments 
proprement dits, tumuli, fortifications, sépultures de pierre, etc, ils 
diminuent avec une rapidité effrayante, non seulement du fait des fouil- 



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206 O Archeologo Pobtuguès 

leurs, mais sourtout gràce à rextension des travaux de culture, des 
routes et des chemins de fer. Ces monuments peuvent étre protégés 
d'une fa9on efficace si l'on admet qu'ils peuvent étre classés, cornine cela 
existe en France, en Angleterre et en Hesse. 

Pouf les objects mobiles, ,M. Seger propose qu'on établisse Tobli- 
gation de déclarer chaque trouvaille et que FEtat ait un droit de pré- 
emption, mais en payant a Tinventeur une somme suffisante; ce sys- 
tèrae fonctionne en Danemark. Les fouilles ne devraient étre faites 
que sous la sun'eillance d'un spécialiste. La loi hessoise est très bien 
comprise à ce sujet. Tout individu qui désire faire une fouille. doit en 
prevenir Tautorité competente et obéir à toutes les indications que 
donne celle-ci sur Texécution de la fouille et sur le traitement des ob- 
jets trouvés. Cela permet toujours de rendre la présence d'un spécia- 
liste obligatoire. 

Il y aurait beaucoup à faire dans cette voie en France. C'est ainsi 
que dans un récent voyage aux Eyzies, j'ai constate que le gisement 
de la Micoque avait été loué par un industriel dépourvu de tonte ins- 
truction, qui y fait des fouilles sur une grande échelle et revend les 
objets trouvés, péle-mèle avec des débris néolithiques, du moyen àge 
et mème modernes. Il est absolument interdi t de pénétrer sur le ter- 
rain du gisement. Si de pareilles spéculations avaient lieu sur des sta- 
tions plus intéressantes, c'en serait fait à tout jamais de la science pré- 
historique, sa matière méme venant en très peu de temps à lui faire 
défaut. ^ 

Dr. L. Laloy. 



EstagSes preMstorioas dos arredores de Setubal 
TlTendas dispersas 

(Continuatilo. Viti. O Arch. Port., xi, 40) 

Os valles da peninsula da Arrabida, apesar de nSo serem multo 
ricos em mananciaes de agua para a sua irriga^SLo, cobrem-se durante 
grande parte do anno de urna vegeta9Sk) vicejante, sinal indicativo de 
que deveriam em todos os tempos remunerar a sua agricultura por 
mais rudimentar que tivesse sido. Mesmo que as terras d'estes valles 
nào fossem amanhadas poderiam apascentar numerosos rebanhos de 
gado lanigero, suino e bovino. 

As montanhas e serras d'està peninsula, revestidas de centenares 
de especies de arbustos, a maior parte de foiba persistente, fomecem 
durante todo o anno abundante pasto aos rebanhos de gado caprino. 



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O Archeologo Portuoués 



207 



Estas riquezas do solo nao foram desprezadas pelos seus mais an- 
tigos habìtantes e urna das provas d'està assergào é o grande numero 
de ossos de ovelhas, porcos, bois e cabras 
achados no castro da Rotura, que é exclu- 
sivamente prehistorico. 

A abundancia de pastagens para a cria- 
gao do gado e a 'proximidade do mar, tor- 
nando facil a colheita de peixe e mariscos, 
deviam favorecer o desenvolvimento da po- 
pula9ào na peninsula e a sua dissimina9ào 
peios campos e costa maritima. 

EflFectivamente em diversos pontòs alem 
dos castros, que jà descrevemos, e de ordi- 
nario em eminencias de facil defensa, veem- 
se vestigios da actividade dos mais antigos 
habitadores, que ahi tinham as suas viven- 
das, preludiando as que, no tempo dos Ro- 
manos com o nome de villas, estavam espa- 
Ihadas pelos campos, que formam hoje os 
arredores de Se tubai. 

Das villas rusticas romanas tenho encon- 
trado vestigios bem accentuados na Quinta 
das Machadas de Baixo, na Boa- Vista, Ca- 
be^o Gordo, Torres Altas, Cruz da Legna, 
Esteval* e Painel das Almas em Azeitao. 
Em todos estes logares encontram-se entu- 
Ihos Ibrmados de fragmentos de hnhrices, 
Uijulaa, amphoraSj pedagos de argamasaa 
signina. etc. Em alguns logares o nome la- 
tino de ì)illa, que Ihes é applicado, ainda 
attesta a antiga existencia das vivendas ro- 
manas com aquelle nome. Assim no Esteval 
ha sobre a ribeira da Ajuda urna passagem, 
a que se dà o nome de Porto da Villa; no Rego d'Agua um pequeno 
valle chama-se Valle da Villa Velha; finalmente em AzeitSo, alem de 




Flg. 275.* e 276.« i"/*) 



^ Ao norte do Esteval, na vertente meridional da serra de S. Luis e proximo 
do seu carne, encontrei, quasi todo coberto pelas terras e pedras que tem desa- 
bado da serra, um ediculo de constmc^So romana, incrustado na rocha e rebocado 
interiormente com opuè Signinum, onde para omameuta^ào se tra^ram desenhos 
geometricos multo simples. £ tradÌ9&o que foi neste ediculo que prìmeiro appa- 



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208 



Archeologo Pobtugués 



outro Porto da Villa Velha sobre a ribeira de Caimbras, ha a Villa 
Fresca, nome que primitivamente foi applicado à quinta da Baealhoa, 
tendo a localidade com aquelle nome a designarlo de Aldeia de Villa 
Fresca, que reveia assim ter significado na sua origem apenas o con- 

junto de officinas e habita9Ses do pessoal de- 
pendente da quinta*. 

Das vivehdas prehistoricas ha vestigios 
nos logares seguintes*: 

a) No aito do Queimada, que fica na crista 
da serra do Louro uns 500 metros a W. de 
alto de Chibanes, onde jà o fallecido Carlos 
Ribeiro tinha encontrado restos de loufa pre- 
historica e romana, os quaes se encontram 
hoje na prateleira inferior do armario 34 do 
Museu dos Servigos Geologicos de Portngal. 

Tambem ahi encontrei muitos fragmentos 
de louga prehistorica e romana. 

b) Na parte orientai da crista da serra 
das Terras Altas encontrei dispersos pelo solo 
alguns fragmentos de louga e um triturador 
de grès, com os caracteres 'dos que tenho 
achado noutras estagSes prehistoricas dos ar- 
redores de Setubal. 

Tambem possuo um instrumento de rocha amphìbolica, bem po- 
lido, que foi encontrado neste logar e que està representado na fig. 275.* 

Este instrumento tem de comprimente 0™,22 e nas extremidades 
foram feitos gumes quasi rectilineos, bem afiados. Juigo ser um for- 
mSo. 




Fig. 277.* (Vi) 



receu a imagem de S.Luis a uns pastores da serra. Està imagem, que talvez fosse 
de algum deus pagào, foi tomada pelos pastores corno da do santo advogado da 
saude do gado. Junto do ediculo foi construida urna pequena ermida de que restani 
vestigios e que ainda se chama de S. Luis Velho, para a distinguir da ermida 
de S. Luis, que fica a uns 700 metros a SE. do ediculo a que jà nos referimos. 

^ No anno de 1759 foi criado o concelho de Azeitslo, tendo por sède a aldeia 
de Villa Fresca, assim elevada à categoria de villa. Desde entfio, para nSo se di- 
zer — villa de Villa Fresca — , indicava-se a categorìa da povoa9ào com o proprio 
nome. £m 1786 a sède do concelho de Azeìtào foi transferida para Aldeia No- 
gueira, que passou a chamar-se Villa Nogueira, conservando tanto està corno a 
Villa Fresca o nome de villas mesmo depois da extinc^ao do concelho de Aseitào 
em 1855. 

2 Vid. Esbogo da carta archeologica dos arredores de Setvbaf, fig. 274.» 



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O Archeologo Portuocès 209 

Tambem neste legar foi encontrada parte de um instrumento de 
quartzo^ muìto bem polido (fìg. 277.^), que pela sua fórma muito se 
parece eom a foiba de urna espatula. 

Este objecto é muito semelbante a outro encontrado no Monte 
Abrabao por Carlos Ribeìro, que Ibe attrìbuiu a serventia de insignia 
ou dìstìnetivo *. 

e) Na parte oceidental da fragosa crista da serra anteriormente 
refenda, proxìmo do Moinbo da Fonte do Sol, encontrei, entre as es- 
cabrosidades da rocba, restos de construegSes feitas de pedra e terra 
e dispersos pelo solo diversos fragmentos de louga, alguns dos quaes 
com omamenta93o. 

d) No alto de S. Francisco, na serra do mesmo nome e proximo 
do marco da triangulagXo geodesica, encontrei alguns peda90s de lou^a, 
que, por ser de barro muito mal escolbido e afeicoado apenas com as 
mSos, sem o auxilio da roda de oleiro, julgo ser de prò veni encia pre- 
historica. 

e) A distancia de 1:100 metros para NE. do castro da Rotnra fica 
casal da Fazendinba, junto do qual, numa anfractuosidade da rocba 
jarassica, foi encontrada & fior da terra uma malga sem ornamentagào 
e semelbante às que tenbo encontrado na Rotura e Cbibanes. 

O Sr. Arroncbes Junqueiro explorou està pequena estagSo e nella 
encontrou um triturador de pedra, um macbado tambem de pedra, 
alguns pedagos de lou^a e fragmentos de ossos bumanos, entre os quaes 
08 de um cranio, que em parte o Sr. Junqueiro reconstìtuiu. indice 
cepbalico d'este cranio devia ser proximamente de 76 e portante do- 
licocephalo. 

f) No PedrogSo, rocbedo que fica a E. da serra de S. Luis e a que 
povo attribue babitagSo de mouras encantadas^, tambem se encon- 
trara restos de louga que parece de origem prebistorica. 

g) Uns 400 metros a NW. da Arca de Agua, na trincheira do ca- 
minho que d'este legar conduz a S. Paulo, véem-se restos de molluscos 
e de lou9a grosseira com caracteres da industria neolitbica. 

h) No sopé da rocba da Murteira, que fórma um dos picos da serra 
da Arrabida, entre o casal do mesmo nome e o Jogo da Petisca, ba 
vestigios de uma vivanda dos tempos prebistoricos. 

Entre os alludidos vestigios encontrei alguns restos de vasos, um 
dos quaes devia ser muito acbatado corno os actuaes testos e com ori- 



* Vid. Egtudos prthiètorico8 de Portugal, p. 41 e ^g. 45.* 
' Vid. Memoria sobre a historia e administra^ào do Municipio de Setttbal, por 
Alberto Pimentel, p. 13, nota. 

14 



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210 O Archeologo Poutugués 

ficios no fundo, martelos de pedra e maitas valvas de moliuscos ma* 
rinhos. Segimdo ouvi a uns trabalhadores, que ahi andavam a metter 
bacello, encontraram elles, a profìindidade excedente a meio metro, 
diversas mós de pedra da fórma e grandeza dos actaaes queijos fres- 
cos (com aproxìmadamente 0*",06 de diametro). 

i) No cume da serra de Cella, no sopé da qual fica o forte da Ar- 
rabida, proximo do Portinho do mesmo nome, encontrou o distincto 
geologo, Sr. Paul Choffat, alguns peda90s de lou$a de barro maito 
grosseiro e mal escolhido corno aquelle de que era feita a louga pre- 
historìca. 

Percorri o cume da dita serra e na sua parte mais orientai, sobran- 
ceira ao forte da Arrabida, dei com urna pequena chS fortificada na- 
turahnente pelas camadas de rocha, que ahi se levantam a pnimo 
corno a servirem de muralha. 

Nesta chà, apesar de nào mandar fazer sondagens, encontrei pelo 
solo muitos dos fragmentos de louja acima referidos. 

Julgo que tanto nos logares que deixo apontados corno noutros, 
em que os vestigios da primitiva industria humana se apagaram de 
todo on se apresentam mal definidos, estava disseminada grande parte 
da popula9So prehistorica. 

Nos redutos ou castros (comò o da Rotura e o de Chìbanes), cuja 
coUocagSo obedecia principalmente às condijSes de defensa e cuja area 
era relativamente pequena, estariam armazenados os productos das co- 
Iheitas e haveres de maior importancia, bem comò a populagSo industriai 
e aristocratico-militar a quem se confiava a guarda d'estes productos. 

Disseminada pela costa maritima e pelos campos e serras, ficarìa 
a popula^ào piscatoria, agricola e pastoni, que so recolheria com os 
gados e mais valiosos instrumentos moveis de trabalho aos castros por 
occasiào de guerra ou invasào de algum inimigo mais poderoso. 

Grntas sepalcraes da ({vinta do AiiJo 

Seguindo a estrada a macadam de Palmella para AzeitSo, a uHs 
tres kilometros de distancia d' aquella villa para o lado SW., encontra- 
se a povoa(&o da Quinta do Anjo^, formada por tres grupos de casaes 



. 1 Està povoa9ao tem o aeu nome derivado da Quinta e Fonte do Aigo, que, 
tendo constitaido um morgado fundado por Fedro Coelho, secretario do meetre 
da Ordem de S. Tiago D. Jorge de Lencastre, pcrtence hoje à casa dos Duques 
de Palmella. 

A dita fonte é resguardada por urna rotunda dentro da qual se ve a estatua 
marmorea de um anjo, que, segundo urna inscrip9fio lapidar em latim embutida 



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O Abcheologo Portugués 



211 



qae se est«:idein pela encosta setentrional da serrania qae de Palmella 
se dirìge a Azeit&o, e a que jà me referì quando tratei do castro de Chi- 
hanes. 

grupo de casaes mais ao sul fica em uma pequena collina muito 
alongada ou cerro de calcareo miocenico, parallelo &8 serras do Louro 

KSBOCO DO TERRENO ONDE SE ACHAM AS GRUTAS DA QUINTA DO ANJO 




Flg. 278.* 



ESCALA 



1:000 



e Torres Altas, e tem o nome de Aldeia de Cima de que faz parte o 
casal do Pardo, o mais orìental da aldeia. 

A partir d'este casal o cerro prolonga-se ainda uns 100 metros para 
leste. Neste prolongamento a mesma collina tem a cumieira em fórma 



na parede do fundo da rotunda, «fbi dado para guarda d*esta fonte, que db antigos 
denonimarain do anjo para que nSo tenham perigo os que beberem das suas 
aguas». 

A m8crip9ao tem a data de 1568. 

Eete facto dà-no8 um ezemplo bem frisante do tradicional costume de col- 
locar as fontes sob a proteccSo das divindades. (Cf. Réligiòta da Luntania^ por 
J. Licite de Vaeconcellos, voi. ii, p. 237). 



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212 O Archeologo Portugués 

de faixa com uns 10 metros de largura, a vertente do lado do norte 
a configuratalo de rampa e a do lado do sul, em consequencia da ex- 
plora9lo do calcareo, apresenta urna escarpa abrupta euja altura varia 
entre 2 a 6 metros. 

E no amago d'està pequena collina e mima linha, que segue urna 
direcfSo parallela à sua crista, que foram cavadas quatro gnitas, todas 
independentes umas das outras, a que o povo chama as Covas dos 
Moiros, e cuja disposijSo relativa se encontra no esbogo representado 
na fig. 278.* 

Comquanto estas construc9oes sejam subterraneas^ foram cavadas 
na espessura calcarea do cerro, a fim de que as suas entradas lateraes 
ficassem nos primitivos taludes d'este e os pavimentos em nivel que 
nSo dìfFerisse muito do antigo solo adjacente. 

D'està fórma se transformou o cerro numa especie de monumento, 
que, comquanto no seu exterior fosse exclusivamente obra da natureza, 
era no san interior formado por cavidades artìsticamente feìtas pelo 
homem. 

Em todas estas grutas se nota grande regularidade geometrica e 
lisura nas suas paredes. Por isso julgo que, apesar da roeha em que 
^foram formadas apresentar pouca resistencia, principalmente quando 
ainda nio tem soffrido a acgSo dos agentes atmosphericos, devia a sua 
construcgào ser muito laboriosa e representar um grande dispendio de 
actividade e instrumentos de trabalho. , 

Attendendo a està circunstancia, à da proximidade d'estas grutas 
do castro de Chibanes è mais estagSes prehistoricas nas cristas das 
serras do Louro e Torres Altas, aos restos humanos ahi encontrados 
e ainda à natureza e luxo relativo dos objectos que os acompanhavam, 
supponho que taes construcgSes eram destinadas ao jazigo de altos 
personagens que habitavam nesse castro e proximidades. Seriam urna 
especie de pantheon, onde se recolhiam os restos mortaes das familias 
de mais distinc^So entre o povo, que habitava o castro e os logares 
proximos nos tempos prehistoricos. 

1) A primeira gruta a partir de éste (figs. 279.* e 280.*) constava 
de dois compartimentos desiguaes, communicando directamente entre 
si por meio de um portai interior e o menor com o exterior pela en- 
trada da gruta, feita no primitivo talude meridional do cerro e voltada 
para S. 60° E. 

primeiro e menor compartimento ou vestibulo tinha a fórma de 
pera ou balSo, com o eixo .horizontal e sondo cortado parallelamente 
a este eixo por um plano tambem horizontal, que corresponde ao solo 
d este compartimento. 



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O Archeologo Portugués 213 

A parte oblonga d'este vestibulo estava voltada para a entrada da 
gruta e a parte hemispherìca opposta era contigua ao compartimento 
maior ou camara, onde, em logar fronteiro à prìmeira entrada, se abre 
um portai interior, de communicagào entro os dois compartimentos, 
em fórma de ferradura e tendo dimensSes taes qne nào deixa passar 
um homem senào de joelhos. 

Na soleira da entrada do vestibulo e da gruta ha um resalto (fig. 
280.") em fórma de cordào transversal. 

Junto da soleira do portai de communicagao do vestibulo para a 
camara està cavada uma goteira em fórma de arpo de circulo. A^ ex- 
tremidades d'està goteira ajustam-se nos humbraes do refendo portai^ 
onde foram cavados rebaixos semelhantes aos dos humbraes^ que se 
usam actualmente nas nossas habitagSes. 

Tanto estes rebaixos comò a goteii*a podiam bem servir para neiles 
ajustar uma grande làpide, que, a maneira de porta, fechasse a en- 
trada da camara. A fórma da goteira indica que essa lapide, no caso 
de existir, devia ter uma configuragSo semelhante & das actuaes telhas, 
sendo voltadas a face convexa para o vestibulo e a concava para a 
camara. 

Em analogìa com està supposta porta, encontrei na 2.* gruta uma 
grande lage com a fórma de telha, que talvez ahi servisse para fechar 
a entrada da camara. 

A exploragào da pedreira, em que foram cavadas as grutas, des- 
truiu antigo talude meridional da collina e com elle grande parte 
nao so do vestibulo de que estou tratando, mas tambem dos que per- 
tenciam às 3.* e 4.* gnitas, ficando a marcar o litoite da exploragao 
a actual escarpa jà refenda ao sul do cerro. 

Està escarpa corta quasi a prumo e ao meio o vestibulo, separando 
a sua parte hemispherica, que ainda se conserva toda no interior da 
pedreira, da parte oblonga, de que jà nao restam senSo o pavimento 
e parte das paredes lateraes. 

Estes restos do primeiro compartimento acham-se actualmente co- 
bertos pelo leito de uma carré teira, que passa junto à escarpa do cerro, 
de maneira que o aspecto que tem hoje as ruinas do vestibulo da 1.^ 
gruta, apparentemente reduzido a sua parte hemispherica com um por- 
tal ao fundo, dà-nos em miniatura uma ideia semelhante à d^aquella 
especie de alpendres, que se véem nos porticos dos templos construidos 
no estilo romanico. (Vid. fig. 281.*). 

segundo compartimento ou camara tem a fórma de um hemis- 
pherio com a base horizontal. Nesta cavidade, que se parece com os 
actuaes fornos de cozer pSo, ha duas aberturas, sendo uma constituida 



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214 O Akcheologo Portugués 

pelo portai jà refendo, correspondente & boca do forno, o qual commu- 
nìca com o vestibulo, e a outra formada à maneira de daraboia no 
tecto da camara para nella permittir o ingresso do ar e da luz do dia. 

Està ultima abertura, qiie é circular, parece à primeira vista muito 
irregular; porém, nm exame mais attento mostra que os seus bordos 
do lado interior foram arredondados, o que prova que foram feitos 
pelos prìmitivos constructores. 

Os bordos do portai, que communica o vestibulo com a camara, 
slo salientes e voltados para o lado interior d'està, o que julgo devido 
a um alargamento que se fez no segundo compartimento em epoca 
prehistorica, mas posterior à sua primitiva construcgfto. D'està fórma 
se conseguiu aumentar a àrea do circulo que formava o pavimento da 
camara, sem deslocar o seu centro, que convinha continuar a corres- 
pender ao centro da claraboia, a fim de manter a symetria e melhor 
distribui^ào de luz ^. 

O conjunto da camara, do vestibulo e do portai, que i maneira de 
garganta communica os dois compartimentos, dà internamente à grata 
um aspecto geral, que a faz parecer com monstruosa cabaga, que ti- 
vesse sido cortada por um plano parallelo ao eixo e que se ajustasse 
horizon talmente no solo por esse plano (vid. a pianta e perfil: figs. 279/ 
e 280.*). 

O mesmo aspecto se reproduz nas 2.* e 3.* grutas comò adeante 
se vera. 

Està primeira gruta é depois da 2.* a mais bem conservada, tendo 
apenas destruida a parte oblonga do vestibulo, corno jà ficon dito. 

2) A 2.* gruta (vid. pianta e perfil: figs. 282.* e 283,*) tambem 
consta de dois compartimentos analogos aos da primeira, sendo porém 
vestibulo mais alongado e precedido de uma galeria descoberta em 
fórma de fosso, que dà accesso ao vestibulo pela rampa septentrional 
do Cerro na direcgSo N. 50** E. 

Està galeria tem as paredes lateraes talhadas a prumo na rocha 
e seu pavimento, que é plano, inclina-se ligeiramente, descendo um 



* O Sr, Cartailhac (vid. Les ùgts prihùtoriquts de VEspagne et du Portngàl, 
p. 121) é de opiniào que as referidas saliencias tinham por fim aumentar a resis- 
tencia na parte da gruta mais exposta aos attrictos. Na minha opinilo, para con- 
seguir tal fim as saliencias seriam contraproducentes ; pois que, sendo ellas pela 
sua pequena espessura muito sujeitas a degradacdes e fazendo parte integrante 
da construc^fto, ficava està por aste motivo tambem sujeita a ser alterada oa sua 
integridade e symetria, com que o architecto a meu ver procurou attrahir a atten- 
eSo do espcctador. 



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O Archeologo Portugués 215 

px>uco desde o talude do cerro até a entrada do vestibulo ou portai 
exterior «da gruta. 

Junto aos humbraes d'este portai e nas paredes aprumadas da ga- 
lena, véem-se dois profundos entalhes verticaes, quejulgo serem desti- 
nados a servirem de encaixes às couceìras de urna porta^ que prova- 
velmente seria urna grande lage rectangular. encaixe do lado esquerdo 
é semìcilindrìco e era certamente sobre elle que girava a lage que servia 
de porta. O encaixe do lado'direìto é um rebaìxo eom duas faces: urna 
na parede exterior do portai, sobre a qual batia a lage quando fechava 
a entrada principal da gruta; a entra face era urna porg2o de super- 
ficie cilìndrica cujo eixo se confundia com o do encaixe do lado es- 
qnerdo a firn de permittir que a lage rodasse sobre elle no movimento, 
que se Ihe dava, de abrir e fechar a entrada do vestibulo. Junto a està 
entrada, no pavimento da galeria, ha tambem urna depressao indica- 
tiva de ser destinada a receber a supposta lage. Està, em vista da 
depressSo ser rectilinea, julgo que devia ser plana e nSo em fórma de 
telha comò a supposta porta da 1.^ gruta. 

D'este portai exterior da gruta so restam a soleira, que era de- 
prìmida em fórma de arco concavo, e parte dos humbraes. 

D'està soleira desce-se para o pavimento horizontal do vestibulo 
por uma pequena rampa, constituida por parte da superficie curva que 
fórma as paredes lateraes e abobada do primeiro compartimento. 

vestibulo é uma cavidade com a fórma geral de um ovo, cor- 
tado por um plano parallelo ao eixo e ajustado no pavimento horizontal 
por esse plano. 

Nesta cavidade abrem-se dois portaes de designai grandeza: o 
maior, jà referido, na extremidade oblonga do ovoide dando commu- 
nica9lo para a galeria exterior; o menor na parte hemispherica op- 
posta dando entrada para a camara interior. 

Seguindo a linha que transversalmente divide a superficie do ovoide 
nas suas partes hemispherica e oblonga, vé-se em cada uma das pare- 
des lateraes uma saliencia comò a que é formada pelas superficies in- 
teriores de duas espheras que se interceptam. 

Estes relevos come9am no pavimento com uma saliencia de proxi- 
mamente 0™,15 e vào decrescendo a medida que sobem pelas paredes 
lateraes até desapparecerem a meia altura d'estas. 

No pavimento a continuidade d'estas saliencias é estabelecida nào 
comò nas paredes lateraes, onde os relevos sSo produzidos pela rocha 
na zona em que houve o cuidado de fazer a excava^ào menos profunda, 
mas com um addicionamento de um cordào de perfil semicircular de 
quasi 0"',1 de raio, o qual assenta no plano horizontal do pavimento. 



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216 O Archeologo Pobtugdés 

Este cordào é constituido por urna especie de cimento, que, com 
quanto tenha o aspecto de calcareo estalagmitico, se ve ser obtido ar- 
tificialmente com pò proveniente da pedra calcarea, que se encontra 
na localidade. 

Tanto OS relevos nas paredes corno o cordào no pavimento parecem 
indicar que no vestibulo a parte hemispherica e a oblonga, comquanto 
n2o fossem separadas por um septo completo, tinham diversos destinos. 

O portai, que dà communicagào do vestibulo para a camara, differe 
do analogo na primeira gruta em ser muito menor e com a fórma de 
menisco convexo. Tambem é relativamente mais baixo, e tanto que nSo 
permitte a passagem de um homem senào deitado. 

No vestibulo encontrei urna lage, a que jà me referi, com a fórma 
de telha e que podia servir para fechar o portai interior que dà para 
a camara. 

D*este portai desce-se por um pequeno degrau para o piaivimento 
da camara, que, corno o analogo compartimento na primeira gruta, é 
hemispherico, com o pavimento horizontal e claraboia circular no teeto. 
Tem porém menores dimensSes e os humbraes da entrada nào slo voi- 
tados para o interior da camara, provavelmente por nào se ter feito 
nesta nenhuni alargamento. 

Està gruta é de todas a mais bem conservada. A camara comò a 
da primeira gruta està inteira. O vestibulo conserva todas as paredes 
lateraes e a abobada correspondente a parte hemispherica; porém da 
abobada, correspondente a parte oblonga do vestibulo, so restam ves- 
tigios nas superfices curvas das paredes, que a partir de meia altura 
se tornam cada vez mais convergentes à medida que se elevam. Estas 
superficies, porém, por estarem destruidas na sua parte mais elevada, 
nSo chegam actualmente a fechar, nem talvez fechassem de todo para 
darem legar a urna claraboia. Por este motivo a parte do vestibulo, 
cujo tecto se acha roto, parece à primeira vista a continaa^^ da ga- 
lena coni a fórma de fosso. 

3) A terceira gruta tambem constava de vestibulo e camara inte- 
rior ou principale ambos semelhantes aos compartimentos correspon- 
dentes das duas primeiras grutas (figs. 284.* e 285.*). 

Do vestibulo so restam o pavimento e pequena parte das paredes 
lateraes. portai d'este vestibulo era voltado para SW. A fórma do 
pavimento era eliipsoidal, descendo desde a entrada até o portai da 
camara em rampa muito suave. 

Este pavimento tambem era dividido em duas partes por am cor- 
dào de cimento de natureza igual ao que transversalmente divide o 
pavimento do vestibulo da segunda gruta; no vestibulo da terceira 



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SBOIJO DA CARTA 

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Archeologo Portogols 



Voi. XII— 1907 




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Archeologo Poitugats 




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Archeologo Portuguès 




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Fig. «84.* 




Pig. 285.* 



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O Archeologo Portugués 217 

gruta porém este cordào era disposto longitudinalmente, partindo em 
viés do pé do kumbral esquerdo da entrada da grata para o pé do hum- 
bral direito da entrada da camara. 

Da eamara restam tambem todo o pavimento e parte da abobada. 
A sua fórma geral é semelhante à dos compartimentos analogos nas 
(luas primeiras grutas; tem porém maiores dimens5es, que vào indi- 
cadas na pianta e perfil representados nas figs. 284.^ e 285/ 

O portai d'està camara estava aberto no eixo da gruta que seguia 
a direc9ào SW. Os bordos d'este portai apresentavam-se voltados para 
interior da camara, comò na primeira gruta. 

Sobre o pavimento foram dispostos diversos cordSes construidoa 
c'om um cimento igual ao que foi empregado nos cordSes que dividem 
08 pavimentos dos vestibulos tanto d'està gruta comò da segunda em 
duas partes. 

Os cordSes d'està camara dividem o seu pavimento em quatro 
taboleiros desiguaes tanto na grandeza comò na fórma. Dois d'elles 
partem dos pés dos humbraes da entrada da camara e seguem paral- 
lelamente até a distancia de P\75 onde convergem reunindo num so 
<!ordSo, que segue numa direcgSo sensivelmente parallela às anteriores 
até o pé da parede lateral da camara, subindo d'ahi verticalmente por 
essa parede até a altura de 1 metro. 

Do cordàOj que tem origem no pé do humbral direito, parte um 
pequeno ramai, que vae terminar na circumferencia que limita o pavi- 
mento. 

Como nos vestibulos, tanto d'està gruta comò da segunda, estes 
cordoes parecem indicar que a camara era dividida em partes talvez 
destinadas a distinguir os jazigos dos personagens que ahi eram inhu- 
mados. 

A fórma e dimensoes d'està cavidade estào representadas nas figs. 
284.* e 285.* 

(Continua). 

A. I. Makques da Costa. 



Acqiiisi96es do Museu Etimologico Portugués 

Agosto de 1906 

O Sr. Affonso Nunes Branco offereceu: 
tres pequenas veronicas; 
urna medalhinha; 
a figura do Espirito Santo, de chumbo. 



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218 Archeologo Pobtugués 

O Sr. Fedro de Azevedo offereceu estampas de dois sellos antigos. 
O Sr. Antonio José de Sonsa Ribeiro offereceu um manuserito 
poetico do sec. xviii, em hespanhol, intitulado «/ardrn de Apollo, 1724, 
com desenhos à penna. 

O Sr. Herculano Finto, guarda do Museu, offereceu duas farpas 
africanas. 

O Sr. Gailherme Clodomiro Gameiro, desenhador do Museu, offe- 
receu um pergaminho do sec. xv e um cranio antigo, 

O Sr. José de Almeida Carvalliaes, preparador do Museu, offere- 
ceu um machado de pedra, de Mòra. 

O Sr. Dr. Francisco Cordovil de Barahona offereceu tres mós ma- 

nuaes, romanas, dois tijolos e fragmentos de outros, provenientes da sua 

propriedade denominada Conto dos Guerreiros, concelho do Grato. 

.0 Sr. Joaqnim dos Santos Coelho offereceu um chocalho de cobre 

(ethnographia moderna). 

O Sr. Director do Museu adquiriu, por compras em Lisboa e nas 
provincias, os seguintes objectos: 
sete jornaes antigos; 

urna medalha que tem gravada a cabe9a de Santo Anas- 
tacio; 

um folheto antigo com a vista de uma praga de touros; 
um auto de Diego Bernardes, impresso em 1760; 
quatro estampas religiosas; 

Asia, de JoSo de Barros (traduc9ao italiana), de 1562; 
opusculo intitulado Sigiies gravés, de Possidonio da Silva: 
vàrias roscas de curo preromanas provenientes de Serpa; 
uma palma de curo preromana, que appareceu proximo de 
Beja; 

um vaso de barro antigo, com pinturas, <}ue appareceu no 
districto de Evora; 

um anel de curo com pedras (ou vidros?) engastadas; 
uma espada prehistorica de bronzo; 

uma condecora9ao (^vera effigie) de D. Miguel, pintada em 
papel dentro de um aro, protegida com vidro; 
uma s^nha de cobre com o numero 39; 
uma antiga maquineta com um presepio; 
duas medalhas religiosas, de latSo; 
dois castigaes de estanho antigo; 
um chocalho alemtejano (especime ethnograpbico); 
um livro manuserito, intitulado Eegimento do ftitor da 
casa de Guiné, com capa de pergaminho ; 



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O Abcheologo Portugués 219 

outro manascrito, ìntìtulado Regra privilegio testamento e 
bensào de Santa Clarc^ 

entro manuscrito, ìntitulado Noticia historica da Irmandtzde 
de NoBsa Senhora das Dores; 

varios papeis avulsos dos secs. xvi, xvii e xviii; 

urna grande collec9So de jornaes ingleses de archeologia; 

um livro com encaderna$So antiga; 

tres manuscritos do sec. xviii, e trinta e nove pe5as de 
loTi9a de Mafra; 

duas cadeiras de pan (especimes ethnographicos) ; 

cince antigas medidas de madeira para secos, em fórma 
de caixa; 

dois alqueiroes de lata; 

duas garrafas de vidro^ antigas; 

urna jarra de mào antiga; 

dois antigos castigaes de barro, que representam frades de 
Alcobaja; 

um candieiro de latSo, antigo; 

uma lantei'na de cubana (ethnographia alemtejana); 

uma jarrinha de lou9a, antiga; 

um antigo ferro de engommar com o descanso cordiforme; 

um livro com encademagSo antiga; 

uma folhinha de 1822 dentro da respectiva caixa artistica; 

um livro antigo; 

uma espingarda com fechos para pederneira; 

duas esteirinhas colorìdas (ethnographia meridional) ; 

um potè de barro (ethnographia meridional); 

tres quadros antigos; 

um cabanefo de verga (cestinho); 

uma tela antiga; 

uma nòmina antiga; 

uma barrileira de esteira; 

uma pingadeira de barro;. 

um tinteiro de estanho antigo; 

um areeiro de louga antiga; 

uma coUecgSo de antigos pesos de ferro; 

duas tijelinhas antigas de lata para doce ; 

tres inachados de pedra, dos arredores de Evora; 

ciuco càes de ferro para as lareiras; 

um rico sarcophago de marmore romano-christiano, com es- 
culturas ; 



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220 O Aecheologo Postugués 

urna terrina de lou^a portuguesa antiga; 

um antigo peso (trinta kilogrammas), de ferro. 
A Ex.°^^ Direc^ao Geral de Obras Publicas e Minas remetteu ao 
Museu urna tabula de bronzo, com inscripgào, e duas eseadas de ma- 
deira, varios telhSes e tubos de chumbo, tudo proveniente . da mina 
lusitano-romano de Aljustrel (nietallum Vipascensé). 

Setembro de 1906 

O Sr. Director do Museu obteve em Lisboa e numa excurs3o: 
urna estatueta de marmore; 
um potè de barro, ornamentado; 
ama boneca de ferro (see.xvi); 
um murilho; 
um encosto de ferro; 
urna pà de ferro; 
um tì'opego de cortiga; 
um copeiro alemtejano; 
sete candeias de lata alemtejanas; 
urna lanterna de lata; 
um mancébo para pendurar candeias; 
quatro machados de pedra. 

Otttubro de 1U06 

O Sr. P.* José Augusto Tavares offereceu: 
dois machados de pedra; 
tres instrumentos prehistoricos, de pedra; 
um canhSo com que as mulheres fazem meia; 
uma antiga caixa de rapè; 
tres fivelas romanas de NumSo; 
tres cilicios de ferro; 

um fragmento de vaso preromano, ornamentado ; 
um cossorio, de Ligares. \ 

O Sr. Simao Monteiro Levy, estudante, offereceu uma collec^o 
de brasSes de armas das cidades de Portugal, pintados em cartòes. 
O Sr. Filipe Gelorieo Drago offereceu 69 moedas arabicas, de 
prata, e um pingente do mesmo metal apparecido com ellas. 

O signatario d^este artigo offereceu uma moeda celtiberica de prata. 
O Sr. Direetpr do Museu comprou no Norte do reino as seguin- 
tes moedas: 3 denarios iberìcos, 7 denarios romanos, 2 qninarios, 14 
moedas arabigas de prata. 



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O Archeologo Portugués 221 

mesmo Sr. adquiriu no Alemtejo e em Lisboa os segnintes ob- 
jectos: 

amostras de papel dos secs. xviii e comeyo do xix; 
amostras de papel sellado antigo; 
um livro impresso em Lisboa em 1602; 
uma edÌ9lo antiga de Homero; 
um livro do sec. xvi; 

dezoito registos de santos de papel e de pergaminho, na* 
cionaes e estrangeiros; 
duas pintarinhas a oleo; 
O mesmo Sr. adquiriu em Lisboa os livros seguintes: 
um manuscrito de ehiromancia, do sec. xvii; 
um livro, impresso em Coimhra, do sec. xvi; 
tres folhetos de litt^ratura de cordel, dos secs. xvu, xvin 
e XIX ; e mais estes volumes : Homeri Opei^a; Juizio Univergal 
y Parto Singxdar de conceptos occultos; Orda vÌ8Ìt<mdi eccleidas, ma- 
nascrito do sec. xviii. 

Norembro de 1900 

O Sr. Abb.* José Augusto Tavares offereceu: 

Uma candela de ferro, antiga, com uma cruz; 

tres machados de.pedra; 

uma ara (publicada n-0 Arch. Pori.); 

uma cara de pedra, antiga; 

uma cocharra^ de buxo; 

uma colher para moer e extrahir tabaco (antiga); 

um estrìbo de pau com ferragens, antigo; 

outro de ferro, antigo; 

uma parafusa, de pau ; 

uma herroa trasmontana de pedra, do typo da Porca de 
Murga (chamada pelo povo a Muther de pedra). 
O Sr. Angusto Teixeira de Aragao offereceu: 

duas lucernas romanas; 

um vaso prehistorico, de barro com quatro asas. 
O Sr. Engenheiro Arthur de Sousa Raul envìou officialmente para 
Museu OS seguintes objectos romanos^ achados na trincheira da La- 
deira de S. Sebastiào, de Setubal, nos trabalhos para o assentamento 
da linha ferrea do valle do Sado: 

uma lucerna de barro; 

um pucaro com duas asas; 

outro com duas asas e bico; 



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222 O Archeologo Portuqués 

urna ta9a de barro com rebordo; 
urna vasilha de barro ; 
Alem d'isso offereceu: 

duas veronicas modemas ; 
O Sr. Antonio José de Scusa Rìbeiro offereceu urna casaca de seda 
antiga. 

O Sr. Dr. Felix Alves Pereira, officiai do Museu, obteve o seguinte, 
em urna excursSo que fez pelo Alto-Minho: 

um cortÌ90 Qom espadelas^ — offerta do Sr. José Saraìva de Mi- 
randa; duas capas de encademagXo antiga, com fecfaos metallicos, e um 
pergaminho com o ctombo do Casal de Paranhos», — offerta do Sr. Dr. 
José Alves Pereira; urna lapide de sec. Xil, com epitaphio e lavores, 
— por compra; uma lapide medieval e uma vinagreìra de barro an- 
tiga, — offerta do Rev. Abbade de Germieira; uma lapide com escul- 
turas protohistoricas, do estilo da Citania, — offerta da Jonta de Pa- 
rochia de Cendufe; outra lapide analoga, da mesma epoca (em dois 
fragmentos), — offerta do Sr. Dr. Joao Teixeira de Queiroi Vaz Gaedes» 
O Sr. Alvaro de Lemos offereceu: 

uma coUec^Xo de bilhetes de vìsita, antigos; 
grande porgào de marcas artisticas de livros religìosos an- 
tigos; 

varios papeis religiosos antigos; 
estampilhas antigas. 
antiquario Sr. Yillas offereceu um capitel arabico. 
O Sr. Yiscoude de Ferreira do Aiemtejo offereceu um fragmento 
de ara, que foi encontrado na Herdade dos Alpendres, arredores de 
Ferreira do Aiemtejo. Cfr. Arch, Port., xn, 70. 

O Sr. Director do Museu adquirìu em Lisboa e numa excarsSo 
em Tràs-os-Montes os seguintes objectos: 
um saleiro de pan; 

uma lanterna de lata (para procissSes) ; 
' uma antiga certa de ferro; 

um tresfogueiro de ferro; 
um badU, de ferro; 
um càlqo de ferro para pancia; 

seis candeias de lata, de dìfferentes fórmas artisticas; 
dois calqoB de pau, omamentados; 
um machado de bronze; 
seis instrumentos de pedra; 

uma fórma de bronze, da epoca portuguesa (antiga)^ para 
fundir colheres; 



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O Archeologo Portugués 223 

um tàlho, ou assento de cortina; 

urna faca de cozinha; 

urna calagouqa ou rogadeira; 

oito v^asilhas e dois testos, de fabrico modèrno; 

urna candela de foiba com o deposito, em fórma de barco ; 

urna bacia de lata para fazer a barba; 

urna bacia antiga de lavar o resto; 

urna tijelinba de lata onde as crian9as comem; 

•dois lanpeòes de lata, differentes na fórma; 

urna lanterna procissional, artistica; 

uma travinha (verruma); 

uma óaquia (verruma) 

um tropeqo de cortÌ9a; 

um copeiro de pau; 

um mancebo, de pau; 

duas mós, primitivas, de um castro proximo do Valle da. 
VillarÌ9a; 

dois livros com encademagSes do sec. xviii; 

um livro latino, de 1550, impresso em Paris; 

tres manuscrìtos, ineditos, de Frei Antonio das Chagas 
(sec. xvn); 

ciuco cedulas de papel moeda, antigas; 
O Sr. Dr. Felix Alves Pereira, officiai do Museu, adquiriu os se- 
guintes objectos: 

um copinho de lata; 

quatro decalques de gesso, de inscrip9oes da capella da 
Conmienda; 

um modelo de azenha, do rio Vez ; 

um modelo de barco, do mesmo rio; 

uma pedrinha triangular de antiga mó manual; 

dois pentes antigos; 

papeis varios (testamentos, bilhetes de visita, annuncios, etc.) ; 

uma viola; 

um fragmento de ara com foculus, das immedia93es do orato 
de Cendufe; 

uma pedra conica, do mesmo castro; 

uma coIlec9So de lou9a do Prado; 

uma espingarda carabina com baioneta calada; 

e OS seguintes livros : Jomal para rir; Nouv. Dict. Frane. 
Pori., par le capt. Emmanuel de Scusa, 1784; Flo8 santorum, 
de 1706; Perigriìmgdes de FernSo Mendes Pinta, 1762; His- 



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224 O Archeologo Portugués 

toria da America Portuguesa^ por SebastiSo da Rocha Pitta, 
1730; Dejure lusitano, 1745; Promptuainum iheologiae moralvt, 
por Benedicto Pereira, 1707 ; Barca da caìTeira dos tolos, 1820; 
La Mythologie enseignée par tahleaux; Nobiliarchia Portuguesa, 
1676; Botica preciosa, 1754; Hiétoria do Imperador Caiios 
Magno, 1704; Thesotiro carmdUano, 1705; Fisionomia emrio$ 
segredos da natureza, 1706; Officium, 1612; Cultos de devo^ào 
e obseqiiios a S.*^ Antonio de Lisboa, 1767; Palavras santini- 
mas, 1791; Methodo da Liturgia Bracarense, 1837; Diurnuvi 
monasticon, 1761. 

Dezembro de 1906 

As Ex.™*' herdeiras do Sp. Gonde de Leiria offereceram, por in- 
termedio do Sr. Conselheiro Alexandre Cabrai Paes de Amarai, um 
machado de pedra, americano. 

O Sr. Fedro Ferreira offereceu um grande bronzo do Imperador 
Antonino. 

O Sr. Visconde de Ferreira do Alemtejo offereceu: 

urna lapide antiga com a figura do signo-saìmSo; 
urna base de marmore romana; 
O Sr. Abb.® Manoel Domingues de Sousa Maia offereceu um arreld 
de madeira e outro de chifre. 

Ò Sr. D. José Pessanha. offereceu um fragmento de tapete de 
Arraiolos. 

O Sr. Cesar de Azevedo Pires offereceu sessenta e tres objectos afri- 
eanos, a sabcr: 

um machado de ferro, encabado em madeira, ornamentado 
com missanga de tres cores; 

um punhal de ferro com cabo de madeira omamentada; 
uma espada de ferro com bainha de coirò; 
um punhal com cabo de madeira enleado com fio de metal; 
duas azagaias encabadas em madeira; 
tres armas de ferro com lamina serpentiforme e cabo de 
madeira, enleado em fio de latSo; 

seis lan9as de ferro dnplas, com cabo enleado em fio de 
metal ; 

tres lauQas com cabos de madeira, simples; 

ciuco setas encabadas; 

um pequeno manipan90, de Cabinda; 

tres dentes de cavallo marinilo; 

uma faixa de aìgodlo teeido a cores; 



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O Abcheolooo Pobtuoués 225 

dois travesseiros de madeìra; ornamentados, feitos de urna 
so peQa, sendo um de Mofambiqne e outro de ìnhaesen^o (Zam- 
bezia) ; 

um travesseiro de madeira, ornamentado a fogo; 
um galheteìro de madeira; 

dois chapeus para homem, tecidos com fibra vegetai ; 
dnasvaquetas de tambor; 
um cabaQO com cabo, ornamentado; 
um copo de madeira com asa^ ornamentado; 
um calice de madeira ornamentado a fogo: 
dois botoes de osso; 
dois aneis de fibra vegetai; 
uma caba^inha de palha; 
dois amuletos de coirò; 
sete anilhas de lat£0; ornamentadas; 
tres anilhas de ararne; 
uma anilha vegetai ; 

uma tanga feita de missanga branca e amarella, com franja; 
uma caixa de papelào^ bordada, com ramagem a c6res; 
dois objectos piriformes, canellados, um de chifre e outro 
de madeira (para jogos?) 

um transelim de fio de latEo com passadeiras; 
uma caixa com fórma animai, olhos; boca e quatro pemas, 
com tampa na parte superior, toda ornamentada; 
O Sr. Director do Museu obteve os seguintes objectos, de varias 
proveniencias : 

ciuco braceletes de curo (quatro lisos e delgados, e um ca- 
nellado exteriormente), da epoca do ferro, que consta terem 
apparecido em Colla (Alemtejo); 

tres livros encadernados com luxo, do sec. xviii; 
um documento manuscrito do sec. xvi; 
um livro de versos, manuscrito, de 1834; 
um livro encadernado em pergaminho do sec. xviii; 
O sìgnatario d^este artigo ofFereceu uma collecgào de pesos de ou- 
rivezaria antigos. 

Janeiro de 1907 

O Sr. Guilherme Clodomiro Gameiro, desenhador do Museu, ofFe- 
receu uma moeda de seis vintens, de D. Maria I. 

O Sr. Antonio Lamas offereceu um exemplar de papel moeda de 
1799. 

13 



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226 O Archeoloqo Portugués 

O Sr. J. Joaquini Nuues offereceu urna asa de amphora romana 
com a marca figulina: levgen. 

O Sr. J. Saraiva de Miranda offereceu fragmentos ceramicos da 
ChS de Arcas. 

O Sr. Pio Rosado offereceu um tnachado de pedra do eoncelho de 
Porto de Mós. 

O Sr. Julio Mardel offereceu urna candela de barro antiga cordi- 
forme. 

O Director do Musea adquiriu, por compra, os seguintes objectos. 
varios livros manuscritos do sec. xv; 
um pergaminho latino; 

urna collec9ao de muitos manuscritos dos secs. xvi-xviii. 
de papel e pergaminho; 

quatro folhinhas do primeiro quartel do sec. xix ; 
um precioso livro de horas manuscrito (incompleto), de per- 
gaminho, parte em latim e parte em portugués, do sec. xvi. 
com letras maiusculas lindamente illuminadas; 
O signatario d^este artiyo offereceu um folheto impresso : Sexta e 
uUima reldgam da festividade de touroa, 1752; e um livro impresso: 
TrcUado de arithmetica e algebra, por Antonio Pereira. 

O Sr. Dr. Felix Alves Pereira, officiai do Museu, adquiriu em ei- 
cavagSes archeologicas a que procedeu: fragmentos ceramicos, uns orna- 
mentados, outros singelos, do Castello da Pena; do Cóto da Cividade; 
e do Cóto da Lama. 

Mànoel Joaquim de Campos. 



Onomastico medieval portugrués 

(Continua^io. Vid. o Arch. Port., xii, 111) 

Mearando (Casal de), geogr., 1098. Doc. most. Graja. Dipi. 520. 

Mecal, app. h., 1258. Inq. 367, 2.* ci. 

Mechicha, app. h., sec. xiv. Dissert. chr., 3.**, 2.* p.**, p. 89. 

Mecia, n. m., sec. xv. S. 210. 

Me^ia e Mi^ia, n. m., sec. xv. S. 303. — Id. 330. 

Meda, monte, 1059. L. D. Mum. Dipi. 261, 1. 43. 

Medaaes, geogr., sec. xv. S. 371. 

Medàas, geQgr., sec. xv. S. 330. — Id. 369. 

Medadus e Medatus, villa, 1097. Doc. most. Pendorada. Dipi. 507. 

Medanhos e Medaos, geogr., 1220. Inq. 115, 2.* ci. — Id. 366. 

Medanis, geogr., 1258. Inq. 521, 2.* ci. 



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O ÀBCHEOLtlOO POBTUGDÉS 227 

Medeiro (Casale de), geogr., 1258. Inq. 731, 1.* d. 

Medela, monte, 1258. Inq. 294, 1.* ci. 

Medelim, geogr., sec. xv. S. 277. 

Medendiz, app. h., 1090. Doo. most. Moreìra. Dipi. 437. 

Mediana (villa), geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 257. 

Mediano, rio, 1013 (?). Doc. most. Pedroso. Dipi. 134. 

Medima, n. h., 998. Doc. most. LorvSo. Dipi. 111.— Id. 321. 

Medolas, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 261, 1. 45. 

Medoma, n. h., 951. Doc. ap. most. Arouca. Dipi. 36. 

Medoncelli, geogr., 1258. Inq. 524, 1.* ci.— Id. 505. 

Medroes e Medrones, geogr., 1202. For. Tavoadello. Leg. 524, 1. 10. 

Medugalos, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262, 1. 5. 

Medyotèrreno, mar, sec. xv. Azur., Chr. da Guiné, p. 33. 

Meen, n. h., 1258. Inq. 297, 1.* ci.— Id. 304. -Leg, 358.— S. 192. 

Meendal.Yidè MeneudDL 

Meende, n. h., sec. xni. For. Mós. Leg. 391. 

Meendeìrus, n. h., 1258. Inq. 308, l."" ci. 

Meendet, app. h., 1199. For. Guarda. Leg. 511. 

Meendino (Casal de), geogr., 1258. Inq. 358, 2.* ci.— Id. 89. 

Meendio, n. h., 1258. Inq. 219, 1.* ci. 

Meendis, app. h., 1074. Doc. most. Graga. Dipi. 317. 

Meendo, n. h., 1057. Doc. most. Moreira. Dipi. 247.— Id. 317. 

Meezelos, geogr., sec. xv. S. 203. 

Meffarraie e Mafarraie, app. h., 983. Dipi. 85. 

Mega, geogr., 1258. Inq. 363, 2.* ci. 

Megido, n. h., 990. L. Prete. Dipi. 99. 

Megitu, n. h., 1013 (?). Dipi. 136, 1. 43. 

Megionlrio e Meigionfrio, villa, 1152. For. Mes&o-frìo. Leg. 381. — 

Id. 632. 
Megni, n. h., 1258. Inq. 335, 2.* ci. 
Meheb e Moheb, n. h., 976. Doc. most. LorvSo. Dipi. 74. 
Meiana (villa), geogr., 1258. Inq. 333. 
Meiana e Miana (Casal de), geogr., 1220. Inq. 146, 2.* ci. 
Meigionfrìo. Vide Megionlrio. 
Meijoadelam, geogr., 1258. Inq. 527, 2.* ci. 
Meijonada, geogr., 1258. Inq. 607, 2.^ ci. 
Meimoa, geogr., 1228. Leg. 610.— Id. 511. 
Meimns, app. h. (?), 967. L. Preto.^Dipl. 59. 
Mefnha, n. m., sec. xv. S. 253. 

Meira, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 154. 
Meiraes, app. h., 1258. Inq. 294, 2.* ci.— Geogr., id. 297. 



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228 O ARCHEOLOGO POBTUGUÉS 

Meirim, app. h., 1258. Inq. 369, 1.* ci. 

Meiro, geogr. (?), sec. xv. S. 173. 

Meisitu, n. h., 939. Doc. most. LorvSo. Dipi. 29. 

Meison irido, monte, 981. Doc. most. LorvSo. Dipi. 81. 

Meitilli, n. h. (?), 1026. Doc. most. Pedroso. Dipi. 161. 

Meitinus, n. h. (?), 1046. Doc. most. Pendorada. Dipi. 213. 

Meitiriz, villa, 1096. Doc. most. Arouca. Dipi. 494. 

Meitom (Casal de), geogr., 1258. Inq. 386, 2.* ci. 

Meixlda, geogr., 1258. Inq. 438, 2.* ci. 

MeUide, geogr., 1258. Inq. 323, 2.* ci. 

Meiximinhos e Mexemios, geogr., 1220. Inq. 258, 1.* ci. 

Meiximìnos e Mexìmìos, geogr., 1220. Inq. 162. 

Mejao frio, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.% p. 1.*, C. 135. 

Melam, geogr. (?), 1093. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 473. 

Melào, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J: 1.®, p. 1.*, C. 45. 

Melariiz, geogr., 1258. Inq. 617, 2.* ci. 

Melec, n. h., 998. Doc. most. Lorvio. Dipi. 111. 

Melendiz, app. h., 1055-1065. For. AnciSes. Leg. 347. 

Melendo, n. h., 1055-1065. For. AnciSes. Leg. 347.— Id. 387. 

Meleo, app. h.^ 1258. Inq. 397, 2.* ci. 

Meleres, geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci. 

Meleza, geogr., 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32. — Id. 37. 

Melezizi, app. h., 991. Doc. most. Moreira. Dipi. 99. 

Melgacio, villa, 1181. For. Melgago. Leg. 422. 

Melgazo, app. h., 1258. Inq. 330, 2.* ci. 

Melia, n. m., sec. xv. S. 173. 

Meliaos (Rial dos), geogr., 1258. Inq. 307, 2.* ci. 

Meliazar, n. h., 981. Doc. most. Lorvào. Dipi. 82. 

Melieirolos, villa, 1083. Doc. sé de Viseu. Dipi. 370. 

Melic, n. h., 973. Doc. most. Lorvào. Dipi. 67. 

Melilia, n. m., 1047. Doc. most. Moreira. Dipi. 216. 

Melior, n. h., 978. Doc. most. Lorvao. Dipi. 76, n.« 122. 

Meliorada, n. m., 1258. Inq. 321. 2.* ci. 

MeUares, villa, 931-950. L. D. Mum. Dipi. 22.— Id. 261. 

Melila, n. m., sec. xv. S. 265. 

Mellida, n. m., 1031. Doc. most. Moreira. Dipi. 166. 

Melo e Merlo, app. h., sec. xv. S. 158. 

Melor, n. m., 1258. Inq. 367, l.*cl. 

Melquicl, app. h., 924. L. Prete. Dipi. 19. 

Melva, geogr., 1153. Doc. da Alcoba9a illustr., p. 10. 

Memeorvo (Torre de), geogr., 1295. Elucid., 1.% p. 423, 1.* ci. 



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O Archeologo Pobtugués 229 

Meminha, app. m., sec. XV. S. 165. 

Men, n. h., 1059. Dipi. 263. 

Mena, geogr., 1258. Inq. 347, 1.* ci. 

Menamcorea, app. h., sec. xv. S. 377. 

Menani (Fonte de), geogr., 1095.Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 490. 

Meuay, geogr., 1258. Inq. 438, 2.* ci. 

Menaya, app. h., sec. XV. S. 257. 

Mencia, rainfaa, 1257. Figanière, Mem. das R. de Pori., p. 245. 

Menderigu, n. h., 1034. Tombo S. S. J. Dipi. 175, 1. 9. 

Mendet, app. h., 1199. For. Guarda. Leg. 512. 

Mendica, villa, 1088. L. Preto. Dipi. 420.— Id. 470 e 493. 

Mendino, n. h., 1258. Inq. 309, 2.* ci. 

Mendis, app. h., 850-866. Doc. most, LorvSLo. Dipi. 2.— Id. 23. 

Mendizì, app. h., 1088. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 424. 

Mendo, n. h., 976. Doc. most. Lotvào. Dipi. 74.— Id. 158 e 170. 

Mendoca, geogr. (?), sec. xv. S. 179. 

Mendon^a, geogr. (?), sec. xv. S. 173. 

Mendalnz, geogr., 1258. Inq. 317, 1.* ci. 

Menedam, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci. 

Menellas, n. h., 1115. Concilio Ovet. Leg. 141, 1.^ ci. 

Menendici e Menendiciz, app. h., 1021. Doc. most. VairSo. Dipi. 155. — . 

Id. 370. 
Menendinus, n. h., 1220. Inq. 7, 2.* ci.— Id. 214. 
Menendio e Maondo, n. h., 1220. Inq. 17, 1.^ ci. 
Menendit, app. h., 1059. L. D. Mum. Dipi. 259, 1. 17. 

Menendiz, app. h., 897. Doc. most. Pedroso. Dipi. 8. — Id. 56. 

Menendizi, app. h., 1068. Doc. most. Moreira. Dipi. 291.— Id. 318. 

Menendo Curvo. Vide Turpe de. 

Menendol e Meendal, n. h., 1220. Inq. 23, 2.* ci. 

Meneses, app. h., sec. xv. S. 156. — Id. 157. 

Menia, app. h., 1258. Inq. 346, 1.* ci. 

MenideUo, villa, 1069. Doc. most. Moreira. Dipi. 300. 

Menina, n. m. (?), 1258. Inq. 335, 2.* ci. 

MeDindit, app. h.. Dipi. ?. 

Menindiz, app. h., 1045. Dipi. 211. 

Menindo, n. h., 973. Doc. most. da Qraya. Dipi. 69. — Id. 97. 

Meninha, n. m., sec. XV. S. 289. 

Menino (Quintana de), geogr., 1258. Inq. 393, 1.* ci. 

Menio, app. h., 1258. Inq. 3^55, 1.* ci.— Id. 392. 

Menizius, n. h., 943. Doc. most. LorvSo. Dipi. 30, n.® 50. 

Menno, n. h., 953. Doc. colleg. Guimarles. Dipi. 39. 



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230 O Archeoloqo Portuoués 

Meno (Bouzas de), geogr., 1258. Inq. 305, 2.* ci. 

Meuore^a e Minoreta, app. m., sec. xv. S. 160. 

Meusa, monte, 1092. Tombe D. Maior Martìnz. Dipi. 464. 

Mensurria, geogr., 1258. Inq. 466, 2.* ci. 

Mentei, geogr., 1258. Inq. 343, 2.* d. 

Mentirà, app. h., 1220. Inq. 260, 2." ci. — Id. 71.— Leg. 141. 

Mentonizi, app. h., 1077. Doc. most. Pedroso. Dipi. 334. 

Mentrastido, gecgr., 1258. Inq. 355, 2.* ci. 

Meoma, geogr., 1270. Doc. da Rev. Lusit., 8.®, p. 40. 

Mercham, app. L., 1220. Inq. 79, 2.* ci.— Id. 375. 

Mercoy, geogr., 1258. Inq. 431, 2.* ci. 

Merda-assada, app. h., sec. xv. S. 154. 

Merdeses, geogr., 1042. L. B. Ferr. Dipi. 196. 

Mereces.Vidè Marecos. 

Mereli (Agro), geogr., 1258. Inq. 404, 2.* ci. 

Merinus, n. h., 1028. L. D. Mum. Dipi. 163. 

Merla, geogr., 1258. Inq. 701, 2.* ci. 

Merlim, geogr., 1220. Inq. 69, 1.* cl.-Id. 161 e 205. 

Merlo, app. h., 1258. Inq. 392, 2.* ci. 

Merloa, geogr., 1258. Inq. 393, 2.* ci. 

Merloo, app. h., 1258. Inq. 554, 1.* ci. — Leg. 347.— S. 225. 

Merluanes, geogr., 1013 (?). Dipi. 136, 1. 36. 

Merlus, app. h., 1220. Inq. 242, 1.* ci.— Id. 133. 

Meroncìli, geogr., 1258. Inq. 404, 2.* ci. 

Mertoes (Fonte de), geogr., 1258. Inq. 334, 2.* ci. 

Menile, geogi'., sec. xv. S. 367. 

Meruffi, geogr., 1258. Inq. 372, 2.* ci.— Id. 375. 

Mesendo, n. h., 983. Doc. most. Moreira. Dipi. 84. 

Meson (Fonte de), geogr., 1258. Inq. 347, 1.* ci. 

Mestalio, n. h., 980. Doc. most. Lorvio. Dipi. 80.— Id. 90. 

Mestaliz, app. h., 1011. Doc. most. Pedroso. Dipi. 132. 

Mestalìzi, app. h., 991. Doc. most.VairSo. Dipi. 101. 

Mestallio, n. h., 908. Doc. most. S.Vicente. Dipi. 11. 

Mestas.Vidè Eiradelas. 

Mestnlìns, n. h., 927. Doc. most. Lorvao. Dipi. 21.— Id. 23. 

Metal, app. h., 1258. Inq. 366, 2.* ci. 

Metatus, villa, 1088. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 426. 

Meurando, n. h. (?), 1095. Tombe S. S. J. Dipi. 488. 

Mevoadelas^ geogr., 1258. Inq. 586, 2.* ci. 

Mexias, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 1.*, C. 149. 

Mexedi, geogr., 109.6. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 500, 1. 12. 



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O Archeologo Portdoués 231 

Mexido, n. h. (?), 973. Doc, most. da Gra9a. Dipi. 70. 

Mexiihneira, geogr., sec. xv. Azur., Chr. da Guiné, p. 435. 

Meximinis e Meximinos, geogr,^ 1220. Inq. 69. 

Mexiti (Portelia de), geogr., 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 419» 

Mexz («ic), geogr., 1258. Inq. 599, 2.* ci. 

Meyadela e Meydela^ villa, sec. xili. For.Vianna. Leg. 691, 1. 5, 

Meyaldi, geogr., sec. xiii, For.Vianna. Leg. 691, 1. 5. 

Meyanos, geogr., 1258. Inq. 384, 1.* ci. 

Mey (S. Martino de), geogr., 1258. Inq. 384, 2.* ci.— Id. 419. . 

Meyjoni Frio, geogr., 1258. Inq. 730, 2.* ci. 

Meyioadoiro, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci. 

Meymona, geogr., 1199. For. Guarda. Leg. 511. 

Meyra, geogr., sec. xv. S. 217. 

Meyraes, app. h., 1258. Inq. 293, 2.* ci. 

Meyro (Planum de), geogr., 1258. Inq. 651, 1.* ci. 

Miana e Meìana (Casale de), geogr., 1258. Inq. 146, 2.^ ci. 

Miane, n. m., 1258. Inq. 525, 1.* ci. 

Mìaoe de Palmarìa, geogr., 1258. Inq. 622, 2.^ cL 

Micael, n. h., 1098. L. Preto. Dipi. 523. 

Micalis, n. h., 1094. Doc. most. Pendorada. Dipi. 477. 

Michaeliz, app. h., 1089. L. Preto. Dipi. 431,— Id. 561.— Inq. 340 

e 352. 
Miche, app. h., sec. xv. S. 330. 
Michea, app. m., sec. xv. S. 349. 
Micia e Mécia, n. m., sec. xv. S. 303. — Id, 256. 
Mides e Midoes, geogr., 1220. Inq. Ili, 1.* ci. 
Midici, app. h., 1037-1065. L. Preto. Dipi. 280. 
Midit, apfj. h., 1258. Inq. 322.— Id. 367. 
Midiz, app. h., 964. L. D. Mum. Dipi. 56.— Id. 107. 
Mide, n. h., 882. Doc. most. da Gra^a. Dipi. 6,— Id. 17. 
Midees, geogr., 1220. Inq. 186, 1.* ci. — Leg. 673. 
Midon, n. h., 883. Doc. ap. sec. xi. Dipi. 7. — Id. 133. 
Midone, n. m. (?), 1100. Doc. most. Aroaca. Dipi. 557. 
Midones, villa, 1257. For. MidSes. Leg. 671. 
Midus, app. h., 1258. Inq. 356, 1.* ci. 
Mier, geogr., sec. xv. S. 182. 

Migael, n. h., 1047. Doc. most. Pendorada. Dipi. 218. — Id. 221. 
Migahel, n. h., 1083. Doc. most. Moreira. Dipi. 367. 
Migale, app. h., 1258. Inq. 706, 2.* ci. 

Migalhó (Reguengo de), geogr., 1199. Elucid., 2.^ p. 278, 1.* ci. 
Mìgeet e Migneez, app. h., 1272. For. de Azambuja. Leg. 727. 



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232 Archeologo Portugués 

Migido, n. h., 989. L. Preto. Dipi. 97. 

Migiti, app. h., 911. Dipi. 11. 

Migueez, app. h., 1220. Inq. 188, 2.* ci.— Leg. 727.— Id. 383. 

Migueiz, app. h., 1220. Inq. 192, 1.* ci. 

Mii^oin, geogr., sec. xv. S. 383. 

Miidelo, geogr., 1258. Inq. 612, 2.* ci.— Id. 479, 2.» ci. 

Mìja Velhas, geogr., sec. xv. F. Lopez, dir. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 120. 

Milagiido; geogr., 1258. Inq. 323, 1.* ci. 

Milao e Milhao (Sancto), geogr., 1220. Inq. 197, 1.* ci. 

Milaradela, geogr., 1258. Inq. 388, 1.* ci. 

Milarazes e Milazes, geogr., 1220. Inq. 116, 1.* ci.— Id. 32. 

Milaricia, villa, 1089. L. Preto. Dipi. 431, 1. 3. 

Milazes.Vidè Milarazes. 

Mileireiiga. Vide Portella da. 

Mileiroos (Santo de), geogr., 1220. Inq. 132, 1.* ci.— Id. 345. 

Milheiróos, geogr., sec. xv. S. 345. 

Milia e Emilia, n. m., sec. xv. S. 151. 

Miliani, n. h., 1018. L. Preto. Dipi. 145, n,^ 233. 

Miliani (Sancti), geogr., 1099. L. Preto. Dipi. 538. 

Miliano e Miliao (Sancto), geogr., 1220. Inq. 144, 2.* ci. 

Miliarata e Miliasada, geogr., 959. L. D. Mum. Dipi. 46, 1. 33» 

Milina, n. m., sec. xv. S. 268. 

Milit e Millit, app. h., 1033. Dipi. 171, n.« 278. 

Milinm alvarinum, geogr., 1258. Inq. 651, 1.* ci. 

Millagre, n. m., sec. xv. S. 268. 

Milleirolos, villa, 1081. Doc. sé de Viseu. Dipi. 359. 

Milmanda, castello, 1258. Inq. 43H, 1.* ci. 

Minelas, n. m., 1258. Inq. 367, 2.* ci. 

Miiiianos, villa, 1085. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 381. 

Minina, geogr. (?), 1258. Inq. 346, 1.* ci. 

Minino, app. h., 1220. Inq. 130, 2.* ci. 

Miniteli©, villa, 964. L. D. Mum. Dipi. 56. 

Minizus, n. h., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9, 1. 3. 

Minoreta. Vide Menoreca. 

Minudal, geogr., 937. Dipi. 26, n.« 43. 

Mio vardeira, geogr., 1258. Inq. 713, 2.* ci. 

Mioes, rio, 1258. Inq. 339, 2.* ci. 

Miotaes, geogr., 1220. Inq. 35, 2.* ci.— Id. 188. 

Mioteira, geogr., 1258. Inq. 686, 2.* ci.— Id. 662. 

Mioteiro e Mloteypo (Casal), geogr., 1258. Inq'. 296, 2.* ci. 

Mioto, monte, 1151. For. de LousX. Leg. 377. 



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O Archeologo Portugués 233. 

Miraes, villa, 1258. Inq. 541, 2.* ci. 

Miragaya e Miregaye, geogr., 1258. Inq. 472, 1.* ci. 

Mirauceli, geogr., 1125. For. de Ponte de Lima. Leg. 365. 

Miranci, villa, 1258. Inq. 485, 1.* ci. 

Miranda, geogr., 980. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 79.— Id. 110. 

Miranade (Petra), 1085. Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 381. 

Mirazi, app. h., 989. Dipi. 98, n.« 157.— Id. 338.— Geogr. Id. 172. 

Mii-elle, app. h., 966. Doc. most. LorvXo. Dipi. 58. 

Mirelo, geogr., 1258. Inq. 372, 1.* ci. — Id. 596. 

Mirleos, geogr., 1087. L. Preto. Dipi. 404.— Id. 471. 

Miro, n. h., 915. Doc. most. Moreira. Dipi. 14. — Inq. 429. 

Miroa, n. h., 1018. L. Preto. Dipi. 148. 

Miroez, app. h., 1220. Inq. 108, 1.* ci. 

Mironi, n. h., 1077. Doc. most. Moreira. Dipi. 329, n.^ 541.— Inq. 99. 

Mironcinis, geogr., 1258. Inq. 541, 2.* ci. 

Mirone, n. h., 982. L. Preto. Dipi. 83. 

Mironiz, app. h., 1043. Doc. most. Moreira. Dipi. 198. 

Mironizi, app. h., 1068. Doc. most. Moreira. Dipi. 295. 

Miroans, n. h., 987. L. Preto. Dipi. 96. 

Mirteti, villa, 1094. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 478. 

Mirualdo, n. h., 978. Doc. most. LorvSo. Dipi. 76. 

Miserela, campo, 1258. Inq. 709, 2.* ci. 

Misererà, geogr., 1082. L. Preto. Dipi. 365. — Id. 424. 

Mitit, app. h., 1050. L. D. Mum. Dipi. 229. 

Mitiz, app. h., 999. L. D. Mum. Dipi. 113.— Id. 123. 

Mito. n. h., 959. L. D. Mum. Dipi. 46.— Id. 71. 

Mitom, n. h., 1055. L. Preto. Dipi. 241. 

Mitonaelli, geogr., 1021. L. Preto. Dipi. 154. 

Mitoncelli, geogr., 1013 (?). Dipi. 136, 1. 48. 

Mitto, n. h., 1014. L. D. Mum. Dipi. 140.— Id. 185 e 227. 

Mixia, app. h., sec. xv. S. 278. 

Mizael, n. h., 1028. Tombo S. S. J. Dipi. 163. 

Moabar, n. h., 875. Dipi. 6, n.^ 8. 

Moabita, n. h., 983. Dipi. 85, 1. 25. 

Moachino, app. h., 1258. Inq. 339, 2.* ci. 

Moas, villa, sec. xiil. For. de Mós. Leg. 390. 

Moazai-es, geogr., 1049. Dipi. 227, n.^ 373.— Inq. 591. 

Moazelus, villa, 1097. L. B. Ferr. Dipi. 515.— Id. 126. 

Moazino e Moazio, app. h., 1220. Inq. 233, 2.^ ci. 

Moazio e Moozinho, app. h., 1220. Inq. 113, 1.* ci.— Id. 33 e 186. 

Moccio (Castello), geogr., 1258. Inq. 709, 1.* ci. 



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234 O Archeologo Portugués 

MoceUus, n. h., Era 1185. Elucid., 2.^ p. 354, 1.* ci. 

Mocho, app. h., sec. xv. S. 152. — Id. 288. 

Mo^o, n. h., sec. xv. S. 162. 

Mocoromi, geogr., 1220. Inq. 18, 1.* ci. 

Mocpomi, villa, 1258. Inq. 294, 2.* ci. 

Modarìu e Mudario, n. h., 968. Doc. most. Moreira. Dipi. 62. 

Modarra^ geogr., 1258. Inq. 548, 1.* ci. 

Modeìro, n. h., 1008. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 124, n.« 202. 

Modericos, n. h., 979. Doc. most. Moreira. Dipi. 78. 

Moderigu, n. h., 978. Doc. most. Lorvao. Dipi. 78. — Id. 455 

Moderno, geogr., 1258. Inq. 630, 2.* ci. 

Modorra, geogr., 1258. Inq. 414, 1.* ci. 

Moeiro, geogr. (?), sec. xv. S. 172. 

Moelha, app. h., sec. xv. S. 361. 

Moella, app. h., sec. xv. S. 374. 

Moer (Muel), geogr., 1153. Doc. da.Alcobav'a illustr., p. 11. 

Moes de snsao, g^ogr., 1258. Inq. 422, 2.* ci. 

Moeseudl, geogr., 1258. Inq. 370, 1.* ci. 

Moezellos, geogr., sec. xv. S. 378. 

Moezelus (S. Pelagio de), geogr., 1258. Inq. 357, 2.» ci. 

Mofapig, n. h., 1083. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 370. 

Mofaro, app. h., sec. xv. S. 334. 

Mofarrage, n. h.,* Dipi.? 

Mofarpigin, n. h., 1082. L. Preto. Dipi. 363. 

Moffarra, app. m., 1258. Inq. 494, 2.* ci. 

Moflfrapii, app. h., 1258. Inq. 570, 2.* ci. 

Mofpus (erdade dos), geogr., 1258. Inq. 298, 1.* ci. 

Mogadoyro, villa, 1273. Leg. 731. 

Mogaime, n. h., 1087. Doc. most. Arouca. Dipi. 412. 

Mogaria, app. h., 933. Doc. most. LorvSo. Dipi. 23.— Id. 26 e 28. 

Mogeime, n. h., 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 415. 

Mogudo, app. h., sec. xv. S. 272. 

Mogneime, n. h., 1010. L. Preto. Dipi. 131. 

Mogueimes, n. h. (?), 1258. Inq. 704, 1.* ci. 

Mogueira, geogr., 1258. Inq. 570, 1.* ci. 

Mogueyme, villa, 1258. Inq. 672, 2.* ci. - 

Moguimiz, app. h., 1258. Inq. 705, 2.^ ci. 

Mohamed, n. h., 1018 (?). Doc. most. LorvSo. Dipi. 149. 

Moheb, n. h., 1018. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 147. 

Moheibe, n. h., 993. Doc. most. Moreira. Dipi. 103. 

Moheibiz, app. h., 1068. Dipi. 294, n.M71. 



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O Archeologo Pobtuoués • 235 

Moheide, n. h. (?), 1088. Dipi. 426. 

Mohepe, n. h., 937. Doc. most. LorvXo. Dipi. 27. — Id. 36 

Mohomat, n. h., 1016. Doc. most. LorvSo. Dipi. 143. 

Moìmenta, geogr., 959. L. D. Mum. Dipi. 46, 1. 25. 

Moiri e Mourì, geogr., 1220. Inq. 62, 1.* ci. 

Moisen, n. h., 950. Doc. most. Lorv3lo. Dipi. 36. — Id. 30. 

Moita, app. h., 1258. Inq. 567, 1.» ci. 

Moixoes.Vidè Manxoes. 

Mokeime (Agro de), geogr., 1074. Doc. most. Moreira. Dipi. 315. 

Mola Olivarum, villa, 1258. Inq. 486, 1.* ci.— Id. 490. 

Mola de olibas, geogr., 1033. Dipi. 172, n.° 281. 

Molado, app. h., 1220. Inq. 130, 2.* ci. 

Molam, geogr., 1258. Inq. 527, 2.* ci. 

Molar, geogr., 1258. Inq. 366, 2.» ci. — Id. 367. 

Molai-es, geogr., 1220. Inq. 195, 1.* ci. 

Molas, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, 1. 11.— Id. 260. 

Moldes, geogr., 1077. Doc. most. Aroiica. Dipi. 332, n.*» 546.— Id. 

341. 
Moleda, geogr., 1258. Inq. 319, 2.* ci. 

Moledo (Pessegario), geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 51, 1. 11. 
Moledus, app. h., 1258. Inq. 308, 1.* ci. 

Molelos (Outarium de), geogr., 1258. Inq. 615, 2.* ci. — Id. 727. 
Molendino deripatum, geogr., 1258. Inq. 595, 1.* cL 
Molendinus, geogr., 1258. Inq. 674, 2.* ci. 
Molhes, geogr., sec. xv. S. 338. 
Molides, rio, 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36. 
Molino e Menilo sicco, geogr,, 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9, l. 26. 
Molinos, rio, 1014. L. D. Mum. Dipi. 138. 
Molis Olivaram, geogr., 1258. Inq. 480, 2.* ci. 
MoU, geogr., sec. xv. S. 301. 

Mollens, rio, 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. 
MoUes, geogr., sec. xv. S. 280— Id. 300. 

MoUides, rio, 1054. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 239.— Id. 286. 
MoUites, rio, 1070. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 301.— Id. 341. 
Molneirus, app. h., 1220. Inq. 82, 1.* ci. 
Molnes, rio, 1066. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283.— Id. 301.— 

Inq. 114, 2.* ci. 
Molola, geogr., 1258. Inq. 332, 2.* ci. 
Momenta, villa, 1258. Inq. 667, 2.* ci. 
Momona de bichi, geogr., 1258. Inq. 484, 1.* ci. 
Momona petrosa* geogr, ^ 1258. Inq. 484, 1.* ci. 



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236 • O Archeologo Poetugués 

Mompirle, geogr., 1258. Inq. 321, 1.* ci. 

Momreal, geogr., Era 1396. Doc. da Alcoba^a illustr., p. 181. 

Mona, n. m., sec. xv. S. 175.— Id. 288. 

Monachiuus, app. b., 1258. Inq. 460, 1.^ ci. 

Monaco, app. h, 1258. Inq. 386, 1.» ci. 

Monasterioio, villa, 1059. Doc. most. Moreira. Dipi. 255, n.® 415.— 

Inq. 500. 
Monchique, geogr., Era 1386. Dissert. chr., 5.®, p. 296. 
MonQom, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 2.*, C. 61. 
Monda, geogr., 1258. Inq. 560, 1.* ci. 
Mondanhedo, geo^r., sec. xv. S. 386. 
Mondeco, rio, 850-866. Doc. most.^ Lorv&o. Dipi. 2, n.** 2.— Id. 14 

e 21. 
Mondego, rio, 897. Doc. most. Pedroso. Dipi. 8, 1. 20. 
Mondegum, rio, 1186. For. de Gouveia. Leg. 455. 
Monde), geogr., 1258. Inq. 319, 2.* ci. 

Mondalo (Casal de), geogr., 1258. Inq. 326, 1.* ci.— Id. 437. 
Monderico, n. h., 870. L. D. Mum. Dipi. 4. 
Monderigo, n. h., 1001. L. Preto. Dipi. 114. 
Mondiaes. Vide Mandraes. 

Moudim, geogr., 1220. Inq. 51, l.* ci. — Id. 192. 
Mondini, app. h., 924. L. D. Mum. Dipi. 19. 
Mondiuiz, app. h., 1009. L. Preto. Dipi. 127. 
Mondinu, n. h., 925. Dipi. 20, n.* 30. 
Mondo, app. h., sec. xv. S. 298. 
Mondom, app. h., 1258. Inq. 321, 1.* ci. 
Mondonis, geogr., 1258. Inq. 595, 1.* ci. 
Mondoroes e Mundoroes, geogr., 1258. Inq. 644, 2,^ ci. 
Mondraes. Vide Aandraes. 

Mondroes, geogr., 1220. Inq. 53, 2.* ci. — Id. 140. 
Monecalem^ geogr., 1258. Inq. 597, 1.* ci. 
Moneffiolii (Saxeum), geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci. 
Moneonis, app, h., 850-866. Doc. most. LorvSo. Dipi. 2. 
Moneoniz, app. h., 985. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 92. — Id. 218. 
Monforte, geogr., 1130. For. de NurnSo. Leg. 368. 
Monhoz, app. h., sec. xv. S. 273. 

Moniaeco (Fontano), geogr., 1088.Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 420. 
Monigo, n. h., sec. xv. S. 163. 
Moniha, n. m., sec. xv. S. 282. 
Moniho, n. h., sec. xv. S. 281. 
Moniizi, app. h., 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi. 450. 



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O AUCHEOLOOO PORTUGUÉS 237 

Monimeiita e Moimenta, geogr., 959. L. D. Mum. Dipi. 46, I. 25. — 

Id. 35 e 327. 
Moninha, n. m., sec. xv. S. 254. 

Moninho, n. h., sec. XIV. For. de Sonre. Leg. 358, 2.* ci. 
Monìnoz, app. h., 1049. L. D. Mum. Dipi. 227. 
MoninnSy n. h., 1094. Doc. most. Pendorada. Dipi. 483. * 
Monio, n. h., sec. xv. S. 175. 

Monioooz e Mnniouoz, app. h., 1049. L. D. Mum. Dipi. 227. 
Monìuz, Muniuz^ Munint e Munioz, app. h., 999. L. D. Mum. Dipi. 

112 e 113. 
Moniz, app. h., 922. L. Preto. Dipi. 17.— Id. 38 e 92. 
Monizi, app. h., 1048. Doc. most. Pendorada. Dipi. 223.— Id. 282. 
Monje, app. h., sec. xv. S. 266. 
Monneo, n. h. (?), 1037. L. Preto. Dipi. 181. 

Monniniz e Muniniz, app. h., 1066. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283. 
Monnino e Muuino, n. h., 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. 
Monnio, n. h., 1013 (?). Doc. most. Pedroso. Dipi. 134. — Id. 278. 
Monniuz, app. h., 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 33. 
Monniz, app. h., 1053. Doc. most. Pedroso. Dipi. 234. — Id. 412. 
Monobreda, n. m., 1070. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 301. — Id. 

526. 
Monrando, n. h., 984. Doc. most. Moreira. Dipi. 89. 
Moiis, geogr., 1258. Inq. 510, 2.* ci. 
Mons Altus, geogr., 1258. Inq. 674, 1.* ci. 
Mons aluarelios. Vide Aluarelios. 

Mons aratos, geogr., 1077. Doc. most. Pendorada. Dipi. 331. 
Mons aratros, territ. pprtug., 1086. Doc. most. Pendorada. Dipi. 396. 
Monsaraz, geogr., sec. xv. F. Lopez. Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 162.— 

Leg. 721. 
Mons asperonis. Vide Asperonis. 
Mons autino.Vidè Antino. 

Mons candoosa, geogr., 1100 (?). Doc. most. Pendorada. Dipi. 552. 
Mons cauallns, geogr., 870. L. D. Mum. Dipi. 3. 
Mons cosoirado, geogr., 1070. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 301. 
Mons custodias, geogr., 1035. L. Preto. Dipi. 176. 
Mons de a mula, geogr., 1070. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 301. 
Mons de canallos, geogr., 968. L. D. Mum. Dipi. 62. 
Mons eiras, territ. portug., 1099. Doc. most. Pendorada. DipL 540. 
Mons fiiste.Vidè Fusto. 
Mons gundemari, 994. L. Preto. Dipi. 105. 
Mons malore, villa, 954. Doc. most. LorvXo. Dipi. 39. 



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238 O Archeologo Portugués 

Mons ordiaes, geogr., 1079. Doc. most. Pendorada. IMpl. 346. 
Mons ordinis, geogr., 1086. Doc. most. Pendorada. Dipi. 396. 
Mons parata, S^^S^'ì 1083. Doc. most. Moreira. Dipi. 366. 
Mons petras ranias, geogr*, 1086. Doc. most. Moreira. Dipi. 396.- 

Id. 286, n.« 458. 
Mons quifiones. Vide Qaifiones. 

Mons sagittela, geogr., 1025. Doc. most. Pedroso. Dipi. 158. 
Mons sauto rodondo, geogr., 773 (?). L. Preto. Dipi. 1. 
Mons seiso.Vidè Séiso. 

Mons tritici, geogr., 1086. L. Preto. Dipi. 399. 
Montagna, geogr. (?), 1258. Inq. 357, 2.* ci. 
Montagueime, n. h. Era 1102. L. Preto. Dipi. 277. 
Montana, geogr., 1258. Inq. 616, 1.» ci. 
Montao, app. h., 1258. Inq. 306, 2.* ci. 
Montaqueimiz, app. h., 1009. Doc. most. Moreira. Dipi. 128. 
Montarins, app. h., 1258. Inq. 723, 1.* ci. 
Monte acuto e agudo, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 261, 1. 41 

e 46.— Id. 94. 
Monte alio siei, geogr., 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 415. 
Monte annlam, geogr., 1058. L. D. Mum. Dipi. 250, 1. 10. 
Monte caluelo, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 260, 1. 37 e 54. 
Monte Calvo, geogr., 1097. Dipi. 513.— Id. 397. 
Monte Castro calbo, geogr., 1068. Dipi, 294. n.^ 471. 
MontecelJo, geogr., 1058. L. D. Mum. Dipi. 252, n.« 410. 
Monte clauso, geogr., 1097. Doc. most. Pendorada. Dipi. 508. 
Monte Cordova e corduba, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 261.— 

Id. 46.— Inq. 528 e 541. 
Monte carte, geogr., 1258. Inq. 527, 2.* ci. 
Monte da Nova, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci. 
Monte de Bice. Vide Bice. 

Monte de cauallus, geogr., 961. L. D. Mum. Dipi. 51. — Id. 70. 
Monte de celeiroo, geogr., 1258. Inq. 322, 1.* d.— Id. 128. 
Monte decocto, geogr., 1058. L. D. Mum. Dipi. 250, 1. 4. 
Monte de Espineiro, geogr., 1258, Inq. 356, 2:^ ci. 
Monte de Fervida, geogr., 1258. Inq. 361, 1.* ci. 
Monte de Fonte Cova, geogr., 1258. Inq. 405, 1.* ci. 
Monte de frades, geogr., 1258. Inq. 385, 1.* ci. 
Monte de Fraucos, geogr., 1258. Inq. 399, 2.* ci. 
Monte de Gateira. Vide Gateìra. 
Monte de Gatom, geogr., 1258. Inq. 585, 1.* ci. 
Monte de mane, geogr., 1258. Inq. 593, 1. ci. 



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O Archeologo Pobtugués 239' 

Monte de meda. Vide Meda. 

Monte de Moos, geogr., 1258. Inq. 369, 1.* ci. 

Monte de moucos, geogr., 1258. Inq. 710, 2.* ci. 

Monte de Oliai, geogr., 1220. Inq. 40, l."" ci. 

Monte de Paacioo, geogr., 1258. Inq. 414, 2.* ci. 

Mout« de pena, geogr.. 1091. L. B. Ferr. Dipi. 451. 

Monte de Penela, geogr., 1258. Inq. 397. 1.* ci. 

Monte de petra taliada.Vidè Petra taliada. 

Monte de Pooiubeiro, geogr., 1258. Inq. 369, 1.* ci. 

Monte de Pradaoso, geogr., 1258. Inq. 417, 1.* ci. 

Monte de Sancto Jaeobo, geogr., 1258. Inq. 363, 2.* ci. 

Monte de Tagio. Vide Tagio. 

Monte deTaxo, geogr., 1258, Inq. 409. 1.* ci. 

Monte de vinco, geogr., 1258. Inq. 404, 1.* ci. 

Monte do carregal, geogr., 1258. Inq. 356, 2.* d. 

Monte d onoor.Vidè Onoor. 

Monte faro, geogr., 1030. Doc. niost. Moreira. Dipi. 164. 

Monte forti, villa, 1257. For. de Monforte. Leg. 670. 

Monte furado, geogr., 1055-1065. For. de Penella. Leg. 347. 

Monte grande, geogr., 1079. L. B. Ferr. Dipi. 342. 

Monteiro, app. h., 1096. Doc. most. liorvSo. Dipi. 193. — Id. 45. 

Monteiros, geogr., 1220. Inq. 126, 2.* ci. 

Monte latito. Vide Latito. 

Montelios, geogr., 911. Dipi. 12, 1. 14.— Id. 273. 

Montell, geogr., sec. XV. S. 278. 

Montelongo, geogr., 1058. L. D. Mum. Dipi. 249, 1. 23.— Id. 379. 

Monte Lovigildi, geogr., 1220. Inq. 142, 2.* ci. 

Montemaior, cidade, 1091. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 454. 

Montemaqueime, n. h., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57. 

Montem de Arrancada. Vide ilrrancada. 

Monte meiano, geogr., 1223. For. de Sanguinhedo. Leg. 598. 

Monte mieto, geogr., 1151. For. de Lousa. Leg. 377. 

Monte molinus, geogr., 1091. L. Prete. Dipi. 454. 

Montem porcum, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci. 

Montem rnbiam, geogr., 1088. L. Prete. Dipi. 418, 1. 4. 

Montem rnbium (Montarroio), geogr., 1088. L. Prete. Dipi. 418, 1. 4.. 

Montem sartaginis, geogr., 1258. Inq. 626, 2.^ ci. 

Monte Negrelos, geogr., 1220. Inq. 126. 

Montenegro, geogr., sec. xv. S. 365. — Id. 384. 

Monte nigro, geogr., 1220. luq. 14, 2.* ci. 

Monte quodal. Vide Quoddal. 



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240 O Archeologo Portugués 

Monte raso, geogr., 1223. For. de Sangainhedo. Leg. 598. 
Monte redondo, geogr., 10^9. L. B. Ferr. Dipi. 431. 
Monteroso, geogr., 1258. Inq. 403, 1.* ci.— Id. 591. 
Monte royo, geogr., see. xv. Azur., Ined. de Hist. Port., 3.®, p. ìli. 
Monte saltella. Vide Saltella. 

Monte Sancto, geogr., 1174. For. de Monsanto. Leg. 397. 
Monte sancto romano, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 259, I. 9. 
Monte Saraz^ geogr., 1270. For. de Villa Vinosa. Leg. 717. 
Monte serpente, geogr., 1079. L. B. Ferr. Dipi. 342. 
Monteslno, app. h., 1258. Inq. 399, 2.* ci. 
Montesinos, villa, 999. Dipi. 113, n.*» 184. — Inq. 386. 
Monte Soo.Vidè Soo. 
Monte soon.Vidè Soon. 
Monte terroso. Viaè Terroso. 
Monteyro, app. h., sec. xv. S. 377. 
Montezelo, geogr., 1258. Inq. 346, 1.* ci.— Id. 634. 
Montezelos, geogr., 1220. Inq. 43, 1.* ci. 
Mentis de arroyo, geogr., 1258. Inq. 504, 1.* ci. 
Montis lanutus.Vidè Lanutus. 
Montis maiorls, cidade, 1091. L. Prete. Dipi. 454. 
Montoni, geogr., 1258. Inq. 498, 2.* ci. 
Montor, geogr., sec. XV. S. 168. 
Montukem, app. h., 976. Doc. most. LorvUo. Dipi. 74. 
Monturelo, geogr., 1096. L. B. Ferr. Dipi. 501. 
Monndo, app. h., sec. XV. S. 200. 

Monumenta, villa, 1065. Doc. most. Pendorada. Dipi. 282. 
Monzom, geogr., 1258. Inq. 369,. 1.* ci.— Leg. 696. 
Moo, geogr., 1258. Inq. 295, 2.* ci. 
Moohomat, n. h., 998. Doc. most. LorvSo. Dipi. 110. 
Mooquim (S. Jacobo de), geogr., 1220. Inq. 63, 2.* ci.— Id. 154. 
Moor, n. m., sec. xv. S. passim. 
Jioorigo, n:. h., 1258. Inq. 417, 2.* ci. 
Mooyracos, geogr., sec. xv. S. 360. 
Moozares e Moazares, geogr., 1258. Inq. 591, 2.^ ci.. 
Moozinho. Vide Moazio. 

Moozino e Moozio, app. h., 1220. Inq. 31, 2.^ ci. 
Moqueime, n. h., 1082. Dipi. 365, n.^ 608. 
Moquina, n. m. (?), 1044. Doc. most. Pendorada. Dipi. 205. 
Mor, n. m., sec. xv. S. passim, 
Moraaes, app. h., sec. xv. S. 229. 
Moracio (Fonte de), geogr., 1018. Dipi. 147, n.*» 237. 



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O Archeologo Portugués 241 

Moraes, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. l.*", p. 1/'', C. 159. 

Morancia (Casale de), geogr., 1258. Inq. 617, 2.* ci. 

Morantinas, g^gr., 1258. Inq. 362, 1.* ci. 

Morapia, villa, 960. L. D. Mum. Dipi. 51. — Id. 56 e 77. 

Morariolo, geogr., 1258. Inq. 483, 1.* ci. 

Moraiizo e Morozo, geogr., 986. Doc. raost. Pedroso. Dipi. 94. 

Moravita, app. h., 1220. Inq. 146, 2.* cl.-Id. 198. 

Moreìrola^ geogr., 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi. 450. — Id. 

172. — S. 165. 
Moreriola, villa, 1068. Doc. most. Moreira. Dipi. 289. 
Morerola, villa, 1079. Doc. most. Moreira. Dipi. 345. 
Moreyra, geogr., sec. xv. S. 303. 
Mopeyroho, villa, 1258. Inq. 479. 
Morga'(Porto de), geogr., 1258. Inq. 359, 2.^ ci. 
Morgotus, n.^h. (?), sec. XI. L. D. Mum. Dipi. 563, 1. .8. 
Monco, n. h., 1049. Dipi. 226. 
Mormoralia, geogr., 1258. Inq. 651, 1.* ci. 
Mormoriale, geogr., 1258. Inq. 592, 2.* ci. 
Mormorialia de Ansaroy, geogr., 1258. Inq. 525, 2."* ci. 
Moro, app. h., sec. XV. S. 182. 
Moronganos, villa. Era 1102. L. Preto. Dipi. 277. 
Moronco, geogr., 1258. Inq. 322, 1.* ci. 
Moroucos, geogr., 1258. Inq. 592, 2.* ci. — Leg. 561. 
MoronzoiD, geogr., 1258. Inq. 713, 1.* ci. 
Moroazos, geogr., 1258. Inq. 473, 1.* ci. — Id. 641. 
Morouzus, geogr., 1258. Inq. 362, 1.* ci. 
Moroza, villa, 1258. Inq. 470.— Id. 474. 
Morozo. Vide Morauzo. 

Morraceses, geogr., 1075. L. B. Ferr. Dipi. 320. 
Morsdoma, monte (?), 1048. Doc. most. Pedroso. Dipi. 225. 
Morta, app. h., 1258. Inq. 574, 1."^ ci. 
Mortaagua, geogr., 1192. Leg. 482. 

Morialaga (Castro de), geogr., 988. Doc. most. Lorv3o. Dipi. 96. 
Mortalago, rio, 985. Doc. most. LorvSo. Dipi. 93. — Id. 96. 
Mortalazelìo, geogr., 985. Doc. most. LorvXo. Dipi. 93. — Inq. 97. 
Mortaria, geogr., 1008. L. D. Mum. Dipi. 121.— Id. 46. 
Mortarum e Mortorum, geogr., 1258. Inq. 597, 1.* e 2.* ci. 
Mortede, villa, 950. Doc. most. Lorvao. Dipi. 36, 1. 5.— Id. 277. 
Mopteira, villa, 1058. L. D. Mum. Dipi. 252. 
Mopzelo, app. h. (?), 1220. Inq. 140, 1.* ci. 
Mosautiz, app. h. (?), 995. Doc. most. Moreira. Dipi. 108, 1. 2. 

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242 O Archeologo Portugués 

Moscariìs (Vinea de), geogr., 1258. Inq. 589, 2.* ci. 

Mosegaes, geogr., 1258. Inq. 376, 2.* ci. 

Mosezi, villa, 1258. Inq. 728, 1.* ci. • 

Mosqueipo, geogr., 1220. Inq. 137, 2.* ci.— Id. 138. 

Mota, app. h., sec. xv. S. 179.— Id. 369. 

Motakar, n. h., 967. Doc. most. Lorvao. Dipi. 60. 

Motoque, app. h., 1258. Inq. 346, 2.* ci. 

MoQ (Vila), geogr., 1258. Inq. 337, 2.* ci.— Id. 374. 

Moucho, app. h., sec. xv. S. 194. — Id. 267. 

Moucho (Petra de), geogr., 1258. Inq. 592, 2.* ci. 

Moueoos. Vide Mauzoos. 

Moucos, geogr., 1258. Inq. 710, 2.* ci. 

Mougidi, geogr., 1258. Inq. 429, 2.* ci. 

Mouram, n. h., 1258. Inq. 399, 2. ci. 

Mouran, geogr., 1008. Doc. most. Moreira. Dipi. 121. — Id. 365. 

Mouraniz, app. h., 1085. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 384, 

Mourao, n. h., sec. XV. S. 163. 

Mourataues, geogr., 1258. Inq. 518, 1.* ci. — Id. 521. 

Mouratio, monte, 1152. Elucid., 1.®, p. 77. 

Moupeli e Maurili, geogr., 1220. Inq. 35, 1.* e 2.* ci.— Id. 115. 

Mourelio, Maurt'lio e Maurilio, app. h., 1220. Inq. 104, 1.* ci. 

Mouri. Vide Moiri. 

Moaricoo,- geogr., 1220. Inq. 170, 2.* ci. 

Moarigo, geogr. (?), 1258. Inq. 538, 1.* ci.— Id. 675. 

i^'^'^'^'^^)' A. A CORTESAO. 



Ara oonsagrada a Juppiter 

N-0 Arch. Pori., xii, 106, na secyao das aAcqaisÌ98es do Museui, 
figura um monumento consagrado a Juppiter comò ofFerecido ao Mu- 
seu pelo Sr. José Benedicto de Almeida Pessanha. Por equivoco 
deixou de se declarar que para està acquisiyào contribuiu tambem 
efficazmente o Sr. Celestino Bega, major reformado, e collaborador 
d-0 Archeologo Portugués, 

A ambos estes meus prestimosos amigos deve o Museu o ter en- 
riquecido a secQào epigraphica com mais uma joia, pois outro nome 
nSo posso dar ao monumento. 

Este é em fórma de ara, em cujo frontSo se ve a meia-lua la- 
deada por duas estrellas de seis raios cada uma; em baixo ha uma 



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O Aechbologo Portugués 243 

inscripgSo qiie transcrevo ao lado. A inscrip9ao vem jà no Corpus, n, 

2466 (e nào 2476, comò tambem por equivoco se 

^ ^ ^, disse n-0 Archeologo): na lìnha 4.* porém restituia- 

se hypotheticamente /, que de facto està no texto; 

^ _ , ^ as letras da 1.* e 5.* linha estSo separadas por 
F Li A O C IN V S 
^ Q T itr pontos triangulares, o que no Corpus nSo se diz; 

^ ^ ^ OS A A da 3.* e 4.* Hnha nao tem tragos horìzon- 

taes. — Tenciono reproduzir em gravura o monumento no voi. ili das 

Religides da Lusitania, que estou ìmprimindo. Por agora basta està 

descripQao. 

O Sr. Celestino Bega jà de outras vezes favoreceu o Museu Etimo- 
logico com importantes dadivas, corno n-0 Archeologo se tem decla- 
rado; entre ellas conta-se mais um importante monum^ento epigraphico, 
que sera igualmente figurado no voi. lu das Rdigides. Ao Sr. José 
Benedicto de Almeida Pessanha sou tambem creder de valiosas noti- 
cias archeologicas, que em occasiao opportuna aproveitarei. 

Bem bajam aquelles que tomam a peito a archeologia nacional, e 
por qualquer mòdo concorrem para o progresso d'ella! 

J. L.DE V. 



Observagoes a-«0 Apoheologo Portugruès» 
I 

(Vid. voi. XI, n.«» 9-12) 

A p. 344 disse eu que havia 2.* ed. do livro de Otto, Die Sprich- 
mrter. Foi equivoco. Por ora nao ha outra alem da citada. 

A p. 365, linha 2, imprimiu-se sons em vez de so. 

Pp. 365-366. O Sr. Pedro de Azevedo chama-me a attengao para 
OS Port. 3Ion. Hist., «Scriptores», p. 169, onde se le oAbelamab», que 
é mais urna fórma para juntar às que colligi na minha nota a respeito 
de Avelomar, O editor dos Scriptores diz em nota, sem motivo: «tal- 
vez. . . alem-mar». 

Ampliarci a noticia dada a p. 375, nota 2, a proposito dsLafalachas 
da Beira, dizendo que no Alemtejo se usam pelo Entrudo uns bolos 
feitos de boleta doce, depois de cozida e de moida em um almofariz; 
OS bolos sSo envolvidos em uma capa de massa de trigo. Póde tambem 
fazer-se de grSo de bico, igualmente cozido e moido, e de gila cozida. 
Taes bolos chamam-se azovias. — Colhi està informa92o no Alandroal. 

J. L. DE V. 



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244 O Archeologo Pobtugués 



II 

. {Vai. 8uprn, pag. 178-105) 

Jà depois de completo o traballio publicado acima, p. 178-195, e 
de composto e paginado na ìmprensa, foi-me chamada a attengSo para 
um artigo intitulado aDiplomatica portuguesa», que o fallecido archeo- 
logo Possidonio da Silva inserii! no Bolethn da Real Asaocia^ào dm 
Architectos Civis e Archeologos Portugneses, t. Il, n.® 2, p. 23 (1877). 
Esse artigo acompanha duas photolitographias de dois dos pergaminhos 
da Camara de Ponte, um com o n." 34 e outro com o n.** 19, aos quaes 
no presente catalogo correspondem respectivamente os n.®* 1 e 39. Diz 
o autor do artigo que deve a Miguel dos Reis Lemos poder publicar 
no refendo Boletim alguns fac-similes d'aquelles pergaminhos, e dà a 
noticia de que sào em numero de 74 os documentos que Reis Lemos 
copiou e traduziu, pertencentes ao mesmo archivo. 

Nfto foram publicadas no mencionado Boletim mais reproduc^Ses, 

nem me consta que o fossem neutra parte. Tambem nào pude saber 

ainda onde para um volume manuscrito, da mXo de Reis Lemos, talvez 

com a còpia a que Possidonio se refere, e cuja existencia me tem sido 

asseverada. n k /^ ti 

P." CuNHA Brito. 



Bibliograpliia 



I^a Peinture Corporolle et le Tatonai^e* por Joseph Déchelet- 
te, Paris 1907, 14 paginas, com gravuras no texto. Extr. da Rev. Ardì,, 1907, 
I, 38-50. 

Neste trabalho o erudito director do Museu de Roanne (Franca) estudava- 
rios caeoB de tatuagem e pintura corporal, Aliando nellas as placas de lousa pre- 
hifltoricas de Portugal que foram publicadas nas Religiòes da Lufiitaniay i, 164, 
e n-0 Ardi. Pori,, xi, 339, as quaes elle compara com a estatua de pedra de 
Saint-Semin. Segundo o Sr. Déchelette, os tra^os horizontaes que se véem de- 
baixo dos olhos sfio reproduc^ào de tatuagem ou de pintura corporal, explica^ào 
a que é le vado pelo exame de um idolo egeu de Seriphos e de um de Amorgos, 
cujas caras estào realmente sarapintadas. 

Ab nossas duas placas sào comparaveis a uma figurinha de pedra do Museu 
de Faro, publicada u-OArdi.PoH., vin, 171; eUa pelo lado extemo dos olhos 
apresenta duas linhas curvas, que alguem poderia considerar representa^ao 
das orbitas, ou das palpebras. 



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O Archeologo Portugués 



245 



Aqui reproduzo em tamanho naturai, de freiite e de lado, outra figura pare- 
cida com està, e da mesma procedencia (Moncarapacho, — Algarve), existente 
no Mnseu Ethnologico, a qual jà me referi n-0 Aì'ch.Poì-f,, loc. cit. 

Neste objecto, qne é 
de calcareo, e tem a fórma 
de cilindro achatado, ha 
tres curvas com disposigfio 
analoga a da figura prece- 
dente, mas estas corvas 
prolongam-se na parte su- 
perior, eùi fórma de an- 
gui©, para o lado de fora. 

X-0 Arch. Port.y xi, 
340, nota, dei o desenho 
do fragmento de uma placa 
hespanhola, da provincia 
de Càceres, em que debaixo 
de um dos olhos ha tra^os 
horizontaes, conio nas pla- 
cas portuguesas congene- 
ree. 

A hypothese do Sr . Dé- 
chelette é muito engenhosa, 
e coordena entre si bas- 
tantes factos. A serem real- 
mente tatuagens ou pintu- 
ras 08 traQos das placas por- 
tuguesas e 08 da estatua 

de Saint-Semin, coincidem com isso os outros omatos (coUares) que se notam 
na estatua de Saint-Sernin e em uma das nossas placas. 




ilHaenho de Q. Gam€Ìro\ 



J. L. DE V. 



Il 



Resenba das notlclas archeologicas contidas em jornaes portugueses 

Boletim da Real Associa^ào dos Architectos Civis e Archeologos Portugueses, 

4.» serie, t. x, n.<» 7. —A pintura no reinado de, D. Affonso F, por Sousa Viterbo. 
Apresenta uma Hata ezclusivamente nominai dos pintores d'aquelle reinado, 
precedida de breves considera^òes. 

Cruz€Ìro8 notaveis (cmUinua^ào), por Sousa Viterbo. Trata dos cruzeiros 
deVallongo, JS. Sr.» de Oliveira em Guimaraes e Alcanede. Com estampas. 

Noticicu de Torres Vedraa, por Gabriel Pereira. Trata de : brasÒes da Villa; 
Archivos; NoVaratojo; Uma inscripQSo moderna; Sinos. 

Azulefos fcontinuagàoj. Excerptos de varios autores. 
Idem, n.* 8. — Um brado a favor dos monumentoa. Parecer apresentado ao Conse- 
Iho Superìor dos Monumentos Nacionaes acérca da projectada destrm^&o do 
convento das Carmelitas em Aveiro, por Kamalho OrtigSo. 



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246 O Archeologo Portugués 

Archeologia do Theatro Partuguéè, por J. M. A. Nogueira. Cnriosas notv 
deaeri ti vas sobre os pateos das comedias, antigos theatros de Lisboa e sobrf 
o privilegio concedido ao Hospital deTodos os Santos pelo qual «se nSo po- 
diam representar comedias em geral, nem em particular, senio nos logares 
que o provedor e officiaes do hospital assignalassem*. 

Noticias de Torres Vedrete, por Gabriel Pereira, em que falla da qaiota 
das Lapas. 

Cruzeiroé notaveis (eontimia^àoj, por Sonsa Viterbo. Trata dos cnizeiro? 
de Vaqueiros e S. Fedro na Ericeira. Com estampas. 

A Infanta D. Maria e o seu hospital da Luz, por Victor Ribeiro. A rida 
da Infanta. Testamento e suas institaÌ9de8 pias. Com estampas. 
Azulejos (continuagàoj. Excerptos de varios autores. 
Idem, n.*» 9. — Pelmirinhos e cruzeiroé. ' Represcnta93o dirigida a El-Rei sobre 
a conveniencia de serem considerados monumeutos nacionaes os pelonri- 
nhos e cruzciros, e circular dirigida às camaras municipaes a pedir-lhei 
indicasse d'aquelles e de outros quaesquer monumentos historicos e archeo- 
logicos, chamando-lhes a sua attencao para a conveniencia da conservaeao 
e restaura9ào d'esses monumentos. Respostas de algumas camaras manìci- 
paes onde se véem apontados muitos monumentos d'aqnelle genero. 

Patite Romana de Rubiàes, por M. J. Cunha Brandito. Com uma estampa. 
Cruzeiros notaveis ^continuagào), por Sousa Viterbo. Trata dos cnizeiros de 
S. SebastiSo em Cascaes e de MujSes. Com estampas. 

A Infanta I). Mana e o seu hospital da Luz, por Victor Ribeiro. A capells 
de N. S.* da Luz e a sepultura da Infanta. Com uma estampa e tran8crìp9ao 
de documentos. 

Azulejos (continuagàoj. Excerptos de varios autores. 
Idem, n.<» 10. — Extractos das respostas a circular dirigida pela Mesa da R. Assoc 
dos ArcJnt. Civis e Archeol. Portugueses às Camaras Mujiicipaes. Continna- 
9^0 do numero antecedente. 

Catalogo das moedas e medalhas do Mvseu do Carmo, por Arthur Lamas. 
Numas breves considera^des que precedem o catalogo reconhece o autor 
a pobreza da collec9So de moedas, embora nella haja algumas raras, e a falta 
de metbodo na organizacao da mesma, o qual póde ezplicar-se por ser col- 
lec9&o de um museu que tem as suas portas abertas ao pnblico e nao feita 
unicamente para os eruditos. Explica tambem a falta de moedas de ouro que 
figuraram numa succinta rélagào ha annos publicada, e apresenta uma lista 
dos offerentes. 

Archeologia do Theatro Portugués, por J. M. A. Nogueira. Conclnido do 
n.«»8. 

A Infanta D. Maria e o seu hospital da Luz, por Victor Ribeiro. Continua- 
9^0 do numero antecedente, com uma estampa e transcrip^&o de documentos- 
Idem, n.® 11. — Pelourinhos, cruzeiros e outros monumentos. Nova circolar com 
referencia à de 30 de Dezembro de 1905, dirigida pelo presidente da mesa 
da R. Assoc. dos Archit. Civis e Archeol. Portugueses às Camaras Munici- 
paes do pafs. Extracto das respostas de algumas camaras onde se conteem 
valiosas indica^des d'aquelles monumentos. 

Museus de S, Petershurgo (transcrip^So do Primeiro de Janeiro, n.*' 41 e 45 
de 1905). Resumida descri^ao dos museus do Eremiterio, Academia de Bdlas 
Artes, de Alexandre III, Zoologico e de Carruagens, por. José Augusto Correia. 



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O Archeologo Portugués 247 

Crvzeiroe notaveis, por Scusa Viterbo. Tratado cruzeiro de Rio Mouro, Cintra. 
Com urna estampa. 

Questionario Archeologico, por Borges de Figueiredo. Utilissimas indica- 
cdes que devem segnir os que se propoem estudar moDumentos archeologicos. 
Dividem-se em cinco classes : I. Monumentos megalithìcos. II. Templos anti- 
g08, igrejas, capellas; mosteiros, conrentos; castellos, torres: casas antigas; 
amphitheatros, theatros; banhos antigos; necropoles. III. Aqueductos, arcos; 
columnas, estatuas; tumulos; cruzeiros, padrSes, pelourinbos ; fontes, cister- 
nas; pontes, vias romaDas; minas, caminhos «ubierraneos. IV. Epigraphia. 
V. Numismatica. Traz tambera umas elucidativas explicacdes sobre o modo 
de tirar calcos de inscrip9Òe8. 

A Infanta D. Maria e o seu hospital da Lut, por Victor Ribeiro. (Conti- 
nua9So). As freiras da Luz e a adrainistra^io do hospital, com transcripcSo 
de documentOB. 

Catalogo das motdas e mtdalhas do Museu do Caiino, por Arthur Lamas. 
Continua^ao do numero antecedente. 
Idem, n." 12. — Pelourinhos, cruzeiros e outros monumentos. Extracto das respostas 
das Camaras Municipaes. (Continuatilo do numero antecedente). 

Cruzeiros notaveis (continuando), por Sousa Viterbo. Descreve o cruzeiro 
de Ranhollas; o de Valle de Milho; o da Esperan9a, na quinta do Saldanha; 
o do Parque da Pena; as cruzcs de S. Martinho e S. SebastiSo; o cruzeiro 
do Monte das AlvÌQaras, na quinta da Penha Verde; o do Ramalhao; e o de 
Collares ; todos em Cintra. Com estampas. 

Pelotcrìnho de Paredes de Conra, por M. J. Cunha Brandao. Com uma es- 
tampa. 

Catalogo das moedas e medalhas do Museu do Carmo, por Arthur Lamas. 
Continuacao do numero antecedente. 
Occidente, revìsta illastrada de Portugal e do estrangeiro, 30.« anno, 1907.— 
Extrac tos dos numeros de 10 de Janeiro e sqq. até 10 de Abril inclusive. 

A velha Lisboa (memorias de um bairro), por G. de Matos Sequeira. Numa 
serie de artigos occupa-se de: El-Rei D. Joao V e do fausto lithurgico. Erec- 
qSIo da Capella Real em Cathedral Metropolitana e Patriarchal. A Sé em 
S. Francisco da Cìdade. primeiro Patriarcha de Lisboa. Sua entrada so- 
lemne na capital. Construc9ilo de uma patriarchal no alto da Cotovia. Sua 
descricSo. Fogo posto na patriarchal. Novo incendio. Descoberta e condemna- 
cao do incendiario. A Patriarchal Queimada. — Succede à Patriarchal Quei- 
mada o Largo das Pedras. Erario Novo e o Marqués de Ponte do Lima. 
O Erario Regio na Patriarchal Queimada e o Marqués de Pombal. E deixada 
a constrnc^ìlo. mercado dos porcos na Patriarchal Queimada. Terraplana- 
gens do largo. A feira das Amoreiras. — Moinho de vento (agora chrismado 
em Rua de D. Pedro V). Arco do Avarista. O Alto do Longo. Episodio das 
lutas liberaes. A mae de agua. A feira da ladra e o mercado do fono na Pra^a 
da Alegria. — O Palacio Azul na Pra^a da Alegria. A carreira para Cintra. 
A casa do BarSo de Paulo Cordeiro. A Rua da Procissào do Corpo de Deus. 
A Praea das Flores. A rua dos Marcos (hoje de S. Mar9al). A casa do novi- 
ciado dos Padres Jesuitas, depois collegio dos Nobres e hoje Escola Polyte- 
chnica. Os Jesuitas em S. Roque. 

Gothieo no principio da monarcHiia, por José de Arriaga. Contesta o au- 
tor a opiniiio dominante (fundada em Raczynscki) de que o gothieo so appa- 



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248 O Archeologo Poetugués 

receu em Portugal com a Batalha, enti tempo de D. JoSo I. Para isso apresenta 
varios exemplos de monumentos eujo estilo arehitectonico classifica de — go- 
thico de transigilo,— construidos em tempos de D. AfFonso Henriqnes e 
D. Sancho I. 

ReatauroQào do pelourinho de Palmella. 

Monumenios de Portugal. Bosquejo historico da Igreja Matriz de Villa do 
Conde e sua rest^uraQào, por Mgr. Ferreira. 
Illustra^ào Portuguesa. — Edigào eemanai da empreea «0 Seculon. — (Extractos 
dos numeros de 7 de Janeiro a 29 de Abrii do presente anno de 1907. 

Como eram os Reis Magos. Com estampas em que sào reproduzidos baixo- 
relevos, pinturas a oleo, frescos e desenhos antigos. 

Os elegaides e as elegancias do sec. xix, em Portugal, por Julio Dantas. Com 
estampas. 

Monstniosidade que ri. Estudo sobre o bobo, acompanhado de estampas. 

A tortura e o combate a>o eervigo dajuati^a. Com estampas. 

A Iconographia funeraria em Portugal, por Manoel Monteiro. Com estam- 
pas, em que se representam e descrevem os tumulos do Infante D. Affonso, 
filho de D. Joiio f, na Sé de Braga, e o tumulo do arcebispo primaz D. Gon- 
zalo Pereira, em capella propria j unto da Sé de Braga. 

veneno, arma invisivel e mortai. Com estampas. 

A lenda comica e faìitastica do diàbo. Com estampas. 

Como viajavam e paseeavam os nossi*s avós, por J. D. Com estampas, em 
que se representam e descrevem : a cadeiriuha, a liteira, a vinaigrette, o co- 
che, a berlin'da, os carrìnhos de arruar^ o estufim, o carro triunfal, a carrua- 
gem de meiagala, a mala-posta e a sege de posta. 

Palacios, casiellos e solares de Portugal, por José Machado. Com estampas. 
Descreve a casa solar dos Pinheiros, em Barcellos. E o numero xiii d*esta 
serie de artigos, quasi todos devidos à penna do consciencìoso genealogista 
Dr. José Machado, ex-sccretario da camara de Braga. SSo verdadeiramente 
iuteressantes, nào so pela descricao dos velhos solares de famìlias nobres por- 
tuguesas, mas ainda pela noticia resumida que d*essas familias nos dào. 

A casa dos Duques de Cadaval, por Francisco Nogueira de Brito. Com 
estampas. 

A procissào dos fogareus (Braga arUiga), por Antero de Figueiredo. Des- 
cricao de um curiosissimo costume da velha cidade dos arcebispos. 

Almirante Ruiter e Portugal, por Cardoso de Bethencourt. 
Seróes, revista mensal illustrada. — Editada pela Livraria Ferreira, de Lisboa. 
Extracto dos numeros de Janeiro, Fevereiro, Marco e Abril de 1U07 : 

Evora antiga. Janelas dos sec. xvi e xvii, por A. F. Barata. Com es- 
tampas. 

Pelourinhos, por Manoel Monteiro. Descreve e apresenta em estampas os 
pelourinhos de Ponte da Barca, Freixo de Espada-a-Cinta, Villa de Bates 
(Povoa de Varzim), Suajo, Villa do Conde, RobordJos, Vi Ila Vicosa, Villa Nova 
de Fozcóa, Povoa de Varzim, Conto de Noure, Collares, Barcellos, Arcos de 
Valdevez, Ovelha do Marao, Bragan^a è Lisboa. 

Mouraria, por Victor Ribeiro. Com estampas. 

A inquisi^ào : n P.' Antonio Vieira julgado por ella, por Antonio Baiao. 
Com estampas. 

Alvaro de Azeiledo. 



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O Archeologo Portuoués 249 

O Archeologo Portuguós— 1907 
RegrUto blblloirraphlco das permutas 

(CoDtiDua^ào. Vid. o Areh. Pori., xii, 128) 

Bolleti de la Societat arqueológica Lnliana (Palma) 1905.— Janer: Folk-lore 
Saltar (Antoni Alcover), etc. Febrer, Mars, AbriI, Maìg, Juny, JulioI:i'arùi. 
Agost y Septeinbrc '^Jh-onces antiguos hcdlados en Maltorca (Bartolomé Ferra). 
Octubre, Noviembre, Desembre : varia. 
Boletin de la Sociedad Castellana de Excursiones, 1906, Enero.— Visitas y pa- 
seos porValladolid (Narciso A. A. Cortes), com gravuras de architectura e 
serralharia do sec. xvi. Postillo (Ant. de Nicolas), continua9uo. 

Febrero. — Arquittctura Christiana primitiva de Castilla (Agapito y Re- 
villa). Ptyttillo, contin. La Plazuela de Colon (Parga), com gravuras. 

Marzo. — Im antigtitdad (C. G. GarciayalJadolid).Tem duas estampaa 
com urna capella-mur de estìlo ogival, e com um portico flammejante, ambaa 
as pe9as da mesma igreja de S. Paulo em Valladolid. 

Abril. — Excursion à Bàìios de Cerrato y paseo por Valladolid (Henrique 
Keoyo). Com abundantes gravuras, das quaes destaco a da nave centrai da 
igreja de S. Paulo, acima mencionada e a da Nuesfra Setìora la Antigua, 
onde se ve urna torre romanica talvez de 5 piso9. Postillo, continuacelo. 

Mayo. — San Pedro de la Nave, iglesia visigoda (Gómez-Moreno). E a 
descricao minuciosa e erudita de urna igreja que o A. capitula do sec. vii 
e vili, acompanhando-a de boas photo;xravura8. £ um verdadeiro monumento 
està igreja rural, situada proximo de Zamora; mas inexplicavelmente ainda 
nìio é o que deve sor umonumento nacional». Està igreja, a sua ornamen- 
tacao e al^ados, conservam um ar verdadeiramente archaico. A sua robusta 
construcQao se deve existir ainda hoje, decerto. 

Junio. — Postillo, contin. Iax custodia y d aliar de piata de la Catedral 
de Palencia (D. Matia8Vielva).Traz ainda photogravuras da igreja de S. 
Pedro da Nave, que merecia ser fechada a sete chaves e guardada à vista 
por scntinellas ferozes: tal é o sobresalto de que um exemplar tao maravi- 
Ihosamente conscrvado possa vir a ser deturpado no futuro ! Merece um es- 
tudo ainda mais particularizado, com photographias minuciosas de todos os 
capiteis, das impostas, das cornijas, etc. Paseos por la procincia de Sala- 
manca (D. J. P. de Parga Mansilla) ; com gravuras de castellos medievaes. 

Julio. — Jtietablo de la iglesia de S. Pedro en la villa de Cisneros (D. J. 
Marte y Monsó). La ermita del Cristo (D. Dario Chicote). Postillo, contin. 
Este numero aiuda traz urna photogravura de capiteis de S. Pedro da Nave. 

Agosto. — S. Pedro de la Nave (D. Fr. Anton). De S, Pedro de la Nave 
(D. J. Agapito y Revilla). Postillo, contin. 

Septembrc. — Postillo, contin. 

Octubre. — Excavaciofiies en las Quintanas (F. Hernandez y Alejandro). 
Postillo, conclusao. 

Noviembre. — El acueducto de Segovia (D. F. Hernandez y Alejandro). 

Diciembre. — NSo tera materia archeologica. 
Boletin de la Real Academia de la Historìa. Mayo, 1905.— 2>. Gaspar de Qu»- 
roga (A. Uerrera). La Puerta del Osario en Cordoba (El conde de Cedillo). 
La Puerta de Sevilla en Carmona (El conde de Cedillo). Spain in America 



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250 O Archeologo Fortuoués 

by E. Gaylord (C. F. Duro). VEspagne à la fin du ni* nhcle avant. J. C 
(D. N. Feliciani). El eaballero de Olmedo y la Orden de Santiago (F. FiU) 
Eètudio epigrafico. Inscrip. rom. de Màlaga, punica de Villaricos y medietalde 
Barceloìia (F. Fita). Està ultima inscrip^ao constitue urna sin^alaridadt 
epigraphica, pois que, pertencendo ao bcc. x, os caracteres foram gravado- 
corno OS da boa epoca romaDa. 

Enero, 1906. — Santa Eulalia de Ahamia (Marqués de Monsalnd). E o 
parccer acérca de ser considerada monumento nacfonal està igTeja> qi>c foi a 
prìmeira jazida de Pelaio, mas de que o actual aspecto é romanico com nm 
timpano na portada principale o qual representa os diabos, sustentando aie 
caldeirao d'onde assoma uma cabe^a que dizem ser a de D. Opas. Dot 
lapidas visigodae (Fidel Fita); eruditamente suppridas nas muitas falhas prò- 
venientes do mau cstado das in8crip9ÒeB. A !.■ é um epitaphio de um nau- 
frago ou desterrado lavrado pela viuva com palavras de infinita temura: 
A 2.* é uma epigraphe commemorativa do spc. vi, na qaal se descreve o mo- 
numento anterior & re8taura9ào executada. 

Febrero. — Ancia» de plomo halladas en aguae del Cobo de Paloé (D. Ra- 
mon Laymond e D. Diego Jìmenez). Inscripdones griegas, latinas, hebreat 
(litoral del cabo de Palos, por D. Fidel Fita). Abrange o cstudo de aignmas 
das 400 ancoras de chumbo encontradas por motivo da ezploracao da es- 
ponja, do que o A. infere a importancia do movimento commercial nas eostas 
mediterraneas da Hespanha no sec. in, a. C. (Vid. Areh. Pori., xi, 382). 

Marzo. — fAxpidas hebreas y romanas (D. Fidel Fita). Una inscripcióu 
romana de lìadalona (D. Felix T. Amat). 

Abril. — Limi tee prob. de la conquista arabe en la Cordillera Pirenaici 
(D. Frane. Coderà); Inscripción hebrea de Barcelona (D. Fidel Fita). 

Mayo. — Monumento eubterraneo descoberto en la Necrópolis Carmonense 
(D. Adolfo F. Casanova). E uma cripta cavada na rocha, e formada de urna 
oamara centrai de pianta quasi circular, sobrepujada por uma copula subco- 
nica. Na pcripberia abrem-sc tres recessos de pianta trapezoidal, cujo tecto 
é curvo. Tinha restos de ornamentacao polychromica. A sua altura na vertical 
do centro é de 4" ,35 e o eixo maior da camara centrai de 4",15 e 7",60, abran- 
gendo duas absidcs fronteiras. Nenhum testemnnho se encontrou de destino 
funebre. O entulho accusava tres epocas: ante-romana, romana e medievica. 
Presume-se que o monumento data da epoca carthaginesa. Variedades: Be- 
cuerdo del Madrid Viejo (D. Frane. Vinals). Descrevem se umas galerias sub- 
terraneas onde se fizeram enterramentos e que parecem ter pertencido a uma 
antiga igreja. Noticias, em que se dà conta de um cemiterio descoberto em 
Malaga com sarcophagos e sepulturas enfileiradas e trapezoides, que contéoi 
alem dos esqueletos, vasilhame e objectos de bronze, um d'elles analogo no 
desenho ao de um anel oncontrado por Paula e Oliveira, se me nao enganot 
e que consta de uma estrella de oito raios. Por estes motivos creio que o cemi- 
terio sera visigotico, o que bem aconselharia todo o cuidado na explora^ao. 

Jimio. — Gli olcadi e gli andosini, due populi sconosciuti (Nicolas Feli- 
ciani). VascoSy iberos, moros e bereberes (D. Ricardo B. y Rozpide). E um 
summario da questuo conforme o livro do Sr. Pereira de Lima e uma com- 
munica^So feita à Sociedade Anthropologica de Paris pelo Sr. Atgier. Sdlo 
con inscripci&n arabe y fior de Lis (D. Fr. Coderà). De la paleographie wémi- 
4ique (D. Moise Schwab). Nuevas inscripciones (El Marqués de Monsalud). 



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O Archeologo Portugués 



251 



Julio, Septi ombre. — Los judioa espa^les y portvffueses en el siglo xvii 
(D. A. R. Villa). Antigua hasUica deElche (D. Fedro Ibarra Ruiz). Descu- 
brimientos arqueologicos eftctuados en la eiudad de Carmona (D. A. F. Casa- 
nova). Acompanham este artigo as phototypias do monumeDto mouolithico 
descrito no fasci culo de Maio e de daas estatuas carmonenses. Patrologia 
visigotica (P.« Fidel Fita). 

Octubre. — Epigrafia armentiense (D. Federico Baràibar). Abrange ins- 
crip^òes romanas, visigoticas e do sec. xii. La oftalmologia en tiempo de los 
romanos (D. Rodolfo del C y Quartillers; art. bibliogr. do P.« F. Fita). La 
puerta nueva de Bisagra (Toledo) es de origen arabe (D. M. C. y Montijano). 

Noviembre. — Nuevas inscripciones de Clnnia (D. Frane. Naval). 

Diciembre.— Nuevas inscripciones (P* F. Fita); Nuevos ijemplares de la 
escritura hemisf erica (P.« F. Fita). 
Cnlinra Espanola, i, 1906. 

II, Mayo. — Zo« Utreros ornamentales en la ceramica morisca espanola dd 
siglo XV (D. G. J. de Osma). Museu Ethnologico Portngués possue muitos 
fragmentos de ceramica arabica com ornamenta9&o de letras. La escuUura 
en Galicia (D. E. P. y Mouzó). 

Ili, Agosto. — Excursión à través del arco de herradura (M. Gómez-Moreno, 
M.). A. contesta a origem mu9ulmana do arco de ferradnra, e urna das suas 
reYela9des em tempos anteriores aos secs.vii eviii quer o A. encontrà-la em 
algamas estellas hispanico-romanas do sec. ii. arco d^estas lapides é pu- 
ramente ornamentai ; mas, para a sua interpreta^ao corno membro da estirpe 
dos arcos de ferradura, conveniente é tambem attentar numa lapide da re- 
gimo trasmontana, ha pouco recolhida no Museu Ethnologico, lapide em que 
as figuras circulares* que constituem o pretendido arco, nas dos museus de 
Madrid e Le&o, sSo eompletas e independentes, embora occupem a mesma 
posi^So relativamente ao rectangulo inferior, que serìam os pés-direitos ou 
umbraes do vào ou portico, que por aquella maneira parece figurado. Nao 
me parece, por este motivo, multo segura a interpretayào architectonica 
dada pelo 8r. Gomes Moreno aos curiosos ornatos das lapides hispanico- 
romanas, a que me estou referindo. desenho que nitidamente se ve na es- 
tella transmontana do nosso Museu é o seguinte, tres vezes repetido a par : 



O 



V 



lapidario, que gravou o arco da ornamentai lapide de L. Emilio e os tres 
desenhos da estella da mulher de Flavo, procederia intencionalmente e de- 
baixo da influencia de modelos architectonicos reaes ou por mero effeito de- 
corativo? A pedra a que tenho feito referencia é que me snggere està per- 



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252 O Archeologo Portuoués 



gunta. Da mesma regiSo trasmontana ha mais duas estellas no HuBeu 
EthDologico em que o motiyo oraamental assume està outra fórma: 



n\ 



A disposi^HO relativa de todas estas figuras é a mesma em todos os monu- 
mentoa. A lapide visigotica reproduzida pelo A. a p. 794 (fig. 5.*) existe 
hoje 110 nosso Museu, e por ella se póde averig^ar que a linha transTersal 
que unirla os capiteis pela parfe^superior, ufto eziste na pedra; as faixasdc 
riscos parali eIo8 uSto tem tra90 algum horizontal que as remate cu feche, 
a nSo ser restrictamente na parte que incide sobre os proprios capiteis. 
Està peqnena circunstancia nfto parcce ser ìAo favoravel & interpreta9So do 
Si*. Gomes-Moreno, comò se existisse a linha representada na gravura da 
bella publica9ao hespauhola. Figura-se-me apenas o carisma dentro de urna 
aureola interceptada pela inscrìp^So, do mesmo modo que nontras lapides o 
referido symbolo se encontra dentro de um circnlo perfeito. Alem d^esta, ha 
no Musea um fragmento de outra lapide visigotica a que parecc adaptar- 
se a mesma' explica9[iO, bem comò ha outras em que o arco é de semicìr- 
culo perfeito. P<5de ainda ver-se Arch. Port., v, 144, onde a estella de Deocena 
parece excluir a int-enyao de reproduzir um arco de ferradura. Com estas 
considera9Òes nSo pretendo enfraquecer a seductora these, propugnada com 
tanta competencia pelo Sr. Gomez-Moreno, mas apenas introduzir o rigor da 
ezactidao nos elementos de estudo colhidos por S. Ex.* e do mesmo genero 
dos que estio ao meu alcance no Museu Ethnologico. Damian Forment cn la 
catedral de lìarbastro (M. de Parco). /^a escuUura enGalicia (Elias T. y Monzó). 
Occupa-se das magnificas obras de talha dos córos da Galliza. 

IV, Noviembre. — Las excavacioneè de Niimancia (J. R. Melida). Curioso 
resumo do que tem sido encoutrado no locai d'este antigo oppido da Celti- 
beria, determinado pelo Sr. E. Saavedra no Cerro de la Muela. Como na 
lendaria cidade da collina de Hirsalik, tres civiliza9de8 ficam ahi sobrepostas. 
a prehistorica, a celtica ou preromana e a romana. As casas preromanas 
sjlo quadrangulares e nào circulares comò as dos nossos castros. As mós ro- 
tatorias jà ahi apparecem, o que nilo vem senSlo confirmar a opiniSo do Sr. 
Santos Rocha no Boletim da Sociedade Archeologica Santos Rocha, i, 4.* (1907)» 
e o que mais modestamente tambem escrevì no Archeologo Porlugués, viii, 
108. Isto ao lado dos trituradores primitivos e de armas de bronze e de ferro'. 
La moneda eti la edad de hronce (Ant.V. y Escudera). Com gravuras. 

V, Febrero, 1907. — Apuntes de geometria decorativa. Los mosarabtit (A. 
P. yVines). 

Boletin de la Gomisión provincial de monamentos hietoricos e artisticos de 
Orense, 1906. 



' Na conta bibliographica que a p. 1175 o Sr. J. P'Joau dado llvro Kumantia, por Adolf 
Scfaiilten, h^-se que a» habita^Ses eram quadrada^ ou clrcalarps, o que melhor se entende. con- 
•{dorando quo Numantia era um castro analogo, por er empio, i Citanìa de Britciroa. 



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O Archeologo Portugués 253 

Enero- Febrero. — Inacripción romana (M. Macias). Los caminos aniiguos 
y ti Itinerario n." 18 de Antonino en la prov. de Orense (M. D. Sanjarjo), em 
qae se estuda a situa^ào de Nemetobriga, os limites das Aèturia et Gallat 
eia, etc. 

Marzo- Abril. — La epigrafia latina en la prow de Orense (A.V. Na&ez) 
€f. Areh, Port,, xi, 9 a 12. 

Mayo-JaDÌo. — Iglesias romanicas (A.V. Nuiìez). SSo igrejas ruraes ana- 
logas As da margem esquerda do rio Minho; mesma epoca, mesma escola; 
duas photogravuras. 

Julio- Agosto. — I^os caminos atìfig. yel ItinerariOj ètc, coni. (M. D. 
Sanjuijo). 

Sep ti ambre -Octobre. — I^s caminos antig. y et Itinerario, etc, cont 
(M. D. Sanjurjo); com magnifica carta do tra^ado da via romana, situarlo 
das mansioneSf etc. Neste artigo se de&creve a grandiosidade da explora9Eo 
aurifera, no tempo dos Romanos, de Las Medulns, provincia de LeSo. 

Noviembre-Diciembre. — Productos de la metalurgia galega en tiempos 
remotos (J. Villamil y Castro). Occupa-se do torques de ouro. A coUec^So 
que hoje possne o Museu Ethnologico Portagués, tanto em collares comò em 
braceletes, é muito importante tambem. Nào està porém ainda esposta, por- 
que ouro antigo n&o suggestiona so os archeologos. Nvevo milliario del 
Bierzo (M. G. Moreno M.). Pertonce a via de Astorga a Braga. Los caminos 
aniig., etc. (appendice). 
Bevista de Estremadnra, 1906. — Estudos de interesse archeologico encontramo- 
los no fase, de Abril : ReseM hisi. de Aldeanuera del Camino (M. S. Recio). 
com noticias de uma via romana, urna epigraphe funeraria, etc. 

MbjOì — La falsa Ambracia Vettona (Ved Persa). 

Agosto. — Tvrmulus. Antig. descub. y otros ya conocidas (J. S. y Michel). 
Noticia muito variada, em que se falla de sepulturas, de uma curiosa lapide 
romana encimada por uma verdadeira cruz (Cf Arch. Port., ix, 74), de uma 
tegula epigraphica com nomes ethnicos^ de castros, de um pingente lunar de 
broDze, etc. 

Septiembre. — Nuevas inscHptiones ronianas de la región Norhense (M. R. 
de Luna), em que parece ver-se outra lapide com um emblema cruciforme. 

Octubre. — Notas arqueologicas (M. R. de Luna). Noticia de varias cita- 
iiias da Estrem adura hespanhola. A proposito do vocabolo Anta, bom é re- 
cordar que este é o termo perfeitamente portugués e corrente na linguagem 
popular com que se design am entro nós os dolmens, com as suas fórmas de 
Anta, Antella e Antinha, sobre o que se póde ver o Elucidario de Fr. J. de 
Santa Rosa de Viterbo e os estudos de Martins Sarmento nai^ei;. de Guima- 
ràes, na Bev. de Sciencias Naturaes e Sociaes, e nas Beligiòes da Lusitania, 
do Sr. director d*esta publicaeao. Nuevos hallazgos en Turmulns (J. Sanguino 
y Michel). Estellas curiosas, etc. 
Hevista de la Asociación artìstico-arqneologica Barcelonesa, 1906. 

Enero-Marzo. — La ex-collegiata de S. Felix de Gerona (E. Gr. Hurtebize). 
Malaca — Descuhrimientos de la Alcaòaza (M. B. de Berlanga). Descrevem- 
se antigualhas encontradas ao der rubar- se parte das muralhas de Malaga 
noe fìns de 1904. Romanas eram algumas, corno as inscrip9Òes e columnas 
mutiladas; numerosas piscinas, que o A. classifica de phenicias, para a pre- 
paratilo da purpura. Os restos ceramicos tambem capitulados de preromanos 



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254 O Archeologo Portogués 

pelo A. parecem-se tanto, salvo melhor juizO; com umas lacema« de longo 
bico e algUDs fragmentos ricamente ornamentadoB e esmaltados qoe no Ma- 
seu Ethnologico estSo classificados de arabicos, que duyidei de attribaiclo 
tao antìga. Nào obstante, Deste estudo, o A. revela um vasto 'Conhecimenta 
dos textos due geographos e historiadores aotigos, e estribando-se nelles, 
contesta a existencia de ama arte propriamente iberica (pp. 80 e 81), repu- 
tando incapazes de poasuirem povos selvagens, corno os iberoa, com ezcep^lo 
de turdetanos. 

Abril-Junio. — McUaca (coni). Hcdlazgos arqiieoL en Almargtn (N. D. 
de Escovar). Descreve-se um cemiterio de covaes e sarcophagos trapezoides 
que^ por isso e pelos achados, se poderà considerar visìgodo. De a^radeeer 
seria que o A. publicasse um relatorio circunstanciado e acompanhado de 
photogravuras do espolio ; isto contribuirla para se chamar a atte]i9ào dos 
archeologos para este genero de antiguidades medievicas. 

Julio-Septiembre. — Malaca (cont). Aniiguas ettatuas de bronce haUadas 
en Mallorca (Bart. Ferra). 

Octubre-Diciembre. — McUaca (final). A. avan9a galhardamente com 
a sua erudi^ào literaria contra a moderna corrente de Iberolairia, procla- 
mando que OS iberos eram incapazes de esculpir o busto de Elche. Malaca: 
ultimos descubrimientos de la Alcazaba (M. R. de Berlanga). HierroM artùiieos: 
aldabonea valeticianos de los siglos xv e xvi (L.P. Blasco). 
Revista de Archivos, Bibliotecas y Museus, 1906. Enero : varia. Febrero, Marzo: 
varia. AbriI, Mayo: Monedas depraia y devellon caslellanas (N. Sentenach). 
Segundo o A., houv« abundante cunhagem de moeda de prata visigoda (o «o- 
lidus argenteua de S. Isidoro e do Fuero Juzgo) ; da reconquista é que nào 
ha noticia de que os reis christSos a emittissem. Leyendas del uUimo reygodo, 
cout. (J. M. Fidai). Este ariigo é illustrado com urna photogravura da igreja 
de S. Miguel de Fetal, em Viseu, e do sarcopbago onde urna tradÌ92o erudita 
colloca OS restos de D. Rodrigo. 

Junio. — Apuntes para el est. de las inatit. Jttr, de la Iglesia de Espaha 
deade el siglo viii al xi (F. Gr. del Campillo). Noi. hist. de la H. Divisa é igl. 
de S. Maria de la Piscina (N. Hergueta). Refere-se a algumas igrejas roma, 
nicas. Com boas estampas. 

Julio- Agosto. — Xotas sobre un incunable espaliol desconocido. . . (J. Col- 
1^'n). Refere-se tambem a incunàbulos portugueses. Grafitos antigitos dd eas- 
tillo de Alcalà de Guadaira (C. S. Arizmendi). Apuntes, eie. (conclusSo). 

Septiembre-Octubre. — De arte mahometana: Las muraUas de Niebla 
(R. Amador de los Rios). Leyendas, etc: la tradición legendaria en Porlugal 
(J. M. Pidal). Epigrafia catalana de la Edad media (A. E. de Molins). 

Noviembre-Diciembre. — Epigrafia catal^nay etc. (A. E. de Molina). La 
miniatura en los documentos de car. admin, herald., eie. (A. P. y M.). Epigra- 
fia hisp'.-maJiom. (R. A. de los Rios). Adiciones al est. sabre un incunable esp. 
(J. Collijn). 
Reyne dea £tades ancienaes: n.«> 4. 

Octobre-Décembre, 1905.— Porte/ai» sur un vase d'epoque helUnistique 
(P. Graindor). Lespremilres explorations phocéennes dans la Mediierranée occi- 
dentale (M. Clerc). Les aPuniques» et la ^Thebaide» (L. Legras). i> i>ì«* 
gaidois au sac (G. Gassies). Les Celtes chez Herodote (C. JuUian). ChnmiqM 
gallo-romaine, em que se tocam muitos casos instructivos e variados; refere- 



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O Archeologo Pobtugdés 255 

se tambem às BdUfiòea da LusUania, voi. ii, e Às Fihìdas do Xoroeste da Pt- 
fnfimlcL, do Sr. Dr. J. Fortes. 

Janvier-Mars, 1906. — Alem de outros estudos, contém urna nota de C. 
Jallian sobre o termo òn^a.em resposta ao Sr. Director da nossa re vista. 
erudito professor da Escola de Bordeus nào quer a celticidade de briga, mas 
a precelticidade, porventiira o ligurismo. £ urna disputa entre homens de 
Bciencia nama altitude a que nSo póde chegar o redactor d'ostas noticias bi- 
bliographicas. O Sr. Dottin cliega a dizer que outra questao é saber se éòWca 
oa briga, Nao me recordo onde li que os romanos diziam briga onde os AA. 
gregos tinham brica. Como se pronunciarla na Hispania? Parece que a phi- 
lologia terà de ser chamada é. autoria. Um argumento que pesa a nós-outros 
superficiaes do assunto 6 o de C. JuUian quando allega que ha toponimicos 
em briga em regiues onde se nio falla de Celtas nem de Celtiberos, corno na 
Cantabria. Aqui briga apparece associado a nomes latinos. Entre outros fun- 
damentos allega o illustre escritor que os nomes em briga sSo extremamente 
raros na Gallia. Aguar demos a yoz do A. das Bdigiòta da Lusitania. Note tur 
Its déesses-mhres (G. Gassies). Antiquités du MuUt de Sault (Am. d'Agoel). 
Chronique gaUo-ronhaine; entre outros : Cadavrea percéa de clous, carta de M. 
Déchelette. Eolithes, Lea poteries ibériques de Narbonne. I^s druides^ etc, 

Avril- Juin. — Alem de outros : Notes gaUo-romaines. IStradonitz et la Thìie, 
etc. (C. JuUian). L'astrologie chez les gallo-romains (H. de la V. de Mirmont). 
Chronique gallo-romaine: Baaques et Ibères. La question des poteries ibériques 
{... En tout casy fai peur que le mot de myeénieti ne nous égare terriblemeni 
sur la date. . .). Enceinies gallo-romaines ; dilFeren^as entre muralbas do sec. i 
e do sec. ui etc. (C. JuUian). 

Juillet-Septembre. — Bas reliefs votifs d' Asie Mineure (E. Micbon). Notes- 
galUh-romaines : Survivances géographiques. C. -JuUian occupa-se em especial 
dos toponimicos que lembram o dominio dos Ligures. (Um facto curioso de 
sobrevivencia geographica é o estudado pelo Sr. Director da nossa revista 
acérca dos Grovit) . Deux slaiuettes galh-romaines. La chute du del sur les Gau- 
ìoiSf era a unica cousa que elles temiam; no Minho (Valdevez) diz-se de 
qualquer grande estrondo : É algum pedalo de ceu velho (que cae) ! Monumetits 
gcdlo-romains. Steles du pays cantabriques (silo tambem vulgares na lapidaria 
Insit-rom. as estrellas de seis raios). Autel représentant un arbre. Chronique 
gallo-romaine : Les fouilles d'Alesia, Martins Sarmento, Appareil gallo-romain, 
Poteries ibériques, Ligures et Iberes, etc. 

Octobre-Décembre. — Notes gallo-rom. Statuette g.-rom, de Minerve. Un 
dispater inédit. Véd. princeps d'Avienus. Chroti. g.-rom. : Toponym. ligure^ La 
langue basque, Alesia; Le castrum romain de Yverdon (antigamente Eburodu- 
«icm), etc. 
Notes d'Art et d'Archeologie, 1906. — Dos n.°' 1 a 5 destaca-se a noticia acérca 
de Les Tapisseries du Cardinal Wolsey, uma das quaes pertence hoje ao te- 
souro da catedral de Sens. E um extraordinario tapete com 7",55X3'»,35^ 
onde se represeutaram scenas biblicas e que deve ter side tecido emTour- 
nay ou BruzeUas. Pertence à categoria dos chamados Panos de Ras, a que 
em Italia se chama arazzo, cardeal nasceu em 1471 e morreu em 1530. 
A noticia é acompanhada de uma illustra^ào lithographica (E. Chartrain 
e E. Muntz). 

N.»» 6 e 8 : varia. 



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256 O Archeologo Portuqdés 

N." 7: crros de pftgina^So; eÌ8 a serie: 145 a 148; 158 a 156; outravez: 
153 a 160; 157 a 160; 165 a 168. Àpresentamos a nosea reclama^ao. ' 

N.° 9: Sculptures anciennes à Anvers (sec. xv) (J. de BoBSchère). 

N.^ 10 (Décembrc) : Du setUiment rélig. éans les leuvrea de VarchiUdnrt 
(L. A. de Lassus). 
L'Ami dea Monumeiiis et dea ArU, nS* 107. — Entreoutros: La Bibliotheque pubi 
deTimgad (Ballii). SAo opuleotas rtiinas de uina biblioteca de 26 metros de 
comprìdo coDstruida à custa de udì rìco donatario na Africa romana. Tal ma- 
. gnificencia numa obra de instruc^ao, com vinte seculos de distancia de noe, 
qac nos embandciramos corno detentores privìlegiados das luzes dos secs. xix 
e XX, e edificada numa cidado africana, é um facto digno de recolhida raeditacào 
e desengano. Em um artigo immediato, Ch. Normand, refere a par d'està, a 
de Epheso, a da acropole de Pergamo e a do portico de Adriano em Athenas. 
Respeitemos a antiguidade com a conscieucia dos nossos mesquinhos pro- 
gressos e sejamos-lho agradecidos. Ij€» clous de bronze du Panthéon de Home, 
{CB,yìu»). Le premier Congrhs Iiitem. d*Arcfiéol. tenu à Athhnee (Ch. Normand). 
L'église de Monfort-L^Amaury (pbotogr.). 

N.« ÌQS.—Les fouilles deTimgad (A. Ballu). Bellas pbotograpbias. Z^e 
premier congrhs archéoì., eie. 

N.*' 109. — Uhistoire du Perigord préhistor. (E. VLWìkTé).L'aneieime égliée 
Saint'Xazaire (Perrault-Dabot). Com urna pia de agua benta do sec. xii. 
La représentation d'Antigone au premier Congr. Arch. iCb. Normand). 

N.»' 110-111 —Tempie aììtiqne dit d:Avgìtste et de Livie à Vienne (Ch. 
Normand). Pian de V AmpìiilMatre de Xeris^ d'aprèsTudot Commun,/. au Cong. 
d'Atììhnes sur la reconstr. du trésor dea Athéniens à Delphea (Homolle). Pé- 
riple aux villes antiques (Ch. Normand). 

N.® 112. — Jjes primitifs francai» et lettre signatnres (F. de Mély). SSo as 
aBsinaturas de cscultoree, archi toctos, ourives e cinzeladoros da mcia idade: 
artigo jà comocado no fase. 107. Tem urna bolla portada romanica com ferra- 
gens; uma caracteristica cruz com o Cruci Scado vesti do, etc. 

N." 113. — Timgad, mosaique d'une maieon. Restaurer oh réparer la eathé- 
drale de Progne (C'« Fr. de Sch()nborn). Les primitffs fran^ais (F. de Mélyl. 
Vé-so que nao é so de filhos da Gallia quo se trata; entro outras pbotogra- 
vuras vem a do calix do thesouro da Sé Conimbricense, obra lavrada por Creda 
Menendiz; a de um architecto sobre uma im])osta; a de um eutalhador do 
sec. XII numa porta de madeiia, ctc. i? a d 

Monatsblatt der numismatischen Gesellschaft in Wien; 1901. P. 161, Reflexòes 
de Ernst acérca da resolucao tomada em 1880 na reuniao dos Numismatici^ 
AUemaes em Leipzig, de quo por direìta e esqnerda, na descrip9ao de uma 
mooda, se dove cutondor o lado direito e o csquerdo da propria moeda e nao 
08 do observador. — P. 171, ^ Nttmisìnatica na Austria duratile o sec. xix, por 
Ernst (a proposito cita-se uma confcrencia do Dr. Riggtiauor sobrc o pro- 
gresso que a Numismatica o as collec^òos uumismaticas, em rela9ao à anti- 
guidade e ti idadc-modia, tiveram no soc. xix em todos os paises). O. A. 
divide o seu trabalho em duas sec^òes: 1) Liitoratura numismatica; 2) Col- 
lecQÒcs. — P. 245, Novas falsificaqòes de moedas do imperador romano Clau- 
dio TI, por Markl. 

J. L. DE V. 



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^OL. XII SETEMBRO A DEZEMBRO 1907 N." 9 A 12 



ARCHEOLOGO 




COLLECQiO ILLUSTRADi DE HATERIAES E NOTICIAS 



PUBLIOAUA PELO 



MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÉS 



I 

2 




33 



Veterum volvens monumenta virorum 



LISBOA 
lUPKEKSA NACIONAL 

1907 



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O Castro de Sacoias: 257. 

moeda inedita de 2 cruzados de 1646: 271. 

Estela sepulcral arcaica do Alto-Minho: 275. 

O CouTo E MosTEiRO DE Vairao: 281. 

Medalha commemorativa do casamento do Infante D. Jole. 

DEPOIS D. JoaO vi, COM D. CaRLOTA JOAQCINA DE BOURBON. 

E DO DA Infanta portuguesa D. Mariana Victoria com D. Ga- 
briel DE Hespanha: 289. 

Antigualhas trasmontanas: 307. 

O C4STELL0 DE Braga em 1642: 310. 

A SORTE DOS QUESTIONARIOS ARCHEOLOGICOS : 313. 
O VINTEM DE ìPhILIPPVS I», ReI DE PORTUGAL: 317. 
ESTA^OES PREHISTOUICAS DOS ARREDORES DE SeTUBAL: 320. 
EXPLOITATION SOUTERRAINE DU 8ILEX À CaMPOLIDE, ACX TEMPS 

néolithiques: 338. 
A0QUI8190ES DO Museu Ethnologico Portuqués: 342. 

PROTEC9AO DADA PELOS GOVERNOS, CORPORA9OES OFFICLAES E InS- 

titutos scientificos a Archeologia: 350. 

NOTfciA ARCnEOLOGlCA: 352. 

Catalogo dos pergabiinhos existentes no archivo da Insigne 

E ReAL CoLLEGIADA de GUIMARAES: 355. 

Necrologia: 362. 

Sepultura romana: 367. 

Onomastico medieval portcgués: 368. 

Bibliographia: 375. 

Registo bibliographico das pehmdtas: 383. 



Este fasciculo vae illastrado com 51 estampas. 



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ARCHEOLOGO P0RTUGUÉ8 

EDIC^O E PROPRIEDADE DO 

MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS 



«INSTO E IIPIESSO U IIPB8SSA MGiOSAL DE LiSMA 



i 



VOL. XII SETEMBRO A DEZEMBRO DE 1907 N.»* 9 A 12 



Oastro de Saooias 

Ao oriente de Bragaii9a, de onde dista 10 kilometros, em terreno 
levemente dedivoso, voltado ao nascente, entre duas linhas de agna 
apenas vivas na estay^ das chuvas, af&uentes do pequeno ribeiro de 
Igrejas, que Ihe corre a 1 kiiometro de distancia e desagua no Sabor 
em Gimonde, està situada a povoa^So de Sacoias com os seus quarenta 
e cinco fogos, annexa da freguesia de Ba9al, e nSo da de Meixedo, 
corno traz o Portugal Antigo e Modello. 

Antes do actual arredondamento das fregnesias, decretado pelo sys- 
tema constitucional; o seu parocho, com o titulo de «cara», era da apre* 
senta9lo do abbade de Meixedo; mas nem sempre assim foi, porque 
das Inquirigdes consta serem os moradores de Sacoias os que o apre- 
sentavam: «Villa de Soqaoìs est foraria domini regis et ecclesia ipsius 
villa stat in hereditate foraria. . • Et homines de ipsa villa qui sunt 
forarij domini regis abbadant ipsam Ecclesiam qui sic habent de con- 
suetudine ^i. 

O Portugal Antigo e Moderno, gniado pelo Portugal Sacro-Profano, 
diz que o cura de Sacoias em 1757 tinha 74KXX) réis de congrua e o 
pé de altar^ mas este arbitramento foi posteriormente alterado, comò 
se ve por uma senteuQa dada em Braganca, a 29 de Junho de 1799) 
pelo Vigario Goral e Juiz dos Residuos e Casamentos, Dr. Gaetano 
José Saraiva, abbade reservatario de Montouto, transcrita nos livros 
do archivo d'està freguesia. 



* Inquìsitiones de D. Affonso III, livro ii. Livro das InquirÌ9Òcs da Bcira 
e Alem-Doaro mandadaa tirar por el-rei D. Diiiis cm 1290i 

17 



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258 O Archeologo Portugués 

Segundo essa sentenza os curas de SacoiaSjVarge e Avelleda, tor 
dos da apresenta$ao do abbade de Meixedo, foram alfim, depois de 
muitas reclama98e8, attendidos na sua pretensSo de aumento de con- 
grua, que subiu para cada um a lO^iOOO réis em dinheiro, 36 alqueires 
de p&o e 4 Vs ftlcoudes de vinho, paga urna ter^a pela Real Capella 
de Villa Vifosa e as outras duas pelo abbade de Meixedo. 

NSLo devem ter razSlo os que derivam o etymo de Sacoias de saco 
ou saque ^, pois^ ao que entendo, deve provir, corno o de tantas outras 
povoa93es d'estes sitios, do nome arabe proprio de homem Zacoi ou 
Zacoy, vulgar no sec, x*. DamiSo de Goes'' menciona um xeque de 
Mogambique com o nome de ^acoeia, que visitou Vasco da Gama quando 
ia ao descobrimento da India. Tambem o onomastico locai dà algo que 
rescende a arabe, comò Xara e BabSto, sitios do seu termo*. 

Hacoias que tao nobiiitarios pèrgaminhos archeologicos conta em 
sua cellula-mSe, o castro romano de que abaixo fallaremos, contiuuou 
ùnda durante mnitos annos de monarchia portuguesa a ostentar do- 
eumentos dà sua importancia. 

Aèsim numa casa particular encontrei urna bulla de pergamiinlio. 
dada em Roma aos 22 de Junho de 1563, que permittia erigir urna 
eonfraria do Santissimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Christo na igreja 
de S. SebastiSo do legar de Caquoia» ou Quojucmw^ que com està va- 
riedade de graphia o menciona. 

É de saber que hoje nXo ha memoria de tal eonfraria nem igreja; 
presumo que està fioaria no meio do povò, no sitio onde esti agora 
tanque de cantarla e fonte de arco, obras feitas em 1898 a expensas 
do povo, que conduziu a agua de urna distancia de 400 metros por 
canaliza9&o de chumbo, agora em via de substituÌ9fto por outra de ferro 
sinoado, por causa do irregular funccionamento d'aquelia. Pois nesse 
sitio appareceu grande quantidade de ossos humanos, de cuja inhama- 
9SU) nào havia memoria, e nelle existia uma cruz de madeira; corno 
é safoido, OS canones mandam levantar esses symboios nos logares das 
igrejas e capellas arrasadas. 

Està igreja de S. Sebastifto seria a que depois um docum«ito da 
Camara Municipal de Bragan9a chama cdo Santissimo Sacramentoi, 
talves do nome da eonfraria nella erecta. Este documento é de Agosto 



^ José Henriques Pinheiro, Eatudo da estrada militar romana de Braga a Ai 
torgaj p. 72. 

« Port Man. Hiet, documentos 40, 113, 290. * 

^ Chronica de D. Mano^ parte i, cap. zzxvu. 

4 Fr. Joào da Crui, Vetiigioa da lingua arabica em Portugal. 



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AROHEÓLOCIO POBTUQUÉè 259 

de 1697, e contém o registo do diploma de um manpoateiro' tLomé&ào 
para essa igreja *. 

Tambem na mesma camara se enoontra registado o seguintd al vari: 
«Eu princepe corno regente e governador dos Reinos de Portogal 
e AlgarVes. FaQO saber aos qne este Alvarà virem que havendo fes* 
peito ao que por sua petigfto me representaram os moradores do legar 
de Saooias termo da cidade de Braganga pedindo-me Ihe concedesse 
Hcenga para se fazer livremente feira naquelle legar no dia que se ce- 
lebra a festa no dia de Kossa Senhora da AssumpgSo em 16 dias do 
mez de Agosto aonde havia grande concurso de gente assim deste reino 
corno de Castella e Galliza pelos mnitos milagres que a Senhora tem 

feìto e de continuo faz é visto o que ellegam bei por berne me 

praz qne possaiti fazer feira semente no dia de Nossa Senhora da 

Assumpgfto Lisboa 6 de Margo de 1669»'. 

Quanto aos milagres, ainda hoje entro os Saooienses vigora firme 
a crenga de que nos partos laboriosos o manto da Yirgem da Assum- 
p;lo langado por cima das parturientes é de effeitos rapidos, crehga 
que porém tem diversas ramificagSes ethnioas e origem pre-christ9. 
A feira caiu em desuso; hoje nSo ha memoria d'ella, embora a festa 
da padroeira seja muito concorrida ainda no seu dia, a 15 de Agosto* 
A lenda refenda por Pinho Leal relativa a iocarem-se espontanea* 
mente os sinos da igreja de Sacoias no 1.^' de Dezembro de 1640, 
ainda que hajamos de a despojar de teda a sua importancia miraculosa^, 
mostra pelo menos o enthusiasmo patriotico com que està boa gente 
acolheu aquelle fausto aconteoimento. 

Ao norte, e a 600 metros do povo de Sacoias, eleva-se o seu castro, 
assaz conhecìdo na litteratura archeologica^ e por isso nos dispensa 
descri(&o especial. Aos objectos archeologicos referentes a este castro 
e constantes dos logares citadòs, vamos agora juntar mais alguns. 



^ Megiéto Maior da Camara de Bragan9a, n.« 1, £. 167. 

* Regièto da Camara de Braganya, fl. 4 i?. 

' Vid. Fr. Benito Feijó, Suplemento de el Theairo Ci-itico, Madrid 1746, t. w, 
p. 200, onde se apontam fàctos identicos, que a judiciosa critica do sabio bene- 
dì tino repulson para ò pafs das lendas. 

* Bevista Archeologica e Historica, 1887, p. 92; Hevista de Gutmaràes, 1889, v, 
p- 88; José Henriques Pinheiro, Eetudo da estrada romaria de Braga a Astorga, 
pp. 68 a 72 (as tres lapidea ahi apontadas, e descritas depois por HUbner, Supple- 
mentum 7 H. L., n.°» 903, 5619 e 5420, foram por mim indicadas a Pinheiro e por 
meu intermedio estao hoje no Museu de Bragan9a); Albino dos Santos Pereira 
Lopo, Draganga e Banqueren^, p. 54; Arch. Pori., i, 313; nr, 47 e 165 e v, 79; 
J. Leite de Yasconcellos, ReligukB da Limtania, ii, 65 e 831. 



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260 O Archeologo Pobtugués 

Muitas vezes, ao ficar-me longas horas a scismar sobre o passado 
d'aqiiellas ruinas, a reconstituir na mente a vida do povo late rex que 
alli deixou tSo abundantes vestigios, tinha sentido a falla de algiun 
symbolo notavel do calto catholieo qne as santificasse, e mais de urna 
vez na catechese aos meus parochianos de Sacoias os tinha exhortado 
a levantarem, ao menos, urna modesta capella naquelle locai venerayel 
pelos vestigios e tradÌ95es dos seus maiores, sempre pensando commigo 
que a christS que jà alli existira se teria assentado orgulhosa, vence- 
dora, sobre o fanum proscrito, comò é sabido, certo que algo de im- 
portante devia encontrar, comò me succedei! neutra no termo de Tra- 
vancas, concelho de Chaves, quando nos annos que fui parocho em 
Mairos (1890-1896) consegui que o povo levantasse, numas ruinas cheias 
de poeticas lendas e tradì^Ses, a capellazinha do Senhor dos Afflictos, 
desde lego muito venerada e concorrida de romeiros no dia da sua 
festa; tanto revive atavicamente no povo o sentimento dos loca sacra! 
Ahi, por essa occasi&o, nas ezcava^Ses encontrei varias reliquias da 
civiliza9So romana que brevemwite descreverei. 

Em 1904, ao ler e explicar aos Sacoienses a notavel Exhortagào 
Posterai sobre o Jubìleu da Definigào do Dogma da Conceifoo Imma- 
culada da Virgem Santissima, do egregio Bispo de Bragan9a, D. José 
Alves de Mariz, relembrei-lhes o que tantas vezes tinha dito, animei-os 
a commemorarem aquelle fausto acontecimento no mundo catholieo com 
a erec$ào de um tempio à Virgem. Foram alfim attendidas as minhas 
pretensSes, e para lego o povo se deitou a trabalhar, carreando mate- 
riaes, abrindo vallas no lombeiro do Castro: o tempio foi constraido, 
a sua inaugurando solemne fez-se a 4 de Junho de 1905, e com t^inta 
sorte se andou que, sem haver noticia precisa do locai onde fora o pri- 
mitivo jà christào, talvez constraido sobre as ruinas do antigo pagao 
que alli deve ter ezistido, fomos coUoci-lo mesmo em cima d'elle, pois 
descobrimos os seus alicerces muito abaizo da superficie do terreno 
que andava entregue à cultura cerealifera. 

Estes alicerces deviam pertencer àquella igreja de que fala Pìnho 
Leal*, que diz, baseado na tradinSo, ser antiquissi ma, 'ascendendo a 
sua construcgSo aos Godos, e seudo depois convertida em mesquita 
mourisca, pois a mesma traditilo refere qne a matriz actual, situada no 
meio do povo, foi construidà bavera dois seculos, com os materìaes da 
do Castro. E a capella onde, segundo o mesmo autor, situada no povo, 
se conservava o Santissimo, seria a de S. Sebastiào, jà mencionada. 



^ Portttffal Antigo e Moderno, artigo «Bacoiasa 



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O ARCHKÓLOaO POUTUGUÉS 



261 



É porém de saber que a matrìz actual nada contém que nos fa9a 
ascender a tao alta antiguidade. Apenas apresenta com taes oa quaes 
visos de notabilìdade arcfaitetonica o portai e o frontispicio : este é todo 
de granito lavrado, assente à fiada, e aquelle de verga ou padieira di- 
reità, assentada horizontalmente sobre as hombreiras desprovidas de 
qualquer ornato, bem comò a verga que està protegìda ou enoaixada 
numa especie de arco tSo abatido que pareoe mesmo horizontal, apenas 
ao longo do friso corre um ornato em grosso zigue-zague. Ladeiam o 
portai (vid. Hg. 1.*) quatro columnas de granito, duas de cada lado, 
retorcidas em seis espiraes, encimadas por uns capiteis que arremedam 
OS corinthios apenas nas grandes 
volutas, mas nSo tem as outras 
que tanto embellezam està or- 
dem architetonica, nem os ren- 
ques das folhas de acantho e 
respectivos cauliculos, nem o flo- 
rào, ou melhor, tem um ornato 
a pretender substitui-Io, que é 
uma copia das grandes volutas 
dos angulos. O abaco é omado 
por dois filetes. Os capiteis as- 
sentam directamente sobre os 
fostes desprovidos de colarete, 
que Ihes dà um aspeoto aca- 
chapado pouoo agradavel. Para 
fazerem concordar os capiteis de 
configuràjSo rectangular com o 
cylindrico das columnas, chanfra- 
ram-os junto à base, que adelga- 
jaram convenientemente, cobrin- 

do-a de caneluras. Encima tudo isto um largo frontSo em semicirculo^ 
aberto ao alto, no meio do qual um nicho, em fórma de concha, con- 
tém a imagem de pedra da padroeira, N. S. da ÀssumpgSo. Na verga 
d'este portai lé-se: AN 1668 NOS que seria quando se levantou a 
i^ja com 08 materiaes da do Casfro, corno refere a tradÌ9&o; depois, 
talvez para indicar obra posterior, abriram sobre o segundo algarismo 
um 7 e sobre os seguintes respectivamente 9 e 1, que dà 1791. Tam- 
bem nas costas do retabulo do altar-mór, atràs do camarim da pa- 
droeira, ha este letreiro: 




Flg. l.*~ Frontispicio da igreja do Sacoias (1905) 



SENDO ABADE O Rd. FRANCISCO GIL ANNO 1724. 



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262 O Aecheoloqo Pobtuoués 

Este ahbade nSlo o foi propriamente de Sacoias, mas sim de Moi- 
xedo, a cuja freguesia pertencia o padroado d'aquella, e por isso era 
obrìgado is obras da capella-mór. D'elle se lembram os nossos diccio- 
narieitas bio-bibliograpbicos sem indicarem o dia e anno da sua morte, 
qua teve logar a 17 de outubro de 1739, corno se le uà sua campa n« 
capella-mór da matris de Meixedo e respectivo assento de obito nos 
livros do registo parochial, e até protrabindo o anno em que tomou 
posse da freguesia, que coUocam em 1730^, pois desde 1717 por deante 
consta nos livros do archivo parochial de Meixedo, a sua existencia 
corno parocho. Cumpre-me aqui agradecer ao muito illustrado Manoel 
Antonio Rodrigues, actual abbade de Meixedo, a boa vontade com 
que me facilitou nos respectivos livros do archivo da sua igreja estas 
investigagSes, que auxiliou com o seu multo saber e zelo inexcedivel 
por estas cousas* 

À igreja tem ainda comò digno de men^So o re tabulo do altar-mór, 
de alto relevo, de madeira: consta de quatro columnas, duas de cada 
lado, retorcidas, carregadas de folhagem de videira com uvas e aves 
depenicando nellas. Por cima d'este corpo de construcg&o quis-se sobre- 
p8r outra ordem architetonica, e, para abreviar oa antes obedecer ao 
estylo da epoca, assentaram sobre as architraves que ligam as colum- 
nas as taes qnartellas caracteristicas das constrncgSes dos seculos xvn 
e XVIII, ditas estilo dos jesuitas. 

Vemos, pois, que a actual matriz de Sacoias, construida com os 
materiaes da do castro, nada conserva que mostre a aqtiguidade que 
Ihe querem dar. Encontro porém nella um ornato que muito me tem 
prendido a attengSo : é urna fórma de suastica de que ha quatro exem- 
plares; dois nas bases das columnas do altar-mór, e outros dois ao 
meio dos fustes das de um aitar lateral, & esquerda de quem entra. 
Estes ornatos, semelhantes ao tetrasceles e trìsceles da Citania^, nao 
sendo, corno nào silo evidentemente, adaptados de obra anterior, ex- 
cluem a supposigào de urna alta antiguidade; e^ comquanto a sua gè- 
nese se filie numa civilizagSlo preponderante, dita mycenia, corno depoìs 
foi a romana, apenas demonstcam a supervivencia d'este symbolo pelas 
idades futuras^, se é que originariamente o siitMtica nio traduz, corno 
parece, os liniamentos principaes* de uma fior a desabrochar, comò 
cone truncado e entumescido em que, os que aqui aponto, estSo ins- 
culpidos, deixam suppSr. 



* Portugal, Diccionario HUtorieo, artigo «Gii». 

* Portugalia, 1. 1, fase, i, p. 6 e sgs. 
3 Revista Archeologica, ii, 63. 



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O Abcheolooo Pobtugués 263 

Baseados nos mesmos motivos ornamentologicos, encontrei simi- 
milares fórmas de sticutica nas almofadas da porta lateral da igreja 
de Montezinho, freguesia de Franca, e nos fastes das columnas de um 
aitar lateral & esquerda de qnein entra, na igreja de Meixedo, tudo 
no concelho de Bragan^a. 



Jà atràs nos referimos a tres inscrip<;oes lapidarcB encontradas no 
Castro de Sacoias, cabendo agora aqui advertìr que as divergencias 
que se notam no texto de urna d ellas dado por Pinheiro e Hubner, 
do qual a verdadeira li^So é a d-0 Arch. Pori,, v, 79, procedem de 
nao se poderem ver todas as letras, quando o primeiro a copiou ori- 
ginariamente e a divulgou, por estar a lapide roettida nama parede, 
vindo so a completar-se o texto quando ella foi para o Museu de Bra- 
gansa. 

Aecrescem a estas mais as seguintes: 

RIF 
LXST 

Està na «asa de José Accacio Vidal, em Sacoias, e serve de hom- 
breira na boca de um forno. Fedra tosca, de granito grosseiro, apenas 
lavrada na parte da inscrìp^So, contida nnm quadrilatero rebaixado 
na lapide. A parte superìor da lapide foi partida para a addptarem à 
nova serventia, bem comò a direita que chanfraram convexamente para 
o mesmo fim. Nem abaixo das duas carreiras de letras que apresento, 
nem entre ellas, cabe espa^o para mais, devendo portante suppdr-se 
que as que faltam para completar as fórmulas, em taes casos usadas, 
e nomes estavam nas partes quebradas. 

Altura da lapide 0™,41, largura 0™,25, espessura 0,*"13. Letras 
irregulares, de altura varìavel, em media 0™,04. Estas dimensSes nao 
serio rigorosamente exactas, por a situagSo da pedra nSo consentir 
tirà-las melhor. 

Como se v6, trata-se de nma lapide romana fimeraria; falta nella, 
pelo menos, o nome do defunto cuja memoria perpetuava; apenas in- 
dica que era filbo (ou filha) ^ de um individuo que faria o genitivo do 



1 pj (»'•«")• 



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264 AncnEOLOGO Poutuodés 

seu nome em RI, o qual tinha 60 aunos de idade, e os sobreviventes 
desejam-lhe o. S(i^) T{ibi ten^a levis). 

Tambem no mesmo castro appareceu outra lapide de granito, qne 
fiz transportar para o Museu Municipalde Braganga; divisam-se-lhe 
ainda vestigios de letras, mas tao àpagados, quo ainda nSo foi possi- 
vel decifrà-la. 

Numa parede da casa de Manoel Qonfalves, de Sacoias, encontra- 
86 a parte superior de outra lapide de granito, tambem funeraria. Con- 
tém por baixo de um ornato rosaceo as letras 

D. M. 

iniciaes da bem conbecida fòrmula da epigraphia romana I>{us) M(ani- 
ftiw).Veio do mesmo castro, bem comò urna que serve de lareira em 
casa de José Vinhas e outra na de Alexandrina Pinella, que apenas 
conservam duas letras nas extremidades, ha vendo side as restantes 
comidas pelo fogo. SSo ambas de granito; e de igual materia era ou- 
tra encontrada no mesmo sitio por JoSo Pinello, que a esmagou para 
metter no lastro de um forno, sem veneragSo pelas mnitas letras que 
tinha! Que os deuses manes o persigam, bem corno a todos os selva- 
gens que praticam t%o horrendos crimes! 



Vamos agora dar uma resumida noticia do espolio archeologico mais 
importante encontrado no Castro de Sacoias, por occasiSo das escava- 
9i5es para a erec9ao da nova igreja. Consta do seguinte: 

Um gaucho de cobre (fig. 2/) que teria identico uso ao dos actuaes 
alfinetes de segiiran§a. Tem de comprimente 0",094. A cabega é cons- 
tituida por delgada laminazinha em cuja base, jà no corpo do al6nete, 
existe um orificio, o que gera a snspeita de haver pertencido tal ob- 
jecto ao fusilhSo de alguma fibula; 

Uma conta de pedra^ em fórma de disco espesso, analoga aos cos- 
soiros que tem apparecido em varias estagSes prehistoricas. Tem de 
diametro proximamente 0",033; 

Uma mola manaaria, a tal mó castreja, e fragmentos distinctos de 
outras ciuco. Tambem jà ha annos mandei para o Museu de Bragan9a 
outra encontrada neste locai. O catillus (ou melhor candadeira», pois 
aquelle nome nao cor responde ao objecto similar que Rich e Cagnat 
nos apontam nos respectivos diccionarios), de que so appareceu parte, 
tem de espessura media 0^,08 e mostra metade do orificio por onde 
caia gr3o e outro orificio, junto ao disco, onde devia entrar a mani- 



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O Archeologo Portugués 265 

.li ■ » I ... Il ,. 

vola que servia para Ihe imprimìr movimento rotativo. A dormente 
tem ainda um orificio no centro, qne a atravessa toda^ d'onde devia 
sair o eixo, que entraria na segurelha adaptada à parte debaixo da 
andadeira, e serviria para a conservar a igual distancia d'està, nSo a 
deixando escapar no seu movimento giratorio. Fica por tanto liqaidado 
que neste systema de tritura9lo, usado pelos Sacoienses^ o movimento 
giratorio era imprimido com a mio sobre o pinasio ou manivela que 
entrava no orificio junto a face do disco. 

E notavei a sobrevivencia da mola castreja, cujo typo se desvia 
muito do classico romano e nao é caracteristica da civiliza9ào d'este 
povo. 

Muitos foraes dados por el-rei D. Manoei, corno os de AnciSes, 
Braganga, Moncorvo, Mirandella e outros, deixam suppor que ella 
ainda entào aqui fimccionava. Assim lemos, por exemplo, no de Mi- 
randella dado em 1512, visto com elle concordarem os mais, debaixo 
da nibrìca «moos», ao tratar dos direi tos da portagem: e E de moos 
jide barbeiro dous reaes e das de moinhos ou atafonas quatro reaes 
»e de casca ou azeite seis reaes. E por mos de maSo pera poa ou 
»mostarda bum reali». 

E evidente, pois, que coexistiu nestes sitios, com o moinho de 
maiores propor$8es ou atafona, talvez similar à mola romana do typo 
classico de Rich, a pequena mó manuaria, simples modifica9So para fa- 
ceis e commodos usos caseiros, em que se aproveitavam até as forgas 
das crian$as, das mulheres, nas intermittencias do labor domestico, e 
mesmo as dos homens nas longas noites de inverno.. 

Visitando ha pouco as importantes ruinas da villa de AnciSes, des- 
povoada no sec. xvni, encontrei alli algumas mós do typo castrejo, 
que denotavam largo uso, e outras esbo9adas apenas a iadicar fabrica 
d'ellas. 

E jà que fallei em-AnciXes, seja-me licito levantar aqui um brado 
centra o desleixo bem caracteristicamente portugués que alli impera. 

NSo fallo da incuria ou ignorancia dos chorographos, ainda os mais 
recentes; que nos dio aquella antiga villa do districto de Bragan9a 
comò povoada, sendo que ha mais de um seculo que alli nio vive nin- 
guem, mas da criminosa indifFeren9a de quem, devendo olhar para estas 
cousas, deixa aniquilar, pela selvajaria do nesso povo, aquella vene- 
randa reliquia, que neutra na9ao que tivesse verdadeiras no9oes esthe- 
ticas, culto pela arte, ha muito teria sido declarada monumento na- 
cional. Ali desfazem o tempo e o homem, ainda mais destruidor, um 
tempio que devia ser uma belleza architectonica. As suas paredes 
cobertas de inscrip98es em typo monachal ou allemlo, algumas das 



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266 O Archeologo Portugués 

quaes nos dà Cardoso^ mas mal copiadas, e siglas doB canteiros, estio 
ainda exn pé, gra9as à solidez da construcgSo e bom apparelho do gra- 
nito, grande cantaria, assentado à fiada, apesar de haver muitos annos 
que telhado as desguameceu por completo. 

Tem està igreja (refiro-me à quo està dentro do recinto das mora- 
Ihas, pois fora d'estas ha outra) duas portas lateraes em aemicirculo. 
com a arohivolta muito ornamentada, e em cada urna d'ellAs um tim- 
pano com um ornato completamente vasado, furado de Udo a lado, a 
imitar a cruz dos templarios, a qual encontrei gravada em relevo em 
varias pedras espalhadas pelo chSlo, que indicavam hayerem servido 
de corucheus. 

E sabido que no principio a cruz de Malta e a dos templarios se 
confundiam no feitio, distinguindo-se apenas nas cdres ^; noas, nSo men- 
clonando oste diligente investigador nem Frei Lucas de Santa Catha- 
rina^, bens alguns pertencentes na propria villa de AnciSea à ordem 
de Malta, que os possuia porto d'alli, corno elles apontam e o onomastico 
ainda hoje indica, — Mógo de Malta ou seja Marco de Malta — e, di- 
zendo-nos por outro lado Carvalho da Costa, na sua Chorographia e a 
lista das commendas que vem no fim dos Estatuéoa dos CcsoaUtiroM e 
Freires da Ordem de Christo, que està igreja e a dos extramuros eram 
cabe9a8 de duas commendas d'està ordem, à qual passaram os bens 
dos templarios^ n&o sera despropositada a cla88Ìfica9So que damos às 
ditas cruzes. 

Mas, que sobretudo encanta é a porta principal, soberbo trecho 
de esfilo romanico, comò bavera poucos em Portugal, dos seos. xn 
a XIII e posterior sem duvida entro nós, dada a lentitude com que 
sempre acompanbamos as evolu93e8 da arte. É um semicirculo de ciuco 
archi-voltas profusamente ornamentadas com folhagens, caras grotes- 
cas e anìmaes symbolicos, que repousam sobre cito columnas, quatro 
por cada lado, as quaes jà nSo existeml Que os que velam pelos me- 
numentos nacionaes acudam a este, pois se nSo 

correm 

Póde Ber que nSo achem quem soccorrem. 

O tjjnpano d'està porta, tudo de granito, é um baixo relevo que 
representa diversas personagens biblicas. Por dentro da igreja, junto 



^ José Anastacio de Figueiredo Ribeiro, Htst. da Ordem do Hospital, parte i, 
; zix e zx. 
* MemorioB da Ordem Militar de 8. Joào de Malta. 



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O Archeologo Poetugués 267 

ao cimo das paredes, corre por cada lado urna larga faixa, constituida 
por una ornato entrela9ado deveras elegante. 

Ha junto a ella um recinto vedado por alto muro, tambem sem 
cobertura, sarcophago de alguma familia illustre, pois, nos quatro ou 
cince arcos em ogiva de lanceta, que comporta, mettidos nas paredes, 
véem-se compridas pias de granito, cavadas trapezoidalmente, com a 
configuragSo da parte superior do tronco humano, hombros e cabe^a, 
na orientagSo nascente-poente, e para este lado a cabega. Identica 
a estas sepulturas vi mais tres a sul e perto da outra igreja extramuros, 
mas slo cavadas na rocha firme. 

Mas deixemos tantas e tSo poeticas ruìnas, que fazem dò e est^o 
clamando pelos olhos de ver de quem tem corregimento d'estas cousas; 
ahi fica o nesso grito de rebate, chamando ao mesmo tempo a attengSo 
para ellas dos que exploram gananciosamente a photogravura em bi- 
Ihetes postaes illustrados, o que seria um modo facil de as vulgarizar, 
contribuindo de passo para educar esthetióa e civicamente o nesso povo. 
Ah! come seria interessante urna serie de postaes que comprehendes- 
sem OS trechos principaes e caracteristicos dos variados monumentos 
que existem desprezados pelo nesso districte! 

Tomemes ao Castro de Sacoias. 

Appareceu mais urna figura de bronze qu^ representa um cavallo. 
É de diminutas proporgSes (0™,03 de comprimente) e de estilo rudimen- 
tar. Vid. fig. 3.* As pernas e maos apresentam-se compactas, sem ves- 
tigio algum que figure separadamente estes membres, d'onde vem se- 
melhar a parte anterior uma cauda de peixe, comquante a posterior 
seja bem de cavallo. Falta-lhe parte do focinho e da cauda, por frac- 
tura na occasiSo de ser encentrado. A orelha diretta nSo mantem pre- 
porgSLo com a esquerda: é menor, mas pareqe que jà sairam ambas 
assim das m^os do artista. 

Està figurinha devemos aproximà-Ia do bezerrinho de bronze que 
està na Seciedade Martins Sarmento, de QuimarSes, de que aqui se deu 
gravura *, e teriam ambas destinos identicos de ex-votos ou symbolos 
cultuaes *. 

Tambem numa sepultura pertencente à classe das chamadas cistas ^ 
formada por pedras schistosas da regiSo, sem apparelho algum, postas 
de cutelo, orientada nascente-peente, ainda intacta, mas tSo corroidos 
OS óssos que se desfaziam mal se Ihe tocava, appareceu um anel de 



4 Arch. Port, i, 313. 

* J. L. de Vasconcellos, Religidea da Lusitania, ii, 283 sgs. 

3 Id., Ibid,, I, 308. 



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268 



O AttCnBOLOGO POETUQUÉS 




Flg. 4.* 



bronze constituido por delgada e singela lamina despida de oraaios. 
A sua secgSo externa eonvexa é internamente apnrada em aresta muito 
pronuneìada, sem duvida para facilitar a seg^ran^ 
nos dedos. A lamina nUo apresenta diametro perfei- 
tamente igual, talvez devido à acgSo do tempo. Fig. 4.* 
E de notar que ossos humanos, mas sem condi- 
fSes de se prestarem a estudos anthropologicos; por 
se desfazerem mal se Ihes tocava, appareceram em grande quantidade 
cm varios sitios onde se fizeram escavagSes, afastando a hypothese 
de seus moradores haverem usado a incinera^SLo. 
Ceramica: 

Fragmentos de louga vermelha do typo arretino, tambem chamado 
saguntino^ vulgar nas estagSes archaicas dos primeiros seculos da era 




Pig. 5.* 




rig. 7.* 





Fig. 9.* 



Flg. 8." 



christil, notavel pela iìnura e homogeneidade das pastas; perfeigSo do 
fabrico e supcrioridade do verniz que os reveste, cujo processo da 



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O AllCIl£OLOGO PORTUGUÉS 



269 



composÌ9SLo ainda hoje é segredo, a despeito das tentativas dos chimicos 
feitas para o descobrir. Està louga é ainda notavel pela elegancia dos 
omatos, ìncisos nura fragmento de hoeal de vaso grande, e em relevo 
no bojo de ontros menores, infelizmente todos irreconstìtniveis, que 
apenas nos mostram oito typos de ornamentarlo diversa; figs. 5/ a 9.' 
NSo estando ainda bem estudada està unidade fietil entre nós, e fai- 
tando a estes fragmentos as marcas dos oleiros, apenas os motivos 
omamentologicos trarlo alguns elementos para determinar a proceden- 




Flg. 10.* 





Flg. 12.- 




Fig. ll.« 



Flg. 18.* 



eia d'este typo ceramico, originario de Arretium, d'onde se espalhou 
por todo o imperio romano dois seculos antes da era christS, havendo 
até outros centros de producgJlo comò Tarraco entre nós. 

Typo de louga cinzenta. Fragmentos de vasos notaveis pela sua 
pouca espessura; iìnura, homogeneidade e diireza das pastas. 

Nào tem ornatos. 

Typo de louga vermelha. È enorme a quantidade de fragmentos 
d'està louca, que no Castro de Sacoias se encontra a cada passo mesmo 



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270 O Archeologo Poetuqi^és 

à superficie da terra, grosseiros, cheios de volumosos gr&os de quartzo, 
de paredes muito espessas, alguns chegam a 0",026, duros, de ornatos 
geometrioos incisos, grosseira e irfegblarmente, na parte superìor junto 
aos booaes; figs. 10.^ e 11.* Infelìzmente nenhum vaso encontrimos 
completo, se bem qne haja notieia de haverem apparecido muitos 
quando o Castro andou entregue à cultura vinìcola, porque db traba- 
Ihadores os quebravam na persuasSo de encontrar o curo nelles en- 
cantado pelos Mouros. 

Parte notavel de um tejolo (later) de 0",065 de espessura medi/i, 
de barro vermelho, cheio de grossop grSos de quartzo, cozido a fogo. 

Urna das suas sùperficies é omamentada com sulcos parallelo» no 
sentido da largura e altura (10 naqoella por 5 nesta); fig. 12.* 

todo devia ser de configura9So triangular, ou pelo menos trape 
zoidea, a julgar peìos tra90s do lado que resta, pois nSo caem vertical- 
mente, mas de modo a formar com os correspondentes angulo agudo. 
Aos vertices dos angulos assim formados pelos sulcos veem dar outros 
que ornamentam, em parallelismos de linhas quebradas e curvas, a su- 
perficie do tejolo. 

Muitos fragmentos de telha e entre elles tres tegulas bastante gran- 
des, planas com rebordos e chanfros nos topos extremos, de pastas 
grosseiras com quartzo *. Dois d'elles multò bem óoasidos, apresentam 
iiniforme cor vermelba viva um e o outro amarella desmaiada, e duas 
camadas de c6r variavel o terceiro na seo93o, a indicar a irregularìdade 
da cozedura. 

Seis pesos de tear de pedra schistosa. 



Como Castro de Sacoias tem estado entregue actualmente à cul- 
tura cerealifica e ao vinhedo antes da invasa phylloxerica, sondo por- 
tanto as suas camadas intensamente revolvidas jà pelas surribas ja 
pela praga dos sonhadores de thesouros, nio é possivel precisar, pela 
coUocagSo dos objectos nas camadas. respectivas, a ordem chronologiea 
das civilizagSes que por eUe passara&i, nem mesmo se os objectos, que 
vamos descrever, ali encontrados peirtenceram a seus moradores, o que 
o collocarla na classe dos castros mistos *, ou foram posteriormente para 
U importados. 



1 [Conviria annotar se sfto trapezoidaes ou nSlo — F. A. P.]. 
* J, L. de Vasconcellos, Religioee da Ltmtania, i, 32. 



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AiclMologo Pvtugudi 



Voi XII-1907 



Uff. a." 




Mg. «.' 



ESGALA -*- 



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't-'W YORK 



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O Archeoloqo Pobtugués 271 

Eis esses objectos, pertenoéntes à civilizagfto prehistorica, unicos 
documentos d'ella aie hoje enoontrados no Castro de Saooias: 

Um maohadinho milito barn poiido, de fibroiithe, com manchas 
pretas, de secgSio circular. seu todo semeiha um eone no qual a base 
foi substitnìda por um giime, moti vado por duas chanfraduras resultan- 
tes da friofAo sobre urna pedra de amolar, o que Ihe ài um achata- 
mento ligeiramente convexo. Tem de comprimento 0™,031, de largura 
na base O^OIS- e de espessura maxima ©""jOOS; fig. 13/ 

Outro machado de pedra. Tem a fórma rectangular modificada 
convexamente nos dois lados que produziram o gume de 
secalo circular, por desbastamento feito anterior e pos- 
teriormente em toda a sua extensSo. No outro extremo 
opposto ao do gume, e num dos lados, notam-se-lhe falhas 
produzìdas por fractura no acto de ser eucontrado. Tam- 
bem supponho que serio devidas is guinchas do operano **»•**• 
que desenterrou duas estrias ou sulcòs, que numa das faces do 
gume semelbam està figura; fig. 14.* 

Tem de comprimento 0^,13 e de largura variavel entre 0",034 
e(r,041. 

Viria agora a proposito fallar nas còvinhas (fo98eUes)^ da grande pe- 
dra schistosa que cobre a fonte do povo, em Ba^al, proveniente tambem 
das ìmmediaQoes do Castro de Sacoias, mas noutra occasìXo o faremos. 

Bagal, Julho de 1907. 

P.® Francisco Manoel Alves. 




Moeda Inedita de 2 onizados de 1646 

* 

Nos dias 3 a 7 de Setembro de 1896 visitàmos, em ZClrich, os me- 
dalheiros de Julius Meili ^. 

Sinceramente confessamos que nos ciuco dias, apesar de bem apro- 
veitados, nSo pode ser comprehendido o exàme attento e a apreciagEo 
completa das medalhas, moedas, condecoragSes, e notas fiduciarìas do 
Brasil e das moedas, medalhas, papel moeda, contos para contar, se- 
nhas, pesos e veronicas de Portugal. Haravilha a contempla9fto de qual- 



1 Falleceu a 26 de Setembro do corrente anno. Na obra que temos em pre- 
para9So, Iconographia Monetaria de Div, seri particalarizada a biographia do 
illustre extincto e mencionada a resenha dos uotaveis livrea que publicon, visto 
que tal obra é dedicada & memoria d*elle. 



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272 



O AttCUEOLOGO PORTUGUÉS 



quer das collec95es; que o attestem, entre outros yìsitantes, os Srs. José 
Leite de Vasconcellos e Antonio Fedro de Andrade. Parece-nos qae 
a verba de 60 cont03 de réis nSo corresponderia hoje ao valor com- 
mercial de todo o material colleccionado. 

Entre varios desenhos de moedas portuguesas ineditas, que entìo 
obtivemos, sobresae a figura de um exemplar de 2 cruzados de D. Joao 
IV, a qual Frau Nina Meili-Schiffmann se dignoa executar. Vae aqui 
reproduzida. 




<• IOANNES mi D G REX PORTUQA. Armas de Tortugal 
no campo. Na orla granitos. 

l^._o;o INoHOCoSIGNO (<> VjINCES. Cruz de S. Jorge, com 
um ponto no centro, cantonada pelo millesimo 1 . - 6 - 4 - 6 • den- 
tro de um circulo de granitos, igual ao que acompanha a orla. Ouro de 
22 quilates, ou 916 millesimo?. Peso escasso de b^%9ò^ ou 119 grSos. 
Diametro de 26 millimetros. 

Nota-se que està collocado um ponto à direita de cada algarìsmo. 
Està estranha pontua9So que signiticaria naquella epoca? Hoje nAo a 
comprehendemos. Embaraga-nos està novidade ornamentai, ainda nSo 
vista. NSo se relaciona com o caso expresso na moeda de 4 cruzados 
de 1642, de cujo desenho e estudo nos occupàmos em artigo inserto 
n-0 Arch. Pori., ix, 102 a 110,«gravura em pieno texto de p. 103. 
Para presumir-se a existencia de grupos de ciuco pontos em cada an- 
gulo da Cruz, primitivamente gravados, faltam vesti^os de quatro uni- 
dades d'esses grupos, as quaes nSo podiam ser occultas pelos corpos 
dos algarismos. Póde ser que no futuro se descubra o porqué d'està 
novidade fantastica. 

Pela primeira vez se exhibe, comò julgamos, uma moeda de 2 cru- 
zados de D. Joào IV com a fei^So intacta, ìsto é, nao sobrecarregada 
com a marca da contrastarla, a esfera armillar coroada, ou contra- 
marcas valorizadoras, comò vemos no exemplar figurado no n.** 2 da 
est. XXX de Teixeira de AragSo. 

A moeda de ouro do tempo de D. JoSo IV soffreu modifica^Ses 
no valor. Os mappas seguintes demonstram a melhorìa que competili 



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AftCHEÒLOGO PofttUGUÉS 



2n 



ao padr3o de 2 cruzados desde o anno de 1642 aie o de 1668, e dìzem 
corno se desenvolven a alta do pre90 do ouro durante o mesmo perìodo, 
em cujo limite a veremos elevada até 75 % 





Valorea da raocda de S crusados 
eom peso de 189 giioB 


Diplomas reglos (a) 


primitivo 
Reaos 


08 poetcrioret 
Reaes 


Amiciitoa 
Reaes 


Alvarà de 27 de Mar^o de 1641.. . . 
Decreto de 29 de Mar90 de 1642. . . . 
Alvarà de 19 de Maio de 1646.... 
Lei de 20 de Novembre de 1662.. . . 
Alvarà de 12 de Abril de 1668.. .. 


800 


11500 
1^250 
2)f000 
2^200 


700 
250 
250 
200 


Total dos aumentOB 


nroiPressIvoa 


1*400 








Valorcs do marco do ouro amoodado 


Dìploinas rcgios (a) 


primitivo 

Ouro 

do 22 Va qailatca 

Rcaes 


Os postcrioree 

Oaro 
de 22 quilatee 

Reaes 


AamentoB 
progressivo* 

Rcaes 


Alvarà de 27 de Mar^o de 1641.. . . 
Decreto de 29 de Mar^o de 1642.. . . 
Alvarà de 19 de Maio de 1646.... 
Lei de 20 de Novembre de 1662.. . . 
Alvarà de 12 de Abril de 1668.. . . 


30)9000 


56)^250 
65^625 
75*000 
82*500 


26*250 
9*375 
9*375 
7*600 


Total dos aumentos 


DrofirressivoB. 


52*500 







Contramarcas adoptadas 



Por lei de 20 de Novembre de 1662 2 = 2*000 



Por alvarà do 12 de AbrU de 1668 . 



2*200 



(a; Docamentos n.'" 90, 106, 132, 160 o 168 do voi. ti de Tcixelra de AragAo. 

Ainda nSo vimos provas demonstrativas de que houvesse emissao 
de ouro em 1641. Por ventura a ideia de baixar */$ no quilate do metal; 
e de elevar o pre90 do marco amoedado em 1642, obstaria à execu9ao 
do alvarà de 1641, se o legislador a coneebeu depois da publìeagao de 
tal diploma? E possivel. 

A percentagem aumentativa effectuou-se, na verdade, com surpre- 
hendente largue^a, violenta, sem eambiantes suaves nas transigSesI 

18 



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274 Archeologo Portugués 

E poro tolerou-a patrio ticamente. N&o ignorava que a destinavan) 
a proteger difficuldades financeiras do thesouro, assoberbado com as 
despesas que multìplicava para reduzir à impotencìa as successivas 
provocafSes guerreiras da Hespanha. 

Outra conclusSlo oflferece o mappa: a que devemos considerar acerca 
do modesto aumento dado por lei de 12 de Abril de 1668, o qual re- 
sultou do benefico influxo da paz, que fora celebrada com os nossos 
irrequietos vizinhos no reinado de Carlos II. A batalha de Montes- 
Claros foi a causa de tal effeito pacifico. Vè-se que o poder da moeda 
acompanhou epocas afiiictivas da bistorìa de um povo, contribuindo 
efficazmente para consolidar a independencia d'elle. 

A lei de 24 de MarQO de 1677, decretada por D. Fedro II, criou a 
meta moeda de ouro, com o valor fixo de 2^51000 réis, para substituir 
padrSo de 2 cruzados. Està antiguidade entrou na casa da moeda 
em condigBes de britada, ou esqueletica. Na Historia Genealogica da 
Casa Beai, iv, 441, diz-se que aquelle rei mandou recolher o curo 
velho, que circulava embrulhado em papeis, em que eram inscritos 
valores (arbìtrarios?) e pesos que a balanya verificava nas compras 
e vendas. Està interessante informando, relativa a curo empapelado, 
traz à memoria o methodo identico de comprar e vender, relativa- 
mente ao curo em pò, que esteve autorizado nas capitanias mineiras 
do Brasil, durante os secs. xvil e xvm*. 

A moeda de 2 cruzados de D. Jo&o IV é excessivamente rara 
nSo contramarcada. No medalheiro do Sr. Dr. Francisco Cordovil de 
Barahona existe a de 1642 e no do Sr. Dr. Antonio Augusto de Car- 
valho Monteiro a de- 1647; nSo a conhecemos de 1648 a 16S2, annos 
em que foram batidos padroes de 4 cruzados. S&o menos raros os 
exemplares contramarcados. Existe um, de 1642, na collecgSo da Bi- 
blioteca Municipal do Porto, outro, da mesma data, na do Sr. Conde 
do Ameal, e ainda mais tres noutros medalheiros, de que temos noti- 
cias vagas relativamente às datas. 

Concluimos, dizendo que a moeda de Julius Meili està em optimo 
èstado de conservaySo. Viveu mais de dois seculos ìgnorada, perdida. 
NSo suppunbamos que qualquer avaro a occultasse propositadamente, 
pois que, no decorrer dos annos, em contradiy&o com sentimentos de 
previdencia, teria perdido o beneficio da valorizanSo. 

Lisboa, Agosto de 1907. 

Manoel Joaqum de Campos, 
i Vid. Arch. Pori., ix, 264. 



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O Archeologo Portugués 275 



Estela sepuloral arcaica do Alto-Mi2ilio 

Junto da igreja de Paderne, aldeìa do concelho de Melga^o, exìstia 
ha annos urna notavel pedra lasitano-romana, com urna inscrìp^So e 
figaras esculturadas, a qual fazia parte do lagedo granitico do adro, 
e estava pois sendo constantemente profanada e maltratada por quem 
Ihe passava ein cima. Por diiigencias do meu amigo o Dr. Antonio 
José de Pin ho Junior, advogado em Mon^So, e mo90 illustrado a 
quem os estudos da archeologia e ethnographia locaes merecem par- 
ticular estima, a pedra occupa hoje legar de honra no Museu Ethno- 
logico Portugués: SEC9I0 LAPIDAR, — Minho. 

Tem de altura l^^Gl; de espessnra (^,16; de largura 0",50. É pois 
urna estela. Com quanto Ihe falte ji a extremidade superior, póde 
està lapide considerar-se dividida na superficie anterior em quatro 
segmentos. 

segmento superior, que, comò digo, està incompleto, parece que 
representa um busto acephalo'; duas mSos sustentam adiante do peito, 
em alto relevo, um objecto indeterminavel, mas muito provavelmehte 
vaso. 

segundo segmento é constituido por um nicho, encurvado em cima. 
Nelle se vèem, em baixo-relevo, duas toscas figuras, com feÌ93es desi- 
guaes, de pé, sem nada na cabeya, — uma, a da direita, apparente- 
mente do sexo masculino, vestida de roupagem mais curta (simpIeiS 
tunica) 'y 2L outra, a da esquerda, apparentemente do sexo feminino, ves- 
tida de roupagem que chega até quasi aos pés (tunica muliebri$); cada 
ama das figuras tem na mSo direita um objecto indecifravel e dà a 
esquerda & outra figura. 

O terceiro segmento, separado do antecedente por um bordo, con- 
tém uma inscrip^So, que foi gravada no campo depois de um pouco 
rebaixado. Està inscrip^So continua no segmento seguinte, cujo campo 
nao foi porém rebaixado, comò terceiro. 

O resto do quarto segmento era destinado a fixar monumento 
no solo. 

Os lados da estela s3o irregulares, e estSo em parte quebrados; 
pelas costas a lapide foi levemente desbastada. A extremidade inferior 
acha-se tambem falba. 



* Nas estatuas antigas e monomentos estatuiformes, é frequente, por causa 

dos estragos do tempo, faltar a cabeca. 



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'276 O ARCHEOLOGO PORTUGUÉ» 

Veja-se a fig. 1.^, feita com toda a exactidào, quer quanto is fi- 
guras, quer quanto ao letreiro. 

Este constava primitivamente de sete linhas. A primeira esti in- 
completa, pelo gasto das letras; a ultima occupa o quarto segmento. 
As letras da linha 7/ s&o mais encorpadas que as restantes. 

OC. I ..F Discussilo da inscrip93o: 

' ' 1-2. que resta n&o me permitte propor ne- 

3. ENI'F'A-C* ET Bbuma explica^&o. 

C O M P V A li V S 4. A 7.- latra pòde ser I ou L 

C O M P A R D A E 5- A 6.- letra paiece ser E. 

m 6. N e T estao jnntos (nexo). 

6. ALHSS-PENV NaslinhtoSeioAnfiotemtra^oaomeio; 

C O M P * F • 6 ' nas outras tem. Alguns dos PP sSo abertos. 

Da discussao precedente resulta que o tezto poderi interpretar-se 
assim: . . . ,eni f(ilia)^ a{nnorum) C. et Comp. VaivM^ Valusf)^ Camp, 
Ardue (JUius)^ a{nnorum) L,, h(ic) 8(iti) s(unt). Peiìtu(8) Comp. /(acUn- 
dum) c(ur(mit). Isto é: cFulana, filha de um individuo cujo nome no 
genetivo termina em eni, de cem annos de idade, e Comp.Vaio (? Va- 
io?), filho de Comp. Arda, de 50 annos de idade, estSo aqui sepoltados. 
Pento Comp. mandou fazer este monumentoi. 

Interpretei o f da 3/ linha por /(Uia), baseado em ser, corno pa- 
rece, feminina a figura da esquerda. 

Commentarci agora rapidamente o monumento, seguindo a mesma 
ordem que segui até aqui. 

Cippos funerarìos rematados em fórma de cabe9a humana n2o sSo 
rarìdade na Peninsula: em Càrquere (Beira), por exemplo, ha alguns *; 
em Lara de los Infantes (Hespanha) tambem se conhece um^. Rema- 
tados, porém, em busto nao me acode nenhum & lembranga; apenas 
estou no caso de mencionar aqui, a este respeito, um sepulcro (do 
tempo de Claudio) que està em Roma no Museu Capitolino, e em cuja 
cobertura apparece entro duas volutas o busto do fallecido, um rapaz 
de ciuco annos, enfeitado com urna btdla^. Sondo vaso o objecto segnro 
pelas duas m3os, poderei comparar o nesso monumento com as figuras 



* Vid. Reviata Archeologica, voi. ii, est. v, e Arcfieologo PorUiffuès, v, 210 
e 211. 

* Vid. Corp. Inscr. Lai., ii, 5803. 

' Vid. Walter Altmann, Die romische Ghraòaltdre der KaièerzeU, Berlim 1905, 
p. 221. — Tampaa de sareophagos e de urnas oinerarias com figurasSfto vulgares 
nos Etniscos. 



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O Archeologo Portugués 



277 



votiva» do Cerro de los Santos 
(Hespanha), onde esse themaap- 
parece frequentemente*: ovaso 
na estela symbolizarà liba^So 
aos deuses manes (tn/e?*iae)*; o 
busto representarà o sacerdote 
que faz a libagào, ou o proprio 
dedicador do monumento. 

Nichos comò o que està a 
baixo do busto véem-se tambem 
n2o raro em estelas^ ora com 
uma, ora com duas figuras, con- 
forme o numero de defuntos que 
se desejam symbolizar. Lem- 
brarei mais uma vez os monu^ 
mentos de Càrquere^. figurar 
bustos em nichos de estelas é 
corrente nos paises de civiliza- 
9S0 romana e grega; nSo vale 
a pena citar casos. 

Passarci & inscripQào. 

Ha ontros exemplos epigra- 
phicos e litterarios de idades 
provectas^ comò a que se men- 
ciona na linha 3.* Cfr. : Arch. 
Poh., Uy 127-128 e nota; e A. 
Schulten, L'Afrique Romaine, 
Paris 1904, p. 65. 

Se na linha 4.* a lei tura Va- 
'iw é justa, temos aqui um nome 



* Vid. Pierre Paris, Essai sur 
fart, I, est VII, etc. Cfr. alem d'isso 
Pierre Paris & A. Engel, Osuna, p. 
425. 

^ Nos monumentos d'està natu- 
Kia esculpe-se com freqaencìa uma 
patera, praefericulum e mesmo ^' 
goras hnmaoas em attitude de der- 
f^marem liquidos libatorios. 

' Vid. Eev, Archeologica, voi. 11, 
est \i, e Arch. Pori., v, 210. 




Rg. !.• 



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278 O Archeologo Pobtugùés 

igual ao segundo elemento de palavras corno Ate-valtis, Clota-wdas, 
LanO'ValuSj Nerto-vali (genet.), elemento que se tem por celtico, na 
accepgSo de apoderoso 9 oa cchefe», e é compara vel ao lat. validns^. 

As iinhas 4/, 5.^ e 7.* ha ama palavra commnm, coup-, em abre- 
viatura. A repetigSlo faz-me crer que represente, nSo nm nome indi- 
viduai, mas um nome etlinico, que para os contemporaneos era Ho 
conhecido e tSo facil de entender, que bastava indici-io pelas saas 
inibiaes. NIo posso porém identifici-lo com nenhum conhecido. A pò- 
SÌ9E0 do nome ethnico numa epigraphe era usualmente depois do nome 
do individuo, comò nas Iinhas 6.^-7.^; apparecer nas Iinhas 4.* e 5/ 
antes d'elle, nSo seria caso extranho em pais barbaro, onde muitas 
vezes se sae fora das normas epigraphicas. 

De Arda^ na linha 5.*, ha outro exemplo no AU'cdHseher Sprach- 
schatz de Holder: nome de homem da Gallia. A palavra poderia pois 
ser celtica^. SSo frequentes os nomes proprios de homens ganleses 
terminados em -a, comò: Atepa^ Ateula, Bautta, Calaua, Contusa, 
Carussa, Mapa, Toutissa^. 

A respeito da palavra Pentv^s)^ que se le na 6.* linha, notarei que 
no Corp. Inscr. Lat., 11, 2712 e 5719, em inscripjSes asturìcas, ha 
PEJTi FLAVI e PENTI BALAESI. Hùbuer, na lista dos cognomina, p. 1089, 
diz: <gen. Peitti Balaesi f.», e ^Periti flavi», indicando os genetìvos 
por nSlo saber se os nominativos eram Pentius cu Pentus; nos Man, 
Ling. Iber,, p. 257, p8e sem hesitagSo Pentms e PenH(u8)y e assim 
seguiu Holder no Tkesouro. Mas a nossa inscrìp9So mostra que mais 
prudente foi Hùbner no Corpus do que nos Monumenta, pois nSo ha 
duvida que, se Pentius era possivel (assim se 1§ em uma inscrip9ao de 
Basileia), tambem o era Pentus. 

Os celtistas haviam jà deduzido theoricamente a fórma *Pentos 
(=Peniìis) para explicarem Pentius, e outros derivados (PeniUius, 
Pentìnus, etc.): vid. Holder, Thesouro, s. v. O Sr. D'Arbois de Ju- 
bainville fez sobre o assunto uma prelec^&o, a que assisti, no Collegio 
de Fran9a, em Paris. O mesmo illustre professor diz na sua obra in- 
titulada Les premiers habitants de l'Europe, 11, 289: ^*PenlO'S, pour 



1 Vid. Holder, Alt-eeltischer Sprachackatz, m, 97. 

2 NSLo se confunda porém com as palavras derivadas do th. ardu-, que se 
nota em Ardnrmus: vid. Àreh. Port, i, 227. A oste thema corresponde o lai. 
arduuèf o gaul. Ardtterma, irl. artkj «alto» : cfìr. Brugmann, Abrégé de la Qram, 
Comparée, Paris 1905, p. 109. 

3 Vid. D'Arbois de Jubainville, Grammaire CtUique, Paris 1903, p. 12. 



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O Archeologo Portugués 279 

9'*Pempt08, est une forme abrégée du nom de nombre ordinai corres- 
» pendant au nom de nombre cardinal gaxiloìs peimpe «cinqi. La forme 
alatine de ce nombre ordinai est quinttis, pour quenqtos, correspondant 
i»à. quinque pour *qenqe^. A està deducgào theorica corresponde admi- 
ravelmente o Pentus da inscripgSo do Minho. Identico a * Pento8=Pen- 
tzts é a fórma cretense izévroq, que està para a grega irgfxTiTOs corno 
* I^ento8=Pentu8 està para *Pemptos. Em todo o caso nSo occulta- 
re! que, se Pentus é realìdade comò nome de homem, n2o passa de 
hypothese comò nome de mimerò celtico, visto que nio ha texto antigo 
qne contenha tal palavra nesta significagSo; mas é hypothese multo 
admissivel. — Comprehende-se que Pentos, a significar • quinto •, se 
applicasse corno designag^o de pessoa, pois é sabido que os prenomes 
latìnos Quiiitus, Sextus, Decimus, etc. significavam na orìgem ordem 
de nascimento (o quinto filho, o sexto, etc). Do mesmo modo que com 
Quintus se correlacionava Q^^ntintl8, QuinctUius e Quinctius, tambem 
com Pentus se correlacionam PevitinuB, Pentìlius e PeTiHus. Notavel 
coincidencia! 



A tribù romanizada a que pertencia o monumento era, com multa 
probabilidade, aquella que tinha o seu oppidum num monte que fica 
a dois passos da igreja parochial de Pademe, e que ainda hoje se chama 
A CvDidade, do latim civitatem; ahi encontrei urna casa redonda, 
do tjpo jà conhecido noutros castros de £ntre-Douro-e-Mìnho, e varìos 
objectos de pedra (esculpturas) e restos oeramicos, tudo de òrigem pre- 
romana ^ O nome d'està tribù comegava acaso pela enygmatica sjUaba 
CoTnp' que se le tres vezes na inscripgSk). 

Appendice 

Por se parecerem artisticamente com o monumento de que acabo 
de fallar, reproduzo nas figs. 2.* e 3/ (ainda, segundo penso, ineditas) 
duos pedras graniticas do Museu de GuimarSes, em cada uma das 
quaes se representa um nicho com seu personagem. Estes vestem 
uma especie de tunica, mais comprida na fig. 3.* que na 2.' persona- 
gem da fig. 2.* tem na m^o esquerda um objecto triangular, que ao 
repeiite lembra umà cabèga de boi. 



1 Estes objectos estfto no Museu Etimologico Portugués. A Cividade andam 
ligadas varias lendas populares, que colligi e conservo ineditas. 



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280 



O Archeologo Portugués 



As duas lapides sSo evidentemente da epoca lusitanica ou Insitano- 
romana. Appareceram no concelho de Barcellos, na encosta do monte 
da Saia, em cujo come existem restos de um castro; Martins Sarmento, 
qae diz isto, accrescenta que ellas faziam parte de um monumento 
que elle correlacìona com o culto das aguas^ 




FIff. 2.' 



Fig. 3.» 



A semelhan^a entre os monumentos da Saia e o de Paderne esti 
no nicho, no trajo e na attitude dos personagens. Se aquelles, corno 
Sarmento suppSe^ pertencìam a um santuario, a semelhan9a d'elles 
com de Paderne é meramente exterìor, por isso que o de Paderne 
é funerario; mas nem por isso fica descabida a aproxima^So que fa^o^. 



* Vid. ExpedtQào d Serra da Estrella (Relatorio de Archeologia, Lisboa 1883, 
p. 14 e nota). 

' mesmo benemerito archeologo vimaranense accrescenta que nas faldas 
de Sabroso houve um monumento identico aos da Saia, e que proximo do catlello 
de Vermoim, estacSo pre-romana, ha probabilidades de ter existido outro: vid. 
Relatorio citado, p. 14. 



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Archeologo Pobtuqués 281 



Visto que estou a fazer comparagSes, chamarei a capitulo mais 
um HroBi^Kfó ra Fedra dos Namorados, que apparecen no Alto-Minho 
e hoje està no Museu Munìcipal do Porto. E de granito, e tem de al- 
tura 1",80, de largura (na base) 1"", e de espessura 0™,15 a 0^,21. 
Arredondada na parte superior, abriga, tambem em urna especie de 
nicho, dnas figuras vestidas de tunica, as quaes dSo % m2o urna à 
outra. Urna das figuras tem na mào dìreita, junto do peito, um objecto 
que verosimilhante era discoide; a outra tinha na mSo esquerda um 
objecto alongado*. A pittoresca denominammo de Fedra dos Namorados 
que a pedra tem, recebeu-a do povo da localidade d'onde ella proveio. 
Jà n-0 Arch. Pori., xi, 348, comparei a Pedra dos Namorados aos 
monumentos da Saia*. 

J. L. DE V. 



O Oouto e Mostelpo de Vedrao 
Nota» bistorieas 

Na regiSo interamneme do Ave e Donro, chamada ainda hoje Mava^ 
a dentro do concelho de'Villa do Conde, na diocese do Porto, proximo 
do Castro do Boi, e nSo longe da corrente e ponte ^ do Ave, levanta-se 
com apparencia modesta o archaico Mosteiro do Salvador de Vairào, 
de monjas da Ordem de S. Sento. 

Este mosteiro, que nào se imp8e pela majestade da sua igreja, 
nem pela grandeza das officinas, é comtudo notavel pela sua grande 
antiguidade, pelo numero avultado de freiras que frequentemente o ha- 
bitavam, pela opulencia dos seus haveres, e pela riqueza do seu car- 
tono^ abundante de bellos documentos, muitos dos quaes anteriores 
& constitnigSo da nacionalidade portuguesa. 

Fr. LeSo de S. Thomas, autor da Chronica Benedictina, escrevendo, 
em 1651, acérca d'este mosteiro, nSio se baseou na consulta directa 



i Vid. PMugalia, i, 808, onde se publica urna gravura do monumento. 

2 No meu artigo saia por engano ao da Saia, em vez de aos da Saia. 

3 Està ponte de pedra, que se compde de oito arcos, e parece ser do principio 
da monarchia, é chamada nos depoimentos das Inquiri^ea de D. Affondo IT, de 
1220, p. 31, «Ponte de Dom Zameiro», e faz communicar as duas freguesias de 
Bagunte e Madeira. 



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282 O Archeologo Portugués 

de documentos originaes, testemunhas fidedignas, mas pelo contrario 
em simples informagoes de religìosas ; e por isso produziu um trabaJho 
inferior, incompleto, e cheio de inexactidSes. 

Entre as diversas notas, que as freiras Ihe mandaram, avulta a 
copia da inscripgao do celleiro do convento em letras conjuntas, a qual, 
photographada pelo meu illustre amigo Conde de Azevedo, gentilmente 
por elle me foi oflferecida, e por isso a don em gravura. Est. I. 

LÌ9S0 : In nomine Domini perfectum est templum hunc per Manis 
Palla{m) D(é)o vota(m) svh die xim K. AP. ER. 2xxili (1073) regnante 
serenissimo Veremiindu re(ge). (Bermudo III, rei de LeSo e Galliza). 

Esta inscripgao està entalhada em seis pedras, que appareceram 
soterradas no celleiro de VairSo, em 1608, no governo de D. Anna 
de Mendoga, ultima abbadessa perpetua. 

CoUocadas depois na parede do mesmo celleiro, onde estiveram 
durante seculos, foram recentemente removidas para a c(isa dafabricn, 
onde se encontram na parede, carinhosamente acauteladas pelo intel- 
ligente professor officiai da freguesia, Sr. Manoel Gomes da Silva Ri- 
beiro. 

A inscrip^ao, comò se ve da gravura, tem a er. 2xxni; ora par- 
tindo do principio de que naquella epoca sSo vulgares e frequentes as 
datas incompletas ou abreviadas, isto é, com a omissao do milhar ou 
millesima, e sabendb-se que numero sètenta se exprimia tambem pela 
formula LXX, seria facil construir a era de 1073. 

Demais, a allusSo ao rei Bermudo ou Veremundo, e a circunstancìa 
de Bermudo III de LeSo e Galliza ter reinado entre as eras 1065 e 
1075, nao deixam duvidas quanto à era de 1073. 

Foi assim que discorreu no caso JoSo Fedro Ribeiro, grande 
precursor de Alexandre Herculano. 

As freiras de VairSo, porém, leram a refenda data d'este modo : 
ER. DXXiii (523), e assim informaram chronista. 

Fr. Leào de S. Thomas, sem exame e sem estudo, mas n3o se con- 
formando no seu espirito com tao alta antiguidade dada ao mosteìro, 
que certamente iria de encontro & tradÌ9ao da sua Ordem, lan^a-se 
em explicaQ^es, algumas das quaes slo razoaveis, comò a de nSo se 
tratar na lapide da fundagào do mosteiro, mas semente de um tempio, 
para afinal concluir pela suspeiQ^to ou probabilidade de erro na data, 
quando poderia concluir pela certeza pelo menos de erro na rnforma9So, 
visto que a era 523 corresponde ao dominio dos Suevos, onde nao ha 
noticia de rei algum com nome de Veremundo ou Bermudo. 

Assim desnorteado, chronista benedictino datou a funda^So do 
mosteiro de VairEo do sec. xn, pois que a attribuiu aTouris Sama, na 



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O Archeologo Pobtdgués 283 

era de 1148 (anno de 1110), seguindo o NoUliarìo do Conde D. Fe- 
dro, tit. 41. 

Fazendo justija a Fr. LeSo de S. Thomas, devo dizer que ainda 
qiie elle tivesse vìsitado pessoalmente o cartono do mosteiro, natural- 
mente nSo encontraria là o documento mais antigo *, e por assim dizer 
basilar, do convento; porquanto, sem se saber por que motivo, estava 
no cartono do Cabido da Sé de Coimbra, d'onde foi levado para o Ar- 
ehivo Nacional. ^ 

iEste documento é a carta de doagao da Villa Valeriani e de duas 
igrejas com as respectivas alfaias, feita no anno 974 pelo presbytero 
Romarìo e sua irmS Emilo a Domitria e ao seu duplex mosteiro. 

O texto autentico, escrito na lingùagem latino-barbara da epoca, 
encontra-se integralmente copiado nos Pori. Man. Hist, e Dipi, et 
Ch.», n.® 112, de que dou este excerpto: 

Domnis invictissimis oc triunfcUoribus Christi gloriosis sanctù qtte 
martiribtis domini salbatoris sanete marie semper virginis et genetricis 
domini nostri ihesu ch'isti sancii migaeli arcangeli sanciorum aposto- 
lorum petri et pauli sancti andre apostoli sancii martini episcóbi et 
confessoris domini, ego serbo christi RROMARIO PRESBTTERO ET GER- 
MANA HEA EMILO deo extitit devotionem prò remedio anime mee vohis 
hoffero et concedimus in loco predicto villa qiie dicent Valeriani que 
estjusta castéUu de bove rribulum ave inier villa mazanaria^ etfomellu, 
obinde ego jam dicto RROMARIO hoffero et confirmo vd testamento facio 
de licci ipsius sancti salbatoris vel sociorum ejtis ut ic diximus sacris 
sanctis aliaìnbus et tibi DOMITRIE vel potestatis tue etfratibus etsororibus 
tuis qui tecum in vita sancta perseveraverint concedo vel adtesto vobis ipsa 
ecclesia vocabuh sancta maria et sancto migadum et sancio martino et 
adicimus vobis alia ecclesia vocabulo sancio migadum arcangeli et sancti 
mameti matiris christi ctijus basdiga fumdata est in villar que diceni 
fdgaria^. . .? cum omnem stios intrinsegus, eie, etc,^ eie. 

Este documento é de notavel importancia historica, pois que d'elle 
se conclue: 

1.**, que mosteiro de VairSo existe desde o sec. x; 2.°, que este 
mosteiro na sua origem foi duplex. Os firades e freiras n&o viviam em 



^ Jo3o Fedro Ribeiro dis que ob documentos mais antigos que uos restam 
nos nossos cartorios pertencem ao sec. iz e sSo mnito poucos. Os Portugaliaè 
Monumenta Historica publicam apenas doze documentos do sec. ix. 

^ Macieira. 

' Felgar, concelho de Moncoryo? Vid. Gama Barros, Hittoria da Admnis- 
tra^ pubUeOy ii, 333. 



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284 O Archeologo Poetugdés 

commum, mas separados uns dos outros por largas paredes ou grossas 
grades de ferro; 3.®, que os oragos do convento eram S. Salvador, 
Santa Maria Virgem, S. Miguel Archanjo, os Santos Apostolos Fedro, 
Paulo e André, e S. Martinho, bìspo e confessor; 4.**, que sondo nesta 
data feita a doa9ao da VUla Valeriani e do logar de S. Salvador e da 
igreja chamada de Santa Maria, S. Miguel e S. Martinho a Damitria 
et fratìbus et sororibus tuis qui tecum in vita sancta persevemverint, 
parece ter-se encontrado a epoca da fundagSo d'este mosteiro, ficando 
portante a inscrip^So lapidar acima refenda reduzida ao seu justo valor; 
pois que apenas attesta a existencia de um tempio, que um seculo 
depois se erigiu, e do qual certamente nSo existe hoje uma unica pe- 
dra, a nSo estar ella mettida nas paredes das posteriores edifica^Ses; 
5.^, finalmente que o nome de Vairik) deriva da VtUa Valeriani, comò 
o d'està deriva de Valeritu, talvez o instituidor do predio romano*. 

Do sec. XI existiam no cartono deVairSo dois documentos, que 
se referem ao mosteiro, por fórma inconfundivel: o 1.*, é a carta de 
doa9^ de um casal chamado Leneti, sito na freguesia de Avellèda, 
feita por Gonjalo Jtfenendiz, no dia 9 de Dezembro do anno de 1021, 
a favor do Asceterio de VairSo {Acisterio Valeri)^ fundado em honra 
de S. Salvador, Santa Maria Virgem, S. Miguel Archanjo e dos Doze 
Apostolos 8uòtu8 Castro de Bave, territorio portugalensis, discurrente 
rivolo Ave; o 2.®, é o centrato feito entre tres presbyteros no anno de 
1064, pelo qual dividiram entre si as rendas da igreja de S. Martinho 
de Vermoim*, que D. Pala e o Abbade Mende, do Asceterio deVairSo, 
Ihes haviam doado, e combinaram acérca do modo comò se haviam 
de substituir reciprocamente nos seus impedimentos. 

Ambos estes documentos se encontram publicados nos Port. Man. 
Hi8t., «Dipi, et CLi, n.«' 249 e 440. 

No sec. xn deu el-rei D. Affonso Henriques ao Mosteiro de Vairao 
a Carta de Conto ^, cujos limites nSo iam alem da freguesia do mesmo 
nome. 



1 Vid. Ab VUlas do Norie de Portugal, de Alberto Sampaio, p. 42, e n-0 
Arch, Pori., n.*>» 9-12, o preambulo do artigo «Villa do Conde» sobre villas ro- 
manas. 

< Hoje S. Martinho da Barca, concelho de Maia? 

' Cotdar ama terra, dìzia el-rei D. Denis, era escusar os seus moradores 
do serYÌ90 militar {de hoste e de fossado), dos oatros servi^os pessoaes, e de trì- 
butos pecuniarios ou em generos, directos ou indirectos {de fìro)^ e finalmente 
das multas applicadas ao fisco {e de loda a petto). Se à completa isen^So de en- 
cargos dos moradores da terra para com o fisco se juntar o direito jnrisdiccional 
e a nega9So de entrada aos officiaes regios, obtem-se a verdadeirà sunima dos 



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O Archeologo Portugués 285 

Està carta tem a data de iv kal. Apr. da era 1179 (anno de 1141). 
(Ribeiro, Dissei-t. Chron., Ili, p. 122). 

O mesmo rei Affonso Henriques doou, ao mosteiro de VairSo e à 
sua abbadessa D. Gelvira Toirei, metade da igreja de S.^ Estevam de 
6iSo, aos 9 das Kal. de Junho da era 1181 (anno de 1143). (Ribeiro, 
Dissert. Chran., Ili, p. 124). 

D'estes documentos^ onde so se faz inen9ao de relì^osas no mos- 
teiro, resulta patente que nesta data se havia dado jà cumprimento 
em VairSo às buUas pontificias de Gregorio VII (1073-1085) e de Pas- 
cboal II de 1103, que extinguiram as duplas communidades de frades 
e freiras. 

Nesta mesma epoca o Papa Calixto II, por breve do anno de 1120, 
sujeitou mosteiro de VairSo, assim corno os demais da diocese do 
Porto, & jurisdicgSo do bispo D. Hugo. (Cunha, Cat. dos Bispos do 
Pofto, part. II, cap. i). 

No sec. xiii, J. P. Ribeiro, nas suas DisaertagSes Chronólogicas, 
t. I, pp. 260 e 269 in fine, publica o instrumento de appellagSo inter- 
posta para a Sé Apostolica pelo Mosteiro de VaìrJto, do thesoureiro 
de Braga, sendo abbadessa D. Sancha Pires: tem a data de 15 kal. 
Aprilis, era 1295 (anno de 1257); e uma doa0o feita na era 1257 
(anno de 1219), pelo mesmo mosteiro de VairSo, a Romeu, abbade de 
S. Martinho de Vermoim, sendo abbadessa D. Maior Martins. 

No anno de 1285 o Mosteiro de VairSo emprazou certos casaes 
e a Hermida ou Hermitagio de Santa Maria Magdalena, ^que est in 
Castro de BoÌ3, facultando aos emphiteutas a recopy^o de todos os 
frutos, proventos e offertas €qnae venerint ad ditam Haeremitam sive 
ad dictum Haeremitagiumt , com ampio direito de arrendamento. (Doc. 
de VairSo citado por Viterbo no seu Elucidiario). 



privilegios dos Coutos. (Gama Barros^ Historia da Administra^ào Publica, 1. 1 
pp. 440 e 441). 

Viterbo no seu Eluddiirio diz, baseado em documentos de Vairio, que as 
freiras d'este convento deram a Affonso Henriques vinte maravedis, quando este 
monarcha ihes fez a mercé do Couto. 

Para isto teve a abbadessa de vender à sua criada Maria Pires Deovota al 
guns bens do mosteiro: «prò iUas xx.»^ almoravidUes^ quos misimus prò iUo Cauto * 
Anno 1142. 

•Subtus ciuitas aXhardios et centro de bove» diz outro documento medieval 
Pori, Mon, Hiat, «Dipi, et Ch.», n.*» 16). Sr. Alberto Sampaio pensa que o 
Castro do Boi era um dun, cspecic de pequena cidadella ou posto avan9ado do 
grande oppido,''que ficava a pouca distancia, chamado cividade de Alvarelhos 
(Monte de S. Marjal). 



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286 O Archeologo Poetugué» 

No sec. XIV, el-rei D. Denis expediu urna ProvisSo Regia, datada 
de 30 de Agosto da era 1349 (anno de 1311), a pedido da abbadessa 
do Mosteiro de VairSo, recommendando ao Meirinho-mór d'Alem Douro 
que fizesse reprimir as extorsSes praticadas no mesmo mosteiro pelos 
rico8 honiens, ricas donas, infan^Zes, cavalleiros, donas e eseudeiros, 
que eram naturaes* d^este mosteiro. (Ribeiro, Disperi. Chron., i, p. 
297 infine). 

Para melhor inteiligencia das razSes da queixa das freiras e dos 
motivos d'està Provislo Regia, rapidamente, tanto quanto o comportam 
as estreitezas d'este estudo, vou expor a genese da questuo. 

As igrejas e mosteiros de padroado particular deviam, por direi to 
tradicional, aos seus fundadores e descendentes d'elles, a presta93o de 
servÌ90S, que muitas d'essas corpora95es mal' podiam supportar, nio 
tanto pela obriga9ào em si mesma, comò sobretudo pelo abuso do di- 
reito correlativo. 

A lei de Mar90 de 1261 elucida os leitores sufficientemente, mos- 
trando OS direitos de que os padroeiros gozavam e as violencias com- 
mettidas i sombra d'esses direitos. 

Os padroeiros e os seus naturaes ou herdeiroéy sendo ìegitimos, 
tinham direi to a aposentar-se (pousadias) nas igrejas e mosteiros do 
seu padroado, e a receber ahi alimento (comedoria, jantar). 

As comedorias e pousadias podiam ser tambem exigidas pelos filhos 
illegitimos, se estavam equiparados aos Ìegitimos na successSo dos bens 
dos paes. 

Tinham direito alem d'isso os padroeiros a cobrar um subsidio, nSo 
so para casamento das filhas (casamento) mas tambem para armar ca- 
valleiros os filhos (cavaUaria) ou tirà-los do cativeiro. 

Ora bastava a circunstancia de se estender illimitadamente, i des- 
cendencia dos fundadores, o direito de aposentadoria e comedoria, para 
que este privilegio se tornasse insupportavel ; mas peor ainda era o 
abuso, exigindo-se o cnmprimento do encargo mais vezes do que eram 
devidas, e até em favor de estranhos, que acompaubavam os naturaes 
ou se Ihes aggregavam depois. 

D'estes vexames se queixaram, por isso, as religiosas de VairSo, 
e d'ahi o diploma expedido por el-rei D. Denis, procurando por-lhe 
cobro. (Gama Barros, Hiatoria da, AdminUtragào Ptddica, t. i, p. 342 
e sgs). 

Do sec. XVI ha nm documento historico de alta valia, que cita o 
Conto e Mosteiro das freiras de VairSo, ho julgado da Maia, termo 



1 Filhos ou descendentes dos padroeiros dos mosteiros. 



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O Abcheologo Pobtuguès ^ 287 

da cidade do Porto. E o censo da populagSo de 1527, ordenado por 
D. Jo§o III. 

Por este documento vè-se que a freguesia de VairSo tinha à data 
trìnta e quatro fogos. 

No anno de 1567 o Papa Pio V, a pedido do Cardeal D. Henrique, 
em nome de D. SebastiSo, expediu uma bulla autorizando a reforma 
dos mosteiros benedictinos, sendo uma das suas bases acabar com a 
jurìsdic^So do governo perpetuo dos abbades, passando por isso a ser 
triennal. 

D'està reforma foi encarregado Fr. Pedro de Ghaves, e era entSo 
arcebispo de Braga D. Fr. Bartolomeu dos Martyres e bispo do Porto 
D. Rodrigo Pinheiro. 

O papa Gregorio XIII, em 1574, revogou a bulla de Pio V nos 
mosteiros aonde nSo tivesse sido executada; porém, no tempo de Fi- 
lipe I de Portugal, Sixto V (1585-1590), revalidou a mesma bulla de 
Pio V, e d'ahi por deante definitivamente se pos em pratica em todos 
OS mosteiros o regimen dos abbades e abbadessas triennaes. 

No mosteiro de VairXo executou-se tarde a reforma; de modo que 
a ultima abbadessa perpetua foi D. Anna de MendoQa, da illustre 
casa da Feira, fallecida em 1634, comegando entlU) as abbadessas 
triennaes com D. Anna de Scusa e Noronha e acabando com D. Anna 
Clementina do Santissimo Cora9ào de Jesus, ultima abbadessa, fallecida 
em 9 de Dezembro de 1891, extinguindo-se assim està casa de mais 
de nove seculos, casa de grande renome nas provincias do Douro e 
Minho, e onde com multa sincerìdade e verdade a abbadessa D. Mi- 
chaela Maria e Abreu mandou gravar no anno de 1736, no portai do 
atrio, estes versos da Benedictina Lusitana: 

Starnata VaTrani rutilant a tempore longo 
Sincera falgent religione magis. 

Este mosteiro, que no sec. xvii tinha oitenta freiras e possuia um 
rendimento superior a 2:000^000 réis annuaes, apresentava o parocho 
da freguesia de VairSo (direito que evidentemente Ihe provinha da doa- 
9^0 jà citada do anno de 974) e tinha mais o padroado das igrejas de 
Fornello, Alvarelhos, Geio, Modivas,Villar de Porcos ou Villar de Pi- 
nheiro e S. Martinho de Vermoim. (Cunha, Cat. dos Bispos do Porto, 
parte n, p. 398 e sgs.; Inquirigdes de D. Affonso III, de 1258, p. 49, 
2.* algada). 

De comò era reformada e santa a vida d'este convento, dà tes- 
temunho exuberante o chronista, quando relata que d'elle siuram as 
prìmeiras freiras, que povoaram os mosteiros de Santa Escolastica, de 



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288 O Archeologo Pobtuqués 

Bragan^a, e de S. Bento, de Murya; e da sua hospitalidade nào ba qoe 
duvidar, depois da leitura do capitulo «Um episodio inedito do cerco 
do Porto», contado e documentado por Lino de A8sump9^ nas UU 
timas Freiras. 

As religiosas dominicanas do convento de Corpus Chrigti, de VìlU 
Nova de Gaia, estiveram com toda a sua communidade no Mosteiro 
de VaìrSLo, durante qninze meses, desde fins de Dezembro de 1832 
até Margo de 1834, e apesar da differenza de regra, de usos e cos- 
tumes, e até de opiniSes politicas, porque as freiras de VairSo eram 
migudUtas, nSo houve incidentes notaveis, que merezam registo. 

A igreja e o edificio conventual, apesar de nio se recommendarem 
por primores de arte nem por beliezas de estilo, e serem alias de 
construc93o ingenua e singela, quando outro merecimento nSo tenbam^ 
servem ao menos para avalìar o esfor^o do espirito humano na sua 
marcba evolutiva. 

Com excepgSo do cdro, Est. II, resto venerando de urna velha 
igreja demolida, e de dois renques de columnas e arcos da crasta, 
tudo mais é dos secs. xvi e xvin. 

A igreja, orientada no sentido leste-oeste, é de 1794, e a sua fa- 
brìca foi mandada levantar pela abbadessa D. Leonor Maria Ludovina 
Finto e Azevedo. 

A portarla do conveiìio, de 1751, é edifica^So da abbadessa D. Fran- 
cisca Xavier Raiam de Magalhftes. Est. III. 

A ala direita do convento é construcgào mais antiga, pois data 
de 1596, e foi ordenada pela abbadessa D. Cecilia de Menezes, e pa- 
rece sor urna reconstrucgSo ou ampliayXo da obra da abbadessa D. Bea- 
triz de Castro, de 1558, conforme as inscripySes ou letreiros là gravados 
numa janela. 

A ala esquerda ficou incompleta e portanto sem inscrip^So. 

Adjacente ao còro da igreja està urna pequena capella dedicada 
a S. JoSo Baptista, e revestida interiormente de magnificos azulejos 
polychromicos. 

Em campa brasonada jazem ali os restos mortaes de D. Francisca 
Luisa Ferreira Furtado de Mendo^a* — 1707. 

E aqui termino estas despretensiosas notas, que nSo tem outro 
merito alem de servirem de indiculo ou elemento para estudos histo* 
ricos ulteriores, embora de démarche penosa e difficil; pois jà se quei- 



1 Padre Carvalho da Costa, na sua Corographia, i, p. 324, diz que està 
nobre senhora, do Morgado dos Ferreiras, de Canidello, era casada com D. Joao 
Manoel. 



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Aidiéolojio Poiiugué&--VflI. 111—1907 




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htéHkfi Ftnujoét— V(l IH— 1907 



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Tuta do còro do Conronto deVair&o (1ack> ext«rior) 



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Aictieologo Pwtuguèi— ToL III— 190? 



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O Archeologo Portugués 289 

xava FernSo Lopes: «qu3m cuidaes, dizia elle, qiie se nào enfade de 
revolver cartorios de podres escripturas, cuja velhice e defazimento 
negam o que o liomem queria saber?». 

E realmente 6 assim, commenta o Sr. Costa Lobo. 

O primeiro e mais absorvente cuidado de todo o individuo e cor- 
poracào, é da mantenga diaria. Documentos, que assegurem a sub- 
sistencia e o bem-estar, registam-se escrupulosamente ; memorias de 
outros successos deixam-se à ventura da tradiySo. 

Villa do Conde, 15 de Junho de 1907. 

MONSENIIOR FeRREIRA. 



Medalha commemorativa do casamento do Infante D. Joao, 
depois D. Joao VI, com D. Cariota Joaquina de Bour- 
bon, e do da Infanta portuguesa D. Mariana Victoria 
com D. Gabriel de Hespanha 

CoUee^ao orgaiiizada por José Lainas 

A antiga rivalidade entro Portugal e a Hespanlia, que tao preju- 
dicial foi a estes dois paises, ao passo que originava, de quando em 
quando, sanguinolentas lutas, dava tambem legar a successi vas alliangas 
de familia^ por meio de casamentos de soberanos e principes das res- 
pectivas cortes. A custa d'estas allian9as se pretendia, por vezes, asse- 
gnrar a paz; à sombra d'ellas se occultava, tambem, a ideia da reali- 
zacSo do sonho de conquista, que tanto preoccupou as duas nagoes!. . . 
Foi com intuitos pacificos que se negociou o casamento do Infante 
D. Joao, depois D. Joao VI, com D. Cariota Joaquina de Bourbon. 



A execufao de certas disposigSes de alguns artigos do tratado de 
paz assinado em Utrecht, entre Portugal e a Hespanlia, no anno de 
1715, e outros motivos, haviam provocado tao graves dissidencias entre 
OS dois reinos vizinhos,. durante o reinado de D. José, que, ao subir 
ao throno sua filha, a Rainha D. Maria I, a guerra parecia inevitavel. 

Nio correram tXo satìsfatoriamente, comò era para desejar, as ne- 
gociagoes diplomaticas que se emprehenderam com o fim de evitar esse 
desastre, que no horizonte se delineava com sombrio aspecto. Iniciou- 
se, é certo, a discussào de um tratado preliminar de allianja e de paz, 

19 



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290 O Archeologo Portugués 

mas as imposigSes da Hespanha eram de tal modo desfavoraveis a Por- 
tugal, que nEo foi possivel chegar-se a acordo seguro. 

Julgou-se entSo que so com a presen9a da Rainha vi uva em Madrid 
se poderia resolver a contenda. IrmS de Carlos III, Rei de Hespanha, 
e Mae da Soberana de Portugal, era, na verdade, D. Mariana Victoria 
a melhor medianeira que para està questuo se poderia eleger. 

Realizou-se a viagem da Rainha aquella capital em 1777 e no anno 
seguinte, a 11 de Marjo de 1778, assinava-se, no real sitio do Pardo, 
ura tratado entro as duas na9oes. Alguns meses depois voltou a Rainha 
viuva para Portugal, convencida de que tinha le vado a bom termo a 
sua difficil missao. 

NSo se contentou, porém, D. Mariana Victoria, com este simples 
acordo. Querendo langar as bascs para uma allian9a mais intima do 
que aquella que estensivamente acabava de ser estipulada, aprovcitou 
a opportunidade para negociar com seu irmao, Carlos III, o ajuste do 
casamento de seu neto, o Infante D. Joao, com uma Infanta hespa- 
nhola. Para que a allian9a ficasse mais estreita, combinou-se tambem 
que a Infanta portuguesa D. Mariana Victoria casasse com um prin- 
cipe hespanhol. 

Estes enlaces seriam complemento, e ao mesmo tempo penhor, do 
tratado do Pardo; mas sobre este assunto se guardou rigoroso segredo, 
comò convinha, emquanto o Infante D. Joao, ainda crianca, nao attin- 
gisse a idadè de poder contrahir matrimonio. 

A importancia que se ligava a estcs enlaces nào admittia, porém, 
grandes delongas; por isso, decorridos apenas dois annos, em 1780. 
iniciaram-se as negocia95es, quasi officiaes, para os projectados casa- 
mentos. 

Tratou-se entao da escolha de consortes para os Infantes portu- 
gueses. Dirigiram-se as primeiras tentativas no sentido de casar o In- 
fante D. Joao com uma filha do Grào-Duque da Toscana, a qual era 
neta de Carlos III; com D. Mariana Victoria casaria um filho segundo 
do mesmo Qrào-Duque. 

Mas a breve trecho todo este plano se modificou em consequencia 
das graves questSes que surgiram entro os Grào-Duques da Toscana 
e Rei de Hespanha, e que, ainda para mais, se complicaram com a 
morte da Rainha viuva, principal influente na realiza9ao d'este projecto. 

As novas negocia93es que, após curta interrup9So, se entabolaram 
entro D. Maria I e Carlos III, deram por fim em resultado o ajuste 
do casamento do Infante D. JoSo com D. Cariota Joaquina de Bour- 
bon, e da Infanta D. Mariana Victoria copi D. Gabriel, irmSo do Prin- 
cipe das Asturias. 



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O Archeologo Portugués 291 

Era D. Cariota Joaquina neta do Rei de Hespanha Carlos III 
e filha do Principe das Astarias, que depois foi Carlos IV, e de sua 
mulher D. Maria Luisa de Parma. Nasceu em 25 de Abril de 1775. 

O Infante D. Jo3o, depois Principe Regente e Rei de Portugal, era 
terceiro filho de D. Maria I e de D. Pedro III. Nasceu em Queluz, 
em 13 de Maio de 1767. 

D. Mariana Victoria era irma de D. Jolo. Nasceu a 15 de Dezem- 
bro de 1768. 

Tratavam d'este negocio em Madrid, comò embaixador portugués 
M Marqués de LourÌ9al, e comò plenipotenciario hespanhol o Conde de 
Florida Bianca *. 

Iniciou-se a serie de ostentosas formalidadcs, com que slo revestidos 
OS casamentos de pessoas de tao elevada gerarchia, com a assinatura 
dos artigos preliminares dos tratados matrimoniaes, que se effectuou 
em Aranjnez no dia 2 de Maio de 1784. 

Serviram estes artigos de base para as escrituras definitivas, que 
depois se assinaram^. 

No dia 27 de Mar90 do anno seguinte, num Domingo de Pascoa, 
fez embaixador portugués a sua entrada publica em Madrid, para 
pedir oi&cialmente a mio de D. Cariota Joaquina. Segundo o uso da 
epoca, realizou-se està cerimonia com grande apparato. 

Com luzido cortejo se dirigiu o Marqués para o palacio real, saindo 
de sua casa, por Ihe ter sido dispensado o vir de fora da cidade, comò 
era costume. Grande numero de pagens, gentis-homens e lacaios, so- 
berbos coches de gala e bellos cavallos, ricamente ajaezados, fìgurayam 
nesse cortejo de deslumbrante aspecto, que seguiu em muito boa ordem, 
por entre compacta massa de povo, pela ma da Hortaleza, onde o em- 
baixador residia, Porta do Sol, rua Maior e por fim entrou pelo arco 
da Armeria. 

' O estado do embaixador compunha-se de seis cavallos e quatro 
coches, «muy primorosos y de exquisito gusto», puxados por quatro 
cavallos cada um. 

Quando chegou ao palacio, foi o Marqués de Louri^al conduzido 
a presenta do Rei, que na sala da audiencia o aguardava rodeado da 



1 Vid. Latiao Coelho, Historia politica e militar de Portugal, t. ir, p. 1 e sgs., 
onde vem deaenvolvida e proficientemente estudado o assunto até aqui tratado. 

2 £8tes artigos preliminares bem corno diversos outros diplomas relativos 
aos doÌ8 casamentos, taes comò : procura^des, ratifica9de8, cartas patentes, escri- 
turas definitivas, etc, est2o no Archivo da Torre do Tombo, na caixa dos tratados 
matrimoniaes. Nas escrituras figaram as assinaturas das pessoas das duas fami- 
lias reaes, hespanhola e portaguesa. 



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292 O Archeologo Pobtogués 

corte. Desempenhou-se o Marquès da sua missSo proferindo iim breve 
discarso. Em seguida dirigiu-se à sala do Principe das Astiirias e de- 
pois à da Princesa, onde tambem estava a noiva, D. Cariota Joaquina. 
Por firn, depois de ter cumprimentado as oatras pessoas da Familia 
Real nas respectivas salas, retirou-se para casa com o mesmo cortejo. 

A tarde visitou, cerimoniosamente, Florida Bianca, que a seguir Ihe 
retribuiu a visita. Ainda no mesmo dia, 27 de Margo de 1785, se assi- 
naram as escrituras e se celebraram os desposorios de D. JoSo com 
D. Cariota Joaquina. 

A solemne outhorga das escrituras realizou-se no Sal^o dos Reinoi, 
com assistencia da Familia Real, da córte e de muitas pessoas distinetas. 
Para a celebragao dos desposorios estava preparado um aitar em nma 
das salas do palacio, onde o Patriarcha das Indias recebeu os noivos. 

Representou o Infante D. JoSo, nesta cerimonia, o Rei Carlos III. 
Foram padrinhos os Principes das Asturi as e testemunhas os Infantes 
D. Gabriel, D. Antonio, D. Maria Josefa e D. Luis. 

Por tao faustuoso acontecimento recebeu o Rei de Hespanha as fe- 
licita^5es da cidade de Madrid, por intermedio dos seus representantes. 

A noite deu o Marquès de LourÌ9al notavel festa, para a qual foram 
convidadas cerca de duas mil pessoas. Para esse firn teve o embaixador 
de ampliar o seu palacio, mandando construir no jardim um grande 
salaò, que estava esplendidamente ornamentado, e cujo risco era do 
architecto D. Pedro Arenai. 

Houve refrescos, serenata, ceia, que foi servida em pequenas mesas 
distribuidas pelas salas, e, por iìm, grande baile que terminou no dia 
seguinte. Igual festa se repetiu no dia 29. Nas janelas do palacio to- 
cava se musica e cantavam-se córos, para divertimento do publico. 

O dia 28, segundo dos festejos, foi destinado para o beija-mao geral, 
que esteve muito concorrido. 

Em 29, de manhE, deu-se beija-mao aos conselhos; i tarde, foi a Fa- 
milia Real, com solemne cortejo, ao Santuario de Nossa Senhora da 
Atocha, dar gra^as por tao feliz acontecimento. Quando regressou 
ao palacio viu as soberbas illuminagoes da cidade ^ 



^ Acérca do que se pasaou cm Madrid, vid. o folheto que foi publicado em 
supplemento a Gazcta de Madrid, de 1 de Abril de 1785, intitulado: Xoticia de 
lasfuìiciones y Fiestas con que se ha celebrado el Deaposorio de la Serenissima Sehora 
Infanta DoTia Cariota JoacJiiua, nieta del Bey, hija de los Principes Ntros, Sres. 
con el Serenissimo Senor Infante de Poriiigal Don Juan, hijo de la lìeyna y del 
Jity Fùìelissinios. Tara 11 pagina^. Bib. Nac. Historia n.° 14868 (proto). 

D'estc folheto se fez urna traduc^ao em portugués : Xoticia dasfktngoens, eftsias 
com que em Madrid se celebrou o despozorio da Serenissima Senhora Infanta D. Car* 



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O Archeologo Portugués 293 

Em 1 de Abril chejrou a Lisboa a noticia officiai de que em Ma- 
drid se haviam celebrado os desposorios do Infante D. JoSo eom D. Car- 
iota Joaquina. Houve por esse motivo solemne Te-Deiim na Capella 
Seal da Ajuda e as eostumadas demonstracSes de reg-osijo, durante 
tres dias, que foraui de grande gala. Illnminou se a cidade, os sinos 
repicaranti e as fortalezas e navios salvaram. 

No dia 4 do mesmo mòs reeebeu a Familia Real as felicitagoes 
do corpo diplomatico, da nobreza, do senado da Caraara e das Aca- 
demias, da Historia e das Sciencias ^. 

Em relagào aos desposorios da Infanta D. Mariana Victoria com 
D. Gabriel; colebrou-se em Lisboa cerimonia identica k que se tinha 
realizado em Madrid para os desposorios de D. JoSo com D. Cariota. 

Foi encarregado pela córte do Hespanha da missào de pedir offi- 
cialmente a Infanta portnguesa, o Conde de FernlSo Nunes, D. Carlos 
José Gutierrez de los Rios, fidalgo multo illustre e da primeira nobreza. 

Em 11 de Abril de 1785 fez este embaixador a sua entrada publica 
em Lisboa. Saiu do palacio do Rodo, que Ihe foi cedido, e de ahi se 
dirigiu para o palacio da Pra9a do Commercio. Te ve igualmente dis- 
pensa de vir de fora da cidade. As duas horas e raeia da tarde comejou 
a d?sfilar o majestoso cortejo que acompanhava o embaixador, no qual 
se encorporaram 75 vistosos coches de gala, muitos criados e lacaios 
com librés, soberbos cavallos bem ajaezados, etc. Grande concurso de 
povo admirava a magnificencia d'este cortejo. Na Praga do Commercio 
alguns regimentos, commandados pelo Marquès das Minas, faziam a 
guarda de honra. 

Na escada do palacio foi o embaixador recebido por tres fidalgos 
que introduziram na sala da audiencia. onde a Rainha o agnardava 
sentada no trono e rodeada da sua corte. 

Depois de entregues as cartas credenciaes, com as eostumadas 
formalidades, em um breve discurso fez o Conde de Fernao Nunes 
o pedido da mSo da Infanta; lego que obteve resposta affirmativa da 
Soberana, dirigiu-se aos aposentos do Rei, do Principe, da Princesa 
e das Infantas, cada um dos quaes estava em sala separada. Termi- 
nadas estas audiencias voltou, com as mcsmas formalidades, para o 



iota Joaquina f neta del Bei Catholico, filha do8 Serenissimos Pnncipes das Asturias; 
com o Serenissimo Senlior Infante de Portugal D, Joào, fillio dos lieis Fidelissimos, 
Fielmente traduzida do seu originai impresso em Madrid para satisfazer ao dezejo 
dos hons portuguezes, que se interessào pela gloria da sua Xagào. Lisboa 1785. 
23 pagina». Temos um esemplar. 

1 Yid. segundo supplemento da Gazeta de Lisboa, de nabbado 9 de Abril 
de 1785. 



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294 O Archeologo Portugués 

palacio do Rodo, e ahi offereceu um refresco ao Marqués de Castello- 
Melhor, fidalgo que nesta cerimonia desempenhava as func9oes de c<^n- 
ductor. 

Em seguida foi o embaixador visitar o Secretano de Estado, Vis- 
conde de Villa Nova da Cerveira, o qual, de ahi a pouco Ihe retri- 
biiiu a visita. Tanto um corno outro ofFereceram refrescos, 

A noite houve illumina9ao geral na cidade, descargas de artìUiarìa 
e repiques de sinos. 

No dia 12, pelas 11 horas da manh2, assinaram-se as escritaras 
no palacio da Ajiida. Para assistireni a este acto foram avisados os 
fidalgos, titulares e grandes do reino, bem corno alguns prelados qiie 
se encontravam em Lisboa. Fez de notano o Visconde de Villa Nova 
da Cerveira, por estar doente o ministro competente, Aires de Sa e 
Mello. 

As quatro horas da tarde do mesmo dia, 12 de Abril de 1785, 
realizaram-se os desposorios de D. Mariana Victoria com D. Gabriel, 
na Capella Real da Ajuda. Sairam as Pessoas Reaes do palacio, acom- 
panhadas pelo embaixador e por numeroso sequito, dirigindo-se para 
a Capella por urna passagem coberta. A noiva era conduzida pela mào 
da Rainha. 

O Patriarcha, depois de ter recebido a procuragSo para D. Pedro III 
representar o noivo, e a dispensa de parentesco concedida pelo Papa, 
fez as perguntas do estilo. D. Mariana Victoria, antes de responder, 
ajoelhou-se e beijou as mios de seus paes. Foi madrinha a Rainha 
D. Maria I. 

Cantou-se em seguida um Te-Deum e houve bengSo solemne. 

Quando està festa terminou dirigiu-se o embaixador aos aposentos 
da Infanta, a quem entregou o retrato do noivo. 

A noite queimouse bello fogo de vistas na Praga de Belem, que 
foi presenceado pela Familia Real, pela corte e por muito povo. Toda 
a cidade se illuminou. 

A seguir ao fogo houve serenata no salSo de musica do palacio 
da Ajuda. Cantou-se um drama lyrico, allegorico aos dois casamentos, 
intitulado Iminei dei Delfi, cuja letra era de Caetano Martinelli e a 
musica de Antonio Leal Moreira, mestre do Seminario de Lisboa. 

O dia 13 foi destinado à recepcSo officiai, à qual foram admittidas 
as duas Academias, da Historia e das Sciencias. 

A noite Conde de Fernào Nunes offereceu à córte sumptuosa 
festa no palacio do Rodo, Representou-se o drama lyrico Os desposo- 
rios de Hercules e Hehe, do qual se distribuiram exemplares impressos 
pelos convidados. A letra d'este drama foi escrita em Roma; a musica 



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O Archeologo Portugués 295 

era de Jeronymo Francisco Lima, tambem mestre do Seminario de 
Lisboa. Sérviu-se lauta ceia e houve baile, que terminou no dia se- 
guinte às sete horas da manhà *. 

A troca das Infantas, conforme se combinerà, realizou-se em Villa 
Vigosa, no dia 8 de Maio de 1785. Para esse firn partiu D. Cariota 
Joaquina de Aranjuez eom luzido acompanhamento, em 27 de Abril, 
isto é, dois dias depois de ter completado dez annos de idade. A 22 do 
mesino més embarcoii a Familia Real Portuguesa no Caos de Belem. 
A 7 de Maio chegou D. Cariota Joaquina a Badajoz, onde a foram 
cumprimentar alguns fidalgos portugueses, bem comò o embaixador 
hespanhol. No dia seguinte de manhà seguiu para Villa Vigosa, onde 
jà e stava a corte. 

O Infante D. Jo3o foi esperar a sua noiva ao caminho. Quando a 
avistou apeou-se e com ella esteve conversando, durante ciuco minu- 
tos, encostado a portinhola do coche. 

A chegada da Infanta a Villa Vinosa foi imponente. O largo prin- 
cipal e stava repleto de povo. Muitos regimentos faziam guarda de 
honra. 

Quando parou o coche que eonduzia D, Cariota Joaquina, o Infante 
D. Jo3o abriu a portinhola e offereceu o brago & sua esposa para a 
ajudar a subir até o alto da escadaria do palacio, onde a Familia Rcal 
estava reunida. 

A meio da escada veio ao encontro dos noivos o Principe D. José^. 
Depois de receber muitos abragos e muitas provas de estima, foi 
D. Cariota Joaquina repousar durante alguns instantes. Em seguida 
cantoii-se um Te-Deum, Quando este findou, trocaram-se as Infantas 
com o seguinte cerimonial: em uma das salas do palacio juntaram-se 
Duque de Almodovar, o Conde de Valladares e muitos outros fidal- 
gos, primeiro comò representante da Hespanha, o segundo corno 



* Accrca do que se passou em Lisboa por occasiao dos desposorios de D. Ma- 
riana com D. Gabriel, vid. o folheto : Xoticia das solemnes, e magnificas fun^oeus 
com que se celebrou na sempre Augusta cidade de Lisboa o despozorìo da Serenissima 
Senhora Infanta Dona Marianna Victoria com o Serenissimo Senhor D. Gabriel 
Infante de Hespanha, nos dias 11 12 e 13 de Abril de 1785, exposta fidmente para 
gosto do respeitavel publico, com a demonstra^ào de tao pompozafestin'dade. Lisboa, 
uDccLxxv (por eugano, pois deveria ser, 1785). Bib. Nac. Historia, Cartas e Xoti- 
cias, n.» 15:225. 

* Vid. Belagào da chegada da Serenissima SenJtora D. Cariota Joaquina a 
Villa Vigosa e das circumstancia^s que precederam e se scguiram, na Gazeta de Lis- 
boa de 1785. Figanière, na sua Bibliographia Historica Portuguesa, p. 106, n." 563, 
cita um folheto com o mesmo titillo. 



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296 O Abcheologo Portugués 

representante de Portugal. Saiu o Duque de Almodovar da sala, onde 
de ahi a instantes voltou trazendo pela mSo D. Cariota Joaqnina. Ero- 
ferido um breve disenrso, foi a Infanta entregiie ao Conde de Valla- 
dares e por este conduzida aos aposentos qne Ihe estavam destinados. 
Poueo depois voltou o Conde acompanhado de D. Mariana Victoria, a 
qual foi entregue ao Duque, com identicas fonnalidades. 

Durante algiins dias se festejou este acontecimento. A Familia Rea! 
jantou em publieo, houvo picaHa em que tomaram parte o Principe 
D. José e Infante D. JoSo, montados em soberbos cavallos de ra^ 
portuguesa, etc. 

No dia 10 fez-se entrega das joias* e dos enxovaes. 

No dia 11, que coincidia com o anniversario de D. Gabriel, a Fa- 
milia Real deu beija-mSLo as pessoas da córte e houve serenata, na qual 
tomou parte uma das Infantas, que cantou duas arias. 

Partiu D. Mariana Victoria para Hespanha, com numeroso acompa- 
nhamento, no dia 12. 

Depois de ter feito viagem triunfal, chcgou a Aranjuez cm 23 de 
Maio (1785). Nesse mesmo dia se ratificou solemnemente o seu casa- 
mento com D. Gabriel; facto que foi novamente festejado^. 

Depois da partida da Infanta para Hespanha, ainda a Familia Keal 
se conservou durante alguns dias cm Villa Vigosa, d^onde se retirou 
no principio de Junho. A 8 deste mès veio desembarcar no caes de 
Belem, onde era esperada por muito povo. No dia seguinte, 9 de Junho 
de 1785, foi solemnemente ratificado, na Capella Real da Ajuda, o ca- 
samento do Infante D. Jolo com D. Cariota Joaquina. Para festejar 
este acto cantou-se a noite no Pago uma opera nova, intitulada Neptuno 
ed EgUj cuja musica, admiraDtl, era de Joao de Scusa Carvalho. Du- 
rante tres dias houve illuminagao, tlescargas de artilharia, etc. 

O Conde de Fernao Nunes, que nao acompanhou D. Slariana Vi- 
ctoria para Hespanha, quis celebrar este acontecimento em Lisboa 



* Por curiosidadc aprescntamos a lista dos princìpaes presentes que D. Car- 
iota Joaquina recebeu : De D. Maria I, um par de brincos coni pingentes de bri- 
Ihantes, um collar de brilbantcs e um ramo de pedras preciosas; de D. Fedro III, 
uma grande piuma de diamantes; do Principe do Brasi), D. José, dois anneis de 
brilhantes; da Princesa do Brasil, uma piuma de brilbantes; da Infanta D. Ma- 
riana, uma piuma de esmoraldas e brilbantes; da outra Infanta, um rclogio; do 
noivo, dois braceletes com mouogramraas. 

^ Vid. lielaqào das formalidades da despedida da Serenissima Senhora Infanta 
D. Marianna Victoria: das particularidades da sui( jornada desde Villa Vigosa ali 
Aranjuez: e da sua che.gada e recébiminto na córte d"* Hespanha. Lisboa 1785. Fo- 
Iheto de 8 pagioas. Bib. Nac. Historia, Relagdes, n.° 14:046. 



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Archeologo Portugués 297 

com sninptiiosas festas que deu no palacio do Rocio, nos dias 15 e 18 
de Junho *. 

Todo palacio foi ornamentado por fora com columnas, estatuas. 
balaustres, vasos, etc, e por dentro com ricos tapetes, bellas pinturas 
e miiitas flores. A illuminagao era feita com 3:878 velas de céra. No 
largo do Rocio armou se iim arco de triunfo, aos lados do qiial se 
constniiram dois obeliscos. 

Comegou a festa do dia 15, logo ao anoiteeer. Desde a porta de 
entrada até a sala onde a embaixatriz aguardava os convidados, es- 
tavam distribuidos, por diflferentes pontos, muitos eriados de libre, 
pagens e gentis-homens. O Conde da Ega, D. José de Meneses, filho 
do Conde de Marialva, D. Gaetano de Noronha, filho do Marqués de 
Angeja e D. Fernando de Lima, filho do Visconde de Villa Nova da 
Cerveira. bem comò os secretarios das embaixadas e legagoes estran- 
geiras, faziara de mestres de cerimonias e condnziam as senhoras pelo 
braco. 

Cince cantores executaram magistralmente o drama lyrico allego- 
rico, A volta de Astrea a Terra. Houve refrescos e magnifica ceia que 
foi servida em dez mesas, ricamente enfeitadas, que comportavam ao 
todo 370 logares. Os eriados graves tambem cearam em quarto sepa- 
rado, onde estava armada urna mesa de 60 talheres. Nella se serviram, 
por turnos, 500 pessoas. 

A certas horas da noito o embaixador escolheu a Marquesa das 
Minas para par, e rompeu o baile que so terminou no dia seguinte. 
No largo do Rocio mais de 30:0C0 pessoas estiveram a ouvir mu- 
sica e a ver as illuminagoes. Tao deslumbrantes foram estas que, na 
noite seguinte, até a Familia Real as quis ver. 

Foi està festa destinada exclusivamente às pessoas da córte. A ri- 
gorosa etiqueta, que eutào dominava, assim o exigia. 

Querendo, porém, o embaixador dar uma prova de especial consi- 
deracHo a muitas pessoas distinctas, que a ella nao puderam assistir 
por aquelle motivo, offereceu-lhes um baile no dia 18. Fizeram-se 900 
convites e permittiu-se a entrada a quem tinlia assistido à festa no 
dia 15. 



* Vid. folheto intitulado: Belagào das festividades com que o Excellentissimo 
Conde de Feman Nunes, Embaixador Extraordinario de S, M. Caiholica, cdehrou 
novamente nesta cidade noa dias 15 e 18 de Junho os felices Desposorios dos Senho- 
res Infantes de Porlugal e Hespanha, e com especialìdade a chegada da Serenissima 
Senhora D. Cariota Joaquina a esie reino. Lisboa, 1785. Tem 8 paginas. Bib. Nac. 
Histoiia, Belagoesj n.» 14:94G. 



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298 O Archeologo Poetugués 

Para, até certo ponto, se estabelecer relativa iguaklade entre todos 
OS convidados, a firn de se evitarem questSes de precedencias e de 
etiqiietas, resolveu o Conde de Fernao Nunes que este baile fosse de 
mascaras, nao sendo comtudo permittido o uso de mascara na cara. 

Houve refrescos, boa cela, illumina9oes, baile, etc. Às senhoras 
ofFereceu o embaixador, gentilmente, grande profusao de ramos de flo- 
res artificiaeS; que, expressamente para esse fim havia encommendado 
em ]V[adrid. Nas salas do buffete e no jardim conservaram-se, até multo 
de dia, bastantes mesas com magnificos manjares e boas bebidas *. 

Algumas poesias se fizeram a proposito d'est es enlaces. 

Antonio da Silva e Faria compós um epigramma em latim -, e ou- 
tro poeta escreveu uma ecloga, na qual figuram quatro interloctUores, 



* Veni desenvolvìdamentc narrados os pormenores relativoa aos dois casa- 
mentos de que temos tratado, nao so nos folhetoB j& citados, comò tambem nas 
Gazetas de Luhca do anno de 1785^ passim. Vid. tambem o interessante livro do 
Sr. Francisco da Fonseca Bcucvidos, liainhas de Portugal, tomo ii, p. 211 e sgs. 
bem corno uns folhetins, publicados no n." 73 (4 de Abril de 1877) e sgs. do jor- 
nal Progresso (jornal progressista come9ado a publicar em Lisboa no més 
de Janeiro de 1877) que tém por titulo : «O casamento da Senhora D. Cariota 
Joaquina». E este trabalho citado pelo Sr. Benevides, que o attribue a M. E. Lobo 
de Bulhòes. 

No arcliivo do Ministcrio dos Negocios Estrangeiros (Miuisterios antìgo:^, 
armario n.° 1, caixa n.» 1, ma9o n.° 3) ha umas cartas dirigidas pelo Visconde 
de Villa Nova da Cerveira a Aires de Sa e Mello, que se referem tambem aos 
mesmos casamentos. 

Tratam de alguns assuntos interessantes, corno, por exemplo, fiza9ao de da- 
tas para a celebra9ào dos desposorios, fórma comò deveria scr tratada a embaìxa- 
triz, esposa de Fernao Nunes, etc. D*estas cartas colhemos a seguinte curiosa 
noticia : a Infanta D. Mariana Victoria, no dia immediato ao da sua cbegada a 
Madrid, devia pentcar-se no toucador da Princesa das Asturias e està llie da- 
ria n3to so tudo o que trouxesse na cabeca comò até o proprio vestido. Queria 
D. Maria I saber se isto era etiqueta e costume em Hespanha, ou se reprosen- 
tava simples atten9ào. 

Visconde mandou pedir a Aires de Sa e Mello a medida da altura da In- 
fanta para enviar para Madrid. 

No armario n." 30, caixa n.° 23, ma^o n.® 35, do mesmo archivo ba mais um 
ma^o de documentos com a seguinte designa92o : Ordens e disposi^òes que prece- 
der am a entrada publica e audiencia de formalidade que a Rainka concedeu a Ftr- 
ìiam Nunes. Contém minutas de avisos que so expediram aos iidalgos e i\s auto- 
rìdades, listas de nomcs com indicando dos tratamentos a que tinbam direi to. 
formulas de avisos que se dirigiram ao embaixador, ordem do cortejo, etc. 

2 AugvsL Principibus Seren. Hispaniae et Poriugalliae Infantibus, Domtnae 
D. Carlotae, pariterque Regali Spoiìso Domino D. Joanni in eorum nuptiis felici»' 
simis. Epigramma. Olis^ipone, 1785. Existe na livraria do Sr. Conde de Sabugosa. 
Vid. o Catalogo methodico da livraria dos Marqueses de Sabugosa, p. 201. 



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O Archeologo Portuqués 299 

Paterctdo, Alvinia, Galatea e Leonida^ intitulada: A consolaqao das 
pastoras do Tejo pela vinda a Portugal da Serenissima Senhor a Infanta 
-D. Cariota Joaquina^, ciijo sentido, em resiimo, é este: as pastoras 
estavam profundamente tristes, por causa da saida da Infanta D. Maria 
(Anna); ficaram, porém, consoladas coni a vinda de D. Cariota. 

Um inspirado escritor (J. M. N. C. B. A.) tambem compos os 
Klogios nos felicissimos espozorios dos Serinissimos senh<yi'es infantes de 
Portugal recitados por Hymeneo no Tempio da Virtiide^, parte em prosa 
e outra parte em verso. 

Em todo reino se celebraram os desposorios com ruidosas festas, 
cnjas descrigSes forara publicadas nas Gazetas de Lisboa, no anno de 
1785. 

!Eni Coimbra, por exemplo, siibiu um balao no qual iam pìntadas 
duas medalhas romanas : urna allusiva a Concordia, outra à Esperanga. 
Sobre a torre da Universidade collocaram urna grande corea real, illu- 
minada. Houve T'e-Deum, illuminagoes e outros festejos. 

Tanto Infante D. JoSo corno D. Cariota Joaquina eram ainda 
muito novos quando easaram. Elle contava 18 annos e ella ape- 
nas 10. 

Póde dizer-se que entre ambos nunea reinou boa harmonia. 
Durante as negociagSes para o casamento o Marquès de Lourigal, 
embaixador em Madrid, enalteceu, tanto a belleza, corno as qualida- 
des da joven Infanta. Segundo elle, Cariota Joaquina era magra e 
muito bem feita de corpo. As suas feigoes eram perfeitas, e tinha os 
dentes muito brancos. Um unico defeito Ihe notava (!), os sinaes de 
bexigas que ainda se nSo tinham desvaneeido. A sua educacao era 
esmerada. Nos exames que fìzera em publico, tanto de linguas comò 
de scieneias e de danga, havia dado provas de grande talento •'*. Sabia 
muito de latim. 

Cremos, porém, que teda aquella viveza de espirito, que tao pre- 
cocemente se manifestava, deveria jà entào denunciar o caracter irre- 
quieto, ambicioso e cruel da futura Rainha, que tSo graves discordias 
provocou entre o seu povo e que tanto martyrizou o marido, aquelle 



* Folheto impresso em Lisboa no anno de 1785. Ha um exemplar na Bibl. 
Nac, 8609^0 de literatura, n.*» 1:292. 

2 Possuimos um exemplar, impresso em Lisboa em 1785. 

2 Vid. Latino Coelho, Historia politica e militar de Portugal, t. ii, p. 89, 
nota n.« 1, onde vem citado um officio do Marqués de Lourigal, de 15 de Novem- 
bre de 1783, que o A. encontrou no Archivo do Ministerio dos Negocios Estran- 
geiros.Vid. tambem a nota de p. 90. 



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300 O Archeologo Portugués 

pobre e desgra9ado monarclia, de qucm a Historia so tem de censurar 
a excessi va bondade. . . e alguma fraqueza. 

Rotrato de Cariota Joaquina, bem diverso d'aquelle que o Marquès 
de Lourigal descreve, nos apresentam alguns historiadores modemos. 
Mas estes retratam-na na epoca em que ella, na for^a da vida, empre- 
gava toda a sua aetividade em raachina95es e intrigas politicas. com 
o firn de alcan9ar um throno so para si, que tanto ambicionou mas 
que nunca consegui u. 

D. Mariana Victoria e D. Gabriel pouco tempo viveram depois do 
casamento. Tiveram um filho, o Infante D. Fedro Carlos, que foi ai- 
mirante da marinha portuguesa e presidente da Aeademia Real das 
Sciencias de Lisboa. 



Para commemorar o casamento do Infante D. JoSo com D. Cariota 
Joaquina e o de D, Mariana Victoria com D. Gabriel de Hespanha, 
mandou o Conde de Fernào Nunes, D. Carlos José Gutierrez de Ics 
Rios, cunhar, à sua custa, a seguinte medalha, vid. fig. 1.* 

Anv. Dois GenioB, de pé, junto de uma ara circular ornamentada, 
seguram, por cima do fogo, quatro coracoes em chammas. No alto paira. 
entre nuvens, a figura do Hymineu, o qual segura o competente faeho 
e colloca uma corca de rosas e mirto sobre os corayoes. 

Ao fundo, do lado esquerdo, v6em-se representados o edificio da 
Pra9a do Commercio e a estatua equestre, e a direi ta o Palacio Real 
de Madrid. 

Junto do Genio do lado esquerdo ha uma anfora tombada, que der- 
rama agua, sobre a qual ^sii escrito TAG. Symboliza o rio Teju 
(em latim Tagus), Junto do outro Genio ha tambem uma anfora, que 
tem escrito MANZ. Symboliza o rio Manzanares. 

No arco superior da orla tem a seguinte legenda: AUGUSTA • 
CONNUBIA • DIUTURNA • FELICITATIS • PIGNORA. Na ara 
està inserita a data, 17-85, e no exergo, cm duas linhas, tem mais 
seguinte: 

MATR 27MART 
0LISIP12APRIL 

Sao estas as datas em que, comò dissemos, se celebraram os de^- 
posorios, por procuracelo: a 27 de Margo de 1785 casou em Madrid, 
no Palacio Real, D. (^arlota com D. JoSo; em 12 de Abril do mesmo 
anno casou em Lisboa, na Capella Real da Ajuda, D. Mariana com 
D. Gabriel. 



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O Archeologo Pobtugués 301 

5^ No campo, dentro de urna coroa de rosas e mirto, que é atada 
em baixo com um la90 para symbolizar uniào, em einco linhas, tem 
inserito o seguinte: 

GEMINATAM 

POPULORUM 
LAETITIAM 
GRATULATUR 
C. C. F. N. L. H. 

Estas seis ultimas letras sào as inìciaes do nome, titulo e cargo do 
Differente da medalha: C(arolus). C(omes). F(ernan) N(unencis). L(ega- 
tus) H(ispaniae). 

Està medalha da nossa collec^ao ó de prata. Pesa 37,1 grammas. 
Tem de diametro 42,5 mill. e de espessura 3,5 mill. Està muito bem con- 
servada. Cunharam-se, segundo parece, exemplares de onro, de prata, 
de eobre e de chumbo ou estanho. Nao sendo commum, nao póde 
comtudo considerar-se muito rara, o que demonstra que a cunhagem 
fot grande. 

Vera estampada e descrita na obra de Lopes Fernandes, Memoria 
das MedalhdSy etc, n.° G3, no folheto que adeante vae reproduzido em 
fac-simile, e no livro a que nos havemos de referir, Memorias kiatorlcas 
de lo8 desposorios, etc, p. 247. 

Vem somente descrita: no Supplemento extraordinario ci Gazeta de 
Lisboa, de sexta-feira 24 de Junlio de 1785, 4.* pagina; no folheto, jà ci- 
tado, lielagào das festividadea . . . que o Conde de Fernam Xunes. . . deu 
novamente. , .nos dias 16 e 18 de Junho; na Histoire du Travail, de 
AragSo, n.** 1:405 (AE) ; no Catalogo da collecgào de Eduardo do Carmo, 
n.** 35 (PL); no catalogo Medalhas do Museu Municipal do Porto, n.^ 35 
(PL), e no Catalogo das Moedas e Medalhas do Museu do Cainno, 1 .* serie, 
MedaUias portuguesas, n.® 14 (AE). 

Figurou tambem em alguns eatalogos de venda da Casa Liquida- 
dora, de D. Maria Guilhermina de Jesus. No Catalogo de 1891, p. 81, 
n.** 1:092, vem indicado um exemplar de onro, que pesava 35,5 grammas. 

Foi jà reproduzida pelo processo da galvanoplastia. 

Era està uma das 29 medalhas que faziam parte de um dos quadros 
feitos por Bouch em 1795, comò consta do prospecto por este publicado '. 



^ Depois de muito procurarmos o prospecto e os doìp quadros do medalhas 
feitos por Bouch, de cuja existencia tinhamos conhecimento pelo livro de Lopes 
Fernandes, Memoria das MedalhoB, p. 2, conseguimos fìnalmente ler o prospecto, 
que é muito interessante*, ainda nos falla, porem, ver os quadros. O prospecto 



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302 O Archeologo Portugués 

Nesse quadro, por baixo de cada inedalha, havia um letreiro. Està 
tinha seguinte: «Epoca memoravel nos Annaes da Hespanha e Por- 
tugal*». 

Segundo consta do folheto que adeante vae reproduzido em fac- 
simile, la invencion de està medalla es del Abate Garnier. . . Gumpre-nos. 
pois, dar breve noticia biographica d'este personagem^. 

O P.® Charles Francois Garnier, doutor emTheologia, nascido em 
Franga (na Lorena), foi o primeiro eapellào Francts que houve na 
Igreja de S. Luis^. 

Exerceu o seu mister durante cèrea de 40 annos, vindo a falleeer 
no dia 14 de Junho de 1804. 

Foi sepultado, no dia seguinte, na propria igreja de S, Luis*. 

Deserapenhou Garnier importante papel na alta politica ', e era multo 
estimado pela sociedade. 

Foi coUeccionador de moedas e de medalhas, bem corno de outras 
antiguidades, comò se prova com as refereneias que ao seu notavel 
museu sSo feitas nos almanaques de Lisboa, desde o anno de 1789 até 
anno de 1803. Bastante tempo depois da sua morte, dìz o Dr.Teixeira 
de "Aragào, o Consul de Franga Cesar Famin, tambem numismata, 



que vimoB pertenceu ao proprio Lopes Femaudes, e foi-nos amavelmente empres- 
tado pelo seu actual possuidor, o illuBtrado Tenente de Artilbaria e distincto 
amador da Mcdalhistica Sr. Henrìque de Carapos Ferreira Lima, a quem esta- 
moB, por isso, muito reconhecìdoB. J untamente com o prospecto possue o mesmo 
fienhor bastantes papeis, apontamcntos, notas, etc., de Lopes Fernandes. 

1 Està informa9ao jà a colhemos nos apontamentos de Lopes Fernandes. 

2 Àlcan9àmos algumas informa9des para a biographìa de Garnier na igreja 
de S. Luis, em cujo archi vo existe um livro manuscrito que trata do assunto. Ao 
actual capellao, Mr. Désirè CauUet, agradecemos a amabilidade com que nos 
attcndcu e o auxilio que nos prestou. 

3 A igreja e confraria de S. Luis, Rei de Franca, foram instituìdas em Lis- 
boa no meado do scculo xvi, para exercicio do culto e protecgào aos marinhciros 
Franceses enfermos. , 

Construiu-se a igreja junto, mas fora, das antigas portas de Santo Antao. 

£m 1755 caiu com o terremoto e dez annos depois comegoa a ser recons- 
truida, derido aos esfor^os que para esse fim empregou o embaixador Frances 
em Lisboa, o Conde de Saint Priest, que deu o plano para o novo tempio. 

Annexo à igreja ha um edifìcio, no qual esteve iustallado o hospital que a 
confraria mantem para tratamento dos Franceses. Modernamente foi este hospital 
transferido para a Rua de Luz Soriano. 

* Vid. no archi vo da igreja o livro do regi sto dos obitos. 

& Como se deprehende das cartas que elle escreveu sobre assuntos politi- 
cos, que sSo citadas por Latino Coelho, BUiorìa politica e militar, t. ii, pp. 58, 61 
e outras, em notas. 



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O ABCnBOLOGO POKTUGUÉS 303 

tratou de indagar o destino que havia levado aquelle museii, mas nada 
conseguiu saber. 

Das medalhas de Garnier se serviu Boiich para fazer as suas re- 
prodncgSes *. 

Com extraordinario zelo empregou o antigo capellao de S. Luis 
OS seus esforcos para conseguir a completa restauraySo da igreja. 

Elle mesmo presidia aos trabalhos, pagava aos operarios, e por seu 
proprio punho modificava o plano, conforme as necessidadesde momento. 

Tinha especial vocagao para as bellas-artes ; pintava e desenhava. 
Crè-se que é obra sua a pintura do tecto da igreja. 

Vè-se assim que Garnier vivia na alta sociedade, colleccionava me- 
dalhas e tinha habilidade para o desenho. Fica, pois, explicada a sua 
interferencia na execugSo da medalha. 

O Conde de Fernao Nunes encarregou o gravador José Gaspard 
de abrir os cunhos, e pediu ao governo licenca para que a medalha fosse 
cunhada na Casa da Moeda de Lisboa, bem comò autorizagao para 
que està Casa Ihe ministrasse o curo de que necessitava, o -que tudo 
consta dos seguintes registos^: 

1. Reg.^o de lium Avizo sebre hàa medalha do Embayxador 
de Hespanha 

Ào AbrìdorGaspar mandou o Embayxador de Hespanba fazer bua medalha, 
qual me pedo Iba deìxe cunbar ncssa Gaza da Moeda; o q. v. m.*' Ibe facilitarà, 
praticando ncste cazo o mesmo que em outros similhantes se tiver observado- 
Deos guarde a v. m/ Lumìar 6 de Junho de 1785.= Marquez de Anjeja = Sr. José 
Gomes Ribeiro = Cumprassc e regÌBtcsse. Lisboa 6 de Junho de 1785.= Ribeiro = 
Antonio Carvalho. 

2. Avizo para nesta Gaza da Hoeda se vender o oaro 
de q. neoessi tar o Embaixador de Hespanba p." humas medalhas 

Yossa mercé mandarà dar a ordcm do Embaisador de Hespanha o ouro de 
qae necessitar para as Medalhas que pertende cunbar nessa Gaza da Moeda; 
praticando a este respeito o mesmo que se custuma praticar com as mais pessoas, 
a quem v. m.*'' manda dar dessa Gaza o ouro de que necessitSo. Deos guarde a 
V. m.«« Lumiar 17 de Junho de 1785. = Marqiiez de Angeja.==Sr. José Gomes 
Kibeiro. = Antonio Garvalho. 



* Vid. Dr. Teixeira de Aragao, Descripgào geral e histortca das moedas, eie, 
t. I, p. 110. Note-se que o appelido é Garnier e nao Granier, comò vem cm Ara- 
gao, que assim o transcreveu dos almanaqucs. 

2 Vid. no archìvo da Gasa da Moeda o liv. 11 do registo geral, fl. 3 e 4 v. 
Foram estes avisos citados^ mas nao transcritos, por Aragao, no t. ii, p. 122, 
da sua obra. Gom estes doeumentos desvaneceu este nnmismata as duvidas, que 
Lopcs Fernandes tinha, acérca do locai onde a medalha havia sido cunhada. 



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304 O Archeologo Portugués 

No final do folheto que vae reproduzido diz-se, a respeito da mt- 
dalha: «la grabó* Don Joseph Gaspar, primer Grabador de la Casa 
de la Moneda de Lisboa, a 7 de Junio de 1785». 

Combinando està data com as datas dos avisos — 6 e 17 de Jii- 
nho — deprehende-se que a cunhagem dos exemplares de cobre ou 
prata é que come90u logo no dia seguinte ao da recep93o, na Casa da 
Moeda, do primeiro aviso. Os exemplares de ouro so se poderiam 
cunhar depois da autoriza^ao dada no segundo aviso, que é datado d^- 
17 de Junho. 

José Gaspard era um artista flamengo que veio para Lisboa, onde 
executou muitos trabalhos de gravura, nào so de cunhos para meda- 
Ihas, comò tambem de armas, de pedras finas e de sellos. Por alvarà 
de 4 de Setembro de 1773 foi nomeado abridor de cunhos da Casa 
da Moeda, para a vaga deixada por Antonio Mengin. Era artista bas- 
tante habil, corno o attestam as medalhas que gravou: — a da Fabrica 
das Sedas (L. Fernandes, n.** 73); as do convento do Coragao de Je- 
sus (L. F., n." 55, 56 e 57); e està de que temoa tratado. Em ne- 
nhuma d'ellas, porém, figura a sua assinatura. 

Falleceu este gravador, de idade avan^ada, no anno de 1812*. 



Ha uns pequenos quadros, muito interessantes, que tem as duas 
faces da medalha, de que temos tratado, estampadas em folha (?) •• 
colladas a par sobre um ehapa de madeira forrada de papel azul. Em 
volta tom caixilho de madeira preta, no qual està adaptada urna ar- 
gola, para se suspender. Possuimos um d'esses quadros, que vae re- 
produzido, em tamanho naturai, na fig. 2.* e tcmos conhecimento da 
existencia de mais dois: um està na coHccqIo da Academia Beai das 
Scìencias, o outro pertencia a um innSo nesso que o offereceu ao 
Museu Ethnologico Portugués. 



^ tarmo grahó deve significar «ciinhouv. 

2 Para a biographia de Gaspar, Gaspard ou Gaspart vejain-se e confrontcni-se 
08 scguintea trabalhos : CoUecgòx) de Memorias rtlativas àg vidas . . . dos gravadorts 
portugueses t dos tstrangeiros que esiiveram em Poriugal, por Cyrillo Volkmar Ma- 
chado, p. 280 (na biographia de SimSLo Francisco dos Santos) ; Jjista de algutis 
artislas, etc, pelo Bispo Conde, D. Francisco, p. 56. Dictionnaire historico-artMque 
du Poriugal, pelo Conde de Raczynski, s. v. Joseph (Gaspar), p. 166 e s. v. Santos^ 
p. 259, in fine. AragSo, obra cUadOf t. i, p. 83, e t. in, p. 603. 



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O Archeologo Portugués 305 



Encontràmos, por acaso, na Biblioteca Nacional, iim curioso fo- 
Iheto explicativo da medaiha de qua nos temos occupado, o qnal fize- 
mos reproduzir pelo processo da zincogravura, para ficar appenso a 
este trabalho. 

Esse folheto està contido em urna Miscellanea, em cuja lombada se 
le: Ohras variai, e que figura no catalogo com o n.® 14:868 (preto), na 
sec^ào de Historia. 

Tem as paginas divididas em duas columnas; a columna do lado 
esquerdo é escrita em hespanhol e a do lado direito em francés. Para 
evitarmos repetigoes escusadas diremos o seu titulo apenas na primeira 
d'estas linguas. É o seguinte: Lamina que i-epi'esenta la medalla acuhada 
con motivo de los augustos desposoi'ios de los serenisimos sehores Infan^ 
tes de Espana, Doìia Cariota, y Don Gabriel, y los seniores Infantes 
de Portugal Don Juan, y D." Mariana Victoi'ia, celebrados en las cortes 
de Madrid y Lisboa en los dias 27 de Marzo, y 12 de Abril del alio de 
1785, explicacion y circunstancias de dlos. 

Nao tem data nem indicayào do logar onde for impresso. Tudo leva 
a crer, que foi distribuido juntamente com a medaiha. A estampa 
d'està vem no alto da primeira pagina. Està assinada por cJoaquim 
Pro. . . ». 

Cremos que este folheto é muito raro, pois que debalde o procurà- 
mos em varias bibliotecas, tanto publicas comò particulares. Como 
nao encontràmos outro exemplar, vimo-nos forgados a reproduzir o 
da Biblioteca Nacional *, que, por fatalidade, tem um grande defeito. 
Um inconsciente encadernador ao cortar Ihe as margens, aparou as 
de tal modo que em algumas paginas (1.% 2.* e 5.*j o texto ficou 
offendido ! ! 

A estampa da medaiha e a assinatura que Ihe està junta tambem 
foram attingidas! 

No fac-simile nada alteràmos, por isso o leitor terà de completar 
as palavras que estao cortadas, o que felizmente nào é difficil. 

Em algumas paginas ha numeros escritos a tinta, alguns dos quaes 
estao riscados. Està numeragfto deve ser antiga. Por baixo do L ini- 



* Ao Sr. Dr. Xavier da Cunha, illustre director da Biblioteca NacioDal, agra- 
decemos, muito reconhecidos, o ter-nos coucedido autorìza^&o para reproduzir- 
luos folheto. 

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306 O Abcheologo Poetugués 

cial do frontispicio ha um trajo a tinta, e ao lado esquerdo da mesma 
letra um ponto. 



Numa sessUo da Academia Real da Hbtoria, de Madrid, participou 
o Duque de Almodovar que iinba sido nomeado mordomo da Infanta 
D. Mariana Victoria, e despediu-se dos seus consocios por ter de par- 
tir para Portugal. Lembraram-se entao os academicos de Ihe pedir 
que redigisse umas rnemorias acèrca dos easamentos dos Infantes por- 
tugiieses e hespanhoes. 

Nao póde o Duque desenapenhar-se do encargo por falta de tempo, 
mas nào querendo que o desejo da Academia deixasse de se cumprir. 
encarregou o seu secretario, D. Bernardino Herrera, de escrever as 
referidas memorias. Foram estas publicadas com o seguiate titulo: 
Memorias historicas de los desposonos, viajes, entregus y respectivas 
funciones de los Reales Bodas de las serenisimas infantas de EspaJia 
y de Portugal la Séhora Do9ia Cariota Joachina, y la sehora Dona Ma- 
riana Victoria, en el aho de 1785: escriptas en el siguiente de 1786 
por D. Bernardino Herrera. Madrid 1787. Livro de 250 paginas*. 

Contém estas memorias a bistoria dos dois casamentos (até p. 86), 
e um appendice de documentos, taes comò: artigos preliminares dos 
contratos matrimoniaes, procura95es, listas de presentes, decretos de 
Carios III, etc. No fim do livro, figurando comò documento (n.® xxin), 
vem a transcripQào, sómente da parte escrita em bespanbol, do foibeto 
que, junto ao presente trabalbo, vae reproduzido em fac-simile. A 
estampa da medalba, a qual està assìnada por «M.® S.», tambem foi 
copiada. 

Nota — Ofl trabalhos de photogravura e zincogravura que acompanham este 
artigo, foram executados nas officinas do Sr. Thomas Bordallo Pinheiro. 

Depois de termos concluido este trabalho soubemos que o Museu de Gamier 
foi vendido em leilSo. Vid. Gazeta de Lisboa de 1805, supp. ao n.*» 39 e n." 47, e 
Gaz, de 1807, supp. ao n.® 11. Devemos està informa9ao ao Sr. P. A. de Azevedo. 

Junqueira, Agosto de 1907. 

Arthur Lamas. 



^ Deu-nos conhecimento d'este livro o ìUustrado bibliophilo, o Sr. Annibal 
Fernandes Thomas, que o possue na sua esplendida biblioteca. Malto agradece- 
mos nSo so a indica9So comò tambem o emprestimo. 

D4-8e a coincidencia de ser este o exemplar que pertenceu ao antigo capellSo 
de S. Luis, que Inter velo na ezecu^^o da medalha, corno consta do autograpbo 
que nelle se le: Ex Librie Caroli — Francisc Gamier et Amicorum •/. 



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Archftologo Portuguès— Voi. XII— 1907 



ESTAMPA I 





Pig. !•• 



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I "1 



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OAicheologoPortuguSs— Voi 111—19(0 



ESTAMFA II 




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,d ''^> 



LAMINA P LANCHE/ 

QUB REPAESBNTA JQUI RBPRàSBNTB 

A MEDALLA ACUf^ADA LA MÉDAILLE FRAPPÉE 

COM MOTIVO 



>E LOS AU6UST0S DESPOSORIOS 

SB LOS SBRBtrfsMOS SBfiORBS 

LNFANTES DE ESPASfA, 
DOf^A CARLOTA, 



A Z'OCCASION 

DU MA R lA G E 
DE DON GABRIEL, 

XUtFAXT If'BSPjtOXrs, 

jirse 
t*iirrMTTa Da roMxxroju, 



"^ DONA MARIE-nCTOIRE, 

DON GABRIEL, 



DE DON y EA N, 

SnrAItT DB rOATU9AL, 
t'UffAlTTS jiESPASm 



T tot tBilORBt 

INFANTES DE PORTUGAL 
DON JUAN, 

^ DONA CHARLOTTE, 
D.* MARIANA VICTORIA, ^^ ^ cÉ^^«» 

A ÉTÉ FAITE lUSSPMCTJ VSMSNT 
CEIEBRAPOSBNLASCOMK ^ MADRID . 

DE MADRID Y LISBOA zm 27 j>u mojs j>£ maks 
XN LOS DXAS ET A LISBONl^ 



xz la j^xr Mois j^^avkil 
x>M j!anné£ 1785, 

oà j!0N nSPRÉSSNTM 
TOUTES ZAS CIRCONSTANCMS 
PS BIXOS. 2>S CES J>Etrx ÉVENEMENS. 



VJ ]>S XA&ZO 9 T la DS ABUL 

DSL ARO DS 178$, 
XXPXICACION T CULCUMSTANCXAS 



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/ 7^ 




rCEMIN; 
IpOPULORl 
,Iv€TITIAM' 
tCRAl 



-^A 



S.M.Cel Rey Don Car- 
los m. y SS. MM. FF. k 
Reyna Dona Maria I. y su 
Esposo y Tio el Rey D. Fe- 
dro III. unànimes en sus de* 
seos de estrechar mas y mas 
los vìnculos que tan feUzr 
mente los unen, y de perpe- 
tuar en sus Reales Familìas 
la buena correspondenda y 
harmonìa que tienen, han 
considerado, que una du- 
pUcada alianza entre sus 
Augustos Hijos , seria el 
mas proporcionado medio 
de conseguir un bien tan 



Sa Majesté CaboUque 
Roy CH^KLBS IIL £sf le 
Majeaés Tres-Fideìes 
Reyne Marie I, ^ ì 
Epùttx ^ Oncle le S 
Pierre III, egdement at 
mées du desir de resserr 
les noeuds qui les unisse 
si heureùsemem , et de pi 
petuer dans leurs Roya, 
Maisms la bonne intel, 
gence et Vbarmonie qui 
siAststent , mt pensé qttu 
doublé àUiance etare leu 
Augustes Enfants étoit 
que la prudence pmnjwt imi 
A« 



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tajoso à ambos Està- giner de plus propre à prò- 

duìre un bien si avantageux 
aux deux Couronnes. 

Zotiduidas por las dos Les dispositions de Vune 

, tes las disposiciones pa- et rautre Cour étant fiutes 

a celebrìdad de los Rea- powr la celebratìon des ma-* 

Desposorios, ei Sereni- riages ^ S, A. Vlnfant de 

o Senor Infante de Por- Portugal D. jfean , repré- 

al Don Juan , represen- sente par le Roy d* Espagne, 

por el Rey de Espana, épousa à Madrid S. A, Mth 

desposó en Madrid a 27 dame V Infante ^ Espagne 

Marzo de 1785 con la "Dona Charlotejoaqmne fitte 

enìsima Senora Infanta du Prince et de la Prin^ 

Espana Dofia Cariota cesse des Asturies , le 27 

quina , hija de los Sere- Mars 1785;^ S.A^rj»" 

mos Seiiores Prìncipes de fant d"* Espagne Dm Ga- 

turias; y el Serenìsimo brtel Antoine , représehté 

ìor Infante de Espana par le Roy de Portuga!^^ 

n Gabriel Antonio , re- épousa à Lisbonne le 12: 

*^ntado por el Rey de Avril suivant , S, A, Ma^ 

rtugal, se desposò en Lis- dame V Infante de PortU' 

ii 12 de Abril del mis- gal DoHa Marianne Vk- . 

) ano con la Serenisima taire, 
aora Dona Mariana Vie- 
ia Infanta de Portugal. 

£1 Conde de Fernan-Nu- Dans la vue de perpe^ 

z , nombrado Embaxador twr le souvenir de cette dou- 

itraordinario y Plenipo- ble union , M le Comte de 

aciario por S. M. C. para Feman-Nufiez , wmmé Am- 



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pedir la Serenisima Senora bassadeur Extraordinaire et 

Infanta Dona Mariana Vie- Ministre Plenipotenciaìre 

toria para Esposa del Sere- par S.M, C- pour fatre à 

nìsimo Senor Infante D. Ga- lewrs Majestés Tres-Fideles 

briei en la Corte de Lisix>a, la demande de Madame la 

desea perpetuar en una me- Serenissime Infante Dona 

dalla la memoria de estos Marianne Victoire pùwr 

augustos enlaces. Epouse du Serenissime In" 

font Dm Gabriel^ a fait 
graver cette médaille. 

Se representa en ella un On y vcit un autel anti^ 

aitar de la antigUedad , so* que ;surle quel deux amouri 

bre el qual dos Génios estàn forment Cunion des coeurs 

formando la union de los que r Hyménée couvre d'une 

corazones, sobre los quales couronne de roseset de myr-* 

Himeneo coloca una corona tbe , et sur la base l'epoque 

de rosas y mirto : en la ba- de cet heureux évenement 

sa se leeia epoca de tan fé- consideré avec raison comme 

lizsuceso,queesconsiderado un gage précieu^c de la du* 

con razon corno una preciosa rèe de la felicitò publique^ 

prenda de la duracion de la sehn rexpression de la Ugen- 

felicidad pùblica , expresada de AUGUSTA . CONNU- 

por el lema AUGUSTA . EIA . DIUTURNM . F£- 

CONNUBIA . DIUTUR- LICITATIS . PIGNORA. 

N^.FELICITATIS.PIG- On apperpoit dans le loin- 

NORA. Aloléjossedescu- tain des pays arrosés par 

bren dos Paises regados por le Manpanares et par le 

los rios Manzanares y Tajo, Tage ; et Ics vues qfim y 

y las vistas de Madrid y remarque sont celles de Ma- 



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Lisboa, por haberse cele- 
brado en estas Cortes los 
Reales Desposorios , corno 
lo manifiesta el exérgo 

MATR. XXVn. MART 
OLYSIP. XIL APR 



drtd , et de Lisbonne , ùò ces 
mariages ont.été célébrés^ 
camme l'exergue Vindique 



MATR, XKVJL MAN 
OLTSIP. XU. APR 



Una corona compuesta de 
dos ramas de rosai y de mir- 
to, cuyas extremidades ter» 
mioan en un lazo, simbolo 
de la union , ocupa el re» 
verso de la medalla , y ea 
medio de dicha corona se lee 
la inscripcion siguiente: 

GEMINATAM 
POPULORUM 
LATITI AM 
GRATULATUR 
C. C. R N. L. EL 



Sur le revers <m Ut^ daru 
une courwme formée de deux 
branches de roster et de 
myrtbe , V inscrìptim std- 
vante. 



GEMINATAM 
POPULORUM 
LJETITIJM 
GRATULATUR 
C C F. N, JL H. 



I^ letras iniciales de la ins- 
cripcion , en que pudiera 
haber alguna duda , dicen: 

CAROLUS CGMSS FERNAN 
NPNBMCIS LB6ATU6 mSPANiJB. 

JLa invencioQ de està me* 



Les lettres initiales qui se 
trouven a Vìmcriptìon disent: 

CAROWS COMBS PERNjÌN 
NUNBNCIS LSQATUS MIS' 

Uinvention de la Mé^ 



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dalla es del Abate Garnier, ' datile est de Mr, VA 

CapellandelaRealCapilla Garnier, Aumonier dfi 

de San Luis perteneciente Chapelle Rcyale de Sa 

a la Nadon Francesa en es- Louis apartenant à la Nat 

ta Corte. Franpoise dans cette Cour 

La grabó Don Joseph Grave par Mr, Gasp. 

Oaspar , primer Grabador de premier Graveur de la M, 

la Casa de la Moneda de Lis- sonde laMonnoie de Lisbon 

boa,à7dejuniodei785. /e 7 jf«f« 1785. 




Fac-simile para O Archeologo Portugués, voi. xii 



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O Archeologo Portuguès 



307 



Antlgualliad trasmontanas 



1. AnU 00 mamóa de Donai 



Donai é um pequeno povoado que fica a 7 kilometros a noroesto 
de Bragan9a. Entre outros vestigios archeologìcos qoe contém * avulta 
a 300 metros proximamente; ao Poente, no meio de um prado na- 
turai on, lameiro^ no sitio da Devesa, um monticnlo de terra represen- 
tado nesta photographia, que d'elle tirei, em companhia dos meus car 
maradas e amigos, majores de infantarla n.^ 10, Castro, e Sousa. 




Flg. 1.*— Mamda de Doaai—Ylste de Lette 

Refere-se jà a elle o illustre e fallecido professor do Lyceu José 
Henriques Pinheiro, no seu Estitdo da estrada militar ronuma de Braga 
a Asterga (1893), dizendo a p. 102: tPercorri varias vezes os ter- 
renos que pertencem a Donu^ Saboriz e a Lagomar; e por vezes me 
chamou a atten$2o um montieulo que eziste entre Lagomar e Do- 
nai: é urna anta que n2o era eonkeeida e tem o nome deTombeiri- 



^ Yeja-se Boletìm da Soc de Geogr, de Lisboa, n.«- 3 e 4, 1898-1899 (Bra- 
^anga e Bemquerenga), p. ^S, 



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308 



O Archeologo Poutugués 




Fìg. 2.*— Castello do Robordàos —Vinto de Lesto {V'eja-i»e a sua Icnda n-0 Arch. PorL, in, 115) 

nlio. Foi por mim explorada. e encontroi nuichados de pedra, facas 
de silex, iim percntor, etc^ que existem no l[iisdu Martins Sarmento. 
Este monumento é propriedade d'està Sociedade». (Fig. l.^j. 




Fig. 3." — O polourinho de Robordaos 



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O Archeologo Portugués 



309 



Nota-se bem, e soube-se por informaQÒes, que a exploragao se fez 
milito superficialmente, sondo para desejar que a benemerita Sociedade 
a que pertence mande proceder a novas pesquisas, porque de certo ha 
de colher bons resultados. E de lamentar é S3 nao o fizer, e deixar este 
precioso monumento, unico conhecido na vasta àrea do concelho de Bra- 
ganya, — continuando a ficar occnltos os objectos que porventura en- 
cerra pertencentcs a remota idade. 

2. Robordftus 

Jà me referi a està povoa^ao n-0 Arck, Pori,, in, Ilo, e vi, 95; 
amplio agora essas noticias com as photo^raphias que tirei do seu cas- 
tello (fig. 2.*), visto do lado mais accessivel, do seu pelourinho (fig. 3.*) 
e da j anela de urna casa que serve de palheiro (fig. 4.*). 




Fig. •!.• — Uiu.-ijaiicla aiitiga do Itobordàos 

E possivel é que de futuro mais algiiraas informa9des tenha de 

acrescentar, porque tudo indica que foi importante o passado d*esta 

povoa9So. 

8. Senhora da Cabeya 

Està photographia (fig. 5.*) é do outeiro onde se ve a ermida de 
N. S.* da Cabega, situado no termo de Nogueira e a 1 kilometro a sul 



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310 



O Abcueologo Portugués 



de Qostei. Nelle se encontram ruinas romanas, lelhas de rebordo, louga 
grosseira, etc. 




Flg. 6.*— O CMlro de N. S.* da C«b«^ en Nogaeint— YUto de Nordette 

E locai em que houve urna povoa^ eztincta, do mesrao tempo da 
qiie existiu no Castro de AvelISs que Ihe fica perto. 
Braganga, Slargo 1907. 

Albiko Pereira Lopo. 



O castello de Braga em 1642 

Senhor. — Diz Costantino da Cunha Sotto Maior Alcaide Mor da 
eidade de Bragua, que o Castello da ditta sidade està muito desbara- 
tado e em rezSo do concerto delle tem elle suplicante avizado ao Rene- 
rendo Cabido, da ditta sidade por estar obriguado a Mitara Arcebis- 
pal ao conserto delle o que nlo tem feito nem acodido dando por 
desculpa o nio poder fazer sem licenza de V. Mg.^® e porque a ditta 
sidade a defenga que tem he o dito castello ; e os Muros delia estarem 
por terra e muito desbaratados e estar a dita sidade muito convezinha 
das fronteiras de gualiza, e por Ihe o Correr por obriguagXo do Cargo 
que tem dar Conta a V. Mag.^* da ditta denefiquagfto dos Maros e 
Castello que estEo a sua conta, 



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O Archeologo PoRTUOufts 311 

■ I ' ■ .. ■ 

Pede a V. Mg.*** que a Conta do Re«dim6nto do Arcebispado visto 
ter por obrìguaflo saa consertar o ditto Castello e fortefiqna9ain delie 
Mande V. Mg.^ ao dito quabido e thezoureiro da Mesa Arcebispal dem 
todo dinheiro necessario para conserttos do ditto Castello. E R. M. 

Senhor. — ^Presentousse neste Conselho a petigào inclusa de Costan- 
tino da Cunha Sotto Mayor Alcayde mor da cidade de Braga, nella 
refere, que o Castello da dita cidade, està muito desbaratado, sobre 
cujo concerto auisou o Reuerendo Cabido da mesma cidade por estar 
obrigado a Mitra Arcebispal ao concertar, o que nio tem feito nem 
accodido, dando por disculpa que o nSo poder fazer sem licen9a de 
V. Mag.^® £ porque a deffensa que aquella cidade tem Le o dito Cas- 
tello; e OS muros della estarem por terra, e multo desbaratados, es- 
tando muito conuesinba das fronteiras de Galiza, e por occorrer a elle 
Alcayde Mor por obrigaQào de seu cargo dar conta a V. Mag.**® da dita 
denefìcagào Pede a V. Mag.^' mande ao Cabido, e Tbezoureiro da Mesa 
Arcebispal dem todo o dinbeiro ne9essario para con9erto do dito cas- 
tello, visto ser obriga9lo sua fazello. 

Ao Conselho pare9e, queV. Mag.^® deue mandar escreuer ao cabido 
da see de Braga encarregando Ihe procure reedificar o Castello em 
forma que se ponha em estado deffensauel, applicando para as despe- 
sas o dinheiro neoessarìo dos effeitos que Ihe pareger que poderi sair 
xnsis saavemente. Lisboa a 26 de Setembro de 642. — Bubricas do 
Cónde de Penaguiào e Dom Jorge de Meneset, 

Escreuaae ao Cabido que informe do danificamento qae tem o Cas- 
tello, do reparo qae ha mister e qaanto custanu £m Lisboa a 27 de 
' setembro de 64t2— Rubrica de D. Joào IV. 

Nffta. — Braga, que se orgnlha de sera Rofìia partugue$a, se tomou 
OS vicios da capital do cathoKcismo, nfto Ihe tomou as virtades. Entre 
estas, nma das prìmeìras da cidade etema esti no fervor qae ali se 
dedica aos estudos archeologìcos e historioos. Sic bem eonhecidos os 
muaeus de Roma e as suas rìqnezas, comò sio bem conhecidas as pre- 
ciosìdades dos sens arehiros, por cima das quaes brìlham as do Vati- 
cano, exploradas pelos dtplomatistas das regi8es que antìgamente re- 
cMiheciam a autorìdade do Summo Pontifioe com mais ardor ainda que 
pelos das na^Ses qua acatam a sua palavra. Ora Braga, quo pretende 
ser a tereeira cidade de Portagid, n&o possne sequer nm museo, e o 
ardìivo da Sé, zelosamente gnardado pelo cabido, gosa da fama de 
possnir documentos de alta importancia, posto que ainda hoje seja mn 
thesouro de JasSo. 



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312 O Akcheologo Portugués 

Nao admira, portante, que o castello de Braga cpnvertido em cadeia 
estìvesse recentemente condenado a ser demolido totalmente, o qne se 
nSo eflfectuou, devido aos protestos do pais, protestos qne nlo puderam 
porém evitar o mesmo destino às muralhas d*elle. Quanto os archeologos 
tiveram no seu comejo de lutar pela conserva9ào dos monumentos, até 
que se incutisse no publico a necessidade da conservagao d'elles, mos* 
tram as biographias dos mais notaveis cultores do passado. Na noticia que 
Charles Joret leu na Academia das inscripgSes e bellas-letras em marw 
de 1902* sobre Arthur de La Borderie lè-se:« Admira teur comme il 
Tétait de ces témoins vénérables du passe, on comprend la douleur 
qu'éprouvait votre confrère quand il les voyait détruire ou mutiler. 
Aussi, durant tonte sa vie, a-t-il déclaré une guerre inexorable à qui- 
conque portait sur eux une main saerilfege. Dès 1851, n'étant encore 
qu'élève de TÉcole des chartes, il poussa un premier cri d'alarme con- 
tre «la destruction des monuments historiquesi. 

Trente ans après au Congrès de Redon, il fit entendre, avec l'an- 
torité qui s'attachait maintenant à son nom, de nouvelles et énergiques 
protestations. Comme Toeuvre de mine continuait, il résohit d'opposer 
a ce qu'il appelait le «vandalismo municipali r«an ti- vandalismo » d'un 
ami de Tart et du passe de la Bretagne. Le maire de Vannes avait 
fait ou laissé demolir, malgré des souvenirs historiques qui s'y retta- 
chaient, la tour-prison de cette ville; aussitót votre confrère adressa 
au Petit-Breton une lettre où, avec cette indépendance de parole qui le 
caractérisait, il poursuivait de ses sarcasmes ce magistrat trop indif- 
férent. C*était en 1886. L'année suivante, d*autres monuments mena- 
cés lui firent rephendre plus iirdente encore et plus impitoyable sa 
«Chass^ aux vandales. Il faut voir avec quel dédain il traite les my- 
socryptes de Nantes, qui faisaient bon marche de la chapelle souterraine 
de Saint-Pierre, parce que saint Gohard n'y avait point été martyrisé. 
«Vrairaent, nous nous en doutions, répond-il; la crypte datant seulement 
de la fin du x® siècle et la mort de saint Gohard du milieu du ix*. 
Mais la question n'est pas là. «Et il mentre comment, depuis sa fon- 
dation, la crypte de la cathédrale nantaise n'avait point cesse d'ètre 
un lieu de vénération pour toutes les générations qui s'étaient succede; 
comment pouvait-on songer à la détruire? Elle fut conservée. 

Moins heureuse fut la porte de Bécherel, que votre confrère ne put 
défendre à temps, mais qu'il tint au moins à venger. «Il y a deux mois 
.à peine, écrivait-il aussitót, à Tentrée de Bécherel se dressait fière- 
ment une tour carrée, de bel appareil, flanquée aux angles de deux 



* Bibliotheque de VÉcole des Chartes, 1902, p. 189. 



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O Archeologo Portugués 313 

contreforts, entre lesquels s*ouvrait une porte surmontée de deux élé- 
g-antes arcades ogivales. Du Quesclin jadis échoua contre elle; là où 
Du Guesclin a échoué, M. le maire triomphe». Triste triomphe et sur- 
tout pauvre maire, puisque votre confrère Ta voué pour toujours au 
ridicule. Il n'a pas traité avec une ironie moins méprìsante le premier 
inag-istrat de Malestroit, conpable non d'avoir détruit, mais d'avoir 
vendu «une des plus belles verrières de la Bretagne pour 1.000 francs 
. . . (et) k un Normand. Elle en valait bien 10.000». «Ce maire éton- 
nant, ajoute-t-il avec cette familiarite de style qu'il affecte souvent dans 
la polémique, a pn, on le voit, saecager du méme coup les gloires et 
les finances de sa commune». 

A propria Allemanha, onde as classes superiores sào dotadas de 
instrucgSo bem diversa da das nossas, e onde o sentimento pela an- 
tiguidade predomina, ainda ha poucos annos esteve em riseo de se 
perder a Porta-Nigra de Tréveros, um dos mais majestosos monumen- 
tos do imperio. 

Entre nós depois de demonstrado o valor de um monumento, ordena- 
se a demoli^ao, ao passo que na Europa transpirenaica os argumen- 
tos calam no animo dos poderes publicos, que protegem in continenti 
a antiguidade. 

No que diz respeito a Braga, é està cidade muito ciosa dos seus 
direi tos, comò experimentou Augusto Soromenho quando, ao abrigo da 
lei de 2 de outubro de 1862, pretendia recolher os antigos documen- 
tos da Sé, que nào efFectuou em virtude dos tumultos que se levan- 
taram. Là se conservam completamente desaproveitados hoje, tendo 
jà sido destruidos em tempos remotos muitos d'elles. 

Fedro A. de Azevedo. 



A sorte dos questionarios archeologioos 

Como facto do dominio archeologico, desejo archivar em Archeo- 
logo Portugués um questionario precedido da respectiva circular, que 
em tempo distribuì por alguns parochos do concelho em que eu habi- 
tava. Era uma tentativa parcial mas que, comò tantas outras, sossobrou 
em presenga dos gelos que immobilizam, em materia de antiguidades, 
todas as iniciativas. Se algumas respostas obtive, foi isso devido a ins- 
tancias directas e particulares; a siraples circular, desabonada da ami- 
zade pessoal, nSo conseguia, apesar das boas razoes, fundir a glacial 
indifferenfa toda portuguesa dos destinatarios da circular. A molestia 



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314 O Archeologo Portcgués 

tem a pecha de constitucional no portuguès. E agaardar que melhores 

tempos traga o derramamento da instrucgio, um de cnjos resaltados 

priznarios dev^eria ser o respeito das antiguidades nacionaes. 

As pergantas do questionario nlo slo vazadas em nenhum iBolde 

9Ctenti6oo ; arranjadas para serem comprehendidas por qualqner pesaoa, 

visavam apenas a organizar futuro itinerario de reconbecimentos ar- 

cheologicos. 

Oiironlai* 

No intuito de reunir dados e materiaes para encetar um estndo 
acérca d'este eonceiho dos Arcos, sob o ponto de vista bistorìco, pabli- 
quei ha alguns annos, num dos jornaes da villa, um appello aos Rev.** 
Parocbos, para que se dignassera fomecer-me algumas infoniia9oes 
sobre o que cada um, na area da sua freguesia, conbecesse de antigx). 

InfelizmentQ nEo tirei resultado do meu pedido, pois que nenhum 
Parodio se dignou respDnder-me, talvez por insuffieiencia de esclare- 
cimentos, ou inopportunidade do convite. 

Resolvi-me entSo a proceder por partes, pesquisando pessoalmente 
por quasi todo o coneelho o que nelle houvesse de aproveitavel para 
meu estudo. 

Dos reverendos collegas de V. Rev."*, a cuja porta por esse motivo 
t3nbo batido, nSo recebi até hoje senSo provas de urna grande attengSo 
e extrema bondade, que muito me tem penhorado. 

Mas estudo que me propus fazer, e que encetei methodicamente 
em 1893, tem side e é longo e demorado de si, porque n2o so precisa 
de ser feito conscienciosamente, corno os seus resultados devem ser 
submettidos a urna meditarlo demorada e a um minucioso trabaiho 
comparativo com o que em outras localidades tem side encontrado. 
De outra fórma eonseguiria eu mais rapidamente o meu intento; mas 
nào evitava decerto cair nos erros e graves incongruencias, de que 
estSo cheios os livros antìgos que se referem a este coneelho e os es- 
critos modemos que utilizaram aquelles sem criterio. 

Se eu tiver porém a coadjuvajSo franca e sincera dos Rev.®* Pa- 
rochos, sera muito menor o meu trabaiho e mais certo o resultado. 

Bem sei que de nenhuma fórma poderei retribuir os obsequios que 
ousadamente tenho de solicitar; mas fio tudo da alta comprehensao que 
Suas Rev.", corno as pessoas mais illustradas que sao das suaa fre- 
guesias, tem do interesse, importancia e utilidade dos estudos historioos, 
quando acompanhados de todo o escrupulo e emprehendidos com cri- 
terio scientifico. 

Por menos fido que seja, ningnem ha que nSo sinta urna grande 
curìosidade naturai em saber quem nos deixou e o qae signi&caro esses 



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O Archeologo Portdgués 315 

antig-os vestigios, que todos vemos ainda pelos campos e montes e nos 
estEo dìzendo que, antes de nés, outros povos habitaram estas mesmas 
terras. 

D'ahi, DOSSO desejo de conhecer o melhor possivel as partieula- 
rìdades da yida, dos costumes e da religiSlo d'essas gentes, de indagar 
a sua origem ou a sua prove niencia. 

Ora ludo iato, melhor do que em Uytos cheios de inexactid5es 
e prìvados de critica, se póde seguramente èstudar nos restos das pò- 
voagòes antigas, nas niinas das suas sepultaras, nos objectos que possam 
ainda existir occultos nas entranhas da terra desde esse tempo. 

Com este intento realizei jà algumas excavagòes archeologicas, com 
reconbecido resultado scientifico, nomeadamente no castello de S. Mi- 
guel-o-Anjo de Azere, que me fica mais proximo e aonde encontrei 
curiosas provas de ter sido ali urna antiquissima povoagao de origem 
anterior ao christianismo e hoje conhecida là fora em consequencia 
da explora9ao a que là procedi. 

O que eu desejo pois, e para o que solicito a cooperafSo intelligente 
e desinteressada de V. Rev."**, nSo é muito, mas vale muito — saber 
aonde existem ainda nessa freguesia vestigios de povos antigos, para 
se poderem examiuar esses restos, estudà-los in loco e comparà-los 
entre si e com outros de diffierentes regioes. 

Percorrendo eu mesmo algumas freguesias, tenho encontrado bas- 
tantes vestigios que eram desconhecidos; mas comprehendo que muitos 
mais me podem ficar occultos, por ser impossivel demorar-me em todas 
as freguesias o tempo necessario para examinar e visitar detidamente 
toda a sua area, tanto nos logares habitados corno no monte. 
E muito simples o quo solicito hoje da bondade de V. Rev."* 
V. Rev.""* vera, pelo questionario que tomo a liberdade de Ihe re- 
metter, quaes as limitadas noticias que Ihe peQO e que V. Rev.'"*, pelo 
conhecimento que tem da sua freguesia e pela cultura intellectual que 
adquiriu nos seus estudos, facilmente saberà coordenar. Talvez homens 
antigos da freguesia possam £izer tambem algumas indica95es apro- 
veitaveis. 

Emfim, V. Rev."* nSo tem mais do que preencher o impresso incluso, 
escrevendo na casa das respostas apenas o nome do logar ou sitio em 
questSo e dignar-se depois mandar entregar o mesmo impresso ao si- 
gnatario d'està carta. 

Repito a V. Rev."*: nSo tenho meio de corresponder ao obsequio 
e alto servilo que V. Rev."* me presta, senSo com a sincera declara- 
9ao do meu reconhecimento. E por isso nm acto que mnito distingue 
V. Rev.™*, mas para o qual nSo ha outra eondigna retribuigio senio 



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316 O Archeologo Portugués 

a que póde vir da consciencia de ter contribuido generosamente para 
um trabalho, cujo alcance para a archeologia portuguesa seràV. Rev,^* 
primeiro a reconhecer. 

Nao ouso pedir aV. Rev."* brevidade, porqiie a sua resposta em 
qualqiier tempo jà é para mini obsequio; mas nào devo occultar quf, 
para o seguimento dos meus estudos, é de maior vantagem urna de- 
mora mais reduzida de que mais dilatada. V. Rev."*, porém, procederi 
da fórma que menos o moleste no meio das suas occupa^Ses diarias, 
porque o meu reconhecimento sera sempre profando. 

Com toda a eonsidera9ao me subserevo — De V. Rev.™*, ven/^'^'' 
e m.'** obg.**^= 

Arcos; S. Paio, 1899. 

Questionario 

1. Ha na freguesia algum monte, sitio oii legar a que se de qual- 
quer d'estes nomes; crasto ou castro , castello ou castélUnho, cristdlo 
ou cristellinho, cedadelhe^ cividade, cerca, foi'te, redi ou arraial^ ou 
outros quaesquer semelhantes que o povo costuma considerar obra dos 
mouros? 

2. Existem nos altos da freguesia umas pequenas elevajSes ou mon- 
ticulos de terra ou de sarullio, evidentemente construidos pelo homera, 
alguns dos quaes conservam ainda ao meio umas pedras ou lages postas 
em pé, algumas vezes meio enterradas, formando um pequeno espaco 
ou recinto pouco mais ou menos circular, e por vezes com outras lages 
servindo de cobertoiras àquellas, e collocadas horizontalmente? Muitos 
d'estes monticulos tem jà apenas urna cavidade no centro, de onde 
se conhece que foram tiradas as pedras proprias; em que pontos da 
freguesia existem? 

3. A estes monumentos chama aqui o povo mottas, casas ou covas 
de mouros, cdldros do tempo dos mouros, etc, e em algumas terras 
dào-lhes OS nomes de mamoas ou mdmiiaSj mamuinhas, modorrotSy arcas^ 
orcas, antasy antinhas, antellas, etc. ; que nome dào na freguesia a estas 
obras ou construcgoes? 

4. Conhecem-se na freguesia penedos, pedras ou fragas, em quo 
se vejam cavidades grandes ou pequenas, evidentemente feitas pela 
mio do homem, às quaes geralmente chamam^^ww; sepulturas, lagares 
ou lagarinhos, carneiros, etc? 

5. Ha na freguesia algum penedo, fraga ou qualquer outra pedra 
lavrada, ou com quasquer letras ou sinaes desconhecidos, ou covinhas, 
a que o povo dà algumas vezes o nome de pegadinhas, pedras pintas 
ou quaesquer outros, etc? 



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O Archeologo Portugués 317 

6. Ha na freguesia algum locai a que esteja ligada, na boca do 
povo, tradÌ9So de alguma antiga povoagào ou logar habitado? Em que 
indicios se fimda essa voz? 

7 . Quaes sio os sitios ou logares da freguesia, se os ha, aonde appa- 
recem à tona da terra, ou entào ao lavrar, cavar, etc, tijolos, pedagos 
de telha grossa e outros cacos? 

8. Ha na freguesia alguma fonte, ribeiro, fuma, gruta, lapa, penedo 
Oli qualquer outro locai ou obra, a que o povo ligue a falsa ideia 
de ser do tempo dos mouros, ou ter moura encantada, ou thesouro 
escondido? 

9. Ha na freguesia algum sitio, pedra, ponte ou nascente, a que 
o povo ligue virtudes particulares, comò para curar maleitas ou outras 
doengas, para dar descendencia a mulheres estereis, para facilitar o ca- 
samento, ou qualquer outra superstigào ou pretensào, e aonde se cos- 
tumem fazer feitigarias, rezas especiaes, invocagoes secretas, palavri- 
nhas santas, benzeduras de feiticeiras, etc? 

F. Alves Pereira. 



O vintem de «PMlippvs I», Rei de Portugal 

Em Agosto de 1896, tendo percorrido vàrias localidades da pro- 
vincia do Alemtejo, por motivos de caracter particular, entràraos na 
cidade de Elvas. Como tìeis amigos da antiga moeda nacional, adqui- 
rimos ali alguns exemplares d'ella, que nos foram apresentados e ven- 
dìdos pelo Sr. Antonio Joaquim Madeira Furio (firma commercial Fu- 
rio & Irmlo), com loja de quinquilharias na Rua de Pereira de Miranda. 

A colheita, escassa pela quantidade, ficou memoravel nos fastos 
da nossa teimosia collectora pela posse do exemplar, inedito, que vae 
representado na fig. 1.' 



Flg. ÌJ 




[PH]ILIPPVS : I : D(EI) ; G(RATIE) o REX. O escudo de armas 
do reino, com a coroa fechada, tem um so ponto em cada escudete. 
Divide principio e o firn da legenda, que tem sequencia immediata 
para o reverso, em cuja orla so existem as letras TVGALIE, gravadas 
irregularmente. Lersehia: PORTVGAT.IE o°ETc ALGARB(IORUM), 



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318 O Archeologo Pobtugués 

se o resalto casual que houve no acto da cunhagem entra o cunht* ^ 
a chapa metallica nSo obstasse à impresslo das letras que faltam. Xu 
campo valor © X «> X « . Prata 1 1 dinheiros. Diametro de 0",Oiy. 
Peso 1«',23 ou 24 V» gràos. 

Està moeda està collocada na riquissima collec93o do Sr. Robert 
A. Shore, por cedencia nossa*. E provavel que fosse encontrada nn 
termo de Elvas por algum trabalbador rural, que a vendeu a peso. 
desconhecendo quanto é alta a importancia que ella tem para a sciencia. 
E o complemento da rarissima serie de padrSes de prata, em cujas 
legendas o algarismo I designa o primeìro dos Filippes que foi rei d- 
Portugal, conbecida semente pelos n.®* 5 e 9 da est. xxiv do voi. i d» 
Teixeira de Aragao. A moeda do Sr. Sbore, produzida com variai bar- 
baridades de origem, filha de processos artisticos, herdados de longa 
data, que ainda eram as melbores manifesta^Ses da competencia do^ 
nossos moedeiros, conserva aqnelle algarismo, bem nitido; os acasos 
do transito de mio em mSo respeitaram a unica prova que a classifica 
em legar de honra. A sua existencìa, e bem assim a das moedas em 
cuja serie està filiada, comò o ultimo elo de uma cadeia ideal, parecv- 
nos que derivou do mandado, especial (doc. n.® 78 da obra supra re- 
fenda), que transcrevemos : 

Trellado de hu mandado do S/ meyrinho mór veador da fazenda, 
^obre latiramento da moeda. Dom duarte de castelle hranquo, meì/ri- 
riho mór destes reinoa, do concelho do estado ddlrey noso S.^ e veador 
de sua fazenda. mando a uos tisoureiro e officiaes da casa da moeda 
desta cidade (j laureis na casa, moeda douro e prata de peso e conila 
que se lauraua em tempo dellrey dom henrique q Ds tem conforme a 
proiiisào 7i sóbre iso se pasou, a quali laurareis com as letras do crunho 
dellrey noso 8.^, que se hora fez por q^^ cumpre a seu sernigo laurars*' 
a dita moeda pola dita prouisào. Joam allms o fez em Lix.^ a xxvi 
de Janeiro de DLXXXI*. 

Com este documento prova-se que o Cardeal Rei assinou uma pro- 
visSo, pelo menos, acerca de lavramento de dinbeiro. E desconhe- 
€ida. N3io foi registada, ou foi perdido o respectivo livro de registo. 
Nas cortes de Lisboa e de Almeirim n2o foi tratado o assunto mo- 
netario. 



^ A p. 23 do U0S80 trabalho intitulado Numismatica Indo-Portuguesa nos rc- 
ferimos à existeucia d^esta moeda. Foi, porém, breve a noticia, porque ii5o devia 
comprehender-se ali o estudo nem a representa9So graphica de tao importante 
xarìdade monetaria. 

* Doc. !!.• 78 do voi. X de AragSo. 



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O ARCHEOLOGO PORTUGUÉS 319 

Com aquelle mandado, quasi majestatico, o vèdor da fazenda real 
impos o preceito de ser gravado o nome de PHILIPPVS (as letras do 
cTUTìho ddlrey noso S.^^ que se kwa fez) ; mas corno as moedas a la- 
vrar imitariam os typos das do tempo do Cardeal, nas quaes se lia 
HEINBIQVSoIo, ou HENRICVS «Io, o gravador em 1581 nSo dis- 
peosou o algarismo primacial; considerà-lo-hia indispensavel? 

As moedas de prata henrìquinas hoje conhecidas sào: o tosilo n.^ 3 
da estampa xxi de AragSo, com o peso de 167 gràos, e o melo tostSo, 
n." 5, com 81 gràos (cerceado). vintem, na propor9ào devida, pesarla 
cèrea de 33 */« grSos. Devia ter identico peso o vintem de D. Filippo I, 
reduzido a 24 Va gr^os. Comparado com o de D. Henrique, fig. 2.% 
que se comprehende na coUecgao do Sr. Conselheiro Manoel Francisco 
deVargas, nào o excede em importancia ponderai mais que meio grào^. 

Pig. «.• 




Este exemplar, o mais bello que temos visto, pesa 24 gràos; nós 
o pesàmos. Outro igual, porém muito cerceado, que pertence ao Sr. 
Antonio Pedro de Andrade, so tem 22 ^/t grSos, conforme a informa- 
oào dada pelo possuidor. 

Porque nao tem estes vintens e o de D. Filippe o peso representa- 
tivo da 5.* parte do tostSo? Pela barbaridade do fabrico? Nào pareee 
acceitavel este motivo, pelas considerayoes que se seguem, tendentes 
a demonstrar que qualquer ordenajao henriquina foi alterada e que o 
mandado do meirinho-mór nào foi respeitado pelos moedeiros relati- 
vamente ao fabrico de vintens. 

A ultima ordena9ao que D. SebastiSo mandou para a Casa da 
Moeda de Lisboa, em 13 de Janeiro de 1578 (doc. n.® 69 de AragSo), 
dava ao tostSo 170 grSos, ao meio tostào 85 grSos e ao vintem 34 
gvKoSj desprezadas as frac98es, e este assim se manteve. 

Relativamente à lei de 15 de Novembre de 1582 (doc. n.® 81 de 
AragSo) o tostào pesarla 172 grSos, o meio tostào 86 e o vintem 34 y^ 



* Nao alludimos ao vintem n.® 96 do voi. iv da Historia Genealogica, por ter 
a gravnra beneficiada, aBsim corno sSo benefici ados todos os desenbos de moedas 
naqnella obra, innteis para darem a verdadeira plastica numismatica, e ckrecem 
de indica9oes de peBOs. 



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320 O Archeologo Portugués 

grSos. Estes pesos forani respeitados. A mosma lei designava leg^enda^. 
No tostào ler-se-hia: PHILIPPVS DEI GRACIE REX PORTVGA- 
LIE; no meio tostao PHILIPPVS . D . G . RE PORT ET. AL, e no 
vintem PHILIPPVS . D . G. REX POR, legenda resnmida, corno con- 
vìnha ao diametro da moeda. A designa9So de PHI 1 1 foi recommen- 
dada semente para o padrào de oitenta reis (LXXX), qne nSo foi cunfaado 
em tal eonformidade, ou ainda nào apparecen entre numismatas, pois 
qne so o conheeemos com a letra F( FILIPPVS) no campo do anverso. 
Se o vintem do Sr. Shore fosse originario d està lei, certamente nao 
mostra ria o algarìsmo I, demasiadamente significativo, após o nome 
do monareba. 

Em conclusSo, vemos qne os vintens de D. Sebastiao tiveram o 
peso devido, e bem as£Ìm os communs de D. Filippo I, ao passo que 
OS de D. Henriqne e o especial filippino de que temos tratado, coro 
pesos quasi identicos, nao representaram em absoluto a 5.* parte do 
tostào. Presiimimos que hoiive o proposito de lesar o povo com as 
cmissoes da moeda que era mais abundante, a de prata menor, cujo 
peso elle nlo verificava, por ignorancia. Se representa um absurdo 
este pensamento, ou so é temerariamente injusto, que ou tra causa ac tua- 
ria no animo dos moedeiros, ou dos seus dirigentes, para que tal ir- 
regularidade fosse permittida? 

As moedas de prata filippinas apparecem reduzìdas. Isto filiou se, 
talvez, no odio popular centra os reis intrusos que as mandaram cunhar. 
O cerceio desvalorizou-as. Faltam bons exemplares para os raedalhei- 
ros. As moedas de prata desde o reinado de D. Joao II ale o de 
D. Sebastiao apparecem geralmente bem conservadas e compietas, 
talvcz porque nao houve odios que as attingissem. 

Lisboa, Fevereiro de 1907. 

Manoel Joaquim de Campos. 



Estagdes preMstoricas dos arredoi^s de Setubal 

Griitas seiMilcraeg da Quinta do A^Jo 

(Continuatilo. Vid. Arcìi. Pori., xii, 20fi) 

4) A quarta gruta (figs. 286.* a 290.*), que tambem està multo 
arruinada, era consti tuida por dois comparti mentos desiguaes e conti- 
guos, dispostos na direcgao N. 40® W., sendo o menor, que é alongado 
nesta dirccglo, um vestibulo, que communica por meio de aberturas, 
do lado do S. 40® E. com o exterior na escarpa do cerro, e do lado 
opposto com outro compartimento ou camara principal. 



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O Abchkologo Portugués 321 

Do vestibulo so restam urna boa parte do pavimento e pequenas 
porgSes das paredes lateraes, sendo mais consideravel a parte do lado 
do norte. 

Este vestibulo, segando o que se induz da observagao dos seus 
restos, devia, quando inteiro, ter a fórma de um segmento de espheroidc, 
ciijo equador era vertieal e na diree9ao do eixo commum dos dois 
compartìmentos da gruta. 

A base d'este segmento é horizontal e fica abaixo do eixo mencr 
da cllipse, que pela sua revolugSo em torno d'este eixo produziu geome- 
tricamente espheroide acima refendo. A mesma base, com a fórma 
de ellipse de pouca excentricidade o com o eixo maior tambom na 
dìrecgào N. 40* W., constitue o pavimento do vestibulo. Era sobre as 
extremidades d'este eixo maior que ficavam as duas aberturas, a qte 
me referi, de communìcagao da camara com o vestibulo e d'este com 
o exterior da gruta. 

Da camara existe todo o pavimento e a parte lateral da abobada 
ou cupula, que devia affectar a fórma de calota espherica, mas que 
foi destruida na parte superior, nao se podendo saber, por este roc- 
tivo, se tinha ou nfto claraboia, comò as que ainda se véem na 1.* e 2.* 
grutas, 

O pavimento da camara tem o contorno em fórma de um ovulo, 
resultante da combinagao de um^ semi-circunfereneia de 2™,3 de raio 
com a metade de uma ovai, que se cortasse na direcgào do seu eixo 
maior, com 4",G de comprimento. 

Este ovulo tem a sua parte semi-ovai do lado da entrada da gruta 
e o sen eixo no prolongamento do eixo maior de ellipse, que fórma 
o pavimento do vestibulo. 

O chào da camara é quasi todo horizontal; da parte, porém, que fica 
a entrada e à direira desta, iste é, do lado de NE., desce em rampa 
multo suave desde o rodapé até o centro do pavimento (fig. 287.*). 

A abobada da mesma camara tinha sensivelmente, comò ja disse, 
a fórma de calete espherica; a partir porém do pavinr.ento e corres- 
pondentemente a um arco do seu contorno com 3 metros de compri- 
mento do lado do SW., a parede lateral d'està calete é ÌRt3rrompida 
pala rocha, que ahi forma saliencia e se apresenta com pequenas por- 
goes de duas outras calotes concentricas com a primeira o comò que 
constituindo o resto de outras abobadas, parallelas à anteriormente re- 
fenda e distantes d'ella cerca de 0™,4 e 0™,6 (figs. 286.% 287.* e 288.»). 

Està saliencia da rocha occupa na camara um espago il maneira 
de banqueta,-que assenta no pavimento por uma base em fórma de tra- 
pezio circular e que se eleva apenas a altura de 0"*,5 aproximadamente. 

SI 



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322 O Archeologo Poetugués 

Està banqaeta parece, pela sua fórma e disposi^ào, indicar que 
é resto de urna antiga abobada, de que se extrahiram duas camadas 
de calcareo de 0"',4 de espessura, para se fazer urna nova e mais am- 
pia cupula em correspondencia com o pavimento actaal, tambem maìor 
do que o primitivo, e assim obter mais ambito em todo o comparti- 
mento principal. 

Sobre a banqueta abrìam-se tres canaes sensivelmente cilindricos, 
que na direc^io vertical atravessavam a rocha até a cumiada do cerro, 
estabelecendo assim a commuQÌca9So da camara com o ar exterìor, 
i maneira das actuaes chaminés (fig. 288.*). 

Estes canaes sào em grande parte formados por peqneuas cavernas 
naturaes, da especie que com muita frequencia se encontra nas rochas 
miocenicas, corno aquella em que foram cavadas as grutas. 

A posÌ93o d'estes canaes mostra que nSo communicaram com a 
eamara antes do alargamento d'està. 

Em vista do que acabo de expor, e de ter nesta gruta achado ossos 
bumanos; parece que a camara tendo sido primitivamente de menores 
dimensSes e talvez de pavimento circular, foi, depois de ter servidu 
algum tempo de sepulcro, ampliada^ excavando-se para isso na primi- 
tiva abobada camadas successivas de calcareo. 

Parece tambem que as camadas extrahidas da abobada iam sue- 
eessivamente aumentando de espessura desde a entrada até a parte 
opposta, ficando por isso o pavimento ovuloide e nSo circular, corno 
talvez fosse primitivamente. 

Està fórma de obter o alargamento da camara differe, pois, da que 
supponbo se usou nas outras grutas, apenas em se extrahirem nesta 
camadas successivas de crescente espessura a partir da entrada, nSo 
se praticando corno nas L* e 3.* grutas, em que o alargamento se fez 
igualmente para todos os lados, poupando-se sómente os humbraes das 
primitivas entradas, os quaes por isso ficaram internados nas respectivas 
eamaras. 

Nos rodapés, tanto da parede lateral da camara corno da banqueta 
e dos canaes, onde o calcareo miocenico da gruta, por ser mais molle, 
eedeu à acglo dos instrumentos de excavagao sem estalar *, vèem-se 
até a altura de (>°,5 os vestigios deixados pelos instrumentos com que 



< calcareo miocenico d'està localidade é consti tuido pelo que oa franceses 
chamam mollasse, que é formado pela mistura de calcite, areia e fofiseis. 

' Quando predomina a calcite, a rocha é dura e resistente ; quando, porém, ha 
maior quantidade de argilla, a rocha fica molle, a ponto de deizar ficar patentcs 
18 impressdes dos instrumentos com que se escava. 



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O Archeologo Portogués 323 

fbi feita a obra de alargamento da grata. Estes vestigios consistem 
em cortes e sulcos successivos, feitos uns com o game, outros com o 
l>ico de um instramento, semelhante ao ferro das actuaes picaretas 
e qne talvez fosse um machado de pedra ou enchó, corno urna de diorite, 
q^ue encontrei no vestibulo d'està mesma gruta. 

O resto da antiga abobada dentro da camara, as irregularidades, 

que se encontram no pa\'iinent05 que em logar de ser todo horizontal, 

corno nas oatras grutas, desce em rampa muito siiave do lado de NE. 

para o centro, e ainda os vestigios dos instrumentos com que se fize- 

ram obras na gruta, que nào se apresenta com todas as paredes bem 

alisadas comò as das outras cavidades, levam-me a suppór que o tra- 

balho de ampliagao nao foi acabado. Talvez està obra fosse suspensa 

no seu decurso por nella se ter deparado com as tres pequenas ca- 

vernas naturaes, que jà referi, e que deixaram a gruta rota em partes 

' onde ficou alterado o plano da obra, bem comò a sua symetria e regu- 

laridade. 

Podia, porém, acontecer que assim mesmo defeituosa, a gruta con- 
tinuasse a servir de sepulcro às personagens, jà ahi inhumadafe, e que 
até fossem aproveitadas as pequenas cavemas ou canaes acima referidos 
para nichos e o resto da antiga abobada para banqueta, que ficaria 
assim disposta ante os nichos, que sobre ella se levantavam. 

A abonar està ultima hypothese ha nào so os vestigios de escavagdes 
feitas com instrumentos nas partes inferiores dos canaes, o que prova 
que, longe d'estes serem desprezados, se aumentou a sua profundidade 
até uns 0*",5 acima do pavimento da camara; mas tambem uma certa 
analogia entre estes canaes e os nichos que se notam nalgumas grutas 
sepulcraes prehistoricas, comò as indicadas com os n."' 3, 4 e 7 nas 
estampas que representam as necropoles de Alcalà (concelho de Por- 
timSo) insertas a pp. 158, 187 e 237 do voi. ni das Antiguidades do 
Algarve, por E. daVeiga. 

Explora^Oes feitas na girata da Qninta do Ànjo 

As quatro cavidades, que anteriormente deixei descritas, foram 
todas exploradas pela primeira vez com intuito scientifico em Abril 
de 1876 pelo Sr. Antonio Mendes, coUector, que trabalhava sob a di- 
rec9ao de C. Ribeiro. 

Este sabio archeologo deu muita notariedade a estas grutas e à rica 
•collec9ao de objectos que nellas mandou colher, fazendo-os figurar na 
ExposigSo Anthropologica de Paris em 1878. 

Ao terminar o volume il dos Estudos prekistoricos de Portugal, 
€ì. Ribeiro diz: «Findaremos aqui està parte da memoria e opportuna- 



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324 O Akcheologo Pobtugués 

mente descreveremos as cavernas artifìciaes de Palmella, as quaes off»-- 
reeem subido interesse debaixo de muitos pontos de vista». 

Infelizmente C. Ribeiro morreu antes de coordenar o seu projectado 
trabalho. Apenas ficaram d'elle algumas correcgSes aos apontamento> 
manuscritos, que o Sr. Mendes tinha tornado. 

Foram estes apontamentos, acompanhados das figuras das grutas* 
que C. Ribeiro mostrou ao Sr. Emilio Cartaillaic. 

Este archeologo, impressionado ao mesmo tempo com a fórma das 
grutas, revelada pelos desenhos, e com a exposigllo do precioso espolio 
nellas encontrado, resolveu visitar estss notaveis monumentos, o que 
fez, supponho que em 1883. 

Das grutas e dos objectos nellas encontrados na explora9ao de 1878. 
dà-nos Sr. Cartaillac conta no seu bello livro : Les dges prchistoriqucM 
de V Espagne et da Portugal, de pp. 118 a 135. 

E para està obra que remetto o leitor que queira tornar conheci- 
mento dos mais importantes objectos encontrados pela primeira explo- 
ra^So das cavjrnas da Quinta do Anjo, em 1876. 

Os apontamentos do Sr. Antonio Mendes foram parcialmente pu- 
blicados pelo Sr. Dr. José Leite de Vasconcellos nas suas Religiiks 
da Lusitania, voi. i, pp. 228 a 234, onde tambem de pp. 234 a 237 esi^ 
senhor transcreve algumas passagens do livro do Sr. Cartaillac e faz 
a respeito d'ellas algumas judiciosas otservagoes.- 

Os ditos apontamentos tambem foram integralmente publicados no 
Boletim da Sociedade Santos Rocha, 1. 1, n.® 3, quo insere de pp. 87 a 98 
a communicayao feita a mesma sociedade por P. Belchior da Cniz. 

Nesta communicagSo tambem se faz a descrigSo de todo o espolio 
colhido nas grutas pelo Sr. Jlendcs, em 1876, e que se acha no Museu 
da DirecgSo dos Servigos Geologicos de Portugal, nos armarios n.*** 33, 
34 e 35. 



A notieia que dei das grutas do Casal do Pardo, e que é o resul- 
tado de urna exploragao que ahi fiz no anno iindo, differe em muitos 
pontos das descrigoes que das mesmas fizeram tanto o Sr. Antonio 
Mendes comò o notavel archeologo o Sr. E. Cartaillac. Tambem estas 
descrigoes fazem differencas entro si comò vamos notar. 

Com eflFeito, nos pcrfis e plantas que acompanham as referidas des- 
crigoes, vestibulo da primeira gruta tem a fórma de um hemispherio 
com a base vertical e cortado por um plano inclinado que serve de 
pavimento ao dito vestibulo. Na notieia, que dei d'este compartimento, 
descrevo-o com a fórma de arcostato, com o collo bastante alongado 



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O Archeologo Portugués 325 

o cortado por um plano horizontal que serve de pavimento abaixo do 
^ixo do mesmo aerostato. 

Este collo, por onde se faria a entrada principal da gruta, estava 
sob a terra endurecida do leito do caminho, onde tive de mandar abrir 
\ima trineheira para por todo o vestibulo a descoberto. 

Creio que este traballio nSLo tinha sido execotado pelo 8r. Mendes^ 
talvez por suppor que o vestibulo se limitava a parte que estava à vista, 
e d'ahi a divergencia entre a minha noticia e as descrigòes tanto do 
Sr. Mendes comò do Sr. Cartaillac, que na visita que fez às grutas 
julga que, pelo menos na 1.* gruta, se limitou simplesmente a observar 
o que estava descoberto. 

No perfii apresentado pelo Sr. Mendès, a 2.* gruta (a que o Sr. Car- 
taillac chama 4.*) tem a sua entrada no alto da cumieira do cerro, 
descendo-se d ahi por uma galeria em declive muito aspero até a en- 
trada da camara principal, galeria que nlo apresenta estrangulamento 
algum no seu decurso. 

Sr. Cartaillac representa a gruta com a camara hemispherica 
e um longo corredor hori/ontal de entrada, o qual tem diversos estran- 
gulamentos. 

As figuras da 2.* gruta apresentadas pelo Sr. Cartaillac, na sua 
fórma geral, assemelham-se muito mais do que de facto se póde obser- 
var e de que dei noticia, do que a descricao do Sr. Mendes. 

O Sr. Cartaillac diz que as aberturas, que ainda existem pratica- 
das nas abobadas da 1.* e 2.* grutas, sSo evidentemente mais ou me- 
nos modemas, e é de opinilo que se produziram naturalmente em con- 
sequencia da fragilidade das abobadas, ou as fizeram propositadamente 
OS violadores no intuito de facilitar a extracgSo das terras. Por isto, 
em qualquer dos casos, o Sr. (.^artaillac nlo dà importancia a taes 
aberturas. 

O facto é que as claraboias, que ainda restam nas cupulas das 
camaras das duas primeiras grutas, teem os bordos do lado interior 
arredondados (figs. 280.* e 283.*), trabalho a que decerto se nSo da- 
vam OS violadores, nem se produziria naturalmente.- 

Tambem o Sr. Mendes me affirmou que, na occasiao das suas pes- 
quisas, as aberturas que observou no tecto das grutas eram circula- 
res, e feitas com tal regularidade que so poderiam ter sido executadas 
pelos artistas que construiram os monumentos. 

Do vestibulo e entrada da camara da 3.* gruta nào fallam o Sr. 
Mendes nem o Sr. Cartaillac, o que julgo devido a nao se ter desob- 
struido completamente a gruta das terras e entulhos que a preen- 
chiam. 



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326 O Archeologo Pubtugués 

Com respeito & 4.* gruta, os desenhos, que se teem publicado duella. 
parecem representa-la com dois compartìmentos, nao contiguos, maito 
iri^gulares e ligados por um curto corredor. Estes compartìmentos 
slo vestibulo e a camara, cajos vestigios ainda se podem observar; 
mas sSo contigwos, fazendo-se a sua communica^Jk) reciproca directa- 
mente por urna abertura, de qne ainda resta a soleira e peqiiena parte 
dos humbraes, e nSo por intermedio de corredor. Alem d'iste, apesar 
de me parecer qne a obra de ampliaglo da camara nSo ficon completa, 
toda a gruta tem mais regularìdade do que a que se infere das des- 
crì95es e desenhos qne teem sido publicados. 

Parte das divergencias^ entre as descrifoes jà pnblicadas das gm- 
tas e a que deixo escrita, podiam inferir-se do que estara patente 
quando pela primeira vez visite! estes monumentos, o que me fez 
suppor que elles nio tinham sido postos completamente a descoberto 
nas explora95es anteriores. 

Para desvanecer pois qualquer duvida a este respeito, mandai le- 
vantar a terra junto do contorno de cada gruta; este trabalho nSo so 
confirmou as minhas suspeitas, mas deu motivo ao encontro de alguns 
objectos archeologicos, o que me instigou a fazer urna nova ezploragio. 

Para me certificar de que existiam ou nSo dentro das grutas um 
ou mais depositos de diversas naturezas sobrepostoS; mandei cavar 
urna trincheira ao longo do eixo de cada cavidade, a fim de distinguir, 
nos cortes obtidos, se as terras estavam ou nEo dispostas em diversas 
-camadas. 

Esses cortes mostravam-me que em cada gruta so havia um depo- 
sito de entulhos, sem ordem estratigraphica, decerto por terem sido 
quasi todos revolvidos nas exploragdes anteriores. 

Foram entSo extrahidos todos esses entulhos e terra que, depois de 
bem secos, foram passadós pelas joeiras e minuciosamente escolhidos. 

Os objectos que encontrei nesta nova expIora9ào foram: 

Na 1." girata 

A) Objectos de pedra lascada: 

a) Muitos fragmentos de facas de silex, de que vào representados 
tres exemplares nas figs. 291.*, 292.* e 293.* 

b) Sete pontas de flecha (figs. 294.* a 300.*) e um fragmento de 
outra (fig. 301.*). 

Comparando estas pontas entre si e com outras, de que adeante 
darei noticia, achadas na 3.* gruta, e classificadas em diversos tjpos, 
vemos que as tres primeiras sSo do 1.® typo, comprehendendo as qne 



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O Archeologo Pobtugués 327 

toem a fórma de foiba, que a quarta é do 3.® typo, isto é, das de base 
roctilinea, e as tres ultimas do 4.^ typo ou das que teem a base concava. 

e) Dois nucleos de quartzo hyalino. 

O maior d'estes nucleos (fig. 302.*) estava adherente ao pavimento 
da camara da gruta por meio de uma porgSo de calcareo estalagmitico. 

B) Objectos de pediìa. polida: 

a) Duas enxós (figs. 303.* e 304.*) de rocha amphibolica. 

Estes instnimentos teem o gnme muito bem afiado, parecendo que 
nunca serviram. 

5) Fragmento de um instrumento de marmore crystallino branco, 
imitando uma enxó encabada (fig. 305.*). 

Este objecto é semelhante a um que foi achado na gruta do P050 
Velho, em Cascaes ^, e a outro encontrado na anta da Estria, em Bel- 
las^, OS quaes foram ambos classificados pelo Sr. E. Cartaillac, comò 
symbolos do enxós. 

Na fig. 305.* a por$So & direita da linha ^4 £ representa o fragmento 
tal corno foi, achado, a porgSo a esquerda da mesma linha representa a 
parte restaurada do cabo por onde se pegava no instrumento, do mesmo 
modo que nos objectos similares encontrados em Cascaes e Bellas. 

No refendo fragmento vé-se o relevo que representava a pedra da 
enxó, a patilha em que terminava o cabo e se ajustava a pedra, e 
ainda uns sulcos tragados em torno tanto da parte correspondente i pe- 
dra da enxó comò da patilha do cabo. Estes sulcos representariam 
o liame, que ligava as duas partes. 

Attendendo & fragilidade do marmore, e ainda k fórma d'este ob- 
jectO; acho perfeitamente acceitavel a interpretammo que Sr. Cartaillac 
deu dos objectos semelhantes a este. 

' e) Duas iosignias de marmore branco, representando clavas (figs. 
306.*, 307.* e 308.*). 

Estes dois objectos teem a fórma da porQSo restante de um ellipsoide 
de revolu9ào, com grande excentricidade, em que se fizesse a ablagSo 
de tres partes: a primeira separada por meio de um plano parallelo ao 
eixo maior do ellipsoide, e as outras duas por secgSes perpendiculares 
a este eixo e a designai distancia do sea centro. 

Um d'elles tem a superficie curva ellipsoidal toda omamentada, 
corno S(B ve nas figs. 306.* e 307.* Este objecto tem 0^,237 de compri- 



^ Vid. Les ùges préhisloriques de V Espagne et du Poriugaly por £. Cartaillac, 
p. 108. 

> Vid. Estudùs prehUtoricos em Partugal, por C. Bibeiro, parte 11, p. 66. 



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328 O Archeologo Portugués 

mento, (y^\Oò na maìor largura correspondente ao eixo menor do elli- 
psoide, (y^^Olò de largura na extremidade mais delgada e 0'",04 de lar- 
gura na outra extremidade. 

A outra ìnsignia (fig. 308.*) tem as superficies todas lisas, apresen- 
tando apenas na superficie plana, e proximo da extremidade mais 
grossa, uma pequena' depressSo em fórma de calote espheriea. Tem 
0"',20 de comprimento e C^^OóS de maior largura. 

Ambos OS objectos s^o muito semelhantes a outros encontrados na 
Foiba de Barradas, em Cintra, e no Monte Abrahào, em Bellas, por 
C. Ribairo, que os tomou corno insignias ou symbolos de clavas *. 

Igual destino supponho terem os dois objectos de que estou tratando, 
pois que, sondo a sua fórma perfeitamente semelhante à das verdadeiras 
clavas de rocha amphibolica muito resistente, as quaes encontrei na 
Rotura e Chibanes, nSo poderiam comtudo, pela fragilidade do mar- 
raore de que s2o formadas, servir para armas de combate. - 

d) Um fragmento de cylindro de marmore branco, com O",070 de 
comprimento e 0'",020 de diametro na base (fig. 309.*). 

Este cylindro, quando esteve em uso, devia ter maior comprimento 
e a superficie toda lisa, achando-se actualmente partido e coberto por 
uma fina eamada de concre9ào calcareo-argillosa. 

Todos 08 objectos indicados na precedente alinea B) foram achados 
sobre o pavimento do vestibulo, na parte quo tinha escapado à explo- 
ra^ao de 1878. 

C) AuTE ceramica: 

Mnitos fragmentos de lou^a (malgas, panelas, potes e outros va- 
sos), alguns dos quaes sSo ornamentados com chem'ons, 

O exeraplar representado na fig. 310.* é curioso, nSo so pela sua 
especial ornamentammo, mas tambem pela rara fórma cylindrica do sen 
bojo. Tambem neste mesmo exemplar apparecem disseminadas pelo 
barro grande numero de pequenas palhetas, creio que de mica, com a 
c6r e o brilho do curo, algumas das quaes se v6em na superficie or- 
namentada. 

O fragmento representado na fig. 311.* fazia parte do bojo de um 
pequeno vaso em forma de tulipa. 

Os dois fragmentos representados na fig. 312.* pertenciam a uma 
especie de malga, com a superficie ornamentada com desenhos feitos 
com um pungao. 



* Vid. Estudos jìrehistorlcos em Portugal, parte ii, pp. 38, 40 e 83. 



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O Archeologo Portuoués 329 



D) Adornos e outros objectos: 

a) Oitenta e duas contas de callaite, tendo umas a fórma de tron- 
eos de ellipsoides (fig. 313.*, a, a), outras de troncos de espheroides 
(fig. 314.% b, i), e outras cylindricas on diseoides corno se vèem nas 
fig-s. 313/ e 314.» 

A cor d'estas contas é na maioria d'ellas verde muito darà, nal- 
g-umas amarella, noutras azul escuro, e numa negra (fig. 314.* b'), 

b) Quatro botoes plano-convexos, de osso, com varios contornos 
e grandezas, corno estSo indicados nas figs. 315.* e 318.* 

Estes botSes apresentam na face plana e inferior os dois orificios, 
eie um canal ou furo, por onde devia passar o liame que os prendia 
ao fato. Este canal è curto, e por isto, nSo se podendo por elle enfiar 
urna agulha rectilinea, nera com facilidade passar um fio ou correia 
mais de urna vez, julgo que o liame era constituido por um unico fio, 
que tambem poderia servir de aselha ou pé. 

e) Uma rodela concavo-convexa (fig. 319.*), feita da valva de um 
mollusco. Ao centro d'està rodela vè-se um orificio circular. . 

Comquanto este objecto tenha a fórma dos volantes de fusos ou 
cossoiros, nSo me parece, em vista da sua pequenez e pouco peso es- 
pecifico, servir para o mesmo firn que taes instrumentos. Talvez ser- 
visse tambem de botSo. 

d) Tres pequenos rolos de folhas rectangulares, de ouro muito fino. 

Estes rolos formavam tubos, corno se deprehende da maneira perfei- 
tamente regular comò num d'elles uma das margens maiores da foiba se 
sobrepSe e ajusta na margem opposta, sem comtudo estar a ella soldada. 

Estes tubos de ouro fazem lembrar as agulhetas que revestem as 
extremidadcs dos cordSes ou fitas dos actuaes atacadores, e poderiam 
ter mesmo fim. Julgo porém mais provavel que servissem de contas 
tubulares, de modo semelhante às formadas com as conchas de Denta- 
lias, que tambem encontrei nesta gruta e de que adeante fallarci. 

Dois d'estes tubos de ouro (figs. 320.* e 321.*) tem de calibre 0",003 
e de comprimento 0",025. 

As figs. 322.* e 323.* representam a lamina do terceìro tubo quasi 
toda desenrolada e vista pelas duas faces. Neste desenrolamento sur- 
prehendi o trabalhador, que a encontrou no crivo. Està lamina tem 
de comprimento 0"*,021, de largura 0'",017 e a mesma espessura que 
as laminas dos outros tubos, a qual é de 0'",00017. 

è) Uma pequena serpentina de ouro (fig. 324.*). 

Este objecto, cujo peso é de 2 grammas, é formado por uma fita 
de secQ^o rectangular, de ouro muito fino, com a largura de 0™,002, e 



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330 O Abcheolooo Portugdés 

enrolada em helice ou espirai cylindrico com quatro voltas- O cvlindro, 
que està helice podia envolver, tem 0",008 de calibre, e o passo de 
oada volta da helice é de 0®,003. 

A diminuta grandeza de tal calibre exclue a supposÌ9So de qae 
està serpentina pudesse servir de anel, pois que nSo poderìa caber 
em nenhum dedo de qualquer pessoa, por mais nova que fosse. 

À conjectura, que acho mais acceitavel sobre o destino d*este ob- 
jecto, é a de ter servido de ìnstrumento de troca e, portante, de per- 
cursor da moeda. Tal hypothese tem side emittida, para objectos seme- 
Ihantes, por varios archeologos, e entre elles pelo Sr. Ricardo Severo *. 

f) Um fragmento de placa de schisto ardosiano, ornamentado nuiua 
das faces com triangulos isosceles, alternadamente lisos e reticnlados 
com linhas parallelas, comò indica a fig. 325/ 

g) Conchas de moUuscos, perfuradas. 

Urna d'estas conchas (figs. 326.* e 326.* A, a, a, a.) é o chamado 
caurim {Cyjprea monefa), que, pela notavel belleza da sua fórma, cor e 
brilho, tem em todos os tempos sido usada comò adomo pelos povos 
barbaros, que tambem ainda a empregam corno moeda. Ka praia do 
Portinho da Àrrabida tenho encontrado, com frequenciji, està especie 
de conchas. Os exemplares que encontrei dentro da 1.* grata est^o 
todos perfurados junto do labro, creio que para servirem de contas. 

Outras conchas (figs. 326.* b, 6.), achadas na 1.* gruta, sSo em 
fórma de pequenos tubos, e pertenceram a moUuscos da familia Denta- 
lidea. 

Na gruta de Remouchamps (Belgica) achou o Sr. Van deu Broeck 
exemplares d'està especie de dentalideos, os quaes tomou comò contas 
de separacao de outras em collares de conchas^ 

Com estas duas especies de conchas e ainda com oìitras, corno o 
cerithio representado na fig. 326.* e, se poderiam formar collares se- 
melhantes ao de toda a fig. 326.* 

E) Restos humanos: 

Taes corno: fragmentos de cranios, de ossos comprìdos e muitos 
dentes com as coroas pouco gastas. 

F) Restos de animaes: 

a) Fragmentos de ossos e dentes de cabra, cavallo, cXo, porco e de 
tubarlo. 



* Vid. Portvgalia, tomo ii, p. G8, e cf. Arch. Poti., voi. xi, p. 352. 
2 Vid. Six le^ons de préhistoire, por Gr. Engerrand, p. 168. 



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O Abcheologo Poetugués 331 

b) Grande numero de conchas de diversos molluscos, taes comò: 
ameijoas da cab29a {Venus decussata), berbigSo {Cardium edidis) e di- 
versas vieiras (da familia Pectenidea), sendo d'estas muito abundantes 
as valvas da espeeie representada na fig. 327.* Estas especies de mol- 
luscos ainda hoje vivem nas aguas e margens do Sado, sendo as vieiras 
um manjar delieioso. 

Além dos objectos de que anteriormente deixo notieia, encontrei 
na 1.* gnita urna sovela de cobre, que descreverei quando tratar da 
epoca do cobre. 

Na 2.* grata 

A) Urna enxó (fig. 328.*), de rocha amphibolica, e um machado 
(fig. 329.*) da mesma rocha, ambos polidos ou antes amolados sobre 
ontras pedras. 

B) Fragmentos de vasos de barro, sendo alguns ornamentados. 
A fig. 330.* representa um d'estes fragmentos, pertencente a um 

pequeno vaso em fórma de tulipa, comò indica a linha pontuada da 
mesma figura. 

C) Objectos de adorno: 

a) Vinte e nove eontas de ribeirite, de diversas fórmas e grande- 
zas, representadas na fig. 331.* 

b) Alguns pequenos fragmentos de placas de schisto ardosiano, 
sendo um d'elles (fig. 332.*) ornamentado com triangulos. 

D) Um fragmento de lapide em fórma de telha, com aproximada- 
mente 0"',06 de espessura e 0™,4 de largura. Està lapide estava trans- 
vcrsalmente partida, motivo por que nSo pude saber o seu comprimente, 
quando inteira. Julgo que servia de porta para fechar a communicagSo 
do vestibulo com a camara principal. 

Na 3.' gmta 
A) Objectos de pedra lascada : 

a) Innumero9 fragmentos de facas de silex, corno os representados 
nas figs. 333.* a 343.* 

Duas d'estas facas quasi inteiras (figs. 337.* e 338.*) sXo de quartzo 
byalino, completamente diaphano (crystal de rocha), e muito pequenas. 
Julgo-as destinadas a operagoes muito delicadas. 

b) Parte de um nucleo de quartzo byalino (fig. 344.*) d'onde pode- 
riam ser tiradas as duas facas anteriormente rcferidas. 

Nesta por9So de nucleo falta a parte correspondente ao plano de 
percussSio. 



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332 O Archeologo Portugués 

e) Diversas pontas de flecha, que se podem classificar nos segainte:? 
typos: 

1.° typo — Em fórma de foiba. Duas pontas de flecha de silex (fig^. 
345.* e 346.*). Segundo Mortillet *, as pontas d*este typo sao semprtr 
disseminadas e raras. 

2.® typo — Em fórma de triangulo isosceles, de base tornada con- 
vexa. Duas pontas de flecba de silex (figs. 347.* e 348.*). Segnndf. 
Mortillet *, OS exemplares d*este typo sao sempre raros e excepcionaes. 

3.® typo — Em fórma de triangolo isosceles perfeito, iste é, com 
a base rectilinea. Duas pontas de flecba, sendo nma de silex cinzento 
(fig. 349.*) e a outra (iig. 350.*) de silex roxo multo escuro. 

4.® typo — Em fórma de triangulo, com a base tornada concava. 
Dezoito pontas de flecha de silex de diversas cores (figs. 351.* a 368.* i. 
sendo urna d'ellas translucida (tìg. 367.*) e com uma bonita cor aca^- 
tanhada. 

5.® Typo — Em fórma de foiba, com entalhes de cada lado da basf. 
Duas pontas de flecha de silex cinzento (figs. 369.* e 370.*). Segundo 
Mortillet, OS exemplares d'este typo sSo excepcionaes na Europa '. 

6.** Typo — Em fórma de triangulo, com esbo^o de pedunculo na 
base. Uma ponta de flecha de silex branco (fig. 371.*). 

B) Objectos de pedua polida: 

a) Duas enxós de rocha amphibolica (figs. 372.* e 373.*). Estes 
instrumentos, com quanto estejam partidos, teem os gumes muìto beni 
afiados, parecendo que nào tiveram uso algum. 

b) Quatro cylindros de marmore branco, dois dos quaes estào re- 
presentados nas figs. 274.* e 275.* Estes objectos acham-se cobertos 
com uma pasta concrecionada, de calcareo e argilla. 

C) Abte ceramica: 

Innumeros fragraentos de diversos vasos, sendo uns lisos e outros 
ornamentados com chevrotis. 

Os vasos representados nas figs. 376.* a 378.* f^ram restaurados 
com diversos fragmentos, que se vèem nas mesmas figuras. 

O vaso representado na fig. 377.* é notavel pelos desenhos, que 
parecem de cervideos e se véem abaixo da cercadura feita com che- 
vrons. 



* Vid. Le prékistarique, !.■ ed., p. 520. 

* Vid. ob, cU., na mesina pagina. 
5 Vid. ob. cit., p. 522. 



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O Archeologo Pobtugués 333 

Estes desenhos sSo os mais rudimentares que se podem imaginar, 
]>ois que tanto a eabega, corno o tronco do animai e os membros, estlo 
representados por simples linhas rectas. E assim que ainda hoje as 
criangas costumam representar as figuras dos animaes. 

A fig. 379.* é de um fragmento de malga, corno se ve indicada 
na linha pontuada. 

A fig. 380.* é de oiitra malga, restaurada por meio de um frag- 
mento. 

Todos estes vasos tinham o bordo superior ornamentado comò as 
malgas que encontrei na Rotura e Chibanes. Na malga que a fig. 380.* 
representa o bordo superior, que é ornamentado, fieava muito incli- 
nado sobre a parede interior. 

D) Adornos, amuletos e outkos odjectos: 

a) Cento e setenta e ciuco contas inteiras de callaite (figs. 381.* a 
ii84.*) e alguns fragmentos de outras, comò o representado na fig. 385.* 

A maior parte d'estas contas sào da variedade de callaite, a que 
o Sr. Bensaude deu o nome de ribeirite. 

Estas contas teem grande analogia com as que C. Ribeiro encon- 
trou no dolmen do Monte Abrahào, em Bellas *, e que Ricardo Wittnich 
analysou. 

As cores, fórmas e grandezas das contas achadas na 3.* gruta sSo 
diversas. 

Emquanto & cor, a maior parte d'ellas s3o verdes mais ou menos 
claras, variando tambem a dureza proporcionalmente k intensidade da 
cor. Estas varia95es parecem produzidas pelos agentes externos, pois 
que a substancia das contas é tanto mais molle e apresenta a cor tanto 
mais darà quanto mais proxima està da superficie exterior. E o que 
pude verificar nalguns fragmentos das poucas contas quC; por acaso, 
se partiram no acto da expIoragSo. 

Muitas contas, espeeialmente as pequenas e discoides, apresentam 
a superficie incrustada de oxidos de ferro, com a cor ocracea. 

Algumas contas nSo teem a cor verde, mas cinzenta muito escura, 
e até completamente negra. Tal é a conta indicada na fig. 381.* com 
a letra a'. 

Emquanto à fórma, a maior parte das contas, que nas figuras nSio 
lem indicagào especial, sào cylindricas, mais ou menos oblongas. As 
menos oblongas ou discoides sào em geral as de menor grandeza, e 
parecem cortadas de uma pega cylindrica. Algumas d'estas contas es- 



Vid. Estudos pì-eliistoricos cm Portvgal, parte ii, pp. 53 e 55. 



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334 Archeologo Pobtugués 

tavam coUadas umas às outras pelas bases cylindrìcas, formando gru- 
po8 de tal maneira solidarios que foi preciso algum esforgo para os dis> 
solver. Pareceria até que as contas componentes de cada grupo nunea 
se terìam completamente separado, se nào existissem nalguns grup4»s 
contas diversamente encrustadas de oxidos de ferro, corno so ve m* 
grupo de tres contas ainda ligadas que està indicado na fig. 384.^ a>m 
a letra g, facto que so é compativel eom o seu desligamento anteiior. 

As contas designadas com as letras a, a' sào tronco-ellipsoidaes *- 
as indicadas com as letras d e d' tronco-espheroidaes, parecendo do- 
rivarem aquellas dos cylindros oblongos e estas dos discoides, pel«> 
desgasto feito nas proximidades das bases cylindricas. 

A conta designada com a letra b' (fig. 381.*) é um ellipsoide tron- 
cado, com a superficie toda ornamentada de sulcos circulares perp^^n- 
dicularmente ao eixo maior do ellipsoide. 

As contas nem sempre eram perfeitamente alisadas, apparecendo 
algumas com facetas irregularmente espalhadas pela superficie, o quo 
me faz suppor que se alisavam pelo movimento de vae-vem sobre oii- 
tra pedra e nSo ao tórno. 

Nas contas grandes o furo era cilindrico, corno se ve no fragmentu 
de conta amygdaloide representado na fig. 385.*; nas contas peque- 
nas, porém, tinha a fórma de dois troncos de cone, mais ou menos ajus- 
tados pelas bases menores, o que parece indicar que neste caso t» 
instrumento com que se faziam os furos era grosseiro, podendo mesmo 
ser um furador de silex. 

A perfuragSo era feita a partir das extremidades das contas para 
centro, e nem sempre os dois furos ficavam perfeitamente no proion- 
gamento um do outro, comò se ve claramente no fragmento da grande 
conta amygdaloide de ribeirite, representado na fig. 385.* 

b) Uma placa de ribeirite em fórma de trìangulo isosceles e perfu- 
rada proximamente do centro da base do triangulo, para andar sus- 
pensa. Este objecto, que talvez servisse de amuleto, esti indicado na 
sua grandeza naturai, na fig. 384.*, com a letra e. 

e) Uma grande conta de azeviche com a fórma de dois troncos de 
cone, ajustados pelas suas bases maiores. Està conta, que està indicada 
na fig. 383.* com a letra d, tem de comprimente 0^,032 e de diame- 
tro na base commum aos dois troncos de cone que a formam, 0^,020 ^ 



* Carlos Ribeiro (oh. ciL, p. 52) refere- se a contas semelhantes a eata acha- 
das em Monte AbrahSo, mas tSo deterioraci as que se desfaziam com a simplcs 
preselo dos dedos.Tambem ncsta 3.* grata do Casal Pardo encontrei uma pequona 
conta de azeviche, que se fragmentou toda. 



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O Archeologo Pobtugués 335 

d) Urna grande conta de marfini; com a fórma e grandeza indica- 
<las na fig. 386.* 

Està conta é milito semelhante a outra achada por C Ribeiro no 
IMonte Abrahao*. 

O marfim, de que é formada, està pela sua grande antigiiidade a 
i3eparar-se naturalmente em camadas cylmdricas muìto regalares, cujo 
<^^ixo commum é parallelo ao da conta, mas nRo se confunde com elle. 

e) Um dente canino do ramo direito do maxiUar inferior de lobo, 
-Turado transversalmente proximo da raiz, a fim de poder andar sus- 
penso, talvez comò amuleto. 

Este objecto està indicado com a letra e na fig. 382.* 

f) Urna placa rectangular de curo muito fino com a superficie lisa, as 
<liias margens maiores dobradas em angulo recto e em cada uma d ellas 
-dois orificios, que reciprocamente ficavam fronteiros e poderiam cor- 
responder a dois oanaes que os ligassem (fig. 387.*). 

Julgo que està placa era destinada a guamecer uma conta acha- 
tada, de qualquer substancia^ que era atravessada por dois furos a que 
correspondiam os referidos orificios. Ainda actualmente se fazem con- 
tas de vidrìlhos semelhantes. 

Proximo da placa acima referida fói achada outra menor, tambem 
•da mesma qualidade de curo, sem furos e enrolada para formar um 
pequeno tubo semelhante aos tubos de curo que achei na 1.* gruta, 
5endo porém muito mais curto. 

E provavel que com varias pegas de curo, comò as achadas nesta 
gruta, se obtivesse um arranjo, hypotheticamente disposto comò repre- 
senta a fig. 389.*, e que poderia servir de pulseira. 

De modo semelhante foram restaurados dois coUares de contas de 
azeviche, achadas em Assynt (Rossshyre) e em Fy Mawer (Holyhead), 
OS quaes veem desenhados na obra de John Evans, Les ages de la 
pierre, pp. 453 e 455. Na mesma obra, p. 456, se refere o mesmo 
autor a umas caixas de curo, nSo perfuradas, achadas por M. Cunington 
em Upton Lovel, as quaes ere que sSLa cplacas que recobriam pequenos 
peda^os de madeira perfurados horizontalmente, constituindo assim 
grandes contas achatadas de ouro>. 

O facto de se achar perfurada a placa que achei na 3.* gruta da 
Quinta do Anjo, vem confirmar a opinilo de John Evans. 

g) Tres botSes de osso plano-convexos, isto é, com a fórma de 
segmentos espherìcos. 



* Vid. ob, cU, parte ii, pp. 55 e 61 . 



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336 O ARCHEOLOGO PORTUGUÈS 

Estes tres botoes teem cada iim o seii canal curvo, com as dua> 
aberturas na base plana, para a passagem do fio ou correia qae Ihr 
servia de prisco, corno nos botSes de osso que achei na 1.* grata. 

As figs. 399.* a 392.'^ representam estes botoes na sua verdadeira 
grandeza, sendo as figs. 399.* e 392.* dos botoes vistos pela face in- 
ferior e plana, onde se véem os orificios, e a 391.* do maior botào visti» 
pela face superior, convexa e perfeltamente polida. 

h) Urna cabega de alfinete, quasi inteìra e de osso. 

Este objecto foi fabricado com um curto pedago da osso long^o de 
mammifero, no qua! se alargou o canal medullar para nelle introdnzir a 
baste do alfinete. A sua fórma é conica, e a superficie extema 6 toda or- 
nada com sulcos circulares, perpendicnlares ao eixo do cone (fig". 393.*). 

C. Ribeiro encontrou nm objecto semelhante a este no dolmen do 
Monte-Abrahào *. 

i) Dois fragmentos de uma placa de schisto. Um dos fragmentos 
(fig. 394.*) tem um furo e parte de outro, sendo ambos os furos des- 
tinados a suspensào da placa; o outro fragmento (fìg. 395.*), està or- 
namentado com duas series de triangulos isosceles, alternadamente 
lisos e reticulados com linhas parallelas k base, cruzando-se com outras 
parallelas a um dos lados. 

i) Um peday de almagra, que supponho destinado à pintura sobre 
o corpo humano ou qnaesquer objectos. 

E) OSSOS HUMANOS: 

D'estes ossos os mais dignos de nota sào os seguintes: 

a) Grande por9So de um cranio, o qual comprehende uma pequena 
parte do frontal do lado superior e direito, ligada ao parietal pela su- 
tura coronai, partes dos dois parietaes ligados entro si pela sutura sa- 
gittal e outros fragmentos, que nao posso affirmar se sao do mesmo 
cranio ou de outros. Com estes ossos nao me foi possivel fazer qualquer 
reconstituÌ9llo, que se prestasse a calculos craniometricos aproveitaveis. 

b) Varios fragmentos de maxillares inferiores com a apophyse gè- 
niana muito desenvolvida. Nestes maxillares, os grandes molares con- 
servam as tuberosidades na corea e os premolares estào pouco gastos. 
Comtudo, encontrei dispersos por toda a gnita grande numero de dentes 
humanos, alguns dos quaes tinham as coroas gastas até o collo. 

e) Fragmentos de diversos humeros, tendo uns a cayidade olecra- 
nlana perfiirada, comò na familia de Cro-Magnon, e outros com a 
mesma cavidade nao perfurada. 



* Vid. Eòludoa prchUioricos em Poriugal, parte ii, p. 46, e fiQ> 3.' da est. iv. 



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O Archeologo Pobtugués 337 

d) Fragmentos de diversos femures. 

Como é sabido, as cristas da face posterior do femur, onde se in- 
sere lateralmente o vasto-interno, sSo tanto mais salientes e unìdas^ 
quarnto mais esses miiaculos se fortalecem pelo exercicio; e que este 
é tanto maior quanto mais o animai abandona a marcha e attitude qaa- 
dirupede, para adoptar a po8Ì9ao e marcha bipede ^ Assim nos macacos 
a^nthropoides, estas cristas aindà nào existem^; nas ra9a8 humanas 
existem sempre; porém umas vezes ainda separadas, corno na que dei- 
xou OS seus vestigios em Cro-Magnon, outras vezes jà reunidas nos 
dois ter90s medios do femur formando a Unha aspera^, corno na maior 
parte das ragas actuaes. 

Num fragmento de femur, que encohtrei na 3.* gruta, existem as 
duas cristas, acima referidas, separadas e formando columna em todo 
o tergo medio. 

Neutro fragmento do femur, as duas cristas estSlo unidas em todo 
o tergo medio, formando a linha aspera. 

Parece-me, pois, que os diversos Kumeros e os dois fragmentos de 
femures pertenciam a individuos que, pelo menos, descendiam de ragas 
differentes, uma das quaes seria affim da de Cro-Magnom. 

G) Restos de animaes. 

a) Maxilla inferior de um arvicola, que julgo ser da mesma especie 
a que pertenceu igual maxilla representada na %. 2.^ da est. ili da 
Noticia das grutas de Cesareda, pelo Sr. Nery Delgado. 

b) Grandes dentes caninos (irnvalkcu) de javali, um fragmento de 
maxillar inferior com dentes sectorios de canideo, que attendendo 
a grandeza da maxilla devia ser corpulento, e muitos dentes e ossos 
de cavallos, ovelhas e cabras. 

e) Restos de peixes, entro os quaes muitos dentes de tubarlo. 

d) Valvas de vieiras {Pectens)^ ameijoas de cabega (Venus decussata) 
e berbigoes [Cardium edulis). 

Na 4.* gruta encontrei, alem de algumas vertebras e outros cur- 

tos ossos humanos, alguns ossos compridos de vertebrados, bem comò 

• uma enxó de diorite muito bem aiìada e sem mossa alguma, croio 

que por falta de uso (fig. 369.^). Està enxó foi achada no pavimento 

do vestibulo. 



» Cf. Bull, de la Sociétéd'Anihropoìojii de Parù, 1901, pp. 153 e 154; Dr. Pcu- 
velle, Ph^MÌeo-Chimie, p. 431, P. Topinard, Anthropologie, p. 146. 
» Vid. P. Topinard, Anthropologie, p. 309 
3 Vid. P. Topinard, Anthropologie, p. 309. 

22 



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338 O Archeologo Portugoés 

Tanto nesta 4.* gruta comò em todas as outras, encontrei muitoi 
pequenos seixos naturalmente polidos e discoides, com os diametrc»s 
de 0^01 a 0"^,015. 

Estas pequenas pedras nSo se encontram nos terrenos adjacent^rs 
às grutas; pertanto foram aproveitadas e trazìdas para as grutas, nat' 
sei com que destino. 

So na 1.* gruta encontrei um objecto (sovela) de cobre; na expK»- 
ra9So, porém, que se fez em 1876, foram aehadas: nove lan^as um 
alfinete e duas sovelas tudo de cobre. Estes objectos metallicos pro- 
vam que os sepnlcros da Quinta do Anjo, se comegaram a servir na 
epoca neolithica, de que se acharam gi*ande numero de objectos, cc»n- 
tinuaram a ter uso pelo menos até o principio da epoca eo-metalliea. 

A. I. Marques da Costa. 



Exploitation souterraine du silex à Oampolide, 
àux texnps néolithiques 

L'agrandissement des voies de garage entre la station de Campo- 
lide et l'entrée du tunnel vient de faire disparaitre les demiers vestìges 
des carrières préhistoriques découvertes em 1888, lors du percement 
<lu tunnel. 

L'ouvrage dans lequel elles ont été décrites* étant difficilement 
accessible, il m'a pam utile de reproduire cette description, en j in- 
troduisant quelques légères modiiicatìons. 

Lors du percement du tunnel du Rocio, latranchée d'accès au lieu 
«dit «Rabicha» (actuellement entre la tète du tunnel et la station do 
CJampolide) traversa deux galeries, ou plutot deux salles superposées. 
La galerie inférieure, beaucoup plus grande que Tautre, s'étendait 
sur une cinquantaine de mètres, aussì bien parallèlement que trans- 
versalement à la voie. 

Les Communications avec l'extérieur étaient comptètement obstruées . 
par la terre vegetale et par des débris de carrières. 



* Paul Chopfat, Elude gèologique du Tunnel du Rocw, contrilnUion à la con- 
naissance du soìts-sol de LUbonne, in {Mémoires de la Commission dee travaux 
géologiqucs du Portugal), Lisbonne 1889. In 4.° — Articlb, Industrie préhiitori- 
que, pp. 60 et 61, et pi. vii. La planche contient les figures reproduites lei soiis 
les numéros 2 à 4. — Cfr. Leite de Vascokcellos, Religioes da LuntaniOy i, 47-48. 



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O Archeologo Pcrtuguèj-^V:! XII— 1907 





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Archeologo PortnguJj— Voi. 111—1907 



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Fig. 291.* (V.) ng. 29«.* (V.) Ffg. 298.* ('/,) Plg. 294.* («/,) Zig. 296.* (V.) 



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Fig. 296.* (Vi) Pig. »?.•('/.) Fig. 298.- (V.) Fig. 299.* ('/,) Flg. 800.- (•/,) 




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AidiMlogo Pintagoèi— Voi. 111—1907 



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Fig. 810.« tVt.) 



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Archeologo Portugofts -Voi III— 1907 



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Plg. 817.* (Vt) 





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Archeologo Portugute — Voi. Ili— 1907 









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Archeologo Porlugoès— Voi XII— 1907 



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Pig. 320.« (7.) FIf. 821.« (70 Ffg. «22.* (7.) 



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Fig. 8SÌ«.* (7.) Flg. 824.* (V,) Plg. 887.« (7,} Fig. 888.* {•/,) 




Flg. 889.* (VO 




Flg. 890.* (7.) 





PJg. 891.- (7.) Fig. 892.» (V.) 



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Archuhigo Pottaguts— Tol. XII— 1807 



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Fif. 8«7.* (V.) 



Pig. 328.- (V.) 



Pig.8».*C/J 



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iicheologo Potluguts— Voi. Ili— 1907 



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Archeologo Portoguès— Voi XII— 1907 



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Pig. 839.» (V.) Fig. 540.« (•/,) Pig. 341." (•/,) Flg. 346.» (•/,) 










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Fig. 838.» (7.) Fig. 842.- {•/,) FJg. 343.- {•/,) Pig. 344.* ('/,) 





Fig. 345.» (7.) Fig. 347.- (7.) Pig- 348.- (7.) Fig. 34».- (70 





Pig. 350.*(7,) FiK. 351.* (7,) Fig. 352.» (7.) Fig. 353.- ('/.) 



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Archeologo PortugaS» — Voi 111—1907 



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Pig. 354.» (V,) Pig. 355.» (V,? Pig. 356.* (•/,) Plg. 857.* ('/,) 






Fig.361.«(y,) 




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Plg. 358.» (V,) Pig. 359.» (V,) Pig. SeO.* C/,) Pig. 862.» (•/.) 





Plg. 863.* (7,) 



Plg. 364.«(V,) 






Pig. 365.» (•/,) Pig. 366.* {'/,) Plg. 367.« ('/,) Fig. 368.* {'/,) 



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AichwkN|o Pertuguéj-Vd. Ili- 1907 



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Flg. 369.* (7,) Flg. 370.* {•/,) Fig. 371.* (•/,) Pig. 875.* (»/,) 





Plg. 872.* (%) 



FU?. 374.* (V.) Flg. 873.* (•/.) 




Fig.37C.«(»A) 



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AichMltjo FottujiBli— Voi HI— 19W 



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Archeologo Portuguè»— Voi. Ili— 1907 



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iichediogo Poituguès— Tot. Ili— 1907 



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— Vol.III-1907 



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Archeologo Portugnfe— Voi 111—1907 



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Archeologo Poetugués 339 

Deux de ces voies d'accès ont été mises k découvert par les tra- 
vaux d'excavation; Tune, laterale, se trouvait dans la direction de la 
maison du garde-voie (S. W.?) et aboutìssait à la salle inférieure, 
l'autre, correspondant à la salle supérieure, était au contraire verticale; 
elle était probablement destinée à l'éclairage, car elle se trouvait à un 
point où le plafond de la galerie atteignait presque la surface du soL 
Elle était près de Textrémité meridionale de la téte actuelle du tunnel. 

Cette tranchée était ouverte dans des calcaires blancs, appartenant 
à la partie supérieure des terrains crétaciques. Ces calcaires eont très 
durs et contiennent des rognons de silex alignés en bancs, et se sou- 
dant parfois les uns aux autres, de fa9on à former une couche. 

Ces bancs de silex ne sont séparés les uns des autres que par 15 
à 30 centimètres de calcaire, qui se brise par Textraction, et n'a donc 
à peu près aucune utilité. D'un autre coté, les strates du Crétacique 
qui leur sont superposées en ce point n'offrant pas non plus de maté- 
riaux utilisables, il était évident que ces galeries n'avaient pas pour 
but Texploitation des couches superposées, en les faisant ébouler (soli- 
nhar)^ système qui était encore en usage il y a une qninzaine d'années, 

EUes ne pouvaient viser que Fexploitation du silex, conclusion qui 
fut tirée mème par les employés à la construction de la ligne, n'ayant 
pas connaissance de Tutilisation préhistorique du silex, et qui fut plei- 
nement confirmée par la découverte des instruments d'exploitation. 

Ces galeries étaient inclinées suivant la stratifìcation dès bancs 
de silex, et comme ceux-ci ne sont pas parallèles, il s'en suit que la 
hauteur des galeries était variable, le maximum étant environ de 1 me- 
tre et le minimum de 0"^70. 

Des piliers pour soutenir la voùte avaient été ménagés à des dis- 
tances irrégulières, et on avait fait en outre des empierrements de gres 
moellons qui paraissaient aussi avoir le méme but. 

Ces galeries étaient en partie remplies jusque vers le toit par de 
menus débris de roche calcaire et de silex, cimentós par places par 
un dépòt stalagmitique abondant. 

Sur un point, correspondant au milieu de la voie, on trouva des 
ossements humains complètement encastrés dans ce dépòt. Ces osse- 
ments ont été dispersés avant mon arrivée, mais d'après le peu que 
j'ai pu en voir ils étaient trop brisés pour permettre une étude anthro- 
pologique. On m'a pourtant parie d'un cràne, sans que j'aie pu savoir 
à qui il a été donne. 

Dès que j'eus connaissance de cette découverte, je chargeai un col- 
lecteur de la Commission géologique d'assister au travail d'excavation 
de la tranchée, mais, par suite d'un malentendu, il fut rappelé le jour 



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340 Archeologo Poutugués 

méme oii Ton commen9ait Télargissement de la partie qui avait con- 
tenu les ossements. 

Ce point se trouvait à peu près vers le milieu de la salle supérienre ; 
les débris joneliant le sol paraissaìent provenir exclusivement des si- 
lex et du calcaire qui les eucastrait, mais il n'en était pas de méme 
auprès de ravancement des galeries. On y trouvait de nombreux mor- 
ceaux de basalte, aussi bien dans la galerie inférieure qua dans la 
galerie supérieure. J^nsiste sur ce fait, parce que la galerie inférieure 
n'ayant pas de commnnication verticale avec la surface du sol, étant 
au contraire inclinée vers la sortie, il est clair que tous les fragments 
de basalte, travaiilés on non, qu'elle contenait vers sa partie supérieure, 
ont dù y étre introduits, intentionnellement. 

Quelques uns de ces morceaux de basalte étaient partiellement ou 
complètement encastrés dans la coucbe stalagmitique, d'autres étaient 
libres au milieu des débris eouvrant le sol. 

Dans la publication sus-mentionnée, j'ai décrit 15 instruments re- 
cucillis en premier lieu, mais j'en ai ensuite reeueilli davantage et 
après la publication de mon mémoire, le savant arcbéologue Estacio 
da Veiga visita ces galeries et y recueillit 10 instruments de basalte 
et des débris de silex qui, d'après ses instructions, furent remis après 
sa mort aux CoUections de la Commission géologique, où se trouvaient 
déjà 21 exemplaires. 

Ces instruments sont de deux eatégorìes: des massettes et des 
coins. Il est évident que les mineurs de l'epoque choisissaient des 
morceaux de basalte s'approchant naturellement de la forme désirée, 
qui leur était donnée peu à peu par l'usage, mais il est pourtant cnrieux 
de constater que la majeure partie des massettes ont à peu près la 
mèrae forme et les mèmes dimensions. 

Ce sont en general des cylindres plus ou moins réguliers, un peu 
plus gros que le poing, arrondis sur le pourtour, et plans sur les deux 
extréinités qui sont le plus souvent parallèles. Leur diamètre varie de 
80 à 100 millimètres, et leur hauteur de 60 à 70. 

Trois échantillons de méme diamètre n'ont qu'une épaisseur de 25 
à 50 mm., tandis que deux autres, également discoides, ont un dia- 
mètre de 140 et 160 sur une épaisseur de 60 et de 65. 

Les coins sont fort irréguliers, le plus grand ayant 140 mm. dans 
sa plus grande dimension. Rien ne permet de dire s'ils étaient réelle- 
ment eraployés comme eiseaux, ainsi que le supposait Estacio da Veiga, 
ou si ces derniers étaient de bois ou d'os et n'ont pas laissé de vestiges. 

Avec ces instruments de basalte se trouvait une petite boule de 
quartzite ayant deux petites facettes planes, opposées, et une autre 



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O Archeologo Portugués 341 

laterale. Son diatnètre est de 51 mm., et la distance entre les deux 
faces planes opposées, de 42 (fig. 4). 

Des massettes analogues à celles de basalto et à celle de quartzite 
ont été trouvées dans de nombreuses stations néolithiques des envi- 
Tons de Lisbonne. Dans les tas de débris de silex se trouvaient des 
fragments de couteaux et de racloirs identiqiies a ceux de cotte memo 
epoque. 

II est incontestable que Ton se trouve en présence de carrières 
néolithiques, et elles devaient étre très nombreuses dans la vallèe 
d'Alcantara et au Monsanto, car Textension des instruments de silex, 
à cotte epoque, est enorme en comparaison de Tétendue relativement 
restreinte des contrées où cotte matière pouvait étre exploitée. 

La majeure partie de ces carrières aura été détraite par les ex- 
ploitations de calcaire, mais peut-étre en existe-t-il encore d'autres 
dont on ne connait pas Tentrée. 

Pourquoi les hommes néolithiques de Campolide exploitaient-ils le 
silex par galeries souterraines, ce qui, à cette epoque, présentait des 
difHcultés incomparablement plus grandes qu'actuellement? 

Doit-on admettre qu'ils avaient déjà exploité tout le matèrici pou- 
vant Tetre à ciel ouvert, ou bien était-ce pour se procurer une malière 
première se travaillant avec plus de facilitò, par suite de la conserva- 
tion de son eau de carrière? 

C'est ici le cas de rappeler qu'il existe encore, près de Rio Maior, 
un hameau dont les habitants vivent en partie de la taille du silex, 
qu'ils sont capables de travailler avec autant de perfection que les 
hommes de Tage néolithique, et pourtant leur matière première ne 
consiste qu'en silex privés de Teau de carrière, ramassés dans une 
terre probablement alluvienne. 

Il semble dono probable que les carriers de Campolide ayant épuisé 
les bancs de silex exploitables à ciel ouvert, se sont peu à peu enfon- 
cés sous le sol, ménageant des piliers pour éviter les effondrements. 
Ce serait l'origine de Tart du mineur, et peut-étre celle de Texploita- 
tìon des carrières par galeries provoquant des effondrements (solinhar) 
qui s'est maintenue dans les mémes parages jusqu'à nos jours. 

Avant la découverte des galeries de Campolide, Texploitation sou- 
terraine du silex à Tépoque néolithique était déjà connue de Belgique, 
d'Angleterre et de France. Ces témoins sont cependant encore fort 
rares, et méritent d'attirer Tattention. 

Les exploitations dans les pays précités avaient lieu par puits 
verticaux aboutissant à des galeries étroites, tandis qu'ici nous avons 
affaire à de vastes galeries, à entrées latérales. 



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342 O Archeologo Portugués 

Il me reste à dire un mot sur la disparìtion de ces galerìes. L'achè- 
vement de la ligne fit disparaitre la partie des galerìes située au Sud 
de la voie et il ne resta que quelques mètres du coté nord. 

En 1899, M. Luciano de Carvalho, sous-directeur de la Compagnie 
royale, montrant une fois de plus Tintérét qu'il porte à tout ce qui 
touche aux qnestions scientifiques, fit piacer un grillage à l'entrée de 
cette excavation, la signalant ainsi à Tattention des voyageurs, et as- 
surant sa conservation. Le développement qu'a pris dcrnièrement la 
station de Campolide obligea à elargir considérablement le champ de 
manoeuvres et à niveler le terrain bien au-delà de la galerie néoli- 
thiqne. 

Il ne reste plus de cette station que des photographies tirées pen- 
dant la construction de la ligne et les instruments déposés dans les 
coUections du Service géologique, au Musée Ethnographique et peut- 
etre aussi chez quèlque particulier. De nombreux exemplaires doivent 
ètre enfouis dans les remblais de la ligne. 

Paul Choffat. 



Aoqulsigdes do Museu Etlinologloo Portugués 

FéTerelro de 1907 

O Sr. Alberto Collabo offereceu as estampas da obra numismatica 
de Teixeira de Arag&o, coUig^das num so volume. 

A Mesa da Misericordia de Obidos offereceu tres pergaminhos la- 
tinos, medievaes, com letras coloridas. 

O Sr. José de Aseensao Valdez offereceu um pergaminho do sec. xrv. 
O Sr. Jaime Leite offereceu um denario iberico de Osea, duas 
moedas romanas, imperiaes, de cobre e dois pesos portugueses, marca 
T. S. R, de cobre. 

O Sr. Pedro de Azevedo offereceu amostras de papel sellado em 
uso nos annos de 1801 e 1802. 

O signatario d^este artigo offereceu tres exemplares do seu ex-Ubris, 
O Sr. Director do Museu adquiriu para o Museu os seguintes ob- 
jectos: 

uma coUec^So de tres estampas (antigas e modernas); 
um cademo de pergaminho do sec. xv, manuscrito, e ou- 
tro de papel, em portugués, do reinado de D. SebastiSo; 
um livro de receitas, manuscrito, do sec. xvii; 
Comhate de Marffào, litteratura de cordel do sec. xvm, com 
uma gravura; 



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Archeologo PortDgnb— Voi, III— IMT 



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Aicheologo Poitnguts— Tol. Ili— 1907 



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Fig. 4 (a, h) — Boole de qiuurtsite paraiisaat «volr lerrl de in«Mete pour la t«ille do lilez. 
Orandoor naturelle. 



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O Archeologo Portugués 345 

dois livros hespanhoes (impressos), um do sec. xv e oiitro, 
sem folha de rosto, talvez da mesma epoca; 

urna campainha metallica, indiana; 

um medalhlo camoniano de ferro fundido; 

urna caixa de rapè, antiga; 

duas moedas de cobre e urna medalha, portuguesas; 

um bilhete da lotaria real de 1801, com gravura, e outro, 
da de S. Carlos, de 1805; 

urna ceduta de 50 réis^ emittida pela Camara Munìcipal do 
Porto em 1891; 

Oro8Ìu8, edÌ9So de 1499, deVeneza; 

um sello de ehumbo, qué pertenceu a documento diploma- 
tica, do reinado de D. JoSo VI; 

Noverui de Scnita Maria Magd alena, còpia da edÌ9ao de 1750, 
com pinturas; 

Geogrcq>hia Universale manuscrìto com appendices historicos, 
do sec. xvni; 

Devogào das Estagtks, manuscrìto do mesmo seculo, com 
encadernagSo dourada; 

Contos de Alexandre de Gusmao, manuscrìto do mesmo se* . 
culo, cartonado; 

Tomo II dos Discursos Espiriiuaes de D, Maria Magdalena 
de Jesus (vid. Barbosa Machado), manuscrìto do sec. xvn. 

Historia da Congregagào da Caridade da Sé, manuscrìto de 
1818, com capa de pergaminho atada com fita de carneira; 

Chorographia, de Barreiros, impressa em 1561, e Censuras, 
de Gaspar Barreiros, da mesma data, obras que estào reunidas 
num so volume, que, comò nelle se declara, pertenceu a Tho- 
mas Norton e Rodrigo da Fonseca MagalhSes. 

Marco de 1907 

Em virtude da disposÌ9So testamentarìa com que falleceu o Rev."^^ 
Monsenhor Conego Pereira Botto, o Sr. Commendador Francisco Maria 
Botto entregou ao Museu os seguintes objectos: 

dois quadros photographicos, que representam objectos ar- 
cheologicos preromanos, romanos e postromanos; 

tres machados neolithicos e um cossoiro romano, de barro, 
provavelmente do Sul do reino; 
varìos fosseis; 
Sr. Dr. Castro Almeida offereceu um alfinete que estava pre- 
gado num documento do sec. xvi. 



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344 O Archeologo Portugdés 

O Sr. Pedpo Ferreira offereceu tres moedas antigas de Ceila-^, 
duas do typo dephante e urna do typo balanga, de cobre, e duas outras. 
industanicas. 

O Sr. Rocha Peixoto, corno Director do Museo ^lunicipai do 
Porto, offereceu dezaseis cartoes photographicos respectivos ao mesmo 
Museu. 

O Sr. José de Almeida Carvalhaes, preparador do Museu Ethnolo- 
gico, offereceu tres moedas imperiaes romanas, de cobre, achadas na 
mina de prata de S. Tiago, do concelho do Sardoal. 

O Sr. Affonso Branco offereceu um livro encademado com capa 
de marroquim dourado, impresso em 1804. 

O Sr. Alfredo Bensande offereceu urna candeia de ferro agoreana, 
da Ribeira Grande. 

O Sr. Fedro de Azevedo offereceu quatro cautelas da lotaria da 
Misericordia de Lisboa, duas do anno de 1846 e as restantes de 1849 
e 1862, e outra da Lotaria Infernale de 1895; tres cedulas de 100 réìs 
e duas de 50 réis, papel, da Casa da Moeda de Lisboa, e outra, de 
50 réis, da Camara Municipal do Porto. 

O Sr. P.* José Angusto Tavares offereceu urna lapide romana do 
concelho de Moncorvo. 

O Sr. Dr. Joaquim da Silveira offereceu cinco machados de pedra. 
O Sr. Director do Museu adquiriu, por compras, os seguintes ob- 
jectos: 

duas moedas industanicas, de cobre; 
um quadro antigo (pintura em tela); 
um agulheiro de luxo; 

um tinteiro, fradesco, analogo aos do convento de Mafra; 
uma lampada de metal, que serviu em capella; 
duas jarras de ceramica portuguesa, antigas; 
um medalbào de barro com o busto de D. Luis I; 
a Vida de S. Gonzaga, manuscrito ; 
outro manuscrito que trata de receitas; 
quatro livros encadernados com marroquim dourado, dos 
secs. xviii e xix; 

cinco estampas antigas, portuguesas, ethnographicas e ar- 
cheologicas; 

uma Provisào de D. Maria I, a favor de Frei Francisco de 
Jesus Maria Sarmento, em que Ihe concede o privilegio exclu- 
sivo para publicar certas obras de que foi autor; 
uma poesia de litteratura de cordel; 
um quadro com o retrato de Brotero; 



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O Archeologo Pobtugués 345 

outro, artistico, de Metrass, e dois outros pintados em 
cobre. 
O Sr. José de Almeida Carvalhaes, proparador do Museu, adqui- 
rìu urna lapide romana com iiiscrip9Eo, do Àlemtejo. 

Abrll de 1907 

A Dìrec^ao do Caminho de Ferro do Sul, por intermedio do Sr. En- 
genheiro Artur Mendes, enviou para o Museu um machado de pedra, 
que foi encontrado na freguesia de Nossa Senhora dos Martyres junto 
à trincheira do caminho em construc^ao de Evora & Ponte do Sor. 

O Sr. Pedpo Ferpeira offereceu urna caixa metallica, de fórma cir- 
eular, que contéra a impressào em lacre de um sello de loja magonica, 
com a competente fita, duas pequenas cruzes de marfim e um rosario 
com Cruz e boria. 

O Sr. Dr. Joao da Gama Lobo Pimentel oflfereceu urna bilha de barro, 
que foi achada em uma sepultura romana. 

O Sr. José Velladas da Silveira Bello offereceu : 
um pratinho de estanho; 
uma medida antiga, de barro; 

um cavallo de pau, para os mogos da lavoura se sentarem 
na cozinha ou no campo. 
E por intermedio do mesmo Sr. entraram no Museu outros objectos 
ethnographicos alemtejanos. 

O Sr. Joao Yictorlno do Silva Ciirvaiho offereceu : 

um mancebo de foiba pintada, que representa uma figura 
mythologica; 

apetrechos de fumar: fusileiro (tubo da isca), fusil e peder- 
neira ; 

um gaucho da meia, formado de dois cestinhos de madeira, 
ligado por uma argola, trabalho pastori! feito de uma so pe^a; 
um candeio, de ferro, para lagar; 

um descanso de ferro de engommar com muitos ornatos; 
um cavallo^ de ferro, chamado gaio, para encosto de espeto 
no lar; 

uma roca de pau; 

uma garrafa em fórma de vassoura, ceramica da fabrica de 
Villa Vigosa; 

uma medida de barro, antiga; 

um fuso com cossoiro, do typo antigo; 

uma garfeira de madeira, artistica. 



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346 O Akcheologo Pobtugu£8 

O Sr. Antonio Pereira da Xobrega offereceu: 

una machaclo de pedra com sulco transversai, proveniente 
de urna anta de Idanha-a-Nova; 

urna goiva encontrada nas proxìmidades de Monsaraz; 
um macliado de pedra da Herdade da Faia, concelho dt- 
Villa Vijosa; 

lima maio de gral de pedra, prehistorica, da mesma locali- 
dade; 

um maehado de pedra de anta de Idanha-a-Nova; 
nma esfera de pedra; 

um percutor de pedra e outros instrnmentos da mesma na- 
tureza, provenientes da Herdade da Faia; 
um anel de metal branco. 
A Sr.^ D. Bernarda Yelladas offereceu um dente de lobo encastoado 
em prata, que faz parte das arrélicas, ou amuletos infantis. 

O Sr. Joaqnim Diogo Monte offereceu uma fediadura de ferro, 
antiga, e duas ferraduras de sapato de homem, antigas. 

O Sr. José Romao €aeiro offereceu uma veronica de Santa Teresa, 
de latlo (S. MATER • TERES), e dois fragmentos de uma eruz, acha- 
dos no cemìterio da villa. 

O Rev. P.* Manoel Esteves offereceu uma moeda consular da fa- 
milia Af Tania] oito papeìs manuscritos com varias curiosidades (séllos. 
papel sellado, ete.) e nove exemplares de cartas e sobrescritos para 
a historia do correio. 

Sr. Hario Abreu Marqnes offereceu seis machados neolithicos. 
O Sr. Dr. Antonio de Pinho offereceu lun maehado neolithico, en- 
contrado na sua quinta da Lomba (MonfSo). 

O Sr. D. Vicente Paredes y Guillen offereceu tres placas de lousa, 

prebistoricas, vindas de Càceres. (Vid. Arch. Pori,, xi, 340 e 341). 

O Sr. Affonso Nanes Branco offereceu uma caixa antiga para anel. 

O Sr. Director do Musea, numa excursao que fez pelo Alemtejo^ 

adquiriu, por compras, os seguintes objectos: 

Meio busto de marmore do santuario do deus Endovellico, 
com inscrip^So. (Vid. Bdigides da Lusitania, i, 123; 

uma estatueta do mesmo santuario, com urna ave na mSo 
esquerda. (Vid. ob. ciL, li, 130) e um cippo, tambem do mesmo 
santuario. (Vid. ob, ciL, li, 139); 

uma tabella de pedra com inscripyao romana; 
uma telha romana inteira (imbrex); 
um remate de pedra de uma cruz antiga; 
quatro brasSes de armas; 



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O Archeologo Poutugués 347 

lima pedra, portuguesa, antiga com a letra M, coroada, qnc- 
parece relacionar-se com iim bras3o; 

objectos de silex, de barro e placas de lousa, que s3o es- 
polio de urna anta; 

iim cossoiro de barro; 

vinte e dois machados de pedra encontrados em difterentes 
sitios : 

lima coUecgào de amuletos e veronicas, portuguesas e cs- 
trangeiras ; 

qiiatro moedas de prata, a saber : vintem da regencìa do Prin- 
cipe D. Fedro, tostào de D. Filipe II, meio tostlo de D. JoSo III^ 
typo primitivo, e pinto de 1835; 

lima garrafa de paiha embiitida, com cores, feita por prcsos ; 

lima beliscadeira, de ferro; 

um medalhao, de metal, com a imagem de Kossa Senhora 
da ConceigSo; 

mais cinco moedas de prata portuguesas, duas de cobre 
e outra de cobre imperiai romana; 

um amuleto semilunar, feito de uma moeda de 5 réis de 
D. JoaoVI; 

um a9afate de cortÌ9a para costura; 

um relogio de sol, antigo, de marfìm; 

um par de oculos antigo, de metal, e a respectiva caixa: 

um pendurador de candeias, de madeira; 

dois eopos de vidro pintado; 

um candii de metal amarello, proprio para trabalhos em 
minas : 

lira alleate (tenaz do lume); 

um tostào de D. Joào III; 

uma conta de vidro azul, antiga, achada no alicerce de uma 
casa: 

um 9apatinho de pau, que serve de caixa para meudezas d(» 
agafate : 

uma matraca infantil para a semana santa; 

entra, cordiforme, para o mesmo firn; 

um anel metallico com cinco carinhas embutidas (consta qu(» 
é da Africa) ; 

dois amuletos semilunares, um de prata e outro de cobre, 
que servem contra a Ina das crian^as; 

uma pedra esferica, achatada, com um sulco que a abraga, 
e outra que serviu de pilao; 



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348 O Archeologo Poktugués 

quatro pratinhos pequenos, antigos, da chamada louca de 
Coimhra; 

um prato grande de estanho; 

um copo de vidro, antigo, eom ornamentasse s em fórma de S : 

quatro pratos grandes, de louga antiga; 

urna j06ta de ferro para eavallos; 

um almofarìz de bronze, antigo, omamentado com misulas 
acompanhado da respectiva m^; 

urna medida para quartilho, de barro, muito antiga; 

urna caixa para chà, de porcelana do JapSo, pintada: 

um berso de cortiga; 

modelo de urna ehaminé alemtejana; 

um fraseo encanastrado eom paiha de córes; 

modelo de urna tdhxia de tender peto, em metade do tama- 
nho naturai; 

um pratinho de louga amarella eom duas aves e outro com 
nozeS; da fabrica de Villa Vigosa; 

duas colhéres de chifre, trabalho pastoni; 

um gral para sai e pimenta, de madeira, proveniente de 
Portalegre ; 

um bicado para deitar vinho nas medidas, de lousa verde, 
vidrada, de Villa Vinosa (nSo tem medida certa) ; 

outro de litro e outro de melo litro, de lousa da mesma cor; 

um agucareiro vidrado de verde, em fórma de pato, eom 
tampa, cuja pega é tambem um patO; da fabrica supradìta; 

um prato de barro para agua, leite, etc, e uma panelinha. 
ou pexero, vidrada interiormente, da fabrica do Redondo; 

um barrii para agua ; 

uma cestinha de barro vidrado, que contém urna gallinha 
com pintainhos, e uma tigelinha para doce, da fabrica de Villa 
VÌ90sa; 

uma tigelinha, uma tigela, um pratinho, um prato e entra 
tigela, vidrada internamente, da fabrica do Redondo; 

um alguidarinho, vidrado no interior, com a figura do sino 
saimSo, dobrado, e uma chocolateira vidrada, da mesma fabrica; 

um cavalleiro de barro (apito), brinquedo infantil; 

um cantaro para agua fresca; 

um pucaro com duas asas; 

uma cantarinha e uma caldeirinha para agua, e um pticaro 
de bica para os doentes beberem, tudo de louga da fabrica de 
Estremoz ; 



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O Archeologo Pobtugués 349 

urna figura de barro, qiie representa um trajo ilheu, da 
fabrica de Barcellos; 

um vaso verde de typo arabico, que consta ter vindo de 
Hespanha; 

um badalo para trazer a folce à cinta; 

um/aiwi e uma espada; 

um bergo de madeira; 

uma coadeira para coar o leite, e uma queijeira para fazer 
queijos, do Alandroal; 

um volume, impresso, com estampa e capa de pergaminho, 
intitulado Olivenga Illustrada, edigSo de 1747; 

um manuscrito pintado e encadernado, Liber Oratioìium, 
que pertenceu a uma freira do convento de Estremoz. 

uma esquentadeira de metal amarello, ornamentada, talvez 
trabalho hespanhol; 

um bulla papal romana, manuscrito de pergaminho, do 
sec. XVI i; 

uma caixa de latSo, hollandcoa, com figuras e palavras; 

um polvorinho de latSo; 

outro de metal, artistico; 

uma cluimbeira de coirò com molla metallica; 

a chapa de uma coUeira de cSo; 

é> 
outra chapa de latao com "^/L ; 

9 

uma imagem de Christo de metal em cruz de pan; 

um tinteiro de pau composto de prato e copos; 

uma chavena de metal com o escudo de armas de Portugal, 
em cuja base ha as letras D. 0. P. P. ; 

um escudo de metal com cinco machados; 

cìnco botSes de fardas militares, antigos; 

um sello de chumbo com a esfera e as armas do reino; 

uma chapa de latào (para ralador?), da circunscrigSo de 
Elvas ; 

outra, para suspensSo, com os n.®' 1 e 11, em cada face 
respectivamente ; 

duas estampas religiosas, do sec. xviii, obra de Figueiredo 

e Godinho; 

medalha de No? sa Senhora das Dores do beaterio de Sorba; 
condecorag^o da Divismo Auxiliar à Hespanha èm 1837; 
um machado de bronzo, chato; 
uma alcofa de esteira. 



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350 O ARCHEOLOGO PORTUOUÉS 

Resultado das comprai feitas pelo mesmo Sr. em Lisboa: 
um peso de 10 patacas, da Alfandega de ^[acau; 
urna cliatelaine de metal amarello; 

cineoenta medalhas e seiihas portugiiesas, de prata, cobn», 
estanho, latSo e aiuminio; 

um torques de ouro, de Serrazes (S. Pedro do Sul), cuja 
gravura vem no voi. n de PorUigalia, a p. 109; 
duas eadeiras de pau em fórma de guitarra; 
tres moedas arabes e varias portuguesas; 
um bracelete de ouro, preromano, achado em urna sepul- 
tura na Quinta da Bouga, concelho de FamalicSo. i Vid. Porttt- 
galtay II, 413). 
Por intermedio do Sr. Dr. Felix Alves Pereira, officiai do Musou, 
foi adquirìda uma bellissima estatueta de bronze, preromana, achada 

ÌIaNOEL JOAQUIM DE OaMPOS. 



ProteoQao dada pelos Gtovemos, corporaQdes officiaes 
e Institutos soientiflcos & Archeolognla 

82« MììibAo ethaographlca na Oceania 

A marlnha allema tem quasi desde o seu recente comedo auxiliado 
n sciencia. 

Em Margo de 1907, a Administragao dos Museus Rcaes da Prussia 
entregou na Reparti^ào da Marinha Imperiai um plano de expedicSo 
110 Oceano Pacifico. A expedÌ9ao deve constar de tres exploradores e de 
um photographo e durarà dois annos. Para as despesas, avaliadas em 
<30:000 marcos, foram ministrados pelo Ministerio dos Negocios Eccle- 
siasticos, Medicinaes e de Ensino 50:000 marcos. O campo de explo- 
ragao é o archipelago de Bismarck. Os fins da expedÌ9ao sào os quo 
o chefe da meama, o Dr. Stephan, medico da armada, conta no seu 
livro Siidseekunst: 

«0 numero dos povos primitivos, especialmente d'aquelles qne ainda 
vivem na idade da pedra, limita-se ao interior da America do Sul 
e a algiunas grandes ilhas do Oceano Pacifico. E, pois, urgente salvar 
iì que aìnda se póde salvar, por isso que com a investigammo das tribus 
primitivas nào succede o mesmo que com uma analyse chimica, em 
que é indifferente que ella se realize agora ou d'aqui a cem annos, 
podendo-se ter a certeza que ella se poderi executar melhor e mais 
facilmente quanto mais tempo se espera. Como a rapidez do desappa- 
recimento da pedra é cada vez maior, por isso mesmo caminham os 



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O Archeologo Portuguès 351 

povos naturaes cada vez mais depressa para o firn, niurchando antes 
<la morte corporal da raja as antigas habilidades e conhecimentos, 
corno se a nossa cultura do ferro Ihe enviasse um halito venenoso. 
Os «selvagens» foram insufficientemente observados pelos primeiros 
descobridores e pelos viaj antes mais antigos. Aos exploradores mais 
modemos devemos noticias criticas e mais exactas, mas, apesar d'isso, 
ainda ha muito envolto no escuro, e a historia do desenvolvimento da 
humanidade està ameagada de perda irreparavel se nJo for esclare- 
cida nos annos proximos. E devido ao material de que sJo feitos a 
maior parte dos artefactos d'estas culturas primitivas que estes sào 
sacrificados rapidamente pelas influencias do clima, e mesmo, se mais 
tarde se quiser pagar a peso de ouro (comò fazemos hoje com os restos 
de milhares de annos) o que nós agora adquirimos com alguns reaes, 
sera esforgo baldado. E nos melhores casos alcanjar-se-hia algumas 
pegas mortaS; que cada investigador interpretarà a seu modo. Là fora 
reina ainda a vida, mas para salvar isto nao nos devemos limitar a 
comprar objectos ethnographicos de qualquer regiSo, e a encher os ar- 
marios dos nossos museus cada vez mais. Os eruditos devem viajar e 
levantar os thesonros no proprio locai, que justamente no nosso ter- 
ritorio colonial existem em grande quantidade. trabalfao allemlo està 
ainda muito atràs, do que, por exemplo, os ingleses teem feito na Nova 
Gniné e os amerìcanos nos indios, estando imminente o perigo de que 
a posterìdade levante grave3 e desgragadamente justas accusagSes con- 
tra nós. Possam estas palavras fazer o elSeito de chamar a attengSo 
das autoridades e dos ricos, amigos da sciencia, para uma serie de re- 
solugSes de problemas ideaes que ainda existem no arcbipelago de Bis- 
marck, tendo nós contrahido com a tomada de posse d'aquelle terri- 
torio, em frente do futuro uma divida de honra nacional que deve ser 
rapidamente paga, para que nUo seja eternamente protestada». 

artigo da Marine-Rundschau, transcrito por Das EchOj xxxvi, 
3281, ainda dà mais pormenores; mas aquelles sào sufficientes para 
avallar que a sciencia nao progride so pela leitura, ainda que em Por- 
tugal jà seria muito que todos os nossos estabelecimentos tivessem 
uma livraria que contivesse as publicagSes, da especialidade ali culti- 

vada, que fossem apparecendo. 

Pedro a. de Azevedo. 



La pire ennemie des monuments anciens, c'est la civilisation, car 
devant le nouveau le vieux doit se retirer. 

A. ScHCLTEN, VAfriqut Rotnainej Paris 1904, p. 33. 



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352 



Archeologo Portugués 



Notìoia aroheologrioa 

A distancia de tres leguas da cidade de Evora, na freguesia da 
S.^* Maria de Machéde, mas proximo da aldeia de S. Miguel de Ma- 
chéde, ha um gnipo de herdades que pertencem a diversos proprieta- 
rios, aonde se encontrara algiins moniimentos archeologicos, ciijo es- 
tudo e conhecimento nào sào para desprezar. 

Essas herdades sào as seguintes: Morgada, Parede Furada, Barro- 
calinho, Conde e Courella das Pias. 




Fig. i.« 

1. Na Morgada existem vestigios de um edificio grande da epoca 
romana. A avaliar pelo que se ve, alieerces, — restos de paredes, etc, 
devia ter sido vivenda magnifica, certamente destinada a moradia do 
proprietario de alguma importante villa. 

Tinha a fórma quadrangular. Em urna das faces ha indicios de que 
por alli seria a entrada. 

Jà em tempo foram estas ruinas escavadas pelo povo, sem direc- 
5^0 nem methodo, encontrando-se apenas alguns mosaicos, que se des- 
truiram. Um pedajo que escapou à destruÌ9ao foi aproveitado por ura 
lavrador moderno da herdade, que o collocou em um dos quartos do 
monte. 



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O Archeologo Poktugués 



353 



A àrea abrangida pelo edificio està hqje cultivada, mas para se 
poder lavrar foi nacessario llmpà-la dos destrocos qiie là existiam, taes 
corno: bocados de mosaico, tt^Ihas e tijolos quebrados, que eram em 
grande qnantidade *. 

Muitos d'esses fragmentos se aiuontuaram sobre os alicerces, de 
modo que fórmam parede solta, a qual, por consegiiinte, corresponde à 
do primitivo edificio. 

Alguns pedagos de mosaico que alli vimos iiidicam que este era 
composto apenas de tessellas brancas e pretas. A estas ruinas chama 
o povo: a mina da Morgada^, 




Flg. 2.* 

D'ellas se occupou jà o Sr. Gabriel Pereira nos seus Estudos Ebo- 
renses, no fasciculo intitulado: Antlguldades romanas em Evora e seus 
arredoreSy p. 13. Para ahi remettemos o leitor. 

2. Na herdade da Parede Furada, que confronta eom a da Mor- 
gada, deseobriu-se, ha dois annos, urna sepultura, deserta, feita no 



* Com alguDB cVestes materiacs se fez uin inarco da triaiigulaeao gcodesica, 
que fica j unto das ruinas. 

2 O povo, naquelles sitios, considera mina qualquer locai onde presume que 
haja dinheiro cntcrrado; e corno suppoe que elle se eucoutra cm quaesquer rui- 
nas, por isso Ihes chama mina. 

«3 



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354 O Archeologo Portuguès 

chSo, cujas paredes sSo formadas de pedras e tijolos ; cstava coberta 
eom lagcs. 

3. Passando d'està herdade para outra, sua vlzinha, a Courella das 
Pias, num cabego designado por Outeiro da mina^, ahi se encontram 
novos vestigios importantes de alli ter existido um edificio em epocas 
remotas. 

Logo que se cometa a subir a collina, apparecem fragmentos do 
pedras e de tijolos espalhados pelo chao; no alto do cahe^o nota-se 
grande abundaneia d'esses materiacs. 

Parece que o edificio se compunha de dois corpos circulares, tan- 
gontes, um dos qnaes era muito maior do que o outro. 

Ha cérca de quarenta annos, o lavrador rendeiro da herdade fez 
neste locai algnmas ezcava9de8, e ent^o appareceram oito sepuUuras 
abertas no chSo, algumas aindà eom ossadas, e um sarcophago de mar- 
more, liso, dentro do qual ha via uma especie de almotolia de barro. 

O sarcophago foi vendido para uma herdade da Azaruja, onde ainda 
hoje està. . . servindo de pia de agua para gado. A almotolia perdeu-se. 

Ha tres annos alli procedemos tambem a Icves excaya9oes e encon- 
tràmoa una objectos de pedra eom lavores, de fórma indeterminada 
e incompletos. 

4. A herdade do Barrocalinho confronta eom a da Parede Farada. 
Nella achimos este anno uma pequena anta que nSo era conhecida. 

Vae representada na fig. 1.* 

Os esteios nSo chegam a ter a altura de um homem. Tinha dentro, 
semi-enterrada, uma pedra que nos pareceu trabalhada rudemente, na 
qual se quis talvez representar uma cabega humana. E comtudo bastante 
duvidosa està supposigllo. 

5. Na herdade do Conde, junto do respectivo monte, ha urna bella 
anta, grande, que vae estampada na figura 2.* Està em parte des- 
truida. Tem a tampa caida e alguns esteios deslocados, o que nao 
admira, pois que desde ha muitos annos que no meio d*ella vegetam 
livremente dois eucalyptos, que ponce a pouco a vSo desmanehando. 

Pelo que deixamos exposto se póde fazer ideia da importancia dos 

monumentos a que alludimos. 

Para elles chamamos, pois, a attengalo dos archeologos portugneses. 

Junqueira, Junho de 1907. . ,. 

^ Arthur Lahas. 



1 Apparece aqui de novo a designaoao de m 'na a indicar ruÌDas. 



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O Archeologo Portugués 355 



Catalogo dos pergaminlios existentes 
no archìTo da Insigne e Real Collegiada de GuimarSes 

(Contfnaa^fto. Vld. o Ar<k, Pori., xii, 79) 

CCLX^XI 
3 de Janeiro de 1452 

Traslado da claiisula testamentaria de Affonso Vasques Peixoto, 
ha pouco finado, pela qual deixa doìs maravidis à confraria do Servigo 
de Santa Maria. 

Passado no pago do conceiho pelo tabellìSo JoEo Vasques, por con- 
sentimento do testamenteiro Affonso Martins de Freitas e mandado 
de Lopo de Castro, escudeiro, vassallo de el-rei, juiz ordinario de Qui- 
marSes pelo Duque de Braganja e Conde de Barcellos. 

CCLXXXII 

15 de junho de 1452 

Sentenza proferida pelo juiz de Guimaràes Affonso Lourengo, es- 
cudeiro, vassallo de el-rei, julgando a transacglo amigavel que, àcérca 
do umas casas sitas na rua Nova do Muro fez a confraria do ServÌ90 
com Leonor Esteves, viuva de Pedro Alvares, escudeiro, morador que 
foi no Torcifal, representada por seu sobrinho Liiiz Martins, escrivlo 
dos contos na cidade de Lisboa. 

As casas ficaram propriedade da confraria, e està deu à outra parte 
mil reaes brancos. 

Escrito no pago do conceiho pelo tabelliao Vasco Affonso. 

CCLXXXIII 

15 de jalho de 1452 

Traslado da seguinte clausnla testamentaria de Alvaro Gongalves 
de Freitas, cuja cednla de testamento foi feita em Lisboa e esenta 
por seu parente Pero Gennai ves e por elle assinada e sete testemunhas, 
e approvada a 22 de outubro da era de 1457 (Ch. 1419) pelo tabellilo 
de Lisboa Gomes Martins: 

tltem leixo por mens testamenteiros e compridores deste men tes- 
tamento Meestre Ayree fisico delrey e Vicente Vasques filho de Vasco 
Esteves men cunhado que see casado com Beryngeira Gill minha so- 
brinha moradores em Santarem e Diogo Martins meu cunhado almoxa- 
rife de GuimarSes todos tres em sembra e que a condigom de bum nom 
seja moor que a do outro e que faja por my comprir o dito testamento 



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356 O Abcheologo Poutugués 

segundo busso he escripto e decrarado. Item rogo a Diogo Martins. . . 
(segue-se textualmente o que fica transcripto no doc'. n.® CCLXXV).. . 
E que pera as despesas da dita capella tomem a meyatade dos dinheiros 
dos meus beens e a nneyatade dos de raiz de Beryngeira Gill ca os man- 
dou despender em obra xle spritualidade e sey que folgara sua alma 
quando se asy feser e os outros dinheiros que sobegarem que se dem por 
sua alma corno dito he. E despois mando que tomem dello conta os tes* 
tamenteiros e veedor do testamento e das despesas necessarias que 
se em ella feserem e rogo ao prioll da Costa e a Diogo Martins e ao 
abbade de Sam GuySo e alguns outros meus parentes e criados e ami- 
gos que se o quisefem fazer que depois que o anno for comprido e en- 
tenderem que a carne he comesta que me venham a Santarem por a os- 
sada e ma leuem a enterrar na dita capella e moimento junto com a 
dita Beryngeira Gill minha molher segundo dito he e que na dita ca- 
pella se possam lan9ar algumas pessoas honradas do meo lìnhag^m 
e do seu mas que nom possam auer os jazigos por eran9a». 

Passado na crasta de Santa Maria, a direito da capella de S. Bràs, 
por mandado de Gon9alo Eanes, mercador, escudeiro, vassallo de ei- 
rei, juiz ordinario da villa de Guimaràes pelo Duque senhor d'ella, 
a requerimento de Gii Lourengo de Miranda, juiz da confrarìa do 
Servilo, pelo tabelliao Jo^o Vasques. 

CCLXXXIV 

22 de julbo de M52 

Traslado da seguinte clausula testamentaria de Diogo Martins, que 
foi almoxarife de GuimarSes: 

«Primeiramente E porquanto eu sou testamenteiro da alma de Al- 
varo Gonjalves e de Beryngeira Gill sua molher e da minha e de (?) 
sua irmS Lyonor Gon9alvez de se diserem algumas missas na dita 
capella de Sam Blas pera sempre. Item Ihe ordeno pera dita capella 
coreuta solldos que mandou a dita Lyonor Gongalvez aa dita capella 
por seus beens. Item hum maravidill que Gii Dominguiz mandou aa 
dita capella pollo legar que traz Fernam Gonjalviz capateiro que està 
acerca de Santa Vera Cruz. Item ordeno mais as cassas em que mora 
Martim Vicente que forom do dito Alvaro Gon9alvez que rendem seis 
maravidis. Item hordeno mais dous maravidis de moeda antiga pollo 
legar do Souto que traz Joham Estevez da arca. Item Ihe ordeno mais 
por o legar de Penagache as deuessas e soutos do dito lugar que forom 
jà vynhas .s. que as duas partes delle erom de Fernam Eanes coonigo 
e de seus irmaa5s e huma ter9a parte era do dito Alvaro Gon9alves 



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O Aboueologo Poutuguès 357 

e d.e Joham Azedo e de Luis Dominguiz .s. as duas partes eroin do 
dito Alvaro Gon9alves e a outra terga parte era dos ditos Joham Azedo 
e do dito Luiz Dominguiz segundo mais compridamente era contheudo 
em huma inquirigom que tem Pero Annes tabelliam. Item Ihe leixo 
e ordeno a meyatade do lugar de Merllees que traz BertoUameu Fer- 
nandes tabelliam da gidade do Porto que Alvaro Gongalves de Freitas 
venceu por sentenga del Rey e nom foi tomada ainda a posse delle. 
Item Ihe ordeno da miuha parte a quintlla de Meixooees com o lugar 
do Outeiro que traz Johanne Annes de Vali de boyro emprazada por 
oito libras. Item Ihe ordeno hum maravidill pollo lugar do Outeiro 
que està hy junto com o outro. Item Ihe ordeno mais polla meyatade 
da cassa da rua Nova que traz Joham de rogas de mim emprazada 
por trez maravidis e ordeno que os dous sejam pera a capella e hum 
pera o Servdgo de Santa ]klaria. Item mando que se cante em cada 
somana aa sesta feira huma mìssa polla alma do dito Alvaro Gongal- 
vez e de sua molher e de sua irmla e minha e que este carrego dou 
a Beryngeira Dias minha fiiha que faQa cantar estas missas e comprir 
esto que mando faser na dita capella e se se poder aner o lugar de 
Merlfes e cobrar a posse que digam huma missa aa sesta feira segundo 
dito he e òutra ao sabado. Item leixou e fosse aministrador da capella 
dAlvaro Gongalvez de Freitas Beryngeira Dias sua filha ha rega e mi- 
nistre segundo que a elle ministraua e regia e era theudo de ha reger 
e ministrar e aa ora da sua morte fique ao mais chigado do linhagem 
e assy vaa de linhagem em linhagem. E que ora adendo elle e decra- 
rando mais em seu testamento por modo e maneira de codicillo que 
mandaua e decraraua que Beryngeira Dias sua filha ouuesse outro 
tanto comò seus testamenteiros e fosse veedor do dito testamento de 
comò se comprisse e que com seu a todo daua fisessem os ditos tes- 
tamenteiros as coussas que elle mandaua faser em o dito seu testa- 
mento e que assy outorgaua». 

Foi passado o traslado na crasta de Santa Maria pelo tabelliào 
JoSo Vasques, por mandado de AfFonso Louren90, escudeiro, vassallo 
de el-rei, juiz ordinario de GuimarSes, sendo o testamento apresentado 
por JoSo Estevez de Ponte, almoxarife de GuimarSes. 

CCLXXXV 

9 de setembro de 14:53 

Desistencia do direito que aos bens de Rodrigo Annes tinham seus 
irmSos Catalinha da Torre e Vasco Annes, feita por estes a favor da 
confraria do ServiQO. 

Escrito pelo tabelliào Vasco Martins. 



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358 O Abcheoumjo Portcoués 



CCLXXXVI 

14 de marco de 1454 

Venda da pensao annual de 44 soldos, imposta em um bacello sito 
ao Carvalho de Pero Chamigo, a qual Payo Rodri|^aes, escrivao dos 
contos, adquirira do eonceiho por troca de urna estrebaria sita adem 
da porta de S. Domingos e onde £sisem o curral», feita, pelo prego de 
400 reaes brancos da corrente moeda de 35 libras o real e que foi 
page, em dobras de ouro, por Joao Rodrigues e Femio Eodrigues. 
filhoB d'elle, a Vasco Martins, tabelliào, e sua mulher Leonor Gron- 
galves. 

Escrito, em Guimaràes, pelo tabelliào JoSo de Sousa. 

CCLXXXVII 

24 de abril de 1454 

Emprazamento, era tres vidas, de umas casas sitas na rua dos For- 
nos, feito pelos clerigos do coro a Inés Femandes, com o foro de duas 
libras. 

Escrito na crasta de Santa Maria pelo tabellilo tFo3o de Sousa, 
sendo urna das testemunhas Vasco Affonso, abbade de S. Tiago de 
Sobradello, termo de GuimarSes. 

ccLxxxvm 

7 de jnibo de 1454 

Traslado do instrumcnto de aforamento perpetuo de umas casas, 
sitas na rua (^^pateira, feito a 15 de julho de 1447 pela confraria do 
Servigo a Affonso Femandes com o foro de 35 soldos. 

Passado pelo tabelliao Joào Vasques, por mandado do juiz ordinario 
de GuimarSes Jo^o Pires, mercador. 

CCLXXXIX 

8 de junho de 1454 

Alvarà regio, datado de Lisboa, concedendo ao Cabido a posse 
e direito a umas casas, que Ihe foram doadas em Villa do Coode, 
nSo obstante ter decorrido o prazo legai de as vender ou escambar, 
o que devia fazer dentro de um anno a contar da data d'este alvarà. 



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O Archeologo Portugués 359 

CCXC 

27 de outubro de 1454 

Venda de umas casas, sltas na rua Nova do Muro, em qua mora 
Pero Martins, besteiro do conto, pelo prego de tres marcos de prata, 
que foi pago com tres tagas de prata, que bem podiam pesar os ditos 
tres marcos. 

Escrito pelo tabelliao Joào de Scusa. 

Em seguida: Ou terga e consentimento do genro do vendedor ao 
centrato supra, lavrado no dia 5 de abril de 1457 pelo referido ta- 
belliao, sendo uma das testemunhas George Annes, francès, tecelao. 

CCXCI 

22 de julho de 1456 

Emprazamento, em tres vidas, de umas casas com seu eixìdo e ade- 
ga, sitas na rua Caldeiroa, feito por Lopo de Castro, escudeìro, e mu- 
Iher Constanga Martins, a JoSlo Pires, gapateiro, com o foro de tres 
libras de moeda antiga. 

Escrito pelo tabelliSo JoSo de Scusa. 

CCXCII 

22 de setembro de 1456 

Carta de confirmaglo e instituigao canonica de Vasco Annes, ca- 
pellao do Duque de Braganca e Conde de. Barcellos, na cadeira de 
chantre da CoUegiada, vaga pela renuncia de Pedro Affonso. 

A coUagào foi conferida pelo mestre-escola JoHo de Resende, por 
commissào do Cabido, a quem pertencia a apresentagào e coUagSo, 
e em seguida foi dada a posse. 

Um dos conegos era Lopo Affonso, abbade de Brito. 

Escrito pelo tabelliao Jo^o Vasques, escudeiro, vassallo de el-rei, 
sendo testemunhas, entre outros, o doutor Pero Esteves, o almoxarife 
Diogo Pires e o escrivào dos contos Joào Gongalves. 

CCXCIII 

2 de julho de 1457 

Traslado da clausula testamentaria de Branca Vieira, pela qual lega 
à confrarìa do Servigo de Santa Maria dois e meio maravidìs, impostos 
numa herdade de Fareja, com obrigagSo de uma missa de requiem 
officiada. 



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360 O AUCIIEOLOGO POBTUGDÉS 

Passada, no pago do concelho, pelo tabelliào JoSo Vasqnes, por 
mandado do juiz ordinario de GuimarSes Gongalo Annes, escudeiro, 
vassallo de eUrei. 

CCXCIV 

28 de marQO de 1458 

Carta de confirmagao, instituigSo canonica e posse da cadeira de 
chantre da Collegiada, eonferida, por commissfio do Cabido, pelo the- 
soureiro Alfonso Pires de Freitas, a Pedro Affonso, abbade de S. Gon- 
galo de Amarante e rayoeiro na igreja de S. Tiago de Antas, que 
adqniriu por pernnuta d'està ragSo com o chantre Vasco Annes. 

Esento por Xicolau Eanes, notario na dita igreja da Collegiada, 
sendo urna das testemunhas Jo%o Annes, abbade de S. Tiago de Konfe. 

Neste documento faz-se mengSo da procuragao de Vasco Annes, 
nomeando seiis procuradores o conego José AflFonso e Joào de Evora, 
escudeiro do Duque de Braganga, niorador em Guimaràes, e da pro- 
curagao de Alvaro Giàes, abbade de S. Tiago de Antas, ao mestre- 
escola Joao de Resende, para este confirmar o refendo Vasco Annes 
na ragào da sua igreja. 

No verso: Posse da igreja de S. Paio de Moreira dos Conegos, 
annexa & dignidade do chantrado, tomada a 26 de.junho do mesmo 
anno pelo dito chantre, sendo testemunhas, entre outros, Diego Pires, 
abbade de Gandarella, e Gii Vasques, abbade de S. Martinho do Campo. 

Este documento foi escrito por Nuno Gongalves, escudeiro vassallo 
de el-rei, tabelliào de Guimaràes pelo duque senhor da villa. 

CCXCV 

14 de sctembro de 1458 

Emprazamento, em tres vidas, de umas casas com seu eixido e lata, 
sitas na rua do Sabugal, feito pelos clerigos coreiros (sendo prioste 
Joao Vieira, e um d'elles, JoSo Alvares, abbade de Enfias) a JoSo Mar- 
tins e mulher Frolenga Lopes, com o foro de duas libras. 

Escrito, à porta principal da igreja de Santa Maria, pelo tabelliao 
JoSo Vasques, escudeiro, sendo uma das testemunhas Affonso Annes 
conego da dita igreja, criado do chantre velho. 

CCXCVI 

13 de Janeiro de 1459 

Obrigaflo do chantre Fernào da Costa, pela qual se compromette 
a Batisfazer todas as despesas dos pleitos, que por ventura surgissem 
acèrca do seu provimento no chantrado. 



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O Archeologo Poktugués 361 

Faziam parte do cabido o thesoureiro AfFonso Pires de Freitas, 
criado de el-rei, e Joào de Resende, mestre-escola e arcediago de Neiva. 

Eserito pelo tàbelliao Joao Vasques, esciideiro, vassallo de el-rei, 

sendo testemuhas o doiitor Pero Esteves, cavalleiro da casa do duque 

e desembargador de suas terras, e D'.ogo Pires, almoxarife de el-rei 

em GuimarSes. 

CCXCVII 

25dejulbodc 1459 

Venda de umas leiras sitas na Ribeira, freguesia de S. RomSo de 
Meyjomfrio, feita por Gon9alo Luiz e miilher Inés Martins, mora- 
dores na freguesia de Johanne, do julgado da terra deVermohym, 
e por Joao Affonso e mulher LuJsa Gill, moradores na freguesia de 
S. Thomé de Travagos, termo de GuiiuarSes, a Vasco Lourengo, al- 
faiate e mulher Constan9a Gill, moradores na rua da Enfesta, pela 
quantia, prego e revora de mil reaes brancos da corrente moeda do 
35 libras o real, que foram pagos com urna taga de prata de lavor. 

Eserito, em Guimaraea, pelo tabelliflo JoSo de Scusa. 

Em seguida: Declaragao feita pelos compradores de que està acqui- 
SÌ9S0 fora feita com dinheiro de seu genro Joio Pires, e por isso 
Ihe abriam m3o d'ella. 

Eserito, a 4 de novembre do mesmo anno, pelo mesmo tabelliEo. 

CCXCVIII 

12 de Janeiro de 1460 

Sentenza julgando pertencer à confraria do Servilo urna lata sita 
na rua de Santa Luzia, que pretendia possuir Gii de Freitas, escudeiro 
do prior Affonso Gomes, filho de Beatriz de Freitas, neto de Gongalo 
de Freitas que a deixara & dita confraria. 

Foi proferida, no pago do concelho, pelo juiz ordinario de Guima- 
rSes Affonso Lourengo, mercador, tendo side proposta a acgSo a 10 
de setembro do anno anterior perante Pero Domingues, mercador, ou- 
vidor dos feitos em nome dos juizes. 

Escrita pelo tabelliào Nuno Gongalves, escudeiro, vassallo de el-rei, 
sendo tesjtemunhas os tabelliSes Fernào Annes, Nuno de Avis, Vasco 
Affonso, Affonso Pires e Diego Lopes. 

CCXCIX 

15 de maio de 1460 
Emprazamento perpetuo de um pardieiro, sito na rua ^^P^teira, 
eonfrontante com casas de Hysaque Lyuj, judeu, feito pelos clerigos 
do coro (sendo prioste Pero Affonso, e coreiros JoSo Alvares, abbade 



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362 O Archeologo Pobtuguè8 

de Enfias, e JoSo Vasques, abbade de Cabegndos) a IMogo Pires, al- 
moxarife em OaimarSes,*escudeiro, com o censo annual de 15 soldos. 
Escrito na eapella de Alvaro GoD9alves do Freitas, em cabido dos 
clerigos coreiros, pelo tabelliSo JoSo de Sousa, sendo urna das teste- 
munhas mestre Antom, de pedraria. 

eco 

12 de setembro de 1460 

Emprazamento, em tres vidas, de urna lata, que foi de mestre Tomas 
e mulher Beatriz de Freitas, sita no arrabalde de Santa Luzia, feito 
pela confraria do Servijo da Senhora Virgem Maria (sendo confhide 
Pero Gongalves, abbade de Gondomar) a Alvaro Pires, teceiJo, e mu- 
lher Beatriz Eannes, com o foro de tres libras. 

Escrito na crasta de Santa Maria, a direi to da eapella de Alvaro 
Gongalves de Freitas, onde se dizem as missas da confraria, pelo la- 
belliSo JoSto Vasques. 

{Continua). Q abbade J. G. DE Oliveira Guimaraes. 



Necrologia 
luUns Melll 



Jà correu mundo a triste nova. NSo vimos, pois, de surpresa an- 
nunciar aos leitores d-0 Archeologo Portugues a morte do erudito 
numismata Julius Meili, occorrida em Zurich no dia 26 do passado 
mès de Setembro. Archeologo Portugues^ no cumprimento de um 
tristissimo dever, nao quer, porém, deixar de prestar a memoria do 
illustre homem de sciencia a devida homenagem. 

Se là fora foi profunda a m^goa que a morte de- Meili causou, 
comò attestam os artigos que à sua memoria se publiearam nas 
principaes Revistas de Numismatica, foi ainda maior em Portugal 
e no Brasil, porque a estes dois paises dedicava elle especial amizade. 

Nasceu Julius Meili no dia 13 de Mar9o de 1839, em Hinwil (Sui^a), 
onde frequentou estudos primarios e secundarios. Seguindo depois 
a vida commercial, deixou por algum tempo o pais que Ihe foi bergo, , 
e esteve successivamente em Trieste, Tauris (Persia), Babia e Rio de 
Janeiro. Na Bahia conservou-se dez annos e ali desemponhou as hon- 
rosas funcgSes de consul da sua na98o. 

Durante a sua permanencia no Brasil familiarizou-se com a lìngoa 
portuguesa, que fallava e escrevia correntemente, e comegou a dedicar- 



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O Archeologo Portugués 363 

se i Numismatica Luso-Brasileira, coUigindo moedas e medalhas. Em 
1892 regressou à Suiga. 

A sua paixSo pela Numismatica foi-se sempre desenvol vendo, e 
chegou a tal ponto que a sua collec93o attingiu o grau mais elevado 
de que até hoje ha conhecimento. 

NSo era Meili um simples colleccionador. Estudava multo e man- 
tinha activa correspondcncia com os numismatas portugueses, com os 
quaes discutia os mais complicados problemas da sciencia que elle, 
com tanto ardor, cultivava. 

As suas cartas eram interessantissimas. Impressionavam nSo so 
pelo sou conteudo, comò tambem pela fórma especial comò eram 
escritas. Nellas se reflectia a alma sa e pura do autor, com o qual 
irresistivelmente se sympathizava. 

E quanto nao era lisonjeiro para nós, Portugueses, o verroos iim 
estrangeiro escrever na nossa lingoa e tratar de um assunto mera- 
mente portugués, com tanto enthusiasmo e saber!! 

Os grandes beneficios que Meili prestou a Numismatica, e a sua 
amizade para com Portugal foram officialmente reconhecidos por 
S. M. El-Rei, que em tempo o agraciou com uma commenda de urna 
das nossas Ordens religiosas-militares. A Real AssociayXo dos Archi- 
tectos Civis e Archeologos Portugueses honrava-sc, tambem, em o con- 
tar no numero dos seus mais illustres socios correspondentes. 

Estava Meili sempre pronto para acompanhar os dois povos irmSos, 
— Portugués e Bràsileiro — nas suas festivas commemoragSes de feitos 
historicos. A commemora9ao do centenario do descobrimento do Brasil 
prestou-se, comò nenhuma outra, para elle mais uma vez Ihes mani- 
festar a sua sjmpathia. Mandou para esse fim cunhar a expensas 
proprias uma bella medalha, de cuja execugSo encarregou um dos me- 
Ihores artistas, e dedicou-a ao povo Luso-Brasileiro *. 

Ha cerca de 17 annos veio a Lisboa e aqui tencionava voltar 
brevemente. Pena é que nSo chegasse a poder roalizar este intento, 
pois que teria tido ensejo de, mais de perto, saber quanto era estimado 
pelos numismatas portugueses, que Ihe teriam feito cordial recep^So! 

Nas paginas do Archeologo ficaram archivados alguns dos seus tra- 
balhos, comò se vera da nota bibliographica que adiante se segue. 

Temos conhecimento das seguintes obras de Julius Meili: 

1) Die auf das KaiseiTeich Bruailien bezilglichen MedaiUen (As 
medalhas referentes ao Imperio do Brasila 1822 até 1889). Publicada 



i yid. Arch. Pori., v, 120 e vi, 209. 



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364 • O Aecheologo Pobtuoués ' 

em 1890. Tem 37 estampas, onde estao figuradas 229 medalhas bra- | 
sileiras, algumars das qaaes se referem a Portugal; 

2) Die Miinzen des KaUerreichs BrasUien, 1822 bis 1889. (Ai 
moedas do Imperio do Brasil, 1822 até 1889j. Publicada, tambem^ em 
1890. Xào tem texto; 

3) PoHuffiesische Miinzen, Varietaten tind einige unedirte Siucke, 
iMoedas Portuffttesas. Variedades e alguns exemplares ineditos), Ignal- 
mente publicada em 1890. Tem 4 estampas, 39 figuras de moedas, e 
algumas indica^oes de^crìptivas em allemSo e em portugnés; 

4) Das Brasilianische Gtldwesen. [0 vieio circulanU no Brasili, 
E a obra mais importante de Meili e que póde considerar-se monu- 
mentai. Comprehende tres grossos volumes, luxuosamente impressos, 
com magnifìcas estampas, o que ainda maior realce dà ao seu merito 
scientifico. 

volume I d està obra respeita directamente a Portugal, por isso 
que trata das moedas que circularam no Brasil anteriormente à inde- 
pendencia d'està nossa antiga colonia. Intitula-so: Die Miinzen der 
Colonie BrasUien, 1645 bis 1822. {As moedas da Colonia do Brasil, 
1645 até 1822). Publicado em 1897; 

volume II tem por titulo: Die Miinzen des unabhiingigen Brasi- 
lien, 1822 bis 1900. (-4* moedas do Brasil independente, 1822 até 
1900). Impresso em 1905. E escrito^m allemào; 

O volume ili intitula-se: A moeda fiduciaria no Brasil, 1771 até 
1900. Foi publicado em 1903*, e é todo elle escritd em portugnés. 

Ainda ultimamente (1906) publicara Molli um bello foiheto, rica- 
mente illustrado, com a biographìa do gravador Hans Frei, de Basileia. 
Tem seguinte titulo: Die Werke dee MedaUleurs Hans Frei in Ba- 
sei, 1894-1906. 

Na Revista inglesa, Monthly Numismatic Circidar, da Casa Spink 
and Son, no numero de Agosto de 1899, publicou um artigo acérca de 
urna meia dohra de D. José, cravejada, para correr nas ilhas Bermudas. 

N-0 Archeologo Portugues publicou os seguìntes trabalhos: 

a) Contos para contar (Jetons). Voi. v, n.® 2. Este artigo, do qual 
se fez tiragem em separata, é prefaciado pelo Director do Mnseu 
Etbnologico ; 

b) Moedas Portuguesas de ouro carimhadas ou cravejadas nas In- 
dias Occidentaes e no continente americano. Voi. Vii, n.°* 10 e 11 de 
1902. Tambem d'este artigo se fez separata. 



1 Saiu, por coDseguìnte, antes do volarne ii. 



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Archeologo Portugués 365 

e) Neste mesmo volume vii do Archeologo Portugués, p. 143, foi 
transcrita da Revue Belge de Numùmatiqne, 1. vin, 1902, p. 214, 
a aprecia(So feita por Meili ao livro do Sr. Manoel Joaquim de Cam- 
pos, intìtulado: Numismatica Indo-Portuguesa. 



Consta-nos quc Julius Mcili tinha em prepara^So mais os scguintes 
trabalhos : 

1) um estudo sobre os Portugueses de D. Manoel; 

2) a segunda edigUo do livro das Medalhas Brasileiras. Informaram- 
me de qua as estampas d'està obra estào concluidas, faltando porém 
o texto; 

3) um artigo que destinava para o Archeologo Portugués, acérea 
das mocdas e medalhas do Conde de Lippe, commandante das tropas 
portuguesas no reinado de D. José. Neste traballio havia refercncias 
a urna medalha rara d'aquelle Principe, quc existe na CoUec^Sto da 
Academia Beai das Scìencias de Lisboa; 

4) um livro de Medalhas Portuguesas, obra quc seria grandiosa, 
para a qual ha muitos annos reunia olemcntos; 

5) um trabalho sobro as mocdas das possessoes asiatico-portu- 
guesas. 

Vè-se, pois, que Mcili tendo concluido a sua obra referente ao Bra- 
sil, ia come^ar agora a occupar-sc, mais detidamcntc, da Numismatica 
Portuguesa! 

Oxalà que, pelo menos, alguns dos trabalhos que deixou preparados 
possam ainda ver a luz da publicidade, para glorifìca^ao da memoria 
do seu autor e benefìcio da sciencia. 

O Sr. Julius Mcili era casado com Frau Nina Meili Schiffmann, 
senhora dotada de rara illustra9ao, e conheccdora do nosso idioma, 
a qual muito o auxiliava nos seus trabalhos. 

Arthur Lamas. 

Monsenhor Joaqnim Maria Pereira Botto 

Paga uma divida de reconhecimento O Archeologo Portugués, acom- 
panhando de algumas palavras de saudade a noticia da morte de Mon- 
senhor Joaquim Maria Pereira Botto, succedida em Lisboa em feve- 
reiro de 1907. 

O tìnado era um verdadeiro amigo das sciencias archeologicas. 
NIo so as culti vava com sinceridade e arder, senSo que, chegado o 



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366 O Archeologo Portcgués 

ensejo de sor d'ellas apostolo, n3o crazava os bra^os. Assim, em o fas- 
ciculo n.® 3 do Arch, Pori,, publicado em Mar^o de 1895, dizia elle 
(p. 92), emquanto vice-reitor do Seminario de Faro, que na cadeira 
de Theologia Fundamental, que professava, instruia os seus alumnos, 
desde 1881, com nojoes de Paleoethnologia e Antropologia, e na de 
Mathematica tambem tinha modo de propinar-lhes elementos de Ar- 
ehitectura e Archeologia historica, sacra e profana. O conego Pereira 
Botto era conservador do Mnseu Archeologico Lapidar Infante D. Hen- 
rique, que elle tSo meritoriamente fundara; pois trazia là sempre com- 
sigo, comò ajudante, um seminarista, e aos outros ensinava à vista o 
valor e significarlo dos objectos archeologicos que reeolhia. Em 1890 
enviava elle o seu segundo escrito para a nossa revista, sobre urna 
Cabega de estatua luso-romana de Milrexi. No voi. li, de 1896, o dedi- 
cado e generoso archeologo collaborava com os seguintes artìgos: 
1.® (p. 25), Noticias do Museu Archeologico de Faro; 2.° (p. 152), Ar- 
cheologia do Algarve — aro de Tavira; 3.® (p. 167), Museu de Faro — 
Copia do officio: 4.® (p. 296), Progresso» do Museu Lapidar de Faro. 

Como conscrvador de um Museu locai, Monsenhor Botto, respeitava 
e reconhecia a sciencia em qualquer ordem de factos em que a des- 
cobrisse; assim pois, nas paginas do voi. in (1897) d-0 Arch. Pori. 
(p. 97), esaltava os trabalhos bem orientados da moderna PhUatelia, 
No voi. IV (1898), a p. 158, publicava a sua Ichnographia parcial das 
construc^s luso-romanas de MUreu, onde esplicava minuciosamente 
a pianta de umas thermas romanas, a que por um lado votava toda 
a sua admiraQ&o e por outro todo o seu desgosto pela sorte que ellas 
iam levando no seu abandono. Como archeologo, tinha pai*te prìmacial 
na orientacào das obras com que se està restaurando a velha basìlica 
lìsbonense. 

Das honrarìas e cargos, com que os poderes superiores e as agre- 
miarSes scientificas o tinham distinguido, disseram oa jomaes nos ne* 
crologios óm seu nome. As qualidades de caracter e honestidade 8Ìmpies«^ 
d'este padre foram tambem celebradas pela imprensa, e ninguem jul- 
gue que taes dotes nos sSo indifferentes, porque pensamos que sempre 
valor moral do homem accende e illumina o brilho do seu valor in- 
tellectual. 

O conego da Sé de Lisboa nSio esqueceu nos derradeiros movi- 
mentos da sua vontade o Museu Ethnologico Portugués, de Belem. Por 
via de seu irmSo oSr. Conselheiro Francisco Maria Pereira 
Botto, a quem apresentamos condolencias e agradecimentos, o Sr, Di- 
rector d'este estabelecimento recebeu tres machados de pedra, um cos- 
soiro de barro, dois quadros photographicos de objectos archeologicos e 



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Archeologo Portugués 367 

algiins fosseis, legado que contribuirà para perpetuar a memoria dVste 
prestante archeologo, tao cheio de dedicagSLo scientifica. E, depois 
d'estas escassas mas sentidas phrasesj terminaremos amorosamente, 
adoptando urna acclama^So, decerto conhecida e apreciada do finado. 
o protochristSo vale in pace. 

Felix Alves Pereira. 



Sepultnra ^ — ~" ** 



Segundo amavel informa9ào do Sr. Dr. Marreiros Neto *, appareceii 
ha tempos em Benafim, fregiiesia de Alte, conceiho de Loulé, urna 
sepultura rtìnflm rm que ha via um vasinho de barro, urna moeda de 
ouro e OS restos de um anel sigillar de ouro com urna pedra, ou anulus 

A pedra, que parece ser de cornalina (lat. sarda) servia de sinete. 
pois tem umas figuras gravadas nella, corno se ve no desenho junto: 
Juppiter, com chlamyde, a qual Ihe envolve parte do corpo, està sen- 
tado no throno, e ólha para a sua direi ta, encostado com 
a mSo esquerda ao sceptro, e com o feixe dos raios na 
outra mào ; aos pés a aguia volta-se para elle ; a pouca 
distancia ^larte, de capacete na cabega, armadura, e com 
a mSo esquejrda apoiada na lan^a e a direita a segurar o escudo que 
pousa no chSo, està tambem voltado para Juppiter, Estas sào as attitu- 
des ordinarias, ou classicas, dos dois deuses, e quer um, quer o outro^ 
apparecem com frequencia figurados nas pedras dos aneis romanos. 

vaso partiram-no os trabalhadores que descobriram a sepultura. 
A pedra do anel tem-na o Sr. Dr. Marreiros Neto. A moeda tem-na 
Sr. José de Azevedo Pacheco. Do resto do anel nio sei noticias. 

Foi isto o que pude averiguar. \C^. • ^- • ^' H v '^^ ^ ' ' ' 

J. L. de V- 




Lembrame que ly serem entre os antigos auidos por tam famosos 
OS que engrandeciao as cousas de sua patria, que Ihes erg[u]iSo esta- 
tuas & dedicauao sacrificios comò a Deoses, a fim de eternizarem seus 

nomes. ^ ^^^^ Amador Arbak, Didlogas, Coimbra 1604, fl. 110. 



1 É mesmo illustre cavalheiro a quem se fez referencia n-0 Arch. Pori., 
XI, 199. Aproveita-se a occasiao para se notar que saiu ahi errado o nome: 
deve emendar-se em Dr. Diego Jo&o Mascarenhas Marreiros Neto. 






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368 O Archeologo Portdgués 

Onomastioo medieval portu^^i^s 

(Conthiaaf&3. Vld. o Ardi. Pori., xu, Ì2(i) 

Mourili, n. li., 924. Dipi. 18, n.*> 27.— Inq. 719. 

Mourino, app. h., 1258. Inq. 399, 1.* ci. 

Mourisca, geogr., 1258. Inq. 365, 2.* ci. 

Moariscados, geogr., 1258. Inq. 433, 2.* ci. 

Moariz, geogr., 1258. Inq. 433, l.« ci.— Id. 18. — Leg. 727. 

Mourouzo, geogr., 1258. Inq. 338.— Id. 488. 

Mouta, geogr., 1258. Inq. 5)1, 2.* ci.— Id. 528. 

Mouta carvalosa, geogr., 1258. Inq. 502, 1.* ci. 

Moutam de Cerzariis, geogr., 1258. Inq. 723, 1.* ci. 

Moutas, geogr., 1258. Inq. 388, 1.* ci. 

Mouzaes (Caput de), geogr., 1258. For. Aguiar da Beira. Leg. 687. 

Mouzoos, villa, 1220. Inq. 121, 1.* ci.— Leg. 599. 

Moves, geogr., 1258. Inq. 422, 1.* e 2.* ci. 

Moxinus, app. h., 1258. Inq. 554, l.'^ ci. 

Moyli, n. m., 1009. L. Preto. Dipi. 128. 

Moymeutos, geogr., 1258. Inq. 392, 1.* ci. 

Mozarelos, geogr., 1258. Inq. 459, 1.* ci. 

Mozarros. Vid^ Mazarros. 

Mozarros e Muzarros, geogr., 1082. L. Preto. Dipi. 363. 

Mozas, u. h., 957. L. D. Muin. Dipi. 41. 

Mozaut, n. h., 998. Doc. most. LorvSo. Dipi. 110, n.^ 178. 

Mozechi, geogr., 1220. Inq. 80, I.* ci. 

Mozeiani, app. h., 968. Doc. most. Lorvào. Dipi. 60. 

Mozo, app. h., 1220. Inq. 96, 1.* ci.— Id. 193 e 424. 

Mozoeme, geogr., 1193. Elucid., 2.^ p. 28, 1.* ci. 

Mozomarrio, n. h., 1220. Inq. 197, 1.* ci. 

Mozoorres, vilar, 1182. For. de Urros. Leg. 424. 

Mozoud, app. h., 1016. Doc. most. Lorv^o. Dipi. 143. 

Macella, villa, 946. Doc. most. LorvSo. Dipi. 32. 

Machom, geogr., 1257. For. de Lago Man. Leg. 669. 

Mu^un, villa, 1085.Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 381. 

Mudarafa, g^ogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci. 

Mudariis, geogr. (?), 1258. Inq. 708, 2.* ci. 

Mudarlo. Vide Modario. 

Madarra, n. h., sec. xv. S. 261. 

Madelos, geogr., 1258. Inq. 531, 1.* ci. 

Mudillt, n. m. (?), 995. Doc. most. Moreira. D'.pl. 109. 



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O AUCHEOLOQO PoRTuauÉs 369 



Mndurafe, n. h., 976. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 74. 

Mueiro, n. h., 1098. L. B. Ferr. Dipi. 519. 

Mufardo, n. li., 1220. Inq. 17, ì." ci.— Id. 89. 

Muferrichi, n. h., 1088. L. Preto. Dipi. 420. 

Mugadi, app. h., 1258. Inq. 738, 2.* ci. 

Mugadoiro, geogr., sec. xiii. For. Mós. Leg. 391, 1. 20. 

Mugatório, geogr., 1197. Elucid., 2.", p. 12, 2.» el. 

Mugiaes, geogr., Inq.? 

Mugudos, geogr., 1258. Inq. 682, 2.* ci. 

Mahia (Villa Nova de), geogr., sec. xv. 167. 

Maia (Villa Nova de), geogr., 1220. Inq. 119, 1.* ci. — Id. 38. 

Muilaii e Muillaui, geogr., 1034. Tombe S. S. J. Dipi. 174. 

Maja, geogr., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.% p. 2.% C. 24. 

Mulierbo, n. h. (?), 867-912. L. Preto. Dipi. 3. 

Muluc, n. h., 977. Doc. most. Lorvio. Dipi. 76. 

Muludos, geogr., 1258. Inq. 593, 2.* ci. 

Mumnia, n. m., 994. L. D. Munì. Dipi, 104.— Id. 550. 

Mammadonina, n. m., 926. L. D. Mum. Dipi. 20.— Id. 21, 22 e 51. 

Muudar (Archam de), ge(»gr., 1258. Inq. 643, 2.* ci. 

Muudar (Marciim do), geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci. 

Miindeci, rio, 1057. L. Preto. Dipi. 247. 

Mundoroes. Vide Moiidoroes. ' 

Muudinizi, app. li., 1008. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 124. 

Mundino, n. h., lOJl. Doc. most. Moreira. Dipi. 165. 

Mundoiies, villa, 1258. Inq. 510, 2.* ci. 

Munedi, app. h., 1115. Concilio Ovet. Leg. 140, 2.'^ ci. 

Muneonis, app. li., 928. Doc. most. Lorvào. Dipi. 21. 

Munha, n. m., sec. XV. S. 259. 

Munho, n. h., sec. xv. S. 145. 

Munia, n. m., 919. Doc. most. Lorvao. Dipi. 14. — Id. 63. 

Mauicouis, app. h., 1115. Concilio Ovet. Leg. 140, 2.'* ci. 

Muniiz, app. li., 1074. Doc. most. da Graga. Dipi. 317. — Id. 527. 

Muniuiz. Vide Moiiniuiz. 

Mauiiius, bispo, 1061. Doc. ap. auth. sec. xiv. Dipi. 269. — Id. 304. 

Mnnionoz. Vide Moiiiouoz. 

Manioz, Muiiiuz e Maiiiut, app. h., 999. L. D. Mum. Dipi. 113. 

Muiiiuz e Muiiiuzi, app. h., 983. Dipi. 87. 

Muniz, app. li., 974. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 72.— Id. 80. 

Manna e Maiuiia, n. li., 928. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 21.' — Id. 63. 

Manilio, n. h., 1013 (?). Dipi. 137. 

Munuiiiiz, app. h., 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. 

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370 O Archeologo Portuoués 

Mnnnioniz, app. h., 985. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 92. 

Munniu, n. h., 985. Doo. sé de Coimbra. Dipi. 92. — Id. 13. 

Munniuz, app. h., 985. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 92. 

Manniz, app. h., 985. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 92. — Id. 331. 

Muiioz, app. h., 1049. L. D. Mum. Dipi. 227. 

Mnogos (Bouza de), geogr., 1258. Inq. 315, 1.* ci. 

Maradoiies, geogr., 1026. Doc. most. Pedroso. Dipi. 161. 

Muragal, geogr., 1258. Inq. 641, 1.* ci. 

Muraria, villa, 968. Doc. most. Moreira. Dipi. 61. — Id. 62. 

Murido, n. h., 1020. L. Prete. Dipi. 152. 

Muro, app. h., sec. XV. S. 300.— Monte, 1097. Dipi. 509, n.* 858. 

Murofracto, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 51, 1. 11. 

MuroHoes, geogr., 1258. Inq. 382, 1.» ci.— Id. 387. 

Murra e Murria, app. h., 1258. Inq. 425, 1.* e 2.* ci. 

Murtedo, geogr., 1258. Inq. 334, 2.» ul. 

Murteira, geogr., 1099. L, Prete. Dipi. 545, 1. 3. 

Munigia, geogr., 1220. Inq. 53, 2.* ci. 

Marvala, geogr., 1258. Inq. 704, 1.* ci. 

Mnrvial, geogr., 1258. Inq. 641, 1.* ci. 

Murzelus, app. h., 1258. Inq. 511, 1.* ci.— Id. 502. 

Musa (Mur9a?), 1224. For. Murja. Leg. 600. 

Muscariis, geogr., 1258. Inq. 628, 2.* ci. 

Muscosio, geogr., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35. 

Musguetes, geogr., 1258. Inq. 345, 2.' ci. 

Mutuu, app. h., 1220. Inq. 140, 2.* ci. 

Muuia (Villa Nova de), geogr., 1220. Inq. 236, 1.* ci. 

Muura, geogr. (?), 1258. Inq. 305, 2.» ci. 

Muxagata, geogr., 1211. Ehicid., 2.*, p. 406, 2.» ci. 

Muxonis, geogr., 1258. Inq. 655, 2.' ci. 

Muyxoes, geogr., 1258. Inq. 657, 1.* ci. 

Muza (Mur^a), viUa, 1224. Leg. 601. 

Muza (Casal de), geogr., 1021 (?). L. Prete. Dipi. 153, 1. 5.— Id. 45 

e 116. 
Mazacco (Bu^aco), monte, 1086. L. Prete. Dipi. 392, 1. 15. 
Muzaes, geogr., 1220. Inq. 29, 1.* ci.— Id. 102. 
Muzana^ app. h., 926. L. D. Mum. Dipi. 20. 
Muzara, n. h., 882. Doc. most. da Gra^a. Dipi. 6. 
Muzarra, n. h., 998. Doc. most. LorvSo. Dipi. 110. 
Muzarpos, villa, Era 1102. L. Prete. Dipi. 277.— Id. 363. 
Muzas, geogr., 1258. Inq. 510, 2.* ci. 
Muzaudiz, app. h., 995 (?). Doc. most. Pendorada. Dipi. 108. 



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O Abcheolooo P0BTU6UÉ8 371 

Muzoes (Sancta Maria de), geogr., 1220. Inq. 184, 2.' ci. 
Mazoud, n. h., 1016. Doc. most. Lorvto. Dipi. 143, n.** 230. 
Musar, geogr. ^ 1220. Inq. 148, 2.* ci. 

Xaa^a, app. h., sec. XV. S. 153. 

Kaani e Xaai, n. h., 1016. Doc. most. LorvSo. Dìp]. 143. 

Xabaelios, geogr., 1258. Inq. 377, 1.* ci. 

Nabeelì (Rlas de), geogr., 1258. Inq. 652, 2.» ci. 

Nabeelos, geogr., 1258. Inq. 586, 2.* ci. 

Xabeiros, app. m., 1258. Inq. 576, 2.* ci. 

Xace, geogr., 1059. L. D. Miim. Dipi. 262, 1. 29. 

Nadavis, geogr., 1176. Elncid., 2.*, p. 342, 2.» ci. 

Nadia (Anadia?), geogr., 1082. L. Prete. Dipi. 363. 

Naes e Alaes, geogr., 1220, Inq. 123, 1.* ci.— Id. 397, 2.* ci. 

Nafarms, app. h., 1087. L. Prete. Dipi. 402, n.» 673. 

Nagia, n. h., 1078. Doc. Univ. de Coimbra. Dipi. 336. 

Nahor, geogr. (?), 1097. Doc. ap. sec. xrv. Dipi. 515. 

IValtidns, n. h., 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36. 

Namdulia, n. h., 1085. Doc. sec. xviii. Dipi. 384. 

Nauandinit, villa, 998 (?). Doc. most. Moreira. Dipi. 111. 

Nandim, geogr., 1220. Inq. 204, 1.* ci. 

Nandini, villa, 991. Doc. most. da Gra^a. Dipi. 100.— Id. 109.^ 

Nando (Pomar de), geogr., 1258. Inq. 317, 2.* d. 

Nandulfo, n. h., 867-912. L. Preto. Dipi. 3.— Id. 28. 

Naneizi, app. h., 1041. L. Proto. Dipi. 192. 

Nania, n. m. {?), sec. xi. L. D. Mum. Dipi. 564. 

Nanictiz, app. h., 985. Doc. most. da Ora9a. Dipi. 92. 

Nanizi, app. h., 1060 (?). Doc. most. Moreira. Dipi. 264. 

Nanniz, app. h., 1043. L. D. Mum. Dipi, 202. 

Nantidia, n. m., 1039. Tombo S. S. J. Dipi. 186.— Id. 225. 

Nantildizi, app. h., 991. Doc. most. VairSo. DipL 101. 

Nantildo, n. h., 995 (?). Doc. most. Pendorada. Kpl. 108.— Id. 207. 

Nantillizi^ app. h., 1081. Doc. most. Moreira. Dipi. 361. 

Nantilo, n. h., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, 1. 18. 

Nantimlr, geogr., 1258. Inq. 499, 1.» ci. 

Nantimirizi, app. h., 1136. For. Scia. Leg. 372, 1. 38. 

Nantiz^ app. h., 960. L; D. Mum. Dipi. 50. 

Nantomari, geogr., 1079. L. D. Mum. Dipi. 345, 1. 4. 

Nao (S. Martino de>, geogr., 1220. Inq. 60, 2.* ci.— Id. 199. 



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372 O Archeologo PortuquÉs 

Naquera, geogr., 1061. Doc. most. Pendorada. Dipi. 268, ult. 1. 

Nariz, app. h., 1220. Inq. 121, 2.* ci. 

Narizes, app. h., 1220. Inq. 234, 2.* ci.— Id. 35 e 520.— S. 182. 

Nasso, n. h. (?), 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, 1. 16. 

Nastavos, geogr., 1258. Inq. 397, 1.* ci. 

Natalie e Xathalie, n. m., 959. L. D. Mura. Dipi. 45. 

Natoiido, n. h. (?), 1034. Tombe S. S. J. Dipi. 173. 

Naui.Vidè Naaui. 

Naumam, castello, 900. L. D. Mum. Dipi. 51, 1. 8.— Id. 262. 

Nausti, bispo, 850-866. Doc. most. Lorvao. Dipi. 3.~Id. 14 e 65.— 

App. h., 1220. Inq. 167. 
Naustiz, app. h., 1048. Dipi. 221, n.** 362.— Id. 261. 
Naustizi, app. h., 1033. Dipi. 172, n.^ 281. 
Xaustus, bispo, v883. L. Preto. Dipi. 7. — Id. 9. 
Navaes e Sovaes, app. h., 1258. Inq. 355, 1.* ci. 
Xavaloos, geogr., 1258. Inq. 595, 2.* ci. 

Xavarra, app. h., 1220. Inq. 155, 1.* ci. — Geogr. Id. 69, 1.* ci. 
Xavidagoo, geogr., 1258. Inq. 710, 2.* ci. 
Naya, geogr., 1258. Inq. 367, 1.* ci.— Id. 369 e 732. 
\azar, n. h., 935. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 25. — Id. 102. 
Nazari, n. h., 938. Doc. most. LorvEo. Dipi. 28. 
Nazario, geogr., 1258. Inq. 582, 1.* ci. 
Xazinia, geogr., sec. xiii. For. Urros. Leg. 424. 
Nehoaaniz, app. h., 773 (?). L. Preto. Dipi. 2. 
Nebocano, n. h., 977. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 76, 1. 5. 
Nebole, app. h., 1258. Inq. 570, 1.* ci. 
Nebozauom, n. h., 773 (?). L. Preto. Dipi. 2. 
Nebozoniz, app. h., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, 1. 19. 
Nebridio, n. h., 1006. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 120, n.^ 196.— Id. 

144 e 148. 
Nebrigio, n. h., 1027. Doc. most. da Graga. Dipi. 162. 
Nebasanus, n. h., 1115. Concilio Ovet. Leg. 141, 1.* ci. 
Nebuzano, n. h., 1099. L. Preto. Dipi. 537. 
Necariede, .villa, 1021. L. Preto. Dipi. 134. 
Xecbigi e IVeichigi, n. h., sec. xv. S. 190. — Id. 288. 
Necta, n. h. (?), 1044. Doc. most. da GraQa. Dipi. 205. 
Nedrabuzad, villa, 1085. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 386. 
Xeeyre, geogr., sec. xv. S. 296. 
Xegosela, villa, 981. Doc. most. LorvSo. Dipi. 80. 
Negraes, geogr., 1258. Inq. 620, 2.* ci. 
Negral, geogr., 1258. Inq. 409, 1.* ci.— Id. 613. 



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O Archeologo Portugués 373 

Negrelis, geogr., 1220. Inq. 172, 2.* el. 

Negrellos, geogr., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138.— Id. 196.— Inq. 

538 — S. 341. 
Negrone, n. h., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, ult. 1. 
Nehobon, n. h., 927. Doc. most. Lorvao. Dipi. 21, n.*^ 33. 
Neichig.Vidè Xechigi. 

Neiue, rio, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262, 1. 23. 
Neixom e Xeixum, app. h., 1220. Inq. 101, 2.* ci, 
Nemancos, geogr., 897. Doc. most. Pedroso. Dipi. 8, 1. 8. 
Neubozano, n. h., 1049. L. D. Mum. Dipi. 227, 
Neponanus^ n. h., 961. Doc. most. LorvSo. Dipi. 53, n.^ 83. 
Nepozani, app. h., 968. L. D. Mum. Dipi. 63. 
Nepozianus, n. h., 968. L. D. Mum. Dipi. 63. 

Nepuzanus, n. h., 850-866. Doc. most. LorvEo. Dipi. 2. — Id. 53- 
Nesperaria, villa, 973. L. D. Mum. Dipi. 73.— Id, 55. 
Nespereira, villa, 952. Doc. most. Arouca. Dipi. 37. 
Nesserosa. Vide Asserosa. 

Xeto, app. h., 1258. Inq. 435, 2.* ci. — Id. 20 e 354. 
Neuha, castello, sec. xv..S. 255. 
Nealìóo, geogr., sec. xv. S. 346. 
Nenia, rio, 1087. Dipi. 406, n.« 680.~Id. 301. 
Neaóo, geogr., sec. xv. S. 333. 
Neuridius, n. h., 954. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 40. 
Neueuhoom, geogr. (?), sec. xv. S. 166. 
Nevioo, geogr., 1258. Inq. 320, 2.* d. 
Nevico de Mansardega. Vide Mansardega. 
'Ney, app. h., 1258. Inq. 723, 1.* ci. 
Nezar, n. h , 967. Doc. most. LorvEo. Dipi. 60. 
Nezerom, n. h., 935. Doc. most. LorvSo. Dipi. 25. — Id. 54. 
Nezerone, n. h., 1059. L. D. Mum. Dipi. 261, 1. 13. 
Nhoronho, geogr., sec. xv. S. 196. 
Nhouegra, geogr., sec. xv. S. 203. 
Nichela, app. h., 1258. Inq. 391, 1.* ci. 
Nicolao, n. h., 1220. Inq. 52, 1.* ci. 
Nicolaus, n. h., 1220. Inq. 39, 2.* ci. 
Niconiz, app. h., 773 (?). L. Proto. Dipi. 2. 
Nidriz, app. h., 1016. Doc. most. LorvEo. Dipi. 143. 
Nidam Cordove, geogr., 1258. Inq. 541, 2.* ci. 
Nigio, geogr. (?), 1258. Inq. 354, 1.* ci. 
Nigrellis, geogr., 1258. Inq. 712, 2.* ci. 
Nigrelos, villa, 1037-1065. L. Prete. Dipi. 279. 



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374 O Archeologo Pobtuguìs 

\igritas (Casal da grava das), geogr., 1258. Inq. 422, 2.* ci. 

Bhìm.Vidè Rio de. 

Cimenti, n. h., 867-912. L. Preto. Dipi. 3. 

Xina, n. m., 1028. Tombo S. S. J. Dipi. 163.— Id. 78 e 221. 

Ninaes, geogr., 1258. Inq. 618, 1.' ci. 

Nini, geogr., 1220. Inq. 185, 2.* ci.— Id. 319. 

Ninna, n. m. (?), 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32. — Id. 148. 

Ninnas, n. h., 1020. L. Prete. Dipi. 152. 

Nino, app. ]i.,.sec. xv. S. 159. 

Niqni (Casal do), geogr., 1258. Inq. 307, 2.* d. 

Nirru, app. h., 967. L. Prete. Dipi. 59. 

Nisa, villa, 1232. Leg. 624. 

Nisconi, app. m., 1025. L. Prete. Dipi. 159. 

Nivio, geogr., 1220. Inq. 192, 2.* ci. 

Nivioo, geogr., 1220. Inq. 46, 2.* ci.— Id. 240. 

Nizola, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, 1. 49. 

Nizoo e Nnzoo, geogr., 1220. Inq. 57, 1.* ci. 

Noallo, geogr. (?), Bec. xv. S. 385. 

Nobales, geogr., 976. Doc. most. LorvSo. Dipi. 74. 

Nocecho, n. h. (?), 950. Doc. ap. sec. xin. Dipi. 35. 

Nocia, n. m. (?), 867-912. L. Prete. Dipi. 3. 

Nocos de belali. Vide Belali. 

Nodares e Lodares, geogr., 907. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 10. 

Nodario, n. h., 985. Doc. most. Moreira. Dipi. 94. — Id. 57 e 411. 

Nodeirus, n. h., 1010. Doc. most. Moreira. Dipi. 131. 

Nodequiam, geogr., 1258. Inq. 386, 2.* ci. 

Noeiro, n. h., 1258. Inq. 387, 2.» ci. 

Noemiz, app. h., 978. Doc. most. LorvSo. Dipi. 78. 

Nogaria, villa, 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32, n.^ 56. — Id. 466. 

Nogeara e Nogeira, geogr., 1220. Inq. 161, 1.* d. 

Nogeira, villa, 1086. L. B. Ferr. Dipi. 400.— Id. 535. 

Nogneiroo e Nokeiroda, villa, 1088. Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 

422.— Id. 519. 
Noguram, n. h., Era 1102. L. Preto. Dipi. 277. 
Nokeiroda. Vide Nogneiroo. 

Noliuado, n. h., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57, 1. 5. 
Nomaàes, geogr., sec. xv. S. 216. 
Nomaens, geogr., sec. xv. S. 147. 
Nomaes, app. h., 1258. Inp. 568, 2.*cl.— Id. 623. 
Nomam, cidade, 1130. For. NumSo. Leg. 368. 
Nona, geogr. (?), sec. xi. L. D. Mnm. Dipi. 563, 1. 2. 



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O Abchbologo Pobtuoués 375 

NoDelo, n. h., 943. Doc. most. Arouca. Dipi. 31, n.^ 53« 

NoHBado, app. h., sec. xv. S. 288. — Id. 190. 

Noiininna, n. h. (?), 867-912. L. Preto. Dipi. 3. 

Xoqaera, geogr., 1055. Doc. most. Moreira. Dipi. 242. 

Xoronha^ app. h., sec. xv. S. 172. 

Norza, app. h., 1220. Inq. 84, 1.* ci.— Id. 173. 

Xorze, app. h., 1258. Inq. 720, 2.» ci. 

Notarlo^ n. h., 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 33, n.® 57. 

Notariz, app. h., 908. Doc. most. Moreira. Dipi. 11. 

Notarìzi, app. h., 985. Doc. most. Moreira. Dipi. 90. 

Noaaes, app. h., 1228-1229. Leg. 610. 

Xoualies, app. h., 1251. Leg. 190. 

Xooalelios, geogr., sec. xi. L. D. Mum. Dipi. 563, 1. IL 

Xouaies, geogr., 1058. L. D. Mum. Dipi. 249, l. 39.— Id. 381. 

Nondal, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. l.% p, 2.», C. 202. 

Nouelios, rio, 1100. L. B. Ferr. Dipi. 546. 

Noaellas, geogr., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35. — S. 190. 

Xouellita, geogr., 1085. Doc. most. Arouca. Dipi. 388. 

Xonoa, geogr., sec. xv. S. 164. — Id. 388. 

Noura.Yidè Dalla. 



(Cantinùa). 



A. A CORTESXO- 



Bibliograpbia 
I 

Boledm da flociedadc Archeologicn ««auto» Bo€lia*f 1. 1, 

n.»2, Figueiral904: 

Relatorio da gerencia de 1900-1901. Destaquemos a dedica^ao 
scientifica dos membros d'aquella Sociedade qne realizanim ama excursào 
ao Algarye, da qtud se publicam os substanoiaes relatorìos, sem onns algum 
para o oofre social, saindo todas as despesas da bolsa dos ezcursionistas. 

C mmun i e a 9 5 es : Doltnens de Alcalar. — Sr. Dr. Santos Eocha redigju 
a narraQao das explora^oes de dois moniiinentos da conhecida regifio archeolo* 
gica de Alcalar, inventarìando-os na mesma serie dos escavados pelo fallecido 
Estacio da Yeiga; ficam assiin designados por 8.^ e 9.*^ monumentos. Este pò* 
lyandrio dolm^ico é dos mais importantes qne temos para estodo da paleo- 
etimologia nacional. D^elle se fitUarà por muito tempo. actual relatorio està 
feito com toda a minuciosidade, tendo merecido cnidadoso estado os resoltados 
d^esta exploragao ; so assim as theorìas scientificas encontram base solida para 
se desenvolverem. espolio dos monumentos n.^* 1 a 7, està presentemente 
no Hasen Etimologico Portugnés. 



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37C O Archeologo Poutuoués 



Materiaes para o estado neolithico no concelho da Figneìra, 
em que o Sr. P/ Belcliior da Cruz, principalmente, nos dava uteìs noticias de 
urna esta^fio de fundos de cabanas no Monte Cordo. 

Materiaes para o estudo da epoca do cobre em Portngal. — Con- 
tém o relatorio da explora^&o de cìstas nas necropoles algarvLas da Baralha 
e do Cerro de Bartolomen Dias, onde foram encontradoa aqnelles vaso» tao 
caracteristicos de fiindo convexo e gargalo concavo. Museu Ethnologico 
possue, alem de ontro8, os dois vasos da Donalda mencionados por Estacio. 
fundo é internamente plano e nm dos vasos tinha quatro mamillos sobre a 
aresta do bojo. 

Estndo sobre nm art^facto pre-romano de ouro deseoberto 
no Algarve. — Sr. Dr. Santos Rocha descreve urna notabilissima pe^ 
de ouro rebatido, com ornamenta^^des de estilo micenense. E urna verdadeira 
joia de maseu, pagina flagrante da historia das antigas rela^òes, directas ofL 
indirectas, entre a Iberia e as civiliza^òes orìentaes. Sr. Director do Mnsen 
Ethnologico adquinu, no Museu de Athenas, iilgtimas reproducgoes galvano- 
plasticas de artefactos de ouro, do mesmo estilo, procedentes dos tumulos de 
Micenas. É patente a identidade. 

lagar luso-romano do valle de Marinho no Àlgarve, pelo 
Sr. P.* Belchior da Cruz; analogas obras encontrei na Beira-Baixa; tambem do 
Minho se descreveram jà algumas. 

Bestos da Figueira antiga e seus arredores, pelo Sr. Ferreira 
Looreiro, que justos prantos solta sobre as ruinas archi tecturaes e ethnogra- 
phìcas, que os habitos de hoje irremediavelmente deixam em tndo. Nada mais 
antiesthetico, com effeito, do que esses enfileiramentos geometricos dos predios 
modemos, crivados de aberturas, e excogitados nao por um criterio de enge- 
nheiro, mas pela insaciedade do senhorìo, que fez estilo neste secnlo. Em Lisboa 
ainda restam algumas poucas habitagdes de resaltos, cnja raz&o de ser me parece, 
porém, apreciarem-na mais os moradores que os transeuntes, comò propoe o es- 
clarecido autor do artigo. 

N.«3, Figueira 1906: 

Relatorio da gerencia de 1901-1902, pelo Presidente da Direc- 
Q&o, Antonio dos Santos Rocha. Neste documento o incansavel archeologo 
compendia, em frase calorosa, os resultados das suas pacientes excavaQoes e re- 
constituÌQ5es do outeiro de Santa Olaia, onde, com singular felicidade, foi enoon- 
trar, sedimentados por camadas, os restos de popula^òes preromanas. 

As Commnnicagòes abrangem: a) Notaa sobre um caso de microcepha^ 
Uà, por F. Nogueira de Carvalho; h) Estagào neolithica eie Santa Oiaia, por 
A. Santos Rocha, onde, entre vario espolio, se encontrou um notavel alveolo 
de machado * e cabos de utensilios, tudo de chifre de veado ; e) As grtUas de 



^ Bainha, ettojo, seria a traduccao de ffaìne. Como espccializay^ technologica, 
talvez se pudessc adoptar o termo vagina. A lem d'estcs, al vado, boquilha, casulo, 
C€Ùxa, encaixe, podcriam ser objecto de eficolha. Alem d*cstes, cacliimbo, nome 



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O Archeologo Portugués 377 

Palmella, pelo P.* Belcliior da Cruz (f 1904) : é a publicagao do relatorio res- 
pectivo, que se conservava na Commissao Greologica, e do inventario do espolio 
d'estas gratas, que melhor se chamariam da Quinta do Anjo on do Casal Pardo, 
illostrado com numerosos desenhos- No Museu Etimologico ha nm objecto de 
pedra semelhante ao da fig. 61, procedente de Obidos. E nm seixo esferìco de- 
primido; o sulco porém nfio é polido. Um illustre professor da universidade de 
Koenisberg, o Sr. Bezzenberger, que veio aqui estudar a nossa paleoethnolo- ' 
già, disse que tal objecto poderia ser de um jogo d'aquella epoca, jogo que na 
AUemanha ainda estava em uso com identico ntensilio. Victor Gross {Les Proto- 
helvètes, p. 51), descreve um analogo, referìndo-se à mesma attribuigSo. Ainda 
de Sines temos outro calhau sulcado pelo plano do seu eixo maior ; todavia este 
objecto sera peso de rede ; /) Velho bi^mze dos ai-redores de Breitha, por A. San- 
tos Eocha. Se nos é permittido corroborar o parecer do eximio archeologo, 
acrescentaremos que a placa da Oliveirinha nào poderà deixar de se considerar 
trabalho de arte visigòtica; os exemplos d^este genero de represe ntagòes anima- 
lescas sào frequentes nas placas pertencentes aos cintnrSes d'aqnella epoca, nas 
fibulas e noutras pegas accessòrias do vestuario. Attendendo a espessura minima 
do objecto, a classificagfio que mais verosimil se afigura, é a de urna chapa de 
enfeite do cinturao ou da correla de tiracoUo. A presenta de aneis on argolas 
pela face posterior favorece està interpreta^fio. Yerdade é que a pega se acha 
incompleta e que por isso nSo se deve excluir ainda outra hipothese : a de ser 
fragmento de uma d'aquellas placas caracteristicas do vestuario barbaro, quer do 
homem qner da mnlher, das quaes pendia um jogo de seis ou sete pequenos nten- 
silios de uso mais frequente na vida, — a tesoura, a pinga, o pente, a bolsa, 
ftisil, etc. Aquellas taes pegas eram de bronze e «tinham a fórma redonda 
ou rectangnlar, com grosseiras representagòes de crnzes ou estrellas, de grifos, 
de serpentes enlai^adas ou outros animaes fantasticos». Nfio encontrei debuxo 
igual ao da chapa de Oliveirinha nos escritos d'està especialidade ; seria uma 
exigencia documentai que n&o se justifìcaria. Para a capitulaQ&o de um objecto 
de arte, basta que o estilo da epoca se traduza nelle; e creio que naqnelle de 
que me occupo, o genero ornamentai é accentnadamente visigotico, embora de 
periodo mais recente, em que se revela jà alguma penetra^fio bizantina, corno 
expoem os AA. Tambem nesta feigao da arte barbara se encontram fìguras de 
seres «difficeis de determinar». Propriamente a respeito dos artefactos visigo- 
ticos, diz Barrière-Flavy que algumas d'estas figuras tanto podem ser de cavai- 
los, comò de cSes, de coelhos comò de porcos. Feitas estas reflexòes, talvez 
prò visoriamente se possa aventurar a attribuito aos secs. vi-vii, d. C, da 
curiosa e rara placa da Oliveirinha; salvo melhor juizo. Conviria acaso pes- 
quisar nas proximidades algum cemiterio contemporaneo, de onde a pega decerto 



que se dà à pe9a fiza e furada dos gonzos das portadas, ctc. Igualmente, alveolo 
parece adoptavel. Emfim, sSo inccrtezas que era bom que acabasscm por inicia- 
tiva dos auctorizados, para por de parte a technologia estrangeira que humilha 
nosso idioma. 



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378 O Abcheologo Portuoués 

provém. Kfio é de esperar qae em Portogal aioda venham a ser deseobortas 
necropoles dos barbaroe, tic nntridas de bello eapolio arcbeolo|^co, corno na 
Galiia sao as dee franoos e dos visìgodos. £m compenaa^, talves a cultura 
de cancter romano tenha cà penetrado moito pela epoca doe barbaroa, deizando 
neata vestìgios geralmente coaBideradoa ezclosivoB da civìlizaiQao anterior, comò 
por exemplo mosaicoa, mas qae, na minba hnmilde opinilo, pelo motivo orna- 
menUl se xelacionam intimamente eom oe bronzea viaigoticos. Sfio elementos 
mnito fogasea oa qne até agora noe pruporciona a areheologia nadonal, mas 
conveniente aeri ir qnebrando, mesmo com hipotheBea, o noaao tradicionalismo 
classico. Releve-me o generoso arcbeologo da Figneira està tirada exceasiva 
para ama simples noticia bibliographica. 

A necropole da Moirama, nas vizinhan^as de Celorico, por A. 
Santoe "Rocha. É a deaeri^ de un cnrìoso cemiterìo todo de sepnltnras mpes* 
tres. que nio é vulgar, é està totalidade; ao resto, nio sao raraa taes 
campas no norte e centro do pais, apparentemente insnladas oa em rednzidos 
grupos. No mea apagado sentir, estes polyandrìos sSo medievaes e christios ; qne 
a fórma trapesoidal ezclae a epoca romana nAo me pareee difficil provÀ-lo, bmn 
corno que essa configura^ nos foi, comò alìia na Hespanba e na Ghillia, im- 
plantada pelos barbaros. A qne secolo pertenoem estas sepoltoims de inbn- 
maiQio na rocba viva? £ste agora é qne é om problema, a qne nio se dà entre 
nòe resposta precisa. 

Foi decerto ama pratica detenninada por certas oondi^Sea sociaes, noma 
epoca em qae alias a fórma anthropoide das aepaltoias ji existia corno predo- 
minante e era acatada. A tegula, o dolio oa olla e a pasta grosaeira da ceramica 
nio sic antagonicos com o medievismo barbaro. £m todo o caso, om cemiterìo 
com tio numerosos cofres abertos na rocba nio é coosa vnlgar. Nas proximida- 
des nio torio sido encontradas sepultnras coevas de tijoloe e t^golas? 

Necropole laso-romana de Moliio, pelo mesmo. Sepnltoras rectan- 
gnlares, de alvenaria e tegoks, com vasilhas. Lembram aìgnmas de Yianna do 
Alemtejo, de inhnmaQio, descrìtas no Arch, Pati., ix, 293. Neste estado se 
confirma o amor e escrapolo com que o A. reaiiza as soas investiga^Ses, ope- 
rando moitas vezes pelas snas proprias mios. Honia Ihe seja. 

Algaidar de typo madejar encontrado em Bnarcos, por A. Goltz 
de Carvalbo. No Mosca Ethnologico Fortugaés ba restos de analogos algoida- 
res nos mostradores da sec^ arabica. 

As barreiras on trincbeiras no casamento bei rio, por A. Carlos 
Borges. Descreve S. £x.' am costarne beirio de qae encontra similares em oa- 
tros paises, e filia-o noma especie de commemora^ de antigos prooesaos da 
conqaista violenta da malber pelo homem. Sao £acto6 que os espirìtos sdectos 
sabem destacar pela sua significalo, de entre os que nio merecem atn olhar 
sequer de observadores commiins. 

N.M, Figueiral907: 

Belatorio da gerencia de 1902-1903. Di-se conta da intensiva 
laboraQio arcbeologica do Sr. Dr. Santos Rocba, principalmente no outeiro de 



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O Archeologo Pobtuqués 379 

Santa Olaia, onde ee tem exhamado os veatigios de urna civiliza^ao protohistorìca 
relacìonavel com a das margens do Baetis e portante com a de outras afas* 
tadas regì5e8 onde ella pdde j4 ser datada. Alegramo-nos oom eates reaultados 
tao nteis à historìa etimologica do portngués, corno lionro808 para a sapiencia 
nacional ali representada. 

As gratas da Columbeira, pelo Sr. Dr. Sautos Eocha; narrando e 
eatodo de algnmas grutas do concelho de Obidos, jà exploradaa por Carlos Ri- 
bello, maa de que infelizmente nao ficou relatorio, embora devesse constar de 
notas particulares e extrayiadas do finado geologo. 

Kestos de dolmens em Santa lai a j pelo mesmo. Caso curiosissimo 
do achado de minas de duis monumentos megalithicos entre as minas do povoado 
da epoca punica. A larga foiba de explora^òes j& realisadas pelo presidente e 
dedicado arcbeologo da Fìgaeira, permittelbe fazer constantes conipara95e8 
ethnograpbicas dentro do proprio fnndo arcbeologico do sen mnseu. 

Material para o estudo da idade do cobre em Fortugal, pelo 
mesmo. É urna ponta de setta de cobre, procedente de Soore, de prova vel se- 
pultnra de inhmnag&o. 

Os peqaenos rooinhos circulares de pedra nas esta^òes pre- 
romanas do Valle do Mondego, pelo mesmo. Sfio perfeitamente acertadas 
aa pondera^ea do Sr. Dr. Santos Bocba ; o caracter dos peqoenos moinhos é 
archaico e nSo romano. Nestas mesmas ideias abnndei em 1903 n-0 Areh, Fort., 
vili, 108. 

Bestos da Figneira antiga, pelo Sr. Ferreira Lonreiro. SSo notas 
cnriosìssimas acèrca de arcbitectura civil, militar e religiosa da Figneira. 

As carpideiras nosiuneraes beir5es, pelo Sr. Carlos Borges. OA., 
em primorosa dicg&o, estampa os qnadros funebres que se desenrolam numa terra 
da Beila, desde a exposigào de nm cadaver até o sea descer à cova. Certamente 
que estas fórmas extemas de sentimento fazem parte de ama liturgia ethnogra- 
phica a qoe nfio se póde desobedeoer «porqae os outros podem reparar», raz&o 
qae occulta a influencia irresistivel da tradi^fio através das mais variadas epocas 
da historia. Nfio sto estas as lagrìmas do cora^, que intimamente experìmen- 
tam 08 confrangimentos da dor; sfio lagrìmas estipendiadas por mercancia de 
valores ou de conveniencias ; mas para o etbnographo, sfio cnrìosos e frìos ele- 
mentos de estudo, desde os mais prìmitivos funeracs até aos de hoje. 

Fiagfio popular no concelbo da Figneira, pelo Sr. Fedro Fer- 
nandes Thomas. Outro attrahente estudo dos processos de preparagfio do fio, qucr 
para a tecelagem, quer para a cordoarìa, ainda empregados, mas decadentes no 
concelho da Figneira. A roca é quasi o emblema de trabalho da mulher rural 
portognesa, nfio sondo r«at>, no norte do pais, encontrarem-se mnlheres, andando 
sen caminho, de roca 4 cinta. As suas pe^as constituintes devem ter tambem, 
na Figneira, uma technologia propria que se deverìa reg^star. A roca do Minho 
é muito'omamentada; hoje o sen fabrìco é quasi especialidade das prìsòes. Ke- 
cordo-me de me entrìstecer com nostalgia, quando, estudante em Coimbra, con- 
templava a roca deeenjorcada das mnlheres d'aquellas oeroanias. 

A. P. 



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SMT» O AsCnEOLOGO POBTOOCtS 



II 

ResenliA 4ju notif Im AreliMl«^eM C9»tf4M tm J*r 

Boletìm da Baal Aisocia^ào dos Architectos Cìtìs e Archeologot ! 

4.* serie, t. xi, n.« 1. — Casas memnraveig. Xa etua de Petrarca. Precedida de 
breves palavras, transcrevc do n.** 272 do jornal A Lttcia, a deserieao da 
casa do grande poeta italiano do sec. xir, oa peqaena poroaeSo de Anqvi, 
jooto de Padaa, descri^io està feita om coircspondeDcia de Bolooha para 
aqaelle jornal, por Manoel de Sonsa Pioto. 

Cruzeiros nùtavei$ (eontinuagào), por Soasa Viterbo. Descreve oa emzeiios 
da Labrugeira, na fregoesia de Ventosa, concelho de Alemqner, de Venade 
COI Carni olia, de Bus tei lo junto a Peoafiel, de Chcllas em Lisboa e <w cm- 
zeiroe dos arredores de Evora. Com estampas. 

A Infanta D. Maria e o $eu hospital da Iaiz feontinuof&ojj por Victor Ri- 
beiro. Com estampas. 

Catalogo dos moedas e medalhaM do Mutai do Carmo, pelo socio efiectiro 
Arthur Lamas. £ a conclusSo dos numcros anteriores e comprehende : 

Medallias Portognesas, medalhas Brasilciras, medalbas da Santa Sé, In- 
glesas e de diversas na^d<*8i. 

Idem, n." 2. — Parecer da Seegào de Archeologia eom regpeito à coMerva^ 
e farina corno deuem asèinalar-se as casas memoravtis. Depoìs de explicar 
a dificuldade que ha ero estabeleccr um criterio a qae fiqce sobordinada a 
aprecia^io historica das personalidades illustres qoe aseinalaram, com qoal- 
qacr acto da sua vida, casas que, por esse motivo, convem conservar oa as- 
sinalar, explica a maneira corno se organizaram tres listas oo notas de casas, 
por varios titulos memoravcìs. Nào apresenta, porém, essas listas corno das- 
sifica^ao definitiva, ou corno dcscjo ou proposta de que fiquem sendo con- 
sideradas comò dignas de serem incluidas na relacio dos monnmcntos na- 
cionaes, mas tSlo sómente comò simplcs lembrau^a on apontamento das qoe 
occorreram k memoria dos socios da respectiva sec^ao. Seguem-se, depois, 
as listas das casas, divididas, comò se disse, em tres gropos: 1.* lista — Ca- 
sas memoraveis jà assinaladas, ou nUo, por lapides, e que merecem, pela 
grandeza das entidades a cuja memoria se prendem, ser cousideradas corno 
monumentos nacionaes; 2." lista — Casas j a assinaladas por lapides e ootras 
que por ventura podcrao ser incluidas numa lista de monumentos de mais 
secundaria categoria; 3.* lista — Casas a cuja historia anda vinculada a 
memoria de algum portugués illustre, e que bem merecem ser apontadas e 
rccommendadas k considerammo e estima da natilo portugucsa. EstA assinado 
cste parecer por Mrg. Elviro dos Santos e por Victor Ribeiro, Presidente 
e Vice- Secretarlo da Sec9ao de Archeologia. 

Pelourinhos e cruzeiros notaveis (continua^SoJ, Extracto dos officios das 
Camaras Municipaes que responderam ao inquerito feito pela Associamao. 

Cruzeiros notaveis (continuagào), por Sousa Viterbo. Com estampas. Des- 
creve os cruzeiros da Àtalaia em AldCgallega, de Villa VÌ908a e de S. Mar- 
cos na freguesia de S. Silvestre, concelho de Coimbra. 



« Fez-se separata com o titulo de Catalogo da» moedas « medaihas do JfwMti do CarmOf Lisboa 
1907, 81 pagg. 1 ostampa. 



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O Archeologo Pobtugués 381 

Portngalia, fftsciculo 3.** do tomo ii. — Estate pre-romana» da idade do ferro 
na» vizinhan^oM da Figueira, por Autonio* dos Santos llocha Com estampas. 
No preambitloy comparando os descobrimentos archeologicos de Portugal 
com o que se tem escriio sobre as deseobertas atialogas de Espanha, Afrrca, 
Creta, ctc, conclue que houve iniluencia das civilizavOes fenicia e punica em 
nosso territorio. Entrando depois propriamente no assunto, póde avaliar-se 
a importancia d'està sua primeira parte pela seguinte ÌDdica9ao dos capitulos 
e paragraphos em que o autor dividiu o scu estudo. Parte i.% S,"' Olaya. 

I. Topographia e estatigraphia archeologica. Esta^ao medieval. Esta^ao 
loso-romana. 1.* esta^ao pre-romana da idade do ferro. 2.* esta^ao pre-romana 
da idade do ferro. 3.* estacao pre-romana da idade do ferro. Estacao neoli- 
thica. — IT. Os povoados pre-romanos. DÌ8posÌ9ao e archi tectura dos edifi- 
cios. — III. Mobiliario metallico: 1.% ferro. 2.'*, cobre e bronze. 3.", 
chumbo. — IV. Ceramica: 1.", Ceramica indìgena. 2.", Ceramica esotica tra- 
balhada k roda. 3.**, Grandos vasos ezoticos trabalhados k m2o. 4.**, Modifica- 
9Òes na ceramica de fabrico locai sob a influencia dos modelos exoticos. 
b.^^ Confront a9ao de certos exemplarcs de ceramica com os de alpuns oppidos 
de Entrc-Douro-o-Minbo e de outras estaydes de Portugal G.°, Pe9as de col- 
lar. 7.», Fusaiolas. 8.", Peso» de tear. 9.", Pesos de rede. — V. Mobiliario de 
vidro, osso e pedra, e restos de cozinba: 1.", vidro. 2.*, osso. 3.*», A pedra. 
4.*, Restos de cozinha. — VI. A necropole. — VII. Nota sobre os restos hu- 
manos da necropole de Ferrestclio. (Os seis primeiroe capitulos d'estc estudo 
estSo assinados, comò se disse, por Antonio dos Santos Rocha; o ultimo é 
Bubscrito por Ricardo Severo e Fonseca Cardoso). 

Aa arrecadaè de ouro do castro de LaimdoSf por Rìcardo Severo. Com es- 
tanlpas. Descrieao de umas arrecadas de ouro encontradas dentro de um 
vaso de b.irro enterrado no alto do castro de Laundos, freguesia d'este nome, 
concelho de Povoa de Varzim. 

Dua$ joicu archaicas, por José Fortes: I Collar de Valle da Malkada. 

II. BraeeUte do Bairro. Com estampas. De8crÌ9ao de um collar de ouro, 
achado na freguesia de Rocas do Vouga, coucelho do Sevcr do Vouga, e de 
um bracelete de ouro tambem, achado na freguesia do Bairro, concelho de 
Villa Nova de Famalicao. Nao póde o autor determinar a epoca a que per- 
tenccm por terem sido «recolhidos accidentalmente por imperitos*. 

Neeropoles lusitano-romana» de iiihuma^ào, por Ricardo Severo. Com es- 
tampas. Esto estudo divide-se pela fórma seguinte: I. Cemiterio do Bairral 
(freg. de S.'* Leocadia, conc. de BaiSo). A necropole. As sepnlturas. O espo- 
lio. — II. Cemiterio de Villa Verde (freg. de Bagunte, conc. de Villa do Conde). 
espolio. — III. Considera9de8 geraes. 

Eseonderijo morgeano da Carpinteira (Melga9o), por José Fortes. Des- 
cri^So de mais um apparccimento de machados de bronze de duplo anel e 
dupla canelura. 

Castros do concelho de Amarante, por J. de Piuho. Noticia dos castros de- 
nomìnados : Monte do Crasto (proximo do logar de Gì So) ; Ladario (legar de 
Paredes); Crasto de Villa-Garcia (proximo do logar da Ponte Nova). 

Casa e necropole lusitano-romana de Villarinlto (Amarante), por José For- 
tes. Restos de uma casa e ceramica funeraria de diffcrcntes fórmas e por 
vezes pintada. 

Achado de moedas romanas de Braga, por J. M. Bronzes do sec. iv 



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382 O Archeologo Poktuqués 

h. ■ — m 

Notieiaa tpigrapkica$, por José Fortes. Fragmentos lapidares, eooi ins- 

erìpQÒes, de Adanfe (Braga) e Roncai (Ufoncorro), e nma lapide iuteira do 

eoncelbo de Loosada, qne diz : x> • m • s | siiptt | maktb | posiit | matre | . 

Occidente, rensla illnstrada de Portagal e do estraageiro, 30.« anno, 1907. — 

Extractos doa nimieros de 20 de Abrìl e sqq. até 90 de Korembro inelosive. 

A vdha IJsboa (memoria^ de «m hairro), por 6. de Matos Seqneira. £ a 
continua^ dos nimieroa anteriorea e oecupa-ae de : Fnnda^So do noTÌeiado 
dos jeeuitas ninna qninta, cbamada do Monte Olivete, que Ibes ^m doada por 
FemSoTellea de Menezee. — Lan^amento da primeìra pedra em 26 de Abril 
de 1603. — DescrÌ9ao do edificio. — O noviciado. — A igreja. Prejaizoe causa- 
dos pelo terremoto no collegio do Monte Olivete. — A eria^ao do collegio 
doB Nobres em 7 de Mar^o de 1761. — O grande impulso dado i, instme^ao 
pelo Marqaès de Pombal. — Os rendimentos do Colico dos Nobres. — A Aca- 
demìa Real de Marìnba, criada por lei de 5 de Agosto de 1775, ibi provìsorìa- 
mente estabelecida numa dependeneia do collegio dos Nobres. — O ab«iidono 
a qne està redazido o tumulo do fundador do noviciado jesnitieo — Como 
acabou o Collegio dos Nobres. Controveraias a que den causa a sua extìnc^ao. 
Inter venoso de Alexandre Herculano no assunto, etc, ctc. 

E, corno se ve, urna serie de apontamentos, com indica^des documentaes, 

que constitnem um snbsidio para a bìstoria qne um dia se tente fazer da ci- 

dade de Lisboa. Ahi encontra igualmente o etbnologo abundante copia de 

- esclarecimentos para o estudo do antigo viver da socicdade portugnesa. 

JUnttra^ào Portngiiesa. — Edi^o semanàl da empreta «0 Seevlo». — Extrac tos 

dos numeros 63 a 88, de 6 de Maio a 28 de Ontubro de 1907. 

Velhas bibli€u portngtiesaB. Succinta rela^o das primeiras bìblias impres- 
sas em lingua portnguesa. Com estampas. 

Ab in9cripfBe9 inéiancts de Cintra. Reproduz em estampas as duas lapides 
de pedra com inscrip9des indianas exìstentes na quinta da Penba Verde eni 
Cintra, dizendo comò o distincto archeologo e oiScial de marinha J. Her- 
culano de Moura conseguin a transcri^ao portuguesa dumadessas inserìp^des. 

A Madrt de Deus, um dos mais ricos museus de arte de Portogal por J. 
Com estampas. Rapida descri^So da igreja d'este convento, indicando muito 
snmmarìamente as preciosidadcs artisticas que encerra. 

A arie egypeia. Uma conferencia do Sr. Conde de Penba Oareia. Com 
estampas. Interessantes notas sobre a eseultura egypeia. 

Uma com de Pampeia [i. é, Pompeio»]. Notici a, acompanhada de bellas es- 
tampas, de um recente descobrimento feito na celebre cidade, hoje em grande 
parte desobstruida das lavas do Vesuvio que durante tantos secnlos a tiveram 
soterrada. 
Seroes, revista mensal illnstrada.— Edi tada pela livrarìa Ferreira e Oliveira 
Lt.'^', de Lisboa. Extracto dos numeros de Maio, Junbo, Julho, Agosto, Se- 
tembro e Outubro de 1907 : 

Evara antiffa, O maateiro do Calvario, por A. F. Barata. Com estampas. 

A arehiiectura da Eenaècenga em Portugal, por Albreeht Haupt. Pkrtc II. 
Pais. I. Alcoha^. Descreve, a largos tra^os, a igreja e annexos domoeteiro 
de Alcobn^a. Com estampas. II. il Batalha. Rapida descrivo geral do mo- 
numento, e mais especificadamente das capellas imperfeitas que classifica, se 
tivessem sido concluidas, corno a primeìra igreja tumular da penlnsnla. 
III. Leiria. Mostra-nos, cm estampa e em breve descrif ào, um dos muitos 



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O Archeologo Pobtugués* 383 



palacetes doe secaloB xti e xvii de que, em grrande parte, é fonnada a cidade; 
indicando-nos depoìa, c<Hno principal monumento religioso, a igreja de S.** 
Maria. IV. Thomar. Resenha historìca da fanda^ao e transformafdos da cele- 
bre mairiz dos Teniplarìos portngueses e depoia da Ordem de Christo. Sua 
descrÌ92o. (Todos estes artigoe sSo profusamente acompanhados de estampas). 

A mutica no Egypio, no tempo do$ FaraÓ9y por D. Josefina deVasconcellos 
Abreo. Com estampas. 

A fonU dot amort», por Mario Monteiro. Com estampas. Num artigo, do- 
cumentado, mostra-se a sem-raz2o dos qne attribuem k tragiea morte de 
D. Inés de Castro a orig^m do nome dado k celebre fonte da quinta das La- 
grìmas, outrora «Quinta do Pombal«. Diz-noe qual, em seu entender, é a 

verdadeira Fonte dos Amores 

Alvabo d£ AzsasDo. 



O Archeologo Portugués~1907 
Begftto blbllographleo das permotas 

Contlnu«92o. Vid. o Arck, Peni,, su 249 

Alti della R. Ac€ad«nia dei Lincei; 1906. Fascienl^l.— JFbro romano. Esplorazione 
del sepdcreto, por G. Boni. Sepulturas de cremando anterìores ao sec. via 
a. C, oom caracteristieas cabaninhas de barro, etc. Crani prtùtoriei trovati 
nel Foro romano, por A. Mosso, etc. 

Faseiculo 2. — Entre outros: Scam nella necropoli di Barano, etc., por 
Ettore Gabriel ; de onde se retiraram vasos com ornamcnta9oc8 de circulos 
eoncentricos, de £ùzas com figurado arehaico, etc., multo cnriosos. Descre* 
vem-se no mesmo artigo as ruinas de um amphitheatro, uma ara-omphalos 
ou simbolica, etc. 

Faseiculo 3. — Avulta um garrafSo ou baiSo de vidro, procedente de uma 
scpultura trapezoidal mas sem sinal christao; no Museu ha do espolio de 
Estacio daVeiga um recipiente identico, embora mntilado no gargalo. 

Faseiculo 4. — Noticia das escavaQÒes em Pompeios desde 1992 (Dezem- 
bro) a Mar^o de 1905. S&o curiosas dnas fontes com o respectivo tanque ; 
dir-se-hiam feitas noe nossos dias*, inscrip9de8; ceramica sarda, etc. 

Faseiculo 5. — Da regifto deVeneza, em Este, uma laminazinha de osso 
graduada eomo as regnas de hoje; da Sicilia umas cataeumbas pre-constan- 
tinianas, coni arcoeolios mono- e polysomoe, e da Sardenba uma inscrìp^fto la- 
tina com onomastico indigena e o nome Bacoru. . . . que o A. confronta com 
Baemiuè, de procedeneia iberica e que tambem taWez se relacione com Boc- 
ehoriy referìdo por E. Hfibner (Afon. Ling. Iber,, p. 247) corno das Baleares. 

Faseiculo 6. — Descrevem-se mais cataeumbas na Sicilia, em cuja arcbl- 
tectura o Sr. P. Orsi ve influencias orientaes; uma lampada é muito seme- 
Ihante a um exemplar algarvio que exìste no Museu Ethnologico; do estilo 
da tela que dividia o recinto em duas sec^des, tambem possue o mesmo 
Museu um fragmento de placa marmorea, etc. 

Faseiculo 7. — Continuammo do relatorio acérca das sepulturas do Foro 
romano, com bellas e minuciosas illu8tra95es. 

Faseiculo 8. — Descobrìmento em Roma de dois notareìs sarcofiigos do 
sec. IV ; um com a frente singularmente ornamentada com yolntas, caulicolos 



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384 O Archeologo Portugués 

e folhagens ; o outro com a indica^ao de um cargo {$eriba senatu») que con- 
tinuou a existir ero Roma até os ultimos tempos da idade media. De Pom- 
peios, as photographias de urna fonte pnblica, representaDdo a gargula urna 
cabe^a de boi^ e de urna rua secondaria, constroida comò os nossoa aatì^os 
caminhos do norte,' lageados de granito e ladeados de banquetas (a que na 
Beira Baixa ouvi dar o nome de Òaiorel (eic)^- conheeendo-se as junta gastas 
pelo perpassar das rodas de yehiculos pcsados. Alem d'isto, ama notavcl urna 
cineraria de pedra, da epoca da decadencia, na qual a rica omamenta^So 
tem motivos, que passaram para a arte dos primeiros tenipoe christaos, corno 
a cratera, o ramo de vinha, a espiga de trigo, etc. 

Fasciculo 9. — Resultados de escava^oes na Via Appia, em Pompeios, etc. 

Fasciculo 10. — Achados em Ostia (fòrmas de pao para os ludi publici) e 
em Pompcios. 

Fasciculo 11. — Scavi arclieologice faUi eseguire dalla direzione d^-l Museo 
civico de Padova alle falde del Monte Rosso. Deecrevem-se restos de urna 
estaQao da epoca dos ter rama rea mais antigos, uà qual appareceram cacos 
ornamentados a corddes ou melkor a nervuras (corno cxistem no Mosca 
Ethuologico), fragmentos de madeìra, Bendo um d*elles antropomorpho corno 
algumas das uossas placas de lousa. Nestc numero admira-se urna cstatoa 
fragmentada de um Discobolo, doin do rei de Italia ao Museo Nacional. 
Emfim, urna inserì pcio latina relativa a israelitas. 

Fasciculo 12. — Avulta e intércssa-nos nma collec^Ao de umas cinerarìas 

de pedra e de barro, procedentcs da regiao de Veneza. Alem d*isto um ma- 

chado de bronzo, urna ostatua de uiobitc, restos de muralhas gregas em 

Napolesy etc. 

Bolleti de la Societat Arqneologica Luliana. Nomeros de Janer, Fevrer, Mars, 

Abril e Maig de 190G. 
Balletino di Paletnologia italiana, 1006, n.° 1-5.— Materiali paletnologici 
deir Isola di Capri: Cerio, Bellini, Pigorim.Tomhe neolitiche in Taranto: 
Quagliati. Nuove ricerche nelle palafitte Varesine : Castelfranco. Oggetti di 
rame e di bronzo nella Lomellina: Patroni. Incisioni sopra monumenti preis- 
torici nel Sulcts: Taramelli, etc. 

N.*" G-9. — Vasi deir Italia e dell' estero, con figure animali neir interno 
e sugli orli : Parabeni. Le scoperte archeologiche del dott C. Ross nella Valle 
della Vibrata e la civittà primitiva degli Abruzzi e delle Marche : Colini, etc. 

N." 10-12. — Le scoperte archeologiche, etc. Dolmen nel commune di 
Birori : Taramelli. Paletta primitiva italica : Ghirardini, etc. 
Rivista Archeologica Lombarda, 1006, Gennaio -Giugno. Varia. 

Luglio -Dicembre.— La Torbiera di Coldrerio: S» Baragiola, 11 Lare de 
Tonnine : Luca Beltrami. Un nuovo Apophoretum ovvero tessera conviviale 
in bronzo ageminato: Giovanni Pansa. Frammento d'iscrizione romana: No- 

^^^" F. A. P. 



Errata 



N-O Ardì. Pori., xii, 109, em vez de «Antigualhas de Bujdes», deve Icr-se 
<tde Matheus». 



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VOLUME XII 

INDICE ANALITICO 



AgOREÀMENTOt 

Da costa portagnesa: 154 a 156. 

AMULETO: 

De dente canino: 335. 
Vìd, Placa. 

AXCOBA: 

Soterradas em Cacia : 145. 

ANEL: 

Sigillar romano: 367. 

ANGOLA: 

Vid. Numismatica. 

ANTAS: 

Em Vereia de Jalles (Tràs-os-Montes) : 31. 
Anta da mamòa de Donai (Tràs-os-Montes): 307. 
De Barrocalinho e do Conde (Evora) : 354. 

Vid. Regista bibliographico das permiUas: 253. 

ANTHROPOLOeiA: 

Vid. Setubal (Antiguidades locaes) e em especial Ossos. 

ANTIGUIBADES LO€AES: 

A) Alemtejo: 

Ferreira do Alemtejo (lapide romana) : 70. 

Reguengos (sepultaras) : 103. 

S.'* Maria de Machéde ; Evora (varia) : 352. 

B) Algarve: 

Moncarapacho (figura de pedra) : 245. 
Benafim ; Loalé (sepultura romana) : 367. 



23 



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386 • O Akcheologo Portdgués 



C) Belra: 

Agueda (castro) : 138. 

Anadia (castro) : 138. 

Azemeis (caatros): 140. 

Branca — Albergarla (logar de Cristellos): 143. 

Caboto de Vouga (ruinas) : 136. 

Cacia — Aveiro (vestigios antigos, ancoras, etc): 144. 

Castello Branco (inscripj^es roinanas) : 172. 

Castello Novo — Fundio (inBcrip9So romana): 178. 

Coimbra (livro de Soros) : 92, (milliario) : 132. 

Condeixa (lapide, moedas, camapheas, fivela, machados, etc.) : 177. 

Covilhà (sepulturas) : 101. 

Escallos de Cima (ara romana) : 175. 

Esgueira (navio soterrado) : 155. 

Efimoriz (castro de Ovil) : 141 ; (barra antiga) : 156. 

Grijó (documentos) : 149. 

Ubavo (antiga floresta) : 136 e 155 (nota). 

Madeira de Cambra (castrò): 141. 

Mamel {eiìntas): 139. 

Mealbada (milliario) : 132. 

Ninbo do A^or (ara): 177. 

Ossella (castro) : 140. 

Romariz (castro) : 141 

S.»« Maria de Fifies (castro) : 141. 

S. Gifto (castello) : 132 e 140. 

S. Martinho e S.Tiago— Ovar (castro) : 140. 

Serem (civiias): 140. 

Ul (castro): 140. 

Vagos (cavername soterrado): 155. 

Villa Velha de Rodam (inscrip^ao romana) : 177. 

Youga e Lamas de Vouga (castro) : 139. 



D) Entre-Doaro-e-Mlnho: 

Braga (o castello) : 310. 

CorrelbS — Ponte de Lima (marco milliario): 37. 
EstorJos — Ponte de Lima (ara romana) : 37. 
GuimarSes (arcbivo da collcgiada) : 79. 
Lamego (moedas romanas coloniaes) : 24. 
Moledo (moedas romanas coloniaes) : 24. 
Paderne — Melga90 (estela com figuras): 275. 
Ponte de Lima (pergaminbos da Camara) : 178 e 244. 
Saia — Barcellos (lapides): 280. 
Vairao — Villa do Conde (varia): 281. 
Villa do Conde (a matriz) : 76. 
Vid. Monumento». 



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O Archeologo Portugués 387 



E) Estremadara: 

Alino9ageme — Collares (casarural): 99. 
Campolide — Lisboa (ezplora^flo do silez): 338. 
Lisboa (manuscritos) : 94. 
Lisboa (theatro romano) : 102. 
, Praia das Ma^Ss — Collares (sepultaras): 100. 
Praia de Santa Cruz — Torres Vedras (sepulcros romanos): 102. 
Quinta^do Anjo — Palmella (grutas sepulcraes): 210 e 320. 
Setubal (e8ta9oes prehistoricas) : 206. 

Vid. Besenha das Notida» archèologicaa cofttidas em jamaes portU' 
gueses: 247 e 382. 

F) Tràs-os-Moutes: 

Alijó (objectos prehistoricos) : 25. 

AnciSes (igreja antiga) : 265. 

Bragan^a e Chaves (pontes, milliarios, castros, etc.) : 164-165. 

Donai — Bragan9a (anta) : 307. 

Lamalonga — Torre de D. Chama (milliarios) : 163. 

Mateus — Villa Real (antigualhas varias e sepalturas) : 199. 

Matens— Villa Real (lapide): 30. 

M0U9Ó8 — Villa Real (inscripQSo) : 29. 

Nogueira — Bragan9a (castro): 309. 

Rebord2o8 ~Bragan9a (castello, pelourinho e janela) : 309. 

Rio Torto— Valpa908 (moedas romanas coloniaes) : 23. 

Sacoias — Bragan9a (castro) : 257. 

Travanca — Chaves (ruinas) : 260. * 

Tres Minas — Villa Poaca de Aguiar (lapides romanas) : 26 e 31. 

Val-de-Telhas-r-Mirandella (ara a Juppiter): 242. 

Vereia de Jalles — Villa Pouca de Aguiar (lapide) : 80. 

G) India: 

Archiyos e museus : 32. 



ARA: 



Tres aras consagradas a I. 0. M. : 26, 27 e 30. 
Ara celtiberico-romana : 38. 

Ara dedicada a JOVI • OPTIMO • M • CONS • : 176. 
Ara dedicada a ARENTIAE ETARENTIO: 177. 
Ara consagrada a Juppiter : 242. 



ARCHEOLOGIA: 
A) Naeional: 

Prehistorloa : 



Objectos prehistoricos do concelbo de Alijó : 25. 
£sta9oe8 prehistoricas dos àrredores de Setubal: 

Viyendas dispersas : 206. 

Grutas sepulcraes da Quinta do Anjo: 210 e 320. 



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388 O Archeologo Portugués 

figura de Moncarapacho : 245. 

Cistaa de Sacoias : 266. 

Anta on mamòa de Donai : 307. 

Exploitatìon souterraìne da silex à Campolide: 338. 

Anta de Barrocalinho — Evora: 354. 

Vid. NumismcUiea, Figura, e especies occorrentes corno AsiUu, 
MachadoBf etc. 

Frotoliistorioa : 

Grenio Tiauranceaico: 43. 

Geographla protohistorica da Lasitania (8Ìtaa9ao conjectoral de 

Talabriga) : 129. 
O castro de Sacoias : 257. 

Vid. Epigraphia lusitano-romana, conio especies occorrentes 
Castro e Castello, e Rtgisto bibliographico das permutai: 250 
e 254. 

Lasitaao-romana : 

Lapides com inscrip9oe8 romanas do districto de Villa Real : 26. 

Ara celtiberìca da epoca romana : 36. 

Lapide romana de Ferreira do Alemtejo : 70. 

O theatro romano de Lisboa : 102. 

Dois milliarios ineditos: 162. 

Antigualhas de Mateus : 199. 

Ara consagrada a Juppiter i 242. 

Restos de villa, etc. : 352 e 354. 

Sepulturas com espolio : 367. 

Vid. Archeologia estrangeira, Numismatica, Ruinas e especies 
occorrentes, corno Sepulturas, etc. 

Vid. tambem Regista bibliographico cUis permutas : 256. 

Arabica : 

Vid. Numismatica, Geographia. 

Medieval : 

A matriz de Villa do Conde : 76. 
Igreja de AnciSes: 266. 
Ponte sobre o Ave: 281. 
Pontes medie vaes : 144. 

Vid. Sepulturas, Architectura, Castello, Epigraphia, Estrada, 

Monumentos, Onomatologia, Pelourinho, Bibliographia (247 

e 377). 

Portugnesa: 

Conto e mosteiro de Vairio: 281. 
Vid. Especies occorrentes. . 



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O Archeologo Portugués 389 



Indetermlnada: 

Sepaltaras de Alforada: 103. 

B) Estranyeira: ' 

Ezcava^Ses archeologicas em Numancia: 72 e 252. 
Fottilles en Egypte : 75. 

(Criptas fiinerarias artificiaes da Sardenha) : 128. 
Vid. ProUcgào à Archeologia. 

ABCHITECTUBA: 

Casa rural : 99. 

Portico do sec. xvii: 261. 

Ruinas de um tempio romanico: 266. 

Constrac9So monastica dos seca, zvi e xviii : 288. 

Janela antiga de RobordSos : 309. 

Mestre de pedraria, sec. xv: 362. 

Vid. Monumentos, Archeologia lusitano-romana, Buinaa, Begisto òi- 
bliographico da» permuta» e especies occorrentes corno Ca»tellOf 
Ponte, etc. 
Vid. tambem Iie»enha da» Noticia» archeologica»: 247 e 382, e Be- 
gi»to hibliographico da» permuta»: 249 e 251. 

ABCHIYO: 

Projecto de organizagSo dos archivos e museus da India: 32. 

Extracto do Archivo da Casa da Moeda : 60. 

Extracto de Mannscritos da Biblioteca Nacional : 66. 

Catalogo dos pergaminhos existentes no Archivo da Insigne e Real 

Collegiado de GaimarSes : 79 e 355. 
Os pergaminhos da Camara de Ponte de Lima: 178 e 244. 
Do Cabido da Sé de Coimbra: 283. 
Do Codselho de Guerra: 311. 
Da Sé de Braga: 313. 

ABTE NAYALt 

Restos de navios: 155. 

ABTE FOBTUeUESAx 

Vieira Lusitano : 63 e 69. 

Portugal e a Catalunha (Vasco Femandes, Jolo Paiva e Jorge Af- 

fonso): 95. 
Movimento artistico (Vieira Portuense, Gran Vasco) : 96. 
Vid. Archeologia medieval. Inventario. 

ABTE BELICIIOSAx 

Vid. Archivo (de GuimarSes), Inventario, Arehiteetura e Begi»to 
hibliographico da» permuta»: 256. 



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390 O Archeologo Portugtjés 

ASSO ATUBA: 

AfiBÌnar de cinz : 104. 

BIBLIOe&APUU: 

Sobre o artigo LefatUiper la 2.' guerra punica nella Spagna: 127. 
Sobre o livro de J. Déchelette : La Peinture CorpordU et le TaJtomagt: 

244. 
Sobre o Boletim da Sociedade Archeologica mSantos Rocham : 375. 
Registo bibliographico das permutas : 128, 249 e 383. 
Resenha das noticias A-cheologicas contidas em jornaes porttigaeses : 

245 e 380. 

BIBLIOLOGIA: 

Reproduc92o de um folheto do sec. xviii: 306 e 307. 

BIBLIOTHECAS: 

Da Universidade : 92. 
Da Ajuda: 94. 
Vid. Archivo. 

BI06BAPHIA: 

Novo additamento k notìcia necrologica do Dr.Teixeira de AragSor 

104. 
Julius Meili: 362. 
Monsenbor Pereira Botto : 365. 

BOTOES: 



Prebistoricos da Quinta do Anjo : 329 e 385. 
Vid. Rodela. 

BBASlO: 

De Agueda : 129 (nota). 

BBONZE: 

Figura de cavallo : 267. 
Anel: 268. 

Vid. Bibliographia, 

CAMAPHEU: 

Acbado em Condeixa : 177. 

CASA POBTUGUESA: 

Em Almo^geme : 99. 

Vid. Resenha dcu notidcu archeologiooi : 380. 



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O Archeologo Portugués 391 



CASTELLO: 



EmVereia de Jalles (Tràs-os-Montes) : 31. 

Castello de KebordSos: 309. 

castello de Braga em 1642: 310. 

Castello de Vermoiin : 280. 

Castello de S. GiSo: 143. 



CàSTBOS: 

Origem e explicagSo do termo : 138. 

Varioa da regiao de Entre-Vouga-e-Douro : 138. 

Varios da regiao de Bragan9a : 164 e 165. 

castro de Sacoias : 257. 

Castro do Boi : 285. 

Civitas Albarelios : 285. 

Castro de N. S.« da Cabe^a: 310. 

Vid. Castdh. 

Vid. tambem Resenha daa noticias archeologicas : 381. 

C4TÀL0G0: 

Vid. Archivo. 

CELTIBEBICO: 

Vid. Epigraphia lusitano-romana. 

CERAMICA: 

Portuguesa: 98. 

Antiga: 200. 

Prehistorica. (Vid. Setubal), 

Cerami^ca arretina e indigena : 268 ags* 

Ceramica de castro : 310. 

Das grutas da Quinta do Aujo: 328, 331 è 332. 

Vasinho romano : 367. 

CISTAS: 

£m Sacoias : 267. 

CIDADES ANTIGAS: 

Vid. Nomee, 



CORRE: 



Gaucho de cobre : 264. 
Sovela de cobre : 331 e 338. 
Vid. MinaSy Bibliograpkia. 



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392 O Archeoumk) Pobtugcéb 

COLLECClO: 

Collec^Òes monetariafl : 19 e 20. 

GOMCHA: 

Da Qaìnta do Aojo: 330. 

COKTÀt 

De pedra dq castro de Sacoias : 264. 
De e aliai te da Quinta do Anjo : 329. 
De conchas da Quinta do Anjo : 330. 
De ribelli te da menna origem : 331 e 333. 
De azeviche da mesma origem: 334. 
De marfim : 335. 
Vid. Olirò. 

DIPLOMATICA: 

Vid. Archivo, Inventario, ManuscrUai, AsHnatura. 

EHXÓ: 

Das gmtas da Quinta do Anjo: 327, 331, 332 e 337. 

EPI6BAPHIA: 

A) Lngltano-romana: 

Lapidea com inscrip9oe6 romanaa do districto de Villa-Beal : 26. 

Ara celtiberica da epoca romana : 38. 

Lapide romana de Ferreira do Alemtejo : 70. 

Duae inscrip^oes romanas na praia de Santa Cruz : 102. 

Referencià a urna inscrip^So do theatro romano em Lisboa: 103. 

Inscrip^des romanas de Castello Branco: 172. 

Pedra com inscrip9llo : 200. 

Estela sepulcral arcaica do Alto-Minho : 275. 

B) Medieval : 

Inscrip9ào deVairSo: 282. 

C) Portofiiesa: 

Na matriz de Sacoias : 261. 

Numas ruinas de AnciUes : 265 e 266. 

Inscrip^ào em versos latinos : 287. 

D) Indetermlnada: 

Em Mancinbata : 140 (nota). 



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O Archeologo Portugués 393 



EBBATAS: 



29 (elimine-se fig. 3.*); KXi^fidào e nSo talào; 199 (leia-se Matms por 
Bujòts) ; 276 (leia-se sào vulgares) ; 281 (leia-se aos da Saia e monu- 



Observafoes a-0 Archeologo Portugtiés: 243. 
Errata (nome errado) : 367. 

ESTBABA: . 

. Estrada real de Gaia a Coimbra : 133. 
Romana de Eminio a Calem : 131. 
Estradas monriscas : 147 e 149. 
ExpresBoes qae as designavam na idade media: 151. 
Romana de Chaves a Astorga : 162. 

ETHNOGBAPHIA: 

Liturgia de origem pagS : 39. 
Assinar de cruz : 104. 
Bolos do Alemtejo : 243. 

Vid. Archivo de (Guimaraes), Biographia, e especies occorrentes. 

Vid. tambem Bibliographia: 378 e 379. 

ETHNOLQGIA: 

ConsiderayÒes acérca dos Grovios : 49. 
Celtas eTurdulos: 51. 

fiTTMOLOGIAS: 

Cambra: 141 (nota). 
Longroiva: 142 (nota 1). 
Albergarla : 144. 
Mourisca: 150. 
Fundo da rua : 150. 
Aveiro: 154. 
Avelomar: 243. 
Sacoias: 258. 
Vairao: 284. 

EXTBACTOS: 

A) Dejornaes: 

De Heraldo (de Nova Goa) : 36. 

Do Diario de Noticias: 75, 94, 95, %, 98, 99, 100, 101, 102, 201. 

De U Antropologie: 76. 

Do/Sccm/o: lOOelOl. 

B) De arehlToss 

Vid. Archivos. 



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394 O Archeologo Portugués 

FàCàS de SILEX: 

Daa grutas da Qainta do Anjo : 326 e 331. 

FIGURiSt 

De pedra prehistorica : 245. 
De bronzo (cavallo) : 267. 
Em estela lusitaoo-romana : 275. 
Em ceramica prehistorica : 332. 
Duvidosa, de pedra : 354. 

6E06RÀPHIA: 

Arabica: 147. 
Protohistorica da Lasitania : 

Situa9fto de Langobriga: 142 (nota). 

Situando de Talabriga : 143. 

GEOLOGIA: 

Vid. A^oreamerUo. 

GRUTAS PREHISTORICAS: 

Vid. Palmella (antigaidades locaes). 

HISTORIA PATRU: 

Vid. MedalhUticaf Ardiivo, 
INDIA: 

Vid. Antiguidadts locete». 

INSCULTURAS: 

Còvinhas numa pedra : 271. 

INVENTARIO: 

inventario dos bens nacionaes : 92. 

LCNDA: 

Mooras encantadas : 209. 

De BÌnoB quo tocam sem ninguem os tanger : 259. 

LINGUA IBERICA: 

Vid. Epigraphia lusitano-romana. 

XACHADOS: 

De pedra: 177 (nota), 209, 271, 308 e 331. 

MAMOA: 

ChamadaTombeirinho: 307. 
Vid. Anta. 



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O Archeologo Portugués 395 



MANUSCBITOS: 



Os manascritos da Real Biblioteca da Ajuda: 94. 
Vid. Archivo, 



MAXIMàS: 



De Gaston Paris : 31. 
De A. Schnlten: 351. 
De Frey Amador Arraiz : 367. 



MEDALHISTICl: 



Medalha commemorativa da institui^ao da Academia Real da Historia 

Portuguesa: 52. 
Medalha de D. Carlos I, commemorativa da acclama9ao, para galardoar 

8ervi9aes: 159. 
Medalha commemorativa do casamento do Infante D. Jofto, depois 

D. Jp&o VI, com D. Cariota Joaquìna de Bourbon, e do da Infanta 

portuguesa D. Mariana Victoria com D. Gabriel de Hespanha: 289. 
Vid. Resenha das noticias archeologicas : 2-46. 



MILLURIO: 



Varios na estrada de Chaves a Astorga: 163 e 164-165. 
Milliarios na via de Coimbra ao Porto : 132. 
Na Correlha (Ponte do Lima) : 37. 



MINÀS: 



MÓ: 



Antigas de Entre-Vouga-e-Douro : 142. 

Vid. SJ* Maria de Machède (antiguidades locaes do Alemtejo). 

Pedra, comò caiza de rufo : 200. 
Pedra, corno queijo : 210. 
De castro de Sacoias: 261. 

MOSÀICO: 

Restos proximos a Evora : 852. 

MOLLUSCOS: 

Valvas d'elles : 210. 
Vid. Concha, 

MONUMEXTOS: 

Conselho dos Monumentos Nacionaes: 201. 
Lista do Sr. Ramalho Ortigào: 201. 

M08TEIR0: 

conto e mosteiro de VairSo: 281. 



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396 O Abcheouigo Poctt gué s 

XOCBOS: 

Eftradas moniisems : 149. 

MCSEUS: 

Ethiiol<^eo Portngnés: 

Existencias : 20, ^7, 29, 30, 31, 37, 70, 1<», 177. 199. 245, 251, 253. 
254, 275, 277, 375, 376, 377, 378, 383 e 3»4. 
e 277. 

Acqnìsi^òefl : 105, 217, 342 e 366. 

ChroDÌca: 125. 

PUdo smnmarìo: 1^. 
>UrtÌDfl Sanneoto: 26, 279 e 308. 
MoDieipal de Bragan^a : 263. 
Mnnìrìpal do Porto: 19 e 281. 
Numismatico da Biblioteca Naciooal: 20. 
Projecto de organizagio do6 archivos e miueas da India: 32. 

Vid. NumÌ9maiica e Arehtologia ettrangeira. 

IlTI08t 

Restofl soterradot: 145. 

I0ME8: 

A) De aatoret antlgM: 

Appiano: 73 e 157. 
Estrab2o: 51 e 152. 
. L. Ploro : 37. 
Plinio: 46 e Ida 
Poiybio: 73 
Ptolemeu: 46. 

B) De eldades antigas: 

Aeminium : 42, 130 e Bgs. 
Calagurrit Julia: 23. 
Calem: 131^ 
Castulonensis : 45. 
Celta Augusta: 24. 
Clun...:29. 
Clunia: 24. 

Langobriga: 42, 180 (nota), 131 e 158 (nota). 
Numancia: 72. 

Talabrigensifl (Talabriga) : 38, 41 e 129. 

Varias : (Conimbriga, Bracara, Olisippo, Pax Julia, Collippo, Eburo- 
britium, Vacca (?), Calambria (?) : 130 e sga. 
Vid. Begisto bibliograpkico daspermutas: 255. 



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O Archeologo Portugués 397 



C) De dlrlndades: 

Aratibrovlr. , . : 174. 

Arenciae: 177. 

Arencio: 177. 

Genio Ti^urap£eaico : 38. 

I. O. M.: 26, 27 e 30. 

Jovi O. M. Conservator : 176. 

Juppiter: 242. 

D) De pessoas! 

1. — Em insoripgdes Insitano-romanas : 

Albina: 29. 

Amanda: 27. 

Amoenae: 172. 

Ani? Avito: 29. 

Anniae: 30. 

Apanonis: 172. . 

Arqui : 38. 

Avitae: 29. 

Caenonis: 178. 

Caio: 102. 

Caio: 178. 

Caius Heius Primus : 103. 

Camala: 88. 

C. Coune . . . ancus : 29. 

Ciliae: 174. 

Cilius Boute(?): 172. 

Cl(audius): 178. 

CI. Severus: 178. 

Cominiae: 178. 

Comp. Arda: 276. 

Comp.Vaio(?): 276. 

Divoi (Div of?) ou Jonci: 175. 

Flavi Nerri: 174. 

Fortunata: 30. 

Fasci : 29. 

Julio: 102. 

Jul. Rufina: 176. 

L. Juli Destri : 27. 

Lubaeci, Luparci oa Jubaeci: 174. 

Lucano: 172. 

Maximae: 172. 

Montanus: 177. 

Paterni: 176. 

...ra: 176. 

...enai: 176. 



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398 ^ O Archeologo Poktugués 

Pento Comp. : 276. 

Prima: 27. 

Publias Aelìas Flacciniu: 243. 

Pullin(u8) : 27. 

Q. Junius: 70. 

QaiDto: 102. 

Rcbarrus: 30 e 31. 

Sabini: 177. 

Sunna: 172 e 174. 

Tangi...: 177. 

Valerio: 102. 

2.— Medievaes: 

Domitria: 283. 
Eoiilo (fem.) : 283. 
Gelvira Toirei : 285. 
Mapia Pallani(?) : 282. 
Pala: 284. 
Romario : 283. 
Valeriani : 284. 
Vereniundu: 282. 

Vid. Onomatologia. 

3. — De peraonagens hlstorioas: 

Decimo Janio Bruto: 157. 
Scipilo Emiliano : 72. 

E) De rios antl^sx 

Durius: 152. 
Muliadas: 152. 
Tagus : 152. 
Vacua: 152, 

F) De plntores portugueses: 05. 

Vid. Arte porta guesa. 

IfUCLEOS: 

Das grutas da Quinta do Ànjo: 827 e 331. 

SUMISMATICA: 

Materiaes para o estudo das moedas arabico-hispanicas em Portugal : 1. 
Numismatica e archeologia (moedas romanas coloniaes achadas em 

Tràs-os-Montes e Beira) : 23. 
Monetario Berlinés: 75. 



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Archeologo Portugués 399 

real preto : 164. 

Achados de moedas: 177, 199 e 367. 

Projecto de moeda de 20 réis para Angola: 195. 

Moeda inedita de 2 crazados de 1646 : 271. 

vintem de PhiUppus I, rei de Portagal: 817. 

Preaamivel precursor prehistorico da moeda : 330. 

Vendas sem moeda no sec. zv: 359 e 361. 

Vìd. Biographia, CoUec^ào e Besenha daa noticiaa archeologica» : 246. 

ONOMATOLOeiA: 

Onomastico medieval portugués: 111, 226 e 368. 

OSSOS: 

A) Hamanos: 

Dos arredores de*Setubal: 209. 
Do castro de Sacoias : 268. 
Da Quinta do Anjo: 330 e 336. 
Do tunel do Rodo: 339. 

B)Aiilmae8: 

Da Quinta do Anjo : 330 e 337. 
Alfinete de osso: 336. 



OUR08 



Prehistorico da Quinta do Anjo : 329. 
Placa de ouro da'mesma origem: 335. 



FEDRA: 



Utensilios de pedra prehistoricos cm Setubal e pérto de Bragan9a: 

207 sgs. e 308. 
Com figura gravada : 245. 

Objectos de pedra lascada das grutas da Quinta do Anjo : 326 e 331. 
Objectos de pedra polida das mesmas : 327 e 332. 
Insigniaa prehistoricas de pedra das mesmas : 327 e 332. 
Prehistorica em forma de telha: 331. 
Massettes et coinè en basalto : 340. 

Vid. Seixo e especics occorrentes, (^omo Fi gura, etc. 

PELOURINHO: 

De Rebordaos: 309. . ' 

Vid. Rtsenha das noticia» arcJieologicas contidas emjoniaeh portu- 
gueses: 245 sgs. e 380. 

PERCUTOR: 

Percutores de basalto : 340. 



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400 O Archeologo Pobtugués 

FERGàMINHOS: 

Vid. Archivo. 

PESOS: 

De barro : 199. 

Depedra:270. • 

PhTUBA: 

Almagra destinada à pintura das grutas da Quinta do Anjo : 336. 
Vid. Arte portuguesa. 

PLACA: 

Da Quinta do Anjo : 330, 331, 334 e 336. 

PUNTA9 DE SETA CU FLECHA: 

Das grutas da Quinta do Anjo : 326 e 332. . 

POSTE: 

Pontes romanas em Valle deTelhas, Arquinho, Fedra, Conde de AriSes, 

Bragan^a, Gimonde: 164-165. 
Ponte sobre o Ave: 281. 
Pontes medievaes : 144. 

PROTECgiO i ARCHEOLOGIA: 

Portaria relativa aos archivos da India e às minas de 6oa: 35. 
Protec9ào aos trabalhos da Academia Real de Historia : 54. 
Protec^ao dada pelos Governos, corpora9Òe8 officiaes e Institutos scien- 
tificos à Archeologia: 

26. £xcava95es archeologieas em Numancia : 72. 

27. Monetario Berlinés : 75. 

28. Fouilles en Égypte: 75. 

29. O exemplo de E. Piette : 204. 

30. A respeito do Norte de Africa: 205. 

31. La protection des monuments préhistoriques : 205. 

32. MissSo ethnographica na Oceania : 350. 
Vid. Castello (de Braga). 

QUESTIONARIO: 

A sorte dos questionarios archeologicos : 313. 

RELIGIOES: 

Vid. Epigraphia lìisitano-romana. 
RODELA: 

Prehistorica da Quinta do Anjo : 329. 



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O Archeologo Portugués 401 



BVINAS: 



Bomanas : 31, 207, 260, 310 e 352. 
De um subterraDeo : 200. 
Ruinas medievaes : 266. 



8EIX0: 



Seixos polìdos da Quinta do Anjo : 
Vid. Bibliographia: 377. 



SEPULTURàS: 



Vazia com tampa lapidar: 28. 

Um cemiterio: 100. 

Sepulturas na Praia das Ma9S8 : 100 e 101. 

Descobrìmento de seis sepulturas medievaes e ossadas: 101. 

Sepulcros romanos: 102. 

Sepulturas de Alforada (Regueugos) : 103. 

Sepulturas de tijolos: 200. 

Sepulturas cu carneiros trapezoidaes : 267. 

Sepulturas rupestres: 267. Vid. Bibliographia: 378. 

Sepultura de pedra e tijolo : 352. 

Sepulturas e sarcophago : 354. 

Sepultura romana : 367. 

Vid. Grata» prehistorioas, 

SILEX: 

Ezploitation souterraine du silex à Campolide, auz temp8 néolithi- 
ques : 338. 
Vid. Foca, etc. 

8UASTIKA: ^ 

Na igreja de Sacoias: 262. 

TEGUL4: 

Com marca: 172 e 175. ^ 
De castros : 270 e 310. 
Vid. Buinaè. 

TIJOLOS: 

Apparecimento de tijolos : 200. 

TOPONIMIA: 

Villa£ de origem romana : 207. 

Vid. Begiito btbUographico da» permutas, 

TORRE: 

Vestigios em Cacia: 145. 

ss 



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INDICE DOS ATJTOEES 



A. A. PortesSo: 

Onomastico medieval portugués : 111, 226 e 868. 

A. I. Marqaet da Costa: 

Esta^Oes prehistoricas dos arredores de Setubal : 206 e 320. 

Albino Pereira Lopo: 

DoÌ8 miliarios iaeditos : 162. 
Antigualhas trasmontanas : 807. 

Al?aro de Aseredo: 

Besenha das noticias archeologicas contidas em jornaes portngueses : 245 
• e 880. 

Arthur Lamas: 

Medalha commemorativa da institaÌ9So da Academia Real da Historìa Por- 
tugnesa: 52. 

Medalha de D. Carlos I, commemorativa da acclama9So, para galardoar ser- 
vi9ae8: 159. 

Medalha commemorativa do casamento do Infante D. JoSo, depois D. JoSoVI, 
com D. Cariota Joaquina de Bourbon, e do da Infanta portagaesa D. Ma- 
riana Victoria com D. Gabriel de Hespanha: 289. 
' Noticia archeologica: 852. 

Necrologia (Julius Meili) : 862. 

Felly Alves Pereira: 

Ara celtiberica da epoca romana: 86. 

A matris de Villa do Conde : 76. 

Sepulturas de Alforada: 108. 

Begisto bibliographico das permutas : 128, 249 e 888. 

Gleographia protohistorica da Lusitania (Situa^fto conjectural deTalabrìga) ' 

129. 
Protec^ilo à archeologia: 204. 



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404 O Archeologo Portugués 

A sorte dos qaestioDarìofl archeologicos : 313. 
Monsenhor J. M. Pereira Botto : 865. 
Bibliographia: 375. 

Ferreira Bra^a: 

Namismatica Portaguesa (O real proto) : 164. 

Ferrelra (Monsenhor) s 

coato e Mosteiro deVairSo: 281. 

Francisco Manoel AItcs : 

Castro de Sacoias : 257. 

F. Tavarea de Proen^: 

Inscrip^Òes romanas de Castello Branco: 172. 

Heniiqae Botelho: 

Namismatica e Archeologia: 23. 
Antignalhas de Matheus : 199. 

J. e. de OUielra Gnlmarlea (Abb.«): 

Catalogo dos pergaminhos existentes no archivo da Insigne e Beai Colle- 
giada de Guimarftes : 79 e 355. 

José Lette de Taaconcellos (Dr.)s 

Lapide romana de Ferreira do Alemtejo : 70. 

Àssinar de cruz : 104. 

Novo additamento à noticia necrologica do Dr. Teizeira de AragSo : 104. 

Chronica (Plano summario do Museu Etimologico Portngués) : 125. 

Bibliographia: 127 e 244. 

Conselho dos Monamentos Nacionaes : 201. 

Ara consagrada a Juppiter: 242. 

Observa9Òes a- Archeologo Portuguè» (I) : 243. 

Estela sepulcral arcaica do Alto Minho : 275. 

Sepultara romana: 367. 

M. F. deTargaa: 

Materiaes para o estudo das moedas arabico-hispanicas em Portngal : 1. 

M. J. da Conha Brito: 

Os pergaminhos da Camara de Ponte de Lima: 178. 
Obserya9oes a-0 Archeologo Portuguè» (II) : 244. 



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O Archeologo Portugués 405 



Manoel Joaqalm de Campos: 

AcquÌ8Ì9de8 do Museo Ethnologico Portugués: 105, 217 e 342. 
Projecto de moeda de 20 réis para Angola: 195. 
Moeda inedita de 2 cruzados de 1646 : 271. 
vintem de Philippus I, rei de Portugal: 317. 

% 

Paal ChoffiAt: 

Exploitation souterraine du silex à Campolide, aux temps néolithiques : 338. 

Fedro A. de Azeredo: 

Projecto de organizacao dos archivos e museus da India : 32. 
Miscellanea (I. Noticias varias) : 92. 
O Castello de Braga em 1642: 310. 

Protec9ao dada pelos Govemos, corpora9des officiaes e institutos scientificos 
à Archeologia; 356. 



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INDICE DAS GRAVURAS E ESTAMPAS 



PaleoetlmolofiT^a, 

Objectos de pedra polida (gravura a tra9o) : 25. 

Enxó prehistorica (gravura a tra9o) : 26. 

Utensilio de pedra polida (gravura a tra9o) : 26. 

Uteneilio de rocha amphibolica (photogravura) : 207. 

Instrumento espatuliforme (photogravura) : 209. 

1.' Gruta da Quinta do Anjo (duas lithographias) : 216 e 217. 

1.' Gruta da Quinta do Aigo photogravura) : 216 e 217. 

2.' Gruta da Quinta do Anjo (duas lithographias a 2 còres) : 216 e 217. 

3.' Gruta da Quinta do Ai^o (duas lithographias a 2 córes) : 216 e 217. 

Pedra gravada de Moncarapacho (2 gravuras) : 245. 

Anel de bronzo (zincogravura) : 268. 

Machadinho de fibrolite (zincogravura) : 269. 

Estrias de um machado de pedra (zincogravura) : 270. 

Mamoa de Donai (photogravura) : 807. 

I. 4.« gruta da Quinta do Anjo (ciuco lithographias) : 338 e 339. 
IL Estampa com a photogravura de 15 objectos da 1.* gruta da Quinta do 

Anjo: 338 e 339. 
III. Estampa com 4 photogravuras representativas de outros tantos objectos 

da l.« gruta da Quinta do Anjo: 338 e 339.' 
lY. Estampa com a photogravura de 12 objectos da mesma gruta: 338 e 339. 
y. Adomos da mesma gruta (duas photogravuras) : 338 e 339. 
VI. Estampa com 11 lithographias respeitantes à mesma gruta: 338 e 339. 
VII. Estampa com 8 photogravuras de objectos, 1.* e 2.* gruta: 338 e 339. 
Vili. Estampa com 8 figuras de photogravura relati vas à 1.', 2.' e 3.* grutas: 
338 e 339. 
IX. Estampa com 16 figuras de photogravura relativas à 3." gruta: 338 e 339. 
X. Estampa com 15 figuras de photogravura relativas à 3.* gruta: 338 e 339. 
XI. Estampa com 8 figuras de photogravura relativas à 3.* gruta: 338 e 339. 
XII. Estampa com 3 figuras de photogravura relativas à 3.* gruta: 338 e 339. 
XIII. Estampa com 1 photogravura relativa à 3." gruta: 338 e 339. 
Xiy . Estampa com 1 photogravura de adomos encontrados na 3.* gruta : 338 e 339. 
XV. Estampa com 2 photogravuras de adomos encontrados da 3." grata: 338 

e 839. 
XVI. Estampa com 7 figuras de photogravura relativas à 3." grata: 338 e 339. 
I. Photogravura da galeria de extrac93o do silez no sitio da Rabicha (Cam- 
polide):342e343. 



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408 O Archeologo Portcgués 

II. Photogravura da mesma galeria: 342 e 343. 

III. 2 photogravuras de um percator de basalto : 342 e 343. 

IV. Esfera de quartzite da supradita galeria: 342 e 343. 
Anta de Barrocalinho : 352. 

Anta do Conde : 3d3. 

A-irolieolog^ia. pirotofatetoirlea, 

Typos de lou^a do castro de Sacoias (zincogravara e photogravura) : 269. 
Alfinete ou fusilhHo metallico (chromo-lithographia) : 270. 
Cavallinho metallico (chromo-lithographia) : 270 e 271. 
Castello de Rebordàos (photogravura) : 308. 
Castro de N.» Sr.* da Cabe^a (photogravura) : 310. 

Airelieologr^a. romana, 

Lapide funeraria (photogravura) : 28. 

Lapide funeraria (photogravura) : 28. 

Ara de I. 0. M. (photogravura) : 30. 

Ara celtiberica da epoca romana : Tiauranceaicus (photogravura) : 37. 

Cippo funerario da mesma epoca (photogravura) : 71. 

Dois marcos milliarios da via de Chavcs a Astorga (gravura) : 163. 

Ara votiva da Beira Balza (zincogravura) : 177. 

Lou^a do typo arretino (seis zincogravurae) : 268. 

Tejolo omamentado (urna zincogravura) : 269. 

Estela de Paderne (zincogravura) : 277. 

Lapidea de Saia (urna gravura) : 280. 

Fedra gravada de um antUtts: 367. 

A-i-clieolog^a medieval 

Inscrip^ao de VairSo (photogravura) : 288 e 289. 

A.i-eliitectu]ra 

Portico da igreja matriz de Villa do Conde (photogravura) : 78. 

Arco do còro da mesma igreja (photogravura) : 79. • 

Casa antiga em Almo9ageme (zincogravura) : 99. 

Ornato de urna estela trasmontana: 251. 

Ornato de uma estela trasmontana: 252. 

Frontispicio da igreja de Sacoias : 261. 

Coro do convento de Vairfio (photogravura) : 288 e 289. 

Portai do convento de VairSo (photogravura) : 288 e 289. 

Pelourinho de Rebordlos (photogravura) : 308. 

Janela antiga de Rebordàos (photogravura) : 309. 

Bibliologia 

Facsimile de um opusculo (zincogravura) : 306 e 307. 



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O Archeologo Portugués 409 

Diplomatioa. 

TreB fac-simìles de assinaturas de cruz (zincogravura) : 104. 

IMCeclallii stie a 

Medalha da funda^SLo da Academia Real de Hietoria (photogravura) : 68 e 69. 

Medalha de Vespasiano, completa e modificada (phptogravura) : 68 e 69. 

Projecto medalhistico deVieira Lusitano (photogravura): 68 e 69. 

Quadro com composi^des de Vieira Lusitano (photogravura) : 68 e 69. 

Outro projecto medalhistico de Vieira Lusitano (photogravura) : 68 e 69. 

Outro projecto medalhistico de Vieira Lusitano (photogravura) : 68 e 69. 

Outro projecto medalhistico de Vieira Lusitano (photogravura) : 68 e 69. 

Medalha de D. Carlos I: 162 e 163. . 

Modelo reduzido do diploma respectivo a està medalha : 162 e 163. 

Medalha do casamento de D. Joao VI (2 photogravuras) : 306 e 307. 

Quadro com o an verso e re verso da mesma medalha (1 photogravura) : 306 e 307- 

Beai preto de D. Joào I (zincogravura) : 165. 
Real preto de D. Duarte (zincogravura) : 166. 
Real branco de D. Duarte (zincogravura) : 167. 
Real preto de D. Duarte (zincogravura) : 167. 
Real preto de D. Duarte (zincogravura): 167. 
Real preto de D. Affonso V (zincogravura) : 167. 
Real branco de D. Joào I (zincogravura) : 171. 
Moeda de vintem para Angola (zincogravura) : 195. 
Cruzado de D. Joào IV (duas zincogravuras) : 272. 
Vintem de Filipe I (zincogravura) : 317. 
Vintem de D. Henrique (zincogravura) : 319. 

Topos'i-a.pllia 

Area geographica dos topicos Grov . . . (zincogravura) : 50. 

Mappa das inscrip^òes ibericas (zincogravura) : 51. 

Carta da regiào de Entre Mondego e Douro (lithographia) : 158 e 159. 

Carta indicativa do trajecto da via romana de Chaves a Astorga (lithographia 

a 2 córes) : 164 e 165. 
Esbo^o do terreno das grutas da quinta do Anjo (zincogravura): 211. 
Esbo90 da carta dos arredores de Setubai (lithographia) : 216. 



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LISTA 

PESSOAS BENEMERITAS 

DO 

MUSEU ETHNOLOGICO P0ETU6UÈS 
1907 



1.— Pegsoas qne offereoeram objectos gratuitamente 

Henrique Botelho : 25, 27, 28, 80, 31 e 199. 

Conde de Villa Beai: 30. 

José Fiaza da Bocha (P.«) : 36. 

Yisconde de Ferreira do Alemtejo : 70, 222 e 224. 

Fedro Ferreira: 105, 106, 224, 344 e 845. 

D. Maria Gnilhermina de Jesus : 105 e 106. 

Fedro de Azevedo: 105, 218 e 344. 

J. Gaaldino Pires: 105. 

Francisco Simoes: 105. 

Dionisio Augusto : 105. 

Manoel Soares da Silva : 105. 

Mario Abreu Marques: 105, 108 e 346. 

Manoel Femandes Junior : 105. 

Antonio Thomas Pires: 106 e 107. 

Artur Lamas (Dr.) : 106. ' 

José Benedite Almeida Pessanha : 106 e 242. 

Antonio Pereira de Sousa (Dr.): 106. 

José Augusto Coelho Fior: 106. 

Joaquim Correia Baptista : 106 e 110. 

Fernando de Assis Pacheco : 106. 

Antonio Bernardo da Costa: 106. 

Manoel Mateus (Dr.) : 106. 

Harris: 106. 

Cesar Pires: 106 e 224. 

Manoel F. de Vargas (Conselheiro) : 106. 

Tito de Noronha: 106. 

Alberto Colla9o: 106 e 342. 



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412 O Archeologo Poetugués 

LeSo de Meyrelles: 107. 

Christovam Brochado : 107. 

DomingOB de Mendonga e Silva : 107. 

José Julio de Mascarenhas : 108. 

José Francisco Villana : 108. 

José Paulo: 108. 

Jaime Leite de Vasconcellos Pereira de Mello: 108 e 345s. 

José Serafim dos Reis : 108. ^ 

Antonio Maria G-arcia: 108. 

Augusto José da Cunha (Conselheiro) : 108. 

Adelino Bahia: 108. 

Francisco Maximiano Preire : 108, 

Joaquim Antonio Rosado : 108. 

Sousa Viterbo (Dr.) : 108. 

Felix Alves Pereira : 110. 

Max Verwom ; .110. 

Miguel Gomes: 110. 

Leal (P.«) : 110. 

Tiago Floriano : 110. 

Joaquim Nunes da Cunha : 110. 

Marques da Costa (Capitao) : 110. 

Affonso Nunes Branco: 217. 

Antonio José de Sousa Ribeiro : 218. 

Herculano Finto: 218. 

Guilherme Clodomiro Gameiro : 218 e 224. 

José de Almeida Carvalhaesj: 218 e 344. 

Francisco Cordovil Barahona: 218. 

Joaquim dos Santos Coelho : 218. 

Direc9So Geral de Obras Publicas e Minas : 220. 

José Augusto Tavares: 220, 221 e 344. 

Simào Monteiro Levy : 220. 

Filipe Celorico Drago : 220. 

Manoel Joaquim de Campos: 220, 226 e 342. 

Antonio Augusto de Aragao : 221. 

Arthur de Sousa Raul : 221. 

Antonio José de Sousa Ribeiro : 222. 

José Saraiva de Miranda (P.«) : 222 e 226. 

José Alves Pereira: 222. 

Junta de Parochia da Gemieira (Ponte do Lima) : 222. 

Junta de Parochia de Cendufe (Valdevéz) : 222. 

JoRoTeixeira de QueirozVaz Guedes (Dr.): 222. 

Alvaro de Lemos : 222. 

J. Villas (antiquario) : 222. 

Conde de Leiria: 224. 

Alexandre Cabrai Paes do Amarai : 224. 

Manoel Domingues de Sousa Maia (P.*) : 224. 

D. José Pessanha: 224. 

Antonio Lamas: 225. 

J. Joaquim Nunes: 226. 



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O Archeologo Portugués 413 

■ ■ ■■ r • • • • 

Pio Rosado : 226. 

JulioMardel: 226. 

Mesa da Misericordia de Obidos : 342. 

José de AscensSo Valdez : 342. 

Castro Almeida (Dr.) : 343. 

Rocha Peixoto: 344. 

AfFònso Branco : 344. 

Alfredo Bensaude : 344. 

Joaqnim da Silveira (Dr.) : 344. 

Direc9lo do Caminho de Ferro do Sul : 345. 

JoSo da Gama Lobo Pimentel (Dr.) : 345. 

José YeUadas da Silveira Bello : 345. 

JoSoYictorino da Silva Carvalho: 345. 

Antonio Pereira da Nobrega : 346. 

D. BemardaVelladas: 346. 

Joaquim Diogo Monte : d46. 

José RomSo Caeiro : 346. 

Manoel Esteves (P.") : 346. 

Antonio José de Pinho Junior (Dr.) : 346. 

D.Vicente Paredes y Guillen: 346. 

Affonso Nnnes Branco: 346. 

2.— Pessoas qne interfteram em offereoimentos on aeqnifti^Oes 

Manoel José da Cunha Brito (P.*) : 37. 

Jaime Leite de Vasconcellos Pereira de Mello : 105 e 107. 

Celestino Be^a: 242. 

Antonio José de Pinho Junior (Dr.): 275. 

JVandsco Maria Botto (Commendador) : 343. 

Artur Mendee : 345. 



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EXPEDIENTE 

O Archeologo Portugues publicar-se-ha mensalmente. Cada nùmero 
sera sempre ou quasi sempre illustrado, e nSo conterà menos de 16 
paginas in~8.^, podendo, quando a affluencia dos assumptos o exigìr, 
conter 32 paginas, sem que por isso o preyo augmente. 

PREQO DA ASSIGNATURA 

(Pagaménto adeantado) 

Anno 1^500 réis. 

Semestre 750 » 

Numero avulso IGO » 

Estabelecendo este modico preyo, julgamos facilitar a propaganda 
das sciencias archeologicas entro nós. 



Toda a correspondencia h cerca da parte litteraria d'està revista 
deverà ser dirigida a J. Leito de Vasconoellos, para a Biblio- 
TiiECA Nacional de Lisboa. 

Toda a correspondencia respectiva a compras e assignaturas 
deverà, acompanhada da importancia em carta registada ou em vales 
de correio, ser dirigida a Manoel Joaquim de Campos, Musei' 
Ethnologico, Belem (Lisboa), sède da administraQao. 



À venda nas prìncipaes livrarias de Lisboa, Porto e Coimbra» 



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Are 1 - 1933 



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