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ARCHEOLOGO
PORTUGUÉS
ARCHEOLOGO
COLLECfiO ILLDSTRADA DE I&TERIAES E NOTfCIiS
FUBLICADA PELO
MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUES
REDKCTOR — i. Leite de Vasconceuos
"VOL. ix:
=3
53
Si
Veterum volvens monumenta vtrorum
LISBOA
IMPRENSA NACIOXAL
1904
THE NEW YORK
PUBUC LIBRARY
652708 A
ASTOH, LENOi aSd
TUJ>£M FOUNDATIOKS
A 1033 L
VOL. IX
JANEIRO E FEVEREIRO DE 1904 N/' 1 E 2
ARCHEOLOGO
COLLECQiO ILLUSTRADA DE MATERIAES E NOTICIAS
PUBLICAUA PELO
MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÉS
Veterum volvens monumenta virorum
LISBOA
IHPKENSA NACIONAL
1904
aiD-ls/Ll^J^-RTO
FlUULAS K FIVEI.AS: 1.
A CAVA DE VlRIATO ili.
Preciosidades archeologicas: 1G.
as lapides do museu archeologico de diu: 23.
Onomastico medieval ih)rtugués : 25.
Medaliia commemorativa do Congresso de Numismatica: 41.
BlULIOGRAPHIA: 43.
Este fasoiciilo vae illiistrado com 22 estampan.
ARCHEOLOGO P0RTU6UÉ8
C0LLEG(10 ILLOSTRADA DS MATERIAES S lOTICIAS
PUBLICADA PmLO
MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS
IX ANNO JANEIRO E FEVEREIRO DE 1904 N.- 1 E 2
Flbiilas e flvelas
I
Fibula romana
Mogadouro
O zeloso Director do Museu Ethnologico Portugués faciIitou*nos
— com penhorante gentileza — o estudo, num desenho, da fibula de
prata representada sob dois aspectoa na gravura junta, fig. A, O ori-
ginai, que nfto vi, està frchivado naquelle estabelecimento educativo;
e bem pode dizer-se acquisiglio de muito inte-
resse e valìa^ Nào porque revele um typo
locai, inedito, ou documente urna influencia ci*
vilizadora que nSo se houvesse ainda assìna-
lado por outros caracteristicos ; menos porque ^M ^
tenha particular destaque na serie conhecida,
por accidentes decorativos de notavel origina-
lidade, ou date com precis2o rigorosa um esta-
dio da cultura de que procede: mas porque é tng.A^Doeoneoiiio
prìmeiro modelo do Norte que se collige deMogadouro
mannfacturado em um metal nobre, e ainda porque affine a confirmar
facto jà vislumbrado de que a regilo transmontana foi em tempos
antepassadoa o centro de uma populas2o magnificente, com manifesta
predilecgSo pelos enfeites artisticos e caros.
* [Este objecto foi generosamente enviado para o Museu pelo Sr. Capitfto
Celestino Be^a, eollaborador d-0 Archeologo Portugués, e a quem o Mnsen deve
tambem a posse de outtos importai} tes monomentos archeologicos.nJ, L, de F.].
1
2 O Archeologo Pobtugués
Sobrio na omamenta^So que se restringe ao arco e ao^^;o bello
espeoime exfaìbe no entanto pureza de linhas e acoentuado cnnho de
elegancia; nao iìcaria mal pregado na palla de matrona n^mana em
villegiatura pela provìncia ou na acyum de algum eallaico rico, ji ro-
manizado, mesmo no paUudanìetUum de legionario em servilo. Se Ibe
faliecem, a opulentar-lbe os contomos, as filigranas e granula^Ses, o
esmalte e a inerosta^&o, as* pedrarias, os piagenies, o ambar, o eorai,
o marfim, o osso, as contas variegadas, os diversos elementos oma-
mentacs, emiìm, que 4 fantasia punba ao servilo da vaidade,-^-o as-
pecto gracil e de teveza accasa boa escola e a florescencia da arte
italica.
Pela inspecgflo dos desenhos — perfil e projeo^So orthogonal do ve-
Iho alfinete de seguran^a — apuram-se-Ihe facilmente os componentes
architectonicos, a que em rigor so falta ofusUhào ou alfinete^ perdido
accidentalmente, desfeito acaso pelas pemiciosas eondigSes geologicas
e climatericas da regiào da jazida, comò é frequente acontecer por se-
rem estas pe^as construidas ordinariamente de bronze on de ferro,
mesmo nos exemplares de euro e de prata. A destruÌ9ilo pareial da/6-
mea da chameira nSo difficulta de resto a reconstituÌ9&o geral dò ins-
trumento. A Hnha e a sechilo triangular do arco incluem-no em o grupo
densissimo das fibulas ad arco semplice, eom o pé curto finali zando
èm botSo terminal, conico, de mero enfeite; e a ca6ega que sustenta
a chameira do fusilhào desapparecido. Pendente do pé o descanso, em
longa e estreita lamina recurvada no extremo inferior, a offerecer à
ponta aguda do alfinete urna goteira perservativa e retentora. Apenas
em complemento ornamentai, na linha media do arco — um cordSo gra-
vado, a accentuar a aresta dos dois planos do extradorso; e perpendi-
cularmente outro, jà proximo da cabe^a da fibula.
Os componentes dominantes caraoterizam, pois, decisivos um pro-
dticto puro de joalbarìa romana, sem indicio de degenera9&o. Facil é
encontrar nos trabalhos de colleccionagllo similes com que se irmane
o exemplar descripto *. '
Nào é para aqui averiguar-lhe a ascendencia controversa; a da fa-
milia numerosa, em que pelo seu caracter geral se filia, tem sido at->
trìbuida &s fibulas da l^ène, mesmo. és de Certosa. Caberìa antes de*
terminar-lhe a chronologia; mas essa, à mingua de accidentes bem
especificos, so pode indicar-se com ampia latitude, referindo-a à do
* O. Mont^ittSf La dvUisaiionr pnmiHìJe en Italie étpuiè rintrgduétion dee me-*
iaux, 1« partie, Stockkobn, 1895, pi. xiu, fig. 1^, 193, 184 «185.
O Archeoloqo Pobtugués 3
perìodo subseqnente k conquista romana. Maior precisSo deverìa talvez
dimanar do estudo daa condi^Ses de jazìda, ìnfelizmente desconhed-
das, e poderi decorrer do aspecto dos objectos de prata encontrados
no mesmo deposito archeologico, segiindo o informe do Dr. Leite de
•VasconceUos.
Entretanto a mais approximada determinarlo cbronologica do typo
nào terìa interesse privativo para nós: o exemplar nUo é indigena, foi
manifestamente importado, entra na serie de adornos mnltiplices, com
que os'dominadores tentavam nos èmparia a cubifa ingenua dos habi-
tantes das dmdadea,
II
A antica flrela eirenlar do Norie
A nota presente abrange apenas a fivela dos castros e das estajSes
archeologicas do Norte, romanas ou simplesmente romanizadas, na
fórma mais vulgar figurada nas subsequentes gravuras illustrativas do
tezto. Ezcluo por agora do estudo outros typos do mesmo instrumento,
menos communs e mais artisticos, comò o do castro de Argozelo, ar-
chivado no miisen de Braganra ^, e o da Pedruiha, guardado no museu
monicipal da Figueira da Foz *.
Na indagarlo da tipologia das iìbulas castrejas depara- se-nos ìn-
defectìvélmente o problema previo da classificafSo do modesto arte-
facto, É quepor vezes a litteratura scientifica incluiu-o no grupo inte-
ressantissimo dos alfinetes de seguranga^ identificando as duas series e
conferìndo-lhes indistintamente a qualidade representatìva de meros
qiisodìos morphologicos de nm architypo. Na attribni^So manifesta de
prestimo igual, designou-as com o mesmo nome — JibtUaSj especializando
as fivelas com o qualificativo de — anntdares, por attengSo ao desenho
de urna das peQas organicas'. Antes de tudo parece que a estes ins-
trumentos nào sé adapta bem a classificagEo.
E realinente com a JSmla annidar que a fivela archaica dos nos-
sos castros tem alguma affinidade formai; mas o confronto detido dos
exemplares de cada uma das especies aparta-as estructuralmente, apu<
1 O Archeologo Portuguès, t. ir, «Museu Muuicipal de Bragan9a» por A. Lopo,
pag. 97, fig. 7.
2 Portvgalioj t ì, «fista^ào luBo-romana da Pedmlha», por A. Santos Ro-
dia, pag. 695, fig. 4.»
\ £. Cartailhac, Agtè PrAiHoriqtutà de PEspagne et da Poriugal, Paris, pag.
277 e sqq. Cfr. Cornee rendu da Congrès inteniational d'anthropologie et archéo-'
logie préhistorique, Lisbonne, 1884, pag. 657 e sqq., pi. xl, fig. 8.*
O Abgheoloqo PosTuonÉs
rando poucos aspectos communs e esses sem importancia decisiva*
(Fig. 1.^ e 2.^). So conhe$o por emqiianto do Norte de Portugal nm mo-
delo da primeira, que é relativamente frequente no resto da peninsula
corno decorre de trabalhos litterarìos que a assinalam, e do exame
do grupo valioso de fibulas que exbibe o museu de Madrid ^ Recor-
rendo a unìa bem conhecida' para termo de eompara9llo, vè-se que
dos seus elementos constitucionaes (fig. 1/) a fivela nlU) tem o arco se-
micircular e, nem a goteira d para descanso do alfinete a; e que, iL
parte a communidade de um aro &, a divergència é fundamental.
Quando no estudo das fibulas se consideram, para o effeito da clas-
sificagSo, pormenores de apparencia bem secundaria corno a fórma e
sec$3o do arco, a natureza e a modalidade da sua ornamentarlo, o com-
primento do pé e os correlativos appendices decorativos, o numero das
Fig. 1/ — FlbnU imnnllar hispaaic^ Fig. 9.* ~ Flvola de SabroM
espiras da mola e outras similares minucias que determinam agntpa-
mentos typologicos, definem procedencias e precisam epocas; nao é de-
certo licito menosprezar um trecho architectonico, nitidamente differen-
cial, e estatuir a equipararlo intima unicamente pela eonformidade
eschematica de um orglo.
Mas seri realmente a fivela castreja uma fibula, de feiylo locai?
A technologia classica agrupou, é certo, num geral appellativo scien-
tifico as fivelas, os alfinetes de seguran$a, os broches multiformes
e diversos instrumentos archaicos, que prestavam servifos generica-
mente parallelos e tinham o fusilhlo comò elemento impreterivel do
1 Juan Eubio de la Berna, Notida de una necrópolis anteromanay Madrid, la-
mina X, ^g. 8.*; G. Bonsor, Les coUmies agricoUs pré-romainei de la vallèe du Bétisy
Paris, 1899^ pag. 82, fig. 9.* ; A. Engel, Nouvdles et correipondances, Paris, 1896,
pag. 21 ; Hewse Archéologiquey 4* sèrie, tom. ii, pag. 414.
2 G. Bonsor, ob, cit
O Abcheologo Portugués
seu organismo: abrangeu-os a todos sob o termo de jSmla onjStla^»
Mas, corno na amplissima latitnde do vocabnlo iam sab-grupos cara-
cteristicos e bem distinctos — mn d'elles muito denso e salientemente in-
teressante, comegon modernamente a applicar-se a este em especial o
nome generico. Por isso a fivela vnlgar, estranha na verdade à serie
assim appelidada em accep$So restricta, passou a ter, no conceito de
muitos archeologos, localizagSo privativa com rotalo espeeial. S. Rei-
nacb', V. Gross^, e mais antiquarios de n*o menor autoridade scien-
tifica, procederam nessa conformidade, apartando as daas classes de
objectos em trabalhos de muito saber. E no museu madrileno, onde o
abimdante material exposto na secgào dos alfinetes de segaran^a nSo
tem por emquanto discriminagSo rigorosa, tambem as separaram, acaso
sob a mesma orientagSo scientifica^.
FlvoU de Sabraso rig. 4." — Fivoln do Briteirot Fig. 5." — Cabotai de ftullhAo
Na realidade a fibula, no sentido limitado em que é boje tomada
usualmente a palavra, distancia-se, debaixo de multiplos aspectos, da
fivela castreja, cuja construcgSLo comporta apenas duas pegas fanda-
mentaes — o aro roligo, raro parallelogrammico, frequentemente de
espessura variavel dentro do raesmo especime, liso, ora fechado, ora
interrompendo-se num ponto da circumferencia em solngSo breve de con-'
tinuidade; e ofusUhSo em geral rombo e espesso, atravessando diame-
tralmente aro e abra$ando-o por um lado com um anel ou com es-
pira singola, que Ihe nlU> tolhem mobilidade ampia (fig. 2.* a 5.% 8.*
e 9.»).
^ Daremberg et Saglio, Dkiionnaire dea antiqtdtés grecques et romaine^, Paris,
1896, t. II, «. V. «fibula», por S. Reinach.
^ In cit. Dictionnaire.
3 La Tèwe, Paris, 1886.
* Sala IV, mostrador A.
O Archeologo Pobtuoués
Outra feif So e maior complexidàde de elementos tem a fibula oor-
mal: — arco geralmente semicirciilar, diversamente oraamentado^ de
secgSes multìplas e apparencias varìabilissimas; JwUhào quasi sempre
aciculado e de movimento mais restricto; descanso em goteira, em
disco ou lamina, pe9a de considerammo comò uma das basilares para
determinar a chronologia. e provenienoia do instrnmento; pé jk carto,
ja alongado, segurando o deseanso, e por vezes eom appendices de
adorno definindo eivilizafSes ; e cabega, emfim, de variado desenho, li-
gando-se ao fusìlhfto mediante chameira ou espiraes uni- e biiateraes.
A fiyela nfto nos impressiona comò objecto de enfeite pessoal, que
é a faceta predominante do archaico alfinete de segaranQa. As dos caa-
tros caracterizam-se até na pluralidade dos casos pela pbysionomia pe*
sada e grosseira e pela extrema modestia ornamentai. Semdeaconbecer
que as nossas fibulas tambem nSo se notabilizam ordinariamente pela
Flg. 6.* — Ornamentalo dot aron Flg. 7.* ~ Ornamenta^So
' a e ft (Sabroto) e ed (Brltelros) do aro (Britein>a)
exuberancia das decora^Ses — tio frequentes e n&o raro apparatosas
nos similes exoticos — inferìorizando-se até em confronto num gran
oonsideravel, ha todavia que reconhecer nas fivelas maior indigencia
de adornos. Os omatos, quando ezistem, localizam-se de preferencia
nos pontos de interrup9ào do aro ^ As duas extretnidades livres hem
sempre se exhibem nuas e sìngelas (fig. 2.^ e 6/ a)f&s vezes apre*
sentam sulcos pirculares, paralleios, e botSes.terminaes, semi-espheri-
cos (fig. 6.*, 6, e e d); uma ou ambas encurvam-se para fora em gan-
- ^ Em alguns exemplares expostoe no musea de Madrid ob proprios arce sSo
decorados com aneis, sulcos, linbas pontuadas e cheias, etc. Do Norie de Portagal
so conhe^o um exemplar, omamentado no aro com um sulco helicoidal : estÀ no
musea de Braganca e provém de um castro de Mirandella (informalo de Albino
Lopo).
O AbCHEÓLOGO POBTUOlTÉS
clìòs, em breves arcos de circula (jfig. 11.* à)j em espiraes (fig. 3.%»
4.* e 10.* a); ora encostando-se ao aro pelo lado extemo^ ora sem con-
tacto; qnando em eqnilibrada harmonia e oorrecta eqniyalencia, quando
8ob fórmas e em posi^Ses asymetricas; qUer adelga^ando até ao extre-
mo, qaer finalizando em bot3es conicos (fig. 7.*y 8.* e 9.*) ou cylindrìco»
com snleos parallelos (fig. IO.*, ft e e e 11.*, b) ou hemiaphericos, anr>
teeedidos de aneis alternantes com solooa (fig. 11.*, e). £ nSo akra-
passam maito mais tao discreta simplicidade decorativa. Mas a- par
d'estas caracteristicas dìfferenciaes cumpre real^ai' outras registraveis.>
A persistencia modelar, notavel jà na fibula castreja; mais se ac-
centua na fivela, cujos dois unicos typos, de aro fechado e interrom*
pido, se reproduzem monotonos — dos castros preromanoe nas civida-,
dee e castros romanizados, d'estes em e8ta95es de funda9SU> romana.
Fig. 8.* — FlTela da Figuelra d» Fox (PedralU) Fig. 9.* — Flvcla de Conlmbrig»
Yìg, 10.* -^ Ornameata^io do aro <Sabroto)
Sob o informe erudito de archeograpbos autorizados a respeito de
ezemplares romanos, inteiramente identtcos aos nossos*, deve tambem
attribnir-se aos dois sub-grupos privativo emprego inoommutavel: Ja
fibula^' para habitualmente ' acolehetar, va o termo, diversas pe$aa do
véslnarìo masculino e feminino, assim na Grecia e na Italia — o peplo»;
* S. Reinach, in Dietionnaire cit. Cfr. A. Ridi, Dictionnaire dea cmtiquités
yreoguetf e^ romatne», «. V. «fibala», 3. ,^ *
^ tt. Reinacb, . io 2od cil^ opina que algumas fibalas, pestdas e de. graiides
dimensOes, poderìam servir para sttstenUr oortinadoa ou tape^arias.
S O ARGHEOI.OGO POBTUaufiS
chiton, chlaena, palla, ptdladium, sagwm, paHudamentum; a fivela,
para apertar cintos, cintiirSes, correias, arreios de cavallos, as taeniae
mUae dos cabellos e objectos similares. O uso attrìbaido a està ultima
justifica-se parcialmente na Lusitania pelas escassas ìndica^Ses ethno-
graphicas de Strabo, e até pelo exame da grosseira estatuarìa archaica
do Norie.
Os Lusitanos, informa o celebre historìador grego, serviam-se de
um escudo pequeno, sem bragadeiras, que traziam suspense do pes-
C090 por duas correias. Nas suas unidades milìtares, refere ainda, en-
trava a cawdlaria ^
A inspec9ao directa dos mingnados especimes da escultura lusa
ou callaico- romana confirma o porte da alludida arma defensiva; bem
assim comprova de um cinturào de que pende uma adaga larga*.
E, pois, bem de presumir que desde os tempos pre-estrabonianos fosse
aqui usada a fivela circular pelo menos nas correias do escudo, no cin-
turSo dod guerreiros, nos arreios dos corceis lusitanos.
SZ
b
Flf . 11.*— Oraainentafio do oro (Briteirot)
De resto a notada diversidade de utiliza9fto pratica das duas series
de instrumentos explica em certa medida a parcimoniosa decora9&o da
fivela e a mais longa continuidade dos typos primitivos. Com patente
funcglLo secundaria, mais facilmente se subtrahiu às oscilla^des da moda
que em todas as epocas, no empenho de lisonjear vàs ostentagdes e de
marcar superioridades sociaes e politicas, rebuscou nos perennes re-
cursos da arte e da fantasia novas fórmas e combina^des architecto-
nicas para transmutar successivamente a fibula. O evolver consequente
da morphologia do alfinete de seguran^a forneceu indicadores chrono-
logicos, por onde é possivel com relativa seguran^a e approxiina9So
datar depositos e estratos archeologicos.
1 Geographia, liv. iii, cap. 3.*» e 4.»
^ PortvgaUa^ t. i, pag. 8S2, «0 Basto», artigo de Rocba Peizoto; e a vasta
e completa bibliographia por elle citada em notas.
O Archeologo FoRruauÉs 9
A fivela circnlar ainda n&o foi aie agora reconhecido igual predicado
prestimoso ; nUo tem sido €. ..un peu comme un coquiUcye-type dan»
Véiude de la paleontologie^.
Definìdo a perfil e o caracter peculiar do instrumeato em estudo
e loealìzado conyementemente dentro da archeographia nacional, resta
indicar os pontos conheoidos da sua dispersa chrorographica ao norte
do pais e estabelecer os dados do problema da sua procedencia.
O restricto espolio de Sabroso, castro limpo de romanisaQ&o no
sentir geral, ^nriqueceu o museu de GuimarSes com doze exemplares
da fivela; o da citania de Briteiros com vinte e dois: sao de bronze
e na maiorìa acham-se obliterados e desprovidos do fusilhXo. Conhe-
cem-se varios especimes de outras estagSes com accentuada ìnfluencia
romana: assim — dos castros de Mouros, freguesia de Villar de Mou*
ros*, do Monte Redondo^, do Prgal, sitio de Castello Branco, Mo-
gadouro', de Rio Torto, concelho de Valle Passos^, de Àzere^ con-
celho de Arcos-de-Val-do-Vez *; das gratas de S^'® AdrìSo, pedreiras
de Vimioso^; da gruta da Cabe$a da Ministra, Alcobaga^; da està-
fio lusitano-romana da Pedrulha, concellio da Figueira da Foz^, de
Coniwbriga^; do concelho de Castello-Branco ^^; dos castros de Cocolka,
termo de Augueira, concelho de Vimioso, e de S» Jueenda, termo de
Valle-Prados, concelho de Mirandella^^; etc, **.
1 Qaatro exemplares no museu de GuimarSes.
2 £zplora9fto inedita de Albano Bellino.
' iBlòrma^o particolar do Rev.*^ José Augusto Tavares.
* PortvgàLia^ 1 1, «Instmmentos de bronze*, por H^nrìqiie Botelho, pag. 627,
fig. a-
5 Archeologo Portuguèa, 1. 1, «Castello de S. Miguel-o-Anjo», por P. Alvei
Pereira, pag. 167, fig. 2.», n.''22.
* J. F. Nery Delgado, «Reconhecimento scientifico dos jazigos de marmore
e alabastro de Santo Adriao», in ConymunicaqtkB da Commisslo dos Trabalhos
Geologicos de Portugal, tom. ii, fase, i, pi. iii, fig. 22.
' PortvgalicL^ 1. 1, «Grutas de Alcobaca», por M. Vieira Nativìdade, est. xxit,
fig. 203.
* No museu da Figueira da Foz.
' Archiyados no museu do Instituto de Coimbra.
^ Informalo de F. Tavares Proen^
il Infbrma^s do capitilo Albino Lopo.
12 D. José Villa- Amil y Castro tambem descreve urna fivela de aro interrom-'
pido, encontrada por olle na «Croa» de Riotorto, Gklliza. £ iuteinunente seme-
Ihaute-is nossas. Vid. «Armas, utensilios j adornos de bronco reeogidos en Ga-
licia», in Muno de antiguedades espaholcu, t. iv, pag. 66.
IX) O Archbolooo Pobtuoués
Fundamentàlmente mantém todos parallelismo concordante, oomo
oalcos dos mesmos moldes. Limitada, pois, a observa^Io ao caso na-
cional, poder-se-hia concluir talvez que a fivela foi invento de metal-
lurgia lusitana. Mas os modelos coUigidos em PortugaJ nSo diversifi-
cam dos archivados no museu madrileno, nem divergem dos italicos
com que se illustram publica^Ses drdactìcas*: em todos, indigenas e
ekoticos, nota-se a mesma tjpologia e aie frequentemente id^itidade-
de minucias de deoora92o nos extremos soitos do aro. E, pois, inàp-
plica vel corno explicafSo do facto -^o principio de que a mesma neces-
sidade determinon ainvenfSo de instrumento igual em pontos afasta-
dos do mando antigo.
A complicar a sciupio do problema das procedencias surge no oppi-»
dum helvetico da Tene (Tene II) o simile de um dos nossos typos dar
fivela, o de «ro feobado, que Victor Gross* nào hesita em appeli-*
dar — bintcU à ardiUon mobile, e em exbibir corno o mais antigo mo-
delo de fivela com Juèilhào^.
- E na Franga o outro typo de aro interrompido, alem de apparecer
em jazidas gallo*romanas, encontrou-se em urna sepultura de feig&o pu-
ramente gauleza, do seculo iv antes de J. C. ; junto do esqueleto baviam
sidO' depositados uns arreios de cavallo, uma espora, contas de vidro-
azul moequeadas de amarello e uma fibula da Tene I ^. Ante as pon-
deradas eircunstancìas limito-me a por aqui as illagòes mais proximaa-
e seguras, rigorosamente emergentes dos elementos apurados; slo ape-
nas estas:
— que a fivela eircular nEo veio para a Lusitania com o legionario
invasor; jà era usada antecedentemento & conquista romana; .
— que no entantonaofbi inven^&o da industria indigenar; perténcia
à civifizà^tò primitiva de outros povos, que verósivelmento a ti^ò im-
portfiram de cà.
Producto da industria celtica ou romana, nUo me proponbo agora
dìlucidar-lhe.a ethsiogema obscura.
' Originaria da cultura celtica, nio admiraria se introduzisse nos po^
voados eastrejos, mesmo negando a estes a celtizagSo em tempos pre-
* Daremberg, Diciionnairt cit., ^f^. 3029.
2 Ob. cU., pi. 8, n.» 10. .
3 Na segunda idade de ferro dos paisea estiandinaFOS, no (periodo cooiprehen-
dido entro a era cliristà e o secalo ii, aaoU-se mika fivela de bronxe, ijpo àé aro
feohado; differe dà nossa apenas em o aaro nio aer inteiramente clreaUr.-O. Mon-
telina, Lea iempg préMstoriquea en Suède, Parìa, 1695, pi. xvi, fig. 5.*
«4 Àlbum Caranda^ por Frédérie Moreau, 1^* partie, pi. S, fig. 13r*-«cii. de M.
J. Déchelette.
AkCHEOLOGO PoSTUGtJÉS 1 1
oa protohiatoricos: os typos mdnstriaes da Tene àlastraram para fora
da vasta area geographica, qae sem contestammo é attribuida aos povos
propriamente <^eltico8«
Oriunda da civilizamSo romana, corno poderà tambem dizer-se do
typo de aro interrompido, precederìa os conquistadores- pelo phenomeno
sociologioo. de infiltra$So jà averignado para ontros casos.
E provinda de urna oa de outra, acaso de urna differente deriva^
ainda ignota, a verdade é que a fiyela se fixou e perdurou, ìmmobilif
zada nas suas linhas, até pelo monos ao seculo iv depois de J. C. Se
posteriormente ainda subsistiu, é por emqnanto impossivel asseveri-lo ;
apenas pode conjecturar-se que, se persistiu para iquem das ìnvasSes
nordicas, seria apenas comò mera sobrevivencia, porqne os barbaro»
nSo usavam,' segundo parece, similares typos de fivela ^.
Dezembro de 1903. José Fobtes.
A cava de Vlriato
A personalidade de Viriate, heroe lusitano de quem L. Floro disse
que podia ter side Hispaniae Romulus «o Romulo da Hispania»', e
a quem Estrahlo chamou simplesmente /Tp<7Ti5€ «salteador» ^, tem side
varìas vezes thema de trabalhos especiaes, tanto artisticos comò scien-
tificos.
Por vicissitudes da sorte, o nome d'este heroe ligou-se a celebre
Cava de Viseu. E evidente que a relacionagSo de Viriato com a Cava
é moderna, corno jà ponderou Borges de Figueiredo*; nem mesmo a
palavra Viriato ^ pertence k linguagem popular propriamente dita : se
Ihe pertencesse desde as origens, devia ter outra fórma muito diversa
da que tem. SSo cousas sabidas e claras, em que n^ é preciso insistir.
^ Cfr. M. C. Barriére<*FlaT7, IjCjb art» industrids des pmple$ barbare» de la
Gaule du v"*' air thi^* sihcle, Paris, 1901. £ comtudo interessapte tiotar que, no
periodo vui (800-1050 de J. C.) da idade de ferro, dos paises escandinavos
àpparece um typo de bronze, raaito orDameutado, da fivela de aro intcrrompido;
afòra os lavores, o esbo^o geral é o mesmo dos nossos modelos. Y id. 0. Montelius,
ob, eit., pi. XX, fig. 7.*
* ^pii. ter, Hcm., II, xtii.
^ Geogr.y III, iv, 5.
* Bevuta ArokeologicOy iv, 29.
* Quanto a mim, é erro escrever Viriatho, com h, corno jà mostre! n-O ArcJ^.
Port^ n, 23-24; corno porém, por fatalidade, quasi nunca as boas raz5es calam
no animo do publico, ha quem contìnue a escrever assidi : vld., por exemplo^ o re-
cente. Uvro do Sr.Theophilo Braga, intitnlado Viriatko,
12 O AbCHEOLOOO PORTUGUÉà
Todavia, se a denomina9lo de Viriato dada a Cava provém dos
eruditos, e nlio tem por isso importancia (embora possamos conservar
a tradirlo), nem por isso a Cava deixa de ser monumento por ora unico
na nossa archeologia, e que deve merecer toda a venera9do, quer dos
estudiosos, quer do publico.
A semelhan^a do que n-0 At'chéologo se tem feito a proposito de
outros monnmentos ou estafSes archaicas, inaugura-se hoje aqui urna
sec9So destinada a archivar estudos concementes a Cava.
J. L. DE V.
I
Notlela oontida nnma revlsta alleml (1868)
A notieia que vae ler-se é extrahida da Archàologische Zeitung
de Berlim, nova serie, voi. i (1868), pag. 14-15, de um artigo com
o titulo de «Ròmisches Lager bei Viseu in PortugaU, — escrito em
W.
Fig. !.• Fig.2.*.
fórma de carta dirigida por W. Gurlitt a E. Hiibner. Esse artigo vem
acompanhado de urna breve pianta e perfl, que reproduzo no mesmo
tamanbo, plus minus (figs. 1.* e 2.*).
« . . ist ein Erdwerk in der Form eines fast regelm&ssigen Achtecks
und liegt in dem tiefsten Theile des breiten Hoehthals . . von Viseu . .
doch ist es von alien umgebenden Hòhen weit genug entfemt, um gegen
einen Angriff von oben herab sich zu sein . . Vier Seìten sind noch
voUstàndig [fig. 1] . , . Jede Seite . . ist uber 330 meiner Schritte lang . .
Eine Strecke von 170 Schritt an der vierten und làngs der ganzen
Ausdehnung der fìinften Seite zeigt sich der Graben in seiner ursprung-
lichen Breite von 28 Schritt, theilweise noch mit deutlich erkennbarem
einstufigem Profil [fig. 2], aber durch Ackerboden bedeutend aufge-
fuUt. . . Die Walle. . bestehen aus dem Erdreich der Umgebung, san-
digem Lehm mit grosseren und kleineren Steinbrocken vermengt. .».
O A. resumé um ms. de Berardo, conego da sé de Viseu: segimdo esse
ms., a Cava era antigamente «noch mit einerThiir verschlossen . . vier
O Abcheologo Portuoués 13
grosse Oeffiiungen fuhrten hinein, zwei im Norden und zwei im Siiden;
sie mogen alten Thoren entsprochen haben. • >.
O A. nSo diz o que poderia ser a Cava; limita-se; a citar a opi-
nilo de fierculano e de Berardo, segando a qual seria um acampamento
romano.
No ms. de Berardo diz-se que o mon amento jà tinha o nome de
Cava de Vinaio nam doe. de 18 de AbriI de 1461 [Mas ler-se-hia ahi
so Cava, sem Viriatof],
^ J. L. deV.
II
EsUdo actnal da Cava (1908)
Do interessante ReUUorio sobre as óbras de tanservagào da Cava de Viriaiho,
oiganizado a pedìdo do Sr. Presidente da Camara Municipal de Viseupelo Sr. Ma-
ximiano de Arag&o, Hippolyto Maia e José de Almeida e Silva, relator,— e im-
presso em Yisea em 1903, extràio os trechos que vao ler-se, que exp5em as cir-
cunstancias em que a Cava està na actualidade. Como iIIustra<2&o, junto uma
pianta da Cava, que me foi obsequiosamente enviada pelo digno director das
obras pnblicas do districto de Viseu, o Sr. Engenheiro Teixeira de Aguilar.
'So citado Rdatorio os signatarìoB advogam calorosamente a ideia de que
a Ex."* Camara Yisiense mande restaurar a Cava, e vele pela conservagfio de t&o
notavel monumento. NSo póde ser mais justa a reclama^fio ; e é de esperar que
ella encontre eco nos poderes pubiicos.
J. L. DE V.
cÉ a Cava de Viriate nm campo entrincheirado de muros de terra,
eom a fórma de nm polygono octogonal quasi regalar, do qual escolhe-
mos o lanQO arborizado que faceia eom a cathedra! visiense, para d'ahi
come9armos, na direcglo K., o nesso exame.
O 1.*^ lanfo, qae é cortado a S. e antes do seu vertice por um ca*
minho recentemente aborto, mede de comprimente total 316 passos de
(y",80, ou 252",80. seu estado de conservagSo mantem-se regalar,
se bem que eom o primitivo aspecto jà perdido, em consequencia das
recentes obras de aformoseamento ali praticadas.
£ncontram-se nelle apenas frennentes passadeiras feitas pelo povo,
as quaes tem escalavrado o plano das faces por onde passam.
O 2.^ lango, que ligado ao 1.^ entesta na antiga abertura da Cava
junto i quinta da Machada, tem de comprimente 296 passos ou 236'",80.
Nelle apenas ha a notar a repetÌ98o das passadeiras, e os abusivos e
extensos cortes, ainda recentes, praticados na sua face interior e topo
N., eom provavo! mudanga dos marcos camararios, feita talvez pelo
proprietario da quinta confinante, e bem assim dois muros d'està mesma
14 O ABCHBOtOGO POBTUGUÉa
quinta construidoB sobre este lan^^o da Cava, os quaes ìnterrompem
e opprimem a independencia da sua base.
Q 3.® Ialino, qne mede de comprimento, a partir da abertura da
Cava até o seu vertice, 332 passog oa 265'",60, encontra-se no principio
bastante esealavrado sobre a quinta da Machada, estando abi a sua
face ezterior quasi a prumo. Segue depois num regular estado de con-
serva^ e aspecto primitivo, cereeado, apenas a nìeio e em frente da
extincta fabrìca de vidros, por umas escava98es, de onde se tem ex*
trahidó saibro em grande quantidade.
Por esses sitios e no oaminho interior que corre parallelo a este
lan$o da Cava, praticaram-se recentemente umas escava98es em fórma
de valla, cuja terra parece ter sido levada para dentro da quinta con-
finante. No extremo d'este lang-o ha por dentro e perfora umas esca-
va{5es antigas, cobertas de mato.
O 4.® lan^o, a meio do qual fica entra abertura da Cava, mede de
comprimento 297 passos ou 237"',60. Mantem-se bem conservado, ex-
cluitìdo umas faltas de terra logo no seu comego, e o córte a prumo
sobre o caminho interior, que jà é antigo. Num dos topos d'este lan^o
que dào para a abertura ali existente encontra-se um muro que sobre
elle vae terminar, pertencente à quinta da Machada, o qual Ihe cerceia
urna parte da base; e no topo fronteiro ha uns abusivos cortes recent^s,
feitos exteriormente na base, para aumento do campo de milho de que
està culti vado o. fosso respectivo.
O 5.° lanyo, que mede de comprimento 323 passos ou 258™,40, é
de todos OS cito langos da Cava o que, juntamente eom o seu fosso, se
encontra ainda boje no melhor estado de conservaglo, podendo affirmar-
se qne o seu actuàl aspecto é o primitivo. Apenas tem no comedo urna
antiga passadeira, jà cobprta de mato, e da qual o povo nSo se serve
actualmente.
O 6.^ lango, que mede de comprimento 281 passos ou 224",80,
mantem-se semente alteroso na extensSo que vae do seu come9o até
o caminho de S. Tiago, que neDe ^ntra para dentro da Cava. Nesta
parte foi recentemente cerceado na sua base exterìor, até o topo da
^bertura, nào sÓ por um poQo, corno pelo córte da face, sobre cnjo
terreno se estende um campo de milho, que é cultivado no seu fosso.
. A margem exterior do fosso séco que reveste parte d'este lan^o
etodo o anterior, e na qual corre um caminho publico, eticontra-se
oscalavrada por profundas explora^Ses de saibro, que prejudieam e
destroem o seu aspecto primitivo, que, corno diss^mos, é grandioso
e^ no cdizer de ttm distincto archeologo, e ainda hoje um fosso modelo
qSo somente em fortifica9llò passageira».
O Abcheologo Portc6u£6 15
Estas escava^Ses estSo praticadas no extremo d'este lan90 de fosso,
qne fica fronteiro a S. Tìago. . .
A parte d'este 6.® lan(o, qae corre jà de N. a Sifronteira ao ca-
be90 da. Esenlca, pouco se salienta hoje sobre os terrenos confioantes,
ameajaiido urna proxima e completa destruÌ93o se nSo Ihe acadìrem
quanto antes, restabeiecendo nSo so os terrenos usarpados, corno de-*
marcando-os caidadosamente. !Nesta face as abusivas apropria$5es de
terrenos, qner interior quer exteriorìnente, assumem as proporgSes de
um verdadeiro latrocinio. Todos os annos os proprietarios confinantes
avangam os sens sachos sobre aquelles venerandos restos. Ainda assihi«
com milito traballio, pndemos encontrar ahi vestigìos da demarca92o
mnnieipal de 1818, e fragmentos primitìvos do alinbamento do fosso,
que podem orientar o restabeleoimento da face exterìor d'eate lan90.
A sua face interior ainda se conserva saliente aos terrenos confi-r
Dantes.
Sobre o topo S. da entrada que neste lan(o existe para o interior
da Cava avan9a a construc9fto, ainda por acabar, de um^muro de qninta,
evidentemente sobre terrenos sens e do Municipio.
7/ Ian90, que mede de comprimento 317 passos ou 253*^,60,
apresenta hoje um iimitadissimo relevo sobre os terrenos marginaes,
semelfiante à maior parte do relevo do ^an^o anterior, e nelle tem o sacho
dos coltivadores das glebas limitrofes operado, e continua a operar, os
mesmos vandalismos.
A doìs termos de extensSo na direc9ào S. d'este lan9o, havia, ainda
ha talvez oito annos,. uma saida publica para o cammbo de S. Tiago^
que desembocava junto ao pontlo, pela qua! muitas vczes passaram
08 signatarios d'este relatorìo, Dr. Aragào e Almeida e Silva. Pois
està saida publica, que era um caminho de carros, foi primeiro abu-
sivamente tapada com moitas e, tempos depois, com muro de pedra.
A seguir a este abuso, dois proprietarios de quintas confinantes, foram
tapando com muros e cancellas o proprio cblo da Cava ali existente,
e bem vizivel ainda sobre a margem do ribeiro de S. Tiago.
Uma reintrancia em angulo recto que faz o muro do caminho pu*
blico jnnto ao pontSo d'este ribeiro, prova bem, juntamepte com a base
de um marco municipal ali existente, nSo so a referida passagem, comò
quanto avan9ava para fora este lan90 da Cava.
estremo d'este ian^o està jà encorporadò no caminho de S. Tiago,
mas bem visivel ainda, ficando o vertice do seu angulo com o lan9Q
8.% ji HA. quinta do Covai.
D'este vertice nfto resta hoje o menor vestigio, pareceodo, apenas,
qae ficava junto a uma po9a de grande nascente de agua .oOm dois
16 Abcheologo P0RTOGUÉ8
engenhos, pertencente a està quinta, rente ao muro do camlnho de
S. Tiago.
O 8.*^ Ian90, e ultimo, mede de comprimeuto 337 passos oa 269"*, 60,
ficando ao meio a abertura da Cava denomìnada cdo Covai». A pri-
meira metade d'este lan90 est^l encorporada no camiuho de S. Tiago,
nivelada com os terrenos interiores, mas bem nitida e sobranceira pela
parte de fora.
A segunda metade, que fica ji dentro de quintas muradas, e, por-
tanto, na posse particular, conserva-se ainda alta e saliente para fora,
revestida por um trecho de fosso séco, muito valioso para a archeolo*
già, pelos grandes blocos graniticos que formam muro de amparo
das snas margens, e que sXo certamente de construcgko primitiva.
Està parte de lanfo offerece para fora, sobre fosso, que tem 10 me-
tros de largo, uma altura de 8 a 10 metros; e para dentro, para o campo
entrincheirado, a altura de 1 a 1"^,50.
A seguir a està parte do 8.® lango, ha uma pequena por^fto do 1.^
lan^o, na extensSo de 69 passos até muro do camìnho puUico, ali
recentemente aberto.
Este pedago do lango n.*^ 1, que tambem é propriedade particular,
se bem que saliente e na mesma altura que a por9So do 8.® lango an-
terìor ji descrìta, osti, contudo, bastante deformado pelo cnltivo da
terra, sendo mais 4 metros que resto do mesmo lango que està arbori*
zado nào Ihe restando jà relevo algum sobre os terrenos interìores.
Eis aqui a exacta e minuciosa descrì9So da Cava de Viriato, corno
ella se encontra actualmente». (06. ciL, pp. 3--7).
Preoiosidades aroheologioas
I. Eplgraphia lapidar
Existem no velho edificio jesuitico de S. Roque, hoje casa da Mise-
ricordia de Lisboa, e na sua egreja, em sitios escusos, quasi geralmente
desconhecidos, dois padrdes escriptos na pedra, duas formosissimas
lapides do seculo xvi, testemunhos preciosos das datas da fnndaySo
e sagra$fto da famosa ermida de S. Roque e adjacente (idro da peste,
estabelecidos nos prìncipios do seculo xvi, no alto d'aquelle cerro co-
berte de olivaes, destinada a ermida para center as venerandas reli-
quias do Santo — tido comò advogado centra as pestes — , e adro
para nelle se enterrarem os que falleciam pela cidade, victimas da
epidemia.
Jl^/^^^v^ certe^
de^ I4ria^
jL/SCaca vara <x
vara
^^tbtc iMAt.\<>ò =3 7 ; ? (» (J.
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32 0,0
O Archeologo Pobtuqués
17
Acabada a coDstruc92o da ermida e estabelecido o adro contiguo,
foi a primeira sagrada em 25 de fevereiro de 1515 e o adro em 24
de maio de 1527.
Commemora a sagrando da ermida a primeira das duas lapidea —
a que se encontra ao fundo de um corredor e topo de um pequenp
lango de eseada de pedra que vae da sacristia para a casa do despacho
da irmandade de S. Roque e cartono da egreja.
E urna bella lapide, de C^^eO de largo, por 0*",55 de alto, com a
inscripfSo, em formosos caracteres de lettra allemà minuscula, vulgar-
mente chamada gothica, do teor segainte:
Ha •: tvn * ht ^ mìi - tìt • tìti * uat^ * rriiii*
hìat • U m^9 • 0t Mfiun » t^tu * ta
ffu • ht Som * Jjiuiiue * tna - tra * ht mil
U * tu hìU • bpi • tntxn^ * ^ • untariHa
ht * afùBt$iitn * i • rabii « i|fi * ail0 • m^ * rr
• sf^9 • alo9 * irif # mnhim$
A outra lapide existe em um dos topos de uma galeria, que corre
pela face notte do pateo grande das cistemas ; mede 0'",81 de largo
por 0^,52 de alto. A inserip9ao é nos mesmos earacteres minusculos
gothicos, nitidamente cavados na pedra, e é do teor seguinte:
mi^nhu Mxtì noi^a bùx i
ttiììi ht main U ilr rf di} pu
ìtpi H ibdxì9 tu 'ùniÌBttita,
Este D. Ambrosio è D. Ambrosio BrandSLo ou Pereira, bispo de
Rossìona, coadjutor e provisor do arcebispo de Lisboa, o eardeal in-
fante D. Affonso. Era naturai do Porto, doutor pela Universidade de
Coimbra, etc, e o mesmo que lan$ou a primeira pedra do convento da
Graga e sagrou o mosteiro do Carmo, em 1523, segundo se le na lapide
IB O Archbolooo Postugdés
de bellos caracteres gothicos, qae esti affixada na frontarìa, i esqaerda
do portai, entrando *.
Chamavam-se naquelle tempo adros os cemiterios. O P.* Raphael
Blateau assim o define: — cpor ctdro se entende cerni terio; porqae anti-
gamente nio se enterravam os christSos nas egrejas, nem ao pé dos
altares, por respeito ao Corpo e Sangae de Jesns Christo, que nos ditos
logares se consagra, mas nos adros das egrejas, a saber, na entrada
e deante da porta prìncipal d'ellas se abriam as sepnltnras, etc.»
Este adro e cemiterio de S. Roque foi insti tuido para acudir à peste
de 1523, segundo se ve da carta de D. JoSo III, escripta em Almeirìm,
existente no Livro I do Proviniento da saude, fl. 74, em que ordenava
à Camara que estabelecesse dois oemiterìos: « . . bua na erdade q està
fora do postigo de San Vigente, sobre samta m.^ do paraiso, e out.^ na
que està sobre SI Roqne. « »^.
A carta règia de 25 de julho de 1525, do mesmo Livro, fl. 101,
determina se estabele^am adro9 fora da cidade — cS tal legar ^, quando
ho norte passar por cima deles, n5 dee na cidade » '.
O adro de S. Boque ficava encostado à muralha da cidade, e entre
ella e a ermida. Os escravos que falleciam da peste eram langados em
P090S, deitando-8e*lhes por cima cai virgem*.
Assim se determinava no mesmo Livro, fl. 51, e na carta règia de
13 de novembre de 1575:
«Nos ssomos ^ertificado que os escraTOs qua fallecem nesa 9Ìdade, asy dos
traetadores de guinee, oomo ootros, nam Bstm %By bem 8oter«do«, corno devem,
DOS Uugares omde bS lUm^ados, e quo sae lli^am sobre a teerra em tali maneira
que fiquà descubertos, ou de todo ssobre a terra sem cousa aUguma delles se 00-
bryr, e -que os caees os comeem; e que a maior parte destes escravos se lla^A no
monturo, que estaa jumto da cruz q estaa no caminfao q yay da porta de Santa
C."* p*^ santos, e asy tanbem em ontros Uugares pellas herdades dhy darredor ; E
que posto que nysso tenhae^fs provydo com pennas, e provejaeds todo ho poaiaell,
se nà remedea corno deue. E p' que ysto convem de ser m.*' provido, p' a coru9&
que se segiria da podrìda dos ditos corpos, comsyramos q ho milhor remedio sera
fazerse huu po^o, o mais fundo que podese ser, no llugar que fose mais comvi-
nhauell e de menos incomvynìemte, no qual ss llS^assem os ditos escravos ; e que
fose ll&Qado, de tenpo <*m teitpo no dito po^o, allgama camtidade de cali virgem,
pera se milhor gastarS os corpos, e se eseusar mais que possiuell ffor a dita
coru9S ; E que a este po^o fosse feìto ao redor da boca huu eercnyto de parede
1 Pinho Leal, Portugid aìU. t mod., t. iv, pag. 2il e 268; e Catalogo da» JSsmo-
lereB-mares, manuscrito da Biblioteca Nacional E-3-1.
2 El€nieni08 para a historia do Municipio, tom. i, p. 470.
» Idem, p. 454.
* Pinho Leal, tom. it, p. 163.
AacHBOLoeo Pmtoqués 19
de pedra e eàl!, e .qae q'4f , q e^cravo llam^as'e oa mldue Jlan^iir em out* eabo,
salso DO <ilto poi^ pagase huaa ^erta penna, quali vos bem pare9ese : porem vo8
eneomendamos e niildamos qae lloguo njsto emtedae^s^ e vejaeés o llugar que
sera maiB oomvTmfite p" o dito po^o sse fazer, e aseentay a penna q se pohera,
e todo o q nyso fezerdes noe «crevee eompridam.** p* o vennos, e averdea nona rea-
poata. E emcomèdaaMM vos q llogao nyato emtedaefia, p*" q ho ayemos p' coaaa de:
m.'** noeo seroi^. Serìpta em allmejrrim, a 13 dias.de novibro de 1515. Bej. —
P.* a cidade aobre o po^o hi ae lan^arS os escrauos».
A Camara mandou abrir o pogo on vaHa no sitio que ainda hoje
conserva a denominagao de Pogo dos negros^.
Tambem na cidade do Porto o cemiierìo espeoial onde a Misericor-
dia dava sepultara aos corpos dos justÌ9ados se denominava, corno ji
dissemos^ o Adro dot enforcadm. Era um recinto vedado por un muro^
com portlo de ferro^ urna capellinha e um cruzeiro de pedra, aob a in*
voea$Io do Senhor dos Afflìctos. Este adro acaboa em 1836^.
II. VoeameBtos» lliuntsanui e sellaa
A prèciosissima collec9SÒ de reliquias existente na antiga égreja de
S. Roque, da exttncta Companhia de Jesus, doada em grande parte pelo
geral Claudio AquaViva, pela rainha D. Catharìna, pelo celebre D. JoSo
de Borja, filho de S. Francisco de Borja, e ainda por outros geraes da
Ordem, veio acompanhada de muìtas cartas, a que chamam autenticcuf
ou tesUmonios, nas quaes se consignava a doagào de cada urna ou de
cada grupo de reliquias, designando-lhes a proveniencia e garantindo-
Ihes a autenticidade que as reoòmmendava à venerasse e culto dos fieis.
Assim eona aa retiqnias efiiveraDi, durante quasi um seculo, occul-
tas em esconderìjo pelos padres da Companhia, quando preoipitada e
forgadamente tiveram de abandonar a sua Casa Professa e Egreja, para
seguir para o esilio a que os condemnou o Marquez de PombaI, assifn
tambem està ìnestimavel colIecgSLo de pergaminhos, quasi todòs dos fins
do seculo XVI e comegos de seculo xvii, andava perdida, provavelmente
desde 1843, epoca em que o autor de urna Memoria, que nessa data se
publicou, OS consultou e a elles fez referencia^.
> Elementas para a HiHoria do ìiumeipio, 1. 1, pag. 509, e t. zi, pag. 18G, nota.
* Pinho Leal, t. ▼.
' Intit«la-8e este carioso oposcnlo', hoje ponco volgar: Memoria do de90obri'
maUo e achado dos scigradas reliquias no antigo sanctuario da egrga dt S, Moquty
com a notida kistoriea dafunda^o da megma tgr^a e sanciitario e da solemM/uta,
de Lisboa, Imprensa Nacional, 1848. Sem nome de auctor. Attrìbuido ao P.* Fran-
cisco Salles, capellfto da Misericordia, nascido em 1806. N&o pode comtndo asse-
Terar^se ae foi elle o sen anctor ou apenas o publicador.
m
O Archeologo Pobtuoués
Estes docuuientos de qae faavis noticia antiga appareceram agora,
em urna caìxa de hta, fechada a cadeado, em um armano antìgo. Com-
ptìe-ae a colkcylo de uns 84. documentos, muitos em pergaminho, com
lettras ornadas e doiiradas, outros em papel e acompanhados de interes-
santes gelios, de oera e de obreia, e reveiando alguns curiosos auto-
graplios. 8^0 de alto valor para o estudo da sigillographia.
Os selloa cuja reprodiic^ào, tao perfeita quanto o permitte o estado
dos orijsnnaes^ apresentamos^ sSo na sua maìorìa de geraes e provinciaes
da Companhia de Jesus:
Bc'lloA ile prepositos e provinciaes da Companhia de Jesus
N,* L — Sello do P.® Preposito da Companhia de Jesus, com a legen-
da, em volta: — SIGILLVM • PRìEPOSITE • SOCIETATIS • lESV.
N.° 2. — ^Sellu da Companhia de Jesus, no documento n.® 15 da
Collecgao dos aotenticos, datado de 1594.
N.*" 3.— Selio da Provincia de Aragào, do documento n.® 51' da
dita Collee^^ào, datado de 1634, com a legenda: PROVINCIA • IN •
P ARAO SOCIETATIS • lESV.
NJ* 4*^ Sello de outro documento, datado de 1631, com a legenda:
PROVINCI ALIS - P - LVSIT • SOCIETATIS • lESV.
O Abcheologo Portugués 2i
N.'* 5. — Sello do documento ri.° 43 da dita Collec9ao, datado de
1601,
K.** 6.— Emblema da 'Companhia, gravado no alto do documento
n.*' 21 da citada CoUec^So, datado de 1568.
Apontareraos alguns dos mais notaveis d'estes documentos:
O n*** 1 é tegtimonio de urna reliquia de 8. Procopio, patrono da Bohemia,
doado por Florìan de Lago a D. Joao de Boxja, em 16 de janho de 1587. È vah
bello pergaminho, com sello.
O n.^ é a carta de doa9ao a D. Jo2o de Borja de varias reliquias do santo
lenho, espinho da coroa, e te. £ urna carta, dada em Praga em Ì581. Bello per-
gaminho a preto e ouro, com sello appenso, dentro de caìxa metallica.
O XI.» 3 é tettimonio de varias reliquias de S. Pascasio, Santo Saturnino,
8. Maximo e outros, tiradas do cemiterio de S. Calixto, de Roma, em 1594 — Per-
gaminho.
xx.» ^9 outro pergaminho ; carta do Nuncio de Madrid, de 1587, acompa«
ubando dnas cabe9as de virgens e ossos de varios santos.
xx."* S^ é um grande pergaminho com lettras a ouro e preto; carta passada
em 1581 para autenticar umas reliquias do santo lenho, do leneol e toalha e de
varios santos, por Horatius marchio de Malaspina PrathonoUNriuè de Gregarius
PapaeXIIL
O xx.*' O é o testimonio de urna particula do espinho da coroa, o£ferecida pelo
Sr. de Pemestan a D. Jo&o de Borja, em 1579.
xx.« '7' grande pergaminho com lettras a ouro e preto, do mesmo HoraUut,
de 1581, acompanhando as reliquias que estao na cruz grande de prata.
Oxx.* S é um magnifico pergaminho, com grandes lettras a ouro. Carta de
Praga, de 20 de abril de 1580, que acompanhou varias reliquias, cabeea de Santa
Brigida, osso de S. Girao, martyr, de Santo Otho, e braco de Santa Isabel. É
kwtmonio feito em nome do imperador Rodolpho, cujo autographo subsereve a
Carta e vae a^ui reproduzido, por calco. Come9a com os dizeres em formosa»
lettras omadas : JRodolphus SrAniTuius ekctua Bomanorum Imperatorf 9emper augus*
ht$ ae Germaniae, Hungariae, Bohemiae Datmatiae. Tem o grande sello em cera^
com as aimas imperiaes.
XX.* O é um pequeno pergaminho, de 1601. Carta de doa92lo, a S. Francisco
da Companhia de Jesus, de uma reliquia de S. Lucio, papa.
O xx."» IO autentica ossos encontrados no adro da egreja de S. Roque.
O XX** Id é testimonio de varias reliquias que o P.* Ignacio Martins trouze
de Roma e da Allemanha para repartir pelas provincias da corca de PortugaL
O ABCHB0L060 POBTUOaÉS
É ama caria impressa em pergaminho, datada de 22 de setembre de 1973. Fez
entrega da parte respectiva, ao P. Jorge Sarrfto, Provineial da Casa de & Boque.
Os n.""* 13 e X4L sSlo cartas testemunhaes do mesmo HoraUiu, respectivas
às teliquias que estSo do relieario de los angeles e no pé da imagem de Noasa
Senhora de prata, formosa e antiqulssima pe^a artistica.
Oh.'' la refere-se a reliqaias traaidaB pelo P.' Manoel da Costa, dadas por
D. JoSo 111, pela conimendadeira de Saatos D. Helena de Castro e rainha D. Ca-
tbarina, pelo arcebispo de Bn^a B. Agoetinho, e ainda a outras doadas por D. Joao
^ Boria, sondo Proposito o P.« Maaoel Siqaeira e arcebispo de Lisboa D. Ifigiiei
de Castro, em 1594.
O li."* IO é carta do dito Horalias e o n.<» 17 é ama carta, com bellas iettras
omadas de Claudio Aqua XbfSLyPrqKmtus genendis, SocUiaiis Jem. Roma, yi, Ja-
neiro HDxciiii. Beprodnzimos tambem aqai, am calco, da assignatara de funoso
Preposito.
O tk*^ 18 é doeamento de 1576, relativo a reliqaias doadas pela abbadeasa
,de Santa Maria Madalena de Hangria, com o autographo de Helena Badae.
O B*° IO9 bello pergaminbo com capitaes fiorìdas a vermelho e proto, é
urna autentica dada em Colonia por Tbeobaldo, doutor da Santa Sé Apostolica.
Os ti,"* 9SO9 SSl e sd5td sao documentos de 1606 e 1568, acompanhadoe de
séllos (em obreia e cera) com os emblemas da Companhia de Jesas.
ii.<* %S& é am bello pergaminho a yermelho e prete, com capital ornada.
Foi dado em Colemia em 1579 por Beatriz de Stnmmel, abbadessa do Mosteiro
de Santos Macchabeas.Traz o aatograpfao e sello em cera.
Passaremos ao n.* 4^ que é am bello pergaminho. Carta, cscrita em hespa-
nhol, da<la em S. Loaren90 em 1587 pela Imperatriz Maria, rainha da Hungrìa
e da Boheniia» Infanta de Hespanha, Archidaqaeza de Austria, Duqaeza de Bor-
gonha e Condessa de Tirol, ao seu mordomo-mor D. Joilo de Borjay enviando
reliqaias de 8. Gregorio Thaumaturgo, de S. Roque e de Santa Barbara.
Tem a assignatura autographa e o sello re al pendente.
Os u.""* -43 e -^tT" sào documentos escriptos em papel, datados de 1581.
II»** 00 contém o autographo do P."^ Manoel de Siqueira, Preposito da Casa
de S. Koque. 1594. ».
Finalmente o n*** '^'O, envianMo urna costella doa Santos Innocentes Martj-
res é urna carta do proprio doador D. Joao de Bprja, por elle assignada e sellada
com o seu sello, que infelizmente se acha esmagado e obliterado, percebendo-se
apenas o desenho da corda. Està carta é do teor seguinte :
«Don Juan de Borja Conde de May aldo, Majordomo major dela £mperatriz
mia se fiora, digo que yo he dado alos padres dosa compailia de Jesus de la Casa
de S. Roque de la ciudad de Lisboa una Costilla de los sanctos nifios Innoeentes,
laqual huue en Alemania de lugar donde era tenda, y''yenerada portai de machos
aiios atras y para que conste desta verdad, y de la dieta sancta Reliquia puede
sor puesta en lagar publico y venerada portai de los fieles Christianos, di està
O Abchbologo Portuqués
23
fé y tefttimomo fiimado de mi mtao y sellado con mi sello ea Madrid a ciiico de
noviembre de mill y quinientos y noventa y seis aftos.»
(assignado e sellado).
Z>. Joào de Borja.
Taes s3U>, entre muiias oatras, as precìosidades archeolog^cas de
qne é possaidora a Santa Casa da Misericordia de Lisboa. A ellas
e a outras me refiro largamente na minha monograpbia, publicada pela
Academìa Real das Seieneiaa em um tomo das suaa Memorias, intita-
lada: A Santa Casa da Misericordia, suòsidios para a stui historia
(1902), de cnjo capitolo vii é em parte extrahida està notìcia.
Victor Ribeiro.
As lapidea do Moseu Aroheologrloo de Din
Nos n.^' 7 a 9, do volume vm, da revista O Archeologo Portaguès
veio publicado nm artigo aob o titttlo de Archeologia indiano-porluguesa,
que convem rectificar por center inexactidSes.
Diz-se ali na parte i, transcrita d-0 Seculo de 14 de janho p. p.:
<jà agora, pertanto, nào é licito duvidar que fiquem por ahi em ii\jns*
tificavel abandono^ algo criminoso, tantos monumentos de valor aqui
existentes, qne attestam em piena evidencìa que fomos no Oriente urna
naoSo eulta e poderosa».
leitor deprehenderà d'aqui que todos os antecessores do actual
govemador do distrìcto deixaram nas estradas e baldios as lapides e
oatros monumentos de valor, encontrados em modernas ezcava^Sea ou
arrastados na derrocada de alguma muraiha, à mercé do primeiro bà*
nean^ que d'ellas se aproveitasse para soléira da porta da sua casa;
24 O Arcbbologo Pobtugìués
mas folheando um opusculo, intitulado Diu, que Se publicou em Ooa
no anno de 1899, quando ea estava governando aquelle distrìcto, e é
escrito pelo Sr. Jo2o Jeronymo Lobo de Quadros, encontra a pag. 63,
nota 1.*, seguinte:
c£ssa lapide e as mais que se viam no dito muro e no baluarte
S. Joao, foram mandadas recolher Hnm compartimento da secretarla
do governo de Diu».
Ora essas lapides sao as citadas sob os n.^' 1, 2, 4, 5, 6,7, 8 e 9
na parte it do mesmo artigo, e foram mandadas recolher por mim.
No final da parte ii assinada pelo Sr. Quadros, o mesmo autor do
livro, lè-se:
«Algumas das inscrìpfSes que transcrevi j& foram publicadas pelo
erudito archeologo Cunha Rivara, em 1865, no Boletim do Governo
d'este Estado, nos n.***73 a 86; outras, porém, ultimamente encontra-
das, s3o agora mencionadas pela primeira vez».
As inscrip93es ultimamente encontradas s3o as citadas sob os n.^' 10,
12, 13 e 14; a 11.'** nSo foi encontrada, tiraram-na propositadamente
do logar em que se achava, e o mesmo succedeu com a 3.^"^, nSo me
parecendo que qualquer d'estas duas deva estar no Mitseu Archeologico.
As outras, 1.*, 2.*, 4.* a 9.*, recolhidas primeiramente na secretarla
do governo, e d'ahi transportadas ha pouco para o Museu, nSo foram. so
publicadas por Cunha Rivara, corno tambem pelo proprio autor do ar-
tigo no seu livro Diu, e algumas, por Filipe Neiy Xavier, na lUtutra-
^ào Goana, e por mim, no Ta-ssi-yang-kno, revista dirigida pelo Sr.
Marques Pereira, editada pela casa Bertrand.
A inscripfSo do canh2to de bronze que tem a Roda de yS".'*" Catarina,
acha-se transcrita no citado livro Diu, pag. 62, e tambem no relatorio
de 1899-1900 do actual governador do districto.
Vejamos agora as taes inscripfSes ultimamente encontradas, e agora
menoUondiàBS pela primeira vez, isto é, as 10.*, 12.*, 13.* e 14.*
As inscrip95es 12.* e 13.* descobertas quando procedi a excava*
ySes, ou antes a desaterros, no logar da antiga Sé, dentro do Castello,
em busca da sepultura de D. Fernando de Castro, foram mencionadas
pelo proprio Sr. Quadros, no seu livro, a pag. 77 nota 1.*, e por mim
no n.^ 6 da serie 1 .*, do voi. I, do Ta-ssi-yang-hw, onde em artigo espe-
cial, acompanhado de duas photogravuras, me referi a ellas. A refe-
rencia do Sr, Quadros é a seguinte:
«Gra9a8 is cuidadosas investiga95es do Sr. Pereira Nunes, gover-
nador de Diu, foram ha pouco descobertas, soterradas nas niinas da
Sé do Castello, duas lapides. Diz uma: Aqui jaz [segue-se a lapide de
Falcio]. Diz a outra: Aqui jaz [segue-se a de Jorge de Scusa]».
O Archeologo Pobtuqcéb 25
Portanto, lapides ultimamente encontradas e mencìonadas pela pri-
meùra vez, sSo unicamente as 10.* e 14.* Fica assim rectificado o ine*
xacto artigo do Sr. Quadros, para que os leitores do Archeologo Por-
tugues nio sejam induzidos em erro. .
21 de Janeiro de 1904.
A. Pereira Nunes.
Onomastico medieval portuguès
(ContiniUi(io. Vid. o Arch, Pori., Yiii, 278)
Aurelias, n. h., 952. L. D. Mnm. Dipi. 38.
Aurem, geogr., 1142. For. de Leiria. Leg. 377.
Aaremiga, n. m., 964. Doc. most. S. Vicente. Dipi. 54.
Aureo, villa, 1180. For- de Ourem. Lèg. 420.
Aurentana (OurentS), geogr., 1050. Doc, most. Pedroso. Dipi. 231.—
Id. 334.
Auria, app. m., 1089. L. B. Ferr. Dipi. 434.
Aurìcule, app. h., 1258. Inq. 620, 1.* ci.
AurUi, geogr., 1258. Inq. 631, 2.» ci.
Anrìmigia, n. m., 1096. Doc. most. Pendorada. Dipi. 499, n.*» 837.
Aurio, n. h., 1038. L. Preto. Dipi. 182.
Atirìol, n. h., 973. Doc. most. LorvEo. Dipi. 67.
Aurioliz, app. h., 1086. Doc. most. LorvSU). Dipi. 397. — Id. 439.
Auriolnis, n. h., 907. Doc. most. Lorvao. Dipi. 10.
Aurion, n. h., 1091. L. Preto. Dipi. 450.
Auripino, n. h., 980. Doc. most. Lorvào. Dipi. 79.
Aurodomua, n. m., 1074. Dipi. 315.
Aorodona, n. m., 1069. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 300. — Id. 313.
Aurolic, app. h. (?), 1089. L. B. Ferr. Dipi. 434.
AuroUz, app. h., 1089. L. B. Ferr. Dipi. 435.
Anrseudo, n. h., 1041. L. Preto. Dipi. 105.
Aurueilido, n. m., 1098. Dipi. 519.
Aasemdìz, app. h., 1048. Doc. most. Moreira. Dipi. 222.
Ausemdizi, app. h., 1047. Doc. most. Pendorada. Dipi. 220.
xlusendo, n. h., 991. Doc. most. Moreira. Dipi. 99.
xlnseri^s, app. h., 1033. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 171.
Ausinda, n. m., 1083. Doc. most. da Graga. Dipi. 373.
Ausindus, n. h., 922. L. B. Ferr. Dipi. 17.
Aussal. Vide Oussal.
Antderiquiz, app. h., 1044. Doc. most. Moreira. Dipi. 203.
26 O Abcheologo PortuouÉs
Auteirelo, geogr., 1220. Inq. 81, 1.* d.
Aiiteirio (S.** Maria de), geogr., 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi.
450.
Auterelo, geogr., 1220. Inq. 81, 1.* ci.
AutiUi, n. h. (?), 1059. Dipi. 256.
Autino, monte, 994. L. D. Mum. Dipi. 103.— Id. 353.
Autorelo, geogr., 1220. Inq. 81, 1.* ci.
Auturelo, monte, 1009. L. B. Ferr. Dipi. 126.
Auuil, lagoa, 922. L. Preto. Dipi. 16.
Anuìtoreira, geogr., 1220. Inq. 149, 1.* ci.
Anuolgodi, geogr. (?), 1083. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 372.
Annrei, geogr., 1258. Inq. 372, 2.» ci.
Anvitnreira, gcogr.^ 1220. Inq. 149, 1.* ci.
Auxendo, n. h., 1059. Dipi. 263.
Avana, app. h., 1258. Inq. 684, 1.» ci.— S. 165.
Avareas, geogr., 1258. Inq. 357, 1.* ci.
AYarenio, geogr., 1258. Inq. 646, 2.* ci.
Avaria, app. h., 1258. Inq. 397, 2.* d.
Avaya, n. h., sec. xv. S. 280.
Avedyn (S." Maria de), geogr., 1258. Inq. 370, 1.* ci.
Avel, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci.— Id. 371, 1.* ci.
Avelaal, app. h., sec. xv. S. 342.
Avelaeda e Aveleeda, geogr., 1220. Inq. 167, 2.* ci. — Id. 397, 1.* d.
Avelaeira, geogr., 1220. Inq. 40, 1.* ci.
Avelaido, geogr., 1258. Inq. 731, 1.* ci.
Aveleeira, geogr., 1258. Inq. 366, 2.* d.
Aveleeuda, geogr., 1258. Inq. 432, 1.* ci.
Aveleira, geogr., 1258. Inq. 345.
Avelenda, geogr., 1258. Inq. 432, 1.*^ ci.
Avellanedam, geogr., 1258. Inq. 486, 1.* ci. .
Avem, geogr.; 1220. Inq. 78, 2.* ci.— Id. 119.
Avenalaria, geogr., 1258. Inq. 555, 1.* d.
Avis (Bees de), geogr., 1258. Inq. 410, 1.* ci.
Aviziboo, geogr., 1258. Inq. 579, 2.* ci.
Avenaleda, geogr., 1258. Inq. 386, 2.* ci.
AvenaUeda (S. Salvator de), 1258. Inq. 543.
Avenelaria, geogr., 1258. Inq. 579, 1.* ci.
Avenoso (S.'* Maria de), 1258. Inq. 493.
Aveozo, castro, sec. XV. S. 181.
Avergayu, geogr., 1258. Inq. 439, 1.* ci.
Averguim, geogr., 1258. Inq. 438, 2.* ci.
O Arcbeoloqo PosTuouis 27
Avesso, casal, 1268. Inq. 687, 2/ ci.
Avezam, geogr.y 1220. Inq. 1. — Id. 75.
Avidos (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 63, 2.* ci.
Avintes^ villa, 1258. Inq. 524.
Avis, villa, 1258. Inq, 571, !.■ e 2.» d.
Avis (Bees de), geogr., 1258. Inq. 410, 1.* cL
Aviziboo, geogr., 1258. Inq. 579, 2.* ci.
Avizimaa, geogr. (?), sec. XV. S. 327.
Avizimaao, app. h., sec. xv. S. 327.
Avoco, casal, 1258. Inq. 592, 2.* ci.
Avoegio, geogr., 1258. Inq. 38, 1.* ci.
Avoim (S.** Maria de), geogr., 1220. Inq, 188.
Avoinas, geogr., 1220. Inq. 144, 2.* ci.
Avoiuo, geogr., 1258. Inq. 536, 1.* ci.
Avorim (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 128.— Id. 322.
Avoy, app. h., 1258. Inq. 353, 2.» ci.
Avoyn (S. Stephano de), geogr., 1258. Inq. 386.
Avoyno, app. h., 1258. Inq. 410, 1.* ci.
Avoytop morta, g®ogr., 1258. Inq. 370, 1.* ci.
Avregam, villa, 1258. Inq. 596, 1.* ci.
Avreiro (S. Stephano de), geogr., 1220. Inq. 190.— Id. 238.
Avuytoreìro, geogr., 1258. Inq. 651, 1.* ci.
Avnytureire, geogr., 1258. Inq. 652, 1.* ci.
Aya, geogr., 1258. Inq. 597, 1.* ci.
Ayam (S. Johanne de), geogr., 1258. Inq. 611.
Ayamonte, geogr., 1254. Leg. 253.
Aymi, geogr., 1258. Inq. 407, 1.* ci.
Ayres, app. h., sec. xv. S. 151. — Id. 169.
Aypó, geogr., sec. XV. S. 166.
Ayzom, n. h., 972. Doc. most. Lorvào. Dipi. 66.
Azaiam, geogr., 1055-1065. Leg. 347.— Id. 166.
Azaki, app. h., 1088. L. Preto. Dipi. 420.
Azakri, n. h., 954. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 40.
Azam, app. h., 1258. Inq. 437, 1.' ci.
Azambugeira, geogr., 1244. For. de Proen^a^a-Nova. Leg. 632.
Azambngero (Penna de), geogr., 1092. L. Preto. Dipi. 458.
Azarias, n. h., 1041. L. Preto. Dipi. 194.— Id. 261.
Azebeto, villa, 1058. Doc. most. da Gra9a. Dipi. 252.
Azedal, geogr., 1258. Inq. 293, 2.» ci.
Azeit, app. h., 1094. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 479.
Azer, geogr., 960. L. D. Mum. DipL 51, n.^ 81.— Inq. 330.
28 O Archeòlogo Pobtugiués
Aiewedo, villa, 978. Doc. most. Lorvio. Dipi. 78. — Rio, 1002. Doc.
most. LorvSo. Dipi. 116, 1. 7. •
Azevada, geogr., 1258. Inq. 659, 2.* ci.
Azevenario, geogr., 1258. Inq. 659, 2.* ci.
Azevetu, villa, 1081. Tombo S. S. J. Dipi. 357.
Azevetusa, villa, 1081. Tombo S. S. J. Dipi. 357.
Azevìdelo, ribeiro, 1258. Inq. 626, 2.* ci.
Azioni, geogr., 1055-1065. Leg. 347.
Azido, geogr., 1258. Inq. 560, 2.** ci.
Azinariz, app. h., 966. Doc. most. LorvSo. Dipi. 58.
Azinliaga, geogr., sec. xv. S. 379.
Azinhnl de Arronclies, geogr., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 2.%
C. 158.
Aziquiadi, app. h., 1258. Inq. 478, 2.* ci.
Aziuedo, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258.
Aziueto, villa, 971. Doc. most. S. Vicente. Dipi. 65.
Aiiveiro, fonte, 1258. Inq. 635, 2.* ci.
Azivido, geogr., 1258. Inq. 298, 2.* ci.
A^^moii^ app. h., 968. Doc. most. LorvSlo. Dipi. 60.
Aznarez, app. h., sec. xv. S. 196.— Id. 293.
AKnani, app. h., 1115. Leg. 141.
Azot*nga, geogr., 1258. Inq. 520, 1.*^ ci.
Azoes (S. Salvator de), geogr., 1220. Inq. 102.— Id. 253.
Azoines, villa, 1258. Inq. 505, 2.* ci.
Azoraria, geogr., 1258. Inq. 676, 1.^ ci.
Azoreìra, app. h., 1258. Inq. 417, 1.* ci.
Azoreyra, geogr., 1160. For. de Celleiró. Leg. 387.
Azub(*ìde, app. h., 1016. Doc. most. Lorvao. Dipi. 143.
Azuhdi, app. h., 1016. Doc. most. Lorvao. Dipi. 143, n.^ 229.
Azzaki, app. h., 1090. L. Preto. Dipi. 436.
BaauH (S. Martino de), geogr., 1258. Inq. 662, 2.* ci.
Baazo {S. Adriano de), geogr., 1220. Inq. 47, 1.* ci.
Babillon, app. h., sec, xv. S. 179.
Babilo», n. h., 1258. Inq. 491, 2.* ci.— App. h. Inq. 492.
Babtista (S. Johanne), 1258. Inq. 296.— Id. 477.
Babuoso, app. h., 1258. Inq. 601, 2.* ci.
Bacalusti, mosteiro, 970. Doc. most. Lorvào. Dipi. 65. — Id. 68.
Bacelro, geogr., 1258. Inq. 435, 2.* ci.
O Abcheolooo Pobtugués 29
Bacelal, geogr., 1258. Inq. 546, 1.* ci.— Id. 693.
Bacelares, geogr., 1258. Inq. 638, 2.* ci.
Backi, n. h. (?), 1099. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 534. .
Bacoriu, app. h., 1220. Inq. 79, 1.* ci.
Bacoriiio, app. h., 1258. Inq. 308, 2.* ci.
Bacopo, app. h., 1220. Inq. 201, 2.* ci.— Id. 154.
Bacturio, n. h., 974. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 71.
Bacurìo, n. h., 921. Doc. most. Vairao. Dipi. 15.
Badalhoo^e, geogr., sec. XV. S. 155.
Badanha, geogr., sec. xv. S. 383.
Bademondì, app. h., 995. L. Preto, 107»
Badi, geogr., 1258. Inq. 438, 1.* ci.— Id. 520.
Badìm, geogr., 1091. Doc. most, Pendorada. Dipi. 450. — Inq. 375*
Badoeo, geogr., 1085. Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 378.
Badoucos, geogr., 1258. Inq. 697, 1.* ci.
Bae<*a, app. h., sec. xv, F. Lopez, Chr. D. J. 1.^, p. 1.*, C. 140. .
Bafahuas, geogr., 1258. Inq. 602, 2.* ci.
Bafareira, casal, 1258. Inq. 683, 1.* ci.
Balas, app. h., 1258. Inq. 298, 1.* ci.— Id. 324.
Bafaul, casal, 1220. Inq. 81, 1.* ci.
Baffaul, geogr., 1258. Inq. 722, 2.* d.
Bafuarias, geogr., 1098. Doc. most. Pendorada. Dipi. 527.
Baga, n. m. (?), 1010. L. Preto. Dipi. 130.
Bagauste, geogr., 1182. For. de Valdigem. Leg. 428.
Bagania, geogr., 1258. Inq. 492, 1."^ ci.
Bagazerra, geogr., 1258. Inq. 535, 1.* ci.
Bagino, n. h., 982. L. Preto. Dipi. 83.
Bagoinnos, 1237. For. de Cepo. Leg. 628.
Bagojrm, app. h., sec. XV. S. 350.
Baguim (S. Georgeo de), geogr., 1220. Inq. 138. — S. 155.
Bagulias, casal, 1258. Inq. 438, 1.* ci.
BagaUo, app. h., 1220. Inq. 189, 1.* ci.— Id. 236.
Baganti (S.^* Maria de), geogr., 1220. Inq. 185.
BahaluI, n. h., 943. Doc. most LorvSo. Dipi. 30, n.^ 51.
Bahaluli, n. h., 1059. L. D. Mum. Dipi. 261.
Bahoeiras, geogr., 1080. Doc. most. Pendorada. Dipi. 349*
Bahrì, n. h., 980. Doc. most. LorvSo. Dipi. 79.
Baiau, geogr., 1066. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283.
Bailessa, n. m., 1092. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 460.
Baioo, app. h., 1220. Inq. 119, 2.* ci.
Bairoso, rio, 1030. Doc. most. Pedroso. Dipi. 164.
BO O Archeologo Postuqués
najoca, geogr., 1258. Inq. 692, 1.* ci.
Hakpi, n. h., 977. Doc. most. Lòrvao. Dipi. 7tì.
Baiali, casal, 1258. Inq. 677, 1.* ci.
Balasquida, n. m., sec. xv. S. 282.
Balastario, monte, 1098. L. Preto. Dipi. 530.
lialdamar, geogr., 1220. Inq. 156, 2.* ci.
Baldamiriz, app. h., 1258. Inq. 326, 1.^ ci.
Baldaudo, app. h., sec. xv. S. 175.
Baldaya, app. h., sec. xv. Azur. Chr. Guiné, p. 59.
Baldeniariù, app. h., 1070. Doc. most. Aroaca. Dipi. 303.
Raldemiro, n. h., 972. Doc. most. S. Vicente. Dipi- 67.
Balderediz, app. h., 1004. L- Prete. Dipi. 118.
Balderedo, n. h., 964. L. Preto. Dipi. 55.
Baldereiz, app. h., 1080. Doc. most. Pendorada. Dipi. 356.
Balderique, n. h., sec. xv. S. 190.
Ralderix, geogr., 1258. Inq, 427, 1.* ci.
Baldey, geogr., 1258. Inq. 476, 2.* ci.
Baldige, villa, 1182. For. de Valdigem. Leg. 428.
Baldigi, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262.
Baldoi, n. h., 1008. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 124 n.« 202.— Inq. 86.
Bladoigii, geogr., 960. L. D. Mnm. Dipi. 51, L 13.
Baldomar, geogr. Inq. 156, 2.* ci.
Baldosendi (S.** Marina de), 1220. Inq. 95, 2.* ci.
Baldosindi (S.** Marina de), 1220. Inq. 179, 1.* ci.
Baldpei (S. Salvatore de), 1220. Inq. 20. — Id. 94.
Baldreu, geogr., sec. xv. S. 162.
Baldnge, rio (?), 1202. For. Tavoadello. Leg. 524.
Balessa, n. m., 1037-1065. L. Preto. Dipi. 279.
Balestarios, villa, 1033. Doc. most. Avè-Maria- Dipi. 171.— Id. 91
e 330.
Balenìi, n. h., 957. Doc. most- LorvUo. Dipi. 43.
Balfager, app. h., sec. XT. S. 268.
Balidu, n. h., 1009. Dipi. 127, n.*> 207.
Balneum lepivsorum, geogr., 1258. Inq. 698, 2.* ci.
Baloes, (S.^ Eolalia de), geogr., 1220. Inq. 120.— Id. 189.
Balsamum, rio (?), 1182. For. Valdigem. Leg. 428.
Baltasares, geogr., 1258. Inq. 328, 2.* ci.
Baloes (S."^ Eolalia de), geogr., 1220. Inq. 39.— Id. 189.
Baloremoto, app. h., 773 (?). L. Preto. Dipi. 1.
Balonca, geogr., 1258. Inq. 643, 1.* ci. — Id. 657.
Baloucas, geogr., 1258. Inq. 668, 1.* ci.
\
O Archeologo Poirrnacis 31
Balsamir, villa, 1258. Inq. 486, 1/ ci.
Balsamon, rio (?), 1098. Doc. most. Pendorada. Dipi. 527.
Balselns, villa, 1258. Inq. 577, 1.» ci.
Ballar, geogr., 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 415. — Id. 7, 1. 4.
BaiUre, geogr., 1258. Inq. 573, 2.» ci.
BalUres, app. h., 1053. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 170.
Baltari, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 258.
Ballano, n. h., 1009. L. D. Mum. Dipi. 129.
Baltarìt, app. h., 1059. L. D. Mum. Dipi. 259.
Baltariz, app. h., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35.
Baltasariz, app. h., 773 (?). L. Prete. Dipi. 2.
Balteiro, n. h., 883. Doc. ap. most. Arouca. Dipi. 6.
Balterio, n. h., 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 413.
Baltonizi, app. k, 989. Dipi. 98.
.Bamba, app. h., sec. xv. S. 342.
Banco, geogr., 1258. Inq. 615, 2.* d.
Bandolos, casal, 1258. Inq. 731, 2.* ci.
Bandnge, rio (?), 1202. For. Tavoadello. Leg. 524.
Bandy, villa, 1268. Inq. 558, 2.* ci.
Bangueiro, geogr., 1258. Inq. 610, 1.* ci.
Banha, app. h., sec. xv. F. Lopess, Chr. D. J. l.**, p. 1.*^ C. 159.
Banios, villa, 950. Doc. most. Moreira. Dipi. 34.
Banita, app. h., 1174. For. de Tornar. Leg. 401.
Bauius, villa, 1047. Doc. most. Pendorada. DipL 218.
Bantota, geogr., 1258. Inq. 638, 2.* ci.
Baoca ou Banca, casal, 1220. Inq. 96, 2.* ci.
Baoeo (S. Adriano de), geogr., 1220. Inq. 47, 2.* d.
Baqniiia, n. m. (?), 955. Doc. most. Moreira. Dipi. 40.
Baquiii, villa, 994. L. Prete. Dipi. 105, n.« 170.— Id. 107.
Baqoino, n. h., 985. Doc. most. Moreira. Dipi. 94.
Barai, app. h., 1258. Inq. 715, 1.* d.
Barala (Castinarìo de), geogr., 1258. Inq. 640, 1.* ci.
Baralha, app. m., sec. xv. S. 163.
Baralia ou BarraUa, geogr. (?), 1037. L. Prete. Dipi. 181.— Id. 181.
Inq. 100 e 372.
BaraHo, app. h., 1220. Inq. 201, 2.* d.
Barantes, app. m., sec. xv. S. 339.
BaraU, app. h., 1258. Inq. 307, 1.* ci.— Id. 97.
Baraza, app. h., 1258. Inq. 440, 1.* ci.
Barbadam, app. h., 1115. Leg. 141, l.^d.
Barba leda, app. h., 1258. Inq. 308, 1.» d.
32 O ÀRCHEOLOQO P0RTUGUÉ8
Barbas, app. h., sec. xv. S. 177.
Barbosa, app. h., sec. XV. S. 165.
Barcandi, geogr., 1258. Inq. 356, 2.* ci.
Barcarrota, g^ogr., sec. xv. S. 148.
Barcelos, geogr. For. de Barcellos. Leg. 432. — App. h., 1220. Inq. 46,
2.* ci.
Barega, geogr., 1258. Inq. 642, 1.* ci.
Barelas, geogr., 1186. For. da CovìlhX. Leg. 456. >
Barelha, app. m., sec. xv. S. 323. . .
Barelos, geogr., 1258. Inq. 688, 1.* ci.
Barganca, geogr., sec. xv. S. 182.
Bargan^oni, app. h.,* sec. xv. S. 176.
Barial, geogr., 1258. Inq. 307, 1.* ci.
Barili, n. m., 1099. I)oc. most. Pendorada. Dipi. 539.
Barius, villa, 989. Dipi. 98. — Id. 387.
Barueiras, campo, 1220. Inq. 83, 2.* ci. •
Barogue, villa, 1258. Inq. 642, 2.* ci.
Barom, n. h., 1258. Inq. 694, 1.* ci.
Baron, n. h., 967. Doc. most.LorvIo. Dipi. 60.— Id. 14.
Baroncelhy, geogr., sec. xv. S. 198.
Barouiz^ app. b., 1093. L. Preto. Dipi. 473. .
Baróo, geogr., sec. xv. S. 220.
Barosa, geogr., 1182. For* de Valdigem. Leg. 428.
Baroso, rio, 1087. L. Prete. Dipi. 402.— Id. 430.
Barqueii*os, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 268.
Barrada, geogr., 1258. Inq. 727, 1.* d.
Barrados, geogr., 1258. Inq. 726, 1.» ci.
Barragani, app. h., 1220. Inq. 38. — Id. 118.' — Geogr. Inq. 53.
Barragan^ app. h., 1085. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 382. — Leg. 396.
Barrali, geogr., 1220. Inq. 109, 2/ d.
Barrai, n. h., 1250. Inq. 507, 2.* ci.
Barrala (campo de), geogr., 1258. Inq. 705, 1.* ci.
Barralis, app. h., 1250. Inq. 578. 1.* ci.
Barrantes, geogr., 690. L. D. Mum. Dipi. 51, 1. 18.
Barrarlo, geogr., 1258. Inq. 529, 1.* ci.
Barrarios, geogr., 992. L. D. Mum. Dipi. 102.
Barrarius, app. h., 1258. Inq. 487, 2.* ci.
Barrega, app. h., 1220. Inq. 53, 1." ci.— Id. 139.
Barreiroo, villa, 1258. Inq. 678, 1.* ci.
Ban*eiros, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258.
Barrela, geogr., 1258. Inq, 722, 2.» ci.
O Abcheoloqo Pobtugués 33
Barrelai», geogr., 1169. For. de Lìnhares. Leg. 395.
Barreleiros, geogr., sec. xv. S. 176.
Barreihasy geogr., 1199. For. Guarda. Leg. 511.
Barrelìna, vinha, 1258. Inq. 677, 2.* ci.
Barreses, geogr., 1258. Inq. 406, 2.* ci.
Barreta, app. h., 1220. Inq. 105, l.» ci.— Leg. 572.
Barreteiro, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.", p. 1.*, C. 161.
Barreto, app. h., 1258. Inq. 326. 1.* ci.— S. 149.
Barrìal, geogr., 1220. Inq. 109, 2.* d.
Barriguel, app. h., 1220. Inq. 141, 1.^ ci.
Barrioio (Barrò), geogr., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 231, 1. 29. —
Id. 42, 71 e 277.
Barrios (S. Stephano de), geogr., 1220. Inq. 94.
Barro, geogr., 1258. Inq. 522, l.» ci.
Barroca, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.^, p. 1.*, C. 26.
Barrosa, geogr., 1258. Inq. 326, 1.* ci.
Barrosas, geogr., 983. Dipi. 85.
Banroseias, app. h., 1220. Inq. 28, 1.' ci.
Bafroseio, app. h., 1258. Inq. 493, 2.* ci.
Barroso, rio, 1098. Doc. most. Pendorada. Dipi. 520.
Barryo (casal do), geogr., 1258. Inq. 344, 1.* ci.
Bartolameos, n. h., 1111. For. de Satào. Leg. 355. — Inq. 614.
Baruadanibus e Baraadens, geogr., 1257. For. Barvadles. Leg. 667.
Baniaens, app. h., sec. xv. 8. 143.
Baraaldo, n. h., 976. Doc. most. Lorvao. Dipi. 74, n.<» 118.
Barualho, app. h., 1220. Inq. 75, 2.* ci.
fllarualìo, app. h., 1220. Inq. 169, 2.* ci.
Barualuo, app. h., sec. xv. S. 267,
BanieIha, app. m., sec. xv. S. 381.
Baragaes (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 46, 1.* ci.
Barando, app. h., sec. xv. S. 161.
Barunzeli, geogr., 1220. Inq. 146, 1.» ci.
Baruo, app. h., sec. xv. S. 337.
Bar\'adaes, geogr., 1220. Inq. 45, 1.* ci.— Id. 127.
Barvado, app. h., 1258. Inq. 324, 2.* ci.
Barveita (S. Salvatore de), geogr., 1258. Inq. 374.
Barveitelos, geogr., 1258. Inq. 370, 1.» ci.
Barveito, geogr., 1258. Inq. 326, 1.* ci. — Id. 419.
Barvosa, geogr., 1258. Inq. 584, 1.* ci.
Barvudo, app, h., 1258. Inq. 439, 2.* ci.
Banelos, geogr., 1220. Inq. 128, 2.* ci.— Id. 36.
34 O Archeologo Poetu&ués
Basaguada, geogr., 119B. Fpr* Guarda. Leg. 511.
Basalisa ou Baselìsa, n. m., 960. Doc. most. Moreir^* Dipi. 48.
Baselesa, n. m., 949. Doc. most. Moreira. Pipi. 34.
Basilessa, n. m., 1100. L. B. Ferr. Dipi. 560. n.^ 948.
Basilissa ou Bassilisa, n. m., 1090. L. Preto. Dipi. 442.
Basselissa, n. m., 995. Doc. most. Moreira. Dipi. 107.
Bastanza, geogr., sec. xv. S. 339.
Basto, geogr., 1091. Doc. mos(;- Peudorada. Pipi. 450. — S. 211 e 301.
Bastucio, monte, 1024. Doc. most. Pendorada. Dipi. 157.
Bastutio, monte, 1100. Doc. most. da Gra^a. Dipi. 548.
Bastaio, geogr., 1220. Inq. 15.— Id. 85.
Batalha, app. h., sec. XV. S. 155.
Baticela, app. h., sec. XV. S. 152. — Id., F. Lopez, Chr. D. J. l.**,
p. 2.% C. 21
Batiniz, app. h., 994. Doc. most. Moreira. Dipi. 106.
Batisella, app. h., sec. xv. S. 164.
Batoca, geogr., 1220. Inq. 80. 1.* ci.— Id. 616.
Batoncos, geogr., 1250. Inq. 694, 1.* ci.
Baaaldiz, app. k., 1077. Doc. most. Pedroso. Dipi. 334.
Baucella, villa, 1083. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 372.
Baiicoos ou Bauqoos (S. Salvatore de), geqgr., 1220. Inq. 39.
Baueca, app. h., sec. xv. S. 307.
Bauilo, n. h. (?), 1044. Poe. most. Pendorada. Pipi. 205, n."* 337.
Bauli, geogr., 1258. Inq. 662, 2.* ci.
Baulosa (S. Stephano de), geogr., 1220. Inq. }02, 2.* ci.
Bauza cremata^ geogr., 1258. Inq. 513, 1.* ci.
Bauza de lobo, geogr., 1258. Inq. 607, 2.* ci.
Bauza dos BoIos.Vidè Bolos.
Bauza reimonda, geogr., 1258. Inq. 607, 2.* ci.
Bauzas, geogr., 944. L. Preto. Pipi. 31.
Bauzolinas, geogr., 907. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 10.
Bauzoos, geogr., 1258. Inq. 692, 2.* ci.
Bavoso, app. h., sec. xv. S. 179.
Bayam, geogr., 1055-1065. Poraes. J^eg. 347. — Inq. 5^82.
Bayna, app. h., 1258. Inq. 575, 2.^ ci.
Bazaca, n. h. (?), 1258. Inq. 726, 1.» ci.
Bazaco, n. h., 1023. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 156. — Inq. 701.
Bazalar, geogr., 1258. Inq. 407, 2.* d.
Bazaria, geogr., 1258. Inq. 676, 1.* ci.
Bazeiro, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci.
Bazelo, geogr., 1258. Inq. 602, 2.» d.
A«QH^o(.oao BoBTuwA^ 3^
Bazi, n. h., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57, n.® 90.
Bearle, app. m., sec. XV. 8. 260.
«eaitM^iifi (S.^ Maria de), gepgr., 122Q. Jnq, 113.
Beatriea, wnb»? 1257. Fof. de JJvi?iedQ. J^g, 6? 7,
Be^a, app. h., sec. xv. F, Wpo»j C^r. P. J. l.**, p. 1.*, C. 176t
Bacar, n. b,, 967- Poo. paost. tqrv^o, El<pl. 60, u.^ 94-
Beehides, ^pp, h., sec. xv. S. 257.
Beehe, app. h-, I2p8. Jnq. 532, 1.» ol,
Bedonis, geogr., 1^58. Jnq. 573, 1.* ci.
Beeiti (S. Salvatore de), geqgr., 1220. I^q. 67.— Id. 160 e ?5Ji,
Beenti, campo, 1258. Inq. 736, 1.* ci.
«ees de Avis, geqgr. (?), 1?&8. Inq. 5()6, J.* ^1.
Bela, app. h., 1220. Inq. 209, 1.» d.
Begiea, n. h. (?), 968. L. D. Mum. Dipi. 61, n.^* 97.
Begi^H^r, »pp. b., 99p (?). Poe. nqost. fendflr^d^. D^pl- 1Q8.
Begiqn, n. b., 1042 (?). Poe. mos^. Morejra. Pipi. 106.
Begunte, app: h., sec. ^y. S. 190.
Bma? pidade, sec xv. S. 204.
Beiamim, p. b., 1002. Poe. sé de Ooimbr*. Pipi. U7, n-^ 191.
Bel^JlM, app. h., sec. xv. S. 179:
Beinii, app. b., 10^6. Doc. most. Moreir^. Dipi. 396, n.® 661,
Beika, n. h., 951. Doc. most. Moreira. Dipi. 36.
Beion, n. h., 1080. Doc. most. Moreira. Dipi. 352, n.® 584.
Peixodo e R^^ndq, app. b., ^258. Ipq, 721, 2.» cj.
(Oontmàa). . . . ^
A. A. CORTKSAO.
Notioias aroheologioas do Norte de Tr&s-os-Montes
I, Vm necrpppjfs fin (^arf l^slqtifi
No termo de Oargloziiiho, freguesia de Oerfipioos, concelho de B|*^«*
gan9a, ha um castro, no sitio denominado 4 J^^^ àa Ch^uz. Entre
este castro e a antiga capella de 8. J^li&o, que dista docile cousa de lOU
metros, encontraram uns alde5es um cernite rio archaico composto de 17
sepulturas rectangulares, cujas dimensSes, com excep92o a de uma se-
pultnra, que por exigua, pareoia ser de orian9a, eram aproximadamente
2'",23X0",78. Todas as sepulturi^s eram fejtas de lages dispostas de
cutelo, e tapadas por outras lages, peqtro parece que so se encontraram
ossadas, que foram brutalmente destruidas a enxada. Sobre a epoca
do cen^ìt^^o Q{|d§ positivo se póde affirmar.
36 O Abcheolooo Portooués
II. AiitiffuaUiaB de Pa^ de Lomba
1. £m Pa^os de Lomba do concelho de Viahaes, no sitio da Poula
dos Mouros, do lado do levante, houve urna capella de S. Martinho, de
de qae ji raros vestigios se encontram hoje.
A poente do sitio da capella tem-se encontrado algumas fiadas de
sepulturas, abertas em terreno saibroso, com fórma trapesoidal. Cada
sepultura, no sitio aonde repousava a cabe9a do cadaver, tinha fórma
semi-circular; os cadaveres ficavam com os pés para o oriente.
Estas sepulturas eram tapadas umas com lages grandes e outras
com duas oa tres lousas.
Na occasiSo que fui ao sitio, estavam a descoberto umas trìnta e
duas sepulturas.
2. guia que me acompanhava contou-me que em um locai adja-
cente i necropole, o qual me foi mostrar, tinha sonhado com um the-
souro, e que, passando sobre aquelle ponto, o terreno resoava.
Determinou elle e o ìrmào irem de noite cavar ao sitio, e desco-
brìram nm fornilho sem boca («fc), feito de tijolos; abriram-no pela
cupula, e dentro d'elle, em vez de um thesouro, encontraram terra ne-
gra, carvSes e grSos de trigo de c6r negra. Seria urna sepultura por in-
cinerammo?
3. O mesmo guia aiHrmou-me que um velho da povoa9lo achàra
naquellas proximidades um garfo (?) feito de curo, que venden na feira
de Villar Secco de Lomba.
III. Sepaltara do see. XTII em Bragaa^a
No largo de S. JoSo, em Bragan9a; aonde se anda actualmente
construindo um edificio para a Agencia do Banco de Portugal, houve
a igreja de S. Jo&o, da qual restava ainda ha pouco ama capella lateral,
que foi agora demolida, para a alludida obra; encontrou-se nella urna
lapide funeraria a oobrir ama sepultura; tinha a seguinte inscrip^ao:
SEPVLTV
RA DE JOZ
EPE-ALONSO
1607
Bragan9a, Janeiro de 1904.
Celestino Beìja.
Archeologo Pobtuqués 37
Aoqui8iQ6es do Museu Etlmològioo Portugués
Este estabelecimento, installado definitivamente, desde 1903, em
urna das grandes alas do edificio dos Jeronimos, em Belem, prepara-se
para ser aberto ao publico por condìgna maneira^ aumentando as snas
coUecgSes e dispondo o que jà possue, de fórma que incuta no espirito
dos visitantes nacionaes, infelizmente ainda mal preparados para devi-
damente apreciarem o valor e sìgnificado dos objectos expostos, a vene-
ra9So e attengio de que a archeologia é digna.
De ju8tÌ9a é registar os nomes das pessoas que contrìbuem para
a prosperìdade d'està instituigSo, ou directamente, fazendo dadivas
de objectos que possuem, ou por qualquer outra forma, facilitando
acquisigSes.Taes pessoas dSo um exemplo eloquente e denotam compre-
hender o alcance de urna instituigào d'està natureza, destinada a salva-
guardar OS vestigios que, na serie secular de povos que nos precederam
no solo nacional, foram ficando envoltos em terra e em esquecimento.
£ por isso que o intuito do Museu Etimologico é habilitar a sciencia
para estudar as origens do povo portugués, a sua evolu^So prehistorica
e historìca e os seus caracteres differenciaes.
Neste espirito, e para nSo retardar o devido agradecimento a dìs-
tinctos protectores d'este museu nacional, vou deixar aqui leves notas
acérca de recentes trabalhos e acquisÌ95es em que intervìm, e cujos
resultados farSlo opportunamente assunto de artigos especiaes n-0 Ai'-
cheologo Portugués»
£m Outubro de 1903, o Rev. P.* Manoel J. da Cunha Brito offere-
cea-me dos Arcos de Valdevez um vaso prehistorico, fabricado sem roda,
munido de asa, bordo largo omamentado e de fórma semiespherica.
Proveio de aohado casual feìto ao arrotear urna terra virgem. É uma
preciosidade que merece estudo serio, n&o so pelo que é em si, comò
pelo que significa e pela regiào a que pertence. Este aohado motivou
escava9Ses que nSlo foram infrutiferas. Escuso, depois d'estas palavras,
de encarecer a generosìdade do Rev. P.® Cunha Brito, em quem este
apparecimento parece ter despertado o gesto pelos estudos archeolo-
gicos.
Da mesma regiào deve o Museu conjuntamente a sua Rev/ e ao
meu especìal amigo JoIoVasconcellos, outro protector do Museu (vid.
38 O AttCtì&OLOOd POETtJdtJlIl^
Arch. Pori., vili, 30 e 57), a posse de urna curiosa lapide romana, comò
em oath) iiiiiiieFO do Aréhtsohj^o dird.
Ainda do concelho de Arcos deValdevez, o Sr. Hanoel de Freitas
Velloso offereceu um grande ancinUo de ferro, cuja epoca nUo conhe^o
bem, e o Rev. P/ Joao de Brito Galvao, digno abbade de Sistello, algiins
objectos de etlinographia contemporanea.
Ì)o Sr. Conselheiro lUiguel bauias, de Paredes de Coura, reeebeii
estàbelec'imento em que traballio urna valiosissima dadiva: foranl
cinco machados de bronze, dos de argola, provenientes de thfesoiiro
encontrado em tei-ras de S. Ex.* — Em bom estado de conservammo,
constitU^m hoje um dos inais importantes grupos de objectos da epoca
de bronze, que o'Museti pode mostrar aos vìsitantes e curiosos, Oxala
exemplo de S. Ex.* frutificasse para honra do proprio pais que assiste
ìmpassivel ao lan^amehto de tàntos bronzes prebistoricos nos càdinhos
dos caldeireit-os, (vid. Àrch. PoH., viii^ 132).
l5m NoVembro do mesiho aimo, emprehendi o estttdo dos vestigios
dà epoca rbmAnd existehles ha t-egiSó IgoditanenSe, ciijo cetitro era
tgeditàUià òu Ègitanià.
Sem OS innumeros faVotés e auxilios de lim cavalheiro de Idàtilia-
à-Velhà, Ò Sr. ÌóZó dos ftéis teitio MaM'òcos, nSo so quasi hada conse-
guirla, mas ver-me-hià obrigado a àlojar-me, duraiite algumas semanas,
ènl casèbr&s desprovidos sequer do rudimentar conforto de um sobrado !
S. Ex.* hDspt^ddu-itìe eln sua casa, rbdeatido-me de multiplas atteùgSes,
que se por um lado sào da tradigSo d'aqnella casa è éòhseqtiencin da
proverbiai bizarria beirS, por outto lado tem em S. Ex.* um cunho
pessoal que seduz e sobremaneira obriga quem urna vez teve a honra,
corno eu, de ser alvo d'alias. A coIlec9Ko de iiiscrip$9es romanas que
renni, é brilhante, e daria home a qualquer oolléccào epigraphica da
Europa.
Como disse, as facilidades que encontrei^ devo-as directameute a
S. Ex.*; indirectamente a outro generoso beir&o e meu particular amigo,
Sr. Aurelio Finto Tavares Castello Hraueo^ de Val-de-Prazeres, de
quem tambem i-ecebi inolvidaveis provas de affecto e dedicaQfto.
O illustre morgado de Marrocos deixou-me ainda escoiher urna col-
lebgflò de vasilhas medieVicas^ apparecidas em grande quantidade na
vasa de um antigo poco da Idanha.
Inj Ustica seria esquecer o nome do zeloso chefe da esta98o do cami-
dlio de ferro ehi Alcains^ o Sr. Abel Gonha Hèllb è Silra^ pela dedica9lo
O AKfcHEOLOGO POR+U&UÉfe à&
e solicìtìide com qne dirìgìa o delicàdo servigo de carregainentos, quando
fiz a remo9fto das numerosas e pesadas pedras da Idanha para Belem.
Mtlitas outras J)essoas n& mesma regiào me cuiniikratn de seas obse-
quios: em Medelim, o Sr. Dr. José Fìnto Taborda Ramos, que jà brindou
Muséil com urna ara, onde de ìè o nome de nma divitidade lusitana
inedita; na mesma localidade o Rev. Prior Joaquim Antonio da Costa
faeilitou-me a obtengfto de urna lapide; e um irmSo de S. Rév.*, o
Sr. José Joaquim da Costa, ofPertoU outra lapide de propriedade sua,
nSo duridando mandà-la transportar até o legar que me convinha'.
Em Alcafozes, o abastado proprietario Sr. Joaquim Franco propor-
cionou-me a acquiaiySo e remogSo de algumas lapides romanas, exìs-
tentes naqnella povoa9So, contribuindo para o seu transporte com ve-
hieulo de S. Ex/
Em Monsanto, alem de obseqnios prestados pelo Rev. Prior e men
antigo coinpanheiro em Coimbra o Rev. Joaquim Vaz de Azevedo, devo
ao Sr. Sebastiao Henriques, da Chà de Touro, um arazinha inedita
eom nutro home de divindade lusitana.
Ao filho do Sr. Morgado de Marrocos, o Sr. Antonio dos Reis Mar-
rocos^ devi as facilidades com que adquiri outra lapide na Bemposta
e conhecimento e visita de lima anta nas margens do Aravi], por
intermedio do Sr. Dr. Sebastiao Conde.
valor dos servigòs prestadod por estes cavaldeiros é para mim
tanto maior, quanto é certo que todos os beneficios redundam em favor
de um estabelecimento do Estado, qual é o Museu Ethnolo^co Portu-
gués, estabelecimento ainda nSo inaugurado nem aberto ao publico,
e que pottanto S. Ex.** nSo conheciam nein visitaram, g^iando-se apenas
pelas infbrma^Ses dii occasilo;
tidtott certo de que ao risconhecerem, no dia em que puderém vi-
sitar Museu, OS objectps que Ihes s^o devidos, condignailiènte ex-
postoSj hSo de sentir orgulho e desvaneciinento por verem confiriuada
a confian^a que em mim depositaram e j ustamente apreciados os seus
actos de generosidade.
Frux Alves Pereira.
II
Ao que fica mencionado acrescentarei o seguinte:
Epoca do bronse (e eobre)
A RepartifSo de Minas (Ministerio das Obras Publicas) offereceu
cince braceletes e um fundo de bainha achados em Alcain9as.
Sr. Joaquitii Camillo, do Cadaval, offereceu um machado.
40 O ÀRCHBOLOOO POBTUaUÉS
O Sr. Jaime Leite, da Columbeira (Obidos), ofFereceu dois ma-
chados.
O Sr. A. Bello Juaior, de Lisboa, offereceii dois machados, de
Escaropim.
Sr. Conselheiro Severiano Monterò offereceu um machado, de
Escaropim.
Do concelho da Lourinha provieram por compra: um machado, me-
tade de outro, e um machado alvado, quasi inteiro.
Sr. Autonio Maria Garda, de Praganga, offereceu varìos instru-
mentos (um dardo, machados, etc.).
Do concelho de Villa Real de Tràs-os-Montes provieram por com-
pra: um ìnstrumento cortante-contundente ; um machado com tubo la-
teral para encabamento (fórma por ora unica entro nós); um machado
chato quasi inteiro.
Dos arredores das minas de Santo Adrilo proveio um machado em
mau estado, por compra.
Sr. Alvaro Vianna de Lemos, alumno da Escola do Exercito,
offereceu um machado.
Sr. Dr. Henrique Botelho, de Villa-Reàl, offereceu cince macha-
dos chatos; um machado alvado com desenhos; e metade de outro, tam-
bem alvado.
Rev. José Praia, prior d o Carvalhal (Obidos) , offerecteu ama
lan9a.
Rev. José Bernardo de Horaes Galado, conego-prior da sé de
Miranda do Douro, offereceu uma penta de seta.
Sr. Adriano Pereira Horta, do Carvalhal (Obidos), offereceu:
uma espada, duas laminas de outras, uma lan9a quasi inteira, q frag-
mento de um machado alvado, e seis braceletes, — tudo encontrado em
uma proprìedade sua.
O Sr. Diocleciano Torres, de Mon9S.o, offereceu um machado al-
vado.
Do Norie proveio um machado de anel laieral, comprado no Pòrto.
Sr. Adolfo Miranda, presidente da Camara Municipal de Pena-
fiel, offereceu um machado.
De Meslo-Frio proveio um machado, adquirido por compra.
Do concelho de Barcellos provieram dez machados, sondo alguns
d'elles alvados, e outros de anel.
Do concelho de Villa Real provieram, por cedencia, dois machados.
Do Algarve provieram: quatro machados, e a penta de outro; um
escopro; e uma lan9a dos arredores de Lagos.
Sr. JoSo Mauoel da Costa, de Mortola, offereceu duas foices.
O Archeologo Pobtugués 41
Do Alemtejo provierani; por compra: duas espadas ìnteiras e me-
tade de outra.
De Evora provieram, por compra, oito machados, e um escopro.
Rev. Antonio da Silva Pires, oflfereceu um machado, proveniente
de Cazével.
De Baìào proveio nm escopro.
O Sr. Henrique Avellino de Castro oiFerecea um machado, pro-
veniente do Alemtejo.
De OuimarSes proveio um machado, por compra.
De Vianna do Castello proveio outro machado, por compra.
O Sr. Sande e Castro offereceu vinte e sete machados.
A varios ìndividuos foram comprados: treze machados; uma cu-
nha de bronzo; uma lan9a, de Hespanha; duas pontas de seta; duas
laminas de punhaes; um objecto ponteagudo do genero dos quo tem
side considerados comò estoques; um escopro; dois instrumentos cor-
tantes.
Nota, Todos os citados objectos sao cu de bronze cu de cobra. Os machados
a respeito dos qiiaos nilo se dà aqui ontra ÌDdicaoao entenda-se que s2o chatos.
Sr. José da Silva Madeira, de Caccila, offereceu uma bella va-
silha inteira de barro.
Do districto de Beja proveio uma interessante lousa (que croio ser
sepulcral) com esculturas que representam objectos de bronze. Infeliz-
mente nSo està inteira.
J. L. DE V.
Medalha commemorativa do Congresso de Numismatica
(1900)
Por iniciativa de La Société Frangaise de NumismaHque, celebrou-
se um congresso intemacional de numismatica por occasiSo da Expo-
sìq^o Universal de Paris^ desde 14 a 16 de Junho de 1900.
Foi extraordinario o interesse que despertou em todos os paises
cultos està rennilo magna de numismatas. N2o desejamos, porém, fazer
aqui a resenha das memorias scientificas que foram lidas e dos discur-
sos proferidos; os interessados no assunto devem compulsar a obra —
Cangrès Intematiorud de Numiamatiqìie réuni à Paris, 1900, publicada
pela commissSo organizadora do Congresso, em voi. de 449 pag., illus-
42 O Archeologo PottttiOuÉs
trado com xxxiv éstampas, Alem de namerosas graviiras intercaladas
no texto. nosso firn consiste em patentear pela photogravura um dos
exemplares àsiplaqUeUé cu medalha commemorativa do CongrieBso; este
exemplar pertence ao congressista portiigu§s, e vafe rept*esentado na
estampa junta.
O anverso mostra a Numismatica, personiflcada, que exainina at-
tentamente nm numisma. Sobre a mesa, e A disposi^Ro da juvenil filha
da Archeologia, ha diversas medalhas, moedas, tinteiro e penna. No
chSo tres in-folios estEo em repouso, em po8Ì93es desordenadas que o
acaso da queda fixou. A lux invade a ampli tude do recinto pela j anela,
e8pa9osa, aberta para o jardim, entre as ramagens dos arvoredos, e p5e
em evidencia as fórmas suavissimas do corpo escultural, que o manto
desnudou graciosamente^ abandonado à eventualidade dos movimentos.
Em todos OS pormenores da figura ha vida e perfeita intuigSo do b^o,
que se imp3e comò norma. Adivinha-se que a amenidade da tarde eatì-
val convidou a gentil professa do culto do numisma & me^tagXo e ao
estudo. E deliciosa a impressEo que a bem concebida fantasia deixa no
espirito do observador. Na parte inferior do quadro, em novo plano,
à maneira de exergo, lé-se: LA NUMISMATIQUE; e A esquerda,
em letras minusculas^ a assinatura do gravador: DANIEL D VP VIS.
A parte superior do reverso apresenta a prensa monetaria de ba-
lance, omamentada oom estatuetas mettidas em nichos. A sua decora-
jao de honra é urna fita, em que se le a paUvra PARIS, suspensa nas
folhas de um ramo de palmeira, que pretende occultar obliquamente
instrumento para a cunhagem. No plano immediatamente inferior
lese: CONGRÈS INTERNATIONAL — DE NUMISMATIQUE —
JUIN • 1900, em tres linhas; e no exergo entre dois filetes desiguaes:
J. L. DE V. ==J(o8e) L(eite) deV(a8conceUo8).
Pega de prata, quadrilonga, de 0"»,060 X 0",038. Peso: 46«,68.
Tal é a offerenda que a commissio organizadora do Congresso man-
dou gravar para ser adquirida pelos congressistas, variada apenas pela
diversidade dos nomes gravados nos reversos.
O Dr. Lei te de Vasconcellos, o unico representante de Portugal,
leu em sesslo, e entregou, um trabalho intitulado Les inonnuie$ de
la Luèitaìiie portugaise, e assiiti respondeu ao segundo quesito (Etat
actuel de la Numismatique celtibérienne) proposto no programma do
Congresso, o qual foi annunciado com larga antecedencia em revistas
scientificas e na imprensa periodica estrangeira, — vid. O Arch. Pori.,
V, 93-96. A memoria dò conferente portuguès versou sobre moedas
ounhadas em localidades que hoje sfto parte integrante do nosso terri-
torio Continental, Ebora, Salacia, Pax-lulia, Myrtills, BaesUrìs, Osso-
Archeologo Portugués
Voi IX— 1904
JBL
MEDALHA COMMEMORATIVA DO CONGRESSO INTERNACIONAL DE NUMISMATICA,
CELEBRADO NA EXPOSIQÀO UNIVERSAL DE PARIS EM 1900
■i-' Li--;
'--^OX
O ABCateOLOGO POftTUOUÈS 43
nobà, e^ etn appendice, Sirpa, ou Serpa. Trinta e quatro gràvuras
illustraram este tf abalho, qué foi transcripto, com algumas modificagfies
e urna figura nova, n-0 Arch. Port , Vi, 81-89*.
A belleza da plaqueite commemorativa do Congresso foi influen-
ciada pela orientagào da nova eseola francesa de gravura artistica, es-
fola que tem affirmado brilhantemente a sua reforma feliz em cria9oes
de primeira ordem, quasi desconhecidas em Portugal. A plaquette é
perfeitamente correeta e bem inspirada, corno o sào muitas que foram
fantasìadas por artistas educados na mesma escola. Conhecemos de
perto mais duas^ que existem em Lisboa num mostrador do Museu
Nacional de Bellas-Arteé, e sSo: Le Nid e La Bouree, produc$9es do
mesmo gravador Daniel Dupuis, jà fallecido. Foram offerecidas àquelle
estabelecimento do Estado pelo Sr. Augusto Ca2ilhac, de Marselha.
SSo duas encantadoras obràs de verdadeiro merito ; para ellas chamamos
a attengSo dos gravadores portugueses.
Para trabàlhos d'està ordem a fórma quadrilonga substituiu com
vantagens positivas a fórma circular, usada nas outras medalhas. O novo
modelo, alem de ser gracioso, presta-se com toda a propriedade à re-
presentagàó de assuntos que demandam espajo consideravel.
As plaqtiettes tem logar nas collecgoes numismaticas, pela mesma
razlo, boa ou ma, por que nellas sHo recolhidas as medalhas em geralj
e outras obras de arte congeneres.
Lisboa, Janeiro de 1904.
Mano^l Joaquim de Campob.
Blblioerraphia
CmtmMo§^ do Miiftett Ai^heoiotico dn eldade Me Bvora
aMnemò A ftua SlUlldtlieiea — por Antonio Francisco Barata, Lisboa,
Imprenda Nacional, 1903, 94 paginas.
Embora o Musea de Erora nfto seja o primeiro do pais, corno asserera o
auctor d'està obra, a pag. 10, é comtndo nm dos mais importautes ; e bom foi que
86 pensasse em catalogar os objectos que elle posstie. Encarregado d^esta tarefa
Sr. Barata, desempenhou-se da sua missfio no livro de que vou fallar. A minha
analyse limita-se porém a sec^&o de epigraphia romana, pois me falta o tempo
para poder apreciar o que ahi se le a respeito das outras sec^oes.
1 Tanto da memoria pablicada nas Actas do Congresso, cerno do artigo que
3aiu no Archeologo Fortngfi^, se fizeram edic6es em separado.
44 O Archeologo Pobtugués
A pag. 11 diz auctor: cConjuntas e inclusas vào desdobradas, por nfio
baver nas typographias communs caracteres especiaes que representem essas
fantasias^ do gravador, se n&o caprìchos^ do redactor das inflcripQoes, e ser de
grande dispendio a fandigSo ad hoc d'esses caracteres». E mais adeante: «Das
inscrìp^òes arabes, gregas e bebraicas vfio as leituras feitas por outrem, e nfio
a representagfio de cada urna em caracteres proprios, por falta d'elles nas ina-
prensas ordinarias e ainda pela difficoldade de as reproduzir em caracterea mo-
dernos, sendo elles arcbaicos. So estampas o fariam bem». Em nenbuma d'estas
affirmaij^es tem razao, pois, tendo sido o Catalogo impresso na Imprensa Ka-
eional, nella se dispnnba de todos os recnrsos typograpbicos necessarios para a
perfei^fio material de qnalqner trabalho. No proprio Archeòlogo se tem pnblicado
inscripQÒes gregas, arabicas e bebraicas, e feito uso de letras inclusas e conjontas.
!Na mesma pagina diz ainda o Sr. Barata: cNa epìgrapbia lapidar creio ter
sido fìel ledor, quanto o permittiram os caracteres damnificados, sendo certo qua
minbas leituras divergem muitas vezes de Hlibner, Levy Maria Jordfio e de
Gabriel Pereira nos livros Corjms Inscriptionum, Portugaliae InscHptiones
e Estudos EboreììseSf comò poderi verificar qnem se der ao coofronto». No qoe
adeante digo vera o leitor com que consciencia o Sr. Barata se exprime'.
Como na disposÌQ&o dos objectos do Museu de Evora nfto se attenden às
epocas, nem à significagao bistoxica ou ^bnologica dos mesmos, mas apenas
se procurou que elles agradassem materialmente à vista do visitante, tambem
Catalogo n&o é metbodico: assim, por exemplo, no n.* 1 descreve-se urna es-
tatua tumular, nos n.**' 2 e 3 desorevem-se brasOes, nos n.^' 4 a 8 descrevem-se
campas ou cenotapbios de origem portuguesa, no n.* 9 descreve-se um capitel
arabico, nos n.*^' 10 e 11 descrevem-se brasSes etc. ; por isso as inscrip^des
romanas, que come^am no n.*^ 27 e terminam no n.** 242, v£o intermeadas de
descripQ5es de muitos outros objectos de diversas epocas. '
Na minha analyse passarci, uma por uma, as inscrip^oes todas. Os numeros
estfto salteados, pelo motivo que acabo de indicar.
N." 27. auctor do Catalogo nfto entendeu a express&o GIVLIVS, que vem
em Felippe Simoes, ReMorio, pag. 18, d^onde a copioa. Aqnella expressfto é
(x • IVLIVS. A palavra OXORI creio estar errada, em vez de VXORI. No firn
da 1.* linba figura-se no Corp. Inacr. Lat,, if, 123, uma hedera digéinguens
que falta no Catalogo.
N.*^ 51 . N&o se diz que a inscrip^fio jà vem nos Estudos Eborenses de Gabriel
Pereira, ii, 17. A inscrip^fio, tal corno a traz o Sr. Barata, està evidentemente
*-* As letras inclusas e conjuntas, que appareccm nas inscrìpcoes, nem
sempre sao fantasias ou caprichoa, mas obedecem frequentemente a outras cir-
cunstancias, comò falta de espaco, costumes tradicionacs, etc.
3 Desde ja notarci que quando a leitura do Sr. Barata differe da de Habner
ou da do Sr. Pereira, é geralmente, senào sempre, para mal. Com Levy nào é preciso
entrar em con&idera92o, porque a obra d*elle està boje substituida pelo Corpusy
e basta pois fazer referencias a este.
O Archeologo Portugués 45
errada: GALIO por GALLO, e CAECILIANOS por C AECILIANVS * ; o
Sr. Barata p5e a mais urna linha com am L, que falta no opuscolo do Sr. G.
Pereira.
N." 53. InscripQfto errada, pois diz YERNACVL | L P, quando o texto
diz: VERNACVLV | L A P, segando se ve na copia que publiquei n-0 Arch»
Pori,, V, 172, que o Sr. Barata podia ter consultado.
N.« 58. MANILIA C | ETVSCA • H • S • E • ♦ | TERENTIA • M F.
TERTVLIA I MATER • F • C. — Contém varios erros: C ETVSCA em vez de
C • F • TVSCA, isto é, . . Tasca, filha de Caio; TERTVLIA em vez de TER-
TVLLA: vid. Corp. Inscr. Lai., ir, 5197. Alem d'isso nfio me parece que no
firn da 1.* linha haja ao mesmo tempo folha de hera e ponto. Escreve o Sr. Ba-
rata: e Ignoro a sua procedencia». Ora, se tivesse lido com attengfio o SehUo-
rio do. . Museu-Cenactdo de Filipe SimSes, Evora 1869, ahi encontraria o se-
guinte, a pag. 18, a respeito d'està inscrip^o: tAppareceu em 1863, junto do
tempio de Diana, da parte do Sul».
N.® 59. Nilo se diz que jà vem nos Esiudos Ehorenses do St. G. Pereira, ii,
17, onde se le LV («» 55), ao passo que o Sr. Barata traz L * V. Qual das dnas
IÌQde8*é a exacta?
N.» 65. P • STAIVS I PVB • | MERIDIA | NVS • H • S E • —Errada,
comò se póde ver no Corp, Inscr. Lat., ii, 120, pois nfto é PVB mas P^LIB,
isto é, «liberto de Publio» ; PVB n&o faria sentido; alem d'isso a abreviatura
usuai de Publio é apenas P, comò està na 1.* linha.
N.* 70. Dìz-se que Hnbner considera faka està inscrìpg&o. E o Sr. Barata
considera-a verdadeira? Se a considera falpa, nao devia inclui-la entre as boas;
se a considera verdadeira, devia justificar-se.
1^.' 72. Està incompleta, pois na linha 9.* folta B^=die: vid. Inscriptiones
Hispaniae Christianae, de E. Hlibner, 1871, n." 11, onde ella tinha jà sido
publicada.
N.® 80. Falta-lhe al.* linha, constituida por uma letra, e falta urna letra
na 2.* linha, — comò se póde ver em G. Pereira, Estudos Eborenses, ii, 17,
e no Corp. Inscr. Lai., ii, 5199.
]^.* 83. Nfto tenho meio de verificar se està bem.
N.® 88. Embora se diga que é apociypha, devia ir à parte, e nfto entre as boas.
N." 93. A inscrip^fto està incompleta, comò se póde ver da copia que d'ella
dei n-0 Airk. Port., iv, 122, onde foi publicada pela primeira vez.
N.* 96. Segundo o Sr. Barata, està inscrip^fto tem na ultima linha H * S -
E • , mas, segundo o Corp. Inscr, Lat., ir, 117, e segundo o Sr. G. Pereira,
Estudos Eborenses, ii, 17, tem apenas: H • S. D'aqui se ve a necessidade de
em trabalhos d'està especie fazer referencias bibliographicas e criticas, comò
geralmente as faz quem sabe applicar o methodo scientifico; se no caso presente
èllas tivessem sido feitas, o Sr. Barata verìficaria ou que a sua copia estava
^ Em verdade no latim antigo ha -o« por -us, mas nesta inscrip^fto é provavel
que por u seja engano.
46 AbchboIìOGO Pqbtugués
imperfeita, — p entlo iiSq a publioariai — ou, o qua é nienes pr<>vavel, qw W*
bner e Q. F^rwii tii^haiii erraclQ.
N.* 107. Comparando-ee a copia do Hr. Barata com a que tomou fl[iibn©r
em Evora (vid. Corp, Jn*cr. Lat*, n, 112), ftcham-se differeu^as importentes.
Como Sr. Barata uao ii mdica^es critictvs nenbum^, nSo «e póde eaber quem
acertou, e quem errou. mais maturai é que a copia de Hubuer esteja bem, poi»
elle proprio a fé?.
N.*» 111. Differe das copia» de Hlibner {Corp. Imcr. Lai,, ii, 119) e de G.
Pereira {Iktvdos Eborenses, ii, 18). O Sr. Barata tem H • S • EST, o que quer
diyer: «foi fiqui 8ep^ltada>, ao paeeo que ob outroe dois arc)ìeolG(gOB tem H -
S • E S • T • T • L, que quer dizer a mais: «»eja-te a terra levet. Alem d'Uso
na penultima liuba o Sr. Barata leu COGNATE, em quanto Hiibner e Pereira
leram COGNÀTA^i.
ij.'» 114. Tijolo de barro com marcia (foiba de ber») e iueeripQici. A iiUKJrip-
Qao, pelo menos, orcio estar exacta ; a marca é que porem talve» ujo seja fo}b&
de bera.
N.** 140. Pergunta Q auptor se o tijolo em que est4 a inscripgto é romano.
Podia elle ter lido o que se escreveu n-0 Arch, Pori., vh, 283, e desforia as
suas duvidas.
».° 166. Sr. Barata tiansoreve a inscripsjio assim: C • IVILIYS • PBOj
CVLYS • T4P0 l EIE • F • ANN++ | H • S • CVB • | PATEE | . — VaUa
a pena verificar se TAPORIE • F • està bem, ou se perà simplesmente TAPO-
BI • ?. nome Tapoìnig, de que Tapori seria o genetivo, encontra-se tambem,
por exemplo, numa inscripgao de Salamanca: Corp, Inscr. fjoé., n, 881. Este
nome é na origem etbnico; ba outros exemplos^ corno Bratcarm, numa inscrip-
gfio do Huseu de Guimar&es; cf. VetQniam^ (Museu de Beja) i^-O Arck. Pori.,
VII, 245. Hoje succedem factos semelhantes: ef. appellidos taes corno Allemào,
Ingles, etc.
N.** 176. A divisao das linbas nap concorda com a que vem nq Corpus,
u, 111.
N.® 177. N&o està conforme com o CoìpuM, il, 116, nem uà coUqca^&o de
alguns dos pontos separativos, nem na palavra CONSOBBUì^I, que ueste se le
CONSQBIM!N • , sem I ftnal. Mais urna ve^ se torna sensivel no Catahffo a falta
de metbodo scientifico, pois n&o saben^QS qual da^ li^òes deveniQS aoceitar, se
a d^esse livro, se a do Corpus. Se o Sr. Ballata bouvease confrof^t^do o seu texto
com do Corpm, e se se referisse a essa confrontagàQ, jà o leitor ae orientarìa ;
assira^ uotando este divergencias, o mais naturai é adoptar o telato do epigra-
pbista allenilo, por emanar de pessoa autorizada, — embora possa ui|ia yez ou
outra nao estar exacto, porque nao ba ninguem infallivel (e ^i^bner «nUo era
papa», pomo elle me disse, conversando um dia commigo em Bellina). — Tao
pouco custa segi;ir às vezes os principios elementares da sciencia!
N.** 179. Na linba 3.', segundo a leitura de Gabriel Pereira, Esdiuios Ubo-
renses, il, 17, deve ser: XXXXIIII, em vez de XXXTTII.
N."" 180 e 181. Diz o Sr. Barata de cftda i^ma d'ellas: «inscrip^ao das que
Hubner taxa de apocripbas». Applico aqui as consideraypes que fiz a proposito
O Abcheoloqo POBTU6UÉ8 47
do B.^ 70. Da «iftiieur^ opmo q Sr. Eurata 09 ezprime fioa-se em duvìda 00 elle
as tem ou nici ppr boaa.
N." 182. Sr. Barata transcreve assim eatas msorip^fiee : D - M * | HY-
MIVS • CE • I SIMVS • AN | IVI | MTMIA | FVl^DAKA | UBERTO •
M • I RENTl -POinSESTTL-, enoostando-se à leitura quo
Sr. Gr. Pereira apreaenta noq Estudos Eboremei, u, 16. Sr. G. Pereira tem
na Hnha 7.* com raffio M. ., indicando com os doÌ8 pontos que falta nm E (me"
renti on me^rmtìmmó)^ e na linha 8.* tem PO. . , indicando com og doie pontos
que faltaria algo (isto é, ^0. . ^=^po$uit). Embora PO eó ppr si possa jBignifioar
po{$uU)^ e possa pois nSo faltar letra nenhyma, — que so exame do espa^o
na pedra decidirà — , nfto ha dnvida qne il - SENTI, corno Sr. Barata, sem
entender a expressfto, copiou, nada significa. — As letras OB - SIMYS foram
interpretadas no Corpus, 11, 39, corno OneSIMYS ; era de esperar qne anctor
do Catalogo dissesse se a inspec\;&o da pedra jnstifica ou n&o èssa interpretagfto.
N.** 189. tezto do Sr. Barata differe do que vom no Corp. Incr. Lai., 11,
59: tem YICESSIM. . por YICESIM. . ; QYITIS por QYIETIS ; depois de
LASSO deixa espago e pontos, comò se là faltasse algo. Alem d^isso auctor do
Catalogo nao eonheceu, on pelo menos, nfto cita, a nova ligfto dada no Cor^
pus, u, 5186.
N.® 190. monumento em que està a inscrip^fto tem algomas esculpturas
cnja descrip^So Sr. Barata omitte. Por outro lado, texto està errado, comò
se póde ver confrontando-o com Corpus, 11, 5198 ; a leitura do C^n'pus foi feita
por um decalqne, e por isso é exacta.
N.« 191. Leitura errada: TYRIBBICI em vez de TVJIYBRIGE, e L • A
NOlN'lYS em yez de L • MOKIYS; tambem no fim Sr. Barata pòs D em vez
deVS = y(otum) s(olyit). A minha leitura baseia-se num decalque que mandei
tirar; nfto offerece duvidas.
N.^ 192. Ha indica9fto da idade, este texto differe do que traz G. Pereira nos
Estudos Eborenses, 11, 16.
U.* 193. Differe do texto dado pelo Sr. Cr. Pereira uoìì, Estudos fJboretises,
II, 17; alem à^mo Sr. Barata nfto attendeu as consider^dSes expostas por
aquelle autor, a respeito da mesma inscrip^fto, no Manuelivho de Evpra de 25
de Abril de 1882. Està inscrìpgfto é bastante interessante; e merecia a pena
estudà-la bem.
N.* 194. Ha algumas differengas entre este texto e do Corpus, 11, 5195.
Qoal dos dois é exacto? Mais uma vez direi que, se autor do Catalogo tivesse
feito referencias ao texto dado pelo Corpus, a dnvida desapparecia.
N.° 195. Differe bastante, quer da ligao do Corpits, ii, 205, quer da dos
Estudos Eborenses, 11, 16: de Hermetiano, por exemplo, Sr. Barata fez Her-
mitano. Faltou alem dUsso dizer que a lapide tem esculpturas lateraes. A lapide,
corno Sr. Barata podia ver no Corpus, loc. cit., appareceu em Lisboa, e foi
de là que passou para Beja, d^onde finalmente passou para Evora.
N.^ 196. Differe, embora pouco, da ligfto do Corpus, 11, 210. Tambem
Sr. Barata ahi podia ver que a ara em que a inscrip^fto appareceu foi primeiro
encontrada em !|jisboa.
48 Abch£OLogo Pobtugués
N.^ 197. Differe daligSo dos Estudos Eboi^enses, ii, 19. Como o Sr. Barata
a nao discate, nem a cita, ficamos sem saber qaal é a lig&o verdadeira.
N.* 198. Differe, ainda qae levemente, do texto do Corpus, ii, 108 : onde
este tem BoMNYS, com o M e o A ligados eoo menor qne as restantes letras,
Sr. Barata tem ROMANVS, tal corno transcrevo. ^
N." 199. Differe do texto do Corpus, n, 5190: onde, por esemplo, este tem
y£RNACLA, Sr. Barata tem VERNACI A; e comò junton a està palavra um
A anterior, dea-nos AYERNACIA, fórma bem estranha. Resta tambem saber
se a fòrmula final é H • S • EST ♦ T • L on H • S • E • S T • T • L.
N.®* 206, 208, 210 e 211. Insorip^Ses apocryphas, comò o proprio Sr. Ba-
rata declara. Deviam vir em separado.
N." 213. Inscrìpi^fto errada e incompleta. Se o Sr. Barata tivesse consultado
O Arch. Pari,, v, 331, ahi encontrarìa a boa lig&o.
N.* 214. N&o'tenho meio de verificar se està exacta.
N.* 225. A leitnra concorda com a do Corpus, ii, 106, e com a dos Kstudos
Eborenses, ii, 15; so me parece que nfto deve ter ponto no firn.
N.* 226. Differe do Corpus, ii, 103, e dos Estudos Eborenses, n, 16, em
ter C por T na palavra MARTIALI.
N.° 227. Està inscrìpQfto é singularmente importante, e devia ser descrita
com todo cuidado; apesar d^sso, onde o Corpus, ii, 32, e os Estudos Eboren-
ses, II, 15, tem PROYINC * o Sr. Barata tem PROYEN • ; de mais a mais o
anctor do Catalogo nfio descreven as interessantes escalptnras que estào nos
lados da pedra.
N.^ 228. Na leitura d'està inscrìpgào, o Sr. Barata segue os Estudos Ebo-
renses, II, 16, e dà està ligfio : Q • POMPEIYS . . YARI • LIB . . VSTYS . . ; to-
davia o Corpus, ii, 241, diz: Q. POMPEIYS YARI • LIB lYSTYS • - Falta
realmente algo antes de YARI? Como se ve, YARI pode por si constìtuir nome.
N.*» 229. DiflFere da ligSo do Corpus, n, 102, em ter MERENTE (ablativo)
em vez de MERENTI (aqui dativo).
N.^ 233. Sr.. Barata nfto comprehendeu o sentido d^esta notavel inscrip-
Qao, e alterou estranhamente a 2.', 3.' e 4.* linha, comò se póde ver do Cor-
pus, II, 89.
N.' 234. Differe do Corpus, ii, 88.
N.» 242. Differe do Corpus, ii, 8.
D'este exame se ve que o Catalogo do Museu de Evora, no que toca a epi-
graphia romana, foi feito Hcm sufficiente conhecimento do assunto e sem o ne-
cessario emprègo do methodo scientifico, pelo que ficou multo inexacto ; o autor
d'elle nem ao menos se serviu cuidadosamente do Corpus Insrripfionttm La-
tinantm, posto que no prologo o citasse.
Como Catalogo se destina a auxiliar os estudiosos, foi pena que pessoa
entendida o n&o re visse antes de elle ir para o prelo. Tal comò està, nao serve;
e tem de ser convenientemente reformado.
J.L. dbV.
TL. :X MARQO A JUNHO DE 1904 N."" 3 A 6
- ARCHEOLOGO
COLLEC^AO ILLUSTRADA DE NATERIAES E NOTICIAS
rUIILICADA l'KI.O
MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUES
. i
Veicniiit ì'olvens monumenta virorum
LISBOA
IMl'UENSA NACIONAL
1904
•rV
3TJ1sK1sA^J^:RXO
Archeologia de Tras-os-Montes: 49.
Nova lapide funeraria dos suburbjos de Olisipo: 59.
IMITA90ES de moedas portuguesas em Batenburgo: 61.
Miscellanea archeologica: 65.
Uma primicia de epigrapiiia funeraria romana: 74.
Catalogo dos peugamixiios existentes no arcihvo da Insigne
E Real Collegi4da de Guimaraes: 81.
Ceramica dos concelhos de Villa Real e Amarante: 98.
Epigraphia romana de Braga: 101.
MOEDA inedita DE 4 CRUZADOS DE 1642: 102.
Architectura romanica: 111.
Onomastico medieval portugués: 118.
Necrologia: 128.
Bibliographia: 142.
Este fasciculo vae ìllustrado com 28 estampas.
ARCHEOLOGO PORTUGUÉS
-^
■ > COLLECglO ULOSTRADl DE HàmiiES E HOTICIAS
PUBUGAOA PBLO
MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÉS
IX ANNO MARgO A JUNHO DE 1904 N." 8 A 6
-- ' ' - . ■ - . . I. ■
Arclieologia de Tràs-os-Montes
1« AntAS no cotoeelbo de Villa Poaca de Ag^ular
(OonUDiiA92o. Yid. o Areh, Pori., u, 83)
Da regiào dolmenica mais importante de Tràs-os-Montes pelo nu-
mero de antas e natureza dos objectos encontrados na sua explora^Xo
[Arch. Port., Il, \\ feita pelos nossos amigos P.°* Brenha e Rodrigues
[Arch. Pori., i, 36 e 346), coube-me o estudo de urna, a do alto da
Caturina. Situada no vertice de um outeiro, que avulta no principio
da serra do AlvSo, proximo & povoagao de Carrazedo, sobranceiro às
antas das Arcas (Arch, Pori., i, 346), na pianura denominada CM,
vé-se ella a grande distancia com a sua primitiva fórma arredondada.
Ao meu particular amigo Antonio Lopes Martins, que teve a ama-
bilidade de me acompanhar ao locai da anta, devo as duas photogra-
phias que jnnto a està nota, as quaes representam, uma (fig. 1/) a vista
geral do sitio dos dolmens * em que se distingue bem o do alto da Ca-
tarina (n.** 1) e com os n.^' 4 e 5 os dolmens figurados nas gravuras
(lo Ardi. Pori., Il, 232 e 233 (cujas photographias foram tiradas na
mesma occasi2o que estas), e a outra (fig. 2.*), unicamente a do dolmen
do alto da Caturina, que vou descrever muito rapidamente.
De fórma quasi cìrcular, de 10 a 12 metros de diametro, formado
por pedregulhos de quartzo e terra, o tumulus soffreu na sua parte
superior os ataques dos habitantes de Carrazedo para tirarem a tampa
ou capa do dolmen, o que levaram a effeito no tempo dos Franceses,
aproveitando-se d'ella para uma lareira.
Aberta a camara do dolmen, vè-se que tem servido desde essa epoca
para abrìgos dos pastores durante os rigores do inverno e do verSo,
mettendo-se dentro d'ella pela abertura do vertice e indo entulhando-a
' Cfr. Leitc de Vasconcellos, HeUgìoes da Lusitania, r, fig. 71.«
50
O Archeologo Poetuguès
1
.1 ^-mmmè^àXiJSèài^È^
O ÀacaEOLOGO Pobtugdés
ól
&2 Archeologo Portugués
com as pedras e terra que se encontrava aos lados e que em tempo
cobrìram a mesa.
Desentalhoa-se a camara e notou-se que està é de fórma polygonal
heptaedrica, muìto proxlma da circular, de 2™,50 de diametro, formadi^
de sete monolithos de 2",20 de altura, 0™,70 a 0",90 de largura, d^
0'",30 de espessura, tendo todos a mesma altura, menos o esteio corres^
pendente à entrada da galeria na crypta, que assentando nas paredes
d'aquella, tinha apenas 1™,80 de alto. Os monolithos sSo imbricados,
inclinados para dentro, e formam um angulo de 60 a 70 graus, sendo
monolitho que se eneontra no eixo da galeria e da ciypta o ponto
commum de apoio dos outros.
Conservava-se intacta a galeria, que, comò quasi todas as que te-
nho visto, està orientada de NO. a SE., e é formada por esteios de
0'",80 de alto, coUocados parallelamente, e cobertos de grossas lousas
de granito.
A entrada da galeria na camara nSo era fechada, mas nSo se dava
mesmo na saida para peripheria do dolmen, que estava tapada por
uma lousa de granito de 0'",15 de espessura, tSo solidamente firmada
por algumas outras lousas mettidas verticalmente («de tigao» na frase
dos pedreiros) ao longo da face externa da porta, que foi preciso tra-
balharem tres homens quasi meio dia para a tombarem.
Todas as pedras da camara e da galeria sào de granito de grlo
grosso, trazidas com grande custo de alguns kilometros de distancia.
O comprimente da galeria nao é superior a tres metros.
A altura de 0*",80 tornava impossivel a entrada na camara a um
homem de pé.
KSlo houve tempo de explorar a galeria; limitaram-se os trabalbos
ao recinto da camara, que estava atulhado de pedras pequenas e de
terra, sendo o pavimento formado por pedras de pequenas dimensoes
unidas umas às outras, à maneira de calgada portuguesa, e assente em
saibro duro.
Foi pequena a colheita de instrumentos de pedra: uma enxó, uma
goiVa, um cristal de rocha com a fórma de perfurador, um pequeno
triturador ou polidor, e dois fragmentos de uma faca de silex.
Enxó. — E de schisto ardosiano, de 0'",072 de comprimente, de
0™,048 de largura na base e 0",03 na parte opposta a està; de gume
muito bem polido e formado à custa da face anterior principalmente,
desengrossada na extremidade inferior, sem facetas determinadas, le-
vomente convexo, nSto sendo polidas as duas faces da enxó nem os
bordos, que sào bastante irregulares, nem o vertice, mas escabrosos
e por alisar. * * ^ ' ' '
O Archeologo Poutugués 5S
Goiva, — E nm instrumento perfeitamente polido em loda a sua 'su-
perfide, roligo, com urna depress^o na face correspondente ao game
e ama saliencia de fórma convexa na face opposta, dando a confìgiira-
9^0 do instrumento a maior semelhanga possivel com a fórma do dedo
indicador, apresentando na extremidade mais grossa um gume curvi-
lineo com tal perfei^Jo e briiho que k primeira vista se classifica corno
goiva, e terminando na extremidade mais estreita em ponta romba, um
pouco dcteriorado num lado da mesma, que se encontra lascado. E
amarella carregada a cor da superficie, devido ao terreno em que per-
màneceu até 1899, em que predomina a argilla amarella, mas depois
de levemente raspada em qualquer ponto do corpo a goiva apparece
com a cor de chumbo.
Perfarador. — Tem a fórma de pyramide conica, é de cristal de
rocha, de 0",07 de comprimente, de 0™,02 de largura na base e 0™,002
no vertice que està fracturado.
Triturador ou polidor. — E de fórma cylindrica pouco regalar na
sec9ao elliptica 0'",042 de comprimente, de 0"',025 de diametro, tendo
ama das bases quasi plana e a outra convexa com urna falba muito
sensivel. E de granito e nSo parece ter prestado grandes servigos.
Foca de silex. — No acto de explo ragie quebraram os trabalhadores
urna faca de que appareceram apenas dois fragmentos, faltando o do
centro que, por mais que se procurou, nao se encontrou. Era urna faca
de quatro faces, sendo perfeitamente lisa a que dava para o centro do
nucleo de silex de que foi separada, e muito pouco nas faces restane
tes, estreita (0"\018 na parte mais larga) e terminando o fragmento
mais extenso por dm tetraedro de pequenas dimens(5es, obliquo em re-
lagào ao eixo longitudinal da faca com tres arestas muito afiadas. O com-
primente de fragmento maior é de 0"*,10, e o do menor 0™,07, deno-
tando este ter side separado por ambos os topos do resto da faca.
Durante a exploragào caiu para dentro da camara o monolitho o que
servia, comò disse acima, de ponto commum de apoio aos restantes:
e là se deixou ficar, por nao ser facil a sua remojào.
Depois dos trabalhos que fiz executar, diz-me o Rev.'^® P.* Rodri-
gues Rafael que fora ao dolmen e que encontrara alguns objectos, os
quaes n3o offereciam circunstancia digna de mengSo.
2. Peso» de barro romanos
Buj5es, freguesia de Abbagas, é até o presente a povoagSo do conce-
Iho de Villa Real que tem dado à archeologia maior numero de objectos.
Alem de sete machados de bronze, urna chave de cobre e um ca-
pacete de bronze, que se perdeu, tém no seu termo um capitel de co-
54
O Archeologo Portugués
lumna, os restos de um forno circular de grande diametro, com duas
columnas eylindricas no melo, formadas de tijolos e argilla vermelha,
e sepulturas abertas na pedra, dentro de urna das quaes dizem os habi-
tantes de BujSes que foi encontrada urna corrente de ouro, vendida no
Porto a um ourives, jà ha bastantes annos. Ahi foram tambem encon-
trados por uns cavadores numa vinha quatro pesos de barro, todos desi-
guaes, e de argilla vermelha muito bem cozida, sem letras de especie al-
guma, e so alguns com trayos.
N.** 1 — É de fórma de pyramide de base rectangular, de 0^,098
de comprimente, de 0'",052 de largura nos lados mais extensos, e 0™,043
nos mais curtos, truncada, tendo no vertice 0™,032 nas faces mais
extensas do rectangulo, e 0™,03 nas menos extensas.
X.<»4
Pesa 330 grammas e tem numa das faces mais largas duas linhas
obliquas cruzadas no mèio.
N.** 2 — Tem configurafSo semelhante, e pesa 215 grammas,
N.® 3 — E da mesma configuragào, mas tem os angulos abatidos,
que torna o exemplar arredondado. Pesa 260 grammas e tem duas
linhas obliquas cruzadas no meio, no vertice do peso.
N.« 4— De fórma prismatica, secgào elliptica. Pesa 150 grammas.
Todos estes objectos os offereci ao Museu Ethnologico Portugués,
onde hoje estao,
8. Difersas noticias archeologicas de Tiila Ponca de Aguiar
Neste concelho, tao rico de antiguidades dolmenicas, nao faltam
tambem restos da civilizacSo romana.
O Archeolooo Pobtugdés 55
1. Na freguesia de Villa Pouca, perto da casa em que vive a minha
familia, nama propriedade denominada Geia, ha alguns annos que frag-
mentos de tijoloB vermelhos, grossos, nCohi forte rebordo muitos d'elles
e a pedra movel dos moinhos de mào romana se encontravam em
^ande quantidade, num souto contiguo à propriedade cultivada de
milho grosso, feijào e batatas.
O caseiro d'està propriedade, Manoel dos Sousas, jà fallecido, um
dos maiores credulos que tenho conhecido, em thesouros encantados,
levantou com o arado no tergo superior do terreno (ao poente) grandes
porgdes de limalha de ferro, Despertada a curiosidade por està limalha,
tratou de procurar o thesquro, escavando, e chegou a descobrir tres ou
quatro pequenas casas (as paredes) quadradas, de 2 a 2^,5 de lado,
formadas por pedras de granito de grSo grosso, de alvenaria, unidas
umas às outras, sem sinal de conmiunicagao, nas fiadas descobertas.
Estiveram expostas durante algum tempo, e attrahiram a attengSo
de multa gente.
Desenganado o homem de que nao era ali que ostava a realiza9So
dos seus sonhos, cobriu-as outra vez, e fez a sua sementeira de milho,
corno nos outros annos, e là fìcou tudo corno d'antes.
Seriam construccSes romanas ou restos de uma povoagSo chamada
Condado, a que se refere o forai, dado ao concelho de Villa Pouca,
o'i Aguiar da Pena, por D. Afonso III e reformado por D. Manoel?
forai, em bom pergaminho, existe na secretaria da camara de Villa
Pouca de Aguiar em optimo estado, assim corno o de Alfarello de Jalles
(concelho extincto).
Da povoa^Eo do Condado resta apenas a casa onde en nasci, desap-
parecendo aquella, assim comò outras, Calvos Penousal, etc.
2. Alem de varios castellos, comò o de Aguiar, que ainda se mostra
soberbamente sobre o seu collossal penedo, com uma bella sala aboba-
dada, parte de outras dependencias, com uma seteira completa e outra
arruinada jà, trincheiras, e grande montlo de pedras, que os lavrado-
res da povoagSo (Castello) deitaram abaixo, para a feitura de paredes
e de casas, parando na sua obra de destruijao, depois que nSo preci-
saram de mais pedra, e a camara prohibiu tal vandalismo: ha restos
do Castello de Cidadelha, Rebordechao, Soutello de Matos, Cidadelha
de Jalles, etc.
Castello de Cidadelha de Jalles, que n^o pude ainda examinar
de perto, é multo digno de attengSo. Possuo d'elle uma descrigSto feita
pelo proprietario e meu bom amigo, Hermenegildo dos Reis Teixeira,
que me deu duas lapides romanas, e muitas informagSes acèrca de
antiguidades na freguesia das Tres-Minas (S. Miguel de).
56 O Archeologo Pobtugués
Conj untamente com o estudo do Castello, devem merecer a attenjSo
dos profissionaes umas grandes vallas qne se estendem desde o sopé
do Monte da Presa, por baìxo do Campo, até o Castello oii perto
d'elle. Nas Memoria» do Arcebispado de Braga, de Contador de Argote,
vem mencionadas, mas por pessoa de boa vontade apenas.
3. Na freguesia de Tres-Minas, onde ha muito que estudar, nào es-
quecendo a igreja da freguesia, que é composta de uma parte antiga.
de architectura gotica e outra moderna; em duas pedras esmilhadas,
segundo me diz o meu informador, situadas entre a porta da sacristìa
e a porta travessa, ha duas inscripgSes, numa das quaes elle apenas
A — 1
póde tirar as letras IIIX e na outra 6 R CYo , nUo estudando
o resto por estar a pedra muito gasta pelo tempo.
Da porta principal, da porta travéssa e do arco da igreja, tenho
desenhos feitos pelo meu bondoso e intelligente informador, dos quaes
publico umas copias, por me parecerem dignas de atten^lU). Entre o
arco da igreja (figs. 1.* a 3.*) e o altar-mor, do lado dìreito, està mettida
na parede debaixo de um arco um tumulo de pedra de grandeza ordina-
ria, descaindo as duas faces da tampa d'elle para os lados direito e
esquerdo e formando um angulo de 45® aproximadamente. Ka face
voltada para a capella-mor encontram-se cinco flores de lis na dispo-
si^ào da fig. 4.^, na outra face para a parede uma espada, segundo a
mesma figura. E de granito o tumulo e bem lavrado, assim comò os
ornatos (cruz e flores). Nfto tem inscrip9ao nenhuma, nem reza a tra-
digSo locai da pessoa a quem pertenceria. Està freguesia tinha muitas
propriedades pertencentes à commenda do Marqués de Pombal, e o
Contador de Argote refere-se ao commendador D. Gregorio Castello
Branco.
NaVeiga dos Valles, povoa9ao d'està freguesia, encontram-se grande
numero de tijolos, de 60 a 70 centiraetros quadrados, restos de vasos
grandes, de cassarolas (?) (segundo o meu informador) e muitos outros
objectos de barro.
Ha tres para quatro annos appareceu ahi grande quantidade de
moedas de prata de Augusto, todas do mesmo cunho e novas em foiba
(n.** 573 do Catalogo das Moedas do Museu D. Luis, de Teixeira de
AragSo).
Na veiga de Covas, perto dos celebres lagos de Covas e Ribeirl-
nlia, de que me bei de pccupar um dia, é frequente levantar-se com
1 = tra millesima .
O Archeologo Portugués
57
arado, tijolos, mós de moinhos, broeìras (pedras para britar minerios),
em' grande numero e ultimamente urna pedra eom urna inscrip^So, da
qual darei descrip^ào lego que possa.
N&o perei firn a està noticia, sem fallar de uns niveis formados de
terra e pedra nos differentes montes, outeiros e coUinas da freguesia
de Tres-Minas, a que chamam os habitantes levadas, os quaes, partindo
Fig. l.« (Vim)— Arco dft Igroja de Tres-Minas
Fig. 2.* (Vin)— PorU pKncipal
da igreja de Tres-Minaa
/
/
•^ * ^
« ^
/
1
\
ljl ,
\
P!g. S.» C/jm) — Porta travésaa
da igrctja de Tres-Minat
Fig. 4> C/i») — Tampa de am tomulo
da igreja de Tres-Mlnai
do rio Tinhella e dos ribeìros que affluem a este, se dirigem para as
minas da Ribeirinha e para as de Kevel, e para outros logares.
Sao muìtos, parallelos entre si alguns, estào bem conservados, e serve
om d'elles de caminho vicinai, na extensào de alguns kilometros, desde
OS moinhos de Guilhado até alturas da Filhagosa, tendo para o lado
da parte inferior do monte om muro de schisto.
Ao nascer do sol, estes niveis ou levadaa distinguem-se muito bem
na encosta dos differentes montes, outeiros e coUinas, em que se acha
58 O Archeologo Pobtugués
dividida toda a bacia do Pinhella para NE., na extensRo de muitos ki-
lometros quadrados.
Alem dos niveis do Tinhella e seus ribeiros, situados na freguesia
das Tres-Minas vèem-se outras que desciam do rio de Curros (concelho
de Valpa90s) para Cevivas e minas da Ribeirìnha.
Se, estudando este ponto obscuro, observannos que os niveis se
nSo limitavam às minas de Revel e Ribeirinha; que ha indicios de se
dirigirem igualmente às povoagSes de Tres-Minas, Granja e Valles, todas
tres distantes das minas da Ribeirinha e a nascente e sul d'estas ; que
nos Valles se tem jà descoberto vestigios dos Romanos e que as minas
da Ribeirinha eram tao grandiosas, que deviam occupar na sua lavra
muitos milhares de pessoas; e que nSo eram so estàs as exploradas,
mas tambem as de Revel: parece poder sustentar-se a hypothese de
que o destino dos niveis ou levadas era conduzir agua para a lavra
das minas e para abastecimento dos*trabalhadores.
Nào me parece que possa admittir-se a hypothese do que a a^a
fosse tambem para a rega das terras altas, porque nSo havia a cul-
tura do milho ou batata nesses tempos, nem os terrenos altos da fre-
guesia das Tres-Minas sSo proprios para lameiros; e nos pequenos valles,
que fóima a intersecgao das coUinas e montes, nlo era precisa ag^aa
conduzida de tfto lohge, porque a ha de sobra.
Fosse qual fosse o firn para que se conduziam as aguas de iSLo
grandes distancias, vé-se o dedo do povo-rei, nesta obra, assim corno
nas minas da Ribeirinha, cujos restos é preciso verem-se de porto, para
se poder fazer ideia do que ellas foram ha seculos.
O que diz o Contador de Argo te é multo deficiente e incompleto,
corno tenciono provar um dia. No rio Pinhella, um pouco acima da pò-
voacSo chamada Pinhella de Baixo, ha uma parte ainda de um grande
a^ude para derivar a agua d'aquelle para uma das levadas, a qual dà
ponto para as minas de Covas e Ribeirinha» (Lagos comò Ihe chamam)
ou para as de Revel. E o que posso informar actualmente.
4. Nào desejando alongar de mais està nota, termino falando numas
ruinas prehistoricas ou protohistoricas de que tenho conhecimento por
informa9oes do meu respeitabilissimo amigo, Dr. A. de Moraes Sar-
mento. Quando elle foi encarregado do estudo da directriz do caminho
de ferro pelo Valle do Tamega, no riquissimo tracto do terreno, desa-
proveitado, e que poderia dar muitos milhSes de hectolitros de trigo,
e boa laranja, encontrou entre Parada de Monteiros e Monteiros, no
sitio denominado Frades, na margem esquerda do rio, os restos de uma
povoacào de casas circulares em grande numero, arruadas, que estrei-
tavam de baixo para cima de modo que tomavam a fórma conica.
O Archeologo Poetugués 59
Todas estas casas estavam encerradas por um muro quadrado de
30 a 40 metros, tendo mais, ou poueo mais de um metro de largura, e
de ponca altura.
Do lado do rio vé-se uma calcada, assemelhando-se a um caes,
que dà accesso para o Tamega, que corre engasgado entre rochas de um
e de outro lado.
Pela sua situa9So a um nivel muito baixo em relacSo aos terrenos
adjacentes nSo parece um castro ou ponto fortificado, mas simples-
mente uma povoaQào defendida das feras pelo muro, que nesta regimo
deviam ser muitas e variadas.
Àinda actualmente, lo.bos e javardos fazem das suas proezas todos
OS annos.
E difficil o accesso a està poyoa9%o, por estar situada na margem
esquerda do Tamega, entre matas tao espessas que, para a elaborag^o
do tragado, tinham de ir homens adeante dos engenheiros a cortar as
arvores e arbustos, porque de outro modo nSLo se podia romper.
Villa Real de Tràs-os-Montes, 18 de marco de 1902.
Henrique Botelho.
Nova lapide funeraria dos suburbios de Olisipo
Alguns trabalhadores da Camara Municipal de Lisboa, que proce-
diam ao córte do talude da Avenida de Ressano Garcia, no locai fron-
teiro ao edificio do Mercado Goral de Gados, encontraram num dos
ultimos dias de Agosto de 1903 a lapide funeraria romana que se mos-
tra na fig. seguinte:
eemqueselé: D(iis) M(anibus) — LICINA — HELENE— ANN(orum>
XL— H(ic) S(ita) E(st),
60 O Archeologo Pobtuqués
A lapide estava coUoeada horizon talmente, na profundidade de 1°',5,
com a inscrigào voltada para baixo. Os instrnmentos do trabaiho nSo
causaram estragos na legenda por està circunstancia feliz, e ainda por-
que^ suppondo que existia am thesouro ahi occulto desde tempos imme-
moriaes, os trabalhadores ergaeram a lapi!de ciiidadosamente. No leito
nada havia, alem de terra, granulosa pela acgào das aguas pluviaes.
Sr. Augusto de Castro por acaso assistiu ao achadoi quando
por ali transitava para o centro da eidade, e, conhecendo quanto elle
era importante archeologicamente, recommendou que o arrecadassem
em logar reservado, e pessoalmente deu noticia do facto ao Director
do Museu Ethnologico Portugués, que logo tomou as providencias pre-
cisas para a acquisiQào da lapide.
Na mesma profundidade em que a lapide existia appareceu um cra-
nio, à distancia aproximada de dois metros ; mas desfez-se ao contacto
das mSos dos trabalhadores. É provavel que elle tivesse estado na se-
pulturit a cuja tampa a inseriQào pertencia.
Naquella àrea parece que houve um cemiterio romano, que se pro-
longaria até a eatrada do Campo Grande, pois ahi mesmo, dias depois,
fpi encontrada outra lapide com inscripgSo, a qual opportunamente mo-
tivarà urna noticia, que sera tambem publicada nesta revista.
A lapide aqui figurada mede 0"^,55 X 0'",45. Apesar de ter a de-
minuta espessura de 0"^,03, seria talhada com a grandeza necessaria
para resguardar inteiramente o despojo mortai, faltando agora o resto.
Na parte superior tem o córte em linha recta, intacto, emquanto
nas faces restantes mostra os estragos feitòs pelo camartello quando o
sepulcro foi a primeira vez violado. Felizmente na fracQào que resta
existe a legenda completa.
Ambas as lapides deram entrada no Museu Ethnologico, por eon-
cessao do Sr. Conde d'Avila, que entSo presidia a verea^ào do muni-
cipio lisbonense. Folgamos de registar aqui o nome d'este illustrado fi-
dalgo, que dotou um estabelecimeiito do Estado com dois monumentos
archeologicos de valia, ao mesmo tempo que salientamos o procedi-
mento do Sr. Augusto de Castro, que tao intelligentemente obstou a
destruigao a que os mesmos estavàni de certo condemnados.
Lisboa, Fevereiro de 1904.
Manoel Joaquim de Campos.
«Os monumentos archeologicos sao quasi sempre o pergaminho no-
bilitano de urna villa, eidade, provincia e mesmo de um reino».
Teixeira de AhaqIo, Moedas. . de Poriugcd, i, 11.
O Archeologo Pohtuqués 61
ImitaQoes de moedas portuguesas em Batenburgo
Desde o primeiro quartel do seculo xvi até 1641 a Baronia de Baten-
burgo teve seis soberaaos independentes, que mandaram cunhar moeda
no seu minusculo feudo, situado ao sudoeste de Nimègue, no paia
de Gueldre.
Guilherme de Broukorst, oriundo da familia nobre de Stein, 4.® se^
nhor feudal de 1556 a 1573, deu ao fabrico do numerario mais largo
desenvolvimento que os seus antecessores, e imitou moedas de diversos
paises, aquellas que gozayam de maior credito e acceitagao.
Foi longa a serie de abusoe d'està ordem, eujos eflfeitos actuavam
principalmente nas provincias dos Paises-Baixos. Nos typos imitados
introduziu modificagSes de importancia secundaria com rela(SLo aos mo-
deloSj.e disfargou habilmente as legendas por meio de abreviaturas,
que eram de interpretagao difBcil para a ignorancia popular da epoca.
As moedas, com estas mascaras afiveladas nas faces, concorreram para
equilibrar as finangas do pais e resarcir as deficiencias que o desvai-
lamento da ostentasse fidalga deixava no bolso partìcular do principe.
Por certo que outros motivos nEo poderam forgà-lo a tSo esttanho expe-
diente. A opera§IU) era necessariamente mais lucrativa que propria para
facilitar transacgoes do commercio internacional.
Os cruzados de D.. Joào III de Portugal, com a cruz de S. Jorge,
e OS denominados do monte Calvario, cujas ligas eram de 22 ^8 quilates
largos para os primeiros e de um pouco menos para os segundos, por
lei de 26 de Novembre de 1538, tambem serviram de modelos nas offi-
cmas dos gravadores batenburgueses.
Os Srs. Arthur Engel e Raymond Serrure alludem a estas imita§Ses
na obra magistral que publìcaram em Paris, em 1897 ^, quando se re-
ferem às moedas dos soberanos de Batenburgo, porém nSo mostram
as respectivas gravuras.
Hoje, provavelmente, estas moedas nao existem, apesar de haver
entre a sua epoca e a actualidade a distancia apenas de quatro seculos
escassos; a omissao, porém, naò prejudica a affirmativa d'aquelles eru-
ditos numismatas, que a baseariam em documentos coevos das imi-
tagSes, comò é de crer.
Desde que tivemos noticia d'este facto, que se relaciona com a his-
toria da numismatica portuguesa, procuràmos conhecé-lo de modo pra-
* Traiti de numismatique moderne et contemporaine, pags. 242 e 243.
62
O Archeologo Portugués
tico, e em boa bora conseguimos realizar o intento, examinando um
documento publicado officialmente no seculo xvii.
Na 8609X0 de livros reservados na Bibliotheca Nacional de Lisboa,
sob a marca D-74, existe um exemplar da Ordonnance et instrvction
povr les changevrs, de margo de 1633, ediglo feita em Antuérpia na of-
ficina de H. Verdussen. Este livro, certamente muito raro, senSo unico
em Portugal, contém 1:685 gravuras de moedas, sondo 886 de euro e 79i»
de prata, qae naquella epoca eram acceites em cambio nos dominìos
belgas de Filipe IV de Hespanha. Era o compendio de habilitaflo para
o mister de cambista, e freio legai centra desmandos de agiotagem.
Ali se patenteia variado numerario de todos os soberanos da Eu-
ropa, e nSo ha uma repetigao de gravura nem qualquer equivoco de im-
portancia. Os homens de negocio, essencialmente praticos, nSo se preoc-
cupavam com a copiosa variedade de symbolos gravados nas moedas
de bom euro, que por si proprias se impunham no commercio. Uma
for^a poderosa, cambio, nivelava até a calmaria as ondula^Ses d'aquelle
mar amarello.
Na Ordonnance de 1633 ha reproduccSes, muito correctas, de espa-
dins de euro, de portugueses manoelinos e de D. Joao III, de cruzados,
de moedas de S. Vicente, de meias espheras de D. Manoel, de santhomés
com a legenda INDIA •:. TIBI • CESSIT e de varios padr5es dos
Filipe».
Centra a nossa expectativa, tambem ali figura a moeda subsidiaria
de prata portuguesa, representada pelos reaes de LXXX e de XXXX,
com legenlas de D. JoSo III.
Com a exporta^ao de euro amoedado os negociantes portugueses
honravam os seus compromissos là fora, na falta de outros meios faceis,
hoje usados, corno cheques, cartas de credito, etc. Este processo incon-
veniente, que no tempo da dominagSo filipina se desenvolveu muito,
jà era antigo. Nas cortes de Torres Novas, em 1425, o povo repre-
sentou a el-rei centra a passagem do euro para alem das fronteìras
do pais, e iguaes queixas houve nas cortes de Evora em 1535.
As imita^Ses de cruzados de Portugal constam das figs. 1.* e 2.*,
fielmente copiadas da Ordonnance:
O Archeologo Portugués
63
Vìg. 1.^—^ GVIE • D • BR • L • B • D • BA • Z • ST. Està legenda
monetaria, que era impropria para ser decifrada pelo vulgo, rebelde
à brachygraphia, significa: GVILLELMVS • DOMINVS • BRON-
KORST • LIBER • BARO • DE * BATENBVRG • ET • STEIN.
No final da primeira abreviatnra ha E por L, o que póde attribuir-se.
a erro ou a ignorancia do abridor. A abreviatura Z é equivalente
a conjuncjao latina ET. No campo o escudo de armas, coroado. Sete
grupos de dois losangos quadrados, unidos nas extremidades, figuram
de igual numero de castellos que tem o escudo de armas de Portugal.
No centro ha ciuco escudetes em cruz: o centrai tem uma aspa canto-
nada de pontos ; no superior ha quatro pontos em quadrado e no infe-
rior sómente uma aspa; nos dois lateraes ha ledes que se defrontam.
leJo de prata, coroado de ouro, era divisa no escudo heraldico
da casa de Bronkorst.
5,_^ì« IN • HOC • SIGNO • VINCS (por VINCES). Cruz de
S.Jorge, grossa, entre dois circulos.
Fig. 2.*— ►!< GVIL • D • BR • L • B • D BA • Z • ST. Escudo de
armas igual ao do exemplar anterior. No escudete centrai ha os tra90s
que em heraldica indicam o esmalte vermelho, ligeiramente obliquos
para a esquerda. Os escudetes superior e inferior mostram aspas can-
tonadas de pontos, e os lateraes conteem os leoes.
It— >ì< IN-HOCSI— GNO-VINCS. Cruz alta, cravada entre
cunbas no calvario.
Estas copias, a que se nUo póde chamar positivamente falsas, sfto
de tal modo semelhantes &s moedas que serviram de protótypo que
a confusalo se estabeleceria & primeifa vista para quem nao tivesse
habito de discriminar umas das outras» Para confronto, vao aqui
representados os cruzados pòrtugueses nas figs. 3.' e 4.*
A fig. 3.* foi decalcada no magnifico exemplar, nSo cerceado, que
existe na collec9ào do Sr. Robert A. Shore. As moedas d'este typo
sao muito raras.
64
O Archeologo Portugués
.A fig. 4.* proveio do exemplar da collee93o do Dr. José Antonio
de Azevedo Borraiho.
Os cruzados com a cruz do Calvario ainda apparecem no mercado
de Lisboa e por isto nSo faltam nos medalheiros de particulares. No
catalogo das moedas mais notaveis da collec9ào da Universidade de
Leide *, sob os n.°® 79 e 80, sào mencionados 32 exemplares, todos
differentes. Distingue-se notavelmente um, qtie tem a marea R — L
no anverso. Por ser desconhecido em Portugal, vae aqui representado
na fig. 5.*
Este desenho é copia do n.** 10 na estampa ii do mcsmo catalogo.
As moedas imitadas em Batenburgp podiam ser recolhidas em qiial-
quer medalheiro portugués, posta de parte a origem estrangeira. A es-
tima nacionalizaria estes monumentos metallicos de serio valor historico
e de interesse para o estudo comparativo.
Houv^e moedas portuguesas cujos typos foram copiados de outras
estrangeiras. dinheiro de bolbSo, marca C — O, cunhado no tempo
de D. Affonso Henriques, é semelhante ao obulo de AflFonso I, rei de
Aragao, cognominado El Batallador, 1104-1134. A dobra pé-terra
de D. Fernando foi inspirada pela belleza artistica e feliz cria9ao da
dobla de ouro de Carlos II, El Malo, rei de Navarra, 1349-1387.
A barbuda do mesmo rei é semelhante ao dinheiro de prata baixa de
Wenceslau I, Duque de Luxembourg, 1352-1383. As amplas coroas
do escudo de ouro e do real grosso de prata de D. AflFonso V sSLo ca-
racteristicas nos padr5es monetarios de alguns reis de Castella.
Estas imitagSes seriam obras de moedeiros castelhanos, e até mesmo
flamengos, que por contratos especiaes exercessem o seu mister em
Portugal. Està hypothese é admissivel, por quanto o moedeiro mais
antigo de quem Teixeira de AragSo dà noticia no primeiro volume da
sua obra é Vasco Guedes, nomeado em 1454. Na edade media nao
1 Este catalogo foi publicado por Théodore Roest, em 1885, na Revuc bel^e
de numismaiique, sob o titulo de «Monnaies portugaises qui font partie du cabinet
nuniismatique de l'Université de Leyde».
O Archeologo Portuqués 65
hàvìa entre nós a mais radiiuentar escola artistica, onde aptidòes se
robustecessem: pertanto o gravador estrangeiro viveria em Portugal.
Nio sSo conheeidos alvaràs regios anteriores a 1454, que collocassem
na milieia dos moedeiros os artifices bem conceituados na ourivezaria
portugaesa.
Comprehende-se que para acudir a deficiencias de nossa casa cha-
massemos o auxilio de profissionaes vizinhos, ou de paises mais ou
menos distantes^ sem vexar interesses alheios; porem nao se admitte,
fora dos velhos annaes da crìminalidade feadal, que um principe imi*
tasse a nossa moeda so por que tinha melhor credito que a sua.
Em Franca transformaram a moeda portuguesa com intnitos aber*
tamente crìminosos. É urna prova de valor historico o seguiate caso.
£m 18 de abril de 1575 procedeu-se ao inventario do espolio que
ficou por obito de Nicole Thomas, viuva de Gilles Foulon, cidadSo de
Paris, que fora agiota, penhorista e. . . sapateiro! Entre os bens ar-
rolados havia 1:112 moedas, na maxima parte estrangeiras e falsas,
onde foi encontrado um portugués de curo. Serrure diz acèrca d'està
moeda o seguìnte: «La portugaise était d'or très pur, elle était des-
tinée a étre imitée à des alois bien inférieurs et k étre fondue» ^
À moeda de curo portuguesa circulon nas antigas provincias dos
Paìses-Baixos em tal quantidade que para cada padrào ou typo havia
pesos proprios, deneraux, autorizados officiabnente. Este assunto foi
tratado por M. Alphonse de Witte nesta rovista, de pags. 273 a 279
do voi. ni.
A moeda imitada em Batenburgo, com fama de portuguesa, nILo
encontrou estorvos para ser bem recebida e cambiada . Falla bem alto
a Ordonnance de Filipe IV de Hespanha com data de 28 (?) de agosto
de 1633.
Lisboa, Abril de 1904.
Manoel Joaquih de Campos.
Miscellanea aroheologioa
(Eztracto do AtcUto Nacional)
I. Despesas nas obras do eooTento de Ohelias
e eompra de yarlos tecidoSf no sec. XIII
€R[ecebeo] dos dinheyros que despendeu Steuajnha na obra do lagar
do uìho en primeyramete .iij. dias a ij rnSLcebos dos dos e meyo A cada
' BuHetin de numismoHque, de Paris, 1898, pags. 104 a 107.
66 O Archeologo Portdgués
un deles que Amassaron A cai e britaron A parede. It. A primera
quinta ffeira de poys san Johane A dos maestres .v. v. soldos e A tres
mlU^ebos que os seruir3 dos dos e meyo enotro dia sesta feyra a dos
maestres .v. v. soldos e A tres mftcebos que os seruiro dos e dos e
meyo enotro dia o sabbado a dos maestres .v. v. soldos e A tres ma-
cebos que os seruirS e dos e dos e meyo A un moQO que carrejo A Area
.iiij. dias cada dia .iij. soldos. A outro màcebo que carrejo A pedra
•V. dias cada I dia .iij. soldos por .vijj. moyos de cai .iij. marauedis
e meyo e .zxiiij. soldos Aos cayeyros que a adusseron.
quarta feyra primo dia de Julho a dos mancebos dos e dos e meyo
que Amassaron na cai. It. en outro dya a quen amasson A cai que
fycou ij soldos [e] meo. It. .iiij.. soldos e meio a quen bytrou (sic) a
pedra. It. fferia sseguda a ij maestres .x. soldos e iiij omees dous dous
e meo. It. fferia iiij^ a dous maestres .z. soldos e ij omees dous dous
e meo. It. por dous moios de cai por j marauydil e iij soldos e xx di-
nheyros e vij soldos e meo por careto. It. domjngo .xxx. e .iij. soldos
por duas tirantes e .vij. soldos e meo a quen as adusse. It. por treze
cabras huu marauidil e por pregos .xix. soldos e ix dinheyros .ij. soldos
e meo ao que amassou a cai. It. j. marauidi por rripha .iiij. soldos e
iiij dinheiros por sarrar as cabras .iij. soldos .iiij. dinheyros por pregos
e por sarrar outros cabros .iij. soldos dos que ficarS do Lagar quSdo
caeu. It. fferia .v.* a dous maestres .x. soldos e a tres mouros .ij. .ij.
soldos e meo. It. aos maestres «x. soldos e a tres mouros .viij. soldos
meos .ij. dinheyros e a bua mo^a que hy andou seruindo .vj. dias .vj.
soldos. It. quaraenta soldos por teiha .viij. soldos a qu§ naaduse. It.
feria .iiij*. .v. soldos ao maestre e .v. soldos a dous homéés que hy
andarò e .j. soldo a bua moya. It. .j. marauedi por cai e .vj. soldos
a quS na aduse e .ij. soldos e meo a quena amasou. It. por bau mi-
leyro de telha quaraeta soldos e viij a quenaduse. It. fferia iij*. aos
maestres •x. soldos e .v. .soldos a dous homéés que os seruirS.
R[ecebeo] dos dinheyros que deue Maria sauaschaes Prioresa do
Moesteyro da Chelas a Steueya domingiz bey^uda dona dese Moes-
teyro primeyramente dez libras que Ihe prestou quSdo era na vila. It
.iiij. libras quSdo era no Moesteyro das que Iha duser5 de Aujz. It.
.XXX. soldos que Ihj deu don Steuan que deuja aa dita Steueya- It.
.iiij. libras que deu a Giralda que Ihj deuja. It. bua libra que Ihe prestou
quando Sujou Domjngos a Santarem. It. .xvj. uaras de saria mojo-
modia S que amonta .viij®. libras que Iheprestou. It. .vj. couedos de
ualen9Ìna uiada que Ihj tirey eprestada pera Domingos martijz a xvj-
soldos o couedo .iiij. libras xvj soldos. It. de teger (?) saria basdasca de
vj uaras que fforSxxxyj soidos. It. do mato que tijnhS xvij libras.
O Archeologo Portugués 67
It. uendeo T*^ domingiz a Maria sauachSles xxiij uaras de ssaria
e que amonta x libras xiij soldps assy corno conta e huu sento.
R. dos dinheyros que deuia Steueya A Dona sancha que Ihi pagou.
A uos senhor dezeiada muy*».
Nota. O interesse principal nestes recebimentos acha-se concentrado na im-
portancia das soldadas e das compras. Os mestres eram servidos por maneebos,
mo^OM, mouros e homena, Os mancébos amassavam a cai.
II. Objeetos meneionados nam testamento do sec. XIII a XIT
•Està est a manda que fez Eluira soarìz Jm prìmeyramente com
meu corpo A santa Maria maudalena .xij. marauedis. Item Pt.*' periz
meu abade .v. marauedis. Item por Cera .vìj. marauedis e .iij^. Item
Steua dominguiz Capelli de santa Maria maudalena .i. marauedi. Item
Fora seu sabado .xvj. marauedis. Item por missas cantar. C xxxx
marauedis. Item pora sena .xxx. dias .xxx. marauedis. Item por oufe-
redar todóó ano .viiij. marauedis. Item a meu Sobrio Pt° uéégas .x.
marauedis. Item a mha Sobria Gontia uéégas .x. marauedis. Item por
itiissas pora duna do ano .xxx. marauedis. Item ous frades meores pora
pitan^a .xiiij. marauedis. It. ous e^rades ^eeofraria de sam francisco
.iiij. marauedis. Item ous frades de sam Domìgos pora pifaa^a .\'j. ma-
rauedis. It. Johane meu afilhado .vj. marauedis. It. a meus afifbados
.V. marauedis. It. ààs dònas da Chelas <ij. marauedis. Jt. àis enpa-
redeadas .ij. marauedis. It. a sam Lazero .meo. marauedi. It. ou os-
pitai dos mininos .meo. marauedi. It. ààlbergaria de Pàày delgado .meo
marauedi. It. Maria nicente mha cnnhada ùu gardacos de uerde e ùua
saya de Ar&àyz. It. Christouam martijz .iii. marauedis. It. ài con-
fraria de santa Maria maudalena .j. marauedi. It. àà cofraria de sam
vicente .i. marauedi. It. àà confraria de santj espirito .i. marauedi.
It. pora ueatir os probes .xxxx. marauedis. It. A maria filha de Pt.^
aicente .x. marauedis. It. A catelina sua irmàà .iij. marauedis. It. Marti
negro .iij. marauedis. It. Marti fernandiz meu cunhado .i. marauedi. It.
a frey Pt.^ soariz duas uaras de L6n90. It. a Gontia uéégas mha sobria a
mha gamacha uerde e a mha saya uermelha. It. ou espital de sam vicente
uu leito c5 una cocedra e co una almocela e con ùu chuma^o e c3 .ij. len-
9Óóes. It. a Giraldo .iiij. marauedis. It. ous crerigos da séé quantos foren
a meu soterramento .iiij. marauedis. It. ous Gapelftes de santa Maria
maudalena .iij. marauedis. It. a fatos mha moura .x. marauedis. E filho
en meyadade de todo meu auer .v®. marauedis que de Marti uicente
por mha alma. E se pela uentuìra algSus dos meus sobrios ou dos
^ Mosteiro de Chellas, pergaminho, n.^ 855.
68 O Abcheolooo Poetugués
meus paxentes quisere uijr contra Marti uìcente ou li derS contrayro
ou enbargo seyam maldictos de mj e de deus e n8 uaiha o que eles
demandare. Martìm uicente nen outrì por eles. It. mando e outorgolho
Marti uicente que se esse meus sobrios quiseren dar enbargo a esse
sobredicto Marti uicente que lis n8 de nemigalha de quanto lìs eu mando
e de el tudo por mha aquile que lis eu mandaua liu el uir ca sera
mays prol de mha alma. Que presentes forom Ft® femandiz almoxarife
ts. e SteuS curuo ts. e Paay periz escriua del Rey e vicente Martijz
sacador do auer del Rey e Marti martijs escriua do almoxarife e Garcia
periz e Marti periz sineyro escriuS e Louren90 martijz e Domjgos io-
hanes e vicente dondguiz e GouQalo migueiz e MartJ Gomez e Micael
bertolameu e frey uicente rodriguiz e frey Domingos de Leyrea guar-
diam dos meores e xpouam martijz ^»
Nota. Os moveis mencionados no testamento de Elvira Soares s&o os segnin-
tes : gardacosy gamctchay len^, lengóes, saia de Arras e uni leito com coccdra, al'
mocela e chuina^o.
III. Lista de objeetos de madeira entregrnes ao almoxarife de Usboa, 1257
«AlfonsuB dei gratia Rex Port. et Comes Bolon. vobis Johanni qui
uenit meo Almoxarifo et meis scribanis de Vlixbon. salutem. Sciatis
quod ego feci uidere recapitulationem Martinj uincentij de Madeyra
et intellexi per ipsam recapitulationem quod ipsus Martinus uincentij
debet mihi dare quinque duz(enas) et tres cabrìos. Et septingentas et
triginta et duas duelos de carualio. Et mille et septingentas et quadra-
ginta et quinque ripias minores et triginta et duas rìpias longas. It.
debet mihi triginta et unum feixes de c'tas (sic) de auellano et tres
pààs de frexeno. Et centum sexaginta et tres mensorias de frexeo. Et
uiginti et tres concas de aurela. It. debet mihi quadringentos et ui-
ginti et nouem archos de ttnis. Et triginta et sex duzenas et decem
mangos de lauro. Et septuaginta et sex tempanos de cupis. Et uiginti
et tres tabulas de castaneo et quatuor tabulas de Nogueyra. It. debet
mihi quimgentas et octuaginta et unam duelas de faya et quinquaginta
duelas de pedibus archarum. Et nouem Gamelas de frexeno et de cas-
taneo et septem gamelas de Ameario. It. debet mihi nonaginta et quin-
que liazas de viméés. Et octo tabulas de Ameario. Et triginta mas-
seyras de castaneo. It. debet mihi quadraginta et sex fustes de teyxo
et septem colonias. Et quinquaginta et unum talladorios copatos. ]Et
sex murteyros de Madeyro. Et centum et decem salceyros. It debet
mihi duas mille et octingentas ot quadraginta et quinque duelas de
Mosteiro de Chellas, pergaminho n.** 189 .
O Archeologo Pobtugués 69
tonéés. Et quatuor tonellos derrìbatos. It. debet mihi sex uaras longas
de amearìo de mastos de pìnacijs^. Et tres tantanas. It. debet mibi
Centum et qnatuordecim nasa de barcha et decem et sex vasa lìdoes.
Et triginta et septem conueses. It. debet mihi ducentas et quinqua-
gìnta et sex tabnlas de soliado. Et quatuor lectos de frexSo et unum
lectom de faya et unum lectum de teyzo. It. debet mihi uiginti et tres
hastas rasas de lanceis militis. Et uiginti et unam hastas de azeunis
rasis. It debet mihi octo hastas tinctas de lanceis militis et uiginti qua*
tnor ferros de lanceis. Et decem hastas longas peditis. It. debet mihi qua^
tuor bacyas et unam mensam sine pedibus et unam vchiam de Amearìo.
Et unum cloque. It. debet mihi octo farpones et quinque hastas de
farpoes. It. debet mihi decem et septem libras et nouem solidos et tres
denarìos et medaculam. Et duos solidos et quatuor denarìos Legion,
Ynde mando uobis quod uos Almoxarìfe recipiatis de ipso Martino uin-
centlj omnia supradicta que ipse mihi debet prout superius continetur
et recipiatis ea per fintum et per scriptum de meis scribanis. Vnde
aliter non faciatis. Et mando uobis quod uisa carta ista tam cito sine
mora recipiatis de ipso Martino uincentij omnia supradicta et post quam
fueritis integratus de rebus supradictis mando uobis quod non impe-
diatis Johannem petri Aluazilem habere suum directum de ipso Martino
uincentij. Vnde aliud non faciatis. It. mando uobis quod si inueneritis
quod ego debeo tornare aliquid ipsi Martino uincentij de predictam reca-
pitulationen quod paguetis ej totum de meis decimis de madaria. Vnde
aliter non faciatis. Dante in Colimbria .ij'. die Septembris. Rege man-
dante per Cancellarium. Michael femandj fecit. Era .M*. CC* Lxxxx.*
Nota. Na lista publicada encon tram-se objectos de madeira destinados prin-
cipalmente 4 tanoaria, navega9So e guerra, ao lado de madeira em bruto. De mo-
bilia ha poucas referencias.
IT. Precaa^Oes uà eonstroefflo de paredes no see. XIII
a) Dootimento de 1227
ABCDEPGHJK
cNotum sit omnibus hominibus uidentibus hoc scriptum quod istud
pactnm fuit factum inter Gunsaluum suerij scribanum domini regis in
vlixbona et Dominica zidis super ilio pariete suorum domorum quas
^ « . . . quod ducunt in pinaciÌB per mare« diz-se nas Inquiri99e8 de D. AjQfoneo
ni, 1258, in Pini, Mon, Hitt. 457.
2 Mosteiro de Chellas, n.« 134.
70 O Archeologo Pobtdgués
habeut in collatione sancti Nicholaj qui est inter ipsos per rectam lì-
neam quare Grunsaluus suerij debet facere totum ipsum parìetem per
saam custam. Et ipsa debet ibi ponere suas cumimarias et simm madei-
ram quam ibi modo tenet et si ìUos (sic) uoluerit ipsam ant saccessores
sui alzare aut in alium locum mutare non nisi per uoiuntatem .G . suerij
aut successorum suorum saluis omnibus luminaribus ^ et fenestris quan-
tas cumque in ipsa (sic) pariete uoluerit facere. Et propter hoc tenetur
facere ipsum parietem per suam custam. Etiam si forte ipsa uel succes-
sor suus uel successores uoluerit uendere aut pignorare ipsam Casam de
Dominica cidiz uendat illam aut pignoret Gunsaluo suerij aut suo suc-
cessori si eam uoluerit fideliter per bonos homines. Et quod magis
sit firmum inter illos et successores illorum fecerunt de isto pacto fieri
inter se istas duas cartas deuisas per alfabetum. Sub Era. M.'^ CC*
Ix,* v.^ Mense februarij. Et buie pacto interfuerunt. — Benedictus pela-
gij de sancto Juliano — Petrus Martini eius clientulus. — Martinus patri
clientulus de Durancino. — Johannes Johannis de portugal. Ts.=Pe-
trus egee de sancto Juliano magister. — Dominicus gordus. — Petrus
sanchiz qui fuit fornarius. — Petrus petri de Lauza. — Ts. — Dominicus
notauit'.»
b). Dooomento de 1239
ABCDEFGHIKL
«Notum sit omnibus inspicientibus hoc scriptum quod hoc fuit con-
positnm inter. G. suarij et Ousendam martiniz super illum parietem
qui est inter domum Ousende martiniz et coquinam. G. suarij. scilicet:
quod G. suarij debet facere ipsum parietem per custam suam quantum
modo est et de ipso loco ad sursum debet illj dare Ousenda martiniz
lapidem ad suam custam qui suiBciat et medietatem operariorum et
debet alcari ipse paries quantum est alius paries domus Dominicj iohan-
nis et si ipsam uoluerit ibi ponere trabes prò ad superatum* facere f ponat
et si .G. suarij uel aliquis succesor suus uoluerit se eligere plus faciat
suum parietem per suam custam ad uoiuntatem suam. Et sciendum
quod ipsa causa de Ousenda martiniz f non debet uertere aqua super
ipsam coquinam .G. suarij sicut solebat sed debet uertere ad alpender
ad unam aquamì ad plateam. Et propter hoc .G. suarij debet ej leixare
mitere cuminarias in alio suo pariete que suiBciant tunc et ipsis positis :
1 Ijumìcìras sao frestas cu aberturas sobre as portas, janellas, etc. para dar
mais luz (Dice, de Moraes, v. Lumieira), Esiste tambem em gallego. Cfr. «E ii*a
Inmieira y antr*aberta porta (Rosalia Castro de. Mur^uia, Follas Kovasj 194).
2 Mosteiro de Chellas, pergaminho n.^ 181.
O Archeologo Portugués 71
nanquam de celerò ipsa nec aliquis successor ejus alcet se inec ponat ibj
alìud sine noluntate .G. ani successorum suorum. Et istud factum fuit
iMense Jalij. Sub Era. M.* CC* Lxx.* iij.* Et fuerunt presentesi Marti-
nus martiniz presbyter. — Viuax pelagiz subdiaconus. — Johannes beys*
so. — Egidius iohannis filius ejus. — Thomas petri. — V. dominicj pres-
byter N(otauit)*».
0). Dooamento de 1280
ABCDEFGH
«Sabba quantos este estrumento uire que eu Domìngos iohanes en-
senbra cu Maria martijz mha molher tolbemos SteuS pirez de sa pedro
e bua nossa parede duas (alias dùas) nossas Casas que nos auemos na
ifreeguisìa de sa pedro a qual parede he datre nos da bua parte e esse
Steua pirez da outra per tal preyto que esse SteuS pirez deue fazer
essa parede de fundamento de pedra e de cai per sa custa e deuesse
al^ar per essa parede quanto Ibi prouger. E deue tolher àagua e essa
parede em tal gisa que nS faga a nos dano en essas Casas. E esse
SteuS pirez nS seus sucessores non deue fazer sobressas nossas Casas
eyrado nen Janella nen Jamineyra nen outra cousa nibua que a nos
enpéésca en essas nossas Casas. E quando nos ou nossos successores
non quisermos algar per essa parede deuemos deuemos nos ààlQar sen
nihua contenda e non deuemos a pagar re a esse Steuà pirez ne a sseus
successores. E esse Steua pirez e seus successores deue senpre filhar
A agua en essa parede assi corno he de suso dito. E eu Steuà pirez
de suso nomeado outorgo e louno todas estas cousas de suso ditas e
cada hua delas. No testemSyo destas cousas Eu Sadomto pirez publico
tabellid de LixbSa rogado destes de suso ditos a estas cousas presente
fuj e este estrumento per mha m2o ende fiz e este sinal meu y pugi
en testem3yo. ffeyto en Lixboa .iij. dias de Juno. Era. M.* CCC*
xviij.* ts. Paay pirez priol de sa pedro. Domingos duraez mercador.
SteuS raartijz clerigo. Joba domingiz. Vicente martijz vigayro. Vaas-
CO^f.
Nota. Estes tres documentos dao alguns elementos para o conhecìmento da
arte de construccSo no seculo zni. e principalmente dos termos empregados no
latim dos documentos corno sao: cutninaricu, feneatris, lapidem, Ivminaribue, ma"
dtiram, paride, superatum (sobrado), trabes. Os pedreiros e os carpintciros eram
OS operarti. Flaiea è o termo actual pra^a.
No documento portugués o mais interessante é a pi'ohibÌ9fio de construir sobre
nma casa eirado, janella ou jamineira.
* Mosteiro de Chellas, pergamìnbo n.° 178.
^ Mosteiro de Chellas, pergaminbo n.° 160.
72 O Archeologo Pobtugués
Y. Po^ em Chellas oonstraido por nm moaro forra* 188S
• |« Sabham todos corno £a maffamede sebor Mouro fforro Morador
em no ABanalde da 9^^^^ d^ lizboa obijgo todos Meas bees moajs e
Rajz Auudos e por Auer A fazer A prioressa dachellas hfitu pogo em huu
seu pomar que tem dentro no dito Mosteiro dachellas o qual P090 Anche
pera nora boo e bem £feito empedrado de sua pedra e cauado dando
me a dita prioressa a dita pedra e cai e greda (?) pera o fundo do dito
P090 e darme por cada bua braga dalto sete libras. E eu deuo de fazer
dito P090 per guissa que de Agua. E obligo me a comegar està segunda
ffeira que uem e des que meter em el MaSo A o comegar ne A tirar
del Atàà que seia Acabado e (nS o fazendo) nS o fazendo polla guisa que
dito he M3do e outorgo que dhy em deante Iho fasa e correga c<5 todas
perdas e dapnos que ella por està Raz8 fezer de Majs c8 dez ssoldos
cada dia de pea c3 està condjcom que se eu Achar pedra grande em
ffundo no dito pogo que a dita pedra se talhe A custa da dita prioressa.
E eu Aires Afomso omS dElRey a esto pressente obligo me a dar a iios
ditos as ditas ssete libras por cada bua braga em nome da dita prioressa
e daruos logo no comego ssete libras pera comprardes o que ouuerdes
mester de guisa que o pogo Acabado e uos seerdes de todo pagado e
MSdo e outorgo que nS uoUos pagando ao dito tempo corno dito he qne
dhj em deante uollos page a saluo c8 as custas e despesas que uos por
està Razom Regeberdes e de majs co A pea sobredita. ffeito ffoj (este)
oste estormento em na ^idade de lixboa em no adro do see vjnte e quatro
dias do mes de Julho Era de mjU e quatrocentos e vinte e huu Anos.
Ts: nuno afomso omS dElRej e gomez eanes tabaliS e outros. E eu
gongallo uaasquiz tabeliS do dito Senhor Rej que este estormento per
mandado do dito maffamede sebor e Airas Afomso este estormento Aqui
Meu sinal fiz que tal -}- he.=pagou iiij* soldos*f.
TI* ConstraegSo do portai da casa de Santo Antonio em Lisboa, 1549
«Praaz a cidade que desìstimdo padre Yyla Franqua das duas
botiquas que estaao A par de Samto Amtonio que se ora derrubam
pera se fazer portai e emtrada da dita casa em Eenumjragam (sic)
das ditas temdas a cidade Ihe apraaz dar ao dito moesteìro de No sa
Senhora da Graga toda aquela baroqua que ficar do camjnho pera baixo
que he per onde o dito padre se quer cerquar e asy da bamda dos
1 Mosteiro de Chellas, n." 443.
O Archeologo Pobtuqués. 73
Oleiros Fazendo pelo alto o camjnho corno vem pela Rua de Balzo
ihe daa toda a outra terra que ficar amtre o dito camjnho e o valado
do moesteiro e mamdamos a Bras de Pina procurador e asy aos mes-
teres que vam demarcar o sobre dito deyxando seruemtias larguas pera
pouo SL8J corno estaa ho da cerqna Noua qne hora o dito moesteiro
faz e mjlhor 3e mjlhor poder ficar e desistimdo corno dito he das ditas
tendas e demarcado e medido ho dito chao pelo dito procurador e mes-
teres mamdamos que venha a està camara pera se Ihe fazer sua carta
em forma oje xj de Mayo de 1549 Joam do Sai o espreuj per a quali
demarca9am sera presente o padre Vila Franqua e o disistimento das
buticas sera feito polo priol e conuento — Amtonio da Silueira — Lopo de
Brito — Christouam Mendes — Bras de Pina — Bastj&o Afonso — Pero
Gonsaluez — Bras Dias — Fernam Diaz*.»
YII. MoUinier, graTador sni^o, 1775
Para o Dezemhargador José Freire Falcào, — A Sua Magestade foy
presente que Francisco Antonio latoeiro de profisslo morador na rua
Augusta e no terceiro quarteirao do lado direito della, vindo do Regio
pera a Praga Real do Commercio, vendeo as falsas medalhas, que serao
com està: Que hum Jofto Francisco que trabalha na fundigSo era o
moldador dellas e hum suisso chamado MoUinier morador na calgada
do Cembro fora o autor do Modello : e havendo side estranho ao mesmo
Sr. a ouzadia destes homens ou de outros quaesquer cooperassem pera
està falsa obra: Manda Sua Magestade ordenar a V. M.*^® que fazendo
com as indicadas nogoens toda a necessaria indagagSo, prohiba desde
hoje a continuammo do cunho e do gyro dellas, faya recolher todas as
de que houver noticia mande quebrar os cunhos com que foram fabri-
cadas e ordene que sejam prezos nas cadeas do Limoeiro à Sua Real
ordem todos os que para este facto tiverem cooperagSo ou ingerencia.
Deus Guardo a V. M/" Palacio de Oeyras em 22 de Agosto de
1775. — Ayres de Sa e Mello*».
TIII. Obras no ÀrehlTO Nacional em 1888
cMinisterìo do Reiho. — Manda o Duque de Braganqa, Regente em
Nome da Rainha, participar ao Officiai Maior, servindo de Guarda-Mor
^ CoIlecfSo especial. Caixa 166, dee. 31, n.<» 1.
2 Intendencia GercU da Policia, liv. 827, fol. 59 r.
74 O Archeologo Pobtugués
do Archivo da Torre do Tombo, que jà o Conselheiro Fiscal das Obras
Publica» tem as convenientes Ordens para proceder com a maior bre-
vidadie as Obras necessarias, para melhorar o Edificio do Archivo^ e
para augmentà-lo de maneira a conseguir-se a melhor conservala© ^os
Documentos, e Papeis que alli se guardam, e a haver iQgar para com-
moda arrecada^Eo dos que, pertencendo a differentes Tribunaes, e Re-
partic8es extinctas, para alli foram, ou hajam de ser mandados transfe-
rir; e que igualmente se soUicitou a entrega dos quarto^, que occupava
a extincta Secretaria do Registo Geral das Mercé», para serem destì-
nados ao mesmo firn».
Palacio das Neeessidades em 14 de Novembre de 1SS3, ==Joaquifn
Antonio de Aguiar.
(Cìironica Congtitucìonai de Lisboa, de 16 de Novèmbre de 1833).
P, A. DE Azevedo.
Urna primicia de epigrapUa fimeraria romana
O Minho nao é eKtremamente generoso em espolios archeologicos.
Seria erro inferir de tal escassez a correlativa dispersào dos seus habi-
tantes nas epocas antigas. A grande abundancia dos castros, oivida-
des e castellos, para nSLo me referir senào a nma idade, demonstra
que aquella regiao foi tio densamente babitada comò hoje. E tenaos
entra prova no onomastico. A frequencia porém dos vestigios està na
razao inversa da popula9ào; é està, por ser intensa, que vae de se-
culo em seculo destruindo as reliquias do passado. Por isso, quando
ali surge do solo uma antigualha inedita, immune dos attentados das
geragòes, cnmpre logo registà-la devidamente. £ para compensar os
effeitos da lei que acima deixo enunciada, que se organizam os museus
publicos.
A antigualba, de que agora don conta, é uma estéla funeraria pro-
veniente da freguesia de Grade, concelho dos Arcos de Valdevez. E a
primeira do concelho. O legar do achado é bem na serra, mas nào long-e
de um monte fortificado ou castro protohistorico. Nenhumas outras
indica9oes archeologicas existem. Deu-me d'elle conhecimento o Ex."^
Sr. Joào Vasconcellos, a quem o Museu Etimologico Portugués jà deve
ter-se salvo da forja um machado de bronze da mesma regiSo e fica
devendo agora mais o cuidar da remessa d'està lapide para Belem.
Seguidamente o Rev.**** P.* Manoel Brito, a cuja dedica9ao o mesmo
O Archeologo Po&tugués
iO
estabelecimento deve tambem urna preciosiflade de ceramica prehisto-
rica, enviou ao autor d'este artigo urna copia. A tosca pedra tem a fórma
de rectangulo alongado,
terminado por um frontào
asimétrico, em cujo centro
se ve desenhada bem cla-
ramente uma cruz. A as-
pereza do granito e a im-
perfeÌQao da gravura das
letras parece-me qiie nSo
podem ser excedidas; col-
laboraram de mXos dadas
na extraordinaria rudeza
do monumento. Os carac-
teres sào abertos profun-
damente quasi todos, mas
as suas fórmas nSo deixam
de ser pouco precisas. A
parte essencial (Cagnat,
Cours dfépigraphie latine,
246) da inscrip9ao està
gravada dentro de um
quadrilatero rebaixado na
lapide.
Dimensoes sào : altura
de um lado O'^Jò, de en-
tro, 0"',72, ao vertice do
frontao 0"™,95 ; largura na
base 0'",53 ; altura media
das letras 0"»,07. A lapide
parece ter servido de tranqueiro de portada antes da gravura da ins-
cripgao.
Eis a legenda:
A N D I I
R C A C A
T V R N
.1 P A X V I
HICSIT^^
E a ligSo:
Anderca, Caturoni F{iUa)^ a{nnorum) XVI, hic sita.
76 Archeologo Poetugués
Que se traduz: Anderca, filha de Caiurono (ou Catur<miof)j de 16
annos de idcide, aqui sepultada {està),
Anderca apparece agora pela primeira vez, e é evidentemente nome
feminino. Ha hoje no Museu Ethnologico Portugués urna lapide de Va-
lenza com Andercus, E a que vem no Corp. Inscr. Lai., li, 2465^
e à qual se refere A. Holder (AU-Celtischer Sprachachatz) s. v. An~
dergus.
Quanto a Caturoni, na obra citada de Holder encontra-se tambem
registado hypotheticamente Caiuranus (s. v. CcUwro). De Caturo -onis
ha varias epigraphes na penìnsula (e no Minho) * ; CaJtaroni (genitivo)
é segundo esemplo conhecido na Peninsula.
No peito da donzella, tao lou9à de primaveras, pulsava sangue de
Celtas; d'estes provinha tambem o pae, de cuja dogura de sentimentos,
apesar de barbaro, nós encontramos hoje, passados quasi dois mil annos,
commovente documento. Os nomea da epigraphe sSo considerados
celtìcos, que dà importancia especial à lapide arquense, visto attestar
authenticamente, partindo da exacta origem do onomastico, a existencia
e iixa9ao de Celtas ncsta rcgiao e a sobrcvivencia da sua ra^a durante
periodo da dominagSo romana, a cuja epigraphia a estéla pertence.
A inscripfào termina pela fòrmula tipica Hic aita [esi\, Na pedra
lè-se HIC SIT(a). NSo posso detscobrir a palavra est ou sigla que Ihe
correspondesse. Mas ha muitos exemplos d'està ellipse. Basta ver o
Corp. Inscr. Lat., voi. Il, nos titulos 117, 153 e 948, que sSo da Lu-
sitanla, e 4386 com 4402, que pertencem k Tarraconense.
Tentemos agora a chronologia d'està inserip92o, tanto quanto o per-
mitte a pouquidade da minha competencia. Para conhecer pois da epoca
em que foi lavrado este epitafio, preciso é fazer o seu estudo paleogra-
phìco através da quasi indecisào dos caracteres e da indocilidade da
pedra.
De facto, a natureza granular do àspero granito da estéla de Grade
exerceu nociva influencia no trabalho lapidario. Para que os caracteres
iìcassem quanto possivel distinctos nas suas fórmas, teve o quadratane
(certamente improvisado) a precaugSo de separar hastes que deviam
tocar-se (veja-se o N, linha 1.* e o V, linha 4.*), de arredondar o que
* Vid. Corp. Inscr. Lai., ii, 753 e 2378; e Bevista Archeologica, n, pag. 172.
Està ultima epigraphe authentica 'tambem o celtismo de Cataro e Caturonus.
Archeologo Pobtugués 77
devia ser anguloso (vejam-se os A); nEo obstante, através d'estas dif-
ferensas, creio que se podem entrever as fórmàs paleogra^^hicas, que,
na epigrafia propriamente romana, variaram conforme as epocas * desde
Cesar a Constantino.
Outra observa9ao que se deve fazer é que a 4.* le tra da 1.* linha
(II) e talvez a 2.* e 3.* da 4.* (p e A)* pertencem exclusivamente
ao genero de escrita a que Htibner chama lapidaria vulgar, isto é, nSo
monumentai ' corno deveria ser uma inscrìpgao. Isto tem importancia
chronologica^ corno veremos. As letras de natureza monumentai d'està
inscripgào (A N R) que em seculos posteriores ao sec. il comegaram
a ser mais estreitas ^, revelam, através da sua rudeza, tendencia para
a fórma mais antiga e mais classica.
Cotejando està epìgraphe com algumas da Gallecla (Hùbner, Exein-
pia) de idade assinada, parece encontrar-se semeUxan^a, principalmente
com as do sec. i e ii do que com as do ui e posteriores ^.
Identica fórma das letras na presente inscrig^, do ( (a modo para-
bolico e nao circular), do S (estreito e pouco simetrico), do D e (nào
circttlares ou quadrados, comò se exprime Hiibner), vé-se na epigraphe
^ Basta ver os alfabetos apresentados por HUbner, nos Exempla écripturae
epìgraphicae, pag. lui. Diz tambcm este autor, referindo-se à Hispaoia, qae dada
a sua yafltidào e variedade ethnica, nao admira littercUuram non aequabilem esse,
differìudo de algum modo os titulos da Betica dos da Lusitania e da Tarracouense
{Exempla, p. 70).
2 Nào é certa a leitura d'està fórma do A. Parece porem nio ser naturai aqnelle
tra^o obliquo. £m todo o caso, d'elle diz Hiibner {Exempla, liv) que é propria da
escrita ynlgar, e j4 apparece noe titulos sepulcraes do sec. i e depois nas inscrìp-
coes da Italia no principio do sec. ii, do firn nas da Gallia^ Attica, Hespanba e
Africa {Corp. Inter, Lai., ii, 1127, 1607, 1652, 1982, 3258, 3690, 3777, 3994, 4047).
A par disto, tambem se poderi interpretar este A corno nào terminado em
vertice agudo, mas em arco que ligaria as duas bastes conyergentes da letra.
Està fórma, que evidentemente pertence à mcsma classe de AA, e deve ser apenas
mais rude, vem num titulo semibarbaro da Grallia da epoca do Cesar, j untamente
com II da nossa inscripcào. (Vid. Corp. Inter. IjjJt., v, 6553). A typographia nao
tem estas fórmas.
3 Escrita vulgar, na epigrapbia romana, vem a ser a cursiva (a que era aberta
com estilo ou ponteiro em alguma materia molle) empregada nos monumentos,
e por isso encontra-se principalmente nos de natureza particular, nSo publica, sa-
grados ou sepulcraes. (Hìlbner, Exempla, czliz, p. xxiv e lui, e Corpus^ ii, 1067^
1112, 1382, 2632, 3330, 5065.
* Vid. Habner, Exempla; passim.
^ A variedade das inscrip^Ses romanas na Hespanha està desde o sec. ii na
razào inversa dos tempos. Paucissimae sào j4 as do sec. iv. (Vid. Hiibner, Exem-
pla, p. 269 e Lxxxni, etc).
78 O Archeologo Portugués
n.*' 40 (Httbner, Eùcemjda e Corpus, ii, 3294) que é de parte do sec. I
(Cesar a Nero); a qual, para mais, comprova na Hispania o uso con-
juncto da letra vulgar II pelo E monumentai, comò na de Grade *, com
as outras. O uso da escrita vulgar (scriptura vidgaris lapidaina) tor-
nou-se commum nas provincias do imperio desde o sec. i, e, comò na
lapide de Grade, nesse tempo élla era lata etprofunda, derivando aetate
procedente para magia ffracUia et fugitiva^, qualidades que, ainda des-
contando a aspereza de granito, estSo longe de se adivinharem.
Ha porem duas letras nesta inscrip9Slo que abatem um pouco a an-
tiguidade que, pelas anteriores razòes, seria levado a assinar-lhe em
meu fraco juizo; sào o T^ F- £sta desde o iim do sec. i acompanha
identica transforma^ào do E ^; aquella, na sua mais antiga fórma, tem
o tra^o superior horizontal; com o andar dos tempos perde a sna aus-
tera figura, procurando graeioaidade na inclina^So do chapeu, tal qual
alguns janotas dos nossos dias. Se jà no tempo de Claudio apparece
na escrita pintada, no sec. n é que se toma frequente ^.
Apoiada nestes fundamentos paleographìcos, creio que poderemos
aventar a conclus&o de que a tosca lapide de Grade pertence a um pe-
rìodo que abrange a segunda metade do sec. i^ e ApMHHH»<kf sec. ii^
A presenta nesta epigraphe de àtm-mmam celticos nio autoriza,
creio eu, que a desviemos maiio para àquem da primeira talha d'a-
^ Està letra so no sec. ii é que apparece na Galia e na Germania. Em Poni-
peios encontra-se nos letreiros pintados, escritos a carvào e feitos com ponteiro
{Corp, Inscr. Lai., rv, p. 267 e n.*»» 806, 807). Na Italia refere o Corpus urna no vo-
lume 1, 1416, que esik comprehendida na serie da guerra de Hannibal até à morte
de Cesar. autor do Corpus deriva-a do E monumentai, e dis que nunquam in mo-
numentis publicis invemtur. Mas em Cagnat ( Cours d'épigraphit Ialine^ p. 3) vé-se
j& no alfabeto archaico dos sec. v e vi de Roma. No Coipua, iz, véem-se 11 epi-
graphes. Vid. tambem Le Blant, Inscriptiona chréliennes de la Gault, ii, 438.
2 Vid. Httbner, Exempla, p. 424 e xlvi e lui. Comparem-«e tambem algumas
letras com as do tit. n.° 446, op. laud., que é de Braga e do fim do sec. i.
3 No cursivo pompeiano ainda nao apparece. Cagnat, Cours d*épigrapkie la-
tine, p. 7 e 14. Percorram-se tambem as inscrip^ues qiie Httbner nos dà nos Ewan-
pia, desde Vespasiano a Commodo (segunda metade do sec. i e ii). Nos mesmos
titulos se encontra o T.
* Vid. Cagnat, op. latui., p. 21, e Httbner, Exempla, p. lui e sqq.
^ ... Il ne faiit pas s'attacher outre mesure aux petites différences qu'oD
pourra remarquer dans ces alphabets; . . . en debors de Rome, la perféction de
Tcxécution dépendait beaucoup de Thabilité du graveur et dea ressources doiit
il disposait ; . . . dans Tiguorance où nous sommes de ces particularités, on s'ex-
poserait, pour vouloir tirer de Taspect dea inscriptions des conclusions trop pré-
cises, à commettre des errcurs regrettables. Cagnat, op, land., p. 5.
O Archeologo PoRTUGuÉs 79
quelle periodo; mas, neste particular, seria necessario que se tivesse
apurado ja o mais recente limite do apparecimento na epigraphia da
Hispania de nomes celticos.
Tendo de se apreciar a antigiiidade de urna inscrìpglo romanai
depois do exame paleographico, deve tambem considerar-se o formu-
larlo seguido. Apesar de breve, a presente epigraphe, indica a idade
do defunto, a filia^So, e o legar da sepoltura. Estes accessorios nilo
sào de primitivos tempos, em que o epitafio simplesmente exarava o
nome do sepultado sem mais indicagSes^ NSo pode pois attribuir-se
aste monumento a seoulo anterior ao i da era christS. Mas poderia
inferir-se da ausencia das sacramentaes siglas D. M. S. introduzidas,
segimdo Cagnat, no tempo de Augusto, que a epigraphe de Grade Ihe
era anterior. A està presumpgfto se oppde, creìo eu, a paleographia
da lapide, e pertanto pouco custa admittir excepgSes para està novi- .
dade epigraphica, tanto mais que o monumento era de uma regiSo
inteiramente agreste e pertencia a barbaros, embora romanizados.
exame da lapide de Grade pode causar aos olhos mais prescru-
tadores justificavel surpresa, que merece alguns instantes de estudo.
Como é que um monumento funerario do sec. i ou li da era cbristS
se apresenta, na peninsula hispanica^, coroado por um frontSo, onde
està gravada uma cruz, habitual sello de procedencia cbristà?
Sem embargo, a lapide de Grade é caracteristicamente pagi, ainda
admittindo que fosse mais recente do que o é para o meu bom ou mau
criterio.
Em primeiro legar; se o estudo paleographico da inscripgao me
guiou mais ou menos apròximadamente ^quelle resultado (posto que
eu esteja infinitamente longe da infallibilidade e nio menos de pre-
tensSes a ella), so por si, este facto contraria a attribuiglo christà do
presente monumento.
Mas, prescindindo d'està incompatibilidade, aos leìtores d-0 Archeo-
hgo póde interessar saberem por que outros motivos a inscripgSo de
Grade é pagi, nào obstante a cruz.
^ Cagnat, op. latid., p. 244.
2 Ab prlmeìras igrejas christas na Peninsula datam do sec. iii (vìd. Sur le»
RéUgionSf par José Leite de Vaaconcello», pa^. 8).
80 O Archeologo Pobtugués
Ora sSo estas, creio, as razSies:
1.* O atarado estudo comparativo da Epìgraphia levou ao conhe-
cimento dos especialistas a existencia de formulàrios adoptados; nSo
so OS de origem paga (romanos) differem dos de procedencia christS,
corno entre os epitafios d*esta ultima natureza, pela formula empre-
gàda, se pode apreciar, na Gallia pelo nieilos, a epoca a que perten-
cem. NSo admira que o christianismo, germinando nas cataoumbas,
cuja epigraphia teve nos nossos tetUpos um verdadeiro criador (Rossi),
banisse o formulario pagSo, estabelecéndo outro, cuja significagao inspi-
rou a E. Le-Blant paginas cheias de encanto e de verdade. Ora, quer
Ha Gallia, quer na Hispania e multo menos em Roma, nenhuma inscrip-
9^0 christE apparece com a formala hic situs est, que alias poucas epi-
graphes sepulcraes romanas derxam de conter. À formula chrìstS mais
antiga é, hic requiescit, que melhor se coadunava com a ideìa chrìstà
da sepultura*.
Està espressilo iniciava e n2o fechava o epitafio christE.
2.* A Cruz, simbolo chrìstEo, nSo se revelou em Franca senSo no
principio do sec. vi (Le-Blant) ; anteriormente a este usaram-se outros
simbolos (a ancora, o peixe, a pomba) ; na Hespanha o mais antìgo tìtulo
christSo que encontrei ostentando a cruz é do sec. v (Hiibner, n.® 42);
de facto este sinal patente do christianismo nfto podia apparecer senio
depois de Constantino, isto é, do edito da paz {Rossi*); com està epoca
porém nào é compativel a lapide de Grado, nem pela paleographia, nem
pela redacgSo de antigo sabor (priorum saporem referens. Rossi), tra-
tando-se de epigraphia christS, nem mais especialmente pela fòrmula
epigraphica e falta de outros elementos accessorios (famulus Dei, dia
da morte, etc).
Em conclusSo pois, nào podeqdo a figura cruciforme da lapide de
Grado ser interpretada comò simbolo christSo, e mostrando o epitafio
^ Iato é urna sinthese; farei as indispensaveis referencias : sobre as fórmulas
das inscripQÒes christE da Hispania, das quaes as mais antigas sào do sec. y,
vid. Irucrip. Hisp. Chriat., de Htlbner, pag. v, ix, xi. Sobre as inBcrip9des christas
da Gallia, as obras de E. Le-Blant, especialmente Uépigraphie chrélienne en Gaule,
pag. 7 e 18; ahi ainda apparece nos mais antigos marmbres ebristSos hicjacet,
hic pausai; na Hispania o facto de em urna inscrip^So estar hic i{cuìet), £az dizer
a Hiibner verba fortasse Christiana putanda (Corp. Inscr. Lai., ii, 1145). Acérca
dos epitafios christaos de Roma vid. J. B. de Rossi, Inacr. Chriat. U. Rotnae,
pag. ex e CXI. No voi. ii do Corpus, uma vez so apparece em epitafios pagaos
a frase hic q(u)ie8cit, collooada ao firn porém (n.»3670, Maiorca).
2 Vid. Dici, des antiq. chrét. Martigny, se. v monogramme.
O Abcheoloqo Portugués 81
obedecer inteiramente ao formulario pagSo, deve ser considerado pagào
monamento ^.
A figara composta de doìs trajos cruzados na lapide arquense é um
ornato, com quo se occupou o rade frontlLo da lapide, depois de cob*
tornado com dois sulcos, do que resultou nm tosco triangulo. Em entra
regimo e com outra casta de pedra, talvez o abridor do epitafio tivesse
sabido pdr naquelle legar uma roseta, corno se costumava'.
A lapide de Grade fica em todo o caso sondo, na epigraphia lusita-
no-romana, um monumento de valor, jà pela sua caracteristica rudeza,
jà pela insergSo de dois nomes celticos, jà pela provìncia a qne per-
tenee, jà pela presenga da figara cruciforme em estéla pagS.
Com ella enriqueceram o Museu Etimologico Portugués os dois de*
dicados cavalheiros e amigos meus, a que me referi no principio d'este
artigo.
Abril de 1904-
F£Lix Alves Pereira.
Catalogo dos pergaminlios ezistentes
no arohivo da Insigne e Real OoUegiada de Ouimarfies
Um dos mais antigos e mais ricos archivos do reino era sem duvìda
da Insigne e Real CóUegìada de GuimarSes, cuja in8tituÌ92o primitiva
ascende aos principios do seculo x. Na collee9§lo Diplomata et Char-
tae dos Portugaliae Monumenta Historica apenas se encontram publi-
cados 4 documentos de epoca mais afastada.
A quasi totalidade dos documentos em pergaminho, anteriores ao
anno de 1600, existe hoje na Torre do Tombe, porque em execugSo
do decreto de 2 de Outubro de 1862 a este archivo foram recolhidos
em 1863. Antes porém d'està data, jà se tentàra recolher à Torre
esses documentos.
E o que vamos narrar corno preambulo ao Catalogo que ora publi*
oamos.
* No CcUcdogue ofthe inscribed and sculptured stoiies preserved in the Blackgaie
MaKum (1886) rejo uma ara de pedra com ama cruz, qae nSo Ihe tira a qaali-
dade de paga, segando se prova.
2 Os tra^os em cnus lembram um esbo90 de florao comò os das lapides bei-
ras do Archeologo, i, 198. A cruz dos epitafios chrìstSos, quando encima as lapi-
dea, nao tem a fórma simples d*esta de Grade, mas é espalmada. Pela figura se
Té quo as suppostas hastes se ligam aos tra^os do froutSo, accentuando a intendilo
puramente ornamentai.
6
82 O Archeologo PoBTUGUÉs
Em 18&4 Alexandre Herculano visiton o archivo e formon ama
rela9Ìlo dos docnmentos ali existentes anteriores ao secalo xiv, mencio-
nando nella a falta do denominado Chartulario de Mummadona, que
posteriormente foi recolhido.
O exame feìto pelo insigne historìador a este e OBtros archivos
concorreu certamente para qne a Academia Beai das Seiencias fizesse
subir ao Governo ama representa$Ìo, a fim de qae este mandasse reco-
Iher ao Real Archivo da Torre do Tombo os docnmentos que ezistiam
nos archivos das mitras^ cabi<los, coUe^adas e conventos^ com o firn de
tirar copias para continuar a collecsi&o e. publica^Io dos monomentos
historìcos que interessassem às letras patrìas.
Està represenia^So foi attendida pela portarla de 11 de Setembro
de 1857, communicada ao D. Prior D. José Francinco de Paula e Al-
meida, acompanhada da rela^ao formulada por Alexandre Hercalano^
e ao Arcebispo Primaz, a fim de que estes dessem as ordens competentes
para a sua execu^So.
O D. Prior officiou ao Cabido em 26 de Setembro, e o Arcebispo
em 15 de Outubro, dando-lhe conhecimento da portarla, acrescentando
este que em Guimaries devia apresentar-se um delegado da Academia
para reoeber os docnmentos. Este delegado foi Augusto Soromenho^
nomeado em 7 de Dezembro com o vencimento mensal de 50f$000 réis
pagos pelo cofre especial dos monumentos historicos e corpo diploma-
tico, o qual em 30 de Janeiro de 1858 jà se achava em Guimaries, e
neste dia officiou ao Cabido para Ihe ser designado o dia em que po<£a
receber os docnmentos.
O Cabido porem recusou-se à entrega e fez subir por intermedio
do D. Prior uma representa^So ao Governo, que foi entregue no Minis-
terio dos Negocios Ecdesiasticos em 9 de Fevereiro, e ainda por inter-
niedio do Arcebispo a secnndou.
Em portaria de 15 de Junho o Governo indeferiu a représentaySo,
man tendo o preceìtuado na portaria de 11 de Setembro do anno prete-
rito, comò foi communicado ao Cabido por officio com data de 23 do
mesmo més do governador do Arcebispado, Antonio Bernardo de Mo-
raes Leal.
NS.0 obstante a portaria terminar por dizer que S. Majestade espe-
rava que Cabido, reconhecendo o importantissimo fim que se tem
em vista, deporia quaesquer duvidas no pronto e exacto cumprimento
do que foi superiormente resolvido, as duvidas mantiveram-se, a oppo-
SÌ930 nao cessou, e archivo, por entSo, continuou a guardar os docn-
mentos da CoUegiada.
Assim permaneceram as cousas até 1862.
Archeologo PoRTUOuÉs 83
O decreto de 2 de Outubro d'este anno veio tornar definitivo o que
pela portaria de 11 de Setembro de 1857 era semente provisorio, trans-
ferindo e encorporando no Archivo Nacional os arcbivos e cartorios
de todas as igrejas e corpora98es religiosas.
Para a exeonsfto d'este decreto, pelo que respeita à Collegiada
de Chràoaràes, foi ezpedida ao Arcebispo ama portaria em data de 15
de Novembro para que este desse as ordens necessarìas para o Cabido
entregar os doemaentos anteriores ao anno de 1600 ao socio da Acade-
mia Augusto Soromeaho^. designado e approvado para està commissSLo,
da qual foi dado eonliecimeiito ao Cabido em officio de 21 de Novembre
pelo refendo Arcebispo*
Em officio datado do Fmrt» de 30 de Dezembro Augusto Sorom^obo
inquire do Cabido quando pod^ Qome9ar os trabalhos que Ihe foram
incumbidos, e em Mar90 de 1863 aotiava-se em Goìmar&es, ignorando
nós a data em que teve logar a sua prim^a conferencia oom os doler
gados do Cabido, que foram o cbantre José Antonio Martins Vimarar
nense e o conego Francisco de Abreu Bacellar, acérca da fórma da
organiza^So do inventario dos documentos que devìaia ser entregues-^
concordando-se no terceiro dia de conferencia que, separados nìà^ar
mente os documentos ecclesiasticos, se fizesse dos outros o inventario
em globo, iste é, por seculos e numero de documentos.
Por està fórma se come90u a fazer o inventario, notando o delegado
do Governo em 15 de Mar90 a faita do Tombe antigo de TollSes» e
S. Gens; pouco depois o Cabido entendeu nSo conformar-se com este
processo, desejando que nelle se fizesse uma individuasao mais expli-
cita, de modo que -se ficasse sabendo, em rela9So a cada documento^
a data, objecto, a quem e por quem foi feito, escudando-se para iste
no parecer dos advogados José Barbosa da Costa Lemos^e Rodrigo
Salazar, a quem consultou, e cujas respostas em 19 de Mar90 enviou
a Augusto Soromenho rogando-lhe que se conformasse com està opit
niào.
£m 21 de Margo este respondeu recusando-se a modificar o inven-
tario, declarando que, se o Cabido nSo se conformasse, informaria o Go-
verno do que se havia passado.^ Em vista d'està recusa o Cabido em
officio de 26 declara conformar-se, mas resalvando a responsabilìdade
em que podia incorrer e protestando o conego mestre-escola Joaquim
de Scusa Guedes Aguiar centra a entrega dos documentos. Em 30
de Margo estava concluido o inventario, feita a entrega dos documentos
e passado o competente recibo pelo delegado do Governo. >
fìnahnente em 31 de Mar9o o Cabido envia a Augusto Soromenho
este officio:
84 AUCHBOLOGO POBTUGUfiS
«III."* e Ex.™* Sr.— É naturai que quando V. Ex.* entregar na
Torre do Tombo os documentos que recebeu d'està CoUegiada de N. S.
da Oliveira tenha de formalizar-se urna descrip^So circumstanciada dos
mesmos documentos, e entào este Cabido vae rogar a V. Ex.* a espe-
cial gra^a de promover que na mesma Torre do Tombo se Ihe passe
urna certidao de tal descrip9fto. — Deus guardo a V. Ex.* GuimarSes
em Cabido de 31 de Margo de 1863».
Parte dos documentos enviados para a Torre do Tombo e outros
foram transcrìptos em 13 grandes volumes in folio e devidamente au-
thenticados, desde 1717 a 1724, em virtude da auctorizaQào conferida
ao Cabido por alvari regio de 12 de Agosto de 1688. E todavia certo
que a copia feita nio merece inteira fé e credito, nomeadamente em
algumas datas e em nomes proprìos, cujos algarìsmos, siglas e abre*
viaturas o interprete nSo leu com a precisa exàctid£o. Quem pretenda
ser rigoroso no que tenha a escrever, e em assuntos historicos està
qiialidade é absolutamente indispensavel, n&o pode fiar-se por com*
pleto na copia ali existente apesar de authenticada. E conveniente
a consulta dos originaes.
A descrip9%o circumstanciada que o Cabido entendia dover fazer-se
na Torre do Tombo, e de que pedia certidSo, remediaria em parte esiti
consulta, mas tal descripQSo, cremos, ainda nSo feita; os documentos
conservam-se na Tot* re do Tombo e o intuito que a Academia em 1857
invocou para a sua remessa tem sido realizado com tal morosidade
que até hoje semente foram publicados os que dizem respeito até o fim
do seculo XI.
Quem d'elles precisar aproveitar elementos para o estudo das cousas
locaes vé-se na necessidade de ir à capital, e nào ha muitas pessoas
que tenham vagar e disponham de meios para isso.
Pelo menos deveria fazer-se e publicar-se um extracto de cada docu-
mento com as precisas indica^Ses que pudessem elucidar quem os dese-
jasse consultar. Era isso jà alguma cousa; poupava-se tempo e despesas
aos estudiosos.
Os documentos dà CoUegiada foram reunidos em 51 magos, que
contém 4:113 documentos, e alem d'estes mais 13, que foram inventa-
riados mais explicitamente que aquelles. Acresce ainda o Chartvlario de
Mummcfjdona, que encerra 68 documentos, e 9 livros; o que tudo perfaz
O Archeologo Pobtugués 85
um total: de 4:203 docnmentos, qne for^m remettidos para a Torre do
Tombo,
Nao sera inutil meDcionar o contendo de cada ma9o:
Ma^o l.** — 4 documentos da era de 991 (e copia), 1087 e 1137,
Ma90 2.*— 20 documentos de 1151, 1157, 1158, 1160 (2), 1176,
1178, 1184, 1185, 1193, 1197, 1200, 1215, 1216, 1227 (4), 1230,
1238.
Ma^o 3.*»— 62 documentos de 1224, 1245, 1248, 1249, 1254, 1257
(2), 1258 (2), 1260, 1261, 1263 (2), 1264, 1266 (2), 1268, 1271 (2),
1279 (2), 1280, 1281, 1287, 1291 (2), 1293, 1294, 1295 (2), 1297 (6),
1298, 1301 (2), 1303, 1305 (2), 1306, 1309 (2), 1310 (4), 1311 (4),
1312, 1313 (2), 1314 (2), 1315, 1317, 1323, 1340.
Ma9o 4.^ — 7 documentos sem data dos seculos xn e xiii.
Ma90 5.® — 13 buUas, sendo de Gregorio IX: 4 do segundo anno
do pontificado, 1 do quarto anno, 1 do quinto anno, 1 do decimo tre-
eeiro anno ; de Clemente IV : 1 do segundo anno do pontificado e outra
do quarto anno; de Alexandre IV: 4 bullas do primeiro anno do pon-
tificado.
Ma(o 6.^ — 15 documentos dos seculos xii e xiii sem data.
Mago 7.** — 139 documentos do seculo xii.
Ma5o 8.'*, 9.** e 10.** — 378 documentos do seculo xiii.
Magos 11.® a 18.® — 819 documentos do seculo xiv.
Mago 19.* a 34.** (sendo o 25.** repetido) — 1:693 documentos do
seculo XV.
Mago 35.** a 50.** — 963 documentos do seculo xvi.
Documentos especiaes:
1.**, CriagSo dos meios-conegos, 1489. 2.**, Annexagào e posse da
igreja de S. Tiago de Murga, 1496. 3.**, Criagào do Arciprestado da
CoUegiada, 1518. 4.**, Annexagfto da conesia do mestre-escolado, 1440.
5.**, SuppressSo de 3 conesias distribuidas em 6 meios conegos, 1491.
6.**, Privilegio e indulgencia do aitar da ConceigXo, 1582. 7.**, CriagSo
do Arcediagado de Villa Cova, 1545. 8.**, Centrato entre o Cabido
e OS meios conegos sobre as obrigagSes d'estes, 1504. 9.**, Sentenza
pela qual se prohibe que as entradas dos conegos sejam distribuidas
entre si, 1514. 10.**, ObrigagSo feita pela Camara de assistir à procissEo
da Senhora da Oliveira, 1600. 11.**, Sentenza que escusa os thesourei-
ros-mores de residirem nas suas igrejas parochiaes, 1562. 12.**, Sen-
tenga passada pelo arcebispo e sua relagSLo sobre n2o poder prender
OS conegos, 1581. 13.**, SupressSo de sete conesias, 1430. (Bulla de
Martinho V do decimo primeiro anno do pontificado).
86 O Archeologo Pobtugués
Chartulario conhecido por tLivro de D. Mummadona». Pergami-
nho, in folio, com 60 folhas, letra do seculo xiv. Comega pelo «Testa-
mento de D. Mammadona»; da era de 997; e contém 68 documentos,
todos do seculo x.
Carta de privilegios, liberdades e franqnezas, coneedidas por El-Rei
D. AflFonso V aos homens da Collegiada de Guimar&es, no anno de 1455.
Contém 11 folhas do pergaminho; està encademado em tàbua e mettido
nnma saca de coirò.
LivTo das obriga$3e8 do coro. Letra do seculo xiv, E mais duas
copias: uma do seculo xv e outra feita em 1542.
Estatutos antigos da Collegiada, feitos no anno de 149J. E copia.
Doù titulos do livTO segundo da Ordena9fto Affonsina sobre privi-
legios do clero. Letra do seculo xv.
Tomho da Commenda de S. Salvador de Villa Cova, mandado for-
mar por ordem regia em 1592. Tem 17 cademos e està falbo no prin-
cipio e no fim.
Tonilo do Padroado do Sobradello. Tem 130 folhas e copias de do-
cumentos desde 1347 até 1587.
Nem todos os documentos foram recolhidos na Torre do Tombo;
alguns d'elles estavam em lugares escusos e nSo foram certamente
lobrigados por Augusto Soromenho. Estes nao sao muitos, e alguns
sEo duplicados ou copias d'outros que evidentemente existem no Ar-
chivo Nacional.
E extracto d'estes documentos, existentes e devidamente guar-
dados no Archivo da Collegiada de Guimar&es, que vamos publicar,
formando assim o Catalogo d'elles; e, respectivamente a cada um, fi-
carà consignado o que nos pareceu ter alguma importancia para os
estudiosos.
I
10 de fnar9o de %1
Doa(2o feita por Adozinda ao mosteiro de GuimarSes, datada de
sexto Idu8 marta, era de 999, de todas as herdades que possuia em
Villa Cova abaixo do monte Cavallo confinantes com o rio Avizella.
Apographo escrito por um Gon9alo corno no final se declara: Gon-
saluus in hanc transmutauit,
Este documento, cujo originai se encontra no Chartulario intitulado
Livro de Mummadona, foi publicado na integra no Port. Mon. Sist,,
O Abgheologo Portugués 87
Diplomata et Chartae, pag. 51, sob a epìgraphe Carta de Villa Cotui
in Cauto de Mareira.
Escrìto em latim.
II
14 de fevereiro de 1118
Troca do casal do Fundo, sito na viUa de Paredes, abaixo do monte
Spurga junto ao ribeiro de Canpo, por urna quarta parte de urna var-
zea, feita entre Mende Pires e Monio Gomes (dicto Conua) Pinha. Es-
enta pelo notano Codino, decimo sexto kalendas marcii, era de 1156.
Escrito em latiìn.
m
8 de Agosto de 1125
Doa$So de herdades, sitas na villa Campo entre Eial e a nascente
(fontano) que vem de Celariolos, abaixo do monte de S. Mamede e o ri-
beiro Abruna, no territorio de Montelongo, feita por Soeiro Mendes
e mulber Maria Nunes, e por Fedro Gonyalves e Tuta Nunes, sob con-
dig^ de ahi se fundar urna igreja, ficando sem effeito se està clausula
se nfto reaUzar.
Està carta, em que os doadores ihvocam o testo da lei gothica:
ut omne quod datum fuerit coram testihus non liceat denegavi, é datada
de sexto idus augusti da era de 1163.
Escrito em latim.
IV
Noticia dos bens moveis e immoveis legados por D. Monio ao mos-
teiro de S. Gens.
É urna copia, em dnplicado e em dois pergaminhos por le tra diffe-
rente, sem data, que parece ser do seculo xttt, a que no verso ppr le-
tra mni posterior se dà o titulo de testamento de D. Monio Gomes.
Do contexto vè-se que D. Monio foi casado com D. Odrozia e era
neto de I). Adozinda (sua auola). Damos-lhe este lugar porque nos
documentos immediatos jà se encontram em poder do mosteiro alguns
dos bens por este legados.
Sera Monio Gomes Pinha de que falla o documento ii?
Alem de varias herdades em Laorddlo, Campo, Palatiolo, Villa
Mediaìia, Antea, Oondim, Quintilanes, Celeirolo, Ripis, Paredes, Cer-
mdela e Sautdo, lega os seguintes ornamentos à igreja: «una storia,
uno missale, unahomelìa, uno officiale, uno psalterio cum collectaneum,
uno diolago, uno martirologium et uno breviario et uno correptor, duos
88 O Archeologo Portugués
calices de argento, una vestimenta abrnna, alio psalterio godego, duas
stolas, iiii^' cingulos, duas facegemes bonas et unos sananos, duos ma-
nipulos, un^' boìtes ^ et uno prosano et una sauana de super altare, suo
lecto, duos tapetes, et una quozedra et duos plumaso huno tramesìrgo
et alio grisisco, et uno faceirolo grisisco, uno feltro cardeno et iiii*^''
sauanos et una colcfaa et uno alfambar».
Escrito em latim.
27 de Janeiro de 1137
DoagSo de herdades, sitas no legar de PàUUiólo abaixo do monte
Cavallo (eques) no decurso do rio de Burio, territorio de Basto, feita
por Golena Gemondiz ao mosteiro de S. Gens e S. Bartholomeu.
Esenta a carta pelo notano Fedro, presbytero, a sexto kalendas
fehrtiarii era de 1175.
Escrito em iatim.
VI
1 de junho de 1144
Centrato de cedencia da ter$a da quinta de Villa Meà, feita por
D. Payo Moniz e outros herdeiros de S. Gens (nSo nomeados) a Gol-
dregodo Gomiz e filha Aragunti Aluitiz em vida d^estes.
Escrito pelo notano Payo, die kalendarum junii da era de 1182.
Escrito em latim.
VII
1158
Testamento de Guterre Wilifonsi, feito na era de 1196, pelo qual
lega todos os seus bens ao mosteiro de S. Gens e de S. Bartholomeu.
Alguns dos bens sJlo legados com reserva do usufruto vitalicio para
outrem e com a clausula de permanecerem sempre integros em poder
do mosteiro, prevenindo-se a hypothese de serem partidos os bens
d'este. Neste caso os bens seriam usufniidos pelos parentes do tes-
tador até que o mosteiro fosse restaurado novamente.
1 £ duvidosa a leìtura. Fodera ler-Be boises ou horaes. Urna das copias diz
claramente houts^ mas tal lei tura parece-nos nSo ter logar. Preferimos a que da-
mos por talvez dever entender-se o movel que o Elucidarlo denomina boeta, se
é que antes dSo sera borses, que se traduziria por bolsa e se trataria de bolsas
de encerrar os corporaes.
O Abciieologo Pobtugués 89
Os bens doados, alem dos moveis, sSo em Argividi^ Amenal^ Do-
eidii (ou Docii) e ein Villa Meà. Tambem lega urna casa sita em Gui-
marSes ao hospital de Jerusalem.
Este documento nào é originai, nem sequer apographo; nio tem
indica9Eo de notano, nem de testemunhas, nem de robora ou firma
do testador. Sera, talvez, uma nota para servir & factura legai do tes-
tamento?
Escrito em latim.
Vili
1158
Duplicado do documento sob o n.** vii,
IX
1176
Demarca9So dos limites das terras da igreja de S. Gens de Monte-
longo, feita na era de 1214, em virtude de inquirÌ9ào ordenada por el-rei
D. Àffonso para solu9^ da demanda que se levantara entre D. Payo
Ooriz, prelado d'està igreja, e Payo Sugerii, herdeiro d'ella.
Este era protegido por D. Mendo Gongalves, tenente da terra,
que fazia entrar nas terras da igreja os seus mordomos. O prelado
queixou-se em Coimbra ao rei que por seu porteiro mandou que Pedro
Amarelo, prior de Guimar2es, D. Vilano e o juiz de GuimarSes, em
presenta de D. Mendo Gongalves, chamados faomens bons e testemu-
nhas ajuramentadas, inquirissem quaes as terras pertencentes a S. Gens
em que nSo devia entrar o mordomo do senhor da terra.
Os limites averiguados sSo os seguintes: comegam pela nascente
do rio Srua comò sae das pedras da Viizie (Vigia?) junto & mila de Gon-
dm, até o legar de Cascalaes^ e d'afai ao legar de Eygregoos, e d'abi
pelo termo de Celeiroos até o monte, e da outra parte pelo rio Brua,
onde come90U a demarea9ào, até o monte.
Os.homens bons chamados foram: D.Vermuùs, prelado da igreja
de Santa Maria de Antimi; Carvalal, prelado da igreja de Santa Eulalia
Antiga; D. Barra, prelado da igreja deVinóós e juiz de Montelongo;
Gueda Ordonio de Oraste.
Entre outros esteve tambem presente JoSo Paez, prelado da igreja
d'Ar3es.
Este instrumento foi escrito por D. Pintom, ou Pincom.
Escrito em latim.
90 O Abcheologo Postugdés
24 de Mar90 de 1194
Contrato pelo qual Qoldregodo Moniz e irmi Lupa Moniz se obri-
garam a nào vender, nem dar, nem hypothecar, senSio a Payo Hooriz
e a Garcia Mauro, ou a seus successores, a herdade de Reueli, que Ihes
adveio de seu pae Monio Paez.
Esento pelo notano Goncalo em S. Bartholomeu e S. Gens, nono
kalendds aprilis da era de 1232.
Escrito em latim.
XI
1 de Novembre de 1196
Narrativa da demanda sobre dizimos de um casal sito na extrema
parte da villa denominala Villar, ditada por Mende Vieira, que presen-
ciou todos OS factos : Menendus Vieira uidit et dictauit. NÌo se declara
quem foi a escritor.
Eis a summula do escrito:
A igreja de S. Torquato estava em posse pacifica de receber os dizi-
mos. JoSo de Rupella, prior da igreja de Santo Thyrso, apoderou-se
d'elles allegando pertencerem à sua igreja e os recebeu durante 5 ou
6 annos. Payo Daniel, prior de S. Torquato, por si, por amigos e por
cartas, queixou-se perante o rei D. Sancho, que mandou a Soeiro Pires,
que fora juiz de Guimarles, e a JolLo Fafila, que entfto o era, que inqtii-
rissem da verdade. Feita a inquirìglo e citado para comparecer no paco
do concelho de GuimarSes, vimaranensi concilio, o prior de S/® Thyrso,
que ent3o jà era Payo de Ulueira, este n2o obedeceu e a decisSo prote-
lava-se em prejuìzo do autor, que novamente se queixou ao rei, que
mandou entSo Pedro Nunes, seu collateral e muito amado, dilectujn
inteì* famUiae suae dUectum, para obrigar o prior de S.*® Thyrso a com-
parecer a juizo.
Reunidos os contendores perante elle em Guimaraes na Via Sacra,
juntamente com os inquirìdores, por estes foi dedarado que averìguaram
que OS dizimos do dito casal chamado Bdoi sempre foram possuidos
pela igreja de S. Torquato, corno o af&rmaram as testemunhas e entre
estas D. Joào, prior que f8ra de Souto, à bora da sua morte.
Em vista d'isto os auditores e juizes da demanda, Diego, prior
de GuimarSes, e D. Villano, em dia de Todos os Santos da era de 1234,
julgaram a favor do prior de S. Torquato.'
Escrito em latim.
O ÀBCHEOLOOO POSTUQUÉS 91
XII
28 de Agosto de 1211
Copia da carta de venda de cito casaes e trés quinhSes de outro,
sitos na vUla Miranci, territorio do Porto, junto ao mar, pela quantia
de 750 maravidis que o rei D. Affonso, filho do rei D. Sancho, e sua
mulher D. Urraca, deram em vida à igreja de GuimarEes, para seu
anniversario.
Foram compradores o prior D. Diego e o cabido de Guimarles.
Escrita a carta de venda pelo notario Fedro em GuimarSes quinto
kalendas septembris da era de 1249, reinando D. Affonso e sua mulher
D. Urraca, sondo mordomo da curia D. Martinho Femandes e servindo
em seù logar Fedro Nunes, sub manu gus Petrus Johannis; chanceller
D. JuliEo; eleito bra<;harense D. Fedro; deSo D. Godinho; chantre
D. Fedro; mestre-escola D. Estevam. Estava presente, entre outros,
Soeiro Pires, juiz de GuimarSes.
Esento em Jatim.
Em seguida: Declara9ao feita pelos vendedores de se obrigarem
a fazer boa a dita venda pelas suas herdades de Mouquim, que cediam
ao cabido se nSo pudessem validar o contrato.
Escrito em iatim,
xni
27 de Maio de 1212
Copia de tres documentos, sendo dois os extractados sob o n.® xn
e terceiro o seguinte:
Carta de venda de dois casaes sitos na villa Miranci ao prior
D. Diego e cabido de Guimaraes para cumprimento do anniversario
do rei D. Affonso, filho de rei D. Sancho.
Escrita a sexto kcdendas junii da era de 1250.
Escrito em latim.
XIV
15 de Jolho de 1223
Traslado do instrumento da divisào das rendas da igreja de Santa
Maria de GuimarSes, feita entre o prior D. Diego e o cabido mediato
julio da era de 1261.
Por oste contrato o prior ficou obrigado a dar os ornamentos da
igreja e aitar, reparar a igr^a e casas que estao em circuito da mesma,
a saber, refeitorio, dormitorio, capitulo, adega, celeiro, via-sacra, a casa
da concienga (?)
92 O Abch£OU>qo Pobtuqués
O traslado foi passado a requerìmento do cabido, esento por Lopo
de Figueiredo por mandado do arcebispo D. Fernando e por este assi-
nado em Braga a 28 de Janeiro de 1463«
Escrito em latim.
XV
Copia nio autentioada do documento extractado sob n.^ xiv.
XVI
? de Junho de 1225
Estatuto ou determinagao de D. Martinho, prior do mosteiro de
S. Torquato, assignando aos religiosos para seu vestido e para pitan9as,
quando enfermos ou cansados (minuti)j a decima parte das rendas
que mosteiro possue fora do Conto.
Foi feito em Guimaràes no més de janho da era de 1263, e coniir-
mado a 30 do mesmo mès pelo arcebispo D. Estevam.
Escrito em latim.
XVII
1 de Setembro de 1225
Publica-forma do centrato de irmandade entre o cabido de Lamepo
e o de Guimardes, feito em Lamego nas kalendas de setembro da era
de 1263.
Escrito em latim.
A publica-forma foi passada pelo tabelliSo Luis Vasques, em 6ui-
marftes a 14 de setembro de 1468, por ordem e autoridade de Joao
Pires de Faria, escudeiro, vassallo de el-rei, juiz ordinario da villa de
Guimaraes por D. Fernando, conde da dita villa.
XVIII
? de Abril de 1226
Emprazamento do Campo do Moreiral (?) em LaordeUo, feito por
Gonjalo Gongalves, prelado de S. Gens de Montelongo, pelos derigos
e herdeiros d'està igreja, a Martinho Martins para d'elle fazer uma vi-
nha. Escrito pelo notario Fedro no més de abril da era de 1264.
É partido por A. B. C.
Escrito em latim.
XIX
? de maio de 1227
Testamento de Maior Pires feito no mès de maio de 1265.
O Archeologo Poutugués 93
Manda sepultar-se em Santa Maria de Guimaràes legando dois
aureos impostos no seu casal de Requiam para seu anniversario, e este
«asal em usufruto a seu sobrinho Fedro Nunes e depois da morte d'este
a Estevam Nnnes, filho da testadora, e depois ao clerìgo seu parente
mais proximo e assim por deante. Lega mais k mesma igreja um au-
reo imposto na sua herdade de Luuigildi; um maravedi & igreja de
8. Tiago de Guimarftes; um a RumzavaUes; um para ad obras de
S. Payo; um leito com coIchEo e travesseiro ao leproso que for mais*
ulcerado em Santo André e S. Bartholomeu; alem de outros legados.
Ao seu consanguineo Qomes Martins, cavalleiro, lega um meio casal
em Gtumdar.
Escrito em latim.
No verso d'este foi escrito posteriormente um outro documento em
portugués, que por illegivel nlo podemos extractar.
XX
17 de setembro de 1228
Emprazamento em tres vidas da herdade sita na viUa Laordello,
feito por Gongalo Gonjalves, prelado de S* Gens de Montélongo, com
seus clerigos e herdeiros, a Mauro Pires e mulher, com o foro annual
de uma espadua paga pelo Natal e duas libras de cera pelo S« Bar-
tholomeu e a quarta parte do vinho.
Escrito pelo notano Pedro, decimo quinto kalendas octohris da era
de 1266; reinando o rei Sancho, principe da terra D. Gii, quando
morreu o arcebispo D. Estevam.
E partido por A. B. C.
Escrito em latim.
XXI
6 de Agosto de 1229 ?
Traslado dos estatutos dados ao Cabido de Guimaràes pelo Legado
Apostolico Joào, bispo Sabinense, datados de Leào, octavo Idus Au-
gusti, Sem designagio do anno. Designo 1229 segimdo o que escreve
P.® Torquato nas Memorias resusciiadas da antiga Gnimaràes e ainda
Alexandre Herculano na nota xx ao tomo ii da Historia de Portugal.
Legado Apostolico, depois de prescrever o que diz respeito ao coro,
confirma o numero de 35 conegos e 10 porcionarios, salvo o acrescimo
de rendas ; estabelece um mestre de grammatica a quem assigna uma
prebenda e n^ bastando està dar-se-ha 14 aureos dos bens communs;
prohibe que os conegos sejam juises ou advogados no juizo secular,
salvo em negocios da sua igreja; permitte que o prior possa estabelecer
94 O Archeologo PoBTUGtTÉs
um sacerdote para a cura de almas e htm asaìm. instituir prelados perpe-
tuos nas igrejas de.S. Payo, S. Miguel do CasteHo^ Su Uiguel de Crei-
xomil e Santa Eulalia de FerinentSes, segando a convenglo ttte eam
o Aroebispo de Braga; manda que os conegos sejam obedientes ao fTÌor
corno san Buperìor por direito ordinario.
Esento em latim.
Este estatoto acha-se inserido em carta d'el-Rei D. Dinis datada
de Leiria a 1 de maio da era de 1329. O traslado, a pedido do Cabido,
foi passado, em virtade do alvarà de D. Affonso V datado de Lasboa
a 30 de setembro de 1460, por FemSo de Elvas, escriv&o da Torre do
Tombe, a 26 de setembro de 1461 e està assignado pelo gaarda-mór
Qomes Eanes.
Conserva pendente de cordio azul e branco o sello de D. Affonso V
em cera branca.
XXII
9 de maio de 1238
Sentenza proferida pelo Arcebispo de Braga decidindo a questao
de padroado e hospitalidade levantada entre D. Rodrigo Gh>mes de
Briteiros e Gon9alo Gon9alvesy reitor da igreja de S. Gens de Monte-
longo.
Em resnltado da inquirifSo a que mandoif proceder por D. Fedro
Fernandes de Villa Cova e D. Fernando Raimnndo de Sonsa, conegos
de Braga, e por Fedro Martina Ervilhom e Rodrigo Paes de VideS|
caraUeiros, o arcebispo jolgoa qae D. Rodrigo Gomes nào possoia
o direito qae pretendia ter.
Foi dada a senten9a na igreja de S. Clemente de Basto, aetimo
Idus mail da era de 1276.
Escrito em latim.
xxni
? de novembro de 1240
Emprazamento em tres vidas de urna yinha sita em Laordello, feito
por Gonfalo Gon9alves, prelado de S. Gens, com os sens clerìgos
e herdeiros, a Mondo Mendes e mulher Maria Mendes com o foro an*
nual de urna libra de cera paga no dia de S. Grens e a quarta parte
do vinho.
Escrito por Martinho no més de novembro da era de 1278, rei*
nando o rei Sancho, sendo arcebispo D. Silvestre e senhor da terra
M(artim) Gii.
É partido por A. B. C
Escrito em latim.
O.ABCHEOLOaO POBTDGUÉS 95
XXIV
? de fevereiro de 1245
Emprazamento em tres vidas de urna vìnha sita em Laordello, feito
por Qonjalo Qoncalves, prelado de S. Gens de Montelongo, com os
seus clerigos e herdeiros, a Domingos Gomes e mulher Elvira Annes,
e a Mando Annes e mulher Maria Annes, com o foro para estes da terga
parte do vinho e para seus fiihos mais urna libra de cera paga em dia
de S. Bartholomeu.
Escrito pelo hotario Pedro no més de fevereiro da era de 1283.
É partido por A. B. C.
Escrito em latim.
XXV
? de mar^o de 1247
Testamento de D. Fernando Domingues.
Manda sepultar-se na igreja de Santa Maria de GuimarSes no logar
onde jaz sepultado seu fUho JoSo. Possuia, alem de outros predios,
urna casa na rxui Cabreira^ onde mora Pedro Gongalves Pincalio, outra
na ma 2kipateira, outra na rua de GatOB. Deixa varios legados pios
e por herdeiros os fiihos qne iem de D. Urraca.
Feito no més de margo da era de 1285.
Esento em latim. >
XXVI
? de setembro de 1247
Emprazamento em uma vida da herdade sita no logar de Infula,
ou Insula, em Valle de Bouro, para edificar casas e piantar vinhas,
feito por Gongalo Gongalves, prelado de S. Gens, com seus clerigos
e govemadores, a Soeiro Annes com o foro de uma libra de cera
paga ém dia de S. Bartholomeu.
Esento no mès de setembro da era de 1285.
E partido por A. B. C.
Escrito em latim.
XXVII
21 de Janeiro de 1249
Emprazamento em tres vìdas de herdade sita na villa Òureli, termo
de Celorico de Basto, feito por Gon9alo Gon9alves9 prelado da igreja
de S. Gens de Montelongo, com os clerigos e govemadores da mesma^
a Pedro Pequeno e mulher Elvira Mendes com o foro annual para
estes de um maravidi em dia de S. Bartholomeo, e para os fiihos. dois
aureos pagos no mesmo dia.
96 O Abcheologo Pobtugués
Escrito em o duodecimo kalendas fehniarii da era de 1287, remando
D. A(ffonso), sendo arcebispo de Braga D. J(oao) e principe da terra
D. M(endo) Gareia.
É partido por A. B. C.
Escrito «m latim.
XXVIII
? de abril de 1250
Emprazamento em urna vida do casal denominado Casaes, do meio
casal de Tràs-do-Rio (Transriuulo), sitos na viUa Brudla, feito por
GonQalo Gon9alve8, abbade de S. Gens de Montelongo, com os seus
clerigos e herdeiros, a Fedro Martins e mulher Auroana Viegas.
Escrito no més de abril da era de 1288, reinando D. AflFonso, arce-
bispo em Braga D. JoSo Viegas e principe da terra D. Mendo Gareia.
Escrito em latim.
E partido por A. B. C.
XXIX
? de maio de 1258
Emprazamento em ama vida do casal de Penedo e de orna vinha,
feito por JoSo Pires, prelado de S. Gens de Montelongo, com os cle-
rigos e herdeiros d'està igreja e consentimento do arcebispo, a D. Fru-
ctuoso e mulher Maria Mendes.
Escrito no més de maio da era de 1296, reinando D. Affonso,
conde de Bolonha, arcebispo M(artinho) Geraldes.
Escrito em latim.
XXX
1258
Traslado das Inquiric5es da parte da freguesia de S. Torquato
que nlo é Conto, da Lobeira e de Rendufe, por Godinho Qodins, ci-
dad^o de Coimbra, JoSo Martins, prìor de Pedroso e Thomas Fernandes
de Cabanoós, (?) com o escrivilo Vicente Pires, por ordem do rei
D. Affonso, que foi conde de Bolonha, na era de 1296.
Foi passado, a requerimento dos moradores, por ordem de D. Af-
fonso V, e traduzido em portuguès e subscrito por Gomes Eannes de Azu-
rara, commendador da Ordem de Christo, chronista, guarda-mór do
tombe do reiho, a 9 de julho de 1470 em virtnde do alvarà dado
em Evora a 10 de abril do mesmo anno.
Conserva pendente o sello das armas do reino em cera branca,
e é escrito em nove paginas de pergaminho, cosidas e ligadas formando
um cadérne.
O Aboheologo Pobtugués 97
XXXI
• 1 de outubro de 1263
Testamento de JoHo Diego feito nas kalendas octohris da era de
1301.
Manda sepultar-se na igreja de S. Tiago de GuimarSes, a cujo
aitar, e bem assim aos altares de Santa Maria Magdalena e de S. Jo3o,
da mesma igreja, deixa diversos legados.
Deixa legados à Terra Santa de alem mar, a Santa Maria de Rupe
amatorisj aos fradoB menores e a Santa Maria, de Guimaràes; aos le-
prosos e leprosas de GuimàrXes, aos leprosos de Bou9as; a S. Paio
de Gaimaraes; a S. Christovam; a S. JoSo de Cortegaga; à ponte
de Cavez; & ponte de Orense; aos emparedados; ao hospital de Roncis-
vaUis; a quem for por elle a S. Tiago de Galliza; a Domingos Pires,
scriptori; a Domingos Vicente, capellllo da igreja de S. Tiago de Gui-
marSes, etc.
Escrìto em latim.
XXXII
? de Maio de 12G7
Emprazamento em tres vidas de um campo, situado junto & vinha
de Refloriis, para ser plantado de vinha, feito no més de setembro
da era de 1305 por JoSo Pires, prelado da igreja de S. Gens, com
consentimento dos clerigos d'ella, a Jo Jo Paes e mulher Maria Rousani,
com foro da qaarta parte do vinho depois de decorridos 5 annos.
Os successores pagarlo mais uma libra de cera.
Foi lavrado por Geraldo Gongalves, tabellilo de Celorico de Basto.
É partido por A. B. C.
Esento em latim.
XXXIII
5 de Dezembro de 1267
Testamento de Marinha Pires, mulher de AfiPonso Paes, feito em as
Nanas decembris da era de 1305.
Manda sepultar-se na igreja de S. Tiago de GuimarSes, à qual
com seu corpo lega uma coeedra, um chuma$o e uma colcha cardena,
e 2 maravidis annualmente. Deixa legados à igreja de S.^^ Maria de
GuimarSes, entro os quaes 2 maravidis para Ihe tocarem os sinos, prò
pulsare signa; aos frades de S. Francisco e para as obras d'este legar;
às igrejas de S. JoSo de Ponte e de Santa Eulalia de Ripa Sdii;
98 O Archeologo PoRTuonfis
à ponte de Cavez; à ponte de Orense; aos leprosos e mulheres de Gni-
marSes; aos leprosos de Boujas; a Santa Maria de Eockamadorj etc.
Lavrado pelo tabellifto de GuimarSes Vicente Nunes.
Escrito em latìm.
XXXIV
? de Fevereiro de 1268
Testamento de Vicente Pires, dito Falia, ou Salia, feito no mès
de fevereiro da era de 1306, se nSo erro na leitura da era, pois està
bastante obliterada.
. Manda sepultar-se no mosteiro de S.Torquato, ao qual lega rendas
impostas na sua herdade de Castel Mozegio. Deixa um pomar e almui.
nha a D. Martim Paes, chantre de Guimaraes, e outros bens a Pedro
Nunes, prior de S.Torquato a quem nomeia testamenteiro eom encargo
de fazer dos seus bens o que mellior julgar ser proveito de sua alma.
Escrito em latim.
XXXV
6 de Agosto de 1271
Emprazamento em duas vidas do casal da QuintS em Laordello,
feito a 6 de agosto da era de 1309 por Paio Martins, reitor da igreja
de S. Gens de Montelongo, eom consentimento dos clerigos d'ella,
a Gongalo Martins e irmfto Jolo Martins, revertendo para a igreja por
fallecimento do sobrevivente. Este casal jà estaya emprazado a Maria
Gonjalves, mSe dos referidos.
Escrito em Laordello por Geraldo Gongalves, tabelliSo de Celorico
de Basto. É partido por A. B. C.
Escrito em latim.
Tagilde, 1903.
{Continika).
O abbade J. G. de Oliveira GuimarIes.
Ceramica dos oonoellios de VlUa Real e Amarante
E insignificantissima a collecgSo que tenho feito de objectos d'este
genero.
Aos fragmentos de vasos e tijolos, descritos nos differentes artigos
publicados no Archeologo Portuguèa, em differentes annos, tenho agora
de acrescentar pouco.
AbCHEOLOQO POiLTUGUÉd 99
1. CoaeellM 4e YilU Beai
Fundo de um grande vaso encontrado na povoayao de Banagouro,
fireguesia de Yillarinlio da Samar- j
dS, com grande collec9ào de bron- ■
zes, grandes e medianos, na sua B ^^^^^^
grande maioria, dos imperadores B^^^^^^^^^B
Hadrìano e Trajano. — Este ^^^^t^^^^^^^^ ^^ÈM
era de barro de pasta grosseira, ^^^^^^^^^^^B^Bm
de paredes grossas, sem verniz de ^^^S^^^^^^^^^^^U^.
especie alguma e sem ornamenta- ^^^^!^^B ^^^
930; o ventre era grosso, e come- ;^ _ - \^P"
gava a formar-se no fundo. Devia ^—
ter a capacidade de dois e meio
a tres litros. Na face interior encontra-se grande quantidade de oxìdo
de cobre, proveniente dos bronzes oxidados (Fig. 1.*).
Flg. 1.*
2. Coneelho de Amarante
Perto de Paneleiros, freguesia de Gondar, no acto de arrancarem
um pinheiro secular, descobriram os trabalhadores grande quantidade
de objectos de barro, dos quaes pude obter quatro, gragas ao meu
bom amigo Francisco Costa, conductor das obras publicas do districto
de Villa Real.
S3o todos de barro, de massa bastante fina, muito Usos, sem verniz,
nem ornamentarlo, bem cozidos e feitos à roda, comò mostra a regu-
laridade da superficie, e os sulcos circulares do fundo de alguns d'elles.
Parecem estes objectos ser louga romana, e
iguaes a outros que se encontram no Museu
da Sociedade Martins Sarmento.
Actualmente em Paneleiros ha uma fa-
brica de olaria, de que se aproveitam os po-
vos d'aquellas circunvizinhanQas.
O primeiro objecto que vou descrever é
um vaso de barro avermelhado, em que predo-
mina a fórma de cone truncado. Tem fondo
circular e plano, e d'este comega a formar-se
o ventre por uma zona obliqua de baixo para
cima e de dentro para fora, de 0?*,0348 de
largura. A zona na extremidade superior fórma um angulo com cone
que vae estreitando até chegar ao gargalo, terminado por um rebordo
circular de 0"»,036 de diametro, 0",028 de altura e de 0'",0025 de es-
652708 A
100 O Archeologo Portuqués
pessura, da fórma de disco com urna depressSo em meia-cana muito
pronunciada. Ao bordo inferior da meia-cana vem adherir a extremi-
dade superior da asa bastante aberta, que vae unir-se pela extremidade
inferior quasi ao meio do ventre do vaso. — A fórma d'este vaso (fig. 2.*)
é ainda hoje usada nas olarias que seguem os processos antigos no
fabrico da louga de que se servem os lavradores da maior parte das
aldeias do Minho e Tràs-os-Montes. Tenho visto almotolias muito seme-
Ihantes fabricadas em Bisalhaes (Villa Real) e Valle de Villa Pouca,
O segundo é um elegante pucaro, de barro da mesma natureza,
muito liso, de poucos millimetros de espessura, de 0"*,11 de altura,
de 0™,033 no fundo e 0",055 na boca muito revirada para fora (jà que-
brada em parte). Nào tem ornamenta9ao nem asa. Predomina neUe
a fórma ellipsoide e tem representantes nas industrias actuaes atrasa-
das (fig. 3.*).
Flg. 8.* Fig. 4.»
O tereeiro é outro pucaro nas mesmas condigSes do segundo, diflfe-
rindo em ter maior capacidade; mas està quebrado.
O quarto é um prato do mesmo barro, circular na parte mais larga,
de 0™,26 de diametro, convexa em teda a superficie exterior, de 0",011
de espessura, sem ornatos, nem esmalte. Tem imi bordo obliquo, an-
guloso e iy)resenta a superficie ennegrecida em parte do fundo e dos
bordos, que partem do fundo na face extema sem linha de demarca9ao
e interiormente formam um angulo t2o obtuso, que à primeira vista
mal se distingue. A profundidade do objecto é de 0",045 no meio,
onde è mais fundo, e um pouco menos na passagem do fundo para as
bordas (fig. 4.*).
Os objectos foram oflFerecidos por mim ao Ex.™** Sr. Dr. Leite de
Vasconcellos para o Museu Ethnologico.
Hekrique Botelho.
e Com a critica e conhecimento do passado ganba sempre a mora-
lidade do futuro».
Teixeira de Araoao, IHabruraa, 8antidadt8 e prophecias, Lisboa, 1894,
pag. 7.
O Archeologo Pobtugués 101
EpigrapMa Romana de Braga
Qnis a boa fortuna que ao numero jà consideravel de lapìdes ine-
ditas por mim publicadas viesse juntar-se mais urna, embora truncada,
ha pouco descoberta em Dume, freguesia suburbana de Braga, locai
bastante fertìl na producalo de monumentos que testemunham a domi-
naglo do povo-rei neste retalho da Peninsula Iberica.
Da freguesia de Dume, habitada pelos Romanos, que ali tiveram
a Torre Capitolina (Doagào de El-Rei D. Afimso o Casto, anno de 868)
e um tempio dedicado a Esculapio (Chronica da Provincia da Soledade,
pag. 485), talvez representado aìnda por uma capella lateral da igreja
de S. Fructuoso*, conhecemos, entre outras, estas inscrìpgSe's impor-
tantes: — a primeira, dedicada a Camalo Bracaraugustano, filho de Mal-
gaeco, sacerdote de Boma e de Augusto'; outra, funeraria, de Nigrina,
fallecida aos 50 de annos idade, flaminica da Provincia Hispanica Ci-
terior^; outra, dedicada por Saturnino e seus herdeiros a Lucrecia,
filha de Lucio, da tribù Quirina*; e finalmente outra a Juppiter De*
pnlsor^j por voto de Armia Lussina.
A que acaba de ser descoberta representa a parte superior de uma
grossa columna (faste e capi tei) de que dou o desenho e dizeres:
Leitura: Genio [Ca]e8arÌ8. DimensSes: altura, 0*",45; circumfe-
rencia do fuste, 1"*,35.
Por mais que forcejei nSo encontrei a parte restante que nos re ve-
larla o nome ou nomes de quem fez a dedicarlo.
A terceira linba devia dizer SACRVM.
1 Cf. o meu livro Archeologia Ckrigtà, pag. 34 e scgg.
* Corp, Inscr. Lai., ii, 2426.
3 Corp. Inscr, LaL, ii, 2427.
* Corp, Inscr. LaL, ii, 2444.
^ Corp, Inscr. Lat,, ii, 2414.
102 O Abcheòlooo PostdouAs
Se a eolumna nào foi cortada a meia altura das letras da segnnda
linha, que é ponco provavel, nesse caso a inscrìp^ principiou a ser
gravada perto da jnnta, o que é superlativamente exquisito.
Póde suspeitar-se que està eolumna fez parte de um tempio dedi-
xsado ao imperador Augusto, pois pertenée a essa epoca a presente
inscrip9So, em caracteres elegantes de trayo fino e 0",07 de altura.
O refendo imperador teve, comò é sabido, sacerdotes e templos, e re-
cebeu cultos divinos.
^^^' Albako Bellino.
Moeda inedita de 4 omzados de 1642
Quando foi da revolu^ào de 1640, as moedas de 4 cruzados valiam
If5l600 reaes, de seis ceitis o real, por lei de 18 de fevereiro de 1584,
na razao de 30/SiOOO reaes por marco de ouro do toque de 22 quilates,
o que determinava a saida de numerario para o estrangeiro, onde tinha
maior valor commercialmente.
Para obstar a tao grande mal, que depauperava o pais, os con-
selheiros de D. Jo2o IV insinuaram-lhe a conveniencia de se elevar
pre90 do metal precioso. NEo se fez esperar a lei de 29 de mar^o
de 1642 *, que valorizou em 42^240 réis cada marco de ouro, e mandou
recolher a moeda d'este metal para o lavramento de novas moedas.
Os ourives compravam ouro para os seus artefactos na razSo de
640 reis por cada oitava, mas comò a nova lei mandava pagar este
peso por 660 reis com mais 3 por cento, isto é, por 679 reis, o aumento
com que £1-Rei brindava os particulares era de 39 reis, importante
naquella epoca. Em consequencia d'està vantagem a casa da moeda
habilitou-se com o ouro necessario para trabalhar em larga escala.
É por este motivo que hoje difficilmente apparecem padrSes dos 4 cru-
zados que se cunharam no tempo dos Filipes, das moedas de S. Vicente,
das de meio S. Vicente e de outras mais antigas.
typo do primeiro cunho, aborto ao abrigo da citada lei, vae repre-
sentado na fig. 1.^ Elle nào é novo para quem conhece a numismatica
portuguesa; distinguem-no, porem, certos pormenores nos symbolos
e nas legendas, e, corno variedade inedita, cativa a attenjSo dos nu-
mismatas.
* Teixeira de Aragao, Motdaa de PortugaJj voi. li, doc. n.» 106.
Abcheóix)go Pobtuóués
103
O esondo de armas dp reino, ladeado por duas flores de lis, é elegante
e proporcional no campo da moeda. Da linha horizontal destaca-se, para
cada lado, um ornato que, em curvatura graciosa, o torna independente
Pig. 1.*
da corca real. Na orla vé-se a legenda IOANNES D G REX PORTV-
GALIIE (lE por M no final) ; entra a primeira e a ultima palavrà està
urna cruz feita de globulos.
No reverso o cunho resaltou com offensa do bra^o esquerdo da cruz,
por fórma tal que este parece rachado em fracgSes com extremidades
agudas, sensivelmente deslocadas, e interrompeu o trajecto do circulo
de globulos na orla dìreita.
Forante a sciencia estas irregularidades, meramente casuaes, nSo
distinguem a moeda em absoluto; o que Ihe dà importancia notavel
é millesimo, cujos algarismos parece que foram extravagantemente
oruamentados por pontos! Mas^ na realidade, nSo ha myste^o neste
caso. O artista gravou quinas sem escudetes nos quatro angulos da cruz,
corno se gravaram nalgumas moedas filipinas, do que se mostra um
exemplo na fig. A; porem, depois de concluido o cunho, resolveu-s^
Flf. A
a applicar pun95es de letras numeraes sobre as quinas, para occulià-
las, porque, finalmente, se lembrdra que era mister acatar a dispo-
J3Ì920 da lei de 29 de margo, que mandava acQomodar nas moedas a data
em que fossem fabricadfts ao pé da cruz com que se cunhào.
104 ÀBCHEOLOGO POBTUGUÉS
Tica revelado o propoBÌio do gravador analysando-se as figs. B e C.
Fig, B Fig. e
Na fig. B vemos a oniamenta9So primitiva de quinas, deslocadas
& esquerda da cruz pela violencia do choque do martelo no acto da
cunhagem.
Na fig. C observam-se tres pontòs, vestigios das quinas, que acom-
panham cada algarismo, corno se fossem motivos especiaes de deco-
ragào.
A primeira vista dir-se-hia que o artista sympathizava com o nu-
mero tres. Jà collocara tres globulos nas extremidades da cruz. Conhe-
cido erro, enxertou a emenda sem preoccupammo de qualquer ordem.
A moeda n^o pode ser classificada comò ensaio monetario; entrou
na circulagSo, nJo obstante ser quasi um conjunto de irregularidades.
Naquella epoca nSo era fiscalizado artisticamente o trabalho dos moe-
deiros em Portugal. O quilate legai do euro e o bom peso da moeda
eram os verdadeiros meritos que o publico reconhecia. A questSo ar-
tistica passava quasi despercebi^a, emquanto noutras nam^es se mani-
festavam superioimente os talentos de alguns gravadores monetarios
contemporaneos. Em Franja Jean Warin, de Liége, no reinado de
Luis XIII, em 1640 e 1641, abriu cunhos para moedas de ouro e
prata com tal perfei^So comò ainda nSo se tinha visto desde o tempo
de Henrique II (1547-1559)*.
Na analyse da moeda encontra-se outro motivo de reparo com re-
ferencia à disposiQllo da legenda, que cometa na orla esquerda e ali
termina. •!• IN • HOC * SIGNO •h VINCEESS.
A duplicagao de E e S na palavra .final accusa falta de calculo
no aproveitamento do espago destinado a legenda. Notam-se descnidos
d'està ordem em cunhos de diversos padrSes anteriores, e tambem,
posteriormente, até a reforma que D. Fedro II fez no funcionamento
da casa da moeda por titulo de 9 de setembro de 1686.
A moeda pesa 244 grSos. De conformidade com a lei devia pesar
246 Vs gràos. A falta proviria da tolerancia no peso, que n&o era entao
^ Adrien Blanchet, «Jean Warin, notes biographiques», no Annuaire de la
Société fran^aise de numismatique, 1888, t. xii, pag. 84 e segnintes.
Ahcheologo Pobtdguès 105
calculada rig-orosamente, e pode aìnda attribuir-se ao córte irregnlar
do disco para o canho. NSo esquegamos que a ferramenta do cunhador
em 1642 era semelhante àqaella com que os seus coUegas medievaes
mantiveram estacionarìa por largos tempos a arte de lavrar o dinheiro
portugués.
exemplar està isento de maciilas estranhas ao fabrico. K admi-
ravel a nitidez dos symbolos. Pertencè ao Dr. Antonio Augusto de
Carvalho Monteiro.
As moedas de 4 cruzados cunhadas em 1642 tem flores de lis no
anverso, excepto a variedade que se ve na fig. 5.^, certamente a ultima
cnnhada neste anno. O facto nSLo foi determinado por qualquer razào
de ordem hìstorica, apreciada sómente em 1642. As flores de lis^ que
'nunca mais figuraram em moedas portuguesas, sào aqui ornamentaes
e nào symbolicas, sem duvida alguma. O ourives Cipriano do Conto,
qae fora nomeado abridor de cunbos, por al vara de 16 de mar90 de 1641,
a seu arbitrio escolheria para ornamento a sympatbica fior, por certo
de melhor effeito que os vulgares besantes, os aneis, as estrellas, as
rosetas e outros distinctivos ornamentaes, a cujos encantos nio resis-
tiram os gravadores antigos. Aquella flor ji era sobejamente conhecida
em tape9arias7 na ceramica, no brasSo de armas de Villa Fior, dado por
D. Jo3o I, e em grande numero de brasòes da fidalguia portuguesa,
OS quaes veem nas estampas do Tkezouro da Nobreza dos FamUias gen-
tHicas do reyno de Portugal Desenhado^ Rluminado por Luiz Antonio
Xavier Decipulo do Reverendo Padre Mestre F. Manoel de Santo An-
tonio Reformador do cartono da Nobreza, e te, codice precioso que
existe na Bibliotheca Nacional de Lisboa. Na architectura dos mona-
mentos a fior de lis salientava-se em motivos de cantarla rendilhada.
Quem examinar a porta lateral do arruinado tempio de N.* S.* do
Vencimento do Monte do Canno, de Lisboa, vera flores de lis em avul-
tada quantidade nos intervallos das columnas. «A ourivezaria antiga
ornamentava os seus productos com varios lavores: bastiaes e folhagem,
bastiaes e espheras, amagos (caroQOs), bulhSes, verdugos, jlores de lis,
troncos de arvores, etc.» *. Que a flor de lis nSo era marca especial usada
por Cipriano do Conto, para distinguir os seus trabalhos, prova-se com
a letra C, ìniciai do seu nome de baptismo ou do seu sobrenome, que
por elle foi gravada no anverso do tostSo n.^ 7 da estampa xxx de
Teixeira de Aragao, voi. ii; e està moeda tem duas flores de lis nos
angulos Buperiores da cruz.
* BoUtim de Architectura e de Archeologia da Real AssociapSo do Architectos
Civis e ArcheologoB Portugueses, voi. iii, pag. 131.
106 O Archeologo Portuoués
Na casa da moeda entrott tal quantidade de curo, em 1642, que fbi
mister abrir varìos ferros de typo identico. CSpriaao- trabalhou com
febril actividade, para que o ouro nio estacionasse avaramente, nao
amoedado, nos cofres do thesoureiro, e d*Ì8to resultaram as variedades
que vSo incluidas na estampa appensa no final d'este artigo, onde a
fig. 2.* é copia da de JMig. 181 da Memoria dita moedas correntes, por
Lopes Fernandes. A.apposi^Ho do carimbo 4 coroado, qué valorizou
a moeda em 4«?000 réis, occulta parcialmente o algarìsmo da unidade,
comtudo vé-se que a data é 1642.
Na fig. 3.*, que foi decalcada np exemplar pértencente ao Dr. Fran-
cisco Cordovil de Barahona, pode ler-selOAKNES UHI (cinco alga-
rismos em vez de quatro!). Nota-se que a coroa real estA sbàtìda a
dkeita; està deformidade é rara. Ha duas flores de lis, levemente sobre-
postas, & esquerda do escudo de armas do reino e uma so fior à direita.
Neutro exemplar da mesma data, que figura na collecgào de Robert A.
Shore, tambem ha duas flores de lis, nZo sobrepostas, porém coUocadas
à direita do escudo.
A fig. 4.* vem no n.* 12 da estampa n das Portugiesische Munzen,
Varietaten und einige unedirte Siucke, por Julius Meili, a quem pertence
a moeda. Neutro exemplar, appròximadamente igual, da coUec9ao do
Dr. José Antonio de Azetedo Borralho a legenda do anverso- termina
em PORTVGALI.
A fig. 5.* mostra a variedade em que o escudo de armas nào é acom-
panhado de omamentafUo. Na legenda é notavel a palavra PORTVGAL,
que nSo deverà considerar-se escrita em portuguès, mas abrfeviatura
de PORTVGALME. Existe rio medalheiro da Bibliotheca Naciohal
de Lisboa. Nào foi possivel indagar o motivo por que Cipriano.do Couto
deixoù de gravar flores de lis nesie ultimo trabalho de 1642.
E evidente que a fig. 1.*, examinadas as figa. 2.*y 3.^, 4/ e 5.*,
.é variedade inedita e rarissima. O numtsmata curioso apreciarà o facto
pelo methodo comparativo, que nfto é eBfor90 de teimosia para uso de
Argumentadores; é guia seguro e infalli vel.
Houve outras cunfaagens com typo igual ao de 1642.
A lei de 6 de junho de 1646 ordenou ao thesoureiro da casa da mo«da
que pagasse a citava de ouro dos dobrdes espanhòes de doisescudos
por 800 réis, iste é, por 35 réis aihais do que pagava o ouro da marca
de arriel e o da antiga moeda nacional, por lei de 15 de fevereiro
do mesmo anno.
Està providencia foi motivada pela fatta de numerario, muito notada
dcfsde 1644, depoL^ da Victoria de Montìjo que^firmou a independencia
de Portugal.
O Abcheolooo Fobtugués 107
Cipriano do Couto abrìn os cunhos de 1646 até 1652. Houre equi-
voco DOS apontamentos qiie Teixeìra de Aragfto extrahiu do registò gè-
ral da casa da moeda, a fls. 199 e 243. Este aator diz que a 15 de.se'
Umbro de IGéSpassou Cauto a ensaiador, kdvez porfallecimento de Braz
Fdcào^.
al vara d'està data uSo se refere ao provimento de qualqnér offi^
ciò; manda abonar a Cipriano o aumento annual de mais 3^100 réis
no seu ordenado de abrìdoif, por servir tambem o legar de ensaiador.
Està noticia é dada pelo documento comprovativo n.^ 1, inedito, ao
deante transcrìto na integra. Està re^stado no liv. 18 de Dooi^s,
a fi. 166 V, da chancellaria de D. JoSo lY (Archivo Nacional da Torre
do Tombe).
Tambem se prova a assergSo com o documento n.^ 2, da mesma
proveniencia, que se refere a novo aumento no vencimento do abridor-
ensaiador, mercé que foi con<;edida em 28 de outubro de 1647^
Houve tres perìodos de cunhagem de moedas de ouro no reinado
de D. JoSo IV.
1) O prìmeiro comprehende as emissoes de 1642, corno se ve nas
figs. 1.*, 2.*, 3.*, 4.* e 5.* Exìstem exemplares com flores .de lis no
anverso e sem earimbos nas coUecgSes de:
Abilio Augusto Martins^, Dr. Antonio Augusto de Carvalho Mon-
teiro (dois exemplares differentes), David Nunes da Silva, Di Fer-
nando de Almeida, Francisco Antonio Chichorro, Dr. Francisco Cord6-
vil de Barahona, Dr. José Antonio de Azevedo Borralho, José Lamas ^,
José Ollegario SimSes da Silva*, Julius Meili*, Museu Municipal do
Porto.
Exemplares com flores de lis e carimbados nas cpIlecgSes de:
* Vide a pag. 73 do voi. i.
^ Este numismata pnblicou dois Catalogos da sua collec9So, ém 1887 e 1889.
No primeiro, a pag. 11, e no segando, sob o n.<* 69, incluiu dois exemplares de
4 cruzados de D. Joao IV sem indicar as respectivas datas; porem,'eonlo tivesse
mandado photographar toda a coUec^ào em 57 cartoes còm 1:041 iigiiras,' sabemos
que as data.<i sSo 1642 e 1646 pelo cart3o n.<* 15, qne fsa parte do album numisma -
tico, interessante e raro, pertencente ao Dr. Felix Alves Pereira. *
3 N.<> 337 do Catalogo, impresso em Lisboa, 1903.
* N.*" 1 do Catalogo manuscrito, do qua! so existem dois exemplares.
^ N.^ 12 na estampa ii da obra d*este antor acima citada. •
108 O Abcheologo Portugués
Sua Majestade El-Bei '^ Dr. Adriano de Sousa Cavaiheiro, Edoardo
Luis Ferreira do Carmo', Manoel Bernardo Lopes Femandes^, Robert
A, Shore, Visconde da Esperanca (dois exemplares).
Ha exemplares sem flores de iis e sem carimbos nas coUec^òes de:
Dr. Antonio Augusto de Carvalho Monteiro, Biblìotheca Nacional
de Lisboa, Cyro Augusto de Carvalho, José Lamas^, Julius Meili.
No catalogo da eollec9fto do Visconde de Sanches de Baena ^ men-
ciona-se, sob o n.® 80, um exemplar de 4 cruzados de 1641, contra-
marcado, e na Histoire du Travati, n.^ 704, vem outro nas mesmas
condigSes. Estes exemplares s2o de 1647. Um dos carimbos occnlton
parcialmente o algarismo da unidade, cuja parte inferior ficaria visive!,
e d'isto resnltou o equivoco. O argumento em que se baseìa a centra-
dita é a propria lei de 27 de mar90 de 1641, que depois de se referir
à moeda de prata, ordena que o curo se fàbrique em moedas de quatro
e dous cruzados, tudo eam o peso e valor da ley, e com os cunhos eom
que ateg,ora se fabricavào, mudando-se-lhes o nome de PheUipus a Joan-
nes quartus^. As moedas dos Filipes nSo foram datadas em Portugal.
Ainda nSo appareceram padr<^es de curo fabricados em obediencia
a està lei. Fresume-se que nSLo existiram.
Em 29 de maio de 1644 o conselho da fazenda ordenou aos moedeiros
do Porto e de Evora que cunhassem o curo velho que havia nestas I
cidades^. NSo temos noticia de exemplares de tal data, nem de 1645.
E possivel que a ordem nSo fosse cumprida, por nio dimanar direeta- j
mente de el-rei ou por qualquer motivo, hoje ignorado.
2) O segundo periodo de cunhagem abrange os annos de 1646 a i
1648. Na fig. 6.*, cujo originai pertence ao Dr. Francisco Cordovil
de Barahona, mostra-se o typo commum às emissSes d'estes annos. ^
Este exemplar é o mais perfeito que temos visto. Corca estreita
e alta; cunho sensivelmente aperfeÌ9oado. O algarismo da unidade, pela ,
fórma especial que tem, lembra vagamente urna ta^a para champagne: I
assim vem representado na paginagSo de alguns codices dos seculos xvii
e xviii. 1
Os exemplares de que temos noticia relativos a este periodo sao
OS seguintes.
^ N.« 705 na Histoirt du TravaU, por Teixeira de Àragao.
2 N.* 353 do respectivo Catalogo,
3 Estampa a pag. 181 da Memoria das moedas correntes em Portugal,
* N." 838 do respectivo Catalogo.
6 Catalogo »tc., Lisboa 1869.
^ Teixeira de Aragao, documento n."" 99 do voi. ii.
7 Teixeira de Arag&o, pag. 16 do voi. ii.
Archeologo Pobtugués 109
Nio carimbados, do anno de 1646, nas collecfSes de:
Àbilìo Augusto Martins, Eduardo Luis Ferreira do Carmo (n.** 354
do catalogo).
Do anno de 1647, nSo carimbados, nas collec93es de:
Dr, Adelino da Silveira Finto *, Dr. Antonio Augusto de Carvalho
Monteiro*.
Exemplares de 1647, carimbados, nas collec^Ses de:
Sua Majestade El-Rei (n." 704 de Histoire du r9*avai7),Visconde
de Sanches de Baena (n.^ 80 do catalogo).
Exemplares do anno de 1648, nSo carimbados, nas coUecgoes de:
Eduardo Luis Ferreira do Carmo (n.** 355 do catalogo), Dr. Fran-
cisco Cordovil de Barahona.
3) O terceiro periodo comprehende apenas os exemplares cunhados
no anno de 16S2 (1652), comò se ve na fig. 7.*, representativa do n.° 1
da estampa xxx de Aragao»
D'està data existem exemplares, sem carimbos, nas coIIec^Ses de:
Dr. Antonio Augusto de Carvalho Monteiro, Julius Meili.
£ com carimbos, nas collecgoes de:
Sua Majestade El-Rei, Conselheiro Manoel F. de Vargas, Visconde
da Esperan9a ^.
Parece que Cipriano do Conto falleceu em 1654, anno em que foi
nomeado abridor o onrives JoSo Baptista Coelho^, que no principio
do reinada de D. Afonso VI gravou cunhos para moedas de 4 cruzados,
koje rarissimas, imitando com pericia o estilo do seu antecessor, comò
se póde ver a fl. 198 da Memoria das moedas correntes em Poriugal,
por Lopes Femandes, onde vem representado um exemplar do anno
de 1660, o mais antigo que se conhece d'este reinado.
Boeumentos comproratiTos
N.-l
•£u £1 Rej ^Ei^o saber aos qae este Aluara uirem que tendo considerammo
ao traballio de Cepriano do Conto abridor dos ferros com que se cnnhSo as moedas
que se laurao na casa desta cidade tem com o dito officio por serem os ditos ferros
ao presente dobrados dos que se abriSo em tempos passados : e seruir jantamente
^ N.° 247 de um Catalogo manuscrito do anno de 1894.
^ No exemplar a que està cita^So se refere o algarismo da unidade està col-*
locado entre dois pontos : • 7 • .
' No esemplar que pertence a este numismata a legenda do anverso termina
em PORTVG • REX.
* Teixeira de AragSo, nota 7 a pag. 73 do voi. i.
110 Abcheologo Portdgués
officio de ensayador por a grande experiencia qufi dlssò tem a cujo Bespeito
Ihe fica Bendo limitado o ordenado de quarenta mil rs. qac tem por abrìdor dos
canhos corno se uio por informa^So que do sobredito se ouue por fìraBcisco gnedes
pereira juiz e thesoureiro da dita casa da moeda Hey por bem e me pras que
o dito sipriaDO do couto possa levar os tres mil e cem rs. que tem com officio
de Ensayador por aia de merce e de acrecentamento de ordenado por nao poder
levar dous ordenados pello Ruim Ex empio que disso se pode seguir pello que mando
ao dito juis e thesooreiro da mesma casa da moeda desta cidade que nesta confor-
midade pague ao dito ao dito (sic) sipriano do couto os quarenta e tres mil e cem
reis asima declarados a saber os quarenta mil reis que ategora se Ihe paguanao
por abridor dos ferros do cunho da moeda e os tres mil e cem rs. de que Ihe fa^o
merce de acrecentamento de ordenado por nSo poder lenar dous corno dito he : os
quais Ihe serio pagos asy e da maneira que se Ihe pagaufto os ditos quarenta
mil reis e pello treslado deste Aluara que sera registado no liuro da despen
do dito thesoureiro pello escrinSo de seu cargo e conhecimentos do dito sipriano
do couto feitos pello mesmo escriu&o Ihe serSo leuados em conta os quarenta
e tres mil e cem rs. que pella dita maneira Ihe pagar cada anno e este quero
que ualha comò carta posto que seu effeito haja de durar mais de bum anno sem
embargo da ordena9lLo do liaro 2.^ titulo 40 em contrario. Antonio ueloso estaco
o fes em lixboa a quinte de setembro de seis eentos quarenta e seis annos. £ pa-
gara o nouo direito se o derer na forma do Regimento — gaspar de Abreu o fes
escreuer=^Rej.»
N.*2
«Eu El Eej faco saber aos q este Aluara yirem q avendo Resp.* ao que se
me Representou por parte de Sipriano do Coutto estar seruindo o off." de eneaia-
dor e abrìdor dos cunhos da Casa da moeda desta cidade de Lx.' e ao muito tra-
balho e cuidado que them no exsersissio dos ditos off.*", e dabrir todos os ferros
de cunhar-e marcar a dita moeda e com os quarenta e tres mil e. cem rs. qua them
de ordenado, senio poder sustentar, E a informalo q do sobreditto se ouue pel*
juis e ihez,^ da ditta caza de que ouue vista o procurador de minha faz.* Hei
por bem de fazer m.*" ao dito Sipriano do Coutto de Ihe acresentar des mil rs, de
m.^ ordin.* em cada bum anno alem dos quarenta e tres mil e sem rs q ia them de
ordenado com o dito off.* com dedara^So q nSo servirà de emxenplo p^outra Pes-
soa algua Pello q mando ao juis e Thz.* da dita Caaa da moeda q prezentandolbe
o ditto Sipriano do Couto este Aluara por mim, asinado e conhesimento feito
por hu dos escrìuaes da dita caza e asinado por Elle Ihe faca pagamento dos
ditos des mil rs de m.^* ordin." em cada bum anno E aos contadores do Rn.* e casa
leyem em conta ao Thez * q ora he e ao diante for As.quaatiaB q por està manr.'
Ihe pagarem ed o treslado deste aluara e conhesimento do dito Sipriano do coatto
e este se cumprira inter.*mente comò m nelle conthera e vallerà corno carta sem
embaigo da ordena^So em eontrarìo sendo pr.** Paaaado peL* minha chr.' donde
pagara o nouo dir.*<^ que deuer, na forma do Regimento e se Registàra nos L.***,
de minha faz.* e m.** que faco Luiz da Costa o fes em Lx.' a vinte e oito de outa-
bro de Bj* Rbij (647) annos jorge da fona.* coutinho o fes escrever. = Rey» *.
Lisboa— Abril de 1904.
Manoel Joaquoc de Cakpos.
' Chancellaria de D. Joio rV.-^Zivro Ì5 a fts. M e 95 v (Axchivo KactoBftl da Tom àt> T^mboj.
AiclMologo Portugoés
Voi. Il- 1904
VARIEDADES DA MOEDA DE 4 CRUZADOS DE D. JOAO IV
PI g. 2.«
Fig. 8 •
Flg. 4.«
t'ig. 6.«
Fig. 0.»
Fig. 7.»
/ -..
/
O Abcheolooo Portugués 111
Arohiteotura romanioa
portieo da nutrii de M on^Ao *■
Com seguro espirito de previsto, escreveu, ha mais de trinta ànnos,
Augusto Filipe Sim3es, um fallecido mestre da archeologia nacionai:
cQuem pretender estudar os primordios da architectura portuguesa,
materia tSo interessante corno desconhecida, ha de buscar nas provin-
cias do norte os vestigios coevos dos de Coimbra ou anterioresj
nos districtos do Porto, Vianna, Braga e Lamego ha muito que explo-
rari*.
Estas palavras vem inteiramente de molde para aeompanharem a re-
presentagSo em gravura do portai da igreja de Santa Maria dos Anjos,
matriz de MongSo.
£ espressivo do nossó supino desmazelo em materia de arte o si-
lencio que reina nos chorographos em volta d'està autentica reliquia
de architectura romànica em Portngal. Nenhum, que saibamos, Ihe re-
conhece ou esmeuga o valor e, comtudo, mais do que um, certamente,
Ihe pisou a testada algum dia.
Infelizmente, nio dispomos, para elaborar este artigo, senSo da gra-
vura que a representà, Isto é insufficiente para se apreciar em separado
portico, e principaknente para se coahecer a importancia total do mo-
numento de que elle faz parte. Tanto màis que a igreja matriz de Mongao
conserva ainda alguns vestigios dos outros elementos architectonicos que
acompanhavam parallelamente o estilo impressò na traQa do bellissimo
portai.
A historia da architectura nacionai, historìa cujas primeiras folhas
nosso Entre-Minho-e-Douro teria a gloria de occupar, em grande parte.
^ presente estado é a refiindi^So de um artigo publicado no Jiegional, hèb-
domadario locai de MonpSo, em o n.<> 96 de 8 de Feivereiro de 1903. Esse artigo
foi escrito para acompanhar urna pequena gravura, que representava a porta prin-
cipal da matriz d'aqaella localidade, mas que pecava pela insufficiencia da illus-
tra9ào e pelo ob scoro do buril. Publicando-se agora n-0 Archeologo Portugués,
soffrea indispensaveis modifica^es, SQseitadas pelo exame de photographlas mi-
nueiodas e completas do referido portico e pelas infonna9((e8 additadas ao meu
artigo por lun illustre advogado de Mon^do, apreciador esclarecido das notabili-
dades da sua terra — o £x.^® Sr. Antonio de Pinho.
£ o fruto d'està revisao que agora se publica no Archeologo, para o qual
se abrìu especialmente a grayura que o acompanha.
^ Beligutas da architectura romano-bizantina, pag. 20.
112 O Archeologo Pobtugués
se alguem se propusesse escrevè-la, necessitarla de archivar a descri^ao
minuciosa e completa de bastantes monumentos que aquella regiao ainda
occulta na sombra das seculares carvalheiras.
A irradia9ào artistica, que penetràra no norte e noroeste da Hespa-
nha, no seculo xi, devia estender-se necessariamente por aquella nossa
provincia, onde a incipiente nacionalidade portuguesa jà femava, corno
em chào muito seu, os primeiros passos.
D'este facto procedia que, enlagados o antigo espirito d^ crenga
e poderoso influxo de urna arte constituida, deviam come^ar logo
de surgir por ali, primeiro do que por outra qualquer parte do pais,
numerosos monumentos christSos, embora muitos de modesta fabrica.
Ao passo que a terra ia sendo cgnquistada e o dominio cbrist&o se
desdobrava para o sul, levando até comsigo o corajao do reino, as igrejas
e OS mosteiros iam, a modo de balisas, affirmando que onde chegava
lampejo da espada, logo atràs seguia o brago do architecto.
Por isso 6 digna de registo a intuigSo prophetica que inspirou a
Filipe Simoes as palavras que iniciam este artigo.
E ainda elle nào teria visto nem percorrido toda a rugosa vestidura
de valles e montanhas, que cobre o norte de Portugal e occulta o muito
que por là existe para ver e estudar; o qual muito, por ser modesto
e esquecido de majestade, nSlo deiza de ter grande ìmportancia para
a historia da architectura entre nós *.
NSo é impossivel, e tempo vira em que isso se faga, conceber uma
carta architectonica de Portugal nos seculos em que predominava a ar-
cbitectura romanica, a mais derramada no Entre-Douro-e-Minho; carta
em que, por meio de córes ou tragos convencionaes, se designasse a den-
sidade numerica de vestigios romanicos relativamente a areas fixas,
exactamente corno em mappas de outra natureza se faz.
Presumo que aquella regiào accusaria, ainda hoje, a mais elevada
proporgào de edificios d'aquelle estilo.
Bem hajam, entre tanto, todos os que, na sua propria terra, tentam
exhumar do esqnecimento of&cial e do desprezo publico os monumentos
que a honram e corno que estlo documentando historias locaes.
1 Quando estas linhas escrevi, ainda nSo tinha noticia de umas verdadeiras
joiazinhas de architectura romanica, que o Ex."* Sr. Dr. Antonio de Pinho me
dennncion depois em bellas reproducfOes photographicas.
Esses prìmores existem nas freguesias de LongosValles (Mon9fio) e Pademe
(Melgaco). S. Ex.*, que é espirito culto, sentiu-se impressionado com o abandono
d^estes restos da architectura romanica e abalancado a estudi-los actualmente
com amor e enthusiasmo.
Archeologo Pobtugués 113
A simples inspecgSo da gravura que representa o portico principal
da igreja de Santa Maria dos Anjos, de MongSo, suggere-nos, salvo
melhor jnizo, que estamos em presenta de urna reliquia da architectura
dos fins do seculo xii, podendo ainda pertencer aos prìmeìros annos do
secnlo xiu. E a concIusSo a que parece levar o estudo comparativo
dos caracteres architectonicos d'està curiosa pe9a.
Nio obstante, os trabalhos d'està especialidade acérca de monu-
mentos portugueses nSo sSo ì^o numerosos, que possam dispensar fa-
cilmente o investigador da contraprova fomecida por documentos ou por
noticias relativas à fundaglo do edificio. Dispondo apenas para este
estudo da gravura representativa do portico, sentimo-nos, pois, pouco
robustecidos.
Alem d'isto, falta o esame de outros elementos importantes de pon-
derajlo pertencentes ao resto do tempio : a pianta com a ìndica^Eo das
naves do trancepto, das absides, os al^ados internos das paredes, as
fachadas com as janellas, espelhos e contrafortes ; as torres com as ven-
tanas e com seus remates; a ornamenta9ào nas columnas e nas archi-
voltas; OS tectos de abobadas, de cupula ou de madeira; depois, as
^argulas, os modilhoes, as garras, etc. Sao elementos de observa^So,
de compara9ào e de analyse que nao podem esquecer-se quando se
tentarem ler em determinado monumento os caracteres da sua antigui-
dade. Mas, deve-se confessà-lo, na elabora9ào de noticias d'està natu-
reza, a circunstancia de nSlo ter encarado com o portico tem ainda
antro effeito: — é a quasi violencia com que tem de se escrever acérca
de urna obra da antiga e impressionante architectura romanica, sem ter
sentido a emo(3o, a um tempo mystica e soberana, que a sua presenta
produziria. Pica so a sensibilidade reflexa, que provém do frio tra-
ballio mental; falta a directa ou emotiva, que nSo pode provir senSo
immediatamente do proprio edificio, que vive, parecendo que nos fala
das cousas de seu bom tempo.
que porém presentemente subsiste da primitiva fabrica foi descrito
nmn additamento assinado com as iniciaes do Sr. Dr> Antonio de Pinbo e
publicado em seguida ao meu artigo d'O Regional. Ahi dizia aquelle
talentoso critico que, alem do portai, Ihe pareciam da mesma architec-
tura: «parte da silharia frontal, ainda com um espelho e uma gargula,
disfargada em cabega de monstre, que suppomos da primitiva fabrica;
e OS vestigios, quasi apagados, de um outro portico lateral, na face do
tempio que olha o sul, obstruido hoje por fórma a deixar semente ùma
114 Archeologo Portugués
pequena porta de ingresso a um barracorio, com urna architectura de
curral, destinado a arrecadagSes. D'este portico existe a vista a saiiencia
de parte de um arco, de traga evidentemente romanica, ornado de contas,
que se enoontra actualmente coberto com urna aguada de cai. Ontros
restos da architectura primitiva exìstem encerrados dentro de uma
construcgSo sem valor nenhum que serve de sacnsUa à coniraria das
Almas: uma serie de modilhSes, sem lavores, muito aconchegadotf que
saiam da linha geral da construcgào a uns 4 metros de altura do solo
e um friso saliente, ornado de contas, que faz parte de um pano de
parede que encontra perpendìcularmente o corpo prìncipal do tempio.
A configuragao architectural d'este pano faz-no4o suppor parte do edi-
ficio primitivo, talvez de uma abside, pois que se véem ainda treelios
de decoragào na sua extremidade angular norte-oriente (restos de eon-
traforte, provavelmente) que di para a via publica, e porque a sua si-
Iharia, semelhante à da fronteira do tempio, nSo tem sinaes de aber-
tura para o ezterior. Parte d'aquelles modilhoes que se achava visivel,
fora da construcgSo refenda, foi arrancada em obras recentes, cnjos
inspiradores julgaram anti-estheticas as suas saliencias. Estes restos
ultimamente enumerados existem no lado norte do monumento».
Pareceu-me a principio que o portai nlo representava actualmente
tudo o que devera ter sido no seculo xn. Suppus que Ihe faltava mna
pega primordial nos porticos do estilo romanico — o tympano. Recolhido
ao fundo do docel, formado pelas multiplas archivoltas que emoldnravam
OS porticos, tympano recebia do cinzel do artifice uma especial con-
sagrarlo, figurando-se nelle um assunto culmmante da iconograpbia
christS, sempre repassado do ingenuo mysticismo d'aquelles tempos.
Era uma pega capital na decoragSo architeetonica.
Presumi que Ihe tivesse sido arrancada. O caso nSo era novo. No
pais, em piena Coimbra, as antigas igrejas de S. Tiago, S. Salvador
e Sé Velha foram alvo de iguaes sacrilegios. A de S. Christovam, ao
tempo da sua pasmosa destrui$ào, ainda o tinha porém K
No caso especial de que trato, a insufficiente gravura de que dia-
pus para o meu primeìro estudo nSo mostrava a omamentagSo que guar-
nece o intradorso do arco menor da portada, segundo novas photogra-
phias. Tive de modificar o meu juizo. Jà na traga primitiva nSo houvera
1 Rdiquias da architectura romanica t hixatUina, por F. A. Simdes, passim.
O Aecheologo Pobtuguès 115
tympano *, coma os leitores do Archeologo podem tambem verificar pela
presente iUastra^^.
Para assinar à architectura do portico de Santa Maria dos Anjos
OS fins de um seculo e os primeiros tempos de oiitro deverà attender-se
ao estilo definido, ao trabalho sem hesita98es, ao cunho de seguranga
que se p&tent^&Bas fioiuui e iisb propoifSes da obi^ independentemente
dos defeitos de execajSo*.
Vé-se ahi, quer no delìneaift|j|||p geral, quer na sobria variedade da
onaoieentagfto, o producto de urna e^la formada, o resultado amadn-
recido de imì'Sfirtema architectonico chegado em outras regiSes ao es^
plendor.
NSo é trabalho de caracter transitorio, é affirmag^o de arte, em
perìodo de piena florescenoi».
Convem a isto toda a segnnda metade do seculo xii, mas que ra-
z3es obstam a que òs primeiros decenmos do seculo xin ainda vissem
em Portugal constmir monumentos corno este^? Os documentos do car-
torio da igreja é que poderìaai vir em nesso ausilio.
E provavel que o estudo dos outros re«tos romanicos da regiào,
ao qnal se entregou o Sr. Dr. Antonio de Pinho, e a averiguagào das
epocas da sua fandagSo, possam vir em auxilio de uma attrìbuigào chro-
nologica mais exacta.
Do esame das photographias que ulteriormente pude ter deante de
mim, resulta que guamecem os dois mnbraes do portico tres pares
^ Annotava o mesmo Sr. Dr. Pinho qae interìormente nào se descobria ves-
tigio algnm de arrancamento. Depois S. £z.* brindoa-me tambem com photocopias
dos portaes de Paderne, onde por igual falta o tympano. Na escola francesa do
Poiton, OS portaes eram quasi sempre privados de tympano. Està eseola^ fiindindor
se com a de Anvergne, produziu a chamada de Languedoc, cuja influencia se
exerce aquem dos Pyrinens, pelo norte da Hespanha. S. Tiago de Compostella
é nm fruto d'essa corrente (Vid. Manuel d'archeologie frangaise, i, p. 205. C. En-p
lari, 1902). VioUei-le-Duc tambem algores se refere a aste facto architectonico,
mas escapoa-me o passo em que isto li.
2 Refiro-me, por exemplo, ao rompimento de linhas que se nota entro o perfil
intemo das arcadas e o capitel ou o fhste inferior qae Ihe corresponde.
3 A Hespanha conhece o estilo ogival desde a segunda metade do sec. xii,
contemporaneamente com algumas regioes meridionaes de Franca. NSo obstante,
aqui mesmo, ainda no sec. ziii, se conservava a influencia romanica (Enlart, op.
laxtd., p. 438). Mas o estudo das datas das funda9Òes é-nos imprescindivel para
assentar em bases positivas a historia da arte de construìr em Portugal.
116
O Archeologo PoRTUGUÉs
ftonteiros de esguias columnas cylindricas, alojadas nos recantos em
esquadria qne perfilam o arregace ou embusinamento da abertura. Os
Portico da matris do M0D9&0
capiteis relevam figuras e folhas, com caracteristiea espessura sob a pro-
jecjEo do angulo externo do àbaco. As arestas salientes dos pés di-
O Archeologo Portugués 117
reitos, bastante deteriorados, nao eram lisas, mas variamente moldu-
radas. O mais interno pé direito da entrada é lavrado em duas faces
com pequenos ilorSes e eontas, aquelles na face anterior a modo de
pilastra ornamentada, estas na lateral centra o vSo. Nenhuns porém
d'estes lavores resultam do desbaste das umbreiras, de modo que nio
iique entrecortado o seu perfil. S2lo tìrados ao corpo dos silhares; as
bolas especialmente prendem-se ao fundo de urna meia-cana.
Este ultimo motivo é frequente em Fran9a no Sudoeste e no Langue-
doc no firn da epoca romanica. Em Portugal vé-se porexemplo no portico
de S.Tiago (Coimbra), bem comò as rosetas, aproveitadas tambem pelos
constmctores de Mongào.
A archivolta, que obedece a curva perfeita de meio-ponto, é for-
mada por tres arcos successivamente arregagados, para àquem d'aquelle
que limita o vivo da entrada e que é o desenvolvimento semicircular
da mais profunda humbreira. Neste arco a face anterior e o intradorso
sao corridos da mesma ornamentagào dos pés direitos.
Os outros em correspondencia com a columnata inferior tem as ares-
tas das aduelas tomeadas por molduras e ornadas com caracteristica
decoragao. No arco maior é um enfileiramento continuo de pontas de
diamante recortadas em cruz *. No meao, uma serie de rosetas em re-
levo, espa9adas um pouco design almente, para se accommodarem às
duas, às tres e às quatro em cada aduela. No immediato, a aresta è bo-
leada por um toro ou bordào, que um rosario de bolas acompanha com
inexcedivel effeito em todo o redor. Està variedade de perfis e de or-
iiamenta9ào nas arcadas romanicas accusa a segunda metade do sec. xii
e tempos ulteriores (C. Enlart. op. land., pp. 357 e 358). As impostas
sao constituidas pelas saliencias da fiada estreita que fórma os óbacos
e que é independente das do paramento do edificio. Deve notar-se està
oircunstancia porque os capiteis, lavrados no mesmo cubo ou tambor
com astragalo, tem a altura de uma fiada da silharia.
A principal restaura9ao d'este interessantissimo portai exerceu-se ha
poucos annos no envasamento das columnas. Devia elle ser anguloso,
cubico, em correspondencia com a projec9ao vertical das impostas.
Fizeram pois uns pedestaes redondinhos que sao uma belleza. Parecem
um grupo de paulitos a pedir boia.
* Este ornamento é .caracteristico. Perf ertamente igual vé-se na cathedral
deTérouanne; sec. xii (C. Enlart, op. land., pag. 354, onde se referem outros edi-
ficios qne o conservaram até o sec. ziii. EmValladolid, na igreja de Santa Maria
de Ceinos, tambem foi empregado.
118 O Archeologo Poetugués
Segundo photographias a cuja procedencia jà me referi, a este por-
tico que innegavelmente é bello e caracteristico, sobrelevam muito em
valor e luxo de ornamenta9ao os de Paderne.
Os exemplares da architectura romanica causam-me especial com-
mo9ào. Quantas vezes deante d'estes amplos portaes, entSo reluzentes
na sua pintura fresca ^, desceram de seus ginetes os primeiros batalhado-
res da nossa independencia? Hoje estSo ennegrecidos e cariados. Em
parte por està patriotica reminiscencia, em parte pelo caracter singu-
lannente ingenuo e expressivo da arte romanica, é certo que nSo admiro
so, mas sinto no mais intimo da minha sensibilidade, a repercussSo do
que estas antigas eonstruc95es lembram e suggerem.
E quanto a este portico da matrìz da senhorial villa do Minho^
termino com as mesmas palavras do artigo do Regional:
Respeitem-no os monganenses, e eduquem os seus filhos na vene-
raglo das preciosas reliquias com que por là comvizinham, — para que
nao vao ellas desapparecendo, sacudidas pela insania de estereis melho-
ramentos e de restaura95es indesculpaveis.
Lisboa, Dezembro de 1903.
F. Alves Pereira.
Onomastico medieval portugués
(Contiimavio. Vid. o Arch. Port., ix, 25)
Beja, campo, 1258. Inq. 570, 1.* ci.
Bel, app. h., 1258. Inq. 365, 1.* ci.
Belacanes, monte, 1258. Inq. 549, 2.* ci.
Beladoiro, geogr., 1258. Inq. 641, 1.* ci.
Belagio, n. h., 1070. Doc. most. Moreira. Dipi. 305.
Belala, geogr., 1258. Inq. 685, 1.* ci.
Belali (nocos de), geog., 1258. Inq. 380, 1.* e 2.* ci.
Belarlo, n. h., 986. Doc. most. Pedroso. Dipi. 95.
^ Na epoca romanica, depois de lavrada a pedra, às vezes muito summaria-
mente, vinba o pintor completar e avivar os effeitos preparados pelo canteiro.
Ainda hoje, no Minha, se conserva este tràdicional uso de pintalgar irritante-
mente as cantarìas; a questuo é abandonar à esthetica popular o embellezamento
de urna obra (Vid. C. Enlart, op. land., p. 347 e 355).
O Archeologo Pobtugués 119
Belasco, n. h., 985. Dipi. 92, n.*^ 146.
Belasquez, app. h., 995. Doc. most. Moreira. Dipi. 103.
Belcago, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 2.*, C. 193.
Belecoj n. h., 976. Doc. most. Moreira. Dipi. 73.
Belela, geogr., 1258. Inq. 301, 1.* ci.
Beleqae, n. h., 1044. Doc. most. Pendorada. Dipi. 205.
Belesarius, n. h., 924. L. D. Mum. Dipi. 19.
Belfager, app. h., sec. xv. S ?
Belfages, app. h., sec. xv. S ?
Belfupado, geogr., 1258. Inq. 585. 1.* ci.
Belidaes, app. h., 1258. Inq. 562, 2.* ci.
Belidal, geogr., 1258. Inq. 675, 2.* ci.
Belidiz^ app. h., 1099. L. Prete. Dipi. 544.
Belido, n. h., 1258. Inq. 603, 2.* ci.
BeUgo, n. h., 1008. L. Prete. Dipi. 125, n.° 203.
Belili, geogr., 1258. Inq. 406, 1.* ci.
Belino (S. Felice de), 1220. Inq. 27, 1.» ci.
Belluz, app. h., 1065. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283, n.® 450.
BellaUus, n. h., 1032. L. Prete. Dipi. 168, n.*» 274.
BeUeco, n. h., 1009. Doc. most. Moreira. Dipi. 128.
Bellengo, n. h., 915. Doc. most. Moreira. Dipi. 14.
Belleno, n. h., 1013. L. D. Mum. Dipi. 135.
Belleto, n. h., 1061. Doc. ap. sec. xiv. Dipi. 269.
Belli, villa, 981. Doc. most. Lorvao. Dipi. 81.— Id. 231.
Bellicos, app. h., 1090. L. Prete. Dipi. 442.
Bellid, n. h., 1085. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 386.
Bellida, n. m., 9J8. Doc. most. Lorvao. Dipi. 78, n.*» 125.
Bellide, n-. h., 1037-1065. L. Prete; Dipi. 279.
Bellidlci, app. h., 1088. Doc. most. Moreira. Dipi. 422.
Bellit, n. h., 1093. Doc. most. LorvSo. Dipi. 474.
Belllta, n. m., 1059. Doc. most. Pendorada. Dipi. 256.
Bellite ou Belile, app. h., 1036. L. Preto. Dipi. 177.
Bellith, n. h., 1092. L. Preto. Dipi. 465.— Id. 487.
BelUtiz, app. h., 1010. L. Preto. Dipi. L30.
Bellltas, n. h., 907. Doc. most. LorvSo. Dipi. 10.
Belloy, n. h., 929. Doc. most. S. Vicente. Dipi. 22.
Belludi, villa, 1089. Doc. most. Pendorada. Dipi. 432.
Belluti, geogr., 1065. Doc. most. Pendorada. Dipi. 282.
Belmil, villa, 1033. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 170.
Belmlp, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 258.— Inq. 150.
Belmipus, n. h., 870. L. D. Mum. Dipi. 4, n." 5.
120 O AbCHEOLOGO PORTUGUfiS
Belmonte, casal, 1258. Inq. 736, 1.* ci.
Beloi, n. h. (?), 1002. Doc. most. Moreira. Dipi. 115.
Belon, n. h., 1014. L. Prato. Dipi. 140.
Belote, geogr., 1258. Inq. 711, 2.* ci.
Beloy, geogr., 1258. Inq. 528, 1.* ci.
Belsap (S.^ Eolalia de), geogr., 1258. Inq. 34, 2.» ci.— S. 381.
Belsare (S. Salvatore de), geogr., 1220. Inq. 3, 2.» ci.
Beltpam, n. h., 1273. Leg. 231.
Belueep, geogr., 1273. Leg. 230.
Belza, n. h., 875. Dipi. 6.
Bem, app. h., 1258. Inq. 401, 2.» ci.
Berna, app. h., sec. xv. S. 359.
Bemaventurada, geogr. (?), sec. xv. F. Ldpez, Chr. D. J. 1.®, p, 1-*|
C. 125.
Bemfrogia, n. h. (?), 897. Doc. most. Pedroso. Dipi. 8.
Bemha, app. h., sec. xv. S. 193.
Bemti, geogr., 1258. Inq. 537, 2.' ci.
Benadi (S.** Ovaya de), 1258. Inq. 348, 2.» ci.
Bencatel, fonte, 1270. For. Villa Vinosa. Leg. 717.
BencoUecto, n. h., 1258. Inq. 308, 1.» ci.
Bendictus, n. h., 973. bipl. 70, n.« 110.
Bendo, n. h., 1057. L. Prete. Dipi. 245.
Bendoma, monte, 985. Dipi. 91, n.^ 146.
Beneagamus, rio, 1100 (?). Dipi. 552, n.^ 933.
Benearias, app. h., 1008. Doc. most. Moreira. Dipi. 122.
Beneas, app. h., 1016. L. Prete. Dipi. 142, n.^ 227.
Beuedictiz, app. h., 1096. Doc. most. Pendorada. Dipi. 498.
Benedictizì, app. m., 1032. Doc. most. da Gra^a. Dipi. 166.
Benedictus, n. h., 922. L. B. Ferr. Dipi. 17, n.<> 26.— Id. 22 e 48.
Benedo, n. h., 998 (?). Doc. most. Moreira. Dipi. 111.
Beneegas, app. h., 991. Doc. most. VairSo. Dipi. 101.
Beneelias, app. h., 1065. Doc. most. Pendorada. Dipi. 282.
Benegas, app. h., 991. Doc. most. Vairào. Dipi. 101.
Benelias, app. h., 1096. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 499.
Benfeito, n. h., 1220. Inq. 116, 1.* ci.— Id. 36, 1.* ci.
Beniamim, n. h., 1002. L. Prete. Dipi. 117,
Beniamiz, app. h., 1001. L. Prete. Dipi. 114.
Benidoma, monte, 1077. Doc. most. da Gra9a. Dipi. 330.
Benis, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 261, 1. 19.
Bennato, n. h., 1010. L. Prete. Dipi. 130.
Benouvas, app. h., 1258. Inq. 473, 2.^ ci.
O Abcheologo Poetugués 121
BeBtacos, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.°, p. 1.% C. 175.
Benuiuer, geogr.^, 1066. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283, n.® 451.
Beoucas, geogr., 13&8. Inq. 593, 1.* ci.
Bera, n. h., 968. L. D. Mnm. Dipi. 63.— Id. 87 e 425.
Beraei, app. h., 1005. L. Preto. Dipi. 119.
Beras, app. h., 1258. Inq. 322, 2.* ci.
Beraz, app. h., 1013 (?). Dipi. 137.
Berbeles, n. h. (?), 1258. Inq. 624, 2.* ci.
Berbereta, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1 .®, p. 1.*, C. 88 e 159.
Berboreta, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.^, p. 2.*, C. 152.
Berco, app. h., 1258. Inq. 427, 1.* ci.
Berenaldus, n. h., 964. L. Preto. Dipi. 55.
Berenaria, n. h., 922. L. B. Ferr. Dipi. 17.
Berengueira, n. m., sec. xv. S. 159,
Berenguela, n. m., sec. xv. S. 159.
Bergona, geogr., 1258. Inq. 343, 2.* ci.
Berez, geogr., sec. xv. S. 274.
Bergonia, geogr., 1220. Inq. 132, 1.* ci.
Bergoti, geogr., 1258. Inq. 378, 1.* ci.
Barili, geogr., 1258. Inq. 403, 2.» ci.
Berilli, n. m., 1076. Doc. most. Pendorada. Dipi. 326.
Beringel, geogr., 1262. For. de Beringel. Leg. 703.
Beringueira, n. m., 1220. Inq. 121, 1.* ci.
Berino, n. h., 1068. Doc. most. Moreira. Dipi. 295. — App. h., 1220,
Inq. 82, 1.* ci.
Bernal, n. h., sec. xv. S. 156.
Bemaldes, app. h., sec. xv. S. 182:
Bemaldim, n. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.^, p. 2.%C. 23,
Bernaldiz, app. m., 1258. Inq. 724, 1.* ci.
Bemaldo, n. h., 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36. — Id. 407.
Bernardo, n. h., 1092. L. Preto. Dipi. 461, n.*^ 775.
Bernardus, n. h., 1115. Leg. 141.— Id. 350, i. 4.
Bernariz, app. h., 1008. Doc. most. Moreira. Dipi. 121.
Bernictozi, app. m., 971. Dipi. 65, n.^ 103.
Berofe, app. h., 1258. Inq. 400, 2.* ci.
Berosenda, geogr., 1258. Inq. 648, 1.* ci.
Berosendi, villa, 1258. Inq. 630, 1.* ci.
Berrà, casal, 1086. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 394.
Berreda, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci.
•Berredo, app. h., 1220. Inq. 55, 2.* ci.— Id. 246. — S. 151.
Berrega, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci.— Id. 53.
122 O ÀBCHEOLOGO POETUGUÉS
Berregam, geogr., 1220. Inq. 53, 1.* ci.
Berroza (S. Michaele de), geogr., 1258. Inq. 370.
Bersilon, app. h., sec. xv. S. 182.
Berta, rainha, 1097. Dipi. 513 e 514.— Id. 518.
Bertamir, geog., 1258. Inq. 317, 1.* ci.
Bertiario, n. h., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57, n.® 90.
Berto, n. h., 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36. — Geogr., 1258. Inq.
562.
Bertollamen, app. h., sec. xv. S. 299.
BertoUomeu, app. h., sec. xv. S« 380.
Bertolomeus, n. h., 1220. Inq. 224, 1.* ci.
Bertoy, geogr., 1258. Inq. 406, 1.* ci.
Bertranus, n. h., 1115. Leg. 141.
Beruffi, geogr., 1258. Inq. 362, 1.» ci.
Berufi (S. Martino de), geogr., 1220.* Inq. 66.
Berufo, n. h., 1220. Inq. 15, 1.* ci.
Berulfi, villa, 1081. Tombo S. S. J. Dipi. 357.
Berulfit, app. h., 1013. L. D. Mum. Dipi. 135.
Berulfiz, app. h., 1008. L. D. Mum. Dipi. 124.
Besnace, n. h., 870. L. D. Mum. Dipi. 4.
Bespeira, geogr., 1258. Inq. 560, 2.* ci.
Bespin, n. h., 1220. Inq. 10, 2.» ci.— Id. 694.
Bestanqa, rio, sec. xv. S. 369.
.Bestellos, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 182.
Bestionzam, rio (?), 1088. Doc. ap. sec. xvin. Dipi. 426.
Bestionzi, rio, 1076. Doc. most. Pendprada. Dipi. 328.
Bestionzum, rio, 1100. Doc. most. Pendorada. Dipi. 554.
Bestontia, rio, 1090. Doc. most. Pendorada. Dipi. 439, n.° 735, 1. 3.
Bestonza, rio, 1083. Doc. most. Pendorada. Dipi. 369.
Betan^s, geogr., sec. xv. S. 253.
Betatos, geogr., 1258. Inq. 433, 1.* ci.
Betecara, geogr., 1258. Inq. 723, 1.* ci.
Beterigu, n. h., 938. Doc. most. Arouca. Dipi. 29.
Betoca, geogr., 1258. Inq. 616, 2.* ci.
Betom, app. h., 1258. Inq. 310, 2.* ci.
Betoti, geog., 1258. Inq. 298, 2.* ci.
Betoy, app. h., 1258. Inq. 400, 2.* ci.
Bettoy, n. m., sec. xi (?). Dipi. 564.
Beulosa (S. Stephano de), geogr., 1220. Inq. 25, 2.* ci.
Beverica, n. m. (?), 1258. Inq. 710, 1.* ci.
Bevidici, geogr. 1258. Inq. 413, 1.* ci.
O Archbologo PoBTuauÉs 123
Bexudo e Bexodo, app. h., 1258. Inq. 712 e 713.
Beyria, geogr., 1055-1065. Leg. 347.
Bezerra, app. h., sec. XV. S. 174. — Id. 376.
Biadi (S.** Maria de), geogr., 1220. Inq, 50, 1.* ci.— Id. 134.
Biatus, n. h., 870. Doc. most. Pendorada. Dipi. 5.
Bibir, fonte, 1258. Inq. 296, 1.* ci.
Bicaiio, geogr., 1258. Inq. 401, 1.» ci.
Bicanco, app. h., sec- XV. Azur. Chron. Guiné, 273.
Bichi. Vide Mamona de B.
Bice (S. Johanne de), geogr., 1258. Inq. 359, 1.* ci.
Bicos, app. h., 1258. Inq. 519, 1.* ci.— S. 167.
Bicum de longara, geogr., 1257* For. de S. Martinho* Leg. 673.
Bifal, app. h., 1258. Inq. 413, 1.* ol.
Bifardel, app. h., sec. XV. S. 216.
Bigas, geogr., 1100. Doc. most. Arouca. Dipi. 548.
Bilida, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci.
Bilino, app. h., 1258. Inq. 310, 2.* ci.
Bilie (Biiro?), app. h., 1258. Inq. 31», 1.* ci.
BiUno (S. Fiiz de), ^^lla, 1258. Inq. 314, 2.* ci.
Bilìsco, app. h., 1258. Inq. 294, 2.* ci.
Biilanes, villa, 1087. L. B. Ferr. Dipi. 403.— Id. 414.
Bimo, app. h., 1258. Inq. 293, 2.* ci.— Id. 705.
Biqail, geogr., 1072. Doc. most. da Graga. Dipi. 309.
Biringeira, n. m., 1220. Inq. 121. 1.* ci.
Biringuel, app. h., 1258. Inq. 386, 2.* ci.
Birlanes, villa, 1089. L. B. Ferr. Dipi. 434, n.» 726.
Bisalaens, villa, 1220. Inq. 40, 2.* ci.
Bisamato, app. h., 1258. Inq. 310, l.'' ci.
Bispìna, app. m., 1258. Inq. 320, 2.* ci.
Bispo, app. h., 1220. Inq. 55, 1.* ci.— Id. 10 e 143.
Bifcaraes, geogr., 1258. Inq. 568, 1.* ci.
Bitoniz, app. h., 1014. L. D. Mum. Dipi. 141.
Bitouti, app. h., 1258. Inq. 710, 1.* ci.
Bitouto, app. h., 1258. Inq. 711, 2.*^ ci.
Bittaco, n. h., 936. Doc. most. Lorvao. Dipi. 26.
Bladus^ n. h., 994. Dipi. 105.
Blandila, n. h., 967. L. Preto, 59, n.« 93.
Blando, n. h., 1015. Dipi. 141, n.^ 226.
Blandoniz, app. h., 1092-1098. L. Preto. Dipi. 532.
Blatus, n. h., 922. L. Preto. Dipi. 17.
Boa e Boa, n. m., sec. xv. S. 207 e 182.
124 O Abcheologo Portugués
Boali, campo, 1258. Inq. 707, l.'' ci.
Boazer, n. h., sec. xv. S. 277.
Bobaino, geogr., 1258. Inq. 595, 1.* ci.
Bobarra, app. h., 1258. Inq. 358, 1.* ci.
Boca, geogr., 1258. Inq. 535, 1.* ci.
Boca das insoas, geogr., 1258. Inq. 338, 1.* ci.
Boca degua, app. h., 1258. Inq. 331, 2.* ci.
Boca de Fontao, geogr., 1258. Inq. 637, 1.* ci.
Bocado, app. h., 1258. Inq. 308, 2.* d.
Bocardo, app. h., sec. xv. S. 149. — Id. 348.
Bocarro, app. h., sec. xv. S. 164.
Boceli, app. h., 1258. Inq. 555, 1.* ci.
Bochiarim, app. h., 1258. Inq. 340, 1.' ci.
Bocumti, villa, 1080. Doc. most. Moreira. Dipi. 348,
Boda, geogr., 1258. Inq. 712, 1.» d.
Bodonia, app. h. (?), sec. xi (?). L. D. Mum. Dipi. 564.
Bodorno, app. h. 1258. Inq. 680, 2.» ci.
Bodrou, n. h., 1094. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 479.
Boel, app. h., 1258. Inq. 680, 2.» ci.— Id. 680.
Boelina, n. m., 1258. Inq. 435, 1.* ci.
Bofina, n. m., 1258. Inq. 295, 1.* ci.
Bofinho, app. h., sec. xv. S. 354. — Id. 168.
Boga, app. h., 1258. Inq. 475, 1.* ci.
Bogaiho, app. h., sec. xv. S. 161 e 206.
Boganti (S.** Maria de), 1258. Inq. 231, 2.» ci.
Bogaus, geogr., 1258. Inq. 323, 1.* ci.
Bogonte ou Bogonti, monte, 971. Tombo S. S. J. Dipi. 65, n.^ 103.
Id. 69 e 166.
Bogonti (S.** Maria de), geogr., 1220. Inq. 110, 2.* cL— Cidade, 1038.
Tombo S. S. J. Dipi. 184.— Id. 224.
Boielio, geogr., 1258. Inq. 559, 1.* ci.
Bollosa, geogr., 1258. Inq. 386, 1.* ci.
Boiro on Bouro, geogr., sec. xv. S. 143. Inq. — 222.
Boivaes (S. Michaele de), geogr., 1220. Inq. 38, 2.* ci.
Bolada, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci.
Bolades, geogr., 1258. Inq. 588, 1.* ci.
Bolanis, geogr., 1258. Inq. 642, 2.» ci.
Bolarius, geogr., 1258. Inq. 707, 1.* ci.
Bolbeleiras, geogr., 1258. Inq. 633, 2.* ci.
Boleiros, geogr., 1258. Inq. 294, 2.* ci.— Id. 89.
Bolfelar (uilar de), geogr., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 231,
O Archeologo Poktdgdés 125
Boliauti; geogr., 1258. Inq. 349, 1.* ci.
Bollon^ geogr., 933. Doc. most. LorvSo. Dipi. 24. — Id. 74.
Bolmenzo, n. h., 1064. Dipi. 277,^ n.« 443.
Bolon, villa, 933. Doc. most. LorvSo. Dipi. 24. — Id. 74.
Bolos (Bouza dos), geogr., 1258. Inq. 397, 1.* ci.
BolpeUares, villa, 1037-1065. Dipi. 279, n.^ 448.
Bona, n. m., 1220. Inq. 85, 2.* ci.— Dipi. 114 e 171.
Bonacinus, n. h., 982 (?). L. D. Mum. Dipi. 83.
Bonafe, app. h., sec. xv. S. 349.
Bonela, n. m., 1094. Doc. Archivo Pubi. Dipi. 477.
Boneliz, app. h., 1047. Doc. most. Pendorada. Dipi. 219.
Bonimenso, n. h. (?), 1098.Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 526.
Bonimeiizo, n. h. (?), 1070. Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 301.—
Id. 386.
Boniniaz, app. h., 1001. L. Preto. Dipi. 113.
Boninus, n. h., 1174. Leg. 403.
Boniz, app. h., 1021 (?). L. Preto. Dipi. 153.
Bonoi, n. h., 994. Doc. most. Moreira. Dipi. 106.
Bonoso, n. h., 883. Doc. ap. seo. xi. Dipi. 6. — Id. 57,
Bonus, n. h., 976. Doc. most. Moreira. Dipi. 73.
Boo, app. h., 1220. Inq. 184, 1.* ci.— Id. 65.
Booca, geogr., 1258. Inq. 437, 1.* eh— Id. 551 e 595.
Booco (S. Adriano de), geogr., 1220. Inq. 131, 1.* ci.
Bool, app. h., 1220. Inq. 10, 2.* ci.
Boquinhas, app. h., sec. xv. S. 164. — Id. 385.
BopdaU, app. h., 1258. Inq. 559, 2.* ci.— Id. 625.
Bopdom, app. h., 1258. Inq. 691, 2.* ci.
Bordoma (Souto de), 1258. Inq. 694, 1.* ci.
Bordona (Outeiro de), geogr., 1258. Inq. 696, 2.* ci.
Borges, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.% p. 1.*, C. 161.
Borio (Val de), geogr., 1220. Inq. 51, 1.* ci.
Bornapia, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 50.— Inq. 492.
Borneiras, campo, 1220. Inq. 83, 2.* ci.
Bornes (S. Martino de), 1220. Inq. 45, 1.* ci.— Leg. 672.
Bomosa (Petra), geogr., 1258. Inq. 733, 1.* ci.
Boroa, app. h. For. deTomar. Leg. 401.
Borona, app. h., 1174. For. deTomar. Leg. 401. — Inq. 628, 2.^ ci.
Borosenda, geogr., 1258. Inq. 648, 1.* ci.
Borrado, geogr., 1258. Inq. 688, 1.* d.
Borrale, app. h., 1258. Inq, 624, 2.* ci.
Borralias, casal, 1258. Inq. 357, 2.* d.
126 O ARCHEOLOGO PORTUmTÉS
BoiTapio, geogr., 1258. Inq. fi8&,. 1/ ci.
Borreiro (Val), geogr.,. 1258. Inq. 685> ì*jcL
Borreros, geogr., 1057. L, Preto. Dipi. 245.
Borrones, geogr., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 290.
Borroso, geogr., 1258. Inq. 308, 2.* ci.
Borroz, app. h., 1258. Inq. 349, 1.* ci.
Borrozos, gcogr.^ 1258. laq. 487, 2.^ ci.
Bortaleiros, geogr., 1258. Inq. 666, l.* ci.
Bortom, app. h., 1258. Inq. 525, 1.* ci.
Borua, app. h., sec. XV. S. 349.
Boraella, app. h., S66. XV. S. 369.
Bopuen, rio, 1059. L. D. Mum. DipL 257.
Borva^ geogr., 1258. Intj. 554, '2.* ci.
Borvadaes, geogr., 1258. Inq. 638, 2.* ci. ,
Borvelina, geogr., 1220. Inq. 121, 2.* ci.
Borvela (S.^* Maria de), 1220. Inq. 43, 1.* ci.
Bosco, app. h., 1258. In^. 378, 1.* ci.
Bostelo, geogr., 994. Dipi. 105, 1. 3.— Id. 197.— Inq. 48.
Bota, app. h., 1220. Inq. 103, 1.* ci.
Botancor, app. h., 1453. Aznr. Chion. Guiné, 373.
Boteiha, app. m., sec. XV. S. 200.
Boteiho, app. h., sec. xv. S. 161.
Boteli, app.h., 1258. Inq. 570, 2.* ci.
Botélio, app. 11., 1258. Inq. 349, 1.* ci.
Botelo, app. h., 1258. Inq. 617, 2.* ci.
Boto, app. h., 1220. Inq. 103, 1.* ci.
Boton (Botao), villa, 1018 (?). Doc. most Lorvio. Dipi. 149.
Botos, casal, 1258. Inq. 339, 1.» ci.
Botun, app. h., 1097. Dipi. 513.
Botus, app. h., 1258. Inq. 308, 2.* ci. . .
Bouadella, geogr., sec. xv. S. 307.
Boucino, geogr., 1258. Inq. 366, 2.* ci.
Boucoos (S. Salvatore de), 1220. Inq. 39, 2.* ci.
Bouli (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 50, 1.» ol.
Boulosa (S. Stephano de), geogr.,. 1220. Inq. 25, 2.* d.
Bouranzo, geogr., 1258. Inq. 698, 2.* ci,
Bouro, app. h., sec. xv. S. 143.
Bouza Coti. Vide Coti.
Bonza moliada, geogr., 1258. Inq. 317, 1.* ci.
Bouzao, app. h., sec. xv. F. .Lopez, Chr. D. J. 1.°, p. l.% C. 159.
Bonzo, app. m., 1258. Inq. 331, 2.* ci.
O ARCHEOLOOe F&KTVBfUÈS 127
Bouzola, geogr., sec xi (?). L. D. Mom. Dipi. 563.
Bmzom, app. h., 1220. Inq. 133, 2.* ci. — Id. 650.
Bouzoo/ app. h., 1220. Inq. 115, 1.* ci.
Bouzoos (S. Salvatore de), geogr., 1220. Inq. 120, 2.* ci.
Bovadela, geogr., 12&8. Inq. 663, 1.* e 2.* ci.
Bovias (Pena de), geogr., 1258. Inq. 394, 2.* ci.
Boy, app. h., 1258. Inq. 395, 1.* ci.
Boya, app. h., 1258. Inq. 689, 2.* ci.
Boyalìos, geogr., 1258. Inq. 362, 2.* ci.
Boyeiro, app. h., 1258. Inq. 315, 1.* ci.— Id. 458.
Boym, app. h., sec. xv. S. 272.
Boymir, geogr., 1258. Inq. 323, 2.* ci.
Boyso, app. h., 1258. Inq. 426, 1.* cL
Boyva, geogr., 1258. Inq. 305, 1." ci.
Boy vana, app. h., 1258. Inq. 371, 2.* ci.
Bozoo, geogr., 1258. Inq. 696, 2.* ci.
Braa, geogr., sec. XV. S. 201.— Id. 297.
Brabol, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.*^, p. 1.*, C. 45.
Bracata, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 50, n." 81.
BradUa, n. h., 958. Dipi. 28.— Id. 173.
Brados, fonte, 1258. Inq. 693, 1.* d.
Brafeme, app. h., 1016. L. Prete. Dipi. 142.
Bragaa, cìdade, 1258. Inq. 303, 1.* ci. — Leg. 415, 2.* ci.
Bragadela (Presa de), geogr., 1258. Inq. 692, 1.* ci.
Bragaeses, geog. (?), 1258. Inq. 599, 1.* ci.
Bragal, app. h., 1220. Inq. 83, 1.* ci.
Bragancia, cidade. For. de Barcelos. Leg. 432.
Bragara, cidade, 1098. Doc. most. Aroaca. Dipi. 525.
Brahamino, n. h. (?), 1142. For. de Leiria. Leg. 377.
Braìli, n. m., 1048. Doc. most. Pedroso. Dipi. 225.
BraineUas, villa, 1092. L. Prete. Dipi. 465, n.° 782.
Branche, app. h., 1258. Inq. 308, 2.* ci.
Brandam (S.), 1453. Azur. Chron. Guiné, 45.
Brandara (S. Jacob de), geogr., 1258. Inq. 340, 2.* ci.
Brandariz, geogr., 1258. Inq. 575, 1.* ci.
Branderigo, n, h., 973. Doc. most. LorvSo. Dipi. 68, n.« 108.— Id. 289.
Branderìguizi, app. h., 1041. L. Prete. Dipi. 192.
Branderiz, app. h., 991. Doc. most. Moreira. Dipi. 99. — Id. 519.
Brandia, n. h., 1099. L. Prete. Dipi. 545.— Id. 342. — Inq. 707.
(Continua),
A. A. COBTESlO.
128 O Archeologo Pobtugués
Neorologria
I-II
Yirchow e MomuiBeii
Em 1902 falleceu Rodolfo Virchow, celebre medico e anthropolo-
logista allemào, que estere em Portugal em 1880 por occasiSo do Con-
gresso de archeologia prehistorica celebrado em Lisboa. Da sua inter-
vengao nas sessoes falla o Compte-rendu publicado em Lisboa em 1884.
Virchow escreveu a respeito da sua estada no nosso pais um artigo
em allemao, de que se publicou parte (em traducalo francesa) no ci-
tado Compte-rendu, pags. 648-^62, com duas estampas.
Em 1903 falleceu Theodoro Mommsen, outro sabio allemfio, euja
actividade iìcou assinalada em todos ou quasi todos os ramos da archeo-
logia romana. A proposito de Portugal nlo sei porém que escrevesse
trabalho especial; conhe90 d'elle apenas algumas observafoes dispersas
no voi. n (1892) do Corpus Inscriptionum Latinarum, das quaes a mais
importante é a que vem publicada a pag. 801 com o titulo de Adno-
tationes Th, Mommseni, a respeito da tabula de bronze de Aljustrel-
O artigo a que pertencem as Adnotationes tinha jà apparecido em 1887
na Ephemeris epigraphica, m, 187—189.
Ili
Pereira Caldas
«Brusca, inesperadamente, a morte extinguiu a vida preciosa e
activa do sabio professor e erudito homem de letras, Sr. Dr. José Joa-
quim da Silva Pereira Caldas, tSk) largamente conhecido e aprecìado
no pais e no estrangeiro. A for9a de vontade do illustre extincto, a sua
inquebrantavel energia, que conservou até o desenlace fatai, nÌo con-
seguiram vencer a morte que o salteou e venceu. Cèrea das 8 horas da
manhà de sabbado ^, repentinamente, fallecia, com 86 annos de idade ^,
sabio professor-decano do lyceu d'està cidade, victimado por urna
lesào cardiaca que, ha pouco mais de um anno, o tivera jà perigosa--
mente enfermo. Trabalhador incansavel, o illustre extincto preparava
ainda varios trabalhos litterarios e escolares, com um verdadeiro amor
do estudo. A sua robusta organiza9%o acariciava-lhe a esperanga de
1 [19 de Setembro de 1903].
2 [Tinha nascidoem 26 de Janeiro de 1818].
O Archeologo Portugdès 129
mais longa existencia, porque elle ignorava que a sua vida estava con-
tinuamente amea9ada pela terrivel doen9a que o prostrou.
A sua individualidade destacou-se especialmente nas mathematicas,
na archeologia e na historia; mas nào so nestas especialidades se affir-
mou escritor de vigorosas faculdades intellectuaes, pois em escritos
de diversa natureza elle provou quSo variados eram os seus conheci-
mentos. Conhecida a sua competencìa, era, a meudo, consultado pelos
nossos mais distinctos homens de letras, que Ihe pediam indica98es ou
esclarecimentos, ao que gostosamente accedia, tendo para isso elementos
valiosos na sua livraria. A todos que o procuravam elle attendia sempre
com affabilidade, ministrando» da melhor vontade os esclarecimentos que
Ihe eram solicitados. Sabio estrangeìro que viesse a Braga nSo deixava
de visitar, travando com elle conhecimento, que depois se conservava
por correspondencia. Dos seus coUegas no professorado, era respeitado
e consìderado, comò merecia, sendo muitos dos seus coUegas de hoje
seas antigos discipulos. Os seus alumnos estimavam-no pela sua com-
provada bondade e interesse que por elles tomava.
Filho do Sr. Antonio Pereira da Silva e da Sr.* D. Maria José
Alvares, nasceu na freguesia de S. Miguel, das Caldas de Vizella, o Sr.
Dr. José Joaquim da Silva Pereira Caldas.
Gursou humanidades em Guimaràes, tornando-se estudante dis-
tincto entre os seus condiscipulos. Aberta a Universidade de Coimbra,
depois do estabelecimento do regime constitucional, cursou ali as facul-
dades de mathematica, philosophia naturai e medicina e cirurgia, sendo
repetidamente laureado com as maiores dìstinc^des da Universidade
(partidos).
Na frequencia do quarto anno de medicina, em 1845 a 1846, foi
provido, em concurso publico, na cadeira biennal de mathematica e phi-
losophia racional no lyceu de Leiria; e, por decreto de 26 de Julho do
anno seguiate, nomeado, com provas de concurso, para a cadeira de ma-
thematica do lyceu nacional de Braga, comprehendendo entào a mesma
cadeira, num so curso, as duas partes em que depois foi dividida.
Por occasiSo do movimento revolucionario que convulsionou o pais
desde 1846 a 1847, o distincto professor, levado pelo seus sentimentos
patrioticos, pos de parte os livros e foi alistar-se no exercito da Junta do
Porto, onde se distinguiu pelos seus actos de valor. Organizou o nucleo
de um batalhSo, denoininado Polacos do Minko, e commandou o bata*
Mo de voluntarios de GuimarSles. Na insurreijao de 1846, destacou-se
Dr. Pereira Caldas no disciplinamento da 2.^ companhia do batalhSo
academico, org^zado em Coimbra, centra o governo dos Cabraes,
estando tambem aUstado naquella companhia seu irmSo Sr. Antonio
130 O Archeologo Pobtdgués
Pereira da Silva. Terminada a guerra civil, foi suspense do exercicio
de professorado, corno consequencia da sua opposigSo intransigente ao
governo, e transferido para Leiria, transferencia que se recusou a aecei-
tar, sendo posteriormente reintegrado pelo Duque de Saldanha, depois
do movimento de 1851. Dos servigos miiitares que prestou à patria pos*
suia o fallecido honrosos documentos, escritos e assinados peloVisconde
de Maiorca, tenente-coronel commandante do batalMo academico de
Coimbra*.
Em 1876 . ., a 4 de Novembre, effectuou-se, por iniciativa do Sr.
Dr. Pereira Caldas, ama conferencia archeologica na Citania, a que
assistiram . • diversos antiquarios nacionaes.
O sabio berlinès Dr. Emilio Hùbner, jà fallecido, e que em 1861
estcve nesta cidade, travando conhecimento com o Sr. Dr. Pereira
Caldas, com quem depois sustentou sempre correspondencia, a elle
se refere . . nos seus trabalhos.
- Os merìtos scientificos do illustre extinotò mereceram-lhe as bon-
rosas nomeagSes de socio honorario da Academia de Bellas Artes de
Lisboa e da Sociedade Phamaceutìca da mesma cidade ^ de socio corres-
pondenté da antiga Sociedade de Greographia Commercial do Porto,
da Sociedade Archeologica da Figueira da Foz, do Imperiai Instituto
Archeologico de Berlim, da Sociedade de G^eographia de Lisboa, do
Instituto de Coimbra, da Àssocia9ao Industriai Portuense, do Centro
Promoter Lisbonense dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, da
Academia Real das Sciencias de Lisboa, da antiga Academia letteraria
da mesma cidade, presidida pelo . . sabio portugnés Silvestre Pinheìro
Ferreira, da antiga Academia Ulyssiponense das Sciencias e das Letras,
da Sociedade Pharmaceutìca do Rio de Janeiro, do Qremio Portugnés
Literario da mesma cidade, do Gabinete Litterarìo Fluminense, do Ga-
binete Litterario do Para, da Sociedade Anthropologica de Madrid, do
Instituto Valenciano, do Instituto Archeologico de Roma, socio effectivo
da Real AssociafSo dos Architectos e Archeologos Portugueses, socio
honorario da Sociedade Democratica Recreativa de Braga, sendo o pri-
meiro membro da associaQlLo a quem fora conferida està nomeagao hon-
rosa. Socio honorario da Sociedade Martins Sarmento, da Liga das
Artes Graphicas de Braga, diploma que Ihe foi offerecìdo por occasiao
de discursar numa sessào solenme; membro do Congresso dos Orien-
talistas de Londres e do Congresso dos Amerìcanistas do Luxemburgo,
* [Esqueceu dizer que Pereira Caldas, sempre ami^o das ideias democraticas,
militava ultimamente, cu tinha miUtado, no partido repnblicano].
AbCHEOLOGO POBTUQtJÉS 131
membro da CóminìssìLa dos Monumentos Nacionaes, do Congresso Na-
eional de Tnberculose de Coimbra, do Congresso Internacipna) do 'Eia-
sino Technico de Paris; socio protector da Sociedade Archeologica de
Fontevedra; e secretano da antiga seogSo centrai da graùd^ commis-
sSo da ExposigSo Agricola de Braga, sendo premiadó oom medalha de
prata. No oòrtejo civico, commemorativo do tri-Tcentenario de CamSes,
realìzado em Lisboa ein 10 de Jimho de 1880, o Sr. Dr. Pereira Caldas
destacou-se logo aos olfaos de todos pela quantidade de medalbas ho^^
rosas que ibe JodoniatTKn o peito. «
Relativamente aos seus escritos litterarios e seìentificoS, que sSo
maitos e variados, acha-:'se nm caktalogo dos principaes no Diecionario
Bibliographio, de Innocencio da Silva, tomo iv, a principiar na pi|g.
3d6, e no tomo lauf pag. 42, alem de urna indicagSo malto succinta
nas Memorias de Braga, do fallecido conmiendador Bernardino José,
de Senna Freitas, nos pj^incipios do tonao v; mas, ulteriormente, muitos
outros opusculos pnblicou ainda o sabio professor, sobre varios assuntos.
Collaborqu ^m um crescido inumerò de jomaesj revistas e numeros
unicos; e o Correlo do Minho foi bonrado. tambem com a sua collabo-r
pa9lo, publicando, ainda ha meses, um trabalho sobre litteratura portu-
gaesa, especialmente esento pelo sàbio professor para os seus alumnos.
Dr. Pereira Caldas era um dos mais illustres camenianistas, e qua-
mais provas déu de ulir estudo profrirido e aturàdo dos ittwWair de Ca-
mSes, nlo se.esquèceùào iiunca dé'cQnimem'orar litterariamente os . *
annlversarios '. . , no dia 10 de Junhc, copi producg^es. novad é varia-
das. A de 18Ó2, que. se intitula tVersaò latina dò sonetó de CamSe^'
r-Alma minila ge^ntil que te partiste — ^n|^ce4endo:a duas Ijnhas expr:
diaes, etc.>-;-é bem digi^^ de sor lida ^ meditada. — rTào fanatico er^,
pcft CaniSes, que em todos os seus escritos inpluia-cita^òes . . dos Lu-.
%iadas^ oa de oiiiras. producQSe's do immortal poeta. . ,
tempo que' Ihe restava das snas occupaQSes ,profis^ioùjaes dedi<
cava-o aos séus tivros e aos seus trabalfaos iittJerarios: Atsita òasa eséé.^
repleta de Kvros, todós elles valiosos, alguns dOs qoaes vei^dadeiras ra,-'
ridades, de grande mèrecimento e valor. A sua livrària avàlia-se em
algans contos de réis. No deséjo de que ella fosse conservada depois'
da sua morte, propSs a urna das vereagSes d'este concelho cedé-la ao
municipio, mediante uma pensSo annual emquanto vivo; mas a proposta
uào foi acceite.
A cagiara de GuimarSes, prestando justa homenagem ao infatigavel
obreiro das letras e da instruc^^, deu a uma rua de Yizella, sua terra
Baiai, nome de cPereira Caldasi, realizando-se a cerimonia do des-.
ferraménto das placas nominativas da rua no dia 26 de Janeiro de
132 Archeologo Poetugués
1898, dia do octogesimo anniversario natalicio do considerado vìzel-
lense. A esse acto festivo, em que Vizella se apresentoa entrajada
de galas, assistìu o Sr. Dr. Pereira Caldas, que foi enthusiasticamente
victorìado. A actual camara de Gaimaràes, por proposta do sea pre-
sidente, Sr. Dr. Meira, approvada por unanimidade, resolveu nltima-
mente, corno vemos no Commercio de Ouimaràes, de 15 do corrente,
prestar tambem homenagem ao faliecido Sr. Antonio Pereira da Silva
e ao Sr. Dr. Antonio Ignacio Pereira de Freitas, pae e sobrinho do
Sr. Dr. Pereira Caldas, dando os seus nomes a daas ruas de Vizella,
pelos servi^os prestados à sua terra natal.
O considerado extincto parece que n$o deixou testamento, pois,
por emquanto, so appareceu urna minuta para elle, escrita pelo seu
proprio punho, e que, conquamto n&o tenfaa data, se julga feita no anno
corrente».
(Do Correio do Minho, de Braga, n « 167, de 22 de Setembro de 1903).
N&o podendo, por £alta de tempo, escrever nm artigo desenvolvido a respeito
de Pereira Caldas, mas desejando que n-O Archeologo ficasse consignada a no-
ticia do seu fallecimento, transcrevi do Correio do Minho as notas precedentes.
Póde ler-se outro artigo biographico no Primeiro de Janeiro, do Porto, de 20 de
setembro de 1903.
Dono de vasta livrarìa (composta porém, em grande parte, de livros anti-
quados], dotado de espirìto amigo de se instruir, e de mais a mais com diversos
cuTsos universitarios, e professor de lycen ha muitos annos, Pereira Caldas pos-
sala variadoB conhecimentos em todos os ramos das sciencias, è sabia difPerentes
linguas (inglès, allem&o, grego, etc.)« Ob seus escrìtos revelam isso, pois escre-
ven sobre mathematica, chronologia, sciencias naturaes, therapentica, bistoria
politica, bistoria litteraria, bibliograpbia, linguistica, epigrapbia, numismatica,
beraldica, geographia ; e tambem publicou versos (originaes e traduzidos) e die*
cursos. De um lado està dispersabilidade da intelligencia, sem plano a que o tra-
balbo se subordinasse, e do outro a pouca tendencia que elle tinba para profondar
um assunto e atacar e resolver os problemas scientificos, fizeram que todos os
seus escritos fossem geralmente de pouco folego. Tudo o que escreveu sfio cu
folbetos, ou artigos de jornaes, muitas vezes tambem reduzidos a folbetos (sepa-
Tata8)s Pereira Caldas escrevia de ordinario por mera curiosidade e distraesse.
Sem paciencia para grandes investigagoes, era naturalmente a bibliograpbia o
ramo que mais o attrabia, pois, para o cultivar, quasi nunca tinba de sair da
sua propria bibliotbeca. A fórma que Pereira Caldas tinba de escrever nfio era
attrabente : elle costumava diyidir ps seus escritos em breves paragrapbos, nume-
rados com algarismos l'omanos, divis&o que nem sempre correspondia à natureza
do assùnto, é empregava constantemente aspas é caracteres italicos e versaletes,
sem motivo plausivel. O seu estylo era muito desmancbado, e às vezes desfigu-
lUdo pelo abuso de vocabulos extravagantes ; nòs seus escritos, ha uns 20 annos
O Aecheologo Portuguès 133
para cà, Pereira Caldas fazia citagoes camonianas, a torto e a direito, bo prin*
cipio e no firn, e às vezes tambem no meio. Tudo iato enfada o leitor, posto quo
este haja de reconhecer no fallecido cprofessor bracarense» (corno elle gOBtava
de se intitolar) nma fi^ra litteraria nm tanto originai.
A respeito de archeologia (e é por esse lado que o seu nome figura hoje n-0
Archeologo) y a ac^So de Pereira Caldas consistìu, creio, no seguinte: esteve,
corno se yìu a cima, em rela^oes epistolares com Hlibner, por causa de assuntos
epigraphicos, e acompanhou-o nas suas yisitas a Portugal, do que o sabio allem&o
dà testemnnho em alguns dos sens escritos * ; contribuiu para que se realizasse
em 1876 o congresso da Citania^; tentou promoyer a funda^ao de um Atheneu
archeologico em Braga, que todavia supponho nào chegou a fundar-se; contri-
boia para que se tomassem conhecidas e salyassem de estrago algumas inscrip^òes
romanas ; e deixou, alem de numerosos artigos em jomaes, os seguintes opus^
cqIob :
Noticia archeologica dos Caldas de Vizella, Braga 1853, onde falla pela pri-
meira vez de uma das inscripgoes do deus lusitano Bormanicus,
Carta do 'professor Pereira Caldas . , ao , . arcdìispo de Braga D. Joào
Chrysosiomo . . para a inaugurando de um Atheneu archeologico em Braga,
Braga 1876, 8 paginas, em que pondera a necessidade da fanda^So do atheneu.
Tem a data de 1 de Junho de 1876. Para està inaugura^ào fez Caldas um con-
vite impresso, com a data de 15 de Junho de 1876 ; consta de 4 paginas e é em
fórma de circular. Ahi se enaJtece a importancia da archeologia e dos museus.
A ìnauguraQào devia ser no Pago Episcopal.
Allocugào, folha volante, 2 paginas, s. 1. n. d. de impresalo, mas escrita em
29 de Junho de 1876. Caldas falla de archeologia prehistorica, e dirige-se ao
pOTO de Braga para a inauguragao de um atheneu archeologico.
Estatutos do Atheneu Archeologico de Braga, destinado, de modo geral, «ao
estndo das antiguidades em todos os ramos, e nos seus accessorios illucidativos
(m) com applicagfio especial à historia patria desde os tempos remotos». Tem
a data de 29 de Junho de 1876. Vi o ms. autographo em casa do meu amigo
Albano Bellino. Nao sei se chegou a imprimir-se.
Os cemiterios christàos em sua origem, Braga 1879 (Cf. Arch. Pori,, i,
190).
Monumentos epigraphicos de Roma exalgadores da memoria do Papa S.
Damaso, prodigio viìnai^anense, Braga 1879, 31 paginas. Dedicado a Martina
Sarmento.
Urna inscripgào romana de Caria de Lamego, Braga 1883 ; baseia-se numa
noticia de Viterbo, Elucidario, i, s. v. «Caria».
Carta epigrapMca [a Pinho Leal], Braga 1890, 31 paginas, onde diz que
està colligindo umas 2:000 inscripgoes romanas, quasi todas respeitantes à Pe-
* Vid. por exemplo, Noticias de Portugal, p. 72, Corp. Inscr. Lat, ii, p. xxx
e CUI. Uarqueologia en Eapana [y Portugal]^ p. 79.
2 Cf. OArch. Pori., yi,f>^.
IM O Abcheologo Portugués
ninsola.- Està carta é a proposito de nma inscrip^ romana publicada incor-
reotamente por Pinho Leal. Està escrita muito confasamente. — No firn yem um
esboi^o biographico de Fìnho Leal.
Lapide romana da estrada da Oeira sem deetfra^ plausivél aU agora,
20 paginas, s. 1. n. d. [mas é de 1895, ou posterior, pois cìta-se ahi ma liyro
de 1895]. Neste folheto discute Pereira Caldas nm texto epigraphico dado poi
Argote nas Memorias de Braga,
Numisma cettiberico, 1901 (Cf. OArck. P&rt., viu, 31).
Descri^ plausivel de tana inscripgào luso-romana de Citania de Briteiros,
1902 (Cf. OArch. Fort., vin, 32).
É possiyel, porém, qoe me escape algum entro folheto.
Apesar de nSo poder dizer-se que as sciencias aiebeologicas devam grande
incremento a actividade de Pereira Caldas, elle, comtndo, manjfeye em Braga,
durante longos annos, o fogo sagrado ne sta esphera, pela palayra, pela escrita
e pelo exemplo,-^e conhecia bem as antiguidades romanas da cidade, pelo que
hayia de ser excellente cicerone quando se resolyesse a acompanhar os forasteiroa
que as quisessem inyestigar.
IV
Teixeira de Àragfto
D-O Diario^ de 2 de Maio de 1903, extràio as segnintes infonna-
55e8 biographicas a respeito de Teixeira de Aragao (Augusto Carlos):
«Nasceu em Lisboa, a 15 de Junho de 1823, e fallecea em 29 de
Abrìl proximo passado. Assentou praQa, corno eirurgiào medico, em 28
de Novembre de 1849; premo vide a cirurgiSo-mór em 1853, a cirurgiio
de brigada em 1885, eirurgiào de divisào em 1891 e eirurgiào em chefe
em 1892, reformando-se no posto de general em 4 de Janeiro de 1896.
£ra socio effectivo da Aeademia Keal das Sciencias de Lisboa;
da Sociedade de Geographìa; da Sociedade das Sciencias Medicas;
da Real Associajào dos Arcbitectos e Archeologos Portùgueses, socio
archeologo da mesma; membro do Instituto Polytechnico Portugués;
do Instituto Vasco da Gama; do Instituto Geographico Argentino; da
Aeademia Hungara de Paris; da Sociedade Numismatica Belga; da
Aeademia de Roma; do Instituto de Coimbra; da Real Aeademia de
Historia de Madrid; do Instituto Historico e Geographico do Brasil;
e socio honorario do Instituto Historico de S. Paulo.
Foi secretario geral do Goyerno da India, aonde acompanhou o
infante D. Augusto, e era director do Gabinete Numismatico de Sua
Majestade El-Rei *.
1 [Desde 1867. Vid. Moedaa.. de Portugal., i, 13].
O AbCHEOLOGO POBTaGUÉB 135
Tinha as seguiàtes cohdecorajSes: Cavalleiro das Ordens de Avis,
Torre Espada e Cliristo; Coznmendador: da Conceigao, Avis, e das
ordens estrangeiras de Silo de Carlos III, de Hespaoha, do Elephante;
grande officiai da Ordem de Avis., por servigos distinctos, e da Ordem
do Nlchan £1 Iftikhas, de Tunis; medalha de còbre da Associarlo Ar-
ckitectonica; de prata, de comportamento exemplar e de valor militar;
€ a de euro de bons servijos».
Acresoentarei a estas informa(Ses que Teixeira de AragSo foi tam-
bem professor de Hygiene na Escola do Exercito.
Na sua qualidade de cirurgiao militar, teve de percorrer muitas
terraS; principalmente no Sul, e isto deu-lhe ensejo para comeQar a
adquirir, desde 1850 ^, nio so muitas moedas antigas, mas objectos ar-
cheologicós de toda a especie*. A este ^proposito dizia elle em 1870:
cHavendo passado o melhor da vida entregue a aridas investigarSes
medicas, dedicàmos, talvez por analogia com a sciencia cosmopoli ta^
as horas de folga, a decifrar algumas moedas antigas, que o acaso
nos deparava i ^. E, notando as relagSes que julgava existirem entre
medico e o numismata, continua: aO medico, pelo contacto com as
classes ruraes, é ordinariamente a quem chega primeirò a noticia dos
achados arcbeologicos, que investiga, — e muitas vezes os compra para
si ou para os seus correspondentes. Ora, neste estudo e contacto das
cousas antigas, ha um nSo sei [qiti], mesmo contagioso, que se inocula
insensiyelmente, e quasi sempre cria o colleccionador»^.
As moedas ceden-as em tempo para o Grabinete Numismatico de
El-rei D. Luis, do qual, comò vimos acima, era conservador.
Com OS restantes objectos constituiu em sua casa um interesante
moseu, onde estavam representadas as epocas da nossa historia, e diffe-
rentes especimes das nossas artes e industrias. Està importante coUec-
9iu) dispersou-a ainda quasi toda o proprio Araglo, parte cedendo-a
avulsamente, parte, e a mais importante, vendendo-a em leilào. O que
^ Cf. Moeda9.. de Portugal, i, 7.
2 A memoria de AragSo fieou tao viva, mesmo na gente do campo, que ainda
hoje (e jà là y2o bastantes annosi), quando em algomas terras do Sai pergimto
por objectos arcbeologicos, obtenbo frequentemente comò resposta: «0 que ba->
via, jà o levou o Dr. Aragào ou Estacio da Veiga».
^ Moedas romanaa . . d*tlr-rei Z>. Lui», p. vi.
* 06. dt.y p. vili.
136 O Archeologo Pobtuguès
iìcou foi vendido da mesma maneira, mas jà depois da sua morte. Mellior
do que qualquer descrip9ào do musea, fallam os seguintes folhetos:
Catalogo do leilào de objectoa de arte e mobUiario antigo da coUeogào-
Aragàoj por interven9ao do agente Casimiro C. da Cunha, Lisboa 1901,
-24 pag,; Catalogo do leUdto de objectos de at'te e mobUiario para parti-
lime, por obito do ExJ^ Sr. Dr. Teixeira de AragàOj por intervencao
de Maria Guilhermina de Jesus, Lisboa 1904, 15 paginas *. Compre-
hende-se que màgoa nao torturaria o fervoroso colleccionador, quando,
sentado na poltrona em que quasi inmiovel passou os ultimos tempos
da vida, esentava a voz do pregoeiro a por em aimoeda as rìcas pre-
ciosidades archeologieas adquiridas com tanto trabalho e durante tantos
annos, e sobretudo quando ouvia a martellada final de cada lan90,
a qua) annunciava que ellas desde esse momento fatai iam deixando
de Ihe pertencer! Circunstancias da sorte, a que ninguem póde esqui-
var-se. Pena foi que o Estado nào adquirisse na totalidade a collec^ao
archeologica de Teixeira de Aragao; com ella se enriqueceriam varios
museus. Ainda assim, alguma cousa iìcou salva '.
^ É claro que Àrag^o tambem possuia livros. A sua livraria d§Lo era mnito
numerosa, mas havia nella bastantes obras numismaticas, que foram igual mente
vendidas em leilao em Abril de 1904; cf. o catalogo publicado por essa occa-
siao ; Livroa sobrc numiamatica pertencetHes a livraria do fallecido Dr. Teixeira
de Aragào, Lisboa 1904, 8 paginas. Este folheto é extrahido do Catalogo da im-
portante livraria do distinclo numismata Dr. Teixeira de Aragào, Lisboa 1904.
2 O Museu do Bellas-Artes, por exemplo, adquiriu vestuarios. Para o Musen
Ethnologico cedeu-me o prestimoso archeologo, antes do leilSo, quasi todos os
objectos romanos e pre-romanos que ao tempo possuia; depois da sua morte,
a Ex.»» viuva D, Th eresa de Aragào oflFereceu-me ainda alguns vasos, de diffe-
rentes procedencias e epocas. Ao antiquario de Paris (o Sr. Baron) tinha elle
cedido, multo antes do leilao, varios anneis de ouro romanos, achados em Portu-
gal, alguns vasos do Algarve, da mesma epoca, e o bellissimo fando de pàtera lusi-
tano-romano de prata, com a gravura de um deus, que vem descrito nas Koticias
de Portugal de H. HubDer, Lisboa 1871, p. 69 (com uma estampa). Nao obstante
a amizade que eu consagro a AragSo, e a multa venera92o que teuho pela sna
memoria, nSo posso esquecer este desfalque que elle fez soffrer à archeologia
nacional, entregando a um negociante estrangeiro objectos que deviam ficar
no pais, de mais a mais sabendo Aragào que eu Ih'os comprava para o Museu,
e que eu tinha o maximo empenho nelles, sobretudo na pàtera. Por occasiio da
minha ùltima estada em Paris, procurei o refendo antiquario, e pnde aiDda re-
adquirir alguns dos vasos ; mas dos anneis jà elle nào sabia, e o cubicado fando de
pàtera disse-me que Ihe parecia que o havia offerecido a uma senhora americana !
Tomem exemplo d'este desperdicio os que, levando annos a fazer collec^Òes ar-
cheologieas, nào deixam para depois do seu fallecimemto bem assegurada a con-
serva^ào d'ellas. E eu jà conlie90 tantos casos analogos!
O Akcheologo Poktugdés 137
Teixeira de Aragao nào era coUeocionador vulgar, que coUigìsse
so por coUigir, corno muitos: era colleccionador intelligente ^ que, ao
mesmo tempo que punha gosto nos objectos que adquiria, procurava ins-
truir-se com elles. D'isso dao prova os trabalhos que escreveu, e que
ja vou mencionar. Para commodidade do leitor, citarci nSLo so os tra-
balhos numismaticos e archeologicos, mas todos os mais que a penna
de Aragao produziu, e de que tenho conhecimento.
Ei-la, segando os assuntos, e chronologicamente:
A) Nomlsmatica:
Num dos seus livros confessa AragSo que foi no exercicio do seu
cargo de conservador do Gabinete Numismatico de El-Rei D. Luis
que escreveu todos os livros de numismatica*; effectivamente todos
elies se relacionam com o refendo Gabinete, comò veremos.
1.^ Description des monnaieSj médaiUes et autres objects d'art con-
cernant VhUtoire portugaise du travati, Paris 1867, com estampas.
Este livro foi publicado por occasiUo da ExposÌ92o Universal de Paris
de 1867, à qual concorreu El-Bei D, Luis com grande coUccqUo de moe-
das e outros objectos. Consta de duas partes: na 1.* faz-se a descrigao
do Gabinete Real; na 2.* descrevem-se differentes outros objectos expos-
tos (ourivezaria, manuscritos, etc). E sobretudo importante a 1.* parte.
Como Gabinete Real é muito rico, a descrÌ9ao feita por AragSo cor-
responde a um pequeno tratado de numismatica nacional, pois refere-
se tanto &s moedas portuguesas propriamente ditas, corno às arabicas,
visigoticas e ibericas; mencionam-se alem d'isso ahi medalhas, contos
para contar, e as moedas dos grSo-mestres portugueses de Malta. A
imprensa estrangeira celebrou entfto com muito louvor, quer a coUecgao
real, quer o trabalho de Aragao^; e desde esse tempo o nome do nesso
numismata comejou a ser conhecido là fora, e a ser citado corno au-
toridade em assuntos de numismatica portuguesa.
2. Notes sur quelques numismates portugais des xvil®, xviii®, XIX*
sièdes, por A- C. Teixeira de Aragao, Paris 1867 (folheto de 5 pa-
ginas).
Tendo ido AragSo a Paris acompanhar a collec92Lo real que, comò
acabamos de ver, figurou na ExposÌ9So de 1867, escreveu este opusculo
* Moedas . . de Fortugal, i, 14.
* Vid. as cita^des que este faz nas Moedas . . de Portugal, i, 9-11 e notas
138 O Archeologo Portugués
em fórma de carta dirigida ao Visconde Ponton d'Amécourt, presidente
da Sociedade Francesa de Numismatica e de Archeologia; a carta de
Araglo é em resposta a um pedido do refendo presidente. Ahi cita
AragSo varios nnmismatas portugueses ; com rela^SLo.porém a^o jseculo xix,
dSq menciona os nomes dos que ao tempo eram ainda vivos. tra-
balho escreveu-o AragSo em Paris, longe, corno diz, dos seus livros
e apontamentos; promettia com tudo completi-Io, quando voltasse i
patria: e isto fèz em 1875, em um dos capitolos das Moedas . . de Por-
tugàL, I, 92 sqq.
3. Descripgào Jiistorica das moedas romanas existentes no Gaòiìiete
Numismatico de 8. M. EìrRei o Sr. D. l>uis I, Lisboa 1870.
A descriyfto propriamente dita é precedida de um estudo de nu-
mismatica geral. Para este livro soccorreu-se AragUo, corno honrada-
menté declara, da obra de Sabatier sobre as moedas blzantinas, e das
de Cohen sobre as moedas romanas (republica e imperio).
trabaiho de AraglLo tem servido, e serve ainda hoje, de bastante
utilidade aos colleccionadores portugueses a quem aqùellas obras e
outras analogas nào sic aocessiveis ; todavia, comò a sciencia progride
sempre, jà muitas cousas que elle diz precisam hoje de modificagào.
4. Carta prefacial que acompanha o opusculo de A. Marques Pe-
reira, intitulado Moedas de Siam, Lisboa 1879. :
Este opusculo contém a descrÌ9ao das moedas siamesas offerecidas
pelo autor ao Gabinete Real ; na carta, que é esenta ao correr da penna,
faz Arag2o apenas consideragSes genericas e summarias.
5. Descripqao geral e historica das m/)edas curihadas em nome dos
reis, regenies e govemadores de Portugal: t. i, Lisboa 1875; t. u, Lis-
r)oa 1877; t. ili, Lisboa 1880.
O tomo I versa sobre as moedas das tres primeiras dinastias e dos
govemadores do reino ; o tomo ii sobre as da dinastia de Braganja até
El-Rei D. Luis; o tomo iii sobre as moedas da India e da Africa orientai.
Todos elles sào acompanhados de noticias historlcas preambulares; de
estampas e de algumas gravuras no texto ; de numerosos documentos,
respectivos às moedas; e de indices alfabeticos. Alem d'isso o tomo I
contém om prologo e um estudo de numismatica geral portuguesa (casas
da moeda, lista de colleccionadores e de escritores. numismaticos, no-
ticia das armas do reino, etc); o tomo il contém duas cartas ti:ocadas
entro AragàQ e Herculano a proposito do Voi. i, dois pareceres de aea-
demias de Madrid e Lisboa, varias tabellas e estatistici^, e addi(oes
ao voi. i; tomo ni contém urna introducgio a respeito do tricenter
nario de Camoes, por cuja occasiSo foi publicado, — e correc9oes e ad-
ditamentos aos volumes leu.
Archeologo Pobtcoxjés 139
O plano primitivo de AragSo era qu^ o tomo' ni se referisjse às
moedas de todas as colomas: vid. tomo i, pag. 8« Todavia as das ilhas
a^acentes ìncluiu-as no tomo ii, no estudo numismatico dos réinado3
a que ellas pertencem, ao passo, que no tomo ni 8Ó sq refere, comò
vimos, és moedas da India e &s da Africa Orientai. De modo que deixou
para um 4.° volume, que nio chegou a pubUcar na integra, as moedas
do Brasil e da Africa Occidental: cfr. U in, ìntroduc98o, p. vii*. .
A historia da ^òs3a numismatica póde dividir-se em tres periodos:
do sec. XV ao sec. xvn; do sec. xvii ao xViii; do sec. xviii ao sec. xx *.
3.°* periodo, ao qual pertence AragSo, é caracterìzado pelo grande
desenvolvimento que o progresso geral dos estudos historicos imprimiu
& numismatica em rela^ao acque ella tinha até entSo. Neste periodò
princìpal brillio da sciencia provém certamente da obra a que me estou
referindo, e que póde dizer-se se tornou classica. Sem duvida tem
muitos defeitos: assim alguns dos capitulos dos estudos preliminare3 que
acompanham o voi. i estlo confusos; as considera9Ses que se seguem
é& descripgSes das moedas estSo geralmente desordenadas; as noticias
historicas sobre os reis de Portugal e governadores da India tomam por
vezes extensao demasiada; em relagao às descrip93e8 numismaticas,
omittem-se muitas moedas e variantes: mas qual é a obra perfeita?
AragSo aproveitou convenientemente todos os trabalhos de èeus
predecessores ; estudoii muitas moedas pela primeira vez ; revolveu ar-
chivos, d'onde extrahiu preciosos documentos; e teve a coragem de
emprehender, no nosso acanhado meio scientifico, uma obra de grande»,
proporfoes, que na maior parte realizou. E fazer isto é fazer muito.
B) Arclieologia :
Foi muito pouco o que AragSo escreveu sobre archeologia: tudo
se limita, quanto eu sei, a uns folhetos e artigos..
6. Rdatorio sobre o cemiteì'io ramano descoberto proximo da cidade
de Tavira em Maio de 1868, Lisboa 1868. Polheto de 20 pa^nas com
2 estampas.
titulo (AragSo gostava dos titulos extensos, o que em verdade
difficulta as citagoes) diz sufficientemente do que netste folheto se trata.
relatorio tiaha apparecido no Diario de Lisboa n.^ 260, mas sem
estampas.
^ D'este 4.* volume publieou AragSo uma parte: vid. adeante, n.° 11. A obra
ficou escrita teda cu quasi teda, e vai ser publicada a expensas de um dos her-r
deiros, — reBolu9So realmente muito louvavel.
* Cfr. Elenco das ligoes de numismatica^ ii, 2 ; p 4rch. I^oft., iv, 70.
140 O ARCHEOLOGO PORTUGtJÉS
7. Anneisj Lisboa 1887. Folheto de 25 paginas com 2 estampas.
Estudo historico sobre os anneis em geral. Ahi, entre outros, fign-
ram dois bellos anneis: um, arabico, que pertenceu a Estacio daVeiga;
e um, portugués, com o busto de D. Joào II (éste ultimo pertencia a
collecfSo archeologica de AragSU)). Do destino do primeiro j4 se fallou
n-0 Arch. Port.j vii, 157, nota. O segando ouvi dizer que o proprio
Aragào o venderà a certo amador!
Consta-me que vai fazer-se 2.* edisSo d'està obra.
8. «Citania», artigo publicado em 1887 na Revista Archeologica
e Historica, i, 39.
Noticia do castro ou oppidum d'aquelle nome, esenta por occasiao
do congresso archeologico de Citania em 1876 *. mais importante do
artigo é a descrip$So, que AragSo faz com alguma minuncia, das moedas
apparecidas na Citania.
9. «Antiguidades romanas de Salsa», artigo publicado em 1896^
a meu pedido, n-0 Arch. Pori., ii, 55.
Descripfào de uma staterà e de um speculum apparecidos no Algarve,
e que faziam parte da sua coUecgSo archeologica (hoje pertencem ao
Museu Ethnologico).
C) Historia em geral s
Quem estuda um assunto especial tem muitas vezes occasiio de
encontrar notìcias e documentos que Ihe servem para outros estudos; ìsto
aconteceu tambem a AragSo, comò em parte o provam os seguintes
trabalhos:
10. D. Vasco da Gama e a vUla da Vidigueira, Lisboa 1871.
Este livrinho de 47 paginas foi talhado, comò o A. diz no prologo,
p. Ili, para apparecer em folhetins do Diario de Notìcias; depois o
plano alargou-se-lhe. A paginas 35-39 tem uma noticia da custodia de
Belem e varias observa95es numismaticas, assunto predilecto de Aragào.
Em 1886 appareceu 2.* edÌ9ao com o titulo de: Vasco da Gama
e a Vidigueira, — no Boletim da SocUdade de Geographia de Lisboa^
6.* serie, pag. 543-700 — , com um appendice que contém 20 docu-
mentos e uma nota.
Em 1898 appareceu 3.* edigSo, com o mesmo titulo da 2.*: faz
parte da collecgSo de obras publicadas pela Sociedade de Geographia
para commemora9ao do 4.® centenario do descobrimento da India. Està
nova edigao diz o A. que foi motivada pelos estudos a que procedeu,
1 Cfr. O Ardi. Port., vi, 53.
Archeologo Pobtugués 141
quer na Bibliotheca Nacional (qos manascritos da casa da Vidigueira
por ella adquiridos), quer no Archivo da Torre do Tombo. O livro tem
varias estampas, e veni acompanhado de um juizo critico de Pinheiro
Ghagas sobre a 2.^ edigao, e de muitos documentos historicos.
11. Breve noticia sabre o descobrimento da America. Na coUecjILo
intitulada: Centenario do descobrimento da America, — memoHcu da com-*
missào portuguésa, Lisboa, Typographia da Academia das Sciencias,
1892.
Este trabalho declara o A. que fora escrito para ser encorporado
no tomo IV das. Moedas . . de Portugal. Divide-se em tres capitulos:
1) A America ante-colombiana; 2) Christovam Colombo e a America;
3) Fedro Alvares Cabrai e o Bràsil. Vem acompanhado de dois documen-
tos copiados na Torre do Tombo, sendo um d'elles a importante carta
em que Pero Vaz de Caminha faz um relatorio da viagem desde Por-
tugal até Brasil, — carta jà antes publicada, mas com incorrec93es.
D'oste artigo se fez separata, com o mesmo titulo, em um volume
de 80 pag^nas, com dois fac-similes, Lisboa 1892.
12. Catalogo dos objectos de arte e indìisti'ia dos indigenas da Ame*
rica, que pdas festas commemorativas do 4. ^ centenario da stia desco*
berta a Academia Real das Sciencias envia a eaposigào de Madrid*
Na mesma coilec^So em que appareceu o trabalho citado em o n.** 11.
Os objectos de que se trata neste escrito pertencem em parte aa
Mnseu da Academia. O escrito vem acompanhado de urna estampa.
A descripjSo dos objectos, que sào em numero de 457, é precedida
de breve noticia ethnogràphica e historica.
D^este artigo se fez separata, com o mesmo titulo, em um volume
de 44 paginas e duas estampas, Lisboa 1892.
13. Diabruras, santidades e prophecias, Lisboa 1894.
Ainda que escrito sem pretensoes scientificas, este livro contém
muitos documentos importantes para o estudo da ethnographia nacional.
E vou terminar. Vè-se que Teixeira de Aragfto desempenhou opti-
mamente o seti papel no theatro das letras. As suas qualidades de obreiro
activo, que multo fez em prol da numismatica, da archeologia e da his-
toria nacional, juntava outras. Ao contrario de certos individuos, que
comò que fazem mysterio das coliecgSes scientificas que accumulam,
e as nào mostram, ou so as mostram timidamente, AragSlo tinha todo
prazer de mostrar as suas, e de fazer que outros as aproveitassem:
a Estacio da Yeiga deixou elle, por exemplo, tirar photographias de
142 O Archeologo PortugÙé»
ikaitos objectos para as Àntiguidàdes monumentaèè do Algarve; e a
liiim mesmo, por mais de urna vez, me prestòu gervifos analogos (cfr.
Arch. Pott.yi), 280-281; e v, 143). O seti labor^ comò homem de
sciencia, sera sempre muito apreciado, especialmente pela Descripgào
das moedctìs de Portugal, obra que bastava so por si para immortalizar
nm nome. f t tt
J. L. DE V.
BlbliograpMa
Boletim dfi Voeledade Arclieoloffica de Santo» Rociha»
n.^ 1, quinta sessSo plenaria. Figueira 1904, 32 pagìnas e 3 estampas. Pre^
de cada nmnèro 200 réis. '
, . j
Fostoque om Portugal hoayeese jà safGicieittes pnblìca^Ses do genero d'està^
saadajuos o novo Boletim, e desejamÓB-lhe longa vlda, presente numero vem
interessante e variado. Eis os assùntos nelle tratados :
A Sociedade Archeologica e o seù Boletim. Breve historìa da Sociedade
e' das suas sesis^tes plénarìas. — Esqueceu dizer a pag. 5 que' n-0 Arch,Port,j
em diversos fasciculosy publicoa o fàllecido Belchipr da Cruz o rcisnmo das
seépOes plénarìas.' ^
. [ Ne^rQpole néoliihiQa da Moita (jOantanhede). Kotida de um dolmen jà der-
voeado, e do refi|>ectivo espolio archeologico. . .
. Moicriaes pavA o estudoda epoca neoUtktca na Mgueira.''SQÌicì& de varìos
ijistrumentos de pedra^ pela maior .parte ex^stentes. no K^seu da Figueira.
Materiaes para o estudo da ^epoca do brome. Noticia de dois machados
de argola unilateral provenientès de Alvaiazere. — ^Estacio daVeiga, nas Antig,
mori, dò Algarve, vols. ni e iv, publicou jà bastantés elementos par^ o conlieci-
mento d^esta epoca; convenl porém publicar muitos mais, pois que ella é ainda
imperfeitamente conhécida. No Musen Etimologico èxistem àlgnns machados
éttjo fypo se aproxiiàa dos àqni estudados.
Ésta^ào luso-romana da Pedrulha. !Noticia de nm fìragmento de reboca
omamentado, e de um pondus em que se le ALLA . . , palavra qne o autor do
artigo pergunta se terà alguma rela^fio.com Alhadas. Póde responder-se nega-
tivamente. Aquellas letras fazem certamente parte de uma marca figulina do
tjpo de outras que se vèem em pondera de.Conimbrìga existentes no Mnsen
^etimologico, embora nest^s as letras sejam diversas d.^ aquellas ^.
. Tijolos romanos do Museu da Figueira^ DescrìpQ&p de varios typos de ti-
jolos : rectangular, trapezoidal, triangular,
JSfoticias de alguns silos ^ lougas arabes do Algarve. Elementos para o es-
tudo dos silos, cuja significammo é ainda obscura.
' ^ A palavra Alhddas nHp podia provir de uma .latina .que come9a86e por
alla-; opp5e-se a isso a phonetica portuguesa.
O Archeologo Portuoìjés 143
Pdourinhos da jFY^cira. Noticia dos pelourìnhos de Redondo, Baarcos'
e Figueira, com algamas consideraQ^es preliminared.
Supersti^es popolar eè da Figueira, CrbùQas, ensalmos; praculos, etc.
Muitos dos factos aqni ìndìcadoB sao conhecidos noutros pontos do pais, corno'
consta de varias obras que conyinDa citar para facilitar aos investigadores o res^
pectivo estudo. Par^em-me porém menos coiihecidos. qs aegnintes: dettar as
cartas e deitar a peneiraj para saber a futuro. Doq bilhetos ou requerimentos
dirigidos aos ^ftatps se tratou aqui miesmo n-0 Archeologo, i, 87-89.
fasciculo é collaborado pelos Srs. Dr. Santos Rocba, Belchior da Cruz,
F. Gii, Ferreira Loureiro e P. Femandes Thomas.
II
. jy^ta sobre a opera^fto d^ deitar a pentirà
À adiytnlia9ao com a peneira data da àntiguidadé. A mais antiga aliaselo
qtie conbe^o vem ntnn verso deTheocritò, IdyUioSy iit, 31/ ed. de Ameis (Didot) :
L é «dixit.etiam Agroeoveram cribrarìa vaies»; .D'esie assunto tratOQ, embcfra
8nmmariamente,Boucbé Leclercq na Hist. de lad%vinaiiondansVantiquUé^i{lSTd)^
183, onde cita essa e outras fontes.— -Da palavra xcoxiv^^avTi? «adivinbo do crivo»
criou-se o substantiyo abstracto xooxtvojAavreia «adivinhaplLo com o crivo»; que é em-
pregado por alguns eruditos modei-noé. Como porém elle traz urna interrogafao
no Griechisch- Deutsche Wb. de Pape, e nao vem no Dtct. grec-fr. de Bailly, — dic-
cionarios estes muito bons-^, ibupponhò que fol formado recentemente, e nSo per-
tence pois & litteratura'grega propriaraehte dita.— ^ A paTavra xocxiwaavTsia corres-
ponde 00(1 latim a palavra coscinomantia, que encontro nos diccionarios de Freund,
Theil, Benoist-Groelzer, Georges e noutros, auctorizada ùnicamente coni S. Agos-
tinbo, Obras, tomo v, pag. 426 [da ed. de 1569]. Hàs o.mais curioso é que tal
palavra nao existe èm S. Agostinbo, e so existe no cpmmentario de L.Vives,
tambem em latim, àquelle passo. A proposito da palavra hydrpmahtia, empregada
por S. Agostinbo, dìzVives: «Multis euim modis £[ebat olim. dtviiiatio : . . ex cri-
bro,' quae co^ctnomai^^i^» (loc. cit., que corresponde à obra'de.S'. Agostinbo De
ch'Hate Dei, VII, xxxv). Os autores dos referidos diccipnarios pquivocaram-se,
tomando o commentario deVives pelo texto do Santo, ou equivocou-se so um
ftalvez Freund), e os outros copiaram d'elle. Se, comò parece, nao ha outra auc-
toridade que abone a existencia de coscinomantia na litteràtura latina, essa
palavra tem de se riscar dos respeciivos diccionarios, por ser d^
cria^ao moderna.
Da coscinomancia na ìdade-media falla J. Grìmm^ DeiUscke Afythologie, voi. ii,
4.* ed., pags. 927-928, onde tambem cita factos, de differentes epocas,' da Alle-
manbà, Dinamarca* è J'ran9a. Vid. mais: Wutkè, Der deutsche Volksaberglaube,
3.* ed.» Berlim 1900,' n.* 36é, a respeito da Allemanha; e F. Liebrecbt, Zur Volks-
ìèunde, Heilbronn 1879, pàg. 3M, a respeito dos Arabes. Pela minba parte posso'
citar a Gàlliza comò outro pkis onde a coscinomancia existe.
Da antiguidade d'està snper'sti^So em Portugal dSo testelnunbò as^CoUstitui-
c5es do arcebispàdò de Evora, de 1534, xxv, 1, e as ConstituÌ9pes do bispado de
Goa de IbQS^ :xx;ci, 1 : vid. Adolfo Coelbo, Ethnographia Portùgutsa, pag. 22 sqq.
144 O Abcheologo Portugués
Com rela^So ao sec. xvii temoB noticia d'ella nam processo da lnquÌ6Ì92o estadado
por Consiglieri Pedroso, Contribui^des para urna mytkoloffia popitlar, vi, 24.
A cren9a oa coscinomancia supponho nao ter jà multa voga em Portugal;
todavia tem alguma. Sr. Fernando ThomÀs dà-a corno existente na Beira, e eu
conhe^o-a tambem, pelo menos, no Alto-Minho. Para averiguar bem em que con-
siste a operacSo, sujeitei-me eu proprio urna vez a ella, nesta ultima regiao, em
casa de urna mnlher de virtude, a quem pergunteL se eu me casaria. A mulher
mandou-me sentar numa cadeira; depois peneirou com uma peneira urna pouca
de cinza no chao, e riscou là, com o dedo, uma figura d'està fórma:
a que chamou impropriamente sino-saimào. Tomando novamente a peneira, pou-
sou-lhe dentro, sobre o aro, um rosario, uma tesoura fechada e um vintem (em vez
do vintem, podia ser outra qualquer moeda : de cobre, de prata, etc.)) e fixou-lhe
por fóra, tambem sobre o aro, segunda tesoura fechada, à qual enrolou outro ro-
sario. A peneira assim disposta cliama-se montada. £m seguida sentou-se deante
de mim, benzen-se e disse tres vezes a seguinte oracfio, ao mesmo tempo que ella
e eu seguravamos pela tesoura, cada um de nós em seu dedo, a peneira que ficou
pendente sobre o sino-saimSo:
S. Cypriano, S. Cyprianinho,
Feiticeiro, feiticeirinho,
Orelhas de burro,
Fallas com o Diabo à mela noite,
Declara-me aqui o que eu procuro :
se eait Sr. tem de ser casado logo, vira-te p*ra elle; e senao, virante p*ra mim»
A feiticeira imprimiu um movimento de rota9SU> à peneira, e està ficou voltada
para mim, acrescentando a feiticeira que eu era casado, ou estava para casar,
a8ser9des porém ambas falsas. — A toda està opera9£o chama-se botar ou dettar
a peneira. — Do modo comò a benzedeira procedeu conclui que ella acredi tava
piamente na efficacia do processo, o qual foi posto em pratica segundo todas as
regras ; nILo era pois impostora, era benzedeira convicta. — A figura de S. Cipriano
desempenha varios papeis na magia popular. A tesoura entra igualmente em di-
versas opera9Òes màgicas, e deve a sua virtude jà ao metal de que è feita, jà a
poder tornar-se cruciforme, quando aberta.
E interessante seguir assim a historia de uma supersti^ao desde a antimi-
dade até hoje. nesso povo é mais pagao do que se julga. Por baixo da capa do
christianismo palpita multo vivo o cora^So do paganismo; as crenyas antigas fio-
rescem ao lado das modernas, que, quando muito, Ihes dào entro aspecto. povo
nao distingue mesmo umas das outras, comò na opera^So de que acabo de fallar,
em que, conjuntamente com S. Cipriano e o Diabo, elle faz entrar a tesoura e o
sino-saimào, alem de a opera^ào em si ser puramente magica. As paredes da
casa da feiticeira estavam forradas de santos, ao mesmo tempo que ella tiuha
sobre a mesa uma figa, um sino-saimào de metal (propriamente dez réis do Brasil
com a esphera armillar) e um rosario com algumas contas de azeviche, — tudo
objectos de caracter pagSo. ^ , * ,
J. L. DE V.
:i :X JULHO A OUTUBRO DE 1904 N." 7 A 10
ARCHEOLOGO
COLLECpAO ILLUSTRADA DE MATERIAES E NOTICIAS
.ri'HLICADA PKI.O
MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÉS
Velenim volv'ens monumenta virorum
LISBOA
IMPKENSA NACIOXAL
1904
STJlSjlL'h/LJ^TlXO
J'ISTAgOES PREHISTORICAS DOS ARBKDORES DE SeTUBAL: 145.
])ocument08 monetarios: 153.
Archeologia deTras-os-Montes: 166.
(loNTOS para contar: 170.
KXPLORA9OE8 ARCHEOLOGICAS NO AlGARVE EM MaR^O DE 1904: ITo.
SriSCELLANEA ARCHEOLOGICA: 182.
FrOTEC^Xo dada PELOS GOVERNOS, CORPORA9OE8 0FFICIAE8 E IXSTI-
tutos scientific08 a archeologia: 200.
Antiguidades monumentaes do Algarve: 200.
A moeda de D. Antonio cunhada em Gorcum: 211.
\hi castro com muralhas: 214.
Bragmento de uma iNSCRipgXo ROMANA DE Elvas: 219.
a 8 insula8 nos documentos portugueses mais antigos: 219.
Onomastico medieval portugués: 226.
Bibliographia: 258.
Bste fasciculo vae ilhistrado com 30 estampas.
ARCHEOLOGO P0RTU6UÉ8
COLLECgAO IlLUSTRADA DE MATERIAES E HOTICIAS
PUBUCADA PELO
MU6EU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS
VOL. IX JULHO A OUTUBRO DE 1904 N.- 7 A 10
t
Estagdes preUstorioas dos arredores de Setubal
Fuma ao lado orientai do Castro da Rotura
(ContinuAfao. Vld. o Arch. Port, Tiii, 860)
Trinta metr os para o lado orientai do logar onde se estabeleeeu
Por nào estarem ainda prontas as estampas' lithographicas
que deviam acompanhar o artigo do Sr. Dr. Henrique Botelho,
impresso a pag. 166 sqq., serao juntas ao fasciculo seguinte.
Assim se evita maior demora na publicasao d'este-
Ihos pelo Sr. Maximiano Apollinario, entào adjnnto do Museii Etimolo-
gico PortuguéSy o qua! mandou desentulhar a grnta desde a bocca A
(fig. 169.*) aie um nivel B C na profundidade de 4 metros. Sr. Apolli-
nario desistiu da explora9fto, por nSo ter encontrado nenlium vestigio
do homem, e ser exigua a verba destinada aos trabalhos do Museu.
Comtado a exploragSo da pedreira cliegou recentemente ao ponto
onde se achava a gruta, que quasi toda desappareceu por ter sido extra-
hida a rocha onde estava formada. Antes porém da gruta ser destruida,
procedi i analyse dos objectos que nella se continham.
Toda a cavidade se achava preenchida por entulhos formados prin-
cipalmente de pedras sem nenhuma ordem ou disposigSo em estratos,
e com intervallos vazios entre si, achando-sc apenas agglutinadas umas
IO
&TJJsA^lsa^J^'RIO
? V
];STA^r>ES rRKHlSTOlìRAS DOS ABREDORES DE SeTUBAL: 145.
docijmektos moketahios: 153.
Archeologia de Tras-os-Montes : 166.
(!OKTOS PARA contar: 170.
I^xplora^Oes aììcheologicas no Algarve em Mar^o de 1904: ITI).
XriSCELLANEA ARCHEOLOOICA: 182.
FROTEC^AO DADA l'ELOS GOVERNOS, CORPORA9OE8 0FFICIAE8 E InSTI-
^in>ria iafìiii-itf-rii.^»>iig i AprripnTnnf a ■ 200
i
■ì) v^ì:\li\ r^U'/i- 'j^' i'Aióci^
Eate faaciculo Vcie iUustrado com 30 estampas.
ARCHEOLOGO P0RTUGUÉ8
COLLECgAO ILLUSTRADA DE MATERIAES E HOTICIAS
FUBUCADA rEX.0
MU6EU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS
VOL. IX JULHO A OUTUBRO DE 1904 N." 7 A 10
... ..II. ■ •■ ^
Estagdes preUstorioas dos arredores de Setubal
Fuma ao lado orientai do Castro da Rotora
(ContlnnofUo. Vid. o Arch. Por<.,Tiii, 266)
Trìnta metros para o lado orientai do logar onde se estabeleceu
castro da Rotura, e a igiial distancia contada da fonte do mesmo
nome para a banda do NW., liavia entro duas camadas do calcareo
miocenico, que constitue o terreno locai, iim intervallo que formava
urna especie de fosso, dividido em tres compartimentos a que corres-
pondiam oatras tantas aberturas superiores.
córte vertical feito na direcjSo da linha E.-W. do maior compri-
mento da cavidade, tinha a fórma representada na fig. 169.* A sec9ao
horizontal ao nivel D E està desenhada na fig. 170.*, e faz-nos lembrar
as projeccSes horizontaes das grutas do Casal do Pardo na Quinta do
Anjo.
A primeira explora^ao archeologica que se fez nesta gruta reali-
zou-se por indica9So minha no anno de 1896, sondo dirigidos os traba-
Ihos pelo Sr. Maximiano ApoUinario, entSo adjunto do Museu Etimolo-
gico Portugués, qual mandou desentulhar a gruta desde a bocca A
(tìg. 169.*) até um nivel B C na profundidade de 4 metros. Sr. Apolli-
nano desistiu da explora9?lo, por nSo ter cneontrado nenluim vestìgio
do homem, e ser exigua a verba destinada aos trabalbos do Museu.
Comtndo a exploragao da pedreira cliegou recentemente ao ponto
onde se achava a gruta, que quasi toda desappareceu por ter sido extra-
hida a rocha onde estava formada. Antes porém da gruta ser destruida,
procedi i analyse dos objectos que nella se continham.
Toda a cavidade se achava preenchida por entulhos formados prin-
cipalmente de pedras sem nenhuma ordem ou disposÌ9So em estratos,
e com intervallos vazios entro si, achando-se apenas agglutinadas umas
«0
146 O Archeologo Portugués
às outras em alguns pontos por meio de incrustagSes calcareas proda-
zidas pelas aguas de infiltragao, que cairam do tecto d'està gruta.
Estas mesmas aguas tambem produziram nas paredes da cavidade
iim revestimento de calcareo estalagmitico, cuja espessura variava de
CP,005 a 0™,05.
As pedras, que constituiam os entulhos, tinham na^sna maiorìa o peso
de aproximadamente 4 kilogrammas, e apresentavam geralmente a cor
•\'eriiielha, devida 4 ac9So que o fogo exerceu nos saes de ferro, que
entrain na sua constitui$3o.
Na parte mais fnnda da grata e nos intervallos das pedras qne a
preenchiam encontrei alguns pequenos fragmentos de carv^o vegetai,
muitos maxillares e outros ossos de coelhos (lepns cunicvlua)^ dois cra-
nios incompletos e outros ossos de texugos (mdes taxus) e alguns frag-
mentos de diversos cranios e ossos humanos.
Todos OS entulhos, que preenchiam a gruta, parece que cairam ou
foram atirados para dentro da cavidade pelas suas aberturas supe-
riores, mas nào arrastados pelas torrentes pluviaes; pois que se tal
succedesse nào devìam os intervallos que ezistiam entre as pedras estar
vazios, mas preenchidos com terra ou outras substancias mais leves,
que as enxurradas neccessariamente devìam levar com as pedras para
dentro da gruta.
Eis a lista dos objectos achados com os entulhos, e que me parecem
mais dignos de descripfSo:
A) Restos humakos:
Todos OS ossos humanos, que estavam disseminados nos entulhos
dentro da gruta, se achavam de tal modo deteriorados que, por falta
de elementos, me parece impossivel fazer-se um estudo anthropologico
completo d'elles.
Ainda assim procurarci dar noticia d'estes vestigios do homem,
pondo em evidencia os caracteres que escaparam à destrui^Io e que
talvez aìnda possam dar alguma luz sobre o typo humano a que perten-
eeram.
1." Uma porgao de cranio humano, que comprehende quasi toda
a parte esquerda do froutal, onde se pode notar o bregma, parte da
arcada supraciliar esquerda, grande parte do parìetal esquerdo e uma
por9ào do direito, parte do temporal esquerdo com a apophise mastoi-
deia e o orificio auricular, e finalmente grande parte do occipital, onde
se vèem o inion e o bordo posterior (opisthion) do orificio occipital.
Este cranio foi principalmente reconstituido com os peda905, que
pelas fracturas coUei uns aos outros e encontrei dispersos entre as
]
O Archeologo Pobtugués 147
pedras qae preenchiam a gruta. Depois de reconstituido obtive pela
photographia as projecfSes centraes tanto do perfil (fig^ 171.*), corno
da norma verticalis (fig. 172.*).
Tres dos pontos, que ainda restam do cranio — o opisthion, o lam-
hda e o bregma, — determinam o plano vertical antero-posterior, que
divide o mesmo cranio em dnas partes que, se nSo estivessem muti-
ladas, deviam ser naturalmente symetrìcas.
Restaurando pois as partes que faltam por meio das suas syme-
trìcas que existem, e ainda por outros fragmentos, que me parece.serem
d'este cranio, apesar das lacunas nSo permittirem a sua ligagSo, obtive
as projecgSes orthogonaes representadas oas figs. 1.73.* e 174.*, onde
as linhas pontuadas indicam a parte hypotheticamente restaurada.
Nestes desenhos podem fazer-se as seguintes medi$3es:
TT (Diametro transversai maxime contado entre os
pontos lateraes symetricos mais afastados) 0",140
GP (Diametro antero-posterior contado da glabella
ao ponto occipital maxime) 0^,190
Indice cephalico '-^^ = 73
Acceitando estas medi^Ses comò aproximadas das que devia ter
cranio, se apparecesse inteiro, o indice cephalico de 73 revela que
individuo a que pertencia oste cranio era doljcocephalo verdadeiro,
segando a classifica9So de Paulo Broca^.
Este indice é muito aprpximado do indice cephalico dos seis era-
nios encontrados em Cro-Magnon^, e do typo damaior parte dos esque-
letos encontrados nos kjoekkenTnoeddings de Mugem em que Paulo e Oli-
veira achou o indice cephalico medio de 73,80^.
cranio apresenta a sutura coronai junto à crista temperai apa-
gada, que indica que o individuo a que pertencia tìnha mais de 35
annos *. •
ponto sagittal posterior ainda nao comegava a fechar, o que in-
dica que individuo tinfaa menos de 40 annos'.
^ Cf. L'AtUhropologie, por P. Topinard, pag. 244.
2 Vid. mesmo, pag. 244.
^ Vid. «Note sur les ossements humains existanta dans le Musée de la Com-
mission dea Travaax Géologiques» nas CommunicofSe» da Commiss^ dos Traba-
Ihos Geologicoe, tomo ii, pag. 6.
♦ Vid. VAnthropologie, por P. Topinard, pag. 136.
* Vid. mesmo, pag. 137.
148 O Arcdeologo Portugués
Tinha pois a idade em que o esqueleto apresenta mais caracteres
distinctivos do sexo*.
A crista temporal é pouco visivel, o que entre os limites de idade
acima determinados, indica que o individuo a que pertencia era do sexo
feminino*. Vem reforfar osta assercSo o facto do inion ser pouco sa-
liente.
Os elementos que apresenta està porjao do cranio parecem pois
indicar que o individuo a que pertencia era da raga dolicocephalica,
que P. Topinard^ diz ser a primitiva da peninsula iberica, e cujos
representantes actuaes sào os berberes.
2.** Outro fragmento de cranio, que comprehende duas grandes por-
93es dos parietaes ligados pela sutura sagittal, o temporal esquerdo
*> tambem iigado ao parietal do mesmo lado e ao occipitale e este ligado
aos parietaes e temporal esquerdo pela sutura lambdoidal.
No occipital a protuberancia occipital externa (inion) bem comò
bordo posterior do orificio occipital (opisthion) sSLo pouco salientes.
Em vista dos caracteres apontados creio que este cranio pertencia
a individuo adolescente e talvez do sexo feminino.
Nao se pode medir o diametro vertical, por nSU) existir o bregma,
O temporal ainda conserva a apophise mastoideia bem corno o ori-
ficio auricular.
3.® Outro fragmento de cranio humano, constituido pelo frontal
e uma pequena parte do osso esphenoide. Este osso parece ter perten-
cido a individuo de pouca idade, pois que se separon com facilid<ide
dos outros ossos pelas suturas, com excep9Sto apenas do osso esphe-
noide, onde resta uma parte da goteira optica.
Neste osso a crista temporal é mal definida, as arcadas supraci-
liares pouco salientes e as bossas frontaes pouco pronunciadas.
diametro transversai superior ou estephanico * é de 0",107 e o dia-
metro frontal minimo é de 0™,090^; pertanto o indice estephanico^
^ d^ <7;io7 = 84.
4.® Diversos fragmentos de maxillares:
a) Metade de um maxilUar superior do lado esquerdo,' o qual se se-
parou da parte direita que falta pela sutura media.
* Vid. IJAnUiropolog̀y por P. Topinard, pag. 146.
2 ViJ. mesmo, pag. 146.
3 Vid. mesmo, pag. 475.
4 Vid. mesmo, pag. 253.
5 Vid. mesmo, pag. 253.
^ Vid. mesmo, pag. 255.
O ARCnEOLOGO PORTUGUÉS 149
Este meio-maxillar, que ainda conserva todos os seus alveolos e
primeiro grande mollar, apresenta a meia arcada alveolar de maneira
que, com a outra metade que falta, deAaa foniìar um upsilon (U),
isto é, devia ter os dois ramos parallelos (fìg. 175.*). Este caraeter
afasta o individuo, a que pertenceu o osso, da ra9a branca, ondo a foima
commum da arcada alveolar é hyperhólica ou em pai^abola, ao passo
que aproKima o mesmo individuo da ra^a pveta, onde especialmente
a dita fórma é a de upsilon (U), que tambem é a peculiar às arcadas
alveolares dos macacos anthropoides *.
Neste maxillar o angulo que o alveolo do primeiro incisivo faz com
plano alveolar condyliano é de 70**. O angulo alveolar, que deter-
mina grau de prognathismo, nSo se póde medir por faltar no frag-
mento a espinba nasal. Attendendo porém a que este angulo deve ser
superior ao formado pelo alveolo do primeiro incisivo com o plano
alveolar condyliano, póde inferir-se que, por muito peqnena que fosse
a saliencia da espinba nasal, o angulo alveolar nào devia ser infe^
fior a 80*».
Este grau de prognatbismo, em opposÌ92o ao que succede com
a fórma que apresenta a arcada alveolar, aproxima o individuo, a que
pertencia o osso, dos typos da ra(a branca e em especial dos Guanches
representantes da familia de Cro-Magnon, os quaes teem um angulo
alveolar de 8P 34'. O supposto angulo alveolar de 80** afasta o indi-
viduo, a que pertenceu o maxilar, da raja preta, que é a que tem o pro-
gnatbismo mais accentuado, cbegando a ser de 51® o angulo alveolar*,
() Fragmentos de maxillares inferiores com dimensSes incompa-
tiveis com a idade infantil, e em que se nota que os angulos formados
prfos ramos borizontaes com os posteriores sao de 121** 30' (figs. 176.*
e 177.*). Este valor nos angulos maxillares depois da segunda dentÌ93o
indica meia idade ^.
E provavel que tanto estes fragmentos, comò os do cranio descripto
em primeiro legar, pertencessem ao mesmo individuo, visto que todos
elles accusam os mesmos limites de idade e foram acbados muito prò-
ximos uns dos outros.
6.** Dentes humanos soltos. — Entre os entnlbos, que preencbiam a
^ruta, encontrei dispersos os seguintes dentes bumanos:
2 molares superiores, com a corea nào desgastada.
3 molares inferiores, dois dos quaes teem a corea muito gasta.
* Vid. L'Antkropoloffie, por P. Topinard, pag. 266.
2 Vid. o mesmo, pags. 286-290.
* Vid. mesmo, pag. 238.
150 O Archeologo Portuoués
1 incisivo superior, com a coroa gasta em fórma de bisel na feice
interna. Este facto tambem foi observado pelo Sr. Nery Delgado nos
dentes achados na L'apa Farada, proximo a Cesareda ^.
3 incisivos inferiores, tendo um d'elles a coroa gasta até aos Ys snpe-r
riores da mesma coroa.
Segundo Topinard, o gasto nos incisivos so é frequente nas ra9as
inferiores e prehistoricas^.
Talvez a causa do gasto d'estes dentes humanos fosse a niasti-
ga9ào da areia, que vinha junta com os mariscos, que serviam de ali-
mento aos habitantes do castro da Rotura. Foi d'este modo que Laying^
explicou desgaste dos dentes nos antigos habitantes de Cidthness'.
Todos OS dentes achados na gruta estavam isentos de carie.
7.^ Fragmentos de diversos humeros com a cavidade olacraniana
perfurada, sendo dois d'elles do mesmo individuo (figs. 178.* e 179.*).
Este caracter aproxima, assim comò nos cranios anteriormente re-
feridos, o typo dos individuos a que pertenciam estes humeros dos ha-
bitantes das Canarias (Guanches) anteriores & dominagao hespanhola*
e dos Berberes, que se suppSe serem os representantes da mais antiga
popuiagSo iberica ' e reproduzera os sinaes caracteristicos dos esque-
letos encontrados em Cro-Magnon^.
8.** Fragmento de um humero com a cavidade olacraniana nao per-
furada (fig. 180.*). O individuo a.quem pertencia este humero tinha
uma estatura maior do que a do typo a que pertenciam os humeros
antecedentemente referidos.
9.^ Diversos fragmentos de femures, onde as duas series de rugo-
sidades, que formam o bordo posterior, se véem bastante salientes e se-
paradas por um intervallo rugoso, comò nos femures da familia inhu-
mada em Cro-Magnon.
10.® Varios fragmentos de tibias achatadas ou platycnemicas, corno
se encontram nos esqueletos achados em Cro-Magnon ^.
Attendendo à maneira comò os ossos humanos estavam dispersos
dentro da gruta, e ainda à ausencia de quaesquer utensilios ou objec-
tos de valor, que indicassem piedade para com os mortos, julgo que
1 Vid. Noticia acérca das grìdas de Cesareda, pag. 117.
* Vid. VAntJiropologie, por P. Topinard, pag. 140.
' Vid. Noticia acèrca das gnUas de Cesareda, pag. 55 sqq.
* Vid. UAnthropologie, por P. Topinard, pag. 306.
^ Vid. mesmo, page. 308 e 309.
« Vid. Les àges préhistoriques de V Espagne ti da Portugal, pag. ix.
7 Vid. UAnthropologie, por P. Topinard, pag. 308.
O Archeologo Portugués 151
estes ossos foram removidos de outra parte para osta gruta, que ser-
virla assìm corno de ossario.
Talvez estes restos humanos fossem exhumados dos seus antigos
jazigos, para darem logar aos mortos de outro povo ou de outra epoca,
e depois lan^ados pouco respeitosamente para està gruta, em fórma de
fosso, sem irem acompauhados dos objeetos, que symbolizavam a sau-
dade dos sobreviventes.
É mesmo provavel que a ra9a que succedeu à que nesta especie
de ossario deixou vestigìos semelhantes aos da familia inhumada em
Cro-Magnon, fosse aquella de que encontrei alguns vestìgios na lapa
de S. Lui;^, juntamente com fragmentos de lou9a e outros objeetos que,
pelo seu fabrico, parecem ser contemporàneos da maior parte dos que
foram encontrados dentro do castro da Rotura.
B) Ossos de differentes animaes:
1.^ Ossos de texugos. Espalhados entre os entulhos da gruta havia
ossos de differentes texugos, entre os quaes colbi por9oes dos esque-
letos de duas cabegas, uma das quaes comprebende parte do cranio
e por95es do focinko e do maxillar inferior. No ramo esquerdo d'este
maxillar ve- se o condylo cylindrico, e implantados tres dentes incisivos,
um canino e o quinto molar.
NJo ha duvida de que estes ossos sào da especie de texugo (^nielea
taxus), cujos restos foram achados tanto na fuma de Caseacs (actual-
mente depositados no armario 29 do Museu da Commissao dos Tra-
balhos Geologicos), comò na Cova da Raposa (actualmente depositados
no armario 37 do mesmo museu).
Sr. Artur Frederico de Seabra, distincto naturalista do Museu
da Escola Polytecbnica de Lisboa, a quem pedi para comparar os ossos
das duas cabecas de texugos achados na gruta da Rotura com os ho-
mologos do esqueleto do texugo actuai, existente no dito Museu, satisfa-
zendo da melhor vontade ao meu pedido, concluiu que, apesar de todos
OS ossos que Ihe apresentei serem da especie do texugo (meles taxus)
cujo esqueleto existe no museu, eram comtudo dignos de notar-se
certos caracteres differenciaes.
Alguns d'estes caracteres, comò a menor espessura dos ossos e
menos saliencia na crista sagittal do cranio do texugo existente na
Escola Polytecbnica, podem attribuir-se a pouca idade d'este exemplar
relativamente a que tinham os texugos, cujos esqueletos foram achados
na Rotura.
Ha porem outras differengas, obser\'Ou o Sr. Seabra, taes comò
OS intervallos entre as presas dos texugos da Rotura menores do que
152 O Aecheologo Pobtugués
OS correspondentes no texugo actual, que deverio antes attribuir-se
a transformagao porque no nosso pais passoa està especie de animaes
desde os tempos prehistoricos até hoje.
2.^ Misturados com os entulhos tambem havìa grande qaantìdade
de difFerentes ossos de eoelhos (lepus cuniculus),
ConsIderagOes ethnograpbicas
Da analyse dos ossos liumanos e outros objeetos achados, tanto
no castro da Rotura corno nas grutas proximas, pode concluir-se que
nesta estagao ha vestigios pelo menos de duas ra9as.
Na gruta a E. do castro encontràmos os vestigios de urna raca, que
era dolycocephalica, tinha a cavidade olacraniana perfurada e as tibias
platycnemicas, isto é, com todos os caracteristicos da familia inhumada
em Cro-Magnon e com que tambem se apresentam frequentemente
OS esqueletos acbados em Mugem *.
Està raga, cujos representantes actuaes sao os Berberes, foi a que
com mais probabilidade habitou primitivamente o castro da Rotura.
Creio nSo haver elementos para determinar a epoca em que està
raja predominou no referido castro, pois que, apesar de ser provavel
que a gruta onde achei os seus restos servisse de ossario na epoca
neolithica, podem os ossos nella encontrados ter sido removidos de ou-
tros jazigos que os tivessem recebido nos tempos paleolithicos.
Na Lapa de S. Luis, na gruta sepulcral da Rotura e no castro d'este
nome, encontrei vestigios de esqueletos humanos com caracteres que
OS differenceiam dos da familia de Cro-Magnon.
Estes caracteres osseos tanto podiam ser adquiridos por transfor-
macào da primitiva raga, devida à variagào de actividade dos musculos,
em consequencia de novos habitos trazidos pela evolu^ao progressiva
da vida social dos primeiros habitantes, comò herdados de uma ou mais
ragas que tivessem invadido o territorio portugués na epoca neolithica-.
povo da Rotura, formado por està derivaglo da ra9a primitiva
ou da mistura de ragas invasoras, fez largo uso de louga com desenhos
gravados em fórma de dentes de lobo, bem comò de contas de calaite
outros objeetos que H. Martin^ diz serem celticos e que, segundo
mnitos archeologos, jà eram usados pelos povos da epoca neolithica.
1 Vìd. «Note sur Ics ossements humains existants dans le Musée de la Com-
mission des Travaux Géologiqacs» nas Communica^òes da CommissSo dos Traba-
Uios Geologicos, por Paulo e Olivcira, tomo ii, pags. G e 8.
2 Cf. Bulletin de la Société (TAnthropoloffie de Paria, v serie, tomo ii, pags. 147
a 157.
5 Vid. Compte-rendu do CoDgresso de Lisboa de 1880, pag. 436.
Archeologo Porlugués— Voi. IX— 1904
Fig. 169.« (•/„•)
Fìg. 170.» (V,,.)
Fiff. 171.*
r T
-^-:]
li ^cMjo Portugués - Voi. I! —1904
II
•v
V
Fig. 172.*
«^v-V
Fig. 173."
Aicheologo Portuguès— Voi. IX— 1904
III
- T
Fig. 175.*
Pig. 176.»
Fig. 177.»
Flg. 178.»
Fig. 179.»
Fig. 180.
r
O Archeologo Portugués 153
Comtudo creio que faltam 03 elementos para determinar o valor
de todos OS factores que entraram na formacào do povo, que ultima-
mente habitou no eastro da Rotura.
TJm dos factores necessarios para a transformagao de urna raya
é tempo, sem o qual nem a yaria92Lo do meio (cosmico ou social), que
traz corno consequencia urna variaySo correlativa de actividade vital
e portanto dos orgSos em que se exerce essa actividade, nem mesmo
a mistura de novas rayas, podem desenvolver de modo apreciavel novos
productos ethnicos.
Os objectos achados na Rotura, comparados com os de outras està-
goes de epocas melhor determinadas, parecem indicar que o castro foi
habitado durante um longo periodo, que se estendeu pela epoca neoli-
thica até a epoca eo-metallica.
Houve pois largo tempo para os antigos habitantes experìmentarem
modificaySes profundas nos seus caracteres ethnicos.
(Continua).
A. I. Marques da Costa.
Documentos monetarios
Os tres documentos que adeante transcrevo referem-se a assuntos mone-
tarios.
primeiro d'eiies, sobrecarregado com grande copia de cita^oes, apresenta-
nos urna resumida historia da moeda ao lado de considera^Ses economicas, o que
tudo termina com um agradecimento ao Principe pela mercé de ouvir os dois
artiflces, quando a sua regalia o desóbrigava de nos esentar.
segundo condemna sob todos os aspectos o curso da moeda estrangeira no
territorio portagnés dos A^ores e Madeira.
Finalmente o terceiro documento oiferece-nos a data de varias provisoes
em virtudc das quaes se cunhon a moeda na casa da Bahia.
Nào sfio documentos de alto valor os que se agora imprimem, todavia deverfio
ser bem acolhidos pelos especialistas.
Pedbo a. de Azevedo.
!• Farecer dos Oarives sobre a altera^fto da moeda
no tempo da regeneia de D. Alfonso TI
cTlo antigo he o uzo da moeda entro as gentes que Plinio confessa
que Ihe nao sabe Autor (1) e Josepho diz que jà Caim fora ambiQiozo
em ajuntar dinheiro, com o quo parece que quazi com o Mundo teue
principio uzo da moeda, que Herodoto (2) quer atribuir aos de Lyuia
(Zydìa), sondo o mais certo que os Romanos no anno da edefica9ào de
154 O Archeologo Pobtuqcés
Roma G47 comessarSo a bater moeda de ouro e prata, a cujo exetnpio
fizerSo mesmo as mais ProyÌD9Ìas da Europa, corno huma, e outra
couza testemunhSo os D. D. (3).
E supposto que huma das pringipais Regalias dos Prìncipes sobe-
ranos seia dar preQO &s moedas corno Ihe pare^er, corno o dizem os
D. D. (4) acre^entando mais, que pode o Prin$ipe creder e deminuir
prego da moeda huma vez signalado, sem que pera isso seia neces-
sario consentimento do Reyno, corno he opiniSo Commna (5).
E a rezao disto he, porque corno em semelhantes crescimentos
ou baius de moeda^ sempre se respeita à vtilidade publica, que deue
preualeger; ainda que os particulares tenhSo damno; pella qual rezSo
assentao todos os D. D. que o Principe pode leuantar e abaixar a moeda,
todas as vezes que Ihe parecer e prohibir as moedas que quizer, sem
nenhum consentimento do Reyno, parecendo-lhe que he vtilidade oom-
mua, pode fazer, sem respeito ao damno do particular, porque sendo
o poder absoluto, e independente, uzando delle, ninguem se pode quei-
xar, nem allegar a rezao do damno que pode ter: corno concluem nestes
mesmos termos os D. D. (6).
Com tudo a experienyia tem mostrado no descurso de tantos seculos,
que alterar, ou abaixar o ualor da moeda he a mayor Ruina das Menar-
chias. El Rey Dom AfFongo X. mudou a moeda, e deu prego certo
às couzas de que rezultou cessar o comercìo, com prejuizo commum
de todos OS seus Reynos, e dominios, corno o testemunhào Mariana (7).
E mesmo succedeo em Franga no tempo de Phillipe Valezio, comò
testemunha Guaguin (8). Porque sendo as mudangas da moeda sem-
pre inuentadas pelle arbitrio politico pera o remedio publico, commum
mente se tem uisto, que o eflFeito deste remedio, foi sempre o mayor
damno do commum, e particular, corno o disse Cassiodor. (9).
Porque da alteragfto da moeda nasce a confuzSo nos comergios, nos
redditos, e nos tributos, occazionao-se duuidas, enganos, e demandas,
e na alteragSo dos pregos se confundem todas as mercangias, a que he
consequengia a necessidade, de que sSo filhos o clamor, e a queiza
e sempre forSo tao calamitozos os seculos em que as republicas sentirao
este damno, que jà Ouuidio cantou (10) que a felicidade dos tempos,
ou a infelicidade dos annos se hauiSo de contar pella moeda.
E j untamente dezia o Lansgraue de Asia*, que a authorìdade dos
Prìncipes se conhecia, so em tres couzas ; na seguranga dos caminhos,
na fée da palaura, e na firmeza da moeda (11).
^ [Landsgraf de Hesse].
Archeologo Portugcés 155
£ assìm o deui^ entender os de Aragào, e Nauarra pois os seua
Reys quando se coroSo jurio de nSo leuantar a moeda, corno o dizem
08 seus bistorìadores (12).
E tanto corno couza sagrada trattarlo sempre os Romanos ao di*
nheiro, que so no tempo da sua Deosa luno se batia moeda com assis*
tencia de tres Magistrados (13) e tanto assim, o quiz mostrar o Impe-
rador Oonstantìno, que refere £uzebio na sua vida, qne mandara bater
moeda com a sua imagem de geolbos, com buma letra que dezia: prò-
bitas e ueneratio monetae. Mostrando que a uenera(So dos Reys bauìa
de ser a bondade, e a firmeza da moeda, e muitos Imperadores e Reys,
mandarlo esculpir os seus rostos nas moedas, pera que se uisse, que
com todos OS seus sinco sentidos estanSlo uigiando a firmeza e cons-
tan9Ìa do seu prego corno refere Casseodero (14).
£ nesta immitagSo custumSo ainda boieos Reys por as suas armas
em a moeda pera mostrarem, que com ellas a guardie firme, e perma-
nente, e sempre foi errado o axioma daqueile politico, que quis per-
suadir, que a moeda se hauia de laurar com buma Letra que dissesse;
Moneta prò tempore; porque com o pezo, e constangia, e firmeza da
moeda Ise conseinia illezo o estado da Republica, comò o diz aqueile
uulgar distico que refere Solorzano (15).
E da qui uem dizer Cosme Praguense (16) que Carolo Magno ba-
vendo de Corcar seu filbo Pipino Ibe disse que o mayor Castigo do
Reyno, a mayor peste, a mayor fome, a mayor guerra, e o mayor
incendio era a mudanga da moeda e que assy a nSo leuantasse, e abì
refere sucgeder o mesmo no Reyno de Boemia a £1 Rey Dom lolo,
E por està rezSo o Papa Innocentio terceiro (17) reprebendeu graue-
mente a £1 Rey Dom Pedro segundo de Aragào, por mudar a moeda,
e se abaixar se està pudera ser possiuel sem irreparaueis damnos;
nào fora t2o grande mal da Republica o alterar se, mas a impossibili-
dade do remedio, be que fas tao sengìuel o prejuizo.
damno dos particulares fora grande, pois a mayor parte dos
homens de negogio, estSo t2o atenuados pelle pouco lucro delle, e ex-
cesso dos direitos que pagSo; que disto nasge qnebrarem ordinaria-
mente, e seri mais infaliuel a quebra se se Ibe cboarctarem os cabedais,
demenuindo se Ihe aquella parte que ba de bauer de quebra em se pdr
dinbeiro no estado antigo, e se estes quebrSo com perdas muito lemi-
tadas, certamente, o bam de fazer os de mayor cabedal, com baixa
So exjessiua.
Os prejuìzos da corca s3o muito mayores, porque os contrattot
com a fazenda Real se bao de remouer os tributos do Reyno, e os direitos
das Alfandegas se blo de alterar, todo o comerjio bade tornar noua
156 Akcheologo Portugués
forma, as demandas hSo de sei* sem numero e à uista dos inconaenientes
que podem rezultar, he menor o damno da roajoria da moeda nas outras
partes; pur que lan9adas as contas aos gastos que fazem os Menistros
rezidentes nas Cortes estrangeiras, nào tom compara9ào com os pre-
juizos eon9Ìderados, nao sendo o menor a mayor sàca de dinheiro para
fora do Reyno, porque achando-se os mais dos Reynos de Europa com
a moeda tao sobida no ualor extrinseco, a deste proprio Reyno; serue
para retorno dos cabedais dos estrangeiros ; e se cstes no estado cm que
està Ihe achào conta para remessa de seus cabedais, que seria quando
se abaixasse e se muito dinheiro do Reyno de Castella uem a este por
unda ter conta se se puzer a nossa moeda em baixa nos leiiarao a
substangia do Reyno, aquelles que noia traziao.
O remedio he cessarem os gastos para o que he preciza a pragma-
tica que se espera que V. A. pella obriga9ao de Prin9Ìpe deue fazer
para se euitar o ex9esso dos trages comò nestes termos o discursa ele-
gantemente Nauarrette (18).
Porque a riqueza dos Vassalos consiste em que nfto gastem mais do
que tem, e a riqueza do Reyno se funda em que entre os vassalos
esteiSo conservadas as riquezas; porque sendo o dinheiro o sangue^
com que se uiue, fica o corpo politico das Monarchias sem sangue:
porque tSo exausto tem hoie os estrangeiros a este Reyno, que san-
gradas as ueas, se uSo ia perdendo os espiritos uitaes do cora9lo e se
para este mal nào houver remedio, nos sera nec9essario tornar ao tempo
de Caracalla que mandou bater moeda de Chumbo, ou nos ueremos
nas mizerias dos Romanos em as guerras de Carthago que de couro, e
papel fizer^o moedas, corno o diz Mar9Ìal (19) uindo Portugal pollo seu
descuido a se achar no infelÌ9e tempo de El Rey Dom JoSo o 1.® e de
Dom Henrique o 2.° de Castella (20) e ficara V. A. sempre obrigado
a cada hum de seus vassallos ao damno que da ditta baixa Ihe rezultar,
que nestes termos he obrigado a compor corno dizem os D. D. (21).
Em a moeda que tem ualor intrinseco comò o curo, e a prata se
podem con9Ìderar quatro uariedades na baixa, a 1.^ demenuindo ec
o pezo, e ficando o mesmo ualor, a 2.^ deminuindo se o pezo, e tambem
ualor, a 3/ introduzindosse mais liga em a prata, ou no curo pello que
se deminua tambem o ualor, e a 4.^ quando o marco ou cruzado ficando
em seu mesmo nome se Ihe diminuem as partes de que se compoem,
porque tendo certos pezos se fica com elles mesmos no numero, mas
deminuindo cada pezo, se deminue o numero delles v. g. tendo uinte
se deixa em dezoito comò o dizem os D. D. fatando destes cazos (22 1.
1 [Um proloquio popular ainda hojo diz: o dinheiro é sangue].
O Archeologo Portugués 157
£ em todos estes cazos abaixando se a moéda per qualqucr das
cabe^as delles ha sempre damno do Reyno, e dosVassallos corno o dizem
OS D. D. citados a margem e este he V. A. obrigado a euitar pellas
rezoes que ellegan temente dà Nauarrette (23).
Temos satisfeito ao que V. A. nos ordena reprezentando as rezSes
que nos tocSo a nós, e a os mais vassalios deV. A. a quem beijamos
a m5o pela merce de nos querer ouuir quando a sua regalia o desobri-
;:^aua de nos escutar, e corno vassallos nos fica a gloria de obede9er
quando tao soberana Alteza nos chega a mandar, corno o disse Tacito
Ib. G. annal. Nobis cbsequij gloria relieta est. so falta o que disse Plinio
Ib. 2. epist. 1 Bolum superest^ ut ne te consilij ne me poeniteat obsequij,
e que scia este discurso de alguma importangia, para que nem V. A.
se arrependa de nos hauer mandado, nem nos de Ihe hauer obedegido,
reprezentando Ihe as rezSes do nosso pare^er em huma materia tao
graue que nSo ual menos a sua rezolu(ao, que a conseruagSlo da sua
Monarchia; e jà que o incerto juizo dos homens ha de ser arbitro de
tao importante rezolu^ào, quererà Deos que achando o fio da Rezlo,
se de saida a este laberinto para que i\ella cessem as tempestades com
qae se acha combatido o Reyno, para que tomem a reuerdeger as raizes
com que sempre se conseruou, e folgaremos de uer acertados os meyos
mais conuenientes, para que se conserue bum Reyno, que so merece
aV. A. por Principe, e Regente delle, e o que noà falta de acerto para
reprczentarmos a V. A. o que conuem, poderi V. A. suprir para enca-
minhar a sua deliberagao, que esperamos seia com louuores tao subii*
mes, que Roma os mande escreuer, e collocar em o tempio da Saude
sobre a estatua de CatSo, cumprindo se em V. A. (com mayor acerto,
e com mais felix successo do que tiverlo alguns politicos em aplau-
direm a seus Principes) as palauras semelhantes que refere Plutarch.
Rem Lusitanam prò lahentem, e indeteHus uersam Princips religio-
msimuB nomine Petrus, modestUsimia institutisy optimis moribus, ac
praegeptis pristinum in statum reatituit.
Os juizes do ofiìcio de ouriues do onro. =Andre Manhos.=An-
tonio de leàot,
Notas
(1) «Plin. Ib. 33. cap. 1. et 3.— (2) Herodot. Ib. 1. hÌ8toriar.--(3) Budeus in
notis ad. Ib. l.Tiraq do retrat. Linagier. g 1. gloB. 20. n.® 20.Torcat dcalog.48.
Marq. in gabernatorc ehristiano Ib. 2. cap. 39. — (4) Cam mnltis, Castilh. Ib. 7.
de tertiis. cap. 41. nJ* 102.yalenz. cons. 30. n.® 8. Ripolit de regaliis. cap. 15. n.® 9w
Larrca dee 12. n.® 41. Kloch. de aerar. Ib. 2. cap. 84. ii.<* 3. — (5) Couas de ncteris
iiumis cp. 7. !!.• 6 Pinel. in rubric. cod. de rescind. uendit. 1. p. cap. 3. n.<» 20. Lau-
(lens de angmento, et deminutione monetac 4 princip. Gaspar. Thesaur. eodem
tr. ]. p. n. 30. Barb. ad. ord. Ib. 4. tit. 21. Azor. instit. moral. 3. p. Ib. 10. cp. 4.
158 O Archeologo Portugdés
g. 5. Rabel. de obligat. iastit. 2. p. Ib. 11. q. 2. n. 11 et q. 15. n.** 1. Larrea dee. 12.
n.^ 41. Borrel. de prestantia Regis catholici. ep. 20. n." 16. Belag. de stat. polii
Ib. 9. discurs. 46; et bis non citatis Solorz. emblem. 81. n. 2. — (6) Ex i. aendit. §. si
Constant, commun. predior Menxac. Illustr. cp. 5. n.^ 2. Pinci de Rescind. 1. p.
cp. 2. n.'^ 13. Barb. abi. supra Larrea dee. 12. n. 42. et bis non Citatis. Solorz. d.
emblem. 81. n.<* 31. — (7) Marian. d. rebus Hispanis Ib. 13. cap. 11. b: immataUe
pecuniae dolor urebat, unde maior annonae cbaritas est consecata; id malm
nono incommodo cum remediam quareretur comalatnm. Rerum uenalium praetia a
Rege taxata sunt unde suprema annonae deficultas extetit, rerum dominis eo prae-
tio uendere recusantibus, sic maiorem plerumq. perniciem afferunt, quae sapien-
tissime in salutem excogitata fuisse yidebantur. — (8) Guagnin. histor. Franciae
Ib. 8. pag. 143.— (9) Casseodor. Ib. 7. epìst. 32.— (10) Quid. Metham. Discitor
ex nummis, quam se mala tempora mutant. Omnia que impeyos deteriora man t.-~
(11) Yvarimund. de subsid. cp. 5. n.° 37. — (12) Rodin. de Rep. Ib. cp. 3. Marqnez
el gouemador Cristian. Ib. 2. cp. ultim. Bessold. de aerar, cp. 7. — (13) PompoQ.
in 1. 2. ff. de origine iuris.— (14) Casseodor. Ib. 7. epist. 33. — (15) Solorz. emblem.
81. n. 28. vna fides : pondus : mcnsura : moneta sit una. Et status iliaesus totins
orbis erit. — (16) Pragens. apud. Hering. in tract. de molendin. q. 1. n.*» 14.—
(17) Innocent. 3. in cp. quanto de jur. iurand. — (18) Nauarrete Conseniat.® de
Monarchias discurs. 33. del excesso en los trajes. — (19) Marciai. Ib. 4. epist 89.
et Ib. 9. epist. 71. — (20) Couas de mumis mismatis cap. 7. n. 5. — (21) Tapea in
rubric. de constit. Princip. n.<* 49. Mendonca Ib. 1. disp. iur. cp. 5. n.° 50. Kamir.
de lege Regia §. 23. et §. 30 n.<> 53. — (22) Ém o 1.» e 2.» cazo &la Conaz de ueter.
Collat. num. cap. 7. g unic. n. 2. cum seqq. Do B.^ sens. de Censib. q. 85. n.^' 26. do
4.® surd. cons. 335. n.» 8. et 16. Can^er. 2. p. uar. cp. 6. b. 143. in fin.— (23) Nauar-
rete Conseruat.^ de Monarcbias discurs 2. del Cudado com que los Rejes deuen
attender al bien de sus Tasallos»^
2. Pareoer de 2 de Agosto de 1766 sobre a substital^ao da inoedn hespanhoU
no8 A^ores e Madeira
cEspirito das Leys estabelecidas, para se abollir o abazo que nas
Ilhas dos A9ores e Madeira se faz da Moeda de Espanha: occorrendo
à necessidade, que hi de fazer cessar o mesmo abuzo; e dando pro-
videncia ao modo de o desterrar.
1. Para Sua Magestade fazer cessar nas Ilhas dos ÀQores^ e Ma-
deira a Moeda Espanhola, que nellas corre com a denominaQlo de
Pecetas, Reales, e outro similhante cascalho do mesmo cunho Espa-
nhol, bastarla o motivo de ser centra a soberania, e centra o interesse
do ErariO; do mesmo Senhor, que nos seus Dominios corresse pelo
valor numerai do cunho huma Moeda Estrangeira, para tirar o So-
berano, em cujo nome he cunhada, os direitos da bra^ajem e senho-
reagem dos Vassallos de Sua Magestade pagando-os os mesmos Vas-
sallos Portuguezes a El-Rey d'Espanha, quando semente os devem
^ Documento extrabido do Arcbivo Nacional, Codice n.<» 1120, pag. 42.
O Archeologo Portugués 159
pagar a EL-REY Nosso Senhor em reconhecimento do sea Alto e Su-
premo Dominio.
2. A estas jacturas da Soberania e do Erario Regio accrescem
porem outros prejuizos do Beino, e dos Vassallos delle, qne fazem
ainda milito mais intoleravel aqaeUa inaudita dezordem ; corno contra-
ria, a todos OS principios communs da Economia politica, e mercantil
em qne se acha estabelecida a pratica de todas as Na(8es civilizadas
da Europa, que neste ponto immitaram inalteravelmente o Imperio da
China.
3. Nào he a Moeda aquella, qne geralmente se contempla na uni-
versalidade dos homens para o firn, a que se ordenou o invento, que
a estabeleceo, mas sim, e tao semente se computam os metaes, de que
a mesma Moeda he cunhada.
4. Em quanto a nfto houve se fazia o commercio snmmamente difiicil,
por que consistindo so nas permuta9oes dos generos de huns, com os
dos outros Paizes, se malograva grande parte destas permuta{5es pela
dificuldade, e custo dos transportes.
5. Descobrindo-se porem o curo, e a prata; e dando-lhes os Homens
a grande estimaySo, que ainda conserva a sua raridade; de sorte, que
huma citava, huma on(a, e hum marco destes metàes, valia, e vale
muitas arrobas de quaesquer outros generos; se assentou, em que
nestes metaes se continham as medidas mais justas, e os meyos mais
faceis para regular as compras, as vendas, e os transportes de todas
as mais mereadorias.
6. Por isso pois, os chinas, homens, habilissimos, e ao seu modo pò-
iidissimos nlU> permitiram nunca, que hum tao util invento degenerasse
da sua simplicidade primitiva; conservando aos referidos dois metaes
no commercio o seu valor intrinseco, e regulado unicamente pela ma-
terìalidade do pezo, sem admitirem alem delle o valor numerai do
cunho ou Moeda.
7. E por isso a està immita9ao no commercio Goral das NagSes
se nào estimam o curo, e a prata pelo valor, qne Ihe dà na Moeda
cada Soberano na quelle Paiz onde domina; mas sim, e tSo semente
pela materialidade do pezo dos marcos, para regular por elles o prego
dos generos, que vende: Em tal forma, que nenbum Estrangeiro, que
vai commerciar ao Paiz alheyo, Ihe importa (exemplificando com a nossa
Moeda) se o quartinho tem mil e duzentos réis, a meja Moeda dois mil
e qaatrocentos réis, a Moeda quatro mil e oitocentos etc. por que tudo
que examina, e faz ao seu cazo, he saber, quantas figuras de cada
huma das referidas tres especies, è das outra^ correntes, sXo neces-
sarias para fazer hum marco. r : .. . . .
160 O Archeologo Portugdés
8. Destas certas premissas se conclue por modo evidente.
9. Primo: Que a Moeda Nacional de cada Reyno semente he Moeda
para os seus respectivos vassallos.
10. Secundo: Que a respeito de todos, os que sic Estrangeiros,
so he medida para as permuta93es, e so he genero para negocear por
meyo dellas
11. Tertio: Que aos Estrangeiros n3Lo faz algum prejuizo parao seu
commercio qualquer augmento, que a Moeda, tenha; porque a conse-
quencia he, que serào necessarias mais fìguras de cada especie para
fazer o marco, que elles so computam.
12. Quarto: Que por isso todo o augmento no valor numerai da
Moeda he em prejuizo dos vassallos do Reyno, onde se faz o tal aug-
mento, porque assim s%o obrigados a comprar tanto mais caro, do
que antes compravam, quanto mayor he o accrescentamento do valor
numerai, que se dà ao cunho.
13. Quinto: Que se o refendo augmento da Moéda he tal, que se
afaste do seu valor intrinseco de sorte, que constitua um Lucro capaz
de incitar a cobiga dos Mercadores Estrangeiros, excedendo o seu
valor ao ganho do cambio ; ao mesmo passo, em que por huma parte
extrahem a Moeda pelo seu pezo material, e intrinseco, pela outra
parte introduzem pelo valor numerai do cunho do Paiz, para lucrarem
a differenQa ideal, que Ihe dà a Ley do mesmo cunho.
14. Sexto; e emfim, que achando-se neste claro conhecimento as
Na$5es mais commerciantes da Europa; e que mais analizaram nella
OS interesses dos negocios mercantiz nestes ultimos tempos, comò Ingla-
terra, e Jolanda, se chegaram quazi inteiramente à pratica da China
pelo parecer dos homens de Estado mais peritos, e mais experìmen-
tados entre os muitos, que floreceram nesta Arte naquelles dois Paizes:
Estabelecendo-se nelles huma collecta ou Gabella, da qual se paga
cunho da Moeda, e se fabrica està gratuitamente sem senhoreagem,
nem bra9agem a quem leva ao cunho o curo, ou prata: E conservan-
do-se assIm estes dois metaes no seu valor intrinzeco para sustentarem
com elle as justas medidas do commercio, e para desta sorte evitarem
que se Ihes introduza Moeda Estrangeira lavrada aos seus cnnhos: sem
ropararera no inconveniente inattendivel, que mal se considera em ou-
tros Estados, qual he o perigo de extrahirem os Estrangeiros a Moeda
por ser de melhor Ley: Porque comò os taes Estrangeiros a nXo furtam
quando querem, mas so a levam, quando he sua pelo excesso dos ge-
neros, que introduzem alem dos que recebem: E comò nesta balan;a
dos generos he que està o fundamento para se extrahir ou nao extra-
hir dinheiro, quando elle he centra o Paiz, onde o mesmo dinheiro
Archeologo Portugués 161
gira, nSlo basta, que este seja de menos valor, para n%o ser levado:
E quando a mesma balanga dos generos Le a favor do mesmo Paiz,
tambem importa pouco, que corram barras, ou que corra Moeda de
hum valor ignal a ellas, se nào ha meyo para o extrabir. Em Ale*
luanha ainda passa a mais està exactidSo, por que so se recebcm
a pezo as Moedas de ouro, e de prata pelos Negociantes.
15. £ na certeza de tudo o refendo se vem mais mauifestos os
iiitoleraveis prejuizos, que as Ilhas reeebem de correrem nellas as
Moedas Uespanholas, os quaes sào os seguintes.
16. O primeiro consiste, em que sendo as ditas Moedas de valor
numerai incerto, e eventual; por que muitas dellas n?to s3o verdadei-
ramente de Hespanha, mas falsas, e fabricadas com grande diminuicào
para serem introduzidas nas referidas Ilhas, vem a faltar ao com-
mercio a justa medida, que o devia regular para se fazer sobre prin-
cipioà certos: vem a ficar nesta falta, e neste perigo da diminuigao
da Moeda o mesmo commei*cio vacilante, e os Povos por necessaria
consequencia arruinados: Por que corno o Mercador Estrangeiro, e o
Naeional, que recebe a tal moeda pelos generos, que vende; ignora a
Lev della, para se segurar, nào tem outro remedio, que nao seja o de
a considerar da qualidade infima para a recefoer. £ comò tudo, quanto
se augraenta dcsde o valor intrìnseco da prata até o valor ideal da
iniqua Moeda accresce no pre(o das Mercadorias centra os compra-
clores, que sEo todos os habitantes das referidas Ilhas; nSo podem
estes deixar de ser mizerabillissimos, comprando por taes prejos.
17. O segundo prejuizo consiste, em que pela mesma razao nato
podem tirar interesse os Habitantes das mesma Ilhas dos" generos,
que vendein. Sào estes moradores das Ilhas universalmente destituidos
de tudo, que he sciencia de Estado, e commercio. NSLo sabem por
isso, que conza he na Moeda valor intrinseco, e valor numerai. Nesta
ignorancia assim comò compram pelo primeiro a favor dos Negociantes
Estrangeiros na mayor parte, e na menor Nacionaes; da mesma sorte
vendem pelo segundo com prejuizo de vinte por cento se a Moeda ho
verdadeira; e de vinte, e cince, e trìnta quando ella he falsa.
18. O Terceiro prejuizo consiste, em que aquelles Moradores das
lliias pelas mesmas razoos das differen9as de comprarem pelo valor
intrinseco e de vendcrom pelo valor numerai da moeda, nao podem ter
commercio, nem este humanamente se pode fazer das referidas Ilhas
para o Reyno. Em razao, de que para terem commercio no Reyno he
preciso terem dinheiro nelle; visto que até agora nao tiveram uzo dos
seus generos para os permutarem com nosco. E comò este dinheiro he
que absolutamente nSlu tem, por que sé trm o tal cascallio Espanhol :
H
1G2 O Akcueologo Portuqués
corno bS.0 podem reduzir a Letras de Cambio, nem seguras pelo valor
ideal, em que corre ; assim por que aquelles, que deviam sacar as ditas
letras, sabem que o tal cascalho uSo vale o que cuidain aquelles, que
tem; corno por que ainda quando estes o quìzessem dar com perda
de vinte, e de trinta por cento no seu valor intrinseco, da hi se seguiria
perderem aquelles os interesses, que tiram de conservarem os Povos
no engano e uà impossibilidade para commerciarem fora da sua Terra:
De tudo se segue, que absolutamente nSo podem fazer commercio coro
o Keyno os referidos Habitantes das Ilhas.
19. Quarto prejuizo consiste, em que pelas mesmas razoes da
necessaria pobreza dos ditos Moradores das Ilhas; da falta do eoin-
mercio, que nào podem fazer; e da impossibilidade, a que se acham
reduzidos para sacarem Letras; se acham as rendas Reaes, nào so
reduzidàs a quantias insignificantes, mas quazi aniquiladas por falta de
Arrematantes, que se atrevam a langar & vista da mizeria das Terrai,
e no conhecimento da impossibilidade, em que se acham, para apnra-
rem, e reduzirem a dinheiro os pregos dos seus contractos. Succedendo
assim ao Erario Kegio das refcridas Ilhas; o que sempre succede as
Rendas Reaes nos Povos mizeraveis, que n&ó tendo com que se cobrir,
necessariamente nSo tem com que pagar.
20. Ultimamente: o que faz este cazo de muito estranho passar
a horroroso, he a reflexào triste, e verdadeim de que o valor ideai
da !>[oeda, que tem arruinado aquelles uteis Povos nào fosse estabe-
leeida pelos scnhores Reys destes Reynos para entrar nos cofres do
Thesouro Real o accrescimo, que vai do valor intrìnseco ao valor nu-
merai daquella Exotica Moeda; mas que com tSo intoleraveis jactura^
do mesmo Erario Real e dos mesmos Povos esteja o Conselho da Fa-
zonda, tolcrando tSlo enormes, e barbaras extorsoens sem outro fini,
que de se engrossarem os Estrangeiros, tirando-se a pelle aos Xacio-
naes.
21. E havendo Deus Nosso Senhor rezervado para a Paternal Pro-
videncia de Sua Magestade u remedio de tSo intoleraveis extorsoes,
l)ar«^ce, que ella» poderSo cessar, sondo o mesmo Senhor servido pelo
modo seguiute.
22. A mayor difficuldade, que se oppoem ao dito remedio neces-
sario, he a das grandes sommas, que ou consideram, ou querem con-
siderar, que circulam nas Ilhas da quella- Moeda reprovada, para sobre
iste se figurar muito diflScultozo achar-se huma Ho grande somnia oc-
cioza em Moeda corrente neste Reyno para lego se proverem as Ilha:<,
e nSo parar nellas o commercio.
23. Sendo oste porem tao abreviado, comò se faz crivcl das cir-
O Archeologo Pobtdgués 163
luznstaacias acima referidas; parece, qiie o vulto desta difHculdade nao
pode ser tSo grande corno a appreiiensao, que o quei* augmeutar.
24. £ nesta considera9SU) se entende, que tudo se poderà remediar,
sendo Sua Magestade servido ordenar.
25. Que debaixo de lodo o segredo, e cautella se preparem, e fa-
briquem logo na Gaza da Moeda (sem declarar o destino, que devem
ter) trezentos mil eruzados; a saber: Quarenta contos de reis em oiiro
de 480 reis; 800 reis; 1200 reis; e 1()00 reis eom proporcSes iguaes:
outros quarenta contos em mocdas de prata de 50; (30; 100; 120; 240;
e 480 reis, tambem com proporgSo ignal: dos contos em cobre de Moeda
de dois reis e meyo, 5; e 10 reis com a.mesma proporcSio: E trinta
contos em Moedas de 4800 reis, e 6f5400 reis.
26. Que dito dinheiro se remeta logo por lium, ou dois Navios
a Ilha da Madeira, e às dos Agores, dirigido às juntas, que se devem
formar nellas.
27. Que na liha da Madeira se componha a refenda lunta do Go-
vernador, e capitSo General, do Preveder da Fazenda Real, do Juiz
de Fora, e alguns vereadores, com ordem de mandarem por Editaes,
ordenando por elles, que teda, e qualquer pessoa de qualqucr Estado,
ou condigào, que, seja, que tiver em seu poder Moeda, que nSo seja
fabricada ao cunho de Sua Magestade nos termos, que Ihes forem assi-
nados, contados do da publicagào, tragam à refenda Junta as Moedas,
que tiverem, para rcceberem o seu justo valor em moeda corrente neste
Reyno, sob pena, de que do referido termo em diante teda a Moeda
Estrangeira, que se achar eorrendo, sera eonfiscada a metade a favor
do Officiai de Justica, que a aprehender, ou da Pessoa que a denun-
ciar, a outra ametade a benefìcio das obras dos Quarteis dos soldados.
28. Que pelo que perteuce as Ilhas dos Ayorcs se formarà a Junta
prìncipal na Cidade de Angra, com bum Governador, e capitilo Gene-
ral creado de Novo; com o Corrogedor, e Juiz de Fora, e alguns ve-
readores: E que passando o mesmo corregedor logo depois &s outras
llhas estabele9a nellas as respcctivas Juntas para a execuyULo do acima
referido.
29. Que Sua Magestade ao mesmo tempo mande declarar nos Edi-
taes, que se affixarem, que por facilitar o commercio entre as ditas
llhas, e as Ganàrias, permite, que a Moeda de prata, e euro destas
segundaa llhas se possa receber nas primeiras; com tanto, que so se
receba pelos valores, que se devem estabelecer a cada huma dellas,
com tal propor9ào, que fìque parificada a Moeda Castelhana com o valor,
que em Castella se dà a Moeda Portugueza: Exceptuando-se os Rea-
letes, quo so devem ser recebidos a pezo pela diminui^So que nelles ha.
1G4 O AUCHEOLOGO PORTUGUÉS
30. Que a dita Moeda Castelhana depois de recebida pela primeira
entrada, passe logo immediatamente para os Thezoiireiros, e Recebe-
dores da Fazenda Real, para a remeterem pelo mesmo valor ao Erario
Regio, depois de a haverem pago aos que Iha levarem : sem que de outra
sorte possa correr a tal Moeda Estraugeira no interior das ditas lllias,
debaixo da pena de uuUidade dos pagamentos, e das mais necessaria:^.
31. Que consistindo o commercio, que se faz em todos os Paizes
nas despezas grossas, que na mayor parte se fazem sobre credito; euas
despezas miudas, que se nSo podem fazer, se nào com o dinheiix) na
mio : TerA a refenda Junta bum exacto cuidado em permutar o dinheiro.
que Ihe for remetido, de tal sorte, que no cazo de nXo cliegar a todos,
seja distribuido pelas pessoas, que trocarem até a qnantia de cem mil
reis em toda a somma, que aprezentarem ; e os que tiverem da dita
quantia de cem mil reis para cima, se llies de a metade, ou huma tcr^a,
ou quarta parte em dinheiro, e o resto em credito, na maneira abaixo
declarada.
32. Que dos excessos, que liouver do dinheiro, que realmente se en-
tregar em Moeda do Reyno, ao que se receber em Moeda Estrangeira
se passarlo Apolices sobre o Erario Regio desta Corte com dois mezes
de tempo, para o seu pagamento a vista das referidas Apolices ori-
ginaes, com conhecimento passado nas costas dellas pelas Pessoas, que
constituirem os donos do dinheiro: os quaes parecendo-lhes receberem
antes nas mesmas Ilhas, serào nellas embolsados pela refenda Junta
nò termo de tres mezes.
33. Que por quanto consta qui; muita da Moeda Estrangeira, qu*'
corre nas referidas Ilhas, he falsa, e introduzida com valor intrinseio
multo menor daquelle, que a sua figura significa; sera toda a mesma
Moeda recebida, e paga a seus donos pelo pezo dos Marcos que ti-
verem e uao de outra sorte. Pois que so deve fazer por conta dos seus
verdadeiros senhores a diminuigào que houver na sua verdadeira cal-
cula^So feita em conimum beneficio, imputando se assi a culpa de nào
terem averiguado a sua j usta estimayao ao tempo, em que a receberam.
34. Que toda a IVIoeda de cobre Estrangeira sera da mesuia stale
recebida, e paga pelo valor do pezo, que tiver com a Moeda de cubre
Nacional, quo vay para osto ofllìito ató ondo chogar; Ficando a dita
Moeda de cobre Estrangeira, absolutamente extinta para della se nSo
fazer mais algum uzo, nem ainda pelo valor intrinseco do pezo; soh
pena de que as pessoas, em cuja mao fòr acliada serao castigadas,
corno passadores de Moeda falsa.
35. Que nas quantias, quo pelas partos forem aprezentadas ; so iiào
possaui fazor ombargos, ou prnlii»ras: Antes sejani guardadas no mais
O AUOHKOLOGO POUTIKUJÈS HìÒ
inviolavel segredo da Jastica, debaixo de pcnas graves contra os Mi-
iiistros, e officiaes das respectivas Juntas: E que emfim, Lavendo-se
necessariamente diilatado por cauza da superveniente guerra, este iitil
e necessario esbelecimento so deve aprovoitar a mayor opportunidade,
quo hoje ha para se promovcr a Lavoiira e coinercio das Ilhas. Orde-
nando Sua Magestade^ que dellas se transportem os trigos, o cevadas
para as munÌ95es de boca das suas tropas; e os panos de linbo; e mais
generos para os fardamentos até onde chegarem.
Bellem a 2 de Agosto de 1706 //Conde de Oeyras^
N. B. Havendo Sua Magestade por bem conformar-se com o Pa-
recer assima copiado: Minutei, e fiz por em Hmpo as Leys, Regimentos
e instrucySes para a creaQllo (sic) do Governador e capit?ìo General, para
a arrecada9So da Fazenda Real; e administracao das Alfandegas: que
na data do sobredito Dia dous de Agosto ; foram expedidas ; e logo regis-
tadas no livro intitulado = Ilhas dos A9ores=Livro 1^^1766. -=8. J.
0. (rubrica do Marqués de Pombal)»*.
3. Couliagem da Ca»a da Moeda da Bahia de 1720 a 1775
«Foi estabelecida està casa da Moeda da Baia em 21 de Marco
(le 1714.
Em 9 de Janeiro de 1715 por Provizam de EI Rey D. JoSo; e dis
ao Provedor que o (iovernador e os officiaes da Camara Ihe escreverao
para mandar fabricar, para o maneio do negocio hiì Milhao em moe<la
de curo Provincial, e outro tanto para Pernambuco e Ryo de laneiro,
que pella falta desta moeda procedia grandes demenuijSes nas rendas
reaes e prejuizo ao negocio dos moradores deste Estado; e que por
hora se nlo deve tratar moeda Provincial, atendendo a ter mandado
fabricar moeda nacional quo se entende poderà seguir grandes conve-
niencias a este Estado.
Provizam de EI Rey D. JoSo de 12 de Abril de 1729
se fabricou moeda de cobre de 20?? e 10;$ 11:307^5807
Provizam de EI Rey D. Jozé de 30 de MarQO de 1750
se fabricou 40 contos de moeda de ouro 40:000^5000
vinte contos de moedas de prata 20:OOOi500()
e dous de moedas de cobr^ ' . . . . 2:000/^000
73:307f5i.S07
' [Cfr. Teixeira de Arapjao, Descrijy^ào Geraf e Hìstorìca ctc. voi. ii, paj». 104
e Joao Fedro Ribciro, Iìì(L eh: e crit. port. voi. ir, pag. 75J.
^ Do Archivo Nacional. Docnincntos enviados pelo Ministcrio do Ideino a
Torre doTombo em 2G de novcmlno de 1881, n." 14 (na Livraria).
106 O Archkologo Poktugués
Transpoi-te 73:307rS807
Provizam do dito Senhor de 13 de Maryo de 1752 se
fabricou para Minas e Portos do Brazil a moeda
de G00.>; 300$; 150,$; e 75^ ". . 93:400^950
Provizam do dito Seiihor de 20 de O.^""^ 1753 por re-
prezenta^ao do Governador o Conde de Atouguia
qiie se lavrasse mais 80 eontos em moedas de euro
de mais dos 40 eontos que tinha mandado lavrar
atendendo a falta de dinheiro Provincial 8O:0O()?50(M>
Provizam do dito Senbor de 13 de Margo 1761 veio
111 Barris de cobre em xapa para cnnhar a saber:
em moedas de 40,5 2:800f50(»
de20;? 2:800^0
àem 2:80<>-y)0<»
,1^, 5^^ 1:60(WK)(>
Provizam do dito Senhor asinado por Manuel da Cunha
de 6 de dezembro 1774 para se eunhar moeda Pro-
vincial de H reis athé 4f^ reis e cunhou-se 100:940?^<MM)
Em 29 de Margo de 1775 sustou-ae o dito fabrico por
outra Provisam de Manuel da Cunha asinado
Somma 357:657«$75T »
Archeologia de Tràs-os-Montes
1. InstrninentoB de bronzo do concellio dcTilU Beai
SSo poucos OS objectos de bronzo que tenho podido obtor para
offereeer ao Director do Muscu Ethnologico Portuguès.
Vou dar d'elles succinta noticia nO Archeologo, onde jà eneontro o
inventario de todos os objectos archeologicos que me tem vindo à mSo.
1. Machados chatos. Em Bujoes appareceram ha tempo sete ma-
chados chatos de bronzo, de que adquiri dois, que vào representados
nas estampas i e ii, em tamanho naturai. A exactidao com que as
agnarellas estào feìtas dispensa qualquer descrip9ào.
2. Machado de argoìa laUrcd, machado que vae representado
era tamanho naturai na estampa in, foi encontrado nos limites dt?
Justes on Linhares pelo fallecido Manoel Joaquim Alves Fontes, Como
se VP da aguarella, tem urna imìca argola lateral.
* Do Archivo Nacional. Maco de papcis relativos ao Ultramar que perten-
eeram A Casa do Espirito Santo de Lisboa, ti.® 16 (na Casa dos Tratadoe).
A3 estampas lithographicas,
que acompanham este fasciculo, pertencem ao voi. IX,
pags. 166-167
4
Archeologo Poitapte— ?ol. 1X-'Ì904
Machado de Bi;^òes
r
1.
.4
^ ^
i. '
<.
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iiAi*|t Pnng*— ToL IX— ttW
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x««k^* d* B^iaM
)
AnhMligo Pngnis— Tol. 0-1904
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MMéhàdo de Juata* oo LlnbarM
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AichMlogo Poriagués— \rol. 11—1904
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Maehado talves de Aiyò
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II
Ptlieira 4«Tw|med%
Archeologo Portugcés
167
3. Machados alvados, O maohado representado em tamanho naturai
na estampa iv, foi por mini t»ueoutra:lo no estabeleeiinento de um
no«^oc'iante de cobro veiho o ostanho; n2lo soi ao eerto a provenioneia
Fig. 5.*
d elle, mas é provavel qiie seja do concelho do Alijó. Na parte mediana
anterior e posterior apresenta omatos; é o primeiro qua conhejo d^este
genero em Portugal. — Na fig. 5.*, represento, tambem em tamanho na-
turai, o fragmento de entro machado alvado, proveniente de Arroios;
lem ao lado vestigios de urna argola. qne se siippoe qne falta da
argola e da extremidade vae figurado com pontos.
Aleni dos objeetos moncionados, tambem oflforeci ao Mnseii os se-
jrnintes, provenientes de outras epoeas: uma chave de bronzo, encon-
trada em BujSes; um objecto, igualmente de bronze, de fórma curvi-
linea, A inaneira de arrecada, appareeido em uma vinha em Matlieus
(Villa Real), onde tem appareeido denarii romanos (seis), sepulturas
de tijolo, etc. ; uma agulha ou alfinete da mesma substancia, proveniente
da niesma vinha.
Todos estes objeetos e os machados, menos o fragmento do machado
alvado, foram jà descritos e gravados na Portugalia, t. i, p. 825-827.
Como a epoca do bronze é ainda pouco conhecida em Portugal, en-
tendi dever reproduzir aqui, em aguarella, as figuras dos machado»
inteiros * ; as aguarellas dJo melhor ideia d'estes, do que sìmples gra-
vuras.
2. Antas dò concelho de Yilla Ponca de Agnlar
Às indicadas jà n-0 Ardi. Port.j v, 281 juntarei a menjao de ou-
tras na freguesia de PellSes, no monte do Outeiro, perto dos baldios
Foram feitas pelo Sr. Guilhcrme Game irò.
168
Archeologo Pobtugués
de Lamas; na freguesia das Tres-Minas, perto de Revel e da Filha-
gosa; na freguesia da Vereia de Jalles, nos termos de Campo e Rsài
do Monte; na freguesia de Alfarella, na veiga d*esta povoacao, ao pe-
do povo, e no termo de Cidadeiha de Jales,
De um dolmen devassado por uns lavradores de Cidadeiha, que
sonharam com um the^ouro encantado e de que retiraram boa por^ao
de terra amarellada, que me vieram mostrar com o fim de Ihes dizer
se era ouro em pò, pude obter os dois instrumentos de pedra que passo
a descrever rapidamente.
1.® Uma enxó de fórma de pyramide com base quadrangular, tnm-
eada; tom de eompriraento Ó'^^OTH, de largura na base 0^,035 o no vor-
Fìg. 1.*
Plg. 2.*
tice (r,025; é de gumc multo fino, de fórma eonvexa e formado pelo
desengrossamento principalmente da face anterior, concorrendo para
esse tambem a face posterior ainda que pouco. A face anterior é per-
feitamente polida e multo bem conservada, nXo acontecendo o mesmo
à face posterior e aos bordos em que se encontram falhas devidas ao
cheque das enxadas dos exploradores. Ao contrario do que tenho ob-
servado noutras enxós, està tem outro gume na extremidade superior,
formado de maneira semelhante ao da base, mas quasi plano e bastante
rombo pela fractura visivel da aresta das duas faces da pyramide, quo
constituiam a parte cortante.
O Archeologo Portugués 169
2.® Um iiistrum8nto, difFerente pela fórma e volume, de todos os
qne ine tem apparecido. E bastante grosseiro, e póde considerar-se
formado de urna pyramide quadrangular de base quasi quadrada, trun-
cada, tendo o vertice agugado & cnsta das quatro faoes, mas princ*ipal-
mente da anterior e posteTior. A ))ase, quc parcee ter sido formada
Umbem pelo mesmo desengroasamento das {;ices anteriores e poste-
riores, està sensivelmente fracturada. Tem as faces anterior e postcrior
alisadas assim corno os bordos^ mas com falhas a face poste rior. Tem
de comprimente 0",14, de largura na base O^'jOòS, no vertice 0'",03,
de espessiira O",035 (fig. 1.*).
H.** Outro instrumento de configuragao differente dos outros conlie-
fidos em Tràs os-Montes. Grosseiro corno o do n.** 2.®, é notavel por
ter urna das faces levemente concava e mal alisada, em quanto a face
opposta é maito convexa e bem polida, menos nos pontos em que foi
oifendida pelas enxadas dos exploradores. Tem os bordos confundidos
com a face dorsal, de modo que nos dà um solido constituido por duas
faces apenas, urna plana e outra curva, à eusta das quaes por desen-
^ossamento tem duas surpeficies cortantes, uma na base e outra no
vertice, concorrendo para ellas desigualmente as duas faces, muito
pouco a concava e quasi tudo a convexa. O comprimente da face con-
cava é de 0™,16, o da convexa 0"\17, a largura na base 0"\06 e no
vertice 0°*,03. A maior espessura no lombo do instrumento é de 0^,035.
A face plana soffreu no gumc uma fractura bastante extensa (fig. 2.'*).
S. Uma pnlselra de caro da fregaesla de Torgneda
No ponto mais elevado de um outeiro que domina a povoagao de
ifojaos, freguesia de Torgueda, duas raparigas que apaseentavam umas
ovelhas encontraram entrc dois penedos nm objecto de curo, a que
dcram o nome de puUeira, e que trouxeram para casa com uma alegria
espanto dos vizinhos facil de comprehender.
Ao outro dia veio um vizinho, que jà tinha ido ao Rio de Janeiro,
offerecer a pulseira a todos os ourives, pondo comò condÌ9ào para a sua
venda o pre90 de 600 réis por cada gramma das 35 e tanto quc olla
pesava.
H3o fez fortuna com ella e veio ter commigo.
Dei-lhe os 600 réis por cada gramma e conservei-a para a mostrar
ao Sr. Leite de Vasconcellos e ceder-lh*a para o Museu Ethnologico,
se Ihe servisse, comò de facto serviu.
E de curo massigo, redonda, de quatro faces paralellas e perpon-
diculares duas a duas (as oppostas); nao apresenta sinaes do orna-
mentasse em nenhuma das faces, e offerece — circunstancia digna do
J7() O Archeologo Portugués
notar-se, porque as iiSo tenbo encontrado em uenhuma oatra — trespe-
qiienas cavidades na face interna, duas numa das semicireuuferencias
o a terceira na outra somicircunferoncia num ponto correspondente
poiico mais ou menos a urna linha que, partindo do meio do espago
comprehendido entre as diias cavidades, viesse encontrar a face interna.
Nas duas cavidades cstavam inseridas duas fitas de ouro mais
largas na base do que no vertice, as quaes, contornando umas poueas
de vezes a puheira, vinham ambas encaixar-se segfuindo direc^oes op-
postas na terceira cavidade.
De urna d'estas pequenas pegas obtive tambem para o Museu Etno-
logico dois pequenos fragmentos; nÌo pude obter os outros, porque os
tinham perdido os donos e admiradores do objecto.
O diametro interno da manilha é de 0™,064 e o externo de 0",()(17.
A differenca entro os dois representa a espessura.
A largura é pouco superior k espessura. Vid. a estampa v.
Villa Real, 23 de Mar§o de 1904.
Henrique Botelho.
Contos para contar
IV
Quor pela leitura dos varios artigos que tem saido n-O Archeoloijo
sobre «Contos para contar», quer por in8tiga9ao particular do Sr. Sia-
noci Joaquim de Campos, que a este proposito me tera escrito algumas
vezes, comecei a prestar àquelles documentos do nesso passado mais
attencao do que antes prestava; e vou aqui descrever os que possuo,
fazendo roferencias aos ji publicados nesta revista.
Seonlo XV
I>* «Toiio TI
N.o l.—<>C0ZTV«^C0[MTV4>C0XTVfC0Il]TV— Escudo de ar-
mas de Portugal, com 14 castellos, sobre a cruz de Avis, ladeado
por dois pontos.
fy. >ì< COMTVS : COOTVS : C0^4TVS : CO^/ITVS : — Um pelicano
dentro do ninho alimentando tres filhos. Exemplar de cobre,
sofFrivelmente eonservado. — Peso 8*,50. Diametro de 0",026.
Variedade do n.® 14 de Meili *.
* Vide Contos para contxir, por Julio Meili, n-OArck. Pori., v, 54 a 64.
O Archeologo Portuquks 171
Seoulos XV e XVI
N.® 2. — Exemplar variante do n.® 20 de Meili. — No esondo de armas
OS nastellos superiores sao ornamentados por estrellas. Latao
milito bem conservado. — Peso 7 grammas. Diametro de 0'",028.
N.*^ r>. — Exemplar ignal ao n.® 22 do Meili. — LatSo milito bem con-
servado.— Peso 9«f,30. Diametro 0'",028.
N.® 4. — Exemplar variante do n.° 22 de Meili, — escudo de armas
do reino està entre pontos e nEo ehtre arrnelas. Latao muito
bem conservado. — Peso 8*^,50. Diametro de 0™,028.
N.** r>. — Exemplar igual ao n.*^ 25 de Meili. — Latào mnito bem con-
servado.— Peso 8^',80. Diametro 0"',0.W.
Seonlo XVI
I>. «Tono UT
N.^ 6. — ^ EOIIT <^ EOIIT 4> EOIIT ^^> EOIIT— Esondo de fantasia,
com corca pequena, coUocado sobre a cruz de Avis. Tom no
centro 5 estrellas, na orla 15 castellos e é acostado de um S
em cada lado.
5r. 4- C0NTV4> CONTV<^> C0NTV4> CONTV— Esphera armiUar,
com globo no centro, collocada sobre a cruz de Avis. LatSo de
con8erva9ao soffrivel. — Peso 7*^,30. Diametro de 0"*,028.
Este exemplar é do typo do n.® 50 de Meili, divergindo d'elle apenas
na legenda do an verso.
N.« l. — 4> CVMT4^ OVVITI CVMT^> CV>ITno primeiro circulo e no
segundo CVZTVSPERACONT— Quinas cantonadas de S seni
ter arruelas.
8^.4^COP?TOS^COOTOS4CONTOS— Espilerà armillar com o
globo no centro dentro de um circulo de perolas. Lat^o de con-
servacSo mediocre.— Peso 7'^',G0. Diametro de 0'",030.
Variedade do n.® 52 de Meili.
N.« 8. — Exemplar do typo n.^ 40 de Meili. — Differe d'elle apenas por
ter na legenda do anverso LEPSSL, em vez de lEPSSI, e ILSS
por ILSI. Latao multo bem conservado. — Peso 9^,30. Diametro
de 0'",028.
172 O Archeologo Portugués
N.o (j^ _ (jj.„2 de Avis cortando a legenda COZ <-> CVZTV<Ì' S : PERA
CO/TA <^ R : COX ^ na orla exterior, e na interior CO/TVS :
PERACOZTA — Cinco escudetes com as quinas, emcniz, cantc-
nados por quatro estrellas.
Ijr. • COZT 1 VS : PER <?> AOON V TAR : C • — Esphera com o
globo no centro, collocada sobre a cruz de Avis. Latl!o rauito bem
conservado.— Peso 9«,70. Diametro de 0'",030.
N.« 10.— <>C0>lTV<t>C0/TV4C0;^TV4>C0OTV— Escudo de fan-
tasia entre dois S ornamentados com arruelas, collocado sobro
a cruz de Avis. Contém nove escudetes com quinas. O escudete
centrai està entre quatro pontos. A corca, ornada com tres ar-
ruelas e dois pontos, tem na base tres pontos, collocados horizon-
talmente.
Ur . i> COXTV ^ COZTV 1> COXT V 4> C04TV— Esphera armillar
com globo no centro. LatSU) muito bem conserv-ado. — Pew>
8^,80. Diametro de (r,028.
Este exemplar, inedito, é muito interessante
N.« 11. -Cruz de Avis cortando a legenda 4>C0>!TV<^C0ZTV<?
CO'HTV^COOTVna orla exterior, e na interior CO'/TVS •
PERA • CONTAR — Cinco escudetes com quinas, em cruz, c-an-
tonados por quatro castellos e quatro pontos.
!V. e- COXTV ^ VOWTY ^ CO;^TV 4> COMTV— Esphera, oom
globo no centro, collocada sobre a cruz de Avis dentro de um
circulo de perolas. LatSlo^ muito bem conservado. — Peso 8',80.
Diametro de 0"^,030.
O exemplar é variante do n.® 60 de Ferreira Braga se admittirTuos
que OS dois pontos que faltam neste, a osquerda do escudete
centrai, deixaram de sor impressos no acto da cunhagem*.
N.** 12. — Exemplar igual ao n.® 50 de Meili.-^Peso 9 grammas. Dia-
metro de 0'",028. Latào bem conservado.
N.« 13.— «'CONT-^EOIIT^EOIIT^'EOIIT— Escudo, coroado,
com cinco estrellas, bem distinctas, e urna ao fundo, menos vi-
sivel. Por cima da estrella centrai ha ontra, pequena, mal gravada.
IJr. ♦ COl^TV A^ COZTV ^ COZTV ^ CO;^TV — Esphera, com
globo no centro. Latào muito bem conservado. — Peso 8^,r>CÌ.
Diametro de 0'",030. Exemplar variante do n.® 50 de Meili.
* Vide Contoftpara cnntary por Manool Joaqiiim do. Campos^ n-OÀrch. Pori.,
vrii, 289 a 304.
ìii&Mgo Putugoés
V::JX- 1904
CONTOS PARA CONTAR
x.»i
N.»G
N."7
N.«9
N.« 10
O AUCHEOLOGO POKTUQUÉS 17H
^.o 14. — <*^CVZT4^CVZT4^CVZT4>CVXT na orla exterior, e na
interior CVMTVS : PERACVZT— Cinco escudetes com arrue-
las, cantonados pela letra S e por quatro aneis.
1^. <*^CO/TOS 4^ COZTOS i> CO/iTOS^COZTOS— Esphera ar-
millar com o globo no centro. Variedade do n.® 52 de Meili nas
legendas. Latao muito bem conservado. — Poso 13 grammas.
Diametro de 0"',()30.
Villa Real de Tnis-os-Montes, 31 do Margo de 1904.
Hknkique Boteliio.
Exploragdes aroheologioas no Algarve
em Marf o de 1904
Tendo sido encarregado pelo Director do Museu Etimologico de
proceder a algumas exploragSes archcologicas no Algarve, vou dar no-
tieia d'ellas neste artigo. men trabalho porém consiste quasi sòraente
na transcrip$So das notas tomadas durante as excavagSes que fiz, e na
indica^ao dos processos de traballio applicados.
Primeiro procedi a explorafao de dois mouumentos prehistoricos
situados na herdade da Torre, propriedade do Sr. Luis Furtado, a cinco
kìlometros de PortìmSo, confinante ao NE. com a estrada que liga està
villa com a cidade de Lagos. Depois procedi a outras exploragoes nos
«irn'dorcs de Portimao, e na Alcaria, ao pc de Alje/.ur.
1. Nccropole prchlstorlea da Torre
Està nccropole constava, pelo menos, de dois mouumentos, quo
furam descobertos pelos traballiadores na herdade da Torre quando
andavam a abrir covas para figueiras, junto a um cmonte» (casa de
campo) em construc^ao, futura liabitagào do proprietario, e situado
numa eleva9ao do terreno quo se segue immediatamente a extcnsa
varzca que de um e de outro lado confina com a estrada.
Elles sao analo^j^os aos do Alcalar, explorados por Ivstacio da Veiga.
A estacHo archeologica de Alcalar fica perto da da Torre.
i." Monumento. No dia da minha chegada ao locai, jà um d'estcs
monumentos, o que denominarci monumento n.° 1 (fig. 1.'*^), se encon-
trava inteiramente profanado, tendo ainda o director do Museu, que me
l»ncedcra na visW.i, cc»nsegnido enoontrar entro o mont^u do ])edra8
174
O Archeologo Portugués
que faziam parte da abobada do monumento um fragmento de placa
de lousa, urna i^^ó, quebrada pelos traballiadores, e um seixo rolado.
tambem quebrado, que talvez fosse instrumento de moer, a julgar dos
vestigios evidentes que
apresenta de ter sido tra-
balhado, da apropria^ao
da sua fórma, e da eonti-
guidade do achado.
Este monumento cons-
tava de duas partes : urna,
que cbamarei crypia, e ou-
tra, estreita, que cbamarei
galerìa.
a) Comegando por lim-
par interior da crvpta
(c-c'), sobretudo o pavi-
mento que se encontrava
ainda um pouco atulhado,
posto que ji remexido,
encontrei successivamente
ossos humanos misturados
com outros de animaes e
conchas ; mas nXo pude oì)-
servar se a collocayào e
dispoiiigao dos ossos e do espolio archeologico apparecido anteriormente
tinham obedecido a regras previas, — e isto pelos motivos que acab<»
de indicar.
Posta a descoberto a crypta, verifiquei que tinba sido escavada
no terreno cuja denominaQào corrente e popular no Algar\^e é «pedra
concha», e mais vulgarmente «calÌ90»: era de fórma arredondada^ ir-
regular, dividida longitudinalmente em dois segmentos (e e e') por meio
de um septo arredondado de 0"*,15 de altura, com o comprimeuto de
4 metros e 3'",80 de largura media.
As paredes, logo ao nivel do pavimento, come9avam a tomar fórma
abobadada, que terminava a 1™,30 no terreno, após o qual se seguia,
com 0™,50 de espessura mèdia, o terreno aravel; a abobada aberta
neste terreno tinha sido feita com pedras irregulares de calcareo semi-
brando. Como é obvio, nào foi possivel colher pormenores acérca da
sua construcgao. A altura interna da crypta póde calcular-se entre l"*,4r)
a 1™,50, pois, segundo informaySes dos trabalhcadores, estes deram com
ella a dois golpes de onxada.
-^_^, — ,» — ^
Fi;?. 1.»
O Archeologo Portugués
175
Nas paredes da crypta havia algumas pequeuas concavidades irre-
^lares, ein fórma de arniarios, o que faz lembrar as qiie se observam
nos monumentos de Alcalar, posto que as d'estes sejam maiores e regii-
lares. Nessas concavidades encontraram-se varios ossos que supponho
sereni de animaes, e que estao dépositados no Museu para estudo.
Afim de evitar que nada se perdesse do espolio archeologico que por
ventura estivesse enterrado na crypta, mandei crivar a terra, e encon-
trei o seguinte, que o Sr. Luis Furtado generosamente me permittiu
trazer para o Museu :
4 setas de pederneira (tìg. 2.*, n."* 1, 2, ti e (J);
1 faca partida de pederneira (fig. 2/, n.® 4);
1 farador de osso (fig. 2.*, n." ó);
2 contas de schisto (fig. 2.*, n."' 7 e 8);
1 vasinho grosseiro (fig. 3.^) de barro com sinaos de tinta vermelha
(que talvcz servisse para tatuageni, ou acaso de cadinlio, postoque nRo
apparocessem metaes nosta est^i^ilo), encontrado na cavidade e.
170
O Archeologo Poetugués
Todos estes objectos v2o aqui deseiihados em escala naturai.
b) A parte que suponho ser a galena (jr), de (f^^SO de largo e 0",15
de altura, estava orientada ao nascente; no lado opposto à galena o
monumento apresentava duas concavidades pouco amplas e pouco pro-
fundas; o pavimento da crypta, a partir da galena, estava levemente iu-
clinado para o interior. A galeria, que foi explorada na extensào pouco
mais ou menos de l'",30, apresentava sempre a mesma altura mèdia
de 0™,15; necessitava para um estudo mais circunstanciado que se des-
montasse o terreno subjacente de 1™,80 de espessura. Nella nao se en-
contraram nem ossos nem espolio archeologico.
2,"* Monumento, O segundo monumento (fig. 4.*) foi encontrado pelos
trabalhadores cm circunstancias identicas às do primeiro e quasi junto
d'elle.
Este monumento constava tambem de duas partes : a que se pódc
considerar galeria (a-i), que tinha side aberta e desentulhada pelos
trabalhadores; a que se póde chamar pro-
priamente crypta (i-t), que a minha che-
gada se achava ainda intacta.
Seguindo o mesmo methodo que segui
anteriormente, comecei por desobstmir o
monumento, que se achava comò qne entu-
Ihado por pedra grossa e menda, onde lego
cncontrei ossos em cstado muito qucbraclioo.
a) A crypta (ft-c) foi desentulhada por
eamadas, o que pcnnittiu verificar quo era
sobretudo debaixo de pedras de fórmas ir-
regularcs e de dimens3es varias que se en-
contravam mais abundantemente os ossos
e comò que reunidos, parecendo este facto
indicar intencionalidadc. Os ossos, que jun-
tei e guai*dei em pacotes separados, sao uns
liumanos e outros de animaes. Em gt^ral os
ossos grandes encontravam-se quebrados,
reeonhecendo-se pelos depositos terrosos
quo a sua fractura nao era recente. No canto
(e) da gruta eram abundantes as cascas de
caracoes e de ostras, e te, misturadas com
pcdrinha menda. Uepois de limpo por completo o monumento, viu-se
que a crypta, de fórma arredondada, tinha side completamente aberta
no caliro, sondo as suas dimensois as indicadas na figura respectiva.
FI','. 4.»
O Archeologo Portuqués
177
b) O quo se póde chamar com mais propriedade galeria, isto e,
prolongamento {a-h) da crypta, nSo tinha saida: era urna especie de
valla escavada no mesmo terreno e ao mesmo nivel da crypta. Os traba-
Ihadores qne interroguei a este respeito affirmaram-me que a tinham de-
sobstruido facilmente, sem terem encontrado ossos nem qualqaer objecto
que fizesse parte do espolio archeologico; mandei crivar a terra extra-
hida da interior da crypta, mas està nio rendeu tambem absolataménte*
aada.
Transcrevendo estas notas naturalmente incompletas, deixo a outros
trabalho de tirarem as illagSes que Ihes parecerem.
II. Lapide romaBa
Dorante a minha estada em Portim&o, foi-me grato conseguir obter
para o Museu mais um documento archeologico.
Fir. «.•
Na freguesia de Mexilhoeira Grande, sitio de f Monte Velho», pro-
priedade do Sr. Luis Vieira, a 15 kilometros de Portimlo, encontraram
OS trabalhadores que andavam abrindo covas para figueiras, urna tampa
funeraria (fig. 5.*) feita de calcareo rijo em fórma de bad com dois
178 Archeologo Portugués
cìrculos concentricos em urna das.faces, e urna inscrìpg2o latina no
bojo *.
De ter apparecido a pedra com a inscrìp(So para o alto, e ella nSo
servir actualmente de tampa de sepultura, tendo pelo contrario vesti-
gios de haver sido aproveitada para usos milito diversos do primitivo,
póde concluir-se que a dita tampa jà tinha sido utilizada, e que nao
pertencia ao locai onde se encontrou, mas que talvez viesse de perto,
pois material de que é feita abunda por estes logares.
' Este monumento foi espontaneamente offerecido ao Museu Etimolo-
gico pelo Sr. Luis Yieira, que nisto deu rasgada prova de patrìotismo.
III. Cemlterio archaico da Alcarla
Concluidos os meus trabalhos em Portim2o, parti a 13 de Mar;o
para Aljezur em cujos arredores explorei, por indicando prèvia do Di-
rector do Museu, um antigo cemiterio, na Alcaria, a tres kilometros
de Aljezur, ao poente da estrada que liga està villa com a cidade de
Lagos. Este cemiterio està situado num pequeno cabego de suave de-
clive, num campo em parte cercàdo de muro.
As sepulturas, abertas no caligo, a pequena profundidade do terreno
aravel, eram de inhumagSo, e do tamanho do cadaver. Apresentavam
duas variedades: umas eram lageadas (lages toscas de schisto com es-
pessura varia) nos lados, no topo e na cabeceira, e com tampas de
fórma rectangular; outras nSo eram lageadas, embo^a tivessem tampas
de schisto, e tinham a fórma do corpo, mais estreitas para os pés e
arredondadas as cabeceiras.
Este cemiterio tinha sido jà na maior parte destruido pelo dono da
propriedade, ao proceder a trabalhos agrarìos. Numa das sepulturas
que ainda restavam observei que à cabeceira havia um vasinho de barro;
o mesmo me disse ter observado o refendo dono do terreno com relagSo
&s que elle descobriu e estragou.
Acérca das que pude encontrar ainda intactas, pelo menos na fórma,
transcrevo as notas tomadas durante os trabalhos.
1.* Sepultura (fig. 6.*). — Profanada, sem tampa, ossos misturados
de dois individuos pelo menos; à cabeceira urna asa de vaso que devia
ser grande.
2.* Sepultura (fig. 7.*). — Profanada, so ossos em confusSo, sem
tampa.
3.* Sepultura (fig. 8.*)J — Profanada, ossos em pequena quantidade
e dispersos; a meio uma caveira. Tinha ainda uma lage (e). Sem tampa.
1 Està inscripoSlo vae publicada adeante.
O Archeologo Portuoués
179
4.* Sepultura (fig. 9.*) — Profanada, seguia-se immediatamente à 3.*
num plano superìor, corno se yè na fìg. 10.^; à cabeceira (e) urna pe-
qaena infusa (fig. 11/).
5.* Sepultura (fig. 12.^). — Profanada, em parte para os pés coberta
eom lag^es de 0"*,05 de espessura, poucos ossos e misturados; à cabe-
ceira dispersos os ossos da caveira.
-2,4-
(0,85)
.?
rig. 6.*
1,90—
Pfg. 8.»
4"
(0,2W
Fig. T.«
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Plg. »••
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Fig. 10.*
I
€
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-1,80-
(0,30)
Fig. 12.*
Fig. IS."
6.* Sepultura (fig. 13.*). — Profanada, muito poucos ossos; para os
pés a caveira.
Muitas mais sepulturas descobri, todas no mesmo estado, o que
toma ociosa a sua descrip92lo pormenorizada.
Usboa, 10 de Abril de 1904.
Bernardo de Sa.
180 O Arcueolooo Pobtugdés
Notas ao artigo precedente
A explora^io archeologica de que se irata no cap. i do precedente trtigo
deve-se inicialmcnto ao Sr. Jonquìm Gualdino Pires, bemqnìsto pharmaccutico
de Portimfto, quc, havendo-me dado em mcados de Fevereiro de 1904 notlcia do
apparecimento de alguns objectos archcologicoB na herdade da Torre, fez quc cu
partisse para aquella villa em 21 do refetido més. Os objectos eram pUcas de
lousa, machados e facas de pedra, urna conta, etc., que o dono da herdade, o
Sr. Fartado, tinha offerecido ao Sr. Leotte Tavares, capitSo de engenheiros, mas
que ao tempo da minha chegada estavam ainda em PortimSo, onde os vi quasi
todos. Por intermedio do mcsmo Sr. Pires e do Sr. Prior V ieira entrei cm relais
com Sr. Furtado, que me permittiu mandar continuar as ezplora^òcs, e me
offereceu um vaso de barro (incompleto) apparecido numa necropole romana que
tambem existia na herdade da Torre e que foi dcstruida por occasiSo de trabalhos
agrarios. — Aproveitnudo o ensejo de estar no Algarve, tao rìco de monumcntos
archeologi cos, fiz varias pesquisas e cxp]ora9des que foram bastante fractuosas;
a seu tempo fallarci d'ellas n-0 Archeologo,
II
Com quanto um pouco difficil de ler, a inscrip9So gravada na lapide descrita
no cap. II diz o seguinte :
D B M K S
C I I P 1 N I SII
3 M P R N I A N O
A N N O R V M
VPOMPIIIA
6 I IXOCII AVI A
POSHSB-STTL
1. Os pontos jà nSLo estao nitidos.
2. A 3.* lettra està gasta. Ao repente parece S, mas, se a compararmos com
08 outros PP, ve se que é P. A palavra a que ella pertcnce deve ser C^fnoni.
3. A penultima lettra e a ùltima jà nSo estSo nitidas, mas sSo sem duvìda NO.
4. Nào apresenta difficuldades.
5. A penultima e a ante-penultima parece à primeira vista que constitnom
um D, mas, bcm ezaminadas, mostram que sao dois II, pois o 2.° segue a principio
verticalmente, e so em baixo se confunde com umas pequenas depressoes da pedra.
6. A 5.* lettra é mais G do que C ; em todo o caso a palavra é Exociù
7. E crivel que depois do £ liouvcsse ponto, boje confundido com o tra^o
mèdio do £ em virtude do gasto da pedra. £ntre as duas ùltimas lettras nao ha
ponto. A lettra final é pouco nitida.
Temos pois: D(iis) M[anibus) S{acrum). C{a)epioni Semproniano, annorum
quinquc, Pompeia Exocii avia po8(uit). H(ic) situs e{»t), S(it) t(ibi) /(erra) i(ci^).
que em vernaculo significa: «Consagra^ao aos deuses Manes. A Cepiao Sem-
proniano, de 5 annos de idade, sua avo Pompeia, filha de Exocio, levantou {esie
monumento funebre). A qui està sepultado. Seja<te leve a terra». Campo da ins-
crip^So: 0-,23 X 0-,20. Altura das lettras 0",02 a 0»,015.
Archeologo Poetugués
181
III
Foram os Srs. Manoel Femandes de Oliveira, administrador do concelho de
Aljezur, e Francisco Antonio Mestre, professor officiai da mesma villa, qae me in-
dicaram a existencia do cemiterìo da Alcaria. primeiro d'estes Srs. teve mesmo
a amabilidade de me acompanhar ao locai ; e com o sea auxilio consegui que o dono
da proprìedade, o Sr. Henrique Alves, nSo so desse licenza para se explorar o que
restava do cemiterio, mas me ofierecesse nm vaso de barro (fig. 14.*) e um objecto
metallico ahi apparecidos. As explora^oes foram iniciadas por mim, e com tSo bom
^gouro, que logo àa primeiras enxadadas encontrei dois vasos de barro (figs. 15.*
e 16.'), mn bracelete de bronzo e ossadas humanas. man tempo que entào estava
obstou porém a que eu continuasse os trabalhos; por isso encarreguei d'elles ul-
teriormente o Sr. S&, conductor de obras publicas ao servilo do Museu.
J. L. deV
182 O Archeologo Portugués
Miscellanea aroheologioa
1. Os eartorlos eonrentaftet de TlaDna do Castello
tAs livrarias foram Icvadas a monte. Tudo rouboa. Primeiro acndi-
ram os que se tinham na conta de entendidos; depois os euriosos;
por ultimo a canalha rasa, que roubava para vender a peso. As mer-
eearias encheram-se ent^o de missaes, de breviarios, de sermonarios
hespanhoes, de commentadores, de biblias, de antiphonarios, de sane-
toraes, de tudo quanto constituia o fundo d'essas modestas bibliothecas,
que uma revolu(&o menos selvagem poderia utilizar. Como se ordenou
que eentro de todos os despojos dos archivos monasticos da circons-
eriglo fosse o convento de Santa Cruz, a S. Domingos, tudo veio lenta-
mente confluindo para ali. Fixado o recinto da descarga num dos dor-
mitorios do lado orientai, dentro em pouco successivos carretos tinham
produzido, naquella regiào, um enormissimo monturo. O resguardo era
nenhum. Os fardos eram postos a caminho com qualquer tempo. Assim,
todo o cartono do convento de S. Romào de Neiva, que era riquissimo
em pergaminhos *, chegou a Vianna reduzido a uma massa informe,
de lama, que o carroceiro despejou sobre outros destro908, perpetrando,
ao mesmo tempo, duas brutalidades. De Càramos, Muhia e Refoyos
do Lima' vieram alguns cartularios, que Alexandre Hereulano, vinte
annos depois, fazia rocolher & Torre do Tombe.
De vez em quando, comò quem sente despertar-se de um largo
pesadelo, intervinha a autoridade locai nomeando uma eommissio de
entendidos 3, que tomasse a seu cargo catalogar aquellas ruinas mise-
raveis. Esses entendidos nunca se cntenderam. Entretanto os sabios
da villa, os bibliophilos de tenda, e as lojas de mercearia proseguiam
na sua devastaQ^o. Por mais de quarenta annos se mantiveram ali,
no chSo, no raso das ultimas cellas do nascente, aquelles ultimos ves-
tigios das livrarias njonasticas d'està parte da provincia. Ultimamente,
* Joao Fedro Ribeiro, ObaercaQdes hUtoricas t critìcaa, 1798, pag. 25 dis, to-
(lavia, quo este mosteiro co'Mtrca humpequeno nUmero de Documentos. [P. A. d'A.].
* mesmo autor, a pag. 27 do citado trabalho, declara havcr era Hefoios de
Lima Biffficìcnte nùmero de Documento» antìgoa. [P. A. d'A.J.
' Uma d^cssas commissòcs foi composta do Dr. SebastiSo Luis de Faria;
P.* Manoel do Carmo de Araujo Vieira, antigo leitor do theologìa, e bomcmdc
supcrior cultura (Cf. 0« Hnmildes, paga. 11 a 16) e José Joaquim de Araujo Sal-
gado, professor do lyceu. Antes d*esta, bouvera aìnda outra, em que entravam
OS dois primeiros e o P.* Severino Antonio Brandito Zamitb (Cf. Os Humildm
pags. 77-107). Nenbnma d*ellas, porem, chegou a iniciar oa seus trabalbos.
O Archeologo Poktugués 183
entre 1876-1877, sendo governador civil do districto o Dr. Antonio
Daarte Marques Barreiros, foi determinado que com aquelles farrapos
se constituisse o nucleo da actual Bibliotheca Munìeipal, que està no
lyeeu. . . .
Ahi dormem, violadas, truncadas, rotas, essas uitimas victimas da
anarchia revoUicionaria. Urna piedade santa as unirà; urna brutalidade
revoltante as profanara».
(José Caldas^ HUtoria de umfogo morto. Porto, 1904, pags. 435
a 437).
Noia, — Sendo intimas as rola9oe8 da archeologia com a investigacsto dos car-
torios, toma-se necessario saber o estado de conservammo e a coUoca^ao moderna
d'elles, quando se pretendem estudar os monumentos de certas regides. livro
do Sr. Caldast indica bem drasticamente para o districto de Vianna do Castello
modo de destruÌ9So dos archivos monasticos que a mudanma do regime troupe.
£sta anarcliìa 6 a que se nota sempre que se produz a transicao de iustituicdcs ;
foi caso qae tambem siiccedeu por exemplo nas socicdades germanicas com
a introdttCQao da Reforma religiosa no secalo xvi e cm 1781) em Franca. Dcsde
Maio do 1890 guardara-sc no Archivo da Torre do Tombo grande numero de
tomboa quo pertenceram aos convcntos do districto acima mencionado. O que
existe naquellc Archivo, rccolhido anteriormente, e bastante reduzido e ao que
parece scm 08peran9a de se poder aumentar. Os cstragos que as collec^òcs
de Jivros e maouscritos sofTrem abandonados so aos elementos atmosphcricor,
sao incalculaveis. Tornam-se precisos para cvità-los edificios proprios e cuidados
extraordinarios.
Veja-se o quo se le numa corrcspondcncia de Louren^o Marques a proposito
da livraria de urna escola de artcs e officios :
«Àinda ha pouco ttvcmos occasiao de visitar està cscola, e nao pudcmos deixar
de sentir profunda tristeza de a ver decaida do grau de prosperidade a que tinha
chcgado. A bibliotheca que ali foi fundada pelo Sr. Conselheiro Joaquim José
de Almeida, quando governador geral d*esta provincia, e que contava muitos
livros de educa9ao e rccreio, desapparecen, tendo sido levada para o palacio de
S. Paulo, onde as baratas e a traca deram cabo de tudo, pois osto palacio està
ha muitos aunos deshabitado*.
(Diario de Noticias, de 11 de Dczembro de 1903).
2« Sepultnras no conrento das Dona9 de Santareiu
«Ultimamente tem andado obras na igreja do extincto convento das
Donas, hoje quartel do batalhlo de cayadores 6, a firn de o apropriarem
para casemas, o que iìzeram, construindo um muro divisorio, isolando
o altar-mór e dois tumulos que Ihe estào parallelos, perteneentes aos
eondes de Unhao.
Hoje de manha, quando os pedreiros demoliam uni bocado de pa-
rede, proximo ao altar-mór, lado nascente, perceberam que o entulho
184 O AUCIIEOLOGO POKTOGOÉS
submergia pelo solo. Pesquisando, levantaram um bocado do sobrado
e viram a cxistencia de dois lances de escada, cada nm de seis oa sete
degraus, divididos por um patim de lagedo. Descendo o ultimo lance.
entra-se num subterraneo tambem de lagedo com aproximadamente
qnatro metros quadrados, que fica debaixo do aitar -mór, onde se ve ao
fundo um tumulo de marmore branco intacto e em bom estado de con-
servagao, de setenta centimetros de alto, com a inscripf^: =D. Mar-
tim de Castro, vice-rei da lDdia=. Tambem tem a data da sua morte
e seus feitos. Sobre o tumulo estào quatro caveiras e diverso» ossos
que serao removidos por estes dias para o cemiterio dos Capucbos.
Seria de grande conveniencia e respeitabilidade remover este tu-
mulo e dos Condes de UnhSo para o majcstoso tempio da Graya,
que se póde considerar um pantheon de pessoas ìHustres».
(Diario de Noticfas, de 4 de desembro de 190B).
tSantarem, 4. — A fim de melhor informarmos os nossos leitores,
fomos hoje à igreja do extincto convento das Donas colher mais com-
pie tas informacdes sobre o carnei ro que hontem casualmente foi des-
coberto.
Na occasiào em que André Gomes, 8er\'ente de pedreiro, procedia
a escavagoes proximo ao altar-mór, debaixo do tumulo dos Condes de
UnhSo, sentiu que o chSo abatia, e, sendo elle lambem despenhado
por urna fresta, caiu no carneiro, que é formado por uma abobada.
Calcule-sG o susto do pobre homem quando accendeu fosforos e se
viu rodeado de esqueietos humanos!
Subindo OS dois lances de escada que hontem descrevemos, bateu
com toda a forga no sobrado que Ihe ficava superìor, os companheiros
levantaram um taipal composto de quatro tàbuas que vedavam a en-
trada para o carneiro, o que até & presentò data era desconhecido de
todos.
Como dissemos, ao fundo existe o tumulo de D. Martim de Castro,
que é encimado por uma cruz de pedra ordinaria, embutida na parede,
de seis e meio palmos por quatro e meio, tendo no pedestai, que é de
marmore, os seguintes dizeres:
=In tua protectione vixi. — Sub tua protectìone requiescant ossa
niea=.
No tumulo acba-se gravada a seguinte inscrip93o:
=Sepultura de D. Martim Antonio de Castro, viso- rei da India, ge-
neral das galés de Portugal. Morreu em Malaca na era de 607. — E de
D. Margarida de Tavora sua mulher. — E de D. Jorge Luis de Castro,
seu filho, que morreu nas guerras de Piemonte, na era de 627=.
O Abcheologo Portugués 185
Ào fundo das escadas ha um poial transversal, ficando sobre est e
e ao lado direìto ama lapide mettida na parede com os dizeres se-
guintes:
=Sepultura de Manuel Telles de Menezes, fundador d'està capella.
Falleceu em o 1.** de Janeiro de 573. — De sua mulher D. Margarida
de Vilhena. Falleceu aos 5 de julho de 565. — E de D. Margarida de
Koronha, mulher do Conde de Mira. — E de D. Joana de Noronha,
mulher de D. Fernando de Menezes. — Suas filhas, que, por falleeerem
sem successSo, se mandaram aqui enterrar=.
Do lado nascente existem mais duas lapides onde se le o seguinte :
=Sepultura de FernSo Telles de Menezes. Falleceu aos 27 de se-
tembro de 580. — E de sua mulher D. Maria de Castro. Falleceu aos
19 do mès de julho de 595. — E de Rui Telles de Menezes, seu filho.
Falleceu aos 13 de maio de 616. — E de D. Maria da Silveira, sua
mulher. Falleceu aos 21 de margo de 616=.
=Sepultura de FemSo Telles da Silveira, primeiro Conde de UnhSo
e da Condessa D. Francisca de Castro, sua mulher, filha de D. Martim
Antonio de Castro. — E de D. Margarida de Tavora.— E de D. Ma-
riana da Silveira, sua filha, que falleceu a 24 de abril de 643.
No tumulo de D. Martim de Castro estiveram hontem maos cari-
(ìosas mettendo urna alavanca para levantar uma das lages que o fe-
cham, nào conseguindo abri-lo.
Relativamente aos jazigos que se encontram na capella-mór da
igreja das Donas', diz a Historia de Santarem, voi. i, livro i, cap. XXV.
pag. 223:
=He hoje capella mayor d'està egreja, jazigo dos Excellentissimos
Condes d'Unhao, sendo o ascendente d'està illustrissima familia que
primeira a possuia Manuel Telles de Menezes, Comraendador das Villas
do Campo de Ourique da Ordem de San-Tiago, em cuja capella nos
lados das paredes estao dois caixoens com as inscrip9<!les seguintes:
da parte do Evangelho diz assim :
=D.. Martim Àffonso de Castro, filho dos Condes de Monsanto,
D. Antonio de Castro, e Dona Ignes Pimentel, General das Galés d'este
Reino, Vice-Rei da India, no anno de 1604, descercou Malaca do grande
cerco que padecia dos Malajos e Olandezes, em Maio de 1607. Fal-
leceu pouco depois na mesma Cidade de 47 annos. Dona Margarida
de Tavora mando u fazer este piedozo depozito a seos ossos e de seu
filho D. Jorge Luiz de Castro que morreo nas guerras de Italia e para
s€ii jazigo perpetuo e de seus descendentes no anno de 1649=.
Sobre este tumulo ha uma cruz gravada e na parte que Ihe serve
de Calvario se léem estas letra8:=Domine Jezu Christi Filii Dei
186 O Archeologo Portugués
vivi, pone Passionem, Crucem, mortein tiiam, inter judìciam tuum,
etc, animam meam — , e da parte da Epistola o outro letreiro dìz o se-
quinte: — SepuUura de Fernào Telles da Silveira, primeiro Conde de
Unhfto, que mandou reedificar està capella de seos Avós e de sua
mulher Dona Francisca de Castro, filha de D. Martim Affonso de
Castro e de Dona Margarìda de Tavora=.
E sobre este tumulo està a seguinte inscrìpf^:
= Salvator mundi salva nos, qui percrucem, etc., sanguinem redi-
misti nos=».
(Diario de Nolieioè, de 6 de Dezembro de 1903).
S. Àf ola Dapole<»|iif a
Achado preoioso
«Condeixa, 23. — Sobre a noticia, publicada hoje no Seculo, refe-
rente a caguia francesa», melhor informados pelo nosso amigo Sr.
Dr. Matos Mancellos, devemos dizer que a caguiai foi encontrada
sob OS arcos do rio que atravcssa està villa, justamentc por debaixo da
praga do mercado, o que faz crer que, perdida no come90 da bataiha
ou na retirada dos franceses, a 5 kilometros d'està villa, no Casal Novo.
com as repetidas cheias, viesse condendo rio abaizo, até ser encontrada
no sitio designado.
Tratamos agora de averiguar se sera a caguia» do 30 de linlia,
a que se refere o eminente prosador Campos Junior, porque ncste casd
sera urna reliquia digna de figurar no museu do Arsenal do ExereitOi.
{Seculo, de 25 de Fevereiro de 1904).
4. As pedras dos moiiumcutos de Lisboa
Os calcareoB
«Na Associa92o dos Engenheiros Civis Portugueses roalizou hontem
a sua annnnciada conferencia o Sr. Pereira e Sousa, sobre os calcareos.
Depois do expediente ordinario da sessS&o de hontem, a que presidia
o Sr. Mendes Querreiro, comegou o conferente o seu traballio sobre
OS estudos feitos acerca de uma collecgào de marmores existentcs na
Escola Polytechnica. AUudiu a trabalhos de geologia que effeotuou,
enaltecendo os servÌ9os que Ihe prestaram os Srs. Paulo Choffat e Nery
Delgado.
Fez referencias a uns subsidios que sobre a questuo dos calcareos
fez publicar na Eevista de Engenharia Militar, subsidios que foram
destinados & correspondcncla entre os termos technicos dos referìdos
calcareos e a designarlo por que sSo conhecidos entre os cabouqueiros.
O Archeologo Portugués 187
Ainda antes de entrar na parte prìncipal do assunto referiu-se
a elementos que obtivera na direcyào dos trabalhos de ensaio e experi-
mentacào de construcfio, cujo progresso se deve ao engenheiro Sr. Cas-
tanheira das Neves.
O Sr. Pereira e Sousa tratou depois das pedras empregadas nos
principaes monnmentos de Lisboa e das vantagens espeeìaes do estudo
d'essas pedras, urna das quaes infine sobretudo nos casos das repara9Òes
d'esses monumentos, que no nosso pais teem sido desgra^adas.
Em seguida fez a divisSo historica da eonstruc(ào de Lisboa em
qnatro periodos: no primeiro tratou da epoca da funda9Slo da monarchia
até D. Manoel; no segundo do reinado de D. Joao II ao de D. JoSo V;
no terceiro do terramoto de 1755 ao reinado de D. JoSoVI; o quarto
desde o constitncionalismo até os nossos dias.
No desenvolvimento d'esses periodos o conferente tratou: quanto
ao primeiro, da construcgSo da Sé de Lisboa, da igreja de Santos,
do convento do Carmo, da igreja dos Jeronimos, da torre de Belem,
da igreja da ConceijSo Veiha, da casa dos Bicos, etc, fazendo consi-
derafoes que versaram especialmente sobre as restaura^Ses da Sé de
Lisboa. Quanto ao segundo periodo, o que comeyou com a Inquisigfto,
e verdadeiramente o periodo aureo das ornamentagoes em marmores
nos interìores dos conventos e das igrejas, alludiu a majestosos tra-
balhos que admirou na capella do Hospital de S. José, que é a antiga
sacrìstia da igreja de Todos os Santos (sic)^ na igreja da Annunciada,
de S. Domingos, na sacristia do S.Vicente, etc.
No terceiro periodo tratou de esclarecimentos acérca da pedra lioz
de Pago d'Arcos, de Pero Pinheiro, Loures, de Arrabida, e do marmore
aznl de Cintra, erapregado com grande intensidade nesse periodo em que
póde admirar-se um revestimento da basilica da Estrella e outros edi-
ficios.
No quarto periodo citou comò principaes as construccoes do Theatro
de 1). Maria, da Camara Municipal de Lisboa, estagSo do Rocio e actual-
mente a da Escola Medica.
S. £x.^ fez urna exposigSo de pedagos de marmores para melhor
demonstrar as suas explicagòes sobre o assunto, e ao terminar foi alvo
de urna prolongada ovagào».
{Diario de Noticias, de 10 de Abril de 1904).
5. Caiihagem de nioedas de curo no tempo de D. JoHoY
«Sua Mag. que Deos guarde, provendo na falta de prata que ha
no Reyno & a opressào que o povo padéce no troco das moedas de ouro,
188 O Archeologo Pobtugués
foy servido mandar huma grande por9So de onro para a casa da moeda
desta Cidade, para nella se fundir, & fabrìcar moedas de 480 réis,
que actualmente se est2o fazendo. Està nova moeda tem de huma bajida
a Cruz da Ordem de Christo com a costumada letra In hoc signo vinees,
& da outra debayxo de huma Corea Real o nome de S. Mag. orlado
com duas pahnas, nos pés das quaes tem o numero que explica o seu
valori.
{Gazila de Lisboa, de 3 de Novembre de 1718).
e. Urna marlnha de sai em Aldeia GaUef a do Ribatejo. ISM
cSabham quantos este stromento virem que £u SteuS uaasqaez fe-
lipe Caualeiro come procurador de Costan9a Afomso dou de Renda A
uos Domingos Afonsso morador em Aidea galega Ribateio bua Marìnha
de sai que a dita Costan9a Afonsso ha A par do dito logo daldea
galega A qual foi de Joham uigente meoto E a qual vos ARendo da fei-
tura deste stromento ataa dez anos per gìsa que ajades dez nouidades
e dedes em cada huu ano por sam Migel de setembro a dita Costanza
Afonso em paz e em saluo 9em mojos de sai na eira da dita Marinha
quando deus em eia der da primeira e segunda e terceira Raza. E vos
auedes de marnoitar a dita Marinha de todo Aquelo que Ihy coprir
A seus tempos e tirar lamas da dita Marinha per gisa que seia melho-
rada E n5 peiorada E vos auedes de fazer no viueiro da dita Marinha
que seé centra o porto duas naues polas quaes vos ey de dar (^em libras
e esto seia em este primeiro 2no £ damos os ditos dinheiros ataa
primeiro dja dabril E douuos em ajuda em estes dez Snos bua vjnfaa
que he a par do dito logo que parte còVaasco afonsso e cS o Jnden
em na qual seem duas figeiras que adubedes bem a dita vynha a seus
tempos per gisa que seia melhorada E n5 peiorada E acabado o djto
tempo ficar a dita Costan9a a dita Marinha e vjnha co teda sa bem
•feitoria E obrigo os bSes da dita Co8tan9a afonsso a uos liurar a dita
Marinha e vinha de que qucr que vos em eia poser embargo so pea
de todas perdas e danos que por tal Razom Re9eberdes co vjnte ssoldos
cada dja de pea Eu sobre dito Domingos afonsso tomo em mjm a dita
Marinha e vjnha c5 as classulas e c5dÌ93es susso scriptas E obrigo
todos meus bees gaanhados e por gaanhar A marnojtar a dita Marinha
E adubar a dita vinha pela gisa que dito he E dar E pagar a dita
Costan9a Afonsso em cada huu ano os ditos 9em moios de sai ao dito
dia corno dito he sopea de todas perdas E danos que por tal Raz5 fe-
zerdes e c5 vjnte ssoldos cada dja de pea em testemunho desto as ditas
partes pedir5 ssenhos stromentos anbos de huu teor este he pera o dito
O AUCHEOLOGO PORTUGUÉS 189
Steua naasquez. Feitos forS do dito logo daldea galega dezoito dias
de Janeiro Era de mil e qaatro Qentos e trinta e dous Snos. Testemunhas
que presentes stana Gii ui^ente priol e Johane eanes e Afonso Anes
e LfOureD90 martinz da poboa e Joham ui^ente E outros Eu Joham
afonsso tabaliS dEI Rej em Ribateio que este estromento E outro tal
anbos dhuu teor screvj e em cada huu deles meu sinal fiz que tal -f he» ^^
^iota. — No codice 286 do mosteiro de Alcobaca, na parte relativa aos mila-
gres de S. Vicente^ manuscrito que aparenta ser do Bec. xiii, encontra-se a se-
gnili te noticia concernente ao commercio do sai : «Huius profecto raartiris gloriosi
dignatn est meritis impntarì, qnod nauis aikobacie de concimili perìcnlo nanfragia
maris enasìt. Enimnero domnus abbas conmnni prouidens nsni fratrum, nanem
honerarium sale, qui multom habondans est alcobacie repleri preceperat, et ad*
portom alium, nbi carius emitur apportar!». (Fort. Moti. Hist. Scriptares, 100).
7* Tenda de urna arrala ou hatel. 1877
iSabhim fodos Come eu Pero uigoso come procurador de francisque
anes morador em santarem dou a nos gon9ale anes outrosj morador
em santarem bua aRaya do dito francisco anes na qual uos dito Gon-
gale anes andauades deste dia ata huu conprido que uos seiades aRayz
della e pesoeiro so tal preyto e condigom que uos a posades fretar
e mSLdar e guardela de noyte e de dia comò boo aRayz deue fazer
a qual aRaya uos dou c8 todos seus aparelhos que ella trou[uer] ao
tempo dora come barca da sua ujagem. E que outrosj uos defenda
das galéés se o fazer poder. E uos n5 auedes dauer outra aRayz zaria.
E outrosj deuedes trager bum mSgebo por anbos e dous de conpanha.
Eu gongale anes Recebo em mjm a dita aRayz zaria da dita aRaya e
outrosj Recebo a dita aRaya c5 todos seus aparelhos so as clausulas
e codicSes sobredìtas as conprir e m^teer comò dito he. E obrigo mjm
e todos meus bees a trager a dita aRaya pelo dito ano e leyxando a
e no ha tragendo e guardando corno dito he que dj em deante a traga
e mantenha e garde come aRayz c5 custas e despesas e danos que o dito
francisque anes pola dita Raz5 Re$eber e vinte ssoldos cada dia de pea.
feito foi na Cidade de lixb5a na Rua noua oyto dias de mayo Era de
mil e quatrocentos e quinze anos. testemunhas Martim uaasquez e fernS
galego e aluaro martinz tosadores e outros. Eu domjngos duraaez ta-
belliS d El Rej na dita cidade que este stromento screuj e aqui meu
sinal fiz que tal -f- he. pagou iiij soldos'».
1 Do Archivo Nacional. Mss. do Mosteiro de Chellas, n.** 896.
< Ibidem, n.» 1124.
193 O Abcueologo Poutugués
8. Testamento de Bui de Sousa» fllho de Boi Borges de Soasa, aleaide-iaar
de SaiitareiD. 1485
«Em nome de Deos padre Deos filho e Deos spirito Santo tres pes-
soas rrealmente destyntas e hu ssoo Deos natnral em hùa essen9Ìa
e em qne eu Ruj de Sousa filho de Ruj Borges de Sousa alcayde mor
que foe da muj nobre vylla de Santarem, creo, e confeso ser triudade
de pessoas e hunjdade em eaenjia, o qual per vertude do espirito Santo
encarnou no ventre ujrgynall de Nosa Senhora uirgem Santa Maria
aquall foe uirgem no parto e ante do parto e despoes do parto e està
uirgem pario o filho de Deos Jhesu Christo Koso Senhor sem algùa
currugom de pecado/ e elle Jhesu Christo creo que foe cni^ificado
morto e sopultado e ao terceyro dja Resorgyo sobio aos 9eos see a destra
de Deos padre donde ade ujr a julgar os ujnos e os mortos e eom està
ffee doendo me eu da mjnha alma, uendo em o mundo cousas mara-
uylhosas asy de mortes sopitanjas comò pestenen9as e guerras e znujta
deslealdade e desauen9a em nos cora9omes dos omens e uendo os jujzos
de Nosso Senhor sserem ta grandes confonneyme com a mjnha alma/
aquall achey mui enferma na ujsam destas cousas e propus de me apa-
relhar e estar prestes que querendo eie Noso Senhor sobre mj enujar
OS taes jujzos elle me achar desembargado das cousas quo perten9em
fazer a cada fieli erìstam e ouve por bem ey e ordeno e per mjnha
mftoo fa9o està presente cedulla e testamento/ e denon9Ìo aos pre-
sentes que a ujrem e conhecimento perten9er comò eu ey por bem
e mando que se cumpram as cousas em ella decraradas/ desemcarre-
gando mjnha allma/ e encarregando as deles sobre ditos// Primev-
ramente encommendo mjnha alma nas maaos de Noso Senhor Jhesu
Christo e de ssua madre ujrgem Santa Maria que ella com todos os
apostolos de seu filho Santos e Santas anjos e arcanjos que a queyram
leuar e gujar a ssua ssanta gloria amem ao tempo que eie Noso Senhor
ouver por bem de a deste mundo leuar// mando e ordeno que ao tempo
de tali finamente que o meu corpo seja enterrado dentro em o moys-
teyro de Sam Dorajngos se ao tal tempo falecer em Santarem junto
com onde jaz o corpo e sepoltura de meu padre, e me sejam feytas
as eyxequias custumadas segnndo perten9e a semelhantes pessoas/
e se ao tal tempo for em outra parte aque9endo sobre mj o tal jujzo
de Noso Senhor seja enterrado na jgreja ou moysteyro primcipal em
tali lugar pera que se aja de treladar ao dito moysteyro de Sam Do-
mingos de Santarem por que asy he mjnha uontade e por se a ssobre
mjnha couva bua tumba de tres degraos cuberta de pano negro e cruz
branca de lynho fazendose as emxequias sobre dittas// Mando e or-
deno que fiquem por meus testementeyros a sab.er mjnha madre se
O ÀBCnEOLOGO POBTUQUÉS 191
for ujua e se nom meii jrmlo / ou o majs chegado parente que da Ijnha
de meu padre e mjnha for, que seja tali que o bem ffaga, e sendo
a dita Senhora ujua ella o fa^a e hu frade do ditto moysteyro de Sam
Domìngos que pera eli escolheram de mjlhor coneìenfa e de mjlhor
fama que no dito moysteyro òuver e eles sejam curadores e rreparti-
dores das consas de mjnha alma/ e ujndo ho tali cargo a meu yrmSo
ysso mesmo aja por ajudador o dito frade e asy o faram os outros
que so9ederom o tali earrego e menjstragom comò ditto he // Tomo
e aparto a estes sobre dittos testementeyros toda a mjnha ter(a de
todos meus bens aujdos e por auer que se acharem que per dereyta
uja me perten$em asy os de que eu for era posse comò os outros que
por elles llangem mSo achando que dereytamente a mj perten9erem/
asy de todo o movell comò da iTajz do quali mouell elles tomaram per
as emxequìas e criados que acharem que me serujdo tem pagando
a cada us delles seos casamentos ou dyuedas de seruJ90s asy comò
acharem que mo elles tem merecido e asy satisfaram quaes quer dyue-
das que per certa obriga9om acharem que eu de uja e aos que acharem
que a mJ deujam as demandem e ajuntem pera delas destribujrem se-
gundo mjnha ordenS9a e mandado tenho. // Mando que elles dittos tes-
tementeyros que a mjnha alma ouverem de curar, tomem e apartem
todos OS bens da rraiz que aa mjnha terga montar e os arrendem o
mjlhor que eles poderem em descarrego de ssuas congienfias e tàbem
sse do movell algo sobejar despoes de se fazer o que ditto tenho mando
que anendo hy por onde o empreguS em bSs de rraiz e tàbem se arre-
dem e asy a rrenda desto corno a dos outros sobre ditos seja pera hna
capela que elles ditos faram no alpendere de Sam Domjngos do sobre
dito moysteyro pedyndo lugar aos frades satisfazendo o moysteyro em
maneyra que o ajam por bem, aqual capela sera feyta em dereyto de
hum arco de moymento que comprado he por parte de meu padre que
Deos aja na sua gloria e he junto com a sua sepoltura na parede majs
fronteyra ao aitar de Jhesu que a sua sepoltura// o qual arco ficara por
arco da dita capella e seja de maneyra e grandor que a fazenda que
pera elio teuerem Ihes der lugar e nela sera posto hu aitar do orago
de nosa Senhora da Congeygam e hiì corgefixo e rreuerenga de ssna
morte e payxom, e no meio da capella dyante do aitar sse poera hil
moymento de pedra mujto alua com letaras em rredor que dygam quem
aly jaz e as armas dereytas dos Borges segundo as meu pay trazia no
dito moymento e escudos laurado tudo na mesma pedra/ ao qual moy*
mento sera treladadà e metida a ossada do dito meu padre que Deos
aja// e na parte do auangelho antro o arco e o aitar S na parede sera
posto h3 moymento pera mjnha osada que nelle treladaram e meteram
192 O Abchbologo Poktuqués
de bua pedra alua asy obrado e pela maneyra posto corno o de Àfomso
Pereira o Reposteyro morador dell Rey dom Afomsb o qajnto qne Deos
aja na sua gloria qae està em Sam Francisquo no dito lugar de San-
tarem na capela de Santo Antonjo a mio do aaengelho em p qoal moy-
mento seram postas mjnhas armas a saber as dos de Soosa e as dos
Borges as de Soasa a parte dereyta e as dos Borges a ezqaerda me-
tydas a quarteyr5es em hu escudo/ e letaras no moymento que dygam
comò eu aly me mandey langar e hu letereyro a^ima de moymento
que conte comò mandey ffazer aquella capela so bonrra e loavor de
nosa Senhora da Con9ey9om e da morte e payzam do seu santo bento
filho que de nosas almas se queyram amer^ear e auer em a sua gloria//
e tlbem avendo em memoria o nome e o lynhagem do dito Senhor
meu padre e mjnha e dos sepultados socesores nosos em a dita capella
e o moymento que do arco sayr sera posto da otra banda e nele se
mdteram as ossadas de mjnhas yrmSs que em rredor do dito senhor
seu padre que Deos aja em sua gloria foram soterradas e os que des-
poès verem sse poderem lan^ar atras que do noso lynhagem forem //
It. mando aos ditos meos testementeyros qne fa^om sempre de contino
dezer bua mjssa de Reque em a dita capela por mjnha alma e dos
defuntos nella sayndo sobre as sepolturas com Responso e aoga beuta
e sera fechada a capela com grades de paao ou de ferro// jsto mando
que se faga Uogo auendo hy por onde e n%o avendo que se cumpra
logo o majs necessario e o ali fique ata que as Rendas posam soprìr
e se despendam sempre nas sobre ditas cousas e em alguaa obras mere-
tores asy corno pobres orfiU)s catiuos enuergonhados// It. mando e leyxo
que se faca hu compremjso damynejstragom desta capela com as Sen-
das a suso decraradas a eia anexas dos bens da Raiz comò dito he
a qual Rajz se no posa uender nem nada dola se fazer ssomente Ren-
dendo pera aquella capela e cousas corno ditto he ficando por mjnjs-
tradores dela a Senhora mjnha madre e dela em meu jrmSo e dele
nos parentes majs chegados a meu lynhagem que pera elio forem com
frade sobredito e por que està he a mjnha hultima nontade e delo
ma prouve auendo por nehuas todas outras 9edulas e testamentos qne
feytos tenha e fiz està em meu propio syso e acordo per mjnha letera
e asynada do meu synall feyta em a Jlha da Madeyra nos dyas dezi-
mados de Nesso Senhor a xb djas do mes de feuereyro em a era de
Noso Senhor Jhesu Christo de mjll e iiij® Ixxxb anos/ do quali £u Re-
queyro a todo aquelle ou aquella da parte de Noso Senhor Cm9Ìficado
e da de Nosa Senhora uirgem Santa Maria em cuja malo a dita gedola
e testamento verter ou aehada for que elle a proujque e fa^a proujcar
e leuar as dos sobre dittos meos testementeyros sopena deles ditos noso
O Archeologo Portugués 193
Senhor e Senhora sua madre uirgetn Santa Maria Iho demandarem asj
neste mando corno no outro desencarregando mjnha alma sobre elle e
encarregando a dele dito que o tal cargo em sna malo ouver. //
Encomendo me a nosso Senhor crugificado que mjnha alma aja S
seu poder=jBtty de Sousa,
(Do Archivol^acional. — CoUocfio especUl, ealxa 165, doc. CS, ma^o 1).
9. Degpacho na atfandega de Ormux da seda qao Xà Abbas» rei da Persia
mandoa ao de Portogal. 1618.
«0 L.® Nicoiao da Sylua Veder da fasenda de S. Magestade neste
Beino d'Ormus mando a dioguo Coelho escriuao grande desta alfan-
digua que tanto que Ihe este for apresentado proueia os liuros duella
do anno de seis gentos e none e treslade ao pe deste mandado o des-
pacho quo se fes na dita alfandigua a desoito d'Abril do dito anno da
;eda que xà Abbas Rei da Per9Ìa mandou de presente a £1-Rei Nosso
sur. e outro si treslade o termo e asento que se fes com ex beque
iusbaxi embaixador do dito Rei da Per9Ìa e com coie Raiabo portador
da dita geda perque depuserSo e decIararSo que ija de presente para
S. Magestade e que nào era mercancia o qual despacho e asento farà
da maneira que se nelle contem sem acre9entar nem deminuir, por
conuir assi ao seruigo de S. Magestade. dado em Ormus a 10 d^Agosto
de 6l3.=Nicolao da Sylua.
Satisfasendo o mandado do silor Veador da fasenda sertefiquo eu
diogo Coelho yscryuSo grande desta allfandigua dormus prover os Uy-
vros dos despachos que na dita casa se fazem e nelles achey que des-
paehara mar9all de ma9edo feitor de sua Magestade em dezoito dabrill
de min seis sentos e none bua copia de seda cuyo tresllado he o se-
guynte. — dispachou mar9all de ma9edo feitor de sua Magestade por
eli Rey nosso snor duas mil e duzentas vinte duas fara9ollas de seda
que xà,'Rey da persia manda de sauguate a eli Rey noso snor con-
vem a saber vinte simquo cargas de seda digillao e secemta e bua
carga de seda de cora9one que toda yunta vem a fazer a cStia asyma
decUarada aquall seda toda foy despachada e avalliada nesta allfan-
digua dormùs pelle corretor mor e outros corretores que pera mais clla-
reza forào chamados pelle 11.*^" Francisco de gouvea ouvidor gerall
e veador da fazenda desta fortalleza estando prezente o feitor de sua
Magestade mar9all de ma9edo e o contratador fem&o xemenez e a seda
degillao se achou que valila no bazar a vinte e cito pardaos dillaris
a fara9olIa e a seda de cora9one a vinte deus pardaos dellaris a farà-
golia e por se fazer fauor neste despacho visto ser de sua magestade
asemtarào o dito veador da fazenda feitor de sua magestade e com-
13
194 O Archeologo Portugcés
tratador dallfandìgiia que bua e outra se despachase a dezanove par-
daos de sinquo llaris a fara9oIla en que fiqua o favor asyma declla-
rado e que da comtia que nestes direitos se montar se pasem deste
llyvTO papees lliquidos e desembarajados pera o dito comtratador poder
aver o seu paguamento aprezentando os na mor alidada por asym estar
asemtado palio dito veador da fazenda visto ser o dito comtratador
'. devedor de sua magestade por Rezlo de seu comtrato e mandou o dito
i ouvidor gerall que ao pe deste despacho se terlladase o termo que fes
I embaxador da persia e o portador que llevio a seda pera sempre
j. constar corno he de sua magestade e despachada a dita seda montou
de avallia9lo a onze por sento mill e sento e cito lleques vinte dous
azares dous sadis sinquoenta dinares que vem a ser de direitos lliquidos
sento e des lleques oitenta dous azares dous sadis vinte sinquo dinares
e de hu por sento onze lleques oyto azares dous sadis vinte dous di-
nares OS quais direytos e hu por sento per contas de pardaos vem
a montar coatro mill seis sentos coreuta quatro pardaos os quaes dj-
reytos forào feitos pellos yscriv3ies desta allfandigua coge naser e coge
solleymSo e Hangados neste ly\TO por mym amador pereira yscriulo
grande desta allfandigua onde se asynarao as pessoas asyma declla-
radas oye dezolto dabrill de mill seis sentos e none annos. — Francisco
de gouvea — marjall de magedo — amador pereira — fernSo xemenez —
bras da Costa — Coge naser — Coge SoUeymSo. tresUado do termo en
que asemto atras fas men93o — aos^dezaeeis dias do mes de abrill de
seis sentos e none anos nesta fortalleza dormùs eu yscrìudo em compry-
mento do despacho asyma com o Uyngoa fomos as pousadas do ex-
beque yus baxy embaxador e de Coge Raga botony e Uogo por elles
me foi dito que a seda da contenda vay para o Reyno e é sauguate
que manda o Rey da persia a sua magestade e n3o era mercansia de
que eu yscryvào fis este termo em que se asynarSo os asyma asynados
com dito llyngua e eu Uucas nogueyra yscryv^o que ho escrevy de
ysbeque yus baxy. de Coge raxa bopony. lluyz de Seyxas. o quali termo
foy aqui terlladado do propio bem e fiellmente sem acre9emtar nem
demenuir couza allgua que duvida fa9a e me asyney aqui em ormus
a dezoito dabrill de seis sentos e none — amador pereira o guazil e ea
diogo Coelho yscryvfto grande desta allfandigua terlladey tudo na ver-
dade sem acresemtar nem demenuir couza allgua pelle llyvro do des-
pacho desta allfandigua asy corno me foy mandado pelle sfior veador
da fazenda em ormùs aos doze dias do mes de agosto de mìU seis
sentos e treze anos = diogo Coelho • *.
1 Do Archivo Nacional. — Corpo chrmxologicoy parte i, ma^o 116, doc. 2.
O ABCHEOt-OGO POBTUGDÉS
196
rM:.
10. Monumento rostanrado
fNo seculo XIV e no reinado de el-rei D. Dinis houve desordens
ameudadas no reino, notando-se que o povo se havia dividido em dois
partidos: nm, acatador da vontade rea), e outro, que acompanhava
principe D. Afonso, depois rei
com o titolo de D. Afonso IV.
Os animos estavam excitadis-
siraos e chegaram-se a formar
dois exercitos que estavam para
travar batalha nos campos de
Alvalade, onde hoje existem o
Campo Grande, o Campo Pe-
queno e arredores.
A rainha Santa Isabel, es-
posa de el-rei D. Dinis, diligen-
cion estabeleeer a harmonia entre
pae e filho ; mas somente em ves-
peras de se travar batalha con-
seguiu restabelecer a harmonia
que tanto ambicionava, obtendo
que D. Afonso fosse pedir per-
dio a seu pae, que a instancias
da esposa Ih'o coneedeu, aben-
5oando-o.
Este facto produziu urna mu-
dan9a enorme nos destinos da
naglo; e para commemorar t^o
fausto acontecimento a rainha
mandou collocar um padrSo no
sitìo onde se pretendia dar ba-
talha.
Este padr2to foi certamente
deslocado por eausa das mudan-
9as que o locai sofFreu, sendo
mais tarde coUocado j unto ao muro
da quinta das Cortes, onde hoje
se encontra.
O vandalismo ainda poupou aquella preciosa reliquia, que consta
de um parallelipipedo de pedra com uma inscrip93o de que damos
urna copia, tendo por cima uma columna de marmore. Tudo isto esti
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Fig. 1.*
196 O Archeologo Portugués
mettìdo em am nicho, de que damos ama ideia aos nossos leitores
pelo desenho junto. •
Urna oliveira, symbolo da paz, coUocada posteriormente ao monu-
, mento, cobre com a sua sombra
SAÌiTAi I ZAB aquelle historìco padrSo.
y lEh RAINHA DE [(fosultimosannosalgaeinqQe-
PÙRTVX5AL MV NDOV* rendo conservar o monumento fei
COLLOCAi ES'E PA ' "™*^ reparagoes que tinham um
DRAM JEj^'E D/Gjtl caracter pouco proprio.
£^^EMÒRk DA *PAS Ultimamente o sr. general
CBFICA^O QVE ISEL ^^^^^ ^® Alcantara Gomes, ins-
LE FEZ ENUE SE/ JVP^ pector dos monumentos na cir-
RIDO ELREI D. DNIS c™scri5aodo8ul,promoveuares-
E SFVP^ n AFOM^O ♦aura9ao do padrao, dando-lhe um
4^rCTAlur%rfc -da cpt^a ^P^^*^ ™^s ®^^^ ^ respeitavel.
ti A SEDA" Quem passar pela Rua do Arco
*y5j^ V» ^'^ tKADC doCego,umpoucoantesdechegar
Vo2r3«^' ao Campo Pequeno, encontra do
*'*»• *■• lado direito o monumento de que
estamos tratando, que, apesar de modesto, recorda lun facto de grande
valor historico.
Os desenhos (figs. 1.* e 2.*) que acompanham està noticia repre-
sentam o monumento comò deve ficar depois de concluida a restauragSo
e a inscripgSo, que tem a data de 1323».
{Diario de Notieias, de 25 d& julho de 1904).
Nota. £ desnecessario dizer qae a ìnscrìpcSo é quando muito do sec. xtii.
Paleographìca e linguisticamente é d*esta epoca.
11. Um silo em Santarem
cOs cabouqueiros que andam trabalbando nos terrenos ultimamente
adquiridos pela camara municipal para o alargamento do cemiterio dos
Capuchos encontraram hoje ali um silo que deve comportar dez ou doze
moios».
{Diario de Notieias, de 21 de Maio de 1S04).
12. conTento de Santa Clara em Santarem
«Santarem, 27. — Voltamos a referir-nos de novo ao velho convento
de Santa Clara (figs. 3.* e 4.*), porque os factos occorridos e as scenas
vandalicas que se desenrolam à nossa vista provocam o protesto ener-
gico e reclamam urgentes providencias.
O Archeologo Portugués
197
Qae se seja ignorante a ponto de nào se evocar a historia que
brilha em cada trecho d'aquella velha construcySo; que se seja, alem
de Ignorante, indifferente às bellezas d'aquelle antigo convento, bellezas
esparsas pelas ruinas que os silvedos cobrem, mal se comprehende nnm
meio de tantas e tILo illustradas pretensSes; mas que se seja cnmplice
da selvajaria, assistindo-se de olhos cegos às scenas verdadeiramente
iconoclasticas que dia a dia se praticam naquelle abandonado edificio,
isso é que em absoluto se nSo comprehende nem descnlpa.
Se em vez de uma breve locai houvessemos de escrever a mono-
graphia d'aquelle extincto convento, diriamos que os espectros das da-
ristas pairavam pelos velhos e majestosos claustros, bradando centra os
invasores, a quem sobra em gros-
' * -Ài
saria e atrevimento o que Ihes falta
em espirito de arte e delicadeza de
sentimentos.
O extincto convento de Santa
Clara de Santarem, conhecido de
nacionaes e estrangeiros pelo que
d'elle se tem escrito, està prestes
a desapparecer, para viver apeuas
naquelles escritos e nas photogra-
phias e gravuras que d'elle se teem
feito.
Morta a ultima freira, .... veiu
a Fazenda Nacional a annunciar a
venda em basta publica de todo o p, , a ,
continente. Era um encargo e con-
vinha alijà-Io. Nem historia, nem tradÌ93es, nem bellezas de architeo-
tura e riqnezas de talha sustaram o impeto. . . ., e tudo se dependurou
dos labios do pregoeiro, ansioso que qualquer burguès endinheirado
medisse o seu criterio artistico pelo peso em metros cubicos de alve-
narìa que aquillo poderia dar. Nem mesmo isso o Estado póde obter.
Entretanto, surge o Ministerio da Guerra, que se interp3e, formu-
lando a necessidade do edificio para installagao de servigos militares.
O Estado cedia a si proprio, continuando assim a perpetuar a lenda de
que todos os estabelecimentos militares estariam na ma se nSo fossem
OS conventos. O caso é que o Ministerio da Guerra tomou conta do
edificio — diz-se que com o intuito de ali estabelecer um deposito de
fbrragens.
E à camara de Santarem nem o facto de nSLo ter casa propria para
ìnstalla$3o do seu hospicio, instituijUo que por muitas circunstancias
198
O Archeologo Portugués
carece de ser melhorada e amplìada, nem o facto de nio possnir casas
para depositos de todos os materiaes e utensilios adstrictos A adminis-
tra^ào municipale lembraram a necessidade de solici tar o velho edificio,
a firn de remediar aquellas graves faltas e de obter recursos, pela venda
dos materiaes dispensaveis para
asrespectivas obras, e ainda on-
tras que pudessem, mais cu menos
tarde, levar ao estabelecimento
de um albergue, que tanta falta
faz em Santarem.
O convento esti ao abandono,
preparando de tal modo a completa
mina que a ninguem aproveita e
que apenas significa o criminoso
desleixo a confirmar o desdempelo
passado.
Hoje é guarida de cig^os e
campo de opera^Ses a mal inten-
cionados. Ali abancam, ali prati-
cam toda a casta de attentados.
-Destroem, arrancam e levam o
que Ihes convem.
Desapparecem portas, grades,
azulejos, cantarias; destroem-se
as arvores das cércas, etc, e nenhum obstaculo se oppSe ao seu furor
vandalico.
Taes factos pedem providencias, e se alguem suppSe exagerado
o que aqui se affirma, duvidando do valor que ali existe, que ali vi,
percorra o edificio e obsei've, e comnosco concluirà que, se o Minis-
terio da Guerra nio póde com os encargos, a camara municipal de
Santarem acceiti-los-lia, porque tem ali muito a aproveitar em bene-
ficio do proprio municipio».
(0 Seciilo, de 28 de maio de 1901).
Flg. 4.*
18. €emiterio antico da Pena, em Lisboa
cForam hontem conduzidas ao cerni te rio orientai as ossadas hnma-
nas encontradas nas escavagoes feitas para a edificagao de um predio
na Rua de Camara Pestana, antigo Pateo do Surdo, em terreno que
pertenceu ao cemiterio da freguesia da Pena».
(Diario de Koticias, de 3 de junho de 1901).
O Abcheologo Portugués 199
le. Achado ein Alrito
Urna dlligenola
cA policia està procedendo a nma diligeneia sobre um achado na
villa do Alvito pelo pedreiro Augusto Filipe, que, andando a trabalhar
num .predio d'aquella villa, pertencente ao Sr. Jo3o Mariano Ferreira,
encontrou num buraco um pequeno thesouro, que o mesmo tratou de
g-aardar, vindo pouco tempo depoìs a Lisboa vender os objectos encon-
trados, que, segnndo consta, sSo 125 moedas de curo, pe$as e meias
pegas, do reinado de Filipe II de Hespanha e Filipe III de Portugal,
um grande celiar de euro, tres aneis de oiiro com pedras, um par de
brincos grandes do mesmo metal, uma salva de prata, um par de cas-
tigaes do mesmo metal, tres talheres tambem de prata, que o pedreiro
venderà por 350^000 reis; segundo diz a policia de Lisboa, aquelles
objectos valem mais de um conto de reis.
A policia jà mandou chamar algumas pessoas para as interrogar,
bem corno o ourives a quem os referidos objectos foram vendidos».
(O Stculo, de 6 de junho de 1904).
15. Pe^a de adaelag em Pinhel
tEra a villa de Pinhel, hoje cidade, cercada de muros de cantaria,
com seis portas e seis torres, a que acrescia o castello com duas bellas
torres, qne ainda hoje sao, apesar de multo arruinadas, dnas preciosaa
reliquias de architectura. Alem d'ellas pouco existe das antigas forti-
ficagSes: mas possue uma pega de artilharia antiga, feita de aduelas,
que tem muito merecimento archeologico. Eram duas, mas a outra,
de que ainda restam pedagos, foi victima, em tempo de D. Miguel,
de reiteradas tentativas de destrui(Io para se Ihe aproveitar o ferro,
que se nio conseguiu, apesar de todos os esfor^os, tal era a sua re-
sìstencia».
(José Osorio da Gama e Castro, Diocese e Districto da Guarda^ 1902, pag. 242,
nota 3).
Pedro a. de Azevedo.
fO escritor consciencioso vae estudando e emendando; a critica,
auxilia a investigar a verdade, e està é o unico alieerce da historia».
Teixeiba de Araqao, Vasco da Gama e a Vidigutira, Lisboa, 1898.
pag. xiv.
200 O Abcheologo Portugués
ProtecQfio dada pelos OoTemos, oorporagdes offloiaes
e Institutos scientifloos A Archeologia
22. Ezpiora^g na liha de Cos
O Sr. Herzog, professor em Gòttingen, foi encarregado de fazer
excava(oes archeologicas na ilha de Cos, o que realizoa no verio de
1898 com grande resuitado. Em 1902 emprehendeu nova expedig&o
scientifica à ilha, tendo concorrido para isso o Instituto AllemSo com
5."000 marcos, o Governo do Wurtemberg com 2:500 marcos, os ca-
valleiros de S. JoSo com 3:000 marcos, e varias pessoas de Stuttgart
com 2:000 marcos; os resultados foram ignalmente excellentes. Ha-
vendo o Sr. Herzog passado por Athenas e exposto noma sessao do
Instituto AllemSo o resuitado das suas excava95es, o Sr. Dòrpfeld abriu
urna subscrip^Io destinada a acudir is despesas de nma expedi(ao:
egyptologo Bissing, vir et docius et dives, deu 1:000 marcos, o lE-
nisterio de Wurtemberg 2:000, o Instituto AUemlo 4:000, a Academia
de Berlim 600, o Sieglin e o chanceller allem^ 5:000 marcos cada um.
(Vid. Revue Archéologique, 1904, p. 130).
Antigruidades monumentaes do Algarve
(Elementos para o volnme V da obra que com este titolo comegon a ser
pnblicada por Estacio daVeiga,— por elle deixados em mannscrito).
Ot>x*a, postuma
É sabido que Estacio da Yeiga, o benemerito explorador das antignidades
algarvias e fundador do Museu do Algarve, hoje encorporado no Musen Etimo-
logico Portugués, havia emprehendido sobre a archeologìa da sua provincia urna
obra vasta que intitulon Antiguidades monumentaes do Algarve, de que ebega-
ram a sair a lume, em vida do autor, quatro volumes (1886-1891), cujos assun*
tos sao summarìamente os seguintes:
Yol. I. Monumentos megalithìcos.
Voi. II. Instrumentos neolithicos avulsos. Placas de schisto omamentadas.
Bestos anthropologicos. Fauna esparsa.
Yol. III. Defesa da idade do cobre. Eiqueza mineira da Iberia. Xecropole
de Alcalà (ou Alcalar).
Yol. IV. Idade do cobre e do bronze e primeira idade do ferro. Inscrìp^òes
Sbericas.
Ao ultimo volnme deviam seguir-se outros. Estacio da Yeiga todavia deixou
apenas redigidos por inteiro os quatro primeiros capitulos, e parte do 5.* do voi. v.
O Archeologo Pobtugués 201
Os quatro primeiros capitulos constam de texto e de nm snmmarìo ; a 5.** capi-
talo, corno ficou ìnacabado, nfto tem snmmarìo ^ Este mannscrìto foi mandado,
com muitas provas de estampas lithographicas, para o Minirterìo do Beino,
donde eu recebi indo, corno director do Maseu Etimologico, em 15 de Fevereiro
de 1897, acompanhado de nm officio da Direc^fto Geral de Instmcg&o Pnblica,
d^aqnella data, com o n.^ 34 (Livro xxvi, 3/ Reparti^ao).
Aggregando-se ao refendo mannscrìto ontros materìaes quc existiam no Mu-
sen do Algarve, tal corno nm importante Atlas archeologico, e apontamentos
aynlsos, cartas e catalogos, podem continnar-se, em certa medida, as Antigui*
dades numumentaes,
Snppondo qne, se de todos esses materìaes se publicasse n-0 Archeologo
aqnillo qne parecesse digno de o ser, se prestarìa honra à memorìa de Estacio
da Yeiga e servilo à scieneia, resolvt-me a fazé-lo. Eia corno procedo.
Com rela^ ao mannscrìto jà redigido^ fa^ o segninte:
Gap. I. Beprodnzo o snmmarìo, e o qne no texto vae de pag. 21 até o firn.
Gap. if. Beprodnzo apenas o snmmarìo.
Gap. iif. Beprodnzo o snmmarìo, e o qne no texto vae de pag. 1 a 2, de 5
a 8, e de 11 até fim (pag. 13), sendo porém as paginas 2, 5 e 11 incompleta-
mente reprodnzidas.
Gap. IV. Beprodnzo- todo, com o snmmarìo.
Gap. V. Beprodnzo-o todo. Elle, comò jà disse, ficon inacabado.
O qne deixo de reprodnzir creio qne nSo interessarìa immediatamente aos
leitores d-0 Archeologo. Os snmmarìos dizem ò bastante.
Do Atlas reprodnzo o qne completa os capitulos precedentes, e o qne os con-
tinua. Os restantes apontamentos, as cartas e os catalogos ntilizà-los-hei o melhor
qne en pnder, do qne adeante darei conta.
Escnsado seda dizer qne em nada altero o texto de Estacio, a n&o ser na
pontna^So e na oi*thograpliia, para ir conforme com as praxes d- Archeologo.
Qnando en tiver de fazer algnm acrescentamento ou observa^o, isso irà entro
colchetes.
J. L. DE V.
1 Consti taem 5 cademos, correspondendo cada um a scn capitalo: 1.^ caderno,
com 28 paginas (duas porém completamente em branco) ; 2.<* caderno, com SQ pa-
ginas (tres porém completamente em branco, e urna riscada) -, 3.*^ caderno, com 16
paginas (duas porém completamente em branco) ; 4.^ cadérne, com 18 paginas
(duas porém completamente em branco); 5.* caderno, com 3G paginas. 1.° ca-
derno està acompanhado de nm mappa craniometro cscrito pelo Sr. Dr. Ferraz
de Maccdo em foiba à parte. 5.* eademo està acompanhado de alguns desenhos
e decalqnes de moedas em foiba separada. — Cada caderno, e por isso cada capi-
talo, tem pagina^ao propria, qne nfto abrange porém os snmmarìos.
2 Està a lapis, mas assim o mandon Estacio para o Ministerio. Estes capi-*
tulos foram por elle escrìtos na cama, nos nltimos dias da vida. Fìcl ao sen pro-
gramma, e firme no sen posto, Estacio morren pensando na archeologia e no Al-
garve, qne tao querido Ihe era !
202 Abcheoloqo Portugués
CAPITULO I
Bnmmailo
A origem ou orìgens da humanidade. — As defini^òes da especie^ da variedade
e da ra^a. — Confrontam-se os tbcoremas da escola monogenista com os da po-
lygenista. — Pretende-se mostrar qne entre os individuos de ama ra^ vegetai
ou animai, derivados de ama tsptcit, ha mais consideraveis differen^as mor-
phologicas que as que separam as ra^as hamanas. — Bascam-se cxemplos
em determinados individuos vegetaes, e cm animaes domesticos, tomados
corno especies, para provar qne cada am d*elles tem prodazido numerosaa
ra^ai por maio de processos artificiaes, e que por tanto as diversas ra^as
humanas allo analogamente derivadas de ama unica unidade especifica. —
Kefuta-se està incorrecta assercao, nSo se admittindo compara^ào entre as
ra^as vegetaes e animaes, produzidas por artificios industriosos, e as ra^as
humanas, derivadas exclusivamente da livre selec9lo naturai. — Analysam-se
as defini^Òes respectivas & especie, & variedade e & ra^, e mostrando-se que
sSo baséadas em principios desconhecidos, declara-se impraticavel a sua
applica9ào e sem validadc as conclusdes que d^ellas se tem querido derivar. —
Indica-se a base fundamental para a inquiriySo das orìgens humanas. — De-
monstra-se que os criterios da ezistencia do homem sio multo mais antigos
na Europa qne na Asia. — Prova-se que na epoca geologica em que o genero
Homo surgiu na terra, nenbuma razSio scientifica excluia o seu apparecimento
em qualquer ponto da crusta tellurica; que sendo unicamente brancas as
ra^as autoothones da Europa, e por emquanto provadamente mais antiga
a etlmogenia europeia que a da Asia, mui presumptivamente as ra9a8 brancas
da Asia podem ter sido orìginarias da Europa; que assim comò no grande pe-
riodo terciario era igual a temperatura terrestre desde o equador até os poloa,
e foi em identidade de condi^ues geraes que em toda a terra surgiram os
mesmos seres e a grande fauna mammologica, nSo se póde negar k penin-
sula luso-iberica a faculdade de ter podido dar origem a uma autoctonia
propriamente sua, estando ella evidentemente demonstrada pelas esta^oes
do Monte Redondo, do Manzanarcs, de outras muitas fbrma^des quatemarìas
dos valles do Tejo e do Sado, e pelos kjoekkenmoeddings de Miigem, do Ca-
be^o da Arruda, de Salvaterra e de outros logares.
Os factos aathropologicos, embora em numero ainda miaguado,
parecem confirmar na generalidade da sociedade actual a pennanencia
dos principaes caracteres ethnogenicos do periodo neolithico e do pre-
neolithico das esta9oes do territorio portugués, com excepQào do pe-
queno grupo de cranios que julgo dever inscrever na epoca do predo-
minio maliometano, comò se ha de ver no mappa das superposi{5es
perimetricas, que adeante transcrevo de um manuscrìto inedito do meu
.competentissimo amigo Dr. Francisco Ferraz de Macedo. Està exce-
pfao é na verdade muito significativa, por deixar perceber que cinco
O Archeologo Portugdés 203
sectilos de domìnagSo arabica neste territorio foram insufficiente» para
alterar os caracteres ethnicos das antigas populaQSes peninsniares. '
Outra inducgào de valioso interesse scientifico, e tambem sobrema-
nein significativa, expressa o refendo mappa: o autor sómente encon-
troll na Enropa comparativa geometrica para os tjpos ethnicos da tran-
si{Io que corre dos tempos geologicos até o periodo neolithico; do que
resulta poder-se considerar que as ra^as da Europa sejam fundamen-
talmente antoctbones. Nunca porém se chegarà a uma completa com-
prova93o d'està ord^m, emquanto nSo se puder constituir na Europa
uma corpora^So de occidentalistas, que sob o ponto 'de vista ethnoge-
nicO) linguistico e industriai se proponha escrupulosamente extremar
e que è indigena do que se deve considerar viciado por mescla exotiea.
Antes d'isso a bistoria das primitivas sociedades europeias nXo se
poderà completamente escrever nem mesmo sem grave risco preparar,
estando-se roste a roste com uma escola de poderosos antogonistas,
mais austeramente asiaticos do que os proprios naturaes do Oriente.
Trabalhemos todos, cooperando cada um com o fruto das suas inves-
tigafSes. A mmba contribuijlo é està; nào a recommendo a ninguem,
podem aproveità-la, ou desprezà-la. Hoje, perante o indifFerentismo go-
ral, nSo tem certamente o minimo valor; é possivel, porém, que, a seu
tempo, Ihe achem algum prestimo.
Comecei a occupar-me d'este assunto no cap. ix do voi. ii d'està
obra, sendo a sua epigraphe — Observa^^ suscitddcLS pela etimologia
algarviense. Referi-me entSo aos unicos ossos que tinham ficado no
Musea do Algarve, por mim descobertos e colligidos em 1877 e 1878,
pertencentes a jazigos da epoca romana, os quaes foram estudados
em outubro de 1886 pelo meu mui prestadio amigo Dr. Francisco
Ferraz de Macedo, tendo tambem estereographado os que ficaram fi-
gurados nas quatro estampas do referido capitulo. Conviri pois ao leitor
tornar nota das condÌ93es archeologicas em que foram achados, a fim
de poder perceber que em grande parte representam typos indigenas
d'este pais naquella epoca, e bem assim das considera^Ses por mim
expendidas e pelo insigne anthropologista que os estudou.
Reproduzo porém aqui a tabella impressa na pagina 497, deduzida
do registro geral das diversas series nacionaes e estrangeiras, que
Sr. Dr. Ferraz de Macedo jà tinha estudado e preparado para a sua
mui preciosa e desejada obra, mais especialmente respectiva à ethno-
genia do territorio portuguès, em que ainda assiduamente trabalha;
mas para mais explicitamente se perceber a significarlo que a refenda
tabella nSo póde a simples vista expender, é indispensavel recorrer
às referencias e comparatlvas que precedem cada estampa, e que so
1
I
204 O Archeologo PoRTDGUÉs
o. Sr. Dr. FeiTaz de Macedo podia fazer em vista do ampio cadastmj
anthropologico que jà entào possuia.
A tabella é a que vae na pagina immediata *.
Quandi) a Aeademia de Bellas Artes exìgiu o espa90 em que o Musenì
do Alga^^ e esteve dez meses franqueado à concorrencia publica com
o pretexto de poder desenvolver as suas escolas, n^ se descobrìa ent^
outro edifìcio do Estado em que se pudesse alojar, e d'este modo fai
em setembro de 1881 transferi do para as arrecada93es da mesma Aca*
demìa, purém jà muito alterado na sua organizaQao pela retirada de im*
portantes eolleegoes partieulares, sobretndo por nlo estarem convenien-
temente preparadas as casas em que me vi obrigado a coUoeà-lo.
Vendo pois d'este modo inutilizado um museu que tantos trabalhos
me tìnha custado, e onde bavia deixado as minbas antigas collecgSes,
a firn de que ali mesmo conservasse alguma importancia, dirigi- me
à cidade de Faro e fundei uma soeiedade spientifica sob o titulo de Insti-
tiito archf'ologico do Algaì*ve. D'essa data em deante, percorrendo de
novo tiKla a provincia, emprebendi vàrìas explora95es e fiz acquisÌ9So
de iiimierosos padr5es arcbeologicos de diversas epocas, que conservo
na niinba residencia campestre, perto da cidade deTavira, suppondo
poder reoriranizar o museu em Faro com muito maior desenvolvimento.
Consegui tambem reunir uma collecylo de cranios de vàrias epocas, ,
mas n^o tendo podido reorganizar o museu na capital da provìncia, ;
a que por todos os titulos pertence, porque o Governo preferiu alo j
o deixar ?;air de Lisboa, julguei-me obrigado a trazer essa coUec9So, j
por n^lo ter no Algarve os instrumentos de que carecia para poder
Esludar os 4b exemplares de que se compunba, representando uma i
esta9ao noolitliica, uma necropole da transÌ9So da ultima idade da pedra
para id&tìv do cobre, entra da epoca romana e uma macbara mabo-
metana. Ciiegaram emfim a Lisboa semente 22 exemplares em estado
de se poderem estereographar e medir, porque todos os outros, in-
eluindo os de maior antiguidade, apesar de terem side cuidadosamente
aeondieìonados, appareceram reduzidos a fragmentos de impraticavel
rceomposii;jlo. Occupou-se do estudo d'estes, do mesmo modo que dos
do museiK o Sr. Dr. Ferraz de Macedo, todos porém habilmente este-
reograpliados corno mostram as estampas cujas copias se dignon offe-
recer-me J untamente com o interessante mappa, que em seguida trans-
ci^vo.
> [Est^eio nao juntou a tabella, pelo menos nUo a encontro no re^ectivo
legar [to matiuiscrito; corno porém ella j& està publicada no voi. ii das Antiguidadea
JJfmum''iifftÉifj pag. 497, 6 inutil reproduzi-la aqui. — J. L. de V.].
I
•-■'■ - ..5/
M
O Archeologo Portugués 207
Apesar de ser mai complexo este mappa, é ao mesmo tempo de facil
comprehensSo.
Mostra o autor as saperposÌQSes perimetricas de cada ama das ea-
l>e9as osseas do Algarve qae estereographou e compara-as com mais
de 700 perimetros antero-posterìores de outras cabe9a8 contemporaneas
portuguesas e estrangeiras de vàrias epocas, designando os logares
onde existem, as terras em qae jaziam, os sexos, as idades, os numeros
da serie qae formam e os do registro no sea cadastro geral; faz em se-
guida as comparativas perimetricas horizontaes; junta a tudo isto al-
gumas elncida^Ses esplicati vas; continua com dois quadros accessorios
das percentagens respectivas ao perimetro antero-posterior e ao indice
cephalico, bem comò às medias d'este indice, confrontado com as da
Crania Ethnica de Quatrefages e Hamy, de varios grupos estrangei-
ros, e termina com urna serie de interessantes conclusSes. Numa nota
expressa finalmente a significa9ào das abreviaturas que empregou.
Aos poucos trabalhos anthropologìcos que entre nós hào sido em-
prehendidoS; quasi sempre por inicìativa particular, se devem jà muitas
e valiosas manifesta^Ses. As solu93es definitìvas dependem porém do
desenvolvimento systematico que neste pais estSo reclamando os es-
tndos concementes à geologia e à archeologia, tanto paleoethnologica
comò historica.
Compete ao Ministerio de Instruc93o Publica nio adiar por mais
tempo estes importantissimos estudos cuja falta està inhibindo muitas
aptidSes distinctas de contribuirem para o progresso scientifico nacional,
se, com effeito, aos expendidos fundamentos, que determinaram a insti-
tuÌ9So d'esse ministerio, presidiu o patriotico intuito de levar a cultura
intellectual em todos os ramos de conhecimentos humanos a nivelar-se
com as das mais najSes de mais adeantada sabedoria.
APPENDICE AO CAPITULO I
I«— Carta cireolar
[Entendi que podia juntar aqni em appendice a carta circolar, redigida evi-
dentemente por Estacio, que servia nSo so de programma do Institnto Archeolo-
gico do Algarve, a que acima se allude, mas de con vite às pessoas que dese-
jassem alistar-se na classe de socios. Està carta està impressa em duas paginas.
Instituto nào foi por deante. — J. L. de V.].
. . Sr, — Està fundada na cidade de Faro uma sociedade scienti-
fica, intitulada e Instituto Archeologico do Algarve», tendo a seu cargo:
Reunir nesta cidade todos os monumentos e artefactos da industria
antiga sómente encontrados nesta provincia, a firn de organizar numa
20& Archeologo Portugués
t , I I . .1 », ...
parte do edificio do Seminario, jà concedida, um maseu de antignidades
prehistoricas e historicas, que represente scientificamente a feìglo ar-
cheologica d'està zona geographica.
Promover com a maxima brevidade a funda9lo e progresso de urna
bibliotheca publica na mesma cidade, para por este poderoso meio &-
cultar a instrucQ&o a todas as classes.
Publicar periodicamente um Boletim illustrado de archeologia mo-
numentai, em que sejam registrados e descritos todos os futures desco-
brimentos verìficados nesta provincia, e tenham publicidade os estudos
que melhor ideia possam dar da riqueza archeologica algarviense, bem
corno todos OS que possam contribuir para a solu^ao dos grandes pro-
blemas concernentes à ethnologia e ethnographia europeia, e por este
meio estabelecer tambem as possiveis rela9des com todos os institutos
da sua indole, tanto nacìonaes, corno estrangeiros.
Publicar, sempre que for possivel, as memorias e monograpfaias
avulso, que Ihe sejam offerecidas, sobre qualquer especialidade archeo-
logica d'està provincia, quando tenham sido examinadas pelas sec^Ses
a que os assuntos pertengam e approvadas pela redacgSo do Boletim,
que exercerà as funcgoes do conselho censor.
Promover e admittir prelecjSes publicas sobre assuntos respectivos
ao programma dos trabalhos pertencentes às secfSes, para por este meio
attrahir aos seus auditorios as aptidSes mais distinctas e illustradas,
incitar o gesto e preparar os talentos para està cultura da instrucgSo
superior do nesso seoulo.
Procurar os precisos melos para emprehender explora9Ses archeo-
logicas em logares nio ainda explorados^ ou naqaelles que tenham
apenas tido simplices reconhecimentos.
Velar pela conservagao dos monumentos religiosos, civis e mili-
tares de toda a provincia, empenhando os maiores esfor90s para im-
pedir a sua demolÌ9ào ou qualquer alterarlo no estilo architectonico
fundamental e solicitar as repara9Ses ou restaura9oes parciaes dos que
manifestem ruinas, ou desfigura93es que tenham alterado a pianta
e estilo synchronico da primitiva construc93o.
Finalmente, revindicar perante o pais a considera9§lo que compete
a està desprotegida provincia com o simples facto da funda9ao do Ins-
tituto Archeologico e por todos os melos de que possa dispor, sendo
um dos principaes o congresso de todas as pessoas illustradas por seus
conhecimentos scientificos e literarios e distinctas por seus elevados
sentimentos patrioticos.
Com este programma trata a Direc9ao Geral do Instituto de con-
vidar as pessoas de maior distinc9So de toda a provincia para se alis-
O Archeologo Pobtugués 209
tarem nas classes de Socios Correspondentes, Socios Provinciaes e So-
cìos jBenemeritos.
Socios Correspondentes podem ser, nas quatro cidades, onze villas
e sessanta e seis freguesias do Algarve, todos os individuos de reconhe-
cida iliastra^So que queiram prestar-se ao desempenho dos servÌ90s
que Ihe forem solicitados pela Direc9ào Geral, ou pelas secgSes espe-
eiaes em que 'se acha dividido o Instìtuto. Cabe-lbes o zeloso dever de
participarem ao director do museu o descobrimento de qualquer anti-
guidade que se verifique no territorio do concelho em que residam
e impedirem por todos os meios ao seu alcance a destrai$So do objecto
descoberto, quando nSo possam logo adquiri-Io por generosa eoncessSo
do proprietario para o enriquecimento do museu. Tem accesso a classe*
de Socios Effectivos, quando nesta elasse haja vacaturas e fixem a sua
residencia na sède do Instituto^ ou em distancia tal, que Ihes permitta
o desempenho dos cargos para que forem eleitos. Tem logar reservado
nas sessdes solemnes, e nas das secjSes o direito de discussào. Tem
livre entrada no museu com a faculdade de desenharem, copiarem
e tomarem quaesquer apontamentos. Tem direito a um exemplar de
todas as publica93es do Instituto pelo simples custo da impressa©, e re-
ceberào gratuitamente um diploma corno titulo que qualifica os seus
meritos pessoaes. A sua contribuigao pecuniaria limita-se à, joia de
500 réis pela entrada e à diminuta quota mensal de 100 réis. Nas
outras provincias do reino so podem ser Socios Correspondentes os
escrìtores que houverem publicado alguma obra de archeologia e os
individuos de mais comprovada illustra9ao, bem comò nos reinos es-
trangeiros so os sabios qu^ tiverem obras publicadas sobre algum dos
assuntos de que se occupa o nosso Instituto. Para os correspondentes
nSo residentes no Algarve nào ha encargos pecuniarios, mas as mesmas
mencionadas regalias, quando se apresentem ao presidente, ao secre-
tano geral, ou ao director do museu.
Socios Provinciaes podem ser em todas as terras do Algarve as
pessoas de maior distincs&o de ambos os sexos, que comprehendendo
elevado alcance de uma tal instituÌ9ào e a honrosa nomeada que este-
facto deve conquistar para està provincia até agora tao esquecida
e mal cuidada, qusierem por seu brio pessoal, por seus sentimentos
patrioticos e por uma especial dedica9ào pelo progresso do seu pais
natal, concorrer para a manuten9So d*esta sociedade scientifica com
a mesma diminuta contribuÌ9ào estipulada para os Socios Correspon-
dentes. Compete aos Socios Provinciaes o zeloso servÌ90 de communi-
earem ao director do museu o descobrimento de algumas antiguidades
de que tenham noticia e de empenharem o seu valimento para que
210 O A&CH£OLOGO POETUGUÉS
nSo sofFram destruÌ9fto, quando nào possam adquiri-las e assim ao-
mentarem a riqueza archeologica do museu. Para a classe dos cor-
respondentes e mesmo para o enchimento das vacaturas no quadro
dos effectivos podem transitar os provinciaes, quando reiinam as con-
digòes exaradas nos estatutos, e com rela9So a direitos sSo equiparados
aos correspondentes.
Socios Benemerìtos podem ser as pessoas de ambos os sexos qae
em suas propriedades permittirem explora^oes e cederem em proveito
do museu os monumentos e artefactos antigos que se deseobrirem, oa
que ji tenham sido anteriormente descobertos; podem ser os collecto-
de antiguidades do Àlgarve que depositarem no museu as suas coUee-
gSes, por haverem entendido ser mais util para si e para todos te-las
accessiveis ao estudo do que ignoradas nos sèus domicilios ; podem ser
os possuidores de selectas livrarias, que preferirem deposità-las na
bibliotheca do Instituto a té-las em sua residencia som tao grande uti-
lidade, os ofFerentes de monumentos e livros valiosos, os consignantes
de terrenos em que haja antiguidades irremo vi veis e de verbas que au-
xiliem pela sua importancia o progresso do Instituto, ou que declarem
por um documento escrito contemplà-lo com algum legado. SSo estes
socios isentos de qualquer contribuiamo pecuniaria; gozam todos os di-
reitos dos das classes de correspondentes e provinciaes, e por Copecial
distincgào terào os seus nomes inscritos num quadro emmoldurado e affi-
xado numa sala do museu comò em considera9lo aos seus servi^os.
Em geral todos os offerecimentos valiosos, feitos ao Instituto por
qualquer pessoa, serào registados e agradecidos.
Expendidos pois os iìns que o Instituto Archeologico do Algan'e
se propSe desempenhar e os testemunhos de especial apre90 com que
contemplarà todas as pessoas que queiram auxilià-lo nos seus empre-
hendimentos: na qualidade de representante da commìssào filìal da
Direc9Eo Geral na sède d'este concelho, tendo na mais particular con-
sidera9ào as distinctas qualidades de V. , tom a liberdade de
inscrever o nome de V. na classe de Socios ,
declarando que sera solicitado a Direc9ào Geral o respectivo dipiuma
para as pessoas, que, passados tres dias, nlo devolverem ao presi-
dente d'està commissào o presente convite com a declara9So da sua
ìAo esperada recusa.
Com a mais subida considera9ao subscrev — De v. , m.*"
rev.*® e respeitoso = *.
I
1 [Os claros deviam ser preenchidos conforme as pessoas qiie assinassem a
circular e aquellas a quom ella fosse dirigida.— J. L. deV.].
O Archeologo Portugués 211
A moeda de D. Antonio cunliada em Gorcum
Em 1903 o editor Johannes MiiUer, de Amsterdam, publìcou La
monnaie da roi Awtoine de PoHugal à Gorichem (Gorcum)^ por L. M,
Rollin Couqnerque. E um livro com 161 pags. de texto e 80 pags.
com varìos docamentos ineditos, qae o orìgìnaram, 15 em hollandés,
7 em frances e 1 em italiano. Impresso eom luxo e esmero, é illustrado
com duas estampas phototypieas que mostram typos figurados no voi. i
das Moedas de Portugid, por Teixeìra de AragSo, estampas xx^^II e
XXIX.
O autor comega por esaminar as causas eomplexas que tomaram
prospera a sitoagao monetaria da Hollanda nos fins do seculo xvij
mesmo atrarés de contrariedades, movidas por cambistas sem escni-
pulos e pelos fabrìcantes de moeda falsa estrangeira, qae ali eireulava.
O commercio entre Portugal e aquelle pais era entlo multo impor-
tante, apesar das guerras com a Hespanba, mantide principalmente
por Judeus portugueses, descendentes d'aquelles que ali procuraram
refugio na epoca nefasta do fanatico D. Joio in, e por isto a moeda
de cunhos portugaeses nio faltava para acompanhar o movimento mo-
netario.
Segaidamente o autor occupa-se da vida politica de D. Antonio,
desde a sua elevagXo à reale za até que morreu pobre e abandonado
no exilio.
Na longa narrativa expSe, bem definìda e comprovada, a hìstoria
da casa monetaria de Gorcum, restabelecida em 1583 por um par-
ticular, moedeiro Hendrik van Velthuyzen, a instancias do frances
Pierre Dor, que ent&o era embaixador do rei proscrito junto dos Es-
tados Geraes da Hollanda. A officina progrediu. Foi notavel a activì-
dade que desenvolveu até 20 de Fevereiro de 1591, anno em que a mu-
nicipalidade de Dordrecht ordenou à sua extinc^Io. Até 22 de Fevereiro
de 1586 cunhon moedas de curo e de prata em nome de D. Antonio,
moedas que circularam nio obstante a inferioridade do seu quilate. ,
O livro encerra informa5oes numismaticas, que interessam espe-
cialmente aos portugueses. Nào resistimos ao empenho de apresentar
resumé de tres documentos comprovativos ali compendiados, que dio
noticias até ao presente ignoradas; elles destroem considera93es hypo-
theticas, que de longa data chegaram i actualidade no mesmo estàdo
morbido em que nàsceram.
Pelo documento n.® m sabe-se que Pierre Dor, em 10 de Outubro
de 1583, ordenou ao moedeiro e proprietario da officina de Gorcum
14
212 O AttCREOLOGÒ PORTUGUÉS
qae lavrasse cineo padrSes de moeda de ouro e nrn so padrào de moeda
de prata.
A ordem, tal qual foi expedida, diz:
1) La monnoye appelée le Portugues à son pois apertenant et d'alloy
de vingt dcux caratz et ung grain, remède denx grains libres.
2) Le milleres (moeda de dois cruzados) à son pois apertenant et
d'alloy de vingt caratz, remède deux grains libres.
3) Le demy milleres (cruzado de 500 reaes) à Tadvenant au mesme
alloy.
4) L^escu de Portugal à petite croix (cinizado com a emz de S. Jorge)
à son pois apertenant et d'alloy comme le milleres.
5) LVscu de Portugal à haulte croix (cruzado com a cruz sobre
monte calvario) à son pois apertenant et d'alloy de dixneuf carats
et demy, remède deux grains libres.
G) Le teston (tostSo com a cruz da ordem de Chrìsto) de Portugal
pesant 30 pièces le mare et d'alloy dix deniers, remède deux grains
d'alloy et deux estrelains au pois libres.
Pela traduc93o francesa do documento n.^ xiv, a pags. 89-90,
vè-se que foram cunhados estes padrSes em 1583 e, posteriormente,
outros de ouro, frac^Ses do portugues, comò se segue.
7) Le demi portugalois monnayée le 18 juillet 1585; son poids
éiait exact et comportait 11 esterlins 12 as. On en avait frappé pour
1 mark.
8) Le quart d'un portugalois datant du 25 aoùt 1585 dont on avait
frappé un marck, 7 onces, 16 esterlins; pesait 5 esterlins 24 as.
9) Le seizième d'un portugalois datant du 25 aoùt 1585; pesait
1 esterlin 12 as.
As tres moedas, 7) 8) 9), figuradas na estampa xxix de Teixeira ,
de AragSo, foram assinaladas com a letra P à esquerda do escudo de I
armas de Portugal com as respectivas designa$3es fraccionarias k di-
reita. Este autor interpretou, hypotheticamente, a letra P por peso j
e as fracgSes por subdivisSes d'elle, o que nSo é exacto. O proprio
documento acima refendo trata o assunto rigorosamente & luz da ver-
dade.
A moeda 7), n.** 5 de AragSo, */« — P, é o meio portugues, equi-
valente a 5 cruzados; a moeda 8), n.® 6 de Arag&o, */4 — P, é o quarto
de portugues, ou dois e melos cruzados e a moeda 9), n.^ 8 de Aragio,
V*« — P> é * decima sexta parte do portugues, equivalente a dois e
meio tostSes de prata. Lemos da direita para a esquerda, porque as
legendas monetarìas nSo se léem do modo contrario. Seria inadmis-
sivel ler em P — Vi portugues meio.
O Archeglogo Portuguès 213
Pelo documento n.** iv fica patente o motivo que deu logar à.cunha-
gem da imita§ao do franco de Henrique III, figarado sob o n.® 7 da
estampa xxviii de AragSo.
Em 23 de Junho de 1584, Pierre Dor, por soUicitagSes da admi-
nistra^So da casa monetaria de Gorcum, ordenou que fosse cunhada
xnoeda de typo novo, do mesmo peso dos tostSes, de la mesme forme,
pkilozomiej inscription et coing quii est paurtraict cy-dessous, e juntou
o desenho que se reproduz aqni.
• •'•••
A barbaridade artistica d'este esbo90 permitte que hoje seja ava-
liada a competencia do diplomata na politica monetaria. Com effeito,
cedendo &s soliicita95es dos moedeiros, nSo viu que a sua excentrica
imitagào do franco henriquino seria necessariamente fatai ao exito do
intuito ìnteresseiro a que se propunha.
Nao póde ser mais detestavel està prova de incapacidade artistica,
que OS moedeiros aperfeÌ9oaram comò Ihes convinha*. No exergo do
busto foi impressa a letra A, que póde significar ANTONIVS ; porém
ANGRA é que nSo significa, porque é impossivel admittir que as
moedas de Gorcum fossem criadas paraviajar a té às Ilhas dos AQores,
onde dominava o poder de Filipe II de Espanha desde 11 de Agosto .
de 1583, sabendo-se que as primeiras emissSes appareceram depois
de 10 de Outubro d'este anno, corno jà dissemos.
No reverso da moeda foram impressas as letras P R, (PORTV-
GALI^ REX) talvez para que o vulgo as confundisse com a letra H,
inicial de HENRICVS, coUocada na parte centrai da cruz floreada dos
francos autenticos. Os moedeiros, habeis na technica particularmente
secreta do officio, com estas altera95e8 amoedaram prata de 7 dinhei-
ros! Desde entào a moeda de D. Antonio soffre u grande abaio no seu
credito antigo.
^ Yeja-se o n.° 7 da estampa xxviii de Àragao.
1
214 O Abcheologo Portugués
O facto contrìbuiu para que se inallograssem os esfor^os que o in-
feliz rei fez para angariar meios pecuniarios, provenientes dos direitos
de senhoriagem, com que novamente se defrontasse com o poder do
seu irreconciliavel inimigo, em cujas mtos a fiUalidade e a infloeneia
de traidores coUocou o sc^tro dos reis de Portugal.
Para concloir està breve serie de noticias interessantes, diremos
qoe n%o se deve estranhar qae nas duas estampas do livro do Sr. Rollin
Couquerque falte a moeda n.® 4 de Àraglo, cuja legenda no reverso t
TANDEM BONA CAVSA- TRIVMPHAT, porque os seus cunhos
jà nilo existiam em Gorcum no anno de 1868, corno Renier Chalon
diz a pag. 32 da monograplùa Don Antonio Rai de Portvgal, san hh-
toire et ses monnaies. A moeda foi, corno nos parece, le milhrcs, 2i,
ou dois cruzados de curo.
O livro do Sr. Couquerque é escrito em frances. A linguagem.
finamente borìlada, e o assmito, de tao palpitante attractivo, deliciam
o leitor até à pagina final. Os 23 documentos comprovativos, que o
autor eucontrou em differentes arehivos, principalmente nos jndiciats
e communaes de Gorcum, dao à narrativa historica autenticidade que
nSo tem contradita possiveL
Lisboa, Outubro de 1904.
Manoel JoAQum DE Cahpo8.
Um oastro com murallias
Umas das ruinas mais imponentes de muralfaas castrejas eao as que
ainda hoje se podem ver na sertaneja freg^esia de Oabreiro, concelbo
de Arcos de Valdevéz, em um alto caboto situado numa ramificarlo
da serra do Suajo, e chamado o Crasto dea Necessidades. £xplorei-o
em Agosto de 1903.
A muraiha, que o rodeia, tem uma extensSo total de 440 metros
e uma largura mais ou menos uniforme de 2 a 3 metros. As pedras
que a compSem, n2o tiveram lavor algiuu, e s^ de dimensSes maito
variaveis. A tare£a de as eondiizir das encostas e cabe^os circumvià-
nhos é que se póde considerar obra verdadeiramente titanica. O accesso
para este alto é aspero, principalmente do lado do O., sobre o rioVez,
acima do qual se ergue 300 metros. Para E. o declive, com ser ainda
muito forte, é mais suave, mas nao deixaria de oflferecer grande emba-
ra^o para o transporte do pesado material.
As pedi'as sSo brutas, e tiveram de ser procuradas a differentes dis-
tancias, onde os numerosos afloramentos graniticos tìvessem sido cor-
O Archeologo Pobtugdés
215
roidos pela ac^ào dos agentes naturaes, por fórma que apresentassem
desaggregamentos snperiiciaes. No estado actiial das mnralbas, o para-
mento é pois rude; apenas se^roenraya collocar horìzontalmente e à
face cada um dos calltaiis. Existem grandes intersticìos qne perraittem
a escalada ao menos acrobata dos exploradores. A altura primitiva
d^estes muro» nio deveria exceder 2 metros, a jalgar pela por9lo des-
moronada e em mina; està attnra, qae poderi parecer insufficiente para
o valor defensivo da fortaleza, deixa de o parecer, se attendermos a qae
o pendor das encostas, janto das mnralhaS| era o maior obstacnlo aos
aitìantes. .
ManShM do cMtro de Cabreiro (Arco* de YaMerés)
A pianta do circuito muralliado é proximamente trìangular, em obe-
diencia apenas à fórma do morrò, mas, pelo mesmo motivo, as moralbas
nio estlo no menno jJano horizontal, nem apresentam cortìnas rectas
ou regulares senào sinnosas, ao sabor das ondulasoes da terra.
Na extremidade norte d'este ambito, a qnal vem a ser o vertice
do triangolo, a moralha fórma tosco esporSo on revelim muito saliente
e agudo, ciija espessura attinge o maximo de 8 metros. Em mnitos
pontos, OS constructores d'està obra aproveitaram a penedia do monte
para assegurarem a defesa e elevarem a mnralha.
216 O Archeologo Pobtuqués
Sao coevas do crasto estas muralhas? E preciso dizer-se que orna
construcgSo, que hoje naquetle logar se fizesse de pedras bratas, terìa
Gxactamente o mesmo aspecto. O que lida em favor da grande antigni-
dade d'estas muraihas é menos o seu paramento, de aspecto primitivo
alias, do que a sua grande espessura, a pequenez do seu circuito e asna
situacfto na crista de um eabe9o. Nao ha vestigios de fosso algnm.
Aquella pergunta é-me porém suggerida pela escassez dos vestìgio^
proto-historicos dentro do recinto.
O mais importante para o archeologo fica sendo, num caso comò
este, apenas a toponymia e a lenda. Se dentro chegou a haver casas
ou habita9oes de pedra, de typo castrejo, devo confessar que ji as nSo
encontrei. E quem sabe que estabilidade teve a popula9ao que tao o&-
sadamente assim coroou o morrò de granito? Terìa sido um refugio de
popula95es, que, babitualmente mais disseminadas por aquellas monta-
nhas invias e asperrimas, temeram um dia a invasào de conquistadores
disciplinados, de cujo poder o eco longinquo tivesse coUeado pelas ravi-
nas d'aquellas serras acima?
O povo das cercanias ere insistentemente que no castro ha the-
souros encantados, tendo-se feito mais do que uma tentativa infrub-
fera para arrancar o rieo segredo à terra.
Um rapaz, que ro9ava mato no alto do cabe90, contou-me que um
tio d'elle jà fora com outros fazer ali uma escavagao. Era necessario
dizerem, chegados que os pesquisadores fossem ao ponto sonhado : arrt
diabo! e para logo a terra se abriria, comò se abriu effectivamente;
mas um dos da manga, atemorìzado com o estampido que acompanhou
phenomeno, soltou um ingenuo ai Jesus! que foi a perdÌ9So do the-
souro. Logo a terra, com fragor pavoroso, cerrou-se sobre si, corno
que irada, recusando o mysterio da sua riqueza*. Tinha sido certo iste.
Contàra-lh'o o tio, aìnda apavorado com a lembran9a do caso. Fosse
eu perguntar-lh'o e vena.
Pareceu-me isto urna especie de aviso que elle me fnzia, adivinhando-
me inten9oes.
No melo do castro ha um penedo com uma pia escavada*, que
mede 2"*, 10 de comprimente, 0™,70 e 0",80 de largura e 0"\20 de pro-
fnndidade. a Era dos mouros darem de beber aos seus corceisi. Pois
isso devia ser.
Do interior do recinto partem duas estradas subterraneas, que em
rampa violenta vao dar a dois pégos profundos, um no rio Véz, ao
1 Vid. Arch, Poti., iv, pag. 289.
O Abcheologo Poktdgués 217
X>o5o de Padella, outro no de Cabreiro, ao P090 Negro *. Nunca ninguem
as viu, nem sequer as taes bocas, mas isso ó mesmo. Elle là as ha.
Ao f undo do castro para SE. vé-se urna fonte, j unto da qual levantaram
urna capella (Senhora das Neeessidades). Um caminho lageado cyclo-
pieamente, quasi corno urna estrada romana, passa ao pé, subindo as
encostas em ingreme e tortuosa ladeira, desde là de baizo, do fundo
<lo valle. SHo as classicas cal9adas das nossas serras.
Pois na manhl do S. JoSo, antes do sol apontar, saia da fonte urna
moara, que punha ali um tendal de roupa alvejante. Acertou de passar
jiaquelle dia pelo sitio certa mulher, que sentiu desejos de urna camisa
de criaii9a que a mòura avellava. Atràs dos olhos foi a mao sacrilega;
mas eis senSo quando estremece o ar em turbilfaào uivante e a pobre
crìatnra espavorida corno que sente empuxSo irresisti vel, que Ihe arre-
bata a pe9a cobÌ9ada. Ainda agora foge a atrevida!
A tal pia. . . era um thesouro que là estava. Assegura-se prlmeiro
que teve tampa (tal nfto vi, nem sinaes), e que depois està foi levantada
* Nilo pude visitar estes pégos cu P0908. Visitei porcm outro, ao qual estA
ligada a importante Icnda, de que os velbos de Cabreiro, tidos por inuteis e pe-
sados 4 popula^slo, eram nelle prccipitados. Dizem que nao tcm fundo. Kram os
proprios filhoe que os conduziam à aresta do abismo. £ um dia certo yelho, fin-
glndo-so Burprehendido com filbo o tornar aos bombros, perguntou: Onde me
levas, fiJbo? Hesitando o filho, sac-se vclbo com està : Ab, beni sei ; onde meu
neto te ha de levar a ti ! Caindo cm si o mo^o, volta costas e torna a casa, alom-
bando com o feliz velho. D'abi, dizem, acabou a negregada costumcira. (Està
lenda, notarci de passagem, tem paradigmas noutras localidades). Ora o tal
pb9o vale a visita de um viajante e de um geologo. Aquelle para sentir as cmo^òes
do pcTÌgo, estc para admirar mais um trabalho dos seculos. Cbama-se pégo da
Olla, que, por menos que se queira, é tal qual urna palavra latina que significa
talha, potè ou urna grande de barro cozido. Agora, vejam se a configura9rio do
pégo correspondo de algum modo à denomina^ao popnlar. Imaginem um regate,
que entra cousa nSo é o de Cabreiro, afogado entre margens ingremes e pcnbas-
cosas. O seu leito é urna agglomeracSLo do grossos calbaus rolados, que emigram .
de roldSo a cada encbentc. Num ponto, ba um desnivel de 10 metros de altura,
por onde a agua se dcspenba num sendal de espuma. £ corno alcapao do pégo.
Logo as margens se cstreitam até quasi se fecliarcm na boca do abismo, cujo
diametro é pois, apcnas de 3 metros. Da borda do penbascò A tona da agua vao
10 metros, a prumo. £ comò um furo que gigantesco trado abrisse no duro gi-anito.
Em baixo, a agua, que negra agua ! sem transparcncia, passa cm borbotdes que *
veem do faad».. fa« a9adaAi M i ii i ì i , ffln«Éai iHge>gaBg|fw4» ywifiiMii ii iidi . Kaafftóas,
fimnUdwia.pìyte, de penbascò, véem-se tra90s longitudinaes, qne aspcdrae arras-
tadas e snspensas na corrente vertiginosa das cheias marcam irresistivclmento,
corno pontas de diamante. Este estreito buraco, assim perfnrado em longuissimos
McnlaB »a roefaa viva, com a profiindidadc de 17 metros, constitue, creio eu, uma
siugiflai ■nMÉni''d<KfMHbiN4ÉBfi^pMr-ftl«n do mais.
218 O Archeologo Pobtdgués
por homens de animo e nao menor ambigSo, que se associaram para
a empresa. Eram muìtos; pois a cada um couberam seis moedas do
cobre (!) que là encoutraram.
Isso de hirhora» com asas, que voavam de hds allos para 08 ootros
e até mamayam cmnìto serenìiihasf nas vacas do monte, era eonsa
vista e até jtirada por algiins dos proprios traballiadores que reuni par»
a explora9So.
Estas lendasy o onomastico e a sìtnagSo do cabe^o bSo perraittem
ver-se naqnellas ruinas ontra consa, senSo vestigios mais cu menos
pnros da fortaleza castreja.
Qaanto à pia, sab^tem dnvidas no men espirito.
Explorei onde havia indìcios de constme^^s. Os mais ipiportantes
eram de ama edificag^o rectangniar de ò^^jòOXé'^^lO, medìdos na parte
interna das paredes que tinham 0^,60 de espessura. Todos os entnlhos
Oli montSes de calhans e terra que se aecumidaTam centra està parede,
quasi rasa com o chSo, n§o deram mais do qne fragmentos de iegulat
e imbrices. Quis ver o fundo dos alicerces e ahi mesmo sobre terreno
nXo remexido encontrei tegulae. Tinha pois sido moderna a constnic^So
d'aquelle edificio, cnjas paredes eram argamassadas.
Contigua a està, houvera outra casa tambem quadrìlonga e de quasi
iguaes dimensSes. No mesmo alinhamento, e proximo, outros alicerces
marcavam um pequeno recinto qnadrado, de mais reduzido tamanho.
Estas construcQoes estavam proximas da pia. Fiquei convicto que ne-
nhum valor archeologico podiam ter. Foram habita$oes modemas e cer-
tamente temporarias. Aquelle logar é todo exposto às frìas nortadas
e quasi inhabitavel no inverno, e os edificios grandes de mais, para
habitagSLo de montanheses.
E possivel que, por occasiSo da invasSo bespanhola posterior a 1640,
aquelle castro tivesse sido aproveitado pela sua situa9£o especial, corno
sentinella ou posto avansado. Por estas serras desceu o general Pantoja
na sua incursào ao valle do Vèz. Nenhuma memoria on. tradìflo en-
contrei, porém, d'este facto presumiveL
Yarìas sondagens em outros pontos do castro nenhum resnitado
deram. Nem um caco omamentado! Completa desolarlo archeolo-
gica!
PoderSo ter sido as muralhas levantadas naigum pmodo das pri-
meiras lutas da nossa nacionalidade? NIo me parece qne a architectura
militar d'aquelle tempo ou posterior possa explicar este genero de
construcgSo.
E pois indispensavel admittir que aquelle cabeso foi assento de
povoa^ao ou fortaleza proto-historica; é verosimil que ulteriormente,
O Abcheologo Pobtdgués 219
em epocas indetermìnaveis, està sitaa^Ho estrategica fosse aproveitada
para nossa defesa fronteirìga. Nao sei expplicar de outra maneira a
completa destruiglo de vestigios caracteristicos d'estas esta^defl.
Oatabro de 1904.
F. Alves Feseira.
Frcigmento de urna inscrip^o romana de iUvaa
No castello de Elvas appareceu, e foi jà recoDiida no Museu Mani-
cipal, por diligencia do Sr. Antonio Thomas Pires, o fragmento de urna
àmia de marmore, de 0",23 X 0";19, em que se le o seguinte, que
copiei do originai:
FLAVIA
HEVERA
Represento por pontos o que falta da 2/ palavra. A altura das letras
é de (V",35.
A 1.^ palavra nao comegava na extremidade da pedra, mas um
pouco mais dentro. O S da 2.* palavra devia comegar no principio
da linha.
J. L. deV.
As insulas nos documentos portugueses mais antigos
Em diversos logares dos Pm'tugaliae Monumenta Historica encon-
tra-se menalo de imuìae sìtuadas em regioes do norte de Portugal.
Com o firn de as localizar, trabalhei por encontrar as correspondencias
dos antigos nomes com os modemos^ sem todavia conseguir aquelle
firn, o que se verificarà nas palavras com que antecedo cada um dos
trechos dos Diplomata eé Ckartae que colligi.
Na secalo da mesma publicagao intitulada Scrittore» encontram-se
tantbem mengoes de inMvla», que sSo as que se segaem.
Na Vida de 8. Basendo ', pag. 39, 1.^ col., lé-se o a^uinte: < Abbas
uero coactus cum paucis eius tirannìdem fugiens in insulas de corugio,
ut saltem ibi deo quiete seruiret, profectus est».
^ JRaaendo è o antigo nome Budenndus cu BodesiuduSj no qual o elemento
Sude, Eegwaào Meyer-Lftbke, Bomaniwhe Namendudien, i Die àUpcri. Ptnom-
namen gtrmamsehm Urtprungtj pag. 37, signifiea Rukii^ cu gloria. £m Lisboa ha
nm beco boje cbamado do Ròsendo que pdos documentos antigos e pelo Tombe
da Cidade, c<»nposto depeis do terremoto de 1758, se Té ter tido a denomina^ao
de Beaende. O nome Bosendo é multo estimado pelos Gallegos meridionaes, em
virtude do santo ter vivido nessa regiSo.
220 O Archeologo Pobtugués
No privilegio do Papa Alexandre do anno 1163 da Encama^lo,
qiie se encontra na Vida de D. Telo, pag. 74, 1.* col., falla-se na «/«-
sidam quoque que dicitur oueiroa». Oveiroa é provavelmente Ovein>
(Oveiró?), povoagSo situada na freguesia de Ovoa (nXo Ovoa), de cuja
freguesia dizia o parodio em 1758 ^: e No Principado da Beira e &a
comarca e Bispado de Vizeu, entro as margens dos Bios Mondego e
Dam, em bua Peninsua {sic) que ibrmILo os doìs rios so acha ^laada
em bua quazi planiee a antiga e pequena villa de Ovoa». Pareee, por-
tanto, que a primitiva ilha ficou, no decurso dos annos, presa a terra
firme em virtude do aterramento de um dos bragos que a cingili.
Na Vida de S. Theotonio, pag. 83, 1.* col., encontra-se o passo se-
gainte: tUnde nimietatibus uentorum per insulas grecie deuectas, mul-
tos in itinere labores passus. . •».
Finalmente na narrativa da conquista de Santarem, por D. Affonso
Henriques, encontram-se referencias &s lezirias e mouchSes que impe-
dem curso regular do Tejo: cPreterea planicies ipsa est paludibus
piena et insxdis, et ob hoc nemini pernia, nisi nauibus temporibus con-
gruis». Pag. 84, 2.* col.
Nos Diploììiata et Ckaìiae encontram-se repetidas referencias a in-
sulae, as quaes para maior eommodidade vSo numeradas do modo que
se segue.
- Num documento de 922 encontramos noticia da uUla de instila uoca-
buio sancii iacobis subtus monte codar, Estas designa98es fazem con-
eluir que a uUla de insula ficava na moderna freguesia de S. Tiago
de Codal, concelho de Macieira de Cambra. A parte do documento onde
sé encontra a men^So a que me reiiro, é a seguinte:
922. fEt in calueli {Caludlo, freguesia de S. Miguel de Junqueira)
ràtionem de magistro egela et de magistro blatus quanta illos continet
inter suos fratres tam in calueli quam etiam et de ìlla parte camia (no
Caima). et uilla quam dicunt cella nona quomodo diuidit cum uilla lan-
1 Geographia de Portvgal, ixvi, 383 (Ms. do Arcbivo Nacional). O mesmo
parodio diz: «aparecem alguns vestigios de ter sido abitada de Mouros on Gente
Barbara por se acbarem em algutis montes corno no sitio do Patarìnho poco dis-
tante da villa algaas concavidades ou pedras, com forma de sepulturas artificial-
mente feitas». ( Pag. d87).Tambem na freguesia limitrophc do Pinbeiro de Azere,
segando me dizem, ba a intitulada Fedra da Loja, qne o rnm jiil|:a nif — ■ witiì
em que babitavam os Mouros, os quaes se ser\àam de raiifiiiwì ri nirnni dn jfdin
que OS nisticos ainda julgam vèr.
O Archeologo Portugués 221
ritello {Lordello, freguesia de N. >S/" de Villa CkS) et uilla armentari
(jArmental, freguena de S. Tiago de Codal) et uilla todemondi {Tkea-
9nonde, freguesia de N. S.^ de Villa Chà). Et de alia parte uilla de in-
sula uocabulo sancto iacobi subtas monte codar (S. Tiago de Codal),
Et de alia parte camia uilla de palaciolo (Pago, freguesia de S. Joao de
Cepèllos) cum sua ecclesia uocabulo sancto iohanne de zopellos {S, Joào
eie Cepellos)^ quos dedit gutierre monizi. Pag. 16.
II
No concelho de Villa Verde, do districto de Braga e freguesias de
Soutello e Oleiros na confluencia dos rios Homem e Cavado encontramos
em 960 notìeia de uma insula, a qual se torna hojo impossivel localizar.
£Ì9 as partes eompetentes dos documentos que a mencionam:
960. € villa de lalin {Larim, freguesia de S. Miguel de Soutello) cum
adiuntionibus suis villa de arca (Arca, freguesia de aS.'" Maria de Tuìnz)
VììÌB, de Sancta eolalia (SJ"* Eulalia de Loureiraf) villa de fontanelle
(Fontdlo, freguesia de S. Miguel de Soutello) cum suis ecclesis in as
YÌlIas et per suis terminis. leuat se de ilio portu de catane (rio Cavado)
et perge ad illa ponte petrina (ponte romana do Porto, na freguesia de
S. Miguel de Soutello f) et conclude illa bracata et inde ad illa bornaria
et inde per ille uallo et figet se in riuulo homine (rio Homem) ad ilio
portucarreiro et inde infesto per riuulo homine et fere in suari ad foce
de mandones et sursnm in ripa homine. villar sauaraz (S. Tiago de Sa-
boria f) ab integro cum quantum in se obtinet et de illa petra balestaria
quomodo iacet illa uarsena usque fere in homine ab integro et perge
per ille fontano de mandones inter villa uerde (S. Paio de VUla Verde f)
et sancta eolalia et figet se in termino de baruudo (SJ^ Maria de Bar-
budo) in agro que dicent couello (CoveUo, freguesia de /S.'" Eulalia de
Loureira) et inde per ilio vallo (Vau, freguesia de SJ*^ Eulalia de Leu-
retraf) in termino de turisi (5.'" Maria de Turiz) et uay per ilio uallo *
ad ilio mulione de onegildo et exinde per ilio comare de ilio monte inter
lìuane (OlivSo, fregìiesia de S, Juliao da Lage) et archa et inde ad fonte
coua (Fonte Cova, freguesia de 5.'« Maria de Twiz) et fere in vallo
inter ollarios (/S.'* Marinha de Oleiros) et fontanelle et inde ad ille fon-
* abbadc de Turiz cm 1758 {Dice. Geogr., ina90 xxxvii, pag. 1214) diz: «fica
està dentro de hum yallo cu trinchcjra quo mostra ser hua pra9a cu forte
daquelles tempoe em que nio havia polvora e baia». Cfr. Archeologo Portu-
gués, viu, 258.
222 O Arcdeologo Portugués
tano dìscurre inter sautello (5. Miguel de Soutello) et ìasnla et piega
in cataao ad ille porto de infemales et inde onde primiter incoaiiiiDiisi.
Pag. 50.
1050. fiEt ripa c(xtauo villa Ialini (Larim, freguesia de S. Migmd
de Soutello) integra cnm suo mandamento, villa santelo {S. Miguel de
Soutello) cmn suos incommoniatos ab integro, villa fontanello {FowkUo,
frcguesia de S. Miguel de SouteUo) etiam et cum suos incommffiiiatoa
ab integro, villa inuoladi * integra, villa arca {Arca, freguesia de SJ^ Ma-
ria de Turiz) similiter cum suos incommaniatos ab integro, villa por-
rales^ integra, villa sancte Eulalie (SJ^ Eulcdia deLoureiraf) cum sno
mandamento ab integro, villa vilela cum sno mandamento integra, villa
insula rodonda^ et illa bragada in foae de rìanlo homìne integra, villa de
gndesteo gundnlfiz integra, villa gontarazi ^. viUa snari. villa nillar sana-
razi (S. Tiago de Sahorizì). villa parata cmn suos adiantìones et illas
narzenas de parada cnm seqaeirolos. villa pausata de qnintilla gaadiniz.
villa uimaranzinus et incommuniationes in nilla molas {SJ* ^Maria de
Moz). villas ambas louegildit (SJ^ Maria de NùvegUde) com soas adiun-
tiones. villa liuan (Olivào, fi^eguesia de S. JuliSo de Lage). villa mauri
(S, Martinko de Moure) et sendamondanes ^ et de uilla plana {S. Tiago
de Villa Ckàf) medietate. et de monasterio viUar que fuit de cidi salsa-
dorit vi* integra, et in ripa feueros (Febros, freguesia de 5. Juliao da
Lage) in gualtari un pausata, et in ripa de purizo {Pori$9o^ fregnegia
do Salvador de Parada de Gratini) in Gondini hereditates de zendas et
de aragunti integras. et inter castro seco et purizo inter casa de fofino
et de arias ipsa hereditate que in medio iacet. Et in villa baltari et odo-
rici hereditate de reirigo et de sua mulier integra. . .». Pag. 258.
Ili
No districto de Aveiro em (Jois documentos, um de 1050 e o outro
de 1077, apparece-nos urna insula. Se as localiza^Ses a que procedi
slU> eicactas, deveria ficar na freguesia de S. Joào de Loure (lÉa[ii]Ii?)
e junto aoYouga.
1 Envoadi, fi'egaesia de S. Miguel de SouteUo, nas InquIrÌ9oes de 1258; PaW.
Mon. Hiat, pag. 434.
2 Porraes, Port. Mon. Hist, pag. 434.
3 Rodondo? PoH. Mon. Hi*t^ pag. 436.
4 Gontiriz? Na fregnesia de S. Miguel de Soatello ; PoH, Mon. HiH., pag. 435.
' Zamnndaes oa Samundaes, freguesia de S.^* Maria de Novegilde, Pori.
Mon. Hist., pag. 437.
O A&CnEOLOGO POBTUGDÉS 223
1050. «Lali {S» Jo3o de Laure f) quomodo diuide per illa insula de
ping'nero (Pinheiro, freguesia de S, Joclo de Laure?) et de saaalanes
per ut illa conbona * solent facere. sancta maria de lamas (>§.'* Maria
de Lamas) medì[et]ate integra per suos terminos per ut sparte per illa
petra de contensa et de alia parte per illa lag-ona de sub porto de belli
et quomodo diuide de alia parte uauga per cima de illa lacona de sub
porto de belli in suo directo diuide cum belli, et de fareganes medietate.
Et medietate de Castrello et tercia de arraual {Arrabal, freguesia de
S. Pedra de Vallongo), Et de totum ualle longum (5. Fedro de Vallongo)
quarta integra. Et faramontanos {FermentZes, freguesia de S. Fedro de
Vallongo) tertia integra. Et de uilla seTen{Serem,firegue9ÌadeS, Chrie.
tovcLo da Macinkata do Vouga) tertia integra, et de uilla lafafi {Jafafe, .
freguesia de S, Christovao da Macinluita do Vouga) med2[et]ate ìntegra.
Et de monasterio de cedarim {S. Joào Baptista de Cedrijn) medietate
integra. Et de sua villa de paratela (N, S.^ de Faraddla) medi[et]ate
intera. Padazanes (Feda^àes, freguesia de SJ* Maria de Lamas) ad
integro per suos terminos quomodo diuide cum christouaunes {Crosto-
vàes, freguesia do Salvador de Trofa) et cum couellas {CoveUas, fre-
guesia do Salvador de Trofa) per ilio fontano ciun suo molino et ilio
fontano dìscurre prò ad uauga {Vouga) per. ut ilio diuidiui cum maio-
rinos de rex dom fredenando. et de alia parte per estrata maiore. et de
alia parte quomodo diuide cum lamas {S,*^ Maria de Lamas) per illa eoua
de ilio sauuqueiro {Sabugueiro, freguesia de S.^ Eulalia de Aguada de
Cima?) de ripa de Vanga, et de uilla sagatanes {S. Fedro de Segadàes)
quarta integra, et uilla de bolfelar {Bolfiar, freguesia de /S.'" Eulalia
de Agueda) rìba agata {Agueda) totum ad integro. Et in rìba de Certuma
{Certoma^) uilla paratella ad integro et faramontanellos {S.*^ André de
Fermentellos) ad integro et in barrios {S, Miguel de Oliveira de Bairrof)
aurentana (A^. S.^ da Conceigào de Ourentà). Santa; maria de lamas
que fuit de auolengo. Zedarim {S. Joào Baptista de Cedrini) que fuit
de auolengo. faramontanellos que fuit de auolengu. paratella de auo-
lengo. aurentana de auolengo sala cum suis salinas de auolengo. et uilla
de recardanes {S. Miguel de Recardàes) medietate. cum media de sua
eclesia quomodo diuide ciun barriolo (^.'® André de Barro) et cum eiras
de alia parte cum spinelle (A^. >§."■ da Assungao de Espinhd). et de alia
parte agada casal de lausata diuide cum abciquinis {Assequins^ freguesia
de SJ^ Eulalia de Agueda) et de alia parte cum ederoni^ {Ororìhe, fre-
1 Vid. Viterbo, Elucidarlo, voi. i, pag. 295.
2 ProBiincìa-se na regiao Cérteina.
3 Eirol?
224 O Archeologo Portugués
guesla de N. S/^ de Espinhelì) et in illa marina costa sala tertia de
alaueiro {Aveiro), et de ilias uilias. que sursum sunt nominatas de ano-
lenga et de ganata quomodo diuisi illas dòm gunzaluo quando sedia
in monte maiore (Monte- Mor-o- Velho) per manus de rex domno adefonso
et per sua persolta et per ueritate et per manus de ille comes menendos
luci qui illa terra inperabatt. Pag. 231.
1077. ali sunt uillas nominatas de auolenga. sala cum suas salinas
que est de insturio in esteiro unde non dam ciuadera ad rex. et de
ganantia tertia de alaueiro (Aveiro). de ganantia lali (S. JoSo de Lauref)
quomodo diuide cum pignero (Pinheiro, fregueaia de 8. Joào de Lauref)
et cum saualanes per illa insula ubi illa conbona soUen facere. de sega-
danes (S. Fedro de Segadàes) quarta, de ganantia pedazanes (Pedacàes,
freguesia de S.^ Maria de Lamas) quomodo fui illa de ille comes domno
didago et diuide per illa strata maiore et de alia parte diuide per ilio
termino de sancta maria de lamas (SJ^ Maria de Lamas) et de alia
parte cum crestoualanes {Crastovàes, freguesia do Salvador de Trofei)
et cum couellas (Covella$j id.) per ilio fontano que discurre prò ad
uauga cum suo molino sic ganaui eam ad integro, et de auolengo me-
diciate de sancta maria de lamas quomodo diuide cum pedazanes per
ilio sauuquero {Sàbugueiro, freguesia de 8.^^ Eidalia de Aguada de
Cimai) que sta in illa coua de riba de uauga et de alia parte per illa
lagena de susana (Soaa?) per ilio bico de sub porto de belli et in suo
directo trans uauga et de alia parte per petra de contensa. et de ga-
nantia medietate de farelanes quomodo diuide cum mazinata (8, Chris-
tovào de Macinhata do Vouga) et cum eira uetra per uauga et de alia
parte cum faramontanos (Fermentdes, freguesia de 8. Fedro de VaUongo)
et illa uarzena que iace ìnter farelanes et castrello ' de quomodo conpa-
rauit illa de teton arualdiz. et medietate integra de castrello est de ga-
nantia. et quarta de arraual (Arrabal, freguesia de 8. Fedro de Val-
longo) de ganantia. et tertia de faramontanos de ganantia. et tertia
de ualongo {8. Fedro de VaUongo) de ganantia. et medietate de recar-
danes {8. Miguel de Recardàes) quomodo diuide cum spinelle (N. 8.^ da
Assungào de Espinhel) et de alia parte cum barriolo (8. André de Barro)
et de alia parte cum eiras et tras agada (rio Agueda) casal de lausato
de ganantia quomodo diuide cum ederoni (Oronhe^ freguesia de N. /S."*
do Espinhel f) et de alia parte cum abciquinis (Assequins, freguesia de
8.*^ Eulalia de Agueda) per ilio fontano que discurri ad ilio porto de
1
^ parodio de VaUongo, cm 175S, declara ser Crestello do termo da sua fre-
gaesia.
AUCIIEOLOGO POKTUGUÉS 225
sancta eolalia de aaolengo faramontanelos (S. André de Fermentellos'
in riba de Certnma {rio Certonìo). paradella in riha de certuina de auo)
lengo. aureutana (N. /S."* da ConceigSo de Ourentà) in barios (S. Miguel
de Oliveira de Bairro?) de auolenga. medietate de monasterio de oe*
darim (S. Joào Baptìsta. de Cedrini) et de sua villa, paradella in riba
de uauga de auolenga. et quarta de seren (Serem,freguesia de S. Chris*
tovao de Macinhata do Vouga) de ganantia. et medio de lafafi {Jafafe,
id,) de ganantia et quarta de crestoualanes. {CrastovUes, freguesia de
Salvador de Ttofa) et quarta de segadanes {S, Fedro de SegadSes)
de ganantia». Pag. 334.
IV
A insula indicada no documento seguinte ficaria talvez no coneelho
de QuimarSes:
1058. «Àdicimus etìam in ipso territorio villa Jquod dicunt villa
mediana integra cum ineommuniatione de menendo et eum alias ineom*
muniationes {sic) et- adiuntiones fora de ipsa villa hi prope sunt. in uilla
cellariolo et insula. . •». Pag. 249.
Das povoagSes mencionadas no documento citado as unicas que
se podem identificar corno logares modernos sào Orelhudo, que està
situado no coneelho de Coimbra, e Portunhos, no coneelho de Canta*
nhede.
1087. cdamus atque concedimus uillas nominatas. in uilla portunias
iS. Jidiào de Portunhos) continent nobis de ipsa uilla de duas partes
III** rationes de istas tres rationes quinta parte concedimus. et in uilla
margedub nostram rationem quintam concedimus. et in uilla oreluti in
ipsas insulas inter ambas illas aquas nostram rationem quintam conccT
dimus. . .». Pag. 409.
VI
Apenas se póde calcular que ficaria no districto de Coimbra a iV
sula adeante indicada.
1098. cfacip carta uenditionis de decimam partem de ipsa uilla que
uocatur paludem que fuit de tuo pater et de tua matér. Et ipsa decima
de ipsa uilla similiter et de molino et de insula textauit mater tua do*
mum sancte marie». Pag. 516.
Pedko a. de Azevedo.
226 O Archeologo Portcocés
Onomastico medieval portugruès
(Continiufio. Vid. o Ardi. Pori., ir, 118)
Brandiamo geogr., 1220. Inq, 83.— Id. 573.
Braudiela, rio, 1258. Inq. 732, 1.* ci.
Brandiia, n. h., 915. L. Preto. Dipi.' 14.
Brandiiaz, app. h., 1041. Doc. tnost. Moreira. Dipi. 192.
Brandilazi, app. h., 1033. Tombe S. S. J. Dipi. 172.
Braudiliz, app. h., 991. Doc. most. Moreira. Dipi. 99.
Brandilizi, app. h., 989. Dipi. 98.
Brandiluiii, app. h., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9.
Braudlrigo, n. b., 952. Doc. most. Arouca. Dipi. 37.
Brandom, app. h., sec. xv. S. 345.
Braudoriz, geogr., 1258. Inq. 695, 2.^ ci.
Brandum, n. h., 1220. Inq. 155, 2.^ ci.
Braolio, n. h., 984. Doc. most. Lorvào. Dipi. 90.
Braolioui, app. h., 911. Dipi. 11, n.* 17.
Braoliz, app. h., 1060. Doc. most. Pedroso. Dipi. 267.
Brasa, app. h., 1258. Inq. 340, 1.* ci.
Braulanes, villa, 1220. Inq. 166, 2.* ci.
Brava, app. m., sec. xv. S. 179.
Bravadaes, casal, 1258. Inq. 639, 1.* ci.
Bravaes (S. Salvatore de), geogr., 1220. Inq. 38.
Bravaes (S. Salvatore de), geogr., 1220. Inq. 189, 2.* ci.
Bravara, geogr. (?), 1258. Inq. 390, 1.* ci.
Bravoes, casal, 1258. Inq. 390, 2.* ci.
Brazoo, geogr., 1258. Inq. 403, 2.* ci.
Breatiz, n. m., sec. xv. S. 257.
Breavia, casal, 1258. Inq. 438, 1.* ci.
Brechal, app. h., 1258. Inq. 40^, 1.* ci.
Brectus, n. h., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138.
Bredo, app. h., sec. xv. S. 273.
Pregada, geogr., 1258. Inq. 691, 2.* ci.
Bregaes (S. Jacob de), 1220. Inq. 164, 1.* ci. — Id. 71, 1.* ci.
Bregal. Vide Vallis B.
Bregiam, geogr, (?), 1257. For. S. Martinho. Leg. 673.
Bregonha (Borgonha), nagSo, 1453. Àzur. Chron. Guiné, 17.
Bretam e Bretoni, app. h., 1220. Inq. 256, 2.* ci.
Bretandus, n. b., 960. L. D. Mum. Dipi. 51, n.^ 960.
Bretario, n. h., 1075. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 322.
O Aecheologo Poetugués 227
Breteedelos (S. Laurentio de), geogr., 1258. Inq. 335.
Breliz, app. h., 1075. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 322.
Breto, fonte, 1258. Inq. 511, 1.* ci. — Id. 510, 2.-» ci.— N. h., 1008.
L. D. Mum. Dipi. 123.
Bretoy, geogr., 1258. Inq. 406, 1.* ci.
Brelus, n. h., 915. Dipi. 14.— Id. 62.
Brpvia, geogr., 1258. Inq. 593, 2.* ci.
Bria, app. h., 1258. Inq. 368, 2.* ci.
Briatiz, n. m., sec. xv. S. 296.
BrìchiquaDes, villa, 1033. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 170.
Bringuella, n. m., sec. xv. S. 286.
Bringaeyra, n. m., sec. xv. S. 226.
Brio, app. h., 1258. Inq. 314, l."^ ci.
Briolanja, n. m., sec. xv. S. 254.
Brisoyla, app. m., sec. xv. S. 273.
Britello, villa, 973. L. D. Mum. Dipi. 70.— Id. 409.
Britelo, geogr., 1220. Inq. 38, 1.* ci.— Id. 52 e 413.
Brilo, geogr., 1080. Doc. most. Moreira. Dipi. 352, n.^ 585.
Britteiros, villa, 1089. L. D. Mum. Dipi. 259.
Britto, villa, 1047. L. D. Mum. Dipi. 215.
Brocas, geogr., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.*, p. 2.*, C. 185.
Brochardo, app. h., sec. xv. S. 149.
Brocheìro, app. h., 1258. Inq. 297, 1.* ci.
Broes, app. li., 1174. Leg. 403.
Broga, casal, 1220. Inq. 143, 2.* ci.
Bronili, n. m., 1021. L. D. Mum. Dipi. 153.
BronUli, n. m., 1044. L. D. Mum. Dipi. 203.
Bi-oulaes, villa, 1258. Inq. 166, 2.* ci.
Brounhaes (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 197, 1.* ci.
Broyli, villa, 1258. Inq. 493, l.**' ci.— Id. 589.
Brualio ou Broalhio, app. h., 1220. Inq. 2, 1.* ci.
Brualo, app. h., 1220. Inq. 75, 2.* ci.
Brucheiro, app. h., sec. xv. S. 174.
Brucia, app. h., 1258. Inq. 667, 2.* ci.
Bruialo, app. h., 1258. Inq. 695, 2.* ci.
Bramaes, ribeiro, 1055-1065. Leg. 347.
Broniales, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 250.
Brunaes (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 197, 1.* ci.
Brunarios, geogr., 1258. Inq. 707, 2^ ci.
Bruuderigus, n. h., 936. Doc. most. Moreira. Dipi. 25.
Brunedo, geogr., 1258. Inq. 662, 1.* ci.
15
228 P ÀBCHEOLOQO POBTUGUÉS
Bruneiro, geogr., 1258. Inq. 390, 2.* ci.
Bruuiaes (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 144, 1.* ci.
Brunido, geogr., 1258. Inq. 615, 2.* ci.
Bpnnilli, n. m., 1044. L. D. Mum. Dipi. 203.
Buardo, app. h., 1258. Inq. 476, 2.* ci.
Buball, app. h., sec. xv. S. 334.
Bubeiro, geogr., 1258. Inq. 409, 2.* ci.
Bacas, geogr. (?). Inq. ?
Bucellis, app. h., 1258. Inq. 577, 1.* ci.
Bucho, app. h., 1258. Inq. 556, 2.* ci.
Bucos, geogr., 1220. Inq. 52, 2.* d.
Buffo, app. h., sec. xv. S. 182.
Bagalal, geogr., 1258. Inq. 692, 1.* ci.
Bugaleiro, geogr., 1220. Inq. 144, 2.* ci.
Bugalho, app. h., sec. XV. S. 204.
Bugalias (Cortinal das), geogr., 1258. Inq. 437, 2.* ci.
Bugalio, app. h., 1258. Inq. 344, 2.* ci.
Bugaloo, app. h., 1258. Inq. 689, 2.* ci.— Id. 705.
Bugaloos, geogr. (?), 1258. Inq. 706, 1.* ci.— Id. 710.
Bugaos, geogr., 1220. Inq. 124, 1.* ci.
Bugiam, geogr., 1220. Inq. 154, 1.* ci.
Bugiaos, villa, 1220. Inq. 41, 1.* ci.
Buila^ app. h., 1115. Leg. 140, 2.* ci.
Buina, n. h. (?), 1258. Inq. 523, 2.* ci.
Buiro (S. Martino de Val de), geogr., 1220. Inq. 51. — Id. 195.
Buivaes, geogr., 1220. Inq. 144, 2.* ci.
Bulfardo (casal de), geogr. 1258. Inq. 344, 1.* ci.
BuUardo, n. h., 1220. Inq. 37, 1.* ci.
Bulum ou Bolou (BolSo), geogr., 1111. For. de Coimbra. Leg. 356.
Buuili (S. Jenesio de), geogr., 1258. Inq. 586, 2.* ci.
Buragaes, geogr., 1220. Inq. 46, 1.* ci.
Burduanga, app. h., 1258. Inq. 392, 2.* ci.
Burel, app. h., 1258. Inq. 339, 2.* ci:
Bureza, app. h., 1115. Leg. 141, 1.* ci,
Burgaes (S. Jacobo de), geogr., 1220. Inq. 164, 1.* ci.— Id. 71, 1.* ci.
Burgala, n. m. (?), sec. xi (?). L. D. Mum. Dipi. 564.
Burgalaues, geogr., 1097. Dipi. 513, 1. 4.
Burgana, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci.
Burgarios, geogr., 1099. L. B. Ferr. Dipi. 536.
Burgarius, geogr., 1258. Inq. 641, 1.* ci.
Burgueiro, app. b., 1258. Inq. 435, 1.* ci.
O Archeologo Pobtugués 229
Bargueiros, geogr., 1258. Inq. 436, 1.* ci.
Burgues, app. h., sec. XV. S. 164.
Burlai (S.'* Maria de), geogr., 1258. Inq. 404, 2.* ci.
Bario (S. Martino de Val de), 1220. Inq. 195, 1.» ci.
BurraUa, app. h., 1220. Inq. 159, 2.* ci.
BuVraos, Burroos e Buroos, geogr., 1220. Inq. 25, 2.* ci.
Burufi (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 66, 1.* ci.
Bupufo, geogr., 1220. Inq. 81, 1.* ci.
Barvanes, geogr., 1258. Inq. 533, 1.* ci.
Busaeos, geogr., 1258. Inq. 562, 1.* ci.
Busca Vida, app. h., 1258. Inq. 379, 2.* ci.
Busco, app. h., 1258. Inq. 531, 2.* ci.
Busgala, n. h., 960. Doc. most. Moreira. Dipi. 49.
Bustaia, app. h., 960. Doc. most. Moreira. Dipi. 50.
Bustello, geogr., 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi. 450. — Inq. 479.
Bustm, geogr., 1258. Inq. 578, 2.» ci.
Busto Fi'io, geogr., 1220. Inq. 43, 1.* ci.
Butalia, n. h., 1220. Inq. 246, 1.* ci.
Butteiros, app. m. (?), sec, XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 184.
Buual, app. h., sec. xv. S. 342.
Buval, app. h., 1258. Inq. 436, 2.* ci.
Bazacco, monte, 1037-1065. L. Preto. Dipi. 279.— Id. 116 e 149.
Bazaco, monte, 919. Doc. most. LorvSo. Dipi. 14. — Id. 71.
Bazaeos, geogr., 1258. Inq. 563, 1.* ci.
Buzaqueira (Cortiar de), geogr., 1258. Inq. 304, 1.* ci.
Buzom, app. h., 1258. Inq. 346, l.^^cl.
Bazzako, monte, 1006. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 120, n.^ 196.
Byno, casal, 1258. Inq. 416, 1.* ci.
Bysaleirus, app. li., 1258. Inq. 599, 1.* ci.
Caal, app. h., 1258. Inq. 310, 1.» ci.— Id. 321, 1.* ci.
Caal de gallis, rio (?), 1223. For. Sanguinhedo. Leg. 598.
Gaambra, app. h., sec. xv. S. 200.
Caani, geogr., 1258. Inq. 646, 2.* ci.
Caariz, geogr., 1258. Inq. 646, 2.* ci.
Caas, geogr. e app. h., 1258. Inq. 357, 2.» ci.
Caaveipas, app. h., 1258. Inq. 378, 1.* ci.
Cabaaza, app. h., 1220. Inq 113, 2.» ci. ^
Cabaazal, geogr., 1258. Inq. 646, 2.^ 45I..
230 O Archeologo Portugués
Cabaazos (S. Michaele de), geogr., 1220. Inq. 180.
Cabaliares, geogr., 1018. L. Preto. Dipi. 148, n.^ 238.
Caballuni, geogr., 1224. For. Mur9a. Log. 600.
Caballus mortuus, geogr., 1258. Inq. 513, 1.* ci.
Cabaualis, geogr., 1258. Inq. 645, 1.* ci.
Cabauelas, geogr., 1068. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 290.
Cabanellas, villa, 1100. Doc. Most. Pendorada. Dipi. 545.
Cabanisj geogr., 1258. Inq. 735, 1.* ci.
Cabanoes, geogr., 1258. Inq. 738, 2.* ci.
Cabaiiooes, app. h., sec. xv. S. 346.
Cabaiioso (S. Salvatore de), 1220. Inq. Ili, 1.* ci.
Cabe^a, app. h., 1258. Inq. 684, 2.* ci.
Cabe^.a braua, app. h., sec. xv. S. 260.
Cabeca da Vide, geogr., sec. xv. S. 317.
Cabeca de vaca, app. h., sec. xv. S. 155.
Cabeceiras, geogr.. 1258. Inq. 305, 1.* ci.
Cabedo, villa, 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 230.
Cabellos, app. h., 1220. Inq. 179, 2.* ci.
Cabelos, app. sec. xni. Leg. 391.
Cabelos d'euro, app. h., sec. xv. S. 263.— Id. 267.
Cabelus, app. h., 1220. Inq. 223, 2.* ci.
Cal)exoh*a.s, geogr., 1258. Inq. 657, 1.* ci.
Cabeyzeiris Basti, geogr., 1258. Inq. 661, 2.* ci.
Cabeza, geogr., 1258. Inq. 525, 1.* ci.
Cabeza cauada, geogr., sec. xiii. Leg. 301.
Cabeza de porca, geogr., 1244. For. Proenga-a-Nova. Leg. 632, 1., 17.
Cabeza dopa. Vide Dopa.
Cabezarius, geogr., 1258. Inq. 665, 2.* ci.
Cabezeiros, geogr., 1258. Inq. 615, 2.* ci.
Cabezudos (S. Christovao de), geogr. 1220. Inq. 155. — Id. 64 e 202.
Cabrai, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.% p. 2.% C. 182.
Cabrazaua, monte, 1097. Dipi. 511, n.^ 862.
Cabreira, geogr., 1220. Inq. 83, 1.* ci. — S. 171.
Cabrll, geogr., 1258. Inq. 414, 1.* ci.
Cabrilo, app. h., 1258. Inq. 321, 2.* ci.
Cabroelo, geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci.
Cabrolo, geogr., 1258. Inq. 579, 1.* ci.
Cabrom, app. li., sec. xv. S. 179.
Cabroueira, geogr., 1258. Inq. 533, 2.* ci.
Cabrourilo, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 261.— Id. 308.
Cabrones, geogr., 1258. Inq. 574, 1.* ci.
O Aecheologo Poktugués 231
Gabrancam de Savarigo, geogr., 1258. Inq. 642, 2.* ci.
Cabpuiicos, rio (?), 1142. Leg. 377.
Cabpuno, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262.
Cacanes, villa, 976. Doc. most. da Qraga. Dipi. 75. — Inq. 558.
Cacavelaa, geogr., 1258. Inq. 438, 1.* ci.
Cacavelos, casal, 1049. Dipi. 227. — Inq. 343, 2.» ci.
Cacella, geogr., sec. xiii. Leg. 253.
Cacem, geogr., sec. xiii. Leg. 253.
Gachafal, geogr., 1258, Inq. 561, 2.* ci.
C:achapaes, casal, 1258. Inq. 437, 1.* ci.
Cachapanes, geogr., 1220. Inq. 96, 2.* ci.
Caehaza, app. h.. 1258. Inq. 367, 2.* ci.
Cacheipo, app. h., 1258. luq. 608, 1.» ci.
Cachius, n. h., 1258. Inq. 734, 2.* ci.
Cache, app. h., sec. xv. S. 202.
Cachoo. Vide Rigariam de C.
Cachopi, app. h., 1258. Inq. 707, 1.* ci.
Cacim, casal, 1258. Inq. 395. 1.* ci.
Cacurra, app. m., sec. XV. S. 383.
Caccio, app. li., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.", p. 1.% C. 43.
Cadabo, rio, 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57.
Cadabom, rio, 1044. Doc. most Moreira. Dipi. 203.
Cadarrom, app. h., sec. xv. S. 183.
Cadauo, rio, 959. L. D. Mum. Dipi. 46. — Inq. 293.
Cadauon, rio, 1061. Doc. most. Moreira. Dipi. 269.
Cadavaes, geogr., 1208. Inq. 358, 1.* ci.
Cadaval, geogr., 1258. Inq. 405, 2.* ci.
Cadeiron, geogr., 1224. For. de Murga. Leg. 600.
Cadela, app. h., 1258. Inq. 353, 2.^ ci.
Cadeli, geogr., 1220. Inq. 35, 2.* ci. -Id. 115.
Cadelo, app. h., 1258. Inq. 353, 1.* ci.
Cadili, app. h., 1258. Inq. 704, 2.* ci.
Cadilius, app. h., 1258. Inq. 694.— Id. 737.
Cadilo, app. h., 1258. Inq. 726, 2.* ci.
Cadouces, rio (?), sec. xiii. Leg. 524.
Cadenzo, geogr., 1255. Leg. 654.
Caeudo e Canedo, geogr., 1212. For. Canedo. Leg. 561.
Caenlo, geogr., 1258. Inq. 514, 1.* ci.
Caentura, app. li., 1258. Inq. 340, 1.* ci.
Caeriz, app. h., 1258. Inq. 646, 2.* ci.
Caes, geogr., 1258. Inq. 433, 1.* ci.
232 O Archeologo Pobtugués
(afaram, app. h., sec. xv. S. 378.
Cafardela, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. !.•, p. 2.*, C. 184.
(afargella, geogr., 1258. For. de Estremoz. Leg. 679.
Cafarom, app. h., sec. xv. S. 298.
Caga lobos, app. h., 1258. Inq. 386, 1.* ci.
Gagalom porci, geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci.
Gaga-na-rua, app. h., sec. xv. S. 168.
Cagiado, geogr., 1258. Inq. 407, 1.* ci.
Cagiani, geogr., 1258. Inq. 695, 1.* ci.
Cagide ou Cagidi, geogr., 983. Dipi. 85.
Cagidu, n. h., 986. Doc. most. Moreìra. Dipi. 62.
Cagiti, villa, 1008. L. D. Mum. Dipi. 123, n.« 201.— Id. 62.
^agra, app. h., sec. xv. S. 172.
Caidi ou Caydi, 1059. L. D. Mum. Dipi. 259.
Caldo, app. h., sec. xv. S. 182.
Caiffas (S. Petro de), geogr., 1258. Inq. 583, 2.» ci.
Cainde, app. h., 1258. Inq. 611, 2.» ci.
Caladi, app. h., 1258. Inq. 585, 2.* ci.
Caino, geogr., 1220. Inq. 52, 2.* ci.— Id. 401.
Cainos, geogr., 1258. Inq. 662, 1.* ci.
Caitorelo, geogr., 1021. L. Preto. Dipi. 154.
Calabacinus, app. h., 1258. Inq. 489, 1.* ci.
Calabaza, app. h., 1258. Inq. 489, 2.* ci.
Calabria geogr., sec. xiii. Leg. 424.
Calada, fonte, 1047. L. Prete, Dipi. 217.
Calado, app. h., 1258. Inq. 392, 1.* ci.
Calania, n. h., 1098. L. Preto. Dipi. 521.
Calamancos, app. h., sec. xv. S. 173.
Calamanqos, app. m., sec. xv. S. 155.
Calambria, geogr., 1019. L. Preto. Dipi. 149.
Calambrie, geogr., 1098. L. Preto. Dipi. 521.
Calandrus, app. h., 1220. Inq. 159, 1.* ci.— Id. 67, 1.* d.
Galardo, app. h., sec. xv. S. 145.
Calatrava, geogr., 1220. Inq. 223. 1.* ci.
Calatus, app. h., 1258. Inq. 469, 1.* ci.
Calaza, app. h., 1258. Inq. 358, 1.* ci.— Id. 359.
Galbones, geogr., 984. Doc. most. Moreira. Dipi. 89, n.* 141.
Calcado, app. h., 1258. Inq. 344, 2.* ci.
Galee, geogr., 1085. Doc. most. Arouca. Dipi. 380.
Galdas, geogr., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138.— Id. 52.
Galdelas, arroio, 998 (?). Doc. most. Moreira. Dipi. Ili-
O ASCHE0I/>Q0 POBTUGUÉS 233
Calderas, app. h. Leg. 401, 2.* ci.
Caldeses, geogr., 1220. Inq. 144, 1.» ci.
Caldo. Vide Rio Caldo.
Caldpom, n. h., 1258. Inq. 366, 2.* ci.
Caledi, geogr., 1220. Inq. 35, 2.* ci.
Caleiros, app. h., 1258. Inq. 338, 2.* ci.— Id. 341.
CaleU, geogr., 1258. Inq. 721, 2.» ci.
Calendario (S. Juliano de), geogr., 1220. Inq. 28, 1.» ci.— Id. 184, l.*cL
Calleirio, app. h., sec. XV. S. 183.
Calheiros, app. h., sec. xv. S. 334.
Calkiz, app. h., 995. Doc. most. Moreira. Dipi. 108.
Calobro, rio, 1220. Inq. 125, 1.* ci.
Calqain, villa, 1258. Inq. 495.
CalueU, geogr., 922. Dipi. 16, ult. I.
Calao, app. h., 1097. Doc. Most. VairSo. Dipi. 512.
Calaos, viUa, 1065. L. D. Mura. Dipi. 278.— Id. 252.
Calvel, app. h., 1220. Inq. 15, 1.* ci.— Id. 85.
Calvelao, n. h., 1220. Inq. 132, 1.* ci.
Calvelino, n. h., 1258. Inq. 562, 1.* ci.
Galvelo, monte, 1049. Dipi. 227.— Inq. 118.
CalTelo de Donas, geogr., 1258. Inq. 398, 1.* ci.
Calveloo, n. h., 1220. Inq. 132, 1.* ci.
Calvete, app. h., 1220. Inq. 85, 2.* ci.
Calvili, geogr., 1258. Inq. 309, 2.* ci.
Calvo, app. h., 1258. Inq. 438, 2.* ci.
^alzeda, mosteiro, sec. xv. S. 192.
Camalhardos, app. m., sec. xv. S. 155.
Camallaacos, app. m., sec. xv. S. 341.
Camantio e Camantom, villa, 959 L. D. Mum. Dipi. 45.
Camantip, g^ogr., 950. Doc. ap. sec. xni. Dipi. 35.
Camareira, geogr., 1258. Inq. 401, 1.* ci.
Camariz, n. h. (?), 1024 (?). Doc. most. Pendorada. Dipi. 158.— Id. 270.
Camaros, geogr., 1220. Inq. 121, 1.* ci.
Camavis, app. h., 1033. Doc. ap. sec. xviu. Dipi. 171.
Camba, app. h., 1258. Inq. 350, 1.* ci.
Cambada, geogr., 1258. Inq. 386, 1.* ci.
Cambadelis, campo, 1258. Inq. 585, 1.* ci.
Cambar, rio, 1002. L. Prete. Dipi. 116.
Cambas, app. h., 1258. Inq. 401, 2.* ci.
Cambeses, geogr., 1258. Inq. 371, 2.* ci.- Id. 665.
Cambesinos, geogr., 1258. Inq. 371, 2.* ci.
234 O Archeologo Pobtugués
Cambito, app. h., 1220. Inq. 85, 1.** ci.
Cambitus, geogr., 1258. Inq. 493, 1.* ci.
Canibuo, app. h., 1220. Inq. 85, 2.* ci.
Carnea!, app. h., sec. xv. S. 334.
Cameiros, app. h., sec. xv. S. 167.
Camelo, app. h., sec. xv. S. 151.
Camia, rio, 922. L. Proto. Dipi. 17, 1. 3. — Id. 84.
Canìiual, app. h., 1258. Inq. 706, 1.* ci.
('^aminao, app. h., 1258. Inq. 340, 1.* ci.
Camiiibaao, app. h., sec. XV. S. 352.
Caimuia, app. li., 1222. Inq. 27, 2.* ci.
Caniiuis, geogr., 1258. Inq. 588, 1.* ci.
Camicia, rio, 1068. Dipi. 294, n.« 471.
Camoes, geogr. (?), sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 1.*, C. 31
e 125.
Camoudo, app. li., 1258. Inq. 319, 2.* ci.
(^amoraes e (]omoraes (fonte de), geogr., 1253. For. Cativelos. Leges
638, 1. 4.
Carnoso, geogr., 1258. Inq. 691, 2.'* el.
Canipauaa (S.** Maria de), geogi\, 1258. Inq. 517, 2.* ci.
C]lanipauiana, villa e rio, 1058. Doc. most. da Qraga. Dipi. 251,
n.« 409.~Id. 105, 107 e 309.
(ìauipeeiros, geogr., 1258. Inq. 317, 2.* ci.
Cainpeelos, geogr., 1258. Inq. 594, 2.* ci.
Caiupelana, monte, 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi. 455.
Campelino, geogr., 1220. Inq. 119, 2.* ci.
Campelo, geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci.— Id. 341.
Campes, app. li., 1258. Inq. 502, 2.* ci.
Campiaa ou Campaa (Albergarla de), geogr., 1220. Inq. 41.
Campiaeus, villa, 1220. Inq. 40 e 121.
(^ampiaes ou Campiaues, villa, 1220. Inq. 121.
Campisini, villa, 1258. Inq. 474, 1."' ci.
Campo Crespo, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci.
(]ampo de moos, geogr., 1258. Inq. 346, 1.* ci.
Campo de rua, geogr., 1258. Inq. 723, 2.* ci.
Crampo de Seestros. Vide Seestros.
Campo d usso, geogr., 1258. Inq. 388, 1.* ci.
Campo Longo, geogr., 1258. Inq. 316, 1.* ci.
Campo manio, geogr., 1258. Inq. 578, 1.* ci.
Campo mao, geogi-., 1258. Inq. 305, 1.* ci.
Campores. Vide Reguengo de.
O Archeologo Portugués 235
Cxunpain de Feira, geogr., 1258. Inq. 736, 1.* ci.
Campus de Cayni, geogr., 1258. Inq. 597, 1.* ci.
Campani d espaxo. Vide Espaxo.
Canabe, n. h., 1037. L. Preto. Dipi. 180.
Canabicit, app. h., 1059. Doc. most. Moreira. Dipi. 255.
Canadis, geogr., 1258. Inq. 713, 1.* ci.
Cauale de miro, geogr., 1258. Inq. 514, 1.* ci.
Canali malo, geogr., 1258. Inq. 713, 1.* ci.
Canalis lontana, geogr., 1258. Inq. 514, 2.^ ci.
Ciaualle Fageuia. Vide Fagenia.
Cauameiro, geogr., sec. xv. S. 294.
Canameyro, geogr., sec. XV. S. 198.
Caiiardo ou Canhai*do, geogr., 1220. Inq. 82, 2.* ci. — Id. 387.
Canas veteras, geogr., 1258. Inq. 652, 1.* ci. — Id. 580, 2."* ci.
Cauaue, n. h., 1035. L. Preto. Dipi. 176.
Cauavel, app. b., 1258. Inq. 318, 2.» ci.
C^anaveses, geogr., 1258. Inq. 591, 2.* ci.
Canboa pedrjua, geogr., 1258. Inq. 330, 1.* ci.
Caucada, geogr., 1258, Inq. 720, 1.* ci.
Caiicelada, geogr., 1258. Inq. 350, 2.* ci.
Cancella, geogr., 1258. Inq. 527, 2.* ci.
Caiicellam, geogr., 1258. Inq. 527.
Cancelliolo, geogr., sec. XI (?). L. D. Mum. Dipi. 563.
Cancello, geogr., 1042. L. B. Ferr. Dipi. 196, n.*' 320. — Inq. 335.
Caudaendo, geogr., 1258. Inq. 366, 2.* ci.
Candanoso, villa, 1043. L. D. Mum. Dipi. 199.— Id. 20 e 138.
Caudao, geogr., 1258. Inq. 359, 2.* ci.— Id. 408, 2.* ci.
Candarini, app. h., sec. XV. S. 183.
Candeali, geogr., 1258. Inq. 646, 2.^ ci.
Candeeira, geogr., 1258. Inq. 317, 1.* ci.— Id. 735.
Caudeiras, geogr., 1258. Inq. 621, 1.* ci.
Caudemir (S. Christopliano de), geogr., 1220. Inq. 62, L* ci.
Canderedl, geogr., 1021. L. Preto. Dipi. 154.
Canderedizi, app. b., 1013 (?). Dipi. 136.
Candilaci, app. h., 1037. L. Preto. Dipi. 181, n.** 295.
Caudino, geogr., 1258. Inq. 734, 2.* ci.
Candoosa, monte, 1100 (?). Doc. most. Pedroso. Dipi. 552. — Inq.
338, 1.* ci.
Canedo, geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci.— S. 177.
Caneiro, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci.
Canelas, villa, 1084. Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 375.
236 O Archeologo Portugoés
CaneUas, app. h., sec. XV. S. 297.— Villa, 952. Dipi- 37.
Canelo, geogr., 1258. Inq. 654, 2.* d.
Caneto, serra, 959. L. D. Miim. Dipi. 46, 1. 23.
Gaugado, app. h., 1258. Inq. 367, 2.'' ci.
Cangal, campo, 1258. Inq. 534, 2.* ci.
Canias, app. h., 1220. Inq. 82, 2.' ci.
CauideUas, villa, 1258. Inq. 483, !.• ci.
Canldelo, app. b., 1258. Inq. 483, 1.* ci.
Canis (S. Adriano de), geogr., 1258. Inq. 588, 2.* ci.
Caniz, app. m., 1258. Inq. 350, 1.* ci.
Canizada, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262.— Inq. 58.
Cauizo, geogr., 1258. Inq. 537, 2.* ci.
Cannas, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 261.— Id. 413.
Cane, app. h., 1258. Inq. 293.
Canoso, geogr., 1258. Inq. 298, 2.' ci.
€auoto, app. h., 1220. Inq. 85, 1.* ci.
Caupaiiiana, rio, 994. L. Preto. Dipi. 105.
Cantar, app. h., 1258. Inq. 629, 1.* ci.
Cautararia, geogr., 1258. Inq. 457, 2.* ci. — Id. 459.
Cantelaes, geogr., 1220. Inq. 146, 2.* ci.
Canton, app. h., 1258. Inq. 302, 1.^ ci.
Cantoni, geogr., 1220. Inq. 85, 1.* ci.— Id. 736.
Cantouied, villa, 1087. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 411.
Cantoulede, villa, 1087. L. Preto. Dipi. 405.— Id. 545.
Cantone, geogr., 1258. Inq. 723, 2.* ci.— Id. 736.
Canya (Villa Nova de Canba), 1235. For. de Canba. Leg. 626.
Caoba (Sancta), geogr., 1258. Inq. 338, 1.* ci.
Caomba (Sancta), geogr., 1258. Inq. 338, 2." ci.
Caoso, geogr., 1258. Inq. 298, 2.* ci.— Id. 305.
Capa, geogr., 1258. Inq. 664, 1.* ci.
Capanelas, villa, 1047. Doc. most. Pendorada. Dipi. 219.
Capanellas, villa, 1065. Dipi. 281.— Id. 328, 389 e 396.
Capannellas, villa, 1082. Doc. most. Pendorada. Dipi. 366.
Caparabos, app. h., 1258. Inq. 490, 1.* ci.
Capareiros, (S. Petro de), geogr., 1220. Inq. 29, 1.* ci.— Id. 184.
Caparo, app. h., 1220. Inq. 103, 2.* d.
Caparosa, app. b., 1220. Inq. 155, 1.* ci. — Id. 64.
Rapata, app. h., sec. XV. S. 144. — Id. 348.
Capala, geogr., 1258. Inq. 540, 1.* ci.
Capellus, geogr., 1258. Inq. 498, 2.* ci.
Capelo, app. b., 1258. Inq. 295, 1.* d. — Id. 400 e 428.
O Archeologo Pobtugués 237
Capeludos, geogr., 1220. Inq. 44, 2.* ci.— Id. 126.
€apeiello^ geogr., 929. Doc. most. S. Vicente. Dipi. 22.
Capeza^ geogr. (?), sec. xi. L. D. Mum. DipL 564, 1. 4.
€apiaens, villa, 1220. Inq. 40, 2.* ci.
Capita, app. h., 1258. Inq. 293, 2.» ci.
Capitellum, geogr., 1088. L. Preto. Dipi. 419, n.*^ 699.
Gapitellum de degano. Vide Degano*
Capon, app. h., sec. xv. S. 336.
€aprarias, villa, 1096. Doc. most. Arouca. Dipi. 494.
Capreiros, villa, 1086. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 394.
Capril, geogr., 1072. Doc. most. Moreira. Dipi. 310, n.° 502.
Caprile, arroio, 1083. Doc. most. Arouca. Dipi. 3G8.
Capronello, villa, 1088. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 426.
Carabalio, app. h., 1258. Inq. 349. 1."" ci.
Caracal, geogr., 1258. Inq. 657, 1.* d.
Caracho, app. h., 1220. Inq. 84, 1.* ci.
Caracinis, geogr., 1258. Inq. 687, 2.' d.
Caralio, app. h., 1258. Inq. 329, 2.* ci.— Rio. Leg. 433, 1. 10.
Caralo, app. m., 1258. Inq. 602, 1.» ci.— Id. 600.
Caramalos e Caramaros, app. h. (?), 1220. Inq. 164, 2.' ci. — Id. 73,
121 e 549.
Caramelos, geogr., 1258. Inq. 611, 2.* ci.
Caramoros, geogr., 1220. Inq. 141, 2.* ci.
Caran, geogr. (?), sec. xv. S. 254.
Caranzal, geogr., 1258. Inq. 347, 1.* ci.
Carape^os, geogr., sec. xv. S. 296.
Carapecus, app. h., 1262. For. Tolosa. Leg. 702.
Carapessos, app. h., 1258. Inq. 658, 1.^ ci.
Carapetlnos, geogr., 1258. Inq. 307, 1.* ci.
Carapezos (S.** Christina de), geogr., 1220. Inq. 61.
Carapinia, geogr., 1136. For. de Seia. Leg. 372, 1. 16.
Carapito, geogr. (?), 1258. Inq. 305, 1.* ci.
Garasti (S.'* Martha de), geogr., 1258-. Inq. 594, 1.* ci.
Garanella, app. h., sec. XV. S. 329.
Gapavel, geogr., 1258. Inq. 311, 2.* ci.— Id. 720.
Garavelal, geogr., 1258. Inq. 661, 2.* ci.
Garavelha, app. m., sec. xv. S. 170.
Garavelos, geogr., 1220. Inq. 121, 1.* d.
Garazedo, geogr., sec. xv'. S. 274.
Carbaliaes, villa, 1037-1065. L. Preto. Dipi. 279.
Garbalio furato, geogr., 985. Doc. most. LorvSo. Dipi. 93.
238 O Archeologo Portuguès
(]larbalioso, peo^r., 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi. 447, n.** 749.
Carcasia, app. h., 1258. Inq. 490, 2.* ci.
Cìarcaveira, g^ogr., 1258. Inq. 338, 1.* ci.
Carceleiiaria, peopr., 1258. Inq. G44, 1.* ci.
Carcereli ou Carcerili (S. Michaele de), geogr., 1220. Inq. 134,
2.* ci.— Id. 658.
Carcereiro (casal de), geogr., 1220. Inq. 46, 2.* ci.
Garcia, n. h., 1056. Doc. most. Pedroso. Dipi. 244.
Cardade (Caridade?), app. h., 1220. Inq. 63.— Id, 154 e 201.
Cardai, geogr., 1258. Inq. 335, 2.* ci.
Cardea, app..m., sec. xv. S. 334.
Cai-deelos, geogr., 1258. Inq. 334, 2.* ci.
Cardeli, geogr., 1220. Inq. 118, 2.'* ci.
Cardeuelus, geogr., 1088. Doc. most. Moreira. Dipi. 429, n." 717.
Cardeo, app. h., 1258. Inq. 329, 2.* ci.
Carderò, app. li., I2f'>6. Inq. 315, 2.* ci.
Cardicha (Vale da), geogr., 1182. For. de Urros. Leg. 424.
Ciardidi, app. h., 1220. Inq. 64, 2.'^ ci.
Cardido, geogr., 1258. Inq. 703, 2.* ci.
Cardili, geogr., 1258. Inq. 412, 1.* ci.
Cardo, app. li., sec. xv. S. 320.
Cardos, geogr., 1258. Inq. 318, 2.* ci.
Cardosa, geogr., 1258. Inq. 404, 2.* ci.
Cardoso, geogr., 1258. Inq. 725, 2.* ci.
Careffe, app. li., 1258. Inq. 469, 2.* ci.
Careira, geogr., 1008. Doc. most. Moreira. Dipi. 121, n.® 198.
Careiroo, geogr. Inq. ?
Carexi, rio (?), 1258. Inq. 368, 2.* ci.
Caria, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 51.— Id. 262. — S. 262.
Caridi, app. h., 1220. Inq. 64, l.'* d.
Carigiadi, geogr., 1258. Inq. 379, 2.* ci.
Carilho, app. h., sec. xv. S. 213.
Carili, app. h., 1220. Inq. 54, 2.^ ci.
Carinto, n. h., 1008. L. Prete. Dipi. 125, n.^ 204.
Caritus, n. h., 973. L. D. Mum. Dipi. 70.
Carlou, n. h., 973. Doc. most. Lorvào. Dipi. 67.
Cannolo, app. h., 1258. Inq. 394, 1.* ci.
Carmen, app. h., 1220. Inq. 109, 1.* ci.
Carnao, app. h., sec. xv. S. 166.
Carnaz, app. li., 1262. For. Tolosa. Leg. 702.
Caruazalis (Lacuna), geogr., 1258. Inq. 449, 1.^ ci.
O Archeologo Portugués 239
Carne azeda, app. h., 1258. Inq. 315, 1.* ci,
Carueira, app. m., 1258. Inq. 423, 2.* ci.
Cariieiro, app. h., sec. xv. S. 373. — Inq. 359, 2.* ci.
Cai-nes, app. h., sec. XV. S. 285. — Inq. 541, 2.* ci.
Carnes mds, app. h., sec. xv. S. 145. — Id. 1C5.
Caroarii, geogr., 1258. Inq. 670, 2.* ci.
Carocelro, geogr., 1258. Inq. 326, 1.* ci.
Carote, n. h., 1258. Inq. 367, 2.'^ ci.
Carozario, geogr., sec. xi (?). L. D. Mum. Dipi. 563.
Carpenteiro, app. h., sec. xi. L. D. Mum. Dipi. 564, 1. 27.
Carpiuteiro, app. h., sec. xv. S. 169.
Carqueigiosa, geogr., 1258. Inq. 346, 1.* ci.
Carraia, app. h., sec. xv. S. 153.
Carracldo, geogr., 1258. Inq. 342, 1.* ci.
Carrai, geogr., 1258. Inq. 688, 1.* ci.
barrale de carro, geogr., 1071. Doc. most. Pendorada. Dipi. 307.
Carrameuus, app. h., 1258. Inq. 478, 2.* ci.
Carraiuondo, app. h., 1258. Inq. 365, 2.* ci. — Id. 495.
Carrapaiosam, castello, 1142. For. de Leiria. Leg. 377, 1. 7.
Carrazedelum^ geogr., 1237. For. Cedofeita. Leg. 627.
Carrazedo, app. h., 1220. Inq. 176, 2.* ci.— Id. 423.
Carrazito, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 261,
Carregal, geogr., 1258. Inq. 483, 2.* ci.— Id. 97 e 356, 2.* ci.
Carregosa (Bouza de), geogr., 1258. Inq. 305, 2.* ci.
Carregaeiro, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.°, p. 1.*, C. 161.
Carreiro do juncal, geogr., 1258. Inq. 339, 2.* ci.
Carrezo (S.'* Maria de), geogr., 1258. Inq. 328, 2.* ci.
Cannaes, geogr., 1258. Inq. 375, 1.* ci.
Carri! (Souto do), geogr., 1258. Inq. 413, 2.* ci.— Id. 586.
Carrilam veterim, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci.
Carriubo, app. h., sec. xv. S. 381.
Carrioni, app. li., 1258. Inq. 381, 1.* ci. — Qeogr. Id. 384.
Carriza, geogr., 1258. Inq. 343, 2.* ci.
Carrizo, app. h., 1258. Inq. 387, 1.* ci.— Id. 412.
Carrizos, casal, 1258. Inq. 387, 1.* ci.
Carroeho, app. h., 1258. Inq. 357, 2.* ci.
Garroga (S.^* Columba de), geogr., 1220. Inq. 42.
Carrom, app. b., 1220. Inq. 154, 2.* ci.— Id. 201.
Carrote, app. b., 1258. Inq. 350, 1.* ci.
Cartamirl, villa, 1054. Doc. most. Arouca. Dipi. 239.— Id. 378.
Cartave (Ontario), geogr., 1258. Inq. 567, 1.* ci.
240 O Abcheologo Pobtugués
Cartemirìz, app. h., 1009. Doc. most. Moreira. Dipi. 128.
Garteniiro, n. h., 870. Doc. most. Pendorada. Dipi. 4.
Gartemiros, g^gr., 1258. Inq. 715, 2.* ci.
Cai-tenio, n. h., 1038. L. D. Mum. Dipi. 185.
Cartimir, geogr., 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36.
Cartoi, geogr., 1220. Inq. 117, 2.* ci.— Id. 166.
Cartois, geogr., 1258. Inq. 401, 2.* ci.
Cartom, geogr., 1258. Inq. 608, 1.* d.
Cartomiro n. h., 1021. L. Preto. Dipi. 154.
Cartoy^ vinha, 1258. Inq. 414, 1.* ci.
Caru, geogr., 1048. Doc. most. Moreira. Dipi. 222.
Gamaceira, ge<Tgr., sec. xiii. For. de Sangainhedo. Leg. 598.
Gamalaosa, geogr., sec. xiii. For. de Mós. Leg. 391.
Garualiales, villa, 1037-1065. L. Preto. Dipi. 279.
Garualiam de Cruxj geogr., 1253. For. Cativelos. Leg. 638, 1. 3.
Garualiam soa ou solam, geogr., 1253. For. Cativelos. Leg. 638, 1. 5*
Garualido, geogr., 1069. Doc. most. Moreira. Dipi, 296.
Carualliares, villa, 1098 (?). Dipi. 534.
Garuanceira, geogr., sec. xiii. For. de Sanguinhedo. Leg. 598.
Garudu, app. h., 1220. Inq. 146, 1.* d.
Garuelas, villa, sec. xiii. For. Carvelas. Leg. 594.
Caruyas, app. h., 1258. Inq. 432, 2.* ci.
Gapvalal (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 35, 2.* ci.
Garvalarem, geogr., 1258. Inq. 732, 1.* ci.
Carvalaria, geogr., 1258. Inq. 648, 2.* ci.
Garvalhedo, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 34.
Garvalia, geogr., 1258. Inq. 306, 2.* ci.
Garvalial (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 33, 1.* ci. |
Garvaliar, casal, 1258. Inq. 400, 1.* ci. !
Garvalias (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 33, 1.* ci. |
GapvaUdo, geogr., 1258. Inq. 333, 2.* ci.— Id. 129. I
Garvalio de lobo, geogr., 1258. Inq. 347, 1.» ci.— Id. 411, 1.* ci.
Carvaliosa, geogr., 1258. Inq. 605, 1.* ci.— Id. 346. j
Garvaloo, geogr., 1258. Inq. 695, 1.* ci.
Garvalosa (S. Romano de), 1220. Inq. 200, 1.* ci. i
Garvas ou Garves, app. h., 1220. Inq. 93, 2.* ci. \
Garvó, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 1.», C. 161.
Garvoa, geogr., 1258. Inq. 314, 1.* ci.
Carvoal, geogr., 1258. Inq. 379, 2.* ci.
Carvoeipo, geogr., 1258. Inq. 321, 2.* ci.— S. 170,^
Garvom, n. h., 1220. Inq. 104, 1.* ci.
O Archeologo Portugués 241
Casado, app. h., 1258. Inq. 331, 2.* ci.
Casaeis (Petra de), geogr., 1258. Inq. 594, 2.* ci.
Casaelio, app. h., 1258. Inq. 303, 1.* ci.
Casaelo, geogr., 1220. Inq. 64, 2.* ci.— Id. 617.
Gasaìno de Felgueira, geogr., 1258. Inq. 408, 1.* ci.
Casal danij geogr., 1258. Inq. 535, 1-* ci.
Casal de barra so capa, geogr., 1258. Inq. 407, 2.* ci.
Casal duarìo ou dueiro, geogr., 1258. Inq. 599, 1.* ci.
Casale columbae, geogr., 1094. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 478.
Casal paride, geogr., 1258. Inq. 324, 2.^ ci.
Casalino, geogr., 1079. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 347.
Casaria, n. m. (?), sec. xi (?). L. D. Mum. Dipi. 562.
Casayno (Porto de), geogr., 1258. Inq, 302, 1.* ci.
Casca, app. h., 1258. Inq. 392, 2.* ci.— Id. 693.
Cascaliar, geogr., 1258. Inq. 363, 2.* ci.
Cascha, geogr., 1258. Inq. 420, 1.* ci.
Caschafroy, geogr., 1258. Inq. 414, 1.* ci.
Caschagoy, geogr., 1258. Inq, 414, 1.* ci.
Caschas, n. h., 1258. Inq. 415, 2.* ci.
Cascheìsom, casal, 1258. Inq. 419, 2.* ci.
Caschi, casal, 1258. Inq. 416, 1.* ci.
Cascho, casal, 1258. Inq. 416, 1.* ci.
Caschopadre, geogr., 1258. Inq. 563, 1.* ci.
Cascita, app. h., 952. Doc. most. Lorvao. Dipi. 58.
Cascia, geogr., 1258. Inq. 392, 2.* ci.
Caseval, app. h., 1258. Inq. 391, 1.* ci.— Leg. 229.
Caspire, app. h,, sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 2.*, C. 22.
Casseira, geogr., 1096. Doc. Arch. Publico. Dipi. 493.
Cassi, app. h., 1258. Inq. 583, 1.* ci.
Cassia, Cassia ou Garsia, app. h., sec. xiv. For. Tornar. Leg. 401.
Castanheda, app. h., sec. xv. S. 269.
Castaniua, app. li., 1258. Inq. 667, 1.^ ci.
Castano, app. h., 1220. Inq. 64, 2.* ci.— Id. 156 e 202.
Castelanus, villa, 1058. L. D. Mum. Dipi. 254.— Id. 109.
Castel de Vias, geogr., 1258. Inq. 354, 2.* ci.
Castella, reino, 1085. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 383.
Castellauus, villa, 1072. Doc. most. Moreira. Dipi. 310.
Castello menando, villa, sec. xiii. For. de Moreira. Leg. 632.
Castemirus, n. h., 1016. L. Prete. Dipi. 142, n^ 227.
Casteuigo, geogr., 1258. Inq. 670, 2.* ci.
Castezoni, geogr., 1258. Inq. 361, 1.* ci.
242 O Archkologo Pobtuguès
Casiiiza, app. m., 1258. Inq. 458, 1.* ci.
Castina, n. m., 1008. L. Prete. Dipi. 125.
Castiuasio de barala. Vide Barala.
Gastineira, villa, 964. L. D. Mum. Dipi. 56.
Gastineiro de Lobo, geogr., 1258. Inq. 411, 1.* ci.
Castiiier do Gonde, g^ogr., 1258. Inq. 394, 1.' ci.
Castiiiiaria, villa, 968. L. D. Mum. Dipi. 63. — Id. 50.
Gastinizale, geogr., 1258. Inq. 573, 1.* ci.
Gastraiuia, geogr., 1002. L. Prete. Dipi. 115, 1. 5.
Gastrello, villa, 985. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 93.— Id. 32 e 96.
Castrellos, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 260.— Id. 35.
Castro, villa, 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. — Appell. S. 198.
Castro Airas, geogr., 1258. Inq. 411, 2.* ci.
Castro amaya. Vide Amaya.
Castro de bo, geogr., 921. Doc. most. Vairào. Dipi. 15.
Castro de boue, monte, 1098. Doc. most. Moreira. Dipi. 523, n.® 881. —
Id. 11 e 50, n.^ 80.
Castro de Cabras, geogr., 1258. Inq. 316-317.
Castro de custodias. Vide Custodìas*
Castro de Gamazaos, geogr., 1220. Inq. 133, 1.* ci.
Castro de moraria, geogr., sec. xi. L. D. Mum. Dipi. 562.
Castro Goudomar, monte, 1095. Tombo S. S. J. Dipi. 488.
Castro malo, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 257.— Id. 46, 1. 26.
Castro iiugaria, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 51.
Castro Oliueto, geogr., 1162. For. Covas. Leg. 387.
Castro petroso, monte, 1068. Doc. most. Pedroso. Dipi. 289.
Castro saucta cruce, gecgr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 257, n.*^ 420.
Castro saucto iohanne, geogr., 953. Doc. colleg. Guim. Dipi. 39, 1. 5.
Castro seco, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, 1. 14.
Castro uemmdl, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258.
Castrum, monte, 1258. Inq. 470, 1.* ci.
Castrum de Vilario, geogr., 1220. Inq. 39, 2.* ci.
Castrumia, geogr., 922. L. Prete. Dipi. 17, 1. 8.
Castrumie, geogr., 922. L. Prete. Dipi. 16.— Id. 17.
Cala mate, app. li., 1258. Inq. 429, 2.* ci.
Catatridario, geogr., 1004. L. Prete. Dipi. 118, n.* 193.
Catane, rio, 959. L. D. Mum. Dipi. 48.— Id. 51 e 236.
Catauon, rio, 1075. Dee. most. Moreira. Dipi. 320.— Id. 433.
Cataz, app. h., 1220. Inq. 163, 2.* ci.
Gateliua, n. m., sec. xv. S. 336.
Cathelina, n. m., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 2.*, C. 87.
O Archeologo Portugués 243
Cathuna, app. h., 1258. Inq. 467, 1.'' ci.
Catiuelos^ villa, 1253. For. Cativelos. Leg. 637.
Cativelo, geogr., 1258. Inq. 344, 2.* ci.
Catoni, app. h., sec. XV. S. 365.
Catonis, app. h., 1008. L. Prete. Dipi. 125, n.^ 204.
^ìatorìnho, app. h., sec. xv. S. 346.
Cauadoudy e Gouadoudi, geogr., 1199. For. Guarda. Leg. 511.
Caualluha, n. m., sec. xv. S. 163.
Caualiones, geogr., 1083. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 372.
Caualliones, villa, 1094. Doc. most. Arouca. Dipi. 481.
Caualones, villa, 1086. Doc. most. Pendorada. Dipi. 397, n.* 664.
Caaaluno, rio, 1043. Doc. most. Moreira. Dipi. 198.
(ìanldo, app. h., sec. XV. S. 296.
iianno, geogr., 1035. L. Proto. Dipi. 176, n.^ 288.
Cauol, geogr., 1220. Inq. lo, 1." ci.
Caariam (Coura), cidade, sec. xii (?). Historia Gottorum. S. 10, 2.^ ci.
Causo, villa, 978. Doc. most. Moreira. Dipi. 77.— Id. 299.
Causso, villa, 1094. Doc. Arch. Publico. Dipi. 477.
Cautum catelle, geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci.
(tantum sartagiuis, geogr., 1258. Inq. 626, 2.^ ci.
Cauumqueyra, geogr., 1257. For. Lago Mau. Leg. 669.
Cavacadoyro, geogr., 1258. Inq. 424, 1.* ci.
Cavaco, app. li., 1258. Inq. 318, 2.* ci.
Cavalete, app. li., 1258. Inq. 431, 1.* ci.
Cavalìno, app. h., 1220. Inq. 164, 1.^ ci.
Cavalo, app. h., 1258. Inq. 410, 1.* ci.
Cavaloes (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 204.
Cavalom, geogr., 1258. Inq. 545, 2.* ci.
Cavallano, rio, 1088. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 426.
Cavaluu, geogr., 1258. Inq. 593, 1.* ci.— Id. 589.
Cavatolo, app. h. (?), 1258. Inq. 704, 2.* ci.
Caveda, geogr., 1220. Inq. 42, 2.^ ci.— Id. 505.
Caves, geogr., 1258. Inq. 667, 2.* ci.
Caviam, geogr., 1220. Inq. 154, 1.* ci. — Id. 201.
Cavianziuo, geogr., 1220. Inq. 63, 2.* ci.
Cavomegas, villa, 1258. Inq. 615, 2.* ci.
Cavoucos, geogr., 1220. Inq. 118, 2." ci.
Cayado; app. h., 1453. Azur., Chr. Guiné, p. 200.
Caybi, n. h. (?), 1085. Doc. most. Pendorada. Dipi. 385.
Caydi (Lomba de), geogr., 1258. Inq. 602, 2,* ci.
Cayua, geogr., 1258. Inq. 555, 1.* ci.— Id. 566.
IG
244 O Archeologo Portogués
Gaynas, g^ogr., 1258. Inq. 411, 1.* ci.
Caynis, geogr., 1258. Inq. 662, 1.* ci.
Cayra, geogr., 1258. Inq. 602, 1.* ci.
Caypoga, n. h. (?), 1258. Inq. 645, 1.* ci.
Cayz (Villa), viUa, 1258. Inq. 568, 1.* ci.
^az, app. m., sec. xv. S. 197. — Id. 294.
Gazagal, app. li., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 159.
Cazapedo, geogr., 1220. Inq. 37, 2.* ci.
Cazavacho, geogr., 1258. Inq. 710, 2.* ci.
Cazomanes^ geogr., 1048. Doc. most. Moreira. Dipi. 223.
Cazopanes, villa, 1052. L. D. Mum. Dipi. 232.— Id. 138.
Cazuiro, casal, 1258. Inq. 670, 2.* ci.
Cazuiuiz, app. h., 1068. Dipi. 294.
Ceana, casal, 1258. Inq. 391, 2.* ci.
Cebola, app. h., 1258. Inq. 372, 2.* ci.
Cebolào, app. h., 1258. Inq. 306, 1.* ci.
Cebolaos, app. h., 1258. Inq. 402, 2.* ci.
Cebolido, geogr., 1258. Inq. 587, 2.* ci.
Ceboriquinum, geogr., 1258. Inq. 635, 2.* ci.
Gebrarìo, geogr., 882. Doc. most. da Gra9a. Dipi. 6, n.*^ 9.
Geci^ app. h., 955. Doc. most. Moreira. Dipi. 40.
Gecili, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 260, 1. 22.
Gecilla (Sancta), geogr., 1220. Inq. 15, 2.* ci.
Geco, app. h., 1258. Inq. 308, 2.* ci.
Gedarim, mosteiro, 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 231.
Cedi, casal, 1258. Inq. 414, 2.* ci.
Gedoes, geogr., 1258. Inq. 546, 1.* ci.
Gedom, geogr., 1258. Inq. 579, 2.* ci.
Gedreiro, app. h., 1220. Inq. 64, 2.* ci.
^efomtes, app. h., sec. XV. S. 268.
Gegoa, geogr., 1258. Inq. 637, 1.* ci.
Gegoes (S. Pelagio de), geogr., 1258. Inq. 399, 2.* ci.
Gegoneiris, geogr., 1258. Inq. 611, 2.* ci.
Gegooneira, geogr., 1258. Inq. 537, 1.* ci,
Geguus, geogr., 1202. For. de Tavoadello. Leg. 524.
Gei^a, geogr., sec. xii (?). Historìa Gottorum. S. 9. — Id. Elocid.
Vit., 2.% pag. 160 (1.* edigSo).
Gelde, n. h., 935. Doc. most. LorvEo. Dipi. 25, n.® 40. — Geogr. Inq.
204.
Geides, villa, 1217. For. de Ceides. Leg. 573.— Id. 598.— Inq. 41,
1.^ ci.
O Archeologo Pobtugués 245
Ceidi, n. h., 1032. L. Preto. Dipi. 167, n.« 274.
Ceidiz, app. h., 1258, Inq. 420, 1.* ci.
Ceidones, geogr., 1064. Dipi. 276.
Ceidooìz, app. h., 1220. Inq. 159, 2.* ci.
Ceidoes, (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 134. — Id. 50.
Ceimadela ou Qaeimjidela, geogr., 1220. Inq. 199.
Cela (S. Jorgio de), geogr., 1258. Inq. 681, 1.* ci.
Celada, app. h., sec. xv. S. 145.
Gelafauo (S. Juliano de), geogr., 1258. Inq. 734, 1.* ci.
Celafao (S. Juliano de), geogr., 1220. Inq. 14.— Id. 84.
Celauise, geogr., 1237. For. Cepo. Leg. 628.
Celeìro de boys, geogr,, 1258. Inq. 343, 1.* ci.
Celeiro de Gradino, geogr., 1220. Inq. 56, 1.* ci.
Celelroo (Monte de), geogr., 1220. Inq. 128, 1.* ci.
Celeiroos, geogr., 1220. Inq. 43, 2.* ci.
Geleirous, villa, 1160. For. de Celeirós. Leg. 386.
Celeyroos, villa, 1160. For. de Celeirós. Leg. 387.
Celgaa, geogr., 1258. Inq. 583, 1.* ci.
Celgana, villa, 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 413.
Celiqui, app. h., 1220. Inq. 139, 1.* ci.
Cellafano, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262.
Cellamz, app. h., sec. XI (?). L. D. Mum. Dipi. 563.
Cella iioua, villa, 922. L. Preto. Dipi. 17.— Id. 74.
CeUapido, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 259.
CeUapiolo, villa, 1058. L. D. Mum. Dipi. 249, 1. 29.
CeUeiro^ geogr.. 1032. L. Preto. Dipi. 168.
Cellorico (urbis), 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi. 450.
Celo e Colo, app. h., 1220. 17, 2.* ci.
Geloria (castro), 1100. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 552.
Celorico, app. h., 1258. Inq. 640, 2.* ci.
Gelteganes, villa, 1038. Tombe S. S. J. Dipi. 184.— Id. 348.
Celteganus, villa, 1048. Dipi. 224, n.« 368.
Gemandi, geogr., 1258. Inq. 337, 2.* ci.
Gemba, geogr., 1258. Inq. 339, 1.* ci.
Gemella, rainha, 915. Doc. ap. sec. xiv. Dipi. 12.
Genaes, geogr., 1220. Inq. 9, 1.* ci. — Id. 719.
Cenamip (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 20, 2.'* ci.— Id. 94.
Gencerigu, n. h., 991. Doc. most. Vairào. Dipi. 101.
Gendamiriz, app. m., 1081. Doc. most. Moreira. Dipi. 358.
Gendamira, n. h., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57.
Gendas, n. h., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9.— Id. 141.— Inq. 147.
246 O Archeologo Poutugués
Cendelgas, villa, 954. Doc. most. Lorvao. Dipi. 39.
Cendemiro, n. b., 1087. Torabo D. Maior Martinz. Dipi. 410.
Ceiidi, geogr., 1258. Inq. 369, l.'"* ci.
Ceudoii, n. h., 967. Doc. most. Lorvao. Dipi. 60. — Villa. — Id. 412.
Cendonl^ app. li., 911. Dipi. 12. — Inq. 516.
Cendoiiiz, app. li., 1078. Doc. most. Arouca. Dipi. 341.
€eudoiiizl^ app. m., 1083. Doc. most. Arouca. Dipi. 368. — Id. 517-
Cendus, ii. h., 933. Doc. most. Lorvao. Dipi. 25.
Cenoiz, app. li., 1258. Inq. 300, 2.* ci.
Cenon, n. h., 1258. Inq. 414, 2.* ci.
Cenoj'j geogr., 1258. Inq. 359, 2.* ci.
Ceuoyra, app. li., sec. XV. S. 202.
Censoi, n. h., 991. Doc. most. Vairao. Dipi. 101.
Genia, geogr., 1258. Inq. 642, 1.* ci.
Centeaes, geogr., 1258. Inq. 672, 1.* ci.
Centeoso, geogr., 1258. Inq. 407, 1.* ci.
Ceutum cortes, geogr., 1086. Doc. most. Arouca. Dipi. 395.
Cenuseuda, n. m., 939. Doc. most. LorvEo. Dipi. 29.
Ceonsij geogr., 1258. Inq. 705, 1.* ci.
Ceozendiz, app. li., 1098. Doc. most. LorvSo. Dipi. 530.
(ìepa, n. h., 991. Doc. most. Vairào. Dipi. 101.— Inq. 337.
Capa d Agrela, geogr., 1258. Inq. 323, 1.* ci.
i^epal, geogr., 1258. Inq. 345, 1.* ci.
Cepas, geogr., 1258. Inq. 344, 2.* ci.
Cepeda, geogr., 1258. Inq. 656, 2.* ci.
Cepegosa, geogr., 1258. Inq. 345, 1.* ci.
Cepido, geogr., 1258. Inq. 706, 1.* ci.
Cepidis, geogr., 907. Doc. most. LorvSo. Dipi. 10, n.** 15.
Cepiis, villa. Era 1102. L. Prete. Dipi. 277.
Cepo, geogr., 1237. For. de Cepo. Leg. 628.
Cepo cremato, geogr., 1258. Inq. 613, 2.* ci.
Capta (Ceuta), geogr., 1453. Azur., Chr. Quiné, p. 3.
Cequiavi, app. li., sec. xv. S. 166.
Cerafeua, geogr., 1220. Inq. 85, 1.* ci.
Cerapelo, app. li., 1258. Inq. 308, 2.* ci.
Cercaria, geogr., 1258. Inq. 550, 1.* ci. — Id. 700.
C^erceado, geogr., 1258. Inq. 437, 2.'* ci.
C^ercedelo, villa, 1055. Doc. most. Moreira. Dipi. 242.
Cercedo, villa, 999. Doc. most. Moreira. Dipi. 112.— Id. 352.
Cerceiras, geogr., 1086. Doc. most. Pendorada. Dipi. 398.
Cercetelo, geogr., 1060. Doc. most. Pendorada. Dipi. 266.
O Archeologo Portugués 247
Cercete, villa, 1073. Dipi. 314, n.^ 508.
Cercosa, villa, 1002. L. Prete. Dipi. IIG, n.« 190.
Cerdeira, app. h., 1258. Inq. 366, 1.* ci.— Geogr. Inq. 104, 1.* ci.
Cerdeii-o, app. h., 1220. Inq. 192, 2.* ci.
Oreisiiia, geogr., 1162. For. de Covas. Leg. 387.
Ceres, app. li., 8ec. xv. S. 171.
Ceresedo, geogr., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 230.
Ceraseto, villa, 995. Dee. most. Moreira. Dipi. 107.
Cerita, geogr., 1258. Inq. 638, 2.* ci.
Ceritom, app. h., 1258. Inq. 723, 1.* ci.
Cerlita, app. li., 1258. Inq. 665, 2.* ci. .
Ceruadas, geogr., 1220. Inq. 118.— Rio, 1258. Inq. 356. 2."- ci.
Ceriiadela (S. Jacob de), geogr., 1258. Inq. 546, l.'"* ci.
Ceruadiiio, rio (?), 1097. Dipi. 513.
Ceriiado, geogr., 1258. Inq. 294, 1.* ci. — App. li., sec. xv. S. 227.
Ceriiados, geogr., 1220. Inq. 14, 1.* ci.— Id. 404.
Cremai, geogr., 1258. Inq. 535, 1.* ci.
Cernaneelhi, villa, 1124. For. de Cemancelhe. Leg. 302. — Id. 305.
Cernandiuoy rio (?), 1097. Dipi. 253.
Ceruatella, geogr., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35.
Cernatene, geogr., 1088. Doc. most. Moreira. Dipi. 430.
Cernato, geogr., 1047. Doc. most. Moreira. Dipi. 217.
Ceriiedo (S. Jacob de), 1220. Inq. 73, 2.* ci.— Id. 167.
CeriioHceli (Vallis de), 1258. Inq. 514, 2.* ci.— Leg. 302.
Cerocia, n. m. (?), 867-912. L. Prete. Dipi. 3.
Cerolico, geogr., 1258. Inq. 645, 2.* ci.
Ceroliquino, geogr., 1258. Inq. 647, 1.* ci.
Ceronio, n. h., 1075. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 322.
Cerqiieda, villa, 1258. Inq. 533, 1.* e 2.* ci.
Cerquedo ou Cerquedum, geogr., 1258. Inq. 489, 2.* ci.
Cerqueira, geogr., 1258. Inq. 699, 2.* ci.
Cerqueiras, geogr., 1258. Inq. 474, 1.* ci.
Cerqueiro, geogr., 1258. Inq. 365, 1.* ci.
^erra^im, app. h., sec. xv. S. 281.
Cerradelo, villa, 1064. Dipi. 276, 1. 7.— Inq. 297.
Cerri, casal, 1258. Inq. 358, 2.* ci.
Orrodelo, geogr., 1258. Inq. 294 e 296.
Cersaria, villa, 960. L. D. Mum. Dipi. 51.
Cersario, casal, 961. L. D. Mum. Dipi. 52.
Cei*sedo, villa, 988. Doc. most. Moreira. Dipi. 97.
Cersetello, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 257.
248 O Archeologo Portugués
Cerseto, villa, 984. I)oc. most. Moreira. Dipi. 88. — Id. 200.
Cepsitello, geogT., 1038. L. D. Mum. Dipi. 185.— Id. 46.
Cersito, geogr., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138.
Certoma, rio. Era 1102. L. Preto. Dipi. 277. — Id. 7.
^ieriiadellos, app. h., sec. xv. S. 365.
Cemana, geogr., 1099. L. Preto. Dipi. 541.
Cerueira, app. h., sec. xv. S. passim,
Cer\'aes ou Cenaes (S. Salvatore de), geogr., 1220. Inq. 176, l.*cl.—
Id. 295.
Cervaynos, geogr. (?), 1258. Inq. 300, 2.^^ ci.
Cerveira geogr., 1258. Inq. 356, l.*cl.
Cervelis (Carvalio de), geogr., 1258. Inq. 721, l.* ci.
Crp.ia (S. Petro de), geogr., 1220. Inq. 54, 1.* ci.
Cepzal (S.**. Ovaye de), geogr., 1258. Inq. 364, 2.* ci.
Gerzaria, villa, 1258. Inq. 658, 2.* ci.
Cerzariis, geogr., 1258. Inq. 701, 2.* ci.
Cerzeda, geogr., 1258. Inq. 687, 1.* ci.
Cerzedello, geogr., 1220. Inq. 236, 1.* ci.— Id. 622.
Cerzedelo, geogr., 1220. Inq. 225, 2.* ci.— Id. 623.
Cerzedinani^ rio (?), 1244. For. de Proen9a-a-Nova. Leg. 632.
Cerzedo, rio, 1075. L. B. Ferr. Dipi. 320.— Id. 430.— Geogr., 1220.
Inq. 225, 2.* ci.— Id. 704.
Cerzeirooj geogi\, 1258. Inq. 658, 2.* ci.
Cerzeto, villa, 961. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 52.
Cerzidelio (S.**^ Christina de), geogr., 1258. Inq. 623, 2.* ci.
Cesari ou Zesari, villa, 1068. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 293. —
Id. 294, n.« 471.
Cesario, n. h., 951. Doc. ap. most. Arouca. Dipi. 36.
Ceseiro, n. h., 1038. Tombe S. S. J. Dipi. 184, n.<» 302.
Cestu, geogr., 1098. Doc. most. Pendorada. Dipi. 527.
^Hete, mosteiro, sec. xv. S. 336.
Celerina, villa, 964. L. Preto. Dipi. 55.
Ceti, geogr., 1258. Inq. 589, 2.* ci.— Id. 591.
Cetronio, n. h., 867-912. L. Preto. Dipi. 3.
Cety, geogr. (?), 924. Doc, ap. auth. sec. xiii. Dipi. 18.
Ceveli, geogr., 1258. Inq. 672, 1.* ci.
Ceynadelas, geogr., 1258. Inq. 590, 1.^ ci.
Cej^-aes (S. Salvatore de), geogr., 1258. Inq. 376, 2.* ci.
Cezariz, app. h., 1038. Tombe S. S. J. Dipi. 182.
Cozil, geogr., 1220. Inq. 9, 2,* ci.— Id. 82.
Cezilli, villa, 1025. L. D. Mum. Dipi. 160.
O Archeologo Poetcgués 249
Cezirados, geogr., 1258. Inq. 394, 2.* ci.
Chaas; geogr., 1258. Inq. 347, 2.* ci.
Ghaanis, geogr., 1258. Inq. 687, 1.* ci.
Chaanos, geogr., 1258. Inq. 593, 2.» ci.
Chaanus, geogr., 1258. Inq. 633, 2.» ci.
Chacuna, app. h., 1258. Inq. 458, 1.' e 2.* ci.
Chaeim, app. h., sec. xv. S. 165 e 210.
Cha9inha, app. m., sec. xv. S. 286.
Chacinho, app. m., sec. xv. S. 205.
Chaela, geogr., 1258. Inq. 405, 2.* ci.
Chaelas, geogr., 1220. Inq. 43, 1.* ci.
Chaelo, geogr., 1258. Inq. 324, 2.* ci.— Id. 403.
Chagezina, casal, 1258. Inq. 678, 1.* ci.
Chagra, geogr., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35.
Chaiali, casal, 1258. Inq. 652, 2.* ci.
Chaim, geogr., l2bS. Inq. 373, 1.» ci.
Chainza, geogr., 1258. Inq. 343, 2.* ci.
Ghamaa (Souto de), geogr., 1258. Inq. 534, 2.* ci.
Ghamadre, geogr., 1258. Inq. 729, 1.* ci.
GhameU, casal, 1220. Inq. 149, 2.» ci.
Ghamiro, casal, 1258. Inq. 620, 1.* ci.
Ghamoa, n. m., sec. xv. S. passim,
Gham5a, n. m., sec. xv. S. 213.
Ghamoe, n. m., 1258. Inq. 548, 1.* ci.— Id. 560.
Ghamoin (S. Jacobo de), geogr., 1220. Inq. 21, 2.* ci.— Id. 96.
Ghamou (S. Jacobo de), geogr., 1220. Inq. 223, 1.* ci.
Ghamone, n. m., 1258. Inq. 559, 2.* ci.
Ghamorro, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 2.% C. 39.
Ghamosinas (Chao das), geogr., 1258. Inq. 359, 2.* ci.
Ghamtada, app. h., sec. xv. S. 361.
Ghamne, n. m., 1258. Inq. 489, 2.* ci.
Ghamusca, app. h., sec. xv. S. 207.
Ghamnscado, app. h., 1220. Inq. 173, 2.* ci.— Id. 216.
Ghana, app. h., 1220. Inq. 31, 1.* ci.— Id. 110.
Ghanaria, geogr., 1258. Inq. 572, 2.* ci.
Ghaueela, geogr., 1258. Inq. 527, 2.* ci.
Ghancinha, app. m., sec. xv. S. 147.
Ghancinho, app. m., sec. xv. S. 147. — Id. 216.
Ghancinis, n. h. (?), 1258. Inq. 659, 2.* ci.— Id. 560.
Ghantadorina, geogr., 1258. Inq. 678, 1.* ci.
Ghaiiziui, app. h., 1258. Inq. 630, 2.* ci.
250 O Archeologo Pobtogués
Chao, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci.
Chaqueda, geogr., see. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1,®, p. 2.*, C. 46.
Cliarìiiho, app. h., sec. xv. S. 164.
Chariiius, app. li., 1258. Inq. 458, 2.* ci.
Charioin, app. h., sec. XV. S. 387. .
Charmeli, casal, 1220. Inq. 149, 2.* cL
Charueca, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 88.
Chapuchao, n. h., 1220. Inq. 42, 2.* ci.
Chaualiones, geogr., 950. Doc. ap. sec. XIH. Dipi. 35.
Chaui, geogr., termo de Arouca, 1080. Tombo de D. Maior Martinz.
Dipi. 348.
Chauianes, geogr., 1181. For. de Melgago. Leg. 422.
Chauias e Chaves^ villa, 1196. Fòr. de Soatomaior. Leg. 504. — Id. 640*
Chausa, geogr., 1220. Inq. 139, 2.'' ci.— Id. 674.
Chausal de lufestis, geogr., 1258. Inq. 556, 1.* ci.
Chauselas, monte, 1220. Inq. 51, 1.* ci.
Chavaes (S.** Segoyne de), geogr., 1258. Inq. 377, 2.* ci.
(^havaes, geogr., 1258. Inq. 378, 1.* ci.
Chavai-ius, app. h., 1258. Inq. 700, 2.'» ci.
Chave, geogr., 1258. Inq. 293, 2.* ci.
Chaveda, geogr., 1220. Inq. 123, 1.* ci.
Chavilaa, geogr., 1258. Inq. 556, 2.* ci.
Chavyam, geogr., 1258. Inq. 357, 1.* ci.
Cliaym, geogr., 1258. Inq. 371, 2.* ci.— Id. 372.
Cheda, geogr., 1258. Inq. 732, 2.* ci.— Id. 60.
Chedas, geogr., 1258. Inq. 333, 2.* ci.
Chedelas, geogr., 1258. Inq. 513, 2.* ci.
Cheela, geogr., 1258. Inq. 358, 1.* ci.
r.heelo, geogr., 1258. Inq. 592, 2.* ci.— Id. 635.
Cheeyras, geogr., 1258. Inq. 514, 1.* ci.
Ciheira, app. li., sec. xv. S. 158.
Cheirente, app. h., sec. XV. S. 344.
Chenaria, geogr., 1258. Inq. 514, 1.* ci.
Cheresi, geogr., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35.
Cheyra, app. h., sec. XV. S. ?
Chicanes, app. li., 1258. Inq. 401, 1.^ ci.
Chicas ou Chiquas, geogr., 1220. Inq. 78, 1.* ci.— Id. 670.
Chichorro, app. h., sec. XV. S. 150.
Chico, app. h., 1258. Inq. 366, 1.* d.
Oiilaios^ geogr., 1154. For. de Sintra. Leg. 385, 1. 22.
Chinichella, geogr., sec. xv. S. 306.
O Archeologo Portugués 251
Chiquas. Vide Chicas.
Cbira, g^ogr.*, 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35.
Choco, app. h., 1258. Inq. 298, 1.* ci.
Choqueìro (Agra de), geogr., 1258. Inq. 556, 2.* ci.
Chora, app. h., sec. XV. S. 162.
ClioreU ou Chorolì, cjwal, 1220. Inq. 147, 2.* ci.
Choreuci ou Choriiici, geogr., 1220. Inq. 179, 1.* ci.
Clioreute, app. h., sec. xv. S. 344.
Choreiiti (S. Michael de), geogr., 1220. Inq. 33, 1.* ci.
Chorolì. Vide Choi*eli.
Chousa, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci.
Chousal, geogr., 1258. Inq. 556, 1.* d. — Id. 578.
Chousela, geogr., 1258. Inq. 375, 2.» ci.— Id. 398.
Chouso, geogr., 1258. Inq. 406, 1.' ci.
Chouvi, geogr., 1258. Inq. 367, 1.^ ci.
Chrispim, n. h., sec. xv. S. 334.
Christelu^ (S. Michael de), geogr., 1258. Inq. 439, 1.* ci.
Chrìstimir, geogr., 1258. Inq. 572, 1.* ci.
Cliristiniiro, casal, 1258. Inq. 733, 2.* ci.
Christiniz^ app. h., 953. Doc. most. Vimar. Dipi. 39.
Christofano e Christofouo (Sancto), geogr., 1220. Inq. 35, 1.* ci.
Chrìstofoni (Sancii), geogr., 1111. For. de SàtSo. Leg. 355.
Christoforiz, app. h., 999. Doc. most. Moreira. Dipi. 112. — Id. 118.
Chrì.stoforo, n. h., 950. Doc. most. Moreira. Dipi. 34.
Christovait, app. m., 1258. Inq. 360, 1.* ci.
Christovaiz, app. h., 1220. Inq. 133, 1.» ci.— Id. 242.
Christoval, geogr., 1258. Inq. 377, 2.* ci.
Christovanus (Sancto), geogr., 1220. Inq. 233, 2.* ci.
Chrìstovao (Sancto), geogr., 1220. Inq. 208, 1.* ci.
Christovao, n. h., 1258. Inq. 337, 2.» ci.
Christouaiz, app. h., 1004. L. Preto. Dipi. 118.
Chrìstoual, villa, 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 412.
Chrìstoua1aiie.s, geogr., 981. Doc. most. Loi*vao. Dipi. 81, n.° 132.
Christoualiz, app. h., 984. Doc. most. Moreira. Dipi. 89, n.® 142. —
Id. 109.
Chrlstoualizi, app. h., 983. Dipi. 87.
Christoualo, n. h., 953. Doc. most. Vimar. Dipi. 39. — Id. 171.
C^hristouaunes, geogr., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 231.
(^hrisioQois, app. h., sec. xiii. For. de Mós. Leg. 391.
Chufap, app. h., 1258. Inq. 438, 1.* ci.— Id. 710.
i:hufari*o, app. h., 1258. Inq. 710, 2.* ci.
252 O AacHEOLoao Pobtugués
Chaffouem, app. h., 1258. Inq. 702, 2.* ci.
Churidus, geogr.y 1258. Inq. 498, 1.* ci.
Churrìchaa, app. m., sec. xv. S. 387.
Ghurruchaa^ app. m., sec. XV. S. 375.
Charuchaao, app. h., sec. xv. S. 199.
Clmruchao, app. h., 1220. Inq. 42, 2.* ci.
Chusaros, geogr., 1258. Inq. 701, 2,* ci.
CiandUa, n. h., (?), 867-912. L. Preto. Dipi. 3.
Cibram, geog., 1258. Inq. 363, 1.* ci.
Cibriaui (Sancti), igreja, 976. Doc. most. da Graga. Dipi. 75.—
Id. 399.
Ricalo, n. m., sec. XV. S. 259.
Cicumbre, app. h., sec. xv. S. 159.
Cida, n. m., 1033. Doc. ap. sec. xvm. Dipi. 170.
Cidadela, villa, 1258. Inq. 494, 2.' ci.
Cìdadelia, villa, 1220. Inq. 123, 1.* ci.
Cidadoua, geog., sec. xiii. For. de Mós. Leg. 391, 1. 18.
Ciday, geog., 1258. Inq. 499, 1.* ci.
Cidel, n. h., 1092. L. Preto. Dipi. 458, n.^ 770
CUdeliz, app. h., 1045. L. Preto. Dipi. 211.
Cidello, n. h., 1016. Doc. most. LorvSo. Dipi. 143.— Id. 355.
Cidelo, n. h., 984. Doc. most. Moreira. Dipi. 89.— Id. 117.
Cidi, n. h., 1002. L. Preto. Dipi. 117. — Inq. 306.
Cidic, app. h., 1059. Doc. most. Moreira. Dipi. 255.
Cidici, app. h., 1078. Doc. most. Pedroso. Dipi, 335.— Id. 368.
Cidiz, app. h., 1030. Doc. most. Pedroso. Dipi. 164. — Inq. 82.
Cidizi, app. h., 1078. Doc. most. Arouca. Dipi. 335, n.® 551.
Cidofacta, geogr., 1059. L. D. Mum Dipi. 260.
Cidoi, n. h., 921. Dipi. 15, n.« 14,
Cidoy, geogr., 1258. Inq. 491, 2.* ci.— Id. 499.
Gidram, app. h., 1258. Inq. 610, 1.* ci.
Gidreiros, geogr., 1258. Inq. 344, 2.* ci.
Gieiram, app. h., 1220. Inq. 6, 1.* ci.
Gigarro, app. h., 1258. Inq. 317, 1.* ci.
Gigoura, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.^, p. 1.% C. 109.
GUa, app. h., 1004. L. Preto. Dipi. 118, n.* 193.
Giluana, villa, 950. Doc. most. Lorvao. Dipi. 35. — Id. 478.
Giluricu, app. h., 1174. For. de Ozezar. Leg. 403.
Gilveganos, geogr., 1253. Inq. 524, 1.* ci.
Giraa de Avidos, geogr., 1220. Inq. 155, 1.* ci.
Gima de Porcaa, geogr., 1220. Inq. 140, 1.*^ ci.
1
Arcueolocìo Portugués 253
Cima deTeloes, villa, 1258. Inq. 628, 1.* ci.
Cimaes (Casal de), geogr., 1258. Inq. 388, 2.» ci.— Id. 549.
Cìndo, n. h., 1070. Doc. most. Moreira. Dipi. 302, n.<» 487.
Ciiidon, n. h., 1099. L. Prete. Dipi. 537.
Cinfanes^ villa, 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. — Dissert.
chron. 1.% p. 238.
Cinfianes, villa, 1083. Doc. most. Pendorada. Dipi. 367.
Cinphanes, g^ogr., 1076. Doc. most. Pendorada. Dipi. 326. — Id. 328.
Ginza, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 91.
Cipidis, geogr., 907. Doc. most. Lorvio. Dipi, 10, n.® 15.
Cipriacìs, app. h., sec. xiii. For. de Mós. Dipi. 391.
Cipriano (Sancto), geogr., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35. — Id. 129
e 196.
Ciqnelio, n. h., 1018. L. Prete. Dipi. 145.
Ciquiadi (S. Jacobo de), geogr., 1220. Inq. 31, 2.* ci.— Id. 186.
Cirriim de costoaribus^ g©ogr., 1258. Inq. 484, 1.* ci.
Cirzido, geogr., 1258. Inq. 407, 1.* ci.
Cisilu, n. h., 949. Doc. most. Moreira. Dipi. 33.
Cistel, mosteiro, sec. xv. S. 165.
I^istell, mosteiro, sec. xv. S. 326.
Cita, n. m., 995 (?). Doc. most. Pendorada. Dipi. 108, n.° 175.
Citelliz, app. h., 1045. L. Prete. Dipi. 211.
CiteUo, n. h., 1023. L. Prete. Dipi. 156.
Citi, n. h., 984. Doc. Most. Moreira. Dipi. 88, n.*» 140.
Citiz, app. h., 1038. Tombe S. S. J. Dipi. 182.
Cito, app. h., 1258. Inq. 378, 1.» ci.
Citofacta, geogr., 1258. Inq. 460, 1.* e 2.* ci.
Citrale, casal, 1258. Inq. 567, 1.* ci.
Ciues (sic) areos, geogr., 1016. L. Prete. Dipi. 141.
Ciuidadela e Ciuidadeiha, villa, 1224. For. Cidadelhe. Leg. 599.
Cinidadeiia, villa, 1097. Doc. most. Pendorada. Dipi. 510.
Ciuitadelia, villa, 970. Doc. most. Lorv^o. Dipi. 65.— Id. 68.
Civelas, geogr., 1258. Inq. 586, 2.* ci.
Cividade, geogr., 1258. Inq. 347. 2.» ci.— Id. 351.
Civitas, monte, 1258. Inq. 602, 1.* ci.
Cizeral, geogr., 1258. Inq. 322, 2.* ci.
Cizilaui, villa, 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32, n.* 56.
^izom, app. h., sec. xv. S. 362.
Clamatorium, geogr., 1258. Inq. 658, 2.* ci.
Clarius, geogr. (?), 1081. Tombe S. S. J. Dipi. 357.
Clasto, geogr., 1258. Inq. 523, 2.* ci.— Id. 532.
254 O Archeologo PoaruGuÉs
Clemeucio (Sancto) de Saiidi, geogr., 1220. Inq. 170, 1.* ci.
Cleusa, n. h. (?), 1059. Doc. most. Moreira. Dipi. 255. — Id. 441.
CHeutuli, n. li., 964. L. Preto. Dipi. 55.
Coam, geogr., 1186. For. de Covilha. Leg. 459, 1. 3.
Coaz, app. h., 1038. Tombo S. S. J. Dipi. 184.
Coba, villa, geogr., 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304.
CobaJ, geogi-., 1258. Inq. 304, 1.* ci.
Cobaos, geogr., 1258. Inq. 294, 1.* ci,
Cobar, geogr., 1182. For. de Valdigem. Leg. 428.
(^obellas de kapruno, villa, 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32, ul-
tima 1.
Cobidi, geogr., 1258. Inq. 416, 2.* ci.— 553.
Codia, app. h., 1258. Inq. 354, 1.* ci.
Cochìiias, geogr., 1258. Inq. 437, 1.* ci.
Cochio ou Cochiuo, app. h., 1220. Inq. 96, 2.* ci.
Codio, app. h., sec. xv. S. 151.
Cochoii, app. h., 1258. Inq. 698, 2.* ci.— Id. 720.
Cochoiicel, geogr., 1258. Inq. 388, 1.* ci.
Cocri, app. h., 1258. Inq. 624, 2.* ci.
Codal, monte, 1072. Doc. most. Moreira. Dipi. 310, n.® 502, ultima J.
Codale, monte, 983. Doc. most. Moreira. Dipi. 84.
Codar, monte, 922. L. Preto. Dipi. 17, 1. 4.
Codea, geogr., 1258. Inq. 629, 1.^ ci.— Id. 137.
Codeas, app. li., 1258. Inq. 367, 2.^ ci.
Codela, app. m., 1258. Inq. 335, 1.* ci.
Codes, app. li., 1258. Inq. 581, 2.» ci.
Codesaes, geogr., 1258. Inq. 655, 2.* ci.
Codesal, geogr., 1258. Inq. 437, 2.^ ci.
Codeseda, geogr., 1258. Inq. 362, 1.* ci.— Id. 363.
Codeseudo, n. li., 1258. Inq. 733, 2.» ci.
Codesindo ou Condesiudu, n. li., 1074. Doc. most. Ave-Maria. Dipi.
319, n.« 519.
Codesoselo, geogr., 1258. Inq. 635, 2.* ci.
i^odesoso, serra (?), 968. Doc. most. Moreira. Dipi. 62, n.® 98.—
Inq. 365.
Codessado, geogr., 1258. Inq. 727, 1.* ci.
Codessal, geogr., 1258. Inq. 640, 2.* ci.
Codessarìa, geogr., sec. xiii. Chron. Conimbr. S. 4.
Codesseda, geogi\, 1100. Doc. most. Pendorada. Dipi. 547, n.® 924.—
Inq. 37 o 188.
Codesseyra, geogr., sec. xv. S. 368.
O Archeologo Portugués 25q
Codessido, geogr., 1258. Inq. 510, 2.* ci,
Codessosa, geogr., 1220. Inq. 59, 2.* ci.— Id. 149 e 322.
Codirnega, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 2.\ C. 103.
Codoruiz, app. h., sec. xv. S. 173.
Codosedo, geogr., 1258. Inq. 397, 1.* ci.
Cloelliinho, app. h., sec. xv. S. 159.
Coeriz, app. h., sec. xiii, Leg. 391.
^^ofiuos, geogr., sec. xv. S. 199.
Cogia, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 51, 1. 19.— Leg. 387.
Cogianca (urbs), 1050. Leg. 137, 1.* ci.
Cogina, n. m., 1055. Doc. most. Pedroso. Dipi. 241.
Coguladas, geogr., 1258. Inq. 728, 1.* ci.
Cogulata, geogr., 1058. L. D. Mum. Dipi. 249, 1. 38.
Coguladas, geogr., 1258. Inq. 728, 1.* ci.
Cognludo, geogr., 1258. Inq. 576, 1.* ci. — Id. 641.
Coia, casal, 1042. L. B. Ferr. Dipi. 196.
Coido, geogr., 1258. Inq. 301, 2.* ci.
Coina, geogr., 1065. Doc. most. Pendorada. Dipi. 282. — Inq. 553
e 610.
Coiuas, geot^T., 1258. Inq. 667, 2.^ ci.
Coiiido, geogr., 1258. Inq. 585, 1.* ci.
Coiuha, app. h., sec. xv. S. 184.
Coirà, geogr., 1071. Dipi. 306.— Inq. 354.
Coirei (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 35, 1.* ci.— Id. 187.
Coii-ela, geogr., 1258. Inq. 727, 1.* ci.
Coitado, app. h., sec xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.% p. 2.% C. 103.
Coixas qiientes, app. m., sec. xv. S. 161.
Cojaiica, geogr., 1050. Leg. 137, 2.* ci.
Cola, rio, sec. XIII. For. de Urros. Leg. 424.
Colaco, app. h., sec. xv. S. 375.
Colchafria, app. h., sec. xv. S. 150. — Id. 343.
Coleima, n. li., 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304.
^oleima, app. h., sec. xv. S. 356.
Coieiman, n. h., 1100. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 552.
Colgeses, villa, 926. L. D. Mum. Dipi. 20, n.*» 31.— Id. 138.
Coliap, app. h., 1258. Inq. 316, 2.^ ci.
Coliares, geogr., 1258., Inq. 301, 1.^ ci.
Colimbrianos, geogr., 922. L. Preto. Dipi. 16.
Colimbrianus, n. h.,, 1094. Doc. ap. auth. sec. xiii. Dipi. 485.
Colimbpie, cidade, 919. Doc. most. Lorvao. Dipi. 14.— Id. 37, 39
e 42.
256 O Archeologo Portuguéb
Colina, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 261.— Id. 46.
Colium, n. h., 1091. L. Prete. Dipi. 451," n.*» 757— Id. 273.
CoUacii, app. li., 1258. Inq. 625, 2.* ci.
Collazo cu Coiilazo, app. h., 1220. Inq. 104, 2.^ ci.
Colmado (Sam), geogr., sec. xv. S. 396.
Colmeariis, geogr., 1258. Inq. 541, 2.* ci.
Colmeeiro, app. h., sec. xv. S. 381.
Colmelros (Casaes dos), geogr., 1258. Inq. 298, 1.* ci.
Colmeuarla, villa, 1058. Doc. most. da Qra^a. Dipi. 251, — Inq. 517.
Colobro, rio (?), 1220. Inq. 125, 1.* d.
Colomba ou Columba, n. m., 976. Doc. most. Moreira. Dipi. 73. —
Villa, 985. Doc. sé Coimbra. Dipi. 92.
Comaro, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci.
Comeal, geogr., 1258. Inq. 379, 1.* ci.
Comide (Villa), 1080. Doc. most. Moreira. Dipi. 352.
Comitaes, geogr., 1258. Inq. 561, 1.* ci.
Comonias ou Comoynas, geogr., 1258. Inq. 429, 2.^ ci.
Compaiiha Avizimaa, geogr., sec. xv. S. 327. — Id. 328.
Compelo, geogr., 1258. Inq. 732, 2.* ci.
Composita, n. m., 1084. L. Prete, Dipi. 377, n.° 631.
Comprido, app. h., 1258. Inq. 557, 1.* ci.
Comsogra, geogr., sec. xv. S. 258.
Comtos, geogr. (?), sec. xv. S. 296.
Comunia, geogr., 1258. Inq. 638, 1.* ci.
Conaluo, n. h., 773 (?). L. Preto. Dipi. 2.
Conca, geogr., 1258. Inq. 432, 2.* ci.
Concella, villa, 1081. Doc. most. Pendorada. Dipi. 362.
Conchados, geogr., 1258. Inq. 402, 2.* ci.
Conche (Petra de), geogr., 1258. Inq. 331, 1.* ci.
Cenchouso, geogr., 1258. Inq. 732, 1.* ci.
Conchousos, geogr., 1258. Inq. 466, 2.' ci.
Conchouzino, geogr., 1258. Inq. 679, 2.* ci.
Conciario, geogr., 1258. Inq. 574, 1.' ci.
Concieipo, geogr., 1258. Inq. 94, 2.* d.— Id. 408.
Concieires, geogr., 1258. Inq. 734, 2.* ci.
Concita, n. m. (?), 1070. Doc. most. Moreira. Dipi. 305.
ConcUiario (S.^* Maria de), geogr., 1056 (?). Dee. most. Moreira.
Dipi. 243.
Cendade, geogr., 1258. Inq. 369, 2.* ci.
Cendego, app. h.. sec. xv. S. 172.
Condemaro, geogr. (?), 1068. Dipi. 294, n.^ 471.
O AaCHEOLOGO POBTUGUÉS 257
Condeixa, app. h., sec. xv. S. 351.
Condense, cìdade, 1087. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 415, n.° 692.
Coudesa, geogr., 1258. Inq. 302, 1.* ci.
Coudesal (Campo de), geogr., 1258. Inq. 597, 2.* ci.
Condesalblz, app. h., 1060. Doc. most. Pedroso. Dipi. 267.
Condesalbo e Coudisalbus, n. h., 1060. Doc. most. Pedroso. Dipi. 266.
Coudesiudìz, app. h., 1060. Doc. most. Pedroso. Dipi. 267.
Condesindo. Vide Codesindo.
Condesinto, app. h., 1038. Dipi. 185, n.** 303.
Condessalibns (Casal de), geogr., 1258. Inq. 665, 1.* ci.
Condessidos, geogr., 1258. Inq. 317, 2.* ci.
Coudexa e Condexe, cidade, 1086. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 393.
Condissalaiz, app. m., 1024, Doc. most. Pendorada. Dipi. 157.
Condiuadl e Goudiuadi, geogr., 1055. L. Proto. Dipi. 240.
Condodisare, lagòa (?), 1034. Tombe S. S. J. Dipi. 174.
Condomias, geogr., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138. — Inq. 159. .
Coudominguìnos, geogr., 1258. Inq. 422, 2.* ci.
Conelìarìa, geog., 981. Doc. most. Lorvao. Dipi. 82.
Coneliosa, villa, 1072. Doc. most. Moreira. Dipi. 310, n.*' 502.
Confurco, geogr., 1258. Inq. 619, 1.* ci.
Confurcus, geogr., 1083. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 372, n.^ 621.
Congestas, geogr., 1258. Inq. 585, 1.* ci.
Cougosta, geogr., 1258. Inq. 649, 1.* ci.
Congusto, villa, 1066. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283.— Id. 304. —
Inq. 321.
Goniariz, villa, 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32.
Couimbria, cidade, 850-866. Doc. most. LorvSo. Dipi. 2, n.® 2. —
Id. 59, 66, 79 e 470.
Coniassi, app. h., 1258. Inq. 606, 1.' ci.
Conlaza, n. m., 1258. Inq. 353, 2.* d.
Conlazo, app. h., 1220. Inq. 27, 1.* ci. — Id. 182.
Conoszudo, app. h., 1258. Inq. 319, 2.* ci.
Conplentes, villa, 1085. Doc. most. Pendorada. Dipi. 389, n.^ 651.
Conposia, n. m., 980. Doc. most. Lorvào. Dipi. 78.
Conpostella, geogr., 1258. Inq. 518, 1.* ci.
Conprentes, villa, 1085. Doc. most. Pendorada. Dipi. 380, n.® 637.
Coiisalbiz, app. h., 1074. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 319.
Consalbo, n. b., 1098. Doc. most. Pendorada. Dipi. 521.
Cousaluo, n. h., 1069. Doc. most. Moreira. Dipi. 297, n.® 476.
Constantim oii Costantim, geogr., 1220. Inq. 125, 1.* ci.
Contariquizi, app. h., 1027. Doc. most. Moreira. Dipi. 162, n.<^ 262.
258 O Archeologo Poktuqcés
Contatizi, app. h., 924. L. Preto. Dipi. 19.
Couteiisa, geogr., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9. — Id. 326.
Inq. 344 e 732.
Coiitigi, villa, 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304.
Contlgo, n. h., 1092. Dipi. 467.— Inq. 86.
Contine, n. h. (?), 1258. Inq. 625, 1.* ci.
Contrasta, villa, 1258. Inq. 365, 2.* ci.
Controde, n. m., 1058. Doc. most. Moreira. Inq. 253, n.° 411.
Controte, n. m., 1088. Doc. most. Moreira. Dipi. 420.
Conzalnizi, app. h., 1096. Doc. most. Moreira. Dipi. 495.
Conzella, villa, 995 (?). Doc. most. Pendorada. Dipi. 108.
{Continua).
A. A. CORTESAO.
Bibliograpllia
Ainda a proposito do «Catalogro do Museo de Erora»
A critica serena e documentada que iiz n-O Arch. Port.^ ix, 43, ao Cata-
logo do lluseu do Bwora do Sr. A. F. Barata, responden este eom ^m
follieto de 20 paginas, intitiilado Ridendo, impresso em Evora, folheto qne, tanto
quanto pude julgar de um rapido lance de olhos, pois me faltou paciencia para
o ier todo, està cheio de desconcertos. Sr. Barata até nas citagòes desconeha-
vou: assim, a pag. 5, escreveu de omni scibile (de mais a mais scibile, — accen-
tuadoi) em vez de de omni scibili; a pag. 19 escreveu nos quoque PortugaUae
swmis em vez de Portugalenses sumus, mas nao Ibe chegon a lingoa. . . latina.
N&o sei qne pnirìgem é està de em todos ou quasi todos os seus folbetos desper-
di^ar latim de segnnda mSo quem da lingoa do Lacio nem ao menos a prìmeira
declinagao póde balbuciar^
NSo vou, evidentemente, discutir com o Sr. Barata, e por isso me limito
a dizer-lbe que, se elle queria responder ao meu artigo, devia dar-me urna unica
resposta: mostrar que estavam certas as inscrip^oes que eu disse
estarem erradas. Fazer o contràrio, é cuspir ridiculamente para o ar.
J. L. deV.
^ latim do Sr. Barata é propriamente latinorio : frases corriquciras e c&ta-
fadas, de cujo contcxto se deve dizer com Horacio, Satiraa, I, vii, 3 :
Omnibus et lippia notum et toksobibis .
Estc Sr., em vcrdade, nao vac alcm das scguintcs, ou de outras da mcsma forca:
doctor in abaentia, in ilio tempore, ad libitum, ad vsum Ddphini, ne suior ultra
crepidam. A ultima devia o Sr. Barata realmente te-la sempre dcantc dos olbos,
para constante mcditacao ...
EXPEDIENTE
O Archeologo Portugues publicar-se-ha mensalinente. Cada nùmero
sera sempre ou quasi sempre illustrado, e nno conterà menos de Ifl
paginas in-8.°, podendo, -quando a affl.uencia dos assumptos o exigir,
conter 32 paginas, sem que por isso o pre^o augmente.
PREgO DA ASSIGNATURA
(Pagamento adeantado)
Anno 1^500 réis.
Semestre ... * 750 »
Nun^ero avulso 160 »
Estajbelecendo este modico pre9o, julgamos facilitar a propaganda
das scieiìcias archeologicas entre nós.
Toda a correspondenoia à corca da parte litteraria d'estareyista
deverà ser dirigida a J. Lelio de VasconoellOS, para a BifìUO-
THECA Nacional de Lisboa.
Toda a correspondenoia respectiva a compras e assignaturas
deverà, acompanhada da importancia em carta registada ou em vales
de correio, ser dirigida a Manoel Joaquim de Campos, Museu
Ethnologico, Beiem (Lisboa).
A venda nas principaes livrarias de Lisboa, Porto e Coimbra.
VOL. IX NOV. E DEZ. DE 1904 N." 11 E 12
ARCHEOLOGO
T^ORTTJGTJÈIS
COLLBCflO ILlDSmDA DE UTEUUS K M0TICI&8
PUBUCADA PBLO
MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÉS
=!
^
a^
3
Veterunt volvens ntonumenta virorum
LISBOA
IMPRENSA NACIONAL
1904
aTJ'JML'JMLj^:RXO
as pretensoes monetariàs de vllla-boa x>e goyaz.' 259.
Antiguidades deVianna do Alemtejo: 271.
os archivos eccles1ast1c0s dà guàrda: 296.
Um thesouro do seculo XIV : 300.
Archeologia prehistorica da Beira : 303. - •
AcQuisigoES DO MusEu Ethnologico Portugués: 308.
noticias varia8: 310.
Onomastico medieval portugués: 311.
Necrologia: 320.
BlBLIOGRAPHIA : 321.
Este fasciculo vae illustrado com 36 estampas.
ARCHEOLOGO P0RTUGUÉ8
COLLECCÀO ILLUSTRADA DE MATERIAKS E NOTICIAS
rCBLlCADA PKLO
MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS
VOL. IX NOVEMBRO E DEZEMBRO DE 1904 N.**' 11 E 12
As pretensSes monetarias de Villa-Boa de Ooyaz
Na Biblioteca Nacional de Lisboa apparecem de vez em quando
novidades de loda a ordem no manancial de documentos antigos, que
nella ha. Na sec9ao do Archivo de Marinha e Ultramar, dentro de um
inajo de manuscritos dos annos de 1782 a 1784, referentes a assuntos
da antiga capitania brasileira de Goyaz ^, foi eneontrado um cademo
de folhas soltas, que contém as seguintes pe9as ineditas: A segunda
via da representa9ao enviada pelo Senado da Camara a D. Maria I,
em 21 de Junho de 1780, contra a circula9ao de ouro em pò comò
moeda corrente; o officio originai do governador Luis da Cunha Me-
neses, de 10 de maio de 1783, com que enviou para o reino a sua
informaQao relativa ao assunto; o originai da mesma informafào, acom-
panhado da estampa de um projecto de moedas especiaes de prata
e cobre destinadas a terem curso na capitania, e, finalmente, dois cai-
culos da senhoriagem que se poderia haver pelo fabrico do numerario.
Tres copias textuaes de leis monetarias da epoca de D. José I, lioje
conhecidas, acompanham a informaQlo do governador.
Estes materiaes de prosa antiga, prolixa, pesada, e a estampa,
alarmante pela novidade das figuras, prenderam a nossa atteuQSto.
Fundados na substancia do processo, que nos abstemos de trans-
crever aqui pela sua abundante materia, faremos algumas consideragSes
em torno das ideias nelle expressas, revelaremos varios acontecimentos
ignorados e exhibiremos a estampa. A quem desejar conhecer os do-
cumentos na integra fica jà indicado o logar onde os póde consultar.
^ Està palavra tem-se escrito de varias maneiras: Goya (mais antigamente),
Goias oa Goiàs (nas moedas), Goyaz e Goyàs (em varios documentos).
17
260 O Archeologo Portugdés
Teìxeira de A raglio, cuja memoria acaba de ser evocada elogio-
samente pelo Dr. José Leite de Vasconcellos *, disse, a pag. 295 do
voi. I do seu traballio numismatico, que tambem convem dar conheci-
mento de quaesquer moedas n^o autenticas, e assim o fez por vezes.
Em virtude d'està licen9a, dada pelo mestre, os projectos de conbagens.
quando sSo effeitos de autorizagUo e nSo obra de anonymos, cabem no
estudo da numismatica, embora occupem posiQSLo especiai em seegdes
reservadas.
O project de que vamos tratar é digno do apre90 dos numisma-
tas; porém, antes de entrar na materia, convem que, em rapido bos-
quejo, se de ideia da Ustoria do pais de Gojà.
Nos meados do seculo xvii, a capitania de S. Paulo, urna das mais
vastas do Brasil, comprehendia no interior territorios desoonhecidos,
habitados por tribus de aborìgenes, que viviam da pesca fluvial e da
ca9a, absolutamente estranhos ao contacto civilizador. O espirito aven-
tureiro da epoca nSo se propunba desvendar os mjsterios e riquezas
naturaes d'aquelles sertSes, ou por falta de iniciativa do governo de
S. Paulo, ou porque presumia quào temìveìs seriam os esforgos que elle
teria de empregar para o bom exito do emprehendimento. O desco-
nhecido aterrava resoln^Ses incipientes.
Ainda era goral a apathia entro fidalgos e homens de negocio,
quando o paulista Manoel Correia, originario da plebe, audacioso e
energico, da tempera d'aquelles portugueses que com o esfor^o da
espada pretendiam sacudir de Pernambuco o dominio hollandés, no
decorrer do anno de 1647 partiu de S. Paulo para as bandas do occi-
dente, Sem destino previamente calculado, seguido de uma handeira
de aventureiros cayadores de escravos. Afrontando trabalhos e perigos
de toda a ordem, entranhou-se nas florestas do pais de Goya, onde
encontron amostras de bom curo, mas em breve regressou a sède da
capitania, mais fatigado e descrente que enriquecido, esquecendo-se
finalmente do sertlo que descobrira, comò se fosse um sonho febril.
Outro aventureiro paulista, Bartolomeu Bueno da Silva, que hou-
vera às mSLos ou consultàra o roteiro de Manoel Correia, em 1682 ausen-
tou-se de S. Paulo com um filho, do mesmo nome que elle, ainda na
verdura dos 12 annos, capitaneando uma companhia de homens de con-
fianga com destino a Goya.
* No Arch. Port.j voi. ix, pag. 142, lé-se : «0 seu labor (o de ÀragSo) corno
homem de sciencia, sera sempre muito aprecìado, especialmente pela Descrivo
das moedas de Portugal, obra qae bastava so por si para immortalizar um nome*.
O Abcheolooo Portuóués 261
O aventureiro nEo tinha ideia de colonizar aqnelle novo pais, cujos
naturaes eram de indole pacifica; apenas intentava escravizar e enri-
quecer. Apresentou-se corno senhor autoritario. Lan9ando fogo a aguar*
dente no concavo de nm prato de estanho, para qae os selvagens Ihe
reconhecessem o poder de qneimar os rìos e as fontes, corno qua para
OS amea^ar com a fome e a sede, consegui u que o encaminhassem a lo^
gares ónde o curo existia quasi & superficie do solo, ou no quartzo das
montanhas.
Feito o carregamento de metal precioso, organizada a leva de es-
<$ravoSy recrutados nas trìbus que o tinham acolhido benevolamente,
regressou a S. Paulo.
Governava à capitania Rodrigo Cesar de Menezes Sabugosa(1721-
1726), quando Bartolomeu Bueno, o mo90, resolveu em 1722 visitar
o pais onde seu pae o conduzira 40 annos antes, com o firn de adquirir
curo e pedras preciosas.
Na tradirlo orai dos Ooyazes vivia ainda a lembran9a do vexame
soffrido por muitos dos seus antepassados, que a escravidào arrancàra
das tabas; pertanto a nova expedÌ9So, entregue aos proprios recursos,
enfraquecida por enfermidades e miserìas, foi um verdadeiro desastre.
Finalmente, por iniciativa do capitSo-general governador, em 1725
organizou-se numerosa expedÌ9ao armada, composta de frecheiros, mos-
qneteiros e cavallària. Bartolomeu Bueno, à testa d'ella, conseguiu fun-
dar entre os Goyazes o arraial de Santa Anna junto às margens do Rio
Vermelho, onde colheu 8:000 oitavas de curo. Este exito determinou
a emigra9ao de individuos de varias rajas e de varias classes sociaes
para aquellas paragens.
O arraial prosperou. Por ordem regia de 14 de Mar90 de 1731
intrepido sertanista obteve carta de capitao-mór de Goyaz. Outra
ordem regia de 11 de Fevereiro de 1736 elevou a povoa9So de Santa
Anna à categoria de villa e cabe9a de comarca com o nome de Villa-
Boa de Goyaz, para que fosse perpetuada a memoria do fundador e dos
incolas do pais.
Desenvolvida notoriamente a prosperidade da comarca, o alvarà de
8 de Novembre de 1744 desannexou-a da capitania de S. Paulo e man-
dou que fosse constituida capitania independente.
No fim do reinado de D. Joào V tinha Villa-Boa situa9ao commer-
cial desafogada. Havia caminhos abertos para S. Paulo, transitados
por comboieiros e negociantes que traficavam para os portos de mar,
e gozava de melhoramentos materiaes, mercè da lavra do euro, que
desde a cria9ào do arraial primitivo tinha aumentado progressivamente
de anno para anno e beneficiado o imposto do quinto, esse direito se-
262 O Archeologo Portugués
nhorial devido a Majestade, corno frnto das terras cujo dominio tinha.
Està contribuiyao de 20 % incidia no oaro antes de apurado e fandido
em barras. No governo de D. Marcos de Noronha extrahiram-se das
minas do Cocal 160 arrobas de ouro *. So no anno de 1753 o rendimento
do quinto na capitania montou a 169:080 oitavas de ouro^. Podiam ci-
tar-se outras indica(3es numericas.
Como se ve, a lavra foi importante, E nSo se póde allodir à quan*
tidade de ouro confiscado, perdido, sonegado pelos escravos matricu-
lados que trabalhavam nas lavras, consumido na fundÌ9So das barras
e, principalmente, descaminhado aos reaes direitos. O abuso neste par-
ticular foi de tal ordem que motivou a carta regia de 23 de Fevereiro
de 1731 ^, que estabeleceu Registo na passagem do rio Jaguary para
o manifesto do ouro que os viajantes transportassem de Villa-Boa para
S. Paulo.
No comeQO do reinado de D. Maria I, epoca de que nos vamos
occupar relativamente ao meio monetario circulante em Goyaz, a lavra
do ouro afrouxàra, e, comtudo, as montanhas tinfaam sido apenas arra
nhadas à superficie; guardavam nos seios filSes de incalculavel riqueza.
O sitio em que se ergueu posteriormente a povoafSo de Ouro-Fino
(onde Bartolomeu Buono, o mofo, encontràra ouro de subido quilate),
e outros logares, celebres por aventuras de minera9ào, estavam ermos.
Idos OS faisqueiros buliyosos, a montanha voltou à poesia da solidao,
e ali a sapucaia altiva p6de novamente receber os liames do cipó entre-
la9ado8 ao pau de arco de flores amarellas.
A vida agreste voltou à primitiva tranquilidade pela indolencia na-
turai do povo, que n3o se animava a constituir empresas ou sociedades,
mais oa menos fortes, para realizar explora(5es segnndo os preceitos
da montanìstica.
Em 1780 melhor empenho dos proprie tarios e dos agenciosos
era escravizar selvagens para o amanho das terras e desenvolvimento
material das industrias. Os tempos tinham mudado as ideias e os cos-
tumes. O proprio ouro virgem, sublime na sua essencia, jà nSo co-
1 Notiona de ehorographie du Bréeil, traduction par J. F. Hallout, pag. 471
Leipzig, 1873.
2 Corografia braaileira, pelo P.* Mancai Aires de Casal, nota a pag. 319 do
tomo I, Rio de Janeiro, 1817.
3 Livro das ordens regiae para a capitania de S, Paulo, de 1702 a 1761, Co-
dice n.^" 238, A 6-B, ezistente na Biblioteca Nacional de Lisboa, pag. 129.
O Abcheologo Poetugués 263
roava ambi(Ses ; ficava ao desamparo ! Aioda hoje se diz que a actual
cidade de Goyaz assenta numa mina, jamais explorada, e qae é facil
encontrar pepitas do metal precioso nos logradoiros das habitagSeSi.
feita que seja urna cova de pequena profundidade.
Em 1780, pela for$a da lei de 3 de Dezembro de 1750, a moeda co-
lonial brasileira, ou moeda geral^ nao coma na capitania de Goyaz*
No circaito d'aquelle acanbado meio commercial circulava curo em
pò e em barras. N3o bavia moeda de cobre. Faltavam, quasi absoluta*
mente, os padrSes de prata cunhados na Babia, de 1752 a 1768, e no
Rio de Janeiro, de 1754 a 1774, cujos valores eram equivalentes ao
ouro nSo quintado, na razILo de li$200 réis por cada citava e nas prò-
porgoes seguintes:
600 réis = 16 vintens, ou Yj citava de curo, representados por
363 ^4 grios de prata.
300 réis = 8 vintens, ou */* citava de curo, representados por
181 Vs grSos de prata.
150 réis = 4 vintens, ou % citava de curo, representados por
90 * V<6 grSos de prata.
75 réis = 2 vintens, ou Vie citava de ouro, representados por
45 *5/3j grXcs de prata.
Chamavam-se moedas mineiras, porque eram privativas das comar-
cas onde se lavrava ouro. Faltavam em Goyaz porque os viajantes as
levavam para despesas que tinbam de fazer desde as Casas dos Re*
gistos até S. Paulo, onde corriam a par da moeda geral. Pela mesma
razào faltavam em Villa-Rica, Sabari, Rio das Mortes e Serro-Frio,
comarcas encravadas no cora92o do Brasil.
A ausencia d'estes padrSes monetarios no commercio por mende
tornava necessario e constante o giro do ouro em pò, que prejudicava
piiblico e encarecia os generos de primeira necessidade. Vejamos as
prìncipaes causas da sua condemna9So.
O desejo mais vehemente do escravo resumia-se na posse da carta
de alforrìa, mensageira de Hireitos civicos, que entlo eram fìcticiamente
iguaes aos do homem livre: portante, das compras de 1 até 8 vintens,
sonegava grSos ou folbetas de ouro, atomos do pre90 da liberdade fu-
tura. No silencio das boras recolhidas assim enriquecia o seu tbesouro,
occulto no esconderìjo da montanba ou nas cavidades das arvores se-
culares. Tinba este processo por mais commodo que faiscar ouro nos
mais reconditos sertSes, foragido, entregue à sorte. No regresso a casa
do senhor, queixava-se de que o ouro nEo chegàra para a totalidade
264 O Abcheologo Pobtugués
das despesas, ou allegava que as balaii9as e os pesos das tendas eram
mstrumentos de fraude em poder dos vendeiros, por ser frouxa a vi-
gilancia do Senado da Camara, que as nSo aferìa, ou sellava, corno se
clizia ent^.
Mas o escravo nem sempre era o unico responsavel pelas faltas
nos pagamentos. Succedia que tenues particulas de euro adheriam à ba-
lauQa ou que quando nella era coUocado, às pitadas, deixava restos,
nem sempre imponderaveig, nos dedos do comprador.
O escravo levava o curo em papel de ma qualidade e no embra-
Ihar e desembrulhar arriscava-se inconseientemente, quando era hon-
rado. E quantas vezes o fiel da balanga era o prejudicador, fatigado
e gasto pelo exercicio continuo!
Abundavam pobres e compradores por meudo, que com estas ou
equivalentes contrariedades criminosas guardavam um sentimento de
tedio pelo curo, sentimento que os impressionava e movia até a queixa.
E jà tinham decorrido muitos annos sob o regime de tal maio mone-
tario circulante!
Calculava-se que de cada 100 oitavas de curo se perdiam 5%
annualmente.
A moeda que circulava isenta de reduc9Ses, corno se fosse cunliada,
era a barra de ouro, commoda, de facil fabricaglo e de peso que
a balan^a nSo tinha de verificar. O quilate, conhecido pelo toque e nSo
por ensaio, o peso marcado, e o carimbo da respectiva casa de fun-
dijào davamlhe legalmente autenticidade e poder de intervir em toda
a ordem de transacgòes; portante nào tinha inimigos.
Hoje nao é conhecida nos medalheiros qualquer barra d'està epoca,
fundida em Goyaz. Reproduz-se aqui um exemplar do anno de 1814,
inedito (fig. A), o qual existe na collecgào do Sr. Joaquim Gomes de
Scusa Braga, residente no Rio de Janeiro.
É singular o caso d'està barra ter gravada a sua procedencia,
60IAS, na parte centrai junto da orla superior. Em todos os exem-
plares de outras comarcas mineiras, que temos visto, de metal ou re-
produzidos pela gravura, a designaglo da comarca é comprehendida
O Archeologo Pobtugués 265
no carìmbo que contém o escudo de armas do remo, firmado na extre-
midade esquerda do anverso.
Algumas barras erain productos de industria anoQyma, forjadas
na sombra. O proprio ouro em pò nSo se eximiu a mistifica98es ; nai-
gamas comarcas misturavam-lhe latlo. Con tra este crime bouve leis es^
peciaes, enviadas pela metropole ao govemador da capitania de S. Paulo
em 28 de Jaueiro de 1735 e em 8 de Maio de 1746 *.
As causas que promoviam o desagrado geral centra a circula9So
do ouro em pò fundaram a necessidade de se criar moeda especial para
a capitania, que nSo tinha commercio com o estrangeiro, — moeda que
para alem dos Registos nSo tivesse curso e n3o valesse mais que in-
trinsecamente, e neste intuito o Senado da Camara em 21 de Junhò
de 1780 entregou ao govemador Luis da Cunha Meneses uma sup-
plica a D. Maria I, igual à outra que o Senado de Villa-Rica enviàra
em 19 de Dezembro de 1778.
Ao criterio da Majestade oflFerecia-se por em pratica um projecto
de moeda provincial de prata e cobre. Seria cunhada na officina mo-
netaria do Rio de Janeiro, on na da Bahia, e remettìda annualmente,
na razào de 4 contos de réis, ao Tribunal da Real Fazenda de Goyaz,
onde 08 habitantes a tomariam em troca do ouro em pò. Nesta per-
muta, se custo dos metaes para o fabrico das moedas fosse de 1
conto de réis, a Real Fazenda lucraria 3 contos. O Senado, ao passo
que supplicava, referia-se especialmente a està vantagem directa, que
recommendava a supplica.
Teria a nova moeda de prata diametros inferiores aos da moeda
mineira, mas nao se declarava em que propor9Se8. Seriam emittidos
padrSes de:
300 réis, ou 8 vintens, na razSlo de */* de citava, correspondentes
a 18 gràos de ouro.
150 réis, ou 4 vintens, na razSlo de '/g de citava, correspondentes
a 9 grSos de ouro.
A moeda teria gravada nos symbolos a letra fkGoyazr», para nào
passar para fora dos Registos,
Para a moeda de cobre propunham-se diametros e pesos iguaes
aos da moeda geral, a maia recente, cunhada em Lisboa desde 1778,
que tinha os valores de XX e X réis marcados, corno està figurada na
^ Livro da» ordens regtas, j& citado, a pags. 162 e 224.
26tì O Archeologo Pobtugués
estampa xxvii de Meili^ com os n.°' 17 com 35 miiimetros e 18 com
29 miiimetros. Este cobra valia 640 réis por arratel, na razao de h
réis por oitava.
Para as moedas propostas o valor do metal subiria até 10 réis por
oitava, e assim concordaria com o preyo do cobre dos padrSes de XL
e XX réis, cunhados em 1722, especialmente destinados para as co-
marcas de Minas Geraes. Mostram-sc nos n.^^ 46 e 47 da estampa
xii de Meili.
Os padrSes propostos eram dois:
75 réis, ou 2 vintens, correspodentes a 4g grSos de ouro, com
peso de 288 grSos ou 4 oitavas de cobre.
37^ réis, ou 1 vintem, correspondentes a 2^ grSos de ouro, com
peso de 144 gràos ou 2 oitavas de cobre.
Luis da Cunha so em 10 de Maio de 1783 se resolveu a responder
a carta regia de 2 de Junho de 1781, passada pelo Conselho Ultrama-
rino. Este documento ordenava-lhe que informasse acérca da supplica
referida e tambem com rela{Xo àquella que o Senado de Villa-Rica
enviou a D. Maria I em 1778.
Na informagao remettida ao Secretarlo d'Estado Martinho de Mello
e Castro, successor do Marqués de Pombal, o governador encarecia
a importancia e justiga das supplicas perante a Majestade Real, alludia
aos motivos que as originaram e addicionava uma estampa represen-
tativa dos typos monetarios que convinha adoptar, desenhados i penna^
corno se mostra nas figs. n,^* 1 a 5.
Certamente por deliberarlo d'elle, o primitivo projecto fora modi-
ficado pelo modo seguinte: Seriam emittidos 5 padrSes com valores
accomodados aos dos pesos do ouro em pò, a saber:
Moeda de prata
600 réis ou 16 vintens = Vi oitava ou 36 grSos de ouro (fig. 1.').
300 réis ou 8 vintens = */i de oitava ou 18 grSos de ouro (fig. 2.*).
150 réis ou 4 vintens = 7» de oitava ou 9 grSos de ouro (fig. 3.*).
75 réis ou 2 vintens = Yie de oitava ou 4^ grios de ouro (fig. 4.*).
Moeda de cobra
XXXVII ^ réis ou 1 vintem = Vai de oitava ou 2 j grSos de ouro
(fig. 5.»).
* Die MUnzm der Colotiie Brasilien, Ztirich, 1895.
O Archeologo Portugués 267
Estas moedas nSo sairiam da capitania; a administragao da Real
Fazenda do Rio de Janeiro ministraria barras de prata e cobre com
que fossem cunhadas na Real Casa de FundÌ9So de Goyaz^ provida
corno estava de oiBciaes habilitados e de material para està ordem de
trabalhos.
A importancia de 12 mil cruzados annualmente bastava para que
a capitanìa em breve tempo fosse dotada com o numerario sufficiente
para o commercio interno e pagamentos de quaesquer contribuiyoes
devidas a Real Fazenda.
O govemador asseverava que està moeda mereceria mais estima
que o curo em pò. Dava para exemplo o padrUo de 600 réis, que, pelo
seu volume, era preferido a uma citava de curo, cu 1<J200 réis, a qual
após algum tempo de giro no commercio perdia infallivelmente grande
parte do seu valor.
Convinha fazer a contagem corno era de uso nos portos do mar, isto
é, em S. Paulo, e neste caso a pataca, 300 réis, seria a unidade mo-
netaria.
Acerca de vantagens attribuidas a nova moeda referia-se & baixa
que ella devia causar nos pre^os dos generos de consumo, à entrada
do ouro circulante na Casa de FundÌ9ao e, por este facto, ao aumento
do imposto do quinto. Encarecia os proventos da senhoriagem, comò
demonstrava em dois calculos appensos à informagSo, assinados e ela-
borados por Manoel Rodrigues da Costa, que provavelmente era func-
eionario superior na Casa de Fundigao.
Transcrevemos estes dois documentos, na realidade muito origi-
naes e interessantes.
•Caloulo das despezas q se podem fazer com a condaQ&o
de dez mil orozados em barras para se comprar prata
no Klo de Janeiro, e o quo poderà render o diretto Senhorial
Despeza com a condugSo do curo em pò p.* o Rio lljJOOO
Despeza com a condujao da prata p.* està V.* 53jJ625
Despezas miudas « 6f$000
70^625
Pode render o Direito Senhorial regulado a 40 rs. por
cada moeda de prata de 600 rs 285j$714
Pode utilizar a Fazenda Real 215jJ089»
' Neste calcnlo nSo se allude ao peso bruto da prata e por isto é im-
possivel saber-se hoje quanto deviam pesar as moedas propostas.
268 O Archeologo Poktugués
«Calcalo das despezas quo se podem fazer oom a ooiidii^U>
da qnantia de 400|^000 rs. em barras para se oomprar oobre
no Rio de Janr.<>, e o q podere render o dir.^"* Senhorial
Despeza com a condugao do ouro p.* o Rio 2^750
Despeza com a condujSo do cobre p.* està V.* 198/>000
Gusto de 34 (a)s, e 23 ff de cobre a 360 rs 399*960
600/J710
Regulando o pezo da moeda de cobre ser de 360 grlU)8
—1 vintem sao 28441 moedas de 37—50 rs. imp.** 1:066^37
Pode utilizar a Fazenda Beai 465*827»
Por este calculo, o vintem de ouro, ou 37 Yj réi$ de cobre, pesaria
5 oitavas, isto é, urna oitava mais que o padrSo XX réis da moeda
geral, cujo diametro adoptava.
A estampa representativa das moed s, centra a moda do secalo
XVIII, nfto foi emmoldurada com arabescos fantasticos, ramagens de
arbustos e outros ornatos, comò se ve em mappas, relac3es, eontas,
etc, da mesma epoca. Foi desenhada em papel commum, plebeiamente,
corno se nao hou vesso de subir ao throno da Majestade Real! Comtudo
OS typos sJlo expressivos, regularmente delineados.
A fig. 1.* é quasi perfeita. No campo a le tra M (MARIA), entre
flor5e8, é encimada pela coroa real, larga, porém de mediana altura. Xo
exergo • 1783% entre pontos; à esquerda «eOO* e à direita •GOlAS*,
tambem entre pontos.
No reverso a esphera armillar assenta sobre a cruz da Ordem de
Christo com a letra Qt (GrOlAS) no centro. A cruz reparte em quatro gru-
pos de letras a legenda classica da moeda de prata provincial SVBQ —
SIGN. — NATA — STAB. O ponto coUocado por cima da letra Q é quasi
imperceptivel. Este sinal occulto jà era de uso antigo em moedas de
prata brasileiras. Come^ou no reinado de D. Pedro II, em 1695. Até
1822 tomou 5 posigoes differentes junto à letra Q .Q Q. 'Q Q' e duplicou-
se em Q: Està letra so multo raramente deixou de ser acompanhada
pelo pequenino satellite.
A designa95o da capitania, indicada por extenso no anverso, era
novidade desnecessarìa. Pois nSo bastava para isso a letra Gr no re-
verso? D'està duplica$ào deixava de participar a moeda de cobre, por
nao ter espago onde a primeira indicacSo fosse accomodada.
Compare- se o typo monetario de prata (fig. 1.*) com o da moeda
mineira (fig. B), cunhada na Bahia em 1760, n.^ 58 da estampa xxii
O Archeologo Portugués
269
de Meili, e com o da mesma moeda (fig. Cj, cunhada no Rio de Janeiro
em 1774, n.® 74 da estampa xxiv.
>flk'"°.^i
1^
p'Ifl
mk
\? '^. pT^^
3w
'•'N^*
Da comparaglo resulta que, aleni das differen9as prineipaes jà apon-
tadas, o diametro da moeda de 1783 nSo era exagerado.
Nos padrSes de 300, 150 e 75 réis, figs. 2.*, 3/ e 4.*, vé-se identico
typo monetario, guardadas entre elles proporgoes de diametro irregu-
lares. Este ultimo, cuja emissSo cessàra em 17G0, era restaurado.
O desenho da fig. 5/ é de singular novidade. Tem no campo o valor
XXXVII- encimado pela coroa real, ampia em demasia. No exergo
•1783- Na orla, em circulo, MAR[IA] • I • ET • PETfRUS] • III •
P[ORTUGALIiE] • ET BRAS[ILI^J • REG[ES] •
Nesta legenda, quasi semelhante à das moedas de XX réis coloniaes
cunhadas em Lisboa desde 1778, nota-se a duplicagSo da letra T na con-
junc9ao'ET junta a BRAS, o que constitue urna superfluidade graphica.
Por erro imperdoavel póde classificar-se aquella mistura hybrida de al-
garismos romanos e arabes em XXXVII y réis.
No reverso a esphera armill^r, com a letra G ao centro, é circun-
dada pela legenda PECUNIA TOTUM— CIRCUMIT • ORBEM.
270 O Archeologo Poetugués
E tal era o typo do vintem de ouro, representado em moeda ciinhada,
a novidade mais interessante de todo o projeeto.
Hoje lamentamos que estas moedas nSlo fosseni cunhadas, depoia
de regalados convenientemente os symbolos, diametros e pesos. Serìam
as unicas coloniaes brasileiras marcadas com letra monetaria no t^mpo
de D. Maria I e D. Fedro III, visto que as dobras de 4 escudos e as
suas fraegSes da mesma epoca, que receberam as letras B e R, eram
destinadas principajmente & circulagSo monetaria do reino.
D. Maria I nSo ouviu a supplica do Senado; ignora-se por que
motivo. O governador nlo era contrario à causa, porém prejudicou-a
pelo facto de ter demorado quasi dois annos o infoime pedido. Elle disse:
€ Depois de eu terprocurado este benef.^ (a nova moeda) a estespovos aos
pez do Beai irono de V. Mag.* assim corno acabo de referir, nada posso
estimar tanto, corno ter està occaziào de me repetir novanta eni seu benef.^
rogando a V. Mag.* p.^ eUes està tnesma graga, e expondo-lhe o que mais
me occorre sohre està mesma materia para o effetto de mostrar mais evi-
dente bemfundado das referidas suplicas q. a V. Magestade se temfeiio^^.
Foi so algumas semanas antes de ser transferido para o governo
de Minas Geraes, que tratou d'este negocio pendente. E resolver-se-hia
a isso por ter ouvido as vozes do clero, do Senado' e da classe mer*
cantil, entoadas até a censura ou tSlo ameagadoras, que o impellissem
a erguer a sua propria voz? Se era poderoso corno autoridade militar
e administrativa, a classe mercantila principalmente, nSo Ihe era inferior
comò potencia moral que regia a seu talante a vida activa na capitania.
Luis de Meneses, fora das praxes burocraticas, devia recommendar
aos seus amigos da metropole uma causa tHo justa. Parece que nào prò-
cedeu assim. £ talvez seja este o motivo por que as moedas de Goyaz,
visSes de um sonho quasi fantastico, n2o foram cunhadas. SXo apenas
a memoria de uma aspirasse mallograda. Apesar do seu caracter osten-
sivo theoricamente, é justo ligi-las & vida historica da numismatica bra-
sileira dos tempos coloniaes.
Lisboa, Novembre de 1904.
Mànoel Joaquim de Caupos.
1 governador refere-se à primeira via da peti^So do Senado, rcmettida em
21 de Janho de 1780.
2 «Dois factos concorrerai» para que os ultimos tempos da administra^ao de
Luis da Cunha nSo fossem pacificos : as duvidas que teve com a Camara (em 1782),
e as contesta^des travadas com o vigario JoSo Antonio de Noronha ; factos estes
que assumiram um caracter grave». Bevista trimestral do insUtìdo historieo geogr,
e ethnog, do Brcml, a pag. 324 do tomo zxvii, 4.<> trimestre de 1864.
Archeologo Portuguès— Voi IX— 1904
i
/
O Archeologo Portdgués
271
Antiguidades de Vianna do Alemtejo
I
Excurfifto archeoloirlea
Em 26 de Jnlho de 1901 escreveu-me oSr. José AlbinoDias,
ifestre da Officina Ceramica «Medico Scusa» de Vianna do Alemtejo,
convidando-me a ir visitar o sitio das Paredes, nos arredores d'aquella
villa, no qua! appareciam a cada passo restos roraanos. Como eu a esse
tempo estava em Paris, so pude acceder ulteriormente ao amavel con-
vite do Sr. Dias.
Em 18 de Outubro dirigi-me a Viauna, indo em minha companbia
Carlos Maria Loureiro, Apontador de Obras Publicas de 1.* classe,
ent^ em servigo no Museu Ethnologico, e hoje fallecido. Em Vianna
o Sr. José Albino Dias p6s-me em relasdes com o Sr. Antonio Isi-
doro de Scusa, para quem eu levava tambem uma recommendagSo
do Sr. Conselheiro Manoel Francisco de Vargas, ao tempo
Ministro das Obras Publicas; o Sr. Isidoro de Scusa é filho do fallecido
Medico Scusa, de quem a mencionada Officina Ceramica tem o nome,
e a quem Vianna do Alemtejo ficou devedora de importantes servigos,
que entra os habitantes Ihe perpetuam gloriosamente a memoria.
Mercé do concurso que o Sr. Albino Dias e o Sr. Isidoro de Scusa
me prestaram, visitei o que em Vianna e arrabaldes tinba interesse
para os meus estudos, colligi algumas noticias archeologicas, e trouxe
varios objectos para o Museu Ethnologico a meu cargo. De tudo darei
aqui resumida conta.
1. Antigaalhas preliistoricas
Nos arredores de Vianna encontram às vezes os trabalhadores ins-
trumentos neolithicos, là, comò noutras terras do Sul do reino, tidos
Fiff. !.•
Plg. 2.*
272
O Archeologo Portugués
por cpedras de raio» ou «perigos», e corno taes guardados em casa
com maior ou menor veneracào.
O Sr. Albino Dias offereceu-me alguns d'estes instrumentos; j4
depois do meu regresso a Lisboa, o mesmo senhor contrìbuia para
pigr. «.•
Plg. 4.«
Fig. 5."
Pig. 6.»
que Museu adquirisse outros.* Este ao todo possue hoje, provenientes
de Vianna, sete instrumentos de pedra, que se representam nas figuras
juntas, em metade da grandeza naturai, e que vou aqui descrever.
1.**) Machado de amphibolite, em fórma de cunha; secQSlo quadran-
gular com os angulos arredondados; gume levemente convexo, regular
O Abcheolooo Portuqués
273
em relasUo ao eixo; faces maiores e menores levemente convexas; topo
desgastado. Com fractnras antigas (vid. fig. 1.^).
2.^) Machado de diorite, do typo do antecedente, so o gume é mais
convexo e menos regular em relagSo ao eixo; as faces maiores sSo
quasi planas, as menores um tanto irregalares e desgastadas. Uma
das faces maiores està fracturada junto ao topo (vid. fig. 2.^).
3.®) Machado de amphibolite, do typo do 2.®, so é mais estreito
e relativamente mais largo junto do gume (vid. fig. 3.^).
Flg. 7.*
4.®) Machado de amphibolite, alongado, de faces levemente conve-
xas; sec9ao quadrangular com os angulos arredondados ; gume leve-
mente convexo, regular; topo polido e um tanto convexo (vid. fig. 4.*).
5.**) Machado tambem de amphibolite, typo do 4.**, mas mais curto
e com fracturas nas faces lateraes (vid. fig. 5.*)..
6.®) Machado de amphibolite ou de diorite, muito polido, rolÌ9o;
gume convexo, regular, com algumas falhas recentes; sec9So elliptica;
topo ponteagudo (vid. fig. 6.*).
274 O Archeologo Portdgués
7.®) Fragmento de grande machado de diorite, de que resta a parte
inferior; secySo elliptioa; as faces maiores estreitain um pooco para
o lado do gume, que està fracturado (vid. fig. 7.*).
O Sr. Isidoro disse-me ter tido urna placa de lousa omamentada,
semelhante a outras do Sul; infelizmente havia-se-lhe estraviado. Està
placa proveio tambem, corno supponho^ do concelho de VianDa.
2 Herdade das Paredea e Senliora d'Aires
A herdade das Paredes fica nos arredores de Vianaa: ex-
tensa planicie, em parte plantada de arvores (oliveiras, etc), em parte
semeada. Ahi se encontram numerosos restos de alicerces antigos, —
d'onde o nome de Paredes dado ao sitio — , pedagos de vasilhas (am-
pboras e dolio) ^ de tegulas e de imbrìces, argamassa Signina, moedas
romanas, escoreas de fornos de olaria, canos. Um dos alicerces é mesmo
muito grande, pois mede 150 metros de comprimente e 1*",68 de lar-
gura, estando a pedra que os constitue ligada com argamassa duris-
sima; temos aqui certamente um trofo de muralhas.
Nesta herdade està a igreja da Senkora d'Airesj muito concorrida
dos ronieiros no dia da festa, e em cuja casa dos milagres se encontram
varios ex-votos: o mais interessante é um quadro de 1738, que repre-
senta uma enfermaria em que uma familia inteira està doent« de ma
lina, e que foi curada pelaVirgem, depois de desenganada pelo medico,
que ahi apparece vestido de beca; outro ex-voto, tambem em fórma
de quadro, tem a data de 1804, e està assinado por Sdveiro; muitos
dos ex-votos sao figuras de cera, trancas de cabello e muletas.
A origem da igreja anda envolta em lendas. Dos extractos que o
Medico Scusa fez de um Livro manuserito existente noArchivo dasReli-
giosas do Mosteiro do Bom-Jestis de Vianna do Alemtejo, escrito em 1744,
OS quaes estlo em poder do Sr. A. Isidoro de Scusa, que me permittiu
examinà-los, transcrevo a este respeito o seguinte:
«Està [igreja] he em tudo a primeira em toda a Provincia, porque,
alem de ser muito milagrosa a imagem de N. S.™, he o sitio admiravel,
e a fabrica da igreja magestosa, de obra nova e finissimos marmores,
outras pedras estimaveis, e 8 soberbas columnas de c6r verde, sobre
cujos capiteis primorosamente lavrados descanga a rotunda machina
do seu alto e vistoso zimborio, para o qual se sobe por uma belissima
escada de dois langos que pàrSo nas abobodas que vSo parar a dois
coretos fabricados em igual arquitectura, magestade e riqueza e na bella
regularidade das janellas exteriores, e d'ellas do lado esquerdo se sobe
a uma varanda que circunda o zimborio, tudo lageado de pedra preta
O Archeologo Portugués 275
donde se faz a vista deliciosa para urna campina dilatada. A porta prìn*
cipal da igreja he de admiravel obra moderna, em que o bom gosto da
obra excede o precioso da materia, soube o douto artifice que lavrou a
pedra inetter-lhe no frontespicio huma antiga pedra em q està a inscrip-
gao segulnte, digno parto do fecundo engenho do P.* Antonio Franco,
da Companhia de Jesus:
Hic Mauro expulso, proscisus votnorc campus
Virginis effigiem, quam tenet ara, dedit.
Quae trahit a coelo cognomeo, terra salubris
Ut daret efiìgiem Virginia apta fuit.
felix tellus fecundior omDibus, unus
Plus tibi dat sulcuB, quam segcs uUa dabit!
alludindo & ditosa achada da soberana Imagem da Sn/^, favor q o Geo
fez a Martìm VaqueirO; de antigua e nobre familia d'està Villa, fun-
dador da igreja, comò consta da inscrip92o q està na sua sepultura na
capella mór, o qual andando lavrando, exercicio util e entSo honroso,
o que facilitava a singelesa d'aquolles tempos, abrindo o arado aquelle
ditoso campo, descubrio aquelle thesouro, que alli tinha escondido a pie-
dade dos Monges de Arens, cujo mosteiro estava no termo d'Alvito,
no sitio em que hoje està o de S. Francisco, ao qual ainda hoje ehamSo
Monjes de Arem, ou Muje de Arem, e d'aqui o nome da Seiihora de
Ares .... »
No refendo manuscrito léem-se algumas noticias archeologicas que,
por estarem em intima connexSo com as que traz o P.* Luis Cardoso,
Dlccionario Geographico, voi. i (1747), pag. 409 sqq., nSo transcrevo
na integra. Essas noticias referem-se a in8crip93es romanas que foram
reproduzidas por Hiibner, Corp. Inscr, Lat., li, 87-92 (dadas porém
ahi comò de Alvito, quando ellas appareceram junto do tempio da
Seuhora d'Aires*), e na descrip9ào das sepulturas a que as ins-
crip95es pertencem.
Urna das sepulturas é assim descrita: «bum tumulo composto de
adobes, no qual, aberto, se vio bum esqueleto de corpo humano de
quatorze palmos de comprido, e tres pequenas barras de bum
1 A redac^fto do texto do Diccionario Geographico està um pouco confasa,
e foi isso que deu legar ao cngauo. Com effeito Cardoso, ao tratar do Alvito,
refere-se ao tempio da Senhora dAires, transcrevendo nassa occasiSo as inscrip-
^Oes, e meucionando a lenda do apparecimento da imagem da Virgem. Inciden-
temente notarci que està lenda é commum a varios santnarios.
18
276 O Archeologo Portuoués
metal desconhecidoS; este tamulo era tapado por urna lousaem
que havia a seguinte ìnscrip9&o:
I D • CAS • SELSA
FLORENTIS D D
evidentemente estropiada, mas cuja liyao diflfere da do Corp. Inscr. Lai,,
II, 92, que é baseada no Diccionario Geographico de Cardoso:
HISLONENCASSELSAS
FLORENTIS • D • D
Como manuscrito ó de 1744, e o Diccionario Geographico é de 1747,
embora um e outro trabalho tenham, no que se refere k Senhora de
Aires, pontos de contacto, julguei util recopiar a inseripgSo, visto que
a respeetiva lapide parece estar perdida.
Algumas das lapides epigraphicas tinham e fórma e feitio de buma
pipa, porém moeiga». Numa d'ellas lia-se:
DMS
DIGNITAS : : : VIXIT ANN • XXV
CRVSEROS MARITVS* POSVIT
HS ES TT L
texto em cuja linha 2.^ os seis pontos que se seguem a DignUas dào
a entender que falta algo que o autor do manuscrito nào entendeu:
està particularidade nSo vem assinalada no Corp, Inscr. Lai., n, 87.
De passagem notarei que Dignitas, comò nome de mulher, se encontra
mais vezes na epigraphia: vid. deVit, Onomasticon, s. v. Quanto a
fórma de pipa das lapides, cfr. Arch. Pori., vn, 242-243.
Outra das inscrip98es do manuscrito é:
D MS-
MVSA VIXIT ANN. LX
LIVIA LIBERATOS : : :
H- I S M
STTL
onde na linha 2.^ tornamos a achar urna lacuna que Hùbner assinalou
de maneira differente ; a mesma inscrip9ao apresenta na linha 4.* umas
1 Eram certamente travéssas de ferro, come as de que se fallou n- O Arch,
Porty voi. vili, pags. 168 e 169.
2 Por engano escreveu-se Marina.
O Archeologo Portugués 277
letras que nio vem no Corpus, e que talvez tenham de interpretar-se
por H • E • S • M, fòrmula que se IS neutra inscripjao do Corpus (n,
80), apenas com inversEo de letras: talvez signifique h{oc) e(8t) 8{itu8)
m(onumento)'j cfr. Hubner, obra citada, il, p. 1176, onde cita a fòrmula
u • S • E • IN MONVMENTO • Eivs. Na nossa ìnscripjao hoc monumento es-
tarà por in hoc monumento, o que, se nSo é latim ciceroniano, tambem
nSo é latim ìncorrecto.
Aqui termina o que o manuscrito tem aproveitavel para o nesso caso.
Acima disse eu que nas Paredes apparecem por vezes moedas ro-
xnanas. Fallarci .de uma que se encontrou na occasiUo em que fui às
Paredes.
E um bronze-mediano, mas em pessimo estado de conservafào, pois
està quebrado nos bordos e gasto por tódo elle. No anverso so se distin.
gue um busto de imperador, voltado para a direìta e diademado (devia
estar vestido de paludamento ; todavia este jà nlo se conhece), ____
e uns sumidos restos de legenda: FAV, letras que fazem parte
da phrase p • P • AVG=p(iW) {(elix) ^(ugustus). No re verso
vé-se muito mal uma figura de pé, que tem na mSo direi ta
um globo em que pousa uma Victoria; à direita da figura (es-
querda do observador) nSLo se distinguem senio umas som-
bras que devera corresponder à mSo direita da refenda figura
a levantar do chlo uma mulher ajoelhada e com uma torre
na cabeja; da legenda resta re ou talvez reip, letras que
fazem parte da legenda reparatio reipvblicae; no exergo
lé-se CON. D^esta descripgao se ve que a moeda con vem a um
imperador do seculo iv(Graciano, Valentiniano II,Tlieodosio,
Honorio, Magno Maximo). Como pò rem nesta epoca as figu-
ras imperiaes representadas nas moedas, outr'ora verdadeiros
retratos, deixam de corresponder à realidade *, — pelo que as ' ^
imagens de uns imperadores se parecem com as dos outros — , ^ ^'
e comò falta na nossa moeda a parte da orla era que estava o nome do
imperador que a mandou cunhar: torna- se difficil dizer a qual dos im-
peradores propriamente convem. A attribuijSo toma-se ainda mais dif-
ficil pelo facto de nas Paredes terem apparecido com o mesmo reverso
1 À tal proposito diz um excellente conhecedor da numismatica romana:
«La miràbile seria dei ritratti, che forma una delle grandi attrattive della mone-
tazione imperiale, diventa a poco e poco sbiadita e insignificante verso Pepoca
di Costantino, e dopo questa va perdendo ogni valore man mano ci avvi ccini amo
alla caduta dell' Impero d'Occidente». P. Gnnechi, Monete romane, 2.* editto,
Milano 1900, pag. 248.
278
O AUCHEOLOGO PORTUGUÉS
moedas claramente pertencentes a alguns dos referidos imperadores,
corno (exemplares que na villa deVianna examinei nas maos de um
particular):
DN MAG MAXIMVS PF AVO
CON
DN ORATIAKVS
REPASATIO REIPYB
CON. O appare-
IIKPAUATIO REIPVB
cimento de moedas em casos comò este, numas ruinas, tem a importali-
eia de contribuir para estabelecer datas.
E da maior conveniencia que os collec-
cionadores numismaticos procurem sem-
pre saber onde apparecem as suas moe-
das, e no tem nos seus monetarios e
catalogos : d'està maneit'a a numismatica
póde auxiliar o conhecimento da respcc-
tiva historia locai *.
Alem das antigualhas que ficam men-
cionadas, comò apparecidas nas Paredes,
tem apparecido outras.
Na villa deVianna vi em lima casa
particular ura lindo capitel romano de
marmore provindo de là, e noutra casa
uma columna, tambem de marmore, de
2'",36 de altura (fig. 8.*), da mesma pro-
cedencia.
3. Amphora romana
O Sr. José Albino Dìas, que,
corno disse acima, foi o promoter d'està
minha excursao ao Alemtejo, e a cuja
dedica9So pela terra em que vive devo
poder dar as noticias archeologicas
que estou dando, levou a sua bondade
a ponto de me offerecer para o Musen
Etimologico uma amphora de barro ver-
mellio, encontrada na herdade do Palanque, ao Poente da villa deVianna.
Vae representada na fig. 9.* Tem O'^^Qò de altura e 0"\32 de maior lar-
gura (no bojo); de uma das asas so resta o topo superior, figurando-se
Fig. 9.*
^ O appareciineuto de moedas romanas dos ultimos tempos do Imperio cm
\\m locai nem sempre é documento sufficiente para se dizer que ahi estiveram
Romanos, pois sabe-sc que os Visigodos nSo cunharam moedas de prata nem de
cobre, do que é naturai inferir que se seiTiram do respectivo numerario romano,
que existia na Peninsula em grande quantidade. As moedas romanas de cobre,
O Archeologo Pobtugués 279
com pontos o que falta d'ella; a outra asa, a parte superior do corpo
juiito do gargalo, e o bico apresentam algumas fraeturas.
Està bella vasilha veio aumentar a jà valiosa coIIecgSo de amphoras
do DOSSO Museu. E analoga à que se fìgurou n-0 Arch. Pori., iv^
est. 4, appareeida no Algarve. No Sul do reino apparecem bastante^
amphoras inteiras; nSo assim na Beira, nem no Norte, onde o que viil-
garmente se eneontra sSo bieos, asas, gargalos, bocaes ou peda909 y\*i
bojo. E bom, comtudo, coUigir sempre estes fragmentos, porque coni
elles muìtas vezes reconstituem-se typos. As amphoras do nesso pais
sao de differentes typos, comò é naturai; a essas diflferenyas correy-
ponde nào raro a do barro. As asas, so por si, podem constituir dooii-
mentos archeologicos de certa importancia, quando contem inscrìp5">< 9
(marcas de oleiros): ha especimes d'estes no Museu Ethnologico, obti-
dos por Estacio da Veiga no Algarve; o Museu de Alcacer do Sai tam-
bem possue um^
de pequeno modulo, abundam de tal modo, que aiuda ha pouco tempo o bflixo
commercio na Hespanha as acceitava a titillo de ochavoa: vid. HcYss, Monnuka
des roÌ8 wisigotits, Paris 1872, pag. 25. A respcito das tegulas farei observacSo 6i>
melliantc. Com quanto ellas sejam de origem romana, estiveram em uso até tarde ;
jà tenho encoutrado em cemiterios da epoca visigotica sepulturas construida^ <lo
tegulas. Para portante se dizer que tal ou tal esta9Slo ó romana e nìlo visigoticfi,
torna-se necessario lan^ar mao do varios criterios e combinà-los : nem so o tlaH
moedas ou o das tegulas basta. — Com rela^ito às Paredcs de Vianna do Aleni-
tejo, porém, uSo ha duvida que essa csta9ao é romana; bastavam as inscrip^ùcs
para o provar.
^ NfU) sSo as marcas de fabrica os uuicos letreiros das amphoras; podem
estas tambem ter pintados, no collo e no bojo, os nomes dos consules da epocn^
e outras particularidades : vid. Delattrc, Carthage, Paris 1894 (separata do Ooò-
77IO0), p. 1-2. Mas d*isto nada conheyo em Portugal. Assim comonós lioje indicamo^
mna epoca geralmente com um numero, os Romanos indicavam-na frequcntemeuto.
com os nomes dos consules : nós dizemos; por esemplo, urna garrafa de vlnho do
Porto de 1820; os Romanos diziam, urna amphora de vinho Massico do consulado fh\
Aurelio e Matdio. Ha uma ode de Horacio que principia com està invocatilo a umci
amphora : nata mecum conside Manlio (vid. Carm., Ili, xxi). As datas das amplio-
ras indicavam-se tambem em pequcnas taboletas penduradas ao pesco90 d*ella^,
corno boje se faz com taboletas de prata suspeusas por uma corrente no garbala
das garrafas; as taboletas romanas tinham varias denomina^des, uma das qtiaea
era nota. Horacio, que em seus versos pinta a cada passo os prazeres da mesa, nUa
esquece igualmente essa denominammo, Sat., I, x :
. . . sermo lingua concinnus utraque
Suavior, ut Chio 7iota si commixta Falerni est. . .
onde nota està metaphoricamente por amphora.
280
O Aecheologo Portuqdés
4. Antignidades romanas da villa de Vianna
E muito pouco o que a este proposito tenho de dizer.
Numa das torres do castello, por cima do Penedo escorregcMo, ha
urna sèteira que era feita em parte com urna lapide romana '. Tendo
eu obtido autoriza(So superior para a extrahir, fiz que fosse transpor-
tada para o Mnseu !EthnoIo-
gico, onde hoje està. £ nm
cippo de marmore, de I",07
de altura, de 0™,55 de maìor
largura (na cornija) e de Cr,2T
de maior espessura (no corpo).
Vae representado na fig. 10.*:
e d'ella se ve que a voluta di-
reità foi quebrada, restando so
urna roseta. Na face esqnerda
do monumento està esculpida
a figura de urna patera, o que
muitas vezes acontece nos mo-
numentos d'està especie, por-
que, relacionando-se elles com
cumprimento de Totos, an-
davam-lhes naturalmente as-
sociadas as pateras, que ser-
viam com frequencia para liba9oes:j9a^6r/« libamus, dizVergilio, Georg.,
II, 129. Na face direita devia talvez haver tambem urna figura, prova-
velmente um praefericvlum; mas, comò està face foi cortada para se
adaptar à sèteira, nao podemos saber ao certo o que là haveria. A par-
ticularidade mais notavel do monumento é ser elle completamente des-
provido de inscrip9ao, iste é, anepigrapho. Outros monumentos lapidares
romanos do Alemtejo estSo nesse caso: uma ara granitica encontrada
no concelho de Arrayollos, e hoje no Museu Etimologico*; uma tampa
Fig, 10.*
^ Foi o meu collega na Bibliotheca Nacional, o Sr. José Antonio Moniz,
qaem primeiro me dea cBta noticia.
2 Foi o Sr. Manoel José Frate s, rico proprietario da Igrejinha (Ar-
rayollos), quem amavclmente me offereceu està lapide para o Musea Ethoologico
Portugués. Numa' propriedade d'este senhor appareceu um grande cerni terio an-
tigo, que foi explorado ha tempos a ezpensas do Museu, e cujo espolio archeo-
logico se acha guardado neste. A seu tempo se dard n-0 Archeologo conta minu-
ciosa d'està ezploracSo.
O Archeologo Portugués 281
de sepoltura cupiforme de marmore, numa quinta ao pé de Mertola*;
e varios monumentos do tempio de Endovellico, tambem no nesso Mu-
seo. Do Norte de Portugal citare! urna ara de granito apparecida em
Braga *. O nSo ter inscrip^io urna lapide póde depender de varias eau-
sas: estar por coneluir; as letras haverem sido pintadas, desappare-
cendo com o tempo a pintura; ou ser pobre o dedicante, cujo dinheiro
so chegaria para comprar a pedra, e nao para as despesas com o costoso
trabalho da insculptura das letras. A primeira hypothese é muito accei-
tavel quando a lapide apparecer numa officina: comprehende-se quc
o lapidarius tivesse prontas, mas sem inscrip9oes, uraas tantas lapidrjs
à espera que o dedicante Ih'as viesse comprar; as inscrip(5es dependiam
dos Domes d'estes e da natureza dos votos que nellas se quisesseni ex-
primir. A segunda hypothese nio haverà difficuldade em a acceitar, se
nos lembrarmos de que, por exemplo, Cicero, na Natura deorum^ lii,
fala de tabìiUm pictae da Samothracia, representativas de promessa»
religiosas feitas por pessoas salvas de naufragios. A ultima hypothese
justifica-se com o facto de algumas das lapides anepigraphas do tcTiipk»
de Endovellico serem de granito ordinario, ao passo que as outras, as
que tem letreiros, sao todas de bello marmorea.
Para terminar citarci dois munuscritos qae fallam de Vianna do
Alemtejo:
a) um està na Bibliothec:! Municipal do Porto, n.° 104-230, e inti-
tula-se Memorias jj da Villa de Vianna do Alemtejo j unto a (j Evora^ tt-
noticia dos Condes, e Donatarios, que || a possuirào, e dafundagào dos
Conven- || tos que tem; com algumas || clareras mui curiosas ||, 14 pa^^s,
de papel almasso liso, sec. xvii *.
b) o outro està na Bibliotheca da Academia das Sciencias de Liaboa,
gab. 5.**, est. 13, n.® 23, Collecgào de monumentos romanos de Fr, Vi-
* Pertence ao Sr. Dr. Fabrielo Pessanlia, de Mertola, que jà se dignoii pi-o*
metter-m*a para o Museu. Ao mesino illustre senhor deve este a posse de quatro
magnificos vasca romanos (um de vidro e os outros de barro), proveuientes da
antiga Myrtilia. Em occasiào opportuna scrao descrìtos e figurados n-0 Archto-
logo Portugués,
* Vid. a respeito duella Archeologo Portugués, voi. viii, pag. 46 (artigci do
Sr. Albano Bellino).
' Cf. Rdigioea da JJusUaniay ii, 136.
* NSo examinei este ms., que en apenas conhecia pelo titulo, mas o Sr. Uo-
cha Peizoto, director da Bibliotheca Municipal do Porto, a quem pedi o favor
de me informar do scu couteudo, diz-me quc elle é chorographico, archeologico^
genealogico, etc, mas muito summario, e que està junto com outras memorias
cm um so volume.
282 O Archeologo Pobtugués
cente Salgado, que a pag. 40 se refere a urna estatua que cpoderìa
sert de Marte, achada no secalo xviii em Vianna do Alemtejo ■-
Provavelmente, tanto està estatua corno a ara anepigrapha de que
fallei acima provieram tambem das Paredes, que, pelos visos, era mais
do que villa ou «quinta», era povoag&o.
J. L. deV.
II
Cemlterio da epoca romana
1. Preyias informagt^es
Encontrar um cemiterio da epoca romana quasi debaixo dos fan-
damentos de urna igreja christ2 e particularmente sendo està santuario
de estabelecida nomeada, concorrido de tradicionaes romarias, acela-
mado com a fé popular*, é quasi sempre surprehender em flagrante o
fusii que prendeu os derradeìros cultos das nossas popuIa9oes romani-
zadas à renovagSLo trazida com o christianismo. £ncontrando-se com
a tenacidade dos velhos usos, a nova religiSo torneava estas resisten-
cias, transformando invocagSes, fana ^, e apropriando correntes popu-
lares secularmente orientadas. Quasi sempre os afamados santuarìos
tiveram està veiha ongem: um culto pagao segura e tenazmente cn-
raizado à ehegada do christianismo, transfigui'ado num culto christSo,
sem perder a sua feÌ9So ethnographica tradicionaH.
Junto a villa de Vianna do Alemtejo, para noroeste, no meio dos
seus ferteis campos, ergue-se o magnifico tempio de Nossa Senfaora de
Aires. Singularizam-no ampia nave, zimborio de cantarla, duas terree,
portico de arcadas, grandes columnas de marmore locai no altar-mór,
espagoso adro lageado, dependencias amplas e variadas, emfim um con>
junto de disposÌ95es que revelam immediatamente ao visitante a impor-
1
* Cf. Cardoso, Diccionario Geographico, i, 140.
' Fr. Agostinho de Santa Maria {Santuario Mariano, voi. ti, pag. 284), diz
quo hayia dias em qac naqaellc sitio so reuniam mais de 12:000 pessoas, e con-
signa as lendas que pertencem a est e santuario. Regista tambem a etimologia
erudita de Nossa Senhora de Aires nuns sonetos, ondo se le : = arcs de Santis-
sima Maria 3» e =da Rainha do Céa celestes ares=.
3 Les nionumcnts mégalithiques, par J. Fergusson, trad. de Hamard,
p.26.
* SSo geralmente conhecidas as lutas travadas entre as pTescrÌ9oc8 do chris-
tianismo e as antigas tendcncias dos conversos; os concilios, os bispos e os
ezegetas maitas vezes se occuparam d'està questSlo. Pode ver-so Martigny, Die-
tionnaire des antiquitéa ckrélienneSf s. v. Enscvellisement, Deuil, Strenne, Fétes,
Janvier, etc. ; TradiQots populares de PortvgcU, por J. Lcite de Vasconcellos,
pag. 87 ; Heligiòes da Lusi tanta, i, 292 ; Bevista Archeologica, iir, 145.
O Abcheolooo Portugués 283
t ancia do edificio, a popularidade da invocacXo e o intenso culto que
se localizou naquelie ponto do Alemtejo.
A simples casualìdade de serem um dia escontradas por cabouqiiei-
ros sepulturas antigas, indicou a conveni^ncia de proceder a um re-
eonhecimento archeologico do locai. Participado o caso ao Director do
Museu Etimologico, fui inciunbido d'esse traballio, partindo paraVianna
a 8 de julho de 1902*. As sepulturas violadas achavam-se em terreno
plano, contiguo pelo norte ao adro da igreja. Para NNE. succedia
um cabe^o de declive suave por este lado, mais forte pelos outros*
Juncam o chXo muitos peda90s de tegulae, de tijolos de quadrante,
fragmentos de opus Signinum^ alguns de avantajadas dimensSes*; em
um ponto, a atravessarem a ribeira, subsistem ainda ruinas de larga
muralha de alvenaria, rijamente argamassada; em outro veera-se tre-
chos de envasamento de largas construc96es circulares, corno torres.
Por teda està area, apparecem nas lavouras, moedas imperiaes roma-
nas, de que adquiri algumas.
As que pude classificar vao doscritas em additamento d'este artigo.
SUO bronzes dos seculos u a iv. Por si so, apenas trazem comsigo
o attestado de proveniencia; mas quanto a significa9ao chronologica,
seria arriscado basear em tal elemento dedacgSes restrictivas^. A cir-
cula^ao dos bronzes romanos perpetuou-se alem do imperio.
^ Kao poderci passar adeante scm deizar consìgnado aqui o nome de um
prestantissimo cidadao, mastre da escola de ceramica de Yianna do Alemtejo,
o Sr. José Albino Dias. A elle deve o Museu, primeiro, o eonhecimento do
facto, e depois d*i8so, os muitos obsequios de que cnrece quem se encontra, para
trabalhos d'està natureza, em terra estranila. Os servi^os que aquclle senhor me
prestou foram assiduos e relevantes. Injusti9a seria tambem dcisar no olvido
o nome do illustre proprietario do terreno onde realizei a escavacao, o Sr. José
Dias Pereira Cappas, abastado proprietario, que gentilmente pcrmittiu o
remezimento e concedcu a retirada dos objectos de valor archeologico. Os traba-
lhos foram apenas um comeco de ezplora^ào e por isso espero do eie vado espiri to
e provada generosidade d'cetes dois cavalheiros a continuacSo dos seus favores,
no interesse da sciencia. Nao devo tambem calar o nome do Rev.***» Prior de N.*
Senhora de Aires, Sr. P.« Isidoro Dias Navarro, que elle so a sua parte
me fez comò presidente da junta de parochia o offerccimento de meios pccu-
niarios; o que revela em sua Reverencia elevado gran de rara dedica^ao e in-
telligencia.
2 Vein um para o Mmsou ; era decerto pavimento de casa. Tem um rebordo
alto de um lado.
3 Alem de moedas romanas, apparecem tambem numerosas moedas portu-
guesas de varias cpocas, desde a 1.* dynastia. Estas documentam quando nao a
sobrevivencia do povoado, pelo menos a grande concorrencia de pcssoas àquelle
legar, especialìzado por um culto antigo.
284 O AltCHEOLOGO PORTUGUÉS
A determina9So de um cemiterìo romano no sitio em que se eleva
o tempio da Senhora de Aires, nào era facto novo.
Sào conhecidas as lapides romanas a que se refere o Areh. Pori.,
V, 117. Em 1743 foi eneon trada a area ou cerni terio, de onde pro-
cedem as epigraphes que o Corpus recolheu no voi. n, n." 87, 90,
91 e 92.
As sepulturas pois encontradas deviam fazer parte da necropole jà
assinalada no seculo xviii, porque de mais a mais achavam-se quasi
encostadas às vedagSes do adro.
Està nota é importante para a attribuÌ9ào chronologìca dos achados.
2. Reoentes aohados
Comedo agora por dizer o que tinha jà side encontrado por traba-
lliadores, quando eu cheguei.
Em primeiro logar uma sepultura de crian9a.
Distinguia està sepultura a circunstancia de nSo conter teira, mas
deposto no fundo o infantil esqueleto, de que felizmente tinham side
conservadas aigumas pe^as, entre as quaes fragmentos do cranio, al-
guns ossos longos, etc.
Junto de osseo despojo havia uma moeda que adquiri. A caixa se-
pulcral era mista, isto é, formada, nas ilhargas por pranchas de mar-
more, nas testeiras por latares e tec/ulae. Urna d'estas, completa, tinha
na face superior dois tragos sinuosos e contiguos, feitos em fresco,
com dedos de oleiro. A tampa e o fundo eram tambem de marmore.
Possivel me foi areriguar a exactidlo d'estas informacoes. Pelo exame
da face interna das pranchas conhecia-se que nio tinham estado em
contacto com terra, e notavelmente no lado interno da tampa, via-se
bem desenhado um quadrilatero corrcspondcnte ao vazio da caixa se-
pulcral, quadrilatero em que o marmore conservàra a sua c6r clara.
Era facil até medir por este inconfundivel vestigio aigumas dimen-
s3es da sepultura. A informajXo relativa à moeda que estava dentro
da sepultura mereceu-me credito, em primeiro logar porque, por diflFe-
rentes vezes e em respostas a varias perguntas, propositadamente fei-
tas para espreitar a menor contradicgào, obtive a ai&rma^ao nao so de
que fora encontrada dentro uma pequena moeda, mas até pude verificar
a identidade da moeda, pela seguinte circunstancia. A moeda era um
pequeno bronze, que em uma das faces tinha depositado e concrecio-
nado um sedimento duro, muito diverso das incrustagSes obtidas no
contacto directo de ten*a em pegas de bronze ou da pàtina caracterìs-
tica formada nas mesmas condigòes. Aquella crosta foi cauteloBamente
O Archeologo Portugués
285
tirada a peda(os depoìs de demorada immersSo em liquido, appare-
ccndo subjacente o cunho do pequeno bronze em regalar estado de con-
^erva^fto. A circunstancia do apparecimento de urna moeda na sepnltura
era, para o estudo do cemiterio, tfto importante que julguei necessario
todo o escrupulo na ayerigua93o do facto, primeiro; na identifica(ào
do refendo pequeno bronze, depois. O estado e aspecto dos ossos que
tinham side arrecadados, corno procedentes d'està sepultura, condiziam
jiiom as especiaes condi^oes de meio em que por seculos tinham per-
manecido, porque apresentavam um pò comò que endurecido na super-
ficie, bem differente das adherencias terrosas de outros ossos que me
foram mostrados e dos que eu tambem
exhnmei *.
Essa camada de pò provinha clara-
mente das infiltragSes humidas através
das fendas da calxa sepulcral.
Uma das pranchas lateraes maiores
d'està sepultura tinha na sua face interna
gravuras, que nSo pareciam relacionar-se
com a applicaglo actual da mesma pran-
cha: em primeiro legar, por ser no se-
pulcro a unica pedra assim lavrada, dis-
tincta por tanto das outras e situada
apesar d'isso em posÌ9ilo secundaria; em
segundo legar, porque aquellas enigma-
ticas figuras occupavam um extremo
da prancha e estavam evidentemente in-
completas, conbecendo-se o esbo^o da continuammo. O que signifique
aquelle conjunto, alias simetrico, de circulos e quadrados, sobrepujados
por uma foiba de hera de typo bem conhecido na lapidaria romana ^,
inteiramente ignoro. Presumo que outro viria a ser o seu destino que
nào actual. O interior d'aquellas figuras està apenas picado, comò
trabalbo incompleto. A sua profundidade 6 semente de 0"\008.Teriam
de ser mais aprofundadas? Deveriam center algum preparado a modo
de esmalte ou massa? Perguntas a que nSo encontro resposta (fig. 11.*).
Alem d'està sepultura, outra tinha side violada.
o o
cDcn
QpOQ
Flg. 11.»
^ Em algumas eepaltaras sem terra, o esqueleto tem-se reduzido a pò. Neste
caso singular, as pe^as osseas conservaram a sua dareza.
2 As hederae distinguentea tomaram-se muito commons desde Augusto para
.deante até epoca recente (Cagnat, Cours d^épigraphie latine, pag. 29).
286
O Archeologo Portugués
Era ella do genero a que poderemos chamar sepulturcts empareda-
das, porque a caixa era constituida por verdadeira parede de tijolo em
volta e no fundo um lastro de tijolos deitados. Aqui o espa90 desti-
nado ao cadaver estava cheio de terra, que inteìramente envolvia o
esqueleto. Junto d'este foi encontrada urna vasilha de asa, qne os ca-
bouqueiros irapiamente quebraram, tendo-se por felicidade conser\^ado
OS dois principaes fragmentos qne
permittiram a restauragào da pe9a-
A pasta d'està vasilha ó muìto are-
nosa e a cor exterior de um bello
rubro. O que a torna notavel é um
monogramma em graffito, que de-
via relacionar-se com o defimto
(fig. 12.«).
Tentemos a decifragao d'este
monogramma. Està maneira de re-
presentar .um nome de individuo
procede certamente do uso do nexo
ou conjunc5ao de letras. Estes ne-
xos, de que exemplos se podem
ver em Hiibner (Exenipla epigra-
phica, p. LXViii), obedeeiam a re-
gras de escrita que asseguravam
a sua exacta interpertacao. Nào croio que o monogramma verdadeiro
revele sempre invariavel conformidade com essas leis; a necessidade de
reunir num so grupo, por motivos diversos dos que impunham corren-
temente emprego de um nexo de letras, um nome completo obrigava
a recorrer quasi so à fantasia individuai para o completo agrupamento
de letras por vezes numerosas, e assim é que alguns monogrammas se
tomaram de difficultosa leitura até para os contemporaneos ^
Fig. 12.*
^ Veja-se Lc-Blant, Inacriptiona chrélietines de la Gault, voi. i, n.® 193, e voi. ii,
n.*>» 351, 853 e 275. Um monogramma, por excmplo, podia dar Radegondis, Are-
gondis, Andregondis e Gondegardis. Outro podia significar Kadulfus, Ranulfiis
ou Aruulfus. Ycrdade scja quo aqui se trata de uma epoca mais baixa do nac
aquella a que julgo pertencer o monogramma da vasilha de Vianna,. mas o uso
d'cstcs grupos atravessou longos periodos. Apparcccndo cm moedas consularcs,
(Martigny, DicL dea antlq. chrét.) conservou-sc na epigrafia romana mcsmo antc-
rior a Constantino, mas 6 certo que em tempos mais baixos (Baixo Imperio, epoca
visigotica, etc.) é quo elles se tomaram de uso frequentissimo.
Para nao alludir so ao que de fora sabemos, bom ò. notar-se que em alguns
vasos ha pouco exhumados de um ccmiterio, pcrfeitamente romano, de incinera-
O Archeologo Portuoués 287
No nosso monogramma isolam-se as seguintes letras T, I, A, L, N.
£stas letras poderào ser lìdas mais do que uma so vez na composi$So
da palavra que representam; a isso autorizam conhecidas decifragoes
d'estes grupos. A primeira nota que resalta a quera observa attenta-
mente este grupo do letras, é que se trata de um nome nao terminado
emVS mas em A*. Compulsando os indiees onomasticos do Corpus
Inscriptionum Latinai'um, eneon tram-se os seguintes nomes, cujo mo-
nogramma póde ter side o mesmo de que se trata, porque nelles se
conteem todas as ciuco letras referidas e nenhumas outras.
LATINIA {Corpus Inscr. Afric. Lat.,\iUj 9204).
NATILLA (Corptis Inscr. Afric. Lat., vili, 6906).
LATINIA {Corpus Inscr. Calabr. Apul. etc. Lai., IX, 5923 e 1857).
TANTILIA {Coipus Inscr. Calabr. Apid. etc. Lai., ix, 769).
LANTIA {Corpus Lisci-. Lat., x, 4955).
TILIANA {Corpus Inscr. Lat., X, 5361).
LATINA {Corpus Inscr. Lat., x, 2114).
Além d'estas devo notar o principio de nome TIN ... * no Suppl.
do Corpus, I, 6257 (196), que é da Hispania; e os masculìnos Latinus
e Lintius (Lintio) que correspondem a LATINA e * LINTIA (Vid. res-
pectivamente Corpus Inscr. Hisp. Lat., i, 3058 e 4264 e Corpus Inscr.
Hisp. Lat., I, 3058 e 4264 e Corpus Inscr. Lat., x, 3778, 2, 1).
nome Lintia, homónimo de um masculino da Italia, é d'entre
todos o que me parece corresponder melhor à fórma d'este mono-
gramma.
Outras sepulturas foram encontradas, sem que d'ellas ficasse lem-
branga que as singularizasse. Eram todas orìentadas. De uma me fa-
laram que n2o tinha tampa e era formada de adobes. Para este modo
de inhumagào em que o cadaver ficava envolvido de terra, a tampa era
^Ho e inhuma9fto, em Aljustrel, se léem bem ou mal nomes de pessoas e o mesmo
succede num vaso da necropole romana de incinerados no Marco de Canavezes,
cxplorada por este Museu. Kao sSo monogrammas, ó certo, mas sao factos que
attestam o uso de escrever a graffito em vasos de sepultura, nesta epoca.
1 Era possivel estar em genitivo o nome do defunto. Gcnitivos em s estSio
czcluidos; em ae tambem; em i, pouco provavel é, porque està letra, que alias se
ve na parte esqnerda do monogramma, mais naturai era que estivesse à direita;
bastarla para o indicar ergner mais a baste direita do N e cortA-la, à altura do
mòdulo d'està letra, por um pequeno trayo. Està era tambem a regra. (Yid. HU-
bucr, Exempla, p. lzviii). Seria acatada?
2 Se for principio de * TINEIA, de Thielus, nome que apparece no Corpus
^iiscrip. Hisp. Lat. i, 742, ezcluido, porque nUo vejo no monogramma nenhum E,
e faltaria o L.
288 O Archeologo Portugués
quasi inutil. Encontrei arrecadados, mas em eonfusSo, oS ossos prove-
nientes d'estas viola93es.
A ceramica das sepulturas e a do cabejo eram iguaes. Alem d'isto,
dispersas pelos entnlhos, em nivel nio inferior ao das sepulturas, desen>
terraram os exploradores pedras que merecem muito especial mengio.
Em primeiro logar devo referir-me a um voluraoso tetraedro de gra-
nito, plinto de estatua. Em urna das suas faces, que terà sìdo a sup^
'^^/'>^'^<^
Córte da fig. 13.*
por om cixo horisont al
Pig. 18.*
rior, ha uma escavagli) de contomo circiilar, de base sensivelmente
mais £(mpla que a boca, onde penetrava o espigao inferior da figura,
e d'onde seria difficultoso arrancar està, em consequencia da fórma em-
businada da mesma cavidade. Restam dentro vestipos de argamassa.
A fig. 13.* representa-o. Mede por lado 0"\60 e 0'",65 e ao alto 0",33.
Numa das faces, tem insculpido um letreiro que diz:
BONO
REIP(ublicae)
NATO
E uma formula dedicatoria, que explica a verdadeira applica^ao
d'està pedra. Deveria assentar nella a estatua honorifica da personagem
que OS dedicante s consagravam em vida comò nascida para bem do es-
tado. Parece presuppor a existencia naquelle logar de um edificio pn-
blico ou particular com dependencias adequadas a enfileirar estituas
{aimìdacra iconica), Eram de especies vàrias essas construc9oes; em
todo caso, embora sejam ainda patentes os vestigios de antiga povoa-
9II0. naquelle logar, nSo devemos imaginar nenhimia sumptuosa cons-
trucgSo, incompativel com a mediocridade relativa de uma povoa^ao
romanizada nas proximidades de Ebora, e com a simplicidade, quasi
rudeza, do plinto inteiramente desprovido de molduras.
O interesse especial d'està pedra no presente caso é ter valor cliro-
nologico.
O Abcueologo Pobtogués 289
Pelas condÌQ^s da sua invengSo, naq ba duvida que é coeva das
sepiilturas.
Ora a quem compulsar o Corpus Inscriptionum de Emilio Hiibner,
depara-se o seguinte*:
tìt) Constantino II (317-340). InscripsSo milliaria das vias da Be-
tica, n.*» 4700:
Domini nostri Constantinus et Constantiua nóbiillissimi) heatissimi-
q(ue) C<i€«(arc«). [b(ono)] r(ei) p(ublicae) [n(ati)].
h) Constando II (323-361). Epigraphe conimbrigense, n.° 5239:
Ai augmentum rei pnb(Iicae) nato dilectoqìie principi^.
e) Magnencio (350-353). InscripgSo milliaria daTarraconense (Pa-
redes de Coura;V. Braga a Asterga) n.® 6225 (=4744):
D. N. Magno Magnentio imperatori Aug. P{io) F(elici) b(o)n(o) r(ei)
p(ublicae) n(ato). (Cfr. P.® Capella, MUliarios, pag. 235).
Veja-se tambcm n.® 4791, igualmente inscripjao milliaria daV.
Bracara Aquas Flavias, com a mesma formula. (Cfr. P.* Capella, MU-
liarios, pag. 235).
d) Decencio (351-353). InscripgSo milliaria da Gallecia; V. Bracara
Asturicam III (Hubner); n.** 4827 3;
D. N. Alagno Decentio NóbUUssimo Florentissimo Caesari b(ono)
r(ei) p(ublicae) nato. (Cfr. P.* Capella, MUliarios, pag. 239).
Sao estas as epigraphes bispano-romanas, dataveis, que esquadri-
nbei na collecQào de Hubner*.
As palavras gravadas pois no pedestal de Vianna do Alemtejo, alem
de serem conformes ao formulario epigraphico de Roma, recordam uma
epoca bem determinada do imperio romano, da qual nào desdiz o in-
classicismo dos caracteres.
1 Vid. no Indice o titolo Imperatores.
2 Cfr. Bev, Archeologica, voi. ii, pags. 66 e 125.
3 n.*" 6221 de Habner, que ea teria de aproveitar para o caso de que se
irata, n5o tem objccto real, segando o Sr. Martins Capella {MiUtarios, pag. 239).
Do n.«» 4827 dou a lÌ9ao do academìco pói*tngués.
^ Nos Mutila traz Hùbner (n.® 4642) a seguinte :
Fortissimo Caes AiUonio., ti,. Filio Bono Reip. Nato. — Quinta da Lagoa,
perto de Vide. £ mais :
N.» 4643. Bono Reip. Nato. — Ermida de S. SebastiSo, emVide.
N3o faltarà quem observe que estas epigraphes sao todas milliarias e que
portanto o tetraedro de Vianna servia de plinto nào a estatua, mas a marco. Diffi-
cultam està interpretammo: 1.", o silencio da epigraphe dedicatoria a respeito do
nome do imperador respectivo e do numero de milhas; 2.<*, os titulos milliarios
ficavam gravados no cippo e nào na base, que alias era rasa. Deve notar- se que
a louvaminha B • R • P • N - tambem apparecia no monetario.
290
O Archeologo Pobtuqcés
monetario imperiai da decadencia tambem nos eoadjava no as-
sillar a verdadeira antiguidade a aste singelo monumento.
De Flavio Victor (384-388) existe um aureo com a seguinte legenda
no reverso: Bono Réipuhlice nati.
De Attalo (409-416) conlieee-se um pequeno bronze, que tem no
reverso: Bono reipubUcae nati^.
Como se ve, a coneordancia d'estas cita9oes é assaz frisante, e
fornecem um elemento bastante seguro para conheeer a epoca d'està
necropole.
Outros restos devo descrever comò pertencentes ao locai do cerni-
te rio e descobertos pelos violadores das sepulturas a que me re feri.
Sobresae um pequeno capitel de columnelo ou pilarete de marmorc*
(fig. 14.^). Mede 0",15. É obra muito da decadencia, mas a sua anti-
Fig. U.*
Fig. 15.»
guidade nSo se podem marcar os limites precisos do fim do imperio;
pertence decerto a todo aquelle periodo de tempo que, em assunto de
architectura, viu ainda as raras construcyoes de pedra reflectirem os
escassos reflexos que a arte romana ainda despediria ao Occidente.
Vaga é pois a attribuÌ9ao chronologica d'està pe9a, mas muito é jà para
a sua raridade no solo portuguès poder com verosimilhan9a dar-lhe
legar do iv ou v ao x seculo. Poder-se-ha dizer que é um capitel latino.
canteiro, cujo cinzel talhava caracteristicamente em chanfro os re-
Icvos do seu desenho, parece ter-se inspirado no capitel corinthio*.
* Ha ainda medalhas de Placidia, mulher de Constancio III e de Eonoria,
irmS d'aqnella, com a legenda Bono reipubUcae.
* E menos prova velmente no jonico.
O Archeologo Pobtugués 291
... Para o miiseu rèuni ainda outros despojos de pedra e de barro,
que testemunham o desapparecimento de edificios antigos d'estas epocas»
Meneionarei um faste de grossa eolumna de marmore da mesma
naturéza que as pranehas das sepalturas. O seu diametro é 0^,32.
E alem d'este um fragmento de base; fig. 15.*
Depois da minha saida de Vianna, novas pesquisas dos cabouqueiros
exumaram um sareophago monolithieo e reetangular. Mede 2 metros
-em comprimente exterior; 0",58 em altura. O marmore é o locai.
Proveniente do cabeyo, onde abundam os vestigios de povoa9a(),
vi em casa de um lavrador um bello capitel jonico que a fig. 16.* repre-
senta. Sao dimensSes suas: no àbaco por lado 0™,030; no diametro
inferior 0'",24; no eixo 0",23. E tambem de marmore. Està interes-
sante pe^a de architectura merece algumas palavras.
Como exemplar da aii;e classica no seu purismo nSo pode eviden-
temente considerar-se. E um
producto de uma phase da
decadencia, embora illumi-
iiado ainda pelos reverbéros
de uma grande arte mori-
bunda. N^o tenho duvida em
assinar & sua antiguidadé os
ultimos dois seculos do im-
perio, porque inconciliaveis
se me afiguram as suas li-
nhas, ainda bellas, com a „, ,,.
' ' Fig. 16.*
barbarie em que permane-
ceram longo tempo as artes após o alastramento dos povos nordicos
e com a hesitajào que respiram as primeiras obras que nos chegaram
da idade media.
Qualquer que seja porém a sua antiguidadé, corno elle procede,
nSo do legar do cemiterio, mas do cabe90 contiguo, onde foi a povoaQSo,
o caso ó indiflferente para a questXo primordial de que me occupo neste
escrito.
Neste capitel, as volutas jonicas, que teem, na architectura grega e
romana, um aspecto tao logico e tao gracioso, foram modifìcadas e subs*
tituidas por umas rosetas de quatro pétalas, comò as do frontEo da
lapide figurada n-0 Arch. Pori., i, pag. 198, fig. 3.*-, os balaustres per-
deram o seu ar de enrolamentos para ficarem puramente omamentaes,
sem harmonia com as volutas. Alem d'isto o corpo do capitel inferior-
mente aos balaustres é constituido por um cesto, que a primeira vista
póde fazer pensar nos capiteis compositos, mas, se bem repararmos,
19
292 O Archeologo Pobtugués
as folhas do acanto foram substitnidas por urna cinta de palmetas com
pouco relevo, corno nalguns capiteìs jonicos de arte classica ^. O ibaco
é qnadrado, e as snas quatro faces sEo dessemelhantes', corno nos jo-
nicos antigos. Portante este capitel, sem ser nm classico jonico, é antes
derivado do typo j onice do que do composito '.
3. Resultados da ezplora^ào
Passemos agora a relatar o conjunto dos trabalhos emprehendidos.
As especiaes condÌ93es da epoca em que tiveram de realizar-se e as cir-
cunstancias economicas do Museu nào permittiram que se fizesse urna
explora^ao completa. Effectivamente havia de se pesquisar o terreno
plano onde tinham side descobertas as sepulturas, e o cabe$o que Ihe
succede, onde affloram muitos vestigios de epocas antigas, romanas ou
post-romanas. Limitei-me pois a revolver a terra circamjacente das se-
pulturas violadas pelos cabouqueiros, contentando-me com a descoberta
de novos sepulcros e a sua pesquisa minuciosa. É do que voa agora
tratar.
Tinha-se descoberto o envasamento de urna parede quasi & super-
ficie, a 14 metros ao norte de urna entrada lateral do adro da ìgreja.
Està construcc2o era posterior às inhnma9Ses, nSo so por estar em nivel
multo superior, mas porque tinha determinado viola^Ses de algumas
sepulturas, cujos despojos se achavam accumulados, em completa de-
sordem, numa fossa soterrada. Junto d'està parede corria um ladrilho
melo abatido de tijolos irregulares na largura de l'",20. Quer superìor-
1 Recordo agora particularmente os capiteis do tempio de Erectca em Àthe-
nas; veja-se Diccionario encielaptdioo hispano-americanoy s. v. CapUd. Saglio
& Daremberg, b. v. Columna citam, para esemplo de capi tei j onice mimido de nm
collar de palmetas (hypo trachdium), separado do faste pelo astragalo, os do tem-
pio de Apollo em Mileto. (Vid Vitruvio, iii, 5, 2). £ bom ter em vista qae «os
typos principaes da arcfaitectara antiga apresentam infinita variedadc, qae aag-
menta nos edificios, caja data se aproxima dos altimos tempos do imperio, a tal
ponto que vem a ser realmente muito difficil determinar a ordem a qae pertencem
taes e taes entalhamentos, capiteis, bases, colnmnas, etc«. {No^t» eUmentare»
de archeologia, por Possidonio da Silva, pag. 43). Este conceito vem a proposito
do presente capitel, qae tenho considerado jonicO; mas qae pela fórma do cesto
revestido de folliagens, corno nos capiteis compositos, poderia parecer d'està ul-
tima classe.
* Veja-se Traiié d^architecture, por Charles Dupais, Paris, 1782.
' Na Epkemeris Epigraphica, pag. 484, vem a estampa de nm monamcnto
romano do sec. ii, restaarado. As columaas teem capiteis com volutas e balans-
tres corno na ordem jonica e o cesto està rodeado de folhas de acanto, qae diffi-
caltam a classifica9ào d'estes esempi ares, nSlo se podendo dizer ao certo se per-
tencem ao jonico ornado on ao composito.
Archeologo PosTOGUÉs
293
mente, quer inferiormente a este pavimento, havìa restos de dois outros
aaalogos, o qae indicava saccessivas reconstrac9Ses, hoje intraduziveis,
Doas em todo o caso posteriores ao eatabelecimenio da necropole subja-
cente. O qae é curioso é qne os novos pavimentos eram construidos,
sem qae se tratasse de destrair os antigos, que iam ficando por baixo.
O pavimento soperìor estaria a 0^j2ò do solo. Àlguns lijolos eram tra-
pezoidaes e lisos, mas no lado menor tinham dnas peqaenas saliencias
rectangaiMres, destìnadas a tramarem fiadas de pavimentos. Mediam
no lado das saliencias ou dentes 0",29; no eixo O^jSO (fig. 17.*).
Em nivel ìnferior a estes vestigios, em parte debaixo d'elles e à pro-
fundidade de 0"*,75, des-
cobri a primeira sepaltara.
Num ponto havia restos de
Jb^*mig3o (opus Signinum)
ainda inferiormente ao der-
radeiro pavimento de tijo-
Io8. A tampa era formada
de lascas de marmore que-
bradas e algans fragmentos
de tijoios. Levantados es-
tes materiaes, appareceram
por baixo tres travessSes
ou barras de ferro , destì-
nadas a saster a tampa,
apesar de ter sido a inhu-
ma^Xo do cadaver feita di-
rectamente em terra. Pou-
savam nas pranchas late-
raes e tinham as extremi-
dades voltadas em angulo
recto, para nSo se deslocarem. A caixa rectangalar era constituida
lateralmente por pranchas de marmore devidamente accommodadas
e o fondo era tambem lageado. A cabe9a do inhumado estava do lado
do poente, mas propositadamente oa nlU), tinha sido voltada com urna
face sobre o fimdo da sepultura, comò olhando para o norte. O resto
do esqueleto estava em decubito dorsal. Feitas as medigSes, achei para
o comprimente 1™, 40, para a largura 0'",27, para a altura 0™,25.
Algumas pranchas de marmore conservavam num lado uma estreita
zona tosca; que indicava terem sido obtidas estas lascas por meio de
serragem mechanica, e separadas pouco antes dos ultimos impulsos
da serra.
Flg. 17.*
i?94 O Arciieologo Poutugués
Na terra que eDchia a eepuitura encontraram-se tres objectos identi-
cos dois dos quaes representados nas figs. 18/ e 19.* O d'aqaella estava
«óf mas d'està estava junto dos outros perfeitamente egual, ao qua!
Adheria por meio de oxido. Era o actu romano a servir de aifinete de
seguranfa *. Os dois achavam-se na parte media da fossa. Presumo que
teriam servido de unir alguma pe^a de vestuario, tunica, ou involtorio.
Esparso na terra algum carvSo. Junto da cabota do esqueleto um firag-
mento de vidro muito delgado, com aquelle ìrisamento caracterìstìco.
À distaneia para N. dos pés d'està sepultura de 0"*,15 e para E.
de ()'",30, debaixo do terceiro pavimento de tijolos, o inferior, em prò-
fimdidade apparentemente igual à sepultura antecedente, encontraram
OS trabalhadores outra de bem maiores dimensoes. A largura, quasi
uniforme, era de ()™,42 a 0'",44 (era rectangular a fossa); o compri-
mento de l'",80. A orientajSo, determinada com o auxilio de uma bus-
sóla, era proximamente de O.-E., sendo a cabeja do lado do O. Ainda
aqui a cabe^a estava torcida na direcglo do N., permanecendo o esque-
leto de costas. Como o locai do cemiterio é plano, parece que era cul-
tual a orienta9ao dos cadaveres.
O que ha a notar nesta sepultura é a disposi^So dos bragos do ca-
daver, de tal sorte que o ante-bra90 direito estava em linba perpen-
dicular ao eixo do corpo, tocando a mao direita no cotovelo do bra9o
esquerdo, cujo ante-brago se erguia obliquamente para o stemum. Tinha
pois esqueleto os bragos em flexào, mas designai.
Pude ainda verificar que o cadaver ali inhumado tinha maior com-
^^ ^^^__ primento que o da sepultura, devendo pois ter
^^ sido introduzido violentamente; na columna
T' vertebral havia uma pequena interrupgSo; nSo
^**" *®* obstante a sepultura estava intacta.
Quanto é natureza da fossa, era està resguardada por todos os lados
por pranchas inteirigas (primitivamente) do marmore. A da tampa é
que se achava fragmentada em maior numero de peda(os, cedendo
^ Para maior clareza, a figura està desenhada em dobro do naturai.
O Archeologo Portugués
295
ao peso superior apesar de tres grossos travessSes de ferro, que interior-
mente davam mostras de a qiiererem sustentar. O fundo era tambem
urna prancha da mesma pedra. Junto da tibia direita estava o alfìnete
de bronzo representado na fig. 20.*
Na terra que preenchia a caixa sepulcral, nada mais havia, senio
algans carvSes, pedajos de vidro *.
Continuando a pesquisa na direc9So do norte, encontrei restos de
terceira sepultura. Tinha sida violada
para a constnie9ào de outra parede,
situada a 4",50 da primeira descripta.
Està obra era pois posterior à necro-
pole. Encontravam-se ossos em desor-
dem e pedagos das pranchas de mar-
more. No recanto, onde terìa side a
cabeceira, estava deposta e um pouco
inelinada urna pequena vasilha sem asa
cheia de terra. Era orientada corno as
outras. Foi aqui que se descobriram
restos de formiglo em nivel superior
a sepultura, e por cima d'este trechos
de ladrilho ou pavimento de tijolos.
O seu comprimente era de 1"*,74;
a largura 0™,40: altura 0",47 ; e a pro-
fundidade a que estava era de 1 metro.
Quanto à sua natureza, pude apenas
observar o seguinte: era da especie das
emparedadoi, aos lados corria uma pa-
redezinha de tijolo e havia tambem um
peda90 de formigSo posto de cutelo.
Aos pés, era a caixa limitada por uma
placa de marmore; o fundo era lageado; a tampa nio existia. Os ossos
estavam em desordem.
Vejamos uma 4.* sepultura.
Denunciou-se pelo apparecimento & profundidade de 0*",75 de dois
enormes tijolos, que justapostos constituiam elles sós a tampa da sepul-
tura. Modem 0™,84 X 0^,56 X 0'",07 e estao actualmente no Museu,
Pousavam em paredes lateraes de tijolo argamassado, o que nlo im-
Ffgr. 21.*
^ Està sepultara està reconstituida no Musen ; apenas com a differenza de se
ter coUocado nella um vaso de barro que pertencia à seguinte.
296 O Abcheolooo Postdoués
pediu que sobre o cadaver se tivesse laa^ado terra, comò succede ìias
outras. Nesta porém nSLo havia fundo de pedra; o esqaeleto assentava
na terra. Na cabeceira servia nm fragmento de tosca pìlastra cannelada.
É a fig. 21.* Media de comprido l-^TO; de largo (r,39; de alto 0",28.
O resto do cadaver tinha side voltado para e sul, mas a sepoltura
era orientada comò todas as outras.
(No proxìmo fasciculo segue: 4. Antiguidack do cemiterió).
' Felix Alves Pereiba.
Os arohlTOS eoclesiastioos da Oiiarda
No intuito de saber o paradeiro e o estado presente e passado dos arcbivos
do paia, tenho ido reunindo as mengdes dos cartorios que a destruigao das anti-
gas instituÌQ^^es, junto à ignorancia e malevoleneia de camadas de fiinccionarios,
tem malbaratado, posto se ou^am por vezes brados de soccorro, a que nao cor-
rcspondem os actos.
Cabe agora a vez de j untar as noticias que se encontram dispersas no
livro elaborado por um funccionario que tem a confian^a do Estado, fnnccionario
no qual se encontram reunìdas faculdades de investìga^fio bem raras entre nós
e bem pouco culti vadas.
arcbivo da sé da Guarda foi examinado nos Ens do seculo xviii por Fr. Joa-
quim de Santa Rosa de Viterbo ou por pessoa interposta, corno se coUige, alem
de outros que se poderiam citar, d'este passo do Elucidaìio, voL i, pag. 292 :
e No Tomba do9 Jantares, que se conserva no Archi vo da Sé da Guarda, se diz
o seguiate ...»
Alexandre Herculano, em 1857, escreveu^ as seguintes palavras, onde, oc-
cultando-se nome da diocese, se sabe, todavia, dirigir-se a da Guarda: <Xo
cartono de certa corporagao, langado pela janela fora durante a guerra penin-
sular por alguns soldados franceses, e de que so urna pequena parte foi reco-
Ihida, acbou-se ainda em 1853 incrustado nos pergaminbos o lodo em que estì-
veram mergulhados durante alguns dias ; tal tinba side o desvelo da coiporagao
acèrca dos monumentos que salvàra. Nfio sabemos se e das que bradam contra
a offensa feita ao seu direito de propriedadei.
Pedbo a. de Asevkdo.
«Na Guarda governava o bispo D. JoSo de Mendonga, que nomeou
conego Martinho BodrigueS| seu desembargador da mesa do despa-
cho, para, auxìliado por alguns companheiros, examinarem o arohivo
do cabido e da camara ecclesiastica, as inscrip^oes e outras particularì-
1 0}>usculo8, Tol. I*, pag. 246.
O Abgheolooo Portugués 297
dades aproveitaveìs na Sé e nas diversas egrejas e templos do bispado,
extrahindo as pèdidas ìnformagSes e copias dos documentos.
Por pai'te do cabìdo recaia a eleÌ9ao no mesmo conego e compa-
nlieiros, o que tudo foi particìpado & Academìa em officìos de 20 de
fevereiro e 1 de mar$o de 1721.
O senado (camara) e provedor da Guarda prontìficaram-se tambem,
nos officios de 5 de junho e 20 de agosto do mesmo anno, a cumprir
as instrucgSes que Ihes foram transmittidas e aquelle descnlpando-se
de o nlo fazer mais cedo pela difficuldade que havia em ler os pergar
minhos antigos do archivo, que so foram decifrados quando por esse
tempo chegou i cidade Martinbo de Mendon$a de Pina e Proenga (BibL
Lti8., voi. II, pag. 441) apreciado academieo, naturai da Guarda, en-
viava na mesma occasiSo algomas noticias, e um papel contendo o nu-
mero de logares e moradores que habitavam o termo da cidade.
Quanto ao preveder, desculpando-se tambem com o estado e letra
do tombe das capellas e morgados, e com as multiplicadas occupa^des
do seu cargo, que Ihe nao deixavam tempo livre para outros misteres,
envioa uma rela^io, provavelmente sobre padroados, que foi obrigado,
dìz elle, a mendigar pelas taboas e livros das egrejas. X>e pouco valor
seriam pois essas informa9(^es com base tao incompleta e pouco firme.
As da camara, comò se verifica pelo que notei, nSo revestem tam-
bem grande importancia, e nem a podiam ter se o seu archivo, còrno
pareoe, nSo era entSo mais rico em pergaminhos do que ao presente,
pois que apenas possue naquelle genero de documentos o livro de foraes
e o de avalia9Ses de officios da comarca da Guarda em 1689, unicos
que me foram mostrados pelo digno secretano d'aquella corpora9ào,
o Sr. Correla Telles, que me informou nSo haver nenhuné outros.
Possue sim uma muìto apreciavel collec9So de padrSes de pesos
e medidas de bronze, que vem a ser: um grande marco do tempo de
D. Manoel (1499) que deveria ter um quìntal (4 arrobas) com as suas
£vis3es e subdivisoes; alqueire, meio alqueire, quarta e salamim do
tempo de D. Sebastiào com a era de 1575; cannada e meia cannada».
(Pag. XX e sqq.).
cÉ licito duvidà-lo: mas basta o simples enunciado que acabo de
fazer para se calcular a enorme e insubstituivel falta que elles [papeis
entregues à Academia Real de Historìa] fazem, especialmente depois
que o archivo do convento da Guarda, ou pela devasta9ao dos fran-
ceses, ou pelo incendio em parte, ou (e està talvez seja a prìncìpal
causa do descalabro) por desleixo inveterado da corpora9ào deixou de
possuir elementos para se reconstituirem, ao menos em parte, aqnellas
noticias». (Pag. xxv).
298 O Archeologo Pobtugdés
«Eni 1899 visitando a casa do capitulo da Cathedral da Guarda,
em companhia do distincto architecto, Sr. Rosendo Carvalheira, com
firn de se verificar a necessidade de desaffi-ontar o monumento d'a-
quelle vergonhoso appendice, e resolver a sua mudanja, ainda alli
vimos, alem de bastantes pergaminhos e documentos antigos, em parte
dilacerados pelos ratos, noutra comidos pela humidade, impiedosamente
arfanhadosy e mettidos em eaixotes velhos, de mistura com toda a
sorte de lixo e immundicìes, preciosas cartas regias dos primeìros
monarchas portugueses, distinguindo-se as de D. Dinis, e outras aie
D. Duarte, pelo seu perfeito estàdo de' conservafio, em que muita
admiramos sobretudo os sellos pendentes de cera e chumbo, quasi in-
tactos e, pela maior parte, completos. Algum conego misericordioso,
e menos indifferente às preciosidades historicas^ as havia juntado e
acantelado dentro de urna pasta ou bolsa de pergaminho, e alli esca-
param até aqnella data ao vandalismo inacreditavel de que tem sido
victima aquelle archivo. Jà o bem conceituado chronista da ordem
seraphica, Fr. Manuel da Esperan9a, que escrevia no meado do se-
culo XVII, tendo ido à Guarda no intuito de documentar as suas ar-
duas e bem dirigidas investigajSes historìcas, dedara ter encontrado
aquelle archivo tao indigesto (sic) que Ihe nio foi possivel aproveitar
d'elle cousa de geito para o seu trabalho, nao obstante a gìmide copia
e riqueza dos documentos alli existentes a montào sem ordem ou nexo
algum: mas modernamente outro facto, nSo menos suggestivo do des-
mazelo e desleixo dos conegos com o seu precioso archivo, corre comò
certo na Guarda. Como se sabe Alexandre Hercnlano foi auctorizado,
em beneficio dos seus estudos historicos, a visitar e examinar os archi-
vos do reino, e foi tambem i Guarda, sendo-lhe alli facultado o da Ca-
thedral, que a esse tempo estava jà multo depauperado, quer por um
incendio que diz ter alli occorrido, quer pela dosvasta^So operada pela
invasSo francesa. Limitado o trabalho da ordena^So e classifica^So dos
documentos pelo numero restricto que escapara, e feito o seu exame,
deixou-os Herculano methodicamente dispostos sobre uma grande mesa
que existia na sala do capitulo e recommendou multo aos conegos qne
mandassem substituir por outros novos, os velhos e carcomidos arma-
rios onde se guardavam a esmo, e alli os arrecadassem e conservassem
segundo a ordem por que os tinha posto, mercé das suas fadigas. Isto
succedia por volta de 1840, e, segundo me informaram, quando em
1899 alli estive com o Sr. Carvalheira, haviam na vespera mettido
OS documentos à pressa nos antigos armarios, unicos que alli vimos,
tendo até entào permanecido, durante mais de melo seculo, em cima
da mesa das sessdes capitulares, onde desde muito n&o abancam oa
O Archeologo Portuguès 299
eonegos, que celebravam as snas reuniòes noutro locai, pelo estado de
ruina em que estava a casa do capitulo. Se assim é, e apesar dos
bons testemunhos casta a crer, avalie-se da porcarìa, do lixo em que
estariam sepaltados aquelles preciosos documentos por tantos anhos^
bem corno dos delictos que Ihes causariam os ratos e a humidade,
a cbuva mesmo, estando assim ao desamparo numa casa abandonada
e em ruina! Por occasiSo da alludida visita que alli iQz, protestei logo
varrer a minha testada; e, com effeito, denuncici o vandalismo, dias
depois, em Lisboa, na Direcgao Geral de Instruc^So Publica, recla-
mando do illustre Ministro do Beino as necessarias prò videncias para
salvamento do pouco, mas ainda muito precioso, que restava no archivo
eg'itaniense. Chegaram a expedir-se ordehs nesse sentido; mas a ameaga
da peMe hvhonica que, por esse tempo se manifestou no Porto, des-
viaram e absorveram as attengòes do Governo, e as minhas proprias,
perdendo-se o ensejo de realizar essa obra benemerita». (Pag. 161 e
sqq.).
cE mais do que provavel que nem sempre assim fosse, e que
noutros tempos a Cathedral possuisse mobiliano e alfaias de valia
condigna; e com effeito encontro noticia de ser muito rica, pelo menos
em objectos de prata. D'estes parece que ainda alguns existem no
thesouro episcopal e capitular, mas comò restos mesquinhos do passada
esplendor. Onde iriam parar essas riquezas e preciosidades? A invasSo
francesa, alias de uma selvajaria nunca vista, desculpa muitas d'estas
depredaySes na Guarda e em ontros pontos do pais; e o periodo re-
volucionario donde surgiram as nossas instituijSes liberaes completa
a absolvi(2lo de muitos que foram os verdadeiros autores da rapina.
Ainda hoje na Guarda se apontam os nomes de alguns, e espe-
cialmente de certo conego que se apropriou para as vender a peso,
das chumbeiras da Sé, deixando-a exposta às affrontas do temperai,
que puseram em risco as abobadas, e converteram nos nossos dias
tempio em cisterna limosa e repugnante. NSo seguirìam as pratas
e alfaias, em grande parte, o caminho das chumbeiras e dos canudoa
do orgào monumentai?
Sera tambem da responsabilidade dos soldados de NapoleSo a ruina
do precioso archivo que o cabido possuia, e que continha os valiosis*
simos pergaminhos hierarchicos das nossas antiguidades, prerogativas,
isen$8es e regalias?
Kào croio, e jà apontei mais de um facto, attestando que, nesta
parte, o vandalismo se deve à incuria e criminoso desmazelo dos cone^
gos, quando nSo à sua cupidez proverbiai, sem offensa para os actuaes,
que sSo um palido reflexo das reverendissimas e opulentàs ociosidades.
300 O Archeologo Pobtuoués
salvas honrosas excepjSes, que os precederam outrora, em tempos
melhores para elles. Quando muito impatarei éqaelles apenas a li-
mitada responsabilidade de se conservarem indìfferentes aos restos,
ainda apreciaveis, do que escapou no descalabro do archivo». (Pag. 376
e sqq.).
{Diocese e dlstricto da Guarda: sene de apontamentos historicos e tradicio-
naes sobre as suas antiguidades ; algomas observa^Òes respeitantes à actualidadc
e notas referentes à cathedral egitaniense e respectivos prelados, por José Osorlo
da Gama e Castro, Jaiz de direito de prìmeira instancia e Govemador ci vii do
districto DOS annos de 1897 a 1900. Porto, 1902, in-8.«).
XTm tbesouro do seoulo XIV
Um proprietario de Monsanto, freguesia do conceiho de Torres
Novas, em Maio de 1903 mandou aplanar eerta eieva9So marginai de
nma serventia publica, por onde devia transitar nm carro seu, pesa-
damcnte carregado.
O trabalhador que desempenhava tal missSLo, logo que deu os prì-
meiros golpes de* enxada, encontrou um pequeno vaso de barro, ta-
pado cuidadosamente, que ali fora occulto quasi à superficie da terra.
Agitando por vezes o estranho achado, presumiu que achàra um the-
souro. Na impossibilidade de conhecer de pronto qual a especie de
moeda que a sorte Ihe deparava, fez saltar a parte superior do vaso
com olho da enxada e viu que eflfectivamente era dinheiro, mas an-
tigo, que desconhecia.
Examinado ulteriormente o achado por pessoa entendida, via-se
que ali havia tomeses e meios tomeses, tanto de busto corno de cruz,
reaes de prata com escudo no anverso, hoje preciosos pela sua alta ra-
ridade, e aquelles que mostram a letra F coroada, ou o anagramma
formado por FR, barbudas, graves, pilartes ou coroados e dinheiros.
Exceptuados alguns pilartes cunhados no Porto, e as moedas hespa-
nholas de que falò mais abaixo, todas as moedas tinham a marca mo-
netaria L, a de Lisboa, onde foram fabrìcadas em nome de D. Fer-
nando, rei de Portugal (1367-1383).
Alguns exemplares de reales de prata de D. Pedro I, o Crud, rei
de Castella (1350-1369), com a letra P coroada no-anverso, e alguns
outros de D. Henrique II (1369-1379), aquelles que mostram as letras
£ N conjugadas, acompanhavam o dinheiro portuguès, porém em pe-
quena quantidade.
O Archeologo Portugués
301
As moedas eram apenas 160, em cujo numero abundavam os cunhos
de bolhao; comtudo representavam capital valioso relativamente à epoca
em que circularam*.
O vaso, genuinamente medieval, importa ser conhecido. Vae repre-
sentado no desenho aqui junto.
Tem 0™,13,20 de altura e 0",28,10 na maxima circunferencia do
^jo* Quasi junto & raiz do collo apresenta urna saliencia em fórma
de C, que se tomarìa por marca de fabricante se nào fosse o resto da
parte inferior da asa, que ali ficou impresso quando ella foi arrancada.
O bocal seria circular e erguer-se-hia afu-
nìladamente, comò Ihe convinha para re-
ceber a rolha.
Este precioso representante da cera-
mica medieval portuguesa é de cor do
carmim, excessivamente desmaiado pela
ac^So do tempo. A fórma lembra a do vaso
que se ve na fig. 1.* da estampa annexa
ao artigo que o engenheiro civil C. da Ca-
mara Manoel inseriu no voi. li d-0 Arch.
PoH., 302-304, acèrca de varios productos
ceramicos que foram encontrados quando
se fez a demoligEo do convento de S. Fran-
cisco de Evora.
E provavel que o vaso eborense fosse
contemporaneo do de Monsanto, pela semelbanga entro os respectivos
troncos, embora falte a este a melhor parte da feÌ9So que hoje o dis-
tinguiria. Nào esquegamos que a edificagSio d'aquella casa professa foi
anterior ao reinado de D. Fernando.
vaso de Monsanto nJo representa um typo especial e unico de ce-
ramica portuguesa; é copia de alguns typos, semelhantes, que a archeo-
logia conhece, exhumados de sepulturas romanas que foram encerradas
^ thesouro foi distribaido assiin :
1} Sr. Conaelheiro Manoel F. de Vargas e o Sr. Sobert A. Shore arreca-
daram as especies de melhor merecimento numismatico e de superior estado de
con8erva9So.
2) O Sr. Joaquim José Jiidice dos Santos comprou a maior parte das moedas
mais Yulgares.
3) A algans dos moradores de Monsanto deu o achador varios exemplares.
4) Ao Muscu Etimologico Portugnés foram offerecidos tres exemplares.
302 O Archeologo PoETuauÈg
segfundo o rito da incinera9ao, ""e de outròs <jue ainda hoje vemos, pro-
ductos da ingenua industria dos povos que habitam certas localidades
provincianas, onde a ceramica ordinaria e de simples feiglo artistica
ainda tem algum desenvoivimento.
A evolu9So antiga da ceramica portuguesa ainda nao foi ^stadada
convenientemente. Suppomos que tal estudo so tarde poderi realizar-se,
com auxiiio de exemplares mais abundantes, provenientes da epoca do
renascimento. Com reiaQlo aos mais antigos, corno aste de Monsanto,
o estudo é muito problematico; elles sSo raros e difficilmente se con-
segue autenticà-los, sobretudo quando circunstancias especiaes nSo con-
correm para elucidar a investigammo da sua orìgem.
O pequenino vaso, arrninado abrigo do thesouro, existe no Museu
Ethnologico Portugués, ao qual foi offerecido pelo Sr. José Duarte Fra-
zio, que para tal firn o obteve do achador, e o fez acompanliar com
3 das moedas que nelle jazeram por mais de ciuco seculos.
Estudadas as moedas componentes do thesouro, póde, com o auxilio
da historia, indicar-se em que anno o possuidor as occultou, e qual o
motivo inspirador de tal empenho, nào obstante parecer estranha està
ultima affirmamSo.
No achado era absoluta a ausencia das moedas de varios padrSes
que D. Fernando mandou cunhar em ^^amora, Crunha eTuy. Ora corno
a desmonetizagio d'estas moedas comegou em 1371, em obediencìa
a resolufào que foi tomada nas cortes que neste anno se reuniram em
Lisboa, pelo motivo de terem sido cunhadas em terras que nSo per-
tenciam à corca de Portugal, fixamos o anno de 1372 para inicio da in-
vestigajlo, e para termino o anno de 1378, em que foi prohibido o curso
da moeda castelhana em Portugal, pela ordenamSo de 8 de fevereiro.
Depois d'este anno o camponès nào arrecadaria dinheiro estran-
geiro, prohibido, alienavel com prejuizo certo, e que assim n3o era
mais que simples metal para alimento de cadinhos. Era previdente,
porque arrecadàra o que gozava de melhor credito e era de melhor
valia, e excluira as barbudas cunhadas no Porto, que eram myguoadas
daley^^e pela maior parte falsas, por tanto conhecia disposifoes legaes
relacionadas com o melo monetario circulante.
Posta a questuo neste plano, prova-se apenas quo o deposito do
thesouro foi feito naigum dos annos decorridos de 1372 a 1378, e até
Teixeira de AmgSo, dee. n.® 11, voi. i.
O Archeologo Pobtugués 303
■ ■ • j —
aqui chegàmps invocando leis monetarias; porém a for9a comprovativa
de .um acontecimento historico p8e o ponto final nesta interessante int
vestiga^o, denunciando o anno de 1372. v
.Com effeito, no verào d'este anno, o esercito de Castella passou
a fronteira nas proximidades da villa de Almeida. Percorrido o itine-
rario até entrar na Extremadura cistagana, fez alto durante dois dias
em Torres Novas, onde aguardou a offensiva do irresoluto D. Fernando,
que se acolhèra ao abrigo das muralhas de Santarem ^. No largo tra^
jecto alarmou as popula^Ses ruraes, que se refugiaram nos baldios e
noutros logares ermo^. Na precipitagào da fuga o camponés de Mon**
santo passa na curva de um caminho, à beira de um vallado, e, porque
a vanguarda da hoste invasora se aproxima a largos passos, ali cava
um abrigo provisorio para o seu dinheiro encerrado no leve e pequenino
vaso, que tanto llie pesa idealmente corno se fòra enorme.
Lisboa, Agosto de 1904.
Manoel Joaquim de Cabipos.
Aroheologria prehistorioa da Beira
Dolmen da Canha-Balxa
O dolmen de que vou fallar fica no sitio da Orca, perto de um
ribeiro, num plano, entro vinhas e milharaes, a 1 kilometro da estrada
da Cunha-Baixa, no concelho de Mangualde. Pertence ao Sr. Dr. Paes
da Gauha, de Santar. O povo chama-Uie Casa d'Orca (nome proprio).
Explorei-o em Setembro de 1902, a convite, e por indica9ao, do
metì illustre amigo Dr. Alberto Osorio de Castro, hoje juiz de direito
em Goa, mas entSo residente na villa de Mangualde. Elle tinha ob-
tido para isso autorizagào do Sr. Dr. Paes da Cunha, que a concedeu
da melhor vontade.
Foi està a primeira explora9So dolmenica que eu fiz. Jà dei noticia
rapida da Casa d'Orca, e uma gravura, nas Eeligioes da Lusitania, i,
271-273».
* Chronica do Senhor Bei D. Fernando, por FernSo Lopes, capi tuie lxxii.
2 Quem primeiro tornou conhecìdo dos estudiosos este dolmen foi o Sr. Mòr-
gado Bernardo Rodrigoes do Amarai, de Oateiro de Espinho, concelho de Man^
gualde : vid, Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal & Fedro Angusto Ferreira,
SII, 2300. O Sr. Bernardo Rodrìgues do Amarai é crèdor de teda a sjmpathia
pelo enthasiasmo e intelligencia com que tem pesquisado a archeologia da regilo
304 O Abcheologo Pobtugués
A orca ou dolmen consta de camara e galeria (fig. 1.*), jà bastante
arruinadas; por estar em terra de semeadara, que é frequentemente
revolvida pelo lavrador, jà n%o mostrava vestigìos de mamoa. Avuha
na pianicie; e n%o é sem certa emoglio que se contempia aqaelle mo-
numento carcomido das chuvas e dos ventos, aquelle silencioso teste-
munho de outras eras, ali deizado em meio dos campos, a despertar
a curìosidade dos archeoiogos, e a provocar no espirito dos camponeses
ideias mysterìosas e lendas de Mouros!
Quando cheguei, tanto a galeria corno a camara estavam cheias
de terra, de silvas e pedregulho grande e pequeno. Muitas das pedras
deviam ter sido atiradas para li pelos trabalhadores ao cavarem o
campo; outras teriam servido de cispar a propria anta.
Primeiro limpou-se o sìlvado, depois comofou-se a tirar a pedra
e a escavar. A propria terra que enchia a anta eontinha pedras, umas
maiores (lages)) outras menores. So depois de se cavar mais de um
metro appareceram alguns objectos archeologicos (os primeiros). Co-
nheceu-se que se chegou à base do monumento logo que se deu com
o terreno duro e saibrento^ pois teda a terra que enchia a anta (ca-
mara e galeria) era movediga e negra, e segundo a expressào dos tra-
balhadores «gorda, por causa dos cadaveres là enterradost. Tanto a
galena corno a camara foram profundadas até l*",!? pouco mais ou
menos.
A camara, de fórma polygonal, é constituida por sete grandes lages
(eifteios) a pino, mais ou menos separadas entro si e convergentes um
pouco para o centro d'ella; està cobertapor outra grande lage, muito
mais larga (ckapeu). Alguns dos esteios sSo sub-triangulares, outros
sub-trapezoidaes, um é rectangular. O esteio d està separado do esteio
e, em baixo, por um intersticio cheio de pedregulho; o vazio que fica
até à tampa devia ser cheio por outras pedras, hoje dispersas por longe.
Altura de um dos esteios, acima do solo, 2",3; largura maxima 1",7.
A cabeceira da camara é formada por dois esteios (f, e), O chapen
apoia-se actualmente nos esteios g^f, h; tem as seguintes dimensSes:
3" X 2"\2 X {^,43.
A galeria é formada por dois renques de pedras, algumas ainda
no seu logar, outras estendidas no chSo. Os dois renques nÌo sSo pa-
em que vive : mercé do seu concorso, possue o Maseu Ethnologico nnmeroeos ob-
jectos archeologicos da Beira; e eu, que o conto entre os mens melhores amìgos,
devo-lhe muita gratidSo pelos obsequios que me dispensa sempre que vou aos
seus sitios, jà recebendo-me em sua casa, jà acompanhando-me nas minhas ex-
corsoes e excava^Òes.
O Archeologo Portugués
305
railelos entre sì, mas dispostos de maneira que a galena é menos es-
treita junto da camara do que na entrada. As respectivas pedras s3o
de differentes dimensSes. A galena devia ser coberta por lages em toda
a sua extenslo, porém resta so urna; véem-se ainda algumas d'ellas
ao pé, caidas por terra. Direc9Jo da galeria: NO-SE.
Fig. 2.»
Tanto as pedras da camara, corno as da galeria, slo de granito,
que abunda na regiào, embora ali proximo nào existam lagedos d'onde
ellas pndessem ter sido extrahidas.
Na pianta junta, fig. 1.^, se ve a disposigSo do monumento, e se
indica o comprimente e largura da camara e galeria.
Objectos encontrados durante a excavagSto:
1. Objecto de granito, que se representa nafig. 2.* e que appareceu
deitado i entrada da camara; tem de comprimente 1™,20 e de largura
30G
O Archeologo Postuqués
maxima 0™,20, e apresenta ab longo de um dos seus bordos, em parte
da sua extensSo^ uma serie de quinze sulcos que oecupam tambem as
faces, de um lado e do outro. Fallei jà dVste objeeto nas Religioes da
Lusitania^ I, 343^45.
2. Machados de amphibolite schistoide :^gs, 3.*, 4.* e 5.*, em me-
tade do tamanho naturai. O que se representa na iig. 3/ tem plana
Fir. 8.'
Fiff. 4.«
Pig. 5.*
\ \
Fig. 6.»
uma das faces maiores e bombeada a outra, ambas ellas pouco polidas;
as faces lateraes &ào polidas; tjpo de herminette, sec9So de segmento
de circulo, e gume convexo e regular em relagSo à linha media longi-
tudinal. que se representa na fig. 4.* tem mais ou menos planas as
faces, que sào polidas apenas na parte inferior, ao passo que a superior
e topo ficaram por polir; fórma trapezoidal, sec9ao quadrangular.
O Akcheologo Portugués 3(Jt
e gume levemente convexo e obliquo em velaLq^o à linha media longi-
tudinal. O que se representa na fig. 5.* é roligo, estando muito mais
poiidas as duas faces jnnto do gume, do que no resto; secgao elliptioa
e gume convexo e um pouco obliquo em relacEo a linha media; frac-
turado no topo. — Appareceram na camara.
3. Lamina defaca: fig. 6.*, em tamanho naturai. De silex, e com
bolbo de percnssSo. Sec9lo triangular em parte d'ella, trapezoidal nou-
tra- Bordos originariamente lisos, mas um d'elles com leves falhas,
Fracturada nas extremidades — Appareceu na camara, junto da cabe-
eeira (em e).
4. Pontas de setta: figs. 7.*, 8.*, 9.* e 10.\ De silex. A da fig. 7,=^
é triangular; as outras slo trapezoidaes. Todas ellas sSo feitas de fra-
gmentos de facas. — Appareceram na camara.
rig. 7.* Fig. 8.«
Fig. a.* Fig. IO.*
5. Ceramica: Appareceram apenas fragmentos, tanto na camara,
comò na galeria. Sfto peda90S de calotes esphericas; mas nào se podem
com elles reconstituir vasos. Em todo o caso estes deviam ser do feìtio
de algumas das tigelas apparecidas noutros dolmens da Beira e e^^d^-
tentes no Museu Etimologico. Ha fragmentos mais espessos que outros.
A pasta é grosseira e apresenta duas cores: negra e vermelha, con-
forme OS fragmentos; contém muitas granula9oes de quartzo e de feld-
spatho, e a sua superficie està polvilhada de palhetas scintillantes de
mica. Um dos fragmentos de barro vermelho mostra que o respecti\ o
vaso esteve exposto ao lume. — Com estes fragmentos de ceramica
dolmenica appareceram outros muito mais modernos, e que supponho
romanos: de vasilhas e talvez de imhrices.
6. Bestos humanos: Appareceu unicamente uma esquirola de osso
hamano.
Todos estes objectos estSo agora no Museu Ethnologico Portugués,
ao qual os offereci.
so
308 Abgheologo Pobtugués
7. Ohjectos varios: Appareceram mais: seixos rolados, qne prò-
vieram certamente do ribeiro proximo; um fragmento de ferro oxr-
dado, moderno; carvSes, que talvez tambem fossem modemos (do e&-
tulho).
*
Segando informagSes que eolhi, este dolmen tinha sido, em tempos
nSo muito remotos, remexido por um padre, que porém nSo consta que
ahi encontrasse muitos objoctos. Os restos ceramicos, porém, que,
corno disse a cima, me parece serem romanos, mostram que o dolmen
soffiréra remeximentos muito mais antigos, o que està de accordo com
que sabemos de outros dolmens: cf. RdigwtB da Luaitania, i, 286-
287. So estes e por ventura outros remeximentos explicam que um
monumento de tamanhas dimensoes corno o da Cunha-Baixa contivesse
um espolio archeologico tao deminuto corno o que fica descrito.
J. L. DE V.
AoquisigOes do Museu Etimologico Portuguès
Epoca do bronze (e cobre)
O Sr. Alberto Bastos offereceu dois instrumentos cortantes e urna
lan9a, provenientes do districto de Viseu.
O Sr. Pedi-o A. de Azevedo offereceu um machado, da Beira.
O Sr. José Maria Fogaca oiFereceu um instrumento do typo d'a-
quelles que Estacio da Veiga, Antig. Mori,, iv, 203 sqq., chama esto-
ques, Cartaillac, Lea àges préhùL, p. 262, chama alfinetes, e o Conde
Beaupré, in Biillet. de la Soc. Préhist,, i, 110, chama espetos.
O Sr. Dr. Antonio Pereira de Sousa offereceu urna lan^a de bronze
e um machado do mesmo metal, provenientes do Alto-Minho.
Do Ribatejo (Escaròpim) proveiu um machado de bronze.
Eplgraphia romana
O Sr. Dr. Carlos Gairao offereceu urna lapide funeraria inedita,
provinda da Ericeira.
Por intermedio do mesmo Sr. adquiriu o Museu a lapide a que se
refere o Corp. Inscr. Lai,, il, 5223, de ^Ze&a, filha de Arcoiti).
Por intermedio do Sr. Capitào Brito Gorjao e do Sr. Dr. Carlos
Gairao obteve o Museu uma lapide de Mafra (inscrip9ao inedita).
Pela AdminÌ8tra$ao das minas de Aljustrel foi offerecida uma la-
pide là encontrada.
O Archeologo Pobtuqués 309
Das ruinas da antiga Myrtilìs proveio urna lapide com inscrip^ào
inedita.
A Ex."** Sr.* D. Ilaria das Neves de Figaeiredo oflfereceu urna la-
pide com inscrìp^So inedita, de Santarem.
O Sr. Frauciseo de Tavares offereceu urna Arala consagrada a Jup-
pìter (inscrìpgao inedita), proveniente da Beira.
O Sr. Engenheiro José de Matos Gìd oiFereceu urna ara consagrada
a urna densa lusitana (inscripgXo inedita), proveniente da Beira.
O Sr. Diogo Aagosto de Lemos offereceu ama ara consagrada a
Juppiter (inscripgao inedita).
Por interferencia dos Srs. Conselheiro Campos Henrìqnes e Dr. Car-
los Corte Real veio a ara dos Lares Cerenaeci, do Marco de Cana-
veses: Corp. Inscr. LcU., li, 2384.
Da mesma regilo veio, por interferencia do Sr. Conde de Ariz,
a ara de Juppiter de que se fala no Corp. Inscr. LaL, u, 5557.
Por intermedio do Sr. Dr. Antonio de Pinho veio para o Museu
urna lapide funeraria com esculturas e ama inscripgUo inedita: provém
do Alto-Minho.
Do concelho de Bailto, por intermedio do Rev. Abbade aposentado
de Prende, veio uma lapide que contém um fragmento de inscrip9So
funeraria inedita e a figura do suàstica.
O Sr. Dr. Heurìque Botelbo offerecea duas lapides funerarias do
districto de Villa Real (ineditas).
Por intermedio do Sr. Conselheiro Antonio de Azevedo Castello
Branco veio o marco miliario de Tris-os-Montes descrito por mim
n-O Arch. Poì't., i, 323, segando uma carta do Sr. Joaquim de Cas-
tro Lopo.
O Rev. Ifanoel Soai*es da Silva offereceu 26 lapides da Beira, quasi
todas l^m inscrip^oes ineditas.
Do Alto-Minho proveio uma lapide funeraria com inscrip9ào.
O Sr. Jòao dos Reis Leitao Harrocos offereceu tres lapides da Beira
com inscrip95es ineditas.
O Sr. Joaqalm Franco offereceu duas lapides da Beira, que esfa-
vam na sua quinta da Espadaneira.
Epoeas dlrersas
O Sr. Celestino Be^a offereceu ama fibula de bronzo, que o mesmo
Sr. descreveri proximamente no Archeologo.
O Sr. Dr. Francisco Cordovil de Barahona offereceu um machado
de pedra.
310 O Archeologo Pobtugués
O Sr. P.* Lino Francisco Dias Po^as offereceu, por intermedio do
Sr. Conego-Frior José Bernardo de lloraes Calado, um pergamìnbo
do sec. XII, em latim, com notagSo musical.
O Sr. Dr. Alberto de Brito Lima, dos Arcos de Valdevez, offereceu
urna collecgao de armas, utensilios e instrumentos musicos dos indi-
genas do Ibo (Africa Orientai).
É cheio de 8atisfa9So que cito todas- estas dadivas (e muitas mais
terei de citar em fascicalos subseqnentes), porque, se por um lado enri-
quecem o Museu, por outro mostram que temos no nosso pais pessoas
illustradas e intelligentes que comprehendem perfeìtamente a signi*
fica9ao de urna institui^So corno o Museu Etimologico Portuguès, des-
tinada a contribuir para o estudo e conhecimento da Ustoria nacional.
J. L. deV.
Notiolas y&rias
LelUo monetario
Os leiWes de moedas e medalhas, promovidos por peritos da es-
pecialidade, na maior parte negociantes, estào na ordem do dì& em
FrauQa, na Belgica, na Allemanha e sobretudo na HoUanda. Em Por^
tugal alguns bouve em Lisboa, com largos intervallos annuaes. So de-
pois de 1899 OS bouve regularmente, um em cada anno, excepto no
actual em que se effectuaram dois. O segundo, de que yamos dar no*
ticia summaria, te ve por objecto o ramo mais complexo da numaria
portuguesa.
O folheto que annunciou o Icilio intitula-se Catalogo de urna impor-
tante coUecgào de moedas indo-portuguesaa, organizadapor um amador em
diversas localidades da India Portuguesa. 16 pags., in-8.** Lisboa, 1904.
A coUecjao comprehendia 255 moedas de curo, prata, cobre e ca-
laim, cunhadas em Goa e Diu desde o reinado de D. JoSo III até
a actualidade. Foi leiloada em 28 de Agosto na Casa Liqttidadora,
Avenida da Liberdade, n.®' 93 a 113.
Na licitaQSo as moedas obtiveram pre90s altos, j>rìncìpalmente as
de euro, que eram 29. Este successo provou que a antiga moeda da
colonia portuguesa no Oriente està em evidencia, vencida a indifferenza
que seu fabrico irregular e outras causas apparentemente deprecia-
doras inspiravam ainda ha 3 annos, aos numismatas, indifferenza mal
cabida, por quanto certas moedas de series continentaes portngoesas,
O Archeologo Pobtuguès 311
semelhantemente barbaras nos reinados de D. JoSo IV, D. Afooso VI
e D. Fedro II, nào deixam de ser procuradas por elles com empenlio.
Finalmente comprehenderam que a belleza artistica de typos mone*
tarios nao é a unica norma reguladora da-apreciagào scientifica, conio
tem sido a melkor determinante do valor estimativo.
Os prìncipaes licitantes foram os Srs. Dr. José Antonio de Azevedo
Borralho, de Benavente, JoSo Carlos da Silva, de Angra do Heroismo,
Dr. Francisco Cordovil de Barabona, de Portalegre, e Henry Grogan,
de Londres.
Lisboa, Outubro de 1904.
Manoel Joàquim de Campos.
Onomastioo medieval portu^és
(ContInaii92o. Vid. o Areh, Pori., ix, 2%)
Coobaes, geogr., 1258. Inq. 656, 1.* ci.
Coodesalibus, geogr., 1258. Inq. 638, 1.* cL
Cooes, app. h., sec. XV. S. 346.
Coombaes, geogr., 1258. Inq. 655, 2.**^ ci.
Coon, villa, 1258. Inq. 531, 1.* ci.
Cooso, g^gr., 1258. Inq. 688, 1.* ci.
Coovreiras, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci. — Id. 652.
Copeiro, app. b., sec. xv. S. 361.
Copes, n. h. (?), 1258. Inq. 399, 2.* ci.
Cophìuo, geog., 1078. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 338, 2.* et.
Copitu, n. h., 936. Dipi. 25, n.*» 41.
Corago (S.^* Caliimba de), geogr., 1220. Inq. 123, 1.* ci.
Coraoiila, app. b., 1258. Inq. 328, 1.^ ci.
Coraxes, villa, 1088. Doc. ap. sec. xvin. DipK 426.
Coraxia, n. m., 954. Doc. most. LorvSo. Dipi. 39.
Coraxii, app. h., 1258. Inq. 540, 1.* ci.
Copbiti ou Corviti (S.'* Maria de), geogr., 1258. Inq. 717.
Copceiro, app. h., 1258. Inq. 374, 1.* ci.
Corcoaa, app. b., 1272. For. de Azambuja. Leg. 727.
Cordeipus, app. b., 1258. Inq. 319, 2.* ci.— Id. 46.
Copdiniana (CordinbS), villa, 952. Doc. most. LorvSo. Dipi, 37, n.*^ 65.
Copdosa, geogr., 1258. Inq. 365, 1.* ci.
Gopdoaa (monte), geogr., 1048. Doc. most. Pendorada. DipL 223> —
Id. 471.
Copdoues, geogr. (?), 1013 (?). Dipi. 135, n.* 222.
312 O Abcheologo Postugués
Coreesma, app. m., sec. xv. S. 209. — Id. 349.
Coregal, geogr. (?), 1258. Inq. 647, 1.* ci.
Coregas, geogr., 1258. Inq. 581, 2.* ci.
Coregos, geogr., 1258. Inq. 699, 2.* ci,
Coreiclììs, app. h., 1258. Inq. 594, 2.* ci.
Coreixe, geogr., 1258. Inq. 540, 1.* d.
Coreixis, geogr., 1258. Inq. 590, 2.* ci.
Coreixo, casal, 1258. Inq. 366, 2.» ci.
Corexis, app. h., 1258. Inq. 581, 2.* ci.— Id. 610.
Corlìovache, app. h., sec. xv. S. 151.
Coria, geogr., sec. xiii. Chr. Goth. S. 9.
Corinas, geogr., 1258. Inq. 362, 1.* d.
Coriscada, geogr., 1258. Inq. 588, 1.* ci.
Connda, geogr., sec. xv. S. 373.
Cornadelo, geogr., 1099. L. B. Ferr. Dipi. 535.— Id. 536.
(tornado, villa, 1008. Doc. most. Moreira. Dipi. 121. — Id. 136.
Cornagaa, g^ogr., 1142. For. de Leiria. Leg. 377.
Cornagaiam, geogr., 1142. For. de Leiria. Leg. 377.
Cornarla, villa, 1027. Doc. most. da Gra^a. Dipi. 162. — Inq. 687.
Cornata, villa, 1046. L. Preto. Dipi. 214.
Coraeiro, app. h., 1258. Inq. 400, 1.* ci.— Id. 536.
Cornei, app. h., sec. xv. S. 206. — Id. 302.
Cornelaa (S. Thoma de), geogr., 1220. Inq. 192, 2.* ci.
Corneliaa (S. Thoma de), geogr., 1220. Inq. 47, 1.* d.
Cornelianam, villa, 915. Doc. ap. sec. xiv. Dipi. 12. — Id. 13 e 269.
Cornelio ou Camello, app. h., 1220. Inq. 30, 1.* ci.
Cornellan, geogr., sec. XV. S. 181.
Cornetelles, app. h. sec. XV. S. 158.
Cornias, villa, 1097. Doc. most. Moreira. Dipi. 503.— Inq. 350 e 365.
Cornidi, geogr., 1258. Inq. 338, 1.» ci.
Cornido (vai de), 1258. Inq. 379, 2.* ci. — Id. 712.
Coruis (S.^* Christina de), villa, 1258. Inq. 487, 1.» ci.
Corno da Salgosa, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci.
Corno doutayuo, geogr., 1258. Inq. 414, 2.* ci.
Cornosa, geogr., 1258. Inq. 701, 2.* ci.
Coruuda, geogr., 1258. Inq. 732, 1.* ci.
ComudeUa, ^eogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 262.— Leg. 589.
Corogaes, geogr., 1258. Inq. 532, 2.* d.
Corona, app. h., 1258. Inq. 458, 2.* d.
Coronato, geogr., 1258. Inq. 585, 1.* ci.
Coronel, app. h., 1220. Inq. 7.— Id. 324.— S. 155 e 268.
O Abcheologo Pobtuguès 313
Corooroz, geogr., sec. xv. S. 207.
Corotelo, app. h., 1258. Inq. 316, 2.* ci. — Id. 320.
Correa, app. h., sec. XV. S. 164.
Corredoira, geogr., 1258. Inq. 293, 2.* ci.
Corredoira de mal penado, geogr., 1258. Inq. 384, 2.' ci.
Correduira de Rooriz, g^S^'^ 1258. Inq. 699, 2.* ci.
Correga, geogr., 1258. Inq. 594, 1.* ci.
Corrego, geogr., 1258. Inq. 697, 2.» ci.— Id. 343.
Correia, app. h., 1220. Inq. 157, 2.* ci.
Correixa, geogr., 1258. Inq. 670, 2.* ci.
Correixe, geogr.. Era 1102. L. Prete. Dipi. 277.
Correxis, geogr., 1258. Inq. 593. 1." ci.
Corpogo (S.** Caliimba de), geogr., 1220. Inq. 123, 1.* ci.— Id. 434
CoriH>zino, rio, 1212. For. Canedo. Leg. 561.
Corrado, app. h., 1258. Inq. 687, 1." ci.
Corruptaria e Corrupiorlam, geogr., 1258. Inq. 736, 2.* ci.
Corrutus, app. h., 1258. Inq. 721, 1.* ci.
Cortas, geogr., 1258. Inq. 312, 2.* ci.
Cortegaca, villa, 1099. Doc. most. Pendorada. Dipi. 539, n.*» 908.
Cortegaeola, villa, 1099. Doc. most. Pendorada. Dipi. 539, n.® 908,
Coi-tegada, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci.
Cortegaua, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci.
Cortegaza, geogr., 985. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 93. — Id. 283 e
304.— Inq. 317.
Cortegazas, geogr., 1258. Inq. 349, 2.* ci.
Cortegazoo, geogr., 1258. Inq. 414, 1.* ci.
Cortelaza, villa, 1013 (?). Doc. most. Pedroso. Dipi. 134.— Id. 96.
Cortelias, geogr., 1258. Inq. 394, 2.* ci.
Cortes, app. h., 1220. Inq. 42, 2.* ci.— Id. 123.
Corthegada, villa, 922. L. Proto. Dipi. 16.
Cortial e Cortiar, geogr.. 1258. Inq. 304, 1.* ci.
Corticada, geogr., 1202. For. de Tovoadello. Leg. 524.
Cortidos (Casal dos), geogr., 1258. Inq. 382, 1.* ci.
Cortidus, n. h., 1258. Inq. 657, 2.* ci.
Cortina, geogr., 1258. Inq. 707, 2.* ci.
Cortina de manico. Vide Manico.
Cortina do estreito, geogr., 1258. Inq. 330, 2." d.
Cortina», geogr., 1258. Inq. 386, 1.* ci.— Villa. Id. 151.
CoHinaes, geogr., 1258. Inq. 381, 2.* ci.
Cortinal, geogr., 1258. Inq. 386, 2.* ci.
Cortizada, geogr., 1202. For. de Tovoadello. Leg. 524.
314 O Abciieologo Poktogués
Gortize, app. h., 1258. Inq. 559, 1.* ci. .
Gortizoo, geogi\, 1142. For. de Leiria. Leg. 377. — Id. 569.
C:ortos, geogr., 1258. Inq. 369, 1.* ci.
Coi-tumaJia, geogr. (?), 1258. Inq. 4G8, 2.* ci.
Coruchi, geogr. (?), 1258. Inq. 712, 1.* ci.
Coriido, app. h., 1258. Inq. 686, 1.* ci.
CiOrugeira e Curugeira, geogr., 1258. Inq. 421, 2.* ci.
Coruo, app. h., see. xv. S. 291.
Goi*va (Caslineiro da), *geogr., 1258. Inq. 358, 1.* ci.
Gorvaceiraj monte, 1258. Inq. 390, 2.* ci.
Corvazaì, geogr., 1258. Inq. 671, 2.'* ci.
Corvazaria, geogr., 1258. Inq. 560, 2.* ci.
Corvazeiras, geogr., 1220. Inq. 156, 2.* ci.
Corvel, app. li., sec. xv. S. 173.
Corvido (Moino de), geogr., 1258. Inq. 322, 2.* ci.
Corvini, geogr., 1258. Inq. 395, 1.* ci.
(forviti. Vide (forbiti.
Corvo (Rio do), 1258. Inq. 356, 2.* ci.
Coscoguio, n. h., 1258. Inq. 333, 1.* ci.
Coselias (Coselhas), geogr., 967. Doc. most. LorvSo, Dipi. 59. — Id.
76, 409 e 506.
Coseyro, app. h., 1258. Inq. 602, 1.* ci.
Cosilias (Coselhas), arroio, 1094. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 479.
Cosinus, app. h., 1258. Inq. 476, 1.* ci.
Cosmadi (Sancti), igreja, 1068. Dipi. 291.— Inq. 374.
Cosmado (Sancto), geogr., 1220. Inq. 66, 2.* ci.— Id. 171.
Cosmato (Sancto C. de Garfi), geogr., 1220. Inq. 172, 1.* ci.
Coso, app. h., 1258. Inq. 601, 2.* ci.
Cosoirado, monte, 1064. Dipi. 276, n.° 443.
Cosoirato, monte, 1092. Doc. most. Moreira. Dipi. 468.
Cosorio, geogr., 1258. Inq. 561, 2.* ci.
Cossoirado, monte, 1070. Dipi. 302, n.*» 488.— Inq. 129.
C^ossoirados, g^ogr., 1258. Inq. 219, 2.* ci.
Costa, mosteiro, 1220. Inq. 14, 2..* cl.-^Id. 541.
Costai, geogr. (?), 1258. Inq, 331, 1.* cL— App. h., 1258. Inq. 332,
2.* ci.
Costa Maa, geogr., 1258. Inq. 307, 1.* ci.
Costanza, n. m., sec. xv. S. 204 e 210..
Costantini, geogr., 1220. Inq. 42, 1.* ci.— Id. 125 e 239.
Costem (S. Pedro dej, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.*,
p. 2.% C. 63.
O Archeologo Poktugué» 315
Costodias. Vide Castodias.
Ckistoyas (S. Jacobo de), geogr., 1258. Inq. 486, 1.* ci.
Ckistoioos, geogr., 1220. Inq. 155, 2.* ci.— Id. 64, 2.* ci.
Cola, app. h., 1220. Inq. 89, 1.* d.— Id. 308.— Dipi. 99.
Cotaes, geogr., 1258. Inq. 338, 2.* ci.
dotai, monte, 1085. Doc. most. Moreira. Dipi. 381.
Cotaues, geogr., 1078. Doc. most. Moreira. Dipi. 340.
Coteife, app. h., 1258. Inq. 387, 1.* ci.— Id. 88.
Coteifes (Casal dos), geogr., 1258. Inq. 411, 1.* ci.
Coteiffe, app. h., 1258. Inq. 312, 2.* ci.
Coteline, n. n. (?), 1258. Inq. 584, 2.* ci.
Cotemizi^ app. li., 926. L. D. Mum. Dipi. 20.
Cotes, villa, 1056. Doc. most. Pendorada. Dipi. 243, n.*^ 398.
Coti (Bonza), geogr., 1258. Inq. 334, 1.^ ci.
€otiei-es, app. h., 1100. Dipi. 548, n." 926.
Cotierre, n. h., 1060. Dipi. 267, n.«> 425.
Cotim, geogr. (?), Inq. 561, 2.'' ci.
Cotiuiz, app. h., 1060. Dipi. 267, n.« 425.
Cotino, n. h., 1055. L. Prete. Dipi. 241.
Cote, n. m., 1055. Doc. most. Pedroso. Dipi. 241, n.® 394. — Inq. 706.
Ceto d Arniir, geogr., 1258. Inq. 379, 2.* ci.
Ceto da Vigia, geogr., 1258. Inq. 385, 1.* ci.
Cotono. Vide Pinoy.
Cotobfo, app. h., 1258. Inq. 352, 1.^ ci.
Cotrim, app. h., sec. xv. F. Lopez. Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 159.
Cotuma, n. h., 933. Doc. most. Lorvao. Dipi. 23.
Cotamiz, app. h., 933. Doc. most. LorvSo. Dipi. 23.
Cotavìlar, geogr., 1258. Inq. 575, 1.* ci.
Coiias, villa, 1162. For. de Covas. Leg. 387.— Dipi. 258.
Couas de monte, villa, 1096. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 494.
Couas de rio, geogr., 1096. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 494»
Coucieiro, geogr., 1220. Inq. 20, 2.« ci.— Id. 222.
Couellana, villa, 1186. For. de Covilha. Leg. 456.
Couellas de palacio, villa, 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32. — Id. 231.
Couellinas, villa, 1195. For. Covellinas. Leg. 493.
CoueUo, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 51, 1. 4.— Id. 300.
Conelo, geogr., 1042. L. B. Ferr. Dipi. 196.
Couelos, geogr., 1151. For. de Lousà. Leg. 377.
Coupel (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 114, 2.* ci.
Gourovees, geogr., 1258. Inq. 435, 1.* ci.
Cousa-md, app. h., sec. xv^ S. 163. — Id» 323.
316 O Archeologo Pobtugués
Couso ou Causo, casal, 1220. Inq. 143, 1.* ci.— Id. 380.
Cousos, monte, 1224. For. de Mar9a. Leg. 600.
Cousso, geogr., 1258. Inq. 538, 2.* ci.— Id. 640.
Couteitto, geogr., 1258. Inq. 641, 2.* ci.
Coatinho, app. h., sec. XV. S. 225.
Couzi (Valle de), geogr., 1258. Inq. 649, 2.* ci.
Covardus, app. h., 1258, Inq. 303, 1.* ci.
Covas, geogr., 1258. Inq. 563, 2.* ci.
Cova valline, geogr., 1258. Inq. 492, 1.* ci.
Covazas (Casal de), geogr., 1258. Inq. 365, 1.* ci.
Covedelo, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci.
Covelas e Covela, geogr., 1258. Inq. 484, 1.* ci.— Id. 511
Coveliaa, app. h., 1220. Inq. 74, 2.* ci.— Id. 167.
Covelias, geogr., 1220. Inq. 41, 1.* ci.— Id. 122.
Coveliuo, geogr., Inq.?
Coveloos ou Coviloos, geogr., 1258. Inq. 585, 1.* e 2.* ci.
CovUana, geogr., 1258. Inq. 630, 2.* ci.
Covilania, geogr., 1258. Inq. 628, 1.* ci.
CovUianus, app. h., 1220. Inq. 167, 2.* ci.
Coviloo, geogr., 1258. Inq. 527, 2.* ci.— Ribeiro, 1258. Inq. 529.
Coviloos. Vide Coveloos.
Covoni, geogr., 1258. Inq. 397, 1.* ci.
Coyaos (mosteiro de), sec. xv. S. 316.
Coyna, app. h., 1258. Inq. 715, 2.* ci.
Coynlia, app. h., sec. XV. S. 222.
Coyra, geogr., 1258. Inq. 357, 2.* ol.
Coznido, villa, 1258. Inq. 569, 1.* ci.— Id. 581.
Cozom, app. h., 1258. Inq. 552, 2.* ci.
Coztize, app. m., 1258. Inq. 561, 1.* ci.
Craquim, geogr., sec. XV. S. 278.
Crara, n. m., sec. XV. S. 202.— Id. 298.
Crasclìo Ayras, geogr., 1258. Inq. 411, 2.* ci.
Craschouseuda, geogr., 1258. Inq. 418, 1.* ci.
Crascogno, n. h-, 1258. Inq. 365, 1.* d.
Crasconho, n. h. sec. xv. S. 224.
Crasiadìnos. Vide Sewa de.
Crasialroia ou Crastra Iroia, geogr. 1220. Inq. 37, 1.* e 2.* ci.
Crastelino, geogr., 1258. Inq. 417, 2.* d.
Crastelos (S. Andree de), igreja, 1258. Inq. 542, 1.* ci.
Crastimiro ou Crestirairo, n. h. 1220. Inq. 161, 1.* ci.
Crastina, n. m., 1008. L. Proto. Dipi. 125, n.*» 204.
O Abcheologo Portcgués 317
Crasto^ app. h. sec. xv. S. passim.
Crasto d nsso, geogr., 1258. Inq. 340, 1.* ci.
Crasto Forniigoso, geog., 1220. Inq. 49, 1.* ci.
Crastomo ou Trasconho (Penha de), geogr., sec. xv. S. 158.
Crasto Tarale, geogr., sec. xv. S. 201.
Gravo, app. h., sec. xv. S. 178.
Crebratas saverose, geogr., 1258. Inq. 564, 2.* ci.
Credendo, n. h., 973. Doc. most. LorvSo. Dipi. 67. — Id. 69.
Creiana, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262, 1. 42.
Creisedo, n. h., 1023. L. Preto. Dipi. 157.
Creisemìri e Crescemiri, villa, 1063. Dipi. 273.
Creixelo, geogr., 1258. Inq. 359, 2.* ci.
Creixemil ou Ci'exeniir, geogr., 1220. Inq. 12, 2.* ci.
Creixemiro, n. h., 957. L. Prete. Dipi. 44.
Creixlmir (S. Michael de), geogr., 1220. Inq. 84, 2.* d.
Creixino (Casal de), geogr., 1258. Inq. 421, 2.» ci.
Creixitas, n. h., 1012. Doc. most. LorvJo. Dipi. 133.
Crementina, n. h. (?), 976. Doc. most. da Gra9a. Dipi. 75. — Id. 94. —
Villa, 1099. Doc. most. Pendorada. Dipi. 539, n." 908.
Creosa, n. h. (?), 1043., L. Preto. Dipi. 199, n.^ 325.
Crepecido ou Terpecido, geogr., 1220. Inq. 13, 1.* e 2.* ci.
Crescemiri. Vide Creisemìri.
Crescente, n. h., 1018. L. Preto. Dipi. 148. — Id. 145.
Crescenti, n. h., 937. Doc. most. LorvSo. Dipi. 27, n.® 44.
Crescentins, n. h., 950. Doc. most. LorvXo. Dipi. 36. — Id. 145.
Cresciduru, n. h., 937. Dipi. 26, n.M3.
Cresciniiris, villa, 1094. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 480, n.« 809.
Cresconi, villa, 1083. Doc. most. Pendorada. Dipi. 368.
Creseoniei ou Creseonizi, app. h., 1094. Dipi. 484.
Cresconius, n. h., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9.
Crescouiz, app. h., 978. Doc. most. Moreira. Dipi. 77.
Cresimiri, geogr., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138.
Cresno, n. h., 1100. Dipi. 564.
Cresonio, n. h., 1018. Tombe S. S. Junqueira. Dipi. 146.
Crespo (Campo), geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci. — App. h., 1258.
Inq. 690.
Crespos (S.** Eulalia de), geogr., 1220. Inq. 257, 1.* ci.
Crestello, geogr., sec. xv. S. 385.
Crestìlli, n. m., 1067. Doc. most. Pendorada. Dipi. 287.
Crestimir, geogr., 1064. Dipi. 276, 1. 5.
Crestlmìro. Vide Crastimiro.
318 O Archeologo Poetugtjés
Ci*estoua], villa, 1066. Doc. most. Pendorada, Dipi. 283.
Ci*estoualaiies, g^ogr., 1077. Doc. most. Pedroso. Dipi. 334.
Crestoaalo, n. h., 1010. L. Preto. Dipi. 131, n.*» 215.
Gresiouulo (sancto), villa, 1092. Doc. most. VairSo. Dipi. 458-
Greusa, n. m., 984. Dee. most. Moreìra. Dipi. 89. — Id. 100.
Crexemir. Vide Greixeniil.
Grexemirls, geogr., 973. Doc. most. LorvSo. Dipi. 67.
Greximip, villa, 1058. L. D. Mum. Dipi. 249.— Id. 12.
Grexìmiri ou Grexamii-, geogr., 959. L. D. Mum. Dipi. 45.
Greysimir, villa, 1043. L. D. Mum. Dipi. 199.
Greyximil, geogr., 1258. Inq. 700, 1.* ci.
Griadoiro, geogr., 972. Doc. most. S.Vicente. Dipi. 66, ultima I.
Griatorios, geogr., 972. Doc. most. S.Vicente. Dipi. 67.
Griaz, geogr., 1220. Inq. 116, 2.* ci.
Grinis, rio, 974. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 72. — Id. 92.
Grisconios, bispo, 1087. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 411.
Griseoniiiz, app. h., 1087. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 415.
Grisostimo (Sam), 1453. Azurara, Chr. da Guiné, p. 42.
Grispo, app. h., 1220. Inq. 335, 2.* ci.
Gristeiro, geogr., 1258. Inq. 734, 1.» ci.
Gristina (Sancta), geogr., 1059. Doc. most. Pendorada. Dipi. 256,
n.M16.— Id. 10, n.*» 15.
Gristìnha, n. m., sec. xv. S. 352.
Gristobali, villa, 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304.
Gristoaaliz^ app. h., 994. Doc. most. Moreira. Dipi. 166.
Gristoualo, n. h., 964. Dipi. 54, n.« 86.
GriiUfiz, app. h., 1012. Doc. most. da Graga. Dipi. 134.
Gi-oea, app. h., 1258. Inq. 595, 1.* ci.
Gpoio (Sancto) de Regalados, geogr., 1220. Inq. 23, 1.* ci.— Id. 180.
Gi*ooroz, geogr., sec. xv. S. 302.
Groscogiios, casal, 1258. Inq. 391, 1.* ci.
Grouvi (Heremita Sancti), geogr., 1258. Inq. 628, 1.* ci.
Groyo (Sancto), casal, 1258. Inq. 329, 2.* ci.
Grux, geogr., 1258. Inq. 679, 2.* ci.— Id. 526.
Gruz da Queigiada, geogr., 1258. Inq. 399.
Gmziladis, geogr., 1258. Inq. 646, 1.* ci.
Gubaliom, app. b., 1258. Inq. 369, 1.* ci.
Gubi (S.** Marina de), geogr., 1220. Inq. 97, 2.* ci.
Gubidi (S.** Marina de), geogr., 1220. Inq. 22, 2.* ci.— Id. 420.
Gucaiz, app. h., 1258. Inq. .409, 1.» ci.
Gucana, geogr., 1258. Inq. 667, 1.* ci.
O Archeologo Poktuguès 319
Cuco, app. h., 1258. Inq. 396, 2.* ci.
(^acuiaeiis, geogr., sec. xv. S. 143.
Cucafati (sancti), igreja, 943. Doc. most. LorvSo. Dipi. 30. — Id. 54,
Cacuuati (sancti), igreja, Era 1102. L. Preto. Dipi. 277.
CacQvelos, geogr., 1072.Tombo S. S. Junqueira. Dipi. 311.
Cugaludo (Casal do), geogr., 1258. Inq. 360, 2.* ci.
fluia, geogr. (?j, 1220, Inq. 34, 1.* e 2.* ci.
f^uina, geogr., 1083. Doc. most. Pendorada. Dipi. 372. — Inq. 535.
Cuinha, app. h., sec. xv. S. 184.
Cajaaes (mosteiro de), sec. xv. S. 363.
Cukeiro, geogr., 1097. Doc. most. Pendorada. Dipi. 501.
Cuìdam, app. h., (?), 1258. Inq. 535, 2.* d.
CuUna, geogr., 911. Doc. ap. Acad. R. Selene. Dipi. 12, 1. 12.
Caliiella, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, nlt. 1.
Culuchi (Coniche), villa, 1182. For. de Coniche. Leg. 426,
Cumaria, villa, 1017. Tombe S. S. J. Dipi. 144.
Cnnidemari, monte, 1070. Doc. most. Moreira. Dipi. 305.
Cumdesalbo, n. h., 1060. Dipi. 267, n.^ 425.
Cttmdilo, n. m., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57, n.® 90.
Cnmdubrida, n. h., 921. Dipi. 15, n."" 24.
Cumenaria de vulpeleiras, geogr., 1258. Inq. 642, 2.^ ci.
Camgusta ou Cuiigustn, villa, 1100. Doc. most. Aroiica. Dipi. 546.
Cumiaes, geogr., 1258. Inq. 540, 1.* ci.
Camice, n. h., 1070. Doc. most. Moreira. Dipi. 305.
Cundemiro, n. h., 980. Doc. most. Lorvfto. Dipi. 80.
Cttiihaens ou Trmihaeus, geogr., sec. XV. S. 143.
Cuoia, app. h., Leg. 347.
Cttiiquel (Casal), geogr., 1258. Inq. 395, 1.* ci.
Cunzaluo, n. h., 1096. Dipi. 195.
Cuiizalua, n. h., 1100. Dipi. 548, n.*> 926.
Cupiera, app. m. sec. xv. S. 183.
f^uquvelus, villa, 1258. Inq. 535, 2.^ ci.
<:ureeIo, geogr., 1258. Inq. 536, 1.* ci.
Curial, fonte, 1258. Inq. 362, 1.* ci.
CaroteUo, geogr., sec. xv. S. 334.
Carracus, app. h., 1258. Inq. 706, 1.* ci.
Carraes, geogr., 1258. Inq. 395, 1.* ci.
I^arrales, geogr., 1086. Tombe de D. Maior Martinz. Dipi. 394.
Curralibos, geogr., 1258. Inq. 733, 1.' ci.
Curredayra, geogr., 1258. Inq. 701, 2.* ci.
<:urre]o, geogr., 1258. Inq. 406, 1.* eh
320 O Archeologo Pobtugués
Currelos, geogr., 1220. Inq. 76, 2.* ci.
Curro de mauros, g^ogr.j 1018. Dipi. 148, l. 4.
Corros, geogr., 1258. Inq. 317, 2.* d.
Currutus, app. h., 1258. Inq. 699, 2.* ci.
Cartaxo, app. h., 1258. Inq. 350, 1.' ci.
Curueira, geogr., 1071. Dipi. 308.
Curueirus, villa, 1084. L. B. Ferr. Dipi. 377.— Id. 414.
CurueUa (Monte petra), 1041. L. Preto. Dipi. 194.
Curugeira. Vide Corageira.
Curageiro, casal, 1258. Inq. 640, 1.* ci.
Caragera, geogr., 1258. Inq. 634, 1.* ci.
Curugios, geogr., 1085. Doc. most. Arouca. Dipi. 388.
Curambias, n. m., sec. xv. S. 167.
Curutam de Passou.Vidè Passon.
Curutela, app. m., sec. 2LV. S. 302.
Caratello, app. h., sec. xv. S. 179.
Curatelo, geogr., 1220. Inq. 129, 1.* d.— S. 226.
Curvarla (S. Pelagio de), geogr., 1258. Inq. 585, 2.* ci.
Cui*\'eira (S.Vicente de), igreja, 1258. Inq. 583, 1.* ci.
Curvela (Petra), geogr., 1258. Inq. 484, 1.* ci.
Cur\ete ou Curviti (S.** Maria de), geogr., 1220. Inq. 171, 2.* ci.
Curvo, app. h., 1258. Inq. 401, 2.* ci.
Curvos (S. Croio de), geogr., 1220. Inq. 228, 1.* ci.— Id. 26.
Cussuiratu, monte, 1081. Doc. most. Moreira. Dipi. 358, n.° 596.
Cussuriado, monte, 1077. Doc. most. Moreira. Dipi. 330.
A. A. CORTESAO.
Neorologia
Autonlo Joaqniin Judice
Em 9 de Outubro de 1904 finou-se na Mexilhoeirinba (concelho de
Lagóa), na idade de 84 annos, Antonio Joaquim Judice, que cultivava
a archeologia corno amador, e tinha reunido em casa dìversas antigui-
dades, por exemplo, monumentos da idade da pedra e da do bronze,
moedas romanas, arabicas e portuguesas, objeetos romanos de diife-
rentes especies, etc.
Antonio Joaquim Judice era extremamente amavel e franco. Mos-
trava a collecgSo com muito prazer às pessoas que desejavani vè-la,
e às vezes até repartia com ellas do seu peculio archeologico.
O Akcheologo Pobtugùés 321
£stacio da Veiga fala d'està coIlec$ào uas Antiguidades monumen-
taes do Algarve, voi. iv, pag. 90, e na est. x publica desenhos de
Olio instrumentos metallieos e de urna placa amuietiforme de pedra
pertencentes a ella.
Ao Dr. Teixeira de AragSo me disse Antonio Joaquim Judice ter
dado bastantes objectos.
Pela parte que me teca, tambem tenho de me confessar grato & sua
generosidade, pois me offereceu a placa amuietiforme a que a cima me
referi (cfr. Rdigiòea da Luèitania, i, 166), alguns machados de bronze
algarvios, moedas arabicas de prata achadas em Aleantarilha, moedas
romanas de cobre, e sobretado um interessantissimo instrumento de
pedra, que reputo neotithico, e de que igualmente falò nas Rdigv5es,
I, 397, onde dou urna figura d'elle*. Todos estes objectos estXo agora
no Museu Ethnologico Portugués. Para a acquisiQ^o do ultimo, que
occupa no Museu legar de honra, — lego à entrada — , concorreu o
Sr. Patricio Eugenio Judice, irmSo do fallecido, e o Sr. Joa-
quim Gualdino Pires, de PortimSo, que me apresentou ao Sr. Pa-
tricio, seu particular amigo. NSo é excessivo renovar aqui a estes pres-
timosos cavalheiros os meus cordiaes agradecimentos pela bondade de
que usaram para commigo, e por haverem contrìbuido para que o Mu-
seu Etimologico Portugués se enriquecesse com um monumento corno
o qua) ainda là nSo havia nenhum.
Se. por um lado me apraz registar entre os nomes dos benemeritos
do Maseu o de Antonio Joaquim Judice, por entro lado é com profhndo
sentimento que me vejo obrigado a consignar n-O Archeologo a noticia
da sua morte, que nSo so foi dolorosa para os seus intimos, mas para
todos que o conheceram e apreciaram.
J. L. DE V.
BibliograpMa
O melo clrcoliiiite no Brnsil, — por JulioMeili. Partane. Jk
4a fiduciaria no Brasll. 1991 at^ ■•OO. Zuricli, 1903.
autor publicou ha poucos meses este volnme, que é o terceiro e ultimo
da grande obra que empreliendeu acérca do meio circnlante naquelle florescente
paia. E edi§&o de luxo, absolutamente irreprehensivel.
^ £8pero tornar-me a occupar do assunto, mas nao sei quando o podere!
fazcr. Jà conhe9o mais dois objectos portugneses semclhantes a este.
322 O Archeologo Portugués
volume foì escrito em lingoa portngaesa (com a qual o autor està muito
familiarizado), por interessar especialmente aos numismataa brasileiroa, corno
elle declara no prefacio, e nào fica em nada inferior aos doli Tolumes anterior-
mente publicados, em lingoa allemà, acérca das moedas do Brasil, quer corno
colonia portuguesa, quer comò na^fto independente«
É um volume em 4.°, com lxix page, que comprehendem : prefacio, indice,
rela^fio das leis, decretos, provisoes, portarias, avisos.e editaes que sereferem
ao assunto, e de que o publico brasileiro teve conbecimento desde 31 de Janeiro
de 1822 até 26 de Dezembro de 1900, epoca em que foi recolhida a ultima
emissao de valores fiduciarios legaes.
texto consta de 274 pags., seguidas de 192 estampas, que representam
bilbetes de administra^òes mineiras, bilhetes do Banco do Brasil e de suas
caixas filiaes nas provincias, vales e notas do tbesouro nacional, obrigaQòes
de sociedades anonymas e vales de troco de ouro. A sequencia cbro^ologica
é ali observada com desvelado rigor. £m seguida vem as emissòes illegaes de
municipalidAdes, de companhias, de particulares, de barcas, de bonds, etc.,
e finahnente, em appendice, patenteiam-se amostras de annuucios, de reclamos,
e ftinda de bilbetes de lotarias, de rifas, e de ficbas para jogos diversos, porque
estes valores de occasi&o se relacionaram com o divtlieiro, convencionalmente, ou
o representaram. £ nfio ha omissòes que prejudiqnem a importancia e o inerito
scientifico d'este trabalbo de encantadora novidade.
Apesar de ser livro especial de consulta^ està illustrado primorosamente,
em condi^es superìores a todo o elogio, e comò ainda nAo yimos em òbras
consagradas à numismatica.
As còres proprias com que se representam as notas fìduciarias dos estabele-
cimentos de credito accusam quanto sao maravilhosas as artes modemas que
se applicam ao realce da gravura. observador julga ver os proprios exem-
plares que serviram de modelos, com todas as suas bellezas oa com os estragos
que Ihes deu a circnlaQfio. Nada mais perfeito para o enlevo dos entendidos.
autor tratou o assunto com aquella competencia jà revelada nas pnblica-
95es anterìores a que a cima alludimos, e por fórma tal que a critica nada tem
que dizer contra o magnifico trabalho, emprehendido e terminado com o mais
feliz exito.
Para Portagal vìeram 24 exemplares, sendo um offerecido a Sua Majestade
El-Eei e os restantes a amigos do autor e a instituigSes scientificas, tanto pu-
blicas comò particulares.
Sabemos que muitos numismatas portugueses. .pe nào tem a honra de estar
em rela^òes com o autor, lamentam que a obra nào fosse entregue ao mercado,
e so fosse destinada especialmente para brindes, apesar de nào ignorarem que
elle mantem o proposito de mostrar, até a evidencia, que se occupa da numis-
matica pelo que ella é, pelo que vale scientificamente, e nào porque o movam
intenQòes filiadas em interesse pecuniario. Julio Meili é um verdadeiro bene-
merito da sciencia moderna.
Lisboa, Setembro de 1904.
Makoel Joaquiu de Campos.
VOLUME IX
INDICE ANALITICO
AGUIA:
A(ìhado de uma aguia napoleonica era Condeìxa : 186.
ANTA!
Vid. Archeologia prehisforica.
ANTHROPOLOGIA: 1
Restos humanos da fuma da Rqtura (Setubal): 146.
Vid. AniigìMades locaes — Algarve {Avtig. monvmentaea do Algarve)
e Grvtas.
ANTIOUIDADES LOCAES:
A) Atemtejo:
Alvito (thesouro): 199.
Elvas (inscrip^So romana) : 219.
Vianna do Alcmtejo (objectos prchi stori eos, e da epoca romana) : 271.
Vid. Mnseìis: a) Acqmat^des do Musw Etimologico PortugiteM.
U) Alf Arre :
Alcaria; Aljesur (cemiterio archaico) : 178.
Antiguidades monumentaes do Algarve : 200.
Herdade da Torre; PortimSo (necropole prehi storica ) : 173.
Mexilhoeira Grande; PortimSo (lapide romana) : 177.
Vid. Musettif: a) Acquisigdes do Mtiscìt Etimologico Porfygnès.
C) Beira:
Castello Branco (fivela) : 9.
Conimbriga (fivela): 9. ,
Cnnha Baixa; Mangualde (dolmen): 303.
Guarda (archivo da 8é) : 296.
Pedrnlha; Figueira (estagao romana): 9.
Pinhel (antiga pe^a) : 199.
Viseu (cava de Viriate) : 11.
Vid. CastrOf Mutfeus: a) Acqìn8Ìf;dea do Musm Ktlmolùgico Porht" i
gués. I
324 O Archeologo Pobtugués
D) Eiitre*Doiiro-e-Minho:
Cabreiro ; Valdevez (castro) : 214.
Dume ; Braga (in8crip92U> romana) : 101.
Gondar; Amarante (ceramica romana) : 99.
Gradè ; Valdevez (inacrip^o romana) : 74.
GuìmarSes (pergaminhos da Collegiada): 81.
Mon9So (portico romanico): IH.
Babroso e Citania: 4 e sqq.
Vianna (cartorios eonventuaes) : 182.
Vid. Castro^; Museu: a) Aequisigdea do Mnseu Ethnologieo Portv-
E) Ettremadara:
Aldeia Gallega (marinbas de sai) : 188.
Lisboa (lapide) : 16; (convento de Chellas): 65 e aqq.; (casa de Santo
Antonio): 72; (monumento no Arco do Cego): 195; (cemiterio da
Pena) : 198.
Monsanto; Torres Novas (thesouro de moedas): 300.
Santarem (mausoleus, sepulturas) : 183; (silo) : 196; (convento de Santa
Clara) : 196.
Setubal (esta^òes prehistoricaa) : 145.
Vid. Gntta»; Museus: a) Acquisirei do Museii Etimologico Poriu
ffuis.
F) Tràg«ot-Monte8i
Alfarella — Villa Pouca de Aguiar (antas) : 168.
Alij6 (machado): 167.
Banagouro — Villa Beai (vaso romano): 99.
Bragan9a (sepulturas) : 36.
BnjÒes — Villa Real (bronze, construc^òcs antigas, sepulturas mpes-
tres, pondera): 53; (instrumentos de bronze): 166 e 167.
Carrazedo do AlvSU) — Villa Pouca de Aguiar (antas): 49.
Cerapicos — Bragan9a (necropole): 35.
Mirandella (fibula): 6.
Mogadouro (fibula): 1.
Pa908 de Lomba — Vinbacs (sepulturas) : 36.
Parada de Monteiros — Villa Pouca de Aguiar (povoa9Ìo antiga, cai*
9ada): 58.
PellOes — Villa Pouca de Aguiar (antas): 167.
S. Miguel das Trcs-Minas — Villa Pouca de Aguiar (lapidea romanas,
architectura gotica, moedas, tumulo): 55 e 56; (ant&s): 168.
Torgueda— Villa Pouca de Aguiar (pulseira de euro): 169.
Vereia de Jalles — Villa Pouca de Aguiar (antas) : 168.
Villa Pouca — Villa Pouca de Aguiar (vestigios, tegulas, mós, lima-
Iha): 54.
Vid. Castro», Grufas.
G) India:
Dia (museu) : 23.
Vid. mas.
O Archeologo Portugués 325
ARCHEOLOGIA;
I. — Por ordem chronologica
A) Naeional:
Prehistorica :
Antas no concelho de Villa Pouca de Aguiar : 4U, l tìT.
E8ta9oeB prehistorica» dos arredores de Setubal: 14r>.
Necropole prehistorica da Torre (Algarve) : 173.
Machados de pedra deVianna do Alemtejo: 271,
Archeologia prehistorica da Beira : à03.
Vid. Museus: a) Acqumfoes do Musm EthnUfigh** Portugn^fi^
Grutas e Soeiedades archeologica^ .
Protohistorioa:
Vid. Fibulas, Rninaa e especies occorrentes.
Lasitano-romana :
Fibula romana: 1.
Pesos de barro : 53.
Antiguidades romanas deVianna do Alemtejo: 280.
Cerni terio da epoca romana : 282.
Vid. Museus: a) Acqvisiqòes do Mnseu Eiìinùìn<fhfi Porfttffnhj
Minaa, Epigraphia, Soeiedades archeologictitt e eaptci^.^'5 oc-
correntes.
Medieval:
Arabica: Vid. Necrologia e Soeiedades archeoì^iem.
Vid. Museus: a) Acquiài^s do Museu Ethnohgiro PortngttfSf
Architectura, Sepultura, Epigraphia, Casteìi*»^ hidtmientarìaf
Moòiliarioj Ceramica.
De epocas indeterminadas :
Necropole: 35.
Fornilho : 36.
Vid. Museus: a) Acqtiisiqòes do Museu Ethnolngicfì Portugith,
Ruinas. •
II. — l*or ordem geograplìioa
Vid. Antiguidades ìocaes.
B) Estrangr^ira:
Castro de Riotorto, na Galliza : 9.
Vid. Numismatica e Proiecgào à archeologia.
326 O Archeologo Portugdés
ARCHITECTURA:
Tgreja gotica (Villa Poaca de Àguiar): 57.
Precau^òes em con8truc95e8 do sec. xvii : 69.
Despesas em obras do convento de Cliellas : 65.
Po^o antigo em Chellas : 72.
Portico romanico : 111.
Monumento restaurado : 195.
Castello de Pinhel : 199.
Vid. Fedra, ConventOy Vianna do Aìemtejo, Exlrartoi e Sociedades
archeolofficas.
ARTE:
A) Induttrìal:
Vid. especies occorrentca, comò Tndummiaria, Mobiìiario, Tanoa-
ria, etc.
R) Militar:
Utcnsilios yarios : 68.
Vid. ArchUtctìira.
C) NataI:
Venda de um batel : 189.
Apetrechos varios : 68.
ARTILHARIA:
Pe^a antiga de artilharia : 199.
AUTORES:
Vid. Nomee.
RIRLIOGRAPHIA:
Catalogo do Museu Archeologico de Evora, por A. F. Barata : 43, 258.
Boletim da Sociedade Archeologica Santos Rocha: 142.
O meio circulante no Brasil: 321.
Vid. Necrothgiaf Antiguidades moìiumentaes do Algarvt.
BIOGRAPHIAS:
Vid. Necrologia,
RRASIL:
Cunhagem da Casa da Moeda da Bahia: 165.
As pretensoes monetarias de Villa Boa de Goyaz : 259.
O Archeologo Portugués 327
BRONZE:
Instroinentos e atensilios : 166 e 167.
Bracelete : 181.
Acus: 294.
Vid. Fibulas, Necrologia, Musetts: a) Acquisi^des do Museu Ethno-
logico Portugués, Sociedadea archeologica».
CARTORIOS:
Vid. Manuscrito8.
CASTELLO:
De Agiiiar— Villa Pouca: 55.
De Cidadelha— Villa Pouca: 55.
De Rebordechào—Villa Pouca: 55.
De Soutello de Matos— Villa Pouca: 55.
De Jalles— Villa Pouca: 55.
DePinhel: 169.
CASTRO:
De Sabroso: 9.
De Briteiros: 9
De Mouros (Villar de Mouros): 9
De Monte Redondo (Miubo): 9.
De Prejai (Mogadouro): 9.
De Rio Torto ( Valpassos): 9.
De Azere (Valdevez): 9.
De Cocolha (Vimioso): 9.
De S. Jusenda (Mirandella): 9.
£in Cerapicos (Bragan^a): 35.
Em Grade (Valdevez): 74.
Da Rotura (Setubal): 145.
Das Necessidades— Cabreiro (Valdevez): 215.
Vid. Ruinas,
CATALOGOS:
Vid. Bibliographia, Manuscritos,
CAVA DE YIRIATO:
Estudos acerca d'ella: 11.
CERAMICA:
Vasos romanos de Villa Real a Amarante : 99 e 100.
Ceramica de um cemiterio : 181.
Amphora de Viamia do Alemtejo : 278.
Vasilba do seculo xiv; 301.
Prehistorica : 307.
Vid. Museus: a) Ac^isigoea do Mtueu Ethfiologico Portugués.
328 O Archeologo Portugués
CONGBESSOS:
Congresso interuacional de Numismatica: 41.
CONVENTOS:
Sai para o de Alcoba9a: 189.
do Santa Clara em Sautarem : 196.
Vid. Manuscritos.
DIPLOMATICA:
Documentos encontrados em S. Roque (Lisboa): 21.
Vid. Extractos, Manvscriios.
EPIGRAPHIA:
A) LagiUnoromaiiA:
Noticia de lapidea : 55.
Lapide dos subarbios de Olisipo : 59.
Urna primicia de epigraphia funeraria: 74.
Epigraphia romana de Braga: 101.
Lapide romana do Algarve : 177 e 180.
Fragmento de uma inscrip^ào romana em Elvas : 219.
Inscrip95es de Vianna do Alemtejo : 276, 280, 287 e 288.
Vid. Bihliograpkia, Museus: a) Acquisitoci do Museu Ethnoloffico
Portugués.
B) MedieTAl:
Duas inscrip9des numa igreja: 56.
C) Moderna:
Portuguesa : 16, 23, 36 e 196.
D) Indeteriuinada:
Noticia de uma inscrip^ao : 57.
ESFRA6ISTICA:
Sellos da Companhia de Jesus : 20.
ESTATUABIA:
Vid. Ftbulas,
ETMN06RAPHIA:
Collec^slo ethnographica da Academia Beai das Sciencias : 101.
Nota sobre a operarlo de deitar a peneira : 143.
Considera9des ethnographicas acérca da Fuma da Rotura.
Ex-votos na Senhora de Aires : 274.
Vid. Fonte^ Sodedadea archtologioas.
O Archeologo Portugués 329
ETIMOLOGI AS:
Vid. Top(/nimia, Onomastico.
EXTRACTOS:
A) Do ArehiTo Naelonal:
Urna marinha de sai em Aldcia Gallega, 1394: ISB.
Venda de urna arraia oa batel : 189.
Despcsas na$ obras do convento de Chellas e compra de varìos tecìdos^
no seculo xiii : 65.
Objectos mencionados num testamento do sec. xin e xiv : 67.
Lista dos objectos de madeira entregues ao almoxartfe de Lit^boa,
1257: 68.
P090 em Chellas construido por um mouro forro, ìBBS : 12.
Construc^ao do portai da casa de Santo Antonio c;in Lii^boa, 154^ : 7i^.
Mollinier, gravador SUÌ90, 1775: 73.
Obras no Archivo Nacional em 1833 : 73.
DocumentoB comprovativos referentes à moeda de 4 cnuados dti Iti 42 :
109.
Parecer dos ourives sobre a altera9&o da moeda no tempo da regeiKìia
de Affonso VI : 153.
Testamento de Rui de Sousa, filho de Rai Borgeiì di^ SouBa, akaidc-
mor de Santarem, 1485 : 190.
Despacho na alfandega de Ormuz da seda que Xà Abbas^ rei da Persia,
mandou ao de Portugal, 1613 : 193.
B) De obras:
Do RelcUorio sabre as obras de ootiservagào da Cava de Viriato: 13*
Dos Elemenios para a tìistoria do Municipio (Lisboa): 18.
De outras obras : 183, 198 e 199.
Dos Portugcdiae Monumenta Historica: 219.
Da Dioceae e districto da Guarda : 296.
C) De perlodicoB :
Portugneses :
Gazeta de Lisboa: 187.
Diario de Noticias: 184, 186, 195 e 196.
Seculo: ISQ, 198 e 199.
Estrangeiros :
Da Archdologische Zeitung: 12.
Da Revue Archéologique: 200.
Vid. Arie, ArckUecturaj Manuscritos.
FIBULA:
Fibulas e fivelas: 1.
330 O Archeologo Pobtugués
FONTE:
Com lendas : 217.
GEOLOGIA:
P090 ou pégo naturai na rocha: 217 (aoia).
Vid. AìUiffuidades MonumetUaes do Algarce.
GRAYUBAs
Mollinier, gravador 8UÌ90 : 73.
GRUTAS:
De Santo AdriSo ( Vimìoso) : 9.
Da Cabe^a da Ministra (Alcoba^a) : 9.
Fuma ao lado do Castro da Rotura: 145.
ILHAS:
Parecer sobre a substitui^fto da moeda hespanhola noe A^ores e Ma-
deira: 158.
INDIA t
Leilio de moedas da India : 310.
Vid. Antifftiidades locaes (India, Santarein) e Hedu.
INDUMENTARIA:
Compra de varios tecidos do seculo xiii : 65.
ColIec9slo de Teixeira de Aragao : 136, nota 2.
Vid. MantiacritoB, Extractos.
INSULA:
Vid. Toponimia.
LENDA:
Lenda relativa ao sacrificio dos yelhos : 217.
Vid. Fonte.
LIPSAN0L06IA:
Reliquias da igroja de S. Roque : 19.
MACHADOS:
Debronze:166, 167.
De pedra:
Em Villa Pouca de Aguiar: 168.
Em Vianua do Alemtejo: 271.
Do dolmen da Cunha Balza : 306.
O Archeologo Pobtugués 331
MANUSCBITOS:
Catalogo dos pergaminhos do archivo da Insigne e Reiìl Colleg^iadit
de Guimaraes: 81.
Cartorios conventuaes de Vianna do Castello : 182.
Antiguidades monumentaes do Algarve : 200.
Acérca de Vianna do Alemtejo : 274 e 281.
Os archi vos ecclesiasticos da Guarda: 2%.
Vid. Brasa,
MARINHA:
Marinhas de sai cm Aldeia Gallega : 188.
Vid. ConventoB, Arte naval,
MINAS:
Vestigios quo se relacionam com antiga minera9ao, li'Tatlafi, eie. : 57.
Vid. Brasil.
MOBILIARIO :
Objectofl moncionados num testamento do seculo xiii e iiv : G7.
Lista de objectos de madcira entrcgues ao alrnoxarifado do l^ibboa
em 1257: 69.
MOUR08:
Poula dos Mouros: 36.
Vid. Extractos.
MLSEU8:
A) Acquisi^Oes do Museo Ethnologico PortngnèR:
Pulseira de ouro: 169.
Espolio da necropole da Torre : 175.
Lapide romana : 177.
Vasos do cemiterio de Alcaria: 179 e 181.
Antigualhas prehistoricas e romanas de Vianna do Alc'mtejo: 271 sijq.
Moedas e vasilha do seculo xiv: 301, nota, e 302.
Espolio do dolmen da Cunha Baixa: 307.
AcquisÌ9Òes da epoca do bronze e outras : 307.
Objectos do Sr. Antonio J. Judice: 321.
Fibula de prata: 1.
Varias: 37 sqq.
Objectos de varias epocas de Tràs-os-Montes: 54.
Lapide de Olisipo: 60.
Lapide de Valdevez : 74.
Vasos de Villa-Real e Amarante: 99.
Collec^ao de Teixeira de Aragflo: 136, nota 2, e 140.
Instrumentos de bronze de Trils-os-Montes : 166 e 167.
332 O Archeologo Pobtugcé»
B) BeferencUg a outros mnseag :
Da Pigueira : 8 e 9.
De Bragan^a: 3 e 6.
De Madrid: 4.
De Guiinaraes : 9.
Do Instituto de Coimbra : 9.
Archeologico de Diu ; 23.
Nacional de Bellas Artes: 43 e 136.
Archeologico de Evora : 43 e 258.
Da Academia Beai de Sciencias: 141.
Do Alganre: 200.
Municipul de Elvas: 219.
De Alcacer do Sai : 279.
NECROLOGIA:
Virchow : 128.
Mommsen: 128.
Pereira Caldaa: 128.
Teixeira de Aragao : 134.
Antonio Joaquim Judice : 320.
NOMES:
A) De pegHoas:
1 . Em epigraphes Insitano-romanas :
Licinia: 59.
Helene: 59.
Anderca : 75.
Caturoni : 75.
(Ca)e8aris : 105.
C(a)epioni Semproniano : 180.
Pompeia: 180.
Exocii: im.
Flavia (Severa) : 219.
2. Nomea liistoriooa:
Viriate: 11.
Hadrìano: 99.
Trajano: 99.
D. JoSo IV: 102.
B)DedÌvindade8:
Genio : 101.
C) Geographicos;
Lusitauia: 42.
Vid. OnamcUohffia.
O Archeologo Portdgués 333
D) Antoresi
1. Antigos:
L. Ploro: 11.
£8trabao: 8.
2. Estrangeiros :
W. Gurlitt (Cava de Viriato): 12.
E) DlTersos:
De alguns abridores da casa da moeda : 102.
Vid. Arte, Architecfura, Necrologia, Nummnatiea^
NUMISMATICA:
A) Romana:
Moedas romanas de Vianna do Alemtejo: 277.
Apparecimcnto de moedas romanas: 56, 99, 167 e B2Ì^
B) Portuguesa:
Imita95e8 de moedas portuguesas em Bateuburgo: 61^
Moeda inedita de 4 cmzados de 1642 : 102.
Documentos monetarios: 153.
Contos para contar: 170.
A moeda de D. Antonio cunhada em Gorcum : 211.
Cunhagcm de moedas de ouro no tempo de D. Jo^o Y : 187.
Achado de moedas de ouro em Alvito : 198.
As pretensòes monetarias de Villa Boa de Goj a^ r 2511.
Um thesouro do sec. xiv : 300.
LeilSo monetario : 310.
Vid. CongresBo^ Gravura, Necrologia, Bihliographia*
ONOMATOLOGIA:
Onomastico medieval portugués: 25, 118, 226 e 311.
Vid. Manitscritos, Toponimia.
OSSOS:
Ossadas humanas: 181.
Vid. Anthropologia, Grutas,
OURO:
Pulseira de ouro: 170.
Vid. Numitmaiica, BrasiL
FEDRA:
Ab pedras dos monumentos de Lisboa : 186.
Vid. Machados, Archeologia prehistorica e Alneem.
334 O Archeologo Portugués
PESOS:
Pesos de barro romanos : 53.
PRATA:
Fìbula de prata: 1.
PROTEC^'IO À ARCHEOLOGIA;
Explora^des na ilba de Cós : 200.
Vid. Cava de Viriato, ManuscrUos, Antiguidades mofivmetitaet do
Algarve.
KUINAS:
SALs
SEDA;
Véstigios de construc9Òe8 em Villa Pouca : 54.
Vestigios de epoca indetermiDada, constantcs de levadas de agua, ca-
sas circulares e cal^adas : 57, 58.
RestoB de alicercee (Alemtejo) : 274, 283.
Vid. Minas.
Urna marinba de sai em Aldeia Gallega do Ribatejo em 1394 : 188.
Despacho na alfandega de Ormuz, da seda que Xà Abbas, rei da Per-
sia, mandou ao de Portugal em 1613 : 193.
SENTEN^AS;
De Teixeira de AragSo: 60, 100, 199.
SBPULTURAS;
Necropole: 35.
Sepulturas trapezoidaes : 36.
Do sec. XVII : 36.
Rupestre» : 54, 220 nota.
Tumulo medieval : 56.
Cemiterio archaieo de Alcaria : 178.
Sepulturas em Santarem: 183.
Cemiterio antigo da Pena: 198.
De adobes: 275.
Cemiterio da epoca romana em Vianna do Alemtejo : 282.
Vid. Archeologia prehistorica e Sociedades archeologicas,
SILEX;
Do dolmen da Cunha Balza: 307.
SILO;
Um silo em Santarem : 196.
O Archeologo Portugués 335
SOCIEDABES ARCHEOLOOICAS:
Sociedade Archeologica Sautos Rocha — Figueira da Foz (A soL-irrladt^
archeologica e o seu Boletim. Necropole neolithica da Motta, ^Litr-
riaes para o estudo da epoca neolithica na Figueira. Mateiiiu^a piuM
o estudo da epoca de bronzo. Esta^So lusitano- romana da i'^edruNui.
Tijolos romanos do Muscu da Figueira. Noticia de alguna siloa *' Inti-
9as arabicas do Algarve. Pelourinhos da Figueira. Supera tii; òca pò-
pulares da Figueira).
Vid. Antiguidadea locaea — Algarve {Antiguidcules monumentati^ tìo
Algarve),
TANOARIA:
Referencias aos seus materiaes em documentos do sec. xm : 6}j«
TOPONIMIA:
As insula^ nos documentos portugueses mais antigos: 219.
Vid. Oìiomatologia,
{
INDICE DOS AUTORES
A. A. Cortesfto:
Onomastico: 25, 118, 226, 3U.
A. I. Marques da Costa:
Esta^oes prehistoricas dos arredores de Setubal; Hb.
Albano Bellino:
Epigraphia romana de Braga: 101.
A. Pereira Nunes:
As lapidea do Miiseu archeologico de Din : 23
Bernardo de Sa:
Explora^òes archeologìcaa no Algarvc ein Mar^o de liKH: 173.
Celestino Be^a:
Noticias archeologicas do norie doTn\s-os-Montcs: 35.
Estaeio da Teig^a (postumo) :
Antiguidades mouumentaes do Algarve : 202.
Felix AUes Pereira:
Acquisi^òes do Museu Etimologico Portugués : 37.
Uma primicia de epigraphia romana : 74.
Architectura romanica: 111.
Um castro coni muralhas: 214.
Cemiterio da epoca romana : 282.
Ilenrique Botelho:
Archeologia de Tràs-os-Montes : 49, 16C.
Ceramica dos concelhos de Villa Real e Amarante* : ^M.
Contos para contar : 170.
J. de Oliyeira Guiiuaraes:
Catalogo dos pergaminhos existentes no archivo da Insigne e Hogl Colle*
giada de Guimaràes : 81.
338 O Archeologo Portugués
José Fortes (Dr.):
Fibulas e fivelas : 1.
José Leite de Tasconceilos (Dr«)>
A cava de Vinato: 11
Bibliographia: 43, 142, 258.
Necrologia: 128,320.
Notas ao artigo «Explora9Òes archeologicas no Algarve em Mar90 de 1904»
180.
Antiguidades mouumentaes do Algarve : 200.
Fragmeuto de urna iuscrip^ilo romana em Elvas : 219.
Antiguidades de Vìanna do Alemtejo: 271.
Archeologia prehistorica da Beira: 303.
Acqui si^Òes do Maseu Etimologico Portugués : 308.
Manoel Joaqoim de Cauipos:
Medalha commemorativa do Congresso de Numismatica : 41.
Nova lapide funeraria dos suburbios de Olisipo : 59.
Imita9Òes de moedas portugucsas em Batenburgo : 61.
Moeda inedita de 4 cruzados de 1642: 102.
A moeda de D. Antonio cunhada cm Gorcum: 211.
As prctensdes monetarias de Villa-Boa do Goyaz : 259.
Um thesouro do seculo xiv : 300.
Noticias varias : 310.
Bibliographia: 321.
Pedro A. de AsoTedo:
Miscellanea archeologica: 65, 182.
Documentos monotarios: 153.
As insulas nos documentos portuguesos mais antigos: 219.
()s archivos ecclesiasticos da Guarda: 296.
Yietor Ribeiro:
Preciosidades archeologicas: 16.
INDICE DAS GRAVURAS E ESTAJITAS
Fibula romana de Mogadouro : 1.
Fibula annnlar hispanica : 4.
Fivela de Sabroso : 4 e 5.
Fivela de Briteiros: 5.
Cabe^as de fasilhSo : 5.
Omamenta^So dos aros : 6.
Omainenta9ào do aro (Briteiros) : 6.
Fivela da Figueira da Foz (Pedrulha) : 7.
Fivela de Conimbriga : 7.
Omameiita9So do aro (Sabroso) : 7.
Ornamentatilo do aro (Briteiros) : 8.
Pianta e perfil da Cava de Viriato (reprod.) : 12.
Pianta e córte transversai dos muros da Cava de Vinato (lithographia a còras)*.
16 e 17.
Sellos da Companhia de Jesus (photogravuras) : 20,
Tres reproduc^dss zincographicas de auto-assinaturaa : 21^ 22, 23,
Medalha commemorativa do Congresso Intemacioual de NumismatÌL^a tara IDUO
(pbotogravura de pagina) : 42 e 43.
Vista geral dos dolmens de Carrazedo do AlvSo : 6vK
Dolmen do Alto da Catnrina: 51.
Quatropowdera: 54.
Arco da igreja de Tres-Minas (escbema): 57.
Porta principal da mesma igreja (eschema) : 57.
Porta travessa da mesma igreja (escbema) : 57.
Tampa de um tumulo na mesma igreja (escbema) : 57.
Lapide de Olisipo (pbotogravura) : 59.
Imita9oes de cruzados de Portugal (duas figuras) : 62.
Cruzados portugueses (duas figuras) : 63.
Cruzado com a cruz do Calvario : 64.
Lapide romana de Grade : 75.
Fundo do vaso romano de Banagouro: 99.
Bilba romana de Gondar : 99.
Pucaro romano de Gondar: 100.
Prato romano de Gondar: 100.
Ara romana de Braga: 101.
Padrào de 4 cruzados de D. Joào IV : 103.
340 O Archeologo Portugués
Padrao de 4 cnizados de D. Filipe II : 103.
Cruz do reverso de 4 cruzados de D. JoSlo IV: 104.
Variedades da moeda de 4 cruzados de D. JoSo IV : 106-107.
Portico da matrìz de Mon^&o: 116.
Eschema de peneira: 144.
Córte e pianta da Fuma da Kotura: i, 152-153.
Cranio da mesma Fuma (photogravnra) : i, 152-153.
Cranio da mesma Fuma (photogravura) : ii, 152-153.
Cranio e ossos da mesma Fuma (photogravura) : in, 152-153.
Machados de Bujòes (duas chromolithographias) : 166-167.
Machado de Justcs ou Linhares (chromolithographia) : 166-167.
Machado talvez de Alijó (chromolithographia): 166-167.
Fragraento de machado de bronze de Arroios : 167.
lustramento do pcdra de Jales : 168.
luBtrumento de pedra da mesma procedencia : 168.
Pulseira deTurgueda (chromolithographia): 170.
Contos para contar (photogravura de pagina) : 172-173.
Pianta e córte do monumento prehistorico da Torre : 174.
Gito objectos do espolio d'este monumento: 175.
Vaso groBseiro da mosma origcm: 175.
Pianta e córte de outro monumento : 176.
Lapide romana do Monte-Velho (photogravura) : 177.
Plantas de scis sepulturas do cemiterio de Alcaria: 179.
Bilha d'este cemiterio: 179.
3 vasilhas d'oste cemiterio: 181.
Reproduc^So de um dosenho do monumento restaarado do Arco do Cego: (zin
cogravura): 195.
Reproduc9ao da inscrip^ào d'aste monumento (zincogravura) : 196.
Igreja do convento de Santa Clara em Santarem (zincogravura) : 197.
Claustro do mesmo cx)n vento (zincogravura) : 198.
Reproduc^ao de um desenho de moeda (zincogravura) : 213.
Muralha do castro de Cabreiro (photogravura) : 215.
Barra de euro de Goyaz (photogravura) : 264.
Moeda de 600 réis da Bahia (photogravura) : 269.
Moeda de 600 réis do Rio de Janeiro (photogravura) : 269.
Reproduc9ào zincographica de urna serie de moedas de Goyaz : 270-271.
Machado de pedra de Vianna do Alemtejo: 271.
Outro: 271.
Outro: 272.
Outro: 272.
Outro: 272.
Outro: 272.
Outro: 273.
Fuste de columna romana: 277.
Amphora romana: 278.
Lapide anepigrapha: 280.
Pedra com figuras geometricas : 285.
Bilha com monogramma: 286.
Plinto com inscrip9ao romana: 288.
O Archeologo Portugués 3il
Capite! romano: 290.
Base romana: 290.
Capite! jonico (photogravura) : 291.
Tijolo romano : 293.
Dois acus romano: 294.
Alfinete de bronze: 294.
i Pilastra de pedra : 295.
I Bilha medieval: 301.
IManta do dolmen da Cunha-Baixa : 305.
Objectos de pedra do mesmo dolmen: 305.
Tres machados do mesmo dolmen : 306.
Lamina de faca de silex : 306.
Pontas de setta, quatro : 307.
~ ^:» •^•»i«-.^»« ■
LISTA
DAS
PESSOÀS BENEMERITAS
DO
MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS
1904
!•— PesBoas qne ofrereceram grcAtiiitaiiiente objectos
A. Bello Junior: 40.
Administra^^o das minas de Aljustrel : 308.
Adolfo Miranda: 40.
Adriano Pereira Horta : 40.
Alberto Bastos : 308.
Alberto de Brito Lima (Dr.): 310.
Alvaro Yianua de Lemos : 40.
Antonio Joaquim Judice: 321.
Antonio Maria Garcia : 40.
Antonio Pereira de Sousa (Dr.).
Antonio da Silva Pires (P.«): 41.
Carlos GalrSo (Dr.).
Celestino Be^a : 1 e 309.
Conde de Avila: CO.
Dlocleciauo Torres : 40.
Diogo Angusto de Lemos: 309.
Fabricio Pessanha (Dr.) : 281.
Francisco Cordovil de Barahona (Dr.): 309.
Francisco Tavares : 309.
Henrique Alves : 181.
Henrique Avellino de Castro: 41.
Henrique Botelho (Dr.) : 40, 54, 100, 166, 169 e 309.
Jaime Leite: 40.
Joao de Brito GalvXo (P.**) : 38.
Joào C. de Gusmào e Vasconcellos: 37.
Joao Manoel da Costa : 40.
JoSo dos Reis Leitào Marrocos : 38 e 309.
Joaquim Callado : 39.
Joaquim Franco: 309.
José Albino Dias: 271.
José Bernardo de Moraes Calado (Conego) : 40 e 310.
José Duarte Frazzo : 302.
José Joaquim da Costa: 39.
José Maria Foga9a : 308.
344 O Arciieolooo Portugués
José de Matos Cid : 309.
José Pioto Taborda Ramos (Dr.): 39.
JoséPrata (P/): 40.
José da Silva Madeira: 41.
Lino Francisco Dias Po9a8 ( P.*') : 310.
Luis Furtado: 175.
Luis Vioira : 178.
Manoel Freitas Velloso : 38.
Manoel J. da Cunha Brito ( P.*-) : 37.
Manool José Prates : 280.
Manoel Soares da Silva: 300.
Maria das Neves Figueiredo (D.): 309.
Miguel Dantas (Conselheiro e Par do Reino) : 38.
Fedro A. de Azevedo: 308.
RepartÌ9ào de Minas : 39.
Sande e Castro: 41.
Severi ano Mouteiro (Conselheiro) : 40.
2. — Pegsoàs que Intervlerani obsequlosamente tm aeqaifilfllei
on differente^ trabailioa
Abbade de Prende: 309.
Abel Cunha Mello e Silva : 38.
Alberto Osorio de Castro (Dr.): 303.
Antonio de Azevedo Castello Branco (Conselheiro) : 309.
Antonio Isidoro de Sousa: 271.
Antonio de Pinho : SQi).
Antonio dos Reis Marrocos : 39.
Antonio Thomas Pires: 219.
Augusto de Cjiatro : 60.
Aurelio Pinto Tavares Castello Branco : 38.
Bernardo Rodrìgucs do Amarai : 303.
Brito GorjSo (CapitRo) : 308.
Cam])os Ilcuriques (Conselheiro) : 309.
Carlos Córte Real (Dr.): 309.
Conde de Ariz: 309.
Francisco Antonio Mestre: 181.
Isidro Dias Navarro (P.«): 283.
Joao C. de GusmSo e Vasconcellos : 38 e 74.
Joaquim Antonio da Costa: 39.
Joaquim Franco : 39.
Joaquim Gualdino Pires : 180 e 321.
Joaquim Vaz de Azevedo : 39.
José Dias Pereira Cappas: 283.
Manoel Fernando de Oliveira: 181.
Manoel J. da Cunha Brito : 74.
Paes da Cunha (Dr.): 303.
Patricio Eugenio Judice : 321.
SebastiSo Conde : 39.
Vieira (P."^: 180.
EXPEDIENTE
Archeologo Portugiiès publicar-se-ha raensalmente. Cad.a nùmero
sera sempre oii quasi sempre illustrado, e nito conterà menos de M
paginas in-8.®, podendo, quando a afBuencia dos assumptos o exi:;:ir,
center 32 paginas, sem que por isso o pre90 augniente.
PREgO DA ASSIGNATURA
Anno lf$500 rcis.
Semestre 750 »
Numero avulso 1 CO »
Estabclecendo este modico pre^o, julgamos facilitar a propaganda
das sciencias archeologicas entre nós.
Toda a correspondencia A cérca da parte litteraria d'està rivista
deverà ser dirigida a J. Leite de Vasconoellos, para a BiBLin-
THECA Nacioxal de Lisboa.
Toda a correspondencia respectiva a compras e assignaturas
deverxi, acompanhada da importancia em carta registada ou ein vales
de correio, ser dirigida a Majioel Joaquim de Campos, MusEr
Etiixologico, Belem (Lisboa).
A venda nas principaes livrarias" de Lisboa, Porto e Coìmbra,
)^
APS 1 - 1933
r
1