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ARCHEOLOGO 

PORTUGUÉS 



ARCHEOLOGO 






COLLECfiO ILLDSTRADA DE I&TERIAES E NOTfCIiS 



FUBLICADA PELO 



MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUES 



REDKCTOR — i. Leite de Vasconceuos 



"VOL. ix: 




=3 



53 
Si 



Veterum volvens monumenta vtrorum 
LISBOA 

IMPRENSA NACIOXAL 
1904 



THE NEW YORK 
PUBUC LIBRARY 

652708 A 

ASTOH, LENOi aSd 

TUJ>£M FOUNDATIOKS 

A 1033 L 



VOL. IX 



JANEIRO E FEVEREIRO DE 1904 N/' 1 E 2 



ARCHEOLOGO 




COLLECQiO ILLUSTRADA DE MATERIAES E NOTICIAS 



PUBLICAUA PELO 



MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÉS 




Veterum volvens monumenta virorum 



LISBOA 

IHPKENSA NACIONAL 
1904 



aiD-ls/Ll^J^-RTO 



FlUULAS K FIVEI.AS: 1. 
A CAVA DE VlRIATO ili. 

Preciosidades archeologicas: 1G. 

as lapides do museu archeologico de diu: 23. 

Onomastico medieval ih)rtugués : 25. 

Medaliia commemorativa do Congresso de Numismatica: 41. 

BlULIOGRAPHIA: 43. 



Este fasoiciilo vae illiistrado com 22 estampan. 



ARCHEOLOGO P0RTU6UÉ8 



C0LLEG(10 ILLOSTRADA DS MATERIAES S lOTICIAS 

PUBLICADA PmLO 

MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS 



IX ANNO JANEIRO E FEVEREIRO DE 1904 N.- 1 E 2 



Flbiilas e flvelas 

I 
Fibula romana 

Mogadouro 

O zeloso Director do Museu Ethnologico Portugués faciIitou*nos 
— com penhorante gentileza — o estudo, num desenho, da fibula de 
prata representada sob dois aspectoa na gravura junta, fig. A, O ori- 
ginai, que nfto vi, està frchivado naquelle estabelecimento educativo; 
e bem pode dizer-se acquisiglio de muito inte- 
resse e valìa^ Nào porque revele um typo 
locai, inedito, ou documente urna influencia ci* 
vilizadora que nSo se houvesse ainda assìna- 
lado por outros caracteristicos ; menos porque ^M ^ 
tenha particular destaque na serie conhecida, 
por accidentes decorativos de notavel origina- 
lidade, ou date com precis2o rigorosa um esta- 
dio da cultura de que procede: mas porque é tng.A^Doeoneoiiio 
prìmeiro modelo do Norte que se collige deMogadouro 
mannfacturado em um metal nobre, e ainda porque affine a confirmar 
facto jà vislumbrado de que a regilo transmontana foi em tempos 
antepassadoa o centro de uma populas2o magnificente, com manifesta 
predilecgSo pelos enfeites artisticos e caros. 





* [Este objecto foi generosamente enviado para o Museu pelo Sr. Capitfto 
Celestino Be^a, eollaborador d-0 Archeologo Portugués, e a quem o Mnsen deve 
tambem a posse de outtos importai} tes monomentos archeologicos.nJ, L, de F.]. 

1 



2 O Archeologo Pobtugués 

Sobrio na omamenta^So que se restringe ao arco e ao^^;o bello 
espeoime exfaìbe no entanto pureza de linhas e acoentuado cnnho de 
elegancia; nao iìcaria mal pregado na palla de matrona n^mana em 
villegiatura pela provìncia ou na acyum de algum eallaico rico, ji ro- 
manizado, mesmo no paUudanìetUum de legionario em servilo. Se Ibe 
faliecem, a opulentar-lbe os contomos, as filigranas e granula^Ses, o 
esmalte e a inerosta^&o, as* pedrarias, os piagenies, o ambar, o eorai, 
o marfim, o osso, as contas variegadas, os diversos elementos oma- 
mentacs, emiìm, que 4 fantasia punba ao servilo da vaidade,-^-o as- 
pecto gracil e de teveza accasa boa escola e a florescencia da arte 
italica. 

Pela inspecgflo dos desenhos — perfil e projeo^So orthogonal do ve- 
Iho alfinete de seguran^a — apuram-se-Ihe facilmente os componentes 
architectonicos, a que em rigor so falta ofusUhào ou alfinete^ perdido 
accidentalmente, desfeito acaso pelas pemiciosas eondigSes geologicas 
e climatericas da regiào da jazida, comò é frequente acontecer por se- 
rem estas pe^as construidas ordinariamente de bronze on de ferro, 
mesmo nos exemplares de euro e de prata. A destruÌ9ilo pareial da/6- 
mea da chameira nSo difficulta de resto a reconstituÌ9&o geral dò ins- 
trumento. A Hnha e a sechilo triangular do arco incluem-no em o grupo 
densissimo das fibulas ad arco semplice, eom o pé curto finali zando 
èm botSo terminal, conico, de mero enfeite; e a ca6ega que sustenta 
a chameira do fusilhào desapparecido. Pendente do pé o descanso, em 
longa e estreita lamina recurvada no extremo inferior, a offerecer à 
ponta aguda do alfinete urna goteira perservativa e retentora. Apenas 
em complemento ornamentai, na linha media do arco — um cordSo gra- 
vado, a accentuar a aresta dos dois planos do extradorso; e perpendi- 
cularmente outro, jà proximo da cabe^a da fibula. 

Os componentes dominantes caraoterizam, pois, decisivos um pro- 
dticto puro de joalbarìa romana, sem indicio de degenera9&o. Facil é 
encontrar nos trabalhos de colleccionagllo similes com que se irmane 
o exemplar descripto *. ' 

Nào é para aqui averiguar-lhe a ascendencia controversa; a da fa- 
milia numerosa, em que pelo seu caracter geral se filia, tem sido at-> 
trìbuida &s fibulas da l^ène, mesmo. és de Certosa. Caberìa antes de* 
terminar-lhe a chronologia; mas essa, à mingua de accidentes bem 
especificos, so pode indicar-se com ampia latitude, referindo-a à do 



* O. Mont^ittSf La dvUisaiionr pnmiHìJe en Italie étpuiè rintrgduétion dee me-* 
iaux, 1« partie, Stockkobn, 1895, pi. xiu, fig. 1^, 193, 184 «185. 



O Archeoloqo Pobtugués 3 

perìodo subseqnente k conquista romana. Maior precisSo deverìa talvez 
dimanar do estudo daa condi^Ses de jazìda, ìnfelizmente desconhed- 
das, e poderi decorrer do aspecto dos objectos de prata encontrados 
no mesmo deposito archeologico, segiindo o informe do Dr. Leite de 
•VasconceUos. 

Entretanto a mais approximada determinarlo cbronologica do typo 
nào terìa interesse privativo para nós: o exemplar nUo é indigena, foi 
manifestamente importado, entra na serie de adornos mnltiplices, com 
que os'dominadores tentavam nos èmparia a cubifa ingenua dos habi- 
tantes das dmdadea, 

II 

A antica flrela eirenlar do Norie 

A nota presente abrange apenas a fivela dos castros e das estajSes 
archeologicas do Norte, romanas ou simplesmente romanizadas, na 
fórma mais vulgar figurada nas subsequentes gravuras illustrativas do 
tezto. Ezcluo por agora do estudo outros typos do mesmo instrumento, 
menos communs e mais artisticos, comò o do castro de Argozelo, ar- 
chivado no miisen de Braganra ^, e o da Pedruiha, guardado no museu 
monicipal da Figueira da Foz *. 

Na indagarlo da tipologia das iìbulas castrejas depara- se-nos ìn- 
defectìvélmente o problema previo da classificafSo do modesto arte- 
facto, É quepor vezes a litteratura scientifica incluiu-o no grupo inte- 
ressantissimo dos alfinetes de seguranga^ identificando as duas series e 
conferìndo-lhes indistintamente a qualidade representatìva de meros 
qiisodìos morphologicos de nm architypo. Na attribni^So manifesta de 
prestimo igual, designou-as com o mesmo nome — JibtUaSj especializando 
as fivelas com o qualificativo de — anntdares, por attengSo ao desenho 
de urna das peQas organicas'. Antes de tudo parece que a estes ins- 
trumentos nào sé adapta bem a classificagEo. 

E realinente com a JSmla annidar que a fivela archaica dos nos- 
sos castros tem alguma affinidade formai; mas o confronto detido dos 
exemplares de cada uma das especies aparta-as estructuralmente, apu< 



1 O Archeologo Portuguès, t. ir, «Museu Muuicipal de Bragan9a» por A. Lopo, 
pag. 97, fig. 7. 

2 Portvgalioj t ì, «fista^ào luBo-romana da Pedmlha», por A. Santos Ro- 
dia, pag. 695, fig. 4.» 

\ £. Cartailhac, Agtè PrAiHoriqtutà de PEspagne et da Poriugal, Paris, pag. 
277 e sqq. Cfr. Cornee rendu da Congrès inteniational d'anthropologie et archéo-' 
logie préhistorique, Lisbonne, 1884, pag. 657 e sqq., pi. xl, fig. 8.* 



O Abgheoloqo PosTuonÉs 



rando poucos aspectos communs e esses sem importancia decisiva* 
(Fig. 1.^ e 2.^). So conhe$o por emqiianto do Norte de Portugal nm mo- 
delo da primeira, que é relativamente frequente no resto da peninsula 
corno decorre de trabalhos litterarìos que a assinalam, e do exame 
do grupo valioso de fibulas que exbibe o museu de Madrid ^ Recor- 
rendo a unìa bem conhecida' para termo de eompara9llo, vè-se que 
dos seus elementos constitucionaes (fig. 1/) a fivela nlU) tem o arco se- 
micircular e, nem a goteira d para descanso do alfinete a; e que, iL 
parte a communidade de um aro &, a divergència é fundamental. 

Quando no estudo das fibulas se consideram, para o effeito da clas- 
sificagSo, pormenores de apparencia bem secundaria corno a fórma e 
sec$3o do arco, a natureza e a modalidade da sua ornamentarlo, o com- 
primento do pé e os correlativos appendices decorativos, o numero das 





Fig. 1/ — FlbnU imnnllar hispaaic^ Fig. 9.* ~ Flvola de SabroM 

espiras da mola e outras similares minucias que determinam agntpa- 
mentos typologicos, definem procedencias e precisam epocas; nao é de- 
certo licito menosprezar um trecho architectonico, nitidamente differen- 
cial, e estatuir a equipararlo intima unicamente pela eonformidade 
eschematica de um orglo. 

Mas seri realmente a fivela castreja uma fibula, de feiylo locai? 

A technologia classica agrupou, é certo, num geral appellativo scien- 
tifico as fivelas, os alfinetes de seguran$a, os broches multiformes 
e diversos instrumentos archaicos, que prestavam servifos generica- 
mente parallelos e tinham o fusilhlo comò elemento impreterivel do 



1 Juan Eubio de la Berna, Notida de una necrópolis anteromanay Madrid, la- 
mina X, ^g. 8.*; G. Bonsor, Les coUmies agricoUs pré-romainei de la vallèe du Bétisy 
Paris, 1899^ pag. 82, fig. 9.* ; A. Engel, Nouvdles et correipondances, Paris, 1896, 
pag. 21 ; Hewse Archéologiquey 4* sèrie, tom. ii, pag. 414. 

2 G. Bonsor, ob, cit 



O Abcheologo Portugués 



seu organismo: abrangeu-os a todos sob o termo de jSmla onjStla^» 
Mas, corno na amplissima latitnde do vocabnlo iam sab-grupos cara- 
cteristicos e bem distinctos — mn d'elles muito denso e salientemente in- 
teressante, comegon modernamente a applicar-se a este em especial o 
nome generico. Por isso a fivela vnlgar, estranha na verdade à serie 
assim appelidada em accep$So restricta, passou a ter, no conceito de 
muitos archeologos, localizagSo privativa com rotalo espeeial. S. Rei- 
nacb', V. Gross^, e mais antiquarios de n*o menor autoridade scien- 
tifica, procederam nessa conformidade, apartando as daas classes de 
objectos em trabalhos de muito saber. E no museu madrileno, onde o 
abimdante material exposto na secgào dos alfinetes de segaran^a nSo 
tem por emquanto discriminagSo rigorosa, tambem as separaram, acaso 
sob a mesma orientagSo scientifica^. 





FlvoU de Sabraso rig. 4." — Fivoln do Briteirot Fig. 5." — Cabotai de ftullhAo 



Na realidade a fibula, no sentido limitado em que é boje tomada 
usualmente a palavra, distancia-se, debaixo de multiplos aspectos, da 
fivela castreja, cuja construcgSLo comporta apenas duas pegas fanda- 
mentaes — o aro roligo, raro parallelogrammico, frequentemente de 
espessura variavel dentro do raesmo especime, liso, ora fechado, ora 
interrompendo-se num ponto da circumferencia em solngSo breve de con-' 
tinuidade; e ofusUhSo em geral rombo e espesso, atravessando diame- 
tralmente aro e abra$ando-o por um lado com um anel ou com es- 
pira singola, que Ihe nlU> tolhem mobilidade ampia (fig. 2.* a 5.% 8.* 
e 9.»). 



^ Daremberg et Saglio, Dkiionnaire dea antiqtdtés grecques et romaine^, Paris, 
1896, t. II, «. V. «fibula», por S. Reinach. 
^ In cit. Dictionnaire. 
3 La Tèwe, Paris, 1886. 
* Sala IV, mostrador A. 



O Archeologo Pobtuoués 



Outra feif So e maior complexidàde de elementos tem a fibula oor- 
mal: — arco geralmente semicirciilar, diversamente oraamentado^ de 
secgSes multìplas e apparencias varìabilissimas; JwUhào quasi sempre 
aciculado e de movimento mais restricto; descanso em goteira, em 
disco ou lamina, pe9a de considerammo comò uma das basilares para 
determinar a chronologia. e provenienoia do instrnmento; pé jk carto, 
ja alongado, segurando o deseanso, e por vezes eom appendices de 
adorno definindo eivilizafSes ; e cabega, emfim, de variado desenho, li- 
gando-se ao fusìlhfto mediante chameira ou espiraes uni- e biiateraes. 

A fiyela nfto nos impressiona comò objecto de enfeite pessoal, que 
é a faceta predominante do archaico alfinete de segaranQa. As dos caa- 
tros caracterizam-se até na pluralidade dos casos pela pbysionomia pe* 
sada e grosseira e pela extrema modestia ornamentai. Semdeaconbecer 
que as nossas fibulas tambem nSo se notabilizam ordinariamente pela 





Flg. 6.* — Ornamentalo dot aron Flg. 7.* ~ Ornamenta^So 

' a e ft (Sabroto) e ed (Brltelros) do aro (Britein>a) 

exuberancia das decora^Ses — tio frequentes e n&o raro apparatosas 
nos similes exoticos — inferìorizando-se até em confronto num gran 
oonsideravel, ha todavia que reconhecer nas fivelas maior indigencia 
de adornos. Os omatos, quando ezistem, localizam-se de preferencia 
nos pontos de interrup9ào do aro ^ As duas extretnidades livres hem 
sempre se exhibem nuas e sìngelas (fig. 2.^ e 6/ a)f&s vezes apre* 
sentam sulcos pirculares, paralleios, e botSes.terminaes, semi-espheri- 
cos (fig. 6.*, 6, e e d); uma ou ambas encurvam-se para fora em gan- 



- ^ Em alguns exemplares expostoe no musea de Madrid ob proprios arce sSo 
decorados com aneis, sulcos, linbas pontuadas e cheias, etc. Do Norie de Portagal 
so conhe^o um exemplar, omamentado no aro com um sulco helicoidal : estÀ no 
musea de Braganca e provém de um castro de Mirandella (informalo de Albino 
Lopo). 



O AbCHEÓLOGO POBTUOlTÉS 



clìòs, em breves arcos de circula (jfig. 11.* à)j em espiraes (fig. 3.%» 
4.* e 10.* a); ora encostando-se ao aro pelo lado extemo^ ora sem con- 
tacto; qnando em eqnilibrada harmonia e oorrecta eqniyalencia, quando 
8ob fórmas e em posi^Ses asymetricas; qUer adelga^ando até ao extre- 
mo, qaer finalizando em bot3es conicos (fig. 7.*y 8.* e 9.*) ou cylindrìco» 
com snleos parallelos (fig. IO.*, ft e e e 11.*, b) ou hemiaphericos, anr> 
teeedidos de aneis alternantes com solooa (fig. 11.*, e). £ nSo akra- 
passam maito mais tao discreta simplicidade decorativa. Mas a- par 
d'estas caracteristicas dìfferenciaes cumpre real^ai' outras registraveis.> 
A persistencia modelar, notavel jà na fibula castreja; mais se ac- 
centua na fivela, cujos dois unicos typos, de aro fechado e interrom* 
pido, se reproduzem monotonos — dos castros preromanoe nas civida-, 
dee e castros romanizados, d'estes em e8ta95es de funda9SU> romana. 





Fig. 8.* — FlTela da Figuelra d» Fox (PedralU) Fig. 9.* — Flvcla de Conlmbrig» 




Yìg, 10.* -^ Ornameata^io do aro <Sabroto) 



Sob o informe erudito de archeograpbos autorizados a respeito de 
ezemplares romanos, inteiramente identtcos aos nossos*, deve tambem 
attribnir-se aos dois sub-grupos privativo emprego inoommutavel: Ja 
fibula^' para habitualmente ' acolehetar, va o termo, diversas pe$aa do 
véslnarìo masculino e feminino, assim na Grecia e na Italia — o peplo»; 



* S. Reinach, in Dietionnaire cit. Cfr. A. Ridi, Dictionnaire dea cmtiquités 
yreoguetf e^ romatne», «. V. «fibala», 3. ,^ * 

^ tt. Reinacb, . io 2od cil^ opina que algumas fibalas, pestdas e de. graiides 
dimensOes, poderìam servir para sttstenUr oortinadoa ou tape^arias. 



S O ARGHEOI.OGO POBTUaufiS 

chiton, chlaena, palla, ptdladium, sagwm, paHudamentum; a fivela, 
para apertar cintos, cintiirSes, correias, arreios de cavallos, as taeniae 
mUae dos cabellos e objectos similares. O uso attrìbaido a està ultima 
justifica-se parcialmente na Lusitania pelas escassas ìndica^Ses ethno- 
graphicas de Strabo, e até pelo exame da grosseira estatuarìa archaica 
do Norie. 

Os Lusitanos, informa o celebre historìador grego, serviam-se de 
um escudo pequeno, sem bragadeiras, que traziam suspense do pes- 
C090 por duas correias. Nas suas unidades milìtares, refere ainda, en- 
trava a cawdlaria ^ 

A inspec9ao directa dos mingnados especimes da escultura lusa 
ou callaico- romana confirma o porte da alludida arma defensiva; bem 
assim comprova de um cinturào de que pende uma adaga larga*. 
E, pois, bem de presumir que desde os tempos pre-estrabonianos fosse 
aqui usada a fivela circular pelo menos nas correias do escudo, no cin- 
turSo dod guerreiros, nos arreios dos corceis lusitanos. 



SZ 





b 

Flf . 11.*— Oraainentafio do oro (Briteirot) 



De resto a notada diversidade de utiliza9fto pratica das duas series 
de instrumentos explica em certa medida a parcimoniosa decora9&o da 
fivela e a mais longa continuidade dos typos primitivos. Com patente 
funcglLo secundaria, mais facilmente se subtrahiu às oscilla^des da moda 
que em todas as epocas, no empenho de lisonjear vàs ostentagdes e de 
marcar superioridades sociaes e politicas, rebuscou nos perennes re- 
cursos da arte e da fantasia novas fórmas e combina^des architecto- 
nicas para transmutar successivamente a fibula. O evolver consequente 
da morphologia do alfinete de seguran^a forneceu indicadores chrono- 
logicos, por onde é possivel com relativa seguran^a e approxiina9So 
datar depositos e estratos archeologicos. 



1 Geographia, liv. iii, cap. 3.*» e 4.» 

^ PortvgaUa^ t. i, pag. 8S2, «0 Basto», artigo de Rocba Peizoto; e a vasta 
e completa bibliographia por elle citada em notas. 



O Archeologo FoRruauÉs 9 

A fivela circnlar ainda n&o foi aie agora reconhecido igual predicado 
prestimoso ; nUo tem sido €. ..un peu comme un coquiUcye-type dan» 
Véiude de la paleontologie^. 



Definìdo a perfil e o caracter peculiar do instrumeato em estudo 
e loealìzado conyementemente dentro da archeographia nacional, resta 
indicar os pontos conheoidos da sua dispersa chrorographica ao norte 
do pais e estabelecer os dados do problema da sua procedencia. 

O restricto espolio de Sabroso, castro limpo de romanisaQ&o no 
sentir geral, ^nriqueceu o museu de GuimarSes com doze exemplares 
da fivela; o da citania de Briteiros com vinte e dois: sao de bronze 
e na maiorìa acham-se obliterados e desprovidos do fusilhXo. Conhe- 
cem-se varios especimes de outras estagSes com accentuada ìnfluencia 
romana: assim — dos castros de Mouros, freguesia de Villar de Mou* 
ros*, do Monte Redondo^, do Prgal, sitio de Castello Branco, Mo- 
gadouro', de Rio Torto, concelho de Valle Passos^, de Àzere^ con- 
celho de Arcos-de-Val-do-Vez *; das gratas de S^'® AdrìSo, pedreiras 
de Vimioso^; da gruta da Cabe$a da Ministra, Alcobaga^; da està- 
fio lusitano-romana da Pedrulha, concellio da Figueira da Foz^, de 
Coniwbriga^; do concelho de Castello-Branco ^^; dos castros de Cocolka, 
termo de Augueira, concelho de Vimioso, e de S» Jueenda, termo de 
Valle-Prados, concelho de Mirandella^^; etc, **. 



1 Qaatro exemplares no museu de GuimarSes. 

2 £zplora9fto inedita de Albano Bellino. 

' iBlòrma^o particolar do Rev.*^ José Augusto Tavares. 

* PortvgàLia^ 1 1, «Instmmentos de bronze*, por H^nrìqiie Botelho, pag. 627, 

fig. a- 

5 Archeologo Portuguèa, 1. 1, «Castello de S. Miguel-o-Anjo», por P. Alvei 
Pereira, pag. 167, fig. 2.», n.''22. 

* J. F. Nery Delgado, «Reconhecimento scientifico dos jazigos de marmore 
e alabastro de Santo Adriao», in ConymunicaqtkB da Commisslo dos Trabalhos 
Geologicos de Portugal, tom. ii, fase, i, pi. iii, fig. 22. 

' PortvgalicL^ 1. 1, «Grutas de Alcobaca», por M. Vieira Nativìdade, est. xxit, 
fig. 203. 

* No museu da Figueira da Foz. 

' Archiyados no museu do Instituto de Coimbra. 

^ Informalo de F. Tavares Proen^ 

il Infbrma^s do capitilo Albino Lopo. 

12 D. José Villa- Amil y Castro tambem descreve urna fivela de aro interrom-' 
pido, encontrada por olle na «Croa» de Riotorto, Gklliza. £ iuteinunente seme- 
Ihaute-is nossas. Vid. «Armas, utensilios j adornos de bronco reeogidos en Ga- 
licia», in Muno de antiguedades espaholcu, t. iv, pag. 66. 



IX) O Archbolooo Pobtuoués 

Fundamentàlmente mantém todos parallelismo concordante, oomo 
oalcos dos mesmos moldes. Limitada, pois, a observa^Io ao caso na- 
cional, poder-se-hia concluir talvez que a fivela foi invento de metal- 
lurgia lusitana. Mas os modelos coUigidos em PortugaJ nSo diversifi- 
cam dos archivados no museu madrileno, nem divergem dos italicos 
com que se illustram publica^Ses drdactìcas*: em todos, indigenas e 
ekoticos, nota-se a mesma tjpologia e aie frequentemente id^itidade- 
de minucias de deoora92o nos extremos soitos do aro. E, pois, inàp- 
plica vel corno explicafSo do facto -^o principio de que a mesma neces- 
sidade determinon ainvenfSo de instrumento igual em pontos afasta- 
dos do mando antigo. 

A complicar a sciupio do problema das procedencias surge no oppi-» 
dum helvetico da Tene (Tene II) o simile de um dos nossos typos dar 
fivela, o de «ro feobado, que Victor Gross* nào hesita em appeli-* 
dar — bintcU à ardiUon mobile, e em exbibir corno o mais antigo mo- 
delo de fivela com Juèilhào^. 

- E na Franga o outro typo de aro interrompido, alem de apparecer 
em jazidas gallo*romanas, encontrou-se em urna sepultura de feig&o pu- 
ramente gauleza, do seculo iv antes de J. C. ; junto do esqueleto baviam 
sidO' depositados uns arreios de cavallo, uma espora, contas de vidro- 
azul moequeadas de amarello e uma fibula da Tene I ^. Ante as pon- 
deradas eircunstancìas limito-me a por aqui as illagòes mais proximaa- 
e seguras, rigorosamente emergentes dos elementos apurados; slo ape- 
nas estas: 

— que a fivela eircular nEo veio para a Lusitania com o legionario 
invasor; jà era usada antecedentemento & conquista romana; . 

— que no entantonaofbi inven^&o da industria indigenar; perténcia 
à civifizà^tò primitiva de outros povos, que verósivelmento a ti^ò im- 
portfiram de cà. 

Producto da industria celtica ou romana, nUo me proponbo agora 
dìlucidar-lhe.a ethsiogema obscura. 

' Originaria da cultura celtica, nio admiraria se introduzisse nos po^ 
voados eastrejos, mesmo negando a estes a celtizagSo em tempos pre- 



* Daremberg, Diciionnairt cit., ^f^. 3029. 

2 Ob. cU., pi. 8, n.» 10. . 

3 Na segunda idade de ferro dos paisea estiandinaFOS, no (periodo cooiprehen- 
dido entro a era cliristà e o secalo ii, aaoU-se mika fivela de bronxe, ijpo àé aro 
feohado; differe dà nossa apenas em o aaro nio aer inteiramente clreaUr.-O. Mon- 
telina, Lea iempg préMstoriquea en Suède, Parìa, 1695, pi. xvi, fig. 5.* 

«4 Àlbum Caranda^ por Frédérie Moreau, 1^* partie, pi. S, fig. 13r*-«cii. de M. 
J. Déchelette. 



AkCHEOLOGO PoSTUGtJÉS 1 1 

oa protohiatoricos: os typos mdnstriaes da Tene àlastraram para fora 
da vasta area geographica, qae sem contestammo é attribuida aos povos 
propriamente <^eltico8« 

Oriunda da civilizamSo romana, corno poderà tambem dizer-se do 
typo de aro interrompido, precederìa os conquistadores- pelo phenomeno 
sociologioo. de infiltra$So jà averignado para ontros casos. 

E provinda de urna oa de outra, acaso de urna differente deriva^ 
ainda ignota, a verdade é que a fiyela se fixou e perdurou, ìmmobilif 
zada nas suas linhas, até pelo monos ao seculo iv depois de J. C. Se 
posteriormente ainda subsistiu, é por emqnanto impossivel asseveri-lo ; 
apenas pode conjecturar-se que, se persistiu para iquem das ìnvasSes 
nordicas, seria apenas comò mera sobrevivencia, porqne os barbaro» 
nSo usavam,' segundo parece, similares typos de fivela ^. 

Dezembro de 1903. José Fobtes. 



A cava de Vlriato 

A personalidade de Viriate, heroe lusitano de quem L. Floro disse 
que podia ter side Hispaniae Romulus «o Romulo da Hispania»', e 
a quem Estrahlo chamou simplesmente /Tp<7Ti5€ «salteador» ^, tem side 
varìas vezes thema de trabalhos especiaes, tanto artisticos comò scien- 
tificos. 

Por vicissitudes da sorte, o nome d'este heroe ligou-se a celebre 
Cava de Viseu. E evidente que a relacionagSo de Viriato com a Cava 
é moderna, corno jà ponderou Borges de Figueiredo*; nem mesmo a 
palavra Viriato ^ pertence k linguagem popular propriamente dita : se 
Ihe pertencesse desde as origens, devia ter outra fórma muito diversa 
da que tem. SSo cousas sabidas e claras, em que n^ é preciso insistir. 



^ Cfr. M. C. Barriére<*FlaT7, IjCjb art» industrids des pmple$ barbare» de la 
Gaule du v"*' air thi^* sihcle, Paris, 1901. £ comtudo interessapte tiotar que, no 
periodo vui (800-1050 de J. C.) da idade de ferro, dos paises escandinavos 
àpparece um typo de bronze, raaito orDameutado, da fivela de aro intcrrompido; 
afòra os lavores, o esbo^o geral é o mesmo dos nossos modelos. Y id. 0. Montelius, 
ob, eit., pi. XX, fig. 7.* 

* ^pii. ter, Hcm., II, xtii. 
^ Geogr.y III, iv, 5. 

* Bevuta ArokeologicOy iv, 29. 

* Quanto a mim, é erro escrever Viriatho, com h, corno jà mostre! n-O ArcJ^. 
Port^ n, 23-24; corno porém, por fatalidade, quasi nunca as boas raz5es calam 
no animo do publico, ha quem contìnue a escrever assidi : vld., por exemplo^ o re- 
cente. Uvro do Sr.Theophilo Braga, intitnlado Viriatko, 



12 O AbCHEOLOOO PORTUGUÉà 

Todavia, se a denomina9lo de Viriato dada a Cava provém dos 
eruditos, e nlio tem por isso importancia (embora possamos conservar 
a tradirlo), nem por isso a Cava deixa de ser monumento por ora unico 
na nossa archeologia, e que deve merecer toda a venera9do, quer dos 
estudiosos, quer do publico. 

A semelhan^a do que n-0 At'chéologo se tem feito a proposito de 
outros monnmentos ou estafSes archaicas, inaugura-se hoje aqui urna 
sec9So destinada a archivar estudos concementes a Cava. 

J. L. DE V. 
I 

Notlela oontida nnma revlsta alleml (1868) 

A notieia que vae ler-se é extrahida da Archàologische Zeitung 
de Berlim, nova serie, voi. i (1868), pag. 14-15, de um artigo com 
o titulo de «Ròmisches Lager bei Viseu in PortugaU, — escrito em 




W. 



Fig. !.• Fig.2.*. 

fórma de carta dirigida por W. Gurlitt a E. Hiibner. Esse artigo vem 
acompanhado de urna breve pianta e perfl, que reproduzo no mesmo 
tamanbo, plus minus (figs. 1.* e 2.*). 

« . . ist ein Erdwerk in der Form eines fast regelm&ssigen Achtecks 
und liegt in dem tiefsten Theile des breiten Hoehthals . . von Viseu . . 
doch ist es von alien umgebenden Hòhen weit genug entfemt, um gegen 
einen Angriff von oben herab sich zu sein . . Vier Seìten sind noch 
voUstàndig [fig. 1] . , . Jede Seite . . ist uber 330 meiner Schritte lang . . 
Eine Strecke von 170 Schritt an der vierten und làngs der ganzen 
Ausdehnung der fìinften Seite zeigt sich der Graben in seiner ursprung- 
lichen Breite von 28 Schritt, theilweise noch mit deutlich erkennbarem 
einstufigem Profil [fig. 2], aber durch Ackerboden bedeutend aufge- 
fuUt. . . Die Walle. . bestehen aus dem Erdreich der Umgebung, san- 
digem Lehm mit grosseren und kleineren Steinbrocken vermengt. .». 
O A. resumé um ms. de Berardo, conego da sé de Viseu: segimdo esse 
ms., a Cava era antigamente «noch mit einerThiir verschlossen . . vier 



O Abcheologo Portuoués 13 

grosse Oeffiiungen fuhrten hinein, zwei im Norden und zwei im Siiden; 
sie mogen alten Thoren entsprochen haben. • >. 

O A. nSo diz o que poderia ser a Cava; limita-se; a citar a opi- 
nilo de fierculano e de Berardo, segando a qual seria um acampamento 
romano. 

No ms. de Berardo diz-se que o mon amento jà tinha o nome de 

Cava de Vinaio nam doe. de 18 de AbriI de 1461 [Mas ler-se-hia ahi 

so Cava, sem Viriatof], 

^ J. L. deV. 

II 
EsUdo actnal da Cava (1908) 

Do interessante ReUUorio sobre as óbras de tanservagào da Cava de Viriaiho, 
oiganizado a pedìdo do Sr. Presidente da Camara Municipal de Viseupelo Sr. Ma- 
ximiano de Arag&o, Hippolyto Maia e José de Almeida e Silva, relator,— e im- 
presso em Yisea em 1903, extràio os trechos que vao ler-se, que exp5em as cir- 
cunstancias em que a Cava està na actualidade. Como iIIustra<2&o, junto uma 
pianta da Cava, que me foi obsequiosamente enviada pelo digno director das 
obras pnblicas do districto de Viseu, o Sr. Engenheiro Teixeira de Aguilar. 

'So citado Rdatorio os signatarìoB advogam calorosamente a ideia de que 
a Ex."* Camara Yisiense mande restaurar a Cava, e vele pela conservagfio de t&o 
notavel monumento. NSo póde ser mais justa a reclama^fio ; e é de esperar que 
ella encontre eco nos poderes pubiicos. 

J. L. DE V. 

cÉ a Cava de Viriate nm campo entrincheirado de muros de terra, 
eom a fórma de nm polygono octogonal quasi regalar, do qual escolhe- 
mos o lanQO arborizado que faceia eom a cathedra! visiense, para d'ahi 
come9armos, na direcglo K., o nesso exame. 

O 1.*^ lanfo, qae é cortado a S. e antes do seu vertice por um ca* 
minho recentemente aborto, mede de comprimente total 316 passos de 
(y",80, ou 252",80. seu estado de conservagSo mantem-se regalar, 
se bem que eom o primitivo aspecto jà perdido, em consequencia das 
recentes obras de aformoseamento ali praticadas. 

£ncontram-se nelle apenas frennentes passadeiras feitas pelo povo, 
as quaes tem escalavrado o plano das faces por onde passam. 

O 2.^ lango, que ligado ao 1.^ entesta na antiga abertura da Cava 
junto i quinta da Machada, tem de comprimente 296 passos ou 236'",80. 
Nelle apenas ha a notar a repetÌ98o das passadeiras, e os abusivos e 
extensos cortes, ainda recentes, praticados na sua face interior e topo 
N., eom provavo! mudanga dos marcos camararios, feita talvez pelo 
proprietario da quinta confinante, e bem assim dois muros d'està mesma 



14 O ABCHBOtOGO POBTUGUÉa 



quinta construidoB sobre este lan^^o da Cava, os quaes ìnterrompem 
e opprimem a independencia da sua base. 

Q 3.® Ialino, qne mede de comprimento, a partir da abertura da 
Cava até o seu vertice, 332 passog oa 265'",60, encontra-se no principio 
bastante esealavrado sobre a quinta da Machada, estando abi a sua 
face ezterior quasi a prumo. Segue depois num regular estado de con- 
serva^ e aspecto primitivo, cereeado, apenas a nìeio e em frente da 
extincta fabrìca de vidros, por umas escava98es, de onde se tem ex* 
trahidó saibro em grande quantidade. 

Por esses sitios e no oaminho interior que corre parallelo a este 
lan$o da Cava, praticaram-se recentemente umas escava98es em fórma 
de valla, cuja terra parece ter sido levada para dentro da quinta con- 
finante. No extremo d'este lang-o ha por dentro e perfora umas esca- 
va{5es antigas, cobertas de mato. 

O 4.® lan^o, a meio do qual fica entra abertura da Cava, mede de 
comprimento 297 passos ou 237"',60. Mantem-se bem conservado, ex- 
cluitìdo umas faltas de terra logo no seu comego, e o córte a prumo 
sobre o caminho interior, que jà é antigo. Num dos topos d'este lan^o 
que dào para a abertura ali existente encontra-se um muro que sobre 
elle vae terminar, pertencente à quinta da Machada, o qual Ihe cerceia 
urna parte da base; e no topo fronteiro ha uns abusivos cortes recent^s, 
feitos exteriormente na base, para aumento do campo de milho de que 
està culti vado o. fosso respectivo. 

O 5.° lanyo, que mede de comprimento 323 passos ou 258™,40, é 
de todos OS cito langos da Cava o que, juntamente eom o seu fosso, se 
encontra ainda boje no melhor estado de conservaglo, podendo affirmar- 
se qne o seu actuàl aspecto é o primitivo. Apenas tem no comedo urna 
antiga passadeira, jà cobprta de mato, e da qual o povo nSo se serve 
actualmente. 

O 6.^ lango, que mede de comprimento 281 passos ou 224",80, 
mantem-se semente alteroso na extensSo que vae do seu come9o até 
o caminho de S. Tiago, que neDe ^ntra para dentro da Cava. Nesta 
parte foi recentemente cerceado na sua base exterìor, até o topo da 
^bertura, nào sÓ por um poQo, corno pelo córte da face, sobre cnjo 
terreno se estende um campo de milho, que é cultivado no seu fosso. 
. A margem exterior do fosso séco que reveste parte d'este lan^o 
etodo o anterior, e na qual corre um caminho publico, eticontra-se 
oscalavrada por profundas explora^Ses de saibro, que prejudieam e 
destroem o seu aspecto primitivo, que, corno diss^mos, é grandioso 
e^ no cdizer de ttm distincto archeologo, e ainda hoje um fosso modelo 
qSo somente em fortifica9llò passageira». 



O Abcheologo Portc6u£6 15 

Estas escava^Ses estSo praticadas no extremo d'este lan90 de fosso, 
qne fica fronteiro a S. Tìago. . . 

A parte d'este 6.® lan(o, qae corre jà de N. a Sifronteira ao ca- 
be90 da. Esenlca, pouco se salienta hoje sobre os terrenos confioantes, 
ameajaiido urna proxima e completa destruÌ93o se nSo Ihe acadìrem 
quanto antes, restabeiecendo nSo so os terrenos usarpados, corno de-* 
marcando-os caidadosamente. !Nesta face as abusivas apropria$5es de 
terrenos, qner interior quer exteriorìnente, assumem as proporgSes de 
um verdadeiro latrocinio. Todos os annos os proprietarios confinantes 
avangam os sens sachos sobre aquelles venerandos restos. Ainda assihi« 
com milito traballio, pndemos encontrar ahi vestigìos da demarca92o 
mnnieipal de 1818, e fragmentos primitìvos do alinbamento do fosso, 
que podem orientar o restabeleoimento da face exterìor d'eate lan90. 

A sua face interior ainda se conserva saliente aos terrenos confi-r 
Dantes. 

Sobre o topo S. da entrada que neste lan(o existe para o interior 
da Cava avan9a a construc9fto, ainda por acabar, de um^muro de qninta, 
evidentemente sobre terrenos sens e do Municipio. 

7/ Ian90, que mede de comprimento 317 passos ou 253*^,60, 
apresenta hoje um iimitadissimo relevo sobre os terrenos marginaes, 
semelfiante à maior parte do relevo do ^an^o anterior, e nelle tem o sacho 
dos coltivadores das glebas limitrofes operado, e continua a operar, os 
mesmos vandalismos. 

A doìs termos de extensSo na direc9ào S. d'este lan9o, havia, ainda 
ha talvez oito annos,. uma saida publica para o cammbo de S. Tiago^ 
que desembocava junto ao pontlo, pela qua! muitas vczes passaram 
08 signatarios d'este relatorìo, Dr. Aragào e Almeida e Silva. Pois 
està saida publica, que era um caminho de carros, foi primeiro abu- 
sivamente tapada com moitas e, tempos depois, com muro de pedra. 
A seguir a este abuso, dois proprietarios de quintas confinantes, foram 
tapando com muros e cancellas o proprio cblo da Cava ali existente, 
e bem vizivel ainda sobre a margem do ribeiro de S. Tiago. 

Uma reintrancia em angulo recto que faz o muro do caminho pu* 
blico jnnto ao pontSo d'este ribeiro, prova bem, juntamepte com a base 
de um marco municipal ali existente, nSo so a referida passagem, comò 
quanto avan9ava para fora este lan90 da Cava. 

estremo d'este ian^o està jà encorporadò no caminho de S. Tiago, 
mas bem visivel ainda, ficando o vertice do seu angulo com o lan9Q 
8.% ji HA. quinta do Covai. 

D'este vertice nfto resta hoje o menor vestigio, pareceodo, apenas, 
qae ficava junto a uma po9a de grande nascente de agua .oOm dois 



16 Abcheologo P0RTOGUÉ8 

engenhos, pertencente a està quinta, rente ao muro do camlnho de 
S. Tiago. 

O 8.*^ Ian90, e ultimo, mede de comprimeuto 337 passos oa 269"*, 60, 
ficando ao meio a abertura da Cava denomìnada cdo Covai». A pri- 
meira metade d'este lan90 est^l encorporada no camiuho de S. Tiago, 
nivelada com os terrenos interiores, mas bem nitida e sobranceira pela 
parte de fora. 

A segunda metade, que fica ji dentro de quintas muradas, e, por- 
tanto, na posse particular, conserva-se ainda alta e saliente para fora, 
revestida por um trecho de fosso séco, muito valioso para a archeolo* 
già, pelos grandes blocos graniticos que formam muro de amparo 
das snas margens, e que sXo certamente de construcgko primitiva. 

Està parte de lanfo offerece para fora, sobre fosso, que tem 10 me- 
tros de largo, uma altura de 8 a 10 metros; e para dentro, para o campo 
entrincheirado, a altura de 1 a 1"^,50. 

A seguir a està parte do 8.® lango, ha uma pequena por^fto do 1.^ 
lan^o, na extensSo de 69 passos até muro do camìnho puUico, ali 
recentemente aberto. 

Este pedago do lango n.*^ 1, que tambem é propriedade particular, 
se bem que saliente e na mesma altura que a por9So do 8.® lango an- 
terìor ji descrìta, osti, contudo, bastante deformado pelo cnltivo da 
terra, sendo mais 4 metros que resto do mesmo lango que està arbori* 
zado nào Ihe restando jà relevo algum sobre os terrenos interìores. 

Eis aqui a exacta e minuciosa descrì9So da Cava de Viriato, corno 
ella se encontra actualmente». (06. ciL, pp. 3--7). 



Preoiosidades aroheologioas 

I. Eplgraphia lapidar 

Existem no velho edificio jesuitico de S. Roque, hoje casa da Mise- 
ricordia de Lisboa, e na sua egreja, em sitios escusos, quasi geralmente 
desconhecidos, dois padrdes escriptos na pedra, duas formosissimas 
lapides do seculo xvi, testemunhos preciosos das datas da fnndaySo 
e sagra$fto da famosa ermida de S. Roque e adjacente (idro da peste, 
estabelecidos nos prìncipios do seculo xvi, no alto d'aquelle cerro co- 
berte de olivaes, destinada a ermida para center as venerandas reli- 
quias do Santo — tido comò advogado centra as pestes — , e adro 
para nelle se enterrarem os que falleciam pela cidade, victimas da 
epidemia. 



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O Archeologo Pobtuqués 



17 



Acabada a coDstruc92o da ermida e estabelecido o adro contiguo, 
foi a primeira sagrada em 25 de fevereiro de 1515 e o adro em 24 
de maio de 1527. 

Commemora a sagrando da ermida a primeira das duas lapidea — 
a que se encontra ao fundo de um corredor e topo de um pequenp 
lango de eseada de pedra que vae da sacristia para a casa do despacho 
da irmandade de S. Roque e cartono da egreja. 

E urna bella lapide, de C^^eO de largo, por 0*",55 de alto, com a 
inscripfSo, em formosos caracteres de lettra allemà minuscula, vulgar- 
mente chamada gothica, do teor segainte: 



Ha •: tvn * ht ^ mìi - tìt • tìti * uat^ * rriiii* 

hìat • U m^9 • 0t Mfiun » t^tu * ta 

ffu • ht Som * Jjiuiiue * tna - tra * ht mil 

U * tu hìU • bpi • tntxn^ * ^ • untariHa 
ht * afùBt$iitn * i • rabii « i|fi * ail0 • m^ * rr 

• sf^9 • alo9 * irif # mnhim$ 



A outra lapide existe em um dos topos de uma galeria, que corre 
pela face notte do pateo grande das cistemas ; mede 0'",81 de largo 
por 0^,52 de alto. A inserip9ao é nos mesmos earacteres minusculos 
gothicos, nitidamente cavados na pedra, e é do teor seguinte: 



mi^nhu Mxtì noi^a bùx i 
ttiììi ht main U ilr rf di} pu 
ìtpi H ibdxì9 tu 'ùniÌBttita, 



Este D. Ambrosio è D. Ambrosio BrandSLo ou Pereira, bispo de 
Rossìona, coadjutor e provisor do arcebispo de Lisboa, o eardeal in- 
fante D. Affonso. Era naturai do Porto, doutor pela Universidade de 
Coimbra, etc, e o mesmo que lan$ou a primeira pedra do convento da 
Graga e sagrou o mosteiro do Carmo, em 1523, segundo se le na lapide 



IB O Archbolooo Postugdés 

de bellos caracteres gothicos, qae esti affixada na frontarìa, i esqaerda 
do portai, entrando *. 

Chamavam-se naquelle tempo adros os cemiterios. O P.* Raphael 
Blateau assim o define: — cpor ctdro se entende cerni terio; porqae anti- 
gamente nio se enterravam os christSos nas egrejas, nem ao pé dos 
altares, por respeito ao Corpo e Sangae de Jesns Christo, que nos ditos 
logares se consagra, mas nos adros das egrejas, a saber, na entrada 
e deante da porta prìncipal d'ellas se abriam as sepnltnras, etc.» 

Este adro e cemiterio de S. Roque foi insti tuido para acudir à peste 
de 1523, segundo se ve da carta de D. JoSo III, escripta em Almeirìm, 
existente no Livro I do Proviniento da saude, fl. 74, em que ordenava 
à Camara que estabelecesse dois oemiterìos: « . . bua na erdade q està 
fora do postigo de San Vigente, sobre samta m.^ do paraiso, e out.^ na 
que està sobre SI Roqne. « »^. 

A carta règia de 25 de julho de 1525, do mesmo Livro, fl. 101, 
determina se estabele^am adro9 fora da cidade — cS tal legar ^, quando 
ho norte passar por cima deles, n5 dee na cidade » '. 

O adro de S. Boque ficava encostado à muralha da cidade, e entre 
ella e a ermida. Os escravos que falleciam da peste eram langados em 
P090S, deitando-8e*lhes por cima cai virgem*. 

Assim se determinava no mesmo Livro, fl. 51, e na carta règia de 
13 de novembre de 1575: 

«Nos ssomos ^ertificado que os escraTOs qua fallecem nesa 9Ìdade, asy dos 
traetadores de guinee, oomo ootros, nam Bstm %By bem 8oter«do«, corno devem, 
DOS Uugares omde bS lUm^ados, e quo sae lli^am sobre a teerra em tali maneira 
que fiquà descubertos, ou de todo ssobre a terra sem cousa aUguma delles se 00- 
bryr, e -que os caees os comeem; e que a maior parte destes escravos se lla^A no 
monturo, que estaa jumto da cruz q estaa no caminfao q yay da porta de Santa 
C."* p*^ santos, e asy tanbem em ontros Uugares pellas herdades dhy darredor ; E 
que posto que nysso tenhae^fs provydo com pennas, e provejaeds todo ho poaiaell, 
se nà remedea corno deue. E p' que ysto convem de ser m.*' provido, p' a coru9& 
que se segiria da podrìda dos ditos corpos, comsyramos q ho milhor remedio sera 
fazerse huu po^o, o mais fundo que podese ser, no llugar que fose mais comvi- 
nhauell e de menos incomvynìemte, no qual ss llS^assem os ditos escravos ; e que 
fose ll&Qado, de tenpo <*m teitpo no dito po^o, allgama camtidade de cali virgem, 
pera se milhor gastarS os corpos, e se eseusar mais que possiuell ffor a dita 
coru9S ; E que a este po^o fosse feìto ao redor da boca huu eercnyto de parede 



1 Pinho Leal, Portugid aìU. t mod., t. iv, pag. 2il e 268; e Catalogo da» JSsmo- 
lereB-mares, manuscrito da Biblioteca Nacional E-3-1. 

2 El€nieni08 para a historia do Municipio, tom. i, p. 470. 
» Idem, p. 454. 

* Pinho Leal, tom. it, p. 163. 



AacHBOLoeo Pmtoqués 19 

de pedra e eàl!, e .qae q'4f , q e^cravo llam^as'e oa mldue Jlan^iir em out* eabo, 
salso DO <ilto poi^ pagase huaa ^erta penna, quali vos bem pare9ese : porem vo8 
eneomendamos e niildamos qae lloguo njsto emtedae^s^ e vejaeés o llugar que 
sera maiB oomvTmfite p" o dito po^o sse fazer, e aseentay a penna q se pohera, 
e todo o q nyso fezerdes noe «crevee eompridam.** p* o vennos, e averdea nona rea- 
poata. E emcomèdaaMM vos q llogao nyato emtedaefia, p*" q ho ayemos p' coaaa de: 
m.'** noeo seroi^. Serìpta em allmejrrim, a 13 dias.de novibro de 1515. Bej. — 
P.* a cidade aobre o po^o hi ae lan^arS os escrauos». 

A Camara mandou abrir o pogo on vaHa no sitio que ainda hoje 
conserva a denominagao de Pogo dos negros^. 

Tambem na cidade do Porto o cemiierìo espeoial onde a Misericor- 
dia dava sepultara aos corpos dos justÌ9ados se denominava, corno ji 
dissemos^ o Adro dot enforcadm. Era um recinto vedado por un muro^ 
com portlo de ferro^ urna capellinha e um cruzeiro de pedra, aob a in* 
voea$Io do Senhor dos Afflìctos. Este adro acaboa em 1836^. 

II. VoeameBtos» lliuntsanui e sellaa 

A prèciosissima collec9SÒ de reliquias existente na antiga égreja de 
S. Roque, da exttncta Companhia de Jesus, doada em grande parte pelo 
geral Claudio AquaViva, pela rainha D. Catharìna, pelo celebre D. JoSo 
de Borja, filho de S. Francisco de Borja, e ainda por outros geraes da 
Ordem, veio acompanhada de muìtas cartas, a que chamam autenticcuf 
ou tesUmonios, nas quaes se consignava a doagào de cada urna ou de 
cada grupo de reliquias, designando-lhes a proveniencia e garantindo- 
Ihes a autenticidade que as reoòmmendava à venerasse e culto dos fieis. 

Assim eona aa retiqnias efiiveraDi, durante quasi um seculo, occul- 
tas em esconderìjo pelos padres da Companhia, quando preoipitada e 
forgadamente tiveram de abandonar a sua Casa Professa e Egreja, para 
seguir para o esilio a que os condemnou o Marquez de PombaI, assifn 
tambem està ìnestimavel colIecgSLo de pergaminhos, quasi todòs dos fins 
do seculo XVI e comegos de seculo xvii, andava perdida, provavelmente 
desde 1843, epoca em que o autor de urna Memoria, que nessa data se 
publicou, OS consultou e a elles fez referencia^. 



> Elementas para a HiHoria do ìiumeipio, 1. 1, pag. 509, e t. zi, pag. 18G, nota. 

* Pinho Leal, t. ▼. 

' Intit«la-8e este carioso oposcnlo', hoje ponco volgar: Memoria do de90obri' 
maUo e achado dos scigradas reliquias no antigo sanctuario da egrga dt S, Moquty 
com a notida kistoriea dafunda^o da megma tgr^a e sanciitario e da solemM/uta, 
de Lisboa, Imprensa Nacional, 1848. Sem nome de auctor. Attrìbuido ao P.* Fran- 
cisco Salles, capellfto da Misericordia, nascido em 1806. N&o pode comtndo asse- 
Terar^se ae foi elle o sen anctor ou apenas o publicador. 



m 



O Archeologo Pobtuoués 



Estes docuuientos de qae faavis noticia antiga appareceram agora, 
em urna caìxa de hta, fechada a cadeado, em um armano antìgo. Com- 
ptìe-ae a colkcylo de uns 84. documentos, muitos em pergaminho, com 
lettras ornadas e doiiradas, outros em papel e acompanhados de interes- 
santes gelios, de oera e de obreia, e reveiando alguns curiosos auto- 
graplios. 8^0 de alto valor para o estudo da sigillographia. 

Os selloa cuja reprodiic^ào, tao perfeita quanto o permitte o estado 
dos orijsnnaes^ apresentamos^ sSo na sua maìorìa de geraes e provinciaes 
da Companhia de Jesus: 







Bc'lloA ile prepositos e provinciaes da Companhia de Jesus 



N,* L — Sello do P.® Preposito da Companhia de Jesus, com a legen- 
da, em volta: — SIGILLVM • PRìEPOSITE • SOCIETATIS • lESV. 

N.° 2. — ^Sellu da Companhia de Jesus, no documento n.® 15 da 
Collecgao dos aotenticos, datado de 1594. 

N.*" 3.— Selio da Provincia de Aragào, do documento n.® 51' da 
dita Collee^^ào, datado de 1634, com a legenda: PROVINCIA • IN • 
P ARAO SOCIETATIS • lESV. 

NJ* 4*^ Sello de outro documento, datado de 1631, com a legenda: 
PROVINCI ALIS - P - LVSIT • SOCIETATIS • lESV. 



O Abcheologo Portugués 2i 

N.'* 5. — Sello do documento ri.° 43 da dita Collec9ao, datado de 
1601, 

K.** 6.— Emblema da 'Companhia, gravado no alto do documento 
n.*' 21 da citada CoUec^So, datado de 1568. 

Apontareraos alguns dos mais notaveis d'estes documentos: 

O n*** 1 é tegtimonio de urna reliquia de 8. Procopio, patrono da Bohemia, 
doado por Florìan de Lago a D. Joao de Boxja, em 16 de janho de 1587. È vah 
bello pergaminho, com sello. 

O n.^ é a carta de doa9ao a D. Jo2o de Borja de varias reliquias do santo 
lenho, espinho da coroa, e te. £ urna carta, dada em Praga em Ì581. Bello per- 
gaminho a preto e ouro, com sello appenso, dentro de caìxa metallica. 

O XI.» 3 é tettimonio de varias reliquias de S. Pascasio, Santo Saturnino, 
8. Maximo e outros, tiradas do cemiterio de S. Calixto, de Roma, em 1594 — Per- 
gaminho. 

xx.» ^9 outro pergaminho ; carta do Nuncio de Madrid, de 1587, acompa« 
ubando dnas cabe9as de virgens e ossos de varios santos. 

xx."* S^ é um grande pergaminho com lettras a ouro e preto; carta passada 
em 1581 para autenticar umas reliquias do santo lenho, do leneol e toalha e de 
varios santos, por Horatius marchio de Malaspina PrathonoUNriuè de Gregarius 
PapaeXIIL 

O xx.*' O é o testimonio de urna particula do espinho da coroa, o£ferecida pelo 
Sr. de Pemestan a D. Jo&o de Borja, em 1579. 

xx.« '7' grande pergaminho com lettras a ouro e preto, do mesmo HoraUut, 
de 1581, acompanhando as reliquias que estao na cruz grande de prata. 

Oxx.* S é um magnifico pergaminho, com grandes lettras a ouro. Carta de 
Praga, de 20 de abril de 1580, que acompanhou varias reliquias, cabeea de Santa 
Brigida, osso de S. Girao, martyr, de Santo Otho, e braco de Santa Isabel. É 
kwtmonio feito em nome do imperador Rodolpho, cujo autographo subsereve a 
Carta e vae a^ui reproduzido, por calco. Come9a com os dizeres em formosa» 
lettras omadas : JRodolphus SrAniTuius ekctua Bomanorum Imperatorf 9emper augus* 
ht$ ae Germaniae, Hungariae, Bohemiae Datmatiae. Tem o grande sello em cera^ 
com as aimas imperiaes. 




XX.* O é um pequeno pergaminho, de 1601. Carta de doa92lo, a S. Francisco 
da Companhia de Jesus, de uma reliquia de S. Lucio, papa. 

O xx."» IO autentica ossos encontrados no adro da egreja de S. Roque. 

O XX** Id é testimonio de varias reliquias que o P.* Ignacio Martins trouze 
de Roma e da Allemanha para repartir pelas provincias da corca de PortugaL 




O ABCHB0L060 POBTUOaÉS 



É ama caria impressa em pergaminho, datada de 22 de setembre de 1973. Fez 
entrega da parte respectiva, ao P. Jorge Sarrfto, Provineial da Casa de & Boque. 

Os n.""* 13 e X4L sSlo cartas testemunhaes do mesmo HoraUiu, respectivas 
às teliquias que estSo do relieario de los angeles e no pé da imagem de Noasa 
Senhora de prata, formosa e antiqulssima pe^a artistica. 

Oh.'' la refere-se a reliqaias traaidaB pelo P.' Manoel da Costa, dadas por 
D. JoSo 111, pela conimendadeira de Saatos D. Helena de Castro e rainha D. Ca- 
tbarina, pelo arcebispo de Bn^a B. Agoetinho, e ainda a outras doadas por D. Joao 
^ Boria, sondo Proposito o P.« Maaoel Siqaeira e arcebispo de Lisboa D. Ifigiiei 
de Castro, em 1594. 

O li."* IO é carta do dito Horalias e o n.<» 17 é ama carta, com bellas iettras 
omadas de Claudio Aqua XbfSLyPrqKmtus genendis, SocUiaiis Jem. Roma, yi, Ja- 
neiro HDxciiii. Beprodnzimos tambem aqai, am calco, da assignatara de funoso 
Preposito. 




O tk*^ 18 é doeamento de 1576, relativo a reliqaias doadas pela abbadeasa 
,de Santa Maria Madalena de Hangria, com o autographo de Helena Badae. 

O B*° IO9 bello pergaminbo com capitaes fiorìdas a vermelho e proto, é 
urna autentica dada em Colonia por Tbeobaldo, doutor da Santa Sé Apostolica. 

Os ti,"* 9SO9 SSl e sd5td sao documentos de 1606 e 1568, acompanhadoe de 
séllos (em obreia e cera) com os emblemas da Companhia de Jesas. 

ii.<* %S& é am bello pergaminho a yermelho e prete, com capital ornada. 
Foi dado em Colemia em 1579 por Beatriz de Stnmmel, abbadessa do Mosteiro 
de Santos Macchabeas.Traz o aatograpfao e sello em cera. 

Passaremos ao n.* 4^ que é am bello pergaminho. Carta, cscrita em hespa- 
nhol, da<la em S. Loaren90 em 1587 pela Imperatriz Maria, rainha da Hungrìa 
e da Boheniia» Infanta de Hespanha, Archidaqaeza de Austria, Duqaeza de Bor- 
gonha e Condessa de Tirol, ao seu mordomo-mor D. Joilo de Borjay enviando 
reliqaias de 8. Gregorio Thaumaturgo, de S. Roque e de Santa Barbara. 

Tem a assignatura autographa e o sello re al pendente. 

Os u.""* -43 e -^tT" sào documentos escriptos em papel, datados de 1581. 

II»** 00 contém o autographo do P."^ Manoel de Siqueira, Preposito da Casa 
de S. Koque. 1594. ». 

Finalmente o n*** '^'O, envianMo urna costella doa Santos Innocentes Martj- 
res é urna carta do proprio doador D. Joao de Bprja, por elle assignada e sellada 
com o seu sello, que infelizmente se acha esmagado e obliterado, percebendo-se 
apenas o desenho da corda. Està carta é do teor seguinte : 

«Don Juan de Borja Conde de May aldo, Majordomo major dela £mperatriz 
mia se fiora, digo que yo he dado alos padres dosa compailia de Jesus de la Casa 
de S. Roque de la ciudad de Lisboa una Costilla de los sanctos nifios Innoeentes, 
laqual huue en Alemania de lugar donde era tenda, y''yenerada portai de machos 
aiios atras y para que conste desta verdad, y de la dieta sancta Reliquia puede 
sor puesta en lagar publico y venerada portai de los fieles Christianos, di està 



O Abchbologo Portuqués 



23 



fé y tefttimomo fiimado de mi mtao y sellado con mi sello ea Madrid a ciiico de 
noviembre de mill y quinientos y noventa y seis aftos.» 
(assignado e sellado). 

Z>. Joào de Borja. 




Taes s3U>, entre muiias oatras, as precìosidades archeolog^cas de 
qne é possaidora a Santa Casa da Misericordia de Lisboa. A ellas 
e a outras me refiro largamente na minha monograpbia, publicada pela 
Academìa Real das Seieneiaa em um tomo das suaa Memorias, intita- 
lada: A Santa Casa da Misericordia, suòsidios para a stui historia 
(1902), de cnjo capitolo vii é em parte extrahida està notìcia. 

Victor Ribeiro. 



As lapidea do Moseu Aroheologrloo de Din 

Nos n.^' 7 a 9, do volume vm, da revista O Archeologo Portaguès 
veio publicado nm artigo aob o titttlo de Archeologia indiano-porluguesa, 
que convem rectificar por center inexactidSes. 

Diz-se ali na parte i, transcrita d-0 Seculo de 14 de janho p. p.: 
<jà agora, pertanto, nào é licito duvidar que fiquem por ahi em ii\jns* 
tificavel abandono^ algo criminoso, tantos monumentos de valor aqui 
existentes, qne attestam em piena evidencìa que fomos no Oriente urna 
naoSo eulta e poderosa». 

leitor deprehenderà d'aqui que todos os antecessores do actual 
govemador do distrìcto deixaram nas estradas e baldios as lapides e 
oatros monumentos de valor, encontrados em modernas ezcava^Sea ou 
arrastados na derrocada de alguma muraiha, à mercé do primeiro bà* 
nean^ que d'ellas se aproveitasse para soléira da porta da sua casa; 



24 O Arcbbologo Pobtugìués 

mas folheando um opusculo, intitulado Diu, que Se publicou em Ooa 
no anno de 1899, quando ea estava governando aquelle distrìcto, e é 
escrito pelo Sr. Jo2o Jeronymo Lobo de Quadros, encontra a pag. 63, 
nota 1.*, seguinte: 

c£ssa lapide e as mais que se viam no dito muro e no baluarte 
S. Joao, foram mandadas recolher Hnm compartimento da secretarla 
do governo de Diu». 

Ora essas lapides sao as citadas sob os n.^' 1, 2, 4, 5, 6,7, 8 e 9 
na parte it do mesmo artigo, e foram mandadas recolher por mim. 

No final da parte ii assinada pelo Sr. Quadros, o mesmo autor do 
livro, lè-se: 

«Algumas das inscrìpfSes que transcrevi j& foram publicadas pelo 
erudito archeologo Cunha Rivara, em 1865, no Boletim do Governo 
d'este Estado, nos n.***73 a 86; outras, porém, ultimamente encontra- 
das, s3o agora mencionadas pela primeira vez». 

As inscrip93es ultimamente encontradas s3o as citadas sob os n.^' 10, 
12, 13 e 14; a 11.'** nSo foi encontrada, tiraram-na propositadamente 
do logar em que se achava, e o mesmo succedeu com a 3.^"^, nSo me 
parecendo que qualquer d'estas duas deva estar no Mitseu Archeologico. 

As outras, 1.*, 2.*, 4.* a 9.*, recolhidas primeiramente na secretarla 
do governo, e d'ahi transportadas ha pouco para o Museu, nSo foram. so 
publicadas por Cunha Rivara, corno tambem pelo proprio autor do ar- 
tigo no seu livro Diu, e algumas, por Filipe Neiy Xavier, na lUtutra- 
^ào Goana, e por mim, no Ta-ssi-yang-kno, revista dirigida pelo Sr. 
Marques Pereira, editada pela casa Bertrand. 

A inscripfSo do canh2to de bronze que tem a Roda de yS".'*" Catarina, 
acha-se transcrita no citado livro Diu, pag. 62, e tambem no relatorio 
de 1899-1900 do actual governador do districto. 

Vejamos agora as taes inscripfSes ultimamente encontradas, e agora 
menoUondiàBS pela primeira vez, isto é, as 10.*, 12.*, 13.* e 14.* 

As inscrip95es 12.* e 13.* descobertas quando procedi a excava* 
ySes, ou antes a desaterros, no logar da antiga Sé, dentro do Castello, 
em busca da sepultura de D. Fernando de Castro, foram mencionadas 
pelo proprio Sr. Quadros, no seu livro, a pag. 77 nota 1.*, e por mim 
no n.^ 6 da serie 1 .*, do voi. I, do Ta-ssi-yang-hw, onde em artigo espe- 
cial, acompanhado de duas photogravuras, me referi a ellas. A refe- 
rencia do Sr, Quadros é a seguinte: 

«Gra9a8 is cuidadosas investiga95es do Sr. Pereira Nunes, gover- 
nador de Diu, foram ha pouco descobertas, soterradas nas niinas da 
Sé do Castello, duas lapides. Diz uma: Aqui jaz [segue-se a lapide de 
Falcio]. Diz a outra: Aqui jaz [segue-se a de Jorge de Scusa]». 



O Archeologo Pobtuqcéb 25 

Portanto, lapides ultimamente encontradas e mencìonadas pela pri- 
meùra vez, sSo unicamente as 10.* e 14.* Fica assim rectificado o ine* 
xacto artigo do Sr. Quadros, para que os leitores do Archeologo Por- 
tugues nio sejam induzidos em erro. . 

21 de Janeiro de 1904. 

A. Pereira Nunes. 



Onomastico medieval portuguès 

(ContiniUi(io. Vid. o Arch, Pori., Yiii, 278) 

Aurelias, n. h., 952. L. D. Mnm. Dipi. 38. 

Aurem, geogr., 1142. For. de Leiria. Leg. 377. 

Aaremiga, n. m., 964. Doc. most. S. Vicente. Dipi. 54. 

Aureo, villa, 1180. For- de Ourem. Lèg. 420. 

Aurentana (OurentS), geogr., 1050. Doc, most. Pedroso. Dipi. 231.— 

Id. 334. 
Auria, app. m., 1089. L. B. Ferr. Dipi. 434. 
Aurìcule, app. h., 1258. Inq. 620, 1.* ci. 
AurUi, geogr., 1258. Inq. 631, 2.» ci. 

Anrìmigia, n. m., 1096. Doc. most. Pendorada. Dipi. 499, n.*» 837. 
Aurio, n. h., 1038. L. Preto. Dipi. 182. 
Atirìol, n. h., 973. Doc. most. LorvEo. Dipi. 67. 
Aurioliz, app. h., 1086. Doc. most. LorvSU). Dipi. 397. — Id. 439. 
Auriolnis, n. h., 907. Doc. most. Lorvao. Dipi. 10. 
Aurion, n. h., 1091. L. Preto. Dipi. 450. 
Auripino, n. h., 980. Doc. most. Lorvào. Dipi. 79. 
Aurodomua, n. m., 1074. Dipi. 315. 

Aorodona, n. m., 1069. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 300. — Id. 313. 
Aurolic, app. h. (?), 1089. L. B. Ferr. Dipi. 434. 
AuroUz, app. h., 1089. L. B. Ferr. Dipi. 435. 
Anrseudo, n. h., 1041. L. Preto. Dipi. 105. 
Aurueilido, n. m., 1098. Dipi. 519. 
Aasemdìz, app. h., 1048. Doc. most. Moreira. Dipi. 222. 
Ausemdizi, app. h., 1047. Doc. most. Pendorada. Dipi. 220. 
xlusendo, n. h., 991. Doc. most. Moreira. Dipi. 99. 
xlnseri^s, app. h., 1033. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 171. 
Ausinda, n. m., 1083. Doc. most. da Graga. Dipi. 373. 
Ausindus, n. h., 922. L. B. Ferr. Dipi. 17. 
Aussal. Vide Oussal. 
Antderiquiz, app. h., 1044. Doc. most. Moreira. Dipi. 203. 



26 O Abcheologo PortuouÉs 

Auteirelo, geogr., 1220. Inq. 81, 1.* d. 

Aiiteirio (S.** Maria de), geogr., 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi. 

450. 
Auterelo, geogr., 1220. Inq. 81, 1.* ci. 
AutiUi, n. h. (?), 1059. Dipi. 256. 
Autino, monte, 994. L. D. Mum. Dipi. 103.— Id. 353. 
Autorelo, geogr., 1220. Inq. 81, 1.* ci. 
Auturelo, monte, 1009. L. B. Ferr. Dipi. 126. 
Auuil, lagoa, 922. L. Preto. Dipi. 16. 
Anuìtoreira, geogr., 1220. Inq. 149, 1.* ci. 
Anuolgodi, geogr. (?), 1083. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 372. 
Annrei, geogr., 1258. Inq. 372, 2.» ci. 
Anvitnreira, gcogr.^ 1220. Inq. 149, 1.* ci. 
Auxendo, n. h., 1059. Dipi. 263. 
Avana, app. h., 1258. Inq. 684, 1.» ci.— S. 165. 
Avareas, geogr., 1258. Inq. 357, 1.* ci. 
AYarenio, geogr., 1258. Inq. 646, 2.* ci. 
Avaria, app. h., 1258. Inq. 397, 2.* d. 
Avaya, n. h., sec. xv. S. 280. 

Avedyn (S." Maria de), geogr., 1258. Inq. 370, 1.* ci. 
Avel, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci.— Id. 371, 1.* ci. 
Avelaal, app. h., sec. xv. S. 342. 

Avelaeda e Aveleeda, geogr., 1220. Inq. 167, 2.* ci. — Id. 397, 1.* d. 
Avelaeira, geogr., 1220. Inq. 40, 1.* ci. 
Avelaido, geogr., 1258. Inq. 731, 1.* ci. 
Aveleeira, geogr., 1258. Inq. 366, 2.* d. 
Aveleeuda, geogr., 1258. Inq. 432, 1.* ci. 
Aveleira, geogr., 1258. Inq. 345. 
Avelenda, geogr., 1258. Inq. 432, 1.*^ ci. 
Avellanedam, geogr., 1258. Inq. 486, 1.* ci. . 
Avem, geogr.; 1220. Inq. 78, 2.* ci.— Id. 119. 
Avenalaria, geogr., 1258. Inq. 555, 1.* d. 
Avis (Bees de), geogr., 1258. Inq. 410, 1.* ci. 
Aviziboo, geogr., 1258. Inq. 579, 2.* ci. 
Avenaleda, geogr., 1258. Inq. 386, 2.* ci. 
AvenaUeda (S. Salvator de), 1258. Inq. 543. 
Avenelaria, geogr., 1258. Inq. 579, 1.* ci. 
Avenoso (S.'* Maria de), 1258. Inq. 493. 
Aveozo, castro, sec. XV. S. 181. 
Avergayu, geogr., 1258. Inq. 439, 1.* ci. 
Averguim, geogr., 1258. Inq. 438, 2.* ci. 



O Arcbeoloqo PosTuouis 27 

Avesso, casal, 1268. Inq. 687, 2/ ci. 

Avezam, geogr.y 1220. Inq. 1. — Id. 75. 

Avidos (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 63, 2.* ci. 

Avintes^ villa, 1258. Inq. 524. 

Avis, villa, 1258. Inq, 571, !.■ e 2.» d. 

Avis (Bees de), geogr., 1258. Inq. 410, 1.* cL 

Aviziboo, geogr., 1258. Inq. 579, 2.* ci. 

Avizimaa, geogr. (?), sec. XV. S. 327. 

Avizimaao, app. h., sec. xv. S. 327. 

Avoco, casal, 1258. Inq. 592, 2.* ci. 

Avoegio, geogr., 1258. Inq. 38, 1.* ci. 

Avoim (S.** Maria de), geogr., 1220. Inq, 188. 

Avoinas, geogr., 1220. Inq. 144, 2.* ci. 

Avoiuo, geogr., 1258. Inq. 536, 1.* ci. 

Avorim (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 128.— Id. 322. 

Avoy, app. h., 1258. Inq. 353, 2.» ci. 

Avoyn (S. Stephano de), geogr., 1258. Inq. 386. 

Avoyno, app. h., 1258. Inq. 410, 1.* ci. 

Avoytop morta, g®ogr., 1258. Inq. 370, 1.* ci. 

Avregam, villa, 1258. Inq. 596, 1.* ci. 

Avreiro (S. Stephano de), geogr., 1220. Inq. 190.— Id. 238. 

Avuytoreìro, geogr., 1258. Inq. 651, 1.* ci. 

Avnytureire, geogr., 1258. Inq. 652, 1.* ci. 

Aya, geogr., 1258. Inq. 597, 1.* ci. 

Ayam (S. Johanne de), geogr., 1258. Inq. 611. 

Ayamonte, geogr., 1254. Leg. 253. 

Aymi, geogr., 1258. Inq. 407, 1.* ci. 

Ayres, app. h., sec. xv. S. 151. — Id. 169. 

Aypó, geogr., sec. XV. S. 166. 

Ayzom, n. h., 972. Doc. most. Lorvào. Dipi. 66. 

Azaiam, geogr., 1055-1065. Leg. 347.— Id. 166. 

Azaki, app. h., 1088. L. Preto. Dipi. 420. 

Azakri, n. h., 954. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 40. 

Azam, app. h., 1258. Inq. 437, 1.' ci. 

Azambugeira, geogr., 1244. For. de Proen^a^a-Nova. Leg. 632. 

Azambngero (Penna de), geogr., 1092. L. Preto. Dipi. 458. 

Azarias, n. h., 1041. L. Preto. Dipi. 194.— Id. 261. 

Azebeto, villa, 1058. Doc. most. da Gra9a. Dipi. 252. 

Azedal, geogr., 1258. Inq. 293, 2.» ci. 

Azeit, app. h., 1094. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 479. 

Azer, geogr., 960. L. D. Mum. DipL 51, n.^ 81.— Inq. 330. 



28 O Archeòlogo Pobtugiués 

Aiewedo, villa, 978. Doc. most. Lorvio. Dipi. 78. — Rio, 1002. Doc. 

most. LorvSo. Dipi. 116, 1. 7. • 

Azevada, geogr., 1258. Inq. 659, 2.* ci. 
Azevenario, geogr., 1258. Inq. 659, 2.* ci. 
Azevetu, villa, 1081. Tombo S. S. J. Dipi. 357. 
Azevetusa, villa, 1081. Tombo S. S. J. Dipi. 357. 
Azevìdelo, ribeiro, 1258. Inq. 626, 2.* ci. 
Azioni, geogr., 1055-1065. Leg. 347. 
Azido, geogr., 1258. Inq. 560, 2.** ci. 
Azinariz, app. h., 966. Doc. most. LorvSo. Dipi. 58. 
Azinliaga, geogr., sec. xv. S. 379. 
Azinhnl de Arronclies, geogr., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 2.% 

C. 158. 
Aziquiadi, app. h., 1258. Inq. 478, 2.* ci. 
Aziuedo, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258. 
Aziueto, villa, 971. Doc. most. S. Vicente. Dipi. 65. 
Aiiveiro, fonte, 1258. Inq. 635, 2.* ci. 
Azivido, geogr., 1258. Inq. 298, 2.* ci. 
A^^moii^ app. h., 968. Doc. most. LorvSlo. Dipi. 60. 
Aznarez, app. h., sec. xv. S. 196.— Id. 293. 
AKnani, app. h., 1115. Leg. 141. 
Azot*nga, geogr., 1258. Inq. 520, 1.*^ ci. 
Azoes (S. Salvator de), geogr., 1220. Inq. 102.— Id. 253. 
Azoines, villa, 1258. Inq. 505, 2.* ci. 
Azoraria, geogr., 1258. Inq. 676, 1.^ ci. 
Azoreìra, app. h., 1258. Inq. 417, 1.* ci. 
Azoreyra, geogr., 1160. For. de Celleiró. Leg. 387. 
Azub(*ìde, app. h., 1016. Doc. most. Lorvao. Dipi. 143. 
Azuhdi, app. h., 1016. Doc. most. Lorvao. Dipi. 143, n.^ 229. 
Azzaki, app. h., 1090. L. Preto. Dipi. 436. 



BaauH (S. Martino de), geogr., 1258. Inq. 662, 2.* ci. 

Baazo {S. Adriano de), geogr., 1220. Inq. 47, 1.* ci. 

Babillon, app. h., sec, xv. S. 179. 

Babilo», n. h., 1258. Inq. 491, 2.* ci.— App. h. Inq. 492. 

Babtista (S. Johanne), 1258. Inq. 296.— Id. 477. 

Babuoso, app. h., 1258. Inq. 601, 2.* ci. 

Bacalusti, mosteiro, 970. Doc. most. Lorvào. Dipi. 65. — Id. 68. 

Bacelro, geogr., 1258. Inq. 435, 2.* ci. 



O Abcheolooo Pobtugués 29 

Bacelal, geogr., 1258. Inq. 546, 1.* ci.— Id. 693. 

Bacelares, geogr., 1258. Inq. 638, 2.* ci. 

Backi, n. h. (?), 1099. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 534. . 

Bacoriu, app. h., 1220. Inq. 79, 1.* ci. 

Bacoriiio, app. h., 1258. Inq. 308, 2.* ci. 

Bacopo, app. h., 1220. Inq. 201, 2.* ci.— Id. 154. 

Bacturio, n. h., 974. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 71. 

Bacurìo, n. h., 921. Doc. most. Vairao. Dipi. 15. 

Badalhoo^e, geogr., sec. XV. S. 155. 

Badanha, geogr., sec. xv. S. 383. 

Bademondì, app. h., 995. L. Preto, 107» 

Badi, geogr., 1258. Inq. 438, 1.* ci.— Id. 520. 

Badìm, geogr., 1091. Doc. most, Pendorada. Dipi. 450. — Inq. 375* 

Badoeo, geogr., 1085. Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 378. 

Badoucos, geogr., 1258. Inq. 697, 1.* ci. 

Bae<*a, app. h., sec. xv, F. Lopez, Chr. D. J. 1.^, p. 1.*, C. 140. . 

Bafahuas, geogr., 1258. Inq. 602, 2.* ci. 

Bafareira, casal, 1258. Inq. 683, 1.* ci. 

Balas, app. h., 1258. Inq. 298, 1.* ci.— Id. 324. 

Bafaul, casal, 1220. Inq. 81, 1.* ci. 

Baffaul, geogr., 1258. Inq. 722, 2.* d. 

Bafuarias, geogr., 1098. Doc. most. Pendorada. Dipi. 527. 

Baga, n. m. (?), 1010. L. Preto. Dipi. 130. 

Bagauste, geogr., 1182. For. de Valdigem. Leg. 428. 

Bagania, geogr., 1258. Inq. 492, 1."^ ci. 

Bagazerra, geogr., 1258. Inq. 535, 1.* ci. 

Bagino, n. h., 982. L. Preto. Dipi. 83. 

Bagoinnos, 1237. For. de Cepo. Leg. 628. 

Bagojrm, app. h., sec. XV. S. 350. 

Baguim (S. Georgeo de), geogr., 1220. Inq. 138. — S. 155. 

Bagulias, casal, 1258. Inq. 438, 1.* ci. 

BagaUo, app. h., 1220. Inq. 189, 1.* ci.— Id. 236. 

Baganti (S.^* Maria de), geogr., 1220. Inq. 185. 

BahaluI, n. h., 943. Doc. most LorvSo. Dipi. 30, n.^ 51. 

Bahaluli, n. h., 1059. L. D. Mum. Dipi. 261. 

Bahoeiras, geogr., 1080. Doc. most. Pendorada. Dipi. 349* 

Bahrì, n. h., 980. Doc. most. LorvSo. Dipi. 79. 

Baiau, geogr., 1066. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283. 

Bailessa, n. m., 1092. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 460. 

Baioo, app. h., 1220. Inq. 119, 2.* ci. 

Bairoso, rio, 1030. Doc. most. Pedroso. Dipi. 164. 



BO O Archeologo Postuqués 

najoca, geogr., 1258. Inq. 692, 1.* ci. 

Hakpi, n. h., 977. Doc. most. Lòrvao. Dipi. 7tì. 

Baiali, casal, 1258. Inq. 677, 1.* ci. 

Balasquida, n. m., sec. xv. S. 282. 

Balastario, monte, 1098. L. Preto. Dipi. 530. 

lialdamar, geogr., 1220. Inq. 156, 2.* ci. 

Baldamiriz, app. h., 1258. Inq. 326, 1.^ ci. 

Baldaudo, app. h., sec. xv. S. 175. 

Baldaya, app. h., sec. xv. Azur. Chr. Guiné, p. 59. 

Baldeniariù, app. h., 1070. Doc. most. Aroaca. Dipi. 303. 

Raldemiro, n. h., 972. Doc. most. S. Vicente. Dipi- 67. 

Balderediz, app. h., 1004. L- Prete. Dipi. 118. 

Balderedo, n. h., 964. L. Preto. Dipi. 55. 

Baldereiz, app. h., 1080. Doc. most. Pendorada. Dipi. 356. 

Balderique, n. h., sec. xv. S. 190. 

Ralderix, geogr., 1258. Inq, 427, 1.* ci. 

Baldey, geogr., 1258. Inq. 476, 2.* ci. 

Baldige, villa, 1182. For. de Valdigem. Leg. 428. 

Baldigi, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262. 

Baldoi, n. h., 1008. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 124 n.« 202.— Inq. 86. 

Bladoigii, geogr., 960. L. D. Mnm. Dipi. 51, L 13. 

Baldomar, geogr. Inq. 156, 2.* ci. 

Baldosendi (S.** Marina de), 1220. Inq. 95, 2.* ci. 

Baldosindi (S.** Marina de), 1220. Inq. 179, 1.* ci. 

Baldpei (S. Salvatore de), 1220. Inq. 20. — Id. 94. 

Baldreu, geogr., sec. xv. S. 162. 

Baldnge, rio (?), 1202. For. Tavoadello. Leg. 524. 

Balessa, n. m., 1037-1065. L. Preto. Dipi. 279. 

Balestarios, villa, 1033. Doc. most. Avè-Maria- Dipi. 171.— Id. 91 

e 330. 
Balenìi, n. h., 957. Doc. most- LorvUo. Dipi. 43. 
Balfager, app. h., sec. XT. S. 268. 
Balidu, n. h., 1009. Dipi. 127, n.*> 207. 
Balneum lepivsorum, geogr., 1258. Inq. 698, 2.* ci. 
Baloes, (S.^ Eolalia de), geogr., 1220. Inq. 120.— Id. 189. 
Balsamum, rio (?), 1182. For. Valdigem. Leg. 428. 
Baltasares, geogr., 1258. Inq. 328, 2.* ci. 
Baloes (S."^ Eolalia de), geogr., 1220. Inq. 39.— Id. 189. 
Baloremoto, app. h., 773 (?). L. Preto. Dipi. 1. 
Balonca, geogr., 1258. Inq. 643, 1.* ci. — Id. 657. 
Baloucas, geogr., 1258. Inq. 668, 1.* ci. 



\ 



O Archeologo Poirrnacis 31 

Balsamir, villa, 1258. Inq. 486, 1/ ci. 

Balsamon, rio (?), 1098. Doc. most. Pendorada. Dipi. 527. 

Balselns, villa, 1258. Inq. 577, 1.» ci. 

Ballar, geogr., 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 415. — Id. 7, 1. 4. 

BaiUre, geogr., 1258. Inq. 573, 2.» ci. 

BalUres, app. h., 1053. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 170. 

Baltari, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 258. 

Ballano, n. h., 1009. L. D. Mum. Dipi. 129. 

Baltarìt, app. h., 1059. L. D. Mum. Dipi. 259. 

Baltariz, app. h., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35. 

Baltasariz, app. h., 773 (?). L. Prete. Dipi. 2. 

Balteiro, n. h., 883. Doc. ap. most. Arouca. Dipi. 6. 

Balterio, n. h., 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 413. 

Baltonizi, app. k, 989. Dipi. 98. 

.Bamba, app. h., sec. xv. S. 342. 

Banco, geogr., 1258. Inq. 615, 2.* d. 

Bandolos, casal, 1258. Inq. 731, 2.* ci. 

Bandnge, rio (?), 1202. For. Tavoadello. Leg. 524. 

Bandy, villa, 1268. Inq. 558, 2.* ci. 

Bangueiro, geogr., 1258. Inq. 610, 1.* ci. 

Banha, app. h., sec. xv. F. Lopess, Chr. D. J. l.**, p. 1.*^ C. 159. 

Banios, villa, 950. Doc. most. Moreira. Dipi. 34. 

Banita, app. h., 1174. For. de Tornar. Leg. 401. 

Bauius, villa, 1047. Doc. most. Pendorada. DipL 218. 

Bantota, geogr., 1258. Inq. 638, 2.* ci. 

Baoca ou Banca, casal, 1220. Inq. 96, 2.* ci. 

Baoeo (S. Adriano de), geogr., 1220. Inq. 47, 2.* d. 

Baqniiia, n. m. (?), 955. Doc. most. Moreira. Dipi. 40. 

Baquiii, villa, 994. L. Prete. Dipi. 105, n.« 170.— Id. 107. 

Baqoino, n. h., 985. Doc. most. Moreira. Dipi. 94. 

Barai, app. h., 1258. Inq. 715, 1.* d. 

Barala (Castinarìo de), geogr., 1258. Inq. 640, 1.* ci. 

Baralha, app. m., sec. xv. S. 163. 

Baralia ou BarraUa, geogr. (?), 1037. L. Prete. Dipi. 181.— Id. 181. 

Inq. 100 e 372. 
BaraHo, app. h., 1220. Inq. 201, 2.* d. 
Barantes, app. m., sec. xv. S. 339. 
BaraU, app. h., 1258. Inq. 307, 1.* ci.— Id. 97. 
Baraza, app. h., 1258. Inq. 440, 1.* ci. 
Barbadam, app. h., 1115. Leg. 141, l.^d. 
Barba leda, app. h., 1258. Inq. 308, 1.» d. 



32 O ÀRCHEOLOQO P0RTUGUÉ8 

Barbas, app. h., sec. xv. S. 177. 

Barbosa, app. h., sec. XV. S. 165. 

Barcandi, geogr., 1258. Inq. 356, 2.* ci. 

Barcarrota, g^ogr., sec. xv. S. 148. 

Barcelos, geogr. For. de Barcellos. Leg. 432. — App. h., 1220. Inq. 46, 

2.* ci. 
Barega, geogr., 1258. Inq. 642, 1.* ci. 
Barelas, geogr., 1186. For. da CovìlhX. Leg. 456. > 
Barelha, app. m., sec. xv. S. 323. . . 
Barelos, geogr., 1258. Inq. 688, 1.* ci. 
Barganca, geogr., sec. xv. S. 182. 
Bargan^oni, app. h.,* sec. xv. S. 176. 
Barial, geogr., 1258. Inq. 307, 1.* ci. 
Barili, n. m., 1099. I)oc. most. Pendorada. Dipi. 539. 
Barius, villa, 989. Dipi. 98. — Id. 387. 
Barueiras, campo, 1220. Inq. 83, 2.* ci. • 

Barogue, villa, 1258. Inq. 642, 2.* ci. 
Barom, n. h., 1258. Inq. 694, 1.* ci. 
Baron, n. h., 967. Doc. most.LorvIo. Dipi. 60.— Id. 14. 
Baroncelhy, geogr., sec. xv. S. 198. 
Barouiz^ app. b., 1093. L. Preto. Dipi. 473. . 
Baróo, geogr., sec. xv. S. 220. 
Barosa, geogr., 1182. For* de Valdigem. Leg. 428. 
Baroso, rio, 1087. L. Prete. Dipi. 402.— Id. 430. 
Barqueii*os, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 268. 
Barrada, geogr., 1258. Inq. 727, 1.* d. 
Barrados, geogr., 1258. Inq. 726, 1.» ci. 

Barragani, app. h., 1220. Inq. 38. — Id. 118.' — Geogr. Inq. 53. 
Barragan^ app. h., 1085. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 382. — Leg. 396. 
Barrali, geogr., 1220. Inq. 109, 2/ d. 
Barrai, n. h., 1250. Inq. 507, 2.* ci. 
Barrala (campo de), geogr., 1258. Inq. 705, 1.* ci. 
Barralis, app. h., 1250. Inq. 578. 1.* ci. 
Barrantes, geogr., 690. L. D. Mum. Dipi. 51, 1. 18. 
Barrarlo, geogr., 1258. Inq. 529, 1.* ci. 
Barrarios, geogr., 992. L. D. Mum. Dipi. 102. 
Barrarius, app. h., 1258. Inq. 487, 2.* ci. 
Barrega, app. h., 1220. Inq. 53, 1." ci.— Id. 139. 
Barreiroo, villa, 1258. Inq. 678, 1.* ci. 
Ban*eiros, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258. 
Barrela, geogr., 1258. Inq, 722, 2.» ci. 



O Abcheoloqo Pobtugués 33 

Barrelai», geogr., 1169. For. de Lìnhares. Leg. 395. 

Barreleiros, geogr., sec. xv. S. 176. 

Barreihasy geogr., 1199. For. Guarda. Leg. 511. 

Barrelìna, vinha, 1258. Inq. 677, 2.* ci. 

Barreses, geogr., 1258. Inq. 406, 2.* ci. 

Barreta, app. h., 1220. Inq. 105, l.» ci.— Leg. 572. 

Barreteiro, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.", p. 1.*, C. 161. 

Barreto, app. h., 1258. Inq. 326. 1.* ci.— S. 149. 

Barrìal, geogr., 1220. Inq. 109, 2.* d. 

Barriguel, app. h., 1220. Inq. 141, 1.^ ci. 

Barrioio (Barrò), geogr., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 231, 1. 29. — 

Id. 42, 71 e 277. 
Barrios (S. Stephano de), geogr., 1220. Inq. 94. 
Barro, geogr., 1258. Inq. 522, l.» ci. 

Barroca, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.^, p. 1.*, C. 26. 
Barrosa, geogr., 1258. Inq. 326, 1.* ci. 
Barrosas, geogr., 983. Dipi. 85. 
Banroseias, app. h., 1220. Inq. 28, 1.' ci. 
Bafroseio, app. h., 1258. Inq. 493, 2.* ci. 
Barroso, rio, 1098. Doc. most. Pendorada. Dipi. 520. 
Barryo (casal do), geogr., 1258. Inq. 344, 1.* ci. 
Bartolameos, n. h., 1111. For. de Satào. Leg. 355. — Inq. 614. 
Baruadanibus e Baraadens, geogr., 1257. For. Barvadles. Leg. 667. 
Baniaens, app. h., sec. xv. 8. 143. 

Baraaldo, n. h., 976. Doc. most. Lorvao. Dipi. 74, n.<» 118. 
Barualho, app. h., 1220. Inq. 75, 2.* ci. 
fllarualìo, app. h., 1220. Inq. 169, 2.* ci. 
Barualuo, app. h., sec. xv. S. 267, 
BanieIha, app. m., sec. xv. S. 381. 
Baragaes (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 46, 1.* ci. 
Barando, app. h., sec. xv. S. 161. 
Barunzeli, geogr., 1220. Inq. 146, 1.» ci. 
Baruo, app. h., sec. xv. S. 337. 
Bar\'adaes, geogr., 1220. Inq. 45, 1.* ci.— Id. 127. 
Barvado, app. h., 1258. Inq. 324, 2.* ci. 
Barveita (S. Salvatore de), geogr., 1258. Inq. 374. 
Barveitelos, geogr., 1258. Inq. 370, 1.» ci. 
Barveito, geogr., 1258. Inq. 326, 1.* ci. — Id. 419. 
Barvosa, geogr., 1258. Inq. 584, 1.* ci. 
Barvudo, app, h., 1258. Inq. 439, 2.* ci. 
Banelos, geogr., 1220. Inq. 128, 2.* ci.— Id. 36. 



34 O Archeologo Poetu&ués 

Basaguada, geogr., 119B. Fpr* Guarda. Leg. 511. 

Basalisa ou Baselìsa, n. m., 960. Doc. most. Moreir^* Dipi. 48. 

Baselesa, n. m., 949. Doc. most. Moreira. Pipi. 34. 

Basilessa, n. m., 1100. L. B. Ferr. Dipi. 560. n.^ 948. 

Basilissa ou Bassilisa, n. m., 1090. L. Preto. Dipi. 442. 

Basselissa, n. m., 995. Doc. most. Moreira. Dipi. 107. 

Bastanza, geogr., sec. xv. S. 339. 

Basto, geogr., 1091. Doc. mos(;- Peudorada. Pipi. 450. — S. 211 e 301. 

Bastucio, monte, 1024. Doc. most. Pendorada. Dipi. 157. 

Bastutio, monte, 1100. Doc. most. da Gra^a. Dipi. 548. 

Bastaio, geogr., 1220. Inq. 15.— Id. 85. 

Batalha, app. h., sec. XV. S. 155. 

Baticela, app. h., sec. XV. S. 152. — Id., F. Lopez, Chr. D. J. l.**, 

p. 2.% C. 21 
Batiniz, app. h., 994. Doc. most. Moreira. Dipi. 106. 
Batisella, app. h., sec. xv. S. 164. 
Batoca, geogr., 1220. Inq. 80. 1.* ci.— Id. 616. 
Batoncos, geogr., 1250. Inq. 694, 1.* ci. 
Baaaldiz, app. k., 1077. Doc. most. Pedroso. Dipi. 334. 
Baucella, villa, 1083. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 372. 
Baiicoos ou Bauqoos (S. Salvatore de), geqgr., 1220. Inq. 39. 
Baueca, app. h., sec. xv. S. 307. 

Bauilo, n. h. (?), 1044. Poe. most. Pendorada. Pipi. 205, n."* 337. 
Bauli, geogr., 1258. Inq. 662, 2.* ci. 
Baulosa (S. Stephano de), geogr., 1220. Inq. }02, 2.* ci. 
Bauza cremata^ geogr., 1258. Inq. 513, 1.* ci. 
Bauza de lobo, geogr., 1258. Inq. 607, 2.* ci. 
Bauza dos BoIos.Vidè Bolos. 
Bauza reimonda, geogr., 1258. Inq. 607, 2.* ci. 
Bauzas, geogr., 944. L. Preto. Pipi. 31. 
Bauzolinas, geogr., 907. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 10. 
Bauzoos, geogr., 1258. Inq. 692, 2.* ci. 
Bavoso, app. h., sec. xv. S. 179. 

Bayam, geogr., 1055-1065. Poraes. J^eg. 347. — Inq. 5^82. 
Bayna, app. h., 1258. Inq. 575, 2.^ ci. 
Bazaca, n. h. (?), 1258. Inq. 726, 1.» ci. 

Bazaco, n. h., 1023. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 156. — Inq. 701. 
Bazalar, geogr., 1258. Inq. 407, 2.* d. 
Bazaria, geogr., 1258. Inq. 676, 1.* ci. 
Bazeiro, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci. 
Bazelo, geogr., 1258. Inq. 602, 2.» d. 



A«QH^o(.oao BoBTuwA^ 3^ 



Bazi, n. h., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57, n.® 90. 

Bearle, app. m., sec. XV. 8. 260. 

«eaitM^iifi (S.^ Maria de), gepgr., 122Q. Jnq, 113. 

Beatriea, wnb»? 1257. Fof. de JJvi?iedQ. J^g, 6? 7, 

Be^a, app. h., sec. xv. F, Wpo»j C^r. P. J. l.**, p. 1.*, C. 176t 

Bacar, n. b,, 967- Poo. paost. tqrv^o, El<pl. 60, u.^ 94- 

Beehides, ^pp, h., sec. xv. S. 257. 

Beehe, app. h-, I2p8. Jnq. 532, 1.» ol, 

Bedonis, geogr., 1^58. Jnq. 573, 1.* ci. 

Beeiti (S. Salvatore de), geqgr., 1220. I^q. 67.— Id. 160 e ?5Ji, 

Beenti, campo, 1258. Inq. 736, 1.* ci. 

«ees de Avis, geqgr. (?), 1?&8. Inq. 5()6, J.* ^1. 

Bela, app. h., 1220. Inq. 209, 1.» d. 

Begiea, n. h. (?), 968. L. D. Mum. Dipi. 61, n.^* 97. 

Begi^H^r, »pp. b., 99p (?). Poe. nqost. fendflr^d^. D^pl- 1Q8. 

Begiqn, n. b., 1042 (?). Poe. mos^. Morejra. Pipi. 106. 

Begunte, app: h., sec. ^y. S. 190. 

Bma? pidade, sec xv. S. 204. 

Beiamim, p. b., 1002. Poe. sé de Ooimbr*. Pipi. U7, n-^ 191. 

Bel^JlM, app. h., sec. xv. S. 179: 

Beinii, app. b., 10^6. Doc. most. Moreir^. Dipi. 396, n.® 661, 

Beika, n. h., 951. Doc. most. Moreira. Dipi. 36. 

Beion, n. h., 1080. Doc. most. Moreira. Dipi. 352, n.® 584. 

Peixodo e R^^ndq, app. b., ^258. Ipq, 721, 2.» cj. 

(Oontmàa). . . . ^ 

A. A. CORTKSAO. 



Notioias aroheologioas do Norte de Tr&s-os-Montes 

I, Vm necrpppjfs fin (^arf l^slqtifi 

No termo de Oargloziiiho, freguesia de Oerfipioos, concelho de B|*^«* 
gan9a, ha um castro, no sitio denominado 4 J^^^ àa Ch^uz. Entre 
este castro e a antiga capella de 8. J^li&o, que dista docile cousa de lOU 
metros, encontraram uns alde5es um cernite rio archaico composto de 17 
sepulturas rectangulares, cujas dimensSes, com excep92o a de uma se- 
pultnra, que por exigua, pareoia ser de orian9a, eram aproximadamente 
2'",23X0",78. Todas as sepulturi^s eram fejtas de lages dispostas de 
cutelo, e tapadas por outras lages, peqtro parece que so se encontraram 
ossadas, que foram brutalmente destruidas a enxada. Sobre a epoca 
do cen^ìt^^o Q{|d§ positivo se póde affirmar. 



36 O Abcheolooo Portooués 



II. AiitiffuaUiaB de Pa^ de Lomba 

1. £m Pa^os de Lomba do concelho de Viahaes, no sitio da Poula 
dos Mouros, do lado do levante, houve urna capella de S. Martinho, de 
de qae ji raros vestigios se encontram hoje. 

A poente do sitio da capella tem-se encontrado algumas fiadas de 
sepulturas, abertas em terreno saibroso, com fórma trapesoidal. Cada 
sepultura, no sitio aonde repousava a cabe9a do cadaver, tinha fórma 
semi-circular; os cadaveres ficavam com os pés para o oriente. 

Estas sepulturas eram tapadas umas com lages grandes e outras 
com duas oa tres lousas. 

Na occasiSo que fui ao sitio, estavam a descoberto umas trìnta e 
duas sepulturas. 

2. guia que me acompanhava contou-me que em um locai adja- 
cente i necropole, o qual me foi mostrar, tinha sonhado com um the- 
souro, e que, passando sobre aquelle ponto, o terreno resoava. 

Determinou elle e o ìrmào irem de noite cavar ao sitio, e desco- 
brìram nm fornilho sem boca («fc), feito de tijolos; abriram-no pela 
cupula, e dentro d'elle, em vez de um thesouro, encontraram terra ne- 
gra, carvSes e grSos de trigo de c6r negra. Seria urna sepultura por in- 
cinerammo? 

3. O mesmo guia aiHrmou-me que um velho da povoa9lo achàra 
naquellas proximidades um garfo (?) feito de curo, que venden na feira 
de Villar Secco de Lomba. 

III. Sepaltara do see. XTII em Bragaa^a 

No largo de S. JoSo, em Bragan9a; aonde se anda actualmente 
construindo um edificio para a Agencia do Banco de Portugal, houve 
a igreja de S. Jo&o, da qual restava ainda ha pouco ama capella lateral, 
que foi agora demolida, para a alludida obra; encontrou-se nella urna 
lapide funeraria a oobrir ama sepultura; tinha a seguinte inscrip^ao: 

SEPVLTV 

RA DE JOZ 

EPE-ALONSO 

1607 

Bragan9a, Janeiro de 1904. 

Celestino Beìja. 



Archeologo Pobtuqués 37 



Aoqui8iQ6es do Museu Etlmològioo Portugués 



Este estabelecimento, installado definitivamente, desde 1903, em 
urna das grandes alas do edificio dos Jeronimos, em Belem, prepara-se 
para ser aberto ao publico por condìgna maneira^ aumentando as snas 
coUecgSes e dispondo o que jà possue, de fórma que incuta no espirito 
dos visitantes nacionaes, infelizmente ainda mal preparados para devi- 
damente apreciarem o valor e sìgnificado dos objectos expostos, a vene- 
ra9So e attengio de que a archeologia é digna. 

De ju8tÌ9a é registar os nomes das pessoas que contrìbuem para 
a prosperìdade d'està instituigSo, ou directamente, fazendo dadivas 
de objectos que possuem, ou por qualquer outra forma, facilitando 
acquisigSes.Taes pessoas dSo um exemplo eloquente e denotam compre- 
hender o alcance de urna instituigào d'està natureza, destinada a salva- 
guardar OS vestigios que, na serie secular de povos que nos precederam 
no solo nacional, foram ficando envoltos em terra e em esquecimento. 
£ por isso que o intuito do Museu Etimologico é habilitar a sciencia 
para estudar as origens do povo portugués, a sua evolu^So prehistorica 
e historìca e os seus caracteres differenciaes. 

Neste espirito, e para nSo retardar o devido agradecimento a dìs- 
tinctos protectores d'este museu nacional, vou deixar aqui leves notas 
acérca de recentes trabalhos e acquisÌ95es em que intervìm, e cujos 
resultados farSlo opportunamente assunto de artigos especiaes n-0 Ai'- 
cheologo Portugués» 



£m Outubro de 1903, o Rev. P.* Manoel J. da Cunha Brito offere- 
cea-me dos Arcos de Valdevez um vaso prehistorico, fabricado sem roda, 
munido de asa, bordo largo omamentado e de fórma semiespherica. 
Proveio de aohado casual feìto ao arrotear urna terra virgem. É uma 
preciosidade que merece estudo serio, n&o so pelo que é em si, comò 
pelo que significa e pela regiào a que pertence. Este aohado motivou 
escava9Ses que nSlo foram infrutiferas. Escuso, depois d'estas palavras, 
de encarecer a generosìdade do Rev. P.® Cunha Brito, em quem este 
apparecimento parece ter despertado o gesto pelos estudos archeolo- 
gicos. 

Da mesma regiào deve o Museu conjuntamente a sua Rev/ e ao 
meu especìal amigo JoIoVasconcellos, outro protector do Museu (vid. 



38 O AttCtì&OLOOd POETtJdtJlIl^ 

Arch. Pori., vili, 30 e 57), a posse de urna curiosa lapide romana, comò 
em oath) iiiiiiieFO do Aréhtsohj^o dird. 

Ainda do concelho de Arcos deValdevez, o Sr. Hanoel de Freitas 
Velloso offereceu um grande ancinUo de ferro, cuja epoca nUo conhe^o 
bem, e o Rev. P/ Joao de Brito Galvao, digno abbade de Sistello, algiins 
objectos de etlinographia contemporanea. 

Ì)o Sr. Conselheiro lUiguel bauias, de Paredes de Coura, reeebeii 
estàbelec'imento em que traballio urna valiosissima dadiva: foranl 
cinco machados de bronze, dos de argola, provenientes de thfesoiiro 
encontrado em tei-ras de S. Ex.* — Em bom estado de conservammo, 
constitU^m hoje um dos inais importantes grupos de objectos da epoca 
de bronze, que o'Museti pode mostrar aos vìsitantes e curiosos, Oxala 
exemplo de S. Ex.* frutificasse para honra do proprio pais que assiste 
ìmpassivel ao lan^amehto de tàntos bronzes prebistoricos nos càdinhos 
dos caldeireit-os, (vid. Àrch. PoH., viii^ 132). 



l5m NoVembro do mesiho aimo, emprehendi o estttdo dos vestigios 
dà epoca rbmAnd existehles ha t-egiSó IgoditanenSe, ciijo cetitro era 
tgeditàUià òu Ègitanià. 

Sem OS innumeros faVotés e auxilios de lim cavalheiro de Idàtilia- 
à-Velhà, Ò Sr. ÌóZó dos ftéis teitio MaM'òcos, nSo so quasi hada conse- 
guirla, mas ver-me-hià obrigado a àlojar-me, duraiite algumas semanas, 
ènl casèbr&s desprovidos sequer do rudimentar conforto de um sobrado ! 
S. Ex.* hDspt^ddu-itìe eln sua casa, rbdeatido-me de multiplas atteùgSes, 
que se por um lado sào da tradigSo d'aqnella casa è éòhseqtiencin da 
proverbiai bizarria beirS, por outto lado tem em S. Ex.* um cunho 
pessoal que seduz e sobremaneira obriga quem urna vez teve a honra, 
corno eu, de ser alvo d'alias. A coIlec9Ko de iiiscrip$9es romanas que 
renni, é brilhante, e daria home a qualquer oolléccào epigraphica da 
Europa. 

Como disse, as facilidades que encontrei^ devo-as directameute a 
S. Ex.*; indirectamente a outro generoso beir&o e meu particular amigo, 
Sr. Aurelio Finto Tavares Castello Hraueo^ de Val-de-Prazeres, de 
quem tambem i-ecebi inolvidaveis provas de affecto e dedicaQfto. 

O illustre morgado de Marrocos deixou-me ainda escoiher urna col- 
lebgflò de vasilhas medieVicas^ apparecidas em grande quantidade na 
vasa de um antigo poco da Idanha. 

Inj Ustica seria esquecer o nome do zeloso chefe da esta98o do cami- 
dlio de ferro ehi Alcains^ o Sr. Abel Gonha Hèllb è Silra^ pela dedica9lo 



O AKfcHEOLOGO POR+U&UÉfe à& 

e solicìtìide com qne dirìgìa o delicàdo servigo de carregainentos, quando 
fiz a remo9fto das numerosas e pesadas pedras da Idanha para Belem. 

Mtlitas outras J)essoas n& mesma regiào me cuiniikratn de seas obse- 
quios: em Medelim, o Sr. Dr. José Fìnto Taborda Ramos, que jà brindou 
Muséil com urna ara, onde de ìè o nome de nma divitidade lusitana 
inedita; na mesma localidade o Rev. Prior Joaquim Antonio da Costa 
faeilitou-me a obtengfto de urna lapide; e um irmSo de S. Rév.*, o 
Sr. José Joaquim da Costa, ofPertoU outra lapide de propriedade sua, 
nSo duridando mandà-la transportar até o legar que me convinha'. 

Em Alcafozes, o abastado proprietario Sr. Joaquim Franco propor- 
cionou-me a acquiaiySo e remogSo de algumas lapides romanas, exìs- 
tentes naqnella povoa9So, contribuindo para o seu transporte com ve- 
hieulo de S. Ex/ 

Em Monsanto, alem de obseqnios prestados pelo Rev. Prior e men 
antigo coinpanheiro em Coimbra o Rev. Joaquim Vaz de Azevedo, devo 
ao Sr. Sebastiao Henriques, da Chà de Touro, um arazinha inedita 
eom nutro home de divindade lusitana. 

Ao filho do Sr. Morgado de Marrocos, o Sr. Antonio dos Reis Mar- 
rocos^ devi as facilidades com que adquiri outra lapide na Bemposta 
e conhecimento e visita de lima anta nas margens do Aravi], por 
intermedio do Sr. Dr. Sebastiao Conde. 

valor dos servigòs prestadod por estes cavaldeiros é para mim 
tanto maior, quanto é certo que todos os beneficios redundam em favor 
de um estabelecimento do Estado, qual é o Museu Ethnolo^co Portu- 
gués, estabelecimento ainda nSo inaugurado nem aberto ao publico, 
e que pottanto S. Ex.** nSo conheciam nein visitaram, g^iando-se apenas 
pelas infbrma^Ses dii occasilo; 

tidtott certo de que ao risconhecerem, no dia em que puderém vi- 
sitar Museu, OS objectps que Ihes s^o devidos, condignailiènte ex- 
postoSj hSo de sentir orgulho e desvaneciinento por verem confiriuada 
a confian^a que em mim depositaram e j ustamente apreciados os seus 

actos de generosidade. 

Frux Alves Pereira. 

II 

Ao que fica mencionado acrescentarei o seguinte: 

Epoca do bronse (e eobre) 

A RepartifSo de Minas (Ministerio das Obras Publicas) offereceu 
cince braceletes e um fundo de bainha achados em Alcain9as. 
Sr. Joaquitii Camillo, do Cadaval, offereceu um machado. 



40 O ÀRCHBOLOOO POBTUaUÉS 

O Sr. Jaime Leite, da Columbeira (Obidos), ofFereceu dois ma- 
chados. 

O Sr. A. Bello Juaior, de Lisboa, offereceii dois machados, de 
Escaropim. 

Sr. Conselheiro Severiano Monterò offereceu um machado, de 
Escaropim. 

Do concelho da Lourinha provieram por compra: um machado, me- 
tade de outro, e um machado alvado, quasi inteiro. 

Sr. Autonio Maria Garda, de Praganga, offereceu varìos instru- 
mentos (um dardo, machados, etc.). 

Do concelho de Villa Real de Tràs-os-Montes provieram por com- 
pra: um ìnstrumento cortante-contundente ; um machado com tubo la- 
teral para encabamento (fórma por ora unica entro nós); um machado 
chato quasi inteiro. 

Dos arredores das minas de Santo Adrilo proveio um machado em 
mau estado, por compra. 

Sr. Alvaro Vianna de Lemos, alumno da Escola do Exercito, 
offereceu um machado. 

Sr. Dr. Henrique Botelho, de Villa-Reàl, offereceu cince macha- 
dos chatos; um machado alvado com desenhos; e metade de outro, tam- 
bem alvado. 

Rev. José Praia, prior d o Carvalhal (Obidos) , offerecteu ama 
lan9a. 

Rev. José Bernardo de Horaes Galado, conego-prior da sé de 
Miranda do Douro, offereceu uma penta de seta. 

Sr. Adriano Pereira Horta, do Carvalhal (Obidos), offereceu: 
uma espada, duas laminas de outras, uma lan9a quasi inteira, q frag- 
mento de um machado alvado, e seis braceletes, — tudo encontrado em 
uma proprìedade sua. 

O Sr. Diocleciano Torres, de Mon9S.o, offereceu um machado al- 
vado. 

Do Norie proveio um machado de anel laieral, comprado no Pòrto. 

Sr. Adolfo Miranda, presidente da Camara Municipal de Pena- 
fiel, offereceu um machado. 

De Meslo-Frio proveio um machado, adquirido por compra. 

Do concelho de Barcellos provieram dez machados, sondo alguns 
d'elles alvados, e outros de anel. 

Do concelho de Villa Real provieram, por cedencia, dois machados. 

Do Algarve provieram: quatro machados, e a penta de outro; um 
escopro; e uma lan9a dos arredores de Lagos. 

Sr. JoSo Mauoel da Costa, de Mortola, offereceu duas foices. 



O Archeologo Pobtugués 41 

Do Alemtejo provierani; por compra: duas espadas ìnteiras e me- 
tade de outra. 

De Evora provieram, por compra, oito machados, e um escopro. 

Rev. Antonio da Silva Pires, oflfereceu um machado, proveniente 
de Cazével. 

De Baìào proveio nm escopro. 

O Sr. Henrique Avellino de Castro oiFerecea um machado, pro- 
veniente do Alemtejo. 

De OuimarSes proveio um machado, por compra. 

De Vianna do Castello proveio outro machado, por compra. 

O Sr. Sande e Castro offereceu vinte e sete machados. 

A varios ìndividuos foram comprados: treze machados; uma cu- 
nha de bronzo; uma lan9a, de Hespanha; duas pontas de seta; duas 
laminas de punhaes; um objecto ponteagudo do genero dos quo tem 
side considerados comò estoques; um escopro; dois instrumentos cor- 
tantes. 

Nota, Todos os citados objectos sao cu de bronze cu de cobra. Os machados 
a respeito dos qiiaos nilo se dà aqui ontra ÌDdicaoao entenda-se que s2o chatos. 



Sr. José da Silva Madeira, de Caccila, offereceu uma bella va- 
silha inteira de barro. 

Do districto de Beja proveio uma interessante lousa (que croio ser 
sepulcral) com esculturas que representam objectos de bronze. Infeliz- 
mente nSo està inteira. 

J. L. DE V. 



Medalha commemorativa do Congresso de Numismatica 

(1900) 

Por iniciativa de La Société Frangaise de NumismaHque, celebrou- 
se um congresso intemacional de numismatica por occasiSo da Expo- 
sìq^o Universal de Paris^ desde 14 a 16 de Junho de 1900. 

Foi extraordinario o interesse que despertou em todos os paises 
cultos està rennilo magna de numismatas. N2o desejamos, porém, fazer 
aqui a resenha das memorias scientificas que foram lidas e dos discur- 
sos proferidos; os interessados no assunto devem compulsar a obra — 
Cangrès Intematiorud de Numiamatiqìie réuni à Paris, 1900, publicada 
pela commissSo organizadora do Congresso, em voi. de 449 pag., illus- 



42 O Archeologo PottttiOuÉs 



trado com xxxiv éstampas, Alem de namerosas graviiras intercaladas 
no texto. nosso firn consiste em patentear pela photogravura um dos 
exemplares àsiplaqUeUé cu medalha commemorativa do CongrieBso; este 
exemplar pertence ao congressista portiigu§s, e vafe rept*esentado na 
estampa junta. 

O anverso mostra a Numismatica, personiflcada, que exainina at- 
tentamente nm numisma. Sobre a mesa, e A disposi^Ro da juvenil filha 
da Archeologia, ha diversas medalhas, moedas, tinteiro e penna. No 
chSo tres in-folios estEo em repouso, em po8Ì93es desordenadas que o 
acaso da queda fixou. A lux invade a ampli tude do recinto pela j anela, 
e8pa9osa, aberta para o jardim, entre as ramagens dos arvoredos, e p5e 
em evidencia as fórmas suavissimas do corpo escultural, que o manto 
desnudou graciosamente^ abandonado à eventualidade dos movimentos. 
Em todos OS pormenores da figura ha vida e perfeita intuigSo do b^o, 
que se imp3e comò norma. Adivinha-se que a amenidade da tarde eatì- 
val convidou a gentil professa do culto do numisma & me^tagXo e ao 
estudo. E deliciosa a impressEo que a bem concebida fantasia deixa no 
espirito do observador. Na parte inferior do quadro, em novo plano, 
à maneira de exergo, lé-se: LA NUMISMATIQUE; e A esquerda, 
em letras minusculas^ a assinatura do gravador: DANIEL D VP VIS. 

A parte superior do reverso apresenta a prensa monetaria de ba- 
lance, omamentada oom estatuetas mettidas em nichos. A sua decora- 
jao de honra é urna fita, em que se le a paUvra PARIS, suspensa nas 
folhas de um ramo de palmeira, que pretende occultar obliquamente 
instrumento para a cunhagem. No plano immediatamente inferior 
lese: CONGRÈS INTERNATIONAL — DE NUMISMATIQUE — 
JUIN • 1900, em tres linhas; e no exergo entre dois filetes desiguaes: 
J. L. DE V. ==J(o8e) L(eite) deV(a8conceUo8). 

Pega de prata, quadrilonga, de 0"»,060 X 0",038. Peso: 46«,68. 

Tal é a offerenda que a commissio organizadora do Congresso man- 
dou gravar para ser adquirida pelos congressistas, variada apenas pela 
diversidade dos nomes gravados nos reversos. 

O Dr. Lei te de Vasconcellos, o unico representante de Portugal, 
leu em sesslo, e entregou, um trabalho intitulado Les inonnuie$ de 
la Luèitaìiie portugaise, e assiiti respondeu ao segundo quesito (Etat 
actuel de la Numismatique celtibérienne) proposto no programma do 
Congresso, o qual foi annunciado com larga antecedencia em revistas 
scientificas e na imprensa periodica estrangeira, — vid. O Arch. Pori., 
V, 93-96. A memoria dò conferente portuguès versou sobre moedas 
ounhadas em localidades que hoje sfto parte integrante do nosso terri- 
torio Continental, Ebora, Salacia, Pax-lulia, Myrtills, BaesUrìs, Osso- 



Archeologo Portugués 



Voi IX— 1904 




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MEDALHA COMMEMORATIVA DO CONGRESSO INTERNACIONAL DE NUMISMATICA, 
CELEBRADO NA EXPOSIQÀO UNIVERSAL DE PARIS EM 1900 



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O ABCateOLOGO POftTUOUÈS 43 



nobà, e^ etn appendice, Sirpa, ou Serpa. Trinta e quatro gràvuras 
illustraram este tf abalho, qué foi transcripto, com algumas modificagfies 
e urna figura nova, n-0 Arch. Port , Vi, 81-89*. 

A belleza da plaqueite commemorativa do Congresso foi influen- 
ciada pela orientagào da nova eseola francesa de gravura artistica, es- 
fola que tem affirmado brilhantemente a sua reforma feliz em cria9oes 
de primeira ordem, quasi desconhecidas em Portugal. A plaquette é 
perfeitamente correeta e bem inspirada, corno o sào muitas que foram 
fantasìadas por artistas educados na mesma escola. Conhecemos de 
perto mais duas^ que existem em Lisboa num mostrador do Museu 
Nacional de Bellas-Arteé, e sSo: Le Nid e La Bouree, produc$9es do 
mesmo gravador Daniel Dupuis, jà fallecido. Foram offerecidas àquelle 
estabelecimento do Estado pelo Sr. Augusto Ca2ilhac, de Marselha. 
SSo duas encantadoras obràs de verdadeiro merito ; para ellas chamamos 
a attengSo dos gravadores portugueses. 

Para trabàlhos d'està ordem a fórma quadrilonga substituiu com 
vantagens positivas a fórma circular, usada nas outras medalhas. O novo 
modelo, alem de ser gracioso, presta-se com toda a propriedade à re- 
presentagàó de assuntos que demandam espajo consideravel. 

As plaqtiettes tem logar nas collecgoes numismaticas, pela mesma 
razlo, boa ou ma, por que nellas sHo recolhidas as medalhas em geralj 
e outras obras de arte congeneres. 

Lisboa, Janeiro de 1904. 

Mano^l Joaquim de Campob. 



Blblioerraphia 

CmtmMo§^ do Miiftett Ai^heoiotico dn eldade Me Bvora 
aMnemò A ftua SlUlldtlieiea — por Antonio Francisco Barata, Lisboa, 
Imprenda Nacional, 1903, 94 paginas. 

Embora o Musea de Erora nfto seja o primeiro do pais, corno asserera o 
auctor d'està obra, a pag. 10, é comtndo nm dos mais importautes ; e bom foi que 
86 pensasse em catalogar os objectos que elle posstie. Encarregado d^esta tarefa 
Sr. Barata, desempenhou-se da sua missfio no livro de que vou fallar. A minha 
analyse limita-se porém a sec^&o de epigraphia romana, pois me falta o tempo 
para poder apreciar o que ahi se le a respeito das outras sec^oes. 



1 Tanto da memoria pablicada nas Actas do Congresso, cerno do artigo que 
3aiu no Archeologo Fortngfi^, se fizeram edic6es em separado. 



44 O Archeologo Pobtugués 

A pag. 11 diz auctor: cConjuntas e inclusas vào desdobradas, por nfio 
baver nas typographias communs caracteres especiaes que representem essas 
fantasias^ do gravador, se n&o caprìchos^ do redactor das inflcripQoes, e ser de 
grande dispendio a fandigSo ad hoc d'esses caracteres». E mais adeante: «Das 
inscrìp^òes arabes, gregas e bebraicas vfio as leituras feitas por outrem, e nfio 
a representagfio de cada urna em caracteres proprios, por falta d'elles nas ina- 
prensas ordinarias e ainda pela difficoldade de as reproduzir em caracterea mo- 
dernos, sendo elles arcbaicos. So estampas o fariam bem». Em nenbuma d'estas 
affirmaij^es tem razao, pois, tendo sido o Catalogo impresso na Imprensa Ka- 
eional, nella se dispnnba de todos os recnrsos typograpbicos necessarios para a 
perfei^fio material de qnalqner trabalho. No proprio Archeòlogo se tem pnblicado 
inscripQÒes gregas, arabicas e bebraicas, e feito uso de letras inclusas e conjontas. 

!Na mesma pagina diz ainda o Sr. Barata: cNa epìgrapbia lapidar creio ter 
sido fìel ledor, quanto o permittiram os caracteres damnificados, sendo certo qua 
minbas leituras divergem muitas vezes de Hlibner, Levy Maria Jordfio e de 
Gabriel Pereira nos livros Corjms Inscriptionum, Portugaliae InscHptiones 
e Estudos EboreììseSf comò poderi verificar qnem se der ao coofronto». No qoe 
adeante digo vera o leitor com que consciencia o Sr. Barata se exprime'. 

Como na disposÌQ&o dos objectos do Museu de Evora nfto se attenden às 
epocas, nem à significagao bistoxica ou ^bnologica dos mesmos, mas apenas 
se procurou que elles agradassem materialmente à vista do visitante, tambem 
Catalogo n&o é metbodico: assim, por exemplo, no n.* 1 descreve-se urna es- 
tatua tumular, nos n.**' 2 e 3 desorevem-se brasOes, nos n.^' 4 a 8 descrevem-se 
campas ou cenotapbios de origem portuguesa, no n.* 9 descreve-se um capitel 
arabico, nos n.*^' 10 e 11 descrevem-se brasSes etc. ; por isso as inscrip^des 
romanas, que come^am no n.*^ 27 e terminam no n.** 242, v£o intermeadas de 
descripQ5es de muitos outros objectos de diversas epocas. ' 

Na minha analyse passarci, uma por uma, as inscrip^oes todas. Os numeros 
estfto salteados, pelo motivo que acabo de indicar. 

N." 27. auctor do Catalogo nfto entendeu a express&o GIVLIVS, que vem 
em Felippe Simoes, ReMorio, pag. 18, d^onde a copioa. Aqnella expressfto é 
(x • IVLIVS. A palavra OXORI creio estar errada, em vez de VXORI. No firn 
da 1.* linba figura-se no Corp. Inacr. Lat,, if, 123, uma hedera digéinguens 
que falta no Catalogo. 

N.*^ 51 . N&o se diz que a inscrip^fio jà vem nos Estudos Eborenses de Gabriel 
Pereira, ii, 17. A inscrip^fio, tal corno a traz o Sr. Barata, està evidentemente 



*-* As letras inclusas e conjuntas, que appareccm nas inscrìpcoes, nem 
sempre sao fantasias ou caprichoa, mas obedecem frequentemente a outras cir- 
cunstancias, comò falta de espaco, costumes tradicionacs, etc. 

3 Desde ja notarci que quando a leitura do Sr. Barata differe da de Habner 
ou da do Sr. Pereira, é geralmente, senào sempre, para mal. Com Levy nào é preciso 
entrar em con&idera92o, porque a obra d*elle està boje substituida pelo Corpusy 
e basta pois fazer referencias a este. 



O Archeologo Portugués 45 

errada: GALIO por GALLO, e CAECILIANOS por C AECILIANVS * ; o 
Sr. Barata p5e a mais urna linha com am L, que falta no opuscolo do Sr. G. 
Pereira. 

N." 53. InscripQfto errada, pois diz YERNACVL | L P, quando o texto 
diz: VERNACVLV | L A P, segando se ve na copia que publiquei n-0 Arch» 
Pori,, V, 172, que o Sr. Barata podia ter consultado. 

N.« 58. MANILIA C | ETVSCA • H • S • E • ♦ | TERENTIA • M F. 
TERTVLIA I MATER • F • C. — Contém varios erros: C ETVSCA em vez de 
C • F • TVSCA, isto é, . . Tasca, filha de Caio; TERTVLIA em vez de TER- 
TVLLA: vid. Corp. Inscr. Lai., ir, 5197. Alem d'isso nfio me parece que no 
firn da 1.* linha haja ao mesmo tempo folha de hera e ponto. Escreve o Sr. Ba- 
rata: e Ignoro a sua procedencia». Ora, se tivesse lido com attengfio o SehUo- 
rio do. . Museu-Cenactdo de Filipe SimSes, Evora 1869, ahi encontraria o se- 
guinte, a pag. 18, a respeito d'està inscrip^o: tAppareceu em 1863, junto do 
tempio de Diana, da parte do Sul». 

N.® 59. Nilo se diz que jà vem nos Esiudos Ehorenses do St. G. Pereira, ii, 
17, onde se le LV («» 55), ao passo que o Sr. Barata traz L * V. Qual das dnas 
IÌQde8*é a exacta? 

N.» 65. P • STAIVS I PVB • | MERIDIA | NVS • H • S E • —Errada, 
comò se póde ver no Corp, Inscr. Lat., ii, 120, pois nfto é PVB mas P^LIB, 
isto é, «liberto de Publio» ; PVB n&o faria sentido; alem d'isso a abreviatura 
usuai de Publio é apenas P, comò està na 1.* linha. 

N.* 70. Dìz-se que Hnbner considera faka està inscrìpg&o. E o Sr. Barata 
considera-a verdadeira? Se a considera falpa, nao devia inclui-la entre as boas; 
se a considera verdadeira, devia justificar-se. 

1^.' 72. Està incompleta, pois na linha 9.* folta B^=die: vid. Inscriptiones 
Hispaniae Christianae, de E. Hlibner, 1871, n." 11, onde ella tinha jà sido 
publicada. 

N.® 80. Falta-lhe al.* linha, constituida por uma letra, e falta urna letra 
na 2.* linha, — comò se póde ver em G. Pereira, Estudos Eborenses, ii, 17, 
e no Corp. Inscr. Lai., ii, 5199. 

]^.* 83. Nfto tenho meio de verificar se està bem. 

N.® 88. Embora se diga que é apociypha, devia ir à parte, e nfto entre as boas. 

N." 93. A inscrip^fto està incompleta, comò se póde ver da copia que d'ella 
dei n-0 Airk. Port., iv, 122, onde foi publicada pela primeira vez. 

N.* 96. Segundo o Sr. Barata, està inscrip^fto tem na ultima linha H * S - 
E • , mas, segundo o Corp. Inscr, Lat., ir, 117, e segundo o Sr. G. Pereira, 
Estudos Eborenses, ii, 17, tem apenas: H • S. D'aqui se ve a necessidade de 
em trabalhos d'està especie fazer referencias bibliographicas e criticas, comò 
geralmente as faz quem sabe applicar o methodo scientifico; se no caso presente 
èllas tivessem sido feitas, o Sr. Barata verìficaria ou que a sua copia estava 



^ Em verdade no latim antigo ha -o« por -us, mas nesta inscrip^fto é provavel 
que por u seja engano. 



46 AbchboIìOGO Pqbtugués 

imperfeita, — p entlo iiSq a publioariai — ou, o qua é nienes pr<>vavel, qw W* 
bner e Q. F^rwii tii^haiii erraclQ. 

N.* 107. Comparando-ee a copia do Hr. Barata com a que tomou fl[iibn©r 
em Evora (vid. Corp, Jn*cr. Lat*, n, 112), ftcham-se differeu^as importentes. 
Como Sr. Barata uao ii mdica^es critictvs nenbum^, nSo «e póde eaber quem 
acertou, e quem errou. mais maturai é que a copia de Hubuer esteja bem, poi» 
elle proprio a fé?. 

N.*» 111. Differe das copia» de Hlibner {Corp. Imcr. Lai,, ii, 119) e de G. 
Pereira {Iktvdos Eborenses, ii, 18). O Sr. Barata tem H • S • EST, o que quer 
diyer: «foi fiqui 8ep^ltada>, ao paeeo que ob outroe dois arc)ìeolG(gOB tem H - 
S • E S • T • T • L, que quer dizer a mais: «»eja-te a terra levet. Alem d'Uso 
na penultima liuba o Sr. Barata leu COGNATE, em quanto Hiibner e Pereira 
leram COGNÀTA^i. 

ij.'» 114. Tijolo de barro com marcia (foiba de ber») e iueeripQici. A iiUKJrip- 
Qao, pelo menos, orcio estar exacta ; a marca é que porem talve» ujo seja fo}b& 
de bera. 

N.** 140. Pergunta Q auptor se o tijolo em que est4 a inscripgto é romano. 
Podia elle ter lido o que se escreveu n-0 Arch, Pori., vh, 283, e desforia as 
suas duvidas. 

».° 166. Sr. Barata tiansoreve a inscripsjio assim: C • IVILIYS • PBOj 
CVLYS • T4P0 l EIE • F • ANN++ | H • S • CVB • | PATEE | . — VaUa 
a pena verificar se TAPORIE • F • està bem, ou se perà simplesmente TAPO- 
BI • ?. nome Tapoìnig, de que Tapori seria o genetivo, encontra-se tambem, 
por exemplo, numa inscripgao de Salamanca: Corp, Inscr. fjoé., n, 881. Este 
nome é na origem etbnico; ba outros exemplos^ corno Bratcarm, numa inscrip- 
gfio do Huseu de Guimar&es; cf. VetQniam^ (Museu de Beja) i^-O Arck. Pori., 
VII, 245. Hoje succedem factos semelhantes: ef. appellidos taes corno Allemào, 
Ingles, etc. 

N.** 176. A divisao das linbas nap concorda com a que vem nq Corpus, 

u, 111. 

N.® 177. N&o està conforme com o CoìpuM, il, 116, nem uà coUqca^&o de 
alguns dos pontos separativos, nem na palavra CONSOBBUì^I, que ueste se le 
CONSQBIM!N • , sem I ftnal. Mais urna ve^ se torna sensivel no Catahffo a falta 
de metbodo scientifico, pois n&o saben^QS qual da^ li^òes deveniQS aoceitar, se 
a d^esse livro, se a do Corpus. Se o Sr. Ballata bouvease confrof^t^do o seu texto 
com do Corpm, e se se referisse a essa confrontagàQ, jà o leitor ae orientarìa ; 
assira^ uotando este divergencias, o mais naturai é adoptar o telato do epigra- 
pbista allenilo, por emanar de pessoa autorizada, — embora possa ui|ia yez ou 
outra nao estar exacto, porque nao ba ninguem infallivel (e ^i^bner «nUo era 
papa», pomo elle me disse, conversando um dia commigo em Bellina). — Tao 
pouco custa segi;ir às vezes os principios elementares da sciencia! 

N.** 179. Na linba 3.', segundo a leitura de Gabriel Pereira, Esdiuios Ubo- 
renses, il, 17, deve ser: XXXXIIII, em vez de XXXTTII. 

N."" 180 e 181. Diz o Sr. Barata de cftda i^ma d'ellas: «inscrip^ao das que 
Hubner taxa de apocripbas». Applico aqui as consideraypes que fiz a proposito 



O Abcheoloqo POBTU6UÉ8 47 

do B.^ 70. Da «iftiieur^ opmo q Sr. Eurata 09 ezprime fioa-se em duvìda 00 elle 
as tem ou nici ppr boaa. 

N." 182. Sr. Barata transcreve assim eatas msorip^fiee : D - M * | HY- 
MIVS • CE • I SIMVS • AN | IVI | MTMIA | FVl^DAKA | UBERTO • 
M • I RENTl -POinSESTTL-, enoostando-se à leitura quo 
Sr. Gr. Pereira apreaenta noq Estudos Eboremei, u, 16. Sr. G. Pereira tem 
na Hnha 7.* com raffio M. ., indicando com os doÌ8 pontos que falta nm E (me" 
renti on me^rmtìmmó)^ e na linha 8.* tem PO. . , indicando com og doie pontos 
que faltaria algo (isto é, ^0. . ^=^po$uit). Embora PO eó ppr si possa jBignifioar 
po{$uU)^ e possa pois nSo faltar letra nenhyma, — que so exame do espa^o 
na pedra decidirà — , nfto ha dnvida qne il - SENTI, corno Sr. Barata, sem 
entender a expressfto, copiou, nada significa. — As letras OB - SIMYS foram 
interpretadas no Corpus, 11, 39, corno OneSIMYS ; era de esperar qne anctor 
do Catalogo dissesse se a inspec\;&o da pedra jnstifica ou n&o èssa interpretagfto. 
N.** 189. tezto do Sr. Barata differe do que vom no Corp. Incr. Lai., 11, 
59: tem YICESSIM. . por YICESIM. . ; QYITIS por QYIETIS ; depois de 
LASSO deixa espago e pontos, comò se là faltasse algo. Alem d^isso auctor do 
Catalogo nao eonheceu, on pelo menos, nfto cita, a nova ligfto dada no Cor^ 
pus, u, 5186. 

N.® 190. monumento em que està a inscrip^fto tem algomas esculpturas 
cnja descrip^So Sr. Barata omitte. Por outro lado, texto està errado, comò 
se póde ver confrontando-o com Corpus, 11, 5198 ; a leitura do C^n'pus foi feita 
por um decalqne, e por isso é exacta. 

N.« 191. Leitura errada: TYRIBBICI em vez de TVJIYBRIGE, e L • A 
NOlN'lYS em yez de L • MOKIYS; tambem no fim Sr. Barata pòs D em vez 
deVS = y(otum) s(olyit). A minha leitura baseia-se num decalque que mandei 
tirar; nfto offerece duvidas. 

N.^ 192. Ha indica9fto da idade, este texto differe do que traz G. Pereira nos 
Estudos Eborenses, 11, 16. 

U.* 193. Differe do texto dado pelo Sr. Cr. Pereira uoìì, Estudos fJboretises, 
II, 17; alem à^mo Sr. Barata nfto attendeu as consider^dSes expostas por 
aquelle autor, a respeito da mesma inscrip^fto, no Manuelivho de Evpra de 25 
de Abril de 1882. Està inscrìpgfto é bastante interessante; e merecia a pena 
estudà-la bem. 

N.* 194. Ha algumas differengas entre este texto e do Corpus, 11, 5195. 
Qoal dos dois é exacto? Mais uma vez direi que, se autor do Catalogo tivesse 
feito referencias ao texto dado pelo Corpus, a dnvida desapparecia. 

N.° 195. Differe bastante, quer da ligao do Corpits, ii, 205, quer da dos 
Estudos Eborenses, 11, 16: de Hermetiano, por exemplo, Sr. Barata fez Her- 
mitano. Faltou alem dUsso dizer que a lapide tem esculpturas lateraes. A lapide, 
corno Sr. Barata podia ver no Corpus, loc. cit., appareceu em Lisboa, e foi 
de là que passou para Beja, d^onde finalmente passou para Evora. 

N.^ 196. Differe, embora pouco, da ligfto do Corpus, 11, 210. Tambem 
Sr. Barata ahi podia ver que a ara em que a inscrip^fto appareceu foi primeiro 
encontrada em !|jisboa. 



48 Abch£OLogo Pobtugués 



N.^ 197. Differe daligSo dos Estudos Eboi^enses, ii, 19. Como o Sr. Barata 
a nao discate, nem a cita, ficamos sem saber qaal é a lig&o verdadeira. 

N.* 198. Differe, ainda qae levemente, do texto do Corpus, ii, 108 : onde 
este tem BoMNYS, com o M e o A ligados eoo menor qne as restantes letras, 
Sr. Barata tem ROMANVS, tal corno transcrevo. ^ 

N." 199. Differe do texto do Corpus, n, 5190: onde, por esemplo, este tem 
y£RNACLA, Sr. Barata tem VERNACI A; e comò junton a està palavra um 
A anterior, dea-nos AYERNACIA, fórma bem estranha. Resta tambem saber 
se a fòrmula final é H • S • EST ♦ T • L on H • S • E • S T • T • L. 

N.®* 206, 208, 210 e 211. Insorip^Ses apocryphas, comò o proprio Sr. Ba- 
rata declara. Deviam vir em separado. 

N." 213. Inscrìpi^fto errada e incompleta. Se o Sr. Barata tivesse consultado 
O Arch. Pari,, v, 331, ahi encontrarìa a boa lig&o. 

N.* 214. N&o'tenho meio de verificar se està exacta. 

N.* 225. A leitnra concorda com a do Corpus, ii, 106, e com a dos Kstudos 
Eborenses, ii, 15; so me parece que nfto deve ter ponto no firn. 

N.* 226. Differe do Corpus, ii, 103, e dos Estudos Eborenses, n, 16, em 
ter C por T na palavra MARTIALI. 

N.° 227. Està inscrìpQfto é singularmente importante, e devia ser descrita 
com todo cuidado; apesar d^sso, onde o Corpus, ii, 32, e os Estudos Eboren- 
ses, II, 15, tem PROYINC * o Sr. Barata tem PROYEN • ; de mais a mais o 
anctor do Catalogo nfio descreven as interessantes escalptnras que estào nos 
lados da pedra. 

N.^ 228. Na leitura d'està inscrìpgào, o Sr. Barata segue os Estudos Ebo- 
renses, II, 16, e dà està ligfio : Q • POMPEIYS . . YARI • LIB . . VSTYS . . ; to- 
davia o Corpus, ii, 241, diz: Q. POMPEIYS YARI • LIB lYSTYS • - Falta 
realmente algo antes de YARI? Como se ve, YARI pode por si constìtuir nome. 

N.*» 229. DiflFere da ligSo do Corpus, n, 102, em ter MERENTE (ablativo) 
em vez de MERENTI (aqui dativo). 

N.^ 233. Sr.. Barata nfto comprehendeu o sentido d^esta notavel inscrip- 
Qao, e alterou estranhamente a 2.', 3.' e 4.* linha, comò se póde ver do Cor- 
pus, II, 89. 

N.' 234. Differe do Corpus, ii, 88. 

N.» 242. Differe do Corpus, ii, 8. 



D'este exame se ve que o Catalogo do Museu de Evora, no que toca a epi- 
graphia romana, foi feito Hcm sufficiente conhecimento do assunto e sem o ne- 
cessario emprègo do methodo scientifico, pelo que ficou multo inexacto ; o autor 
d'elle nem ao menos se serviu cuidadosamente do Corpus Insrripfionttm La- 
tinantm, posto que no prologo o citasse. 

Como Catalogo se destina a auxiliar os estudiosos, foi pena que pessoa 

entendida o n&o re visse antes de elle ir para o prelo. Tal comò està, nao serve; 

e tem de ser convenientemente reformado. 

J.L. dbV. 



TL. :X MARQO A JUNHO DE 1904 N."" 3 A 6 



- ARCHEOLOGO 



COLLEC^AO ILLUSTRADA DE NATERIAES E NOTICIAS 



rUIILICADA l'KI.O 



MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUES 



. i 




Veicniiit ì'olvens monumenta virorum 



LISBOA 

IMl'UENSA NACIONAL 

1904 



•rV 



3TJ1sK1sA^J^:RXO 



Archeologia de Tras-os-Montes: 49. 

Nova lapide funeraria dos suburbjos de Olisipo: 59. 

IMITA90ES de moedas portuguesas em Batenburgo: 61. 

Miscellanea archeologica: 65. 

Uma primicia de epigrapiiia funeraria romana: 74. 

Catalogo dos peugamixiios existentes no arcihvo da Insigne 

E Real Collegi4da de Guimaraes: 81. 
Ceramica dos concelhos de Villa Real e Amarante: 98. 
Epigraphia romana de Braga: 101. 

MOEDA inedita DE 4 CRUZADOS DE 1642: 102. 

Architectura romanica: 111. 
Onomastico medieval portugués: 118. 
Necrologia: 128. 
Bibliographia: 142. 



Este fasciculo vae ìllustrado com 28 estampas. 



ARCHEOLOGO PORTUGUÉS 



-^ 



■ > COLLECglO ULOSTRADl DE HàmiiES E HOTICIAS 

PUBUGAOA PBLO 

MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÉS 



IX ANNO MARgO A JUNHO DE 1904 N." 8 A 6 

-- ' ' - . ■ - . . I. ■ 

Arclieologia de Tràs-os-Montes 
1« AntAS no cotoeelbo de Villa Poaca de Ag^ular 

(OonUDiiA92o. Yid. o Areh, Pori., u, 83) 

Da regiào dolmenica mais importante de Tràs-os-Montes pelo nu- 
mero de antas e natureza dos objectos encontrados na sua explora^Xo 
[Arch. Port., Il, \\ feita pelos nossos amigos P.°* Brenha e Rodrigues 
[Arch. Pori., i, 36 e 346), coube-me o estudo de urna, a do alto da 
Caturina. Situada no vertice de um outeiro, que avulta no principio 
da serra do AlvSo, proximo & povoagao de Carrazedo, sobranceiro às 
antas das Arcas (Arch, Pori., i, 346), na pianura denominada CM, 
vé-se ella a grande distancia com a sua primitiva fórma arredondada. 

Ao meu particular amigo Antonio Lopes Martins, que teve a ama- 
bilidade de me acompanhar ao locai da anta, devo as duas photogra- 
phias que jnnto a està nota, as quaes representam, uma (fig. 1/) a vista 
geral do sitio dos dolmens * em que se distingue bem o do alto da Ca- 
tarina (n.** 1) e com os n.^' 4 e 5 os dolmens figurados nas gravuras 
(lo Ardi. Pori., Il, 232 e 233 (cujas photographias foram tiradas na 
mesma occasi2o que estas), e a outra (fig. 2.*), unicamente a do dolmen 
do alto da Caturina, que vou descrever muito rapidamente. 

De fórma quasi cìrcular, de 10 a 12 metros de diametro, formado 
por pedregulhos de quartzo e terra, o tumulus soffreu na sua parte 
superior os ataques dos habitantes de Carrazedo para tirarem a tampa 
ou capa do dolmen, o que levaram a effeito no tempo dos Franceses, 
aproveitando-se d'ella para uma lareira. 

Aberta a camara do dolmen, vè-se que tem servido desde essa epoca 
para abrìgos dos pastores durante os rigores do inverno e do verSo, 
mettendo-se dentro d'ella pela abertura do vertice e indo entulhando-a 



' Cfr. Leitc de Vasconcellos, HeUgìoes da Lusitania, r, fig. 71.« 



50 



O Archeologo Poetuguès 



1 




.1 ^-mmmè^àXiJSèài^È^ 



O ÀacaEOLOGO Pobtugdés 



ól 




&2 Archeologo Portugués 

com as pedras e terra que se encontrava aos lados e que em tempo 
cobrìram a mesa. 

Desentalhoa-se a camara e notou-se que està é de fórma polygonal 
heptaedrica, muìto proxlma da circular, de 2™,50 de diametro, formadi^ 
de sete monolithos de 2",20 de altura, 0™,70 a 0",90 de largura, d^ 
0'",30 de espessura, tendo todos a mesma altura, menos o esteio corres^ 
pendente à entrada da galeria na crypta, que assentando nas paredes 
d'aquella, tinha apenas 1™,80 de alto. Os monolithos sSo imbricados, 
inclinados para dentro, e formam um angulo de 60 a 70 graus, sendo 
monolitho que se eneontra no eixo da galeria e da ciypta o ponto 
commum de apoio dos outros. 

Conservava-se intacta a galeria, que, comò quasi todas as que te- 
nho visto, està orientada de NO. a SE., e é formada por esteios de 
0'",80 de alto, coUocados parallelamente, e cobertos de grossas lousas 
de granito. 

A entrada da galeria na camara nSo era fechada, mas nSo se dava 
mesmo na saida para peripheria do dolmen, que estava tapada por 
uma lousa de granito de 0'",15 de espessura, tSo solidamente firmada 
por algumas outras lousas mettidas verticalmente («de tigao» na frase 
dos pedreiros) ao longo da face externa da porta, que foi preciso tra- 
balharem tres homens quasi meio dia para a tombarem. 

Todas as pedras da camara e da galeria sào de granito de grlo 
grosso, trazidas com grande custo de alguns kilometros de distancia. 
O comprimente da galeria nao é superior a tres metros. 
A altura de 0*",80 tornava impossivel a entrada na camara a um 
homem de pé. 

KSlo houve tempo de explorar a galeria; limitaram-se os trabalbos 
ao recinto da camara, que estava atulhado de pedras pequenas e de 
terra, sendo o pavimento formado por pedras de pequenas dimensoes 
unidas umas às outras, à maneira de calgada portuguesa, e assente em 
saibro duro. 

Foi pequena a colheita de instrumentos de pedra: uma enxó, uma 
goiVa, um cristal de rocha com a fórma de perfurador, um pequeno 
triturador ou polidor, e dois fragmentos de uma faca de silex. 

Enxó. — E de schisto ardosiano, de 0'",072 de comprimente, de 
0™,048 de largura na base e 0",03 na parte opposta a està; de gume 
muito bem polido e formado à custa da face anterior principalmente, 
desengrossada na extremidade inferior, sem facetas determinadas, le- 
vomente convexo, nSto sendo polidas as duas faces da enxó nem os 
bordos, que sào bastante irregulares, nem o vertice, mas escabrosos 
e por alisar. * * ^ ' ' ' 



O Archeologo Poutugués 5S 

Goiva, — E nm instrumento perfeitamente polido em loda a sua 'su- 
perfide, roligo, com urna depress^o na face correspondente ao game 
e ama saliencia de fórma convexa na face opposta, dando a confìgiira- 
9^0 do instrumento a maior semelhanga possivel com a fórma do dedo 
indicador, apresentando na extremidade mais grossa um gume curvi- 
lineo com tal perfei^Jo e briiho que k primeira vista se classifica corno 
goiva, e terminando na extremidade mais estreita em ponta romba, um 
pouco dcteriorado num lado da mesma, que se encontra lascado. E 
amarella carregada a cor da superficie, devido ao terreno em que per- 
màneceu até 1899, em que predomina a argilla amarella, mas depois 
de levemente raspada em qualquer ponto do corpo a goiva apparece 
com a cor de chumbo. 

Perfarador. — Tem a fórma de pyramide conica, é de cristal de 
rocha, de 0",07 de comprimente, de 0™,02 de largura na base e 0™,002 
no vertice que està fracturado. 

Triturador ou polidor. — E de fórma cylindrica pouco regalar na 
sec9ao elliptica 0'",042 de comprimente, de 0"',025 de diametro, tendo 
ama das bases quasi plana e a outra convexa com urna falba muito 
sensivel. E de granito e nSo parece ter prestado grandes servigos. 

Foca de silex. — No acto de explo ragie quebraram os trabalhadores 
urna faca de que appareceram apenas dois fragmentos, faltando o do 
centro que, por mais que se procurou, nao se encontrou. Era urna faca 
de quatro faces, sendo perfeitamente lisa a que dava para o centro do 
nucleo de silex de que foi separada, e muito pouco nas faces restane 
tes, estreita (0"\018 na parte mais larga) e terminando o fragmento 
mais extenso por dm tetraedro de pequenas dimens(5es, obliquo em re- 
lagào ao eixo longitudinal da faca com tres arestas muito afiadas. O com- 
primente de fragmento maior é de 0"*,10, e o do menor 0™,07, deno- 
tando este ter side separado por ambos os topos do resto da faca. 

Durante a exploragào caiu para dentro da camara o monolitho o que 
servia, comò disse acima, de ponto commum de apoio aos restantes: 
e là se deixou ficar, por nao ser facil a sua remojào. 

Depois dos trabalhos que fiz executar, diz-me o Rev.'^® P.* Rodri- 
gues Rafael que fora ao dolmen e que encontrara alguns objectos, os 
quaes n3o offereciam circunstancia digna de mengSo. 

2. Peso» de barro romanos 

Buj5es, freguesia de Abbagas, é até o presente a povoagSo do conce- 
Iho de Villa Real que tem dado à archeologia maior numero de objectos. 

Alem de sete machados de bronze, urna chave de cobre e um ca- 
pacete de bronze, que se perdeu, tém no seu termo um capitel de co- 



54 



O Archeologo Portugués 



lumna, os restos de um forno circular de grande diametro, com duas 
columnas eylindricas no melo, formadas de tijolos e argilla vermelha, 
e sepulturas abertas na pedra, dentro de urna das quaes dizem os habi- 
tantes de BujSes que foi encontrada urna corrente de ouro, vendida no 
Porto a um ourives, jà ha bastantes annos. Ahi foram tambem encon- 
trados por uns cavadores numa vinha quatro pesos de barro, todos desi- 
guaes, e de argilla vermelha muito bem cozida, sem letras de especie al- 
guma, e so alguns com trayos. 

N.** 1 — É de fórma de pyramide de base rectangular, de 0^,098 
de comprimente, de 0'",052 de largura nos lados mais extensos, e 0™,043 
nos mais curtos, truncada, tendo no vertice 0™,032 nas faces mais 
extensas do rectangulo, e 0™,03 nas menos extensas. 




X.<»4 



Pesa 330 grammas e tem numa das faces mais largas duas linhas 
obliquas cruzadas no mèio. 

N.** 2 — Tem configurafSo semelhante, e pesa 215 grammas, 

N.® 3 — E da mesma configuragào, mas tem os angulos abatidos, 
que torna o exemplar arredondado. Pesa 260 grammas e tem duas 
linhas obliquas cruzadas no meio, no vertice do peso. 

N.« 4— De fórma prismatica, secgào elliptica. Pesa 150 grammas. 

Todos estes objectos os offereci ao Museu Ethnologico Portugués, 
onde hoje estao, 

8. Difersas noticias archeologicas de Tiila Ponca de Aguiar 

Neste concelho, tao rico de antiguidades dolmenicas, nao faltam 
tambem restos da civilizacSo romana. 



O Archeolooo Pobtugdés 55 

1. Na freguesia de Villa Pouca, perto da casa em que vive a minha 
familia, nama propriedade denominada Geia, ha alguns annos que frag- 
mentos de tijoloB vermelhos, grossos, nCohi forte rebordo muitos d'elles 
e a pedra movel dos moinhos de mào romana se encontravam em 
^ande quantidade, num souto contiguo à propriedade cultivada de 
milho grosso, feijào e batatas. 

O caseiro d'està propriedade, Manoel dos Sousas, jà fallecido, um 
dos maiores credulos que tenho conhecido, em thesouros encantados, 
levantou com o arado no tergo superior do terreno (ao poente) grandes 
porgdes de limalha de ferro, Despertada a curiosidade por està limalha, 
tratou de procurar o thesquro, escavando, e chegou a descobrir tres ou 
quatro pequenas casas (as paredes) quadradas, de 2 a 2^,5 de lado, 
formadas por pedras de granito de grSo grosso, de alvenaria, unidas 
umas às outras, sem sinal de conmiunicagao, nas fiadas descobertas. 

Estiveram expostas durante algum tempo, e attrahiram a attengSo 
de multa gente. 

Desenganado o homem de que nao era ali que ostava a realiza9So 
dos seus sonhos, cobriu-as outra vez, e fez a sua sementeira de milho, 
corno nos outros annos, e là fìcou tudo corno d'antes. 

Seriam construccSes romanas ou restos de uma povoagSo chamada 
Condado, a que se refere o forai, dado ao concelho de Villa Pouca, 
o'i Aguiar da Pena, por D. Afonso III e reformado por D. Manoel? 
forai, em bom pergaminho, existe na secretaria da camara de Villa 
Pouca de Aguiar em optimo estado, assim corno o de Alfarello de Jalles 
(concelho extincto). 

Da povoa^Eo do Condado resta apenas a casa onde en nasci, desap- 
parecendo aquella, assim comò outras, Calvos Penousal, etc. 

2. Alem de varios castellos, comò o de Aguiar, que ainda se mostra 
soberbamente sobre o seu collossal penedo, com uma bella sala aboba- 
dada, parte de outras dependencias, com uma seteira completa e outra 
arruinada jà, trincheiras, e grande montlo de pedras, que os lavrado- 
res da povoagSo (Castello) deitaram abaixo, para a feitura de paredes 
e de casas, parando na sua obra de destruijao, depois que nSo preci- 
saram de mais pedra, e a camara prohibiu tal vandalismo: ha restos 
do Castello de Cidadelha, Rebordechao, Soutello de Matos, Cidadelha 
de Jalles, etc. 

Castello de Cidadelha de Jalles, que n^o pude ainda examinar 
de perto, é multo digno de attengSo. Possuo d'elle uma descrigSto feita 
pelo proprietario e meu bom amigo, Hermenegildo dos Reis Teixeira, 
que me deu duas lapides romanas, e muitas informagSes acèrca de 
antiguidades na freguesia das Tres-Minas (S. Miguel de). 



56 O Archeologo Pobtugués 

Conj untamente com o estudo do Castello, devem merecer a attenjSo 
dos profissionaes umas grandes vallas qne se estendem desde o sopé 
do Monte da Presa, por baìxo do Campo, até o Castello oii perto 
d'elle. Nas Memoria» do Arcebispado de Braga, de Contador de Argote, 
vem mencionadas, mas por pessoa de boa vontade apenas. 

3. Na freguesia de Tres-Minas, onde ha muito que estudar, nào es- 
quecendo a igreja da freguesia, que é composta de uma parte antiga. 
de architectura gotica e outra moderna; em duas pedras esmilhadas, 
segundo me diz o meu informador, situadas entre a porta da sacristìa 
e a porta travessa, ha duas inscripgSes, numa das quaes elle apenas 

A — 1 

póde tirar as letras IIIX e na outra 6 R CYo , nUo estudando 
o resto por estar a pedra muito gasta pelo tempo. 

Da porta principal, da porta travéssa e do arco da igreja, tenho 
desenhos feitos pelo meu bondoso e intelligente informador, dos quaes 
publico umas copias, por me parecerem dignas de atten^lU). Entre o 
arco da igreja (figs. 1.* a 3.*) e o altar-mor, do lado dìreito, està mettida 
na parede debaixo de um arco um tumulo de pedra de grandeza ordina- 
ria, descaindo as duas faces da tampa d'elle para os lados direito e 
esquerdo e formando um angulo de 45® aproximadamente. Ka face 
voltada para a capella-mor encontram-se cinco flores de lis na dispo- 
si^ào da fig. 4.^, na outra face para a parede uma espada, segundo a 
mesma figura. E de granito o tumulo e bem lavrado, assim comò os 
ornatos (cruz e flores). Nfto tem inscrip9ao nenhuma, nem reza a tra- 
digSo locai da pessoa a quem pertenceria. Està freguesia tinha muitas 
propriedades pertencentes à commenda do Marqués de Pombal, e o 
Contador de Argote refere-se ao commendador D. Gregorio Castello 
Branco. 

NaVeiga dos Valles, povoa9ao d'està freguesia, encontram-se grande 
numero de tijolos, de 60 a 70 centiraetros quadrados, restos de vasos 
grandes, de cassarolas (?) (segundo o meu informador) e muitos outros 
objectos de barro. 

Ha tres para quatro annos appareceu ahi grande quantidade de 
moedas de prata de Augusto, todas do mesmo cunho e novas em foiba 
(n.** 573 do Catalogo das Moedas do Museu D. Luis, de Teixeira de 
AragSo). 

Na veiga de Covas, perto dos celebres lagos de Covas e Ribeirl- 
nlia, de que me bei de pccupar um dia, é frequente levantar-se com 



1 = tra millesima . 



O Archeologo Portugués 



57 



arado, tijolos, mós de moinhos, broeìras (pedras para britar minerios), 
em' grande numero e ultimamente urna pedra eom urna inscrip^So, da 
qual darei descrip^ào lego que possa. 

N&o perei firn a està noticia, sem fallar de uns niveis formados de 
terra e pedra nos differentes montes, outeiros e coUinas da freguesia 
de Tres-Minas, a que chamam os habitantes levadas, os quaes, partindo 





Fig. l.« (Vim)— Arco dft Igroja de Tres-Minas 



Fig. 2.* (Vin)— PorU pKncipal 
da igreja de Tres-Minaa 




/ 

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•^ * ^ 

« ^ 


/ 


1 


\ 


ljl , 


\ 



P!g. S.» C/jm) — Porta travésaa 
da igrctja de Tres-Minat 



Fig. 4> C/i») — Tampa de am tomulo 
da igreja de Tres-Mlnai 



do rio Tinhella e dos ribeìros que affluem a este, se dirigem para as 
minas da Ribeirinha e para as de Kevel, e para outros logares. 

Sao muìtos, parallelos entre si alguns, estào bem conservados, e serve 
om d'elles de caminho vicinai, na extensào de alguns kilometros, desde 
OS moinhos de Guilhado até alturas da Filhagosa, tendo para o lado 
da parte inferior do monte om muro de schisto. 

Ao nascer do sol, estes niveis ou levadaa distinguem-se muito bem 
na encosta dos differentes montes, outeiros e coUinas, em que se acha 



58 O Archeologo Pobtugués 

dividida toda a bacia do Pinhella para NE., na extensRo de muitos ki- 
lometros quadrados. 

Alem dos niveis do Tinhella e seus ribeiros, situados na freguesia 
das Tres-Minas vèem-se outras que desciam do rio de Curros (concelho 
de Valpa90s) para Cevivas e minas da Ribeirìnha. 

Se, estudando este ponto obscuro, observannos que os niveis se 
nSo limitavam às minas de Revel e Ribeirinha; que ha indicios de se 
dirigirem igualmente às povoagSes de Tres-Minas, Granja e Valles, todas 
tres distantes das minas da Ribeirinha e a nascente e sul d'estas ; que 
nos Valles se tem jà descoberto vestigios dos Romanos e que as minas 
da Ribeirinha eram tao grandiosas, que deviam occupar na sua lavra 
muitos milhares de pessoas; e que nSo eram so estàs as exploradas, 
mas tambem as de Revel: parece poder sustentar-se a hypothese de 
que o destino dos niveis ou levadas era conduzir agua para a lavra 
das minas e para abastecimento dos*trabalhadores. 

Nào me parece que possa admittir-se a hypothese do que a a^a 
fosse tambem para a rega das terras altas, porque nSo havia a cul- 
tura do milho ou batata nesses tempos, nem os terrenos altos da fre- 
guesia das Tres-Minas sSo proprios para lameiros; e nos pequenos valles, 
que fóima a intersecgao das coUinas e montes, nlo era precisa ag^aa 
conduzida de tfto lohge, porque a ha de sobra. 

Fosse qual fosse o firn para que se conduziam as aguas de iSLo 
grandes distancias, vé-se o dedo do povo-rei, nesta obra, assim corno 
nas minas da Ribeirinha, cujos restos é preciso verem-se de porto, para 
se poder fazer ideia do que ellas foram ha seculos. 

O que diz o Contador de Argo te é multo deficiente e incompleto, 
corno tenciono provar um dia. No rio Pinhella, um pouco acima da pò- 
voacSo chamada Pinhella de Baixo, ha uma parte ainda de um grande 
a^ude para derivar a agua d'aquelle para uma das levadas, a qual dà 
ponto para as minas de Covas e Ribeirinha» (Lagos comò Ihe chamam) 
ou para as de Revel. E o que posso informar actualmente. 

4. Nào desejando alongar de mais està nota, termino falando numas 
ruinas prehistoricas ou protohistoricas de que tenho conhecimento por 
informa9oes do meu respeitabilissimo amigo, Dr. A. de Moraes Sar- 
mento. Quando elle foi encarregado do estudo da directriz do caminho 
de ferro pelo Valle do Tamega, no riquissimo tracto do terreno, desa- 
proveitado, e que poderia dar muitos milhSes de hectolitros de trigo, 
e boa laranja, encontrou entre Parada de Monteiros e Monteiros, no 
sitio denominado Frades, na margem esquerda do rio, os restos de uma 
povoacào de casas circulares em grande numero, arruadas, que estrei- 
tavam de baixo para cima de modo que tomavam a fórma conica. 



O Archeologo Poetugués 59 

Todas estas casas estavam encerradas por um muro quadrado de 
30 a 40 metros, tendo mais, ou poueo mais de um metro de largura, e 
de ponca altura. 

Do lado do rio vé-se uma calcada, assemelhando-se a um caes, 
que dà accesso para o Tamega, que corre engasgado entre rochas de um 
e de outro lado. 

Pela sua situa9So a um nivel muito baixo em relacSo aos terrenos 
adjacentes nSo parece um castro ou ponto fortificado, mas simples- 
mente uma povoaQào defendida das feras pelo muro, que nesta regimo 
deviam ser muitas e variadas. 

Àinda actualmente, lo.bos e javardos fazem das suas proezas todos 
OS annos. 

E difficil o accesso a està poyoa9%o, por estar situada na margem 
esquerda do Tamega, entre matas tao espessas que, para a elaborag^o 
do tragado, tinham de ir homens adeante dos engenheiros a cortar as 
arvores e arbustos, porque de outro modo nSLo se podia romper. 

Villa Real de Tràs-os-Montes, 18 de marco de 1902. 

Henrique Botelho. 



Nova lapide funeraria dos suburbios de Olisipo 

Alguns trabalhadores da Camara Municipal de Lisboa, que proce- 
diam ao córte do talude da Avenida de Ressano Garcia, no locai fron- 
teiro ao edificio do Mercado Goral de Gados, encontraram num dos 
ultimos dias de Agosto de 1903 a lapide funeraria romana que se mos- 
tra na fig. seguinte: 




eemqueselé: D(iis) M(anibus) — LICINA — HELENE— ANN(orum> 
XL— H(ic) S(ita) E(st), 



60 O Archeologo Pobtuqués 

A lapide estava coUoeada horizon talmente, na profundidade de 1°',5, 
com a inscrigào voltada para baixo. Os instrnmentos do trabaiho nSo 
causaram estragos na legenda por està circunstancia feliz, e ainda por- 
que^ suppondo que existia am thesouro ahi occulto desde tempos imme- 
moriaes, os trabalhadores ergaeram a lapi!de ciiidadosamente. No leito 
nada havia, alem de terra, granulosa pela acgào das aguas pluviaes. 

Sr. Augusto de Castro por acaso assistiu ao achadoi quando 
por ali transitava para o centro da eidade, e, conhecendo quanto elle 
era importante archeologicamente, recommendou que o arrecadassem 
em logar reservado, e pessoalmente deu noticia do facto ao Director 
do Museu Ethnologico Portugués, que logo tomou as providencias pre- 
cisas para a acquisiQào da lapide. 

Na mesma profundidade em que a lapide existia appareceu um cra- 
nio, à distancia aproximada de dois metros ; mas desfez-se ao contacto 
das mSos dos trabalhadores. É provavel que elle tivesse estado na se- 
pulturit a cuja tampa a inseriQào pertencia. 

Naquella àrea parece que houve um cemiterio romano, que se pro- 
longaria até a eatrada do Campo Grande, pois ahi mesmo, dias depois, 
fpi encontrada outra lapide com inscripgSo, a qual opportunamente mo- 
tivarà urna noticia, que sera tambem publicada nesta revista. 

A lapide aqui figurada mede 0"^,55 X 0'",45. Apesar de ter a de- 
minuta espessura de 0"^,03, seria talhada com a grandeza necessaria 
para resguardar inteiramente o despojo mortai, faltando agora o resto. 

Na parte superior tem o córte em linha recta, intacto, emquanto 
nas faces restantes mostra os estragos feitòs pelo camartello quando o 
sepulcro foi a primeira vez violado. Felizmente na fracQào que resta 
existe a legenda completa. 

Ambas as lapides deram entrada no Museu Ethnologico, por eon- 
cessao do Sr. Conde d'Avila, que entSo presidia a verea^ào do muni- 
cipio lisbonense. Folgamos de registar aqui o nome d'este illustrado fi- 
dalgo, que dotou um estabelecimeiito do Estado com dois monumentos 
archeologicos de valia, ao mesmo tempo que salientamos o procedi- 
mento do Sr. Augusto de Castro, que tao intelligentemente obstou a 
destruigao a que os mesmos estavàni de certo condemnados. 

Lisboa, Fevereiro de 1904. 

Manoel Joaquim de Campos. 



«Os monumentos archeologicos sao quasi sempre o pergaminho no- 
bilitano de urna villa, eidade, provincia e mesmo de um reino». 
Teixeira de AhaqIo, Moedas. . de Poriugcd, i, 11. 



O Archeologo Pohtuqués 61 



ImitaQoes de moedas portuguesas em Batenburgo 

Desde o primeiro quartel do seculo xvi até 1641 a Baronia de Baten- 
burgo teve seis soberaaos independentes, que mandaram cunhar moeda 
no seu minusculo feudo, situado ao sudoeste de Nimègue, no paia 
de Gueldre. 

Guilherme de Broukorst, oriundo da familia nobre de Stein, 4.® se^ 
nhor feudal de 1556 a 1573, deu ao fabrico do numerario mais largo 
desenvolvimento que os seus antecessores, e imitou moedas de diversos 
paises, aquellas que gozayam de maior credito e acceitagao. 

Foi longa a serie de abusoe d'està ordem, eujos eflfeitos actuavam 
principalmente nas provincias dos Paises-Baixos. Nos typos imitados 
introduziu modificagSes de importancia secundaria com rela(SLo aos mo- 
deloSj.e disfargou habilmente as legendas por meio de abreviaturas, 
que eram de interpretagao difBcil para a ignorancia popular da epoca. 
As moedas, com estas mascaras afiveladas nas faces, concorreram para 
equilibrar as finangas do pais e resarcir as deficiencias que o desvai- 
lamento da ostentasse fidalga deixava no bolso partìcular do principe. 
Por certo que outros motivos nEo poderam forgà-lo a tSo esttanho expe- 
diente. A opera§IU) era necessariamente mais lucrativa que propria para 
facilitar transacgoes do commercio internacional. 

Os cruzados de D.. Joào III de Portugal, com a cruz de S. Jorge, 
e OS denominados do monte Calvario, cujas ligas eram de 22 ^8 quilates 
largos para os primeiros e de um pouco menos para os segundos, por 
lei de 26 de Novembre de 1538, tambem serviram de modelos nas offi- 
cmas dos gravadores batenburgueses. 

Os Srs. Arthur Engel e Raymond Serrure alludem a estas imita§Ses 
na obra magistral que publìcaram em Paris, em 1897 ^, quando se re- 
ferem às moedas dos soberanos de Batenburgo, porém nSo mostram 
as respectivas gravuras. 

Hoje, provavelmente, estas moedas nao existem, apesar de haver 
entre a sua epoca e a actualidade a distancia apenas de quatro seculos 
escassos; a omissao, porém, naò prejudica a affirmativa d'aquelles eru- 
ditos numismatas, que a baseariam em documentos coevos das imi- 
tagSes, comò é de crer. 

Desde que tivemos noticia d'este facto, que se relaciona com a his- 
toria da numismatica portuguesa, procuràmos conhecé-lo de modo pra- 



* Traiti de numismatique moderne et contemporaine, pags. 242 e 243. 



62 



O Archeologo Portugués 



tico, e em boa bora conseguimos realizar o intento, examinando um 
documento publicado officialmente no seculo xvii. 

Na 8609X0 de livros reservados na Bibliotheca Nacional de Lisboa, 
sob a marca D-74, existe um exemplar da Ordonnance et instrvction 
povr les changevrs, de margo de 1633, ediglo feita em Antuérpia na of- 
ficina de H. Verdussen. Este livro, certamente muito raro, senSo unico 
em Portugal, contém 1:685 gravuras de moedas, sondo 886 de euro e 79i» 
de prata, qae naquella epoca eram acceites em cambio nos dominìos 
belgas de Filipe IV de Hespanha. Era o compendio de habilitaflo para 
o mister de cambista, e freio legai centra desmandos de agiotagem. 

Ali se patenteia variado numerario de todos os soberanos da Eu- 
ropa, e nSo ha uma repetigao de gravura nem qualquer equivoco de im- 
portancia. Os homens de negocio, essencialmente praticos, nSo se preoc- 
cupavam com a copiosa variedade de symbolos gravados nas moedas 
de bom euro, que por si proprias se impunham no commercio. Uma 
for^a poderosa, cambio, nivelava até a calmaria as ondula^Ses d'aquelle 
mar amarello. 

Na Ordonnance de 1633 ha reproduccSes, muito correctas, de espa- 
dins de euro, de portugueses manoelinos e de D. Joao III, de cruzados, 
de moedas de S. Vicente, de meias espheras de D. Manoel, de santhomés 
com a legenda INDIA •:. TIBI • CESSIT e de varios padr5es dos 
Filipe». 

Centra a nossa expectativa, tambem ali figura a moeda subsidiaria 
de prata portuguesa, representada pelos reaes de LXXX e de XXXX, 
com legenlas de D. JoSo III. 

Com a exporta^ao de euro amoedado os negociantes portugueses 
honravam os seus compromissos là fora, na falta de outros meios faceis, 
hoje usados, corno cheques, cartas de credito, etc. Este processo incon- 
veniente, que no tempo da dominagSo filipina se desenvolveu muito, 
jà era antigo. Nas cortes de Torres Novas, em 1425, o povo repre- 
sentou a el-rei centra a passagem do euro para alem das fronteìras 
do pais, e iguaes queixas houve nas cortes de Evora em 1535. 

As imita^Ses de cruzados de Portugal constam das figs. 1.* e 2.*, 
fielmente copiadas da Ordonnance: 





O Archeologo Portugués 



63 



Vìg. 1.^—^ GVIE • D • BR • L • B • D • BA • Z • ST. Està legenda 
monetaria, que era impropria para ser decifrada pelo vulgo, rebelde 
à brachygraphia, significa: GVILLELMVS • DOMINVS • BRON- 
KORST • LIBER • BARO • DE * BATENBVRG • ET • STEIN. 

No final da primeira abreviatnra ha E por L, o que póde attribuir-se. 
a erro ou a ignorancia do abridor. A abreviatura Z é equivalente 
a conjuncjao latina ET. No campo o escudo de armas, coroado. Sete 
grupos de dois losangos quadrados, unidos nas extremidades, figuram 
de igual numero de castellos que tem o escudo de armas de Portugal. 
No centro ha ciuco escudetes em cruz: o centrai tem uma aspa canto- 
nada de pontos ; no superior ha quatro pontos em quadrado e no infe- 
rior sómente uma aspa; nos dois lateraes ha ledes que se defrontam. 
leJo de prata, coroado de ouro, era divisa no escudo heraldico 
da casa de Bronkorst. 

5,_^ì« IN • HOC • SIGNO • VINCS (por VINCES). Cruz de 
S.Jorge, grossa, entre dois circulos. 

Fig. 2.*— ►!< GVIL • D • BR • L • B • D BA • Z • ST. Escudo de 
armas igual ao do exemplar anterior. No escudete centrai ha os tra90s 
que em heraldica indicam o esmalte vermelho, ligeiramente obliquos 
para a esquerda. Os escudetes superior e inferior mostram aspas can- 
tonadas de pontos, e os lateraes conteem os leoes. 

It— >ì< IN-HOCSI— GNO-VINCS. Cruz alta, cravada entre 
cunbas no calvario. 

Estas copias, a que se nUo póde chamar positivamente falsas, sfto 
de tal modo semelhantes &s moedas que serviram de protótypo que 
a confusalo se estabeleceria & primeifa vista para quem nao tivesse 
habito de discriminar umas das outras» Para confronto, vao aqui 
representados os cruzados pòrtugueses nas figs. 3.' e 4.* 




A fig. 3.* foi decalcada no magnifico exemplar, nSo cerceado, que 
existe na collec9ào do Sr. Robert A. Shore. As moedas d'este typo 
sao muito raras. 



64 



O Archeologo Portugués 



.A fig. 4.* proveio do exemplar da collee93o do Dr. José Antonio 
de Azevedo Borraiho. 

Os cruzados com a cruz do Calvario ainda apparecem no mercado 
de Lisboa e por isto nSo faltam nos medalheiros de particulares. No 
catalogo das moedas mais notaveis da collec9ào da Universidade de 
Leide *, sob os n.°® 79 e 80, sào mencionados 32 exemplares, todos 

differentes. Distingue-se notavelmente um, qtie tem a marea R — L 
no anverso. Por ser desconhecido em Portugal, vae aqui representado 
na fig. 5.* 




Este desenho é copia do n.** 10 na estampa ii do mcsmo catalogo. 

As moedas imitadas em Batenburgp podiam ser recolhidas em qiial- 
quer medalheiro portugués, posta de parte a origem estrangeira. A es- 
tima nacionalizaria estes monumentos metallicos de serio valor historico 
e de interesse para o estudo comparativo. 

Houv^e moedas portuguesas cujos typos foram copiados de outras 
estrangeiras. dinheiro de bolbSo, marca C — O, cunhado no tempo 
de D. Affonso Henriques, é semelhante ao obulo de AflFonso I, rei de 
Aragao, cognominado El Batallador, 1104-1134. A dobra pé-terra 
de D. Fernando foi inspirada pela belleza artistica e feliz cria9ao da 
dobla de ouro de Carlos II, El Malo, rei de Navarra, 1349-1387. 
A barbuda do mesmo rei é semelhante ao dinheiro de prata baixa de 
Wenceslau I, Duque de Luxembourg, 1352-1383. As amplas coroas 
do escudo de ouro e do real grosso de prata de D. AflFonso V sSLo ca- 
racteristicas nos padr5es monetarios de alguns reis de Castella. 

Estas imitagSes seriam obras de moedeiros castelhanos, e até mesmo 
flamengos, que por contratos especiaes exercessem o seu mister em 
Portugal. Està hypothese é admissivel, por quanto o moedeiro mais 
antigo de quem Teixeira de AragSo dà noticia no primeiro volume da 
sua obra é Vasco Guedes, nomeado em 1454. Na edade media nao 



1 Este catalogo foi publicado por Théodore Roest, em 1885, na Revuc bel^e 
de numismaiique, sob o titulo de «Monnaies portugaises qui font partie du cabinet 
nuniismatique de l'Université de Leyde». 



O Archeologo Portuqués 65 

hàvìa entre nós a mais radiiuentar escola artistica, onde aptidòes se 
robustecessem: pertanto o gravador estrangeiro viveria em Portugal. 
Nio sSo conheeidos alvaràs regios anteriores a 1454, que collocassem 
na milieia dos moedeiros os artifices bem conceituados na ourivezaria 
portugaesa. 

Comprehende-se que para acudir a deficiencias de nossa casa cha- 
massemos o auxilio de profissionaes vizinhos, ou de paises mais ou 
menos distantes^ sem vexar interesses alheios; porem nao se admitte, 
fora dos velhos annaes da crìminalidade feadal, que um principe imi* 
tasse a nossa moeda so por que tinha melhor credito que a sua. 

Em Franca transformaram a moeda portuguesa com intnitos aber* 
tamente crìminosos. É urna prova de valor historico o seguiate caso. 

£m 18 de abril de 1575 procedeu-se ao inventario do espolio que 
ficou por obito de Nicole Thomas, viuva de Gilles Foulon, cidadSo de 
Paris, que fora agiota, penhorista e. . . sapateiro! Entre os bens ar- 
rolados havia 1:112 moedas, na maxima parte estrangeiras e falsas, 
onde foi encontrado um portugués de curo. Serrure diz acèrca d'està 
moeda o seguìnte: «La portugaise était d'or très pur, elle était des- 
tinée a étre imitée à des alois bien inférieurs et k étre fondue» ^ 

À moeda de curo portuguesa circulon nas antigas provincias dos 
Paìses-Baixos em tal quantidade que para cada padrào ou typo havia 
pesos proprios, deneraux, autorizados officiabnente. Este assunto foi 
tratado por M. Alphonse de Witte nesta rovista, de pags. 273 a 279 
do voi. ni. 

A moeda imitada em Batenburgo, com fama de portuguesa, nILo 
encontrou estorvos para ser bem recebida e cambiada . Falla bem alto 
a Ordonnance de Filipe IV de Hespanha com data de 28 (?) de agosto 
de 1633. 

Lisboa, Abril de 1904. 

Manoel Joaquih de Campos. 



Miscellanea aroheologioa 

(Eztracto do AtcUto Nacional) 

I. Despesas nas obras do eooTento de Ohelias 
e eompra de yarlos tecidoSf no sec. XIII 

€R[ecebeo] dos dinheyros que despendeu Steuajnha na obra do lagar 
do uìho en primeyramete .iij. dias a ij rnSLcebos dos dos e meyo A cada 



' BuHetin de numismoHque, de Paris, 1898, pags. 104 a 107. 



66 O Archeologo Portdgués 

un deles que Amassaron A cai e britaron A parede. It. A primera 
quinta ffeira de poys san Johane A dos maestres .v. v. soldos e A tres 
mlU^ebos que os seruir3 dos dos e meyo enotro dia sesta feyra a dos 
maestres .v. v. soldos e A tres mftcebos que os seruiro dos e dos e 
meyo enotro dia o sabbado a dos maestres .v. v. soldos e A tres ma- 
cebos que os seruirS e dos e dos e meyo A un moQO que carrejo A Area 
.iiij. dias cada dia .iij. soldos. A outro màcebo que carrejo A pedra 
•V. dias cada I dia .iij. soldos por .vijj. moyos de cai .iij. marauedis 
e meyo e .zxiiij. soldos Aos cayeyros que a adusseron. 

quarta feyra primo dia de Julho a dos mancebos dos e dos e meyo 
que Amassaron na cai. It. en outro dya a quen amasson A cai que 
fycou ij soldos [e] meo. It. .iiij.. soldos e meio a quen bytrou (sic) a 
pedra. It. fferia sseguda a ij maestres .x. soldos e iiij omees dous dous 
e meo. It. fferia iiij^ a dous maestres .z. soldos e ij omees dous dous 
e meo. It. por dous moios de cai por j marauydil e iij soldos e xx di- 
nheyros e vij soldos e meo por careto. It. domjngo .xxx. e .iij. soldos 
por duas tirantes e .vij. soldos e meo a quen as adusse. It. por treze 
cabras huu marauidil e por pregos .xix. soldos e ix dinheyros .ij. soldos 
e meo ao que amassou a cai. It. j. marauidi por rripha .iiij. soldos e 
iiij dinheiros por sarrar as cabras .iij. soldos .iiij. dinheyros por pregos 
e por sarrar outros cabros .iij. soldos dos que ficarS do Lagar quSdo 
caeu. It. fferia .v.* a dous maestres .x. soldos e a tres mouros .ij. .ij. 
soldos e meo. It. aos maestres «x. soldos e a tres mouros .viij. soldos 
meos .ij. dinheyros e a bua mo^a que hy andou seruindo .vj. dias .vj. 
soldos. It. quaraenta soldos por teiha .viij. soldos a qu§ naaduse. It. 
feria .iiij*. .v. soldos ao maestre e .v. soldos a dous homéés que hy 
andarò e .j. soldo a bua moya. It. .j. marauedi por cai e .vj. soldos 
a quS na aduse e .ij. soldos e meo a quena amasou. It. por bau mi- 
leyro de telha quaraeta soldos e viij a quenaduse. It. fferia iij*. aos 
maestres •x. soldos e .v. .soldos a dous homéés que os seruirS. 

R[ecebeo] dos dinheyros que deue Maria sauaschaes Prioresa do 
Moesteyro da Chelas a Steueya domingiz bey^uda dona dese Moes- 
teyro primeyramente dez libras que Ihe prestou quSdo era na vila. It 
.iiij. libras quSdo era no Moesteyro das que Iha duser5 de Aujz. It. 
.XXX. soldos que Ihj deu don Steuan que deuja aa dita Steueya- It. 
.iiij. libras que deu a Giralda que Ihj deuja. It. bua libra que Ihe prestou 
quando Sujou Domjngos a Santarem. It. .xvj. uaras de saria mojo- 
modia S que amonta .viij®. libras que Iheprestou. It. .vj. couedos de 
ualen9Ìna uiada que Ihj tirey eprestada pera Domingos martijz a xvj- 
soldos o couedo .iiij. libras xvj soldos. It. de teger (?) saria basdasca de 
vj uaras que fforSxxxyj soidos. It. do mato que tijnhS xvij libras. 



O Archeologo Portugués 67 



It. uendeo T*^ domingiz a Maria sauachSles xxiij uaras de ssaria 
e que amonta x libras xiij soldps assy corno conta e huu sento. 

R. dos dinheyros que deuia Steueya A Dona sancha que Ihi pagou. 
A uos senhor dezeiada muy*». 

Nota. O interesse principal nestes recebimentos acha-se concentrado na im- 
portancia das soldadas e das compras. Os mestres eram servidos por maneebos, 
mo^OM, mouros e homena, Os mancébos amassavam a cai. 

II. Objeetos meneionados nam testamento do sec. XIII a XIT 

•Està est a manda que fez Eluira soarìz Jm prìmeyramente com 
meu corpo A santa Maria maudalena .xij. marauedis. Item Pt.*' periz 
meu abade .v. marauedis. Item por Cera .vìj. marauedis e .iij^. Item 
Steua dominguiz Capelli de santa Maria maudalena .i. marauedi. Item 
Fora seu sabado .xvj. marauedis. Item por missas cantar. C xxxx 
marauedis. Item pora sena .xxx. dias .xxx. marauedis. Item por oufe- 
redar todóó ano .viiij. marauedis. Item a meu Sobrio Pt° uéégas .x. 
marauedis. Item a mha Sobria Gontia uéégas .x. marauedis. Item por 
itiissas pora duna do ano .xxx. marauedis. Item ous frades meores pora 
pitan^a .xiiij. marauedis. It. ous e^rades ^eeofraria de sam francisco 
.iiij. marauedis. Item ous frades de sam Domìgos pora pifaa^a .\'j. ma- 
rauedis. It. Johane meu afilhado .vj. marauedis. It. a meus afifbados 
.V. marauedis. It. ààs dònas da Chelas <ij. marauedis. Jt. àis enpa- 
redeadas .ij. marauedis. It. a sam Lazero .meo. marauedi. It. ou os- 
pitai dos mininos .meo. marauedi. It. ààlbergaria de Pàày delgado .meo 
marauedi. It. Maria nicente mha cnnhada ùu gardacos de uerde e ùua 
saya de Ar&àyz. It. Christouam martijz .iii. marauedis. It. ài con- 
fraria de santa Maria maudalena .j. marauedi. It. àà cofraria de sam 
vicente .i. marauedi. It. àà confraria de santj espirito .i. marauedi. 
It. pora ueatir os probes .xxxx. marauedis. It. A maria filha de Pt.^ 
aicente .x. marauedis. It. A catelina sua irmàà .iij. marauedis. It. Marti 
negro .iij. marauedis. It. Marti fernandiz meu cunhado .i. marauedi. It. 
a frey Pt.^ soariz duas uaras de L6n90. It. a Gontia uéégas mha sobria a 
mha gamacha uerde e a mha saya uermelha. It. ou espital de sam vicente 
uu leito c5 una cocedra e co una almocela e con ùu chuma^o e c3 .ij. len- 
9Óóes. It. a Giraldo .iiij. marauedis. It. ous crerigos da séé quantos foren 
a meu soterramento .iiij. marauedis. It. ous Gapelftes de santa Maria 
maudalena .iij. marauedis. It. a fatos mha moura .x. marauedis. E filho 
en meyadade de todo meu auer .v®. marauedis que de Marti uicente 
por mha alma. E se pela uentuìra algSus dos meus sobrios ou dos 



^ Mosteiro de Chellas, pergaminho, n.^ 855. 



68 O Abcheolooo Poetugués 



meus paxentes quisere uijr contra Marti uìcente ou li derS contrayro 
ou enbargo seyam maldictos de mj e de deus e n8 uaiha o que eles 
demandare. Martìm uicente nen outrì por eles. It. mando e outorgolho 
Marti uicente que se esse meus sobrios quiseren dar enbargo a esse 
sobredicto Marti uicente que lis n8 de nemigalha de quanto lìs eu mando 
e de el tudo por mha aquile que lis eu mandaua liu el uir ca sera 
mays prol de mha alma. Que presentes forom Ft® femandiz almoxarife 
ts. e SteuS curuo ts. e Paay periz escriua del Rey e vicente Martijz 
sacador do auer del Rey e Marti martijs escriua do almoxarife e Garcia 
periz e Marti periz sineyro escriuS e Louren90 martijz e Domjgos io- 
hanes e vicente dondguiz e GouQalo migueiz e MartJ Gomez e Micael 
bertolameu e frey uicente rodriguiz e frey Domingos de Leyrea guar- 
diam dos meores e xpouam martijz ^» 

Nota. Os moveis mencionados no testamento de Elvira Soares s&o os segnin- 
tes : gardacosy gamctchay len^, lengóes, saia de Arras e uni leito com coccdra, al' 
mocela e chuina^o. 

III. Lista de objeetos de madeira entregrnes ao almoxarife de Usboa, 1257 

«AlfonsuB dei gratia Rex Port. et Comes Bolon. vobis Johanni qui 
uenit meo Almoxarifo et meis scribanis de Vlixbon. salutem. Sciatis 
quod ego feci uidere recapitulationem Martinj uincentij de Madeyra 
et intellexi per ipsam recapitulationem quod ipsus Martinus uincentij 
debet mihi dare quinque duz(enas) et tres cabrìos. Et septingentas et 
triginta et duas duelos de carualio. Et mille et septingentas et quadra- 
ginta et quinque ripias minores et triginta et duas rìpias longas. It. 
debet mihi triginta et unum feixes de c'tas (sic) de auellano et tres 
pààs de frexeno. Et centum sexaginta et tres mensorias de frexeo. Et 
uiginti et tres concas de aurela. It. debet mihi quadringentos et ui- 
ginti et nouem archos de ttnis. Et triginta et sex duzenas et decem 
mangos de lauro. Et septuaginta et sex tempanos de cupis. Et uiginti 
et tres tabulas de castaneo et quatuor tabulas de Nogueyra. It. debet 
mihi quimgentas et octuaginta et unam duelas de faya et quinquaginta 
duelas de pedibus archarum. Et nouem Gamelas de frexeno et de cas- 
taneo et septem gamelas de Ameario. It. debet mihi nonaginta et quin- 
que liazas de viméés. Et octo tabulas de Ameario. Et triginta mas- 
seyras de castaneo. It. debet mihi quadraginta et sex fustes de teyxo 
et septem colonias. Et quinquaginta et unum talladorios copatos. ]Et 
sex murteyros de Madeyro. Et centum et decem salceyros. It debet 
mihi duas mille et octingentas ot quadraginta et quinque duelas de 



Mosteiro de Chellas, pergaminho n.** 189 . 



O Archeologo Pobtugués 69 

tonéés. Et quatuor tonellos derrìbatos. It. debet mihi sex uaras longas 
de amearìo de mastos de pìnacijs^. Et tres tantanas. It. debet mibi 
Centum et qnatuordecim nasa de barcha et decem et sex vasa lìdoes. 
Et triginta et septem conueses. It. debet mihi ducentas et quinqua- 
gìnta et sex tabnlas de soliado. Et quatuor lectos de frexSo et unum 
lectom de faya et unum lectum de teyzo. It. debet mihi uiginti et tres 
hastas rasas de lanceis militis. Et uiginti et unam hastas de azeunis 
rasis. It debet mihi octo hastas tinctas de lanceis militis et uiginti qua* 
tnor ferros de lanceis. Et decem hastas longas peditis. It. debet mihi qua^ 
tuor bacyas et unam mensam sine pedibus et unam vchiam de Amearìo. 
Et unum cloque. It. debet mihi octo farpones et quinque hastas de 
farpoes. It. debet mihi decem et septem libras et nouem solidos et tres 
denarìos et medaculam. Et duos solidos et quatuor denarìos Legion, 
Ynde mando uobis quod uos Almoxarìfe recipiatis de ipso Martino uin- 
centlj omnia supradicta que ipse mihi debet prout superius continetur 
et recipiatis ea per fintum et per scriptum de meis scribanis. Vnde 
aliter non faciatis. Et mando uobis quod uisa carta ista tam cito sine 
mora recipiatis de ipso Martino uincentij omnia supradicta et post quam 
fueritis integratus de rebus supradictis mando uobis quod non impe- 
diatis Johannem petri Aluazilem habere suum directum de ipso Martino 
uincentij. Vnde aliud non faciatis. It. mando uobis quod si inueneritis 
quod ego debeo tornare aliquid ipsi Martino uincentij de predictam reca- 
pitulationen quod paguetis ej totum de meis decimis de madaria. Vnde 
aliter non faciatis. Dante in Colimbria .ij'. die Septembris. Rege man- 
dante per Cancellarium. Michael femandj fecit. Era .M*. CC* Lxxxx.* 

Nota. Na lista publicada encon tram-se objectos de madeira destinados prin- 
cipalmente 4 tanoaria, navega9So e guerra, ao lado de madeira em bruto. De mo- 
bilia ha poucas referencias. 

IT. Precaa^Oes uà eonstroefflo de paredes no see. XIII 

a) Dootimento de 1227 
ABCDEPGHJK 

cNotum sit omnibus hominibus uidentibus hoc scriptum quod istud 
pactnm fuit factum inter Gunsaluum suerij scribanum domini regis in 
vlixbona et Dominica zidis super ilio pariete suorum domorum quas 



^ « . . . quod ducunt in pinaciÌB per mare« diz-se nas Inquiri99e8 de D. AjQfoneo 
ni, 1258, in Pini, Mon, Hitt. 457. 
2 Mosteiro de Chellas, n.« 134. 



70 O Archeologo Pobtdgués 

habeut in collatione sancti Nicholaj qui est inter ipsos per rectam lì- 
neam quare Grunsaluus suerij debet facere totum ipsum parìetem per 
saam custam. Et ipsa debet ibi ponere suas cumimarias et simm madei- 
ram quam ibi modo tenet et si ìUos (sic) uoluerit ipsam ant saccessores 
sui alzare aut in alium locum mutare non nisi per uoiuntatem .G . suerij 
aut successorum suorum saluis omnibus luminaribus ^ et fenestris quan- 
tas cumque in ipsa (sic) pariete uoluerit facere. Et propter hoc tenetur 
facere ipsum parietem per suam custam. Etiam si forte ipsa uel succes- 
sor suus uel successores uoluerit uendere aut pignorare ipsam Casam de 
Dominica cidiz uendat illam aut pignoret Gunsaluo suerij aut suo suc- 
cessori si eam uoluerit fideliter per bonos homines. Et quod magis 
sit firmum inter illos et successores illorum fecerunt de isto pacto fieri 
inter se istas duas cartas deuisas per alfabetum. Sub Era. M.'^ CC* 
Ix,* v.^ Mense februarij. Et buie pacto interfuerunt. — Benedictus pela- 
gij de sancto Juliano — Petrus Martini eius clientulus. — Martinus patri 
clientulus de Durancino. — Johannes Johannis de portugal. Ts.=Pe- 
trus egee de sancto Juliano magister. — Dominicus gordus. — Petrus 
sanchiz qui fuit fornarius. — Petrus petri de Lauza. — Ts. — Dominicus 
notauit'.» 

b). Dooomento de 1239 

ABCDEFGHIKL 

«Notum sit omnibus inspicientibus hoc scriptum quod hoc fuit con- 
positnm inter. G. suarij et Ousendam martiniz super illum parietem 
qui est inter domum Ousende martiniz et coquinam. G. suarij. scilicet: 
quod G. suarij debet facere ipsum parietem per custam suam quantum 
modo est et de ipso loco ad sursum debet illj dare Ousenda martiniz 
lapidem ad suam custam qui suiBciat et medietatem operariorum et 
debet alcari ipse paries quantum est alius paries domus Dominicj iohan- 
nis et si ipsam uoluerit ibi ponere trabes prò ad superatum* facere f ponat 
et si .G. suarij uel aliquis succesor suus uoluerit se eligere plus faciat 
suum parietem per suam custam ad uoiuntatem suam. Et sciendum 
quod ipsa causa de Ousenda martiniz f non debet uertere aqua super 
ipsam coquinam .G. suarij sicut solebat sed debet uertere ad alpender 
ad unam aquamì ad plateam. Et propter hoc .G. suarij debet ej leixare 
mitere cuminarias in alio suo pariete que suiBciant tunc et ipsis positis : 



1 Ijumìcìras sao frestas cu aberturas sobre as portas, janellas, etc. para dar 
mais luz (Dice, de Moraes, v. Lumieira), Esiste tambem em gallego. Cfr. «E ii*a 
Inmieira y antr*aberta porta (Rosalia Castro de. Mur^uia, Follas Kovasj 194). 

2 Mosteiro de Chellas, pergaminho n.^ 181. 



O Archeologo Portugués 71 

nanquam de celerò ipsa nec aliquis successor ejus alcet se inec ponat ibj 
alìud sine noluntate .G. ani successorum suorum. Et istud factum fuit 
iMense Jalij. Sub Era. M.* CC* Lxx.* iij.* Et fuerunt presentesi Marti- 
nus martiniz presbyter. — Viuax pelagiz subdiaconus. — Johannes beys* 
so. — Egidius iohannis filius ejus. — Thomas petri. — V. dominicj pres- 
byter N(otauit)*». 

0). Dooamento de 1280 

ABCDEFGH 

«Sabba quantos este estrumento uire que eu Domìngos iohanes en- 
senbra cu Maria martijz mha molher tolbemos SteuS pirez de sa pedro 
e bua nossa parede duas (alias dùas) nossas Casas que nos auemos na 
ifreeguisìa de sa pedro a qual parede he datre nos da bua parte e esse 
Steua pirez da outra per tal preyto que esse SteuS pirez deue fazer 
essa parede de fundamento de pedra e de cai per sa custa e deuesse 
al^ar per essa parede quanto Ibi prouger. E deue tolher àagua e essa 
parede em tal gisa que nS faga a nos dano en essas Casas. E esse 
SteuS pirez nS seus sucessores non deue fazer sobressas nossas Casas 
eyrado nen Janella nen Jamineyra nen outra cousa nibua que a nos 
enpéésca en essas nossas Casas. E quando nos ou nossos successores 
non quisermos algar per essa parede deuemos deuemos nos ààlQar sen 
nihua contenda e non deuemos a pagar re a esse Steuà pirez ne a sseus 
successores. E esse Steua pirez e seus successores deue senpre filhar 
A agua en essa parede assi corno he de suso dito. E eu Steuà pirez 
de suso nomeado outorgo e louno todas estas cousas de suso ditas e 
cada hua delas. No testemSyo destas cousas Eu Sadomto pirez publico 
tabellid de LixbSa rogado destes de suso ditos a estas cousas presente 
fuj e este estrumento per mha m2o ende fiz e este sinal meu y pugi 
en testem3yo. ffeyto en Lixboa .iij. dias de Juno. Era. M.* CCC* 
xviij.* ts. Paay pirez priol de sa pedro. Domingos duraez mercador. 
SteuS raartijz clerigo. Joba domingiz. Vicente martijz vigayro. Vaas- 

CO^f. 

Nota. Estes tres documentos dao alguns elementos para o conhecìmento da 
arte de construccSo no seculo zni. e principalmente dos termos empregados no 
latim dos documentos corno sao: cutninaricu, feneatris, lapidem, Ivminaribue, ma" 
dtiram, paride, superatum (sobrado), trabes. Os pedreiros e os carpintciros eram 
OS operarti. Flaiea è o termo actual pra^a. 

No documento portugués o mais interessante é a pi'ohibÌ9fio de construir sobre 
nma casa eirado, janella ou jamineira. 



* Mosteiro de Chellas, pergamìnbo n.° 178. 
^ Mosteiro de Chellas, pergaminbo n.° 160. 



72 O Archeologo Pobtugués 



Y. Po^ em Chellas oonstraido por nm moaro forra* 188S 

• |« Sabham todos corno £a maffamede sebor Mouro fforro Morador 
em no ABanalde da 9^^^^ d^ lizboa obijgo todos Meas bees moajs e 
Rajz Auudos e por Auer A fazer A prioressa dachellas hfitu pogo em huu 
seu pomar que tem dentro no dito Mosteiro dachellas o qual P090 Anche 
pera nora boo e bem £feito empedrado de sua pedra e cauado dando 
me a dita prioressa a dita pedra e cai e greda (?) pera o fundo do dito 
P090 e darme por cada bua braga dalto sete libras. E eu deuo de fazer 
dito P090 per guissa que de Agua. E obligo me a comegar està segunda 
ffeira que uem e des que meter em el MaSo A o comegar ne A tirar 
del Atàà que seia Acabado e (nS o fazendo) nS o fazendo polla guisa que 
dito he M3do e outorgo que dhy em deante Iho fasa e correga c<5 todas 
perdas e dapnos que ella por està Raz8 fezer de Majs c8 dez ssoldos 
cada dia de pea c3 està condjcom que se eu Achar pedra grande em 
ffundo no dito pogo que a dita pedra se talhe A custa da dita prioressa. 
E eu Aires Afomso omS dElRey a esto pressente obligo me a dar a iios 
ditos as ditas ssete libras por cada bua braga em nome da dita prioressa 
e daruos logo no comego ssete libras pera comprardes o que ouuerdes 
mester de guisa que o pogo Acabado e uos seerdes de todo pagado e 
MSdo e outorgo que nS uoUos pagando ao dito tempo corno dito he qne 
dhj em deante uollos page a saluo c8 as custas e despesas que uos por 
està Razom Regeberdes e de majs co A pea sobredita. ffeito ffoj (este) 
oste estormento em na ^idade de lixboa em no adro do see vjnte e quatro 
dias do mes de Julho Era de mjU e quatrocentos e vinte e huu Anos. 
Ts: nuno afomso omS dElRej e gomez eanes tabaliS e outros. E eu 
gongallo uaasquiz tabeliS do dito Senhor Rej que este estormento per 
mandado do dito maffamede sebor e Airas Afomso este estormento Aqui 
Meu sinal fiz que tal -}- he.=pagou iiij* soldos*f. 

TI* ConstraegSo do portai da casa de Santo Antonio em Lisboa, 1549 

«Praaz a cidade que desìstimdo padre Yyla Franqua das duas 
botiquas que estaao A par de Samto Amtonio que se ora derrubam 
pera se fazer portai e emtrada da dita casa em Eenumjragam (sic) 
das ditas temdas a cidade Ihe apraaz dar ao dito moesteìro de No sa 
Senhora da Graga toda aquela baroqua que ficar do camjnho pera baixo 
que he per onde o dito padre se quer cerquar e asy da bamda dos 



1 Mosteiro de Chellas, n." 443. 



O Archeologo Pobtuqués. 73 

Oleiros Fazendo pelo alto o camjnho corno vem pela Rua de Balzo 
ihe daa toda a outra terra que ficar amtre o dito camjnho e o valado 
do moesteiro e mamdamos a Bras de Pina procurador e asy aos mes- 
teres que vam demarcar o sobre dito deyxando seruemtias larguas pera 
pouo SL8J corno estaa ho da cerqna Noua qne hora o dito moesteiro 
faz e mjlhor 3e mjlhor poder ficar e desistimdo corno dito he das ditas 
tendas e demarcado e medido ho dito chao pelo dito procurador e mes- 
teres mamdamos que venha a està camara pera se Ihe fazer sua carta 
em forma oje xj de Mayo de 1549 Joam do Sai o espreuj per a quali 
demarca9am sera presente o padre Vila Franqua e o disistimento das 
buticas sera feito polo priol e conuento — Amtonio da Silueira — Lopo de 
Brito — Christouam Mendes — Bras de Pina — Bastj&o Afonso — Pero 
Gonsaluez — Bras Dias — Fernam Diaz*.» 

YII. MoUinier, graTador sni^o, 1775 

Para o Dezemhargador José Freire Falcào, — A Sua Magestade foy 
presente que Francisco Antonio latoeiro de profisslo morador na rua 
Augusta e no terceiro quarteirao do lado direito della, vindo do Regio 
pera a Praga Real do Commercio, vendeo as falsas medalhas, que serao 
com està: Que hum Jofto Francisco que trabalha na fundigSo era o 
moldador dellas e hum suisso chamado MoUinier morador na calgada 
do Cembro fora o autor do Modello : e havendo side estranho ao mesmo 
Sr. a ouzadia destes homens ou de outros quaesquer cooperassem pera 
està falsa obra: Manda Sua Magestade ordenar a V. M.*^® que fazendo 
com as indicadas nogoens toda a necessaria indagagSo, prohiba desde 
hoje a continuammo do cunho e do gyro dellas, faya recolher todas as 
de que houver noticia mande quebrar os cunhos com que foram fabri- 
cadas e ordene que sejam prezos nas cadeas do Limoeiro à Sua Real 
ordem todos os que para este facto tiverem cooperagSo ou ingerencia. 

Deus Guardo a V. M/" Palacio de Oeyras em 22 de Agosto de 
1775. — Ayres de Sa e Mello*». 

TIII. Obras no ÀrehlTO Nacional em 1888 

cMinisterìo do Reiho. — Manda o Duque de Braganqa, Regente em 
Nome da Rainha, participar ao Officiai Maior, servindo de Guarda-Mor 



^ CoIlecfSo especial. Caixa 166, dee. 31, n.<» 1. 
2 Intendencia GercU da Policia, liv. 827, fol. 59 r. 



74 O Archeologo Pobtugués 



do Archivo da Torre do Tombo, que jà o Conselheiro Fiscal das Obras 
Publica» tem as convenientes Ordens para proceder com a maior bre- 
vidadie as Obras necessarias, para melhorar o Edificio do Archivo^ e 
para augmentà-lo de maneira a conseguir-se a melhor conservala© ^os 
Documentos, e Papeis que alli se guardam, e a haver iQgar para com- 
moda arrecada^Eo dos que, pertencendo a differentes Tribunaes, e Re- 
partic8es extinctas, para alli foram, ou hajam de ser mandados transfe- 
rir; e que igualmente se soUicitou a entrega dos quarto^, que occupava 
a extincta Secretaria do Registo Geral das Mercé», para serem destì- 
nados ao mesmo firn». 

Palacio das Neeessidades em 14 de Novembre de 1SS3, ==Joaquifn 
Antonio de Aguiar. 

(Cìironica Congtitucìonai de Lisboa, de 16 de Novèmbre de 1833). 

P, A. DE Azevedo. 



Urna primicia de epigrapUa fimeraria romana 

O Minho nao é eKtremamente generoso em espolios archeologicos. 
Seria erro inferir de tal escassez a correlativa dispersào dos seus habi- 
tantes nas epocas antigas. A grande abundancia dos castros, oivida- 
des e castellos, para nSLo me referir senào a nma idade, demonstra 
que aquella regiao foi tio densamente babitada comò hoje. E tenaos 
entra prova no onomastico. A frequencia porém dos vestigios està na 
razao inversa da popula9ào; é està, por ser intensa, que vae de se- 
culo em seculo destruindo as reliquias do passado. Por isso, quando 
ali surge do solo uma antigualha inedita, immune dos attentados das 
geragòes, cnmpre logo registà-la devidamente. £ para compensar os 
effeitos da lei que acima deixo enunciada, que se organizam os museus 
publicos. 

A antigualba, de que agora don conta, é uma estéla funeraria pro- 
veniente da freguesia de Grade, concelho dos Arcos de Valdevez. E a 
primeira do concelho. O legar do achado é bem na serra, mas nào long-e 
de um monte fortificado ou castro protohistorico. Nenhumas outras 
indica9oes archeologicas existem. Deu-me d'elle conhecimento o Ex."^ 
Sr. Joào Vasconcellos, a quem o Museu Etimologico Portugués jà deve 
ter-se salvo da forja um machado de bronze da mesma regiSo e fica 
devendo agora mais o cuidar da remessa d'està lapide para Belem. 
Seguidamente o Rev.**** P.* Manoel Brito, a cuja dedica9ao o mesmo 



O Archeologo Po&tugués 



iO 



estabelecimento deve tambem urna preciosiflade de ceramica prehisto- 

rica, enviou ao autor d'este artigo urna copia. A tosca pedra tem a fórma 

de rectangulo alongado, 

terminado por um frontào 

asimétrico, em cujo centro 

se ve desenhada bem cla- 

ramente uma cruz. A as- 

pereza do granito e a im- 

perfeÌQao da gravura das 

letras parece-me qiie nSo 

podem ser excedidas; col- 

laboraram de mXos dadas 

na extraordinaria rudeza 

do monumento. Os carac- 

teres sào abertos profun- 

damente quasi todos, mas 

as suas fórmas nSo deixam 

de ser pouco precisas. A 

parte essencial (Cagnat, 

Cours dfépigraphie latine, 

246) da inscrip9ao està 

gravada dentro de um 

quadrilatero rebaixado na 

lapide. 

Dimensoes sào : altura 
de um lado O'^Jò, de en- 
tro, 0"',72, ao vertice do 
frontao 0"™,95 ; largura na 
base 0'",53 ; altura media 
das letras 0"»,07. A lapide 

parece ter servido de tranqueiro de portada antes da gravura da ins- 
cripgao. 

Eis a legenda: 

A N D I I 
R C A C A 
T V R N 
.1 P A X V I 

HICSIT^^ 
E a ligSo: 
Anderca, Caturoni F{iUa)^ a{nnorum) XVI, hic sita. 




76 Archeologo Poetugués 

Que se traduz: Anderca, filha de Caiurono (ou Catur<miof)j de 16 
annos de idcide, aqui sepultada {està), 

Anderca apparece agora pela primeira vez, e é evidentemente nome 
feminino. Ha hoje no Museu Ethnologico Portugués urna lapide de Va- 
lenza com Andercus, E a que vem no Corp. Inscr. Lai., li, 2465^ 
e à qual se refere A. Holder (AU-Celtischer Sprachachatz) s. v. An~ 
dergus. 

Quanto a Caturoni, na obra citada de Holder encontra-se tambem 
registado hypotheticamente Caiuranus (s. v. CcUwro). De Caturo -onis 
ha varias epigraphes na penìnsula (e no Minho) * ; CaJtaroni (genitivo) 
é segundo esemplo conhecido na Peninsula. 

No peito da donzella, tao lou9à de primaveras, pulsava sangue de 
Celtas; d'estes provinha tambem o pae, de cuja dogura de sentimentos, 
apesar de barbaro, nós encontramos hoje, passados quasi dois mil annos, 
commovente documento. Os nomea da epigraphe sSo considerados 
celtìcos, que dà importancia especial à lapide arquense, visto attestar 
authenticamente, partindo da exacta origem do onomastico, a existencia 
e iixa9ao de Celtas ncsta rcgiao e a sobrcvivencia da sua ra^a durante 
periodo da dominagSo romana, a cuja epigraphia a estéla pertence. 

A inscripfào termina pela fòrmula tipica Hic aita [esi\, Na pedra 
lè-se HIC SIT(a). NSo posso detscobrir a palavra est ou sigla que Ihe 
correspondesse. Mas ha muitos exemplos d'està ellipse. Basta ver o 
Corp. Inscr. Lat., voi. Il, nos titulos 117, 153 e 948, que sSo da Lu- 
sitanla, e 4386 com 4402, que pertencem k Tarraconense. 



Tentemos agora a chronologia d'està inserip92o, tanto quanto o per- 
mitte a pouquidade da minha competencia. Para conhecer pois da epoca 
em que foi lavrado este epitafio, preciso é fazer o seu estudo paleogra- 
phìco através da quasi indecisào dos caracteres e da indocilidade da 
pedra. 

De facto, a natureza granular do àspero granito da estéla de Grade 
exerceu nociva influencia no trabalho lapidario. Para que os caracteres 
iìcassem quanto possivel distinctos nas suas fórmas, teve o quadratane 
(certamente improvisado) a precaugSo de separar hastes que deviam 
tocar-se (veja-se o N, linha 1.* e o V, linha 4.*), de arredondar o que 



* Vid. Corp. Inscr. Lai., ii, 753 e 2378; e Bevista Archeologica, n, pag. 172. 
Està ultima epigraphe authentica 'tambem o celtismo de Cataro e Caturonus. 



Archeologo Pobtugués 77 

devia ser anguloso (vejam-se os A); nEo obstante, através d'estas dif- 
ferensas, creio que se podem entrever as fórmàs paleogra^^hicas, que, 
na epigrafia propriamente romana, variaram conforme as epocas * desde 
Cesar a Constantino. 

Outra observa9ao que se deve fazer é que a 4.* le tra da 1.* linha 
(II) e talvez a 2.* e 3.* da 4.* (p e A)* pertencem exclusivamente 
ao genero de escrita a que Htibner chama lapidaria vulgar, isto é, nSo 
monumentai ' corno deveria ser uma inscrìpgao. Isto tem importancia 
chronologica^ corno veremos. As letras de natureza monumentai d'està 
inscripgào (A N R) que em seculos posteriores ao sec. il comegaram 
a ser mais estreitas ^, revelam, através da sua rudeza, tendencia para 
a fórma mais antiga e mais classica. 

Cotejando està epìgraphe com algumas da Gallecla (Hùbner, Exein- 
pia) de idade assinada, parece encontrar-se semeUxan^a, principalmente 
com as do sec. i e ii do que com as do ui e posteriores ^. 

Identica fórma das letras na presente inscrig^, do ( (a modo para- 
bolico e nao circular), do S (estreito e pouco simetrico), do D e (nào 
circttlares ou quadrados, comò se exprime Hiibner), vé-se na epigraphe 



^ Basta ver os alfabetos apresentados por HUbner, nos Exempla écripturae 
epìgraphicae, pag. lui. Diz tambcm este autor, referindo-se à Hispaoia, qae dada 
a sua yafltidào e variedade ethnica, nao admira littercUuram non aequabilem esse, 
differìudo de algum modo os titulos da Betica dos da Lusitania e da Tarracouense 
{Exempla, p. 70). 

2 Nào é certa a leitura d'està fórma do A. Parece porem nio ser naturai aqnelle 
tra^o obliquo. £m todo o caso, d'elle diz Hiibner {Exempla, liv) que é propria da 
escrita ynlgar, e j4 apparece noe titulos sepulcraes do sec. i e depois nas inscrìp- 
coes da Italia no principio do sec. ii, do firn nas da Gallia^ Attica, Hespanba e 
Africa {Corp. Inter, Lai., ii, 1127, 1607, 1652, 1982, 3258, 3690, 3777, 3994, 4047). 

A par disto, tambem se poderi interpretar este A corno nào terminado em 
vertice agudo, mas em arco que ligaria as duas bastes conyergentes da letra. 
Està fórma, que evidentemente pertence à mcsma classe de AA, e deve ser apenas 
mais rude, vem num titulo semibarbaro da Grallia da epoca do Cesar, j untamente 
com II da nossa inscripcào. (Vid. Corp. Inter. IjjJt., v, 6553). A typographia nao 
tem estas fórmas. 

3 Escrita vulgar, na epigrapbia romana, vem a ser a cursiva (a que era aberta 
com estilo ou ponteiro em alguma materia molle) empregada nos monumentos, 
e por isso encontra-se principalmente nos de natureza particular, nSo publica, sa- 
grados ou sepulcraes. (Hìlbner, Exempla, czliz, p. xxiv e lui, e Corpus^ ii, 1067^ 
1112, 1382, 2632, 3330, 5065. 

* Vid. Habner, Exempla; passim. 

^ A variedade das inscrip^Ses romanas na Hespanha està desde o sec. ii na 
razào inversa dos tempos. Paucissimae sào j4 as do sec. iv. (Vid. Hiibner, Exem- 
pla, p. 269 e Lxxxni, etc). 



78 O Archeologo Portugués 

n.*' 40 (Httbner, Eùcemjda e Corpus, ii, 3294) que é de parte do sec. I 
(Cesar a Nero); a qual, para mais, comprova na Hispania o uso con- 
juncto da letra vulgar II pelo E monumentai, comò na de Grade *, com 
as outras. O uso da escrita vulgar (scriptura vidgaris lapidaina) tor- 
nou-se commum nas provincias do imperio desde o sec. i, e, comò na 
lapide de Grade, nesse tempo élla era lata etprofunda, derivando aetate 
procedente para magia ffracUia et fugitiva^, qualidades que, ainda des- 
contando a aspereza de granito, estSo longe de se adivinharem. 

Ha porem duas letras nesta inscrip9Slo que abatem um pouco a an- 
tiguidade que, pelas anteriores razòes, seria levado a assinar-lhe em 
meu fraco juizo; sào o T^ F- £sta desde o iim do sec. i acompanha 
identica transforma^ào do E ^; aquella, na sua mais antiga fórma, tem 
o tra^o superior horizontal; com o andar dos tempos perde a sna aus- 
tera figura, procurando graeioaidade na inclina^So do chapeu, tal qual 
alguns janotas dos nossos dias. Se jà no tempo de Claudio apparece 
na escrita pintada, no sec. n é que se toma frequente ^. 

Apoiada nestes fundamentos paleographìcos, creio que poderemos 
aventar a conclus&o de que a tosca lapide de Grade pertence a um pe- 
rìodo que abrange a segunda metade do sec. i^ e ApMHHH»<kf sec. ii^ 

A presenta nesta epigraphe de àtm-mmam celticos nio autoriza, 
creio eu, que a desviemos maiio para àquem da primeira talha d'a- 



^ Està letra so no sec. ii é que apparece na Galia e na Germania. Em Poni- 
peios encontra-se nos letreiros pintados, escritos a carvào e feitos com ponteiro 
{Corp, Inscr. Lai., rv, p. 267 e n.*»» 806, 807). Na Italia refere o Corpus urna no vo- 
lume 1, 1416, que esik comprehendida na serie da guerra de Hannibal até à morte 
de Cesar. autor do Corpus deriva-a do E monumentai, e dis que nunquam in mo- 
numentis publicis invemtur. Mas em Cagnat ( Cours d'épigraphit Ialine^ p. 3) vé-se 
j& no alfabeto archaico dos sec. v e vi de Roma. No Coipua, iz, véem-se 11 epi- 
graphes. Vid. tambem Le Blant, Inscriptiona chréliennes de la Gault, ii, 438. 

2 Vid. Httbner, Exempla, p. 424 e xlvi e lui. Comparem-«e tambem algumas 
letras com as do tit. n.° 446, op. laud., que é de Braga e do fim do sec. i. 

3 No cursivo pompeiano ainda nao apparece. Cagnat, Cours d*épigrapkie la- 
tine, p. 7 e 14. Percorram-se tambem as inscrip^ues qiie Httbner nos dà nos Ewan- 
pia, desde Vespasiano a Commodo (segunda metade do sec. i e ii). Nos mesmos 
titulos se encontra o T. 

* Vid. Cagnat, op. latui., p. 21, e Httbner, Exempla, p. lui e sqq. 

^ ... Il ne faiit pas s'attacher outre mesure aux petites différences qu'oD 
pourra remarquer dans ces alphabets; . . . en debors de Rome, la perféction de 
Tcxécution dépendait beaucoup de Thabilité du graveur et dea ressources doiit 
il disposait ; . . . dans Tiguorance où nous sommes de ces particularités, on s'ex- 
poserait, pour vouloir tirer de Taspect dea inscriptions des conclusions trop pré- 
cises, à commettre des errcurs regrettables. Cagnat, op, land., p. 5. 



O Archeologo PoRTUGuÉs 79 

quelle periodo; mas, neste particular, seria necessario que se tivesse 
apurado ja o mais recente limite do apparecimento na epigraphia da 
Hispania de nomes celticos. 



Tendo de se apreciar a antigiiidade de urna inscrìpglo romanai 
depois do exame paleographico, deve tambem considerar-se o formu- 
larlo seguido. Apesar de breve, a presente epigraphe, indica a idade 
do defunto, a filia^So, e o legar da sepoltura. Estes accessorios nilo 
sào de primitivos tempos, em que o epitafio simplesmente exarava o 
nome do sepultado sem mais indicagSes^ NSo pode pois attribuir-se 
aste monumento a seoulo anterior ao i da era christS. Mas poderia 
inferir-se da ausencia das sacramentaes siglas D. M. S. introduzidas, 
segimdo Cagnat, no tempo de Augusto, que a epigraphe de Grade Ihe 
era anterior. A està presumpgfto se oppde, creìo eu, a paleographia 
da lapide, e pertanto pouco custa admittir excepgSes para està novi- . 
dade epigraphica, tanto mais que o monumento era de uma regiSo 
inteiramente agreste e pertencia a barbaros, embora romanizados. 



exame da lapide de Grade pode causar aos olhos mais prescru- 
tadores justificavel surpresa, que merece alguns instantes de estudo. 

Como é que um monumento funerario do sec. i ou li da era cbristS 
se apresenta, na peninsula hispanica^, coroado por um frontSo, onde 
està gravada uma cruz, habitual sello de procedencia cbristà? 

Sem embargo, a lapide de Grade é caracteristicamente pagi, ainda 
admittindo que fosse mais recente do que o é para o meu bom ou mau 
criterio. 

Em primeiro legar; se o estudo paleographico da inscripgao me 
guiou mais ou menos apròximadamente ^quelle resultado (posto que 
eu esteja infinitamente longe da infallibilidade e nio menos de pre- 
tensSes a ella), so por si, este facto contraria a attribuiglo christà do 
presente monumento. 

Mas, prescindindo d'està incompatibilidade, aos leìtores d-0 Archeo- 
hgo póde interessar saberem por que outros motivos a inscripgSo de 
Grade é pagi, nào obstante a cruz. 



^ Cagnat, op. latid., p. 244. 

2 Ab prlmeìras igrejas christas na Peninsula datam do sec. iii (vìd. Sur le» 
RéUgionSf par José Leite de Vaaconcello», pa^. 8). 



80 O Archeologo Pobtugués 

Ora sSo estas, creio, as razSies: 

1.* O atarado estudo comparativo da Epìgraphia levou ao conhe- 
cimento dos especialistas a existencia de formulàrios adoptados; nSo 
so OS de origem paga (romanos) differem dos de procedencia christS, 
corno entre os epitafios d*esta ultima natureza, pela formula empre- 
gàda, se pode apreciar, na Gallia pelo nieilos, a epoca a que perten- 
cem. NSo admira que o christianismo, germinando nas cataoumbas, 
cuja epigraphia teve nos nossos tetUpos um verdadeiro criador (Rossi), 
banisse o formulario pagSo, estabelecéndo outro, cuja significagao inspi- 
rou a E. Le-Blant paginas cheias de encanto e de verdade. Ora, quer 
Ha Gallia, quer na Hispania e multo menos em Roma, nenhuma inscrip- 
9^0 christE apparece com a formala hic situs est, que alias poucas epi- 
graphes sepulcraes romanas derxam de conter. À formula chrìstS mais 
antiga é, hic requiescit, que melhor se coadunava com a ideìa chrìstà 
da sepultura*. 

Està espressilo iniciava e n2o fechava o epitafio christE. 

2.* A Cruz, simbolo chrìstEo, nSo se revelou em Franca senSo no 
principio do sec. vi (Le-Blant) ; anteriormente a este usaram-se outros 
simbolos (a ancora, o peixe, a pomba) ; na Hespanha o mais antìgo tìtulo 
christSo que encontrei ostentando a cruz é do sec. v (Hiibner, n.® 42); 
de facto este sinal patente do christianismo nfto podia apparecer senio 
depois de Constantino, isto é, do edito da paz {Rossi*); com està epoca 
porém nào é compativel a lapide de Grado, nem pela paleographia, nem 
pela redacgSo de antigo sabor (priorum saporem referens. Rossi), tra- 
tando-se de epigraphia christS, nem mais especialmente pela fòrmula 
epigraphica e falta de outros elementos accessorios (famulus Dei, dia 
da morte, etc). 

Em conclusSo pois, nào podeqdo a figura cruciforme da lapide de 
Grado ser interpretada comò simbolo christSo, e mostrando o epitafio 



^ Iato é urna sinthese; farei as indispensaveis referencias : sobre as fórmulas 
das inscripQÒes christE da Hispania, das quaes as mais antigas sào do sec. y, 
vid. Irucrip. Hisp. Chriat., de Htlbner, pag. v, ix, xi. Sobre as inBcrip9des christas 
da Gallia, as obras de E. Le-Blant, especialmente Uépigraphie chrélienne en Gaule, 
pag. 7 e 18; ahi ainda apparece nos mais antigos marmbres ebristSos hicjacet, 
hic pausai; na Hispania o facto de em urna inscrip^So estar hic i{cuìet), £az dizer 
a Hiibner verba fortasse Christiana putanda (Corp. Inscr. Lai., ii, 1145). Acérca 
dos epitafios christaos de Roma vid. J. B. de Rossi, Inacr. Chriat. U. Rotnae, 
pag. ex e CXI. No voi. ii do Corpus, uma vez so apparece em epitafios pagaos 
a frase hic q(u)ie8cit, collooada ao firn porém (n.»3670, Maiorca). 

2 Vid. Dici, des antiq. chrét. Martigny, se. v monogramme. 



O Abcheoloqo Portugués 81 



obedecer inteiramente ao formulario pagSo, deve ser considerado pagào 
monamento ^. 

A figara composta de doìs trajos cruzados na lapide arquense é um 
ornato, com quo se occupou o rade frontlLo da lapide, depois de cob* 
tornado com dois sulcos, do que resultou nm tosco triangulo. Em entra 
regimo e com outra casta de pedra, talvez o abridor do epitafio tivesse 
sabido pdr naquelle legar uma roseta, corno se costumava'. 

A lapide de Grade fica em todo o caso sondo, na epigraphia lusita- 
no-romana, um monumento de valor, jà pela sua caracteristica rudeza, 
jà pela insergSo de dois nomes celticos, jà pela provìncia a qne per- 
tenee, jà pela presenga da figara cruciforme em estéla pagS. 

Com ella enriqueceram o Museu Etimologico Portugués os dois de* 
dicados cavalheiros e amigos meus, a que me referi no principio d'este 
artigo. 

Abril de 1904- 

F£Lix Alves Pereira. 



Catalogo dos pergaminlios ezistentes 
no arohivo da Insigne e Real OoUegiada de Ouimarfies 

Um dos mais antigos e mais ricos archivos do reino era sem duvìda 
da Insigne e Real CóUegìada de GuimarSes, cuja in8tituÌ92o primitiva 
ascende aos principios do seculo x. Na collee9§lo Diplomata et Char- 
tae dos Portugaliae Monumenta Historica apenas se encontram publi- 
cados 4 documentos de epoca mais afastada. 

A quasi totalidade dos documentos em pergaminho, anteriores ao 
anno de 1600, existe hoje na Torre do Tombe, porque em execugSo 
do decreto de 2 de Outubro de 1862 a este archivo foram recolhidos 
em 1863. Antes porém d'està data, jà se tentàra recolher à Torre 
esses documentos. 

E o que vamos narrar corno preambulo ao Catalogo que ora publi* 
oamos. 



* No CcUcdogue ofthe inscribed and sculptured stoiies preserved in the Blackgaie 
MaKum (1886) rejo uma ara de pedra com ama cruz, qae nSo Ihe tira a qaali- 
dade de paga, segando se prova. 

2 Os tra^os em cnus lembram um esbo90 de florao comò os das lapides bei- 
ras do Archeologo, i, 198. A cruz dos epitafios chrìstSos, quando encima as lapi- 
dea, nao tem a fórma simples d*esta de Grade, mas é espalmada. Pela figura se 
Té quo as suppostas hastes se ligam aos tra^os do froutSo, accentuando a intendilo 
puramente ornamentai. 

6 



82 O Archeologo PoBTUGUÉs 

Em 18&4 Alexandre Herculano visiton o archivo e formon ama 
rela9Ìlo dos docnmentos ali existentes anteriores ao secalo xiv, mencio- 
nando nella a falta do denominado Chartulario de Mummadona, que 
posteriormente foi recolhido. 

O exame feìto pelo insigne historìador a este e OBtros archivos 
concorreu certamente para qne a Academia Beai das Seiencias fizesse 
subir ao Governo ama representa$Ìo, a fim de qae este mandasse reco- 
Iher ao Real Archivo da Torre do Tombo os docnmentos que ezistiam 
nos archivos das mitras^ cabi<los, coUe^adas e conventos^ com o firn de 
tirar copias para continuar a collecsi&o e. publica^Io dos monomentos 
historìcos que interessassem às letras patrìas. 

Està represenia^So foi attendida pela portarla de 11 de Setembro 
de 1857, communicada ao D. Prior D. José Francinco de Paula e Al- 
meida, acompanhada da rela^ao formulada por Alexandre Hercalano^ 
e ao Arcebispo Primaz, a fim de que estes dessem as ordens competentes 
para a sua execu^So. 

O D. Prior officiou ao Cabido em 26 de Setembro, e o Arcebispo 
em 15 de Outubro, dando-lhe conhecimento da portarla, acrescentando 
este que em Guimaries devia apresentar-se um delegado da Academia 
para reoeber os docnmentos. Este delegado foi Augusto Soromenho^ 
nomeado em 7 de Dezembro com o vencimento mensal de 50f$000 réis 
pagos pelo cofre especial dos monumentos historicos e corpo diploma- 
tico, o qual em 30 de Janeiro de 1858 jà se achava em Guimaries, e 
neste dia officiou ao Cabido para Ihe ser designado o dia em que po<£a 
receber os docnmentos. 

O Cabido porem recusou-se à entrega e fez subir por intermedio 
do D. Prior uma representa^So ao Governo, que foi entregue no Minis- 
terio dos Negocios Ecdesiasticos em 9 de Fevereiro, e ainda por inter- 
niedio do Arcebispo a secnndou. 

Em portaria de 15 de Junho o Governo indeferiu a représentaySo, 
man tendo o preceìtuado na portaria de 11 de Setembro do anno prete- 
rito, comò foi communicado ao Cabido por officio com data de 23 do 
mesmo més do governador do Arcebispado, Antonio Bernardo de Mo- 
raes Leal. 

NS.0 obstante a portaria terminar por dizer que S. Majestade espe- 
rava que Cabido, reconhecendo o importantissimo fim que se tem 
em vista, deporia quaesquer duvidas no pronto e exacto cumprimento 
do que foi superiormente resolvido, as duvidas mantiveram-se, a oppo- 
SÌ930 nao cessou, e archivo, por entSo, continuou a guardar os docn- 
mentos da CoUegiada. 

Assim permaneceram as cousas até 1862. 



Archeologo PoRTUOuÉs 83 

O decreto de 2 de Outubro d'este anno veio tornar definitivo o que 
pela portaria de 11 de Setembro de 1857 era semente provisorio, trans- 
ferindo e encorporando no Archivo Nacional os arcbivos e cartorios 
de todas as igrejas e corpora98es religiosas. 

Para a exeonsfto d'este decreto, pelo que respeita à Collegiada 
de Chràoaràes, foi ezpedida ao Arcebispo ama portaria em data de 15 
de Novembro para que este desse as ordens necessarìas para o Cabido 
entregar os doemaentos anteriores ao anno de 1600 ao socio da Acade- 
mia Augusto Soromeaho^. designado e approvado para està commissSLo, 
da qual foi dado eonliecimeiito ao Cabido em officio de 21 de Novembre 
pelo refendo Arcebispo* 

Em officio datado do Fmrt» de 30 de Dezembro Augusto Sorom^obo 
inquire do Cabido quando pod^ Qome9ar os trabalhos que Ihe foram 
incumbidos, e em Mar90 de 1863 aotiava-se em Goìmar&es, ignorando 
nós a data em que teve logar a sua prim^a conferencia oom os doler 
gados do Cabido, que foram o cbantre José Antonio Martins Vimarar 
nense e o conego Francisco de Abreu Bacellar, acérca da fórma da 
organiza^So do inventario dos documentos que devìaia ser entregues-^ 
concordando-se no terceiro dia de conferencia que, separados nìà^ar 
mente os documentos ecclesiasticos, se fizesse dos outros o inventario 
em globo, iste é, por seculos e numero de documentos. 

Por està fórma se come90u a fazer o inventario, notando o delegado 
do Governo em 15 de Mar90 a faita do Tombe antigo de TollSes» e 
S. Gens; pouco depois o Cabido entendeu nSo conformar-se com este 
processo, desejando que nelle se fizesse uma individuasao mais expli- 
cita, de modo que -se ficasse sabendo, em rela9So a cada documento^ 
a data, objecto, a quem e por quem foi feito, escudando-se para iste 
no parecer dos advogados José Barbosa da Costa Lemos^e Rodrigo 
Salazar, a quem consultou, e cujas respostas em 19 de Mar90 enviou 
a Augusto Soromenho rogando-lhe que se conformasse com està opit 
niào. 

£m 21 de Margo este respondeu recusando-se a modificar o inven- 
tario, declarando que, se o Cabido nSo se conformasse, informaria o Go- 
verno do que se havia passado.^ Em vista d'està recusa o Cabido em 
officio de 26 declara conformar-se, mas resalvando a responsabilìdade 
em que podia incorrer e protestando o conego mestre-escola Joaquim 
de Scusa Guedes Aguiar centra a entrega dos documentos. Em 30 
de Margo estava concluido o inventario, feita a entrega dos documentos 
e passado o competente recibo pelo delegado do Governo. > 

fìnahnente em 31 de Mar9o o Cabido envia a Augusto Soromenho 
este officio: 



84 AUCHBOLOGO POBTUGUfiS 

«III."* e Ex.™* Sr.— É naturai que quando V. Ex.* entregar na 
Torre do Tombo os documentos que recebeu d'està CoUegiada de N. S. 
da Oliveira tenha de formalizar-se urna descrip^So circumstanciada dos 
mesmos documentos, e entào este Cabido vae rogar a V. Ex.* a espe- 
cial gra^a de promover que na mesma Torre do Tombo se Ihe passe 
urna certidao de tal descrip9fto. — Deus guardo a V. Ex.* GuimarSes 
em Cabido de 31 de Margo de 1863». 



Parte dos documentos enviados para a Torre do Tombo e outros 
foram transcrìptos em 13 grandes volumes in folio e devidamente au- 
thenticados, desde 1717 a 1724, em virtude da auctorizaQào conferida 
ao Cabido por alvari regio de 12 de Agosto de 1688. E todavia certo 
que a copia feita nio merece inteira fé e credito, nomeadamente em 
algumas datas e em nomes proprìos, cujos algarìsmos, siglas e abre* 
viaturas o interprete nSo leu com a precisa exàctid£o. Quem pretenda 
ser rigoroso no que tenha a escrever, e em assuntos historicos està 
qiialidade é absolutamente indispensavel, n&o pode fiar-se por com* 
pleto na copia ali existente apesar de authenticada. E conveniente 
a consulta dos originaes. 

A descrip9%o circumstanciada que o Cabido entendia dover fazer-se 
na Torre do Tombo, e de que pedia certidSo, remediaria em parte esiti 
consulta, mas tal descripQSo, cremos, ainda nSo feita; os documentos 
conservam-se na Tot* re do Tombo e o intuito que a Academia em 1857 
invocou para a sua remessa tem sido realizado com tal morosidade 
que até hoje semente foram publicados os que dizem respeito até o fim 
do seculo XI. 

Quem d'elles precisar aproveitar elementos para o estudo das cousas 
locaes vé-se na necessidade de ir à capital, e nào ha muitas pessoas 
que tenham vagar e disponham de meios para isso. 

Pelo menos deveria fazer-se e publicar-se um extracto de cada docu- 
mento com as precisas indica^Ses que pudessem elucidar quem os dese- 
jasse consultar. Era isso jà alguma cousa; poupava-se tempo e despesas 
aos estudiosos. 



Os documentos dà CoUegiada foram reunidos em 51 magos, que 
contém 4:113 documentos, e alem d'estes mais 13, que foram inventa- 
riados mais explicitamente que aquelles. Acresce ainda o Chartvlario de 
Mummcfjdona, que encerra 68 documentos, e 9 livros; o que tudo perfaz 



O Archeologo Pobtugués 85 

um total: de 4:203 docnmentos, qne for^m remettidos para a Torre do 
Tombo, 

Nao sera inutil meDcionar o contendo de cada ma9o: 

Ma^o l.** — 4 documentos da era de 991 (e copia), 1087 e 1137, 

Ma90 2.*— 20 documentos de 1151, 1157, 1158, 1160 (2), 1176, 
1178, 1184, 1185, 1193, 1197, 1200, 1215, 1216, 1227 (4), 1230, 
1238. 

Ma^o 3.*»— 62 documentos de 1224, 1245, 1248, 1249, 1254, 1257 
(2), 1258 (2), 1260, 1261, 1263 (2), 1264, 1266 (2), 1268, 1271 (2), 
1279 (2), 1280, 1281, 1287, 1291 (2), 1293, 1294, 1295 (2), 1297 (6), 
1298, 1301 (2), 1303, 1305 (2), 1306, 1309 (2), 1310 (4), 1311 (4), 
1312, 1313 (2), 1314 (2), 1315, 1317, 1323, 1340. 

Ma9o 4.^ — 7 documentos sem data dos seculos xn e xiii. 

Ma90 5.® — 13 buUas, sendo de Gregorio IX: 4 do segundo anno 
do pontificado, 1 do quarto anno, 1 do quinto anno, 1 do decimo tre- 
eeiro anno ; de Clemente IV : 1 do segundo anno do pontificado e outra 
do quarto anno; de Alexandre IV: 4 bullas do primeiro anno do pon- 
tificado. 

Ma(o 6.^ — 15 documentos dos seculos xii e xiii sem data. 

Mago 7.** — 139 documentos do seculo xii. 

Ma5o 8.'*, 9.** e 10.** — 378 documentos do seculo xiii. 

Magos 11.® a 18.® — 819 documentos do seculo xiv. 

Mago 19.* a 34.** (sendo o 25.** repetido) — 1:693 documentos do 
seculo XV. 

Mago 35.** a 50.** — 963 documentos do seculo xvi. 

Documentos especiaes: 

1.**, CriagSo dos meios-conegos, 1489. 2.**, Annexagào e posse da 
igreja de S. Tiago de Murga, 1496. 3.**, Criagào do Arciprestado da 
CoUegiada, 1518. 4.**, Annexagfto da conesia do mestre-escolado, 1440. 
5.**, SuppressSo de 3 conesias distribuidas em 6 meios conegos, 1491. 
6.**, Privilegio e indulgencia do aitar da ConceigXo, 1582. 7.**, CriagSo 
do Arcediagado de Villa Cova, 1545. 8.**, Centrato entre o Cabido 
e OS meios conegos sobre as obrigagSes d'estes, 1504. 9.**, Sentenza 
pela qual se prohibe que as entradas dos conegos sejam distribuidas 
entre si, 1514. 10.**, ObrigagSo feita pela Camara de assistir à procissEo 
da Senhora da Oliveira, 1600. 11.**, Sentenza que escusa os thesourei- 
ros-mores de residirem nas suas igrejas parochiaes, 1562. 12.**, Sen- 
tenga passada pelo arcebispo e sua relagSLo sobre n2o poder prender 
OS conegos, 1581. 13.**, SupressSo de sete conesias, 1430. (Bulla de 
Martinho V do decimo primeiro anno do pontificado). 



86 O Archeologo Pobtugués 

Chartulario conhecido por tLivro de D. Mummadona». Pergami- 
nho, in folio, com 60 folhas, letra do seculo xiv. Comega pelo «Testa- 
mento de D. Mammadona»; da era de 997; e contém 68 documentos, 
todos do seculo x. 

Carta de privilegios, liberdades e franqnezas, coneedidas por El-Rei 
D. AflFonso V aos homens da Collegiada de Guimar&es, no anno de 1455. 
Contém 11 folhas do pergaminho; està encademado em tàbua e mettido 
nnma saca de coirò. 

LivTo das obriga$3e8 do coro. Letra do seculo xiv, E mais duas 
copias: uma do seculo xv e outra feita em 1542. 

Estatutos antigos da Collegiada, feitos no anno de 149J. E copia. 

Doù titulos do livTO segundo da Ordena9fto Affonsina sobre privi- 
legios do clero. Letra do seculo xv. 

Tomho da Commenda de S. Salvador de Villa Cova, mandado for- 
mar por ordem regia em 1592. Tem 17 cademos e està falbo no prin- 
cipio e no fim. 

Tonilo do Padroado do Sobradello. Tem 130 folhas e copias de do- 
cumentos desde 1347 até 1587. 



Nem todos os documentos foram recolhidos na Torre do Tombo; 
alguns d'elles estavam em lugares escusos e nSo foram certamente 
lobrigados por Augusto Soromenho. Estes nao sao muitos, e alguns 
sEo duplicados ou copias d'outros que evidentemente existem no Ar- 
chivo Nacional. 

E extracto d'estes documentos, existentes e devidamente guar- 
dados no Archivo da Collegiada de Guimar&es, que vamos publicar, 
formando assim o Catalogo d'elles; e, respectivamente a cada um, fi- 
carà consignado o que nos pareceu ter alguma importancia para os 
estudiosos. 

I 

10 de fnar9o de %1 

Doa(2o feita por Adozinda ao mosteiro de GuimarSes, datada de 
sexto Idu8 marta, era de 999, de todas as herdades que possuia em 
Villa Cova abaixo do monte Cavallo confinantes com o rio Avizella. 

Apographo escrito por um Gon9alo corno no final se declara: Gon- 
saluus in hanc transmutauit, 

Este documento, cujo originai se encontra no Chartulario intitulado 
Livro de Mummadona, foi publicado na integra no Port. Mon. Sist,, 



O Abgheologo Portugués 87 

Diplomata et Chartae, pag. 51, sob a epìgraphe Carta de Villa Cotui 
in Cauto de Mareira. 
Escrìto em latim. 

II 

14 de fevereiro de 1118 

Troca do casal do Fundo, sito na viUa de Paredes, abaixo do monte 
Spurga junto ao ribeiro de Canpo, por urna quarta parte de urna var- 
zea, feita entre Mende Pires e Monio Gomes (dicto Conua) Pinha. Es- 
enta pelo notano Codino, decimo sexto kalendas marcii, era de 1156. 

Escrito em latiìn. 

m 

8 de Agosto de 1125 

Doa$So de herdades, sitas na villa Campo entre Eial e a nascente 
(fontano) que vem de Celariolos, abaixo do monte de S. Mamede e o ri- 
beiro Abruna, no territorio de Montelongo, feita por Soeiro Mendes 
e mulber Maria Nunes, e por Fedro Gonyalves e Tuta Nunes, sob con- 
dig^ de ahi se fundar urna igreja, ficando sem effeito se està clausula 
se nfto reaUzar. 

Està carta, em que os doadores ihvocam o testo da lei gothica: 
ut omne quod datum fuerit coram testihus non liceat denegavi, é datada 
de sexto idus augusti da era de 1163. 

Escrito em latim. 

IV 

Noticia dos bens moveis e immoveis legados por D. Monio ao mos- 
teiro de S. Gens. 

É urna copia, em dnplicado e em dois pergaminhos por le tra diffe- 
rente, sem data, que parece ser do seculo xttt, a que no verso ppr le- 
tra mni posterior se dà o titulo de testamento de D. Monio Gomes. 

Do contexto vè-se que D. Monio foi casado com D. Odrozia e era 
neto de I). Adozinda (sua auola). Damos-lhe este lugar porque nos 
documentos immediatos jà se encontram em poder do mosteiro alguns 
dos bens por este legados. 

Sera Monio Gomes Pinha de que falla o documento ii? 

Alem de varias herdades em Laorddlo, Campo, Palatiolo, Villa 
Mediaìia, Antea, Oondim, Quintilanes, Celeirolo, Ripis, Paredes, Cer- 
mdela e Sautdo, lega os seguintes ornamentos à igreja: «una storia, 
uno missale, unahomelìa, uno officiale, uno psalterio cum collectaneum, 
uno diolago, uno martirologium et uno breviario et uno correptor, duos 



88 O Archeologo Portugués 

calices de argento, una vestimenta abrnna, alio psalterio godego, duas 
stolas, iiii^' cingulos, duas facegemes bonas et unos sananos, duos ma- 
nipulos, un^' boìtes ^ et uno prosano et una sauana de super altare, suo 
lecto, duos tapetes, et una quozedra et duos plumaso huno tramesìrgo 
et alio grisisco, et uno faceirolo grisisco, uno feltro cardeno et iiii*^'' 
sauanos et una colcfaa et uno alfambar». 
Escrito em latim. 



27 de Janeiro de 1137 

DoagSo de herdades, sitas no legar de PàUUiólo abaixo do monte 
Cavallo (eques) no decurso do rio de Burio, territorio de Basto, feita 
por Golena Gemondiz ao mosteiro de S. Gens e S. Bartholomeu. 

Esenta a carta pelo notano Fedro, presbytero, a sexto kalendas 
fehrtiarii era de 1175. 

Escrito em iatim. 

VI 

1 de junho de 1144 

Centrato de cedencia da ter$a da quinta de Villa Meà, feita por 
D. Payo Moniz e outros herdeiros de S. Gens (nSo nomeados) a Gol- 
dregodo Gomiz e filha Aragunti Aluitiz em vida d^estes. 

Escrito pelo notano Payo, die kalendarum junii da era de 1182. 

Escrito em latim. 

VII 

1158 

Testamento de Guterre Wilifonsi, feito na era de 1196, pelo qual 
lega todos os seus bens ao mosteiro de S. Gens e de S. Bartholomeu. 

Alguns dos bens sJlo legados com reserva do usufruto vitalicio para 
outrem e com a clausula de permanecerem sempre integros em poder 
do mosteiro, prevenindo-se a hypothese de serem partidos os bens 
d'este. Neste caso os bens seriam usufniidos pelos parentes do tes- 
tador até que o mosteiro fosse restaurado novamente. 



1 £ duvidosa a leìtura. Fodera ler-Be boises ou horaes. Urna das copias diz 
claramente houts^ mas tal lei tura parece-nos nSo ter logar. Preferimos a que da- 
mos por talvez dever entender-se o movel que o Elucidarlo denomina boeta, se 
é que antes dSo sera borses, que se traduziria por bolsa e se trataria de bolsas 
de encerrar os corporaes. 



O Abciieologo Pobtugués 89 

Os bens doados, alem dos moveis, sSo em Argividi^ Amenal^ Do- 
eidii (ou Docii) e ein Villa Meà. Tambem lega urna casa sita em Gui- 
marSes ao hospital de Jerusalem. 

Este documento nào é originai, nem sequer apographo; nio tem 
indica9Eo de notano, nem de testemunhas, nem de robora ou firma 
do testador. Sera, talvez, uma nota para servir & factura legai do tes- 
tamento? 

Escrito em latim. 

Vili 

1158 

Duplicado do documento sob o n.** vii, 

IX 
1176 

Demarca9So dos limites das terras da igreja de S. Gens de Monte- 
longo, feita na era de 1214, em virtude de inquirÌ9ào ordenada por el-rei 
D. Àffonso para solu9^ da demanda que se levantara entre D. Payo 
Ooriz, prelado d'està igreja, e Payo Sugerii, herdeiro d'ella. 

Este era protegido por D. Mendo Gongalves, tenente da terra, 
que fazia entrar nas terras da igreja os seus mordomos. O prelado 
queixou-se em Coimbra ao rei que por seu porteiro mandou que Pedro 
Amarelo, prior de Guimar2es, D. Vilano e o juiz de GuimarSes, em 
presenta de D. Mendo Gongalves, chamados faomens bons e testemu- 
nhas ajuramentadas, inquirissem quaes as terras pertencentes a S. Gens 
em que nSo devia entrar o mordomo do senhor da terra. 

Os limites averiguados sSo os seguintes: comegam pela nascente 
do rio Srua comò sae das pedras da Viizie (Vigia?) junto & mila de Gon- 
dm, até o legar de Cascalaes^ e d'afai ao legar de Eygregoos, e d'abi 
pelo termo de Celeiroos até o monte, e da outra parte pelo rio Brua, 
onde come90U a demarea9ào, até o monte. 

Os.homens bons chamados foram: D.Vermuùs, prelado da igreja 
de Santa Maria de Antimi; Carvalal, prelado da igreja de Santa Eulalia 
Antiga; D. Barra, prelado da igreja deVinóós e juiz de Montelongo; 
Gueda Ordonio de Oraste. 

Entre outros esteve tambem presente JoSo Paez, prelado da igreja 
d'Ar3es. 

Este instrumento foi escrito por D. Pintom, ou Pincom. 

Escrito em latim. 



90 O Abcheologo Postugdés 



24 de Mar90 de 1194 

Contrato pelo qual Qoldregodo Moniz e irmi Lupa Moniz se obri- 
garam a nào vender, nem dar, nem hypothecar, senSio a Payo Hooriz 
e a Garcia Mauro, ou a seus successores, a herdade de Reueli, que Ihes 
adveio de seu pae Monio Paez. 

Esento pelo notano Goncalo em S. Bartholomeu e S. Gens, nono 
kalendds aprilis da era de 1232. 

Escrito em latim. 

XI 

1 de Novembre de 1196 

Narrativa da demanda sobre dizimos de um casal sito na extrema 
parte da villa denominala Villar, ditada por Mende Vieira, que presen- 
ciou todos OS factos : Menendus Vieira uidit et dictauit. NÌo se declara 
quem foi a escritor. 

Eis a summula do escrito: 

A igreja de S. Torquato estava em posse pacifica de receber os dizi- 
mos. JoSo de Rupella, prior da igreja de Santo Thyrso, apoderou-se 
d'elles allegando pertencerem à sua igreja e os recebeu durante 5 ou 
6 annos. Payo Daniel, prior de S. Torquato, por si, por amigos e por 
cartas, queixou-se perante o rei D. Sancho, que mandou a Soeiro Pires, 
que fora juiz de Guimarles, e a JolLo Fafila, que entfto o era, que inqtii- 
rissem da verdade. Feita a inquirìglo e citado para comparecer no paco 
do concelho de GuimarSes, vimaranensi concilio, o prior de S/® Thyrso, 
que ent3o jà era Payo de Ulueira, este n2o obedeceu e a decisSo prote- 
lava-se em prejuìzo do autor, que novamente se queixou ao rei, que 
mandou entSo Pedro Nunes, seu collateral e muito amado, dilectujn 
inteì* famUiae suae dUectum, para obrigar o prior de S.*® Thyrso a com- 
parecer a juizo. 

Reunidos os contendores perante elle em Guimaraes na Via Sacra, 
juntamente com os inquirìdores, por estes foi dedarado que averìguaram 
que OS dizimos do dito casal chamado Bdoi sempre foram possuidos 
pela igreja de S. Torquato, corno o af&rmaram as testemunhas e entre 
estas D. Joào, prior que f8ra de Souto, à bora da sua morte. 

Em vista d'isto os auditores e juizes da demanda, Diego, prior 
de GuimarSes, e D. Villano, em dia de Todos os Santos da era de 1234, 
julgaram a favor do prior de S. Torquato.' 

Escrito em latim. 



O ÀBCHEOLOOO POSTUQUÉS 91 

XII 

28 de Agosto de 1211 

Copia da carta de venda de cito casaes e trés quinhSes de outro, 
sitos na vUla Miranci, territorio do Porto, junto ao mar, pela quantia 
de 750 maravidis que o rei D. Affonso, filho do rei D. Sancho, e sua 
mulher D. Urraca, deram em vida à igreja de GuimarEes, para seu 
anniversario. 

Foram compradores o prior D. Diego e o cabido de Guimarles. 

Escrita a carta de venda pelo notario Fedro em GuimarSes quinto 
kalendas septembris da era de 1249, reinando D. Affonso e sua mulher 
D. Urraca, sondo mordomo da curia D. Martinho Femandes e servindo 
em seù logar Fedro Nunes, sub manu gus Petrus Johannis; chanceller 
D. JuliEo; eleito bra<;harense D. Fedro; deSo D. Godinho; chantre 
D. Fedro; mestre-escola D. Estevam. Estava presente, entre outros, 
Soeiro Pires, juiz de GuimarSes. 

Esento em Jatim. 

Em seguida: Declara9ao feita pelos vendedores de se obrigarem 
a fazer boa a dita venda pelas suas herdades de Mouquim, que cediam 
ao cabido se nSo pudessem validar o contrato. 

Escrito em iatim, 

xni 

27 de Maio de 1212 

Copia de tres documentos, sendo dois os extractados sob o n.® xn 
e terceiro o seguinte: 

Carta de venda de dois casaes sitos na villa Miranci ao prior 
D. Diego e cabido de Guimaraes para cumprimento do anniversario 
do rei D. Affonso, filho de rei D. Sancho. 

Escrita a sexto kcdendas junii da era de 1250. 

Escrito em latim. 

XIV 

15 de Jolho de 1223 

Traslado do instrumento da divisào das rendas da igreja de Santa 
Maria de GuimarSes, feita entre o prior D. Diego e o cabido mediato 
julio da era de 1261. 

Por oste contrato o prior ficou obrigado a dar os ornamentos da 
igreja e aitar, reparar a igr^a e casas que estao em circuito da mesma, 
a saber, refeitorio, dormitorio, capitulo, adega, celeiro, via-sacra, a casa 
da concienga (?) 



92 O Abch£OU>qo Pobtuqués 

O traslado foi passado a requerìmento do cabido, esento por Lopo 
de Figueiredo por mandado do arcebispo D. Fernando e por este assi- 
nado em Braga a 28 de Janeiro de 1463« 

Escrito em latim. 

XV 

Copia nio autentioada do documento extractado sob n.^ xiv. 

XVI 
? de Junho de 1225 

Estatuto ou determinagao de D. Martinho, prior do mosteiro de 
S. Torquato, assignando aos religiosos para seu vestido e para pitan9as, 
quando enfermos ou cansados (minuti)j a decima parte das rendas 
que mosteiro possue fora do Conto. 

Foi feito em Guimaràes no més de janho da era de 1263, e coniir- 
mado a 30 do mesmo mès pelo arcebispo D. Estevam. 

Escrito em latim. 

XVII 

1 de Setembro de 1225 

Publica-forma do centrato de irmandade entre o cabido de Lamepo 
e o de Guimardes, feito em Lamego nas kalendas de setembro da era 
de 1263. 

Escrito em latim. 

A publica-forma foi passada pelo tabelliSo Luis Vasques, em 6ui- 
marftes a 14 de setembro de 1468, por ordem e autoridade de Joao 
Pires de Faria, escudeiro, vassallo de el-rei, juiz ordinario da villa de 
Guimaraes por D. Fernando, conde da dita villa. 

XVIII 
? de Abril de 1226 

Emprazamento do Campo do Moreiral (?) em LaordeUo, feito por 
Gonjalo Gongalves, prelado de S. Gens de Montelongo, pelos derigos 
e herdeiros d'està igreja, a Martinho Martins para d'elle fazer uma vi- 
nha. Escrito pelo notario Fedro no més de abril da era de 1264. 

É partido por A. B. C. 

Escrito em latim. 

XIX 

? de maio de 1227 

Testamento de Maior Pires feito no mès de maio de 1265. 



O Archeologo Poutugués 93 

Manda sepultar-se em Santa Maria de Guimaràes legando dois 
aureos impostos no seu casal de Requiam para seu anniversario, e este 
«asal em usufruto a seu sobrinho Fedro Nunes e depois da morte d'este 
a Estevam Nnnes, filho da testadora, e depois ao clerìgo seu parente 
mais proximo e assim por deante. Lega mais k mesma igreja um au- 
reo imposto na sua herdade de Luuigildi; um maravedi & igreja de 
8. Tiago de Guimarftes; um a RumzavaUes; um para ad obras de 
S. Payo; um leito com coIchEo e travesseiro ao leproso que for mais* 
ulcerado em Santo André e S. Bartholomeu; alem de outros legados. 
Ao seu consanguineo Qomes Martins, cavalleiro, lega um meio casal 
em Gtumdar. 

Escrito em latim. 

No verso d'este foi escrito posteriormente um outro documento em 
portugués, que por illegivel nlo podemos extractar. 

XX 

17 de setembro de 1228 

Emprazamento em tres vidas da herdade sita na viUa Laordello, 
feito por Gongalo Gonjalves, prelado de S* Gens de Montélongo, com 
seus clerigos e herdeiros, a Mauro Pires e mulher, com o foro annual 
de uma espadua paga pelo Natal e duas libras de cera pelo S« Bar- 
tholomeu e a quarta parte do vinho. 

Escrito pelo notano Pedro, decimo quinto kalendas octohris da era 
de 1266; reinando o rei Sancho, principe da terra D. Gii, quando 
morreu o arcebispo D. Estevam. 

E partido por A. B. C. 

Escrito em latim. 

XXI 

6 de Agosto de 1229 ? 

Traslado dos estatutos dados ao Cabido de Guimaràes pelo Legado 
Apostolico Joào, bispo Sabinense, datados de Leào, octavo Idus Au- 
gusti, Sem designagio do anno. Designo 1229 segimdo o que escreve 
P.® Torquato nas Memorias resusciiadas da antiga Gnimaràes e ainda 
Alexandre Herculano na nota xx ao tomo ii da Historia de Portugal. 
Legado Apostolico, depois de prescrever o que diz respeito ao coro, 
confirma o numero de 35 conegos e 10 porcionarios, salvo o acrescimo 
de rendas ; estabelece um mestre de grammatica a quem assigna uma 
prebenda e n^ bastando està dar-se-ha 14 aureos dos bens communs; 
prohibe que os conegos sejam juises ou advogados no juizo secular, 
salvo em negocios da sua igreja; permitte que o prior possa estabelecer 



94 O Archeologo PoBTUGtTÉs 



um sacerdote para a cura de almas e htm asaìm. instituir prelados perpe- 
tuos nas igrejas de.S. Payo, S. Miguel do CasteHo^ Su Uiguel de Crei- 
xomil e Santa Eulalia de FerinentSes, segando a convenglo ttte eam 
o Aroebispo de Braga; manda que os conegos sejam obedientes ao fTÌor 
corno san Buperìor por direito ordinario. 

Esento em latim. 

Este estatoto acha-se inserido em carta d'el-Rei D. Dinis datada 
de Leiria a 1 de maio da era de 1329. O traslado, a pedido do Cabido, 
foi passado, em virtade do alvarà de D. Affonso V datado de Lasboa 
a 30 de setembro de 1460, por FemSo de Elvas, escriv&o da Torre do 
Tombe, a 26 de setembro de 1461 e està assignado pelo gaarda-mór 
Qomes Eanes. 

Conserva pendente de cordio azul e branco o sello de D. Affonso V 
em cera branca. 

XXII 

9 de maio de 1238 

Sentenza proferida pelo Arcebispo de Braga decidindo a questao 
de padroado e hospitalidade levantada entre D. Rodrigo Gh>mes de 
Briteiros e Gon9alo Gon9alvesy reitor da igreja de S. Gens de Monte- 
longo. 

Em resnltado da inquirifSo a que mandoif proceder por D. Fedro 
Fernandes de Villa Cova e D. Fernando Raimnndo de Sonsa, conegos 
de Braga, e por Fedro Martina Ervilhom e Rodrigo Paes de VideS| 
caraUeiros, o arcebispo jolgoa qae D. Rodrigo Gomes nào possoia 
o direito qae pretendia ter. 

Foi dada a senten9a na igreja de S. Clemente de Basto, aetimo 
Idus mail da era de 1276. 

Escrito em latim. 

xxni 

? de novembro de 1240 

Emprazamento em tres vidas de urna yinha sita em Laordello, feito 
por Gonfalo Gon9alves, prelado de S. Gens, com os sens clerìgos 
e herdeiros, a Mondo Mendes e mulher Maria Mendes com o foro an* 
nual de urna libra de cera paga no dia de S. Grens e a quarta parte 
do vinho. 

Escrito por Martinho no més de novembro da era de 1278, rei* 
nando o rei Sancho, sendo arcebispo D. Silvestre e senhor da terra 
M(artim) Gii. 

É partido por A. B. C 

Escrito em latim. 



O.ABCHEOLOaO POBTDGUÉS 95 

XXIV 

? de fevereiro de 1245 

Emprazamento em tres vidas de urna vìnha sita em Laordello, feito 
por Qonjalo Qoncalves, prelado de S. Gens de Montelongo, com os 
seus clerigos e herdeiros, a Domingos Gomes e mulher Elvira Annes, 
e a Mando Annes e mulher Maria Annes, com o foro para estes da terga 
parte do vinho e para seus fiihos mais urna libra de cera paga em dia 
de S. Bartholomeu. 

Escrito pelo hotario Pedro no més de fevereiro da era de 1283. 

É partido por A. B. C. 

Escrito em latim. 

XXV 

? de mar^o de 1247 

Testamento de D. Fernando Domingues. 

Manda sepultar-se na igreja de Santa Maria de GuimarSes no logar 
onde jaz sepultado seu fUho JoSo. Possuia, alem de outros predios, 
urna casa na rxui Cabreira^ onde mora Pedro Gongalves Pincalio, outra 
na ma 2kipateira, outra na rua de GatOB. Deixa varios legados pios 
e por herdeiros os fiihos qne iem de D. Urraca. 

Feito no més de margo da era de 1285. 

Esento em latim. > 

XXVI 

? de setembro de 1247 

Emprazamento em uma vida da herdade sita no logar de Infula, 
ou Insula, em Valle de Bouro, para edificar casas e piantar vinhas, 
feito por Gongalo Gongalves, prelado de S. Gens, com seus clerigos 
e govemadores, a Soeiro Annes com o foro de uma libra de cera 
paga ém dia de S. Bartholomeu. 

Esento no mès de setembro da era de 1285. 

E partido por A. B. C. 

Escrito em latim. 

XXVII 

21 de Janeiro de 1249 

Emprazamento em tres vìdas de herdade sita na villa Òureli, termo 
de Celorico de Basto, feito por Gon9alo Gon9alves9 prelado da igreja 
de S. Gens de Montelongo, com os clerigos e govemadores da mesma^ 
a Pedro Pequeno e mulher Elvira Mendes com o foro annual para 
estes de um maravidi em dia de S. Bartholomeo, e para os fiihos. dois 
aureos pagos no mesmo dia. 



96 O Abcheologo Pobtugués 

Escrito em o duodecimo kalendas fehniarii da era de 1287, remando 
D. A(ffonso), sendo arcebispo de Braga D. J(oao) e principe da terra 
D. M(endo) Gareia. 

É partido por A. B. C. 

Escrito «m latim. 

XXVIII 

? de abril de 1250 

Emprazamento em urna vida do casal denominado Casaes, do meio 
casal de Tràs-do-Rio (Transriuulo), sitos na viUa Brudla, feito por 
GonQalo Gon9alve8, abbade de S. Gens de Montelongo, com os seus 
clerigos e herdeiros, a Fedro Martins e mulher Auroana Viegas. 

Escrito no més de abril da era de 1288, reinando D. AflFonso, arce- 
bispo em Braga D. JoSo Viegas e principe da terra D. Mendo Gareia. 

Escrito em latim. 

E partido por A. B. C. 

XXIX 

? de maio de 1258 

Emprazamento em ama vida do casal de Penedo e de orna vinha, 
feito por JoSo Pires, prelado de S. Gens de Montelongo, com os cle- 
rigos e herdeiros d'està igreja e consentimento do arcebispo, a D. Fru- 
ctuoso e mulher Maria Mendes. 

Escrito no més de maio da era de 1296, reinando D. Affonso, 
conde de Bolonha, arcebispo M(artinho) Geraldes. 

Escrito em latim. 

XXX 

1258 

Traslado das Inquiric5es da parte da freguesia de S. Torquato 
que nlo é Conto, da Lobeira e de Rendufe, por Godinho Qodins, ci- 
dad^o de Coimbra, JoSo Martins, prìor de Pedroso e Thomas Fernandes 
de Cabanoós, (?) com o escrivilo Vicente Pires, por ordem do rei 
D. Affonso, que foi conde de Bolonha, na era de 1296. 

Foi passado, a requerimento dos moradores, por ordem de D. Af- 
fonso V, e traduzido em portuguès e subscrito por Gomes Eannes de Azu- 
rara, commendador da Ordem de Christo, chronista, guarda-mór do 
tombe do reiho, a 9 de julho de 1470 em virtnde do alvarà dado 
em Evora a 10 de abril do mesmo anno. 

Conserva pendente o sello das armas do reino em cera branca, 
e é escrito em nove paginas de pergaminho, cosidas e ligadas formando 
um cadérne. 



O Aboheologo Pobtugués 97 



XXXI 

• 1 de outubro de 1263 

Testamento de JoHo Diego feito nas kalendas octohris da era de 
1301. 

Manda sepultar-se na igreja de S. Tiago de GuimarSes, a cujo 
aitar, e bem assim aos altares de Santa Maria Magdalena e de S. Jo3o, 
da mesma igreja, deixa diversos legados. 

Deixa legados à Terra Santa de alem mar, a Santa Maria de Rupe 
amatorisj aos fradoB menores e a Santa Maria, de Guimaràes; aos le- 
prosos e leprosas de GuimàrXes, aos leprosos de Bou9as; a S. Paio 
de Gaimaraes; a S. Christovam; a S. JoSo de Cortegaga; à ponte 
de Cavez; & ponte de Orense; aos emparedados; ao hospital de Roncis- 
vaUis; a quem for por elle a S. Tiago de Galliza; a Domingos Pires, 
scriptori; a Domingos Vicente, capellllo da igreja de S. Tiago de Gui- 
marSes, etc. 

Escrìto em latim. 

XXXII 

? de Maio de 12G7 

Emprazamento em tres vidas de um campo, situado junto & vinha 
de Refloriis, para ser plantado de vinha, feito no més de setembro 
da era de 1305 por JoSo Pires, prelado da igreja de S. Gens, com 
consentimento dos clerigos d'ella, a Jo Jo Paes e mulher Maria Rousani, 
com foro da qaarta parte do vinho depois de decorridos 5 annos. 
Os successores pagarlo mais uma libra de cera. 

Foi lavrado por Geraldo Gongalves, tabellilo de Celorico de Basto. 
É partido por A. B. C. 

Esento em latim. 

XXXIII 

5 de Dezembro de 1267 

Testamento de Marinha Pires, mulher de AfiPonso Paes, feito em as 
Nanas decembris da era de 1305. 

Manda sepultar-se na igreja de S. Tiago de GuimarSes, à qual 
com seu corpo lega uma coeedra, um chuma$o e uma colcha cardena, 
e 2 maravidis annualmente. Deixa legados à igreja de S.^^ Maria de 
GuimarSes, entro os quaes 2 maravidis para Ihe tocarem os sinos, prò 
pulsare signa; aos frades de S. Francisco e para as obras d'este legar; 
às igrejas de S. JoSo de Ponte e de Santa Eulalia de Ripa Sdii; 



98 O Archeologo PoRTuonfis 

à ponte de Cavez; à ponte de Orense; aos leprosos e mulheres de Gni- 
marSes; aos leprosos de Boujas; a Santa Maria de Eockamadorj etc. 

Lavrado pelo tabellifto de GuimarSes Vicente Nunes. 

Escrito em latìm. 

XXXIV 

? de Fevereiro de 1268 

Testamento de Vicente Pires, dito Falia, ou Salia, feito no mès 
de fevereiro da era de 1306, se nSo erro na leitura da era, pois està 
bastante obliterada. 

. Manda sepultar-se no mosteiro de S.Torquato, ao qual lega rendas 
impostas na sua herdade de Castel Mozegio. Deixa um pomar e almui. 
nha a D. Martim Paes, chantre de Guimaraes, e outros bens a Pedro 
Nunes, prior de S.Torquato a quem nomeia testamenteiro eom encargo 
de fazer dos seus bens o que mellior julgar ser proveito de sua alma. 
Escrito em latim. 

XXXV 

6 de Agosto de 1271 

Emprazamento em duas vidas do casal da QuintS em Laordello, 
feito a 6 de agosto da era de 1309 por Paio Martins, reitor da igreja 
de S. Gens de Montelongo, eom consentimento dos clerigos d'ella, 
a Gongalo Martins e irmfto Jolo Martins, revertendo para a igreja por 
fallecimento do sobrevivente. Este casal jà estaya emprazado a Maria 
Gonjalves, mSe dos referidos. 

Escrito em Laordello por Geraldo Gongalves, tabelliSo de Celorico 
de Basto. É partido por A. B. C. 

Escrito em latim. 

Tagilde, 1903. 

{Continika). 

O abbade J. G. de Oliveira GuimarIes. 



Ceramica dos oonoellios de VlUa Real e Amarante 

E insignificantissima a collecgSo que tenho feito de objectos d'este 
genero. 

Aos fragmentos de vasos e tijolos, descritos nos differentes artigos 
publicados no Archeologo Portuguèa, em differentes annos, tenho agora 
de acrescentar pouco. 



AbCHEOLOQO POiLTUGUÉd 99 



1. CoaeellM 4e YilU Beai 

Fundo de um grande vaso encontrado na povoayao de Banagouro, 
fireguesia de Yillarinlio da Samar- j 
dS, com grande collec9ào de bron- ■ 
zes, grandes e medianos, na sua B ^^^^^^ 

grande maioria, dos imperadores B^^^^^^^^^B 
Hadrìano e Trajano. — Este ^^^^t^^^^^^^^ ^^ÈM 

era de barro de pasta grosseira, ^^^^^^^^^^^B^Bm 

de paredes grossas, sem verniz de ^^^S^^^^^^^^^^^U^. 
especie alguma e sem ornamenta- ^^^^!^^B ^^^ 

930; o ventre era grosso, e come- ;^ _ - \^P" 
gava a formar-se no fundo. Devia ^— 

ter a capacidade de dois e meio 
a tres litros. Na face interior encontra-se grande quantidade de oxìdo 
de cobre, proveniente dos bronzes oxidados (Fig. 1.*). 



Flg. 1.* 



2. Coneelho de Amarante 

Perto de Paneleiros, freguesia de Gondar, no acto de arrancarem 
um pinheiro secular, descobriram os trabalhadores grande quantidade 
de objectos de barro, dos quaes pude obter quatro, gragas ao meu 
bom amigo Francisco Costa, conductor das obras publicas do districto 
de Villa Real. 

S3o todos de barro, de massa bastante fina, muito Usos, sem verniz, 
nem ornamentarlo, bem cozidos e feitos à roda, comò mostra a regu- 
laridade da superficie, e os sulcos circulares do fundo de alguns d'elles. 
Parecem estes objectos ser louga romana, e 
iguaes a outros que se encontram no Museu 
da Sociedade Martins Sarmento. 

Actualmente em Paneleiros ha uma fa- 
brica de olaria, de que se aproveitam os po- 
vos d'aquellas circunvizinhanQas. 

O primeiro objecto que vou descrever é 
um vaso de barro avermelhado, em que predo- 
mina a fórma de cone truncado. Tem fondo 
circular e plano, e d'este comega a formar-se 
o ventre por uma zona obliqua de baixo para 
cima e de dentro para fora, de 0?*,0348 de 

largura. A zona na extremidade superior fórma um angulo com cone 
que vae estreitando até chegar ao gargalo, terminado por um rebordo 
circular de 0"»,036 de diametro, 0",028 de altura e de 0'",0025 de es- 

652708 A 




100 O Archeologo Portuqués 

pessura, da fórma de disco com urna depressSo em meia-cana muito 
pronunciada. Ao bordo inferior da meia-cana vem adherir a extremi- 
dade superior da asa bastante aberta, que vae unir-se pela extremidade 
inferior quasi ao meio do ventre do vaso. — A fórma d'este vaso (fig. 2.*) 
é ainda hoje usada nas olarias que seguem os processos antigos no 
fabrico da louga de que se servem os lavradores da maior parte das 
aldeias do Minho e Tràs-os-Montes. Tenho visto almotolias muito seme- 
Ihantes fabricadas em Bisalhaes (Villa Real) e Valle de Villa Pouca, 
O segundo é um elegante pucaro, de barro da mesma natureza, 
muito liso, de poucos millimetros de espessura, de 0"*,11 de altura, 
de 0™,033 no fundo e 0",055 na boca muito revirada para fora (jà que- 
brada em parte). Nào tem ornamenta9ao nem asa. Predomina neUe 
a fórma ellipsoide e tem representantes nas industrias actuaes atrasa- 
das (fig. 3.*). 





Flg. 8.* Fig. 4.» 

O tereeiro é outro pucaro nas mesmas condigSes do segundo, diflfe- 
rindo em ter maior capacidade; mas està quebrado. 

O quarto é um prato do mesmo barro, circular na parte mais larga, 
de 0™,26 de diametro, convexa em teda a superficie exterior, de 0",011 
de espessura, sem ornatos, nem esmalte. Tem imi bordo obliquo, an- 
guloso e iy)resenta a superficie ennegrecida em parte do fundo e dos 
bordos, que partem do fundo na face extema sem linha de demarca9ao 
e interiormente formam um angulo t2o obtuso, que à primeira vista 
mal se distingue. A profundidade do objecto é de 0",045 no meio, 
onde è mais fundo, e um pouco menos na passagem do fundo para as 
bordas (fig. 4.*). 

Os objectos foram oflFerecidos por mim ao Ex.™** Sr. Dr. Leite de 
Vasconcellos para o Museu Ethnologico. 

Hekrique Botelho. 

e Com a critica e conhecimento do passado ganba sempre a mora- 
lidade do futuro». 

Teixeira de Araoao, IHabruraa, 8antidadt8 e prophecias, Lisboa, 1894, 
pag. 7. 



O Archeologo Pobtugués 101 



EpigrapMa Romana de Braga 

Qnis a boa fortuna que ao numero jà consideravel de lapìdes ine- 
ditas por mim publicadas viesse juntar-se mais urna, embora truncada, 
ha pouco descoberta em Dume, freguesia suburbana de Braga, locai 
bastante fertìl na producalo de monumentos que testemunham a domi- 
naglo do povo-rei neste retalho da Peninsula Iberica. 

Da freguesia de Dume, habitada pelos Romanos, que ali tiveram 
a Torre Capitolina (Doagào de El-Rei D. Afimso o Casto, anno de 868) 
e um tempio dedicado a Esculapio (Chronica da Provincia da Soledade, 
pag. 485), talvez representado aìnda por uma capella lateral da igreja 
de S. Fructuoso*, conhecemos, entre outras, estas inscrìpgSe's impor- 
tantes: — a primeira, dedicada a Camalo Bracaraugustano, filho de Mal- 
gaeco, sacerdote de Boma e de Augusto'; outra, funeraria, de Nigrina, 
fallecida aos 50 de annos idade, flaminica da Provincia Hispanica Ci- 
terior^; outra, dedicada por Saturnino e seus herdeiros a Lucrecia, 
filha de Lucio, da tribù Quirina*; e finalmente outra a Juppiter De* 
pnlsor^j por voto de Armia Lussina. 

A que acaba de ser descoberta representa a parte superior de uma 
grossa columna (faste e capi tei) de que dou o desenho e dizeres: 




Leitura: Genio [Ca]e8arÌ8. DimensSes: altura, 0*",45; circumfe- 
rencia do fuste, 1"*,35. 

Por mais que forcejei nSo encontrei a parte restante que nos re ve- 
larla o nome ou nomes de quem fez a dedicarlo. 

A terceira linba devia dizer SACRVM. 



1 Cf. o meu livro Archeologia Ckrigtà, pag. 34 e scgg. 

* Corp, Inscr. Lai., ii, 2426. 
3 Corp. Inscr, LaL, ii, 2427. 

* Corp, Inscr. LaL, ii, 2444. 
^ Corp, Inscr. Lat,, ii, 2414. 



102 O Abcheòlooo PostdouAs 

Se a eolumna nào foi cortada a meia altura das letras da segnnda 
linha, que é ponco provavel, nesse caso a inscrìp^ principiou a ser 
gravada perto da jnnta, o que é superlativamente exquisito. 

Póde suspeitar-se que està eolumna fez parte de um tempio dedi- 
xsado ao imperador Augusto, pois pertenée a essa epoca a presente 
inscrip9So, em caracteres elegantes de trayo fino e 0",07 de altura. 
O refendo imperador teve, comò é sabido, sacerdotes e templos, e re- 
cebeu cultos divinos. 

^^^' Albako Bellino. 



Moeda inedita de 4 omzados de 1642 

Quando foi da revolu^ào de 1640, as moedas de 4 cruzados valiam 
If5l600 reaes, de seis ceitis o real, por lei de 18 de fevereiro de 1584, 
na razao de 30/SiOOO reaes por marco de ouro do toque de 22 quilates, 
o que determinava a saida de numerario para o estrangeiro, onde tinha 
maior valor commercialmente. 

Para obstar a tao grande mal, que depauperava o pais, os con- 
selheiros de D. Jo2o IV insinuaram-lhe a conveniencia de se elevar 
pre90 do metal precioso. NEo se fez esperar a lei de 29 de mar^o 
de 1642 *, que valorizou em 42^240 réis cada marco de ouro, e mandou 
recolher a moeda d'este metal para o lavramento de novas moedas. 

Os ourives compravam ouro para os seus artefactos na razSo de 
640 reis por cada oitava, mas comò a nova lei mandava pagar este 
peso por 660 reis com mais 3 por cento, isto é, por 679 reis, o aumento 
com que £1-Rei brindava os particulares era de 39 reis, importante 
naquella epoca. Em consequencia d'està vantagem a casa da moeda 
habilitou-se com o ouro necessario para trabalhar em larga escala. 
É por este motivo que hoje difficilmente apparecem padrSes dos 4 cru- 
zados que se cunharam no tempo dos Filipes, das moedas de S. Vicente, 
das de meio S. Vicente e de outras mais antigas. 

typo do primeiro cunho, aborto ao abrigo da citada lei, vae repre- 
sentado na fig. 1.^ Elle nào é novo para quem conhece a numismatica 
portuguesa; distinguem-no, porem, certos pormenores nos symbolos 
e nas legendas, e, corno variedade inedita, cativa a attenjSo dos nu- 
mismatas. 



* Teixeira de Aragao, Motdaa de PortugaJj voi. li, doc. n.» 106. 



Abcheóix)go Pobtuóués 



103 



O esondo de armas dp reino, ladeado por duas flores de lis, é elegante 
e proporcional no campo da moeda. Da linha horizontal destaca-se, para 
cada lado, um ornato que, em curvatura graciosa, o torna independente 




Pig. 1.* 



da corca real. Na orla vé-se a legenda IOANNES D G REX PORTV- 
GALIIE (lE por M no final) ; entra a primeira e a ultima palavrà està 
urna cruz feita de globulos. 

No reverso o cunho resaltou com offensa do bra^o esquerdo da cruz, 
por fórma tal que este parece rachado em fracgSes com extremidades 
agudas, sensivelmente deslocadas, e interrompeu o trajecto do circulo 
de globulos na orla dìreita. 

Forante a sciencia estas irregularidades, meramente casuaes, nSo 
distinguem a moeda em absoluto; o que Ihe dà importancia notavel 
é millesimo, cujos algarismos parece que foram extravagantemente 
oruamentados por pontos! Mas^ na realidade, nSo ha myste^o neste 
caso. O artista gravou quinas sem escudetes nos quatro angulos da cruz, 
corno se gravaram nalgumas moedas filipinas, do que se mostra um 
exemplo na fig. A; porem, depois de concluido o cunho, resolveu-s^ 




Flf. A 

a applicar pun95es de letras numeraes sobre as quinas, para occulià- 
las, porque, finalmente, se lembrdra que era mister acatar a dispo- 
J3Ì920 da lei de 29 de margo, que mandava acQomodar nas moedas a data 
em que fossem fabricadfts ao pé da cruz com que se cunhào. 



104 ÀBCHEOLOGO POBTUGUÉS 

Tica revelado o propoBÌio do gravador analysando-se as figs. B e C. 





Fig, B Fig. e 

Na fig. B vemos a oniamenta9So primitiva de quinas, deslocadas 
& esquerda da cruz pela violencia do choque do martelo no acto da 
cunhagem. 

Na fig. C observam-se tres pontòs, vestigios das quinas, que acom- 
panham cada algarismo, corno se fossem motivos especiaes de deco- 
ragào. 

A primeira vista dir-se-hia que o artista sympathizava com o nu- 
mero tres. Jà collocara tres globulos nas extremidades da cruz. Conhe- 
cido erro, enxertou a emenda sem preoccupammo de qualquer ordem. 

A moeda n^o pode ser classificada comò ensaio monetario; entrou 
na circulagSo, nJo obstante ser quasi um conjunto de irregularidades. 
Naquella epoca nSo era fiscalizado artisticamente o trabalho dos moe- 
deiros em Portugal. O quilate legai do euro e o bom peso da moeda 
eram os verdadeiros meritos que o publico reconhecia. A questSo ar- 
tistica passava quasi despercebi^a, emquanto noutras nam^es se mani- 
festavam superioimente os talentos de alguns gravadores monetarios 
contemporaneos. Em Franja Jean Warin, de Liége, no reinado de 
Luis XIII, em 1640 e 1641, abriu cunhos para moedas de ouro e 
prata com tal perfei^So comò ainda nSo se tinha visto desde o tempo 
de Henrique II (1547-1559)*. 

Na analyse da moeda encontra-se outro motivo de reparo com re- 
ferencia à disposiQllo da legenda, que cometa na orla esquerda e ali 
termina. •!• IN • HOC * SIGNO •h VINCEESS. 

A duplicagao de E e S na palavra .final accusa falta de calculo 
no aproveitamento do espago destinado a legenda. Notam-se descnidos 
d'està ordem em cunhos de diversos padrSes anteriores, e tambem, 
posteriormente, até a reforma que D. Fedro II fez no funcionamento 
da casa da moeda por titulo de 9 de setembro de 1686. 

A moeda pesa 244 grSos. De conformidade com a lei devia pesar 
246 Vs gràos. A falta proviria da tolerancia no peso, que n&o era entao 



^ Adrien Blanchet, «Jean Warin, notes biographiques», no Annuaire de la 
Société fran^aise de numismatique, 1888, t. xii, pag. 84 e segnintes. 



Ahcheologo Pobtdguès 105 

calculada rig-orosamente, e pode aìnda attribuir-se ao córte irregnlar 
do disco para o canho. NSo esquegamos que a ferramenta do cunhador 
em 1642 era semelhante àqaella com que os seus coUegas medievaes 
mantiveram estacionarìa por largos tempos a arte de lavrar o dinheiro 
portugués. 

exemplar està isento de maciilas estranhas ao fabrico. K admi- 
ravel a nitidez dos symbolos. Pertencè ao Dr. Antonio Augusto de 
Carvalho Monteiro. 

As moedas de 4 cruzados cunhadas em 1642 tem flores de lis no 
anverso, excepto a variedade que se ve na fig. 5.^, certamente a ultima 
cnnhada neste anno. O facto nSLo foi determinado por qualquer razào 
de ordem hìstorica, apreciada sómente em 1642. As flores de lis^ que 
'nunca mais figuraram em moedas portuguesas, sào aqui ornamentaes 
e nào symbolicas, sem duvida alguma. O ourives Cipriano do Conto, 
qae fora nomeado abridor de cunbos, por al vara de 16 de mar90 de 1641, 
a seu arbitrio escolheria para ornamento a sympatbica fior, por certo 
de melhor effeito que os vulgares besantes, os aneis, as estrellas, as 
rosetas e outros distinctivos ornamentaes, a cujos encantos nio resis- 
tiram os gravadores antigos. Aquella flor ji era sobejamente conhecida 
em tape9arias7 na ceramica, no brasSo de armas de Villa Fior, dado por 
D. Jo3o I, e em grande numero de brasòes da fidalguia portuguesa, 
OS quaes veem nas estampas do Tkezouro da Nobreza dos FamUias gen- 
tHicas do reyno de Portugal Desenhado^ Rluminado por Luiz Antonio 
Xavier Decipulo do Reverendo Padre Mestre F. Manoel de Santo An- 
tonio Reformador do cartono da Nobreza, e te, codice precioso que 
existe na Bibliotheca Nacional de Lisboa. Na architectura dos mona- 
mentos a fior de lis salientava-se em motivos de cantarla rendilhada. 
Quem examinar a porta lateral do arruinado tempio de N.* S.* do 
Vencimento do Monte do Canno, de Lisboa, vera flores de lis em avul- 
tada quantidade nos intervallos das columnas. «A ourivezaria antiga 
ornamentava os seus productos com varios lavores: bastiaes e folhagem, 
bastiaes e espheras, amagos (caroQOs), bulhSes, verdugos, jlores de lis, 
troncos de arvores, etc.» *. Que a flor de lis nSo era marca especial usada 
por Cipriano do Conto, para distinguir os seus trabalhos, prova-se com 
a letra C, ìniciai do seu nome de baptismo ou do seu sobrenome, que 
por elle foi gravada no anverso do tostSo n.^ 7 da estampa xxx de 
Teixeira de Aragao, voi. ii; e està moeda tem duas flores de lis nos 
angulos Buperiores da cruz. 



* BoUtim de Architectura e de Archeologia da Real AssociapSo do Architectos 
Civis e ArcheologoB Portugueses, voi. iii, pag. 131. 



106 O Archeologo Portuoués 

Na casa da moeda entrott tal quantidade de curo, em 1642, que fbi 
mister abrir varìos ferros de typo identico. CSpriaao- trabalhou com 
febril actividade, para que o ouro nio estacionasse avaramente, nao 
amoedado, nos cofres do thesoureiro, e d*Ì8to resultaram as variedades 
que vSo incluidas na estampa appensa no final d'este artigo, onde a 
fig. 2.* é copia da de JMig. 181 da Memoria dita moedas correntes, por 
Lopes Fernandes. A.apposi^Ho do carimbo 4 coroado, qué valorizou 
a moeda em 4«?000 réis, occulta parcialmente o algarìsmo da unidade, 
comtudo vé-se que a data é 1642. 

Na fig. 3.*, que foi decalcada np exemplar pértencente ao Dr. Fran- 
cisco Cordovil de Barahona, pode ler-selOAKNES UHI (cinco alga- 
rismos em vez de quatro!). Nota-se que a coroa real estA sbàtìda a 
dkeita; està deformidade é rara. Ha duas flores de lis, levemente sobre- 
postas, & esquerda do escudo de armas do reino e uma so fior à direita. 
Neutro exemplar da mesma data, que figura na collecgào de Robert A. 
Shore, tambem ha duas flores de lis, nZo sobrepostas, porém coUocadas 
à direita do escudo. 

A fig. 4.* vem no n.* 12 da estampa n das Portugiesische Munzen, 
Varietaten und einige unedirte Siucke, por Julius Meili, a quem pertence 
a moeda. Neutro exemplar, appròximadamente igual, da coUec9ao do 
Dr. José Antonio de Azetedo Borralho a legenda do anverso- termina 
em PORTVGALI. 

A fig. 5.* mostra a variedade em que o escudo de armas nào é acom- 
panhado de omamentafUo. Na legenda é notavel a palavra PORTVGAL, 
que nSo deverà considerar-se escrita em portuguès, mas abrfeviatura 
de PORTVGALME. Existe rio medalheiro da Bibliotheca Naciohal 
de Lisboa. Nào foi possivel indagar o motivo por que Cipriano.do Couto 
deixoù de gravar flores de lis nesie ultimo trabalho de 1642. 

E evidente que a fig. 1.*, examinadas as figa. 2.*y 3.^, 4/ e 5.*, 
.é variedade inedita e rarissima. O numtsmata curioso apreciarà o facto 
pelo methodo comparativo, que nfto é eBfor90 de teimosia para uso de 
Argumentadores; é guia seguro e infalli vel. 

Houve outras cunfaagens com typo igual ao de 1642. 

A lei de 6 de junho de 1646 ordenou ao thesoureiro da casa da mo«da 
que pagasse a citava de ouro dos dobrdes espanhòes de doisescudos 
por 800 réis, iste é, por 35 réis aihais do que pagava o ouro da marca 
de arriel e o da antiga moeda nacional, por lei de 15 de fevereiro 
do mesmo anno. 

Està providencia foi motivada pela fatta de numerario, muito notada 
dcfsde 1644, depoL^ da Victoria de Montìjo que^firmou a independencia 
de Portugal. 



O Abcheolooo Fobtugués 107 

Cipriano do Couto abrìn os cunhos de 1646 até 1652. Houre equi- 
voco DOS apontamentos qiie Teixeìra de Aragfto extrahiu do registò gè- 
ral da casa da moeda, a fls. 199 e 243. Este aator diz que a 15 de.se' 
Umbro de IGéSpassou Cauto a ensaiador, kdvez porfallecimento de Braz 
Fdcào^. 

al vara d'està data uSo se refere ao provimento de qualqnér offi^ 
ciò; manda abonar a Cipriano o aumento annual de mais 3^100 réis 
no seu ordenado de abrìdoif, por servir tambem o legar de ensaiador. 
Està noticia é dada pelo documento comprovativo n.^ 1, inedito, ao 
deante transcrìto na integra. Està re^stado no liv. 18 de Dooi^s, 
a fi. 166 V, da chancellaria de D. JoSo lY (Archivo Nacional da Torre 
do Tombe). 

Tambem se prova a assergSo com o documento n.^ 2, da mesma 
proveniencia, que se refere a novo aumento no vencimento do abridor- 
ensaiador, mercé que foi con<;edida em 28 de outubro de 1647^ 



Houve tres perìodos de cunhagem de moedas de ouro no reinado 
de D. JoSo IV. 

1) O prìmeiro comprehende as emissoes de 1642, corno se ve nas 
figs. 1.*, 2.*, 3.*, 4.* e 5.* Exìstem exemplares com flores .de lis no 
anverso e sem earimbos nas coUecgSes de: 

Abilio Augusto Martins^, Dr. Antonio Augusto de Carvalho Mon- 
teiro (dois exemplares differentes), David Nunes da Silva, Di Fer- 
nando de Almeida, Francisco Antonio Chichorro, Dr. Francisco Cord6- 
vil de Barahona, Dr. José Antonio de Azevedo Borralho, José Lamas ^, 
José Ollegario SimSes da Silva*, Julius Meili*, Museu Municipal do 
Porto. 

Exemplares com flores de lis e carimbados nas cpIlecgSes de: 



* Vide a pag. 73 do voi. i. 

^ Este numismata pnblicou dois Catalogos da sua collec9So, ém 1887 e 1889. 
No primeiro, a pag. 11, e no segando, sob o n.<* 69, incluiu dois exemplares de 
4 cruzados de D. Joao IV sem indicar as respectivas datas; porem,'eonlo tivesse 
mandado photographar toda a coUec^ào em 57 cartoes còm 1:041 iigiiras,' sabemos 
que as data.<i sSo 1642 e 1646 pelo cart3o n.<* 15, qne fsa parte do album numisma - 
tico, interessante e raro, pertencente ao Dr. Felix Alves Pereira. * 

3 N.<> 337 do Catalogo, impresso em Lisboa, 1903. 

* N.*" 1 do Catalogo manuscrito, do qua! so existem dois exemplares. 
^ N.^ 12 na estampa ii da obra d*este antor acima citada. • 



108 O Abcheologo Portugués 

Sua Majestade El-Bei '^ Dr. Adriano de Sousa Cavaiheiro, Edoardo 
Luis Ferreira do Carmo', Manoel Bernardo Lopes Femandes^, Robert 
A, Shore, Visconde da Esperanca (dois exemplares). 

Ha exemplares sem flores de iis e sem carimbos nas coUec^òes de: 

Dr. Antonio Augusto de Carvalho Monteiro, Biblìotheca Nacional 
de Lisboa, Cyro Augusto de Carvalho, José Lamas^, Julius Meili. 

No catalogo da eollec9fto do Visconde de Sanches de Baena ^ men- 
ciona-se, sob o n.® 80, um exemplar de 4 cruzados de 1641, contra- 
marcado, e na Histoire du Travati, n.^ 704, vem outro nas mesmas 
condigSes. Estes exemplares s2o de 1647. Um dos carimbos occnlton 
parcialmente o algarismo da unidade, cuja parte inferior ficaria visive!, 
e d'isto resnltou o equivoco. O argumento em que se baseìa a centra- 
dita é a propria lei de 27 de mar90 de 1641, que depois de se referir 
à moeda de prata, ordena que o curo se fàbrique em moedas de quatro 
e dous cruzados, tudo eam o peso e valor da ley, e com os cunhos eom 
que ateg,ora se fabricavào, mudando-se-lhes o nome de PheUipus a Joan- 
nes quartus^. As moedas dos Filipes nSo foram datadas em Portugal. 

Ainda nSo appareceram padr<^es de curo fabricados em obediencia 
a està lei. Fresume-se que nSLo existiram. 

Em 29 de maio de 1644 o conselho da fazenda ordenou aos moedeiros 
do Porto e de Evora que cunhassem o curo velho que havia nestas I 
cidades^. NSo temos noticia de exemplares de tal data, nem de 1645. 
E possivel que a ordem nSo fosse cumprida, por nio dimanar direeta- j 
mente de el-rei ou por qualquer motivo, hoje ignorado. 

2) O segundo periodo de cunhagem abrange os annos de 1646 a i 
1648. Na fig. 6.*, cujo originai pertence ao Dr. Francisco Cordovil 
de Barahona, mostra-se o typo commum às emissSes d'estes annos. ^ 

Este exemplar é o mais perfeito que temos visto. Corca estreita 
e alta; cunho sensivelmente aperfeÌ9oado. O algarismo da unidade, pela , 
fórma especial que tem, lembra vagamente urna ta^a para champagne: I 
assim vem representado na paginagSo de alguns codices dos seculos xvii 
e xviii. 1 

Os exemplares de que temos noticia relativos a este periodo sao 
OS seguintes. 



^ N.« 705 na Histoirt du TravaU, por Teixeira de Àragao. 

2 N.* 353 do respectivo Catalogo, 

3 Estampa a pag. 181 da Memoria das moedas correntes em Portugal, 
* N." 838 do respectivo Catalogo. 

6 Catalogo »tc., Lisboa 1869. 

^ Teixeira de Aragao, documento n."" 99 do voi. ii. 

7 Teixeira de Arag&o, pag. 16 do voi. ii. 



Archeologo Pobtugués 109 

Nio carimbados, do anno de 1646, nas collecfSes de: 
Àbilìo Augusto Martins, Eduardo Luis Ferreira do Carmo (n.** 354 
do catalogo). 

Do anno de 1647, nSo carimbados, nas collec93es de: 
Dr, Adelino da Silveira Finto *, Dr. Antonio Augusto de Carvalho 
Monteiro*. 

Exemplares de 1647, carimbados, nas collec^Ses de: 
Sua Majestade El-Rei (n." 704 de Histoire du r9*avai7),Visconde 
de Sanches de Baena (n.^ 80 do catalogo). 

Exemplares do anno de 1648, nSo carimbados, nas coUecgoes de: 
Eduardo Luis Ferreira do Carmo (n.** 355 do catalogo), Dr. Fran- 
cisco Cordovil de Barahona. 

3) O terceiro periodo comprehende apenas os exemplares cunhados 
no anno de 16S2 (1652), comò se ve na fig. 7.*, representativa do n.° 1 
da estampa xxx de Aragao» 

D'està data existem exemplares, sem carimbos, nas coIIec^Ses de: 
Dr. Antonio Augusto de Carvalho Monteiro, Julius Meili. 
£ com carimbos, nas collecgoes de: 

Sua Majestade El-Rei, Conselheiro Manoel F. de Vargas, Visconde 
da Esperan9a ^. 

Parece que Cipriano do Conto falleceu em 1654, anno em que foi 
nomeado abridor o onrives JoSo Baptista Coelho^, que no principio 
do reinada de D. Afonso VI gravou cunhos para moedas de 4 cruzados, 
koje rarissimas, imitando com pericia o estilo do seu antecessor, comò 
se póde ver a fl. 198 da Memoria das moedas correntes em Poriugal, 
por Lopes Femandes, onde vem representado um exemplar do anno 
de 1660, o mais antigo que se conhece d'este reinado. 

Boeumentos comproratiTos 

N.-l 

•£u £1 Rej ^Ei^o saber aos qae este Aluara uirem que tendo considerammo 
ao traballio de Cepriano do Conto abridor dos ferros com que se cnnhSo as moedas 
que se laurao na casa desta cidade tem com o dito officio por serem os ditos ferros 
ao presente dobrados dos que se abriSo em tempos passados : e seruir jantamente 



^ N.° 247 de um Catalogo manuscrito do anno de 1894. 

^ No exemplar a que està cita^So se refere o algarismo da unidade està col-* 
locado entre dois pontos : • 7 • . 

' No esemplar que pertence a este numismata a legenda do anverso termina 
em PORTVG • REX. 

* Teixeira de AragSo, nota 7 a pag. 73 do voi. i. 



110 Abcheologo Portdgués 

officio de ensayador por a grande experiencia qufi dlssò tem a cujo Bespeito 
Ihe fica Bendo limitado o ordenado de quarenta mil rs. qac tem por abrìdor dos 
canhos corno se uio por informa^So que do sobredito se ouue por fìraBcisco gnedes 
pereira juiz e thesoureiro da dita casa da moeda Hey por bem e me pras que 
o dito sipriaDO do couto possa levar os tres mil e cem rs. que tem com officio 
de Ensayador por aia de merce e de acrecentamento de ordenado por nao poder 
levar dous ordenados pello Ruim Ex empio que disso se pode seguir pello que mando 
ao dito juis e thesooreiro da mesma casa da moeda desta cidade que nesta confor- 
midade pague ao dito ao dito (sic) sipriano do couto os quarenta e tres mil e cem 
reis asima declarados a saber os quarenta mil reis que ategora se Ihe paguanao 
por abridor dos ferros do cunho da moeda e os tres mil e cem rs. de que Ihe fa^o 
merce de acrecentamento de ordenado por nSo poder lenar dous corno dito he : os 
quais Ihe serio pagos asy e da maneira que se Ihe pagaufto os ditos quarenta 
mil reis e pello treslado deste Aluara que sera registado no liuro da despen 
do dito thesoureiro pello escrinSo de seu cargo e conhecimentos do dito sipriano 
do couto feitos pello mesmo escriu&o Ihe serSo leuados em conta os quarenta 
e tres mil e cem rs. que pella dita maneira Ihe pagar cada anno e este quero 
que ualha comò carta posto que seu effeito haja de durar mais de bum anno sem 
embargo da ordena9lLo do liaro 2.^ titulo 40 em contrario. Antonio ueloso estaco 
o fes em lixboa a quinte de setembro de seis eentos quarenta e seis annos. £ pa- 
gara o nouo direito se o derer na forma do Regimento — gaspar de Abreu o fes 
escreuer=^Rej.» 

N.*2 

«Eu El Eej faco saber aos q este Aluara yirem q avendo Resp.* ao que se 
me Representou por parte de Sipriano do Coutto estar seruindo o off." de eneaia- 
dor e abrìdor dos cunhos da Casa da moeda desta cidade de Lx.' e ao muito tra- 
balho e cuidado que them no exsersissio dos ditos off.*", e dabrir todos os ferros 
de cunhar-e marcar a dita moeda e com os quarenta e tres mil e. cem rs. qua them 
de ordenado, senio poder sustentar, E a informalo q do sobreditto se ouue pel* 
juis e ihez,^ da ditta caza de que ouue vista o procurador de minha faz.* Hei 
por bem de fazer m.*" ao dito Sipriano do Coutto de Ihe acresentar des mil rs, de 
m.^ ordin.* em cada bum anno alem dos quarenta e tres mil e sem rs q ia them de 
ordenado com o dito off.* com dedara^So q nSo servirà de emxenplo p^outra Pes- 
soa algua Pello q mando ao juis e Thz.* da dita Caaa da moeda q prezentandolbe 
o ditto Sipriano do Couto este Aluara por mim, asinado e conhesimento feito 
por hu dos escrìuaes da dita caza e asinado por Elle Ihe faca pagamento dos 
ditos des mil rs de m.^* ordin." em cada bum anno E aos contadores do Rn.* e casa 
leyem em conta ao Thez * q ora he e ao diante for As.quaatiaB q por està manr.' 
Ihe pagarem ed o treslado deste aluara e conhesimento do dito Sipriano do coatto 
e este se cumprira inter.*mente comò m nelle conthera e vallerà corno carta sem 
embaigo da ordena^So em eontrarìo sendo pr.** Paaaado peL* minha chr.' donde 
pagara o nouo dir.*<^ que deuer, na forma do Regimento e se Registàra nos L.***, 
de minha faz.* e m.** que faco Luiz da Costa o fes em Lx.' a vinte e oito de outa- 
bro de Bj* Rbij (647) annos jorge da fona.* coutinho o fes escrever. = Rey» *. 

Lisboa— Abril de 1904. 

Manoel Joaquoc de Cakpos. 

' Chancellaria de D. Joio rV.-^Zivro Ì5 a fts. M e 95 v (Axchivo KactoBftl da Tom àt> T^mboj. 



AiclMologo Portugoés 



Voi. Il- 1904 



VARIEDADES DA MOEDA DE 4 CRUZADOS DE D. JOAO IV 



PI g. 2.« 



Fig. 8 • 



Flg. 4.« 




t'ig. 6.« 



Fig. 0.» 



Fig. 7.» 




/ -.. 



/ 



O Abcheolooo Portugués 111 



Arohiteotura romanioa 

portieo da nutrii de M on^Ao *■ 

Com seguro espirito de previsto, escreveu, ha mais de trinta ànnos, 
Augusto Filipe Sim3es, um fallecido mestre da archeologia nacionai: 
cQuem pretender estudar os primordios da architectura portuguesa, 
materia tSo interessante corno desconhecida, ha de buscar nas provin- 

cias do norte os vestigios coevos dos de Coimbra ou anterioresj 

nos districtos do Porto, Vianna, Braga e Lamego ha muito que explo- 
rari*. 

Estas palavras vem inteiramente de molde para aeompanharem a re- 
presentagSo em gravura do portai da igreja de Santa Maria dos Anjos, 
matriz de MongSo. 

£ espressivo do nossó supino desmazelo em materia de arte o si- 
lencio que reina nos chorographos em volta d'està autentica reliquia 
de architectura romànica em Portngal. Nenhum, que saibamos, Ihe re- 
conhece ou esmeuga o valor e, comtudo, mais do que um, certamente, 
Ihe pisou a testada algum dia. 

Infelizmente, nio dispomos, para elaborar este artigo, senSo da gra- 
vura que a representà, Isto é insufficiente para se apreciar em separado 
portico, e principaknente para se coahecer a importancia total do mo- 
numento de que elle faz parte. Tanto màis que a igreja matriz de Mongao 
conserva ainda alguns vestigios dos outros elementos architectonicos que 
acompanhavam parallelamente o estilo impressò na traQa do bellissimo 
portai. 

A historia da architectura nacionai, historìa cujas primeiras folhas 
nosso Entre-Minho-e-Douro teria a gloria de occupar, em grande parte. 



^ presente estado é a refiindi^So de um artigo publicado no Jiegional, hèb- 
domadario locai de MonpSo, em o n.<> 96 de 8 de Feivereiro de 1903. Esse artigo 
foi escrito para acompanhar urna pequena gravura, que representava a porta prin- 
cipal da matriz d'aqaella localidade, mas que pecava pela insufficiencia da illus- 
tra9ào e pelo ob scoro do buril. Publicando-se agora n-0 Archeologo Portugués, 
soffrea indispensaveis modifica^es, SQseitadas pelo exame de photographlas mi- 
nueiodas e completas do referido portico e pelas infonna9((e8 additadas ao meu 
artigo por lun illustre advogado de Mon^do, apreciador esclarecido das notabili- 
dades da sua terra — o £x.^® Sr. Antonio de Pinho. 

£ o fruto d'està revisao que agora se publica no Archeologo, para o qual 
se abrìu especialmente a grayura que o acompanha. 

^ Beligutas da architectura romano-bizantina, pag. 20. 



112 O Archeologo Pobtugués 

se alguem se propusesse escrevè-la, necessitarla de archivar a descri^ao 
minuciosa e completa de bastantes monumentos que aquella regiao ainda 
occulta na sombra das seculares carvalheiras. 

A irradia9ào artistica, que penetràra no norte e noroeste da Hespa- 
nha, no seculo xi, devia estender-se necessariamente por aquella nossa 
provincia, onde a incipiente nacionalidade portuguesa jà femava, corno 
em chào muito seu, os primeiros passos. 

D'este facto procedia que, enlagados o antigo espirito d^ crenga 
e poderoso influxo de urna arte constituida, deviam come^ar logo 
de surgir por ali, primeiro do que por outra qualquer parte do pais, 
numerosos monumentos christSos, embora muitos de modesta fabrica. 

Ao passo que a terra ia sendo cgnquistada e o dominio cbrist&o se 
desdobrava para o sul, levando até comsigo o corajao do reino, as igrejas 
e OS mosteiros iam, a modo de balisas, affirmando que onde chegava 
lampejo da espada, logo atràs seguia o brago do architecto. 

Por isso 6 digna de registo a intuigSo prophetica que inspirou a 
Filipe Simoes as palavras que iniciam este artigo. 

E ainda elle nào teria visto nem percorrido toda a rugosa vestidura 
de valles e montanhas, que cobre o norte de Portugal e occulta o muito 
que por là existe para ver e estudar; o qual muito, por ser modesto 
e esquecido de majestade, nSlo deiza de ter grande ìmportancia para 
a historia da architectura entre nós *. 

NSo é impossivel, e tempo vira em que isso se faga, conceber uma 
carta architectonica de Portugal nos seculos em que predominava a ar- 
cbitectura romanica, a mais derramada no Entre-Douro-e-Minho; carta 
em que, por meio de córes ou tragos convencionaes, se designasse a den- 
sidade numerica de vestigios romanicos relativamente a areas fixas, 
exactamente corno em mappas de outra natureza se faz. 

Presumo que aquella regiào accusaria, ainda hoje, a mais elevada 
proporgào de edificios d'aquelle estilo. 

Bem hajam, entre tanto, todos os que, na sua propria terra, tentam 
exhumar do esqnecimento of&cial e do desprezo publico os monumentos 
que a honram e corno que estlo documentando historias locaes. 



1 Quando estas linhas escrevi, ainda nSo tinha noticia de umas verdadeiras 
joiazinhas de architectura romanica, que o Ex."* Sr. Dr. Antonio de Pinho me 
dennncion depois em bellas reproducfOes photographicas. 

Esses prìmores existem nas freguesias de LongosValles (Mon9fio) e Pademe 
(Melgaco). S. Ex.*, que é espirito culto, sentiu-se impressionado com o abandono 
d^estes restos da architectura romanica e abalancado a estudi-los actualmente 
com amor e enthusiasmo. 



Archeologo Pobtugués 113 



A simples inspecgSo da gravura que representa o portico principal 
da igreja de Santa Maria dos Anjos, de MongSo, suggere-nos, salvo 
melhor jnizo, que estamos em presenta de urna reliquia da architectura 
dos fins do seculo xii, podendo ainda pertencer aos prìmeìros annos do 
secnlo xiu. E a concIusSo a que parece levar o estudo comparativo 
dos caracteres architectonicos d'està curiosa pe9a. 

Nio obstante, os trabalhos d'està especialidade acérca de monu- 
mentos portugueses nSo sSo ì^o numerosos, que possam dispensar fa- 
cilmente o investigador da contraprova fomecida por documentos ou por 
noticias relativas à fundaglo do edificio. Dispondo apenas para este 
estudo da gravura representativa do portico, sentimo-nos, pois, pouco 
robustecidos. 

Alem d'isto, falta o esame de outros elementos importantes de pon- 
derajlo pertencentes ao resto do tempio : a pianta com a ìndica^Eo das 
naves do trancepto, das absides, os al^ados internos das paredes, as 
fachadas com as janellas, espelhos e contrafortes ; as torres com as ven- 
tanas e com seus remates; a ornamenta9ào nas columnas e nas archi- 
voltas; OS tectos de abobadas, de cupula ou de madeira; depois, as 
^argulas, os modilhoes, as garras, etc. Sao elementos de observa^So, 
de compara9ào e de analyse que nao podem esquecer-se quando se 
tentarem ler em determinado monumento os caracteres da sua antigui- 
dade. Mas, deve-se confessà-lo, na elabora9ào de noticias d'està natu- 
reza, a circunstancia de nSlo ter encarado com o portico tem ainda 
antro effeito: — é a quasi violencia com que tem de se escrever acérca 
de urna obra da antiga e impressionante architectura romanica, sem ter 
sentido a emo(3o, a um tempo mystica e soberana, que a sua presenta 
produziria. Pica so a sensibilidade reflexa, que provém do frio tra- 
ballio mental; falta a directa ou emotiva, que nSo pode provir senSo 
immediatamente do proprio edificio, que vive, parecendo que nos fala 
das cousas de seu bom tempo. 

que porém presentemente subsiste da primitiva fabrica foi descrito 
nmn additamento assinado com as iniciaes do Sr. Dr> Antonio de Pinbo e 
publicado em seguida ao meu artigo d'O Regional. Ahi dizia aquelle 
talentoso critico que, alem do portai, Ihe pareciam da mesma architec- 
tura: «parte da silharia frontal, ainda com um espelho e uma gargula, 
disfargada em cabega de monstre, que suppomos da primitiva fabrica; 
e OS vestigios, quasi apagados, de um outro portico lateral, na face do 
tempio que olha o sul, obstruido hoje por fórma a deixar semente ùma 



114 Archeologo Portugués 

pequena porta de ingresso a um barracorio, com urna architectura de 
curral, destinado a arrecadagSes. D'este portico existe a vista a saiiencia 
de parte de um arco, de traga evidentemente romanica, ornado de contas, 
que se enoontra actualmente coberto com urna aguada de cai. Ontros 
restos da architectura primitiva exìstem encerrados dentro de uma 
construcgSo sem valor nenhum que serve de sacnsUa à coniraria das 
Almas: uma serie de modilhSes, sem lavores, muito aconchegadotf que 
saiam da linha geral da construcgào a uns 4 metros de altura do solo 
e um friso saliente, ornado de contas, que faz parte de um pano de 
parede que encontra perpendìcularmente o corpo prìncipal do tempio. 
A configuragao architectural d'este pano faz-no4o suppor parte do edi- 
ficio primitivo, talvez de uma abside, pois que se véem ainda treelios 
de decoragào na sua extremidade angular norte-oriente (restos de eon- 
traforte, provavelmente) que di para a via publica, e porque a sua si- 
Iharia, semelhante à da fronteira do tempio, nSo tem sinaes de aber- 
tura para o ezterior. Parte d'aquelles modilhoes que se achava visivel, 
fora da construcgSo refenda, foi arrancada em obras recentes, cnjos 
inspiradores julgaram anti-estheticas as suas saliencias. Estes restos 
ultimamente enumerados existem no lado norte do monumento». 



Pareceu-me a principio que o portai nlo representava actualmente 
tudo o que devera ter sido no seculo xn. Suppus que Ihe faltava mna 
pega primordial nos porticos do estilo romanico — o tympano. Recolhido 
ao fundo do docel, formado pelas multiplas archivoltas que emoldnravam 
OS porticos, tympano recebia do cinzel do artifice uma especial con- 
sagrarlo, figurando-se nelle um assunto culmmante da iconograpbia 
christS, sempre repassado do ingenuo mysticismo d'aquelles tempos. 
Era uma pega capital na decoragSo architeetonica. 

Presumi que Ihe tivesse sido arrancada. O caso nSo era novo. No 
pais, em piena Coimbra, as antigas igrejas de S. Tiago, S. Salvador 
e Sé Velha foram alvo de iguaes sacrilegios. A de S. Christovam, ao 
tempo da sua pasmosa destrui$ào, ainda o tinha porém K 

No caso especial de que trato, a insufficiente gravura de que dia- 
pus para o meu primeìro estudo nSo mostrava a omamentagSo que guar- 
nece o intradorso do arco menor da portada, segundo novas photogra- 
phias. Tive de modificar o meu juizo. Jà na traga primitiva nSo houvera 



1 Rdiquias da architectura romanica t hixatUina, por F. A. Simdes, passim. 



O Aecheologo Pobtuguès 115 

tympano *, coma os leitores do Archeologo podem tambem verificar pela 
presente iUastra^^. 



Para assinar à architectura do portico de Santa Maria dos Anjos 
OS fins de um seculo e os primeiros tempos de oiitro deverà attender-se 
ao estilo definido, ao trabalho sem hesita98es, ao cunho de seguranga 
que se p&tent^&Bas fioiuui e iisb propoifSes da obi^ independentemente 
dos defeitos de execajSo*. 

Vé-se ahi, quer no delìneaift|j|||p geral, quer na sobria variedade da 
onaoieentagfto, o producto de urna e^la formada, o resultado amadn- 
recido de imì'Sfirtema architectonico chegado em outras regiSes ao es^ 
plendor. 

NSo é trabalho de caracter transitorio, é affirmag^o de arte, em 
perìodo de piena florescenoi». 

Convem a isto toda a segnnda metade do seculo xii, mas que ra- 
z3es obstam a que òs primeiros decenmos do seculo xin ainda vissem 
em Portugal constmir monumentos corno este^? Os documentos do car- 
torio da igreja é que poderìaai vir em nesso ausilio. 

E provavel que o estudo dos outros re«tos romanicos da regiào, 
ao qnal se entregou o Sr. Dr. Antonio de Pinho, e a averiguagào das 
epocas da sua fandagSo, possam vir em auxilio de uma attrìbuigào chro- 
nologica mais exacta. 

Do esame das photographias que ulteriormente pude ter deante de 
mim, resulta que guamecem os dois mnbraes do portico tres pares 



^ Annotava o mesmo Sr. Dr. Pinho qae interìormente nào se descobria ves- 
tigio algnm de arrancamento. Depois S. £z.* brindoa-me tambem com photocopias 
dos portaes de Paderne, onde por igual falta o tympano. Na escola francesa do 
Poiton, OS portaes eram quasi sempre privados de tympano. Està eseola^ fiindindor 
se com a de Anvergne, produziu a chamada de Languedoc, cuja influencia se 
exerce aquem dos Pyrinens, pelo norte da Hespanha. S. Tiago de Compostella 
é nm fruto d'essa corrente (Vid. Manuel d'archeologie frangaise, i, p. 205. C. En-p 
lari, 1902). VioUei-le-Duc tambem algores se refere a aste facto architectonico, 
mas escapoa-me o passo em que isto li. 

2 Refiro-me, por exemplo, ao rompimento de linhas que se nota entro o perfil 
intemo das arcadas e o capitel ou o fhste inferior qae Ihe corresponde. 

3 A Hespanha conhece o estilo ogival desde a segunda metade do sec. xii, 
contemporaneamente com algumas regioes meridionaes de Franca. NSo obstante, 
aqui mesmo, ainda no sec. ziii, se conservava a influencia romanica (Enlart, op. 
laxtd., p. 438). Mas o estudo das datas das funda9Òes é-nos imprescindivel para 
assentar em bases positivas a historia da arte de construìr em Portugal. 



116 



O Archeologo PoRTUGUÉs 



ftonteiros de esguias columnas cylindricas, alojadas nos recantos em 
esquadria qne perfilam o arregace ou embusinamento da abertura. Os 




Portico da matris do M0D9&0 



capiteis relevam figuras e folhas, com caracteristiea espessura sob a pro- 
jecjEo do angulo externo do àbaco. As arestas salientes dos pés di- 



O Archeologo Portugués 117 

reitos, bastante deteriorados, nao eram lisas, mas variamente moldu- 
radas. O mais interno pé direito da entrada é lavrado em duas faces 
com pequenos ilorSes e eontas, aquelles na face anterior a modo de 
pilastra ornamentada, estas na lateral centra o vSo. Nenhuns porém 
d'estes lavores resultam do desbaste das umbreiras, de modo que nio 
iique entrecortado o seu perfil. S2lo tìrados ao corpo dos silhares; as 
bolas especialmente prendem-se ao fundo de urna meia-cana. 

Este ultimo motivo é frequente em Fran9a no Sudoeste e no Langue- 
doc no firn da epoca romanica. Em Portugal vé-se porexemplo no portico 
de S.Tiago (Coimbra), bem comò as rosetas, aproveitadas tambem pelos 
constmctores de Mongào. 

A archivolta, que obedece a curva perfeita de meio-ponto, é for- 
mada por tres arcos successivamente arregagados, para àquem d'aquelle 
que limita o vivo da entrada e que é o desenvolvimento semicircular 
da mais profunda humbreira. Neste arco a face anterior e o intradorso 
sao corridos da mesma ornamentagào dos pés direitos. 

Os outros em correspondencia com a columnata inferior tem as ares- 
tas das aduelas tomeadas por molduras e ornadas com caracteristica 
decoragao. No arco maior é um enfileiramento continuo de pontas de 
diamante recortadas em cruz *. No meao, uma serie de rosetas em re- 
levo, espa9adas um pouco design almente, para se accommodarem às 
duas, às tres e às quatro em cada aduela. No immediato, a aresta è bo- 
leada por um toro ou bordào, que um rosario de bolas acompanha com 
inexcedivel effeito em todo o redor. Està variedade de perfis e de or- 
iiamenta9ào nas arcadas romanicas accusa a segunda metade do sec. xii 
e tempos ulteriores (C. Enlart. op. land., pp. 357 e 358). As impostas 
sao constituidas pelas saliencias da fiada estreita que fórma os óbacos 
e que é independente das do paramento do edificio. Deve notar-se està 
oircunstancia porque os capiteis, lavrados no mesmo cubo ou tambor 
com astragalo, tem a altura de uma fiada da silharia. 

A principal restaura9ao d'este interessantissimo portai exerceu-se ha 
poucos annos no envasamento das columnas. Devia elle ser anguloso, 
cubico, em correspondencia com a projec9ao vertical das impostas. 
Fizeram pois uns pedestaes redondinhos que sao uma belleza. Parecem 
um grupo de paulitos a pedir boia. 



* Este ornamento é .caracteristico. Perf ertamente igual vé-se na cathedral 
deTérouanne; sec. xii (C. Enlart, op. land., pag. 354, onde se referem outros edi- 
ficios qne o conservaram até o sec. ziii. EmValladolid, na igreja de Santa Maria 
de Ceinos, tambem foi empregado. 



118 O Archeologo Poetugués 



Segundo photographias a cuja procedencia jà me referi, a este por- 
tico que innegavelmente é bello e caracteristico, sobrelevam muito em 
valor e luxo de ornamenta9ao os de Paderne. 

Os exemplares da architectura romanica causam-me especial com- 
mo9ào. Quantas vezes deante d'estes amplos portaes, entSo reluzentes 
na sua pintura fresca ^, desceram de seus ginetes os primeiros batalhado- 
res da nossa independencia? Hoje estSo ennegrecidos e cariados. Em 
parte por està patriotica reminiscencia, em parte pelo caracter singu- 
lannente ingenuo e expressivo da arte romanica, é certo que nSo admiro 
so, mas sinto no mais intimo da minha sensibilidade, a repercussSo do 
que estas antigas eonstruc95es lembram e suggerem. 

E quanto a este portico da matrìz da senhorial villa do Minho^ 
termino com as mesmas palavras do artigo do Regional: 

Respeitem-no os monganenses, e eduquem os seus filhos na vene- 

raglo das preciosas reliquias com que por là comvizinham, — para que 

nao vao ellas desapparecendo, sacudidas pela insania de estereis melho- 

ramentos e de restaura95es indesculpaveis. 

Lisboa, Dezembro de 1903. 

F. Alves Pereira. 



Onomastico medieval portugués 

(Contiimavio. Vid. o Arch. Port., ix, 25) 

Beja, campo, 1258. Inq. 570, 1.* ci. 

Bel, app. h., 1258. Inq. 365, 1.* ci. 

Belacanes, monte, 1258. Inq. 549, 2.* ci. 

Beladoiro, geogr., 1258. Inq. 641, 1.* ci. 

Belagio, n. h., 1070. Doc. most. Moreira. Dipi. 305. 

Belala, geogr., 1258. Inq. 685, 1.* ci. 

Belali (nocos de), geog., 1258. Inq. 380, 1.* e 2.* ci. 

Belarlo, n. h., 986. Doc. most. Pedroso. Dipi. 95. 



^ Na epoca romanica, depois de lavrada a pedra, às vezes muito summaria- 
mente, vinba o pintor completar e avivar os effeitos preparados pelo canteiro. 
Ainda hoje, no Minha, se conserva este tràdicional uso de pintalgar irritante- 
mente as cantarìas; a questuo é abandonar à esthetica popular o embellezamento 
de urna obra (Vid. C. Enlart, op. land., p. 347 e 355). 



O Archeologo Pobtugués 119 

Belasco, n. h., 985. Dipi. 92, n.*^ 146. 

Belasquez, app. h., 995. Doc. most. Moreira. Dipi. 103. 

Belcago, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 2.*, C. 193. 

Belecoj n. h., 976. Doc. most. Moreira. Dipi. 73. 

Belela, geogr., 1258. Inq. 301, 1.* ci. 

Beleqae, n. h., 1044. Doc. most. Pendorada. Dipi. 205. 

Belesarius, n. h., 924. L. D. Mum. Dipi. 19. 

Belfager, app. h., sec. xv. S ? 

Belfages, app. h., sec. xv. S ? 

Belfupado, geogr., 1258. Inq. 585. 1.* ci. 

Belidaes, app. h., 1258. Inq. 562, 2.* ci. 

Belidal, geogr., 1258. Inq. 675, 2.* ci. 

Belidiz^ app. h., 1099. L. Prete. Dipi. 544. 

Belido, n. h., 1258. Inq. 603, 2.* ci. 

BeUgo, n. h., 1008. L. Prete. Dipi. 125, n.° 203. 

Belili, geogr., 1258. Inq. 406, 1.* ci. 

Belino (S. Felice de), 1220. Inq. 27, 1.» ci. 

Belluz, app. h., 1065. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283, n.® 450. 

BellaUus, n. h., 1032. L. Prete. Dipi. 168, n.*» 274. 

BeUeco, n. h., 1009. Doc. most. Moreira. Dipi. 128. 

Bellengo, n. h., 915. Doc. most. Moreira. Dipi. 14. 

Belleno, n. h., 1013. L. D. Mum. Dipi. 135. 

Belleto, n. h., 1061. Doc. ap. sec. xiv. Dipi. 269. 

Belli, villa, 981. Doc. most. Lorvao. Dipi. 81.— Id. 231. 

Bellicos, app. h., 1090. L. Prete. Dipi. 442. 

Bellid, n. h., 1085. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 386. 

Bellida, n. m., 9J8. Doc. most. Lorvao. Dipi. 78, n.*» 125. 

Bellide, n-. h., 1037-1065. L. Prete; Dipi. 279. 

Bellidlci, app. h., 1088. Doc. most. Moreira. Dipi. 422. 

Bellit, n. h., 1093. Doc. most. LorvSo. Dipi. 474. 

Belllta, n. m., 1059. Doc. most. Pendorada. Dipi. 256. 

Bellite ou Belile, app. h., 1036. L. Preto. Dipi. 177. 

Bellith, n. h., 1092. L. Preto. Dipi. 465.— Id. 487. 

BelUtiz, app. h., 1010. L. Preto. Dipi. L30. 

Bellltas, n. h., 907. Doc. most. LorvSo. Dipi. 10. 

Belloy, n. h., 929. Doc. most. S. Vicente. Dipi. 22. 

Belludi, villa, 1089. Doc. most. Pendorada. Dipi. 432. 

Belluti, geogr., 1065. Doc. most. Pendorada. Dipi. 282. 

Belmil, villa, 1033. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 170. 

Belmlp, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 258.— Inq. 150. 

Belmipus, n. h., 870. L. D. Mum. Dipi. 4, n." 5. 



120 O AbCHEOLOGO PORTUGUfiS 

Belmonte, casal, 1258. Inq. 736, 1.* ci. 

Beloi, n. h. (?), 1002. Doc. most. Moreira. Dipi. 115. 

Belon, n. h., 1014. L. Prato. Dipi. 140. 

Belote, geogr., 1258. Inq. 711, 2.* ci. 

Beloy, geogr., 1258. Inq. 528, 1.* ci. 

Belsap (S.^ Eolalia de), geogr., 1258. Inq. 34, 2.» ci.— S. 381. 

Belsare (S. Salvatore de), geogr., 1220. Inq. 3, 2.» ci. 

Beltpam, n. h., 1273. Leg. 231. 

Belueep, geogr., 1273. Leg. 230. 

Belza, n. h., 875. Dipi. 6. 

Bem, app. h., 1258. Inq. 401, 2.» ci. 

Berna, app. h., sec. xv. S. 359. 

Bemaventurada, geogr. (?), sec. xv. F. Ldpez, Chr. D. J. 1.®, p, 1-*| 

C. 125. 
Bemfrogia, n. h. (?), 897. Doc. most. Pedroso. Dipi. 8. 
Bemha, app. h., sec. xv. S. 193. 
Bemti, geogr., 1258. Inq. 537, 2.' ci. 
Benadi (S.** Ovaya de), 1258. Inq. 348, 2.» ci. 
Bencatel, fonte, 1270. For. Villa Vinosa. Leg. 717. 
BencoUecto, n. h., 1258. Inq. 308, 1.» ci. 
Bendictus, n. h., 973. bipl. 70, n.« 110. 
Bendo, n. h., 1057. L. Prete. Dipi. 245. 
Bendoma, monte, 985. Dipi. 91, n.^ 146. 
Beneagamus, rio, 1100 (?). Dipi. 552, n.^ 933. 
Benearias, app. h., 1008. Doc. most. Moreira. Dipi. 122. 
Beneas, app. h., 1016. L. Prete. Dipi. 142, n.^ 227. 
Beuedictiz, app. h., 1096. Doc. most. Pendorada. Dipi. 498. 
Benedictizì, app. m., 1032. Doc. most. da Gra^a. Dipi. 166. 
Benedictus, n. h., 922. L. B. Ferr. Dipi. 17, n.<> 26.— Id. 22 e 48. 
Benedo, n. h., 998 (?). Doc. most. Moreira. Dipi. 111. 
Beneegas, app. h., 991. Doc. most. VairSo. Dipi. 101. 
Beneelias, app. h., 1065. Doc. most. Pendorada. Dipi. 282. 
Benegas, app. h., 991. Doc. most. Vairào. Dipi. 101. 
Benelias, app. h., 1096. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 499. 
Benfeito, n. h., 1220. Inq. 116, 1.* ci.— Id. 36, 1.* ci. 
Beniamim, n. h., 1002. L. Prete. Dipi. 117, 
Beniamiz, app. h., 1001. L. Prete. Dipi. 114. 
Benidoma, monte, 1077. Doc. most. da Gra9a. Dipi. 330. 
Benis, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 261, 1. 19. 
Bennato, n. h., 1010. L. Prete. Dipi. 130. 
Benouvas, app. h., 1258. Inq. 473, 2.^ ci. 



O Abcheologo Poetugués 121 

BeBtacos, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.°, p. 1.% C. 175. 

Benuiuer, geogr.^, 1066. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283, n.® 451. 

Beoucas, geogr., 13&8. Inq. 593, 1.* ci. 

Bera, n. h., 968. L. D. Mnm. Dipi. 63.— Id. 87 e 425. 

Beraei, app. h., 1005. L. Preto. Dipi. 119. 

Beras, app. h., 1258. Inq. 322, 2.* ci. 

Beraz, app. h., 1013 (?). Dipi. 137. 

Berbeles, n. h. (?), 1258. Inq. 624, 2.* ci. 

Berbereta, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1 .®, p. 1.*, C. 88 e 159. 

Berboreta, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.^, p. 2.*, C. 152. 

Berco, app. h., 1258. Inq. 427, 1.* ci. 

Berenaldus, n. h., 964. L. Preto. Dipi. 55. 

Berenaria, n. h., 922. L. B. Ferr. Dipi. 17. 

Berengueira, n. m., sec. xv. S. 159, 

Berenguela, n. m., sec. xv. S. 159. 

Bergona, geogr., 1258. Inq. 343, 2.* ci. 

Berez, geogr., sec. xv. S. 274. 

Bergonia, geogr., 1220. Inq. 132, 1.* ci. 

Bergoti, geogr., 1258. Inq. 378, 1.* ci. 

Barili, geogr., 1258. Inq. 403, 2.» ci. 

Berilli, n. m., 1076. Doc. most. Pendorada. Dipi. 326. 

Beringel, geogr., 1262. For. de Beringel. Leg. 703. 

Beringueira, n. m., 1220. Inq. 121, 1.* ci. 

Berino, n. h., 1068. Doc. most. Moreira. Dipi. 295. — App. h., 1220, 

Inq. 82, 1.* ci. 
Bernal, n. h., sec. xv. S. 156. 
Bemaldes, app. h., sec. xv. S. 182: 

Bemaldim, n. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.^, p. 2.%C. 23, 
Bernaldiz, app. m., 1258. Inq. 724, 1.* ci. 
Bemaldo, n. h., 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36. — Id. 407. 
Bernardo, n. h., 1092. L. Preto. Dipi. 461, n.*^ 775. 
Bernardus, n. h., 1115. Leg. 141.— Id. 350, i. 4. 
Bernariz, app. h., 1008. Doc. most. Moreira. Dipi. 121. 
Bernictozi, app. m., 971. Dipi. 65, n.^ 103. 
Berofe, app. h., 1258. Inq. 400, 2.* ci. 
Berosenda, geogr., 1258. Inq. 648, 1.* ci. 
Berosendi, villa, 1258. Inq. 630, 1.* ci. 
Berrà, casal, 1086. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 394. 
Berreda, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci. 
•Berredo, app. h., 1220. Inq. 55, 2.* ci.— Id. 246. — S. 151. 
Berrega, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci.— Id. 53. 



122 O ÀBCHEOLOGO POETUGUÉS 

Berregam, geogr., 1220. Inq. 53, 1.* ci. 

Berroza (S. Michaele de), geogr., 1258. Inq. 370. 

Bersilon, app. h., sec. xv. S. 182. 

Berta, rainha, 1097. Dipi. 513 e 514.— Id. 518. 

Bertamir, geog., 1258. Inq. 317, 1.* ci. 

Bertiario, n. h., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57, n.® 90. 

Berto, n. h., 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36. — Geogr., 1258. Inq. 

562. 
Bertollamen, app. h., sec. xv. S. 299. 
BertoUomeu, app. h., sec. xv. S« 380. 
Bertolomeus, n. h., 1220. Inq. 224, 1.* ci. 
Bertoy, geogr., 1258. Inq. 406, 1.* ci. 
Bertranus, n. h., 1115. Leg. 141. 
Beruffi, geogr., 1258. Inq. 362, 1.» ci. 
Berufi (S. Martino de), geogr., 1220.* Inq. 66. 
Berufo, n. h., 1220. Inq. 15, 1.* ci. 
Berulfi, villa, 1081. Tombo S. S. J. Dipi. 357. 
Berulfit, app. h., 1013. L. D. Mum. Dipi. 135. 
Berulfiz, app. h., 1008. L. D. Mum. Dipi. 124. 
Besnace, n. h., 870. L. D. Mum. Dipi. 4. 
Bespeira, geogr., 1258. Inq. 560, 2.* ci. 
Bespin, n. h., 1220. Inq. 10, 2.» ci.— Id. 694. 
Bestanqa, rio, sec. xv. S. 369. 

.Bestellos, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 182. 
Bestionzam, rio (?), 1088. Doc. ap. sec. xvin. Dipi. 426. 
Bestionzi, rio, 1076. Doc. most. Pendprada. Dipi. 328. 
Bestionzum, rio, 1100. Doc. most. Pendorada. Dipi. 554. 
Bestontia, rio, 1090. Doc. most. Pendorada. Dipi. 439, n.° 735, 1. 3. 
Bestonza, rio, 1083. Doc. most. Pendorada. Dipi. 369. 
Betan^s, geogr., sec. xv. S. 253. 
Betatos, geogr., 1258. Inq. 433, 1.* ci. 
Betecara, geogr., 1258. Inq. 723, 1.* ci. 
Beterigu, n. h., 938. Doc. most. Arouca. Dipi. 29. 
Betoca, geogr., 1258. Inq. 616, 2.* ci. 
Betom, app. h., 1258. Inq. 310, 2.* ci. 
Betoti, geog., 1258. Inq. 298, 2.* ci. 
Betoy, app. h., 1258. Inq. 400, 2.* ci. 
Bettoy, n. m., sec. xi (?). Dipi. 564. 
Beulosa (S. Stephano de), geogr., 1220. Inq. 25, 2.* ci. 
Beverica, n. m. (?), 1258. Inq. 710, 1.* ci. 
Bevidici, geogr. 1258. Inq. 413, 1.* ci. 



O Archbologo PoBTuauÉs 123 

Bexudo e Bexodo, app. h., 1258. Inq. 712 e 713. 

Beyria, geogr., 1055-1065. Leg. 347. 

Bezerra, app. h., sec. XV. S. 174. — Id. 376. 

Biadi (S.** Maria de), geogr., 1220. Inq, 50, 1.* ci.— Id. 134. 

Biatus, n. h., 870. Doc. most. Pendorada. Dipi. 5. 

Bibir, fonte, 1258. Inq. 296, 1.* ci. 

Bicaiio, geogr., 1258. Inq. 401, 1.» ci. 

Bicanco, app. h., sec- XV. Azur. Chron. Guiné, 273. 

Bichi. Vide Mamona de B. 

Bice (S. Johanne de), geogr., 1258. Inq. 359, 1.* ci. 

Bicos, app. h., 1258. Inq. 519, 1.* ci.— S. 167. 

Bicum de longara, geogr., 1257* For. de S. Martinho* Leg. 673. 

Bifal, app. h., 1258. Inq. 413, 1.* ol. 

Bifardel, app. h., sec. XV. S. 216. 

Bigas, geogr., 1100. Doc. most. Arouca. Dipi. 548. 

Bilida, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci. 

Bilino, app. h., 1258. Inq. 310, 2.* ci. 

Bilie (Biiro?), app. h., 1258. Inq. 31», 1.* ci. 

BiUno (S. Fiiz de), ^^lla, 1258. Inq. 314, 2.* ci. 

Bilìsco, app. h., 1258. Inq. 294, 2.* ci. 

Biilanes, villa, 1087. L. B. Ferr. Dipi. 403.— Id. 414. 

Bimo, app. h., 1258. Inq. 293, 2.* ci.— Id. 705. 

Biqail, geogr., 1072. Doc. most. da Graga. Dipi. 309. 

Biringeira, n. m., 1220. Inq. 121. 1.* ci. 

Biringuel, app. h., 1258. Inq. 386, 2.* ci. 

Birlanes, villa, 1089. L. B. Ferr. Dipi. 434, n.» 726. 

Bisalaens, villa, 1220. Inq. 40, 2.* ci. 

Bisamato, app. h., 1258. Inq. 310, l.'' ci. 

Bispìna, app. m., 1258. Inq. 320, 2.* ci. 

Bispo, app. h., 1220. Inq. 55, 1.* ci.— Id. 10 e 143. 

Bifcaraes, geogr., 1258. Inq. 568, 1.* ci. 

Bitoniz, app. h., 1014. L. D. Mum. Dipi. 141. 

Bitouti, app. h., 1258. Inq. 710, 1.* ci. 

Bitouto, app. h., 1258. Inq. 711, 2.*^ ci. 

Bittaco, n. h., 936. Doc. most. Lorvao. Dipi. 26. 

Bladus^ n. h., 994. Dipi. 105. 

Blandila, n. h., 967. L. Preto, 59, n.« 93. 

Blando, n. h., 1015. Dipi. 141, n.^ 226. 

Blandoniz, app. h., 1092-1098. L. Preto. Dipi. 532. 

Blatus, n. h., 922. L. Preto. Dipi. 17. 

Boa e Boa, n. m., sec. xv. S. 207 e 182. 



124 O Abcheologo Portugués 

Boali, campo, 1258. Inq. 707, l.'' ci. 

Boazer, n. h., sec. xv. S. 277. 

Bobaino, geogr., 1258. Inq. 595, 1.* ci. 

Bobarra, app. h., 1258. Inq. 358, 1.* ci. 

Boca, geogr., 1258. Inq. 535, 1.* ci. 

Boca das insoas, geogr., 1258. Inq. 338, 1.* ci. 

Boca degua, app. h., 1258. Inq. 331, 2.* ci. 

Boca de Fontao, geogr., 1258. Inq. 637, 1.* ci. 

Bocado, app. h., 1258. Inq. 308, 2.* d. 

Bocardo, app. h., sec. xv. S. 149. — Id. 348. 

Bocarro, app. h., sec. xv. S. 164. 

Boceli, app. h., 1258. Inq. 555, 1.* ci. 

Bochiarim, app. h., 1258. Inq. 340, 1.' ci. 

Bocumti, villa, 1080. Doc. most. Moreira. Dipi. 348, 

Boda, geogr., 1258. Inq. 712, 1.» d. 

Bodonia, app. h. (?), sec. xi (?). L. D. Mum. Dipi. 564. 

Bodorno, app. h. 1258. Inq. 680, 2.» ci. 

Bodrou, n. h., 1094. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 479. 

Boel, app. h., 1258. Inq. 680, 2.» ci.— Id. 680. 

Boelina, n. m., 1258. Inq. 435, 1.* ci. 

Bofina, n. m., 1258. Inq. 295, 1.* ci. 

Bofinho, app. h., sec. xv. S. 354. — Id. 168. 

Boga, app. h., 1258. Inq. 475, 1.* ci. 

Bogaiho, app. h., sec. xv. S. 161 e 206. 

Boganti (S.** Maria de), 1258. Inq. 231, 2.» ci. 

Bogaus, geogr., 1258. Inq. 323, 1.* ci. 

Bogonte ou Bogonti, monte, 971. Tombo S. S. J. Dipi. 65, n.^ 103. 

Id. 69 e 166. 
Bogonti (S.** Maria de), geogr., 1220. Inq. 110, 2.* cL— Cidade, 1038. 

Tombo S. S. J. Dipi. 184.— Id. 224. 
Boielio, geogr., 1258. Inq. 559, 1.* ci. 
Bollosa, geogr., 1258. Inq. 386, 1.* ci. 
Boiro on Bouro, geogr., sec. xv. S. 143. Inq. — 222. 
Boivaes (S. Michaele de), geogr., 1220. Inq. 38, 2.* ci. 
Bolada, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci. 
Bolades, geogr., 1258. Inq. 588, 1.* ci. 
Bolanis, geogr., 1258. Inq. 642, 2.» ci. 
Bolarius, geogr., 1258. Inq. 707, 1.* ci. 
Bolbeleiras, geogr., 1258. Inq. 633, 2.* ci. 
Boleiros, geogr., 1258. Inq. 294, 2.* ci.— Id. 89. 
Bolfelar (uilar de), geogr., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 231, 



O Archeologo Poktdgdés 125 

Boliauti; geogr., 1258. Inq. 349, 1.* ci. 

Bollon^ geogr., 933. Doc. most. LorvSo. Dipi. 24. — Id. 74. 

Bolmenzo, n. h., 1064. Dipi. 277,^ n.« 443. 

Bolon, villa, 933. Doc. most. LorvSo. Dipi. 24. — Id. 74. 

Bolos (Bouza dos), geogr., 1258. Inq. 397, 1.* ci. 

BolpeUares, villa, 1037-1065. Dipi. 279, n.^ 448. 

Bona, n. m., 1220. Inq. 85, 2.* ci.— Dipi. 114 e 171. 

Bonacinus, n. h., 982 (?). L. D. Mum. Dipi. 83. 

Bonafe, app. h., sec. xv. S. 349. 

Bonela, n. m., 1094. Doc. Archivo Pubi. Dipi. 477. 

Boneliz, app. h., 1047. Doc. most. Pendorada. Dipi. 219. 

Bonimenso, n. h. (?), 1098.Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 526. 

Bonimeiizo, n. h. (?), 1070. Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 301.— 

Id. 386. 
Boniniaz, app. h., 1001. L. Preto. Dipi. 113. 
Boninus, n. h., 1174. Leg. 403. 
Boniz, app. h., 1021 (?). L. Preto. Dipi. 153. 
Bonoi, n. h., 994. Doc. most. Moreira. Dipi. 106. 
Bonoso, n. h., 883. Doc. ap. seo. xi. Dipi. 6. — Id. 57, 
Bonus, n. h., 976. Doc. most. Moreira. Dipi. 73. 
Boo, app. h., 1220. Inq. 184, 1.* ci.— Id. 65. 
Booca, geogr., 1258. Inq. 437, 1.* eh— Id. 551 e 595. 
Booco (S. Adriano de), geogr., 1220. Inq. 131, 1.* ci. 
Bool, app. h., 1220. Inq. 10, 2.* ci. 
Boquinhas, app. h., sec. xv. S. 164. — Id. 385. 
BopdaU, app. h., 1258. Inq. 559, 2.* ci.— Id. 625. 
Bopdom, app. h., 1258. Inq. 691, 2.* ci. 
Bordoma (Souto de), 1258. Inq. 694, 1.* ci. 
Bordona (Outeiro de), geogr., 1258. Inq. 696, 2.* ci. 
Borges, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.% p. 1.*, C. 161. 
Borio (Val de), geogr., 1220. Inq. 51, 1.* ci. 
Bornapia, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 50.— Inq. 492. 
Borneiras, campo, 1220. Inq. 83, 2.* ci. 
Bornes (S. Martino de), 1220. Inq. 45, 1.* ci.— Leg. 672. 
Bomosa (Petra), geogr., 1258. Inq. 733, 1.* ci. 
Boroa, app. h. For. deTomar. Leg. 401. 

Borona, app. h., 1174. For. deTomar. Leg. 401. — Inq. 628, 2.^ ci. 
Borosenda, geogr., 1258. Inq. 648, 1.* ci. 
Borrado, geogr., 1258. Inq. 688, 1.* d. 
Borrale, app. h., 1258. Inq, 624, 2.* ci. 
Borralias, casal, 1258. Inq. 357, 2.* d. 



126 O ARCHEOLOGO PORTUmTÉS 

BoiTapio, geogr., 1258. Inq. fi8&,. 1/ ci. 

Borreiro (Val), geogr.,. 1258. Inq. 685> ì*jcL 

Borreros, geogr., 1057. L, Preto. Dipi. 245. 

Borrones, geogr., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 290. 

Borroso, geogr., 1258. Inq. 308, 2.* ci. 

Borroz, app. h., 1258. Inq. 349, 1.* ci. 

Borrozos, gcogr.^ 1258. laq. 487, 2.^ ci. 

Bortaleiros, geogr., 1258. Inq. 666, l.* ci. 

Bortom, app. h., 1258. Inq. 525, 1.* ci. 

Borua, app. h., sec. XV. S. 349. 

Boraella, app. h., S66. XV. S. 369. 

Bopuen, rio, 1059. L. D. Mum. DipL 257. 

Borva^ geogr., 1258. Intj. 554, '2.* ci. 

Borvadaes, geogr., 1258. Inq. 638, 2.* ci. , 

Borvelina, geogr., 1220. Inq. 121, 2.* ci. 

Borvela (S.^* Maria de), 1220. Inq. 43, 1.* ci. 

Bosco, app. h., 1258. In^. 378, 1.* ci. 

Bostelo, geogr., 994. Dipi. 105, 1. 3.— Id. 197.— Inq. 48. 

Bota, app. h., 1220. Inq. 103, 1.* ci. 

Botancor, app. h., 1453. Aznr. Chion. Guiné, 373. 

Boteiha, app. m., sec. XV. S. 200. 

Boteiho, app. h., sec. xv. S. 161. 

Boteli, app.h., 1258. Inq. 570, 2.* ci. 

Botélio, app. 11., 1258. Inq. 349, 1.* ci. 

Botelo, app. h., 1258. Inq. 617, 2.* ci. 

Boto, app. h., 1220. Inq. 103, 1.* ci. 

Boton (Botao), villa, 1018 (?). Doc. most Lorvio. Dipi. 149. 

Botos, casal, 1258. Inq. 339, 1.» ci. 

Botun, app. h., 1097. Dipi. 513. 

Botus, app. h., 1258. Inq. 308, 2.* ci. . . 

Bouadella, geogr., sec. xv. S. 307. 

Boucino, geogr., 1258. Inq. 366, 2.* ci. 

Boucoos (S. Salvatore de), 1220. Inq. 39, 2.* ci. 

Bouli (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 50, 1.» ol. 

Boulosa (S. Stephano de), geogr.,. 1220. Inq. 25, 2.* d. 

Bouranzo, geogr., 1258. Inq. 698, 2.* ci, 

Bouro, app. h., sec. xv. S. 143. 

Bouza Coti. Vide Coti. 

Bonza moliada, geogr., 1258. Inq. 317, 1.* ci. 

Bouzao, app. h., sec. xv. F. .Lopez, Chr. D. J. 1.°, p. l.% C. 159. 

Bonzo, app. m., 1258. Inq. 331, 2.* ci. 



O ARCHEOLOOe F&KTVBfUÈS 127 

Bouzola, geogr., sec xi (?). L. D. Mom. Dipi. 563. 

Bmzom, app. h., 1220. Inq. 133, 2.* ci. — Id. 650. 

Bouzoo/ app. h., 1220. Inq. 115, 1.* ci. 

Bouzoos (S. Salvatore de), geogr., 1220. Inq. 120, 2.* ci. 

Bovadela, geogr., 12&8. Inq. 663, 1.* e 2.* ci. 

Bovias (Pena de), geogr., 1258. Inq. 394, 2.* ci. 

Boy, app. h., 1258. Inq. 395, 1.* ci. 

Boya, app. h., 1258. Inq. 689, 2.* ci. 

Boyalìos, geogr., 1258. Inq. 362, 2.* ci. 

Boyeiro, app. h., 1258. Inq. 315, 1.* ci.— Id. 458. 

Boym, app. h., sec. xv. S. 272. 

Boymir, geogr., 1258. Inq. 323, 2.* ci. 

Boyso, app. h., 1258. Inq. 426, 1.* cL 

Boyva, geogr., 1258. Inq. 305, 1." ci. 

Boy vana, app. h., 1258. Inq. 371, 2.* ci. 

Bozoo, geogr., 1258. Inq. 696, 2.* ci. 

Braa, geogr., sec. XV. S. 201.— Id. 297. 

Brabol, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.*^, p. 1.*, C. 45. 

Bracata, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 50, n." 81. 

BradUa, n. h., 958. Dipi. 28.— Id. 173. 

Brados, fonte, 1258. Inq. 693, 1.* d. 

Brafeme, app. h., 1016. L. Prete. Dipi. 142. 

Bragaa, cìdade, 1258. Inq. 303, 1.* ci. — Leg. 415, 2.* ci. 

Bragadela (Presa de), geogr., 1258. Inq. 692, 1.* ci. 

Bragaeses, geog. (?), 1258. Inq. 599, 1.* ci. 

Bragal, app. h., 1220. Inq. 83, 1.* ci. 

Bragancia, cidade. For. de Barcelos. Leg. 432. 

Bragara, cidade, 1098. Doc. most. Aroaca. Dipi. 525. 

Brahamino, n. h. (?), 1142. For. de Leiria. Leg. 377. 

Braìli, n. m., 1048. Doc. most. Pedroso. Dipi. 225. 

BraineUas, villa, 1092. L. Prete. Dipi. 465, n.° 782. 

Branche, app. h., 1258. Inq. 308, 2.* ci. 

Brandam (S.), 1453. Azur. Chron. Guiné, 45. 

Brandara (S. Jacob de), geogr., 1258. Inq. 340, 2.* ci. 

Brandariz, geogr., 1258. Inq. 575, 1.* ci. 

Branderigo, n, h., 973. Doc. most. LorvSo. Dipi. 68, n.« 108.— Id. 289. 

Branderìguizi, app. h., 1041. L. Prete. Dipi. 192. 

Branderiz, app. h., 991. Doc. most. Moreira. Dipi. 99. — Id. 519. 

Brandia, n. h., 1099. L. Prete. Dipi. 545.— Id. 342. — Inq. 707. 

(Continua), 

A. A. COBTESlO. 



128 O Archeologo Pobtugués 



Neorologria 

I-II 
Yirchow e MomuiBeii 

Em 1902 falleceu Rodolfo Virchow, celebre medico e anthropolo- 
logista allemào, que estere em Portugal em 1880 por occasiSo do Con- 
gresso de archeologia prehistorica celebrado em Lisboa. Da sua inter- 
vengao nas sessoes falla o Compte-rendu publicado em Lisboa em 1884. 
Virchow escreveu a respeito da sua estada no nosso pais um artigo 
em allemao, de que se publicou parte (em traducalo francesa) no ci- 
tado Compte-rendu, pags. 648-^62, com duas estampas. 

Em 1903 falleceu Theodoro Mommsen, outro sabio allemfio, euja 
actividade iìcou assinalada em todos ou quasi todos os ramos da archeo- 
logia romana. A proposito de Portugal nlo sei porém que escrevesse 
trabalho especial; conhe90 d'elle apenas algumas observafoes dispersas 
no voi. n (1892) do Corpus Inscriptionum Latinarum, das quaes a mais 
importante é a que vem publicada a pag. 801 com o titulo de Adno- 
tationes Th, Mommseni, a respeito da tabula de bronze de Aljustrel- 
O artigo a que pertencem as Adnotationes tinha jà apparecido em 1887 
na Ephemeris epigraphica, m, 187—189. 

Ili 
Pereira Caldas 

«Brusca, inesperadamente, a morte extinguiu a vida preciosa e 
activa do sabio professor e erudito homem de letras, Sr. Dr. José Joa- 
quim da Silva Pereira Caldas, tSk) largamente conhecido e aprecìado 
no pais e no estrangeiro. A for9a de vontade do illustre extincto, a sua 
inquebrantavel energia, que conservou até o desenlace fatai, nÌo con- 
seguiram vencer a morte que o salteou e venceu. Cèrea das 8 horas da 
manhà de sabbado ^, repentinamente, fallecia, com 86 annos de idade ^, 
sabio professor-decano do lyceu d'està cidade, victimado por urna 
lesào cardiaca que, ha pouco mais de um anno, o tivera jà perigosa-- 
mente enfermo. Trabalhador incansavel, o illustre extincto preparava 
ainda varios trabalhos litterarios e escolares, com um verdadeiro amor 
do estudo. A sua robusta organiza9%o acariciava-lhe a esperanga de 



1 [19 de Setembro de 1903]. 

2 [Tinha nascidoem 26 de Janeiro de 1818]. 



O Archeologo Portugdès 129 

mais longa existencia, porque elle ignorava que a sua vida estava con- 
tinuamente amea9ada pela terrivel doen9a que o prostrou. 

A sua individualidade destacou-se especialmente nas mathematicas, 
na archeologia e na historia; mas nào so nestas especialidades se affir- 
mou escritor de vigorosas faculdades intellectuaes, pois em escritos 
de diversa natureza elle provou quSo variados eram os seus conheci- 
mentos. Conhecida a sua competencìa, era, a meudo, consultado pelos 
nossos mais distinctos homens de letras, que Ihe pediam indica98es ou 
esclarecimentos, ao que gostosamente accedia, tendo para isso elementos 
valiosos na sua livraria. A todos que o procuravam elle attendia sempre 
com affabilidade, ministrando» da melhor vontade os esclarecimentos que 
Ihe eram solicitados. Sabio estrangeìro que viesse a Braga nSo deixava 
de visitar, travando com elle conhecimento, que depois se conservava 
por correspondencia. Dos seus coUegas no professorado, era respeitado 
e consìderado, comò merecia, sendo muitos dos seus coUegas de hoje 
seas antigos discipulos. Os seus alumnos estimavam-no pela sua com- 
provada bondade e interesse que por elles tomava. 

Filho do Sr. Antonio Pereira da Silva e da Sr.* D. Maria José 
Alvares, nasceu na freguesia de S. Miguel, das Caldas de Vizella, o Sr. 
Dr. José Joaquim da Silva Pereira Caldas. 

Gursou humanidades em Guimaràes, tornando-se estudante dis- 
tincto entre os seus condiscipulos. Aberta a Universidade de Coimbra, 
depois do estabelecimento do regime constitucional, cursou ali as facul- 
dades de mathematica, philosophia naturai e medicina e cirurgia, sendo 
repetidamente laureado com as maiores dìstinc^des da Universidade 
(partidos). 

Na frequencia do quarto anno de medicina, em 1845 a 1846, foi 
provido, em concurso publico, na cadeira biennal de mathematica e phi- 
losophia racional no lyceu de Leiria; e, por decreto de 26 de Julho do 
anno seguiate, nomeado, com provas de concurso, para a cadeira de ma- 
thematica do lyceu nacional de Braga, comprehendendo entào a mesma 
cadeira, num so curso, as duas partes em que depois foi dividida. 

Por occasiSo do movimento revolucionario que convulsionou o pais 
desde 1846 a 1847, o distincto professor, levado pelo seus sentimentos 
patrioticos, pos de parte os livros e foi alistar-se no exercito da Junta do 
Porto, onde se distinguiu pelos seus actos de valor. Organizou o nucleo 
de um batalhSo, denoininado Polacos do Minko, e commandou o bata* 
Mo de voluntarios de GuimarSles. Na insurreijao de 1846, destacou-se 
Dr. Pereira Caldas no disciplinamento da 2.^ companhia do batalhSo 
academico, org^zado em Coimbra, centra o governo dos Cabraes, 
estando tambem aUstado naquella companhia seu irmSo Sr. Antonio 



130 O Archeologo Pobtdgués 

Pereira da Silva. Terminada a guerra civil, foi suspense do exercicio 
de professorado, corno consequencia da sua opposigSo intransigente ao 
governo, e transferido para Leiria, transferencia que se recusou a aecei- 
tar, sendo posteriormente reintegrado pelo Duque de Saldanha, depois 
do movimento de 1851. Dos servigos miiitares que prestou à patria pos* 
suia o fallecido honrosos documentos, escritos e assinados peloVisconde 
de Maiorca, tenente-coronel commandante do batalMo academico de 
Coimbra*. 

Em 1876 . ., a 4 de Novembre, effectuou-se, por iniciativa do Sr. 
Dr. Pereira Caldas, ama conferencia archeologica na Citania, a que 
assistiram . • diversos antiquarios nacionaes. 

O sabio berlinès Dr. Emilio Hùbner, jà fallecido, e que em 1861 
estcve nesta cidade, travando conhecimento com o Sr. Dr. Pereira 
Caldas, com quem depois sustentou sempre correspondencia, a elle 
se refere . . nos seus trabalhos. 

- Os merìtos scientificos do illustre extinotò mereceram-lhe as bon- 
rosas nomeagSes de socio honorario da Academia de Bellas Artes de 
Lisboa e da Sociedade Phamaceutìca da mesma cidade ^ de socio corres- 
pondenté da antiga Sociedade de Greographia Commercial do Porto, 
da Sociedade Archeologica da Figueira da Foz, do Imperiai Instituto 
Archeologico de Berlim, da Sociedade de G^eographia de Lisboa, do 
Instituto de Coimbra, da Àssocia9ao Industriai Portuense, do Centro 
Promoter Lisbonense dos Melhoramentos das Classes Laboriosas, da 
Academia Real das Sciencias de Lisboa, da antiga Academia letteraria 
da mesma cidade, presidida pelo . . sabio portugnés Silvestre Pinheìro 
Ferreira, da antiga Academia Ulyssiponense das Sciencias e das Letras, 
da Sociedade Pharmaceutìca do Rio de Janeiro, do Qremio Portugnés 
Literario da mesma cidade, do Gabinete Litterarìo Fluminense, do Ga- 
binete Litterario do Para, da Sociedade Anthropologica de Madrid, do 
Instituto Valenciano, do Instituto Archeologico de Roma, socio effectivo 
da Real AssociafSo dos Architectos e Archeologos Portugueses, socio 
honorario da Sociedade Democratica Recreativa de Braga, sendo o pri- 
meiro membro da associaQlLo a quem fora conferida està nomeagao hon- 
rosa. Socio honorario da Sociedade Martins Sarmento, da Liga das 
Artes Graphicas de Braga, diploma que Ihe foi offerecìdo por occasiao 
de discursar numa sessào solenme; membro do Congresso dos Orien- 
talistas de Londres e do Congresso dos Amerìcanistas do Luxemburgo, 



* [Esqueceu dizer que Pereira Caldas, sempre ami^o das ideias democraticas, 
militava ultimamente, cu tinha miUtado, no partido repnblicano]. 



AbCHEOLOGO POBTUQtJÉS 131 

membro da CóminìssìLa dos Monumentos Nacionaes, do Congresso Na- 
eional de Tnberculose de Coimbra, do Congresso Internacipna) do 'Eia- 
sino Technico de Paris; socio protector da Sociedade Archeologica de 
Fontevedra; e secretano da antiga seogSo centrai da graùd^ commis- 
sSo da ExposigSo Agricola de Braga, sendo premiadó oom medalha de 
prata. No oòrtejo civico, commemorativo do tri-Tcentenario de CamSes, 
realìzado em Lisboa ein 10 de Jimho de 1880, o Sr. Dr. Pereira Caldas 
destacou-se logo aos olfaos de todos pela quantidade de medalbas ho^^ 
rosas que ibe JodoniatTKn o peito. « 

Relativamente aos seus escritos litterarios e seìentificoS, que sSo 
maitos e variados, acha-:'se nm caktalogo dos principaes no Diecionario 
Bibliographio, de Innocencio da Silva, tomo iv, a principiar na pi|g. 
3d6, e no tomo lauf pag. 42, alem de urna indicagSo malto succinta 
nas Memorias de Braga, do fallecido conmiendador Bernardino José, 
de Senna Freitas, nos pj^incipios do tonao v; mas, ulteriormente, muitos 
outros opusculos pnblicou ainda o sabio professor, sobre varios assuntos. 
Collaborqu ^m um crescido inumerò de jomaesj revistas e numeros 
unicos; e o Correlo do Minho foi bonrado. tambem com a sua collabo-r 
pa9lo, publicando, ainda ha meses, um trabalho sobre litteratura portu- 
gaesa, especialmente esento pelo sàbio professor para os seus alumnos. 
Dr. Pereira Caldas era um dos mais illustres camenianistas, e qua- 
mais provas déu de ulir estudo profrirido e aturàdo dos ittwWair de Ca- 
mSes, nlo se.esquèceùào iiunca dé'cQnimem'orar litterariamente os . * 
annlversarios '. . , no dia 10 de Junhc, copi producg^es. novad é varia- 
das. A de 18Ó2, que. se intitula tVersaò latina dò sonetó de CamSe^' 
r-Alma minila ge^ntil que te partiste — ^n|^ce4endo:a duas Ijnhas expr: 
diaes, etc.>-;-é bem digi^^ de sor lida ^ meditada. — rTào fanatico er^, 
pcft CaniSes, que em todos os seus escritos inpluia-cita^òes . . dos Lu-. 
%iadas^ oa de oiiiras. producQSe's do immortal poeta. . , 

tempo que' Ihe restava das snas occupaQSes ,profis^ioùjaes dedi< 
cava-o aos séus tivros e aos seus trabalfaos iittJerarios: Atsita òasa eséé.^ 
repleta de Kvros, todós elles valiosos, alguns dOs qoaes vei^dadeiras ra,-' 
ridades, de grande mèrecimento e valor. A sua livrària avàlia-se em 
algans contos de réis. No deséjo de que ella fosse conservada depois' 
da sua morte, propSs a urna das vereagSes d'este concelho cedé-la ao 
municipio, mediante uma pensSo annual emquanto vivo; mas a proposta 
uào foi acceite. 

A cagiara de GuimarSes, prestando justa homenagem ao infatigavel 
obreiro das letras e da instruc^^, deu a uma rua de Yizella, sua terra 
Baiai, nome de cPereira Caldasi, realizando-se a cerimonia do des-. 
ferraménto das placas nominativas da rua no dia 26 de Janeiro de 



132 Archeologo Poetugués 

1898, dia do octogesimo anniversario natalicio do considerado vìzel- 
lense. A esse acto festivo, em que Vizella se apresentoa entrajada 
de galas, assistìu o Sr. Dr. Pereira Caldas, que foi enthusiasticamente 
victorìado. A actual camara de Gaimaràes, por proposta do sea pre- 
sidente, Sr. Dr. Meira, approvada por unanimidade, resolveu nltima- 
mente, corno vemos no Commercio de Ouimaràes, de 15 do corrente, 
prestar tambem homenagem ao faliecido Sr. Antonio Pereira da Silva 
e ao Sr. Dr. Antonio Ignacio Pereira de Freitas, pae e sobrinho do 
Sr. Dr. Pereira Caldas, dando os seus nomes a daas ruas de Vizella, 
pelos servi^os prestados à sua terra natal. 

O considerado extincto parece que n$o deixou testamento, pois, 
por emquanto, so appareceu urna minuta para elle, escrita pelo seu 
proprio punho, e que, conquamto n&o tenfaa data, se julga feita no anno 
corrente». 

(Do Correio do Minho, de Braga, n « 167, de 22 de Setembro de 1903). 

N&o podendo, por £alta de tempo, escrever nm artigo desenvolvido a respeito 
de Pereira Caldas, mas desejando que n-O Archeologo ficasse consignada a no- 
ticia do seu fallecimento, transcrevi do Correio do Minho as notas precedentes. 
Póde ler-se outro artigo biographico no Primeiro de Janeiro, do Porto, de 20 de 
setembro de 1903. 

Dono de vasta livrarìa (composta porém, em grande parte, de livros anti- 
quados], dotado de espirìto amigo de se instruir, e de mais a mais com diversos 
cuTsos universitarios, e professor de lycen ha muitos annos, Pereira Caldas pos- 
sala variadoB conhecimentos em todos os ramos das sciencias, è sabia difPerentes 
linguas (inglès, allem&o, grego, etc.)« Ob seus escrìtos revelam isso, pois escre- 
ven sobre mathematica, chronologia, sciencias naturaes, therapentica, bistoria 
politica, bistoria litteraria, bibliograpbia, linguistica, epigrapbia, numismatica, 
beraldica, geographia ; e tambem publicou versos (originaes e traduzidos) e die* 
cursos. De um lado està dispersabilidade da intelligencia, sem plano a que o tra- 
balbo se subordinasse, e do outro a pouca tendencia que elle tinba para profondar 
um assunto e atacar e resolver os problemas scientificos, fizeram que todos os 
seus escritos fossem geralmente de pouco folego. Tudo o que escreveu sfio cu 
folbetos, ou artigos de jornaes, muitas vezes tambem reduzidos a folbetos (sepa- 
Tata8)s Pereira Caldas escrevia de ordinario por mera curiosidade e distraesse. 
Sem paciencia para grandes investigagoes, era naturalmente a bibliograpbia o 
ramo que mais o attrabia, pois, para o cultivar, quasi nunca tinba de sair da 
sua propria bibliotbeca. A fórma que Pereira Caldas tinba de escrever nfio era 
attrabente : elle costumava diyidir ps seus escritos em breves paragrapbos, nume- 
rados com algarismos l'omanos, divis&o que nem sempre correspondia à natureza 
do assùnto, é empregava constantemente aspas é caracteres italicos e versaletes, 
sem motivo plausivel. O seu estylo era muito desmancbado, e às vezes desfigu- 
lUdo pelo abuso de vocabulos extravagantes ; nòs seus escritos, ha uns 20 annos 



O Aecheologo Portuguès 133 

para cà, Pereira Caldas fazia citagoes camonianas, a torto e a direito, bo prin* 
cipio e no firn, e às vezes tambem no meio. Tudo iato enfada o leitor, posto quo 
este haja de reconhecer no fallecido cprofessor bracarense» (corno elle gOBtava 
de se intitolar) nma fi^ra litteraria nm tanto originai. 

A respeito de archeologia (e é por esse lado que o seu nome figura hoje n-0 
Archeologo) y a ac^So de Pereira Caldas consistìu, creio, no seguinte: esteve, 
corno se yìu a cima, em rela^oes epistolares com Hlibner, por causa de assuntos 
epigraphicos, e acompanhou-o nas suas yisitas a Portugal, do que o sabio allem&o 
dà testemnnho em alguns dos sens escritos * ; contribuiu para que se realizasse 
em 1876 o congresso da Citania^; tentou promoyer a funda^ao de um Atheneu 
archeologico em Braga, que todavia supponho nào chegou a fundar-se; contri- 
boia para que se tomassem conhecidas e salyassem de estrago algumas inscrip^òes 
romanas ; e deixou, alem de numerosos artigos em jomaes, os seguintes opus^ 
cqIob : 

Noticia archeologica dos Caldas de Vizella, Braga 1853, onde falla pela pri- 
meira vez de uma das inscripgoes do deus lusitano Bormanicus, 

Carta do 'professor Pereira Caldas . , ao , . arcdìispo de Braga D. Joào 
Chrysosiomo . . para a inaugurando de um Atheneu archeologico em Braga, 
Braga 1876, 8 paginas, em que pondera a necessidade da fanda^So do atheneu. 
Tem a data de 1 de Junho de 1876. Para està inaugura^ào fez Caldas um con- 
vite impresso, com a data de 15 de Junho de 1876 ; consta de 4 paginas e é em 
fórma de circular. Ahi se enaJtece a importancia da archeologia e dos museus. 
A ìnauguraQào devia ser no Pago Episcopal. 

Allocugào, folha volante, 2 paginas, s. 1. n. d. de impresalo, mas escrita em 
29 de Junho de 1876. Caldas falla de archeologia prehistorica, e dirige-se ao 
pOTO de Braga para a inauguragao de um atheneu archeologico. 

Estatutos do Atheneu Archeologico de Braga, destinado, de modo geral, «ao 
estndo das antiguidades em todos os ramos, e nos seus accessorios illucidativos 
(m) com applicagfio especial à historia patria desde os tempos remotos». Tem 
a data de 29 de Junho de 1876. Vi o ms. autographo em casa do meu amigo 
Albano Bellino. Nao sei se chegou a imprimir-se. 

Os cemiterios christàos em sua origem, Braga 1879 (Cf. Arch. Pori,, i, 
190). 

Monumentos epigraphicos de Roma exalgadores da memoria do Papa S. 
Damaso, prodigio viìnai^anense, Braga 1879, 31 paginas. Dedicado a Martina 
Sarmento. 

Urna inscripgào romana de Caria de Lamego, Braga 1883 ; baseia-se numa 
noticia de Viterbo, Elucidario, i, s. v. «Caria». 

Carta epigrapMca [a Pinho Leal], Braga 1890, 31 paginas, onde diz que 
està colligindo umas 2:000 inscripgoes romanas, quasi todas respeitantes à Pe- 



* Vid. por exemplo, Noticias de Portugal, p. 72, Corp. Inscr. Lat, ii, p. xxx 
e CUI. Uarqueologia en Eapana [y Portugal]^ p. 79. 
2 Cf. OArch. Pori., yi,f>^. 



IM O Abcheologo Portugués 

ninsola.- Està carta é a proposito de nma inscrip^ romana publicada incor- 
reotamente por Pinho Leal. Està escrita muito confasamente. — No firn yem um 
esboi^o biographico de Fìnho Leal. 

Lapide romana da estrada da Oeira sem deetfra^ plausivél aU agora, 
20 paginas, s. 1. n. d. [mas é de 1895, ou posterior, pois cìta-se ahi ma liyro 
de 1895]. Neste folheto discute Pereira Caldas nm texto epigraphico dado poi 
Argote nas Memorias de Braga, 

Numisma cettiberico, 1901 (Cf. OArck. P&rt., viu, 31). 

Descri^ plausivel de tana inscripgào luso-romana de Citania de Briteiros, 
1902 (Cf. OArch. Fort., vin, 32). 

É possiyel, porém, qoe me escape algum entro folheto. 

Apesar de nSo poder dizer-se que as sciencias aiebeologicas devam grande 
incremento a actividade de Pereira Caldas, elle, comtndo, manjfeye em Braga, 
durante longos annos, o fogo sagrado ne sta esphera, pela palayra, pela escrita 
e pelo exemplo,-^e conhecia bem as antiguidades romanas da cidade, pelo que 
hayia de ser excellente cicerone quando se resolyesse a acompanhar os forasteiroa 
que as quisessem inyestigar. 

IV 
Teixeira de Àragfto 

D-O Diario^ de 2 de Maio de 1903, extràio as segnintes infonna- 
55e8 biographicas a respeito de Teixeira de Aragao (Augusto Carlos): 

«Nasceu em Lisboa, a 15 de Junho de 1823, e fallecea em 29 de 
Abrìl proximo passado. Assentou praQa, corno eirurgiào medico, em 28 
de Novembre de 1849; premo vide a cirurgiSo-mór em 1853, a cirurgiio 
de brigada em 1885, eirurgiào de divisào em 1891 e eirurgiào em chefe 
em 1892, reformando-se no posto de general em 4 de Janeiro de 1896. 

£ra socio effectivo da Aeademia Keal das Sciencias de Lisboa; 
da Sociedade de Geographìa; da Sociedade das Sciencias Medicas; 
da Real Associajào dos Arcbitectos e Archeologos Portùgueses, socio 
archeologo da mesma; membro do Instituto Polytechnico Portugués; 
do Instituto Vasco da Gama; do Instituto Geographico Argentino; da 
Aeademia Hungara de Paris; da Sociedade Numismatica Belga; da 
Aeademia de Roma; do Instituto de Coimbra; da Real Aeademia de 
Historia de Madrid; do Instituto Historico e Geographico do Brasil; 
e socio honorario do Instituto Historico de S. Paulo. 

Foi secretario geral do Goyerno da India, aonde acompanhou o 
infante D. Augusto, e era director do Gabinete Numismatico de Sua 
Majestade El-Rei *. 



1 [Desde 1867. Vid. Moedaa.. de Portugal., i, 13]. 



O AbCHEOLOGO POBTaGUÉB 135 

Tinha as seguiàtes cohdecorajSes: Cavalleiro das Ordens de Avis, 
Torre Espada e Cliristo; Coznmendador: da Conceigao, Avis, e das 
ordens estrangeiras de Silo de Carlos III, de Hespaoha, do Elephante; 
grande officiai da Ordem de Avis., por servigos distinctos, e da Ordem 
do Nlchan £1 Iftikhas, de Tunis; medalha de còbre da Associarlo Ar- 
ckitectonica; de prata, de comportamento exemplar e de valor militar; 
€ a de euro de bons servijos». 

Acresoentarei a estas informa(Ses que Teixeira de AragSo foi tam- 
bem professor de Hygiene na Escola do Exercito. 



Na sua qualidade de cirurgiao militar, teve de percorrer muitas 
terraS; principalmente no Sul, e isto deu-lhe ensejo para comeQar a 
adquirir, desde 1850 ^, nio so muitas moedas antigas, mas objectos ar- 
cheologicós de toda a especie*. A este ^proposito dizia elle em 1870: 
cHavendo passado o melhor da vida entregue a aridas investigarSes 
medicas, dedicàmos, talvez por analogia com a sciencia cosmopoli ta^ 
as horas de folga, a decifrar algumas moedas antigas, que o acaso 
nos deparava i ^. E, notando as relagSes que julgava existirem entre 
medico e o numismata, continua: aO medico, pelo contacto com as 
classes ruraes, é ordinariamente a quem chega primeirò a noticia dos 
achados arcbeologicos, que investiga, — e muitas vezes os compra para 
si ou para os seus correspondentes. Ora, neste estudo e contacto das 
cousas antigas, ha um nSo sei [qiti], mesmo contagioso, que se inocula 
insensiyelmente, e quasi sempre cria o colleccionador»^. 

As moedas ceden-as em tempo para o Grabinete Numismatico de 
El-rei D. Luis, do qual, comò vimos acima, era conservador. 

Com OS restantes objectos constituiu em sua casa um interesante 
moseu, onde estavam representadas as epocas da nossa historia, e diffe- 
rentes especimes das nossas artes e industrias. Està importante coUec- 
9iu) dispersou-a ainda quasi toda o proprio Araglo, parte cedendo-a 
avulsamente, parte, e a mais importante, vendendo-a em leilào. O que 



^ Cf. Moeda9.. de Portugal, i, 7. 

2 A memoria de AragSo fieou tao viva, mesmo na gente do campo, que ainda 
hoje (e jà là y2o bastantes annosi), quando em algomas terras do Sai pergimto 
por objectos arcbeologicos, obtenbo frequentemente comò resposta: «0 que ba-> 
via, jà o levou o Dr. Aragào ou Estacio da Veiga». 

^ Moedas romanaa . . d*tlr-rei Z>. Lui», p. vi. 

* 06. dt.y p. vili. 



136 O Archeologo Pobtuguès 

iìcou foi vendido da mesma maneira, mas jà depois da sua morte. Mellior 
do que qualquer descrip9ào do musea, fallam os seguintes folhetos: 
Catalogo do leilào de objectoa de arte e mobUiario antigo da coUeogào- 
Aragàoj por interven9ao do agente Casimiro C. da Cunha, Lisboa 1901, 
-24 pag,; Catalogo do leUdto de objectos de at'te e mobUiario para parti- 
lime, por obito do ExJ^ Sr. Dr. Teixeira de AragàOj por intervencao 
de Maria Guilhermina de Jesus, Lisboa 1904, 15 paginas *. Compre- 
hende-se que màgoa nao torturaria o fervoroso colleccionador, quando, 
sentado na poltrona em que quasi inmiovel passou os ultimos tempos 
da vida, esentava a voz do pregoeiro a por em aimoeda as rìcas pre- 
ciosidades archeologieas adquiridas com tanto trabalho e durante tantos 
annos, e sobretudo quando ouvia a martellada final de cada lan90, 
a qua) annunciava que ellas desde esse momento fatai iam deixando 
de Ihe pertencer! Circunstancias da sorte, a que ninguem póde esqui- 
var-se. Pena foi que o Estado nào adquirisse na totalidade a collec^ao 
archeologica de Teixeira de Aragao; com ella se enriqueceriam varios 
museus. Ainda assim, alguma cousa iìcou salva '. 



^ É claro que Àrag^o tambem possuia livros. A sua livraria d§Lo era mnito 
numerosa, mas havia nella bastantes obras numismaticas, que foram igual mente 
vendidas em leilao em Abril de 1904; cf. o catalogo publicado por essa occa- 
siao ; Livroa sobrc numiamatica pertencetHes a livraria do fallecido Dr. Teixeira 
de Aragào, Lisboa 1904, 8 paginas. Este folheto é extrahido do Catalogo da im- 
portante livraria do distinclo numismata Dr. Teixeira de Aragào, Lisboa 1904. 

2 O Museu do Bellas-Artes, por exemplo, adquiriu vestuarios. Para o Musen 
Ethnologico cedeu-me o prestimoso archeologo, antes do leilSo, quasi todos os 
objectos romanos e pre-romanos que ao tempo possuia; depois da sua morte, 
a Ex.»» viuva D, Th eresa de Aragào oflFereceu-me ainda alguns vasos, de diffe- 
rentes procedencias e epocas. Ao antiquario de Paris (o Sr. Baron) tinha elle 
cedido, multo antes do leilao, varios anneis de ouro romanos, achados em Portu- 
gal, alguns vasos do Algarve, da mesma epoca, e o bellissimo fando de pàtera lusi- 
tano-romano de prata, com a gravura de um deus, que vem descrito nas Koticias 
de Portugal de H. HubDer, Lisboa 1871, p. 69 (com uma estampa). Nao obstante 
a amizade que eu consagro a AragSo, e a multa venera92o que teuho pela sna 
memoria, nSo posso esquecer este desfalque que elle fez soffrer à archeologia 
nacional, entregando a um negociante estrangeiro objectos que deviam ficar 
no pais, de mais a mais sabendo Aragào que eu Ih'os comprava para o Museu, 
e que eu tinha o maximo empenho nelles, sobretudo na pàtera. Por occasiio da 
minha ùltima estada em Paris, procurei o refendo antiquario, e pnde aiDda re- 
adquirir alguns dos vasos ; mas dos anneis jà elle nào sabia, e o cubicado fando de 
pàtera disse-me que Ihe parecia que o havia offerecido a uma senhora americana ! 
Tomem exemplo d'este desperdicio os que, levando annos a fazer collec^Òes ar- 
cheologieas, nào deixam para depois do seu fallecimemto bem assegurada a con- 
serva^ào d'ellas. E eu jà conlie90 tantos casos analogos! 



O Akcheologo Poktugdés 137 



Teixeira de Aragao nào era coUeocionador vulgar, que coUigìsse 
so por coUigir, corno muitos: era colleccionador intelligente ^ que, ao 
mesmo tempo que punha gosto nos objectos que adquiria, procurava ins- 
truir-se com elles. D'isso dao prova os trabalhos que escreveu, e que 
ja vou mencionar. Para commodidade do leitor, citarci nSLo so os tra- 
balhos numismaticos e archeologicos, mas todos os mais que a penna 
de Aragao produziu, e de que tenho conhecimento. 

Ei-la, segando os assuntos, e chronologicamente: 

A) Nomlsmatica: 

Num dos seus livros confessa AragSo que foi no exercicio do seu 
cargo de conservador do Gabinete Numismatico de El-Rei D. Luis 
que escreveu todos os livros de numismatica*; effectivamente todos 
elies se relacionam com o refendo Gabinete, comò veremos. 

1.^ Description des monnaieSj médaiUes et autres objects d'art con- 
cernant VhUtoire portugaise du travati, Paris 1867, com estampas. 

Este livro foi publicado por occasiUo da ExposÌ92o Universal de Paris 
de 1867, à qual concorreu El-Bei D, Luis com grande coUccqUo de moe- 
das e outros objectos. Consta de duas partes: na 1.* faz-se a descrigao 
do Gabinete Real; na 2.* descrevem-se differentes outros objectos expos- 
tos (ourivezaria, manuscritos, etc). E sobretudo importante a 1.* parte. 
Como Gabinete Real é muito rico, a descrÌ9ao feita por AragSo cor- 
responde a um pequeno tratado de numismatica nacional, pois refere- 
se tanto &s moedas portuguesas propriamente ditas, corno às arabicas, 
visigoticas e ibericas; mencionam-se alem d'isso ahi medalhas, contos 
para contar, e as moedas dos grSo-mestres portugueses de Malta. A 
imprensa estrangeira celebrou entfto com muito louvor, quer a coUecgao 
real, quer o trabalho de Aragao^; e desde esse tempo o nome do nesso 
numismata comejou a ser conhecido là fora, e a ser citado corno au- 
toridade em assuntos de numismatica portuguesa. 

2. Notes sur quelques numismates portugais des xvil®, xviii®, XIX* 
sièdes, por A- C. Teixeira de Aragao, Paris 1867 (folheto de 5 pa- 
ginas). 

Tendo ido AragSo a Paris acompanhar a collec92Lo real que, comò 
acabamos de ver, figurou na ExposÌ9So de 1867, escreveu este opusculo 



* Moedas . . de Fortugal, i, 14. 

* Vid. as cita^des que este faz nas Moedas . . de Portugal, i, 9-11 e notas 



138 O Archeologo Portugués 

em fórma de carta dirigida ao Visconde Ponton d'Amécourt, presidente 
da Sociedade Francesa de Numismatica e de Archeologia; a carta de 
Araglo é em resposta a um pedido do refendo presidente. Ahi cita 
AragSo varios nnmismatas portugueses ; com rela^SLo.porém a^o jseculo xix, 
dSq menciona os nomes dos que ao tempo eram ainda vivos. tra- 
balho escreveu-o AragSo em Paris, longe, corno diz, dos seus livros 
e apontamentos; promettia com tudo completi-Io, quando voltasse i 
patria: e isto fèz em 1875, em um dos capitolos das Moedas . . de Por- 
tugàL, I, 92 sqq. 

3. Descripgào Jiistorica das moedas romanas existentes no Gaòiìiete 
Numismatico de 8. M. EìrRei o Sr. D. l>uis I, Lisboa 1870. 

A descriyfto propriamente dita é precedida de um estudo de nu- 
mismatica geral. Para este livro soccorreu-se AragUo, corno honrada- 
menté declara, da obra de Sabatier sobre as moedas blzantinas, e das 
de Cohen sobre as moedas romanas (republica e imperio). 

trabaiho de AraglLo tem servido, e serve ainda hoje, de bastante 
utilidade aos colleccionadores portugueses a quem aqùellas obras e 
outras analogas nào sic aocessiveis ; todavia, comò a sciencia progride 
sempre, jà muitas cousas que elle diz precisam hoje de modificagào. 

4. Carta prefacial que acompanha o opusculo de A. Marques Pe- 
reira, intitulado Moedas de Siam, Lisboa 1879. : 

Este opusculo contém a descrÌ9ao das moedas siamesas offerecidas 
pelo autor ao Gabinete Real ; na carta, que é esenta ao correr da penna, 
faz Arag2o apenas consideragSes genericas e summarias. 

5. Descripqao geral e historica das m/)edas curihadas em nome dos 
reis, regenies e govemadores de Portugal: t. i, Lisboa 1875; t. u, Lis- 
r)oa 1877; t. ili, Lisboa 1880. 

O tomo I versa sobre as moedas das tres primeiras dinastias e dos 
govemadores do reino ; o tomo ii sobre as da dinastia de Braganja até 
El-Rei D. Luis; o tomo iii sobre as moedas da India e da Africa orientai. 
Todos elles sào acompanhados de noticias historlcas preambulares; de 
estampas e de algumas gravuras no texto ; de numerosos documentos, 
respectivos às moedas; e de indices alfabeticos. Alem d'isso o tomo I 
contém om prologo e um estudo de numismatica geral portuguesa (casas 
da moeda, lista de colleccionadores e de escritores. numismaticos, no- 
ticia das armas do reino, etc); o tomo il contém duas cartas ti:ocadas 
entro AragàQ e Herculano a proposito do Voi. i, dois pareceres de aea- 
demias de Madrid e Lisboa, varias tabellas e estatistici^, e addi(oes 
ao voi. i; tomo ni contém urna introducgio a respeito do tricenter 
nario de Camoes, por cuja occasiSo foi publicado, — e correc9oes e ad- 
ditamentos aos volumes leu. 



Archeologo Pobtcoxjés 139 

O plano primitivo de AragSo era qu^ o tomo' ni se referisjse às 
moedas de todas as colomas: vid. tomo i, pag. 8« Todavia as das ilhas 
a^acentes ìncluiu-as no tomo ii, no estudo numismatico dos réinado3 
a que ellas pertencem, ao passo, que no tomo ni 8Ó sq refere, comò 
vimos, és moedas da India e &s da Africa Orientai. De modo que deixou 
para um 4.° volume, que nio chegou a pubUcar na integra, as moedas 
do Brasil e da Africa Occidental: cfr. U in, ìntroduc98o, p. vii*. . 

A historia da ^òs3a numismatica póde dividir-se em tres periodos: 
do sec. XV ao sec. xvn; do sec. xvii ao xViii; do sec. xviii ao sec. xx *. 
3.°* periodo, ao qual pertence AragSo, é caracterìzado pelo grande 
desenvolvimento que o progresso geral dos estudos historicos imprimiu 
& numismatica em rela^ao acque ella tinha até entSo. Neste periodò 
princìpal brillio da sciencia provém certamente da obra a que me estou 
referindo, e que póde dizer-se se tornou classica. Sem duvida tem 
muitos defeitos: assim alguns dos capitulos dos estudos preliminare3 que 
acompanham o voi. i estlo confusos; as considera9Ses que se seguem 
é& descripgSes das moedas estSo geralmente desordenadas; as noticias 
historicas sobre os reis de Portugal e governadores da India tomam por 
vezes extensao demasiada; em relagao às descrip93e8 numismaticas, 
omittem-se muitas moedas e variantes: mas qual é a obra perfeita? 

AragSo aproveitou convenientemente todos os trabalhos de èeus 
predecessores ; estudoii muitas moedas pela primeira vez ; revolveu ar- 
chivos, d'onde extrahiu preciosos documentos; e teve a coragem de 
emprehender, no nosso acanhado meio scientifico, uma obra de grande», 
proporfoes, que na maior parte realizou. E fazer isto é fazer muito. 

B) Arclieologia : 

Foi muito pouco o que AragSo escreveu sobre archeologia: tudo 
se limita, quanto eu sei, a uns folhetos e artigos.. 

6. Rdatorio sobre o cemiteì'io ramano descoberto proximo da cidade 
de Tavira em Maio de 1868, Lisboa 1868. Polheto de 20 pa^nas com 
2 estampas. 

titulo (AragSo gostava dos titulos extensos, o que em verdade 
difficulta as citagoes) diz sufficientemente do que netste folheto se trata. 

relatorio tiaha apparecido no Diario de Lisboa n.^ 260, mas sem 
estampas. 



^ D'este 4.* volume publieou AragSo uma parte: vid. adeante, n.° 11. A obra 
ficou escrita teda cu quasi teda, e vai ser publicada a expensas de um dos her-r 
deiros, — reBolu9So realmente muito louvavel. 

* Cfr. Elenco das ligoes de numismatica^ ii, 2 ; p 4rch. I^oft., iv, 70. 



140 O ARCHEOLOGO PORTUGtJÉS 

7. Anneisj Lisboa 1887. Folheto de 25 paginas com 2 estampas. 
Estudo historico sobre os anneis em geral. Ahi, entre outros, fign- 

ram dois bellos anneis: um, arabico, que pertenceu a Estacio daVeiga; 
e um, portugués, com o busto de D. Joào II (éste ultimo pertencia a 
collecfSo archeologica de AragSU)). Do destino do primeiro j4 se fallou 
n-0 Arch. Port.j vii, 157, nota. O segando ouvi dizer que o proprio 
Aragào o venderà a certo amador! 

Consta-me que vai fazer-se 2.* edisSo d'està obra. 

8. «Citania», artigo publicado em 1887 na Revista Archeologica 
e Historica, i, 39. 

Noticia do castro ou oppidum d'aquelle nome, esenta por occasiao 
do congresso archeologico de Citania em 1876 *. mais importante do 
artigo é a descrip$So, que AragSo faz com alguma minuncia, das moedas 
apparecidas na Citania. 

9. «Antiguidades romanas de Salsa», artigo publicado em 1896^ 
a meu pedido, n-0 Arch. Pori., ii, 55. 

Descripfào de uma staterà e de um speculum apparecidos no Algarve, 
e que faziam parte da sua coUecgSo archeologica (hoje pertencem ao 
Museu Ethnologico). 

C) Historia em geral s 

Quem estuda um assunto especial tem muitas vezes occasiio de 
encontrar notìcias e documentos que Ihe servem para outros estudos; ìsto 
aconteceu tambem a AragSo, comò em parte o provam os seguintes 
trabalhos: 

10. D. Vasco da Gama e a vUla da Vidigueira, Lisboa 1871. 
Este livrinho de 47 paginas foi talhado, comò o A. diz no prologo, 

p. Ili, para apparecer em folhetins do Diario de Notìcias; depois o 
plano alargou-se-lhe. A paginas 35-39 tem uma noticia da custodia de 
Belem e varias observa95es numismaticas, assunto predilecto de Aragào. 

Em 1886 appareceu 2.* edÌ9ao com o titulo de: Vasco da Gama 
e a Vidigueira, — no Boletim da SocUdade de Geographia de Lisboa^ 
6.* serie, pag. 543-700 — , com um appendice que contém 20 docu- 
mentos e uma nota. 

Em 1898 appareceu 3.* edigSo, com o mesmo titulo da 2.*: faz 
parte da collecgSo de obras publicadas pela Sociedade de Geographia 
para commemora9ao do 4.® centenario do descobrimento da India. Està 
nova edigao diz o A. que foi motivada pelos estudos a que procedeu, 



1 Cfr. O Ardi. Port., vi, 53. 



Archeologo Pobtugués 141 

quer na Bibliotheca Nacional (qos manascritos da casa da Vidigueira 
por ella adquiridos), quer no Archivo da Torre do Tombo. O livro tem 
varias estampas, e veni acompanhado de um juizo critico de Pinheiro 
Ghagas sobre a 2.^ edigao, e de muitos documentos historicos. 

11. Breve noticia sabre o descobrimento da America. Na coUecjILo 
intitulada: Centenario do descobrimento da America, — memoHcu da com-* 
missào portuguésa, Lisboa, Typographia da Academia das Sciencias, 
1892. 

Este trabalho declara o A. que fora escrito para ser encorporado 
no tomo IV das. Moedas . . de Portugal. Divide-se em tres capitulos: 
1) A America ante-colombiana; 2) Christovam Colombo e a America; 
3) Fedro Alvares Cabrai e o Bràsil. Vem acompanhado de dois documen- 
tos copiados na Torre do Tombo, sendo um d'elles a importante carta 
em que Pero Vaz de Caminha faz um relatorio da viagem desde Por- 
tugal até Brasil, — carta jà antes publicada, mas com incorrec93es. 

D'oste artigo se fez separata, com o mesmo titulo, em um volume 
de 80 pag^nas, com dois fac-similes, Lisboa 1892. 

12. Catalogo dos objectos de arte e indìisti'ia dos indigenas da Ame* 
rica, que pdas festas commemorativas do 4. ^ centenario da stia desco* 
berta a Academia Real das Sciencias envia a eaposigào de Madrid* 
Na mesma coilec^So em que appareceu o trabalho citado em o n.** 11. 

Os objectos de que se trata neste escrito pertencem em parte aa 
Mnseu da Academia. O escrito vem acompanhado de urna estampa. 
A descripjSo dos objectos, que sào em numero de 457, é precedida 
de breve noticia ethnogràphica e historica. 

D^este artigo se fez separata, com o mesmo titulo, em um volume 
de 44 paginas e duas estampas, Lisboa 1892. 

13. Diabruras, santidades e prophecias, Lisboa 1894. 

Ainda que escrito sem pretensoes scientificas, este livro contém 
muitos documentos importantes para o estudo da ethnographia nacional. 



E vou terminar. Vè-se que Teixeira de Aragfto desempenhou opti- 
mamente o seti papel no theatro das letras. As suas qualidades de obreiro 
activo, que multo fez em prol da numismatica, da archeologia e da his- 
toria nacional, juntava outras. Ao contrario de certos individuos, que 
comò que fazem mysterio das coliecgSes scientificas que accumulam, 
e as nào mostram, ou so as mostram timidamente, AragSlo tinha todo 
prazer de mostrar as suas, e de fazer que outros as aproveitassem: 
a Estacio da Yeiga deixou elle, por exemplo, tirar photographias de 



142 O Archeologo PortugÙé» 

ikaitos objectos para as Àntiguidàdes monumentaèè do Algarve; e a 
liiim mesmo, por mais de urna vez, me prestòu gervifos analogos (cfr. 
Arch. Pott.yi), 280-281; e v, 143). O seti labor^ comò homem de 
sciencia, sera sempre muito apreciado, especialmente pela Descripgào 
das moedctìs de Portugal, obra que bastava so por si para immortalizar 
nm nome. f t tt 

J. L. DE V. 



BlbliograpMa 

Boletim dfi Voeledade Arclieoloffica de Santo» Rociha» 

n.^ 1, quinta sessSo plenaria. Figueira 1904, 32 pagìnas e 3 estampas. Pre^ 

de cada nmnèro 200 réis. ' 

, . j 

Fostoque om Portugal hoayeese jà safGicieittes pnblìca^Ses do genero d'està^ 
saadajuos o novo Boletim, e desejamÓB-lhe longa vlda, presente numero vem 
interessante e variado. Eis os assùntos nelle tratados : 

A Sociedade Archeologica e o seù Boletim. Breve historìa da Sociedade 
e' das suas sesis^tes plénarìas. — Esqueceu dizer a pag. 5 que' n-0 Arch,Port,j 
em diversos fasciculosy publicoa o fàllecido Belchipr da Cruz o rcisnmo das 
seépOes plénarìas.' ^ 

. [ Ne^rQpole néoliihiQa da Moita (jOantanhede). Kotida de um dolmen jà der- 
voeado, e do refi|>ectivo espolio archeologico. . . 

. Moicriaes pavA o estudoda epoca neoUtktca na Mgueira.''SQÌicì& de varìos 
ijistrumentos de pedra^ pela maior .parte ex^stentes. no K^seu da Figueira. 

Materiaes para o estudo da ^epoca do brome. Noticia de dois machados 
de argola unilateral provenientès de Alvaiazere. — ^Estacio daVeiga, nas Antig, 
mori, dò Algarve, vols. ni e iv, publicou jà bastantés elementos par^ o conlieci- 
mento d^esta epoca; convenl porém publicar muitos mais, pois que ella é ainda 
imperfeitamente conhécida. No Musen Etimologico èxistem àlgnns machados 
éttjo fypo se aproxiiàa dos àqni estudados. 

Ésta^ào luso-romana da Pedrulha. !Noticia de nm fìragmento de reboca 
omamentado, e de um pondus em que se le ALLA . . , palavra qne o autor do 
artigo pergunta se terà alguma rela^fio.com Alhadas. Póde responder-se nega- 
tivamente. Aquellas letras fazem certamente parte de uma marca figulina do 
tjpo de outras que se vèem em pondera de.Conimbrìga existentes no Mnsen 
^etimologico, embora nest^s as letras sejam diversas d.^ aquellas ^. 

. Tijolos romanos do Museu da Figueira^ DescrìpQ&p de varios typos de ti- 
jolos : rectangular, trapezoidal, triangular, 

JSfoticias de alguns silos ^ lougas arabes do Algarve. Elementos para o es- 
tudo dos silos, cuja significammo é ainda obscura. 



' ^ A palavra Alhddas nHp podia provir de uma .latina .que come9a86e por 
alla-; opp5e-se a isso a phonetica portuguesa. 



O Archeologo Portuoìjés 143 

Pdourinhos da jFY^cira. Noticia dos pelourìnhos de Redondo, Baarcos' 
e Figueira, com algamas consideraQ^es preliminared. 

Supersti^es popolar eè da Figueira, CrbùQas, ensalmos; praculos, etc. 
Muitos dos factos aqni ìndìcadoB sao conhecidos noutros pontos do pais, corno' 
consta de varias obras que conyinDa citar para facilitar aos investigadores o res^ 
pectivo estudo. Par^em-me porém menos coiihecidos. qs aegnintes: dettar as 
cartas e deitar a peneiraj para saber a futuro. Doq bilhetos ou requerimentos 
dirigidos aos ^ftatps se tratou aqui miesmo n-0 Archeologo, i, 87-89. 

fasciculo é collaborado pelos Srs. Dr. Santos Rocba, Belchior da Cruz, 
F. Gii, Ferreira Loureiro e P. Femandes Thomas. 

II 

. jy^ta sobre a opera^fto d^ deitar a pentirà 

À adiytnlia9ao com a peneira data da àntiguidadé. A mais antiga aliaselo 
qtie conbe^o vem ntnn verso deTheocritò, IdyUioSy iit, 31/ ed. de Ameis (Didot) : 

L é «dixit.etiam Agroeoveram cribrarìa vaies»; .D'esie assunto tratOQ, embcfra 
8nmmariamente,Boucbé Leclercq na Hist. de lad%vinaiiondansVantiquUé^i{lSTd)^ 
183, onde cita essa e outras fontes.— -Da palavra xcoxiv^^avTi? «adivinbo do crivo» 
criou-se o substantiyo abstracto xooxtvojAavreia «adivinhaplLo com o crivo»; que é em- 
pregado por alguns eruditos modei-noé. Como porém elle traz urna interrogafao 
no Griechisch- Deutsche Wb. de Pape, e nao vem no Dtct. grec-fr. de Bailly, — dic- 
cionarios estes muito bons-^, ibupponhò que fol formado recentemente, e nSo per- 
tence pois & litteratura'grega propriaraehte dita.— ^ A paTavra xocxiwaavTsia corres- 
ponde 00(1 latim a palavra coscinomantia, que encontro nos diccionarios de Freund, 
Theil, Benoist-Groelzer, Georges e noutros, auctorizada ùnicamente coni S. Agos- 
tinbo, Obras, tomo v, pag. 426 [da ed. de 1569]. Hàs o.mais curioso é que tal 
palavra nao existe èm S. Agostinbo, e so existe no cpmmentario de L.Vives, 
tambem em latim, àquelle passo. A proposito da palavra hydrpmahtia, empregada 
por S. Agostinbo, dìzVives: «Multis euim modis £[ebat olim. dtviiiatio : . . ex cri- 
bro,' quae co^ctnomai^^i^» (loc. cit., que corresponde à obra'de.S'. Agostinbo De 
ch'Hate Dei, VII, xxxv). Os autores dos referidos diccipnarios pquivocaram-se, 
tomando o commentario deVives pelo texto do Santo, ou equivocou-se so um 
ftalvez Freund), e os outros copiaram d'elle. Se, comò parece, nao ha outra auc- 
toridade que abone a existencia de coscinomantia na litteràtura latina, essa 
palavra tem de se riscar dos respeciivos diccionarios, por ser d^ 
cria^ao moderna. 

Da coscinomancia na ìdade-media falla J. Grìmm^ DeiUscke Afythologie, voi. ii, 
4.* ed., pags. 927-928, onde tambem cita factos, de differentes epocas,' da Alle- 
manbà, Dinamarca* è J'ran9a. Vid. mais: Wutkè, Der deutsche Volksaberglaube, 
3.* ed.» Berlim 1900,' n.* 36é, a respeito da Allemanha; e F. Liebrecbt, Zur Volks- 
ìèunde, Heilbronn 1879, pàg. 3M, a respeito dos Arabes. Pela minba parte posso' 
citar a Gàlliza comò outro pkis onde a coscinomancia existe. 

Da antiguidade d'està snper'sti^So em Portugal dSo testelnunbò as^CoUstitui- 
c5es do arcebispàdò de Evora, de 1534, xxv, 1, e as ConstituÌ9pes do bispado de 
Goa de IbQS^ :xx;ci, 1 : vid. Adolfo Coelbo, Ethnographia Portùgutsa, pag. 22 sqq. 



144 O Abcheologo Portugués 

Com rela^So ao sec. xvii temoB noticia d'ella nam processo da lnquÌ6Ì92o estadado 
por Consiglieri Pedroso, Contribui^des para urna mytkoloffia popitlar, vi, 24. 

A cren9a oa coscinomancia supponho nao ter jà multa voga em Portugal; 
todavia tem alguma. Sr. Fernando ThomÀs dà-a corno existente na Beira, e eu 
conhe^o-a tambem, pelo menos, no Alto-Minho. Para averiguar bem em que con- 
siste a operacSo, sujeitei-me eu proprio urna vez a ella, nesta ultima regiao, em 
casa de urna mnlher de virtude, a quem pergunteL se eu me casaria. A mulher 
mandou-me sentar numa cadeira; depois peneirou com uma peneira urna pouca 
de cinza no chao, e riscou là, com o dedo, uma figura d'està fórma: 




a que chamou impropriamente sino-saimào. Tomando novamente a peneira, pou- 
sou-lhe dentro, sobre o aro, um rosario, uma tesoura fechada e um vintem (em vez 
do vintem, podia ser outra qualquer moeda : de cobre, de prata, etc.)) e fixou-lhe 
por fóra, tambem sobre o aro, segunda tesoura fechada, à qual enrolou outro ro- 
sario. A peneira assim disposta cliama-se montada. £m seguida sentou-se deante 
de mim, benzen-se e disse tres vezes a seguinte oracfio, ao mesmo tempo que ella 
e eu seguravamos pela tesoura, cada um de nós em seu dedo, a peneira que ficou 
pendente sobre o sino-saimSo: 

S. Cypriano, S. Cyprianinho, 
Feiticeiro, feiticeirinho, 
Orelhas de burro, 
Fallas com o Diabo à mela noite, 
Declara-me aqui o que eu procuro : 

se eait Sr. tem de ser casado logo, vira-te p*ra elle; e senao, virante p*ra mim» 
A feiticeira imprimiu um movimento de rota9SU> à peneira, e està ficou voltada 
para mim, acrescentando a feiticeira que eu era casado, ou estava para casar, 
a8ser9des porém ambas falsas. — A toda està opera9£o chama-se botar ou dettar 
a peneira. — Do modo comò a benzedeira procedeu conclui que ella acredi tava 
piamente na efficacia do processo, o qual foi posto em pratica segundo todas as 
regras ; nILo era pois impostora, era benzedeira convicta. — A figura de S. Cipriano 
desempenha varios papeis na magia popular. A tesoura entra igualmente em di- 
versas opera9Òes màgicas, e deve a sua virtude jà ao metal de que è feita, jà a 
poder tornar-se cruciforme, quando aberta. 

E interessante seguir assim a historia de uma supersti^ao desde a antimi- 
dade até hoje. nesso povo é mais pagao do que se julga. Por baixo da capa do 
christianismo palpita multo vivo o cora^So do paganismo; as crenyas antigas fio- 
rescem ao lado das modernas, que, quando muito, Ihes dào entro aspecto. povo 
nao distingue mesmo umas das outras, comò na opera^So de que acabo de fallar, 
em que, conjuntamente com S. Cipriano e o Diabo, elle faz entrar a tesoura e o 
sino-saimào, alem de a opera^ào em si ser puramente magica. As paredes da 
casa da feiticeira estavam forradas de santos, ao mesmo tempo que ella tiuha 
sobre a mesa uma figa, um sino-saimào de metal (propriamente dez réis do Brasil 
com a esphera armillar) e um rosario com algumas contas de azeviche, — tudo 
objectos de caracter pagSo. ^ , * , 

J. L. DE V. 



:i :X JULHO A OUTUBRO DE 1904 N." 7 A 10 



ARCHEOLOGO 



COLLECpAO ILLUSTRADA DE MATERIAES E NOTICIAS 



.ri'HLICADA PKI.O 



MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÉS 




Velenim volv'ens monumenta virorum 



LISBOA 

IMPKENSA NACIOXAL 
1904 



STJlSjlL'h/LJ^TlXO 



J'ISTAgOES PREHISTORICAS DOS ARBKDORES DE SeTUBAL: 145. 

])ocument08 monetarios: 153. 
Archeologia deTras-os-Montes: 166. 
(loNTOS para contar: 170. 

KXPLORA9OE8 ARCHEOLOGICAS NO AlGARVE EM MaR^O DE 1904: ITo. 

SriSCELLANEA ARCHEOLOGICA: 182. 

FrOTEC^Xo dada PELOS GOVERNOS, CORPORA9OE8 0FFICIAE8 E IXSTI- 

tutos scientific08 a archeologia: 200. 
Antiguidades monumentaes do Algarve: 200. 
A moeda de D. Antonio cunhada em Gorcum: 211. 
\hi castro com muralhas: 214. 

Bragmento de uma iNSCRipgXo ROMANA DE Elvas: 219. 
a 8 insula8 nos documentos portugueses mais antigos: 219. 
Onomastico medieval portugués: 226. 
Bibliographia: 258. 



Bste fasciculo vae ilhistrado com 30 estampas. 



ARCHEOLOGO P0RTU6UÉ8 



COLLECgAO IlLUSTRADA DE MATERIAES E HOTICIAS 

PUBUCADA PELO 

MU6EU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS 



VOL. IX JULHO A OUTUBRO DE 1904 N.- 7 A 10 

t 

Estagdes preUstorioas dos arredores de Setubal 

Fuma ao lado orientai do Castro da Rotura 

(ContinuAfao. Vld. o Arch. Port, Tiii, 860) 

Trinta metr os para o lado orientai do logar onde se estabeleeeu 



Por nào estarem ainda prontas as estampas' lithographicas 
que deviam acompanhar o artigo do Sr. Dr. Henrique Botelho, 
impresso a pag. 166 sqq., serao juntas ao fasciculo seguinte. 
Assim se evita maior demora na publicasao d'este- 



Ihos pelo Sr. Maximiano Apollinario, entào adjnnto do Museii Etimolo- 
gico PortuguéSy o qua! mandou desentulhar a grnta desde a bocca A 
(fig. 169.*) aie um nivel B C na profundidade de 4 metros. Sr. Apolli- 
nario desistiu da explora9fto, por nSo ter encontrado nenlium vestigio 
do homem, e ser exigua a verba destinada aos trabalhos do Museu. 

Comtado a exploragSo da pedreira cliegou recentemente ao ponto 
onde se achava a gruta, que quasi toda desappareceu por ter sido extra- 
hida a rocha onde estava formada. Antes porém da gruta ser destruida, 
procedi i analyse dos objectos que nella se continham. 

Toda a cavidade se achava preenchida por entulhos formados prin- 
cipalmente de pedras sem nenhuma ordem ou disposigSo em estratos, 
e com intervallos vazios entre si, achando-sc apenas agglutinadas umas 

IO 



&TJJsA^lsa^J^'RIO 



? V 



];STA^r>ES rRKHlSTOlìRAS DOS ABREDORES DE SeTUBAL: 145. 

docijmektos moketahios: 153. 
Archeologia de Tras-os-Montes : 166. 

(!OKTOS PARA contar: 170. 

I^xplora^Oes aììcheologicas no Algarve em Mar^o de 1904: ITI). 

XriSCELLANEA ARCHEOLOOICA: 182. 

FROTEC^AO DADA l'ELOS GOVERNOS, CORPORA9OE8 0FFICIAE8 E InSTI- 
^in>ria iafìiii-itf-rii.^»>iig i AprripnTnnf a ■ 200 



i 






■ì) v^ì:\li\ r^U'/i- 'j^' i'Aióci^ 



Eate faaciculo Vcie iUustrado com 30 estampas. 



ARCHEOLOGO P0RTUGUÉ8 



COLLECgAO ILLUSTRADA DE MATERIAES E HOTICIAS 

FUBUCADA rEX.0 

MU6EU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS 



VOL. IX JULHO A OUTUBRO DE 1904 N." 7 A 10 

... ..II. ■ •■ ^ 

Estagdes preUstorioas dos arredores de Setubal 

Fuma ao lado orientai do Castro da Rotora 

(ContlnnofUo. Vid. o Arch. Por<.,Tiii, 266) 

Trìnta metros para o lado orientai do logar onde se estabeleceu 
castro da Rotura, e a igiial distancia contada da fonte do mesmo 
nome para a banda do NW., liavia entro duas camadas do calcareo 
miocenico, que constitue o terreno locai, iim intervallo que formava 
urna especie de fosso, dividido em tres compartimentos a que corres- 
pondiam oatras tantas aberturas superiores. 

córte vertical feito na direcjSo da linha E.-W. do maior compri- 
mento da cavidade, tinha a fórma representada na fig. 169.* A sec9ao 
horizontal ao nivel D E està desenhada na fig. 170.*, e faz-nos lembrar 
as projeccSes horizontaes das grutas do Casal do Pardo na Quinta do 
Anjo. 

A primeira explora^ao archeologica que se fez nesta gruta reali- 
zou-se por indica9So minha no anno de 1896, sondo dirigidos os traba- 
Ihos pelo Sr. Maximiano ApoUinario, entSo adjunto do Museu Etimolo- 
gico Portugués, qual mandou desentulhar a gruta desde a bocca A 
(tìg. 169.*) até um nivel B C na profundidade de 4 metros. Sr. Apolli- 
nano desistiu da explora9?lo, por nSo ter cneontrado nenluim vestìgio 
do homem, e ser exigua a verba destinada aos trabalbos do Museu. 

Comtndo a exploragao da pedreira cliegou recentemente ao ponto 
onde se achava a gruta, que quasi toda desappareceu por ter sido extra- 
hida a rocha onde estava formada. Antes porém da gruta ser destruida, 
procedi i analyse dos objectos que nella se continham. 

Toda a cavidade se achava preenchida por entulhos formados prin- 
cipalmente de pedras sem nenhuma ordem ou disposÌ9So em estratos, 
e com intervallos vazios entro si, achando-se apenas agglutinadas umas 

«0 



146 O Archeologo Portugués 

às outras em alguns pontos por meio de incrustagSes calcareas proda- 
zidas pelas aguas de infiltragao, que cairam do tecto d'està gruta. 

Estas mesmas aguas tambem produziram nas paredes da cavidade 
iim revestimento de calcareo estalagmitico, cuja espessura variava de 
CP,005 a 0™,05. 

As pedras, que constituiam os entulhos, tinham na^sna maiorìa o peso 
de aproximadamente 4 kilogrammas, e apresentavam geralmente a cor 
•\'eriiielha, devida 4 ac9So que o fogo exerceu nos saes de ferro, que 
entrain na sua constitui$3o. 

Na parte mais fnnda da grata e nos intervallos das pedras qne a 
preenchiam encontrei alguns pequenos fragmentos de carv^o vegetai, 
muitos maxillares e outros ossos de coelhos (lepns cunicvlua)^ dois cra- 
nios incompletos e outros ossos de texugos (mdes taxus) e alguns frag- 
mentos de diversos cranios e ossos humanos. 

Todos OS entulhos, que preenchiam a gruta, parece que cairam ou 
foram atirados para dentro da cavidade pelas suas aberturas supe- 
riores, mas nào arrastados pelas torrentes pluviaes; pois que se tal 
succedesse nào devìam os intervallos que ezistiam entre as pedras estar 
vazios, mas preenchidos com terra ou outras substancias mais leves, 
que as enxurradas neccessariamente devìam levar com as pedras para 
dentro da gruta. 

Eis a lista dos objectos achados com os entulhos, e que me parecem 
mais dignos de descripfSo: 

A) Restos humakos: 

Todos OS ossos humanos, que estavam disseminados nos entulhos 
dentro da gruta, se achavam de tal modo deteriorados que, por falta 
de elementos, me parece impossivel fazer-se um estudo anthropologico 
completo d'elles. 

Ainda assim procurarci dar noticia d'estes vestigios do homem, 
pondo em evidencia os caracteres que escaparam à destrui^Io e que 
talvez aìnda possam dar alguma luz sobre o typo humano a que perten- 
eeram. 

1." Uma porgao de cranio humano, que comprehende quasi toda 
a parte esquerda do froutal, onde se pode notar o bregma, parte da 
arcada supraciliar esquerda, grande parte do parìetal esquerdo e uma 
por9ào do direito, parte do temporal esquerdo com a apophise mastoi- 
deia e o orificio auricular, e finalmente grande parte do occipital, onde 
se vèem o inion e o bordo posterior (opisthion) do orificio occipital. 

Este cranio foi principalmente reconstituido com os peda905, que 
pelas fracturas coUei uns aos outros e encontrei dispersos entre as 



] 



O Archeologo Pobtugués 147 

pedras qae preenchiam a gruta. Depois de reconstituido obtive pela 
photographia as projecfSes centraes tanto do perfil (fig^ 171.*), corno 
da norma verticalis (fig. 172.*). 

Tres dos pontos, que ainda restam do cranio — o opisthion, o lam- 
hda e o bregma, — determinam o plano vertical antero-posterior, que 
divide o mesmo cranio em dnas partes que, se nSo estivessem muti- 
ladas, deviam ser naturalmente symetrìcas. 

Restaurando pois as partes que faltam por meio das suas syme- 
trìcas que existem, e ainda por outros fragmentos, que me parece.serem 
d'este cranio, apesar das lacunas nSo permittirem a sua ligagSo, obtive 
as projecgSes orthogonaes representadas oas figs. 1.73.* e 174.*, onde 
as linhas pontuadas indicam a parte hypotheticamente restaurada. 

Nestes desenhos podem fazer-se as seguintes medi$3es: 

TT (Diametro transversai maxime contado entre os 

pontos lateraes symetricos mais afastados) 0",140 

GP (Diametro antero-posterior contado da glabella 

ao ponto occipital maxime) 0^,190 

Indice cephalico '-^^ = 73 

Acceitando estas medi^Ses comò aproximadas das que devia ter 
cranio, se apparecesse inteiro, o indice cephalico de 73 revela que 
individuo a que pertencia oste cranio era doljcocephalo verdadeiro, 
segando a classifica9So de Paulo Broca^. 

Este indice é muito aprpximado do indice cephalico dos seis era- 
nios encontrados em Cro-Magnon^, e do typo damaior parte dos esque- 
letos encontrados nos kjoekkenTnoeddings de Mugem em que Paulo e Oli- 
veira achou o indice cephalico medio de 73,80^. 

cranio apresenta a sutura coronai junto à crista temperai apa- 
gada, que indica que o individuo a que pertencia tìnha mais de 35 
annos *. • 

ponto sagittal posterior ainda nao comegava a fechar, o que in- 
dica que individuo tinfaa menos de 40 annos'. 



^ Cf. L'AtUhropologie, por P. Topinard, pag. 244. 

2 Vid. mesmo, pag. 244. 

^ Vid. «Note sur les ossements humains existanta dans le Musée de la Com- 
mission dea Travaax Géologiques» nas CommunicofSe» da Commiss^ dos Traba- 
Ihos Geologicoe, tomo ii, pag. 6. 

♦ Vid. VAnthropologie, por P. Topinard, pag. 136. 

* Vid. mesmo, pag. 137. 



148 O Arcdeologo Portugués 

Tinha pois a idade em que o esqueleto apresenta mais caracteres 
distinctivos do sexo*. 

A crista temporal é pouco visivel, o que entre os limites de idade 
acima determinados, indica que o individuo a que pertencia era do sexo 
feminino*. Vem reforfar osta assercSo o facto do inion ser pouco sa- 
liente. 

Os elementos que apresenta està porjao do cranio parecem pois 
indicar que o individuo a que pertencia era da raga dolicocephalica, 
que P. Topinard^ diz ser a primitiva da peninsula iberica, e cujos 
representantes actuaes sào os berberes. 

2.** Outro fragmento de cranio, que comprehende duas grandes por- 
93es dos parietaes ligados pela sutura sagittal, o temporal esquerdo 
*> tambem iigado ao parietal do mesmo lado e ao occipitale e este ligado 
aos parietaes e temporal esquerdo pela sutura lambdoidal. 

No occipital a protuberancia occipital externa (inion) bem comò 
bordo posterior do orificio occipital (opisthion) sSLo pouco salientes. 

Em vista dos caracteres apontados creio que este cranio pertencia 
a individuo adolescente e talvez do sexo feminino. 

Nao se pode medir o diametro vertical, por nSU) existir o bregma, 

O temporal ainda conserva a apophise mastoideia bem corno o ori- 
ficio auricular. 

3.® Outro fragmento de cranio humano, constituido pelo frontal 
e uma pequena parte do osso esphenoide. Este osso parece ter perten- 
cido a individuo de pouca idade, pois que se separon com facilid<ide 
dos outros ossos pelas suturas, com excep9Sto apenas do osso esphe- 
noide, onde resta uma parte da goteira optica. 

Neste osso a crista temporal é mal definida, as arcadas supraci- 
liares pouco salientes e as bossas frontaes pouco pronunciadas. 

diametro transversai superior ou estephanico * é de 0",107 e o dia- 
metro frontal minimo é de 0™,090^; pertanto o indice estephanico^ 

^ d^ <7;io7 = 84. 

4.® Diversos fragmentos de maxillares: 

a) Metade de um maxilUar superior do lado esquerdo,' o qual se se- 
parou da parte direita que falta pela sutura media. 



* Vid. IJAnUiropolog̀y por P. Topinard, pag. 146. 

2 ViJ. mesmo, pag. 146. 

3 Vid. mesmo, pag. 475. 

4 Vid. mesmo, pag. 253. 

5 Vid. mesmo, pag. 253. 
^ Vid. mesmo, pag. 255. 



O ARCnEOLOGO PORTUGUÉS 149 

Este meio-maxillar, que ainda conserva todos os seus alveolos e 
primeiro grande mollar, apresenta a meia arcada alveolar de maneira 
que, com a outra metade que falta, deAaa foniìar um upsilon (U), 
isto é, devia ter os dois ramos parallelos (fìg. 175.*). Este caraeter 
afasta o individuo, a que pertenceu o osso, da ra9a branca, ondo a foima 
commum da arcada alveolar é hyperhólica ou em pai^abola, ao passo 
que aproKima o mesmo individuo da ra^a pveta, onde especialmente 
a dita fórma é a de upsilon (U), que tambem é a peculiar às arcadas 
alveolares dos macacos anthropoides *. 

Neste maxillar o angulo que o alveolo do primeiro incisivo faz com 
plano alveolar condyliano é de 70**. O angulo alveolar, que deter- 
mina grau de prognathismo, nSo se póde medir por faltar no frag- 
mento a espinba nasal. Attendendo porém a que este angulo deve ser 
superior ao formado pelo alveolo do primeiro incisivo com o plano 
alveolar condyliano, póde inferir-se que, por muito peqnena que fosse 
a saliencia da espinba nasal, o angulo alveolar nào devia ser infe^ 
fior a 80*». 

Este grau de prognatbismo, em opposÌ92o ao que succede com 
a fórma que apresenta a arcada alveolar, aproxima o individuo, a que 
pertencia o osso, dos typos da ra(a branca e em especial dos Guanches 
representantes da familia de Cro-Magnon, os quaes teem um angulo 
alveolar de 8P 34'. O supposto angulo alveolar de 80** afasta o indi- 
viduo, a que pertenceu o maxilar, da raja preta, que é a que tem o pro- 
gnatbismo mais accentuado, cbegando a ser de 51® o angulo alveolar*, 

() Fragmentos de maxillares inferiores com dimensSes incompa- 
tiveis com a idade infantil, e em que se nota que os angulos formados 
prfos ramos borizontaes com os posteriores sao de 121** 30' (figs. 176.* 
e 177.*). Este valor nos angulos maxillares depois da segunda dentÌ93o 
indica meia idade ^. 

E provavel que tanto estes fragmentos, comò os do cranio descripto 
em primeiro legar, pertencessem ao mesmo individuo, visto que todos 
elles accusam os mesmos limites de idade e foram acbados muito prò- 
ximos uns dos outros. 

6.** Dentes humanos soltos. — Entre os entnlbos, que preencbiam a 
^ruta, encontrei dispersos os seguintes dentes bumanos: 

2 molares superiores, com a corea nào desgastada. 

3 molares inferiores, dois dos quaes teem a corea muito gasta. 



* Vid. L'Antkropoloffie, por P. Topinard, pag. 266. 
2 Vid. o mesmo, pags. 286-290. 

* Vid. mesmo, pag. 238. 



150 O Archeologo Portuoués 

1 incisivo superior, com a coroa gasta em fórma de bisel na feice 
interna. Este facto tambem foi observado pelo Sr. Nery Delgado nos 
dentes achados na L'apa Farada, proximo a Cesareda ^. 

3 incisivos inferiores, tendo um d'elles a coroa gasta até aos Ys snpe-r 
riores da mesma coroa. 

Segundo Topinard, o gasto nos incisivos so é frequente nas ra9as 
inferiores e prehistoricas^. 

Talvez a causa do gasto d'estes dentes humanos fosse a niasti- 
ga9ào da areia, que vinha junta com os mariscos, que serviam de ali- 
mento aos habitantes do castro da Rotura. Foi d'este modo que Laying^ 
explicou desgaste dos dentes nos antigos habitantes de Cidthness'. 

Todos OS dentes achados na gruta estavam isentos de carie. 

7.^ Fragmentos de diversos humeros com a cavidade olacraniana 
perfurada, sendo dois d'elles do mesmo individuo (figs. 178.* e 179.*). 

Este caracter aproxima, assim comò nos cranios anteriormente re- 
feridos, o typo dos individuos a que pertenciam estes humeros dos ha- 
bitantes das Canarias (Guanches) anteriores & dominagao hespanhola* 
e dos Berberes, que se suppSe serem os representantes da mais antiga 
popuiagSo iberica ' e reproduzera os sinaes caracteristicos dos esque- 
letos encontrados em Cro-Magnon^. 

8.** Fragmento de um humero com a cavidade olacraniana nao per- 
furada (fig. 180.*). O individuo a.quem pertencia este humero tinha 
uma estatura maior do que a do typo a que pertenciam os humeros 
antecedentemente referidos. 

9.^ Diversos fragmentos de femures, onde as duas series de rugo- 
sidades, que formam o bordo posterior, se véem bastante salientes e se- 
paradas por um intervallo rugoso, comò nos femures da familia inhu- 
mada em Cro-Magnon. 

10.® Varios fragmentos de tibias achatadas ou platycnemicas, corno 
se encontram nos esqueletos achados em Cro-Magnon ^. 

Attendendo à maneira comò os ossos humanos estavam dispersos 
dentro da gruta, e ainda à ausencia de quaesquer utensilios ou objec- 
tos de valor, que indicassem piedade para com os mortos, julgo que 



1 Vid. Noticia acérca das grìdas de Cesareda, pag. 117. 

* Vid. VAntJiropologie, por P. Topinard, pag. 140. 

' Vid. Noticia acèrca das gnUas de Cesareda, pag. 55 sqq. 

* Vid. UAnthropologie, por P. Topinard, pag. 306. 
^ Vid. mesmo, page. 308 e 309. 

« Vid. Les àges préhistoriques de V Espagne ti da Portugal, pag. ix. 
7 Vid. UAnthropologie, por P. Topinard, pag. 308. 



O Archeologo Portugués 151 

estes ossos foram removidos de outra parte para osta gruta, que ser- 
virla assìm corno de ossario. 

Talvez estes restos humanos fossem exhumados dos seus antigos 
jazigos, para darem logar aos mortos de outro povo ou de outra epoca, 
e depois lan^ados pouco respeitosamente para està gruta, em fórma de 
fosso, sem irem acompauhados dos objeetos, que symbolizavam a sau- 
dade dos sobreviventes. 

É mesmo provavel que a ra9a que succedeu à que nesta especie 
de ossario deixou vestigìos semelhantes aos da familia inhumada em 
Cro-Magnon, fosse aquella de que encontrei alguns vestìgios na lapa 
de S. Lui;^, juntamente com fragmentos de lou9a e outros objeetos que, 
pelo seu fabrico, parecem ser contemporàneos da maior parte dos que 
foram encontrados dentro do castro da Rotura. 

B) Ossos de differentes animaes: 

1.^ Ossos de texugos. Espalhados entre os entulhos da gruta havia 
ossos de differentes texugos, entre os quaes colbi por9oes dos esque- 
letos de duas cabegas, uma das quaes comprebende parte do cranio 
e por95es do focinko e do maxillar inferior. No ramo esquerdo d'este 
maxillar ve- se o condylo cylindrico, e implantados tres dentes incisivos, 
um canino e o quinto molar. 

NJo ha duvida de que estes ossos sào da especie de texugo (^nielea 
taxus), cujos restos foram achados tanto na fuma de Caseacs (actual- 
mente depositados no armario 29 do Museu da Commissao dos Tra- 
balhos Geologicos), comò na Cova da Raposa (actualmente depositados 
no armario 37 do mesmo museu). 

Sr. Artur Frederico de Seabra, distincto naturalista do Museu 
da Escola Polytecbnica de Lisboa, a quem pedi para comparar os ossos 
das duas cabecas de texugos achados na gruta da Rotura com os ho- 
mologos do esqueleto do texugo actuai, existente no dito Museu, satisfa- 
zendo da melhor vontade ao meu pedido, concluiu que, apesar de todos 
OS ossos que Ihe apresentei serem da especie do texugo (meles taxus) 
cujo esqueleto existe no museu, eram comtudo dignos de notar-se 
certos caracteres differenciaes. 

Alguns d'estes caracteres, comò a menor espessura dos ossos e 
menos saliencia na crista sagittal do cranio do texugo existente na 
Escola Polytecbnica, podem attribuir-se a pouca idade d'este exemplar 
relativamente a que tinham os texugos, cujos esqueletos foram achados 
na Rotura. 

Ha porem outras differengas, obser\'Ou o Sr. Seabra, taes comò 
OS intervallos entre as presas dos texugos da Rotura menores do que 



152 O Aecheologo Pobtugués 

OS correspondentes no texugo actual, que deverio antes attribuir-se 
a transformagao porque no nosso pais passoa està especie de animaes 
desde os tempos prehistoricos até hoje. 

2.^ Misturados com os entulhos tambem havìa grande qaantìdade 
de difFerentes ossos de eoelhos (lepus cuniculus), 

ConsIderagOes ethnograpbicas 

Da analyse dos ossos liumanos e outros objeetos achados, tanto 
no castro da Rotura corno nas grutas proximas, pode concluir-se que 
nesta estagao ha vestigios pelo menos de duas ra9as. 

Na gruta a E. do castro encontràmos os vestigios de urna raca, que 
era dolycocephalica, tinha a cavidade olacraniana perfurada e as tibias 
platycnemicas, isto é, com todos os caracteristicos da familia inhumada 
em Cro-Magnon e com que tambem se apresentam frequentemente 
OS esqueletos acbados em Mugem *. 

Està raga, cujos representantes actuaes sao os Berberes, foi a que 
com mais probabilidade habitou primitivamente o castro da Rotura. 

Creio nSo haver elementos para determinar a epoca em que està 
raja predominou no referido castro, pois que, apesar de ser provavel 
que a gruta onde achei os seus restos servisse de ossario na epoca 
neolithica, podem os ossos nella encontrados ter sido removidos de ou- 
tros jazigos que os tivessem recebido nos tempos paleolithicos. 

Na Lapa de S. Luis, na gruta sepulcral da Rotura e no castro d'este 
nome, encontrei vestigios de esqueletos humanos com caracteres que 
OS differenceiam dos da familia de Cro-Magnon. 

Estes caracteres osseos tanto podiam ser adquiridos por transfor- 
macào da primitiva raga, devida à variagào de actividade dos musculos, 
em consequencia de novos habitos trazidos pela evolu^ao progressiva 
da vida social dos primeiros habitantes, comò herdados de uma ou mais 
ragas que tivessem invadido o territorio portugués na epoca neolithica-. 

povo da Rotura, formado por està derivaglo da ra9a primitiva 
ou da mistura de ragas invasoras, fez largo uso de louga com desenhos 
gravados em fórma de dentes de lobo, bem comò de contas de calaite 
outros objeetos que H. Martin^ diz serem celticos e que, segundo 
mnitos archeologos, jà eram usados pelos povos da epoca neolithica. 



1 Vìd. «Note sur Ics ossements humains existants dans le Musée de la Com- 
mission des Travaux Géologiqacs» nas Communica^òes da CommissSo dos Traba- 
Uios Geologicos, por Paulo e Olivcira, tomo ii, pags. G e 8. 

2 Cf. Bulletin de la Société (TAnthropoloffie de Paria, v serie, tomo ii, pags. 147 
a 157. 

5 Vid. Compte-rendu do CoDgresso de Lisboa de 1880, pag. 436. 



Archeologo Porlugués— Voi. IX— 1904 




Fig. 169.« (•/„•) 




Fìg. 170.» (V,,.) 




Fiff. 171.* 



r T 



-^-:] 



li ^cMjo Portugués - Voi. I! —1904 



II 






•v 






V 



Fig. 172.* 




«^v-V 



Fig. 173." 



Aicheologo Portuguès— Voi. IX— 1904 



III 




- T 




Fig. 175.* 





Pig. 176.» 



Fig. 177.» 






Flg. 178.» 



Fig. 179.» 



Fig. 180. 



r 






O Archeologo Portugués 153 

Comtudo creio que faltam 03 elementos para determinar o valor 
de todos OS factores que entraram na formacào do povo, que ultima- 
mente habitou no eastro da Rotura. 

TJm dos factores necessarios para a transformagao de urna raya 
é tempo, sem o qual nem a yaria92Lo do meio (cosmico ou social), que 
traz corno consequencia urna variaySo correlativa de actividade vital 
e portanto dos orgSos em que se exerce essa actividade, nem mesmo 
a mistura de novas rayas, podem desenvolver de modo apreciavel novos 
productos ethnicos. 

Os objectos achados na Rotura, comparados com os de outras està- 
goes de epocas melhor determinadas, parecem indicar que o castro foi 
habitado durante um longo periodo, que se estendeu pela epoca neoli- 
thica até a epoca eo-metallica. 

Houve pois largo tempo para os antigos habitantes experìmentarem 
modificaySes profundas nos seus caracteres ethnicos. 

(Continua). 

A. I. Marques da Costa. 



Documentos monetarios 

Os tres documentos que adeante transcrevo referem-se a assuntos mone- 
tarios. 

primeiro d'eiies, sobrecarregado com grande copia de cita^oes, apresenta- 
nos urna resumida historia da moeda ao lado de considera^Ses economicas, o que 
tudo termina com um agradecimento ao Principe pela mercé de ouvir os dois 
artiflces, quando a sua regalia o desóbrigava de nos esentar. 

segundo condemna sob todos os aspectos o curso da moeda estrangeira no 
territorio portagnés dos A^ores e Madeira. 

Finalmente o terceiro documento oiferece-nos a data de varias provisoes 
em virtudc das quaes se cunhon a moeda na casa da Bahia. 

Nào sfio documentos de alto valor os que se agora imprimem, todavia deverfio 

ser bem acolhidos pelos especialistas. 

Pedbo a. de Azevedo. 

!• Farecer dos Oarives sobre a altera^fto da moeda 
no tempo da regeneia de D. Alfonso TI 

cTlo antigo he o uzo da moeda entro as gentes que Plinio confessa 
que Ihe nao sabe Autor (1) e Josepho diz que jà Caim fora ambiQiozo 
em ajuntar dinheiro, com o quo parece que quazi com o Mundo teue 
principio uzo da moeda, que Herodoto (2) quer atribuir aos de Lyuia 
(Zydìa), sondo o mais certo que os Romanos no anno da edefica9ào de 



154 O Archeologo Pobtuqcés 

Roma G47 comessarSo a bater moeda de ouro e prata, a cujo exetnpio 
fizerSo mesmo as mais ProyÌD9Ìas da Europa, corno huma, e outra 
couza testemunhSo os D. D. (3). 

E supposto que huma das pringipais Regalias dos Prìncipes sobe- 
ranos seia dar preQO &s moedas corno Ihe pare^er, corno o dizem os 
D. D. (4) acre^entando mais, que pode o Prin$ipe creder e deminuir 
prego da moeda huma vez signalado, sem que pera isso seia neces- 
sario consentimento do Reyno, corno he opiniSo Commna (5). 

E a rezao disto he, porque corno em semelhantes crescimentos 
ou baius de moeda^ sempre se respeita à vtilidade publica, que deue 
preualeger; ainda que os particulares tenhSo damno; pella qual rezSo 
assentao todos os D. D. que o Principe pode leuantar e abaixar a moeda, 
todas as vezes que Ihe parecer e prohibir as moedas que quizer, sem 
nenhum consentimento do Reyno, parecendo-lhe que he vtilidade oom- 
mua, pode fazer, sem respeito ao damno do particular, porque sendo 
o poder absoluto, e independente, uzando delle, ninguem se pode quei- 
xar, nem allegar a rezao do damno que pode ter: corno concluem nestes 
mesmos termos os D. D. (6). 

Com tudo a experienyia tem mostrado no descurso de tantos seculos, 
que alterar, ou abaixar o ualor da moeda he a mayor Ruina das Menar- 
chias. El Rey Dom AfFongo X. mudou a moeda, e deu prego certo 
às couzas de que rezultou cessar o comercìo, com prejuizo commum 
de todos OS seus Reynos, e dominios, corno o testemunhào Mariana (7). 

E mesmo succedeo em Franga no tempo de Phillipe Valezio, comò 
testemunha Guaguin (8). Porque sendo as mudangas da moeda sem- 
pre inuentadas pelle arbitrio politico pera o remedio publico, commum 
mente se tem uisto, que o eflFeito deste remedio, foi sempre o mayor 
damno do commum, e particular, corno o disse Cassiodor. (9). 

Porque da alteragfto da moeda nasce a confuzSo nos comergios, nos 
redditos, e nos tributos, occazionao-se duuidas, enganos, e demandas, 
e na alteragSo dos pregos se confundem todas as mercangias, a que he 
consequengia a necessidade, de que sSo filhos o clamor, e a queiza 
e sempre forSo tao calamitozos os seculos em que as republicas sentirao 
este damno, que jà Ouuidio cantou (10) que a felicidade dos tempos, 
ou a infelicidade dos annos se hauiSo de contar pella moeda. 

E j untamente dezia o Lansgraue de Asia*, que a authorìdade dos 
Prìncipes se conhecia, so em tres couzas ; na seguranga dos caminhos, 
na fée da palaura, e na firmeza da moeda (11). 



^ [Landsgraf de Hesse]. 



Archeologo Portugcés 155 

£ assìm o deui^ entender os de Aragào, e Nauarra pois os seua 
Reys quando se coroSo jurio de nSo leuantar a moeda, corno o dizem 
08 seus bistorìadores (12). 

E tanto corno couza sagrada trattarlo sempre os Romanos ao di* 
nheiro, que so no tempo da sua Deosa luno se batia moeda com assis* 
tencia de tres Magistrados (13) e tanto assim, o quiz mostrar o Impe- 
rador Oonstantìno, que refere £uzebio na sua vida, qne mandara bater 
moeda com a sua imagem de geolbos, com buma letra que dezia: prò- 
bitas e ueneratio monetae. Mostrando que a uenera(So dos Reys bauìa 
de ser a bondade, e a firmeza da moeda, e muitos Imperadores e Reys, 
mandarlo esculpir os seus rostos nas moedas, pera que se uisse, que 
com todos OS seus sinco sentidos estanSlo uigiando a firmeza e cons- 
tan9Ìa do seu prego corno refere Casseodero (14). 

£ nesta immitagSo custumSo ainda boieos Reys por as suas armas 
em a moeda pera mostrarem, que com ellas a guardie firme, e perma- 
nente, e sempre foi errado o axioma daqueile politico, que quis per- 
suadir, que a moeda se hauia de laurar com buma Letra que dissesse; 
Moneta prò tempore; porque com o pezo, e constangia, e firmeza da 
moeda Ise conseinia illezo o estado da Republica, comò o diz aqueile 
uulgar distico que refere Solorzano (15). 

E da qui uem dizer Cosme Praguense (16) que Carolo Magno ba- 
vendo de Corcar seu filbo Pipino Ibe disse que o mayor Castigo do 
Reyno, a mayor peste, a mayor fome, a mayor guerra, e o mayor 
incendio era a mudanga da moeda e que assy a nSo leuantasse, e abì 
refere sucgeder o mesmo no Reyno de Boemia a £1 Rey Dom lolo, 

E por està rezSo o Papa Innocentio terceiro (17) reprebendeu graue- 
mente a £1 Rey Dom Pedro segundo de Aragào, por mudar a moeda, 
e se abaixar se està pudera ser possiuel sem irreparaueis damnos; 
nào fora t2o grande mal da Republica o alterar se, mas a impossibili- 
dade do remedio, be que fas tao sengìuel o prejuizo. 

damno dos particulares fora grande, pois a mayor parte dos 
homens de negogio, estSo t2o atenuados pelle pouco lucro delle, e ex- 
cesso dos direitos que pagSo; que disto nasge qnebrarem ordinaria- 
mente, e seri mais infaliuel a quebra se se Ibe cboarctarem os cabedais, 
demenuindo se Ihe aquella parte que ba de bauer de quebra em se pdr 
dinbeiro no estado antigo, e se estes quebrSo com perdas muito lemi- 
tadas, certamente, o bam de fazer os de mayor cabedal, com baixa 
So exjessiua. 

Os prejuìzos da corca s3o muito mayores, porque os contrattot 
com a fazenda Real se bao de remouer os tributos do Reyno, e os direitos 
das Alfandegas se blo de alterar, todo o comerjio bade tornar noua 



156 Akcheologo Portugués 

forma, as demandas hSo de sei* sem numero e à uista dos inconaenientes 
que podem rezultar, he menor o damno da roajoria da moeda nas outras 
partes; pur que lan9adas as contas aos gastos que fazem os Menistros 
rezidentes nas Cortes estrangeiras, nào tom compara9ào com os pre- 
juizos eon9Ìderados, nao sendo o menor a mayor sàca de dinheiro para 
fora do Reyno, porque achando-se os mais dos Reynos de Europa com 
a moeda tao sobida no ualor extrinseco, a deste proprio Reyno; serue 
para retorno dos cabedais dos estrangeiros ; e se cstes no estado cm que 
està Ihe achào conta para remessa de seus cabedais, que seria quando 
se abaixasse e se muito dinheiro do Reyno de Castella uem a este por 
unda ter conta se se puzer a nossa moeda em baixa nos leiiarao a 
substangia do Reyno, aquelles que noia traziao. 

O remedio he cessarem os gastos para o que he preciza a pragma- 
tica que se espera que V. A. pella obriga9ao de Prin9Ìpe deue fazer 
para se euitar o ex9esso dos trages comò nestes termos o discursa ele- 
gantemente Nauarrette (18). 

Porque a riqueza dos Vassalos consiste em que nfto gastem mais do 
que tem, e a riqueza do Reyno se funda em que entre os vassalos 
esteiSo conservadas as riquezas; porque sendo o dinheiro o sangue^ 
com que se uiue, fica o corpo politico das Monarchias sem sangue: 
porque tSo exausto tem hoie os estrangeiros a este Reyno, que san- 
gradas as ueas, se uSo ia perdendo os espiritos uitaes do cora9lo e se 
para este mal nào houver remedio, nos sera nec9essario tornar ao tempo 
de Caracalla que mandou bater moeda de Chumbo, ou nos ueremos 
nas mizerias dos Romanos em as guerras de Carthago que de couro, e 
papel fizer^o moedas, corno o diz Mar9Ìal (19) uindo Portugal pollo seu 
descuido a se achar no infelÌ9e tempo de El Rey Dom JoSo o 1.® e de 
Dom Henrique o 2.° de Castella (20) e ficara V. A. sempre obrigado 
a cada hum de seus vassallos ao damno que da ditta baixa Ihe rezultar, 
que nestes termos he obrigado a compor corno dizem os D. D. (21). 

Em a moeda que tem ualor intrinseco comò o curo, e a prata se 
podem con9Ìderar quatro uariedades na baixa, a 1.^ demenuindo ec 
o pezo, e ficando o mesmo ualor, a 2.^ deminuindo se o pezo, e tambem 
ualor, a 3/ introduzindosse mais liga em a prata, ou no curo pello que 
se deminua tambem o ualor, e a 4.^ quando o marco ou cruzado ficando 
em seu mesmo nome se Ihe diminuem as partes de que se compoem, 
porque tendo certos pezos se fica com elles mesmos no numero, mas 
deminuindo cada pezo, se deminue o numero delles v. g. tendo uinte 
se deixa em dezoito comò o dizem os D. D. fatando destes cazos (22 1. 



1 [Um proloquio popular ainda hojo diz: o dinheiro é sangue]. 



O Archeologo Portugués 157 

£ em todos estes cazos abaixando se a moéda per qualqucr das 
cabe^as delles ha sempre damno do Reyno, e dosVassallos corno o dizem 
OS D. D. citados a margem e este he V. A. obrigado a euitar pellas 
rezoes que ellegan temente dà Nauarrette (23). 

Temos satisfeito ao que V. A. nos ordena reprezentando as rezSes 
que nos tocSo a nós, e a os mais vassalios deV. A. a quem beijamos 
a m5o pela merce de nos querer ouuir quando a sua regalia o desobri- 
;:^aua de nos escutar, e corno vassallos nos fica a gloria de obede9er 
quando tao soberana Alteza nos chega a mandar, corno o disse Tacito 
Ib. G. annal. Nobis cbsequij gloria relieta est. so falta o que disse Plinio 
Ib. 2. epist. 1 Bolum superest^ ut ne te consilij ne me poeniteat obsequij, 
e que scia este discurso de alguma importangia, para que nem V. A. 
se arrependa de nos hauer mandado, nem nos de Ihe hauer obedegido, 
reprezentando Ihe as rezSes do nosso pare^er em huma materia tao 
graue que nSo ual menos a sua rezolu(ao, que a conseruagSlo da sua 
Monarchia; e jà que o incerto juizo dos homens ha de ser arbitro de 
tao importante rezolu^ào, quererà Deos que achando o fio da Rezlo, 
se de saida a este laberinto para que i\ella cessem as tempestades com 
qae se acha combatido o Reyno, para que tomem a reuerdeger as raizes 
com que sempre se conseruou, e folgaremos de uer acertados os meyos 
mais conuenientes, para que se conserue bum Reyno, que so merece 
aV. A. por Principe, e Regente delle, e o que noà falta de acerto para 
reprczentarmos a V. A. o que conuem, poderi V. A. suprir para enca- 
minhar a sua deliberagao, que esperamos seia com louuores tao subii* 
mes, que Roma os mande escreuer, e collocar em o tempio da Saude 
sobre a estatua de CatSo, cumprindo se em V. A. (com mayor acerto, 
e com mais felix successo do que tiverlo alguns politicos em aplau- 
direm a seus Principes) as palauras semelhantes que refere Plutarch. 

Rem Lusitanam prò lahentem, e indeteHus uersam Princips religio- 
msimuB nomine Petrus, modestUsimia institutisy optimis moribus, ac 
praegeptis pristinum in statum reatituit. 

Os juizes do ofiìcio de ouriues do onro. =Andre Manhos.=An- 
tonio de leàot, 

Notas 

(1) «Plin. Ib. 33. cap. 1. et 3.— (2) Herodot. Ib. 1. hÌ8toriar.--(3) Budeus in 
notis ad. Ib. l.Tiraq do retrat. Linagier. g 1. gloB. 20. n.® 20.Torcat dcalog.48. 
Marq. in gabernatorc ehristiano Ib. 2. cap. 39. — (4) Cam mnltis, Castilh. Ib. 7. 
de tertiis. cap. 41. nJ* 102.yalenz. cons. 30. n.® 8. Ripolit de regaliis. cap. 15. n.® 9w 
Larrca dee 12. n.® 41. Kloch. de aerar. Ib. 2. cap. 84. ii.<* 3. — (5) Couas de ncteris 
iiumis cp. 7. !!.• 6 Pinel. in rubric. cod. de rescind. uendit. 1. p. cap. 3. n.<» 20. Lau- 
(lens de angmento, et deminutione monetac 4 princip. Gaspar. Thesaur. eodem 
tr. ]. p. n. 30. Barb. ad. ord. Ib. 4. tit. 21. Azor. instit. moral. 3. p. Ib. 10. cp. 4. 



158 O Archeologo Portugdés 

g. 5. Rabel. de obligat. iastit. 2. p. Ib. 11. q. 2. n. 11 et q. 15. n.** 1. Larrea dee. 12. 
n.^ 41. Borrel. de prestantia Regis catholici. ep. 20. n." 16. Belag. de stat. polii 
Ib. 9. discurs. 46; et bis non citatis Solorz. emblem. 81. n. 2. — (6) Ex i. aendit. §. si 
Constant, commun. predior Menxac. Illustr. cp. 5. n.^ 2. Pinci de Rescind. 1. p. 
cp. 2. n.'^ 13. Barb. abi. supra Larrea dee. 12. n. 42. et bis non Citatis. Solorz. d. 
emblem. 81. n.<* 31. — (7) Marian. d. rebus Hispanis Ib. 13. cap. 11. b: immataUe 
pecuniae dolor urebat, unde maior annonae cbaritas est consecata; id malm 
nono incommodo cum remediam quareretur comalatnm. Rerum uenalium praetia a 
Rege taxata sunt unde suprema annonae deficultas extetit, rerum dominis eo prae- 
tio uendere recusantibus, sic maiorem plerumq. perniciem afferunt, quae sapien- 
tissime in salutem excogitata fuisse yidebantur. — (8) Guagnin. histor. Franciae 
Ib. 8. pag. 143.— (9) Casseodor. Ib. 7. epìst. 32.— (10) Quid. Metham. Discitor 
ex nummis, quam se mala tempora mutant. Omnia que impeyos deteriora man t.-~ 
(11) Yvarimund. de subsid. cp. 5. n.° 37. — (12) Rodin. de Rep. Ib. cp. 3. Marqnez 
el gouemador Cristian. Ib. 2. cp. ultim. Bessold. de aerar, cp. 7. — (13) PompoQ. 
in 1. 2. ff. de origine iuris.— (14) Casseodor. Ib. 7. epist. 33. — (15) Solorz. emblem. 
81. n. 28. vna fides : pondus : mcnsura : moneta sit una. Et status iliaesus totins 
orbis erit. — (16) Pragens. apud. Hering. in tract. de molendin. q. 1. n.*» 14.— 
(17) Innocent. 3. in cp. quanto de jur. iurand. — (18) Nauarrete Conseniat.® de 
Monarchias discurs. 33. del excesso en los trajes. — (19) Marciai. Ib. 4. epist 89. 
et Ib. 9. epist. 71. — (20) Couas de mumis mismatis cap. 7. n. 5. — (21) Tapea in 
rubric. de constit. Princip. n.<* 49. Mendonca Ib. 1. disp. iur. cp. 5. n.° 50. Kamir. 
de lege Regia §. 23. et §. 30 n.<> 53. — (22) Ém o 1.» e 2.» cazo &la Conaz de ueter. 
Collat. num. cap. 7. g unic. n. 2. cum seqq. Do B.^ sens. de Censib. q. 85. n.^' 26. do 
4.® surd. cons. 335. n.» 8. et 16. Can^er. 2. p. uar. cp. 6. b. 143. in fin.— (23) Nauar- 
rete Conseruat.^ de Monarcbias discurs 2. del Cudado com que los Rejes deuen 
attender al bien de sus Tasallos»^ 

2. Pareoer de 2 de Agosto de 1766 sobre a substital^ao da inoedn hespanhoU 

no8 A^ores e Madeira 

cEspirito das Leys estabelecidas, para se abollir o abazo que nas 
Ilhas dos A9ores e Madeira se faz da Moeda de Espanha: occorrendo 
à necessidade, que hi de fazer cessar o mesmo abuzo; e dando pro- 
videncia ao modo de o desterrar. 

1. Para Sua Magestade fazer cessar nas Ilhas dos ÀQores^ e Ma- 
deira a Moeda Espanhola, que nellas corre com a denominaQlo de 
Pecetas, Reales, e outro similhante cascalho do mesmo cunho Espa- 
nhol, bastarla o motivo de ser centra a soberania, e centra o interesse 
do ErariO; do mesmo Senhor, que nos seus Dominios corresse pelo 
valor numerai do cunho huma Moeda Estrangeira, para tirar o So- 
berano, em cujo nome he cunhada, os direitos da bra^ajem e senho- 
reagem dos Vassallos de Sua Magestade pagando-os os mesmos Vas- 
sallos Portuguezes a El-Rey d'Espanha, quando semente os devem 



^ Documento extrabido do Arcbivo Nacional, Codice n.<» 1120, pag. 42. 



O Archeologo Portugués 159 

pagar a EL-REY Nosso Senhor em reconhecimento do sea Alto e Su- 
premo Dominio. 

2. A estas jacturas da Soberania e do Erario Regio accrescem 
porem outros prejuizos do Beino, e dos Vassallos delle, qne fazem 
ainda milito mais intoleravel aqaeUa inaudita dezordem ; corno contra- 
ria, a todos OS principios communs da Economia politica, e mercantil 
em qne se acha estabelecida a pratica de todas as Na(8es civilizadas 
da Europa, que neste ponto immitaram inalteravelmente o Imperio da 
China. 

3. Nào he a Moeda aquella, qne geralmente se contempla na uni- 
versalidade dos homens para o firn, a que se ordenou o invento, que 
a estabeleceo, mas sim, e tao semente se computam os metaes, de que 
a mesma Moeda he cunhada. 

4. Em quanto a nfto houve se fazia o commercio snmmamente difiicil, 
por que consistindo so nas permuta9oes dos generos de huns, com os 
dos outros Paizes, se malograva grande parte destas permuta{5es pela 
dificuldade, e custo dos transportes. 

5. Descobrindo-se porem o curo, e a prata; e dando-lhes os Homens 
a grande estimaySo, que ainda conserva a sua raridade; de sorte, que 
huma citava, huma on(a, e hum marco destes metàes, valia, e vale 
muitas arrobas de quaesquer outros generos; se assentou, em que 
nestes metaes se continham as medidas mais justas, e os meyos mais 
faceis para regular as compras, as vendas, e os transportes de todas 
as mais mereadorias. 

6. Por isso pois, os chinas, homens, habilissimos, e ao seu modo pò- 
iidissimos nlU> permitiram nunca, que hum tao util invento degenerasse 
da sua simplicidade primitiva; conservando aos referidos dois metaes 
no commercio o seu valor intrinseco, e regulado unicamente pela ma- 
terìalidade do pezo, sem admitirem alem delle o valor numerai do 
cunho ou Moeda. 

7. E por isso a està immita9ao no commercio Goral das NagSes 
se nào estimam o curo, e a prata pelo valor, qne Ihe dà na Moeda 
cada Soberano na quelle Paiz onde domina; mas sim, e tSo semente 
pela materialidade do pezo dos marcos, para regular por elles o prego 
dos generos, que vende: Em tal forma, que nenbum Estrangeiro, que 
vai commerciar ao Paiz alheyo, Ihe importa (exemplificando com a nossa 
Moeda) se o quartinho tem mil e duzentos réis, a meja Moeda dois mil 
e qaatrocentos réis, a Moeda quatro mil e oitocentos etc. por que tudo 
que examina, e faz ao seu cazo, he saber, quantas figuras de cada 
huma das referidas tres especies, è das outra^ correntes, sXo neces- 
sarias para fazer hum marco. r : .. . . . 



160 O Archeologo Portugdés 

8. Destas certas premissas se conclue por modo evidente. 

9. Primo: Que a Moeda Nacional de cada Reyno semente he Moeda 
para os seus respectivos vassallos. 

10. Secundo: Que a respeito de todos, os que sic Estrangeiros, 
so he medida para as permuta93es, e so he genero para negocear por 
meyo dellas 

11. Tertio: Que aos Estrangeiros n3Lo faz algum prejuizo parao seu 
commercio qualquer augmento, que a Moeda, tenha; porque a conse- 
quencia he, que serào necessarias mais fìguras de cada especie para 
fazer o marco, que elles so computam. 

12. Quarto: Que por isso todo o augmento no valor numerai da 
Moeda he em prejuizo dos vassallos do Reyno, onde se faz o tal aug- 
mento, porque assim s%o obrigados a comprar tanto mais caro, do 
que antes compravam, quanto mayor he o accrescentamento do valor 
numerai, que se dà ao cunho. 

13. Quinto: Que se o refendo augmento da Moéda he tal, que se 
afaste do seu valor intrinseco de sorte, que constitua um Lucro capaz 
de incitar a cobiga dos Mercadores Estrangeiros, excedendo o seu 
valor ao ganho do cambio ; ao mesmo passo, em que por huma parte 
extrahem a Moeda pelo seu pezo material, e intrinseco, pela outra 
parte introduzem pelo valor numerai do cunho do Paiz, para lucrarem 
a differenQa ideal, que Ihe dà a Ley do mesmo cunho. 

14. Sexto; e emfim, que achando-se neste claro conhecimento as 
Na$5es mais commerciantes da Europa; e que mais analizaram nella 
OS interesses dos negocios mercantiz nestes ultimos tempos, comò Ingla- 
terra, e Jolanda, se chegaram quazi inteiramente à pratica da China 
pelo parecer dos homens de Estado mais peritos, e mais experìmen- 
tados entre os muitos, que floreceram nesta Arte naquelles dois Paizes: 
Estabelecendo-se nelles huma collecta ou Gabella, da qual se paga 
cunho da Moeda, e se fabrica està gratuitamente sem senhoreagem, 
nem bra9agem a quem leva ao cunho o curo, ou prata: E conservan- 
do-se assIm estes dois metaes no seu valor intrinzeco para sustentarem 
com elle as justas medidas do commercio, e para desta sorte evitarem 
que se Ihes introduza Moeda Estrangeira lavrada aos seus cnnhos: sem 
ropararera no inconveniente inattendivel, que mal se considera em ou- 
tros Estados, qual he o perigo de extrahirem os Estrangeiros a Moeda 
por ser de melhor Ley: Porque comò os taes Estrangeiros a nXo furtam 
quando querem, mas so a levam, quando he sua pelo excesso dos ge- 
neros, que introduzem alem dos que recebem: E comò nesta balan;a 
dos generos he que està o fundamento para se extrahir ou nao extra- 
hir dinheiro, quando elle he centra o Paiz, onde o mesmo dinheiro 



Archeologo Portugués 161 

gira, nSlo basta, que este seja de menos valor, para n%o ser levado: 
E quando a mesma balanga dos generos Le a favor do mesmo Paiz, 
tambem importa pouco, que corram barras, ou que corra Moeda de 
hum valor ignal a ellas, se nào ha meyo para o extrabir. Em Ale* 
luanha ainda passa a mais està exactidSo, por que so se recebcm 
a pezo as Moedas de ouro, e de prata pelos Negociantes. 

15. £ na certeza de tudo o refendo se vem mais mauifestos os 
iiitoleraveis prejuizos, que as Ilhas reeebem de correrem nellas as 
Moedas Uespanholas, os quaes sào os seguintes. 

16. O primeiro consiste, em que sendo as ditas Moedas de valor 
numerai incerto, e eventual; por que muitas dellas n?to s3o verdadei- 
ramente de Hespanha, mas falsas, e fabricadas com grande diminuicào 
para serem introduzidas nas referidas Ilhas, vem a faltar ao com- 
mercio a justa medida, que o devia regular para se fazer sobre prin- 
cipioà certos: vem a ficar nesta falta, e neste perigo da diminuigao 
da Moeda o mesmo commei*cio vacilante, e os Povos por necessaria 
consequencia arruinados: Por que corno o Mercador Estrangeiro, e o 
Naeional, que recebe a tal moeda pelos generos, que vende; ignora a 
Lev della, para se segurar, nào tem outro remedio, que nao seja o de 
a considerar da qualidade infima para a recefoer. £ comò tudo, quanto 
se augraenta dcsde o valor intrìnseco da prata até o valor ideal da 
iniqua Moeda accresce no pre(o das Mercadorias centra os compra- 
clores, que sEo todos os habitantes das referidas Ilhas; nSo podem 
estes deixar de ser mizerabillissimos, comprando por taes prejos. 

17. O segundo prejuizo consiste, em que pela mesma razao nato 
podem tirar interesse os Habitantes das mesma Ilhas dos" generos, 
que vendein. Sào estes moradores das Ilhas universalmente destituidos 
de tudo, que he sciencia de Estado, e commercio. NSLo sabem por 
isso, que conza he na Moeda valor intrinseco, e valor numerai. Nesta 
ignorancia assim comò compram pelo primeiro a favor dos Negociantes 
Estrangeiros na mayor parte, e na menor Nacionaes; da mesma sorte 
vendem pelo segundo com prejuizo de vinte por cento se a Moeda ho 
verdadeira; e de vinte, e cince, e trìnta quando ella he falsa. 

18. O Terceiro prejuizo consiste, em que aquelles Moradores das 
lliias pelas mesmas razoos das differen9as de comprarem pelo valor 
intrinseco e de vendcrom pelo valor numerai da moeda, nao podem ter 
commercio, nem este humanamente se pode fazer das referidas Ilhas 
para o Reyno. Em razao, de que para terem commercio no Reyno he 
preciso terem dinheiro nelle; visto que até agora nao tiveram uzo dos 
seus generos para os permutarem com nosco. E comò este dinheiro he 
que absolutamente nSlu tem, por que sé trm o tal cascallio Espanhol : 

H 



1G2 O Akcueologo Portuqués 

corno bS.0 podem reduzir a Letras de Cambio, nem seguras pelo valor 
ideal, em que corre ; assim por que aquelles, que deviam sacar as ditas 
letras, sabem que o tal cascalho uSo vale o que cuidain aquelles, que 
tem; corno por que ainda quando estes o quìzessem dar com perda 
de vinte, e de trinta por cento no seu valor intrinseco, da hi se seguiria 
perderem aquelles os interesses, que tiram de conservarem os Povos 
no engano e uà impossibilidade para commerciarem fora da sua Terra: 
De tudo se segue, que absolutamente nSo podem fazer commercio coro 
o Keyno os referidos Habitantes das Ilhas. 

19. Quarto prejuizo consiste, em que pelas mesmas razoes da 
necessaria pobreza dos ditos Moradores das Ilhas; da falta do eoin- 
mercio, que nào podem fazer; e da impossibilidade, a que se acham 
reduzidos para sacarem Letras; se acham as rendas Reaes, nào so 
reduzidàs a quantias insignificantes, mas quazi aniquiladas por falta de 
Arrematantes, que se atrevam a langar & vista da mizeria das Terrai, 
e no conhecimento da impossibilidade, em que se acham, para apnra- 
rem, e reduzirem a dinheiro os pregos dos seus contractos. Succedendo 
assim ao Erario Kegio das refcridas Ilhas; o que sempre succede as 
Rendas Reaes nos Povos mizeraveis, que n&ó tendo com que se cobrir, 
necessariamente nSo tem com que pagar. 

20. Ultimamente: o que faz este cazo de muito estranho passar 
a horroroso, he a reflexào triste, e verdadeim de que o valor ideai 
da !>[oeda, que tem arruinado aquelles uteis Povos nào fosse estabe- 
leeida pelos scnhores Reys destes Reynos para entrar nos cofres do 
Thesouro Real o accrescimo, que vai do valor intrìnseco ao valor nu- 
merai daquella Exotica Moeda; mas que com tSo intoleraveis jactura^ 
do mesmo Erario Real e dos mesmos Povos esteja o Conselho da Fa- 
zonda, tolcrando tSlo enormes, e barbaras extorsoens sem outro fini, 
que de se engrossarem os Estrangeiros, tirando-se a pelle aos Xacio- 
naes. 

21. E havendo Deus Nosso Senhor rezervado para a Paternal Pro- 
videncia de Sua Magestade u remedio de tSo intoleraveis extorsoes, 
l)ar«^ce, que ella» poderSo cessar, sondo o mesmo Senhor servido pelo 
modo seguiute. 

22. A mayor difficuldade, que se oppoem ao dito remedio neces- 
sario, he a das grandes sommas, que ou consideram, ou querem con- 
siderar, que circulam nas Ilhas da quella- Moeda reprovada, para sobre 
iste se figurar muito diflScultozo achar-se huma Ho grande somnia oc- 
cioza em Moeda corrente neste Reyno para lego se proverem as Ilha:<, 
e nSo parar nellas o commercio. 

23. Sendo oste porem tao abreviado, comò se faz crivcl das cir- 



O Archeologo Pobtdgués 163 

luznstaacias acima referidas; parece, qiie o vulto desta difHculdade nao 
pode ser tSo grande corno a appreiiensao, que o quei* augmeutar. 

24. £ nesta considera9SU) se entende, que tudo se poderà remediar, 
sendo Sua Magestade servido ordenar. 

25. Que debaixo de lodo o segredo, e cautella se preparem, e fa- 
briquem logo na Gaza da Moeda (sem declarar o destino, que devem 
ter) trezentos mil eruzados; a saber: Quarenta contos de reis em oiiro 
de 480 reis; 800 reis; 1200 reis; e 1()00 reis eom proporcSes iguaes: 
outros quarenta contos em mocdas de prata de 50; (30; 100; 120; 240; 
e 480 reis, tambem com proporgSo ignal: dos contos em cobre de Moeda 
de dois reis e meyo, 5; e 10 reis com a.mesma proporcSio: E trinta 
contos em Moedas de 4800 reis, e 6f5400 reis. 

26. Que dito dinheiro se remeta logo por lium, ou dois Navios 
a Ilha da Madeira, e às dos Agores, dirigido às juntas, que se devem 
formar nellas. 

27. Que na liha da Madeira se componha a refenda lunta do Go- 
vernador, e capitSo General, do Preveder da Fazenda Real, do Juiz 
de Fora, e alguns vereadores, com ordem de mandarem por Editaes, 
ordenando por elles, que teda, e qualquer pessoa de qualqucr Estado, 
ou condigào, que, seja, que tiver em seu poder Moeda, que nSo seja 
fabricada ao cunho de Sua Magestade nos termos, que Ihes forem assi- 
nados, contados do da publicagào, tragam à refenda Junta as Moedas, 
que tiverem, para rcceberem o seu justo valor em moeda corrente neste 
Reyno, sob pena, de que do referido termo em diante teda a Moeda 
Estrangeira, que se achar eorrendo, sera eonfiscada a metade a favor 
do Officiai de Justica, que a aprehender, ou da Pessoa que a denun- 
ciar, a outra ametade a benefìcio das obras dos Quarteis dos soldados. 

28. Que pelo que perteuce as Ilhas dos Ayorcs se formarà a Junta 
prìncipal na Cidade de Angra, com bum Governador, e capitilo Gene- 
ral creado de Novo; com o Corrogedor, e Juiz de Fora, e alguns ve- 
readores: E que passando o mesmo corregedor logo depois &s outras 
llhas estabele9a nellas as respcctivas Juntas para a execuyULo do acima 
referido. 

29. Que Sua Magestade ao mesmo tempo mande declarar nos Edi- 
taes, que se affixarem, que por facilitar o commercio entre as ditas 
llhas, e as Ganàrias, permite, que a Moeda de prata, e euro destas 
segundaa llhas se possa receber nas primeiras; com tanto, que so se 
receba pelos valores, que se devem estabelecer a cada huma dellas, 
com tal propor9ào, que fìque parificada a Moeda Castelhana com o valor, 
que em Castella se dà a Moeda Portugueza: Exceptuando-se os Rea- 
letes, quo so devem ser recebidos a pezo pela diminui^So que nelles ha. 



1G4 O AUCHEOLOGO PORTUGUÉS 



30. Que a dita Moeda Castelhana depois de recebida pela primeira 
entrada, passe logo immediatamente para os Thezoiireiros, e Recebe- 
dores da Fazenda Real, para a remeterem pelo mesmo valor ao Erario 
Regio, depois de a haverem pago aos que Iha levarem : sem que de outra 
sorte possa correr a tal Moeda Estraugeira no interior das ditas lllias, 
debaixo da pena de uuUidade dos pagamentos, e das mais necessaria:^. 

31. Que consistindo o commercio, que se faz em todos os Paizes 
nas despezas grossas, que na mayor parte se fazem sobre credito; euas 
despezas miudas, que se nSo podem fazer, se nào com o dinheiix) na 
mio : TerA a refenda Junta bum exacto cuidado em permutar o dinheiro. 
que Ihe for remetido, de tal sorte, que no cazo de nXo cliegar a todos, 
seja distribuido pelas pessoas, que trocarem até a qnantia de cem mil 
reis em toda a somma, que aprezentarem ; e os que tiverem da dita 
quantia de cem mil reis para cima, se llies de a metade, ou huma tcr^a, 
ou quarta parte em dinheiro, e o resto em credito, na maneira abaixo 
declarada. 

32. Que dos excessos, que liouver do dinheiro, que realmente se en- 
tregar em Moeda do Reyno, ao que se receber em Moeda Estrangeira 
se passarlo Apolices sobre o Erario Regio desta Corte com dois mezes 
de tempo, para o seu pagamento a vista das referidas Apolices ori- 
ginaes, com conhecimento passado nas costas dellas pelas Pessoas, que 
constituirem os donos do dinheiro: os quaes parecendo-lhes receberem 
antes nas mesmas Ilhas, serào nellas embolsados pela refenda Junta 
nò termo de tres mezes. 

33. Que por quanto consta qui; muita da Moeda Estrangeira, qu*' 
corre nas referidas Ilhas, he falsa, e introduzida com valor intrinseio 
multo menor daquelle, que a sua figura significa; sera toda a mesma 
Moeda recebida, e paga a seus donos pelo pezo dos Marcos que ti- 
verem e uao de outra sorte. Pois que so deve fazer por conta dos seus 
verdadeiros senhores a diminuigào que houver na sua verdadeira cal- 
cula^So feita em conimum beneficio, imputando se assi a culpa de nào 
terem averiguado a sua j usta estimayao ao tempo, em que a receberam. 

34. Que toda a IVIoeda de cobre Estrangeira sera da mesuia stale 
recebida, e paga pelo valor do pezo, que tiver com a Moeda de cubre 
Nacional, quo vay para osto ofllìito ató ondo chogar; Ficando a dita 
Moeda de cobre Estrangeira, absolutamente extinta para della se nSo 
fazer mais algum uzo, nem ainda pelo valor intrinseco do pezo; soh 
pena de que as pessoas, em cuja mao fòr acliada serao castigadas, 
corno passadores de Moeda falsa. 

35. Que nas quantias, quo pelas partos forem aprezentadas ; so iiào 
possaui fazor ombargos, ou prnlii»ras: Antes sejani guardadas no mais 



O AUOHKOLOGO POUTIKUJÈS HìÒ 

inviolavel segredo da Jastica, debaixo de pcnas graves contra os Mi- 
iiistros, e officiaes das respectivas Juntas: E que emfim, Lavendo-se 
necessariamente diilatado por cauza da superveniente guerra, este iitil 
e necessario esbelecimento so deve aprovoitar a mayor opportunidade, 
quo hoje ha para se promovcr a Lavoiira e coinercio das Ilhas. Orde- 
nando Sua Magestade^ que dellas se transportem os trigos, o cevadas 
para as munÌ95es de boca das suas tropas; e os panos de linbo; e mais 
generos para os fardamentos até onde chegarem. 

Bellem a 2 de Agosto de 1706 //Conde de Oeyras^ 
N. B. Havendo Sua Magestade por bem conformar-se com o Pa- 
recer assima copiado: Minutei, e fiz por em Hmpo as Leys, Regimentos 
e instrucySes para a creaQllo (sic) do Governador e capit?ìo General, para 
a arrecada9So da Fazenda Real; e administracao das Alfandegas: que 
na data do sobredito Dia dous de Agosto ; foram expedidas ; e logo regis- 
tadas no livro intitulado = Ilhas dos A9ores=Livro 1^^1766. -=8. J. 
0. (rubrica do Marqués de Pombal)»*. 

3. Couliagem da Ca»a da Moeda da Bahia de 1720 a 1775 

«Foi estabelecida està casa da Moeda da Baia em 21 de Marco 
(le 1714. 

Em 9 de Janeiro de 1715 por Provizam de EI Rey D. JoSo; e dis 
ao Provedor que o (iovernador e os officiaes da Camara Ihe escreverao 
para mandar fabricar, para o maneio do negocio hiì Milhao em moe<la 
de curo Provincial, e outro tanto para Pernambuco e Ryo de laneiro, 
que pella falta desta moeda procedia grandes demenuijSes nas rendas 
reaes e prejuizo ao negocio dos moradores deste Estado; e que por 
hora se nlo deve tratar moeda Provincial, atendendo a ter mandado 
fabricar moeda nacional quo se entende poderà seguir grandes conve- 
niencias a este Estado. 

Provizam de EI Rey D. JoSo de 12 de Abril de 1729 

se fabricou moeda de cobre de 20?? e 10;$ 11:307^5807 

Provizam de EI Rey D. Jozé de 30 de MarQO de 1750 

se fabricou 40 contos de moeda de ouro 40:000^5000 

vinte contos de moedas de prata 20:OOOi500() 

e dous de moedas de cobr^ ' . . . . 2:000/^000 

73:307f5i.S07 

' [Cfr. Teixeira de Arapjao, Descrijy^ào Geraf e Hìstorìca ctc. voi. ii, paj». 104 
e Joao Fedro Ribciro, Iìì(L eh: e crit. port. voi. ir, pag. 75J. 

^ Do Archivo Nacional. Docnincntos enviados pelo Ministcrio do Ideino a 
Torre doTombo em 2G de novcmlno de 1881, n." 14 (na Livraria). 



106 O Archkologo Poktugués 



Transpoi-te 73:307rS807 

Provizam do dito Senhor de 13 de Maryo de 1752 se 
fabricou para Minas e Portos do Brazil a moeda 

de G00.>; 300$; 150,$; e 75^ ". . 93:400^950 

Provizam do dito Seiihor de 20 de O.^""^ 1753 por re- 
prezenta^ao do Governador o Conde de Atouguia 
qiie se lavrasse mais 80 eontos em moedas de euro 
de mais dos 40 eontos que tinha mandado lavrar 

atendendo a falta de dinheiro Provincial 8O:0O()?50(M> 

Provizam do dito Senbor de 13 de Margo 1761 veio 
111 Barris de cobre em xapa para cnnhar a saber: 

em moedas de 40,5 2:800f50(» 

de20;? 2:800^0 

àem 2:80<>-y)0<» 

,1^, 5^^ 1:60(WK)(> 

Provizam do dito Senhor asinado por Manuel da Cunha 
de 6 de dezembro 1774 para se eunhar moeda Pro- 
vincial de H reis athé 4f^ reis e cunhou-se 100:940?^<MM) 

Em 29 de Margo de 1775 sustou-ae o dito fabrico por 

outra Provisam de Manuel da Cunha asinado 

Somma 357:657«$75T » 



Archeologia de Tràs-os-Montes 

1. InstrninentoB de bronzo do concellio dcTilU Beai 

SSo poucos OS objectos de bronzo que tenho podido obtor para 
offereeer ao Director do Muscu Ethnologico Portuguès. 

Vou dar d'elles succinta noticia nO Archeologo, onde jà eneontro o 
inventario de todos os objectos archeologicos que me tem vindo à mSo. 

1. Machados chatos. Em Bujoes appareceram ha tempo sete ma- 
chados chatos de bronzo, de que adquiri dois, que vào representados 
nas estampas i e ii, em tamanho naturai. A exactidao com que as 
agnarellas estào feìtas dispensa qualquer descrip9ào. 

2. Machado de argoìa laUrcd, machado que vae representado 
era tamanho naturai na estampa in, foi encontrado nos limites dt? 
Justes on Linhares pelo fallecido Manoel Joaquim Alves Fontes, Como 
se VP da aguarella, tem urna imìca argola lateral. 



* Do Archivo Nacional. Maco de papcis relativos ao Ultramar que perten- 
eeram A Casa do Espirito Santo de Lisboa, ti.® 16 (na Casa dos Tratadoe). 



A3 estampas lithographicas, 
que acompanham este fasciculo, pertencem ao voi. IX, 

pags. 166-167 



4 



Archeologo Poitapte— ?ol. 1X-'Ì904 




Machado de Bi;^òes 



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1. 




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iiAi*|t Pnng*— ToL IX— ttW 



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AnhMligo Pngnis— Tol. 0-1904 




in 



MMéhàdo de Juata* oo LlnbarM 



F 



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AichMlogo Poriagués— \rol. 11—1904 



lY 




Maehado talves de Aiyò 







— -| 




AKkMiifi ftmgài—w. n— i«K 



II 




Ptlieira 4«Tw|med% 



Archeologo Portugcés 



167 



3. Machados alvados, O maohado representado em tamanho naturai 
na estampa iv, foi por mini t»ueoutra:lo no estabeleeiinento de um 
no«^oc'iante de cobro veiho o ostanho; n2lo soi ao eerto a provenioneia 




Fig. 5.* 

d elle, mas é provavel qiie seja do concelho do Alijó. Na parte mediana 
anterior e posterior apresenta omatos; é o primeiro qua conhejo d^este 
genero em Portugal. — Na fig. 5.*, represento, tambem em tamanho na- 
turai, o fragmento de entro machado alvado, proveniente de Arroios; 
lem ao lado vestigios de urna argola. qne se siippoe qne falta da 
argola e da extremidade vae figurado com pontos. 



Aleni dos objeetos moncionados, tambem oflforeci ao Mnseii os se- 
jrnintes, provenientes de outras epoeas: uma chave de bronzo, encon- 
trada em BujSes; um objecto, igualmente de bronze, de fórma curvi- 
linea, A inaneira de arrecada, appareeido em uma vinha em Matlieus 
(Villa Real), onde tem appareeido denarii romanos (seis), sepulturas 
de tijolo, etc. ; uma agulha ou alfinete da mesma substancia, proveniente 
da niesma vinha. 

Todos estes objeetos e os machados, menos o fragmento do machado 
alvado, foram jà descritos e gravados na Portugalia, t. i, p. 825-827. 
Como a epoca do bronze é ainda pouco conhecida em Portugal, en- 
tendi dever reproduzir aqui, em aguarella, as figuras dos machado» 
inteiros * ; as aguarellas dJo melhor ideia d'estes, do que sìmples gra- 
vuras. 

2. Antas dò concelho de Yilla Ponca de Agnlar 

Às indicadas jà n-0 Ardi. Port.j v, 281 juntarei a menjao de ou- 
tras na freguesia de PellSes, no monte do Outeiro, perto dos baldios 



Foram feitas pelo Sr. Guilhcrme Game irò. 



168 



Archeologo Pobtugués 



de Lamas; na freguesia das Tres-Minas, perto de Revel e da Filha- 
gosa; na freguesia da Vereia de Jalles, nos termos de Campo e Rsài 
do Monte; na freguesia de Alfarella, na veiga d*esta povoacao, ao pe- 
do povo, e no termo de Cidadeiha de Jales, 

De um dolmen devassado por uns lavradores de Cidadeiha, que 
sonharam com um the^ouro encantado e de que retiraram boa por^ao 
de terra amarellada, que me vieram mostrar com o fim de Ihes dizer 
se era ouro em pò, pude obter os dois instrumentos de pedra que passo 
a descrever rapidamente. 

1.® Uma enxó de fórma de pyramide com base quadrangular, tnm- 
eada; tom de eompriraento Ó'^^OTH, de largura na base 0^,035 o no vor- 





Fìg. 1.* 



Plg. 2.* 



tice (r,025; é de gumc multo fino, de fórma eonvexa e formado pelo 
desengrossamento principalmente da face anterior, concorrendo para 
esse tambem a face posterior ainda que pouco. A face anterior é per- 
feitamente polida e multo bem conservada, nXo acontecendo o mesmo 
à face posterior e aos bordos em que se encontram falhas devidas ao 
cheque das enxadas dos exploradores. Ao contrario do que tenho ob- 
servado noutras enxós, està tem outro gume na extremidade superior, 
formado de maneira semelhante ao da base, mas quasi plano e bastante 
rombo pela fractura visivel da aresta das duas faces da pyramide, quo 
constituiam a parte cortante. 



O Archeologo Portugués 169 

2.® Um iiistrum8nto, difFerente pela fórma e volume, de todos os 
qne ine tem apparecido. E bastante grosseiro, e póde considerar-se 
formado de urna pyramide quadrangular de base quasi quadrada, trun- 
cada, tendo o vertice agugado & cnsta das quatro faoes, mas princ*ipal- 
mente da anterior e posteTior. A ))ase, quc parcee ter sido formada 
Umbem pelo mesmo desengroasamento das {;ices anteriores e poste- 
riores, està sensivelmente fracturada. Tem as faces anterior e postcrior 
alisadas assim corno os bordos^ mas com falhas a face poste rior. Tem 
de comprimente 0",14, de largura na base O^'jOòS, no vertice 0'",03, 
de espessiira O",035 (fig. 1.*). 

H.** Outro instrumento de configuragao differente dos outros conlie- 
fidos em Tràs os-Montes. Grosseiro corno o do n.** 2.®, é notavel por 
ter urna das faces levemente concava e mal alisada, em quanto a face 
opposta é maito convexa e bem polida, menos nos pontos em que foi 
oifendida pelas enxadas dos exploradores. Tem os bordos confundidos 
com a face dorsal, de modo que nos dà um solido constituido por duas 
faces apenas, urna plana e outra curva, à eusta das quaes por desen- 
^ossamento tem duas surpeficies cortantes, uma na base e outra no 
vertice, concorrendo para ellas desigualmente as duas faces, muito 
pouco a concava e quasi tudo a convexa. O comprimente da face con- 
cava é de 0™,16, o da convexa 0"\17, a largura na base 0"\06 e no 
vertice 0°*,03. A maior espessura no lombo do instrumento é de 0^,035. 
A face plana soffreu no gumc uma fractura bastante extensa (fig. 2.'*). 

S. Uma pnlselra de caro da fregaesla de Torgneda 

No ponto mais elevado de um outeiro que domina a povoagao de 
ifojaos, freguesia de Torgueda, duas raparigas que apaseentavam umas 
ovelhas encontraram entrc dois penedos nm objecto de curo, a que 
dcram o nome de puUeira, e que trouxeram para casa com uma alegria 
espanto dos vizinhos facil de comprehender. 

Ao outro dia veio um vizinho, que jà tinha ido ao Rio de Janeiro, 
offerecer a pulseira a todos os ourives, pondo comò condÌ9ào para a sua 
venda o pre90 de 600 réis por cada gramma das 35 e tanto quc olla 
pesava. 

H3o fez fortuna com ella e veio ter commigo. 

Dei-lhe os 600 réis por cada gramma e conservei-a para a mostrar 
ao Sr. Leite de Vasconcellos e ceder-lh*a para o Museu Ethnologico, 
se Ihe servisse, comò de facto serviu. 

E de curo massigo, redonda, de quatro faces paralellas e perpon- 
diculares duas a duas (as oppostas); nao apresenta sinaes do orna- 
mentasse em nenhuma das faces, e offerece — circunstancia digna do 



J7() O Archeologo Portugués 

notar-se, porque as iiSo tenbo encontrado em uenhuma oatra — trespe- 
qiienas cavidades na face interna, duas numa das semicireuuferencias 
o a terceira na outra somicircunferoncia num ponto correspondente 
poiico mais ou menos a urna linha que, partindo do meio do espago 
comprehendido entre as diias cavidades, viesse encontrar a face interna. 

Nas duas cavidades cstavam inseridas duas fitas de ouro mais 
largas na base do que no vertice, as quaes, contornando umas poueas 
de vezes a puheira, vinham ambas encaixar-se segfuindo direc^oes op- 
postas na terceira cavidade. 

De urna d'estas pequenas pegas obtive tambem para o Museu Etno- 
logico dois pequenos fragmentos; nÌo pude obter os outros, porque os 
tinham perdido os donos e admiradores do objecto. 

O diametro interno da manilha é de 0™,064 e o externo de 0",()(17. 
A differenca entro os dois representa a espessura. 

A largura é pouco superior k espessura. Vid. a estampa v. 

Villa Real, 23 de Mar§o de 1904. 

Henrique Botelho. 



Contos para contar 



IV 



Quor pela leitura dos varios artigos que tem saido n-O Archeoloijo 
sobre «Contos para contar», quer por in8tiga9ao particular do Sr. Sia- 
noci Joaquim de Campos, que a este proposito me tera escrito algumas 
vezes, comecei a prestar àquelles documentos do nesso passado mais 
attencao do que antes prestava; e vou aqui descrever os que possuo, 
fazendo roferencias aos ji publicados nesta revista. 

Seonlo XV 

I>* «Toiio TI 

N.o l.—<>C0ZTV«^C0[MTV4>C0XTVfC0Il]TV— Escudo de ar- 
mas de Portugal, com 14 castellos, sobre a cruz de Avis, ladeado 
por dois pontos. 

fy. >ì< COMTVS : COOTVS : C0^4TVS : CO^/ITVS : — Um pelicano 
dentro do ninho alimentando tres filhos. Exemplar de cobre, 
sofFrivelmente eonservado. — Peso 8*,50. Diametro de 0",026. 

Variedade do n.® 14 de Meili *. 



* Vide Contos para contxir, por Julio Meili, n-OArck. Pori., v, 54 a 64. 



O Archeologo Portuquks 171 

Seoulos XV e XVI 

N.® 2. — Exemplar variante do n.® 20 de Meili. — No esondo de armas 
OS nastellos superiores sao ornamentados por estrellas. Latao 
milito bem conservado. — Peso 7 grammas. Diametro de 0'",028. 

N.*^ r>. — Exemplar ignal ao n.® 22 do Meili. — LatSo milito bem con- 
servado.— Peso 9«f,30. Diametro 0'",028. 

N.® 4. — Exemplar variante do n.° 22 de Meili, — escudo de armas 
do reino està entre pontos e nEo ehtre arrnelas. Latao muito 
bem conservado. — Peso 8*^,50. Diametro de 0™,028. 

N.** r>. — Exemplar igual ao n.*^ 25 de Meili. — Latào mnito bem con- 
servado.— Peso 8^',80. Diametro 0"',0.W. 

Seonlo XVI 
I>. «Tono UT 

N.^ 6. — ^ EOIIT <^ EOIIT 4> EOIIT ^^> EOIIT— Esondo de fantasia, 
com corca pequena, coUocado sobre a cruz de Avis. Tom no 
centro 5 estrellas, na orla 15 castellos e é acostado de um S 
em cada lado. 

5r. 4- C0NTV4> CONTV<^> C0NTV4> CONTV— Esphera armiUar, 
com globo no centro, collocada sobre a cruz de Avis. LatSo de 
con8erva9ao soffrivel. — Peso 7*^,30. Diametro de 0"*,028. 

Este exemplar é do typo do n.® 50 de Meili, divergindo d'elle apenas 
na legenda do an verso. 

N.« l. — 4> CVMT4^ OVVITI CVMT^> CV>ITno primeiro circulo e no 
segundo CVZTVSPERACONT— Quinas cantonadas de S seni 
ter arruelas. 

8^.4^COP?TOS^COOTOS4CONTOS— Espilerà armillar com o 
globo no centro dentro de um circulo de perolas. Lat^o de con- 
servacSo mediocre.— Peso 7'^',G0. Diametro de 0'",030. 

Variedade do n.® 52 de Meili. 

N.« 8. — Exemplar do typo n.^ 40 de Meili. — Differe d'elle apenas por 
ter na legenda do anverso LEPSSL, em vez de lEPSSI, e ILSS 
por ILSI. Latao multo bem conservado. — Peso 9^,30. Diametro 
de 0'",028. 



172 O Archeologo Portugués 

N.o (j^ _ (jj.„2 de Avis cortando a legenda COZ <-> CVZTV<Ì' S : PERA 
CO/TA <^ R : COX ^ na orla exterior, e na interior CO/TVS : 
PERACOZTA — Cinco escudetes com as quinas, emcniz, cantc- 
nados por quatro estrellas. 
Ijr. • COZT 1 VS : PER <?> AOON V TAR : C • — Esphera com o 
globo no centro, collocada sobre a cruz de Avis. Latl!o rauito bem 
conservado.— Peso 9«,70. Diametro de 0'",030. 

N.« 10.— <>C0>lTV<t>C0/TV4C0;^TV4>C0OTV— Escudo de fan- 
tasia entre dois S ornamentados com arruelas, collocado sobro 
a cruz de Avis. Contém nove escudetes com quinas. O escudete 
centrai està entre quatro pontos. A corca, ornada com tres ar- 
ruelas e dois pontos, tem na base tres pontos, collocados horizon- 
talmente. 

Ur . i> COXTV ^ COZTV 1> COXT V 4> C04TV— Esphera armillar 
com globo no centro. LatSU) muito bem conserv-ado. — Pew> 
8^,80. Diametro de (r,028. 

Este exemplar, inedito, é muito interessante 

N.« 11. -Cruz de Avis cortando a legenda 4>C0>!TV<^C0ZTV<? 
CO'HTV^COOTVna orla exterior, e na interior CO'/TVS • 
PERA • CONTAR — Cinco escudetes com quinas, em cruz, c-an- 
tonados por quatro castellos e quatro pontos. 
!V. e- COXTV ^ VOWTY ^ CO;^TV 4> COMTV— Esphera, oom 
globo no centro, collocada sobre a cruz de Avis dentro de um 
circulo de perolas. LatSlo^ muito bem conservado. — Peso 8',80. 
Diametro de 0"^,030. 
O exemplar é variante do n.® 60 de Ferreira Braga se admittirTuos 
que OS dois pontos que faltam neste, a osquerda do escudete 
centrai, deixaram de sor impressos no acto da cunhagem*. 

N.** 12. — Exemplar igual ao n.® 50 de Meili.-^Peso 9 grammas. Dia- 
metro de 0'",028. Latào bem conservado. 

N.« 13.— «'CONT-^EOIIT^EOIIT^'EOIIT— Escudo, coroado, 
com cinco estrellas, bem distinctas, e urna ao fundo, menos vi- 
sivel. Por cima da estrella centrai ha ontra, pequena, mal gravada. 
IJr. ♦ COl^TV A^ COZTV ^ COZTV ^ CO;^TV — Esphera, com 
globo no centro. Latào muito bem conservado. — Peso 8^,r>CÌ. 
Diametro de 0'",030. Exemplar variante do n.® 50 de Meili. 



* Vide Contoftpara cnntary por Manool Joaqiiim do. Campos^ n-OÀrch. Pori., 
vrii, 289 a 304. 



ìii&Mgo Putugoés 



V::JX- 1904 



CONTOS PARA CONTAR 



x.»i 



N.»G 





N."7 



N.«9 




N.« 10 




O AUCHEOLOGO POKTUQUÉS 17H 

^.o 14. — <*^CVZT4^CVZT4^CVZT4>CVXT na orla exterior, e na 
interior CVMTVS : PERACVZT— Cinco escudetes com arrue- 
las, cantonados pela letra S e por quatro aneis. 
1^. <*^CO/TOS 4^ COZTOS i> CO/iTOS^COZTOS— Esphera ar- 
millar com o globo no centro. Variedade do n.® 52 de Meili nas 
legendas. Latao muito bem conservado. — Poso 13 grammas. 
Diametro de 0"',()30. 

Villa Real de Tnis-os-Montes, 31 do Margo de 1904. 

Hknkique Boteliio. 



Exploragdes aroheologioas no Algarve 
em Marf o de 1904 

Tendo sido encarregado pelo Director do Museu Etimologico de 
proceder a algumas exploragSes archcologicas no Algarve, vou dar no- 
tieia d'ellas neste artigo. men trabalho porém consiste quasi sòraente 
na transcrip$So das notas tomadas durante as excavagSes que fiz, e na 
indica^ao dos processos de traballio applicados. 

Primeiro procedi a explorafao de dois mouumentos prehistoricos 
situados na herdade da Torre, propriedade do Sr. Luis Furtado, a cinco 
kìlometros de PortìmSo, confinante ao NE. com a estrada que liga està 
villa com a cidade de Lagos. Depois procedi a outras exploragoes nos 
«irn'dorcs de Portimao, e na Alcaria, ao pc de Alje/.ur. 

1. Nccropole prchlstorlea da Torre 

Està nccropole constava, pelo menos, de dois mouumentos, quo 
furam descobertos pelos traballiadores na herdade da Torre quando 
andavam a abrir covas para figueiras, junto a um cmonte» (casa de 
campo) em construc^ao, futura liabitagào do proprietario, e situado 
numa eleva9ao do terreno quo se segue immediatamente a extcnsa 
varzca que de um e de outro lado confina com a estrada. 

Elles sao analo^j^os aos do Alcalar, explorados por Ivstacio da Veiga. 
A estacHo archeologica de Alcalar fica perto da da Torre. 

i." Monumento. No dia da minha chegada ao locai, jà um d'estcs 
monumentos, o que denominarci monumento n.° 1 (fig. 1.'*^), se encon- 
trava inteiramente profanado, tendo ainda o director do Museu, que me 
l»ncedcra na visW.i, cc»nsegnido enoontrar entro o mont^u do ])edra8 



174 



O Archeologo Portugués 



que faziam parte da abobada do monumento um fragmento de placa 
de lousa, urna i^^ó, quebrada pelos traballiadores, e um seixo rolado. 
tambem quebrado, que talvez fosse instrumento de moer, a julgar dos 

vestigios evidentes que 
apresenta de ter sido tra- 
balhado, da apropria^ao 
da sua fórma, e da eonti- 
guidade do achado. 

Este monumento cons- 
tava de duas partes : urna, 
que cbamarei crypia, e ou- 
tra, estreita, que cbamarei 
galerìa. 

a) Comegando por lim- 
par interior da crvpta 
(c-c'), sobretudo o pavi- 
mento que se encontrava 
ainda um pouco atulhado, 
posto que ji remexido, 
encontrei successivamente 
ossos humanos misturados 
com outros de animaes e 
conchas ; mas nXo pude oì)- 
servar se a collocayào e 
dispoiiigao dos ossos e do espolio archeologico apparecido anteriormente 
tinham obedecido a regras previas, — e isto pelos motivos que acab<» 
de indicar. 

Posta a descoberto a crypta, verifiquei que tinba sido escavada 
no terreno cuja denominaQào corrente e popular no Algar\^e é «pedra 
concha», e mais vulgarmente «calÌ90»: era de fórma arredondada^ ir- 
regular, dividida longitudinalmente em dois segmentos (e e e') por meio 
de um septo arredondado de 0"*,15 de altura, com o comprimeuto de 
4 metros e 3'",80 de largura media. 

As paredes, logo ao nivel do pavimento, come9avam a tomar fórma 
abobadada, que terminava a 1™,30 no terreno, após o qual se seguia, 
com 0™,50 de espessura mèdia, o terreno aravel; a abobada aberta 
neste terreno tinha sido feita com pedras irregulares de calcareo semi- 
brando. Como é obvio, nào foi possivel colher pormenores acérca da 
sua construcgao. A altura interna da crypta póde calcular-se entre l"*,4r) 
a 1™,50, pois, segundo informaySes dos trabalhcadores, estes deram com 
ella a dois golpes de onxada. 




-^_^, — ,» — ^ 



Fi;?. 1.» 



O Archeologo Portugués 



175 



Nas paredes da crypta havia algumas pequeuas concavidades irre- 
^lares, ein fórma de arniarios, o que faz lembrar as qiie se observam 
nos monumentos de Alcalar, posto que as d'estes sejam maiores e regii- 
lares. Nessas concavidades encontraram-se varios ossos que supponho 
sereni de animaes, e que estao dépositados no Museu para estudo. 

Afim de evitar que nada se perdesse do espolio archeologico que por 
ventura estivesse enterrado na crypta, mandei crivar a terra, e encon- 
trei o seguinte, que o Sr. Luis Furtado generosamente me permittiu 
trazer para o Museu : 




4 setas de pederneira (tìg. 2.*, n."* 1, 2, ti e (J); 
1 faca partida de pederneira (fig. 2/, n.® 4); 

1 farador de osso (fig. 2.*, n." ó); 

2 contas de schisto (fig. 2.*, n."' 7 e 8); 

1 vasinho grosseiro (fig. 3.^) de barro com sinaos de tinta vermelha 
(que talvcz servisse para tatuageni, ou acaso de cadinlio, postoque nRo 
apparocessem metaes nosta est^i^ilo), encontrado na cavidade e. 



170 



O Archeologo Poetugués 



Todos estes objectos v2o aqui deseiihados em escala naturai. 

b) A parte que suponho ser a galena (jr), de (f^^SO de largo e 0",15 
de altura, estava orientada ao nascente; no lado opposto à galena o 
monumento apresentava duas concavidades pouco amplas e pouco pro- 
fundas; o pavimento da crypta, a partir da galena, estava levemente iu- 
clinado para o interior. A galeria, que foi explorada na extensào pouco 
mais ou menos de l'",30, apresentava sempre a mesma altura mèdia 
de 0™,15; necessitava para um estudo mais circunstanciado que se des- 
montasse o terreno subjacente de 1™,80 de espessura. Nella nao se en- 
contraram nem ossos nem espolio archeologico. 



2,"* Monumento, O segundo monumento (fig. 4.*) foi encontrado pelos 
trabalhadores cm circunstancias identicas às do primeiro e quasi junto 
d'elle. 

Este monumento constava tambem de duas partes : a que se pódc 
considerar galeria (a-i), que tinha side aberta e desentulhada pelos 

trabalhadores; a que se póde chamar pro- 
priamente crypta (i-t), que a minha che- 
gada se achava ainda intacta. 

Seguindo o mesmo methodo que segui 
anteriormente, comecei por desobstmir o 
monumento, que se achava comò qne entu- 
Ihado por pedra grossa e menda, onde lego 
cncontrei ossos em cstado muito qucbraclioo. 
a) A crypta (ft-c) foi desentulhada por 
eamadas, o que pcnnittiu verificar quo era 
sobretudo debaixo de pedras de fórmas ir- 
regularcs e de dimens3es varias que se en- 
contravam mais abundantemente os ossos 
e comò que reunidos, parecendo este facto 
indicar intencionalidadc. Os ossos, que jun- 
tei e guai*dei em pacotes separados, sao uns 
liumanos e outros de animaes. Em gt^ral os 
ossos grandes encontravam-se quebrados, 
reeonhecendo-se pelos depositos terrosos 
quo a sua fractura nao era recente. No canto 
(e) da gruta eram abundantes as cascas de 
caracoes e de ostras, e te, misturadas com 
pcdrinha menda. Uepois de limpo por completo o monumento, viu-se 
que a crypta, de fórma arredondada, tinha side completamente aberta 
no caliro, sondo as suas dimensois as indicadas na figura respectiva. 





FI','. 4.» 



O Archeologo Portuqués 



177 



b) O quo se póde chamar com mais propriedade galeria, isto e, 
prolongamento {a-h) da crypta, nSo tinha saida: era urna especie de 
valla escavada no mesmo terreno e ao mesmo nivel da crypta. Os traba- 
Ihadores qne interroguei a este respeito affirmaram-me que a tinham de- 
sobstruido facilmente, sem terem encontrado ossos nem qualqaer objecto 
que fizesse parte do espolio archeologico; mandei crivar a terra extra- 
hida da interior da crypta, mas està nio rendeu tambem absolataménte* 
aada. 



Transcrevendo estas notas naturalmente incompletas, deixo a outros 
trabalho de tirarem as illagSes que Ihes parecerem. 

II. Lapide romaBa 

Dorante a minha estada em Portim&o, foi-me grato conseguir obter 
para o Museu mais um documento archeologico. 




Fir. «.• 



Na freguesia de Mexilhoeira Grande, sitio de f Monte Velho», pro- 
priedade do Sr. Luis Vieira, a 15 kilometros de Portimlo, encontraram 
OS trabalhadores que andavam abrindo covas para figueiras, urna tampa 
funeraria (fig. 5.*) feita de calcareo rijo em fórma de bad com dois 



178 Archeologo Portugués 

cìrculos concentricos em urna das.faces, e urna inscrìpg2o latina no 
bojo *. 

De ter apparecido a pedra com a inscrìp(So para o alto, e ella nSo 
servir actualmente de tampa de sepultura, tendo pelo contrario vesti- 
gios de haver sido aproveitada para usos milito diversos do primitivo, 
póde concluir-se que a dita tampa jà tinha sido utilizada, e que nao 
pertencia ao locai onde se encontrou, mas que talvez viesse de perto, 
pois material de que é feita abunda por estes logares. 
' Este monumento foi espontaneamente offerecido ao Museu Etimolo- 
gico pelo Sr. Luis Yieira, que nisto deu rasgada prova de patrìotismo. 

III. Cemlterio archaico da Alcarla 

Concluidos os meus trabalhos em Portim2o, parti a 13 de Mar;o 
para Aljezur em cujos arredores explorei, por indicando prèvia do Di- 
rector do Museu, um antigo cemiterio, na Alcaria, a tres kilometros 
de Aljezur, ao poente da estrada que liga està villa com a cidade de 
Lagos. Este cemiterio està situado num pequeno cabego de suave de- 
clive, num campo em parte cercàdo de muro. 

As sepulturas, abertas no caligo, a pequena profundidade do terreno 
aravel, eram de inhumagSo, e do tamanho do cadaver. Apresentavam 
duas variedades: umas eram lageadas (lages toscas de schisto com es- 
pessura varia) nos lados, no topo e na cabeceira, e com tampas de 
fórma rectangular; outras nSo eram lageadas, embo^a tivessem tampas 
de schisto, e tinham a fórma do corpo, mais estreitas para os pés e 
arredondadas as cabeceiras. 

Este cemiterio tinha sido jà na maior parte destruido pelo dono da 
propriedade, ao proceder a trabalhos agrarìos. Numa das sepulturas 
que ainda restavam observei que à cabeceira havia um vasinho de barro; 
o mesmo me disse ter observado o refendo dono do terreno com relagSo 
&s que elle descobriu e estragou. 

Acérca das que pude encontrar ainda intactas, pelo menos na fórma, 
transcrevo as notas tomadas durante os trabalhos. 

1.* Sepultura (fig. 6.*). — Profanada, sem tampa, ossos misturados 
de dois individuos pelo menos; à cabeceira urna asa de vaso que devia 
ser grande. 

2.* Sepultura (fig. 7.*). — Profanada, so ossos em confusSo, sem 
tampa. 

3.* Sepultura (fig. 8.*)J — Profanada, ossos em pequena quantidade 
e dispersos; a meio uma caveira. Tinha ainda uma lage (e). Sem tampa. 



1 Està inscripoSlo vae publicada adeante. 



O Archeologo Portuoués 



179 



4.* Sepultura (fig. 9.*) — Profanada, seguia-se immediatamente à 3.* 
num plano superìor, corno se yè na fìg. 10.^; à cabeceira (e) urna pe- 
qaena infusa (fig. 11/). 

5.* Sepultura (fig. 12.^). — Profanada, em parte para os pés coberta 
eom lag^es de 0"*,05 de espessura, poucos ossos e misturados; à cabe- 
ceira dispersos os ossos da caveira. 



-2,4- 






(0,85) 






.? 



rig. 6.* 

1,90— 



Pfg. 8.» 



4" 






(0,2W 



Fig. T.« 
—■ 0,»-- 



(0,29 



Plg. »•• 



I 
ì 




Fig. 10.* 




I 



€ 

*__>^- 



-1,80- 



(0,30) 




Fig. 12.* 




Fig. IS." 

6.* Sepultura (fig. 13.*). — Profanada, muito poucos ossos; para os 
pés a caveira. 

Muitas mais sepulturas descobri, todas no mesmo estado, o que 
toma ociosa a sua descrip92lo pormenorizada. 

Usboa, 10 de Abril de 1904. 

Bernardo de Sa. 



180 O Arcueolooo Pobtugdés 



Notas ao artigo precedente 



A explora^io archeologica de que se irata no cap. i do precedente trtigo 
deve-se inicialmcnto ao Sr. Jonquìm Gualdino Pires, bemqnìsto pharmaccutico 
de Portimfto, quc, havendo-me dado em mcados de Fevereiro de 1904 notlcia do 
apparecimento de alguns objectos archcologicoB na herdade da Torre, fez quc cu 
partisse para aquella villa em 21 do refetido més. Os objectos eram pUcas de 
lousa, machados e facas de pedra, urna conta, etc., que o dono da herdade, o 
Sr. Fartado, tinha offerecido ao Sr. Leotte Tavares, capitSo de engenheiros, mas 
que ao tempo da minha chegada estavam ainda em PortimSo, onde os vi quasi 
todos. Por intermedio do mcsmo Sr. Pires e do Sr. Prior V ieira entrei cm relais 
com Sr. Furtado, que me permittiu mandar continuar as ezplora^òcs, e me 
offereceu um vaso de barro (incompleto) apparecido numa necropole romana que 
tambem existia na herdade da Torre e que foi dcstruida por occasiSo de trabalhos 
agrarios. — Aproveitnudo o ensejo de estar no Algarve, tao rìco de monumcntos 
archeologi cos, fiz varias pesquisas e cxp]ora9des que foram bastante fractuosas; 
a seu tempo fallarci d'ellas n-0 Archeologo, 

II 

Com quanto um pouco difficil de ler, a inscrip9So gravada na lapide descrita 
no cap. II diz o seguinte : 

D B M K S 

C I I P 1 N I SII 
3 M P R N I A N O 

A N N O R V M 

VPOMPIIIA 
6 I IXOCII AVI A 

POSHSB-STTL 

1. Os pontos jà nSLo estao nitidos. 

2. A 3.* lettra està gasta. Ao repente parece S, mas, se a compararmos com 
08 outros PP, ve se que é P. A palavra a que ella pertcnce deve ser C^fnoni. 

3. A penultima lettra e a ùltima jà nSo estSo nitidas, mas sSo sem duvìda NO. 

4. Nào apresenta difficuldades. 

5. A penultima e a ante-penultima parece à primeira vista que constitnom 
um D, mas, bcm ezaminadas, mostram que sao dois II, pois o 2.° segue a principio 
verticalmente, e so em baixo se confunde com umas pequenas depressoes da pedra. 

6. A 5.* lettra é mais G do que C ; em todo o caso a palavra é Exociù 

7. E crivel que depois do £ liouvcsse ponto, boje confundido com o tra^o 
mèdio do £ em virtude do gasto da pedra. £ntre as duas ùltimas lettras nao ha 
ponto. A lettra final é pouco nitida. 

Temos pois: D(iis) M[anibus) S{acrum). C{a)epioni Semproniano, annorum 
quinquc, Pompeia Exocii avia po8(uit). H(ic) situs e{»t), S(it) t(ibi) /(erra) i(ci^). 
que em vernaculo significa: «Consagra^ao aos deuses Manes. A Cepiao Sem- 
proniano, de 5 annos de idade, sua avo Pompeia, filha de Exocio, levantou {esie 
monumento funebre). A qui està sepultado. Seja<te leve a terra». Campo da ins- 
crip^So: 0-,23 X 0-,20. Altura das lettras 0",02 a 0»,015. 



Archeologo Poetugués 



181 



III 

Foram os Srs. Manoel Femandes de Oliveira, administrador do concelho de 
Aljezur, e Francisco Antonio Mestre, professor officiai da mesma villa, qae me in- 
dicaram a existencia do cemiterìo da Alcaria. primeiro d'estes Srs. teve mesmo 
a amabilidade de me acompanhar ao locai ; e com o sea auxilio consegui que o dono 
da proprìedade, o Sr. Henrique Alves, nSo so desse licenza para se explorar o que 




restava do cemiterio, mas me ofierecesse nm vaso de barro (fig. 14.*) e um objecto 
metallico ahi apparecidos. As explora^oes foram iniciadas por mim, e com tSo bom 
^gouro, que logo àa primeiras enxadadas encontrei dois vasos de barro (figs. 15.* 
e 16.'), mn bracelete de bronzo e ossadas humanas. man tempo que entào estava 
obstou porém a que eu continuasse os trabalhos; por isso encarreguei d'elles ul- 
teriormente o Sr. S&, conductor de obras publicas ao servilo do Museu. 

J. L. deV 



182 O Archeologo Portugués 

Miscellanea aroheologioa 

1. Os eartorlos eonrentaftet de TlaDna do Castello 

tAs livrarias foram Icvadas a monte. Tudo rouboa. Primeiro acndi- 
ram os que se tinham na conta de entendidos; depois os euriosos; 
por ultimo a canalha rasa, que roubava para vender a peso. As mer- 
eearias encheram-se ent^o de missaes, de breviarios, de sermonarios 
hespanhoes, de commentadores, de biblias, de antiphonarios, de sane- 
toraes, de tudo quanto constituia o fundo d'essas modestas bibliothecas, 
que uma revolu(&o menos selvagem poderia utilizar. Como se ordenou 
que eentro de todos os despojos dos archivos monasticos da circons- 
eriglo fosse o convento de Santa Cruz, a S. Domingos, tudo veio lenta- 
mente confluindo para ali. Fixado o recinto da descarga num dos dor- 
mitorios do lado orientai, dentro em pouco successivos carretos tinham 
produzido, naquella regiào, um enormissimo monturo. O resguardo era 
nenhum. Os fardos eram postos a caminho com qualquer tempo. Assim, 
todo o cartono do convento de S. Romào de Neiva, que era riquissimo 
em pergaminhos *, chegou a Vianna reduzido a uma massa informe, 
de lama, que o carroceiro despejou sobre outros destro908, perpetrando, 
ao mesmo tempo, duas brutalidades. De Càramos, Muhia e Refoyos 
do Lima' vieram alguns cartularios, que Alexandre Hereulano, vinte 
annos depois, fazia rocolher & Torre do Tombe. 

De vez em quando, comò quem sente despertar-se de um largo 
pesadelo, intervinha a autoridade locai nomeando uma eommissio de 
entendidos 3, que tomasse a seu cargo catalogar aquellas ruinas mise- 
raveis. Esses entendidos nunca se cntenderam. Entretanto os sabios 
da villa, os bibliophilos de tenda, e as lojas de mercearia proseguiam 
na sua devastaQ^o. Por mais de quarenta annos se mantiveram ali, 
no chSo, no raso das ultimas cellas do nascente, aquelles ultimos ves- 
tigios das livrarias njonasticas d'està parte da provincia. Ultimamente, 



* Joao Fedro Ribeiro, ObaercaQdes hUtoricas t critìcaa, 1798, pag. 25 dis, to- 
(lavia, quo este mosteiro co'Mtrca humpequeno nUmero de Documentos. [P. A. d'A.]. 

* mesmo autor, a pag. 27 do citado trabalho, declara havcr era Hefoios de 
Lima Biffficìcnte nùmero de Documento» antìgoa. [P. A. d'A.J. 

' Uma d^cssas commissòcs foi composta do Dr. SebastiSo Luis de Faria; 
P.* Manoel do Carmo de Araujo Vieira, antigo leitor do theologìa, e bomcmdc 
supcrior cultura (Cf. 0« Hnmildes, paga. 11 a 16) e José Joaquim de Araujo Sal- 
gado, professor do lyceu. Antes d*esta, bouvera aìnda outra, em que entravam 
OS dois primeiros e o P.* Severino Antonio Brandito Zamitb (Cf. Os Humildm 
pags. 77-107). Nenbnma d*ellas, porem, chegou a iniciar oa seus trabalbos. 



O Archeologo Poktugués 183 

entre 1876-1877, sendo governador civil do districto o Dr. Antonio 
Daarte Marques Barreiros, foi determinado que com aquelles farrapos 
se constituisse o nucleo da actual Bibliotheca Munìeipal, que està no 
lyeeu. . . . 

Ahi dormem, violadas, truncadas, rotas, essas uitimas victimas da 
anarchia revoUicionaria. Urna piedade santa as unirà; urna brutalidade 
revoltante as profanara». 

(José Caldas^ HUtoria de umfogo morto. Porto, 1904, pags. 435 
a 437). 

Noia, — Sendo intimas as rola9oe8 da archeologia com a investigacsto dos car- 
torios, toma-se necessario saber o estado de conservammo e a coUoca^ao moderna 
d'elles, quando se pretendem estudar os monumentos de certas regides. livro 
do Sr. Caldast indica bem drasticamente para o districto de Vianna do Castello 
modo de destruÌ9So dos archivos monasticos que a mudanma do regime troupe. 
£sta anarcliìa 6 a que se nota sempre que se produz a transicao de iustituicdcs ; 
foi caso qae tambem siiccedeu por exemplo nas socicdades germanicas com 
a introdttCQao da Reforma religiosa no secalo xvi e cm 1781) em Franca. Dcsde 
Maio do 1890 guardara-sc no Archivo da Torre do Tombo grande numero de 
tomboa quo pertenceram aos convcntos do districto acima mencionado. O que 
existe naquellc Archivo, rccolhido anteriormente, e bastante reduzido e ao que 
parece scm 08peran9a de se poder aumentar. Os cstragos que as collec^òcs 
de Jivros e maouscritos sofTrem abandonados so aos elementos atmosphcricor, 
sao incalculaveis. Tornam-se precisos para cvità-los edificios proprios e cuidados 
extraordinarios. 

Veja-se o quo se le numa corrcspondcncia de Louren^o Marques a proposito 
da livraria de urna escola de artcs e officios : 

«Àinda ha pouco ttvcmos occasiao de visitar està cscola, e nao pudcmos deixar 
de sentir profunda tristeza de a ver decaida do grau de prosperidade a que tinha 
chcgado. A bibliotheca que ali foi fundada pelo Sr. Conselheiro Joaquim José 
de Almeida, quando governador geral d*esta provincia, e que contava muitos 
livros de educa9ao e rccreio, desapparecen, tendo sido levada para o palacio de 
S. Paulo, onde as baratas e a traca deram cabo de tudo, pois osto palacio està 
ha muitos aunos deshabitado*. 

(Diario de Noticias, de 11 de Dczembro de 1903). 

2« Sepultnras no conrento das Dona9 de Santareiu 

«Ultimamente tem andado obras na igreja do extincto convento das 
Donas, hoje quartel do batalhlo de cayadores 6, a firn de o apropriarem 
para casemas, o que iìzeram, construindo um muro divisorio, isolando 
o altar-mór e dois tumulos que Ihe estào parallelos, perteneentes aos 
eondes de Unhao. 

Hoje de manha, quando os pedreiros demoliam uni bocado de pa- 
rede, proximo ao altar-mór, lado nascente, perceberam que o entulho 



184 O AUCIIEOLOGO POKTOGOÉS 



submergia pelo solo. Pesquisando, levantaram um bocado do sobrado 
e viram a cxistencia de dois lances de escada, cada nm de seis oa sete 
degraus, divididos por um patim de lagedo. Descendo o ultimo lance. 
entra-se num subterraneo tambem de lagedo com aproximadamente 
qnatro metros quadrados, que fica debaixo do aitar -mór, onde se ve ao 
fundo um tumulo de marmore branco intacto e em bom estado de con- 
servagao, de setenta centimetros de alto, com a inscripf^: =D. Mar- 
tim de Castro, vice-rei da lDdia=. Tambem tem a data da sua morte 
e seus feitos. Sobre o tumulo estào quatro caveiras e diverso» ossos 
que serao removidos por estes dias para o cemiterio dos Capucbos. 
Seria de grande conveniencia e respeitabilidade remover este tu- 
mulo e dos Condes de UnhSo para o majcstoso tempio da Graya, 
que se póde considerar um pantheon de pessoas ìHustres». 

(Diario de Noticfas, de 4 de desembro de 190B). 

tSantarem, 4. — A fim de melhor informarmos os nossos leitores, 
fomos hoje à igreja do extincto convento das Donas colher mais com- 
pie tas informacdes sobre o carnei ro que hontem casualmente foi des- 
coberto. 

Na occasiào em que André Gomes, 8er\'ente de pedreiro, procedia 
a escavagoes proximo ao altar-mór, debaixo do tumulo dos Condes de 
UnhSo, sentiu que o chSo abatia, e, sendo elle lambem despenhado 
por urna fresta, caiu no carneiro, que é formado por uma abobada. 

Calcule-sG o susto do pobre homem quando accendeu fosforos e se 
viu rodeado de esqueietos humanos! 

Subindo OS dois lances de escada que hontem descrevemos, bateu 
com toda a forga no sobrado que Ihe ficava superìor, os companheiros 
levantaram um taipal composto de quatro tàbuas que vedavam a en- 
trada para o carneiro, o que até & presentò data era desconhecido de 
todos. 

Como dissemos, ao fundo existe o tumulo de D. Martim de Castro, 
que é encimado por uma cruz de pedra ordinaria, embutida na parede, 
de seis e meio palmos por quatro e meio, tendo no pedestai, que é de 
marmore, os seguintes dizeres: 

=In tua protectione vixi. — Sub tua protectìone requiescant ossa 
niea=. 

No tumulo acba-se gravada a seguinte inscrip93o: 

=Sepultura de D. Martim Antonio de Castro, viso- rei da India, ge- 
neral das galés de Portugal. Morreu em Malaca na era de 607. — E de 
D. Margarida de Tavora sua mulher. — E de D. Jorge Luis de Castro, 
seu filho, que morreu nas guerras de Piemonte, na era de 627=. 



O Abcheologo Portugués 185 

Ào fundo das escadas ha um poial transversal, ficando sobre est e 
e ao lado direìto ama lapide mettida na parede com os dizeres se- 
guintes: 

=Sepultura de Manuel Telles de Menezes, fundador d'està capella. 
Falleceu em o 1.** de Janeiro de 573. — De sua mulher D. Margarida 
de Vilhena. Falleceu aos 5 de julho de 565. — E de D. Margarida de 
Koronha, mulher do Conde de Mira. — E de D. Joana de Noronha, 
mulher de D. Fernando de Menezes. — Suas filhas, que, por falleeerem 
sem successSo, se mandaram aqui enterrar=. 

Do lado nascente existem mais duas lapides onde se le o seguinte : 

=Sepultura de FernSo Telles de Menezes. Falleceu aos 27 de se- 
tembro de 580. — E de sua mulher D. Maria de Castro. Falleceu aos 
19 do mès de julho de 595. — E de Rui Telles de Menezes, seu filho. 
Falleceu aos 13 de maio de 616. — E de D. Maria da Silveira, sua 
mulher. Falleceu aos 21 de margo de 616=. 

=Sepultura de FemSo Telles da Silveira, primeiro Conde de UnhSo 
e da Condessa D. Francisca de Castro, sua mulher, filha de D. Martim 
Antonio de Castro. — E de D. Margarida de Tavora.— E de D. Ma- 
riana da Silveira, sua filha, que falleceu a 24 de abril de 643. 

No tumulo de D. Martim de Castro estiveram hontem maos cari- 
(ìosas mettendo urna alavanca para levantar uma das lages que o fe- 
cham, nào conseguindo abri-lo. 

Relativamente aos jazigos que se encontram na capella-mór da 
igreja das Donas', diz a Historia de Santarem, voi. i, livro i, cap. XXV. 
pag. 223: 

=He hoje capella mayor d'està egreja, jazigo dos Excellentissimos 
Condes d'Unhao, sendo o ascendente d'està illustrissima familia que 
primeira a possuia Manuel Telles de Menezes, Comraendador das Villas 
do Campo de Ourique da Ordem de San-Tiago, em cuja capella nos 
lados das paredes estao dois caixoens com as inscrip9<!les seguintes: 
da parte do Evangelho diz assim : 

=D.. Martim Àffonso de Castro, filho dos Condes de Monsanto, 
D. Antonio de Castro, e Dona Ignes Pimentel, General das Galés d'este 
Reino, Vice-Rei da India, no anno de 1604, descercou Malaca do grande 
cerco que padecia dos Malajos e Olandezes, em Maio de 1607. Fal- 
leceu pouco depois na mesma Cidade de 47 annos. Dona Margarida 
de Tavora mando u fazer este piedozo depozito a seos ossos e de seu 
filho D. Jorge Luiz de Castro que morreo nas guerras de Italia e para 
s€ii jazigo perpetuo e de seus descendentes no anno de 1649=. 

Sobre este tumulo ha uma cruz gravada e na parte que Ihe serve 
de Calvario se léem estas letra8:=Domine Jezu Christi Filii Dei 



186 O Archeologo Portugués 

vivi, pone Passionem, Crucem, mortein tiiam, inter judìciam tuum, 
etc, animam meam — , e da parte da Epistola o outro letreiro dìz o se- 
quinte: — SepuUura de Fernào Telles da Silveira, primeiro Conde de 
Unhfto, que mandou reedificar està capella de seos Avós e de sua 
mulher Dona Francisca de Castro, filha de D. Martim Affonso de 
Castro e de Dona Margarìda de Tavora=. 

E sobre este tumulo està a seguinte inscrìpf^: 

= Salvator mundi salva nos, qui percrucem, etc., sanguinem redi- 
misti nos=». 

(Diario de Nolieioè, de 6 de Dezembro de 1903). 

S. Àf ola Dapole<»|iif a 

Achado preoioso 

«Condeixa, 23. — Sobre a noticia, publicada hoje no Seculo, refe- 
rente a caguia francesa», melhor informados pelo nosso amigo Sr. 
Dr. Matos Mancellos, devemos dizer que a caguiai foi encontrada 
sob OS arcos do rio que atravcssa està villa, justamentc por debaixo da 
praga do mercado, o que faz crer que, perdida no come90 da bataiha 
ou na retirada dos franceses, a 5 kilometros d'està villa, no Casal Novo. 
com as repetidas cheias, viesse condendo rio abaizo, até ser encontrada 
no sitio designado. 

Tratamos agora de averiguar se sera a caguia» do 30 de linlia, 
a que se refere o eminente prosador Campos Junior, porque ncste casd 
sera urna reliquia digna de figurar no museu do Arsenal do ExereitOi. 

{Seculo, de 25 de Fevereiro de 1904). 

4. As pedras dos moiiumcutos de Lisboa 
Os calcareoB 

«Na Associa92o dos Engenheiros Civis Portugueses roalizou hontem 
a sua annnnciada conferencia o Sr. Pereira e Sousa, sobre os calcareos. 

Depois do expediente ordinario da sessS&o de hontem, a que presidia 
o Sr. Mendes Querreiro, comegou o conferente o seu traballio sobre 
OS estudos feitos acerca de uma collecgào de marmores existentcs na 
Escola Polytechnica. AUudiu a trabalhos de geologia que effeotuou, 
enaltecendo os servÌ9os que Ihe prestaram os Srs. Paulo Choffat e Nery 
Delgado. 

Fez referencias a uns subsidios que sobre a questuo dos calcareos 
fez publicar na Eevista de Engenharia Militar, subsidios que foram 
destinados & correspondcncla entre os termos technicos dos referìdos 
calcareos e a designarlo por que sSo conhecidos entre os cabouqueiros. 



O Archeologo Portugués 187 

Ainda antes de entrar na parte prìncipal do assunto referiu-se 
a elementos que obtivera na direcyào dos trabalhos de ensaio e experi- 
mentacào de construcfio, cujo progresso se deve ao engenheiro Sr. Cas- 
tanheira das Neves. 

O Sr. Pereira e Sousa tratou depois das pedras empregadas nos 
principaes monnmentos de Lisboa e das vantagens espeeìaes do estudo 
d'essas pedras, urna das quaes infine sobretudo nos casos das repara9Òes 
d'esses monumentos, que no nosso pais teem sido desgra^adas. 

Em seguida fez a divisSo historica da eonstruc(ào de Lisboa em 
qnatro periodos: no primeiro tratou da epoca da funda9Slo da monarchia 
até D. Manoel; no segundo do reinado de D. Joao II ao de D. JoSo V; 
no terceiro do terramoto de 1755 ao reinado de D. JoSoVI; o quarto 
desde o constitncionalismo até os nossos dias. 

No desenvolvimento d'esses periodos o conferente tratou: quanto 
ao primeiro, da construcgSo da Sé de Lisboa, da igreja de Santos, 
do convento do Carmo, da igreja dos Jeronimos, da torre de Belem, 
da igreja da ConceijSo Veiha, da casa dos Bicos, etc, fazendo consi- 
derafoes que versaram especialmente sobre as restaura^Ses da Sé de 
Lisboa. Quanto ao segundo periodo, o que comeyou com a Inquisigfto, 
e verdadeiramente o periodo aureo das ornamentagoes em marmores 
nos interìores dos conventos e das igrejas, alludiu a majestosos tra- 
balhos que admirou na capella do Hospital de S. José, que é a antiga 
sacrìstia da igreja de Todos os Santos (sic)^ na igreja da Annunciada, 
de S. Domingos, na sacristia do S.Vicente, etc. 

No terceiro periodo tratou de esclarecimentos acérca da pedra lioz 
de Pago d'Arcos, de Pero Pinheiro, Loures, de Arrabida, e do marmore 
aznl de Cintra, erapregado com grande intensidade nesse periodo em que 
póde admirar-se um revestimento da basilica da Estrella e outros edi- 
ficios. 

No quarto periodo citou comò principaes as construccoes do Theatro 
de 1). Maria, da Camara Municipal de Lisboa, estagSo do Rocio e actual- 
mente a da Escola Medica. 

S. £x.^ fez urna exposigSo de pedagos de marmores para melhor 
demonstrar as suas explicagòes sobre o assunto, e ao terminar foi alvo 
de urna prolongada ovagào». 

{Diario de Noticias, de 10 de Abril de 1904). 

5. Caiihagem de nioedas de curo no tempo de D. JoHoY 

«Sua Mag. que Deos guarde, provendo na falta de prata que ha 
no Reyno & a opressào que o povo padéce no troco das moedas de ouro, 



188 O Archeologo Pobtugués 

foy servido mandar huma grande por9So de onro para a casa da moeda 
desta Cidade, para nella se fundir, & fabrìcar moedas de 480 réis, 
que actualmente se est2o fazendo. Està nova moeda tem de huma bajida 
a Cruz da Ordem de Christo com a costumada letra In hoc signo vinees, 
& da outra debayxo de huma Corea Real o nome de S. Mag. orlado 
com duas pahnas, nos pés das quaes tem o numero que explica o seu 
valori. 

{Gazila de Lisboa, de 3 de Novembre de 1718). 

e. Urna marlnha de sai em Aldeia GaUef a do Ribatejo. ISM 

cSabham quantos este stromento virem que £u SteuS uaasqaez fe- 
lipe Caualeiro come procurador de Costan9a Afomso dou de Renda A 
uos Domingos Afonsso morador em Aidea galega Ribateio bua Marìnha 
de sai que a dita Costan9a Afonsso ha A par do dito logo daldea 
galega A qual foi de Joham uigente meoto E a qual vos ARendo da fei- 
tura deste stromento ataa dez anos per gìsa que ajades dez nouidades 
e dedes em cada huu ano por sam Migel de setembro a dita Costanza 
Afonso em paz e em saluo 9em mojos de sai na eira da dita Marinha 
quando deus em eia der da primeira e segunda e terceira Raza. E vos 
auedes de marnoitar a dita Marinha de todo Aquelo que Ihy coprir 
A seus tempos e tirar lamas da dita Marinha per gisa que seia melho- 
rada E n5 peiorada E vos auedes de fazer no viueiro da dita Marinha 
que seé centra o porto duas naues polas quaes vos ey de dar (^em libras 
e esto seia em este primeiro 2no £ damos os ditos dinheiros ataa 
primeiro dja dabril E douuos em ajuda em estes dez Snos bua vjnfaa 
que he a par do dito logo que parte còVaasco afonsso e cS o Jnden 
em na qual seem duas figeiras que adubedes bem a dita vynha a seus 
tempos per gisa que seia melhorada E n5 peiorada E acabado o djto 
tempo ficar a dita Costan9a a dita Marinha e vjnha co teda sa bem 
•feitoria E obrigo os bSes da dita Co8tan9a afonsso a uos liurar a dita 
Marinha e vinha de que qucr que vos em eia poser embargo so pea 
de todas perdas e danos que por tal Razom Re9eberdes co vjnte ssoldos 
cada dja de pea Eu sobre dito Domingos afonsso tomo em mjm a dita 
Marinha e vjnha c5 as classulas e c5dÌ93es susso scriptas E obrigo 
todos meus bees gaanhados e por gaanhar A marnojtar a dita Marinha 
E adubar a dita vinha pela gisa que dito he E dar E pagar a dita 
Costan9a Afonsso em cada huu ano os ditos 9em moios de sai ao dito 
dia corno dito he sopea de todas perdas E danos que por tal Raz5 fe- 
zerdes e c5 vjnte ssoldos cada dja de pea em testemunho desto as ditas 
partes pedir5 ssenhos stromentos anbos de huu teor este he pera o dito 



O AUCHEOLOGO PORTUGUÉS 189 

Steua naasquez. Feitos forS do dito logo daldea galega dezoito dias 
de Janeiro Era de mil e qaatro Qentos e trinta e dous Snos. Testemunhas 
que presentes stana Gii ui^ente priol e Johane eanes e Afonso Anes 
e LfOureD90 martinz da poboa e Joham ui^ente E outros Eu Joham 
afonsso tabaliS dEI Rej em Ribateio que este estromento E outro tal 
anbos dhuu teor screvj e em cada huu deles meu sinal fiz que tal -f he» ^^ 

^iota. — No codice 286 do mosteiro de Alcobaca, na parte relativa aos mila- 
gres de S. Vicente^ manuscrito que aparenta ser do Bec. xiii, encontra-se a se- 
gnili te noticia concernente ao commercio do sai : «Huius profecto raartiris gloriosi 
dignatn est meritis impntarì, qnod nauis aikobacie de concimili perìcnlo nanfragia 
maris enasìt. Enimnero domnus abbas conmnni prouidens nsni fratrum, nanem 
honerarium sale, qui multom habondans est alcobacie repleri preceperat, et ad* 
portom alium, nbi carius emitur apportar!». (Fort. Moti. Hist. Scriptares, 100). 

7* Tenda de urna arrala ou hatel. 1877 

iSabhim fodos Come eu Pero uigoso come procurador de francisque 
anes morador em santarem dou a nos gon9ale anes outrosj morador 
em santarem bua aRaya do dito francisco anes na qual uos dito Gon- 
gale anes andauades deste dia ata huu conprido que uos seiades aRayz 
della e pesoeiro so tal preyto e condigom que uos a posades fretar 
e mSLdar e guardela de noyte e de dia comò boo aRayz deue fazer 
a qual aRaya uos dou c8 todos seus aparelhos que ella trou[uer] ao 
tempo dora come barca da sua ujagem. E que outrosj uos defenda 
das galéés se o fazer poder. E uos n5 auedes dauer outra aRayz zaria. 
E outrosj deuedes trager bum mSgebo por anbos e dous de conpanha. 
Eu gongale anes Recebo em mjm a dita aRayz zaria da dita aRaya e 
outrosj Recebo a dita aRaya c5 todos seus aparelhos so as clausulas 
e codicSes sobredìtas as conprir e m^teer comò dito he. E obrigo mjm 
e todos meus bees a trager a dita aRaya pelo dito ano e leyxando a 
e no ha tragendo e guardando corno dito he que dj em deante a traga 
e mantenha e garde come aRayz c5 custas e despesas e danos que o dito 
francisque anes pola dita Raz5 Re$eber e vinte ssoldos cada dia de pea. 
feito foi na Cidade de lixb5a na Rua noua oyto dias de mayo Era de 
mil e quatrocentos e quinze anos. testemunhas Martim uaasquez e fernS 
galego e aluaro martinz tosadores e outros. Eu domjngos duraaez ta- 
belliS d El Rej na dita cidade que este stromento screuj e aqui meu 
sinal fiz que tal -f- he. pagou iiij soldos'». 



1 Do Archivo Nacional. Mss. do Mosteiro de Chellas, n.** 896. 
< Ibidem, n.» 1124. 



193 O Abcueologo Poutugués 

8. Testamento de Bui de Sousa» fllho de Boi Borges de Soasa, aleaide-iaar 

de SaiitareiD. 1485 

«Em nome de Deos padre Deos filho e Deos spirito Santo tres pes- 
soas rrealmente destyntas e hu ssoo Deos natnral em hùa essen9Ìa 
e em qne eu Ruj de Sousa filho de Ruj Borges de Sousa alcayde mor 
que foe da muj nobre vylla de Santarem, creo, e confeso ser triudade 
de pessoas e hunjdade em eaenjia, o qual per vertude do espirito Santo 
encarnou no ventre ujrgynall de Nosa Senhora uirgem Santa Maria 
aquall foe uirgem no parto e ante do parto e despoes do parto e està 
uirgem pario o filho de Deos Jhesu Christo Koso Senhor sem algùa 
currugom de pecado/ e elle Jhesu Christo creo que foe cni^ificado 
morto e sopultado e ao terceyro dja Resorgyo sobio aos 9eos see a destra 
de Deos padre donde ade ujr a julgar os ujnos e os mortos e eom està 
ffee doendo me eu da mjnha alma, uendo em o mundo cousas mara- 
uylhosas asy de mortes sopitanjas comò pestenen9as e guerras e znujta 
deslealdade e desauen9a em nos cora9omes dos omens e uendo os jujzos 
de Nosso Senhor sserem ta grandes confonneyme com a mjnha alma/ 
aquall achey mui enferma na ujsam destas cousas e propus de me apa- 
relhar e estar prestes que querendo eie Noso Senhor sobre mj enujar 
OS taes jujzos elle me achar desembargado das cousas quo perten9em 
fazer a cada fieli erìstam e ouve por bem ey e ordeno e per mjnha 
mftoo fa9o està presente cedulla e testamento/ e denon9Ìo aos pre- 
sentes que a ujrem e conhecimento perten9er comò eu ey por bem 
e mando que se cumpram as cousas em ella decraradas/ desemcarre- 
gando mjnha allma/ e encarregando as deles sobre ditos// Primev- 
ramente encommendo mjnha alma nas maaos de Noso Senhor Jhesu 
Christo e de ssua madre ujrgem Santa Maria que ella com todos os 
apostolos de seu filho Santos e Santas anjos e arcanjos que a queyram 
leuar e gujar a ssua ssanta gloria amem ao tempo que eie Noso Senhor 
ouver por bem de a deste mundo leuar// mando e ordeno que ao tempo 
de tali finamente que o meu corpo seja enterrado dentro em o moys- 
teyro de Sam Dorajngos se ao tal tempo falecer em Santarem junto 
com onde jaz o corpo e sepoltura de meu padre, e me sejam feytas 
as eyxequias custumadas segnndo perten9e a semelhantes pessoas/ 
e se ao tal tempo for em outra parte aque9endo sobre mj o tal jujzo 
de Noso Senhor seja enterrado na jgreja ou moysteyro primcipal em 
tali lugar pera que se aja de treladar ao dito moysteyro de Sam Do- 
mingos de Santarem por que asy he mjnha uontade e por se a ssobre 
mjnha couva bua tumba de tres degraos cuberta de pano negro e cruz 
branca de lynho fazendose as emxequias sobre dittas// Mando e or- 
deno que fiquem por meus testementeyros a sab.er mjnha madre se 



O ÀBCnEOLOGO POBTUQUÉS 191 

for ujua e se nom meii jrmlo / ou o majs chegado parente que da Ijnha 
de meu padre e mjnha for, que seja tali que o bem ffaga, e sendo 
a dita Senhora ujua ella o fa^a e hu frade do ditto moysteyro de Sam 
Domìngos que pera eli escolheram de mjlhor coneìenfa e de mjlhor 
fama que no dito moysteyro òuver e eles sejam curadores e rreparti- 
dores das consas de mjnha alma/ e ujndo ho tali cargo a meu yrmSo 
ysso mesmo aja por ajudador o dito frade e asy o faram os outros 
que so9ederom o tali earrego e menjstragom comò ditto he // Tomo 
e aparto a estes sobre dittos testementeyros toda a mjnha ter(a de 
todos meus bens aujdos e por auer que se acharem que per dereyta 
uja me perten$em asy os de que eu for era posse comò os outros que 
por elles llangem mSo achando que dereytamente a mj perten9erem/ 
asy de todo o movell comò da iTajz do quali mouell elles tomaram per 
as emxequìas e criados que acharem que me serujdo tem pagando 
a cada us delles seos casamentos ou dyuedas de seruJ90s asy comò 
acharem que mo elles tem merecido e asy satisfaram quaes quer dyue- 
das que per certa obriga9om acharem que eu de uja e aos que acharem 
que a mJ deujam as demandem e ajuntem pera delas destribujrem se- 
gundo mjnha ordenS9a e mandado tenho. // Mando que elles dittos tes- 
tementeyros que a mjnha alma ouverem de curar, tomem e apartem 
todos OS bens da rraiz que aa mjnha terga montar e os arrendem o 
mjlhor que eles poderem em descarrego de ssuas congienfias e tàbem 
sse do movell algo sobejar despoes de se fazer o que ditto tenho mando 
que anendo hy por onde o empreguS em bSs de rraiz e tàbem se arre- 
dem e asy a rrenda desto corno a dos outros sobre ditos seja pera hna 
capela que elles ditos faram no alpendere de Sam Domjngos do sobre 
dito moysteyro pedyndo lugar aos frades satisfazendo o moysteyro em 
maneyra que o ajam por bem, aqual capela sera feyta em dereyto de 
hum arco de moymento que comprado he por parte de meu padre que 
Deos aja na sua gloria e he junto com a sua sepoltura na parede majs 
fronteyra ao aitar de Jhesu que a sua sepoltura// o qual arco ficara por 
arco da dita capella e seja de maneyra e grandor que a fazenda que 
pera elio teuerem Ihes der lugar e nela sera posto hu aitar do orago 
de nosa Senhora da Congeygam e hiì corgefixo e rreuerenga de ssna 
morte e payxom, e no meio da capella dyante do aitar sse poera hil 
moymento de pedra mujto alua com letaras em rredor que dygam quem 
aly jaz e as armas dereytas dos Borges segundo as meu pay trazia no 
dito moymento e escudos laurado tudo na mesma pedra/ ao qual moy* 
mento sera treladadà e metida a ossada do dito meu padre que Deos 
aja// e na parte do auangelho antro o arco e o aitar S na parede sera 
posto h3 moymento pera mjnha osada que nelle treladaram e meteram 



192 O Abchbologo Poktuqués 

de bua pedra alua asy obrado e pela maneyra posto corno o de Àfomso 
Pereira o Reposteyro morador dell Rey dom Afomsb o qajnto qne Deos 
aja na sua gloria qae està em Sam Francisquo no dito lugar de San- 
tarem na capela de Santo Antonjo a mio do aaengelho em p qoal moy- 
mento seram postas mjnhas armas a saber as dos de Soosa e as dos 
Borges as de Soasa a parte dereyta e as dos Borges a ezqaerda me- 
tydas a quarteyr5es em hu escudo/ e letaras no moymento que dygam 
comò eu aly me mandey langar e hu letereyro a^ima de moymento 
que conte comò mandey ffazer aquella capela so bonrra e loavor de 
nosa Senhora da Con9ey9om e da morte e payzam do seu santo bento 
filho que de nosas almas se queyram amer^ear e auer em a sua gloria// 
e tlbem avendo em memoria o nome e o lynhagem do dito Senhor 
meu padre e mjnha e dos sepultados socesores nosos em a dita capella 
e o moymento que do arco sayr sera posto da otra banda e nele se 
mdteram as ossadas de mjnhas yrmSs que em rredor do dito senhor 
seu padre que Deos aja em sua gloria foram soterradas e os que des- 
poès verem sse poderem lan^ar atras que do noso lynhagem forem // 
It. mando aos ditos meos testementeyros qne fa^om sempre de contino 
dezer bua mjssa de Reque em a dita capela por mjnha alma e dos 
defuntos nella sayndo sobre as sepolturas com Responso e aoga beuta 
e sera fechada a capela com grades de paao ou de ferro// jsto mando 
que se faga Uogo auendo hy por onde e n%o avendo que se cumpra 
logo o majs necessario e o ali fique ata que as Rendas posam soprìr 
e se despendam sempre nas sobre ditas cousas e em alguaa obras mere- 
tores asy corno pobres orfiU)s catiuos enuergonhados// It. mando e leyxo 
que se faca hu compremjso damynejstragom desta capela com as Sen- 
das a suso decraradas a eia anexas dos bens da Raiz comò dito he 
a qual Rajz se no posa uender nem nada dola se fazer ssomente Ren- 
dendo pera aquella capela e cousas corno ditto he ficando por mjnjs- 
tradores dela a Senhora mjnha madre e dela em meu jrmSo e dele 
nos parentes majs chegados a meu lynhagem que pera elio forem com 
frade sobredito e por que està he a mjnha hultima nontade e delo 
ma prouve auendo por nehuas todas outras 9edulas e testamentos qne 
feytos tenha e fiz està em meu propio syso e acordo per mjnha letera 
e asynada do meu synall feyta em a Jlha da Madeyra nos dyas dezi- 
mados de Nesso Senhor a xb djas do mes de feuereyro em a era de 
Noso Senhor Jhesu Christo de mjll e iiij® Ixxxb anos/ do quali £u Re- 
queyro a todo aquelle ou aquella da parte de Noso Senhor Cm9Ìficado 
e da de Nosa Senhora uirgem Santa Maria em cuja malo a dita gedola 
e testamento verter ou aehada for que elle a proujque e fa^a proujcar 
e leuar as dos sobre dittos meos testementeyros sopena deles ditos noso 



O Archeologo Portugués 193 

Senhor e Senhora sua madre uirgetn Santa Maria Iho demandarem asj 
neste mando corno no outro desencarregando mjnha alma sobre elle e 
encarregando a dele dito que o tal cargo em sna malo ouver. // 

Encomendo me a nosso Senhor crugificado que mjnha alma aja S 
seu poder=jBtty de Sousa, 

(Do Archivol^acional. — CoUocfio especUl, ealxa 165, doc. CS, ma^o 1). 

9. Degpacho na atfandega de Ormux da seda qao Xà Abbas» rei da Persia 
mandoa ao de Portogal. 1618. 

«0 L.® Nicoiao da Sylua Veder da fasenda de S. Magestade neste 
Beino d'Ormus mando a dioguo Coelho escriuao grande desta alfan- 
digua que tanto que Ihe este for apresentado proueia os liuros duella 
do anno de seis gentos e none e treslade ao pe deste mandado o des- 
pacho quo se fes na dita alfandigua a desoito d'Abril do dito anno da 
;eda que xà Abbas Rei da Per9Ìa mandou de presente a £1-Rei Nosso 
sur. e outro si treslade o termo e asento que se fes com ex beque 
iusbaxi embaixador do dito Rei da Per9Ìa e com coie Raiabo portador 
da dita geda perque depuserSo e decIararSo que ija de presente para 
S. Magestade e que nào era mercancia o qual despacho e asento farà 
da maneira que se nelle contem sem acre9entar nem deminuir, por 
conuir assi ao seruigo de S. Magestade. dado em Ormus a 10 d^Agosto 
de 6l3.=Nicolao da Sylua. 

Satisfasendo o mandado do silor Veador da fasenda sertefiquo eu 
diogo Coelho yscryuSo grande desta allfandigua dormus prover os Uy- 
vros dos despachos que na dita casa se fazem e nelles achey que des- 
paehara mar9all de ma9edo feitor de sua Magestade em dezoito dabrill 
de min seis sentos e none bua copia de seda cuyo tresllado he o se- 
guynte. — dispachou mar9all de ma9edo feitor de sua Magestade por 
eli Rey nosso snor duas mil e duzentas vinte duas fara9ollas de seda 
que xà,'Rey da persia manda de sauguate a eli Rey noso snor con- 
vem a saber vinte simquo cargas de seda digillao e secemta e bua 
carga de seda de cora9one que toda yunta vem a fazer a cStia asyma 
decUarada aquall seda toda foy despachada e avalliada nesta allfan- 
digua dormùs pelle corretor mor e outros corretores que pera mais clla- 
reza forào chamados pelle 11.*^" Francisco de gouvea ouvidor gerall 
e veador da fazenda desta fortalleza estando prezente o feitor de sua 
Magestade mar9all de ma9edo e o contratador fem&o xemenez e a seda 
degillao se achou que valila no bazar a vinte e cito pardaos dillaris 
a fara9olIa e a seda de cora9one a vinte deus pardaos dellaris a farà- 
golia e por se fazer fauor neste despacho visto ser de sua magestade 
asemtarào o dito veador da fazenda feitor de sua magestade e com- 

13 



194 O Archeologo Portugcés 

tratador dallfandìgiia que bua e outra se despachase a dezanove par- 
daos de sinquo llaris a fara9oIla en que fiqua o favor asyma declla- 
rado e que da comtia que nestes direitos se montar se pasem deste 
llyvTO papees lliquidos e desembarajados pera o dito comtratador poder 
aver o seu paguamento aprezentando os na mor alidada por asym estar 
asemtado palio dito veador da fazenda visto ser o dito comtratador 
'. devedor de sua magestade por Rezlo de seu comtrato e mandou o dito 

i ouvidor gerall que ao pe deste despacho se terlladase o termo que fes 

I embaxador da persia e o portador que llevio a seda pera sempre 

j. constar corno he de sua magestade e despachada a dita seda montou 

de avallia9lo a onze por sento mill e sento e cito lleques vinte dous 
azares dous sadis sinquoenta dinares que vem a ser de direitos lliquidos 
sento e des lleques oitenta dous azares dous sadis vinte sinquo dinares 
e de hu por sento onze lleques oyto azares dous sadis vinte dous di- 
nares OS quais direytos e hu por sento per contas de pardaos vem 
a montar coatro mill seis sentos coreuta quatro pardaos os quaes dj- 
reytos forào feitos pellos yscriv3ies desta allfandigua coge naser e coge 
solleymSo e Hangados neste ly\TO por mym amador pereira yscriulo 
grande desta allfandigua onde se asynarao as pessoas asyma declla- 
radas oye dezolto dabrill de mill seis sentos e none annos. — Francisco 
de gouvea — marjall de magedo — amador pereira — fernSo xemenez — 
bras da Costa — Coge naser — Coge SoUeymSo. tresUado do termo en 
que asemto atras fas men93o — aos^dezaeeis dias do mes de abrill de 
seis sentos e none anos nesta fortalleza dormùs eu yscrìudo em compry- 
mento do despacho asyma com o Uyngoa fomos as pousadas do ex- 
beque yus baxy embaxador e de Coge Raga botony e Uogo por elles 
me foi dito que a seda da contenda vay para o Reyno e é sauguate 
que manda o Rey da persia a sua magestade e n3o era mercansia de 
que eu yscryvào fis este termo em que se asynarSo os asyma asynados 
com dito llyngua e eu Uucas nogueyra yscryv^o que ho escrevy de 
ysbeque yus baxy. de Coge raxa bopony. lluyz de Seyxas. o quali termo 
foy aqui terlladado do propio bem e fiellmente sem acre9emtar nem 
demenuir couza allgua que duvida fa9a e me asyney aqui em ormus 
a dezoito dabrill de seis sentos e none — amador pereira o guazil e ea 
diogo Coelho yscryvfto grande desta allfandigua terlladey tudo na ver- 
dade sem acresemtar nem demenuir couza allgua pelle llyvro do des- 
pacho desta allfandigua asy corno me foy mandado pelle sfior veador 
da fazenda em ormùs aos doze dias do mes de agosto de mìU seis 
sentos e treze anos = diogo Coelho • *. 



1 Do Archivo Nacional. — Corpo chrmxologicoy parte i, ma^o 116, doc. 2. 



O ABCHEOt-OGO POBTUGDÉS 



196 






rM:. 






10. Monumento rostanrado 

fNo seculo XIV e no reinado de el-rei D. Dinis houve desordens 
ameudadas no reino, notando-se que o povo se havia dividido em dois 
partidos: nm, acatador da vontade rea), e outro, que acompanhava 
principe D. Afonso, depois rei 
com o titolo de D. Afonso IV. 

Os animos estavam excitadis- 
siraos e chegaram-se a formar 
dois exercitos que estavam para 
travar batalha nos campos de 
Alvalade, onde hoje existem o 
Campo Grande, o Campo Pe- 
queno e arredores. 

A rainha Santa Isabel, es- 
posa de el-rei D. Dinis, diligen- 
cion estabeleeer a harmonia entre 
pae e filho ; mas somente em ves- 
peras de se travar batalha con- 
seguiu restabelecer a harmonia 
que tanto ambicionava, obtendo 
que D. Afonso fosse pedir per- 
dio a seu pae, que a instancias 
da esposa Ih'o coneedeu, aben- 
5oando-o. 

Este facto produziu urna mu- 
dan9a enorme nos destinos da 
naglo; e para commemorar t^o 
fausto acontecimento a rainha 
mandou collocar um padrSo no 
sitìo onde se pretendia dar ba- 
talha. 

Este padr2to foi certamente 
deslocado por eausa das mudan- 
9as que o locai sofFreu, sendo 
mais tarde coUocado j unto ao muro 
da quinta das Cortes, onde hoje 
se encontra. 

O vandalismo ainda poupou aquella preciosa reliquia, que consta 
de um parallelipipedo de pedra com uma inscrip93o de que damos 
urna copia, tendo por cima uma columna de marmore. Tudo isto esti 



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Fig. 1.* 



196 O Archeologo Portugués 

mettìdo em am nicho, de que damos ama ideia aos nossos leitores 
pelo desenho junto. • 

Urna oliveira, symbolo da paz, coUocada posteriormente ao monu- 

, mento, cobre com a sua sombra 

SAÌiTAi I ZAB aquelle historìco padrSo. 

y lEh RAINHA DE [(fosultimosannosalgaeinqQe- 

PÙRTVX5AL MV NDOV* rendo conservar o monumento fei 
COLLOCAi ES'E PA ' "™*^ reparagoes que tinham um 
DRAM JEj^'E D/Gjtl caracter pouco proprio. 
£^^EMÒRk DA *PAS Ultimamente o sr. general 

CBFICA^O QVE ISEL ^^^^^ ^® Alcantara Gomes, ins- 
LE FEZ ENUE SE/ JVP^ pector dos monumentos na cir- 
RIDO ELREI D. DNIS c™scri5aodo8ul,promoveuares- 
E SFVP^ n AFOM^O ♦aura9ao do padrao, dando-lhe um 

4^rCTAlur%rfc -da cpt^a ^P^^*^ ™^s ®^^^ ^ respeitavel. 
ti A SEDA" Quem passar pela Rua do Arco 

*y5j^ V» ^'^ tKADC doCego,umpoucoantesdechegar 
Vo2r3«^' ao Campo Pequeno, encontra do 

*'*»• *■• lado direito o monumento de que 

estamos tratando, que, apesar de modesto, recorda lun facto de grande 
valor historico. 

Os desenhos (figs. 1.* e 2.*) que acompanham està noticia repre- 
sentam o monumento comò deve ficar depois de concluida a restauragSo 
e a inscripgSo, que tem a data de 1323». 

{Diario de Notieias, de 25 d& julho de 1904). 

Nota. £ desnecessario dizer qae a ìnscrìpcSo é quando muito do sec. xtii. 
Paleographìca e linguisticamente é d*esta epoca. 

11. Um silo em Santarem 

cOs cabouqueiros que andam trabalbando nos terrenos ultimamente 
adquiridos pela camara municipal para o alargamento do cemiterio dos 
Capuchos encontraram hoje ali um silo que deve comportar dez ou doze 
moios». 

{Diario de Notieias, de 21 de Maio de 1S04). 

12. conTento de Santa Clara em Santarem 

«Santarem, 27. — Voltamos a referir-nos de novo ao velho convento 
de Santa Clara (figs. 3.* e 4.*), porque os factos occorridos e as scenas 
vandalicas que se desenrolam à nossa vista provocam o protesto ener- 
gico e reclamam urgentes providencias. 



O Archeologo Portugués 



197 



Qae se seja ignorante a ponto de nào se evocar a historia que 
brilha em cada trecho d'aquella velha construcySo; que se seja, alem 
de Ignorante, indifferente às bellezas d'aquelle antigo convento, bellezas 
esparsas pelas ruinas que os silvedos cobrem, mal se comprehende nnm 
meio de tantas e tILo illustradas pretensSes; mas que se seja cnmplice 
da selvajaria, assistindo-se de olhos cegos às scenas verdadeiramente 
iconoclasticas que dia a dia se praticam naquelle abandonado edificio, 
isso é que em absoluto se nSo comprehende nem descnlpa. 

Se em vez de uma breve locai houvessemos de escrever a mono- 
graphia d'aquelle extincto convento, diriamos que os espectros das da- 
ristas pairavam pelos velhos e majestosos claustros, bradando centra os 
invasores, a quem sobra em gros- 



' * -Ài 




saria e atrevimento o que Ihes falta 
em espirito de arte e delicadeza de 
sentimentos. 

O extincto convento de Santa 
Clara de Santarem, conhecido de 
nacionaes e estrangeiros pelo que 
d'elle se tem escrito, està prestes 
a desapparecer, para viver apeuas 
naquelles escritos e nas photogra- 
phias e gravuras que d'elle se teem 
feito. 

Morta a ultima freira, .... veiu 
a Fazenda Nacional a annunciar a 
venda em basta publica de todo o p, , a , 

continente. Era um encargo e con- 

vinha alijà-Io. Nem historia, nem tradÌ93es, nem bellezas de architeo- 
tura e riqnezas de talha sustaram o impeto. . . ., e tudo se dependurou 
dos labios do pregoeiro, ansioso que qualquer burguès endinheirado 
medisse o seu criterio artistico pelo peso em metros cubicos de alve- 
narìa que aquillo poderia dar. Nem mesmo isso o Estado póde obter. 

Entretanto, surge o Ministerio da Guerra, que se interp3e, formu- 
lando a necessidade do edificio para installagao de servigos militares. 
O Estado cedia a si proprio, continuando assim a perpetuar a lenda de 
que todos os estabelecimentos militares estariam na ma se nSo fossem 
OS conventos. O caso é que o Ministerio da Guerra tomou conta do 
edificio — diz-se que com o intuito de ali estabelecer um deposito de 
fbrragens. 

E à camara de Santarem nem o facto de nSLo ter casa propria para 
ìnstalla$3o do seu hospicio, instituijUo que por muitas circunstancias 



198 



O Archeologo Portugués 



carece de ser melhorada e amplìada, nem o facto de nio possnir casas 
para depositos de todos os materiaes e utensilios adstrictos A adminis- 
tra^ào municipale lembraram a necessidade de solici tar o velho edificio, 
a firn de remediar aquellas graves faltas e de obter recursos, pela venda 

dos materiaes dispensaveis para 
asrespectivas obras, e ainda on- 
tras que pudessem, mais cu menos 
tarde, levar ao estabelecimento 
de um albergue, que tanta falta 
faz em Santarem. 

O convento esti ao abandono, 
preparando de tal modo a completa 
mina que a ninguem aproveita e 
que apenas significa o criminoso 
desleixo a confirmar o desdempelo 
passado. 

Hoje é guarida de cig^os e 
campo de opera^Ses a mal inten- 
cionados. Ali abancam, ali prati- 
cam toda a casta de attentados. 
-Destroem, arrancam e levam o 
que Ihes convem. 

Desapparecem portas, grades, 
azulejos, cantarias; destroem-se 
as arvores das cércas, etc, e nenhum obstaculo se oppSe ao seu furor 
vandalico. 

Taes factos pedem providencias, e se alguem suppSe exagerado 
o que aqui se affirma, duvidando do valor que ali existe, que ali vi, 
percorra o edificio e obsei've, e comnosco concluirà que, se o Minis- 
terio da Guerra nio póde com os encargos, a camara municipal de 
Santarem acceiti-los-lia, porque tem ali muito a aproveitar em bene- 
ficio do proprio municipio». 

(0 Seciilo, de 28 de maio de 1901). 




Flg. 4.* 



18. €emiterio antico da Pena, em Lisboa 

cForam hontem conduzidas ao cerni te rio orientai as ossadas hnma- 
nas encontradas nas escavagoes feitas para a edificagao de um predio 
na Rua de Camara Pestana, antigo Pateo do Surdo, em terreno que 
pertenceu ao cemiterio da freguesia da Pena». 

(Diario de Koticias, de 3 de junho de 1901). 



O Abcheologo Portugués 199 



le. Achado ein Alrito 

Urna dlligenola 

cA policia està procedendo a nma diligeneia sobre um achado na 
villa do Alvito pelo pedreiro Augusto Filipe, que, andando a trabalhar 
num .predio d'aquella villa, pertencente ao Sr. Jo3o Mariano Ferreira, 
encontrou num buraco um pequeno thesouro, que o mesmo tratou de 
g-aardar, vindo pouco tempo depoìs a Lisboa vender os objectos encon- 
trados, que, segnndo consta, sSo 125 moedas de curo, pe$as e meias 
pegas, do reinado de Filipe II de Hespanha e Filipe III de Portugal, 
um grande celiar de euro, tres aneis de oiiro com pedras, um par de 
brincos grandes do mesmo metal, uma salva de prata, um par de cas- 
tigaes do mesmo metal, tres talheres tambem de prata, que o pedreiro 
venderà por 350^000 reis; segundo diz a policia de Lisboa, aquelles 
objectos valem mais de um conto de reis. 

A policia jà mandou chamar algumas pessoas para as interrogar, 
bem corno o ourives a quem os referidos objectos foram vendidos». 

(O Stculo, de 6 de junho de 1904). 

15. Pe^a de adaelag em Pinhel 

tEra a villa de Pinhel, hoje cidade, cercada de muros de cantaria, 
com seis portas e seis torres, a que acrescia o castello com duas bellas 
torres, qne ainda hoje sao, apesar de multo arruinadas, dnas preciosaa 
reliquias de architectura. Alem d'ellas pouco existe das antigas forti- 
ficagSes: mas possue uma pega de artilharia antiga, feita de aduelas, 
que tem muito merecimento archeologico. Eram duas, mas a outra, 
de que ainda restam pedagos, foi victima, em tempo de D. Miguel, 
de reiteradas tentativas de destrui(Io para se Ihe aproveitar o ferro, 
que se nio conseguiu, apesar de todos os esfor^os, tal era a sua re- 
sìstencia». 

(José Osorio da Gama e Castro, Diocese e Districto da Guarda^ 1902, pag. 242, 
nota 3). 

Pedro a. de Azevedo. 



fO escritor consciencioso vae estudando e emendando; a critica, 
auxilia a investigar a verdade, e està é o unico alieerce da historia». 

Teixeiba de Araqao, Vasco da Gama e a Vidigutira, Lisboa, 1898. 
pag. xiv. 



200 O Abcheologo Portugués 



ProtecQfio dada pelos OoTemos, oorporagdes offloiaes 
e Institutos scientifloos A Archeologia 

22. Ezpiora^g na liha de Cos 

O Sr. Herzog, professor em Gòttingen, foi encarregado de fazer 
excava(oes archeologicas na ilha de Cos, o que realizoa no verio de 
1898 com grande resuitado. Em 1902 emprehendeu nova expedig&o 
scientifica à ilha, tendo concorrido para isso o Instituto AllemSo com 
5."000 marcos, o Governo do Wurtemberg com 2:500 marcos, os ca- 
valleiros de S. JoSo com 3:000 marcos, e varias pessoas de Stuttgart 
com 2:000 marcos; os resultados foram ignalmente excellentes. Ha- 
vendo o Sr. Herzog passado por Athenas e exposto noma sessao do 
Instituto AllemSo o resuitado das suas excava95es, o Sr. Dòrpfeld abriu 
urna subscrip^Io destinada a acudir is despesas de nma expedi(ao: 
egyptologo Bissing, vir et docius et dives, deu 1:000 marcos, o lE- 
nisterio de Wurtemberg 2:000, o Instituto AUemlo 4:000, a Academia 
de Berlim 600, o Sieglin e o chanceller allem^ 5:000 marcos cada um. 

(Vid. Revue Archéologique, 1904, p. 130). 



Antigruidades monumentaes do Algarve 

(Elementos para o volnme V da obra que com este titolo comegon a ser 
pnblicada por Estacio daVeiga,— por elle deixados em mannscrito). 

Ot>x*a, postuma 

É sabido que Estacio da Yeiga, o benemerito explorador das antignidades 
algarvias e fundador do Museu do Algarve, hoje encorporado no Musen Etimo- 
logico Portugués, havia emprehendido sobre a archeologìa da sua provincia urna 
obra vasta que intitulon Antiguidades monumentaes do Algarve, de que ebega- 
ram a sair a lume, em vida do autor, quatro volumes (1886-1891), cujos assun* 
tos sao summarìamente os seguintes: 

Yol. I. Monumentos megalithìcos. 

Voi. II. Instrumentos neolithicos avulsos. Placas de schisto omamentadas. 
Bestos anthropologicos. Fauna esparsa. 

Yol. III. Defesa da idade do cobre. Eiqueza mineira da Iberia. Xecropole 
de Alcalà (ou Alcalar). 

Yol. IV. Idade do cobre e do bronze e primeira idade do ferro. Inscrìp^òes 
Sbericas. 

Ao ultimo volnme deviam seguir-se outros. Estacio da Yeiga todavia deixou 
apenas redigidos por inteiro os quatro primeiros capitulos, e parte do 5.* do voi. v. 



O Archeologo Pobtugués 201 

Os quatro primeiros capitulos constam de texto e de nm snmmarìo ; a 5.** capi- 
talo, corno ficou ìnacabado, nfto tem snmmarìo ^ Este mannscrìto foi mandado, 
com muitas provas de estampas lithographicas, para o Minirterìo do Beino, 
donde eu recebi indo, corno director do Maseu Etimologico, em 15 de Fevereiro 
de 1897, acompanhado de nm officio da Direc^fto Geral de Instmcg&o Pnblica, 
d^aqnella data, com o n.^ 34 (Livro xxvi, 3/ Reparti^ao). 

Aggregando-se ao refendo mannscrìto ontros materìaes quc existiam no Mu- 
sen do Algarve, tal corno nm importante Atlas archeologico, e apontamentos 
aynlsos, cartas e catalogos, podem continnar-se, em certa medida, as Antigui* 
dades numumentaes, 

Snppondo qne, se de todos esses materìaes se publicasse n-0 Archeologo 
aqnillo qne parecesse digno de o ser, se prestarìa honra à memorìa de Estacio 
da Yeiga e servilo à scieneia, resolvt-me a fazé-lo. Eia corno procedo. 

Com rela^ ao mannscrìto jà redigido^ fa^ o segninte: 

Gap. I. Beprodnzo o snmmarìo, e o qne no texto vae de pag. 21 até o firn. 

Gap. if. Beprodnzo apenas o snmmarìo. 

Gap. iif. Beprodnzo o snmmarìo, e o qne no texto vae de pag. 1 a 2, de 5 
a 8, e de 11 até fim (pag. 13), sendo porém as paginas 2, 5 e 11 incompleta- 
mente reprodnzidas. 

Gap. IV. Beprodnzo- todo, com o snmmarìo. 

Gap. V. Beprodnzo-o todo. Elle, comò jà disse, ficon inacabado. 

O qne deixo de reprodnzir creio qne nSo interessarìa immediatamente aos 
leitores d-0 Archeologo. Os snmmarìos dizem ò bastante. 

Do Atlas reprodnzo o qne completa os capitulos precedentes, e o qne os con- 
tinua. Os restantes apontamentos, as cartas e os catalogos ntilizà-los-hei o melhor 
qne en pnder, do qne adeante darei conta. 

Escnsado seda dizer qne em nada altero o texto de Estacio, a n&o ser na 
pontna^So e na oi*thograpliia, para ir conforme com as praxes d- Archeologo. 
Qnando en tiver de fazer algnm acrescentamento ou observa^o, isso irà entro 
colchetes. 

J. L. DE V. 



1 Consti taem 5 cademos, correspondendo cada um a scn capitalo: 1.^ caderno, 
com 28 paginas (duas porém completamente em branco) ; 2.<* caderno, com SQ pa- 
ginas (tres porém completamente em branco, e urna riscada) -, 3.*^ caderno, com 16 
paginas (duas porém completamente em branco) ; 4.^ cadérne, com 18 paginas 
(duas porém completamente em branco); 5.* caderno, com 3G paginas. 1.° ca- 
derno està acompanhado de nm mappa craniometro cscrito pelo Sr. Dr. Ferraz 
de Maccdo em foiba à parte. 5.* eademo està acompanhado de alguns desenhos 
e decalqnes de moedas em foiba separada. — Cada caderno, e por isso cada capi- 
talo, tem pagina^ao propria, qne nfto abrange porém os snmmarìos. 

2 Està a lapis, mas assim o mandon Estacio para o Ministerio. Estes capi-* 
tulos foram por elle escrìtos na cama, nos nltimos dias da vida. Fìcl ao sen pro- 
gramma, e firme no sen posto, Estacio morren pensando na archeologia e no Al- 
garve, qne tao querido Ihe era ! 



202 Abcheoloqo Portugués 



CAPITULO I 

Bnmmailo 

A origem ou orìgens da humanidade. — As defini^òes da especie^ da variedade 
e da ra^a. — Confrontam-se os tbcoremas da escola monogenista com os da po- 
lygenista. — Pretende-se mostrar qne entre os individuos de ama ra^ vegetai 
ou animai, derivados de ama tsptcit, ha mais consideraveis differen^as mor- 
phologicas que as que separam as ra^as hamanas. — Bascam-se cxemplos 
em determinados individuos vegetaes, e cm animaes domesticos, tomados 
corno especies, para provar qne cada am d*elles tem prodazido numerosaa 
ra^ai por maio de processos artificiaes, e que por tanto as diversas ra^as 
humanas allo analogamente derivadas de ama unica unidade especifica. — 
Kefuta-se està incorrecta assercao, nSo se admittindo compara^ào entre as 
ra^as vegetaes e animaes, produzidas por artificios industriosos, e as ra^as 
humanas, derivadas exclusivamente da livre selec9lo naturai. — Analysam-se 
as defini^Òes respectivas & especie, & variedade e & ra^, e mostrando-se que 
sSo baséadas em principios desconhecidos, declara-se impraticavel a sua 
applica9ào e sem validadc as conclusdes que d^ellas se tem querido derivar. — 
Indica-se a base fundamental para a inquiriySo das orìgens humanas. — De- 
monstra-se que os criterios da ezistencia do homem sio multo mais antigos 
na Europa qne na Asia. — Prova-se que na epoca geologica em que o genero 
Homo surgiu na terra, nenbuma razSio scientifica excluia o seu apparecimento 
em qualquer ponto da crusta tellurica; que sendo unicamente brancas as 
ra^as autoothones da Europa, e por emquanto provadamente mais antiga 
a etlmogenia europeia que a da Asia, mui presumptivamente as ra9a8 brancas 
da Asia podem ter sido orìginarias da Europa; que assim comò no grande pe- 
riodo terciario era igual a temperatura terrestre desde o equador até os poloa, 
e foi em identidade de condi^ues geraes que em toda a terra surgiram os 
mesmos seres e a grande fauna mammologica, nSo se póde negar k penin- 
sula luso-iberica a faculdade de ter podido dar origem a uma autoctonia 
propriamente sua, estando ella evidentemente demonstrada pelas esta^oes 
do Monte Redondo, do Manzanarcs, de outras muitas fbrma^des quatemarìas 
dos valles do Tejo e do Sado, e pelos kjoekkenmoeddings de Miigem, do Ca- 
be^o da Arruda, de Salvaterra e de outros logares. 



Os factos aathropologicos, embora em numero ainda miaguado, 
parecem confirmar na generalidade da sociedade actual a pennanencia 
dos principaes caracteres ethnogenicos do periodo neolithico e do pre- 
neolithico das esta9oes do territorio portugués, com excepQào do pe- 
queno grupo de cranios que julgo dever inscrever na epoca do predo- 
minio maliometano, comò se ha de ver no mappa das superposi{5es 
perimetricas, que adeante transcrevo de um manuscrìto inedito do meu 
.competentissimo amigo Dr. Francisco Ferraz de Macedo. Està exce- 
pfao é na verdade muito significativa, por deixar perceber que cinco 



O Archeologo Portugdés 203 

sectilos de domìnagSo arabica neste territorio foram insufficiente» para 
alterar os caracteres ethnicos das antigas populaQSes peninsniares. ' 

Outra inducgào de valioso interesse scientifico, e tambem sobrema- 
nein significativa, expressa o refendo mappa: o autor sómente encon- 
troll na Enropa comparativa geometrica para os tjpos ethnicos da tran- 
si{Io que corre dos tempos geologicos até o periodo neolithico; do que 
resulta poder-se considerar que as ra^as da Europa sejam fundamen- 
talmente antoctbones. Nunca porém se chegarà a uma completa com- 
prova93o d'està ord^m, emquanto nSo se puder constituir na Europa 
uma corpora^So de occidentalistas, que sob o ponto 'de vista ethnoge- 
nicO) linguistico e industriai se proponha escrupulosamente extremar 
e que è indigena do que se deve considerar viciado por mescla exotiea. 

Antes d'isso a bistoria das primitivas sociedades europeias nXo se 
poderà completamente escrever nem mesmo sem grave risco preparar, 
estando-se roste a roste com uma escola de poderosos antogonistas, 
mais austeramente asiaticos do que os proprios naturaes do Oriente. 

Trabalhemos todos, cooperando cada um com o fruto das suas inves- 
tigafSes. A mmba contribuijlo é està; nào a recommendo a ninguem, 
podem aproveità-la, ou desprezà-la. Hoje, perante o indifFerentismo go- 
ral, nSo tem certamente o minimo valor; é possivel, porém, que, a seu 
tempo, Ihe achem algum prestimo. 

Comecei a occupar-me d'este assunto no cap. ix do voi. ii d'està 
obra, sendo a sua epigraphe — Observa^^ suscitddcLS pela etimologia 
algarviense. Referi-me entSo aos unicos ossos que tinham ficado no 
Musea do Algarve, por mim descobertos e colligidos em 1877 e 1878, 
pertencentes a jazigos da epoca romana, os quaes foram estudados 
em outubro de 1886 pelo meu mui prestadio amigo Dr. Francisco 
Ferraz de Macedo, tendo tambem estereographado os que ficaram fi- 
gurados nas quatro estampas do referido capitulo. Conviri pois ao leitor 
tornar nota das condÌ93es archeologicas em que foram achados, a fim 
de poder perceber que em grande parte representam typos indigenas 
d'este pais naquella epoca, e bem assim das considera^Ses por mim 
expendidas e pelo insigne anthropologista que os estudou. 

Reproduzo porém aqui a tabella impressa na pagina 497, deduzida 
do registro geral das diversas series nacionaes e estrangeiras, que 
Sr. Dr. Ferraz de Macedo jà tinha estudado e preparado para a sua 
mui preciosa e desejada obra, mais especialmente respectiva à ethno- 
genia do territorio portuguès, em que ainda assiduamente trabalha; 
mas para mais explicitamente se perceber a significarlo que a refenda 
tabella nSo póde a simples vista expender, é indispensavel recorrer 
às referencias e comparatlvas que precedem cada estampa, e que so 



1 

I 
204 O Archeologo PoRTDGUÉs 

o. Sr. Dr. FeiTaz de Macedo podia fazer em vista do ampio cadastmj 
anthropologico que jà entào possuia. 

A tabella é a que vae na pagina immediata *. 

Quandi) a Aeademia de Bellas Artes exìgiu o espa90 em que o Musenì 
do Alga^^ e esteve dez meses franqueado à concorrencia publica com 
o pretexto de poder desenvolver as suas escolas, n^ se descobrìa ent^ 
outro edifìcio do Estado em que se pudesse alojar, e d'este modo fai 
em setembro de 1881 transferi do para as arrecada93es da mesma Aca* 
demìa, purém jà muito alterado na sua organizaQao pela retirada de im* 
portantes eolleegoes partieulares, sobretndo por nlo estarem convenien- 
temente preparadas as casas em que me vi obrigado a coUoeà-lo. 

Vendo pois d'este modo inutilizado um museu que tantos trabalhos 
me tìnha custado, e onde bavia deixado as minbas antigas collecgSes, 
a firn de que ali mesmo conservasse alguma importancia, dirigi- me 
à cidade de Faro e fundei uma soeiedade spientifica sob o titulo de Insti- 
tiito archf'ologico do Algaì*ve. D'essa data em deante, percorrendo de 
novo tiKla a provincia, emprebendi vàrìas explora95es e fiz acquisÌ9So 
de iiimierosos padr5es arcbeologicos de diversas epocas, que conservo 
na niinba residencia campestre, perto da cidade deTavira, suppondo 
poder reoriranizar o museu em Faro com muito maior desenvolvimento. 
Consegui tambem reunir uma collecylo de cranios de vàrias epocas, , 
mas n^o tendo podido reorganizar o museu na capital da provìncia, ; 
a que por todos os titulos pertence, porque o Governo preferiu alo j 
o deixar ?;air de Lisboa, julguei-me obrigado a trazer essa coUec9So, j 
por n^lo ter no Algarve os instrumentos de que carecia para poder 
Esludar os 4b exemplares de que se compunba, representando uma i 
esta9ao noolitliica, uma necropole da transÌ9So da ultima idade da pedra 
para id&tìv do cobre, entra da epoca romana e uma macbara mabo- 
metana. Ciiegaram emfim a Lisboa semente 22 exemplares em estado 
de se poderem estereographar e medir, porque todos os outros, in- 
eluindo os de maior antiguidade, apesar de terem side cuidadosamente 
aeondieìonados, appareceram reduzidos a fragmentos de impraticavel 
rceomposii;jlo. Occupou-se do estudo d'estes, do mesmo modo que dos 
do museiK o Sr. Dr. Ferraz de Macedo, todos porém habilmente este- 
reograpliados corno mostram as estampas cujas copias se dignon offe- 
recer-me J untamente com o interessante mappa, que em seguida trans- 
ci^vo. 

> [Est^eio nao juntou a tabella, pelo menos nUo a encontro no re^ectivo 
legar [to matiuiscrito; corno porém ella j& està publicada no voi. ii das Antiguidadea 
JJfmum''iifftÉifj pag. 497, 6 inutil reproduzi-la aqui. — J. L. de V.]. 



I 






•-■'■ - ..5/ 



M 



O Archeologo Portugués 207 

Apesar de ser mai complexo este mappa, é ao mesmo tempo de facil 
comprehensSo. 

Mostra o autor as saperposÌQSes perimetricas de cada ama das ea- 
l>e9as osseas do Algarve qae estereographou e compara-as com mais 
de 700 perimetros antero-posterìores de outras cabe9a8 contemporaneas 
portuguesas e estrangeiras de vàrias epocas, designando os logares 
onde existem, as terras em qae jaziam, os sexos, as idades, os numeros 
da serie qae formam e os do registro no sea cadastro geral; faz em se- 
guida as comparativas perimetricas horizontaes; junta a tudo isto al- 
gumas elncida^Ses esplicati vas; continua com dois quadros accessorios 
das percentagens respectivas ao perimetro antero-posterior e ao indice 
cephalico, bem comò às medias d'este indice, confrontado com as da 
Crania Ethnica de Quatrefages e Hamy, de varios grupos estrangei- 
ros, e termina com urna serie de interessantes conclusSes. Numa nota 
expressa finalmente a significa9ào das abreviaturas que empregou. 

Aos poucos trabalhos anthropologìcos que entre nós hào sido em- 
prehendidoS; quasi sempre por inicìativa particular, se devem jà muitas 
e valiosas manifesta^Ses. As solu93es definitìvas dependem porém do 
desenvolvimento systematico que neste pais estSo reclamando os es- 
tndos concementes à geologia e à archeologia, tanto paleoethnologica 
comò historica. 

Compete ao Ministerio de Instruc93o Publica nio adiar por mais 
tempo estes importantissimos estudos cuja falta està inhibindo muitas 
aptidSes distinctas de contribuirem para o progresso scientifico nacional, 
se, com effeito, aos expendidos fundamentos, que determinaram a insti- 
tuÌ9So d'esse ministerio, presidiu o patriotico intuito de levar a cultura 
intellectual em todos os ramos de conhecimentos humanos a nivelar-se 
com as das mais najSes de mais adeantada sabedoria. 

APPENDICE AO CAPITULO I 

I«— Carta cireolar 

[Entendi que podia juntar aqni em appendice a carta circolar, redigida evi- 
dentemente por Estacio, que servia nSo so de programma do Institnto Archeolo- 
gico do Algarve, a que acima se allude, mas de con vite às pessoas que dese- 
jassem alistar-se na classe de socios. Està carta està impressa em duas paginas. 
Instituto nào foi por deante. — J. L. de V.]. 

. . Sr, — Està fundada na cidade de Faro uma sociedade scienti- 
fica, intitulada e Instituto Archeologico do Algarve», tendo a seu cargo: 

Reunir nesta cidade todos os monumentos e artefactos da industria 
antiga sómente encontrados nesta provincia, a firn de organizar numa 



20& Archeologo Portugués 

t , I I . .1 », ... 

parte do edificio do Seminario, jà concedida, um maseu de antignidades 
prehistoricas e historicas, que represente scientificamente a feìglo ar- 
cheologica d'està zona geographica. 

Promover com a maxima brevidade a funda9lo e progresso de urna 
bibliotheca publica na mesma cidade, para por este poderoso meio &- 
cultar a instrucQ&o a todas as classes. 

Publicar periodicamente um Boletim illustrado de archeologia mo- 
numentai, em que sejam registrados e descritos todos os futures desco- 
brimentos verìficados nesta provincia, e tenham publicidade os estudos 
que melhor ideia possam dar da riqueza archeologica algarviense, bem 
corno todos OS que possam contribuir para a solu^ao dos grandes pro- 
blemas concernentes à ethnologia e ethnographia europeia, e por este 
meio estabelecer tambem as possiveis rela9des com todos os institutos 
da sua indole, tanto nacìonaes, corno estrangeiros. 

Publicar, sempre que for possivel, as memorias e monograpfaias 
avulso, que Ihe sejam offerecidas, sobre qualquer especialidade archeo- 
logica d'està provincia, quando tenham sido examinadas pelas sec^Ses 
a que os assuntos pertengam e approvadas pela redacgSo do Boletim, 
que exercerà as funcgoes do conselho censor. 

Promover e admittir prelecjSes publicas sobre assuntos respectivos 
ao programma dos trabalhos pertencentes às secfSes, para por este meio 
attrahir aos seus auditorios as aptidSes mais distinctas e illustradas, 
incitar o gesto e preparar os talentos para està cultura da instrucgSo 
superior do nesso seoulo. 

Procurar os precisos melos para emprehender explora9Ses archeo- 
logicas em logares nio ainda explorados^ ou naqaelles que tenham 
apenas tido simplices reconhecimentos. 

Velar pela conservagao dos monumentos religiosos, civis e mili- 
tares de toda a provincia, empenhando os maiores esfor90s para im- 
pedir a sua demolÌ9ào ou qualquer alterarlo no estilo architectonico 
fundamental e solicitar as repara9Ses ou restaura9oes parciaes dos que 
manifestem ruinas, ou desfigura93es que tenham alterado a pianta 
e estilo synchronico da primitiva construc93o. 

Finalmente, revindicar perante o pais a considera9§lo que compete 
a està desprotegida provincia com o simples facto da funda9ao do Ins- 
tituto Archeologico e por todos os melos de que possa dispor, sendo 
um dos principaes o congresso de todas as pessoas illustradas por seus 
conhecimentos scientificos e literarios e distinctas por seus elevados 
sentimentos patrioticos. 

Com este programma trata a Direc9ao Geral do Instituto de con- 
vidar as pessoas de maior distinc9So de toda a provincia para se alis- 



O Archeologo Pobtugués 209 

tarem nas classes de Socios Correspondentes, Socios Provinciaes e So- 
cìos jBenemeritos. 

Socios Correspondentes podem ser, nas quatro cidades, onze villas 
e sessanta e seis freguesias do Algarve, todos os individuos de reconhe- 
cida iliastra^So que queiram prestar-se ao desempenho dos servÌ90s 
que Ihe forem solicitados pela Direc9ào Geral, ou pelas secgSes espe- 
eiaes em que 'se acha dividido o Instìtuto. Cabe-lbes o zeloso dever de 
participarem ao director do museu o descobrimento de qualquer anti- 
guidade que se verifique no territorio do concelho em que residam 
e impedirem por todos os meios ao seu alcance a destrai$So do objecto 
descoberto, quando nSo possam logo adquiri-Io por generosa eoncessSo 
do proprietario para o enriquecimento do museu. Tem accesso a classe* 
de Socios Effectivos, quando nesta elasse haja vacaturas e fixem a sua 
residencia na sède do Instituto^ ou em distancia tal, que Ihes permitta 
o desempenho dos cargos para que forem eleitos. Tem logar reservado 
nas sessdes solemnes, e nas das secjSes o direito de discussào. Tem 
livre entrada no museu com a faculdade de desenharem, copiarem 
e tomarem quaesquer apontamentos. Tem direito a um exemplar de 
todas as publica93es do Instituto pelo simples custo da impressa©, e re- 
ceberào gratuitamente um diploma corno titulo que qualifica os seus 
meritos pessoaes. A sua contribuigao pecuniaria limita-se à, joia de 
500 réis pela entrada e à diminuta quota mensal de 100 réis. Nas 
outras provincias do reino so podem ser Socios Correspondentes os 
escrìtores que houverem publicado alguma obra de archeologia e os 
individuos de mais comprovada illustra9ao, bem comò nos reinos es- 
trangeiros so os sabios qu^ tiverem obras publicadas sobre algum dos 
assuntos de que se occupa o nosso Instituto. Para os correspondentes 
nSo residentes no Algarve nào ha encargos pecuniarios, mas as mesmas 
mencionadas regalias, quando se apresentem ao presidente, ao secre- 
tano geral, ou ao director do museu. 

Socios Provinciaes podem ser em todas as terras do Algarve as 
pessoas de maior distincs&o de ambos os sexos, que comprehendendo 
elevado alcance de uma tal instituÌ9ào e a honrosa nomeada que este- 
facto deve conquistar para està provincia até agora tao esquecida 
e mal cuidada, qusierem por seu brio pessoal, por seus sentimentos 
patrioticos e por uma especial dedica9ào pelo progresso do seu pais 
natal, concorrer para a manuten9So d*esta sociedade scientifica com 
a mesma diminuta contribuÌ9ào estipulada para os Socios Correspon- 
dentes. Compete aos Socios Provinciaes o zeloso servÌ90 de communi- 
earem ao director do museu o descobrimento de algumas antiguidades 
de que tenham noticia e de empenharem o seu valimento para que 



210 O A&CH£OLOGO POETUGUÉS 

nSo sofFram destruÌ9fto, quando nào possam adquiri-las e assim ao- 
mentarem a riqueza archeologica do museu. Para a classe dos cor- 
respondentes e mesmo para o enchimento das vacaturas no quadro 
dos effectivos podem transitar os provinciaes, quando reiinam as con- 
digòes exaradas nos estatutos, e com rela9So a direitos sSo equiparados 
aos correspondentes. 

Socios Benemerìtos podem ser as pessoas de ambos os sexos qae 
em suas propriedades permittirem explora^oes e cederem em proveito 
do museu os monumentos e artefactos antigos que se deseobrirem, oa 
que ji tenham sido anteriormente descobertos; podem ser os collecto- 
de antiguidades do Àlgarve que depositarem no museu as suas coUee- 
gSes, por haverem entendido ser mais util para si e para todos te-las 
accessiveis ao estudo do que ignoradas nos sèus domicilios ; podem ser 
os possuidores de selectas livrarias, que preferirem deposità-las na 
bibliotheca do Instituto a té-las em sua residencia som tao grande uti- 
lidade, os ofFerentes de monumentos e livros valiosos, os consignantes 
de terrenos em que haja antiguidades irremo vi veis e de verbas que au- 
xiliem pela sua importancia o progresso do Instituto, ou que declarem 
por um documento escrito contemplà-lo com algum legado. SSo estes 
socios isentos de qualquer contribuiamo pecuniaria; gozam todos os di- 
reitos dos das classes de correspondentes e provinciaes, e por Copecial 
distincgào terào os seus nomes inscritos num quadro emmoldurado e affi- 
xado numa sala do museu comò em considera9lo aos seus servi^os. 

Em geral todos os offerecimentos valiosos, feitos ao Instituto por 
qualquer pessoa, serào registados e agradecidos. 

Expendidos pois os iìns que o Instituto Archeologico do Algan'e 
se propSe desempenhar e os testemunhos de especial apre90 com que 
contemplarà todas as pessoas que queiram auxilià-lo nos seus empre- 
hendimentos: na qualidade de representante da commìssào filìal da 
Direc9Eo Geral na sède d'este concelho, tendo na mais particular con- 
sidera9ào as distinctas qualidades de V. , tom a liberdade de 

inscrever o nome de V. na classe de Socios , 

declarando que sera solicitado a Direc9ào Geral o respectivo dipiuma 
para as pessoas, que, passados tres dias, nlo devolverem ao presi- 
dente d'està commissào o presente convite com a declara9So da sua 
ìAo esperada recusa. 

Com a mais subida considera9ao subscrev — De v. , m.*" 

rev.*® e respeitoso = *. 



I 



1 [Os claros deviam ser preenchidos conforme as pessoas qiie assinassem a 
circular e aquellas a quom ella fosse dirigida.— J. L. deV.]. 



O Archeologo Portugués 211 



A moeda de D. Antonio cunliada em Gorcum 

Em 1903 o editor Johannes MiiUer, de Amsterdam, publìcou La 
monnaie da roi Awtoine de PoHugal à Gorichem (Gorcum)^ por L. M, 
Rollin Couqnerque. E um livro com 161 pags. de texto e 80 pags. 
com varìos docamentos ineditos, qae o orìgìnaram, 15 em hollandés, 
7 em frances e 1 em italiano. Impresso eom luxo e esmero, é illustrado 
com duas estampas phototypieas que mostram typos figurados no voi. i 
das Moedas de Portugid, por Teixeìra de AragSo, estampas xx^^II e 

XXIX. 

O autor comega por esaminar as causas eomplexas que tomaram 
prospera a sitoagao monetaria da Hollanda nos fins do seculo xvij 
mesmo atrarés de contrariedades, movidas por cambistas sem escni- 
pulos e pelos fabrìcantes de moeda falsa estrangeira, qae ali eireulava. 

O commercio entre Portugal e aquelle pais era entlo multo impor- 
tante, apesar das guerras com a Hespanba, mantide principalmente 
por Judeus portugueses, descendentes d'aquelles que ali procuraram 
refugio na epoca nefasta do fanatico D. Joio in, e por isto a moeda 
de cunhos portugaeses nio faltava para acompanhar o movimento mo- 
netario. 

Segaidamente o autor occupa-se da vida politica de D. Antonio, 
desde a sua elevagXo à reale za até que morreu pobre e abandonado 
no exilio. 

Na longa narrativa expSe, bem definìda e comprovada, a hìstoria 
da casa monetaria de Gorcum, restabelecida em 1583 por um par- 
ticular, moedeiro Hendrik van Velthuyzen, a instancias do frances 
Pierre Dor, que ent&o era embaixador do rei proscrito junto dos Es- 
tados Geraes da Hollanda. A officina progrediu. Foi notavel a activì- 
dade que desenvolveu até 20 de Fevereiro de 1591, anno em que a mu- 
nicipalidade de Dordrecht ordenou à sua extinc^Io. Até 22 de Fevereiro 
de 1586 cunhon moedas de curo e de prata em nome de D. Antonio, 
moedas que circularam nio obstante a inferioridade do seu quilate. , 

O livro encerra informa5oes numismaticas, que interessam espe- 
cialmente aos portugueses. Nào resistimos ao empenho de apresentar 
resumé de tres documentos comprovativos ali compendiados, que dio 
noticias até ao presente ignoradas; elles destroem considera93es hypo- 
theticas, que de longa data chegaram i actualidade no mesmo estàdo 
morbido em que nàsceram. 

Pelo documento n.® m sabe-se que Pierre Dor, em 10 de Outubro 
de 1583, ordenou ao moedeiro e proprietario da officina de Gorcum 

14 



212 O AttCREOLOGÒ PORTUGUÉS 

qae lavrasse cineo padrSes de moeda de ouro e nrn so padrào de moeda 
de prata. 

A ordem, tal qual foi expedida, diz: 

1) La monnoye appelée le Portugues à son pois apertenant et d'alloy 
de vingt dcux caratz et ung grain, remède denx grains libres. 

2) Le milleres (moeda de dois cruzados) à son pois apertenant et 
d'alloy de vingt caratz, remède deux grains libres. 

3) Le demy milleres (cruzado de 500 reaes) à Tadvenant au mesme 
alloy. 

4) L^escu de Portugal à petite croix (cinizado com a emz de S. Jorge) 
à son pois apertenant et d'alloy comme le milleres. 

5) LVscu de Portugal à haulte croix (cruzado com a cruz sobre 

monte calvario) à son pois apertenant et d'alloy de dixneuf carats 
et demy, remède deux grains libres. 

G) Le teston (tostSo com a cruz da ordem de Chrìsto) de Portugal 
pesant 30 pièces le mare et d'alloy dix deniers, remède deux grains 
d'alloy et deux estrelains au pois libres. 

Pela traduc93o francesa do documento n.^ xiv, a pags. 89-90, 
vè-se que foram cunhados estes padrSes em 1583 e, posteriormente, 
outros de ouro, frac^Ses do portugues, comò se segue. 

7) Le demi portugalois monnayée le 18 juillet 1585; son poids 
éiait exact et comportait 11 esterlins 12 as. On en avait frappé pour 

1 mark. 

8) Le quart d'un portugalois datant du 25 aoùt 1585 dont on avait 
frappé un marck, 7 onces, 16 esterlins; pesait 5 esterlins 24 as. 

9) Le seizième d'un portugalois datant du 25 aoùt 1585; pesait 
1 esterlin 12 as. 

As tres moedas, 7) 8) 9), figuradas na estampa xxix de Teixeira , 
de AragSo, foram assinaladas com a letra P à esquerda do escudo de I 
armas de Portugal com as respectivas designa$3es fraccionarias k di- 
reita. Este autor interpretou, hypotheticamente, a letra P por peso j 
e as fracgSes por subdivisSes d'elle, o que nSo é exacto. O proprio 
documento acima refendo trata o assunto rigorosamente & luz da ver- 
dade. 

A moeda 7), n.** 5 de AragSo, */« — P, é o meio portugues, equi- 
valente a 5 cruzados; a moeda 8), n.® 6 de Arag&o, */4 — P, é o quarto 
de portugues, ou dois e melos cruzados e a moeda 9), n.^ 8 de Aragio, 
V*« — P> é * decima sexta parte do portugues, equivalente a dois e 
meio tostSes de prata. Lemos da direita para a esquerda, porque as 
legendas monetarìas nSo se léem do modo contrario. Seria inadmis- 
sivel ler em P — Vi portugues meio. 



O Archeglogo Portuguès 213 

Pelo documento n.** iv fica patente o motivo que deu logar à.cunha- 
gem da imita§ao do franco de Henrique III, figarado sob o n.® 7 da 
estampa xxviii de AragSo. 

Em 23 de Junho de 1584, Pierre Dor, por soUicitagSes da admi- 
nistra^So da casa monetaria de Gorcum, ordenou que fosse cunhada 
xnoeda de typo novo, do mesmo peso dos tostSes, de la mesme forme, 
pkilozomiej inscription et coing quii est paurtraict cy-dessous, e juntou 
o desenho que se reproduz aqni. 



• •'••• 






A barbaridade artistica d'este esbo90 permitte que hoje seja ava- 
liada a competencia do diplomata na politica monetaria. Com effeito, 
cedendo &s soliicita95es dos moedeiros, nSo viu que a sua excentrica 
imitagào do franco henriquino seria necessariamente fatai ao exito do 
intuito ìnteresseiro a que se propunha. 

Nao póde ser mais detestavel està prova de incapacidade artistica, 
que OS moedeiros aperfeÌ9oaram comò Ihes convinha*. No exergo do 
busto foi impressa a letra A, que póde significar ANTONIVS ; porém 
ANGRA é que nSo significa, porque é impossivel admittir que as 
moedas de Gorcum fossem criadas paraviajar a té às Ilhas dos AQores, 
onde dominava o poder de Filipe II de Espanha desde 11 de Agosto . 
de 1583, sabendo-se que as primeiras emissSes appareceram depois 
de 10 de Outubro d'este anno, corno jà dissemos. 

No reverso da moeda foram impressas as letras P R, (PORTV- 
GALI^ REX) talvez para que o vulgo as confundisse com a letra H, 
inicial de HENRICVS, coUocada na parte centrai da cruz floreada dos 
francos autenticos. Os moedeiros, habeis na technica particularmente 
secreta do officio, com estas altera95e8 amoedaram prata de 7 dinhei- 
ros! Desde entào a moeda de D. Antonio soffre u grande abaio no seu 
credito antigo. 



^ Yeja-se o n.° 7 da estampa xxviii de Àragao. 



1 



214 O Abcheologo Portugués 



O facto contrìbuiu para que se inallograssem os esfor^os que o in- 
feliz rei fez para angariar meios pecuniarios, provenientes dos direitos 
de senhoriagem, com que novamente se defrontasse com o poder do 
seu irreconciliavel inimigo, em cujas mtos a fiUalidade e a infloeneia 
de traidores coUocou o sc^tro dos reis de Portugal. 

Para concloir està breve serie de noticias interessantes, diremos 
qoe n%o se deve estranhar qae nas duas estampas do livro do Sr. Rollin 
Couquerque falte a moeda n.® 4 de Àraglo, cuja legenda no reverso t 
TANDEM BONA CAVSA- TRIVMPHAT, porque os seus cunhos 
jà nilo existiam em Gorcum no anno de 1868, corno Renier Chalon 
diz a pag. 32 da monograplùa Don Antonio Rai de Portvgal, san hh- 
toire et ses monnaies. A moeda foi, corno nos parece, le milhrcs, 2i, 
ou dois cruzados de curo. 

O livro do Sr. Couquerque é escrito em frances. A linguagem. 
finamente borìlada, e o assmito, de tao palpitante attractivo, deliciam 
o leitor até à pagina final. Os 23 documentos comprovativos, que o 
autor eucontrou em differentes arehivos, principalmente nos jndiciats 
e communaes de Gorcum, dao à narrativa historica autenticidade que 
nSo tem contradita possiveL 

Lisboa, Outubro de 1904. 

Manoel JoAQum DE Cahpo8. 



Um oastro com murallias 

Umas das ruinas mais imponentes de muralfaas castrejas eao as que 
ainda hoje se podem ver na sertaneja freg^esia de Oabreiro, concelbo 
de Arcos de Valdevéz, em um alto caboto situado numa ramificarlo 
da serra do Suajo, e chamado o Crasto dea Necessidades. £xplorei-o 
em Agosto de 1903. 

A muraiha, que o rodeia, tem uma extensSo total de 440 metros 
e uma largura mais ou menos uniforme de 2 a 3 metros. As pedras 
que a compSem, n2o tiveram lavor algiuu, e s^ de dimensSes maito 
variaveis. A tare£a de as eondiizir das encostas e cabe^os circumvià- 
nhos é que se póde considerar obra verdadeiramente titanica. O accesso 
para este alto é aspero, principalmente do lado do O., sobre o rioVez, 
acima do qual se ergue 300 metros. Para E. o declive, com ser ainda 
muito forte, é mais suave, mas nao deixaria de oflferecer grande emba- 
ra^o para o transporte do pesado material. 

As pedi'as sSo brutas, e tiveram de ser procuradas a differentes dis- 
tancias, onde os numerosos afloramentos graniticos tìvessem sido cor- 



O Archeologo Pobtugdés 



215 



roidos pela ac^ào dos agentes naturaes, por fórma que apresentassem 
desaggregamentos snperiiciaes. No estado actiial das mnralbas, o para- 
mento é pois rude; apenas se^roenraya collocar horìzontalmente e à 
face cada um dos calltaiis. Existem grandes intersticìos qne perraittem 
a escalada ao menos acrobata dos exploradores. A altura primitiva 
d^estes muro» nio deveria exceder 2 metros, a jalgar pela por9lo des- 
moronada e em mina; està attnra, qae poderi parecer insufficiente para 
o valor defensivo da fortaleza, deixa de o parecer, se attendermos a qae 
o pendor das encostas, janto das mnralhaS| era o maior obstacnlo aos 
aitìantes. . 




ManShM do cMtro de Cabreiro (Arco* de YaMerés) 



A pianta do circuito muralliado é proximamente trìangular, em obe- 
diencia apenas à fórma do morrò, mas, pelo mesmo motivo, as moralbas 
nio estlo no menno jJano horizontal, nem apresentam cortìnas rectas 

ou regulares senào sinnosas, ao sabor das ondulasoes da terra. 

Na extremidade norte d'este ambito, a qnal vem a ser o vertice 
do triangolo, a moralha fórma tosco esporSo on revelim muito saliente 
e agudo, ciija espessura attinge o maximo de 8 metros. Em mnitos 
pontos, OS constructores d'està obra aproveitaram a penedia do monte 
para assegurarem a defesa e elevarem a mnralha. 



216 O Archeologo Pobtuqués 

Sao coevas do crasto estas muralhas? E preciso dizer-se que orna 
construcgSo, que hoje naquetle logar se fizesse de pedras bratas, terìa 
Gxactamente o mesmo aspecto. O que lida em favor da grande antigni- 
dade d'estas muraihas é menos o seu paramento, de aspecto primitivo 
alias, do que a sua grande espessura, a pequenez do seu circuito e asna 
situacfto na crista de um eabe9o. Nao ha vestigios de fosso algnm. 

Aquella pergunta é-me porém suggerida pela escassez dos vestìgio^ 
proto-historicos dentro do recinto. 

O mais importante para o archeologo fica sendo, num caso comò 
este, apenas a toponymia e a lenda. Se dentro chegou a haver casas 
ou habita9oes de pedra, de typo castrejo, devo confessar que ji as nSo 
encontrei. E quem sabe que estabilidade teve a popula9ao que tao o&- 
sadamente assim coroou o morrò de granito? Terìa sido um refugio de 
popula95es, que, babitualmente mais disseminadas por aquellas monta- 
nhas invias e asperrimas, temeram um dia a invasào de conquistadores 
disciplinados, de cujo poder o eco longinquo tivesse coUeado pelas ravi- 
nas d'aquellas serras acima? 

O povo das cercanias ere insistentemente que no castro ha the- 
souros encantados, tendo-se feito mais do que uma tentativa infrub- 
fera para arrancar o rieo segredo à terra. 

Um rapaz, que ro9ava mato no alto do cabe90, contou-me que um 
tio d'elle jà fora com outros fazer ali uma escavagao. Era necessario 
dizerem, chegados que os pesquisadores fossem ao ponto sonhado : arrt 
diabo! e para logo a terra se abriria, comò se abriu effectivamente; 
mas um dos da manga, atemorìzado com o estampido que acompanhou 
phenomeno, soltou um ingenuo ai Jesus! que foi a perdÌ9So do the- 
souro. Logo a terra, com fragor pavoroso, cerrou-se sobre si, corno 
que irada, recusando o mysterio da sua riqueza*. Tinha sido certo iste. 
Contàra-lh'o o tio, aìnda apavorado com a lembran9a do caso. Fosse 
eu perguntar-lh'o e vena. 

Pareceu-me isto urna especie de aviso que elle me fnzia, adivinhando- 
me inten9oes. 

No melo do castro ha um penedo com uma pia escavada*, que 
mede 2"*, 10 de comprimente, 0™,70 e 0",80 de largura e 0"\20 de pro- 
fnndidade. a Era dos mouros darem de beber aos seus corceisi. Pois 
isso devia ser. 

Do interior do recinto partem duas estradas subterraneas, que em 
rampa violenta vao dar a dois pégos profundos, um no rio Véz, ao 



1 Vid. Arch, Poti., iv, pag. 289. 



O Abcheologo Poktdgués 217 

X>o5o de Padella, outro no de Cabreiro, ao P090 Negro *. Nunca ninguem 
as viu, nem sequer as taes bocas, mas isso ó mesmo. Elle là as ha. 
Ao f undo do castro para SE. vé-se urna fonte, j unto da qual levantaram 
urna capella (Senhora das Neeessidades). Um caminho lageado cyclo- 
pieamente, quasi corno urna estrada romana, passa ao pé, subindo as 
encostas em ingreme e tortuosa ladeira, desde là de baizo, do fundo 
<lo valle. SHo as classicas cal9adas das nossas serras. 

Pois na manhl do S. JoSo, antes do sol apontar, saia da fonte urna 
moara, que punha ali um tendal de roupa alvejante. Acertou de passar 
jiaquelle dia pelo sitio certa mulher, que sentiu desejos de urna camisa 
de criaii9a que a mòura avellava. Atràs dos olhos foi a mao sacrilega; 
mas eis senSo quando estremece o ar em turbilfaào uivante e a pobre 
crìatnra espavorida corno que sente empuxSo irresisti vel, que Ihe arre- 
bata a pe9a cobÌ9ada. Ainda agora foge a atrevida! 

A tal pia. . . era um thesouro que là estava. Assegura-se prlmeiro 
que teve tampa (tal nfto vi, nem sinaes), e que depois està foi levantada 



* Nilo pude visitar estes pégos cu P0908. Visitei porcm outro, ao qual estA 

ligada a importante Icnda, de que os velbos de Cabreiro, tidos por inuteis e pe- 

sados 4 popula^slo, eram nelle prccipitados. Dizem que nao tcm fundo. Kram os 

proprios filhoe que os conduziam à aresta do abismo. £ um dia certo yelho, fin- 

glndo-so Burprehendido com filbo o tornar aos bombros, perguntou: Onde me 

levas, fiJbo? Hesitando o filho, sac-se vclbo com està : Ab, beni sei ; onde meu 

neto te ha de levar a ti ! Caindo cm si o mo^o, volta costas e torna a casa, alom- 

bando com o feliz velho. D'abi, dizem, acabou a negregada costumcira. (Està 

lenda, notarci de passagem, tem paradigmas noutras localidades). Ora o tal 

pb9o vale a visita de um viajante e de um geologo. Aquelle para sentir as cmo^òes 

do pcTÌgo, estc para admirar mais um trabalho dos seculos. Cbama-se pégo da 

Olla, que, por menos que se queira, é tal qual urna palavra latina que significa 

talha, potè ou urna grande de barro cozido. Agora, vejam se a configura9rio do 

pégo correspondo de algum modo à denomina^ao popnlar. Imaginem um regate, 

que entra cousa nSo é o de Cabreiro, afogado entre margens ingremes e pcnbas- 

cosas. O seu leito é urna agglomeracSLo do grossos calbaus rolados, que emigram . 

de roldSo a cada encbentc. Num ponto, ba um desnivel de 10 metros de altura, 

por onde a agua se dcspenba num sendal de espuma. £ corno alcapao do pégo. 

Logo as margens se cstreitam até quasi se fecliarcm na boca do abismo, cujo 

diametro é pois, apcnas de 3 metros. Da borda do penbascò A tona da agua vao 

10 metros, a prumo. £ comò um furo que gigantesco trado abrisse no duro gi-anito. 

Em baixo, a agua, que negra agua ! sem transparcncia, passa cm borbotdes que * 

veem do faad».. fa« a9adaAi M i ii i ì i , ffln«Éai iHge>gaBg|fw4» ywifiiMii ii iidi . Kaafftóas, 

fimnUdwia.pìyte, de penbascò, véem-se tra90s longitudinaes, qne aspcdrae arras- 

tadas e snspensas na corrente vertiginosa das cheias marcam irresistivclmento, 

corno pontas de diamante. Este estreito buraco, assim perfnrado em longuissimos 

McnlaB »a roefaa viva, com a profiindidadc de 17 metros, constitue, creio eu, uma 

siugiflai ■nMÉni''d<KfMHbiN4ÉBfi^pMr-ftl«n do mais. 



218 O Archeologo Pobtdgués 

por homens de animo e nao menor ambigSo, que se associaram para 
a empresa. Eram muìtos; pois a cada um couberam seis moedas do 
cobre (!) que là encoutraram. 

Isso de hirhora» com asas, que voavam de hds allos para 08 ootros 
e até mamayam cmnìto serenìiihasf nas vacas do monte, era eonsa 
vista e até jtirada por algiins dos proprios traballiadores que reuni par» 
a explora9So. 

Estas lendasy o onomastico e a sìtnagSo do cabe^o bSo perraittem 
ver-se naqnellas ruinas ontra consa, senSo vestigios mais cu menos 
pnros da fortaleza castreja. 

Qaanto à pia, sab^tem dnvidas no men espirito. 

Explorei onde havia indìcios de constme^^s. Os mais ipiportantes 
eram de ama edificag^o rectangniar de ò^^jòOXé'^^lO, medìdos na parte 
interna das paredes que tinham 0^,60 de espessura. Todos os entnlhos 
Oli montSes de calhans e terra que se aecumidaTam centra està parede, 
quasi rasa com o chSo, n§o deram mais do qne fragmentos de iegulat 
e imbrices. Quis ver o fundo dos alicerces e ahi mesmo sobre terreno 
nXo remexido encontrei tegulae. Tinha pois sido moderna a constnic^So 
d'aquelle edificio, cnjas paredes eram argamassadas. 

Contigua a està, houvera outra casa tambem quadrìlonga e de quasi 
iguaes dimensSes. No mesmo alinhamento, e proximo, outros alicerces 
marcavam um pequeno recinto qnadrado, de mais reduzido tamanho. 
Estas construcQoes estavam proximas da pia. Fiquei convicto que ne- 
nhum valor archeologico podiam ter. Foram habita$oes modemas e cer- 
tamente temporarias. Aquelle logar é todo exposto às frìas nortadas 
e quasi inhabitavel no inverno, e os edificios grandes de mais, para 
habitagSLo de montanheses. 

E possivel que, por occasiSo da invasSo bespanhola posterior a 1640, 
aquelle castro tivesse sido aproveitado pela sua situa9£o especial, corno 
sentinella ou posto avansado. Por estas serras desceu o general Pantoja 
na sua incursào ao valle do Vèz. Nenhuma memoria on. tradìflo en- 
contrei, porém, d'este facto presumiveL 

Yarìas sondagens em outros pontos do castro nenhum resnitado 
deram. Nem um caco omamentado! Completa desolarlo archeolo- 
gica! 

PoderSo ter sido as muralhas levantadas naigum pmodo das pri- 
meiras lutas da nossa nacionalidade? NIo me parece qne a architectura 
militar d'aquelle tempo ou posterior possa explicar este genero de 
construcgSo. 

E pois indispensavel admittir que aquelle cabeso foi assento de 
povoa^ao ou fortaleza proto-historica; é verosimil que ulteriormente, 



O Abcheologo Pobtdgués 219 

em epocas indetermìnaveis, està sitaa^Ho estrategica fosse aproveitada 

para nossa defesa fronteirìga. Nao sei expplicar de outra maneira a 

completa destruiglo de vestigios caracteristicos d'estas esta^defl. 

Oatabro de 1904. 

F. Alves Feseira. 



Frcigmento de urna inscrip^o romana de iUvaa 

No castello de Elvas appareceu, e foi jà recoDiida no Museu Mani- 
cipal, por diligencia do Sr. Antonio Thomas Pires, o fragmento de urna 
àmia de marmore, de 0",23 X 0";19, em que se le o seguinte, que 
copiei do originai: 

FLAVIA 

HEVERA 

Represento por pontos o que falta da 2/ palavra. A altura das letras 
é de (V",35. 

A 1.^ palavra nao comegava na extremidade da pedra, mas um 

pouco mais dentro. O S da 2.* palavra devia comegar no principio 

da linha. 

J. L. deV. 



As insulas nos documentos portugueses mais antigos 

Em diversos logares dos Pm'tugaliae Monumenta Historica encon- 
tra-se menalo de imuìae sìtuadas em regioes do norte de Portugal. 
Com o firn de as localizar, trabalhei por encontrar as correspondencias 
dos antigos nomes com os modemos^ sem todavia conseguir aquelle 
firn, o que se verificarà nas palavras com que antecedo cada um dos 
trechos dos Diplomata eé Ckartae que colligi. 

Na secalo da mesma publicagao intitulada Scrittore» encontram-se 
tantbem mengoes de inMvla», que sSo as que se segaem. 

Na Vida de 8. Basendo ', pag. 39, 1.^ col., lé-se o a^uinte: < Abbas 
uero coactus cum paucis eius tirannìdem fugiens in insulas de corugio, 
ut saltem ibi deo quiete seruiret, profectus est». 



^ JRaaendo è o antigo nome Budenndus cu BodesiuduSj no qual o elemento 
Sude, Eegwaào Meyer-Lftbke, Bomaniwhe Namendudien, i Die àUpcri. Ptnom- 
namen gtrmamsehm Urtprungtj pag. 37, signifiea Rukii^ cu gloria. £m Lisboa ha 
nm beco boje cbamado do Ròsendo que pdos documentos antigos e pelo Tombe 
da Cidade, c<»nposto depeis do terremoto de 1758, se Té ter tido a denomina^ao 
de Beaende. O nome Bosendo é multo estimado pelos Gallegos meridionaes, em 
virtude do santo ter vivido nessa regiSo. 



220 O Archeologo Pobtugués 

No privilegio do Papa Alexandre do anno 1163 da Encama^lo, 
qiie se encontra na Vida de D. Telo, pag. 74, 1.* col., falla-se na «/«- 
sidam quoque que dicitur oueiroa». Oveiroa é provavelmente Ovein> 
(Oveiró?), povoagSo situada na freguesia de Ovoa (nXo Ovoa), de cuja 
freguesia dizia o parodio em 1758 ^: e No Principado da Beira e &a 
comarca e Bispado de Vizeu, entro as margens dos Bios Mondego e 
Dam, em bua Peninsua {sic) que ibrmILo os doìs rios so acha ^laada 
em bua quazi planiee a antiga e pequena villa de Ovoa». Pareee, por- 
tanto, que a primitiva ilha ficou, no decurso dos annos, presa a terra 
firme em virtude do aterramento de um dos bragos que a cingili. 

Na Vida de S. Theotonio, pag. 83, 1.* col., encontra-se o passo se- 
gainte: tUnde nimietatibus uentorum per insulas grecie deuectas, mul- 
tos in itinere labores passus. . •». 

Finalmente na narrativa da conquista de Santarem, por D. Affonso 
Henriques, encontram-se referencias &s lezirias e mouchSes que impe- 
dem curso regular do Tejo: cPreterea planicies ipsa est paludibus 
piena et insxdis, et ob hoc nemini pernia, nisi nauibus temporibus con- 
gruis». Pag. 84, 2.* col. 

Nos Diploììiata et Ckaìiae encontram-se repetidas referencias a in- 
sulae, as quaes para maior eommodidade vSo numeradas do modo que 
se segue. 



- Num documento de 922 encontramos noticia da uUla de instila uoca- 
buio sancii iacobis subtus monte codar, Estas designa98es fazem con- 
eluir que a uUla de insula ficava na moderna freguesia de S. Tiago 
de Codal, concelho de Macieira de Cambra. A parte do documento onde 
sé encontra a men^So a que me reiiro, é a seguinte: 

922. fEt in calueli {Caludlo, freguesia de S. Miguel de Junqueira) 
ràtionem de magistro egela et de magistro blatus quanta illos continet 
inter suos fratres tam in calueli quam etiam et de ìlla parte camia (no 
Caima). et uilla quam dicunt cella nona quomodo diuidit cum uilla lan- 



1 Geographia de Portvgal, ixvi, 383 (Ms. do Arcbivo Nacional). O mesmo 
parodio diz: «aparecem alguns vestigios de ter sido abitada de Mouros on Gente 
Barbara por se acbarem em algutis montes corno no sitio do Patarìnho poco dis- 
tante da villa algaas concavidades ou pedras, com forma de sepulturas artificial- 
mente feitas». ( Pag. d87).Tambem na freguesia limitrophc do Pinbeiro de Azere, 
segando me dizem, ba a intitulada Fedra da Loja, qne o rnm jiil|:a nif — ■ witiì 
em que babitavam os Mouros, os quaes se ser\àam de raiifiiiwì ri nirnni dn jfdin 
que OS nisticos ainda julgam vèr. 



O Archeologo Portugués 221 

ritello {Lordello, freguesia de N. >S/" de Villa CkS) et uilla armentari 
(jArmental, freguena de S. Tiago de Codal) et uilla todemondi {Tkea- 
9nonde, freguesia de N. S.^ de Villa Chà). Et de alia parte uilla de in- 
sula uocabulo sancto iacobi subtas monte codar (S. Tiago de Codal), 
Et de alia parte camia uilla de palaciolo (Pago, freguesia de S. Joao de 
Cepèllos) cum sua ecclesia uocabulo sancto iohanne de zopellos {S, Joào 
eie Cepellos)^ quos dedit gutierre monizi. Pag. 16. 

II 

No concelho de Villa Verde, do districto de Braga e freguesias de 
Soutello e Oleiros na confluencia dos rios Homem e Cavado encontramos 
em 960 notìeia de uma insula, a qual se torna hojo impossivel localizar. 
£Ì9 as partes eompetentes dos documentos que a mencionam: 

960. € villa de lalin {Larim, freguesia de S. Miguel de Soutello) cum 
adiuntionibus suis villa de arca (Arca, freguesia de aS.'" Maria de Tuìnz) 
VììÌB, de Sancta eolalia (SJ"* Eulalia de Loureiraf) villa de fontanelle 
(Fontdlo, freguesia de S. Miguel de Soutello) cum suis ecclesis in as 
YÌlIas et per suis terminis. leuat se de ilio portu de catane (rio Cavado) 
et perge ad illa ponte petrina (ponte romana do Porto, na freguesia de 
S. Miguel de Soutello f) et conclude illa bracata et inde ad illa bornaria 
et inde per ille uallo et figet se in riuulo homine (rio Homem) ad ilio 
portucarreiro et inde infesto per riuulo homine et fere in suari ad foce 
de mandones et sursnm in ripa homine. villar sauaraz (S. Tiago de Sa- 
boria f) ab integro cum quantum in se obtinet et de illa petra balestaria 
quomodo iacet illa uarsena usque fere in homine ab integro et perge 
per ille fontano de mandones inter villa uerde (S. Paio de VUla Verde f) 
et sancta eolalia et figet se in termino de baruudo (SJ^ Maria de Bar- 
budo) in agro que dicent couello (CoveUo, freguesia de /S.'" Eulalia de 
Loureira) et inde per ilio vallo (Vau, freguesia de SJ*^ Eulalia de Leu- 
retraf) in termino de turisi (5.'" Maria de Turiz) et uay per ilio uallo * 
ad ilio mulione de onegildo et exinde per ilio comare de ilio monte inter 
lìuane (OlivSo, fregìiesia de S, Juliao da Lage) et archa et inde ad fonte 
coua (Fonte Cova, freguesia de 5.'« Maria de Twiz) et fere in vallo 
inter ollarios (/S.'* Marinha de Oleiros) et fontanelle et inde ad ille fon- 



* abbadc de Turiz cm 1758 {Dice. Geogr., ina90 xxxvii, pag. 1214) diz: «fica 
està dentro de hum yallo cu trinchcjra quo mostra ser hua pra9a cu forte 
daquelles tempoe em que nio havia polvora e baia». Cfr. Archeologo Portu- 
gués, viu, 258. 



222 O Arcdeologo Portugués 

tano dìscurre inter sautello (5. Miguel de Soutello) et ìasnla et piega 
in cataao ad ille porto de infemales et inde onde primiter incoaiiiiDiisi. 
Pag. 50. 

1050. fiEt ripa c(xtauo villa Ialini (Larim, freguesia de S. Migmd 
de Soutello) integra cnm suo mandamento, villa santelo {S. Miguel de 
Soutello) cmn suos incommoniatos ab integro, villa fontanello {FowkUo, 
frcguesia de S. Miguel de SouteUo) etiam et cum suos incommffiiiatoa 
ab integro, villa inuoladi * integra, villa arca {Arca, freguesia de SJ^ Ma- 
ria de Turiz) similiter cum suos incommaniatos ab integro, villa por- 
rales^ integra, villa sancte Eulalie (SJ^ Eulcdia deLoureiraf) cum sno 
mandamento ab integro, villa vilela cum sno mandamento integra, villa 
insula rodonda^ et illa bragada in foae de rìanlo homìne integra, villa de 
gndesteo gundnlfiz integra, villa gontarazi ^. viUa snari. villa nillar sana- 
razi (S. Tiago de Sahorizì). villa parata cmn suos adiantìones et illas 
narzenas de parada cnm seqaeirolos. villa pausata de qnintilla gaadiniz. 
villa uimaranzinus et incommuniationes in nilla molas {SJ* ^Maria de 
Moz). villas ambas louegildit (SJ^ Maria de NùvegUde) com soas adiun- 
tiones. villa liuan (Olivào, fi^eguesia de S. JuliSo de Lage). villa mauri 
(S, Martinko de Moure) et sendamondanes ^ et de uilla plana {S. Tiago 
de Villa Ckàf) medietate. et de monasterio viUar que fuit de cidi salsa- 
dorit vi* integra, et in ripa feueros (Febros, freguesia de 5. Juliao da 
Lage) in gualtari un pausata, et in ripa de purizo {Pori$9o^ fregnegia 
do Salvador de Parada de Gratini) in Gondini hereditates de zendas et 
de aragunti integras. et inter castro seco et purizo inter casa de fofino 
et de arias ipsa hereditate que in medio iacet. Et in villa baltari et odo- 
rici hereditate de reirigo et de sua mulier integra. . .». Pag. 258. 

Ili 

No districto de Aveiro em (Jois documentos, um de 1050 e o outro 
de 1077, apparece-nos urna insula. Se as localiza^Ses a que procedi 
slU> eicactas, deveria ficar na freguesia de S. Joào de Loure (lÉa[ii]Ii?) 
e junto aoYouga. 



1 Envoadi, fi'egaesia de S. Miguel de SouteUo, nas InquIrÌ9oes de 1258; PaW. 
Mon. Hiat, pag. 434. 

2 Porraes, Port. Mon. Hist, pag. 434. 

3 Rodondo? PoH. Mon. Hi*t^ pag. 436. 

4 Gontiriz? Na fregnesia de S. Miguel de Soatello ; PoH, Mon. HiH., pag. 435. 
' Zamnndaes oa Samundaes, freguesia de S.^* Maria de Novegilde, Pori. 

Mon. Hist., pag. 437. 



O A&CnEOLOGO POBTUGDÉS 223 

1050. «Lali {S» Jo3o de Laure f) quomodo diuide per illa insula de 
ping'nero (Pinheiro, freguesia de S, Joclo de Laure?) et de saaalanes 
per ut illa conbona * solent facere. sancta maria de lamas (>§.'* Maria 
de Lamas) medì[et]ate integra per suos terminos per ut sparte per illa 
petra de contensa et de alia parte per illa lag-ona de sub porto de belli 
et quomodo diuide de alia parte uauga per cima de illa lacona de sub 
porto de belli in suo directo diuide cum belli, et de fareganes medietate. 
Et medietate de Castrello et tercia de arraual {Arrabal, freguesia de 
S. Pedra de Vallongo), Et de totum ualle longum (5. Fedro de Vallongo) 
quarta integra. Et faramontanos {FermentZes, freguesia de S. Fedro de 
Vallongo) tertia integra. Et de uilla seTen{Serem,firegue9ÌadeS, Chrie. 
tovcLo da Macinkata do Vouga) tertia integra, et de uilla lafafi {Jafafe, . 
freguesia de S, Christovao da Macinluita do Vouga) med2[et]ate ìntegra. 
Et de monasterio de cedarim {S. Joào Baptista de Cedrijn) medietate 
integra. Et de sua villa de paratela (N, S.^ de Faraddla) medi[et]ate 
intera. Padazanes (Feda^àes, freguesia de SJ* Maria de Lamas) ad 
integro per suos terminos quomodo diuide cum christouaunes {Crosto- 
vàes, freguesia do Salvador de Trofa) et cum couellas {CoveUas, fre- 
guesia do Salvador de Trofa) per ilio fontano ciun suo molino et ilio 
fontano dìscurre prò ad uauga {Vouga) per. ut ilio diuidiui cum maio- 
rinos de rex dom fredenando. et de alia parte per estrata maiore. et de 
alia parte quomodo diuide cum lamas {S,*^ Maria de Lamas) per illa eoua 
de ilio sauuqueiro {Sabugueiro, freguesia de S.^ Eulalia de Aguada de 
Cima?) de ripa de Vanga, et de uilla sagatanes {S. Fedro de Segadàes) 
quarta integra, et uilla de bolfelar {Bolfiar, freguesia de /S.'" Eulalia 
de Agueda) rìba agata {Agueda) totum ad integro. Et in rìba de Certuma 
{Certoma^) uilla paratella ad integro et faramontanellos {S.*^ André de 
Fermentellos) ad integro et in barrios {S, Miguel de Oliveira de Bairrof) 
aurentana (A^. S.^ da Conceigào de Ourentà). Santa; maria de lamas 
que fuit de auolengo. Zedarim {S. Joào Baptista de Cedrini) que fuit 
de auolengo. faramontanellos que fuit de auolengu. paratella de auo- 
lengo. aurentana de auolengo sala cum suis salinas de auolengo. et uilla 
de recardanes {S. Miguel de Recardàes) medietate. cum media de sua 
eclesia quomodo diuide ciun barriolo (^.'® André de Barro) et cum eiras 
de alia parte cum spinelle (A^. >§."■ da Assungao de Espinhd). et de alia 
parte agada casal de lausata diuide cum abciquinis {Assequins^ freguesia 
de SJ^ Eulalia de Agueda) et de alia parte cum ederoni^ {Ororìhe, fre- 



1 Vid. Viterbo, Elucidarlo, voi. i, pag. 295. 

2 ProBiincìa-se na regiao Cérteina. 

3 Eirol? 



224 O Archeologo Portugués 

guesla de N. S/^ de Espinhelì) et in illa marina costa sala tertia de 
alaueiro {Aveiro), et de ilias uilias. que sursum sunt nominatas de ano- 
lenga et de ganata quomodo diuisi illas dòm gunzaluo quando sedia 
in monte maiore (Monte- Mor-o- Velho) per manus de rex domno adefonso 
et per sua persolta et per ueritate et per manus de ille comes menendos 
luci qui illa terra inperabatt. Pag. 231. 

1077. ali sunt uillas nominatas de auolenga. sala cum suas salinas 
que est de insturio in esteiro unde non dam ciuadera ad rex. et de 
ganantia tertia de alaueiro (Aveiro). de ganantia lali (S. JoSo de Lauref) 
quomodo diuide cum pignero (Pinheiro, fregueaia de 8. Joào de Lauref) 
et cum saualanes per illa insula ubi illa conbona soUen facere. de sega- 
danes (S. Fedro de Segadàes) quarta, de ganantia pedazanes (Pedacàes, 
freguesia de S.^ Maria de Lamas) quomodo fui illa de ille comes domno 
didago et diuide per illa strata maiore et de alia parte diuide per ilio 
termino de sancta maria de lamas (SJ^ Maria de Lamas) et de alia 
parte cum crestoualanes {Crastovàes, freguesia do Salvador de Trofei) 
et cum couellas (Covella$j id.) per ilio fontano que discurre prò ad 
uauga cum suo molino sic ganaui eam ad integro, et de auolengo me- 
diciate de sancta maria de lamas quomodo diuide cum pedazanes per 
ilio sauuquero {Sàbugueiro, freguesia de 8.^^ Eidalia de Aguada de 
Cimai) que sta in illa coua de riba de uauga et de alia parte per illa 
lagena de susana (Soaa?) per ilio bico de sub porto de belli et in suo 
directo trans uauga et de alia parte per petra de contensa. et de ga- 
nantia medietate de farelanes quomodo diuide cum mazinata (8, Chris- 
tovào de Macinhata do Vouga) et cum eira uetra per uauga et de alia 
parte cum faramontanos (Fermentdes, freguesia de 8. Fedro de VaUongo) 
et illa uarzena que iace ìnter farelanes et castrello ' de quomodo conpa- 
rauit illa de teton arualdiz. et medietate integra de castrello est de ga- 
nantia. et quarta de arraual (Arrabal, freguesia de 8. Fedro de Val- 
longo) de ganantia. et tertia de faramontanos de ganantia. et tertia 
de ualongo {8. Fedro de VaUongo) de ganantia. et medietate de recar- 
danes {8. Miguel de Recardàes) quomodo diuide cum spinelle (N. 8.^ da 
Assungào de Espinhel) et de alia parte cum barriolo (8. André de Barro) 
et de alia parte cum eiras et tras agada (rio Agueda) casal de lausato 
de ganantia quomodo diuide cum ederoni (Oronhe^ freguesia de N. /S."* 
do Espinhel f) et de alia parte cum abciquinis (Assequins, freguesia de 
8.*^ Eulalia de Agueda) per ilio fontano que discurri ad ilio porto de 



1 



^ parodio de VaUongo, cm 175S, declara ser Crestello do termo da sua fre- 
gaesia. 



AUCIIEOLOGO POKTUGUÉS 225 

sancta eolalia de aaolengo faramontanelos (S. André de Fermentellos' 
in riba de Certnma {rio Certonìo). paradella in riha de certuina de auo) 
lengo. aureutana (N. /S."* da ConceigSo de Ourentà) in barios (S. Miguel 
de Oliveira de Bairro?) de auolenga. medietate de monasterio de oe* 
darim (S. Joào Baptìsta. de Cedrini) et de sua villa, paradella in riba 
de uauga de auolenga. et quarta de seren (Serem,freguesia de S. Chris* 
tovao de Macinhata do Vouga) de ganantia. et medio de lafafi {Jafafe, 
id,) de ganantia et quarta de crestoualanes. {CrastovUes, freguesia de 
Salvador de Ttofa) et quarta de segadanes {S, Fedro de SegadSes) 
de ganantia». Pag. 334. 

IV 

A insula indicada no documento seguinte ficaria talvez no coneelho 
de QuimarSes: 

1058. «Àdicimus etìam in ipso territorio villa Jquod dicunt villa 
mediana integra cum ineommuniatione de menendo et eum alias ineom* 
muniationes {sic) et- adiuntiones fora de ipsa villa hi prope sunt. in uilla 
cellariolo et insula. . •». Pag. 249. 



Das povoagSes mencionadas no documento citado as unicas que 
se podem identificar corno logares modernos sào Orelhudo, que està 
situado no coneelho de Coimbra, e Portunhos, no coneelho de Canta* 
nhede. 

1087. cdamus atque concedimus uillas nominatas. in uilla portunias 
iS. Jidiào de Portunhos) continent nobis de ipsa uilla de duas partes 
III** rationes de istas tres rationes quinta parte concedimus. et in uilla 
margedub nostram rationem quintam concedimus. et in uilla oreluti in 
ipsas insulas inter ambas illas aquas nostram rationem quintam conccT 
dimus. . .». Pag. 409. 

VI 

Apenas se póde calcular que ficaria no districto de Coimbra a iV 
sula adeante indicada. 

1098. cfacip carta uenditionis de decimam partem de ipsa uilla que 
uocatur paludem que fuit de tuo pater et de tua matér. Et ipsa decima 
de ipsa uilla similiter et de molino et de insula textauit mater tua do* 
mum sancte marie». Pag. 516. 

Pedko a. de Azevedo. 



226 O Archeologo Portcocés 

Onomastico medieval portugruès 

(Continiufio. Vid. o Ardi. Pori., ir, 118) 

Brandiamo geogr., 1220. Inq, 83.— Id. 573. 

Braudiela, rio, 1258. Inq. 732, 1.* ci. 

Brandiia, n. h., 915. L. Preto. Dipi.' 14. 

Brandiiaz, app. h., 1041. Doc. tnost. Moreira. Dipi. 192. 

Brandilazi, app. h., 1033. Tombe S. S. J. Dipi. 172. 

Braudiliz, app. h., 991. Doc. most. Moreira. Dipi. 99. 

Brandilizi, app. h., 989. Dipi. 98. 

Brandiluiii, app. h., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9. 

Braudlrigo, n. b., 952. Doc. most. Arouca. Dipi. 37. 

Brandom, app. h., sec. xv. S. 345. 

Braudoriz, geogr., 1258. Inq. 695, 2.^ ci. 

Brandum, n. h., 1220. Inq. 155, 2.^ ci. 

Braolio, n. h., 984. Doc. most. Lorvào. Dipi. 90. 

Braolioui, app. h., 911. Dipi. 11, n.* 17. 

Braoliz, app. h., 1060. Doc. most. Pedroso. Dipi. 267. 

Brasa, app. h., 1258. Inq. 340, 1.* ci. 

Braulanes, villa, 1220. Inq. 166, 2.* ci. 

Brava, app. m., sec. xv. S. 179. 

Bravadaes, casal, 1258. Inq. 639, 1.* ci. 

Bravaes (S. Salvatore de), geogr., 1220. Inq. 38. 

Bravaes (S. Salvatore de), geogr., 1220. Inq. 189, 2.* ci. 

Bravara, geogr. (?), 1258. Inq. 390, 1.* ci. 

Bravoes, casal, 1258. Inq. 390, 2.* ci. 

Brazoo, geogr., 1258. Inq. 403, 2.* ci. 

Breatiz, n. m., sec. xv. S. 257. 

Breavia, casal, 1258. Inq. 438, 1.* ci. 

Brechal, app. h., 1258. Inq. 40^, 1.* ci. 

Brectus, n. h., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138. 

Bredo, app. h., sec. xv. S. 273. 

Pregada, geogr., 1258. Inq. 691, 2.* ci. 

Bregaes (S. Jacob de), 1220. Inq. 164, 1.* ci. — Id. 71, 1.* ci. 

Bregal. Vide Vallis B. 

Bregiam, geogr, (?), 1257. For. S. Martinho. Leg. 673. 

Bregonha (Borgonha), nagSo, 1453. Àzur. Chron. Guiné, 17. 

Bretam e Bretoni, app. h., 1220. Inq. 256, 2.* ci. 

Bretandus, n. b., 960. L. D. Mum. Dipi. 51, n.^ 960. 

Bretario, n. h., 1075. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 322. 



O Aecheologo Poetugués 227 

Breteedelos (S. Laurentio de), geogr., 1258. Inq. 335. 

Breliz, app. h., 1075. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 322. 

Breto, fonte, 1258. Inq. 511, 1.* ci. — Id. 510, 2.-» ci.— N. h., 1008. 

L. D. Mum. Dipi. 123. 
Bretoy, geogr., 1258. Inq. 406, 1.* ci. 
Brelus, n. h., 915. Dipi. 14.— Id. 62. 
Brpvia, geogr., 1258. Inq. 593, 2.* ci. 
Bria, app. h., 1258. Inq. 368, 2.* ci. 
Briatiz, n. m., sec. xv. S. 296. 

BrìchiquaDes, villa, 1033. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 170. 
Bringuella, n. m., sec. xv. S. 286. 
Bringaeyra, n. m., sec. xv. S. 226. 
Brio, app. h., 1258. Inq. 314, l."^ ci. 
Briolanja, n. m., sec. xv. S. 254. 
Brisoyla, app. m., sec. xv. S. 273. 
Britello, villa, 973. L. D. Mum. Dipi. 70.— Id. 409. 
Britelo, geogr., 1220. Inq. 38, 1.* ci.— Id. 52 e 413. 
Brilo, geogr., 1080. Doc. most. Moreira. Dipi. 352, n.^ 585. 
Britteiros, villa, 1089. L. D. Mum. Dipi. 259. 
Britto, villa, 1047. L. D. Mum. Dipi. 215. 

Brocas, geogr., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.*, p. 2.*, C. 185. 
Brochardo, app. h., sec. xv. S. 149. 
Brocheìro, app. h., 1258. Inq. 297, 1.* ci. 
Broes, app. li., 1174. Leg. 403. 
Broga, casal, 1220. Inq. 143, 2.* ci. 
Bronili, n. m., 1021. L. D. Mum. Dipi. 153. 
BronUli, n. m., 1044. L. D. Mum. Dipi. 203. 
Bi-oulaes, villa, 1258. Inq. 166, 2.* ci. 
Brounhaes (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 197, 1.* ci. 
Broyli, villa, 1258. Inq. 493, l.**' ci.— Id. 589. 
Brualio ou Broalhio, app. h., 1220. Inq. 2, 1.* ci. 
Brualo, app. h., 1220. Inq. 75, 2.* ci. 
Brucheiro, app. h., sec. xv. S. 174. 
Brucia, app. h., 1258. Inq. 667, 2.* ci. 
Bruialo, app. h., 1258. Inq. 695, 2.* ci. 
Bramaes, ribeiro, 1055-1065. Leg. 347. 
Broniales, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 250. 
Brunaes (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 197, 1.* ci. 
Brunarios, geogr., 1258. Inq. 707, 2^ ci. 
Bruuderigus, n. h., 936. Doc. most. Moreira. Dipi. 25. 
Brunedo, geogr., 1258. Inq. 662, 1.* ci. 

15 



228 P ÀBCHEOLOQO POBTUGUÉS 

Bruneiro, geogr., 1258. Inq. 390, 2.* ci. 

Bruuiaes (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 144, 1.* ci. 

Brunido, geogr., 1258. Inq. 615, 2.* ci. 

Bpnnilli, n. m., 1044. L. D. Mum. Dipi. 203. 

Buardo, app. h., 1258. Inq. 476, 2.* ci. 

Buball, app. h., sec. xv. S. 334. 

Bubeiro, geogr., 1258. Inq. 409, 2.* ci. 

Bacas, geogr. (?). Inq. ? 

Bucellis, app. h., 1258. Inq. 577, 1.* ci. 

Bucho, app. h., 1258. Inq. 556, 2.* ci. 

Bucos, geogr., 1220. Inq. 52, 2.* d. 

Buffo, app. h., sec. xv. S. 182. 

Bagalal, geogr., 1258. Inq. 692, 1.* ci. 

Bugaleiro, geogr., 1220. Inq. 144, 2.* ci. 

Bugalho, app. h., sec. XV. S. 204. 

Bugalias (Cortinal das), geogr., 1258. Inq. 437, 2.* ci. 

Bugalio, app. h., 1258. Inq. 344, 2.* ci. 

Bugaloo, app. h., 1258. Inq. 689, 2.* ci.— Id. 705. 

Bugaloos, geogr. (?), 1258. Inq. 706, 1.* ci.— Id. 710. 

Bugaos, geogr., 1220. Inq. 124, 1.* ci. 

Bugiam, geogr., 1220. Inq. 154, 1.* ci. 

Bugiaos, villa, 1220. Inq. 41, 1.* ci. 

Buila^ app. h., 1115. Leg. 140, 2.* ci. 

Buina, n. h. (?), 1258. Inq. 523, 2.* ci. 

Buiro (S. Martino de Val de), geogr., 1220. Inq. 51. — Id. 195. 

Buivaes, geogr., 1220. Inq. 144, 2.* ci. 

Bulfardo (casal de), geogr. 1258. Inq. 344, 1.* ci. 

BuUardo, n. h., 1220. Inq. 37, 1.* ci. 

Bulum ou Bolou (BolSo), geogr., 1111. For. de Coimbra. Leg. 356. 

Buuili (S. Jenesio de), geogr., 1258. Inq. 586, 2.* ci. 

Buragaes, geogr., 1220. Inq. 46, 1.* ci. 

Burduanga, app. h., 1258. Inq. 392, 2.* ci. 

Burel, app. h., 1258. Inq. 339, 2.* ci: 

Bureza, app. h., 1115. Leg. 141, 1.* ci, 

Burgaes (S. Jacobo de), geogr., 1220. Inq. 164, 1.* ci.— Id. 71, 1.* ci. 

Burgala, n. m. (?), sec. xi (?). L. D. Mum. Dipi. 564. 

Burgalaues, geogr., 1097. Dipi. 513, 1. 4. 

Burgana, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci. 

Burgarios, geogr., 1099. L. B. Ferr. Dipi. 536. 

Burgarius, geogr., 1258. Inq. 641, 1.* ci. 

Burgueiro, app. b., 1258. Inq. 435, 1.* ci. 



O Archeologo Pobtugués 229 

Bargueiros, geogr., 1258. Inq. 436, 1.* ci. 

Burgues, app. h., sec. XV. S. 164. 

Burlai (S.'* Maria de), geogr., 1258. Inq. 404, 2.* ci. 

Bario (S. Martino de Val de), 1220. Inq. 195, 1.» ci. 

BurraUa, app. h., 1220. Inq. 159, 2.* ci. 

BuVraos, Burroos e Buroos, geogr., 1220. Inq. 25, 2.* ci. 

Burufi (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 66, 1.* ci. 

Bupufo, geogr., 1220. Inq. 81, 1.* ci. 

Barvanes, geogr., 1258. Inq. 533, 1.* ci. 

Busaeos, geogr., 1258. Inq. 562, 1.* ci. 

Busca Vida, app. h., 1258. Inq. 379, 2.* ci. 

Busco, app. h., 1258. Inq. 531, 2.* ci. 

Busgala, n. h., 960. Doc. most. Moreira. Dipi. 49. 

Bustaia, app. h., 960. Doc. most. Moreira. Dipi. 50. 

Bustello, geogr., 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi. 450. — Inq. 479. 

Bustm, geogr., 1258. Inq. 578, 2.» ci. 

Busto Fi'io, geogr., 1220. Inq. 43, 1.* ci. 

Butalia, n. h., 1220. Inq. 246, 1.* ci. 

Butteiros, app. m. (?), sec, XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 184. 

Buual, app. h., sec. xv. S. 342. 

Buval, app. h., 1258. Inq. 436, 2.* ci. 

Bazacco, monte, 1037-1065. L. Preto. Dipi. 279.— Id. 116 e 149. 

Bazaco, monte, 919. Doc. most. LorvSo. Dipi. 14. — Id. 71. 

Bazaeos, geogr., 1258. Inq. 563, 1.* ci. 

Buzaqueira (Cortiar de), geogr., 1258. Inq. 304, 1.* ci. 

Buzom, app. h., 1258. Inq. 346, l.^^cl. 

Bazzako, monte, 1006. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 120, n.^ 196. 

Byno, casal, 1258. Inq. 416, 1.* ci. 

Bysaleirus, app. li., 1258. Inq. 599, 1.* ci. 



Caal, app. h., 1258. Inq. 310, 1.» ci.— Id. 321, 1.* ci. 

Caal de gallis, rio (?), 1223. For. Sanguinhedo. Leg. 598. 

Gaambra, app. h., sec. xv. S. 200. 

Caani, geogr., 1258. Inq. 646, 2.* ci. 

Caariz, geogr., 1258. Inq. 646, 2.* ci. 

Caas, geogr. e app. h., 1258. Inq. 357, 2.» ci. 

Caaveipas, app. h., 1258. Inq. 378, 1.* ci. 

Cabaaza, app. h., 1220. Inq 113, 2.» ci. ^ 

Cabaazal, geogr., 1258. Inq. 646, 2.^ 45I.. 



230 O Archeologo Portugués 

Cabaazos (S. Michaele de), geogr., 1220. Inq. 180. 

Cabaliares, geogr., 1018. L. Preto. Dipi. 148, n.^ 238. 

Caballuni, geogr., 1224. For. Mur9a. Log. 600. 

Caballus mortuus, geogr., 1258. Inq. 513, 1.* ci. 

Cabaualis, geogr., 1258. Inq. 645, 1.* ci. 

Cabauelas, geogr., 1068. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 290. 

Cabanellas, villa, 1100. Doc. Most. Pendorada. Dipi. 545. 

Cabanisj geogr., 1258. Inq. 735, 1.* ci. 

Cabanoes, geogr., 1258. Inq. 738, 2.* ci. 

Cabaiiooes, app. h., sec. xv. S. 346. 

Cabaiioso (S. Salvatore de), 1220. Inq. Ili, 1.* ci. 

Cabe^a, app. h., 1258. Inq. 684, 2.* ci. 

Cabe^.a braua, app. h., sec. xv. S. 260. 

Cabeca da Vide, geogr., sec. xv. S. 317. 

Cabeca de vaca, app. h., sec. xv. S. 155. 
Cabeceiras, geogr.. 1258. Inq. 305, 1.* ci. 

Cabedo, villa, 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 230. 

Cabellos, app. h., 1220. Inq. 179, 2.* ci. 

Cabelos, app. sec. xni. Leg. 391. 

Cabelos d'euro, app. h., sec. xv. S. 263.— Id. 267. 

Cabelus, app. h., 1220. Inq. 223, 2.* ci. 

Cal)exoh*a.s, geogr., 1258. Inq. 657, 1.* ci. 

Cabeyzeiris Basti, geogr., 1258. Inq. 661, 2.* ci. 

Cabeza, geogr., 1258. Inq. 525, 1.* ci. 

Cabeza cauada, geogr., sec. xiii. Leg. 301. 

Cabeza de porca, geogr., 1244. For. Proenga-a-Nova. Leg. 632, 1., 17. 

Cabeza dopa. Vide Dopa. 

Cabezarius, geogr., 1258. Inq. 665, 2.* ci. 

Cabezeiros, geogr., 1258. Inq. 615, 2.* ci. 

Cabezudos (S. Christovao de), geogr. 1220. Inq. 155. — Id. 64 e 202. 

Cabrai, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.% p. 2.% C. 182. 

Cabrazaua, monte, 1097. Dipi. 511, n.^ 862. 

Cabreira, geogr., 1220. Inq. 83, 1.* ci. — S. 171. 

Cabrll, geogr., 1258. Inq. 414, 1.* ci. 

Cabrilo, app. h., 1258. Inq. 321, 2.* ci. 

Cabroelo, geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci. 

Cabrolo, geogr., 1258. Inq. 579, 1.* ci. 

Cabrom, app. li., sec. xv. S. 179. 

Cabroueira, geogr., 1258. Inq. 533, 2.* ci. 

Cabrourilo, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 261.— Id. 308. 

Cabrones, geogr., 1258. Inq. 574, 1.* ci. 



O Aecheologo Poktugués 231 

Gabrancam de Savarigo, geogr., 1258. Inq. 642, 2.* ci. 

Cabpuiicos, rio (?), 1142. Leg. 377. 

Cabpuno, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262. 

Cacanes, villa, 976. Doc. most. da Qraga. Dipi. 75. — Inq. 558. 

Cacavelaa, geogr., 1258. Inq. 438, 1.* ci. 

Cacavelos, casal, 1049. Dipi. 227. — Inq. 343, 2.» ci. 

Cacella, geogr., sec. xiii. Leg. 253. 

Cacem, geogr., sec. xiii. Leg. 253. 

Gachafal, geogr., 1258, Inq. 561, 2.* ci. 

C:achapaes, casal, 1258. Inq. 437, 1.* ci. 

Cachapanes, geogr., 1220. Inq. 96, 2.* ci. 

Caehaza, app. h.. 1258. Inq. 367, 2.* ci. 

Cacheipo, app. h., 1258. luq. 608, 1.» ci. 

Cachius, n. h., 1258. Inq. 734, 2.* ci. 

Cache, app. h., sec. xv. S. 202. 

Cachoo. Vide Rigariam de C. 

Cachopi, app. h., 1258. Inq. 707, 1.* ci. 

Cacim, casal, 1258. Inq. 395. 1.* ci. 

Cacurra, app. m., sec. XV. S. 383. 

Caccio, app. li., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.", p. 1.% C. 43. 

Cadabo, rio, 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57. 

Cadabom, rio, 1044. Doc. most Moreira. Dipi. 203. 

Cadarrom, app. h., sec. xv. S. 183. 

Cadauo, rio, 959. L. D. Mum. Dipi. 46. — Inq. 293. 

Cadauon, rio, 1061. Doc. most. Moreira. Dipi. 269. 

Cadavaes, geogr., 1208. Inq. 358, 1.* ci. 

Cadaval, geogr., 1258. Inq. 405, 2.* ci. 

Cadeiron, geogr., 1224. For. de Murga. Leg. 600. 

Cadela, app. h., 1258. Inq. 353, 2.^ ci. 

Cadeli, geogr., 1220. Inq. 35, 2.* ci. -Id. 115. 

Cadelo, app. h., 1258. Inq. 353, 1.* ci. 

Cadili, app. h., 1258. Inq. 704, 2.* ci. 

Cadilius, app. h., 1258. Inq. 694.— Id. 737. 

Cadilo, app. h., 1258. Inq. 726, 2.* ci. 

Cadouces, rio (?), sec. xiii. Leg. 524. 

Cadenzo, geogr., 1255. Leg. 654. 

Caeudo e Canedo, geogr., 1212. For. Canedo. Leg. 561. 

Caenlo, geogr., 1258. Inq. 514, 1.* ci. 

Caentura, app. li., 1258. Inq. 340, 1.* ci. 

Caeriz, app. h., 1258. Inq. 646, 2.* ci. 

Caes, geogr., 1258. Inq. 433, 1.* ci. 



232 O Archeologo Pobtugués 

(afaram, app. h., sec. xv. S. 378. 

Cafardela, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. !.•, p. 2.*, C. 184. 

(afargella, geogr., 1258. For. de Estremoz. Leg. 679. 

Cafarom, app. h., sec. xv. S. 298. 

Caga lobos, app. h., 1258. Inq. 386, 1.* ci. 

Gagalom porci, geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci. 

Gaga-na-rua, app. h., sec. xv. S. 168. 

Cagiado, geogr., 1258. Inq. 407, 1.* ci. 

Cagiani, geogr., 1258. Inq. 695, 1.* ci. 

Cagide ou Cagidi, geogr., 983. Dipi. 85. 

Cagidu, n. h., 986. Doc. most. Moreìra. Dipi. 62. 

Cagiti, villa, 1008. L. D. Mum. Dipi. 123, n.« 201.— Id. 62. 

^agra, app. h., sec. xv. S. 172. 

Caidi ou Caydi, 1059. L. D. Mum. Dipi. 259. 

Caldo, app. h., sec. xv. S. 182. 

Caiffas (S. Petro de), geogr., 1258. Inq. 583, 2.» ci. 

Cainde, app. h., 1258. Inq. 611, 2.» ci. 

Caladi, app. h., 1258. Inq. 585, 2.* ci. 

Caino, geogr., 1220. Inq. 52, 2.* ci.— Id. 401. 

Cainos, geogr., 1258. Inq. 662, 1.* ci. 

Caitorelo, geogr., 1021. L. Preto. Dipi. 154. 

Calabacinus, app. h., 1258. Inq. 489, 1.* ci. 

Calabaza, app. h., 1258. Inq. 489, 2.* ci. 

Calabria geogr., sec. xiii. Leg. 424. 

Calada, fonte, 1047. L. Prete, Dipi. 217. 

Calado, app. h., 1258. Inq. 392, 1.* ci. 

Calania, n. h., 1098. L. Preto. Dipi. 521. 

Calamancos, app. h., sec. xv. S. 173. 

Calamanqos, app. m., sec. xv. S. 155. 

Calambria, geogr., 1019. L. Preto. Dipi. 149. 

Calambrie, geogr., 1098. L. Preto. Dipi. 521. 

Calandrus, app. h., 1220. Inq. 159, 1.* ci.— Id. 67, 1.* d. 

Galardo, app. h., sec. xv. S. 145. 

Calatrava, geogr., 1220. Inq. 223. 1.* ci. 

Calatus, app. h., 1258. Inq. 469, 1.* ci. 

Calaza, app. h., 1258. Inq. 358, 1.* ci.— Id. 359. 

Galbones, geogr., 984. Doc. most. Moreira. Dipi. 89, n.* 141. 

Calcado, app. h., 1258. Inq. 344, 2.* ci. 

Galee, geogr., 1085. Doc. most. Arouca. Dipi. 380. 

Galdas, geogr., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138.— Id. 52. 

Galdelas, arroio, 998 (?). Doc. most. Moreira. Dipi. Ili- 



O ASCHE0I/>Q0 POBTUGUÉS 233 

Calderas, app. h. Leg. 401, 2.* ci. 

Caldeses, geogr., 1220. Inq. 144, 1.» ci. 

Caldo. Vide Rio Caldo. 

Caldpom, n. h., 1258. Inq. 366, 2.* ci. 

Caledi, geogr., 1220. Inq. 35, 2.* ci. 

Caleiros, app. h., 1258. Inq. 338, 2.* ci.— Id. 341. 

CaleU, geogr., 1258. Inq. 721, 2.» ci. 

Calendario (S. Juliano de), geogr., 1220. Inq. 28, 1.» ci.— Id. 184, l.*cL 

Calleirio, app. h., sec. XV. S. 183. 

Calheiros, app. h., sec. xv. S. 334. 

Calkiz, app. h., 995. Doc. most. Moreira. Dipi. 108. 

Calobro, rio, 1220. Inq. 125, 1.* ci. 

Calqain, villa, 1258. Inq. 495. 

CalueU, geogr., 922. Dipi. 16, ult. I. 

Calao, app. h., 1097. Doc. Most. VairSo. Dipi. 512. 

Calaos, viUa, 1065. L. D. Mura. Dipi. 278.— Id. 252. 

Calvel, app. h., 1220. Inq. 15, 1.* ci.— Id. 85. 

Calvelao, n. h., 1220. Inq. 132, 1.* ci. 

Calvelino, n. h., 1258. Inq. 562, 1.* ci. 

Galvelo, monte, 1049. Dipi. 227.— Inq. 118. 

CalTelo de Donas, geogr., 1258. Inq. 398, 1.* ci. 

Calveloo, n. h., 1220. Inq. 132, 1.* ci. 

Calvete, app. h., 1220. Inq. 85, 2.* ci. 

Calvili, geogr., 1258. Inq. 309, 2.* ci. 

Calvo, app. h., 1258. Inq. 438, 2.* ci. 

^alzeda, mosteiro, sec. xv. S. 192. 

Camalhardos, app. m., sec. xv. S. 155. 

Camallaacos, app. m., sec. xv. S. 341. 

Camantio e Camantom, villa, 959 L. D. Mum. Dipi. 45. 

Camantip, g^ogr., 950. Doc. ap. sec. xni. Dipi. 35. 

Camareira, geogr., 1258. Inq. 401, 1.* ci. 

Camariz, n. h. (?), 1024 (?). Doc. most. Pendorada. Dipi. 158.— Id. 270. 

Camaros, geogr., 1220. Inq. 121, 1.* ci. 

Camavis, app. h., 1033. Doc. ap. sec. xviu. Dipi. 171. 

Camba, app. h., 1258. Inq. 350, 1.* ci. 

Cambada, geogr., 1258. Inq. 386, 1.* ci. 

Cambadelis, campo, 1258. Inq. 585, 1.* ci. 

Cambar, rio, 1002. L. Prete. Dipi. 116. 

Cambas, app. h., 1258. Inq. 401, 2.* ci. 

Cambeses, geogr., 1258. Inq. 371, 2.* ci.- Id. 665. 

Cambesinos, geogr., 1258. Inq. 371, 2.* ci. 



234 O Archeologo Pobtugués 

Cambito, app. h., 1220. Inq. 85, 1.** ci. 

Cambitus, geogr., 1258. Inq. 493, 1.* ci. 

Canibuo, app. h., 1220. Inq. 85, 2.* ci. 

Carnea!, app. h., sec. xv. S. 334. 

Cameiros, app. h., sec. xv. S. 167. 

Camelo, app. h., sec. xv. S. 151. 

Camia, rio, 922. L. Proto. Dipi. 17, 1. 3. — Id. 84. 

Canìiual, app. h., 1258. Inq. 706, 1.* ci. 

('^aminao, app. h., 1258. Inq. 340, 1.* ci. 

Camiiibaao, app. h., sec. XV. S. 352. 

Caimuia, app. li., 1222. Inq. 27, 2.* ci. 

Caniiuis, geogr., 1258. Inq. 588, 1.* ci. 

Camicia, rio, 1068. Dipi. 294, n.« 471. 

Camoes, geogr. (?), sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 1.*, C. 31 

e 125. 
Camoudo, app. li., 1258. Inq. 319, 2.* ci. 
(^amoraes e (]omoraes (fonte de), geogr., 1253. For. Cativelos. Leges 

638, 1. 4. 
Carnoso, geogr., 1258. Inq. 691, 2.'* el. 
Canipauaa (S.** Maria de), geogi\, 1258. Inq. 517, 2.* ci. 
C]lanipauiana, villa e rio, 1058. Doc. most. da Qraga. Dipi. 251, 

n.« 409.~Id. 105, 107 e 309. 
(ìauipeeiros, geogr., 1258. Inq. 317, 2.* ci. 
Cainpeelos, geogr., 1258. Inq. 594, 2.* ci. 
Caiupelana, monte, 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi. 455. 
Campelino, geogr., 1220. Inq. 119, 2.* ci. 
Campelo, geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci.— Id. 341. 
Campes, app. li., 1258. Inq. 502, 2.* ci. 
Campiaa ou Campaa (Albergarla de), geogr., 1220. Inq. 41. 
Campiaeus, villa, 1220. Inq. 40 e 121. 
(^ampiaes ou Campiaues, villa, 1220. Inq. 121. 
Campisini, villa, 1258. Inq. 474, 1."' ci. 
Campo Crespo, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci. 
(]ampo de moos, geogr., 1258. Inq. 346, 1.* ci. 
Campo de rua, geogr., 1258. Inq. 723, 2.* ci. 
Crampo de Seestros. Vide Seestros. 
Campo d usso, geogr., 1258. Inq. 388, 1.* ci. 
Campo Longo, geogr., 1258. Inq. 316, 1.* ci. 
Campo manio, geogr., 1258. Inq. 578, 1.* ci. 
Campo mao, geogi-., 1258. Inq. 305, 1.* ci. 
Campores. Vide Reguengo de. 



O Archeologo Portugués 235 

Cxunpain de Feira, geogr., 1258. Inq. 736, 1.* ci. 

Campus de Cayni, geogr., 1258. Inq. 597, 1.* ci. 

Campani d espaxo. Vide Espaxo. 

Canabe, n. h., 1037. L. Preto. Dipi. 180. 

Canabicit, app. h., 1059. Doc. most. Moreira. Dipi. 255. 

Canadis, geogr., 1258. Inq. 713, 1.* ci. 

Cauale de miro, geogr., 1258. Inq. 514, 1.* ci. 

Canali malo, geogr., 1258. Inq. 713, 1.* ci. 

Canalis lontana, geogr., 1258. Inq. 514, 2.^ ci. 

Ciaualle Fageuia. Vide Fagenia. 

Cauameiro, geogr., sec. xv. S. 294. 

Canameyro, geogr., sec. XV. S. 198. 

Caiiardo ou Canhai*do, geogr., 1220. Inq. 82, 2.* ci. — Id. 387. 

Canas veteras, geogr., 1258. Inq. 652, 1.* ci. — Id. 580, 2."* ci. 

Cauaue, n. h., 1035. L. Preto. Dipi. 176. 

Cauavel, app. b., 1258. Inq. 318, 2.» ci. 

C^anaveses, geogr., 1258. Inq. 591, 2.* ci. 

Canboa pedrjua, geogr., 1258. Inq. 330, 1.* ci. 

Caucada, geogr., 1258, Inq. 720, 1.* ci. 

Caiicelada, geogr., 1258. Inq. 350, 2.* ci. 

Cancella, geogr., 1258. Inq. 527, 2.* ci. 

Caiicellam, geogr., 1258. Inq. 527. 

Cancelliolo, geogr., sec. XI (?). L. D. Mum. Dipi. 563. 

Cancello, geogr., 1042. L. B. Ferr. Dipi. 196, n.*' 320. — Inq. 335. 

Caudaendo, geogr., 1258. Inq. 366, 2.* ci. 

Candanoso, villa, 1043. L. D. Mum. Dipi. 199.— Id. 20 e 138. 

Caudao, geogr., 1258. Inq. 359, 2.* ci.— Id. 408, 2.* ci. 

Candarini, app. h., sec. XV. S. 183. 

Candeali, geogr., 1258. Inq. 646, 2.^ ci. 

Candeeira, geogr., 1258. Inq. 317, 1.* ci.— Id. 735. 

Caudeiras, geogr., 1258. Inq. 621, 1.* ci. 

Caudemir (S. Christopliano de), geogr., 1220. Inq. 62, L* ci. 

Canderedl, geogr., 1021. L. Preto. Dipi. 154. 

Canderedizi, app. b., 1013 (?). Dipi. 136. 

Candilaci, app. h., 1037. L. Preto. Dipi. 181, n.** 295. 

Caudino, geogr., 1258. Inq. 734, 2.* ci. 

Candoosa, monte, 1100 (?). Doc. most. Pedroso. Dipi. 552. — Inq. 

338, 1.* ci. 
Canedo, geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci.— S. 177. 
Caneiro, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci. 
Canelas, villa, 1084. Tombo D. Maior Martinz. Dipi. 375. 



236 O Archeologo Portugoés 

CaneUas, app. h., sec. XV. S. 297.— Villa, 952. Dipi- 37. 

Canelo, geogr., 1258. Inq. 654, 2.* d. 

Caneto, serra, 959. L. D. Miim. Dipi. 46, 1. 23. 

Gaugado, app. h., 1258. Inq. 367, 2.'' ci. 

Cangal, campo, 1258. Inq. 534, 2.* ci. 

Canias, app. h., 1220. Inq. 82, 2.' ci. 

CauideUas, villa, 1258. Inq. 483, !.• ci. 

Canldelo, app. b., 1258. Inq. 483, 1.* ci. 

Canis (S. Adriano de), geogr., 1258. Inq. 588, 2.* ci. 

Caniz, app. m., 1258. Inq. 350, 1.* ci. 

Canizada, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262.— Inq. 58. 

Cauizo, geogr., 1258. Inq. 537, 2.* ci. 

Cannas, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 261.— Id. 413. 

Cane, app. h., 1258. Inq. 293. 

Canoso, geogr., 1258. Inq. 298, 2.' ci. 

€auoto, app. h., 1220. Inq. 85, 1.* ci. 

Caupaiiiana, rio, 994. L. Preto. Dipi. 105. 

Cantar, app. h., 1258. Inq. 629, 1.* ci. 

Cautararia, geogr., 1258. Inq. 457, 2.* ci. — Id. 459. 

Cantelaes, geogr., 1220. Inq. 146, 2.* ci. 

Canton, app. h., 1258. Inq. 302, 1.^ ci. 

Cantoni, geogr., 1220. Inq. 85, 1.* ci.— Id. 736. 

Cantouied, villa, 1087. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 411. 

Cantoulede, villa, 1087. L. Preto. Dipi. 405.— Id. 545. 

Cantone, geogr., 1258. Inq. 723, 2.* ci.— Id. 736. 

Canya (Villa Nova de Canba), 1235. For. de Canba. Leg. 626. 

Caoba (Sancta), geogr., 1258. Inq. 338, 1.* ci. 

Caomba (Sancta), geogr., 1258. Inq. 338, 2." ci. 

Caoso, geogr., 1258. Inq. 298, 2.* ci.— Id. 305. 

Capa, geogr., 1258. Inq. 664, 1.* ci. 

Capanelas, villa, 1047. Doc. most. Pendorada. Dipi. 219. 

Capanellas, villa, 1065. Dipi. 281.— Id. 328, 389 e 396. 

Capannellas, villa, 1082. Doc. most. Pendorada. Dipi. 366. 

Caparabos, app. h., 1258. Inq. 490, 1.* ci. 

Capareiros, (S. Petro de), geogr., 1220. Inq. 29, 1.* ci.— Id. 184. 

Caparo, app. h., 1220. Inq. 103, 2.* d. 

Caparosa, app. b., 1220. Inq. 155, 1.* ci. — Id. 64. 

Rapata, app. h., sec. XV. S. 144. — Id. 348. 

Capala, geogr., 1258. Inq. 540, 1.* ci. 

Capellus, geogr., 1258. Inq. 498, 2.* ci. 

Capelo, app. b., 1258. Inq. 295, 1.* d. — Id. 400 e 428. 



O Archeologo Pobtugués 237 

Capeludos, geogr., 1220. Inq. 44, 2.* ci.— Id. 126. 

€apeiello^ geogr., 929. Doc. most. S. Vicente. Dipi. 22. 

Capeza^ geogr. (?), sec. xi. L. D. Mum. DipL 564, 1. 4. 

€apiaens, villa, 1220. Inq. 40, 2.* ci. 

Capita, app. h., 1258. Inq. 293, 2.» ci. 

Capitellum, geogr., 1088. L. Preto. Dipi. 419, n.*^ 699. 

Gapitellum de degano. Vide Degano* 

Capon, app. h., sec. xv. S. 336. 

€aprarias, villa, 1096. Doc. most. Arouca. Dipi. 494. 

Capreiros, villa, 1086. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 394. 

Capril, geogr., 1072. Doc. most. Moreira. Dipi. 310, n.° 502. 

Caprile, arroio, 1083. Doc. most. Arouca. Dipi. 3G8. 

Capronello, villa, 1088. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 426. 

Carabalio, app. h., 1258. Inq. 349. 1."" ci. 

Caracal, geogr., 1258. Inq. 657, 1.* d. 

Caracho, app. h., 1220. Inq. 84, 1.* ci. 

Caracinis, geogr., 1258. Inq. 687, 2.' d. 

Caralio, app. h., 1258. Inq. 329, 2.* ci.— Rio. Leg. 433, 1. 10. 

Caralo, app. m., 1258. Inq. 602, 1.» ci.— Id. 600. 

Caramalos e Caramaros, app. h. (?), 1220. Inq. 164, 2.' ci. — Id. 73, 

121 e 549. 
Caramelos, geogr., 1258. Inq. 611, 2.* ci. 
Caramoros, geogr., 1220. Inq. 141, 2.* ci. 
Caran, geogr. (?), sec. xv. S. 254. 
Caranzal, geogr., 1258. Inq. 347, 1.* ci. 
Carape^os, geogr., sec. xv. S. 296. 
Carapecus, app. h., 1262. For. Tolosa. Leg. 702. 
Carapessos, app. h., 1258. Inq. 658, 1.^ ci. 
Carapetlnos, geogr., 1258. Inq. 307, 1.* ci. 
Carapezos (S.** Christina de), geogr., 1220. Inq. 61. 
Carapinia, geogr., 1136. For. de Seia. Leg. 372, 1. 16. 
Carapito, geogr. (?), 1258. Inq. 305, 1.* ci. 
Garasti (S.'* Martha de), geogr., 1258-. Inq. 594, 1.* ci. 
Garanella, app. h., sec. XV. S. 329. 
Gapavel, geogr., 1258. Inq. 311, 2.* ci.— Id. 720. 
Garavelal, geogr., 1258. Inq. 661, 2.* ci. 
Garavelha, app. m., sec. xv. S. 170. 
Garavelos, geogr., 1220. Inq. 121, 1.* d. 
Garazedo, geogr., sec. xv'. S. 274. 
Carbaliaes, villa, 1037-1065. L. Preto. Dipi. 279. 
Garbalio furato, geogr., 985. Doc. most. LorvSo. Dipi. 93. 



238 O Archeologo Portuguès 

(]larbalioso, peo^r., 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi. 447, n.** 749. 

Carcasia, app. h., 1258. Inq. 490, 2.* ci. 

Cìarcaveira, g^ogr., 1258. Inq. 338, 1.* ci. 

Carceleiiaria, peopr., 1258. Inq. G44, 1.* ci. 

Carcereli ou Carcerili (S. Michaele de), geogr., 1220. Inq. 134, 

2.* ci.— Id. 658. 
Carcereiro (casal de), geogr., 1220. Inq. 46, 2.* ci. 
Garcia, n. h., 1056. Doc. most. Pedroso. Dipi. 244. 
Cardade (Caridade?), app. h., 1220. Inq. 63.— Id, 154 e 201. 
Cardai, geogr., 1258. Inq. 335, 2.* ci. 
Cardea, app..m., sec. xv. S. 334. 
Cai-deelos, geogr., 1258. Inq. 334, 2.* ci. 
Cardeli, geogr., 1220. Inq. 118, 2.'* ci. 

Cardeuelus, geogr., 1088. Doc. most. Moreira. Dipi. 429, n." 717. 
Cardeo, app. h., 1258. Inq. 329, 2.* ci. 
Carderò, app. li., I2f'>6. Inq. 315, 2.* ci. 
Cardicha (Vale da), geogr., 1182. For. de Urros. Leg. 424. 
Ciardidi, app. h., 1220. Inq. 64, 2.'^ ci. 
Cardido, geogr., 1258. Inq. 703, 2.* ci. 
Cardili, geogr., 1258. Inq. 412, 1.* ci. 
Cardo, app. li., sec. xv. S. 320. 
Cardos, geogr., 1258. Inq. 318, 2.* ci. 
Cardosa, geogr., 1258. Inq. 404, 2.* ci. 
Cardoso, geogr., 1258. Inq. 725, 2.* ci. 
Careffe, app. li., 1258. Inq. 469, 2.* ci. 

Careira, geogr., 1008. Doc. most. Moreira. Dipi. 121, n.® 198. 
Careiroo, geogr. Inq. ? 
Carexi, rio (?), 1258. Inq. 368, 2.* ci. 

Caria, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 51.— Id. 262. — S. 262. 
Caridi, app. h., 1220. Inq. 64, l.'* d. 
Carigiadi, geogr., 1258. Inq. 379, 2.* ci. 
Carilho, app. h., sec. xv. S. 213. 
Carili, app. h., 1220. Inq. 54, 2.^ ci. 
Carinto, n. h., 1008. L. Prete. Dipi. 125, n.^ 204. 
Caritus, n. h., 973. L. D. Mum. Dipi. 70. 
Carlou, n. h., 973. Doc. most. Lorvào. Dipi. 67. 
Cannolo, app. h., 1258. Inq. 394, 1.* ci. 
Carmen, app. h., 1220. Inq. 109, 1.* ci. 
Carnao, app. h., sec. xv. S. 166. 
Carnaz, app. li., 1262. For. Tolosa. Leg. 702. 
Caruazalis (Lacuna), geogr., 1258. Inq. 449, 1.^ ci. 



O Archeologo Portugués 239 

Carne azeda, app. h., 1258. Inq. 315, 1.* ci, 

Carueira, app. m., 1258. Inq. 423, 2.* ci. 

Cariieiro, app. h., sec. xv. S. 373. — Inq. 359, 2.* ci. 

Cai-nes, app. h., sec. XV. S. 285. — Inq. 541, 2.* ci. 

Carnes mds, app. h., sec. xv. S. 145. — Id. 1C5. 

Caroarii, geogr., 1258. Inq. 670, 2.* ci. 

Carocelro, geogr., 1258. Inq. 326, 1.* ci. 

Carote, n. h., 1258. Inq. 367, 2.'^ ci. 

Carozario, geogr., sec. xi (?). L. D. Mum. Dipi. 563. 

Carpenteiro, app. h., sec. xi. L. D. Mum. Dipi. 564, 1. 27. 

Carpiuteiro, app. h., sec. xv. S. 169. 

Carqueigiosa, geogr., 1258. Inq. 346, 1.* ci. 

Carraia, app. h., sec. xv. S. 153. 

Carracldo, geogr., 1258. Inq. 342, 1.* ci. 

Carrai, geogr., 1258. Inq. 688, 1.* ci. 

barrale de carro, geogr., 1071. Doc. most. Pendorada. Dipi. 307. 

Carrameuus, app. h., 1258. Inq. 478, 2.* ci. 

Carraiuondo, app. h., 1258. Inq. 365, 2.* ci. — Id. 495. 

Carrapaiosam, castello, 1142. For. de Leiria. Leg. 377, 1. 7. 

Carrazedelum^ geogr., 1237. For. Cedofeita. Leg. 627. 

Carrazedo, app. h., 1220. Inq. 176, 2.* ci.— Id. 423. 

Carrazito, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 261, 

Carregal, geogr., 1258. Inq. 483, 2.* ci.— Id. 97 e 356, 2.* ci. 

Carregosa (Bouza de), geogr., 1258. Inq. 305, 2.* ci. 

Carregaeiro, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.°, p. 1.*, C. 161. 

Carreiro do juncal, geogr., 1258. Inq. 339, 2.* ci. 

Carrezo (S.'* Maria de), geogr., 1258. Inq. 328, 2.* ci. 

Cannaes, geogr., 1258. Inq. 375, 1.* ci. 

Carri! (Souto do), geogr., 1258. Inq. 413, 2.* ci.— Id. 586. 

Carrilam veterim, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci. 

Carriubo, app. h., sec. xv. S. 381. 

Carrioni, app. li., 1258. Inq. 381, 1.* ci. — Qeogr. Id. 384. 

Carriza, geogr., 1258. Inq. 343, 2.* ci. 

Carrizo, app. h., 1258. Inq. 387, 1.* ci.— Id. 412. 

Carrizos, casal, 1258. Inq. 387, 1.* ci. 

Carroeho, app. h., 1258. Inq. 357, 2.* ci. 

Garroga (S.^* Columba de), geogr., 1220. Inq. 42. 

Carrom, app. b., 1220. Inq. 154, 2.* ci.— Id. 201. 

Carrote, app. b., 1258. Inq. 350, 1.* ci. 

Cartamirl, villa, 1054. Doc. most. Arouca. Dipi. 239.— Id. 378. 

Cartave (Ontario), geogr., 1258. Inq. 567, 1.* ci. 



240 O Abcheologo Pobtugués 

Cartemirìz, app. h., 1009. Doc. most. Moreira. Dipi. 128. 

Garteniiro, n. h., 870. Doc. most. Pendorada. Dipi. 4. 

Gartemiros, g^gr., 1258. Inq. 715, 2.* ci. 

Cai-tenio, n. h., 1038. L. D. Mum. Dipi. 185. 

Cartimir, geogr., 951. Doc. most. Arouca. Dipi. 36. 

Cartoi, geogr., 1220. Inq. 117, 2.* ci.— Id. 166. 

Cartois, geogr., 1258. Inq. 401, 2.* ci. 

Cartom, geogr., 1258. Inq. 608, 1.* d. 

Cartomiro n. h., 1021. L. Preto. Dipi. 154. 

Cartoy^ vinha, 1258. Inq. 414, 1.* ci. 

Caru, geogr., 1048. Doc. most. Moreira. Dipi. 222. 

Gamaceira, ge<Tgr., sec. xiii. For. de Sangainhedo. Leg. 598. 

Gamalaosa, geogr., sec. xiii. For. de Mós. Leg. 391. 

Garualiales, villa, 1037-1065. L. Preto. Dipi. 279. 

Garualiam de Cruxj geogr., 1253. For. Cativelos. Leg. 638, 1. 3. 

Garualiam soa ou solam, geogr., 1253. For. Cativelos. Leg. 638, 1. 5* 

Garualido, geogr., 1069. Doc. most. Moreira. Dipi, 296. 

Carualliares, villa, 1098 (?). Dipi. 534. 

Garuanceira, geogr., sec. xiii. For. de Sanguinhedo. Leg. 598. 

Garudu, app. h., 1220. Inq. 146, 1.* d. 

Garuelas, villa, sec. xiii. For. Carvelas. Leg. 594. 

Caruyas, app. h., 1258. Inq. 432, 2.* ci. 

Gapvalal (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 35, 2.* ci. 

Garvalarem, geogr., 1258. Inq. 732, 1.* ci. 

Carvalaria, geogr., 1258. Inq. 648, 2.* ci. 

Garvalhedo, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 34. 

Garvalia, geogr., 1258. Inq. 306, 2.* ci. 

Garvalial (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 33, 1.* ci. | 

Garvaliar, casal, 1258. Inq. 400, 1.* ci. ! 

Garvalias (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 33, 1.* ci. | 

GapvaUdo, geogr., 1258. Inq. 333, 2.* ci.— Id. 129. I 

Garvalio de lobo, geogr., 1258. Inq. 347, 1.» ci.— Id. 411, 1.* ci. 

Carvaliosa, geogr., 1258. Inq. 605, 1.* ci.— Id. 346. j 

Garvaloo, geogr., 1258. Inq. 695, 1.* ci. 

Garvalosa (S. Romano de), 1220. Inq. 200, 1.* ci. i 

Garvas ou Garves, app. h., 1220. Inq. 93, 2.* ci. \ 

Garvó, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 1.», C. 161. 

Garvoa, geogr., 1258. Inq. 314, 1.* ci. 

Carvoal, geogr., 1258. Inq. 379, 2.* ci. 

Carvoeipo, geogr., 1258. Inq. 321, 2.* ci.— S. 170,^ 

Garvom, n. h., 1220. Inq. 104, 1.* ci. 



O Archeologo Portugués 241 

Casado, app. h., 1258. Inq. 331, 2.* ci. 

Casaeis (Petra de), geogr., 1258. Inq. 594, 2.* ci. 

Casaelio, app. h., 1258. Inq. 303, 1.* ci. 

Casaelo, geogr., 1220. Inq. 64, 2.* ci.— Id. 617. 

Gasaìno de Felgueira, geogr., 1258. Inq. 408, 1.* ci. 

Casal danij geogr., 1258. Inq. 535, 1-* ci. 

Casal de barra so capa, geogr., 1258. Inq. 407, 2.* ci. 

Casal duarìo ou dueiro, geogr., 1258. Inq. 599, 1.* ci. 

Casale columbae, geogr., 1094. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 478. 

Casal paride, geogr., 1258. Inq. 324, 2.^ ci. 

Casalino, geogr., 1079. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 347. 

Casaria, n. m. (?), sec. xi (?). L. D. Mum. Dipi. 562. 

Casayno (Porto de), geogr., 1258. Inq, 302, 1.* ci. 

Casca, app. h., 1258. Inq. 392, 2.* ci.— Id. 693. 

Cascaliar, geogr., 1258. Inq. 363, 2.* ci. 

Cascha, geogr., 1258. Inq. 420, 1.* ci. 

Caschafroy, geogr., 1258. Inq. 414, 1.* ci. 

Caschagoy, geogr., 1258. Inq, 414, 1.* ci. 

Caschas, n. h., 1258. Inq. 415, 2.* ci. 

Cascheìsom, casal, 1258. Inq. 419, 2.* ci. 

Caschi, casal, 1258. Inq. 416, 1.* ci. 

Cascho, casal, 1258. Inq. 416, 1.* ci. 

Caschopadre, geogr., 1258. Inq. 563, 1.* ci. 

Cascita, app. h., 952. Doc. most. Lorvao. Dipi. 58. 

Cascia, geogr., 1258. Inq. 392, 2.* ci. 

Caseval, app. h., 1258. Inq. 391, 1.* ci.— Leg. 229. 

Caspire, app. h,, sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 2.*, C. 22. 

Casseira, geogr., 1096. Doc. Arch. Publico. Dipi. 493. 

Cassi, app. h., 1258. Inq. 583, 1.* ci. 

Cassia, Cassia ou Garsia, app. h., sec. xiv. For. Tornar. Leg. 401. 

Castanheda, app. h., sec. xv. S. 269. 

Castaniua, app. li., 1258. Inq. 667, 1.^ ci. 

Castano, app. h., 1220. Inq. 64, 2.* ci.— Id. 156 e 202. 

Castelanus, villa, 1058. L. D. Mum. Dipi. 254.— Id. 109. 

Castel de Vias, geogr., 1258. Inq. 354, 2.* ci. 

Castella, reino, 1085. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 383. 

Castellauus, villa, 1072. Doc. most. Moreira. Dipi. 310. 

Castello menando, villa, sec. xiii. For. de Moreira. Leg. 632. 

Castemirus, n. h., 1016. L. Prete. Dipi. 142, n^ 227. 

Casteuigo, geogr., 1258. Inq. 670, 2.* ci. 

Castezoni, geogr., 1258. Inq. 361, 1.* ci. 



242 O Archkologo Pobtuguès 

Casiiiza, app. m., 1258. Inq. 458, 1.* ci. 

Castina, n. m., 1008. L. Prete. Dipi. 125. 

Castiuasio de barala. Vide Barala. 

Gastineira, villa, 964. L. D. Mum. Dipi. 56. 

Gastineiro de Lobo, geogr., 1258. Inq. 411, 1.* ci. 

Castiiier do Gonde, g^ogr., 1258. Inq. 394, 1.' ci. 

Castiiiiaria, villa, 968. L. D. Mum. Dipi. 63. — Id. 50. 

Gastinizale, geogr., 1258. Inq. 573, 1.* ci. 

Gastraiuia, geogr., 1002. L. Prete. Dipi. 115, 1. 5. 

Gastrello, villa, 985. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 93.— Id. 32 e 96. 

Castrellos, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 260.— Id. 35. 

Castro, villa, 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. — Appell. S. 198. 

Castro Airas, geogr., 1258. Inq. 411, 2.* ci. 

Castro amaya. Vide Amaya. 

Castro de bo, geogr., 921. Doc. most. Vairào. Dipi. 15. 

Castro de boue, monte, 1098. Doc. most. Moreira. Dipi. 523, n.® 881. — 

Id. 11 e 50, n.^ 80. 
Castro de Cabras, geogr., 1258. Inq. 316-317. 
Castro de custodias. Vide Custodìas* 
Castro de Gamazaos, geogr., 1220. Inq. 133, 1.* ci. 
Castro de moraria, geogr., sec. xi. L. D. Mum. Dipi. 562. 
Castro Goudomar, monte, 1095. Tombo S. S. J. Dipi. 488. 
Castro malo, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 257.— Id. 46, 1. 26. 
Castro iiugaria, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 51. 
Castro Oliueto, geogr., 1162. For. Covas. Leg. 387. 
Castro petroso, monte, 1068. Doc. most. Pedroso. Dipi. 289. 
Castro saucta cruce, gecgr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 257, n.*^ 420. 
Castro saucto iohanne, geogr., 953. Doc. colleg. Guim. Dipi. 39, 1. 5. 
Castro seco, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, 1. 14. 
Castro uemmdl, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258. 
Castrum, monte, 1258. Inq. 470, 1.* ci. 
Castrum de Vilario, geogr., 1220. Inq. 39, 2.* ci. 
Castrumia, geogr., 922. L. Prete. Dipi. 17, 1. 8. 
Castrumie, geogr., 922. L. Prete. Dipi. 16.— Id. 17. 
Cala mate, app. li., 1258. Inq. 429, 2.* ci. 
Catatridario, geogr., 1004. L. Prete. Dipi. 118, n.* 193. 
Catane, rio, 959. L. D. Mum. Dipi. 48.— Id. 51 e 236. 
Catauon, rio, 1075. Dee. most. Moreira. Dipi. 320.— Id. 433. 
Cataz, app. h., 1220. Inq. 163, 2.* ci. 
Gateliua, n. m., sec. xv. S. 336. 
Cathelina, n. m., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 2.*, C. 87. 



O Archeologo Portugués 243 

Cathuna, app. h., 1258. Inq. 467, 1.'' ci. 

Catiuelos^ villa, 1253. For. Cativelos. Leg. 637. 

Cativelo, geogr., 1258. Inq. 344, 2.* ci. 

Catoni, app. h., sec. XV. S. 365. 

Catonis, app. h., 1008. L. Prete. Dipi. 125, n.^ 204. 

^ìatorìnho, app. h., sec. xv. S. 346. 

Cauadoudy e Gouadoudi, geogr., 1199. For. Guarda. Leg. 511. 

Caualluha, n. m., sec. xv. S. 163. 

Caualiones, geogr., 1083. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 372. 

Caualliones, villa, 1094. Doc. most. Arouca. Dipi. 481. 

Caualones, villa, 1086. Doc. most. Pendorada. Dipi. 397, n.* 664. 

Caaaluno, rio, 1043. Doc. most. Moreira. Dipi. 198. 

(ìanldo, app. h., sec. XV. S. 296. 

iianno, geogr., 1035. L. Proto. Dipi. 176, n.^ 288. 

Cauol, geogr., 1220. Inq. lo, 1." ci. 

Caariam (Coura), cidade, sec. xii (?). Historia Gottorum. S. 10, 2.^ ci. 

Causo, villa, 978. Doc. most. Moreira. Dipi. 77.— Id. 299. 

Causso, villa, 1094. Doc. Arch. Publico. Dipi. 477. 

Cautum catelle, geogr., 1258. Inq. 626, 2.* ci. 

(tantum sartagiuis, geogr., 1258. Inq. 626, 2.^ ci. 

Cauumqueyra, geogr., 1257. For. Lago Mau. Leg. 669. 

Cavacadoyro, geogr., 1258. Inq. 424, 1.* ci. 

Cavaco, app. li., 1258. Inq. 318, 2.* ci. 

Cavalete, app. li., 1258. Inq. 431, 1.* ci. 

Cavalìno, app. h., 1220. Inq. 164, 1.^ ci. 

Cavalo, app. h., 1258. Inq. 410, 1.* ci. 

Cavaloes (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 204. 

Cavalom, geogr., 1258. Inq. 545, 2.* ci. 

Cavallano, rio, 1088. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 426. 

Cavaluu, geogr., 1258. Inq. 593, 1.* ci.— Id. 589. 

Cavatolo, app. h. (?), 1258. Inq. 704, 2.* ci. 

Caveda, geogr., 1220. Inq. 42, 2.^ ci.— Id. 505. 

Caves, geogr., 1258. Inq. 667, 2.* ci. 

Caviam, geogr., 1220. Inq. 154, 1.* ci. — Id. 201. 

Cavianziuo, geogr., 1220. Inq. 63, 2.* ci. 

Cavomegas, villa, 1258. Inq. 615, 2.* ci. 

Cavoucos, geogr., 1220. Inq. 118, 2." ci. 

Cayado; app. h., 1453. Azur., Chr. Guiné, p. 200. 

Caybi, n. h. (?), 1085. Doc. most. Pendorada. Dipi. 385. 

Caydi (Lomba de), geogr., 1258. Inq. 602, 2,* ci. 

Cayua, geogr., 1258. Inq. 555, 1.* ci.— Id. 566. 

IG 



244 O Archeologo Portogués 

Gaynas, g^ogr., 1258. Inq. 411, 1.* ci. 

Caynis, geogr., 1258. Inq. 662, 1.* ci. 

Cayra, geogr., 1258. Inq. 602, 1.* ci. 

Caypoga, n. h. (?), 1258. Inq. 645, 1.* ci. 

Cayz (Villa), viUa, 1258. Inq. 568, 1.* ci. 

^az, app. m., sec. xv. S. 197. — Id. 294. 

Gazagal, app. li., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 159. 

Cazapedo, geogr., 1220. Inq. 37, 2.* ci. 

Cazavacho, geogr., 1258. Inq. 710, 2.* ci. 

Cazomanes^ geogr., 1048. Doc. most. Moreira. Dipi. 223. 

Cazopanes, villa, 1052. L. D. Mum. Dipi. 232.— Id. 138. 

Cazuiro, casal, 1258. Inq. 670, 2.* ci. 

Cazuiuiz, app. h., 1068. Dipi. 294. 

Ceana, casal, 1258. Inq. 391, 2.* ci. 

Cebola, app. h., 1258. Inq. 372, 2.* ci. 

Cebolào, app. h., 1258. Inq. 306, 1.* ci. 

Cebolaos, app. h., 1258. Inq. 402, 2.* ci. 

Cebolido, geogr., 1258. Inq. 587, 2.* ci. 

Ceboriquinum, geogr., 1258. Inq. 635, 2.* ci. 

Gebrarìo, geogr., 882. Doc. most. da Gra9a. Dipi. 6, n.*^ 9. 

Geci^ app. h., 955. Doc. most. Moreira. Dipi. 40. 

Gecili, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 260, 1. 22. 

Gecilla (Sancta), geogr., 1220. Inq. 15, 2.* ci. 

Geco, app. h., 1258. Inq. 308, 2.* ci. 

Gedarim, mosteiro, 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 231. 

Cedi, casal, 1258. Inq. 414, 2.* ci. 

Gedoes, geogr., 1258. Inq. 546, 1.* ci. 

Gedom, geogr., 1258. Inq. 579, 2.* ci. 

Gedreiro, app. h., 1220. Inq. 64, 2.* ci. 

^efomtes, app. h., sec. XV. S. 268. 

Gegoa, geogr., 1258. Inq. 637, 1.* ci. 

Gegoes (S. Pelagio de), geogr., 1258. Inq. 399, 2.* ci. 

Gegoneiris, geogr., 1258. Inq. 611, 2.* ci. 

Gegooneira, geogr., 1258. Inq. 537, 1.* ci, 

Geguus, geogr., 1202. For. de Tavoadello. Leg. 524. 

Gei^a, geogr., sec. xii (?). Historìa Gottorum. S. 9. — Id. Elocid. 

Vit., 2.% pag. 160 (1.* edigSo). 
Gelde, n. h., 935. Doc. most. LorvEo. Dipi. 25, n.® 40. — Geogr. Inq. 

204. 
Geides, villa, 1217. For. de Ceides. Leg. 573.— Id. 598.— Inq. 41, 

1.^ ci. 



O Archeologo Pobtugués 245 

Ceidi, n. h., 1032. L. Preto. Dipi. 167, n.« 274. 

Ceidiz, app. h., 1258, Inq. 420, 1.* ci. 

Ceidones, geogr., 1064. Dipi. 276. 

Ceidooìz, app. h., 1220. Inq. 159, 2.* ci. 

Ceidoes, (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 134. — Id. 50. 

Ceimadela ou Qaeimjidela, geogr., 1220. Inq. 199. 

Cela (S. Jorgio de), geogr., 1258. Inq. 681, 1.* ci. 

Celada, app. h., sec. xv. S. 145. 

Gelafauo (S. Juliano de), geogr., 1258. Inq. 734, 1.* ci. 

Celafao (S. Juliano de), geogr., 1220. Inq. 14.— Id. 84. 

Celauise, geogr., 1237. For. Cepo. Leg. 628. 

Celeìro de boys, geogr,, 1258. Inq. 343, 1.* ci. 

Celeiro de Gradino, geogr., 1220. Inq. 56, 1.* ci. 

Celelroo (Monte de), geogr., 1220. Inq. 128, 1.* ci. 

Celeiroos, geogr., 1220. Inq. 43, 2.* ci. 

Geleirous, villa, 1160. For. de Celeirós. Leg. 386. 

Celeyroos, villa, 1160. For. de Celeirós. Leg. 387. 

Celgaa, geogr., 1258. Inq. 583, 1.* ci. 

Celgana, villa, 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 413. 

Celiqui, app. h., 1220. Inq. 139, 1.* ci. 

Cellafano, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262. 

Cellamz, app. h., sec. XI (?). L. D. Mum. Dipi. 563. 

Cella iioua, villa, 922. L. Preto. Dipi. 17.— Id. 74. 

CeUapido, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 259. 

CeUapiolo, villa, 1058. L. D. Mum. Dipi. 249, 1. 29. 

CeUeiro^ geogr.. 1032. L. Preto. Dipi. 168. 

Cellorico (urbis), 1091. Doc. most. Pendorada. Dipi. 450. 

Celo e Colo, app. h., 1220. 17, 2.* ci. 

Geloria (castro), 1100. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 552. 

Celorico, app. h., 1258. Inq. 640, 2.* ci. 

Gelteganes, villa, 1038. Tombe S. S. J. Dipi. 184.— Id. 348. 

Celteganus, villa, 1048. Dipi. 224, n.« 368. 

Gemandi, geogr., 1258. Inq. 337, 2.* ci. 

Gemba, geogr., 1258. Inq. 339, 1.* ci. 

Gemella, rainha, 915. Doc. ap. sec. xiv. Dipi. 12. 

Genaes, geogr., 1220. Inq. 9, 1.* ci. — Id. 719. 

Cenamip (S. Pelagio de), geogr., 1220. Inq. 20, 2.'* ci.— Id. 94. 

Gencerigu, n. h., 991. Doc. most. Vairào. Dipi. 101. 

Gendamiriz, app. m., 1081. Doc. most. Moreira. Dipi. 358. 

Gendamira, n. h., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57. 

Gendas, n. h., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9.— Id. 141.— Inq. 147. 



246 O Archeologo Poutugués 

Cendelgas, villa, 954. Doc. most. Lorvao. Dipi. 39. 

Cendemiro, n. b., 1087. Torabo D. Maior Martinz. Dipi. 410. 

Ceiidi, geogr., 1258. Inq. 369, l.'"* ci. 

Ceudoii, n. h., 967. Doc. most. Lorvao. Dipi. 60. — Villa. — Id. 412. 

Cendonl^ app. li., 911. Dipi. 12. — Inq. 516. 

Cendoiiiz, app. li., 1078. Doc. most. Arouca. Dipi. 341. 

€eudoiiizl^ app. m., 1083. Doc. most. Arouca. Dipi. 368. — Id. 517- 

Cendus, ii. h., 933. Doc. most. Lorvao. Dipi. 25. 

Cenoiz, app. li., 1258. Inq. 300, 2.* ci. 

Cenon, n. h., 1258. Inq. 414, 2.* ci. 

Cenoj'j geogr., 1258. Inq. 359, 2.* ci. 

Ceuoyra, app. li., sec. XV. S. 202. 

Censoi, n. h., 991. Doc. most. Vairao. Dipi. 101. 

Genia, geogr., 1258. Inq. 642, 1.* ci. 

Centeaes, geogr., 1258. Inq. 672, 1.* ci. 

Centeoso, geogr., 1258. Inq. 407, 1.* ci. 

Ceutum cortes, geogr., 1086. Doc. most. Arouca. Dipi. 395. 

Cenuseuda, n. m., 939. Doc. most. LorvEo. Dipi. 29. 

Ceonsij geogr., 1258. Inq. 705, 1.* ci. 

Ceozendiz, app. li., 1098. Doc. most. LorvSo. Dipi. 530. 

(ìepa, n. h., 991. Doc. most. Vairào. Dipi. 101.— Inq. 337. 

Capa d Agrela, geogr., 1258. Inq. 323, 1.* ci. 

i^epal, geogr., 1258. Inq. 345, 1.* ci. 

Cepas, geogr., 1258. Inq. 344, 2.* ci. 

Cepeda, geogr., 1258. Inq. 656, 2.* ci. 

Cepegosa, geogr., 1258. Inq. 345, 1.* ci. 

Cepido, geogr., 1258. Inq. 706, 1.* ci. 

Cepidis, geogr., 907. Doc. most. LorvSo. Dipi. 10, n.** 15. 

Cepiis, villa. Era 1102. L. Prete. Dipi. 277. 

Cepo, geogr., 1237. For. de Cepo. Leg. 628. 

Cepo cremato, geogr., 1258. Inq. 613, 2.* ci. 

Capta (Ceuta), geogr., 1453. Azur., Chr. Quiné, p. 3. 

Cequiavi, app. li., sec. xv. S. 166. 

Cerafeua, geogr., 1220. Inq. 85, 1.* ci. 

Cerapelo, app. li., 1258. Inq. 308, 2.* ci. 

Cercaria, geogr., 1258. Inq. 550, 1.* ci. — Id. 700. 

C^erceado, geogr., 1258. Inq. 437, 2.'* ci. 

C^ercedelo, villa, 1055. Doc. most. Moreira. Dipi. 242. 

Cercedo, villa, 999. Doc. most. Moreira. Dipi. 112.— Id. 352. 

Cerceiras, geogr., 1086. Doc. most. Pendorada. Dipi. 398. 

Cercetelo, geogr., 1060. Doc. most. Pendorada. Dipi. 266. 



O Archeologo Portugués 247 



Cercete, villa, 1073. Dipi. 314, n.^ 508. 

Cercosa, villa, 1002. L. Prete. Dipi. IIG, n.« 190. 

Cerdeira, app. h., 1258. Inq. 366, 1.* ci.— Geogr. Inq. 104, 1.* ci. 

Cerdeii-o, app. h., 1220. Inq. 192, 2.* ci. 

Oreisiiia, geogr., 1162. For. de Covas. Leg. 387. 

Ceres, app. li., 8ec. xv. S. 171. 

Ceresedo, geogr., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 230. 

Ceraseto, villa, 995. Dee. most. Moreira. Dipi. 107. 

Cerita, geogr., 1258. Inq. 638, 2.* ci. 

Ceritom, app. h., 1258. Inq. 723, 1.* ci. 

Cerlita, app. li., 1258. Inq. 665, 2.* ci. . 

Ceruadas, geogr., 1220. Inq. 118.— Rio, 1258. Inq. 356. 2."- ci. 

Ceriiadela (S. Jacob de), geogr., 1258. Inq. 546, l.'"* ci. 

Ceruadiiio, rio (?), 1097. Dipi. 513. 

Ceriiado, geogr., 1258. Inq. 294, 1.* ci. — App. li., sec. xv. S. 227. 

Ceriiados, geogr., 1220. Inq. 14, 1.* ci.— Id. 404. 

Cremai, geogr., 1258. Inq. 535, 1.* ci. 

Cernaneelhi, villa, 1124. For. de Cemancelhe. Leg. 302. — Id. 305. 

Cernandiuoy rio (?), 1097. Dipi. 253. 

Ceruatella, geogr., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35. 

Cernatene, geogr., 1088. Doc. most. Moreira. Dipi. 430. 

Cernato, geogr., 1047. Doc. most. Moreira. Dipi. 217. 

Ceriiedo (S. Jacob de), 1220. Inq. 73, 2.* ci.— Id. 167. 

CeriioHceli (Vallis de), 1258. Inq. 514, 2.* ci.— Leg. 302. 

Cerocia, n. m. (?), 867-912. L. Prete. Dipi. 3. 

Cerolico, geogr., 1258. Inq. 645, 2.* ci. 

Ceroliquino, geogr., 1258. Inq. 647, 1.* ci. 

Ceronio, n. h., 1075. Doc. ap. sec. xii. Dipi. 322. 

Cerqiieda, villa, 1258. Inq. 533, 1.* e 2.* ci. 

Cerquedo ou Cerquedum, geogr., 1258. Inq. 489, 2.* ci. 

Cerqueira, geogr., 1258. Inq. 699, 2.* ci. 

Cerqueiras, geogr., 1258. Inq. 474, 1.* ci. 

Cerqueiro, geogr., 1258. Inq. 365, 1.* ci. 

^erra^im, app. h., sec. xv. S. 281. 

Cerradelo, villa, 1064. Dipi. 276, 1. 7.— Inq. 297. 

Cerri, casal, 1258. Inq. 358, 2.* ci. 

Orrodelo, geogr., 1258. Inq. 294 e 296. 

Cersaria, villa, 960. L. D. Mum. Dipi. 51. 

Cersario, casal, 961. L. D. Mum. Dipi. 52. 

Cei*sedo, villa, 988. Doc. most. Moreira. Dipi. 97. 

Cersetello, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 257. 



248 O Archeologo Portugués 

Cerseto, villa, 984. I)oc. most. Moreira. Dipi. 88. — Id. 200. 

Cepsitello, geogT., 1038. L. D. Mum. Dipi. 185.— Id. 46. 

Cersito, geogr., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138. 

Certoma, rio. Era 1102. L. Preto. Dipi. 277. — Id. 7. 

^ieriiadellos, app. h., sec. xv. S. 365. 

Cemana, geogr., 1099. L. Preto. Dipi. 541. 

Cerueira, app. h., sec. xv. S. passim, 

Cer\'aes ou Cenaes (S. Salvatore de), geogr., 1220. Inq. 176, l.*cl.— 

Id. 295. 
Cervaynos, geogr. (?), 1258. Inq. 300, 2.^^ ci. 
Cerveira geogr., 1258. Inq. 356, l.*cl. 
Cervelis (Carvalio de), geogr., 1258. Inq. 721, l.* ci. 
Crp.ia (S. Petro de), geogr., 1220. Inq. 54, 1.* ci. 
Cepzal (S.**. Ovaye de), geogr., 1258. Inq. 364, 2.* ci. 
Gerzaria, villa, 1258. Inq. 658, 2.* ci. 
Cerzariis, geogr., 1258. Inq. 701, 2.* ci. 
Cerzeda, geogr., 1258. Inq. 687, 1.* ci. 
Cerzedello, geogr., 1220. Inq. 236, 1.* ci.— Id. 622. 
Cerzedelo, geogr., 1220. Inq. 225, 2.* ci.— Id. 623. 
Cerzedinani^ rio (?), 1244. For. de Proen9a-a-Nova. Leg. 632. 
Cerzedo, rio, 1075. L. B. Ferr. Dipi. 320.— Id. 430.— Geogr., 1220. 

Inq. 225, 2.* ci.— Id. 704. 
Cerzeirooj geogi\, 1258. Inq. 658, 2.* ci. 
Cerzeto, villa, 961. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 52. 
Cerzidelio (S.**^ Christina de), geogr., 1258. Inq. 623, 2.* ci. 
Cesari ou Zesari, villa, 1068. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 293. — 

Id. 294, n.« 471. 
Cesario, n. h., 951. Doc. ap. most. Arouca. Dipi. 36. 
Ceseiro, n. h., 1038. Tombe S. S. J. Dipi. 184, n.<» 302. 
Cestu, geogr., 1098. Doc. most. Pendorada. Dipi. 527. 
^Hete, mosteiro, sec. xv. S. 336. 
Celerina, villa, 964. L. Preto. Dipi. 55. 
Ceti, geogr., 1258. Inq. 589, 2.* ci.— Id. 591. 
Cetronio, n. h., 867-912. L. Preto. Dipi. 3. 
Cety, geogr. (?), 924. Doc, ap. auth. sec. xiii. Dipi. 18. 
Ceveli, geogr., 1258. Inq. 672, 1.* ci. 
Ceynadelas, geogr., 1258. Inq. 590, 1.^ ci. 
Cej^-aes (S. Salvatore de), geogr., 1258. Inq. 376, 2.* ci. 
Cezariz, app. h., 1038. Tombe S. S. J. Dipi. 182. 
Cozil, geogr., 1220. Inq. 9, 2,* ci.— Id. 82. 
Cezilli, villa, 1025. L. D. Mum. Dipi. 160. 



O Archeologo Poetcgués 249 

Cezirados, geogr., 1258. Inq. 394, 2.* ci. 

Chaas; geogr., 1258. Inq. 347, 2.* ci. 

Ghaanis, geogr., 1258. Inq. 687, 1.* ci. 

Chaanos, geogr., 1258. Inq. 593, 2.» ci. 

Chaanus, geogr., 1258. Inq. 633, 2.» ci. 

Chacuna, app. h., 1258. Inq. 458, 1.' e 2.* ci. 

Chaeim, app. h., sec. xv. S. 165 e 210. 

Cha9inha, app. m., sec. xv. S. 286. 

Chacinho, app. m., sec. xv. S. 205. 

Chaela, geogr., 1258. Inq. 405, 2.* ci. 

Chaelas, geogr., 1220. Inq. 43, 1.* ci. 

Chaelo, geogr., 1258. Inq. 324, 2.* ci.— Id. 403. 

Chagezina, casal, 1258. Inq. 678, 1.* ci. 

Chagra, geogr., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35. 

Chaiali, casal, 1258. Inq. 652, 2.* ci. 

Chaim, geogr., l2bS. Inq. 373, 1.» ci. 

Chainza, geogr., 1258. Inq. 343, 2.* ci. 

Ghamaa (Souto de), geogr., 1258. Inq. 534, 2.* ci. 

Ghamadre, geogr., 1258. Inq. 729, 1.* ci. 

GhameU, casal, 1220. Inq. 149, 2.» ci. 

Ghamiro, casal, 1258. Inq. 620, 1.* ci. 

Ghamoa, n. m., sec. xv. S. passim, 

Gham5a, n. m., sec. xv. S. 213. 

Ghamoe, n. m., 1258. Inq. 548, 1.* ci.— Id. 560. 

Ghamoin (S. Jacobo de), geogr., 1220. Inq. 21, 2.* ci.— Id. 96. 

Ghamou (S. Jacobo de), geogr., 1220. Inq. 223, 1.* ci. 

Ghamone, n. m., 1258. Inq. 559, 2.* ci. 

Ghamorro, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 2.% C. 39. 

Ghamosinas (Chao das), geogr., 1258. Inq. 359, 2.* ci. 

Ghamtada, app. h., sec. xv. S. 361. 

Ghamne, n. m., 1258. Inq. 489, 2.* ci. 

Ghamusca, app. h., sec. xv. S. 207. 

Ghamnscado, app. h., 1220. Inq. 173, 2.* ci.— Id. 216. 

Ghana, app. h., 1220. Inq. 31, 1.* ci.— Id. 110. 

Ghanaria, geogr., 1258. Inq. 572, 2.* ci. 

Ghaueela, geogr., 1258. Inq. 527, 2.* ci. 

Ghancinha, app. m., sec. xv. S. 147. 

Ghancinho, app. m., sec. xv. S. 147. — Id. 216. 

Ghancinis, n. h. (?), 1258. Inq. 659, 2.* ci.— Id. 560. 

Ghantadorina, geogr., 1258. Inq. 678, 1.* ci. 

Ghaiiziui, app. h., 1258. Inq. 630, 2.* ci. 



250 O Archeologo Pobtogués 

Chao, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci. 

Chaqueda, geogr., see. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1,®, p. 2.*, C. 46. 

Cliarìiiho, app. h., sec. xv. S. 164. 

Chariiius, app. li., 1258. Inq. 458, 2.* ci. 

Charioin, app. h., sec. XV. S. 387. . 

Charmeli, casal, 1220. Inq. 149, 2.* cL 

Charueca, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 88. 

Chapuchao, n. h., 1220. Inq. 42, 2.* ci. 

Chaualiones, geogr., 950. Doc. ap. sec. XIH. Dipi. 35. 

Chaui, geogr., termo de Arouca, 1080. Tombo de D. Maior Martinz. 

Dipi. 348. 
Chauianes, geogr., 1181. For. de Melgago. Leg. 422. 
Chauias e Chaves^ villa, 1196. Fòr. de Soatomaior. Leg. 504. — Id. 640* 
Chausa, geogr., 1220. Inq. 139, 2.'' ci.— Id. 674. 
Chausal de lufestis, geogr., 1258. Inq. 556, 1.* ci. 
Chauselas, monte, 1220. Inq. 51, 1.* ci. 
Chavaes (S.** Segoyne de), geogr., 1258. Inq. 377, 2.* ci. 
(^havaes, geogr., 1258. Inq. 378, 1.* ci. 
Chavai-ius, app. h., 1258. Inq. 700, 2.'» ci. 
Chave, geogr., 1258. Inq. 293, 2.* ci. 
Chaveda, geogr., 1220. Inq. 123, 1.* ci. 
Chavilaa, geogr., 1258. Inq. 556, 2.* ci. 
Chavyam, geogr., 1258. Inq. 357, 1.* ci. 
Cliaym, geogr., 1258. Inq. 371, 2.* ci.— Id. 372. 
Cheda, geogr., 1258. Inq. 732, 2.* ci.— Id. 60. 
Chedas, geogr., 1258. Inq. 333, 2.* ci. 
Chedelas, geogr., 1258. Inq. 513, 2.* ci. 
Cheela, geogr., 1258. Inq. 358, 1.* ci. 
r.heelo, geogr., 1258. Inq. 592, 2.* ci.— Id. 635. 
Cheeyras, geogr., 1258. Inq. 514, 1.* ci. 
Ciheira, app. li., sec. xv. S. 158. 
Cheirente, app. h., sec. XV. S. 344. 
Chenaria, geogr., 1258. Inq. 514, 1.* ci. 
Cheresi, geogr., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35. 
Cheyra, app. h., sec. XV. S. ? 
Chicanes, app. li., 1258. Inq. 401, 1.^ ci. 
Chicas ou Chiquas, geogr., 1220. Inq. 78, 1.* ci.— Id. 670. 
Chichorro, app. h., sec. XV. S. 150. 
Chico, app. h., 1258. Inq. 366, 1.* d. 
Oiilaios^ geogr., 1154. For. de Sintra. Leg. 385, 1. 22. 
Chinichella, geogr., sec. xv. S. 306. 



O Archeologo Portugués 251 

Chiquas. Vide Chicas. 

Cbira, g^ogr.*, 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35. 

Choco, app. h., 1258. Inq. 298, 1.* ci. 

Choqueìro (Agra de), geogr., 1258. Inq. 556, 2.* ci. 

Chora, app. h., sec. XV. S. 162. 

ClioreU ou Chorolì, cjwal, 1220. Inq. 147, 2.* ci. 

Choreuci ou Choriiici, geogr., 1220. Inq. 179, 1.* ci. 

Clioreute, app. h., sec. xv. S. 344. 

Choreiiti (S. Michael de), geogr., 1220. Inq. 33, 1.* ci. 

Chorolì. Vide Choi*eli. 

Chousa, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci. 

Chousal, geogr., 1258. Inq. 556, 1.* d. — Id. 578. 

Chousela, geogr., 1258. Inq. 375, 2.» ci.— Id. 398. 

Chouso, geogr., 1258. Inq. 406, 1.' ci. 

Chouvi, geogr., 1258. Inq. 367, 1.^ ci. 

Chrispim, n. h., sec. xv. S. 334. 

Christelu^ (S. Michael de), geogr., 1258. Inq. 439, 1.* ci. 

Chrìstimir, geogr., 1258. Inq. 572, 1.* ci. 

Cliristiniiro, casal, 1258. Inq. 733, 2.* ci. 

Christiniz^ app. h., 953. Doc. most. Vimar. Dipi. 39. 

Christofano e Christofouo (Sancto), geogr., 1220. Inq. 35, 1.* ci. 

Chrìstofoni (Sancii), geogr., 1111. For. de SàtSo. Leg. 355. 

Christoforiz, app. h., 999. Doc. most. Moreira. Dipi. 112. — Id. 118. 

Chrì.stoforo, n. h., 950. Doc. most. Moreira. Dipi. 34. 

Christovait, app. m., 1258. Inq. 360, 1.* ci. 

Christovaiz, app. h., 1220. Inq. 133, 1.» ci.— Id. 242. 

Christoval, geogr., 1258. Inq. 377, 2.* ci. 

Christovanus (Sancto), geogr., 1220. Inq. 233, 2.* ci. 

Chrìstovao (Sancto), geogr., 1220. Inq. 208, 1.* ci. 

Christovao, n. h., 1258. Inq. 337, 2.» ci. 

Christouaiz, app. h., 1004. L. Preto. Dipi. 118. 

Chrìstoual, villa, 1087. Doc. most. Pendorada. Dipi. 412. 

Chrìstoua1aiie.s, geogr., 981. Doc. most. Loi*vao. Dipi. 81, n.° 132. 

Christoualiz, app. h., 984. Doc. most. Moreira. Dipi. 89, n.® 142. — 

Id. 109. 
Chrlstoualizi, app. h., 983. Dipi. 87. 

Christoualo, n. h., 953. Doc. most. Vimar. Dipi. 39. — Id. 171. 
C^hristouaunes, geogr., 1050. Doc. most. Pedroso. Dipi. 231. 
(^hrisioQois, app. h., sec. xiii. For. de Mós. Leg. 391. 
Chufap, app. h., 1258. Inq. 438, 1.* ci.— Id. 710. 
i:hufari*o, app. h., 1258. Inq. 710, 2.* ci. 



252 O AacHEOLoao Pobtugués 

Chaffouem, app. h., 1258. Inq. 702, 2.* ci. 

Churidus, geogr.y 1258. Inq. 498, 1.* ci. 

Churrìchaa, app. m., sec. xv. S. 387. 

Ghurruchaa^ app. m., sec. XV. S. 375. 

Charuchaao, app. h., sec. xv. S. 199. 

Clmruchao, app. h., 1220. Inq. 42, 2.* ci. 

Chusaros, geogr., 1258. Inq. 701, 2,* ci. 

CiandUa, n. h., (?), 867-912. L. Preto. Dipi. 3. 

Cibram, geog., 1258. Inq. 363, 1.* ci. 

Cibriaui (Sancti), igreja, 976. Doc. most. da Graga. Dipi. 75.— 

Id. 399. 
Ricalo, n. m., sec. XV. S. 259. 
Cicumbre, app. h., sec. xv. S. 159. 
Cida, n. m., 1033. Doc. ap. sec. xvm. Dipi. 170. 
Cidadela, villa, 1258. Inq. 494, 2.' ci. 
Cìdadelia, villa, 1220. Inq. 123, 1.* ci. 
Cidadoua, geog., sec. xiii. For. de Mós. Leg. 391, 1. 18. 
Ciday, geog., 1258. Inq. 499, 1.* ci. 
Cidel, n. h., 1092. L. Preto. Dipi. 458, n.^ 770 
CUdeliz, app. h., 1045. L. Preto. Dipi. 211. 
Cidello, n. h., 1016. Doc. most. LorvSo. Dipi. 143.— Id. 355. 
Cidelo, n. h., 984. Doc. most. Moreira. Dipi. 89.— Id. 117. 
Cidi, n. h., 1002. L. Preto. Dipi. 117. — Inq. 306. 
Cidic, app. h., 1059. Doc. most. Moreira. Dipi. 255. 
Cidici, app. h., 1078. Doc. most. Pedroso. Dipi, 335.— Id. 368. 
Cidiz, app. h., 1030. Doc. most. Pedroso. Dipi. 164. — Inq. 82. 
Cidizi, app. h., 1078. Doc. most. Arouca. Dipi. 335, n.® 551. 
Cidofacta, geogr., 1059. L. D. Mum Dipi. 260. 
Cidoi, n. h., 921. Dipi. 15, n.« 14, 
Cidoy, geogr., 1258. Inq. 491, 2.* ci.— Id. 499. 
Gidram, app. h., 1258. Inq. 610, 1.* ci. 
Gidreiros, geogr., 1258. Inq. 344, 2.* ci. 
Gieiram, app. h., 1220. Inq. 6, 1.* ci. 
Gigarro, app. h., 1258. Inq. 317, 1.* ci. 

Gigoura, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.^, p. 1.% C. 109. 
GUa, app. h., 1004. L. Preto. Dipi. 118, n.* 193. 
Giluana, villa, 950. Doc. most. Lorvao. Dipi. 35. — Id. 478. 
Giluricu, app. h., 1174. For. de Ozezar. Leg. 403. 
Gilveganos, geogr., 1253. Inq. 524, 1.* ci. 
Giraa de Avidos, geogr., 1220. Inq. 155, 1.* ci. 
Gima de Porcaa, geogr., 1220. Inq. 140, 1.*^ ci. 



1 



Arcueolocìo Portugués 253 

Cima deTeloes, villa, 1258. Inq. 628, 1.* ci. 

Cimaes (Casal de), geogr., 1258. Inq. 388, 2.» ci.— Id. 549. 

Cìndo, n. h., 1070. Doc. most. Moreira. Dipi. 302, n.<» 487. 

Ciiidon, n. h., 1099. L. Prete. Dipi. 537. 

Cinfanes^ villa, 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. — Dissert. 

chron. 1.% p. 238. 
Cinfianes, villa, 1083. Doc. most. Pendorada. Dipi. 367. 
Cinphanes, g^ogr., 1076. Doc. most. Pendorada. Dipi. 326. — Id. 328. 
Ginza, app. h., sec. XV. F. Lopez, Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 91. 
Cipidis, geogr., 907. Doc. most. Lorvio. Dipi, 10, n.® 15. 
Cipriacìs, app. h., sec. xiii. For. de Mós. Dipi. 391. 
Cipriano (Sancto), geogr., 950. Doc. ap. sec. xiii. Dipi. 35. — Id. 129 

e 196. 
Ciqnelio, n. h., 1018. L. Prete. Dipi. 145. 
Ciquiadi (S. Jacobo de), geogr., 1220. Inq. 31, 2.* ci.— Id. 186. 
Cirriim de costoaribus^ g©ogr., 1258. Inq. 484, 1.* ci. 
Cirzido, geogr., 1258. Inq. 407, 1.* ci. 
Cisilu, n. h., 949. Doc. most. Moreira. Dipi. 33. 
Cistel, mosteiro, sec. xv. S. 165. 
I^istell, mosteiro, sec. xv. S. 326. 

Cita, n. m., 995 (?). Doc. most. Pendorada. Dipi. 108, n.° 175. 
Citelliz, app. h., 1045. L. Prete. Dipi. 211. 
CiteUo, n. h., 1023. L. Prete. Dipi. 156. 
Citi, n. h., 984. Doc. Most. Moreira. Dipi. 88, n.*» 140. 
Citiz, app. h., 1038. Tombe S. S. J. Dipi. 182. 
Cito, app. h., 1258. Inq. 378, 1.» ci. 
Citofacta, geogr., 1258. Inq. 460, 1.* e 2.* ci. 
Citrale, casal, 1258. Inq. 567, 1.* ci. 
Ciues (sic) areos, geogr., 1016. L. Prete. Dipi. 141. 
Ciuidadela e Ciuidadeiha, villa, 1224. For. Cidadelhe. Leg. 599. 
Cinidadeiia, villa, 1097. Doc. most. Pendorada. Dipi. 510. 
Ciuitadelia, villa, 970. Doc. most. Lorv^o. Dipi. 65.— Id. 68. 
Civelas, geogr., 1258. Inq. 586, 2.* ci. 
Cividade, geogr., 1258. Inq. 347. 2.» ci.— Id. 351. 
Civitas, monte, 1258. Inq. 602, 1.* ci. 
Cizeral, geogr., 1258. Inq. 322, 2.* ci. 
Cizilaui, villa, 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32, n.* 56. 
^izom, app. h., sec. xv. S. 362. 
Clamatorium, geogr., 1258. Inq. 658, 2.* ci. 
Clarius, geogr. (?), 1081. Tombe S. S. J. Dipi. 357. 
Clasto, geogr., 1258. Inq. 523, 2.* ci.— Id. 532. 



254 O Archeologo PoaruGuÉs 

Clemeucio (Sancto) de Saiidi, geogr., 1220. Inq. 170, 1.* ci. 

Cleusa, n. h. (?), 1059. Doc. most. Moreira. Dipi. 255. — Id. 441. 

CHeutuli, n. li., 964. L. Preto. Dipi. 55. 

Coam, geogr., 1186. For. de Covilha. Leg. 459, 1. 3. 

Coaz, app. h., 1038. Tombo S. S. J. Dipi. 184. 

Coba, villa, geogr., 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. 

CobaJ, geogi-., 1258. Inq. 304, 1.* ci. 

Cobaos, geogr., 1258. Inq. 294, 1.* ci, 

Cobar, geogr., 1182. For. de Valdigem. Leg. 428. 

(^obellas de kapruno, villa, 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32, ul- 
tima 1. 

Cobidi, geogr., 1258. Inq. 416, 2.* ci.— 553. 

Codia, app. h., 1258. Inq. 354, 1.* ci. 

Cochìiias, geogr., 1258. Inq. 437, 1.* ci. 

Cochio ou Cochiuo, app. h., 1220. Inq. 96, 2.* ci. 

Codio, app. h., sec. xv. S. 151. 

Cochoii, app. h., 1258. Inq. 698, 2.* ci.— Id. 720. 

Cochoiicel, geogr., 1258. Inq. 388, 1.* ci. 

Cocri, app. h., 1258. Inq. 624, 2.* ci. 

Codal, monte, 1072. Doc. most. Moreira. Dipi. 310, n.® 502, ultima J. 

Codale, monte, 983. Doc. most. Moreira. Dipi. 84. 

Codar, monte, 922. L. Preto. Dipi. 17, 1. 4. 

Codea, geogr., 1258. Inq. 629, 1.^ ci.— Id. 137. 

Codeas, app. li., 1258. Inq. 367, 2.^ ci. 

Codela, app. m., 1258. Inq. 335, 1.* ci. 

Codes, app. li., 1258. Inq. 581, 2.» ci. 

Codesaes, geogr., 1258. Inq. 655, 2.* ci. 

Codesal, geogr., 1258. Inq. 437, 2.^ ci. 

Codeseda, geogr., 1258. Inq. 362, 1.* ci.— Id. 363. 

Codeseudo, n. li., 1258. Inq. 733, 2.» ci. 

Codesindo ou Condesiudu, n. li., 1074. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 
319, n.« 519. 

Codesoselo, geogr., 1258. Inq. 635, 2.* ci. 

i^odesoso, serra (?), 968. Doc. most. Moreira. Dipi. 62, n.® 98.— 
Inq. 365. 

Codessado, geogr., 1258. Inq. 727, 1.* ci. 

Codessal, geogr., 1258. Inq. 640, 2.* ci. 

Codessarìa, geogr., sec. xiii. Chron. Conimbr. S. 4. 

Codesseda, geogi\, 1100. Doc. most. Pendorada. Dipi. 547, n.® 924.— 
Inq. 37 o 188. 

Codesseyra, geogr., sec. xv. S. 368. 



O Archeologo Portugués 25q 

Codessido, geogr., 1258. Inq. 510, 2.* ci, 

Codessosa, geogr., 1220. Inq. 59, 2.* ci.— Id. 149 e 322. 

Codirnega, app. h., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.**, p. 2.\ C. 103. 

Codoruiz, app. h., sec. xv. S. 173. 

Codosedo, geogr., 1258. Inq. 397, 1.* ci. 

Cloelliinho, app. h., sec. xv. S. 159. 

Coeriz, app. h., sec. xiii, Leg. 391. 

^^ofiuos, geogr., sec. xv. S. 199. 

Cogia, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 51, 1. 19.— Leg. 387. 

Cogianca (urbs), 1050. Leg. 137, 1.* ci. 

Cogina, n. m., 1055. Doc. most. Pedroso. Dipi. 241. 

Coguladas, geogr., 1258. Inq. 728, 1.* ci. 

Cogulata, geogr., 1058. L. D. Mum. Dipi. 249, 1. 38. 

Coguladas, geogr., 1258. Inq. 728, 1.* ci. 

Cognludo, geogr., 1258. Inq. 576, 1.* ci. — Id. 641. 
Coia, casal, 1042. L. B. Ferr. Dipi. 196. 

Coido, geogr., 1258. Inq. 301, 2.* ci. 

Coina, geogr., 1065. Doc. most. Pendorada. Dipi. 282. — Inq. 553 
e 610. 

Coiuas, geot^T., 1258. Inq. 667, 2.^ ci. 

Coiiido, geogr., 1258. Inq. 585, 1.* ci. 

Coiuha, app. h., sec. xv. S. 184. 

Coirà, geogr., 1071. Dipi. 306.— Inq. 354. 

Coirei (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 35, 1.* ci.— Id. 187. 

Coii-ela, geogr., 1258. Inq. 727, 1.* ci. 

Coitado, app. h., sec xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.% p. 2.% C. 103. 

Coixas qiientes, app. m., sec. xv. S. 161. 

Cojaiica, geogr., 1050. Leg. 137, 2.* ci. 

Cola, rio, sec. XIII. For. de Urros. Leg. 424. 

Colaco, app. h., sec. xv. S. 375. 

Colchafria, app. h., sec. xv. S. 150. — Id. 343. 

Coleima, n. li., 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. 

^oleima, app. h., sec. xv. S. 356. 

Coieiman, n. h., 1100. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 552. 

Colgeses, villa, 926. L. D. Mum. Dipi. 20, n.*» 31.— Id. 138. 

Coliap, app. h., 1258. Inq. 316, 2.^ ci. 

Coliares, geogr., 1258., Inq. 301, 1.^ ci. 

Colimbrianos, geogr., 922. L. Preto. Dipi. 16. 

Colimbrianus, n. h.,, 1094. Doc. ap. auth. sec. xiii. Dipi. 485. 

Colimbpie, cidade, 919. Doc. most. Lorvao. Dipi. 14.— Id. 37, 39 
e 42. 



256 O Archeologo Portuguéb 

Colina, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 261.— Id. 46. 

Colium, n. h., 1091. L. Prete. Dipi. 451," n.*» 757— Id. 273. 

CoUacii, app. li., 1258. Inq. 625, 2.* ci. 

Collazo cu Coiilazo, app. h., 1220. Inq. 104, 2.^ ci. 

Colmado (Sam), geogr., sec. xv. S. 396. 

Colmeariis, geogr., 1258. Inq. 541, 2.* ci. 

Colmeeiro, app. h., sec. xv. S. 381. 

Colmelros (Casaes dos), geogr., 1258. Inq. 298, 1.* ci. 

Colmeuarla, villa, 1058. Doc. most. da Qra^a. Dipi. 251, — Inq. 517. 

Colobro, rio (?), 1220. Inq. 125, 1.* d. 

Colomba ou Columba, n. m., 976. Doc. most. Moreira. Dipi. 73. — 

Villa, 985. Doc. sé Coimbra. Dipi. 92. 
Comaro, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci. 
Comeal, geogr., 1258. Inq. 379, 1.* ci. 
Comide (Villa), 1080. Doc. most. Moreira. Dipi. 352. 
Comitaes, geogr., 1258. Inq. 561, 1.* ci. 
Comonias ou Comoynas, geogr., 1258. Inq. 429, 2.^ ci. 
Compaiiha Avizimaa, geogr., sec. xv. S. 327. — Id. 328. 
Compelo, geogr., 1258. Inq. 732, 2.* ci. 
Composita, n. m., 1084. L. Prete, Dipi. 377, n.° 631. 
Comprido, app. h., 1258. Inq. 557, 1.* ci. 
Comsogra, geogr., sec. xv. S. 258. 
Comtos, geogr. (?), sec. xv. S. 296. 
Comunia, geogr., 1258. Inq. 638, 1.* ci. 
Conaluo, n. h., 773 (?). L. Preto. Dipi. 2. 
Conca, geogr., 1258. Inq. 432, 2.* ci. 
Concella, villa, 1081. Doc. most. Pendorada. Dipi. 362. 
Conchados, geogr., 1258. Inq. 402, 2.* ci. 
Conche (Petra de), geogr., 1258. Inq. 331, 1.* ci. 
Cenchouso, geogr., 1258. Inq. 732, 1.* ci. 
Conchousos, geogr., 1258. Inq. 466, 2.' ci. 
Conchouzino, geogr., 1258. Inq. 679, 2.* ci. 
Conciario, geogr., 1258. Inq. 574, 1.' ci. 
Concieipo, geogr., 1258. Inq. 94, 2.* d.— Id. 408. 
Concieires, geogr., 1258. Inq. 734, 2.* ci. 
Concita, n. m. (?), 1070. Doc. most. Moreira. Dipi. 305. 
ConcUiario (S.^* Maria de), geogr., 1056 (?). Dee. most. Moreira. 

Dipi. 243. 
Cendade, geogr., 1258. Inq. 369, 2.* ci. 
Cendego, app. h.. sec. xv. S. 172. 
Condemaro, geogr. (?), 1068. Dipi. 294, n.^ 471. 



O AaCHEOLOGO POBTUGUÉS 257 

Condeixa, app. h., sec. xv. S. 351. 

Condense, cìdade, 1087. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 415, n.° 692. 

Coudesa, geogr., 1258. Inq. 302, 1.* ci. 

Coudesal (Campo de), geogr., 1258. Inq. 597, 2.* ci. 

Condesalblz, app. h., 1060. Doc. most. Pedroso. Dipi. 267. 

Condesalbo e Coudisalbus, n. h., 1060. Doc. most. Pedroso. Dipi. 266. 

Coudesiudìz, app. h., 1060. Doc. most. Pedroso. Dipi. 267. 

Condesindo. Vide Codesindo. 

Condesinto, app. h., 1038. Dipi. 185, n.** 303. 

Condessalibns (Casal de), geogr., 1258. Inq. 665, 1.* ci. 

Condessidos, geogr., 1258. Inq. 317, 2.* ci. 

Coudexa e Condexe, cidade, 1086. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 393. 

Condissalaiz, app. m., 1024, Doc. most. Pendorada. Dipi. 157. 

Condiuadl e Goudiuadi, geogr., 1055. L. Proto. Dipi. 240. 

Condodisare, lagòa (?), 1034. Tombe S. S. J. Dipi. 174. 

Condomias, geogr., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138. — Inq. 159. . 

Coudominguìnos, geogr., 1258. Inq. 422, 2.* ci. 

Conelìarìa, geog., 981. Doc. most. Lorvao. Dipi. 82. 

Coneliosa, villa, 1072. Doc. most. Moreira. Dipi. 310, n.*' 502. 

Confurco, geogr., 1258. Inq. 619, 1.* ci. 

Confurcus, geogr., 1083. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 372, n.^ 621. 

Congestas, geogr., 1258. Inq. 585, 1.* ci. 

Cougosta, geogr., 1258. Inq. 649, 1.* ci. 

Congusto, villa, 1066. Doc. most. Pendorada. Dipi. 283.— Id. 304. — 
Inq. 321. 

Goniariz, villa, 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32. 

Couimbria, cidade, 850-866. Doc. most. LorvSo. Dipi. 2, n.® 2. — 
Id. 59, 66, 79 e 470. 

Coniassi, app. h., 1258. Inq. 606, 1.' ci. 

Conlaza, n. m., 1258. Inq. 353, 2.* d. 

Conlazo, app. h., 1220. Inq. 27, 1.* ci. — Id. 182. 

Conoszudo, app. h., 1258. Inq. 319, 2.* ci. 

Conplentes, villa, 1085. Doc. most. Pendorada. Dipi. 389, n.^ 651. 

Conposia, n. m., 980. Doc. most. Lorvào. Dipi. 78. 

Conpostella, geogr., 1258. Inq. 518, 1.* ci. 

Conprentes, villa, 1085. Doc. most. Pendorada. Dipi. 380, n.® 637. 

Coiisalbiz, app. h., 1074. Doc. most. Ave-Maria. Dipi. 319. 

Consalbo, n. b., 1098. Doc. most. Pendorada. Dipi. 521. 

Cousaluo, n. h., 1069. Doc. most. Moreira. Dipi. 297, n.® 476. 

Constantim oii Costantim, geogr., 1220. Inq. 125, 1.* ci. 

Contariquizi, app. h., 1027. Doc. most. Moreira. Dipi. 162, n.<^ 262. 



258 O Archeologo Poktuqcés 

Contatizi, app. h., 924. L. Preto. Dipi. 19. 

Couteiisa, geogr., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9. — Id. 326. 

Inq. 344 e 732. 
Coiitigi, villa, 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. 
Contlgo, n. h., 1092. Dipi. 467.— Inq. 86. 
Contine, n. h. (?), 1258. Inq. 625, 1.* ci. 
Contrasta, villa, 1258. Inq. 365, 2.* ci. 

Controde, n. m., 1058. Doc. most. Moreira. Inq. 253, n.° 411. 
Controte, n. m., 1088. Doc. most. Moreira. Dipi. 420. 
Conzalnizi, app. h., 1096. Doc. most. Moreira. Dipi. 495. 
Conzella, villa, 995 (?). Doc. most. Pendorada. Dipi. 108. 

{Continua). 

A. A. CORTESAO. 



Bibliograpllia 
Ainda a proposito do «Catalogro do Museo de Erora» 

A critica serena e documentada que iiz n-O Arch. Port.^ ix, 43, ao Cata- 
logo do lluseu do Bwora do Sr. A. F. Barata, responden este eom ^m 
follieto de 20 paginas, intitiilado Ridendo, impresso em Evora, folheto qne, tanto 
quanto pude julgar de um rapido lance de olhos, pois me faltou paciencia para 
o ier todo, està cheio de desconcertos. Sr. Barata até nas citagòes desconeha- 
vou: assim, a pag. 5, escreveu de omni scibile (de mais a mais scibile, — accen- 
tuadoi) em vez de de omni scibili; a pag. 19 escreveu nos quoque PortugaUae 
swmis em vez de Portugalenses sumus, mas nao Ibe chegon a lingoa. . . latina. 
N&o sei qne pnirìgem é està de em todos ou quasi todos os seus folbetos desper- 
di^ar latim de segnnda mSo quem da lingoa do Lacio nem ao menos a prìmeira 
declinagao póde balbuciar^ 

NSo vou, evidentemente, discutir com o Sr. Barata, e por isso me limito 
a dizer-lbe que, se elle queria responder ao meu artigo, devia dar-me urna unica 
resposta: mostrar que estavam certas as inscrip^oes que eu disse 
estarem erradas. Fazer o contràrio, é cuspir ridiculamente para o ar. 

J. L. deV. 



^ latim do Sr. Barata é propriamente latinorio : frases corriquciras e c&ta- 
fadas, de cujo contcxto se deve dizer com Horacio, Satiraa, I, vii, 3 : 



Omnibus et lippia notum et toksobibis . 



Estc Sr., em vcrdade, nao vac alcm das scguintcs, ou de outras da mcsma forca: 
doctor in abaentia, in ilio tempore, ad libitum, ad vsum Ddphini, ne suior ultra 
crepidam. A ultima devia o Sr. Barata realmente te-la sempre dcantc dos olbos, 
para constante mcditacao ... 



EXPEDIENTE 



O Archeologo Portugues publicar-se-ha mensalinente. Cada nùmero 
sera sempre ou quasi sempre illustrado, e nno conterà menos de Ifl 
paginas in-8.°, podendo, -quando a affl.uencia dos assumptos o exigir, 
conter 32 paginas, sem que por isso o pre^o augmente. 

PREgO DA ASSIGNATURA 

(Pagamento adeantado) 

Anno 1^500 réis. 

Semestre ... * 750 » 

Nun^ero avulso 160 » 

Estajbelecendo este modico pre9o, julgamos facilitar a propaganda 
das scieiìcias archeologicas entre nós. 



Toda a correspondenoia à corca da parte litteraria d'estareyista 
deverà ser dirigida a J. Lelio de VasconoellOS, para a BifìUO- 
THECA Nacional de Lisboa. 

Toda a correspondenoia respectiva a compras e assignaturas 
deverà, acompanhada da importancia em carta registada ou em vales 
de correio, ser dirigida a Manoel Joaquim de Campos, Museu 
Ethnologico, Beiem (Lisboa). 



A venda nas principaes livrarias de Lisboa, Porto e Coimbra. 



VOL. IX NOV. E DEZ. DE 1904 N." 11 E 12 



ARCHEOLOGO 

T^ORTTJGTJÈIS 



COLLBCflO ILlDSmDA DE UTEUUS K M0TICI&8 



PUBUCADA PBLO 



MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÉS 




=! 



^ 

a^ 

3 



Veterunt volvens ntonumenta virorum 



LISBOA 

IMPRENSA NACIONAL 
1904 



aTJ'JML'JMLj^:RXO 



as pretensoes monetariàs de vllla-boa x>e goyaz.' 259. 

Antiguidades deVianna do Alemtejo: 271. 

os archivos eccles1ast1c0s dà guàrda: 296. 

Um thesouro do seculo XIV : 300. 

Archeologia prehistorica da Beira : 303. - • 

AcQuisigoES DO MusEu Ethnologico Portugués: 308. 

noticias varia8: 310. 

Onomastico medieval portugués: 311. 

Necrologia: 320. 

BlBLIOGRAPHIA : 321. 



Este fasciculo vae illustrado com 36 estampas. 



ARCHEOLOGO P0RTUGUÉ8 



COLLECCÀO ILLUSTRADA DE MATERIAKS E NOTICIAS 

rCBLlCADA PKLO 

MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS 



VOL. IX NOVEMBRO E DEZEMBRO DE 1904 N.**' 11 E 12 



As pretensSes monetarias de Villa-Boa de Ooyaz 

Na Biblioteca Nacional de Lisboa apparecem de vez em quando 
novidades de loda a ordem no manancial de documentos antigos, que 
nella ha. Na sec9ao do Archivo de Marinha e Ultramar, dentro de um 
inajo de manuscritos dos annos de 1782 a 1784, referentes a assuntos 
da antiga capitania brasileira de Goyaz ^, foi eneontrado um cademo 
de folhas soltas, que contém as seguintes pe9as ineditas: A segunda 
via da representa9ao enviada pelo Senado da Camara a D. Maria I, 
em 21 de Junho de 1780, contra a circula9ao de ouro em pò comò 
moeda corrente; o officio originai do governador Luis da Cunha Me- 
neses, de 10 de maio de 1783, com que enviou para o reino a sua 
informaQao relativa ao assunto; o originai da mesma informafào, acom- 
panhado da estampa de um projecto de moedas especiaes de prata 
e cobre destinadas a terem curso na capitania, e, finalmente, dois cai- 
culos da senhoriagem que se poderia haver pelo fabrico do numerario. 
Tres copias textuaes de leis monetarias da epoca de D. José I, lioje 
conhecidas, acompanham a informaQlo do governador. 

Estes materiaes de prosa antiga, prolixa, pesada, e a estampa, 
alarmante pela novidade das figuras, prenderam a nossa atteuQSto. 

Fundados na substancia do processo, que nos abstemos de trans- 
crever aqui pela sua abundante materia, faremos algumas consideragSes 
em torno das ideias nelle expressas, revelaremos varios acontecimentos 
ignorados e exhibiremos a estampa. A quem desejar conhecer os do- 
cumentos na integra fica jà indicado o logar onde os póde consultar. 



^ Està palavra tem-se escrito de varias maneiras: Goya (mais antigamente), 
Goias oa Goiàs (nas moedas), Goyaz e Goyàs (em varios documentos). 

17 



260 O Archeologo Portugdés 

Teìxeira de A raglio, cuja memoria acaba de ser evocada elogio- 
samente pelo Dr. José Leite de Vasconcellos *, disse, a pag. 295 do 
voi. I do seu traballio numismatico, que tambem convem dar conheci- 
mento de quaesquer moedas n^o autenticas, e assim o fez por vezes. 
Em virtude d'està licen9a, dada pelo mestre, os projectos de conbagens. 
quando sSo effeitos de autorizagUo e nSo obra de anonymos, cabem no 
estudo da numismatica, embora occupem posiQSLo especiai em seegdes 
reservadas. 

O project de que vamos tratar é digno do apre90 dos numisma- 
tas; porém, antes de entrar na materia, convem que, em rapido bos- 
quejo, se de ideia da Ustoria do pais de Gojà. 

Nos meados do seculo xvii, a capitania de S. Paulo, urna das mais 
vastas do Brasil, comprehendia no interior territorios desoonhecidos, 
habitados por tribus de aborìgenes, que viviam da pesca fluvial e da 
ca9a, absolutamente estranhos ao contacto civilizador. O espirito aven- 
tureiro da epoca nSo se propunba desvendar os mjsterios e riquezas 
naturaes d'aquelles sertSes, ou por falta de iniciativa do governo de 
S. Paulo, ou porque presumia quào temìveìs seriam os esforgos que elle 
teria de empregar para o bom exito do emprehendimento. O desco- 
nhecido aterrava resoln^Ses incipientes. 

Ainda era goral a apathia entro fidalgos e homens de negocio, 
quando o paulista Manoel Correia, originario da plebe, audacioso e 
energico, da tempera d'aquelles portugueses que com o esfor^o da 
espada pretendiam sacudir de Pernambuco o dominio hollandés, no 
decorrer do anno de 1647 partiu de S. Paulo para as bandas do occi- 
dente, Sem destino previamente calculado, seguido de uma handeira 
de aventureiros cayadores de escravos. Afrontando trabalhos e perigos 
de toda a ordem, entranhou-se nas florestas do pais de Goya, onde 
encontron amostras de bom curo, mas em breve regressou a sède da 
capitania, mais fatigado e descrente que enriquecido, esquecendo-se 
finalmente do sertlo que descobrira, comò se fosse um sonho febril. 

Outro aventureiro paulista, Bartolomeu Bueno da Silva, que hou- 
vera às mSLos ou consultàra o roteiro de Manoel Correia, em 1682 ausen- 
tou-se de S. Paulo com um filho, do mesmo nome que elle, ainda na 
verdura dos 12 annos, capitaneando uma companhia de homens de con- 
fianga com destino a Goya. 



* No Arch. Port.j voi. ix, pag. 142, lé-se : «0 seu labor (o de ÀragSo) corno 
homem de sciencia, sera sempre muito aprecìado, especialmente pela Descrivo 
das moedas de Portugal, obra qae bastava so por si para immortalizar um nome*. 



O Abcheolooo Portuóués 261 



O aventureiro nEo tinha ideia de colonizar aqnelle novo pais, cujos 
naturaes eram de indole pacifica; apenas intentava escravizar e enri- 
quecer. Apresentou-se corno senhor autoritario. Lan9ando fogo a aguar* 
dente no concavo de nm prato de estanho, para qae os selvagens Ihe 
reconhecessem o poder de qneimar os rìos e as fontes, corno qua para 
OS amea^ar com a fome e a sede, consegui u que o encaminhassem a lo^ 
gares ónde o curo existia quasi & superficie do solo, ou no quartzo das 
montanhas. 

Feito o carregamento de metal precioso, organizada a leva de es- 
<$ravoSy recrutados nas trìbus que o tinham acolhido benevolamente, 
regressou a S. Paulo. 

Governava à capitania Rodrigo Cesar de Menezes Sabugosa(1721- 
1726), quando Bartolomeu Bueno, o mo90, resolveu em 1722 visitar 
o pais onde seu pae o conduzira 40 annos antes, com o firn de adquirir 
curo e pedras preciosas. 

Na tradirlo orai dos Ooyazes vivia ainda a lembran9a do vexame 
soffrido por muitos dos seus antepassados, que a escravidào arrancàra 
das tabas; pertanto a nova expedÌ9So, entregue aos proprios recursos, 
enfraquecida por enfermidades e miserìas, foi um verdadeiro desastre. 

Finalmente, por iniciativa do capitSo-general governador, em 1725 
organizou-se numerosa expedÌ9ao armada, composta de frecheiros, mos- 
qneteiros e cavallària. Bartolomeu Bueno, à testa d'ella, conseguiu fun- 
dar entre os Goyazes o arraial de Santa Anna junto às margens do Rio 
Vermelho, onde colheu 8:000 oitavas de curo. Este exito determinou 
a emigra9ao de individuos de varias rajas e de varias classes sociaes 
para aquellas paragens. 

O arraial prosperou. Por ordem regia de 14 de Mar90 de 1731 
intrepido sertanista obteve carta de capitao-mór de Goyaz. Outra 
ordem regia de 11 de Fevereiro de 1736 elevou a povoa9So de Santa 
Anna à categoria de villa e cabe9a de comarca com o nome de Villa- 
Boa de Goyaz, para que fosse perpetuada a memoria do fundador e dos 
incolas do pais. 

Desenvolvida notoriamente a prosperidade da comarca, o alvarà de 
8 de Novembre de 1744 desannexou-a da capitania de S. Paulo e man- 
dou que fosse constituida capitania independente. 

No fim do reinado de D. Joào V tinha Villa-Boa situa9ao commer- 
cial desafogada. Havia caminhos abertos para S. Paulo, transitados 
por comboieiros e negociantes que traficavam para os portos de mar, 
e gozava de melhoramentos materiaes, mercè da lavra do euro, que 
desde a cria9ào do arraial primitivo tinha aumentado progressivamente 
de anno para anno e beneficiado o imposto do quinto, esse direito se- 



262 O Archeologo Portugués 

nhorial devido a Majestade, corno frnto das terras cujo dominio tinha. 
Està contribuiyao de 20 % incidia no oaro antes de apurado e fandido 
em barras. No governo de D. Marcos de Noronha extrahiram-se das 
minas do Cocal 160 arrobas de ouro *. So no anno de 1753 o rendimento 
do quinto na capitania montou a 169:080 oitavas de ouro^. Podiam ci- 
tar-se outras indica(3es numericas. 

Como se ve, a lavra foi importante, E nSo se póde allodir à quan* 
tidade de ouro confiscado, perdido, sonegado pelos escravos matricu- 
lados que trabalhavam nas lavras, consumido na fundÌ9So das barras 
e, principalmente, descaminhado aos reaes direitos. O abuso neste par- 
ticular foi de tal ordem que motivou a carta regia de 23 de Fevereiro 
de 1731 ^, que estabeleceu Registo na passagem do rio Jaguary para 
o manifesto do ouro que os viajantes transportassem de Villa-Boa para 
S. Paulo. 



No comeQO do reinado de D. Maria I, epoca de que nos vamos 
occupar relativamente ao meio monetario circulante em Goyaz, a lavra 
do ouro afrouxàra, e, comtudo, as montanhas tinfaam sido apenas arra 
nhadas à superficie; guardavam nos seios filSes de incalculavel riqueza. 
O sitio em que se ergueu posteriormente a povoafSo de Ouro-Fino 
(onde Bartolomeu Buono, o mofo, encontràra ouro de subido quilate), 
e outros logares, celebres por aventuras de minera9ào, estavam ermos. 
Idos OS faisqueiros buliyosos, a montanha voltou à poesia da solidao, 
e ali a sapucaia altiva p6de novamente receber os liames do cipó entre- 
la9ado8 ao pau de arco de flores amarellas. 

A vida agreste voltou à primitiva tranquilidade pela indolencia na- 
turai do povo, que n3o se animava a constituir empresas ou sociedades, 
mais oa menos fortes, para realizar explora(5es segnndo os preceitos 
da montanìstica. 

Em 1780 melhor empenho dos proprie tarios e dos agenciosos 
era escravizar selvagens para o amanho das terras e desenvolvimento 
material das industrias. Os tempos tinham mudado as ideias e os cos- 
tumes. O proprio ouro virgem, sublime na sua essencia, jà nSo co- 



1 Notiona de ehorographie du Bréeil, traduction par J. F. Hallout, pag. 471 
Leipzig, 1873. 

2 Corografia braaileira, pelo P.* Mancai Aires de Casal, nota a pag. 319 do 
tomo I, Rio de Janeiro, 1817. 

3 Livro das ordens regiae para a capitania de S, Paulo, de 1702 a 1761, Co- 
dice n.^" 238, A 6-B, ezistente na Biblioteca Nacional de Lisboa, pag. 129. 



O Abcheologo Poetugués 263 

roava ambi(Ses ; ficava ao desamparo ! Aioda hoje se diz que a actual 
cidade de Goyaz assenta numa mina, jamais explorada, e qae é facil 
encontrar pepitas do metal precioso nos logradoiros das habitagSeSi. 
feita que seja urna cova de pequena profundidade. 

Em 1780, pela for$a da lei de 3 de Dezembro de 1750, a moeda co- 
lonial brasileira, ou moeda geral^ nao coma na capitania de Goyaz* 
No circaito d'aquelle acanbado meio commercial circulava curo em 
pò e em barras. N3o bavia moeda de cobre. Faltavam, quasi absoluta* 
mente, os padrSes de prata cunhados na Babia, de 1752 a 1768, e no 
Rio de Janeiro, de 1754 a 1774, cujos valores eram equivalentes ao 
ouro nSo quintado, na razILo de li$200 réis por cada citava e nas prò- 
porgoes seguintes: 

600 réis = 16 vintens, ou Yj citava de curo, representados por 
363 ^4 grios de prata. 

300 réis = 8 vintens, ou */* citava de curo, representados por 
181 Vs grSos de prata. 

150 réis = 4 vintens, ou % citava de curo, representados por 
90 * V<6 grSos de prata. 

75 réis = 2 vintens, ou Vie citava de ouro, representados por 
45 *5/3j grXcs de prata. 

Chamavam-se moedas mineiras, porque eram privativas das comar- 
cas onde se lavrava ouro. Faltavam em Goyaz porque os viajantes as 
levavam para despesas que tinbam de fazer desde as Casas dos Re* 
gistos até S. Paulo, onde corriam a par da moeda geral. Pela mesma 
razào faltavam em Villa-Rica, Sabari, Rio das Mortes e Serro-Frio, 
comarcas encravadas no cora92o do Brasil. 

A ausencia d'estes padrSes monetarios no commercio por mende 
tornava necessario e constante o giro do ouro em pò, que prejudicava 
piiblico e encarecia os generos de primeira necessidade. Vejamos as 
prìncipaes causas da sua condemna9So. 

O desejo mais vehemente do escravo resumia-se na posse da carta 
de alforrìa, mensageira de Hireitos civicos, que entlo eram fìcticiamente 
iguaes aos do homem livre: portante, das compras de 1 até 8 vintens, 
sonegava grSos ou folbetas de ouro, atomos do pre90 da liberdade fu- 
tura. No silencio das boras recolhidas assim enriquecia o seu tbesouro, 
occulto no esconderìjo da montanba ou nas cavidades das arvores se- 
culares. Tinba este processo por mais commodo que faiscar ouro nos 
mais reconditos sertSes, foragido, entregue à sorte. No regresso a casa 
do senhor, queixava-se de que o ouro nEo chegàra para a totalidade 



264 O Abcheologo Pobtugués 

das despesas, ou allegava que as balaii9as e os pesos das tendas eram 
mstrumentos de fraude em poder dos vendeiros, por ser frouxa a vi- 
gilancia do Senado da Camara, que as nSo aferìa, ou sellava, corno se 
clizia ent^. 

Mas o escravo nem sempre era o unico responsavel pelas faltas 
nos pagamentos. Succedia que tenues particulas de euro adheriam à ba- 
lauQa ou que quando nella era coUocado, às pitadas, deixava restos, 
nem sempre imponderaveig, nos dedos do comprador. 

O escravo levava o curo em papel de ma qualidade e no embra- 
Ihar e desembrulhar arriscava-se inconseientemente, quando era hon- 
rado. E quantas vezes o fiel da balanga era o prejudicador, fatigado 
e gasto pelo exercicio continuo! 

Abundavam pobres e compradores por meudo, que com estas ou 
equivalentes contrariedades criminosas guardavam um sentimento de 
tedio pelo curo, sentimento que os impressionava e movia até a queixa. 
E jà tinham decorrido muitos annos sob o regime de tal maio mone- 
tario circulante! 

Calculava-se que de cada 100 oitavas de curo se perdiam 5% 
annualmente. 

A moeda que circulava isenta de reduc9Ses, corno se fosse cunliada, 
era a barra de ouro, commoda, de facil fabricaglo e de peso que 
a balan^a nSo tinha de verificar. O quilate, conhecido pelo toque e nSo 
por ensaio, o peso marcado, e o carimbo da respectiva casa de fun- 
dijào davamlhe legalmente autenticidade e poder de intervir em toda 
a ordem de transacgòes; portante nào tinha inimigos. 

Hoje nao é conhecida nos medalheiros qualquer barra d'està epoca, 
fundida em Goyaz. Reproduz-se aqui um exemplar do anno de 1814, 
inedito (fig. A), o qual existe na collecgào do Sr. Joaquim Gomes de 
Scusa Braga, residente no Rio de Janeiro. 




É singular o caso d'està barra ter gravada a sua procedencia, 
60IAS, na parte centrai junto da orla superior. Em todos os exem- 
plares de outras comarcas mineiras, que temos visto, de metal ou re- 
produzidos pela gravura, a designaglo da comarca é comprehendida 



O Archeologo Pobtugués 265 

no carìmbo que contém o escudo de armas do remo, firmado na extre- 
midade esquerda do anverso. 

Algumas barras erain productos de industria anoQyma, forjadas 
na sombra. O proprio ouro em pò nSo se eximiu a mistifica98es ; nai- 
gamas comarcas misturavam-lhe latlo. Con tra este crime bouve leis es^ 
peciaes, enviadas pela metropole ao govemador da capitania de S. Paulo 
em 28 de Jaueiro de 1735 e em 8 de Maio de 1746 *. 

As causas que promoviam o desagrado geral centra a circula9So 
do ouro em pò fundaram a necessidade de se criar moeda especial para 
a capitania, que nSo tinha commercio com o estrangeiro, — moeda que 
para alem dos Registos nSo tivesse curso e n3o valesse mais que in- 
trinsecamente, e neste intuito o Senado da Camara em 21 de Junhò 
de 1780 entregou ao govemador Luis da Cunha Meneses uma sup- 
plica a D. Maria I, igual à outra que o Senado de Villa-Rica enviàra 
em 19 de Dezembro de 1778. 

Ao criterio da Majestade oflFerecia-se por em pratica um projecto 
de moeda provincial de prata e cobre. Seria cunhada na officina mo- 
netaria do Rio de Janeiro, on na da Bahia, e remettìda annualmente, 
na razào de 4 contos de réis, ao Tribunal da Real Fazenda de Goyaz, 
onde 08 habitantes a tomariam em troca do ouro em pò. Nesta per- 
muta, se custo dos metaes para o fabrico das moedas fosse de 1 
conto de réis, a Real Fazenda lucraria 3 contos. O Senado, ao passo 
que supplicava, referia-se especialmente a està vantagem directa, que 
recommendava a supplica. 

Teria a nova moeda de prata diametros inferiores aos da moeda 
mineira, mas nao se declarava em que propor9Se8. Seriam emittidos 
padrSes de: 

300 réis, ou 8 vintens, na razSlo de */* de citava, correspondentes 
a 18 gràos de ouro. 

150 réis, ou 4 vintens, na razSlo de '/g de citava, correspondentes 
a 9 grSos de ouro. 

A moeda teria gravada nos symbolos a letra fkGoyazr», para nào 
passar para fora dos Registos, 

Para a moeda de cobre propunham-se diametros e pesos iguaes 
aos da moeda geral, a maia recente, cunhada em Lisboa desde 1778, 
que tinha os valores de XX e X réis marcados, corno està figurada na 



^ Livro da» ordens regtas, j& citado, a pags. 162 e 224. 



26tì O Archeologo Pobtugués 

estampa xxvii de Meili^ com os n.°' 17 com 35 miiimetros e 18 com 
29 miiimetros. Este cobra valia 640 réis por arratel, na razao de h 
réis por oitava. 

Para as moedas propostas o valor do metal subiria até 10 réis por 
oitava, e assim concordaria com o preyo do cobre dos padrSes de XL 
e XX réis, cunhados em 1722, especialmente destinados para as co- 
marcas de Minas Geraes. Mostram-sc nos n.^^ 46 e 47 da estampa 
xii de Meili. 

Os padrSes propostos eram dois: 

75 réis, ou 2 vintens, correspodentes a 4g grSos de ouro, com 
peso de 288 grSos ou 4 oitavas de cobre. 

37^ réis, ou 1 vintem, correspondentes a 2^ grSos de ouro, com 
peso de 144 gràos ou 2 oitavas de cobre. 

Luis da Cunha so em 10 de Maio de 1783 se resolveu a responder 
a carta regia de 2 de Junho de 1781, passada pelo Conselho Ultrama- 
rino. Este documento ordenava-lhe que informasse acérca da supplica 
referida e tambem com rela{Xo àquella que o Senado de Villa-Rica 
enviou a D. Maria I em 1778. 

Na informagao remettida ao Secretarlo d'Estado Martinho de Mello 
e Castro, successor do Marqués de Pombal, o governador encarecia 
a importancia e justiga das supplicas perante a Majestade Real, alludia 
aos motivos que as originaram e addicionava uma estampa represen- 
tativa dos typos monetarios que convinha adoptar, desenhados i penna^ 
corno se mostra nas figs. n,^* 1 a 5. 

Certamente por deliberarlo d'elle, o primitivo projecto fora modi- 
ficado pelo modo seguinte: Seriam emittidos 5 padrSes com valores 
accomodados aos dos pesos do ouro em pò, a saber: 

Moeda de prata 

600 réis ou 16 vintens = Vi oitava ou 36 grSos de ouro (fig. 1.'). 

300 réis ou 8 vintens = */i de oitava ou 18 grSos de ouro (fig. 2.*). 

150 réis ou 4 vintens = 7» de oitava ou 9 grSos de ouro (fig. 3.*). 

75 réis ou 2 vintens = Yie de oitava ou 4^ grios de ouro (fig. 4.*). 

Moeda de cobra 

XXXVII ^ réis ou 1 vintem = Vai de oitava ou 2 j grSos de ouro 
(fig. 5.»). 



* Die MUnzm der Colotiie Brasilien, Ztirich, 1895. 



O Archeologo Portugués 267 

Estas moedas nSo sairiam da capitania; a administragao da Real 
Fazenda do Rio de Janeiro ministraria barras de prata e cobre com 
que fossem cunhadas na Real Casa de FundÌ9So de Goyaz^ provida 
corno estava de oiBciaes habilitados e de material para està ordem de 
trabalhos. 

A importancia de 12 mil cruzados annualmente bastava para que 
a capitanìa em breve tempo fosse dotada com o numerario sufficiente 
para o commercio interno e pagamentos de quaesquer contribuiyoes 
devidas a Real Fazenda. 

O govemador asseverava que està moeda mereceria mais estima 
que o curo em pò. Dava para exemplo o padrUo de 600 réis, que, pelo 
seu volume, era preferido a uma citava de curo, cu 1<J200 réis, a qual 
após algum tempo de giro no commercio perdia infallivelmente grande 
parte do seu valor. 

Convinha fazer a contagem corno era de uso nos portos do mar, isto 
é, em S. Paulo, e neste caso a pataca, 300 réis, seria a unidade mo- 
netaria. 

Acerca de vantagens attribuidas a nova moeda referia-se & baixa 
que ella devia causar nos pre^os dos generos de consumo, à entrada 
do ouro circulante na Casa de FundÌ9ao e, por este facto, ao aumento 
do imposto do quinto. Encarecia os proventos da senhoriagem, comò 
demonstrava em dois calculos appensos à informagSo, assinados e ela- 
borados por Manoel Rodrigues da Costa, que provavelmente era func- 
eionario superior na Casa de Fundigao. 

Transcrevemos estes dois documentos, na realidade muito origi- 
naes e interessantes. 

•Caloulo das despezas q se podem fazer com a condaQ&o 

de dez mil orozados em barras para se comprar prata 

no Klo de Janeiro, e o quo poderà render o diretto Senhorial 

Despeza com a condugSo do curo em pò p.* o Rio lljJOOO 

Despeza com a condujao da prata p.* està V.* 53jJ625 

Despezas miudas « 6f$000 

70^625 
Pode render o Direito Senhorial regulado a 40 rs. por 

cada moeda de prata de 600 rs 285j$714 

Pode utilizar a Fazenda Real 215jJ089» 

' Neste calcnlo nSo se allude ao peso bruto da prata e por isto é im- 
possivel saber-se hoje quanto deviam pesar as moedas propostas. 



268 O Archeologo Poktugués 



«Calcalo das despezas quo se podem fazer oom a ooiidii^U> 

da qnantia de 400|^000 rs. em barras para se oomprar oobre 

no Rio de Janr.<>, e o q podere render o dir.^"* Senhorial 

Despeza com a condugao do ouro p.* o Rio 2^750 

Despeza com a condujSo do cobre p.* està V.* 198/>000 

Gusto de 34 (a)s, e 23 ff de cobre a 360 rs 399*960 

600/J710 
Regulando o pezo da moeda de cobre ser de 360 grlU)8 
—1 vintem sao 28441 moedas de 37—50 rs. imp.** 1:066^37 



Pode utilizar a Fazenda Beai 465*827» 

Por este calculo, o vintem de ouro, ou 37 Yj réi$ de cobre, pesaria 
5 oitavas, isto é, urna oitava mais que o padrSo XX réis da moeda 
geral, cujo diametro adoptava. 

A estampa representativa das moed s, centra a moda do secalo 
XVIII, nfto foi emmoldurada com arabescos fantasticos, ramagens de 
arbustos e outros ornatos, comò se ve em mappas, relac3es, eontas, 
etc, da mesma epoca. Foi desenhada em papel commum, plebeiamente, 
corno se nao hou vesso de subir ao throno da Majestade Real! Comtudo 
OS typos sJlo expressivos, regularmente delineados. 

A fig. 1.* é quasi perfeita. No campo a le tra M (MARIA), entre 
flor5e8, é encimada pela coroa real, larga, porém de mediana altura. Xo 
exergo • 1783% entre pontos; à esquerda «eOO* e à direita •GOlAS*, 
tambem entre pontos. 

No reverso a esphera armillar assenta sobre a cruz da Ordem de 
Christo com a letra Qt (GrOlAS) no centro. A cruz reparte em quatro gru- 
pos de letras a legenda classica da moeda de prata provincial SVBQ — 
SIGN. — NATA — STAB. O ponto coUocado por cima da letra Q é quasi 
imperceptivel. Este sinal occulto jà era de uso antigo em moedas de 
prata brasileiras. Come^ou no reinado de D. Pedro II, em 1695. Até 
1822 tomou 5 posigoes differentes junto à letra Q .Q Q. 'Q Q' e duplicou- 
se em Q: Està letra so multo raramente deixou de ser acompanhada 
pelo pequenino satellite. 

A designa95o da capitania, indicada por extenso no anverso, era 
novidade desnecessarìa. Pois nSo bastava para isso a letra Gr no re- 
verso? D'està duplica$ào deixava de participar a moeda de cobre, por 
nao ter espago onde a primeira indicacSo fosse accomodada. 

Compare- se o typo monetario de prata (fig. 1.*) com o da moeda 
mineira (fig. B), cunhada na Bahia em 1760, n.^ 58 da estampa xxii 



O Archeologo Portugués 



269 



de Meili, e com o da mesma moeda (fig. Cj, cunhada no Rio de Janeiro 
em 1774, n.® 74 da estampa xxiv. 




>flk'"°.^i 


1^ 


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\? '^. pT^^ 


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'•'N^* 



Da comparaglo resulta que, aleni das differen9as prineipaes jà apon- 
tadas, o diametro da moeda de 1783 nSo era exagerado. 

Nos padrSes de 300, 150 e 75 réis, figs. 2.*, 3/ e 4.*, vé-se identico 
typo monetario, guardadas entre elles proporgoes de diametro irregu- 
lares. Este ultimo, cuja emissSo cessàra em 17G0, era restaurado. 

O desenho da fig. 5/ é de singular novidade. Tem no campo o valor 
XXXVII- encimado pela coroa real, ampia em demasia. No exergo 
•1783- Na orla, em circulo, MAR[IA] • I • ET • PETfRUS] • III • 
P[ORTUGALIiE] • ET BRAS[ILI^J • REG[ES] • 

Nesta legenda, quasi semelhante à das moedas de XX réis coloniaes 
cunhadas em Lisboa desde 1778, nota-se a duplicagSo da letra T na con- 
junc9ao'ET junta a BRAS, o que constitue urna superfluidade graphica. 
Por erro imperdoavel póde classificar-se aquella mistura hybrida de al- 
garismos romanos e arabes em XXXVII y réis. 

No reverso a esphera armill^r, com a letra G ao centro, é circun- 
dada pela legenda PECUNIA TOTUM— CIRCUMIT • ORBEM. 



270 O Archeologo Poetugués 

E tal era o typo do vintem de ouro, representado em moeda ciinhada, 
a novidade mais interessante de todo o projeeto. 

Hoje lamentamos que estas moedas nSlo fosseni cunhadas, depoia 
de regalados convenientemente os symbolos, diametros e pesos. Serìam 
as unicas coloniaes brasileiras marcadas com letra monetaria no t^mpo 
de D. Maria I e D. Fedro III, visto que as dobras de 4 escudos e as 
suas fraegSes da mesma epoca, que receberam as letras B e R, eram 
destinadas principajmente & circulagSo monetaria do reino. 

D. Maria I nSo ouviu a supplica do Senado; ignora-se por que 
motivo. O governador nlo era contrario à causa, porém prejudicou-a 
pelo facto de ter demorado quasi dois annos o infoime pedido. Elle disse: 
€ Depois de eu terprocurado este benef.^ (a nova moeda) a estespovos aos 
pez do Beai irono de V. Mag.* assim corno acabo de referir, nada posso 
estimar tanto, corno ter està occaziào de me repetir novanta eni seu benef.^ 
rogando a V. Mag.* p.^ eUes està tnesma graga, e expondo-lhe o que mais 
me occorre sohre està mesma materia para o effetto de mostrar mais evi- 
dente bemfundado das referidas suplicas q. a V. Magestade se temfeiio^^. 

Foi so algumas semanas antes de ser transferido para o governo 
de Minas Geraes, que tratou d'este negocio pendente. E resolver-se-hia 
a isso por ter ouvido as vozes do clero, do Senado' e da classe mer* 
cantil, entoadas até a censura ou tSlo ameagadoras, que o impellissem 
a erguer a sua propria voz? Se era poderoso corno autoridade militar 
e administrativa, a classe mercantila principalmente, nSo Ihe era inferior 
comò potencia moral que regia a seu talante a vida activa na capitania. 

Luis de Meneses, fora das praxes burocraticas, devia recommendar 
aos seus amigos da metropole uma causa tHo justa. Parece que nào prò- 
cedeu assim. £ talvez seja este o motivo por que as moedas de Goyaz, 
visSes de um sonho quasi fantastico, n2o foram cunhadas. SXo apenas 
a memoria de uma aspirasse mallograda. Apesar do seu caracter osten- 
sivo theoricamente, é justo ligi-las & vida historica da numismatica bra- 
sileira dos tempos coloniaes. 

Lisboa, Novembre de 1904. 

Mànoel Joaquim de Caupos. 



1 governador refere-se à primeira via da peti^So do Senado, rcmettida em 
21 de Janho de 1780. 

2 «Dois factos concorrerai» para que os ultimos tempos da administra^ao de 
Luis da Cunha nSo fossem pacificos : as duvidas que teve com a Camara (em 1782), 
e as contesta^des travadas com o vigario JoSo Antonio de Noronha ; factos estes 
que assumiram um caracter grave». Bevista trimestral do insUtìdo historieo geogr, 
e ethnog, do Brcml, a pag. 324 do tomo zxvii, 4.<> trimestre de 1864. 



Archeologo Portuguès— Voi IX— 1904 







i 



/ 



O Archeologo Portdgués 



271 



Antiguidades de Vianna do Alemtejo 

I 
Excurfifto archeoloirlea 

Em 26 de Jnlho de 1901 escreveu-me oSr. José AlbinoDias, 
ifestre da Officina Ceramica «Medico Scusa» de Vianna do Alemtejo, 
convidando-me a ir visitar o sitio das Paredes, nos arredores d'aquella 
villa, no qua! appareciam a cada passo restos roraanos. Como eu a esse 
tempo estava em Paris, so pude acceder ulteriormente ao amavel con- 
vite do Sr. Dias. 

Em 18 de Outubro dirigi-me a Viauna, indo em minha companbia 
Carlos Maria Loureiro, Apontador de Obras Publicas de 1.* classe, 
ent^ em servigo no Museu Ethnologico, e hoje fallecido. Em Vianna 
o Sr. José Albino Dias p6s-me em relasdes com o Sr. Antonio Isi- 
doro de Scusa, para quem eu levava tambem uma recommendagSo 
do Sr. Conselheiro Manoel Francisco de Vargas, ao tempo 
Ministro das Obras Publicas; o Sr. Isidoro de Scusa é filho do fallecido 
Medico Scusa, de quem a mencionada Officina Ceramica tem o nome, 
e a quem Vianna do Alemtejo ficou devedora de importantes servigos, 
que entra os habitantes Ihe perpetuam gloriosamente a memoria. 

Mercé do concurso que o Sr. Albino Dias e o Sr. Isidoro de Scusa 
me prestaram, visitei o que em Vianna e arrabaldes tinba interesse 
para os meus estudos, colligi algumas noticias archeologicas, e trouxe 
varios objectos para o Museu Ethnologico a meu cargo. De tudo darei 
aqui resumida conta. 

1. Antigaalhas preliistoricas 

Nos arredores de Vianna encontram às vezes os trabalhadores ins- 
trumentos neolithicos, là, comò noutras terras do Sul do reino, tidos 




Fiff. !.• 



Plg. 2.* 



272 



O Archeologo Portugués 



por cpedras de raio» ou «perigos», e corno taes guardados em casa 
com maior ou menor veneracào. 

O Sr. Albino Dias offereceu-me alguns d'estes instrumentos; j4 
depois do meu regresso a Lisboa, o mesmo senhor contrìbuia para 




pigr. «.• 



Plg. 4.« 





Fig. 5." 




Pig. 6.» 



que Museu adquirisse outros.* Este ao todo possue hoje, provenientes 
de Vianna, sete instrumentos de pedra, que se representam nas figuras 
juntas, em metade da grandeza naturai, e que vou aqui descrever. 

1.**) Machado de amphibolite, em fórma de cunha; secQSlo quadran- 
gular com os angulos arredondados; gume levemente convexo, regular 



O Abcheolooo Portuqués 



273 



em relasUo ao eixo; faces maiores e menores levemente convexas; topo 
desgastado. Com fractnras antigas (vid. fig. 1.^). 

2.^) Machado de diorite, do typo do antecedente, so o gume é mais 
convexo e menos regular em relagSo ao eixo; as faces maiores sSo 
quasi planas, as menores um tanto irregalares e desgastadas. Uma 
das faces maiores està fracturada junto ao topo (vid. fig. 2.^). 

3.®) Machado de amphibolite, do typo do 2.®, so é mais estreito 
e relativamente mais largo junto do gume (vid. fig. 3.^). 




Flg. 7.* 



4.®) Machado de amphibolite, alongado, de faces levemente conve- 
xas; sec9ao quadrangular com os angulos arredondados ; gume leve- 
mente convexo, regular; topo polido e um tanto convexo (vid. fig. 4.*). 

5.**) Machado tambem de amphibolite, typo do 4.**, mas mais curto 
e com fracturas nas faces lateraes (vid. fig. 5.*).. 

6.®) Machado de amphibolite ou de diorite, muito polido, rolÌ9o; 
gume convexo, regular, com algumas falhas recentes; sec9So elliptica; 
topo ponteagudo (vid. fig. 6.*). 



274 O Archeologo Portdgués 

7.®) Fragmento de grande machado de diorite, de que resta a parte 
inferior; secySo elliptioa; as faces maiores estreitain um pooco para 
o lado do gume, que està fracturado (vid. fig. 7.*). 

O Sr. Isidoro disse-me ter tido urna placa de lousa omamentada, 
semelhante a outras do Sul; infelizmente havia-se-lhe estraviado. Està 
placa proveio tambem, corno supponho^ do concelho de VianDa. 

2 Herdade das Paredea e Senliora d'Aires 

A herdade das Paredes fica nos arredores de Vianaa: ex- 
tensa planicie, em parte plantada de arvores (oliveiras, etc), em parte 
semeada. Ahi se encontram numerosos restos de alicerces antigos, — 
d'onde o nome de Paredes dado ao sitio — , pedagos de vasilhas (am- 
pboras e dolio) ^ de tegulas e de imbrìces, argamassa Signina, moedas 
romanas, escoreas de fornos de olaria, canos. Um dos alicerces é mesmo 
muito grande, pois mede 150 metros de comprimente e 1*",68 de lar- 
gura, estando a pedra que os constitue ligada com argamassa duris- 
sima; temos aqui certamente um trofo de muralhas. 

Nesta herdade està a igreja da Senkora d'Airesj muito concorrida 
dos ronieiros no dia da festa, e em cuja casa dos milagres se encontram 
varios ex-votos: o mais interessante é um quadro de 1738, que repre- 
senta uma enfermaria em que uma familia inteira està doent« de ma 
lina, e que foi curada pelaVirgem, depois de desenganada pelo medico, 
que ahi apparece vestido de beca; outro ex-voto, tambem em fórma 
de quadro, tem a data de 1804, e està assinado por Sdveiro; muitos 
dos ex-votos sao figuras de cera, trancas de cabello e muletas. 

A origem da igreja anda envolta em lendas. Dos extractos que o 
Medico Scusa fez de um Livro manuserito existente noArchivo dasReli- 
giosas do Mosteiro do Bom-Jestis de Vianna do Alemtejo, escrito em 1744, 
OS quaes estlo em poder do Sr. A. Isidoro de Scusa, que me permittiu 
examinà-los, transcrevo a este respeito o seguinte: 

«Està [igreja] he em tudo a primeira em toda a Provincia, porque, 
alem de ser muito milagrosa a imagem de N. S.™, he o sitio admiravel, 
e a fabrica da igreja magestosa, de obra nova e finissimos marmores, 
outras pedras estimaveis, e 8 soberbas columnas de c6r verde, sobre 
cujos capiteis primorosamente lavrados descanga a rotunda machina 
do seu alto e vistoso zimborio, para o qual se sobe por uma belissima 
escada de dois langos que pàrSo nas abobodas que vSo parar a dois 
coretos fabricados em igual arquitectura, magestade e riqueza e na bella 
regularidade das janellas exteriores, e d'ellas do lado esquerdo se sobe 
a uma varanda que circunda o zimborio, tudo lageado de pedra preta 



O Archeologo Portugués 275 

donde se faz a vista deliciosa para urna campina dilatada. A porta prìn* 
cipal da igreja he de admiravel obra moderna, em que o bom gosto da 
obra excede o precioso da materia, soube o douto artifice que lavrou a 
pedra inetter-lhe no frontespicio huma antiga pedra em q està a inscrip- 
gao segulnte, digno parto do fecundo engenho do P.* Antonio Franco, 
da Companhia de Jesus: 

Hic Mauro expulso, proscisus votnorc campus 
Virginis effigiem, quam tenet ara, dedit. 

Quae trahit a coelo cognomeo, terra salubris 
Ut daret efiìgiem Virginia apta fuit. 

felix tellus fecundior omDibus, unus 

Plus tibi dat sulcuB, quam segcs uUa dabit! 

alludindo & ditosa achada da soberana Imagem da Sn/^, favor q o Geo 
fez a Martìm VaqueirO; de antigua e nobre familia d'està Villa, fun- 
dador da igreja, comò consta da inscrip92o q està na sua sepultura na 
capella mór, o qual andando lavrando, exercicio util e entSo honroso, 
o que facilitava a singelesa d'aquolles tempos, abrindo o arado aquelle 
ditoso campo, descubrio aquelle thesouro, que alli tinha escondido a pie- 
dade dos Monges de Arens, cujo mosteiro estava no termo d'Alvito, 
no sitio em que hoje està o de S. Francisco, ao qual ainda hoje ehamSo 
Monjes de Arem, ou Muje de Arem, e d'aqui o nome da Seiihora de 
Ares .... » 

No refendo manuscrito léem-se algumas noticias archeologicas que, 
por estarem em intima connexSo com as que traz o P.* Luis Cardoso, 
Dlccionario Geographico, voi. i (1747), pag. 409 sqq., nSo transcrevo 
na integra. Essas noticias referem-se a in8crip93es romanas que foram 
reproduzidas por Hiibner, Corp. Inscr, Lat., li, 87-92 (dadas porém 
ahi comò de Alvito, quando ellas appareceram junto do tempio da 
Seuhora d'Aires*), e na descrip9ào das sepulturas a que as ins- 
crip95es pertencem. 

Urna das sepulturas é assim descrita: «bum tumulo composto de 
adobes, no qual, aberto, se vio bum esqueleto de corpo humano de 
quatorze palmos de comprido, e tres pequenas barras de bum 



1 A redac^fto do texto do Diccionario Geographico està um pouco confasa, 
e foi isso que deu legar ao cngauo. Com effeito Cardoso, ao tratar do Alvito, 
refere-se ao tempio da Senhora dAires, transcrevendo nassa occasiSo as inscrip- 
^Oes, e meucionando a lenda do apparecimento da imagem da Virgem. Inciden- 
temente notarci que està lenda é commum a varios santnarios. 

18 



276 O Archeologo Portuoués 

metal desconhecidoS; este tamulo era tapado por urna lousaem 
que havia a seguinte ìnscrip9&o: 

I D • CAS • SELSA 
FLORENTIS D D 

evidentemente estropiada, mas cuja liyao diflfere da do Corp. Inscr. Lai,, 
II, 92, que é baseada no Diccionario Geographico de Cardoso: 

HISLONENCASSELSAS 
FLORENTIS • D • D 

Como manuscrito ó de 1744, e o Diccionario Geographico é de 1747, 
embora um e outro trabalho tenham, no que se refere k Senhora de 
Aires, pontos de contacto, julguei util recopiar a inseripgSo, visto que 
a respeetiva lapide parece estar perdida. 

Algumas das lapides epigraphicas tinham e fórma e feitio de buma 
pipa, porém moeiga». Numa d'ellas lia-se: 

DMS 

DIGNITAS : : : VIXIT ANN • XXV 

CRVSEROS MARITVS* POSVIT 

HS ES TT L 

texto em cuja linha 2.^ os seis pontos que se seguem a DignUas dào 
a entender que falta algo que o autor do manuscrito nào entendeu: 
està particularidade nSo vem assinalada no Corp, Inscr. Lai., n, 87. 
De passagem notarei que Dignitas, comò nome de mulher, se encontra 
mais vezes na epigraphia: vid. deVit, Onomasticon, s. v. Quanto a 
fórma de pipa das lapides, cfr. Arch. Pori., vn, 242-243. 
Outra das inscrip98es do manuscrito é: 

D MS- 

MVSA VIXIT ANN. LX 

LIVIA LIBERATOS : : : 

H- I S M 

STTL 

onde na linha 2.^ tornamos a achar urna lacuna que Hùbner assinalou 
de maneira differente ; a mesma inscrip9ao apresenta na linha 4.* umas 



1 Eram certamente travéssas de ferro, come as de que se fallou n- O Arch, 
Porty voi. vili, pags. 168 e 169. 

2 Por engano escreveu-se Marina. 



O Archeologo Portugués 277 

letras que nio vem no Corpus, e que talvez tenham de interpretar-se 
por H • E • S • M, fòrmula que se IS neutra inscripjao do Corpus (n, 
80), apenas com inversEo de letras: talvez signifique h{oc) e(8t) 8{itu8) 
m(onumento)'j cfr. Hubner, obra citada, il, p. 1176, onde cita a fòrmula 
u • S • E • IN MONVMENTO • Eivs. Na nossa ìnscripjao hoc monumento es- 
tarà por in hoc monumento, o que, se nSo é latim ciceroniano, tambem 
nSo é latim ìncorrecto. 

Aqui termina o que o manuscrito tem aproveitavel para o nesso caso. 

Acima disse eu que nas Paredes apparecem por vezes moedas ro- 
xnanas. Fallarci .de uma que se encontrou na occasiUo em que fui às 
Paredes. 

E um bronze-mediano, mas em pessimo estado de conservafào, pois 
està quebrado nos bordos e gasto por tódo elle. No anverso so se distin. 
gue um busto de imperador, voltado para a direìta e diademado (devia 
estar vestido de paludamento ; todavia este jà nlo se conhece), ____ 
e uns sumidos restos de legenda: FAV, letras que fazem parte 
da phrase p • P • AVG=p(iW) {(elix) ^(ugustus). No re verso 
vé-se muito mal uma figura de pé, que tem na mSo direi ta 
um globo em que pousa uma Victoria; à direita da figura (es- 
querda do observador) nSLo se distinguem senio umas som- 
bras que devera corresponder à mSo direita da refenda figura 
a levantar do chlo uma mulher ajoelhada e com uma torre 
na cabeja; da legenda resta re ou talvez reip, letras que 
fazem parte da legenda reparatio reipvblicae; no exergo 
lé-se CON. D^esta descripgao se ve que a moeda con vem a um 
imperador do seculo iv(Graciano, Valentiniano II,Tlieodosio, 
Honorio, Magno Maximo). Como pò rem nesta epoca as figu- 
ras imperiaes representadas nas moedas, outr'ora verdadeiros 
retratos, deixam de corresponder à realidade *, — pelo que as ' ^ 

imagens de uns imperadores se parecem com as dos outros — , ^ ^' 
e comò falta na nossa moeda a parte da orla era que estava o nome do 
imperador que a mandou cunhar: torna- se difficil dizer a qual dos im- 
peradores propriamente convem. A attribuijSo toma-se ainda mais dif- 
ficil pelo facto de nas Paredes terem apparecido com o mesmo reverso 



1 À tal proposito diz um excellente conhecedor da numismatica romana: 
«La miràbile seria dei ritratti, che forma una delle grandi attrattive della mone- 
tazione imperiale, diventa a poco e poco sbiadita e insignificante verso Pepoca 
di Costantino, e dopo questa va perdendo ogni valore man mano ci avvi ccini amo 
alla caduta dell' Impero d'Occidente». P. Gnnechi, Monete romane, 2.* editto, 
Milano 1900, pag. 248. 



278 



O AUCHEOLOGO PORTUGUÉS 



moedas claramente pertencentes a alguns dos referidos imperadores, 
corno (exemplares que na villa deVianna examinei nas maos de um 



particular): 



DN MAG MAXIMVS PF AVO 



CON 



DN ORATIAKVS 

REPASATIO REIPYB 



CON. O appare- 



IIKPAUATIO REIPVB 

cimento de moedas em casos comò este, numas ruinas, tem a importali- 

eia de contribuir para estabelecer datas. 
E da maior conveniencia que os collec- 
cionadores numismaticos procurem sem- 
pre saber onde apparecem as suas moe- 
das, e no tem nos seus monetarios e 
catalogos : d'està maneit'a a numismatica 
póde auxiliar o conhecimento da respcc- 
tiva historia locai *. 

Alem das antigualhas que ficam men- 
cionadas, comò apparecidas nas Paredes, 
tem apparecido outras. 

Na villa deVianna vi em lima casa 
particular ura lindo capitel romano de 
marmore provindo de là, e noutra casa 
uma columna, tambem de marmore, de 
2'",36 de altura (fig. 8.*), da mesma pro- 
cedencia. 



3. Amphora romana 

O Sr. José Albino Dìas, que, 
corno disse acima, foi o promoter d'està 
minha excursao ao Alemtejo, e a cuja 
dedica9So pela terra em que vive devo 
poder dar as noticias archeologicas 
que estou dando, levou a sua bondade 
a ponto de me offerecer para o Musen 
Etimologico uma amphora de barro ver- 
mellio, encontrada na herdade do Palanque, ao Poente da villa deVianna. 
Vae representada na fig. 9.* Tem O'^^Qò de altura e 0"\32 de maior lar- 
gura (no bojo); de uma das asas so resta o topo superior, figurando-se 




Fig. 9.* 



^ O appareciineuto de moedas romanas dos ultimos tempos do Imperio cm 
\\m locai nem sempre é documento sufficiente para se dizer que ahi estiveram 
Romanos, pois sabe-sc que os Visigodos nSo cunharam moedas de prata nem de 
cobre, do que é naturai inferir que se seiTiram do respectivo numerario romano, 
que existia na Peninsula em grande quantidade. As moedas romanas de cobre, 



O Archeologo Pobtugués 279 

com pontos o que falta d'ella; a outra asa, a parte superior do corpo 
juiito do gargalo, e o bico apresentam algumas fraeturas. 

Està bella vasilha veio aumentar a jà valiosa coIIecgSo de amphoras 
do DOSSO Museu. E analoga à que se fìgurou n-0 Arch. Pori., iv^ 
est. 4, appareeida no Algarve. No Sul do reino apparecem bastante^ 
amphoras inteiras; nSo assim na Beira, nem no Norte, onde o que viil- 
garmente se eneontra sSo bieos, asas, gargalos, bocaes ou peda909 y\*i 
bojo. E bom, comtudo, coUigir sempre estes fragmentos, porque coni 
elles muìtas vezes reconstituem-se typos. As amphoras do nesso pais 
sao de differentes typos, comò é naturai; a essas diflferenyas correy- 
ponde nào raro a do barro. As asas, so por si, podem constituir dooii- 
mentos archeologicos de certa importancia, quando contem inscrìp5">< 9 
(marcas de oleiros): ha especimes d'estes no Museu Ethnologico, obti- 
dos por Estacio da Veiga no Algarve; o Museu de Alcacer do Sai tam- 
bem possue um^ 



de pequeno modulo, abundam de tal modo, que aiuda ha pouco tempo o bflixo 
commercio na Hespanha as acceitava a titillo de ochavoa: vid. HcYss, Monnuka 
des roÌ8 wisigotits, Paris 1872, pag. 25. A respcito das tegulas farei observacSo 6i> 
melliantc. Com quanto ellas sejam de origem romana, estiveram em uso até tarde ; 
jà tenho encoutrado em cemiterios da epoca visigotica sepulturas construida^ <lo 
tegulas. Para portante se dizer que tal ou tal esta9Slo ó romana e nìlo visigoticfi, 
torna-se necessario lan^ar mao do varios criterios e combinà-los : nem so o tlaH 
moedas ou o das tegulas basta. — Com rela^ito às Paredcs de Vianna do Aleni- 
tejo, porém, uSo ha duvida que essa csta9ao é romana; bastavam as inscrip^ùcs 
para o provar. 

^ NfU) sSo as marcas de fabrica os uuicos letreiros das amphoras; podem 
estas tambem ter pintados, no collo e no bojo, os nomes dos consules da epocn^ 
e outras particularidades : vid. Delattrc, Carthage, Paris 1894 (separata do Ooò- 
77IO0), p. 1-2. Mas d*isto nada conheyo em Portugal. Assim comonós lioje indicamo^ 
mna epoca geralmente com um numero, os Romanos indicavam-na frequcntemeuto. 
com os nomes dos consules : nós dizemos; por esemplo, urna garrafa de vlnho do 
Porto de 1820; os Romanos diziam, urna amphora de vinho Massico do consulado fh\ 
Aurelio e Matdio. Ha uma ode de Horacio que principia com està invocatilo a umci 
amphora : nata mecum conside Manlio (vid. Carm., Ili, xxi). As datas das amplio- 
ras indicavam-se tambem em pequcnas taboletas penduradas ao pesco90 d*ella^, 
corno boje se faz com taboletas de prata suspeusas por uma corrente no garbala 
das garrafas; as taboletas romanas tinham varias denomina^des, uma das qtiaea 
era nota. Horacio, que em seus versos pinta a cada passo os prazeres da mesa, nUa 
esquece igualmente essa denominammo, Sat., I, x : 

. . . sermo lingua concinnus utraque 

Suavior, ut Chio 7iota si commixta Falerni est. . . 

onde nota està metaphoricamente por amphora. 



280 



O Aecheologo Portuqdés 



4. Antignidades romanas da villa de Vianna 

E muito pouco o que a este proposito tenho de dizer. 
Numa das torres do castello, por cima do Penedo escorregcMo, ha 
urna sèteira que era feita em parte com urna lapide romana '. Tendo 
eu obtido autoriza(So superior para a extrahir, fiz que fosse transpor- 

tada para o Mnseu !EthnoIo- 
gico, onde hoje està. £ nm 
cippo de marmore, de I",07 
de altura, de 0™,55 de maìor 
largura (na cornija) e de Cr,2T 
de maior espessura (no corpo). 
Vae representado na fig. 10.*: 
e d'ella se ve que a voluta di- 
reità foi quebrada, restando so 
urna roseta. Na face esqnerda 
do monumento està esculpida 
a figura de urna patera, o que 
muitas vezes acontece nos mo- 
numentos d'està especie, por- 
que, relacionando-se elles com 
cumprimento de Totos, an- 
davam-lhes naturalmente as- 
sociadas as pateras, que ser- 
viam com frequencia para liba9oes:j9a^6r/« libamus, dizVergilio, Georg., 
II, 129. Na face direita devia talvez haver tambem urna figura, prova- 
velmente um praefericvlum; mas, comò està face foi cortada para se 
adaptar à sèteira, nao podemos saber ao certo o que là haveria. A par- 
ticularidade mais notavel do monumento é ser elle completamente des- 
provido de inscrip9ao, iste é, anepigrapho. Outros monumentos lapidares 
romanos do Alemtejo estSo nesse caso: uma ara granitica encontrada 
no concelho de Arrayollos, e hoje no Museu Etimologico*; uma tampa 




Fig, 10.* 



^ Foi o meu collega na Bibliotheca Nacional, o Sr. José Antonio Moniz, 
qaem primeiro me dea cBta noticia. 

2 Foi o Sr. Manoel José Frate s, rico proprietario da Igrejinha (Ar- 
rayollos), quem amavclmente me offereceu està lapide para o Musea Ethoologico 
Portugués. Numa' propriedade d'este senhor appareceu um grande cerni terio an- 
tigo, que foi explorado ha tempos a ezpensas do Museu, e cujo espolio archeo- 
logico se acha guardado neste. A seu tempo se dard n-0 Archeologo conta minu- 
ciosa d'està ezploracSo. 



O Archeologo Portugués 281 

de sepoltura cupiforme de marmore, numa quinta ao pé de Mertola*; 
e varios monumentos do tempio de Endovellico, tambem no nesso Mu- 
seo. Do Norte de Portugal citare! urna ara de granito apparecida em 
Braga *. O nSo ter inscrip^io urna lapide póde depender de varias eau- 
sas: estar por coneluir; as letras haverem sido pintadas, desappare- 
cendo com o tempo a pintura; ou ser pobre o dedicante, cujo dinheiro 
so chegaria para comprar a pedra, e nao para as despesas com o costoso 
trabalho da insculptura das letras. A primeira hypothese é muito accei- 
tavel quando a lapide apparecer numa officina: comprehende-se quc 
o lapidarius tivesse prontas, mas sem inscrip9oes, uraas tantas lapidrjs 
à espera que o dedicante Ih'as viesse comprar; as inscrip(5es dependiam 
dos Domes d'estes e da natureza dos votos que nellas se quisesseni ex- 
primir. A segunda hypothese nio haverà difficuldade em a acceitar, se 
nos lembrarmos de que, por exemplo, Cicero, na Natura deorum^ lii, 
fala de tabìiUm pictae da Samothracia, representativas de promessa» 
religiosas feitas por pessoas salvas de naufragios. A ultima hypothese 
justifica-se com o facto de algumas das lapides anepigraphas do tcTiipk» 
de Endovellico serem de granito ordinario, ao passo que as outras, as 
que tem letreiros, sao todas de bello marmorea. 

Para terminar citarci dois munuscritos qae fallam de Vianna do 
Alemtejo: 

a) um està na Bibliothec:! Municipal do Porto, n.° 104-230, e inti- 
tula-se Memorias jj da Villa de Vianna do Alemtejo j unto a (j Evora^ tt- 
noticia dos Condes, e Donatarios, que || a possuirào, e dafundagào dos 
Conven- || tos que tem; com algumas || clareras mui curiosas ||, 14 pa^^s, 
de papel almasso liso, sec. xvii *. 

b) o outro està na Bibliotheca da Academia das Sciencias de Liaboa, 
gab. 5.**, est. 13, n.® 23, Collecgào de monumentos romanos de Fr, Vi- 



* Pertence ao Sr. Dr. Fabrielo Pessanlia, de Mertola, que jà se dignoii pi-o* 
metter-m*a para o Museu. Ao mesino illustre senhor deve este a posse de quatro 
magnificos vasca romanos (um de vidro e os outros de barro), proveuientes da 
antiga Myrtilia. Em occasiào opportuna scrao descrìtos e figurados n-0 Archto- 
logo Portugués, 

* Vid. a respeito duella Archeologo Portugués, voi. viii, pag. 46 (artigci do 
Sr. Albano Bellino). 

' Cf. Rdigioea da JJusUaniay ii, 136. 

* NSo examinei este ms., que en apenas conhecia pelo titulo, mas o Sr. Uo- 
cha Peizoto, director da Bibliotheca Municipal do Porto, a quem pedi o favor 
de me informar do scu couteudo, diz-me quc elle é chorographico, archeologico^ 
genealogico, etc, mas muito summario, e que està junto com outras memorias 
cm um so volume. 



282 O Archeologo Pobtugués 

cente Salgado, que a pag. 40 se refere a urna estatua que cpoderìa 

sert de Marte, achada no secalo xviii em Vianna do Alemtejo ■- 

Provavelmente, tanto està estatua corno a ara anepigrapha de que 

fallei acima provieram tambem das Paredes, que, pelos visos, era mais 

do que villa ou «quinta», era povoag&o. 

J. L. deV. 

II 
Cemlterio da epoca romana 

1. Preyias informagt^es 

Encontrar um cemiterio da epoca romana quasi debaixo dos fan- 
damentos de urna igreja christ2 e particularmente sendo està santuario 
de estabelecida nomeada, concorrido de tradicionaes romarias, acela- 
mado com a fé popular*, é quasi sempre surprehender em flagrante o 
fusii que prendeu os derradeìros cultos das nossas popuIa9oes romani- 
zadas à renovagSLo trazida com o christianismo. £ncontrando-se com 
a tenacidade dos velhos usos, a nova religiSo torneava estas resisten- 
cias, transformando invocagSes, fana ^, e apropriando correntes popu- 
lares secularmente orientadas. Quasi sempre os afamados santuarìos 
tiveram està veiha ongem: um culto pagao segura e tenazmente cn- 
raizado à ehegada do christianismo, transfigui'ado num culto christSo, 
sem perder a sua feÌ9So ethnographica tradicionaH. 

Junto a villa de Vianna do Alemtejo, para noroeste, no meio dos 
seus ferteis campos, ergue-se o magnifico tempio de Nossa Senfaora de 
Aires. Singularizam-no ampia nave, zimborio de cantarla, duas terree, 
portico de arcadas, grandes columnas de marmore locai no altar-mór, 
espagoso adro lageado, dependencias amplas e variadas, emfim um con> 
junto de disposÌ95es que revelam immediatamente ao visitante a impor- 



1 



* Cf. Cardoso, Diccionario Geographico, i, 140. 

' Fr. Agostinho de Santa Maria {Santuario Mariano, voi. ti, pag. 284), diz 
quo hayia dias em qac naqaellc sitio so reuniam mais de 12:000 pessoas, e con- 
signa as lendas que pertencem a est e santuario. Regista tambem a etimologia 
erudita de Nossa Senhora de Aires nuns sonetos, ondo se le : = arcs de Santis- 
sima Maria 3» e =da Rainha do Céa celestes ares=. 

3 Les nionumcnts mégalithiques, par J. Fergusson, trad. de Hamard, 
p.26. 

* SSo geralmente conhecidas as lutas travadas entre as pTescrÌ9oc8 do chris- 
tianismo e as antigas tendcncias dos conversos; os concilios, os bispos e os 
ezegetas maitas vezes se occuparam d'està questSlo. Pode ver-so Martigny, Die- 
tionnaire des antiquitéa ckrélienneSf s. v. Enscvellisement, Deuil, Strenne, Fétes, 
Janvier, etc. ; TradiQots populares de PortvgcU, por J. Lcite de Vasconcellos, 
pag. 87 ; Heligiòes da Lusi tanta, i, 292 ; Bevista Archeologica, iir, 145. 



O Abcheolooo Portugués 283 

t ancia do edificio, a popularidade da invocacXo e o intenso culto que 
se localizou naquelie ponto do Alemtejo. 

A simples casualìdade de serem um dia escontradas por cabouqiiei- 
ros sepulturas antigas, indicou a conveni^ncia de proceder a um re- 
eonhecimento archeologico do locai. Participado o caso ao Director do 
Museu Etimologico, fui inciunbido d'esse traballio, partindo paraVianna 
a 8 de julho de 1902*. As sepulturas violadas achavam-se em terreno 
plano, contiguo pelo norte ao adro da igreja. Para NNE. succedia 
um cabe^o de declive suave por este lado, mais forte pelos outros* 
Juncam o chXo muitos peda90s de tegulae, de tijolos de quadrante, 
fragmentos de opus Signinum^ alguns de avantajadas dimensSes*; em 
um ponto, a atravessarem a ribeira, subsistem ainda ruinas de larga 
muralha de alvenaria, rijamente argamassada; em outro veera-se tre- 
chos de envasamento de largas construc96es circulares, corno torres. 
Por teda està area, apparecem nas lavouras, moedas imperiaes roma- 
nas, de que adquiri algumas. 

As que pude classificar vao doscritas em additamento d'este artigo. 

SUO bronzes dos seculos u a iv. Por si so, apenas trazem comsigo 
o attestado de proveniencia; mas quanto a significa9ao chronologica, 
seria arriscado basear em tal elemento dedacgSes restrictivas^. A cir- 
cula^ao dos bronzes romanos perpetuou-se alem do imperio. 



^ Kao poderci passar adeante scm deizar consìgnado aqui o nome de um 
prestantissimo cidadao, mastre da escola de ceramica de Yianna do Alemtejo, 
o Sr. José Albino Dias. A elle deve o Museu, primeiro, o eonhecimento do 
facto, e depois d*i8so, os muitos obsequios de que cnrece quem se encontra, para 
trabalhos d'està natureza, em terra estranila. Os servi^os que aquclle senhor me 
prestou foram assiduos e relevantes. Injusti9a seria tambem dcisar no olvido 
o nome do illustre proprietario do terreno onde realizei a escavacao, o Sr. José 
Dias Pereira Cappas, abastado proprietario, que gentilmente pcrmittiu o 
remezimento e concedcu a retirada dos objectos de valor archeologico. Os traba- 
lhos foram apenas um comeco de ezplora^ào e por isso espero do eie vado espiri to 
e provada generosidade d'cetes dois cavalheiros a continuacSo dos seus favores, 
no interesse da sciencia. Nao devo tambem calar o nome do Rev.***» Prior de N.* 
Senhora de Aires, Sr. P.« Isidoro Dias Navarro, que elle so a sua parte 
me fez comò presidente da junta de parochia o offerccimento de meios pccu- 
niarios; o que revela em sua Reverencia elevado gran de rara dedica^ao e in- 
telligencia. 

2 Vein um para o Mmsou ; era decerto pavimento de casa. Tem um rebordo 
alto de um lado. 

3 Alem de moedas romanas, apparecem tambem numerosas moedas portu- 
guesas de varias cpocas, desde a 1.* dynastia. Estas documentam quando nao a 
sobrevivencia do povoado, pelo menos a grande concorrencia de pcssoas àquelle 
legar, especialìzado por um culto antigo. 



284 O AltCHEOLOGO PORTUGUÉS 

A determina9So de um cemiterìo romano no sitio em que se eleva 
o tempio da Senhora de Aires, nào era facto novo. 

Sào conhecidas as lapides romanas a que se refere o Areh. Pori., 
V, 117. Em 1743 foi eneon trada a area ou cerni terio, de onde pro- 
cedem as epigraphes que o Corpus recolheu no voi. n, n." 87, 90, 
91 e 92. 

As sepulturas pois encontradas deviam fazer parte da necropole jà 
assinalada no seculo xviii, porque de mais a mais achavam-se quasi 
encostadas às vedagSes do adro. 

Està nota é importante para a attribuÌ9ào chronologìca dos achados. 

2. Reoentes aohados 

Comedo agora por dizer o que tinha jà side encontrado por traba- 
lliadores, quando eu cheguei. 

Em primeiro logar uma sepultura de crian9a. 

Distinguia està sepultura a circunstancia de nSo conter teira, mas 
deposto no fundo o infantil esqueleto, de que felizmente tinham side 
conservadas aigumas pe^as, entre as quaes fragmentos do cranio, al- 
guns ossos longos, etc. 

Junto de osseo despojo havia uma moeda que adquiri. A caixa se- 
pulcral era mista, isto é, formada, nas ilhargas por pranchas de mar- 
more, nas testeiras por latares e tec/ulae. Urna d'estas, completa, tinha 
na face superior dois tragos sinuosos e contiguos, feitos em fresco, 
com dedos de oleiro. A tampa e o fundo eram tambem de marmore. 
Possivel me foi areriguar a exactidlo d'estas informacoes. Pelo exame 
da face interna das pranchas conhecia-se que nio tinham estado em 
contacto com terra, e notavelmente no lado interno da tampa, via-se 
bem desenhado um quadrilatero corrcspondcnte ao vazio da caixa se- 
pulcral, quadrilatero em que o marmore conservàra a sua c6r clara. 
Era facil até medir por este inconfundivel vestigio aigumas dimen- 
s3es da sepultura. A informajXo relativa à moeda que estava dentro 
da sepultura mereceu-me credito, em primeiro logar porque, por diflFe- 
rentes vezes e em respostas a varias perguntas, propositadamente fei- 
tas para espreitar a menor contradicgào, obtive a ai&rma^ao nao so de 
que fora encontrada dentro uma pequena moeda, mas até pude verificar 
a identidade da moeda, pela seguinte circunstancia. A moeda era um 
pequeno bronze, que em uma das faces tinha depositado e concrecio- 
nado um sedimento duro, muito diverso das incrustagSes obtidas no 
contacto directo de ten*a em pegas de bronze ou da pàtina caracterìs- 
tica formada nas mesmas condigòes. Aquella crosta foi cauteloBamente 



O Archeologo Portugués 



285 



tirada a peda(os depoìs de demorada immersSo em liquido, appare- 
ccndo subjacente o cunho do pequeno bronze em regalar estado de con- 
^erva^fto. A circunstancia do apparecimento de urna moeda na sepnltura 
era, para o estudo do cemiterio, tfto importante que julguei necessario 
todo o escrupulo na ayerigua93o do facto, primeiro; na identifica(ào 
do refendo pequeno bronze, depois. O estado e aspecto dos ossos que 
tinham side arrecadados, corno procedentes d'està sepultura, condiziam 
jiiom as especiaes condi^oes de meio em que por seculos tinham per- 
manecido, porque apresentavam um pò comò que endurecido na super- 
ficie, bem differente das adherencias terrosas de outros ossos que me 
foram mostrados e dos que eu tambem 
exhnmei *. 

Essa camada de pò provinha clara- 
mente das infiltragSes humidas através 
das fendas da calxa sepulcral. 

Uma das pranchas lateraes maiores 
d'està sepultura tinha na sua face interna 
gravuras, que nSo pareciam relacionar-se 
com a applicaglo actual da mesma pran- 
cha: em primeiro legar, por ser no se- 
pulcro a unica pedra assim lavrada, dis- 
tincta por tanto das outras e situada 
apesar d'isso em posÌ9ilo secundaria; em 
segundo legar, porque aquellas enigma- 
ticas figuras occupavam um extremo 
da prancha e estavam evidentemente in- 
completas, conbecendo-se o esbo^o da continuammo. O que signifique 
aquelle conjunto, alias simetrico, de circulos e quadrados, sobrepujados 
por uma foiba de hera de typo bem conhecido na lapidaria romana ^, 
inteiramente ignoro. Presumo que outro viria a ser o seu destino que 
nào actual. O interior d'aquellas figuras està apenas picado, comò 
trabalbo incompleto. A sua profundidade 6 semente de 0"\008.Teriam 
de ser mais aprofundadas? Deveriam center algum preparado a modo 
de esmalte ou massa? Perguntas a que nSo encontro resposta (fig. 11.*). 

Alem d'està sepultura, outra tinha side violada. 



o o 

cDcn 

QpOQ 





Flg. 11.» 



^ Em algumas eepaltaras sem terra, o esqueleto tem-se reduzido a pò. Neste 
caso singular, as pe^as osseas conservaram a sua dareza. 

2 As hederae distinguentea tomaram-se muito commons desde Augusto para 
.deante até epoca recente (Cagnat, Cours d^épigraphie latine, pag. 29). 



286 



O Archeologo Portugués 



Era ella do genero a que poderemos chamar sepulturcts empareda- 
das, porque a caixa era constituida por verdadeira parede de tijolo em 
volta e no fundo um lastro de tijolos deitados. Aqui o espa90 desti- 
nado ao cadaver estava cheio de terra, que inteìramente envolvia o 
esqueleto. Junto d'este foi encontrada urna vasilha de asa, qne os ca- 
bouqueiros irapiamente quebraram, tendo-se por felicidade conser\^ado 

OS dois principaes fragmentos qne 
permittiram a restauragào da pe9a- 
A pasta d'està vasilha ó muìto are- 
nosa e a cor exterior de um bello 
rubro. O que a torna notavel é um 
monogramma em graffito, que de- 
via relacionar-se com o defimto 
(fig. 12.«). 

Tentemos a decifragao d'este 
monogramma. Està maneira de re- 
presentar .um nome de individuo 
procede certamente do uso do nexo 
ou conjunc5ao de letras. Estes ne- 
xos, de que exemplos se podem 
ver em Hiibner (Exenipla epigra- 
phica, p. LXViii), obedeeiam a re- 
gras de escrita que asseguravam 
a sua exacta interpertacao. Nào croio que o monogramma verdadeiro 
revele sempre invariavel conformidade com essas leis; a necessidade de 
reunir num so grupo, por motivos diversos dos que impunham corren- 
temente emprego de um nexo de letras, um nome completo obrigava 
a recorrer quasi so à fantasia individuai para o completo agrupamento 
de letras por vezes numerosas, e assim é que alguns monogrammas se 
tomaram de difficultosa leitura até para os contemporaneos ^ 




Fig. 12.* 



^ Veja-se Lc-Blant, Inacriptiona chrélietines de la Gault, voi. i, n.® 193, e voi. ii, 
n.*>» 351, 853 e 275. Um monogramma, por excmplo, podia dar Radegondis, Are- 
gondis, Andregondis e Gondegardis. Outro podia significar Kadulfus, Ranulfiis 
ou Aruulfus. Ycrdade scja quo aqui se trata de uma epoca mais baixa do nac 
aquella a que julgo pertencer o monogramma da vasilha de Vianna,. mas o uso 
d'cstcs grupos atravessou longos periodos. Apparcccndo cm moedas consularcs, 
(Martigny, DicL dea antlq. chrét.) conservou-sc na epigrafia romana mcsmo antc- 
rior a Constantino, mas 6 certo que em tempos mais baixos (Baixo Imperio, epoca 
visigotica, etc.) é quo elles se tomaram de uso frequentissimo. 

Para nao alludir so ao que de fora sabemos, bom ò. notar-se que em alguns 
vasos ha pouco exhumados de um ccmiterio, pcrfeitamente romano, de incinera- 



O Archeologo Portuoués 287 

No nosso monogramma isolam-se as seguintes letras T, I, A, L, N. 
£stas letras poderào ser lìdas mais do que uma so vez na composi$So 
da palavra que representam; a isso autorizam conhecidas decifragoes 
d'estes grupos. A primeira nota que resalta a quera observa attenta- 
mente este grupo do letras, é que se trata de um nome nao terminado 
emVS mas em A*. Compulsando os indiees onomasticos do Corpus 
Inscriptionum Latinai'um, eneon tram-se os seguintes nomes, cujo mo- 
nogramma póde ter side o mesmo de que se trata, porque nelles se 
conteem todas as ciuco letras referidas e nenhumas outras. 

LATINIA {Corpus Inscr. Afric. Lat.,\iUj 9204). 

NATILLA (Corptis Inscr. Afric. Lat., vili, 6906). 

LATINIA {Corpus Inscr. Calabr. Apul. etc. Lai., IX, 5923 e 1857). 

TANTILIA {Coipus Inscr. Calabr. Apid. etc. Lai., ix, 769). 

LANTIA {Corpus Lisci-. Lat., x, 4955). 

TILIANA {Corpus Inscr. Lat., X, 5361). 

LATINA {Corpus Inscr. Lat., x, 2114). 

Além d'estas devo notar o principio de nome TIN ... * no Suppl. 
do Corpus, I, 6257 (196), que é da Hispania; e os masculìnos Latinus 
e Lintius (Lintio) que correspondem a LATINA e * LINTIA (Vid. res- 
pectivamente Corpus Inscr. Hisp. Lat., i, 3058 e 4264 e Corpus Inscr. 
Hisp. Lat., I, 3058 e 4264 e Corpus Inscr. Lat., x, 3778, 2, 1). 

nome Lintia, homónimo de um masculino da Italia, é d'entre 
todos o que me parece corresponder melhor à fórma d'este mono- 
gramma. 

Outras sepulturas foram encontradas, sem que d'ellas ficasse lem- 
branga que as singularizasse. Eram todas orìentadas. De uma me fa- 
laram que n2o tinha tampa e era formada de adobes. Para este modo 
de inhumagào em que o cadaver ficava envolvido de terra, a tampa era 



^Ho e inhuma9fto, em Aljustrel, se léem bem ou mal nomes de pessoas e o mesmo 
succede num vaso da necropole romana de incinerados no Marco de Canavezes, 
cxplorada por este Museu. Kao sSo monogrammas, ó certo, mas sao factos que 
attestam o uso de escrever a graffito em vasos de sepultura, nesta epoca. 

1 Era possivel estar em genitivo o nome do defunto. Gcnitivos em s estSio 
czcluidos; em ae tambem; em i, pouco provavel é, porque està letra, que alias se 
ve na parte esqnerda do monogramma, mais naturai era que estivesse à direita; 
bastarla para o indicar ergner mais a baste direita do N e cortA-la, à altura do 
mòdulo d'està letra, por um pequeno trayo. Està era tambem a regra. (Yid. HU- 
bucr, Exempla, p. lzviii). Seria acatada? 

2 Se for principio de * TINEIA, de Thielus, nome que apparece no Corpus 
^iiscrip. Hisp. Lat. i, 742, ezcluido, porque nUo vejo no monogramma nenhum E, 
e faltaria o L. 



288 O Archeologo Portugués 

quasi inutil. Encontrei arrecadados, mas em eonfusSo, oS ossos prove- 
nientes d'estas viola93es. 

A ceramica das sepulturas e a do cabejo eram iguaes. Alem d'isto, 
dispersas pelos entnlhos, em nivel nio inferior ao das sepulturas, desen> 
terraram os exploradores pedras que merecem muito especial mengio. 

Em primeiro logar devo referir-me a um voluraoso tetraedro de gra- 
nito, plinto de estatua. Em urna das suas faces, que terà sìdo a sup^ 




'^^/'>^'^<^ 



Córte da fig. 13.* 
por om cixo horisont al 



Pig. 18.* 

rior, ha uma escavagli) de contomo circiilar, de base sensivelmente 
mais £(mpla que a boca, onde penetrava o espigao inferior da figura, 
e d'onde seria difficultoso arrancar està, em consequencia da fórma em- 
businada da mesma cavidade. Restam dentro vestipos de argamassa. 
A fig. 13.* representa-o. Mede por lado 0"\60 e 0'",65 e ao alto 0",33. 
Numa das faces, tem insculpido um letreiro que diz: 

BONO 

REIP(ublicae) 

NATO 

E uma formula dedicatoria, que explica a verdadeira applica^ao 
d'està pedra. Deveria assentar nella a estatua honorifica da personagem 
que OS dedicante s consagravam em vida comò nascida para bem do es- 
tado. Parece presuppor a existencia naquelle logar de um edificio pn- 
blico ou particular com dependencias adequadas a enfileirar estituas 
{aimìdacra iconica), Eram de especies vàrias essas construc9oes; em 
todo caso, embora sejam ainda patentes os vestigios de antiga povoa- 
9II0. naquelle logar, nSo devemos imaginar nenhimia sumptuosa cons- 
trucgSo, incompativel com a mediocridade relativa de uma povoa^ao 
romanizada nas proximidades de Ebora, e com a simplicidade, quasi 
rudeza, do plinto inteiramente desprovido de molduras. 

O interesse especial d'està pedra no presente caso é ter valor cliro- 
nologico. 



O Abcueologo Pobtogués 289 

Pelas condÌQ^s da sua invengSo, naq ba duvida que é coeva das 
sepiilturas. 

Ora a quem compulsar o Corpus Inscriptionum de Emilio Hiibner, 
depara-se o seguinte*: 

tìt) Constantino II (317-340). InscripsSo milliaria das vias da Be- 
tica, n.*» 4700: 

Domini nostri Constantinus et Constantiua nóbiillissimi) heatissimi- 
q(ue) C<i€«(arc«). [b(ono)] r(ei) p(ublicae) [n(ati)]. 

h) Constando II (323-361). Epigraphe conimbrigense, n.° 5239: 

Ai augmentum rei pnb(Iicae) nato dilectoqìie principi^. 

e) Magnencio (350-353). InscripgSo milliaria daTarraconense (Pa- 
redes de Coura;V. Braga a Asterga) n.® 6225 (=4744): 

D. N. Magno Magnentio imperatori Aug. P{io) F(elici) b(o)n(o) r(ei) 
p(ublicae) n(ato). (Cfr. P.® Capella, MUliarios, pag. 235). 

Veja-se tambcm n.® 4791, igualmente inscripjao milliaria daV. 
Bracara Aquas Flavias, com a mesma formula. (Cfr. P.* Capella, MU- 
liarios, pag. 235). 

d) Decencio (351-353). InscripgSo milliaria da Gallecia; V. Bracara 
Asturicam III (Hubner); n.** 4827 3; 

D. N. Alagno Decentio NóbUUssimo Florentissimo Caesari b(ono) 
r(ei) p(ublicae) nato. (Cfr. P.* Capella, MUliarios, pag. 239). 

Sao estas as epigraphes bispano-romanas, dataveis, que esquadri- 
nbei na collecQào de Hubner*. 

As palavras gravadas pois no pedestal de Vianna do Alemtejo, alem 
de serem conformes ao formulario epigraphico de Roma, recordam uma 
epoca bem determinada do imperio romano, da qual nào desdiz o in- 
classicismo dos caracteres. 



1 Vid. no Indice o titolo Imperatores. 

2 Cfr. Bev, Archeologica, voi. ii, pags. 66 e 125. 

3 n.*" 6221 de Habner, que ea teria de aproveitar para o caso de que se 
irata, n5o tem objccto real, segando o Sr. Martins Capella {MiUtarios, pag. 239). 
Do n.«» 4827 dou a lÌ9ao do academìco pói*tngués. 

^ Nos Mutila traz Hùbner (n.® 4642) a seguinte : 

Fortissimo Caes AiUonio., ti,. Filio Bono Reip. Nato. — Quinta da Lagoa, 
perto de Vide. £ mais : 

N.» 4643. Bono Reip. Nato. — Ermida de S. SebastiSo, emVide. 

N3o faltarà quem observe que estas epigraphes sao todas milliarias e que 
portanto o tetraedro de Vianna servia de plinto nào a estatua, mas a marco. Diffi- 
cultam està interpretammo: 1.", o silencio da epigraphe dedicatoria a respeito do 
nome do imperador respectivo e do numero de milhas; 2.<*, os titulos milliarios 
ficavam gravados no cippo e nào na base, que alias era rasa. Deve notar- se que 
a louvaminha B • R • P • N - tambem apparecia no monetario. 



290 



O Archeologo Pobtuqcés 



monetario imperiai da decadencia tambem nos eoadjava no as- 
sillar a verdadeira antiguidade a aste singelo monumento. 

De Flavio Victor (384-388) existe um aureo com a seguinte legenda 
no reverso: Bono Réipuhlice nati. 

De Attalo (409-416) conlieee-se um pequeno bronze, que tem no 
reverso: Bono reipubUcae nati^. 

Como se ve, a coneordancia d'estas cita9oes é assaz frisante, e 
fornecem um elemento bastante seguro para conheeer a epoca d'està 
necropole. 

Outros restos devo descrever comò pertencentes ao locai do cerni- 
te rio e descobertos pelos violadores das sepulturas a que me re feri. 

Sobresae um pequeno capitel de columnelo ou pilarete de marmorc* 
(fig. 14.^). Mede 0",15. É obra muito da decadencia, mas a sua anti- 





Fig. U.* 



Fig. 15.» 



guidade nSo se podem marcar os limites precisos do fim do imperio; 
pertence decerto a todo aquelle periodo de tempo que, em assunto de 
architectura, viu ainda as raras construcyoes de pedra reflectirem os 
escassos reflexos que a arte romana ainda despediria ao Occidente. 
Vaga é pois a attribuÌ9ao chronologica d'està pe9a, mas muito é jà para 
a sua raridade no solo portuguès poder com verosimilhan9a dar-lhe 
legar do iv ou v ao x seculo. Poder-se-ha dizer que é um capitel latino. 
canteiro, cujo cinzel talhava caracteristicamente em chanfro os re- 
Icvos do seu desenho, parece ter-se inspirado no capitel corinthio*. 



* Ha ainda medalhas de Placidia, mulher de Constancio III e de Eonoria, 
irmS d'aqnella, com a legenda Bono reipubUcae. 

* E menos prova velmente no jonico. 



O Archeologo Pobtugués 291 

... Para o miiseu rèuni ainda outros despojos de pedra e de barro, 
que testemunham o desapparecimento de edificios antigos d'estas epocas» 

Meneionarei um faste de grossa eolumna de marmore da mesma 
naturéza que as pranehas das sepalturas. O seu diametro é 0^,32. 
E alem d'este um fragmento de base; fig. 15.* 

Depois da minha saida de Vianna, novas pesquisas dos cabouqueiros 
exumaram um sareophago monolithieo e reetangular. Mede 2 metros 
-em comprimente exterior; 0",58 em altura. O marmore é o locai. 

Proveniente do cabeyo, onde abundam os vestigios de povoa9a(), 
vi em casa de um lavrador um bello capitel jonico que a fig. 16.* repre- 
senta. Sao dimensSes suas: no àbaco por lado 0™,030; no diametro 
inferior 0'",24; no eixo 0",23. E tambem de marmore. Està interes- 
sante pe^a de architectura merece algumas palavras. 

Como exemplar da aii;e classica no seu purismo nSo pode eviden- 
temente considerar-se. E um 
producto de uma phase da 
decadencia, embora illumi- 
iiado ainda pelos reverbéros 
de uma grande arte mori- 
bunda. N^o tenho duvida em 
assinar & sua antiguidadé os 
ultimos dois seculos do im- 
perio, porque inconciliaveis 
se me afiguram as suas li- 
nhas, ainda bellas, com a „, ,,. 

' ' Fig. 16.* 

barbarie em que permane- 

ceram longo tempo as artes após o alastramento dos povos nordicos 
e com a hesitajào que respiram as primeiras obras que nos chegaram 
da idade media. 

Qualquer que seja porém a sua antiguidadé, corno elle procede, 
nSo do legar do cemiterio, mas do cabe90 contiguo, onde foi a povoaQSo, 
o caso ó indiflferente para a questXo primordial de que me occupo neste 
escrito. 

Neste capitel, as volutas jonicas, que teem, na architectura grega e 
romana, um aspecto tao logico e tao gracioso, foram modifìcadas e subs* 
tituidas por umas rosetas de quatro pétalas, comò as do frontEo da 
lapide figurada n-0 Arch. Pori., i, pag. 198, fig. 3.*-, os balaustres per- 
deram o seu ar de enrolamentos para ficarem puramente omamentaes, 
sem harmonia com as volutas. Alem d'isto o corpo do capitel inferior- 
mente aos balaustres é constituido por um cesto, que a primeira vista 
póde fazer pensar nos capiteis compositos, mas, se bem repararmos, 

19 




292 O Archeologo Pobtugués 

as folhas do acanto foram substitnidas por urna cinta de palmetas com 
pouco relevo, corno nalguns capiteìs jonicos de arte classica ^. O ibaco 
é qnadrado, e as snas quatro faces sEo dessemelhantes', corno nos jo- 
nicos antigos. Portante este capitel, sem ser nm classico jonico, é antes 
derivado do typo j onice do que do composito '. 

3. Resultados da ezplora^ào 

Passemos agora a relatar o conjunto dos trabalhos emprehendidos. 
As especiaes condÌ93es da epoca em que tiveram de realizar-se e as cir- 
cunstancias economicas do Museu nào permittiram que se fizesse urna 
explora^ao completa. Effectivamente havia de se pesquisar o terreno 
plano onde tinham side descobertas as sepulturas, e o cabe$o que Ihe 
succede, onde affloram muitos vestigios de epocas antigas, romanas ou 
post-romanas. Limitei-me pois a revolver a terra circamjacente das se- 
pulturas violadas pelos cabouqueiros, contentando-me com a descoberta 
de novos sepulcros e a sua pesquisa minuciosa. É do que voa agora 
tratar. 

Tinha-se descoberto o envasamento de urna parede quasi & super- 
ficie, a 14 metros ao norte de urna entrada lateral do adro da ìgreja. 
Està construcc2o era posterior às inhnma9Ses, nSo so por estar em nivel 
multo superior, mas porque tinha determinado viola^Ses de algumas 
sepulturas, cujos despojos se achavam accumulados, em completa de- 
sordem, numa fossa soterrada. Junto d'està parede corria um ladrilho 
melo abatido de tijolos irregulares na largura de l'",20. Quer superìor- 



1 Recordo agora particularmente os capiteis do tempio de Erectca em Àthe- 
nas; veja-se Diccionario encielaptdioo hispano-americanoy s. v. CapUd. Saglio 
& Daremberg, b. v. Columna citam, para esemplo de capi tei j onice mimido de nm 
collar de palmetas (hypo trachdium), separado do faste pelo astragalo, os do tem- 
pio de Apollo em Mileto. (Vid Vitruvio, iii, 5, 2). £ bom ter em vista qae «os 
typos principaes da arcfaitectara antiga apresentam infinita variedadc, qae aag- 
menta nos edificios, caja data se aproxima dos altimos tempos do imperio, a tal 
ponto que vem a ser realmente muito difficil determinar a ordem a qae pertencem 
taes e taes entalhamentos, capiteis, bases, colnmnas, etc«. {No^t» eUmentare» 
de archeologia, por Possidonio da Silva, pag. 43). Este conceito vem a proposito 
do presente capitel, qae tenho considerado jonicO; mas qae pela fórma do cesto 
revestido de folliagens, corno nos capiteis compositos, poderia parecer d'està ul- 
tima classe. 

* Veja-se Traiié d^architecture, por Charles Dupais, Paris, 1782. 

' Na Epkemeris Epigraphica, pag. 484, vem a estampa de nm monamcnto 
romano do sec. ii, restaarado. As columaas teem capiteis com volutas e balans- 
tres corno na ordem jonica e o cesto està rodeado de folhas de acanto, qae diffi- 
caltam a classifica9ào d'estes esempi ares, nSlo se podendo dizer ao certo se per- 
tencem ao jonico ornado on ao composito. 



Archeologo PosTOGUÉs 



293 



mente, quer inferiormente a este pavimento, havìa restos de dois outros 
aaalogos, o qae indicava saccessivas reconstrac9Ses, hoje intraduziveis, 
Doas em todo o caso posteriores ao eatabelecimenio da necropole subja- 
cente. O qae é curioso é qne os novos pavimentos eram construidos, 
sem qae se tratasse de destrair os antigos, que iam ficando por baixo. 
O pavimento soperìor estaria a 0^j2ò do solo. Àlguns lijolos eram tra- 
pezoidaes e lisos, mas no lado menor tinham dnas peqaenas saliencias 
rectangaiMres, destìnadas a tramarem fiadas de pavimentos. Mediam 
no lado das saliencias ou dentes 0",29; no eixo O^jSO (fig. 17.*). 

Em nivel ìnferior a estes vestigios, em parte debaixo d'elles e à pro- 
fundidade de 0"*,75, des- 
cobri a primeira sepaltara. 
Num ponto havia restos de 
Jb^*mig3o (opus Signinum) 
ainda inferiormente ao der- 
radeiro pavimento de tijo- 
Io8. A tampa era formada 
de lascas de marmore que- 
bradas e algans fragmentos 
de tijoios. Levantados es- 
tes materiaes, appareceram 
por baixo tres travessSes 
ou barras de ferro , destì- 
nadas a saster a tampa, 
apesar de ter sido a inhu- 
ma^Xo do cadaver feita di- 
rectamente em terra. Pou- 
savam nas pranchas late- 
raes e tinham as extremi- 
dades voltadas em angulo 
recto, para nSo se deslocarem. A caixa rectangalar era constituida 
lateralmente por pranchas de marmore devidamente accommodadas 
e o fondo era tambem lageado. A cabe9a do inhumado estava do lado 
do poente, mas propositadamente oa nlU), tinha sido voltada com urna 
face sobre o fimdo da sepultura, comò olhando para o norte. O resto 
do esqueleto estava em decubito dorsal. Feitas as medigSes, achei para 
o comprimente 1™, 40, para a largura 0'",27, para a altura 0™,25. 
Algumas pranchas de marmore conservavam num lado uma estreita 
zona tosca; que indicava terem sido obtidas estas lascas por meio de 
serragem mechanica, e separadas pouco antes dos ultimos impulsos 
da serra. 





Flg. 17.* 



i?94 O Arciieologo Poutugués 

Na terra que eDchia a eepuitura encontraram-se tres objectos identi- 
cos dois dos quaes representados nas figs. 18/ e 19.* O d'aqaella estava 
«óf mas d'està estava junto dos outros perfeitamente egual, ao qua! 
Adheria por meio de oxido. Era o actu romano a servir de aifinete de 
seguranfa *. Os dois achavam-se na parte media da fossa. Presumo que 
teriam servido de unir alguma pe^a de vestuario, tunica, ou involtorio. 
Esparso na terra algum carvSo. Junto da cabota do esqueleto um firag- 
mento de vidro muito delgado, com aquelle ìrisamento caracterìstìco. 




À distaneia para N. dos pés d'està sepultura de 0"*,15 e para E. 
de ()'",30, debaixo do terceiro pavimento de tijolos, o inferior, em prò- 
fimdidade apparentemente igual à sepultura antecedente, encontraram 
OS trabalhadores outra de bem maiores dimensoes. A largura, quasi 
uniforme, era de ()™,42 a 0'",44 (era rectangular a fossa); o compri- 
mento de l'",80. A orientajSo, determinada com o auxilio de uma bus- 
sóla, era proximamente de O.-E., sendo a cabeja do lado do O. Ainda 
aqui a cabe^a estava torcida na direcglo do N., permanecendo o esque- 
leto de costas. Como o locai do cemiterio é plano, parece que era cul- 
tual a orienta9ao dos cadaveres. 

O que ha a notar nesta sepultura é a disposi^So dos bragos do ca- 
daver, de tal sorte que o ante-bra90 direito estava em linba perpen- 
dicular ao eixo do corpo, tocando a mao direita no cotovelo do bra9o 
esquerdo, cujo ante-brago se erguia obliquamente para o stemum. Tinha 
pois esqueleto os bragos em flexào, mas designai. 

Pude ainda verificar que o cadaver ali inhumado tinha maior com- 

^^ ^^^__ primento que o da sepultura, devendo pois ter 

^^ sido introduzido violentamente; na columna 

T' vertebral havia uma pequena interrupgSo; nSo 

^**" *®* obstante a sepultura estava intacta. 

Quanto é natureza da fossa, era està resguardada por todos os lados 
por pranchas inteirigas (primitivamente) do marmore. A da tampa é 
que se achava fragmentada em maior numero de peda(os, cedendo 



^ Para maior clareza, a figura està desenhada em dobro do naturai. 



O Archeologo Portugués 



295 



ao peso superior apesar de tres grossos travessSes de ferro, que interior- 
mente davam mostras de a qiiererem sustentar. O fundo era tambem 
urna prancha da mesma pedra. Junto da tibia direita estava o alfìnete 
de bronzo representado na fig. 20.* 

Na terra que preenchia a caixa sepulcral, nada mais havia, senio 
algans carvSes, pedajos de vidro *. 

Continuando a pesquisa na direc9So do norte, encontrei restos de 
terceira sepultura. Tinha sida violada 
para a constnie9ào de outra parede, 
situada a 4",50 da primeira descripta. 
Està obra era pois posterior à necro- 
pole. Encontravam-se ossos em desor- 
dem e pedagos das pranchas de mar- 
more. No recanto, onde terìa side a 
cabeceira, estava deposta e um pouco 
inelinada urna pequena vasilha sem asa 
cheia de terra. Era orientada corno as 
outras. Foi aqui que se descobriram 
restos de formiglo em nivel superior 
a sepultura, e por cima d'este trechos 
de ladrilho ou pavimento de tijolos. 

O seu comprimente era de 1"*,74; 
a largura 0™,40: altura 0",47 ; e a pro- 
fundidade a que estava era de 1 metro. 
Quanto à sua natureza, pude apenas 
observar o seguinte: era da especie das 
emparedadoi, aos lados corria uma pa- 
redezinha de tijolo e havia tambem um 
peda90 de formigSo posto de cutelo. 
Aos pés, era a caixa limitada por uma 
placa de marmore; o fundo era lageado; a tampa nio existia. Os ossos 
estavam em desordem. 

Vejamos uma 4.* sepultura. 

Denunciou-se pelo apparecimento & profundidade de 0*",75 de dois 
enormes tijolos, que justapostos constituiam elles sós a tampa da sepul- 
tura. Modem 0™,84 X 0^,56 X 0'",07 e estao actualmente no Museu, 
Pousavam em paredes lateraes de tijolo argamassado, o que nlo im- 




Ffgr. 21.* 



^ Està sepultara està reconstituida no Musen ; apenas com a differenza de se 
ter coUocado nella um vaso de barro que pertencia à seguinte. 



296 O Abcheolooo Postdoués 

pediu que sobre o cadaver se tivesse laa^ado terra, comò succede ìias 
outras. Nesta porém nSLo havia fundo de pedra; o esqaeleto assentava 
na terra. Na cabeceira servia nm fragmento de tosca pìlastra cannelada. 
É a fig. 21.* Media de comprido l-^TO; de largo (r,39; de alto 0",28. 

O resto do cadaver tinha side voltado para e sul, mas a sepoltura 
era orientada comò todas as outras. 

(No proxìmo fasciculo segue: 4. Antiguidack do cemiterió). 

' Felix Alves Pereiba. 



Os arohlTOS eoclesiastioos da Oiiarda 

No intuito de saber o paradeiro e o estado presente e passado dos arcbivos 
do paia, tenho ido reunindo as mengdes dos cartorios que a destruigao das anti- 
gas instituÌQ^^es, junto à ignorancia e malevoleneia de camadas de fiinccionarios, 
tem malbaratado, posto se ou^am por vezes brados de soccorro, a que nao cor- 
rcspondem os actos. 

Cabe agora a vez de j untar as noticias que se encontram dispersas no 
livro elaborado por um funccionario que tem a confian^a do Estado, fnnccionario 
no qual se encontram reunìdas faculdades de investìga^fio bem raras entre nós 
e bem pouco culti vadas. 

arcbivo da sé da Guarda foi examinado nos Ens do seculo xviii por Fr. Joa- 
quim de Santa Rosa de Viterbo ou por pessoa interposta, corno se coUige, alem 
de outros que se poderiam citar, d'este passo do Elucidaìio, voL i, pag. 292 : 
e No Tomba do9 Jantares, que se conserva no Archi vo da Sé da Guarda, se diz 
o seguiate ...» 

Alexandre Herculano, em 1857, escreveu^ as seguintes palavras, onde, oc- 
cultando-se nome da diocese, se sabe, todavia, dirigir-se a da Guarda: <Xo 
cartono de certa corporagao, langado pela janela fora durante a guerra penin- 
sular por alguns soldados franceses, e de que so urna pequena parte foi reco- 
Ihida, acbou-se ainda em 1853 incrustado nos pergaminbos o lodo em que estì- 
veram mergulhados durante alguns dias ; tal tinba side o desvelo da coiporagao 
acèrca dos monumentos que salvàra. Nfio sabemos se e das que bradam contra 
a offensa feita ao seu direito de propriedadei. 

Pedbo a. de Asevkdo. 

«Na Guarda governava o bispo D. JoSo de Mendonga, que nomeou 
conego Martinho BodrigueS| seu desembargador da mesa do despa- 
cho, para, auxìliado por alguns companheiros, examinarem o arohivo 
do cabido e da camara ecclesiastica, as inscrip^oes e outras particularì- 



1 0}>usculo8, Tol. I*, pag. 246. 



O Abgheolooo Portugués 297 

dades aproveitaveìs na Sé e nas diversas egrejas e templos do bispado, 
extrahindo as pèdidas ìnformagSes e copias dos documentos. 

Por pai'te do cabìdo recaia a eleÌ9ao no mesmo conego e compa- 
nlieiros, o que tudo foi particìpado & Academìa em officìos de 20 de 
fevereiro e 1 de mar$o de 1721. 

O senado (camara) e provedor da Guarda prontìficaram-se tambem, 
nos officios de 5 de junho e 20 de agosto do mesmo anno, a cumprir 
as instrucgSes que Ihes foram transmittidas e aquelle descnlpando-se 
de o nlo fazer mais cedo pela difficuldade que havia em ler os pergar 
minhos antigos do archivo, que so foram decifrados quando por esse 
tempo chegou i cidade Martinbo de Mendon$a de Pina e Proenga (BibL 
Lti8., voi. II, pag. 441) apreciado academieo, naturai da Guarda, en- 
viava na mesma occasiSo algomas noticias, e um papel contendo o nu- 
mero de logares e moradores que habitavam o termo da cidade. 

Quanto ao preveder, desculpando-se tambem com o estado e letra 
do tombe das capellas e morgados, e com as multiplicadas occupa^des 
do seu cargo, que Ihe nao deixavam tempo livre para outros misteres, 
envioa uma rela^io, provavelmente sobre padroados, que foi obrigado, 
dìz elle, a mendigar pelas taboas e livros das egrejas. X>e pouco valor 
seriam pois essas informa9(^es com base tao incompleta e pouco firme. 
As da camara, comò se verifica pelo que notei, nSo revestem tam- 
bem grande importancia, e nem a podiam ter se o seu archivo, còrno 
pareoe, nSo era entSo mais rico em pergaminhos do que ao presente, 
pois que apenas possue naquelle genero de documentos o livro de foraes 
e o de avalia9Ses de officios da comarca da Guarda em 1689, unicos 
que me foram mostrados pelo digno secretano d'aquella corpora9ào, 
o Sr. Correla Telles, que me informou nSo haver nenhuné outros. 

Possue sim uma muìto apreciavel collec9So de padrSes de pesos 
e medidas de bronze, que vem a ser: um grande marco do tempo de 
D. Manoel (1499) que deveria ter um quìntal (4 arrobas) com as suas 
£vis3es e subdivisoes; alqueire, meio alqueire, quarta e salamim do 
tempo de D. Sebastiào com a era de 1575; cannada e meia cannada». 
(Pag. XX e sqq.). 

cÉ licito duvidà-lo: mas basta o simples enunciado que acabo de 
fazer para se calcular a enorme e insubstituivel falta que elles [papeis 
entregues à Academia Real de Historìa] fazem, especialmente depois 
que o archivo do convento da Guarda, ou pela devasta9ao dos fran- 
ceses, ou pelo incendio em parte, ou (e està talvez seja a prìncìpal 
causa do descalabro) por desleixo inveterado da corpora9ào deixou de 
possuir elementos para se reconstituirem, ao menos em parte, aqnellas 
noticias». (Pag. xxv). 



298 O Archeologo Pobtugdés 

«Eni 1899 visitando a casa do capitulo da Cathedral da Guarda, 
em companhia do distincto architecto, Sr. Rosendo Carvalheira, com 
firn de se verificar a necessidade de desaffi-ontar o monumento d'a- 
quelle vergonhoso appendice, e resolver a sua mudanja, ainda alli 
vimos, alem de bastantes pergaminhos e documentos antigos, em parte 
dilacerados pelos ratos, noutra comidos pela humidade, impiedosamente 
arfanhadosy e mettidos em eaixotes velhos, de mistura com toda a 
sorte de lixo e immundicìes, preciosas cartas regias dos primeìros 
monarchas portugueses, distinguindo-se as de D. Dinis, e outras aie 
D. Duarte, pelo seu perfeito estàdo de' conservafio, em que muita 
admiramos sobretudo os sellos pendentes de cera e chumbo, quasi in- 
tactos e, pela maior parte, completos. Algum conego misericordioso, 
e menos indifferente às preciosidades historicas^ as havia juntado e 
acantelado dentro de urna pasta ou bolsa de pergaminho, e alli esca- 
param até aqnella data ao vandalismo inacreditavel de que tem sido 
victima aquelle archivo. Jà o bem conceituado chronista da ordem 
seraphica, Fr. Manuel da Esperan9a, que escrevia no meado do se- 
culo XVII, tendo ido à Guarda no intuito de documentar as suas ar- 
duas e bem dirigidas investigajSes historìcas, dedara ter encontrado 
aquelle archivo tao indigesto (sic) que Ihe nio foi possivel aproveitar 
d'elle cousa de geito para o seu trabalho, nao obstante a gìmide copia 
e riqueza dos documentos alli existentes a montào sem ordem ou nexo 
algum: mas modernamente outro facto, nSo menos suggestivo do des- 
mazelo e desleixo dos conegos com o seu precioso archivo, corre comò 
certo na Guarda. Como se sabe Alexandre Hercnlano foi auctorizado, 
em beneficio dos seus estudos historicos, a visitar e examinar os archi- 
vos do reino, e foi tambem i Guarda, sendo-lhe alli facultado o da Ca- 
thedral, que a esse tempo estava jà multo depauperado, quer por um 
incendio que diz ter alli occorrido, quer pela dosvasta^So operada pela 
invasSo francesa. Limitado o trabalho da ordena^So e classifica^So dos 
documentos pelo numero restricto que escapara, e feito o seu exame, 
deixou-os Herculano methodicamente dispostos sobre uma grande mesa 
que existia na sala do capitulo e recommendou multo aos conegos qne 
mandassem substituir por outros novos, os velhos e carcomidos arma- 
rios onde se guardavam a esmo, e alli os arrecadassem e conservassem 
segundo a ordem por que os tinha posto, mercé das suas fadigas. Isto 
succedia por volta de 1840, e, segundo me informaram, quando em 
1899 alli estive com o Sr. Carvalheira, haviam na vespera mettido 
OS documentos à pressa nos antigos armarios, unicos que alli vimos, 
tendo até entào permanecido, durante mais de melo seculo, em cima 
da mesa das sessdes capitulares, onde desde muito n&o abancam oa 



O Archeologo Portuguès 299 

eonegos, que celebravam as snas reuniòes noutro locai, pelo estado de 
ruina em que estava a casa do capitulo. Se assim é, e apesar dos 
bons testemunhos casta a crer, avalie-se da porcarìa, do lixo em que 
estariam sepaltados aquelles preciosos documentos por tantos anhos^ 
bem corno dos delictos que Ihes causariam os ratos e a humidade, 
a cbuva mesmo, estando assim ao desamparo numa casa abandonada 
e em ruina! Por occasiSo da alludida visita que alli iQz, protestei logo 
varrer a minha testada; e, com effeito, denuncici o vandalismo, dias 
depois, em Lisboa, na Direcgao Geral de Instruc^So Publica, recla- 
mando do illustre Ministro do Beino as necessarias prò videncias para 
salvamento do pouco, mas ainda muito precioso, que restava no archivo 
eg'itaniense. Chegaram a expedir-se ordehs nesse sentido; mas a ameaga 
da peMe hvhonica que, por esse tempo se manifestou no Porto, des- 
viaram e absorveram as attengòes do Governo, e as minhas proprias, 
perdendo-se o ensejo de realizar essa obra benemerita». (Pag. 161 e 
sqq.). 

cE mais do que provavel que nem sempre assim fosse, e que 
noutros tempos a Cathedral possuisse mobiliano e alfaias de valia 
condigna; e com effeito encontro noticia de ser muito rica, pelo menos 
em objectos de prata. D'estes parece que ainda alguns existem no 
thesouro episcopal e capitular, mas comò restos mesquinhos do passada 
esplendor. Onde iriam parar essas riquezas e preciosidades? A invasSo 
francesa, alias de uma selvajaria nunca vista, desculpa muitas d'estas 
depredaySes na Guarda e em ontros pontos do pais; e o periodo re- 
volucionario donde surgiram as nossas instituijSes liberaes completa 
a absolvi(2lo de muitos que foram os verdadeiros autores da rapina. 
Ainda hoje na Guarda se apontam os nomes de alguns, e espe- 
cialmente de certo conego que se apropriou para as vender a peso, 
das chumbeiras da Sé, deixando-a exposta às affrontas do temperai, 
que puseram em risco as abobadas, e converteram nos nossos dias 
tempio em cisterna limosa e repugnante. NSo seguirìam as pratas 
e alfaias, em grande parte, o caminho das chumbeiras e dos canudoa 
do orgào monumentai? 

Sera tambem da responsabilidade dos soldados de NapoleSo a ruina 
do precioso archivo que o cabido possuia, e que continha os valiosis* 
simos pergaminhos hierarchicos das nossas antiguidades, prerogativas, 
isen$8es e regalias? 

Kào croio, e jà apontei mais de um facto, attestando que, nesta 
parte, o vandalismo se deve à incuria e criminoso desmazelo dos cone^ 
gos, quando nSo à sua cupidez proverbiai, sem offensa para os actuaes, 
que sSo um palido reflexo das reverendissimas e opulentàs ociosidades. 



300 O Archeologo Pobtuoués 

salvas honrosas excepjSes, que os precederam outrora, em tempos 
melhores para elles. Quando muito impatarei éqaelles apenas a li- 
mitada responsabilidade de se conservarem indìfferentes aos restos, 
ainda apreciaveis, do que escapou no descalabro do archivo». (Pag. 376 
e sqq.). 

{Diocese e dlstricto da Guarda: sene de apontamentos historicos e tradicio- 
naes sobre as suas antiguidades ; algomas observa^Òes respeitantes à actualidadc 
e notas referentes à cathedral egitaniense e respectivos prelados, por José Osorlo 
da Gama e Castro, Jaiz de direito de prìmeira instancia e Govemador ci vii do 
districto DOS annos de 1897 a 1900. Porto, 1902, in-8.«). 



XTm tbesouro do seoulo XIV 

Um proprietario de Monsanto, freguesia do conceiho de Torres 
Novas, em Maio de 1903 mandou aplanar eerta eieva9So marginai de 
nma serventia publica, por onde devia transitar nm carro seu, pesa- 
damcnte carregado. 

O trabalhador que desempenhava tal missSLo, logo que deu os prì- 
meiros golpes de* enxada, encontrou um pequeno vaso de barro, ta- 
pado cuidadosamente, que ali fora occulto quasi à superficie da terra. 
Agitando por vezes o estranho achado, presumiu que achàra um the- 
souro. Na impossibilidade de conhecer de pronto qual a especie de 
moeda que a sorte Ihe deparava, fez saltar a parte superior do vaso 
com olho da enxada e viu que eflfectivamente era dinheiro, mas an- 
tigo, que desconhecia. 

Examinado ulteriormente o achado por pessoa entendida, via-se 
que ali havia tomeses e meios tomeses, tanto de busto corno de cruz, 
reaes de prata com escudo no anverso, hoje preciosos pela sua alta ra- 
ridade, e aquelles que mostram a letra F coroada, ou o anagramma 
formado por FR, barbudas, graves, pilartes ou coroados e dinheiros. 
Exceptuados alguns pilartes cunhados no Porto, e as moedas hespa- 
nholas de que falò mais abaixo, todas as moedas tinham a marca mo- 
netaria L, a de Lisboa, onde foram fabrìcadas em nome de D. Fer- 
nando, rei de Portugal (1367-1383). 

Alguns exemplares de reales de prata de D. Pedro I, o Crud, rei 
de Castella (1350-1369), com a letra P coroada no-anverso, e alguns 
outros de D. Henrique II (1369-1379), aquelles que mostram as letras 
£ N conjugadas, acompanhavam o dinheiro portuguès, porém em pe- 
quena quantidade. 



O Archeologo Portugués 



301 



As moedas eram apenas 160, em cujo numero abundavam os cunhos 
de bolhao; comtudo representavam capital valioso relativamente à epoca 
em que circularam*. 



O vaso, genuinamente medieval, importa ser conhecido. Vae repre- 
sentado no desenho aqui junto. 

Tem 0™,13,20 de altura e 0",28,10 na maxima circunferencia do 
^jo* Quasi junto & raiz do collo apresenta urna saliencia em fórma 
de C, que se tomarìa por marca de fabricante se nào fosse o resto da 
parte inferior da asa, que ali ficou impresso quando ella foi arrancada. 
O bocal seria circular e erguer-se-hia afu- 
nìladamente, comò Ihe convinha para re- 
ceber a rolha. 

Este precioso representante da cera- 
mica medieval portuguesa é de cor do 
carmim, excessivamente desmaiado pela 
ac^So do tempo. A fórma lembra a do vaso 
que se ve na fig. 1.* da estampa annexa 
ao artigo que o engenheiro civil C. da Ca- 
mara Manoel inseriu no voi. li d-0 Arch. 
PoH., 302-304, acèrca de varios productos 
ceramicos que foram encontrados quando 
se fez a demoligEo do convento de S. Fran- 
cisco de Evora. 

E provavel que o vaso eborense fosse 
contemporaneo do de Monsanto, pela semelbanga entro os respectivos 
troncos, embora falte a este a melhor parte da feÌ9So que hoje o dis- 
tinguiria. Nào esquegamos que a edificagSio d'aquella casa professa foi 
anterior ao reinado de D. Fernando. 

vaso de Monsanto nJo representa um typo especial e unico de ce- 
ramica portuguesa; é copia de alguns typos, semelhantes, que a archeo- 
logia conhece, exhumados de sepulturas romanas que foram encerradas 




^ thesouro foi distribaido assiin : 

1} Sr. Conaelheiro Manoel F. de Vargas e o Sr. Sobert A. Shore arreca- 
daram as especies de melhor merecimento numismatico e de superior estado de 
con8erva9So. 

2) O Sr. Joaquim José Jiidice dos Santos comprou a maior parte das moedas 
mais Yulgares. 

3) A algans dos moradores de Monsanto deu o achador varios exemplares. 

4) Ao Muscu Etimologico Portugnés foram offerecidos tres exemplares. 



302 O Archeologo PoETuauÈg 

segfundo o rito da incinera9ao, ""e de outròs <jue ainda hoje vemos, pro- 
ductos da ingenua industria dos povos que habitam certas localidades 
provincianas, onde a ceramica ordinaria e de simples feiglo artistica 
ainda tem algum desenvoivimento. 

A evolu9So antiga da ceramica portuguesa ainda nao foi ^stadada 
convenientemente. Suppomos que tal estudo so tarde poderi realizar-se, 
com auxiiio de exemplares mais abundantes, provenientes da epoca do 
renascimento. Com reiaQlo aos mais antigos, corno aste de Monsanto, 
o estudo é muito problematico; elles sSo raros e difficilmente se con- 
segue autenticà-los, sobretudo quando circunstancias especiaes nSo con- 
correm para elucidar a investigammo da sua orìgem. 

O pequenino vaso, arrninado abrigo do thesouro, existe no Museu 
Ethnologico Portugués, ao qual foi offerecido pelo Sr. José Duarte Fra- 
zio, que para tal firn o obteve do achador, e o fez acompanliar com 
3 das moedas que nelle jazeram por mais de ciuco seculos. 



Estudadas as moedas componentes do thesouro, póde, com o auxilio 
da historia, indicar-se em que anno o possuidor as occultou, e qual o 
motivo inspirador de tal empenho, nào obstante parecer estranha està 
ultima affirmamSo. 

No achado era absoluta a ausencia das moedas de varios padrSes 
que D. Fernando mandou cunhar em ^^amora, Crunha eTuy. Ora corno 
a desmonetizagio d'estas moedas comegou em 1371, em obediencìa 
a resolufào que foi tomada nas cortes que neste anno se reuniram em 
Lisboa, pelo motivo de terem sido cunhadas em terras que nSo per- 
tenciam à corca de Portugal, fixamos o anno de 1372 para inicio da in- 
vestigajlo, e para termino o anno de 1378, em que foi prohibido o curso 
da moeda castelhana em Portugal, pela ordenamSo de 8 de fevereiro. 

Depois d'este anno o camponès nào arrecadaria dinheiro estran- 
geiro, prohibido, alienavel com prejuizo certo, e que assim n3o era 
mais que simples metal para alimento de cadinhos. Era previdente, 
porque arrecadàra o que gozava de melhor credito e era de melhor 
valia, e excluira as barbudas cunhadas no Porto, que eram myguoadas 
daley^^e pela maior parte falsas, por tanto conhecia disposifoes legaes 
relacionadas com o melo monetario circulante. 

Posta a questuo neste plano, prova-se apenas quo o deposito do 
thesouro foi feito naigum dos annos decorridos de 1372 a 1378, e até 



Teixeira de AmgSo, dee. n.® 11, voi. i. 



O Archeologo Pobtugués 303 

■ ■ • j — 

aqui chegàmps invocando leis monetarias; porém a for9a comprovativa 
de .um acontecimento historico p8e o ponto final nesta interessante int 
vestiga^o, denunciando o anno de 1372. v 

.Com effeito, no verào d'este anno, o esercito de Castella passou 
a fronteira nas proximidades da villa de Almeida. Percorrido o itine- 
rario até entrar na Extremadura cistagana, fez alto durante dois dias 
em Torres Novas, onde aguardou a offensiva do irresoluto D. Fernando, 
que se acolhèra ao abrigo das muralhas de Santarem ^. No largo tra^ 
jecto alarmou as popula^Ses ruraes, que se refugiaram nos baldios e 
noutros logares ermo^. Na precipitagào da fuga o camponés de Mon** 
santo passa na curva de um caminho, à beira de um vallado, e, porque 
a vanguarda da hoste invasora se aproxima a largos passos, ali cava 
um abrigo provisorio para o seu dinheiro encerrado no leve e pequenino 
vaso, que tanto llie pesa idealmente corno se fòra enorme. 

Lisboa, Agosto de 1904. 

Manoel Joaquim de Cabipos. 



Aroheologria prehistorioa da Beira 



Dolmen da Canha-Balxa 

O dolmen de que vou fallar fica no sitio da Orca, perto de um 
ribeiro, num plano, entro vinhas e milharaes, a 1 kilometro da estrada 
da Cunha-Baixa, no concelho de Mangualde. Pertence ao Sr. Dr. Paes 
da Gauha, de Santar. O povo chama-Uie Casa d'Orca (nome proprio). 

Explorei-o em Setembro de 1902, a convite, e por indica9ao, do 
metì illustre amigo Dr. Alberto Osorio de Castro, hoje juiz de direito 
em Goa, mas entSo residente na villa de Mangualde. Elle tinha ob- 
tido para isso autorizagào do Sr. Dr. Paes da Cunha, que a concedeu 
da melhor vontade. 

Foi està a primeira explora9So dolmenica que eu fiz. Jà dei noticia 
rapida da Casa d'Orca, e uma gravura, nas Eeligioes da Lusitania, i, 
271-273». 



* Chronica do Senhor Bei D. Fernando, por FernSo Lopes, capi tuie lxxii. 

2 Quem primeiro tornou conhecìdo dos estudiosos este dolmen foi o Sr. Mòr- 
gado Bernardo Rodrigoes do Amarai, de Oateiro de Espinho, concelho de Man^ 
gualde : vid, Portugal Antigo e Moderno de Pinho Leal & Fedro Angusto Ferreira, 
SII, 2300. O Sr. Bernardo Rodrìgues do Amarai é crèdor de teda a sjmpathia 
pelo enthasiasmo e intelligencia com que tem pesquisado a archeologia da regilo 



304 O Abcheologo Pobtugués 

A orca ou dolmen consta de camara e galeria (fig. 1.*), jà bastante 
arruinadas; por estar em terra de semeadara, que é frequentemente 
revolvida pelo lavrador, jà n%o mostrava vestigìos de mamoa. Avuha 
na pianicie; e n%o é sem certa emoglio que se contempia aqaelle mo- 
numento carcomido das chuvas e dos ventos, aquelle silencioso teste- 
munho de outras eras, ali deizado em meio dos campos, a despertar 
a curìosidade dos archeoiogos, e a provocar no espirito dos camponeses 
ideias mysterìosas e lendas de Mouros! 

Quando cheguei, tanto a galeria corno a camara estavam cheias 
de terra, de silvas e pedregulho grande e pequeno. Muitas das pedras 
deviam ter sido atiradas para li pelos trabalhadores ao cavarem o 
campo; outras teriam servido de cispar a propria anta. 

Primeiro limpou-se o sìlvado, depois comofou-se a tirar a pedra 
e a escavar. A propria terra que enchia a anta eontinha pedras, umas 
maiores (lages)) outras menores. So depois de se cavar mais de um 
metro appareceram alguns objectos archeologicos (os primeiros). Co- 
nheceu-se que se chegou à base do monumento logo que se deu com 
o terreno duro e saibrento^ pois teda a terra que enchia a anta (ca- 
mara e galeria) era movediga e negra, e segundo a expressào dos tra- 
balhadores «gorda, por causa dos cadaveres là enterradost. Tanto a 
galena corno a camara foram profundadas até l*",!? pouco mais ou 
menos. 

A camara, de fórma polygonal, é constituida por sete grandes lages 
(eifteios) a pino, mais ou menos separadas entro si e convergentes um 
pouco para o centro d'ella; està cobertapor outra grande lage, muito 
mais larga (ckapeu). Alguns dos esteios sSo sub-triangulares, outros 
sub-trapezoidaes, um é rectangular. O esteio d està separado do esteio 
e, em baixo, por um intersticio cheio de pedregulho; o vazio que fica 
até à tampa devia ser cheio por outras pedras, hoje dispersas por longe. 
Altura de um dos esteios, acima do solo, 2",3; largura maxima 1",7. 
A cabeceira da camara é formada por dois esteios (f, e), O chapen 
apoia-se actualmente nos esteios g^f, h; tem as seguintes dimensSes: 
3" X 2"\2 X {^,43. 

A galeria é formada por dois renques de pedras, algumas ainda 
no seu logar, outras estendidas no chSo. Os dois renques nÌo sSo pa- 



em que vive : mercé do seu concorso, possue o Maseu Ethnologico nnmeroeos ob- 
jectos archeologicos da Beira; e eu, que o conto entre os mens melhores amìgos, 
devo-lhe muita gratidSo pelos obsequios que me dispensa sempre que vou aos 
seus sitios, jà recebendo-me em sua casa, jà acompanhando-me nas minhas ex- 
corsoes e excava^Òes. 



O Archeologo Portugués 



305 



railelos entre sì, mas dispostos de maneira que a galena é menos es- 
treita junto da camara do que na entrada. As respectivas pedras s3o 
de differentes dimensSes. A galena devia ser coberta por lages em toda 
a sua extenslo, porém resta so urna; véem-se ainda algumas d'ellas 
ao pé, caidas por terra. Direc9Jo da galeria: NO-SE. 




Fig. 2.» 

Tanto as pedras da camara, corno as da galeria, slo de granito, 
que abunda na regiào, embora ali proximo nào existam lagedos d'onde 
ellas pndessem ter sido extrahidas. 

Na pianta junta, fig. 1.^, se ve a disposigSo do monumento, e se 
indica o comprimente e largura da camara e galeria. 

Objectos encontrados durante a excavagSto: 

1. Objecto de granito, que se representa nafig. 2.* e que appareceu 
deitado i entrada da camara; tem de comprimente 1™,20 e de largura 



30G 



O Archeologo Postuqués 



maxima 0™,20, e apresenta ab longo de um dos seus bordos, em parte 
da sua extensSo^ uma serie de quinze sulcos que oecupam tambem as 
faces, de um lado e do outro. Fallei jà dVste objeeto nas Religioes da 
Lusitania^ I, 343^45. 

2. Machados de amphibolite schistoide :^gs, 3.*, 4.* e 5.*, em me- 
tade do tamanho naturai. O que se representa na iig. 3/ tem plana 







Fir. 8.' 



Fiff. 4.« 



Pig. 5.* 



\ \ 



Fig. 6.» 



uma das faces maiores e bombeada a outra, ambas ellas pouco polidas; 
as faces lateraes &ào polidas; tjpo de herminette, sec9So de segmento 
de circulo, e gume convexo e regular em relagSo à linha media longi- 
tudinal. que se representa na fig. 4.* tem mais ou menos planas as 
faces, que sào polidas apenas na parte inferior, ao passo que a superior 
e topo ficaram por polir; fórma trapezoidal, sec9ao quadrangular. 



O Akcheologo Portugués 3(Jt 

e gume levemente convexo e obliquo em velaLq^o à linha media longi- 
tudinal. O que se representa na fig. 5.* é roligo, estando muito mais 
poiidas as duas faces jnnto do gume, do que no resto; secgao elliptioa 
e gume convexo e um pouco obliquo em relacEo a linha media; frac- 
turado no topo. — Appareceram na camara. 

3. Lamina defaca: fig. 6.*, em tamanho naturai. De silex, e com 
bolbo de percnssSo. Sec9lo triangular em parte d'ella, trapezoidal nou- 
tra- Bordos originariamente lisos, mas um d'elles com leves falhas, 
Fracturada nas extremidades — Appareceu na camara, junto da cabe- 
eeira (em e). 

4. Pontas de setta: figs. 7.*, 8.*, 9.* e 10.\ De silex. A da fig. 7,=^ 
é triangular; as outras slo trapezoidaes. Todas ellas sSo feitas de fra- 
gmentos de facas. — Appareceram na camara. 





rig. 7.* Fig. 8.« 





Fig. a.* Fig. IO.* 

5. Ceramica: Appareceram apenas fragmentos, tanto na camara, 
comò na galeria. Sfto peda90S de calotes esphericas; mas nào se podem 
com elles reconstituir vasos. Em todo o caso estes deviam ser do feìtio 
de algumas das tigelas apparecidas noutros dolmens da Beira e e^^d^- 
tentes no Museu Etimologico. Ha fragmentos mais espessos que outros. 
A pasta é grosseira e apresenta duas cores: negra e vermelha, con- 
forme OS fragmentos; contém muitas granula9oes de quartzo e de feld- 
spatho, e a sua superficie està polvilhada de palhetas scintillantes de 
mica. Um dos fragmentos de barro vermelho mostra que o respecti\ o 
vaso esteve exposto ao lume. — Com estes fragmentos de ceramica 
dolmenica appareceram outros muito mais modernos, e que supponho 
romanos: de vasilhas e talvez de imhrices. 

6. Bestos humanos: Appareceu unicamente uma esquirola de osso 
hamano. 

Todos estes objectos estSo agora no Museu Ethnologico Portugués, 
ao qual os offereci. 

so 



308 Abgheologo Pobtugués 

7. Ohjectos varios: Appareceram mais: seixos rolados, qne prò- 
vieram certamente do ribeiro proximo; um fragmento de ferro oxr- 
dado, moderno; carvSes, que talvez tambem fossem modemos (do e&- 
tulho). 

* 

Segando informagSes que eolhi, este dolmen tinha sido, em tempos 
nSo muito remotos, remexido por um padre, que porém nSo consta que 
ahi encontrasse muitos objoctos. Os restos ceramicos, porém, que, 
corno disse a cima, me parece serem romanos, mostram que o dolmen 
soffiréra remeximentos muito mais antigos, o que està de accordo com 
que sabemos de outros dolmens: cf. RdigwtB da Luaitania, i, 286- 
287. So estes e por ventura outros remeximentos explicam que um 
monumento de tamanhas dimensoes corno o da Cunha-Baixa contivesse 
um espolio archeologico tao deminuto corno o que fica descrito. 

J. L. DE V. 

AoquisigOes do Museu Etimologico Portuguès 

Epoca do bronze (e cobre) 

O Sr. Alberto Bastos offereceu dois instrumentos cortantes e urna 
lan9a, provenientes do districto de Viseu. 

O Sr. Pedi-o A. de Azevedo offereceu um machado, da Beira. 

O Sr. José Maria Fogaca oiFereceu um instrumento do typo d'a- 
quelles que Estacio da Veiga, Antig. Mori,, iv, 203 sqq., chama esto- 
ques, Cartaillac, Lea àges préhùL, p. 262, chama alfinetes, e o Conde 
Beaupré, in Biillet. de la Soc. Préhist,, i, 110, chama espetos. 

O Sr. Dr. Antonio Pereira de Sousa offereceu urna lan^a de bronze 
e um machado do mesmo metal, provenientes do Alto-Minho. 

Do Ribatejo (Escaròpim) proveiu um machado de bronze. 

Eplgraphia romana 

O Sr. Dr. Carlos Gairao offereceu urna lapide funeraria inedita, 
provinda da Ericeira. 

Por intermedio do mesmo Sr. adquiriu o Museu a lapide a que se 
refere o Corp. Inscr. Lai,, il, 5223, de ^Ze&a, filha de Arcoiti). 

Por intermedio do Sr. Capitào Brito Gorjao e do Sr. Dr. Carlos 
Gairao obteve o Museu uma lapide de Mafra (inscrip9ao inedita). 

Pela AdminÌ8tra$ao das minas de Aljustrel foi offerecida uma la- 
pide là encontrada. 



O Archeologo Pobtuqués 309 

Das ruinas da antiga Myrtilìs proveio urna lapide com inscrip^ào 
inedita. 

A Ex."** Sr.* D. Ilaria das Neves de Figaeiredo oflfereceu urna la- 
pide com inscrìp^So inedita, de Santarem. 

O Sr. Frauciseo de Tavares offereceu urna Arala consagrada a Jup- 
pìter (inscrìpgao inedita), proveniente da Beira. 

O Sr. Engenheiro José de Matos Gìd oiFereceu urna ara consagrada 
a urna densa lusitana (inscripgXo inedita), proveniente da Beira. 

O Sr. Diogo Aagosto de Lemos offereceu ama ara consagrada a 
Juppiter (inscripgao inedita). 

Por interferencia dos Srs. Conselheiro Campos Henrìqnes e Dr. Car- 
los Corte Real veio a ara dos Lares Cerenaeci, do Marco de Cana- 
veses: Corp. Inscr. LcU., li, 2384. 

Da mesma regilo veio, por interferencia do Sr. Conde de Ariz, 
a ara de Juppiter de que se fala no Corp. Inscr. LaL, u, 5557. 

Por intermedio do Sr. Dr. Antonio de Pinho veio para o Museu 
urna lapide funeraria com esculturas e ama inscripgUo inedita: provém 
do Alto-Minho. 

Do concelho de Bailto, por intermedio do Rev. Abbade aposentado 
de Prende, veio uma lapide que contém um fragmento de inscrip9So 
funeraria inedita e a figura do suàstica. 

O Sr. Dr. Heurìque Botelbo offerecea duas lapides funerarias do 
districto de Villa Real (ineditas). 

Por intermedio do Sr. Conselheiro Antonio de Azevedo Castello 
Branco veio o marco miliario de Tris-os-Montes descrito por mim 
n-O Arch. Poì't., i, 323, segando uma carta do Sr. Joaquim de Cas- 
tro Lopo. 

O Rev. Ifanoel Soai*es da Silva offereceu 26 lapides da Beira, quasi 
todas l^m inscrip^oes ineditas. 

Do Alto-Minho proveio uma lapide funeraria com inscrip9ào. 

O Sr. Jòao dos Reis Leitao Harrocos offereceu tres lapides da Beira 
com inscrip95es ineditas. 

O Sr. Joaqalm Franco offereceu duas lapides da Beira, que esfa- 
vam na sua quinta da Espadaneira. 

Epoeas dlrersas 

O Sr. Celestino Be^a offereceu ama fibula de bronzo, que o mesmo 
Sr. descreveri proximamente no Archeologo. 

O Sr. Dr. Francisco Cordovil de Barahona offereceu um machado 
de pedra. 



310 O Archeologo Pobtugués 

O Sr. P.* Lino Francisco Dias Po^as offereceu, por intermedio do 
Sr. Conego-Frior José Bernardo de lloraes Calado, um pergamìnbo 
do sec. XII, em latim, com notagSo musical. 

O Sr. Dr. Alberto de Brito Lima, dos Arcos de Valdevez, offereceu 
urna collecgao de armas, utensilios e instrumentos musicos dos indi- 
genas do Ibo (Africa Orientai). 



É cheio de 8atisfa9So que cito todas- estas dadivas (e muitas mais 
terei de citar em fascicalos subseqnentes), porque, se por um lado enri- 
quecem o Museu, por outro mostram que temos no nosso pais pessoas 
illustradas e intelligentes que comprehendem perfeìtamente a signi* 
fica9ao de urna institui^So corno o Museu Etimologico Portuguès, des- 
tinada a contribuir para o estudo e conhecimento da Ustoria nacional. 

J. L. deV. 



Notiolas y&rias 

LelUo monetario 

Os leiWes de moedas e medalhas, promovidos por peritos da es- 
pecialidade, na maior parte negociantes, estào na ordem do dì& em 
FrauQa, na Belgica, na Allemanha e sobretudo na HoUanda. Em Por^ 
tugal alguns bouve em Lisboa, com largos intervallos annuaes. So de- 
pois de 1899 OS bouve regularmente, um em cada anno, excepto no 
actual em que se effectuaram dois. O segundo, de que yamos dar no* 
ticia summaria, te ve por objecto o ramo mais complexo da numaria 
portuguesa. 

O folheto que annunciou o Icilio intitula-se Catalogo de urna impor- 
tante coUecgào de moedas indo-portuguesaa, organizadapor um amador em 
diversas localidades da India Portuguesa. 16 pags., in-8.** Lisboa, 1904. 

A coUecjao comprehendia 255 moedas de curo, prata, cobre e ca- 
laim, cunhadas em Goa e Diu desde o reinado de D. JoSo III até 
a actualidade. Foi leiloada em 28 de Agosto na Casa Liqttidadora, 
Avenida da Liberdade, n.®' 93 a 113. 

Na licitaQSo as moedas obtiveram pre90s altos, j>rìncìpalmente as 
de euro, que eram 29. Este successo provou que a antiga moeda da 
colonia portuguesa no Oriente està em evidencia, vencida a indifferenza 
que seu fabrico irregular e outras causas apparentemente deprecia- 
doras inspiravam ainda ha 3 annos, aos numismatas, indifferenza mal 
cabida, por quanto certas moedas de series continentaes portngoesas, 



O Archeologo Pobtuguès 311 

semelhantemente barbaras nos reinados de D. JoSo IV, D. Afooso VI 

e D. Fedro II, nào deixam de ser procuradas por elles com empenlio. 

Finalmente comprehenderam que a belleza artistica de typos mone* 

tarios nao é a unica norma reguladora da-apreciagào scientifica, conio 

tem sido a melkor determinante do valor estimativo. 

Os prìncipaes licitantes foram os Srs. Dr. José Antonio de Azevedo 

Borralho, de Benavente, JoSo Carlos da Silva, de Angra do Heroismo, 

Dr. Francisco Cordovil de Barabona, de Portalegre, e Henry Grogan, 

de Londres. 

Lisboa, Outubro de 1904. 

Manoel Joàquim de Campos. 



Onomastioo medieval portu^és 

(ContInaii92o. Vid. o Areh, Pori., ix, 2%) 

Coobaes, geogr., 1258. Inq. 656, 1.* ci. 

Coodesalibus, geogr., 1258. Inq. 638, 1.* cL 

Cooes, app. h., sec. XV. S. 346. 

Coombaes, geogr., 1258. Inq. 655, 2.**^ ci. 

Coon, villa, 1258. Inq. 531, 1.* ci. 

Cooso, g^gr., 1258. Inq. 688, 1.* ci. 

Coovreiras, geogr., 1258. Inq. 643, 2.* ci. — Id. 652. 

Copeiro, app. b., sec. xv. S. 361. 

Copes, n. h. (?), 1258. Inq. 399, 2.* ci. 

Cophìuo, geog., 1078. Doc. ap. sec. xviii. Dipi. 338, 2.* et. 

Copitu, n. h., 936. Dipi. 25, n.*» 41. 

Corago (S.^* Caliimba de), geogr., 1220. Inq. 123, 1.* ci. 

Coraoiila, app. b., 1258. Inq. 328, 1.^ ci. 

Coraxes, villa, 1088. Doc. ap. sec. xvin. DipK 426. 

Coraxia, n. m., 954. Doc. most. LorvSo. Dipi. 39. 

Coraxii, app. h., 1258. Inq. 540, 1.* ci. 

Copbiti ou Corviti (S.'* Maria de), geogr., 1258. Inq. 717. 

Copceiro, app. h., 1258. Inq. 374, 1.* ci. 

Corcoaa, app. b., 1272. For. de Azambuja. Leg. 727. 

Cordeipus, app. b., 1258. Inq. 319, 2.* ci.— Id. 46. 

Copdiniana (CordinbS), villa, 952. Doc. most. LorvSo. Dipi, 37, n.*^ 65. 

Copdosa, geogr., 1258. Inq. 365, 1.* ci. 

Gopdoaa (monte), geogr., 1048. Doc. most. Pendorada. DipL 223> — 

Id. 471. 
Copdoues, geogr. (?), 1013 (?). Dipi. 135, n.* 222. 



312 O Abcheologo Postugués 

Coreesma, app. m., sec. xv. S. 209. — Id. 349. 

Coregal, geogr. (?), 1258. Inq. 647, 1.* ci. 

Coregas, geogr., 1258. Inq. 581, 2.* ci. 

Coregos, geogr., 1258. Inq. 699, 2.* ci, 

Coreiclììs, app. h., 1258. Inq. 594, 2.* ci. 

Coreixe, geogr., 1258. Inq. 540, 1.* d. 

Coreixis, geogr., 1258. Inq. 590, 2.* ci. 

Coreixo, casal, 1258. Inq. 366, 2.» ci. 

Corexis, app. h., 1258. Inq. 581, 2.* ci.— Id. 610. 

Corlìovache, app. h., sec. xv. S. 151. 

Coria, geogr., sec. xiii. Chr. Goth. S. 9. 

Corinas, geogr., 1258. Inq. 362, 1.* d. 

Coriscada, geogr., 1258. Inq. 588, 1.* ci. 

Connda, geogr., sec. xv. S. 373. 

Cornadelo, geogr., 1099. L. B. Ferr. Dipi. 535.— Id. 536. 

(tornado, villa, 1008. Doc. most. Moreira. Dipi. 121. — Id. 136. 

Cornagaa, g^ogr., 1142. For. de Leiria. Leg. 377. 

Cornagaiam, geogr., 1142. For. de Leiria. Leg. 377. 

Cornarla, villa, 1027. Doc. most. da Gra^a. Dipi. 162. — Inq. 687. 

Cornata, villa, 1046. L. Preto. Dipi. 214. 

Coraeiro, app. h., 1258. Inq. 400, 1.* ci.— Id. 536. 

Cornei, app. h., sec. xv. S. 206. — Id. 302. 

Cornelaa (S. Thoma de), geogr., 1220. Inq. 192, 2.* ci. 

Corneliaa (S. Thoma de), geogr., 1220. Inq. 47, 1.* d. 

Cornelianam, villa, 915. Doc. ap. sec. xiv. Dipi. 12. — Id. 13 e 269. 

Cornelio ou Camello, app. h., 1220. Inq. 30, 1.* ci. 

Cornellan, geogr., sec. XV. S. 181. 

Cornetelles, app. h. sec. XV. S. 158. 

Cornias, villa, 1097. Doc. most. Moreira. Dipi. 503.— Inq. 350 e 365. 

Cornidi, geogr., 1258. Inq. 338, 1.» ci. 

Cornido (vai de), 1258. Inq. 379, 2.* ci. — Id. 712. 

Coruis (S.^* Christina de), villa, 1258. Inq. 487, 1.» ci. 

Corno da Salgosa, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci. 

Corno doutayuo, geogr., 1258. Inq. 414, 2.* ci. 

Cornosa, geogr., 1258. Inq. 701, 2.* ci. 

Coruuda, geogr., 1258. Inq. 732, 1.* ci. 

ComudeUa, ^eogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 262.— Leg. 589. 

Corogaes, geogr., 1258. Inq. 532, 2.* d. 

Corona, app. h., 1258. Inq. 458, 2.* d. 

Coronato, geogr., 1258. Inq. 585, 1.* ci. 

Coronel, app. h., 1220. Inq. 7.— Id. 324.— S. 155 e 268. 



O Abcheologo Pobtuguès 313 

Corooroz, geogr., sec. xv. S. 207. 

Corotelo, app. h., 1258. Inq. 316, 2.* ci. — Id. 320. 

Correa, app. h., sec. XV. S. 164. 

Corredoira, geogr., 1258. Inq. 293, 2.* ci. 

Corredoira de mal penado, geogr., 1258. Inq. 384, 2.' ci. 

Correduira de Rooriz, g^S^'^ 1258. Inq. 699, 2.* ci. 

Correga, geogr., 1258. Inq. 594, 1.* ci. 

Corrego, geogr., 1258. Inq. 697, 2.» ci.— Id. 343. 

Correia, app. h., 1220. Inq. 157, 2.* ci. 

Correixa, geogr., 1258. Inq. 670, 2.* ci. 

Correixe, geogr.. Era 1102. L. Prete. Dipi. 277. 

Correxis, geogr., 1258. Inq. 593. 1." ci. 

Corpogo (S.** Caliimba de), geogr., 1220. Inq. 123, 1.* ci.— Id. 434 

CoriH>zino, rio, 1212. For. Canedo. Leg. 561. 

Corrado, app. h., 1258. Inq. 687, 1." ci. 

Corruptaria e Corrupiorlam, geogr., 1258. Inq. 736, 2.* ci. 

Corrutus, app. h., 1258. Inq. 721, 1.* ci. 

Cortas, geogr., 1258. Inq. 312, 2.* ci. 

Cortegaca, villa, 1099. Doc. most. Pendorada. Dipi. 539, n.*» 908. 

Cortegaeola, villa, 1099. Doc. most. Pendorada. Dipi. 539, n.® 908, 

Coi-tegada, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci. 

Cortegaua, geogr., 1258. Inq. 576, 2.* ci. 

Cortegaza, geogr., 985. Doc. most. Lorvlo. Dipi. 93. — Id. 283 e 

304.— Inq. 317. 
Cortegazas, geogr., 1258. Inq. 349, 2.* ci. 
Cortegazoo, geogr., 1258. Inq. 414, 1.* ci. 

Cortelaza, villa, 1013 (?). Doc. most. Pedroso. Dipi. 134.— Id. 96. 
Cortelias, geogr., 1258. Inq. 394, 2.* ci. 
Cortes, app. h., 1220. Inq. 42, 2.* ci.— Id. 123. 
Corthegada, villa, 922. L. Proto. Dipi. 16. 
Cortial e Cortiar, geogr.. 1258. Inq. 304, 1.* ci. 
Corticada, geogr., 1202. For. de Tovoadello. Leg. 524. 
Cortidos (Casal dos), geogr., 1258. Inq. 382, 1.* ci. 
Cortidus, n. h., 1258. Inq. 657, 2.* ci. 
Cortina, geogr., 1258. Inq. 707, 2.* ci. 
Cortina de manico. Vide Manico. 
Cortina do estreito, geogr., 1258. Inq. 330, 2." d. 
Cortina», geogr., 1258. Inq. 386, 1.* ci.— Villa. Id. 151. 
CoHinaes, geogr., 1258. Inq. 381, 2.* ci. 
Cortinal, geogr., 1258. Inq. 386, 2.* ci. 
Cortizada, geogr., 1202. For. de Tovoadello. Leg. 524. 



314 O Abciieologo Poktogués 

Gortize, app. h., 1258. Inq. 559, 1.* ci. . 

Gortizoo, geogi\, 1142. For. de Leiria. Leg. 377. — Id. 569. 

C:ortos, geogr., 1258. Inq. 369, 1.* ci. 

Coi-tumaJia, geogr. (?), 1258. Inq. 4G8, 2.* ci. 

Coruchi, geogr. (?), 1258. Inq. 712, 1.* ci. 

Coriido, app. h., 1258. Inq. 686, 1.* ci. 

CiOrugeira e Curugeira, geogr., 1258. Inq. 421, 2.* ci. 

Coruo, app. h., see. xv. S. 291. 

Goi*va (Caslineiro da), *geogr., 1258. Inq. 358, 1.* ci. 

Gorvaceiraj monte, 1258. Inq. 390, 2.* ci. 

Corvazaì, geogr., 1258. Inq. 671, 2.'* ci. 

Corvazaria, geogr., 1258. Inq. 560, 2.* ci. 

Corvazeiras, geogr., 1220. Inq. 156, 2.* ci. 

Corvel, app. li., sec. xv. S. 173. 

Corvido (Moino de), geogr., 1258. Inq. 322, 2.* ci. 

Corvini, geogr., 1258. Inq. 395, 1.* ci. 

(forviti. Vide (forbiti. 

Corvo (Rio do), 1258. Inq. 356, 2.* ci. 

Coscoguio, n. h., 1258. Inq. 333, 1.* ci. 

Coselias (Coselhas), geogr., 967. Doc. most. LorvSo, Dipi. 59. — Id. 

76, 409 e 506. 
Coseyro, app. h., 1258. Inq. 602, 1.* ci. 

Cosilias (Coselhas), arroio, 1094. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 479. 
Cosinus, app. h., 1258. Inq. 476, 1.* ci. 
Cosmadi (Sancti), igreja, 1068. Dipi. 291.— Inq. 374. 
Cosmado (Sancto), geogr., 1220. Inq. 66, 2.* ci.— Id. 171. 
Cosmato (Sancto C. de Garfi), geogr., 1220. Inq. 172, 1.* ci. 
Coso, app. h., 1258. Inq. 601, 2.* ci. 
Cosoirado, monte, 1064. Dipi. 276, n.° 443. 
Cosoirato, monte, 1092. Doc. most. Moreira. Dipi. 468. 
Cosorio, geogr., 1258. Inq. 561, 2.* ci. 
Cossoirado, monte, 1070. Dipi. 302, n.*» 488.— Inq. 129. 
C^ossoirados, g^ogr., 1258. Inq. 219, 2.* ci. 
Costa, mosteiro, 1220. Inq. 14, 2..* cl.-^Id. 541. 
Costai, geogr. (?), 1258. Inq, 331, 1.* cL— App. h., 1258. Inq. 332, 

2.* ci. 
Costa Maa, geogr., 1258. Inq. 307, 1.* ci. 
Costanza, n. m., sec. xv. S. 204 e 210.. 
Costantini, geogr., 1220. Inq. 42, 1.* ci.— Id. 125 e 239. 
Costem (S. Pedro dej, geogr., sec. xv. F. Lopez, Chr. D. J. 1.*, 

p. 2.% C. 63. 



O Archeologo Poktugué» 315 

Costodias. Vide Castodias. 

Ckistoyas (S. Jacobo de), geogr., 1258. Inq. 486, 1.* ci. 

Ckistoioos, geogr., 1220. Inq. 155, 2.* ci.— Id. 64, 2.* ci. 

Cola, app. h., 1220. Inq. 89, 1.* d.— Id. 308.— Dipi. 99. 

Cotaes, geogr., 1258. Inq. 338, 2.* ci. 

dotai, monte, 1085. Doc. most. Moreira. Dipi. 381. 

Cotaues, geogr., 1078. Doc. most. Moreira. Dipi. 340. 

Coteife, app. h., 1258. Inq. 387, 1.* ci.— Id. 88. 

Coteifes (Casal dos), geogr., 1258. Inq. 411, 1.* ci. 

Coteiffe, app. h., 1258. Inq. 312, 2.* ci. 

Coteline, n. n. (?), 1258. Inq. 584, 2.* ci. 

Cotemizi^ app. li., 926. L. D. Mum. Dipi. 20. 

Cotes, villa, 1056. Doc. most. Pendorada. Dipi. 243, n.*^ 398. 

Coti (Bonza), geogr., 1258. Inq. 334, 1.^ ci. 

€otiei-es, app. h., 1100. Dipi. 548, n." 926. 

Cotierre, n. h., 1060. Dipi. 267, n.«> 425. 

Cotim, geogr. (?), Inq. 561, 2.'' ci. 

Cotiuiz, app. h., 1060. Dipi. 267, n.« 425. 

Cotino, n. h., 1055. L. Prete. Dipi. 241. 

Cote, n. m., 1055. Doc. most. Pedroso. Dipi. 241, n.® 394. — Inq. 706. 

Ceto d Arniir, geogr., 1258. Inq. 379, 2.* ci. 

Ceto da Vigia, geogr., 1258. Inq. 385, 1.* ci. 

Cotono. Vide Pinoy. 

Cotobfo, app. h., 1258. Inq. 352, 1.^ ci. 

Cotrim, app. h., sec. xv. F. Lopez. Chr. D. J. 1.®, p. 1.*, C. 159. 

Cotuma, n. h., 933. Doc. most. Lorvao. Dipi. 23. 

Cotamiz, app. h., 933. Doc. most. LorvSo. Dipi. 23. 

Cotavìlar, geogr., 1258. Inq. 575, 1.* ci. 

Coiias, villa, 1162. For. de Covas. Leg. 387.— Dipi. 258. 

Couas de monte, villa, 1096. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 494. 

Couas de rio, geogr., 1096. Tombe D. Maior Martinz. Dipi. 494» 

Coucieiro, geogr., 1220. Inq. 20, 2.« ci.— Id. 222. 

Couellana, villa, 1186. For. de Covilha. Leg. 456. 

Couellas de palacio, villa, 946. Doc. most. Moreira. Dipi. 32. — Id. 231. 

Couellinas, villa, 1195. For. Covellinas. Leg. 493. 

CoueUo, geogr., 960. L. D. Mum. Dipi. 51, 1. 4.— Id. 300. 

Conelo, geogr., 1042. L. B. Ferr. Dipi. 196. 

Couelos, geogr., 1151. For. de Lousà. Leg. 377. 

Coupel (S. Martino de), geogr., 1220. Inq. 114, 2.* ci. 

Gourovees, geogr., 1258. Inq. 435, 1.* ci. 

Cousa-md, app. h., sec. xv^ S. 163. — Id» 323. 



316 O Archeologo Pobtugués 

Couso ou Causo, casal, 1220. Inq. 143, 1.* ci.— Id. 380. 

Cousos, monte, 1224. For. de Mar9a. Leg. 600. 

Cousso, geogr., 1258. Inq. 538, 2.* ci.— Id. 640. 

Couteitto, geogr., 1258. Inq. 641, 2.* ci. 

Coatinho, app. h., sec. XV. S. 225. 

Couzi (Valle de), geogr., 1258. Inq. 649, 2.* ci. 

Covardus, app. h., 1258, Inq. 303, 1.* ci. 

Covas, geogr., 1258. Inq. 563, 2.* ci. 

Cova valline, geogr., 1258. Inq. 492, 1.* ci. 

Covazas (Casal de), geogr., 1258. Inq. 365, 1.* ci. 

Covedelo, geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci. 

Covelas e Covela, geogr., 1258. Inq. 484, 1.* ci.— Id. 511 

Coveliaa, app. h., 1220. Inq. 74, 2.* ci.— Id. 167. 

Covelias, geogr., 1220. Inq. 41, 1.* ci.— Id. 122. 

Coveliuo, geogr., Inq.? 

Coveloos ou Coviloos, geogr., 1258. Inq. 585, 1.* e 2.* ci. 

CovUana, geogr., 1258. Inq. 630, 2.* ci. 

Covilania, geogr., 1258. Inq. 628, 1.* ci. 

CovUianus, app. h., 1220. Inq. 167, 2.* ci. 

Coviloo, geogr., 1258. Inq. 527, 2.* ci.— Ribeiro, 1258. Inq. 529. 

Coviloos. Vide Coveloos. 

Covoni, geogr., 1258. Inq. 397, 1.* ci. 

Coyaos (mosteiro de), sec. xv. S. 316. 

Coyna, app. h., 1258. Inq. 715, 2.* ci. 

Coynlia, app. h., sec. XV. S. 222. 

Coyra, geogr., 1258. Inq. 357, 2.* ol. 

Coznido, villa, 1258. Inq. 569, 1.* ci.— Id. 581. 

Cozom, app. h., 1258. Inq. 552, 2.* ci. 

Coztize, app. m., 1258. Inq. 561, 1.* ci. 

Craquim, geogr., sec. XV. S. 278. 

Crara, n. m., sec. XV. S. 202.— Id. 298. 

Crasclìo Ayras, geogr., 1258. Inq. 411, 2.* ci. 

Craschouseuda, geogr., 1258. Inq. 418, 1.* ci. 

Crascogno, n. h-, 1258. Inq. 365, 1.* d. 

Crasconho, n. h. sec. xv. S. 224. 

Crasiadìnos. Vide Sewa de. 

Crasialroia ou Crastra Iroia, geogr. 1220. Inq. 37, 1.* e 2.* ci. 

Crastelino, geogr., 1258. Inq. 417, 2.* d. 

Crastelos (S. Andree de), igreja, 1258. Inq. 542, 1.* ci. 

Crastimiro ou Crestirairo, n. h. 1220. Inq. 161, 1.* ci. 

Crastina, n. m., 1008. L. Proto. Dipi. 125, n.*» 204. 



O Abcheologo Portcgués 317 

Crasto^ app. h. sec. xv. S. passim. 

Crasto d nsso, geogr., 1258. Inq. 340, 1.* ci. 

Crasto Forniigoso, geog., 1220. Inq. 49, 1.* ci. 

Crastomo ou Trasconho (Penha de), geogr., sec. xv. S. 158. 

Crasto Tarale, geogr., sec. xv. S. 201. 

Gravo, app. h., sec. xv. S. 178. 

Crebratas saverose, geogr., 1258. Inq. 564, 2.* ci. 

Credendo, n. h., 973. Doc. most. LorvSo. Dipi. 67. — Id. 69. 

Creiana, villa, 1059. L. D. Mum. Dipi. 262, 1. 42. 

Creisedo, n. h., 1023. L. Preto. Dipi. 157. 

Creisemìri e Crescemiri, villa, 1063. Dipi. 273. 

Creixelo, geogr., 1258. Inq. 359, 2.* ci. 

Creixemil ou Ci'exeniir, geogr., 1220. Inq. 12, 2.* ci. 

Creixemiro, n. h., 957. L. Prete. Dipi. 44. 

Creixlmir (S. Michael de), geogr., 1220. Inq. 84, 2.* d. 

Creixino (Casal de), geogr., 1258. Inq. 421, 2.» ci. 

Creixitas, n. h., 1012. Doc. most. LorvJo. Dipi. 133. 

Crementina, n. h. (?), 976. Doc. most. da Gra9a. Dipi. 75. — Id. 94. — 

Villa, 1099. Doc. most. Pendorada. Dipi. 539, n." 908. 
Creosa, n. h. (?), 1043., L. Preto. Dipi. 199, n.^ 325. 
Crepecido ou Terpecido, geogr., 1220. Inq. 13, 1.* e 2.* ci. 
Crescemiri. Vide Creisemìri. 

Crescente, n. h., 1018. L. Preto. Dipi. 148. — Id. 145. 
Crescenti, n. h., 937. Doc. most. LorvSo. Dipi. 27, n.® 44. 
Crescentins, n. h., 950. Doc. most. LorvXo. Dipi. 36. — Id. 145. 
Cresciduru, n. h., 937. Dipi. 26, n.M3. 

Cresciniiris, villa, 1094. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 480, n.« 809. 
Cresconi, villa, 1083. Doc. most. Pendorada. Dipi. 368. 
Creseoniei ou Creseonizi, app. h., 1094. Dipi. 484. 
Cresconius, n. h., 906. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 9. 
Crescouiz, app. h., 978. Doc. most. Moreira. Dipi. 77. 
Cresimiri, geogr., 1014. L. D. Mum. Dipi. 138. 
Cresno, n. h., 1100. Dipi. 564. 

Cresonio, n. h., 1018. Tombe S. S. Junqueira. Dipi. 146. 
Crespo (Campo), geogr., 1258. Inq. 343, 1.* ci. — App. h., 1258. 

Inq. 690. 
Crespos (S.** Eulalia de), geogr., 1220. Inq. 257, 1.* ci. 
Crestello, geogr., sec. xv. S. 385. 
Crestìlli, n. m., 1067. Doc. most. Pendorada. Dipi. 287. 
Crestimir, geogr., 1064. Dipi. 276, 1. 5. 
Crestlmìro. Vide Crastimiro. 



318 O Archeologo Poetugtjés 

Ci*estoua], villa, 1066. Doc. most. Pendorada, Dipi. 283. 

Ci*estoualaiies, g^ogr., 1077. Doc. most. Pedroso. Dipi. 334. 

Crestoaalo, n. h., 1010. L. Preto. Dipi. 131, n.*» 215. 

Gresiouulo (sancto), villa, 1092. Doc. most. VairSo. Dipi. 458- 

Greusa, n. m., 984. Dee. most. Moreìra. Dipi. 89. — Id. 100. 

Crexemir. Vide Greixeniil. 

Grexemirls, geogr., 973. Doc. most. LorvSo. Dipi. 67. 

Greximip, villa, 1058. L. D. Mum. Dipi. 249.— Id. 12. 

Grexìmiri ou Grexamii-, geogr., 959. L. D. Mum. Dipi. 45. 

Greysimir, villa, 1043. L. D. Mum. Dipi. 199. 

Greyximil, geogr., 1258. Inq. 700, 1.* ci. 

Griadoiro, geogr., 972. Doc. most. S.Vicente. Dipi. 66, ultima I. 

Griatorios, geogr., 972. Doc. most. S.Vicente. Dipi. 67. 

Griaz, geogr., 1220. Inq. 116, 2.* ci. 

Grinis, rio, 974. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 72. — Id. 92. 

Grisconios, bispo, 1087. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 411. 

Griseoniiiz, app. h., 1087. Doc. sé de Coimbra. Dipi. 415. 

Grisostimo (Sam), 1453. Azurara, Chr. da Guiné, p. 42. 

Grispo, app. h., 1220. Inq. 335, 2.* ci. 

Gristeiro, geogr., 1258. Inq. 734, 1.» ci. 

Gristina (Sancta), geogr., 1059. Doc. most. Pendorada. Dipi. 256, 

n.M16.— Id. 10, n.*» 15. 
Gristìnha, n. m., sec. xv. S. 352. 

Gristobali, villa, 1070. Doc. most. Pendorada. Dipi. 304. 
Gristoaaliz^ app. h., 994. Doc. most. Moreira. Dipi. 166. 
Gristoualo, n. h., 964. Dipi. 54, n.« 86. 
GriiUfiz, app. h., 1012. Doc. most. da Graga. Dipi. 134. 
Gi-oea, app. h., 1258. Inq. 595, 1.* ci. 

Gpoio (Sancto) de Regalados, geogr., 1220. Inq. 23, 1.* ci.— Id. 180. 
Gi*ooroz, geogr., sec. xv. S. 302. 
Groscogiios, casal, 1258. Inq. 391, 1.* ci. 
Grouvi (Heremita Sancti), geogr., 1258. Inq. 628, 1.* ci. 
Groyo (Sancto), casal, 1258. Inq. 329, 2.* ci. 
Grux, geogr., 1258. Inq. 679, 2.* ci.— Id. 526. 
Gruz da Queigiada, geogr., 1258. Inq. 399. 
Gmziladis, geogr., 1258. Inq. 646, 1.* ci. 
Gubaliom, app. b., 1258. Inq. 369, 1.* ci. 
Gubi (S.** Marina de), geogr., 1220. Inq. 97, 2.* ci. 
Gubidi (S.** Marina de), geogr., 1220. Inq. 22, 2.* ci.— Id. 420. 
Gucaiz, app. h., 1258. Inq. .409, 1.» ci. 
Gucana, geogr., 1258. Inq. 667, 1.* ci. 



O Archeologo Poktuguès 319 

Cuco, app. h., 1258. Inq. 396, 2.* ci. 

(^acuiaeiis, geogr., sec. xv. S. 143. 

Cucafati (sancti), igreja, 943. Doc. most. LorvSo. Dipi. 30. — Id. 54, 

Cacuuati (sancti), igreja, Era 1102. L. Preto. Dipi. 277. 

CacQvelos, geogr., 1072.Tombo S. S. Junqueira. Dipi. 311. 

Cugaludo (Casal do), geogr., 1258. Inq. 360, 2.* ci. 

fluia, geogr. (?j, 1220, Inq. 34, 1.* e 2.* ci. 

f^uina, geogr., 1083. Doc. most. Pendorada. Dipi. 372. — Inq. 535. 

Cuinha, app. h., sec. xv. S. 184. 

Cajaaes (mosteiro de), sec. xv. S. 363. 

Cukeiro, geogr., 1097. Doc. most. Pendorada. Dipi. 501. 

Cuìdam, app. h., (?), 1258. Inq. 535, 2.* d. 

CuUna, geogr., 911. Doc. ap. Acad. R. Selene. Dipi. 12, 1. 12. 

Caliiella, geogr., 1059. L. D. Mum. Dipi. 258, nlt. 1. 

Culuchi (Coniche), villa, 1182. For. de Coniche. Leg. 426, 

Cumaria, villa, 1017. Tombe S. S. J. Dipi. 144. 

Cnnidemari, monte, 1070. Doc. most. Moreira. Dipi. 305. 

Cumdesalbo, n. h., 1060. Dipi. 267, n.^ 425. 

Cttmdilo, n. m., 965. Doc. most. Moreira. Dipi. 57, n.® 90. 

Cnmdubrida, n. h., 921. Dipi. 15, n."" 24. 

Cumenaria de vulpeleiras, geogr., 1258. Inq. 642, 2.^ ci. 

Camgusta ou Cuiigustn, villa, 1100. Doc. most. Aroiica. Dipi. 546. 

Cumiaes, geogr., 1258. Inq. 540, 1.* ci. 

Camice, n. h., 1070. Doc. most. Moreira. Dipi. 305. 

Cundemiro, n. h., 980. Doc. most. Lorvfto. Dipi. 80. 

Cttiihaens ou Trmihaeus, geogr., sec. XV. S. 143. 

Cuoia, app. h., Leg. 347. 

Cttiiquel (Casal), geogr., 1258. Inq. 395, 1.* ci. 

Cunzaluo, n. h., 1096. Dipi. 195. 

Cuiizalua, n. h., 1100. Dipi. 548, n.*> 926. 

Cupiera, app. m. sec. xv. S. 183. 

f^uquvelus, villa, 1258. Inq. 535, 2.^ ci. 

<:ureeIo, geogr., 1258. Inq. 536, 1.* ci. 

Curial, fonte, 1258. Inq. 362, 1.* ci. 

CaroteUo, geogr., sec. xv. S. 334. 

Carracus, app. h., 1258. Inq. 706, 1.* ci. 

Carraes, geogr., 1258. Inq. 395, 1.* ci. 

I^arrales, geogr., 1086. Tombe de D. Maior Martinz. Dipi. 394. 

Curralibos, geogr., 1258. Inq. 733, 1.' ci. 

Curredayra, geogr., 1258. Inq. 701, 2.* ci. 

<:urre]o, geogr., 1258. Inq. 406, 1.* eh 



320 O Archeologo Pobtugués 

Currelos, geogr., 1220. Inq. 76, 2.* ci. 

Curro de mauros, g^ogr.j 1018. Dipi. 148, l. 4. 

Corros, geogr., 1258. Inq. 317, 2.* d. 

Currutus, app. h., 1258. Inq. 699, 2.* ci. 

Cartaxo, app. h., 1258. Inq. 350, 1.' ci. 

Curueira, geogr., 1071. Dipi. 308. 

Curueirus, villa, 1084. L. B. Ferr. Dipi. 377.— Id. 414. 

CurueUa (Monte petra), 1041. L. Preto. Dipi. 194. 

Curugeira. Vide Corageira. 

Curageiro, casal, 1258. Inq. 640, 1.* ci. 

Caragera, geogr., 1258. Inq. 634, 1.* ci. 

Curugios, geogr., 1085. Doc. most. Arouca. Dipi. 388. 

Curambias, n. m., sec. xv. S. 167. 

Curutam de Passou.Vidè Passon. 

Curutela, app. m., sec. 2LV. S. 302. 

Caratello, app. h., sec. xv. S. 179. 

Curatelo, geogr., 1220. Inq. 129, 1.* d.— S. 226. 

Curvarla (S. Pelagio de), geogr., 1258. Inq. 585, 2.* ci. 

Cui*\'eira (S.Vicente de), igreja, 1258. Inq. 583, 1.* ci. 

Curvela (Petra), geogr., 1258. Inq. 484, 1.* ci. 

Cur\ete ou Curviti (S.** Maria de), geogr., 1220. Inq. 171, 2.* ci. 

Curvo, app. h., 1258. Inq. 401, 2.* ci. 

Curvos (S. Croio de), geogr., 1220. Inq. 228, 1.* ci.— Id. 26. 

Cussuiratu, monte, 1081. Doc. most. Moreira. Dipi. 358, n.° 596. 

Cussuriado, monte, 1077. Doc. most. Moreira. Dipi. 330. 

A. A. CORTESAO. 



Neorologia 

Autonlo Joaqniin Judice 

Em 9 de Outubro de 1904 finou-se na Mexilhoeirinba (concelho de 
Lagóa), na idade de 84 annos, Antonio Joaquim Judice, que cultivava 
a archeologia corno amador, e tinha reunido em casa dìversas antigui- 
dades, por exemplo, monumentos da idade da pedra e da do bronze, 
moedas romanas, arabicas e portuguesas, objeetos romanos de diife- 
rentes especies, etc. 

Antonio Joaquim Judice era extremamente amavel e franco. Mos- 
trava a collecgSo com muito prazer às pessoas que desejavani vè-la, 
e às vezes até repartia com ellas do seu peculio archeologico. 



O Akcheologo Pobtugùés 321 

£stacio da Veiga fala d'està coIlec$ào uas Antiguidades monumen- 
taes do Algarve, voi. iv, pag. 90, e na est. x publica desenhos de 
Olio instrumentos metallieos e de urna placa amuietiforme de pedra 
pertencentes a ella. 

Ao Dr. Teixeira de AragSo me disse Antonio Joaquim Judice ter 
dado bastantes objectos. 

Pela parte que me teca, tambem tenho de me confessar grato & sua 
generosidade, pois me offereceu a placa amuietiforme a que a cima me 
referi (cfr. Rdigiòea da Luèitania, i, 166), alguns machados de bronze 
algarvios, moedas arabicas de prata achadas em Aleantarilha, moedas 
romanas de cobre, e sobretado um interessantissimo instrumento de 
pedra, que reputo neotithico, e de que igualmente falò nas Rdigv5es, 
I, 397, onde dou urna figura d'elle*. Todos estes objectos estXo agora 
no Museu Ethnologico Portugués. Para a acquisiQ^o do ultimo, que 
occupa no Museu legar de honra, — lego à entrada — , concorreu o 
Sr. Patricio Eugenio Judice, irmSo do fallecido, e o Sr. Joa- 
quim Gualdino Pires, de PortimSo, que me apresentou ao Sr. Pa- 
tricio, seu particular amigo. NSo é excessivo renovar aqui a estes pres- 
timosos cavalheiros os meus cordiaes agradecimentos pela bondade de 
que usaram para commigo, e por haverem contrìbuido para que o Mu- 
seu Etimologico Portugués se enriquecesse com um monumento corno 
o qua) ainda là nSo havia nenhum. 

Se. por um lado me apraz registar entre os nomes dos benemeritos 
do Maseu o de Antonio Joaquim Judice, por entro lado é com profhndo 
sentimento que me vejo obrigado a consignar n-O Archeologo a noticia 
da sua morte, que nSo so foi dolorosa para os seus intimos, mas para 
todos que o conheceram e apreciaram. 

J. L. DE V. 



BibliograpMa 

O melo clrcoliiiite no Brnsil, — por JulioMeili. Partane. Jk 
4a fiduciaria no Brasll. 1991 at^ ■•OO. Zuricli, 1903. 

autor publicou ha poucos meses este volnme, que é o terceiro e ultimo 
da grande obra que empreliendeu acérca do meio circnlante naquelle florescente 
paia. E edi§&o de luxo, absolutamente irreprehensivel. 



^ £8pero tornar-me a occupar do assunto, mas nao sei quando o podere! 
fazcr. Jà conhe9o mais dois objectos portugneses semclhantes a este. 



322 O Archeologo Portugués 

volume foì escrito em lingoa portngaesa (com a qual o autor està muito 
familiarizado), por interessar especialmente aos numismataa brasileiroa, corno 
elle declara no prefacio, e nào fica em nada inferior aos doli Tolumes anterior- 
mente publicados, em lingoa allemà, acérca das moedas do Brasil, quer corno 
colonia portuguesa, quer comò na^fto independente« 

É um volume em 4.°, com lxix page, que comprehendem : prefacio, indice, 
rela^fio das leis, decretos, provisoes, portarias, avisos.e editaes que sereferem 
ao assunto, e de que o publico brasileiro teve conbecimento desde 31 de Janeiro 
de 1822 até 26 de Dezembro de 1900, epoca em que foi recolhida a ultima 
emissao de valores fiduciarios legaes. 

texto consta de 274 pags., seguidas de 192 estampas, que representam 
bilbetes de administra^òes mineiras, bilhetes do Banco do Brasil e de suas 
caixas filiaes nas provincias, vales e notas do tbesouro nacional, obrigaQòes 
de sociedades anonymas e vales de troco de ouro. A sequencia cbro^ologica 
é ali observada com desvelado rigor. £m seguida vem as emissòes illegaes de 
municipalidAdes, de companhias, de particulares, de barcas, de bonds, etc., 
e finahnente, em appendice, patenteiam-se amostras de annuucios, de reclamos, 
e ftinda de bilbetes de lotarias, de rifas, e de ficbas para jogos diversos, porque 
estes valores de occasi&o se relacionaram com o divtlieiro, convencionalmente, ou 
o representaram. £ nfio ha omissòes que prejudiqnem a importancia e o inerito 
scientifico d'este trabalbo de encantadora novidade. 

Apesar de ser livro especial de consulta^ està illustrado primorosamente, 
em condi^es superìores a todo o elogio, e comò ainda nAo yimos em òbras 
consagradas à numismatica. 

As còres proprias com que se representam as notas fìduciarias dos estabele- 
cimentos de credito accusam quanto sao maravilhosas as artes modemas que 
se applicam ao realce da gravura. observador julga ver os proprios exem- 
plares que serviram de modelos, com todas as suas bellezas oa com os estragos 
que Ihes deu a circnlaQfio. Nada mais perfeito para o enlevo dos entendidos. 

autor tratou o assunto com aquella competencia jà revelada nas pnblica- 
95es anterìores a que a cima alludimos, e por fórma tal que a critica nada tem 
que dizer contra o magnifico trabalho, emprehendido e terminado com o mais 
feliz exito. 

Para Portagal vìeram 24 exemplares, sendo um offerecido a Sua Majestade 
El-Eei e os restantes a amigos do autor e a instituigSes scientificas, tanto pu- 
blicas comò particulares. 

Sabemos que muitos numismatas portugueses. .pe nào tem a honra de estar 
em rela^òes com o autor, lamentam que a obra nào fosse entregue ao mercado, 
e so fosse destinada especialmente para brindes, apesar de nào ignorarem que 
elle mantem o proposito de mostrar, até a evidencia, que se occupa da numis- 
matica pelo que ella é, pelo que vale scientificamente, e nào porque o movam 
intenQòes filiadas em interesse pecuniario. Julio Meili é um verdadeiro bene- 
merito da sciencia moderna. 

Lisboa, Setembro de 1904. 

Makoel Joaquiu de Campos. 



VOLUME IX 

INDICE ANALITICO 



AGUIA: 

A(ìhado de uma aguia napoleonica era Condeìxa : 186. 

ANTA! 

Vid. Archeologia prehisforica. 

ANTHROPOLOGIA: 1 

Restos humanos da fuma da Rqtura (Setubal): 146. 

Vid. AniigìMades locaes — Algarve {Avtig. monvmentaea do Algarve) 
e Grvtas. 

ANTIOUIDADES LOCAES: 
A) Atemtejo: 

Alvito (thesouro): 199. 
Elvas (inscrip^So romana) : 219. 

Vianna do Alcmtejo (objectos prchi stori eos, e da epoca romana) : 271. 
Vid. Mnseìis: a) Acqmat^des do Musw Etimologico PortugiteM. 

U) Alf Arre : 

Alcaria; Aljesur (cemiterio archaico) : 178. 
Antiguidades monumentaes do Algarve : 200. 
Herdade da Torre; PortimSo (necropole prehi storica ) : 173. 
Mexilhoeira Grande; PortimSo (lapide romana) : 177. 

Vid. Musettif: a) Acquisigdes do Mtiscìt Etimologico Porfygnès. 

C) Beira: 

Castello Branco (fivela) : 9. 

Conimbriga (fivela): 9. , 

Cnnha Baixa; Mangualde (dolmen): 303. 

Guarda (archivo da 8é) : 296. 

Pedrnlha; Figueira (estagao romana): 9. 

Pinhel (antiga pe^a) : 199. 

Viseu (cava de Viriate) : 11. 

Vid. CastrOf Mutfeus: a) Acqìn8Ìf;dea do Musm Ktlmolùgico Porht" i 

gués. I 



324 O Archeologo Pobtugués 

D) Eiitre*Doiiro-e-Minho: 

Cabreiro ; Valdevez (castro) : 214. 
Dume ; Braga (in8crip92U> romana) : 101. 
Gondar; Amarante (ceramica romana) : 99. 
Gradè ; Valdevez (inacrip^o romana) : 74. 
GuìmarSes (pergaminhos da Collegiada): 81. 
Mon9So (portico romanico): IH. 
Babroso e Citania: 4 e sqq. 
Vianna (cartorios eonventuaes) : 182. 

Vid. Castro^; Museu: a) Aequisigdea do Mnseu Ethnologieo Portv- 

E) Ettremadara: 

Aldeia Gallega (marinbas de sai) : 188. 

Lisboa (lapide) : 16; (convento de Chellas): 65 e aqq.; (casa de Santo 

Antonio): 72; (monumento no Arco do Cego): 195; (cemiterio da 

Pena) : 198. 
Monsanto; Torres Novas (thesouro de moedas): 300. 
Santarem (mausoleus, sepulturas) : 183; (silo) : 196; (convento de Santa 

Clara) : 196. 
Setubal (esta^òes prehistoricaa) : 145. 

Vid. Gntta»; Museus: a) Acquisirei do Museii Etimologico Poriu 
ffuis. 

F) Tràg«ot-Monte8i 

Alfarella — Villa Pouca de Aguiar (antas) : 168. 

Alij6 (machado): 167. 

Banagouro — Villa Beai (vaso romano): 99. 

Bragan9a (sepulturas) : 36. 

BnjÒes — Villa Real (bronze, construc^òcs antigas, sepulturas mpes- 

tres, pondera): 53; (instrumentos de bronze): 166 e 167. 
Carrazedo do AlvSU) — Villa Pouca de Aguiar (antas): 49. 
Cerapicos — Bragan9a (necropole): 35. 
Mirandella (fibula): 6. 
Mogadouro (fibula): 1. 
Pa908 de Lomba — Vinbacs (sepulturas) : 36. 
Parada de Monteiros — Villa Pouca de Aguiar (povoa9Ìo antiga, cai* 

9ada): 58. 
PellOes — Villa Pouca de Aguiar (antas): 167. 
S. Miguel das Trcs-Minas — Villa Pouca de Aguiar (lapidea romanas, 

architectura gotica, moedas, tumulo): 55 e 56; (ant&s): 168. 
Torgueda— Villa Pouca de Aguiar (pulseira de euro): 169. 
Vereia de Jalles — Villa Pouca de Aguiar (antas) : 168. 
Villa Pouca — Villa Pouca de Aguiar (vestigios, tegulas, mós, lima- 

Iha): 54. 

Vid. Castro», Grufas. 

G) India: 

Dia (museu) : 23. 
Vid. mas. 






O Archeologo Portugués 325 



ARCHEOLOGIA; 

I. — Por ordem chronologica 

A) Naeional: 

Prehistorica : 

Antas no concelho de Villa Pouca de Aguiar : 4U, l tìT. 
E8ta9oeB prehistorica» dos arredores de Setubal: 14r>. 
Necropole prehistorica da Torre (Algarve) : 173. 
Machados de pedra deVianna do Alemtejo: 271, 
Archeologia prehistorica da Beira : à03. 

Vid. Museus: a) Acqumfoes do Musm EthnUfigh** Portugn^fi^ 
Grutas e Soeiedades archeologica^ . 

Protohistorioa: 

Vid. Fibulas, Rninaa e especies occorrentes. 

Lasitano-romana : 

Fibula romana: 1. 

Pesos de barro : 53. 

Antiguidades romanas deVianna do Alemtejo: 280. 

Cerni terio da epoca romana : 282. 

Vid. Museus: a) Acqvisiqòes do Mnseu Eiìinùìn<fhfi Porfttffnhj 
Minaa, Epigraphia, Soeiedades archeologictitt e eaptci^.^'5 oc- 
correntes. 

Medieval: 

Arabica: Vid. Necrologia e Soeiedades archeoì^iem. 

Vid. Museus: a) Acquiài^s do Museu Ethnohgiro PortngttfSf 
Architectura, Sepultura, Epigraphia, Casteìi*»^ hidtmientarìaf 
Moòiliarioj Ceramica. 

De epocas indeterminadas : 

Necropole: 35. 
Fornilho : 36. 

Vid. Museus: a) Acqtiisiqòes do Museu Ethnolngicfì Portugith, 
Ruinas. • 

II. — l*or ordem geograplìioa 
Vid. Antiguidades ìocaes. 

B) Estrangr^ira: 

Castro de Riotorto, na Galliza : 9. 

Vid. Numismatica e Proiecgào à archeologia. 



326 O Archeologo Portugdés 



ARCHITECTURA: 

Tgreja gotica (Villa Poaca de Àguiar): 57. 
Precau^òes em con8truc95e8 do sec. xvii : 69. 
Despesas em obras do convento de Cliellas : 65. 
Po^o antigo em Chellas : 72. 
Portico romanico : 111. 
Monumento restaurado : 195. 
Castello de Pinhel : 199. 

Vid. Fedra, ConventOy Vianna do Aìemtejo, Exlrartoi e Sociedades 
archeolofficas. 

ARTE: 

A) Induttrìal: 

Vid. especies occorrentca, comò Tndummiaria, Mobiìiario, Tanoa- 
ria, etc. 

R) Militar: 

Utcnsilios yarios : 68. 
Vid. ArchUtctìira. 

C) NataI: 

Venda de um batel : 189. 
Apetrechos varios : 68. 

ARTILHARIA: 

Pe^a antiga de artilharia : 199. 

AUTORES: 

Vid. Nomee. 

RIRLIOGRAPHIA: 

Catalogo do Museu Archeologico de Evora, por A. F. Barata : 43, 258. 
Boletim da Sociedade Archeologica Santos Rocha: 142. 
O meio circulante no Brasil: 321. 

Vid. Necrothgiaf Antiguidades moìiumentaes do Algarvt. 

BIOGRAPHIAS: 

Vid. Necrologia, 

RRASIL: 

Cunhagem da Casa da Moeda da Bahia: 165. 

As pretensoes monetarias de Villa Boa de Goyaz : 259. 



O Archeologo Portugués 327 



BRONZE: 

Instroinentos e atensilios : 166 e 167. 
Bracelete : 181. 
Acus: 294. 

Vid. Fibulas, Necrologia, Musetts: a) Acquisi^des do Museu Ethno- 
logico Portugués, Sociedadea archeologica». 

CARTORIOS: 

Vid. Manuscrito8. 

CASTELLO: 

De Agiiiar— Villa Pouca: 55. 
De Cidadelha— Villa Pouca: 55. 
De Rebordechào—Villa Pouca: 55. 
De Soutello de Matos— Villa Pouca: 55. 
De Jalles— Villa Pouca: 55. 
DePinhel: 169. 

CASTRO: 

De Sabroso: 9. 
De Briteiros: 9 

De Mouros (Villar de Mouros): 9 
De Monte Redondo (Miubo): 9. 
De Prejai (Mogadouro): 9. 
De Rio Torto ( Valpassos): 9. 
De Azere (Valdevez): 9. 
De Cocolha (Vimioso): 9. 
De S. Jusenda (Mirandella): 9. 
£in Cerapicos (Bragan^a): 35. 
Em Grade (Valdevez): 74. 
Da Rotura (Setubal): 145. 
Das Necessidades— Cabreiro (Valdevez): 215. 
Vid. Ruinas, 

CATALOGOS: 

Vid. Bibliographia, Manuscritos, 

CAVA DE YIRIATO: 

Estudos acerca d'ella: 11. 

CERAMICA: 

Vasos romanos de Villa Real a Amarante : 99 e 100. 
Ceramica de um cemiterio : 181. 
Amphora de Viamia do Alemtejo : 278. 
Vasilba do seculo xiv; 301. 
Prehistorica : 307. 

Vid. Museus: a) Ac^isigoea do Mtueu Ethfiologico Portugués. 



328 O Archeologo Portugués 

CONGBESSOS: 

Congresso interuacional de Numismatica: 41. 

CONVENTOS: 

Sai para o de Alcoba9a: 189. 
do Santa Clara em Sautarem : 196. 
Vid. Manuscritos. 

DIPLOMATICA: 

Documentos encontrados em S. Roque (Lisboa): 21. 
Vid. Extractos, Manvscriios. 

EPIGRAPHIA: 

A) LagiUnoromaiiA: 

Noticia de lapidea : 55. 

Lapide dos subarbios de Olisipo : 59. 

Urna primicia de epigraphia funeraria: 74. 

Epigraphia romana de Braga: 101. 

Lapide romana do Algarve : 177 e 180. 

Fragmento de uma inscrip^ào romana em Elvas : 219. 

Inscrip95es de Vianna do Alemtejo : 276, 280, 287 e 288. 

Vid. Bihliograpkia, Museus: a) Acquisitoci do Museu Ethnoloffico 
Portugués. 

B) MedieTAl: 

Duas inscrip9des numa igreja: 56. 

C) Moderna: 

Portuguesa : 16, 23, 36 e 196. 

D) Indeteriuinada: 

Noticia de uma inscrip^ao : 57. 

ESFRA6ISTICA: 

Sellos da Companhia de Jesus : 20. 

ESTATUABIA: 

Vid. Ftbulas, 

ETMN06RAPHIA: 

Collec^slo ethnographica da Academia Beai das Sciencias : 101. 
Nota sobre a operarlo de deitar a peneira : 143. 
Considera9des ethnographicas acérca da Fuma da Rotura. 
Ex-votos na Senhora de Aires : 274. 
Vid. Fonte^ Sodedadea archtologioas. 



O Archeologo Portugués 329 



ETIMOLOGI AS: 

Vid. Top(/nimia, Onomastico. 

EXTRACTOS: 

A) Do ArehiTo Naelonal: 

Urna marinha de sai em Aldcia Gallega, 1394: ISB. 

Venda de urna arraia oa batel : 189. 

Despcsas na$ obras do convento de Chellas e compra de varìos tecìdos^ 

no seculo xiii : 65. 
Objectos mencionados num testamento do sec. xin e xiv : 67. 
Lista dos objectos de madeira entregues ao almoxartfe de Lit^boa, 

1257: 68. 
P090 em Chellas construido por um mouro forro, ìBBS : 12. 
Construc^ao do portai da casa de Santo Antonio c;in Lii^boa, 154^ : 7i^. 
Mollinier, gravador SUÌ90, 1775: 73. 
Obras no Archivo Nacional em 1833 : 73. 
DocumentoB comprovativos referentes à moeda de 4 cnuados dti Iti 42 : 

109. 
Parecer dos ourives sobre a altera9&o da moeda no tempo da regeiKìia 

de Affonso VI : 153. 
Testamento de Rui de Sousa, filho de Rai Borgeiì di^ SouBa, akaidc- 

mor de Santarem, 1485 : 190. 
Despacho na alfandega de Ormuz da seda que Xà Abbas^ rei da Persia, 

mandou ao de Portugal, 1613 : 193. 

B) De obras: 

Do RelcUorio sabre as obras de ootiservagào da Cava de Viriato: 13* 

Dos Elemenios para a tìistoria do Municipio (Lisboa): 18. 

De outras obras : 183, 198 e 199. 

Dos Portugcdiae Monumenta Historica: 219. 

Da Dioceae e districto da Guarda : 296. 

C) De perlodicoB : 

Portugneses : 

Gazeta de Lisboa: 187. 

Diario de Noticias: 184, 186, 195 e 196. 

Seculo: ISQ, 198 e 199. 

Estrangeiros : 

Da Archdologische Zeitung: 12. 
Da Revue Archéologique: 200. 

Vid. Arie, ArckUecturaj Manuscritos. 

FIBULA: 

Fibulas e fivelas: 1. 



330 O Archeologo Pobtugués 

FONTE: 

Com lendas : 217. 

GEOLOGIA: 

P090 ou pégo naturai na rocha: 217 (aoia). 
Vid. AìUiffuidades MonumetUaes do Algarce. 

GRAYUBAs 

Mollinier, gravador 8UÌ90 : 73. 

GRUTAS: 

De Santo AdriSo ( Vimìoso) : 9. 

Da Cabe^a da Ministra (Alcoba^a) : 9. 

Fuma ao lado do Castro da Rotura: 145. 



ILHAS: 



Parecer sobre a substitui^fto da moeda hespanhola noe A^ores e Ma- 
deira: 158. 



INDIA t 

Leilio de moedas da India : 310. 

Vid. Antifftiidades locaes (India, Santarein) e Hedu. 

INDUMENTARIA: 

Compra de varios tecidos do seculo xiii : 65. 
ColIec9slo de Teixeira de Aragao : 136, nota 2. 
Vid. MantiacritoB, Extractos. 

INSULA: 

Vid. Toponimia. 

LENDA: 

Lenda relativa ao sacrificio dos yelhos : 217. 
Vid. Fonte. 

LIPSAN0L06IA: 

Reliquias da igroja de S. Roque : 19. 

MACHADOS: 

Debronze:166, 167. 

De pedra: 

Em Villa Pouca de Aguiar: 168. 
Em Vianua do Alemtejo: 271. 
Do dolmen da Cunha Balza : 306. 



O Archeologo Pobtugués 331 



MANUSCBITOS: 



Catalogo dos pergaminhos do archivo da Insigne e Reiìl Colleg^iadit 

de Guimaraes: 81. 
Cartorios conventuaes de Vianna do Castello : 182. 
Antiguidades monumentaes do Algarve : 200. 
Acérca de Vianna do Alemtejo : 274 e 281. 
Os archi vos ecclesiasticos da Guarda: 2%. 
Vid. Brasa, 

MARINHA: 

Marinhas de sai cm Aldeia Gallega : 188. 
Vid. ConventoB, Arte naval, 

MINAS: 

Vestigios quo se relacionam com antiga minera9ao, li'Tatlafi, eie. : 57. 
Vid. Brasil. 



MOBILIARIO : 



Objectofl moncionados num testamento do seculo xiii e iiv : G7. 
Lista de objectos de madcira entrcgues ao alrnoxarifado do l^ibboa 
em 1257: 69. 

MOUR08: 

Poula dos Mouros: 36. 
Vid. Extractos. 

MLSEU8: 

A) Acquisi^Oes do Museo Ethnologico PortngnèR: 

Pulseira de ouro: 169. 

Espolio da necropole da Torre : 175. 

Lapide romana : 177. 

Vasos do cemiterio de Alcaria: 179 e 181. 

Antigualhas prehistoricas e romanas de Vianna do Alc'mtejo: 271 sijq. 

Moedas e vasilha do seculo xiv: 301, nota, e 302. 

Espolio do dolmen da Cunha Baixa: 307. 

AcquisÌ9Òes da epoca do bronze e outras : 307. 

Objectos do Sr. Antonio J. Judice: 321. 

Fibula de prata: 1. 

Varias: 37 sqq. 

Objectos de varias epocas de Tràs-os-Montes: 54. 

Lapide de Olisipo: 60. 

Lapide de Valdevez : 74. 

Vasos de Villa-Real e Amarante: 99. 

Collec^ao de Teixeira de Aragflo: 136, nota 2, e 140. 

Instrumentos de bronze de Trils-os-Montes : 166 e 167. 



332 O Archeologo Pobtugcé» 



B) BeferencUg a outros mnseag : 

Da Pigueira : 8 e 9. 

De Bragan^a: 3 e 6. 

De Madrid: 4. 

De Guiinaraes : 9. 

Do Instituto de Coimbra : 9. 

Archeologico de Diu ; 23. 

Nacional de Bellas Artes: 43 e 136. 

Archeologico de Evora : 43 e 258. 

Da Academia Beai de Sciencias: 141. 

Do Alganre: 200. 

Municipul de Elvas: 219. 

De Alcacer do Sai : 279. 

NECROLOGIA: 

Virchow : 128. 
Mommsen: 128. 
Pereira Caldaa: 128. 
Teixeira de Aragao : 134. 
Antonio Joaquim Judice : 320. 

NOMES: 

A) De pegHoas: 

1 . Em epigraphes Insitano-romanas : 
Licinia: 59. 
Helene: 59. 
Anderca : 75. 
Caturoni : 75. 
(Ca)e8aris : 105. 
C(a)epioni Semproniano : 180. 
Pompeia: 180. 
Exocii: im. 
Flavia (Severa) : 219. 

2. Nomea liistoriooa: 
Viriate: 11. 
Hadrìano: 99. 
Trajano: 99. 
D. JoSo IV: 102. 

B)DedÌvindade8: 

Genio : 101. 

C) Geographicos; 

Lusitauia: 42. 

Vid. OnamcUohffia. 



O Archeologo Portdgués 333 



D) Antoresi 

1. Antigos: 

L. Ploro: 11. 
£8trabao: 8. 

2. Estrangeiros : 

W. Gurlitt (Cava de Viriato): 12. 

E) DlTersos: 



De alguns abridores da casa da moeda : 102. 

Vid. Arte, Architecfura, Necrologia, Nummnatiea^ 

NUMISMATICA: 

A) Romana: 

Moedas romanas de Vianna do Alemtejo: 277. 
Apparecimcnto de moedas romanas: 56, 99, 167 e B2Ì^ 

B) Portuguesa: 

Imita95e8 de moedas portuguesas em Bateuburgo: 61^ 

Moeda inedita de 4 cmzados de 1642 : 102. 

Documentos monetarios: 153. 

Contos para contar: 170. 

A moeda de D. Antonio cunhada em Gorcum : 211. 

Cunhagcm de moedas de ouro no tempo de D. Jo^o Y : 187. 

Achado de moedas de ouro em Alvito : 198. 

As pretensòes monetarias de Villa Boa de Goj a^ r 2511. 

Um thesouro do sec. xiv : 300. 

LeilSo monetario : 310. 

Vid. CongresBo^ Gravura, Necrologia, Bihliographia* 

ONOMATOLOGIA: 

Onomastico medieval portugués: 25, 118, 226 e 311. 
Vid. Manitscritos, Toponimia. 

OSSOS: 

Ossadas humanas: 181. 

Vid. Anthropologia, Grutas, 

OURO: 

Pulseira de ouro: 170. 

Vid. Numitmaiica, BrasiL 



FEDRA: 



Ab pedras dos monumentos de Lisboa : 186. 

Vid. Machados, Archeologia prehistorica e Alneem. 



334 O Archeologo Portugués 



PESOS: 

Pesos de barro romanos : 53. 

PRATA: 

Fìbula de prata: 1. 

PROTEC^'IO À ARCHEOLOGIA; 

Explora^des na ilba de Cós : 200. 

Vid. Cava de Viriato, ManuscrUos, Antiguidades mofivmetitaet do 
Algarve. 



KUINAS: 



SALs 



SEDA; 



Véstigios de construc9Òe8 em Villa Pouca : 54. 

Vestigios de epoca indetermiDada, constantcs de levadas de agua, ca- 

sas circulares e cal^adas : 57, 58. 
RestoB de alicercee (Alemtejo) : 274, 283. 
Vid. Minas. 



Urna marinba de sai em Aldeia Gallega do Ribatejo em 1394 : 188. 



Despacho na alfandega de Ormuz, da seda que Xà Abbas, rei da Per- 
sia, mandou ao de Portugal em 1613 : 193. 



SENTEN^AS; 

De Teixeira de AragSo: 60, 100, 199. 

SBPULTURAS; 

Necropole: 35. 
Sepulturas trapezoidaes : 36. 
Do sec. XVII : 36. 
Rupestre» : 54, 220 nota. 
Tumulo medieval : 56. 
Cemiterio archaieo de Alcaria : 178. 
Sepulturas em Santarem: 183. 
Cemiterio antigo da Pena: 198. 
De adobes: 275. 

Cemiterio da epoca romana em Vianna do Alemtejo : 282. 
Vid. Archeologia prehistorica e Sociedades archeologicas, 

SILEX; 

Do dolmen da Cunha Balza: 307. 

SILO; 

Um silo em Santarem : 196. 



O Archeologo Portugués 335 



SOCIEDABES ARCHEOLOOICAS: 

Sociedade Archeologica Sautos Rocha — Figueira da Foz (A soL-irrladt^ 
archeologica e o seu Boletim. Necropole neolithica da Motta, ^Litr- 
riaes para o estudo da epoca neolithica na Figueira. Mateiiiu^a piuM 
o estudo da epoca de bronzo. Esta^So lusitano- romana da i'^edruNui. 
Tijolos romanos do Muscu da Figueira. Noticia de alguna siloa *' Inti- 
9as arabicas do Algarve. Pelourinhos da Figueira. Supera tii; òca pò- 
pulares da Figueira). 
Vid. Antiguidadea locaea — Algarve {Antiguidcules monumentati^ tìo 
Algarve), 

TANOARIA: 

Referencias aos seus materiaes em documentos do sec. xm : 6}j« 

TOPONIMIA: 

As insula^ nos documentos portugueses mais antigos: 219. 
Vid. Oìiomatologia, 



{ 



INDICE DOS AUTORES 



A. A. Cortesfto: 

Onomastico: 25, 118, 226, 3U. 

A. I. Marques da Costa: 

Esta^oes prehistoricas dos arredores de Setubal; Hb. 

Albano Bellino: 

Epigraphia romana de Braga: 101. 

A. Pereira Nunes: 

As lapidea do Miiseu archeologico de Din : 23 

Bernardo de Sa: 

Explora^òes archeologìcaa no Algarvc ein Mar^o de liKH: 173. 
Celestino Be^a: 

Noticias archeologicas do norie doTn\s-os-Montcs: 35. 

Estaeio da Teig^a (postumo) : 

Antiguidades mouumentaes do Algarve : 202. 

Felix AUes Pereira: 

Acquisi^òes do Museu Etimologico Portugués : 37. 
Uma primicia de epigraphia romana : 74. 
Architectura romanica: 111. 
Um castro coni muralhas: 214. 
Cemiterio da epoca romana : 282. 

Ilenrique Botelho: 

Archeologia de Tràs-os-Montes : 49, 16C. 

Ceramica dos concelhos de Villa Real e Amarante* : ^M. 

Contos para contar : 170. 

J. de Oliyeira Guiiuaraes: 

Catalogo dos pergaminhos existentes no archivo da Insigne e Hogl Colle* 
giada de Guimaràes : 81. 



338 O Archeologo Portugués 

José Fortes (Dr.): 

Fibulas e fivelas : 1. 

José Leite de Tasconceilos (Dr«)> 

A cava de Vinato: 11 

Bibliographia: 43, 142, 258. 

Necrologia: 128,320. 

Notas ao artigo «Explora9Òes archeologicas no Algarve em Mar90 de 1904» 

180. 
Antiguidades mouumentaes do Algarve : 200. 
Fragmeuto de urna iuscrip^ilo romana em Elvas : 219. 
Antiguidades de Vìanna do Alemtejo: 271. 
Archeologia prehistorica da Beira: 303. 
Acqui si^Òes do Maseu Etimologico Portugués : 308. 

Manoel Joaqoim de Cauipos: 

Medalha commemorativa do Congresso de Numismatica : 41. 

Nova lapide funeraria dos suburbios de Olisipo : 59. 

Imita9Òes de moedas portugucsas em Batenburgo : 61. 

Moeda inedita de 4 cruzados de 1642: 102. 

A moeda de D. Antonio cunhada cm Gorcum: 211. 

As prctensdes monetarias de Villa-Boa do Goyaz : 259. 

Um thesouro do seculo xiv : 300. 

Noticias varias : 310. 

Bibliographia: 321. 

Pedro A. de AsoTedo: 

Miscellanea archeologica: 65, 182. 

Documentos monotarios: 153. 

As insulas nos documentos portuguesos mais antigos: 219. 

()s archivos ecclesiasticos da Guarda: 296. 

Yietor Ribeiro: 

Preciosidades archeologicas: 16. 



INDICE DAS GRAVURAS E ESTAJITAS 



Fibula romana de Mogadouro : 1. 

Fibula annnlar hispanica : 4. 

Fivela de Sabroso : 4 e 5. 

Fivela de Briteiros: 5. 

Cabe^as de fasilhSo : 5. 

Omamenta^So dos aros : 6. 

Omainenta9ào do aro (Briteiros) : 6. 

Fivela da Figueira da Foz (Pedrulha) : 7. 

Fivela de Conimbriga : 7. 

Omameiita9So do aro (Sabroso) : 7. 

Ornamentatilo do aro (Briteiros) : 8. 

Pianta e perfil da Cava de Viriato (reprod.) : 12. 

Pianta e córte transversai dos muros da Cava de Vinato (lithographia a còras)*. 

16 e 17. 
Sellos da Companhia de Jesus (photogravuras) : 20, 
Tres reproduc^dss zincographicas de auto-assinaturaa : 21^ 22, 23, 
Medalha commemorativa do Congresso Intemacioual de NumismatÌL^a tara IDUO 

(pbotogravura de pagina) : 42 e 43. 
Vista geral dos dolmens de Carrazedo do AlvSo : 6vK 
Dolmen do Alto da Catnrina: 51. 
Quatropowdera: 54. 

Arco da igreja de Tres-Minas (escbema): 57. 
Porta principal da mesma igreja (eschema) : 57. 
Porta travessa da mesma igreja (escbema) : 57. 
Tampa de um tumulo na mesma igreja (escbema) : 57. 
Lapide de Olisipo (pbotogravura) : 59. 
Imita9oes de cruzados de Portugal (duas figuras) : 62. 
Cruzados portugueses (duas figuras) : 63. 
Cruzado com a cruz do Calvario : 64. 
Lapide romana de Grade : 75. 
Fundo do vaso romano de Banagouro: 99. 
Bilba romana de Gondar : 99. 
Pucaro romano de Gondar: 100. 
Prato romano de Gondar: 100. 
Ara romana de Braga: 101. 
Padrào de 4 cruzados de D. Joào IV : 103. 



340 O Archeologo Portugués 

Padrao de 4 cnizados de D. Filipe II : 103. 

Cruz do reverso de 4 cruzados de D. JoSlo IV: 104. 

Variedades da moeda de 4 cruzados de D. JoSo IV : 106-107. 

Portico da matrìz de Mon^&o: 116. 

Eschema de peneira: 144. 

Córte e pianta da Fuma da Kotura: i, 152-153. 

Cranio da mesma Fuma (photogravnra) : i, 152-153. 

Cranio da mesma Fuma (photogravura) : ii, 152-153. 

Cranio e ossos da mesma Fuma (photogravura) : in, 152-153. 

Machados de Bujòes (duas chromolithographias) : 166-167. 

Machado de Justcs ou Linhares (chromolithographia) : 166-167. 

Machado talvez de Alijó (chromolithographia): 166-167. 

Fragraento de machado de bronze de Arroios : 167. 

lustramento do pcdra de Jales : 168. 

luBtrumento de pedra da mesma procedencia : 168. 

Pulseira deTurgueda (chromolithographia): 170. 

Contos para contar (photogravura de pagina) : 172-173. 

Pianta e córte do monumento prehistorico da Torre : 174. 

Gito objectos do espolio d'este monumento: 175. 

Vaso groBseiro da mosma origcm: 175. 

Pianta e córte de outro monumento : 176. 

Lapide romana do Monte-Velho (photogravura) : 177. 

Plantas de scis sepulturas do cemiterio de Alcaria: 179. 

Bilha d'este cemiterio: 179. 

3 vasilhas d'oste cemiterio: 181. 

Reproduc^So de um dosenho do monumento restaarado do Arco do Cego: (zin 

cogravura): 195. 
Reproduc9ao da inscrip^ào d'aste monumento (zincogravura) : 196. 
Igreja do convento de Santa Clara em Santarem (zincogravura) : 197. 
Claustro do mesmo cx)n vento (zincogravura) : 198. 
Reproduc^ao de um desenho de moeda (zincogravura) : 213. 
Muralha do castro de Cabreiro (photogravura) : 215. 
Barra de euro de Goyaz (photogravura) : 264. 
Moeda de 600 réis da Bahia (photogravura) : 269. 
Moeda de 600 réis do Rio de Janeiro (photogravura) : 269. 
Reproduc9ào zincographica de urna serie de moedas de Goyaz : 270-271. 
Machado de pedra de Vianna do Alemtejo: 271. 
Outro: 271. 
Outro: 272. 
Outro: 272. 
Outro: 272. 
Outro: 272. 
Outro: 273. 

Fuste de columna romana: 277. 
Amphora romana: 278. 
Lapide anepigrapha: 280. 
Pedra com figuras geometricas : 285. 
Bilha com monogramma: 286. 
Plinto com inscrip9ao romana: 288. 



O Archeologo Portugués 3il 

Capite! romano: 290. 

Base romana: 290. 

Capite! jonico (photogravura) : 291. 

Tijolo romano : 293. 

Dois acus romano: 294. 

Alfinete de bronze: 294. 
i Pilastra de pedra : 295. 
I Bilha medieval: 301. 

IManta do dolmen da Cunha-Baixa : 305. 

Objectos de pedra do mesmo dolmen: 305. 

Tres machados do mesmo dolmen : 306. 

Lamina de faca de silex : 306. 

Pontas de setta, quatro : 307. 



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LISTA 

DAS 

PESSOÀS BENEMERITAS 

DO 

MUSEU ETHNOLOGICO PORTUGUÈS 
1904 



!•— PesBoas qne ofrereceram grcAtiiitaiiiente objectos 

A. Bello Junior: 40. 

Administra^^o das minas de Aljustrel : 308. 

Adolfo Miranda: 40. 

Adriano Pereira Horta : 40. 

Alberto Bastos : 308. 

Alberto de Brito Lima (Dr.): 310. 

Alvaro Yianua de Lemos : 40. 

Antonio Joaquim Judice: 321. 

Antonio Maria Garcia : 40. 

Antonio Pereira de Sousa (Dr.). 

Antonio da Silva Pires (P.«): 41. 

Carlos GalrSo (Dr.). 

Celestino Be^a : 1 e 309. 

Conde de Avila: CO. 

Dlocleciauo Torres : 40. 

Diogo Angusto de Lemos: 309. 

Fabricio Pessanha (Dr.) : 281. 

Francisco Cordovil de Barahona (Dr.): 309. 

Francisco Tavares : 309. 

Henrique Alves : 181. 

Henrique Avellino de Castro: 41. 

Henrique Botelho (Dr.) : 40, 54, 100, 166, 169 e 309. 

Jaime Leite: 40. 

Joao de Brito GalvXo (P.**) : 38. 

Joào C. de Gusmào e Vasconcellos: 37. 

Joao Manoel da Costa : 40. 

JoSo dos Reis Leitào Marrocos : 38 e 309. 

Joaquim Callado : 39. 

Joaquim Franco: 309. 

José Albino Dias: 271. 

José Bernardo de Moraes Calado (Conego) : 40 e 310. 

José Duarte Frazzo : 302. 

José Joaquim da Costa: 39. 

José Maria Foga9a : 308. 



344 O Arciieolooo Portugués 

José de Matos Cid : 309. 

José Pioto Taborda Ramos (Dr.): 39. 

JoséPrata (P/): 40. 

José da Silva Madeira: 41. 

Lino Francisco Dias Po9a8 ( P.*') : 310. 

Luis Furtado: 175. 

Luis Vioira : 178. 

Manoel Freitas Velloso : 38. 

Manoel J. da Cunha Brito ( P.*-) : 37. 

Manool José Prates : 280. 

Manoel Soares da Silva: 300. 

Maria das Neves Figueiredo (D.): 309. 

Miguel Dantas (Conselheiro e Par do Reino) : 38. 

Fedro A. de Azevedo: 308. 

RepartÌ9ào de Minas : 39. 

Sande e Castro: 41. 

Severi ano Mouteiro (Conselheiro) : 40. 

2. — Pegsoàs que Intervlerani obsequlosamente tm aeqaifilfllei 
on differente^ trabailioa 

Abbade de Prende: 309. 

Abel Cunha Mello e Silva : 38. 

Alberto Osorio de Castro (Dr.): 303. 

Antonio de Azevedo Castello Branco (Conselheiro) : 309. 

Antonio Isidoro de Sousa: 271. 

Antonio de Pinho : SQi). 

Antonio dos Reis Marrocos : 39. 

Antonio Thomas Pires: 219. 

Augusto de Cjiatro : 60. 

Aurelio Pinto Tavares Castello Branco : 38. 

Bernardo Rodrìgucs do Amarai : 303. 

Brito GorjSo (CapitRo) : 308. 

Cam])os Ilcuriques (Conselheiro) : 309. 

Carlos Córte Real (Dr.): 309. 

Conde de Ariz: 309. 

Francisco Antonio Mestre: 181. 

Isidro Dias Navarro (P.«): 283. 

Joao C. de GusmSo e Vasconcellos : 38 e 74. 

Joaquim Antonio da Costa: 39. 

Joaquim Franco : 39. 

Joaquim Gualdino Pires : 180 e 321. 

Joaquim Vaz de Azevedo : 39. 

José Dias Pereira Cappas: 283. 

Manoel Fernando de Oliveira: 181. 

Manoel J. da Cunha Brito : 74. 

Paes da Cunha (Dr.): 303. 

Patricio Eugenio Judice : 321. 

SebastiSo Conde : 39. 

Vieira (P."^: 180. 



EXPEDIENTE 



Archeologo Portugiiès publicar-se-ha raensalmente. Cad.a nùmero 
sera sempre oii quasi sempre illustrado, e nito conterà menos de M 
paginas in-8.®, podendo, quando a afBuencia dos assumptos o exi:;:ir, 
center 32 paginas, sem que por isso o pre90 augniente. 

PREgO DA ASSIGNATURA 

Anno lf$500 rcis. 

Semestre 750 » 

Numero avulso 1 CO » 

Estabclecendo este modico pre^o, julgamos facilitar a propaganda 
das sciencias archeologicas entre nós. 



Toda a correspondencia A cérca da parte litteraria d'està rivista 
deverà ser dirigida a J. Leite de Vasconoellos, para a BiBLin- 
THECA Nacioxal de Lisboa. 

Toda a correspondencia respectiva a compras e assignaturas 
deverxi, acompanhada da importancia em carta registada ou ein vales 
de correio, ser dirigida a Majioel Joaquim de Campos, MusEr 
Etiixologico, Belem (Lisboa). 



A venda nas principaes livrarias" de Lisboa, Porto e Coìmbra, 



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APS 1 - 1933 



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