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Full text of "Obras de Luis de Camões .."

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OBRAS 

DE 

luís de CAMÕES, 

príncipe dos poetas de HESPANHA. 
SEGUNDA EDIÇÃO, * 

I Da que I na OHícina Luifíana , fe fee em Lisboa 
nos anoos de 1779 , e 1789. 

TOMOU. 



f 



LI S B o A. 

NaOffic. de SIMÃO THADDEO FERREIRA, 

A N N o M. DCC. LXXXiri. 




■^ 



Ctím licença da jReal Mfza Qnfiri4. 




ADVERTÊNCIA 

DO 

EDITOR 

' AOS QUE LEREM. 



POrquè naõ falte coufa que pófla cnriquei- 
cer cfta noíTaEdiçaõ, e porque vâ acom- 
panhada de tudo o que de alguma manei- 
ra pódc fcr iatcreflanre, dar gofto aos Leitores , 
c fervir-lhes de inftrucçaõ , lançaremos aqui o 
Prologo j fdto pelo exccUente Jurifta, c-I\)eta 
Fernando Rodrigues Lobo Surrupita, com òqual, 
lio ^nnò'àc 1595. em Usboa, fahírám imprcflas 
a priméíraf • vez algumas lOiythmas do nóflfo Pòctá. 
He 5 pois ,0 referide Prdogo como fe ibguc : 



A ii 



Go- 




ADVERTÊNCIA 

t Orno cftc Livro ha de. vir às mios de 
muitos, c tiaõ he 'poffivcl cm loJos fcr 
igual á noticia das coufas, que fe reque^ 
irem para entendimento" delfe, naõ parcceo poucj 
acertado advertir brevemente algumas , afli fobre 
o titulo , e divifaõ da Obra , comp, tambeni fo- 
brc^o Author delia; £ começando pelo titulo , cf- 
XSL palavra' Rhythmas ( que os Italianos , c Fran- 
cezes proiíuncíani feni afpiraçõcs ) defcende de 
fv^fMs- , ypcabulo Grego , qué queíí áízer , n«- 
mero , ou harmonia j como declara Diomedes 
Grammatico , e Nicolào Pcrotto , na Comucopia, 
no Cpmmjcijíta dQ.,quartO/ Epigramnaas.c em-am- 
h3$> 4s ígnificações convém proprianítentc ao veí- 
fo dempdida Italiana,,, porque naõ .fQiilent;e con- 
lií};e.en^' certo numero : de fyUàbas , mas umbem 
^a iiarxn9QÍa^ cauJTada dos acccntos , c conroao* 
tes.^ l-cQtno pi;ova Bcnedetto 'Varchi , no^ Dialogo 
Heiqil^no., na perguma p^ Nem ifto tecebç dá^ 
yida'9..gprgue;geralmpnrç o corpo de coda. a Ak- 
tç, der Poema fe fofxna^ t^ numero, e hgmionia; 
doode jtyifceo di^xunt^íhc Poffidotxb Eftoico ^ 
Diç^aS nmierofa , que confta dé medida certa ; 

COn 



como refere Lasercío j-ná víía de Zcm3w' Em'*tan- 
fo, que ferido ^áòorates árifadió , por htnn Ora- 
ctáo , fe ^«èría alcançar a bemaventurança , ap- 
plícaffé^o-^ktMnfô à Mu6ca ; ofitendeo- quc^ iSitis- 
fazía ao intento daquelle avifo, cm fc empre- 
gar todo— ei»-&z«r-verA>»5^ per íèr a- harmonia , 
c^.|iun3jero$ deites, parte d?, inçfma. ^ufica,^ qo- 
tnor 'coftta CoIíO Galcagnkto ^^ tia^Ora^aõ <p!ie fei 
im loiv^QX d^ Arte^. í)on<Je^taÍAbcm ' proccçífo' % 
etynvologia tdefte/nome' i^úctiT 9 que cenforme « 
bpíriíaõ ,^Eiífetíiiô;^^ fedida por Rhòdègífío ;( 
na .Uvr<]^^qMarto.j^ : (e i^^ri^: v^^iir» , que iignU 
fib'fji4tt'tçV'5íi^i*V ^«^ í^^ *díacr cMHnri e^ 
inefóa ^çmç, i''yl/i(f4 -JÈgpif^^^^ *Oin<(>'.>.' ícpmo! 



affii!tia:Ojn2eíhio|NccoEu>PeriQtto;, íbbre a quin>i 
toÊpigrahvíia.^y por iffoDanre' chanioíi a Pòc- 
ii^sfics^ Rb)e^osio y p<^i^ ^.Muíica., E qu0 
d títúto^dé Rhyrfjmàp W)nWihà' a toda* efta Obra ^ 
moftfá-fe também claramente {)or ^j^um Difcurfcj^ 
que fez p. Cardeal Pedro Bçi^bo , no livro 2, 
das Profas , <mdc diz que an^^hyclimâs (ouRi- 
HWS , como eJBc èfcreve ) Tap de três mànèiriis ; 
porque ou Vaô reguladas y ou. livres ; ou. parte 
liVfitfs, e >paitG> reguladas. Reguladas fe -chammtt 



aqucUas, quç vaã /compre ^tadas^a hmfça injcímí^ 

'^g^ ,iX:oijio laõ 06 Tercetos , .4c xjyc ife crè fcc 

, inventor Damc , ppque ^nics ddk. fç.fiaõ achajçn 

fciros por, querem. (.*> .E;^En. íi^ Qka,vas ^^ Suc 



' (*) Poíloqué na6 èxiftam lióje ^ faí)íí-fé com^ lu- 
áPí ^e antes <]q panNài «rVejf^Bf^íiu.bouj^ yetfof 
Hcndeçafyllabos ^ c Tçsceto*. Na Dicdicatoria da .fu« 
Chronica Geral de Kerpanhi/impfèfili* em"'Va1eXçá 
«o anno de i J4$\ ,affirn)a.PeaiiorAdtójBetfíerv^.q(âft 
emVaMça hmn, certo MoflTef^.JaaJí.íjqiJic ftQjpÇíf^ 
pelos annos deizjo. , fefcrevia, Soneton rSextinai^, 
• Terceroíes , qoe fao Tcrcètoé : «^'•fi¥^4è <^rn4\c1f'í* 
IDeímo £»^ter , qUe €ft« Autiior.,,rT|5jle.. gwxeto ;<Jg 
veríos, ímieava a outros ai^ida, rnais antigos/ çç^hyo 
o Itnpefadòr Feérico ft.,e feu iilha ; qiie ii^^iaià 
pelos annos de laasí. -^GoaOi aq'caTtliy^qoe..DQuít(6 
nafiseo em ia6y, . iof^e. mó fica^ lgs;At- a ,4PX?<fc^., 
qire antes de Dante fe çrcreviaiii verfos Hendecàtyl- 
labos » e TercetWsV Para . maior' pfof a cophremòsf 
l^ui^s verfos» que do «kcrmo Jordi tr:tf Sf^iH^r^inar 
quella Dfedicatoria^ ou naqftelle Prologo ; ^ hC os 
que refeguem: " ' ^^ '^ . :• 

E no he pau , e no tíncb qum guarrcig ? 
Pol /òirel cei ^ é i^0 movi dtte^rs^ <r..\ 

, JS. no eftrencb rts , eíjot lo man ãlrâs : 
Hoy be de mi « e vuU altrt gran he , 
Si no Amor -t Jins aço íjuefem»^ 

Verfot q|ue Petrarca^, que., nafeeo «m 1504.^ imf^ 
tou; fupara melhor dizer, traduzio deíla maneira: 



DO EDITOR- 7 

mvstiái^ QSfSÍGÍlianos, fiucendo-as de doos coti'- 
foames atç «o cabo : edelpois foram reduzida» t 
melhor' forma: peloi Tofiaufos^ acacfceiícafido^lhe 
Iteiceiro confeánte fkcs dous vbrfM últimos : e U 
Seaocm^ , cpp fonon inváiçao dos Ptovetiçaes » 
<%eciahiicÉte idc - iliniakb I)amdo ( * ) * Khytlw 
..r-.. . :•". . nias 

Pace no irova\ e mm bo Ja fát guerra : 
Bvúhjbprã U Ciilo y t ghUteio m terra ^ 
'E nulla ftrttigo ^ e tntto il modo ptracch : 
Et bo in adio, we Peffh > & amo aJtruí 
S^afnor nòfi e\ ebe dtmque è qael cb*io fènto* 

A*íém do'^e iRcadíto, tsmbtm nosconftsde má- 
fiuícripros dlgiRTo^ áie tods a fé » e credito» que o 
noíTo Rei 9 o Senhor D. Dinit, que nafceo prime»- 
ro qjue Dante ttet ou quatro annos, coippuzera mui- 
to» verfos Hehdectfyliabos » entre ot qua^ri' fe im. 
crivei <M3t.rai!em , também Tercetos. Na Chronfca àp 
Ciíler 9 e feri pta por Fr. Bernardo de Brito , liv. 6. 
cap. I. m^ foi ^72. . achará o Leitor verfos defte «;e« 
i>ero 9 compoíips por Gonçalo Hermiguet ». <{Ue Ca- 
recia petos annos de 1090. y tempo em que o Con- 
de IX Ifenfique naô havia ainda entrado em ?or* 
tus:al ^ e 170. n^iiof . antes do Seobo? Rei Dr/Dtrvll. 
( * 3 M^itos fe perfuadíram ferem at Sçxtinns in- 
venção de Petlrarcá;' porém ènganáraní-fe ," porque 
50. anAôs furliíseito que' Petrarca , asefcretíéd Cá^- 
te » e prij^neirxjr que Dante o tal. Arnaldo Da0^k> * 
de quem aqui faz mençaó Surrupita FmPort^igât 
foi • pfimefró em as efcrever jor^e de Monte Klaíor , 
e quaíi petot mefmos tempos Luis de Camões. 



mas. livi€& 'faã-aqneUás ^qoc.rièâZ^piaidimhittgBà 
fã%úmsL , nem nD gtú^eta. dds ^seríiaB ^jíiic9Qi:£dk 
$;orrcCpQndcncia» .do^ pcoafbahtesc^i xpmo iao -»a!Nb- 
ikigaçs^ alvados, rd^ JUbúidrar^ pafaata;: Toícaaa^ 
por fer coiíipo6çaÃ,intbisiefe^ía qupi^^omieá^ 
osi nol|>5 VillaiwjMc&^Ràfythirias ffarte;4bflrck^ picr 
te reguladas , faõ as que em algumas coufas vaó 
fujeltas a regra'7^ n'oiitras* fao "íFentas dcUá ^ .co- 
mo faõ os Sonetos 5 -e CfiGçpe^.: fK>tque os So- 
netos', ainda que no Híímèro dosverfos, c dif- 
poíiçaõ-.dcllcs , tem oBrígaçap de legliii: .fcmpre 
huma. mcíiua regrfV:^ wnfi tu4o ,jtg ^íísreífondcu- 
cia- dos eonfoancffs^ ', 'nai tem obfrlgâçtó' cfeita', 
coniòj moftra Rengifó^ na fuá ^rff '.í^bcfic^ a n? 
cap. 4:}..,. fcgulndo todavia a iobfci*aça6v que 
com muito engenlio ," e juj:^ ^ advèftio Torcjuato 
Taflb , no fcu Dialogo da Pocíiar Tofcatw.: e as 
Canções» tem a mefma natureza /'idòtfio ápemar^ò 
nicfníio ílcixgifo , no cap. fPv' Ç.*'nqs fegy|nte&* 
Ecom.ifto ííírtios fatisfeíto ao titulo; 

Segue-fe, a dlviíaõ da. Obra , 'qpé yai repar- 
liáa em cinco partes , porque o niisniíf o quinqoe- 
iwrío pertenct pafticulartnente ií'OKras de PocíTy, 
r Eloiíucxxçk, ; o quç (c^ vê daraigich^ç , porque 



DD-EDITO-K.; .» 

^oo&femie a.MbuQ:mà dosHatòi3fc0t> cri d^áksh 
<k s Mercúrio ^ c.aos outros <dbofett ^ qu& nofen 
liiD Gtncilícp ;CfamPadrocíroffdaaAncs,.cdmt> (f*» 
oeve 'Rbodigmo:^ ilb. 12* cap. lO. E a!MfiiSGtti 
lio ítmham.dlci por divinda^. ida E}oqtteiifçM:i 
«por jllò lhe cQn£i^vãim.a$yngiia8,.'fçin^tr^ 
fere Vinccncio Cartaiio no.Livit^^ àfís Inugéí» À^ 
Deoíbs , fobrç a Imagtm de Mcicufia J f! ft^.^ 
aíE da Eloquência , ficava tanibeip fendo da Poc- 
fia , pela líança que ^emre íi tem , coofoimc^ 
definição ck D^te , c PolIi4wio. E por ifl<s| a 
quinta' letra do- Alphabcro Grego -era dedicfláÉi'» 
ApoUo , como efcxcvc Guillelmo Onciaco '^\ no 
LíVro dos' Lugares , cap. fi E Jos^Miáà» j/pofte« 
qucfeiam nove , fó"a*cinco d^tífiw tocava Ò''iffií 
niflerío da Poeíia>) |HDírquc a Clia 4Ç'í«tribui^í^ 
/bgciío delia , préfidíndo 'â HfftáKn ri a 'Polyi^ 
o omamemo. dà^jinspagem ;..4/CãIliopc, o, vcrft{ 
Heróico: a Mcipomtne' ò Tiagica«: a Thaliaia 
Cómico 5 conforme- ao Ê^igramma vulfítr^^^ífue 
anda entre os de Virgílio. ..Scgirinío\ pois.j( cfta 
divifáô, íi; deo a primeira .farte, ao» Sonetos > 
por fçr compofítáà *d^ irraiá rritrrecíifticrtto , "J^or 
cauík das diiEculdades ddU ,. aifit)) ''enV< oaÁ ^' 



^o ADVERTÊNCIA, 

mitfir nenhqma? palavra ociofa :, tieni de pouca 
effitíacía , como nem "haver de rcrtar toda: . a' maté- 
ria dcHe, dcnrra ho limire de cpjaiorzc verf<«^ 
fèdhatido o ulcitno Terceto 'dé ^nonetra, que/naó 
fiqtíÉ' ao entendim«íco dclcjo-' do-.paffar aTance; 
Côtife em q«e"niuiloô Pottás^jqoc andam ifss 
sfeôs da fama , ^ riveraím potiai íHícidade (^ ) A 
fegimda parte ic dco ás Cançõcsi , c Odes i que 
. ■ ' : .' . . • \ .rcf-" 

(*0 O noíTo A^ítonío Ferreir» , jjoUBa WH lít 
yerfiíicaçar) , cabio ncíle defeito , por quanto, f© 
acham neiie Sonetos , çid cuja fim o Lcitof fie* 
como «fpcrando pelo mais que ô PÔ€t« de»u d^ 
«er. Apôntare*noí hum, píw^a qiw com eftc. «»• 
enfpl/o o EíludiolV» que fc appli.car a femclhantcs 
compofiçoes , tenha cuidaído de fe acautelar nc<V 
par^e» e para iqoe fe reja » íufti ficada crític» de Sqr- 
rupíta , quof pelo que coteademos ». naquelle temp<^ 
íe dirigia ao mtÇmo Ferreira. O tal Soneto , fegnn- 
do fé colhe dó contexto delle , ^ece qtw be fet»^ 
lo a huns olhps p^.di2 a/Itm : - 

t^"0* plèof i tfúftde- i^mitr fkai fr^has tira 

Contra wim, , cMja hz me efpanta , e cega \ 
' ú* olhos y onde amor Je cjvond^ ^ e pressa ^ 
'As' úlmttt , e 'HN pregando^as , fe rtttral i . . 
O* olbos % onde amor amor injffira ^ •. 

È amor promeite a todos. ^ e amor vega f 
0*olBos'y ehide amor tamhem fi emprega % 
"' ' Porque também fe cbora , e Jè fufptra ' 



DiO EDI T O^- li 

refpondem aos vcrfos Lyricos ^ <fomo nioAtà Feri 
nando .de Hecrera , no feu ídoéUlfimo Commen^ 
to , (olm a primeira Canção de GaraLiflb. A tcr-^ 
ceici: a Elegias ^c Oitavas ^ deqõe na6 achtrnog 
q^e ofaíle Petrarca . ( * ) , más- dt aÀibas eft» 
«oiiq»ofições ufôti-^firtioemente Arièfto, cpor ven* 



0' olhof , ríí^d yi^d a neve fria ' . 

' Accenáe,^ # (fnetfpa ! O* o!hti9 poàe fofos 
, -tie d0isí%i 9$ite. luz i- € vitin -i^tno^tt f t .» 

CDhos ^ por queni mais claro nafU o dia! > , j 
Pór ijuem fao os meus olhòstaoilitojos^ 
!^e de chorar per vês lhe coube em Jorte í 

Senrpfor ora 'finermor outra?' réfiexôét ; 'fiV 3!^ 
remos , qiic, nai opipUó de j(i,oto.wo. Ferreira , 
com o pnméíro ^e(!es quatqrze vç|(oi cflava. feit^ 
o Soneto , porque os que fe fe^uem. a çfle q^úpa 
primeiro, neqhuma- outra çoufíi a^crefcentim." 

C * ]) Nau compoz Petrarca Elegia* com tde trtu« 
lo ; mas efcriíireo os feus Triuqfipboi f tp Tergstop » 
que naõ faõ ojutca cnufa,» qu,e humas puras £l«|;íaf«' 
Em ^Igjumas Édiíç^es das Obças\4«Ae.P<^u» aiÇfn 
como na de Nápoles de lópp.^, «m ii6« » fe aqh^ 
hum pjequ^ena^P^ema cjrp Texf;etQ9v»^com a ÍUii)^ 
de Capitulo , ( talvez ppftp ,p(^ .íi^preflbref ): ^^fttC; 
na$ deísia 3e Ter huma Elegia* Çciacipía ;,, .^, ,^ ; . 

Aí?/ eor ften de amarifftma dokèzza ^-^ 

Rifonavmi émor^frii ultkmp^^aaínsh "•''•' • "^ ' 
Del ragiamty checai fU hs^n^à^uffVÊSBM^t àn^ 



jLura que foufejÇ; pelhjar hnlw' ^9 grtçt ; > f!*» 
feição, do vcríb Btegiaçft a^Xilpjlte-i éPrópctíjfaj 
q«ç <aã os Priíioipfcs Mcftc ^CB» i[ quc^ ha in»4 
gçliade do Hcroico\a .Virgílio; Acfiàxtsí á Bdo* 
gd^ , por fcr -ífrpc»i^, dç coAipefiçaà ,t em qnc -íe 
re^ijucrç menos , jfolfioi^nçia j, ç 1 ntflte., ^cixâwfai a 
Thcocríto , c Virgílio , teve pa^^ticular excellen- 
cia S)»nnazarOj_çomo nas Pifcatorias BerarditiD 
Rota (*). A quinta, e ultima^ parte fe deçuàs 
Grofas , e yoltas , . c oqtias conipofiço!», de, ver- 
fo pequeno, Mjuc^faâ proprksr^ da 'imffa Hel^- 
nha ( ** ) , cm qije Grcgoíip STyívdftre fé avahta- 

• C*')'A SanDáiit/ò /•« Rota, poífa ; fem' muito 
efcrupúíò , aeertfiícntartôcrovkò Paterno iia Itália, 

eGatcilaífo oàf^efpanlia- '• / ' ^' ! 

(**)' Dit qué ii àrrifaí ^ e.volhí^ eHãtras ÇQiw- 
pofiifícs fU verfo pefpiúÀo , fi^ próprias daHèJpanbny, 
cnlllo lia énçahô.' Km quanto tii'Grf>frii\ e voltas \ 
hè cèreo que fó o4 ííérpanhoes as úfárám ; t qUe, 
ém-ifcnhutn ténipò apparccíírànl fora dá Hefpanha: 
*m quanto aos VeKoi pçqaenoi^naô tein razaô /por-, 
que Gregdç , cCaf frios os ufôranfi ,. fe-prf Italianos ^ em; 
fódó<.òi tempos^ no fea Tdloma ; ^o qoe íena* fá- 
cil provar; O jtWzá qoé faí tf e' Gregório Sylvfeíhe 
J)e ornais aiiiftiddl com a*raza6 ^ çoiq^e na- ver- 
dade foi infigná:. ttnto .«nos vefíoa |»eqiien«9 , co- 
ttaalnat ciian9adai:Cfq|ftfx» Foi PòAuguei» .e nálu» 



D:0 £DlTÓ R* ^ í\ 

I 

jou notavelmente, enrrc todos os- HcfpanKoes , 
t tivera o ipriíiibiro lugar , fe Luís de Camõe* 
lho naõ ganhara , aíll * na agudeza dos conceitos , 
c |)ropriedade .das. palavias , como na habilidade 
de meter regra3 ino^oíCveis ; que j(nofttou muicd 
fluis tias outras Rhydimas , como logo diremos. 
E continuando^ eom clle , (^que he*'a terceira 
farte defte Prologo )y he- cf idem» «cmerida- 
de qacrer louvâ-lo ; porque ainda que os outros 
Poetas foíTem^ paoiailarmemç .^];)aUzado8 em aU 
guma perfeiç^p eípecíal , todavia a faims íaltoa 
a natureza 3 qtic IheôfizeíTe facil aeòntcxtura do 
verfo , lavrando-o com tanta afpcreza , c difficyl- 
fladc (*)^ que. parece qu& ^íbõ aUi as palayraf 
.- '• - . • ' ' i^io-' 



lal de l.i(tboa ; porem creou-fe , « viveo fempre n« 
Heíp^^ba» onde tratou outros tantbesn ^grc^io» fio 
mefmo. gcnero d* Verfjficaçaò ; aíTim como Garcia 
Sanclies de Badajoz , iJartliíolameli de Torfe$ ^filvar-» 
|í>., p. Joaó Ferj)iHidef do Heredia, e Chriftovaô de 
Caílilejo. A» Obraíiídit Sylvcftre íc imprimiram cnt 
L.isbqa , por Manoel de Lyra , anno de i$9â , cm 
doze ^:e depoi;i em Granada , por &9bá(liara dè Jíle-^ 
na, anno de; í^^.^tth oitavo. ^ 

; , C* i A<IM» d<»?^ eatrar o roefrao^ Ferreira , de queih* 
ii aciar)^ falíamos , o qiial' poftoque ttf efle Iraftánt^' 
ligj^ dos^r^cCíii j %undo alçauçtiops ám^Cuéi Obrfti;;> 



14 ADVERTÊNCIA 

violentadas , c os doinceítòs cncerr^o^ nellas por 
força: c aíll carecem da^fuavkkdCj; çm que tcoa» 



U.&. 



iòJDo lhe faltaífe oerpirtto , e naturèiá/píira a fua- 
vidadtt ^ e nieMia métrica ^ teii^ ieffos de tal aff^e* 
re?3^, c elcabroJldade , que, parpce deixatix os. ouvi- 
<!of eicalavndos^ a quétn os ouve recitar. Nao bal- 
t^m 08 muitos eftudos Foettçntg para congicuír 
hum Poeta . egrégio : também he neceífacio ^que- a 
índole , o génio , e a natureza , concorram, Horácio 
o<!iz: claramente 'na Poética /verf. 408. : 

: Natfira fieftt Uudabile earm^n , wt arte . 
^f^A^''*» ^ • ^^ 9iec ftudlttti^ jine Ãivitt vtntt > 
Nçc irude qttiã projit vídeo ingeniumi àltcrins fie 

' Altera pojeit opem res^ & chnjurat amlcèí 

Porém ef!e defeito que aqui apoõta Surrupita » nacl 
ptocedeo tanto no Ferreira ds falta do efpirito , ou 
natureza , quanto da pouca extenfaô que efte Poe- 
ta tinha no Idioma Portuguez , e de fe moílrar me- 
fios ínllruido na Acte verfiíicatoria. O Poeta qúe de* 
(e;a cooftituir^fe tal » deve entre otitrat muitas coa« 
ias » faher manejar bem aqnella Língua em que efere» 
«e.e^eílar lenhor delia» para que lhe oaô fuccéda ó 
meimo qae ao Ferreira » que para eílcher ter(os » a ca* 
da paiTo fe eflá fetvíodo das meftnas palavras « como 
Qjpnta^ ( já naquelle tempo fe òkt\% ejpirito ) e ou- 
tquitaeSf cto cfàe nuqca fe p^de fahir. Deve ter' co- 
nhecimento da naturei^ , ou ( cotuor lhe cKam» cer^ 
to Aut^pr ) Viffeii4e ^ e poder d«» letMt ; ^ve. íai)er 
quaes (to Asares f quaes M brandaií « aíf^eías» hit-- 
j&(ldef^ fonoui* jr«?eS| ftc. I^eve^tamíbèiif eonriíè- 



DO EDITOR. %í 

fiAç a meftna FQcfía , conforma a doutrina ds 
Fiacaftorio j.^pr.ícii/ Dialogo iopiulado, Naugc- 



cer das fy^labai, ^o% díphthongos , « das palavras» 
que fe <ompõe deífas mefítias leCraf , t fyllabas. De- 
ve tec noticia dá contracção dat vogaes ; em que 
lugares do verfo fe de^em » ou podem contrahir » 
ícin deformidade » ou offenfa dos ouvidos » e em 
que lugares nau. Deve também faber , em quanta 
ás palavcas « quaes fao (imples , <)uaef compoflat 9 
ufadas, antigas» eftfanhas« novas» próprias, tranf* 
latas , e % uradás* Deve , em fim » naó Ignorar qam 
<oura feja huma zqae os Gregoi chamam ivÇéttia^ 
e Quintiliano , vocãlitas ; e aíTentar com AHAotelee 
00 cep. primeiro da fua Poética , que quem prodii* 
lio a Poeíla foi a imitação , a harmonia « e o núme- 
ro. Todas eftas , e outras coufas » que deixamos aof 
que £zerem Tratados da veríificaçaó » deve faber o 
IPoeta , que qiiizer fater verfos que fe poíTam ler ; 
alias lhe fucccderá o mefmo que aeonteceo ao Fer- 
reira «que naó fó por falta de génio , mas por oa5 
ter os eftudos fuíficientes « nos deixou huns vétfot 
confragofos « duros , atidos , infipidps , defabridòf « 
muitas veces eirados «^^e taes que ainda naqueUé» 
^ue tem as mefmas onse fyllabas de que devein 
conftaf j noi naô he poffivel defco&rir algunvi ca- 
dencia.^ oj] liarJDpnia métrica^ coaio aqui fe verá« 
fera fahirmoa dôii Sonetos. 

Piw fidi^a .eníaõ poâer êfytêêetr^vot^ 
Nem .0 doàrddf^: Sol , «rm o Ci$ •ftrrfMé t 
Trmsm.hárai it.que efibats^ Mr ^ellégt . 
A luz , eafifgo.^..fm éffim m mim finttâ: 



H ADVEfgTíiNCÍ* 

fK) , tirada <te HomcW^ € (^ítitiUsaió* Ouâtoi 
cfííc aícançánto ter mais natuitatav ou por atcer- 
tar&Yrt de fcr pouco fcliccs na clciçaó das pala- 
vras V ou por* íiáô terem cabedal cófn* qiie ataviar 
òl praçaõ , aíli .'da lindeza dá lin^iiagcm , como 
de tropos , e figuras ^ íèm -as ijuabs Cicero ,. nem 
Virgílio 3 nunca faHàram, ufam' de hUfts termos 



tao 



£u como abraúíarei hunia dura ferra \ 
Daqueíla que "úenceo efireílâs , c fados : 
• Jí truz not trancos, cornos as luminofas : ' 
. *" ly outro diífejo mats fao ^ d*outroí hntores. 

piílp a, cada pafTo nefte Poeta :ie ppderetnos. nó^ 
fhaipar numeroíos a çftes, verfoi. taõ dignaiD^nte^ 
(;oino Luís de, Camões ( po Caotp^i. Eftancia ix. ) 
falíando com ó. Senhoc Rei D. Seballiaoi , chama* 
yjx aps fcus , . , 

«"^ V . '•; . * Vereh biim movo exei^ph^ 

' 5 IV amor dos pátrios fek&s vaíèrojòi 
, 'Em vcrfos dhttlfado numerofis} 

Pelo menos, fe ahi fç acha fuavidade, brandura» 
htjmero métrico , Muílca ou confonancia métrica , 
tomo lhe chamam os Medres , confeffamos' ínge- 
niiíimente , que naè atinamos com ella. Deftes mef- 
n)os achaques » aindaque ccrm melhores fymptonr.as » 
adoeceo Diogo Bocna^det ', de qnctn 'pouco differe 
feu contemporâneo V e amiga, Pedro de ^ndrado 
Çamivilui, 00 qual. vimo& huma^ Elegias « com ou-* 
Uos.Vieffoa^ ^iie correoi ontoMiçrietos. • 



no humildes y « vblg^res , "" comtr: fe a iiatufczlf 
da Põcfía naó confíftira em fcr levantada do ufo 
coriímum de fatiar 7 ifoAfóriftc^a^Dptntafi' dr Plu- 
tarco , tio í<^ Tratado da ÍPóètidi , c de Rhoài- 
gino 9 210 cap.^4.. do livro 4.:0muqs que fe me-< 
Ihoram mais* ria lingiiagcm ,' háéP tem nenhuma 
eruíiçaõ cotn ' quç. ilIuÇttem íuaí Obras ^ íenáp 
verdade, cpi^ip . i^Í2\ , Rhodiçiaq,, no çap. 2- .do 
mefmo Livro , que fó aquelles fe* cbamnn Poe- 
tas legíf imos i-qite-^moftrlràm' notícia dfe-- dHAr- 
Ès" 5cicnciás*. eqà Tuas ..Obras %* como. ÒrphíS) ^ 
Homero, Virgilioy-e PindarcL^ E-pelo contrário V 
Lui5 de Çam6èé efljc 'tao aíEíitèkdd de todoá cftes 
à&íeixoa , , qucj juRtiaiaence v^n^fn^niiie t^Mfza 
pròmptiffima j para declarar 'fertspchfamerítbs ; 
acj?9?panhadía àç ; hum^ facilidade , natural , ' ,'qjié 
etiche -os fcu» verfos cb fuavidadé ; e cM^ «Ut 
íiumaí ÍÍttgúágep'^taô piira, e'orna4a de todos os 
li]in/t$:<ia,eloiíuça^9 e uõrica de cotysxii^o ç 
*\^»Ôs^3^Í3Sf^ de^kôdàs' áà Sdendfa^ ; qúe parece 
fSiÇi\flÍ^e[SpJ^ a arte>, ;c a.çaairçza. ^k|:,^^J> 
c^:'^uft oònf inha para fti&irl aoí^^ab alto dk^P^e- 
íia!..\E'*cóm^fét exceÍkÂt(?'^''?m^%da à fottfc 3c 
RhytbnukS;.^ ts : mik. eípcdal do- vcríb. fHsqúcnp 



i8 ADVEKTESa-lA 

como jâ diíTcmos ( *) > u^uto ^rviifr o foi tísis 
-.-.i ■ r.: '-Can- 



.;•(*) Pw butnai cçr^lftante obfe.çi^çjijS^ fe tem af- 
fehtádo , que nem todos os Poetas fe acham iguaU 
mente grandes em todas as cbmpèfíçSes : ôbfetva- 
fe., que huns fé abahiáram vaaM f|ii homas » eqtie 
outros fe diílinguíram mais em outras. O defprezar* 
fe o confeihoque Hdracio dá nroi 

Srmiti thatetim^i ijefirh i quh fcritUtf^y igquãm 
'• Vinh^y &iC.'\ . ;■. ' i-' •:"■' . • • • - . •■ 
ipM^ S94 tenhl^ <}ada octafiaó a< alguns ff defpenha^ 
rem. rjá acima vimos (e o poderáo ver todos os que 
liares de |5aixàd 6 quizerem ler'} i:]uánto António 
ferfeira pôde nos'verfos hendeçafulllaboi » ou «aiò^ 
res : a^ora Iratatemos tie mais alguns . Portuguezes. 
O noíTo Sá e 'Miranda » pelas durezas he nos verfos 
gVáhdés ififuppoftiiiy'; ao me(Vnb tempo* qii« nos 
j)eqiieiH>s'* be fef^eacioTp i-fuava^^i ;brando , .e di^qo 
de ler-fe. Diogo Bernardes ao conti^áno i^ tiradas tam« 
bem certas durezas; ea piírafe bkii^a » è humilde » 
jCQim qae feexplicòjijem: náiitoi lugares < he nijdbor 
l^os maiores «^.que.. nos menores. Na6 exiftem yçrfos 
pequenos de valco Mnufinho de 'Quevedo » nem 
tam poUCo de á>abriei Pereira <}e Çaftro « que a Ha* 
^e^os r P^de fer que^ os naó viífemoiitaô b^ipor 
nioíos • e cheios de^ fuavidade métrica , como os 
'grandes*, que-femos deftes dmis Poetas. O noSb 
-Ffàbcifco 'Hodrigues. Lobo meteo-fe á faxer- hum 
poema Épico jipa^pelft froxida^ de», eCpirito ; falta 
degenío» eT6i'ças/ veio á perder aquélle credito , 
H}tié:aJiàs confeguíra nas comp^fiçdcs «humildes *, è 
pequeoas • que foube tratar. As fuos dez E«togiè de 



Canções (* ) , badc guardou de maneini codâS ai 
leif delias, qàe ticnhuma iiweja pode ter a Petrar- 
ca 9 Bembo , e Çárcilaflo , qoe nefte getiero íàõ os 
mais IiOQvacba : e'o nkermo h^ar tem na ihaioir 
putfi dosjSo«ecot>, « o ti vei^ em todos , fe alguns 
Kpm^^cpxí.vààimpKSos por feus , naõ foram fisicoa 
Ccnt). cuidado* viàílimporninaçaõ de amigos ^ onde 
oeontece muitas inezeslacudir mais & prcfti (^^j) 
, ii. • ' -•: '. : :t>'i .■^'B..ii ' -■ com- 

r -..' j ' ^ • ;;" ■ ! ■ r r V . • ' J ' ' ■i ^ ''* J . ' ' ' ' .♦ * 
verfos menores > eftímarn-fe naquelle género , por ' 
búma d^s melhores coufas da Hefpanba. Aflim ef* 
te AuthòT iílào"' andara tao corrupto*^ c depravado 
pela ilgnofÀncnf rTy^grafidi i-EfleJuiso rque aqui 
íiiSat deftes Aucboi^vs (pòdcra fcp >drmais^ algtín», 
agras pornaó fiherVnós iongo efte'e(fcufto , * os úHtút" 
tHfioe), poderá* padâceè) 9m cof»«radico(kt ál» iilgttiff 
âpaixdtHidos >; povémb }comoi vHe nad>'! her- tiòflb >( ^o^ 
«i.^^Hijr*>ingenúidqd6 ntponhecemos a' pobrezir idds 
noflbt elludos ) li o:ÍBÍam os que tem 'TeUs dapri- 
chof > na Foetidi \f*,oom\xn ^ue* Vieram piimeiro que 
fi4(lii^ue\ támbemf' fouberam feu^ p«H>cÍD .4e' Poefia: 
i-i> jC ^^^0 ^ < mimaf diSair^de fe dMfdír i^tm que 
■Ol^raà fí» a«antíjau'j«bif Lais de CabwSés'/ Tentfò 
^./glande em tmáiui s^sneíle higar/palrecè que«p«f- 
4cf>de:NSttRfupita , .q«i< ifs prefiram- a tCJiniçôes a til- 
das ;,8»:^otttrA9 Rbyftbmat':do Poeta .< pér^n tiaó* ^- 
taiVi^bòns iateJl^ntes , que cftefaw* màis a fi^èc 
4Ías. Odes ». que daf^Qan^óet. ' ^' , "\ ^ * '^ 

:. . iC t! )i4iadsiqttláe.dá eutia r^aâ v «^rem Vfíèr a 

que intervém grande differei^ca em 4fori^4r ^K^ 



to ADVERlTTENGIA' 

com^ que osípedem , quc; i. ^dgaçap efe jos 
limar ; c ddppis ^ iem vontade-^ Aucbor Te jiu* 
fclicam por feu$.:. Tratair idò< <iâ]Ao fíeroioo naõ 
te- dcftc lugar r'jp<>cleTà Éizè»-Io gitcèi commcn^ 
tar à fua Luíiâda.: (5); mas <o que coiti cazaõ 
ie ppde aSirmar fae, jqpe* ietii]apr4o\ nelfarrtanip 
rS f iíca as obrigações daPoorpailEpIcp', <lue fetaaS 
parecera arroganda , . pjudocamos dar4he. allcoto 
ipvico perto de Virgílio. Porque na graiydeza, 
gravidade 3 T'teritK)nía às&yslswir'; na^lraçá". 



. luQtario. , oú cooSirangido , e <»l^rí&;adf». : Aceites* »(*• 
, AhbpI^DS qtte: TaÀ^ etícdhídòs ;^ ptel():i.ft)dJfto^PcBÍr»\ 
.fe^prftdçHCiB^|)reninMc.qub?ki6-de fee^mai^ bcmi 
:trat/t4Qi[, .qi|:«i outros , qae de::íóra le.lbe^pfApde^ 
ii9^.nc(^oí dtCciírrnr ofdinanameoter tepc|gna neftecaiL 
rllfiiòff :^ii0 fReí\TKi >tampo < que exfrertinentainsi v^^>^ 
.fnuito^^goílofbr.shfQça os^pcioieirosl ' . > ^o * . 

poderá fazê-^hnptemeúmmentar ka fktt-JjuftêJaí.\Affim 
.;fjE|luo:«fta,paílagem<:na 'prinsirini Béri;a6 « (jii<fae )co* 
r^x^ feM Author a efcrev^o. S^goo^r-vcz iíè teiplii 
.foio efte Prokigo?; nlas ot.apakáoméos tie M^nml 
-fioxre^;» tal.ve:&.pafa faiereni ^Msaiec ofevCiHBtinfi^ 
• lo ,:( na verdade, .pouco inerageBdoridefteJMMiier}?»!^ 
:CÍ4vaui «jSq Juçar » « imprJiB}rani.:.!&*«l4r Voií/i^^ 
Heróico naõ be de fie lugar; psorçuè o-Ueenciadi^Mta^' 
ni0lC(irnaf qiu íftácommentanivfyas Lupaiái ierí 



DO editor: n 

c^díifbirfo da Obra; nã airezi do fogerto , fe* 
guio em tudo as pizadas de^VirgiKo ; e nas fie* 
ções allegoricas '(' ^^^ ^ qua<s naé pôde haver 
nenhum Poema Heróico , cotif^rme a opinião de 
Arifioceles , referida por Rhodígioo , no mcfmo 
Uv. 4. cap. 4. y e ao que efcreveo Pluttrcho , no 
bgar acima- aflegado , reprehendendo a Empédo- 
cles y Parmehfdes ^ Nicandro y e Theognides , por 
ufurparem o liome de Poetas ^ f& com verfos ii- 
cosrdc doutrina ,* mas defacompanhados de 'fic- 
ções ) moflrou taô admirável engenho , que qua^ 
fi fe igualou a. Homero : e oxalá pudera hútm^ 
Ihar a grandeaa delle , em algumas das Ecbgas', 
conformandoffe niàís com o eftyio Bucólico (i!)w 

"I m II l i ' >l ■ I I j ii , i j 1 , 1 II '1 1 l i 

(*') Todos concordam qufe no elly^o Pucotfco 
fe deve dar o primeiro lugar a TbeocHto ; e <}oe- 
rem que depois delle fe figa logo Virgílio , naò 
obí!ante ter penfatnentos levantados , e fubliiTies . 
menos próprios' dlVcoiiipoíiçtJer deftc género. O 
iHyffo Oinlóes , ou por muito exada imitador de 
Virgílio g ou pel^o' cc^ume de dtfcofTef f«ihre af- 
fumpfos nobres, 'e heróicos rou taWex por íes naõ 
poder dofkiár a (i Tmefuio no feu ent4tuíiarira ,: ea- 
M<^ no roefmo defeito ; especialmente nas f ciosas 
primeira, fegunda, e fextà : porém 'o& itUelligentes 
lhe concedem fempre hum lugar mui didtaâcb» 



rtz ADVERTiENCJA 

E:pQÍloquç maó: faltam, naurmuradòres qoercitQmi 
niàram fuás Obrá$^ naó cfcurcce iíTo o metcct^ 
mento 'delias ^ porque também Vurgílio y c Ho* 
mero , paílaràm por eftc trance.,. que hc natnml 
a todos os engenhos raros : em tanta y que fó 
de erros de Virgílio , compoz Çarbilio y Qiamf 
maciço y hum livro inteiro : e . Cefòr Calt^Iai qut 
fou aíErmar y que nenhuma .habilidade y nem eiA^ 
4liçaõ tirera ; e elleve d&tecmín^o. pr? voí/údàt 
meter no fogo fuás . obras , e rctracós y tqqe' havia 
-cm algumas Livrarias, como conta cSuetonjoTran* 
<fjílló y e Pjcdco Crinito , no llv.i. ;. dos Poetai 
Jjatinofi^ Ecom ifto naõ rqfta mais que lembrar, 
4ue os erros que houver nefla ' impireflaõ , > naõ 
paflaram por alto a quem ajudou a copiar efte 
Lívio ;- -mas acheu-fe que e«a menos incenve- 
^eme irem aílinx como íè achacam,, por^ confe- 
rencia de alguns Livros de mão , onde eftasObras 

n I . . _ . , . ■ - .'^"; ^ 

merecido por eftes Poemas. SaÒ muito tftimadas as 
-Eclof^as de Kemeíiano , de HierMymo Vida , e jdo 
noíTo Portufuez- Henrique Caiado. Na Itália texn-fe 
pelas melhores as de Be^ardiítoUòta , LodoviçoPa^ 
terèo , PanfiloSaíTo.» Serafíno A4nilaQo,,)e.Sai>na^ 
zaro , na Arcádia. Na Hefpan ha naô teiii igoaes as 
1c Carçilaffo. ... 



. DO EDITOIR. \ 2^ 

andavam eipedaçactâs y ijae' nad Srrolar as compor 
filões átheías 3 fcmcerreza evideme de fer a cmcn*- 
da vcrdadeim ; porque fempte xios boivs entendK 
mentos 662. ttktvzdo julgarem^, que naõ faõ er* 
ro8 do Author, íènaõ. vício do 'tempo, e inad- 
venqncia de qtiem as cnahdbti (*)• E fegue-^c 
aífto^ o^parçcer de Augufio^Ge&r; q«e oa^conv- 
miflaõ qóedeo.a Vario , «aTocca y para emen- 
dar a Eneida de Virgílio j.Ihedefinidco exprefla- 
mente ^ que nenhuma icouiãr mudaSem ^ nem ac^ 
crefcentaíTem ; porque em effeico he confundir a 
fubftancia dos verfos , e conceitos do Author , 
com as palavras , e invenção de quem emenda » 
fem ficar ao diante ceneza fe o que fe lè he pro* 

prio, 

(*) Os muitos vícios > e erros» que Fernando 
Rodrigues Lobo Surrupies achou T e de que judiíli- 
mamente fe queixa ) nas cópias que defcobrto deífas 
poucas Rhythmas de Camões » que fe imprimiram 
no anno de 1595* • deram èccaiia6 'a que as níier-<^ 
mas.Rhythmas » nefia primeira EdiçaÓ fahiffem ir.uU 
to erradas. Defte defgoflo porém nos tirou . alguns 
annos depois , Manoel de Fari» c Soufa ; o qual , 
alcançando com immenfo trabalho » e incrivel dili- 
gencia 9 Manufcriptos do Poeta « nos deo ( á exce- 
pção dos verfos menores^) hum corpo das fu3S 
Obras ^'completo em quanto á certesa* 



54 ADVERTBíBCMn DD EDITOR: 
pria 3 fc cmetiásiéíé^E por iflb,fc'.iuõ bnlio \em 
mais^ que fóna^lo qocdacamlet^te. cotiftoi^tcr 
vicio dafcntia;r^ei>m3iâ vai aÇ como ícachou 
efcripco , e muicpf.idtfferencc: àa /^ » houvera de 
ir , fe Luís dcjCimóes. em fua: v^da -o. dera á faor- 
prefl^aõ. Mas aíl) ^akaideftara^oiuas.yr^ieo 
-tempo y eaigQoraiiàa Ihcfi^ra;^ tefplandecc wtr 
CO a luz de íbus imeflecímentos: ^ < qbe baftâ. pao 
nefte; género de PoeGa nao hàvcraíbos inveja, aa^ 
nhuma Naçaõ Eâiangiciia. ; 



O Licenciado Fernão JRodrigim Lob^ 
Sftrrítpitay MvogJtdo fiéfta Cone. ; 



KHI-. 




D o "G R A N/DE ' , ^ 

lÀJlá':^- CAMÕES.; 

PAR TE P R IM E I R A. : ^ 
S'0NÊT'0S. '* 




M4 

LM 4|(l^nbo <|ttk íbrmnà cpe rivtflT^ 
lEíperánça de algum conoqirimencf^ 
jOg^Ao de luBn:fosve'penramem(>' ' 
■ Mc fez ^e. fous effetios éfcreveffe» í 
Porém tcmeudo amor que ayifa^déffè 
Minha efaipnica a ;d§;uin juijso ifento , > : i 
Efcura:eo-mc o engeohoco^o. tornlentO',^' \ ■:,• 
Para que feus. en^^os naõ diíkQe.:, ^ « ' T 

O*' v6s(5 que Ham^ie obriga, a fei; íujêkws ( / 1 
A àxvtKb9 vontade i.quatâo daxies . . • / . riri 
N'hum breve Iiy«pHcaíbs. taé. diverfos ; ? - . [ 

Vedades purasi &õb.)t einao. dfi&icpsu. i 
Entendei que fegvndo j o. íamor tiwdcsíi 
Tcrçis o ent5nidi|0í;mo dç vsa^vtsi^^Bpú». 



■ t^/i 



^' ríO 
II. 



atf R H Y T H M A S. 

: T^ XJ catitarei :de amor taó^decrmente, 

' -I— 'Por hws temios ciii fí m^-Q^s^tcijiddQS,,* 

*Quc dous mil accidehtes namorados - 

Faça fcntir aé' pjeitó 'que nae íçiitc,'^ , 
*'~ Farei ^uc amor% todo? ''afívenre , ' "^ 

Pintando . mil. fegrçdoe^dicadoí , . • ^ ; 

Brandas irás, fuíJ)iros ma^goados^' ' ^ 

Temerofa ouía^ia y c , penijiufriitç^ 

Tambcm , Senhora , do defprezo honefi^ 

De tdTa yift^ biánda, e ri^ipfa ,/' . ^. ^ ; 

Côfitentar-me-liei dizendo a menor pane : ' 
Porjém para cancaç de vpflo g^m \ ; 

A ccmpofiçaõ alta , c milagrôfa , 

Aqui falta fabcr;,íCíçetí|oV;ctárt^;i^ 

III. 

COm gftndcs cí|itran^siâ-<aiitci, - ^: 

Com que os deofes no Olympo conquãHu^; 
Depois YÍm a chorar porque canórá , 
E igotit choro já porque chci^i. 

Se cuido nas paíEidas.quc já <fci , ■ i ^i 
Cufta-me efla lembrança fó- taã' cara , 
Que a dor de ver as mágoas que pdÓia^ 
Tenho por a. mói mágoa que paflfei. 

Pois logo, fc eftá claro que hum tormenta 
Dá cauía que outro na alma íe acaefcenoe. > 
]á nunca poffo cer contentamento. f : 

Mas eífat phianbfia fe me mente} 
Oh ociofoc ccgppcnfamento! 
Ainda eu.âmaEuio ^m fer contentei 



PARJTE PRIMEIRA. 2^ 

DEfpois^ (fíc qttíz amor que- en f6 paflailt .] 
Quanto tinal já por muicoff rcTpardo ^ 
Entregou^me â fortuna , pórqiie vio 
Que naõ tinha mais mal «fue em mi moftraíTe.^ 

Eila , . porqne do amor fe^vamajafle 
Na pena a que cUc fó nac reduzio , ' 

O que pata ninguém fe coníencio , 
Para mim confentio que l"c invcntaffe. 

£ís>me aqni vou com v&río fom gritando V 
Copiofo e exempiario pata a eente , . ' ' 

Que deftes deus tyraiinos hç iujeita : ... 

Deívaiion tm Ycrfos concertando. . ; 
Trifte quornifeii. defcanfo tamo eftreia , 
Que deftc uõ pequeno cftà qanteiice! 

v; 

EM prisões balsas fur húm tempo atado ;' ^^ 
Vcrgonhofo caftigo de ; meu» cnòs : - 
Inda agora arrojaado levo os fcnros , 
Que a morte , a meu pozar , tem já quebrado*. 

Sacrifiquei ^ vida a meu cuidado ; - ^ 
Que amor,náó quer a>cdeifOS y nem bezenost ] 
vi mágoas , v^i/niíerías « vi dcfterros :. 
Parece-me que eftava affi otdenado. • ' 

Cont^tci-me com potico.^ conhecendo í 1 
Que era o contentamento «vergonhofo » > » ■ 
So por ver xjue couíà cra-íviver ledo. ' /I 

Mas n^ioha efirella , que eu já agora etuenlo , 
A mone cega , e o cafo duvidofo , . / ^'1 
Me fizeram (fe. £oftps haver medo. . t • . ' 

VI. 



^8 , RHÍYTMRIAÍ-.' ^ 

VL 

ILluflie c digno ramo dos McncBcsS'^' * 
Aos fluacs o^ providcnre y c làtgo .Ceo 
(Que errar naô- fafeic*) e^i dote coni!ttleo^ -• 
Qiíe rompeíTc os iMasHomcdcos amczcs : » "^ ^ 

Defprczatido a fortuna , c fciis revezes ^ 
Ide para onde o fedo vos /ttiovco : 
Erguei flammas no mar ako Erythreo , 
E lereis nova luz aosPortugoezcs. 

Pp{>rimí com taó firme c forre peito 
O Pirata inCoIente,.^ne.fe efcàntc - - • 

E trema Taprobana j e Qedroíia. 

Dai nova caufa a cor do Arabo Eftprifo ^ 
Affi que o.Rôxo'mar deaqtii em Hiiwic , 
O feja fó com fangue de Turquia* > 

VIL 

NO tempo que dfe' anwf vífer folila ,* 
Nem femprr andava ato remofertolhacíoj 
Antes agora livrç \ açora atado , ' > ' 
Em varias «flammas vàriameme ardia. - 

Que ardcffe n'hum fò fogo naô queria 
OCco, poixpic «vefle cjcprimetiiadò' , 
Que nem mudar as caufas ao cuidado , 
Mudança na venmra me faria* 

E fe algum pouco tempo andava: iftnto. 
Foi como quem co- o pezo defcanfòu • v . 
Por tomar a danfo 'com mai«"alo»o;v' ' 
• Louxrado {eia amor emmeii tormento. 
Pois para paflatctnbo . feu tomoo • '-- 
Efte meu taõ cai^o fo&Vimenfo» 

VIIL 



PAáRTE PRilMBIUA. S^ 

VIU. 

A Mor, <pie orgcfto híimaíKvna alma fefórcvjb^ 
Vivas faiíca3^rnè ftt<MftroÉr hum dííti • . \ 
Donde hum puro cryftal.fc^iátttctSa •-'- 

Por entre vfuajçiyfefasy ç «Iva neve. '"" " ' 

A viftáv^<{iie etttii mtrtna naõ fe áére^e'^ 
Por (€ certificar 'do- que altíoviá , '>^ 

Foi convertida em fonte, <jue»'fe5íia « * . . . • 
Ador ao foffrimento^doceiifelií^e. - • 

Jura amor , guc brandufa^^e vontade •'<.'-' 
Caufa Ot primeira^ êfFeico t <y penífament» ;; > 
Endoudecç íbiicàidap qise Ke 'deidade. - - ' 

Olhai como íamof gera «?m hum nCiortíeálòi 
De lag^rimasí dchonefta piedííde', • •' •' ^ I 
Lagrimas f^rcimmditalcottt^ntámèmo. • ^-» 

TAnt€^i.àífmmi csíbdd^ffiá-^ho ffíceftV',^ J" 
Que w*{vivi> ardot trftftiendó eftoti dc!fri<rí 

Sem caufa 'janiRtKtíite liiômi^^ tViô i M> J > 
Omundo codorabaríií jTcí^iíttáârta{*rtoi^ í^ '^ul 

He' tudo irisam» fibt» iiempíAífcõnceftó f- • ' 
Da alma hun> fogo me faíic i ídàrviíte-hfittfirtd':?" 
Agpra cfperoi Qgoráfc défcoftfio'; » -í" ^ nb vi O 
Agora de6jí«to;.ligDrtl âcéítrt/>> • p / i jir.ino^I 

^Eftando «mnewttnéheg«:íWK>ó>*vôttnAi>»'-l 
N'hum'hòrr"adí}oí mil antioky ei'hé' de gféíte ; ^ 
Que em-JUril laikm fM&^fdflb achar hurtfhtwa.-* 

Sc2ia»rpftrc^ta alfjem ^ 'pèr^iie nffi in*íi 
Refpondo^i/qiiejnaô-feíí; .píi!í»i'fef(yeka' ^^ '^ >^ 
Que fó ^oBsp]ei:vas vi^ltarij^^iSefthèi*. -P - í ' 

X. 



4^ ." EiHiYTHM AS- T 

Por virtude jdo n^úo imagioar: ^ ^ 
Naõ teiiho logft^ jçfilis qiic .defejarjji ...•-». . 
Pois em miixi rçaha jí farte tweiiãsc. \ 

i^ejQ^lla eftá miioha awã ccaosGoHipada^/ 
Qúè mais defeja ojcorpio de akançarl^• . i 
Em fi fomente pede defcanfar , ^ t .« 
Pois com ellç tal alnja/^ftà liada;.' *> 

Mas cfta Und^ e/piw.fciBidca^ , ~ 
Que coí?í.e,íQ a«WQPte«ífm ftuJojcâ^ : 
AíH com a alma .iinidia fe; oonfómut ; • 

f<ftk::i*ç», penfamcmo /comoi idéa çí: . . 
Ex> vivo e puro '}â«itwí -dç. ouc foa fiEsito.jj^ 
Como a v[mmÍ!^.^»^^:^mG^^A^^^^ • 



M( 



ue fó pof 4':von|:âQ>^m;9m'peno 
!e fica ^Hjp.CídcvífAdoiiX^i^-tonnehto. -í • • 
Ma^ Yâri-pic^ 4mor fnátandò tamoa nimo , > 
'5«¥fímnd9,,^ani^ga :ço' o vencjw ^ 
Que do penar a pxdpm.d^fQcdem) , , j 
Porque naó mo coA&nte. p fpjffynacato. . r * 

PíKéK^ fc.cfi#Ã3<çza;o amor^fcmc,' 
E pí^^nie> m<únn)al:Com mal perroidc , 
Torn^i-Áac <;om:pra;gãL<^9mo a<ySol neyc. 

*1Í5hI» fc nic:ve <co'ps males taóxaoptciiteí. 
Faz-fe ava^>::5Ía/fenar> porque ent^d^v^' c .: - 
Que qu^MK^iiuv^^inisíp^s xnAiS}£Ç^ • 

%* XII* 

ff" 



P A 1^ XE> P;IH Wm ftA. 4t 

XII. 

EM flor vc^^^^^ai^cou y òc cw&crcCcâài, [^ 
( Ah Scríbor E)am António ! ) a dura fonÀ , 
Donde fa:^n^|(X; aliava: o. br^oíorce , 

Huma fó lazao, tenho conhecida ^ 
Com que tamanha mágpa (e contoi^; 

Sue íe no Mutinlo rhavia honrada^ Qiorce , 
ao podíeis vos ter m^is larg^. vida. . , . 

Se meus bunulijíçs verfos podem tanto / 

Que co' o í}<tfgoi meu fç iguale á Arte5 
Erpcciál maurriamc fcfcis, .. - 

E cekbfadQTcnii trifte íf^-k^tiQ^ canto , 
Sc morreftês nas' máos do;fifro Mane^ 
Na pKmorii ,4^. SÇ»tes vív^rw. .' r- > . ; .: 



N 



xnf; 

'Jgb^Kk^^m: %doj/iadQ àtt icfdiinL 9 f t *j 
_ - Que' efin^ll^^^am por diça .ráias florc^fCji. 
Entrou hum dja ía deoU: dos amores y- :•( > 

Com a dcofa da .caça^ ç. da cfpeflbfa. j >! 'i 

Diatfa mím^iogR Wa rafá^íura', / V'- 
Vénus hum roxo \ lyrip.^ . doa melhores :' : . ' / ' 
Mas çxççdiaÈài.lPí|íí9 á^ outras flores , • r ^ - • 
As violas nai graça! ,.e foimofura.' - • > 1 / 

Qual de aotóitóitrcs Jprcj .tomaria:, 

Por maisrHíftVor^ffípum:, e ínais, formoô.' •/ 

Soirindo-íe.^ minino lhos toimava: > 

Toda$ ftx>0K)Í9S &õ; mds eu queria i f ' 

Viola aatcsft.qHK lyiíio , pena qm roCu i í.:. / 



XIV. 

4-'^ Sá' tíifo:á árdttfr dtefe ttàà fèiáfíi •; 
Que o repotifoictejfogo icm Que- cBc ardia , 
Confiftia na Nympha^^He^ biifeàVaJ . ' 

Os montes ^^^rècía <[ue abkláva - ' » i . 

Ocrifte fom'^dtís^'tóg(oas'que'afeikf *'^ ♦ - '**• '^ 
Mas nada^o-^áUrtíf^ito éommdx^ray *' '/-' ■/ 
Que na vontó<í^'^de' oótro f òftò eftava. ^ ^ •^' • 

Canfadô:jâ^cteíártá>r pdr^a cípeffUík j - ' *- 
No tronca <ie huíte faià^, 'fitt? IfeMbiknÇaj^ " ' 
Efcrcve eftas pabvras <k-WÍBèíáà*'^ >' 

Nunca cp^tth» tíSí^iti lua Jefpéránça ' ' -i 
Em peito tfefiriíifl,oT|íicí^de'ttatiirá; <^ ' «^ /^ 

Somente em fcr •íliadivel iéih? fiSitóa. '- » - ' 

BUfqwe ^aèior t«íva$ artes , nohrò enget^ò l -^ 
P^atsi nrnir^mtfy & liovas d^iviírfças ; 
Que naó pódemur-mi ds- e^etfaíii^asi , • • ' 
Pois mal rac"íiratk"a2quc .eaJAad tenho. • ^'■' - 

Olhai de que feff^mnças mç'^huiâitíiho' ! ' ' 
Vede que: ptt^fts feguuaífça^;!"'*' ^ ' 
Pois naõ tçmo^^^bittAlftes , neitithiidáiíçaií , 
Andando em bnixro^^^fliar pôTdidó -ò-leilno* ' 

Mas Qocarqi^rnio VA^ f>óde{hiver'defga|flo^ 
Onde efpeiança\fate^^^líi''iitóifcfedÉáeF 
Amor «bà msã ,r qu» ma^ v e tiafcfe'Vè. -• ^ ' 

Que dias; lia «que íia alma me ^rn pofto« ; 
Hú naó fci que ,, qQ6 nafcc tiaô &t -áide 5 ' ' 
Vem naãfeiconajd , -c^oc -naõ feí>poíquc. ^ ' 

.vr: XVI. 



PAR TÉfíp-Rl MEIRA. « 

O Vem ^; SáiWia ;dktò ; e ifiatrifcftb ^ ' 
O lindo ícr de vcrflw olhos bcflòí', . ; 
Scnaé per^íter a vifttt fó com vclloá^'' ■ 
Jà naô paga d^qiie deve a voffo geftò/' '-^ " 

Eftc n« patecia prèpòhoftéftfiT 
Mas cu , por ide vantagem inç*ecelteè, " 
Dei mais a vida ; ^ almaf»^ pòi* quírellos. 
Donde jà me naõ fica mais d« refto. 

AfR^ue^^^TM^y (pie; tida •, que eí^rançá , 
E que quaniofbr meu ,ihc wdo vWo:^ 
Mas de tudo' o 4íitcfcífe^cU'fó oleico. ' 

Porque hc tamanha '1>emaVettttífân^á' : '* 
O dar-vos quanto tenho , e quanto pofib-^ " • 
Que quanto . fttaii v<^f^^, "tíiai^VoS'^H^<' 

XVfi. 

QUando da tóla vffta \ e doce rife ;; ^ 
Tomaado cftaó .ntciW olhos mantiméitOf ; 
Taó elevado fintfo ó ' penfamentp , ^ ' ^ , ' 
Que me faz ver nk terta o Paralfo.' ^"' ' 

Tamo dó bem humano eftou divifo ', 
Qiie qualquer outro bem julgo pbr vento: •'. * 
AlH que €tti fertfto tal j-^Ôfgufido fcrito ,• ?^ ' ' • 
Pouco venfv a fazer quem 'perde O fifo. /^ ^[ ^ '. ' 

Em louvar-vòSí, Sttlhoray tiácíjphe fortHô»^ • 
Porque quem vrtfes i^áças-clam^entè i' "* / ' ^'' 
Sentirá que ftàópóde^cónhecciraín^ .c>;;:í.i .H 

Pois^ de ' «inta èftf^hWííi^ foíÈi ' ao Muiícló ,' - ' 
Que naõthe 4<f éftfánliaf y Dantá c^ceMcnté.^ i^ ^^ 
Que quem vW^^V^Z^^ C<í<>»> te^ElírèKaà. P* 

Wni. II. G XVllI, 



Que rnr tirou íotítmz, roubadbui.ji ' 

Deixai-mç dcfpaíifaç.cm. paz.hunft' hontj- - " 
Qiic comigd ganhais, pouca viítofU». ; { • - _ 

Impreíli tenho na alma larga Wftor»;, 
Dcftc paíladp bçni ,.:qi|f5 nunca fota:j , • 

Ou for;^, e tiaó pí^íla^rsi t ipas já.agooá : '•./[ 
.Em mí naõ.j3Ó<íç t^gvpn/n^ais .que a-jincmoria, t ! 

Vivíj .cn^ Jiembranças jtnorro jdcdqiiísciílo. 
De <]W':fçníf>çc.4^Mè^ífçrilçmbradaj-.i^ . - 
Sc lhe lernh^ra.fQiidootaó .oom^OSe* ' «/• í ■ ,1 

Oh quem, KMn^T; pjidçca ^ íct nafcido ! . . 
Souberarmc lograr do Jb^ra; . ^(lado , ■ ' - 

Sc <iw\6ce£,í/qu^ia,^vjEíi|iI ptefcm \ -,: ) 

ALma minha^ ficuti^ §; íj^jc te paitiflbí ' ./ \ 
^7í^^<;edo defta yi(fc cjofcíomcnçc ^ - 
Repoufa la .w C<;<), ççernaimente ^ i . i 
E viva eu cà na t^m Jempçt tfiflie* ^ ' ;/' . ) 

Se là no aíTcnmJíihpieo-j onde fubíftcí^ 
Memofig^dcfla vidji-feconíiçnrc:, .^ :• 

Naõ te efqucças dc; a<jí}elle amor ardfflte>iY, : ./\ 
Que jà nos olhos- meús.iaõ purp viftcc-v / i .>^i 

E í^ôW-Ç^ spc pode; mer<c<ír-te , . i ., . » 
Algua coufajfa,dor5:jq\iç me fiaou/ n-' .;; . 
Da màgoà, fem remédio de pcrdôr-^tcs..!) xíto >': 
f Roga.:;>i Deos. que tcss aionod tnoirco^ > 
Que çió ççdí?j4ç çà'ipe«le¥ç s^ irtir-eeí, u: - ^ 
Quíõj.^d^.dç ^e0d QlhQ$ ip::lâvw< m;. > x, i 



PA^TEMíRíIMBrRA; . ^ 

. XX, 

N;i}u* bo£]uc{ ,. 5 das Nymphar fc Kabrwyff ,(* 
Sibc^lla., Mympna linoa, andava hu dia^' 
£ fubidist<^in huma aryore fombria j f 

As an)áreUas flore», apanhava. 

Cupido y que alli iempre coftumava 
Avir paíTar a féfta à íombra fria*, 
Em hum r^mo , arco ^ e férias , que crazía » 
Ante^ que adonpeccflè , peodurava. 

^ A Nymplia , como idóneo tempo . vira 
Farsi tamanha cmpreza ^ naõ. dilata; . ^ 

Mas com n armas, foj^e ao, >noço efquivo« . -^ 

As (éttas tca% nps olhos, com que tg:a» - 
O* Paftorcs ; fugi , que a todo» inata , 
Senaõ a imm^ ,qu.e dç, matar-ínç.vivo» - r. 

. XXI, 

OS Keinos^^ , :ç os Impérios poderofos , ^ '' \ 
Qpe em .grandeza no Mundo mais cr<efc^iaoéj 
Ou por valor dç esforço florccèram ,. : " 

Ou por Barões/nas letras efpantofos. X 

Teve Grécia Th/uniftoçles famofos^ 
Os Scipióes a Roma engcandecêram j . ... A" 
Doze Çares a, França gloria deram \ 
Cides a.ílefpaah^ 5 c Laras bcUiçoíbs. : 

Ao nçffo Portugal, que agora vemos ... 
Taô diffecente deXeu fer. primeiro , 
Cte vo^«s decam honra , e liberdade. í 

E tm vós ,..gffiaríiicçeirot , ^ wvp herdcijFo 
l>â.-Biagan$aõ^(Eílado< i Jba. mil extremçs ^t 

Igpaes ao.ÊB^pr.,:.e.nAÓr0$. que^.idad^. > :: 



t$6 - R;H y TÍÍSI AS; \ 
xxn. 

D Evos mcpãfto^ óvida, fc era tal' ftiú^ça 
Sitiio vivo da mort^ o feniimento;- 
N?5 fci para que he ter' conccntamefítoy ^ 
Se mais na de pcrdct quem mais alcança^ "^ 

Mas doíT^vos efta firme fegurança , 
Que poftoque me miite o meu tormento , ' A 
Por as aguas do eterno cfquccimcmo ^ 

Segura paíTarà minha lembrança; 

Antes fem vós meus olhos fe cntrífleçâm. 
Que com couía outtâ alguma fe contentem: 
Ante8"0s efqueçais , que vos efijúeçam. 

Antes, nefta lembrança fe atormentem. 
Que com erqiieoimento dcfmçrcçânv i * • 

Á gloria que cm foffirer tal pena íentem, 

XXIII. 

GHara minha inimiga , em euja mao " * 
Poz meus contentamentos a ventara; 
Faltou-te a ti na terra fepulmra , 
Porque me &Itc a mi confoia^õ. 

Eternamente as aguas lograrão ' 
A tua peregrina formofura \ ■•• ^ 
Mas em quanto me a mim a ^idàidura , 
Sempre viva cm minha alma te acharão. 

E fe meus rudos verfos podem tanto , 
Que pofTam promettef-rc longa hiftoria. 
De aquelie amor taõ puro, e veidadcira; 

<^brada feras fenrlpe- em meuf canto : • 
Porque em quanto no Mundo houvqr memoria t, 
Será a minha cfcripnim o: teu lecrcôb. < 

i XXIV- 



PARTE I^RIMEIRA. ^ 

xxiy, 

A Queila trífte e leda madrugada , 
Clica toda de iilàgoa ^ c de piedade , 
Em quanto houver no mundo faudade 
Quero que feja femprc celebrada. # 

EUa io y quando amena , e marchetada 5 
Sahia , d^ndo á; terra claridade ^ 
Vio apartar-fe de huma outra vontade , 
Que nunca poderá, ver-fe apartada. 

Ella fó vio .as lagrimas em fio , 
Que de huUs e de outros olhos derivadas, . 
Juntando-fe, formaram largo rio, 

Ella' ouv-ío ás palavras magoadas» > 

Que puderam tomar o^ fogo fina., '^ 

£ dar defcançQ 4^ almas cpt|d()n«^lda$«>. .< 

.XXV,: 

Sí^ quando vos perdi , çÀdia ejTpfratifl , '[ ^ 
A memoria perdera jutiçamcntc ; , -^' * *- 

I>o doce bem finiíado , erriíil fprffentei,, :' ..' * 
Pouco fentira a dor de tal mtid^ça. 1 

Mas amor , em quem tinha confiança , 
Me reprefcma ip^- miudamente;' ' .. •• i 
Qijamas >ezQ$ me vi lédo,/e contente^ í c V 
Por me tirar a vid^ efta lembrança, , > 

De cotifas de qvie apenas, hum %nat ■ -i 
Havia, porqup as d<i ao efquecimcnto , ^ ' ^ T 
Mc vejo cpm memorias, pçrlèguidp- . ^ ' í ; I 

Ah dura eftrcUa minha I Àh pio tormento;! 
Que mal pode fer mór , que no meu mal , ,.-, r 
Ter lembranças do bein que hc já paflado ^ [ 

XXVI» 



?8 .^RMmí^AÍW^^I 

xxvi; 

EM formofá Lclhea fé ^oftfi;a , ' "^ A 
Por btidé vaidídc tanta «alcança ^ - ^> - • 
Qiie tornada em fobcTba a eotifiâttça , 
Com os dcofes ecleftcs comporia. • " -^^ 

Porcyie naó foflfe avante èfta»^iiíadía , ^ - ^ 
( Que nafcem mukò9 erro'» dá tafdança) 'i^ *^ 
Em effeit<> puaeíffmx^ô vingartçà ' - -^: i < . 
Que tamanha dbiídiGC: merecia.- . ' / 

Mas Oleno-p«rdkb por Letlieá.,' ' ' » 

Naó lhe ío^ffremio amor que fuppc*iâ(Ie 
Duro caftigo cm tanta forrtiofora ; ' r 

Quiz a pçãá tomar <k culpa; aihcA : 
Mas porque a iríiofte amor nàõ apartafle^ ' '> 
Ambos tortiád0»í^õ cm pedra rfura^' 



' > 



li. » 



^ XXVlí. 

MAtei '-'^ éotitfâ' mim' ^oí; (Coftjuraftes"; ^^ 
Quanto tó "de "dtírar taó daíoJmettto?^ -^ 
Se dura ,cpdrqii'cytíiífif meu tétíttínto , ■> <• ' 
Bafte-vos quàafb^âí-^e atóritiellftttó^á. » «/-' 

Mas fé Jíffl*pòffl&is''^ porque cuidâftcs 
Derribar o meu ako penfámentò-^i :... r -: T 

Mais pode à 'êáírfe' deite» , citi' (f&è <^ fttftefitc^ ^ O 
Que vós^ qu^ delia fncfmá ô' férctômaftes;í • í 

Epois vbffá tençáa, com tfíihha mort^^ '• - 
fia de afcàbar ò itísã dclfes àmoírès , . : ' 

Dai já fim a tormento taô comprido. . 

Affi de amfeos contente fera k forte: 
Em vós por acabat-me , vencedores , " ' ' 

Em mim porque acabei de vós vcncrdo;^ >i 

— - XXVIII. 



^ pa.&tb;frimbtiaa. ^^ 

EStà-fc a Prii»av^ra::idteIadartáo ^ ' "^ ' ^ ''^T 
Emvoflà viâa delieitoft , e hotitfftsf'; • * 
Nas beUsttr.íftwos-^ c -na- boca-^ e teftá , ' ' > 

Cecêcs , rofaâ ^ c cbÂfd»i(fei)àKfili(ioi : 

De forte fifdSkf^e&o tamzãtiàò , • ' " 
Natura quaiTtóyódc mántoftà?;? ' •■ ^ ^' 
Que o mcMue^i' x»i cainpo^)] o tiò ; e a fiofeftft ^' 
Se cíUõ de^vòi /'Scahofífc^ kiâmoraniJo: í 

Se ^^ctt^r,$is6.c(actm Mii4SfS^ní'y^ atíia ' 
Poffa colher d ftbéto à^mf' Úom /: O 

Perderão toda a graças iib^^0<$^''O)hM. ' > 

Porqutf^vyittifío ápíofeit» /*báa Dam*, í 
Que íemeaflc q ámct • etn vS»- «norc»', 't^ ^ l 
Se vofla condifaõ fwodaze abfolhoi«j ljLcv «. í 



SEtc?«maífdti?aftQrJ»$dl>r fervia- - >^ T t 
Latód;:,nparde Riqis^by^maíitobeHai'/' 
Mas naã >m^ib^ ao pai y fervia «a cila ^ ^ : xo ^U 
Que a .rilá' ^v^6r premio peitrndi». - >:j. •: O 

Os díia» imefperança de bum fó idifu. v^V: 
Paflàva, <í<ifit^máfdo*fevcom vfUa:- •' .íi ->: O 
Porém o pákis rfawr^do deicautclla yV ) ',:k. T í 
Em lugar de Rttchd lhe deoáUa; . v .or ò2 

Vehdt>í^o t^iftií^^Paflxir que core ^epg^sí I ' 
Affi lhe tor ftcgada a/iia-paítor^rj^^ r^ . :>, r> 
Como fe a nao civea fiiereoíãa*^^ '/ orr-r. O 

Começou à^^fiff^ otstroií fcrtehaiqiosv^i H;A 

Para taó longo>iif&br<ta0icunbi>^^eviàu! -.?- ^-^ 
-' -^ XXX- 



40 ./.RW»;r;niAl:AS.;.T 

ESú o lafciVOjic 4oce palfoítlBa - .? 7J 
Com o biquinho as: í>cnaas ordenando'; '' ^. 
Ovcrfo Afnj medida, alegre, c bwfido.j • 
Dcfpcdindo no ruftica.raminjboo . • ., , » 

O cruel caçador , c[w <dO' çamiiAo^ . ^, 
Sc vem calladoj.e mánfo.dcfvj^idov' - .' - -. 
Com-pf<impta yift$ a (ctra -cndiíciíafiidoi,-. . ..;p 
Lhe da no Eftygio.Ljijo. etcfoq itioho!. <. r. ;-. 

Defta.^artç o coraçAQ^ x|iic liv*..anáiwar, > 
(Poftoque já de. Jongc^ftinaátíX v./'.o /.:.,'! 
Onde meãos tcmia^i^rloiffcrjdo* . « r^ - '^•^ ^ . ] 

Porqijc 0'ftcd(iwídQ,«eSf>rn3C dp«^ . í 
Para queime tamaífe dcfcuidado 9 .hi,:,.i • :^ 
Em voflbs ckro$. oflxo» cfcondicfev ' j.. . / .: 

XXXK 

PEde o âcfqo.yT^mz^iqú^-im^ylí^y ' "^ 
N4Õ catcudí: o tjqei pede ;^ <jftif çigíftadQ^ ^ J 
He cílc amor taó fino, e taõ dclj^idí) /.:. i è;.lA 
Que quem jo tenj , naõ fabé o rqiàíí àsfeja* u ip 

Naõ hft.coufa , a qiial naiuralfcia ^.,. ; / > 
Que naõ queira pcrpcmo o fcu cfladQ. '^ 

Naõ quer logq ò dcrc^o> o deÇ?j.adp i,: j i. .;^ 
S6 porque nunca falte, onde fob^; :.;^ > \I 

Masijíftc^.put» affc£^o em .ifiifla» fr díaí)í^ ♦ . , 
Que como a, grave pedra .teirt,. por açfç • . í : ' 
O centro defcj^ :.dã) natureca : j 1 £ t t ..^ 

Affi n\eo jjeíifamenio por ]^. parte .: : ? 
Qic vai tomaj3'iiíern»tJ tendlc^ e hunyana,- V 

. • - '^ . XXXII. 



.- PAArrPRiMElHA; m 

xxxii. 

PQKfB^ rSl^cifi y Senhota , qut ofièrcça 
Ar vida a tamo mal como padeço i ' 
Se vps nafcc do pouco que «cu mereço ^ < 
Bem por najl^ cftà quem vos mereça. • / 

Entendei., que jpor muito que vos poça. 
Poderei merecer quanto .vos pcçoj^ 
Pois naó confentc amor q em oaix<> pxeço : ^ 
Taó alto peníàmci^tp. íe cotiheça. . 

AíE que a paga igual de miahaa dqics 
Com nada Te: r«(^UC4 i ina)s <lcv6G»\3,« c . 
Por fer;jç^pa? ..4ç t^PPOfi denfator^s^f. : . ' » 

E fe o valçiide yoflQs amgdores. h 

Houver ,4ç fcr ígMfd coíovofcQ.^çMrfma , » .1 
Vós fó cqniH9^WM^(^^\^^^^^ *^' I 

C^Etrfaiata ç&ti %ttiho merecida' "/,^ 

S<Km pagpr>íe, fdffre* lantas dute^aa;' ^ j. 
ÍVovai^y penhora,, f em- nii..y9Ííàsl cruzas, !- ' > 
Que aqui tendes kuípa alma «offcfíí^ida- , . .- jvj 

Nclla experímems^i-, íe. A>i$ jtvvida»Í . . i 
Defprezos j des&vores , c afppre3»S;; . ,* : T 
Que mores foffriçliCQtps.^ ç firmcjaís ^ : * ,:, : í 
Suftentarei na fími^ i^^M .vida^ . ! . • ::,íJ 

Mas çontratc^^çs.oihps iqvi^sr.^iiaõ J > ^yA 
He precifo quç -qadpífe ílhea^ r-pqd^ii;, ^ -::(! f^lf 
Mas porei pqr eloidil- ò. coraçtódo . * .1 

Porque em »õ duía» .<t ja%era contenda, j ' 
He bem, que pois (mõ acho^defenfaõ ,♦ ; 

Com mctcr-mcrí»?: lançai m^,^(e^^ • . > 

1 ; V ' * XXXIVÍ 



QUandà ^5cfl encoberta Wí ilióftr^ftlP '- ; 
Ao Mundo, a luz' qní^ra ; e^ ckiyidofaf'^ ^^ 
Aq longo de h€a> praia dei<*héífaj' " ''' "• 
Vou na minhát inirtiiga imaf^iniirtâftWi ;"1 ''* 
Aqui a yi o» cabcilos» dcífótíriaííflo ; '' / 
AUi co'a mão- na face, ^taô fOTtúõfay "^'" 
AquKfaltóndo alegre*, alH €tiSdt>#a 3 '> - ' • -^ 
Agora eftando <jucda , agbi^-áttdándoí ^'':; ; • 

AquK eOícvt íenfâda-, alli^me Vió , ' *• 
Erguendo aquelles-cfeoá y tâó-ifélités ?• "^,/' ^ 
Commovida aqui hum' poutò*, ãHi fcguraV^* " - 

Aqui fe erftrtííeccõ, illi fe-tto; ' '^ * 
E,em fkil, neftçs canfedès'|5enífamcmbs^?' ' ; 
PaíIoMíflftvid^íviâ^^ -qufe fetnpn '^tiáé- ^^^ '-' 

HUm mover ilc olhes .'"^tmi é^ffíSiókí^ 
Sem;^í«f de que jhé ?ifo bíart^*, ehèhâairi 
Quafi foiçado y h(í ^ce chi&naiiae gdto-,i- ^^'f 
De qualquer alegria áuvidòfo !^ -'^f' "■'. • 

Hum deípejo Quieto , c veígohhòfyj »-- -; 
Hum repoufò-^aviffimo , é módefto j ' >j^m: ' . 
Huma pura bondade , màhifeftõ' ; '^- '^ ^ ^ 

Indicio da alma,- líittpò , c^ciof6r ^ ' •; 

Hii étícolhido õufarj hurtf^ %i«irtíurâ ; ^• 
Hu medo fcmfer* tíolpa; hâ-'^ feíerioj -^í ?' 
Hu longo c obctlientc fofftih^itt^to"^: * "^ ^ 

Eftá foi acetefte fofmòfuia *' - * ' ^v"^^ _ 
Da minha Circe , c- o magfeò • ^éxitnú^ * 
Çkíc pôde irãmfionMf ittais peií&mcmo* ^ '^ ^ 
.. >. XXXVI. 



PAJirE-PRlMElíLA. 4^ 

XXXVI- V 

TOmw-mcVíiflíi vifta fpboána 

Aoi^ riiAa as armas maw a maô , -^ 

Por moflxar ^ qív^ bufca defenlaó ' 

Contra cífebclk» olhos , xiue fe etlgíirta. ^ 

Por ficar da Wâòria mais u&na,^ 

Deixou-me armar primeiro da^raiaó. - ^' ' "^ 
Bem falvar-mr «oidci ^ mas foi cm vaó , * 

Queicontra oGco naóval dcfenfa humaflá* - ^ 

,Com tildo jfevsôs linha^^píomttwdó ' ' ' ^-^ 
Ó voffa aho diftino cftaviíVoria', 

Scr-vos cila. baniP pouca efli énteftdiddk — 

JBcA 3 iwdaHiRí tomciáchaffc, apefccbido , • ^ 
Naõ kváirdtt Vc«ccr-«i€f gKtndcígjloria:;, 

Eu a levo roalofiáf icf vtttGido. ^ • ^ 

XXKVn, 

NAÕ paffi»:^ ícatitttthanté. 5Qtítm mechaii^^ 
Híimimemona nova jcitattca «tida ^ - -[^ 
De hú que ^t&cé^* finíU v e^ihiífnaha vida , « 
Por divina , iiifinita' , e dat^» fettia^ "^ -- 

Quem btfi qne^tafôt gcmíl ílotfWr derrama? 
Quem derraitiítrl fcii fafigu© naô da[vída , ^ 

Por feguir a bandeira cfdftwcida ^ 

I> hú Capitam^ dc'OKfifto' 'q^i^ífiais a^^^ ^ í' 

Diiofo &ttí\ dit^fó fàcfiScío , 
Que a Deosffefte eáóMiiftdo )umâmente:r .\ 
Pregoando dktí taòãká fofeê- ; ' ; 

Mais pòdéiràí conm a toda a getite 5 
Que fempre deò na vida ^lí»o-4ndicio * • • \j 
De vir a tmcccr taô jTitita ^mtirtéi^ vvk\)'III 



^ ; &'KFTH']SI1^. .^i 

XXXVIII. 

FOi;mofos olhos ,. cjuc na idade* noffii ^ 
Moftrais do Cco. ocrtiffiraos ? fignais'. 
Se cjuercis conhecer quanto poflajs f 
Olhai-mc a mim , qqc Jou teimcà foíEu 

Vereis que do viver me dcftpòfli 
Aquelle rilo com gac a vida dais*: . > 
Vereis corno de amor naõ qucra mais , ? ;. 
Por mais que o temjpo corra, o^bmao poflTay 

£ fe verArò) nefta alma , cm fim ^ 'quizeides-. 
Como cm hum clarO' efpdho ,.ialii «deis ■ 
Também a vòfla Angélica, c /cDettá.- ') - / - - 

M^s eu cuido, que fó por meraáoivçrikr), 
Ver-vos em mjm , Senborar , naã <|toêist. 
Tanto goílo levais de minha ficníi>(.:'.í -'. r * 

XXXIX/ 

O Fogo que -tifl branda 'canr.iufdta^^'^ * T "^ 
, Vendo o roflo ^gpatil , oiirecvL.naalaia vejo , 
Se accendoo de outros ^ff>. do^defi^o > > 

Por alcançar aluE. qtsef^vcncci/Oriãisi. , ^ - ' 

Como. de doWf àrdfHr^ fe .^m^codia , 
Da grande in>pacieneia fez dQfpiPJcr j- • . . . 
E remettcndo con^ fuíor fobejo , ' i 
Vos foi beijai^ ni pi^pcc onde fir v}^. 

Ditofa aquella Ikmma que fe iatrevc . 
A apaspr feus ardqros ^ e tprmçntos ,..» . í • 
fisL vifta a quem o Sol fen^res /deve* < . 

Namorafn*-fe , Senhora , os ekm^tos 
De vós ; c quciraa-^o fogo aqttellaTicve 
Que queima coriições^ e pcn/aipe^çs. . 

XXXX. 



PAfeTÉ PRIMEIRA, « 

XXXX. 

ALcgrcs campos j verdes arvoredos , 
Qaras , e' trefcas aguas de cryftal , 
Que em vós os ciebuxais ao natural, 
Difcorrendo da altura dos rochedos : 

Sylveftres motlces , aípcros penedos , 
Compoftos de concerto defiguál ; 
Sabei que fctn licença de meu mal 
]á naõ podeis fazer meus olhos ledos. 

E pots jâ me naõ vedes como vifles , 
Naõ me alegrem verduras deleitofas, 
Nem agu^ que correndo alegres vem. 

Semearei em vós lembranças triftes, 
Rcgar-vos-hei com lagrimas faudofas , 
£ nafceràõ fatid^es & meu ben» 

XXXXT. 

QUamas vWses do ftifo fe efquÇcia \ 

Daliana , banhando o lindo fco y 
Outras, cancãs de íiumáfpero rcceo' 
Salteado Laurcnio a câr perdia. 

Ella , que a.^lvio mais <^ue a íi queíia y 
Paia podêJo ver naõ tinha meo. - 

Oia como curara o maLalheo 
Quem o feu mal tító mal curar podia ? ^* 

EUc , que vío taõ clara efta verdade , 
Com foluços' di2ia (que a erpeíTura- ' 

Inclinavam, dc<«báeoa , a piedade )\ 

Como pódr ardefoidem da natura • 

Fazer taõ diíEarenPts na vontade - 

Aos que fcz^^tãó cotiformc^ na ventura?^ '' 

.•'■i.: ; :: XJCíXIU 



XXXXII. 

Llndo^ € fubiil trancho , que Çgaftc * ** 
ÍLm penbprdo xemcdiQ qi|Q vsicfQfos « '''. 
Se fó comtigo , vct^dp-tc , endoudeço., > 
Que fora cp* os cabellos que apert^ftç ? . j 

Aquella^ . tranças 4e ouço que li^fte> 
Que os raios dp Sol teiii em poucd preço ^ ^ 
Naõ fei fc. ou p^ra engano do que. pc5po , 
Ou para nie ma^r ^ derai;afte. 

Lindo, trançado , çm mipibdç n>aps tevejo, 
E por fatisfaçaó de minhas dores , 
Como qqem naõ tem outra , hei de tomar-ce 

E fena^ ibr contenta o meu defejo , 
Dir-lhe-hci^que ncfta regra dosamoies., . 
Por o todo' tai^m Jç, loniji ,a pwtc> v . 

XXXXIIL 

O Cyfne quando feutefer cHcgtda '♦ .*"'^ 
A hora que póe termo á fiia ,vida , 
Harmonia maior., com voz íeattda,. 
Levanta por a praia, inbabitada. * . !.. : 

Dpteja lograr vida prolongada,.. 
E delia eftà chorando a dcf^ida: 
Com grande faudade da partida, i 

Celebra otrifte fi9i defta, jornada» 

Aífi , ^TÚiQTBf minha >. quando^iOu :yta , 
O trifte fim que davam .meus amows » ^ . ? 
Eftando pofto já no cxcromo £0% . 

Com niai^ iiuve accento de buníionía . 
Defcantei por os voílbs des&vores ^ 

La vueíka folfafc» y. d amoc iiii0«.\:. : ^.i. 
V XXXXIV. 



p AJL te: PKI M BI & a* ^ 
xxxaav. 

Pôr os -rafo» acuemos que hioftioo - i 

Em fabiai Palias > Vénus em fionnoTa, *' 
Diana em cajla ^ ]uno em animofii , > 

Africa , Europa , c Afia as «lorou. 

Aqncllç fater^gísiide qqe juntou 
Efprito, crcòipo^ em liga genecofa*, 
Efta mundana machina luftrofa » 
De fós quatio elementos &brioou. é . 

JA^fxczi maior milagre a ttamíDeai 
Em vós , Serihocas y pondo em cada hua 
O <jue por .todas:: quatro rcpanio. i-. 1 

Avóstíeu idpbdador deo Sol , e f^ya : 
A vós ^com.:viva luz , graça , c .pureza' ^ ' 

Ar, fogo, ttira:, e ^tgpa-, vosilcrviô*: ^ t . /> 

SXXXV- 

T Ornava Daliana por vlngan^i * • > 
Da cijlpa do Paftor que tanto amava , -^ ^ 
Cafar com Gil .va<]udro ; e eni è vingava • . ' 
O erro alhco , e pérfida e£]uivapj|a« 

A difcriça6'Tegura:, ar confiança 
Das rofas que o fiai :jofto debuxava , - ^ 

O ^Icfconrontamerítot ftas mudava ; 
Que tudo maàx huma afpcrra mudan^« - 

Gomil planta diífjofta em* fecd tcfia f 
Lindo frufto dc',»dara mao colhido ; ' ^ í 

Lembranças 'de {jMitnrtambri e fc perjura: i 

Tomaram Tcidc' prado ena ferra dura j 
loisereílt «âgEtíSofo , amioc fingido , ' ^ ' , * O 
Fizeram derditoís.a:£oa]iqfina4 // on c:.i.:lri ; J 

::>:/X xxxxVT. 



1> r • r- 



m! 



^ ./ RíH YTHM A S/ ' 

XXXXVI. 

GRão tempo 'hi. já que íonhc ^iit ventoirá * 
A. vida que . me tinha 4^^<^ ; 

ue a longa, expciicncia da paíTada, • > ^ ' 

[e dava claro. indício' da fmúra. 

Amor fero , <c cruel , fojcccma eícura , 
Bem tendes fVofla força expimcntada : . . , 
Aflblai , deftrui , naõ fique nada-; . í 

Vingaí-vos ddfta vida , que indi HJora. ' 

Soube ami»r da. ventura que a haó tinha,' 
E porque mafe-femiffe a falta dcUa^ 
De imagces impoffiveis me mantinha. 

Mas vós , Senhora , pois cfue minha efirella' 
Naõ foi melhor, vivei nefta alma. minha. 
Que naõ tem a fonuna poder nelbu . 

XXXXVII. 

SE fomente «hora alguma em V6s piedade * 
De. laõ longo tormento fe fentíra , ^í 
Amor fofrèra mal que eu me .partira ''' • 

De voíTos olhos , minha íãudade.> , ^^ ' 

Apartei-me de • vós , mas . a^ vontade j 

Sue por o natmal na alma tos titã, 
e faz crer qpe efla aufencía he de mendta'. 
Porém veofco fã provar que hc de veidadc. *, 

Ir-me-ljci , SenlK)ra^-e neftc apartamehto^ ' 
Lagrimas triftes tomado vingança! r* L 

Nos oHios deqtíem foftes mantimetito. 

Defta ^rte darei vida a meu tcMrmcato ; - > 
Que, em fim, ca me achará. ntínha. lembrança 
Sepultado no voíTo dbueaaàcnfo* 

; :/ XXXXVUL 



PAAUB/.BRIMEIHA. 
XXXXVIII. 



4d 



OH çoonò firme okmaa de smnò em ano* 
A pcregriaaçaõ caUfaãa minta ! • 
Como le cnçufta, e como aèifim^oamihha 
Efte meu breve ^ e vãq dífcurfo buman<> ! ' ^ 

Míngòaadè a ida^e. vai , crcfcendo o dano -, 
Perdeo-fe-mê hami^remedio, que inda tihha: 
Se por experiência 'fe adivinha, 
Qualquer grande i^fperança he grande engano. 

Coroei' apoz efte i^em que naõ fe alcança ; 
No meio do camcinho me fallece ; T 

Mil vezes caio.y c peito a confiança; ' I 

Quando elle foge , eu urdo ^ e na tardaUÍça j 
Se os olhos ergo a ver fe inda appai^ce ^ - ^ 
Da vida fc nuc per^^^ e da cfpeiaYiçttr - ' ^ 



XXXXIX. 

JA' he^ tempo ia , que minha eenSança 
Se defça de huma íalfa opinião , 
Mas amor naõ fe rege por raiaó ; '^ 
Naõ poflo: Npcrder , logo , a efperanw; 5 j 

A vidat^i^^qpefhumá afpera mudahça 
Naõ deixa viver tanta hum coração, 
E eu fó na mone tenho a falvaçaõ^ ' 
Si: mas quem a defejanaõ aakrahça*. 

Forçado hc logorque cu efçcre , c vivi/ 
Ah dura lei de aánor^, t^e -nap co^f^nte 
Quietação n'hum'^alma.'^que ht c»ptiva{: 

Sc bcL^de.yivery ráiifim, forçadamente , 
Para que quero ^a gloria fugitiva> 
De huma ef{ibcari9a[ v&t qu^ me. acòimeatc i 

Thtn. Ih P 



AMor j ço» a.cfpçranlça fL- perdida-, í : ;" * 
Teu foberunaTcmplcvifeseric *^ ♦ 

Por figoal ,dp niliiiiagio que paíièi , . : ' * 
Em lugar dps vefttdos, puz a vida^. > ( 

Que mais qucfea ,dç imí ^^ pois jdeftmid^ '^ . 
Me cens a gloria :tock c|iie alcaoóeiS:' 
Naó cuides de rcnder-mc ; tfãCi-axQ fei ic ; -, 
Totrnar a enrrar-mc onde* nao ha fahi^a. / 

y^ aqui a vida , e a alma ^'& a efpenuiça*» 
Doces defpojos de meu bei;ii' paí&ido.^ >• 
Em quanto o quiz aqueUa.q|uc çu adoro. 
^ :^ Nellas podes tomar de mi : vingança : .. 
E Tc requeres indá mais vingado,^ » ' 

Concenu-cC;€aas la^ríiii^.qu& diorou / ' 

' LL 

APoQo. c m nove Mufas deícantando ,' /* 
Com a dourada lyjea me ihfluiam . :r 
Na fuave harmonia que faziam, 
Quando tomd a penna^ começando: . -. \ 

DitoA> feja 9 dia , c hocai, quando .: • » .* 
Taô delicados olhos, me feriam: i - ^ ' 
Dirofos os fcntidos ^e fendam • v, t ; . 

Eífeir-fe em feu dcfcjo trafpaílándo. v ' 

Aifi cantava, quando amor. yirbu . I < ;v -^ 
A roda k eijperança, ^we^corria 
Taõ ligeira , que qAaít craJnviiibiL 

Converteo-íe-me em noke^ a daro dia ; ... 
E Te alguma efperança me ficou , 
Será de maioc mal > fe for mlfibiU 



PÀATE PRIJIEJRA. ft 

LU. 

LEmbianças^ faudoóis , k cuidais 
Jic me acabar a vida nefte eftado , 
Naõ vivo com meu mal tao cngatiado ^ 
Que naó efpcre dellc muito mais» 

De longo tempo já me coftumais 
A viver de algum tem defefpcrado: 
]à tenho co' a fortuna concertado 
Dcfoffrer os toraientos que me dais. 

Atada ao remo tenKo a paciência ^ 
Para quantos defgoftos der a vida; 
Cuide quanie quízer o pen/amento. 

Que j)ois nao poflb ter mais rcftftenci^ , 
Para tao dura queda 'de Tubida, .,. ^ 

Aparar-lhe-bci debaixo o foíBimentq. 

LIII;. 

APartava-fc Nife de Momapi^ , . - ' 

Em cuja alma y partindo-fe^ ficava. 
Que o Paftor na memoria a 4cbuxaya , 
Por poder .íufteniar-fc dcfte engano. . . 

Por húa praia do Indico Oceano 
Sobre o curvo cajado fe encoftava ^ 
E os olhos por as aguas alongava , ^ .^v 

Que pouco fe doiam de feu dano. 

Pois com tamanha mágoa ^ e faudade 9 - - 
( Dizia^ quiz dcixar-me a que eu adoro ^ 
Por teáimunhas tomo Ceo , e eftrellas. 

Mas ie em vós ^ ondas y mora piedade p 
Levai também as lagrinus que choro « 
Pois aíR me levais a caufa delias*. > 

Da LIV. 



9t -' RIÍY t HM AS. 

QUando vejo i^è^mcu dcfRhó ordena. 
Que por me exprímentar^ -de v6s me apaítc , 
Deixando de rricu bem taõ grande parte , 
Que a mefma cúWficá mve pena : ' 

O duro dcsfiivôr , que "ínc condena ^ 
Quando por a memoria ferepaité. 
Endurece os fetrtídos de tal arte , 1 

Que a dor da auíenda fica mais peqpcna. 

Mas como -pôde fcr qiie na mudança 
D'aquiílo que «ríiaisf qqèro , eftè tao fóra 
De me nao s^partàr também da vjda í 
Etr íefreaiei taô %i]?eta' éfqnivançía : 
Porque mais fenttrct partir-, Scnhòh^ 
Sem fentir -feuito a pena da partida. 

•LVJ 

DEfpois de tafifòs^ dias mal gaftkdos , "' 
Defpòitf de tantas noites mal dormidas , 
Dcfpois de ' tantas -iagrimj^s vertidas , 
Tantos fufpiros vios vâamenie dados : 

Como nao fois vós já dcfenganados ,' 
Defejos, que Jé totífás ' efquecidas , - 
Quereis remediar monacs feridas , 
Que amor fez íe rcrnedio, o tempo , os fados? 

Sc naó tivéreis já iònga experiência 
Das femrazões de amor a quem ferviAcSf 
Fraqueza fora cm vós a refiftencla. 

Mas pois por^ voflb mal fens máles vifles , 
Que o tempo nao curou , nem lai^ anfència ^ 
Qial bem deUe ciperaisi • dcfejos triftes } 



P^RTE PRIJIÇI^A. ^? 

NAiades , vós ouc. os ríos^ habitais ^ 
Que os faudoios campos vaó regando > 
De meus olhos vereis eftar man^indo- 
Outros que quafi aos voffos Ía5 iguai^. / 
, Driades ^ que com férca feoipoç andais 

Os fugitivos cervos derribando ?, 

Outros olhos vereis que triumphan^o 
Derribam corações que vaiem mais*. 

Dei)cai , logo , as aliavas ^ e agua^ fiias^ 
E vinde , Nymphas bcUas , fe quereis , 
A ver como de buus olhos .naTcem mágoas.^ 

Notarei^ como em vão paflam os dias ; 
Mas em váo naõ vereis , porque vereis 
Nos feus as féttas^ enos.mçus as agoas. 

LVII. 

MUdam-fe oa tempos , muda9»4e as vontades.; 
Muda-fe ofcr, muda-fe a confiança: 
Todo o Mundo he cotnpofto de mudança ^ 
Tomando femprc novas calidades. 

Gontinuamcnte vemos novidades , 
Dilferentes em tudo da efperança : • ' 

Do mal ficam as mágoas na lembrança, ^ 
E do bem ( fe algum houve } as faudades. - 

O tempo cobre o chão de verde manto .^ - 
Que já coberto foi de neve iria ; . 
E cm mi converte em choro o doce canto» 

E afora efte mudar-fe cad^ dia ^ 
Outra mudança faz de mor efpanto > 
Que naõ fe ipvida ià cpmo fohia. 

LVIII. 



54 RH y TIÍM ÀS. ^ 

SE as fcrfás cóm que amor taõ mal me ciata 
Permitrirem que eu tanto viva delias. 
Que veja cfcufo o lume das eftrellas , 
Em cuja vifta o meu fe accende, c mata: 

E fe o tempo , que tudo desbarata , 
Scccar as frefcas rofas , fem colhellas , 
Deixando a linda d&e das tranças bellas 
Mudada de ouro fino em fina prata : 

Tainbem , Senhora , eritaõ vereis mudado 
O penfamento da afpereza voffa , 
Quando naõ fifva jà fua mudança, 

Ver-vos-heís fuípirar poí o paflTado , 
Em tempo quando executar-fe pofla 
No voíTo arrepender minha vingança. 

LIX. 

QUem jaz no grão fepulchro, que defcrevc 
Taõ iHuftres fignaes no forte efcudo i 
Ninguém : que niflb , em fim fe toma tudo : 
Mas foi quem tudo pode , c tudo teve. 

Foi Rei ? Fez tudo quanto a Rei fe deve ; 
Poz na guerra , e na paz , devido cftudo : 
Mas qua6 pezado foi ao Mouro rudo. 
Tanto lhe feja agora a terra leve, 

Alexandro fera ? Ninguém fe engane : 
Mais que o adquirir , o fuilentar eftima* 
Será Hadríano grâò Senhor ^o Mundo ? 
Mais obfervante foi da bei de cima. 

ge Numa ? Numa naõ ; mas he Joane , 
c Portugal Terceiro fem fecundo^ 

■^ LX. 



parte: PR OI El HA. gg 

QUem p6<ie> Iívdd fcr , ^antík Senhóni , 
yendo-vos com )uizo focc^indo , 
$e o menino , que de olhos he * privack) ^ 
Nas meftinas dos voíTos olhos' mora } 

AUi manda ^ aUi reina, alií namofá, 
Alli vive das gemes' venerado ; ':y 
Qoe o vivo lume, e o rofto: delicado^ 
Inugecs faó adondc amor fe ádosa* 

Quem vê ooe em branca neve nafcem rofas » 
Que crefpos nqs de ouro vaõ cocando , 
Se por entre efta luz a vifta pafti; 

Raios de ouro verá , que as diividoâs 
Almas eftaó no peito tralpaflando , 
Afli como hum cryíbd o Sol aafpaflà. 

LXI. 

COmo feefte ,6 Porcia, tal 7eii<b ? * 
Foi voluntária, ou foi por itmocencia^ ? •-i- 
He que amor iazcrio quiz experiência 
Se podia éií foffier tirar*me a vida^ 

E com teu próprio fangue te convida . . 
A que Êtças á morte reíiftencia ^ .1 

He que coftume fiiço da paciência , 
Porque o temor , morrer me naó impida^ 

Pois porque eftás comendo fogo ardente-. 
Se a ferro te coftumas ? He que ordena/ * . 
Amor que morra , e pene juntamente* 

E tens a dor do ferro por pequena 'i 
Si ; que a dor coftumada naõ fe fcnto ;, . 
Enaõ quero eu a morte fcm.a ínena»^ . 



J6^ ARiriTÍHMXLS...^ 

LXII. 

DE taõ'<iívinb açccpto^cm voz Inimafii ^^^^ 
De clçgándas que íà© taó peregrina' J ^-' 
Sei bem que minhas obras naõ fato dínas > 
Que o rudo engenho, meu me deícngat». ^ 

Porém da;voirt penna illuftrc^nfiana 
Licor que vence ^ agoas CabaHinasj' - 
EcomvofcôjdaTiija ayflores finas. ' 
Faraõ inveja ài^rópk Manmana. • . • 
; E pois a vós j de íi iJiaõ fendo' ayaias 
As filhas de Moemofinc fonrmofa ^ 
Partes dadas vos tem ao Mundo darás : ' 
A minha Muíâ , e^ voíía taõ iâmofà| 
Ambas fe podem nelle chamar f raras 
A voíla de ala j a minha de invejoía, i j / 

Lxni. 

DEbabco defiá podrà eflá inerião V ' ' * 
Das fanguihoías armas dcícanfado, 
O Capitam íflufire, e ailignalado, v 
Dom Fernando de Caflro ^ e efd[arecido«. 

Efte por todo o Oriente taõ temido , 
Efle da própria inveja taõ cantado. > . 
Efte , em fim, raio de Mavone trado', 
Aqui eAá agora em terra convenido. 

Alegra-te , 6 guerreira Lufitatiia ^ 
Por eft 'outro Viriato 'que criafte , 
E chora a perda fua eternamente. 

Exemplo toma níflo dc> Dardania ; 

Sue fe a Roma com- elle' anníquilaftc , 
em por iíTg Carthaeo. cftá comencc . 

' : Lxiv. 



PAHTEt PRVMMRA. 57 

Uc vetiçais no Oriçn^ tanto» Reis ; " " 
Quç de^iiQyo. nos^ <lejs da índia o Eftâdo ; . 
Que efcureç^s a fama ^e- haõ ganhado * 
Aquelles que a ganhácaõ de infiéis : 

Que vencidas tenhais da mone as leis; 
£ que vencefleis tudo y cm fim , armado \ 
Mais he vencer na pap*ia dcfamiado ^ . 
Qs monftros ^ e as Cl^imeras que venceis : 
Sobre vencerdes ^ pois , tanto inimigo ^ 
Epor armas fazfrr, que fem íegundo 
No Mundo o voiJo nome ouvido fcja ; 

O que vos dá mais fama inda no Mundo 9 
He vencçrdcsi, Senhor, no Reino amigo , 
Tantas ingratidões y taõ grande inveja* : 

LXV, 

VOlIõs olhos y Senhora 3 ^ue competem 
Com o Sol em beUczí^^ e claridade , 
Enchem os meus de %A fuavidade,. 
Que em lagfimas^de vé-Ios í^ dcrrete?n. { 

Meus íentidos.ptofirados íè fubmetem. 
AíK cegos a tanta mageftade \ * 

E da trífte priCap da eí<;urida4e , 
Cheos de medo por fugir remetem. 

Porém fc ent^Qj^e vç^es por acerto ,. , 
Eíle aípero dcíprez^^oBp qme olhais • ' r 
Me torna a animar, a alipa enfraquecida. 

Oh gentil cuiia I -Oli cftranho defconcerto ! 
Que dareis co'hum fevorj^qu^ yôs.miQ dais, { 
Quando com. hwm.<feft*C5&o nae. dais vida? 

LXVI. 



f8 . RHÍ f HMÁS. 

LXVL 

FOrmofura doÇeo a nós defdaá. 
Que nenhum coração • deixââ ifcnto , 
Satisfazendo a todo pcnfamento , ' 
Sem que fejas de algum bem entendida : 

Quíil lingua pôde haver taó atrevida. 
Que tenha de louvar-te aireviniento , 
Pois a parte maior do entendknetnô t 
No menos que em ti ha fe vè perdida ? 

Se em teu valor contemplo a melhor parte ^ 
Vendo que abre na terra num paraifo , 
Logo o engenho me falta, o erpritô míngoa. 

Mas o que mais me impede mda louvar-te , 
He que quando te vejo perco a lingoa , 
£ quando naõ te vejo perco o fifo. 

LXVII. 

POis meus olhos naõ caníam de chorar 
Triftezas naõ canfadas de canfar-me ) 
Pois naõ fe abranda o fogo emt}ue abrazar-me 
Fóde quem eu jà mais pude abranchr : 

Naõ canfe o cego amor de: me guiar 
Donde nunca de lá pofla tomar-me ; 
Nem deixe o Mundo todo de efcutar-^me , 
Em quanto a fraca voz me naõ deixar. 

Efe em montes, fe em prados, cfeemvalles. 
Piedade mora alguma ; algum amor 
Em feras mora , em aves , pedras , agoas ; 

Ouçam a longa hiftoria de meus males , 
E curem foa dor com minha dor ; 
Que grandes nÁffm pódcm corar mágoas. 



PA«.TE PRIMEIRA. y> 

LXVIIL 

DAi-me hm Icí , Senhora , de querer-vos , 
Poraue a guarde fobpena de cnojar-vos; 
Pois a fe que me obrisa a tanto amar-vos , ' 
Fará que fique cm lei de obcdecer-vos. 

Tudo me defendei , fenaõ fò ver-vos , 
E denao na minha alma contemplativos ; 
Que fe aíE na5 chegar a comeniar-vos , 
Ao menos nunca chegue a aborrecer-vos. 

E fe efla condição cruel , e efqniva , 
Que me deis lei de vida naõ confente , 
Dai-ma , Senhora , \ií , feia de morte. 

Se nem eíía me dais , he bem que viva 
Sem faber como vivo íriftemcnte ; 
Mas contence eflarei com minha forte* 

LXIX. 

FErído fem ter cura perecia 
Ofow, e duroTékpho temido ^ 
Por aquelle que na agua foi metido , 
E a quem ferro nenhum cortar podia. 

Quando a ApoUinco Oráculo pedia 
Comclho para fcr reftituido ; 
Refpondco-lhc , tornaíle a fer ferido 
Por quem o já ferira , e fararia. 

Affi, Senhora, quenrninha ventura, 
Qjije ferido de ver-vos claraihentc , 
Com tomar-vós a ver anwr me cuia- 

Mas hc taó doce voflk formofuta. 
Que fico como o hydropico doeni» , *'| 

Que bebendo lhe crefce m6r fcccnra. - > 
^ LXX. 



«o .' R Hy THM A^S: 

. LXX.' 

NA metade do Geo fubijò ádSa' . " ^^^ 
O claro , alino Paftor , quando deixavam 
O verde pafto as cabras, cbufcavam 
A frefcura íuave da agua fria. 

Com a folha das arvores , fombria , 
Do raio ardente as aves fe ani^ravam^: 
O módulo cantar de que cedíavam^ 
;Só nas roucas cigarras fe fentia.. 

Quando Lifo Paftor, n'hum campo* veide, 
Natércia . crua Nympha , fó bufcava 
Com mil fufpiros triftcs que derrama. 

Porque te vàs de quem por ti. fe perde , 
Para quem pouco te ama ? , ( fufpirava ) 
E o eco lhe relponde ^ Pouco te ama. 

LXXI. 

JA' a roxa , e branca Aurora deftoucava 
Os ieus cahf lios de ouro delicados , 
E das flores os campos efmalrados , 
Com cryft^no grvalho borrif^iva; 

Quando o formofo gado fe efpalhava 
De Sylvio , e de Laurenic , por os prados j 
Paftores ambos , e ambos apartados , 
De quem o mefmo amor naõ fe apanava. 

Com vf rdadeíias ligrionas Laurente ; 
Naõ fei , ( dizia ) ó Nympha delicada , 
Porque naõ morre jà qutem vive aufente. 

Pois a vi(k fcm ti naõ çrefta nada \ 
Refponde Sylvio ; amor naõ o confente*: 
Que offende as .efcoranças da toiUadà. 

; i Lxxii. 



PARTE PRIMEIRA. íi 

LXXfl.' 

OUando áe minhas mkgoás á comprida 
Magínaçaõ o9 olhos iç e adomiccc , 
Em fonhos aouella alma me apparecc , 
Que pára fui foi lonho liefta vidai 

Lá a'huhia foídade , onde eftendida 
A vifta por- o campo, dcsfailece , ' 

Corro apoz cllà \ e ella entaõ parece 
Qiie mais^de mi k alonga , compeffida. 

Brado : 'Naõ me fujais , fombra benirta5i 
Ella ('-o^ olhos em mi cd* hum brando pejo, . 
Como quem* diz , que já naõ pode fer ) 
t T<>iiwí'á fegír-iVieí temo a tradar: Diná} 
E antes que acabie ' em . mene , acordo , e vejo j 
Que nem -hufii breve engano poflb ter» 

LXXIÍÍ, ^ ^ 

SUfpiros íAftiftttnádòs que cantais ^ ' 
A cnifteía coín '^uíe eu vivi taô ledo ; 
Eu morro v* t hà6 vos levo , porque hei medo 
Que ao paflar ido Letheo vos percais. 

Efcriptos pafã ftròpre já ficais 
Onde vos móftraírâô todos co' o dedo , 
Como exemplo de males; e,eu concho 
Que para ávifo de outros eftejais. 

Em qlieín , pois , virdes largas efperaftças ' 
De amor y c da fortuna , ( cujos thnbs ^ 
Almus teraõ pót bemavenmranças ) ' 

Uizci-lhe y que os ferviftes muitos anos j - 
E que em fonutta nido faõ mudanças , * 
Eque em atnoc naõ ha finaõ enganos. 

LXXIVí 



4i RHYTHMAS;^ 

LXXiy. 

AQudIa fçT^ humana que, cnríquedc 
A fua jprcfunçofa tyrannia, : 
Deftas minhas y ent/anhas, pn^e cria; 
Amor hum mal ,. que falca auando crccc : . ^, 

Se nella o.Ceo moftrou (coinp fwupcce) j 
Quanto moftrar ao Mundo pcrtcpdiaii ,,, 
Porque de minha vida fe iryuría ?•_ .; \. o . . 
Porque djs minha morre fe ennobrcce > 

Ora , cm fiita fubíimai vqffa yidoria , , . 
Senhora , / comr vencer-pe , e ^j^m^rm^e^ :) , 
Fazei delia no Mundo larga hiftoriíi., ^ ,. ;. 

Pois^ por mais que vo$ yeja.a£prinçn(ar-^9 
Já me fico logrando 4efta glçriji: , r. 

rk ver cjue tendes çat)ca 4e,p|a$ar-4Xiç^ .^ -. . 

LXXV.: 

DItofo feja aqucUe que .fóip/5íite : ->■ "1 "^'y 
Sc queixa de amoroía^ cíquivanças , ; .\ : . 
Pok por cilas naó perjde as ^efperança^ r. t ; 
De poder nalgum tenipo fer coiHentCt 

Ditofo feja quem eftando aufoite , 
Naõ fente mais que a petu das íembrançfB; 
Porqu'indà que fe tema de mudanças » 
Menos fe teme a dor quando fe lente. 

Dicoíb feja^ em fim, qualquer eftadoj , 
Onde enganos-, defprezos, c ifetiçaõ. 
Trazem num coração atormentado. 

Mas trifle quem fe fente magpado 
De erros cm que naõ pôde hayer perdaã 
Sem ficar na alna^ a loàgç^ 4q pcçcado. 

^ LXXVI. 



PARTE* PRIMEIRA. f% 

LXXVI. 

Uem foíTe acompanhando juntamente 
Por eflcs verdes campos a avezinha ^ 
Que defpois de perder hum bem q dnha; 
Naõ fabe mais que coufa he fer contente. 

E quem foflc apartando-fe da zcnxc , 
Ella por companheira , e por veunha , 
Me ajudaíTe a chorar a pena minha ^ 
E eu a ella também a que ella Tente. 

Ditofa ave , uue ao menos fe a natura 
A fcu primeiro bem naõ dá fegundo , . : 
Dà-lhe o fer triftc a feu contentamento* . 

Mas trifte quem de longe qutz ventura , . 
Que para refplrar lhe ftdto o vento , ' 

Epara tudo, em fin;ij lhe fiilte aMundo«. [ 

LXXVII. 

OCuka divinal fe celebrava. ... -: -^ , 

No Templo donde toda creatura '^ 

Louva ó Feitor divino ,. 4}ue a feimra 
Com feu .íagradQ Sangue reflaurava. 

Amor alli , que o ten^o me aguardava ,' ' 
Onde a: vontade tinha mais feeura. 
Com hunvi jrara , e Angelíb^ figura 
A vifta da ni^ò me falteava. 

Eu crendo que o lugar me defendia , i 
De feu livre eoflume naõ fabendo 
Que nenhum confiado lhe fugia; 

Dcixei-me captivar ; mas hoje vendo , 
Senhora , que por voflb me queiria y 
Do tempo que foi livre ooie arrependo. .. 

LXXVIIIi 



^ RHyTHMAS. 

LXXVIII. 

LEda fercnidadc deícitofa , - 

QiK? rcprefciita em terra hum paraifo ; 
Emre rob)is , e perlas , doce rifo , 
Debaixo- de ouro , c neve , cor de rofa : . 

Preíença moderada , è graciofa , 
Onde enfinando cf^ò dcfpejfo , e fifo , 
Que fe p6dc por arte , « por avifo , 
Como por natureza , fer formofa : 

Fallaiidc que oti já vida , ou morte pende , 
Rara, c fuave j cni fim, Senhora, vouà^ 
Repoufa na alegria comedido : f 

Efta9/a&. armas íaõ com çfue me rende , 
E me captíva amor ; mas^ naõ ooe poíla 
Defpojat^me da gloria de rendido, 

LXXIX. 

BEm fei , amop ,:^uc he >cripto oqfié lecto ^ 
Mas tu ,' porque. com iffo mais te upuias y 
De manhoTo mo nc^a»,. e mo jums ^ 
Neflc teu arco de ouro , e eu te crtó. 

Ansâo tenho metid^tio tca feo, 
E naõ vejo os meus -damnos ás efcurj» : 
Porém porfias tanso ^ t me aflègOfâS'^ ; 
Que me digo que mimo , e que íiíe enleo. 

Nem fómenceconfinto. defte engano. 
Mas inda to agradeço y e^ a mi me nego ' 
Tudo o que vejo , e finto« de meu rdano. ' 

Oh ppdérofo mal a~ que me emrego ! 

Sue no meio do juAo defengano • 
c polia inda ^gsr iuim-mofo oego ! ^ ^ 
.-^;/ ■ LXXX. 



PARTE PRIMEIRA. . «5 

I>XXX, 

COmo (juandoí do mar ccmpeftiK>ro **• 

O marinheiro todo trabalhado , 
De, hum naíiifragio cruel fahindo a nado j . 
Só de ouvir fatiar nelle eftá ipedroíp : 

Firme jura que o vè-lo bonançofo 
Do fcu lar o naó tire , foccgado ; 
Mas efquecido já do horror jpaíTado 
Dcllc a fiar fc toma , cobíçoío : 

Affi , Senhora , eu que da tormenta 
De voffa ,vifta iujo , por íidvar-me , 
Jurando ^e naõ mais em outra vcr-me ; 

Com a alma que de vos nunca fe ^entá ^ 
flc torno , por . cobiça de ganhar-mc , 
Onde eílivc taó perto dç pcrder-mci 

LXXXL 

A Mor hehuhi fogo. que. arde, fem fe vcr'| 
He ferida que doe, c naó íc feneef 
He hum contentamento dcfcontentc ; 
He dor que . dcfatina fem doer: 

He hu naõ querer mais que bem querer 5 
He folitario andar por entre a gente j 
He hum naõ contentac-fe de contente ; 
He cuidar que ft ^nha em fe perder : . 

Hçihum efiar-rfc prefo por vontade ; 
He fervit.a quem. vetice o vencedor ; .;., . " 
He hum tet' com quem^hos mata kaldade» ' . 

Mas como caufar pôde o feu favor; 
Nos mortaés corações conformidade i' r. ?\.-''\} 
Sendo a íi laó. coHtrwio. o snefitio ainiòri'^ • 

.Tiíii-:n, E Lxiixií. 



^ EHYTHM A.S. 

LXXXII. 

SE pena por amttr-vos fe merece,, 
Quem delia çftará livre i Quem ífetito ? 
E que alma , que razaõ , que entendimento , . 
No inílante cm que vos vè naó obedece ? 
Qual mor gloria tm vida já fe officce , 

Sue a de occupar'-re em vós o pcofamento i • 
âõ fó todo rigor, todo tomicnto^^ 
Com ver- vos naó magoa , mas fe cfquece. 

Porém fe heis de maur a quem amando , 
Ser voílo de amor tanco fó pcrtcnde -, 
O Mundo matareis, qiie todo he voilo. 

Em mi podeis,, Scflihora, ir ccHneçando^ 
Pois bem, daro fe moflra, e bem fe entende, 
Amar-vos quanta devo ^ e quanto poUb* ^ 

LXXXIIL 

QUe levas, icmel. morte? Hum claro dia»\ 
Aquc horas o lomaftcí Amatihccendo. 
E emendes o que. ícvas ? Naõ o entendoi 
Pois quem to faz levar f Quem o entendia^ 

Sqi corpo qiiem o' goza ? Aterra fria* 
Como ficou fua laz ? Anoitecendo. 
Luíkania que diz ? Fica dizendoi> « 
Que diz i Naõ mereci a gré^> Maria» 

Maufle a quem a vío ? ]^ morto eflava^ 
Que difcorre o amor l Fallar naó ouíà. 
£ quem o bz callar i MiiUia vontade. 

Na Cone que ficou i Saudade. brava. 
Que fica l^^iue vcr^ Nenhuma coufa. • ^ 
Que sbita Uie Jàsom i JL&a beldade* < 



o 



PARfB.PRI»?EIRA. 6j 

LXXXIV- 

Ndado^ fios de òdró reluzente » 
Qu.e agora da mão bclla recolhidos , 
Agora fpbre as roías elbarzidos 
Fazeis (^oc a fua graça ie accreíccnte : 

Olhos / que vos moveis uõ docemente , 
Em mil divinos raios incetjii^os , 
Sc de cá n>e levais á alnui^ e fentidos > 
Que fora , fe eu de vós naõ fora aufentc í 

Honeílo rifo , que entre amor fineza 
De perlas , c coracs, nafcc, e apparece ; 
Oh quem ícus doces ecos já lhe ouvilTeJ 

Se imaginando fo tanta oélleza , 
De Ç\ com nova gloria a alma le efqueqe p 
Que faxá quando a vir ? A^ quem d. viffe I 

LXXXV^ 

FOi já ti%vívçí ^cmpa doce coufa amar ^ 
Em quanto me enganou hua elperança: 
O òòracao com eàa confiança , 

Todo íc desfazia cm defcjar. 

Oh vão 5 caduco , e dcbil cfpcrar ! 
Como , em fim , defcngana huma mudança ! . 
Que quanto he mor a bemavcnturança , 
Tanto menos fe crê que ha de durar. 

Quem já fe vio con} goftos profpcrado , 
Vendo-fe brevçmcme ' em pena unta, 
Razaõ tem de viver bem mas;oadò'^ 

Mas quem já têm o Mundo ei^jr^mentad^ i 
Naõ o magoa a pena , nem ò crpántj^,:' ; . 
Que mal k efttanhará b coftumaop* . -^ 
^: , ^^ Eii LXXXVI* 



LXXXVÍ. 

D Os antigos Illuftrcs que deixaram i ) 
Hdm oortic digno áé imrtiortaí memória , 
Ficou por luz dó' tempo a larga hiftoríá ' 
Dos feitos cm que mais fe avantajàraiti, 

Sc í com fuás acções fe cotejaram*' ' ' , 
Mil voíTas , cada hm^uô notória , " . ' ' 
Vencera á. menor ddlSs a itiór gloria 
Que eíles cm tantos annos alcançaram. ' 

A gloria fua foí: ninguém lha tome:. 
Seguipdo cada qual*. vários caminhos 
Eííatuas mercceo no. herolc© Templo. 

Vós honra Poftugueza y c dôí Courítihos , 
Clariffimo Dom Joaõ , corti melhor nome 
À vós encheis dè gloria , a nós de (exemplo; 

Lxxxyii. 

COnverfaçaô dbméfticá affeiçoa, 
Otà em forma de Hmpa esâa vontade. 
Ora de huma amorofa piedade , 
Sem olhar calidadc de peíToa. 

Se dcípois , por ventura , vos magôá ' 
Com deíanior, e pouca lealdade. 
Logo vos faz mentira da verdade 
O brando amor , que tudo , em fim' , petdoi. 

Na5^ faó ifto que falld conjeimràs *• • > 
Que o pcnfámento julga na apparencia, / 
Por, fazer delicadas elcripturas. ' 

Metida' tenho a mâo na confciehcia ,- 
E naõ hHò fenaõ' Verdades puras 
Que me cnfmoii à' viva experiência. ' 

,^í.._ i à Lxxxvin. 



PARTE PR tM^íRjA, ^p, 

LXXXVIIf. 

Esforço mnde jgual ao pcofamemo^ - ^ 
Peníamencos em obra^ divulgados ^ 
Enaõ enu peito tímido encerrados, ^ 

E desfeitos deípoís em chuva., c vento r ^ 

Animo da ^cobiça bai}ca iíèhtp , - 
Digno por ifto ío de altos efiados , ^ 

Fero açoute' dos nunca bem domados 
Povos do Malabar fanguínolentp : 

Gentileza de membros corporaes^ 
Ornados 8e pudica continência i 
Obra por certo' da. celefte altura ; . ' í 

Eílas vínudes râtras^ e putras ipais^ 
Dignas todas da Homérica elQ<luencia ,^ . , ,,,4 
Jazem debaijcçí defta ffjpultufa^ .. . , : > 

LXXXIX^ 

NOlVIunda <juiz p tempoque-ft.^chafle » ,^ 
OVem que fót acerto , ou fone vinha f / 
E por exprimentar que dita tinha , \ 

Quíz que a fortuna em mi fe exprimentaffe» . 
fAzs porque o pi6u deftino me moíb^íTe 

Sue nem ter efperanças me. convinha , 
unca tiçíU up longa vida niínha ^ 

Couía me deixpu Ver que defe jade. - » 

Mudando andei coftumc, terra , eftadaj 
Por vèr fe fe mudava a forte; durjt ; 
A vida puz' nas mSps de hum leye lenho, ', 

Mas j feeutido o que o Ceo me tem paoftrado,' 
Já feJL que dçfte meu bufcar ventura , . 

Achado tenho ia que naõ a tenho. 

LXXXX* 



70' I^ H V f rf k'Á's. ' '■ 

^Lxxxx. '., ^.., 

APerfeiçáo j a graça, o doce géító,* 
A Primavera cheia de frefcurá , 
Que fempre em vós florecè ; a que a veriturá, 
E a razaó , entregaram efte peito : 

Aquelle cryftaffino , e puro âígeito^, ' 
Que em fi comprehçnde toda a tormòfura ^ 
O refpiandor doá. òlhos , e a brandura , 
Donde amor a nfnéuem qiiiz tèr refpeftò: 

S'ifto que em vos fe ve. Ver defejals. 
Como digno de vèr-fé claramente , 
Por muito que de amor vos iféntàis : ^ 

Traduzido o vereis táõ fielmente. 
No meio defte efpirkó onde eôàls , 
Que vendo-vos fintàfe o que elle rentes 

LXXXxi. 

VO'8 que de olhos fuáves , e íecenoi , 
Com jufta caufa a vida captiyais , 
E que os outros cuidados condèmnais^ 
Por indevidos , baixos , è pequenos "j 

Sc dt amor os domeftico^ yeneftos 
Nunca provaftes, quero qu_e faibài^ 
Que hc tanto mais o arriòr deíboísí 'que amais j 
Quanto faó mais as caufas de íer menos. 

E naó prefuma alguém àiie àlgúni defeito j 
Quando na coufa amada íe aprefenta y 
Pofík diminuir o amor perfeito: ' 

Antes o dobra mais ; e fé atormenta , 
Pouco a pouco defculpa o brando peito , 
Que amor com ^eus contrários fe accrefcenta*. 

LXXXXEI. 



PARTE PRIMEIRA. Tf 

LXXXXÍL 

QXJt podtrti da Mundo jà querer ^ 
Pois nomefmo em que puz canianho amor ^ 
Naó vi fenaó.dergofto, e desfavor, 
E morte ^ em fim ^ que mais tiaõ pôde fer ? 

Pois. me naó fana a vida de viver , 
Pois já fei que naó mata grande dor , 
Se houvçr coufa que mágoa dè maior y 
Eu a verei , que tudo poílo ver. 

A morte , a meu pezar ,' me afle§^ro^ 
De quanto mal me vinha : já perdi 
O que a perder o medo me enimov* 

Na vicia defamor fomente vi ; 
Na morte a grande dor que me ficoti* 
Parece que para ifto Sb nafcí. 

Lxxxxm. 

PEnfamentos ^ que agora novamente 
Cuidados vÍos em mi refufcitais , 
Dizeime : E ainda naõ vos contentais 
De ter a quem vos tem taó defcontente i 

Que phantaíia he efta ^ que prefente, 
Cadnora ante os meus olhos mie mo(hais? 
Com húus fonhos taó vãos , inda tentais 
Quem nem' por fonhos pode fer comente } 

Vejo-vos , peniámentos j altetádot. 
E nao quereis , de eíqttivos ^ dsdarar-me , 
Que he ifto qtte vos^traz uõ enleados? 

Naò me negueis , fe andais pára neg^-me ; 
Porque fe contra mi eftais levantados , 
Eu vos ajudarei mefmio a matar-me. , .. ' 

LXXXXIV. 



7% RH I TH MAS. 

LXXXXIV. 

SE tomo a minha petta em penitencia 
.Do error em que cahio o penfiimento ," 
Naõ abrando , mas dobro meu tormenro , 
Que a tanto , e mais , obriga a patriencia , • 

Efe huma cor de morto na ai)pii:enda , 
Hum efpalhar • fufpiros vãos ao vefito , 
Naõ faz em vós ^ Senhora , movimento , 
Fique o meu mal^m voíla cônfcíencía. 

Mas fe de qualqu^ èfpcra piudança 
Toda vontade ífenta amor caftiga, 
( Como eu vejo no mal que me tondena ) 

E fe em vós naõ fe entende haver vingança. 
Será forçado (pois amor me obriga) 
Que eu fó da culpa vofla pague a pena. 

LXXX^VJ 

A Queila que , de pura caftidade , ' l' 

De fi mefma tomou cruel vingança. 
Por huma breve ^ t fubita mudança. 
Contrária á fua honra , e calickde ; 

Venceo â formofura a honsiiidade ; 
Venceo no fim da vida a efperança , 
Porque fiçafle viva tal lembrança*. 
Tal amor, tanta fé, tanta verdade. 

De fi, da. geme ^ e do Mundo efqueci4a. 
Ferio com duro ferro o brando peito , 
Banhando em fangue a força do tyrano. 

Qh oufadia»' eftranhá ! Ettranho feito ! 

?|ue dando breve morte ao corpo humano , 
enha fua memoria. larga vida ! ' 

LXXXXVL 



PARTE PRIMEIRA. n 

tXXXXVL 

Os veftidos' EÍifa revolvia, 
Qu6Énéa$ IKe deixara por. memoria ; • * 
Doces derpojos 4a paíTada gloria ; 
Doces quando feu fado o conferiria. 

Entre elles a formofa efpada via , 
Que inftrumçQto ^ em fim , foi da trifte hiAoria i 
E como ouem de fi diiha a viftoria , 
Paliando lo com ella , aili dizia : 

Fctfmoia, ejioya efpada , fe ficafte -: 

Sò porque exeqjtãííes os enganos f 

De quem te qui;£, deixar , em minha vida ; 

Sabe que tu comigo te ^n^anafUj '\ 

Que para me tirar de tantos danos > ^ 

Sobeja-me a jtriftej» da partida. » 

Lxxxxvil; 

OH qqaõ caro me cufta o .entônder-te , ' f >. 
]j^olfefto amor , que fó por, akançar-te ,. ^ ' 
De dor em dor me tées trazido a parte , . i > 
Donde em ti ódio j e ira fe convertei - r- ^ r 

Cuidei qpe para èm tudo conh^er-te 
Me naó faltava experiência , e ane \ . . í 

Mas na alma, vejo a^ora accrefcentar-te ;: • 
Aquíllò que era. caufa d^ perder-te, . ' . . I 

Eftavas taõ fecreto no mçut peito ♦ , , i, 
Que eu çi^çfmo , que te tintai B-naç fabia- ;- . * :;? 
Que me fenhoreavas defte «i^ito* ' ^ 

Defcubrifte-te agora ; e fçr.por via , : ^ > 
Que teu defcpbrimento , p meu defeito, ." 

Hum me envergonha, e ou^ro me injuria^ . •?• >í 



74 RH YTSMAS. - 

. LXXXXVIÍL 

4? E defpois de efpefiifiçá faê^péídidâ ^ ' ^ 
^ Amor pof câtifa alguma confctitíífe *^ 
Qiie inda algum*horâ Breve alegre vUTe, 
De quantas triftes vio taõ longa vida; 

Hum'alma jà taô fraca, e^táp^cáhfda 
(C^uando a forte mafsalto itle fabiffe) 
Nao tenho para mi que confentífle 
Alegria uõ tarde confentida. • • v ^ 

Nem tamfómence o amor me ttaS m6(lroii 
Hum*hofa em què vivefle alegremente , 
De quantas neí& vida me negou f 

Mas. inda tanta perta me corifenté. 
Que CO* o contefiiiimento me tirou 
O gofto de algumhorá fer comtme; 

tXXXXIX. 

ORaio tfvftallino fe eftendiá 
Por o Mundo , da Aurora marchetada^ 
Quando Nife, Paftorá delicada^ 
Donde a vida deijíavâ fe partia. 

Dos olhos €om me o Sol eítuíôcia ^ 
Levando a luz em lagrimas banhada^ 
De íi> do -'fedo, le tempo i» inagoada 
Pondo os olhos no Ceo j aflí dSiáí 

Nafce , fereno Sol ^ puto , e lútttm j 
R^fplaftdèc^ ptífputó , e branca Aitr^ta^ 
Qualquer alma alegrando defcorttéme ; 
^ Que a minha, fabe tu que defdô agora 
]á mais na vida a podes ver contente, 
Ním.taS trifte nenhuma <)utta Paftôta 



C?. 



PARTE PRIMEIRA. ^ 

C- 

NO Mundo poucos annos , e catifados , 
Vivi , chcòá de vil mifetia , e durar 
Foi-mc taõ cedo ^ luz do dia cfcura , 
Que naó vi cinco luftrot acabadds. ' 

Corri terrais, é mares apartados, 
Buícando á*vida ál^m remédio ^ ou cura: 
Mas aquillo que em fim ^ tiaõ dá vennirá^ ^ 
Naó o dao os ttabalhoá arrifeadbsi 

Críou^^mc Portugal ria verde, e chára 
Pátria minha Alehiqtíer ; mas ar corrutO', 
Que nçfte meu terreno Vafo rinha! ^ 

Me fez matiiar de peixes cxtk ci bruro 
Mar , que báces a Abàflia fera , e avara ^ 
Taõ longe da ditofa Pátria minha* 

Cl. 

VO's que efcuiuis emRTiythmas déritmàcfc 
I>06 fufeíros o fòm que me àlêhtàvâ ^ 

Na juvenil idade , quando andava 
Em outro em parte do que fou mudado : 

Sabei que bóícafó db já catííââô 
No- tempo em que bu temia , m èfpèrtv* , 
De quem o mal proVôu j qu^ éu tanto ámà^a^ ' 
Piedade , c náô perdaô , ò meu cuidado.' 

Pois vejo qu'e tamanho fentimcfrtJa 
Só me rendep far fabula da gente ^ ' " 

(Do que comigo mefmo me cn>^rganhô) 

Sirva de exemplo claro meu torthentò , 
Com que todos conheçam claramente 
Qiie quanto ao Mundo apraz he SbreVê 'fenhò. -^ 



D E^ amor cfcrcvp; de amor trato , cvivoç 
De amor. me nafcç ai^iar' fçmr/çr. amado j 
De tudo fe çi^fcuida o meu .cuidada , ^ ' 
Quanto naõ feja fcr de íimòr c^ptjvo,, , \^ 

De amor que a lugar ^co vo^ altivo , • 
Efunde a gloria fua em fer ç^faíja ; .; , [ .. 
- Que fe veja mdhor . purificacjp , . , 
No immenfp refplandor de hu ca^^c^iivo^ -. . 
Mas ai-, qutc tantp amor fópenaiakança ! ') 
Mais conftante plia ^ e elle mais çonflanip^i; • '"^ 
De feu triumpbo fgda qual fó. trapu ' r 

Nada , em fiin s.me aproveita-» *q a efperat^ça , 
Se anima alguma vez a hum. trfíte.^mante , 
Ao peno' vivifica 3 ao longe maiji. . 

ÇIIL 

SE da célebre Isaura a formofasa ' ▼" 

Huna numerofo Cyfncufí^tjo çfcreve,, \ 
Huma Angélica pcnna fç te deve. 
Pois ojCeo em formar-te mais fe apura- 

E fe voz menos alta. te procura . 
Celebrar » ( oh Natércia ! ) em váo fe atreve < 
rte. yçr-te jâ a ventura Lifo teve , 
Mas de cantar-te falu-lhe g ventura. 

No Ceo naicefte , ceno , e naõ na terra,: ^ , 
Para gloria do Mundo cà dcfcefiie: 
Quem mais ifto negar, muito mais erra. 

E eu imagino que d« lá vieftc' 
Para emenda os vícios que elle encerra , 
Co] os divinos jpoderes que .aouxefte. 



m 



PAllt¥ PRIMEIRA. iy 

CIV. 

ESfc^ cabellos louros , c cfcóBiidos , 
jQcie o fer ao aurco Sol eftaõ tilando: 

EíTe ar inunenfo , adónde nauft^g^do 

Eftaá continuamente os meus' fentidos : 
EíTcs furtados olhos taõ fingidos ^ 
ic minha vida , e morte ^ eftaõ caufando; ' 
[a divina graça, que emfaUando, 

Finpé os meus penfamentos nao fer cridos : . 
Ene compaflo cena', cila medida. 

Que faz doorar no corpo a gentileza ; 

A divindade cm terra , taõ íubída ; 
Moftrem jà piedade , e naõ crueza , 

Que faõ laços oue amor tece nà vida. 

Sendo tm mi foffirimento , em vô& dorcza* - ^ 

. cv: .... 

QUem pudera julgar de ifò% , Senhora ,; , 
Que huá tal fé pudeflc affi perder-vos*? 
Sc por amar-vos chego a aoorrccer-vos ^ '^ 
Deixar naó poffo 6 amar-vos aígum*hora. - 

Deixais a qúeni vos ama, ou vos adora ^ - 
Por ver a quem quiçá naõ fabc ver-vòs ? • ' 
Mas eu fou qucrn^ naó foube mcrecer-vòs y 
E efla minha ignorância entendo agora,* 
Nunca fi>ubc entender voffa vontade, 
Nem^a miriha mpftrar-vos verdadeira i 
Indaauç clara èfla vá efta verdade;* * 

Bftá j em quanto eu vos ^^ir , vereis inttitSi ; 
E fc cm vão meti querer vos perfiiadc , ' > 
Mais yofloí^isáóéticrct feá *qúc vos^irifai ^^ 



<78 .; jR HTTHMASí : 

GVL 

QUcm, Senhora , prcfumc de louv^r-vos . 
Com di&urfo que baixe de divino 9 
De fanto maior pena fer^ dino.. 
Quanto vqs fojis maior ao concemplar-vos. 
Naõ afpire algmn camo a çelebcar-yos , 
Por mais eme fe]a raroj ou peregrino ; 
Pois de volta bçíleza cu imagino , 
Que: ^ co^nwofco o Ceo quiz^ comparar-vot^^ 

Ditofa efta alma voíTa a que quezeftes 
Pôr em polTc de prenda taô fubida , 
Qual efta aue benigna,, em fim , me défles. 

Semore íerá anteppfia à mefma vida : 
Efta eftimar em menos me fizeftcs^ 
Se antes quç eíTouura a quero ver per^idbu 

ÇVII. 

MOfadoras gentis , e delicadas , 
po claro , c áureo Teio , que roeddat . 
E^^ em fqas gmtas efcondidais » 
E com doce repoufo focegadas. 

Agora eftçis de amores inflamnudas ^ 
Nos ceyíbllinos Paços entretidas ^ 
Agora ^no exercicio embevecidas « 
Das teias de pi^ro puro matizadas. 

Movei dos lipdos roí^s a luz puca 
De voíTos olhos bellos , çonfentindp 
Que lagrimas derramem de triftuca» 
• jE affi com dor mais propicia ireis ouvindo 
As queixas que derramo .da ventura t 
Que pm penas d^ imapr ^ ygi íj^gamàa. . 

/ , cyiiL 



PARTE r^IMBIRA. f^ 

CVIII. 

BRandas agpias ão Tejo qiK paflàndo - ' , 
Por e(les ver4e8 campos que regais ^ 
Plaiicas, hcrvas» e flores^ t ahiimit, 
Paftores , Nymphas » i<}e$ aleçratulo : 

Naõ fet 4 ( ah doces aguas ! ) naõ fci quattfe 
Vos tornarei a ver ; que mágoas tsàs, 
Veodo coin0 vos deixo , me caufals ^ 
Que de lornar ú vou defconfiando* 

Ordenou o dcftino , dcfejofo 
De convener meu^ goftos em pecares » 
Partida que me vai cuftaiido canto. 

Szudoío de VÓ3 , dçUe quei^ofo , 
Encherei de iufpiros outros ares > 
Turbarei ournis aguas «om meu pOQto> > 

CIX. 

NOvoscafos de jatmor^ novos enganos t' 
Envoltos em lifomas conhecidas; 
Do bem promeflas falias ^ c efcpndídas , • 
Onde do mal fe cumprem grandes danos : 

Como .mõ tomais |à por deíenganos » 
Tantos ais , tant$s lagrimas perdidii^ , 
Pois que a vida naõ hafta^ riem mil vidas j ; 
' A tantos dia$ trjftes , untos anos i 
Hum novo coração mífter havia ^ 
Com outros olbo^ menos Aggravados $ 
Para tomar a aer o que eu vos crb^ < 

Andais cpmjgo , enganos , eogam^s i / 
Efe A<fui;serde» iver, cuidai buid di* 
O que fe diz. dfis l)cm 4CttSilado9. 

csu 



ONdc- j5õrci mcti8 olhos tfut im6 veja ' 
A çaufa de- <]ue nafce o mèU tormlento ? : 
A qual parte me irei co*o penfamento , ■■> ' 
Que para defcânfar parte me fc)a ? '* 

t )à íei como fe engana ^uem defeja 
Em vão amor , fiei contentamento ; 
De qucyno» goftos feus j que faô de-vôntOj 
Sompre falta- feu bem , feu mal fobeja. 
Mas inda , íobre o claro défengano , 
Afli me .traz efta alma íobjugadái 
Que delle eftà pendendo o meu defejo. 

E vou de dia em dia^ de anno em ano,* 
Apoz hum naõ fei que , apoz hum nada , ^ 
Que quanto mais me chego menos vejo» 

CXI. 

J A* do Mondego as aguas àpparecem 
A meus olhos , naõ meus , antes alheos i 
Que de outras diftcrentes vinào çheos j 
Na fu^ branda vífta inda mais crecem.- 

Parece que também forçadas decem , 
Segundo fe detém em feus rodeos. 
Triíle • Por quantos modos , quantos meos»- 
As minhas faudades me cntriftcccm ! - 

Vida de tantos maleí falteada , 
Amor a ppe em termos, Çjue duvida ' > 
De confeguir o fim^ defia jornada; .'^ 

Antes ^iê dá de todo: por perdida , 
Vendo que naõ vai da alma acotnpanhada ; 
Que fe deixou ficar onde^ttta^vida. 

fio cxri. 



PARTE P.RIMEÍRA, 8i 

CXII. 

O Uc doudo pcni^enro h^ oque Cga? 
Apoz q«c. viçi.çuidacjo vou cqrrcndp ? r .. 
Sem ventura de mi ! Que aaó.inç cnret)doj 
Nem o que çallo - Çe,i ^ oem o que digo. 
Pelejo com quem, rrara ,paz condigo j . 
De oiícm guerra me faz naõ me cfcfcndo. 
De taifas efperanças. que pcrtcndo ? 
Quem do meu -proprip mal me faz amigo ? 

Porque , fe .nafci livre , me captivp ? 
E pois o quero fci\ porque o naó quero ? 
Com(> .me enganp. mfiis. com dcfc^gános ? 

Se jâ defcfperei j.quc mais efperoí , 
E fe inda efpe|[o mais, porque naó.yjvo.í . • 
Efe vivo , que jaccufo mortaçs dauos J j , . 

OXIÍL 

H Um, firme coraçaQ pofto em vcntufa ;• ;- 
. . Hum dcfcjpi: honeftó, que fe engeke , , 
E)e, ,voJÍã ,<:ondiçaó i, fem que rcfpcitc . . , i 
Xmeu taõ puro ^arnoç , a fé uõ.Pura; . 

HHm yer-voSf, de piçd^e , e ae brandura. 
Sempre in,imig^, (az-me.que.fufpeite '. , 

Se alguin^ , Hyrcan^ fera vps deo leite , s 

Ou fe nafçeítçs de.^uma pedra dur^. - r^ 

A^jdp bpfcando çauía , que defcuJpé 
Crueza taõ eftranha ^ pprém quanto . 
NiíTo trabalho mais, mais mal me trata. . / ^ 

Donde yen?, q naõ ha tjuem nos nap culpe' i 
Avós , porque ip^tfiis quem vos quqr tantos 
A mim , por. querer tan^o a quem me mata. 



82 *ft«ytHMÃS. 

cxtv. 

AR^qáe dé meus^ furpíros vejo cheio; 
Terra, canÊida já com meu tormento j 
•Agua , que c^orh mil lagrimas fiiftetito ; 
Fogo, qiíe mais accendo no meu feio. ' • 

Em paz eíiats èm mim •, c áflí' o cfcio. 
Sem efle Ter o voílo próprio intenta; 
Pois em dor onde falta d fpffrimento, 
A vida fe foftém por voíTo meio. 

Ai imig;^ fortuna ! Ai vingativo 
Amor ! A que difcurfos por vos venho , 
Sem nuneâ vosinover com' minha mágoa! 

Se me quereíg matar , para' que vivo ? 
E como Vivo i fp contrários tònho 
Fogo , fortuna 3 amor , ar', terra, e agok ? ' 

CXV. 

JA' ckro vejo bem , jíi beni conheço 
Quanto augmentando vou* o meu tormentbr 
Pois fei q Rmdo em agiia , efòrcvo etú vento , 
E que o cordeiro manío ao lobo peço ; 

Que Arachné fou , pois jfâ com Palias teço*; 
Que a tigres em rticus males me lamento i 
Qne reduzir o mar a hurii vafo intento , 
Afpirando a éde Cco que naõ 'rhércçò.' 

Quero achar paz em hum confufo iriférhí>*} 
Na noite , do Sol puro ft claridade j 
E o fuave Veraõ , no duro Invema. * . ' ~ 

Bufco cm luzente Olympo efcuridade ; 
E o delejado bem no mal etemo-, * . ' * 

Bufcando amor em voflà crueldade. • / 



PAÍITE PRIMEIRA. 85 

. CXVI. 

DiÇ cky donde fomente o imaginativos 
À rigoroik ^áuiència me confente. 
Sobre as azas^de ramor ^ oiifadamencc 
O mal fofFrido efprioo vai bufçar^vos, 

i^E'íiínaã:.réceátti de abrazar-iros 
Nas 'chamma$ cjoe por voflía caufa fcntô , 
Lá ficara comvofco ,- c vós prefeme 
Aprendera de vós a .contemar*vo8. 

Mas pois que eflar aufente Ike be forçado^ 
Por Senhora , de cá , vos reconhece y 
Aos pés de imagees volTas inclinado. 

E^po»^^ vedes J a' Fé cfoe vos offrecc ,. . 
Ponde os olhos vdí2 ii j no feu cuidado, 
£ dar4he-hei^ inGla {mais do que loercce. 

CXVll. 

NAõ ha louvor 'xjue arribe ai menor 'parfc >^ 
De quantò-cm» :vós £civê, beila' Senhora : *- 
Vós fois voffo ionvort quem yoá adora, > 

Reduz fómentejV cftç o engetiho ," el aàe. i 

Quamo por muitaâl damas fe reparte:' 
De bello 5 efdc formôfo', cm vós nj^ora' . í 
Se junta em mado-çaly que pouco f»ra-'>. ii -: 
EMzer quefoist^é tòán ^ Jtlhs a parte. .■ T 

CuljJa jrJogòvnniõ/.h£i>,/ft vdu iouvJU?fVos'i 
Ver incapazes tpdós flo» louvores , ' !:r. 
Pois tan€O'}xpiizn0Í Gco awantajai?rvo$« .<!. 

Seja a culpa dê; voflToá refplandores. ; - 
E a que elbé tenr^vos dou , fó para dar-vos 
O mor louvor xie^(cido6> ós maiores. . . 

.::-'.:> F ii cxviu 



84 -RH VTHM A;S. 1 

GXVIÍL 

NAõ vás ao mcmtc , Nile , com tfin g^dô $ 
C^uc li vi c|uc Cupido te bufcavar v^ '• 
^ Por ti fóm^mc a todos pcrgunciva , 
No gefto racaos plácido que irado, t '.. ^ 
Elle publica , em âm , qúe ihe.has lojubado 
Os melhores farpões da íiia aljava -, 
E com hum dardo ardente aíícgurava . ^ : . í 
TrafpaíTar cíTe .peito delicado. . . - ,/v 

Fuge de ver-telà ncfta aventara, •< 
Porque fe coatra ti o tées irofo , . . '. • .4 

Pode fer que te alcance com máo. dura. > ;« 
Mas ai ,. que em vão te ádvino temer ofo j 
Se á t\ia incomparável fprniofura 
Se rende -.o dardo fcu mais podcrc^o ! /. i. 1 

CXIXl 

A Violeta mais bclla que amanhece ' * T .^' 
No valle por efmalce da verdura. »> . • ^ 
. Com fea pallido luflre , e formofaray i 
Por mais hella , Viçrfanfie ,1» obedece. : . . 

Pcrgunta$*me , porque l Porque appaiccc > 
Em ti feo-nome , e fiia cor: mais puuj:?. ♦ .0 
E eftudar cm teu rofto Cóírproícam ■ v -/ 

Tudo quanto cm beldade xmis docecc. • ;. > [^ 

Oh luminofa iior ! Oh Sol mais da^Q l; ^ 
Único roubador de meu fimtido:,^ :....: ': .. ' 
Naõ pemiitcas que amor me*fcia^ày;aro« ..' -a- , [ 

Oh penetrante Ictta de Cupiáoi . r '' '^ 
Que quietes? Que te peça por repixí. • 
Ser ncílç valle Enéas defta Didai .v. i ò/ < 
j CXSL 



PARTE PRIMEJRA. 8^ 

cxx: 

T Ornai eflk brancura à alva aíTucena , 
EeíTa purpi^eá cor ás puras rofas : 
Tomai ao Sol as chammas luminofas 
De efla vifta qnc a roubos vos condena^. 

Tornai á fuaviffima íircna . . 

De efla voz as cadencias deleitofas: 
Tornai a graça às Graças , que iquclxofas 
Eftaó de a ter por vós menos ferena. 

Tomai à bcUa Vcnus a bcUcza j 
A Minerva o faber , a cnçcnho , c a arte ; 
£ a pureza á caftiíEma' Diana. 

Deípojai-vos de toda efla grandeza 
De does ; c ficareis em toda pane 
Comvofco fó , que he fó íer inhumana. 

CXXI. 

DE mil fufpeitas váas fc md levantam 
Trabalhos , c defgoftos verdadeiros. 
Ai , que eftes bées de amor faó feiticeiros , 
Que com hum naó fei q toda alma encantam ! 

Como ferèas docemente cantam , 
Para enganar, os triftes marinheiros : 
Os meus afli me attrahem lifongeiros , 
Edefpo» com horrores mil me efyantam. 

Quando cuido que tomo porco , ou terra ^ 
Tal vento fe levanta em hum inftante ^ 
Que fubito àsL vida defconfio. 

Mas eu fou quem me faz a maior guerra , 
Pois conhecendo os rifcos de hum amante , 
Fiado a ondas de. amor , delias me fio. ' . 

CXXIL 



8í / RíH YTKU AS. ' 

cxxn. 

MIJ vezGs dctcftnino. naó vós \ícry .': '\' 
Por vçr fe abraiada" roais^ o mqu penai: : 
E fe cuido de afli me magoar^ . 
Cuidai o. que fera , fe houver dcfcr. .^ , 

Pouco me importa jà muito foâTrcr , 
Dcfpois que amor me poz em. tal lugarr; • 
E o que inda me doe mais he fó cuidar. 
Que mal fem cfta dor poflb. viver. . , 

AlH naõ bufco cu cura comca ador^ 
Porque bufcando alguma entendo , bem , . 
Que nefle mefmo ponto me pcsrdú 

Quereis que viva , em fim, nefte rigpc? .' 

Somente o querer voflb me comem- - 

Afli quereis que fcja l Seja álE- . • 

CXXIII. 

A Chaga que; Senhora, me fizfftes, ; -*' 
Naõ foi para cuiar^fe cm huni fô dk ; ' 
Porque crcfceudo vai com tal poília , .. . ^ 
Que bem defcobre o interno c|uc tivcftcsuo -..:: 

De caufar tanta dor vos naõ doeftcs ? . ? 
Mas a dõer-vos , dor me naó feria, . - r- 
Pois jà com cfpcrança me vcna . . > 
Do que vós que em mi. vfflfe naõ quizeftc»*. 

Os olhos, com que todo me roubaftcs 
Foram caufa do mal que .vou paílândoíi. . 
E vós eftais fingindo o naócaufaftcs- 

Mas eu me vingarei, E fabciíiauandoS 
Quando vos vir queixar parque deixaflaas . . .. 
Ir-fe a minha alma nellest aluazaaido. 

CXXIV- 



PARTE- PRIMEIRíA. 87 

CXXIV. 

SE com defprczos , Nynipha ,, te .parece • . 
Que ppdcs dcfviai: do feu cuidado ■ 

Hum coração confiante , que fc offrccc 
A ter por gloria o fcr atormentado. 

Deixa a tua porfia , -c recoriliece 
Que mal fabcs de amor dcfcnganado y, . ; 

Pois naõ fentcs^ nem vè$ , q em,tfu nial crecc V 
Crefcendo em mi de ti mais deâmido» 

O cfquivô defamor ccmx que me tragas , 
Converte em piedade , fenaô queres 
Que crefça o meu querer , c o teu dcfgoílo. 

Venccr-mc com cruezas nutKa efperes : 
Bem me podes matar , e bem me matas , 
Mas fempre ha de viver meu prefuppofto. 

cxxv* 

SEnhora minha,. fc eu de vós aufente 
Me defendera de hum penar fevero , 
Suffjeito que offendêra o que vos quero , ,'"' ■ 
Efquecido do bem de eftar prcfente. ^ 

Traz efte, logo finto outro accidcme,. 
E he vg: que fc da vida defefpcro , 
Perco a gloria .que vendo-vos cfpcro , 
E affi cftou em meus males diíferente. 

E nefta diíFerença meus fentidos 
Combatem com taô afpera porfia. 
Que julgo efte meu mal por deshumano. 

Entre fi fempre os vejo divididos i 
E fe acafo concordam algum dia , 
He fó conjuração para o meu dano. 

CXXVI. 



88 -RH y Tk'MÁ''s. 

cxxyi. 

N o regaço aa^mãi amor cftava. 
Dormindo taõ formofo que movia 
O cotação que mais ifcnro o via , ■' 

E a fua própria mái de ar.;.or matava. 

Ella co'os olhos ncUe conicmplava 
A quanto cílrago o Mundo reduzia': 
EIIc porém , fonhando lhe dizia , 
Que todo aqueUe mal cila o caufaVa. 

Solifo , que graduado cm feus amores , 
De fabcr de ambos mais teve a ventura, 
Affi foltou a devida aos Paftorcs ; 

Se bem me ferem fcmpre fem ter cura 
Do menino os ardentes paíTadorcs y 
Mais me fere da *mãi a fomiofura 

cxxvir. 

ESte terrefte caos com feus vappres . 
Naõ pode condenfar as nuvées tanto , 
Que o claro Sol naó rompa o negro mantd 
Com fuás bellas , c luzentes cores. 

A ingratidão efíjuiva de rigores 
Oppofta nuvem he , que dura cm quanto 
Nos naó converte o Ceo em trifte pranto 
Suas vãas efperanças , feus favores. 

Póde-fe contrapor ao Ceo a terra, 
E eftar o Sol por horas eclipfado , 
Mas naõ pode ficar cfcurecido. 
7 Pôde prevalecer a vòfla guerra; 
Mas a pezar das. nuvées , declarado 
Ha de ler voflb Sol , e obedecido. 

cxxvin. 



PARTE PRIMEIRA^ íp 

CXXVIIL _. _ 

HUma admirável hcrva fc conhece , 
Que vai ao Sol fcgutndo de hora cm hora: 
Logo auc ellc do Euphrates fo vè fora , 
£ quando eftà mais alto , entaõ tIorece« 

Mas quando ao Oceano ocarrodcce. 
Toda a lua belleza perde Flora , 
Porque ella fe emmurchcce, e fe Jefcpra; * 
Tanto co' a luz aufcnte fe eno-íftece. 

Meu Sol , quando alegrais- eflá alma voflk , 
MoÉlrando-lhe eflè rofto que c& vida , 
Cria flores cm fcu contentamento. ; * 

Mas logo , cm não vos vendo , cntriftccida 
Se murcha ^ c fe confume em gráo tormento ; 
Nem ha quem voilà aufenciá fofficr pofla. ^ 

CXXIX. 

CRcfcci , defejo meu , pois que a ventura ' 
}à vos teni nos feus braços levantado ; ' 
Que a bella caufa de que foís gerado. 
Ornais ditofo iim vos alFegura/ 

Sc aípirais por ouíado a unta altura, 
Naõ vos efpante haver ao Sol chegado ; 
Porque he de Águia Real voíTo cuidado , 
Que quanto mais o foí&e mais fe apura. - • 

Animo , coração; que o penfamcnto 
Te pode inda fazer mais ^oríófo^ • I 

Sem que refpeite a teu merecimento. - * -, 

Que crefças inda mais hc -já forçofo ; ' _ 
Porque fe foi de oufado o teu intento, - - 
Agora de atrevido hc vcnturofo. ■ I 

cxxx. 



^jc^ , RH Y THM AS; 

CXXX. 

HE o gozado bem cm agtia^cfcrito; 
Vive no dcfejar , morre no cfFcito: 
O defcjado fcmprc , hc mais perfeito , 
Porque tem parrc alguitu de infittito. 

Dar a huma alma.immortal gozo pircfcrito. 
Em verdadeiro amor, fora defeito: 
Por tnodo fuperior. , naõ imperfejtq , 
Sois exceiçaõ de quanto aqui limito*: 

De huma. efpej^ça nunca conhecida ^ 
Da fé do defejar naõ alcançada ^ 
Sereis mais dçfejada pofluiík. 

Naõ podeis da efperança fer amada: * 
Viík podereis fer, c cnuó mais crida; 
Porem , naõ íeni aggravo , comparada. 

CXXXI* 

DE quantas graças tinha a natureza , * * 
Fez hum bèllp , e riquiílimo thefouro ; 
E com rubijs ,, e rofas ; neve y c ouro , 
Formou fublime, e At^gçlica belleza. 

Poz na boca os rubijs , e na pureza 
Do bello rofto as rofas , por quem mouro > 
No cabellb o v^lor Áq metal louro ; 
No peito a neve 9 em que a alma tenho accçfa. 

Mas nos olhos moflrou quanto po^ia , . 
E fez delles hum Sol , onde fe apura 
A luz mais d^a que a do daro dia. 

Em fim j Senhora 3 em voflà compoftura , 
Ella a apurar chegou quanto fabia 
Qc ouro 3 rofas , rpbijs , neve , e luz pura. 

CXXXII. 



CXXXIh 

N línea cm amor <lamnpu o.^i^viíliQntb ;' "> 
Favorece a, . fortuna à oufadia ;(" l' j 

Porque femprç a encolhida covardia , 
De pedra icrye ao liyre peo/amcnco. ]• - - . 

Quem fe deva ao fablin^e Firmamento , • * 
A Eilrella ^eUe encontra que lhe he guU ', < • 
Que o bem q^e^ encerra cm.fi a phaiuafia 
Saõ humas illuspes que leva o.vcnco» .. 

Abrir .fc devem paíTos á ventura: 
Sem fi próprio ninguém fera ditofo : . ' 

Os princípios lomentç a forte os move. 

Auevcrrfer^h^ yalor, e naõ loucura. 
Perdera pc^.qpvarde o venturofo, ^ { 

Que vos vè, fç os temores naô rcmQvC» ... 

CXXXlIh 

DOces ^ 't clíira^ aguas do Motidega»-* • ' a 
Doce cf|>oufo de minha lenibrança ^ . > ': 

Onde a cottnprida, e perada efpei^anç^, ... 

Longo tempo ap^2 fi me tricHixe cego. < o '( . i 
Efe vós me aparto , fi j porem naõ nçgo^,. ^ 
Lie inda a k>nga memoria % qnç me alcança,, ,\ 
'e naõ deixa de .vçs fezcr .mudança., - , .:.s 

Mas quanto, mais me alongo rriaís me ach^^cv •' ^ 
Bem podçrà a fortuna efteâní^mentpt -^ . ; 

Da alma A<?v|jr por terra noya ,0, cftranba,;. - . /^ 

OfFerecida 40- mar rfmotp , ao vepto. 
Mas a afamiqui^ de cá vo» ac<|n^panha> • 

Nas azas do ligeiro penfemento .• ' ' 

Para vós , aguí^ç , yo^ , ^ çi* X^ fc banhfi^ . , í 



Qu( 
Me 



GXXXIV. 

SEtthor Jòaô Lpbes , b nrcú tóíxo éflado 
Hontem vi pofto erti grão táô ektclkntc. 
Que fendo vós inVeja a' todi a gehrc , ' 
So por mi vos quezcreis. vc^ trtícado. 

O gefto vi íuàvô ,-c dditado y' y 
Que jà vos fez" contente , e defcoritehre , 
J^ançar ao ventp a ^02 taó docemente , 
Que fez o ar fercno ,' e foccf ado. 

Vi-lhe em poucas palavras (lizcr quanto 
Ninguém diria em muitas : mas eu chego 
A efoirar fó de oiiVir a doce fala. 

On mal o haja a fortuna., ç o moço cego! 
EUc , que os corações obrisja a tanto ; 
EUa 5 porque os áftades defiguaia. : * ' 

cxxxv. 

r A Morte, qué éi vida o nó defata^ 
•TV Os nós , que dà o amor , cortar quizera 
Co' a aufencia que he fobrc elle efpada fera ^ 
E co' o tempe que tudo desbarata. 

E)uas contrárias, que huma a outra- mata^ 
A morte contra amor junta , e altera ; 
Humá , razaô contra a fortuna aiiftera ; 
Outra, contra a razaõ fortuna ingrata. 

Mas moflre a ftía imperial potencia 
A monc em apaiftar de num corpo a almtt , 
O amor n'hum corpo duas almas una. 

Para que affi triuníphamc leve a palma 
Da mone amor a grão pefar da aufencia , 
Dp tempo ^ da lazaó ^ e da fortuna. 

CXXXVI. 



ARvore, cujo pomo Wio^^.cbnmdái C'\ 
Namrç^za ^e.lcke , 4 Ãíig^ pinu, ^ 

Onde a pureza , ,dc;Vcrgpnha çin» ^ 
Eftà viç£inça^:4ce? rimiwndp* i . . .. , ; 

Nunca do^-vâ^ito ,[,-€ ira.^ q«$) 1^mnc^tàó 
Os tronco^ .yaó ^ o ^tu.m^s^, fímê'^ 
Nem por maliçia de; ar te fcia.OKcInta 
A cor c|ue eftá-.-fCcu iru<í:lo /dçbuxapdo. . . 

. E poi^rifmpreftas docÇj ^ jdon^ .al>rigó : 
A meu cdhccn^tpenco ^.^o^f^^r^ç^ 
Comrfieu. iUave çhcíco ..v^únha', gloria ; > < .. . 

Se cu^fl^ j/e.<;eli;r)yaíÇ;jÇftni,o mereces i. . j . 
Canun4ftTl^,«í;i5c Wr, fejjf i ^^fi^igo . > -í .•/^. 
Doce nos cafos tci|ji^ ^:^^oru%^ - t . r- * > 

OFilitf>i)íCíUc9fia;cfeJla5Çí:^^ r \ n "'•: 
Que qçi^.ífft j»te #%fa;.a hunwiM gpnte. 
Matar po^.^j^kycoiiíirarrO^^peiiie 9 ; . , •; 

Que mortes rajt.Jb^ia' produzido^ ■ ^ 

VcTío ^O9f9^i;^içç0 y[yC çq\^lco, foi ftridori. » 
Com ponta ag^ 4? qu0 reiuzenre : / '.f.i l[ 
Nas TheíIalÍQi%:|>vai^id$|ccH^6nçe :^ < ^ - ^ 

Por a Nympi|^,Bc5«W «jpdoH-jp^ído^ :. - n: /, 

Naó Ihe^B^dí^fjftíteí^riWiMi^ iíp#)^dapQ.>i ,:•;/{ 
Saber, ç^foi^^cpcja^ljí, WÈfti jrcfpeitft ,,;. ..-^^ 
De quanto era celçftcr, ;(f l/i^rípqj i ; o :.:A 

Pois fc^ b&l4ft9K npifíi iwo »jm h(i «n§Mo 
De quem era w P9««Q fin^^jÇHrwfp^tiairj-^f 1 
Eu § eJfeçi».;dç feWft íçrríííáMn^i?; qirhwf^^ 

.:;::::> CXXXVÍII. 



;5W ./ 1iiíi:t'^T^tí RÍA-s: 'í 

P Rçfehçaidb/^ indica figutaí, •• * '^ 
Em quem., ^lánío*© Ceó rinHa j nos te dado ; 
Gcfto alegro de tofásftmeado', ^ 'i 
Entre as quaes fc efíà rindo -a- fòrmofur^ ? 

Em cryftal ptri^ ' a 'heçito i^nic-irthetádo y 
Que vemo* fá nb^vèrdc ^delicado- ^ ••'■ ' 
Naô cfperança 5-^á!^-írt<^ia -efciij^': ' . - ^ 

BraiÇdufâ-, 'àV?fôÍ, % grâtÇa, qn^ àugmehtando 
A natural belteíâ *<cò*íitoi dbfpfe»^ •, ' • ' 
Com que- hiaifedêfft'e5íaáa tnàís' ft iaôg*etitít , 

Saõ a« jifi^óès ^i hum cbrá^a8\ '^lie pre2o^ 
Seu mal ao fõrii-'d6fe'fttfoá vai^^manâo,- * 
Como faz a fefèlffiffi^ftnenta.^ ^^'' - 

P> Or cima dcflas a*oás'^f6ftfe';-V^ÍKrfaey ;■ T. 
^íífc^-^óhde òs^fí.^ to" òrdetiàfàW.,;^' "^ ^^ 
Pois por cima de^qiaahtíis-d^rramáráíft*^' ' 
Aquellesclaroí^dlbòs fnídè- vit-riíèf.' ?''^'**'- 

Jà ohtgadò èía ô flnídc dclpjedir-íme^;^ 
]á mil imiíedírtiéntojs ft^'9cátór*m^i'' . ' ' 
Quando rios de-«mof -ft^atrávéflaíw*!*^^^ • ^ 
Ame impcâír'^''fafíèí'* ^Wiá.rté:í' • . '' "- ^ 
PaíTei^í 'éti d*M ««ftio ctaftiiVÍéS y^- ^^'' ^ 
Com que tt-ffio^''ft¥cadà5'eí^^ r-x 

Faz o vencidé^'^cfe^íaíé.*'^ £-'^ ohi..::;. l. 

(Bm <pial ífigiMá :^ oii «íéfto âeíftfaâii /' ^ ' '^ - 
Pode .já hitr rrièdo «ft ífiòite ièôfa V '' ' ' * 
ÍA qiícitt ' tencí V^Oús fj)ó$^íèn*dó > c átàáo í • - 

. VA - -> cxxxx. 



yf 



/^ 



PARTE PRIMEIRA. j^ 

CXXXX. 

TAl moftra de fi da VoflTa fiçura , ' • ^ ^ 
Sibela , clara luz da Tcd&:iáí2a, , 
Que as forças , t o poder da haturtta. 
Com fua claridade mais apura. 

Quem cònfiâhçâ ha vifto taô fegura , 
Taó fingular efmalte da belleiza , • /' 

Que naõ padeça mál de maí^ graveza, ^ ^ 
Se refiftir a feu amor procura ? • 

Eu , pois , por cfcufar tal cfcpifvatiça , 
A razaó fujcirét ao penfatnemò , ' '' * 

A quem logo os fenridos fe etttregáram. 

.Se vos ofiènde o meu átrevithcnto , 
Inda podeis tomar nova vitigança . • ' 

Nas relíquias da vida que ficaram. 

' CXXXXI 

NAdckrpe^o já repòuftvâ ' ' '' \ 

O pejto lortgafmehfc mamado j 
E com feu dáníno eteftto encerrado, ' > ' ' 
Já fíaõ' temia:, ja naô defejaVa. • í 

Quartdo humá fombra vãa mçíifliígutava;"* 
Que «Jguffi 'bem iríe podíá éífeir guàrdadty- - ' 
Em taó formoíà imagem y que o fíra^ladò' ^'^- 
Na alma ficou ;,qí!íe ncllá it devava. " ' ^ • 

Que ci^dlico^faé'*dâ tiõ' facihncntc ^' - ' 
O coraçaó-^â ííquilto' <jue defeja,-- • *: 

Quando Ih^dqoeéè o fero 'feú aifiihó; ''' ' • •' 

'Ah ! Deikert-írié èhgahàr ; quiíhi Totf 'càníáite : 
Pois pc^oque' ma^qi: rafeuxlamtt(y^'fMà, • ^ 

Fica-mc a ^low Jfc ão quc^ittàfutó. 

CXXXXIL 



ííf / ÍL:H TTHM AS; 

GXXXXII. 

Dlvcrfos ; doca reparte o Cco bienino , 
E quer que cada. W alma hu fó poflua ; 
Por iíTo^qmpu de cafto peito a Lua, ' 
Que o primeiro orbe illuftra , cryflallino. 

De graça a m&í iformofa do metiino , 
Que nelía viftatçm perdido a fua ; 
Palias , de (cicpcia joap maior que a ma , 
Tem Juno da nobreza o Império diuo. 

Mas junto svgora o. largo Ce^ derrama 
Em ti o mais que tinha ,e foi. o menos , 
Em rerppjto do Aqthçr da natureza. 

Que a^fca pezar tç daõ » formofa Dama 3 
Seu peito a Lua , íua graça Venos , . 
Sua fciencia PgUas 9 }uno fua nobreza. 

ÇXXXXIII. 

GEntil Senhora,, fe a fonuoa imiga , 
Que contra mi cpna todo bCeo conípírã» 
Os olhos ^n?^T de. ver os voíTos tira. 
Porque em mais .eraves cafos me perfiga. 
C9tnigo le^o efta alnia , oue íè obriga 
Na mpr prella de mar^ de fojgo , e d*ira , 
A dar-vosk a ipçinorja , què fuipica , , 
Só por iaí^çr'<;qi|ivofc9 eterna liga« , 

Nefta alma ^^^nde* a* fortuna ]^c pouco 3 
Taô viva vos tçrpi, que fr/o^ é fome, , 
Vos naõ poiE^n fitar ., nem mais perigos. 
• ..A)Çues com iptn de voz trémulo, e rouçpj' 
*Pbr Vós chamaíidp , íó com voíTo nome 
Farei fugfrgs.ventQs. e ps imigo^^ 
TT ' CXXXXIV- 



PAATE PRIMEIRA, pj 

C3JXXXIV. 

QUe modo rap fubtil da natureza 
Pára fagir.ao Mundo , c feus enganos ! 
Permittc q^c (é cfconda cm temo» anos i 
Debaixo de hum borçl tan» bcUcza. 

Mas naó pode efoonder-fe aquíçUa alteza , 
E gravidade de olhoí . fobcrano« , . 
A cujo refplandor cmrc. os^^ humanos ^ 
Refiftencia naô finto , . ou fortaleza* 

Quem <juer livre ficar.de dor y c pena, 
Vcndo-a ja , jâ trazendo-a na memoria , 
Na mefma razaõ fu^ fc- condena. . . 

Porque quem merçceo ver .tanta gloria , ' 
Captivo ha de' ficar ; que amor ordena , 
Que de juro iei>ha ella efta vitoria. 

cxxxxv. 

OUtndo fe vir com agua > fogo ard«r, i 
Juncar-fe ao claro dia a noite cfcura , . 
£ a terra collocada là na almra 
Em que fc vem os Ceos prevalecer. 

Quando amor k razaõ obedecer , / . 

E em todos for igual hunia ventura 5 
Deixarei eu de vçr xal formofura , 
E de a amar deixarei depois de a ver. 

Porém naõ fendo yifta efta mudança 
No Mundo , porque , en^ fim , naõ pode vec-fc i 
Ninguém mudar me queira, de querer-voíi. . 

Qiyí bafta eftar em vós minha efperatiça > 
E o ganhar-fe a minha alma , ou o perdcr-Te ,- -. 
Fafa dos-, olhos meu9 nunca perder-vos. 

Toro, IL G CXXXXVÍ. 



OUando a fuprema dor muito ine apertai ^^ 
Sc' digo <jue dtfcjo cfquccimento , ^ 
He fófça oue fe faz ao pcbfamento. 
De oue a vontaífe livre defcottcerta. ^ - 

Alli de erro -ttó grave me dcfperta 
A luz do bem regkío etitcndirriêhco , 
Que moftra;fer engano , ôti fin^imcnt» , 
Dizer que en^ lai dcfcanfo mais fe' acerta. 

Porque eíTa própria imagem , que na mente 
Me rcprefentao bem de que careço, 
Faz-mo de hum certo modo fer^eíenre. 
Ditofa hc ,'teeo , a pena que padeço , 
Pois que da caítrá delia em mi fe íentc 
Hum l)cm ^e incb fem ver-vo$ itconheço. 

cícxxkvit. 

NA margdw ée hum ribeiro , oue fendia^ 
Com liquido cryftal hiim vcroe prado , 
O trifte Paftor Lifo debruçado 
Sobre o tronco de "hum freixo affi dizia : 

Ah Natércia cruel ! Quem* te defvia 
EflTe cuidado teu do meu cuidado ? 
Se tanto hei de penar defenganado , 
Enganado de ti- viver queria.' 

Que foi de aquella fé que tu me défte? 
De àquelle puro amor que me moftrafte ? 
Quem tudo trocar pode taõ afinha ? 

Quando effcs olhos teus n'outro pozefte i 
Como te naõ lembrou que me iurafte 
Por toda a fua luz « que ereá fo minha ? 

cxxxxvni. 



FA&TE PRJIMURA. 59 

CXX2QPVIII. 

SE; me «eml tanta ^oriá íó> de olhaMc, j 
He ppna defigual dcbcat de vcr-tc. 
Se prerviQç comi obras mprcccr-te , 
Grão paga de hum engguo ht dcfcjar-te. 

Sc afpiro ppr.qucm ia a celcbrar-ie , ' 
Sei certo porcpacm fou que hei de ofiêndèr^te» 
Se mal oiojcftiero a mi fHor bem querer-té , 
Que premio querer poffo mais que amar-ce ? 

Porquç hú taorcaro atnor naõ me foccofaeí 
Oh humana' ilferouro ! Oh doce gloria ! 
Dicofo quem á. raiwie poi ri corre ! 

Sempre- efcriptà- cAaras nefta memoria j 
E cfta alpna vivirá^ pois por d morre j 
Porque ão fim. da .batalha te: a viwloria* 

CXXXXIX. 

SEmpre a razaõ vencida foi de amor ; 
Mas porque affi o pedia o coração , 
Quíz amor ler vendado da razaõ. j^ 

Ora que cafo pódc haver maior I > ' 

Novo modo de morte, e nova dor! 
Eftranheza de grande admiração ! 
Pois , em fim , fcu vi^or perde a aíFeiçaiõf, 
Porque riaõ perca a pciia o. fcu vigor. 

praqueza nunca a íiouve no querer. 
Mas ^ntcs muito mais fe esforça ailim 
Hum contrario com outrç por vencer. ^ 

jVias a razaõ que a luta^ vence , cm fim , 
Naõ creo que he razaõ , m?s deve fer 1 / ' 
Inclinação que cu leoho go^icçat miift. 

: Gii ^ Cl 



roo RHYTHMAX.S 

• '<X.. •• 

Coitado, cpie em hu tempo clióvo , crio ; 
Efpcro , € temo ; quero , c aboircço ; 
juntamente me aleçro , c me encrífteço ; 
Confio de hunu cónfa , e defconfio. 

Vôp fcm azas; eílou cego, c guio; 
Alianço menos no que mais mereço ; . 
Entaõ &Uo melhor quapdo emmucfeçof 
Sem ter contradição fcmprc porfio^ 

Polfivel fc me faz sodo o impoifivel ; 
Intento com mudar^me- eflar-me quedo ; 
Ufar de liberdade^ c fer captívo. 

Queria vifto fer , fer inviuvel ; 
Vcr-me dcfenredado amando o eniscdo ; 
Taes os extremos faõ com que hoje vivo. 

CLI. 

JUlga-me a gente toda por podido j 
VendcMne taõ entreve a meu cuidado , 
Andar fempre dos faomées apartado , 
£ de hununos commercioi cíquecido. 

Mas eu que tenho o Mundo conhecido > 
E quaíi que fobrc eHe ando dobrado , 
Tenho por baixo , ruftico , c enganado , 
Quem naõ he com meu mal engrandecido. 

Và revolvendo a terra , o mar , c o vento , 
Honras bufque , e riquezas , a outra gente » 
Vencendo ferro , fogo , frio , e calma. 

Que eu por amor emente me contento 
De trazer eículpido ,- eternamente , 
Vpílo fonnofo g^Ao dentro da alma. 

T ^ i . CLII. 



^ PA.1LIE PRIMBIJtA- loi 

CLED 

OLho^y âohde o Ceo com luz mais pura 
Qatz dar de féu poder claros fignais , 
Se quimdcs ver brm^uamo podais, 
Vcdc-mc a mi que foi; •vo(k feitura» 

Em mi viva vereis veffii figura , 
Mais própria que em purjffimos cryftaís , 
Poiaae nefta: alma hc c^rro que vejais 
Meinor que em hum crffksA cal formofura. 

De meu naõ quero mais que o meu defejo , 
Sc acafo. por querer*vos mais mereço , 
Porque o voflo poder era mi fe aítelle. 

Dq Mundo outra memoria em mi naó vejo : 
Com lembrar-me de t6s, delle me efqueço ; 
Com criínx^hardes de mi , triumphareí delle* 

CLIII. 

CISCOU á natui-eza Damas bella», 
Que focam de altos pleâros celebradas , 
DeQas cornou as partes mais prezadas, 
E a vós , Senhora , fez do melhor dcUasv 

Elias diáncé vos íaõ as Eftrdlas , 
Que ficam com vos ver logo eclipfadas t 
Mas fe ellas tem por Sol eHas roladas 
Luzes de Sol maior , felíces dias ! 

Em perfeição , cm graça , c gentileza , 
Por hu modo entre humanos peregrino,' 
A todo bello excede cffa belleza. 

Oh quem "tivera partes de divino 
Para -vos merecer 1 Mas. fe, pureza *./-:■ 
De amor vai ante vós* deivós fou diuió. ... . 

. :s CUV. 



Gtrv:- 

QUe «r^içrats ; <tfycran4:3id EJefoíj^fooíf. 1 :^"\ 
Quem diflb a' .C2iafa> íoi:?. Húarinudjwi^a. * 
vós , vida ., cionjo citais í Spm, é^ycí^srçzi'- 
Q.ic dizeis i CQxaçaó '^/Quô mokófi^fucro.. ' '.'' 

Qic fcnds ,, abnar^ vb^i* Que.amèr ira fcrò. 
E , cm hm , certio yi^tás ^ Scnt cpttíaajepc; / ' 
Quem vos fuflí^nta^. lo^^J, Humd '>lc m banyt> i '• 
E fó neUa.efperais ?■ S0iwilaí:efpeíi» '.r-r, •. ■ 

Em que podeis ^4í?ar'í rNifto cm cfuc^ftou* 
E em i]ue eâais vos i Em acabaria ^ai(J; ^ 
E tende-lo por beih â iVmor oiquc^r > o * 

Quem/;,vos obriga' zãvú: Saber. ^í^uetniloíii' i 
Equem loisi? QueínSdpííCOíioieftíttrflndidaJ 
A quem retuiida< eítais \ iàíhom íò ijíifRflN:^ f * 

.CLY> 

SE como em tudo:Oi.itíals foftes-ípcrfatev ' "' ^ 
Fôreis de condição rp^ios efqui?ai9^ -r *, ♦ - ' 
Fora a miaha fortuna mais altiva, 't:ci ^. 
Fora a fiia^^altiveza mais fojeica. .\. . . 

Mas quando a vida a voflbs pés feifeiítav • 
Porque naõ a acceitais , naõ quer que «u vivat 
Ella própria de fi jâ a mi me priva j < 
Que porque mel engeitais, também mé ehgeíca. 

Se niflb contradiz vofla vontade , * ' 

Mandat-lhje vós , Senhora , que àé fim 
A' minha profundiílima trifteza. 

Pois e!la naõ mo dá porque piedade. 
Tenha defte meu ma^ , mas porque em mim. 
Poilaís aíE fanar vo(& .crueza. . 

> CLVI. 



CL VI.' ' 

S^ E algum^hora cíTa vlftá níais fuave ^ __ 

\ Áoáío à, mi volyèís , cm Ivànv móMiélttb ' VT 
Me finto coní humf. td c0nte!i«M«hr<y , ' 
Que naõ temo que damno al^um fn^aggrave^' I 

Mas quando com /d^em efquivoj crgrate^^' '' 
O bello roftq meiíloflrais ift;nK> ,' '* 

Huma dor provpítál , huito tal tormento , 
Que muito vemA-fer qucnâàime íicabe. ^ ^ 

AiH eftá minlta! vida ^' ou niíinha mone , - ^ 
No volATcr.de ellet olhos rpoi^ podeis 
Dar CO* huma. Vjrfiaddlcs' morte, ou "vida, 

Ditofo eu ,'íc o Cco x^iíerí ou- minha foit«V' 
Que ou vida -pnsp dar*Vo4a me^dci«8 , ; • ^ 
Ou morte para haver morte qu&rié^* 

. '• .. .CLVIL .', .' i ' C 

TAnto fe foram , Nympha , coftumando 
Meus olhos a chorar tua dureza y 
Que yaó paflkmlo ;jà'por natureza , > '^ ' ^ í ' 
O que^pòr accidènte àiam paflktx^O(y ^ . ' 

No que ao Toomb: & deve eftoa veiando , ' 
E venho a velar fó/tAinha trifteza: ^ 

O choco naõ' abeanda -eíla afpsreza , ' /> 

£ m^u&.xilhos-eftaõ A:mpre. choiando.r : . '. 

Aíii de dor em jdolc , de mágoa em' mágoa 9./I 
ConrunundoFÍe'^'V^ • inotilmemer, m ; . • . ; 

E efla vidaiambènoL viõ confumitido; * ^ 

Sobrar o fofiô dt^'.áíhor inútil agoa! 
Pois en em choro '«ellbu continuaáieatc 9 . 
E do que j vou choraiido te vás rindo* 

Affi nova çomenDe ' 
Levas. >de choso^.em foro, . ..:, 

Pofl^e^ de ver-te nr , de novo choro. CLVIII. 



íí>« tCã y T ri M AS. ^ 

. CLVIIL . ' " 

EU m^ aparro às vós , Nymphâs âo Tejo , 
Quandc^ meoai temia efta parridac 
E fc a minha «ima vai entriftcckla,í. ' 

Nqsolhóso. vereis com cjuc vos vdjo. 

Pequenas efpcranças , mal fobejo , ^ 

Vontade que razaó leva vencida % 
Prefto veraò o^fim à uifte vida. 
Se vos naõ lómò a ver como ddfejo. 

Nunca a. noke' entretanto , nunca o dia^ • / 
Veraõ partir de *mi voJTa lembrança. ; 

Ajnor , que vai. comigo , o certifica. 

Por mais que no. tornar haii taodança^ ' ' 

Me faraó femprjé trifte comi^anhiá . *.'^- 

Saudades do bem que em vós me fica. 

' ' ' . '^ CLI&-'V '..':/ 1 

VEncido eft^ de amor Ille|i pcníamenta ' : P 
O mais q. pôde fcr. Vencida a vidajji.: ,» ^S 
Sujeita á vols^fervir, c Infticuida , . 
Òffereccndo tudo A vodo intento; " 

Contente dcfte ^bem /t Louva o momencO) ' " 
Ou hora em. cpc^ fc vio Também perdida^ i 1 
Mii vcssès defejan^f» -Aili ferida, ■'[ '^ 

Outras mil renov^ Seu'''P«rdimentOk . ' 

Gom efta pertenfaõ Eftà fcjgura 

A caufa que me guia ^<MNeftá cfnpreaav*^- ' 
Taõ fobrenatural , •' iSonrofa , e alca;^ - í 

Jurando naõ querér . ^Ounraiyemuiav • 

Votando fò por vós Rara firmeza , 

Ou fer no voílo amor , - Achado em ^b. 



PARTE PRIMEIRA. tóf 

CLXr 

Divina companhia , que nos prados . ' ' 
Do claro Eurocas , -ou no Olympo monte 
Ou ibbre as margees da Caâalia tonce "■ 

VoíTos eftudos tendes mais fagrados : 

Pois por deftino dos immoveis fados- >-' ; -^ 
Quereis que em voffo numero me conte y ' 
Nb etemp Templo Ác Belorofonte 
Ponde em beòhze cftèsverfos «ntálhados, 

Solífo j(vpnR)ue em feoulos futuros 
Se veja da belleza o que^metfece 
Quem de {àbia^^doudice a mente inflama ) 

Seus efcriptos, dá fone Já feguros, " í 

A eílas aras. cm huma mao oifirece , 
£ a alma cm outra à fua bella Dama. — 



^T 



CLxr.' 

A La mafgtm dei Tajo en dafo dta , 
Con rayado marfil peynàfido eftava ^ 
Natércia fus.cabeilos , y quitava 
Con fus ojos la luz at Sol que ardia. 

Solifo y que qual Clidé la feeuia ^ 
Lexos de íi , mas cerca- delta efuva : 
Al fon de fu zampoííía celebrava 
La caufa de íu aroor , y a íli dezia: , >- *■ 

Si tantas , como m tiene» cabcllos j / ^ tv • 
Tuvicra vidas yo , me las Ueváras » . - '• 

Colgada cada qual dei uno dellos< ' 

De no tenerlas va me coníoiáras , 
Si tantas vezes mil como fon ellos^ - j o. 

£n ellos la que ceago me d^fedáras. ^ " ^ 

, "^ CLXIL 



POr gloria tuvc un tienipò elf tt perdido } 
jjpçráiame de puío bicn ganado ^ 
' Gane quando perdi fkt libertado ; 
Libre as^ora pie. yeo ^ m*s vencidos- . 

Venci quando de Njíè.fuy rendido.; ), - 
Rendinieppr^no fcr delia dexadoii: 
Dexônic en la memoria ;el blen pafíjiloV 
Palio agçwa' a, ' IJocar ló -que he fcnnd»í ' r 

Servia' ai premio;dc U loZ'<|ue ^aimyà } • - 
Amandola clperatv%te/pori dcria;>-J , i /u . -.^- 
Inciertô .me.lalió <|iianc0 cfpera^a. c. ) t.'. 

La efperança fe queda, «rt defconorçiEtã ; » - 
El concicrto cn.el .tml qsic no penfavWr 
El penfamiçato tpa Utt fio iácicrtoi .lu 

REbuelyo cn k^infíBffahlc' phánnrfky - ' \ 
Quando me.Kc v^oen aiàs tdichofo eltado. 
Si agora que de ajnor ví\'o ínfiámiliado j 
Si quando de fu.açdor libre viviam >i iv ^r . 

Enionces defb llamíi folo huia ♦ a 

Defpreciando en..nii vidi fu cuidado : 
Agora , con doloc de lo paffado , 
Tengo por gloria aqíielio aue temia. ' < . 

Bien veo que era vida deleícofa 
Aquclia que logravâ-fin tcímores , 
Quando guftos de aibor tuve' por viemo. 

Mas viendo oy a Natércia tan hetmofa, 
Hallo en efta p^on. glorias mayores y 
Y en perderias poÉ libre hallo cormcnro. 
. CLXIV. 



LAs penas roiímWan ai gimidb < ■" r' '^ 
D^l mifero zagal, ifac hmtisiUY^ '^ 

El dolòr oue a-fti alpiil.laftínoaifâ.j v. 
De un.9bftifvi4ftíclgfainor rtacid^.v 

El mar que j^..faiat>a ^ofuibfaifiícto ^ 
Con los rctumbgs. dííilíts.íiyiincâva.;/.' u.., r 
Confiifo fon el. yií^tOndferríi«»^yav' \ ' •' : -r ' 
En cavernofos vallçs,r«^eiiido- ' »j -I. ^i. . . . 

Refpondçn a ipí: ll^ino' tWas penasô'^ . j ' 
Ai de mi^I.Xdi^íoYÍa újar-.bram^íjy.^me ;. > 
Los ecos fuenai] ij} : tóftcza Jleno$. . • I 

ytu, p9r.wçn:.lí|)-TOJ!erçç en. mi^^ft.-knprinàe. 
De oir las anfi^ n?ià^ çc dçídeíw ; s . ^ 

Y quandcL Ubib nw ^ çç ^brancb imoos. » . ' > 

ENT uní( rfelvá al.difpunrai: dcl diia >-: 'Hf 
Eflav^ Endimion trifte , y Uorofo,.. • -iL 
Bueko ai rayo dei c Sol , <]uc prefurofo ^ . i 
Por la falda de un.moDtc dçfcertdia-í í.í / i . . : 
. cMirandQ .ai turbador de fu alegria , 
Contrario^de fu bieh , y fu repofo , . ! * ^ 
Trás un fufpiro , y.otro ^ congoxofo ,. .- 11 
Razones femcjanies le.dezia : <' :.i? . ) 

Luz clara 5 para niíla mas efcura, / 
Que con eíTeípaffco oprcfurado, 
Mi Sol con tu tinjiebla íefciireciftc *,. » . 

Si allàrpueden i^ovene en. efTa altura 
Las quexas de un Paftoi: enainorado » ^' 

No tapk9 en bolveí. adóíalifte, ^ 

CLXVL 



ORphco ãhámoraclo núfííé<tííníá ' 
Por la perdida Nympha quc bitfcava, 
En el Orço inqdatable cfonde eftavã ^ 
Con la arpa , y con la voí: la' enternecia. 

La meda de-lxíotino fe movia , 
Ningun atormentado k <|ucxava ; 
Las pena? de los otros ablandava , 

Y todas las de todos èl femia. 

£1 fon podo oblÍ8:ar de tal manera , 
Que en dulce ^alardon de k> cantado , 
tjos infemales Reyes xronddídos j 
r .Le mandaron bolver fii còmpanera, 

Y bolviola a pender el de^díchado', >' ' > 
Con qucíueron twitrambos loi perdidos^ '' ;- 

CLXVIL 

EU cantei já, e agora vou chorando j •' V; 
O tempo que cantei taô confiado ; ; *- - 
Parece que no oanto já paflado 
Sc eftavã^n minhas lagrimas criando. « 

Cantei ; mx^ fe me alguém pergunta ,' quando , 
Naõ fei , que também fui niiTo cnganadõé 
He taó nrifte efte meu prcfente efiado , ' 
Que o paflado por ledo eftou julgando.' - 

Fizeram-me cantar manhofamente 
Contentamentos naó , mas confianças : 
Cantava , mas já era ao fom dos ferros. 

De quem me queixarei > íe tudo mente i 
Porém , que culpsis ponho ás efperanças-, - 
Onde a fortuna iniufta he mais que os erros? 

\ "' \ cLxvin. 



PA:RjrEr PRIMEIRA. top 
CbSíVIH. 

fie.jeiíe que htw da pacrm terra? 
Ai ! Quem doaniâdo ninho vo$ íicfterr^ , 
Gloria dos olhos , bem do penfamçttto i ) 

His tentar, da fortuna o movimento, 
E dos ^^tos cruéis a dura guerra T ' 

Ver brenhas de onda^ í Feito o mar cm ferra i 
Levantada de bum vento , e de. outro vento i 

Mas, ]í que vós partis fem vospanírdes. 
Parca çomvoíco o Cco unta ventura , 
Que íe avantajp àquella que erperardes. 

; £ íó deíb veidakie ide fegur^ » 
Que fazeis ^laí» íaudades com vos irdes j > 

Do que ievais d^%»i por chégard»^ 

^ CLXIX- 

C^And^ nas 'Syrtes defte mar da vida, 
ApoE naufrágios fçus laboa feçura : 
Claras bonanças em tormenta- eTcura , 
Habitação da paz ^ de amor guarida : 

A ti &JO : e fe vence tal higida , 
Equcm mudou Jogar mudou ventura, ^ 
Cantemos a vidoria ; e na eípeflura 
Triumphç a honra da ambição vencida. 

Env.flor , e fruâo de Veraõ , e Outono , 
Utilmente murmuram claras aguas : 
Alegre me acha aqui , me deixa o dia. 

Amantes rouxiiioes rompem-me o fono 
Que, au o deTcanfo : aqui fepulto mágoas 
Que Já foram fepukfaros de alegra, 

CLXJtr 



AH minfcr-Btftanttjne^tSAlfiíidtfxafte^' í *" 
(^uefttwmíci^^* deixar pic^ cto qucrer-w^ * * 
Que ji /i&íydipka. gentil , naô^pofla vCf-tcí 
Que taó ^viite2Tátyt4a' defprèiafte ? - 

Como 4X)ír:wttipo tterrtd ♦«• aparcafte ^ " 
De quem taó^ Idfl^e andava** de perdcr-fô ? 
Pdidctam eíías aguas deíender-m ' 

Que naõ víflíes -quem' unto magoafte í 

Nem f6mcôte'íallar-re a dura morte 
Me deixou ,' qiie apreflàda o negro manto 
Lançar fobre o^ teus 'olho& conrentifte. 

Oh mar! Oh Ceo ! Oh minha efcura forte! 
Qual vida perderei que Valha tknto , 
Sc inda teiihd pôr pouco o vr^ér trifteí 

CLXXP. 

Guardando em mi a /orte^TQ Teadtffite/ ' 
Em verde me cortou minha* alegria. ^ 
Oh quanto fcnecco haquelie dia ^ • 
Cuja triftc lembrança arde enj tneu- peita I 

Quando maig o imadno bem fufjíeito 
Que a tal bem tal deíconto fe devia ; 
Por naõ dizer o Mundo que podia 
Achar-fe em feus enganos bem perfeito. 

Pois fe a fortuoao fez por defconúur<-me 
Effe defgofto , em cujo fentntiento 
 memoria naõ faz fenaõ matat-me ; 

Que culpas pôde dar<me o* penfailiemó « 
Se a caufa que elle tem de atormètítar-me. 
Tenho eu de fbffier mâl cíèu tormento ? . 

cLxxir. 



PARIj-E primeira. ttf 

CLXXII. 

CAntánáá éflava hú dia bem íeguro , ' 
Qaanda.paflava Sylvio , e me dizia: 
( Sylvio , JPaltor antiguo -que fabia 
Por o canto das aves é mturo ) 

Lifo , quando «çiizcr o fado cfcnro , 
A opprimir-te viráo cm hum fó dia 
Dous lobos j logo a voz, e a. melodia , 
Tc fugiráó ,. c o fom fuavc , e puro. 

Bem foi aífi y porque himi me degolou 
Quanto gado vacum paftava , e tinha ^ 
De que grandes foldadas cfpçrava, 

£ por mais damno o outro me matou 
A Cordeira gentil , que eu . tanto amava ^ . 
Perpétua fauãade da alma minha. 

CLXXIII. 

OGeo , a terra , o vento Ibcegado , " 

As ondas que fe eftendem por a arca, - 
Os peixes que no mar o fomno enfrea, 
Ohoéhjrno filencio rcpoufado: 

O Pcfcador Aonio , que deitado 
Onde co' o vento a agua fe menea , 
Chorando , o nome amado em vão nomea i 
Qiie naó pode fer mais que nomeado. 

Ondas ( dizia ) antes que amor me mate , 
Tomai-me a minha Nvmpha , que taõ cedo 
Me fizeftes à morte eftar fujeita. 

Ninguém refponde -, o mar de longe bate ; 
Move-fe brandamente o arvoredo; 
Lcva-lhe o vento a voz 3 que ;io vento deita. 

CLXXIV. 



lU RH.Y T^H M A:S- - i. 

CLXXIV. V 

AH ^mma crael ! Ah duros fadas ! 
Qna^ aíinha em mc^ damno vos mudafles i 
Com os voíTos cuidados me canfaftcs ^^ - 
£ gora defcanfais co' os meus cuidados. j 

Fizeftevme provar goftos paíTados, 
E vofla condição nelles provaftes : 
Singelos cm hum'hora mos levaftes , 
Deixando cm feu lugar males dobrados. 

Quanto melhor me fora oiic naõ vira 
Os doces bées de amor? An bées fuaves! 
Quem me deixa fcm vós , porque me deixai 

De queixar-te , aJma minha , te retira : 
Alma , de alto cahida em penas graves , 
Pois tanto amafte em váo^ em. vão te queixa. 

CLXXV. 

QUahto tempo, olhos meus, comtallamento 
.Yos hei dever taó triftes, c aggavadosí 
Naõ bailam meus fufpiros inâammados. 
Que fempre em mi renovam feu tormento i 

Naõ bafta confentir meu penfamento 
Em mágoas , em triflezas , e em cuidados í 
Senaõ que haveis de andar taõ maltratados , 
Que lagrimas tenhais por mantimento ? 
Naã lei porque tomais efta vingança, 
Moftrando-vos na aufencia taõ faudofos , «^ 
Se fabeis quanto pode huma efperança. 

Olhos , naõ aggraveis outros formoíbs , 
Tomando hum puro amor em efquívança, 
Poi» ficais por efquívos defdenhofos. 
, CLXXVI. 



?^Rfrn PRIMEI/RA^ 11) 

CLXXVIw 

LEmbraQças y que lcinbraÍ9'i> bem paflado. 
Para que (inca. mais o mal prefencej 
Deixai-mc , fe quereis , viver coinente , 
Morrer nap me deixeis em cal eftado. 

Sc de rodo j, com tuda<eftsmlo fkdo , 
Que eu morra- de vivef taõ defcdntence , 
Venha-inc todq o bem por accidentc , 
E todo o mal me venha por cuidado. 

Que muito melhor he perder-fe a vida , 
Perdendo-fe as lembranças da memoria » 
Pois fazem tanjTo damno ao pjcnfamento. 
. Porque , em fyti nada perde ouem perdida 
A etperança tem, já de aqueila gjíoritt 
Que £izía fuaye o (eu tormento. 

cLxxvn. 

OUando os olhos emprego no piflado,.' ^ 
De quanto paíTei me acho arrependido y 
Vejo q^e tudo foi tempo pcr4id<í^> 
Que tudo emprego foi mal empregado. 

Sempre tio mais damhofo mais cuidado > .• . 
Tudo o que mais cumpria mal cumprido ; 
De defengánòs menos advertido 
Fui y quando de efperanças mais frpílrado. 

0^ caftellos que erguia o pcnfamcnto, , 
No ponto que mais altos os erguia > . 
Por .cfle chio os via cm hum momento. , ' 

Que erra^/t comas íaz a pbantafía ! 
Pois, tudo p^aca cm monc,' luHo em ^rerip. . 
Triífc o que efpçra l Triftc ; o que confia ! 

TlKn;lI. H CLXXVIII^ 



«LXXVHL 

JÁ' cantei 5 '^chorei a dura guetta 
Por amor f^ftèntãda longos anos ;. '^ 

Vezes mil n>e vedou dizer feus danos , 
Pornaõ ver quem o fegue ó-muko que erra. 

Nymphas 5 por quem Câftálía fc ábrc j e cetra j 
Vós cjue fazeis- âmoíte mil enganos j 
Conccdei-mc já atentos foberanos^ ' 

Para que .diga ô mal que amor enéerra. 

Para que aqubBe, que o feguir? ardeniíe , 
Veja env meus puroís vçrfos feum cxcmjto 
De quanto em glorias prpmettidas mente. 

Que inda que èm triftc èftado me contemplo^ 
Se neftc aíTuraipto me infpirals , contente 
Darei a minha lyra ao voffe teníípla.' 

, GLXXIX. 

OvS meus Regreis , venturofos dias y ^ 

Paffâram como raio brevemente ; ; ** 

Movcm-fe os triftes mais pezadameme 
Apoz das fugkivas alegrias. 

Ah faifat perterisões 1 Váas phantafiasl 
Que me podeis jà dar que me contenve í 
]à de meu irifte peito a chanjma ardente > 
O tempo reduzio' a cinzas frias. 

Nellas revolvo agoía erros paflados. 
Que outro fruélo naô deo a mocidade , 
A quem vergonha y e dor minha alma <lev«^« 

Ke volvo mais de toda a mais idade ^ , 
Deíejos vios , vSos choros , vãos -cuidados 5' 
Para que leve tudo- o tempo leve. ' ^ 



HOrat.hfevcai de bjçji co^pn^cnto^ n . 
Nunca me parçccp quandtf. v;os. tiniu , , -^ 
Que vos viíTc mudaáas uó aJU^il^á: . 
Em taõ comprido? annos de torpicfito. . / ;. 

As altas torres^, quê fíindeí no vcipto. 
Levou , em fip , o, ycn^a quc^ as loílin/ia : . . 
Do mal queime ficou a culpa he minha. 
Pois fobre couíás vãas fi^ fundamento. 

Amor com bramias móíbc^s apparecé ^ "y 
Tudo poíEvel fsçf, tudo affegura y" • - . ^ » 

Mas logo no, n^clhor defapparéçç* 
I Efttaívio mal! Éíbranha dcfvciitura ! 
Por hum pequeno bem que. dèsfaltccc , . \ • 
Hum bem avcnti^ajç, qiie fempre.di^ral 

CL5ÇXXI. 

ONíJe acharei lugar taõ apanado , 
E tao ifenço cía tudo da ventura , \ ^ 
>ue, nao digo cu de humana creatura, 
^3& nem de íctas feja frequççitado l 
Algum bofqtjc medonho , e carregado. 
Ou f3va folitaria , íriíle , e efcura , 
Sem fonte clara', ou plácida verdura ; 
Em fim, lugar conforme a pçu cUidfdq,? 

Porque aÇi hítô cntrahhas/dds pened^^^ 
Em vida morto , . íepultado em vida *. *\ , . 

Me queixe copk){a^ , ç Bvremcnçé. * \- '• ' { 

Que pois a j^íti^ pén^ hç fcm m^^ 
Alli naOíferei priftc 'eni dia? lé<|o» ^ " ' 
£ dias crííU» me jtaiàõ Gohtcnte» 



as -ftiHí¥r»M^Ái 

ctxxxit. ^ , 

A Qn! âc %ngds daiiinos bréVè Hlftoria ''•■ 
-^ Veraô oÍ Jauc-fc jaílam de ztúkàdiúsi] 
Reparo fóde feáis fuás dores. ;^ , . /. ^ 

Naó apartar a^tliínhas da mcrnoria. ^ ; 

Efcrevi , riâ5 por [fatriá , hem por gloria , 
De qne outros veiTos faô merecedores ; 
Mas por^mofltarTeufe trijdiTnf>hos , feus rigores, 
A quem de mi ;tò*groti tanta viÃôria. 

Crcfcendò foi lá dor cõ'q íempo tanto, 
Qúe cm número ffiè fc^, dlieo de artc^ 
Dizer do cego amoV que me ycnçèo. 

Sc ao canto ijei a voz, dei a alma ao prantos 
E dando a pèjrtna a^mao , ctta fó parte 
De minhas trifles penas efottrco. 

cLítxxin; 

POr fua Nyrnpha, Céphalo deixava 
A Aurora , que por èlle fe perdia, 
Poftoque da principio ao claro dia , 
Poftoque as roxas flores imitava. 

Elle, que a béUa Procris tanto, ánaava , 
Que ío por ella tiído cngeitaria , 
Defeja de tentar fe lhe acharia 
Taó firme fé como cila nelle achava. 

MiidacJo o tragc , tece hum duro engano r 
Outro fe finge ; preço põe diante t 
Quebra^fe a fe mudável , e cònfente. . . / 

Oh fuhtil invenção para feu dano!. .. , 

^^ede que mahhas bufca hum cego àmatiic , ' • 
Pata que fcmpre ^^h:^«?^"'^^^ " ÇLX 



PART^]& PRIMEIRA. j/^ 

CLXXXiy. 

SEnundo-fe. alcançada a hella «fpoía. f \^ 
De Cephalo no crime confentído ^ '^ . * 

Pani CS montes ^ fugia do n^arido ^ 
Enaõ fel fc de aftuta, ou vergonhofa. . 

Porque ellc, em fim, foífrcndo^a dor ÚQ(^^ 

Da cegueira obri^do déCupido;, i 

Apoz ella ie vai conio perdido , 
]à perdoando a culpf crímínofa* 

iydxz-íc aos pés. da NympKa endurecida j ; 
Que do ciofo eqgano efta aggrayada \ 
lá lhe peçlc perdão , já^ pede a vida. 

Oh torça de aifeiçaã defatinada ! 
Que dá culpa concr^elle commettida, 
Pcrdaõ pedia à pane que hc qilp^f 

CLXXXV. 

SEgoia aquèlte fogo que o guiava , •'^ r 

Leandro contra o mar , e contra o vemo ; \ 
Quebiavam-lhe ondas- o animòfo alemo,. . 
Por mais , e mais. ^Me amor lho renox^ava.^ 

Com fentir )á que qoafi lhe falrava. 
Sem nada efníKM-eççf. , no penfamenio 
(Naó podendo faílar ) de feu 4ntcnt9i 
O fim ao furdo mar cncommendava, 

O' mar , ( dizi;^ o mdço fó cQmfigo \ 
Jk te naõ peço ^ vida ; fó queria . 
Que a de Ero me falvaífes : naõ me veja, 

Eftc defunto corpo iá o dçfvia ,. .. 
De aquella torre : jil^^ne nifto amigo , 
Fots no meu: majúoar.hem .me, houvefte inveja* / 
// ..'. 7^^ ' '"CLXXXVI- 



u -.'^ 



\<'^ K 






'ii8 ' RHÍ T HM'A S. ' 

ÇLXXXVt. . 

OS olhos ^ôhcfc b cafto arafor ardia. 
Ledo de fè ver ncHés abrazaHo j " 
O rofto oadc ;cônn lúftte defafado 
Purpúrea ròfa Tííbrc ntVc árfta. ^ •' 

t O cabeUo' c;(iie inveja ai> *Sól fíçeía ^ ' 
Porque fazia o-íeu menos dourado*; 
A branca mão , o corpo bem talhado , 
Tudo aqui (e redtiz a ti^rià ffi^. 
Perfeita fortriòfúra ení tcrtta'id&dc , 

Suai flor que ííhílcipadá fòl to^Hda', 
urchada cíí^ da ' • máí)''dá' mòrtc -diifíi. 
Como naó' morre amor de piedade? 
Na5 delia 3 'que fe foiàclarat Vida; 
Mas de fi , <jué^ ficou eth houte: éfcúrai 

Dltofa pénnaV como amSo/iiue a gwa> ^* 
Cohi tantas perfeições ^ da fewtt arte , • ^ ' 
Que quando com ra^aS Verilíô' à fouvar-te , ' ^* 
Em teus iànttfrcí^- pérçò-^á^^aíiíafiaJ - • ' 

Porém ámot; que èífcitòs^tóos' cria ^ 
De ti cantar me nwnda'énT 66fda^pa!tei>^\ 
Nàõ em pleílrò, bcíDigerò de ÍMtartc , 
Mas em luavej e-' branda melodia* ■ / ^ 

Teu nome Emnianocl ,' de- Ku h'oUifó Polo, 
, Voando fc levanta ^ t xp* ^^^ j 
Agora que* ninguém te levaritkvá, ' 

E porque immòrt ai fcjas-; eis' Apolo 
Tc offcreçe de 'flòçés a còfbá^, \ - 
Qucjà adôago' itmpotegúatáâva. ' ^-^ -= 
^' J^ ^ ^ CLXXXVIír. 



PAjRT?; PRIIjIÇ^IJBlA. 11^ 

ÇLXXXVIIL 
T^ Spama actícMs tanto o crocodilo 
xJSqpocfe^ limitado. t^fcifnenpoj ,^ 

Qiie fe maior tviícêra ^ mais ítenta 
EÍlivera de efpwito o pacrjo Nilo, 

Èm vãç lifyan^urà meu baixo €(ftUo ^ > 
Voffo Pontifical , njoyo ornamento, j 
Pois no ventre o immoccal merecimento 
Vo-lo talhou para.defpols vcftí4ó# 

Tardou , mas Teío : que ^ yà^m i^^ís merece i 
Vir o premio^ mais tardje he íempte ceno^ 
Inda que ve,z algujKna venha cedo* . . 

Os Ceos c|ue do primciío eíkõ mais perto ^ 
Mais devagar fe movem« Quem cq^hece 
Sobre aqueUe fçgredo » efte fegredo ! 

CLXXXIX. 

ORnou fublíme esforço ao grande Atlante ^ 
Com que a celeâe máchina íbftenta; 
Honrou a Homero o engenho , com que intenta 
Grécia do quarto Ceo pada-lo/ avante. 

Coroou -âaro an^or , de amor confiante , 
A Orphéo 9 na paz firme ^ e na tormenta ; 
Ini^irou a Cbrtuoa^ em tudo ifenta , . ^ 

A Cefiir de quem foi hum tempo amante. 

Exakafte tu |, faina , a gloria alta ^ 

De Aljcides lá no, nionte em q refides ^ 
Mas Caftro , em quem o Ceo fcus does derrama,, 

Majs orna , honra , coroa , inlj^ir^ , exalta , 
Que Atlante , HoinCfo , Orphéo , Çefar ,c Alcides , 
F4focço^. engetàio « ^^usior • fortuna . e fama. 

. ^ CLXXXX. 



> 



.1 



uo KtítTílMkS. \ 

CLXXXXl 
X\ Eípois qtlfe vío Cibçle o corpo liuhiattó 
X-^poformofoAris fcU verde pinheiro'. 
Em piedade o vão furor primeiro ^ :' - ^' ■ 
Convertido , chorava p grave dano. *"' . 

E â faa dor fezertdo illuftre 'engaho,' 
A Júpiter pcdio , ique o verdadeiro ' ' 
Preço da nobre palma, e do íoítelíò ,; 
Ao feu pinheira dcfle , foberano..V ' ■ 

Mais lhe corfcedè o jfilho podtfóíb,- 
Que aefcendo , ás Eftrellas tocar poffa , 
Vendo ps fegledos lâ do Ceo fopemo, - 

Oh ditofo pinheiro ! Oh mais ditofo 
Qjicm fe vir coroar da rama vofla. 
Cantando à volía fombra verfo eterno 1 

CLXXXXI- 

POis torna por feu Rei , e junúmerttc « ;" 
Por Chrifto , a governar áqueila pane 
Onde fe tèm moftrado hú Numa , hú Marte , 
O femofo Luís , jufto , c vâlerite t 

O Tejo efpere ver de todo o Oriente , ^ * 
Onde taÔ raros does o Ceo reparte , • 
Render a tanto esforço , avifo , e arte , 
Mil palmas, mil tribuços novamente. '^ ' 

Os que bebem no Gange , os que no Indo , 
A quem pouco valeram lança , e efcudò , 
O render- fe rcraô por bom partido; ^ 

O Euphratcs temerá , feu nome ouvindo: * , 
Que para dclle ver vencido tudo , 
Já vlo do braço feu mdo vêncído« ' : ' 

CLXXXXIL 



PARTE PRIMEIRA. nt 

CLXXXXII. 

A Gora tqma a efpada, agora á pena, 
Eilacio cuxflb , em ambas celebrado , ^ 

Sendo , ou no falfo mar de Mane amada » 
Ou na agu£( ijoce . amante da Camena. 

.Cyfne fonoxo por Ribeira amena , 
De mi para cantar-ce he cobiçado; 
Porque naó, podes m fer bern canudo 
De ruda íouu , nem de as;refte avetu 

Se eu que a penna comei, comei a efpada^ 
P^a poder jogar licença tenho , • > 

Defta alta inâuiçaõ de dou» Pláoecas ; < > ■. 

Com hunu , e outra luz delies lograda , / 
Tu com pujante braço , ardente engenho , . ' ^ 
Ser^ Faro a Soldados, e a Poetas. 

CLxxxxni. 

ERros meus , má fonnna j atnor ardente , 
Em minha, perdição fe conjuraram i:> '/ 
Os erros , e a^íormna fobejáram , 
Qie para mi bafiata acpor fómeme. 

Tudo pader V mas tenho ntó prefent^ ■ ! 
A grande ámidas- coufas que> paflíáram ,• 
Que Já as frequências fuás me enfináram * ' 
Adeiejos deijcar.dc. fer comemev '■ ' -^ •• í 

Errei todo ò^dtfcurfo de nlieus anos ; ^] 
Dei caufar a que a fonuna.xaft^aflè ^ ' ' <^ 
As minhas jxud fundadas efpefianças. . V> 

De amor naõ ;vi fenaó bireves: enganos.* .: .^> 
Oh quem tanto tnidéflc que fartalfe T 

Efte mev dura^^enío de vinganças ! ' ^ <-. « 

.1 / . / V» * CLXXXXlv» 



CLXXXXIV. 

CA' çefla Babyíonia .adondc «nana. / f ■ 
Maccriia a quanto mal' o Màmk) >cria:'«' 
Cá dqnáe o puro amor jistó tem valia v ' n : 
Qu^. a máí ., que nèatida ma:», ixtão pro&nar: ' 

Cà donde o mal fe aíHrá^ o bstn fe daná^ 
E pode mais que a (honra a tyranttia ?» : " : 
Câ donde a errada , e :cegà MòDarchiá - :: . - 
Cuida que hum nome vão a deíeng<â2ia t '. 

Ca neftc lâbyrintho onde. a nobreza, u: 
O valor , c o ftber , pedindo' vap . ' • ^ -'■ 
A's portas -da cobiça 5 c da vileza: . • 

Ca nefte efcuro caos de confi>fa5-í ' ; -* 
Cumprindo 9^ cairío «ílou^da natureza^ > -^^'^ . I 
Vè le me efquecerei de ti, Síb&í-'' í »/ ? 

.CLXXXXV; . 

C^Orretn ttuibas a$.:a^as dcfte riov 'tT 

Que as. rápidas «cnâentes .eii(turbàfam : - ^ 
Os florccidòs çampcé k feccáraih^r ?v > .. 
(Intratável fe fezxjvaUc., c ftití*:* *,.^ 

Paffou í como: oVeraó) o aidaK«:Eftk>i . 
Humas coufas^ pòr/putras fe trocásiam:' 
Os fementidos iaddsjà ddxáramv ; - i ' ' 
Do Mundo o regimemo > ou défvario. 

]à o tcn^ arotdtfm fuá teni fabida; 
O Mundo naÔMíiias^aBda taõ confjufo, ! 

Que parece qne ifcUe Deos fc eíquecc. 

Calos.) opiiiíÍQSE>y natura, e ufov » » 

ÍFazem ^ue n^ paceça defta vida .. . . * 

Que nao ha nelia toais do que J>arffce.. 

?; cLxxxxn. 



PA^TE PRIM^lfeA. HV^ 

CLXXXXVI; ^ , ^ 

VCsoutroá qnfe bufcai» Wf òufô é<?rtò * t 
Na vida , tohi divtrfos íMètçfcios i ' ^ ^: 
Aquém, vtftdo do Mundo <» bençfkios , : ^ 
O regimento fcn fica encobtfíto'j • í ' 

Dedicai , fe quereis , ao ãéíctínòtttò ^ ' , 
Novas honras , .e cegos ' facfíficros^ . . - * 

Que por caffigo igual de amíguos vrcios, '•"', 
Quer Dc«s que andem as coutas por aceito. * ' 

Naó caWo nefte^modo de^^çaftígo • 
Quem poz càlpa i k \ fortuna , quem fômenice . 
Crê que acofttetiméntos ha no Mundo. * ' ' 

A grande ex|:)etlénoiâ hè 'grão petiço : ' , 
Mas o que a«í>íòs he jufto i c evidente i' ' \ 
Parece injufto áõs íiomécs ,;*píòfundo^ ^ ' 

CUX5£XXVn. 

PÁrafcfiâfÃowfído qtte c«íôtti ' ;) 

Te, fez Deos, fafcra^Phenik , Virgtm futa.- 
Vede <i«c /tàHeti^ eáa feitúfa .} 

Que para fio feu Fekof gôàrdòtt! / * 

]^o feuíícp conceito fe fortnWi \ ^ 

Primcifo qjo^ái p»hiicira cteaturaj 
Para que uuíca fàffc a icómppfl^rtt i J 

Quedetaõ loftjp) ;tômpo Tc<»rtítadòUv 

Naô fei ft drgo m tudo ^^Upito bafte ' ' , 
Para ex|ii*í»iriís> «as* èalidádck ' . -i 

Que quiz crcar.e»i>d quem tu criafteé - ■ \ 

Es Filha , Mflv«E%ofa t^fe 'alcançaíte > ^ 
Huma fó , trcs laõ akatf digniiláuies > ''■- ' ;. 



«4 . RH YTHMAS; 

CbXXXXVIII. 

DEfce do Ceo immenfo Dtús benino. 
Para incarnar na Virgem fobcratia. 
Porque àekt divino a coufa humana ? 
Para fubir o humano a fer divino. 

Pois como vem taõ pobre , e taõ menino » 
Rendendo-fe íio podçr da máo tyranx? : / 
Porque, vem recebet? morte inhytnaiia . 
Para, pagar de Adaó o defatinú*, , \ ^^ 

He poílivèl cué os dòus o fniÓo cx^em . 
Que de queni Ines deo tanto foi vedado i 
Si 9 porvjue o próprio fer de dcofes tomem. 

Epor eíb razaõ foi humanado í 
Si > pçrque foi: com caufá decipetadp i» 
Se quiz Q homíQUirferDeoa^ q Dops fofle homem. 

/ , .CLXXXXI» 

D Os Ccos i cmsi defce á mor beliexa ; ~ ? 
IJne^e à noQa carne , e a faz hobre : 
E fendo ã humanidade de antes pobre ^ 
l^oje fubida fita aí mõr rique2a« - . 

Bufca o Senhor tm^is rico/a raór pobreza» 
Que como ao Mundo o íeu anior defcobre » 
De palhas vis o- ,coipp cento cobre , « 
E por ellas o msfmo-Ceo defpreza. ' 

Como > '• Deoft em pobreza k terra dcce í 
O (|be he nuis pobre ramo lhe contenta > . . r 
Que efte fpmentc rico lhe parece, r--: - 

Pobreza. efte Prefcpio reprefcnU-?! , r • 
Mas tanto por ferpoorç já merece yr*: 
Que qii4nto mais o he ^ mais lhe contenta. : 

.' CC. 



PAUTE PRllytE^RA. ú^ 

POrque a tamanhas penas le oferece ^-^ ; 
Por o pec(^o alheio , e lerro ínfano , 
O Trino Deos^ Porque o fogeiío humano 
Naó pôde co^o «aftígo que merece. 

Quem padecera* as penas que padece ^ 
Quem fof&erà dcshonrà , mone , e dano ? ^ 

Quem fera , íenaó for o Sobbránò ^ 
Qpc reina , c fervos manda ,' e obedece } 

Foi a força do hbniem taõ pequena^ • 
Que naó pode fofter tanta afpiíreza , 
Pois naó ibfteve a Lei que Deos ordena. 

Mas foffre-a aqueUa immenfa Fonaleza 
Por anior puro : que a mortal fraqueza 
Foi para o erro , «naó jà para à pena. 

ca. 

DEfpois de haver chorado os meus tormêncoí; 
Quer amor que lhe cahtè as fuás glorias. 
Canto de huma beÚcza os vencimentos y 
De hú longo padecer choro as meniorias. ^ *' 

Porém , fe a^ minhas penas faó vié^òrias 
Por a caufa ^ á meus altos penfamentos ; ' 
Dilateiti4e em {ar^milimas híflorias ^ 
Eftes meus glorioíos rendimètitòt.' 

Mova-fc em-iòdò o Mundo único efpanto,' 
De que he ^ "por a belleza que^eu adoro y 
Do que Cantado tenho , |>remílo , ò pranto. 
Comiftoe oiteç6 a amoir ti6 tííflc foro : 
)ue fe ch6r^ iiaô lia ^túm^^kí^^eú tanto , 
íaõ fei canco naelhor ã eflÉe Kni^tt choro. 

/^ * cai. 



Que 

Naõ 



ÇGH. 

ONdc merm ôiÉ cal. p^tiftija^nÉOí, 
Nuaca de fer hmnano n},cteçido. i 
Onde mereci cu iftcar vcocido 
De quem tanto n^^/Honrou; co' a .vencimento i / 

Em glori^ fe ^oi^ycae o meu. tor^nento > 
Quando vendo-me eftou caõ b^m perdido; 
Pois naõ foi tanu^ n^ íar atrevido , 
Corno foi glorif.o mefmo a«:evimenrò. 

Vivo , Senhora 4, fó de de: conteniplar-vo$ ; 
E pois efta ^Ima tienho ^õ rçndkla 9 
Em lagrinus desfeito acabarql. 

porque naõ mç faraó doixar de amar-vos , 
Rcccos de^p^rdfif ppr vós a yida-. 
Que por vqi yf ípsc Pfl a peMcrci. 

. çcm. 

DE ftefcas .bck^d^e& rode^daá 
Eftaõ as pu^ aguas á^&e^ fome: 
Formofas Nyn^^gs lhes çftaô de6xM»e , 
A vencer^ e a,maitar acofl^madas^ . 

Andam .contra. Cupido levan^das 
^8 fuás graças 5> que naõ ha <iwm conte : . 
De outro vaIIe>CqUiecidas3 de outro fxippte ,. 

A vida pa^m neJ^^. foc;egada&. 

. O fcu poder jiWltOtt^, t^a, valia , . 
Amor já naõ foffrendo eftç. defpreaeo , . . 

Somente por íc v<ar 4ella$ vitipdo* 

Mas vendo«j^^,e{icei)deo uM^oaõ foàigk 
De fer n^orto livacar-ib ^ ^ .4e fienr ffÚOi 
Eficou-fe .com tíl^ 4éfa«md<l* v? : : '. 

^ cay. 



PARTE PRIMEIRA. «7 

CGIV. 

NOs braçqs ife hu Sylvajioi adoimecenáa 
. $c cíhv2 aquella Nyinpha que eu adoxo ^ 
Pagando com ar boca o doce foto ^ 
Com. Quc os meus olhos foi dcuc^ccndo; 

Õh beila Vénus ! Porque eftás foffirendoí 
Que a maior formoíma da teu coro , 
Em hum poder taó vil perca o decoro 
Que o merko maior lhe eftá dtvdndo i 

Eu levarei de aqui pro prefiiPpofto 
Defla nova eftranheza que fizefte ^ 
Que em ti tiaõ pôde haver couià fegura. 

Que pois o chro lume 9 o ' belio rofto 
A^Quelle motiftro taõ (&forme defte , 
Nao creio que haja amor y fenaó Vtncttca. 

CCV^ 

QUem diz qoe amor he íàMb , ou efigaBojKl i 
Ligeico , ifierato, váo, defconhecido^ 
Sem feita Ine ceià bem merecido 
Qiie lhe feja crael, oú rigorofo. 

Amor he brando , he doce ^ e he piedofi) ; 
Quem o coruràrio diz naõ fe}a crido j 
Seja por cegQ , e apaixonadi^ rido , 
E aos homécs , e inda aOB deoíes odiofo. 

Se males faz amor , em mi fc rem -, 
Em mi moilratido todo o fén rigor y 
Ao Mundo quiz moflrar quanto podia* 

Mas todas fuás iras fto de aíi|K>r : 
Todos tftes feuA males- faé hum bem , ' 
Que m por Èoda outro hmk Aaó ooqMría* 

■ CCVIw 



w8 .< RHYTHiallS; 

.CCVI. , 

FOrmofa Beatriz > tcruies tacs gcj|ros * 

. N^hum brando revolver dos othos bellos y 
Que fó no concempíà-Ios , íènaõ vellos , 
Se inflammam. corações, e humanos peitos. 

Em toda peffdçaõ faó taõ perfeitos , 
Que o defcngano daõ de mereccUos : 
Naõ pode haver auem poda conhecellos. 
Sem nelle amoj; tazer grandes efFeiros. 

Sentiram, ppr meu mal, tao graves danos 
Os meus , que com os ver cegos , e triftes , 
Ficaram, feft) pcazcr, co'a luz perdida. 

Mas já que vós com elles me feriftes , 
Tornai-me a ver com elles mais humanos , 
£ deixareis curada efta ferida. . 

CCVII. 

ALegres campos, verdes, deleitofos^ '^ 

Suaves me íeraõ vofiãs boninas , 
Em quanto forem viflos das meninas 
Dos olhos dç Ignez bellrtaô formofos. 

£)q$ meus , que vos feraó fempre invejofos 
Por naõ verem eftrelias taõ divinas y 
Sereis regados de aguas peregrinas > 
Soprados de fufpiro^ amocofos. 

E vós^ doutras: .flores por ventura 
Sc Ignez quizer fazer de meus amores 
Eaçuériencias na tolha derradeira. 

Moftrai-lhe, para ver minha ic puia.» 
O bem que fempre quiz , fbrmofas. íiore9 > * 
Que entap naõ fcntíri^i que mal* me wcira* _ 

^ ccvnr. 



CCVIIL 

ONd^ílos fios de ouro , ,p;>(i?,.enIaçado • *7 
^ .Continuamente tenho opeqfam^nto , ^ 
Que quanto mais vps foIta.Oi-frèijco vento , ■ 
Mais prefo 'fico. encaõ d^nacu.* cuidado. 

Amor • de húus bcJlos òl^os fempre araiado i 
Mc combate co' as forjas do tormento , 
Provando da mii\ha alma o fpl&imcnto , 
Que à jufla lei da paz. trago obrigado. 

AfE que' cm vôflo gcfto .piais que humano 
Amo a paz juntamente , e o perigo ; i 

Eem amar hum, c outro naõ tpe. engano. ' 

Muitas vçzes dlzeiido'^ cilou comigo , 
Que pois. hc tal á caufa. de ^içfjk dano , r 

He juftá a.gugTa.^,hc juftaa fiií^.qúe .figo, - 

CCIX. 

A Mor qu6 cm fonhos yios~da penfamcnta*- 
Paea^o.jàclo maior <íc,.fcu cuidado. 
Em toda condirão , em todo cilada , 
Tributário i^ tez, de fcu tormento. 

Eu Grvo ,.,cu icanfo ;> c o grão merecimento 
pe quanto ^enho a anior facrincado , 
Nas mâps da uigratidaõ defpedaçado 
Por preÈi vàldor, eterno cfquecimcnto. 

Mas quando .mqíto , em fim , crefça o perigo 
A que perpeuiamcnteit^c condena 
Amor , que amor ,naó he , mas inimigo ; 

Tenho hu f;ran(dç defcanfo em minha pena , 
Que a gloria do querer, que tanto f\2p , 
Naõ pode fer co'os males mais pequ«ia. 

Tora. II. I X:CX, 



-ccx. . .. , - ^.. 

NEm o trcméiíaò cíírcpita da guerra ,' ^ ^ 
Cotn anms'i icôni intcndÍQSt cfpàntoíbs^i; 
Que- ckípacham pelouros pcrigoíbs., '/ -l 

Baílantes a abalar buma alta ferfàv, ''•'- 

- Pòdèni pôr mcilo à quem nçhbum encerra.,. 
Dcfpois que víò bá blbos tàõ' Formofos ^ " . 
Por quem o Horror nos cafos .pavorofos , '; 

De mi todo fe apirca , c fe dèftcrra. 

A vida poíTò ao fogo , e ferro "dar , ' 
E perdê-la em qualquer duro perigo , 
E nelle , corh<y jphenix , reriov^r. 

Naó pôde ,md Haver para ,coi?iigo , 
t)e que » cu jà me 'naó poflr Berii 'livrar , ' 

Scnâ&. da qtje tíié' ordena amot imigo. ' 

. CCXL . .^ 

Floir-fe o cora^raó , de muito ifento .^"'^ 

De fi i cuidando mal que tòmatia ' ' \ 
Taõ illicitò amor', tal qufadfa, ' ^^'" . 'V;' 
TaL modo liuiica vifto de torrntnróL '/ * 

Sías os òlJiós piíuàrarii taô attchto ' ' ,^ 

Outros que viftos tem lia pHáíiTàííà , " : 

Qoe a xazaõ ta^merofa do qii6"TÍà', 
Fugio deixando o campb aò ptàfámento. ;^ - 

O' Hippolyto cafto , que de'glríto' ' ' . 
De Phcdra tua madrafta foftè amado , ' «. . - 
Qi?e naõ fabia ter nenH^um 'refpòiio ; ' ' 

Eio mi vingou amor reu cafto peito: 
Mas c\ú deite a{;gravo taõ vingado , 
Que fc aric^vndc já do que térri feito. 



PAfttÉ PRIMEIRA Uk 

CCXII; 

Q«Uem c]iilzér ^cr de amor fiãa «ccllcncia. 
Onde ília fineza mais íe auura , 
Atcence onde me põe rnitina ventura. 
Porque de minha fé faça experiência. 

Oikle leifibmnças mata a larga aufencia^ 
Em temeroíb mar , em ^erra dura , 
A faudade alli eftá mais fegura , 
Quando rffiro maior corre a paciência. 

Mas ponha-me a fonutia > e o duro fkdo , 
Em morte, ou nojo, ou damno, ou perdição j 
Ou em /ublime ^ c prófpera venrara. 
Ponha^me , eih fim , em baixo ou alto eflado^ 

Sue até lía dura morte me acharão 
i língua o nome , e na^ahha á vtíla punu 

CCXIIT. 

LQs ó\os que côn blaado movimento 
Al pafTar entemecen la alma mia , 
Si detener pudiera folo un dia , . 
Pudíera bien librailá de tormento. * 

Dcftè tan amoroíb fentimcnto 
£1 importuno mal fe acabaria ; 
O tambien fu accídente creccria 
Para acabar Ia vida en uu momento. 

O fr ya tu efquivez me pcrmiiieflc 
Que ai ver , ò Nynpha , tu fcniblantc hcrmòTo , 
A manos de uís ojos yo murieílc ! 

O fi los dçtuvicras ! Quan dichofo 
Seria aqucl momento en que me vicfle 
Vida en cUos cobrar , cobrar ^epoulb ! 

I ii CCXIV, 



i?t . RHYTHMAS. 

ÇCXIV. 

NO baíbva que amor puro , : y afdí«wc , ; ' % 
Por términos la vida me <jui.taiTc ; \ K / 
Mas ique la muerte afli fc aprefiiralTe 
Con un deshumaniflimo ;^ccidentç í v 

No prcrcndiò mi alma , aunquç to ficntc , ? 
Que elrigurofo curfo fc lacajaflç ^ 
Porque nunca morir fe exprimcntaflfc, 
Defamado ti que amò r;^n. dulcemcntc. . ) 

Mas vueftra volynjad ran podcrofe -. 

Con eíTas gracias viieftras ordcnafon 
trucldad affi impofliblc , o nunca oida, 

A/]ucÍ frio^dclden*;, y Ia amorofa 
Fúria, de un golpit folo çnç quitaron . ..r;/ 
Condo» contraria^! nxwcrtcs i^n^.^ída. . j /: 

CCXV* 

AYuiÍAme^ Scnora , a fcr yfcftgança 7 

De tal fejv^quez, de t^- rudeza, ^ 

Pucsde mi poqucdad, de mi baxeza ^ 
Ofado a ti eleyava la efpcrança. 

A eíTa tu pcrfcciou,.que no fç alcança^ 
A cíTas fublimcs cumbres de bcUcza, 
Donde una vez lleeó, naturalèza.5 
Mas de belver perdió la confiança, 

AqucHo que en ti rnirp contemplando , . 
Que apenas cohremplario me coiríientc , 
Contenaplandolo mas , menos lo efpcto. 

8i {»Ioria de mi pena en ti fe ficntc, 
Dcrranvi en mi ms iras, defamando; 
Que ai ofetideriiv màs yo màs te quicro^ 



PAÉifE PRIMEIRA. ij; 

•CCXVI. 

O Claras agiias dcftc blando rio , 
Que en vós ai natural cftais pintando 
Ei frotidifero adorno con que alzando 
Sc vá a los Ciclos cftc hofquc umbrio. 

AíE las liubias, alli elAuílro frio 
Jamàs puedan veniros enturbiando , 
Que os vays dei feco Eftio prcfcrvando 
Con focorrcros dcfte Uanro mio. 

Y quando en vós Marfifa fe mirarc 
Mi fis;ura, qual vcys des&llccida. 
Ante ms claros ojos puefta fea. 

Y fi por mi de vós los aparare , 
De verme alli moftrandofe oífendlda^ 
En pena de no verme no fc vca, 

CCXVIÍ. 

Mil vezes entre fucnos tii figura ,* 
O bclla Nynpha , claramenrc veo: 
Y quando mis la miro, màs defeo 
Gozar libíede fuenos fu hermofura. 

En tanto que efte dulcc engano dura. 
Vivo en la vana gloria que poffeo : 
Mas quanto alli fe eleva mi defeo , 
Viene a caer deípierto en focnbra efcura. 

Duelcmc el defpertar por contcmplanc ; 
Que fi bien ft te huelgas de no verme , 
Huelgome de fef cicgo por mirartc. 

Mas fi quiero de enganos manicncrmc , 
y tu quiercs me pierda por amarte , 
Sin gron ganância no podre pcrdermc. ' 

"^ "* . CCXVIIU 



i;4 R« Y T H MA Si 

• CCXVIIL 

MI gufto y tu feeldad fe \defpo6ron ; 
Terccros por mi mal mis ojoSf fiicron?. 
Su logro ha fido tal , que , aífin , hizicron | 
Vn hijo hermofo a quien amor Ilamaron. 

Tan facra de compàs le regalaron , 
Que quando màs alegres eftuviejroti , ; 
Sin entender cl mal que produxeron , . 
Perdidos por amores fc miraron, ' 

La beldad defpôfada deftc íuelo , 
Vino a parir un monftro con dós alas ; 
La madre a lá Tobervia , es nido el zelo. 

Omiadre que a tu hijo en todo igualas! 
Quien mortal haze ai jmmortal abuelo , 
Y ai padre hiortal dá immortales falas i 

ccxix: 

SI el (uego que tne enciende^ cotlfumido 
De algu màs fuelco Aquário fer pudiefle ; 
Si el alto fuípirar me convenieffe 
En ayre por el ayre defparzidio : 

Si un horrible rumor iiendo fentído f 
La alma a dexar çl cuerpo reduxeíle ; 
O por cftos mis ojos ai mar fiíeíTc 
Eftc mi cuerpo en Uanto convenido ; 
' Nunca podría la fortuna airada , 
Con todos fus horrores , fus efpantos » 
Derrocar la alma mia de fu gloria. 

Porque en vueftra bcIdad ya transformada , 
Ni dei Eftygio lago eternos ílantos 
Os podrian quitar de mi memoria, 

ccxx. 



PARTE^,;PRIWE|tlA. j^ 

CCXX. 

QUc niç« quereis perpetuas f^adades ? 
Com <juc cíj?prinças inda me enganais? 
O tempo que fe vai naó toina mais , 
£ fe toma. naõ tornam as idades. 

Razaõ he já , ó annos , que vos vades j 
Porqne eftés taõ ligeiros que paflâis , 
Nem todos para hum (;ofto faó iguais , 
Nem fempre faõ conformes as vontades. 
Aquillo a que já quiz he u6 mudado , 

?luc quaíi he outra coufa ; porque os diasi 
em o primeiro gofto já damnadp. 
Eípçranças. de novds alegrias , 
Naõ' mas deixa a fonuna , c o tempo irado , 
Que do come^tanicato faõ cfpias. 

CCXXL 

OH ^rgorofa aufencia defejada 
De mffcmpr^, mas nimca conhecida! 
Saudade n^putro tempo taõ temida , 
Como em meu damno agora expriraentada ! 

]á rígorofarnente começada 
Tendes voíla efperança cm minha vida; 
Mas tanto , que já temo que opprimida 
Sejais com ella cedo , ou acabada. 

Os dias mais alegres me entriftccem ; 
As noites com cuidados as defconto , 
Em que fem vós fcm conto me parccx^rn. 

Eu dcfejando efpero , e os annos ^ conto ^ 
Mas com a vida , em fim , elics faÚcccm ^ . 
Nem bafta á carne enferma eiprito promo. 

CCXSIL 



ccxxíi. , ,.^ 

AY"! Quictt dará a mis oios imá fuchte ^ 
De laerimas qúç ftiancn nochc,'y diaí' ' • " 
Rcfpiràra íi quicra la "alma mia, * ' 
Llorando lo paíTadó , y lo prcfcntc. ' 

Quien me dicra apartado de la gente , 
De mi dolor figuidido la porfia , " ; ' 
Con la triftc memoria , y phantafia , 
Del biert por quien mal tanto áífife fientfc ! * 

Quien me dará palabtas con que iguale 
El diiro agravio qne ci amor me ha necho , ' 
Donde tan peco el fufrimicnta vale ? 

Quiçn me abrira profundamente* el pecho^ 
Do eftà cfcriío el fecreto que rio fale 
Con unto dolor mio a mi dêípechoí 

Cx!;xxíií. 

CÕn razon os vays , aguas , fatigando 
Por Uegar do ferc^'^s bien récébiclas 5 
Yen aquel mar immenfo convertidas. 
Que ya de tantos dias vays bufcando. 

Trrlte de aquel que ficmpre anda llorando 
Las vana9 efperanças ya perdidas ; 
y con dolor las lagrimas vertidas 
Nunca alfin pertendido van Uegando* 

Vofoiras íin traer dcrecha vía , 
Al termino Uegays tân dcfeadb , 
Por mas que os embarace el grart rôdeo. 

Mas yo fierapre afligido nocbe , y dia , 
Por un camino , <]ue no llevo errado , 
^axpàs rucdoUcsar donde delco. 

' * ^ ecxxiv. 



P A R f E P R I M É I RA. í?7 

CCXXtV, 

OCciSrc ya , Scfiot , tu dura mano. 
Na-Uegucs tanto ai cabo con mi vida^ 
Baftc ti eftar por ti tan confiimída , 
Qvíc ya no fe halia cn cila lagar fano. 

Ay eftrana hcrmofura í Ay dcshumano 
fíado , a que nunca pucdo hallar falida ! 
Si m de tu piédad no crcs movida , 
Roto cl hilo vital verás tcmprano. 

Un blando dcfamor , un amor blando ^ 
Bicn bafta para un hombrc tan perdido. 
Que de fu mal ningun remédio efpcra. 

Y íi eftimas en poço el ver qUal ando 3 
A<iui me tienes ante ti rendido. 
Viva tu gufto , mi efperança muera. 

ccxxv. 

DUIce$ enganos de mis ojos trlftes ; 
Quan vivo defpertays mí pcnfamicnto ! 
Aquello que pudiera dar contento , 
En fombra de pinnira lo bolviftcs/ 

De bhrtdo fobrefalto enterneciftes 
Con vifta arrebatada el feutimiento ; 
Mas no le aíTcguraíles un momento 
Aaqucftc vano bien que le ofrecíftes. 

Vcô que la figura era fingida , 
Y no aquella que en fi mi alma efconde , * 
Aunquc en efta fc llcga ai natural. 

Afli cfcucha mi llanto., ajli rcfponde -, 
Aflí fe cQndolecc de mi vida , 
Ccuno Ji fueta el próprio original. ■ 

^ "" ccxxvi. 



148. RH YTHM ASi 

CCXXVI. 

QUanto ticmpò ha que lloro un dia tfjfte,' 
Como íi alguno alegre yo efperara ^ 
Como , ó TaJQ , ai paflar cfla tu clara 
Agua , no la alterafte , y no me, hundiftc í 

El pado me cçrraftc , cl pccho abriftc. 
O mi ventura , de mi bicn avara ! . 
A Dios , monranas , de hermofura rara ; 
A Dios , mi corazon , que no parnfte. 
Si adonde quedas en dichofa fuene , 
No bevicrcs Ias aguas dçl olvida , 
En ranto bien no quicras olvidarté. 

Cantando mi dolor llora mi múerte ; 
Porque afta el hueco monte fih fentido, 
Suelca fu ronca voz por confolarme. 

CÇXXVIL 

LEvantai , minhas Tágides , a frente , 
Deixando o Tejo às fombras nemorofas: 
Dourai o valle umbròfo , as frcfcas rofas ^ 
, E o monte com as arvores frondente. 

Fique de vós hum pouco o rio aufente ; 
Ceflem a^ora as lyras numerofas : 
CeíTe voffo louvor, Nymphas formofas; 
CeíTe da fonte vofla a grão corrente. 

Vinde a ver a Thepdofio grande , c claro , 
Aquém eftá oíFrecendo maior canto 
Na cithara dourada o louro Apolo. 

Minerva , do faber dá-lhe o dom laro ; 
Palas lhe dà o valor dc'mai* efpanto ; 
£ a fama o leva jà de Polo a Polo. 

Gcxxvni. 



PAJLTE PRIMEIRA. %%» 

CCXXVIIL 

VO's Njrmphas daGangctíca cfpcflbra 
Cantai fuávcmcnte , cm voz Ibnora , 
Hu grande Òapítam aue a roxa Aurora 
Dos filhos defendco ca noite cfcura. 

Ajuntou-fe a caterva negra , e dura , 
Que ha Áurea Ch^rfoncfo afFouta mora , 
Para lançar do cHaro ninho fora 
Aouelles que mais podem que a ventuni. 

Mas hum fone, leaõ,. com pouca gente, 
A multidão uô. fera cotno ceda, 
Deftruindo cií^ga, e coma fraca. 

O' Nymphas , cantai , pois , que claramente 
Mais do que Leonídos fez em Grécia, 
O nobre Leoniz fes; em Malaca. 

ÇCXXIX. 

ALma gentil j que à firme eternidade 
Subifte clara ^, e vaierofamentc , 
Cá durará de ti perpetuamente 
A fan^ã' 9 ^ gloria , o nome , e a faudade. 

Naõ fei fe hc mor efpanto em tal idade 
Deixar de teu valor inveja á gcnre ; 
Sc hum peito de diamante , ou de ferpentc , 
Fizeres que fe mova a piedade. , 

Invcjofa da tua acho mil fortes , 
E a minha mais que todas invcjofa , 
Pois ao teu mal o mci^ tanto igualafte. 

Oh ditofo morrer ! Sorte ditôfa ! 
Pois ò que naõ fe alcança com mil mprtes , 
Tu com huma fó morte o alcançafte. 

ccxxx. 



14^ RH YTHM A S. ^ 

CCXXX. , , . . 

DEbaixo dcfta pedra , fcpulradá 
Jaz do Mundo a mais nobre fornroííiray 
A quem a morte , fó de inveja pura. 
Sem tempo fua vida tem roubada y ' ' ■ 

Sem ter rcfpeito a aquella affi cftrcmada 
Gentileza de luz , auc a noite efcura 
Tomava cm tlaro dia ; cují alvura 
Do Sol a clara luz rinha cclipfada. 

Do Sol peitada fbftc, cruel morte. 
Para o livrar de queni o efcurecia ; 
E da Lua , que ante ella luz naô tinha. 

Como de tal poder livcftc forte ? 
E fc a tivefte , como taõ afinha 
Torhafte a luz do Mundo em terra firiaí 

CCXXXÍ. 

IMagêes v4as mie imprime a phamafia; 
Diícurfos novo^ acha o penfamento ; 
Com q daõ à minha alma grão tormento 
Cuidados de cem ánnos n'nuni fó dia. 

Sc fim grande tiveíTem , bem feria 
Refponder a efperança ao fiindamcnto: 
Mas o fado "naõ corre taõ attento , 
Que referve á razaõ fua valia. 

Gafo , e fortuna , gód<?m actrtar ; 
Mas fc por accidenre daó viíloria , 
Scnipre o favor da fama hc falfa hiftoria. 

Excede ao faber , determinar : ' 
A' conftancia le deve toda a gloria : 



O animo iivrc hc digno de memoria. 



ccxxxn. 



o 



PARTE PRIMEIRA. mí 

CC5ÍXXIL 

Uaçta inççru eíperança , ^Hanto engano ! 
Quanto viver de falfo» pçnfamcmos ! 
Pois todos vão fazer fçus fundamentos > 
Só no mcfino cm 5 cftà fcii próprio dano* 

Na incerta vida eilribam dç hum humano; 
Daô credito a palavras que faó ventos ; 
Choram defpois. as horas,, e os momentos. 
Que riram com. mais gofto cm todo o ano. 

Naô^hjijâ çm papparcncias confianças; 
Entendei queo ,yiver . hc de cmprcftadoi 
Que o de q vive o Mundo faó mudanças. 
Mudai , ^pi$ , o fentido , c ó cuidado , 
Somente amando jaquellas cfpçianças 
Que duram pata Jepiprc com -o amado. 

ÇCXXXIIÍ., 

MAI , -q de tempo em .^cmpo vás crefccndo< 
Quem te ÍVÍ0C de hú bem acompanhado í 
A vida,pa)Día{]J3^Jdefcanfado^ 
Da nione nao tendera o rofto horrendo. / 

Se os vipB cuidados fora convertendo 
Em fufj^iroi <jve dap outro cuidado , . , - 1 

Oh quaó prudente,, oh quaó affouunado . ; ; f 
A capella de louro irá tecendo ! . - j, ./ j 

Tenipo hc ja de cfqucççr ccntenraípcnçofi/^^ 
Paflados, ci?'a cfpcrança que paílou, . ,'.7 
E de (jue triumphcm novos pçnfameatos./ . ., \ 

A fc , qiie : viva na ^]ma nie ficou , 
Dê jà fim aos caducos ardiçncnto» , 

A que o paffado bem fc condcmnon. - • j 

, ccxxxiv: 



i4t • RHYTHMAS- - 

ccxxxit. . _ 

OH qliámò melhor hc o fi^rémo ffià • -f * 
Da manfa mohc, qiic o do náTcimcntól^ 
Oh quanto melhor he hum f6 momento ^ 
Que livra de annos tantos de àgòitía ! 

Oc alcançar outro beni ceffé a porfia ;^ * ' 
Ceflc todo applicado penfamehtò * ' *' ' 
De tudo quanto dà contcntamchii)*. 
Pois fò contenta ao corpo a terra má. 

O que do Teu fez Deos fcu dcfíbèrifciraj 
Tem mais eftreitá conta que Uie^to: , ' .' 

Entaô parece rico ó ovelhciró. -^ *'' "* ' ' . ; -^ 

Trtíle de quem no dia derftidcirdi ' 
Tem o fupr alheo pòr pagar'j *^- '•' • '- 
Pois a ainia ha dè vcrldcr pot^b^idfahcíro í ^ > ' 

ccxxxV. ^ ., ^ ^ 

COnio podes (oh cego pecadârS^ • ^; \ 
Ellar em leús erfores taó Kctí[ó:f ' ' ' "* 
Sabeiído que efta vida he húrfimoíiicntai * ' 'i 
Se comparada com a etéhia for"^ ^' ' " "• ^ 

Naõ cuides tu que "ò jufto Júl^aáÒt' . /' • 
Deixara tuas íulpas féiri 'torrneni?o.,' ^"j" ," ' "/ * 
Nem qiie- paflindo vai o tempo Içíitp 7 ^'V 
Do dia de hprrendfílirnô 'pavor:*^ ' '^ * 

N%o gáftcs hórãs , dias, mezes^^nós^' ..* ^^ 
Em feguic de teus damhds a arnifadfc', ' * ' '. .^ 
De que defpois rêfultam mores darrôs'. '[ _ ' '^ 

Epois de teus enganos á vèfdadé"- ■ ^ ' .., 
Conheces , dci3ca já tantos enganos. 
Pedindo a Deos pcrdaó com numilnatíé. ' ^ 
• CCXXXVL 



P A^itTè PRIME?IÂA. u? 

CCXXXVL .^ 

VErdádé, ámor^ razaõ Merecimento, 
Qualqúfer yiitia faraõ fegiixa , e forte : 
Porém fouuiiai' c^fo, tempo, e. forte ,^ ^ . 
Tem do confulo' Mundo o regimento. 

Effeitoi -mil revolve o pcníamenio , ' 

E naõ fabè aque caufa fe reporte: ! 

Mas^fabe <juô- o rpé hc mais q vida , e mòrtc ^ 
Naó fe alcança xJé humano enrendimemo. . 

Do£tos Varôies'daraõ razões fubidas ; ^ . 
Mas faõ as 'éjfpér^'èndas mais provadas : . 
E por tantb Héíftelhor' tef jnúito viílo. 

CouÊisíia hi <Juc paíTam fèm fer íridas: 
E coufas cridasr ha fem. fer paffadás. -^ 

Mas o mdhW^^dè tuddhe ctòcm Chrilió.' '' 

CCXXXVII. , ^ 

DE Babel ibtre : os rios hos;féntâraos ^'. > á 
De rioifIá"dfa'ce pátria dcfteirr idos , ' : : ^ 
As máos nà^fícè, os olhos derribados ^j "' 

Cóm faudadips de ti , Síaôj chorámos. 

Os orçãos rios Jalgueiros pendurámos, 
Em outro tempo bem de nó» tocados : ' ' ; : 
Outro era cUt-^ por certo rj outro^ cuidados;-;^ 
Mas por deixar laudadcs os.âcixStnòs. W" 

Aquélics que captivos noà 'tlraziam , . " ,, 
Por cantigas alegres pcrgunra\?an?. 1 . ■ 

Cantai (nos dizem) hymnos de Siaô. 

Sobre taí pena, pena tal nos^daS, .^. 

Pois tyranicameritç pertcndiam . ' 

C^c camaffcm aquçilcs que choravira. 

eçxxxviH* 



.1441 > R H y T H 3VÍ (A)S< 

CCXXXVIII, 
C^ Obre. os rios do Reino efc^«>^, ^q^aftdo " ~ 
•^-^Triftcs, quaes nofla^ ciilpaç > o' ordenaram/ 
Lagrim^^s noíibs' oíhos dcrramâranv, - ..., r 
Por d, Siaõ divina, fufpiratiSo: .,,. , . .^iji 

Os que hiam nollas alnws infeftançlo , ■ • :^ 
De comino .em error, as. captivaram ^ , . 7 
E. çm vão por nolTos Pfalnios p^gpjptiç^ y . : 
Qíic tudo. era íilencio mifer^ào, j..^J ,^ / VV^ 

Dizendo eftamps: «Como cantarçigips ^ ] 
As acceirâ$ canções ^ Deos-beiijap^^j-r^^ ^ ^,|/^ 
Quando a contíarios feus obedeceiíJLQÍ-B // .. ^ C 

Míis jái Senfiòr fó Santo, .^ejfifnninQ.^.j • 
Deixando vidofiíEnios ejçtremós,^,^, k;'-.. -: .,.\> '3 
Os^ cantos, profçguií: dé 4"^9F l^^^ls^ 



í u c. 



E 



GGXXXÍJ^, 

^ M Baí)ylpnià fobre ôs riq^^í g\iai?da •.[ --^ 

^ De ti' 5ia5'iagt^a nos^ l^ríbr^^ r;v V * 
Alii com graò fíúidaâe nc)sfent^mo$, .; .. 
O bçm {>erdid<?^ pjiferos ^ chotanci). . > 

Os inftmmento -muGcqs d^ix^náo y 
Noç eftranhbs íã^gpfíirofi /pendur;5.n>os ; . ...í 
Quando aps çámarcs^.qjâ ^m ti.paçítiniosí;. Ci 
Nos eítavara ítuígos mcitando.» \ /. : .. 

A's efquadras , .diiçmos ^.-inii^niga? : 
Como hemos de. cantar era Êsrra allvat , «; 

As cantigas dè l^eos,, facras -cai^ig^^s ? - , > 

Se a lembrança eu pcr/det qu^ne recrea. - 

Cá neftas penofiíHmas fadigas', .\. , . , .... 

Oblivioni detur dextra meà. ij 

. . ■ ' CÇXXXXí 



. çcxxxx.' 

APonía a bcUa Aurora , luz primeira i 
Que a grão nova nos deo do claro dia , 
Vefti-vos , corações , já dt, alegria , 1 
E recebei da vida a Menfageira. - ' 

Da humana Redcmpçàõ nafoc aTcrceiía: 
Alegra-te , Divitta Monarchiaj ' 

Da terra terás eedo a companhia; 
Do CcQ verás também a nofla -feira. 

De tal obra fe cípanta ^a natureza , 
Conhifo fica de temor o inferno-, 
Vendo a que náfce ifenta dã dcfcza. 

Lei geral era pofta dèfdc eterno: 
Mas o Senhor da Lei , toda limpeza ' 
Para o Sacrário feu guardou ^ Materno» 

CGXXXXL 

POrqnè a terra no Ceo agafalhafle 
O Ceo na terra Deos agafalhou : 
Lá naõ cabendo , cá fe accommodou , 
Porque fâ de cá indo fe alargafle. 

Porq o homem a fcrDeos por Deos chêgaíTc^ 
Poí o homem a fer homem E)eos chegou : 
Seu divino poder tanto humanou , 
Porque o humano em divino fe tomaflè. 

vede bem o que deo , e recebco : 
Naó fe perca hú bem tanto da memoria; 
Deo-nos a vida , a morte padeceo. 

Trocou -poíTnôflFa petiaá''ff3a gloria :. 
Deo-nos o triumpho que cllc merectjo: ' 
Porque atóôf foi audof defta Viftoriá, - -^^ ' '? 
. Tomr«r K . CCX^XXli^ 



GGXXX^II. 

QVt dElilla^-;^ Arvforç.facra? 'íiú íicor htíxp. 
Ç^^a^cj.uem3 {*ara o geaerojhe humano/ 
*Que'faz ddic3 Hum remedia foberano. ' 
Para que í Para ã- culpa, e trifte pranto. .: 

, E flfvc. obni \ .R.qduiir Lusbd a efpanto, 
^ Porcjuc ? Porque co' hu pomo fez grão danot. 
Qiie foi ? AmoFter\ieo com hum. cng^o. 
Tanto ix>de \ Sem; falta Jjode tanto^ ' : 

Quem fobe a-ÉjÚa ? .Quem do Cco defeco,, 
A que defcé 'i À fubir acrcarura. 
Qiie quiz da terra ^Só levá-la ao Çeo, 

He efcadà para ir ià;?. E a mais fegura. 
Qiiem o obrigou T D^;amor fá fe vençeo^. 
Que araaxa c& Fcitprí Sua feiíur;^* ., : 

OCXXXXIII. 

H Arma, unicamente fó vW.wipl^íiiKÇ i ^ 7' 
Propugn.aculo fó de noílas vidas , • 

Por quem foram canhadas as perdidas , 
Com q o Yartaro horrendo andava oVaMc ! 

•^i^uã-fe tfta bandeira militaatCjj.í ' 
Por qp^m faó taes viciorias confcaiidas , 
^ Por quantas almas , delias divertidas.. 
No pone^ue errara çá , là no Levante* 

OK Arvore fublimc, e r(iarchctada.: . i 
De br^co , ç ca^iviefi ,'defpuío;cmbiitidaj 
Dos rubijs mais pfeciofQ* ,ôfm.altada, > .^ 

De trophws maiSiCáarps.rguarnccida! >., 
A' vida ^ morte vimos cm ti dada, \ r : 
Páíii que eoi ú Çç, défle.á inone a vida^. ?. ■ . 



O! 



P ifeR^-Xft í R IÍ4 E J:R A. \^7 

CPJSK^XÍV. 

A Os homács hum fó homem pojsclparno, v 
E opoz a toda a humana natureza , 
Que de home tçvc o fcr , de Anjo a pureza , > 
Porque antes qvic nafccflc era já:S>into. 

Proi>hcta foi na Mái j. cm fim , foi. tanto , 
Que entre OfS^ nafcidos houve a niór alteza ; 
Que da Luz, fcm ^ ver, vip a grai^za^ 
Tendo por trompa o Verbo Sacrolan^o.. i 

Aqpclía voz foi elíe, fonoroía 5- 
No concayo dos Orbes rcíbnamc, .. : ; 
E que a Carne .inculpável baptizçM 5 

Quem do mór Pai ouvio a voz amante ; 
Quem a fubtil peigynra , induftriofa , 
Com fyncçra refpofta focegou, > , . f 

GGXXXXV.; 

\7"0's fó podeis, fagrado Ev^uvgtliíbr., 
ç Aftgelico abrazadp Seraphim , ' 
E na fciepcia mais alto Cherubim , 
Do q hc mais, fabio Amor fer Coroniíla. ' . ' ^ 

Divina, c real Águia-, cuja vifta 
Vio o q h« íem principio , o q hefem .í5;n^ . * 
De Jacob mais querido Benjaniim/ 
Quem mais campèajdc Jofeph na lifta. . . , 

Apoftolg» j e Propheta , e Patriarca ^ 
Ao Príncipe do» Ceps o mais a^Lccito *, , . 

Que cnj Jeu lep dormindo cmaô nuis via» . , 

A qi\ej» o mefiiip Dcos por irmáp marca j^ 
Quem p<^r filho da Mái única feiío , , . . ' :j 
Em corpo, e alrn^^eoza o claro ,dif, ^ vr 



t4» RBITHMÀS. 

ccxxxxvr. 

COmo louvarei eu , Scraphim fanro; 
Tanta humildade , unta penitencia í 
Caftidâdc , e pobreza , e paciência , 
Com cfte meu inculco, e rudo canto? 

Ar^urtiento que às Mufas pôe clpanto , 
Qiie faz muda a grandíloqua eloquência. 
(jh imagem , ^uc a Divina Providencia 
De fi viva em vós fez par^ bem tanto ! 

Foftes de Santos húa rara mina ; 
Almas de mil a mil ao Ceo mandaflcs 
Do Mundo , que perdido reformaftesw 

£ naó roubáveis fò com a doutrina 
As vontades monaes , mas a Diviíia ^ 
Pois os feus rubijs cinco lhe roubaftcs^ 

^ CCXXXXVII. 

DItofks almas , que ambas juntamente 
Ao Ceo de V^eiius , e de Amor voaftes ,* 
Onde hu bem que taõ breve ca lograftes^ 
Eftais logrando agora eternamente. 

Aquellc cftado yoflb raõ contente , 
Que fò por durar pouco iriftc achaftes , 
Por outro mais contente jâ o trocaftcs , 
Onde fem fobrefalto o bem fe fente. 

Trifte de quem ti vive taõ cercado 
Na amorofa fineza , de hum tormento , 
Q;ie a gloria lhe perturba mais creícida! 

Trifte , pois me naõ vai o foffrimefito } 
E amor para mais damho me tem dado 
.Paca taõ duro mal taõ larga vida« 

ccxxxxvni. 



PARTE PRIMEIRA. 14* 

CCXXXXVIII. 

COmente vivi jà , vcndo-mc. iTcnto * '" ^ 
, D.eftc mal dç que a muicos queixar via : ' 
Cbâinam-lhe ^mor ; mas eu Ihç chamaria 
Diícordia^ e fem razaõ^ guerra; e torf^emo» 

£iiganou-me co^p-nome o pcníameoto. - 
Quem com tal nome naõ fc. enganaria > 
Agora tal eftou y que temo hunfi dia 
Em' que venha a ialtar-me o foí&imento* 

Com defeíperaçaõ i\ c com deíèjo » 
Me paga o oue por . elle eftou jpaflando , 
E inda . eftà ao meu mal , mal utisfeito» 

Pois fobre tantos damnos ioda vejo 

rra dar-me outros inil , hum olhar branda â ' 
para 0$ naõ çyrar^ hum duro peitOw 

ccxxxxix. 

DEixa Apollo o cprrer taã apr^íTada, 
Naõ figas cflâ.; Nympha^ oó uBtfio :- 
Naõ te leva o an^or , Icva-tc o engano , 
jCom fombras de algú bem a mal dobrado. 
/ E ctjando íeja amor , fera forçado J 
E fc forçado for ^ íerà teu dana : 
Hum parecer vnaõ queiras maia qiuc humano > 
Em hum fylveftrc adorno ver tornado. 

Naõ percas por hum vão contentamento , 
A vifta que te faz viver contente : 
Modera em teu favor o penfamento \ 

Porque menos mal hc tendo-a prefcnte ^ 
Soíirer fua crueza ^ c teu tomiento , 
Que fentir fua aufenc>a eternamcnse» 
^ CCL 



150 RH YT H M A §: ' 

■ ' cct; .. • 

NAs Cidades , nos bofqueô , nas floVeffcs'^^ » 
:Nos vailes , c nos montes , teus knivoW 
Sempre te cantem muíicos P:rfíores^ , 
Nas manhias frias , nas ardentes- feílãs/ '- 

E nefte Templo donde martifeftaâ , 
E repartes agora teus favores, ' • 

Com Pfalmoi ;- hymnos , c eom- várias florei ,* . ; 
Sejam celebres femprc as " tuas féftas. - 

TEfttó te oífteçiam pés , '^(íbutfós rriãos; ' 
Dô aquclles petidam tobre os teus >lts?res 
Monftros- do maf , de lerviáaõ pVisâos, • • 

Que eu cuidados , cngàiiós ,' e aíFeiçâos;, 
Muit^ maiores monftros 5 c miífiares , ' * 

Tc deixo aqui- dp pcriíamentoá "vâo^. • j" .' '' 

.: CCLI. - 

VI quelstofos-de^ aniorríiir namorados, ^" . 
E nicfnhíkis' intfa vi"coní fètí^ tóuvores: 
E aquelle c[uc Iftais ehorà Q;rnâl -de amores , • 
Vejo menos fugir: de fcus cuidados.* ' • . 

Se das dòres'^e amo« fòíè mal' tratados , 
Porque tanto bufeais de amor as dores í 
E fe também a5 tendes por favbréá , - ' 

Porque delias ftílais como aggràvados ? "\ 

Náõ queirais alegria achar álgua 
No amor , porque he <:ompofto de trifteza ) ' 
Na fortuna que achei mais agradável. 

Nella,'e nclfc íichei fempre a mefma Lõa , 
Em quem nunca fe vio outra -firmeza ^ 
Que naõ feiar a dc' fer femprc muàivcL 

ccLn. 



PAATÉ PJRlíJÍEIRA. fsv] 

. CCllí: , ... >^ 

SE lagrimas -choradas, de vcrâaáè 
O matmore abrandar podem mais duro , 
Porque -is minháí que nafccm de amor puro 
Htim coração ftaô rendem i piedade ? 

Por vós pettJí j- Senhora, a liberdade , 
E nem da própria vida eftou feguro. 
Rompei de eflcr rigor o forte muro ; 
Naó paíl6'tanK) aVante a crueldade. 

Ao prezar de dÉfprSzos dai já fim : 
Naô vos chameiní cruel ; nome devido 
A quem fe ri de qtièm ftifpíra i e ama. 

Abrandai eíle peito endufeèfdo, , 

Por o que t©cá a vós , já naô por mim : 
Que eu aventuro a vida, t vós a fama. 

GCLIIÍ. 

JAL* mè fiSndcí em vSos contenumemos ' /y 
Quando déllcs vivi rodo ei.ganado 
Oe hum phàitcaftíco bem , c de hurti cuidado , 
Dç que fo-eíiidam cegos penfamtnros. 

Paflav» dfefó*i horas', e momentos^ 
Deftc enlèd de amores taõ pagado , 
Que tiiiha fo por bemayenturado 
Quem fó.por-elles mais bebia os ventos. ' 

Mas agora^f que já cahi na conta, 
Defetigana-mc quanto me enganava: 
Que tudo o tempo dá, tudo dcfcobrç. / 

O aitior mais caudalcíb menos monta';' 
Que he de géftos mais rico , eu ignorava ',' - 
AqyeU^^aueJdò amores hc.ntóis pobre. - '^' * 

• ••''' CCLI V • 



tSZ I RH YT flU^S.' { 

ÇCLIV- 

EM huma hpjBL^ toda tenebrq& ^ç .; ^^ 
Adonde bate o. mar com fúria bra vai,- ' .• 
Sobre huma mão. q rofto, vi aue eííava 
Huma Nympha geniií,, mas cuioadofa. 
Igualmente , qúc; linda , laftimp^, ' 
Aljorar dos Teus olHos diftillavar . [ 

Ó mar os feus furores applacavâ , 
• Com ver coiifa taô triftc , ç taç^^^foonqfiu^ . 

Alguma vez na horrível genejdia ; ^ ; • 
Os bejilos olhos punha com,.braiíMÍuç^, ^ 
Baftante a desfa:5cr /ua duirjsrza.. ; r * "{ 

Com angélica vb? , afli dizia : 
Ah 5 que lalta mais vezes a vçnojra., ► '^ 

Onde fobcja nuís a; natureza ! . ,j ^ . . . ;> 

SE en) mim y ò alma , vive maii.4^hcançf(^ f* 
Que aquclla fó da, gloria de querxrr-vos , v.^ 
Eu perca todo o bem qtrc logro cm ver-vos , t 
E de ver-vos também toda a efpc^rança. , ;^: 

Veja-fe em mi t^õ ruftica efquivança , 
Que poíTa indigno íer de conh^íçer-yo^ j 
E quando cm mór empenho de aprazcr-vos \ 

Vos offenda , fe em mi houver mudança. i 

Cotffirmado eílou jà neíla ceneza ; 
Examinc-me voda crueldade ; 
Exprimcnt6-fc em mi voíTa dureza. 

Conhecei já de mi tanta verdade ^. 
Pois cm penhor , c fé defta pureza 
Tributo vos fiz fcr o que hc vontade. ^ . 

CCLVl. 



PARTE: PRIMEIiRA- lí» 

CCLVL 

IUuflre Qracía » nombre de uôa moça, 
Primcra malhechora en efte caflb 
A Mondonedo ^ a Palma , ai coxo TraíTo , 
^ugeto digno de immortal coroca* 

Si en médio de la Ij^fia no reboca 
£1 manto a vuefiro romo rtan dcvsSh ^ 
Por vos dirán las geniies ttzio^ .y f^ffo i 
Veys Guien con el demónio fe ^éfo^« 

Puede mover los montes ítn crabajo, 
Con palab^as el curfq ai» agua cnfretut } 
Por Jas ondas harà camino enxucQ. ■ i' • t*^) 

Averguenza fu pátria, y rico Tajo, 
Que por ella hombres Ueva mas que arena ^ . /. 
De ^ue pag^ ai infierno gran aibii^*, - .■ t 

ÇCLVII. 

QUal tem a borbolcca por cófiumk » ""T 
Qiie elevada na luz oa acefa vella^^ 
bando vai voltas mil, até que ncUa . -' > 
Se queima agora,, agora fe confume: * , " ^ 

Tal eu coneudo vou ao vivO lutne 
De çfles olhos gentis-, Aonia beUa-; 
E abiazo-me , por mais quie com cautella, l 

Livrar-me a par^; racional preftufie* > > 

Conheço o muito, a que Xe atreve a vifta; 
O quanto fc levanta. o pertíamento j ♦ 

O como, vou ixiorrçfi(}o claram^entc- . . 'p 

Porém naõ qucr^jiB^pr que jhe ucfifta. 
Nem a minha >lma q quer , q .em tál tormento ,L 
Qual em dória maiqr eftà c<>Qt^nte« j 

; CCLVIII. 



IJ4 .^^a Y TM M^À S!--^^ 

GCLVm. . _ , ^ 

LEtnhr^njTâs^dc meu berti',' doces lembranças j 
Que tao vívâs eftais nfefta alma Tftinha, 
Naõ queirais mtò de mi , fé os béds que tlhhã 
Em poder vedes todos de mudanças. ' 

Ai cego'^mor ! Ai morras efpcranças, * 
De que èu. em «àtrô^ tempo' ttit maoíínhá J ' ■ . 
Agora dçixaf^l^ Aqucm vos foftínhíi , ^' * *" 

Acabarão co?f 'Viáá asT' coniiatiças. '^ *y^ 

Co' a vida- àcabíiiiõ , 'jííois > ventura . ^ ' ' • 
Me roubou 4i?bum morácnta kquclla gforiíiy ■^' 
Que quando taâ «grande 'hé'', tâ^ô poíicò' tíiíta.^'- "^ 

Oh fc ap6S5 *o^prazér fora a memoria ! 
Ao meno^ éftivcvâ á âlmà fegura - ' ^ 

De ganhar-fo'€«m ^«11* mâi^ vl&oiíz. - -■ '- 

ccux.; , . _ 

FOfHicfdV' d^os'3 que cuidado dais .; C 
A' méfnta iu%'^'dô Sol , ihàis clara ^ e pàr%4 
Que fu» cfchr^Acida formo fura , 
Com tanta floria voffa atraz deixais ! 

Se por fccdí^ taco beltes defprezais ^ 
A fineza de attíor que vos procuía , . * - 

Pois tanto vedes , vtàc que naâ5 dura 
O voflo refplarkior quanto ttridafs^. - - 

Cdlbci , colhei' <lo tempo- fiigitivo , * 
E de voíTa belleza o doce fruto ^'- ' . * 

Que cm vão fora de rempo hé^defejado* - ^ 

E a mii qoé por vó& mofttoV ^V^^ vôi vivo. 
Fazei pagar aôttioií o féu tributo,- 
Comente de por vós lho haver bagada. 

.;. i CCLX. 



PAR tE PRIMEIRA. tj^ 

CCLX. 

PUcs íicíhpre fin ccflar^ mis ojos triftçs, 
Eiíla^imaáf trauis la nochc , cl dia, .^, 

Mirad fi CS lagriína cfta que os cnibia *'; 
Aqucl Sol pétfjguícn vós tantas vcrtiftes. * 

Si vÓs-niéaflcguraÍ8, pues ya la viftcs, ... 
Que* W lajgriltía , fera ventura mia ; * 

Por cínfícadas bien dcfde oy tcndria 
Las muêhiá^^cfucí por cila fola diftes- 

Mas qualquier^coíà muchò tlcfcada , , 

Aunque vicndo fe eftè nuftca es crcida ; 
Y menos -eftaji nunca imaginada. -' 

'^<:t& delia âfleguro , fi és fingida ', ' , ^ 

Que bafla fei-poi; lagrima embiada , ' - - 

Para qué feS-^oif lagrima tenida. ^ ''* '" ' 

CCLXi. , ., , 

TEm feito escolhos riéftc apártameiitò ^ . 
Hum Hiái^ de faudofá tcmpeftadfe , '. '- ;, 
Que pódc dar faudade á fafi^dadè , ;-' .-' * 

Sentimentos ao próprio iíentjníènto. ' -* 

Em dor' vai-' convertido o 'fòfirimento V"' ' . 
Em pe^a : cíihvèrtida- á picdaãe'; ' '^'' '^ ^ -; 

Arazaó taó vencida da- vaniiíde , ' ;*' V.. 
Que efcrayo'' feè-db mal* o entendimento. *'. ^ 'l* ^ • 

Á língua:* hííô alcança o*aúe á alma fchtév ,, 
Eaffi, fe-alguefn qúizer 'em';álgum'{3iora"' ; '*' .., 
Saber que ^couf;^ he dor há5;cofhprébendida^^ * 

Parta^fcíáò' féu befri, pòfquÍÊ; éxprímentc'^: . . ^ 
Que ái^tés .dé fe pártit , melhor' me fora / . 
Partir-fe dó -viver para ter vida, > '^ - 

. :>:> . CCLXII. 



45Í RH I TtíUtS.: ; 

GCLXIL 

A Peregrinação de hum vçnfimtnt^/^ J 
Que dos riialcs fez hàtird, ecoftume» 
Tanto da triftc vida me confumç , 
Quanto crefcc na cauía do tormcnt^.. ; .• '^ 

Leva a dor de vencida ao foffirimemo ; 
Mas a alma eftá de entregue u5 rem-liune. 
Que elevada no bem cjue haver prefumc , 
!Naõ faz cafo do mal que eftá de aJJenco. 
^ E)c longe jecceí , íc me valera ^ 
'O perigo que tanto á porta vejo, 
• Quando nao acho em mi couía fegiura. . 

Mas já conheço, (oh nunca o conhecèn^!) 

8ue entendimentos prefos do defpjo.i 
aõ cem remédio roais que o da veattinu 

CCt^XIII. . 

A C%i-mc da fortuna ialicado ,. 
O limpo vai f^^indo jprefuifoíb > 
Deixando>me da vida duv^cbfo , 
£ cada inftante noaís <ícr<pií]Xiador 

Trocou-/e o 9ieu>d|e;rcuido em cal cuidado, 

8ue donde a gloria hp mais , hc mais^paiofo: 
em vivo , de per4f?r-japiç , receofa.;,. 
Nem y de poder ganhar^-me y confiado. 

Sialquer ave nos mofices mais ^eílcs , 
]uer fera na çovâ repoufando ^ 
em horas de ale£i:i:f^;.eu todas crifliés* 
Vós y faudofos olhos , que b auizeftes , 
( Pois com cormenco amor me efla pagaíido ) 
Chorai ^ como ,que vedes ^ o que viftes. 

CCLXIV* 



PARTE PRIMEIRA. tsy 

CCUXIV. 

SE no que' cenho dico vos aflSmdo y 
Naõ hc a intenção minha de oífender-vos 9! 
Que índa que naõ percenda merecer-vos ^ 
Naõ vos dcfmcrcccr femprc peftendo. 

Mas he meu fado tal , fegundo entendo ^ 
Que por quanto ganhava em entender-vos , 
Naõ me deixa ate agora conhecer-vos ^ 
Por a mi próprio me ir defconhecendo. 

Os dias ajudados da.vennira^ 
A cada qual de íi daõ defenganos , 
^E a outros foe dá-to a defVentura. 

Qual dcftas íirva a mi ^ dtraõ os^ danos i 
Ou goftos qtie eu tiver , em quanto dura 
£âa vida , taõ larga ^ em f»oucos anoi. 



Atéani otSoMitot ifuefi 0cbam 90 e^BfoS deMéU 
noel de Faria e Souja. Jofcpb JLof^t Ferrettê > itiu 
primindo em Lisjboa » ftfi annç de 1720, em bum vo^ 
iume ^ defotbat todas as Qbras de Luís dcCQtnies\ 
accrefantou os que Ji fegt$em , fim nos diztr ondf 
baviam fido 4icb fidos. Na edtfoô Partjtenfé do amo 
dtí 1759 f ' »^ ^^^ po^Mor a efla fi fez em Lishêg ^ 
fe acham também os viejmof : mas nem por tffo f^ 
camos por fiadores de que todos fijam de Luis de Cdi* 
fMÕesi os (,eitores mtelHge9tes « que forem verfãdot 
ttás /ifa$ das Obras do Foeta^^ faraiõ feu Juin». 



ccix\r. 



ÇCLXV* 

DOcc cpnrenumento já paflàijov,. - 
Em que todo o meu bem fó confiftia ; 
Quem vos levou de minha companhia ^ 
E mé 3eixou de vós.taó apartado í 

Qupm cuidou que fc vifle neftc eftado 
Naqueilas breves horas d^aiegria , 
Quanâo minha ventura conicntia , 
Que de éçganos viveíle meu cuidado í 

Fortuna minha foi cruel ^ c dura, 
AqucUa que caufou meu pcrdimento , . 
Com a qual ningHcm póae ter cautelbu 

Nem fe 'çn^anc nenhuma creacuça , . 
í^uc 'naó pode nenhum impedjmenco , 
Fugir do qiie lhe ordena fua cârell^* . 

CCLXVL 

SEmpre cmel , Senhora , receei , 
Medindo voíTa gfáo defconfiança , " 
-Que déíle cm dcfamor vofla tardança , 
•E-quc me perdefle eã , pois vos amei. 
• Pcrcã-fe , em fim , ja mdo o c}ue erpercl^. 
'íòis n'oucro amor já .tendes cfperança,' 
^Taô potente fcirà voíTa mudança , 
'Quanto eu ^çncóbri íeçnpre. o que vos dei. 

Dci-vos a alma , a vida , e o( fentido ; 
pc tudo o que em mi ha vos \íiz fenhoia j 
Promeireis , e negais ,o. mefmo Wor , 

Agora tal çílou , que de perdidbi 
Naõ fei por onde vou , mas alçumHiDra 
Vos dará tal lembrança grande cor. ^ 
, ,. CCLXVII. 



P A RT p^ PR I M Eíl R A. is» 

eCLXVIL 

FQrcuna .cm /mim guardaiido T|pu direito ',^' 
Ehi verde -dc^^njbou minha alegria. ^ 

Oh quanto fc acabou naqucUc dia , \ 

Cuja triftc leml^rança.ardc cm meu jpcito ! ' 

Quandoí contemplo mdo , bem fuípcito , . 
Que a^tâi bençi , tal dçfçanfo fç devia, * r .♦ 
Por naô dizer o.Muiido , qu« podia 
Achar-fe^ cm fcu engano bçm perfeito. 

Mas fc a fortuna q fez por deroo^car-ne 
Tamanho gpfio ,: cm cujo fcntimcnto 
A memoria naq faz fenaõ matar^-me : 

Que culpa pode dar-roe o foffrimcmo. 
Se a caufa que elle tem de atormentar-me , ' 
£u tenho de foffier o feu tormento i 

ÇCLXVIII. 

SE^ fortuna^ inquieta , c mâl olhada ,• 
Que a jufta Lei do Ceo comfigo ínÊwut, 
A vida quieta , que cUa mais deíama ^ 
Mc concedera honeíla , c repoufada : 

Pudera fer que a Mufa alevantada 
Com luz de mais ardente , e viva flama 
Fizera aoTejo l^t ,i)à pátria cama 
Adonnecçr ,po' o fom da lyra amada : . í 

Porcpij poi^ o dcftina trabalhofo-, 
Que me cícurcce a Muík fraca, e lafla , 
Louvor dç tanto preço naõ fuftenta.: 

A volla dç l^uvâr-mc pouco efcalla - 
Outço.fogeífo^bufque. valerofo , ... i ; * >; 
Tal quál cni vás aoiMuiido fc aprcCmta*. «. - J 

jzz j:5 cclxix. 



(JÍD * R H YtHM AS- 

CCLXIX. 

EStc ampf ^ que vos tenho limpo , c puro , 
De Dcnfamento vil nunca rotado , 
Em minha tenra idade começado y 
Tê-lo dentro nefta alma fó procuro. 

De haver nelle mudança eftou feguro , 
Sem temçr nenhum cafo , ou duro fado , 
Nem o fupremo |)em , ou baíxo eftado , 
Nem o tempo prefente , nem futuro. 

A bonina , e a flor afinha paflTa ^ 
Todo por terra o Inverno , é-Eftio deita. 
Só para meu amor he fcmprc Maio. 

Mas ver-vos para mim Senhora efcaflâ , 
E que éíTa ingratidão tudo me enecita. 
Traz eftc meu amor fempre em defmaío» 

ÇCLXX. 

SE grande gloria me vem {6 dt olhar-te , 
He pena defigual deixar de ver-te , 
Se prefumo com obras mcrecer-te, 
Grande paga do engano hç defejar-te. 

Se quero ) por quem es, talvez louvar-re,* 
Sei certo , por quem fou , que he oí&nder-te. 
Se mal me quero a mi por bem querer-te ^ 
Que premio quero eu mais que fó o amar-te i 

Extremos -faõ de amor os que padeço , 
O^ humano thefouro , ó doce gloria ; 
E fe cuido que. acabo , cnta6 começo. 
, Affi te trago fempre na memoria» 
Nem fei fe vivo , ou morro -^ mas 'conheço/ 
Que ao:fim da batalha htt a viâoriai- 

■ ccLxxr, 



PARtB PRlMEIÍtA. tíi- 

A Formofura dcfta frcfca ferra , 
-^ E a lombra dos verdes caftanheiros ; 
O manfo caminhar dcftes ribeirós y 
Donde toda a crifteza Ce defteha : 

O rouco fom do-mâr, a eftranha cerra ^ 
O cfconder do ^ Sol pelos outeiros , 
O recolher dos gadoa derradeiros ^ 
Das nuvêes pelo ar a branda ^^uerra : 

Em fim , tudo o cjue a rara natureza > 
Com tanta variedade nos olírece , ' 
Me eflà ( fe iiaó te vejo ) magicando : ^ 

Sem ti tudo me enoja , e ^é aborrece ; ^ 
Sem ti perpetuamente eftou paffando \ 

Nas mores alegfúbí^ teor triilcza. 

tf 

CCLXXIIV 

SOfpechas ,' tfat cn mi triftè phántaíia r 

Pueftas hazeis la guerra a ihr fcttcído 9 *"•' 

Bolviendo y íebolviend(> el afligido ' ' *• - '; 

Pccho côn dura mano noché , y dia: . • -.^ 

Ya fe acafeô 4a tcfiíicncia PtAsL ; ^' t 

Ya la foerçá detâSraa ya rendido, • ';; 

Vencer de vós nítí ídexó ârrépdfitldo ' ' S 

De averos coifftâftãdo €m tâl-^òrflá: • • ' -^ * 




pijngc 
No es tan larga défenf^ ai iniféwLbléj 
Colead • cn vUeftnQ çaao- mis^^eflíojòs* -''■'' 

rota. a- L çcLxxn» 



i^h .: RH:Y;TPM:A& : 

ÇCLXXIII. 

SUftcnta meu, viver húa «frança 
Derivada de hum bem cao deíejada , 
Sue quando iiella :çftou mais tjonfiado , 
ór duvida rhe põe qualquw mudança :> 
E quando, inda jefte bem; na^ móc pujança 
De feus goíios me tem maisedlçvaao , 
Me atormenta entaó ver eu , que alcançado 
Será por quem de vó^ naõ tem lembrança. 

Aífi, que neftas jrodes enlaçado ^ 
Apenas dou a yida i fuftcntando 
Hua nova miccri^ ^^neu, cuidado:» 
Suíbiros d^alma Driftej; arrancando , 
Dos íifvos dç huft pedra acon^panhado , 
Eftou matérias íriftcs )[amci)tanà>i 

' ÇCLXXIV. 

JA'naô-,fintOh, Senhora, os defenganót,' } ' ' 
Con:\ q\n>inhaj''íifFçiçaõ feniprç trataftes, ^ >- 
Nem ver o galardão., que me; n^gaftcs. 
Merecido pfar fé líà tamoç anps* . 

A magoa choro fq , fó. choro ps ,dano$ ^ ^ 
De ver por qu^i je^nhora^iin^ ft-ocaíto; . 
Mas em tal c^9<(yps íq me yingàfteg' 
De voíTa Ingrwd^p., ivoãoi e|igftni>$. . 

Dobrada gloria^ (lá.^a,qualí|^ier vin^nça.^. . 
Que o^biFendido tpipa d<^ cutp^d^., . 
Quando fe fatk.&z jx^i <^ub. J»ftn. i . 

Mas eujdevQflíos-ipales» t eiquívanç»^ 
De juc açora i»ftj\ftgo b^m vingáíío^ 
Na5*o qtuzca fiQotiuv;g'à.VQSac€&^ --j.- 



PARvTJtlPBirMEIR^A. ^ l^j 

CCLXXV.' 

QXFc póác jà;fazcr piinha ventura y ' ;*' j 
Qiic feja para meu contearamcnto ? ;^ 
Oa como ísacx "devo fundamento , 
De coufa que o naó tem , ncm^ hd fegura ? 

Que pena pode (cr taã certa , e dura ^ 
Que poda fci^ maior. que meu' tormento ^ 
Ou como receará mtn peníkmíento > 
Os males , fe coin.xUes mais íe apura i ' 

Como quem íe coftuma de pequena 
Com peçonha criar por mão fciemd y 
Da qual o ufo jà a item feguro : 

Msí8 éo acoftum^do ao venen^^ 
E ufo de foíFrcr./niBu mal prefehoe 
Me faz naó feuti^. já nada o ^futuro.' - 

CCLXXVI. 

QUando cuido^mo tempo , que contente 
Vi as pérolas , neve , rofa , c ouro , 
Como quem vè por fonhos hu thefouro , 
Parece tenho tuda aqui prefente. 

Mas tanto, que fc paíTa cfte accidente , ' ■ 
E vejo o quão díAance de vós raquro , 

Temo quanto ima^uo por agouro:^ 

Porque de imagtnac também 'meaufeme* 

Já foram dias^jonir que por ventura 
Vos vi^: Senhora;,. fe dize-io poflb 
Com o coraç SÉ ^feguro eíkr fcm níedo. 
Agora em tanto^^iiiaL naó mo aíTegura 
Apropria phantaíia.,' e nojo voftò : ^ ^ . 
Ea naó poffp entender cfte fegredo. . ■ .. C 
i ^ L ii CCLXXVII. 



itf4 RHYiT nu As:^ ^ . 

CCLXXVII. 

QVznió , Senhora , quk/i amáj: q amaile 
Eflà grão perfeição , c gendleza , 
LogQ àii> por fentença y que a crueza 
Em yollo peito! amor aGcrcfcenwffe- 

Determinot) y quu^ iiada me apanadè , 
Nem desfavor cruel ^ nem afpercEa ;> • 
Mas que em mitiha rariffima; ármeza. 
Voflâ ifeoçaó i. cruel fc execèiaffe. .-'* 

E pois tçruk&^]ui oflèrecida . • 
Efta alma vgfla a voflb faCTÍficioy • . 
Acabai de fartar voíTa vontade.' .'/ 

Naõ lhe alargueis , Senhora., tnais a vida , 
Acabará morreado em feu: oilicio ^ 
Sua fc defendrado , c léaldads.. >: . 



nÍ 



CCLXXVIII. 

EU vivia de lagrimas ifenta, * i 

N'hum cn£;ano taó doce , « deleitofo , «^ ' 

ue cm q outro, amante foíTe mais ditofo, 

^õ valiam mil g;lorias hum tocmenco. 

Vendõrme pòíluir tal penfamento , *^ 

De nenhúa riqueza era invcjofo ; 
Vivia bem , <ls. nada reoeofo , 
Com doce amor , -c doce frncímqtto. 

Cobiçofa a fonuna , me riiou^ • ■ 

Defte meu taõ contente » e alegra -cflado ,' 
£ paíTou-fe ^efte bem , que nunca fora : 

km troco do qual bem , fã me deixou r^ 
Ltmbi^nças , qui me matam cada hora , 
Trazendo-me àminitpría o bem paflàdo. 



PARTE^PRIM^EIRA. t^ 

CCLXXIX^. 

INdo o trifté: Paftòr todo cmbcbkJo 
Na fombra de feu doce pcníkmento 5 
Tacs queixas jCfpalhava ao leve vemo ,• 
Co'hum brando fúfpiíaf xfa abna fahidò: ^ 

A quem me queixarei , cego pardido , ' 
Pois nas pedras naô acho fcntimento ? 
Com quem fallo ? A queni áigo mèu tormento ? ; 
Que onde maia chamo , fou menò$ oúVido. 

O' bella Nympba , poKjue haõ fefpotidcs ? 
Porque o olhar-mc ^, tanto ^líie encarecefif } 
Porque querts que fempre me- qii^relíé ? 

Eu, quanto mais te vèjjo ^ unaja te efcondes ! 
Quanto mtis mal me vès ,> mais ' te etlduròces ! 
Affim que coi' o mal creícé a^caufa delle. 

CXILXXX; 

DE hum taó feUce engenha,' produzido '^ 
De outro , q o claro SàL naõ vio maior f 
He trazer coufas aitas no ientido-. 
Todas dignas, de. cfpanto , c-de lou^r.' - •, 

^ufeo iòi aniiquiílimo Efcripcor, 
Philofopho ) e Poeta conhecido , 
Difcipulo do Mufico- Amador i í 
Que co' o fom teve o inferno fufpendido. 
' Efte pode abalar o monte mudq ^ 
Cantando aquelle mal, que :cu já páfféi , ; 
Do mancebo de Abydo mal fifudo. . - '' 

Agora contam, jâ ( ftguhdo achei ) . 
Taffo , c o noffo Bofca6, que díflè tvrior - ' ■ 
Dos fegredo* que move orcego Rei. í . .^í 
. CCLXXXL 



1^6 RH ITMMiAS. ": 

CCLXXXI. 

Dizei, Senhora, da .bellcza fdéá ; ' 

Parai fazerdes cíTe aúreo- críno , 
Onde foftes.bttfcar cfíe ouro fino, 
Ue qufe cfcoridida mina , ou dc« <pic vèa ? 

Ooi voffos olhos eíTa luz Phcbéa , 
Efle refpeirq , 4c. hum Império dino , ' 
•Sc o alcatiçaôps com faber divino , ■ 
Se cpiTi . encantamentos de Medéa ? 

Dç quB. efçondidas conchas efcolheílc» 
As perlas Pré^iqfes. Orrentaes i - 
Que fellahdo. níoftcáis nor doce rifo ? 

íPdis vo$ fprrnafte^ tal^ como quizeftcs , 
Vigiai-vos dé vós , - naõ vos vejais , 
Fugi dasionten^ Jfmbrc-vos Narcifo. 

CGtXXXIL 

NA ríbèirfdo^.Eupbrates aflentado, " / 
Difcorréndò. me achei pela memoria ^ • 
Aquelle breve .bem , aquella gloria , 
Que em ti doce SJaõ tinha pairado.^ ■ 
Da caufa de meus inales perguntado 
Me foi ; como paó. cantas a hiíloria 
De teu paliado bem , e da viâoria ^ 
Que íemprc de teu mal has alcançado? 

Naõ fabes i que a quem canta fc lhe elquecc 
O mal, indaque gtave , c rigorofo ? 
Canra^ , pois , enaõ chores ^flSi forte. 

Refpondí com fufpiros: Quando crcce 
A muita laudade , o piedofo 
Remédio hc nàõ cantar , fenaõ a morte 
.:...: .: CGLXXXIIL 



CCLXXXIII. . 

EL vafo relufieme , y cryftalino ; ^ 

De Angdés agoa clara , y olorofa ^ 
De bhnda leda -ornado, y freíca rofa , 
Lij^o con cabellog de oro fino: ' ' -^ 

tíicn claro parecia el don dhriho - 

Labrado por k mano ârcíficiòfa 
De aqiicUa blanca Nynpha graciofa , 
Mas que el rubio luzero matutino : • 

Nel vafo vuèftro cucrpo fe afigura , « 
Raxado de los blandos miembros bello» j 
Y en el agua vúefira anima pura : 

La. feda és la blanaira » V los cabellos 
Son las prifiOnes ^ y la ligadura - 

Con que mi llbertad fiie afida.dellõs. 

CCLXXXIV. 

GHoraí , Nymphas os fedos pbderofos "^ 
Daquella foberana formofura. 
' Onde foram parar na fepultura 
Aquelles Reaes oHios graciofos? ' 

Oh bens do mundo falfos, e enganofos! - 
Que mágoas para ouvir , e que figura - < = i* 
Jaza fem refplandor na terra dura 
Com tal roflo , e cabellos taõ formoFos l 

Das outras que íérà ! pois poder teve 
A morte fobre coufa tanto bella , 
Que ella eclipfava a luz do olarc^ dia; 

Mas o Mundo naõ era digno delia , 
Por. iflb mais na terra nao eftevc , '> 

AoCeo fubio, que já ^fe lhe devia- ■^} 

. CCLXXXV* 



. CCLXXXV. 

SEnliora ja defla alma , perdoai "^ - * ^T 
De hijm vencido de aínor os. dj?fatíncs ,' 
Efejam voflbç olhos taó.beninos, . í 

Com efte puro amor , que d^alma faL 

A minha p^ra /é fómeme olhai;, í 
E vede meus extjrernos fc faõ finos ; 
E fe de algua piena forem dinoa^ ' 
Em mim , Senhora minha , vo$ vingai. 

Naó feja a dor. que abraza o triile peito ^ 
Caufa por onde pene o coração i 
Que tanto em- §mie amor vo$ b^ fcrjeito. 

Guardai-vo)í do que^alguuB v díima > dlraõ , 
Qwe fendo raro em tudo.voflb objeitQ 
Poíla morar çm vqi ingratidão, . . 

CCLXXXVI. 

QUem vos Iêvou de mim, faiidofò eflkido\. 
Que tanta fem razaó comigo ufaftcs? 
Quem foi , por quem taô prcfto mo ncgáftcs , 
Efquecido de todo o bem paflíuio ? 

Trocaftes-me hú .defcanfo em huáa cuidado 
Taõ duro taó cruel , qual me ordenaftes i 
A fé , que tínheis dado , me negaftes , 
Quando mais nella eftava confiado. • 

Vivia fem receo deftc mal; 
Fortuna , que tem tudo à fua roercè 5 • 
Amor com dcfamôr me rcvolveo. 

Bem feí quie nefte cafo nada vai. 
Que quem nafceo chwando , juílo he , 
Que paíue cóm chorar o que pe^déò/ 
? . CCLXXXVII. 



PARTE PRIMEIRA. í09 

dCLXXXVn. 

DIvéribs cafos^ vários penfamentos .' T 
Me trazem uõ, confuíb o enccndimenco 5 > 
Que cm nada vejo já contentamento* , * ' J 

Senaó cjuando fe vaõ contentamentos. 
Em vaibs oalbs , vários fenomentòt 
f Succedem , por moftrar ao iimdanicnto , f ' 
Que he o que fe defeja tudo vento , 
Pois pinta haver defcanfo em vãos iiKcntoi. 

Vè-fe em grandes difcurfos.o defejo^ 
Quando as occaíiões os tempos mudara , 
Maó ha coufa impoflivel a hum cuidado : 

O injufto co' o iufto hc já trocado : 
Os duros montês ícus afiemos mudam, 
£u fó»naõ poflo.ver meu mal mudado. 

CCLXXXIII. 

DOcc í&nhò , fuave , e foberano ,. 
Se por mais. longo tempo me durara > 
Ah quem de fonho m nunca acoidára , 
Pois havia de* ver tal defcnc^no ! . 

Ah deleitòfò jben^ ! Ah doce engano ! 
íSc por mais largo efpaço me enganara , 
Se eniaõ a vida mifera acabara , 
De alegria, e prazer , morirêra ufano. c 

Ditoio , liaô. cftando- em mi , pois tive 
Dormindo, o que acordado ter quimera. 
Olhai com que me. paga meu deftino ! . > 

Em fim , fora de, níim ditofo cftive , 
Em mentiras ter dita' razaõ era , / 

Pois fempre nas<venlades fui mofiro^ 
, . .j CCLXXXlX. l 



GGLXXXIXi 

Triana prateada efçlarecida. » ^^ 

X^Com a luz que do daro Bhebo aidente. 
Por fer de.uatuEicza tranfparrntè ,\ i. • ' 

Em fi como cm efpclho , reluzia, f ' > 

Cem mil milhões de g^raças lhe iidhua^ 
Qutndo.me appirecco o"^ excellcmc; ^ ' 
Raio dè voflío afpeâo , dífibr^ntê ' i 

Em graça., «è cm amor , do que foMa;. 

Eu vendo-metaó cheio de favores, 
E taó propinquo a fet de rodo voflb , 
Louvei :a hora claia , e a noftc efctirâ : 

Pois nella défles cor a meus amores > 
Donde coUijo claro que uaõ poflb < ^ 
De dia para vós jà ter ventura» \ 

ccxc. 

A Lá eti Monte Rri , en Bal de' Laça > ' 
A Biolante hi beira de hum rio , \ 

Tan fermofa em berdà , que quede firio 
Dé ber alma inmonal em mortal maça: 

De hum alto j e lindq copo á feda laça 
A Faftora' facaba fio a fip. 
Quando lhe diflc , morro , cona o fio , 
Bolveo , naò cortarei, feguro paca: 

£ como paílarei , £e eu acà quedo i 
Se paíTar ^ refpondi , naõ' bou feguro. 
Que efte corpo fem alma morra cedo. 

Com ac minha , que lebas , te aflfeguro 
Que naõ morras , Paftor. Paâora ei medo ; 
O quedar-me parece mais feguro» 

CCLXXXXI^ 



PAKTE PRIMEIRA. 171 

CCXCI. 

POqiie me faz amor inda acá torto , '^ 

O' mal te íàga Dúós desberMnçado , 
Rapâz bíl ) dercortez , que mê nas guiado 
A ber a biolante ^ que me ha morto. 

Bila , por más non bcrme tomar pono 
En repoío ningun desbcnturado , 
Mas pira chorar femprc que abado 
As agoas dos meus olhos Ibm conforto. 

,Bcm vir.fer tua m.adre Cyprianá 
Una mundana aftrofa , deshorwrfta , 
Cruel, falfa*, fem lei , dura , e tyrana: 

Que a bós èlla fer òutni y e naó fcr cfta, - 
^zò tiberas bontà taõ deshumana , 
Nem fora contra mi taõ cruda béíb« 

CCXCII. 

EM quanto Phcbo os montes acccndia T 
Do Cco cóm luminofa claridade , 
Por confervar illefa a caftidade ^ 
Na caça o tempo Dòlia dcfpcndla. 

Vénus , que entaõ do furto defcendia , 
Por captivar de Anchifes a vontade , 
Vendo Diana em tanta honeftidadc , 
Quaíí zombando delia, lhe dizia: 

Tu vàs com tuas redes nà efpefliira 
Os fugitivos cervos enredando , 
Mas as minhí^ enredam o fentido. ' ' * ^ 

Melhor he ( refpondia a deofa pura ) 
Nas redes leves cervos ir tomando , 
Que tomar-te alli ncUes teu marido. -^ 

• CCLXXXXIIL 



ccxciír. 

SE de voíTo fonnofo , c lindo gcfto 
Nafcèram lindas flores para os olhos , . 
Que píiFa o peito faó duros abrolhos , 
Em mi fe vè mui clai'o, e manifefto: 

Pois voíla formofura , e vulto honeflo , 
Em os ver, de boninas vi mil molhos j 
Mas fe meu coraçtó livera antolhos , 
Naó vira em vós feu damno e mal fiinefta. 

Hú mal vifto por bem , hú bem triftonho ^ 
Que me traz elevado o penfaniento 
Em mil , porem diverfas phantaíías : 

N^ quaes cu fempre ando , t femprô fonho > 
E vós naó cuidais mais que cm mat tormento^ 
Em que fundais as voílàs alegrias^^ . 

CCXCIV. 

N'Híum taõ alto lugar "de t;uito preço \ " " 
Efte meu .penfamento pofto vejo , 
Que desfallece nejic inda o defejo , - 
Vendo quanto por mi o defmereça. . 

Quando efta tal baixeza em mi conheço > 
Acho qiie cuidar nelle he ^%.o dcfpejo , 
E que morrer por elle me .ne ibbcjo j 
E mor bem para mi do que mereço* 

O mais que naairal mer£cimenco 
De quem me caufa bum mal taõ -duro, e fort^, 
O faz que và crefcendo de hora em hora. 

IVIas eu naõ deixarei meu penfamento ^ ' 
Porque inda que efte mal we caufa.a xporte^ 
Vn tel morir tm4 Ia viu honorx, 

; CGLXXXXV: 



PARTE PRIMEIRA. 17^ 

CCXCV. 

QUancis penas, amor , quantos cuidados » 
Quantas iaerimas triftes fcm ptovcito , 
De que mil vezes olhos , rofto , e peito ^ 
Por ti , cego*, me viftc jà banhado^ ^ 
Quantos mortaes fuípíros derramados 
Do coração , por tanto a ti fujeito i 
Quantos males, em finr, tu m« tens feito ^ ^ 
Todos foram em mi bem empregados. 

A nido fatisfaz ( confeflo-te ífto ) 
Huma fó vifta branda j e amorofa ^ - ^ 

De quem me> captivou minha v^nnlra, 

On fempre para mi hora ditofa ! 
Qje poílò teiner jk , pois tenho vifio 
Com tanto igoflo meu ^ unta • ixandura } 

■ ^ccxevt.- ^ / 

OTen^ acaba , o anno, ú mez^ e áhórá^ 
A força., a arte , a manha , a fortaleza : 
O tempo acaba a fama , e a riqueza , 
Q tempo o mefmo tempo de fi chora : 

O tempo bufca , e acaba o- onde mora 
Qualquer ingratidão , qualquer dureza > 
Mas naõ p6de acabar minha trifteza > ' ' 
Em quanto naõ quizerdes vÓ9 Senhora. 

O tempo o daro dia toma efcuro^ 
E o mais Icdò prazer em choro trifte , ' ' 
O tempo a tcmpeftadc em^^rãá bonança; 

Mas de abfamlar o tempo «eflou fcgiirof,' ■[- 
O peito de diamante , otioe coníifte ' - <^ • 

Apc», ç ppgucr dl^ ^fp?rança- 



174 . R H YTHM A S*f " 

CCXCVII. 

POfto me tem fortuna em tal cftírdo(, / > 
E tanio a fcug Y^é$ me tem rendido , 'i • 
N|5 tenho que perder j4 de perdido ,. 
Nem icnho que mudar jà de mudado» . 

Todo t>ein para mi he acabado , 
De aqui dou o viver jÁ por vivido. , 
Que ^onde o mal he tao conhecido , 
Também o. viver. m^ais fera efcuíado. • 

Se me baila querer, a morte quero. 
Que bem outra efpexança naó convém» 
£ curarei Hum mal com outro mal« 

E pois do bem laó- pouco bem cfpero , 
Jà gue o mal efte fó remédio tem, 
Nao me cqlpem em querer, remédio, tal. . 

^ CCXCVIII. 

JA^naõ fere p lonof com arco forte,- 
As fettas tem lançadas jà por ^erra , 
Como fohia, jà naó nos faz guensa. 
Porque a que nos^faZ; he de outia foree* > 

Com olhos pelos olhoi; nos dà.mórte, 
E para acertar o qu« naõ erra , . ^ 

Os voílbs efcolhto em quem fe encerra 
Mais bem, do que ha do Sul ao Norte* 

Goncede-yos o amor caõ grào poder. 
Que vós fecais do feu livre , e íienca r 
Apagouríe a catidièa . na tneio do confoantd^ 

Por^^o, Feli2âi , £b: vos nao cohtenu, 
Naó vades com o Soni^to^ por diantò , . . , v ) 
Que he fonho o ^uca pJhàtafia irçcefenta. - :. 

A • / Ai" - J CÇXCKv. 



PA^RTE PRIMEIRA. 17$^ 

CCXCIX. 

PUes lagrimas traiais mis ojDS triftes, ^ \i 
Y en lagrimas paíTais la noche , y dia 9 , ' 
Mirad fi es lUmo cftc que os embia 
Aquclla por quicn vós untas veftiftcs : / ^ 

Sçntid mis ojos bíen efta cfãe vi(k9% ; 
Y fi cila lo rs, ô grán ventura^mia^ 
Por mui bien empleadas las avria , 
Mil cuencos qoc por eíhi foladiftet. 

Mas tina cofa mucho deflbada , 
Aunque fe vea cierca , no es cteida. 
Quanto màt efta , que me es embiada. 

PerQ digo y que aunque fea fingida ^ 
Que baflajque por lagrima fea dada ^ , | 

Porque feá por lagrima tcnida. • -^ 

CCC. 

O Lhos formofos cm quem qui2 námra 
Moftrar do feu poder altos fignais » 
Sc qúizcrdes fabcr quanto poflais , 
Vcdemc a mi , qtie fou voflà feitura. 
Pintada em mf fe vê voffa figura , 
No que eu pade(o retratada eftais ; 

Sue fe eu paflb tormentos defiguaís , 
[uito^'mais pódc voflà forniofuni. 
De mi nao quero mais que o Ineu defejot 
Ser voflo, e fo de fer voflo' tne arreio » 
Porque o voflo penhor em mi fe aífellc. 

Nao me lembro de mí quando vos vejo ; 
Nem do Mundo : t naõ erro , porque creio , 
Qic em Icoijbrgr-iuc de y^ks cumpiQ a>m elle. 

^ 4r. cccit 



17^ ./RJHYTHMASr. 

,CCCT. 

QUem prcfiimíf , Senhora , de lòuvar-vos ^ 
Com humano fabcr, c naõ divino , 
r içará dç tamanha culpa dino , 
Quammanha ficais/ fendo em contemplar-vos. 
Naõ pcrtenda^nincucm de louvor dar-vos. 
Por mais quç j?aro leja , c peregrino^ • 
Que voíFa formõfura cu imagino >> 
Que Deos a.cUe fó quiz compatar^vos. 
Ditofa efta alma voíTa 3 que quizcftcs 
Em poíTe pôr de prenda taó fubida , 
Como , Sc.i?ihQrâ.> foi a que me déôes. 

Melhor a guardarei ^ que a própria vida; 
Que pois merc^ camanha me lizeftes 9 
De mi fera jamais. nonca efquecida. 




'Jfíi 



PAK>rE PRIWfEIR A, 177- 



ADFERrENCIA. 



Ha EiiçáÕ das Obras dê Imís de CatuíSes ;} 
éfue em wes tomos dti doze fi fiz tm^Lisj^oa^M' 
armo de 1772 nd Officina de Miguel Rodrigues ,^ 
ande jào tantos os erros , como as palavras y fi 
acham :;i4 Sonetos y jazendo conta a fi acha* 
rem errados os números dos ultinws doiás Sone» 
tos ', pois devendo (ir ^i^ 9 e ^149 fe vé o mef- 
mo ntmero ijiz duas vezes repetido. Dé nenbu^ 
ma maneira devemos ejiar vor ejie número de 214 
Sonetos 9 que Je acha nefia Edição , e na Pa- 
rífienfe de 1759 j ( onde . no figundo Tomo Çt 
acham 2^6 y e no terceiro 78) porque na verda^ 
de naS faõ mais que :jot os que exifiem do nof* 
fo Poeta i ( pojloque defconfiemos qiíe alguns o 
nao fejaõ y como ja advertimos jia pag. 157) e 
fe efies dom Editores aug^mentáram ^mx o nti* 
mero , foi porque , nao fet fi maliciofa , fi negli" 
gentemente nas ImprefsÕes repetiram alguns dos 
mefmos Sonetos ; como fe poderá ver nefia ultima 
de Miguel Rodrigues , na qual o Soneto 6 be 
o mejmo que o iip^ o 46 o mejmo que o 1869 
o 101 o mefmo que o 271 , o lO? o mefmo que 
o 264, o 104 o mefmo que o 265 , o 105 o 
mefmo que p 278 , o 106 o mefmo que o iSsr^ 
o lop o mejmo que o 1:54 5 o 121 o mefmo que 
# 221 ^ • 128 o mefmo que o 220 , o 1^6 o mef* 



MO qu€ O 111 ^ eo is6 o ntefmo que o ;i4- ^á-^ 
Virta-fe também qt^ na EdtçaS de 1720 fehd 
por jofeph lfiJ9i5:,J%tkiW^ 4 q^aí nos aprejenta 
iQi Sonetos ^ fe acham também repetidos 4 ; a 
faber , o loi qíáe be o mefmo que o 3,26 , o 10; 
q^e,'M.l^ ^ffA^^^quiuo 2riy y 0,104. qúe M o 
mefino^rqiUe^ í^^ví^^8 , > (t i<X5:quc bc otne/inoi qm^ 

\ , V, ^■■:- •; t . ^- yi . • . '^ . •• . ^ \ ; -J 

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FQimiDy& ,:>€l goficU OatM 5 ^íilo 1«)d ' = "^ 
A tcfta de ouro , e hev«'^^>Undo aíptírdj 
AtóJoai gcaciff»:^ tfifoi íidftc^V^ '^ - ' 
O coHo de cryftaL^ ©/ teafteo péltd 4> - ^ 
t)c itieu naô quero mais <)ue-#»étf deftjè f - 'í 
Nem nviÍ8[de^vÓ8/, ijiMr w «ló^Dhdô ^ftí?/^^^-^^ 
AUi me manif«ft0{ «/ -í: / rí^ '-' .. \.a\'i"i)\A 
For vodo a Deo9i)i/èPM Muikkf }^^irme "ífjg^ 
Nasi lagrimai t|iie.4}háwi'; ^ -^i -* v.;;> wAJ 
E de mi q|gej(Mi'':áiVK>i^. ->•• -■^' '-^'1' -> - '^"^^ ''•O 
Em ver que foúboikmaf-fio^ mô mfiioro^' ^^^ ^^ 
E fico Çor ijíkí^íí-ipvdirfó ^fci-;attó ^ -^ "-'' . loq :{ 
Qae hei dumesidiím ísòr ▼<c)*Si?píiyf#-^ ,-i.,foCI 
Se poriivtnfiuttii^i» áíffeomarfíie ;^ ■ ^^ -: i- n^o^:) 
Por fraqueja de cfprito ^vpad!e<íbfídò'» ' : ^^ ícriíO 
Adoce pena qi|e!()«i«efiierinâfÔí'fti ^^ í^» i- òt^í 
Fujo de mi, e ácolho-i!iê«^«%díy : ' ' '^"^'^ 
A'veíla vifta, c fico taô^ct)rticftfr;^. ' - ui^.-»^ 
Gtee zombo do( :MÍâiC»tt>siiiqtlei;i|te(&í# * '- ^'^^ 
3 M ii Déf 



*9o . R H Y T H M A S. 

pè-auém mé queixarei, -^ • "~ '^ 

JSc vos me dais ^ vida dcfte gcito ^ 

No5 males que padeço 

ISenaõ de meu íogcito , ,; 

Sae naô cabe com bem de tanto preço? 
às inda ifto de mt cuidar naô poffo , -» - - ♦ 
De eftar muito fpi>erbo com fer voflb. 

Se pçr at^m ao^nd amor< VCs eira '^ - 
Por parte dó dofejò , çommétrèndo^j *- 
Al^um nefando , c torpe defatino ; 
Eie inda maí$^qu!& Vcr^ oái /fiin>, pertendo; 
Fraquezas faõ do corpo , que he de tenra • 
Masn^õ do pçnfiimiismo í <pie hc.díVlno. ,r r 
Se uõ.abp im*gí«l0 :i ) ^ ::. : j^ . 

Que de yiftd ,mA p<91QO » pn piecoo mftoij 
Defcujpjinm^ q que^v^o* /? ..S i 
Porcn^ jcomòt rjçíiflo . . , . .» r • / : 

CoapEí: hum 'WÕ{>í^trevido , e yao rdelcja , f : :; . ; /I 
Faço-me forte em voíTa vifta piíiiai'^ ' n fPn 
Ainiatld^rin^ ida-vy^Falformofuira^' 'ir < •' lo I 

Da*s delicadas fobrancçUtas- preufs , • ' ?l A 
Os arcos com que fere amoc: tomou ^ . : -^ i 
E fez a jyi^dA.^Pfdn do^ câi>ello&'riM < ' «^'íf 

E porque de yo^i itudo Vbst ipifidròtt , • '. í í 
Dos raios ^^V^^iúHhosifez as fotasn . • '\ ^'p 
Com que fere -^em iiilçi os^iiciis arTcUos» ;?/ 
Olhos que faô Itóv bello^ í'j r ... itH 
Daô armas de vániâ^jcm áo amory > a • ;» l 
Com que a^ ^Ottadeâni»; . S ; í 

Porém fe fie gfatidc a.dot : • .'^' A. 

Com a alteza. 4o mal atcfttnie: . ^<^ 



E as armas com qnc mata faõ de forte 
Que amda lhe ficais devenclo a mòrtc. 
Lagrimas , e íufpíros , penfamenros , 
Ouem dellcs fc queixar, rbrmora Dama^ " ' 
Mímofo e^ do -mal <|iie por vós fcnte» . 
Qual bem maior defeja cpiem vos ama » 
Que efiar de(abafimdo feiís tomientos ^ 
Chorando ,' imagitiapdo dormente is. . ^ 

Suem vive defcontente . t 
aõ ha de darailivior a ^ 4efgofto > 
Porque fe Ihç ^gfadçça: .- - \ . r í . 

W^s com alegre rofto <. 

Soíira feus malea.farai qué oi mereça.;. - h l i i 
Que.q^çfa do-mal fe queixa que padece > ' • • 
O faz porõue efta ^Qcia uaó oònnece- 

De mogp que fe cahe o ^enâimento ^ 
Em a^m% . fri^çe^^ « cie conti;)tite » ' . . 
He porque efle. fqgiiedonaõ çcanhcçKK >; » 
Aili que cona fa;$Qes mQ tam fJKnente -. -... <• . 
Defçulpo /aQ.an>pr,, de meu tcwmento, r 
Mas índa a culpa ^íua lhe agradeço.' 
Por efta fé mereço . . > ,.. . ..*,/. 
A graça ,q^ç;.e(Ib. €J|lfK»^c<tfnpanha y • -^ ' 
E o bem.(fe:doçç ;ri(orf :. . 
Mas ah ! Que ^^íe pnfíh^j • . :. -^ 
Com hum paraif9í,o«a?<>: jparaifç^;-; :• : ; . * . 
E de enleada, affi-; manha ; le^^erança ; : ? 

Se fatisíaz co' o bem que naó alcança. 5 

Sc ^cQm razõjcs, efculb meji remédio y \f i\ 
Sabe ,' Cançaõjj que fá fç^vtt naõ.víeJQ*: . 
Engano c^»Kk:f,^m 9-M^f^ : «' Í^Ím 



t8t .f aiiíy^ii?jffí»'Ã%Ai 

A InftabUiade da fortuna , ' *; V:'^'. * '> 
Os enganos ftiaves^tSd^ amòi' <regô% *^'7 / :[ 
( Suaves íe durkraíTí^-teiigáhiente) • *" ; '^' ' '" * 
Direi , poit.dar à:vtók aí^iim-íoé^^ô ^' \''^ '^ >> 
Que pois a p^V€>f^% vcít ?M\Í»értUnci:;' -•■••'''•.* 
Importune meu canto a t6dl gèhte/ *'*'^^ •'"■:''\j 
E ie o pa/rt£Í(y Jifem '>tiP é rtial jSrefthícr' "' '';\' 
Mc endurecer a voz no J>èito írií> i • •' ' *JjJ 
O grande defvario c . . ^ .:''. ■ « > ^^ ^* 

Dará de rtrffthu pertá? figttat <r^tíPÍ ''} '<- -^ ^^^^ ;/ 
Que hiartí-err0 ein tiim<2« érrosr'he''ÍK>«ò<*t6»,;Í ^ 
E pois ncftar:^éfibri<í^ iftci'<»hg»: ' **' ' • ' -^ 
(Se verdadd fei^ichaí íiiv> i»ãl <iil^ dig^)'^' ' * . 
Saiba o Munda :írf^''»fto!Srí'*Q ^leftçiiné ; - ^ 
Quejà con¥â'^tt««6'Tfe'fè4 iítí^tf^^-^ -J' ' './^ 
So por naâ^ deixa» ifíilpiftní èttftlgcr,' ^' ' . . '^ 

Jâ amctfofeírrtósf , - fefn ticr 'Cor«!g(P%lgtíAi : 
Jâ fe tomou-*r<*^<^râPíéadô',^'i ^ -;'7 ^ '; 
S6 por ufar comigo femrazóes, '; ^ '^^ ^' ^ *''',^ 
E fe em algdtTÍá'Çfi»feík)í^en}K) e^ , - ''"- '': 
Com fifo grande dor naõ Vi nenlwirti^ : '%; 
Nem dlç deo fem dtiói^^m^s f\^ '• ' ^^-'' 
Mas por ufar 5te^*l« iferwÃes >\*^ ' ^^ '-*'' • •- J 
Bufcou fingidas cWflfár de màfârimç/* '^' '^' .; 
Que para tdei?flbàír-mc ^- • - ''- '^ - ■' ' 
A efte abyíiTit) Infernal de rtieú tormeftõ ^, ' . 
Nunca fobeAô' foi me^ penfementb:: ' * 
Nçm pertendco m*íi alc0 lertncal-iflè''-' «^ ' « ^ 

^;:aí Dc 



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PiTRTB PRlMEflRA. iA$ 

De 'â(psiHo'qae «11c q«Í2 ; v^fe «lí* ^ftTeiiA •'^ 
Que cu pague feu ou fado acrevimemô , .. < ^; 
Saibam que o Riefmo am^r^ que mercõttdentf [ 
Me fez o^iriH culpa , e.mais na ptna. * ' ^ 
Os olhoa què eu adoro ^ aqiidle dia ' ' -'^ 
Que defc^inmi ao bahca penAmenro^^ ' ' 
.Na alma os âpofenteí íliavem;éiite^ • • 
E pertcndçndo mais , oomo avMrento > ^ 

O coração lhe dei por iguaria , - í— 

Que a meu mandado Unha obedienfe: . ' ^ 
Mas como lhes «ftcve: aUi profente ^ ' ^ 

E entenderam o fim do meu defqfô' i 
Ou por outro- defoejo,. 

Sue a língua deícobjrio •fordcívarfo , • ' \ 
orto de-fodc -eflou poflo em hum rio ^ ' 
Onde de meu íenrir o fraéio vejoj 
Mas logo fe alçâfe a còlhè-rlo venho j 
E foge-^ie^^ii^agua-feíemi keber porflo : • 

Afli que-etir jbmb ^ e fede':me: mantenho, 
Naõ tem TafítíEto a peria* que eu foftcnho. 

Df^k^Sl aquefla em.quem minha alma vtvé, 
Quiz alcançar ol>aixd atrevimento'. 
Debaixo de cfte engano a? alcancei; • 

A nuvem de comino penfamcnro • 

Ma figurou nos- braços , e affi ative ^ ' 
SofMmo''o* que f acordado defejci;, ^' -'-- 
E porque ai meu dfefejo me ' gabei .■ ' ^ 
De confeguir hufm bem de tânio;preço^5 ' • 
A^^lém do que padeçof , • ' ' : '^/. • ^^ 
Atado em Jiuma roda eftou penándo^^' - • í 
C^e enr.mil mfudãftçà$,nfóân4^ oádeando.; íj\ 
6v/ ' On-» 



fJf&f . RfH YTH ITiA sr.'! 

Ottde., ft a algjdmrbfiu fubo , íogO;dcçó f 
5 ^^ §^"^^ > «: affipefcò a confiança : 
E 4ÍE de «li. fugindo traz mim ando v- 
E afli me tem atado - huma vingança , 
Como l3ciap^*taõ firme na mudança.. 

Qiiatido ^ vifta ftiave , c inhumatuí, - 
Meu humana) defcjo í de atrevido, > 
Commcnep <, ftm íaber . o que fazia ; ^ 
( Que da fua belkza foi iiafcido 
O cego mojKj , que tóm fétta infana 
O peccado vingou dcftã: oufadia ) ^ 
Afora cfte pcqar ,..que eu merecia ^ 
Me deo outta maneira de tormeoco. 
Que nunca ò pcníamento , 
Voand9 fcmprc de huioa a outm jJarte , 
Deftas entranhas triftest bem fe hmy 
Imaginando como, e;femulcnto>. 
Que come mais j é ai fome vai crefcendo; 
Porqye de atormcn»r-mè naó feapaite: 
AíH que para a pena eflou vivado. : 
Sou outro. nova Ticio, enaiSnift ^eendo. 

De vontades alhèas que eu roubava., 
E que enganofamcme recolhia 
Em meu fingido pçico me mantinha ; 
O engano de maneira, lhes fingia, 
Que defpois que a ineú mando as fobjugavâ» 
Com amor asjmarava ^ que eu naô tinha» 
Porem logo o caftigo! que convinha 
O vins;ativo amor me fez. fentir y 
Fazcndo-nde fubit 
Ao monte da. aspereza que em^.vós vejo ,. 



PARTEPRIMEIRíA. i«í 

Co* o pczado penedo do dcfejo,* 
Que do cume do bem me rai cakír. 
Torno a fubi4o ao.dcfejado aíTemo: 
Toma a cahir-me ; em vão , cm fim pelejo* 
Sifypho , naõ te eí^te^ defle alento , 
Que ás cofta» o fubi do fofirimenro. 

Defia aite o fummo bem fe me oíFcrece 
Ao faminto dcfejo, porque fitita 
A perda de perdè-lo mais pénofa : 
Bem como o avaro», a quem o- fonho pinta 
O achado de hum thcfouro , onde enriquece , • 
É faru a fua fede cobiçofa » 
E acordando ». com fúria prefuroía 
Vai o íitio cavar com que fonhava : 
Mas tudo o que. rbuícava 
Lhe converte cm carváõ a defventura : • * 
Alli fua cobiça mais fe^ apum , 
Por lhe faltar aquillo que ofperava : 
O «mor ííSL mò &z perder o fifo v 
Porque aquelles que eftaõ na noite cfcura 
Naô fenririam nmtQ.o trifte abiíTo, 
Se i^oraíTcm o bem do Paraifo. 

Cançaõ , naó nais ? que já naó fci que diga; 
Mas porque a dor me feja menos forte ,. 
Diga e pregaõ a caufa defla morte. 

JC AN q A Ó ÍII. . 

J A' a. roxa manhãa clara 
As portas do Oriente vinha abrmdov^ 
Dos montes defcobrínda 

A 



Porque pcracAc a vida co'ota»dadoi r -^^ * 
Qiic fc viver naô poflb , ^ ; , - , 

Homem fonmdo: fó de carne, c offo ; ^ 
Efta vida <juc perca , amor ma tlea(} ' . 

Quenao fou meu: ftknofro^ o daipno fcc vbflíy. 

Cançaô de cyíhe, feita embora extremai^ 
Na dura pedra fria . x . ' «. : " 

Da memoria, ne dicixo ém, companhia • > 

Do letreiro da minha fepuitsixa: . • ; 
Que a fombra cfcura jâ jnc impede o. dia;» \ 

CANÇÃO ÍV. 

VA5 as fercnas agoas 
Do Mondego defcendo , 
E manfamente até o mar Ha6 pacan»: • - ■ 
Por onde as pinhas mágoas 
Pouco a pouco crefcetKlQ ^ i 

Para nunca acabar fe come^ártirn- ^ . : . 

Alli fe me moftràr;^ 
Nefte lugar ameno , 
Em que inda ^gora mouro ^ , 

Tefta de neve , e de ouro ; . . 
Rifo brando , e fu^vc i, olhar. ferçriQ; > 

Hum gefto delicado , . ,. 

Que fempre i\a alma me eftafá.pimadp^ o ) 

Nefta florida cerra, , • 

Leda , frefca ^ e -lèrena , , / 
Ledo , e comente, para mi vivia j 
Em paz com minha" guern^ , 
Gloriofo co'a pena ' . , 

Quê 



P A R*M? PR m ÈX UAé i^ 

Que de uô bdl09' óUtios procccãá. ' ' ^ 

De hum dia em ototro diâ^, 

O efpcniirme «ngMÍáva* ' ; ' ' 

Tempo longo paliei : -'^" i . - 

Com a vida folguei, 

Sò porque eiA^i^eQf lâMttihó^ft éte^ 

Mas que me prefta já, ' [ '- ^ 

Que uõ fomíiofos olhos Iiâ6 áiloii 

Oh; quem íhcr dtt diftlím; ' 
Que de amor taõ proftitidd ' ' ' ! 

O fim pudeflè^'i«r^u algttltilídía ! ■ • " • •''' 
E quem cuidar jmdcra 
Que houveflc-ani rto Mundo' *^ ^^ 
Apartar-me eu de vós , minha Senho» ! 
Para que defdc agom^- >'' * > j • ir .:. /' ^ 
Já perdida a efperança, 1 •' — •^- ^ 

Viflc o váo pmimtem» V ^'^ ' ' -. í 

I>csfeito cm hum momento , ^ ' - * t 

Sem me poder ficar mais'qtse:aleih1>ran;a'y ' : 
Que femprc eftȈ firrac^ ' ' - *' ' 

Aié no derradeiro defpcdir-me. * ;''^" ^ 

Mas a mór alegria / "'^ '* '''^,^ 

Que de aqui levarpoffo, - ' . :^*' *; 

E com que defender-4*ie crlftbyipero; ''*• ' " ; 
He que nuijcíl^^íífHtií ,c ' ^^' • ' r ^ ; " 

No tenipo que fiii voflb ^ t ^ 'v o. .. 

Quercrdes-mtfíVte^íJuiftico VOb -eb' tjurro. '- '-''^ - ; 
Porque o cormento fero •f>'' - - í' ' 

De voffo-m^bjaii&fiK), - - ' ^ ^ 

Na5 vos dará tal pena - ' ' J-*' » . 

Cono a que me condenai- -•' ■ ^ -' "'"^ '^'t,-* 



«:.:•! vi 



Qiic mais (cntkf^.yj^ ícttóntitev: •"..: 
Que o que a minha ^ ifmfH:rj 
Morra eu , Senhora ; e V»rikj8|ín«otitfliiir*: jb (.> 
To, Cançaó, cftarâs ibíLi^ u;,í:uI i.v.nVr 
Agora acompanhando ^hu'í'r>í i'>.v í. ^nc'^ 

Joreí|(;s.,casifftiílílíkft[/5lí«^^ ...,.-..,,,, ^>* 

E por mr ficarás ^ ij j.n^':if} s^f :u/p ít^^ 

Com choro rijãft|í^<|$;| :r ..r, 2.:Uw,a.\ O.i r;f)'^,> 

Porque ao Mundo, di^^^d. (tlfttasuikiagà^^u / 
Como huma larga hiferia^ n j oaj •»oií f -. • • > 
Miiihas iagrhiiafeifigíiffl^ |!Pí,jjft«»oiik-^^^ .;..t r> 

t^Fnq -í '.iij :'-■■.' 'f 

S ! uonr.jE £riííiíXi ^ cu7 oL v^^ -if.;- ».-:•; \ 

E eíte meti penfamert^ii?.^.vf. oSl-K r>íK í;^, I 
.Como he doce , t fuayQ;|r£i rfb r. : ' .' ^-yr r.t 
Da aJma pudefle vir griíai^i^^vfóâí^Q odv <> oiii 7 
Moftrando feu tormei^O:,.f:r n mifíVr-j o;: aí 

ENáme ofe vós fó , mlnh9rfS$nik9ift^ •sis^^.m enO 
lidera fer que ag9Ç>n.iib;.-^jb oihUiiv » ' .rA 
O voffo peito duro i^y.-^h lòm '. .»..'/. 

Tornifa manfo, e htAn^^^ft r •í;v.í iif.*; o:., -r p 
E cntaõ eu^y^qjj^^í^pie^iftdòlin-íltjb ^u,) í-od R 
Pallaro folitario, humilde ,, ^i^iftir0D^ríf{ -> . , vTI 
Tornado hum cyfnc pi|r0^: v ui\ «y.- u :-nji o/I 
Brando, fi^f^í^Tp, ^g^ ^j;mjfOíí^^m'^:'^r.'}-njÇ> 
Com canto manifeflb, o 'A oinorfaoi o 3r :o^ 
Pintara a minha pena, e p.i^ofiftxSdí^i.Ho/ vQ 
Pintara os olhos bellos .. .j k; iab ic/ WA 
Que orazcm nas meni«i..- v^ :3rn »up * iiáo3 



o menino que os fcus nelles ccgÒQ^l <'' ••' í 
Os dourados cabèllos ,•":,,. j . ] i-uu^í 
Em trançai idenôiitorrânag, ..;•;' .' .:. . : z oí/^í 
A quem o Sol os raios fcus hmscxmi • '^ - '' 
A teíh que ordenou < j:: >•:;•.• ; ; :;: . í 
Natura taô formofa : , k.í.í, < ; > oboT 

O bem proDorcionádo íu.I ,. / > . /í 

Nariz, lindo, :afiki>.v^^ o; rXí- . ;; . r í 

Que cada parte tem da frefca fòf^i ^ • ' » i 
A boca gracio&y'-..'r: í.. n .or •>« . o • " ^\s . ;\ 
Que o querê-la louvar hcjíiféfiaifadoí '■-. f • ^ 
Em fim ,.^:,l»pfth)cfouib>:.. . •/^'i^ 

Pérolas dentes ,.e palavras. «miot ..; «v.i^ 

Vira-fe claramente, ir ....... -- 'í> íjO 

rOh Dam^íjçtcIicBidai,) i x sn: o .p • '..íií o 3 
Que em vós íTa cfmcroa mais zmmMTài'^' "» A 
Mas eu de gente em gente , i : * í» í>v ? ^ ; <0 
Trouxera ttaB^floda/p tb r- i:,:.:;;;..h -> , i;.:i/.: O 
Em meu tormento vofla geíidíc»ú> •íí;c::q rruH 
E fomente a afpereza : .i u/l. r.i-.rj íjj.oI /i 

De VOlIã condição, ; <..^::í.\iij t •.-.! ii;jH 

Senhora, naô diíTera;, *•* :jíí;'J íTi-jJ í. .n viUnti 
Porque fe naóí fi»hetai/. r. ^jeí-jí i>: . í o ab A 
Que em vós podia ha\Mr. éfpabíkníLÒÀi mo ^ 'i 
E fc algofefttiitfcomílazaííj^fy) uLm •-■• íí-:1 o -ji-p 
Porque morres, diffeíTe ; idpoddera^jp i' v;! òf;i< 
Morro, porqiwcieajrftoiíbelia^,}-^!;^^ ;. < , y/ oa^í 
Que inda naõ fou panDáaoflrer for cMak - 

E quando, por ventua^r : vm' í : > mví.;>/1 
Dama, vos ofen^cfleij-n n r.níbíínoi ii ^ly 100'^^ 
Efcrevendo de vós o qucj^fw iriWi 4».vi^ /r:*^ J 



r 



ipz ríhyt>HvM:as.< 

E voffa formofurr. ^ 

Tanto à tcna dcfccflc , 

Que a alcançaíTe humano entenabndHCO ; 

Seria o íundamentoí vi' 

De tudo o que eu cantaíle , «^ 

Todo de puro amor , 

Porque o voflb louvor 

Em figura de màgpas fe moftralb:: t 

E aonde fc julgiam r » . ; ^ 

A caufa por o eíFeito, a minha^dor 

Diria alli feAriknckfe ^: - .^ji - 

Quejn me fencír ver^ dojquehi ppocedo. 

Loeo entaõ mioAraria... . n -) . • 
Os oínos faudofos^ 
E o furpirar que traz a almàxtomfigo; 
A fingiik abanai; vi . ■> • 

Os paílbs vagarofosí . » rni v : 
O falJar , e efquccer-me do quê ^o : 
Hum pelejar oomigo,^ i r ov 
£ logo defcttlpar-me : .ajt: j;:. n 

Hum recear oufando ; . t; 

Andar meu bem bufcando y':;^'.fi ) :,....; 
E de o podçr achar acovardar4ns '^. j. 
E, em fim.,iai^eiigiiiff-me íi iV^^n .' • 
Que o fim de tudp quanoo eft(m>dQtJilanda • 
Saó lagrimai y e'iUiiQhs; ^l ^ , • . 
Saõ voflàs ifençães«, c minhas ^fff8« > . , . .1.. 

Mas quem terf pSenhonr^^íi i-<ri .V • . -. :>< p 
Pákvras com que igii^''-' ' if.j ^ '. ,) x^l 
Com voflà forraofura a m^iha.petift;) , r.mr.v I 
E cm doco ywid^Tón o u\v -^ * S^'- v.! .i:i 



'ji 



parte; PRÍSiÊtRÀ. Í3>f 

AqufcUa gloria falle ^ 

8UC demm na minha- alma áriior ordena í 
aõ pôde taó pequena 
Força de engenho humano ^ ' 

Com carga taó pessada, 
Senaõ for ajudada 

De hum picdofo olhar, de huta Awíe engano i 
Que fazcndp-mc o dano . • 

Taó deleitoío , c a dor taó mdderjulá 
Em fim fe cònvèttefle 
No gofto dos louvores <jue eTcrevéflc. 

Cançaõ , naó digad mais j e fc teus verf<» 
A' penna vem pequenos , 
Nao queiram de ti mais , que dirás menos» 

C A N Ç A ó VI. 

COm força dcfufada 
Aquenta o fogo eterno 
Huma Ilha nas partes do Oriente i 
De eftranhos habitada , 
Aonde o duro Inverno 
Os campos rever4cce alegreníciíte, 
A Lufitana centc 
Por armas íanguinofas 
Tem delia o lenhorio.; 
Cercada eftà de hutn rio 
De maritimas tfguat íaudofas. - 
Das hcrvas que aqui naícem y 
Os gados juntamente , e ô« olh^ pifoem; • 
Aqui mitsho. i^àcdm , -' - ^ 



( > 



o amor me conferiria ' ;• '' '^^ ^^ 

Efperanças , defcjos , c oofadia.- < ' - '^ * 

E agora venho a dar • ' - > - 

Conta do bem paílado , r t ;. ': : f: 
A efla trifte vida^^^ r lotiga abfdnckito '' 
Quem pode imaginar : • 
Que hou^ídfc xm^nii pccCsu^ i * * 
Digno de huma* uõ ^vc penitenciai^ 
Olhai que he confciçncia .:. . í: t 

Por taõ pequeno erro. 
Senhora , tanta oena. ^. l :.,-'- jj - .-- 
Naó vedes que |ie onzena ? 

Mas fe taõ kmgoy e-mifero defterra ^ 

Vos dá contentamento , - r- .. .,.,. 

Nunca me acabe nelle o ma> uHtneoto; * í ' 

Rio formofo , e ciam, ;'^ f •^" ' ' ':• í • 
E vós , ó arvpredos , t r..-: ,.. i. / i 

Que os juft9t«i^)^msroor«ti»V" ' 
£ ao cultor avaro , *. - .. .*. 

Cotinuamente ledlwi : ^ * ,:•?•.•'! 
De hum tronco fõ , diveíf(Mi('fiiiâoB dais ; 

Affi nunca fintais • ^ « k 

Do tempo it^ária^aleiB,' ' ' 
Que em vós achem abrigp ..•»•' i 
As mágoas que aqui digo^ • ) • ,: 
Em quanto diP'4Duj[t>t vtrtctdè á Má i'-' 
Forque de gente em gente • . ^ ^ ^ 
Saibam que já naõ mata a vida^aoft&Ge» 

Canção , nefle deilcrro viviráí , ' j -^ • 
Voz nua, e defeobcrtac, i . • t»; ^ • . 
iié que o tcwfffmiifíxo^ te cpftrâo; ' 
O^ ii /^ CAN 



P4IIT1 RRIMJEIRA. i^ 
,C ANçAÕsVlI. > 

MAnd^-npie atoor que cante. docsemènte' 
O que.^e jà^em minha alma tem^imprcâb^',' 
Com preluppofto de dcfábafer^me *» 
E porque com meu mal feja contence, »- / 
DittjjiíCfO fec-dc úõ.lmdos oUms prefo^r' .>:; 
Cattta-Io baftaria. iik contentar^mè. 
Eftò excellcDcê n^pdo de. eiiganar-me ; Ál 
Tomara eu ío de amor por jmerdSe;, . .»f ií 
Senaó (c .^xCfCfiinífc ^ S ;t 

Com a pena o engenho, efcureccndoi: . : ^a ) 
Porém a. maia itee --acrevo , .i.í .j l.) 

Em virmde do «geflo Jeque cfoufcfo. . ' • : jO 
E fe he mais o que esdUto que^^oi-çie emdndo^ 
Invoco o jindo 'afpoico » nrrj:;:/ õ r :> 

Que pódecimJ» 4^& «morem iriecr^vfeitp. /l 

Sem Qonlktccf aamor viTcr feiít « .1 ?'r 
Seu arco » é! fem enganos ídrfpiffzaadò , 
Quando vivc;ndo dcUes -me maníinha. > 

Hum amorrc*engatioro ,. que fingia = I .:.. í 
Mil vontades ^S^eai enganando, .7 * .> .. 
Me fazia zombar de. quem o tinlx^^r.;. • ^ r:.- 
No Touro entrava Phcbo , ciPfiognc vinha; * ) 
O como de Achcloo Fkua èntomaya^ » - >í 
Quando o amor^Toltava ' . r) } ir^ - • > !V ' 
Os fios de ouro , as tranças enqrfifpadas ^ ^^ 
Ao doce vchto efi^uiísaisi ; r 7 '^ '. - ,< o l' 

Os oiho$ mtil^ndaaii^apmasrívmsf > ^ o .. ;. 
E ss rofas cnue a neva orneadas ) ' * > ' 



•^8 • RHYTTHMlL^/^ 

Co? o rifo taô çalantc. 

Que hum pdto de^zera ^l^^ldâmante. 

Hum nao fei que fuavc rcfpirando , 
Cinfava Jaum ádmicavcl' , n<pwefpsg\té ^ ^ /^ 
(<^/aslccaiía& iilicn£f^í9 o«foiitiâtit^ ' ^ ^ 
Alli as garrula»'ave$y'IevttnQÍiKte '''/■■» > '^ * 
Vozes naã.icnEdítuDrias^ ém'f<m^ eailtb'^ ' ^ 
Comotcu np«éu dcfcjó , fe élicèliaiám, ^i^ 
As fontes cryftaUinas naõ cotíiMV^'' ' ' '^* ^ 
De inflammadas na yi&SL^Utp&í^yú^. • - ' • -"^ • 
Florecia àtvéidva.» ^ '^» ol - • "'í' i' 

Que andando co'os divinos pé^ ^a^/^^ -' - 
Os ramos fe^Ibaixavâm^^ !. .\^ t ? o x. :-^ j ' ' 

Ou de inveja das hervas que ^K^am ;' 
Oã porque .màa^mííc^ íe, èttiaSivay ^ ^ ' • ^ 
J^iíS^-hotsverroufac^ em fim , '. '''■ ;** ^ 

Qne naõ paímaíTe dcUa, eiiec|ídeímUn*>/'^'^ • 

Porqne.^undo viidac»refii^l|iiMm>'- >- { * ^1 ^ 
A^s coufas qw"^^ naó' thtfaam 9 isPitiAAOP ' - 
Me fez çiuoar que- éffcito cm mi^ikriai *'* 
Gonhecir-matiaãr^ter conbecinitemb ;> ^ ^ 
Porém fó nifto o tive , poi^fuef ^mor . ? -^ 
Mo deixou para "ter o qoe pdiJia« • . : / ' ' 
Tanta víngaiiça. amor ^ de mr -qiRada ^ « v r •. \ 
Que: mudava, t Itómapa hatòreíHi '^ o . i i , 
Nos montesv^r aj.duKXá - ^ • - « ' 

Delles em mi por troco m^fiavi; vn... ' 
Oh quecgBiifil: partido :!•' ^r • cr. u; hI\ cv .• 
Trocar o fer do monte ftmu(emiciô, . >^ j* l> •' • 
Por o que em hàm juízo hawmdí t&am^U 
Olhai que dope engano , ' í'> '^ : " -« »" »^*í 



PAflTE PRlMBlItA. is^ 

Tirar commum proveho de meu dana! 

Aífi que inda. perdendo o feticifuemo '"^ 

Aparte racional, mt crttrifteeia' ^' ' '.; 

Vè-la a hum/appeutt fnbòictcfdà; : ' 

Mas dentro n^ ilim «^"fim 'do-penfailiénco'. 
Por taõ fublimc caufa, fflc dtaiâ - - ' 
Que era razaó, fiu^d» ras:a& ?eA£ikv -- • <* 
Affi que quando a via fer perdida ^ 
A mefma perdição a reftaurava : 
E .erii inanfa pa:i;,.eft4v* .. 
Cada hum coni f^u.cootrkia <!m hum íbg«ito#^ 
Oh grio: concerto eflc J -i.» ; /. > 

Quôm fera que naó jiilguc por'ceIefte 
A q^fa donde vêm tamanhd tffFciVd^ 
Que faz u'hum coração '"^ * '""" 

Que venha o appecite a fer razaõ > 

Aqui fenti de amor a mór fineza , 
Como foi véííféntir.»õ infcniívci^;^ 
E o ver a mi de mi próprio pcrdcr-mç ;.;.-. 
E j eín fim ^ fcwti negar-fe a íMtâríízáí - ^ 
Por? onde cri que tudo^ era poffivri-í :^ /" 
Aos lindos' òlhog fcus^, fenaS^quei^^me^ ' ', ^• 
Defpois qué jà= fetfCÍ^^dcsfaíicccir-«^ ^v/- \ ^ ^ • : 
Em lugar do :ftmid<J>>qtiépcidiaJp "J?-^ //'''\[ 
Naô fei ^uem^flir feferevià -• 'íj-í '•' '^'í:-/ 
Dentro na alma -^3tó letras dá tficftioríà^ ; '• ; * 
O maiscddfcipwioéfltó^ i- ;; '^ ^'^r-.r.i >• ?.Jv^ 
Co' o claro gefto juntamente ^ííhWsffò,-' ' ^l 
Que foi a caiifiate láô-lénga bijWiá;^^ ^ ^ "';^ 
Se bem a declarei., '^ ■ > í^^ ,^ ^^-^^'^ ^^P 
Eu naõ a tftítfW^i âk íOt&JÊ á «àtiá^. ^ i í^^-- 

-.1 Caar 



Cançaõ,;Ai;qi)em te bf nt 
Naõ crer 4j9s. plhos lindos ò qpe dizet ^ 
Por o que em ti,jfe,efcondc r • í < 
Os fentídos hum&nos (lhe réfponder) : 
Naõ j)ódem ()Q^(<livinos. fcs juízes , 
Senão de hum pe^mento.. 
Que a faka l)^ra s^- fé da entendimento; 



^ GiffftfS ^ir* fi fegue he ao 'trl^& áffitépto 'qt$t 
ékKmtf^eÂentw : ' amàafjifcrêviC Léíií ií^^âtíSbtt imhnni 
do ouirê di Pedr0 Bembo.^ úue ^ff»»lpiii :' Inchei 
piacer aragiopar m^iof ogjiia Íííq^ m qual vem en^g pi 
Rbytbmas defle Autbor ^ jmprc£^ em Ytutmi Wê 
turno di 1567. 



C;A,,NÇ Ap Vin. .. .:> 

MAtvla'4nç,amor que cante in^^ aalrtia^Ante.^ 
Cafo que mu^ea, em^ vcmsTo. fpi cantado ^ 
Nem dç í^isup? ^treí a gcute ãconrécido... . 
Afii me paç^ ^m~parre o meu cuidado 9 r \ .'\ 
Pois que quer <juç , me' louirc j e feprêfente . 
Quaõ bem foubc no Munda /er. perdido. . . í 
Sou P^ne í^rÇ n$ô fferçi 4a, gente ;.ca:ido:- . 
Mas he tamanho o goílo de/Iouyar«inc , .. 
E de m^ifcflar-íae .- . . .. > o . 

Por captiv^qide gpílfeo, 15(5 f^^rQkofò^ ;» 

Que iodo o impedimento ij.r'-; 

Rompe , .çjstfta ^ gloria dõ toflxwaio » .... : J 



PARTE FRIWEIRA. »i 

VcKffinf^j fuavc, c deleiDcia:. . -^i ^ ^ 

Qic l)cin fci que o que i canio.. . - ,• - ' í 

Ha de acW nsi^os cfcdkof.quc cípaniOé - 

Eu vivia do cego fuaoc iiWito ; ' 

Porém taQ ífyiin^ a vívqc ptQÍP) : t >> 

§uc me dava die%Qftft A UbofiWc, 
um naniral dçfcjp.M^/^^ '. - I 

De algupi dkofjDty.e doce:|?0Q(4JrnemQ/, -> : 
Que mc^iiliiftrafle .a infeii^ Hioçidadei- • .r r^r/^» 
Tomava do aiyipjá a prinxeira.: idades o - ^; 
A reveftida terra íe alegrava, , <. / c ^ í 

Quando o ^ampff me:mfií^«va-: ^ ., ^ 

De fios de ouro as uançasrfdflTattday . in «'A 
Ao doce vento- eftlye^; ^tnirl ? : x^ui A 
Os olhos mtU^i4^ Ipin^ yivo ,; r.-f ' o o^O 
As rofas entre a neve femeadas*; .; . ' t 

Ogefto giav<:j e^ledo. ^ , .» i ; ,:: 
Que juntos^ movfT fl^P .«mi d^<lÍo > e medo* / 

Hum^ n^puí^i q^e fqayc rcfpirafido , • • { 

Cauíàva hunj dcfijíadq , e /lovo cfpamo, .ji r- * 
Que as €Oiiâsi4nícr>íiveÍ8 o,£:i^am« , t .,'. ;.. 1 
Porque a^f^^uit^ aves enère(a9tQ i r^ -r (> 
Vozes dcforderiadfi^ levantando Vv- ^. : - -. s 
Como cu em,;^^^ de^e|Ov'fi? ^cntendían)... r 
As fontes cryft9mQa9:.napic9rrí^m, .;. . r- r : 
Inflammadas na vifla clara, Çt-purairr . . ' . ' 
Florccia «'Vei^HiCir'' ^ '» v 'i 

Que andando «^ co' os ditofos pé9 tpcava: - % . i > 
As ramas fc baixavam > - r. /í 

Ou de invcj%,iij3jfí» bcryaa quV pjzavam, .:.-; A 
Ou porque mdo anic ellfts. Xis ..faixava,: _ _ j 



MK ;r HrrtT btm a & ' :i 

o âr, o vento, o<díá, - - • - ♦ •' V 
De cípiricos contifitio» infl^a^ - * ; --^ • * , 

£ quando vi que dava entendjfnçiiti^ 
A coufas fóraídellc-y ftnagínci; ' -^ -^ •' 
Que milagres Cairia emmi^que b tmha^ 
Vi que me ddktotí âa mihha.te^, ' 

Privando-me de^wdo fenriíAemo'^" ' ; • •• 

£ em ouora ¥ransfbtm|itkió a vida h^rnbá. -. 
Com tamanhos ipodfcrèá de' atn^r vltíKir , 
Que o ufo ^lot- ii(mtkbs n^ ttri^á.'^ ' 
E naõ fel como d^vâ ' ^ -'^^ - ' 

Contra o poder, e ofdem dâ^natui^'! ' ^ 
A'í arvores j adtr^faontes f ' ' ^ ' 
A rudeza das hervas , t daS* fotitcà^'^ ' 
Que conheceram logCí a vfflii fuíai- ' 
Fiquei eu fó tohiá% - — ^ ^ ^" "^^ 
Quafi em hum rudp tronei de^adilniràdo. 

Defpoís de ter pcídldo o íentlnieilta .* 

t)c humano , hum' fó defejo ¥rie fioftva , 
Em qu« toda, a itea6 fe convertia íf " -' 

Mas naõ kt queim 110 p<íieô iiié''kfl[l#u^a 
Que por taõ att6'> eàoce penfÃMbmo, 
Com razaõ a razaõ ft me perdia: ^^* 
•AÍH què quaifdd mâlisr perdida a Víá ^' ' 
Na fua mefma 'pferdfic gantóvi. • " 
Em doce pa< «fcíví c - •• '* v ^ • « .. 
Com feu contrário prppdo em 'htíni^^fegçko. 
Oh cafo éftrahhò ^ « ftovo ! • 
Por alta , e erande , certamente ijappiovo 
A caufa donde vem' tamanho effiiitOh, * 
3uc £a h*hum* iéottiçaó " - - _ 

O Que 



% 



parte: PRIMBUIA. :xcj; 

Dtfpois àc entregue jk spíMu^defejo-^ 
Ou quaíi nelle todo coavtnrdi» 9 ^ ' ' J ' 

Solitário ^ fylveftre, e iofaununia^i 
Taõ contente fitjuci dc^fer^^dididá. 
Que me parece tu^o i^uamo vejoy; - 
Etcnfado , fenaõ meu propsioL-d^* 
Bebendo efte fuave , c doce Çftg^no , . ' 

A troco dos fentidos que.perdiij * ' < ' 
Vi que amor me efculpiâ" > iu.ur / - "' 
I>ntro>ná abna:^ £qgi«^^ belk>,' '^ 

A gravidade., o fifo , ? cjr.j^T^i.- <" ' - « -*' 
A manfidaõ , a graça ,JO doce rifo : ' 

£ porque lUÕifiai^ ' ^ ;. * 

De bens tamanhos tanto , ^.'f^i •..:•' r • > 
Sabe por a boca convenida em^^canto/ • ^ '' ''^ 

Cançaõ, fc te naõ crtfei?i"/'f'r- ^ ^ '^''' ^ 
De aquelle çbro eeílo quatitO^^diíQS , * / - f 
Por o que «nii&Jpe tfcOflder ; * ' * 

Os fentidos humanos Qhe «ts^cfnde) " - * 

Naó jpodemo<b9>díVaihés fi» jilíteeàV '. ''' ^' 

Senão hum penfamento, /•- - "« 

Que a falta fuppra a f&dd^frVÈiâidimeiftOw ' . ^^ 

G A N Q A-6"-'|Xí'-^: ^'^•''''' í 

T Ornei a triftei-pena - ' ' 
]à de dcTcfperado c.j. ::• . ;, . í 

De vos lembrar as muitas rqiid-^pâdèço ) ^''-^^ 
Vendo que me xondeni - ; í : < 1 .. . ' 

A ficar eu culpado • > : ^ - . ' - i / ' ^ 



,io* R^HTTHM A S.V 

O mal que me traaiB , t ^ ^w^bérôço. 

CtonfeíTp quç ..conheço - , .- r,i - í> •: > 
Que em parte % caufa dei T - • 
Ao mal em q^e^inc lítíò , ..-[v.: ' . 
Pois fempre AMfciLílefejo .. • r . r/.r.r ,. 
A taõ largas promeflas; caitr^d : - : •, - 

Mas naÔ tivÇ-fuípCÍU ; . í-. /. .::jt J . . 

Que fcguilTeijn tenção' taõ imparfeita.:.- )l 
Se em voflb ^(qi»K^mento : .::^j. . o 
Taõ condcmnadò eftoa. . :> . j^ ,. ^ 
Como ^os. %oftÇ9^jtem0lIiim qu^ ; 

Nefte vivo tormento, , /Jkí o ^ 
Lembranças maiú^ oadbdoa ■*.' - ' • r. 
^ue as que deítoi«ziõ::ttímftir^'(^^ \ • 

Olhai que me tratais , i,,ci^: e, ;,.; : '» 

Affi de dia ^m^diftf: J /, ^ ^^ ] l , ],, 
Com voffas eftiuivançts : : r t . ji ,;. •. > 
E as voíras\efpci^nç«s.- :> />- .-^^ s .. .^ 
De que váamcnte já ime esmáquoèíi:^ . :> r .; 

Renovam imfmtgm^r J ?otu: ri,..'í . '/j.-. : 

Pois com a mzébfvé^r í4 je^tibo g;lQaa« í / r 
E s'ifto conheceíTeis ...,;;.:.):.• n r . -- 
Sem v«pda4çfinWfripUiA,.: . v rir;/.* ; • 
Do que de Arábia o ouro reluzente ^ 
Inda que naQigliiz^eíç ,' > , i^, ) 
Efía condição dura , 

Em branda fe mudara h^imtíX^v n i - i ^T' 
Eu vendo-mc innocente, - - "^ í. - gt 

Senhora i ftteflâr^c;^, . ; /-:... 

Bem no arbítrio' o puzera^njj*! u :;:.: • ., - 
De quem fentença dera ^^ ^ . . . 

O Com 



Com que o que he juflo fe moAraíIê rafo ; 

Se , em fim , jiaõ receàci A L 'j 

Que a vós por mi ^ e a mi por vós matíca. 

Em ¥Ó$ fefeflpt^ yí » -u . ■ ^ {• 

Vofla gta{)4f5 .xluresa , i . « * ^ 

£ lia alma eferipta..eftà>5 querele irás im^et 
Naó que acabafle alli ^ . 

Sua nande, firmeza i , • . . 

O trifte defengaiKi que >eQtaá .tive* ^ <* 
Porque antes *^utis^ pnhre vi> ' > 

A dor de meus fcnddos , 
Ao pcnofo tormento .^. ' 

Acode o entendimento 
Com dous fy»es' fiiUajos giàmecidoa 
De rica pedraria , . 

Que ficam fendo minha luz , eiguià» . t.'. 

Deftes acompanhado 
• Eflou poftó fcm medo 
A rado o qoe o: £ital deftiiio onfené. : 
Pôde fer.queijcaoiâdo y i - . 
CXi feja tarde , ou eedo , } •■ '-. 
Com pena (fe-penav-ma me de^pene. 
E quando me condene , 
(Qie há.ò qoc:niaÍ8 e^eco) :: 
inda a penaa . maiores , j • / ^ * 

Perdidos os temores , ' , 

Por mais que venham ^ paõiiírel'^ jaaõ queroa* 
Eftou, em fim, taó forte, .' . ^ " 

Que naó pode mudar-me a própria morte« ^ 

Cançaõ , íc já naó queres 
Crer tanta auddadc , - , . •' . V 

La .vai onde verás minha verdade, C A N-* 



toè RUYTHMA-Sf. 



C A N O-A^O^X, ' í^ . 

JUnto dè hum fecco , duro , eífoíH monte ^ 
Inútil, edefpido, calvo, e infonnô^^ ^í- ' 
Da natureza cm ttido^iabQitccido ; /•• f'" 
Onde nem ave voa , ou fera dorme i 
Nem corre chro rio, ou ferve fante,- * 
Nem verde ramwifez^ídoce rwido'; • ^ 

Cujo nome, do vdg<> inwodttiido,* -> 
He Feliz, por antipliraíi infeUce'; - ^ 
O qual a natureza " . :« . - . 

Situou junto a parte, l-- ■> :■■ 

Aonde hum tóâço >àc akO' mar tepitvt ' 
A Abalfia da Arábica afpcreza , : • -' ■ '^ 
Em qu2 fuodiàijá, feiiBci^íCff, '^i ' '/ 

Ficando aparte, donde . . ., , 

O Sol , que ncUa ferve, fc lhe efconde^ ■• ' í 

O Cabo :fe dkfoobré, com que a coifai 
Africana , que do Auftro vem coirendo*, i 
Limite fáz , Aróm^a chamado:: * ^ ^ 

Aromara outro tetnpo. ; que voivoufe 
A roda , a ruda lingua mal compoftai 
Dos próprios , outro «nome lhe tem dado; . v 
Aqui , no mar , que qun .aprefTutíidp . ■ 
Entrar por a garganta defte braço , . ; 
JVÍe trOf^xé hum ichipo , c teve , - 
Minha fera ventura. - 

Aqui nefta remota 9 afpera> , e dura 
Parte do Mundo , quiz que a vid4 fareye 
Tambcm de fi deixaíTc hum Breve crpaço: • > 



PAÍfeTE: PRIMEIRA. icjp 

Porque ficaflc í^yi4a . . '.: > 

Por o Mundo "iíii |ie4aços rtpmida. i^ ' ^ 

Aqui n^ a<:hei ^aftando bom triftes dii»^: '.< 
Triftes , |fofçadf9Soí ínaos;, ,e .folkattot , n * rr . : . 
De trabalhe^, de é^t , dejra chtéoí:.. l- i 

Naõ tendo, mçiyfQO^OC^ pôC' contrários . - .. 
A vida , o Soi ;arÍiente^> aa agp^ irias-, rp :. i r. 
Os* ares( grQfiQ3> ) fervidos y>«^HfeiósV ' * 

Mas o5 meus peiiCa«nétu:os. ,' qim faõ meios ^ \ 
Para enganar a própria tàtcnrezl ^ ^ ' ' 

Também vi contra mi ; 
Trazendo-me, k tíiemoriá 
Alguma jàpaflada, c breve ^oriá^ 
Que eu ià w.^Muhdo vi quando vivi j 
Por me dobrar dos males a^afporezai 
Por moftrar-mç >.que havia . - . ^ ' 

No Mundo muitas hpras deiialègria* > - r J 

Aqui cftive cu çpm eftes penTanjentog i - • ^ 
Gaftando tempa y e vida ; os ouaes . taõ alio • - * 
Me fubiam naa azas , que cania 
(Oh , vede fc feria leve oiTakò!) 
De fonhados, e Viãos cotítentacDetítos , i 

Em dcfefperaçaõr de ver hum dia. .r 

O imaginar aqui fe cotivcrtiíi ' . l 

Em improvifos choros , e em fafpiro^, -i i ^ 
Que rompiam os ares. . .» ' ^ . : I 

Aqui a alma c^ptiva / 
Chagada ioda , cftava em ícamc «viva , 
De dores rodeada, e de pczarea ; , .: . / 

Defamparada, é defcoberta aos. tirog ; r y- 

Da folícrba fonucÉt^ ^ . ! 

So- 



108 ./ KiflTrM A S. " 

Sobetba , inexorarcl y e imponuila. 

Naô tinha parte donde. (e ckftàQtf ^ '• ' 
Neni^ «fperaliça alguma v otide a' caibe^ 
Hum pouca redínaíTe, p^ defcanfor 
Tudo dor lhe eca', e caufa que padeça , 
Mas que pereça naõ^ porque paftáfTe 
O que quizto defttt^ nunca inaníb; 
Oh que efte irado: mar. gemendo ^aníb ! 
Eftes ventos da voz^i^iportianados ; <^ 

Parece que fe Qnfeam : - 
Somente o Ceo fevcro , 
As Eftrellas , e o fado fem^ fero. 
Com meu pcqpéoíó damno fe recream ; 
Moflrando-(e potentes ) e indignados 
Contra hum corpo^ cerreno , ^ - 
Bicho da terra vil > e taõ pequeno^ 

Se de tantos trabalhos fò tiraile ' 
Saber índxvpor certo que algum'hofa^ 
Lembomi ahãtts claros olhos ene ja vi; 
E fc efta trífte voz rotnpendò (orâ ^ 
As orelhas angélicas tocafle 
De aquella em coja vifta }à vivi ; 
A qual tomando hum pouco fobre li , 
Revolvendo na meniè prefuroíá 
Os tempos |à pafllãdoa 
Ete meus doces errores. 
De meus fuaves nules , e furores , ' 
Por ella padecidos , e btifcados j 
E ( pofto qur jà tafde > picdofa , 
Hum pouco lhe peBaflc , 
E là entre fi por dura fc julgalle. 

Ifto 



/" 



BAiRflrr I^R^ÍMiíIRA. »op 

Tfti f6 que foubefe n» fedi 
Dcfcaníd/^ra advida <^« me^cá ;^ 
Com ifto affigaria o fofifrimcnto. 
Ah Senhoia i-^Ah Sénkora'! -% que taô rica 
Eftais , quà cá taó longe dç alegria ^ 
Me fuftcmáii 4om docb fiiígimehto ! ^ ' ' '^ 
l*oga qwít vete' figura o- pètóamento , 
Foge todo ottabatha, ^ Yoch d pena. ' 
Só com voflíis lembrança» ' 
Mc acho fcgurd') e forte- ^ - - *' 

Contra o f^O 'feroz*. da féea' morte ; 
£ logo fe^m« Rutilam c^rán^as - ' ^ 
Com <jue t-fiotítc , mifiàdá -mjiásTeitni^ ' 
Toma o8-'totmento^ gKw^cís' .!;.-•• 

Em faudades brandas , c fiíavesi' 
*. Aqtit eoift ellas fico j^untando -' ' 
Aos centos amorbifoa , que refpivaffk' 
Da pane donde fiftald , ^ Vós SeAhoft; ' ' ' ^ 
A^s aves qiKralIftoâm , fevòs víifem^ m < >' 
Que fazeis- V qoeeftoivew jpfatteáttdo í ' ' -' 
Onde, comorconr queni , qtíé dia,«P^a%OKtt 
Alli a vida::«wfádA fe tndliorá v* ^ '« " >^' 

Tonta efpiritos novos, còdí que' vença - * 
A fortuna^-rcobdho 9^ íJ " '^ • < • 1 

Só por timar a A^cr-iros, • * \\) f/nT 

Só por ir«k-'fetVír-voi , eqtteicr-^os: - -n *; 
Dlz-mdsf9<|efii^)qiie'anidD dot&xalhair. -ji T;'^ 
Mas o'-^âiÁ^ avidcoub / q^de 'dét^t : ^ 1 ' ! . ?^'* f 
Munca foíFrea, fem* tenuy ^^:; *" i ; \y^i^ '» 
Me abre as chagas èt tiovô áo iof&ímenib* *> ^ 

Afli vrkí > è ic alguém te mguiitaièr^ : 

Ct^^. JI. @ CotVr 



I4MÍ j.*í»i3r^;*!ílU:5A*í 

Canção , porauc fmWÊmi^y i-i • .; í 



*' } 



\7" Inde cá mfiSr.W ifcim §c«r«a:ÚJ>/;í-,. .; 
, ' Dos 4uci3ft^fpff^; ^^ fenifWf^ iiiidk fiwMná»- » ' 
Papel , cpiTj,.g^ii j(|;íi|e%a <iii&á&^<. ...i 
As fcna razões dínamos ^-^ ^iít^ii: .: c:u . . : 
Mc Éaz o inexorável , c^ í^wrjq, -4 , '.-^ • * • 
Dcftino , fitftjjíi^^ ff iagr4çi%|, ,.,«.« rQ§^ , . » 

Lancemos agua fmm,.^^Wimífomi^ > - ^ 
Accend^-fe.ií«íi,^og],feíi«i3t9fm^ n . 
Que a todas as memofi^^^|.uíteflbp.i' / ' 
Di^am^s mal tan}^A)|$^: ... jvi >-' ' •: 

A quem ja miwew W«t .0 iífttifiei.» . 
Tanto 4lèíiiéà itfm9 « cqnift í^sofit^' :. j . 
Mas já <{}Jiêt,f^ 'mwc% fiii naftíác^n ; ; 
Vir cftc a.^bima4(]ll« li«^>dsiflrid9^1 .v ,< 
Í?páiJli%?<tí ftPWpr çftíHipiQ:ftra,^:;:í.: , ! . ; > 
Naõ me culpem •^«i!b«ite.£?^lii£bi0«rit.í. / s: .it 
Sc quer cífefijusÍ0.»fáifçrçl, , . or-.i p crfi. i' 
Fallar , c errar fcm' culpa^ IMmmiti. ! , u. m í ,\ 
Triftê quem de- laõ pouc^ »fti oofttmM.i] lo í < '^ 
]á me dofdi^MBÍ^ ^e,(k^qiil3!Í»lr-«ifi locj ò,'! 
Naõ fe alenn imj^edfeir; tiwr-qMiii&piiit^tfi-^iin 
Forçado lhe h6í|fKÍiv: ;% A dbfÍM #IÍlAe«> ^ t 
Gritarei > mas W dcbil^;n>íp©|ttcna<; ' c,^ r,->! í 4 
A vo:;;<^MmI1podlr^dr4bcfilrÂei'.;/^:.(;'^ .>: - . i. -.lA 
Porque «^jwgi^frittir t d^r fk ^Í«g»ÍÈ^ í A 
./:0 fl .ii .QpWtV 



Quem R^^^â!Íi^fi0r^^» im -^ '^ 

Lagrimas, e fu(ptfiM 'kíBiikoi ^ - (,(.1 

I^^uaes síQsmArf{^ 'ioaaiQi Hm aina mm^ 
KlasnfMiilt pòésiÃigÊn^hotmià ;: ' .( : ' 
Medir odMi]C<M^^>lj^0dBáftvi<sii {rnt» > : 
Direi, emiu»i^^fiqiiiMo'(qHe ,xilr(Ilfil^nl > T 
A ira , c mágoa j6t:ácUbíLm^ÍMf)brmÈçá^^' ~ ^ 
Oue outra dor he^ por; & imi6 dura ^ t #nw^ ^ > 
Oiegai , deferperados^ fdtMl ob9Íf-nui|: - ^ O 
£ ftsjam os que.vtiHsn dersfpcBEinfBi ^ 'V .^': 
Ou aqtíflÍ|«ií^.A:lfci fr jçm^ntTO; '. ^ 

Forinic ai9(Ȓ'4r0(ioattU'.iWccnniaafh i ^' '- 
De met deixar poder para e^iènáeim ' ^ ^' ^ '"^ 
A medid^ éffvmíti i^e «tivcrenj . ^ . ^ :. *' > 
Quando vjrtk ili .awi«riift Cefánlóira . ; < 

X>e novo ao MMMJoV^l^i^ on^ fizeisiáiv * ' " T' 
EftrelUs infeliceftiolwigifló ,. ' -> ^ à;. : 

Com i;er livui^iúia^o tmi tmi^èemm f f•^^ ^ J 
Que eu jconncci mÚ viSaei* ns ^nioni : ^ ^ ''l 
O oielfaor, ^\onfebg íC^fàdht^àOf r-^ i- ' - 
£ para que o tçtamt» cònkunáà0\ ■ ' -:>; -n" ' 
JVIe deíTemcimí . «idade,. «ífonido abri0t xi. v i'.^ 
Inda menino os olhar houdaBáeme ^ ^ . *. - ■-. 

Hum mmfiuí £èmr^lbof tm^' ferifl^*. r::: s / 1 
As laj^im^Éúla ioÊKBciawjii fluiiiajvmi> > ' ' x " ^ 1 
Com huma ãiaGbde omiMiidR; i ^^ ;: ^ 
O fom d9i;>9l«ps^xi» m Í9»fbidavft^ 1| . 
Já como de fijlpWkinef^illWWi/ ^i • xf í ^ 
Co' a idade, c 6ido'idkva coíicWftiior ' • ^. ; i. 
Porque ouandaè|«^wfa;>v^MA|la«^ 'í^/í.. 

^ye 



Se de ambr trítbsVVoiips 'fif^ cÃitáv^ '»'' 

Logo me adocmcc»'** nátuMflUíji-" ^ - -• í 

Que Uáctmfoniáe eftava <>ò'3í»)ffilte»ai' -f .. 

Foi minha aina hoim férir^^I^qaé^xf <tefli|K>ri ''. 
Naõ qui21 ^è'fiaih<^2fi9áfe'^(]«é':«iii^ >- '■' 
Tal nome: páfít' im!, aupn- k «haiytrifti'» ^ .- * ' 
Afli criada faiVrfoÍ!<»efc:twIáeflfef -»-í:ií *^ r ♦ A 
' O v^notío an^orofii dcrTOènino ,- • ^ -^^ x». .í. . * ; 
Que na maioridade háKt'^^' i '> • • ' > 

E por coftqrair jffl5i.môLrinfcpmi,c. ; /» - t 
Logo entaõ vi a IiBa0em.^,ie^ftiii^ail{ky '- 
De aquella íhuímx»jmx^mò'fomipSi'^i^ ' '' 
Suave, c veneno&rv^ '*: ; : v ^t/ b :••>/ -'.I 
Que me criou aos^peítos ^ai eif^caratipà/^ ^ 
De quem eur ví'«içi%Q8S'ia:^<yiigfaait^ ol . - 
Que de todas->ot giauidjes^ide&diipfr'. ok. n; r «iCli 
Faz 1 culpa fohcrba ,f c Jfobetana».'>t' i - ;: ; í 
Parece-m^ qne ãiiíia^.fóiMa^huniafta;:'^':: i . - ^f 
Mas fcintima pípicÀoi divinos^ jjoríjjo^ : • . • ' í 
Hum menep , è.vpvefenç». tiníaí «1% « ic :-^ ^ v > 
Que fe vãagjbQpavt tadb o maív' <> ' < 'v ' ' ^í 
Na viAa délk: aSfo0dNra^co?.ai3V]ir«xif'> .i\ 

Exccdiji p poder. da>.iiutture2a..<^ .o tiii.:^;. . F 
Que género taõ novo dc*WfiMfímf;» >r; !/[ 
Teve amor, ioa.^iter^foãe tiao;Aiiuiitr -* rnf^J 
Provado cmjoi^nm ú^oexà€3kíàot^*: ..r' ./• 
Implacáveis dureza#.f}it!^ ao fetyáoià ctí'ja\: > 
Dcfeio , qíie. dá (fof!^ ao Mofanièfg^v^' fnc i ^ > 
Tinham de fe^ j^rOfKÀaiacMndq^ oi) or.rc r[ 
E corrido., dftiycr?fe'# c /irijoriadoi i; ^'^,\:y j;.\0 
Aqui fqiwns^. fftat^^ '.^. a' 

■ ••.^/' :• í.) De 



FA^Tt PRlMBITtA. »»^ 

De algumas. K:tjn[ç«iriâ$ , cfptrançai :- ; *' -^"í 

As bcmavi8fi^f:anç;a$. l /. ' { ^ / "» • " '^ 
Tambcm ncllas pifiradai , « fínçiáas t ' ^ 

Has a dór 4p^;^e^e^ Tcccbidor, . . ■ 
<^e todo o phantjifiar^dcfaunava,, ' > 

EÃcs en jrtiK)^,tg|tftl}a- em d^fconcprío. : ' 
Aqui o adivinhai > fh:]»' tjôr p^r iccho . 
Qac cfa^veçáad^ qiianit) adivifthaTa : ' ' '/ '' ^ ; 
E loço^o ÁcC^iaLfi^f^t :dc.rt>mda; . j ^ i >; 1 
Dar as co^f^^j^^p yi^mxxo fcntido.; ^ ^ vj '. 
E para tudo, em jSm , bufcw.lrazõey: . ; * 

Mas eram4i^iij|sa$ ^naisa» femcazêe$«»* ■ ^r-J\ 
Naõ fei coníó fabia^cftar rôubaticfo .> i: • '^ 
Co' os raios aj; ^n^anhxs ;. q«c fbg^m •. v -: r n 

far'ellapo|r, os olhos fcjbcilmtmcl ^: •'::<' í 
ouço a pouco invenciveis mà fahiain j <* 7: , j <^ ) 
Bêtn como do y^. huHiiáo. exhalahdir/ h .) ./.) 
Eftâ o fubtil humor a §61 ^ídeme* r: . ' ;:Ai. 

O gefto pur{>r)(m íwa , e, tKmfparemC}, * r.r* T 

Paia quem fica baixo, ef^m valia : / > f? '/' 
Efte nome de {jclk) » e de lormolò j.. -rr - 
O doce , e t>i«tdo|9 n . , . - - í ' 

Mover de 01W0 ^ue as aíma# fufpíendia y.. T 
Foram as hervas magicas , <|ue o Ceo -. 
Me fe? bebcf > a^ qu<ves pt>r longos ano» 
N^outro fer ii>c tiveram tran*fom>adQ ; , ., 
E taô contente d# me yer trocada, j i- ; * 
Qiie as mágoa; enganava co' os enganos : - ' 
E diante dos,- olhos punha o vco , ' ■ > 

Que me encobriíTc o mai que aíR crcfceo , 
Como quem com a&gos (c criav^ 

De 



De àc^udle para fpçfftr iffrfcMtf-^ftáK?*-'^ ' ' * • •^'^ 
Pois quem pode pintar t vM5|'*áà»HWf^ ^ -'^ 
Com hum cíeífeqt!eflr4r-|TW.-<fiiaiifo^ ' i" '■ *' 

"E áqueUe eft^r ^wi^ teage ^d^Mífe íéífiítaV ' ' '' '^ 
OfeUar fcm fab«r.'^:qafe'dfíító j- ' /• o r. ío • ^^> 
Andar fem:\«m|iir/éadc5 /'er}iítíf*t«étft|í^' ' ?>''í 
Sufpirar fem í*« tj«it'fefp'rtrvai?'.;:-:vi ;. •> 1. . \ 

Poír^uanda: mfséÊat^^mhl mt aft)ff*éf»i¥i V' '-' ^ 
E aciuella der Q\^dxgTíeíméâ§-à%%^ "^ '* • "• '- 
Sahío ao Mpitdc^j;; à fl»«P ^IM tttáai^' Bd$>, 
Que tantas :iwa»ifar ' • f '^ ''::^ . '^:' :' 
Duras iras tornai tm^ bi9ii(^ fnlgèa^'í^'^ 
A^ofa co'o-fcw^éWftá^j fttóé-f ' 
Querer , e attSí cfbewfp d<íl5rᥠá^*%nfâr^f --'' '^ 'ol^ 
E mudar n'óucíai'|iw«í, 'j)i^r«1^rií^i?faV'I '••''*"^f^'l 
Odefeio piiv^ifc»* àf't^fííffSn^éy f- ^ '^ f ^ o)jjo^ 
Que raô mrffii fn^la 4i twíjí«^*T '''J ^"í- ^ '^«^''í 
Agora a faudadtf^dbí pafed# ^':.;:..:'' i >.' '> o r.r \ 






'f i 



--- magoadãte^fegfftfi-. «V c..«^xw. 
Que dcfculpas comigo fó htíéiM*í '^ . 
Quando é ft^vê* «HòP i^ i!áíi {êlm <' '^'^^'^^^ 
Culpa na côdíâ 'âmâtfe ^ è iST* iníááà'!^ 
Eram , «m íiir^ ?é»rtiédfbí ^e i«^^i ''* 
O medo da toí^íêíitcí , cju?'énfiHàVal 
A Vida a fuíle»!9r-re de Wkgârtaáir. ' 
Nifto RtiTi*» pirtí^ cfeflci fófi^tf&dà , • - 

Na qual Te tive- áíí^ift cohtetiràtft<*Wr<í> 
Brey«, ímjperfeíéo , títnid^ j^' iodecewpí^ 
Nap. foi fcçaõ fémencc • ' ' '' i 

De 



Mb o 



11 ri.' 



Df hnm cunipido:^/alálMHfllt)Ío9fil«niOi ' f) 
Eftc cnrfo ^«nfthu^ 4ctt'itteiá>} "'" 
Eftcá paíTqs .vãáMrim ék^mnoiôíi, ' ' ' . 
Mc foram a}Migti^o iOu-jaAl«<Ç^dítbf ^. n ir; « 

De acpi^lUv>fíini^nãM(Ot t iwímaidièè ^ ' * 
Com GUé criei ft4Í6nm MM^AKa?- "' i 

Goficra (]i3em forca humana<!]â&'#ffifl^V^ '^ 
Se converteo no'§bAr^erif<^«Plft(f/'< 

Deíla ^wriax 'Vidft «mr^tW^A^ ^6ean(!B i 

Que eu , i«biaA^-por^tMÍ^'St|iaA tmSMi 
Fczrme deí»^'^potà^%ifi^i^^nfMot, 
Paflanld «p^^hRi|(OK!m^ ^ <^ iffi«SfaMâ 
Tantas vfts«i^)inè3ÍíifeW^4li^l& díàri/' ' \ 
Agora eiqfnmMqmd<^ ^ $irisi t«fla ^ 

Vifle ,. e ioi4Ítri«:''kefbD^#«âo^ r«lt 

ApiAtuia vfiiíà^tioc^cíko^^. 
Agora. pertiHÉii ,otnM V^rláH^ 
Vendo naçoftsV>i%Uag3» > t to^OUte^y 
Ceos varies j(:<}émM9s diíRv^gWtètf, - 
Sd( por fnfObaroiKjaáfoi éli|<eiffil» 
A ti , ^MBm iâjoflaíy cfifr mfsfmtmi - 

As idades^, (Ibv^mM-lHef^^^c^' 
Huma crpeMiçs^Mlrívilb d^ dÍMatitê : - 
Mas quando das mãos cahe -fd' ^cmfeéc<^ 
Que ho.rjfirffgft 9tdy<!í '<a()ililiè ^ . jppaBéce# 
Apiedide'kuBMnam»feb!ftva,r i I 






T 



A gcntCoímiga. jâ. cQfttfàiia .via v>nTn:;'; r'^ ! ^^' ^ 
No perigo primeiro: ; e no)íegumícf)y '^^y '-'i í 
Terra cm gue^ p^. ííft^pál mefallficáa-j' ; / '•» ^ 
Ar para refpir^r fc rmí.nc^vaV-^^Mn ^•''"^' '-^^í' 
E faltava-mQj^^^i^, Si^,GO«terapoqire sí^Mandoir^ 

Sue fegrejo ta&íi-ftráttQíjeOJiaoítíwi^ '^^í 

afcer para vivcF^/ie.pítta a-rid» r-iu '• -^ '"»'> 
Faltar-me quant5)j>9rMrt»d»(tettl;|)íW|ínclaíÍ5 3u>.) 
Enao ^d^.^fd(ílh' fr,:L..rAiá í>nM fiD ^> r.Tír->:> 
Eftando tantas v<6i4teft>\já ípoftíid^ !on o-j:') < i-.*-^ oZ 
Em fifxv, mo: l^Yíç„,í«irK» dcfomnoi'', j^í"'J 
Nern* jperíg<?$ /i^nj fiÇ^íird««ao^ , V '• irl 
(Injiiftfça^ ide aq«eJ}ç^i<j>tQrjOçCÒnfi»fo:l r m onÇ) 
Regimento^, àçM^^&^'f^^i&SS> i^^Q^4^^ -''• -"^^ 
Faz fobrc< i>s ouim^ èwfiiçefjyípoáwdf^^y* '^'• 
Que cu naô pa/Tí^íÇva^da^ ^^^ íí I 

Dó foffrímentO;j«^Uf:íi<^iq^ ^.limjWitiii^ r-ioj;^ 
Pcrfeguiçaó dc/m^lçí cjOirilpe<iftjjp4op ^ ^jibI/ jíI 
Mil vezes fez â..foçça;Tcte icutíbáiçii^ ^ , '^'í•V 

Naõ conto tantos males ,(Coiii9>[aqfètUflAon 1 
Que dcfpoís da .tom)ent^ procélloíin^v Biirff'! A 
Os câfos dcUa, conta çin « ptoo. hdb^i^q íwjK 
Que ind^ agora.:» fonptfa íli!íâiéqíií»óVf^ rbn^'/ 
A tamanhas miferiaí me.çomptíte,, ?jh ,v <;ot)'> 
Que de dar Kum fó paffo tjenhoi.njedojjíol loq òX 
]â de md que mer venha, n^o' me mttà^i . n A 
Nem bem que me>6Ue.ça.jà pcftendb,i?/>i'-i • "^ 
Que pari mr naõ',v^ aftum.huinjttwtv : 
De força foberana, ; í c'- ■ - 

Da Providencia , :em êfn , Divina p,c«d>. ti - , ) 
Ifto que cuido ,, ç vejo 3 a vwcs .ú>vQbJ..^: h 

.* ^ Faia 



Para cenfohçaéhdit. tttilos danoSL) v?: -\ ^ -j òl,^ 
Mas a fraque^ ^Jiuinanf (f^mdo úsmçã)' -\. n ^^ 
Os olhos na qur; cofi^ , .:e iiaã:)aibariça^ ^'^ » • -'í 
Senaõ mõçm>fia; 4os paflador.aook ^/ : ^ '^ ^ 

As aguas que .^|))^vbçkift,ir}onPamI cfiicccii^ 
Lagrimas triftes ftér^^j^íw/iciífliudât 4om6 ,. r'^> 
Senaõ com fabricar na phatuafia 
Phamafticas ptíIOraa^^d^.a^ogíi*. A D 
Qtiç fcpoílivd .foiTe que wmaffe 
O tempo para traz ,ç<áòià/i -jfc-raofhoria); :r7 J^ 

E de novo tecendo a ;uitig«a-:Jtifi9rta ro ff í.':.0 
De meus doc€?ftjtegror*fi ^ mfclmffcilrr. r ^:rr i./I 
Por a$ flores qwç vi da^Britíídçrr '• . > "•' '* 
E a lembrat^TTtdf ióng» fin^idkLirjD i :r. xiit t^U 
Entaó foíle mtioro09nn?ticaoiffto<^oi -n r «^r^»/) 
Veiido a ^onverfaçaõ leda , ^ ibaye-, . ^ J-. r ,1 
Onde huma , e.fmit^ic^vfe i.n ^ jí;k i c '.ifj»;?. A 
Ffteve de meu novo pçniâro«í!HtO'Vf r/r Iriif.Vf 
• Os campos >^ 9%f8lÍidiA)»9QAi^^9 •^^{^'^fi f>'^'^ 
A vifta , a neve , a rofa , a feftobfiii*^ loq erTÍ 
A ftDça, a mánfidaõ,^ a.cottetó^iin i» í/i&vít^O 
A Ângela amizade, que dfc&iaDr: z\v/\ \\ s*)i htA 
Toda a baixa ^cnsçaB^^^ MÍ^Onac^qiiD^ura) (^bRÍrtr.:^ 
Como a t}uei.iOiicm)tai^ntMtr oaõLvLimaÍ9»n:n£nf) 
Ah vãas memorias ! Cnide, nieítivàt^^ òm nv oi I 
O débil coração, qab^inda>inaí$f<5Ífe"'^k ""^ ^''P 
Domar bem cfte váo dcfiriouyofloí >!.[,> f ^'f/T^i 

Naõ m^is 9 iGafaçaó ,':naé^.]isiisr9^ v^^ixi&oaàsíií 
Sem o fenrir , mií ahnos , e fofítatib j k[ ;I ;,í-fDA 
Tc culp^3ac»'df (Iam-, ic-jâe^xadt>^:ii'i m^n\^k 
\ r \r Náõ 



til jmmrrmmKs.^^'^ 

Naó p6dc fct (Air*zer)llmAd8 7 !'^™^ -^ "^ 
A agoa d<^ niGír<ém>«aõf«f^^ r - 

Nem cu <klkadteá$: jtou caimmdto^'/ - ^' ' * ^^^ 
Co' o gofto do teWdfj HW «t^liWífiêiP-^r í>íí- i^- 
Pww "veidad«;jàop%r<m< paANblf. •' ' ^ ' ; > - ^ 
Oxalá» ÍMHi ifttHaftrfoiíiiticlaèf ; - ' . | 
£jc:r:: '"; -^'7. íjo ;*•:;,. .i :• ò ^ 

NEm roBbc.iloinJr áíi^^v ';:n7 r.-r i ^-y.m O 
Pintor qja^íttémpo^fffiirfoíi é' <fa vtiddft ^ í 
Colhida cntic «Ákftsf^ifill f í- -K^oor^ ■•(•»: ob .í 
Foi nunca aSvSAWfííàwtl % ^áomelU" ' '-^ ^fJ'>f*^ ^' ^ 
Cortez , alçgr<^ ^Itf fieteí, íA» iv -^rjp - -v '; ?f. "^.-.n 
De fua mãi ctiidaiat^'« §}9fii^r«^^ • -j' r, ! 
Como a mi fov^imiiifairfmnorofi^'! > • '^ '>f-- í 

, Natural , qucpcdfertt i l '^; Jí^h^vj- o : >k.riVf 
A Saturno render na faaf&fj^fm.o , rfn:;t' c: n'"» 
Natural fonte oiflçtrtftapq ovnn ur. r o.. ->%-?. i 
N^õ Iavrada^40i(^teec«íiln¥9$ < ^^z' ;. ir>j /) ' 
Máf por arcv^fâtfisftei j^ . '^'.;:i í r '-v .n r. ^ >;n;v A 
Derivada de ruftíw>|«?ncda/ ^-^ ^' •'« í'» f ':'"ii ^ 
Naõ fez iàmaís ta&;lé4b c^p çaLc^: rr ilz^rW A 
Canfado cJç»telp0i^rÊsA» 4i^«0fe'^ ' '' < t' - • 
Quanto -«i^aridadoija tiii'iiBénf«8?!|«iiieiipe^i^ otn^ D 
Do ver taõ défei»H«hi , )^ ' ^ * cio, . .j ; • . ^ 
Que faz ferenb')a Ji4ptter:'iradbu .òi.yv -^ irí-.^ í^ 
Fruéla c]ue feáfeí^cofietM» • ^. / --:'■' '•! -jr^^-o': 
>)íBmnalntemé fcoipifsanéiffe.peQdiiãl, ;.. '^l ' 
Achada por ocena^i "^ . ■ .. ^ ,•«.;' r :.- 
A quem píntacii ^s -^ de vfivTgnsl, é^ tcícr ^ • 
'V/zT Nae 



PAUÊVVKin^lMA. fii 



3 



^,4\'A 



Naõ lhe àêSí e ^ámç^ "• ul u- 1!/ 
Que dTa graçat ine dá fertio^^nlpíífiór» , 
Ornamenro 4»^ihefiiBÍ fníimlvit r 
R o toucado fem arte , * r»». ^ ' ' ; 
Que tornara Paftiiè^iaa hfilvt^ Wifte. 

A itíanhãa gracíofa j . r : - • ' ' 

Qtiè derrarfi^tiEió' £dke'# em» WcáMfói^', 
A flor , od!fiorpa.t«%y* ' ; ' . 

Sem ajuda de ornato , ou de lirtftéiò ^ 
TJaS faz o bcneflckr '"í • ' 

Que( hàht:\tíb^a9 vo^oe <rfhô» belloá-/ * 
ir quem os vê taõ puroí, eft*^ck>síjr ' '^ 
É effe innoccnte rifo ^' . 

For qii«iH Apotio^b T«;jj^"lArit»áffi)pbr)rtK' 

Outeiros.JWWÀaoíf -t :. , :/:r,i(] :. , ... ../^ 

t)as arvores mie fazem a efpeflura 
Com o» ramdiíetopaúbs/^ p '/^ A :> 
Alegre , que mão deftra oj naó cultiva , 
Graça taõ exceflíva '* oi^niijv// • r..'' 7T #"\ 
Naô tem na fua naturalizai*»» ^ ^- '^*"^. "^ 
Quanta na de^ifeí^íâltóf /^díraf9'4 pftrtir -• '^ 
Depofita a efperança , WlM...t 'i i ' -r ,'.•; -ji:;) 
Com qne amor gofto , a mãi tolfitlémd^ afcMÇt.A 
Dos Í#W^ 'íâffarttíw» ^' -^ i' ^'^ V -'^^ -{5 
A mufíca fem arte concertai^ y~^* ' ' '^' ^'' ^''"'/ 
De entre os verdes raminho, > ' > - '\ '-^ * '| 
Taõ fuav^naõ Tie , taõ (teteítofo-y'^» - '' - 
A quen\ na felva umbrofa r> ^ ';* . ^ 
Conx Aí«wef òuVkiad-á 'eítà^ íodí ^ki^^ í ^^ 
Quanto a mi eíTa falia doce agfâdtt ^ ;• 

E oifartjrtá aítífe/ f i ' - -^ ^^ ^r'^^*^ 
vi , Que 






<5uíí roubam a Mercúrio fcíçtófci. ^ Sfoh » ^' <*^>: 

De frcfços.rio<»;^k§cMtvl rh '>m lor > í;::3 '.rU 

Qne clara entre ^^rí?t3fe*»tfcrídwív»^ f.ir 

Ganindo de alta fraTOa 



r( .• 



lí; '«'i 'i 'ií. 



Efmaltando d^ pcroJas/noí ptado^lL^ .i.ruoí Jrip 
OverJc delicado , ^ i/oiDn^j ;.^.\r.sim A 

Com brando fom wít't>lèfesiftiátitcifar:^ífir,rivf> oaO 
Naõ nos alcpa quanto z^p$ç^^.^<pink-^ , loíí^h 
De cfh Iu2^ (òbieríttav. i \ « oj:mo í>f> xixu. m«)2 
Que faz cortez a ruftiea Dian«*>i4ofiod o v'^ ò.r// 
A tal lu2 (ó.GanÇ4Õ:y qae «iBiÉteÍ¥clkíi)tv.»f> 
Vendo eítes Ji^j3rojíÍ3;a4<>.,.' , ;,n 67 ri n-rrp^k 
Sammo trifte , Júpiter irado ^/.íi . x;<,^ ]< oí'o *í 
Bravo IWkríe ^.nUreoiAraUo i d^cnteíÁeH»*,» -^T 
E Mcrcnrio, è Diana, e iodkE&nà^?n- r-O 

C A^N 'q AcrOí/;(5ÍIH«T-T 5 . rnoD 

OH pomar iremurofo , £VJí>'^'^7': í' . ^ 'n-n 
Qn<fc CO's^wiÍM»taÍ.nr-u: fij} r- -f;:- õfV 
A fubtí|«|« |c9y.titpi?f*fc!=in<3eíÈ»; : r- í • :rO 
Que «m fitto taõ formoíb ^rorL:;^? r: ; V.rpU 
A íçílipí-filbçitewô, lur n ..' .ír.r 1.;-^, V-» .^^^ 
De engenho em ti nos lWi(bal4èfc«^f^í! '1 
Nenhum juizo acçr»,^ ;,... , ,j.n nr::» r -rj.r A 
De cego, e de eleicadí^ , in - ?.- 7- ?r, .. , , / - 
Se tem cm ti n^^^pm^ ^,ri .í A r, ^ , : ; 
A natureza , ou arrej ,•,-^ . . r» 

Se terra y ou €eQ',.v4e ti tem mais -çoíi^ào,^:^ -) 
Pois cni feliz çenreno » . r'» - ^ f » 

Cioza^ de kúm ar mais puro*, e ^s^s feieno- , 

tk 



$t moftra o mome lédo, « • ' j » • . r , n ! 
E ociudaloio Zêzere ie^eíbc^^f ^ ' " 
Porque olhas com dei preza ^ ' • - * 

Seu cffílal (iuro, e quedo'^ .. . ' . 
<^c: com JReài^Jo&jcem pês fGdd^ 91 e txuihaf. '^ ) 

Em ti pintuca cftranha * -►^ • í^ í 

A que ApeHfes^ccdècá^ ' «' - 
Enigmas intricados, , . ■ ' • r ' '^ 

E myrtos animados ^ f ' ; 1 ! 

Vemos, (pi&!0:ficoprío.Efcopaf nfto' fizeta! 
Em ti , co' a paz interna , j. - . . ^ . ' 

Tem o {amo prazer mocada) «tertuu 

Os^aRK»lLiu.if2Hlwila' > • - j , : - ' * 

iBabel, taõ nomeados • 1 ' ; • í 

Pof maravilha 9 o Abundo* »& IcvMie ^ < ' ' ' ^ 
Xnda que com gloriofa 
Voz, que cflaó penduiados-j'^ '.- / • i 
Do iiraven:2b>icK}£n&a aoG^u» «mu • ^>: ^ 
Nem naja quem íc cfpante ^ • • .: V' 

J)Q3:/i^nmbsiTitc>Alçíttò'.7 ' ..! '*'' •• «•" > 

Nem as mais doucá£)jfieoBias: • .- ' 

Cantem os de Mecenas , , '•'. /. < .. i ■ . » . T 
Cukor de :i0Bo}IlKi^;ffnbò pddegfeina; ^ :^ s;/! lJ 
Mas onde quer que acoe.,: .> v* ;.:;.;• íj ifrj o-O 
De ti fó falíe a toia, c^ téfít^oeu * l. 1 1 ' 1 
' Qie fc eca>kâxn%u^^epte;^'r aj'>i -.-v'» f"'»: A 
De pomos de ouro bellos t;L.T.:}>r; lr..fn />.;") 
O jardim das Hefperidas oniadb^^jp j^/Lir.'' «^rZ/C 
E apezar da ícrpôitc . .. : í lof}';/: (v . j oA 
Qtte;<>s^g«arÃQUj fó coJttieUaibfííi/ c í.^ k:k'I 



jy^t , í » «i r T/ff SI 'h:Sh • ! 

JPode o famoíb Alcides f j^^tAmpauí^ i' ^ ^ 
Tu , mais avanajado , ' .'. >•*; *- ii.* .- '. 

Moftras a huiT^,lteil cafta ^.so ^ • . . o 
Seguir o cjuc defeja,. . , uno í .. •;; .... ... ! 

Fugir da torpe inveja^; , (- • • r * 

( Poijiii^ iJk: oor^;^ o t«Dipa «aã 4^mtofta*^) ' 
Em fim, co'á caridade i í-j . , ^ í. i 

Vencer o Inferno, ahrir ^^Exénád^àt. •» í r ó 
Por tanto , da ventura » -.^-.^ t . . -!' 
Parati refervada, ' , . .. .. • 

Tc àfm, » Ccft yw:jicip c|uayi cmc^ : 
Porque fejas figura , , : :;i x-; c . , • - * 
Da gloria a\iaBtt^a*'..>. • '-^ . ..\ ^V í.^ •." w .-r:.'!.' 
Delie mefmo, e que emUl'fiBrir^âfeiu»'( « ' 
Porque em quanta fuftciíte^ .. r..- . : , í . ., i 

Seus feitos milagrofos , , i./^* •? n.oj . •• .. - í 
Myfteríos mais ^oriofito^ i l 
Com cpxe: tm^rm "ékã aíaÊn^aoÊt deflen»^:. o : 
Por onde em íioflas úuai > 1 ...;.){> í.» " 

Com mais pòmpa$ triumpha^li^CfnninfMig |AU^^ 

Goza, pois, lonfBMOfliterf i <'• «'^íTí .- . 
Teu venturoTo fado, . ' '^jjA'i •/: . ' iO 
Da Mti do tflT-i^^iÁif òdn» jRafluitbi: / '3'i'^^ 
Que em. ti fempre cos^tme • >[* t ;•" >• '•» ?»*/' 
De feu Cuhlm^^^íêtèa y> . .- :í:/ »: '.,'í/ or i: /? 
A alma dos feus alegiaB<3^et0ijEanâdtta^ 'j\ ';up 
Cad^ qual preferido > "—^ ^'i o ab ?.o:ii'.r{ s(l 
Nas grandes quflqlaèx ^ :-'^bH zú: j iu^/C) 
Ao íàbio NcíÉor, feja, t: r r|.jl íÁ í '; ! 



E com a ion^,.if'^;, , .., ...' m..,^í o-v- • • • ' ' 

Seja fuajRfJTJgíí*.^n«fiblWÍA ,;.VN :; . .* 

Caiiçaõ, pois mais tan^o^Hi.' ^ .' :' ^ f^ 

I>eftc monte ás eftanda» àd^cm>($Mi^.^ .: ri 
Bem pode fiiccc^SI * /« j 
Que aqueUc que es teus numtfosr goveiM^^ 11 
Por ^VP^l^rtCfMir: «» %a ettftub - :• » 

Intre^c ao mar itado ^ lít Íc^iabií^: í; cr.":". 
Em forjar meu. <|i9iliMlt91» - / .' * i -^S- ^ ? 
Nova Philoíbpliía ^ /.. .. • - - :/ tr^ 

De^«Wt'iíac¥»liAí<i^í.«ií>r,m«iifii<^ « '^ 
Das Leis do antigo tempaliftiisf.dfclioa^ '; > 
Qpe amor.,, %iajtí(EBf«N^V ^m<4rtti ívam»^ • • - í 
Donde efcólas de Sábios iraio4 iiâo<; ' :- :! v. . 1 
Em namral fogcwi.v : ^ : ^ • ; » '^ > ^ 

Quanto ^019^ fi» «ou ]rjpi))iàifeúbri«L ui^ ):.i rj 
As aves n^-mUl^mo fn-vírsÀ '^\r^'^\ 'r^rn :)< f 
Ogadodc fwàmtr^tãk ^í^cfêStík^ L <-^ i^ • > 
Vive ohomcm^^tt-ntftf " '» í.»- . ? • >> •;«- il»/-. 
^efte Mundo, qual Mi^vfaiiiiii .^t^Dift^or'' > 
Eu tudo^ilefiMÍlmi:^ ...t :', ò",rr.-5 sín -^'i /! 
Emto<k)8 dividido; .. ♦ , pm ..r.» 'jHíí') 

ói.p Da- 



* O coração no fo2;o he confuffeMov ' 
Mas a a^wa, <juc dbs ^jfthos^ fcttff^ dèfcè , \ 
Tem efíeito tao vàrtó-^^i t ' i ^-^ <"'» : ' - 

Que em hum humor çontrario*4^fego''crefce.'' 
Da vifta ai?ior-:fiML' ^ '^ns-i^ «: '• • r ii ♦' 
Abrir ao coração fcgura èntráááv"-'- ' ' ' '' ^'^ 
Lei h^,jàvpt<)íatiacfa:« : j^ivo :r.;- - ^' ." -J.' 
Que quando a.4u»-^e fafiiH? dfttbà raeferik^ ^-* ' 
Amando o que naõ .via , 
Qual de efcdí^èii o^luAci V^ /v -- 
Primeiro o querer vi , oue a caufa viffc. 
Quem o delejo co^¥'típeI^hi]iè^u«ílé/ '' C)í 
Cego iria ^pcKc^cègoiíxr^vit coftwrfte. 
Que cu deftaabnáy<fe^l:fe»:âo'J^hind^>irenni, 
Morta ^sGffMinçg Vf^ y '^ • • • ' ' ' 
Onde fempre o defejo ít^tctttismir ^^ ' • '^' ^ 

Em vão fc confidera . ^'''': • 

Que hunr íBttitlhafltei a^utrò^^ftuftt' , t ami , 
E que fcgcí «>defarha . -^ < ; •'' ' 

Todo mpttâl « Ifflòfte) iif^iifvaí^ fe ftíta': - 

Sigo huma lioik fert.v ' '" í'^ c. 
Que efconde cm vifta humana .^ •• •• ' 

Coiaçaõ ào4iMàlÍPitúiV < P^li^ ^ ^ÇOy ' - 
De meu fangue &minta< otfffanfeftço A 

Com cruel omite ía«l«dtf deshuiiiánai ) *,. » 
Affi que fendo em tudoufifièrence»:- t ' o : - 
Corro.a|)Qz>n{ídbvrfo»ceT^« í i^f; , r f - ,- , ' -ir. a 
£ fè me entrego á morte eftoirdbmeatôv' :jí ^' i 

Cahe ejtn maior defeito i '-y-w '-^ . "'j * \ 
Quem cf^iíelifím^ 4ii^:i^ çmz^i i> ' 
^Ci Que 



PARTE FRIMEIRA- tif 

Que a caufa defcobôná . - ^ 

Sempre produz a fi conforme o effeico: 

Rendeo-me hum lindo objeito , 

Que fendo neve pura 

Vivo me abraza^.c o fogo interno aviva: 

Que efta formofa fera fugitiva , 

Com fet neve , do fogo ?c affegura : 

Donde infiro pof certo , ( c ceife a fema 

Vàa , mentirofa , e leve ) 

Que naõ desfaz a neve ardenve chama. 

Bem no efièito iç feme- 
Cedar , ccílaodo a caufa donde pende ; 
Que o fogo, mais fe accende 
Eftando á vifta donde mais aufente > 
Mas na alma vivamente - 

•A trazem debuxada , • 

De noite aroor^ de dia o penfamcnro: > - - * 
E quando Apoilo deixa o claro affento , ' í 
Por entre fombras vejo a Nympha amada : - ' 
Pois fe fem luz amor os olho» ceva. 
Cego , fe nao concede 

Que em nada a amor impede a efcura treva. _ 
f Erra quem atrevido .: ^\ 

Pregoa ler maior que a parte o todo : 7 . * 

Amor me tem de modo , 
Que .eflop nilhom^alma minha convertido : ' * ' 
Defta gloria ha nafcido. v . j^j 

O temor de perdè-la: - . r ^ 

E^ poftòcpic. o recco a muitos fin^ • 
Lá na imaginação Chímera, e Sfinge, 1 
De mal futuro , quç urde ímiga dbclla • 
^ Tom. II. P Ve- 



%2S KUr TH M A Si 

Vejo «ni mi , por inçognho fegrtdo , 

Quando eâoii mais contente, Ti 

Que (o do bem prefcnce naíbe o medo* - 

Tcm-fc por raanifcfto 
Parecef-A: to fogwo o accidentc; 

Mas inda cm mlfc feitc 

O penfamcnti» ^ a cor ^ o rafo^-o gí^o : 

E ficndo -codo o Tfcfto 

Da vida ja perdido 

Nefte tomvetic<ft mask tttõ duro , í e efquivo , 

A goftos morto eftou , apenas irivo : 

E iendo motto jâ ^ vitc o fcnrido , 

Porque finta que na tdma dcfpcdida , 

Pódè em meti mal.iiitur-& 

O ficar , e o panir-fe ; aimme , e a vida* 

Deftas razoes , Cançaõ , inâro , e creo , 
Que ou fet mudou em cudo a fóniMi víâfèt 
là natvHcal âmies^ 9 
Oii.ceipl^ a n^ureca'<mmi mudada* 

C A N Ç A 6 XV. 

QUe he ifto ? Sonho ? Ou vejo aNyn^liaptfa , 
Que ícmpie na alma vejo l 
Ou me pinta o defejo 
O bem que tm vão czâ», iMita me sScgaOii 
Mal pode a noute efcura , 
Amando a fombra firia , 
Alandar-me em íbnlK> a kx fimnofa , c betta , 
Que Te naõ tortic em dia , 
De £ras kzentfs tám iniuiaMada. 

Oh 



PARTE PRIMEI KA. uf 

Oh vifta dcfciada 

De graciofa Nympha , c víira Efltella ! 

Que ha ranço que por «fte mar navego , 

( Sem ver meu clajo Polo ^ efcarc , e çego# 

Nellês formofos olhos , de dcyada ^ 
Minha alma (e reícoiideo , 
Quando ordenava o Ceo 
Que viveflê comigo deftcrradaA • 
Vós amais certa cftrada onf.L r . 
De ver a fuinma iaiteza, ^'"^'' ' 
Do eâ^eito a caufa «farí» a efta' tlffui tnínhlf 
Afíi mortal beliéz» 
Só delia Qafce ^ c Aclla fe iiefume i: 
Afli celefte lume 

Lá dos Ceos fe deriva , e jlà çamit^a ; 
Pois como a Deos unir-me a vifta poíTa , 
Porque a negais , meu Sol , a efta alma yoíA^ f 

Se me quereis prender a )Bwe H ptrte , 
Cabello ondado ^ e loaro , 
Tecei-me a rede de ouro 
Em que prendço Viskano aCypria^ eMan^» 
Des que com gentil arte 
Veftís de floocs bellay 
A terra em que tpoatB co' a bella plãmz 9 
QuamasLYezès >com vellas « 
Quiz anhuma de eíTas. florfs inmifi^rmarHlif i 
Porque v«ndo pizàr-mé 
De eflc cândido pé ^ a neve efpaiiijl f 
Pôde fct que oa.Hor mndado fora 
Que deo a Juno irada a linda Flora» 

fil⧠o^àc iç acolhefte ( ó dpcç yjdi J ) 



^*S, .fPíin YTHM AS;. 1 

Mais leve , ft prefurofa , 
Do que na felva urahrofa. 
^Gcrva dè aguda fétu vai ferida ! 
^Tvc pau tal partida , 

Meú« olhos ^ vQs abiâftcs ^ 

Ccrràra-yo« o fomno eternamente , 

Antes que vcr-vos triftes » 

Pprdetido laõ fuave.i..'fi doce engano^ 

Agoara , com meu dano , 

Vedes » para mor mágoa , daiamente , 

Ncfte heni fufíttiyor, c fomnq leve , 

Qie mal naõ ha mais longo , que^iami bôm breve. 

Ditofo Endiípuó.^ que a dcofa chaia. 
Que a noite vai guiando 
Teve em braços^ -i^hahdo ! ' 
Ah, qupm.de fónhoital nunca «cordàrt! 
Tif ;fá,v A«rora avara <, 

Saanda p^jíilyM feriftc, - * 

e ntófafte cmcl de inveja puia : • 
Mas fc de efta alma triflc 
A nçgra.efcurjdaõ vencer quizéfte , ' 
Sabe que em váo^ nafcefte: - 
Quff para desfazer-fe a névoa efirura 
De meus ,.tolhofr importa eftar prefiínte 
Outro Sol, outra Aurora , outio Oriònic. 

Se: a luz de mea-Planeta , . 

Naõ me aviva, Cançaõ, branda., e quieta , 
Qual flor de: chuva , em breve coafumida ^ 
Verás desfeita em lagrimas a vida* 



CAN^ 



PARTE PRIRÍÈI'RA. 22, 

C A N q A Ó XVL 

p Or mefo de humas ferras mui fragofa« , 

«*' Cercadas de fylveftres arvoredos , 

Retumbando por afpcros penedca , 

Correm percnneí agoás dclcitófas. 

Na ribeira de Biiina 3 afli chtoada , 

Celebrada , 

Porque cm prados 

Efmalrados . • ' 

Com frefcura 

De verdura , 

Affi fe moftra amena , affi graciofa , 

Que excede a qualquer outra mais formofa^ ' ^ 

As correntes fe vem que acceleradas 
As hervas regalando , c as boninas , 
Se vaõ a entrar nas aguas Nepruníiias , 
Por diverfas ribeiras' derivadas. 
Com mil brancas conchinhas a aiirea arêá 
Bem fe arcêá , 
Voam aves ; 
Mil fuaves 
Paflarínhos 
Nos raminhos 

Acordemente eílaõ fempre cantando , 
Com doce accento os ares abrandando. * 

O doce rouxinol n'hum ramo- eanta , • ' 
E de outro o pínt.afirgo lhe rcfponde r 
A perdiz de entre a m^ta , cm que ft éícdnde , 
O caçador feiitíndo, fcfcvantá:' - : ' ^ 

Voati- 



Voandd Vai ligeira mais que o vento j 

Outro áfTcnto 

Vai bufcártdo , 

torcm qtianddi 

Vai fugittdo^ 

Retinindo , 

Traz dUa itiaí$ vcloí á fettá tmé ^ 

De qtíe , ferida , togo c^e ^ t moíré* 

Aqui Progne dé hum ramo cm otitro ráittcr, 
Co' o peito ctifáíigucfltado átick voamlo : 
Cibato pafa o tiíhho itido bufcattdo 
yi leda codomíz Vem ao reclamo 
tky fagâz caçador ^ qtie a rede cftende, 
E perteilde '. r 

Coni engatíd 
tazét daiid 

A' coitada^ . \ 

Que erigàtíãáí 

De huus efparzidos gtãoé de íoUfo tfigô ^ 
Na^ mãos vai a caílif de fcu imigo* 

Aaui íbá a éalhandta ila parreira | 
A roía gíírtle ; palita o eftofninho 5 
Sahe a Cândida pomba do ícU tiirtbò $ 
O tordo Poúfá em ciiiia da oliveira í 
Vaõ as doces a-bclhas fofurrarido f 
E apafiháridcr 

P rocio 1 , 

ÍFrefco, é fítiô ^ 
Pot ò prado 

tte íiervá ornado ^ . 

Com que o áureo licòr ttà^i:^Máíílk 
. r A* 



PAJITB IRTMEIRA. ^^1 

A* fiumana gente a induftria de Arifted. 

Aqai as ovas lu2ic!as pendaraclas 
Das pampinofas vides refplandecem r 
As frondiferas arvores fe offrccem 
Com diffe/entes fimé^òs carregadas : 
Os peixes na agua cbia atidam fahando^ 
Levantando 
As pedrinhas , 
E as conchínhâsr 
Rubicundas , 
Que as jucuocks 

Ondas comfígo trazem , crepitando 
Por a praia alva com ruido brando» 

Aqui por entre as ferras fe levantam. 
Animaes CalídoneoS) e os veados. 
Na fugida inda mal aíTegurados y 
Porque do fom dos próprios pés fe tfymamu 
Sahe o coelho , a lebre fabe numhda 
Da frondo£i ' 
Breve mata. 
Donde a cata \ 
Cam ligeiro , . 
Was primeiro 

Que cila ao contrario férvido fe entirgue ^ 
A vezes deixa em branco a quem a feg|Be« 

Luzem as bramias , e purpúreas fl^ès , 
Com que o brando Favonio a terr^ tfinakaT 
O formofo jacintho alli naõ £ilta , 
Lembrado dos antigues feus amores ; 
Inda n^ fldr. fe tnoftram êfcdptdai 
Os genudua: . . ^ 

Aqui 



Aqui Flora . 

Sempre mora j 

E com rofas 

Mais formofas, ' 

Com lirios , e booinasmil ftaçtantcs , 

Alegra os fcus amores,. drcumftames« 

Aqui Narcifo cm líquido cryíbl 
Se namora de fua formofura : 
Nelle as pendentes ramas da efpeffura 
Debaxando-fc cftaó ao natural. 
Adónis , com que a linda Cytherca 
Sc rccrêa , 
Bem florido ,. 
Convertido 

Na bçnina , . , ' . 

Que Erycina 

Por imagem deixou de qual feriai 
Aquellc por quem cila fepcrdia.: - 

Lugar alegre , frefco , accommodado 
Para Tc deleitar qualquer amante , . • 
A quem com fua ponta penetrante 
O cego amor tiveflc derribado: 
E para memorar 40 fom das agoaâ 
Suas magoas 
Amorofas « 
As cheirofas 
Floras vendo ^ 
Efcolhendo , 

Para fezer preciofas mil capellas , 
E dar por gráo^pcnhor a Nymphas bellas. 

£u delias , por penhor de meus ainores ^ 

Hu- 



PARTE PRIME m A. an 

fíuRia capella à minha deofa dava : : 

Qie lhe queria' bem , bem lhe moftcava 

O bem-«iequeres*entre tantas flores : 

Porém , cQOio fe fora mal-mequeres y 

Os poderes 

Da cmeldade 

Na beldade ' . 

Bem moftrau ; 

Defprezou ' ' 

A dadiva de Sores v naõ por minha ^ . ^ 

Mas porcyie muitas maia ella em íi tinha. 

S9 tomo V. âos Commentarm it Rhytbwas , pag, 
184 , traz Mafioel de Faria e Souja ajeguhte Cait- 
fàò , feita h morte de D, António de Noronha » e diz 
a cchkra no ultitrio Manufcripto que dejcohrio d/ss 
Obras do Poetam A dmfao vfnba aui em nowe de bn^- 
ma D. Margarida ; porém o mefmo Faria nhimameitr 
te ajfenta tgue^.ht de Luis de Camões > e que éfíe, etH 
parte disfarçÂra o ^lo. ^ ^ - 

C A N q A 6 XVII. 

1 

A Vida jà paffci áffaz contente , 
Livre tinha a vontade , e o penfamento , 
Í5em recèos de amor , iiem da venmra : 
Mas ifto foi hutn bem de hum fó momento; 
E á minha eufta vejo claramente , 
Que a vida naõ dà algurti de muita dura. 
No tempo em que eu vivia mais feiura ' 

De amor, e fcu cuidado i - • ^ ' 

' . Por 



faí4 IkjriTHHAs: 

Por m^ ver ti^Jmm «fiado ^ 

Eitt que «a cuidei que amor naõ tniba ptfW ^ 
Nao limo por qual arte ^ 

Me vejo entregue a eUe de tal fone.. 
Que em quaíiro tarda a mofte, ^ - 

Á efperança do bem tenho perdida; 
Ai ! Quaõ devagar paíTa a criftc vida ! 

Quantas vezes eu trífte aqui otfm « 
O meu Felício , e outros mil Paflores ^ 
Queixar^fe cm vaõ de mitiKa cmeld^ ! 
E mais. furda entaã eu a feti.<^ clamores^ 
Que aípide furda ^ ou furda penedia , 

Julgava os feus amores ror vaidade 
Lgora em pago difto a libejrdadb » 
A vontade , e o defcjo , , . 
De todo entregue velo 
A quem , inda que brade 5 nao ceipondc ; 
Pois veio que fe efcotide 
}á debaixo da terra efte que eti dama ^ 
Que he aquelle a quem amo 5 
Aquelle a quem agora eftou rendida. 
Ai'1 Quaô devagar píTa a trifte vida ! 

Que gloria ,. amor cruel , còm meu tormento^ 
Que louvor a teu nome aocref<^tafte } 
Ou que te cónftrangeo a t»l crueza , 
Que com tal prefla cfta alma fuíeítafte 
A hum mal , onde nao bafta o ioí&ímento ? 
Mas fe 9 amor , es cmel de natureza 9 
Baftava ufar comigo da afpereza 
Que ufas com outra gente : 
Alas tu como fomente 

De 



P^R TE primeira; íjí 

Dé ver-me cftar móirendo te comentas^ 
Quan4o iiiais .meárottnetttás^ 
Entaô defejfts mais de atormetuaf-me y 
E naõ<jtter6s nuur-nie 
Porque efte mal de mi íe naõ deípida^ 
Ai ! Quaõ devagar paíla a trifte vida ! 

On^.coufa acharei qne alegre veja i 
A quem cliftmacei já aue me f^fponda i 
Quem me dará remédio á éot jsrefente i 
Naó ha bemi^e;de mi jii nao fe cfcondâ) 
Nem algum verei jà qúe a mí o feja , 
Porque ,efià quem ô foi da vida aufeiite* 
Eu alguma naô vi tap defcomente , 
Quc^amor taô mal trataíTe^ 
Que inda Àaõ: jèfperailè 
A feus males remédio achar vivendo : 
Eu fó viVD fiiâremfo 
Hum mal rao grave ^ e tã5 dèfeíperado 5 
Que tamo.hc' mais pezado ^ 
Quanto advida com eUe he mais comprida. 
Ai ! Quaô de vagar paíTa a trífte vida ! 

Suaves aguas ^ dura penedia , 
Arvoredo fombrio , vejáe prá3d , 
Donde eu já tive livre* o penfamertto ; 
Frefcas flores ; e vós , meu matifo gado , * 
Que já me acompanhares na alegria , 
Naõ me deixeis agdra no tormento* 
Se do m4 p^^^ vos toca fentimento , 
Dai-me para elle ajuda , 

8UC eu tenho a língua muda ; 
âleUto me vai já deíamparaíido. 

Mas 



Mas quando ? (ai tfiftc I ) QoaUdõ i ^ 
De hum dia hunx'hoia me virá comente ^ 
Que eu te vcja.-prefcme , . • . • * 
Paftor meu ,, « comtigo cfta eilma unida? 
Ai ! Quaõ devâear pafla^a trífte vida ? 

Mas naõ lei. feihe fotíradosarcvimcnto 
Quercr-fc efta alma ininba uiíir cottnigo ^ 
Pois delia fofte- já taó ddpre^atdo^ti ^ 
Amor me li vjrarádeftc' periga ^: * .' ' 
Que dfcfpois que là vires: :mêu-tnwmentof. 
Creio que te haverás por bem ^vin^ftdo/ 
£ fe inda em ti durar- o kmopjpaíTado , ' 
E aquella fé taó pnrt , •' '. : . 

Eu eftou bem fegura • 4 v. ; ; ^ 

Que has là de receber-Ufie brandaiUente* 
Aprenda em mi ágemc • ' i .. 
Quaó cara huma irençaõ coèi^ amor cuíh : 
A pena dá bcní jufta » 
A hum^alma que Ihç he pouco. af;iadecfda. 
Ai ! Quaõ deví^^ptilà a triAe vidai 




ODES 



I ■,' r 



2?7 




O D E S. 

ODE L 

,- ^ ' , ..V . 

■ "^ Etcm hum pouco , IVItifa , o larga pràritô 
I ■ Que amor te abre- do peito ; 

JL^ E vcftida de rico^ c ledo itiaiíto , 

Demos honra ,'e:refpeitò , '• ^ 

A'quèlla, cujó objéito ^t,r - > 

Todo o Mundo allumia 5 ■ • 

Trocando a pôfeê* éfcurà^m ckío dia. 
O' Delia , que a pezar da névoa groffa ^ 

Co' os teus raios de prata, . '^ ' ; 

A noite efcura fazes que na& polfe - - 

Encontrar ò que" «f ata , ' ^ 

E o que na alma retrata * . >i . 

Amor por teu divino ; ;r..í /í;;.,. 

Raio, porqu» '.etyiòudeço y e 'ckíàidno. 
Tu 5 que de fomiofilíimasí eftíèlias 

Coroas, e rodèas : . 

Tua cândida fronte , e faces bellasV ' ' " ' 

E os campos fórfíiodêâs' - ^^ -- 
Co^;lSíroígs-quc^f(^mê;as ,. '-• c -=''Í0 

Co» 



^%B RHYTHMAS. 

Ç!o' a$ boninas que gera , - , 

P teu celcfte humor na Primavera : • 

Pois, Ddia, úo tm Cco vendo efiás quantos 
Furtos de puriíkdes , 

Sufpiros, mágoas, ais, muíícas , prantos | 
As conformes vontades- j .^-....*- . -. * 

Humas por faudades ^ 
Outras por ctús indícios 
Fazem das próprias vidas facríficios : 

Jà veo Endimiaõ por cftes montei 
O Ceo fufpcnfo olhando^ } 
E teu nome , co' oa olhos feitos fomes , 
£n> vão femjye chamando » 
Pedindo ( fufpirando.) . 
Mercês â tua b^fc^df , • . 

jSem que ache em ti hym^hora piedade. 

Por ti feito Paflor de branco gado 
Nos felvas folitarias, 
Só de íeu penfamemo acati^»ahadio ^ 
Gônverfa as aUmarias , 
De todo, amor contrárias, 
Has naõ como d. duras y 
Onde lamenta y c chora defveiitiiras^ 

Para ti guarda o fitio frefco dllio • x 

Suas fombras formofas: ... 

Para ti no Erymánáio^ o lindo EpUio 
As mais purpiifta9rro&s ; 
£ ks drogas mais cheirofas 
De efte noflb Oriente . . 

Cjuarda a íèlice Arábia mats^Mmcm^» 

Ik qual pan(facia| w ijfre » oii k^f^sdQ » ^ 



PARTE PRIMEIRA. 

As afperas entranhas ^ 

Kaõ lemèram leu fero « é agodo 4Íaido , 

Suando poc as moncanhas 
[ais remoias^ e oâraiihas , 
Li^ira atraveâãvas , 
Tao formoíit (}ue a anaor dt amor matavas» 

Das caftas virgees íemprc os altos gritos , 
Ciara Lucina , onviftc « 
Reaovando-lhfi as forças , c os âTpritos ; 
Mas os de aondle criíb , 
Jà nunca oomcncifte 
Ouvi^-Ios hum moincnco , 
Para fer. menos crave o fcn tormento. 

Naõ iitjas, nao, de mi. Ah! Naõ tr^fcondas 
De hum caó fiel amante. 
Olha como fufpiram eftas ondas ^ 
E como o ¥rlh<» Atlante 
Oíeu cdlo afanggme 
Move picdoíkmcniic 
Ouvindo a ladiifaa tos ftaca , e doence. 

TriAe de mi 1 Que alcaatço foc ^queixar-^ne | 
Pois minhas queixas diga . 
A quem ]a ergueo a máo pasa «Mar-me 
Como a cnifiTamigo i 
Mas eu meu fado íigo ^ 
Que a lAo me deftma , • ^ ' 
E que íôo fó pertende , c lo me* eníina. 

Oh qtun» Vha. já que o Ce^ me 'ddengana ! ' 
Mas eu fempre porfio 
Cada y€Z mais na roíitínSL xtísn m&iMu 
Tendo liyreahrwfci© .... . 

Nac 



via. RH y THM A& 

Naõ fujo o dcfvario ; 
Porque eftç cm que me vejo 
Engana eo' a efpcraíiça o meu dcfcjo; 

Oh quanto melhor, fora que docmiflêm 
HuíTi fomno perennaí ^ 

Eftes .melis oinoa trifcs , e náõ vKTem 
, A caq/a àe feu mal : . 

Fugir, a hum tempo tal, .... 

^Mais que- cfc antes .proterva , • . •.. 
Mais cruel que iirla, mais fugaz que cerva í 

Ai de mi , que me abraza em fogo vivo^ 
Com mil mortes aoJado, 
£ quando morro mais , entaõ mai$ vivo ! 
Forque tem ordenado , 

Meu infelice eílado. 
Que quando m^ còrtvida 
A morte para a monc tenha vida. 

Secreta noite amiga, a que obedeço; . 
Eflas rofas (por quanto 
Meus queixumes^ me jouviílè) te oíFereço; 
E(ÇÍir'£c€fco asnaranto.. 
Húmido inda do pranto , 
E lagrimas da efpofii . 
Do cioío Tiiam , branca » t fqrmòía. 

O D E n* 

TAo fuave f. taõ frcTça , e taõ.femiofa ^ 
Nunca no Ceo fahio 
A Aurora xjyo.princquo do Verão, >; . 
A's flores dando a graça* coftumaá]a.> : ^ 

Cor 



PA RTiE PRIMEIRA. «41 

Como a formoíkrtnaDfa fera; ouando 
Hum penfamcnto vivo mc.infpirou. 
Por quem me dj^conheçp. ^ 

Bonina pudibunda , ou fcefca lofa y 
Nunca no catnpk> abrio , 
Quando os^taiõê do Sol nó Touro eftaõ , 
De cores diíferentes .efro^ílcada , . 
Gomo efta ilor^que os olhos iiiclinando) 
Ofoffrimeato crifte coftumoift .. 
A' pena que- padeço. • '* 

Lrigelra ), bèU2( .Nympha ^. líuda y iiofa , 
Naó aeio ({ue feguio 
Sacyro , cujo l^r^do coração 
De amores commovefle fera irada , ^ 

^e fÍ|i.fo(r^;fii£iiidQ 9 e detprezando 
Efte tormento ^ oondi: aâKN^ ipoftsou 
Taó prófpero começo. 

Nunca, em fiiAVícoufa bellR^ c figorofa» ^ 
Natura produzio 

Que iguale aquella fóisna^ eeondiçaõ, ! .> 
Que as dcf^n^m que vivo eftima em nada. 
Mas com taõ doce gefto » irado ^ e brando j 
Ofentimemo , e a vida m^. elevou ^ • 

Que a pena lhe a^adeço», . . 

Bem cuidei de exalta): <em verfo^ ou profáy 
AquiU9 iquA ^a^marVip r;. < - » .* 
Entre a doce dureza, e níanfidaõ, - 
Primores de belleza defuÇada , . ' 
Mas quatvípjjguij. ypar aoCeo cànpindaj 
Entendimento, e engenKo me cegou. : 
Luz de taó altç^ f^r^ço. >. ;.. • . í 

^Tí^n. IL Q NV 



I4A UH FTHM as: '-''' 

Naquella aitx ^nezsL deídtofa 
Que ao Murado te chcofariaV ' -^ 
E lios olhos Angciico» ,. qofe Ík5^ 
Senhores dçftá vida idèíUnadaj - 
E naquelles cabellos , quç (bftàná^ • 
Ao mar^fb venai Advida me ehx&Am^ ' 
Me alej;ro 5 c me , e«Briaeç0. 

S<iu4ãife V c Mpofà: perigc^a j, '•"'' 
Que amor confticuio ' * 

Por caftigo de aq\i?lles que fe V4Õ': 
Temore? ^-ffén^s da' abítà deí^eiiftlA , 
. Fera efquivança que me vai tiiíibdô ^ 
O mantimento que tm, foftetitotiy . 

A tudo me offiieçò, ^ .^ i..* . » 

Amor ifento a hãírs oUicys litô etitrègoéi ^^ 
Nos quaes a Dk)gi ôôírtftfo. .= ? 

^ . , Ôb E IIL * 

, .^.^ . . 

SE de men peftfâfmeii»^ ■ '' -"/^ • 
Tkttra raz^ ríVera dlí ai^gitít-ttí^. 
Quanto de meu cii^mieapo ' ^•'^» • .- - ;- 
A tenho de qocinKUi-me y ....... m : 

IPuderas, triíte lyra , eóixíélit^P^õ^ :/ 

Que cm omro tempo foi iifegpè 5 e pica , 

Naó fora aflí tòfítí&í^ ^ ' 

Com tanta dcfventtiili , 

Tao riiocá ^ td& p62jàá , Aèm tà& duAii 

A fer como ma^, ^ 
Pudera levantar vçÓbs lowd^CSi • 2. ' 






PAj|TEl.:RR1MB1RÍA. é4^ 

Vós , minha Hierarchia , . 

Ouvireis meus aioavcs > * • 

Que exen^lo faó ao Mutub ]& da dores. 

Aiegrejí m^ismídado». 
Contentes dias , horas , e momtíicos , 
Oh quanto bom iembrado$^ ' ' r ' 
Sois. de mmmftanÍÊXj^tmaê^iy' ' 
Reinando agora em mi ducwivmkieát^s I 

Ai goftos fubgmifòsi'\ . í n- - 
At gloria já acabada, t cotiiiimiih-! . 
Ai males taõ cfquívos! 
Qual me deixais ia vida! • ' 
Quam chea de pezar ! Quam ddhuida! 

Más como .niãvhe'mortx ^ * 
)á efta vida ? Como tanto dura i 
C<Mno naõ abre a pona ' ^ 
A unta defventura.v 
Que «m vão com feu poder ti6m^ €tira^ 

Se esforça o meu ((^fri&y^ » oonviloce:} 

Que f6 para dizêJa , . 

A força me &hkr> ] 

E de todo me can^, ft me eaftaquece. ' 

Oh bem ^fibtÉDMdk». . : 1 

Tu , cpse alcançafte com lym loailtc , 
Orjáièo, fer eicntado : ^h 

Do fero RâdànriMftr » 
E co' os teus olhos vèr a dnce ai^tíitei 
' As í&íc«iiacs'^gBJÉs'- 

Moveíle com teu canto 4<cMfMtitf t « ? 

As três fúrias efcuras, ' 



^ JM Hil T HlMTJf SL ^^ 

Implacáveis à gente, , * .u ^-^ Â • . . *^ 
Applacadas fc viram de rg>«iWv - -^ 

Ficou., çc^o^afihadb; v* <t.- // ; ^^ :.•} à 
Todo o Eftygio R€ino,co?or Bmâcamov*'" '* 
E quali dc|çaR&á9.M -^ .. ..v. ' ,<••: .> '^-''''^^ 
De feu eterno pranto^ . j.í í:í-- • ^' > 

CelTob de alçar Sifypho: 0.gráJire) cantor - - * 

A ord^p.:jlç;0iiiiíaya .i • í '^ '^ ^ - 

Das penas que regendo eíbaFlúcao; • ''' 

Em dcfcanfo !fc' àcháva ) -. 

A roda de Ixiaô; : < / - .': . 

E cm gloria quantas petias oUifaot j :':-'í ir^-^p 

De todcj ;jà aánfirada: ! : , ^ r t : * 

A Rainha infernal , e commovkki^^ ' :' - » '^i'^*^ 
Tc deo.a defejada - . •: ' i • :..i ^ 

Efpofa, que, perdida, :,;. "■ o. : i 

De tantos dias jà tivera a vida- v '^^' ' 

PoÍ9. miniu defvemnra:, ^ ^ f. ' * " [J 
Como jà nao abranda huhia afaiá faumatUV ' ^ 
Que hc fontta mi mais dom , ' -» ^ 

E inda mais deshumana. 
Que o furor de Callirrho« piofiua í 

Oh crua , efquiva , e ferav - 
Duro peito, croel, e empcílemidd « 
De al^ma,.ttf5rç fcw. ' «'^ .. 

Lana Hircanía nafcidò , ^ 
Ou de entre as duras rochas. produzido! • 

Mas qic digo , coitado ,r * > > - « 

E de quem fio em vão minbas ^ucfdlas ^ * 
Só vos ( ó do. falgado'^ *v : . f^ 

Húmido Reino ) bclias ,:-' ' ^ ^ . *^^^ ?^ 



PARTE «RIME IR A. ^jÇs 

lí chias Nymphas , condoeí-vos áêHãs. *^ 

E de oyro ;guamecíds» ' ^ 

Voflas louras cabeças levantando ^ ' - ^ 

Scibrc,aè.p»das erguidas . • / •: 

As tranças gottejando ... 

SahÍDdO. xodm\ vkidè a vdr qnal aitd<K ' 
Sahi em companhia , 

E cantando ,, e coibenda as lindas flores , 

Vereis minha agonia 5 

Ouvireis mept átaores:f . ; 

E fentireís meus prantos , meus damores. ^ 
Vereis: o' mais peálído * - 

E mais infeliz corpo que ha gerado» 

Que eft^^jà conveatdo:'^ 

Em choro , e nefte eftado . 

Somente vi^e tkrlle o Teu cuidado* 

.: ODE IV. 

FOrmqAij f era : liiioumx y 
Em cujo coração fobeibo, â/iudo, > 
A força foben^arvr "• 
Do vingativo amor, que vftocrtuda. 
As pontas ^mpladar : . r - • 
De quantas féctas tinha mn quebradas :: 

Amada Circe^ míklha ^ . 
Poftoque minha naõ , com, tudo' amada; "^ 
A queijo h^Sh^heTp fqfte riEmlu.: / - 
Da doce liberdade dcfejada ^, : 
PoucQ a; i^uco ^entreguei , . ••: -> 
E fe mais tenho , mai$;.mtr^garcuTj r? 
rV/ Pois 



Da razaõ te deo pàrtff» tiao ^oofiifiafty 
Quô fendo taõ. fonsioík ^ * ' v r.r 
Folgues de te Queimar cm flammaf vàíú* , 
Sem arder em nenhua . / ; ^í^ . 

Mais que «iti qíiaoio aUomiá Muàcio a Lõá^ 

Pois tfíumphàndo vãs . í;? tC; 
Cóm diyqtfos . <fe%(H<>^ • <k ipsiidbdo» , 
Que tu jrivando cftas 
De razão ^ de juizo , e ide :ftiitttÍof j 
Equafi^ttJâdM» dando . ^^ 

Aquêlle bem que â todas «às ne^ndò :• 

Pois tant;o.> WS contenta •/ - ^ 
-Ver o no<ítemo moço cm finãn>^e»voftx> > 
Debaixo da tormenta ^ • rrr . 
De Júpiter em :ii||tiai<, é ventar. Tobo^*^ 
A' porta , que impedido 
Lhe tem Teu bem/âe ãia^á adormecido* 

Porque naô tens receo 
Que tantas infolcncia» ^ilt/efqtilittti^ ^ 
A deofa qoè rpõe ífró > ' t - 

A fpberbas, e doudas erpcranças ', 
Caftigue combrigor.y ^ « ^^ - ' 

E contra ti fe accenda o feròaflíop? 

Olha a fôÍMwdfe .Ftettfi : 
De defpojos d« mil fufpíiol ^rfw , 
Por o Ctpíiam ^tówi 5 

Que lá cm Theflalia^^^ dÁi âm , ¥èiftiái iw: 
E foi fublime tatuo , ' 
Que altares lhe deo Roma j mioílè ftfnlo. 

Olha cm Lestos átóuelte * s^ 



PAfiarE^rKiMBmíA, i^ 

Ka feu íâIt6iro iníigpe conhecida ; 

Dos rotfitos^e pDr.dia 

Se perderam , perdeo a cfaaía vida 

Ka rocha que fe in&ma 

Com fcf remédio extremo de quem ama. 

Por o moco efçUhidò ^ 
Onde mais íe moftrâram as três Graças j 
Que Vénus efcondido • 
Para íi teve hum 'tejnpo jcmce as al^ai ^ 
Pagou co' a morte fria 
A má vida que a muitos já. datia. 

E vèndo-ie dciícada 
De aquelle por quem tanlw já deiscárt ^ 
Sc foi,9 deíeípeíáda,^ 
Precipitar da in&me rocha chora t 
Que o mal de mal querida 
Sabe que vida lhe he pefder airida. 

Tomai-me ^ bravos maces ; 
Vós me ; tomai , pois ornem me deixou ; 
DiíTe 7 c dos altos ares 
Pendendo 9 com foror íe racivnieíbu* 
Açude tu , fuavc , 
Açude 9 podeooÊ 5 e :divma a«t. 

Toma-a nas azas tuas , 
Menino pio , iHcía 9 e {em perigo ^ 
Antes que Jieftao ciiias 
Aguas cahindo apague ó fogo amígow 
He digno ampt tamatího . 
De viver, e fer tido por eftranho. 

^snô : que :hç laaaõ. qójp fejà ' 

Para as lobas ífentas , que.jubor leeidbtfty. . 

•^.'•3! Ex- 



44* JMmrvfí uik%i T 

Exemplo onde le vc)a ? ?. ^ ' 

Que também ficam prcfas as-^oô prendetn; 
Am o dco por faitença , 

Ncmcfis, que amor quiz qutf tudo vença: 

ODE V. 

^rUnca manKâà fuave 

J-^ Ejflendiendo feus laios por o Mundo y 

Defpois de noite grave, 

Tcmpcífaofa , negra, em mar profundo V 

Alegrou tanto náo , que jk no fcaidô 

Se vio eni. mares groiTo^, ^ 

Como a luz clara a mi , do6 olhos voUog^ • ' 

Aquclk formofura, ' 

Que fó no virar delles rèfplandece j 
E com que a fombra efcura 
Clara fe faz , e o campo reverdece ; 
Quando, o meu penfaRKnto fc imriftece, 
EUa , c fua viveza , 
Me desfazem a nuvem da trifteza* 

O meu peito , onde eftais , 
He para tanto bem pequeno* vafo : 
Qiando aoafo virais 
Os olhos , qne de ml naó fazem cafo , 
'''^^ f gentil Senhora , cntaõ nje abrafo 
Na luz que me confume , ^ 

Bem como a borboleta faz no Inmc. 

Se mil almas tiver^ , 
Que a taõ formofos oUios entregara y ^ 
Todas quai^as-fnídefa » v. a 

Por 



Pbr as peftana» tlellts' pcoda^àa ;, " * ) 

E elevadas na vifia piua,* eclaifa , . ' i- i 

(Poftoquc diflb indinas) . ^ . • ;* i \ 

Se andtrakii fcmprc vdndo nas menia^; > I 

Evos, que defcuidada : * 

Agora vivireis de taes qucrellas , - ' ' ^ T 

De almas minhas. cef:cada . — r . > 

Naõ podeíTeis tirar os olhos^di^as^ '. ' 
Naõ pôde {er :qi3C crendo a vòBi entf'ellaty/ 

A dor que lhe moíbaíTcm * ,^ 
Tantas «;/hunu alma fó nao ahrandaflem. 

Mas , pois , o peito ardente ? ' ) 

Huma fó pode ter , formofa Dama , ' T 
Bafta que efta fóiriente ^ . - * v 

Como fe foíTem mil e mil , vos. ama } ^ ' 

Para que a dor de foa aindente flama* : ;. l 

Comvofco tanto poda, « v. 

Que naõ queirais ver cinza hum^alma voffiu- > 

ODE: VL ^ o > 



POpdehum deiêjo inuk)eiifo' > •> ' 

Ardeç tio peito. tanto, « < '^ > ' ;- : í 
Oue abranda , e a viva alma>, o fogo ameníb ^v 
Uít gafte ás. nódoas do terreno inanco^^ , í 
E purifique em tanta alteza o efprjto • r^'/ 
Com olhos immortaes, . r. , .« r -! \ 

Que £az que^JÔa maistrfo que vè fefcfito. ■ { 

Que á flamraa que íèaecchdc * . . - j? 
Alto, tanto allijmiaí * . :r il '• 

ue fe o nobre defejo aatsicmfe.eíbnde:^ j 

Quê 



^^ 



'i 



«ff» , M K r T B TITÃ Si ^ 

Que nuncâ vio i íqu firot» thttB^Bit |^ 
E li vè do qut húkst: o lURur&L^ Vv • 
A graça 9 a viva cor, ^ ' ♦ 

N'outra çfpecre mdfaor que a çot^tíLl.« 

Pois vós , ó claro c»etn(>lo 
De viva formofuca?f . 

Que de taõ longe cà neto ^i» oonfaeiítt»!* 
Na alma jj (jper dSsé. defijo fohh] e^t^bm^ 
Naõ acaà <)ue nkò vejo ^w^lh fmft^ak 
Que as gentes nunf a veni ^ 
Se de hum^iMiÀ. nao tem mulia vafi0q;iin. 

Que fe os olhos, mí&nti» 
Na6 vem a xompanâãa 
Proporção, que das cores cxoellfeniès 
De pureza ^ e viSQfgonha he vxriaida , * 
Da qual a BoeCA que irantoá 
Ate aqui fó pinturas .* ' 

Com' mortaes formòfuisà igoalou : ■ 

Se naõ vem os cahetiqs 
Que o vulgo chanlá de^õuf^ i' 
E fe naõ vem os claros olhos bellos , 
De quem canum ^q^'&ô do ^ÓL thefòúrò ; 
E fe naõ vem do rofto as tíccefitnoiàs ^ 
A quem dirão qoe deve 
Rpfa , e cryftd y e neve lu ^^ppíxtttòtt > 

Vem logo a mça porá., * 
A luz alai , e (evera , ; 
Que he ^cdò da divitm ^Çmnbébm^^^. 
Que na alma imprime.:, A fêra ttveiAera ; 
Affi como cryftal do Sol ferido ^ 
Q«ie :]P^t Jkâi denadut 



PAJtTS BRinSilCA. 1^ 

A ftcebid» fltmmá èfcbMeldOi. ' '^'^ > 

E vem a gtavidade^ 
Com a viva alegria, ..'::. 

Que mifturada cem de qualidadl^', ^ ' 

Oie huma dt ootra nunca Te defvia'; 
Nem deixa de fer huma receada - 
Por leda , e por fuavc , 
Nem oucra por fnr grave mufto imádii. 

E vem do honeflo fifo 
Qs afcos refphndores 
Temperados co* o doce , c ledo rifo , 
A CUJO akir abrem no campo ài ílóttà ^ 
As palavras dífcrecas y e fuaves > 
Das quaes o movimento ^ 

Fará deter o vento , e as sdistt aVe6. 

Dos olhos b visar 
Que toma tudo rafo , 
Do qual naõ fabe o engenho 4iy(far 
Se foi por artificio , ou feito atafe :- 
Da preiença os meneos , e a poftura , 
O andar , e o moi^er-fe ^ . 
Donde pode aprendcr-fe fonnofurá. 

AqurMé liaó ièique^ /^ 

Que afpira naõ fei comb; — 
Que invifivel fahindo , a viftâ' *ò V* ,'* 
Mas parâ^b íompfender naô Ih)- âèhá tbmo j <- 
E que toda a STofc^itá Pôefia , ■ 

Que mais Phebo^ reftaura-, - ' 

Em Bátíorá ; nem Laura ^htttici vH r ' 

Em vós a noiTà idd^ê^ 
Senhora , o pode ver , < ^ 



m JvR.HíKT.WMííS.Al 

Se engenho , fe fcieUcift > é habiltdbâe -^ >' \ 

leuaes a voffa fbrmofura ^er,, . 

Qual a vi no meu longo apanstmènto ; ' 

Qual em aufehçia; a vejo» 

Taes azas ^à o ^kfejo ao pen£mieifio« ^ 

Pois fe o defejo affina l -)i ^. 

Huma alma acccfa tanto, \ \: --í 'J 
Que por yósufe a»- partes da divina} ; 
Por vós levantarei naõ vifto canto , 
Que o Bethis me ouça , e o Tybce ^me levante i 
Que o noffp claro Tejo , • « .^ 
Envolto ^tfãXíi pouco o vejo , c diíTonante* 

O campo naõ o jiífinaitam 
Flores , mas fó abrolhos 
O fazem feo.j^.e cuido que lhe £ikam 
Ouvidos para mi , para vós olhos: 
Mas £ifa o que quizer o vil coftume , 

Sue o Sol y que ^m vós eftá , 
a eíhuridaQ dará mais claro. lume. . * 

o D E VIL 

A Quem daraõ de Pindo as moradoras f 
Tao doélas como hellas » . "^ 

Florecentes capcflas 

Do fnjitfnpharítc lotiro , ou myrto verdes 
Da gloriofa ^ma, que naõ pcfdib . 
A prefumpcao fublíme , . 
Mem por torça de peão algum fe opprime ^ 

A quem tiaraõ nas faljdi^ delicadas 9 
Rofas a roxa Cbris 9 r/'. 

^ " Ckm- 



Conchas a branca I>oris ; 
Eftas, florctdoftharvdai tetni^aqúeBa», : ^ 
A^ntcas, «tthis^sT hpwcs» i « amardlaé ,^ ' 
Com danças, c corças, c ' ' a 

De formofas Nereidas^ e Napíaí? ^ - * '-^ 

A quem faraã ds Hynmoa, Odes^ Caméf » 
Em Thch»/ Afnptóoni í ' ' ^ ' * 

Em Lcsoos Ariom , 

Senaõ a vós , porqutm reftitoid* ' • ' ' 

Se vê 4ar'Ptopfia ]á pcididâ * > 

A honra , c gloria igual ^ '^^ - • '' *^^ 

Senhor Dom Manoel de Poitttffrt ? 



Imitando os efi^c» jk ^Ic^ s 
cntís , akos jíRcaifV- ^. c '" 



O^;: 



'^.'.i ■/ 



Gentis , 

Honra bcnína dais í:;:.. ; • '" " -;; 

A meu taó baixo» >qoaõf«tefo'to8efihdè^i' ; ;^ '^ 
Por Mecenas a/rôs' eeM^m'^ rienhp V / *' \,, 
E facro o nome voffa ^í^- '• ' .'• 

Farei, fe alguma cocíi^^eiii verfoipoffo* - ^ ; 

Q redoí tanto jncuVq^^^^íífi^" / ' ' ' ' 
As Jiooiaá íegulçidas , ^ \ 

As palijias já paffadas 

Dos bellicofos JWÍos Cu&aáoSiji ' -i í;ííí ^ 
Para rhefouro dos fumros anos, 
Comvofco fe defimdè^ 'A kI < ) 
Da lei Lethca , à qual tildo fe rendo. ^ 

Na voffa arvore omaiH d»iionf«, t^^^s^f. 
Achou tronca -eítecilcntC' 

A hera florecente , ^ ' • 

Para a minhatatc^aqui de baixa cftima': 
Ndla, paw«c|»t,.if^^í«(>fta| c airiíii^p. .-2 



1^ f muítfrmuáís. i 

E nefla fubireis í; t,.» <- i " 

Taô alto, , ^«Qfio áW íaiftos ^teideii^ I 

Da fortuna invejados; . ., ,- - 

Que quanto IcyioH^^ i - -' /. <íí.í - í 
Pof rJíílfll.bi^ÇQiíyiSçW». &a iâ feanir • 
Tanto por outro aquella que- éà jdc&im ', ^^ 
Co' o pezo , e gravidade , ::c ^/* e<^> ' ' 

Os opprime, dí[.tól:ftafciEdofJcví i ,>•/.' 

Mas altos corações tiig^HMt; diq ItíqiàSoi^ - 
Que vencem a fortuna , :.r i 1-" ^^: j r • ^ • 
Foram feniiprc <í©l|iOft'/í . .:/x xik • f 

I>a fciettcia gç!«ií.^r^^3ÍjriaB0i, - ^o r.r 
Scípiaó , Alexandre , e Gri^Qiaoãy . ?o ' ; 
Que vemos immoriais ; ;>', «m .1 - 

E vós qitt i» iriQ0O(>f(gk^.^j«^i^^^ 

Pois 9 ]pffl^ tm <fmésí^ cíãiatt ^fiiMiã 
Sc fc eftimàr por o Mundo. / t. i* . 
Com fom^Uo^o^ e)«euttio^^ ^rc^i:^:: ^ 
E em Guamapiúdozic?!!!. T^ja<i eittDoiím^ - 
Peitos de Marte , e Phebo ^ cte^a^ é bnco , 
Tereis gloria immortal ' : 

Senhor Dom M^potèt^dè BottiigaL 

ODE vm: ^)Vt. ' • 

/l De tortaleza heróica v 'tt QiiUia ^ ' 
Que mcrecco no Templo 
Da Fztmr€ámi^i6ipes^fét^ - 

O gra9 âáa df T«*kV^y ^^.^ iMi 



Fla^ 



PAPJ^M KILTMEIIEAv i|f 

Tbgello foi dos miferos Tn^ahosr * ^ 

Naõ menos ^QiímMb T •/ ^ 
Fòi tias hervas , e Medica f^cii ^ ^ 

§pe dcftro, cicoflumada ' c . - '^> 
b foberba oíerctcío' da IXilkik : r 
Afli i|tte:aa mãos que'at»a(o»ifnQiM4(im^9 - 
Também a muitos vida dac^ puderam; 

E naj5 fc dtfymmi : .1 

Aquelle fero y e indómito ,m>n«to, ; ' 
Das Artes, (fuc-Mfioou, . i" ■>/..;.'• - 
Para o languido corpot.o imDofgcPií^bo'^ 
Que fe o temido HÒitoc wpM Pi^àuí, ^i 

Também chagas mortacs curar taiú». * v ' 

Taes AçFc$ímim4«o • .- r. v^.-! : . . - J 
Do fcmiviro Meftrc, e doâbovcUip , v^ v-T 

Onde tanto cçefcçoo ,< ;/}lM 
Em virtude , e^cm fo^cisii^. e ^ coUctii»^ '* 
Oue«i^^^oifidflrLfillttv|il^^ ( ■^^'•í 

So delle pode fer defpoís ctinickxf "• 

E illuftriffimo Cond^í^^^dà.fleíiiJÍaaa .O 

Para fazer prçftfiíeí O" 7 -.'.,«.! u'>/.^ •> *.•.. 1 

De altos Her(^esoiit&culÍ9tpidRaiá$c - ^ .;. 'i 
E em quem beinindDWft «fl^/^ar hitmoéá^ i A 
DeVoflos Afcendemes a hoiAijfiéj^otmt^^ '^ 

Poftoque :a' f t \á mp mii cb o?.:: ; iov ::- . .. -r "/ 
Occupadò cenhais na ^drz iakàz^j^- - ' -: • O 

Ou CO' (V fiuilf^Ol^m' ^* r-'i> r: : ^: .1 ^r 

Taprobano, mtÊaiicm ^ vfSfo m\mm mnàfOd^t^ 
Ou co^o Canteâxx i 4tehd» -iw)^^^ 1 

Qae ^^mlçier dellcs tèmt o nome voíTo: 



Favorecei atândc^ : í.^ < « * • -3 

Sciencia que jà Achillcs cftiilidli : -^^ 
Olhai que vo% cbrfga . ' - . 
O ver que cm vofla tiempo ftbeiittia * 

O fnido de aqusil'Ortá onde ^reeem ' 
PlaQtnsr dAv«8>. que. oB^oâoft naõicvnhccèni; {* 

Olhai que; QnL.vofIost anbs' ^^ ' ^ :/ ..^. ■' 
Huma Orta produze varias liecvas^ ' « 

Nos campos ^ Wianasrs '• 'i .; . f : • / 
As quaes aquelias doâas y 6 pcocerv» ; : . 
Medéa ^ r 'CiMe v nunca ' conheoèirái* » i 
Poftoque a^ltt.da Magica ercâdèáin^ 

E vífde caarçado . • > ?- . 
De annos , e traz a vária- cxpetíeiícia 9 •: 1 
Hum velho ^ qáb veoíBdda: , ^:: S' u 
Das Gangeticas Mufas na fcieodá «/ .^ > 

Po<^4i«!ia .ibbtii^-f am fylvèflrç»" 
Vence ao velhq Chiron.,. d^AchÓb^ Meftre«- ) 

O qual cftá pedindo / j- • ^ii - ' - ._• 
VoíTo &vor, eamparoy>aõ giiOfVQlniiief ; 
Que impreíToDà Suzilkhttidp:^! ^«:J ^ !.. ' 

Dará da Medicina hum vivo lume.;: > ! 

E defcobrír-nos^lHLrfi^Qdôs deno^ 9 
A todckii^m^iAneigaas énccjxatosàr ri 

AíEqne.i^&ppdtii ' c ^ .• . ' •/.[ 

Negar a que vos pedc<betiigBàrtMra: '1 

Que fc muitpxâwts/ •. : <•: * 'J 

Na íânguinola guerra Tuica,^erMailflt>' 
^judâ^^qucfli viãft emcra Àjmoktei;. 
E íerelsriTemeqÂme ao C3Noeg«> fiarie. : ' ^ 

•i^T ODE 



PÀRT^ P£;.IíM^IRA. tS7 

• t r 

FOgem as nçvés frias . ' . .. 
Dos akois montes quando reverdecem 
As arvores fombrias j ..^,]^ , 

As verdes hervas çreççm ,,: ).,. .^ . 
E o prado amcnp (je^^nxiKcofCS- tecem.' 

ZephyrQ .bfapdp . cfp/ra. j... - ^\ ^ . 

Suas féttas ampr affia agora 5 -^ 
Progne triftc fufpira , , ' . . 

E Philomela chora j, . .' 

O Ceo da fràrca terra fe ifápiòía. 

Já a linda Cytheréá . . . .- 

Vem , do coro da$ Nymphas rodeada j 
A branca Pafitéa ... 

Defpida, c delicada, ' 
Com as duas irmãas acompanhada. 

Em quanto as,(pfiicipas . , . 
Dos Cyclopas Vulcano cíla Queimando , 
Vaó colhendo boninas 
As Nyniphas ^ .^.ç^tandp ;^ .. ,. * 
A terra co' ó ligeiro pé tocando. . 

Defce^do aljpçrô monte . '. /; , .^, . . y 
Diana , já cànfadá da crpefluraj».,:, 
Bufcando aclara fonte, ,. , 

Onde por forte d^a \, , - . , - 

Pcrdeo Aftéo a natural "figpra^ ^ - . 

Affi fe vai.paflando ' ^^ .;. ,. ' ' .. , , 

A verde Primavera , c o fecço,:Eftio ; 
O Outono vem entrando j ' . ' . 

^T^m. 11. R ' ' W 



i58 ^^ft:n^^¥à'^m:- 

E logo o Inverno frio, -^ , 
Que também paflkA por cCTt<rfio. 

Ir-f«-ha embranquecendo 
Com a frigida neve p íeácb fnôhfe \ 

E jiipkev cho>?éKaro^' •' .:'.';;,;.'; ': 

Turbará a clara fome , * ^"' ^''[^' . 
Temerá o marinheiro aK3Í:idnte.'" 

Porque ,-cm%í^l'hàòyákz'i'''[^ V 
Naõfalbe o tempo tcr^-ârnWsía ártí';há(Ia : 
Ea noTa vida efcaflar '"'• ' * :,-''!' ' 
Foge taõ apreíTada, ' juJi ^ 

Que quando fc começa he aèaláâál .' .* 

Qiie fe fez rf*''TOiiiòSí: ''\-V;'' '^ -'^^ 
Heitor temido, Encas picdòfb ^ ' ' ' ^: 
Confumímrtiife^Bs M)s\^' *^'''' ''/V r^ 
CCreflb taó femofo, ■.';.:'':' ' 

Sem te valer te^u ouro preciôfb." . ^ 

Todo o comètttámíífettí' ';"' ' ' 
Crias que eftava em ter'tKefôuto'fafano ! 
Oh falfo fíenfame^ntò í - ' ; ' ' 
Que à cufta de teu dano . ' ' ';^ ' 
Do Sábio Sólon ci;efte b HefengAd ! 

O bem que aqui Te alcança y - ; ' 
Nao dura por poflànte , riem ^or\ fòrfe : 
Que a bemavcnttirartça ■•'^ ' :''■ ; 
Durável , de outra forte 
Se ha de alcançar na yidà pàti^a hiòítc. 

Porque , em fim , na3a páfta 
Contra o terrível fim da ncíítô eterna j 
Nem pode "adeora' cath ' 

Tomar á luz fupenia 






.11.. .> 



Hij^polyto da eCcmz fombra ^èrrià. 
Nem Thcfeo esforçado, , '^ " f 
Ou com maaba>J'OD cem fòt^á valcròfa ^ 
Livrar pódc o oufado ■ • ' 

PcFÍthoo da: e^afit^' :;...•. 
Prifaõ Lethéa cfcura, c lonfebròft. • 

A Quelle moço«"fett> ^ ' ' - - 

XANas Pclerhronias covas dbílíiriado ' ' \ 
Do Centauro fcvcro ; '' • ' ' 

Cujo peito csftnçáád r . . 

Com tutanos de tigres foi ciíadO':' . ^ ^ 

Na agua feral- 'í' mewíno ' ' ; - * •' [ 

O lava a mái , prcfaga do futuro 5 ■ ' '\ -' 

Para que ferro fino • ' r — ^i 

Naõ paffc 'O^jpejio vlaío ' íí-- ^ >- 'rt\j 
Qijc de fi mefmo a fi fe tem pèr liiuío. '' 

A carne IW aidiirf cc , • - '--'•'-'' ' 

Porque naó feja de armas offbrt(áid?k -' i 

Cega!. Pois naó conhece - •^' ' ' •' ' "'{■' 
Que pódc-ha^r^ferida ' -í :r'r . . ■: ' 
Na alma , e que menos idoe f)iíidtír' a vida. 

Que donde o brâço irado j r ' ' 
Dos Troianos paliava amez , e- efcudo , 
Alli fe vio paílado 

De aquelle íéíio' agudo • ' O 

Do menino que cm todos pódè tudo. 

Alli fe vtâí-oaptivo • - ' ; 

Da captiva eentií que fervey e adoía; 



AUi fe vio qpç .yij«Pi ;r .t v.-^rrj :. { 

Em vivo fogo mora , , ? ^ ., 

Porque de íep^^^Ieiíh^ a.::Yè Scnjidiáí. . . 

Já toma a brandi lyra ^ ;..^:.,., i» . . . • 

Na mãa , que a dura Pclías jmiettcáfa ;. ' l 

AUi canta, e.fofpifa.^ - . . ,r\ > • -. 

Naó como lhe enfinàra 

O velho , mas o njjrço quft o *ccgára. 

Pois , logo , quem culpado 
Será, fe de pequeno offerecidor • li 
Foi todo a íci} çúídàd^ V -.' " ' 
No berço inftituido ; >,*,, »í , . '; l 

A naõ poder deixar de fcr ferido? .> ' 

Quem logo:feíiÇj(í>rMnfíinte, • 
De outro mais poderofo foi fujcitorí 
E para cego apun£e.. . . .. ^ . ^ ) 

Defde o princípio feito, . . } .. . : . 1 

Com lagrimas banhando o ceÂro ptito? , 

Se agpra foifecido,. . i 

Da penetrante ponta, e,f<Mfft de.hftrVa.( 
E fe amor hç^; f0rviiii>. ... , . , " r 

Que firva á linda ferva, õl. 

Para quem minha Eftrellatne rcfeçvít ?. 

O gefto beiAllídJ^ado ; ' - 
O airofo mcneo , c a poftura j; o : 
O rofto deljca4p r . ■ ' ^ 

Que na vifta figura . [ 

Que fe enfina por arte a fbrmoftyâ^: r • 

Como ppde deixar . , . 

De render a quem tenha cnteodimeBtQ í r^ 
Que quem .nap^pçnetrar .^ 

HwOi doce geíio ^ttcntQ^ Nao 



• 


. 


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* 


^, 


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í7 



Naõ Hiô he nenhum louvor viver iTenco. 

Aqucilcs cujos peitos ' ^ 
Ornou de alta:? fcieticias o deftíno , 
Se viram mais fujeitos , . . 
Ao cego i é >^ó méního ,; ' ' ' . 
Arrebatados do furor divino; ' '. 

O Rei fertiQfo Hebrco ^ ; ' 
Que mais què todos foqbe mais amou; 
Tanto, <jue a deos alhèo 
Falfo facrificou.. ....'• 

Se muito íbúbc , c ttvt ,. muito èrrouJ 

E a ç;rio Sábio que ènfini , 
Pafleando , o» fegredos da Sophia , 
A' baixa coiíçubina 
Do vilEunuco-Hermia , - 
Aias ergueo ^ que aos deófes fõ devia. 

Aras : ergue a quem í^ma' *' * í 

O Philofopho iníígne. namorado. 
Doe-fe a perpétua fama j - ' 
E grita que culpado 
Da lefa divindade hc acdiraáo. 

Jà foge donde habita ; 
}á paga 2 culpa enorme com defterro* 
Mas , oh grande defdita ! ' 
Bem moftra tamanho erro , . 
Que doflos corações naó faõ de ferro. 

Antes na áltfvli rtiente 
No fubtil fangue , e engçnho íhaás perfeii<> , 
Ha mais conveniente , • -^ 

E conforme fogeito , ' "^ 

Ottde fe imprima o brahdo . e doce effeiro* 

ODE 



ODE, SI. ..:,-. .',;:.;. 

NAqucUc tempo brando ,. \ J • r;-. .i . ^ ^ 
E que fc vê do Muvido.a,fofrik>fi]r;í,i< , ,.a 
Que Tethys defcahfapdo ^i . . i ' '•. 

De fcu trabalho eftá, fonro&i i^ipwa,, * , 

Canfava .amor,o.,peifo./ ,f..i ,. , . ■ o 

Eto mancebo Peleo , de ham 4u$è gffcico. < - í 

Com Ímpeto forçofo , ,,, . . 'i.. í 

Lhe havia já fijgiçlçi.^ bc)ia Nymghíi;, : - 
Quando rio tempo aquòí(b, . ,, , -. i , , ; 
Noto irado rebojvo ^. xlara Jynjpha ,. . , . . i 
Serras no mar^crgufendo , .« -ím j* ; j . . 
^ue os cumes das da terr^ ,v^4a^{>çnd9. .,. ..r] 

Efperava, o mamcebo ., ^ ;. <• - /.^a. 
Com a profíinda dor aue na ;^ipi^ Í^thc , n-./ 
Hum'dia cm què já JPnçbio ,. • .-» '•^^ ^1 

Começava a moftrar*fe ao NÍ^ndo ^4f^f^t > I 
Soltando as tranças de ouro ,.; ^ _ - ^ 

Em que Cliciè defffyipr fez ipu thjçfouíO. 

Era no mez que Apolo- ' 
Entre os irmãos celçftçs pafl^, a tçmpo : 
O vento enfrèa Eolo , ; , : . 

Para que o deleitofo p^jpfateippo 
Seja quieto., c noudo j . r. . : 

Que a tudo amor obriga, e vCTCô.tucJpp 

O^ luipinofo- dia ' : r í ' 

Os amorofos corpos defpertava , 
A' cega idolatria 

Que aa ptóio^i»l^i^ çomema', c mm, ^Sffm>' ' 

f ' On- 



Onde o cego meninp..,- ^ ^j. . , ^.. r 
Faz que os hiimianos crêam ^9?c^lig ^yiW ••. • 

Quando a foripiofa líyiçj^hA.^^o;- . /. 
Com iodo b ajuntamento ..vep^apdp., ^ . 
Na cryflallina íymplvi ;/.,!-. ' , ' -... .- '. 
O corpo cryftallinó eftà lav^dfpí'; ■ ^Z 

O qual nas <agpas v^ndp ,'. 
Nelle 5 alegre (íe o ver ,, fe, çílâ .f<çyôn(}o. ,. 

O peito diamantino , ? !■ . .", - .• ) 
Em cuja branca teta amor fectiâ; 
O gefío peregrinQ , . 
Cuja preíença torna a pojtc ejn <Jia; . 
A graçiofa boca v,.,,,', 

Que a amor com feus amores ínafe j^foyocai 

Os nsbijs gracjojTosj ' • 

As pérolas què'efcondem vivaç rpfa^ 
Dos jardijs deleitpfqs ^ 
Que o Ceo plantou em faoç? taõ formofa^ ; 
O tranfparente collo , - -. 

Que ciúmes á Daplirie faz de Ap^^^P' 

O fubtíl piapticiept^ . . 

Dos olljos , cuja viffá a amof, cegou; . ., .,> 
A arpor , qyecpjça tormento 
Gloriofo , nunca deíle^ Te ff^pp > 
Pois cUcs de. coijitirjp . . 
Nas meninas o trazem por menino. 

Os fios derç^adps .. ' 

De aquelle ouro que o peito maí^. cobiça., ,. 
Donde amor enfcd^dos , V 

Os corações Humanos' tra^;,., c; atiça ; ^ 

E donde com dpfejo ^ . ./ 

. ' . , * ■• Mais 



1^4 -^' RttYTfí M^ii^ 

Maíá ardente começa a fer fóbejol * 

O" fHanccbò Feito 7 . 
Que de Neptuno leftáva aconfeftado^ ^ 

Vendo na terra ò Géo 
Em taô bella figura trasladado, . ' * 

Mudo hú pouco ficQU ; ' 
Porque amor logo a faMaihe tirou. * 

Em fim , (jueretído' ver 
Quem tanto mal de longe llie feízla , 
A vifta foi perder , 

Porque de puro amor, amornaõ via: 
Viò-fe afli cego^,''Vmudo , 
Por a força de amor que pode mdo. 

A*gora fe apparèlHa 
Para a batalha, agora remettendo j 
Agora fe acônfelha , 
Agora vai , agora eftà tremendo , 
Quando jà de Cupido 
Com nova fctta o peito vio ferido. 

Remette o moço logo 
Para onde eftava a chaga feni focegò , 
E co' o fobejo fogo - • ' ' 

Quanto mais perto eíkva , entaô mai? cego : 
E cego , e co' hum fiifpiro , 
Na formofa donzella emprega o tiro; 

Vingado allí Peleo , 
Nafceo defte amorofo ajuntamento 
O forte Lariffco , 

Deftruiçaõ do Phrygio penfamento ,. 
Que por naé fér ferido 
Foi nas aguas Eflyeias fubmergido. 

ODE 



ÍAkTÉ PRIMEIRA. Í65 



ODE XII, 

JA' a calma nos deixou 
Sem flores as ribeiras dcleitofas j 
Jk de todo feccou , _ 

Cândidos lírios , rubicundas rofas : :; 

Fogem do grave ardor "os paffarihhos 
Para* o fombrio amparo de feus ninhos. 

Menea os altos (teixos 
A branda viração 'de quando em quando ; 
È de entre vários feixos 
O líquido cryftal fahe murmurando ; 
As gonas que das* alvas pedras faltam, 
O prado , como pérolas, efmaltam. 

Da caça jâ câníada - , 
Bufca a cafta Titânica a efpeflura ; 
Onde à fombra inclinada 
Logre o doce repoufo da verdura t 
E lobre o fèu cabello ondado , e louro , 
Deixe cahir o bofc^ue o feu ihéfouro. ^ 

O Ceo defimpedido ' 
Moftrava o lume ctemo das Eftrellas y 
E de flores vcftido 

O campo , brancas , roxas , € amarcUas ^ 
Alegre a bofquc tinha , alegre o monte , 
O prado , o arvoredo , o rio , a fonte. 

Porém conio o menino 
Que a Júpiter por a águia foi levado , 
No cerco cryftallíno 
For do amante de Clicie viíkado ; 

O 



O bofque chorará , chorará a fonte , 
O rio , o arvoredp., o pr^cioç^jo montei 

O mar , que agora brando 
He das Nereidas cândidas cortado , , , . , ' / 
Logo Tc ira moftr^ndo ..■.■■{'' 

Todo em crefpas eícumas empola^^j: í. "^ 
O fobcrbo furor do negrcf ventp , :. • r. 
Fará por toda parte nY)vin^pjEi,tQ. ' . 

Lei he da natureza' , \ «-: • 
Mudar-fe defta forte o tempo. le^cj ; , 
Succcder ^ belleza n\j-/, • .. .. i 

Da Primavera o fruclo i a cllf^;iijeyêf 
E tornar omra^vçzppi certo ^ip ... 
Outono , Ii>vernQ , j^rimítyer^ ,. E/lip^. 

Tudo , enjJíuTi,^ £az iny4^nça ,.. . 
Quanto o claro Sol vè, quapto Jl.uÇííí.i 
Naõ fe acha fegura^ç^ * .'"/'■ . : 
Em tudo quanto alegra p belloidja: 
Mudam-fe as couíjiçõfs pi^cjarfe.^ i4^4^f> 
A bonança., os eftífdo^ , e ;^ Yp,9t^e. 

Somente a piinha iniiga > . 

A dura condição nunca itiúdou v . ; 
Para que o Mundo dij^ . . , . 

Que neila lei taô certa fe queJíf;!Mj.).^ (> ^ 
Em nao ver-tue «cjla fó fçnjf re cita tfirmç^ , -. . 
Ou por fugir 4e_aaior., ou pq? gjgií-^ntíq^ 

Mas já roíFrivçl fqt^ ,'.\ 

Que em matar-mc eÚa, £6 nísfl^e .^ri;cza , • 
Senaó achárji ??^^.- 
Também cm mi mudada a naturC2*a *, 
Pois fempre o çprjgfp tenho turbadp, . 

Sckí- 



PARTE PRIMEIRA. i6y 

Sempre de efcuras nuvêes rodeado. 

Seipprc exprimento os fios 
Qiie çm contino receo amor me manda ; 
Sempre os dous caudais rios , 
Que em meus olhos abrio quem nos feus anda , 
Correm , fem" chegar nunca o Veraõ brando , 
Que tamanha afpe^-cza và mudando. 

O Sol fereno , e puro , 
Que no formofo rofto refplandece , 
Envolto em manto, cfcuro 
Do triftc efquecimenio 5 naõ parece; 
Deixando em trifte noite a trifte vida , 
Que nunca de luz nova hc foccorrida. 

Porém feja o que for , 
Mude-fe por meu damno a namreza ; 
Perca a inconftancia amor , 
A fortuna inconftantc ache firmeza ; 
Tudo mudável feja contra mi , 
Mas eu firme eftarei no que emprcndú 




SEX- 



r -.i^ 




SÊXTINAS. 

1"^ Oge-mo p9«i^ a rpo^co $i cuna« vida , . • 
I Se por caio hjC^vçjrdade que inda vivo* ; ( 
[ ' Vdi-fip-^e O breve tempO' diante os olha^. ; 
Choro ,f0 o paíT^dp y t tm> quamo ÉiUo » 
Se me pa%n\ «$ djíis pafli» ^ paíTp. r 

\^ai4e:rae,>.wVrftm ,^a.idad<ç-., ip,fiça í| pena; 

Que maneira ;taõ aipec^ de peoa ! ' 

Pois nunca hyn^^lipça vip caõ <kmaa vida ^ i 

Em que do mal , 'mover íe viíle num paíTo. 
Que mais mç^jno^ta.fer moç<:o xj^ vivo ? 
Para que choro , em fim ? para que &II0 , 
Se logr^^rrfnqjfiftõ.jHide de meua olhos-? . ^' f\ 
Çbf/prrp(9f9$.;,.:g€íhw», e'<iarps. olhos, í l ; 
Cuja auíencia inç move a tanta petia, ' ■ í 
Quanta f(^^Q.;^^2^re;i4e em quaftto fallo l . :. 
Se no ^m de rap Jon^a , e curu vida ^ r \ 

De vós me inflapimafle inda p jraio vivo , -: . . ; 
Por bcpi ceria tpde o mal qoe palTo, ' .\ 

Ma» bem.fei :que primeiíp p extremo paflb. . 



lyò R H Y T H M A S. 

1^ te de vir ^ cerrar p$ ti»ift^.s<^pj^ 




T)li que naõ Terquc eFcrêvo , ncm*quc Fallõ I 
Pois fc Ac hqm Çíígfameqto eip^oi^crp £aflo. 
Vejo rap. ^riífè gq^drojie ijiaay^ ^'i Q 
Que fe lhe na^ valerem ranros olhos, 
Naõ poflTo imaginaf qual feia ,^ Renna 
Que cfta penrf traslade x:om 'qu3 vivo. 

Na alma tenho comino hum fogo vivo , 
Que fònaô •rdfpi^.^é-lW-^ qiíc íftltèl,^^^'-^:^' r- >r- 
EftaFia''ijA ftftà tttSzâifti^ertrftó (^^^-^ "^^i ! ^-3 

Oi^^Mk[cém tegrtmat <is'>)lhòfe í "' '' • 
Com que , fe-'fògt j' AáoTe^èafet áVidâl * '''^« 
A4«m?tdi;) eftdli W viá^;,* é'^'áTirfmon:eívivoí^i*'' 
Vejo fem olíiè§ ; e'>ferti ^tíígákfsíâ&^;^ ^ O 
E jumam^me^fetffle ^^òrfa', 'e^rià';-' •' ♦ ' ^ 

ACuljà^^ííínéto^mal Í6'tdny«fcito'bftò?j "^ 
Poi« 3i}ut défâteí^ 'aarór Jeíjtraáa tto álináv 
Para que pdtdtflTc-èt!! a litslei^de.- •"• ^ '^^' 

Mas é^iíéhí pôde' fcgft a" húWíá ^teitíàíft , ' • i > 
Que defpok deVòs- pôp Wtn tam»s inâl<à ' ' \'^^ 
Da. por <Méfí5 'o perder poP ellà a viáa ? • ' ' 
Afliiz de pouco fez quem ^rde ft ti& \ , -^ 
FoDÍoijtid^stõ móMiucft 3 e biátidda <riB£of ^ ' 
J'\ Pois 



Pois de tal calldadç faõ mcws.^m^Içs , 
Que o mais ^pétju^Ao dcUrt íocá rta alma. 
Naó k engane çom moftras de^ brandura , , ^ ^ 
Quem quizA tcftfervàr à líWrdáiJe; . •' ? 

Roubadofi He' dê toda IibWd.ídé' ^ ' ^*'^' 
( E oxalá pcrdoaffe à ttiftc vídi ! ) ' ; 

Efta que o Kííb, attior chaii^a brátldiíra. - '\ r 
Ai nieu& antçs ?ííilíg<^s , 'que hietís olhos í '•''"• 
Que mal vík' tinha' féirò xfta Vófla âlínaV .'-'* 
Para v63 líiè .fà^drdés !tÍntoá rnafe f ' 

Crefçam.de 4^^ tm dia emUofá os'níâlé$;j/ 
Perca-fe ^éii^ài a' ântígbà hlrá^dàde y - • - '^ > 
Transfoíiíie-fe fnr 'ifnbr èffi trífté' 'âlhia;'' . ' ' / 
Padeça, emborf ^cíS irtn^cèrtté^vuda i r *'^- * 

aue bem me pa^te mao Vftefe%tus^lfíófe\ ^'^* 
uando de ouifòr,' Tc' os venr^ Wem a Biíânfáaçy 
. Mas como^éfliís fcôde íiSvér.TJrandífraV '^^- 
Engano foi 4eíffio?-, tíó^qtjfe 'nVèiirs dtíios ' '^■"'^] 
fXTem pòíí^fâíi Mdià herdade: ^ ^^Vj 
3â' naó tcnB<ÍH56e;áár'Tenti5> yfflá , ^ '^'^ ^^[-^ '^ 

Que pôaé^jâ^-éfoe^rat Cmérti i'%k : a^^^ 
Captiva ccerrè^^^dfe Vuma^'bVaíiààfav^ ^^' ^.^^^ 
Quc.quaHdo*'Vès dà ^mgra/diÍL qíié he^^ifi&.T'! ; 
Forçado me he gritòr ^íWftbg ^leías hiaíesS-^^^^n. y 
Olhos meus : p¥s' fjor .v6s a KHéfrdaéd'^ ?'.• q 
Perdi 5 6e v6s Hic.qiiei^^^ 'méusdlhò^í*'^ ^ 

Chorai , meus"'díhás , ftnif^rè ds daitínb^ ^.H» >» 
Pois dais a libetdàíle a M branHiira , J '[' "1'^.^ 
Qiip para dar bais ttelfei'd& 'mais'vi3a.'^';'l ^'^ 
— SEXTI- 



f7? .; ;R;H;,I T H M A S- 

S E %T IN A IIL 

OH trifte , ôh tcncbrofo , ojx.çruel dia , ^ 
Amanhecido Ío para meu damijo! 
Pudcfte-me apartar de aquellá .yifta. , . , 
Por quem vivia com meu m^ cqncentc ? , . 

Ah fe o (upremo. fgras defta vida ! /^ 

Que cm ci fe começara a minh^. gloria. . . ' x 

Mas como eu nao na^i para.tq: gloria, ;^ 
SeQap;pcna que crcfça cack.dia, . , ^ . • 

O Cep me eílâ,neç4ndo o.firr^ da vida , ., .., , 
Porque naõ tenha Sm çom ella o damno : . 
Para que nunca pqfla fçr contente», 
Da vifta\,/ne lirou aqucila viíla,^. ., ... ^. 

.^^ve,,àeleiíofa, alegre, vifta.,. ...• > 

Uoníe pendia toda ,^.f /minha glpria ,, x ,, 
Por quem na.mór trifteza . fui contcpic ; . . _./ 
QuanJp ípi;à .que veja aqucllé dia T' . / 
Em que deixe de ver tao grave fjariino ^j . . >\ 
E em que me deixe táó pcnoía vid^ i '. - „ j - 

Co|^ ,defçiarei, liumana vida,; , .\, , .,/ 
Aufente,'i^e hua mais que humai^a/viAa^r. ^ 
Que tao gloâòfa me fazia o damapí .,.'.> 
ycJQ'/> meu ádmno fcm a fiia-gloti^j ./; .^^ ^ , 
A mmha, noite falta ja fcu dia: , ., ., ,. .m^» • 
Trifte tudo fe vè , nada contente. .^ ,,. .,'!/. 

Pois.fem ti já nao poíTo fer contente., 
A^l poiTo dcfcjàr fem ti a vida : . .. . : 
iScmi ti jâ ver na5 poífo claro dia :. 
Naõ poffo fem te ver defejar viíla : 



p iatT a; í K i m* ir a. -tj^ 

Na tua viíh fó fe vfa a glcfria : 
Naó Ver a gloria tua he vct meu damno. 
Naõ via mator gloria que meu damno , 
Quando do damno meu eras comente: 
Agora me he tormefito a maior' gloria ^ 

Que pódc prometrcT-mc amor na vida. 
Pois romar-te naõ pôde í minha vifta ^ 
Qúc fó na tua 'd^ava a lut do dia. 

£ pois de dia em dia créfte o damno , 
Nem polTo fcm «il vifla Ter comente , 
Só com perdev a vida acbtfei gloria, 

S E X TINA IV. 

SEmpre me queixarei defta cmcza 
Que amor u(bu comigo otíando o tçmpo | 
A pezar de meu duro , e trifte fado , 
A meus males queria dar remédio , 
Em apanar de mi aqaella vifta ^ 
Por quem mé oonramava a trifte vida, 
Levàra-me ^ oxalá , traz ella a vida ^ 
^aia que naõ fentíra e^ crueza 
^ me ver apartado de tal vifta ! 
\ praza a Deos naõ veja o próprio tempo 
Im mi , fem efuc^ançâ de remédio , 
. dcfeíperaçaõ âç hnm trifte fado ! 
Porém jà acabe o trifte , e duro fado ; 
cabe o tempo ja taô trifte vida, 
ue em fua mòfte fó tem fcu remédio. 
dcixar-me viver he mor cmeza , 
>is deíeípcro jà de em als;um tempo 
Tom. II. S Tor- 



.1^ . AfiirrliHMAS. 

Tomar a ver aqti^* .dlo«c ?iífeu . 

Durí^ omíir I íp pw^ava íó cd vífta 
Todo o «lal me for d »(ie ^ meu fedo , 
Porque qw^cfte í^ç « levjflTc o tempo > 
E também fe o ^l^MZ^fl^ » porque e vida 
Mc deix^ p^ra^ver «Ota cmesA^ 
Quando çi^ aaõ vèJft fó vcjp o r^nedio í 

Tu fó de Biínb^ d^ eras ticmedki » 
Suave ^ ^leítefa > c faella víft». 
Sem ti , qifje poflb ^u vor fentõ icaiezA i 
Sem ti , qu>l tem i«e ^de dar o £ido , 
Senaô he conrehtir que acabe a vida í 
Mas elle deljlt tne '<]ibB:a o tcmpè. 

Azas para voar vejo no tempo , 
Que com v^qat a tmitos foi r omedto ; 
E fó n/Á voa para a minha vida. 
Para que a if^o m ítm tua vtíU í 
Para que quer ta^idiein o triíle fyÁ0 
Qie naõ acabe o «empo tal cruí^za i 

Naõ pod^ríMB éaer crueza , o» tempo , 
Força de fadt^, ou (alta de remédio , 
Que^ tíTa vifta me efqueça em w^ ^ ^^ 




&LC. 



27Ç 




E L E G IAS. 



01 



E L E G 1 A I. 

I PofU iSlAlôhicfós Tàllàtiáo 
Co' o Capitam tlícfmftòclek liiim dia » 
Em coufàS áé fcienèia pratídinào ^ 
Hum'aile fihgiliàt IRc kòmcttià^ 
Que cntaõ edmplitiKã y com aiiè lhe énfinaffè 
A l€mhtát'íé ãt tudo o que fazia ; 

Onde tíiÔ fubtís regras Ihé moftràflrè , 
Que niíntá Iht páífaíGm dá memoria 
Em iT^hum tttfipo zi couias qúè paííàíTc.. 
Bem íiieréeia , tertò , fama , é glória , 
^ueiti dávà fcgrá còriff"á o éfquccittiètKô 
^ue ft^ahá (^liâlquèr àhtigliá hiftòriá. 
Mas o Capitáfn cíárô, cujo iriíétitó 
tem éif^tétitiç èíiàvà , pòrquè havia , 
>o paííidò ᧠lehibtáuÇaá , pòr tónftéhtÔ j 
Oh illuíhe SÍIíTiòUlcíc^ ! (dizia) 
ois tatttó' êím fefí éfígcnho te côtt&fe, 
uc môftfâá á ífíèrtidílá riòva víâ i 
áíe n* áéffeè htfnl^ánie', (jUtf btA ificiis d^S 
S ii Me 



x^G R H y T H M A S. 

M€ naó Icmhntfft nada tJtrpaflàdo , ' ? 

0!i quanto melhor obra me farias ! ' 

Sc cfte cxcellentc diro ponderado 
Fofle por quem fe vifle ^ttar aufcnte > 
Em longas efperanças degradado \ 
- Oh como bradaria juftamentc , 
Simonides inventa novas artes , . 
Naó midas o paflkdo co' p prcfcnte ! 

Que fe he -forçado andar por vhrias partes , 
Bufcando à vida al^um defcanço honeílo , 
Que tu , fortuna injufta ^ mal ; repanes \ 

E fe o duro trabalho , he mànifefto 
Que por grave que feja ha de paíFar-fç 
Com animofo -elprico , e ledo gèftov 

De que ferve as pcíToas o lemba:ar-fç 
Do que fe paflbu já , pois tudo paífa , 
Senão de entriftccer-fe , c magpar-feí 

Se cm outro corpo hum^alma fe trafpaflaj 
Naó como quiz Pythagoras na mortc , 
Mas como o quer amor na vida efcaíla; 

E fe efle^amor no Mundo cftá de forte , 
Que na viaude fó de hum lindo objefto 
Tem hum corpo fem alma vivo , c fone \ 

Onde efte objeílo falta , que hc defe£lo 
Tamanho para a vida que jà nella 
Me eílà chamando à pena a dura Ale£lo \ 

Porque me naó criara a minha Eftrella 
Selvático no Mnndo , c habitante . 
Na dura Scy^ia , c tio mais duro delia ? 

Ou no Caticafo horrendo íiraco infante ^ 
Criado ao peito de huma tigre Hircana , 

Ho* 



PARTE' Í^RIRÍEIRA. 277 

Homem fora fomràdo de diamante ? 

Porque a cervii ferina , e inhuinana , 
Naõ fubmettèra ao jijgo , e diira lei , 
De aquelk que dà vida quando engana. 

Ou cm pago das aguas que eftiíei , 
As que paíTei do mar , foram do. Lece , 
Para que me efquecèra o que paflei. 

Porque o bem que a efperança' váâ promccttf y 
Oil a morta o eftòrva , ou a mudança , ' 
Que he mal qnc ham'alma em lagrimas derrete^ 

Já , Senhor V Câhirk tomo a lembrança 
No mal ;do bem paflkdo he trifte , e dura , 
Pois nafcc aonde ftiorre á élperança. 

E fe quizer fabfei* como fe apura 
Em almas faudofas, naõ fe enfade 
De ler taõ longa , e mifera efcriptura. 
Sôltkva Eolo a rede , e liberdade , 
Ao manfa-Fávotiío brandamente , 
E cu a tinha jà folta 4 faiidade. 

Neptuno tinha pofto o fcu tridente ; 
A proa ai branca èfcuma dividia , 
Com a gente maritima contente. '^ 

O Coro das Nereidas ^nos fegufa; 
5« ventos ,' namorada Qalatéa , 
Tomíigo focegados os movia. 
Das argênteas conchinhas Panopca 
ndava por o mar fazendo molhos , 
Felanto , Dirianiene^ com Ligea. 
Eu trazendo lembranças por antolhos , 
razia os olhos na agua focegada , 
a a^ua fcm focego nos meus olhos* 
' /^ -' A 



^7& y^Jt^^THJà^S. 

A bemave^uíf^d^ ]â gaíSfeW^^ : 
Diante de mi tíijiiw. laó pp^fencç.. 
Como fcnaõ inuc^^rfe o teq^po má^t 

E com Q. jeflp immqco. j 9 4^c!$i^Mietstc , 
Co hum lufpiro profo/ido , ç in^l ouyído , 
Por naõ míitat çieu i^'í| ,tÍJ% a gjgaqe j. 

Dizia: Oh çlfff;p.^iyi«pi,^!;^,:r.,ftntM» 
Ejn pw wpr, tiydj<«^ , ^c. inéi; ítsm 
Efe memoria, q r]^^ <ei|^s^ q$)»l!^'d# i > 
^ Sí: TOr Y^^ttç^ tíR^aígHv^hffi^ : / - : 
Adonde etiçç^. 9»g»'*o/lf<â^ «iss triÍ9«íeQ> . . 

Ou ja por ^ij ç, M^x(i^ ^^ ^ÍWR!í«0:^ . .» c: 
Ou ja por co%f..oufp.r»»iJ(*iHfci.: .: i 

Das Tagicas arè^, ij^p, fn|ç<9r> . . : * .. . 

NcUas , en^ v-erfe. çT<^m.i % çl§pm ^ . ' - 
Eícrevei co' hujp^ coRf ha o^q^ eiiy^m wflsf»^ 
Pode ler qué al|uj^ peíjiQ^ ír. cjjjj^a»*. .... ^, 
I E contando de mt m^Qjri^fl, ^ri0(e% ,, . 
Os Paftorcs dokTqjp , cji^er n^OHMiftip $ • ^ 
Ouçam de vós as niagoíis; <^i^ ^« o^vift^s^ ' - 

Elias , que já i;^?;. gdft^ ^>^ b^^^diíipfii, . , 
Nos meneos d^.oq^a^ mçtw^Mvaj^ ( ; ' 
Que em quarito IhcSff^JA ç^^ . ^ 

Eílas lembranças qp^,i^a^QI(x^3ânbaM^9lt 
Por a tranqui lç'dad» dp bíma^içat,^ 
Nem na tormema trifte nicNdfíÍ5Êji^iH> 

Forque checando a9.Gabo\dft ^ípçiV^ç^f 
Com-íço <ia. fi^idaílG. , que- rjènoví^, - . 

Lembrando a longa; v ^ ^íp^f^^^wl^WÇ^* ' 

Debaixo cíUndOí J4 daL.Eftr^IIft;npva>, 

Que 



^ 



^ P AJLTJÍ PRTRIRI RÍA. f^ 

c no novo Hcan^piíetio trSftóiJkíâí^ i ]^' 

ndo ^-feganèa x» ocna ftin¥íL ; 

£is aíjxoiceiCiaai.niitmt ii^^fêuf^l^i 

► ar fubitamcfiCB-: fe^Í5 Oí Â* í ' '- " ' . .'' 

todo oingí» OceánocfedtdbnMrttcf. ^ «í 

AniàchinafdBJ.Mortdajpawtlliv • ' ^ • '; 

le em i maí c tM» fe râwá f[c»fil^á(f^^ 

1 fenavniiior^iqp uist f0 -Míd^ia^' 

Lutando Bot^sM^fe» , e1S)i»ò MneenKlr »' ^ 

noraaífisfaipdftacks lotaicivabnE^y ^ ^ 

i9intáo$ as «etflé. 40itcav«é éêApMto. ' 

As cordas cqjÒ mid^^ aífourJ^^Mlf J^ ' 

i martiiiittEO!^-, jàdei^^owb^^ 

>m gritos pata ^ Ccb a ^ cosAiar^iiA. - ' 

Os raios pot iVNikaiio Êibricado^ , 

[brava o fero » e^^pem Tcmani^e ^ 

emendo o^Polosr ambos de aífolAblâ^b;)^ 

Amor alli ^^mbftn»ide<-íe' poffante , 

que por al^m med^^ naõ fogi^t , 

as quaiKQ it^aisí ^abdibo^ mai» dodft^tt %- 

Vendo a movtc preTcnce y em cí^ dteiá r 

i algum^homr , Senhora , votf Icmbnxflfe , 

ada do que j^aflEéi nnr himl^Kária. 

Em fim , nuncar hoavc orofsí qíie ittóAlí& 

firme amor iiitrínfcw de aqueíle ^ 
m quem ^çima^ vez do fifo encra^e^ 

Huma couía , Seater ,. pof dírra? aflblfe ^ 
[uc nunca anunr Te »£m , nemi fe apuní , 
m qu^isi» efià/prefaite a caufii delir» 

Defla arte me cbegmi nbinba vehcu»a 
. eúa defcjadiív e long^ ci^ra> 

De 



^ R H^Y T urnsíL : 

De toáo pobre? bOohdo/fefikilms: : ^ -i w ' 

Vi quanta vaidade em. nó», fir eticôÉra^; o' • • « 
E nos próprios quão. pouca 'y. icosifiDa jqueiiL» c^ ' ! 
Foi logo ncccíTario jcciçmosguerwi.: I . «. -' i 

Huma Ilha Quc ò Rei.de Foifçí «{»,'* oix». A 
E que o Rei d^ Pimcma lhe tomara^ « / 

Fomos tomiir-lhaif^íe fuccedco-noBiJaBro; . : oi;^ 

Com humoí. groíla; armada j quojjuncka u.n^/i 
OVifp-Rci, de Qo^r nos partimos V' >^ í' nuvJ 
Com toda a gente de/ armas. que. fe achara^^. 0.? 

E com pduco trabatt^o .deftrui&^os -^ x. * 'Al 
A gente no ^urMo^^i^Q «xeiscitada pj -•' ^ 
Com morte, copi^.flQcendiòs osípunioaoiv: .-!' ?<J 

Era a Ilha dom af^as alagada ^.n: ? ? - n /J 
Dt modo que fe/an^Va em alntiidias ; -^ 
Em fim , outra Veneza trasiàdada. '■"■ - 

Nella rios derivemos fó&dous^diíisi, • ' 1 
Que foraai para algúus os derradeiros. 
Pois paíláram de Èftyge as ondas frjâs- = 

Que eftes faõ os remedíosr verdadeiros 
Que para a vida cftaó apparelhados 
Aos que a querem ter por cavaUeiros. 

Oh Lavradores bemavenratadds ! 
Sc conheceíTem ftu contentamento , 
Como vivem no campo focegados ! 

Dà-lher a jufta terra o mantimento ; 
Dá-lhes a fonte clara da agua pura , 
Mun^cm fuás ovelhas cento a cento. 

Naó vem o mar irado , a noite efcura. 
Por ir bufcar a pedra do Oriente ; 
Naó temem o furor da guerra dura. 

, Vive 



PARTFFRrMEilRA. ídi 

Vive hum cm fuás' atv&rès 'cómctitc i ; - 
Sem iKc.quebrac b fomnO' ttpf^adò - 1 
A grào cobiçar, de <mro rdoMfté^ . ' 

Se lhe faí^íLOjTcftidq peifunr^ailo , • ' 

£ da focmofa cor de Aílyría viimó ,- ' ' ' ''. 
£ dos torçaêa^tAtialicos lavraub : " ^ 

Senaõ;tair'as cfadicias de Corintb, 
£ fe de Paria, «b mannbm Ihei^fisrttam ; ' ^ 

O pyropo , a efinfradda^^ c o jadínvo-S ; " 

Se fuás. caías , de ouro naõ fe efmaltam , 
£fmalta-(ê-lhe o campo: de' mil^flofes 
Onde os cabritos feus comendo faltam. 

AUi lhe ctt0flra:Q.campo>:várias corwv ' r\ 
Vemrfc os r^mos-fpnicit coi'' o fhsâo seramóf ; 
AUi fe affina;!o. .caoto dos>P«ftoflkJ '"V 

Aik caniiu-aTic^Q y e Silenó :í 
Em fim, por eíltgiftirèes camlnhoti'"' : ^ •' 

A «ia juftiça para.<o Ceo fcrwiò.' 

Dicofo {éf3b ziffdià quq akaríçou * 
Poder viver n^ doi0 oompanhta 
Das manfasí ò velhinhas x)ue criou. 

Efte , bem fàcnhncmc alcançaWáí 
As cauéis natunies de toda cctrfa ; 
Como fe gera a chuva , e rxvé •'ftja': ' 

Os trabalhos do Sol , que naô tepòufa ; ^ 
E porque nos dá a Lua a hiz alhèá , 
Se tolher-no$ de Phebo os faips ouià : 

E como tBÕ deprcífa o Ceo roáôa ; * ^ 
R como hum faos outros traz comfigo } 
E fe he benigna ou dura Cyrheréa. 

Bem mal pôde entender íAo que digo , 

Quem 



1 .^\ 



Qoem h^ ik anjac ftfcirittda d fam Morte , 
Que fcmpre <fs. QÍh^mts ah ícw pen^. 

Porém feja , Sc^Iiqq^ de jiNihpràs.anr , 
Pois poftoqur á fomioa poflã. tanto | 
Que taõ longe der 0>cto> ò^ boto we âpaor^r 

Naõ podcra apMte.«itfu:chito «antor 
Defta obrigaçaã íua^^ dm ^naiid» m vtmnt 
Mc naõ esiif^ a^.dutor RaAmunta; 

Se para nSf» lia« ta5 léd^firme. 



.'.j 



AQuelIt^^^i.JiQt' aiiioir.fÍBrc»tsdiii)db i / 
9ac ^ fofMifQr. fmç9í írpridnfr. 
Que fó por n.^.^3rQrTor*peididQp: • 1 

Defpois que a:4ro& cnv orasL z^ cotamímííf^ 
De feu humanfir goflo vecdadtinii^ * ^ 

A ulrina voz fó. Ihr jsoocedo»*.. 

Afli meu tnfi^ do^ ^iprio fth^frnievrd^ 
Outra coúíà nen^trtmi mo- ooofioítey 
Que efte canto .qtie ieíbcVQf.denttdrâo» 

E fc hunia pcfiiea vkb cAainàr aufirate 
Me deixa amor,, Ke po^^K o pcnfimcnio 
Sinta a perda, (tot Wm de dkr prefeote. 

Senhpr , fe^yoi ofpama o. feiirinierao^ 
Que tenho em" niot^tul fait er<ae\è4o » 
Furto efte breto eípikÇO' a adon tooneoro. 

Porque (uic^ tcn» pDdcr pnr &>ffiè-lo > 
Sem fe acaoar a vida:^ o»' «^ cmobrido. 
Também terá pader para* (fòiè4a. 

Nem et» efanvjo kim mal jái «ofomádo; 

Mas 



PAJkT?B FRtWElICA. a«F 

Mas Qft alma íxúh\^ trilk ^ o-f^nlc^i^ 

A faudade ç&F^ye,..e m trtslado. 

Ando gaftanda % vida trabattmiiiy 
E efparzin4et ^ ^ontímKt feidade 
Ao longp^ 4^ facilita pf»^ (oiiàí». 

Vejo do ,)9NUí > inftabilidatk, - 
Como com fei\ iWdo infçieowfo 
^S^jupn}:^ W.w^or qoiu»vidarfit 

De furibuidímí mà^ podcfofi». 
Na terra, a.ftn^ pirz» , oAái tfm»rtd«i 
Lugar em que Çt. çAsnda cia^sno£sK. > 

£lla y comtir i^fti^ fr%ca > &i» ctUii dand» . . • 
As concavaç. entímhm. > onde eílcja r ''.^ ^ 
Sempre coip.;f^ife^^iK>ítind<r f^^ ' ' 

A rodas eíías coufas tctebô>'iíwqfc ' -. 

TamaQ^y.<|jH^ tmq fèi de<rnniiiaFnaa, - • r 
Por mais detepwírwdp' cp» »j« veja-p. > s\ . / 

Se c|uero em tmm^ wiàkàsíkfftmMrít^ 
Naõ poíTo y porqpe aimoe», e-fiudadcr, . 
Nenií lÍG«i|»rm«' daà pam: m^w^moi 

A vezes cujcfc^ mUimi:, fo ib iiOMÍd«dr^ . 
E eftranhoeai dm çotfíaa^, <7^ f^ mudança y. 
PoderiapiiJCOildii Kuqo^ voocadcv 

E com iíb(. %ur0 na* lismboniçai 
A nova cerra, o o&vo orato humano», 
A eftrangeir^.]i«ogefiife, a^efitemlia ufínçak 

SubG^i|l0!, Ml monte? que fíbroulesThcbanoc 
Do altiffimo Cdpe dividíòry 
Dando camidbQ aro mairr K&dktorafiQ. 

De alILeâM tantcando. aàçmd^ vi^. 
O pomar das Jeiie^cudiís; monndsii 



L'/ 



A ferpc qup a fcu paflb rcfiftte. 

Eftou-me cm óutnt parte figuranda 
O poderofo Anchco , que derribado • / 
Mais força íc lhe vitiha accrefcemàndo. 

Porém do Hcrculcoí bmço.fobju^kdo. 
No ar deixando a.^ida ,' riaõ podendo 
Dos foccoiTos da mái f<?r ajudado.' 

Mas nem com iflb , em fim , 5 éftòU êiícniò. 
Nem com as armas- taõ continuadas , 
De amorofai Iwnbrânça® me defendo.' 

Todas as coufas vejo demodadás , • 
Porque a. tempo ligeiro naô cònfente 
Que eftejam de firmeza acompanhadas. 

Vi^ jà que a Prhmvera de conrcme^i 
Em varioaas coresr revéftta * -•> 

O monte , a campo ^< o v.iHc , alegremente. 

Vi jà das altas aves a harmonia , 
Que até duros penedos convidava- 
A aiçum fuave modo 4c alegria. ; • 

Vi já, que tudo v^em fim^, me ec^Kenàva » 
E que , 4Ít muitot cheo de firmeza , ' 
Hum nvl por mil praieres naó trocava; 

Tal me tem a mudança , e efttanheza , 
Que fe vou por os prados , a verdura 
Parece que fc fécca , de trifteza. 

Mas ifto hcjà coftume da ventata; 
Porque aos olhos que vivem defcontentcs , 
Defcontente o prazer fc lhes figura. 

Oh graves , ç infoffiivets accidentes 
De foauna,c de amor! Que penitencia 
Taõ grave dais aor peitos innocentes! 

Naõ 



PAíRTE PRIMEI* A. tSy 

Naõ baíb examiuar^nie a pàcicncia 
Com temores , c ialfas cfperanças , 
;Seni que também me tente o mal de auícncia ? 

Trazeis hum brando efpirico em mudanças , ' 
Para que nunca jpoffa fer mudado ■ > 

De lagrimas , íuipiros , e leqibranças« 

E Te efliver ao mal acoftum^o , 
Também no mal naõ çonfentis fimieza^ 
Para que nunca viva defcanfado. > 

Já quieto mç achava co'a trifteza , 
£ alli naõ me faltava faiun brando engano.» 
Que tiraíTe dcícjos da fraqueza. 

Mas vendo*me engajado , ^ftar ^fano , 
Deo á roda a fortuna , e dclo comigo , . 
Qnde de novo choro o novo dano. 

}à deve ác bailar o que aqui digo , 
Para dar a entender o ma^, quç calo » 
A fluem já vio raõ aípexo pjsrigo, . - 

E fe nos brandos peitos faz abalo 
Hum peito magoada , e defcotiteUtc , ' 
Que obriga a quem o ouve a confolã-lo ; 

Naõ quero mais fenaõ que larg;amentc , i"^* 
Senhor , me mandeis novas -deíla' teryíi , ' "^ 
Que alguma delias me fará contpme* '* 

Porque fe o duro fado me defterra 
Tanto tempo do bem , que o fraco efptico 
Delampare a prifaó onde fe ct|cená; * 

Ao fora das negras aguas dp Cocito^,» 
Ao pé dos carregados arvoredos^ 
Cantarei o que na alma tenho efcrico. 

E por critrç cftcs hórridos penedos ^^ . 



48í jrhYthMas:^ 

A quem negou Mfttura o dàtò d\áy 
Entre tormentOÈi âfperoô , c t^^oí y 

Com m tr^intda Vo2 , mtifàda ^ « fifai » ' 
Celebrarei o gefto daro , e (nifo , 
Que nunca pcfderiíí da phantaíia. 

O Muficô dô T*hmciâ jà feguro 
De perder fua Eôfydict , tftngehdo ' 
Me ajudaii feriticio O a*- éfcUro. 

As namoradas (bi«)ibt1» , rèvolvênclo 
Memorias do paíTàdò , me ouvirão -, 
£ cqin feu choro ô rio irà erertefido. 

Em Saímonéo k^ ftXító fàlfarac, 
£ das filhas de Belo juntametlte 
De lagrinias oi Vaf<M fé ertthei^àd. - 

Que fe amor nzò fè perde em Vida átífchte , 
Menos íc perderk pòf tntxffie cfcura : j 

Porque , em Sm , â áímà Vivse etémàmcme ; 

£ amor he «Aito da altha , e fempre dutá. 

' E L È G I A IH; 

OSultnonenfò Oidid defteffadò 
^ Ma afpm» éo Ponto , imaglnaitdo 
Ver-fe de f^m P«i)áte9 apattado i 

Sua cha« fnuttker defftnipánttidd , 
Seusi)dbees flthoi , feu conti^ritameriro; 
De fua Pacria G« èlhòs ápflítafido: 

Nao fôd&uíé «tidobrif ò rennmeHtò , 
Aos montes jà f jà âo$ rios ft queiítavá 
De fcu cCentò , e trlfte har<;iníentò. * 

O curfQ éàê EÊ^díM coâtemj^atai » 



PAATE PUIMBIltA. iê^ 

E aquella ar(foflB.ci>m. g^ Mtmfit 

O deo 9 t o ar.^ e.d teita adonde eâarft» 

Os fauces pofí o Buir nadMulo ^rik^ 
As feras por « momM , precedcnda 
Com o fçu lUROttl ihes pcitiifttta* 

De fuás fontaí via cftar niíôeiiife 
Os Crucbfi» jii» de cryíUi ,' 
A' fua aattijreza x)bêdcceni}o. 

Affi (à éc ftii fropdo manai ' 

Apartado íe ¥ia cm tenra eâranht 9 
A cuja tnfie dor aaó acha ig^aL ^ 

Só fua doce Mdfii o «eompnka^ ' 

Nos íbidofos «crfi» (^e eícsrvia , 
£ nos lamentos -com que o campo baidit. 

Dçflt ares ow íigaca a phcnoaía 
A vida com cjucm mono ^ deifermob 
Do bem qu« em .outro (empo poiliifau 

Aqui conMii^rio « goáo )á pttflado» 
Que nofica pawii por a maravia 
De quem tiaz na ments debuxado. 

Aqui vejo oadnca, c dobfl gtotiai 
Defensçanar meu erro a>'a mudwi^a 
Que, ua a 6agil vida tranikoria^ 

A^ui me repnefenta dh lembnáft - * 

Quão pouca cu^ tenho: me aKmtesê ' 
ver fem razaõ a pena que tnc «tcanau 

Que ^ |Màa foe com csníà fe |>atf«ce ; 
A caufa tira o feiícimeneo delh y 
Mas muito doé a 5|iie fe mõ merece* 

Quando a rom maidiáa ^ doumda , ^ bellt , 
ay>re as pociM.ao âot > e cahc ^d imailio* 



z%9 RH I TH. MA S. 1 

E toma a feu$ queixumes Philomela ; 

Efte cuidado que co' o fomnp ^calhp ^ 
Em fonhos me parece , que o que' a gente 
Por feu defcanfib tem me dà trabalho* - ^ 

Edefpoís dcacocdado cegamente, ' 
( Ou , por mc^or 4izer ^ dcfocordado , l 

Que pouco acordo logra hum deícomente) 

De aqui me vou , com paíTo carregado , * * 
A hu outeiro erguido, e alii me aílento^ 
Solcando toda. a rédea a meu cuidado. 

Deípois de farto jà de meu tormento*, 
Eftendo efte^ iheqs^lhos fàudofos 
A' parte donde, tinha o pcnfamento. 

Naõ Yíjo fenaõ jnotitcs jTedregofos ^ 
E fem graça , icífcm-flor , os campos vejo > 
Que jà riòridbs vira , e gráciofos. 

Vejo o puro ,'fuave , e rico Tejo^ 
Com as concavas barcas , que nadando 
Vaõ pondo em;idoce eíièito o feu defejo* 

Humas com braitdo vento navegando , 
Outras com leves remos brandamente 
As cryftallinas aguas apartando. 

De alli fallo com a agua que tuõ fente , 
Com cujo fentímehiD e{k alma iki ' 
Em kgriaiaâ desfeita claramente» 

O' fagitivás ondas , efperai ; 
Que pois me tiaõ levais em compatdiia , 
Ao menos eftas lagrimas levai. 

Até que. venha aquelle ale^ dia 
^ue"ed và onde vós ides, livre, e ledo* - 
tanto tempo ^ quem o paflarl^i 

Naõ 



PARTE PRIMEIRA. 28^ 

Naõ pode tanto btm chcj;^ uô cedo • 
rque primeiro a vida acabará, 
3e fç acab? táô afpcro degredo. 
Mas ejTa irifte morte Que Virá , 

em taó contrário eftado me acabaíle , 
b alma aíC impaciente adonde irà ^ 
Qac fe ás porcas Taitaricas chcgafle, 
:mo que cantx> mal por. a memoria . 
[^m ao paíl^rdo Letha lhe psí&iTe* 
Que fe a Tantalp., e Ticio for notória 

pena com que v^i ^ e «que a atormenta ^ 

pena quçr^ :tem tqi^õ por gloria. 
È(la,;imagipa$aõ , em âm , me aagmenca 
[il magoas ftOí ientido ,: porqoe . a vida 
e im^^ns^ções .ffiítesríe iomen^i. 

Que pois;4ejtt)do vive corrfuniida, 
orque o maiquè pc0ue íe refuma, 
nagtna na gípçia pofíuida* 

Até qtie a nqUc etoraa me coníuma » 
^u veja aqú.elle dia delè)ado 
m que a formna faça o que cofiuma ; 

Se ncUa Ka^^i mudaii;->fe hum trifie eftado^ 

&.L EG IA ,IV. 

r^Efppis que Magalhães teve tecida 
L-^A breve hiftoria fu4', que illuÔraffc 

Terra Sa^çâa Cruz , pouco fabida; 

Imaginando a quem a dedicafle > . 
Kl com çuio ^vpr defendçria . ,, . 
eu livro de algjom zoilo que ladraflp : 
iTpm. IL - X Tetu» 



1^ R HY^vriHM:A'S; 

TetiJo liifto otcupícfá aip'^antafia. 
Lhe fobrevcio Kum fowino repoufado, 
Antes cjuc o Solabrifle o clãfo día;^ / ^ 

Em íbiihos lhe/ ctppaarecó;- todo armado 
Marte , bfandintla a' latiça-furiofii , ^ 
Com que fez quçnr o 'vro "todo 'enfiado. * 

Dizendç ^ em Voí^^^ada., e temerofa ; 
Naó hc jufto ;qtte'â outrem ifeo^reçaí ' 
Obra alguma que pofláJ fer famôfe V ' - 

Scnaõ* a qoertt por^rtnàs rerpíàhdcfa' 
No largo Mundo toMftat notíteV e fiíma ,' - { ^ 
Que louvor immortat- fettípfe Ittéré^a; { ^* 

Diífé alfi j qttando Apòttò > que da; Saim * 
Celefte guia o*- catijoí i* de ouirâf pane- ' ^ ^ -'"^ 
Se lhe prefentaV"e'pô? feií norâé-ò-.chálaílÀ , '^ 

Dizendo : MígáM^ ? gpftiqôe-IKfaíCC ^ '^ . . 
'jCom feu terror te efpánte , todaVi^"' ' *^ 

Comigo deves fó de acônftlhàr-t^.' . ' •'* 

' Hum Varaõ fapieflte , efn qulfhi" Thaliâ 
^Poz feus thefouros, c eu* minha fclehcia. 
Defender tuas obrai' pt)déria. 

He tufto que á c(críprura na pnKfcnc» 
Ache fó defenfaõ ; porque a dureza 
Das, armas hc contrária da eloquência, 

Afli dilTe : e tocando ,com deftreza 
A cithara íourada j"^' começou ♦ ' '" ' 
A mitigar de Malote a fortaleza.' - 

Mas Mercúrio. i que' fempre ^ftôhbii 
Pacificar porfias Áiviíòrfas i \ " - ' ^ 

Co' o Caducêo n^ tóo'/ que fcnfcfe ufoú , 

De:ermm^'coffi^5r:is-pcrígbfaâi ''^. ' '.'^ ' 



PAUrr. WEOrMlJlIlA. : ipi 

Opiniõfs doS'de'aÍ£« immifíbg^''>^«*->'' -' '; *- 

Com fiiâvefc.Mazões , epcífiáéi-díás. ' -' ' 

E diffe: Bem fabemos áoí-anbgos- • - '■ ^ * 
Heroes, -e dos moífcrndç j que pro\^áram ' / ^ 
De Bclòn* 'OS ^raVilHiiiog fárjgoá', - - . • 

Como cambem niil vezc» córtfcércfiram ' ' ' 
As amnas <:â<m at Ictris^ poraue âs Mufas ' 

A muitos Há' mitida 4con)panhfcram< 

Kuna Alexandre, o!iCcfâíy>hás' cótifejfai- ' ' 
Guerras o efyxd^ dci^ami grtinâe ^fpaço i • 
Que as armas''já maís^ ãell€^'íaãr>«réurasi ' 

N^httitia fnÍ6-lÍ¥ro8 ^ n'^ttfa ferro , â ãço ; ^ ' 
Aquella rege, e- ewGtra ;• eí^oOWâ íbre : ' ' -^'i 
Mais co''ofábcr ft^^vôhce , ^que '<5ô'.o btaçíl»/ ' 

Pois, logor,-ho«iV^râõ gmnd^ fe rcqiicré;' 
Que com teus dôès ( Apolio ) titóftre fcja-j ' 
E de ti ( Marte ) palma , e «gtorift- efpere. " 

Eftc voS'dai3el'«u ', em quem fe veja ' 

Saber , e esforço , no- fereno^pek» ; 
Que he hum Leioniz q faz áo Mundd inveja/ 

Dcfte as Irmfias ém vendo dkofyr fog^kb » 
Todas nove nos -braços 'o tomàcam^^' ' 
Criandò-o co^ofett-tcííe np feu íefeô. 

As ArK» , é W Sdenciás' Ihef 4ènfiftàíiftm , ^ ' 
Inclinação divina -lhe influíram 
Ah virtudes moràfts que logo é omàrami» 

De aqui nos eíjèefddc^' o fcgufram ^ 
Das armas* ÁO'©rteme , onde prlmaie» 
Hum fiQJáador'jgenfaí4íffftfcuirâm. 

Aili taés '^tc^s. fez dÀ C^v^iro y T^ 

Que • de GhriftSdl mtígnatiittio í'-tf^í^iíro , »-* 
-iojK T ii A 



A fi mefmo veacca por deriad^irõ. 

Defpois , jâ Capitam forte , c rnackir© ^ 
Governando toda a Aurca Clícrfoncfo , 
Lhe defendeo co' o^, braço o :<lebil muro* 

Porcmc vindo a.cétcarU tódorO;pef5> . . 
Do poder dosí Achées', qac :fc (á&tmk t ' 
De alheo fangueii, cm furit ttido: accefo 5 

Efte fó que a xl , Martç ,. iieprçfenta , - f. 
O qiftigojii de, foftft^ que vcaQldo • . 
De ter quem vivo, Jquç ,fç contenííiv .> 

E logo que »ríteR«iilO defendido .» . , ,; 
Deixou i fegunda .v«z , com vç&m gliWÍa » 
Para o ir goverr^ar foi elegido» - . ; 

M,^^ naõ peirdeiido . aitjda ;dá mçodoriíi , : ^ : 
Os aiiiigôs o feu governo Israfido > : . *. 
Os inaigos o damno da vi£loría ; , 

Huus com amor' intrihfcco efyerando 
Edaõ ^of elle ; e os. oupros cotigeiadot ^ 
O çftao com feio medo recieaodo. 

Vcfdç , pois , fer feriam debcJlados 
Por feu claro valor, fc là çomaíTc , 
E dos Indícos maíea degradados. 

Porque hc jufto que miaca lhe ncf^ffc 
O conielho do: Qlympo alto^, e /i^bido , 
Favor , e ajuda com quc pdejaflc. . * 

Aqui fó pôde fer bem dirigido 
De Magalhães o cfludo : efte Tq deve 
Ser de vós , :diaros deofes , efcolhido. j 

Afll Mercúrio diíTe j c em. cemiò hxfYt ,. .. 
Conformados fe vem Apojto y e MarQs | , ; , 
E voou juticamíjatc. o foqmQ. leve; . > "^ 



PARTE PRIMEIRA. ip'^ 

Acorda Màgâltóés , ft jíi '^fè' parte '^ 
L offi-eccNvos , SertWor claro , e famófo , 
'udo o qtir nriIefpo2 fciéívcía , e arte. 

Tem claro eftyld • c efipjenho curíofo , 
'ara poder dc' vés ler ret&iâo" 
Hom mã<i?ben!gna de anihio ámórofo. ' ^ 

Pois fe fó de naó 'fer favorecido ^ , 

íum ^Uo'^fpico, fica baíxò , e efctiro i 
rfte fcja comvofeo defendido^, ' 

Como O' foi de Malaca o débil muro. 

, ' ■" • * 

ELEGI A V. 

A Quelle movtfr de olhos ex<í^Hehcc , 

*^ Aqueíe vivo ^e(j>irir(* inflai«ma<Jo 
►o cryfiallino rofto trahfj>áremb : 

Aquellc geftof immoto y é íq^òlifado , 
)ue cftancío ' tia alma propriamente efcrko J 
Taõ pó4«i for?'em vevfe 'trasladado : - 

Aquellc paftcer ^'*^ue he infinito 
ara fe cortiprendcp de ' engcnbo humano , 
) qual ojffcndo em quanto tenho ditb : 

T^nroítflHffâmffT-flie vemde hú doce engano ) 

tanto A engrandecêr-me a phantafia V 
Kie naõ vi maioí gloria que meu dano. 

Oh bemav^nturado fe)a'odia ' ' 

hl qu^Litomei taô doce penfamento , 
[ue de todos os otKros- me dcfvia ! . . 

E bemavertfutádo ^ o fofirimcntcl '. 
hie Toiíbe fer capaa de tanta pena;, .» 
'endo que ò foi da caufa. o entendimento. .; 

' Fa- 



Faça-ifte a^ctft: ^ >liâtíi * O.^iftal <pft órã^tkf 

Traté-me com * cdgaftçs , deíámprcsj» . • f^ 

Que ehtaó.mc falva.quapdo.mfif àan<tena«, (\ ./í 

E fe de laq fuávcs ídçsí^voreál ) r % r - ' 
Penando Vive hTOi^âlmíh-<:onfU!Siída>i r .1 

Oh que doce penar ! Que áocté dojrís 1^ i > 

E fe húma cortdiça0 cndureckíàj , » 
Também mé dega a iportc por meu daoo> I 
Oh qW doce moffer l Quf&VdQçe vida l ^ : 

E fe me moíba,.)iuín/ gçfto' Imdo humana^» 
Coitio qiie de meu mal Culpada íp àcKa , 
Oh que doce Incntir/ ! Q«e dbçe engano l 

E fe cm querer-lhe tanto ponho tacha , 
Mofffándo íefirgfvé pcfrtíãfnjfmo,... • 'í ; ' \ 
Oh que doç^ei íwíflrínQtííe átKC-cflchai. * 

Affi que ponihd \í^i^^rSf>SÉr'mpfí^ . . .. . _: 

A parte principal r^ç 4fn^nh*,rflíOtíao> • ; • " 
Tomat\^ gQr.«i4hiô^ W<? MJiííncttfO.í -^'-'- ' ' • 

Se' finto tanta be^^^íp -^joí-á .iBçnMJriâ V i " .X 
De ver*vos , Uttdtí Daii4 , venceria* ç --'^ '. 
Que q^^íffo. eu^:fn0iif!^i$*eo íe^ t;»offa víótoíia.í .-' l 

Se tanto a vofe viflsiima|s .twn^íífav • • 
Quanto- e^ foU iil6«íoá:ípRra .0K»cd+wõí.; 
Que quèrc) ett niáí» qtie:tef^o$'pox Setthora? i 

Se procedo 0fte b^ dc: donhcccr-^to , . 
Ê confifte o vencei étttsfét véttódo^ l.^ 
Que quero. eu mais ^ Senhotá ,.«jt5è.qiicrarp^s? ' 

Se cm mèu proVeko faíz qualquer Ipattidoy' 
Só na viíla de ItóHs olk» Mâltecsnos^.-^^.. ^. 
Que quero CU mafía ganhab qitc[ fec perdido? ^ ' 

Sé ^fcm; fiiii r -os^ meiís 'efpthíos.; de pcjqufiíws , 



K metcccr ^9& çhiifjim^ítttcPtcmitÁto^'^ 

[^ue quero çj(i*2|iai$ > que :o*^i^i$* naõ feja menoi? 

A cauia^ f€Í9^,^ xt^ céfor^laraTaí&imentp; 
Porque , a pcEar do múí^utítot rdiftc, 
De todos o$'n'abalhos(tnc contento-; 

Que a rítgaÁ bz a pena -akgre ^ oo uift«* • 

eleg/i.a"Vl. ' • í: .-■ 

. ' ■ •. \. . í- • '. - ' . ■• • -rrr' 

ENtre ruflicas ík$mi c Stã^cibi^ 
Compoftâa de aíp«riffimoi rochedos^ 
3c falitradas lapas cavemofas'; 

Onde gretando os húmidos, pttiedos 
Drvalhados de neve branca j e fria , 
Brotando eftaç de (l mil arvoredos ; 

Huma florefta fez verde , e fombcia,-: 
\ natureza expecta , que lodèa ' 
Zomo devido muro a fipnánidL 

Nefte formoíb íkio- Ce nccrèa 
3 lafciVo Cupido entre asf:bo«iiwà 9 • ' i 

;^ue fempre huQi']irando. Zcpbyro-^moièa.f * 

Da cândida cftet^ , d^^clavdlilíãsiy ; ^. ^ ^ 
3a falva, mangerjàtta». e d«i.itn»%uet3S>, - : 
Das rubifundas :fior(*s hf ^cixiihiiÉíSi ; 

Muitas, c^pdlfts te€c , qpe djè fowíi - r fo '>í O 
l.he fervem cQ|i|ra -peitos d< donaplbíB ) r < !< 
\ qu'cm de inveja»tifí^^ftmpiCt»*}uitftàs^. - r 

Naó faô dp }^na« (^ cpr as ik4re& bcUaa, : t 
Que humas cfewlca ycrde, on^asrtQ&dlTy *^':i 
Entre as azucss^t^reícorido gs ainaiclkís* r*' t^H 

Dos agr«fte«.tewcyos rpde^d© " 't'-^^-. ^^7 

Faz 



Faz o vallc haraxíbwWa' dctefto&i 
Quando apparece o Sol w^ais yv^mà». 

E per cima da rdjm- bem^giacíofa ^ 
As ^ottaa de cryftal qúáifiimirando í • 
f^flaó do alfotar puro a hiz formofaá 

Ai cryflallinas fomes , ^ue bròtanJo 
Por entre alvos fcixinhos fe derivam , 
Das arvores os troncos', vaõ baríhanáo. 

Entre as límpidas aguas , que inda efquivarpL 
O formofo Paftor cfue feipefiieo .'7' 

Prcfo das > feiras moftras què o captívam); 

Crefce a por eo^ caufa fe efoueceo 
A linda Cyrher«i do X^uloano , ' 
Quando preía'de lanjor fe lhe renJeo. ■ 

Na b«ncura do rofto foberano y 
Inda as cruéis, feridas apparecan 
Do javali cerdofo { e desnvmiaitô. 

As rofas que de- fangiie refplAndèCtfm 
Nas cândidas boninas marc?hetadás\ 
Qual roxo efirnahe íá vifta bem fe offiíécm. 

Do.manirino otvalho rociálás ^ • ■ > 
As flores nirik'4tes%,^e cheir«fes ,' 
Eftaõ co^o ^|ior<dnui prateadas, ■- 

Os humidosí b<>wes aWndo as Mfâf^ 
Que os agudd*" efiiirthos vaô *cercanda , 
No prado fe vem rhído deHtiéfàSi • '" 

A roelKfera abiílha fuforràtrfo 
Por cima das bohmaí , que rodèa , 
tftà fC3í» d fom dag ■ aguas eoftcettando,' 

Do trémtfíò ttgáeo a bttfhda arôa 
De Jacinthos fe cobre * c d^^vidias^i : - 

T Que 



PARTI PRIMEIRA. i^ 

Qiift éncrclpâm da comnce ai branca vêa. 

Os alamos, fc abraçam to' as' videiías ' 

De forte que fe enxerga efcaffarAift^tc ' .: 

Se faó os cachoa fcus", fe das parreiras , 

E pendendo por cima da corrente, - 

Outro tòrmofo bofque debuscando 
Efiaõ no fbnído delia brandamente. 

Ouve-fe o rouxinol aqni lemlsiando- ^ . 

Do pérfido cunhado a crueldade , . > 

Mágoas ein metodtas cransFormarrdo. < ^ 

A folitaria rola^com foidade *' 

Desfaz o rouco peito jà canina i 

De que naõ move a morte a piedade. * 

A domeflica Progne anda banhada 
No fangue de fens filhos , crp vhigança " ^ '^ 
Da rriífc Phriomcna ptofanada. 

De competir co'o merlo naô deficança ' . ' * 
O gárrulo calhandro , que" enrouquece- • • 

Por naõ perder calladò a confiança. 

Em quanto o pobres ninho ajimta , e tece 
O fonoro canário, modutaíndo ' 
Ens;ana a graive pena -que padece. ' ^^ v» 

AlguusTcrfos.fc efcura, dpwramanda :.'.." 
O vário píncaíii|;o^ taõ íáudaveis ,: ^ t ' 

Que prodbae^ memorias dé amor brando. 

Por os direito^ xroncos ha notáveis 
Epi^ammas ; ^Igúos de áínígua^ hifioria , 
Que contra o duro- tempo faó d*^ravf is* ! 

Húus de cruel tanwmto , outros de glarla^i 
Conforíi^ á liberdade do que dcrevt,- -.^ . } 
Eftranhos caios moibrant á memoria*. • .11. 

O 



O que jxe!k9, bxpx contente éftcve , 
Contente declarou (eu pcnfamento: ,. 
E os prazeres t^pbçRt qufi ndyic teve. 

Mas 9utro9 deflaranà o foicimcm;a. . 
Que dos o|hfiS' dcftila triftcá agoas • - « 
EJcixáram mil letiibranças de tocmcwo. . . 

Abrazando-fetrfguus em vívás ibgoas , 
Efcrevêramr,: do -Iwí^ae cnt muitas partes , 
Goftos de amor, agoi^ív^çora» mágQgs* . . 

Porqtie, cfuel metsitto j.a:.piceonio ptrces, 
A quem feras tyratínd fií Ika,nTC^ t 
E injufto , e deíigbal ^ fe lho rq^anea } 

Porque enganas as afanas quccao cega» 
Afraftas apoz' ti , de error captiVas ? 
Porque a cruéis figoTes as entregas ? 

Para que contra hum peito affite éfqoiv». 
Que humilde ♦fc fujeíra a teu cuidada*. 
Com enganos de íbmhras fugitivas ? 

Levas como a menino hum ipobre a. nado ^ . ' 
N^hisma apparenda fiuKa cmbeyeoido ^ ' 
Quando co' os braços tom, o mar itichado. ^ 

Querendo-fe tomar , vè-fe perdido-, 
]á grita que ie aíSbga , e lu zàrobando 
Da praia entrerOS penedos ^efcondicb.' ^ 

O trift.e ;, que' conhece. irnfir.aíFogandoy 
No meio da arfífcada tombaria , •.! »i 
Por divino 'focêoffo elSkà xlamáodo.; - 

Mas eu de qtíe me efpaitto , fe dizia > 

Hum Sábio, que de- engaMosfe-tmneffe 
O que toimffe a hum cego tál p6r guia-? "^ 

^ NuAca nelle t firmeza permanece ^ 

Sc 



PARTEBRISfMIfeA. tfp 

nos tlà gofto alg4im/hiiidà-ftí>lQ'go ; 
chora 5 jà f« ri , já fo cnfiwfccí; 
Anda co' os corações fcmprc âm hum jogo > k 
umas VC2CS os ízz 4c dcdra fria y - > 

utras os faz de. neve , outsas de: fogo. ^ 
Tomando ao bofquc nieu,^^ defaevía^ *» 
tefpois de ter. contado da firefoirai í* 

^e nelle c«õ pQrnpofa apjparecia ; ; . 
Referir queco ilgoiU huina avcneura 
^ue nelle ao vão. Narcífo acontecea / - ^ 

Digna de fe chomrcom mágoa pura*. - 

Caftigo foi- que ot moço meçrceô ■ : • -^ 

Por fe moftrar efquivo cora aquetía-' ; : 1 I 

Que em viva pedra. Juno comnertcbs ' ^^ - -^ 

Ardia em fogo da alma a-váa:>dofizdia , i ' •- 
Soffrendo hum. duro peitos cpsteh Narcifo • .ri 
Quando eíla ^laís-fc■abra2r5 ctíiat» cònçetiaVr.'? 

E quando . a fir^ca Nymphà hãais tide fif^^ 
Moftrava humifignal certo- de* firmeza, : ^ ' '1 
Entaó fe provocfiiva 'o moço a rifo* ^ ^ • 

]a de huma proíundiffima trHlfcsa • •' ' 

A dcfcofâ o rigor qâe a confotnia. 
Combr .di2 ded&i^or mal com beBcza ! , . 

O gelado Pafior folgava, e ria^ -^^ ..- v^ 
Masvendo-a de fcu gbflxi andar -comonte , '"\ 
Por naô a comentar fe entrifteda. - '' 

He tal o-feo rigoír t]ue naá confcnue • "' 
Que feia o zofb» proprio^ fefteiado--, ! O 
Ames diílo: fe riioôra dcfcontcntew • '. 

Mas o cego Cupido , de affioKdidoij o 
Em vingança d» fé que dcfprc^ou , :- ^.-^ .•- 
i Fc2 



^00 :Rny TBUÂè.' í 

Fez (pt tpfk éè S mcftno engan^Iò.» ' ' 

Caíualmente hwcrr dia fc chego» 
A beber n'húnu tente cryftattiha, 
Que de fi nova fede IKe <faiKíMj. ^ -^ ! 

Vendo a fua figuia peregrina 5 
C^ue a fonte demro em fi rcp^efentava ; 
íSe perdeo por* imagem ta6 líivínar 

Como jà , de elcvtdo , na& cnidava 
Nos enganos: que a fombra lhe fazia y 
Vendo o fomiofe roftei , fnf^irava. 

Por as avaras aguas: fe metia j 
E quanto mais molhava oi? rentes braços , 
Entaõ Qials vítiaiiiente o fogo ardia. 

Vendo-fe alfi prender em duros iaço^ y 
Ao reminteoto oor^a a paciência. 
Dando fora de ii ao vento abraços» 

Embevecido ^do na appaitmcia y 
Sem faber do cuidado o que femria^ 
Naõ fez to ãoct engano reiiftehda** 

Ao ver-fe longe mais , mais perto via 
O peregrino geífó ; e fe chegava , 
Entaã para mais longe lhe fugia. 

Vendo , íem &ii.^ ^como em tudo o remedaria j 
Cahio no torpe engano que tivera, 
A tempo que:, de íi já prcfo eftava, 

A belleza que a tama3 tuone dera , 
De fí mefma fe abraza , e fe capriva. 
Quaó longe entaõ dei fi ver-fe quizera I 

EUa fe abranda própria > ella fe eíquiva ; 
E fendo ellá .fómente a que fp amava , 
BUa fe chams^ in^ata , e fugitiva^ ; 



PA.RTB'BRIHEIKA- )0t 

A formoAura , jpois , que namoRi^a » 

Que eftando •deniroemfi mm longe eftava» 

.A folícaria Nympha , quç eícoodUa 
Já na^ pavem^ concavas fcw y • a> 

Dos males quCilKc ouvio fiu cãoioiírida* , -^ 

Das namoradas mágoas que. .dizia '^ 

O namoradp/m^ , dia fómence > . >: 

Os ukimos acçQiKós repetia.*' - 

EUe veridorfe^rAar alli pccfettie » ^ ^ 

As cryftallinasc aáuaa aecuÀva s>i. •..; j «^ /^i 

De que eU2« q lazitm deícomaatc^ -^ ^' 

. ..Dwii^v^tZifS: à. fooyte qiiaiidã*a.i>llitya w -^ ; ^ 
)â cego, e fem > jutzo y a^adcda • / 

A fiç;ura qpe-dcOG^. lhe moficavã^ 

Mas veivÍ4>'^ue'SeUa emr nada fe dota i 

De feu grave cprm^nco , grita ^ e: chora. 
Qiianco erra qu^m de fombra^ fe^confia ! 

Jà lhe pede que faia para fó«a » 
Ignorando qiie ièropre fora efteva 
A belleza x\ns. tteUe próprio raova^ : 

Dcfpois que longo clpajo fé deteve 
Neftes queixumes Teus lao laftimofos , / 
Que coro «o* longo fer hilgou por breve ; / i 

Co' os filhos , bellos u , mas kgrimofofl,: . 
Do valle.fe ii^fpçde , e da efpeffura. 
Dando fol)}Qg$.da alma vagacoíba. 

Entregue na vontade da ventura 9 ; '* 

Ou y por mçlhpif. dizer , de íêus enganos ^ 1 . 
Ao cpntro fe ^tfç>\QU da fome pura, . , t 

Deftá arçe fencccfi em tenros anos 
^ 1 i Nar- 



f^ . RHTTH MA S.: 

Com os olhoô cm lagrimas banhados, 
Poftos no Cc^[,/dizia triflemcolc : 

Sc , , amor , cu cc oíPendi com meus cuidados , 
Porque mçs diçftç ta para offcndcfTHc , 
Quando ilvrc vivIa. neftes píwdoçí . 

Naõ vês quanto n^e negas i^ijcrcccr-tc 
O bem quç n>c roOtftrav«is , /fçídfsiWflc 
Ferir meu CQraça^^.ip^f» foffwrr^cc í .. 

Qual becQi;.me í\^$> dado ^.faippr^, q me dufraíTc i 
Ou qual me ;hM..prQmieiii4ols<t^ejji^^.dadoí 
Ou qual 4éâe q^^niuito .qbq coftaflc^. 

Moftia-me quem : mzcfte. ea^: ^.j^Aadò , 
Qpc pudcffç vÀveirn^c « coíncentcj f /. 

Ou quem de ti naâ (ofíè laftímado,} >! 
^ Inimigp cml de toda a gcni;c^ :.^,.. 
]Jl naõ quevo tCu bem , fó meu. mal qu^ro ^ '^ 
Se de ti nctn. meu nial fe me confeate, 

Inda que de. teus bêes jà derefpero, 
Naó defprézo dos males o ton|i^nto , 
^ntcs o pr^zo mais quando he mais fero* 

Arrebatado- deflic penfamento 
Hla o crifte.Pa&K com hum comino 
Pranto , que lhe avivava o fentimento. 

Quando entrou n'hu vergel de eínultc fb« >; 
Que era de raq^qr plantado i c parecendo i 
Lhe eftà menos humano que divino. 

Nelle a dor Tua eftevc lufpendendo f 
Porém naõ como- cervo eftà ícyrido , 
R^àro ao mal que leva pettet^dcnao. 

Àpparecia o fitio taó florido ^ 
Que provocavift^ a naó^ yulg^r dpanjto ^i. •// 



PARTE PRilMEIRA. 505 

Entre huus altos ulmdros; cCconiiáo*. . 

De hum cryftallino orvalho tinha o manto » 
Quando entrou nelle o mifero Paftpr ^ : 
£ as tcnçõ;!s explicou nefte feu canto. 

O' bellas rofas , vós^- q^e foU amor -, 
He , por dita humildade j ou he ^^i^Ecza > 
O ter apar de vós murta que he dor í : 

Papoulas convcrfais , que fáõ triftejsa ! 
Naõ deíprezais o cardo , -que he (ocmeato ! 
Admittís a hortelãa , íe^do crueza!/ 

Dos eoivo$ longe. vqo o jpentimçotpi 
Dos jaímijs perto cftoy vendoiO pcrigí^ >' 

Dos malme(]ueres vejo^o. fpí&i^ento^:: 

Deftc me temerei como injmigp;; 
Mas traz por armas /alya.^ que hciaz^p: 
Com .eUa, acabará, taníiberti; comifíO.^ 

As minhas vem a fçr. huma aflfeiçaó , : 
Que faô osr puros cravos mifturados 
Co' a vontade fujeita , que. he lintí^* -« 

Ai mofquetas , quç fois de amoc ^Wddps ! 
Ai crefpa mangerona^.que es prazeç l-.^ 1. 
• Vós rfós devicis . adornar os frados. , . r. . . 

Naõ. podem dous oppoftòs juntos,. ftr^, . 
Onde fe pppõe gieflia^ que he Jeqvbrança^ 
Junto do rofraaninho j que hé crçíçer- . - 

Bem pézà dojleve àljinao a mud^Ça» -: 
Do roxo eoivo anima o penfame^to j '».p. , ]■ \ 
Do cyprefte odorifçrp, a .etperança^ 

O trevo , que hç, íentidp apartamento , 
Cerca o mangeriçaõ, que^ fc interpricta 
Memoria a quem oâêndc .0 efquecimento* 

Tom. ít ^ ' y ' Mai8 



Mais importuna que o- lardim de Creta , 
A .ameiKkift a flor , éftà (okândo : 
A fcgurelha vejo , que he difcrcta. 

As h^rvw qúc de aqui irei tomando , 
Saó a pura ctKíem, qwei hc faudadc ; 
Cravo»! medo' de ver qiJal de amor ando. 

E , de ter «lui perdida a liberdade j 
Tomarei màdJréfylVa» ^htcndimento ; 
Legacàé -tôtíiâTèi , jpõnjijo hè vgrdade. 

Marmeleiro me dà â^epèndtmcntx) : 
Por a falvàjôlie hcgtfílo , tomarei 
Coentro ^^ifò^o ao mêii tontentaménto. 

Conhccimétítò firme* íSUíica achèi , 
Que violetas ifà6 ; e, íjuartdo o houvera. 
Qual nieti dánjnò entaé fora , bem o fel. 

Oh quem,'herva cidreira , oh quem pudera 
Ver-vôá t^l menor , pote íbis viéíòria , 
Que de mi ^fcançou. ohamma févera ! 

Mas.fe qufsreis que tenha alguma gloria , 
Por gaiá^ád de amar , e fer fuieito, 
perderei de- wrmcntos -a- memoria. 

Porém , pois mo negais ^ de todo engcito 
A palma ^ -^ue he ventura j c na' parreira , 
Que he^ efpcmriça perdida -, me deleito. 

Entretanto co^a flor da laranjeira , 
Que he defafio duro , é' arrifcado , 
Podo arguir da hora dcrradeii^. 

}à naõ fe quer deter o meu cuidado 
Com a romáa defcanfo ; a brevidade 
Das maravilhas fô tem deiejado. 

E vófr^j t>v6lhàs m&ibas ; fctn piedade 



s aparcaí àc mi ^ k algum defejo 
ndes de ter. do pafto mais vontade. 
Sc muita de me verdes em vós veja^ 
da a minha de vcr-vos hei perdido* 
força do poder de amor fobcjo. 
Lograi do Tejo o plácido ruído ; 
s lograi eíl^s veigas florecidas, 
lis fc perde o Paftor voílb querido : 
Naõ goílciii de com elle íer perdidas. 

ELEGIA VIU. 

/' ■ > . ' . ' " ' ' 

JEiifa , único bent defla alma triflc , . 
Defcanfo íingular de .minha ;,YÍda ; r. ' 

hrono donde o poder de amor confifte.i . ) 

Formoía fera, a quem eftá rendida , - T 
e amor a que hc mais livre liberdade , » .' 
anhada mais , fe mais por li perdida : 

Qiiaõ cottKário parece na beldade , 
[ue os corações captiva com brandura : , i 
J^ma nódoa haver de crueldade ! ' < 

Quaó contrário parece em fòrmofura , • ,' .. ; * 
)ue deixa muko atraz quanto he humana^^ o í 
íquiva condição , ou alma dura ! * 

Qbaó mal parece, cm quem íoco^hu jeng^tlo 
óde daí vida ao coração rujçico , r ', , 

hr4hc em lugar de vida hum. mortal Aii\a ! 

Çjvjaó mal panece que htim «mor perfeito)., l 
Jaó fcja dé outro igiaal remunfrado, jL? 

nda que feia, acafò , contrafeito! • , rT 

Quaõ m^^J parece áUr dcfeffiçf^ . :. ' 
V ii Quen; 



5c« -- R KÍT/HMTlíSí.^ '' 

Quem tanto póc tiríi^Bb^ie tem íbffiido/ 
Dcvctido eflar de penas alfivíadó ! - ' 

Poréin peor parece- cfuem rendido • 
Naó for a hum parecer que tudoijrfendô ^ 
Por mais que em feu rigor viva^oÇenídido; 

E inda peor patecc x]uêm defende 
O fer effa bellezâ fempre amada , - 
Por mais quê em váo fe canfe o que a perccndé» 

Se quem te m^oflna-amor te defagrada^ 
Só podes pertender q naó fer vifta , 
Mas naó défpôis.de ^iíía ò fer dc&ada. 

Quaõ mal fabe o y^lor de tua vifta 
Quem cuida c[Ué'p t}ue delia acafo alpançá 
Pôde achv còraÇâio que Ihè refifta 1 

QuaS^feém paireccria huma efpcfança 
}à concedida a meu amor ardente, 
Naõ fempto hnma mortal defconfiança I 

Se hufti padecer' por ti confiantemente 
Pudeffe fer. reparos quem mais. te ama , 
Inda efpeíar pudera o fer contenic. 

Mas eu temo-que aquella immetifa chama 
Com que; a mi bello império me Icvafte , 
Te «rtítia- tanto a d , quanto me infl^una. 

Sc a Olympicã befleza aíS imiiafte , 
cQ^e htóndamente tnove hum amor paxo. 
Porque taó duía* òdrtdiçaõ tomaíftc í ' 

Qual elevado ,-qiíil foberbo» fnuro , 
Efteci»ál , quc-ftie occupa o penfamcatô j 
Contado , naô tòmára meoo^ duro } > 

Tu , que €s a caufa fó de meu tormoato i 
Tu 3 que fón^tom' pedes §lQruu>jn|: i 
;'^ >? ' ^' '. Que* 



PAJRTE PRIMEIRA. çop 

Queres que as minhas qoçixas leve . o vcoro ? 

Tu , cjjuçi.mí? pagíiri*8 com «natairmc , 
Inda a morte me nega» wici tawa$^^ . 
Ai , que tnc' deras vida a-.morte dar-moi 

Ufa PÍcdíjde ,' tu , .que. p Ríuodo' cfpamas 
Co' os bellosoílhos coiBr qíÈfe .o douras unto ^ 
Sfc acafo a yè-k> brandos aiJcvancas. '-' -' 

Eftcndc-fem terra ..o>ne§r.0' manto , 
E a noute da, aleíçria-» a hip alhêa , -. . 

Mas nos meus-reihòs triílííS:d«ra o pranxo*^ 

Torija A jnéohia dcágo^^ alegre , c. cbôa^ 
Da luz quero choro en:içx^ k bcUa Aufb» y 
Mas do meu choro ,num^ enxuga a vèá. 

Lagrimas.. jft naó fao ;q«c vejfta alma chora. 
Mas anioJ5,hc vital que. d^tro* arde, 
E por a luz dos olhos, f^iá íora. 

ComQ jodaaimone )G|uer 4ue mais aguatdejf' 
Naó tarde jà , mas corra a^ ix)al taõ fero* 
Mo jápocínais que corra' virá tarde. 

Nem no fupremo .iratice^dc ti efpcro' : 
Que indariConji.^Yer o eftàdo'cm q nie has pofto 
Queiras . 5 :;bDuay entendei? <]ua5W) te queio. ' 
^ Ai fe.volyeíleí cflc belionrofto 
Ao lugar trifte em que râprrfir Pi^ viVcs , . 
Naó põr.dclgofto teu , trií^s por t«u gofto ! 

Naó quero de ti , naó , que alli fufpires , 
Nem que de dat-me a morte te arrependas, ' 
Mas quedos olhos de.ver-pie entaó naó tivts^i 

AíE nui^ça Paftor a quem te. rendas , ' 
Te faça conhecer o que ^e fazes , . " . 
Para quc.com ítfu mal m<iu mal emcndafif. -,.: 

' Ce- 



çio RHYTfTMA S.A - 

Gomo já a^ora naõ te fatisfaz» ^ 
Das penas dcfte amor , que- por querer-ce , ' 
De teu merecimcnta fao capazes ? ' 

Port quem com outro mérito rcndeiHê 
Prefumc , ( oh raro moitftro de belleza ! ) 
Muito -mais iongte cftá de mcrecer*tev 

Eftc fi , que merece a gráo crueza 
Com que tu de acabaMiie a vida tratas , 
Pois diante de ti , de fi f e preza. 

Se cuidas que com íílo desbaratas 
O meu confiante amor , porque nffo viva , 
Elle mais vive quando mais me maras. 

Se o dar-me morte têes por glória altiva ; 
Eu . me inclino a que mates t xu vc inclina 
A maur mais de branda que de cfcjuiva. ' 

Se efta alma tua julgas p^ indiná ~. 
De aqueilí grande &em que em ti fe; efconde ,' 
Do defcobcrto md a- &zie dína. 

Onde (aif) vo2 achatci>q;bafte,'(ac}:)ondc» 
A poder reduzir-ie a fer piedofa ? v 
Ou me acaba cfc todo, ou me relpoodel 

.Mas por mais que fcc moftres rigôiiofa<. 
Deixar meu penfamentô me he impofiívd , 
Igualmente que à ri ntfô fer fomioía. 
í - E por mais que èfta dor feja terrível , 
Somente ò contemplar ^ caufa dclla , 
Inda que a faz maíof , S faz foffrivel. 

Pórén'* chegando anàô poder fòífiè-Ia , 
Perdendo a vida , quando a morte chame 9 
Naõ perderei 6 gofto de perdêJa. 

He juÔo que eu por ti mil mones ame : 

Mas 

r 



PARTÇ PRIMEIRA. ^ii 

Mas yè .111 jTcr te ílluftra ,. qutndo ofaitf* . • 
Minha mortal o teu valor Ce charne. : 

Bem vès quç húa bcídfc^ taõ immenra , 
De vencer-me cem gloria bem pequena', ^ 

Pois fó rendciAmc tomo. por defenfa. 

Mas jà qi)e amor raó puro me condena.) 
Contente fico affaz dçftai vistoria : , 
Que naõ nie daõ mcus.males. tanta pena , 

Quanto o- ícrem por .tí^.rne dá de gloria. 

.. E LÍ É G i  IX. 

A Vida me aborrece , a morte quer^ ; 
Será eterno o meu mal , fcgundo entendo ^ 
Pois na mór efpcrança defefpero. 

Sem viver vivo , por morrer vivendo í. 
Por nào verdes , Senhora , comp eu vejo , 
Quanto 4c mi por vós me ando efquecendo. 

Scja-me agradecido efte defejo : i. 

Ingrata tiaõ fcjais a quem vos ama 
Com puro , e honcftiflímo defpejo. 

A culpa que me pondes , ponde á (àma y 
Qiie pregoa de vós celeftc vida , 
Que os corações de amor divjno Inflama. 

Humana , quando naõ agradecida , 
Vos moftrai ao mal meu , que me faz voffo , ; 
Antes que a alma dò corpo fc defpida. 

Mas que poflb eu fazer pois já naõ poíTo 
Hum tormento domar taõ forte, e duro , 
Horiíem formado fó de carne , è de oíTo .? 

Em minha fé fegura me aíTeguro ; 

Por. 



Porcjue cftá , quando he gtartde , jí mais cf râ , 
Sc rcfulta de amor fyncerti , c^páto'/ ' • 

Eflà beldade fanâá .me faz gucWa ;' 
Por ella.hei de morrer ,' Ihda qut "i^eja 
Tomar o bfando rio cm .dura ferra. 

Que coufa tenho cu.jà que* minha feja ? 
Quem naõ defeja a vdflà formofura , 
Naô pode ifle^urar <]ué'o'Geo deTejà.-^ " 

De <mt eu- lempre-o defeje cífeil- fègúra : 
Neftc aefcjo meu nunca mudança 
Haõ de ver as mudanças' da ventura. 

A vida teAho pofta na balança 
Da glória fingular do damno efquivo: 
Que ò pcrdí-la por vós he mór bonança. 

Sc vos oflèndo , cuido que riaó vivo : 
Olhai fc muito maiis qile de ofFçnder-vos , 
Das efperanças do viver me privo; ■ 

O que temo fomente he fo perdér-vos; 
O que quero fómentie he íó àdbrar-vos i 
O que lómente íidoro he fó querer-vos: 

Quercr-vos fcm deixar de venerarmos; 
Defejar-vos fomente por fervir-vos ; 
Por fcrvir a amor vil naõ defejar-vos. 

Somente ver-vos , e fomente ouvir-vos 
Pcrtcndo , e pois fomente ifto pertendó > 
Deveis a eftes fentidos permirtir-vos. 

Ifto fomente , ( oh cego ! ) cftou dizendo ! 
Como fe fora pouco , ifto fomente ! 
Que mais q ouvir-vos ha ? q cfVar-vos vendo ? 

Sc o naõ merece o meu amor decente ; 
Sc mone por amar-vos fc merece , 

Morta 



TAom cu^í Semhofa ; <? vós ficâí contente* 

Sc vos âggrava quem por vóí padece ; 
Sc vos vé a oíFcndcr cjuçm vos quer' tanto; 
Quem defta fone errou naô defmetece. 

Que quando os olhos da razaõ levanto 
Ao Ceo de effa rróffima bcUezav 
De naõ morrer por elia fó met é^tito. 

Deiãcaí-*me contentar defta trifteaa , ^ 

E fazer de mcús olhos largo ria, • 
Sc algum pode abrandar voilà <lureza« 

Conendo íèmpre as lagrimas em fio , 
Farei crcfccr as hen^as por os prados , •^ 

Pois jã de outra alegria defconfio. 

No monte darei pafto a meus cuidados , 
E.fcraõ de mi fcmprc entre Pa&icesi 
Eíles divinos olhos celebrados. 

Aprenderão de mi os amadores 
Aquillo que fc éxarnsi amor fublimc , 
Ouvindo o riMr voflb ^ c minhas dores. 

E nenhum íiaverá 'que a pcáa cffimc ' 

Mais fobccanai por a caufa delta ^ • 
Que a que tevc( até entaô naó dcfcftimc : 

E que inveja; naó moftre à minha • cftrcUay- 

E L EG I A X; /' 

QUe triftes novas , ou ^ novo dano ? v 
Que inopinado mal incerto fèa. 
Tingindo* de temor o vulco humano ? 
Que vejo as praias húmidas de Goa i 

Ferver com getKÇ) attonita , e turbada , 

D# 



)i4 RHIÍTtHtWAÍ/. : 

Do rutxior <pt de boca ^fn bocativôa >: 

He morto D. Miguel , (ah crua efpadaJ ) 
E parte da luftrora companhia 
Que alegre fe embarcou na trifte Armada. 

E de efpingarda ardente , e lança fria , 
Paliado por o tprpc , e iniqoo. braço > 
Que noflâs altas ramas injuria. • - 

Nao lhe valeo efcudo , ou peito de aço > 
Naõ animo de avós claros heraado , [ 

Côm que temer fe.fcz por longo efpaço*^- 

Naõ ver-fc em de redoa- codo cercado 
De irados inimigos y que exhalavam . 
A ne^ra alma do corpo tra^flfado. 

Naõ as fones palavras que voaVam 
A animar os- incertos companheiros , 
Que tímidos as coftas. lhe moftrivam. 

Mas já poftos nos termos denadeicos , 
Rorot por partes mil , tcataTpaflados 
Os membros^ no Valor fomente jmeisos ; ' 

Os olhos (de furor acompanhados ., 
Que índa na morte as vidas amedremani 
Dos durosmitriígòseípantados.) 

Poflos no Côo:, parece qúc prçfcntam 
A alma pura á fuprema Eternidade , 
Por quem os Ccos ^ e a terra tfe fuftentam. 

E pedindo , dos erros que na idade 
tmmdtura , e ínnocente , já fizera , 
Perdaõ à pia 5 e jufla Mageftade \ 

As roías apartou da neve firia ; 
E como débil flamma a quem* fallece 
O radical humor de que vivia j 

Nas 



PARTEfPRlMEIRA. ^tf 

Nas mãos dd. Coro Angélico; cpic dece, 
Se entrega , ,e vai lograr a vida eterna , 
Que com morte taó jufta fc merece. 

Vai-te , aln[)$ , eni paz á gloria fempitema: 
Vai , que quem por 'a Lei facra , c divina , 
A folta , áquelíe' a dâ que o Ceo governa. 

Mas fe de tal valor toi morte dina ^ 
A aufencia que do gofto nos faltèa , 
A perpetua fauddd^ nos inclina. 

Deixa , pois , tuformoli Cytherca i 
Do gentil filho 5 e neto de Cyniras , . 
O pranto por a morte hórrida , e fèa. 

E tu , dourado ApoUo , que fufpiras . ' ' 

I^>r o crefpo Jacintho, moço charo , 
Por que;ii a. clara luz ao Mundo tiras , 

Vinde, c chorai. hum moço em tudo raro^ ' 
Naó de ferino dente vulnerado , 
Nem de rifco fujeito a algum reparo : 

Mas fó de .ferro imigc^ trafpaflado , 
Que fem duvida incerta , ou frio medo , • -? 
A vida poz nas máos de Marte irado. 

Também tu , moço Idalio , affifte quedo ,' ' 
Deixa de dar o vcnenofo mel ^ • i 

A beber por os olhos , triftc , e lédo : 

Pois os formofos olhos de Miguel , • 

]á cobertos fc vem do cfcuro manto 
Da lei geral , a todos mais cruel, 

E vós , filhas de Thcfpis , que com canto 
Podeis bem raitigaifa dor immenfa 
Dos irmãos gencrofos , e alto pranto ; 

Naõ confintais que façam larga offenfii / v 

A 



^lé RUI TH MÁS. 

A' grattde integridade ', a 'que fé áeveift 
Aguas naõ fó do dàtnrto reçompcnfa. 

Que jà diante "OS olhos me defcrevem 
Quamdo as bocas da fema voadora y 
Ao pátrio , e claro Tejo as noV^s/ levem ; 

A profunda iriftcza , que em hutti^hora ' 
Tal pode tomara dos altos péitòs^, 
Que delles o difcwffo lance fófa.^ . "* 

AUi de dor os corações fujeitoír* 
Haó de lançar de fi toda a memoria 
De exemplos claros, fólidos refpeitôs* 

Mas 5 porem fe igualais a vida á gloria , 
O claro Dom Philfppe , ^ peAendeis 
DeixarHnos de acções \'oflas íarfà hiftoria ; 

Eu naõ' vos pcrfuado a que eftititcis 
O coração natEftoica difciplina , 
Onde livre de afFcaos vos mcHftrels. 

Que mal a natureza determina 
Medo , efperanças^ dores , e- aidgria , 
Como o Cynico velho nos enfina, 

Immanidade eftupida j ( dizia - 
O Sulmoneníe canto ) e vil rudeza , 
He naõ fentir afFeòlos que a alma cria. 

Porém fe o fentir nada fcúr bruwza , -> 

E fe paixaõ devida fe confeme , 
Também o fentir muiio he jk fraqueza. • . 

Em vós hum foffrer alto fe exprimente j 
Qual nos fortes Varões foi conhecido , 
Como em eftranha , cm Luíítana gente. 

Bem conheço que o corpo affi perdido , 
Como de iUuftre tumulo carece , 

Sc- 



PAJITK PRIMEIRA. çji7 

Será de brutas feras coafumido* 

Mas coni(bla-me^< em fim 5 que fe pdr^e 
Ao grande bifavo , que por . a vida 
Real , a fua k Maura lança , âíFrece. 

Em pedaços a geme enfurecida 
O corpo alli lhe (KÍxa ^ e com mao dura 
Lhe . nega a ffipwJkura merecida. 

Fácil he a perda aqui da fepulrura; 
Diógenes prudente , e Thpodóro y 
Pouco fentem do corpo «ff* jadura. í 

Affi formofo 5 c iiueiro ; aiS decora 
Adora quem o icm ^ como o tomou , . . 

Quando fc. ouvir 4X extremo f«m canoro^ 
Mas ai \ Qtial. temor fiibito occupoir - . 
O voíTti claro, peito > ó 'Portuguezcs } 
Qual pávido temor vos cot^lou* ? 

Que 4ançadá$ \ que golpes ^ que revezes* 
Vos fizeram, fazer tamanba infuria 
Aos fontes LufitanLcos aíne^es.í. 

Ou jâ de Opitam fobejá' incúria , 
Ou fraqueza^ Naã: aue ^lle fofteniava 
Com feu peito i, dos barl»|rQ$ a ftjria. 
Ou já do £crrco ca^o, a. força brava 
Com eftrondo^ qne atroam m^r , e oena , 
E os corações ardentes congelava ? 

Ah! Qucito vos fez q oalmjpçtosrda giena 
Naõ fuftentailôi^ com valor oui4do ^ . ■ 
Defprezando o iuror que ávida, «icçrraí ' 
A vida por.aPaçTjja, e pòr o EÍWo.> 
Pondo vofi&s ayósy a nós dciixárai9 . . 
Em tem 9 e mar ^ cKçmplo. fubliniMlo. . 

tiles 



?i8 RHYTHMAS 

EUes a desprezar nos eniinàram 
Todo temor* Pois como agora os netos 
Subitamente aíli degeneraram.? 

Naô podem , cerio , nao , viver quietos 
Com fèa iníàmia peitos gencrofos , 
]à em públicos lugares , jà em fecretos. 

Mortos de Eijpartha os Heroes valerofos , - 
Da fera multidão , fazendo extremos , 
Taes Epitaphios tínbam gloríofos : 

Dirás , Hófjfede ^ m\ qtíe aqtíi jazemos 
PaJ/ados do inimigo ferro , em quanto 
A^s famas Leis da Pátria obedecemos. 

Fugindo os Perfas vaõ com frio efpanto. 
Mas acham as mulheres no cantinho , 
Moftrando-Ihcs o ventre em terror tanto. 

Pois do daitino fugis , vendo-o vifinho , 
Fracos , vinde a cfconder-vos (lhes diziam) 
Outra vez no materno , c cfcuro ninho. 

Vede quaes com mais gloria ficariam , 
Se aquçlles que morreram por o Eftado , 
5c efles a quem mulheres injuriam ? 

Mas tu , claro Miguel , <jue jà acordado 
Defte fonho taô breve, eflas, naquella 
Torre do Ceo , feguro , e repouudo ; 

Onde com Deos unida a fone, e bella 
Alma , com teus Maiores , reluzindo 
Trocafte cada chaga em clara eftrella ; 

Co' os pés D cryftaliíno Ceo medindo , 
Nada de cilas altiffiipas EQdieras, 
Nem da teitefte aos olhos encobrindo ; 

Agora hum cúifo^» e outro coníiderasi ^ 

AgO' 



PARTE PmMElRA^ ^p 

Agora a vaidade dos maitaes, • 

Que; lu tambcni pfliias íc viveras , * * * * 

E L E G IA XI. 

SE ciando contanplamc» as fecretas 
Caulàs porque éfte Mundo ft fufttnu , 
£ o revolver dol Ceo« ^ e dor Planetas ; 

E fe auando à memoria fe prefenca 
Efte cuTlo do Sol , taó bem medido , 
Que hu pomo fónaõ mingua , nem feaisgmenca » 

Aquelie eíFeico carde conhecido 
Da Lúa ha mudança taó confiante , » 

Que mingoar , e cre£ccr he feu partído ; i 

Aquclla nacur62a taó podànse 
Dos Ccos , que taõ contbrmes j e coritrarios , 
Caminham fcm parar hum breve inftante» ^ 

Âquclies movimentos ordinários , 
A que rcfponde o «tempo , que naõ mente , 
Co'os effeltos da terra neceflarios -, 

Se ^pando , em fim , revolve fuhtllmente 
Tantas coufas a leve phantaíia , 
Sagaz efcrutadóra , e díli^nte * 

nem vè , fe da razaõ fe naô defvia , 
Aquelie unico Ser , alto^ e divino , 
Que tudo pôde , maridà , move , e cria. 

Sem fim , e ícm princíptb^ hum > Ser cotítíno ; 
Hum Padre grande ^ a qvem tudo he poí&bil , . 
Por mais ^ue o tliíficulee humano atiM» 

Hum faber itifiníto , incomprebenfibil ; 
Huioa verdade áú« úm ^o^b» »èdk ^ 

: Que 



r. 



\i^ kH YTBMílS- 

Qae mora ao vifibil » e inviíi>iL 

Efla potencia^» em fim.» q\)c tudo manda; ^ 
Efta Caufa das caufas , fâveftida 
Foi defta noíla carne miferanda. 

Do amor , e da juftiça , compellida , 
Por os erros da geme , em mãos da gente 
(Gomo fe Deos naõ foffe.) deixa a vida. 

Oh Ghriftáo defcuidado , e negligente ! 
Pondera-o com difcurfo repoufado j 
E ver-íc-has advenido. facilmente. 
, Olha aquelle Deos alto, e increado , 
Senhor das coufas todas , qae fundou 
O Ceo , a terra , o fogo , o. mar irado : 

Naõ do confuro caos , como cuidou 
A falfa Theologia , o povo. efçuro , 
C^ue nefta fó verdade tanto errou: 

Naõ dos átomos leves de Epicuro ; 
Naõ do fundo Oceano , ccnno Thales , 
Mas fó do penfamento caflp ^ e puro. 

Qlha , animal humano , quanto vales y 
Pois efte immenfo Deos por ti padece 
Novo ellylo de morte , novos males. 

Olha que o Sol no Òlympo fe efcurpce , 
Naõ por oppoílçaõ de outro Planeu , 
Mas fó porque vínude lhe fallece* 

Naõ vès (Hie a grande màchina inouieta 
^ do Mundo fe desfaz toda em tnlteza ^ 
E naõ por cãufa natural fecreta \ 

Naõ vâs como fe per<ie a natureza \ 
O ar fc pirba \ o mar batendo geme> 
Pes&zend^ 4^. pedias a. dureza í 

Naô 



PA-RTE PRIMEIRA. ^n 

Naõ vês c|ue cahc o monte ,'a terra tfeme ? 
E que lá na remota , c grande Athenas 
O doíto Arcopagica exclama , t teme ? 
' Oh fummo-Deos ! Tu mefmo te condenas. 
Por o mal em que eu fó foq o cUlpaJò, 
A tamanhas afrontas , tanta$ penas ? 

Por mi , Senhor , no Maneio reputado 
Por falfo j e violador da íacra Lei , 
-A fama a tt fe põe do meu peccado ? 

Eu , Setrhor , fon ladrão , tu jufto Rei» 
Pois como entre ladrões eu naõ pa^ço i 
A pena a ti iè dá do que eu errei ? 

Eu fervo fem valor , tu immcnfo picço , 
Em preço, vil te pões , por me tirares 
Do capciveiro eterno que mereço ? 

Eu por perder-te ,• tu por me ganhares 
Tc dás aos foltos homées , que te vendem , 
Só para os homees prefos refgatares i 

Ará y que as almas foltas , a ti prendem ? 
A ti fummo Juiz , ante Juízes 
Te accufam por o error dos que te ofihidem ? 

Chamam-te malfeitor , naõ contràd;izes , 
•Sendo m dos Prophctas a certeza , 
Dizem que quem te fere prophetizes, 

Rim-íe de ti , tu choras a crueza 
Que fobre elles virá: algente dura , ^ 

Por quem m vees ao Mundo , te defprèza#' 

O teu rofto , dô cuja* formofura 
Se vcftc o Cco , e o Sol refplandecente , 
Diante quem pafmada eftá a natura ; 

Com cruas- DOfetadas da vil gente ^ 
^ Tom. II. X De 



^í*a / RH Y THM A S. 

pc prô<Hofo fangiic efià barAàndo., 
Cnfpido , atropcIUdo crueli;ncnte, 

AqucUc coq>o tenro., e delicado, 
Sobre • todos os Santos íaçrofanto ,» 
A açoute$, ri^oròfos d^fangrado. 

Defpòis coberto mal de hum pobrei. maoto ,. 
Que fe pegava ás carnes magoadas 
Pata dobrar^he as dores ontro tanto. 

Magoavam^no a$ chagas naõ curadas , 
Hum ,t|ofmento caufandò-lhe excêffivò , 
Ao defpir por as máos cruéis , c iradas. 

As venerandas barbas de Deos vivo , 
De rej^latidor ornadas , fe arrancavam. 
•Para défçmpenhar a-Adaõ captivo. 

Com cordas poc as ruas o levavam , 
Levando fobre os hombros o trophéo 
Da yiáloria que jas almas alcançavam. 

O* tu , que pafla? , homem Cyrcnèo ^ 
Ajuda hfl potKO a efte Homem verdadeiro. 
Que agora , como humano , cnfraqueceo. 

^Ihá que o corpo afflifto do martciro 
E dos longos jejúus debilitado y 
Naõ pode jâ ço' o pefo do madeiro. 

Oh naõ enfraqueçais , Deos incarnado ! 
EÍTas quedas , que tanto vos magoam , 
Supportai , Cavalleiro fublimado. 

AateUas akas vozes que lá foam , 
Etes Padres faS , que ^ Limbo tem y cfcuro ^ 
E já de louro , e palma vos coroam. 

Todos vos bradam que fubais o muro 
Da cidade Infimal , c que arvoreis 

Em 



PARTE PRIMEIRA- ' )l) 

Em cima çfla bandeirai mui feguro. 

O' Santos Padres , naó vos aprcflcij ; 
Pois multo mais a Dcos que a vós cuftáram 
EflTas duras prisões em qtie jazais. 

Aquellas máos queo Mundo edificaram ^ 
Aquelles pés que pizam as eftrellas , 
Com durilfimos pregos fa encravaram. 

Mas qual fera o humano que as querellas 
Di an^uíliada Virgem còntemplafle , 
Sem íe mover a dor , e rtiàgqa delias ? 

E que dos olhos fens naõ deílillaíTe 
Tanta copia de lagrimas ardentes , 
Que carreiras no Vofto fignalaíle ? 

Oh quem lhe vira os olhos refiilçetue» 
Convertcndo^a cm fontes , c re^ndo 
Aquellas faces bellas , *c excellenres ' 

Quem a ouvira com vozes ir tocando 
As eftrellas, a quem rcfponde o Ceo 
Co' os acecntos dos Anjos remmbando ! 

Quem YÍía^ quando o puro rofto ergucò' 
A ver o Filho que na Cruz pendia , 
Donde a rtòíTa íaude defcendco f 

Que mágoas taõ chorofas que diria ? 
Que palavras taó miferas., e triftcs , 
Para o Ceo , para a igente efpaiharia ? 

Pois que íeTÍa ,' Virgem , quando vift«s 
Com fel !Íojofi>., e còm vinagre amaro ; 
Matar a fede ao Filho que pariftes ? 

Naô erar efte o licor fuave , e claro y 
Que para o confortar entaõ daríeis 
A quem vos.eifa^ mais que a vida^j éharo. 

X li " Como 



^£4 • R H Y T H M A S. 

Como , Virgem vSenhorát , naô çorrieís 
A dar as puras tetas ao Cordeiro , 
Que çadcccf na Cruz com fede vicis > 

Nao era fó , naó , effe o verdadeiro 
Poto , que voflb Filhp deícjava , 
Morrendo por o Mundo em hú madeiro. 

Mas era a falvaçaõ que allí ganhava 
Para o mifero Adaõ , que allí bebia 
Na fonte que do peito lhe manava. 

Pois , ó pura e SanâiíEma Maria ^ 
Que , em' fim y fentifics efta mágoa quanto 
A ^rave caufa dcUa ò requeria ; 

E)c eíTa Fonte fagrada , c peito fanto , 
Me alcançai huma gotta^ com que lave 
A culpa que me aggeava , e péza unto» 

Do licor falutifero , e fuave , 
Me abrangei y com que mate a fede dura 
Defte Mundo taõ cego , tprpc , e grave. 

Ain , Senhora , toda creatura^ 
Que ^ve , e vivirá , c que naõ conhece 
A Lei de voflb Filho a abrace pura j 

O falíiffimo herege , que carece 
Da graça , e com dampsído , e falfo cfprite 
Permrba a Santa Igreja , que florcce ; 

O povo pertinaz no antiguo rito , 
Que (o o defterro feu , que tanto dora 9 
L^e diz que he*pena igual ao fea delito; 

O torpe Ifmaelita , que miftura 
As Leis , e com preceisos taõ viciofos 
Na terra eftendc a feita felfa , e impura ; 

Os idolatras máos , fupafticiofoi > 

Va- 



" PARTE PRIMEIRA- ^15 

arios de opiíMÕes , • de coflumes , 
ovados de conceitos fabulofos ; 

As ihais remotas gentes onde o lume 
a noflfa Fé naó chega , nem que tenham 
tli^izò alguma fe preíume ; 

Aífi todos , em rnn , Senhora , venham 

confeflkr hum Deos auciiicada , 

rr nenhum lefpeito fe detenham, 
de hum^ e de outro o vicio já deixado, 
► feu Nome , co' o voílo nefle dia , 
eja por todo o Mundo celebrado : 
E rcfpondam os Ceos : JESUS , MARIA. 

ELEGIA XII. ACROSTICA. ' 

rUizo extremo , horrífico , e tremendo , 
E Juiz fenipijtemo , alto , e cclcftc y 
ignificarà a terra humedecendo, 
^er-fe-ha nellc hum fuor que manifcfte 
k)mo em carne vem Deos , para que o veja 
[ornem coda efta máchina ;erreAe ; 
Lei jufto, ^quedos corpos, e almas feja 
Liiz ; c quando o Mundo cego , e inculto , 
obre efpinhos cruéis deitado feja. 
*odo vão fimulachro , e gentil culto , 
)uíàrà engeitar a gente > e guerra • 
*ará co' o mar o togo , e era tumulto, 
mmenfa luz, que as carnes deíenterra , 
>ançará fora as portas váas do Averno , 
íum Jufto , e outro , alçando à fanta terra. 
)utros , que faõ os màos , no fogo eterno 

' ^ ' "^ . D:i^ 



%zt R H y THM A S. 

Deirarà , dcfcobrindo-fe os fcgredos , ' '^ 

,,E fendo claro todo feito interno. 
Desfeitos feraõ montes , c penedos ; 
E fera tudo pranto , c eftrjdor duro ; , 
Obras de £;rande dor, e triftc» mrdos*. 
Será tornado o Sol de todo cfcuro ; . 
E deftriiidâ a máchina do Mitndo y 
Sem luz as luzes todas do Orbe puro. 
Ahos feraõ os valles , e cm^ profundo 
Lui^ar fe abaceráo os altos nnontcs. 
Vibrará mares vento furibundo. 
Averà fó de çhãmtnai vivas (ontes: 
De trombeta tremenda fom terribil 
Ouvido ♦ fará páilidai as frontes.* '• 
Refponderà dos mãos gemido horribil. 

^téqtH as Eíegiãs ^ fe atbant m exempkr 
ie Mimei de Fai\ia e Soitjã^ ^ qm feguimos ^ as 
qum elle aSbnt&â ferem- hiduhitAvelmenu de 
Luís de Camões. Em diverfos Mansãfcriptos con^ 
felfa qtie vira oi^iras. muitas ^ -r -4$ desprerJra: 
humas pôr as reputar- vuiadas , e Ofuras por jto^ 
talmeme alheias do efyh de^ rtofjò Poeta. 

NasJEdiçõa que fe, feguírao â deFma in^ 
fenfivelmente fe foram Oficrefcentando as que fe 
feguem , e aqm damos , fmpr£ , na dúvida de 
ferem, ou naõ , de Luís de Camões. 



ELE- 



PARTE P^TSIEIRA. ?J7 

ELEGIA XIII. 

SE obrigações de fama podem tanto , 
Qac inda de Helena vive hoje a memoria , 
Fazendo cada vez maior efpanto ; 

Sc também de Lucrécia a Livia hiftoria , 
Inda que jà paliada , ca florece , 
£ fjpor fama , e triumpho , hoje tem gloriar; 

Se a perfeição de Laura nunca eíquec« , 
Também he ^uc por fama laureada , 
Nos ficou por Petrarca , c hoje aecc : 

£ fe aquella cruel Troiana efpada i 
Deo com a morie vida à formofura 
De Dido 5 por "Virgílio celebrada ; 

E fe Vénus formofa , Koje fegura 
Se aprefenta em mil verfos ; e Diana , 
Go' as nove irmãas d'Apollo tem ventura ; 

Que fará a formofura foberana , 
De Figueifoa illuftre , de quem quero 
Cantar com doce lyra , e Mantuana ? 

Mas fe me cila naó falta , delia cfpero 
Cantar ; naó deftas jà , que jà acabaram : 
Deftas cante Virgílio , cante Homero. 

Que fe outcas com feus verfos celebraram , 
Foi , que por fua idade , a defta datría 
( Poi inda eflar no Ceo ) . naó a alcançaram. 

Mas tinha-lhè a ventura Oriental cama. 
Guardada láxmDamaó , porque nafcendo , 
Perder fizeíTe ás outías gloria , e fama* ' 

E em ^uauto alegre declarar pcrtendo , • 

Vós j 



?28 RHYTHMAS- 

Vós 5, pai de tal thefouro , daí-mc ouvJdo$ ^ 
Para ddlc dizer mais do que entendo. 

Naõ rcproveií meus vcríbs d-atrevidos ^ 
Ames dal-lhc louvof , para que fejám 
De tal danu , e de vós favorecidos. 

Que milagres d'*amor ftirei que vejam ? 
Direi os olhos bellos ^ boca , e rifo , 
Mil partes ^ que outras damas ter defejam. 

Cabellos d^ouro , em fim feu grande avifo ^ 
Sua arte , perfeição , e formofura , 
rQue na terra nos nioftra hum Paraifo. 

Que mais ? O grave afpeico , e a brandura , 
A boca de rubijs , chea de perlas , 
Das cryftallínas mãos a neve pura. 

Senhora Dona Maria entre as mais bellas , 
Vós fois quem nofla idade hoje enriquece , 
E entre ellas fois qual Sol entre as F.&rellas. 

Por vós Damaó , Senhora , hoje florece j 
Por vós as Mufas já do facro monte , 
Donde contíno o louro verde crèce , 

Vos vem aprefcnttir , da clara fonte , 
De pallidas violas coroadas > 
As pegafcas flores de Heliconte. 
i A vós fe vem cantando , rodeadaè 
Das Nvmphas , que o dourado Tejo cria ^ 
Com íuas doces lyras temperadas. 

E com feu fuave canto , c melodia , 
Chegadas a vós )á ^ dizem cantando : 
Efta he por quem ApoUo emmudccia, 

Efta he por quem Vertumno deíprezando 
Pomona , de contino fe abrazava > . . 

Na 



PARTE PRIMEIRA* ??<? 

Na menos parte íua imaginando. 

Efta íie por quem cm fonte fe rornava 
0"av& de Phaaontc , c porque *Orphéa 
As fúrias infernaes aqucbrantava. 

Efta he por quem fó Tróia fc pcrdeo , 
Efta he a quem Paris deo a maçáa d^ouro , 
E efta por quem Orlando endoudeceo. 

Efta he quem defdo Ganges aié o Douro , 
Só fem falta cpmpoz a natureza , 
Do Indico Oriental todo o thefouro. 

Efta he quem trouxe a hiZv^oda à nobreza 
Dos de Leaõ Fajardos , que defccndc 
Do Real «ronco Ingji^z, na .mor alteza. 

Efta Kc a flor do Ugo , que' fe cftcHde , 
E cm quem de «ovo nafce a Real pranii 
Efta^he a quem o mefmo auior fe. rende. 

Efta he por quem a Aurora fe levanu 
Na parte Oriçtual míús clara ,. e pura ; 
Efta he por quem morrendo o cyfnc canu. 

Efta he por quem nos dotou ló a ventura , 
De mil primores chea , collocada. 
Em rara perfeição de formofura. 

Efta fera de nós fempre cantada , 
E dos noves Poetas mil louvores 
Terá com fama. eterna , e fublimada. 

Na fcfta de dcoa Pam cem miliPaftorcs 
Dcfla felicc terra a ti cantando y- 
Mil ramos levaràò chcos de florcs# 

A ti as fuás lutas dedicando , . 
Seus jogos paftx)rís de cem mil partes 9 
Com verfos té eftaraó fcmixe l^iuyando. 



1 ■ 

%^ KHYTSMAS. 

E til , que de teu fer nunca te partes. 
Com formofura , c graça de comino , 
Com que por fama ao Mundo re repartes ; 

Com rofto branco alegre , c peregrino , 
Acceífaffás feos verfos , coroada 
De rofas , c de louro a ti fó dtno- 

Dallí do noíTo toro venerada 
Terás cargo da felva de Diana , • 
E entre nós tu f«ràs mais eftimada. 

Dalli , ó altí dea , e foberana , 
Governarás o Indico Oriente , 
E todo eftado além da Taprobana. 

Dalli correndo ira dê geme cm gente 
Tua fama, fazendo cfqueciáa 
A das amigas damas do Occidente , 

Ganhando teu louvor immonal vida. 

ELEGIA XIV. 

NAS porque de algum bem tenha efpeiança 
Vos efcrevo me^ mal cm tal eflado , 
Que fci que «m vós fará pouca mudança. 

Mas já perdido , trifte , c magoado , 
Para remédio tomo efcre ver dores ^ 
Efperar de vós outro hc efcufado. 

O que çaõ faz amor em meus amores , 
O que lagrimas triftes naõ fizetam , 
Bem menos o*'fafaõ caufas menores. 

Pois onde as mais tégóra fc perderam , 
Percam-fe eftas palavra? de meu fer. 
Que pouco me doem já , já me doèram. 

Sem- 



PARTE T31 ITVIEIR A. «ç 

Scirípre <i;fle. meu mal rfvé ftrfi>ci» y 
íCaõ que de todo cm todo me faltaílc , c 
Húa cfperançft váa em fira desfeita^ "^ - 

Fazia-me o dcfejo que cfperaíre , • . " 

A razaõ d^outrft parte , gite temeifc,, - ' ' * 
E de çfperaiiças váas nao confiaíle; 

Que olhaílc, que por cilas naô pcrdtfí]b 
A doce liberdade, o rifo ,. o canto , 
De que dcfpois em váo me arrcpendelTe, - 

Amor, qu<; tudo pódc, podciatito. 

Sue para ver o mal , em que me vejo , 
c naõ dco olhos mais , que pa>a pranto. 

Naó cyrei a razaó , fegui o. dcfejo; » 
Outras jcoufas fcgtu , de qualidade , 
Que choro , e callo , por naó frir fobéjo. 

Pi^la vofla neguei minha vontade: 
Logo como vos vi , no mefmo ponto 
Vos entregou a vida a liberdade. . 

O que paiíou dcfpois ^ naó npu-lo como r - - . 
De que ferve contar couíks fòbcjas, 
A quçm ihe foube dar hum tal defconco l 

Ah efperanças minhas, já perdidas! '". -^ 
Agora , paca mais ter t^ue. cornar y .: . • 

Soube que folies váas, fbflcs .íinçidas. 

Em que podo ou que devo. hoje efpcrar í • . 
Onde acharei de novo outros engtnos , 
Que poflam defénganos ehgaftin? 

Mas he vento cuidar enganar, danos, i 
O trifte que nem na alma tem , alento', - j 
Tem feu remédio fó no fim dos anos, 

Ja naó efpcro ver conícntanícmo ; 



Sue 



^^t R H y T H M A & 

Perdi quanto tfyetci n^hma fó boa , 
£ naó pedi èm mults» o tormentos 

E fobre canua. perdas , inda agom , 
|ue efperava de- vós a Vós queixar-mc, 
<á& mo con&nte amor , que na alma mota. 

Põe-fe diante , a fim fó de eftorvar-me , 
Que vos offenderei y moftrado aqui , 
Que unta fé paguais com maltratar-me; 

E entaõ eíle temor deixa*me affi , 
Além de magoado^ ftio 5 e mudo ^ 
I Arrependido de <|uanto eícrcvi* 

CouGu de voíTo $;oílo aihda caácr 
Como fcnaõ cuidallc , o que naó crèo> 
Nàõ perder ifto , como pcedi ro4o. 

Mas va-fe o medo jâ , pois qae ji vca 
O defengano , fetn fc ter fatida , 
Que a certeza pocBa ter reeeo. 

Açora naó me dá perder a vida , 
Nem' a deve recear quem á defpreza : 
Matai-me , fe de irii ibis oiFendida. 

Senaõ matc-meja minha trifteza. 
Que efte fó bem ipe fica , eftç me vai , 
£e rno 4iaó eftorvap voífa icrueza. 

. Queni fe naó efpantarà , vendo*me tal ! 
Temei , que o trifte fim , que me ordcnaftes , 
Mo negueis por lemedio de meu mal. 

Entre fylveftres feras vos criaftcs 
Pois dais por galardão do que efperava 
Cmezas defufadas do que ufatlcs. 

Quantas lájf^imas trifte derramava ^ 
Quantos fufpiros daya noite , e dia » 

' Sè 



PARTE^RIMEIRA. í» 

Se vos naõ via , e em quanto vos olhava i 

Tremia diante vós, aufence ardia ^ 
Abrandava cfte inú ter para mim ," 
Que fentía meu fogo efla alma iria. 

Mas muito differeme foi o fim 
De tudo o que cuidava ao começo , 
Por onde de hum mal n'oatro , a untos vim. 

Vida para tal vida naó vús peço : 
Morte para tal morte qual me mata 
Me podeis dar , que bem vo-lo^ mereço» 

Porque co' a dor a lingua íe de&ta » 
£ com gritos vos chama, e com cazaõ^i 
Sem fé , deíâmoravel $ oiiel , ingrata* 

Por ifib aeabai j^ vofla tençaõ ; 
Fartai , Senhora « já voflâs cruezas 
No Tangue deAe trifte coração. 

Acabai de acabar tantas triftezas: 
Pois acabaftes j& vãas efperanças , 
Acabem jà também minhas 'firmesas. 

Acabe a vida , acabarão lembranças ^ 
Mas tudo eftà por vós taô acabado , 
Como muitas em mi as confianças , 

Que tanto me trouxeram enganado* 

E L E <j I A XV- 

FOi-mc alegre o viver , já me hepezadoy 
Que do contentamento que fèntia 
A'iDtuha cufta dílou ddenganado. 

Ao regaço da morte a dor me guis^ ; 
Porém ^ porque com vida rofás me maoa > 

Di- 



tf4 RirrtHMASi : 

Dilat^ndo-ma vai de- dia em iHz-j.' • < ' 

Manda-me amor. fugir da mottr ingrata , 
Pois naõ foflfe. limite em vcis amor, 
Qae clíc os. kços. ordena, cllc os deiàra. 

Lancei contenuineiitos a voar. 
Tarde os cfpero vcr^ que hé »fcu coftume 
Ter azas ao f^gir , íraio ao tomar. 

O penfamenro pafto em alto come , 
Para íacrific»r-fe à vofla vifta , 
í?o coração me guarda ecémo lume. 

Co* o pciifamento os olhos cem conquifla , 
Pois fcmpre em. vós eftà, porque os naó leva , 
Que elle muro naó tQjn , que lhe rcfifia. 

Ainda que niinha alma em vós fe enleva > 
Em todo tempo naó deixa de arder. 
Quando o monte arde em calma , ^u quando nevX| 

Vivei , cuidados , em quanto ca vtvcr , 
On porque em fombras voffas lemprc viva , 
Ou porque me apreíTcis para morrer. 

Vontacje minha , fempre fois captiva ; 
Meu peniamento , nuítca fois mudado ; 
Flamma de amor , fereis fémpreem mi vii^a. 

Suave captiveiro ,.doce eftado , 
Brando fogo de amor , que em vós guardais 
A fim de meu defejo i-ctratado*-, 

Nunca nefta alma minha , aonde eftais , 
Falteis , porque en^aó falta a efperança , 
Sem ^uem mé Éarlta' a vida muito mais. 

$enhora , cmr cujo ptiró odi» , e mudança , 
Lançam fóra o aipor , e fua firmeza , 
Que daii efcpieeiínentoppr kmbnnça^. 

Ar-» 



PARTE iPRIMEIRA. 4^5 

Armada dos cfpinhos da crueza , 
Trazeis por appiarencias a brandura 
No roilo , a <juaL o peito pouco preza» 

Moílrou-me hufii leve bem, minha venturt ^ 
Paguci-o logo com' longo tormenco , 
Que o gofto foge. femprc , c a pena dura. 

A unta dor mim leve fenuinenco , 
Nunca em vós pude ver , quanto em vá© digo a 
Mais muJavel que o vento o dais ao v«nco 

No principio meu fado me foi «migo ^ 
Naveguei peio mar defte <lefejo , 
Que fcva.de hum perigo a outrp perigo. 

Em vÓT he pouco o amor , cm mi fobejo ; 
Crefce cm mi , feita em vós , e de maneira , 
Que de quanto em vós vi , já nada vejo. 

Moftro)iT«-fe-rac o tormento na prírtêk^ 
Com r«fto alegre , para que o feguiflTe , 
E lanceiíBC ao feguir nefta cegueira. 

Fortuna , porque quiz , que eu o fentiffi: , 
Moftra-fe , por moftrar qual denrfo ora , 
Eu clióro meu engano , e ella riílc^ 

Quem em contentamentos vàoe efpera, . 
Efpcre cedo de defcnganar-fc , ' 
Que tem breves limites íiia qfpeni- 

Porém quem ha , que mais aueira livrar-<fe 
Pe taô doce prifaõ ? ou quem defcja 
Dos nòs detíos cabetlos defátar-fe i 

Os olhos , a qjjcm a^ luzes tem teveja , 
Que em vos o ^n>or de amot tcndta Yencidjt> ^ 
Quem ha que yos naõ ame , e yes naõ veja í 

lloílo formofo ^ em qiscfti cftà tfculpido 
• . O 



:í56 RHYTHMAS, 

O mór bem que fc pode ver «a terra , - 
Qíirm ha naô queira fcr por vós perdida ? 

Olhai ^Senhora, as horas apreffadas , 
Que vem cobrindo o ouro dos cabclios 
De neve, c torna as rofas defcóradas. 

Irei^ ver ao cryflal os olhos bellos, 
E já os naó vereis quaes d'antes eram , 
Pois quaes cntaõ feraõ , nao queirais. vellos. 

Ufai dos bees , que vaó coíno nafcèram.; 
Olhai que tudo defce de alto eftado. 
Que também os |)razere3 meus defcêraraj^ 

Mas naõ defcera nunca meu cuidado* 

E L E G I A^ XVL 

NUnca hum appetite moftra o dano 
Antes de fer de todo cfíèituado , 
Mas no fim vem moftrar o defcnçano. 

Dureza a caufa , è eu deferperado y 
Pelo que irtiaginou o penfamento , 
Ando por efta ferra defterrado ; 

E eipálhando a voz ao leve vento ^ 
Delle fó confolado , delle ouvido , 
O faço fabedor de meu tormento. 

Que monte h^, que naó tenha já movido^ 
Que aípera montanha , ou roca dura y ; 
A força de meu mal naõ merecido i 

Nas duras pedras acha-fe brandura ^ 
Falta neflc cruel humano peto. 
Qicm vio nunca maior defaventura ! 

Pouco pode em ri amor perfeito ^ 

Quau* 



PARTE BRIMEIRA. 457 

Quando de hum mowiitaixb vireindifioc^ . 
Que jà mais fe nrgmit/hum íogjátoi '. 

Da ventura, de v€isi,^dc;naea áritínq^ :-: 
Pois todos contra ml* Êtõ conjurados ^ : - 
Efte v^lê iarei de meu <ii^ dioo. > . , 

Co' elle a pente > <v o»^ ^ meus cukiàdos ( 
Faflarei em acerba, elolE^ft rida, .t 

Em queixas ^.<e ein rufptrpSjde&fados,' .. 

Porque fei aue feras díflfo . fervida , 
Naó deixarei dos montes. 9t diúreza^ t 

Ate tua vontade fer movida. 

Aqui me fvibirei* na mor alteza - 
Da (erra , onde logo contemplada 
Sera tua petfeiçaõ, tua cmeza. . 

A alma em ti fó prompta , c occupada 
Eftando de tèmicõtoA:f(}u£v:D , e'diâ:o, 
Of^rimida fera de ti levada. 

É difcorrendo hum paflbí , c outro. efcur<$ , ; 
De mal cm mal , de humrem outro dano , 
A paga tal vera de huui;>dmor puM>. « 

E vendor amai caó daj» ò^jdefengano, 
Co' os olhos feitos fotnes hiudafá. 
Lugar- taBinfelice, ò dcsíiumiano. 

E. o kpiíiinór> tormento lhe data: 
A lembrança de algum contÈntamwiti^ , 
Que inda.<jue pequeno ,f.mag0arâ, - ; ; * 

Fará por divertir ò pcttfamcnto . 
Defta pane trlftiiEn&a mudando 
Huma lembrança, chèa de lormemp* • 

Alli algum eípaco: poçfí^odo 9 . 
Tendo par impoffibíl cfiiuecer-tc y . ; 
• Jom. II. Y Fi- 



5^8 *f RHyr^Mis--' 



Ficará ^tfénm x^crzer 

AUi íe queixacÍL de 't€àilBcciFte c 
Alli dnv9^ ^ (éitsA yvàfsfvMofsíy 
Dirá: Dizc , «iw P^es ^^ moverHr* 

Mais que Vgmb )(Iilfiá ) dize foinvoià, 
Quatite ftittfia iiêlteza ^t^ Ç' e laca ^ ^> - 
Se verá huma hòrá pi^AriTa* 

AUi dirá^v^ftíel ^ c^apqilKt caidáot 
De hum efpinro tàõ :jtirplaidecentô 
Taõ fera concHçaõ y e vA avara d 

Alli vi virá trifte ,.alli «wfente , 
O coftumado xaaX ]^r~fi íoStoxiàõ^ 
De o quereres tu taiíR) contente , • , 

Como o Mundo eftá já conheçendOé 

^ E>L E-'Qri;A.' XVH. 

LA fietraitttigaiida dcxontiho 
Los^ paífite ^fiJEiPofosf ívoty nacmeodo y 
Perdiendo de4a'Vída riod»:cl tino^ . : 

De mis fttipíros triftes fáo ipudienda 
El alma apanar-^ y^el pstiiâfnioiíto 
De aquclla por quim í^o 'Cftoy mtoíicndo r 

Que aunque^ta au&flàa^es crave tonwieiítoi 
Que te olfftte ^h dlo^ iwpoffible , 
Que con amor't*c>:p*»dç*}apartamioirô 

Veote con e%íírk5 ^nvtfiUc : 
En el muy vivo tea%o ítfqwei nacneo - 
Tán fiero pafáími,"^ tàn-atiibb. 

Todo lo mas ^tejgec trifte vco , 
El frefco valle. y ^cl-ftiotttte , ia ^Ifieflura y 

. -Ca 



La clara fuetite enoj^ fWn rd defco. 

El dia fe me bi^clve en noche efcura | . 
No puc4e ísinançcer de ^ ^iifemc : 
Tus ciareis ^jqs fon ^ «de tu hcrmofura. 
Pcrnitte ya, Scnora', que prcfcnte. 
Do quiera qijfc tp luz esde^et^ída, . 
Sean cl alma y viàa juntamente. 

En tu feryicio alli.^omp^a la vida 
Poraé en alm^i fpla cçi çonicmplartc , 
Aunque mefeas (Icnipre endurecida* 

El mal que hazcs dulce en toda parte 
Sabcofo ^ el tonnieato , yo lo qpiero ^ 
Fues CS tu Vplutitad no abUndarte. 

Oue quat^dp una hora .venga , que no cípôro 5 
Piedofa , y Ijl^n^la 1^-^ que &3 paíTadas , 
Y rhe quieras pir , viendo que muçroy 

Las triftes no /eran de, i))i dexa4as, i ; 
Que no-jfjsibrí vLyir fip >el^liado , 

De penas , ^tio^o tiempo ya provadas^ 

Hablo cQmo furipfo , y tf^níponado , ., 
Pido ló g}jc.imC:Cs rn^s p\opyo.y . l. a 
Holganâo 4« "^e. ver tan , 4v?^.dp. • . . j . • , 

Quien ítàçigaidp es , jAo 4à rjepofo , . 7 '-. 
Que fufras con |>a(cie^ia çe çoxiviene , . 
La<5 quexas áel, qué a fi /e.^s pdiçfa^^i ' 

,A1 tifmpo ^ijíi|e,bokn4Q:J6» v^ ;vtftja :,^' 
Mis d«fuÇ)jÍíis. bQZC»;^egcòwçivla:, " ...-:n ,] /\ 
Que alli la triftç vdz^f^ dcticíjc*. ^^,, .J j/{ 

La berç,af.>dçLrdj9lpctpÍ!}gut>a.cníicií/íí^ / / 
Pucde lomar.^n; Wr^,i^flu^'ifw>£afií ^inV^ .., 

Lo meno? .sm iía Suj«a-^;W> í«^i9J^n»^. '^. 
Y ii In- 



^40 'rhy t h m as. ■ 

Incurablç parece uha Bíaga , 
y lo es,' qtie reciba de tu mano , 
No quiera amor , que yo^ jamás tlesliaga 

Su volurftad en cfto*, qiie "es en vaho. 

ELEGI A XVIIL 



DE petà en pena nratvo* hs paíTadas , / 
La triftiflíma yóz ai âyrc tíando - 
Voy cantando mis quêxàs dçfufadas : 

Incierfó en el caminb , que pifanidõ 
De un monte cfqúivÒ , ál otro me èncamina', 
En racdio dei eftoy eh ti penfando. 
^ ' Gh* Vigòrofb parfo ! Y quan indinã 
Él 4lm3 veo aqui de^ fola una hora 
Poder en ti penfar còft tan dina j ' ^ 

Si el atàa aiin rio* es merecedora , 
Puríffima , y. prefééíá >- Y ^qué fnc Jíubde 
De cfperança quedar in ti ,Senorâ'? ' " 

Mas qiíé puedo qàeíer^' fortuna ròede*, 
Llevandome de *àà tritté «n otro éftàãO , 
y fi es tu voíurttatí\uh 'biferi no quede. 

En mi no' vi\iò' ya ,'"fe ciàhsfiiíinado 
En ti , ei.tHfte í ípriiè . ^'e toàiá , 
De ti foISfe quiete' Ver inrfádo. 

Que áítt^tie éfi fiiíi^-p^e -nofche, y 'dit , 
De tu mano fc vfêírév-0'^cn palio cftréçho , 
La firm^ volúhtiad' Àbníhiiaam; ■ -- -• 

y fi for realeza ^' Bmào pecfcoV • • '^ 
Que ^nto, HemPò 'fiié^:^n<ítirecidb V • '' 

QuificÍfeiÁ^'mòftrár "mi hvèvo hecho ; 

- ví ' •* / Ad6 



PARTE PRÍMEIRA, 341 

Adó me Ilegaria aquel fonído 
De tu nucva mudança ,; y tni ventura , 
Al eco 5 ai valle , ai monte empedernido ? 

Dó no fej. caniaria tu blatidura ? . 
En que region cftrafk ,ó nucva pane 
Quedara por loar a tu henr.ofura i 

Quicn no pufieta eftudio y ia^enio , y arte 9 
Y quando todo nó , mucho dixicra , 
Moftrando qt^ç cupícra en ti ablandarte ^ ' 

Que ípblc t que Icon , que tigre huvicríi , 
Que aTpcra montam y intratada ,1 
Que mis mudadas vozes nó oyera ? * , .. 

Mas no quiere amor , mie la ufada - ' 

Quexa , eií eftas fierras ciparzida 
De tanto licmpo ya fea dexada. , ' 

Ni tu guerras que yo dcxe la vida , . . 
Para me dar lotmicmo aun mas fiero , . * . 
Ni con tan luenga ufança interrompida. 

Cada hora mos aípèra te efpcro. 
Que vengas pido , el mal fca niàs duro. 
Que el que puedo fufrir , ya no lo quicro, 

Pruevafç efte amor pcjfeclo , y puro , 
En fatigas tnayores , en crueza ^ . 
Quanto fuerc (navor^^e^ màs feguro. 

Excedes à -las ficras'cn dureza , 
Quando íe Ha vlfto^ éif. efta pura , y rara 
Gracia , dei duro. monte. Ia alpereza. . . 

De lo$ bienes que Puecjrs. dar avara., 
Al que puedes dar vida , y por ti pena , 
Pues niegas. lo qiie el Mundo no peníira j 

Haze eh tu voluntad , como ella ordena. 

^ ^ ' - EtE- 



E L é G I A XIX. 

ILlnílrc , c nohré Sylvaf défceridláo 
Do grão' filho de Anthifcr valdofó , 
Por armas , c pòr faii^ué efchrccido ; 

Q[ii^ como forte , oufado , c piédofô , 
A's coftas falvbn o pai de fengòí5 anos , 
E o filho pela mão terirÒ , c mímoíb j 

E*os Penates , que tinKáfn os Tioíahòi ,- 
Tirou no mor eonfli£lo da Cidade, 
Em que Gregos fizeram tantos' danos. 

Crcfcendo foi de húa em òutfa ickdè 
Efta illuftre progénie gènêtófa 
i Em virtude > valor , honra , e bondade , 
Até chegar á riofla ra& ditofa , 
Pois nelle o Ceo a ti Syfvá nos deò ,- 
Que a fattés com tna^ obras mais forfttofo. 

Aonde o fnclVto Rei dê motu kà , 
Movido pelo,Efpiríto_5 que p guta 
A míírores proezas , que aí Thefeò , 

Pelas partes que etn ti ia conhecia , 
Ou decreto de cima , re eícôlhed 
Por começo do fim gué peneridísí. 

De Capitam de Tanger te provcfo , 
Em tcínpo que ó Maluco afaz valenfe 
O grande IrtiperFo de Afrrca venceo. 

E fendo cliat deiçaõ do Rd valente i 
Da cega inveja foftc murmurado ,' 
Porquê ninguém efcspou ao maldiiíéntè* 
,Náô te negaram fcresf tífbrçadbj 



Mas 



PAJITE PRIMBIRA. 54? 

; diziam 9 que à giciia em xA idade 
âa Capíum cxpfíi9ent«dQi. 
l que pm temfiO) de t^ neeeffidade ^ 

ivinha velho amparo , e fon^ efciido ^ . : - 

quem naó poíJã hofli^er temecidade^, . 
Aas bem ao commio fe m twli>> . 
s pnidepcia , e esforçQ jantametiCQ 

Cl exprimentou a Mavro nido*. 
guando com grão confelho j e pouca gente y 
aveflaftc o& campos Afiricanos > 
mo grio Capitam , veUio , valente^ 
i foft^ a pane onde os Mauricanos 
5 tinham vUk) lança de Cbrifláos 
via longos tempos ^ longos anos^ 
Famafie deibúidado hum Capitai|> , 
» tempo , e ai£ na fipf^ra exprim^oi^do ^^ 
I quem fe confiava Teuiam, 
^lafe , irmão de Álafe , nomeado., 
le naõ fó o feu campo defendia ^ 
Ls< encrava no noíTo confiado* , . . 

F.fte, que toda a erande Barbaria 
lha , por mui procknce » e aaimofò i .^ ^ r» 
;ora o tees na tua eftrelKiiía. 
Que pode aqui dizcsr pois o.iny^jpfog ' 
ide uó daro vè , que neil^ idadj^ r - > . 
pprc o nobre íàngpc- generofo ? 
Naõ vt dirá, que foi temeridade 
ra feito como eôe taõ valcme., :. i. . ' 

)m ter fegoro o eampo-j, e a Cidft$fe. 1 

Nem te pôde negar fere? pradtenií^ « 
lis tempo 9 e conjunção rale ie&olber>v; -^ 

Em 



Em qu&4ui5 artírcafte^-âtua çcntCé r 
Mas affi te foubeác recoUíer = 
Com grão -âèfpòjo feito , àcnfo dana,- 
Sem hipiri Aàs que lefraftefe perder. ^ 

O' f elicc Varaô , Sylvâ Troiano ; . 
Quem te fóidc louvar', coino venccíte , 
Pois no dia.:inendr que tinha o anò , 
O maior frico em Africa fizcfte ? • 

ELEGI A XX. 

SAiam deíla almá trKle, e magoada^ 
Palavras- magoadas de rriííeza , 
E feja ao Mundo a cauía declarada. 

Saia do pékoa voz , 'com que a^grâveza 
Sogíga-^ dóma^ e as gemes move. tanto. 
Por mais ^ e mais que tenham de dureza. 

E vós j -meus olhos triftes , entretanto- 
Em lagrimas, eíla alma dersetida 
Chorai, que amargo chora hc o meu canto*. 

Quanto de mi a câufa foi fentida, ^ 
Seja de vós chorada , è jubtamentc • 
Choremos huma morte , e huma vida. 

A bondade choremos innocentc. 
Cortada em flor, que pela acerba morte . 
Nos foi arrebatada d'emre a gente; 

E aquella immenfa dor , e duca forte 
Da magoada mãi , cuja .aln» trifte 
Também cottada -foi -co^o? agudo corte.- 

O' efpiritò gentil j ^e ao Ceo íbbifte ; 
Pçrque cngeitSle a.mwJja companhia ^ 

f.*. .A 



PAUriFRlMEIRíA. 94^ 

E ^ítompsaími^ cu oaó confeoiiftej 

ERt Jic Q canto heróico -, e de^olegría , ") 
Que já cm rcu-Jouví^r «pparclhava. 
Coniõ ..o Kxnõu a^npne em EkgU? 
^ Efta he a efperaoça quo noft.daya . 
De ti , tua. tenra , c /alegre mocidade ^. 
De c|i;em taõ grandça «oufaa íe eípcrava i 

O Hymi^neo ,r4]iie em mais. peneiía idade 
Com Jionras. mil te andava/apparclhando 
A mãi , át cpiem naõ houvefte piedade i 

Que agora 9 como í(ècuba, anda bramando ,. 
Bufcjando em váo a cafa cm toda a parte ^ 
Amado j^ho meu , por ti bradando. 

Quem nie vedou 03. olhos teu? cèrrar-te, ' 
Que em taõ amarga > e jtrifte defp^dida 
Pudera efta filma minha acomp4nhar-te ? 

Quem te. privou da^chara, e doce. vida. 
Meu filho tao formoío^ e mal logrado i 
Douj.opraçóes paflou-fcuma ferida., 

í^m terra de deficrrp j ai filho anwio , 
Deixando-me fem tí^defamparada, 
Qui^efle fer* de eífara^os íepultadp.? 

Se hias para .fez^r .U^ grão jpmada » - 
Naô levaras em tua ipempanhia _ - 
Efta mifcra mái.defçoftfolada ?L 

Quiçá que algum foccorro te. fçria j '^ 

Que vendo 'Vira.^ípada. cn>, alto, t erguida , 
Filho , corn hum grito meu tfi aviíaria- - 

Ou recebera; o golpe «eflj^^vida, ' . . '^. 
Metcndo-me no hkIo , c tu viveras j» j 

£ar(^a de. loeu. fangue eíTe . homicida» 
.' j Ai 



f4tf KHrTJí:RlÁÍ, 




Ai filho , tom mucx ^ qpn m fò 
Quem com.tuft víck ^tejff^ Afffín defca 
A meu viver 4SXS&tkf ái ]Sijderas l ' 

E tu fcr^ também qwsm maiifo â? imnfo 
Me acabarás t Viià qoe ci^ Otteriá "^ ' 
Sem ti ver acabada de hiim 16 híife. 

£ vâs tãHnr^m , mulh^K^, ^ue parifles , 
AjucIftMtte a ài&ízt , pofffiie «m mal tamc^ 
Naõ rari3fá2i0m f6 úieiur cdbod trlftt^ 

Alli com grave doí de eama a «íátitd - 
Até nés €ôfaçõe» de móf dttrtía 
Soa huma voz ^^nfufa , hum amarga pram9« 

O' tu , hortfa , e frimor da tmsxi^OÊXj 
lUuflre ) t fiormófiffima ntaria \ 
Naõ trates fnàt^ SeiUiorâ, tat bêllezA» 

Pois Tó coftddíi tt 5 doiidé filegrii 
Defunta , e; xú chorada em dlâ amargo 
Refurgirà «m orutrò alegre diá. 

Que a ti d^ O movedof dò Miuufe e evga 
De alegdf^ ft míi cherefá , t trifle ^ 
Que alegre viviík pW tettipd lâfgo, 

Poftoque a dcMT dO iitAfiô mxiito fetltifte » 
NaÒ deftniisáfr ltrtda$ tíriftçi» beUat^ 
Pois o remédio niíTo ilãõreonfiftè» 

Naõ trates mal ta tiitidátí eftr^Uaí 
Dos olhos teus , com lagéiiias ardentes , 
Pois tent mais rèrplaf^or que todas eUás» 

Naõ oíFendas as â<9«s fefíilgéntes , 
Obra de Deos^ €om ftião deíj^edofa ^ 
Da pátria hònta*, ít lòuvor das gentet. 

,Mas vaieòm 4oce vòz^ branda, e amoroík-. 

Coo- 



PAíCtÉ fKlUÊÍILA. i47 

Confola a trifteftôíi d^fcònfeladt^ 
Com Wift vifta ild^té , é tíò foírtóofá. 
Promctie4h« , qua em fi téMckiàz 
Verí fúi alegria jk peiííidâ , 
De todoi taó feiffida ^ ê rad c^dfãdá. 

Pois teu remédio efta f6 «m ítM viár ^ 
Qiie haja dei ti mateWa picfiáad^í 
'Naõ dê unto higaf i dor créfci^. 

Bem fe permitte k fráca liumanidadtf 
Por filho tal , c tattto lenftfò aufefiitf , 
Hum moderado p^ilt6, hufha fátidâde. 

Mo» táõ cotftinuâ dò# 5 qu6 efpafite a gente , ' 
E põe em tal eiítfemo a vida âtóádá 5 
Nem Miindo lí (^nti , ffé^ Deos náõ ò j^ofif^fite. 
Naõ foi amofté de H6itoí fertipref íhòfa(È^ "^ 
Da trifté míi , ^é além de filho âmadó 5 ^^ 
Era por cllé {ò Tróia ârtipaífada. 

Mas fà défpoiá Aé fAòrtò, e afráfttdô 
Com Grego ap^aôfô - vozéà , é alarido y 
O corpo hotrve ki mtos âéfcói^ldíiiiJoj 

Perdida a tôt ^ ò cdlld rcéâhidé j ' f 

Naõ parecia Hcltdr' , que d^arttel erá , , 
De p6 , de fangu6 > c de fuòí tíffgidò. 

Com feus*olno5 layóu^hé a chaga feA , 
Com fuás mão* ò rofto lhe altíti^íítà , ' . ' 
Sem alma , é farigoe , }â de c6r de' cera. 

Masvefrfò, cfn fim, qnaõ pôudô àpró^eftM 
Seu choro , e hem p6r róais que etii Viò brádátidb 
Chamava Heitor, Heitor fefufcitávâi ' ^ 

De lagrimai os olhog enxugando , 
Dcfcttgartada jà da filho aihádo ^ ' • • ' - 

Se 



^43 RH YTVlUhS. 

Se foi co^áma^tc filha cptifoltiulo, 

Nem fempre o fero AchíU^ &i choradp 
De Tcthys fua mStí^^dQ |>rancp^coro , 
Príncipe Grego uõ aJKgn^ado. . 

Também pagou á morte o antigo foro j 
E à dçoTa: n^ valeo .fer prevenida » 
Nem fufpiros valeram , nem feu choro. 

Também a efte acabou mortal ferida ^ 
Sendo mei0 immortal , e filho amado 
Da deofa de Nerco laó querida. 

Nas aguas de Acheron^e foi banhado , 
Poi^ue, em batalhas , como o fero Marte , 
lio ferro naó pudeífe fer cortado* 
^ M0^ a a£ua naõ chegou á<]ueU4 parte » 
Que efíjuadrinhpu a fetra aguda , c forte , 
Que contra dia naõ vai engenho , e arte^ 

Choraram as^Grec^as ge^ues fpa morte , 
Os Phocas ,'c Delpnijs cambem choraram , 
Chorou, 4q grão Nereo toda.s^ Corte. 

Tahtã» ,^gFÍnw triftes derr^pnàram , 
Tanto chorou 4;mãi , que n)UÍto o aniava ^ 
Que a Xanto.j eo Simois accrefcentáram. 

Mas vendo que o chorar naõ aproveitava ^ 
E que. era dor .perdida y e defatino ^ 
Os feus fofoiofos olhos alimps^va. 

Jí copa 4^^ ^ f ofto de ar benino 
XX£eo , a lerra , o mar , tudo alegrando y 
^ os. Cidadãos do Reino crylfallino ; 

Õs ifeus Vierdes cabellos cubando 
Ao vento, ck.mil Nymphas rodeada, 
Tornando avifta atraz de quando em quando; 
0.7 "^ De 



PARTE • P RlRlElR^. MP 

)e Pauíilipe , e Oricía acompanhada , \ 

Doris ,' IVÍcnàlipc , c de Melatiro , 

f«i*' para Nerco confolada. 

Deixai pois jáy Sènhorar, o amaino pranto ^ 

pena , a dor, o mal, que tanto crcce^ 

dai lugai^' ao meu 'Inculto canto. 

Com grio difRculdade fe òffcrec^e 

grandes defverifurâs , tac^ cortio* eftà , 

dar-lhe iguaes palavras , quaes merece. 

Por tanto eu , Senhora , a^ofa ^ntfta ^ 

aô as hei de tafcar por eonfolar-te -, 

ne aos triftes confolar fó a razão prefta. 

Também' fcraõ perdidas neftá pane ^ 

onfobçoeô , <\ut úm choro de amargura " 

orça naõ tem, pòr mais que tenham d^arte# 

Se as lagrimai nâõ- vence a rsfôaó pura^ 
brtuna fempre a outras accrefcema' j . • 

iuardMe Deojí d0 mór defavieintui^. 

Náõ digo, ^e a alma eftè de mágoa ifenra^ 
^orquc humaiío he femir , maft he fraquaia ^ '• 
Njaõ fòfRer ò que Deos nos aprefenta. 

Naõ he efte Mundo a noíTá natureza >' ^ 

J.ftrada fi, por -onde caminhamos, - 

Pertèfidendo chegir á fumma Alteza» 

Ncfte cammb6 hum paffo cftrdtcaehamôSf >^ 
Morte fe chama:, horrenda , e dçÊibrida, 
Divida aue Adaõ fez , e nos pagamos.' 

A tMds he commum cfia partida : } 

Quem morre , naõ nibrireo, pwrtio primeiro , í 
Exítjab ha defpoMida morte he'^ter«a vída,^ 

T^dp animM ^ue nafce , eftà fofearo • ' . 

A 



«$9 R^ííyTHMAS. ^ 

A paffar cjasp |ita0b eflf6it9 títHo.; 
Todos ia l^vjemps de ir pqr 4^çi^f<)« 

Deixa , Senhora , ^m (^ ^mAXgP ^mo p 
Xey filhp <eJ8á n9 Ceo feiplaodçQenct , 
}à entre <is Ckbdiãos do Cpra &9CQ» 

NoíTas men^odas urines nap a^ foite^ 
]à livre ; e d^ th^tro ,t9è> plhdndp 
Com oIho6 Hiumccges a imoior^al g^ente. 

Da Vifaó Be^ifica gozaodo > 
Sem mcd0 w £^%íúis> <fe pcrdelU , 
O Mundo ^ ^ :£*q$ iiCagQ9 tkfpcfzando. 

Dalli çptiTQQ^lA .de hua , :e de Auir» efti^Ilfi ^^ 
Ou fixa ^ e jeránte ^ o c\vrib , e niovtm!Bn(o » 
Tendo ^ fent /e «nover , os pés iobre eUa« 

Veloz , qwírf o ligeirp peoíamemo , 
Pafla de Polo n Polo , <i o Ccq wiilwcc 
Que fcu capxinho Êiz com .paflb ieoto. 

£ porque ^xíWf continuo mingoa 3 e Gueçe » 
C<»Híkpi(Qíie , « a quinu dTcncia piw j ^ «ãih > 
E cQ(Q que lu2 a JUua /efplandece* 

Nem o efeanra no ar .qualquer CoinM; 
Os poniôs Aà^ rde im » e de outrp Signo , 
Por onde ht ^M curfo .0. giáo Piancta. 

Hum Aob ;{^vo tees , w&Q $ t hmi»m 
Vj¥C , &nhowk ^ al^ce.. c coníoladft^ 
Que pQF tx roga ao PaAre de x:omi«o. 

O' aíma >puia , em alço alexeanuda 5 
Que lá eftás -nefle Ceo luBtfue^ e .iláca ^ 
Defta moital pifífap já ddEwda ; 

O' Sfnfa«r eieà Dom Tello^ amigo dMio^ . 
Que do imm> Sol 9 Qodí» viycíb: 

Tc 



í> A AT» PRIME IR A. ^5* 

Te ârrehatdii ícmâvmp^ o^umpo âMra; 

^0Mii9:fiitJ9^ do Lfidit naõ perctefte 
A memoria dejM » quc ^Moto ce 9mo » i 

E por jmn» ràk^^jme. ^db ; 

Com tttetçaõ «ficuca 'O movi ir^cbmo 5 
Naõ dcíprç2Ki 4Íe^ murír là ideiía akiira 
A baixa y t jonca 9M0 » trosn x^ve je. ohamo. • 

Qt^pt quando -ooocçdido da <vefnpra 
iMe fqxtp 4j||L]e ^cii:4^r, ti.â§ora peço, 
Maõ borrara. iloti Bmne n tuna iofcuca. 

Em tapio^ds; baixaálBihythmas tt oifibtfiçar . 
Em penhor da >iiQUtadet, re smor poófiiado^ . J 
Até cumprir^ o n^a:, om m^vá tproteçio. . ,^ 

Que fCfmh JK )fcaiitaaà ijpt^r todo lO Mundo 9 
Com línguas milv A Êusia fiobetana ^ 
£ occupaflá teu iiimnc Jssn líj^ndo 

Do pacdo iFejo klém lia 3ap8obaii>a« 

. E L.E Gí A XXI. : : 



NA5 me julgmb.^ Senhosa., atsevbnetito 
Qqiie n» &z fiuter híírmal ta0/6mc.. 
Que naõ me i»fl» ndie .0 ibffiimontó» 

Que cal me mz ^ agora teii^'iÍ3iO)é« 
Que m&:ba'^ht!^fçís'!fQÍkjctúdáààt:^ . 
Donde fó por^remedio r&ecOia.mdriii» 

Naõ vos >piide odiar .efia. mdadct,./. , 
Porque força .iiaõ. sem. -poier diumanp 
Contra oa!cro«, ique aaç :t«n homaiiidaife^ . 

Amor , que .tEdfi dbz^sa :mór alaiip., 
lAe >ãcD jQjsaI.5 icvounnc jd fiafronensor. 



Ah 



íjí^ A li ff yrr fl SI a sfc 1 

Ah dura amor;, _ cruel ^ e^jáésáiumatid'! ; -* '^ 

Naõ vos lemtMT^^ Setdiòâir^ meu toitnfiito , 
Que cfto bem «>' mecíiec ujoufidía ' ' 

De eu empregai? tm v6s':^meft;jieiiraineiKÕ* ' 

Lembro^vi» bum sàúixi^ <fiie ài4a' diâ '; 
Em mi cai^vénladdfo ) e^fimie Msroce, ^« 

Que alheo^me^Eiaz jà do^ftfe íòhiâ. < * 

Naõ peç^ que-o pi^ocií,-oomo merece V 
Que naõ mcreç)úi cu tmtò yinm (ò f^fo^í ^ 
Que porfmí naõ ^(kis ^ dieímeiece. ' 

Porque Tc fó por -fi Ke* de ^ iát píeço , ; 
Que a fiippric jbafia feu «merccimcnco ^ 
Quanto eu d? minha/ paroeddi^creço. 

Bem vejo quedem. tomar o-foffi:imieiico 
Para viver , ijiclhor rónedio fo»^. 
Que hum taõ def^rdenado atrevimento. 

Mas eu*<[u<f do viva: mimos •, já agoca •: 

ue de todo a livro , pois c^cfcendo 

aõ com a -Vida. os malés^ Cáda^ hora , 

Vos qàiz manifeftar meu mal , fabendo 
A quanta -delRrentura fe ivencant^ . ' ^ .-- 
Queirp pettêttde' fazer o què eu pertendo*. * 

Q^izelTe oh oxalá minha ventura ^ 
Que eái^gaifek y6s eik auHslitf * 
Com huma çmd morte ^^trMle^v e dora! 

Que IU& feria :morte , mas feria- 
flum fuave remédio , doce 5 e branda , . 
Defle mal , que me mau tada dia. 

Até quando , Senhom ^ e até quanè> 
Terá lugar em vós voffa cinicza , 
£ a morte siaõ ^m mi , q a çftou cfaamaodoir 

.- Ahratw 



,9; 



PARTE PRIMEIRA. ^s% 

Abrande meu amor vofla dureza , 
Que efta alma em fi transforma com tal cura > 
Que jà naõ he amor , mas natureza. 

Abrande jà huma vida , em que fó dura 
A alma , porque veja , c e^rimente , 
Que naõ tem fim a grão defaventura. 

Abrande já huma dor , que juntamente 
A vida penetrou ^ e a alma trifie ^ 
E lhe roubou o eftado fcu contente. 

Moftrai-vos poderofa em quem refifie 
Em dcfobedccer , ou enojar-vos , 
E naõ jà contra quem vos nao refífte. 

Em quem cukuir y q digno foi de amar-vos i 
Moftrai voffo poder , pois o merece , 
Em mi naõ 9 q o nao fou taõ fó de olhar-vos 

Attentai por numa alma , que fe efquece 
De fi , porque em vós poz fua lembrança , 
E tal , que em nenhum tempo desfallece. 

Nem fufpeito que poíTa haver mudança 
N'hujTi coração , que mais que a fi vos ama: 
Dai-lhe jà morte j ou vida » ou efperança ^ 

Que tudo fera gloria por tal dama. 




Tom. II. X ESi 



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TIL- 






i T. 




E ST A N Çj AS 

' FR I MEIRA 5, 



QUcm p6de ftr no 'Mtíin<ío^ta6 fl^Wí> í 
Ou qúcm terá tiiá livre o f çfjfaiintftirô ? * 
Quem taõ ^xprimentadcí , pu ta5' dfíbtao í 
Taõ fora , cni; fim ; de 'hutttâfío ifltuendimctlto , 
Quç ou cahv ^enjblieo cíFéit<> í ^^ eom ftcrtto ^ ^ 
Lhe na5'feVò!và,Ve eípantc O ftetitímemo, ' 
Dcixando-lhe ò')ufío aufag ínécvto j 
Ver ^ ç nptár âo^^^unáp p dèfcònccrto ^ -a * ' " 

n. 

Qu8m'!iá <jtííí f^% -a^eiíè-íqiíe viVía -^ 
De latrocinio$'^/rtièrt€ís ^ e ftdtíbèridç , - 
Que ao jtíÍ2ío das ^nies merecia ' ' > . 

Perpétua ptfnâ^^ irlimjmfos vicupQvips; 
Se a fQmitit'<^i^'c6Atrá(to olevj;, e gubi^ ' 
Moftr^tido 9 em''ílní^ cpse tudo^fiíõ my<Aeri9f 
Ehíakeza de èfttóos triuwiphíaníe ^ 
Ç^c portívré qô0-fejâtia6 fiôfyanttf 



?ii 



Wf. 



^6^ R H I T H M A S. 

Qu.ém ha que veja.- aquelle que tâõ clara 
Teve a vida , que em tudo por perfeito 
O próprio JSÍomò 4s gentes o julgara , 
Ilida quafldo llte YÍffe aberto d-peito; 
Se a má fortuna , ao bem fomente avara , 
0;reprijíie, J Ihc^ega ícu d^ito. 
Que l}íe"nao"íi]ue o pefto congelado, 
Por mais , e inais yjffíQ feja expcímcntado í 

lY. 
Demócrito 'dcÃ.ílíílfes profcriáp- / . ' \. 

Que <ranx ró$ 'd<M]9.s a Pena^ à Be&eíicio. 
Sqgfjedo ,ar§qnvTej:^ãít pbamafia, . . - 

De quç. cú gçfeíir ^n^p poflo^ dsw, ifidicio. 
Que/c; 4mhçA jjen^ pçr paó çukWaíVU 
A quem os n^õ iperece , Ke^raç^ç, vício 
Em debfcs feip jijiiUfay c hm fíd»6. 
Mas Demóctíta jp dtífe , c PaiMlq^ív^õ. ^ 

V. 

Dir-me-heis , qtie -fe cfte efliatfho dçícqpccao > 

Novamente opMobdo fe nm^íle^^f, 

Que por livre quc.foflèí e qmii ojq^crto, 

Naó era dç efpttuat ib me efp^tafie. 

Mas que fe já dé Socraees foi còrip » 

Qõe neiflium.gmndt.ca£b Ibc ipudafle 

O vulto , (ou de pímdcnte , ou 4c conftame) • 

Exemplo tome deUe:, e naõ me cfpante* 

.:.f i. . VI. 



Parôcc a iazâô bóía-,í»as en difb 

Deftc ufo áa formna taó daninado , 

Que quanto he mais ufadcv,' e mais antigo , 

Tamo hcfíiairefbalihâdáj-^e bláfphemadcv. _ 

Porque fó óÇtó;^ dás gtfrtteè íaò amigo , 

Naõ dá á foitõhà te«^ liftirnído , 

Bem he para cauíkr hum grande efpanto / ' 

Que mal taó-n&ial olhado 'Aife tanto, 

vai. 

Oatto cfpántó maior aqui me èiJía ; 

Que com quanto fortuna itó profana 

Com eftes defconcenos fenhórêa , 

A nenhuma peffoa defengaha. 

Naõ ha ninaiem que aflcnte , nem que ctèa 

Efte difcurío vão da vida humana , 

Por mais que philofophe , nem que entenda , 

Que algum pouco do Mundo haô pertenda. 

VIII. 

Diógenes pifava de Platão " < 

Com feus fódidos pés o rico eftrado ; 
Moflrando outra mais alta jírefumpçaô 
Em defprezar o feufto taó prezado. 
Diógenes, naló vês que extremos faõ 
Efles que fegues de maitf alto cftado ? 
Pois fe de defprezar te prezas muito , 
]à pcncndes do. Mundo fama , è *fruito* 



IX. 



\ íknúífjiíàA$^L-f 

Dei JJÔ ágôfá RaS gfâmíe» ,. mp êflájáò j .:' : 
He fattar efta fede cubiçoíi t j ^ ^ 

pe (jtiètef domiiiar^,,,e maadar, tjjdaw ,. 
Com fama larga ,.c.p0ín.pA fymfm^ii , . •' 
Deixo áiquelles qtie tiMiiam.ppf;^fí:t«te . . 

De feiis VÍGÍos,.e, vjdçt verg^fihpfejj'' 
A nobrçza de fçús antcceíjíreg „ . -;,, ■ 
E naô cuidam èf fi que faõ pcort»< ^ 

,-./,, -'X. , 

Aqúcllé deixk) , 4 xjftêm do foJttf O èfpefíâ 

O gráo fev^r do Riw quc; íeive ,. c gdpra , 

E le matltém defta :^i|ra felfa , e incerca , 

Que de corações i^mcos Jie fephpra; 

Deixo áquellcs ^ué eftaõ C30'a boea aberta 

Por fe ehjchcr de théfóuros de hora eto hor* i 

Dòêmes défta faífá hydropcCa , 

Quel quanto maií áicança ^ mais queri^i* 

t)6Íx6 oiitfâs òtrás Vãas <lò Vulgd erfádo^ 
Á que jà naô fca íilgíie^ quê conttadigi *, 
Nem de outra còuff^* àlgijmá he goveràadò 5 
Qué de huma cjpini^ô 4 e iifafiça »miga. 
Mas ^érguhto ora a Obiar esfoi^ado ^ 
Ora á Plataô diylâo, qíie ffeè digà^ 
Éfte dás muirás tWas iem que andou , 
Aquellc dç veticè-Ias ^ que alcatiçw í 

Xlt. 



PAiiTE.PRIWlílJKA, wt 

5511/ 

Cefaf <ííràrSo0 digno dc.mcmofía.j 

Vencenda povo$ vários , e ^fofçados : 

Fui Monarca do Mijridp ; e largj^ tpftorúl 

Ficará ác xncm feitos fuljit^adoí»^ 

He verdade : mas çiíe m^ndo , e |(oria , 

Lografte-p tnuito tempo í Os. conjurados 

Bruto , e' Cailio diraõ , .qpe f^ v^ncefte , 

Em fim y em fim ^ as m4p$ d«^s teus iryori^e. ^ 

Dirá Píataô r Por ver o E^a , c o Nilo , 

Fui a Sicília , a Egypto , e outras partes , 

Só por ver , e efcrever em alto cftiio 

Da natural fciencia em muitas artes. 

O tempo he breve , e queres confumí-lo , 

Platão , todo em trabalhos ; e repartes 

Taó mal de teu eftudo as breves horas , 

Qué ) em fim ^ do falfo Phebo o filho adora$ i 

XIV. . 
Pois quanto de$ que vive já apartada 
A alma defta prifaõ terrçftc , e efcura , 
Eflá em tamanhas coufas ocaipada , 
Que da fama que fica nada cura. 
E f e o corpo terreno finta nada 
O Cynico dirá fe por ventura 
No campo ot)dc lançado morto eflava 
De fi os cães , ou as aves , enxotava* 



XV. 



XV. 
Quem taõ hafxa tivefle a phanuíia , 
Que nunca cm tnórcs coufas a mcccflc • 
Que em fó levar feu gado á fonte fria > 
E mungir-lhe do leioe que bebcfíe ! 
Quaõ beinaventurado que feria , ^ 
Que por mais que a formna rèvolvcffe , 
Nunca em fi femiría maior pena , 
Que pczar-lhc de a vida fer pequena ! 

^ XVL 

Veria ei^guer do Sol a roxa face , 
Veria correr fcnipre a clara fonte , 
Sem imaginar a agua donde nace , 
Nem quem a luz occulta no Horizonte : 
Tangendo a frauta donde o gado pace , 
Conheceria as hcrvas do alto monte : 
Em Dcos creria fimples , e quieto , 
Sem mais efpecular algum fecrcto. 

XVII. 
De hum certo Trafilao fe lè , c efcrcve , 
Entre as coufas da velha Antiguidade , 
Que perdido grão tempo o fifo teve , 
Por caufa de ^huma grave enfermidade : 
E em quanto de fi fora doudo efteve , 
Tinha por teima , e cria por verdade , 
Que eram fuás , das nãos que navegavam , 
Quantas no porto Píreo ancoravam. 

XVHI. 



, PARTE PRIMEIRA. ?Si 

XVIII. . . 

Por hum Senhor mui grande fc teria , 
C Além da viáa àlcgrc que paffava) 
Pois nas que ft perdiam naõ perdia , 
E das que vinham lalvas fe alegrava. 
Naô tardou muito tempo , quando hum dia 
Hunçrito , feú irmão , ^c aufcme eftava , 
Chegando à pátria , quando o vio perdido , 
Do fraternal amor foi commovido. 

XIX. 
Aos Médicos o entrega , e com avifo 
O faz eftar á cura rcfufada. 
Trifte y que por tomar-lhe o*'antigo fifo 
Lhe tira a doce vida defcanfada I 
As hervas ApoUíneas de improvifo 
O tomam á íãude jà padkda. 
Sifudo Trafilao , ao charo irmaó 
Agradece a vontade a obra naõ. 

XX. 

Porque defpois de ver^-fe no perigo 
Do trabalho a que o fifo o obrigava ; 
E defpois de naõ ver o eftado antigo , 
Que a louca prefumpçaõ Jhe prcfentava : 
O' inimigo irmão , com cor de amigo ; 
Para que me tirafte ( fufpirava ) 
Da mais quieta vida , c livre em tudo , 
Que nunca pôde ter algum fifudo J 

XXI. 



i4f K^YtHUJl. S. - 

XXL 
Por qual Senhor âlgtini cu ift^ éCow* , 
Ou por qual algum Rei de m^ii graadczí t 
Qvtc me dava que o Mundo íç aca^íSi , 
Ou que a ordem nnuda(Àf a naturôz4 i 
Agof^ me he pctiofa a vida çhara ' 
Sei qúe coufa ne trabálíio , ê quç criftc^- 
Toraa-jpe a mçti çíl^o ; que ^u tf ^v^fo 
Qoe na doudice (ip coniifte o (ifo* 

xxír. 

Vedes aqàí , Sctihpr ,. bem clarantóntó' 
Como a fortuna em todos tem poder , 
Senaó fò no ouc rtipinos fabc , c fente ^ 
.Eiii quem nenniim dcfejo pôde haver: 
Eftê íe poJe rnr da ccgâ gente ; 
Ncftc naõ pódc nada acontecer j 
Nem eftarà furpenfo na balança 
Do temor mao da pérfida efperança* 

XXIIÍ. 

Mas íc o fctctíò Ccô me concederá 
Qualquer quieto , humilde , c doce cftaáo ^ 
Onde com milhas Muíís fó vivera , 
Sem vcr-me em terra alhéa degradado ; 
E alli outrem ninguém me conhecera , 
Nem conhecera eu outro mais honrado , 
Senaõ a vós , também , como eu , contente , 
Que bem fei que o feriais facilmetlte : 



PA^ t E vPÍL I MEÍ R ^. $$^ 

XXIV. 

É ao lon^ dt hunu cíafa , v {"-^"•'^ fon«í> • { 

Que cm' í>orbi4has nj^kcndo cofivldaílc 

Ao doc<í palTarinh© , que rios couxc ^ 

Quem dá chara conforte o apafulTc t 

Defpois , cobrindo a neve o vc^c niontC 9 

Ao gafalhado o frio nos levafjc , » 

Avivando o jiilzo. ao. doce eihido , 

lufais ^certo wnjat da alma ^ em ^m 9 4|uc mâçt 

XXV. 

Cantára-íios àqúeílc qtíe taõ claro 

O fez o fogo da .arvore Phebea , ; 

A <^aí elle em cftylo grande , e rafo j : 

Louvando , o cryftallíiio Sorga cj^frêa ^ 

Tangéra-tios na frauta Sana^aro , 

Ora hoç montes ,- ora p^r a arêà : 

Paítira cèlebiançlo o Tejo ufano 

O brandç , c doce Lallo Caftelb^no t 

^XVL. 

E çotmoTcò tatnla^m fe apKàt-a 4cj<iplU 1 
Cuja lembrança , t cUJo cíaro gçôo , 
Na alma fomente vejo ^ porque ncflíi 
Fftâ í?m eíícncia p^ro ^ « manifçftd , 
í^or alta influição de minha cftrôíía 
Mitigando o rigor do peito bonéfto , 
Etiirratecendo rôfas nos çabcllós a 
De que tomafljí à luz o Sol emvcllõsí 

XXVlt 



<jè4 R H Y T H M A Si 

XXVIt. 
E cm quanto por Vcraõ flores colhcflfe , 
Ou por Inverno a fogo accommodado , 
O que de mi fentíra nos difTáTc ^ 
De puro amor o peito falteado 5 
Naô pedira entaõ eu , que amor me déflfe 
Do infano TraíUao o doudo cftado , 
Mas que alli me dobraíTc o entendimento , 
Por ter de tanto bem conhecimento. 

XXVIÍI. 
Mas por onde me leva a phantafia ? 
Porque imagino em bemavenmrançaff , 
Se laõ longe a fortuna me defvia , 
Que inda me naõ confente as^ eíperanças? 
Se hum novo pcnfamento amor me cria , 
Onde o lugar , o tempo , as efquivanças 
Do bem , me fazem taô defamparado , * 

Que naõ pode fcr mais que imaginado i 

XXIX. ^ 

Fortuna 9 cm fim , co' o anãor fc conjurou 
CJontra mi , porque mais me magoaíTc: 
Amor a hum váò defejo me obrigou , 
S6 para que a fortuna mo negaffe : 
O tempo a tal cftado me chegou , 
E nelle quiz que a vida fc acabafFc ; ^ 
Se ha cm mi acabar-fe , o que eu naõ creo ; 
Que até da muita vida me receo. 



ES- 



PARTE PRIMEIiiA; ;% 
ESTANCIAS SEGUNDAS. 

COmo nos voiToâ hooibros taõ conftaoccs v 
(Príncipe illuftrc , c raro) jfuftcnteis 
Tancos negócios ardu^os , ^ importamcs , 
Dignos do l^rgo In^rio ^ue irgeis \ . 
Como fempre nas armas nitUançes 
Veftido 5 9 mar , e a xcna feguscia , 
Do Pirata infpienJte , c ,do tyrano 
Jugo do potóntilHmo Othomano : 

- II- 

E como com vircude neceílaría , 

Mal entendida, do juízo albeo > * 

A' dcfordenc^ do yulgp temeraria^j, , 

Na fantà paz ponhais « duro £r^q ; 

Se com jirinha efcriptura longa > -c vánar^ . > 

Vos oco^^afle 4> tçfnpo^ certo aeo ^ \ 

Que com vaganiç,^ ocixxfa ghantafià ^ ; \ 

Contra x> commum proveito peccaria. 

; ;.. ■ ilL . ' ..:,^;A 

E iiaõ menos feda reputado. , ; , . l .- :. " 
Por doc«. adulador, íagaz , ^ç agld^ / - ^ 
Que contra roeu uõ baixo , e ,triftc cAaàfy^ 
Bufco favor cm vós <jua podeis tudo. j 
Se contra Ja^opiniaó do vulgo crradfo 
Vos cdctíraílç em verfo humildç., e, ruído,. 
Diraõ,, que com lifonja ajuda peço . ^ , 
Conura a mireria injufta que padeço. 



Porém , porque a verdade pode canto 
"No Mvrç arbítrio', (como diflfe bem 
Ao gráo Dário o moço fabiò , e faht» , 
Que foi reedificar Hicfufalem ) 
Etta me obriga á <jue etn hirmilâe canto , 
Contra a tenção que a pfcbe ignlra tem , 
Vos faça darè- a <^aem vos nao aíeança \ 

E na6 de preaiity algum vil efperança, ' 

< ' ■*'.'. í •• • 

V, 
Rómulo, Baccbo, e outros que alcançâran» 
Nomes de femídcoiíès foberartòs'V ' 
Em quanto por o? Mundo cjdrcitàrtim 
Altos feitos , e «][Uáfi mais que^ Kumaíios ; -' 
Com juftiffimí cáifa fe queixatiítni , 
Que naD*' ttids ^efpondêrám os rtíundâcno» 
Favores do ^ rtmior^Wffb» , c iguaes,' ' ^' 
A feus mctefimètttbs inimortacs. 

VI. 
Aquelle que nos braços ^oderofos 
Tirou a vida ^ao Tinè^itano Artteo , 
E a guem oy íhm tribalbos ta5 femofi»$ 
Fizeim Cíáadaò.dof^tlaroCeó; '• 
Achou que a tnà teneaft dos ttiVcjòfós 
Naõ fe.doirta ftíftô cíçí^dis que o vèo 
Se roRÍpe corporal : porque na vida 
Ninguém útíxàçi t gloria mereçidá« 



vn. 



Com tudo , fe Siroes taô CxtèMétité» 

Foram do baix^"Vutg« moteftâdòs , 

O vkupcrio v<il dâi? «udus sértrés , ' 

He louvor dos R-eaes , t íMítnzàoa. ^ 

-Quem no hamc dós vcííos Aícénitmc^ / 

Poderá pSr ^â Olhòs , rjue abalados 

Lhes naõ fiquem da luz , vendo ós ifláidi^ ^ '/ 

Voflos paOados / fiék , < iítiptx^íd&tés ? ^ 

vm. 

<5uem vcÀ «àfWHc' Pai da í^tía foà, * ' 

Açoute do feMttíd CSaftelhano , . - ' 

Que o dvro^ jôg^fó , co' ^ e^aida niià, - 
Renvoveo do ^{^<>çô Lufit^ j • — ^ 

<>ue naõ diga : 6 g^So NitHò j-a efttna «li/ ^ 
MemoFia cau&tir^ fdriáõ mé eéganò , 

Que qualquer , t%li lÁénOt i»rm> fe eftí«|eJ| ^ 

ÍX. 
Nift0 naãr ftb^lnftí» , f<»rqil» €»tih^ " ' ^ 
Que da raa««5a^ fe mt htút^ <> engenhar -* ^ 
Mas pois a diiak^4:«â6 me €ff&tfbj * ' . '^ 5 
(E dias hà qúe t^ desejo o fetâH») >• ^- 

Sendo vósWteímôr alto > e ítttôre prtç© , ; ^ ^ 
Ávida fofteS pâí' if^htH» ftaco fonho^ -• ; ^' 
Por largQ «iaí ^-^e imíoft fémpejkâe , • ^' - 
Só por fevfir. à'R<^Í4 ftlagcftadc^^ 



/RH.YTH 5Í.A5U; ! 

X. 

E dcfpoís M tomar ái rédea dura • 
Na mio , do povo indooiito que eíbva 
Coftuipado á largueza , e á iolcura. 
Do pczado govcinp auc acabava ; 
Quem naõ terá por laníla , .cjufta cura. 
Qual do voffo cotjçctío fe cfperava, 
A taõ defcnfreada entermidadç 
Applicar-lhe contraria qua|idadk i 

Naõ hc nniko 5 -Senhor , fe o modcraáo 
Governo (e blafphemà , c fe defama j 
Porque 9 povo a larguezas cpQxav^fà», 
A' lei fcrcna , c jufe , dufa ct^mit.^ / 
Pois^*zçlo em virwdc fó funcfedo . 
De falvar almas <k Tanàrca. flvM , 
Com ^aipaa fatu^fecit de Cfarift^ ^ 
Poderá por ventura ff r, -malqi|iftQ.f [ 

XH. 

Quem qukcíft iie?«r uõ grio,ry9fdatfeV< 

Suai ^e o feu çffeito fanâo , c piob > 1 > 
ègue também; <a0 Sol. a? dáridadr » ^ 
E certifique ín^k çfac o fogo hc frio : 
Se o f^cecflb he concràrip, da v<M»ta4e v 
A's obras que faõ.boas^ e odí/yiofj 
Eftã nas mãos dos honaens comettelliS f - 
E nas de Deos. t&í 9 fucçeíTo dcjUbifi^ : . 



XUI. 



PAlR^tÈ PRIMEIRA. ^69 

^ 3tIIL 
Sei cu ,'e Tabem todos, que os futuros 
Veraó pot vós o Eftado accrefcentado : 
Seràô memoria voíla 0$ foncsí muros 
Do Cambaico Damaõ bem fuftentado : 
Da mina naottal fcraó feguros 
Tendo todo o alicerce feu fundado 
Sobre òrpbãas amparadas com maridos^ 
£ pagos os fervíços bem devidos. 

XIV. 
Quando de infâmia aõ Príncipe he perder-fc 
'Pouco do Eftado feu que inteiro herdou , 
Tanto por gloria grande pôde ter-fe 
Sc accrefcentado , e prófpero o deixou. 
Nunca oonféntio Roma ennobrecer^fc 
Com triumphos alguém , fcnaõ ganhou 
Província com que o Império fe augmencaflc , 
Por maiores viètorias que alçançaíle. 

XV. 

Pode tomar o voffo nome dino 
Damaõ , por honra fua cfara , e pura , 
Como (já do primeiro Conftanrino 
Tomou Byzancio aquelle que Inda dtira, 
E tu , Rei , que no Reino Neptunino , ? 
Lá no feio Gangetico a Natura 
Te af ofentou ; de fer taó^ inimigo • 

Defte Eftado , mo iicas fem' caftigo. 

.:t:<ím. IL Aa XVI» 



470 



RHYTHMAS. 



Bem viftc contra ti nadanics aves > 
Cortar a efpumofa agua navegando ; 
Ouviftc o Jom das tubas nao fuaves , 
Mas com temor horrifcro foando : 
Scntiftc os golpes afperos , c graves , 
Do Lufitano braço nunca brando ; 
Naó foíFrcfte o grão brado penetrante , 
Que os trovões imii;ava do Tonarite» . 

XVII. 
Mas âQtcs dando as coflas , c a viÔoria 
A' Brae^nc^z venmra naõ corrido , 
Défte bem a entender quaõ grande gloria 
He de tal vcnc^or o ler vencido. 
Quem faz obras tao dignas de meiBori^ 
Sempre feri famofo , e conhecido , 
Onde os altos juízos fe cftiroarem j 
Que eftcs fós tem poder de fama darem* 

XVIIL 

Naõ vos temais , Senhor , do pwo ignaro » 
Taô ingrafo a <j«cm tanto faz por ellc , 
Mas fabeí que he fignal de ícrdc$ daro ^ 
O fer agora taõ malquifto delie, 
Thcmiftoclcff da Pátria fua amparo , 
O forte , e liberal Cimon , e aquelle 
Que Leis ao povo dco de Efpartha antiga , 
Teftlmunha^ ferao de quantjo digo. 



xas^ 



RA RTE PRIMEIRA. 571 

Pois ao jufto' Af iftides 5 hum robufto ^ 
Votando no Oftx^ifino coftiimado , 
Lhe difle ciara afii \ porque era jufto 
Dcfejava que foflfe defterrado. 
Pachitas por fiigir do povo mjufio 
Calumniolb , liando no Senado 
Conta de Lesbos , que elle já mandara , 
Se tirou cx>' o feu. forro a vuia cbaia. 

xx: 

Demoftbenes latiçada das tormôncss 
Populares , a Palias foi dizendo , 
Que de três móftras. grandes te comentas 1 
Do drago , e moucho , e do vil povo lu^rrendo í 
Que glorias immortaes houve oue ifcntas 
Do veneno vulgar foíTcm vivendo i 
Pois mil exemplos deixo de Romanos ; 
£ vós umbem foíi hum dos Luíkaiios» 

ESTANCIAS TERCEIRAS. 
L 

MUi alto Rei , a quem os Ceos em forte 
Oeram o nome ^gufto , e fublimado , 
De aquelle C^ivãUi^ro que na mofce , 
Por Chrifto, foi<áe fétcas mil paflado ; .\ 

Pois dclle o firi pdt0.9 caftò , e íbrce » < 

Co' o npmc Iniperial nm^ tomado, 
Tomai tamhem a íetta, vencíanda' • > 

Que a vos o SucceíTor de Pcdrò manda. 

Aa ii n. 



'í7r ..khythmàs: 



f 



II. . , 

Jà por ordem dó Côo, que ô cotífcntio , ^ 
Tendes o braço fcu , reliqufa châra , 
Definfor concra o gladio <jue feria 
O Povo que David contar húndàra. 
E pois que tudo em vóí fc permittiò , 
Prera2;io temos , e cfperánça clara , 
Que ferei^ braço fone , e foberano , 
Contra o fobafbo> gladio- Maurisano. 

E o que hum í-ptêfagio tal agora encerra , 
Nos faz ter por? niáís certo ^ e verdadeiro , 
A letta qiie vbs dá quem hc na tetra 
Dos ccleftes thefouros Difpcnfciro. 
Que as voflas féttas faó na jufta guerra 
Agudas, e entrarão por derradeiro , 
Cahindo a WÍTos pés povo fem lei , 
Nos peitos que inimigos faõ do Rei. 

r ' IV. : - : 

Quando voflâs bandeiras defpreeava 
Albuquerque fortiifimo , còm gloria , 
Por a'S praias de Perfia , e alcançava 
De Nações taõ remotas a tiâoria ; 
As fétcas embebidas , que dcava 
O arco Anttufktfo , he larga hiftoria , 
Nos ares , Dcos qtierendb ,' fe viravam ; 
Pregando-íe nod peitos que as tiravam. 



JI 



PAiRTE PRIMEIRA. ?7? 
v: 

Oh querido de Dcos , por quem peleja 

O ar também , e o vento cQnjnrado ! 

Ao tambor acode , porque veja 

Que o que a Deos ama , he de Deos amado. 

Os contrários revéis à Madre Igreja 

Atroaram^ co' o tom do Cée irado y 

Que adi deo jà tavor maior que humano y 

A Jofué Hcbrço , 9 Teodofio HiTpano. 

VI. 

Pois fe as fcttas tiradas da fnimiga' 

Corda , contra fi fó nocivas faó. 

Que faraó ^ Rei , as voíTan qiie tem liga 

Com a que jà ttocou Sebaftbõ ? 

Tinta vem do íeu fangue y com que obriga 

A levantar a Deos o coração , 

Crendo bem que as que vós defpedirèis 

Mo fangue Sarraceno as tingireis. 

VII. 

Afcanio, (fe nazcr me he concedido 
Entre fanftos exemplos hum profano ) 
Rei do Império , defpois taõ conhecido, 
De Roma , e fó reliquia do Troiano ; 
Vingou cora fctra , e animo atrevido , 
As foberbas palavras de Numano \ 
E logo foi de alli remunerado , 
Com louvores de Apoilo celebrado. 

vm: 



V74 ' HHYTílIilAS. ^ 

vm. 

Afli vós , Rei que foftcs fcgurança 
De noílâ libecdade , e que nas dais 
De grandes becs ccniffima efpcrança , 
Nos coftumes , e afpcéte que molbrais i 
Concebemos ^gvira confiança , 
Que Deos a queni forvís , e venerais , 
Vos £tfà vingador dos feus revéis , 
£ os prémios, vos dará que mereceis. 

IX. 

Eftes humildes vcrfos , que pregâà 
Saó deftcs voílos Reinos com verdade , 
Recebei com benf2;fta , c Real 'maô , 
Pois he devido à Reis benignidade. 
Tenham ( fenaó merecem galardão ) 
Favor fequer da Régia Mageftadc : 
Afli tenhais de quem já tendas tanto. 
Com o nome ye relíquia ^ favor fanto. 

ESTANCIAÍ? QUARTAS. 

DEfpois que a clara Aurora a noite efeora 
Com novo refplandor foi desfazendo i 
E Phebo por os montes , c tfpcflura , 
Os feus dourados raios eftendendo 5 
Se bufcavâ nos valles a verdura 
O manfo gado a luz ferena vendo i , 
Quando a fervida féfta )á abrazava , 
Todo animal da calma repoufava. 

n. 



PARTE PRIMEIRA- 575 

Jâ por fugir <Io Sol o fogo âráínte , 
As fombrasf os rebanhos vaó bufcanÁ) : 
Os tenros cabritinhos jtíntameme 
Apo7 â8 manias ?nâis hiam faltatido : 
Tan^ndo as fnaí framas doceímente 
Os Paftores , eftavam <íf>ganapklo 
A gráo chamma. Solar que entaô ardia Ç 
Só Lifo o ardor MU naõ fimia. 

Triftcs^ lembranças lantoí o tíaftíaflavam , 
Que a dufâ féfta hellas fó pâfmv^ : 
O tempo que em prazer outfosgaftavam , 
Em celebrar feu mal elle o gjtftava : 
As feftas que com jogos celebravam , 
E;lle com fufpirar as celebrava : ^ 
Nada bulcava mais , mais naó querm 
Que o repotêfa áQ fúgo em qíR eUe ardia. 

IV. 
Os repetidos jogos dos Paftores , 
As lutas entçe a rama repetidas , 
Em nada lhe divenem fuás do^es , 
Mas antes na alaria as yè crefcida*;. 
Como o repoqfo roubam os amores 
A'« almas que para elles faô nafcidas , 
Delle , todo o repoufo que efperava , 
Confijlia na Njntpha que bujema. 



%76 RH YTHM A5-. / 

^ ^ V. 

Com o choro, que já corria cm fio 
Por o pallido rofto , augmenta as fonas ,* 
Que levam agua cftranha ao claiô rio 
Que os vallca vai regando entre alcos montei* 
Com fufpiros a quem o ecco pio 
Refponde de apartados Horizonceâ ^ 
^ Os vente* parecia que enfreava , 
Os montes f areeis que abaUvs. 

Que âs queixas de feus doces penfament09 
Sc moveílem os. moatc^ mais confiantes , 
Se paraffem os mai» vcloces venros , 
Que cftavam , que corriam ciccumftatitcs ; 
Bem fc devia á ddr de feus tormentos , 
E inda que foíTe em peitos de diamantes j 
Que hum peito de diamante abrandaria 
O trijle fim das magoas qfée dizia. ^ 

VII. 

Porém clle as dizia a outro peito , 
Mais , que diamante , inexpugnável , doro : 
A fé lhe encarecia , a que fogeito 
O tinha em pena eteriía o amor puro : 
Moftrava-lhc efte na alma mais perfeito , 
Quanto mais oíFendido mais feguro : 
A Nympha mais feg;ura tudo ouvia , 
Mas nada o duro peito comntovia. 



VIIL 



PAIte PRIMíÍRA^ ;77 

VIIL 
As làftimas aqui. lantò creícèram. 
Que fc cm.jmontês de Hircania fe cfcuiúram. 
Tigres nos feios feus mover puderam , 
É pedras nos fcus cumes abrandaram. 
Mas fe no peito as triftes vozes deram 
De aauella fera humana que bufcar^m ^ 
EUe ae as admittir fe retirava , ' 
Que na vontade ^^de cmro pqfto ejlava. 

IX; 

DefcnganadOf jà da triííe forte , - 
De cjue rnal fino amor fe defcngana 9 
Com, a çfpcrança fó de fua morte, 
AqueUas penas ultimas en^fia. ' 
Deixando na efpeflura o claço norte , 
Para elle.de. outra luz .mais fobeuna, 
A hum valle aberto enraõ £|hir pr^curp,^ 
Canfado ja de Andar par ; j eff^ra^ . 

.«. : 
Deixando as fuás. cabras gue.pafceflTem 
Naquellc verde :prado ^ fréfcas J^rçs í 
Porque os Satyros leves o foubeíleín , 
Ou os fylv.eftres Faunos amad^W; 
Também porque os PaftoreS o -cmendeíTem , . 
Todo o ptoceílo , e fim de feijs amores 
Efcreveo ( fem cm nada haver tnwdança ) • . . 
í^o tronco de huma Jaia por Ipiil^ran^a. 



XI. 



r« KtíYTtí Rí as: 
xí: 

Por lembrança -rto tronco de humafata. 
Que vai fahindo ao Ceo de pufò altiva^ ' 
Na verde , pratcaía ,- c áurea ^aia , 
Por onde o claro Te'f<> fe deriva ; 
Porque também á<yGeo fua dor faia. 
Sobre aquella corrente fugitiva , 
Efcripta no papel da natureza, 
Mfcreve ejlas paUvrds de mjteza. 

/ xii. 

Natércia , NympHa bcUa , por quem y\vo 
Em tal tormento , tempo algum me olhoo;^ 
*Mas des que em mi fentio que era captivo 
De aquelie brando òlbár que me enganou , 
O amor tomava cfh defamor elquivo , 
E de hum tormento tal a outro paflbu. 
Em coufas táô fujeftàs a mudatiça 
NmcA fonR^ nif^kètn faa ífperanfM. 

Para dar proveitoft)s defenganos 
Dos enganos íjue faõ de amor eiféito» , 
E dos dows fe»0s publicar , humanos , 
A origem das mudanças de feus peitos ; 
Eftas letras aqti por longos anos 
Digam , ( a corações a amar íu^itos ) 
Em peito varonil , que de venttirft ; 
£m peito feminil , qt$e de natura. 



XIV. 



PARTtt PRIMEIRA. ;7p 

XlV. 
FalcouJhe aqui o alento , c jà canfado 
Cahio ao pé da hh em que efcrevia , 
"Naõ podendo feguir o começaio , 
Porque a alma ja do corpo lhe fahfa. 
Três vezes , com âccento mal femiado. 
Para exemplo foturo repetia ; 
Amantes-, entendei que a mór belleza 
Sontente em fir muaâvel tem firmeza. 

ESTANCIAS OUINTAS. 

I. ^ 

CjT nejla Babylonia Mãònde mana 
Hypocrifia , engano, e fiilíidade 5 
Cá donde oufadà toda catné humana 
A todo arbítrio viye da vomade : 
Câ donde enrouqVieceo da Liifiiani 
Mufa o furor hefrolco , e fuavidade ; 
Cà donde fc "produi por ceô;a *vta 
Matéria a quanto mai q Mundo cria : 

II. - 

Cã donde o puro amor naõ tem valia , 
Forque Baccho o tem hoje defterrado -, 
Cá donde a frecha de'' ouro naó feria , 
Senaó cabello preto , e aifénado : 
Cà donde a loura trança n^o fervia , 
Nem o rofto de fangue matizado ; 
Cá donde nada vai á dória humana , 
Qíie a mai , que manda mais , tudo profana. 

III. 



.i8o .RH y TH M A S. ' 

m. 

Câ donde ú mal fe ãffins^ o bmfedans. 
Se algum a terra cm fi cjuer produzir ; 
Gà donde a falfa gente iVlahOfneutu 
A gloria toda fiinda cm adquirir: 
Cá donde mulq^líca a mão cyratia 
ProfetTa cm mais crefcer , matar , meadrf 
Cá donde p fazer bem he villanía , 
£ pode mm que a bonra a fyrdtmU : 

Câ donde a erradd , e cega Moriãrchiâ 

De fabulofas.4eiseflà vivendo , 

E à força de hqm amor engrandecia 

O nefando Alcorão em que eftà crendo: 

Ca donde nada vâl a Poefia , 

E fe eftá da lei delia efcamecéndo ; 

Cà donde a fidalguia Mahometaoa 

Cuida com nofne vãoy que a Deoi engans.. 

V. 

Cí nefta Bahylonia , onde a Nobreza 

Da Lulitana geme fe perdco , - . 

E do gfáo ScS^ftiam toda a grandeza 

Irreparavelmente fc- abaceo : 

Cá donde alguin mentir naó he baixeza , 

E os méritos efmoia ( alll crefcco 

Da cobiça monaí a /cmrazaó) 

Com esforço , V fabet , pedindo vao. 



VI. 



PAATÊ PR^IJVtEIRÀ* 481 

^s portas da cobiça , e da ^vH^a , 
Eftes netos <fe Agar eftaõ fcntados , 
Fm bancos de torpiflima ríquczir , 
Xodós de cyrannia marchetados; 
He do feo Alcoram fumma a largueza 
Que tem para que fejam perdoados 
De quantos erros qommenendo eflaõ 
jCá nejle efcuro cdas de cenJufaS. 

vn. 

Crmvrwéb c curjò ejloiá da natmtza^ ' 
Tlluítre Dama, nefte labyrinto j 
Mas quem ufa comigo mais crueza, 
He tua condrçaõ, que na alma íinto. 
Acabe-fe algum dia tal nrifteza) 
E efte fentído mal que cm vcrfos pinto í 
E ppts aa aima.he fentido , e coração ^ 
Ve fe me tfqiéccerei de ti , Siàô* 

ESTANCIAS SEXTAS. 
U 

SEtibora , fe encobrir por alguma arte 
Pudera .efta occafiaó de meu tormento i 
Naõ crèasi-^ue chegara a declarar-te 
Efte meu perigofo pcnfamenio: 
Mas por mais que te •oifènda , naõ fou paite 
No criqie de tamanho ácrevimcnto : 
EUe he de amor , e delle fui forçado i > 
A que te declarailc o meu cuidado. 

IL 



)8< RHyTHMASL 

IL 

Sc merece caftigo ^ confiança 
Com que defcubro agora o que padeço ^ 
Aqui prompto me tecs , toma a vingança 
Que por taó grave culpa te mereço. 
Bem me podes negar toda efpcraaça , 
Mas eu naõ deíiftir defte começo ; 
Porque tempo , e fortuna , naõ faõ parte 
Para deixar hum%oca fóde amar-ce. 

III. ' 

}à que ver-te os meus olhos alcançaram ^ 
Deícanfcm ncfte bem com alegria , 
Pois jà com ver os teus tanto ganharam ^ 
Quanto , eftando fcm vè-los , fe perdia. 
Que $;loria querem mais , íe a ver chegaram 
Aquelía pura luz que vence ao dia i 
Qual mót bem ha no Mundo que qacver«ce , 
Senão ha mais que ver deípois de ver-cei 

IV. 

Minhas dores mortaes , bella Senhora ^ 
Tiraram a virtude ao fof&imento ; 
E fazendo-íe mais em qualquer hora , 
Levando vaõ traz ti meu penfamento: 
Porém foberbos vejo dcfde agora , 
Por a cauÉi gentil de fcu tormento y 
Minha alma , meu defefo , meu feritido i 
Porque à tua beiiezafo haõ rendido. 



V.. 



PARTE PRIM1EIRA* %B$ 

V. 

A par àt tua rara formofura 

Sc defconhece a mòr merecimento : 

A tua , claridade torna cfcura t 

Do Sol aclara luz em hum momento* 

Se Zeoxis ao formar bella figura , 

A vifta em ti pudera por attento y 

Mais alto original houvera achado 

Para admirar o Mundo co' o traslado. 

VI. 

Aquelles.qne cfcreyèraô mil louvores 
De formoiiira ^ l^aça , e gentileza , 
Todos foram , Senhora , húus borradorei 
De tua pcrfekiffima bcllcza. 
As;ora fe vè claro cm teus primores 
Que em ti fe eihierou mais a natureza > 
£ que eram os feus cantos prophecias 
Do que havias de fer em noíTos dias. 

VII. 

Vê , pois , fe vinha a fer culpável falia 

Em mi o naõ rcnder-te amante a vida^ 

1£ fe a deixar de amar gloria taõ alta 

Era digno da pena mais crefcida. . 

Em fim , eu te amarei : que amor me eialu 

Co' o caftigo de culpa am atrevida : 

E quando delia caia , maior gloria 

Terá o Tejo , que o Pó com fua hifiorit. 



JD^ 



i)84 ' R H Y TH M A S 

A B r E RT E N C I A.. 

/ 
No tomo qfíarto dosfeus Commèntarios as Rhy- 
thmds de Luis de Camões , pag. 1154 , traz Ma- 
noel de Faria e Sbufa as ftguimes Efiancias a 
Santa UrJUla \ e abi mefino em btum Ante-eloquio , 
oíá Prologo , frova concludentijjimamente ferem 
do mefino Luis de Camões , e' naõ de Diogo Ber- 
nardes , qiêe fem algum pejo ^ no Livro tmimlO' 
do Rbywmas ao £om Jyi^s , as imprimio por 
fiías. Nao temos neceffíaade de produzir por ora 
ejias provas : fomente advertimos ao Leitor curió- 
fo , que queira conferir ejie Poema com o aue 
publicou o mefmo Diogo Bernardes , no fobredito 
Livro ^ Ç temos prefente a edição de 1594) e ro- 
nbccerâ a diferença ; quanto aqui vai melhorado \ 
€ quanto o mefmo Manoel de Faria foi mais fe- 
liz em achar melhores , e mais certos Manufcríptos* 

ESTANCIAS SEP.TIMA\S. 
I. 

DE huma formofa Virgem derpofada , 
Que de outras onze mil , também formoíàs ^ 
Entrou no claro Olympo acompanhada , 
Com coroas de lyrios , e de rofas ; 
De Chrifto Efpofo fcu taõ namorada , 
Que delle as ^iz fazer todas Efpofas ; 
Amor , vida , c martyrio cantar quero. 
Fiado ho íavor que delia efpero. 



IL 



a 

Alcança , UrfuJa . bclla ^ (.one diante 
De taó bdlo cfiji^aáraó fcfte por g^ia ) 
Do teu fua^c^ Amor , ^c de li cante 
O íeu amor xjue ,nq xm pcitp. ardia. 
Meu verfo "para- ri ipais. íc lençance ^ . 
O' Chrifl[ffçça./p'.HerQÍcâ companhia:. . 
Tanto (c^jnaftr^ aqqi mais fobeiano , . . . 
Qu^O/'o,.4ivÍ9a Apor .««íediç P huww, - ; 

E vós ^fink%i Mífi , c Virgem pufa ^ ;.;• • . ; */ ; 
Foís fois das que tal ordem, efcoihêran) ^, 
Que foftçç, fois, fcrcis.miarda feg^ra ., 
Da pureza que^a Deçs .offçççcèra^ > ,..,-»•:.;■ i 
Nefte.x^açco.na^ dai mcJhw: yçiuujca . ,' ,/ ,t. » 
Do que até^ora.as Mufas vãas me. déran^; r. ^ • 
VoíTís j^ry^Sí feraó de mi ícryidas, . •,-/:} ] 
Cantadas fuás moxj^s^ S^W vid4í>: . --X í... J 

IV/ 

Screnifllma difame j píodu^EÍdí^ . ^^..p ^ju.r^/^ 
Do grão Tfginjpp Real , fublime Pla$í;a j.-,. ,.f ,. 
No titulo, nas obras ^.e- na. jVida,-; *xí.o -^ijí 'T 
Retrato paw^ de Uí^a.Sama^ . j .o„jjo í,,..'> 
D«fta Virgem , tanjj^.dç R^s.}n4fiyaRlí:;,DA 
OiíyJ:#o»ílç4p>r9Aoí a;4|M^ifc, f»nx^J ^lí;'. .^íV^Ç 
Dai o fefi|ifei4»n, P«W» h^^^^'^^£hkd ^b li 
NaQ J«itij»rfeft;Jír£SB39^nicij.^ , 15!;^^,^ A 

.tl^. IL Bb y. 



. ■ V. . 

No tempo (\úc CyfSieo' fc í^ta^i '^ *' 
Na Cadeira <fe P«díty' í»cfcaáúf ; — • ^ -^ 
De que cortt slâ dotitra^i* apâfcetna^- ' •' ' . 
As Ovelhas de GhSflò-:, Bòrfi Pàftòr ^ /'^ - 
Teve Bretanha htmi kèí j^' qtie ^profiflâVii ' 
A Lei que dJò hõ JWitiâd o Rèdet/tfctòfV 
Jufto , e temttte aòGrtíg ^ú\ tdmBÍ ; 
Cham*» Mame ék }i6às\ é dé oucfôs 'NínScr. - 

Dt virtudes Klínl riòvb ixèmipíò , é taWj ^ - 
Em idade , e bçUétà, i floíètija /•-•'-' 
Urfula , pw queiA -Nòtb etó mais tím*. 
Que* por rodo o poder ijliepÔflulaV . 
. Com quem em tiíKfe 6 ÒèÒ quiz ler áVfttò , 
, Com quiem todas ás^j^rlçírs repartia j •• 
Pradente /honcfta , t tfóíta , a iiiarayiftaj 
De taõ ditofo Pai -dftdfií- Filha. '• - 

Víí. i 

Aquclk que por é ar cohi U^béêít ^; ' ' 

As penas *Jte mií aias abre , t tétítày 
E que com vekjfciíBiift j^eíteât • - ^ 

Com outros tantos rés còft*e pOr'tdMI''r ' 

AqueU»V'"^é A&m MloWftSl • ^ ^ / . < I 

Naõ cuida tfxy ^â^tdmi^fô tèMÍ . cif Iftr» ^ ' 
E de hvkái^i^ ifOtA %*W tfcf «étiAtr^ o x^"* | 

i 



PAJltá''F«RTMBlÉtíA. ?á:^ 

, VIH. 

Hia por toda cl< Miínfite Avfalgafifido * 
Extremos iJèfta Vttgétti fcbferatlà,^ 
Aquelli foíttíôtóra 3eílèfelra*dè * ' \ 

Com que amor c^' S cttlftâ^ Viftà 'to^ani : 
Mais hia^rá^âi'^mà ÍU{i piíbittindi j 
Porque era mais dCvftiã oo qUè buiVianà : 
Já de huma, e Sé^dutifâijá,^ áizia târitò ^ 
Que cm hm^^^i^-Miúis^^ri^êmH^ cípamo; 

\m 

Ouvidos feus' ftftiWfés^ < «itíltai nztA 
Defejou défta Vlt^àú ht&t tíoth 
Hum Rei que e-^f^trò rkha áói lú^Vm^i ^ 
Idólatras cntaó j cè^^i iígoífa^ ' " ' 
O' pov« Wgfi V i ê té^^c• ; as tòrp» feS:éé 
Apana do ouío Çtiío;, é Ufítskféffà.' 
Torna-tc aoe tíníí Páftôr ^, pcrdídb éàdó j 
Olha que vá^-íeín-eue mát gulMbw 

Hum fího dcífé'irêívtiltí'4ai&fn^*áftil^^^ 



•rn o' 1 



Que fer de UrfilK fdgrò defèjáVS) ^' ^' 
Movido donW«i6¥ ^«e^^yêUaèWftJ '•-•!> ^^^^'^^' 
Jà detiffã^ribdl^ftelfô á hifnfóírtífeF. -^ -"^ ni-rj 
AUl fcu amor^ déffé^fte éfRêSã;^* r/MlmrM 
AUi por o âA8FfllrfI»I YtíftfiM.^-^- ''-^^ <^^ 
Sufpira çHêfW^ai^-, «Ílá' fílf&ai-^ I ^ ^ -' ••^'-:'I 
Também por outro -ifllW^^^iMa^^iy ^'>^^ 

•Vi: Bbii Xt 



'•:)/ 



Mandou o Rei :I^lt|?í J&fn^^iCiAHí^a^t o: . 
Com pompa Regi* y.^. l^ftfp c»fiíiíipfQofor,. ; 
( Do grande Reino k}i p^m^^^^^^lS» ) 
A NotO;, R«í Bfté^ i^m^ po4«Fofo? ?: , 
Pedio-lhe à ^U* Filha. ( qqc emíí^oaoECS 
Ardia rodando :Cfcl^(l« Efppío)) 2!/ .^ . 
Para Efpofí^ doJFiJfeo,, que fabj* - , 

O Rei Breií^ .f? ach^iv* defootf»tc«ce, , t 
Com a nova Énst^^* ÍÇ:íng|íiíc^.í: u: 
Recèa.que f< i|^ .naõ^ çpnfeàíc , 
O Grémio lhe mova^o^ruçl g^cr^^i; :,,,. 
Porque fei>do nuais rico ^ c .mais pquentc » 
Affi no lar§;o.j[nar ,' como ija, tçnra,^ -, ' 
Quando ddffypezoç viíIc-de:.fç^^*fQgJ]|,r•^ 
Podia pôr Brpcsyiha a ferro , c fogo. , j,.. 

Sobre cftf naõ. erf^o ípcnfamçiw'. ,'. . 
Do medo de^p^d^ffeu feohoriQ); 
Novo difcurfo .^^fij^ ^]ft Jioyp IíMCI^^ i . 
Com que fc 2^^ii»^^\% me^fofeb S, fri^-.L f. 
Eftraoluva o JsiiZ6r:^^ua6imenKC^:> ^ .^^ , i.- > : 
Ra Githolica.Filfeí|.i^'bW':Gçí^ t : 
Pois nem a Lei^^qiOiçfíp o pcnpijtíat. 
Nem lí|^vf|çjL,p^^çtfia..,j , :, , ;L-. 



\ 



xn" 



PAlf-IÍÊ PRIMEIRA. ^589 

Elbndo o Pai'iím talánguftia pofto , 

Divinamente á Fílha jà' ínfpirtída , 

Lrhe aíreg;urava corri ícreno Yôfto , 

Que conTcntír fxóâíà'i' tiá Ettibaixada : ^ 

Dizendo quc-Ve^íi^^rtriez^lcVàvâ gdfto 

De cila com feu ht^rdeiro fcr cafada , 

Primeiro l^VdaftáiQb dei dónzdlas , 

Do Reino- os^tnlaid tikkflrés^^ asr n^is feellis. '^ ^ 

Qué mil daria li' cada' Virgéhi' icfíis,''; 

È'*que à eUa;òutfis niil tánibcm iJarià , " \ 

Todaí de daro fangue', « em vifta' honeftâs : .' 

Dcfta áite a coma dé onze mil fazisl. 

Oue por irez'ánnos dilação nas fcftas , 

A^Icm do jà' pedido , lhe j^íediâ ; 

E nàos ,• a mafltiitiêntòs y poíquè todas 

Foílem com' eUâ/ â Roma antes das bodai^. ' 

•XVI. 
Alli íua fMieÁi ; e virgindade , 
Queria com folemrte , e facto voto 
Confagrar i ÍJIíi^lfíá' Pbteftade , 
Que o Ceo , e á tetra fez de próprio moto. • 
E que dcixaflèa váa Gentilidade 
Seu Filho , para genro fcr de Noto , ' 
Para que ittffte e^aço. doutrinado ' i ' 
Foffe na Fé de Chrifto ^f e^iíaptízaícíô.^ 



XVII. 



tj^ .\ AH* ir filtre* 

Com eftas cqndiçõ^a Urfula ^fk '^ . : » 

Ao charo' Pai , 91c .a fo Map ^owft»e ^ • 
Podia rcíbondei:, ^dí^ífif^iff^ .: r/ /• .. j. / 
A propofta <ki aqM^}lft flfl, p©jt«ft^ ; . . . . ' ) 
Ou porqw oijvii^<>r^ :^|«í íleíArfe .^^ > 
Podcndo-le a^scçítaç. fíiiioíjmíiÇtf j: <. 
Ou j^npc , quando ^ Vií^r.fiiínfted^L^- I 

XVHI, %' 

Oh Divino fi[bí5* <9Síõ.f(áH?rfVr.;7r'^ ': > ^'^ 
Concelho hç fcffigpç^ ç i)^» ! .Qjií^ç ffnnoiH»jk> í 
Oh <|i;^i^pi a ip^r febçr iç^ çcdp 1 «bUJn^lPO , 
Por mais çj}?!?. flq ii?z§f s ffimm.ijQr^^l ri; .' 
]â dos idqleí ^ei^^íl. ô;.^8fe ^0^W>-..; o- -)- ~ 
O Príncipe, d^^i^ni n^n^M^-^ -^ 1 ;;. 
Jà temo p^ ^p p^ <jtiêffjtô. .^Ijft r-pçáç i, . . 
Jà o |lí|i qua«o Ihç rpgíi lh« Çôiicqik.. . • • • 

Jâ para ti , 6 Virg^çi bpiU » Ç -fewidp í: . 
Com hâa lingirfar velocidade , * r; 
Juntar fe via de bua , e de «utijà^bandui - ^ 
De ffniipil No]>re?:$ tenra-idjid^.v . » '^^ í i; 
As nãos apparelh^i: o Rei ià nwtídà> ' 
]à ncUas (c tp(;qlkt aVicgírt^dc;; . » T. » !• * 
Já daq para B^n$nba ao vento veUteç í" 
O coraçaô.d» .Ni^ivA. v^i .coaiVltos.: r 



XX. 



Já vem a tomar.potçoi on^ç cQicrava ''. . 

Urfula alvi^roçãda enj .gtiu gia^eiríi i ■ . 

Que para as rccebc;r ^Ui Çc. penava., , ... 
Como Senhora iiaõ , mas ^mpàubjcirí. 
Quaõ falfa era, f LcixleUaa lh<^ moftray^, :. 
A de Chrifto*^'quaõ puKt*^.e verdadeira. . ^ 
Jà fe baptiza huma • (?, outra Dama J 
Damas Urfula jà^^^xío^ Ç^ chama. 

A ^a 9 <^à naõ fa}>e rcpoufar ^ ^ ^ 

Voou de Reino cm Reino , d*lÚ\^' cx^ Ilha> 
A gente ^uc.conooríç tiao tem par,. 
Por ver a nunca vifta maravilha. 
Outros vem por fcrvir , c acompanhar 
A Virgem de Rei Nora , de Rei Fill>a. 
Movcm-fe fljuitjos Bifpos de Bretanha i 
Pantolo em vida , ç mor;ç os acompanha. 

XXIL 
Por ti, dejxan4o o Remo, co'a famili^» 
E quatro filhas fuás , fe embarcou 
( Juliana , Viílotia , Aúrea , Babília ; 
Hum filho tinha mais. que mais levou) 
Gera^na, Rainha <Je Sicilia , 
E com devido amor te acompanhou *, 
Que he jufto que comti^o vao Rainha» -^ 
Quando tu para o Rei dos Reis caminhas* . • , 

XXIII. " 



íí^í HHyr HM AS. 

xxiii. 

Jà fc partem âs bellas PetcgíítiâsV ' "' 
As mãos ao claro Ertlpyf co levantadas ; 
Já rompem , jà , por ondas cryftaUitiíis . 
As nãos dé fofitiofura Carregadas. 
Qiunda, dizei , ó á^as Nepcumnás^ 
Foftcs de tal belleía navegadas ? 
Nunca, depois que a terra defcòbtifics., 
A tal frota por vós cai^inko abriftes; 



XXíl/* 



I 

Com vento í?mtí»re igual , cort tnáf bonan^ , i 

Sem perigos alguus , fem algum pcjd,' 

Cicia foram tomar, por») de Fratfça^ ' , 

Onde pouca demora fazer ve*{o* 

O coração dá ViTeem naõ deftartça, 

Saudofa do Çm de fcb defeio : 

Manda que lévem ferro , foltem linlio , 

Que teve por o mar o négrô pinho. 

o /vento iiõva poíTé vai tomando 
Das Virgêes qUe lhe fáõ cncoftimendâdâi : 
Com tal proíperidade vaô voando , 
Que jâ deitam atrai ondas ^falgadas :' 
3à nas doces do Rhctto eftao etittando , ' 
Onde tem fuás vidas limitadas : 
Huma Cidade vem à ling^a da a^oa , 
Que de vê-ías morrer nâõ teve màgoá- 



XXVI- 



Ah Cdlóftíà c*ua , ^oe haô tf rti<?çbfe9~ / ^ ; 
A taõ formoíbs olhos ,' qife -firgurôs * * "y 
As altas lonfes Viam que íeRíSfrciá , 
Luftrofos édffldoè', 'fortes muros ! 
Pefmitte o láfgo ééo.quc fatfta'^ cobres ' 
r)b fcr taô dum ^m5i'áe feitos ^uiros! 
Ciqros pcijoá-^qufc a tatitos, limpos de éfrà '.,^ 
Viram abrií^i íeni Mbr corii impio ferro. ' ^ 

. .KXVÍL 

Eftando ncfte pdiAa a bella Armada^ 
Tomando T) tieccffarió nçiantimcntObi 
Para pocfct fegqíí fúa jofDada , ^ ' 
E dar tcrctira ve^ Q tf eu ao vemó;' 
Sendo parte da noite já' paíTada ; i ^ • 
A Vi rç;em %. tio fcti ' rctrab?me;nto , 
Quando ôftàvàdòftWndo' toda'^ Fi^ra , ' 
Á Chrílíoòròuàffii branda yr devotai ' 

; XXVIÍU . 

Attior'^ díVno'AmòV/ Amóír -fúaVi^;' ^ ^ 
Amor 5 que aí^ando' voti toda rehdida ; 
Com quem riao ha^^na vidi j>éí!a gtave , • 
Sem qii^m' ^loírti teàt na6*há nu Vida ;' 
Amor ,' qae^^dó Aeií peito tées á chave , ' ■ 
Amor , de cuja amor ando ferifJa ;* ' ' ' 
Quando verèí ^ Amor , o que.defcjo',' 
Para què véjà , AitiOr , o quc^tiaõ vejo 



- y » 

. f 



• i 



.>.' 



XXIX, 



Amor , qpç # ^^nçl: 4>?o.^ r ,cfc rj^a^w» 5 * * 
De amor cticfeç^.ijflpi^lRia knàçy^P^; , : ,,. 
Amor , fem cuja ^or , e /qffpi^i^a* .. 
Na5 pode nútict ,k^i^t . ^^^ WHWÍ* ; o i ' 
Amor, co^n,ç^JO;;;fflH)r.^p4^;$^5»^ ., ^.. ., - 
Huma vida yaô fi^j ^s4u)g4pílj.^ ^ — . ... 

Quag^a v^rci^ .Amor , .9 «^ ífjfiTn^^- ' í. . - •. 
Para que vpja Amoí, 9 q9<^,iijiq,.v^J9.> .; ,^ .., r 

. XKXí 

Aírtor , que<.por alnor tç difp^ícftc 
A reftaurar' o M^ji^o^errad^ , :c qrUlc,; , 
Amor , que ^or ^inor 4^ Ceq 4eíccÁe.^ . / , 
Amor , que.ppf í^mpi: % Crúip íu^iftc j^/ 
Amor , que por .-açípr . a. vi^a d^ftp » : í . • i*^ ' / 
Amor , que çoç akíw)! ' íi glçRf -^^íbè V . - ' • 
Quando y<^:j Ag^pf; ,. p..q»ç ^cfçjp * 
Para quq •v^z.;^ 4»?%« <> W .?^^ ^^l^.v • 

Amor, qt3ô.m%^ !)f.mj|ís %ijpcc !;c a^ignúm» 
No corajrap/jjp^ l<^)(ÇPW^o^ wzes ; ' \ , 
Amor , q^,.^ .^ppi;j^ura,,tç f^ . 

No fogo íiti'.q»3lç jurf^flhibar^íyfvme fezes ^. 
Amor., cjije ftiT).'amqr ^aô. tç/çpòisçhiais , ,... 
De rudo* com f m<)fj tp /atis^zc;s C 
Quando verdVÃmor,'o qqc ^f^ejfi,^,, ,.' . 
Para quç veja,. Amor ^' ò.quc.náq^yçjQÍ . 



XXXII. 



PAfT^.RMMIÍ#*A. ^ff 



Amot , que com j^í^^or.JT^ffiPfJ^aftí-h o ns^<'- 
(Se livre pôde r5r;q)]eni áW9 Ifaí-iWa^^ /,,, c ' 
Araor, que emit^Çf PRspSpfnÇo#çíiW^...v '. 
As efperanças. 4^ ,^eç Pg4H«g V vi,' ... ' ' ( ■ 

A derramai :pw,à,jfsrini;^ .^m^rj:.; o-.i.;c"7.r".^( 
Quando ve^fí,, A>B9r,>r.P--9íyiflg(ll<?i9ai b x-f.; 
Para que vs)í^^er^<iiavc,-n^>{<íftíi;jc - -C^ 

Quando verei M?? 4'» PW ,qBfe5#ícÇft- n . .-, :! 
Por ti ao cruel ferro o' pçiíçj %i^r.ihii r-.^rj 

E «/e«fe 4fe y'mí^.-m?^m ri: n '^.. < ■-• . 
Na tuaioberana,, c ptqru4.,Ppfte;J„, s..._, í;,- „ f 

Onde lá cadg^^^inça: w gíerj5Çfi,-j - í- ,.• v ". O 
Cá pa(randpf,iíg(^»p a pjçjwi^iiipnç },.. ; ...^ , - ■ 
E todas dando^ ft^S^uftjpiW!!,, iff^,, .>; r-^jn-r 
CclcbremoSi^gB^ige'ç{^nj^Jb#i5;;; o^. ,7; ;:;pA 

Faze-me )á.,3S|Phj)n «ftaiFePWf^..- •> • r- -.T 
Que tenljç-çdt ítíj**r í.qiÇíf^iWÇ í»ye « ) ò; • ■ 
Des que me d«<>.<l9«§r^ftirsní*-W'^5* « ^-í' '' 
E lume dííitmÁ n^M »lWTW<^r;^.., /:' ■> r ' 
Naó queírjst>yjín«»-<iVnwr.,i:flMf. ^W»W?W>,r rr . T 
Sem tal bem nimX^^â^ymcWp^M ,,.'- ; r ' 
Que fe muito í«.a|í»r^ifô« cd^jferffii» r •., r.H rJ 
Por cUâ. ireita.dl nsé-.Pfir ffJs^qi'r, lI-. j{ r. J 

/,->:-. XXXV. 



DcTata o meu érp\íit& kxiâotb ^' ^ - ' • ' 
Do nó mõrckí itíi ^<fíh f&^vàVitxèháo ^ " * 
PrimeSte <]fáe'tTcJ teies pitftiròí(i'' ' • ''^' 
O Sol os dozfrSííHí>$'Ví^^(STéittící/í '"• 
Efpaço he qi» fómei j^^HiA -dòébfirçbfo'. 
Para outro erpofB''fceír- iV^èntrèèeííáò:' * * 
Mas a meu afíjdr ^crendo t, dtf ô crto 
QUc acaí>»í'<f(AisV-Viai^*aiíittrTecèò. . • 



Inda ncílí^fefWifttf.; 'é jiifto ¥ògò '-- ' ' ' 
Urfula fufpirátS»' fem.;- '« J-^^-; ^'- ^ ^ ^ 
Quando de hum t^aiídbr àSftií áé fbgo,' 
Divina voz ou\^«S'^i*^ àffi ^ieíff; l- ^ 
0'Vi>gcm, qucf5uoHW fizèf^ic^ò •' 
Do que nó l^fttffl<i'* Wm- itiaiof vaiia •/ 
Entende qu*'*dÍTáf«^^l}u^^«2èéáí^'^=--^-> '* ^ 
Anui quero qúè^féjà ^^^^ftS^^tiêftsi-^^-nj...:!- ; 

tanto que tarVeípÔfta^ dô cW'tèíJç', p'' '^" 
N^ao quiz^^dò W èfpmva p^d» iú>nf ^ ^ 
lá lhe parece kr^i^S^noitè^feí-cve^ jf . : 
E que jâ tarda tbíiiêè'* befl« ÀUWra; ■ 
Em defcbbrindcTAi^Ilo-or^eâriHP feve-, ■ "f i 
Do porto deCí^lòníaTahtoTórí:^. f- f • ':: 
lá Bafiléa «m^bréve «fep^ tófti$> ^^^f-^* - " 
E a pé de alU^párcítam' p&râ Rijrtia; •'* ^' • 



/y'xv 



XXXVIII. 



XX^CVIIl. 

A% fatie a jrec^^^ci, ^f ^'^ ai^i{ap|)^. 

Com gozo cípr^pwí, cQin. gtíinfíftnfifp^nto , 

De ver cin taj^ jf[|^e,jK tamgnhà^: , ^ i 

Dizer fc |>ÓmJ«, i»íjjl» ;rjal cuidar :<niamo . - r* : 

Sc gofa o Rçal^^ngiievclÊr.Qiffç^ntaL,: 

Os vencravcisi ^!^^P^oS^vjfií**^<? :j 

De aqueUps,<]ifÇj|^Qibe|n.'^pi if^qg^ . :.r 

Xff!ÇJX. 
Na própria ncyt^.fífríte; prpflçio.ydiíH :. . ;.; ^. i::;, 
Que Rom:yj?fj::ii8cyi^^ ^b ,,i- ; 

A quem de Pedro ,a, Barca «lu^jcgi:!,^ . -r ■ - ' 
Revelou o c|uçlrc;gp.a yrr^ j,(ç;. Çco ; . 



Que marOTip tápbenv .r€c4)crja ^ : , 
Onde l/ri«lA,.cV.(^ qi^ p.ycc^w: :; : . 
Deixa cçniagiof^jp.gçáo Pondfjcafla,., ^ 
Dcfejoíb de fçr jiçia^tyrizadpí ^ ' • 

Por mais q^c^odo 9 Clerfx;fi;^$]e.ai4 . :;:' ^^ 
Mover-fe por aquclltf EftVaijg^ira^ , f- : .* , j > 
Movido da^Vonja^c diy/ri^.; .. ,.h /^- . .^ ) 
O bom Paftot íq ,vai ;coin íj&^Tprdcir^ j,^, y.,\ 
Hum Arcebispo; Iqya ^ibuxn,. Cardeal : ,, „ ,7 
Três Bifpo^Ld^iaçíín va^s trçç, Çá^^^^ . • "" 
De Luca ,,ÍUf^if^wi , c de/RayjÇttfia: ^^ ,, * . 
Maurici© ,j»|Sí. ^av^ jà na. pçiWt ;a^-. 

í:' ; . XLI. 



5í» 'f^-MLmmmwt^y'' 

Defpís de na.t^s4rftt*'ii<indé''íai2íarií : 
Com taó foiÇfiefâ "5S!' ckhtâs 'EflíéHai J 
Já as aiiêõfas ddbáiícó atinía tifàm j| "" "• - 
E de cima já atótíxo -foltãm-yÉttas*.- ' '"' 
Eíb? náoS'fâ adftnté'oatras t^ vítiih , 
/Que fazende-<tí'W,nà'v^"a-j[í*s: 
Conhecèramrfc fôgô as''d^ Rbèají' ' 

Ambas dcíum Riiitlò fád> JniUbâiJdéVotá».- 

AU» Cjá Rei AgufdSídd IrtgtetéWií'} ■ ' 
XHnha de Uíí&íi"Kaii'^ bcBo^E^oí , 
Que rein»f'nàó'tjuèria iàrta téííi,' 
Do Ceo j» tíárào?afll(í , * faflasfo^ ' 
Do fcu primeiro, "iiftúSf^íírrfcéò á ^;»tó#ái 
A força de ófiS^pr âjnót itisH ffoèérofo: 
-. Amando já eof-fta-Dèoi á Èípofi hdlXt 
Para o poder achar btifcavaa -éUàf- * 

^ V' • , xLÍti. 

A Mái , jS-íohvértiiffí tfaf còriingó ? 
O Pai já Chriftâo íKitb feHècí» ^ 
Com que fpube evitir ò èráò tíítíkai 
Que mortèn^ófMjnó^moRfaUn.- 
Amor cclcftc", cilnio aqui tlá5 dlè" 
O te» «Sliíhe òbtàí ? ;AH ^iHM-f 
Por meio aé hWtórVftfeair fiSBè*»» 
Cora que g«nte''«jf«b#a'Cfirifte»v\ab.- 




.; A ' 



XLIV. 



^Hiiha mais iféftà TieVa ç0nft>áir9if4 f- ' — ^ '- 
Florcncia, iahii Ido Rèí , dà 'Mâi cuidado ; ; 
l-Iorcncia, que brh •'b^tlcaá l!oi*ecia , ' ' 

Como tíor cm jatáifrí 6çm oSltívàdós • ' 

Tamb«m a t^rota Bifpoá dous trazia i , ^ 

Hum Mardeliõ , (ílettieáw éuffò' ciwiftado : 
O primeiro- jâ éín- Gí-efeia- bágd tfeW ; 
Do fegundõo èiffiidô iiaô fe éfiStí^» - 

Outra Virgem viuva ^aíli mâis Vitfhà, 
Que déí^rfàdâ f^nêo 'ctíi icÁrá idttdè. 
Antes dasbodáèj éhviííVado tínhá^ 
E promcttida a GMÍte à éafttóádê. ^ 
Efta do ^mefmo Rífi'éi-a fòbriiifta. 
Filha da Imperaorfè tíã grSo Citíaíe , 
Onde por culp* i^fíti ou pôfefea dita ^ , 
Seu throno ágotâ iéái c^ fefò Síàà.* 

. , s:i/Vi: ■ ' . 

Eftes que adVefe€'^répttiaa^ Hiftòflá 

Deixárarti fó por Oédí âlfos Eftsráos ^ 

Com outros de qué íie rtléttoS ú tíiérúòHiL , ' 

Fotam^i^kiètfeite Saírtbeftôdèáj^ •' « • 

Que todos (para efttráf júÃtóà rtá gjofiá) /' 

Ao Corií Vít0nB cftlífèm jiirtt?àdos / 

Com qoetn lià' WW Wárfjrré^ tólip^ ^' í-* 

E no Cco i$afí'fòttíj)«l íefnâíiami--'^ • . - •./ 



XLVIL 



4CÇ) .,RíHY:THlMA.^.VI 

XLVII. 
Seria eftranho p go^za que femirám. 

Aquellas bem na?ci<)^. Almas famas ^ . _ - 
Quando juntas alli xodas fe viram 
De panes taõ; rcnaotas,; e de tantas. 
Sem eftorvos, que de antes o /miipí?4írdm , 
As duos [, mais. we todas y , bellas plantas » 
Alii atraços fe.çaô fem algtmi pejo y 
Ambas coliformes, já n^huni fó dè(ejo* 

XLVIIL 

AUí faria o Rei acatamemp ; . ;s 
A quem deixou da Barca o gtão governo j 
E cllc , conforme ^ fea merecimento , 
Refponderia com amor paterno, j 
Naõ faltaria em fâl recebimento . 
iPrazer exierjor . prazer itit^rno > . 
Inda que nos.cftados differentcç ,. 
Todos fefiam.buus em fcr çpçitçqtcyf 

O vento as brancas velas naõ .enchia i 
Corria o frio Rbeno entaq^^tis quedo;. 
Antea paira Colopia naõ corria, > 
Porque as Virgcçs naõ foflem lá taõ.ccdp» 
Parece tjijie já cl^ro conhecia , , ^t : 

(Oh Coro Virginal, ((f^^^ í«Jçd<>*)n..:~ 
Que lá vos éfpfira^víi ^ íagpif^,«ipite. r . -> 
Agora, ó Mufí^a cpnta dç 4"^ fçttç. .^^'^j 



.11 AU 



PARTE PRIMEIRA; 401 

L. 

Aqudte que tia fórmâ dâ Sètfctite 
Deixou aos dous primairò) enganados^ 
invcjofo de ver que tanta gente 
Se conTerria à Lei dos Baocizàdos ; 
No coração entrou manhoiamente 
De dous Gentios , Príncipes damnados i 
Da foberba Romia Cavaãeria, 
Por encurtar a Fé que fe cftendia 

A &ma os aíTegura com certeza 

Que 1 Virgcnt a Colónia jà voltaVá ^ "} 

Com toda a cafta juvenil belleza , 

Que por amor do Ceo pereerlrtava. 

Fizeram avifar com grio prefteza 

A hum parente , que Julíd fc chamatâ i 

Soberbo Capitam dos Htmnos feros ^ 

Que todos para todas^ foram Neros. 

Llí. 

Eis lògò o c^go Príncipe Gentio , 

Com gente innumcravel de feu marido i ' \ 

A praia a tom:ir vem do mcfmo' rio 

Por onde as Vlrgêes vinham navegando* 

Já defcobrem aquelle , efte navio , 

Os que eftâõ do mais ako atalaiando: 

A's arniâs vçloz corre- o bruto povo^ 

Por de novo >as tingir- nò fangue n0VO«v . 

^ T4m. 11. Cç Lm. 



11^; , ftKTT.HH ASi i 

Vindo 4 Frot^a fiiisgir íi^ifo da mtMfo> 

Onde lhe, p^r^ia eíSr fi^uca , 

( Oh Virgée$ qu^ t^(^ lufçjr feguro 

Adonde vos .eíper^ a; ftpiafcuw !• ) ^ 

Entra com mão ^mt^fk o povo daro 

Por efta^ p^eigrina. fainlafufa :. 

]á começa a pro>ca( o» aços foftes.; 

Eis tudo fangtté. jà> jái.», tudk isoaca. 

]á nú todas as ^k?ffiÇ9^ teciam 
O delicado, f oH<X , oiteívo peito: 
Era para cabec (]pktll»ls c^iam , 
Todo largo hi9^ h^í^ eftreicix. 
Do puro fanguç^ o^iriosrque corriam f. 
Outro vçriQclho w^r jjt tinham fciw* 
Tu fó , Córduk., k Vf^^ te cTcomicâe i 
Mas defpois.;^ bufi:aik«. e xecobeíte* 

rhV. 
Ciriáco o primeiro « b^m conftamc.5 
A vida aa- íern» oifrçce fem €%amo : 
O moço Râi Inglrar cabio: diante 
De aqueU^ caítos olbíoâ que amou untx^ 
Eípera > brando E^fo hqm breve io&MWfí i 
E{pera a tM doce EfpOÍa., em tanii^ 
Que omrq Amor outro^ ^Ipe lhe piepara i 
E juntos «witreisf na Patrúi cbanu 



tyr. 



PARTK fZtlttlKA. 401 

ivi. 

Em qual ^ra V ^ (fuéis^ ^^ <l^l Cidade i 
Entre qtiaes gemes mais a, furor dacias» 
Se naõ ufou'cle an>or, c de piedade, 
X^om formofas donaellas defaiin^das l 
Como belleza can» , e tu^l idade » 
Vos deixou arrancar voífas «fpadas^ 
Ah lobos , <»mi€eiros , tigres bravos % 
Filhos de crueldade ^ dê ira «Tcxavos ! 

LVII. 

De quantos aninfiaU fuítença a tíirra , 
Nunca tantar çràeza foi uíínda ; 
Inda que tenham hàu$ cpm ov^oâ gt^efrar^ 
Nunoa do rm^o a fenfii^ jie lid^imada « 
Anda a cerva co^o Ct^Q por a ferra , 
A novEhaí do touro âicQn>panhada , 
A' leoneza Icaô defeódçr pré?a : 
Vós fqi ^ebraii a$ leis da nacureza } 

, UVIII. 

Puderam otit^ -olhos p<Mr vetitH^ 

De lagrimas div^iw .efoifer^fe ,, ■» -. T 

Vendo • cubpi^ar jà d* ii#y<j^a efcura , / .r ' 

A lu2 de taftw.iieU^ apagk^^ef ^ .^ cr 

Vendo a fiiqp«r^ík ix^ ^ íI c^cm pua 1 - ? 

Em ca6<m#0f4^ faíiei dç&o^ai^ft l 

As traiíçtó./ie oilro vendo , «fpedaçadM^ , , 

p4c'4DMS<a^d96íjpçs. ftná^ 1^^^ . 

CcM tylJi* 



;4<H •' tlífirV^TUM AS.: 

Na íferçi 3cíVà fuKa acc(^a , c brava, 

O Tyranno cruel' U *vifta crgueo 

A* Virgem , que Ínvi9ndv€l animava 

As Almas que juntara paca ò Ceo^ , 

Ain )á envolta cm fanguc como andava , 

Da fua fomtbfurá fe vencco> 

E com doces tazÃes , cfuc amor eníina , 

A vencè-la de amor íe determina. 

/ LX. 

Fingindo fc 'arrependo do paflâdo,' 
( E de fin^í-lo íe «arrepende azinha )' 
Sua vida íhe ol&ccíe , c feu Eftado , 
Sem ver queEftadò , e vfda íi ^perdiét vinKa; 
O feu amor lhe pcdç confiado ; 
O feu amor que dado a feu' Deos - tmha : 
Pedc-Ihc o feu amor, ántcá naó fc^ ,' 
Porque jâ^dado o havia a -quem lho 4cu« 

LXI. 

Ufa de mil lifônjàs , fníl enganos/ • 
Por confeguir o fcii déíêjò bruto.- 
A flor Ipgrt ( dtóia) dé icUs ânos^ - 
Colhe de cffa befiézá o doce friít^-: 
Naô dèt tetcrfa nova a noMo^ dãfti^'; 
Naõ pagues vçrde à morte o félr tributo*: 
Olha qul?* leêô em mi (naô faô cautelas ) 
Outro Reino ^ outra Eiptífoyiomtts^^Doáxtlat.. 



í oV LXII. 



P A RTE^ PRIJMEIR*. 4b5;% 

LXIII 

Na6 faças mcntirofa' a.-? natureza i^» -^^ 

Que da de amor em. ti gsànder ^fpéri^nçtr . . 

Que fe pódc alcançar, tte eflà bcHc2ia:> 1 -. . 

Se já piedade delia luo fc. alcança ? 

Aos tigràs ) aos' leões , deika-a otzvçzz > . 

£ deixa aós nteu6.ft9lda4^.a ^FÍngánça^ .- - 

Se for ver-me.cniel querei iibícfua , .' - 

}à ic vingas dê mi am.eoufa aia*.: : '.' ... 

CXIÍII 

Volve eíTes^dhbSi jk-com inais- bránduEav ' 

ElFes olhos , de amor: doar morada ; . 

Delles ns^èiçt '«nt mi aciormpfura , 

O qne era taaattr.^ fez tbt minha éfpada. 

Sc queres dcrritepr: fninha» vcnmra ^ 

Que deiles ^^bal A»e)o pendurada^ . 

Acabarei^^•ve^^^uaó pouca tenho ^ 

Pois doide^pl-nittar-vim a morrer vcnh«« . • 

Como do rtj^ meu' naó te aproveitas ,' .. 
Quando o' teu írifco a me rogar te obiiga^è 
Ou naô conheces bem a quem engeitas^,J 
Ou me engefcas por mais que feja, e diga.- 
Em que cuidas?, Sétihora ^ ou que fufpeitaa.í- 
Mais pfoprio era>ichamar-tc- dura imi^.- - 
Mas naó cQnfentramor nome raó duro-, * i 

Em parecer ta&lsrando^ c taõ. fcguro. í . . ; 



40d R H Y T H M A S* 

Os raios dcíTes olhos jà. fecenot 
Enxuguem ddTe rofto a^ puxos roías: 
O trifte fofpirar t& (bo menos 
Neftas concavidades fauebiàa. . . 
Naõ façam erande mal hiales pttqMDos i 
Quem naõ wSkt efperanças vagacofii^ 
Que anda cpAumaoé em feu^ smotca . 
A (nedír por feu fpào ^us fitviNKa. 

LXVI- 
Oue gofto oodes ter de malcn|ta»fl!ie } 
Vendo-me do paflodo anrpeitdido i. . . 
Attenta que mais eanhas.em^nhar^mo » 
Do que nefte dcfmçoi tees. povdiíiok -. 
Se queres infiftir cm áefftm^xm^f *. - 
Ver-me-has , fot^re amovofo > enfiarecido* 
Nad me declamo mais ^ porque naõ quffea 
Que Q medo fa^ o que de anuir e|pcitob 

LXVII; 

Ah pérfido amador ! Oeixa o ton emn 
Naõ vèi, quanto enèanado , c cegp andas ^. 
AqueMa a quem nao vence o duDO feiro » 
Como a podem vencer jpabvras brandstf i 
Manda a Aia alma iá dçfte deftcrto > 
Com cfTas qjue a feiír doce E^pofo mandas* 
Nao a detenhas mais em teus amores > 
Sç dpbrar^he n^õ qiiere$ (vm àm^* 



LXVIlk 



PARTE PRIMEIRA. 407 

LXVIII. 
Vendo o cruel , cm fim , que o que dizia , 
Tomava a bella Virgem por aí!ronta j 
E que quanto de amor mais íe accendia , 
Elia delle fazia menos conta; 
No co^^cavo arco que na mão trazia , 
Huma fétta embebco de aguda ponta , 
£ o peito lhe paliou de banda a banda. 
ASí rendeo o efprito a Virgem branda. 

LXIX. 

Vai-te , Efprito gentil , defta baixeza ; 
As azas abre já , já a luz derrama y 
Voa com defufada ligeireza , 
Onde o teu Bem te efpera , onde te chama. 
Verás baixa do Mundo a mór alteza ; 
Verás que engana mais a quem mais ama ^ 
E là do teu Amor , cá fufpirado , 
O íruéVo colherás taó defejado. 

LXX. 

Em paz te vai , ó Alma pura , e bella , 
IVIai* bella inda no fanguc que vertefte ; 
Vai-te alegre a gozar , vai , já de aqucUa 
Formofa Kcgiaõ , alta , e celefte. 
Coroada de gloria , immortal nella 
Com Chrifto lograrás , a quem te dcfte 
Com tantas , e taó bem nafcidas Almas , 
(Formofura do Cco) onze mil palmas. 

INr 



índice DÓS POEMAS 

. . . . deíb Paste das Rbjtimids , 

Com adeclaraçao do.aíTunnpta , e. argumenta 4fl', 
, alguns. delié»^ i»»^ dxtpLç^h fifi f^tm^i^* . 

/sonetos. k 



A Chaga 4iúe^ Seifbêrs > mi fiheftef^ . 86. 
Acbe.m€ âú fortuna faUend^^ • . Í156. 
Chora a^tjmiento ptfladp como fe o 
tivera prefente... ''v ? '-* " ': * 
A formofurék' àtffa frrfca ftrra.' lér/ 

Antepõe a vifta da .fut amds a tuda o^rpró- 
de dar goíloK^ . • \ 

Agnta tema a ^^sdn , ageta ã peiMA^ ^ iií. 

. A Eílacio. de- Faria / valerofo Soldado , • Poeta. 

ínfigne. 
Ab fortuna crftel ' Ah éktrês fados .* 112; 

Na morte da fua avntda. . . 1 > 

wi& «9/«lrtf Dhamtne f Afíi àetxafit* » J tO* . 

' A i^mna Datnus que morreer iiúlode vtagein»* 
Âi anfiga trnel ! Que apartafHmtoy > iog. 

A huma Danhi , que embarcava ' para fazer, \onpi 
;• viagem. > 

A h fHargen ith Tajo en tíaro dkk .105, 

Ven- 



410 rt^DTCE 

Vendo q^f ,ft^ fija D^ni» fe eftava penteando. 

Mg^^ tainpot ^virda arfoteilos. 4c. 

Afteâot de trifteza amorofa . na contemplação 

do bem pendido', otf por.fk&otte » oit pòc au- 

íencta , ou por outro incidente. 

^Htít tnma gènéi y/^ tif ptí^pfyfé. ' ^4. 

Na taotte ^ fuá &imt4» v flrHéèid^^dt tiúttk Mhá: 

Alá em Monte Rei , en Bal de Lafa. 170. 

Em Idioma Gatlego. 
4k»d genfi/\ 4pte á ft^i éttraíiMt, > 155^ 

Na morte de Dr ^^àtonio de K^ronha , que mor- 
reo env->Af/t^. / « • ^ t r ,■ > 
Alegres camf^í ^^^rdef , áAett)f(H. -* J lig. 

A huma Dama chamada Ignez. 
Ámor\ que em fonbos vdos^ do penfamento^ 129» 

Sonhando com a fua aâÉkdai 
Amor ^ que olgeflo humano na almnefcreve^ 19. 
rBefcripçií jli^ Wlez4 laÉníh » • dos efftitosrUel- 
.? * fia , vendoiW 'Cli«lroíi»\ v ^\ '- 
Apim oÊm .9 ^éha^â ifi' pmtídai* j^. 

Efperanças perdidat. .t> ..*..,.' 
Amt he hum fo^o qm 9^de firèji ikr^ t^ 

(Wjaftis 'defifn^âet tjbor «moi. ....:• 
Amorte^ qiie da vida o no defatmà-' * 92* 

. /Friumpho gfaode de «nor » *éiiií|iirenckrdíl«i«dé* 
Afíf èomèes'. bavi n k^mot» po%' itBfpanéê , . ' • 147. 

A Saó JoaôBaptifta. 
A.piregrina^ao de hnm iimfanèfyité. 196» 

Grefce o tormento, á tncKàidft da.cttfiti' 
Aponta a hella Atèhif^/f iat prim^^im* -^49* 

A* Tm#í/R(iia..Conoeiça(õr d(fe;Fe:i>^re Vi»9tiki Ida- 
fia , Senhora fH^. . \ 

AppUifyr:af mme ^.iUff^aé dffi^nf^ffíh. [ -' fo. 

Logo que fe vio captivo da formortifv ^ come- 
çou a celehii'iay pot inflUeAclB de ApoRo» 



e 



DOS S O NETO S. 4it 

• du Mufai ; mas 9 fWMi Ifac^u tAidcr em 
triftei». 
yffartava-Jè Nifi Í€ Mm$um, 51. 

Apartamento ^ Kira , qu« 9i|;>aml« a Mont;9A^ 
,pa indiftg o. 4aÍKÓu Ug,:fl. í# nfr^baKKMU. 'para 
t^ortugal. 
A> perfeifão , a frafa , o éoct gtfio, 70. 

Defcreve a formofuni Mn&da , « lhe dá % enten- 
der o modo com que ella podia conhecer )^, 
' ^enas amorofas que elle por ella padecia. . 
Aijúnla ifue áê puta ca]Hifàde\ /' Í7. 

A Lucrécia , belli/fima Matrona Romiíha , qúe le. 
matou a íi mefma , \tigp depoip da força quQ 
experimentou no infame Sextd Tarquino. 
Ajfndh fkrn humana , (J^ui enriqtié^e, 02, 

' Lamentando Teu (ôrménfco ,' ihídilta. defvadecer-fe 

delle. 

Aq^tlla trilie^ e Uãa madrugada* '37. 

Ãifremattdd.fe da ftia aitiiída.'' ' ' ' 
Aijni de longos damnos brfve biftoria. * ' tl6. 
Parece que «fcreveo o^ Poeta efte Soneto para 
Prologo , ou Proêmio dot Spnetot Eróticos. 
Ar s que de meus Jnjfiros vejo c^M %2^ 

.i)ia qi^ i^fvejC^rit^ lio4« a Didem nati^al , ppi»- 
tem por contrárias, aquellas Ç94<raji qua «ou- 
: <!uzem para a ^onferviçaÊ .d«. vi4a* 
Ativ&Kê^ Cêêp, pom¥ Mh^.e Urtffd^s , 3^. 

A duma arv«ore » a cufa finoiWa^^fteAre; ^o Poeta. 
A violem woís kel/4 ^9»e aifiãnheee. .. ., 84. 

fifcripto a huma Pama chamada Violante* 

4y qmen Atré a Viis Ofos nm fiidnH... 1-^6- 

Manoel de Faria e Soufa quer que efie Saneto 

feja fobre ai palavras ^e. J#i^4iJMías .00 cap^ 9. : . 

Q^ts dabU €apm meo aqut^vi ^.^ ' ofttlU twí^ 

/ontem lacrymanêm , & plor^' 4k .ííp m^'^ ^ 



4íÈ^ r N Ó i C E ' 

E pouco mait'«biiixo : í^nts tia^it o/e kt fitita- 
ifwe dtverjhrium vtatornm , ^ Jerelinqua^R pO'^ 
pulnm meum , e^ recedam ah eh i 
Aymád-^ne ^ Seh&rét ^ é% firvenfrançt, IJÊ. 

Ct>cifiderando»ní' ínferHK 4 Xixà' aYnadi ,~tUe (>ede 
o caftigue. 

BE?« 72/ íiffíor qti^ hf certa o gúc. rtceo^ . 64- 
Conhecendo qie o a^mor o ènçjina.^ fe deiu 
. ^ . ej;igao%r. , . r^ . • • f ^ •• • . ■ .* * . 

Rr^fiíia^ agidas do Jejo ^^que pairar\40', i^ 

EfcrevjBo o t^oe^ efto .Soneto *in. Lisboa „ no 
tempo em ^ique eilava de partida para aludia^ 
Diogo Bern^fde^o iiuprin^ia por feu ^ e l\e o ^7 
nas fuás Rnythmás.' •* - ' 
Ba/iae amor novas ai'te,S, v nf^vn engenho» 37^ 

Bxijuifito toriBentq.d^. aiUQC ; padecer fçm çl-' 
, ,^erança. ,• . ^ - . ,' 

'.:• ' ►"^ tí\- .....ui(2 .> ."•• ■;.'. • 
t. . .^ ..: . . *. » •' 2«>h . • / . 

CAm»f> nas f^ff^ès ^ê§e mar da vida. lOQ*- 

^chahtfoifViíPèeèâ^fóíí- da Corte , e eiii hi- 
*^àf folkarlt^í ^ ^ , r. m . . 
C/í vella Baiyl(fni^'*aãm4e ^mâm^, ' .. - . 122. 
'Efcreveo o Poí^tr «fte SonetO rta índia , depois 
' ' de 1ia¥<f expierflivi^ntâdo què alH / áhíhfi ée 
• • outros viçíos / reinava homá cobiça iofaciavel. 
Ca^tafhheflava hum 'dia hem fcí^rê, irr. 

Cl)ora as fuas adverfidades , è a morto da fua 
<' amida.' . - > • s • 

Chora minha i4dnm^gà. ^ tm rHJa^''wa^. ' 56. 

A huma Dama . quo: o Poeta efiknavaj a qual 
' if»orroo AojBar. , ' 

- C6ft. 



Chorai » Nyinphns , .»f yjíí/iíjr poderefot* 167. 

Na morte de ceitm Senhora. 
Cvitndo y que *em hunt umpo chora 9 e rio, íoò. 

Contf'arriedtdeS''^nique petio fomente vivia. 
Cifm gnmdes- tfperan^as já' vantei* , • 26. 

Chora por havcf .cantado, e por lhe nãorena- 
rem efperanças de al^um contentamento. 
Como fizefle , ó Por cia , tai ferida ? 5^. 

A Porcia , Matrona Romana , filha de Cataô o 
J^}aior > «mulher de M. Bruto , a quat fe ma- 
tou a Ct mefma , como feu paK 
Comrr imívarei cu^ S^raphrm Swtíú, 14^. 

• A Saõ Francifco <le AíTis. . 
C^TTto qttandordo mar tompc/lm/i, 6 5. 

Sem temer o rígorofo da- vií!a. da fua amada , 
torna repetidas vezes a.ella. 
Como pocfes t ò cego •peccader^i • • 142. ^ 

Defpefta a hum peccador adormecido im culpa. 

Cffw rázsin osva^s-ognat fatigando, I56, 

*': 'P«Tece> qu« çfcreveo o Poeta eíle Soneto , ven- 

-do defde algum dos montes de Santarém , on- 

/ .de: ^ífífija , ccuno corriam as apjiws do- Tejo 

para Lisboa , onde fe achava a fua amada. 
€ovtettfe vivi jd ^ vendo, weijhito. "^49* 

Queixa^-fe db tormeiHo padecido » e coafado do 
í : r. amoft. .. ' - 
Coftverfnçao domefítcn affeiçoa. j58. 

Experimentando falta de fidelidade na Dama qiie 
omavaà /T«m Manoel de Faria efte Sooeto .en- 
tre todos os de Luis de* Cam6es , pelo mais 
claro na phrafe , e mais efcuro no conceito/ 
Cerrem turba» ss agvas dcfit ria^ '122« 

Sobre o engano com que vivem os homées , e 
dão credito ás coufa éo irundo, pnra fe»per- 
derem por elfas, . . . -^ 

Creon 



414 liTDtCe 

tréoH n finftt^ezã Dtnnas Mias. YO#« 

Perfeições da belfeta amada. 
Crécei fhfijú mê0^ pou qut a 'denHirâl 8q. 

Anima*r« a «mir Inima rarar beHcaa , ^if a da 
fua Dama » «fperando » como de h«ma caulk 

ts6 nobre g o &ik tnait ditofo, 

D 

■ J. t 

D'4^«i? i^f/mr Ut , Senhora , A quera^vos. 59, 
Pede i fua Dama lhe dé buina lei , para 
lhe querer bem , fem que lhe dcfagrade* 
De amop ejcrevo y de amor trata , r "mvo, 76. 

Que fó nafceo para amar » aind» « petar de o€o 
fer anado. 
De Bréei fobre fis rios n9t fintwmtt* ' I43. 

Sobre o Pfalmo t }^. • 

Dthaix9 defla pedra efià metido. 56. 

Na morte de D. Fernaitdo de Caftro , filho Imf- 
tardo de D. Díngo de CaAro , Senhor do L«. 
nbofo , Santa Grur , Cinfães y e outras terras ; 
o qual morreo na índia com D. Álvaro de 
Sylveira. 
Debaixo defla pedra fipu!tada* 140. 

Na morte de D* Githii^na de Atalfde . a qeena 
o Poeta eftimava , a qual morreo de curte 
idade. 
Df ck donde /ohtMe o imaghar^^oõsi Sj- 

Com at leieb rançai da fua amada Aiavfaa o duro 
tormento da auiencia^ 
Defrefias belvederes rodíndas»- 116. 

A certas Damas aíMinde em huma ca(a de cnft* 

• De^hnm taõ fltliee enqeahp arodazido. l6$« 

Náo parece de Luis de Campeã cfte Saneio , na6 

fó 



DO f SO ÍTE^TO S. 4*ç 

• fó porque falia ttti ToK(»ata Tàfl%r , co>#s 

vecfoi oâoi clie|*ott a f«r itufifreíros 4 ftnão 

também pQi^tm chanta aoflTa a Bofcam , ^ue 

cfa fiífcaír^ho. * 

Deixa Apolh o tcurtr tm aprffMã. 'i49« 

Aos am«ret 49 Aftolla , • ÍDápIíne. 
D^ mil fttfffrof T3es fi me litmpt^fm. 85. 

A bumaft fuípetta» que teve d» Aja amada. 

^fms ih tamtos diar maè gsfta^sj . 52. 

Bfocura defen^aDar^fe cam. as fNnvf a«^9 da amor, 

. E^deSoDeto itnprimicDporfvilDíò^ Bernardes , 

et iie oas íuas JLhythtnae o . 77 em ntlmero. 

De ^iiauiití grafa» tínlU a ««eMiv zyt* 90. 

Re«(Mo da bfiJitea. amad». * 
Dopais çMc quin^mfjn que enfèp&ff^adt^ 27. 

Tormento amorofo , e ingratidão para «om o 
me*fcimem<r do Poeta. . ' 
Defpoís que vh Cyèele cwpn bumam. t20.* 

f abuíe de Atys , « €ybeUe , ip«plfcaAi a Dom 
Rodrigo Ptniteíro , qu« foi Bifpo do Focto , 
varaô det (uaimo engenho « e doutrina. 
Defpois, de búvtr chorado os meus tormefitús. f2Ç. 
Efte Soneto parece foi feito» pêra fervi r de PVoe^ 
mio aos Sonetos ( que alguns intkukrram ) 
tfsftes em matefta amoroCgn 
Dcfce do Ceo twnfenfa Dens bcnúío. 124, 

A* Incarnaçeó do Verbo Eterno. 
De tão divino accMto, emvfíz èmmaTur. 56. 

Efte Soneto he eoi refpofta- a iium , de Author 
inccrtjt», ( án Fiaria fer de. íúz6 Lopes. Lciw 
taõ ) que em louvor feu fe efcreve» , o qtial 
vai aa ç^Hiáfio do primeím teimo ,1 e pffnci- 
çi% : J^et^ bg efle , qué maArpá Laftana. 
D^ vos WC apar^ y ò vida y e em tut vmdètfíi. «6. 
EMn hjumtvdefiiedida. 

Dia. 



416 ÍNDICE 

'Dumn prateada % wfilarecida, I^O. 

f Apparec«ndo-»lhe de noite a An amada^ 
íDitnPit almãs ^ qtu smàas jímtammte. J^^, 

Ditfffn penna y como a f»ão que ãguta' II 8. 

A Manoel Barata , publicando a fua Arte de eí- 
crever « peli>s anoos de 1(7 a. Era morador 
em Litibor» mas natural de PaTftpilhofa : fui 
o priíneiro 'que na Europa «publieou traslados 
abertos em chapa. Em- poder de certo amigo 
vi neíle . praflèffte anno de 17S1 hum exem- 
plar deí^a '.Obra » em cufo principio fe achi 
eíle Sooeto , que lançariíi aqui da mefroa for- 
te que ai li vem ; para que o Leitor veja • e 
pondere quanto o noflfo. Poeta emendava « li« 
mava , e melhorava as próprias compoúçóes. 
< • 

Dhfifa pennn , ditofa #2« qne a gmã- 
• Cofft tantas perf et fõés da fuhtU arte -, 
r Sl[}e qmndo tom ratio venha a loavartt 
. fum tens huvores perco a pbantãfia. 
Mas' o aí»or que ejf eitos varhs cria $ 
Afe monda de ti cante em toda a parte , 
.- N^o em pieéfro helHgero de Marte ^ 
( -AUs ew /nave » e branda melodia. 

Teu nome Emânncl de hnm a outro Poh 
Ctfnendo Ji levanta , e te apregoa % 
Agora qfte ,ningaefn te levantava : 

/i porque immptal fejas » eis ApoBo 
Te fi^^rece de flores a coroa % 
Síjée jâ de. muitos amios te guardava* 
i , . • 

.. Ainda muito mais coníideravel differetiçm C coirn 

bem âbferitei em hum Exemplar do Livro do 

. mefmo Orta } íe achn entre a Ode que o F<ie- 

ta imprimio ' cm Goa « n<i Livro de Garcia 

d*Or. 



DOS SONETOS. 417 

, d'Orta , e 4 outra , que ao depois fe acbott 
em M. S. , e fahio wpf^ff:^ em Lisboa. 
Dltofo Jifja a/imlle que Jomente» Í2. 

AÍodra^fe arrependido de erros paíTados. 

Dsverjòs doei reparte o Ceo benho. 96* 

Divina companhia , que nos prados. TOf. 

Que tem confeguido a immortalidade pelos feus 

verfof , como tAmbem para a íua amada , ce« 

lebrada nellés, 

Diverfoí cajhs , varhs penjamentos. 169* 

'^ Pondera a incoftancía graode que ha nas coufat 

do Mundo , menos 00 íeu toroiento» 
Dizei » Senhora % da belhza idéa, l66* 

IXoce jfhnbo » fuave , e foberano* 169» 

A bum fonho. 
Doce contentamento jã paffado 148* 

Cbora overfe aufente . e o Iiaverem^fe-liid fruf* 
trado as fuás efperanças. 
Dcces e claras aguas do Mondego, 91; 

Aufenundo-fe o Poeta dos campos, do Rio llon« 
dego, 
Dos Ceês â teria defee a mor beUeza* 124» 

Ao NaTcimeoto de Chriílo. 
Do''es lembranças da pafjhda gloria* 34J 

Queixa-fe de que lhe venham á memoria con* 
tentamentos paflados , e o erquecimentoem 
que o tem podo a fua amada. 
Dos antigos illufíres y que deixaram^ 68. 

A D. Joaô Coutiuho » Cegundo Conde do Re- 
dondo » e Capitam de Araiila. Floreceo rei- 
nando D. Joaô o III. I e foi de agradável 
preíença , Cotteião entendido , de agudos *di« 
tos , grande ÇaWieiro de gineta , e extrema* 
do valor, foi filho de D. Vafco Coutinho, Qofi* 
de de Borba ^ » depois primeiro do Redoqdo^ 



HttArer tngàhtfi ie tnh èjo$ thjhs. '^ 137* 

SonhMid& oom « ftn «madaí. 



EL vafi rèlutientes y cryftaUtno. iCiJi 

Em Bahyknia Jhbre os rios , finmá^. I44. 

Sobre ^ Pfalmo i$6. 
£1» /7or vof arraucon àe então erefctên. 31. 

A' morte de D. Afttoiiiò de Noroniia , íilhò de 
D. Pi^ndrc^ dtf Ner0n>hs , fegiiridò Cetfde de 
LínUtir^yi e^ foMnM de D. Pedro de Mene- 
zes » Capitam Crènòfál de Geutir 9 (}Ue eti &•> 
• lho de D. António de Norbnha , primeffò Con^ 
de ^e Linhares. Era D. Ântònid Carvalheiro 
de grandes efpefançaf , niuito favorecedor do 
. mtó- P^eta » é a quem efte dMgfo moitos 
dos feus Poemas. Morreo eofn o fobredit^ feu 
. ,TiO^ D. Pedro de Menezes em 18 de Abril 
de ^í\ r pelefando valerofatItefVte tontre os 
Mouros de Tetuaõ. No índice da primeira 
ediçaó efcreiri que éílè esforçado , e enten- 
dido Mancebo morrera na^ idade de s^ anilos , 
mas foi eqaivoc)lça5 , porque ao depois achét , 
qUè 7ÍÓ rcrco morrto tia florente de 17. Cénf- 
ta chraniente dá' InrcHpçad' dá ftta fépultura • 
que fe lé Aa QápéWit Vi^óf do Moftesro de 
Sa6 Bento de Xabregas , dos Cónegos Stctt» 
\»ti de Sa<> Joa6 Evxngetifta , a qual , para 
que^imit fe dilate , e coriferve na poAétidade 
o atd«nte zelò ooni qilé efiii líluíhifSttia Fa- 
mília PI deftirtguHfertij^ Ho íèfVfço da pá- 
tria , deh^fii*ei a^ui ; ^Mt dí^lAte: ^ 
« 

- ra 



DOS S &I^ ÈfO S. 419 

ró filho do Jegnndo Conde de Lit/baref Dom * 
Frofécifio y e da Co^deffa D. Víotàhte , que ó^ 
Mouros matarão erii teirta em 1% de Abril 
de 1553 ^^^^^ í fendo èlh de defajitè. D, Joan- ' 
fia de Ndii^bfíha s fua IrmTía , que nunca cafin , 
e fez ejla Cape Ha â faa túfta\ quando a acU" 
'hotiy que foi no anho de 1622» trasladOH feas ' 
<iJJos da 6V de Ceuta ò efla Septíhura ; § naõ 
a dto aos inais Inhiós feus i porque dous del^ 
ics morrerão em Africa com El Rei D. SebafHsio , 
€ os outros dous nas partes dn Índia .• e dout - 
fttõ Religiofos da Ordàú de Santo Agofthiih. 

Em formfa Leibéa fe cmfla. 38. 

Fabula de Letliéa , t Oleno. Vide Ovíd. Me- 

tamorph. lib. 10. tèrf. jo: 

Em hnma lapa toda tenebrofa. I52, 

Em prisões baixas fui búàt tempo atado» 27. 

Namorando-fe de buma efcrava. .... 

Em quanto qufzfohunú qúeiiveffe. 2j;. 

Propt>í]Ça6 dé todas ^s Rhj^thmas do Pdjqta. 
Èih ^ffàkio ' f^hebo os inõnhi àccendia. ^ 17I. 

Sobre a fábula de Vénus , Matte , e Viiltano ^ 
bem fabida. . • 

En hffã flfba >/ íTiJpuhra^ iel àia. "' \ Í07: 

QiiéÍ5íàa(V Êíidimiàxl , ivá^nté tía liíá , fjfiffque^o 
Sol fahíndo , fõí cauílL de que ella fbé ^çllàp* 
' pafiscéffé.' • ./ •' 

ÈrHi^í fUeàfi^Wá fortftnà y àmíTr ardente .' ' 121. 

Reconhecimento de culpas paffadas. * 

Eiforfo grande , i^áal at> pèfifai^éntt). ' ', Ç^. 

Na morte de D. Hçnríque de iffètíe^â .'fei^mo 

• Governador ÍH fndiá . íiídó tikturij A^''p^ 

Fernando de . Mefetíztí , ' à íjde diSíiijíftfti o 

"Roxo. ■ ^. •• ■ •■ ' ' .- '^^ : 

Dd ii Bf^ 



AZ9,^ INBIC^E 

Ejpmtú erefctr tanto o crocodilo* 119, 

A peíToa condecorada com dignidade Epifcopal. 

Efícs caheílos lottrot , e efcolbtdos. 77. 

EJlà o ' Jajciva e doce fayarinho, 40. 

Compara-fe a hum paflarinho ». a quem infpera* 
damente mata o caçador. 

EJla^je a Primavera trasladando. 59. 

Defcripção de bii tua rara formofura. 

Efie amar qtte vos tenho fimpo , e puro» 160. 

Efte terreftre caos com feuS vapores, 88. 

Eu, cantarei de amor taõ docemente • 26. 

Ett cantei jâ , e agora vou chorando, 108. 

Eu fffe aparto de vos , Nympbas do Tejo. 104. 

Defpedida das Damas Lisbonenrei^ embarcando 
paf^ a Índia. , 

Eu vivia de lagrimas ifento* 164. 



F Brido fem -ter cnrá parecia. 59. 

^ .C<MTiparA-^<6 fétido da formofura amada coro 
Telepho ferido da inimiga lança de Achil- 
Jesv . 
*fíòfi'fe o coração de muito ifento, \yu 

. Piz Faria que Ibe parece feito a haver-fe ni- 
fQQcado de alguma parenta mui chegada* 
.JW .;« n^hnm tempo doce coufa amai'. 67. 

* A* fua própria fortuna ^ pelo ter coRumado a 
^ na6 fentir defgraças , por muito iiabitnade 
nellas. 
f?érmoJhs olhos y que cuidado dais* 154. 

A bum olhos* 
' fturmpfos olhos y que ma idade nojfa. 44. 

'Aos olhos da (ua amada. 
Sormoja Béatrh 1 tcmks taes geitos* 128. 



DOS í O N B fO S. 4*1 

' Celebra os olhos de Bieatriz. 
FormoCnra âo Ceo a nós, dfciefa. 5$. 

Que a forniofura da fUa amada fobrepuja a to* 
do o encarecimento, . - 

Fcrttma em tnt guardando o Jeu JíTeitQ, '/ ' 159, 
Queixa-fe da fua fortuna. ' 

GEntll Senhora ,y5 à feritma miga, 96. 

Acbando-fe aufente da fua amada. 
Grlío temp'6 ha^ j/í ijrtejhube 'da ventara. ' 48^ 

Queixa-fe do amor , % da fortuna. 
Cuard.indo em ífii a forte o. fiu direito 4 iio^ 

Sentíhd^ a mocte de Dkiatnthe « lamentada tio 
Soneto 170. ^ 

• • > 

H 

HB 'tTg&tádo hem em agua efcrttc. 90» 

Que' fó ' nb defejo confífle o' verdadeiro 
• beiÁ 4kt' formofura amada. 
Horas breves de meu contentamento, Iif. 

Qucíxa-fé do amor , e da foi^tiind. Nas Flore» 
áo Lima meteo o ufurpador Bernardes eíls 
Soneto j e he o 7$ , aíndaque differente ep 
parçe.^ 
Hum firme ecrã caa^po fio em -ventura. 8f. 

Queixa-fe da crueldade da fua amada. Tambetn 
efte Soneto fe acha nas Rhythmas de Bernar- 
des , e he o 20 : tem lá fua difFerença , por- 
que Bernardes ( o mefmo que Ihè fuccedço 
com outros ) o tirou de manufcríptos vi- 
ciados. * 
Hum mover de olhos brando^ e fiedofi. 41. 

Def. 



44» l N I? hC E - 

Defcreve , c pínu j^uiraa forEnofura por hi;iq[} no- 
vo eftylo , e por bqma nova idéa* 
.fJuma adfíi^ravel berva Ji cpnbece, , 89. 

Diz que , para coin ^ Cua aunada,, b^ cotpo cer- 
ta herva » quç^ ha^ pa ^(^à ( oâo |kç o belio- 
tropio 4 ou Clici^, ■} Quç ^ ;^íl| do Sol fe 
alegra , e o fègue , • auíeote eile jfe entrif- 
tece , • defníaia. v ^ 

...... I .• . 

Defcreve bMma iea4fi{gí^da, 

Q^X»rCe «{et II9Í. ijcj^av. 9na9r «a Çvt^ iVam^ 
Jí canui ^ jí chorei a dura guerf^, . . II4. 

Pede licença ás Mufas para dizer os males que 
caufa o amor. | 
Jí ão Mondego as cguas apparecem. 80. 

Aufentari^dífe o Po^te d» ^^^a . per^ t^>Hn- 
lire« SSe- Spneio timjjciii., fcft. itfHcjpadQ ppr 
Diogo ]Berna(4<)s ^ « be q ^% vm MA^ ^^y- 
^ thmas. ^ ;, . 

Ji ie timpf^% ji^ ijtít mw^a e0nfiáHfn^' , 49^ 

A bmna tCp^raAçe • viía « e ioutil./. > . 
yá me fwtdet em. V4§s, çç^tentãmet^oi. 151. 

Reconhece o feu erro » e dá por^i^i)ido o 
leippo qitei «niptegoti om^ amares* 
Jé naõ fifaoy SnAot^t-é^s defingams.' 162. 

Gojrn()iidece«re da «erta Bama:, naá obfiniite dar* 
f« por offeindi(to di^iia. 
jfk mõ f€9te o amor com arco fortr, 174. 

fíliêfffe t à Jk^ trnno dos Menezes. * 28- 

A htm) Cavalheiro dalUoftre família dos Mene* 
^es j õfi occafiaô que partia di» Goa com bu* 

ma 



D o .9. S O N E TO S. ^%i 

^' ma Afinada, para o Edreito «^a.^tabhi » ^ou 
\j{^ boca dfí Mar RoxQ, 

íllufin Grafia rf njomlr^ de una mo fã. . 15J. 

. A c«rta mci^a chamad? Grtfía. \ 

fmagèts yãai, wr imprime a pbãntafiii. ' ., 140, 
Sobre dKcoirer , e rjeíeíver nas m^^^ri^l , ap- 
^ prpy^oda a rdoljução.^ a confiáivcia , a li- 
berdade para huma , e outra ^oufai. -..-> 
Ivdo o trifle Paftor toda embebido, >6l- 

Qm5ija-íe,4« buma Jí jnop^ , f orqut* íQ iw6 at- 
tendia. i 

Jní^a-me a gente toda por perdido. lOO. 

Que tratando outros | de outros empregos , e . 
de outros interefle^ » elle íó trata de contem- 
. piar na /ua -araada^ *^ ' 



T As pefhf retttmhavan ai ffemidú, 107.^ 

,L/ Queixas de fe naô ver correfpondido. ^Fsis^ 
Flores do Lima imprimio Bernardes e(Í^ Sone- 
to por feu. 
Leda fer^nidífd^ d^Ieitofa, >64e 

: -Defcreve huma formofura por Dovo eítylo. 
IfêfnbrànfUf fiiiidofas\ fe cuidais- f^l- 

SoftTimç^tOy v/Bodo^fe deA:ahido da graça 4a ^ua 
Dama. • . t 

f^emh^anças que lembrais o bem pajfndo, li:?. 

Queixa-fe de que a Uivémoria lhe faça reprefen- 
taçóes do bem perdido , por ferem eííis du- 
ro tormen^to , qua»do ô mefino be?» fe^ n46 
pód€ fKcui^rar* 
jÍÁt»hra^jia4 de me^ bem > doees hwhfin^^ 1 54 

Efperanças perdid4». 
ffévantai minhas ^T^i^s a fr^y^g, js^. 

Ao 



4U í N P TC E 

Ao Senhor D. Theodofio , que ferido filRo dd 
Buque de BTagança D. Jaime , ticto do Du- 
que D. Fernando, bifneto de D. Afonfo , 
fiJIio d*£]Rei D. joaô o 1, e primeiro Du- 
que de Bragança , herdou eíle Real Eflado , 
Reinando D, Joa/S o III , e foi o primeiro 
do nome» quinto do titulo^ e terceiro Do- 
que de Guimarães. 

Liffifo e fubtil trançado , r/ne ficafle. 46. 

í Trahç^idor qtie recebeo da fua Dama por prenda. 

Los ojos que cen blindo movimiento. ijl. 

MAl (ftte de tempo em tempo vh crefeendú. 141. 
Defengana-fe , e procura aborrecer os bens 
caducos. • 

Males que contra vihn vos covjurafles, jS» 

Aos tormentos procedidos da caàfa do feu amor, 
JMí gaflo y tu beldad fe deJpofiyóH. 134» 

'iW/ vezes determino nac vos vér, 86. 

Mil vezes entre fuenos tu figura, ■ Ijj, 

Sonhando que a fua amada o favorecia. 
Moradoras gentis y e delicadas, . 7^ 

Mudam fe os tempos ^ mudam -fe as vontades. y^* 
Sobre a ínftabilidade de tudo o de que fe com- 
p6e efle miferave) Mundo. 

N 

NA defefpera^dô j& repottptva, 9c, 

Que , pof!oque dcfefperado dé confeguír 
favores » com tudo fe confota^a com alguns 
bens^ miniftrados pela phantafia. 
N*bum jardim adwnãdo de ver durai ^x* 

A 



D o S S O N ETO S. À2$ . 

A certa Dama , cliatnada Violante. 
N*hum bofque , qt4e das tfympbns fe bíihitapa» gç. 
N*imnt tai alto lugar àe tanto preço. 172. 

Naiades , vòs que os rios habitais. 52. 

Nà margem de bum ribeiro , (jue fendia, 9S. 

Na ftietade do Ceo fubido ardia» 60. 

Blifcando a fi^a amada a horas de fcfla. 
Nao ha louvor que arribe i menor parte. 85-i 

Que naó ha louvor digno da heílera amada. 

Nàõ paffes , caminhante. Quem me r bania / -4?. 

Não confia ao certo a quem foflTc efcfiptn.efte 

Soneto : fuppôe>fe que a D. Joáo de Caílro. 

Naõ vás ao monte , Ni/i , com ten gado^ 84. 

Nâ ribeira do Euphrates ajjentado, 166. 

Aliude ao Pfaimo \\ò. 
Nas Cidades , nos hofques , nas floreflos. 1 50. 

A Nofla Senhora dof Martyret. 
Nem o tremendo eflrepito da guerra. i:?0, 

^ue nenhum horror de confliâos marcíaes t^ 
lhe , defde que vio os olho* da fiia afnada ; 
e que na6 ha inimigo de quem naô faiba de- 
fender-fe , á excepção do amor. 
Nohaflàva que amor puro y y ardiente» " Ijjl! 
No Mundo poucos annos , e canpfdos. 7^. 

Prefume-fe fer efcripto na morte de Rní Dias , 
foldado nobre de Aiemquer , a quem Afonfo 
de Albuquerque fez padecer no* mar péha de 
morte, pòr acháío com huma efcrava Aia. 
No Mundo quiz o tempo que fe achaffe, 6q» 

Sobre a lua adverfa fortuna. £ntenáe-fe que foi 
èfcrlptp t\T índia. - 

No regaço da mas amor e flava. 88. 

A huma pintura em qiie eftava Vénus , e Co* 
pido dormindo em feus braços. 
N&g brafos de bum Sylvano adormecendo, •-127. 

No 



436 í N D f Ç E 

1^6 tempo qttff dâ amor viver fohiéf, 28. 

- Diz que no tempo em que coftumava viver de 
amor , nem fempre ^od^va captiva ; loas ora 
prefo , ora livre. 
Novos cafis . de amor , novos ongnnos. 7c, 

Quéixa-fe dos engano» do amor. O c^tebr« Ber- 
nardes taQ>beni fe aproveitou deíle Sot^o » 
e o imprimio por feu. 
Nunca êm. amor .rlafi?mH o fl^pevjmef^to. ' 91, 

Que nunca no aHiU)r foi pociv0 o ^tre^imear 
to* Quer que nos amantes fe verifique . « ^a- 
daç4$ foitma ju^aí de Yir^iiio. 

O 

OCe^} ^ fí terr^\ a venio foe4fad»^ Hf, 
Chora a m^U^a^Tua Nytvkpim , %K9 f^af- 
' fogára 9 e p«de, ao jnar lha reftitua. 

O C^fi^ qtiande^ Jent^ Jeit pbi^^40A 46. 

C0^paraf>re ao eyCné, e dix qu« vkVt^ WíiUn- 
dp oa dcrfavpret da fu^ warfa,' 

O' í/<7r<fx tf^otfj <^^ ifiattih rio. - . Í33« 

Falia com o amor. 
O €uUo divinal fy cfhhrava* 6^. 

Signah Luís. de Camóie$ o tempo « e lugat cm 
: que teve principio a fua incUnaqatf anaiarofa , 
que FaiM quer que ioiTli Qa -^^^ja 4a Cha« 
^as de tití^oa. 
O ./Ç/^ <fr íatpn<*\ cfilarectdo. 9^. 

Contrapòe aos feus « os amores de^Ap^Uo, e 
Daphne. 
O fo0i quê ma- hrandá ce^fn ardi^ . 44. 

Cahindo de ii^um candieiío buma veU «ctefa, 
o queimj^i^o ao rofto a D. Quiflai^r df 6i«e> 

f et , 



D o S S o N E-TO S. 4f| 

fet. Dama da Rainha D. Catl^arin^ , i»ulh«r 
d'£lRei D. JoaÔ o III. 
Oh Atma unicamenu Jo tri^mpbatíte* l^6é 

A* Santa Cruz, 
Oh como fi me ahnga de afino em /7««^, 49. 

Que havendo feguido efperanças de ;ia'/or ., e 
Fortuna , fe acha já na ultima idadi» p^u as 
. feguir : e fe ainda ímpellido d^e alsuma , cofr 
re a poz algum bem , defiraú no carpinho « 
e o perde de vífta. 
Oh qmmto nulbor be o fnptemo dia-, ^2. 

Ob qtfffi caro w/f ^iufia o ei^Uv/ierff, . ^ 7v 

A huns zelos , a que lhe deor^c^fiaõ a fua 
amada. 
Çb rigor Jí/h atifencia defejnda. ' ?j?^- 

Opprimido d^ a^v^ríldgdes na partri^ , defejia paf- 
far á índia. 
Olbos aonde o Çy« com lusí funhptérA' . » . ipi. 
; 408 ol^ c^t Tiia amada : li^ o ^çn^Tipo a»gu* 

mento , que o do Soneto \%, 
Olbos formofos ^ em quem quiz natura, 175, 

A huns olhos. 

Onáados fios de ottro refrtzente, 67. 

A'$ reprefentaçõe* que a memoria lhe i|>ipi^|- 

Vi rfa formofura amada ,. em buma- auíenciã.;, 

Ondados fios de ouro ^ ovde.calafjodtí, , » 129. 

•'Dama com appeilido de Paz4 
'€)ndt pçrei meus. olhos , q*it vo*> vejifi ^Í?í>» 

ConÃdjerft-fe Cem alguma eípArao^a de .leiív^dio , 
em pertenções amorofas. 
Oitde aeh/frei In^ar tdó acartado. IlfT» 

Proffunda triAeza* 
Onde mereci eu tal petifnmevto, 12^. 

I^loftisi c^ea Formòfa caufa dos f^us. Ijormis^los 
Iho^ Unsi^ gloripfos. 

' O 



4«8 t ND ICE 

O rain eryffaffi$íf> fi efíetidia. ' 74, 

Apartamento de Niie. 
(kmu Jhhlime effurfn ao ^ran^t Atlante. 119, 

A D, JoaÔ de Callro, Governador ^ e Vlfo-Rcí 
da índia. 
Orphcõ eriftiforfldo qtie tanin, -■• io3. 

Fábula de Orpíieo , e Euryvíice. 
O í meus /ilegr^s ^ vet?t:irfifr)s àlffs. 114, 

» Com grande trifteia reconhece erros paíTados. 
Os Rehnt , e os Impérios padernjns. ^j^. 

• Ao Senhor D. Theoiofio , filho do Dttqoe de 
Brapinça O. Jafme , a quem he também o 
Soneto «27. 
Os ve/Hrfos Elifa revnhM. 73. 

Ao focceíTo de Dido , e Enéas , conforme o 
refere Virí:flio no Livro 4. da Eneida. 
Os hJhn$ onde o cafio nmor ardia. llS 

Formofura tiiorta de curta idade. 
O ieinpo acaba , # ama > o mez , e a bar a* 173. 



PAra ff tfrr^nnrar do qve ereou 125. 

A* piififlíima Conceição da fempre Virgem 
Maria Senhora noíTa. 
Pafío por vieits trabalhos tan ifenm 71. 

Que padecendo muito pela fua amada , defeja 
ainda maior tormento, pela maior gloria qut 
dahi lhe refulta. 
Pe^r r defèjo , D.'tfH't , rf*ie vos veia. 40. 

Vendo-fe aflTaltado de hum defejo lafcivo. 
Penfimentos qnQ agrara fwvimentú, 71. 

Que no meio descontinuadas tri (leras , pcíi 
morte da fua amada, o aíTiltavam peafaroen- 
' tof 



DOS SONETO^. 419 

tos de novos amoras , repf«feúUDdo*lhe al« 
giim futuro contentamento. 
Pois tuetis olhos vdh catfjnttt de ciforar, 58. ' 

Quer que confte ao Mundo o leu tormento 
afDorolo. 
Poú tornn P9r Jeu Rei ♦ e juntamente, 1 2(1. 

Ao clariíTimo D.; Luís ds Ataíde, voltando fe-* 
gunda vez a governar a índia , que foi no 
. iim do anno de 1577. Efte Soneto « que o 
infoiente Bernardes imprimio por feu » e he 
nas fuás Riiythmas o ii( ^ foi das ultimas 
coufas que efcreveo Luís de CamÓes » pois 
morreo logo no anno de i$79. 
Per cima deflas agnns forte , e firme* 94. 

Em huma defpedida , que íe iulga foi quando 
partio de Lisboa para a índia. 
Por gloria tuve im úempo cl fer perdido. 106. 

£fte Soneto , em quanto ao argumento » eílá 
claro: lie feito com o artifício de principiar 
cada hum dos verGos repetindo a pahvra u!« 
. tima do antecedente , de que fe acham exem* 
pios s aífim como nas Rhythmas de Vafco 
Maufinho d® Quevedo. 

Pa/iora mia gloria de la vida ; 
Vida , que vida y u/uerte dás por fuerte ; "^ 
Suerte mejor que vida ^ y peor que muerU i 
Mtierte , &c. 
F4ir os raros extremos qne moflrou. 47» 

. Elogiando igualmente a quatro Damas. 
Vorqtie quereis , Senh(>ra , que /ofilereça, 4I. 

vF aliando com a fua amada lhe diz , que fe o 
defpreza por elle merecer pouco , que bem 
fora cftá' de que venha ao Mundo quem dl* 
Snamtnte a mereça. 
forque a umanhês fems fe oferece. . 12c. 

A' 



4)« I N t> i t É 

A' faCrátlffitliMi Mxaó èt Clnifto , Sétihof hoffb. 

Porque a terra no Céo ii^âfaWafi. ' 145- 

Ao Nafcimento de CliHfto , Senhor nòíTo. 
Pú^íffíê Hie firz 'anror háú acÀ torta. 17 f. 

Em Idioma Galtego. 
¥6r Jhfi Nympha Cepha/o íierxitvâ. il6. 

Cohtém eíle Sorteto a fóblila de Cephalo , Pro- 
cris I e a Aurora. 
Prtfilfça hi/a » Angélica fgnra* 94, 

Eíle Soheto he todo continuado , e fó no fim 
fecha , e tem ékiufula* Tem Camões alguns 
deftes 4 híBít) coirio o }$ , qúe [)rincipia : 
Hum movtr tk 6lhos brando 4 e pietlojò. 
Poflo me tem fortunn úm tal eftah. 174. 

Pues fitmpre fin cejfnt uih ojos trifles. 155. 

Em hum manufcHpio foi achado efte Soneto 
com efte titulo : De Luis de CoUões a buntà 
Dama , ^ae lhe ertvioà httmâ lagrlhlã entre dous 
pratos. ' 

Pues iagrimás tratais nits ojós trffies, 175. 

' EAe Soneto he o mefifío que tai na pag. 1 $ $ , 
éuni o qual fe pôde cotejar : advertindo , que 
com a diferença qué ahí fe tefá fe acharam 
em dous diíFerentes Manafcriptos. 



QUal tem ê horhohta pot toftaine» 1^3^. 
Compatti-fe li borboleta, búfcÉndt) a luz 

dos ollios da fua Dama. ' 

^tihtdo da beHa vifta , e dote rifi» . 33» 

Perfeições dt beHtza aftiaáàv 

liando 9 S9Í énctéerro ^>»i nêtflf^d&J 42. 

Penfamentos, e phantafifts Viílai AH «tfifetUciada 
f«a aoiida. . 



D o S^S o IV è TO S. 4)» 

S^nnJo vejo ^ í/e meu deftifio ^rdiHhl 52. 

Em hum^ ^lèr^ecfida , cjiie bé a tnefma qut fer- 

VÍ6 de argumento aò Soneto 47 , que pMtict» 

pia : Se fomente B^^ra alguma éfin vds piedade* 

Quando dé ntinbas núgovs a cbwprufa. 61. 

Sonhando com à firà amada , que era fa!leci<tt3 

fJuando fe vir com ^pta o fogo arder, tp. 

Exa^gera o Poeta a Aia fé , ^ a fua conftancia 

etH aiirar a cei-ta Daftia; 

Qnnndo a Jhprema dnr muito hii aperta. 98» 

Efcripto em aufencia. 
j^ando os olhos emprego no paffado, líp 

Dei engano , coiti efperahças perdidas. 
jOfi/fijdo cuido vo tempo que cmitetite, 16?. 

Lenfibratndo-fe das perfeições da fua amada , te- 
me o morrer efquecido dtíllai , peU grande 
diílancía em que fé âclta. 
S^iando , Senhotn , quit amor tjué àmaffc, 164. 

OfFcrece-fe a padéter o maior totoénto pela 
fua amada. 
Qn/iiitt tielnpo ha que Ihro tm dia trrflí* 138. 

Apartando fé da fua amada. 

j^rtíifttàs penai amor , quantos úuidadfi$. I7J. 

Qoé bafla hum fó oíhat behisfrio da fua ai^ada^ 

pata ihe compenía^ rhuitái hurás dè tormento. 

Qhfmf as vezes do fufh fe efquectà, 4/Ç. 

A huma Dama fiando , 4"e P^"" "lUJto cuidado* 

fli de féus amores , deixava cahir o fufo He 

pepfamento de Ovid., Lib. 4. Mêtailiorph. verf» 

...-..--i Pavet iUa , f^etttqae 
Et eolfíf , ^ ffifttf diffitis ccctdére remiffts. 
E também de Chriftovaó Falcsío ^ que diz no feti 
Crltfàl : 

Em Bkhtâ faca fiando : 

Po. 



4)^ JNDICB 

Porém cabia lie o fnfo 
Dos dedos dg quando tm faanda, 
j^antt^ tevípo , olhos n^us , com tal lamento 112. 
No pranto amorofo , procedido da crueldade da 
íua amadji , le confola com as efpcranças. 
Qnnnta incerta efperança y quanto tngano 14 1. 

Que fe na$^ deve fazer confiança alguma nas 
coulas do Mpndo , mas f/iSiriente no Author 
delle , amando- o ; pois lu elle naó coíluina 
faltar com o premio , a quem nelic põe fuás 
eíperaniças. 
Qtíç vcNffiis no Oriente tantos Reis. 57. 

A D. Luís df Ataíde > Vífo-Rei da ladla. 
J^ítf levas cruel hjorte ? Hat» claro dia. 66* 

A*a niorte da Infanta D.. Maria » filha ultima do 
Senlior Rei D. Manoel , e de fua terceira mu- 
lher D. Leonor , irmáa do Imperador Carlos 
V. Nafceo poílhuiTia no anno de i$ai ^ e 
faileceo no de 1578 : no de 1579 f^> ^ ^^1- 
lecimento de Luís de Camões. : donde efie 
Soneto feria talvez , ou ò ultimo » ou dos 
últimos que elle efcreveo. Alguns cafamentos 
fe trataram para eíla Infanta » dos quaes ne- 
nhum cnegou a effcituar^fe. Era de extrema- 
da formoíura . e muito efludiofa. A fua cafa 
era huma Univerfidade de mulheres eiuditas, 
' .entre as quaes floreceo a famofa Toledana 
Luiza Sigea . cujo nome terá fempre reípei- 
tado com aflbmbro. 
í^tíe poderei do mundo j^ querer. 71, 

Sobre muitas outras .defgtaça^ lamenta a morte 
^. da fua amada. 
J^te doudo pen lamento be o que figa. ^i. 

' Entre os Sonetos de Bernardes he efte o 79. 
Porem Manoel de Faria ^ que conhecia de ef* 

ty. 



DO S S Q N BTO S. ; ,45> 
tylof exce)Ieptein«nl««'affirma^ naÒ. ter o nwf- 
ino Bernardei cabedal , n^o (6 parg o fazer ^ 
mas nem ainda p^ra o entender. 
J^ff modo tàò fuhtil da fí^tureza^ 97. 

A certa Çenlio/a de pouca idade , 6 e.xtreinada 
gentileza 9 que fe veteo Religiofa .Francif- . 
cana. 
J^e ejperais tfperanfãt Ikfifpero. 102; 

Que na$ defiíle de ampr « poftoque ti^nba per* 
didas as efperanças. 
^e mg fffturetíiy perpétuos faudades. J^$. 

^e eflriía a /Irvore fanta ? Hum Iscor fmito. i^é. 
A Chrifto Crucificado» H« efte hiioi Soneto 
D«a!9gi(líco , affipi como são os $7 9 $9 « 61 , 
^.f » 1.54 t 193 « aOQ ; mas niai.$ copfprme ao 
^5 f « ao 1$4 9 porque em cada verfo fia hu* 
ma pergunta, e lefpofta. 
jgf/í pó//<? Ji /ir«^r mkba ventara, 165. 

Que por multo coflumado na6 fente , nem fçn- 
jtlrá para o futuro o tbirmento qúe ò penaliza. 
^ jQftfMi vê ,. Se^kêra , dato , e 'manifefh, ' 55. 

Clara , e docemente explica á íba' Dama def«« 
jos amorofos. 
JStíem jaz no grão feptilkbro que defcreve. 54; 

Epiuphio para a fepultura do Senhor Rei Dom 
João IlL , que faJleceo no anno de IÇJ7 , 
tetiipo em que o Foeta andava na índia, 
• Quem pode Ihre fer , gentil Senhora. çi;^ 

, . Que não he fácil ver a belJexa amada , fcm fi- 
car c^iptivo, 
J^em foffe acompanhando juntamente, . - 62. 

Profunda trifteza. , * 

'.iSluettt pód^ri julgar de vós ^ Çenhera^,:., r 77. 
Padecendo grandes dúvidas na MteÍII»ac{a da 
, vontadç da.fua aibda. " 



4u tsrútcÈ 

jjjw^', S&éhõTfa , frffiimt' ée fo»vitNvdr. 78. 

Qu6 iiâO <lia idUvofes liígtms da b«Meza ama* 
da. 
^rffii ife (lue amar be fnlfo^ ou engnnnfi. 117. 
Quer Parta .qtie Luif ide Cam6es bile n^Re So- 
neto do amor cafto ^ e paro. 
jgffffw quizer ver de amor buma excelleneia. 131. 
Que nenhuma adverfí^adis da fortuna » nem 
aftvda a tneilltia morte , o poderá íeparar da 
fua amada. 
Quem vos levQu ie mim y faUáàfo eflath. 168. 

Lémbraildo*fe de algum breve 9 e goRofo def- 
canfo da vida paífada. 
Quem frefumir « Senhora , de iouvar-vès. vj6* 

Qi|e ná6 ha louvor digno da fua '«ornada. 

R 

Ehucívo en ta iueêféJfk fmtafia, 106. 

Quem eftíioji em. inaii o captiveiro de amor, 
que o eftado livre^ 



R 



SE a fortuna inffufeta , e mal olhada. 155, 

Parece qoe he Mio em fefpoífta a afguna , 
em que b Joovivam. 
Se ãlgum^horn efà vijfn ^kis fiiave. 105. 

Se ar penas com que amor tao mal me trata* $4* 
Perfuade a fua Dama a que ^ pondo de ptrte 
rigores , fe aproveite da fua florida fdade ; e 
lhe adverte, ^ue perdida efta , fç naõ pôde 
'recuperar. 
& €(it» defprezos 9 Nymphã 9 U "pà^ect. 87. 

Cpof- 



Cèftffláncia do ToeU , a pciar doi twtnfntoi 
/ 4ú« Hn» di 9i'^u amada. 

Se como em tudo o piais fçfteí perfeita. 102. 

Da. cracldade da forinoCura amada « e refignaçaó 

do amante. 

Se da célebre Laara a fermofufa. ' 76. 

Se defpois de efp&âtífa táõ perdida* 74. 

Efcripto na Ihdía , qttandò fe achava oppnnasd» 

dos maiores trabalhos. 

$e de voffo formofa e tindò gefio» 172. 

O Leitor 'qàc tiver feito fuás obfervaçóes no 

cftylo do Poeta , poderá julgar defte Soneto , 

que he dos accrtifcentadoí na EdiçaÓ de Jo« 

- rèph Lop^ Ferreira. ' 

'Se em mm ^ í »/»á , i>he rfUtli hfnhrànfâ,' iÇ2, 

Se grande gloria me vem fò de olhar -te^ Kjo. 

Segnia aquelle fogo que o guiava, II7# 

Fabula de Leandro , e Ero. ' ' 

Se Ittgrifms thbrndm de verdade, 151. 

Os primeicof quatro verfos defte Sonetb são ot 
quatro ultímoli da Eftancia 10 na Edoga qum* 
"- ta,* ém quanto tio conceito. 
Se me vem tanta gloria fò de otha-rtt. 59, 

Que he maior a pena de na6 ver a fua amada » 
que o goflio \ e gloria de v^-la 
• Sempre a razaõ vencida foi de amor. 99. 

Qtíe .f)e ds ínSris -moném dé^ à)iiBr , tíKe morre 
" l^òr hum effeiro d^a ra2a5. ; . 
Sempre y crjiéP ^ehtíòrn y' rereei. ' * 158. 

BRe SòntetV) , 'q6e'davidambr ftp}a de luis de 
' ^ éaiíheiís- \ :hfc -aW açcl-èfcèi^t^dbs ' por, Jofeph 
liO-pés^íVfrtriVa;' ' *. ' ■ = . . \ 
Se^ma Oiifitfay fe. \!tFW v%s âtipWte: ~ > 87. 
^■'ire*'^Wifucí?ò tfa ifotreít) b'<fc'(Jirc!!aWi. 
FaiMfs fã^if^M Stmn\ pêráritl ' * '-— - 168. 
E«Ji Tam- 



4,5 . 0^/T^D:/<: S 

^ , T^çn^eç) ^ftf Sopeto^hjí. .dqs ^crerceotadjMi pe- 
lo Lopes Ferreira ^ e pa^ parece no èftylo 
fer do B«(Fo Poeta. > 

SfjtAor J%fll Mti^H y O ««» haixo tfiado. 92. 

A Joaô Lopes Leitaó » homem^ bem ídftróido » 
e agudo f e- de quem he^ aquelle Soneto , que 
principia v Quem be efte ^ que na arpa Lufita^ 
. «/i. 9; a «iyem x> Poeta jrefpondeo com o 6a. 
Que.foírem muito amigos fe colhe de que o 
Poeta lhe &)la em matérias amoroías ^ e na 
pratica qi^ijtinha fom a Aia Dama. 
St no ffue tevbo dito vos offendo. Iff7. 

, Senti fjdo-ft i^ic^nfo^a a belli e/poja. 117. 

He huma continuação do âopeto iS) f quecon- 
r . tem a (abula de Cephalo, Procris « e a Au- 
rora, 
.t S^ pena por amar-vos fe merece* 66u' 

Se quando vos perdi , nttnba ejperanfã». 37* 

• Havendo perdido as efperanças » fe achava de 
. , novo alTaltado delias. 
S^ yowâo/tf bora alguma em vós piedade^ 48* 

Derpedíndo fe , da fua amada, o Poeta « 4>ara fe 
aufentar. 
^ S< í^ttf .?<?»<?, f^^bo merecida, 41. 

OíÍíerece«fe a padecer pela fua amada* 
Sete annos de Pn^or Jacob fervia. 39. 

Ao^fucceÁQ dos amores de Jacob com Rachel. 
Por feremi boje hum poueo raras ^$ Horas Sab^ 
'^ j fecivas do Erudito Ale^jxo Collotes de Jaotâl- 
^.^ \. kt » fígnalado entre os que no feu tempo fe 
fouberao explicar melhor .nò Idioma Latino, 
(impreflas em Lisboa na Officina de Jea6 da 
.^ Coda , anno de ilíyç) e em obfequio aos 
amantes^ das Tradqcçôes Literaes .. deixar^ aiqul 
às dúâs^ quei Ml«, verfo p#r vèrfo« fead^f- 

■ -< u 



t% Soneto de* Luis de Czxúõts.' Dít aflim a 

^ 'primeira em verfos Senarwf* ' ' 

*it)é/èrviehat amos per feptent Jàcbb 
Pafíor , Laijtwo beila RncMh -paftí ; 
Nàn patri fervielat tamm , ist filid , 
Solam petehat quatn labarií préfnittm^ 
In 'Jpem diei agdrat unias dies > 
Duki contentas afpeâiu illius -frtéi. '' 

*Sed upis arte failaà vafer parens ^ 
Ipji Úacbelis m loctttn dahat fiaW' - 

''Ajbiciens trtftis* Bafior\ cum dotojuam 
Siíi pueVam denegatam ^ non fieus 
Ac fi neqnaquam ptomeritus tVam for et ; 
Alios per annos feptem Jirvire occipit , 

'Tjbcens j diurittS, tpfe fervirèm i nifi 
Blfetitam làfígum ad atuerini , vita tamlrevii* 

Sefitík annos Paflor curahat ovUe^Labaní 

'Cujus erat Rachel fiRa pulóhr^y ^atob. 
Non famulabatur patri tamem^^Vèyfed^ilUi 

j^am fihi pofcebat premia fila darh 
Cernere dile&tAé bèntentus y fpéfu»^ diei' '■ 

'Thícebat plácidos unitís tp/idies»: 
At pro forrtíèfa ^ttíir Racbele\^firêrém^ 

^uMebaitacitll talMns ar$0 Uam. 
Moefttts ut advertit paflor » fiffi ^fraude súgata- 

'Tênquam non nterito , Virginis ora Jua* ^ 
Dtfhrviré iÚri^Hí^feptenis- int$pip\imíii^ > ■ s ^ 

Taliaque ex imo peâore verba refert : 
Servirem longo mage tempore tam breve vita 

Si' non pro' tanto umptu amore foret. 

Sé 



4)* i<^ffn'tC>B 

S$ tom fiéfhp^Hh f^ pwniuncia. 72* 

Parece que íe (^fívíou a amad^ « por alguns ^ de^ 
feitos que defcobrio no amante. 
Si et fuego que' me enciende confumidg» '^Sl* 

Encarecimento «ia fua firmeza. 
Sobre os Rios do Rfinq efçuro ^ quando* I44. 

Sobre o Pfaloio 13^. 
Sojpecbas que en mi trifie fantafia. ^ l6|. 

A Iiumas fufpeiUs... ... 

Sujtjros ififiammofi^s , que çantaiu ;\ , 6)« 

Defenganos ãc; amor, e^f^rtúna. 
Sujkttta me0 viver buijua ej[pcr^^f^.^ ^ 162* 



TAt mofira A fi 4á vofa figtifta. _ 9jf- 
ExaggefU .a^ fiçrfeiçõf ?^ 4a (m? . D»W., 
Tanto de meu eflado me acbo incerto^ 19» 

Que tudo no eftarforeri^qpe^v^e, eem que fe 
acha, sáo incertezas. 
Tmo fe fhktná.yS^^f^éiyS^Mmifss^ ,.^^ afl}*. 
Tem feito oè M^s ,nç(^\4faxt^^f!f^., \ , ISS- 

Em hupia db()^edidli. . . ,. :.\. 

Todo animal da :€almit, $ífip€iufav4. > . 3.^* 

Queixa-re da.iooi^AÍlipcia da fu4 Dama. , .,.. 
Tomava Daii/tfta par. VÍHg^f^* o . .» .\ < .4I* 
Cafa-fe Da]ma.\C9i|i hum ^v^^k^ .V .pon f« yi"-/; 
;:ar da perfidiax d^.5ilyi9* Çfto &in^tp,í]^.r^ 
lertftr .depoia ^<44. .« * > ^ 

TomoH-me vtfa yifia^^JkherOftíi, , ^ < 4Í- 

Que na6 pád»tv<Í«Utr de i^H vc«|çid#t 4« ftui. 
amada. / í . ,- 

Tornai effa hfOÊmirai â ^va afUHitét^. 8jr« 

Transforma fi » amadw ns eoufy nímía^ < ^ JQ. 
Que para fua fatisfajaõ íhe bafta o empregar- 
ia 



DO S ^ O NETO S. 4^9 

íe em amar» Parece q^ue foi o Poeta aflalta- 
do de algum dersjo,n)is/.ips, decente.. 

■• V^...' ■ . ' " 

VEnciJo efih âe amor meujpefifãmento. 104. 
Verdadi y afnor\^ra^ ^ y^recmcnto. I43« 
Defengano das coufas tfo Mundo. 
Vtaveixojos de amor mil ,j90.mfrík(o^% 150» 

Qtie tudo. no amor lie ' ir^fle^a ^ c tprme.nlo. / 
Vpsoutros guç bí(lcqjt repouJhj..cettol/ y - j'^?' 
Ao engano com que os íiomces vivem*, e/daô 
credito ás coufas do Imundo ., procurando 
^' acha^ rppaufo xiellás .^ Á pprdçiidp^fe. , pejas 
meímas. . ^ , ♦ , 
VÓJ Nymphas da Gangettca eJpefTura, ' 59» . 

jA D, L^Ws^PcCreira »jfilÇq fílegitityio de Opm 
IVlâhoeí Pereira , tçtó|{rq. Conde , da ^pçira, 
. Tendo á f«a con.ta a Çwça de Malaca , en- 
\\^ t:^ .huma das mais jmppit^tes daquiflle EC- 
tado ,[^ «. Çeiido efla invadida por ElHei de 
w Achem coiti huma poderofa Armada « elle a. 
dcfendfQ ifalerofamente! $uccedeo ifto no ao- ' 
no de.rjd^, . em qye. .^) Poeta fiihío da Ih- 
. dia para pofala >. donde partio para lasboa %^ 
_ chegax^áa, ,a^ np annò de 1569. 
V^$ % qu^ de olh^i fuaves ^e fercnqs^ 70. 

He do ini^mç ^rgúm^nto que o Soneto 87 » c 
^.yem a fer^ çiumei a <iue a tua Bania deo 
',^ fauffiv-^ ,Vr-.- ' ■ , 
Ví^ que ef^i^his^^em Ríyfhmas derramado, ' 75. 
He traducçaõ de hum Soneto, qòe fervV de 
Froeunio.aos, S.onetos de Petrarca ^ieT principia : 
Voi çlíaJcQltat^e in ^Riwè j^arfe il Juímo^^ 
' . . -P' í^^y^f''*^ ond*io mtdriva il cuore , &€• 



ViiJJhs olbct ^ Senhora^ 4^e competem: 57. 

Aos olhos da fua ttibada. 
Vos fò podeis , fagrado Ev^geli/Ia. 147* 

A Saó JoaÒ Evangelifta. 

•• CAN.ÇÕE.S. 

A^ Infialilídadé dà fúittnâ. - ' 182. * 

•/TL. Enganos , fc 'tí^efèiltganos' de ahiòr , c de for-, 
tuna. Falia tmheh^ contra a amorvkfofo, e 
déídrdenado.Y . * *7 . ' ' 

^ viífa ^i )jafíei ãffáZ cíkienté, "'^ 23J.' 

A' mòHe de D/A^^nteinio rfèNorònhà. "^eja-fe a 
^ |idveitenda ^ np Ç"'^ d? P«g**i3« * 
Cètn^forfã deúifúda^^' '; J ' ' 19^. 

* Poí . èícripfa ná^lhdlá'/'e défcreve' o Toéta afos 
, fórtuba ^naqucliés 'Èftaàpí. ' *. *'. ' 
Fórpi^^ e gentH\ÒaM y^àúand^ '^ 179; 

DeftVive â forrtioftirk''ya fua ktriadii';' e o tor- 
" ipehcô âinotófo,'''qaé por ella^adfecfa, 
^ã\yoxa^ maffída c^ara. ,^ T^ ' »8j:. 

l^efcrevé si feréniciâde de hunA':ftiaftVla clara , 
e di2 dúe ^ríella v^' á fólrbqfura afeada. 
^'««rf o de hum ficeo ^ ifuro^ y ^efUertí rhofité\ . to6. 
Foi cfcriptjí em Giga', depVis dar véit^r i!a Ara- ^ 
bU Feliz. . Lamerika ' o Poeta néllj as próprias 
^^7 d^fgraças , 4 9» Í^M* a^hórofos fcíiidados. 
Mhnda^me òmor fjfje crinte dèreeníeúte^^ ^ I97. 

Qelcreire o primfiroafralto.amorofp , fundaincn- ^ 

. : to-^e quafi todas' a? RIVy,thrtt«^;que .0 Po^l^ 

èfcreveo. ' , V.Vl". ..^ \ ' '^ * 

Mãnda-me ardor queiãnte^o que d' àíni(^\pnte. 200» 

£(la Cani^So , e a feptima , qtie .jpria^^ia : Mm. 

dê^m amor que canu dòcemento , • imbas tão ao 

inc& 



DAS Cií ÂTÇ 0'É VS. 44í^> 

fnefmo aíTumpto , e ambas á imitação de ou- 
tra de Pedro Beinbo , cpmo (6çsl dito em hti- 
ma adverteochi na' pag. iaoa. 

Nem roxa for de Abril. 2x8. 

Tèm por argumento huma tart' formòflirâi 0aciá\ 
ral ; fem algum *enftrte> ^\x âd^rnt»^ da at«e.- 

Ob f ornar venturofo, 'á20« ► 

• A hum pomar. \ ' > * 
Por meio de btímar 'fèfrai mui f/àgoféff^ • ^ Í29. 

'Dòícripçaó de huma ribeira % eprfMo «dfaMtite. 

<^ hèilio '( Sonho ^ Ou vejo aNymphapir^. «26, 

4 Sobre lium Amha , dè què' trata na BftlUcia 

quarta da Cançaó que prírveipil : ' ií /x2/ifif(///- 

'^ade da fhriunti>' ' - '' v* *- 

S^em cem fhlidà'int§nio: - «^ • * * \2a!!|. 

•'Tèiti por arèumehío^ o'f)a6 'IJ^fediizfrent ^nf^^oe- 

• ta as canfíis' os fiii» cõmitrtlí!rv»e déiidos* ef- 
• ' feitos' , fenaô -outros tnuito 'é^ttíiMosi «4que 

>ne vive dáqiitllo «etVnode^dt out^^iilor- 
rem. Imita Liris*' de-Carfiflcrf^Wôrtà Cançalín, e 
•'^1 cm parte traduz humas L^ras de Lbis^Gitíl^T 
'* tò 9 impreflas na ^pirimei^a parte das ^uas ll4^]f- 
•' -thmas. ' ■■ ■■ '., - " '- ' ' •••'•• - ' - ' 
Se eflenieu pifífanHierifo. -" ' f r. -^íçou 

He o mefmo argumento , que q da Cança6*qu6 
principia : Formo fa e ,gintil ÍTamà^^i^c. '^ 

Tofnjei a triflê pehna. . ^ .^ - 2o\. 

'Cançaô para*fe enviar 'coino tixuiz huma Da* 

• ml .•■>•;<■.-•■•.:/! 

Va$ ai fitenas agoas- ^' ' ' Íí88. ^ 

'Éftando o' íoíta aufentè de Goftfíbra , onde *lhe 

ficara o emprego' Ho féu cúldàdò. ^ 

Vinde eâ meu ta'ô certo íeèretario^' ' ÍIO. 

Referir o- Poeta ascpufas mais prlncipaes^dá^fua 

vida. "■' "■ '' ■" • '* • ■ ' '' •'• ♦'' 

ODES. 



M9, ^4ifDí9^ 

O P E Su 

AçMifle unko exemplo %^4^ 

Foi efcripca em Goa a D. FranclG^Q Cwiioh» . 
. Conde (i4 ll^i^d* • m^ Vif«^R«i da índia, 
.1 m.CKffaiiiié^fm ,q)ii| .Õvçi^, dr tlprta , AVt4i- 
.'.CO d'ElR*i^ j ii|ípi.ij»io a,!li o .fcn livfo da» 
i..'<|f0p% Pr|fA>UAA4^ q§i|f fov.n^tatvw> de i|^| / 
- ^ Jtor J<m6 df. ||a4eiii. , ^ .. - . ^ 

i4 ^«rf» i/tfrtf0 ífe rindo as mor^td^^t^f^ ^^2. 

.^ *D. Ittanoe] de Portugal « ^Iho do ptfioeiro^ 

-.,Ce4Vl^*<ta 'Mw?ipÍ9: Pf» Ç.wcifto de Poruia>l« 

-líHfií i:^ . ASap^l l^^m^ J9ÁS^f(* gcwide far.ore- 

9'r^fdqrt.3i4pf<./|ue fe, ^pfj içavam ao ejQud^ da 

- ..iWil^;.» .0 iOrj^^. flí^f R^inp PPZ 0$ V^foS 

:» ,h9iíHÍeC«^xUaiÍ¥>%j>^o ^^ devji^o «rpl^ndoc* 

J^$L% 04^ foi. c&fcripta ena Ciotra » ferra a tque 

os Antigos chaináraô dá Lúà : efcraveftya o 

-foeta por occafiaô de fe. acíiar alli a fua 

-,„^antMKla» \ .^ ,, ^,.-> 
fogem as neves, /rias» 257, 

jPafcreve a entrada da Primavera ^ e logo o Ef*. 

-1 tíf>„ .91 ptj^tQpj>^. e o Inverno, e coqao efí^' 
Eftaçôes fe vaó fucceíli vãmente feguindo hu« 

/ "mz a outra; tirando defta viciffitude , e cônf- < 

. j.tante.mud^oga , bunia moralidad^r visrdadcica , ' 
da pouca duração da vida. humana ,, e profpe- 
lidades do Mundd^ Em fim, he efta Ode hu* 
im imitação C ^™ 9^'^^ traducçaã ). da Q<iã 
VII. do Livro IV. dé Horácio. 

fir- 



D ÂS^ C DBf. 441 

A certa Vztoik Liib^BtnC^ p .qii# p^Jo. coocfxto 
fe entende fer femeHiante á de i^ue falia 
Horácio na Ode a. do Livro terceiro. 
j^á a calnia no$ deí^diu. ' ^ * 265. 

He o mefmô argumento ,^ que o da Ode IX. , 
com a diíferença de que lá principiou com a 
' entrada dn Primavera « e ac||ui começa cém a 
:TÍ9oro(b, da Veríd* 
KagjueBe temp» irando. - • ' 261. 

• Amores de Peleo , e Tbthyt ^ « como deHes 
nafceò' 6 forte Achillea. 
NvnM' tnanbM faave. il^8. 

Efcripta em òbfequio de certa* I>amà. 
Pòífe hum defejo immenjb, 249^ 

Foi efcripta écvt aCifendá » nii qud fó eftivl- 
' iras reprefentaçAet da ima^iíia^ad v)ã n fua ' 
'• alhada. ' '' • '•:''» 

Si de meu penjhmtnto. - -*- •241;. 

Efcreveo o Poeta efta Ode , quando já canfada 
com as *l|fab2^hofí|s ov^^erMiicía^ 09'^ amor « e 
fortuna >4]ue^*)o iavhxh riàuiído t hum eíla- 
do de naõ poder cantar como coftumava. 
Tni fitúve , tofi^ frefia , e tàõ ^mt^a,' v . (24^* 
i)4 ElknQÍ^ foplítivt rilefta .Odi^,: fitKept^iidf què ^ 
foi eftfwplA.ifliP .hum* def|>eáif|a ;. poi;<)ue diz ^ 
^: [jque aquellcs qM« f«, «(«ô ÍOiRreil^ faUdad^f ^ 
_fisfptitA$.,fc||^9rt)i^, f^^s^ &Q.;, ^- concilie p 
Poeta dizendo» que r^.^0H{^f.:« fofiFrer^i^do. 
.t.Be efcripta com mefn^^^.^rtiíi^o qfie out^,^ 

. ««mo ffwpptfoQ: Pfttiav* , .Fedfo 8^?n|H> , e 

Luts Grotto na Itália : na Hefpanlia AWpfo 

,. Peres ; e em Pormgai Fern<ind<» Alvares 4t> 

,1 : Oriemeio U% fièfp»H» de. que tlU <k J^Mit 4l 

Ca- 



444 I}^t) I C S - 

Cam6es fe acha aqui truncada, òi» dÍBiíaiiCiy'. 
por culpa chr Copiadoras igníofantet, 

S E X t I N A S. 

ACitlpa de mfu nnd/^ tem mi¥i ofbos^ 27a; 
Lamenta o tormento .ai^nFfa.f ^as « que 
f jve nclle voluntário» e coo^ .g9.ft«b. 
F^frme .ppuco .a poueç '^,xurta vjida* r / 269» 

Foi efcrípta na índia,, non, ultimo^ apoos da vi- 
.' da do Poeta • eílando aufente^df; Pátria « e- 
de quem oeiia amava. . > u. > < 

Ok trifle » oh tenebrofo , ob cruel dha. 272- 

.Narinorte da .A4i^:ainada Natercnu . 
Sqfnprt ftie çtteix^-ei ^a^í;rueZÉf. 27?» 

Também tem por argumento a morte da mefm» 
.«-..Ijatercia. 

> . E .LmjE G.I as». 

A 6 pé de btàftífífifo faia vi fintado. 505. 

Verge^dr aftiòV. Com «ft« fítulo r« achoii 
'a prefente Efe^la cfii^ bum MtiYtiíbdpto. • 
Aqtàfla que de Mmfr dèfct^medldon ' 282. 

A D. António "^'de Norónba j' irando o Poeta 
fléftirrado %nf Xjèâtsli' • 
Açueflé'nio9er de olht^s ésâceUenftl ' 395. 

D^èfcre^e perfe^él!9 i dè tua ?ímada , e . dá por 
bcfrft empregado a tormenta" UMcNtlTo efst pa- 
dece. ■"• r.: » : ' 
A 'Ofdantè ãhorreee y n tnortt qierè: ' : 31 1. 
Efcrevto o^ Poeu efta Bl«giasmtf^ of ^7^ «^iS 

an« 



DASStBGIAS. MS 

:. «nno9. da-fm id^Ciíje: no/.pHncípio dt.fuain^ 
clinaçaô amorofa. 
Btlifa , unicú bem étfia alfáã trifte. 307. 

A Belifa perfttadindo a a que o oaô trate com 
. cffucldade , pois que com efta oaô confeguirá 
o deixar elle de a amar. 
De feria en pena mnevo hs paffa/fas* ^40* 

Ufi do mefino argumento daquella que principia : 
La fierra fati£nnào de contino. 
De/pois que MagBibáes teve tecida. 289. 

A D. Leoníz Pereira , que fendo Capitam , e 
Gov^erngdor de MaJ^ce a defeodeo iralerofa» 
fncQtedo poder de Achem , no anno de 1568. 
NeÃa Elegia o difpôe o Poeta, para que re- 
ceba benignamente o Livro das coufaa do fira* 
áiJ , ^mpreíTo em Ijsboa « no anno de 1576 « 
que Pedro de Magalhães Gandavo lhe dedica- 
va. 
JEntre ruflicas fetras > e fragopu. 295* 

Fabula .de ^Narcíio. 

Faiwe alegre o viver ^ já. we be pezado. 55 J« 

Queíxa-fe da fua fortuna* por ihe conceder a 

dita de ver huma formofura , da qual iempre 

.ficou captívo . fem refgate. 

Jtllufire e nobre Sylva defcendÀdn. 342. 

A Pedio da S^lva. 

Juízo extremo^ borrifieo >, e tremendo. , 32c. 

Contém efles Tercetet açroftícot buma traduc- 

/qzõ do vaticínio que a Sibylla Eryihfea ef- 

r creveo em verfof Gregos. 

La fierra fatigando de cmúno. 338. 

foi efcrípta em aitfencia , na5 obftante a qual , 

promette buma confiante £rme«a á fua Dama. 

jNflS^ porque de algum bem tenha efperanfê» 330. 

Defefperado de oonfig^li «o .oVjoâe 4os feut 

dei- 



44* TN D ICE 

á^9\ó$ 'defrfi ODOí' a in«rte dar íin a ira 
tormento. 
Nao we julgueh % Se^hr^» , -atretfhneneo. 551, 

f%úm á ftta I^ma f* compsileça do cruel tor^ 
.tnoRto «m <(ue vive « « de que ella raerma 
he caufa. 
Nknca b(4m oppHtte fPioflra tlano. j^6« 

Fòi &ita edando deílarfado ; «e nella fe queixa 
de que amando tanto a fua Dama « ella lhe 
naõ correfpooda igualmente. 
O P»A^ Simwidès fiiiland», 275. 

Fio^i efevipi» em Gott , -nos fins do anno de i s s i a 
« ifto íe fabe pe^ der nella coiita de buma 
viâoria que 09 Portugue^ei alcançaram ( em 
, que lamliem 40 achou o Poeta > do Rei de 
Pimema. • TMiJ}em a^ul delbr«f)e fucceflbs da 
fua viagem p^a aquetleís ERadoi. 
O Salrtionenfe Ovidio defierrado* 286. 

Efcreveo o Poeta efla Etegia aòs 19 , oa 20 
annos da fua idade , e no fou primeiro def* 
terro , que foi «n> Santarém, 
Qm trifies novas , r* éjfíte nco» dano. ;çi j. 

Deiseéu Luís de Gain6es éík Blegia , fem algu- 
ma lima , talvez pbr )lie naÔ «gtafdar a ordi* 
dura delia. Era efcf i^ta na mone de D. Miguel 
de Menezes , filho de D. Henrique dè IVene» 
les y Gommendador da Idãitrha a veKia , e Azi- 
nhaga , e fext^ Oovermidor èt Gafa dt» Ci- 
¥10(1.1 DO principio do Ref^iadò d'£lRei Dom 
Joaõ III : a mái fe chamava Dona Beatriz de 
«^ Yilhf na , e tiveram pi filhos feguintes : Dom 
Jofô , D. ll«dri^ A D. AnfoiWà , D. Francif- 
c» ; O. miguei \ D* Phili^pe , D. Joafí i Pona 
Bfimea , D. Marfa « D. Leonor . e D. Joanaa. 
IPoda^eai Mtiiia he necaAar^ pKU tt totelii- 

gcn* 



.; j^çia deftf P^enii^* M^itp^ U^íiigUfA. naln* 
dia; e fazendo Manoel de Faria todf a dili- 
gencia » Jhe^njo foi|>o]{fivel d«rc^nr iffi qutt 
occáfíaò. 
Sa/am de/ia êlma trifte ^ t magoada. ■ Jf 4. 

Na morte de P. TeUo . a qM0in iDitâuia n« 
índia. 
•S^ obrigações de fama podem tanto^ 327. 

. fifcripta em Damaó a D. Maria 4«.'FifiucHoa « 
filha do Meftre^ Melchior. 
$€ quando epmtemplamvt ^sjecritas%, 3I9* 

A' PaixaÔ de GhriQo Si, }^, ^^ imltiK^tf C «^^ 
parte ) do fotmz Latino , que defte mefmo 
argumento «fcreveò Sanazzaro « e principia : 
Si qnania fna^rmfh ntiratt íurgere Solem 
Oceano , & totó fiammas diffunden Cdlo^ ^c» 

ESTANCIAS.. 

CA^ nefla Bahybnia\ adonde mana, 379.' 

He huma gloík do Soneto ipft, que princi- 
pia : Cá ttefia Bal^hmíti , &c. 
Como nos voffos bambros taÔ confiantes, 365. 

A D. Coftantino de Bra«:ança » Vifo-Rei da In* 
dia« £fa filho do IV. Duqub de 'Bragança bom 
Jaime , e pelToa , que iXéfn deíla primeira 
quafídade , teVe ^tno tdlèMo d» taev quila- 
tes^, que -pareceo que fó pdr eHe podfa^ fer 
reftaurtda a índia» que naquèlie ^einpó amea- 
çaiíà a ultima ruYna. Foram efcri^ho eftaa ef- 
tanells ettt Goa annò -êit ijISo. ' 
JOi buma for mofa Virgem defpofada. 384. 

A Santa Urfula. Na pag. ^84. deixamos huma 
adircrtencia j em que puzemoi patente ferem 

ef. 



44t /yp/ÇB DAS ESTANCfA^. 

^ ^ e(!as Eftàncias^de Luis àt Camòes , e natf de 

'^ ' Í>iògo Bernardes a qiio as impnmio pot Tuas, 

Deflhh que ackira Anror/t h noife efcura. ^74. 

.'lie fiuma- glofe do Sonefa 14. que principia : 

Todo o animal da calma ^ &*€, 

Bttii alto Rei , à quem os Ceoi em forte. jfTí» 

Sebrê i (SCÚ' qlie,o Santo Fadre mandou a Et- 

Rei D. Seballiam no anno de 1^7 i. 

j^em pode fer no mundo iaõ quieto. jçj» 

' A' D. AnhiAfo de Noronha , ibbre o defeoa* 

certo do Mundo. 
Seubffra y/i efkóhrir por atguma arte» jSl» 

Eftántfas cftdptas a certa Dama. 

• . .. 1 

Fim do Tomo Jegunio. 



ER R ATAS. 



Pag. regr. Brros. Emettãos. 

)4 IS De que lempre. De quem Tempre 

112 .6 E gora E agora 

lao .4 Atis Atys 

Ibid* .ao pinheiro . . PInjheiriO « 

Ibid. 14 {unheixo Pinbeir^é í