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Full text of "O principe dos patriarcas S. Bento : primeiro[-segundo] tomo de sua vida"

4 






LIBRARY OF THE 

UN1VERSITY OF ILLINOIS 
AT URBANA-CHAMPAIGN 

Q. 271.1 
P899p 

v.2 



Fbre Book & Spocial 
Cciioctions Library 




Digitized by the Internet Archive 

in 2010 with funding from 

University of Illinois Urbana-Champaign 



http://www.archive.org/details/oprincipedospatr02praz 



P R I N°C I P E 

DOSPATRIARCHAS 

S.BENTO 

SEGUNDO TOMO 

DESUA VIDA, 

DISCURSADA EM EMPREZAS 

Politicas y Sc Moraes. 

TeloéM. %JPadnT regador Çèral 

FREY JOAM DOS PRAZERES, 

ChroniftaMòr da Congregação domefmo Prínci- 
pe y natural da Cidade do Porto. 

OFFERECIDO AO REVERENDÍSSIMO PADRE 

FREY VICENTE DOS SANTOS, 

T>. (lAbbade Çêralda l^eligiaÕ dejle Tay dm Religiões todas. 

E POR ELLE DEDICADO AO EMINENTÍSSIMO SENHOR 

D. JOSEPH DE AGUIRRE 

CARDEAL DA SANTA IGREJA ROMANA 

Monje Benedictino. 

LISBOA. 

NaOíficinadeJOAM GALRAM. Annodeióço. 

Com todas as licenças neceffarias % 
A cuftada Congregação de S. Bento. 



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31 












* 








eminentíssimo senhor. 

JSS OM as Purpuras de duzentos 
i Cardeaesleeimalta a Imperial 
i Cuculla doCefar dos Patriar- 
chas S. Bento. Naõ fe compre- 
hendendonefta forna os mnv- 
tos, que das mays Cõgregaçoes BenedióH- 
nas ferviráo a Igreja, (a) Todos elles , fobi- 
raó á eminência defíe lugar , pelos gráos da 
virtude, & pelas Aulas, & Cadeyrasdas 
Univerfidades. (b) Nobrefa com que Chri- 
fto Senhor noflòcallificou a feusDifcipulos 

* 2 para 



(a") Gènéhrard lib.%. 
Chrônogra.&Soldo Oc- 
cid. part. i.Treíud.c). 
cap. i . $■ 2. 
(b) Erantenimmona' 
chi butus injlitutionis , o - 
Um Vui fanEimionia Vitae 
prcecipui , (ciência fenp- 
turaru perfecliffime inf- 
ti uEii , ad reqhmn Ec - 
cie fiar um idonei> Vir: ate 
m.igni , confeientia pwi y 
omnium literarum erudi- 
tione pro fundi, &c. 
Trttbem.lib.^.dcVui. 
ihj}>;Ord.S.ficn.c.ip. 
zi.deCard. Ord, 



(c) para moftrar ,q fó a virtude, & as letras fe 

(c) Voseftk Sdter- h av iaó de cfcolhcr para o Apoftolado , por 

Mate < lerem unicamente precitas para o governo 

de ília Igreja. Em o numero deftes cfcolhi- 
dos, tem V.Eminencia o divido Solío^poc 
quejVo-ou a ellecom as particulares azasyda 
Águia, na ícienciaj ek do Pheniz, na virtu- 
de; como fuás obras publicão em os livros, 
que com tanta eminência defendem a fo- 
beraniáj&c Apoftolicaauthorictade da San- 
ta Igreja Çatholica: & na obra , que intitu- 
lou Lu.di Saimamicenfes , em que com tanta 
erudição, & clareia fobio, §c remontou a 
Primazia do Príncipe dos Patriarchas -nof- 
fo.grande Padre S. Bento 5 confirmando o 
que dieta, com o que obra. Na virtude k#i- 
nuou V. Eminência, fe remontava como 
Pheniz, imitando a hu Principe que em to- 
das as virtudes foy único. A eílc alvo fe en- 
caminha a reverente gratidão , com que of- 
fereço a V.Eminencia efte SegundoTomo 
da vida de N. S. Patriarcha , diícurfada por 
emprezas pelo actual Chronifta defta Con- 
gregação 5 porque fey , que nem elle podia 
afpirar a mayor premio ; nem Eu , a mayor 
dita , do que ver efte livro nas maòs de taõ 
eminente patrocinio , como pedia a maté- 
ria de feu argumento. E fe os Romanos naõ 
permittiaô , que as armas de Júlio Cefar fe 
viífem em outras maõs , que naõ foííem as 
de ícus principaes Cabos , porque o imita- 

vão 



vaõ nas proezas , (d) nas maõs de V. Emi- 
nência íicaõ era feu próprio luear as excel- W ® re Z mm f ts ck 

, . \ ^ r i t» - •• í í-r r %éiirl\Qmanorumcap. 

lencias do Ceíar dos r atnarchas , diícurla- ^ 
das poremprezas, &: eftampadas no livro ' 
offerecido , como inftrumentos de fantas , 
& religioías virtudes. E pela honra , que 
Eu, Teu Autor , & efta Congregação rece- 
bemos, nos confideramos tão favorecidos, 
quanto nos confeíTamos authorifados com 
afagrada Purpura de V.Eminencia. Sobin- 
do meu affecto acollocarfeentre as excel- 
lencias do aííumpto, & a nobrefa do patro- 
cinio, como a luz, que entranhada no efpe- 
lho de Marte, confervava o refplandor em ^ f r adilh f a de Su ' 

, ' _ n r i i- pernt/. Gentil, cab. o. 

todo o tempo, & moítrava lubhme^aquem ^ 70 . 
o reverenciava obediente, (e) 



Súbdito que mays venera a V. Eminência 



F^EY VICENTE VOS SANTOS. 

Geral cia Cmim-evacao de S. 'Bento de fortuvaL & Província 

Brafil^c. 



t 



3 AO 




AO REVERENDÍSSIMO PADRE 

FREY VICENTE DOS SANTOS 

Dom JbLide Gerdda Conorewcaõ de S. 'Bento, 
de Tortmal , © TroVmaa do Brajti. 



OBRINDO-S E da fombra do favor,& da 
luperioridade,leanimavaóosefcritoresan- 
tigos, afahiraluzcomospartosde feus en- 
genhos:Efte amparo era oMecenasdaquel- 
Ja idade, porque nelle achaváo feus efcri- 
tos defenfa,& premio feus Autores : Húa, & outra cou- 
fa tenho recebido de V. Reverendiífima , porque em todo 
o tempo favorecido defua benevolência. Movido deita 
obrigiçaõ,& animado do zelo com que V. Rr.meaíTiftioa 
eíta obra, profegui o trabalho delia ; naõ fó para conhííàó 
do que devo, mas também pelo credito, que ganance-ey 
no patrocínio de hum Prelado,cujo governo manifefrou a 
excellencia,queD. AffbnçoRey de Aragaó achava em a 
vida de Alexandre, efcrita por Quinto Curcio;naqual,Ieo 
os favores, Tem nota ;oscaftigos,cotn juftiça;& todaaMo- 
narchia governada pelas máximas da inteireza,& da razão. 
• EieatSyhwMm,®* Deftasvirtudes,fe compõem o livro,que V. Rr. deyxa 
fidu ^)iffo»f,. -^joannet 3 e illuftrado namemoria de léus íubditoscom a prudencial 
j7 .//4.8. politica, com que rege aramiha Monacnal do Pay dos 

Monjes. Efe a limitação daofterta naõ for equivalente* 
grandeza da divida, fcrá a paternal benignidade de V. Rr. 
a que dará valor ao oflerecimentode hum filho,& fubdito 
taõ humilde, & obrigado, como o publica icr de V. Rr. 



Frey jfoaõdos Trazeres. 



AO LEY« 









AO LEYTOR 





AM fe eftimaõ as arvores pelo verde, 
nem pela multidão das tolhas, fenaõ pela 
I bondadedos fru&os -.Damefma fóitecs 
livros. Aterra naõfe cultiva tanto pelo 
cuydado com que as galantea, como pelo 
cuftozo com que as íructifica. Com faci- 
lidade poderá multiplicar volumes, & a corpulência del- 
les,feefcrevera para avultar, & naó para fervir; oufeo 
meugeniofeaccómodaracomo de muytos,queambicio- 
los da aceytaçaó do vulgo,roubaõ o tempo ao útil da> no- 
ticias , pelo darem ao inútil das palavras. Donde naó cen- 
lurafte prudente, fer oprimcyro tomo diminuto nocor- 
po, fendo avultado de hiftorias. Se as palavras te recreaó, 
& os documentos doóhinaes te enfaltiaõ, compra antes li- 
vros 



AO LEYTOR. 

vros de Novellas, do que de Máximas. Saõ muytos os que 
compraó os livros, como fe compraó as joyas , namorados 
da galantaria, (em repararem no peío;naó advertindo, que 
oíogeyto,quele, \\o femelhante ao que compra ; oqual 
querendo para o deíempenho aproveytarfe da joya,pcrde 
o feycio. Naõ4>c a minha locução taó humilde , que mere- 
ça defprezós ; nem taó levantada 6 q«è provoque a iuveiaj 
másnâoaconGderotap defvalida, que neceflire de favo- 
res alheyos para íahir a publico. Se perdoares os defcyros 
defíe Segundo Volume;, com a urbanidade com que diííi- 
mulafíe os doprTmeyro,darmehasaninvo, paraque-no ie- 
gui0te,ernoqual poremos remate ávida do Santo Patri- 
archa, te prometa quarto livro ,em que te efereva as Tres- 
ladaçoés de fuás Sagradas Reliquias : porque ainda que 
às oceupaçoés de meu eftadó me defraudem ò tempo, as 
obrigações de meu offiGf o otiraráo dofomno, para fatif- 
fazer a teu agrado. 

Fale. 



L 



■ ■ 



D I RE C Ç AM 

DAS E M P R E J Z A S. 

i f"^ Om a boa fama atrahem a fi os Principes os ânimos dos 
^ji vaflailos: Authoriíao a fragrância da virtude de S. Bento., 
que obrigou a hús Monjes deftraidos ,aobnfcarempara feu Prelado. 
pag. i. 

Cwnmi/s in odorem 
i O máocuftume, faz perdera boacreaçaõiCorruboraíTecoma 
relaxação deftesMonies. pag. 37. 

T)egenerat ubi mairVct. 

3 Aobftinaçãodãculpapertende,queos Principes cedaódefea 
direyto: Virificdíle com a tenacidade, com que os Monjes refiuiraó á 
reforma do Santo Patriarcha. pag. 5 6. 

Tu Cede. 

4 A liçaõ dos livros prohibidos he o veneno, que mays inficiona a 
republica: Confórmaífe com a iignificação da potagem , com que os 
Monjes intentarão dar a morte ao Príncipe dos Pacriarchas. pag. 68. 

TZon ex omni flore curpitur mel. 

5 O caftigo para hum ingrato he dcyxalo lem remédio : Porque 
aíiycaftigouoSãto Pauiarcha aosquelhequeriaótiura vida. pag. 82. 

Com os deyxar os cjjligo. 

6 A neceffidadequeos Principes tem de experiencia,antes de fu- 
birem ao trono , fe infere dos trabalhos, que padecéo S. Bento antes de 
initituir lua Ordem. púg. 92. 

Gjrant ut luceant. 

7 O conhecimento próprio he a luz, que melhor encaminha os 
Principes: Razão, por onde o Príncipe dos Patriarchas governou com 
Hiayor aceito, porque nunca lhe faltou efta claridade, pag. 103. 

I\úh Voe exprimunt omv.es. 

8 Daboadiipoílçáo,comque as republicas faó ordenadas , de- 
pende a tuaconlervaçaó: Ao que rcípeytou o Príncipe i!os Patriar- 
chas na Ordem com querecolhéo aos que ofeguiaó. pag. 144. 

Colhcata proftmt. 

9 O amor de Piincipe para com os vaíTallo 1 *, & o amor deites para 

comos Principes faó as annasquc melhor defendem as republica>:Ccr- 

rezacalihcada pelo Principe dos Patiiaichas,em fundai fua Religião 

fobre a chama de tres fogos. pag. 125. 

A flamma fartitudo. 

** 10 Os 



DIRECÇ AM 

io Oslmperiostemnaextenção afua ruina. Motivo que obri- 
gou a S. Bento (nos exórdios da ercçáo de lua familia) a não eítcnder 
osbraçosdeíeuMonachato. psg. 141. 

Non nina Vires. 
li Nainteyrezadasleysconfilte toda a boa fortuna dos povos. A 
Regra que o banco Patriareha deu a feus Monjes os pronofticou filices. 
pag. 15 1. 

JlkVat , & Vexat. 
1 2 Colunas dosRcynos,iaô os Sábios: Cauza,porondco Prim 
cipe dos Patriarchas quiz,que Tua Religião íe povoafie de honiês Dou- 
tos, erigindoeni feus ConventosUniveííidadespublicas. pag. 1 67. 

Sine culmine corruit. 
15 Asartesliberaes ennobrecema todaa forte de pefíóas. O que 
feilluftracom o Príncipe dos Patriarchas querer, que feus Monjes fe 
exercitaílcmnellas.pag. 181. 

V bique flores. 

14 He o fogo único remédio, com que íe extingue ojudajfmo. 
CoinprovaíTecotnafcífcõdehum Concilio ,aque aííiluo o Santo Pa- 
tiiarchd. pag. 1 92. 

Extinzaetur h>ie. 

15 O beneficio ha de fer fey to á medida ,&gofto de quem o rece- 
be. AbonafíecomofavorqueDeosfcza S. Bento, mandando-Jhc dizer 
por hum Anjo: Que lhe pediffe mercês, pag. 203. 

Jgojlo , S? a medida. 
\6 O defentereíTecom que os validos haõ de aííiftir aos Príncipes, 
mofuou-oarcfignaçãoeomquco Sáto Patriarcha fecompromecéona 
vontade divina, pag. 2 1 o. 

Non aVnra dum jnVatur. 
ij Obrigação he dos Príncipes engrandecer, 8c perpetuar a no« 
brczadeleuPieyno. O que abonou o Ceo, prometendo Deos a S. Ben- 
to, que lua Religião duraria até o fim do mundo. pag. 2 17. 

ISle pereat immumtcts. 
18 Singular efcudohe a Fé Catholica, que defende de todos os 
perigos: Razáo por onde a Religião de S. Bento, em quanto o mundo 
durar, ha de vencer todas as oppoílçoésdo Inferno , porque fempre ha 
de eftar firme na Fé. p^g. 2 50. 

Extra Ec ele fiam nuíli falia. 
j.y 19 Para fe conformar com a politica do Ceo , devem querer os 
pays para herdeyros de feu folar, naõ ao fil!v> mays antigo , fim ao mays 
benemérito: Acerto, que authoriz:» o Akiíliniona promefíà,quefezao 

Prin- 



D AS EMPREZAS. 

Príncipe dos Patriarchas, de que rodos os que viveiTcm em íua R.eli- 
giaó, acabariaõ em eftadode graça. pag. 243- 

Torbantur , ut coronentur. 

20 He natural dos precitos vexar o eíiadoReligiofo : Moftrou-o 
Deos prometendo a S. Bento, teriaómáo fim todos os que foliem ini- 
migos de lua Religião, pag. 261. 

Se tpjum conFpurc.it. 

21 Que dotes ha de ter o fogeito,que fe houver de efcolher para 
amigo: Iníinados na utilidade, que tiiáotodos,osque la 5 devotos da 
Religião de S. Bento. pag. 277. 

ficijstmfubvenitmt. 

22 Que prendas fe hãodebufcar napefloa ,q houver de ler Ayo 
de hum Príncipe: Inculcadas no efpiritodequeS. Bento foy illuítra- 
do, para Meflre de Santo Amaro,& S. Plácido, pag. 297. 

Obumbrât,® dit. 

2 3 Nem todos os amigos reconciliados faõ fofpeytos : VetificaíTe 
coma fidelidade, com que húsMonjesfe reconciliarão com o Príncipe 
dos Patriarchas. pag. 312. 

Fiicile confiliatur. 

24 Declaraííeas prendas,quehadetera Ama de hum Principe:E 
a gratificação com que os Príncipes lhe devem pagar íua creaçáo: Ma- 
nifeftaflehúa,& outra coufa na lantidade, com que vivéo, & morrèo a 
Ama,quecreouao Santo Patriarcha; & ocuydado,& eílimação com 
que a ttatou efte Príncipe, pag. 322. 

Ingratiam educatlonti. 

25 A pena haífe de medir com a culpa: Juíliça que oblervou o 
Príncipe dos Patriarchas no caítigo,com que emendou a hú Monje de- 
linquente, pag. 333. 

TSlon fitfficit unum. 
16 Com maysbrandura,querigorhaódegovernaros Principes: 
Máxima de que uzou S. Bento authorizando o Monje, que havia cal- 
tigado.pag. 347. 

Nonfolum p&nis. 
ij Na impofição dos tributos devem proceder os Principes com 
toda a circunfpecçáo, & clemência: Virtudes, que ledefcebrem no mi- 
lagre, que fez o Santo Patriarcha tirando agoa de huma dura penha. 
5 ag. 3 5o. 

Omnibus ac Jcmper. 
28 O Príncipe com a brandura vence impoffiveis: JuftificaíTe ef- 
ta verdade como milagre, que obrou o Príncipe dos Patriarchas faztn- 

** 2 do 



D1REC Ç AM 

do nadar o ferro, íbbrças agoasde húa lagoa pag. 37 1 . 

impoJjib'dta /u per ar. 

29 Obrigação dos fubditoshe obedecer fem reparo: Doutrina a 
que os perfuade Santo Amaro, entrando a pé enxuto peLsagoas dehú 
pego fem reparar no perigo, pag. 383. 

'Tareo quod préópk. 

30 A inveja defearrega ogolpe,aondercconhece maysprendás: 
Razão por onde o Sacerdote Florêncio intentou dará morte ao Santo 

Patriarcha. pag. 395. 

Quia Olet. 

31 Alafcivia não fofre a companhia de virtude algúa : Motivo 
que obrigou a S . Bento a fe auzentar de Sublaco , períuadindo Floren- 
cioaíetemoiheresdepravadaSjentraiTem dentro da cerca do mofteyro. 
pag. 407. 

"Hequeunt pariter. 

32 Emfe compadecer dos males de íèu inimigo moftr a o Principe 
ageneroíidade de ftu animo : Como o Príncipe dos Patriarchas oíin- 
guiar eípirito de lua fantidade,chorando o defeftrado fucccíTocom que 
Deos caftigou a feu inimigo Florêncio, pag. 424. 

Indicai tçretttdwm. 

O 

33 Devemos PrinçipesrepartiroslugareseonfórmeotaIcnto,& 
mérito do fogey to: Sagrada politica, com que oAlriííimo influe nas 
operações de feus íer vos , mandando hú Anjo ao monte Caííino , antes 
que o Santo PatiiarchafobilTeaelle ,&c queda fua partediiTeífea hum 
Santo Ermitão, que nelle vivia, Iargafíèopofío,porqueoutro feumi- 
moío íobia aoccupalo. pag. 433. 

"Hon tn una fede morantur. 

34 S. Bentoem levara Prefidencia pelo mérito jmoftrou queera 
como o Sol na Primazia, pag. 446. 

Sol 04 SqIhs. 



EXUNO 



EX UNO AMÍCO SOCIETATIS JESU 

lóhim Pacriarcharum 
ac Protoparentem. 



in D. Benedióhim Pacriarcharum Principem , 



ROma quid Auguftum moderantem legibui orbem , 
Tot que Virtim jactai parta trópica manu? 
Llarior Aufontjsfivgit 'Benediclas aborvs^ 

Hic úbt pro tiViío Lee [are , C&far erií. 
Me qiiidem extremos anfus fuper are 'Britaimos; 

Hic potis viferni fi angçre cotia duas. 
Vicit uterque boftem , Vir tule nfignis uterque 

Máxima utrique juo gloria ab bofte Venit. 
lllum etenim pátria Veteres dixeve Parentem 

ífiecliiió hic Patru nomen^ © omen habet. 
Scdicet beroas quotquot Virtutibus ohm 

Inflruxit ; natos tot genuijje ptites. 
Hunc nimium feltx natorum turba coronal. 

Principia b<ec tanti jlcmma corona fttit. 
Sic P«ter^ Princepsuotiafiiper <etbera ; dignm 

Principtsobjequijs, dignm amcrePatris. 

EX ALTERO AMÍCO EJUSDEM SOCIETA- 

tis in D. Benediíhim Patriarcharuin Parentem, 

ac Prinuim. 

E P Y G R A M M A. 

a Li antum flammigcra debent ftlendentia Soli y 
Dumjubar injolitumjjdera c\mçla bibunt.. 
Tantum credo ttbi reliquo; dcbçre ^fecuii 

Qui modo Junt gr c fins , o 'Benedtcle , tUQí. 
ISIampo/uerefuis facri áu\x. jura Parentes , 

Hpsjvntn dederas omma jura priw. 
Si lacras acies reitqui duxere Parentes , 

lpfos duxifli Dux priíií ipfe duces . 
Júri witur Princeps , £? Magnus in orbe Võcaris, 

Vox que bonúnum Primam te Vocat una Pairem. 
Kam quamVísreliquiJint lumina clara Par entes , 

Omnia Junt racfijs inferior a tuis. 

í ** 2 ALIUD 



ALIUD EJUSDEM AUTORIS. 

S7 quis erit tam lucepotens , & lumine clarus 3 
Ore bibant aítj quo praeunte faces-, 
Si quis erit ViVos inter celeberrimm omnes y 

Cujus grande decus , fama per ennis eat- 3 
Si quis, qui primas doceat documenta falutiâ, 

Pnmus , ® exemplo feprobet efe Vucem> 
Si quis erit , quiprimm opes contemnat, © tnter 

Hórrida defertt degcre teSla Velit; 
Si quis erit Princeps, qut Magnus in orbe Vocetnr^ 

Dicatur que Patrummaximineffe 'Pater; 
St quis , ViVorum quem c (éter a turba fequatur> 

'Difteream >fi nqn hic BenedtSlus ertt. 



ADUC SOCIETAS ELUCIDAT. 

Jrgumentum operis. 

EPYGRAMMA. 

JVre qiiidem ^fateor , meruit Patriarcha Vocari, 
Qui ctftum inflituit (fteligione Sacrum. 
2<[omine at boc reliquos Juperas , (Benedttle ;facratum 

Te mthm nemo Principis omen habet. 
Es prior , es Patrum Princeps Patriarcha ifuifli 

Et prior ', 6£ Pr ince ps ^eligione Patrum. 
Bis tgitur Patriarcha audw , (jua gloria tanta efl) 
Lum prior ^ ÉS Princeps fts Patriarcha Patrum. 



IN 




INREVERENDISSIMUMPATREM,ET 

Sapienciffi nutn Ses ipfortin , Fr. joannem dos Pruze- 
rese Benediciiru Família, Santtiílimi Pa marchariam 
Principis Benedjõi , res íiiigulas prxcLre gcítas 
libris erudicione plenis, eloquio íuavibus, ar- 
gumento í.me aurei», (quibus ticulum Má- 
xima injidit) ornaté,graviter ,&co- 
piolè mandantem. 

EPYGRAMMA. 

Ejufdem met Societatis. 

Vemquejmim commendat opus ; mandata libeílis 
Scribentem decoram inclytafacla "viram. 
Ma<inus Virqjlius .mamus fimid exiat Homerus: 

<lA mbo quod exímios conetnucre duces. 
Scilicet hos magnos magna fecère Virorum 

Vir tutes ^quorum facL dedére libris. 
Facla mis libris fòenediclimaxtmamandcvs; 

Maxhmíó inde atidts^ Máxima , © inde libri. 
Maximafunt,jludus, opibus que referia MinerVrt: 

DiVes, & IhU inlnat, doclus^ © ãa cuptt. 
Jure aíios inter Scriptores maximtà audisj 

Maximia ingenio , maximm eloquio. 

DOCTORIS ANTONIJ DE VILAS BOAS ET 

Sanipayo Portug.ilenlis Senatus, Serutoíis. 

E PYGRAMMA. 

S/c Benediclm erat (me mentem faliu imago) 
Qualem de monflrantju bené dt3a, <Pa£ef'. 
Jjjyice CaJJmum, 'Benedtaum cerne. Quid ultra ! 

Sic ojfert ocidvs cnncLi Videnda líber. 
iSlecmiror :exalfos Tatris áejcribtí honores 

Filitís. tantum qui ber.è (cnbn oinis l 
Magna eqttidem fecit 'BenedíSlus., tu quoqttc magna : 
Si iliejuk Magnus^tiiqiíoquc Magnusens. 

DO 



DO PADRE D. GASPAR DA ENCARNAÇ AM 

Cónego Regrante de Santo Auguftinho. 

SONETO. 

ESSE de quatro tiempos fabricado 
Sacio volumen , cuerpo dividido, 

Defiende lo fagradodel olvido 

(Que tambien gime olvidos lo fagcado) 
Es poço todo un Lethes confpirado 

Quando deícoge plumas lo entendido, 

Ralgo elegante, buelo defendido 

DelCielo adonde afpira iluminado. 
Supone mas impireos cila hiftoria 

Silosuviera: arafgos de la fuma 

Bolaran tus Emprezas a fu gloria. 
Soípeche el Orbe , la razon prefuma 

Que lobrando el aííumpto a la memoria, 

Cupierondosprodigiosen la pluma. 

D O PADRE FR. LUCAS DES. CATHERINA 

Coilega do Pveal Collegio de Coimbra da 
Ordem dos Pregadores. 

SONETO. 

A Gora, ò douto Joaõ, que a vòs fe fia 
De Bento a fama, agora fe venera 

Defempenhada em vòs , fe em fim ja era 

De eílylo tal o aííumpto prophecia. 
Celefieem vòs, & em Bento, fympatia 

Quanto o aííumpto alenta, a penna efmera, 

E foquem Chi onifh vos tivera 

A aííombro tanto a vida alentaria. 
Ja poisfamoío Bento, em vos fe chame, 

Porem a penna que os aííbmbros move, 

Em voíToaplaufo, osdefenganosame. 
Paímea Fama, & o mundo que vos ouve 

Sabendo teve Bento quem o aclame, 

Conheça que naõ tendes quem vos louve. 

DF 



DE J O AM PEREYRADASYLVA. 
EPYGRAMMA. 






DE engenho aflbmbro, de faber portento 
Segunda he parte , ou parto lem fegundo 

Efte, que hoje ou politico, ou facundo 

Tomo, a luz nova eleva o penfamento. 
Go grande Heròedas Religiões atento 

As Ernprezas nos dá, com que profundo 

Deu mays hum templo á Fama, hum pafmo ao mundo 3 

Mays triumphoá Fé, mays gloria ao firmamento. 
My fterio a Empreza foy , que callifica 

A fympatia Angélica que teve 

Co a voz de outro Joaó penna tão rica: 
Cada qual de efcolhida a palma leve; 

Pois fe ao Filho de Deos húa publica, 

Ao Pay das Religiões outra defere ve. 



DE TKOILLODEFJSCONCELLOS VACUKHA. 
SONETO. 

NO Moral, no Politico, admirado 
Adondc mays vos excedeis duvido, 

Pois hum de outro igualmente competido 

Vosmoftraesaltamente equivocado. 
AquelleSolprimeyro venerado 

No Emisferio Monaftico luzido, 

Por vòs fendo outra vez efclarecido 

Quanto por vòsfe aplauda acreditado? 
Rayo foisfeu, que repetindo enlayos 

Segunda vez de feu fulgor jocundo, 

O dais brilhante ao mundo fem defmayos. 
Que por fer rayo em luzes fem fegundo, 

Sebrilháopelo Sol no mundo osrayos, 

Por vós aquelle Sol brilha no mundo. 



*** 



LI- 



LICENÇAS DA RELIGIAM. 

JproVacaõdo ^eVerendiffimo Tadre Pregador Geral Fr .^aphuel de 
fejus Lbronijia Mor do l^eynode Fortttgd. 

ARmado da obediência venci a defconfiança,com que 
me aílaltou o precey to de V. Reverendiííhria, orde. 
nandome que vife,& examinaííe o Segundo Tomo da Vi- 
da de N. Padre S. Bento, que o M.R. Padre Pregador Gé- 
ral, & ChronifUMòr deíua Congregação neíie Reyno 
tem compoík>,& pede licença para o dar áeftampa, inti- 
tulado : Trincipedos Tatt iarcíá* S. ©ewro, Segundo Tomo 
de Tua Vida, em Emprezas Politícas,& Moraes. Supérflua 
ha de julgar a diligencia, quem no Primeyro Tomovio 
authoiizada adoutrina dcile Segundo, com ofubido da 
locução, cadencia do eitilo, fazonado das ícntenças, ferti- 
lidade de textos Civis, & Canónicos, abundância de hu- 
manidades hiltoricas,& íufiíiicas, aplicadas com t^nta eru- 
dição, & elegância, que parecem mays , que z legadas, naf- 
cidas, para feu argumento; fendo eitaobra tão viva ima- 
gem de feu Autor , que fe equivoca com íeu original vifto, 
& ouvido nos púlpitos defta Corte, com aquella admira» 
Çaõ, com que a fuprefticioía gentilidade celebrava a mara- 
vilha, de húa imagem de fua Deofa Ceres, retratada tanto 
ao vivo, que fenão defiinguia a imagem de feu original. 
Emprezafoy defuaeftudiofa, & difcretainve&ivadifcur- 
far por Emprezas a vida, & prodigiofas acções de bú San- 
to por anthonomafia PfincipedosPatrianhas,emtu;a Re- 
gra fevemeftampadas as máximas de hum governo íàgra- 
damente politico, & politicamente fanto,dc que fenaõ 
havia de apartar, nem i fquecer, quem por voto a proft flaj 
comoque tenhodito,quenãoachey nas Emprezas deftc 
Stgundo Tomo (que li húa, & muyras vezes, porque não 
cntaltia o que delcyta)i ouf>,que cfltnda a pureza de noí- 
fa lanta Fé ,8c menos a integridade dos bons cuíiumcs, & 

vida 



vida religiofa,queniepodefe occafionar o menor efcru- 
pulo: Só me ficará, íenaó advertira V. ReverendiíTima,& 
a toda efta Sanca Congregação , que concorra com todas 
asdiligencias,& meyos neteííariospara continuação, & 
complemento de obra cátodo íerviço de Deos, credito da 
Religião Benedictina, & utilidade do próximo , leni efpe- 
rarqueoinvernoda idade dcbeliteo vigor âa natureza ,& 
do eltudo de fcu Autor; antes que íucceda em Portugal , o 
que em Roma ao ultimo dos! aiquinos, que regateando 
o cufto de três livros das Siby lias , quando os quiz haver á Pli * liv - '*.«/. i|^ 
mão, ficou ió com hum , por naõ acudir a tempo , em que 
pela mefma valia poderá alcançar os mays. ReverendiíTi. 
mo Padre N. tenhodito oqenrendo (laudaticiaheacen- 
íura) & authorizarey o que nella digo , com o que o Dou- 
tor Máximo deu aos elcti tos de Santo Ulario, & e fere ven- 
do a Leta : Htlartj libros mtffenforecurrat pede. Dada em efte 
Moiteyro de São Bento da Saúde da Corte de Lhboa 2 6. 
de Fevereyrode 1 6bc?. 

Humilde Súbdito de V.Reverendiííima. 

Frey dfypbaelde lefm. 

JproVacaÕdoM. ^eVerendoTadreTrégador Cerai Fr. ^oqtteda 
Natividade D. Abbadcdejle Mofteyrode S. 'Bento da Saúde. 

1~\ Ormandado deN.Reverendifllmo Padre Frey Vi- 
cente dos SantosDom Abbade Geral daCongrega- 
çãode Portugal, & Província do Braíil,comalegreanimo 
vi eíte livro intitulado Segundo Tomo da Vida do íPrhtCh 
pedos Tatritrcb.tsS. Bento compofto por Emprezas Politiu 
cas, & Predicáveis pelo Reverendo Padre Pregador Ge- 
ral Frey Joaó dos Prazeres Chronifta de noíla Sagrada 
Religião j & acho, que empreza tão difficultola como he 
eferever húa hiitoiiapor Fmprezasló leu íiiblime enge- 
nho o poderá emprchender,& lendo efte Livroofegundo 
bem lhe pòíTo chamar ronlequencia doprimeyro, & me 
parece, que mays nt etílica de orador que o louve, do que 
dercvedor,quc o cenlure, porque contem efte livro to- 
das as cxcellencias , que íe requerem em húa. clciicura per- 



feyta, que vem a fer, como diz nofíb Padre Bercorio: Ar. 
vore chea de flores, campo fértil de fearas , prado de apra- 
íivel rccreyo,& orta abundante de irmos : Abar plena flori* 
bus , campus plenusfrugibiíó , praíum plenumgranwabus , qy tus pie* 
mm f> uchbns . O que em abundância tem tile livro , porque 
nelle Tc vem as flores dos bõs exemplos, afeara das melho- 
res íenrenças, o recreyo das boas palavras, & nelle acharão 
os que o lerem, os frutos da mays excellente doutrina afíy 
Principescomovaííallos ;eíks, porque tem nelle os me- 
lhores documentos } & os Piincipes , porque nelle podem 
ler fingulares máximas , para vencer do natural alguns ex- 
cêíros:& feTheodonio Meftre de Augufto Octaviano 
compôs vinte & quatro palavras para que efte Principe, 
encomendandoas a memoria, vcnccífeaííy mefmo,como 
diz Pierio Valeriano. Eummomdt , utubi trajei c&piffet , qua- 
tuor>& Vmnti ãas Grtecte ItterM in memoria recenjjeret. Com ma- 
yor razão fe pôde perfuadir aosPrincipes,para moderarem 
payxoés próprias, leáo eftas trinta & quatro Emprezas. 
Pelo que me parece dignifíimo de fe imprimir falvo, &c. 
Lisboa S. Bento da Saúde em 17.de Fevereyrode 1689. 

Frey %oqueda Natividade. 

FREY Vicente dos Santos Dom Abbade Geral da 
Religião de São Bento nefte Reyno de Portugal, & 
Pi ovincia do Brafil, &c. Damos licença ao M. Reverendo 
Padre Pregador Geral, & Chronifta de noííá Congrega* 
cio nefte Reyno Fr. Joaó dos Prazeres , para que (lia vidas 
as licenças neceflarias, que na forma do Sagrado ConciJio 
Tridentino, & leys defle Reyno devem preceder^) impri- 
ma o Segundo Tomo do li vro intitulado: Trincipe dos Ta* 
triarchás ò ' .(Bento y tm Emprezas Politicas,& Moraes; oqual 
foyvilio, & examinado por pefloas doutas, &graves de 
noíTa S?grada Religiaó,& ler tãto do ferviço de Deos,cré- 
*3itodenoíío Santo Abito,& utilidade do próximo: em 
fé do que damos eila í» (finada por nòs, refrendada por nof- 
io Sctj etário, & ielladacom olellodenoiTocftkio, nefte 
NiofuyrodeS. Martinho deTibaés em os 10. de Março 
deiób^. 

Frej Fteente dos Santos Geral de S. Benta. 

APRO- 



APROVA Ç AM DOSANTOOFFICIO. 

I)o %eVerendiffimo 'Padre Mefre o Doutor Frey Francifco de S. 

loaõllaptiJlaDiffintdor Geral de toda a Família Serapbi* 

có) £2 Qualificador do Santo Oficio. 

EMINENTÍSSIMO senhor. 

COntinua o M. Reverendo Padre Frey JoãodosPra» 
zeres Pregador Geral , & Chronifta Mor da llluftrif» 
íiuia Congregação do Senhor S. Bento neftes Reynosem 
efie Segundo Tomo do Príncipe dos Patriarchas com a 
mefma fortuna do primey ro: concordando com o motivo 
que emprende,a doutrina que infinatQue febre fer a mays 
principal hecompofta de tão próprias frafes, de tão ajufta- 
<ias figuras, & pu>porcionadasmethaforas,de taõ mdicio- 
fas maximas,& refoluçoés politicas, que bem íe pôde apli- pfiimoit. 
car a eftesdilcurfos,o que o Pfalmifta dizia de outros mays 

foberanos ; por quanto pela boa fé , & verdade com que os 

Gedtíi,Junt judicia ver a \ pela variedade das provas com que 

os authoriza ^juflificaía infemetipfa , & pela moralidade com 

cjue oscriftianiza fera de muyto lucro afua obiervancia, 

vi euflodiendis Mis rctnbutio multa. E por tanto os outros dous 

volumes que promete )a ficaõ fendo : Vefiderabtliafuper au- 

rum,& lapidem pretioíum:8i. com razáoiporquenefte Quadra- „. „,,., , « . 

c i r J rr i cr- • rz ttír.FêUib. i9 . de Quadra* 

tolelogiaaemprelia da mays perreytaiapiencia : v éteres to. 
Sapientum in Quadrato cotfituebant , por fe refumir em todos 
quatro húa elegante Biblioteca, em que fe podem ver epi- 
logadas as melhoresmoralidades,& politicas por onde to- 
dos efliudem o mays importante para húa , & outra vida : 
Ex Quadratis enim Ugnis conjiruere nos debere 'Bibltothecam, admo- litm ub 'f"P T *- 
net Adamantm , non ex ayejlibus , Cs impolitts, quippe ex Tropbe- 
ticis , © apoflolicis Volumtmbus-, ih quibus folis Vera continetur fapien- 
tia,ut pote , quiviújs ommbiurcfeclis , exci/ifijue Qnadratum Vide 
t&mem injlmisfê ex omni parte libr atum per Je fer ant. Nefta con- 
íi Jeraçáó me parece efte SegundoTomo muy digno da cf- 
tampa: Salvo&c. NoíTa S.de Jefus 22 dejulhode 1689. 

Frej Fmncifco de S. foaõfèaptijl.i. 
*** 2 APRO« 



í> <7?o í-rò cfe> ífc> vfc vfr> c?r> **> c*r> <rfo <íf> >3r> )*-*8 



v°£9&yVR9<iJ& s í& 




APROVAÇAM DO PAÇO. 

Do fyverendijjimo Tadre Mejlre loaõ de Almeyda da Companhia 

delEWS. 

SENHOR. 

Andame V. Magefíade veja efíe Segundo Toma» 
que em Emprezas reprefenta, & diicurla as heroy- 
cas acçoés da Vida do grande Tatriarcba, & 'Príncipe dos maji 
S. Sétí/o, com pofto pelo Reverendo Padre Freyjoaõdos 
Prazeres Pregador Geral, & Chroniítadefua Sagrada Re- 
ligião, & que digameu parecer. Digo, Senhor, que anão 
fero Primeyro Tomo domefmo Autor, fora elle, entre 
qtiaefqueroutroSjComtodaarazãooprimeyrojnein pode* 
ria ter lcgundofe leu Autor naõ prometera continuar, & 
levar adiante efta empreza comdous mays. Quem leííeo 
titulo julgaria por árdua, & pôde fer por arrojada a empre- 
za, de emprender ainda íó o recupilar, quanto mays o am- 
plificar vida,& acçoés de hum Santo a todas as luzes tão 
grande,em rodas as idades taõadmiravel,queíocom admi- 
rações íe pode fem ofíenfa do relpey to , & fem nota de te- 
meiidade falar delle: E fe bem o amor de hum filho podia 
embargar qualquer ceníura , efte grande filho defte taõ 
grande Pay entrou nefta , & continua eftas emprezas com 
tanto cabedal de omnigena, & vaiia erudição, que ningué 
poderá arguir de incoherenteo titulo com a cbra:a húa.& 
outra obrigação fa tis faz o Autor naõ ló quanto podiaõ 
pedir os mays doutos,mas também quanto os mayscriticos 
podiaõ defejar : com humeítylo taó íingmlar, quanto ítu 
proprio^con ti nua ndo,&confervando o credito que a lua 
fagnd5,&efclarecidaReligião,& utilidades! Igreja dcraó 
os E fciitores Benediéiinos em todos osfeculos^& aily jul- 
go muy to digno de V. Magefbde lhe conceder a licença 
que pede. S. Roque 20. de Outubrode 1689. 

loaõ de Almeyda. 

LI- 




<«S?,VS?» V5} vs^ Ví?> >«^ <<s>> *p> SS>> VJ-, «S>> <^> W9) V0) «0> <tf) <<S>) Sy» <«>> <^> 

LICENÇAS. 

AT" Iftas as informações, póde-fe imprimir o Segundo 
Tomada Cidade S. 'BentOy Autor Ficy Joaõ dos Pra- 
zeres ChronirtaMòr , & defpois de imprelTo tornará para 
ie conferir, & dar licença que corra , & fem dia não corre- 
ra. Lisboa 1 6. de Agolío de 1 68o. 

Soares. Ttmoitd. Noronha. Caftro. Frey Vicente: 
EíteVao de 'Britto Fqyos. Azevedo. 

]^y Ode-fe imprimir o Livro de que a petição faz men- 
ção, & defpois tornará para iè conferir, & fe dar li- 
cença para correr, &íem ellanáo correrá. Lisboa 17.de 
Outubrode 1 689. 

Serrão. 

1} Ode-fe imprimir viftas as licenças do Santo Officio, 
& Ordinário, & defpois de impreífo tornará a efta 
mefa p^ra fc conferir, & tayxar ,&fem iflò naõ correrá. 
Lisboa 3 1 . de Outubro de 1 689. 

MeíloT. Çtyxas. Lamprea. Marchai. A\f\>edo. i^iheyro a 



V 

1 

T 



Ifto eítar conforme com feu original, pôde correr. 
Lisboa 1 4. de Julho de r 690. 

Cimenta. Noronha. Caflro. EfteVaÕ de Brito Fojos. AçeVedo. 

^ Ode correr Lisboa. 1 5. de Julhodc 1600. 

Serrão. 

Ayxáoefte livro em quinze toftoés. Lisboa15.dc 

Julhode 1690. 

fyxa*. Lamprea. A^eVedo* 



Pag. t 

BUSCAÕ HUNS MONJES 

S BENTO 

P A R A S E U P RE L A D O. 1 




R E S dias fuccefílvos dorme a 
Panthera,&acordandomedtòfa, 

como fe ache íoHcaria, moftra a 
raodadcjyem os gritos ; & a vio- 
lência deftes lança de fitão qran- » \AUnfi MM«™ <?<**?*»> 

. , \ r .'A J~ da* Epillola* de S . Ih, ronymt. 

de cbcyro , que pela luavidack. K aU ra, ra Ef>fi>i* *d?><f:~ 
dclle a bulcão os animays diftantes : affiftindo-lhc revê- p^^Z^r^ 
tentes, os quedantes fugiio medròfos. * A fragrância, /,í.i8.w/.7*« 

A 9* ue 




i O T^JKCITE VOS <?AT. 7CM.1I. 

que muda os anungs ,& çucupa os tangt^Lt a fama do 

fogeyto,que ço/re emomun<J°3 t en <do akinajatxttrv 

. _, ..., . r cão das azas, medida pela imencáo da virtude, i 

■ C1r<fti bónus olcrfumus. * ' l * 

i. Coriutb. cap. t.n . • 4. 

p. ^ug!íit.JjeOoSrim. Ommbm tis Celebrem Virtiií dcdit inclj ta fartum. 

Çhnpcaf.xi.lome). SlM^HS Táter. 

- -d 

mas primeyrodérão á fama cem olhos , & outros tnnfos 
ouvidos, do que lhe pozenem as azas: precede primeyro 
o ver , & ouvir,do que o voar j ouve ao vulgo, & examina 
os procedimentos, FòrmaíTe a fama da virtude ; & nunca 
aílentou com proporção, fenãolobre a nobiefi : igualda- 
. „ „ , desoçde entre o procedimento, & o ianque. 2 

i tatu ?/f iueht dirnitatis » p--' , x ' o 

Jfatuf, vita,<5 moribus cowpit» ■ * . 

M ortbiíi , £9 ]>/rV? pQ^ mbiiitai e Víros,, 

úerman. de TSlobúitat , f§ Fanié, 

■ 

&provàdotudo,accIamaa vitoria. Semelhante ao fogo, 

que primeyro gafta o humor -contrario, do queleVame a 

labareda, (aõ os princípios da fdma,aíTun nos iurrios da 

inveja , como na averiguação das obras. 3 A tuuocitá 

1 TiSmam primumemicaniê fogtyto, quem emtudo lè ha de moftrar claro. 

<ju,dtmtf CV j n ;f Cl tj«mi»va- 2. Os vagares , com que a lama aceyra ler correyo, 

hfcMefefitmma. f a Õ tantos , quanta he a detétlçá , que o fogey to pòeníem 

Erafmus e X ?i»t*rcb. mo- eícrever a carta 5 (.os dias , que dorme a rantliera^ antes de 

exalar o cheyro, o reprclentão ) fe bem , que ase xperien- 
cias , com que a fama a pura ,le vão mays tempo, do que o 
fogeyto oceupou em iemoftrar único. A fama he como 
o Pintor, que pòem a pintura ao tempo, para que as tin- 
tas provem definas, & téfthão lugardeappareceros dc- 
4 r,8or e sfepo»»»taãte-*. feytos. 4 Não admite aufenciasa fama, por iíío extin- 
*u* opera fuyumexmuTvai- pr Lie a fombra, que entrcpòla o louvor : perpetua a vida, & 
iutta, ,» caujaeft, quominut quer ver primeyro fe perle vera a chama: a vida,& acções, 
^£?£Z£Z& a qu4td.de, & 9 procedimento a;uftados ç he dífpoíiçáo 
".• , para o mundo aplicar, áobra da lembrança perdurável, 

' aquella virtude, com que a pedra muda emchriltal, & a 

terra em bronze: porque nâofe conformando as acções 
co u a pclíóa , fe ambos não filerem hum corpo, havei a di- 
as de íortuua, mas nunca annos de ídma. 

3 Naõ 



mui 



" g Náo fe achou pouca fortuna em Prompâlo Rey < Vapap campo fuigo/ai 

tia byna, que hngmdo ler Alexandre,venceaaDernetr!0, wiikco perdoium,cUrhji/^ 

5 mas pira íi naó ganhou fama, porque, quem a adquirio ™ il S' , *f tre i' te **Hfimt* 

foy apeífóa, em cujo nome triunfou. A Smerdes Mago 

naó amparou menos afortuna, oqual introdufindo-fe ir* 

niióde CambiííesNRey dos AíTyrios , chegou a poííuir o , ... ,. 

19 r - ° ir la inter caiercs Mara r *ó« 

Rey no, 6 mas delamparou-o atamanque quem buíca n»*esmerde*,prop*erfimiihw 

angue alheyo, deixa com mancha opropno : deicobre ^ rw „ OT R rgit jranem; qJm 

íuapobrcfa;quem feornacom as galas alheas. Aíiiingui- " '* Ur fi'*'* jufrrat,fcjj»xie 

cuarortuna a Arcnelao,que dilendo ler hino ae Mitn- Rcgnutnoccup»v, t . 



íd.in ibi. 



datesARey do Ponto, calou com afilha dePtholomeu» 
ReydoEgypto, 7 mas naó occupou a fama, porque et? 7 oircheU** yimH*tè,fi 
ta naõ fogey ta os hombros , a quem lóbe a ella por eícada fihumfingtvt ,&mr,*iqtíeíd* 
alhea. Durou a eítimaçao deites, em quantote lhe naoco- Keg>if»Qus ; ?» ^/nqn^ui 
lihecèoaculpaipareciáo ocontrario,doqueeraó: & fe o ™&'*>M»'t e ™*'$- 
tempo no exame lhe trouxe o deipreío, 8 acabou-íelhe 
o nomeconhecida a verdade 5 porque unindoílè a fortuna * amm*mijl*rtH*$#M*t* 
com o fingimento, icparaíie aiama da íortuna indigna. exí oimvÁu. 

]FamafrèquenteY eumfigmt, qui clignw honor eeíl* 
lnfamis vitioperdidit omnis eam. 
Idem. Supra. 
4 Em o mundo naõhaquemdeyxedeperrenderef. 
teapíaufojem os elementos he a actividade aípiraçáo a 
exceíTo: em todos os eirados ha emulação a ventagés; mas 
Taó dsfFerentesfaõ os fruetos da fama , quanta he a dtfi- 
gualdade dos pretendentes 3 o trabalho, que he a arvore 
daeftimaçáo, amuytos deu com difij borós fruâ:os,&fá 
para os Príncipes os produz fazonados, porque afamahe 
iruetodos Príncipes. Muytos cetros querendo goftar dei- 
te pomo, fedefviaráo do caminho, que ha para o colher. 
He o caminho da fama , como o celebre caminho de Ble- 
kingia, oqualfimdo de mármores, eráoefcritura de letras, 
9 as letras eráo as obras, &05 mármores o premio ;por- 
Guenèllés fe eternifivaõ os ferviços : Osmannores da fa- o V>» f q»*jam tpudaie- 

„ 1 r» • • - r • rr 11 \t*gi&adm\ra*da:::iiiierqiiM 

n;a , nao houve Príncipe , que nao prelumille occupallos, mt u Mm hco pia*ut»fial ..-.; 
mas naó fazendo proefas,que nelles fe efcrevelTem, ficou o ^^/AZíiZ^^' 
caminho de mármore, como a Ponte de lera, que tez Neí- s»wGr«mttie»r. 
trácio ,aqual naó conferveu durável, aquém nellã íc retra- 
tou desvanecido* 

A 3 5 O 



4 O f^mClTE VOS ®AT. TOMO II. 

5 O princjpio que teve, o eternizar das obras , ema- 
nou daquelle tempo, onde o triunfante ornava os tem- 
plos, pendurava em as arvores, & enobrecia a caía comos 

• RtfmuimVtíefiOlfthM dcípoio;» bcllicosda vi&oria. * 

faitu:3 tjiu cultor. Iiv-t%. tf, * ' 

Multai}; perterea facris in pojlibm arma^ 
CaptiVt pendem curris , curVaq; fecures, 
Et cnfiit capxtum % & portar um ingénua claujira 3 
Spiculaq; clypetq; eretaq-, rojlra carinis. 
Virgil. JBneid. 7. 

Subio defpoisamayor eílimação o triunfo 5 com que os 
Romanos inventarão os Arcos triunfais, parte onde pu« 
nháo o retrato das terras, que haviaoconquifUdo, a naçaó 
de gentes, que avaflallaráo,& as armas, que haviáo ven- 
cido, dominando a tudo a imagem do vencedor, a cujo* 

• Benei,HHi oij-ot in Epifi, pés eitaváo rendidos , quantos dominou contrários. * 

Fruflra igitur currus fummo mirantur in ar cu 
Quadruugos.Jiantesq, duces m currxhm altis i 
Subpedibuáq; ducum capttVospopltteflexo 
(L/7 djuga deprefíos , mambufq; in terga retortis s 
EtJufpenfagraVi tekrum fragmma trunco* 
grudem lik 2 . in Symmach. 

Foy enfraquecendo o valor; com que mudada a compe- 
tência, fizcrãooshomé*juíriçaparaafama,do que ferve 
de caul a para o elqut cimento ; porque mudando o depo- 
íleo do teíiemunho,para o thalamo do defeanfo, compufe* 
rão a parte, onde dormiaõ, dos inftrumentos liberays,com 

• DhtBeri Rifi»i*r. v r *//. que fefeive Vénus. * 

— — Arma polita^ & n\tida í 
Qualta non pugna Jed chorei Jpolia 
Çhteu thdamumgemalem ornate ,fedarma crmre 
frer fuja humano Mareia templa tenent. 
jinthelog. Itb. 6. 

Muda Tão de templo, porque variarão de armas: Em o 
templo de Marte 3 lugar onde eftava o theíouro, que fo- 
mente 



EMT${EZA T. 5 

mente foccorria , a quem oaugmentava, a ferrugenta el« 
pada , a quem o langue contrario tirava o lufire , era a que 
erdava oluíjmento do dcpoíko ; donde iediíTe,queiio 
efpelhode Mute, o ferro, que a cile fanoftrava enfw> 
guentado, reprefcntava marmóreo j lendo origem delta 
converfaó a fama, que deyxava, quem enriquecia o tem- 
plo com o defpojoj credito, aquele nega o ler viço, que 
fc efconde a Marte. 

6 Duas portas tem o pallacio da fama, húa principal, 
& travèíía outra j da principal he porteyro Marte, & a 

outra remporguarda a Cupido. 10 A por ta aonde aílif- .„ , *rv.^ 
te Marte, he introduccão á falia da perpetua memoria, «< »*/,*«/«* cftdomu* ahlivià* 
dondeíahuao ostnunrantes da rama, que conbeceo re- afiril . T 
írarcha. A porta , que guarda Cupido, he caminho para a 7°* nn » Efrufauitfinea* 
morada do efquecimento, prifió, aonde encontrou Zezi- 
mio Efpanhol os Emperadores , que intitulou mudosj 
com a vida fe lhe acaba a eltes a falia , porque delpois da 
morte fó tem voz, quem em vida revê bom nome: A Ale- 
xandre retratarão dormindo, fallando comosDeufes,& 
a Calígula de outra parte adormecido, com todas as appa- 
rencias de morto j 1 1 as virtudes de Alexandre , Sc os n fsphomuigr^cuidtpic 
vicios de Calígula, em vida competirão no exceíío ; entre ,uru linpertl g„ um í.j,. z , maxi . 
as fombras da morte emudeífe hum, & outro falia, porque "" 2C - 
. os progreíTos da virtude tem o natural do Diamante, que , ' 

então cometia a receber o lultre, quando lhe lalta a penha, fica mjç^Jm ,« . ^ . 
que o creou j 12 & os exceííos do vicio igualáo^ nos ef- H f m!l ^\ *' mut íj ' Jc:f ' 
feytos/ià medula da Arvore Xaqua, que quando anima a »j sJA*i*$Hh XaqufM- 
Arvore,raz com que delia corra o licor negro, &cortan- T, l j l cvUv<i, ft -„, !K m . 
do-fc o tronco, he cauía a medula, de fe corromper em 2^**£Sgjg 
breves tempos , 8c reduzir-fe a bichos . 1 2 upium r^uat ,n & &&, ^,* 

7 A nenhum deu entrada Marte, que naohzeíle da pa„ r ,c f Ei,*f í u,,ub,f«p. 
vida húa ponte, femclhante à de Polifanga, ornada de for- 
mas varias, & de columnas diverfas , 14 moftrando nas •* 7 »f~;"'' "•**•*,& 
columnas os triunfos, Sc nas lórmas os vencidos: cann- a mb-. »o»procui ^ 

o,queemiuacompofiçaogaltaraoa vida Júlio Criar, tutl! ; lt( i P f0 „ t ,„ í lo , s ' ollij . 
Scipião Africano, Scipião Emilio, Scipião Naíica, Qiu- ^^umj.m^o./rJn,,, , u/ 
viano Augulio, Quinto rabio Máximo, & Marco Cu- 4< j 5 « e uiânju^^u, r«í* »- 
rioj em o* quais afama provou as forças, porque clles em ^^ffS^X 
liias obras confirmarão a regalia da lama ; continuando o./ '."»<*<./"<" 

^ r , . ° ,-> '. „ f e !uí hb 1. e»f% «7. Mfd 

Ceíaremovalorjdaeía^-mque eiieve captivo em Cara- atí^iman 

A 3 111 anu, 



6 O 9í(!KCIfE WS <PJT. TOMOU. 
mania, atéo tempo, que vencèoa Pontpeyo : Profeguln- 
doScipião Aíiicanoconíórmeoalenro,doanno, cm cus 
feupay deu batalha a Aníbal, até odia,emcjne de todo 
deítruio os CarthagineíesjnãodefcançandoScipião Emí- 
lio em acreditar asiorças,da hora, em que começou a guer- 
ra onde vencèo a Pcrfeo, até quando avafíàllou psNfr» 
mantinos; defvelãdo-fe Scipião Ndílca em o exercício das 
armas, da eleyção,que delle fez o povo,acclamandc-o por 
melhor, para entregar aDcufa Ydea^âdonztlla Claudia 
Quincia, até a íegunda vez, que foy eleyto Conful ,mof- 
trando-fe incanfavel Octaviano Augullogmo credito da 
pátria, defde a vi&oria do Oriente , até que acabou de en- 
grandecer a Roma com ediricios j não fe detendo Quinto 
Fábio Máximo em o logro dos triunfos , da pòíTe , que to- 
mou dos Lygures, (a que agora chamãoribeyra de Gé- 
is Di!UfumUavhiun},JS -\ ■ r j- TL- I • f ■ 1 

fubináefirci;ur t v riconeinif nova) are o tnunio,de que iahiocom glonoia palma, ven- 
tur itiuifuftm t» muita cen( j a Amba I : Finalmente,náo ouve parte onde Marco 

facitlarcddttur òtcfamafim. . /ri _i 

fsrshquiâaiiquidadjtcisnaã. Curió bayxaue a lança , começando do vencimento, que 

9te piuiareT.'in Moram. ceve ^ os Samnitas, até a vi&oria , que alcançou de Pirrho: 

«6 Níwofuturumputatdi- oque tudo fendo principio, & fim da vida deftes Heroes, 

i,gi»rem,qu},ai»:pfa K ov<ta> ' , ., r ,* ' ■• , r ., 

teops,at>oniju*»onv,d e i efe em toda cila ie achou conlervada arama, porque lua vida 
ltt''r «'ti"' r lhu ' u ' foy hum valor continuo, i 5 Não deicançou o braço ao 
•maré pia»ta, ih , ut reddaii ceco do primeyro triunfo ^ com influencias de Lua fe moí- 

jr:t8urcpt3toj,qii<tfol.ciliifu. . « 1 .- 1 

ctãtex/uiuubonbur. trai ao as primeyras coroas ,alterando-Je os mares da emu- 

Xi*jfi»nj<b..:ÈpM. lacão,comas repetidas ondas do exercício : na multiplica* 

furaatumaepeiit cet-ge-tmfum çãodos aplauíos dilatarão o nome , 1 6 corn que íendo 
tiquioUrnardiiaífirafaclsr toda.a vida dekes Martespertençaoa novos cetros, bul- 
ijm ghr,imq„ej5fi m *mpro ca váo <ó afama por premio ; 17 tendc-a mutuamente 

J-.nih vrttTKioJiiorum operu SX- * *• ' 

pcbzbant. por emprego. 

£TcZT"rttflZ: qu * \ 8 Mas a vifta defta occupaçaõ, & esforço , a quem 
íji, oceupa«t aure, , q U , a rjif,,. nãofará duvida , haver Autor, que «{firme , ficara aíama 

pe-facioft , © ex magna parte - . . /» .. . 1-1 • •- 1 

me»dax. co o antiguo deicredito , nao perdedo a opinião de pouco 

tefino P rt r » U ''" h ' dc ' tÍ ° h,Ut *' verdadeyra, ainda com fe empregar neftes beneméritos? 
19 ra»ia,qucee(i contraria 18 E £.bida a caufa da fenrenç3,deuíelhe em culpa, enna- 
iâcom^ufarr.ofirKfa^fuc brecer por exemplar, a quem a vida condenava noexem- 
re^inúittfimaioquay.fMi p j jq concedendoífe fó à fama melhoras de reputação, 

tnendacium cpertum. * ' 1 

;«;««» cv/>j. quando períiitio noseccos,com que oceupou o mundo 

^Z^::^::^ ^ valor Catholico 5 20 &çomo defteiorão as armas 
Tibu.*quaieiou*nubuspr*cQ- Luíiranas , as que ie laurearãoinvencivtvs leàmósem òs 

Mtiimii ihfiiiituitmbHt. mármores de bicKingi^ipartí dos nomes daquelics , que 

enve- 



EMVTyEZA 1. f 

envelhecendo os antigos decreto* , era qne afama corce* 
dia adorações , Coubera© tanto apurar o va?or,que acbâtP 
donelle a fama dobrada eíumaçâo, tez do valor Lwíitano 
oscuatheres daaudi^riJade, &rdo antiguo esforço, a !e- 
trada narração ; eíliinando emtantoefte novo efpiruo, 
tjuedefcftima a antigua coroa ; Semelhante aCefar,que 
nãofe prelava deoutro criunfogá viík da vitoria , que ai» 
cançoude Pompeyo. 

o Neí1:aoccaíiaõ,em que o trabalhou minha obra 
pede,o acredite comeíias luzes,veioqueovalor Lufitano 
começa a intrifticet orofiro ,qual outro Balrhazar amu- . ,,. ■.•„,„r, 

* ' J _ 11 vot-paruerw-1 dt£iti quaji 

dará face , vendo que hum dedo começa aeicrever , 2 1 »<•»»' bemmbfcrtbe»th «>»- 

ombra de hum elmo commum,o que a niaoda .„„„„*„*#. 
fciencianáopòde tresladar^com os claros de toda a eru- *>«««'" *• 
dição. Com tanta ma^eftade refplandece o esforço Por- 
tuguês f^nas memorias de fuás proezas, como Alexandre 
Ma^no no retratar de fua peíTóa , dando licença ,que ió o 
fizeífeemeícultura PyrgoteIez,em pintura Ap<.llts,em /, ,. , , ,. 
«ftatua Lyzipo: 22 Não íe na dopouco perito, oque ao xit,neçui,fpfumai>ur,quím 
mundo he com excefío admirável. M/ £ r J lpe f e , _ J, m L)JiJ>u , 

10 Amayor<lifficuldadehe,repartiros prémios con- ex*reJucer*. 
torme os merecimentos, & numerar o exerci to por 4ua or- 
dem. Misnão nve aproveitando eu de codos, por ferem 

muitos livros breve pagina, para ávida de hum ígHcioc 

Português; nem feguindoorde-m, porque o valor Lu ílta- 

no excedèo toda a regra ; menos repartindo conforme, 

porque fó para hudelles faõ poucos os prémios jficarei íe- 

inelhanteaDencio Veneíiano,dequéfe queixou Ncme- 

rida, porque a roubou deíua pátria, & de quem íenãooí- í% p^ at0 „j Uf i e tj}i Z a>- 

fendeu Medetna, de anão efeolher por cl pofa j 23 fOK- 

«jueaefta não tirava elhmaçáo a mão humilde,queefco. 

lhia,quandoellaem fitinha afermolura ,que a (ing^lari- 

fava: fendo o aggravo de Nemerida, verfe tratadi^dc 

quemanãoeílimava fenhora j inasfoy injufta aqiãtyWft, 

porque, quem não conhece a pérola, que muito he lhe nnó 

dèo valor? 

11 O primeyro Hercules Português, que conrveça a 
desluftrar as antiguas procfasjie ElKey Oom Aífonco 
Henriques, vencendo em o campo de Ourique aHydra 
Mahometana , que compondo-ie íeu exercito dte fuveo 

Keys 



na iti vim >-»'■ "'>• 



JJliJttUf, 



8 O VkmCITE WS <?JT. TOMO II. 

Reys Mouros, valia cada humdelles per dez cabeças, que 
unidas em hum corpo,foraõ por eíte Hercules privadas da 
vida,& a produção de luas cabeças impoíTibilitadas de 
forças; viâtoria donde feu valor mereceu o cetro da terra, 
24 Quem Dou immònálu & f ua Monarquia alcançou confirmação do Ceo. 24 
fi,„ x it. De todos íeusdeícendentesíoy herdado eite estorço: en- 

tre os quays me illufíraó a memoria EIRey D. Sancho o 
Primeiro,airoládoocampode Xarafe,&deítruindoo Mi» 
ramolimjíendooprimeyroFrincipt Chiiíião,qdefpoisdc 
vencida Sevilha pelos Mouros, chegou vi&oriolòa feus 
muros; acrefeentando a eftes for talela , cõ leu nome, Sc ao 
Reyno^mur«ilhas,comfua memoria. EIRey D.AfFonçoo 
Segundo,que vencendo em Elvas aosReysde Sevilha, Sc 
Jacin, coroou feuexercico com o vencimento, Sc enno- 
breceo os vencidos com íeu valor. EIRey Dom AÍionço 
o Tcrceiro,acabando de extinguir os Mouros do Algarve; 
livrandoaefte Reyno da mortalha, & viitindo a Monar- 
quia nova purpura. EIRey Dom Deniz, que triunfando 
de hlReyDom Sancho de Caftella, chegou com aefpa- 
da até Valhadolid, & Salamanca ; dtixando entre as lç- 
tras aefpadacjpor enfino,& no comercio o nome^ por ri- 
queia. . 

1 2 EIRey Dom ArTonçooQuarfo 3 em a memorável 
batalha do ba Jado,ondedevendo-fe a leu animo a empre- 
2a, íoy feu o triunfo; dependendo delle a vitoria, porque 
ctta não fe alcança lem esforço. EIRey Dom Pedro o j uf- 
tiçofo,que fe nunca defen bainhou aeípada para a guer- 
ra, nunca a tirou da mão para ajuíliça. EIRey Dom João 
oPrimeyro, na vidoria de Algibarrota, & na tomada de 
Ctuta , vencendo as duas nações mayspoderoías, parais 
coroar com o triunfo de todas. EIRey Dom Aífonço o 
Quinto,na tomada de Arfila,&Tangere, eícurecendo á 
Lua,que aparecia em fuás torres, os claros de fuás proefas. 
EIRey Dom Joaõo Segundo, delet brindo o Reyno de 
Congo, & Cabo de Boa Efperança, Sc faindo gloriofo da 
Batalhado Touro; parte, onde em hum mefmo tempo 
ferviofeu braço de amparo, & de ruina , òèÚ* aos contrá- 
rios, 8c deamparo aos amidos. EIRey Dom Manoel, inti- 
tulado Emperadordo Oriente, & defcobridor do novo 
mundo j não baftando pherdado^para fua Magelbde, 

foy 



EMfftEZA l 9 

foy necefíario appareceííe novo mundo, para capaz ef- 
trado,deíeu crono. EiRey Dom Joaó, oTerceyro, que 
empunhando a efpada concra o judaifmo , rcduíío o Santo 
Tribunal da Inquiílção, á forma, em que hoje exifte j ten- 
do o zello de Deos por empreza , para moftrar, que vivia 
fem temor. ElRey Dom Sebafíião, aquém a dilatação da 
fé levou a Africa; naófeílie pôde negaro Louro, porque 
o intentallo, bailou por triunfo. EIReyD.Joaõ,GQuar- 
to, oqual armado com Teu nome,foy para Elpanha rnveh* 
eivei exercito, & para omundo todo reconhecido Mo- 
narca. ElRey Dom Affbnço ,o Sexto, a quem deraõ o 
nome de Victoriofo, porque emfeu tempo foraõ tantas 
as viaorias, que a nenhuma fe deu completo aplaufo. 
ElRey Dom ! J edro,o Segundo do nome,reí peitado de to- 
do o mundo, & confervando em paz a lua Monarquia , no 
tempo, em que os de mays Príncipes viviaõ em guerra: 
fendo taõfíngular o governo defíes adeofados,que ^q[" 
pois, que florecerãoj naõ avultou outrem em apaz,nera 
cm a guerra. 

ÚfarOj ònejjum , d? in alta fama faglta^ 
Vididopo cofliíi (pio no me enganno) 
Opor arte di pace^ o di battagha 

Tmach. ttt. 2. Trittnf. de Fama. 

E fe o trono do victoriofo compunhaó os Athenienfes de 
braços, em lugar de nuvésjhe impoíivel numerar todos os 
braços,qiuftétaóotronoLuficano;náohafamiIia illuftre, 
cm Portugal, que os não tenha multiplicados 3 menos fè 
pode particularizar triunfo, emqueeftes credicos prova- 
rão invcnciveysj porquetodo otempo, que governarão 
hús,& militarão outros ,foy húa dilatada pilma j & taõ 
valentes todas fuás proc ias, que fendo a gema do valor , o 
braço , que as alcançou, a nenhúa concede ventageni, ain- 
da que lha déííc o tempo. 

Kon con altro rumor dipetto danfi 
Duo Leonfiri^òdtto fdgori ardenti 
Cb y a Ueh y & terra , fé mar dar lu^ofan^t. 
(Petracb. Triunf. de QJHtat, 

tt 13 To- 



I0 O T^IKCITE VOS 9 AT. TOMO II. 

1 5 Todo o defcredito,que padecia a fama, antes que 
eftesSoys iiluílraífem as forças, era, fer como osrios,c]ue 
na corrente que levaõ, metem em li, quantos regatos a-> 
chaó; aíli afama levava configo, quanto acreíeentava o 
vulgo. 

Fama loquax pervenit ad aures 

Dejmira tiifá , qu<e Ver is adderefalfa 
Gaudet : & è mínimo fua per mendacia crefett. 
Ovid. a. Met. 

Com o que perdendo o nome de verdadeyrà , affirmavaõ, 

que durava, em quanto a mentira vivia. 24 Era taócó- 

.4 Ea iF.cmâithhjt quoâ ft C onceito,que nas primeyras emprezas Lufica- 

Honmji cummcntiturp erjeve- • " • w -■ n I J i 

rat, $ia>tJiu vivit , quanJiu naS) f e abraçou por certo; mas como íerepetillem as vo- 

nonprobat,ft quidem ejl Proba- r _ XT . , . 

vit,cfaiefc ; tf quaft ofício zes , rorao muy tas así>açoes,que quizerao conhecer do 
jurtie»Jijjin84,remtraJit. p r j nc jpjj & n aó menos os eípiritos nobres, que fe empe» 

1 ertul .tA^ol .c ap .7 de fama. í í ' 1 -n 1 

nharaõ no exame j mas fe a fama os trouxe á aviítar o valor 
»s idem Rcgma Sahaautit* Português, aíTi comoá Rainha Sabá o reconhecer afabe- 

fama Sahmonit :: venit tenta- I • 1 /> .1 - _ D "_U. C ÍT - 

neum. i.Reg.cap. , . dona de Salamao, 25 como a Kainnaconteíjarao os ex- 
ploradores, fero exceífo da fama brado femalma,á vi fia 
,6 Vtrwe?ifermo,quemau- d a alma , que lhe fervia de efpirito; 26 & padecendo rui- 

itviinterra meã ::vidi ocMit * . » . /-• • 'ri - 

tnsu, r d frobavi, qmd media na, os que vinhao a tomar a relidencia, louberao, com 

Cíf^tfaX^Z P erda da vida , que a fama , a quem dantes chama vaõ dita- 
fuam rumor, qHimaudui.ibj. dora da mentira, era ja fonte da verdade. 

. — Se d Vox hoc ntmetat omnis, 
Credo íibiiVerum dicerefamafolet. 
Mart. 7. 

14 Donde reftituido o credito á fama , ficou fendo 

conhecida pelo ceyo da immortalidade , por fer a parte a- 

onde o terreno fica fempiterno, porq a virtude, que entre 

, asligadurasdocorpo,caduca,Iivredeilasficairnmortal27 

27 Nammortui non habtnt O í ' • ' 

epenift debile ,quod manet itt 

ef ZZrl;%,s.Man,, QuilibetbaricfaVôVitammibifiniatenfe, 

Fama rer^mgeftarHmfoji mar' ]fi £ tametl eXtlUCÍO fami [libei flíS £»'/'.'. 

temviverefacit. n J nr ' n 

Livtc.i.Dm.lib.i. UVict. I . 1 njí. 7. 

porque fendo a fama oultimo fufpiro, em que fe rcfol- 
vemnoílas obras, íó entaõ fora mudo voato ,fe fenecen- 
do 



EM?%EZA 1. ri 

doa vida acabara a memoria ; provandoemferefimera,a 
mentira, de quea levanta o vulgo ; Sc noferimmortal,a 
verdade, com queella mefma celebra asproefas; eíViman- 
do-ie a fama em Ceo, porque, o que nelía fe ve, faó efí. y- 
tos de luz; em beinaventurança , porque fó a alcança a vir- ** fm*fequiJm wht, ef 

. i*i i* r-v • a. i & ideo tndie qui* ex opcribui 

tude: 2õ conhecido remédio, que o Divino Amor deu h'A 
ás perdas, que nos refultàraó da deiobediencia ; porque D - Btrnard í tT i\f"í cãt < 
ficando mortal a crcatura, na fama, por compenfr çaõ, lhe 
reítituio a immortalidade : fendo a fama taó íuperior, 
quefó lhe faz fombra o eterno; & fua voz Caó útil pa- 
ra o particular, comoparaocommum; para efí;e,na imita- r a ,,.,.. 
caõ , a que o excita ; & para o particular, no rei peico , de monpter proximum ■. quanta 

C 1 ' r i 1 • .. J aafi propter duo : primo , auiã 

que o orna a 9 ficando a lama pregão da virtude, porque h J J fa L ^^««,,1 ti 
fem fama aproveita ao particular,com o meiito ; & naó á ommíhonaêxterUn.Secmiot 

republlCa,COir) O exemplo. ma mterdum homo abjlinetje» 

ftccatU : 'i5 proptir a'iot , qttia 
ex ptceato unnu puh!>cati 

Vtlc latem vir tus j quid enim fubmerfa tenebris mu!ti P r °w»* ■>dp^ccanda. 

-. . . a l * J ^AbuUnf.fup.Mstlb.tom 

•rroderaf %.&,<>, mh,%%. 

Uaudianusinq.. Hom. 

Entrou a fama em o numero dosbés ,que Deos fez a Da- ,'?, *"**"*•««««;*•*; 

3 Tl Jt Magnorutn qitt cítcbrr.tiir m 

•vid , 30 contando-le, por excellentia, entre as prendas, fina. i.faraiifoij. ».«. 
comquedotou ahumíbgeito, 31 & achando-íe por a- 

dj '• 1 ■ 3 r» • • j r» • I ' "Mutnificuvit eum in ti* 

orno da virtude , com que viveoo rrincipe dos r atirar- £„tinimieorwn. 

chás. £«/«/.♦$ «.1, 

1 5 Em a fua cova deixamos , no primeyro tomo , a 
SaóBento,vi&oriofo do penfamento impuro, que calVi- „ , 

'.,» , r ' ~l ) t Keeedente içjtur tcn'an- 

goucomosefpinhosinloportaveis jinasfervindo oauxi- auivirDeiqmjijpi** w«í*r 

1:_ ■• /-> 1 ' 1 1 cxnltatterra,d:virtutHm Cere* 

io,que o reclinou na Çarça,de queda , com que quebran- npritci^s^dcJ.uPr/ca- 

doífe aquelledepofírodefantidade, comeífou a exalar o ?«""'?»* exmUewnrj-«ti<>- 

, j r • 1 1 r 1 r - ritt ctlebri nome ejut babebattir . 

cheyro de lua virtude , correndo a fama de leu nome : 3 1 D.G,i S .Mag.i.\ior c*p. 9 
& fe danteschegáva a fragrância aos pertos , pelo reclulo, 
aos longes fe encaminhou o odorifero, pela effuzaó; 3 3 a- ^Jq^&J? 
proximando-lelhe osdiftantes,guiados por eíle conforto. ipf*moJori*fUgràti*m;fint». 

Cii-j 1 r • \ \\ L'- tiinrffundatur ,ipjnm qiioque 

ada nu» da? chagas, que os elpinhos lhe abrirão em rc ^ etãerem% r 1 

o corpo, era húa boca, por onde a virtude dava vozes de ■^.««.'.Ci» 

• C ' r o • I • 1 - • C fíonitedor,fainjbr-itj,l>onufe» 

Victoriold j Sc a violência , com que aclamavao otnunlo, i„ t enjcUnti» fe»* 
fazia,com mayor actividade, fairo fragrante: comtantas * *^£? e fZg{m«i!# 
ventagés começou a viver fua fama, que nefte tempo íb taefmmcurnmmt. 
avultava feunome: afíemelhando-fçfua virtude áluavi- 



]> 2 dade 



rs O TTsjKCITE VOS TaT. TOMO II. 
f s Exejtuiomt*teeJt,títvi»- ^ j e do Ginnamomo,que cem por naturela.haõ íef fentt*. 

tat omnem odorem prepterfu», } r /rn 

tinoncenfceaturcumco. do outro cheyro , aonde o ku aíliiíe. 35 Vendo acova 

^fmrâmtaeiitodonm efte lucceílo publicaria , á imitação da Lipola , que o leu, 

/"'"» <-->»•»• Nardo dera o próprio cheyro 26 & com r.ilaõ dava a 

„ í7 (ia U Jetprtrofirioeu,tfo- \ l l , n , ^ -" i" 1 ]• 

^/rc, uStvjtittitiitatuftalr.i- Sao bento o nome deita planta - y porque le o hálito, que 
^a^o^prcsoJ^av,-^^^ e delalia'á fuavidade, que as mays flores tem,. 27 
• ciopi ! r e,!>o herdar. «^5 bento deípois , que ie examinou penitente , aperte v- 

18 0;:n:um /uflorum fhiritlt . . 1 J . p • 1 1 

fhnusfuit. ço-ou virtudes : com o que , tendo íeu nome a amenidade 

DGrcg. x.Diaio. docampo, ennobrecido de variís flores , porque reípira- 

^g tialjjmtis,iiiciturqua/í Ba 1 ' . ' ix 1 

a 'jH>cwe>i, idefi 'rmcepjun- •va com o el pilito de todos osjuítos, 38 ficou lendo rei* 

çt<t»1or:t»' -.qui* inter caiem ■ 1 n ir J r • 1 J " íV 

vtguenuacL.u,. peytado pelo baliamo da lantidade j poique 2IÍ1 como 

itorerjhp Ecdefn . 9 6 t . Q jg a ][ amo pela muita virtude que tem, lhe chama© o 

* Multipha g<at<a decora- ' * J 

tu,,acriphtíis Spntxuf Sá». Principedos unguentos, 39 Saó bento,peloexcelio das 

Bus, Iníhiutor, ac Leais lator i • i JIJ" JT1-" l * 

fcjri, E,em,ra,mco- excellencias, he venerado Príncipe dos Putriarchas.* 
rctj,Pote»finv.rh, v ope,e. ,5 Donde , mudando-fe a co va em alampada , nr- 

facie*r miracula miiItJ, tf ma. . . , . . , II I j lo 

g na,i-»mo máxima j;i, omni dia com o óleo da entidade , aquella luz de exemplo; & 
Ç7Z^cí:^:fu' quanto mays a luz le augrttentava, mays crefeia o óleo; 
ter. uionif. c>ribuj.jcrmo»e conformando- fe a cova com a Alampada do Mofteyro Pi- 
\o in Patavienj, etiamfanti cavience , aonde , quanto nella mays ardia o lume , tanto 
^^^"^"'"''"^maysfobiaoazeyte. 40 Inundava a cova com eftasen- 

aReJegiua kegina^LrucuUo- J J i 

mmmojtnfa.úcuiaeiíaiafum clientes, & era a abertura, que afazia cDrx,mtinicavela- 

ma relivionc cJcbaiur Jampas i r I • I: i\~'C - i i ' r 11 

èrtiyerpÂuh *rJen,, q u/ qU o parte , por onde iahia oluor íaluníero 5 nao iokmelhan- 
maguardebauine* magú ohu c C a f )n te de azey te, qiufeachâ em o monte Urânio, pa* 

r.Ju.iJ^oJt. D.<jreç iuru- . J ' J r '' 

renfi, apud Mayoium verbo x <i aqu>jl ha de liir dtípido, quem ie ouver de aproveytar 
? írilCi^I?«fe«i2 ns delia ; 41 fenaõ tau bem , como a da libeyra de Exaucia, 
procui*ch»tcedonefonumb»_ ími#com igualdade Te communica a todos: 42 porque 

btt ohi,cui vole-.ttm propmquu ^ . ° _ -n-ri l n C T> 

fer>,nu<ume\ie:p n net. os peccadores , & os juíti hcados todos, neita lonte benta 

f^M»Z dVC ' bj Mmt " bebi.õ a doutrina j& comeanto excedo acha váo em Saó 

4?. Magtjter PetrusPen-onius Bento remédio , para tudo quanto neceffitava, sííl a alma, 

verbo oleum. num.\. l r • J o J iV PI f 

4 , Nuíitupoft^poftoioi,® como o corpo, que delpois dos sagrados Apoitoios,ac 

Eva^ri^F^^pau*,^ Evangeliftas, nenhum iufto o igualou na abundância da 

morn4Pencuu,c U nB,fqueam- \\xiuae. at, Entre os de particular nome, que guiados 

Í.HrumisHajicnfujerm.^. da faina ,& íequiolos deite necbr,vierao bulcarai. ben- 

ieCónfifforibuz. t foraõ hús Monies, a osouays havendo falecido o Pre- 

44 No» longe ameti monaf- ' à • ' • ■• n 'A ' 

te>iwnfu>t y 'cu/iu*ongreg«t>i>r lado , rogarão a eite Príncipe, para ieu novo 1 altor. 44 
P^JX^£SÍÍ Propõem ao Santo a neceííidade , que tirrhaõ, de quem os 
2#«» ventraMem BemUMtím guia(Te,& o perigo , que corriaõ, lem ter quem os defen- 

venit.tf ■»a'iHií precbuíyUieu l „ I O '1 - 1 

prueOed ben-t . petvt dClle. A*y 

O .Grei Yi "/ 1 !'. j .r ap.%. 
4í ÍV k habc»t Prhicipcm^tf 
tdjuvantem , «íikc í/^c expug- " 
uemufillot. i. trlach. cap. ii, ,,, /- i 

r • £/ ej.ju-iaron 



' 



Elefqundron degènté nw lu^idd 
Sm Capttanferk vencido, y roto; 
La Naoempave^ada^y b.ifleada 
Lafobraràn Us agocvs fin Pitoto; 
7)eJpcjado/eià dejangre , y Vida 
(^ebãúbo fin pafior con alboroto , 
Ecbando en elfunofos diente , ygarrA 
Lobo qtie roba ,y OJfo, que dejgarra. 
BraVoinfua 'BencdiclmaToetica Canto 4. 



... .. 1 

Recufa o Santo repetidas vefesa Prelaíia, mas continuai** 
doos rogos, abraçou a Cruz 46. 

17 Naõ podia afama ancilar outra occaíiaõ, para * 6 Q»'*** negtnio àifiuiit, 

r r 1 A (\ (T t - rv-irJUorumauefrelrum mori- 

provar luas torças, do que o tempo deita orlerta. 1 aoen- *«,/< ««*«,,>* »on pofcpr*- 
contrada era a vida deftes Monies,ao exercício defte Prirn *5 /, --/y*l a »/5f*t"/»*» 

' ' Ciem afFtnfum dcdit. 

ripe, queo Santo, porque conhecia adefigualdade, recu- D.Gngor.HHjup. 
fava o governo (em a feguinteeiiipreza íemoika,) & tâó 
poderòfa foy a fama,c|ue ie divulgou da fantidade de Ben- 
to , que a léus eccos íc renderão os etfcranhos ; he efte o ti* 
tuia, que a abltinencia deu, aos que vivem lem reforma, a 
refpey todo timorato; & pára que os eftranhos: ie fogey- 
taílcm, fuy primeyro neceífario,quea famacorrène. Da- 
vid, nas graças, que deu a Deos, pelo livrar de feus inimi- 
gos,publ ica, que fe os eítranhos lhe refiftiíTem á peíloa , os 47 m ,,,-.„; f(f;fiM ^ 
hàviadeavaíldlar fuafama; 47 naÕ fiou da prefença o ai,J "" e* r * »>>' i>~"* >>•'■< ■ 
poder, natama pos as torças da eitimaçao; porque fen- 
do-íe os eftranhos em conta de inimigos, 48 lendodeíte «s SiH *fu*texftri;*tõ 
toJa a diligencia bufear refguardos,qiie íervindo-lhe de f^i&g^CT 
muros, rcfiitáo à logeyçaó ; osmuros,quereparaõacon- e*fy&^taie>ikiie*tiè «* 
trarios, humilhao-le a fama , & reiíitem a peíloa. Fortale- 
ciáo-iecom os muros de Jericó os inimigos de Deos : rc- 
parava-fe com os muros de Abela, Seba , contrario de 49 Voxfonitufque i»ã ■■■- 
David j& não efperando os muros de Jericó pela riaéaria ""<"—<"••'",. a - 
dos Toldados de Jofué , porque cahiráo , antes que os fol- 
dados pelejafíem, 49 os muros de Abela reíiítiraõ is 
forças de íoab , com tanta fortak f.i , que rodo hum exer- , , , , . , 
titoíeoccupava em lua conquiita : cjo MnytadcÍ!s;ual- »■<>/. t. 
dade havia em a fortalcf 1 de hús , & ourros màros; porque 
os àt' JtíHCÒ eiaó lumptuoi*» , & 09 de Abela de hkitos 

B 3 . bri- 



io n. (, 



s 4 O ?%2NC1?B WS <?AT. TOMO II. 
fabrica ; donde ao contrario ru via defer o lucceíío, fendo 
os muros de Abela, por menos fortes, os que menos rtúC- 
tiííem; &os dejericò, por mays fortificados, osquemays 
icpugnaíTem; mas na defigualdade dos combates íèniani- 
feitou toda adiveríidade das fortalelas: Ao exercito de 
Joliiè acompanhava hum numero de trombetas vocife- 
rando, 51 Sc aoexercito de Joab,aprdença delk Ca- 
„ lèm-nripopãioei. P»«õ,& defeus foldados empenhados, na bateria, 52 

ftrsnte,® ciamiuaibMtatu. &aoiom ààs trombetas faltou aos muros de Jeritò oali- 
iiomnu auum turba, qu* ceife ; mas á prefença dos foldados , & da peiiÒade Joab 

tratcumjoabmoi.bMturJtf- n aó defamparou a fortaleía , aqj muros de Abela : com o 

que, defendendo eites a hum contrario , nao reiguardarao 
os de Jericó a muitos inimigos: Da fama eraô inftrumen* 
toas vozes dosclarins, & auseccos da fama naõ ha forta- 
leía firme ; quando a afíiftencia dapeífóa acha a fraqueza 
conftancia. 

18 O vicio, que eraomayor inimigo de Bento, to-» 
woupormuro,aeiia capa religiofa,& naõ foybaílante 
íeu poder , para fe repat ar á voz óã fama • porque ou lejào 
efhanhos, ou inimigos os oppoftos, nem ahuns favorece 
o ódio, nem a outros ajuda a pátria j porque afama faz 
defíítimaraefta,& acabar o outro. Paííbu MoyíésoMar 
Vermelho com o povo Ifrailiitico, Sc defpois de andar ai* 
gús tempos em a ioledade, naô faltou dos Egypfios 3 quein 
defeiaífe de o acompanhar: Ç2 Poyshú Moyfés, aquém 

* ? Mvlti ex Egypiyr cupic- J r * . • l • • 1 ri •* 

ttntaÇoatriiUi. Meef»nssut os tgypiíos encontravao , ja ne apencido por ienhorí 
iitiijtor.EvpM. Q Egypto, que era fua pátria , eftimaífe em tão pouco, 

que fedefeja trocar por hum deferto? Si, que da foledade, 

, 4 jiMmmimpni^ aonde vi . vi ? Moyíéí.fe encaminha va ao Egypto a fama, 
qu* Mcyfcf/crvHs Otifacicbtt dos prodígios ,coui que capitania va o Povo, 54 & a os 
Mcof , n .+ combates da fama nem o amor da pátria lhe refilíe, nem o 

ódio os rebate, porqueafama mudou em afledo o ódio, 

& em folidaõ a pátria. 

19 Eftes faõ os poderes da fama ; mas advirtâo os 
Príncipes,© quanto cuíiou a São Bento de exercício a for- 
ça delta íuavidade. Pede advertência ,que em Efide , par- 
te onde o Príncipe dos Patriarchas lançou a príiney- 
ra fragrância de fua virtude, (que toy opriméyro mila- 
gre , que fez , ) a voz que delle devulgou a fama , não foy 
tão uoderófa jtouw aque nefU occafiáolhe celebrou o 

nome. 



EM? (REZA 1. T ç 

nome. Em Efide fendo muitos, osque fe compungirão, 
não houve hum, que c acompsnhaíle , Sc em Sublaco , re- 
duziraõ-le todos , os que conhecerão a virtude do Santo». 
Donde fe acha com mayores forças a fama , nefie deferto, 
do que naquelle lugar, porque nellefoy aaceytaçaó dos 
milagres, de hum vulgo deítraido na vida, & nefta foleda- 
de teve o aplaufo de lua virtude,de húa companhia pouco 
reformada. A culpa, que vive entre unidos, he a que mnys 
retine ácxpulçaó doerroj aque habita entre dilperíos, 
deyxaffe vencer com mays íacilidade: schaiTecom mayor 
fjrça a fama em Sublaco, do que em Efide, para que reco- 
nheçioos Príncipes, naó ferem as primeyras vozes da fa- 
ma, as que vencem a valentes ; porque fó ás fegundas fe 
rendem os alentados. A ordem,com que os filhos de Ifrael, 
nodeferto,mudaváo dealojamento , aonde efía vão, era 
ao fom de lula trombeta , por efia ordem: Ao primeyro a- 
vifo da trombeta fe moviaõ,os que eftavão para a parte do 
Oriente, & ao fegundo final felevantavão os aquartela- 

os , para o Meridiano: 5 5 os aquartelados nelta parte e „ e ,fu, ciingbri» Ubpuent, 
eraõ os de valor conhecido, <6 osquevivíaõparao O- " 7at "*"" ,í ' J/í '^''''"''''"'/' , ! í 

_. ter 1 aJorientakmp-hgsii. Inj cu- 

nente,naoerao tao alentados ; & paraie mudarem osde âàáute>nfomrn&r*riittuuiH 

r 1 IT f t 1 > tubec Lvabui:ttcitor:j, ...... :- 

menos forças, baita valo a pruneyra voz da trombeta j mas Muím *tfra*< &*>** 
para fe moverem os mays animoíos,era necelTario fegundo rum '°- ■'■ *■ V 
avilo rnaoha animo, aquém acompanhe ovalor,que (P-beUture/jbrtiffimi. 
•bedeça áprimeyra nova ; na repetição aplica a fama a e «' uíR - :{i: "f""J u P-"-' 
virtude. 

20 Comaprimeyra noticia fica oceupado hum ou- 
vido, livre o outro para o exame ; mas na repetição, como 
os oceupa ambos, não fica lugar á duvida, tudo faó razoes 
de temor ; & efie para obrar o effeyto, ha de oceupar todo 
ofentido. Defcuydado o Sacerdote Heli da creação de 
feus filhos, deyxando-os viver conformes com fuás vonta- 
des, & não com osdivinos preceytos, dilTe Deos a Sa- 
muel; que com tal rigor caftigariaefh culpa, que a ambos 
o; ouvidos havia de oceupara narração do cazo: 57 o |y Etce ^ fjeit)veriltn , „ 
caitigo foy a morte dos filhos de Heli, & a noriciaera p3ra Tjv»ci, que lq»icumque*uJis- 
temor do povodellrael; do conhecimento deite lucceíio ..r^»,»^., ,. ,,. 
fchaviãode emendar, da mefma culpa ,muytos do povo, 
quenella dilinquiaõ; 6: para que o temor èbraíTeefltYCQJ 
oceupou a noticia ambos os ouvidos do povo. 

2 1 Do us 



-1(5 O <?%!KCI?E DOS QAT. TOM. 11. 

1 1 Dous citados de peíióas reduz a fama ; avaflàlla 
a necefifitados, Sc reconcilia inimigos - y & para cites he ne- 
celíariotoda a força, & para osncccíikadcs baita menos 
empenho. Mandava Dcos aos iervos , que acabando o 
tempo de lua efcravidáo 3 quizeíTern,de livre vontade,ficar 
em caia, de quem haviáo fervido, que ofenhor lhe furaí- 
íe húa orelha , em final, deque ficava perpetuo eícravo: 
. «... ,. . , Ç8 efta marca era, para que o fervo conheceiíe a iogev- 

çS SittautcmJixcrit nofoe- ' _ -10011 

grtJi,<»$u<>jJi!igaiie,&Jo- caõ,que tinha j Sc ena lembrança, para quem tem conve- 
7$::^?:tXÍZ "ienciaemfer dominado, baíhva,que tá em húa parte a 
Vptrfonabi, aurem tjutitij». trouxeíle, porqueema outra,orefpeyto era ferrete da 

mm donius lua , £? ferviet Pbi x x i ■ i • r r \ \- 

vfauei**urttum. memoria j mas em quem acha detrimento no ler íubdito, 

4 Lutero*. »5.«. ,8. heneceíTario,como osIfraelitas,que o exceíTo da Lnu 

Jheoccupe o lugar da dependência. 

•2 1 Todas as quatro partes do mundo oceupou a fa- 
ma da fantidade de Bento : em toda a parte onde Chrifio 
foy,&he conhecido por Deos, teve, Sc tem São Bento 
r r, • a .,„ ,a particular veneração ; sQ dilatando-fe o nome deite 
fçitityimeriu. Ge>-.cat,. 28. Pnncipe,nao por nua lo voz,nem em nua lo Região, Pro-« 



KS^-SgSS.5 vincia,ou Cidade, fenio.por donde a Igre;a Catholica i 



e 



MeriJiê. JVj 



<i*mtnqMrtuormu- dilitaem Tnbus,em Nações, & em Lmguas.fe reconhef- 
tuscoUt U r,mewor>a bemd.Eii ie a grandela de Sao Bento, oo Dilie liaias,havia de nai- 
l £Z£&!* Mr '" ferm ' ^ cerhum Vaiáojoqualjcomas azasdefuavirtude,tinha de 

encher todas as cerras de Chrifto. * Bem fe pôde acomo- 
jãMà*7^uml*mF»x t neiui>M dará S. Bento ena extençao deíantidade, pojsque ato- 
Ca* g rtg»tu t »ecuniv*bssva cj a a p arre do mundo chegarão fuás memorias. O mundo 

rrovweia prí.clai?ai ;Jjtlubi- 1 O % 

tanque s*«a»Èc<!efi»diffitn- todo, quecontra Sáo Bentofehavia empenhado, o vene- 

êiiar per Tribus , per Natio- r> j j 1 j c- 

«c/trLmguassi*** Be» e di- r°u Santo : porque a todas as partes do mundo , ou de ieu 
aifitj»e*tatM s.odfjmfir. inimigo, pós Sáo Bento em temor, com a repitiçáodefua 
ihriacent. íamn. òuccefliVdS rot ao as vicionas , com que encadean- 

* Erit ex:e*th ,Urv,n ,jus ^ - l \ os apIaufos,íiciaráo o mundo. Todos os quatro Cli- 
ityhHstatttudmem terra t«* niasíè tributarão feudatarios a Sáo Bento; porque Jhedé- 

oksn/wueL JJ.imB.h.S. . -no ir- rii- j -• 

raoosmays siluítres Varões, para íubditos: de mnumera- 
veys,queforão, fejáo poucos, os que o teftimunhc.O Oc- 
cidencedeu a Sáo BentohuSão Gregório Magno, Sum- 
mo Pontífice da Igreja, & feu Doutor ; hum São Millão 
deLacogolla, Patrão de Efpanhaj &hum Sáo Ildeícrço 
Arcebiípode Toledo, & Doutor da Virgem; & hum Sáo 
Lvfnes, Protector de Burgos. O Oriente deu hum São 
João Dimaícenojhuin São Pedro Monje, inventor do 

Rola- 



EMT^EZA 1. i 7 

Kofarxo da Virgem Sanriífima , que def pois redufio a cen- 
to^ fincoenta Ave Marias o Patiiarcha Saó Domingos. 
Q Meyo dia, deu hum Contamino, que foube quantas 
línguas fe fdllaraõ em o mundo. O Scptentriaó,deu hum 
Saó Beda,hum Santo Anfelmo Arcebifpo deCantuaria, 
&Doutorda Virgem. 61 Delpois deites, (e multiplica- *» sei áo octiá „tt>gmt i, 
ião turmas em todas as partes do mundo , de quem a Keh- 
giaó de S. Bento loy campann3 T & o Ceo he Palácio. 

23 Afly í^be multiplicar reípeytoshum Principe, 
que como Saó Bento accumula virtudes. Dos progréllos 
continuados emanaõ os poderes da fama. Ahúacieatura, 
que vi vendo eíquecida, defejava íer lembrada no mundo, 
ítconfelha lfaias, pegue em húacithara, & correndo as ruas 
^aCidade, cante íellcótoá doçura do inftrumento tempe- 6x Suwccnh3rj mx ; r tu t o- 
»do,&cjprofegiiindoo canto haverá desmemoria: fó ^^$Z^Z 
ISaõ diíle o Profeta , que cantando bem húa ló vez alcan- *'«"», utmewunê n,if,u 
Caria fama; deu-lhepor confelho ,continuaflt com amef- «* v • 
jnabondade da nuifiea, para adquirir nome. Todo odif» 
vellodeftacreaturaera,fereftimada 5 & aeftimaçaó,que 
relul ta da fama, naõ a conlegue a primey ra acçaó ; em fre- 
quentar o bom exercício fe adquire apóiTe. Aprimeyra 
letra, que fe canta, correipendeá pi imeyra proeza, que íe 
obra j & aífy como fenaõ particularifa nos primeyros qué- 
bros, quem naõ continuar igual, tatu bem naó alcança no- 
me o valor, que naõ piofeguio conforme. Quiz Jonathas 
eternizar a memoria de leu Irmaõ Simaó Macluibéo, & 
cmaCidadedeModim,ondelhedepofitouosoílos,man- 
doulevantarfobrefuafepultura columnas varias, aqutm 
íeívi<iõ de chapiteis armas ditTerctes, acompanhadas de e<- 
culturas, em que lemofíravaó embarcpções diverfas. 63 «, Hitcireumfcfuit.cium. 
E fe o Texto diz, que o depofito das anuas foy , para que JJ WJJ ^^."^ 
a memoria fofle perdurável, para que a juntou ás armas ef- ma**®/*»' f*** »«»/*»/- 
tadiverlidade de navios? Porque naoganhanao os ler vi- % Ufn0 \ litHU bu'wett. 
ços das armas o premio immortal, fem a companhia das •.■&'"*•««/•• j ■"■>*• 
mos; em a dellgualdade deitas, he fignifitado o progréijo 
da vida, no rumo da viagem ; & a divei fidade de fortunas, 
navegando huns, neftavida,tm en bartaçóes priíranttsj 
outros,em menos;& os mays,em diminuta^ tendoo mun- 
do para hús , as riquezas do mar ; para outros , as póllcs óo 
rio ;& paraosmays, a pobrela do regato: & o ciarem a«> 

C com- 



1 8 O PUJNCITE WS VAT. TOM. II. 

companhadas dcfta variedade as armas do Machdbéo , Foy 
para teíiemunho , de que feu valor em toda a vida , & em 
coda a fortuna fora lempre o mefmo : que fe a fama põe as 
obras ao tempo para o exame, netòa variedade de fucceílòs 
fe moílra a fineza do eípirico. 

24. Correfpondencias pede o premio com os fervi* 
ços, para que a honra fiquecom eífobilidade,& femceji-> 
lura. Quemafpira a exceder na memoria os termos da vi- 
da,ha de aloirar na vidada exceder no merecimento: Não fe 
accómoda com a grandefa de húa fó virtude , quem ha de 
ficar em eterna lembrança. Coníidera Jeremias , fer a me- 
moriados homésa parte,onde feu nome havia de ficar per- 
durável, & confeflà , enfermara fua alma na permiditação 
6>» Mt,m;s memorero & • ^ e ^ a v ida. 64 Pois fe até efa tempo naõ fentia Jeremias 
'"kícet^^-ea^mamet. doença, como agora publica, padece fua alma enfermida- 

de? Ln\ nenhum tempo a padeceo a alma de tao períey to 
jufto; mas quizdizero Profeta, queainda, que fua virtude 
to fie muyta, a achava enferma oefpirito, porque tinha 
de ficar em memoria: pedindo tanto augmento de per- 
feyçáo efta vida ,que em refpey to de feu valor , parece , fe 
moilraafantidadede Jeremias neceílitada de virtude: A- 
juftada com os merecimentos, queria Jeremias ficaííefua 
memoria ; & no tempo, em que a confeiencia (perniitaíTe- 
me dizello ) o arguia de menos perfeyçáo , tratou de dey- 
xarápofteridadehum retrato de feu eícrupulo. Aquan* 
tos condenou a confeiencia , quando os laureava a lifonja? 
6<, Quiâamiauães hominum 65 Não forão poucos , os que defpois da morte tiveráó 

vilipendttnt,® inhoefumlau- i ' • r r ' C 51L 1 - 

dêbiíet, quid»monmiumpon nonorincos kpitahos j mas nao lhes valerão os mármores, 
venanturfawmficHii&omni em que fe abrirão , para que permanecefiem :á morte não 

lempore Junt infames, quidam -^ r * r . .. 

cpudau,, vt»tt*b,ie, , af>ud fc relute a pedra, que perpetua o indigno. 

vílcfium.quidampltisfedelin 
ZiiaaJulatrici, quim confeien- 

"inthtJlml^k Pmt " RaHli Mm eúamfaxis , tnarmoreifqtte Venit. 

<zAtv$onim. 

A voz da lifon)a, fomente aíTeyçoa ao adulado ; faltalhe o 
mérito , com que a bonada a fama, fogeyte a inimigos: não 
intimada ásforças contrarias oouvir,femo ver ; as vozes 
doaplaufo,fema vifta das obras: então fe acobarda oíini* 
mo contrario, faltandolhe forças para arefiftencia , quan- 
do juntamente as obras fe vem, & afama feouve. Contra 

o ia- 



ElífQtEZA 1. IO 

o innumeravel exercito dos Madianitas , fahio acampo 
Gedeaõ có Eiezencos loidados, guarnecidos deita forte, & 
ió com eílas armas: Cada hú levava em húa maõ húa trom- 
beta j& na outra maõ,húa luz encuberta, dentro em hú va- 66 DMfttpe trecmtct *u 
zoaebarroj 66 o»: chegando aos arraays contrários, uran „,„*»*& «*■*»», Ugcu^ut 
doas luzes o empedimento, ao me imo palio tocarão as •"•"*»■"' l '»<í**« ">•"<-" 
trombetas j com o que intimidados osMadianitas defam- 

s » -i ■ f n , 67 CumqucpcrgitumcefiiO' 

paraoocampo. 67 Nas luzes ie repretentavao as obras rumperfon*r*,ticck t i5hdri- 
(commúi he a interpetraçaó) & nas trombetas, 2 fama: & " "">«'/•"'» "*«<«»">£; 
a voz da fama junta com o teítimunho das obras , he morte dwrufowinto »«** ■•.•••: »«»- 
repencinadas torças contrarias: de allakoíoy o erUyto, e v , : Jf.^ nie , , Hi*t**t<f i ua 
porque toda a induftria naõ vai para reíliur, quãdo a fama, /**<«««■ í««m°-3 i4 - 
& o braço íaem a pelejar. Naõ levarão os foldados de Ge- 
deaõ húa, (cm outra couia jnem as trombétas,fem as lucer- 
nas ; nem eftas, fem as trombètas^que he o melmo,que nem 
fama lem obras , nem obras fem fama ; & menos tocáraõ as 
trombetas, (em manifcftar as luzes j porque aviitude oc- 
culta, como vive ló para fi, naõ merece fama j nem a fama 
fem obras faz eflfey to 3 & da uicima forte as obras fem fama 
naõ tem valia. 

25 Com toda a companhia neceífaria para o venci- 
mento, fe encaminhava a toda a parte do mundo a fama do 
noífo Principe. Semoteftemunho dos olhos, nunca feaf- 
fèguraóos ouvidos 5 nuvem toy a cova de Sublaco,& to- 
da a vida de Bento, que nunca fez eftrondo fem compa- 6? q ub í me futre wjtrh* 
nhia do Rayo ;masie a Gedeão glorificou afama, naõ lo bocf*ate. il>«- >7 

I Cf- f J C. P 1 1 J 6 9 D,f^::,r in tabu c.4- 

peloquetez ,íenaoem relpeyto,doqueíeus loidados o- }„otvrdiwi>nium,iniàf*dibut 
braraó, fendo eftes os braços, que o fubiráo magnifico: <!»>>** >>'< r *t>' 1 ">"'';- 
Ainda, que em o mundo íe acha ara particular á veneração tom.% apud gij òrâi.ibi. 

r 1 o - D 1 V 1 * 70 £r ccmmorentt»' Circum- 

conlagrada a bao bento, pelo que loy ; também o mun- ' „, M hififâ>»t*i\fr*4i- 
ào lhe acrefeentou a eminência, pelo que feus filhos obra- í "''*^ <rt/ j^!l*S"* 
raó. Saõ Bento, ally como Gedeão óS fovo primeyio, 7- ^Jndefiunujquifjutfuâ 
que tomou a trombeta, & alucerna-que entendendo-ie ^ l/Vlw /4rtew cbnihmtétk 
por efta, as obras milagroías; & poraquella, aprégioõ btbererreduttur.^zor um. 

V- i- z c- r, i ^r j \.b>fiM*.Ub. xz.(»f a». 

í.vangelica; 60 bao Bento, de quem toya vidaoflxer* y.dcmuxquít^uiiofepefu*- 
cicio deita conformidade , 70 afly foy acompanhado £j? ZÍ^.lZtult 
d;iq!)elles que o fcguiraõ, encaminhados pelo txtm-fi^w^^J""!"™;/""» 
pio dcfte Gedeao Monaltico 3 & com tanta rot tuna , urí , a u uru*mf*um t** 
accommeterão o exercito das herefias, que ficarão tri- rv *JgJ2Sf«ioi 5*/»*. 
unfantes das três partes do mundo: 71 Sendo os prin- t*p. .o.>-.,-w*, M ,.y„/>. 

C 2 cipais 



a o O f^lMBB VOS <?JT. TOMO 17. 
cipais braços, que fervem denuvésaefte trono Benediti- 
no, os Sancos de lua Religião, que deraó a vida em deten- 
ça da fé;& os que diverfosRey nos, Provincias,& Cidades 
veneraõporfeus Apoftolos,porierein os que as rcímui- 
raõ ao grémio da Igreja. Somente dos Martyres leria a ma- 
yorproluxidadeeícrever-lhe os nomes: íehe, que baila- 
va eite volume para lhe abranger a multidão. 

2 6 Na entrada dos Normandos , & Sarracenos em os 
annos de oitocentos, &nove centos foraõ tantos os fi- 
lhos de Saõ Bento, que morrerão pela fé , que fe chama 
numero innumeravel: Em Inglaterra, fó na Carhedral de 
Cantuaria , padecerão dez mil Monjes pela fé de Chr ifto; 
EraoMofteyrodeSantaMariade Nonaltula, noanno de 
oitocentos & noventa & féis martyrizáraõ os Ungaros 
mil, & quarenta Monjes. EmoMofteyro de Saó Vicen- 
te junto ás Fontes , onde nafee o rio Vulturno ,de báa vez 
padecerão martyrio nove centos Monjes : O Convento 
F loriacenfe,de húa vez deu ao Ceo feíTenta: O Turunen- 
ie> cento & vinte ; o de Benchor em Hybernia , novecen- 
tos: O Gemeticenfe em França deu o mefmo numero j o 
de CaíTmo deu infinidades, fendo Abbadedelle SaõBer- 
tario.O de Cardenha deu de húa vez dufentos.Hum Mofc 
tey ro em Elpanha junto ao rio Genil , deu ao Ceo na en- 
trada dos Mouros treíentas Monjas Martyres. O Moftey- 
ro Codeligenfe emEfcocia,íendo Abbadeça delle San- 
ta Eva, deu o mefmo numero. Curto andou, quem deu á 

* wisgnacopia^uatantítiUi Igreja Catholica para cada dia trinta mil Martyres; * quã- 

:!zin^:;jz^ do a Re % iaó de Saó Bcnto i P ara cada dia affi < maó rer ^ 

Gcnebrardtafup. p/ai,». 7 8. te centos Martyres : * ainda que outros lhe acrefeentaó 

* Poutv.anutde ornamento o numero.Naõ foraó fóeftas as vefes,que a exércitos man- 
í f r^ TÍ *c*^, dava a Religião de Saó Bento Martyres ao Ceo j nemef- 

tas fó ascampanhas,onde fe laurearão os Herócs.Em o Sol 
doOccidente,noprimeyro tomo fe pode vera mulridaõ 
de Conventos,que repetidas vefes foraõ defpovoados pe- 
la tyrannia dos bárbaros; que agora fópertendo,íirva a re- 
lação feguinte de limitado index,ondeíè veja, quaes fora 6 
os braços, &r quaes as terras , que conquiílaráo para Deos, 
aíTy S. Bento, como feus filhos. 
n s.Greg.Mag t.Mtrai.e. 27 Saó Bento, conveitéo i fé de Chrifto os morado- 

18. Dominas ie Cravina Vox r* 1 i /-> /r* e> - r-> • • 

turt»ri* e ,p. 9 .%. h ies circun-velinhos do monte Caíiino 72 baoKemigio, 

redu- 



I». 

Mo- 



E M <P <\E Z A I. 11 

fedufio á fé a EIRey de França Clodovèo , & juntamente 

a todo feuReyno. 73 O noílb Monje São Martinho, 7» Wd»m. 

rrouxe ao grémio da igreja os Suevos Arianos. 74. A 

gentilidade de Inglaterra abraçou a Fé Catholica, pela 7 * 

piégzçãode Santo Auguftinho,&dos Monjes feuscom- 

panneyros,queinviounoíTo Padre Saó Gregório Mogno. 

JPorfeu Apoftolo reconhece Inglaterra, ao noííoSátoAu- 

guftinho. 75 Apoftolo de França Oriental, que com- 7t mtcuiMinjipdogiapn 

inummente chamáo Franconia, foy SâoQuiliano Biípo/ ,r '- /ír£í ' ,l " fJ ^" , "" ,/ - f, " ; /' >? 

Heibipolenfe. 76 Frizia, Olanda ,& Saxoniaforãoinf- . e . , - .. 

ttuidas em a fe por Ubií rido Monje ,& defpois BilpoE- Hpoknfit,® MafcusUb. i 4 . 

boracenfej 77 aquemfeguioUbilibordo, queosdeFri- 

ziavencraópor Apoftolo, em companhia dedoze Mon- ,7 T " vm * fra ' 

jcs, que o ajudarão nefta converfaó uni verfal. 78 São ^ s.B t iamh,Rcr-a ^ 

Bonifácio Arcebifpo de Maguncia,he Apoftolo deOer*4 /rfW 5 : C *J!-*''?? ,Z '® 1 

mama: 79 Dos Saxones,íoy Apoftolo LambertoBiípo 

Trugenle. Saó Eftevaó Bifpo de Suécia, aquém chama- 79 Mtf«*«< tf< ,3 «&»/, ^ 

raò rumados Ídolos, ioy o Apoftolo dos Elfingos. 80 A ttS^to 

idolatria de Dacia, Suécia, Gocia,& Grothlandia foy def- /*'• MeurdeM Monyrei. 

Iiuída pelo noíTo Monje Afcario, & por crescompanhey - 

rosleus damelmaprchíVaó. 81 Albo Abbade do Mof* 

nr \ t r r 1 '• Gríviít.FextHTtttiiM. 

onacenie em Valcovia , com leu companheyro 

Gaudêncio convertéo as Províncias deGafconia, Pano» 

Dia, & a dos Sarmátas;& em diferentes Rey nos deftrui- % z ibidem. 

raò a Idolatria: 82 Os Priirfos,LirhuanosdeSalmancia, 

reconhecem por Teu Apoftolo a Saó Bruno Monje do 

MofteyroFloriacenfe; Apoftolo dos Rufios,&Hugnos »* Wdem. 

he Saó Bonifácio Bifpo Bofnieníe: 82 DosFrixos,Saó 

TV ■ r>T i> • • o r» - a ! 1» a 84 S.Peirut Der>:ia*.m*f 

LoiepertODilpoKeg!on3no. 04. SaoAdaluerto Arce- us.RomuaU Ventrabiu, Be- 
bifpo de Praga, foy Apoftolo de Polónia, Sc Boémia. 85 ^tt^Drãã^h. 
Os Reynos de Ungria convertéo á fé , Saó Gerardo Biípo Bam^i 6.vt»«at siiv.a? 
dcMoravia. 36 Apoltolodos R.utenosNarbonenks,he ub.*.decsd.„ 
Szó Adalberto Arcebifpo de Rugia. 87 Dos Atrabaren- S;^^;^^^,- 
feseui a Gália Bélgica, Saó Quilino Bifpo defta melma «8 Vmeeiput6e\%»cemfism 
terra. 88 De Brabancia,Flandes,Efc!avonia,& Qlfi^AÇ^*;^^}„. r "'" 
vefinhade Efpanha, Saó Amando. 8o Os pòvosde Fri- *s> ™T']* 'ffí"?*: 
gia trouxe a re, Saó Vukfrano Monje do M-oíteyro de Germânia. 

Í-. ! t-\ r^ i d r-v a _'„_„:,. QO Lcr.tliur títn.fio dt cri* 

'ontanela. 90 OsGodos,& os Danos Septenmonais g, F /;í . ( -M/ .; c .1, Mtm 

conauiftoupara oCco Saó Anfgario,aQuem chamavaõ ****&?' '}■ 

o Grande ZJl poftw: 9 1 Dos r rixos Otieníais, ioy Apol- f ^, l9 . 

C 3 tolo 



2 2 O PRÍNCIPE VOS TJT. TOMO 11. 

9 t Ucmcap.i. toloSaõ Lugero. 92 Dos U vândalos, Saó VigelmoBif- 

yt Hcr moldo mCbronica. . , . ° />• i -n t Pr c- - i 1 

yi imuijrii.www*»/. pQ Aldeburgcnle. 93 Dos 1 ranulianos, bao Ltbuino 

/^w;fT^ $ / 'tf6' 6 '^' Í "^ ill P ^ c & ,onario - 94 £>£&?"*>& Dania Aquilonar, 

S. Ubino Arccbifpobiemenie. 95 

90 Martyrohg Rom.i.iuiii. 28 Saó Ocon Bifpo Bambcrgenfe, íoy o A poftolo 

lib.s.crt.fig.tí. y dos Pomaranos em Sarmacia. 96 Aos Vicegodoscon- 

vertéo a Fé, S.Leandro Arccbiípo de Sevilha. 97 Pity 

Bernardo Buyl Monje doMoftcyro deMoníerrate,por 

mandado do Pontífice Alexandre Sexto, em companhia 

dedozeMonjesfoy a America a planear a FéCacholicaj 

intirula-fe , Vrimeyro JpoUoto cio noVo mundo: Ncfta Mii- 

faõ levou Buyl as preeminências de Legado Alatare. Lm 

húa (o Ilha, que chamaó Efpanhola , deítruío Buyl cento, 

Scieccnca mil ídolos. 98 ConverteraóáLédeCiniítoas 

Regiões de França, Bemoides, & Dreut,S. Vilealdo,& 

Saõ Flugdero. Saó Martinho Domienfe Arcebifpo de 

98 G?aimaYtx?u»tu\u d. Braga, exiinguio de Galiza, & Portugal aceyta Ariana. 
lotijiMimGayktiniuàii RM- qq A niuycos em Inglaterra reduíloá obediência da Içre- 

giort; òantii Iguala injtitiii c.'' J .°, . O 

%fah*i. GekiMik, tkbroniYi ja,Saõ Pedro Marvinha ; aquém martynzáraõ os Ingle- 
MÍ&^ffiuSí. z« ,& lhe cortarão a lingua , porque em fuás pregações 
pohxupropft.\9' cudo concluía dizendo : Extra EccleJnimtiuHa falia : fora do 

99 Ecckf'* >i* próprio officio . . • ■ r ri ivi-r 

zo.M*rtjf. grémio da Igreja Romana ninguém ietalva. Nao íecom- 

prehende em eite numero todas as terras , que os filhos de 
S. Bento cultivarão com a pregação Evangélica : nem to- 
dos os braços Beneditinos, que em augmento daFé em- 
pregáraõas forças ^porque alem deites, que do Sol do Oc- 
cidente refumi a eite breve paragrafo, le pôde ver mayor 
numero em Bucelino, nofeu Moniologio Beneditino. 

29 Naõ fó em a milícia, onde para Deos era o venci» 
mentodeyxoueíte Príncipe, & feusfubditos fcyto proe- 
zas , que ao fomdos inftrumentos coreays narraílaõ á vir- 
tude, para incitar á imitação oefpirito (aíTy como em os 
banquetes ufavaõ os Romanos;) 100 mas cambem em 
asfanguinolencas batalhas, onde para oshomés foraõ os 
defpojos , tanto obrarão de prodigios em vida, Sc defpois 
Zl:^Í3: da » lorCe i <\™ por muytos feculos ti veraó os cia, ins da &. 
cotivivufadtibiam anebãtur, ma, que lembrar aos homés, 8c que agradecer a Deos : A\f- 
wflamn, tr e n u t r. »y touberao eternizar a rama, entre os exércitos opoltosa 

t}on*r tl usf»p.£cchf.c.w. fe ? & noscontrarios aos homés, que deites , foraõ t (colhi- 
dos por Patrões ; 8c da fé , por efeudos. De hum , & outro 

cam- 



campo ganharão osçfiendartesefte General invi£io,eom 
eftes Heroycos<bra£os> para que de toda a variedade dé 
croléos fe ornaííe o tronco. Aos fieis íley xárão para exhor- 
tâçáa os fer viços, que fizeraOâDeos nas almas, que con- 
qui#áráo;& para os Príncipes, têíiimo a memoria dos ini- 
migos, que vencerão em favor das ÍVlageftades , que em 
íeuscxerGitosfearmarfiodasorá^oèSj^patrGGinioaíTy de 
S. Bento, como de fetts filhos. 

30 A Sáo Bento ofTerecefáo o governo de íeus exér- 
citos, os Empewdores do Oriente Aleyxo Comnenus , tk 
Calo-Joâo.Gs Empérádofesdo Qeeidence Carolo Mag- 
no, LuduvicoPio, Lotarió Primeyro, o Segundo, &o 
Terceyro, & Otho Terteyro. Pipin© de Corolinges 
Rey de França , Hugo Capecò)& Roberto Pio. 10 1 
Contem as hiflorias deites cetros, o quanto lhe augmen- 
tou o herdado , & defendéo o adquirido á proteção deite 
Principe ; mas nãofoy muytofairem vicioriofos, levando l0l yiwhgio BuceimU» 
cúnfigo as forças de hum Santo, que tinha em íioeípiritó v J^Jt 9i f Bclted f' ã " "* 
de todos osjuftos. Ao NoíTo Padre Sáo Bernardo , entre* 
gou Eugénio Terceyro o baftáo de Capitão General, pa- 
ra a conquifta da terra Senta. SáoSigisbertoRey,&Mon- 
jedeSáo Bento, dõsClauftros do Moíteyro íahio ago-» 
vernarhum exercito de Catholicos. A SáoFilano Abba* 
de, tomou Roberto BruíTo Rey de Eícocia por amparo 
do exercito, com que fahia a encontrar a opreííaó , que re- 
cebiáo fuás terras dos Francefes ;& fendo o exercito deita 
naçáoomayof , que até aquelle tempo tinha vifio Efco- 
cia, foy vencido do pouco numero , com que R.oberto lhe 
impedia o paíToj ficando dos Francefes mortas palfante de $** jZmury. * " 
fincoentamil. 102 

EIRey Dom Sancho , & feu filho Dom Pedro levarão 
as relíquias de Saõ Vi&oriafioem lbueXercito,quando ia* 
hiráo contra os Mouros i& indoíóa fepararfe,foy com 
tanta felicidade o fucceílb, que tomarão a Cidade deOf- 
ca, matando entre quarenta mil Mouros, àqu.uro Reyi <°* W.x%.Jumf. 
Mahometanos. 105 Santa Ida Virgem, vendo o cerco, 
que Hybernia lba pátria padecia <, & confiderando a pou- 
cagente de guerra, quenella cftava, mandou fe afmaifein 
eftes poucos que tinha ;& pondo-os em peleja, foy por 
íua oração libertada Hybernia. 140 Saõ LaimcsAbba- «4 m.ti.^nfkm. 

de 



3 4 O QltfNClfR VOS TJT. TOMO 11. 

de,& Patrão deBurgos,naõ foy hú.a fó vez,qucosfiarur2es 
em íua detença o virão vigilante, porque iimytosfor aõ, os 
que em íius praças o encontrarão aunada iintinéla. Saõ 
Remberco v na occaíião em que os Danos , &c Noimanos 
vieraó contra Germania,iecioío$ elles da pelt ja,esí orçou- 
cs o Santo com luas pregações ; & na occafiaõdoconflic- 
to fe pos em oraçaõ ibbre hum monte * como outro Moy- 
fés á viíta dos exércitos ; & alcançando do Ceo vi&ona, 
fugirão os bárbaros, deixando de penhor a dez mil, rrefen- 
«05 ibi, 4 . Ftbruari/. tos, & fetenta, & oito mortos. ío5 AoStpulcrodeSaõ 

Ricardo foy pedir auxilio, Angliberto genro do {impe- 
rador Carlos de França, quando hia ainveftiros Danos; 
& ao tempo, em que osdous exércitos começavaõ a pe- 
leja, cahio do Ceo, por largoefpaço, grande multidão de 
pedras de neve, que encaminha ndo-íe aos contrários, rica- 
106 w.:i. NeoemM, lA õ deftruidos. 106 Saõ Fineno , que vendo os Ssxo- 

nes invadira Britaria Tua pátria , por íuas orações não po- 
derão paliar hum monte, ondeefiaváo juntos. 107 AS. 
' Suuberto, tinha o Capitão Pipino encomendado a proí- 

peridade de íuas armas ; & no tempo , em que fe via quaíi 
vencido dos Saxones , apparecéode lua parte húa luz ful- 
íoS ibi.n.Mtrty. gcntiíTnna, comeujo relplendor cégosos inimigos, foraó 

avaíTallados. 108 

ASaò Aldeberto Prior de hum Mofteyro de meu Pa- 
dre Saõ Bernardo, ( oqual defpois foy Abbade de Saò 
Joaõ de Tarouca,) levou emíeu exercito EIRey Dom 
AfTonço Henriques, quando Albucazan Rey de Badajoz 
opremia as terras deTrancozo; & no tempo da batalha 
mandou EIRey ao Santo,íc puzcííe em oraçaó; efteve por 
horas endecilo o triunfo; mas Deos, pelas orações de íiu 
fervo deu aos Portuguefes vi&oria ; aqualDtosquizniof- 
trar, havia concedido por deprecaçáo do Santo ; poique, 
querendo ElKey tomar vingança dadeít.ruiçaõ,quehião 
fazendo húas tropas inimigas remanecentes da batalha, 
como naõlevalTe ao Santo Prior coníígo, foy pouco . o 
frucio : o que reconhecido pelo invido Monarcha , como 
ao voltar de Trancolo foubcl]e,que os Mouros lhe tinhaÓ 
impedido o paiTo junto ao rio Ta vora, dilTe ao Santo; que 
fiado em luas orações dava a batalha ; & foy tal o derro- 
co, que em breves horas, & fem algum perigo alcançou a 

pj« 



Elt<P\EZ A 1. ^ 

palma, ioq Saó AnféJmb Luceníls, em cujo tempo fe *ognKu,Martif.'Briu 
levantou contra a Igreja num grande numero de ícilmati- 
cos, lançando a bençaõ fobre o exercito Catholico , ainda 
que limitado, foy o fciimaticoddiruido. 1 10 no /*;. 18. M«r/?. 

31 ASaóllidoro BifpoHiípílenfe, tomou blfpanha 
por hum de Teus Tutellares peias vJciorias,que muy tas ve- 
les alcançou de léus contrários , dtprecando o auxilio 
defteSanto. iii Sáo Uifmaro Bifpo, livrou a Cidade ... . .,. 
Laubienledo innumeravel exercito aos Ungaros ; a cujo 
vencimento, ainda hoje confagraóadousde Abril gntas 
memorias. 112 AoMofteyrode Saó Pedro Teutonico m w.it. *dfriih. 
vinhaódar aífalto hús bárbaros, & vendo o Santo de húa 
janela a multidão, fez em o ar o final da Cruz ; & Tendo o 
dia claro, de repente cercou os inimigos húa nuvem efeu- 
rifíima, com que atemorifadospuferaó-fe em fugida. 113 ,,J ' ,2 ' ™ tm ' 
Em vidade SaóMarculphoforaõ os moradores das Ilhas 
Agninas pofluidoresdetoda a boa fortuna, pelas orações 
deíteSanto. 114 ASaõ Mauronte Abbade, viraõosda , lbi Ma „ 
Cidade Duacena andar vellidocoma Cucula de Saó Ben- 
to , com hum cetro em a maó correndo as muralhas da Ci- 
dade. 115 ASaõ Adalberto Martyr, acharão fempreos "5 Ui.%,£jufâcm. 
de Polónia propicio a fu<is opreçoés, com que o toma- 
rão por feu Patraó. 116 Saó Aydano Biípo Lidisfar- 
neniis , quando o Capitão Penda tinha poito íogo a Cida- 
deRegia , com fuás orações fez, que o fogo feviraííe con- 
tra o exercito de Penda, &confumifle a muy tos. 117 Os , )7 z«,ji. •/%*/$■. 
<ie Avinháo de França tomarão por feu advogado a Sáo 
Agricolo Bifpo, & todas as veies, que os ameaçava algum 
infortúnio, apparecia em fuás muralhas húa fay xa de fogo, 
com o que não fó os avifava doperigo,mas també lhes aile- 

cí^rl 1 - Ti 1 „ 1 • 8 lí>i. t- Scptcmèrif. 

gurava o vencimento. 118 S.UvencesIao,aqueos heysde r 

•Boémia confeíTaõ de ver o efUbelicimento de fuascoroas, 
-pelas numerofas batalhas , com que os firmou no Impcrio. 
.119 SaôLucas Abbade, fahiocomfeusMonjcs acampo jn. x t. Eju/dcm. 
contra os Sarracenos , & fendo a aima , que leva va,o Bacti- 
4o, que trazia na mão. pondo-fe a cavallojhe cercou o rof- 
tohvn luz divina •& dizendo citas patavras: ExurgatVeuíy 
® difftpentur mima ejm , polir -ou a morte innumeravcis in- 
fiéis. 120 Sáo Bcrcarius Abbade, mm vinte Monjes de 120 J«.i }.o&*w« 
feu Mofteyro deftruío fetecentos inimigos, atemoriian- 

D do-os 



;« 



2 6 O T^INCIVE WS 9 AT. TOMO II. 
i ti m. \t. EjufJem. do-os o Ceo com a efcuridão de hú fumo prodigiofo. 1 1 1 

Sào Ray mundo Abbade do Moltey ro de Firero , não ío* 
frendo asinfolencias dosSaxones, queaccõmetião a Ef- 
panha, tez prefidiono primeyro lugar de Calatrava ; Sc 
com o favor Divino, com armas, & rogos odeffendéo ie* 
lizmenre ; & como quer, que aquelles a quem mays per- 
tencia, receaílem entrar na guerra, elle fó confiado em 
Deos , chamando algús fieis, alcançou repetidas victorias 
dos inimigos deChrifto; & para propagação da fé inti- 
tulo a Ordem de Calatrava; com oquemerecéo o titulo 
de Libertador da patria,& defenfor da Igreja Catholica. 

3 2 Com eftes braços , fe exalta no campo da Igreja o 
Trono Beneditino; mas fe eftes Heróes forão,os que o co- 
locarão na eminência, também lhe fervem de compoí]-» 
çáo. Donde acho com femelhanças do Trono, que vio 
líaias, eíie , aonde São Bento he intronizado Príncipe 
dos Patriarchas. Sobre hum Trono vio a Deos o Profeta, 
cheyo detanta virtude o Trono, que, a que Deos nelle 
Tr ,. n . „ , .dominava, enchia toda a grandefa do Templo. 122 Su- 
fuperfoiínm exceift,m,tf tieva- heiente ornato tinha a Igreja de Deos , quando não tiveííè 
7ep'ubjttuln, l pium. b '^ íwí outro , nas obras deites Santos, que aSaóBento remon» 
ij»i*6.verf.u taõ , & lhe teftimunhaõ apureia. De toda a Igreja forão 

gloria, porqucdefpois dos Apofl:olosdeChrifl:o, de ne- 
nhúamão recebéo com tanto empenho o adorno, como 
das proezas, que com a virtude deíua verdade fizeraõ os 
braços Beneditinos, que a defenderão. 

33 A gloria , que oceupava o Templo , era o rerna- 
necente da luz inacceííivel, de que feveftia o Trono de 
Deos. Saó tão dilatados osgozos Monachais , com queo 
Pay dos Monjes diviza o cetro , que o reftan te aparato , do 
que mays feennobrece,aífy he abundante de merecirnen» 
tos, que a toda a Igreja fervio decompofiçaõ; o que au- 
thorizão os Inventores de divei fas feííividades , ceremo- 
r»iss,& louváveis cuftumesda Igreja,que foraó filhos de S. 
Bento: Efte Patriarcha,ajútouo Te DeumLatidamufis Ma- 
tinas; foy o primeyro,que pos as Cõpletas no Officio Di- 
vino: 8c inventou os jejús regulares. S. Gregório Magno 
filho de S. Bento foy o primcyro, que fe aíignou ^Servo das 
ferVos de Deos • em a Miffa inventou no fim do intróito o 
Gloria Tatrt $ que fs repetifle o IÇ)iieelc}Jon nove vefep; que 

fe 



' EWP^EZ A 1. 27 

fe cantaífe a Âttrfuya ; ao Ofertório deipois do E vançelho 
a creice n to u , dieffte noflros, a té in eleclorum tuorum^ jubecisgege 
numerare j diípos , que íè diíicíle a Oraçaó de Chriiio , que 
he o Pater uofter ,• & que fe acabaíiè a MiíTa com a Commu- • ?-i Guiíseime Dunnã m 

JR-iionalc Utvincr. 0n.11 ,'if.n. 

A dilnoíiçaó do Officio Ecclefiaftico foy obra de Saó ^/-v? *"■«' ■• ■■'«■ S «"A- 
Oregono ; aeJiemandouledeliepnnctpio pelo Plalnio, taS.Grego,$. 
Veusin acijutoriuM; da Regra, que proícOou, tirou para toda 
a Igreja elia ordem. O Officio da Circúciçaó,& a Reza de 
muytos tantos ioycompoíiçao lua. 125 Os quatro Do- «JLwjL.» /». ,.«^.1 
mingosdo Advento foy initituiçaõ deite Pontince 5 para Fh " '" v m "''*• 



elles compôs todo officio. 126 



A Ceremoma dasCandeyasema Purificação da Vir- li- , e»f^o l j l , M .B.i.eth. ( ,f. 
gem: 127 A Ceremonia da Cinza de Quarta feyra da ' 4 l '' 
Quarefma:AProciíLõdeDomingodeRamosjoLava. I2; Dur ^ imRatUliel ^ 
pés na Quinta fcyraMjyor; 128 &a Adoraçjóda Cruz 6 - cn P ?R - 
emabeltareyra Santa tudo roy dictame deite Pontífice; ,, 9 s.^ r .u„p. x t>iu/., 7 .. 
120 como também a feira da Didicaçaõ da Igreja: 1 20 "^ ''„ ,. n . . ., 

7 9.1 O f 3 no Ka1i:it. VttMt li»."] c>D. 

Inliituío as Ladainhas; 121 foy inventor do Canto Ro- 47 e?»'"™. 

&r\Cd • J o - aj a P » T^v •'> Polidor Virg <te invetiti 
composo Orneio de Santo André Apoltofo:Da rerum ut 6. ctf.it. 

Igreja foy Saó Gregório Numa; Licaon; Si Amphion; 
Numa, no culto, que augmentou a Deos; Licaon, nas tre« 
goas, que fezeom a Juftiça Divina;& Amphion, no Can- 
to, queinventou: A rogação das Ladainhas iníiituioSaó 
Gregório, para moderar osrigoresDivinos, & as manda 
fazera Igreja: as celebridades Divinas, augmentos laó á 
veneração eterna. 

O Pontífice Bonifácio Quarto, ordenou em a Igreja a 
veneração de todos os Santos Martyres; donde o Pontífi- 
ce Gregório Quarto Monie também de Saó Bento , tirou 
afolemnidade do dia de todos os Santos, de que compôs 
oOfficio. 132 SaóOdilo AbbadeCluniacenfe, deter- 
minou em feuMoftcyro hum dia particular , para acom* n. PUt;*si**iH Ceget. 
memoraçaodos heisdinuntos ; a cuja imitação o ma noa- *j ^ f ^ 
raõ obfervar os Pontifices por toda a Igreja , no dia íe- 
guinte ao de todos os Santos; 154 tendo duzentos an- «m Si S itert.»Js»*mm. 99 9. 
nos antes defte decreto , compofto o Officio dos difluntos 

noíTo Arcebifpo de Trevens Humularin Furtunaro. ^ BuniUUrilnU , , 6 , 

1 "•«; A antiguidade ( íabulofa neftu parte) ennobreceo àturàmc*dm}ho»atumc(>u 
aNáxienes por inventor da contemplação das fon.brus; 

D 2 a Si- 



c8 O &HJNC&E WS >PAT. TOMO 11. 

a Sinon GTego, por inventor dos efpelhos ;& A thalo, por 
inventor do tecer o ouro: Entreos inventores Ecclciiàl- 
ticos (com verdade) ficou Gregório Quarto fendo Atha- 
lo, poi quedo ouro vario nos quilates, que faõ as diferen- 
tes vi ! tudes , tecéo á Igreja o melhor ornamento , que he a 
feita de todos os Santos. Odilo, fendo Sinon , porque os 
efpelhos do que fomos, he a memoria dos que exifti- 
raõ; Humoiario, fendo Naxienes , porque a contempla- 
ção das fombrashe o conhecimento da pouca durrçaõda 
vida. 

Santo Anfelmo, inftituío a feíla da Conceyçaõ da Vir- 

M 6 BiptiHa lâaMuatitisãe gem. 136 Leaó Quarto, deu Outavario áAíTumpçaõ 

jípito invha sanBoru,n da Senhora ; como também Innocencio Quarto, a Nativi- 

ni: t .cap.4i apuâBarbMum Jjde. ^ fefta da Aprefentaçaõ da Mãy de Deos, foy infti- 

i» Martjrol.9. Dezembrií. . »* • n .n j 1 e - XT 1 

^rnaUuflXjkionLiffí.Mtf tmçao de hum Monje oento Abbade de SaoíNiculaoem 
#.*.,.«> iof. ., Normandia. 127 Santo Ildefonco, inftituío afefta da 

i,b.<,.cap.,o6. Expectação. E Eugénio Terceyro ,a da Annunciaçaõ. 

1.8 UemiíiMi.i.cap.G). i 38 S. Sérgio Papa Monje de S. Bento, ordenou, que em 

a Mi fia fe ditíefíe o À^mísVei. O Officio de NoíTa Senho- 
raefcrevéojou encomendou a Igreja Urbano Segundo ; 
concedéo a Bulia da Cruzada contra os infiéis ; dedicou o 
Sabbadoápurefa da Virgem; acrefeentou em o Prefacio 
da MiíTa : Et te inVeneratione (Beata Virgtnk Maria cottaudare^ 

1.9 ^ntomp.^t.\t.cap.y henedicerc ^ pr adie are : rqo determinou, que em todo9 

os Templos da Univerfal Igreja fe tocaífe hum fino de 
manhã, á carde, & ánoyre, que faõ as Ave M arm , para 

140 ^r»oii.rup.ub.),cap. alcançarmos a interceíTaõ da Senhora. 130 Defpois Gre- 
gório Nono, também noífo Monje Camaldulenfe,man« 
dou, que fe tocafie á faudaçaó Angélica pofto o Sol. A 
hofpitalidade para os Enfermos , & Perigrinos foy iní- 
tituiçaõ dos filhos de Saó Bento. NoíTo Monje Pedro 
Ermitão ("chamado aíTy porque de Monje do Mofteyro 
Grandimontenfe fe paíTou á folidaõ de Anacoreta") in* 

i 4 ! Poi.j.Virg.i.deUven, ver >tou ° Rofario da Virgem; a que antiguamenre cha- 
,iOTerum w -» : ">-9- mavaõ Pfalterio de Maria : 141 Devoção naqutlles 

tempos particularentreos Monjes de Saó Bento. NoíTo 

.«* <ArnoUMbi n.f»p.to. Mon ' e Michael Florentino inventou a Coroa deChrif. 
z.ub.i.caj>.6B. to,aquemchamaó Camandulas. 142 Gliceria, inven- 

tou a Coroa de Rofas ; & Edimion,foy oprimeyro, que 
obfervou o curió da Lua. Os paíTos da Lua Soberana mof- 

trou 



E M Q %K Z A 1. g$ 

trou obfervara , quem a feus mylter ios inftituio applaufos 
divinos j Coroas teceu deRoías,quemá Virgem inventou 
oRofario,& os eípinhosde Chrifio mudou cm flores de 
devoção. 

Hermano Contrato Monje Beneditino compôs a ÓV- 
Yc^únba, a quem meu Padre São Bernardo acrefeentou 8 
LiemenSjòTia^ò DulasVirgo Marta; compôs também Her- 
mano a Antiphona Alma ^edemptoris Mater-, 145 & foy in- 
ventor do Aílrolabio. 144 Innocencio Quarto, inven* i4 , jacotm miip.Bergo- 
cou as Iníígnias dos Eminentiííimos Cardeaes. 145 *% f !{ffi££?i£ 
fefta de Corpus revelou-aDeos a Santa juliana; publi- d,a>ci>p.%. 

o r Ln*-io- r .- / 144 DurSJ.de Divin .Offic. 

cou-a Santa hva ambas Monjas de òao Bento ;aprovou-a m^.cop. u.>w/'>«íw 9 - 

o noíTo Pontífice Urbano Quarto 3 & compos-lhe o Offi- ^f*"? ^f " m * 

cio o Angélico Doutor SantoThomás,queainda,quenão 

protelTou a Regra de Saõ Bento , criou-fe á fuaíbmbra no 145 puri«tâ« Ynmcmij 

MofteyrodeCaffino. 188 O Cardeal São Guido deter- O»" 1 '' 

minou, que quando felevantaíTe aHoftia naMiíTa feto- l{tg TideSoiemOecidcrUp. 

cafle a campanhia } & também quando felevaíTe o Sacra- \p r " lud % x fP 2 j*;.'/"'* 7 ' 

1 r o /i tt •♦» • ubi inventes bdC ,ÍSp.u<-a. 

mento a algum enfermo, roo OHymnoVexitlaregispro- 189 cyy>r tísfierbtcbeufi» 
deunt compôs o noíToMonjeTheodulfoprimeyro Abba- ^ 9 dei u fi r - mru ,c *f il 
deFloriacenfe; como cambem o G/orá, Laus t & Honor. Tritímr i e vi,u,i'»ji.or- 
100 São Guido Abbade doMofteyro de Santa Cruzde *»wS.*««*ftf*-*-«?-4* 

<. r . ir- r * * * r T^ • Suplemento Cbrotstc-Jib. n. 

Avilana,loyinventordasieisvolesdaMuuca. u/,^,?;?/, 
y^,/ç/,/d,ckda mãodocanto. 194 AGlofa ordinariade , 94 Tritmijup-cy.n sí- 
hum, & outro Teftamento foy inve&i va de Strabáo. A in- * i *"" 1 ' ^"''' £ "" /rf '«' 
trelinial , de Santo Anielmo Laudunenfe. O Martyrolo- iç< íf> ^ rtere B enediBm* 
eiofoy trabalhodeBeda,Uíuardo,& Adon. jq<; Onof- «"»«<■ 
4o Monje Gracian ajuntou, & ordenou as Decretaes. A p r( ,iicamumtom.^. ihcoUg. 
compoíiçaó dos orgáos,deveiTe ao Pontífice Sy lveftre Se- gfijSgJ^ * ^ 
gundo; 160 aíTy como também a perfeyçaõ do Relo- 
gio:Sc a DionyfioExiguo,o Circulo Pafchal,& o compu* 
to Ecclefiaftico. 197 Alcuino ordenou o Officio de San- >9 6 *s*rhrBe*eJ.Ram. z 
to Eftevão , & da SantiíTuna Trindade , aquém defpois a- ^^ ^^ 

provou Saõ Gregório Magno ; 8c efte Pontífice foy o pri- 
meyro, que mandou edificar Templos em veneração da 
Sanciííiina Trindade. * Inventor da Purpura toy Her- • dm-mA* HAforfi dh>. 
cules; do Relógio, & Esfera Anaximandei ;MileGs 5 da ^ ''*■ ***«*. *"* 
ordem das letras, Palamides Nauplius ; do ulbdo Mel en- 
tre os Efpanhoes, Gorgorisjda Obfervaçaódo Ecliplcdo 
Sol, Acreus ; da kiencía das Eíhellas, Bcllo ; da Bibliore- 

D 3 ca 



3 o O ?i\mCl?E WS PAT. TOMO II. 

ca entre os Romanos, Afinio Polio. O lugar de Hercules 
oceupou em a Igreja Innoccncio Quarto , de Anaximan- 
der , sylveiue Segundo ; de Palamides (aprovey tome da 
feme!hança)Guido jdeGorgoris, Strabúõ} de Acteus, 
Dionyfio Exiguo; de Bello, Hermano Contrato, de Aíí- 
nio Polio, Bedj, Ufuatdo, Sc Adon. 

34 De innumeraveis Santos Canonizados , & Beati- 
ííc idos fe ornaó os rayos defte Sol ; ou o abono deita fama: 
Naõ lia com certefa podelos refumir a numero jporque em 
tempo, que a Religião de Saó Bento tinha trinta, & fere 
mil iVíoíteyros,& muytosdelles de novecentos Monjes; 
a l 9 2^r har,i ' '" Cbf ** Ka \ catorze mil Pt ioratos 5 quinze mil Conventos de Monjas 
.99 DomRodrigoãtCunh* ,gg e m trezentos annos,he opinião, que fenaõ perdéo 

f.\ M Hijlor.EcrtefiallicaJos . r i ■ l o - r> C ' r^ ÍT r 

~-irccb,jfo t de Magoem ávida hum hino de Sao Bento. 1 99 Somente Caílmo tem i?n- 

dtitjhnofoi.^ co mi i j& quinhentos & ílncoenta & finco Santos Cano. 

>co w^.wp^.w.8. nizadosprofeflòseiníuaclauzura. 200 Donde,amulti- 

«fiz» 9 p '• daó de Santos Beneditinos lotem o numero, que Virgílio 

deu a hum aggregado incomprehenfivel. 

Quam mula Lybico Volvtmtur mármore fluclta^ 
S<eVM ubi Orion bibernis conditur undtt, 
Velquum Sole noVo dttnfie torrentur arifl<e, 
Qjtut Hcrmi campo, aut Lycia fiaVenttbus arVis. 
Lib. 7 Jtneid. 

Dos Sãtos Canonizados faz numero oDoutifíimoQuin» 
tanaduenhas, illuftre Efcritor da efclarecida , & reforma» 
diílima Companhia de J ESUS, repartindo o numero pe- 
los dias, affirma: ter a Religião de S. Bento para cada dia 
feimum Qamgt. foi. ,o*. mil, & quinhentos Santos ; 201 nao lendo eíte Autor, o 

que lhe remonta mays o numero jporque ofamoío P20- 

letto Eremita AuguíHnhoem oSermaõ de S. Bento diz: 

;"■>» Paoiettu* ,« r- ks querem fóde Santos Canonizados a Religião Benediri* 

n >. [ "í-* inji, mane Ha, * O 

usBtneSím. n a: Hum milbaÕ, finco mil, & /eis centos Santos. 202 Naôfal- 

lando em os Beatificados, porque eftes, na opinião deto- 
tíos, naõ tem numero. Oqueconilderado pelos Summos 
Pontifices, concederão á Religião Beneditina hum dia 
particular do anno, em que fe celebraíTe, com officio par- 
ticular, todos os Santos de fua Ordem : Sendo eila eíc]<ire< 
cida íamilia aprimeyra,que na Igreja de Dcos teve ef- 

ta 



E lf <P % E Z A l 5 t 

íafeftividade-, & agora á lua imitação a logrão algúas fa- 
mílias Rcligiofas. A mays feremontaria o numero de San« 
■tos Canonizados, le minha Religião não impedira a Ca- 
nonização de muicosfem a primeyra parte odeixo autha- 
lifado na Empreza trinta & húa, numero 846)8.: para que 
em cudo foíTe primas a Religião deíre Principe,lheconce~ 
óko o Supremo Pontifice, queoprimeyro Santo Confef- zo ' < B**epi*«*tegifitt* 
íor , a quem a Igreja Canonizafte lolemnemente ,íoíie teu urm».tom.».M. i.cap.sdt 
MonjeS. Suitberto. 203 Sendo efta Religião, como a **^;] u * ah , íu i iner , f ., lm 
Palmeyrade EzechieLaqual na multidão de íèus palmitos «« tiMHhuim* palmam» jw. 

, J , , - + L rum. tzcch. ia.ietf. 11. 

conneceo a ventagem de lua eminência. 

37 Logo em Teus princípios foy efta Religião criada 
para Princela. Afemelhança da Igreja de Deos, aquém 
trinta,& três Summos Pontífices Martyres fervem de fun- 
damento, foy a Beneditina regada, & plantada com o lan- 
gue de trinta, & três Martyres, que em Miffina na compa- 
nhia de São Plácido alcançarão a palma, antes que São 
Bento poíTuifíe a gloria. Oíitio, queefte Patriarcha eíco- 

lhéo para cabeça de fua Ordem, foy oMonteCaffino, em 

cujas faldas, (que he a Cidade) deícançou do caminho 

por algús dias o Príncipe da Igreja São Pedro, antes que l<?4 Dom^ntonirnScipitS 

entraflè cm Roma. 204 Era efta terra , onde fua Igreja fc^^****".* 7 '^"^ 

T^ » f . o ' f l, 10. tfjrqq. f pitem: oacr» 

havia de achar denença nas mayores calamidades, por /w.n.*er/. 
iíTonella tomou São Pedro defeanço. O que claramente 
teftimunhou omcfmo Príncipe da Igreja, em o cazo fe- 

guinte.Hião huns peregrinos viíitar oSepulchro deSão 
-Bento ao Monte Caífmo ;chegou-fe á fua companhia hú 

Varão de afpeâo venerando emabitos de Clérigo: Per- 
•guntarão-lheos peregrinos, quem era, & para onde hia? 

Oqualrefpondéo: 205 Souo<lAposloloS.'Pedro^VotiáO *o< Que m ,quú ejfetinurrt* 

~kf r TC 11 i ~m f J I çanici.tlcatum fetrum ^pof~ 

Monte laj/ino para celebrar, com meu lrmao 'Bento , odtaaenn- t< ,i um fceffcre/p'*J>t -.:■.: Vaio 
nbafefta • porque os faias levantarão contra minha Ureia tal tempef- ' d fr'"™ "*? *"«*??"* 

J J ' 1 l ii>» , 1 uteum 1L0 cajji-mi me* atem 

tade ,que naõ pòffohabitar em^Roma. Como a Primogénita da celebrem Kam Kcmaccr.j~.iu- 

-1 • • - r« • i- n *-^ t - *-k *" J^^, rc n;,a talco, varijj cn:n: trocei- 

Igreja reverenciavao os Pontífices cita Ordc: Qiundoem luEccl( r, Jmf ,:u { ,.,/ i:í , r . 
Romana Igreja de São João de Latram fe coroaváo os ^fuj LeonlUcfiic^mhb. 

O r J m , i.cap 67 inChronic.CjjJ.f.cf. 

Pontifices, hiáocom amefmapompa repetira coroação $ cafar Bar™, icm.u. amo 
aCaíTino. 206 Não era iito, reconhecerem os Pontiri- ,c8?- 
ecs a Religião de Sao Bento por Princcfa da Igreja de ?o6 D , C onjijnu^Cay e . 
Deos/ Em dilatados feculos a venerarão Primogénita de umumviuGeja cu*difoi. 
Igieja os Kl yuos de Sciulia , Aquitania , Inglaterra , Sue- ,, irchd. z. m/. i.«, 15. 

cia 3 



5 1 O l%mCl?E VOS $ÃT. TOMO 11. 

cia,&emalgúsReynosde Elpanha,onde pornuiytos fe- 
culosnaõ podia ferBilpo, quem não foíie filho de bão 
sc7 EpHcmeSAcrofoi.-Lo. g.^ nto . 2 oj os bés reays lo pertencem á Coro;». O zel- 

lo, com que apacent^vaõ o rebanho ; &oaugmento, cm 
quepunhaóa Elpoía ioy tambtm huma das razões, por- 
que ló delles fiavaó aschaves do thelouro , & o Báculo 
Paitoral j por tempode íeis centos annos eítiveião^scha.- 
vesdeS. Pedro em poder dos Monies Beneditinos: cento 
s.HcKea.a», tr. ihf,w M d; & trinta, & três bummos rontinces ; duzentos Cardeais; 
r ?f'! i0 r! ''l"" h < tJ,cet °;'Z 208 mil ,& féis centos Arcebiípos , & quatro mil & feis 
injcrm.s.títmtdtâi&.w. centos Biípos foraõ , os que até otempo do difcipulode 

Trítemio tinhão fido filhos defie Patriarcha : Delles iahi- 

rá o ultimo Pontífice Romano , que ha degovernar a lgre- 
i.0» EpitgrrrefJcrof.6i.verf. ■«,--. A u l - J r t. j5V/ 

r jadeDeos. 209 Aquelles tempos,haode ler,ondea Nao 

2<o F,*rTfo™«s.ci- de S. Pedro fentuá as mayorestempeftades;& paraalhrar 

riioOrà.m^armiiMuiniib ^ fo orra f ca s fempre a entregou a Monies Bentos. 210 

oc GLru Matru Ccchfisi foi. í ° , ' _ 

«'"'509 Sincoenca Patriarchas de diverlosReynosíorão filhos de- 

i.uiftuifwnM i .tr*a.+t ír - "? P á }' Univerial de todos os Monjcs. 2 1 1 
b, F,«Sm/ecu>dut. 2 5 ^aõ f y fó a efpada ofTenfiva , &: defenfiva do 

martyrio,d,i jurifdiçaó, ou do amparo , a que (ó conftituío 
a Saõ Bento o Cefar dos Patriarchas ; as (ciências , de que 
feus filhos foraó cultores lhe cõíumaraõ Cefario o Trono, 
emquepreíide: nas armas, Sc letras foy Ceíar: Quinze mil, 
& fette centos Doutores teve efra Religião até o tempo, 
que eferevéo Briterio ; quem lhe poderá agora contar o 
numero? Sincoenta mil, duzentos, & fefenta livros ha- 
viaõ cópoftoos fiihos deita Religião até o tempo , que di- 
tou Pedro Baranguel, que ha mays de trezentos , & oiten- 
ta annos, que eferevéo o ícu Opufculo dos Varões Dou- 
tos- eítaõcheas as livrarias, dos que defpoisdefte annofa- 
hiraóa luz dos filhos deite Príncipe. Em Roma fundou 
Saõ Bento as Efcollas Lateranenie, & Vaticana. 212 
Defpoisdefte Patriarcha, oprimeyro,que fundou Uni- 
.. _ verfidades fovmeu PadrcS. Béda 1 ade Pariz dersõprin- 

i,,v:tjGturi;P a p*p a< r í 7 .e? cipio Akuino, Claudio,C Iemente,& João rJcotoMon- 
ÍfMÉS r ^)n > cs Bentos 5 a Univcrfidadc de Pavia , em Itália , fundou 
j.u.ii. sahr<at,ce»ft Pi^iud.g. cambem Joaõ Efcoto. A Theologienfe, fundou Saõ Pau- 
14 ' . JoMonje Beneditino. A Luxovienfe, Saõ Columbano: 

a 1 ubania , Saõ Piuperto. Todos os Conventos Msç;nifi- 
cos da Oíderu de Saõ Bento tinhaõ dentro em feus Clauf- 

tros 



EMT^EZ A l 33 

tros Univeifidades publicas ; * entre todas foraõ mays * ^"*'w Bc«:d,a;rwu<n 

i , ir-ii -i x * • *-> i MGUtfleri»fchol*public<teiãt. 

celebres a de r ulda, que tinha quacro centos Monjes Col- Exu* Monafi er ^vciut exa r- 
leeiais ; a de São Gálio, em os Alpes ; a de Corbeya, em «Jtp''»' 1 ' >"»">»'>■ ™'pro- 
-haxonia j a de Uvemburgo, em Alíacia ; a de Augia a Ri- eagmthme phtp$ntei , d*ma* % 
«a* em a Ilha do rio Rheno ; a de FJoriaco, em França > a de "'^JZlTdTpuermji.thb^. 
Jrache, em Navarra. Reftauradores das fciencias foraõ os "f- *• ., „ , 

£11 j c D J J J-/T r r T-L ' r> • 1,} ía udjitfjl,rd,xijft^,fi 

nlhos de b. bento : donde dille o ramoio 1 homas bócio, Bcwf,aur ^ir, g i us ex ord-.ne 
Pr esby tero da Congrcgaç aó do Oratório , que íe os filhos í,^^£*$: 
de Saõ Bento naó íoraõ, em inuy tas partes do mundo môSt^ ni f< ^ ugu p nilt Roma- 

, • % r ■ J r. 1 ri - fx/ ex erdi/ie codim pfodyflct, 

chegaria a luz das lciencias. 213 Formuytosíeculosnao n U u<>,b»be,et *A*ighajittpto- 
ouve elcòlas de todas as (ciências .íenaõ em os mofteyros |' r ' \"^t^fil *****"?' 
<ie Saõ Bento. 214 Seis centos foraõ os annos,que os ef- g">° » M"™**/ smx, , s,»>- 
os eítiverao dentro dos Claulíros beneditinos. 2 1 5 ^dcmarm mm Ge,mamc M \ 
Osfamoíbs Aurores, que em todas as faculdades teve a «* *"»*"« «>/<'£*" ««- 

'1 Jignaptnt , qui juerunx cmner 

Religião de Saõ Bento, vivos andaõ em a memoria dos « <tràmes : &tntàmi,Gtrmt T 
lábios , porque o nao íeriao lem elles ; quem os ignora li- f f z* f hiffi*H tèàthhfipuu* 
guaasiciencias, curfe os eíludos,& os encontrará cextoí,/'^'^ e f'i* í f'^ e ' s «" 

fc , . . . nts EccUÇ Ub.%.cip 8. 

em quantas lciencias ha em o mundo j&interpreces,de to- 214 Uem,b,i,b.io.aczz. 
as as línguas que íe íalJarao nelle. ^ ^.^ ^ k^wí^ 



/Cif 



6 Para exceder ámageftade demuytosHeròes, ef- Cbriflisin.6.'*af.j f„i,z% 9 



verf. 



colhéo Belifario por carroíTa os ombros dos captivos 
•Alexandre, os braços dos vaíTallos, & Sefoftris pos por 
tiro da carroíTa triunfal a quatro Reys,que havia vencido. 
De Braços , Ombros , & Coroas íe fabrica o Trono Mc- 
nachal : as Coroas, que renunciaráocento,& doze Empe- a „ Pa<,itmsfer.s.te»ej: 
radores, 21c quarenta, & íeis Emperatrizes, cento & FM ^ nm t i H 7c ^-^r m 
dozeReys, 216 fincoenta& húa Rainhas, &innumera- Bercmit*amboS.*j9u £ x/u»i. 
veis Príncipes, 6c litularespor veitirem aCoculladeb. Zl7 ^idebtmJoxeetreni 
Tknto , faõ , as com que ficou o mundo ; 8c com ellas,fer- ffmf»»*- o*»"h- *>crf. 9 . 
ve ao tiro da carroflà. Os ombros daquelles, que iogey- 
taraó á Igreja, 8c reduzirão áféos filhos de Saõ Bento, 
íuftenraõ os braços , a quefe renderão ; 8c eft.es ,0 Patriar- 
cha aquém íepuiraõ. Nofentidomoralde Saõ Greporio, 

1 ~ , ' rrn- ll ^ TrcuUt Dei morahter 

os muytos tronos que vio Daniel, em queDeos aíiiíiia,/«H» Moiatbi :.■■.-. qu, »»ohe<> 
laóosMonjesquc o louvaó. 2 r8 DeÍ^,que^a?jR^i^£*;i 
Deos de Trono, o que também he Trono de S. Bento. So- *?«•• ,hi - 

b\ % 1 r -i^-i r n r "9 B.oiic ejui igitii acanfut 

re rodas de togo vio Daniel, moverle a mageitola pom- n, verf. \o 

pa cmqueDeoslheapparccia; 219 & fe nas rodas fe re- ^J^if^thul?^ 

preícntavaó os Pregadores Evangélicos , 220 abayxo "»»'« Deificcen/p/. Rupcrt. 

deite, nao íey houvelle irono, a quem movellem rodas btmsUm. 

E mjys 



94 O PRÍNCIPE DOS <PJT. TOMO 11. 
inaysabrafadas em fogo do Amor Divino, do que faõás 
fobrequefemoveaCarrolIàde Bento. Ezechiel, quevio 
a Deos em folio mays eminente , aílihido o elcrcve de 
11'. Lt íh médio ejurfim,!,. quatro animaes. 221 emq ienVuravaó os quatro E van- 

tHclo quattior animaliuw, ■* , * i. ■ n • * i 

tzcvbtduxo.-verf. j. gcliitas: De outros quatro animaes miítetioíoshe reveren- 
ciado Saõ Bento em o Trono, que faõ os quatro Douto- 
res da Virgem, que foraó feus filhos Saõ Bernardo, San- 
to Ildefonço, Santo Anfelmo, & Saõ Ruperto. Junto aos 
fagrados animaes apparecéo nomeyoda terra huma roda 
^,^?ffifÍTS>ír 222 que reprefentava a Sagrada Elcritura: 223 Acom* 
in-rarr.iuxuanir.iiiia. panhadas de olhos fe viraõ as rodas do Trono á vifia deite 

>m Kiiiina^atàaScrífc Volume Sacro; 224 faõ os olhos imagem dos Efcripto- 
r^?Z^ J o"Z:::Z res Sagrados: 225 Oh de quantos he frequentado elte 
G!,f.crJi*sj.,h,. Trono Monachal ! Quando Deos aííentado fobre o 

22.4 7 otií corpus oceulis plc» <-|-. * p | » 

Humm chá,*:» \ ipfarum qua- * r°no deil vozes , elconderao as azas,& pararão com o 
íucr.ih-j:-,/.,,). vo-otodososeípintos,quemoviaõaCarrotTa: 226 efte 

1.15 Occulisplenum , Scrip- ■£ f \ _ 

tortsSicri.^iUuinusfup.E- Trono , era figura da Igreja ;&osefpiritos repreftnravaõ 

zió Kam,cum finei Voxfn- os Juííos(ne commum ientimento dos ladres j as vozes 

fnfirv.j.mr.n.myHoJerttju- que ouvirão .fov hum epilogo da Tuítiça com que Deos 

per capht eotum.fiabam^JUb- * , . r . , ° . J * . .^ 

/».; ( v; J -, : ,>/^yiWjí;T,.r/; l5 era venerado: 227 & a viltada mageltade coqueDeos 
J*J««.«/«w>fc ' períuadeadoraçóes, todos osjuftos abatem as azas. Co- 

locado Saõ Bento em a fupenor parte de feu Trono, arti- 
cula o direyto, com que oceupaolugarde Príncipe dos <Pa~ 
niarchcvS) Sc fundando a juftiça , naõ ló em ter o efpiritode 
rodos os Juftos, donde irtoítrava, que fó valia por todos; 
fe naõ também em fer o Legislador, que naRegra que deu 3 
reítaurou oeftado Religiofo; & nos filhos que teve, am- 
plificou Sc reparou a Igreja ; &á vifta da virtude, & obras 
em que fe exaltou efte Soberano Principe, lebre rodos, re- 
2,18 Tamam'* Domino pr<>. conhecendo loexcèífo em os Santos A poltolos, 228 en- 

tncnut grafam ,ut r>emi«i prfi , - . o r \ r « • 1 

primor Beato, ^p jioio,,un cobre os antecedentes, & iublcquentes Pa trianlias as azas 

%7í::::ízi: ã i%úz com q ue voaraó > q ue ld6 as Re g ras q ue deraó -. 2 2 ? con ~ 

iumabBi, &sn ,oTenio inCon- feíTándo na fumilíaó dos ferviços,aíumma eminencia,que 

1 \ 9 s,c Sanàerumpract no eftado Monachal tem o Pay dos Monjes S. Bento. 
^3tó!|I^S .37 Maysíaóasagoas^uedafontedoPaniíorega- 
wJiSi icngr. pr<tfu tl t„jr j ?1<<í faõ a Imperidl planta Monaftica, com cujos tru&o* fe au. 

antcillum fatre, S.inBi conf- i • t- n i« • ri ■' 

titueru»t,veiut lex Moyj; j u - tnorízâ o i rono Beneditino , a léus lugares ira connnuan- 
",&<&'* fcwftfc, do acorrente. Só pata documento dos Príncipes fiz eíh 
hibhotb.pp.p.t.fa.s.Btned. rélcnha dos fubditos, & ajuntey elta íabnea ao Trono. 

A fama de Saõ Bento, & o fragrante defua virtade atra- 

hiraó 



e • 
110 



EM PREZ A 7. ^ 

hiiuo afia multidão; as obras deite Príncipe, encaminha- 
rão o valordefeusfubditos ; nãao lugar, fim a luz própria 
taz ao Sol o trono de rayos ; não he Sol pelo lugar , que 
occupa,íenão pela luz, que communica; osefTeytos da 
juzlaõcreditosdo Sol ; aobranãodágloriaaoiniuumen- mo nunquíâ giorhbiturji- 

] r a -r • • r ' turit contra tunt , qui Itcei m 

avrou,lenaoao Artince,queguiouoinitrume- M ? ^tauiuUtur ferra ton- 

co : 2 30 efte,iaõ os vaíÍ3llos,de quem he Artífice o Prin- *''!»•">• t uo1 "*'""* 

-> . , •* 1 ■ • tf*'* to.verf. 16. 

cipe; cuja fama ferve aoslubditosdeluz,que es encami- 
nha ;& de virtude, que os move: oprogréílòdo vaílàllo, 
he produção do exemplo do Príncipe.! oda a eftimação a 
que chegou o frucèo,he credito da terra. Apparecéo Deos 
a Moyíés em húa Çarça , queabrafada em fogo não perdia 
a verdura ;quizMoyíésceitificarfe do prodígio, &man- 
dou-lhe Deos, ie defcalçafle,pcr razão de íer iãnta a terra, *n SeheeaiteameutaJep 

ceitavaMoyies: 231 niaysconiorme parecía^oíley^^,^..^^ e # t 
a reverencia areípeyto da Çarça, donde Deos falia va,&: Ge " e J •»■ "as- 
para onde Moyfés corria: Antes que Deos apparecefle em 
efta Çarça, andava Moy fés calçado por aquella terra ; lo- 
go, fe defpois da vifaõ toy necetTario odefcalçarfe, fendo a 
Carça a que motivou o reipeyto , porque ha a terra de le- 
var o aplaufo ? Sirva efta ceremonia , de infinuar a Moy fés 
a virtude da Çarça, &não a fantidade da terra. Oh não 
vem, que a Çarça era produção da terra/ Pois todo oref- 
peito, que adquirio a Çarça, refundia em abono da terra, 
que a produfio. Çarça , onde o fogo não confóme a verdu- 
ra, he a fama, onde a inveja, & o tempo não extingue a me- 
moria j fe Moyfés não vira o prodígio , naõ deyxara os re- 
banhos : fe no mundonão houvera o bom exemplo, vive- 
rão os homés defanimados, & fem eftimulo o valor ; liber- 
tador do povo Ifraelitico ficou Moyfés, defpois que fe a- 
proxhnou á Çarça:Reftauradores das pátrias foraõ todos, 
os que a fama unio a fi animofos ; mas a refolução a que o- 
brigou a Moyfés o milagre da Çarça, foy para veneração 
da terra que a produfio: toda a luz que adquire o valor , he 
em gloria da fama, que lhe incitou o brio. Nafcendo das 
obras taõgloriofo onomedo Heròe, que fe orna de tanta 
variedade de flores , quantas forãoas diverfidadesde proe- 
zas; das quaes, divididas pela terra, naíce a compofição do 
nome, que o eterniza. 

E 2 £>if, 



gé O P$jNCl?E VOS PJT. TOMO II. 

Dk^pãbitsinterris tr.Jcnpú nomina^egum 

'JSLajúmtur fores : & fbylhda Jq[m bubeto. 
firg. Edog. 3, 

Defconíando odifficil , que-efta virtude cufta sntes da 
póíie, com a iuavidade, que trás contigo deípois do Jogto. 

Pirtutem Volvère Dijfttdoreparari, 
Ar dum efi adeam^ longufqne per árdua tracliu^ 
J\\w^ & efl primum :jed, ubi alta cacumina tanges, 
■FitfacdM,qthe duraprimfuit, indyta Vtrtm. 
Lucd. Hejlod. lib. Ope. Cí» Vier. 




INTENTA 



INTENTA ? 

S. BENTO 

REFORMAR OS MONJES, QUE 
o buícaraõ para feu Prelado, 

E M <2 %E Z A II. 



<?",; 




38 



3 A YS dos accidentesjdoqueda 
naturefa íe criáo as moníiro-ofi- 
dades. Trabalhão a naturefa, & 
a terra, em crear,& produíir os in- 
divíduos confónre iuaseipecicsj 
jgjg|2ͧ com tanta pafeyçáo defempe- 



Strctc» ètUntty ÍUtuit 



nbãò feu cuyciado , cjue deu motivo , 1 a que Stroton òtumtji* ugnukm 

E 3 déíTc 



5 S O VQQKCIVE DOS <PAT. TOMO II. 

déífe á naturefa adorações divinas , & o inclino culto trí-> 

t o4rcheiaut?hif t eut*s3t- buta-fe aterra, Archeláo Phificode Appolodoio; 2 mas 

{ílf^ÉlpfxaX^ue conhecendo, o quanto dependem das influencias dos Aí- 

univerfarumprincipiumtffcvo trí)S a co rnpofiçâó dos ff uctos , por fempiternos cíiimaraó 

imt. Epiphonius. * /,'oií rtii a • • 

ProdicusCeus,oSol,Lua,& Llemencos; 3 Amxmian- 

, ProdicuiCeusquattioreic- der Milcíius,as Eítrellas. 4 Intentaõa naturela & ater- 

^:^::tSr;S: «, que a feu tempo dem asplantasasflores,&íri:aos-mas 

virtuum exifteie crtãtbm. Us. chegado o tempo, em que a virtude intrinílca ha de brotar 

4 ^siu.iximanâcrfS iffc Mi- n ° r \ ^ - CC • Jj 

hftn,,fte0a*,tíefiraD e otç*. a flor na vergonta , lendo obotao aorncina , donde oem- 
l aÍS!^D[''X^': penhohadefahir aluz, acontece muytas vefes, atinuar- 

Ihe o HiccOjO ar noci vo^ou defmayar-lhe a cor,o Sol inten» 
co ; ou manchar-lhe a gala , a chuva continua ; ou compri» 
mir-lhe as folhas , o rigor do frio ; ou defcompor-lhe a or- 
dem, a fúria do vento; ou cortar-lhe a vida, a humidade da 
névoa : & Te da flor nalce o fru&o , deyxa a eíle lezo , o que 
á flor fez o dano. Conhecido fica o intento da terra , mas o 
frueto da planta vendo-fe degenerado,naõfetem por le- 
gitimo. A arvore Arenciana intenta produzir a terra em 
linha revira, com medicinal virtude , que efeonde na caíca; 
aíTy a bulcão os olhos, &aiTy a deleja a medicina ; o conti- 
nuado Norte adòbradeíorte,quena inclinação aquea 
obriga, lhe faz perder o natural impulfo que a fóbe, Sc 
crivar venenoema parte, ondetomaogeyto; afly adulre- 
raõosaccidentesosfruâos da terra j ckaílyafFcyãoosacci- 
dentes os par tos da naturefa. 

39 Entre todas as obras da naturefa he a humana, a 

* MuKÍttstotftorilut;quo\ ^ or com que fe orna o mundo : 5 Sem negligencia oc- 

h °tti l Zl e t.^rai, ™pa ° tempo ,_&aperfeyço-a a obra, 6 cjiiando algum 

6 NtíurawbupMitHrimper- accidente lhenão ferve de liga , com que pervertendo-lhe 

fcUum. D. Bajl/ii/r. j 1 rr i j , n i-i - • 

a vntude , de neceíiidade Uy monltro , o que dilmiava 
perfeyto. Planta em a terra a flor humana rão viftoía , que 
lendo creatura he retrato do Creador ; o mundo, q ue a re- 
cebe por adorno, confpira ingrato contra ella , ou cora o 
, . nocivo ar dalifonja: ou com o intenço calor da Lei via; 

7 rulttJoCCHht fanei Jt;fic i r -J i ir r- 

mtuiauo , cogmtuntm remm. ou com ademahada chuva dalortuna ; oucom or!í?urolo> 

p;:^ÍJ^": fr °- frio ^omiflaõ 5 ou toiil o&riòfc vento da váglona j ou 

8 Calor luxuri* tjfiviiiatur com a húmida névoa da inveja: Donde fica a creatura, 

igni:itamignisfsrrum dtirum, — M » t _.J 1 _ •» t i-r • • 3 -n » • 

&fri í idu m im mu tat t &quafi cj uantl o «»ovido o ar da lilonia, .privada avilia doconhe- 
^^crnntific^u.iM.ãinemo.cowopÒQuc levanta a adulação: 7 dcfpo 

do mi:. Gemmtaitut lii. t. Jc , q !••• i í 

c*h , e? titmenús. da da lorcalda, introduzido o calor da luxuiica j 8 Jh 



ia- 

áíhra 



c:a 



E M <? %E Z A II. 3 9 

áa eternidade, pelos enganos da fortuna: o efquécida 9 s*pe numere maputudo 

. . . - L P, . . . , . . y ' . x . fortuna' exlmguiiumorsrn Ge- 

casobngaçoes,porqueío lembrada do vicio ; privada do *£»*. d. ^,, gu ji. 
premio, na orientação da vãgloria: com que, omeimo ^ cemmadumjiium (**. 
que á rlor deícompoem a ordem, perverte o fim de lua ***»" : cuwfcvaíu .v íraJ . 

»!w pcpultti effet dcfcjJns^Com- 
CrCíiÇaO. modttmintetimere coithis eff, 

ao Accidente donde feoriginaó asmayoresmonf- '«™i*'»?"»"'»""i>efermur 

•„ -, ° ••il Commsdumnon Marer,fed La 

rro-ondadeshe o maoculíume, porque per verte a Índole, »i(f*,aeGiadiatori,fi, u .>,f 1( . 
& a boacreaçaó : ímgular fby , a que deu ao Emperador 1 f e -^^'fi'' Ct "P 3lu, rf l!l '' 
Commodofeu pay Marco Aurélio Antonino: &: aíTya- ,l Ua jrf Macedo™™ mu 

., j- rr - - \- r r\^ moraJeavertit,auibutnôMa- 

perdco em ogoverno, que dulerao, nao podia ler hino ced^um arma de Psrfn,f c d 
de tal pay , íenaõ de algum inferior ; io os vicios , a que ^V^JT^J^T 
oacuUumaraõ íeusíequaíes,no principio do governo, ihe idewib.ap.t. 
tizerao perder a clemência, com que havia lido creado. fearguitimfcripth fepuhn e - 
Alexandre Magno, antes que triunfaííe dos Perfis zbo^ , "J dem ;^ uata!iiC ' a ' :Pc l u ' t ' 

o ' , m i o muttum vtm potare ,$3 ksc 

minava as diiicias; no triunfo, que alcançou daquella/»™*?/^™. Ravif. offic. Fer. 
naçaoafíy feentregou aellas,que pelo cutiume deu em ,, ^ Ktlochi ; t MagnUf dlC( 
viciofo. 1 1 Dário , vivéocom toda a temperança muy- tot01 àommefoUbat obv,*oic- 
tosannos; acultumou-le a banquetes, &morréo com a tn J lusomorepucZ* cbaitidcnfu, 
famiadedemaííado. i 2 Antiocho Magno Rey da Afia tâ^SSZZSZ 
& Syria, fendo elpelho da vigilância, o vicio a que fe en- eavinoindu/fit^ venere. 

3 \r i • & A ldemibi. 

tregou o tez retrato do ocio: 15 antes que eltas arvores , 4 MacedonumRex^íiexi- 
rea ys fe dobraífem ás forças do máo cuftume , lemelhantes ier fi?* r '" u * e I jlt > ab >f' M * 

J * -" cedcntci ínodejti* , vrjtcvt pa- 

a Arenciana feguião a regalia; mas na fogeyção dos vicios num ?erfi t omament» muta- 

r 1 - ■ 2 - _» */'». BjptiFia Campo Fuhtlut, 

a que ie derao,crearao o veneno, com que degenerarão do llb , . „,, 6 ' s 
tronco, & perderão a virtude. ',< Et 'Pfi* #0 ?"<" « 

fc-< i-i •• >n Cleópatra gtncrái , in turca 

41 amos palácios dos Príncipes põem omáocuflu- Tbronofiderunt,prepieromnB 

J . /3T. 11 " .. .. Remanor um morem ■.;.■•..■:.. 

tnea tenda , para que os vaíiallos imitem, ou compremí l6 W ^ M . íWAt ?ttJ , ;> 4/ig 
em Alexandre, mudando asvefliasMacedonicas em Per^- readjuiu^paiudamentoCeru- 

s. * * * • rr 1 (* r icou f»' e fl : marim cnim,^ c*- 

iunasj \a em Marco António, aikntando comigo os h- ufikceiorhegefertur^umgef. 
lhosemoTrono,coufanáov!ftaarcaqueÍle tehlpo, i$ ^fBEHT * tm * """ 
cm Sexto Pompeyo, trocando em a capa a corpurpurea, >7 VrimutmterRoman.c*- 

d.r ' -ri 1 11 Jarct Baibarorum Rrgum more 

cqueiuaraoos Komanos, pela azul, de que nunca traja- hill/t ,„ „ uU ,vit. Uemibi 



raó í ó em Eliò Adriano , fendo Celar Romano, cream ,8 ^^f J "' GotburHif. 

pantrum tier :::: rrgio aiaae- 



.in- 
ç- 
am 



do barbas a modo de Rey bárbaro ; 17 em Leovegildo mateprimutuuenpit,etima, 
Rey d.is Klpanlias , tilando de coroa , de que feus antepaf- g \\ d „\7aiZ"^rTma^qua 
fados não uíaráo 1 1 S cm Afionco Segundo Rey de Na- m»mic)èimfmO**i»- 

, ... 11 ■ r> • mutirur digntfccrchtur. 

poies, trajando-le de I urco para lembrar aviaona,que ]d t ,-,,b,. 

dellcs alcançou em a Cidade de Hydróes. 19 Tudo '* ^"'f^Sffnt 

, * J / íurCJi u tnorci>ij<j>iajJe,uj no- 

loy innovacaõ, com que os louváveis cuftumes afly das w/« »/»««« mem riam excite* 

, ' . ,- , ,- , ;- rct.terj.tpeutcbatur. ibi, 

nações, como dos mítitutos perderão aíoberania, hcan- r r 

do 



4 o O FUJKCIVE VOS TJT. TOM. 11. 
do adulterados. Domáocull;ume,aceytoentre os Punci* 
pes,derãoosEgypciospor hieroglyphico ao Corvo No- 
cturno , que íazendo-fe domellico com a Cabra, toda ítia 
ao Pcmitiof* coHfuetuJtnh apetência he, chegarlhe ás tetas ; mas em goltando doley- 

homincm mdicatufu au Ifiam, r ■ 1 i\ J CL } J Tl 

ç* n imMi & Hm*vcmf\r,£t^ te, hca o animal exaulto dontCtai $ pnvaoo daviita j ao 
emminu, ■ capr M famúiarittr deminuido dela : debelitado de forças -,6c venenadas as 
rajugtrt>quoâ ct,mfccern\uber carnes. 2i Delpois,que omaocultume remaceytação 

™JZ*&TvXu£Z cm os Pl inci P es ' P ertende ^oMn^k em as leys, c-ue iaó 
ta. de caprimuigo. os pe ytos da Monarchia ; & chegando a pofluir e ite logro, 

5.1 ^iufuns icttidet.lii.». > ',., , • . .n ° • -n & 

àtCifrimuigo. priva aMonarchia da vuta, porque os miniltros a quem 

tem por olhos, o que acháoemaley ,não omlgãoculpa; 
& lendo a expurgação delia o ne&ar, com que alimeman- 
do-feo merecimenco feconfervaajuíViça, efieriiiza omáo 
cuíiume os peytos donde emanava o vigor, fazendo do- 
meítico o vicio,& dando torças, por agrado, ao erro: prin- 
cipio, donde o ornato da Monarchia ,quehea nobrez3,fc 
dcminue , porque na imitação fe empeyora ; & as forças, 
que iàô os vaflallos, em quererem alTemelhar fe enfraque- 
cem j com que toda a Monarchia fica contaminada , & as 
bazes de fua confervação , fem vigor. 

42 A diiíimulação, he , a com que fe introduz o máo 

cuftume jcomo a Serpente Chylidrus caminha, &como 

ella mata; para encubrir ovenenofofumo que lança deli, 

fe envolve a Serpente na terra j 22 com que anão feri- 

Z^Ct*;ã::J^L Km, fenaó defpois que inficiona -.acompanhado da terra 

anda o máo culiume, porque fevefte do luxo das como- 
didades, ou do exemplo da companhia: femelhante ao ve- 
neno do Afpide,he o feu veneno, que faz adormecer, a 
quem morde; & a naó fentir odamno, a quem contamina: 
fará repugnância ao principiar, mas não ao profeguir. 

Quodmalefers, afine (ce aferes bene, multa Vetujltf 
Leria. OVtd. 2 . de Art . amandi. 

O Paftor, pela continuação tem os ardores do Solpof 
a ? Co»f»etMâim, magna vi, refrigério, & a frialdade da neve, por regalo. 2 3 

e/t, pernoct jnt venatoret inni- O ' ' l «-> -» 

■vt, in montibut urifepatiunlHr 

c,cer. ». Tufe*. QJfJfietudotenet Vires imniobdis acres: 

Edomttans homínummembra laboregravi. 
German. 

Nao 



Não ha quem dé mayor gofto , ao que de fi não tem fabor, 
doqueheocuftume, 24 cem efte a propriedade doca- m M«**» ?»<«**«»«• 

. * ,. n r- 1 r J • tionfunt diictíabilia , cum aj- 

10, que iaz perder o ienli vd : com canta torça domina,que f ue f a 8*fn»t, dâtubiuafiunt. 
lhechamão legundanaturefa. 25 Os que vivem emlu- ^ d >'l l - Rhct ■«• 
gar a peitado, não lhe faz mal ocontagio ; aMethridates rr r.; m 
naó fazia dano a peçonha, porque fecreou com veneno. da,®q»*fiiffabr,cnj natura 

n J i r ' Q J J 1 • . J àicitur. t Aug,l,b.6.de Mu/i. 

4.3 Paraadiipoiiçao,<xadornodequalquervirtude 
achou Licurgo,fer o bom cuftume oprimeyro,encre os 
mays accidences. 26 Muyto pôde o natural ; mas fem Z 6 ^j p trm i„ m , ^«/r, 
difciplina.he como a pedra cofca : poderofa hea difcipli- vnhm.mMUf^ium^^. 
na, mas lemobomcultume he,comooinfirumentorude, doãriM^vittiafUtktio. 

• - 1 rr* • 1 j n ■> • %/ipuâ Plut»rtbum.quÍírSC' 

namaodequemnaoheorhcial,queou deuroe a matéria, f ertu a u h Gdiofuhutuh?,*» 
oudeyxalem femelhança a forma, que nella crabalhou. "?'» <*<">«*"■ 
27 Quem pertendéo fedeftruiíTe a republica dos EíTenes, TT , „ . . 
alternados por dias lhes dava os inltitutos; a nenhum dey- uttuntituumeftjuiemabuun- 

1 _._ 1 • /^\ /• 1 - dofacere vitia.aut bonc uícnj» 

xava continuar, quem os ajudava acahir. Conlulcarao a vinut „. 
Morte, & a Inveja, como poderia refvellar aeftabilidade D.Bern.dcConfiJ.iib.z. 
de hú império ; & refolverão , queacabando a Morte com 
o inveterado;& a Inveja,com o Iuftrofo; introdufindo en- 
tre os Romanos as leys dos Egypcios , & entre os de Cre- 
ta, as leys dos Scy tas ; ou confundindo os foros do Magif* 
trado, comos poderes dos Ceníores : 28 na confuzaó 

. n 1- 11 jr ij j • ti.' ■ ** ^mbrofitu Efiartanut 

doscultumes,punhaoamelhoradelua maldade j invecti- deReftubuctmixia. 
va, que fer vio de mão , donde cahio a coroa fobre a cabeça 
de muy tos pufilanimes; deftes , he retrato a hera, aqual ar- 
ribada á columna cinge a coroa j o primeyro, que delia fez 
hierogly phico de fua fortuna, foy Aufieníe Montano , fi- 
xo efteve emoblervar oscuftumes,& leysMacedonicas, 
em tempo, que nefta Monarchia fe introdufia, ourefuf- 

•* r , .,., , 1L .- ia lâcmibiful titulo dc Pá* 

citava o traje Peruano; 29 de tanta utilidade lhe lervio tlcn(l0 . 
o arrimo, que o laurearão defenfor da pátria. Ainda que o 
anélfeja de cobre, tendo em fio diamante, he de mayoc 
preço que o de ouro, fervindo de engafte á pedra falça; 
defta, he o mão cuftume imagem , porque do bom não tem 
mays que asapparcncias; oqualpofioem anobrela, aíly 
lhe abate a eflimação, que o fangue illufirc que oíóbe, 
perde o refplendor que o illuftra. Não faz rcfpeytada a 
pedóa, o traje peregrino á nação : para que a roupa nos a- 
brigue do frio, o corpo lhe communica o calor ; mal pôde 
livrar da irreverência hum traje, aquém o calor Portuguez 

F não 



4* O ^INCITE WS VÃT. TOM. U. 
náo conhece próprio j& fe asriquefas fe intituláo calor 
da pefioa , todo elle fegafla, em fazer domeftico ocultu- 
me eftranho : & nunca lè reparou do frio, quem lhe faltou 
ocalor natural. A Manedémo Cynicoretratavão comhú 
veftido de cores varias, quem o efcurecéo no refpeytoj 
deu-fe com o retrato principio a mil defprefos ; & iúo os 
occaíionou menos á nação, verfe hum natural feyto ma- 
pa de nações eftranhas. Conhecidas forão as antiguas na- 
ções, não fó pelo valor, fenão pelo traje - hoje temo cuf- 
tumeintroduíido tal variedade, que fenão conhece adif- 
ferença de nações, fenão pela diverfidade de linguas ^don- 
de fe encontra comveftidos deEzaii ahuniPortuguez,a 
quem Deos abendiço-ou como a Jacob. 

44. Ja&ava-fe Vatinio,dedarmilpaiTos eftandoa* 
»o Vatimtu s autonVtocroiio, chacado da gota ; 20 pertendia o não tiveíTe por enfer- 

c^mnvupro..egalaborartt,volc- ° • rr ML L rvT ir > 

batvUcriíiuum dijcuffifc , tf mo, quem o vilie trilhar o achaque. Dikulpa-le o niao 

7lfT P " < " niuUre ^ h " í - curtume, com imitar a nobrefa ; melhor fora fe culpara em 

^puãRívift.inoffici.titu. fia vaidade; maspertende eximirfe da culpa, com fizer 

fh,i moibu aliquiã infcSi , tí , • j rr • r 

0ffe8if H cruntl rratavel oerro : ignorando, que aíiy como o propnoafpe- 

&0 des Infira, ou fermozea o natural,da mefma forte o máo 
cuftume indica vaidade,em quem o fegue. Requerente de 
refpeytos conftituhio aprotanidade, ao curtume; náo o 
julgou alTy Rociano, que lolicitando alcançar entre os 
Scytas,aginetade capitão, fazia os requirimentos acom- 
panhado daquelles, que no traje fediffèrençavão do pa- 

? i jaeob^fjrethjeuflttei' terno . ^ t emque nelle oviíTem conforme, animava a 

tico £.pygraw* )). tíêtno ,7. ' j ~i ' 

pòlTe do que efperava. He a republica , como a cobra, 
com todos uía do veneno , mas quando vé o homem deC- 
pojadodas roupas, efquece-fe donocivo ; naquelle efta- 



12 ní ,cí •ipfitm animai Ser- do, fe reprefenta o homem em o da innocencia; tempo em 

•nshoc Çuapxê natura contef- * 1 - 1 o r 

/«r.wíwrwííTOíwt-f/^ Que Adão posatodas ascreaturas o nome; & como rei- 



fenil 

tatur ,rcv:ritut bomntemvelut qUe AíiiiO p( 

Dommumi ittum tnim nudum pe y tando efta divida, moftraíTe domertica a cobra, a quem 

vi rai adifonevit ante lapfum, r 1 ' ' * 

proptereaimJum htmmcm ena vè parecido ao bem-feytor. 32 Aos antigos devem as 

bedienen audet attwçcre. * * 1 • 11 11 1 - r n - 

jftdtruihb.u.t*} >%.,»/«. Monarchias o nome, porque elles lhe derao oicr ; cv nso 

he mays poderofa a lembrança da injuria , para a vingança, 
iy yithenhnfes ob injuriam do que a memoria do beneficio , paraagncidaó. Se forão 

publicam , òamiorbcuo captor, * 1 ■ r 1 

nonnotua,fed SamextiavUfig- muy tas as idades, que entre os Athenienles permaneceo o 
^tt^paZ ZlHEL odioconrrao. Samios,pelodefpreíocó quceftes trotarão 
inptrfiua crimwe, dunnata. a Religião, que guardavão aquelles : 22 também os Pla- 

J*eob ^fdreth Epnramma ° ? & • i - l j • r 1 - 

j. Ramo 9 . teences , todos os annos tinhao hum dia conlngrado a me- 

moria 



EM PREZA 11. 43 

snoria dos Gregos, que deraó ávida pela fua liberdade. 
34 A Luí fóquando nublada, fingem, padecer defpreíbs M Phieerftinjgrofití-.quoJ 

jt~\ n - - j o ! o l '"tocomijjumà Gr<tci4*4ver- 

doiJeos raoj «tmava-a por irmadoòoi,& vendo-a co-/<« e*rfa*pr<eiiumfu<ir*t,quo 
berça de fombras, iulgou-a filha da noyce. Defeus Qiy* I t "*j,* Gr * Cfn '' ""•""• 
iraíi.iõ os Athenienfes as inlignias , paraq osconheceílem '"»b*er*r.t,ft>ieí»nipon!paf«- 
por ieus deícendentes. Llizeu fem a capa de Elias naó éafh/aFuigoftvM.i. 
teftimunhava, com evidencia, ficar herdeyro de feu ef« 
piri to. 

45 ProhibiaCharandesTyroem aley, quedeu aos 
Athenienfes, naó feacompanhaíle de armas, quem vieííe 
para aoraçaõ; 25 eflando efte Legislador para fahir a y J, Ch * , ?»* í ' Tyrhu *pui 
campo contra léus inimigos, teveaviío, que hum Athe- *rmanu vemrei »» W/*»«». 

1' 11 1 1 r~\ 1 11 Ra vi flui in offici tit.Letiflato- 

nienle lhe quebrantara o precey to: deyxou Gharandes de ^,àivcrf»t»m£imiu<«. 

dar a batalha, & veyoem peíioa adar-lhe o caftigo ; 36 

mayor utilidade mlgoufer para a republica, o evitar a in- * 6 <À»fa"' ***e*'Gh4T»u- 

J . - j i • À , ... ,. . aei,euine!ftt in l/ello,nuoJ nui- 

troduçaode hum niao cultume,doquedilatar-lhe oim- i*mp«giiocompofit™ y ,» cen- 
perio , ifto he augmento, & confervaçaô o outro ; a falta ^^SSÍ^/S 
defta, he perda mayor da republica: razão, por onde os La- eumpwicn*fito ^«u. 

. • ,J '£ /!■ f r Bonfim dl objervatizn: ievit 

cedemoniosdavao caítigo,aquem na guerra perdia o d- tumpio^. 
cudo, ainda que ficaíTe com as outras armas : efeudo da re- 
publica chamarão os Romanos, a Marco Maximo,porque 
os confervou paci ficos j & Teu eflóque, a Marco Marcelo, 
porque lhe deu augmentos. Naó fica com que fe reparar 
do golpe, quem perde o efeudo ; aguarda óeíie , he a obri- 
g-.çiõ do Príncipe ; razáoque tiveráo os Políticos, para 
aírlrmarem,fer de mayor utilidade a afíiftencia dos Prínci- 
pes em a corte , do que em as campanhas 5 he mays neceíTà- 
rio a confervação, do que a conquifta , para a perpetuida- 
de dos impérios ; puferáoa mayor força, onde acharão a 
mayor importância. Dequeaproveyta a arvore eftender 
os braços , fe lhe faltarem as raizes ? Será mayor triunfo do 
vento,tudo quanto a terra gaftar de fubftancia,em lhe pro- 
longar a circunferência. 

46 Solicita o jardineyro, que na raiz da planta fe- 
não introduíà bicho ; fabe o pouco que lhe aproveytaa 
mays diligencia, tendo a raizaqucllcoffenfivo. Bicho,que 
introduíido na raiz da Monarchia , que faõ as leys , a im- 
poíTibilita de todo o augmento, he omáocufhime; á vi- 
gilância do Principe compe'te, & importa o reíguardo. 
Com forças de Ley permanecem algús cuftumes,a quem 

bz aan« 



44 PRÍNCIPE WS PAT. TOMO 11. 
a antiguidade izenta de repulça ; mas não goza efte foro, o 
i7 Co»fuetuio,ptrquã>»quu q Ue j ie encontrado ao direyro Divino, & natural : 37 

indticuttr ai peccandum non f. ri, . . , -* 

9tier.»tee*ií*iRttmr*d*. Sim aquclle , a quema neceilidade do tempo ,011 lugar ao 
ctwprpttuj vil in dam*™ commo douo uzo, conformando-fe com o licito. 58 

Ecrtejt/e, vei contra jtu natu-' ' 3 

r7rie,vcl contra rationem, Ç$ ve- 

ritatem ; <« onwibtu praditlis „ i, n • j /~ , /• ' / 

caf.bui a* [miúdo aboienda e/i. Çuod loca cuncla tenent , ta conjuetudvm longa 

~tbh«*in G.npnuàecon- Firmumiure maVet , in mime coreu 

JtictuJi.tf Xi.dcL.noi diatur. J ' 

)8 Com/u eludiu um diverfi- GeWWL 

t.t* pro loco ,1$ tempere non cii 
reprobanda^dummodo nonfi ra- 

ticnifsvertut, contraria. Heocuftumeo melhor interprete das leys, fendoutil á 

Cap.t.SciUn.D. • • j f o r» 

?9 cenfuetudoeR óptima ie- conveniência, lem perjuizo doque ne oanto. 39 Fre~ 
5;S3S|S,ÍVÍSS eminências de Príncipe tem o cultume,pofto neítes ter- 
ea firmim rji. Dccor/uetud.c mos ■ a a fí v o venerou a religião, & valentia de Hec- 

^o cmfueutdohabapotefia- tor, & Eneas. Naoeraley , masíoy cultume dos antigos, 
Um F'''" c '[" ., naóíazeré iacrificios, nem pegarem em coufas dedicadas 

vrfpIldjUIUCOHful. .j/í fii'i- 1 

20 culto de teus ídolos, lem pnmeyro lavarem as mãos 
quando fahião dealgúabatalha , ou haviaõ feyto algum 
homicídio: da guerra fahio He&or,apedir ás molheres 
Troyanas,rogaííèm a Palias o foccorre-fe; & querendo 
neítaacçaófuamãy Ecuba,fizeíTe Heór.orfacrificio a Jú- 
piter, relpondéo , o naõ podia fazer , porque naõ tinha la- 
vadas as mãos. Eneas, trazendo feu pay ás coftas, para o li» 
vrardo incêndio, lhe encomendou crouxeíTe os Deofes 
Penates, em quanto elle fenaó purificava nas agoas, 

Tu genitor capefacra manu , Patriosque 'Penates: 
Me beUo è tanto digrcjjum , & ccede recente 
Attreftare nefa6 y done eme fulmine VtVo 
Abluero Virgili. 

Efte uzo , afíy foy recebido & eftimado, que a feus tranf* 
grelTorescaftigaraõ os Deofescom irreparável ira j o que 
teftemunharaó os Gregos, aquém Palias foy contraria^ 
porque Diomédes,& UlyíTes tendo morto as guardas , lhe 
puferaóasmãos. 

.. — ^_-, Manibufque cruentis 
Virgínea* auji DiV* conúngere vittas: 
Ex illofluere, ac reSlofub lapfa rejèrri 
Spes iXanaum. — — — — 

47 Ade« 



cattf 



47 Adevoção,aneceííidade,otempo,olugar,cka 
experiência acreícentaião, & diminuirão nos cuftumes 
mu y tas coufas , que as leys não preverão ; alcançou a vir- 
tude de muytosjoquenaõ pode comprehender oefpiri- 
to de hum iò. A reforma , & moderação deites cuftumes, 
pede cautel-la na execução dos Príncipes ; advertindo em 
os da devoção, que não querendo os Athenienfes, foubef- 
lem os profanos na vida a forma dos louvores, que davaõ 
a ieus idolos , Diagoras Melius , achando niftofuprefti- 
Çaõ, as revelou a todos; 41 com oquenaófizerãomays 4 , r>iagor*t yiehtu arcana 
efTeyro luas deprecaçoés. 42 Lembrando-íe em os àâ ^ r \'^? ua T U "Í^ f AZ 

J L i ~ fjnu dexulgare) cn.mbiu dele- 

neceífidade, queosdifcipulosde Apoléo,emquantoan- *i* Ravrftu moffiem Verbo 
uavaodeícalços,toraophilolophosjdelpoisqueos ebri- 42 t ,\ uw R etr ., g! ro ie ce- 
garão a fe calçar, deyxaráo a Phílofophia ; omefíre,que ràtiouc Dwrum.lib.yc»p.7.x. 
lhe deu o inftituto, não o fez fó para di vifa,attendèo á pof- 
fibilidade ; a falta de póííes obrigava a muytos , a que fof- 
fcmdifcipulos ; porque comefte eíiadoencobriaõ a po- 
breia: & como lhe tirarão a conveniência, deyxarão-fe _ , . r r , 
oaoccupaçao. 45 Coniiderandoem os do tempo , que jaJhufirumHattuorHm. 
os PeloponnenfestinhãodeinftitutOjfazeremofacrificio 
de cem vitimas na feita Hecatombe, em gratificação das 

C- j j — • L - J L - L " 44 Kscâtombe Cacnficium 

idades qtinhao; 44 dobrarão huannoo numero, t ^ emum ^adiruí,,** 

& multiplicarãofe-lhe as felicidades ; em outro anno não 1*'* (tntum *&&»**& •** 

. L _ • rr \ r bcfidfiacbint.Ravifituinct- 

poderão continuar o augmento,& nem por illo os delam-/cy. f ^. de P*t$* cehbnttu- 
parou a fortuna: 45 conhecendo em os do lugar,queVo- ^f^JtZ;^,^. 
non Rey dos Perfas foy lançado fora do Reyno , porque 
ua Pet fia queria viver, & que viveíTem ao modo de Roma, 
ondeie havia criado ; he antigo documento 3 conformar- 
le no cuftume , com a parte onde fe vive. 

Sedulo moneo , qu<epoffnmpro mcafapientia 
Verum qkidfiKtaé? ut homo esl, ita morem geras. 
lerenttM Adel. 

Nos da experiência , não tome o Principe por concelhey- 
rososcazosadventicios,porquenão percaaeítabilidade, 
como a perderão os de Arcádia , que tazendo em o Morr- mJUiuu,ãtExnnáro Rfgc^ir- 
te Aventino a ferta Lupercalia, em veneração de Romu- ^^^S; 
lo & Remo, que nefte Monte foraó creados aos peytos ta à Lupa m*fve*tinMm- 

,,,--.. -• > , r j • J *c y ub-fubat. Rawfi ineffetri!) 

dehuaLoba, 40 em hum anno ioy grande amnunda- B w/ VM . 

F 3 gaõj 



4 <5 O f^lHCWE WS TJT. TOMO II. 

çio,& não fe fazendo com toda afolemnidadco rito,dif. 

lerão algús, não querião os Deofes, folie mays dedicada a- 

«7 PtuutTien»gerahbifuf. q Ue lla parte ao culto , 47 para a Cidade mudarão o coi> 

grelfo,& com ifio expulfaráo o fado, & leintroduzioa 
Parca ; a corrente das agoas, não fe pervertéolem perda; 
perdéo a fonte , quem a defviou da máy ; fer tilizou as ter- 
ras alheas, quem das próprias de fviou o regato. 

48 Tibério, & Augufto Cefar authorizaváo asleys, 
com oscuftumes antiguos; para os bancos de arèa, que 
defpoisaugmentárão as agoas, ferve de carta 3 experiên- 
cia do piloto, & não o rumo daantigua navegação; mas 
com elte refpey to , que o piloto não fe defvia do in vetera- 
do,fenáo na experiência dos perigos modernos. O exce- 
der aos antepaflados ,náo topa, em lazer mudar de lugircs 
aos fubditosjfimjem os melhorar de governo. Quando Ne- 
ro tomou póífe do cetro, fingio a antiguidade, que muda- 
rãoasarvores de fitio. 48 Entrou aíbmbra, & fugirão 

48 AV/íhí. princibasu nrho. . i 11 j'/r c 1 n r - 

rf, fedem nmtavtuwt. Rovf as plantas, para onde lhe delle o boi : os Romanos lorao os 
uflSSa'^ ^ ^'•^r«^m«darándrlugar,por^aè Néromudou ofer deRo- 

ma ,com depravados collumes. Dezia Nero , havia de cu* 
raras enfermidades, que o governo antigo tinha caufado 
na republica j femelhante a Sérvio Clodio, que pondo ve- 
neno em a parte , onde o moleftava a gota, perdéo o juizo: 
« 9 serviu, chJiur equet 49 AlTy Nero , a companhia dos melhores, em curar com 
] U ,ubor/c 0ll ziLái cruraper vícios , aos que íem elles coníiderava enlermos: Muyros 
umgerci quo fi.a<> fe-fi* ?«>u- affirmão , ferem as arvores quefe tranfplantaráo .osmuv- 
vifi. ubifup. vi. quí morbitm tos Cidadãos Romanos , que fugirão ; ioráo viver em par- 
&"**&**«*"• íe ,onde fe obfervaíTem os dogmas de fua creação; que aíTy 

variou Nero os inftitutos Romanos ; viáo-le elles , com as 
forças de Antéo , a quem as de Hercules não poderão ven- 
cer, em quantofe abraçava com a terra , que era fua máy; 
confideravão-fe fora de feu centro , porque fe achavão 
fem aaâividadedc fua difeiplina; & antes que tivelfem 
por região ainconftancia doar, puzerão-fe em terra fir- 
me. 

46 O máo cuftume, a quem o ócio introdufio por 
occupação,he, a quem o Príncipe naó ha de confenrir jpor 
que faz mudar de fitio , & enfraquecer as terras , com que 
degenerão as plantas : mas fehum caído não pòdc levan- 
tar a outro, o Principefeguindo o cuftume, mal o poderá 

refur- 






E M <P %E Z A 11. 47 

reformar nos vaíTallos; avara torcida naõ fazfombra di- 
rey ta : Será coufa moníiruofa, ver a hum cego curar de vel- 
lidas. Entre na reforma com prudência, porque muy tas ve- 
ies o útil perturba na novidade. 50 Não queyradehúa \° ipf*muutioeoHfuetuii+ 

* p . 1, niuctiamquc ulililate ajjuvat. 

vez cortar a rama, & arrancar araiz, ie quizer colher o novtuupcrtu.bat. 
fru&o: si o mufico, pouco apouco levanta ascòrdas, D -*gH»fti' b *' 

/ m "* *•_ u ' |I Nam mores ref ente tenta* 

para affinar o inítrumento, o que não pode arazão, acabou »•*/».?«•£, tf/Wo/ê converter^ 
o vagar conveniente. fa^acy mu itum f onuiat^o. 

pet magnas . Debct autcmfuut 
...._._. tintim imtioabmádcvinciiur 

Troinde quidquidejl^ da/patium, & tempuótibi: itteatú , moxiauterexcaiefa- 

si J , • '.. / r . :. ci'edo,per ftnçtunem diffufíutn- 

Ouod ratio nequit , fape JanaVit mora. ijjkmwf^L b.bJJ, çj 

Senec. Agam. v "f Jt - , „ 

BluUrcdePtitccftaPcltiicã. 

Mandou Sertório, trazer dous cavallos, & ordenou a dous 
fer vos, lhe tiraífem as fedas ; o que lhas quiz arrancar jun- 
tas, perdéo o tempo , & cançou as forças; o que húa, a húa 
lhas tirava, logrou o trabalho, & não moleltou o corpo. 
Syi NãorefpeyteapeíTóa,paraadiiiimulação,fenãopa- ía oinfaneManotUeFs- 
ra o modo; húa ío rede não he para toda a cafta de peyxes, ^fJ^^f/J. ^' 
o rigor do fogo abráda o ferro,& não molefica ao diamãte. 

TSÍam quomam Var iant animi , Variahimus arte 

Miik mdi fpecies , núílefalum erunt. 
Corpora Vtx ferro quedam Janantur acuto: 

Atixtlium multts fucem ', &? berbafuit. 
OVtdim. 

1 

Se dértempo,aqueomáo cuítumefe faça fenhor das 
vontades, não aprovey tara a diligencia, porque entranha- 
do o cuílumeaíTy refifte ás forças, que o não poderão ex- 
pulçar as da fantidade do noílò Príncipe. 

50 Sahiodanuvem,oSol;da aljava, a fetta ; da co- 
va, o Leão; da furna, o Gigante; da fonte, o rio; da pedra, 
afonre; da bainha, a efpada;&dos incêndios, o ouro; fa- 
hio São Bento da cova de Sublaco , para que luziíTe , co« 
mo Sol ; conquiíhffc ,como fetta ; venccíTe, como Leão; 
avultaíTe, como Gigante; fertilizaíTc, como rio; faciaílè, 
como fonte; cortaíle,como cfpada;& enriquiceíTe, co- 
mo ouro: a fer Prelado daquelles Monjcs, que ovierão 
kuicará cova, onde feefeondia, encaminhou São Bento 

os 



48 o p^/nc/ph ws qat. tomo u. 

os paíTos, dotado deftas virtudes. Tomou pófie domof. 
u xJrbiMexicotèmpiumu- teyro.aqual habitação provou ler mays dilatada, do que 

nuui adeo ingeris, ut inillo (oo, J » *-, • i » i • j I l_ • ■ 

âomuifint*dtfic*t*. o Templo da Cidade México j dentro no qual havia qui« 

^%T^J^— UÍCMlfíi ^^t3Ssaotaiàs^ 53 porque em fitinha oMofteyroao 

i" 4 vir'ueiBenediSutom»h domicilio ,donde coube o elpirito detodososjuítos,que 

Umpi/lorum/piritupleiíuífiii!. • i t n \ n r • ■ r 

tí.Grg, làtf.mMoitif. era a virtude de Bento. 54 Mas quem prelumina,ouvel- 

fe neve, a quem não derreteíTe os ardores defte Sol ; pey- 

to, a quem não penetraííe o agudo deftafetta; empreza, 

quenáoconfeguiíTe as forças defte Leão, animo, aquém 

não acobardaíle oafpe&o defte Gigante ; terra, aquém 

não molificaiTe as enchentes defte rio; fede,a quem não ex- 

?5 CumqucincoJimMo»af- tinguifle as agoasdefta fonte; refiftencia, a quem não avaf* 

SÍ^^SS?; ftllaflc os golpes defta efpada ; & pobrefa , a quem não 

aUutiUiciioti»dextram t uvã- enriqueceííe a póíTe defteouro? 

que partem defleílere a cenver- -s.i - r r ÍT r l • C r> 

jationit ,t,»ereiicerct jufcepti 5 i I\ao íc crera o íuccello , lem que o authonza-le S. 
$^$Z2& G ' e g°"° : Principiou São Bento a governar omofteyro, 
quuhunc ftbi fraeÇe popo/ce- & começarão logo os Monjes , a fe culparem de infelices, 

rar.t : quorum Jcilicetfortitudo . . „ p T1LJO-D r r» 1 

htwmaejits rtãstudiniroffen porque tmhao íey to ekolna de Sao Bento para leu Prela- 
dehat.idtmub.x. Morai,. f ., j ^ q reconhecerão os brutos , não refpey tarão 

56 Qui mito eonjtlio venenu J J ^ 1 ' 1 J 

viptmijiununt. idemíbi. eftes homés. O cavallo BucephaIo,vendo em fi a pefíóa de 

<7 trefidemiirapudPlinium „ ■ , /-> O 1 r 

ufiuttURermiwputrumad Alexandre ,moltrava gozo na mageítade com que lepu- 
amatuma D e ipbi*o,ve8umq* e n j ia ^a me f ma forte o Rebo, íendo dominado de Mezcn- 

per maria , cumquetempe>tate * _ . r-t 1 •»ir > 

fubor/a pervffet Herm,af,ama- cio; pelo conleguinte o Ethon,quí ndo era regido pelo li- 
^:^t^^l^^Evandro iP areceJepréíahumbrutodemaiorte ; & 
tit. jimmuhbittdivcrftiamà- tizeráoeftes Monjes defiftima de lua fortuna. Morrem de 

\% utsr Leucadh Virgint fentimento os irracionaes , vendo morto quem os fazia ef- 
iTZZltZlLudi^ timados;& pertenderaó eftes Monjes matar «Saõ Ben- 

í9 EJucata a vngwe apud to , que lhe dava toda a eftimaçaõ: 56 Morréo o Del- 

Seilon itrbcm^iAquila retulit %. , r r ti • ' ^ n . ■ 

gr«vam,*vejpr,m a ,moxdeittde pnim , quando morreo o leu Hermias. 57 (J Pavão de 
vt»auu aggeren, , Quin dum L eucaa >j a acabou a vida, vendo-a morta. í8 A Águia 

inortutfogumj; cot;ecit,volu- ' , ' O 

crisjtmuiqutcoKpgravit. laiiçoulTe nas chamas, que confumiaó osolíos de lua le- 

Plini lib.to.es. apud etindê. i a~v r»i {!• •%r P 

60 Xerxer adamavit puta- nhora: 5 9 O Platanoaquem eltimava Xerxes, lecou no 
«*'».í*'«7/^'''**. í-yw dia.emqueelleefpirou: óo atéosincenfitivos acuzáoa 

Xerxet expiravit. aondut de . ' r . 

Prodigij, atrocidade de hum ingrato. 

6\ Citquefibi (ubeoccfhice- y~* • r> - r> • r\ _~ J C J 

renuiJtuíoniuere^fedo. 5 l Quiz Sao Bento cvitaros cuítumesdeiordena- 
hrent ad/ueta reiwquere , du- dos.comquele relnxavão na obfervancia eftes Monjes, a 

r urr que ejji-t,qujdin mente ve- • i r \ ^' r> JJP 

tericogebantur «ova meditari, quem tinha por lubditos ; Sc nao podendo ioportar a re« 
fjZ g :tubf£:Z^ e fórma, porque era nellesinvelhecido ocuftume, convic 
de ejiu morte aiiqui conaú /um, raõ, em matar a Saõ Bento com veneno. 61 Era o Prin- 

qui mito concilio vtnenutn vino • j r» • i i r 1 r i 

m-jiuerHnt.D.Grcg.Magfup. cipedos ratriaichas a terra, onde le occultavaoíi go do 

Amor 



EM?<kEZ A 11. 49 

Amor Divino: 61 & começando a chama no efoirito, 6z H*MB«t'*™*8icer 
com que os compunha, & na vida, com queos eníinava, quorimtdtbn»* ignUSfvHu* 
naófoypoderoiaa actividade deite fogo, para confumir ^2$E2S332 
aquellas verduras.'' O fogo dos montes Hephefos, em Ly- lib - i.mtbth». 

. . ,. l-ii -O- i *M In Lycia Hóphtílv tnon- 

cia,nao tendo igual virtude, he tao activo, que reduza ttsi*4afi*9>mmúnhifi»gf*t 
cinzas as pedras, & aréas, que eíHo dentro nas agoas : 6 2 ^»i«/^**í«^e'»*'«7, 

r ' ' i_ o ' J <S arttiíC mipjií aquir araeani % 

aindaque asda culpa cubriflem os corações deites Mon- aihurque iUepinp. eun.uk. 

r i f i r cr z.cep. >o6. 

ies, o logo mays intenio , como nao chegou a lazer eriey to 6 ._ uud, moKUK ; t ^u 
igual ? Haííe de prefumir , eraõ os poderesde feu efpirito igritoi*p**Aãumum{i* 
da qualidade do logo, que dizem, da Pedrade Nymphei, â»mtffe t *iut«sxquaig»vcm» 
que nao apareíie, íenao lançandoíleazey te lebre a pedra ; u m *hH«,effunàLr,co»ti»»<» 
64 oqual licor fígnirlcando a natural diípoíiçaõ para re- fi*»>»>*'x«rgit.*drijiotei.iib. 
cebe^òcconlervar adoutrina, comoíalta-ie elta,em os 6, mqueâijcrefetaieoqua 
Mon jes, naó pode aclarar arabaieda ? Ficou com femelhâ- VSXS^ZT 
cãs do logo Ethnico, a quem naó modera a quentura, a ne- àuim%wep^anivihw » J....7 

r> i 1 • /"• utinviãainutroqatviohr,ciã, 

ve, queocerca, nem leu calor derreteaneve,queoavni- neeciiorjrigeremtti S ctur t r.ee 
rha, 6s hum efpirito, que aos mays tíbios inflamou na j^'<<<«^'/ : ^-'- ; <'--*-'*p'' 
Santidade ?Foy acazoíua virtude,comoofogo, dequetef- >.?•">• 
temunha o Philolopho, ler calsdo com exceílo, mas qo^f„ v „ te m, & cauium igntm 
naó queyma de nenhuma forte ? 66 Finalmente,era por nhmmmmoium repmrt,™* 

* J . i-iitr i/~l x* un:en comburCTC. i/iriiiol.ds 

ventura da qualidade do rogo, quede li lança o Monte ^jmirac*p.%s tpuieum. 
Chimera,oqual fe acccnde,com agoa,& fe apaga,com fe- ^^fS^StíS 
110? 67 Naó; porque nefte mundo, nenhum contrario dubuf,ac0otntiuji»mm». i g . 

1. r > ■ i 1 i o 1 • niijuttccúaJisqua, cxtirgxi 

podia pervalecer a virtude de hum banto, que com domi- vcratev^aut/Mo timMb.i. 
nio fuperior introduzio,em o caminho do Ceo , a infinitas «Jjj '££— ^ m ^ rw _ 
almas. 68 Nem o feno, que íignifica a varia fortuna: 69 terinà*xit*ãftqu<-nàa-v&t- 

, A 9 , V alcP.tChr>FliO*'>i»t">c!írr. 

nem as agoas, pelo que reípey tao ao peccadoj 7 o nem a jj«; e ^ „. Pr^Biouefep- 
durefa do efpirito era matéria fufficiente, para mortificar ^^JVSSw«w«». § . 
rm parte ,a efte todo do efpirito, dosiuftos. Naó laó po- ieVtseiabimHscsp.ià. 
oerolos os ventos,para mover a piramede de rumo , que a- Pf . lm gt.mf |a 
parece de continuo, fobre o Monte de Churutecal; 71 ?' ^ "*<««*«<< H íf*- 

* ' * ' ri* , rui nem:» <-::» uu- 

OS montes ignitos, que ocercaõ,vaporãotodos, por eltc prevwcu Tefcehtcaijuhiimi* 

monte ; & a rcfpiraçao de muy tos fogos nao a doora ne- m etmàt% S v J quefum 

nhum vento. Todos os montes ignitos, que eraõ os iuuos ferg imr &!* i P M " li ' r * 

r • - r • • » n • • r? n 1- 1 tiumpcrillumvaporat. r. 

icl pirarão no elpinto defie Príncipe^ òtellava livre ,ce ^vr^/.^i.. . ■...-. . 
que prevalecelTem contrários, a quem tinha tanta for tale- /- v ' r • v; fl Pfl ' HÍ • f " 
fii Para doutrina da coroa foy,efta refute ncia dos vícios. 

$ z Determinou Deos calVigar as terras do Egypto,có 
apr.igadosGafanhòtos^paraoquc, todo hum dia, & noy- 
*c os efteve ajuntando o vento ; Sc de manhaiíjos reparrio 

G pelo 



ftíei r*i. 



$o OT\lKClfE DOS fJT. TOMO II. 

7» Domi«utiHãiixitver.tH>tt pe lo Egvpto. 72 Atemorizou-íe Pharaò;confcfTa lua 
,u4,.cfutio vciuf u,<n, u™- culpa , & pede a Moyíes alcance de Deos, lhe k vante a- 
J8^±ãE2ftÊS qutlla oportunidade l fello afiy o Propheta, & houveu 
jw.^. o.™,/ .,. Deos poibcm- com que, levantando-ie hum vento, ic- 

t^çid»Mèv*itn>mii0imm,^ pentin.unente,lançou os Ijaiannotos un ornar. 73 ÍNdO 
^r^X^^^^oyncccílario tanta duração de vento, para os expulç.r 

do Eçypto, quanta foy,para os introduzir ntllc.Hum oi,i, 
&noyte de agitação, cuílou ao vento ointrodiizillos,&f 
poucas horas de movimento lhe foy b«iíiante,paraos tx- 
pulfar. Ajuntava-os da parte, onde íecnaráo,& \ j v i j < ■ - 
& tircu-os doEgypto,onde começáváo a viver ;8c para os 
tirar da habitação antigua, foy todo o trabalho ; mas para 
os expulçar da nova habitação, naó foy tanto o euíto. He 
ocuftumede bocaeLireyta,&deefí.Gmsgo dilatado, por 
i-ííb defficultoío, cm retroceder o caminho; em quanto 
não toma aílento, he fácil a voka , mas deípois, deíBcil. A 
húsMonjes,cuííumadosa viverlem regra,queria São Ben- 
to tirar da liberdade, para a obediência; comeíluu leu el- 
pirito a congregar, aquelle defgarrado rebanho; doan- 
tjpuo pafto,os intentava mudar para novo fuíiento ; refif- 
tiráo-lhe pertinafes, por Te não atreverem a dey xar, o que 
poíIuhiaó,havia tempos. 

Sic úbl (Penélope frugi ejl :qU(efifemeluno 
Defenegujíarit: ttcumpanita iucellum: 
Vt canis , à corio nunquam ahjlm ebitur uncío 
Horat.Jermo 5 . 

Encontrado áquelie vento, era o eípiri to defte Príncipe: 
para o Egypto encaminhou o vento,aos animais;& para a 
terra de PromiíTaõ guiava São Bento,aquelles Monjes ; o 
vento tirava-osdo bem, para o mal;& Saõ Bento, domai, 
p3ra o bem; 8c não foy exceíTo, que o vento com trabalho 
confeguiííe o fim ; mas he aífombro, que São Bento traba- 
lha ndo,não íízeíTe fruôo; mas não foy novidade , porque 
mayorhearefíftencia,queoshomésfazem,para a acey ra- 
ção dobem, do que para a introdução do mal. Ulou Deos 
de infinitos milagres, paraqueoslíraclitas oconhecc.ílem 
ia Cem», quoãpopuhu ift Deos verdadeyro:indurecidos os schou ít mpre a fua obe- 

curitcervicufit. Exodi i».«, ,. . . . , i • „ r r . r 

9.t$c,p ,1.*.,. ciência; 7^ masnaoaidoiatria 3 &ituiequito; onulmo 

foy 



foy verem o ídolo, que lhe fez Aaron, do que deyxarem 
a hii.n Deos, que os fez hoir.és ; 7s aífy os Monies fize- ?* t gritante* wtutum to** 
rao renitência a virtude, queos relormava, £*nao lemos Dyui if f aci,qm\c eduxe,u»t 
repugnaífcm á díííoluçáo, queos dertrahia. d*tort í ,^£ m ri.m n .n.^ 

54. Perfeycos foráo os princípios dertes Monjesja 
vocação, que os levou ao deíerco , em derey tura os enca- 
minhava ágloria ; deyxarão o natural, & dobraráo-feac* 
curtume j tiveráo-no porley, porque o viáo introdufido. 
O amor obrigou a hum Pay, a que chegafie a idolatrar eni 
hum filho j morréo erte,a forças do achaque,& quiz o Pay, 
octernizaiíe alua eftimaçáo jfezhuma imagem do filho 
morto, & adorou por Deos, aquém tinha gerado homem j 
76 mrroduzioíTeerte curtume, entre as famílias ,& ficou 
irn.ioley,erte curtume. 77 Oh quanto cuftou defpois a -,(> acerto : K im n&xâoitnt 

r r 1 1 r ' 1 r J - r o f parem tilo fibi rotíi f.Vfecit 

reforma ! Inhni tas almas íe perderão no íequito, & o mel-^^g.V^iíf ?«- 
mo de vidas fe oaftaráo, no empenho. Acudia a íantidade, f ,homo '"°' tu '" f", eral < """* 

. I . 1 f n -li tanquamDeum tolere cti^ii^5 

quando o erro tinha chegado aoíummo. Por maravilha conflitua inter finos fuorja- 
conta a Efcritura daquelles , quefeguiráoaDavid , parta- "ff?"*™' ***"'*'' "' 
remo Tordáo , quando principiavão as enchentes. 78 n Deittde natne*it»u »*- 

. J ,* - - J i /T> r Pore,coKVjlefcente iníqua eon- 

Dominar, quandocomeçaoainundarasagoas.podeíie ta- fuauJwetic error ttquamitx 
zer, mas he com efpanco; que defpois decompleta a inun. 'jfÇJJ* % n&tnt 
dacáo, fóhúa Arca fenhoreou o diluvio, mas foy, porque jeràaiuni,meyf<fiiim,qu»ndo 

_~* . ;, si inundar* confuivilfiiper tipat 

Deos movia as agoas: naqudlas,emqueaculpa levantou fliaf , t .p arJ i;fcm. c *p. .2. 
a tormenta , perigou a mayor íantidade. 79 O Divino ■•£ Jj£. .^^ ^ 
Verbo fez viagem do Ceo á terra em tempo,que o mundo tk&umfefiatdcmerjit »»&. 
íe achou com loiças, para caufar tempeítade ; & defpois, f* tm ' ' W ' Â } " 
queertaie levanta, não ha quem a domine ; hum Deos o 
deyxou por exemplo, podendoa predominar por virtu- 
dei & São Bento, em a experimentar invencível , poden- 
doa prevallecer por privilegio. 

Mm cl mal, que fe depare m úémpoUrgõ^ 
TSlo fe borra delpecho fácil mente , 
Que comeu carne hedionda el 'Sujtre chico^ 
1 enellaccba^ quando gr ande } el pico. 
BraVo Supra. 

$ <5 Para não receberem a reforma, apegárão-fe os 
Monjcs , a que era antigo o curtume 3 fempre com o curtu- 
me fe condecorou o delicio. Rachel , para encubi iro rou- 

G z bo 



$ 2 O f^JKClVE VOS TJT. TOMO U. 

bo dos ídolos , que havia furtado a leu pay Labáo , náo te- 
ve, com que disfarçar aaltucia,fenáo recor rendo ao cuí- 
toH$ittft*iHtâomMtumt. tuine# & Labáo faltoua Jacob, com o piemio deleus 

tn.auod coram te tflurgcretie- . . J j i> l I r 

qufj.-quiajuxtaconfnctiiJiitem lerviços, dando-lhe Lia, em lugar dekacncl; queyxou-le 

fc,*£,u,n»u«y su.j.t mibi. j aa>b doengano,& refpõdéo L<bão,náoeítarem uzo,ca- 

8. R.-jpcnditUbsm:uoHtii zar n, hney ro as filhas mays novas , do que as may s velhas. 

in loco na/iro co^fueiudi nts , ut «-» *.i- i r I - f • 1 _!•/"" •■ f - r 

tnmotutnttitajimustdnuf. 81 Nao achou Labao larda aodiipnmor, ítnaonasior- 
tiat. i«29.i».z6. çasdocuftume. Anenhúacouía guardáoíéosmundanos, 

fenáoaocuítume; efteobfervão,a tudoomais faltáo. A- 

marrados efta vão os Monjes ao antigo,com e !le fe pre tt u- 

diãoeícuzar da nova reforma: ignorando, que mandava 

Deos ao povo, comer dos fru&os velhos, em quanto náo 

havia os novos; mas entrando eíles, que não uíaífcmdos 

- ,„ . . >*■*.£ outros. 82 Foy São Bento novo fmeio da praça, &: cx- 

tnumtf veumnovisjupcr k- if» ndo efte fuílento, acabavafíe oantiguo, ainda que foí- 

it.nrf ío. leluítento: peilevera anoyte,em.quanto nao iae oòoJ; 

em amanhecendo o dia, apagaíTe a candeya. O fuílento, 
com que fe alimenta a vida religiofa, faõosinftitutos ; eí- 
tes tomarão o fabor conforme a virtude, de quem os deu; 
& Saõ Bento, como teve mays graça, era fua doutrina fuí- 
%%h»Si»ru,Hiutitmpori t . tento de melhor goíto. 82 Naõ o acharem os Monjes na 

fttudumiiUmftHaDtog,». & ? _ ' 

»;-/«; MoxScherumiegtsftaiuc- rerorma,toy, porque nella lhe impedia oao líento, a Jiber- 
Z^^&^-í dade;& na falta delta, naóachaváo luavidade,emooutro. 
yoremgrBuamperccp.tstsmt- Amoeita o Eccleíiaítico, a quem tiver hum fervo pruden- 

horemligcm inftiluit. Cardi- r i , o r L * 1 

«ahrGofiidiutofHAi.Bib.PB. te,oamecomo alua própria alma, &le naja com largue- 
'^tSi^^^nillialiberdade: 84 & naõ baftava para cftimaçâo 
k8Hs,quafiauimi,tu;nondc- do fervo , fer fenhor do amor de feuamo. ? Paraque enco- 

fraudet ,Un hbertatc. Ettlef. i pi j j J r • J 

i.ticrj.z } . menda a liberdade, delpois que o manda tratar, com tan- 

to mimo? Porque fem ella nenhúa conveniência achai ia 
ofervo,nafortuna;feriãotudo afperefas, quanto encon- 
traífede afagos; tudo diíTabores, quanto lhefizeflèm de 
carinhos,faltando-lhc a liberdade. A mayor fortuna, a que 
podiáo chegar aquelles fubdi tos era , ter a São Bento , por 
feu Prelado; negou-lheópaíTeyo,& naõ acharão conve- 
niência em a dita. A clauzura não he cati veyro ; para o laí- 
civofaó ashorasdcfono,martirios da vontade. Quem fe 
recolhe da chuva, recolhe-fe por horas ; qucmfe auzenra 
pordividas,efconde-feporannos; aténãopagar,não apa- 
rece na terra; & o outro, acabando de chover, logo fay d 
rua: recolher ás religiões,para fe reparai das chuvas da nc- 

cefílda- 



EWP^EZA 11. £2 

ceífidade , ou para fatisfazer o empenho das dividas da 
culpa , he , o que faz ter aos clauftros por grilhões , cu por 
liberdade ;afly oseftima, quem tratade fatisfazer; & da 
outra forte os coníidera,quemfó trata do iemedio,& não * **«««*«* nuiufecuiari- 

11/^1 - jfc bus negAi/slt itntlicct ,nn b r 

cuyda da íaívaçao. * w»,^ w,/,*, J«i 

cltujlro fiio fit contintm, r>e fif- 
fí>r-n 7 7 J ." ' '^us extra ^uatnpofnutjjitai 

<J\e(igwJe ! mml mundana negocia cures, km. c. ?ucmt 16. ? . i, 

SeddaufitscLuftroreligionts erit. 
German de (Religtojh . 

Deftes jornaleyroserão,aquelles Mon;es;& dos outros 
cfficiaes^ueriaSáoBentOjquefoíTemjnaóíèacommoda- 
rão, porque lhe tinha introduíido o ufo,o contrario, do 
que lhe mandava aRegra. 

5 6 Coníervando os cuílumes antigos,queriáo, que 
São Bento foífefeu novo Prelado; pertendiáo,lançar em 
faccos velhos, o trigo novo. AíTy o fizeráo os Gabaoniras, 
para disfarce do engano, quando vieraõ render vaíídlla- 
gein a Joíuè. Caminhava, efíe Capitão com o Povo de 
Deos;& vendo os Gabaonitas,fereminexpugnaveisfuas 
forças , fingirão vir de longe , fendo de perto ; & para cer- 
tificara diíbncia,trouxeraõ,em faccos velhos, o fuftento, ç< ^if^f^i'- "'' e ~ 

h,. . -ir r cr rr ***'Jt*i ci»ana,facc s-uttcrcy 

aviapoucosdiastiraraodeíuascaía*; 05 íeztncy- -v . -- <r. : >/ .-; \ 

£oocngano,>orqucjofué,&osmays«pitáes,comiura- X5'£X>SÃ%"*g 
mento, lhes aífeguraraó as vidas. 8ó Do meímo ufa o hi - f •<;»-' >: •• •, p *í» 

■ . 1 ... èipit quique mulinudmit ju~ 

pocrita,paraatramr vontades; mas nao a virtude, porque ravetuntar. ;<,--. .,, 
nãobufeafequito: queriáoos Monjes,ter a virtude apa^ 
rente; por iíforecuzaráo ascondiçóesdareal. Faráocuf- 
tume ler aprafivel,aos olhos dos homês,o veftido defayal, 
remendadocom télla : mas nunca, aos olhos de Deos , foy V No ? '""«f^jlJf^^r- 
plaufível pedaços de luz,em veftido de fombras. 87 EHÍ- «;»?*</«•«»*«« , m»Si. 
ieCnníto, que ninguém lançava remendo de pano novo, . \ CMp f .i„rM 

em veftido velho: 88 erao meímo.que adminiftrar os *\ N "■-■■"' 

' _ ' ~l _ . tnilívmiK BJlti 111.1 11 ;., - 

novos Sacramentos da Igreja, aquém eftiveíTe invclhccido mmtum vaus.- ali item 

naculpa: 89 Emchun.boquenaoosMonjes,acenraíieo^ ; 

ouro: ficandocoma ferrugem , que osacompanhilcolu- 8, j uicittimmnu, < 

. 11 • ^ ■ • r ruiit ; per qite/n ,ÇÍ i 

Zíuiento: parciaes daqutl les, que vi vendo viuolos, que- f„„.r- rawwitM iac<»*m- 
rem lhes affifta o reípey to 5 ou com o cuftume cftr anho,tcr J^£S$ £ 
<js toros de naturais: o que lendo contra a vótade de Deos; »• vituftnepttatorvm » **í- 
r.uoioyconlentidodel). bento. juMwti. 

G 3 57 Com 



ç 4. O TQJNCTPE VOS $AT. TOM. 1 1. 

tyj Comhúa,& outra coufa,querião ficar os Mon- 
jes ; com a nova virtude de feu Prelado , & com o íèu inve- 
terado cuítume y tendo cite por corpo , & a outra, por ver- 
tido. Não era eihanho á pcrfeyção da vida, a conier vaçào 
deita defiguaidade , fe fora ianto o cuftume ; porque moí- 
traváo ajuntar para imitação, a virtude dos antigos Pa- 
dres^ a de feu novo Paftor ; o que aprovou ptlamayor 
purefa doelpiritoa Alma Santa , guardando para feu Li- 
^Sfc^^poíoosíVuaosvell^&osnovosi 90 oquerepreíenta 
9 . òm*ia?omaiMv*&vett- a emulação do efpirito, enthezoiírando viríudes,para que 

lafítTianl^iutn converti otv.nií , . . ■ - _, . , . 

o?o a amnjHoiu^d '»°Jcr„o- a todas imite, & nennua ignore. 91 Com igual adorno 
rum eMtrmmsdimitMBdmmfiu acrec Jitavãoa vida , fendo louvável , o que oblervavão co- 
^ikfiàemihi infecudofenfu. mo initituto j uzando defte abito , & querendo fobre el- 

le confervar a nova purpura 5 porque aíly guardou os fiu- 
dtiitmMNuurmeM,mpJ*i t «os novos, aquella antigua eípola ; 92 lervindc-Ihedc 
fn mí tibi ih-cdvrausaf.uu a b ono á vida . ter a columna nova, íobrt baze velha ; por- 

uLyílctitm.lbitn^ptndtctex -st* \ • i 

f»jitienHmê»uqu«r.íF. que então hcava mays abonaoa a virtude, compro vaoa 

com o teftcmunhodehum,& outro tempo. EIRey Arte- 
xerxes , na carta, que efcrevèo em favor dos judeos , & em 
dkrimento dos íequazes de Amão,dezia;efbrem provadas 
fuás culpas nas injuftiças , que tinhaõ feyto, & nas que de 

9 ,fi 5f «r,íííi«tf«r»« / r#P re f e,lte obravaó. 93 Corroborando a verdade, que o 
taturbijtorjjf&utbit^uiege. movéo a abíol ver a hus,& condenar a outros, com moílrar 

ru»1 quotidic,quomodo mallit r \ r 1 /~\ P r 1 

gtiotudtmf,ggepi>h,bttiftudia íer a culpa prelente,malantigo. U melmo hcava abonan- 
éffmhMr.ífitMtimiyTfo do a reforma , fendo a virtude, quenella fe plantava fru&o 

colhido, daquellasceleftiays arvores , que primeyro o de- 
raõ. 

58 Ultimamente, fe os antigos curtumes mereceíTcm 

9 4 9,** * tftctitntim guardallosjcomo exemplos , para com elles mitigar algúa 

confo,temurexemf,i„,ne„,fir. moleftia, quelhe cauza-leo novo eftado,era reparoda vir- 

tnot mt^setimidos pr.tcepta lué 1 r r r r • 1 

mu vulnere*, jimhvant. tude j 9+ porque o meimo contortou o iohimento de 
jfcrlh 8 "" Gr ' g ' Ma£ ' **' J crem i as >quandopoík>emo calabouço, onde ometeraõ 

oscidadáos de Sedicias ; compadece o-fe da penúria, em 

que eftava o Profeta,o mefmo Rey,que deu confen timen- 

toá pi iíaõ,& mandou por Abdemelechfoccorrello j foy 

9 , ji S *n, t r„ er g o jiiàc- ° ™ e nfageyro, & ajuntando a roupa desbaratada, que ha- 

'mUth,jec*mvirix,ifigreÇHi via em palácio, a lançou a jeremias. 95 Que amparo hc 

toj+tíimuiildeveurvfãm. eíte > p«ira quem efta va tao deit!tuido?Ouqueconíorto> 

mos&fubmfitcaad \erM»m p ara Ca 5 g ra nde defalento?Muyto prandeineHa roupa ar - 

inlicu-»p'.rfunisul»t.Jerem. • \ p r- l • o • 

}8. wj; i 1. rumada ie hguravao os exeniplos antigos j & para mitigar 

no- 



MMf<kEZ A 11. 5Í5 

moletVias rnòhimelhormedicina. oó Donde, tudo ie- 9* Mim*nui«t>f»?*"W» 
rua acordos de prudência, iepara eltcs tinsnao duniui- mor, >,»<< M <*<,>•,.. g »oquo.u 
í ímj os M oníes, do ancião cuílume ; nem a fatuidade deite *«*«"''«" - £ /^* * J Jj * 
Príncipe o havia de encontrar , pois feguia as piladas de 
Chrifto, que dando nova douciina ao mundo, iempre a 
autorizou com antigos documentos. 

5 9 Húa «afa, em tudoconfórme áquella , onde Da- 
vid naò achou em léus habitadores mays, óo que inía von- 
tade, 97 era,a que Saõ Bento pertendia, edificar aquel- & Entrevi h»Htarcf>tu 

I» • • 1 c , r-< • • o imitis norn in Jzn.i. Pfjím. 

esMonjes,paraquena vidacorrcípondenemaoabito. 98 7 6.™/ 7 . 

Aveíía a íeus procedimentos lhe ficava a morada; com co- * 8 siwcbatveroprohomi. 
modo á lua vida achavaõ a habitação , que lhe tit;ha í^bri- xa Prophcu.feu ummmu mo. 

o o cultume, o que lendo erro enveihecido,quena Sao In Gbf, **—.&. 
Bento expulfallo, para os confervar em paz. 99 Levan- 
tou-íè motim, quando S. Bento intentou. diípcdirocuf- 99 Vetus error aUiijtrvAit 
tunie; eue,a todos achou da íua parte ja nenhu vio b.Ben- 
to, que o íeguiíTe j eraõ grandes as raizes, quetinha-cria- 
do, trouxe configo toda a terra, quando o quis arran- 
car efte Príncipe. Vio-fe arriícada a vida de Saó 
Bento , & com o meiYno perigo encontrará 
o cetro, fe na introdução do curtu- 
me, der eípérasá reforma. 




PERTENCEM 



5« 



PERTENDEM OS 



MONJESjQVE O FERVOROSO ESPIRITO DE 

S BENTO 

Se accommode com fuás tibezas. 




i Dimifítit fíenslèrt i» /?• 



60 l^^ék^^m o M hum Leão , & Boy pofos 

; ^ ao jugo, mandou Hannon Cac- 
thaginenfe, lavrar as terras: 1 & 
rcparou-fe, que o Boy fenão tira- 
va do feu vagarofo paíío , pertcn - 
dendomoderaíTe o Leão,íeu arre- 
batado movimento 5 do Leão, queria o Boy, íoíTe toda a 

mudan- 




EM? (REZA 111. t$f 

niu dança , fem q ue da fua parte ai teraílè o cuítume. inten- 
ta o vulgo, permanecer na culpa, èVque oPrincipeíe a- 
comode com o erro da contumácia, cortando pelos fo- 
ros, & conveniências da regalia: i não aipira amenos a * Viie?. 7Aagijt.Joan.it 
por ha, de quem nao conhece a gravidade daonenla^eni j-up.a zee h. cap, 7 .i,b,z. §. 1V 
témea virtudedooffendido.Comprehédida noadukerio 
amolherdcGandulpho quiz teftemunhar de innocente, 
& pedioaosDeolcs,não permitiílem tirar ella amãoda 
agoa, onde a metia, leni notório ímaldelezão,fe ella ti- 
veík delinquido no peccado de que a aculavão j não lhe 
fuccedéocomo imaginou, porque a agoa fezotffeytode 
foço: 2 pertendia, cedeílem os Deoíes de feu direyro J Ga " J "W ia f"» *»w- 

O J I ' J dienu uxor adultério comma- 

rajuíuça, fem que ella mudaíTe de feu citado na culpa, tuhta, cumpram vcBa <»- 
A tudo da motivo acommiíeraçao do Príncipe na retar- d^rjamáuadjíravi,,™,* 
dação docaíVigo,ouna nimia clemência, com que v.\mz^ ne f rc , d '^p ec ' e ^' cul i'' Jn '' 

í r^ c i i ri i i Mí '""» e /"'/"» **■«" -mira, tf 

as culpas. Ololdado,que ialtava aospreceytos da nuli- adtortrfa8afitit,cnm afoute 

jai 1 j C — • manumtollertt.deficcatiunex-' 

cia, em tempo de Alexandre,oudava a íi próprio amor- uaxit-^onauJ^uam/nn 
te,ouhia, fem que olevafíem, receber ocaftigo : todos ""àysignibutcamien*ijjct.i- 

ri- ■ ri-L-rj jj -o--J-r- taqutaviro,obprodigiumfepa- 

iabiaoainralibiJidadedaexecuçao, & naotinnaoelpera- ratafuh.Bapiíjt. £uigcj.i,b.%. 

Çasde recurfo, que lhe embargaífea pena merecida. A- 

tenacidade do animo, dilleião muy tos Politicas, fer, a que 

obrigava aos fubditos a intentar femelhante empreza : aíTy 4 7 # ">""W 7} ;r r '" 

O í. J lum L/num tique aj tSJnttgo- 

o conheço ; mas também alcanço, nãolerem todos como numhofttmdeduBum, cumqui 

rr*. ^->i • r j •/• i r deduccbjntboYtBri\uibcuoc(Tet 

1 hcocritoCnio,quencandoprilioneyro de ieus contra» animoveiict-, dictbantfore%t 
rios, lheaíTeguravãomuytos o perdão, íeelle opedille a ******* •*«*%<>** 'çcukspr*- 

'O J L > l Jetitjretiir,v.rJiam nnptlrai ttf 

Elliey Antigono; Sc antesquiz confervarfe na arro^an- intamoUpcricuio pojitusadi- 
cia,doquenavida. 4 As ondas empoladas dos ventos, q tie f nt Lft, de/La,,», efc 
mays as anima afubir os penhalcos a que fe arrimaõ, do dixitjtqmdemaiurumjinu- 

J - 1 ' -, •* gonuitiniumhabcrctoccu.um. 

queascorrentes, que as levao ; as valias aque le acoítáo Cuju t vtrhuacrímoma y motu* 
muytoslhc infunde oeípirito;como aoCavalleyro Ro- ^jtTdtti^^' 
mano , que confiado em trazer conuVo o ovo da Serpente, * ttin <<£<»■>,& i»ft* '"»i 

, . _, i- » n r> fuii EquitU Romani damiat>o t 

teve valor para contender com Cláudio Augulto. 5 be dum coram audio jiugun» 
a Águia não tomara fobre fuás azas a Ganymedes,nunca fe to*«-«-N«A/«*»/.//*- 

O y ' cmngcliareòerpet.tii ovu»uju- 

originarão os delprcfos á Deofa Juno. ferftnhue mtut y quodeoim- 

vcn:f.cut wtcijscijujj'ui íí?. 

Manet nltci meme repo/itum Uemih. 

Judiciam Taridts , ípreta que injuria for ma, 
Etgenm inVifum, & rapti Ganymedis honores, 
VirgdtJib.i. 

H 61 Atrc- 



$s o príncipe dos <pat. tomo n. 

61 AtreveíTe o rato, a acometer a tromba do Elefan- 
te, quando o vê dormente; perde o medo, quando o expe- 
rimenta infenfivel j a falta de virtude he letargo das poten- 
cias; fem ella , todas obrão remidas ; Sc não julgou Domi- 
ciano por animofos aos dous tr«iy dores , porq os conhecéo 

e Nd«!CMMí*ear«»»»we- f em virtude i 6 aíTy íepci Juade o vulgo , como o ícmio 
ir»Domitunú conflirivcrant, Donuciano.O Leao,lendo o Kcy dos ammaes, he acome- 
«uiia re Lhmtianuf magu aá t ^ ^ Leontophonommas he em parte,onde naõ nafce a 
impudica eftnorat. Puiav.t erva Sazinga cujavirtude, dizem, fervir derefguardo ao 
t»diti*,tfa»iJivigor,*e*ir. Leão, para que o nao íegue o po, que levanta o Leonto- 
tuímauerent. Uemtbi. Dhonon. 7 O pò, que levanta o vulgo para cegar o Prin- 
in t.sètmn. fé/funis. cipe, íao os contínuos enganos de que vive ; para feu rei« 

guardo íe iníiituiraõ os tribunaes ; & quando os Principes 
julgáo á reveria dos miniítros, facilmente fe enganão : pa- 
ra anão feni enxárcia, he todo oaltomar,bayxo perigo- 
ib. Em o mar faz a corrente do rio diftinçaõ de agoas, 
quando leva muytas j o mar, todas lhe comunicou , 8c 
porquerepartio muytascomelle,feachaorio com cabe- 
dais , para entrar no mar com íoberba : naõ alíy o regato, 
paga o tributo, rende a obediência, & o maysa que chegâj 
he a murmurar deíóra : O muyco valimento he como as 
muytas agoas; & naõ achou Tracenfe nos Cidadãos de 
Apúlia, quem íhefize-fe oppofiçaõ aogofto,que tinha 
emaugmentar as calas, íenaõ aprivança de feu criado, a 
quem havia dado o ílcio neceíTario para a extençaó delias. 
De muytas pedras, & dehúa fó chave fe compõem hum 
edifício j aíTy a republica, de muy tos homés,queobede* 
ção; 8c de hú fó fenhor, que governe. 

62 Bem fe alcança, naõ perdéo oSolamageftade, 
2 neiuxitumfoam perime* em retroceder o curfo a petições de ífaias; 8 antespro- 

<w. quibus iam àefcenàertt in 1 t j J - j r» r i-> r 

torcVogió Jiifá'r vou de monarcha, em obedecer as vozes do rroreta: Li- 

4- Rtg. zo. vsrf. 11. te, para faudede Ezechiasfez adeprecaçaõ,& para efte 

efieyto fez o Sol o regréífo. Se a perfiitcncia da ley he 
nociva á republica, toda a mudança ferve de firmeza. Nem 
todas as leys criminaes dos Romanos eítavaõ efeulpidas 
em laminas de bronze j nem todas as leys civis, em folhas 
de taboa : r.eftas , <e liaó as Leys Emilia , Orthia , Fannia, 
Furmentaria , Sc a Ci chia , que era criminal : naquellas , fe 
achavãoa Cornélia, a Apuleia,& Lacinia,que era civil: 
aeferitura em taboa muda-fe com o tempo 5 aberta em 

bron- 



EMT^EZJ 111. 59 

bronze, em nenhum tempo femuda ; ofer irrefragavel, 
nem em todos oscazoshe deeflencia daley. Também íe 
deyxa ver ,que o Sol fezo beneficio, porquelfaias inter- 
pôs o íeu merecimento : haõdeíuprir algúas vefes osler- 
viçosdo interceílor, asfaltas do intercedido: As feridas, 
que Marco António Orador tinha recebido emdefença 9 ^ccupanu -M.^quúim 

r - i_ ~ 1 j i .. » -i. r re P e,UKÍ ->r>im:iJcH,pa ufm- 

da pátria, nzeraoabloJver da culpa a Marco Aquiho,el' cercpccunUmpubi,/» trata/- 
tava condenado á pena de ulurario , Marco António, que ^ZZÍ^Z'"'^ '•"«'""L" 
lhe foliei^ va a cauta, vendo-o entregue ao caftigo,deíco- 3 ui e i wc au f* m àefendebat,— 
no opeyto,& nelle moltrou ostinais dos golpes, quc^M^B^j,^ 
offerecidos pelo crime de Aquilio,lhealcancaraó o per- —i*?*-*i** *]>&«*,?» 

*■ * ri. * • f a: " a exceperat , qitibus mott 

daõ. 9 O que detém em Deos oc2Ííigo,em os P rincr judicerjiatimeumabfiiverint. 
pes ha de fufpender o golpe. Muy tas foraõ as veles , que a ^T%\™v££'(maUcuti 
fantidade de Moylés valco aospeccados do povo: nias/'"""f,"'•' ,r *, Dom " ,í >- ^t '■' f '' , 
com eítacircunitancia,queprimeyro o povo te cometia- vbqus Moyfe* ftopopuio&c. 
va culpado , do que Moy fés empenhaíTe o valimento, i o AWi "» *•• »«tf ?• 
O Príncipe compadeceilè do humilhado; odebayxafór- 
te empenha a efpada no rendido. 

^í/o qtúfque ejl maior , m agis ejl placâbilis ira: 

Etfaciles motus mensgenerofa capit. 
At lupm , & turpes inftant morientibiu Urft, 

Et cjucuumque minar nobilitattfera ejl. 
Ovtd.^.TriJ}.^. 

63 Confiado marcha, quem com toda a preparação 
íahe ao campo: pertende o perdaõ com juftiça 3 quem mof- 
trafentimento de haver caidonaculpa.O reconhecimen' 
todorèohefuplicio anticipado:efte,baítou a Egas Mo- 
niz, para que EIRey Dom Affonço deCaftella o abíol- 
vcfíe da prometia, que tem coníentimento delPvey Dom 
Aífonço Henriques, lhe tinha feyto em o cerco de Gui- 
marães: Com cordas ao pelcoçoíov o Moniz, & toda lua 

r ... . r 1 _» i í n 1 ^ n 11 J " t*tuminSt*aUticta\ 

lamina lançar-ie aos pes daMagettade Caitelhana jdeu- égernur inter PbMppi,fiiiu 
íe cita por fatisfeyta , vendo ao agreíToríentenciarle a fi ^^SSSmí 
próprio. A mays fe eftendéo a piedade do Senado , perdo- " itfe»fionu tAwfw *« w- 

1 1 J r»1 ir TJ 1 * /f 1 • 1 ta crimina, quaverepêtri obti- 

anao as culpas de rhiilippe Key de Macedónia, pelo pe- t ieb»»tur :idmififfevidchatur t 
jo, que delias moiirou ter leu filho Demétrio, quando xcrum «'"? f r ^ ior ' 

' » , , ' T mentir crubuerat, Ucxr: 

lhas relatarão os juizes; 11 condoeraó-tedo tronco, mo< *e&au matm fenatt* ** «««- 

i . 1 . r tv.1 - 1" • 1 "i fationibusiprumpatrêlibcravit 

vidos das l.igrymas dogarío. Mao le;uigou por temenda- idemBa/tipFtt^ofjiifM^ 

H 2 de 



ri 

ia 

min- 



6o O PRÍNCIPE DOS TJT. TOMO 12. 
de querer CaíTandro defpenhar a pédra,queerahúmon« 
te na grandefa; achou-a deiamparada da terra , & animou- 
fe,aque íóapodeílèmover. O Príncipe faltodereípeyca 
hecoino afortalera íemprefidio. Oquefempre foy abo- 
minado, he, pertender a pertinácia, redufir a inteyreza. 
Confiado nacalidade, ou no prcílimo emprende como 
Jaíòn, & Tiphis dominar 05 mares, & reíiílir aos vemos. 

Triftis , Hyad<M) rabiemque noti, infames fcopulos , 
Jcrocer 'amua , S> mareturbtdum Jicisocculisprojpicientes. 
Claudianits. 

Ou como Bellorophonte , eftabellecer-fe no ar, quando fe 

viopoftoemocavalloPegaíTo: 12 não lhe afligindo de 

»i Beiioropho» i*fihn, ? c - forças mays do que a razão, que ti verão os Gigantes para 

itJ^toTcZfl ° fftndcr a J u P iter ' 4 ue %> náo fc ^omodar com íeu gof- 
^iudaces, c Temerarj/. to as levs, que deu aos de Athenas. 

TentaVere Cnefis ) olim detrudere mundo 
Sjdera>caj)tivii]ue íovistranferre Gigantes 
Impertum, & Vicio leges nnponere mundo. 
Auwr Jfctbnx* 

Fazem algús todo o fundamento de lua inflexibilidade, 

em que fendo viflos refiftir aos decre'tos ,os tenháo por fu- 

blimesjcomo Empédocles Agregentino, que fe lançou 

em as chamas do E thna , para que imaginaífem , affiitia t n* 

., Hmpthtu, uSgrígenti- tre os Deofes. 13 Que a virtude dos mays íe regulaíTc 

mu Poatai* EthnamfecSjccit, p e J feu procedimento, foy toda a anciã de Mixus Sacer- 

uretur.Ravifmubifuf.titui. dote de Diana ; & queatrauta de Apollo íeartinaiíepela 

arrogantes. fua frauta, afpirava Maríyas: nas cearas levanta-ie febre 

todas a efpiga,que he falta de grão : nas republicas fó per- 
tende femelhante excélTo,quemcareíTe de conhecimen* 
to, ou quem tem amor apropria culpa. A que todos ado- 

«4 Mifinfim Tonam de ™ ffem a leuidolo > folicitava Ezechero j também a Apòllo 
Culta Dccrttm. convidou para a adoração, quando o vio em Athenas: 1 4. 

a todooalvidriodefeja a contumácia, reduzir a leu parti- 
cular gofto: até áfantidade de Bento quiz trazer aícufe- 
quito. 

Ó4 Não fez a Lua mayor excélTo pelo logro dopaf- 

tor 



E M P \ E Z A 111. tf| 

íorEndimion, do que osMon.;esfizeraó pela conferva- 
çaõ de Teu máo cuitume ; poreíie ,menofprezaráo a com- 
panhia de Sào Benco j afly como a Lua, que peio paftor ef- 
timou em menos a habitação da Ceo. 

TSLudm, & Ev.dimhúon ^htén , ccpifjeferarem 
Diàtur j & uudie coiicubrajje De#, 
Qroperúuóltb. 2. 

Hia o Príncipe dos Patriarchas afíbgândo aocufiume, 
com a innundação de feu efpirito ; & os Monjes achando 
menos a permiílaó , derão vozes de magoados , com mays 
fortuna do que Hercules j porque elies tornarão a deíki- 
mergirao feu ídolo ;& Hercules, por mays que chamou 
pelo feu amado Hylam filho deTheodamanto, quando 
asagoas lhofepukaráoemafurna, nunca maysoviodos 
olhos. 

%urfiu Hylam, © rurjtts Hylam per longa reclamai 
Avia refyonjat JiivU, & Vaga certat imago. 
Idem. lib. i . 
Entregues ao amor de fua relaxação, emprenderãc, que o 
Principe dos Patriarchas íeguifiè feus afle&os. Veneno 
Jhequilerãodar na bebida, com que ofizeíTem mudar de 
inclinação: i? a fimdeque o jordaóretrocedefleacor- „ .. . ;. 

rente, qucriaõieparar asago2s do mar: 16 que faltaíTe txtium,quòânaiurlmejw,cui 
aSao Bento oeipuito, para que dey xaile acorrente: ou nfLa:ir( u,. !; „^iiu g cr : aj-a-- 
que o Sol Monaftico 17 paraíTe em o curfo, para que hVtne»um. 

n c r. n r A a. X ,6 M*revidit t $fugit t &tH 

-asbltrellas,que eraoos leuspreceytos, ioitiveiiem a ac« jorã^uquia eo»verpa eire- 
tividade. Naó prometéo a feyticeyra a Virgílio menos ^ f Tà!í{Íil^MÍJeS. 
fortuna a feus encantos, doqueeítes Moniesconíiavaõde Beneiiao) per quem ^ 

r a ■ J t „ , congregam» illiiftru ubtque rc- 

lua altucia, que era, retroceder a corrente as agoas ; K-as àiw^anquam Lunaper soie. 
Eftrellasdeterocurfo. k^j^Á'^'^ 

Htecfe carmbiibta promittit foiveremfíUes 7 
QtiM Velit, ítjl díji dtrcvs immtttere chias, 
Siflere aquam fiuVijs, ʣ Verterejydera retro. 
^irgil. 4. ÀEneid. 

65 AogenerofoLeaóNurfíno, que era Sào Bento, 
pertendiaõ foiier o movimento, & defviar do caminho? 

H 3 Foy 



62 O PRÍNCIPE DOS VAT. TOM. 11 
18 rgteriâaximujrtimEe. Foy o Príncipe dos Patriarchas 18 caõ velloz em o fe- 

tleji* tuliiairntu.&orma Re- / * , 

Ugionú.LcgiiiatorcxccBentijri- axxito da virtude , que no tempo, em que Chrilto corria 
:ZZ e Toí:;lu:Xí a r «m arreba tados pálios , então o leguio , & conleguio São 
■UvetuettuRoUuviud.exfami-. Bento, i 9 Acomoda-le Chrifto com as forças do cípiri- 

lia Carttifiana.inlaciculo.tcm- i I , i< •, r * . 

* eri „». to, que tem cada num daquelles, que ointentao ieguirj 

, 9 curretê CbriHum cu r . & ra hus uza <] e va ar ares do paflcyo i & para outros, das 

ácftititydonectoxfequeretur. detençofas paliadas, que con> opezodaCruz deu como 

.i Partis Damianus m fitrm. i • i j g~\ 

Sa«8i Bentdim. homem j caminhando coma Cmzparaque, quem ativer 

20 siquUvuitvcmreponme pofla leguir ; 20 detendo-íe em o caminho, para dar 

alncget ftmeltpfum , tf fsfl,» * fc> ? r n j £ 

Cruccmfua», ,-dfcquatur me. tempo de o acompanhar, a quem toiie detençolo em le 
Maitb. 16.verf.t4. reíoiver: porem, chegado o tempo em que S. Bento cur* 

fava a carreyra da virtude , apreflou Chrifto o paíib , por- 
que Saõ Bento naõ tinha quem lhe cauía-fe vagares: ao 
pezo da natuieíademinuía a gravidade aafliftencia doef- 
piritode todos os juftos, que habitava emSaóBento; 8c 
para quem voava com tantas azas , neceííario foy , que 
Chriílo caminhaíTè com aquella préíTa. 

66 AefteCervoligeyrohe,aquemaquellesfubditos 
queriaófervir derémora, para que detendo-lhe o fervor 
da fantidade, profeguiííem na póíle de feu vicio. A Chnf- 
to pofto em a Cruz, diííeráo os judeos ,que fe defceífe del- 
ia, o reconheceria© por Deos: 21 em quanto o viaõna- 
». sumut Deieft, àefan- < l Uc ^ e Lenho ,cftaváo pertinafes em feu ódio ; fe o viíTem 
àatdeCruce&credimusei, deyxaraCruz, prometiáo mudar de aflfe&o. Equemavs 

agrado, ou conveniência achavaõ em Chrifto deyxando 
de morrer , que acabando de elpirar ? O leguinte : Chrifto 
confumando a morte de Cruz, deftruía o peccado do mun- 
do j Sc deyxando de morrer , ficava permanecendo o pec- 
cado: poíto o decreto de que Chrifto morreífe , fe o não fi- 
zera, naõ ficava o mudo redemido. Poisdifleraõosjudeos: 
Para o admitirmos em noífo fuperior , ha de mudar de 
ii Jtia*i,yu,ajíiii iníqua oceupaçaõ , defeftindo da virtude com que nos tira opec- 
[fr í l°r^TfJ ir f um ' R Re ~ cado, para que fiquemos vivendo com a culpa: 2 2 fe nos 
ittpeceoto pe r man/uri acomo- quizer imperar , naõ ha de dar complemento a ley \ a efta, 

datiutfibi cxiili-nubant domi- i J J « CV ' • f J 

nmm Pater Rod.ncu, d e tf ha de dominar a nolia pertinácia, para que le veja ceder a 

ZXlZ^C^t ma 8 cftade » a » oíío g° fto - Semelhante acfta petição do 

Calvário, foy, aquefe intentou confeguir no niolteyro; 
mas nem hum, nem outro Leaõ, ode Judá,& ode Nurfij 
moderarão as forças 3 porque a contumácia naõ iefiringue 
aopoder independente. Chrifto não neceíTitava da ado- 
ração 



ÈMPKEZjt Ul 44 

ração dos judeos, para efíabelicimento do cetro ; nem São 
Bento, da acey tacão dos Monjes, para apóffe do mona- 
chato-.&o poder de hurn Príncipe, fona dependência íe 
conforma com a contumácia. Humilhou-fe Chrilio em 

ÍUa Payxáo á Vontade dos jlldeOS; 25 excepto aOS rÒ- uTradiditqttevelunWieo- 

gos daquella petição: poderoio era (Jhriíto, para fedc- r *""' *'•**•'*' 
iender de mays contrários, mas como dependia dos judeos 
para padecer a morre , 8c náo para poífuir o Reyno , o po- 
der, cjue na exençáo triunfou da contumácia , rendeo-fe a 
ella, na dependência. 

67 Com a íingular agudefa , com que os Eícritores 

da llluftre Companhia de J ESUS cultivarão as letras, 

delcòbre hum fogey to delia , que os intentos deíles Mon- 
jes íoraô pertençóes, a que em íeu tenipo fuccedeííè o 

meímo,que nos dias de Ezechias, ou Jcfué j mas que íe en- 
ganarão na pertençaõ, porque Saõ Bento naõ era como o 

boi material, para que podefle fazer regrefib,ou deter o 

curió. 24 Naõ chega a ver tanto a agudefa do Lince, 

quanto penetrou o engenho defte Padre. Gimpulío,que ?í Pater TranfcifeuiToien. 
ol, iigmhca o movimento corporal porque nos w; , to4§? 

movemos j 25 & poreíte, nunca fe governou o Sol Mo- as Gemenknu/in muitu hei* 

naftico: o corpo de Saõ Bento nunca deyxou de fer fe- 

nhoreado docfpirito; anaturela naõulou nunca de luas 

forçasjasdafantidadeeraõ asqueomoviaõ. 26 E com 

razaó diííe o fútil engenho, padecerão engano os Monjes, z6 ^T^T^ISw! 

intentando, fizefle Saõ Bento péacraz na obra a que ha- diBieretquafifaccut, .«<•</ 

, , . . . r \ r r r cipIiit*tur.&reichturJ!idlp 

viadaoo principio, paraqueíe acomoda-ie com leu gol- n Ç,i. ir d/x<íb«/- 
to: porquexomo a Saõ Bento não obrigou a naturefa,náo H ?}°£ ue £i CU! '' '" , 



non 

» 



o podia dobrar a pertinácia. Pcdio Adonias a Bethfabee, 
ntáydeSalamaó,alcança-fe deite, odar-lheporefpofa a 
Abifag Sunamitis lencarregou-fe Bethlabeedeopcdir a 
fcalamao; tezamayorogoaohlno,oqualem lugar da eí- smumit^ ^jjjwuji 



pofa, mandou dar a morte a Adonias: 27 SoubeoSuccr- ""'• .. /'" 
dote Abiatnardeltecafoj& ficou pezarofo,de ter ííJoini- tccidetur«Adow*t. 
migodeSalamaõ. 28 Era AbiatharhumdosqueíeCGiv- U J^J »w 

federarão com Adonias, contra Salamaõ; 29 mas fe até s*ctrdotp*nituitfcvide, «> 

n r • ai • 1 1 > » 1 1- 1 quodeffaimmicusS* 

eltetempo conipirava Abiathar contra o l\ey ueliraei &f ecu ■. odium .•;/,- 

comprofiados defprefos,como agora dcfiítcdefua con- — £ , 
tumacia,arrcpendendo-ledoerro?Foyacaufa: Vio Abia- 'n ■"■'"'' 

; - t ■ ( n 1 - r dotem,® JetbfiitimÒJtfiJt. 

ti)ai,qucnaoubngouanatureia abalamao,aqueíavore- n ÍVC ,j lt . 

ce-íe 



o> O 1%1NCI<?E WS <PâT. TOMO 21. 

ce-fe a Adonias, porque Salamáo a fua própria mãynão 
quiz conceder eiie favor^ & achou Abiathar, não [cr preí • 
timo a contumácia, contra quem náoobrigava anarure- 
ía. Para que Salamão ie dobr^-fe a ttmer , ou a amar a 
Adonias ,íoy toda a pertinácia do ódio, com que iecon- 
graçou Abiathar ; mas eníinou-lhe Salamáo, que não va- 
liaa contumácia, commoítrar, que para com cJIe não ti- 
nha forças a naturefa. Como Salamão foy São Bento, & 
tem de ler todo o Principe; mas não forão como Abiathar 
os Monjes; porque efte,deíiftio da contumácia, & os Mon- 
?o BcHutiBtudbbM Be»e' j es peííeverarão nella. Sem fruclo ficou o empenho; não 

diluis donum grati* ^quodjc- .,-> ir rt • • •! « 

€cper*t,muh>p!icijvit, quando inoJeitou ao noílo Príncipe a caviiação , porque São Ben- 
ZZT^ãTfZ^. tofbyimmovelatudo,oquenáoeradeDeos; 3 o &co- 
amfmheioegita»in,<t,quan- mo tinha a Dcos de fua parte , tomou oCeo áíua conta, 

àoKihilprapcfitit Diz;na Cb3- r I 1 I • 

tiuxi. d,x« neouVirgoMa- relguarda-Jo dospengos. 

tia atuJ ò.inFiam Brigitam lib. 
j. hcvel. op.\o. 

nmúum dilecle Veo , tibi mditat JEtèv^ 
Et conjurai i Veniunt ad Clafjia Ve?iti ) , 

CUudian. tn Taw«. ad Honor mm. 

o 

68 Os Monjes nãodeyxavão de conhecer a efuma- 
ção , que lhe reíultava da companhia de São Bento ; mas 
podia com elles mays ogofto,que ocredito,mays ccuf- 
tume,que a reforma ; querião viver com ocuíinme, por 
ley^ & por ceremonia, com São Bento j * firmando o co- 
ração no mundo, quando defejavão teraSaõ Bento por 
• BeninacesJAmaMmag<f- paftor; não os reconhece'o Saõ Bento por vafia]ios,por- 

tramhattnt volunJttem luam. J - r ~ " 11 r-» /* • ^L - n 

*ch R fg ui* m ,»on abatem. < 3 ue " c coração ienao união com elle. Ueiviou Cnniioa 
u.Bcrntrâ.fu e .c»m.fcr.i 9 cabeça da parte efquerda , ondeeftava crucificado Geftas, 

&inclinou-a para apartedireyta, onde eíiava crucifica- 
do Dimas : foy o delvio repulia a peiTóa de Geílas ; foy a 
„ ,. inclinação reconhecimento á peílóa de Dimas : a efte , a- 

?i HodiemccumerisinP». * . . /r 1 1 - 

raJi/í.Luc. xyverf.^. ceytou Chriito por vjiiàllo ; 51 ao outro, nao o rcco- 

nhecéo por fervo ; porque Gefbs crucificado á mão ef- 
querda de Chrifto, ficava com o coração virado para o 
mundo- Sc Dimas crucificado á mão direyta , ficava com o 
coraçãovirado para Chriito ; nefie modo em que ficarão 
osdous crucificados, fevia oarrependimento de Dimas, 
& a contumácia de Geftas jacontumacia, em fugir com o 
coração de Chriftoi & ° arrcpendimcnto,cm lhe f zer en- 
trega 



E M <P %E Z A 111. 6$ 

rregadelle. A Geftas entregou Chrifto ájuftiça;&aDi- 
nvàis íocconéocoma milencordia :achou-feChrifto obri- 
gado a ira vorecer como Pay,a quem fe unia com elle de ve- 
ras j&i a caliigar como Senhor, a quem o acompanhava íèm 
afedilidadedeanngo: Em companhia domayor Monar- 
cha fe achava Geitas no Calvário- & companheyros do 
Pnncipedos Pacriarchas eráo os Monjes na claufura; para 
comeítes, foy São Bento hum Elias, íendo para com os 
tnays, húMoylés j para todos era omays brando, & para 

COtll OS de vidadiílolutafoV S.BentOOmaVSrJPUrolÒ: 22 '*■ ^'Xteriaremeonverfa- 
. c , 1 " , » . r '. . ° g-C r ,wnew ,í1tu «'«iijmw, totiu 

da ionte,dondetmanoutodaapiedade,iahio contra Gel» cxewpiuru , /,««./„ tham*n- 
tas ajuftiça ; excluirão-nos do favor, porque os não co- T:* i ?ã"£ i pT futíUf ,-\ ? 

/ í ' 'li oviiim Lhrilíi Piijtt-r vigiiatif- 

nheCláopor domefticOS. fmiu.quiaamoreDtiniHlui- 

, (1 ' * v ' » 1 Ti ' ■ 1 qttam trupofuit. Etiamen cum 

69 rareceme, que a imitação de buzins, que de to- Utu exigcbat, Z eio difdpu** 
dos os que hofpedava fazia iàcrificio a íeus ídolos, 23 acc^pa-v^orun,,,^ cor.. 
afty os Mondes ointentarão fazer do novo hofpede, ao m. \-àev>ru iiíufirib.vràinu 
ieuantigo cultume. Agradar adinerentespeíioaspeiten- ,, iBote*pore?veiR'ex',vd 
diáo os Monies em lua vida, a Deos, & ao mudo: com am- P* im , ^ ra "" M *«f '« . /*« 

' . Dijskejpjt:t tnimoiãbtt , ciuem 

bos queriaõ comprazer de lorte, que íeuexercicio correi- //;•*»» Neftum,peritent,tíc. 

drr ' 11 J ' r D <ylui.Ub,v%. dcCiv, Dei. 

etie nas acções, com aquellesdous extremos ; naole tí * 

lhe rectbéo a offerta , porque Deos a náo acey ta. Abel , & 

Caim fahiráo a offerecer viótimas a Deos ; poíeráo o fogo, 

abrazarào-fe ambos osholocauftos,mas náo agradarão a 

Deos os facrificios ambos: em ode Abelemprcgou Deos '4 Rrjpexit aurem Dominut 

. n i/->- - r^ 11 tD . aã *A.fol , 2? ad muncra e/tu ai 

a vilta;node Caim, nao pos Deos os olhos: 54 naorece- ç a im vero ,& ad muncra cju* 

bèoDeos a offerta de Caim, & aceytou a de Abel, por- "°" n '-% e *' 1 \ rr «< 

que o fumo do Iàcrificio de Caim terminando-fe aoCeo, 

■vinha a fenecer na terra ; & ofumodo facrificio de Abel 

fó para o Ceo fe encaminhava: ^K em femelhantes ac- n Moxprotimvehumi» 

c r 1 r • 1 rr n «/ara afcendu conbuUm fu- 

çoesera o turno iinal reprelentativo doatíceto , com que ^^^««.-«rcwMrj/w/* 
feofferecia a Deos oholocaufto: & moftrava Caim o a- "' nev **Z£Íl?«Zfui*£ 
mor dividido com Deos, & com o mundo j & Abel, que m n,»iytnp?M*>idi**w*t>Vi- 

pi T-V r 1 A 1 1 / i' ílorinuilib. ia Cienej; ia í»ita 

io amava a Deos, porque o íumodemonltrador deicu aí- Ê ; e g i( ,. ,,,. 
fecio fó para o Ceo iubia.Com repartições no afle£lo per- 
tendiaCaim fer agradável a Deos ; &: os Mon)cs,a S. Ben- 
to: não fe humanou á deprecaçáo o Monaicha, nem íe in- 
clinou oPrincipe ; cm lugar de agrsdocorrefpondcráo có 
defprcfos: abrirão as portas da juftiça , quando intentavão 
fazer patentes as do valimento ; puxarão contra fiatfpa- 
da doiigor, quando emprendiaõ movei paia fia do poder. 

I 70 Ne- 



66 O PRÍNCIPE WS PJT. TOMO 11. 

70 NecciTario era aos Monjes fazerem híía def- 
união, paraíè unirem com São Bento ; rx as errarão na el- 
colha 5 porque havendo-le de dividir de Lot, como íez 
Abrahão, elles a ti mefmofe dividirão, como fez Ruben. 
Defpois queAbrahão fe apartou deLot, logoDeos lhe 

16 Viy.it Donimu ad ^/3bra , r • \ 3 \ r i r J ■ , . ( r 

baw, P ofiq:,amd,vfH i£ nabto promereo a prolpendade de lua deicendcncu : 63 Aíiy 
L.ot:tev»eccuiotiutt i ®mdc coin o Ruben dividio os fcus 2rTcâ:os, começarão os pran- 

W.Omnemlerratn ,qiuiii conj- * 7; . 

picutibidabotVfeminithouj- desde leu Reyno a entrar em contendas. 37 Lot íigni- 

queinfempiternum. r r 1_ J . . ' O v 

Gí»f/i,. V er/ í4 .efu. nca o melmo, que o homem atado a outrem : 30 a von- 
l7 Lw.ftu cor.tr* Ruben tade ligada ao terreno repreíentava Lot : & deípois que 

magyammornmrepertacjlcon- - O ^ * - * -1 

n»fio.jud,cumcj f .s.rerf.\s Abrahao iedelumo deite atkcto, logrou toda aroirtina: 

ctwíuTc^nn-:. ""'^'^ a do Ceo nâo íe g™™™ corn a do mundo ; divizoés de 

affc&o forãomuyras veies fcguranças do poder terrer.03 
masnunca logro do Divino. O mundo ,comonãohever- 
dadeyro fenhor de noífa liberdade, confcnte, como con- 
lentiaa mãy fupotta, nocazo de Sahimão, que íedividiíTe 
19 Econinrio itia dicãat: ofopeyto. 20 Deos, como he legitimo Senhor de nofíò 

hecix,bi,nectibifit,fed divi- i • , • - J J - c 

tihur.) .%;.,. alvidno, como a may verdadeyra nao comente parti- 

<c ,!)«,, ,?,„,„ mu }nr cu - j{ lag> . Q 
jusfilnuerai vivi„,ad Regem T _ . 

r:\obfvc, domine dite m> m- 7 i inhóbih ta vac-le para hinos de S. Bento Monjes, 
cttceum.ib.vcrf.iô. que no procedimento íakavao em tributar a Deos todo 

o aífèâo j lo os que encaminhão para Deos o fim de 
fuás obras,faõ filhos defte Patriarcha. 43 Como a pedra 
4» Er S oiiUeiiMí»achuiBí Iman, que aíly une o ferro , queriaatrahir o ouro, aperti- 
e :ill I 'cl'l' t! " lobeJ " r : v ,' Uy naciadeftes pettendentes :com a culpa , que 2 íiatrahe o 
nccmmoribiuthcuípiaterede íerro do caltigo , qucíião obrigar o ouro dafantidade: 

fidcrat, tuf, Oco. Dixit Chrif. r ■ £ J P ■ - T" 1 1 

tut Dominw Beau Briga* ,ut lem le tirarem das agoas aipiravao como 1 antalo,Oicpro 

ipfrtejirturiib.+ Revchti.cop. do pomo. Como David , que com abrirabeca atrahio a fi 

4-t otmeumaperui,® atra- oefpirito,da mcfma forte clles , lo com palavras intenta- 

xijpiriturn , quia mandata tua - _• ■ J £T ? • 1 • J J J c ' r> 

dtjiderabiir. iPjat.n3.verf., , vao participar da artabilidade de Sao bento: naoreparan- 
*\ Ko,io mn u,qu,die,s m ,hi do, que a guarda dos pieccvtos fov , oque deu aboca de 

Deuiini Domine intrabhinre- t^-j Cl- • 1 l ./ í 

gu-»c<ciorum.Mat.i.vcrf í i, David ã actividade. 42 Nem todososquemvccaoono- 

"^n^:i;:™ r :;t mcdeDeosJogrãoo favor do Ceo : 43 quem dcíprefa 

rum UtquidmibithwdeSaba a Icv, tira o valor á deprecacão : 4 < ti 111 elia roays ouza* 

afftttUSS calamumfuavc ohn- j- r j 11' r t / ■ j 1 1 - 

umdt terra i<mg.n, qua ? hdo- dla na itaqueza da cuipajQo que nas torças da lantidade jhu 
uuftiy&tMinmjHHtucm.* j u ft no pedir , pórta-ie como peccador: 8c o peccador.co- 
rummihi jeremu 6. verfzo. Hiojultoj aspeiiçoés, que eíte fazaDeos,faõ acompa- 

4Í Objecrojn.pnt, ne ira/ca- _L J_„ J o 1 C , s~^ 

tu Domine fiioquar.vc. nhadas de temor; 45 Sc o outro, de confiança. 46 O 
Genef .8. ^ ,». q Ue Deos obra neftes cazos, moftrou Elias no modo , com 

46 OcfccimeJeLiuce. r \ 11 j y-v • 

Maiib.z 7 .verf.ai. que íe iiouvc com os embayxadores de Ochozias Rey de 

Sarna» 



rei, 



EMT^EZJ 111. 6j 

Samaria :Tres vefes mandou Ochozias, porfeus Prínci- 
pes, chamar o Proíeta; aosprimeyrosdous inviados,&a 
todo leu acoinpanlumsnto , abrazou Elias, com fogo do «7 DefeeuJit i^nu ãe cv'>; 

s^ r i (i a i. n-« o & devoravit tilam, & quinau»» 

Ceo; 47 íuaoterceyro,iuipendeoocaitigo,&aceytou gintaejus itcrum mifit.èc 
oro?o: 48 deu aos mays a morre, porque faltando ave- \ R 7 cif ''l' 1 '^/''^?^' 
nerjcáo,que íeueviaa táo grande Padre, quizeráo obe* Jítcumco ad regem. iHvef.tt 

d-/p »j r : ' /- 1- /• 1 • 1 J* r W H01»? Uei,hae dieii Ksx 

cceíleo rroicta,asiuasordes: iemocLvidoreípeyto fa* f t m»» <*«/««&. íííw,/..*. 

Jaráo com o Santo , dando-lhe,com altiveza, o recado de 
Ochozias j 49 condeícendeu com a petição, do outro, 
porque de joelhos, & humilhado a feus pés, pedio a mer- 
cê, & feconfcíTou indigno do favor. Co Acentado,em *,° Cuntvit g muajk»thr» 
o cabeço uo monte Carmello , recebeu Lhas, os embay- ait.H0r.1o uànoh a^uertã- 
xadores, 51 Foyefte monte o trono", aonde ozelióde ^"^«riZfciíjt. 
Deoso havia fubido. Do trono defeco, para acompanhar imtiantm venta monu*. ia 
ao terceyro PrincJpe,&:delleíezcaíb'garaosdousantece- ter - 1 ' 9, 
dences ', defcer do trono, foy como depor Elias, de íeu 
poderj valer-fe do fogo do Ceo, foy puxar da èfpada, que 
fendo a de leu zello,oCeo lhe fervia de bainha :uzar de 
efpada, contra quem fe oppoem ao poder, & mitigar o 
poder,com quem fe fogey ta ao caíiigo, faõ termos da ma- 
geftade. Aípirar, a que hum Príncipe dcfç3 do trono , que 
S. Bento, fe incline a forças da altiveza , faó prefunções da 
pertinácia 5 que modere ocaíligo, aiogosdo reconheci- 
mento da culpa , he divido á clemência 3 o .rctonliecimen- 
to da culpa , fuõcreditos do offendido-âpertinacia no 
erro, he defabono doaggraVado. O Príncipe em 
caftigar efta ouzadia ymoftraíTe Cêntimano ; & 
em favorecer áquella íomiçaõ , Coroa de 
Palias, que em todo o débil in- 
fundia no vai forças. 



t 3 PROCU- 



ó8 



PROCURAO DESTRAH1MENTO 

7) OS MO Kj ES VAa\AMO%TE AO 

SANTO 

COM VENENO. 

E M <í %E Z A IV. 



• Velut apet non omnibtufl/i • 
tibus infiJunt,neque eif aJquot 
Acetdunt, omnia auferrt conã- 
tur.JrJ quamum ipfir ad opttt 
tteccjSariumfuerit comprchen- 
âíntes,reliqHam dimitiut. Nor 
etia/titfjhbri? fapientefque.qui 
Zum congrum» nobii,propinqH~ 
umque veriiati ex ipjit ,fnerit 
ftijeqatrniir , reliquumprtte- 
riamuf. D.Bafil.Ijom.i^deli- 
gend.lib. Gcncf. i. 

r "Non ocbj, fcJ vcrltitr eji 
^manda ,Jap! anitm reptritur 
/implícita* verídica* fôjalcitaf 
compoftlê. S.ljldgr.defumm» 
bn$s. 




ABELHA naõ tira omel,dc to- 
da a flor j nem de todo o livro, fe 
tira a doutrina, i Muy tas veies 
fe acha a mentira , eõ enfíèy tes de 
verdade. 2 Efvaicida a flor ve- 
nenoía de lua pompa ,acufaá abe- 
lha, de ignorante ? em a naóefcoiherparaiuíiento jmaso 

na tu- 



EM<?%EZA IV. £9 

natural inftinto deícobre a abelha o veneno , que efeonde 
iua aparência. O deíàbridodoviciodisfarça-le,comado- » Uonaecufivetiaquiftvà- 
cura daspalavras: 3 nem atouosiemaniretta,eitaziza- em»» ^ued-uteUwbKpropi- 
nia, portal» do conhecimento dotrigo,ou pelas feme- ^Z^^lmZl 
\\\ mças , que tem com o fuftento : enganáo os ovosdo Aí- ^ug.ut.i.Conf.cap. 16. 
pid, cem a alvura dos mays, fendo a gema do veneno. A 
licáodos livros, aproveytamays acautela, do que á fingi- , , , 

* /->i . r - • r \ r 4 itiqueqmdquiJ itii'iun<eK 

lezj. 4 As liladas lao mays pengolas, do que omelino pbiiofophiaperappvuiijdom. 
perigo, quandoevidente. Sendoobrigaçáo,do que lè,e^ Z^-^tfZít 
colher o útil, Ç aíTy confunde ascores ,quem intenta in- tffug'« mw - G j*g- n*/w »« 

. . , rr ' i r • r j ■ • orati.funebriinLoudêbeftlij, 

rroduziroerro,queneneceliario, valerlc lempre domi- ç Legimusahqv,»,ncmcgii. 
zo , pedra de toque , que difiingue a verdade da mentira,^-^— «£ -» - 
para não cair, no erro de Glauco, que trocou as armas de fup.j-uttmin. «. 
ouro, pelas de ferro, com que ferefguardavaDiomèdes; 
fez Glauco a troca, a pezar de fua fama , mas a contento de 
ieu iuizo: caula, por onde Homero, nao ceníurou a troca, cum Lycim JCCII p t ou»,*,,,, 
ainda que a acufou Licio : 6 de hum homem, tão nefeio iâcir "> q™*™"' »>'>■» "»<- 
como Glauco, achou Homero, não fer admiração ocom- mu, qu* movem foiummoJocê- 

Ij.n i • * J „ L - ftrentur. K'iax tnusl mus / /- 

erro ; mas deteíiou-oLicio, por dar a conhecer ^ J , )l3 _ x ^ d(lionabomtm m , lliS 

aftucia, com que o enganou Diomèdes. «*»«/*. 

73 A pedra Filofofal , de que efereveraõ os Filofo- 
fos, facilitarão osEícritores \ a pena, com que eícrevem, 
ainda he mays poderofa , porque naõ fó muda , em ouro o 
ferro; mas também em ferro,o ouro; conhecida elU troca, 
bafia para perder a eftimaçaõ, nojuizodo Sábio ; mas naõ 
bafia efte conhecimento, para defenganar a rudez do nel- 
cio: tem efte por faudavel documento , o que fó he conhe- 
cido defmancho , que entaõ he útil a liçaó, quando fe obra 
tudo, quanto felé: daliçaó efpiritual heafentença ; 7 
mas á carga cerrada, a entendéo o Graó Turco Solimaõ, 

1j 1 r-y . , "» i« «-» a r> 7 LeRiotHttc titihteft , eu-n 

endo pelos Comentários, de Júlio Gelar , porque nao lo jç, f/w „ /W ,^ ligtmur. o. 

o imitou na juftiça, mastambem na crueldade. 8 Entre ^^Z'^ p a «. 
as ervas faudaveis achaó-fe as nocivas , & fe o Boticário as fitnfis <» froiog. 
naõ efeolhera , fe fizera de todas o medicamento, fora mi- 
na a coinpoficáo do remédio. 

74 O Oráculo aconfdhou ao Filofofo Zcnon, com- 
ínunicaííe com os mortos , fe quize-fe fer perfeyto, na vi- 

1 r .. - , V r ,- 11 o DioztnctLiertius m uto 

«a; o que nve-íe Jjçaodos livros ,loy o conlclho, que Zi 
lhe deu o Oráculo: naõ lhecfpccificou,dequaislivros ha- 
via de ter lição, a todos lhe deu por clpelho; dobem, Sc 

I 3 do 



liiiumx. 



70 PRÍNCIPE WS PJT. TOMO II. 

óo mal, ha de Ter a noticia , para eítimaçaó de hum , & des- 
prezo de outro: de entre elpinhosfaheaRofa,&daterra 
efieril o ouro j da hifíoria pr oíana ie tira a abominação do 
vicio j do livro herético íe conhece aíalfidadeda íeyta, Sc 
íe corrobora a verdade da fé Catholica^ aeliimaçaõ do 
diamante teve os créditos , quando examinadas as mays 
pedras, conhecerão, que nenhiía o igualava. Dentro na 
terra Te cria o ferro, com que alavráo ; da pedra faheofo- 
í*o, com que a pai tem : do melmo erro íe tira a liçaõ , com 
que íe conhece o bem: com as mefmas armas do Gigante, 
o matou David: infinitos foraõ os Padres,que com as mef- 
mas razoes dos hereges , confundirão ashereílas. Ao Em- 
perador Adriano moflrou Qiiadrato, o mal que fazia, em 
perítguir osCatholicos,com as authoiidades dosGentios: 
c que não paliou da própria terra,efíá impoííibilitado,pa- 
ra deffènder, com razaõ, a fua bondade: mete-fe em o 
exercito,ofoldadoinimigo,paraíaber, oque nellepaífa; 
com cuja noticia, facilita ao amigo a vi&oria ; mas efíe ef- 
tudo,nãohe documento para todos: as flores dos livros 
profanos faó flores murchas, & a abelha, não tira omel da 
flor, que eftá murcha, (o a abelha medira, temefta virtu- 

prclatíe rriigiznis phrmrJJ; qui- UC. IO. 

b u p.*f„nt< l ui e xitthpo!SH»t _h He a lição doslivros profanos o mel , cujo chey- 
Mic»minmjfarrt:qHemadmo- ro faz perder o juizo; 1 1 tirão o juizocom o cheyro,por 
tttnturãnapharmtcajsvene que aiultanciahe venenola. 12 roííema, ondeie amn- 
Mtqmhuiiiê umperare vei t áo todos osmáos humores , & fonte donde correm todos 

tri>ese{t!Citi!£U>a artcm líbia- ~ 1-1 

gr.rtan,poffwi> quauvhJatau os erros, faó íuas noticias j moítra em huahora , o que não 

alfaqui* fi: tanoranrilntj rim.ea j c L * • * J'fl_ 1* 

tômincrí èoSorPctru, Gre- deícubno o vicio, em muy tos annos i diipoem as inclina- 
goriut Tbohzauux tomo z.je çóes,a perderem omedoaoindecorofo: não achou disfór- 
i". Nafciturmei txbuxo,iK mea torpeza , quem pnmeyro a vio retratada. O tinto- 
^SS^SSSA re >' ro ' P«para â com cor diyerfa,a ceda , que quer tingir de 
c<mvcrtere,fioJorpercif,iatur. purpura : muytos autores intitulão, o argumento de fua 
ti.âc^áàmíra/tpHàUoyoi» Imiona , incontrado aosnns deleusiníentos: paraqueo 
A ProprietatcJocorim, coUo- £ j íu l obrioaíTe á virtude , intitulou hum herege, a fuás o- 
12 Faifi Je8rinaeft, icpra hrasjornada deferufalem: & aíly inficionou a purcía daquel- 
fo.fam.z. Jesiugares lagrados, noqueejaeveo,queapcucuareda 

verdade.Innumeraveisfaõoslivros,queíedivu]gáocom 
eíte dislarfe , faó poucos os profanos, a quem léus autores 
não condecorem, com aíFuniptés ureys,& devotos ; mas 
quem q^izi» j } tirar delles o fruÇto , ha íò de encontrar com 

dpi- 



EMPftEZJ IV. yi 

elpinhos; 12 bem podia teftemunhar efle meu dizer '' t)c8rinapermau t peu 

1 . J \ \\ r C 1 - J 11 1 mci '"f'P e ytítiui inter fl-ina* y 

com bom numero deiles, ienzera relação daquelles, de cauteiege^edumqumufi-uc- 
que me acordo. Saó cites, os que cauíaó o mayor mal; 1 4 w £XtW~ 
porque correm as maõs de todo o eftado , tazendo-fe do- »4 w* hngemcetfa^ c a 
melhcos a toda a lortedepdioas. I ícainutil o reiguardo w^J.d .liem/^.Lns. 
da pureia, tratando com eíte inimigo, pois mudamente lhe .'' UuUo m 'g* ferip*** 

» ' r • r • cvJCAnetum ,(ju<f p:ipr.:ii te* 

infinua,oquea profanidadefeenvergonha de pronunciar rumar, em uUenda memetia 

1 1 \ TIL J • ■ o * quilii ecrie in permeiem rei- 

com palavras : lendo conklneyros de vícios; & prevarica- jU// Crf >»i */£»,,» ««//«,«« 
dores de innocencias. 1 < ? r ^f' / "í J " a P e "" nc f ,ora 

' jwt tlepbaiíiislibcliiu-cei Mi- 

lefia i/irijliJU , vel Sibai itbici 

Gftis cum pueris tonara pueBa mariú, t^Z&ZZZfà 

Difceret unde preces r Vates m Mula dediffet? d, " um »><>g' ilr °' i "»><i u > bM P e - 

J L T _ .„ J JJ pvluiinficitur. 

ídoratWó 1 . hplit. I . Clcmemt ^lexwdr.in Peda- 

gogolib. z, etp . 5. 

76 Nas maõsdapuericia,&dacegueyra faô mays 
perigofas as armas de fogo: os livros profanos, & heréti- 
cos faó armas de fogo pela matéria, que contem, & pelo 
fim para que foráo feytos. Henrique VIII. deite nome 
Rey de Inglaterra mandou, que os meninos aprendeífem 
a ler pelos livros, em que eftaváo recopilaladas as herefias 
do infernal Martim Lutero ; o mefmo fizeraó para propa- 
gação de fuás hereíías , os Acephalos ; os diícipulos de A- 
logio; os fequazes de Ario, de Donato Africano, & de 
Berilo Prefidente de Boftrene, Cidade de Arábia. Se o 
leyte de húa Loba não pode mudar o generofo natural de 
Rómulo, & Remo, de quem fe alimentarão meninos , não 
aíTy asherefias ,aos que fe crearáo a feus pey tos. Em a caf- 
ca das arvores quando tenra, eícrevião os antigos aman- 
tes o nome de feus amores, & oprogrèflbdefuas finezas; 
crefcia,&engroífava a arvore, & avultavãomaysos cara- . 
teres; donde quem quizefie confundir oíignificativodas 
letras, havia de tirar a capa das arvores ; com o que ainda 
quenáofecaíTcmde todo,íempre a falta teítemunhava o 
eferito. Com os vicioíos,queiaó os cegos, fez Lutero, 
Mafoma,&Calvino guerraaos mayores Linces dalgre- 
ja;foraõasleytasas que derão liberdade aosvicios ;& tó- 
rio tão poderofas eítas armas, nas maõs daquelles cegos, 
queintentarão pòr em efeuridade ao Manancial dat. lu- 
zes, crefeéo a chama pela omillaõ, com que fe ouveraÕ 
os Frincipes,em àsnão apagar quando principiou taif- 

ca. 



7 2 O <?%JNCI<PE DOS VAT. TOMO II. 
mô Refecatt3*funt putriâ* c % m j £ Vioííe a Náo de São Pedro combatida de todasas 

carnes, tf Jciíiojacvis ab ovi/Ii . . -r • -r ir 

rtfíiiendacft^enudomut^ par tes,& correr ia per igo, ienaotora incoltratavela hrme- 
p t( coraard e amc*r,um f antur j leme, que a governa, a vifta do íurioio fequito t pois 

futnjcant ,iniereant, mirrais • >-■■■ 5 <-j j, 7 -3 5f 

/» ídhxu.uUii unafcintiUa fendo a Ley de Chriílo a Torre mays Forte, & eminente, 

fui! Çed úiiia non llat.ni obpref. r . . • 1 11 

%*4l,i»****t*cj*ffé!m íoraoinnumeraveisasareas,comque os ventos das here- 
fopuht.ái. íiasapeitenderãodeltiuir,&ruflocar;iiiasaviftorÍ3,que 

u. tlieron, m Efijt. t ' ' T 

Luciier nãoconleguiodoSol , alcançou de muyta parte 
das eftrelJas, porque entre o vulgo levouconílgo a nobre- 
fa. Nunca houveráo de conltituir império as hereíias ,íeas 
não abraçarão osPrincipes ; iaõ a nobreza, & o vulgo nas 
republicas, como a cal,& aréa nosedificios, íenão fe amaf- 
faõ não ligaõ;& fe á aréa faltar a cal, não faz obra: os gran- 
desfaõos Mecenas, que amparaõ os Efcritores • foraó os 
Príncipes, os queeftabeleceráooerro ^nenhú hereje fen- 
tio a falta, que chorou Marcial, porque a nenhum lhe fal- 
tou arrimo ílluftre. 

Shit MecenateS) non efeerunt, FLice, Marones^ 
Virgdiumque tibi Veltua rum dabunt. 
Marcial lib. 8. 

77 São os livros como anneis de lembrança, com que 

fe acórdão os homés, do que eftãoeí queridos ; &para fe 

efquecerem de todo, tiraõ a lembrança do dedo. Das maõs 

lança vaõ em ofoao os livros vedados, aquelles, aquém 

i 7 Muiti autem exeu.qui baptifavaõos Apoftolos. 17 Os Philifteos, querendo en« 

{ZT^:Xtfu%:7t ^nquecer de todo aos Ifraelitas , náo fó lhe prohibiaó ar- 

ràommhut ^s r.t g .verf., 9 mas, mas também os inlirumentos ,com que aspodeífem 

1 8 Porro faber ferrarias non r O k s • • j • r 1 1 

invwiibauir in omni terral/, razer. i õ Maximiano , querendo nicar da memoria dos 
"í?r'7 /*^?7« fieis a ley de Chrifto , mandou queymar os livros, que 

ne forte f acerem Hebrai gladt. •> ' 1 J ' J 

umautiauceam. tratavão delia, & eícrever outros, encontrados á Fé Ca« 

1. Reg. cap. 1 \. verf. 10. 1 .%• ,-y. r c 1 ^• n • I'iit 

19 Eu/cíi.Eccief.Hijor.iiB.^ "^' 10 O meimo lez J uliano. 20 Henrique VIU. 
Q.caps.vg. Rey de Inglaterra a todos os que encontravaó a fevta 

20 Nic.pborus Eccle/ Hijlo. J a 1 j 

Hb.xo. cjp z\. de Lutero: 21 as raizes das arvores de diflerente calia, 

zi Petrui ds RibjJeneyra nv • i i « - j - r r 

Uifloriar.Eeciefidt i»gia,trra co, l'gadas huas, com outras nao deyxao crelcer , nem tru- 
i,b. t. t ap 7-7. âificar a nenhúa delias: afiv a memoria do bem, junta com 

\JioUm chthstai He br ais i- - . i '. • ..„ 

fabros omnetferrarioi atqueo- a lição do mal; & a memoria do mal ,mnta coma lição do 

pi/ices Jrmwum aJuxerunt ,ne L»„, „ r 1 CP . 1" - ■ tv 

beBarepojfentauxrebãarc-.fic bci " conrundein os cfky tos , porque comphcao osaflec- 
fíaretúi doãrina ceia, qu*ju~ tos. Os Pr incipcs , que quizeraõ coiifer var , & dilatar a re- 

gulantvanadoarinarum ••_ » ' ' 

Lypftusnb.de un« Reiigione. ^giao verdadey ra, ioraó , como os que trataó da utilidade 

das 



E M V %E Z A IV. 7 z 

das arvores, que apartar» delias a companhia, que as afíoni- 
brj • & as raizes, que as eiterelizão. Os Lacedemonios pro- 
hibiráo em Ícus Reynos os livros intitulados Jtcbiiocbiy 
porque fecompunháo de deshoneludades :8c Segilmun- 
doPvey de Polónia a todos, os que tratavão de hereíidS. lt Suriudn Comum,?, Je 

rZ ,. C o \ r C 11 í rebuijuotemj>orep<r oibt.m&e- 

11 (Js livros profanos, & hei éticos com luas rolhas akyz». 
iombiáo avirtude,&a Religião Catholica. Q Empera- 
dor Zenon, deftruío a elcolla Ediííena, a quem chamavam 
Feiíica : porque nella revevifcião alguns erros. 1 2 São »' £?*"" H a 'yl'% z - 
aseícollas as raizes donde nalce, ou a hera, que abraça 3biftor.im.tom.Bibiisifan8*. 
arvore, para le amparar dos ventos, oua Çarça,que a não 
bulca, lenão para aferir com os elpinhos. Deu repulfa o 
Jtmperador Zenon, como também neites noííos tempos, 
o Chriftianilíimo Rey de França Luis XIV. à politica 
pouco Catholica, com que muytos Príncipes íc fazem 
poderofos Tendo Ícus Reynos agoas ufuaes , onde todos os 
fequiofos a pagão a íede : havendo lo de ferem eíte refugio 
paraosCatholicos; & para os mays, como as agoas parti- 
culares de Clitorio, Cidade de Arcádia, de quem fogem 
todos os que laõ inclinados ao vinho. 2 4. 

2.4 Vinum tadio v,s , qui ex 
Clilorio Laci/ bibíiint, Pimi. 

Qitorio úuicumque fítim de fonte íeVarit* w; » • .«/>.>. 

/.*.'* J J »Ç rtltHtó tUjm,quOtl bibit 

U<*tt íot , tjl pérvttfmjenfia Jatuf 

/-., ■ / 1 r . ,7 Sàcm Scribtuine/JLt vinu^auo 

OVid. 1 5 . Metamapb. i»á r u»tJ R<>*'ic\ </' iLi 

Scriptura tiule iHteUcãa. J'.c 
. . r . ' „ . furmnthcereticivin : ceflJo- 

No vinho uiado com immoderaçao temos hsrejes , & Brhaerrc»ca.o.Bie,o».Gre- 
ereíias a lua lemelhança, porque delles tem osefteycos.f^ J IIfXona t . erh3 .,,„ um . 
•25 Quemconfentioem amà companhia, permitio are- * 6 s»rar«w » Hnmortif» 
J3xaçao: (Jquc nao aparta acame contaminada, da que uq u *c*rnu pane dmwjit*cõ- 
mo eliáfentida, expõem a laã ale corromper. 16 *&^Z$^&% 
ao amor de pay ,0 que arriíca a lande dos filhos na compa- mtrbuferftjtani^mwHnÊi >h- 

,. 1 r a y y-, 1 ■ • r fravilú mfocielalí SjkBoi um 

unia uos prevcrios: & tem pouco ue Catholico , o que tàZ f>. MmM feriift ,« e*»m}io fu* 
.comercio do prohibido. /t ^- ; »,/;^«»ri/i^c 

78 Das Serpentes tomarão os hereies , & profanos mui «lurutruan 
a aiiucia , com que intentao inncionar com ícus cícritos ,a f crove „,„ ,„ fici /,. U: .,<.,„,/,„_ 
pureza da fé,&doscul"iumcs. 27 Quantas i.\ó asefpeci- rcthi /"•<**«»* M'ij»rí/ 

, , ', ^~~ , ' picteí. falir duui L-uri'. m 

cs de Serpentes, tantas laó asdiflerença» de léus venenos- jw-.^-í. . 
& quanta he a variedade de luas cores, tanta he a que le wn , aq l gí „ _,,, , / ,. 
xoerimenta em onotivode lua ralidade. qS O eltudo í"" ;/•""' ■** nt jc: ° c> 

, i • /- ,. . T ' 1 r' CíLro. iflâúr, hv \ i. . 

dosnereies naole aplica a introduz,» humioerro,qu2n- ^ t , u j v^ii^ii serena. 

K tas 



acri 



74. O $<%JHClfE WS QAT. TOMO 11. 

tas laó as faculdades, que profeíTaõ , tantos faõ os géneros 
de veneno, que vomitaó j íiuns o lanção ao longe , c omo a 
Serpente Quintina, cujo iialito tanto mays inficiona, 
quanto mays diíianre fere: Ekondem-le entre as tolhas de 
léus clcritos, como a cobra, que le enroíca entre as dos 
matos para íe dilatar ao longe j tendo tanto dealtutos, 
quanto de venenofos. 29 Saódiflerentes asclpeciesde 
JioZquc^fdtiwnio. lerpentes; huas, que matao aos que dormem: Ha tícnto- 
Mãyni.-iti. res ^ q Ue arruinaõ de todo com luas profanidades , aos que 

vivem delcuydados da morte. As lei pentes, a quem fJtão 
forças , fó fe atrevem aos animaes pequenos: Muy tos buf- 
cáo fcquito na ignorância, que com facilidade atrahcm afi. 
Junto ao rio Euphrates ha ferpentes,quenão mordem a 
,0 ^nflcieUf âe^iãmira. inferioridade dos Syrios , fenáo a luperioiidade dos Gre- 
cep.iv&nt.affirmaufiuJggQz-. ^o Muytos hereges , & profanos tomaõ por alvo 

tpfum circa Eupbraiem , fra- , r r J i- i o i r C i 

jhiinicowpertumrfc; numu de luas ltytas aos entendidos , & poderolos i, razendo 
Ztl%"XZ:4Z7 t ?l »ro_á cabeça, para ficar fenhores do corpo. EmMefopo- 
qucfiuvupartcm,irii»f<anuiti tamia, região da Syria,crião-le ferpentes ,que naõmor> 

altera tu ripa pofiti òyicr der- , ° . r , .- . ' . • _ 

mttKitt non Lrâmt , G,-*cU deus , aos que delcançao, ienao aos que caminhão ; 3 1 
7u7ub$T UHU " iu " K '" yo ' nos q ue naó tem tomado aííento na vida, fazem mays im- 

*• l»Ue[opotamiaemmSy- prefiaÓ OS CrrOS. 

gui quijjm jèrjjwvi *»fiu*- 79 Pelosares le introduz o contagio nas partes , on- 
lur^uiMiginUnonmoràeaht, de naó pode chegar a corrupção da fera. Naõ falta vento. 

at tn externos magnopere Juvi- Z o r 5 * 

jin.Uemibi. que leve aos Palácios a peífonha de muytos Eicritores; 

em cuja liçaõ acharão alguns Piincipes a approvação de 

íeus defesos j porque nelles viraõ abonadas luas inclina- 
da ^,>$Meas Sylv . de dtBií.tf - s-\ - j -i j • ^ l~\„ *. r 

faSu.sVffo„p. coes. O que nao poderão obrar as medecinas em Dom A 1- 

nu 1( „„,„/ ( ; <ím { s iw«, fonçoReyde Aragão, confeguio a lição da hiftoriaJen- 

etiamob cauf*t>i anibuhmus y fit ■ . « j i 1 r • • * • 

natur<n»mn,Mt*oiertmur;fic doa vida de Alexandre elenta por Quinto Cutcio. 3 2 
tâ^S^ÍZ Eftaíaude caulaem os Príncipes a liçaõ de I.vros permi- 
tram,iiiort,mcii»ni, quaft co- tidos i mas a verdade deftes ioy doença p^ra muytos :& a 

loran.Cicer i.JeOratio. . , rC n- í 1 À n j i L 1L 

4 4 kfieeivi mimaria the- mentira dos lonlticos, laude. Com o enudo do trabalho a- 
^w^S^^^í^yo^ anima a própria Icienciai 33 & quemdeuoluf- 
ta*ut,iu<]uamra U <, , aV eihgã- treao ouro excedendo as regias, efcurecéo-lhe o quila- 

JcCCrpH.fí-iti.lerjcrvzn.r a r- ' 1 ■ ... , V 

s.L>nr?KLjufi, n .ubjcu s . te - A lciencia de reynar, tirou principioscciros da hç;»o 
v>t<tcap%. verdadeyra : tomou das noticidS ,oque lhe faltou daex- 

iS laeo oním cuitoiiia anima / ' ' ,, 

fcrvanda^eperfc-mor.uvoíup periencia. He a memoria depofito, onde lo devem enthe- 
fimuia^Àl: vduti, <,L*e zo urar o preciofoi 34 & íazer thezouro do vil , he para 
mnatummtiitèoHcinnant^a* gente <kb ; y xa forte. Muyto ha de ler , quem de ve acei rar 

q«c occithit. S. Bafil.kom.2q. u ,. J J ML J 1" 1- 

dcLegend.hb.Genti. ° remédio a muy tosiniás do iitilna de ler a Jiçao^ 35 por- 

que 



EUVKUZA IV. 75 

que os Príncipes 1<5 de Aia obrigação háo de tereftudo. 
Para todos he inútil a iicáo de muytas matérias , 26 & * 6 L*Bio"utiòrut»w>}umh 
para os Príncipes pcrjudicial ; a aplicação, que o Empera- babctai;qu,dv* & umj5i*fuit- 
dor Eraclio teve aAftrologia judiciaria, lhe divertio os /f " tettesa E t'fi- *• 
cuydados de lua obiigaçáo 3 fazia eftndo, doquelóhade 
ler divertimento. 27 Emprendéo Alexandre Severo, p , . ' ,, , 

Jl r '17 rrcbatMjemprr libres le- 

Jcr todos os livros que tinha na lua livraria, 8c faltou 2o^'^f' :,l r-'-"' ã0i " íal "" ,i ' Vír 

-'ji .. , r\ Ti nbucnT, aJ pnerctrede. 

governo: quem nao pode ler, quanto tem os livros, balia Uemíbi. 

que retenha , o que delles tem lido: 2.3 não acredita a 

oceupaó fendo infiu&ifera. 29 O fru&o.queíe colhe »*««'*«"«« W^»* : 

dos livros vedados ,hemél nocivo. Alexandre, filho dei- '<•<?■" ibem.h 

ey Pnihppe nao ha dos poetas lenaoa Homero, & per- ^um^k^^J^. 
guntada acaufa, porque fófeoceupava na lição deite au- <st"fi-<>pudDicg.hb. ,. 
tor,refpondéo; que nem toda a liçãodos livros convinha „.„ , , .. 

' ~ . ' ^ . * 40 Dio» K/fi9 de lnf.ttut. 

aos Pnncipes: 40 roy particular empenho daquelle trm.orai. 2. 
Poeta, enfinar os Príncipes a reynar com mageftade, & 
sjuftava Alexandre as operações com a doutrina , para o- 
biarcom decência. Sabidaainclinaçáo,queo Emperador 
Gordiano tinha aos livros , lhe meterão entre os de que 
fazin particular eftudo, hum, noqual perfuadia o Autor 
com razoes politicas , ler de utilidade á veneração dos 
Empcradores ufarem de feveridade : Leo Gordiano o ar- 
gumento do livro, & a tirando com elle ao chão, levantou 
a vozdizendo : Quem me lanaue fie Veneno , em o meu comer} E 
não focegouatéo ver porto no fogo j 41 eníinando aos 
■Príncipes acautella,quehaõ de ter na efeolha dos livros, 4' Pater ^4i»hóftuiie*du- 

1 L o ,>• 1 - j 1 f " lioinCtttbtua Hiihr, verbo Je 

quelem j&ocaltigo que haodeda^aosquenaoíaopa-^;,,^ „/, M 

ra lidos. x\ moralidade deites exemplos ,elpiritualizou o 4* Giorhfui Mcntcbomm 

„ • . n • , r ' r Dux, Migifttr,* Lcgifcr. 

Príncipe dos Patriart has. 4 2 d. Ser». inferi», s &e»eiM. 

. 80 EmocopodorefcCtorio,ouCalizcomolhecha- 
fnãomuytos-, por onde culminava beber São Bento, lhe 
UnçmoosMonjes veneno; com erte, disfarçado nabe- ^^iSÍSÍBS^SÍ 
bida, intentarão dar-lhe 3 morte- 42, Ao$ que feadian- nwvran cdp.-y. 
«aváo nas carrevras premeaváoosScirrhas,com Ihedarem 

7 i-\ \- . ■ r ■ 1 /• ...U, ~ 44 Bokr.íCTiutiomaz. titula 

humCahz-, 44 entreas inliguias deque lecompuniiao j;^,,,.,,* 
tauuíodos E.mperadores 4 era húa redonuideouro ,&: pe- 
dras precioías, que fabricou Paulo Emilio para ferviço 4> h rf^d^xr .^.f,/- 

1 • 1 11 ■ TinebantJaCiêQirblaUnt, qutr» 

dosDeofes. 4^ A ventagem ,queo Principe dos Patn- ta»im ^jÉ^m^uridee^» 
archis levou a todos, os quedeipois doslagiados Apolto- urchu ;^ u ^ 
Josleguiraó aChiifto ,acakfica o Angélico Doutor pe- »itodei\iu^f'i/ x ?r). 

K 2 1* 



7 6 O ^INCITE DOS VAT. TOMO II. 
4 6 CmmgHumin qua»3o- \ ã m ays eminente. 46 O triunfo, quealtançou do mun- 

que, quoâ untu homo lepentem , J . r» j l II F - II - 1 

cijtiaiaítiorigfàâtf/hfiiuiu do , todos os Padres que delle eícreverao , o celebrao peio 
**jfMx àc tsoio Ben S j,8o. efclarecido: donde não fica va ícndo pouco miheiio- 

fa a apparição do Caliz nas mãos deites Monjes, diante 
de quem havia excedido na carreyra, & triunfado do ini- 
migo, fcnáofora o Caliz como a redoma, cujo licor lan- 
< 7 htquantu^Hgtitueffu- çouo Anjo contra o Sol, para lhe deícornpor a virtude, 

àn FlnaUm tuam m Solem , (J »-..-, . l » ' f, -. n I 

inum e ft,in«ftuajii i *eb,mi- 47 k"e premio davao a bao bento pelos querer aper- 
n*r i 8wL*0tec. t 6.vcrf.i. feyçoar na vida ; mas ficou o Caliz porhúadas infignias, 

que acompanháo os eftendartes de fua virtude. 

8 1 Na mefa conventual, onde na companhia de ro- 
dos os Monjes tomava Sáo Bento a moderada refeyçáo, 
comquefempre fe alimentou, lhe offereccraó da bebida. 
Puzerão-fe diante do Santo, tendo o Caliz em as mãos, 
mays diítante do que cuftumavaó fazer, & pediraõ-lhe 
lança-fe a bençào como era cuftume. Levantou o Santo o 
q*/ c '!jUf™o?u!l7b m blZ braço, & foimando contra elle o final da Cruz , fe fez pe- 
«f'''»^''^'''" " '«^e A^-daços o Caliz, como fe lhe atirara Sáo Bento com húd pé« 
Mttum^xicHfsmw uencJi- ara. 40 Creia a gentilidade, que os Ueoies aíliitiaoaos 

Busfignum crucU edidntf vat j 

quod ivrrgius tentbaJur , rodem »■*-"* vltta « 

fignorupit: ficquo conjraQum 

eft,acJ:inrlIo vafe mortú ,frt r v r • rt 1 

crueeiap,dem dsiiffet. An f ocos oltmjcamnts confedere lotigts 

d. Grcg.uUfuf. Moserat, $0 menjtaedere adejje Dm. 

OVid.^.Faflor. 

Reconciliavaõ-fe nelles os ânimos encontrados ; & ò 

comerem juntos era o mcfiiio , que apartarem de fi o ódio: 

Marco Craflb, havendo dehir para a guerra Particha,& 

querendo fazer-fe amigo com Cicero , rogou fe para ceac 

com elle j aceytou Cicero aofTerta,& logo fe desfez o 

ódio. 49 Scipiaó,& Afdrubal da mefma forte feamifta- 

40 sic lAarcttsCnffus, ad raócom EIRey Syphasj 50 & as contendas de Arthe- 

n^c,cV r h nT cfSurMma ' menes,&Xerxesderão fim, comfe atentarem ambos a 

inimicumrtimqucrciqitareeâ fuíamefa: 51 Rodolpho, afíy metigou a payxão do Ab- 

amict compeliam *bui eum fe \ J J o /^> 11 - C n. r ' J l - C L Q 

dixit-vtiitc*»»re,é<. Mayoiia bade de b. Uallo. 5 2 titã lociedade , nao roy baítante 
i> Puniei. ânimos gencios, naõ pode obrigar os depravados. 

51 Jujliniis lib.i. o e ., t\ "~r rr • 

it May,i.us u bifnf. ° 2 oemelnanças tem eite luccello , com a appançao 

u Etmuiitr ■:^«/^f» : doApoca]ypfe,ondeSaó [oão viohúa molher,que tra- 

ebowinjthné. ^poc.iT.icrf.^ zia na mao hum vazo de ouro cheyo de abominações: 5 3 

pci~> 






E U Q ^ fí Z A VI. y 7 

pelo qudl entendendo-fe a Sagrada Efcritura viciada com 
os erros das herefias, 54. disfarçado com o titulo do livro 
mays faneo, iazia apetici vel o mays peíufero veneno , que 
oceulcava. Eíta inolher communicava os erros em bebi- 
da, pira que como luftento fe converteíTe em natureza. 
Perderão o iuizo todos os que delia beberão; «5 < por» «4 MuHerbtcíahiupoca-, 
que íe apartarão da verdadeyra relígiao,donde emanamos ^; ií , íf /,t,„ W; ,, ; fflJ , ;il , , Jt ;í, 
todos. 56 Livro,ondeeftavaviciadaare]igiãodequeíe j^jR'*' 8 '^^ 
compunha a vida deites Monjes,eraefte Caliz, queorTe- °- ^«toniutãsPadua .,,-. 

,, - r> -il J 1- <L Fragmcntujup. situe. 

receraoahaobcnto; miiturado como licor mays nobre, <í% ívúTítíujun^quiAinbi- 
eftava o veneno mays refinado: com o abito, & eftado ^^^dcvinoyimu. 

.. . . ticnuejw. 

maysperfeytOjOsvicios mays indecentes.Invadiraõavir- bfpoe.uttjup.inrf. i. 
tude deite Pnnci pe , por todas as partes : inexpugnável a - tum hltretici ^ ex ee> iuclS e . 
charaõ a fortaleza, & encomendarão à difíimulação,o que g*/fifi*** tcc; c f,a^n,^, t 

' 11 1 Junt traaanler doarinxm erro- 

nãopodião romper apeyto deícuberto. Palleadocom o ne»m,m Domo Dei fur,qucm 
fuitento lhe quizeraó introduzir o mortífero ; a falfidade ^S^SfSr 
da doutrina , com a capa da Religião. Bem podia Saõ Ben- 
to ler por elte livro , ou beber deite veneno, fem que com 
elle perigafíe a faude , porque tinha em feu efpirito a tria- 
ga. 57 Saudável fez Chrifto para feus fer vos efta pota- -- d«-*/>-/í«/ í t«/««/í<>»« 
gemmorntera: 50 mas ainda que Cnriltonrou ooley- inemfr*t,»mmmmtferttabu 
to ao veneno, fempre no veneno ficou eferita a culpa, por tur )!"""{ L r r y" p ' u " cm f; 



queteftemunhavaomaleficio: 59 Era São Bento San- d .Greg. Mag.Umii. > 9 ./- 
ro,& Príncipe, &fecom a virtude de Santo podia beber "^Ètfimorifftrumquiia* 
da po tagem, pelo que era , naó covinha ao officio de Prin- bcr,n, > ntn e " " cccb,t ^* reiS 

ro'11-' ^o Orr.nti enun vcneKttm ca- 

cipe, pelo que reprefentava. cuUntuiniquU&aâverfitvir* 

03 Arrebatado em extalis vioSao Pedro, que do tm „ t s.B»pim. 
Ceo lhe punhão por mela , & iguarias a hum lançol , no 
qual eítavaó todas as fevandijas da terra ; neftas viíias ou- 
vio húa voz, que lhe mandava matar,& comer delias; a cu- 
jo mãdadorefpondéoS. Pedro; que de nenhúa forte o ha- 
via de fazer ; porque nunca em fua vida comera coulaim- 
munda: 60 reprehendéo-o a voz do Ceo, de que cha- J^£Sfâ£,£ 
mafícimmundos aquellesanimaes, porque Deososhavia te»,» M°g>»< »>■■■■■■ mquoer»t 

. r , J . , n r omnUauúd\Mptài«^SS tT f tn ' 

ipunhcados: masnemaindacom elieleguro,quiz comer xiaU „< y %i 9 i n >h»c*u. Et 
delles o Apoftolo : 6r Que São Pedro os naó comede f^^o^u*™-.}^?*- 
antes defaber, que eraõ purificados, dava latbíaçaó ao i,us:Abf,iOimwc,qH:**»rcu* 
ivino,que prohibia comer animaesunmunaos; im , !liraum , ^^a^.vnfi 
ma^deipoisda certeza, dequeonaõcraó, maysparece'oa "Wí-. 

r , P r - j r 6l U}' (dDc " > f ur '^ c ' : ' tit 

repugnância erley tos do alço, que lhe caular ao, do que cl t om^m m d,xcru Mjtrj. , 5 

K 3 ciupu- 



78 O PRÍNCIPE WS ?JT. TOMO 11. 

crupulo de violar a virtude , queo prohibia : mas on.ifte- 

rioefieve, em que o Apoitolo, ainda que por Sdmopo- 

deíle comer dos animais lendo venenoios,íem queperi. 

gafle, como era Principe achou , que lhe não convinha ía- 

zello ainda deipois de faber ,que onaó eiáo, pelo que fe 

lhe reprelentava na vizáo.O Lançol , que tinha tm li toda 

afórte de animais fipuravao livro, ondeeftavaõ aíknta- 

i,br«m S r.-rj C ru,in quo ir.-nt vos os )iútos,(k os peccaaovts : 02 com cita inculuiaj 

m£'™Mt&Ji*ftf.v queosjuftosefíaváo oceultos entre os peccadores ; fanou 

deo\i,., jit.l, v, t i.c. io n A . cCtcs m?.ys, Sc osoiKTosn\Qt)0Sj 62 Sc como São Pedro 

6» Lnrt lamrn in hoc vaie • i- .... . • f - J 11 

f«u^a^n nuLajcdpe.fal,. vio ao li vro ta o viciado , na o quis ter iiçaodeUe \ nao quis 
ea&M ^mt^du.bjcolna. ftber.do que nelle fe continha . Efte livro foy oflèrecido a 

òao redro, nao lo porque era Santo, lenao,pcrqueera 
Principe da Igreja: & fenaó perjudicava à ína virtude , era 
indecente alua dignidade o terliçaó dehú livro vedado. 
AíTy foy , ao parecer, ocazodo Principe dos Patriarchas, 
como avizaõ do Principe dos Apoftolos ; a fantidadeaf- 
fegurava a Saó Bento , poder golíar da bebida fem perigo; 
afiy como a Saó Pedro comer dos animais fem receyo; 
mas adignidade,que hum , & outro logra vaó, foy, a que 
naieprefentaçaõachouaindecencia. 

48 A vozdoCeomandavaa Sáo Pedro^comer dosa- 
nimaisj o intento dos Monjes era , que Sáo Bento btbtífe 
doveneno.. De animais fe compunh.iõ as folhas do livro, 
que fe reprefentou a Saõ Pedro em o lançol ; com o vene- 
no eftava viciado o livro, que fe figurava a Saó Bento em 
oCaliz: para que fofleaceytadeíies Príncipes a doutrina 
de que trata vaó, obrigava a húo preceyto, 8c a outro 3 of- 
ferta. O Ceo,& o mundo tem feus livros, tk empenhaó-le 
comosPrincipes,a queosleyaõ: hum,& outro como bul- 
cão lequito pertendem,que os Príncipes fiauaõ a lua dou* 
trina;porque naõ fefa tisfcizem oslubditosde outra, fenaó 
daquelld,que vem aos Príncipes obiervar emas fuasebras 
Queyxon-le Deos ao Profeta Ezechiel,deque todo d po- 
vo lefuilentaííe lómente daquellas coufas, que feus Prin- 
64 Etovtrmeaiiuquaco»- cipesnizavaó comospés; 64 E tão comcííivd fe fazia 

culcattpcdil>iu*;tirufuerar,t, V, • 11 r Tl 

pifccbiniur: tf qv.« pc Jex vrf. com cite mão tra to,aquelle 1 nlten to,que as von tades mays 
HzcckuiUi^verf.xa. ocíconiormes,&melindroías conoidoas ck- hunrpovo, 

aífy gofi:av.-iõdelle,quenaõuzavaõ de outro ? A nenhum 
caufava afeo , a todos latisfazia o goíto ?.Si : que o fulltn- 

10 



' t+ 



EMVKEZA IV. 79 

retorque não lhe fatisfazia outra doutrina. 6$ Enímava .*< Bibuntoveituthetampe 
Qciuo Ungullano a arcicular oíeu nome,nao a todas as nHam,cumfuV]&i<aaàuYm- 
aves, como o fazia Annon ,fenáoló a Águia :hea Águia ^^P^M 
Ramhadasaves,& achou, baftava para todosoeftimarem, v"***** ?*&&* %»vrciià 

r . c • n- >» òjva isâlicgcna.tii. bibcrc. 

ler huamagdtade a que o proieriíie. 

85 OmodocomqueeltesMonjcs intentarão intro- 
dufit em São Bento a talia doutrina , era com húa novida- 
de j porque ainda deípois deabendiçoadoo veneno ,pcr- 
íuadirão-fe ,a que ficava mortífero. Queriáo perturbar a- 
quella republica de efpiritos,deque leanima-va o de São ft o m „i„mjufteru»>ftiritn 
Bento, 66 & valerão-fedenovasopimões:eíusnáodaõ f' lenu, S""- 
oucro fru&o em todas as republicas : 67 à dos Gregos, . „ , „ . r 
faltou a confervação, porque defíerrarão a doutrina anti- perandamperfiSam mn»u™, 
gua. 68 Mandava Deos dizer a íeupovo,queícmror- ce opimo«c tf rifcL,vo m ; M 
BiaíTedosnaturaes da terra, quaeserão os caminhos mays ® c \ ■/ M ° ^ h * tni \ >"j n l,b - 

1/T ii • 1 r dt Sacrificas u2bel,U>Çaim. 

trilhados, & queandàflem por elies,para caminharem ie- 68 os i^isto,i«6f«i 
guros. 69 A doutrina nova não he etfrada íeguida,f^lta-{^^^;^";;^^ 
lhe a frequentação commúa. O povodelfrael perdéo-ít "•"» "<"»'« «*•«?»* w«'« 
em a parte, que nao tinha laida; 70 a taltadetnlho a tez i m eftfcnex. D.cjnitujiíe- 
monte. Todos os Elcritores emprenderáo, abrir caminho Xjn ' J /f ■\- t "" r ' J"*'""">f 
a nofia intelligencia ,comleus difeurfos ; mas os de alguns, iu>ntjfn«* Gr*cot. 
naotiveraolaida ; rorao pararcom elles aparteinhabita- Uqu u^u*f,tv:a bina, $*•»>■ 
vel, onde não encontrarão fabio , com que apoyar fua ^/^'««.-í"'^""'»'/''- 
doutrina. Aconíelha a Sabedoria, a quem anda em peitem 7 o Errarefi&^it<»m*iè^§ 

1 1 r - n 1 -nonin ti*. f'Jl.to\ .v?rf ai. 

coes de alcançar fama, nao palie os termos a que cnega- ?i Ke u ;„^ reã:3rií „.,„,. 
vão feus antigos. 7 1 Querer dar faida, ao que os anti- >*«*}»»^ f»»f»tf« ••,'"* 
gosnao acharão vereda, pertender introduzir a novida- 
de, que não delcobrio ouzo,& que não iníinou onatu* 
ral, inventando novidades de vocábulos ,que offendem, 
&náo agradaõj sfícócando no raro,orediculo, nãofer- 
■vindo á clarefa de fraze , lenão de desfogo á impertinen- 7r aw*<w moter umerft*- 
cia , he diliriodo juizo , p,rto da preíunçao , frucb da oc- ^$Eg&$£ t 
ciofídade, leviandade da altiveza, 72 contemporilaçio 
com o tempo, ou falta de fr u&os. 

85 Eiies autores, fió femelhantesaosdcfgraçadosj 
porque eftcs,naó acháo agoa no mar ; tern , no campo ; ri • 
quefa, no thefouroj& ouro,na mina^&caquellcsnãoachão 7 , QuotiquirtcntUorvcg- 
lciencia, nas lciencias. Para adquirirem kquito dizem, que lc J sJ:ct „„,;,._..,. 
aÍ.:áncaráo o que nunca leexccgitou: 73 Eo Evange- r^^f"'^""^'-^--'-:^ 
liita São João, para angmentar o numero de léus IJtlci- vivuthituauiib.t.etf. >8. 

pulos 



8o M(!NC1QE DOS $AT. TOMO 21. 
pulosconvidavaatodos,a que aprendefíem dtlle adou- 
7 4 char\!TimiMnminiiUtm trina ancigua: 74 Náolhedeuonome de nova, porque 

novuwfcribo vcbirfed mtnJa- O ' ' . . - * f 

ihvtiM,qnodhabutjiis«bini:- ralava verdade no queperluadia j oc elcrevia parau[iii- 
l „.i: / ,//./^.^' 2 .^;7 dadec | OS(]Uedoutr i I)ava# 

(Percwitatoremfugito : mm gárrulas idem ejl : 
' ÍVf c retinem pat til <t commtfjafidehter aures. 
Horat. i. £/>//?. 18. 

O ouro fendo omaysprecioíb dos metais, fcnão he 
polido , não he viftofo. Convém , que a doutrina anti- 
gua le efmalte com oidioma ; fe faça agradável com a 
diípofição, &quefe fublime noeiVillo. Chrifío dando 
com lua vida luz ásantiguas efcrituras, fentado fobre 
o monte, inilnou ás turbas a intelligencia dos precey- 
7í i~ l Jí>: i j,fu»tttrbM,af- tos do Decálogo: 75 na alrura, que efcolhéo para ca- 

eenjit, ia montem : :: tfaperi- > r\ r i • i • 

cmcju-.unâ.cetiteos. deyra, moltrou o auge, a que lobia a doutrina antigua. 

Mtnh.^.vcfVfeq. Sendo Chrifto oSummo Legislador, & a íua doutri- 
na nova em aterra, eícrevéo o Teftamento novo, com 
, v £ . as letras do velho Teílamento. 76 A antiguidade heref- 

ieriUteraimpr e ]í.»merix. plandor da nova dou trina. Para engrandecer a íantidade, 
&gog?n'X ' ,. U ' Pe ~ &fabedoria de Chriito dilTerão os judeos, que refuíci» 
77 U2'.*i»-opheuumtsdea». tara nelle hum dos Profetas antigos. 77 O Efcritor ha 
■Lucccqvtrf.s. de fazer oofficioda lima, aperfeyçoa, mas não falfiHca, 

^JZ{l)!7í' rca : ll3C ^ h ; n em adultera osmetais : afly o efcritor, ás efcrituras : 78 
t^wpon.^ame^tu^itmentur, o que obriga a adulterar as efcrituras , fendo a falta da ver- 

fo1iar.tur:f e d nef.xs e/l,ut com- , \ ° ,- r , , .- r 

t»utent U r\ H idttrunce»tHT t ut dadc,comque le elereve, he também quererem ler lm- 
"e»}IZp r 'z/ riee '' t '' a **'"" g u l arcsna doutrina de que tratâo ; fogindo da inteligên- 
cia cómúa, para fedefviarem da companhia dos mays. São 
os autores teftemunhas • 8c pormays verdadeyros , quefe- 
jáo os eferitos, neceííitáo delias para abono. Ordenou 
Deos alfaias ,efcreveíle em hum livro o nome do filho, 
que lhe havia de nafcer: feio aífy o Profeta; & baltando, 
79 Sumeubnibrum grande, queelle mefmo firmaíTe efia ordem, para fe lhe dar todo 

£? lenhe inro(ly!oho'iJm,i, tf c. J- i ' r r 1 i n I 

Etadhibuh mihi tlftet fideitr, ° medito, ajuntou a lua hrrna, a de duas telteniunnas : . 79 
^iZ''\ S r t ce * 0U 'Y 6 'í scha - era escritura, & fem ellas achou Ifaias.anáo teriáo por va- 

Jlda. 

87 Poucas faõas flores , de que a abelha não fabrica 
mel ; & a razaõ , porque o não tira de todas he , não achar 
em as poucas de que não uza, a virtude das muytas.de 

que 



MMVfEZÂ IV. ££ 

quefeaproveyta. A finc:uIarklade'Iieefieríl,&c2vi!oza; 

8o hecomoafcrpenreL>iança,qiie encobre.com oodo- 8o **">&**<& inféevpis, 

• f j' • 1 1 - i - ?"" K0 " docet ni/i errorem , 2? 

TirerOjOteu veneno; -em quarto Jhe nao conhecerão a vún- chimer»m,tavihfij e » g ,tSutor 
Jicia, vefcdi aíTecor fragwnoia, &: defpois.fó teve gíffio 'V™>'' »f™*''^ *"/'>/*' 

' -T , O » r ' 6< r^juaderemahtiamjubutnbrae- 

paraick»'nçaro©.íogOi'porçjue<í>ium.od£Íle^diz«m.,j>if- '»?<««"/>. ?*n*rHcBor d,s. 

r jj ' L O o n ■ - • bernardo inv.la Moyfihb. i. 

itrrva de dores <ae-C3beç3. 01 beos Príncipes nao quize- <- J£ > ,» .,.9,. 
retn enfermai - , foça o meímo aos livros vedados, & ÍD- ? ' ^"'f*'* *'&'*'*;■& °- 
preiticioíos j para que no^engarrodoodorfíero, não finta r àprovecb«f*,noúciMfoi. 1,6 
oseff;-ytosdap.otagem,emqucfcrcprefentavaania- "9-V-*-»***»**»- 
Jignidadedefuadoctrinazdaqual livrou Deosao 
Princi pe dos Patriarchas,& guar- 
de açodas os Principes 
Catholicos. 




DEIXA 



DEIXA 

S BENTO 

A COMPANHIA DOS MONJES. 

£ M ÍP %E Z A Vi 




88 




ERRIVEISÍaõosmaIes,para 
quem não ha medicamentos. En- 
finouanaturefa,&defpois a ex- 
periência , remédios contra todas 
as enfermidades. 



Omnes humanos famt medicina dolcres. 
Troperú. 2. 



Só 



mmur 
iti 



EU? KEZA V. 85 

So parahúi não receytou medicina, porque todas, ■ 

quantasihe aplicou, não íortiraõ cfFey to : dey xou incurá- 
vel o mayor mal 3 porque naõ acercou a cura a ingratidão. 
Os medicamentos, iaó armas de que le ajuda a nacurefa 
para vencer ocontrario : lendoosbenericios os que amé- 
íinhãoa neceílidade,aproveyta-íe deíles a ingratidão co- « s "»t mim quii*m mim, 
mo deinitrumento,paraottenderoaricctuoío. 1 {Jaòig- f,j, cl !: c , K h \ ; í]lllbtlr lbi ,J t . 
nidade, em que le vio o humilde Mutfiphlo, fez amvds jí ""'' ^"'"i" lie " c ' fic '- 

* „ t a I •• 1 Z demum interfe c- 

com que matou aohmperador Aleyxo, que oiubioael tu "ft*Murr,pbtoquoàjami s . 
k: 2 do fenhorio, que chegou aterTheodoro entre os t^Z^St^' 
Godos, nafeéo a morte, que deu á Rainha Amalaluntha,q ***•/**>* offiçfoa verto /»- 
o fez feucompanheyro no governo. 3 Oenfermo rece- * ^imaiafumb» Gtnru n e - 
bendo a medicina, & náo obedecendo a ella anaturefa/r , r/ í ''^ J - /? ^"' J c "^- 
augmentaomal : vay em crelcimentooingiato,fenaõ o- &»• confine adegam, idem. 
bedeceábenificencia, que o obriga. Os A thenienfes ex- 
cederão a todas asnaçoés,nefta culpa j tiveráo osHeróes 
niays benéficos, & a nenhum rcfpeytaraõ como abem- 

r n 1 • j- 1 r r - 4 VaUer. Max lib .f.Bjtti- 

tcytores. 4 He o mal irremediável, le an3turela nao a- pFuig»fu,i.b.i sihèticuíi.-, 
iuda as medicinas: vai taó pouco a nacurefa com humin- ' .£*"" " x :;•■'" M»*«fin** 
grato, para o fazer agradecido, que Pharnaz leopos a leu reguobfedit^adrtecemjpo»- 

rmaoMetndates. 5 O Emperador HenqueV.a leu pay tbãHUt ,„£ lBioH „^ 
Henrique: 6 & nas guerras civis, íolicitava a morte a 6 *?«"/«' ui»f«p. 

. ,. r ru s^r? 7 ldtmibi. 

Annalio,leuhlhoOuio. 7 

89 Para que os medicamentos náo exafperem o acha- 
que, obíerva o medico a conjunção, &eftado da Lua ^aug- 
mencaó-fe os males, com o crefeimento do Planeta: 8 8 Cauiur t &perfi8nrmeJ,\. 
nunca para hú ingrato he mingoãte a Lua, porque o retra- ^/^S^Sí 
ta quando chea: nefta conjunção, converte em ma lignida- /*«*«.• qnatuue crefcunthu- 

11 1 J • n » 1 1 mores m omn-.bui. ]cjr,n:i a 

de o benévolo das influencias dos mays planetas, que re- DivoGem.nUno ordims Pr*. 
cebequandoprincipiaocrefcimenco: 9 aííy humingra- *«*•»***■•■ ^cw», tf 
to, converte o medicamento dos benefícios em o maligno 9 Petrurde ^uguinLu»*- 

umor, emquepeccalua ingratidão. Os sabinos encer- 
rarão viva a Tarpeia virgem veftal t devendo-lhe a gloria )0 Tarpeiaviipvefi»ih t qu* 
de expupnarem o Capitólio 10 Calphurnio Craflb, »«■» "pi''»»"» ?»>» Sf 

- *, c . , . ' ' .. 1 a<pti> ciifioji* eomifan , -> ■ 

defpreíou aBallacia, tendo-o livrado damoite,que lhe tiwpndidtt :.:feutit u . 

-1 \/l/T , l - c J 'I„:~«^ nbrutã,1 úrpeio monte uomefe* 

quenaodar emMdíIilia. ir Se a doença pnncipia no cit . Far , 6 f y ud cw««/«- 
tetnpo, em que a Lua anda na cafade Efcorpiaõ,hemor- pbMúmubifup. 
taJ:Ordinarianicnte tem leu principio neíteíigno, a doen- 
ça de hum ingrato: a influencia do Efcorpiáooflfende os 
olhos j da vifta perde hum ingrato a divida , porque fecha 

L^ 3 os 



84 O fflLmCME WS TAT. TOMO II. 
os olhos á dadiva. Intentando Alexandre, dar amortea 
Clito filho deHellanice, dequein havia recebido opri- 
me vroley te, lhe recordou, quem íe compadecia do con- 
denado, os refpey tos que fe deviãoaefta obrigação ; ao 
que relpondéo Alexandre , que nunca a tivera por benefi- 
cio ;& não lhe quiz perdoara morte. 12 He impoflivcl 
dar remédio a quem tem todos os males j o íer ingrato íaõ 
^^/S^^^^todososmalesjuntos: 13 aílyquenãohe medicina, que 
• } vixnu m»tedi8» cuMa, melhore , porque hum natural ingrato he opofto á vir tu- 

(um ingrata hominem ãixerií. . . .. l * ° A 

Putí.Mim. de dos medicamentos. 

90 Muytos,quenáoquizeráodar oingrato por in- 
curável, receytarão,que tratando-o com aggra vos, o farião 
&&2£wÍ5i t Z& conhecer o beneficio: 14 porque o ingrato he como a 

fanguexuga, que não lança de fio langue alheyo, fenão 
obiigidadosgolpes :mas nas oífençasle porta o ingrato 
dedifTcrente íórte, que comosbeneficios ; porque não fa- 
zendo eftimação deites , que o obrigão , faz grande cago 
m UafuntiHi omnsinoihi dos aggra vos , que o exafperáo: 15 he tempo perdido 
vtor pluma, u.gr*tiaeft:fiquii querer extinguir a chama com o nutrimento delia : lo os 
F ccc*,u,nt(i,piumk e *sira*ge- * bos ç c f azem mt lhores com as moleftias. 1 6 AíTentaião 

rant. clautustn ranu. , 

16 sicuthniper contumeii- outros, continuafie com os ta vores,o que não quizeíTe ex- 

Of melioret exiíluKl: itarepmbt ■ i ' r 

debcncfJ^oreffunu perimentar ingratos: 17 o que naohe certo; porque ef- 
D.ceg iniAwaiibut. tes faõ como os fequioíos; para apagar a lede trazemos o« 

17 Scmpcrbtneficf5nonvi .. 1 , ■ t /- • r r 1 l - ti 

àebu ingraiu. Traiiut âc <Af- lhos nas iontes, inas dei pois de íatistey ta a iede,voitac-Jne 

"Ti7y«ii»htfi«g»i»e» a* cè{b8áhea'diiiiWo l ap fei ingrato, ofer ambiciofo, 18 

amhtt.cu, r>:jximo P ere,fcm. & dado que atonte leia perenne , & oingrato iníaciavel, 

idemibi. necomo a área, que quanto mays agoa Ineiançao, leraz 

mays dura : não deyxa o mar de ler falgado, por mays rios 
deagoa doce, que recebe. Também efereverão outros, 
que publicar a mercê, que fez ,& o máo pago, que lhe de- 
ráo, he remédio para a ingratidão: 19 masifio hefJfc?, 
Jla\uZ!l e ^ M ^T porque fupoem,que o ingrato nãoperdéo obrio de r*. 
f4citpud,bunjiu,quòdna»fe- cional,quehe fentirmays a palavra, que ocafiigo. Não 

tilgrattu. Bio4. ' n J l *, . r , 

creou a terra monitronem mays, nem taodeíorme, que o 

10 higreto homimnihiiptjut ingrato. 2o Todo o animal obta conforme leu género, 

ttrr*crcat.¥i*bmMim. & naturefii; hum ingrato nem obra como bruto, nem co- 

mo racional: no< brutos mays ferozesachou agradecimen- 
to o beneficio jhú Elefante lcguio aquém o tire u de Ima 
cova j hum Tigre fe fez domeítico a quem o livrou de fe- 
melhante fojo ; hum Leão íuíientou o ioldado , que o li- 
vrou 



E M Q %E Z A V. 8$ 

vfoudo aperto, emque otinhapoifo húaferpente: 21 ai Patír ««" Bercorim ver- 
donde aproveytando-leolavor,queiefezahuatera,per* íZ gu,j , !C „ vtmt gratumi 
déo-i'e,oque ieíaz a hum ingrato, zz ennond Jtum 

Qjhe damtii ingratií penitus moriuntur ibidem: 
(Junque damm gratió, nmnera ViVa manent. 
Cerman. 

o ! O Sol infinou o remédio, em que não derão 03 ho- 
més. Gaita oSolas horasemierviçodascreaturas,todoo 
gy ro em que anda, vive occupado em utilidade de todos:a 
elte bemfeytor univerfalapedrejavãoos Bithinios , & ou- 
trosgentios, 23 quando o viáo no occazoj eftefoy o pre- 
mio, que da vão ao Sol pelos benefícios, qdellerectbiáo; 2) jw^-fl. jjetonitu àD. 
&ocafíigo,quelhedavaoSol pela ingratidão, quecom ?au]o - iT»aMCuit»Dw* 
elle uzaváo, era deyxalos em íbmbras: delamparaloso Sol 
foy o remedio^porque virar as coitas ao ingrato he doutri- 
na, & caftigo. O mundo fem Sol, hehúReyno fem Prínci- 
pe, & húa republica Íem varoésclaros.He morte eivei para 
hum cego, faltar quem oencaminhe; &hecegueyra,para 
quem tem vifhnáo haver luz,quelhaaclare. Deyxou Py- 
rh?goras aSamosj 24 LicurgoaLacedemonia; Solon,& 74 ?po«te Pjtttena* stmS 
Demotthenes,a Athenasj 25 Scipiao Africano, & bei- ^^^^^s.Bi^fj. 
piaõNaílc3,aRoma; 26 foráoeftesos íoys,queilluifra- $»&/'*'» °& c *W e r- *?*' 

r . . , , 1 - / ximusl-b. f, 

raoapatna,hunsemasIeys quederao; outros, nas proe- L < &<iiãk tA&tnu in «-«- 

I 11 Uuriam l>if:iÍJ»i , ubt ajylum 

zas que obrarão i os naturaes pagarao-lhe coma^gravos,^'^^^,,^, M , ,. 
&: elles caltigaraõ-nos com retiros. Levaraõconfigo toda c*ro>.M *upb»m»i» D,ã "- 
a UiZjhcoucom elles, toda a eícundade ;lentiraopnmey ■ l6 Maxim* ub.%. 
to a pena, do que conheceífem a falta. Corrompefie em 
breve tempo a parte, que não animáo os efpiritos ; faltou- 
Ihes piloto ao leme, 8c naufragava o governo j na primey- 
ra borrafea fe chorarão perdidos , porque tinhaõ perdio o 
lume dos olhos; 8c ficando íem leme, & Íem lume, era cer- 
to o naufrágio. 

9 2 Tem fuás horas de racional o ingrato, mas he def- 
pois que padece ; conhece o preltimo , mas he quando ne- *? L '- lí:s s* 1 »»* 1 " . «•« ie 
ceffica. Livio Salinator, victoriolo dos Illiricos roy tao fib, ghri» compara 
moleltado dos naturacs,que deyxou a terra; invadionelte }u „ tãrium ; xiliuni f „ cfí Sus 
tempo Aníbal a Itália, tk os mefmos que o repudiarão, # : pêfifumfmÊcnm^m» 

, . . 1 • rr y-v 1 ■ n • - C nibalc ltaliamopprurmttt. 

lue iorao pedir os deítndefle. 27 Os de Dacia,nao ta- fUviJiwfupra. 

L 3 ziaó 



8 6 O fflyNC&E DOS VÂT. TOMO 11. 
ziaócazodo ídolo, qchamaváooDeos velho, porque lhe 
2.8 PetriuRauiimuJeNtr- falava trémulo; deíaparecéo o ldolo,& tudoforãodcpre- 

caçoes, para que tornaíie: 20 em quanto Iphicrates vi- 
véocmTracidjThimonthe,eniLesbojChabíias 3 em Egy- 
proj 8c Chares,emIncigeoforãoalvodos delprezosj mas 
deípois que fugirão , foraõ emprego dos afTeâos : O cor- 
po defpois que enferma defeja afaude, quenáoeítimoiij 
apreíençido Heróe helaude da republica, a íua falta en- 
fermidade. Os de Si 1 la conhecendo a afronta , que lhe cau- 
favaoConlul Publio Rutilio vivendo defterrado,decri- 
minarão, refhtuiloá pátria ;& aquém lhe levou a ein- 
bjyxaâj, rtfpondéo Publio; queria antes fe envergonhaf- 

feaparriadeieudell:erro,doque feentrilteceile com feu 
19 P. Rutiiiut Coh/ c». r d/i r • r j j 

lAaniiijCoUgi.rtiegMw eft a regrcíJo. 29 biieriliza oingrato aiontede toda a com- 

Í^Z£;:: t ::;;^:Z P"y «o 5 feus termos &ò vento abrafador , que indureíle as 
ihon.iaoubcjcat.qnamreJi- entranhas mays piadoías: 20 a auzencia do bemfeytoi 

tu mctreat RaviJiuJUpra. i j j 1 j • r ■ 

ío irgrathudo inimica efi abre em veasdeagoa ao pedrenal mays duro jhe lua reti- 
a»im* : cxmumuo merhorum rac { a vento n0 rte, que expelle a névoa da mata mays den« 

•oirtuiu clijperjto % bcncficiorum ' * t * -J 

fercduo&venttuurentjic/wt la. Deíle remédio, que inlinouo Sol aos bemfeytores mal 
wJi^fiuenugrMU. correípondidos, uzou o Príncipe dos Parnarchas 31 com 

d. liernard.fup. Gant. os Mon ics Í ngrat CS. 

*< Monachirum ordoincd* o l- 1 M r " íT I i t 

fita Bc*to Be»*Ji8o , viro uti- 93 buccedido o mi lagre , ncarao allombrados osde- 
jEr; ZEfyZZÉ linquentes; mas não fe affuftou o Parriarcha ; com grande 
2..Conco,j.vetcritfnovn e ft 3 - foce po de efpirito.naó en tresue á cólera, antes dado á má- 

menticab.\S^ D.Bern.m De- r i - r i l n l t 

ciavauo/up. tece no, retiq. "dao, km mudar a cor do rolto , nem alterar a voz, Jevan- 
pofi médium. tando-fe da mela, com húa cara alegre, & aprafivtlman- 

douchamaros Monjes, quealli faltavão , & juntos todos 
,,.„ „ . „ lhe dille Saó Bento: Deostodoboderofo, Irmaõs.Vos perdoe: por- 

?i Mifercjturveftn,fiatrer ' J * ' Ç 'r 

omnipoient Deus,quare i» me quera^ao haVeis machinado contra mim ejtúi coujetf nSíaõVosdiJJe 

f a cere > ff a volvi/h ? Nunquid, , r n . % /? is% ~l l ■> O ci 

»c»p,,ur d,x, vobu, q u,a leftrl m -> ^ndo mefojtes rogar para VoJSo Trelado , que os VoJSos cuilumes 
m meu moribus mmimfi co*ve- f e)U Q coiiformaVaõcom os meits , nem a minha Vida com a Vofl ? ?ro< 

Mn-c?lte,tfji,xtave(lro,more, J ■' . J J 

fatrtmvoiu quante, quiapoii curoji Trel 'do , que /e ajujtecom Vojfo trato , <3 modo de Vida, boi quê 
^"^MgZrSMolti. de P M deflefuccejjòj naõ hey dejer Voffo Tajlor. 3 2 

Cljp.i. 

Si la deuda dl Maeslro tan devida, 
TVo 'ty recompen/a , que pagar lapucda y 
Oy ha cejfido con el hecho Vueflro, 
Ley natural de amor , j/ de Mm firo. 
'BraVusinjuaBenediElma Lant. 4. 



94 Efta 



94. Eftafoyareprehençaõ, &eíi.3aclefpedida;na6 
fe deteve São Bento em o Mofíeyr o , veyo logo em direy- 
tura , para a cova de Sublaco , donde havia fahido. Re ve- 
lou Chrifto a Santa Hidelguarda, que aífycomo Moyfés 
fora o niays brando de condição, entre todos, os quehabi- 
tavaó a terra , da mefma forte São Bento , entre todos, os 

r I7C-T? 1 l_ - " ■^' **/*« iJ tirco Cantil* 

que vi verão em teu tempo. 32 bra bao Bento todo bra- taitfr*dm» rum vrtuum ? ie- 
dura,rcfpirava,em feu alento,a fuavidadedoEfpirito San- ".""""> ^tmaãmoiã úoy- 
to: a viigem Manaodiilea b.bnziua. 24 q»i'»orebimiurmterr».s.Hi~ 

delgirda In Exfufiiotie Regu- 
la. 

Con eUa el Santo rinde, 6> atropefla, A * De Sacc ° Beíii Renegai 

Vel bombre el ódio , de Tluton la rabia ai. u, x ,t Bear* Viry, Mari* 

Stendo delbiermo, en el luzir eftrella. a / uJ s ■**'&•"<"»>'>> -i- K ™- 

, , x , utian.caf. zo. 

Líbia, de amor , y dei olor Arábia» 
Idem Cant. 5» 

Efpelho de Príncipes foy São Bento , fua vida o mof- 
tra: emfehavercompaílivojcomosqueotinháoaggrava- 
do, naõfó foy clemência da indole,tambem foy condição 
da mageftade; verificou o principado,em não uzar dos po- 
deres: aífy o aííirmaraó de Cefar, fazendo Conful, aC. 
Meinmio, que ohaviadeiautorifado depalavra ; & em 
não permittirofiTendeííem a Cornellio Phagita,quelhe 
fora traydor : foy Ceftr entre os Emperadores o piimey- „ E*eatr!u*fanspofteaCée 
roxrne ic coro-ou de Louro: 2 <i foy São Bento, entre os J* u™<»}"™«* '"£':'/' 
Patriarciías opnmeyro,que íe laureou Ceur:& quanto i«j{;«/w«»ír«c#/iw«j»- 
Jogravaodepremezia,moltraraonaurbanidade. i$.c«. jo. 

95 Entre os Epithetos de Sáo Bento, fedeviza a ef- 
te Príncipe, com o timbre de Leão, de Baxel, de Aguia,& 
de Rocio} o Leaõ, domina a terra ; o Baxel, as agoas j a A- 
guia, os ventos; &aAgoa, o fogo. Jurifdiçaõ teve São • vr,f<cunfcàtincUfr<mn 
Bento ,fobre os quatro elementos : a terra não recebéo cm f' llcet ^tVí^fV^'- 

.1 * dofromonialtbHfdfjiiiiituora- 

\\ a num Monje, porque naõ eftava em graça , com Sao vit MignefanufiicoqHemruit 
Bento ; a Agoafe-íe em mãos, para trazer a Sao bento, nu ^ w , /frf/r/? „„. # ,,A>,- 
ferro,quecahioem fua profundidade: o Ar lhe mandou qfquanJoPiaeUumm^cim 

r • /T r- 1 ■ n* 1^ J ' lib'ravit. In lerra ,qua»a> a- 

trescorvos,queolerviiie,&obedecelte ; orogoperdeo quamieterrafraduxit inc*h 
aaaivid.de, porque nãoqueymou á vilbdeSaó Bento: ^J^Zl^ 
mó fóneftcs , mas em outros milagres, nioftrou SaõBcn-tf*-. Magifcr Lco**rJw Jt 
to domínio, (obre os quatro elementos: deites pode- ditttomminjirm. s,Benediã. 
ies,que lhe concedéo o Alciííimo ? pcdia,Saõ Bento uzar, 

para 



SS OT^KClfE WS TAT. TOMO II. 

pprs fatisfação tio aggravo , íazendo , com que os tragaífe 
aterra, ou os dcr^inparaííe o ar ; que osafogaíle aagoa, 
ou os íibrazafle p fogo : para tudo Deos, lhe havia dado 
graça; mas como a culpa ioy de ingratidão, deu-lhe o cai- 
nhem os deyxar fem paltor. Oprimido o povo de Urael 
do poder de Seia ç,Rey do Egypto, entrou o Profeta Se- 
meias , em Jerulaleni, parte aonde eftavaó retirados, os 
Príncipes do povo, em companhia de EIRey Roboam; Sc 
da parte de Deos,di|Ie aos Magnates: Vòs me dey xaftes,& 
eu vosdeixeyemasmãosde Seíac: 36 reconhecem todos 
«6 fí.f,-,í,rrfD fl „.; / ,,. r .,., / , c ferjitfioocaUie^&arrependendo-ledaculpajrefpeytou 

l Ul ^%t t%',p°Z :Deos íua hum,Wade ; com <? ue lhe tornou a mándar d,2er > 

**&$■ pelo Profeta;quejarepremirafeu furor, & não feriaõ âei- 

nuidos,masqueficariáofervos. 27 Opeccado,queco- 

í7 Non ffillabit furor mtur , J « • Kl -■ \ C • r 

fuperferufihm.-:; vetumia- meteo o povo, era de ingratidão; porque deipois , que fe 
mKftrvitrteUhverf.* vioopulentOjfeífe idolatra: 28 & primeyroDeosode- 
regnum Roíoim^confortitum famparou , do que o puzefle em efcravidào ; o dclamparo 

de mliiitifiint lerem Dowini. n iv o f ' i~ J í C 1 

i.Paríiip.caf.fz.vaf.,, íoy caitigo;&: a ticravidao,a emenda; o ler elcravohe tri- 
buto do agradecimento, & para hum ingrato fer agrade- 
eido, he remédio o defamparalo. 

06 Em quanto aílifte o bemfeytor,nãohe tempo há- 
bil, para hum ingrato cuydar, no que deve; diverteosa 
luz , que lhe afliiU^obriga-os a efcuridade,em que fe vem: 
a aufencia do bemfeytor os põem em trevas , & eíbs os 
fazem emendar da culpa. Repreftnta Ifdias ao povo, as 
calamidades de Jerufalem dizendo: Ellá defamparada a 
multidão; efeundades h>bitaõ tm Jerufjlem; 50 mas 
chegará tempo , em que o povo , ha de defeança 1 de tantos 
trabalhos, & log»arhúa paz muy firme. 40 Enaõforaó 

14 MuItrtuJotirbUrehBarJt . c r J • J 11 

ten>br<*\vp*ij>atiof48*fMt. mays bem acey tos os lavores, iem a precedência daqueJJes 
lf,uc% l TÁ\V , infortúnios? Para fueceder ella alegria, foy necfílàiio ha- 

inpuichr.uuhnepacusdinta- ver aquella triuxza. Cometerão osde Jerulaltm, contra 

Sttniculii Caiu: i * in rcauie o- »-« 11- r*/V £T„ 

fcitntaAbivvf.iv. Deos, a culpa deingratos, em preultiremnasoíitnças ;a- 

plicor>lhe Deos o remédio, que foy auzentai-fe de lua 
cópanhia: ficarão fem luz, & nasfon.bras, emquefeviraõ 
conhecerão o mal, que havido fcy to; Tecorreraó a Deos 
arrependidos , vifirou-os Deos mifericordicíb : o que naó 
conleguiraõ os annos da afíiftencia, alcançar; õ os dias 
do retiro: naó baftouhúa Coluna de fogo, que tantos an- 
nos, os acompanhou nodtíerto,paraque oslfraclitas,fe 

mol- 






41 Viài cun&um Ifrirldif- 



EMPOLE Z A K 
flioftraíTen> gratos^a efcuridade os fez agradecidos. AiTy íc 
houve Saõ Bento , com os Monjes, a quem a luz de fua af- 
fiftécia,naó pode aclarar os olhos,para reconhecerem a di- 
vida j aufentoufe delles, & as fombras, em que os deyxou, 
íe naõ emendarão a culpa,deftruiraõ aos culpados. 

No ay cafo , que a la emienda los cmVmqfo 
Yafjy caflojufin, y cautiVerio 
(Pues nené certo el mi fero defajlre 
fòaxel) que de peccados ha^e el hftre* 
BraVo Canto 4. 

07 Prometia pouca duração família , que ficava fem 
governo. Para Deos moftrar a Micheas , feriaõ deftruidos 
os I fraelitas , fe fahiíTem a pelejar contra os Sírios , lhe re- 
prcfentou ao povo de Ifrael , figurado em hú rebanho fem 
paftor. 41 Confomeatodaafortaleza,eftedefamparoi /ír/j(OTmma 
infunde alentos aosmays fracos inimigos ; faz humilhar a *&Mn*er'fifhrt*. } . Rtg. 
nrayor altura, efta aufencia ; perde orefpeyto a toda a lo- 
berania,quemaviofolitaria. DiíTe Deos porlfáiasjque 
cmjeruíalem,haviade pafbr hum bezerro, oqualarrui- 41 SfeeiôfaV^marp *- 
nanaasfuas eminências. 42 Pois hum animal, que naó Kim "" ■ H"*f' Jf^-y^f 
voa,nemfóbe com facilidade, como lie o bezerro, ha de <w*«w>'*;;*;« «/»*. tf»* 
precipitar ao mays levantado ? Se ainda he falto de forças, * 7 ' **%"J™ 
porque naÒ eíU animal perfey to, como tem vallorpara 
accommeter,& arruinar o maysfolido? Naoccaíiaõ, em 
<^ue deyxaííem a Jerufalem, os que a defendÍ3Õ,era o tem- ^ S p : , s r. r -j;r í f. c iuT tf*. 
po, em que nellafe havia, de crear o bezerro; 43 &húa 
Cidade, ou hum Reyno,defguarnecido de varões claros, 
que lhe infundem vallor,& lhe caufaórefpeyto,ficataó 
defeftimada, perde tanto as forças, que baila hum animal 
novilho, paraopòr em ruina.Naófe izentaraõ asalturas 
de feu furor , porque reprefentavaó as mageílades íem 
guarda , que he hum Principe , fem Heróes. Hum bezerro 
íoy pricipicio de tudo , quanto achou fem reparo. 

98 Em lamentáveis vozes mandou Jeremias a to- 
dos ,os que o ouviaõ , fizeíTem as mayores demonitrações 
defentimento,porqueDeoshaviadeyxado,ageraçaõde qjj^.g^jji3£ 
feu furor, 44 que era o povo Hcbrèo, contraquê Deos ttmuim#iiifrvte*&»"«** 

rT \ r . r r c \ , .- v r :1 i qi4 11 $;n<.TJU7ncm furara 

atirava asíettas de iuaira,porque iempre íoy o alvo de iu.i Jui , ^ 9 n„M 7 .rtrf.i9. 

M indigna^ 



9» O T1{INCITR 3K& $AT. TOMO II. 
4t udiifiJciti. ifiidignâçãoj 45 niuyÊa* veies, tomou Deos fatisfaça» 

das etvfpas deite povo, & nunca o Profeta pediojtivdiem 
deite f anta piedade j & ió quando o vio fero proteclor) en- 
comenda a mayor compayxaó:.era irreparável a lua, ruí- 
na, &pOfiiío merecedora de toda alaítísna. Nenluuine- 
rtíTe,quc tenhaó delle, hum povo, que a rodo o mundo 
enílnoua íâi ingrato T porque lempfc dos benefícios cou,- 
posa oífença. Multiplicou Deos, á cite povo bsriquefas, 
augmentou-lhe o oufo,& a prata , quetrnbaõ ; & defta a- 
bundancia de ouro, & prata tàbrtcáraó hú Ídolo, com que 

46 ^rgtmum muitipucavi oíFenderaó a Deos. 46 Aítyíaõ todos os ingratos, para 
iwiZSSfi^'™***" com osbemfeytotesjcomo laó,&foraõeficsfaciilegcs, 

para com Deos. 

c/o FoyLazatOy imagem do agradecido, & a Ç arca, 

47 statimpreiyt quifuerat do ingrato. Refurcicou Chriftoa Lazaro j & atado de pés, 

merttttts >/i>ijiuf pedes ,ÇS n/a- r, - ■ ' • ; <■ i #-m -n i - 

nn.jaan tuvfrf.tA, & maosappareceo Lazaro^diame de Cnnlto; 47 horou 

Deos a Çarça.coinaeíèxilber portrono, & abrazouílecin 

48 ^n«vitp»mi»minfis. f p, quando fe vio favorecida; 48 a honra atèa ala* 

mmgnudc mtdio rubi. txvJi o ' U ■ m r • 1 • II* 

í.w»/:». bareda do ingrato. Comobenencio, perde o racional ah- 

^ZnrZ^ll^n&tltm betàzde } obrigaffc ácorrefpondencia , '& entregafie á fo- 

/^u^í,,;w,. tf « ít ^í, ««„.,/; geyçaõ. EfcièveSáoPaulo.queemmorrerChriilo.íele- 

jjtiuunc 4cu!:tí walitupUnu, ° J . i . * . . r -. r 

v^yaiumcHhurti^upopu- gmoó morreremos todos: 49 aocontrario-ioyoíuccci- 
%fgkfprm Ç^m%- ÍQ . p or q Ue a moIte de chriíto nos deu a vida 5 fem a iua 

49 <~hariiafc H imítjY,jiitír- morte.ei a moite a ncílà vida.FallouSaó Paulo 3 em ordem 

getnot, aiiimtntet boc,quoniã , ,. . , ,1 /-M • fl * 1 

fiunmproommbtumorumeft: adi vida j em qUe eltamos aL,hriliG, pois morrendo por 
<r g »omr.u,r,o,t u ,funt.7.. jià nòs , ficamos obrigados^ mori cr por ellcj <o demitti- 

50 ti f,o mnmitus mortuus mos do amor proprio,para naõ ralcarmos á corrcíponden- 
j*mnonfibi vlvlltt t\ fedei, qui C,J - tua iogeyçao hc a mayor liberdade , lendo a ízençao 
fnnmfou mormus t). ib, <jo ingrato, o mayor cariveyro : toda no fia vida depende 

defta morte, & toda amorte do ingrato, he naõ feguir eira 
vida : o faltar a recompenfa ,lhe faz perder o arrimo ; ex- 
pellede (1 o protector, & fica em húapena perpetua ;a 
máfatisfaçaõ acendeemobemfeytor, hum fogointenio, 
com que trata de coníumir, o que até aquelle tempo con- 
s, ZtrthqutrufoU abhere- fervou. Publica Deos ,por boca de Jeremias, queo 1 ribu 
Hut, tua^quamjcdi »*»:«. --^ T u Ji i ne acendera , em leu furor , hú feígo íhexfeui- 

quoniêm igntm JiicccnJi(li m J ' ' _ ' ° - 

juro, u/quein *t'ernum vcl j 5 i fov eite Tribu caõ ingrato a Deos , que confiou 

, 2 M»hd-xSitu homo qmto^- luá »ortuna das mãos dos home»: 52 taltou alJeosemo 

fiànm\,**nt\vpomtc*r»m n »õ reconhecer , centro de toda a prníperidadt -:& empe- 

ff</*> cott/w.jHvcrf.ié nhou-ieDeos,emque txpenUiCu-ieoiogodeíuaruína: 

o Lr- 



EMT^EZA V. £i 

olír^arDco- ui.a,õ tleUe oovo, ioy o íikv^V';. ru!L f:..- 
braloujuJi' íem haver,quem o lanientaTfc perdido; mss 
fe hum Wíjratx> acçude cite Ffego, làiz Sfaias.p^lle íc coníli- < » £íTí «*>"»«»« *"»*. 
i\W, para que elle p emende, 53 ,>Nainu/,j»»q,torhajO/Je b»uieir.!u,»,« e ignuvtttri y is 
noiesrfifique , Uauvefie, n*juelk tempZ, quwn f4^&SS£^!3£ 
doene da*niAfa v 'e-leíUdo,, ery c|i>e r^ca^c* o«Mo^u 3? '»Moribn*'jormieti*.ijaUio 
dulcérínos ; nâóíabemos,tÍvéífbm, por efiercnípo, outro 
Prelado; fioar^è-aod&fampapq jcita.ipy aíu* morte, par- 
que a ingratidão era a, fu a, doença.. ^ 

100 He taõ afearozo cHe mal, quando o padecehum 
PiinçipejqueoD.empniojfendpo áutor_dç todo5,naô quer 
ottnbáoporautQjdélle.Haqueítáo 7 eXtre os Expofico- 
re?, fe o.Demo^io, queatorrnentaYa a SaiiL,-|h|r aííiftio àa 
occaílí o, e.nqub.eíle íl ey arrerjiefTou a lazlçà > contra Da- u TtmUtpt Sauiu*e t s, 
víd; 54 f>upfalr||^ 

tara antes dpjfu-€cedido. £3 .Poísfíè^até aquelle tempo àtcumvn Dat,d apa f/ur 
fazia oDemonlo fua habit-çiõ^rnjSaul^oúiO o deixa neí- Je l'[ nJ p,ufi%? m \úd!caà'- 
u hora ? Fpy David hum íoldajjp ^que.-fervíd também ao mo iJ-'- n " 1 ' " z "■' m«- 
Revno dellraél, aquém adminíítrava SauLqncellt íó vé- 
ceo aoexerciípdos r ílníeos ; 5 o õz paganríc; num Ivty ,-„, lJUOl i ,«„»»- ep-ifiniffi* 
taesfervjços, como querer atraveffar com Eca lança 'fugio »'"><°™"<f"{ e ' u " , ^ •• *<*• 
oDe8ionio ;> pprqueo naodí^lkm porautor,detal ingrati- 
dão: auícntqU : ÍV também pàvjd, & tpjnqiio DempToloa 
atromentaraáaul; tudo foíáo finais, que- dava -cite inimi- 
go,-paraperíuadir os homês,não concorrera para tátex- 
otbitãcia: o Demónio náo tem,que petíe.r^jjaas como buf- 

ca íc qut to"^iÇK> fc : quer moíl raj.i^gra té*'A a iifen cia de 

David foy -origem da morte de ! Saul ; corre omef- 

rao perigo , Jbum pHnçjpeTfem Herpes > do 

que hum Reynoyíem Príncipe, 



M a DE QUE 



DE QUE SERVIRÃO AO 

SANTO 

PATRIARCHA ASCONTRADI- 

£Õ€$, & »oleftias,que íbportou naquelle Mofteyro? 





Z OU Calígula de tresdiver- 
íidades de coroas , a quem cha- 
mava,Efpias;emhúa, figurava 
o Sol; em outra ,a Lua -, 8c na 
terceyra, as Eílrellas: Na vi- 
gilância, com queosafíros de 
cia, 8c de noyte, elpeculão do Ceo,as couías da terra, 

achou 



achou Picrio , á propriedade do nome , com que ennobre- 

ciaó as coroas, i Bonfio Aufienfe , querendo-asrepar- ■ ^hSctmàumtmtxfh' 

^ ' _1 r rattomt ergtC. Calígula tiovu 

lir, conformes á neccílidade dos Príncipes, & nãofeajuf- quoâexcsgitavhixoionaruge~ 

ocomaíuprcltiçaodeCahguIajCoro-ouarealtrenEej^riej^xíí,^^^»,^ 

fócom duas;a primeyra,deeíirellas errantes:&: a fegunda, "ov»aiammmi»eexphratori- 

-, r „•* ,. „ r ,, i i r afappellavit,utpote^uife>Sc- 

de Sóys, prelos ao Zodíaco. 2 Lítrella errante ha de ler hmdiurmr^er Lmi$stH~ 

ii-».- • I , ^oo1J/' /-»>■ nodurnot exphva:orts intel 

todo o Príncipe, antes qucimpunhe o cetro j & Sol, dei- //£íref . ^ v^M.xihyi* 
pois, quecinge a coroa. Náofeaparta o Sol do Zodíaco, 5,cZ,r - „ „ , 
cm que anda, nem para aeltrella errante, em o meirnolu- tomt^mfi^timpemorum 
gar, onde appareííe: antes de governar os eííados, o correr »**» £**&** 
terras alheas , he aíTegurar as próprias , que defpois da 
póíTe,heperdellas. 3 O General, antecipaíTe ás horas % mi i, fíllí i &**»,, fuS 
da peleja, para veftiras armas, íè deíampara ocampo no Sohmâicít&ope«âitcj[eaui 

n-ci 1 r r i • » i - rcam caicnam , ama dum Sol 

connicto, para buícar o relguardo, perigara todo o exerci- mu«iumíuoc»fjuambit t acii^ 
to. He afciencia experimental, feiencia de reynar: V^frl^^^nt 
weyro,que o Leão acometa as afperefas , enfaya-íe ríá /«»*>*« w?»**/^*^'"''»./^ 
planície; a Aguta,antes que domine asnuves, voa na este- ^àui^ttumvt imerímnt. 
ra das mays aves, para exercitar as azas : as armas, com que ?UtHS - 
hum Príncipe fahe a campo, quando íbbe ao trono , faõ as 
virtudes, que o acompanhão j a quem a experiência ferve 
de medida, para aíTentarem com decência. 4 Dótedana- _, . ., . „. 
turefa he o engenho , porém rudc,em quanto o não agelita /*/««/«» *?««, j«//«*/>«h- 
oexercicio; 5 & otempodogovcrnonaohedeítinado f ^iUb **»#>* t»ú>»**e 
para aprender, fenão para doutrinar. Seja oPrincipe para/^' í '< íiJtmff^ ' J/ ';'' ^ • v '• Y;i '' , '' 

ri rr tf ijm.itut. cxctíflavnixumt. 

li, antes de entrar no governo,para que no governo enten- pafchaiij. 
da,como ha de fer para todos jfeguindo os di&ames dos an- 
tigos, que chama vão ás eftrellas , exploradoras de Júpiter, 
a quem o falfo Deos mandava pelo mundo , para que ten- 
do noticiadas operações dosmortaes,nãoerraíre nas do 
governo. 

Qui efl hiper ator fiivum , atque Ummumjttpiter-, 
Is nos per gentes alias alia dijparat, 
Çhãfafla bominum , mores, pietatem , &fidem 
Nofcamia 

Eorum refenmus nomina excripta acffoVem, 
Ouotidie illefcit, quis bíc quarat malum. 
QApud Tlautum. 

X02 Muyias nações ti verão por cuftume , efeolhe- 

M 3 ícin 



94- O TlllNCITE WS TJT. TOM. II. 
rern para ícu Kcy entre os illuftres , a quem tiveíle milita- 
do, em outras terras ; fizeráo-no os Romanos, os Eílcncs, 
& ainda hoje os Polacos. Politica obiervada de muytcs 
Fiincipes, mandar os filhos a ver Reynos, antes que lhe 
dem citado; íazendu-os lenhores , de húa pedra ilmclhan- 

6 Gjgp-it* Lyior« mgem . te, á que trazia, engaitada em hú anel, Gyges R ey dos bp 
,Kum hatuit iam* virtuut ,n ^ os na q Ua l virando-a para íi, via tudo, quantoqueria: 6 

eKii: o,ul taadjf veija vtiierit n -t, r\ \ \ i_ • i l ^ 

quófcu»queveM<:t,ncmi*noitf. icnitlhante aeltapcdra, he a experiência ; tudo moíu?, 
íir^^r::!; porque enfina açudo; 7 os que foráo dotados com dia 
voto. Rav$r. tn oj/.chw veika prenda,a!cançárão a melhor forte, como foy David, o fâ> 

7 cummim error, e? petca- moíoCyro, & Augufto Cefar : era inftituto real , OCXCÍ- 
tu.HjticrebusbHmtnisfiah c j c!0 ance s da oceupação: 8 cm húa fó tei ra,náo fe ciiâo 

tnjfnnt , Utreque hominet ma. > C í *. 

» e»t»r, ncfestnjoàemiaftde todos os monftro-os; achando-fe em húa republica , todas 

titruiKofíendaUtr. In exempla .> /"" j j r\ tv n J* n i 

taíciJu. as monltro-olidades. U Medico, que melhor conhece os 

s Lum &èiéy i* tffe pr*ip nu \ çs he , o que roays tempo aíTifiio nos hoípitais : todas 

Jspiui oportcat^muitariiius ter * "_ . J . „ *■ „ í „ ' 

u-:;:r.,bus exe> cere puerum cô- as nações o laõ, cadahua tem enfermos diverfos, porque 
SS^S^S tem vícios differentes; as deformidades,em que fe oceupa, 
tat ubtrorum. ml]V tas vefes,a natur eia, foõ hum manifefío , doquefeoc- 

«. Rejpiceferat Sylvaruin,tJ/i , .1. r - C • s 1 - 

v , t . m demonjiratur <tq«ai<- culta nasrepubjicas: 9 a natureía nao posclçol3,em hua 
tK.p.M.s.&eJa. fá p rov j nc *, a í em differentes partes, deu diverfos docu- 

mentos: em Levante creou hum monftro,queaté a cin- 
ta eráo duas çreaturas , ambas conformes nas vontades: 
n . xi a ri ^ 1 io emos confins, entre Bretanha,& Normandia, outro 

to Divur iS9u£uft. lib.16 Je ' ' » -. rr n 

Çfâtffjs Da cap 8 cia mefma fórte;mas tão encótrados nos anectos , que quá- 

• i (-, uilhermo Mateo Palme- 1 1 - - 1 r j 1 

r< -r.crnchcy ,3. m ^,_ do hua ria, a outra chorava: n tm o que deu a conhecer 
g $'wid* U i ' vrodc - feu e 3 dhí> a natureía ,0 mefmoq fuecede , na politica ; bailando para 

algús, favorecer o Príncipe a húa peííoa,de lua deícenden- 

cia,para que to/da a família lhe fique obrigada; em outros, 

he o me imo, ennobrecer a algú, do que eílimular os mays: 

Experimentou-o Alexandre, premeando osíerviços de 

dous foldados; os parentes de hum, lhe tecerão húa coroa; 

& os de outro,lhe fugirão do exercito. 12 Emafoleda* 

*> fater *A»tomut ãt Cri- deapparecéo, a Santo António Irmitão, hum monílro, 

*n 'ííi/flííSi,,.» jjf. q ue parecendolhefalvagcm, era racional; 1 5 em outros 

*"»'• , , defertos forão viítos muy tos, que parecendo racionaes» 

»4 Meyolut verbo Monftrut. . r , á -^ ,r\ r r r 

eraoialvagens. 14 O que nuto eniinou a natureía, ioy, 
não le conformar em todos, o ler,çom o afpe&o : deforme 
foy Sócrates, & proporcionado PhilonidesMelitenfe,ef. 
te , inerte; & o outro , fabio. 

103 EmSaxonia 5 ai;harão os cafiadoreshunimrnf- 






EUfTiEZA VI. 9 - 

rroíylveítre, a quem defpois am.iníaráo:; tí em Ale- n CMMJíSí/"«»(«ití- 

, , : '\ r r \\ flori* dos %sdni maii quitât upe- 

manha cornarão outro da meima íetiteihança,a quem nun- Ji,. 

ca poderão fazer dorneftico. 16 Foy advertência da na- ,6 Uem,ti - 

fufefj , que não conforma a diíciphna ,a quem disconfór- 

im o génio. AvaíLllou Júlio Cefir,aos Alexandrinos, &: 

•Eipa .->hoes}efies,com o era to dosRomanos,fizcrúo-fe a el- 

iesmuacs nimillcia;& os outros,tendo igual communica- , *, ....... 

ção, bcaráoendiíciplinados. 17 Quando Itália andava, ^'«.'«-™ f , Jí / ; /; ) -.;„.,,j 

cm guerras civis, naíceo,em barzana num moniiro; 1 o rmfu àemf,o»ibu,. 

& nodia.emqueosGenoveiesfizeráo pazes, com os Ve- ' 8 c ' í, '»?'« / 'í'»»w.*4-A 

* f * Jmh hilloriM anusuM cjp, 1. 

neziancs,naiceo outro: icj com oqucdeuanaturefa,a i 9 j«e*«/f»«/e/j«. 
entender aos homés, não nafeerem íó da guerra , as moní« 
tro-ofidades, fenaõ cambem dapaz:da guerra, he hierogly- 
phico a Serpente , enrofeada nos pês do Elefante, efte 
morre com o veneno , 8i cahindo mata , com o pefo á Ser- 
pente, que triunfa. Da pazhe hieroglyphico oCaducèo 
•de Mercúrio, acompanhado das duas Serpentes Hercúle- 
as: 20 não fôrfioíó as guerras, as que abraz3ráoTroya, 
também a paz dcfuuio Eípanha. En.iNuiíia,pariohuma 
molhcr ahiu creâtura, que tinha' abertos, os pey tos, por 
ondeie lhe vião as entranhas : 2 1 dous nalcérãoem as 
Índias Orientaes, que tinhaó pedras, em lugar de pey tos: ao ?}érí*tjfáerm. % ii,tih 
vi acautella ,& a fíngellc tacom os amigos he, o que de- St 7 \ F '^ t l i',,ou íq uiuc, r . 7 oo 
Imiou aaui anatmefa : não cauíaráo tanta admirarão os Aeprety** :<ri " ; '" ■"""; ., 
doiv»,qse trouxerao 09peytos tachados, como o que ti- wfoo^i.t.Js^J»'»-*»- 1 "- 
iiha as entranhas abertas : he íáouzual faltarem os homés, 
ao reciproco da amifide<qtte por caufa cornmúa,não dey- 

xuáo dclles os antigos, memoria particular; fazendo-a 
•tanto dos verdadeyros, que difeorrendo por muy tos íècu- 
■los,fó referem, que oforáoThezeo,& Pirro ; Achylles, 

& Patroclo- Oreftes,& Pilades; Epaminondes,& Ptlo- 
-pides; Damon,&Pithias; Jonathas,& David. 

1 04 Diz' Plínio , houve homés, que cada nove nnnos 

feconvertéraõ em Lobos: 23 ordinariamente íuecede, 

mudarem oshoméá de condição, com variarem de iorn:- 

ni; •íerevéo-oana:uicTaneftesmonftros-,&:connrmou-oo »i w»««".**.8 e«p »» 

_. . . • r.i .1 - 1 j Natumhifl r. 

E>i>pera<.ior António Philolopno, comodeyxamos trata- ,., ílf ? r ,,, fr ,í ,..-. n 
do,noprmvyroromo. Em certas montanhas ha homens, P H '?£jj p Z"lí^?JÍ7fcZ 
que nãofalão,mas ladrão como cães, 24. afTyhe dinVtf- li.ScgHHiêfsrt.foi.mibi^x. 
jof.?,como cilas feras, ladra quando murmura. Finalmente 

ha 



9 6 0P<?y!KCl?EDQS$AT.T0M017. 

ha homês , que não podem andar de pè, fcnaõ de joelhos: 
z$ myiiutvertoiAoHJitua. 2 £ ne original do lifongeyro, eííe aborto da naturefa- 

andaõ fempre de joelhos, porque naõ tem pès ,em que le 
eftribem, faltalhe o merecmnéto, Sc Aipié com a adularão. 

* Experto creJo, aVirmid am- ' _ \ ' - „ r - ' J J n 

fiutmvcwcsmjyiv.x, qnim fcnímao os bolques, o que ienao pode aprender nos eku- 
i» rg »i,, 1 ij*,vi, f id tt d^ ^ * Efcosmonftro-os,qucaterractia,f5Ócipelhosda9 
jaeKtifrj/.^.D.Etrn.fyiji.t iyjonftro-oíidades,de queíècompoein húa republica, con- 
veniência he do Príncipe, antesde ier Sol pieíoá obriga- 
ção, o ler eítrella errante, para conhecer das féías, antes cie 
governar os homés, para que da íon. bra tire a luz,com que 
nogovernoobreíingular.. 

Exfumo íiare Incem 



Cogitatfê fpeciofa de bine miracula promat 
Horaúm in Toática. 

Politica tão neceflaria, a da experiência, antes da adminif- 
tração,que o meímo Deos quis,ati velle o Principe des Pa- 
triaichas 26 prímeyro.quegovernaíle a própria família. 
utuIZ^£::^. *°5 OsMonjes,quequeriãodaramorteaSáoBen- 
h^utaâiebutiHí9bitavit,ibique to , puardavão a Repra de São Pachomio,&: habicaváoem 
rW«í, Ran.cíirzmhntmu- num lugar chamado V icoverra jnao erao creaçao deite Pa- 
t-^rli^;"" triarcha ; antesque São Bemo déíle Regra,& funda fle Re- 

i'j iit. Oí>> dianw mvíts San- 1 1 O ' 

Si eiaàJi ^imolam ub.ôi.g. ligião , foy para ília companhia: ío delpois,que osdey- 
C ::u, crowc* Cafmm. Mag. xou, teve Monjes próprios. Os que viiíem a bao Bento, 

^attiMUarem™ ^' 1 *' d evxar a °úa c ^ vã •> & recolher-fc a hum mofíeyro , imagi- 

nariaõ, com razaó, que Deos mandava a cite Santo,o me£ 

mo, que aconfelhou o Oráculo, aírizioGryfpe,que foyj 

fahifeda còva,onde efíava,& foííe ás partes de Roma,ccn- 

7-7 Feier FeruanJmieHyie fultar com o Oráculo das virtudes ; 27 deílas he aclau- 

tofthcitudimhiK *' v,xertn " zura,efcola,quádo,os que a tabitaõ faõ religiefos perfey- 

tosjfaltavão os Manjes a efta obrigação, com que naõhí- 
via em o moftey ro a virtude da clauzura. Pois logo , para 
quedeyxa São Bento o lugardafantidade, quefoy alua 
cova , & vay bufear a húa habitação defamparada do ei pi- 
rito, comoeraaquelle Convento?delpois delivrarda tro- 
menta,quelhecauíou atétação, vay-le expor a nova tem- 
peítade ? era neceíXario para o Sol mofirar a actividade dos 
rayos, mays do que triunfar daprimeyra nuvem, que íe 
lhe oppunha? Chegavaíe o tempo ; cm que São Bento ha- 
via 



EM?<REZ A V. 9 j^ 

via de governar o Império dos Monjes , confumando a o- 
bra, a que tinha lançado a primeyra pédra,emoprimeyro i8 Viitfrimtyratomotmy.-e» 
milagre, quetezem iinde, 20 ik a nces que regei le a pró- 
pria Monarchia, ordenou Deos,tiveíTe conhecimento dos 
males, de que informava o Reyno alheyo. 

icó Foráo grandes as experiências, que teve Sáo 
Bento, antes de reger o eftadoreligiofo:aíTiítio em Roma, l9 iii„ Hmero ^ 9 , 
onde conhecéo os cfTeytos da culpa naquelles , que íi- 
guiáoosvicios; 20 recolheo-fe a húa cova, onde expe- 
rimentou as moleltias , Sc os regalos ; as molcltias da vida, 
& os regalos do Ceo; 30 dettesfoy o mays venerado, & ' G j£ ? ' eKti ^'" riJ^fi 
das outras,o mays devotoj não houve penitencia,que não <>? jêt&* d 'c<>r r a>juu>» >,< mui 

r O " J /_ ' r I Itefíeritéteolt an'inè viit» cru- 

imita-iej&quenaoexcede-le: 3 1 o inimigo umveríal .J^,^,,^ Dlx ., D ,. 

inferindoda lantidade de hummeninoodamno,quelhe »>*"#r«t«n.idt S arJuhi>z. 

havia de caular,quando varão, intentou cortarlhe as azas, ,, u,, nuvem i6i.evpr.ij. 

para que não profeguiíle o vo-o : de todos os combates, & 

oprefloés ficou Saó Bento vitoriofo,& experimentado: 

as neceíTidades, que podia paííàr o mays humilde fervo , & 

que merecia padeflèr o mayor peccador, foportou São 

Bento jmas em todas lhe aífiílio Deos, com mimo , & com 

cuydado. Quero nefíe lugar, fazer memoria de humcazo 

prodigiofo, que fuccede'o a São Bento, nos prirneyros três • 

annos, que eíteve em a cova de Sublaco. As inclemências 

do tempo, tratarão tao mal a Sáo Bento , que não parecia 

homem deAa vida, fenaó hum de funto rcíufcitado. Ohs i- 

gou-oafomc,afahir nua tarde da cova, onde fe enterrou 

vivo ; chegou a hum lugar vizinho de Sublaco, chamado g £Lj£S 

Rojite: tal horror cEufouaosnaturacs, oaíbcciíade São &w»>*(i>*itM 

_ , , p . . aí pidumtn<inibufcif>aum)vocit % 

Bento, que imaginarão ler algum homem apeltido, GQ $ojtenJui>t;cumtn.m box/ut 
que lhe trazia algummal contagiofo; naó o quizeráo dey- f^^ZÍtZtt 
xar na povoação , lançaráo-no fora do lugar , oqual como j' 8 - 4 inproxinmmi S nurft 

C n- J r l_ > a r c~ n conferem tamrum , ir. tfhera 

íoíle murado, reenarao as portas, & hcou Sao Bento no q U »dam iecubuu ru ?e , qu <e 
campo: abrigouíTe nas entranhas de húa penha, para paiíar n '? aem »»'«*•*«* i&uhm.m. 

4 c r r r ottiiinqueretffit tfíi f i'ru for- 

a noyte : scudioDeos aodefamparo, em que via a feu ler- m*m beneUSus Hefie^usum. 
vo,& abrandou rantoa pedra,em que fe reclinou SaoBen- f „^;J /w ,^/^ tí : 

to, queficounellaimprélíaaelbtura,&f forma de íeu cor- rniif púí?** CtS» Bímíj- 
1 t-\ r i-r j c trixu Lvjiiriirpèité>. 

po. 32 Ueoskmpre molincou acjma, onoeieuslervos ,, v,,.,,,/:.-: «„r. ■• . «* 




David 



i 



?3 OTXiNClfE WS VAT. TOMO 11. 
David para fegurança,& a São Bento, para memoria: Em 
três pedras, a deyxou Clirillode lua ptííóa: na jornada do 
Egypto, como ao paliar do rio Nilo , maltratafíè o borrifo 
dasagoas,a túnica de J ESU S, a Virgem Maria ,orecli« 
liou lobre hum mármore , em quanto Jhe enxugava o vef- 
tido ; ( não te pareíía defamor , o que foy myííetio ) tor- 
nouíic cera branda, a pedra mays dura^ nella le exculpio o 
corpo do Menino Deos. 35 Quando os naturaes de Na- 
zareth, querião precipitar a Chriilo , de hum pináculo, o- 
nliic*tiÀefacr*iiHdo»Uc*p cultou-o liua pedra , t ecebendo-oem li 3 onde deyxou ef- 
i:*um.i7*&mrCiriJ?àmu. cr jc a a té a minima dobra de fuás roupas; 26 emoutrapé- 

fantuliuriin^yt.gypiumfugie- , r > j J r e ' J r 

ia* , a disiii,fiuvíum * Dcpa-àfà. hcarao as pegadas de léus pes, quando lcauzentou pa- 
ri prginemtrmo.ifi.ijftfycr ra a gl or í a ; náo^foy admirada na peflòa de Chrifío, efía 

po]itwn,dor>ec mádida ejurve- o ~o . J t ' 

fie, exficcarent„r,eiJem amem mudança das pedras j a virtude infinita ,queascreoubru- 

mamori corpufciih (uififuram v " l i 

mftuipifiijqi,*** bicufque tas, as podia converter racionaes, quanto maysabrandar 
te*p*r»fjázyptumperagra» como cera - masque a húa creatura correfpondeffem com a 

tinir oft.nJtuur. iiencdittut n • 1 i i- • 1 •> ri r% f 

Haftenusiib.fupn. melma virtude obediencidlí' quem ioube, que aoBilpo 

£ P ^:^JS? P tf;. São U volfango fuccedèo o mefmo , que a feu Pay S. Ben- 
c*P*>.%x,.refcrt;\nu,bciii- to. entregue ás admirações conta o fuecefib. 

Zirethiniefi xufupercilifcolIU 'O 

arde iiipij Ntzrrytba aceol* 

Cbrifiu mprtcipitem agere de- g ae autm í re$ m ' tra ) mnm bUntafúuk pedefauè 

videri, ubi chrifiu rqucd trsn- Accipit immerjos , wttVttm obltta rigor em^ 

flTifZZ, 'IZIâôHUfiHH. Nuda filex : cedtt locum móffiffima taSht, 

pc&mtr*fefm 0p,fi c , p ãr anti "Duclúti vi modiwi arqãdt , c e><e Vê liquentis. 

Uubulum.mquorugavellimê- -...,. , - .. A j m , \» •„ • 

toruw&pedttm chrifii veftigi» Tbtltppm Me^elius, apucl [ l$adenim. 'UaVaria 

in.pr.jja «, mnfur. Um to. Sa£U y l mme p rimo . 

107 NáofatisfeytoDeos,de que São Bento ti vèfTe 
experimentado tantos infortunios,quisultimamente,con- 
íumalo prove&o,nas experiencias,emconipanhia daquel- 
les Monjes; porque ficava có as expei iencias de Príncipe, 
fendo vaiTallo}& de Principe,íendo Paftorjefte foy na co- 
munidade alhea;& o outro, nos difeomodos próprios. Na 
idade de Antigono, perdéo Pirro, fer abalizado pelo ma- 
queMcfu*rtatJ*Jucibus{,rZ y or Heroe, porque era lalto de experiência: 37 entre os 
fiãt.jfimum^â.carciiRefto»- p atr iarchas he São Bento, aclamado Príncipe de todos: 
promiiiitazit opúmum fere ,/i òc oanto,a quem Deos elcoJhia para leu rimcipe,nao lhe 

terun experieniitm atitf id- L,_„* j ri • j f.~ j 

iungerà.¥iHÍ.invitaBiJ,u havia de taltar a providencia , com os requiiitos da mayo- 
?8 renitgertxcniurumfau- ridade. Jacob eftando em cafa de feu pay llaac, levou a bé> 

dulcntcrtf accipitbenediãienè r J . * , n l /r r n 

iq*m.àY*ef.i 7 ,vfrf :i y, caoaieuiriiiao Ezau, 30 auzentcuíie,receolo,paracaía 

de 



■ 



EM$<REZ A VI. 99 

defeu parente L^bão, & no caminho lhe fez Deos pro- 
metia da deleendencia, quando, entreíonhos ,lheappare- 
céunaclcada. 39 Sahio [acobde cafade Labáo,óí con- i9^itqu e fimmtuumq„afi 
himou-oDeos no Patriarchado, lutando comelleemfi- «o NequaqúMm^mquh, /*- 

1 1 , ■ ri I I - C P cob appciiâbiiur nomen luum. 

guradenum Anp. 40 Jacob em levarabençao,toy ei- j^^^.-^i^/x/r. 
colhido ; na proniéfia de Deos,actamado ; & na confirma- u " í í'i í - **/•& c&jo. 
ção,coroado Principe. Antes que Jaccbchegaíle aefte ul- 
timo degráo,primeyro em caía de léus pays experimen- 
tou os acertos do governo Económico j efeolhendo lua 
máy Rebeca para a lucceííaó, a quem era omays perteyto, 
aindaquenãofoííeomaysantigojexcluindoa Ezaii,&: le- 
gitimando a Jacob. Em a vifaõ da efeada experimentou al- 
gúa bondade, que tem ogoverno Ariftocracio, fendo os 
nobres reprelentados em os Anjos , que oceu pa vão os de- 
gráos da eícada, imagem dos lugares da republica ; tão pa* 
ternaleraofeu governo, que vendoa Jacob neceííkado, 
híis, fe tizerão feus requerentes; & outros, feus enfermey- 
rosj eílies, eráo os Anjos, que deiciáo; & os que Tubi áo, os 
outros. Em caía de Labáo experimentou os delacertos 
do governo Dcmocracionos rebanhos, que apalcentou; 
osquaesfendodeLabáo, derãomays lucro 3 Jacob^ogo- 
vernodo povofoy fempredefbuição dos Príncipes. De{- 
nois,que facob efteve verfado nefíes governos, entre* 
goulne Deos o Monárquico, razendo-o cabeçada ramilia „i„;k M q U rfqueieiet,quodqui 
mays dilatada, mays fanta, & mays illuftre. 41 TÍQdfè mun *? mStrvi t?l2tt' Z ' 
■eftasexcellenciastem a Religião,que São Bento fundou: puudcLeg.Dtti.à. 
fnasantes,quelhedéíTe principio,foy táo experimentado, 
quecreando-o Deos para centro das agoas, o fez mendi- 
gar, como o regato pobre jeorrendo as afperezas,antes que 
Fe rccolheífe ao Império } & eftendefle os braços do pró- 
prio dominio. 

Hoc SophU íifperior is iterjttperantulè pergM, 
Dummoclojpos fellis pocuLi) neciar babes. 
Qujntilianus. 

1 08 Entroniza Deos a feus Príncipes expertos no 
pertencente ao lugar, para que os elege. Delpois de Da- 
vid apafeentar rebanhos, matar Leoés,& Gigantes, foy ^ g^^àtm^m 
ungido eiiiRey dellrael. 42 Asfemelhanças, que feito <,*,*<*, 6t.?j»i. ?-. 

N 2 eftas 



ioo VTqKClTR ws $at. TOMO 77. 

eftasoccupaçoés com a dignidade, ficãoja exportas. Por 

nuys perfeyta, que feja a creatura, femprc neccílita de 

fragoa, antes que laya a publico. Em hum meiiiio ventre 

4i Froiinu, alter tgrtdun,, efo vão germanados Jacob, Si Ezaii:&por maysdiliccn- 

fljiita<nfiatrht$ntbat manu; ri l l > C ' f> • 

ViJcncoappeiiiv.tcumiscob cias, que tez Jacob para prender a Ezau,nakeo cite pn- 

^'^nÉnpnorEzau, "'eyro: 43 a naturefa primeyro fe deu a conhecer, que o 

qu„t» Jacob quiiprm, eftear- (.j'p]rito;eiíe, figura va ]acob:& a outra, Ezaii : 44 asac- 

i>alc,quam/birituale; & prior . , r r • r j j j r ■ 

r;»„t-;;i í /d, í H rf r<»«f«y«^- i j- çoesdanaturela lao menos conlioeradas,que asooeipi- 
i*rv>r t «ubH í .L** T «»si*i>3i , i co . r azáo,por onde eftas Te retardão , & as outras iea nre- 

va iSlu?*orti.vsibo tgreJere. » . T ' I 

JttGiojaOrdfup.eap.íi.Gen. çâoj oque as fazadvertidas,he a experiência. Não admitte 

ignorâncias a oceupação do trono } he officio de entendi- 
mento oreynar: nas preparações fe advertem os defeuy- 
dos, para que deminuindo-fe o material, appareça mays 
efpiricualizado. Osprimeyros dias, que faõ danatuteza, 
haõ-fedegaftarno exercício, para fe fazer idóneo daina- 
gcftade.Antes,que DeoslevalTe a Alma Santa aodezerto, 
onde lhe communicou os fegredos da Divindade , dey- 
xou-a viver algús tempos entre os bolicios da Corte : * 
na Cidadeefpiritualizou a natureza nos conflitos , & ex- 
ercitou o efpirito na vigilância, com que merecéo fingu-» 
• Peuam etmhfaitum :::: larizallaDeosem o monte. O mcfmouzouDeoscom São 

àutam^é^in/Mudinem^è Bento; ° Convento lhe fervio de Cidade, & a cova de Su- 
ioq«*radco,<, u , ' ' b \ ãCO de monte. 

1 09 Bem podiafupriragraçadivina ,que illuftrou a 

São Bento, a falta que tinha de experiência : a feiencia in-> 

m v>d:i.iomeemp,eza\o. fuza com que Deosohavia ennobrecido, 45 fobrepu» 

java para os acertos do trono ; mas quiz Deos foífe experi. 
mental a feiencia de quem era Principe. Fechou o grande 
Padre Elias asportasdoCeo com fuaoraçaó > três annos 

A6Pcfid ie ,autemj;ccat ur eji com ' muosmò chovéo em toda aterra a petições defte 
torreis .-:: FaButeji ergoferm» Santo: feguic-fe grandeforne, a efía falta deagoa. Osror- 

VowimaJcttm d/cens : Surre, ° - r n r» C C 11 

távadein sareptaSidonhrtm vos trouxerao í ultento ao Protetajmas ioy,em quanto Jhe 

SSSSfaSSSCní'* durou a corrente daagoa,que fe metia em o Jordão : fe- 

i-R'g.cap., 7 .vcrfi.i. 9 . cou também o regato, & mandou Deos a Elias, fo He para 

47 Defec:runH*orv,,aui,l- c , ,P ., r/1 . , D • n 

inntiiberaiiu t pafcerit?J»dif. aarepnta, que nua molher o lultentaria. 40 roísaliyco- 
■íw^^^^^^nio Deos mandava a efte feu particular fervo o mays 

ultudc de convívio Rigu mi- _ í m J 

pifirum.eumsufimBSmofer- fufiento pelos corvos , não lhe mandaria pelos corvos a 

tuloraptum aitliimtranifer. „„ >f 1 - i - L - A J T 

tojtcut Dnhu inheum Lee- a g oa - ialtavao corvos , ou nao ha via Anjos, queadminit- 
«umejhntntipratdium mett. traiTcm? 47 Sim havia; mas falta va a Elias nocicia.do que 

tiumcxbtbitum e/í ! TtrtulUn. p ÍT r> • I 1 • 

//*. adverfHííi^hicas.caf.i. ie palia va em as mays terras , porque lo tinha comiecimen- 

to 



EM PREZ A VI lor 

to das ncceíTi Jades , que padeciáo os habitadores de Ga- 
laad. Era tempo de lazer Elias habitação en» o monte 
Carmelo, fohode fuagrandefa ; Sc antes que o occupaíle, 
quiaDeoscorrcííe terras, para que ti vefíe experiência do 48 TsefááttUitt^mmoi» 
queacontecia em todo o mundo : 40 aluindo roy eite ret:cun,e»-m*»uniocofe<!e- 
iingular Profeta da illutfração divina, com, a qual não íó '^^%£Z* 
conhecia otuturo,mas cambem odiítante, faltava-lhe a u.cbry^fiomut. 
fciencia experimental, & não quiz Deos coilocalo na emi- 
nência, leni que primcyro a tivefle. Não querendo íuprir 
coma graça, o que São Bento, & Elias podião adquerir 
com a experiência. 

1 10 Nos cazos fe advertem os acertos ;& he divina 
politica fer experimentado no que defpois ha de cauzar 
eítimaçáo. Quem reparar nas veies, que em a Sagrada Pa- 
gina fe encontra o peyto de Chriilo expofto a cruelda- 
de da lança , ha de conhecer , cj entre todas as partes de feu 
corpo foyefta, a que antes de receber o golpe em o Cal va- 
rio, o havia ja fentido antes da Payxão. Chriíto figurado 

no Efpofoconfeflbu,que a Alma Santa lhe trefpaífara o 

pcvto. 40 Reprefemado em David, pede a Teu Eterno „, .. __ 

Pay, livreafeuladodeíiecrueliníirumento: 50 ck ii!CUj J ,„/ w .- / !/«fw««. 

Padre São Bernardo affirma , que antes do ódio abrir o G *^' E %l"L^ tt d 



ISUí 311- 



peytoa Chníio.ia odmno amor lho tinha ferido: 5 1 *«m me»m.Pf»i. >■•*«/■' •• 
eltasantecedencias,torao remedos da execução. Mas le- i s „ c £f u „ 3 , vulneram. 
náo antecederão eftes enfayos de feridas ás mays partes do D - B ' rn ' rd - 
corpo , porque íó precederão ao peyto ? Em todo o Cor- 
po de Chrifto a parte, que alcançou mayor eftimação da 
chagi,quelheabrirão,foyolado;alanca,qorafeoufoy a ,. 

queoengrandecéo: 52 &feocòrte da lança lhe havia de ru.D.Bcr»*rJ.v^ UÍU j}. 
caufareftim.içáo,poriíToopeyto de Chrifto foy experi- 
mentado no golpe, antes que recebcííe a ferida. São innu- 
meraveis as partes, onde na Efcritura fe defcobre ao Di vi • 
no Verbo exercitando os acl:os de hununo,antesde tomar 
anoflanaturefa : parece, que ate a mefma Divindade ne- 
ccíTica da antecipada experiência, para os créditos da ma- 
gcítade. Com femelhanças da ferida do peyto , donde ía- 
hirão germanados os Sacramentos da Igreja jfoy a Fveli- 
guio Beneditina, donde emanou conforme a vida Ktligio- nl p cl0rdinh V emer*mâ* reli. 
fa: Sc fe o peyto defte Principe havia de fer o manancial git>,qu»fiJeP*T*Hfif f *tê 
puncipiode tanta luz, 53 mito foy, que aexpencncia ^.i„ aíH àit»Lnnumft 

N 3 de 



mtnt 



i o 2 O PRÍNCIPE DOS VaT. TOMO 21. 

de tantas delordens acompanhafie a vinuoe luays bem 

ordenada jlervindo-lhe de lança , oque llie cauiou cancã 

moleltia, para que ficafleadvei eido nos eniayos , p«.rao 

tempo doexercicio. Aprovando Chtiiio em ii 5 Sc 

em léus Príncipes, o quanto he ucil ao cetro 

iereibella errance, primeyro que 

Sol, fixo em o trono. 




SEGUNDA 



SEGUNDA VES SE RETIRA 

BENTO 

A SUA ANTIGUA GOVA DE SUBLACO. 
E M <P %E Z A VIL 





E inútil o conhecimento das 

coufas , em quem ignora a íí 

mefmo: i o medico, que co- 

nhecéo a comolexáo alhea , & • £*» •««■* ">>">•'' a '* 

nãoa lua, paraomays impor- J-í/jí atitviintt MArtrut*,& 

cante lhe faltou aiticncu. O 2ES3SSÍÍS^*fi 

Conhecimento próprio não VÍ- rumtfrelitywHfi iffot^nee 

vc,onde vive o engano 5 hc necellano accumular Juzes 

alhèas 



>o4 O I^IKCITE VOS TAT. TOMO 11. 
i 2»»>/í»»^w< , «/'í , <'''*'""'^ a {[ K » as pafacaniiccer menos viltoíàs as próprias, 2 o gvro, 

ligercqualisefi , tatu nimtriim '* . í * ' W ' 

óibet cor.j},ccn\q»ai,f Ktm cft; em que na de andar o I rinci pe , anres de lazer aílento no 

ut exbonorumfoima metiatur, - v nt i » f ' C 

iJ^to/fcrtobotoJefor- trono, nao hc fo, pata conhecerdes outros , fenao para li- 
mutjl:D.G,-<£.Ma S .s. Mor. bct de íl . 2 Df zia Demo mz, que fenão acha va em ff ; & 

* l'idi\oPiinc[ps,videalta , i J r \ i ij li" r rif 

nc concha monuum ,& fofo» paraie adiar, Conliderou-lè pct dido : buicou-ie na ioli- 
«/„fo Jtol »v,r« fffl Kj. dc contemplou o natural dos Planetas, a firmeza 

ttijcrianttuam. haynur.duxdc ■' £ ' 

toafiderationt. da'tcn a, a inconifancia das agoas, & a vida dos bt utos j 8c 

4 hirtai Demcnax , fe no" C • i r ' \ L /* r L 

tog«ot, li Te,»<fi P oftquam,wíe. conierindo lua vida , com o^uecbicrvoujlotbc, o que 
g r C $ u ,conump)avitcurf»spi- Jhçf d l taV a para fer perfev to: como que cncendéo, que u 

HetarUtM.prmttateinterr^levi- I • /* i i~ •' 

taum aqu*,& víi» bruto, um. fe conhecia, & que ja íe achara a li próprio j 4 porqueno 

Pater 1*1 atilíer lvnatuts Sindt i j i Dl • /-• 

PwnnJLinfun.uUb.por. boi , que nao dey xa luzir os roays Planetas, vioreprcfen. 
Phihjephorum. tâC ja a CO ndiçáo do foberbo. Em Mercuf io , que vefiindo 

1 tratzrjoenner a D. Ge- ■ * -ir =t" o 1 • 1 

tmmtnohb.t.deCah^ch- de cor de prata, nao deiacompanna o boi, 5 vioospode- 
TVlL%y,§»«u»tT em> res dariqueza : na Lua , queda fombra , que em fi tem , lhe 
Vquendamjtmpcrumbramji- p r ovéni condençar o ar , os éfTeytosda preguiça: 6 em 

veobjcuritateminjehabentem, >- ,. - j i r 

inuhge acedam, quanunt, Vénus , que domina os corações dos brutos , 7 as roíças 
,*gem t quandam«, g ,c^n ^\ u ^ mn . em Marte, que por fi he benévolo , & iuntan- 

fí> quawinjfifíxt,X5 conturbai ^***"'» 'Ti • n • 

an,mu. rationcm. idcmib,. doíTe com outro Plane ta he maligno , o a influencia da " 
l Gvnitun*, ubijupra , tf má companhia : em Júpiter , por cuja virtude correm os 
***'*%', ventos faudaveis, 9 a utilidade do confelhorE em Satur- 

noa.companhado de hum Dragão, & Ba fiíifco, a pefíò- 
nha da vingança, 

1 j 2 Nefias obfervações conhecèo Demonazos ma- 
les, de que enfermãomu.y tos ; & paraiaber,osque otra- 
fiáo queyxofode íi proprio,deícéo na confideração á ter- 
ra::/ remédio, que Job ja tinha enfinado, a quem molefta- 
„ . . . . vafemelhantedoença^) 10 & na rirmeza,quea terra tem 

10 Nimirum interroga jume- . "• . . , , r \ ■ • J l • n- o r 

ta , c5 docbuntte : cí w*»iV/« na igualdade , deicubtJO; a virtude da juitiça , õc le acuzou 

C<*hS5 mdicabunt tibiJoqucre , • • o r 1 J 1 "„_ L 

urrà^rejpondahukpb. de injufto, faltando coma doutrina, aquém o havia ag- 
n.t-Kr/8. gravado. * Seguioasagoas,& vendonellas,quearuael^ 

* i,ún[idera1ainfirmit*fpro- O ^ . O f 1 j •* j 

primai* notir excu/ai ai,ena timaçao naicia da purela , conhecèo o abono da virtude, 

Gng.MagM. s.Morahum. & a raz ã 0) p 0r q Ue os naturaes, lhedcrprefavão os confe- 

, , quoí- Demova* diBabat, MíS* i » bufcou os brutos , & nos que tomáo arremder, 

ippdejpiciebantytratenimvii* defpois que comem , alcançou as obrigações do íabio,& 

iiniHjdujíie.Kecordatux Jcbona /> , t r í i ■ - r í J 

V ita. acertefi dodefeyto, deque oarguhiao,em reíolver de 

repente,tudoquantolhepropunháo. 12 A Alma Santa, 

àtÀT M " g>Jler hn "'" S q uando moftrou ignorar a fi própria , mandoulhe o Efpo- 
1, si coraste, tpiticherri- fo, (eguir as pifadas dos rebanhos. 13 Oefpelho, quefe 

ma mulierm» , abi pu{\ viftigia , . Cl J 'fT „ .' 

pegum. àfftL >.»!'/. ■}. comprou para ornato, he cambem moltradorj aííy as noti- 
cias, ennobreffem, & recratão. 

1 1 3 Le- 



EUTtEZA Vil. io? 

i tcj Levaráoao EmperadorTr3Jano,húa fera , que 
etnocotner dcflezia o jfej bruto, porque era muyto par- 
co, & brnpo;feguio-fe deftas viítas(comofeíuhea o,m- 
tor,queal]eí»o N i 14 moderarfeTmanodealíiúadefcom- * 4 lv°k*t ?&*> i' fif** 
poiiura,com que comia. Aníbal cncgandoiequioio a íuia 
fonte, diíreráo-lhe os foidados-, não bebefiè daqueila a- 
goa, porque corria pormeatos aicarofos: donde, dizem, iy Ucmíbinum^. 
iuccedéo privar alguns miniftros, 8c eleger outros, i 5 

dava, tendo-fe por immor tal: quem ha de julgar a iombra, 2*««v*>.Çr« 5. tov*U< 
deve por os olhos na luz. 16 

114 AconíelhavaBias atodosaquelles, quehaviáo 
de fahir a publico com luas acçócs,primey roas compuíeí- 

-„ r 1. r Ml /Tl '7 Biaf, b'tnine/ tá r ui c?g~ 

Je ao eipelho, para aperteyçoar , as q lhe parecellem bem, nitionunducerct^beb^tm 
&darrepu!ç3,ásquelheeftiveíTemmal: 17 para rodos ^^J^fí^r**'" 

r f » J / I ri; ccntcmplarrtur^ui ho"cj'-af 

heoenfinoj 18 Sc particular para o Principe^tédofem- «/£" w»^,*»/» *»•*«»*- 

d. PI! f ' ò ' J djret. Siolauí f( rm. z* . 

vertencianoelpelho,aqueieve;& nomodo,com l8 mneft,q»,,djie quifíue 

que fe examina. Noefnelho de Proclus,quepofto (obre evto***'** *&*»>****- 

osmuros,queymavaas naosemomar, 19 íemalignavao catjèj>jiutut.fci*£ici*tf<:- 

calor do Sol ; via fie nelle o Sol abrafado em fua me ima luz; $j^£^'£j*££ 

& quando o Príncipe faz a conferencia, incendido todo tftaf5piãtet.D.***gJever- 

\ K (\ 1 • C ■ • t bi.Dommi. 

e;ii Mageltade, inreciona o próprio conhecimento, por- , 9 Nam^eeuUex^e faiú- 
que fecéea confino. 20 O efpelhoovado,mofíra as cou- T^JÍ^ZÍTItzT! 
íasmuytomenores,doquçfaõj náo recebe a imagem com um/u^euJiffet.-i.-iffMqueiu' 

c 1 _, . . r rr r vet boHium combujilfet SI*i?- 

acento; & quando o Príncipe ve os iuceelios, tem reparo, mtit.ií^cm^bitia. 
tudo alcança diminuto.Oefpelhoconcavomoftra as çou- IO *?**. '"!■'{"■; ' 
lis ao revés : 21 faz nelle maisrevejberaçáoa luz - y Sc ío àh. o.Greg.Mq *. Morah. 

„ jj £ J 'J r> • • ' J- 2' X3iiJ:f,t queJ U >,::•, cota»; 

na vidireíormada pode ver o Príncipe as direytas,oque o eeMe0WlJ j./ tu i) fe j, fJ j c jl* 
mundo moftraásavèíTas. O efpelho coberto dçaepa,& fcW*» »•*'<■"•">■ «>«'■'#«• 

r C I 1 n r f\ 1 Mayot.lb:. 

po-io ao boi , em tempo claro , & íereno, mojtra em todas , i vmtrfu* g>cçuit<*»fuh 

as horas Ima cOrelIa ; 2 2 íignificáo as agoas as tribuUçó- p^'^". M * '^ 

çsdopovo, (hecommúa allegoria)& quando o Piineipe 

cpm animo paccato, diícorre pelos difeomodos dos fubdi- 

tos, acha eftrclla,para acertar em todas luas acções, porque 
tem regra, por ondeasmedir. Oelpelho concavo lendo 
fextavado, lançado cm hum vafocheyo de nzeyte, molira r r , ) 
çlaramenLeosecIyplesdoSol,&: da Lua; 25 oazeytea- f „,r •>.,-., ■ f , H r»r,«. . 
branda as poftemas indurecidas: 24 & quando o Piinci- 3^'ÍÍÍSÍ ,- * , * < ' 
pe aos documentos da experiência, confronta sspropiias 24 »/««» f«fl/**t* < - 
seçoesj iem a durela do amor propuojve os tcíyplcí.po!- ,,„.-,„.,/,„ íf; . j9 

O que 



íoô O PRÍNCIPE VOS <PJT. TOMO 17. 
que conhece os defeytos, da purpura. Defta iórte ha o 
Príncipe de ufar do conhecimento , que tem dos fucceíTos, 
zç Verum tnaà Muraram paraquenão leia como AffonçoX. deCaftella; quefen- 

prjftdvfjufuhví non oblatum *■ * ' , * . ^ 

ibéxterUGernuutu imperíum do verlado nas letras, perdeo o ReynOj por ignorância 

tuetur ,imo pater num regnum nmnr :_ „ c 
cumiguoraniiadeperdii. bha- r lyj [ O 

tima derebwHejp.iib.il. r.j. l j^ De que ferve ao Piloto conhecer osbayxos,fe- 

naõ ha de difviar delles a embarcação? ao pintor íaber o re- 
alce das cores, fenaõ ha de accommodar as tintas na pintu- 
ra Poupara que compra efpe lho, quem íenáoha decom- 

16 St renita qute ai variam ll-\ ' j l_ - t a c 

anmiiguruwjíti nriofitaum por a elle? o que ve no debuxo a acção valente , Sc na pei- 
àifciturparumproieB.DMi- fá 3 re p re íe n ta cobarde , a íl fe condemna. Saber por cu- 

crim.lib.Jeb st* FP. .. Jf , '. m * 

rioiídade, ou por jactância nao heplanta de eliima,por 
quanto naó dá frutos proveytofos. 16 

JtlaparVumprodeft^ quampeclora Vana capeffunt^ 
Et fia dijeentum peclm inane tttmet. 
German. 

Ignorar conhecendo,confunde,a oceupaçaõ do Keício, 
com oeuudodo íabio. 

fli/Jlmiles fatui fapknttbm inVemuntur, 
Qjipta qmdemfapiens , Fiultus bieptafacit. 
Idem. 

Opirttl Regem memini(fc, 
quej homo exijlcrií tolefíatem _ n r /■> • 

ftadrpuHâ.v.nam.ut re, ho- Quantomelhor íoraa muytos, antes nalcerem inertes, 
Z^ãu^uVSm"ut T do <l ue embruteííerem , defpois de entendidos ? dilo-ha a- 
mnp.apuâsiobau. quelle, a quem aílifle o lume da fé, & falta ásobrigações 

pus rogo cremarctur,co».buftu de Chnítao. Acuía a luz, a quem alumiando com léus ra- 
1!cTb r T !S ° lum ??*?'* vos, defprefou fuás illuitracócs. 

íuig.i.b. i.demirabiiibtu 1 16 O conhecimento próprio he a melhor feiencia 

fTmantfeaby,quividerutau- " os Príncipes : tem as lemelhanças de lua virtude, em 




J6fe 

taftan^aBumvaieiudincmho- forçasa hum debilitado : ou como fua fali va, de quem dif- 

n*>nrectptfSe:*ahvaqueej»fdS r *. . , • o 

c*cumjume*wuper*fe. tai ierao,com a melma verdade, dera vilta a num cego. 20 
'% De™»** i»terrogat?*, ° entendimento de Demonaz, naó teve luz da hlofofia, 
quando cttpijjvt pbitijhpbari,i& fenão delpois , que Demonaz fe conhecéo. 29 Fillippe 
ifcrpi.stoba.fam. » ,„ JVlacedonio,pau íe reparar da iragiíidade humana 5 repena 

todos 



E MT (REZA VIL 107 

todos os dias ao levantar da cama , eíias faudaveis pala- 
vras: LeVantate í I(e)\& conjider ate homem. 20 Eiquecco-le ?° Mftofp** Mfg*âo rum 

aulamas do que lhe lembrou bimonides,quecra, lere- Cí f t>J „, „,„■>, *»i*» ,*„ 
conheceííe mortal em todo o tempo, & morréo ás maõs da Mt v*fi" i * ••• »**•***««*. »t 
iobeiba. 31 Deipois que Placiíla moihcr do Êmpera- »»^6éw*/«:s*>$etffc)^i*». 
dorTheodoíio ovio coroado Celar, continuamente lhe Tx^^„f.' J 
pedia, ielembraífe do tempo em que fora homem parti- v '^i.b^j.v^-^hihr. 

* . ' II!, 1 i l riaclu-llrjul C, Iwpa* 

cular. 3 2 A purpura he mortalna do conhecimento pro- morni,xorp lí! H, j ::v,. ÍK fub.n. 

c 1 l'j J 1 - • \ J de mintam tdattHWt It! b^T 

pno. Seguem alguns validos a adulação comtnulo _âe ^^^^^^.^ 
retpey to ; falta em muytos, a valentia do amor ; & naõ ha pr&itum a-w.-».-^/:,.»,,^,. 
quem lembre aos Príncipes, o que rorao, oqueíao,oco «1.^.^2. 
que haõ de vir a ler : por efta razaõ diíleraõ os antigos , que 
naõ era para Príncipe, o que naõ foubefle andar acaval- 
io 5 porque efte animal defeompoem a quem o naõ fabe 
governar: advertindo do erro, lem refpey tara quem o do- 
mina. * Efta falta fuprio a Providencia Divina coma * ^^^«., 5 . 
lição dos fueceífos anticipada aotcmpodogoverno,para 
quenosdiasda adminiílraçaõ naõvivaõ os Príncipes nos 
braços doengano , donde he certo cahir 30S pés da liionja; 
& feosfucceííos faõ o cfpelho, em orna vscryftallino, que . 

foy São Bento, onde deipois dos Sagrados Apoftolos íq pu^ eji w-no. Ecd^a , n of. 
viraomays perieytamente todasasprerogativas, 33 tem ? rU f a a, one mí$*. 
o Príncipe de conhecer eRa virtude. 

117 Profeguio vicloriolb o Príncipe dos Patriarchas ,ç w^«,L^r»> rf . 

f o I cipuut Jux Moiitcborum.ltaif 

24 o caminho para. Sublaco ; acompanhado com júbilos nei&M>i»tyj<h\£vi*fi) 

Òj 1] r • - J íxponii i!!:iJ $*cr>fic:uml»it 

as virtudes, quenelle íe viao coroadas. jE^/jí*iã«w« 

Çnia numerofafides, queque dra rotunda Cyhetks 
Mttratis quêjonant Ljrtapleclrachorú. 
Troperúmlib. 4. Eleg. 7. 

Repetidos eraõ os triunfos, que havia alcançado São 
Bento ; a coroa com quefe laureava a naõ podiaõ cingir 
muytosoibesjiiem iuftentar hum ló Atlante. 

M(tvu<equc corona 

Tantum orbem^ quanto cerVix nonjuffícit una. 
fuVenalis Sátira 1 . 

YioS. Bento afuatòva,& relle vioacòva de Si-blaco 

O 2 afiu 



i o8 O PRÍNCIPE WS PJT. TOMO 11. 
a lua luz.Neitas viftas,me parece,fuccederia omefmo, que 
,, Y. r g-quctvohtartv\fa no tempo dos K omanos, onde ie virão voar as pedras; 35 

Cuntfaxa loventia ctiam, bthni n , .'. i ■ r ■{ 'li 

lo.nmHoo.anoruinicmporc,® a liy oíariao as da rocha, para ie lançarem aos pes do ku 
F°d>gi*«u*t^™fiàed*gn, habitador. Em Islanda ha pedras, que naturalmente Te 

babcnja e/t. ^ l ' i 

Mayoiiitdtiapiâibuitf Li- movem de húa, para outra par te, de hum, para outro inon- 
"*6 õ^xJmLhiãJjiji^HcJ te: 36 donde as de Sublaco,quando não ioflem deita na- 
wor.uumpr.oupianuUitxt,,» care f a podiáo para facilitar a mõtanhaimitaro penhaíco, 

Jicj*«uaiio*e t JcJ própria na- ' Z £ a • 

tivaquc^ouoiepervvinare.òa quehngirao íe tez ponte para 1 amorJao paliar o no. A 

Xo (jrwi'tiiiciis in fittfattionc \ t' ' 11 1 n 

Jcrihuí4 penha ie ate aquelle tempochorou auzencias ,aiiy como 

Damoepudeundcm. ih. delpois o fez milagrofa, poria termo a leu pranto , como a 

47 Sed$lapi,,qi,i Menino- . / , . . ' P a ' J A Tt 

rnsfuifimcmoratuTiVimigm pedra de Memnon,as iuas vozes j nelta pedra eitava eícul- 
iZTsÔ^Zãur'. Pida húa eftatua ,aqual articulava palavrasao tempo , em 
júspercupui voccm d*™ joii- q ue nâfcendo o Sol a feria com ieusrayos; masnafcido 

tuslemptrfui1,ufúucadCI»f * d 1 -1 1 1 ' J 1 • 1 

ih^jjvt»ium;anu»>cíjjjvit. o boi da gloria, emudeceo de todo: 47 íanao tinha por 
Emfatiiu c*f»r. <-hro nJ c. e X g Ucm cnamar aellatua ; nem tinha ia por quem chorar a 

tnterpretJlione D. tiicro.jnno 1 » 'i.T c 

/««/ií//^so. apud Mjjai.hbi penha. 

iiEzechii.cap.A-j.verf.q. 1 1 8 Emo mar morto entrarão as agoas vivas j 38 o 
yiirtrttwumnmuxirt, efpiriro dos juftos,em a penha deSublaco. Da forte que 

O iij/irii,eu ratne,<S) openbui. f j íi i - rr \ 

^>/ B ^tt,gor.ve,bointrotie. Noe fe recolliéo em a arca ,aiiy S. Bento em a cova ; com a 
^° e cc?!b?^JiTd^mmt?^'n. cfpofa , & fi lhos , configo , & com as obras íe enclauzurou 
gredera, es i»ci»de r e in m dh> Noé: 3 o Com os triunfos , & confiVo mefmo entrou S. 

£^rí. ,.t/ £ r/-.2. 2 .Si4- Bento na recluiao. Delpois que Lzechiel logrou em o 
£4^STS£i campoa]uzda g loria,omandou Deos recolher afuacaía. 
ftci:m,,»quartum ferira co- aq Alcançada a vi&oria , retirou-íe São Bento para ape- 

gitattonu claiijua cu/lodivit. , 1 i • r- o L' r 

D.Grtg.x.Morai.cap.t. nha , a habitar comigo: 41 bubjugou a naturela, para 
4l »**^«^r*We«rW- nâò p er< j er ostro fdos da graça. Circunfpe&o São Bento 

rum Jecum babitafjí dixerim I o * I 

2«/.i i»jttaftmptrcuftod,ac,r- em os enganos do mundo , diante dos olhos de Deos fez o 

cux/bíBut ante oculor Condic- • t 

torufcfimperajpmwtfefem- exame 42 com tantas experiências , quantas eraoas de 
ftr examinam,. Utmibi. que e ftava fenhor , fez contas configo. 42 Até aquelle 
d U nt,c U maiie*a* cuipa, aud,. tempo, como íe occupou nos cníayos, viviadivirtido nos 

*«(, nmx aJ própria* Cor redu- l~ íT L J J J " ' (\ - 11 ' 

cu,n;VtJorea,u,fu a <d»u- íuccefíos; chegado o tempo da adminiitraçao, recolheo os 
d,ca»>, quito verm,ahena de- feiuidos ; oceupou-os todos cm hum objecto , para terem 

florant j • • 1 • 

Grcg. Mag.hb. io. Moral. CCrtO doiUIClllO. 

Quifqim ubijiie habitai , maxime^ nufquam habitat. 
Marúal lib.j. Epjgrama j 2 . 

tStJmSH^t^ 0CH - Em fi fez empregoj 44 & para faber o que lhe falta- 
idem ubifupra, va, morou configo. 

Tecum 



E M í> (J{E Z A Vil. io 9 

Tecum habita, & wris y quamfit tibi curta fupetiex. 
'Per um Sátira 4. 
AflentouojuizOj&começoua abrir o livro da memo- * JtáiciumjMit ,,» hm *- 
lia, onde tinha efcricos os fucceffos. * f Dtmltícà^i.verf.io. 

1 1 9 Compaflivo chorou S. Bento as culpas alheas; 
ligurofamente condenou as próprias. Julgão os Santos as 
venialidades, por culpas morcaesjnenhua cometéo S. Ben- 
to em lua vida ; em toda ella o não deíamparou oEipiritO f* Viâelomoi.n*R*zaB& 

. I Jt Defcfçao aotituli/ 113 livro. 

Santo; 45 mas a virtude do conhecimento próprio bri- t 6 ccdexpeccaiomBened,- 

11 _ 1 Cl_JL.Jw o- _ D n Ut.Vttrnihi miferoha\):ntt con- 

lhoucom talreiplandorem Sao Bento, que para teítemu- %t „ummWttm. Quireu,,» 
nhodofeuexcélíb, quero faybas a protefíação com que w ' «•""'*"> ?•'* ?•"< flí/t '- r - 

_ ■,,.," * * » fimtur ihortbut meu malu.lu 

rematou íua Regra. 46 vtioborumLe£h r ,fttu&vium 

■videi is , concorJare pretctf. r//-, 
erant pio Scripiore , Codtcem 

LIVRO DO PECCADOR BENTO, t^^^Z 

8-JJimut Pater faipf.t própria 

Mj* 11' • 1 I """"'• uía ferit 8e*cdi8ur. 

1 erayel de mim , y Meneio ao contrario do h«P"""°>»o, d,^.^*. 
y r fl V 7^1 r ta. \. de Regula S.UencJi8i. 

que enjina ejte livro, cm todas as coujas a 

queperjfuade, Vivo reo; porque todas fe encontrão 

com minhas obras. Tu , ò Leytor ,fe achares , que 

a tua Vida concorda com efla IÇegra , ora pelo Ef- 

critor, &- toma a dar ejle Ihro ao Autor de lie. 

ReparelTe , que faz São Bento diftinção entre Efcritor, 
& Autor, porque o Santo eferevéo a Regra, & o Efpirito 
Santo ditou-a. Eftaconfi{Taõ,quefezdeípoisde Príncipe 
ioberano, he o conhecimento quede íi teve nefta ultima 
difpofiçáo. VencéoS. Bento o mayor trabalho, em feco- ^ t . h hac w< „ /„/?«,«« 
nhecerimperfeyto: 47 noexamequefez,aindaqonáo W» ç/** vtfma '^'.'"J" 1 '" 

r C L ■ 1 1 a 11 a „t^,uveuuníerflido^eor- 

acuíava a conlciencia,compungio-o a humildade; elta lhe rig( „do*i mcUor» p,oducam. 
fez abater as azas , mas também lhe alíegurou o trono ; & ^j^Jtpl.^^i^- 
rkou a cova, por ler lugar do conhecimento próprio, li n- Mvtramerctricen,,& Domnt 

doacaladeRahab,toradaqual lenaolalvou nenhum ha- ig t fcciij*fuévrvcre. 
bitadorde Jericó: 48 acafa ,dondequem a habita nun- 19 ?•""; •■"""'* Vf*^ 

J __ T t T ^ tUtau tcm no manctirt t ornem 

ca he fervo, fcnáofempre filho ; 49 acafa de Jolias ,on- ttttttium;fiiiut»uummtneu 
e lenzerao as coroas para o grande Sacerdote Jczu,h .no ^r umetaUTum , &*r S e»tum: 
de lofcdec; ^o & na cova ie tecerão a São Bento as co- o /*«« cero*a*&f>o»<"* >< j ~ 

J uri- piteJefufilpJofedecStceráe- 

roas, que lhe íabneou a graça. thmtgni. Zaçb«r.6.v lr /.ii> 

O 3 J20 Def- 



no O <Í%1NC1?E VOS <?JT. TOMO 11. 

120 Defpois das experiências que ceve, & do nau- 
frágio de que livrou São Bento ; na medicação a que Te 
entregou na cova, difcorréo elie Príncipe pelo que tinha 
de leu j & achando, que de mercê poíluia os foros de ilhjf- 
trado,& que fó por naturelà tinha asmiíeriasde homem ; 
premeditando o cargo em que Deos o havia pofto, &a 
fraqueza, de que era formado, aílencou conílgo para iegu- 
rança, o que o Centurio diílè aChrifto por reverencia: 
Sou homem conjiituidoem dignidade. 51 A viíta de tantos ma- 

5f ^'«c>/»/«i/ i) r £ ./r ( 7rí ]esalheyos,quancos São Bento havia encontrado, a con- 

clulao que tira de lua vida , roy, de ler homem, como os de 
ma ys homé??na altura em que eft ava,não o diminuío a bai- 
xela dos que havia vifto? as noticias que ceve das culpas, 
que cometião os do mundo , efeurecerão-lhe o privilegio, 
&a\ivaraó-lhea fogeyçaó. Efqueceo-fe S. Bencodoque 
.lo os Piincipesfelembraõ ; &lembrou-fe,doq fó os Prín- 
cipes feefquecem : de que era frágil como codos os home» 
fe lembrou o noíTo Princi pe , quando eítava favorecido de 
Deos, mays do que nenhú daquelle feculo, porque o mays 
perfeyto,& mayseidarecido fiz das nocicias que tem ,ef- 
pelho do pouco que he. Irado Deos concra os habitadores 
das Cidades infames,communicou com Abrahão o acordo 
de fua juftiça. Ouve Abrahaó as queyxas de Deos,& á vik 
ta das abominações que ouve , confeíTa de fi , naõ fer oucra 

(i Zíjíí^aJDe/^arawe- coufa mays do que pò, & cinza. 52 Verdadeyra confif- 

*ZZZ{7Xt£zt CÍnÍ '' íaó i ll13s naó fe y> fe % fe y ta a tcm P° congruente. Quan- 
do Abrahaó , fendo valido de Deos , ouve os peccados da- 
quelle povo, mays parecia occaííaõde íe ellimar homem 
particular, do que parafe conhecer commum. Notribu- 
nal em que oourodasvircudes de Abrahão fevia apura- 
do^ as culpas dos delinquences condemnadasaofogo, 
confeiTa o Pacriarcha , fer pò , & cinza? Sim,que Abrahão 
foy o mays perfeyco , 8c o mays efclarecido encre os Patri- 
archas daLey Efcrica, &canco fubio o conhecimento, 
quanto o levantou o folio; as noticias que ceve das falcas 
alheas foy oefpelho,emque vio o pouco que era. Não 
fe aproveycou Abrahaó Príncipe dos PaCi iarchas da Ley 
Elcrita,nem SãoBenco Príncipe dos Pacriarchas da Ley 
daGraç3,efte,doquehaviaexperimencadoj&ooucro,do 
que tinha ouvido, como de noticias, fenaõ como de de- 

féiiga- 



EM$%nz~Â vn. iii 

fengano. A chama do amor de Deos, & do próximo, em 
que fe ahf aia vaõ,os náo fez lébrados de outra coufa mays, 
doquedascinzas,dequefecompunhaõ. <2 Afaltadef- *' fiemhftãmaeotipimptK 
te incêndio, esína cm os Príncipes aqueíla memoria ,& eubemfpieiunt^ibiiaUud^uã 
naó fabem conhecer as miferiasalheas , como ^o^pnòí^^f J«;jJ[J; i4# 
próprios. "f"- 

1 2 1 Sobre o conhecimento próprio, afferitou a dig- 
nidade em Saõ Bento, dellefez aliceíTe,em que defean- 
ça-fe a virtude; quefoy todafua regalia. CompoíTeSaõ 
Bento para o trono, pela mageftade , com que Deos exal- 
tou os mayores Príncipes da Igreja . Os Apoftolos de 

j-^i -!\ - C J 1 J ~ 1 _ *4 Pater Meur Imtrrtutin 

Chrilto erao figurados em as columnas do templo; 54 ^iiegor.verboCoiunm», 
as quais tinháooschapiteis tecidos comredes,& eftas,co- «»*■■«/*'*«"■ «&«■««:$ 
roadas com açucenas: 55 a virtude repreientada nas no- mmf,bnn viam miro opere a 
les, 56 funda va-fe no conhecimento proprio,porqueík- fZ^ít^ZZ^Z 
hiáodasredes: ForãoosDifcipulospefcadores.&quan- i u *fi °P ere hl ? ****** *•*<?• 
do levantados columnas da lgreia,polerao as redes diante ,6 ipf*$uoquevhtute*wi* 
dos olhos; moftrando,que fe nãoefqueciaó,doqueforáo{^ f 7; (! ' , ' / '"^^ !, ' t ' ?r - 
em o mundo: &neíl:e conhecimento, afientou toda alua 
graça. Faltara remateá firmeza das columnas, & duração 
aos iirios, fe lhe faltarão as redes : eftas erão o pezo,que ef- 
tabelecia as columnas; & a terra, que confervava as açuce- 
nas. Em húa flor naíeida, na raiz da planta, defeançou o 
efpiritodeDeos; 57 & também nas rodas do carro, que y EttgreJieturvirgtàcra* 
vio Ezechiel. 5 8 A creatura , que ha de fuftentar aquel- ^MVlftjí/JÍ^/! £r 
la coroa, não he,a que fóbe á vara,fe náo,a q defee á miz.O eum sphitat DèmíuT. jyw 
Príncipe em o trono , ha de ler como as rodas , para gover • < 8 spi/nut mm ■>** trst 
narcomefpirito: a flor da Vara deJelTé vifinhava^coma ^■í^wí 
terra ; 8c da mefma forte as rodas. Não dey xava a flor , de 
fe apegar a afeendencia, nem as rodas de íe moverem com 
xnageítade;& com tudo iíTo,nãoapartavão a viftada terra. 
Columna,flor,& roda foy São Bcnto:Columna a mays al- 
ta , em a Igreja de Deos, defpoisdos Sagrados Apoftolos. 
50 Floramays primorofa,quedcfpois deftcsGiralocs, ^XJtntmiiUpoflptimet^iS 
tioreceo em o mundo: 60 Roda em que delcançava o el- ril f (CU „jJ^. Eaupn* •**■■« 
piritode humDcos: 61 com efta luz, vio mays tetra; **«•"■■'. ,. 
com aquella perfeyção,viveomaysefcondido;& naquel- mtúitibutotbem. o« 1 Cb,u 
la altura, mays humilhado : porque lendo columna porg ;A//Hi 
prnça, reconheceo-fe frágil por naturefa : fendo flor pelos * v*t OeiBentUBms^ttr^ 

o Sj » ^r, . j r uniu* Dei SphitumbtbMit.D, 

tiotesdanaturefi,reconhccco 3 que odevu agraça;len- Grç.M*.a.M«vi.AyJ. 

do 



ii2 O 1%IKC1TE T>OS <PAT. TOMO Ih 
do roda fabricada, de todas as virtudes , reconheceo-fe ex- 
porto, aos ímpetos da inconftancia ; & com efte conheci- 
mento fortalecéo a confbncia de luas virtudes. 

12a Quem vifie a Sáo Bento, defpoi.s de exercitar o 
cargo de Prelado,tornar para a cova pelo mefmo caminho, 
por onde fahio para a prelazia , certo eitava, qne não havia 
de enganar o mundocom a vaidade , a quem ie não aparta- 
va do caminho da pobrefa. Morto de fome, & dei prtfivtl 
notrage foy São Bento da cova, para o mofteyro^ccm 
nnys provimento lahio do mofieyro, quando le foy ou- 
tra vezmeter na cova. Não variou de penha ,por pão mu- 
darde caminho: tornou a repifar o de Sublaco, para fenáo 
efquecer do principio, que teve y & comtftas memorias 
raó ha eftimação , que defvaneça ; nem bés,que enganem. 
Aquaíi todos os Santos Padres fervio de motivo, para a 
íombro,a abundância dasriquelàs,quepofluhioAbrahão, 
& opoucocazo, que delias fez oPatriarcha. Encarecido 
f* ^fn«in erg» ^hmiá h e Abraháo de opulento, na eferitura, defpois que fahio 

oe^fgypto:: Erat tntm divet lr , , . o J / • r I i 

r^Uawporff.oneaur,,^ ar- do Egjypto; 02 mas antes, & delpois lempre aclamado 
s TJF^Í'a'2 erf ' l : 9K Santo. Aremediar a fome, defeco Abraháo ao Eçypto: 

ft? taifa eíifimestn terra: m ... „ C-J í 

àejceni,t què ^braham ir, 6 3, donde fahio com groflòs cabedais:mas nc em o ttmro 

darome,roy mays Santo, nem delpois no da rartura me- 
nos jufto: O ouro , de que tilava íenhor,não lhe ferviode 
pezo,aque fe dobr^ fie ; porque Abraháo, quando fahio 
(■» Kevrfusqueeftftrhtr, do Egypto, tornou pela melma parte , por onde defcéoa 

r°™crat,v .hci^j^. e \\ Qh ^ & os p 3 fl osc ] a miíeria trilhados defpois da a- 

, _. . „ , bundancia , nao devxáo enganar com a opulência. 6<> 

bus.nontnUiâiviuarum cofin De todo o antídoto uíou Sáo Bento , para que oreíplen- 

.*.•.■ Hocjciai , mentis rSe oeti- 11 A.J1I - C L • 

tntmtànarihmpfT prLipm, àor á * mageltade, lhe nao ccg?-ie , o conhecimento pro- 
ts 'fi«*m$ procederei mãe e- p r j o: bufeou primeyro todos os caminhos,por onde fe po- 

gred,.D.^4mbr.l,b.z.Je^- \ , . , * J r - t f i 

hrahamcap. j. de-ie achar, para que no trono k nao chega-le a peroer. 

123 Alcançou o noífo Príncipe das noticias, vi ven- 
do em graça, o que reconhecèo Saul,eftando em culpa; 
vendo parte de lua veftidura cortada ,en)as máos deDa- 

f\6 Juftioriu tt,qtiam erc:7u -j 11 ••Po r^v • 1 • _ „„.„ ,-f f 

nimLLfi.mibi L.:^«! vid:queelleeraocrimtnoio,& David o innocente,coíel- 
umrcâJiditiHmaia. •. R tg . fouSaul. 66 Em íi arguio Sáo Bento a pouca tfficacia do 

exemplo, & dikulpou nos lubditos atibeza doelpinto. 
Neftaconfideraçaó fíouo Sanro,defcuconhecimento,o 
que São Paulo infinouaos Hcbièos convertidos, confia- 
femnaefperança,de correr o véo,& entrar noSãnclua- 

rio: 



EM?% EZ A Vil. 1.1 f 

rio: 6j deyxar o munJo, &confcguir a gloria: como í? QMieemfiigimvttJtemm» 

AdaõfecontlJerava defpido,& tratou de ie cobrir, naõ ^"aZZtlTfÃZllT^íl 
com folhas de figuevra, com folhas de palma, fi :a fjguey- ****>*>»* firmam&incriciuê 

. y rr • \ I r 1 1 l ufqueaà interieia vchimr.U. 

ra^comodiltemosnoprimeyroromojheliniboloaavan- ^unArtost *»/•*• 
gloria, & a palma, do próprio conhecimento jpprque fé 
compõem defolhas, acompanhadas de efpinhos: comei- 
las fe ampararãomefts mundo,muitos laureados na gloria. 
A purpura dos Príncipes Samnitas, era de folhas de pal- 
ma: Sc delias fe ha de comporá purpura, das mageftades 
Catholicasj naõ apartando da palma,quando coroa, 
os efpinhos da palma , quando eftimulo. Naõ 
defprefando nos dias da mageftade,osa- 
vifos dá experiência. 



1 



TRATA 



«4 



TRATA 

S BENTO 

DE INSTITUIR SUA ORDEM, COM A MUL- 
tidaó de gente, queofeguia. 

E M $ %E Z A VIU. 




52 



4 HSBÍ1P Smatenaesperdernopreftimo, 
? K8SS?S 1 fora de lua ordem : nem a te I ha 



i Omneorâinatum pulchrkm 



i repara a chuva , nem a pedra 
nVfjvB&iyí» íorma o edifício: deíampara o 
I lIsSssa^ J c 'P ir,to as partes leparadas do 
^ l^Í3m todo; falta a fermolura aodef- 



unido: i nenhum valor tem a multidão, fem difeiplina, 



o 



n M ® %U Z A VIU: ri$ 

oexcrcito fem fornia. 2 Afifa-ac, Rey dos Numidas, , l Q!" m <**»**'» k/rifo; 

r , ■ r o • r : /atcret,hsm,'j remiti morJi- 

lendo igual aos Cartagineses, emas armas, & nqueia,nao nitiquidcmprojcSa, aJ mui 
featrevéo afahircomelles a batalha, fem que tiveflepri- ffi^j^^j 
mcyro cabos Romanos, que iníinaífem a ieus foldados a <i ua P- iUt S cun ^ w, i ut fi'' un '' u ' 
iorma da peleja. O amontoado, como nao leva ordem, »««/,«•//*««, *«»*<k«w**M 
morre namefma coníuzão: os Celtiberos ,vendo-le em ZtStJlZ^tl 
grande neceííidade,nas campanhas, forinaváo hum elqua- rum umen iffiam ,nipjt,xta 

~, 1 - y> • e /l j ' ' trntaJS munumenta cortei ti m 

drao,a quem chamavao Cumo, & nelta ordem erao mex- en /iuemcciiech.Xau^í.itiin t 
pugnáveis. Como também os Romanos, comas luas Le- *J**&«i&fiB*SocrMt*. 
gioens ; & os Lacedemonios ,com as Falanges , onde uni- 
do* compunháohúaefpefa mata de inftromentosbelicos; 
& as veles , que a fuftentaráo , foraó vi&oriofos : hum pão 
ínteyro, lançado na agoa tem-fe, partido, vay ao fundo, 
Perfuadiráo-fe alguns Príncipes, podiáoconlèrvar o cé* 
tro, governando lem diíTèrença, compondo a republica 
de húafó gala, fazendo-ainftromento, de humafó corda} 
eíh quebrou, em breve tempo, quando a tocou Sereutha- 
el,EmperadorOchomano; durou humíóanno - f porque 
logo defafinou acórda,fervindolhe de garrote, o que fu- 
pos amarra. 

125 Pertendia oOthomano,confeguir quietação, 
naõ deítinguindo os efladosjfaltoulhe o fim de léus inten- 
tos, & aprelTou o da lua vida. O caminho indire&o he fem ri{^$f»i$m. }"%'££ 
frueto: 3 aduraçaõ hearrifeada , entre os humores dcf-" ,!,r - LjS; " í "" r - 
compoíios:o relógio tendo em feu lugar as ródas,andacer- „ 1 
to j nao ne durável oimperreyto: 4 dacompoiíçao da p ttftejfe*tema: Ra )m u*àut 
republica pende a fua bondade; * pode confiar o Princi- f^fe^*'*- par:: 
peafegurançadefeu Império, quando eftá em equilíbrio. * tn*an**$iàit*CMtatcttr. 
JNadiíunçaodoselementos,conl)ncaordemdeíuascali- d.^â^ m.t ftúiixtf. *. 
dades ;fe a agoa cobrira toda a fuperficie da terra ; fe o fo- 
go abra fará toda a humidade doar, que miílo vivera? que 
individuo feconfervara? ordenou Deos 35agoas,fuperio- 
resáterra;& oar,inferior aofogo,paia queair.conlbncia 
das2goas,feeftabellect-fe na firmefa da terra j& os incên- 
dios do fogo, fe me tigaíTem com a frefeura , do ar. A conf- 
tancia da nobrefa he reparo áinftabilidade do vulgo j&a 
fogeyçáo deite ,rclrigcriodaquella: Confundida elta or- 
dem , fica a republica , fendo como o cftamago enfermo , a 
quem a intemperança do calor , ou da fiicldade dimir.ue a 
fubftancia,com que na repartição do nutiimcnto , ficão 

P 2 dei- 



ii 6 O T1Ç1NCITE VOS TAT. TO\fO 11. 
deítituidas as pi rncipacs partes do corpo. 

116 Alguns Príncipes, cegos com afortuna, imita- 

ráoa Albag;a-iaem , lUy da fartaria, fahindoa conquiíur 

• ^«jrtM ^)rb*tcntu de terras alheas,antes de comporem as próprias j * com que 

(tatu ItriArix £Jj>. 17. . • • ,1 1 L I» 

amntandoaogovernoindigeito, a crueza das bata lhas, en- 
fermarão de ral achaque,que todos os que livrarão, ficarão 
como aedbeça de Oriledes,de qtié tingirão, feus inimigos, 
andara embuíca de leu corpo, & que o achara cõ outra ca- 
1 tiemihicàfj^: beça: 5 eng^narão-íe muytos Príncipes com o fequicò, 

preli)minJobaftava,para os confervar,o mocim,que os ac- 
clamou : os amotinados faó como pedras a vuílas, que lór- 
máo cumulo fem arte , nem afíeflto. Não tem ainda caia , a 
que fe. recolha, quem tem junta os materiaes para ella; 
nem eftes,poAosfem ordeai formão obra, nem aífcgurão o 
edifício. 

1 27 He a republica, hiím corpo politico, compoflo 
pelas máximas da razaó; & para que leja proporcionado, 
bc durável convém, quea fua difpoíiçâó le regule pela or- 
dem, queobilrva a naturef», na fabrica de hum corpo hu- 
mano. Defpois que a natureza, tem os materiaes néeeuari- 
os,para a orgarafaçaó do homem, forma htím refuffiído 
f*nimtítãMtm-€*pritu. compe ndiodofer ifirmano: 6 Bc apfimeyracouft,que 
guiimrw^v.in^frwcjma. nelle aperíeyçoa he o coração. 7 Na republica, O prr- 
dtmt.-m \uoxamcn W7p r iusfe- m^yro , que le ha decompor he o Frmcipe,emamncíalda 
eermt -,ac ?er f e c,i jm* qiubu, v jj á poli tiea, aíív comoocoracaó da humafia. Em feu ot r- 

v-mj.-.vari m/fim. Jotnigx r ..-' r . * c «. . l 

y.cdinp.u, u^.hmd, >,»t,. jneyFoprFncrpíOjVeííe a nsfurcw o coração oe cor branca, 
SSSSS^^^ÍÍJ* n*w traníparenre, cofn que fé deíhngué claramente das 

7 ci e ecr W ^:rfi<,tquej>nmr, j m y$ par ccs, Dela m-íteria rubicunda, que por clle k dcy- 
»« corpufcuhfjBina^erfcSã- xa ver. o fcm o pnncipio do goverwo , nao na o runeí- 
^^írír^ií^^peaeapparecercodo purpureo^omdifTeTen^adoí fubvír- 

8 Quamviteitm mitio ptre- cos, fLuias íèia-a die&nja idade conhecida peio cândido, & 



xiguum ,corfit, canitdumque - ./. , ° - ■ . . * I. J/P 

totum,ubco»tc«titj<nt<»utro- nao pelo ianguinoknto jnaopcío rigor, peia brandura fh 
Í " , ; i "" , , f "';- / " J ™"" rr "^- A fliitido de recrias, & vcas , cria \opo a riaf nrefa ao cera 

rentem rube tinem , a pirtibur ' ' Q 

rettquirfaci!èdifi, Hg uitur.idi cio: o eíte lhe communica o íanoue puro , cem que fc a 

Fcilingiut ubi infra. 7- ia * * /r*A - 1 « " 



cera- 

a-» 

. limentaocorpo^ ia ao Pi intiipe aíEíiaõ logo asai teriam, 

9 H»mhafi pr, re3 M ve»* , d q Ue ceprcfemáo os tribunais, & as Veasi, o^flíiwftfOS exe- 

io i» carde eH principia ve. eucorej, para que cínn o caftit>o,& como premio, repare, 

f^guintni, v eju f f»*gui, ,ft & angiiunte aMonaTchia. Com asar terias, & veaa corr.e- 

mund^ciarHtsai.dutfS mi- ç a Io(í(),Sí contiuuao coraçíoamovet Teú curfo: i i com 

ii idem Vcshngiu, ubi jupr. os tribunais, Ò£ comos OHiHítiosha o Príncipe kinpre de 

exer- 



■J- 
inci- 



exercitar feuofficio: A íegmdacoufa,que aperfeyçoa a 

naturefa- he o ficado, 12 oqual aparta ómáohumor, do ,z Moxjuuuahatptiii 

bom ; he a Icgunda' purificação dafubitancia. íáj oobrc ú>t. tj e m*b,jupra. 

as confultas dos tribunais /deve o Príncipe de efco-lher ," W: ^' e/ f'"" ''* '"^ 

pefíbas timoratas, heis, & doutas ; para que fique apurada )ccunã»digefk<oS$ftf»Taúy® 

3jU.iiva. jlhomaco Gcmimantls Ub.fi de 

1 28 Ao coração acompanha a naturefa com os bo- Ho "" n '£> »**"' ei*st*p- »»• 
fes, para que eftes com íeumoviínen too refngcreni, quá- 
dooexafperaoiralcivel: 14 faóasíeys, asquemaigão - a . .... 

t • • 11 1 - 1 ° . >4 Cer ejt pulmoitiviemu^ut 

acoleradehum Príncipe, poi cilas haóde regular o cal- tumnaince«ditur,bujufmodi 

r ^i_ ^^il^. -" ri i~\ /" • J i^ a* L. • tulmottu remédio tci/iyci c.ur. 

tiao, por lenao mottrar mjuíío. Delpois delia hbuca^-^j^,^ ' 

per íeyçoa a naturefa o cérebro, prependicular ao coração ; 
eiie, defua naturefa he cal ido, & ocertbro frio 3 & para 
oueo calor do coração não coniuma o corpo,tem eminen- 
te a íi, a frieldáde do cérebro; 1 < oconhecimentopro- •■' Diât nihfifhu \6.Je 

', ri- \, I J \ ' íi 1 «rima: quod prcflci cuioreicor 

pno, (^comohcaditto) nade dominar a purpura , eíia Je- di,.p*f U it« a t*T»memb,unj;i- 
vanta chamas, o outro,caufa tibefas : mitig3-fe a frieldáde gidk ?f °>pf'<> <»*»&><* 

' ' > o ' embutiu, ljcmiíi, 

com a vifinhança do fogo , & efte com aopofiçáodofrio. 
Confumada a interior organifação do homem, começa a 
i>iturefj*fort*leí1eros óôos, &'aVeftilosde carne. Còm- 
pofto o Príncipe, levantados Os tribunais , èleycos os mi- 
íiiftros y Sc eílabeJecidas as Leys , aperfeyçoen.-le os óílos 
da republica ^quiê como diílirfios em oprimeyro volume, 
he a nobrefa, de quem he rêpárõ o vulgo jrnascom efi-acõ- 
íicteraçáo , que nem todos os ófibs de hum corpo , fa© foli- 
dos, & iguais ; não feja toda a nobrefa de" húa qualidade, Sc 
esfera j conforme o lugar, que oceupáo, Sc c fíkio, que t x- 
ercitâo, {iô os ótfosmays, oa menos itíâciços, mays ou 
menos grandes, A naturefa , eifi liúas partes do corpo, fer- 
mozea, &confotra as carnes, com mays primor, vivefa, & 
agrado; neroa todoopopuiarha dédrataro Príncipe com 
o mefmo íeiablarite - y porque em todos os eftados da repu- 
hliea ha medianías 5 & com o preiiimo de cada hum, ha de 
fr»ur aeiumaçáo. 

129 SeanatUiefa,aprefeyçoaraprímeyroacarne,c[ 
os ótíos, levantava o ede" fi cio íeni fundamento, Sc ficava 
íèndo o corpo, bifa republica fem fegurança , nem ordem. 
Septimeyro apcrfcyçoará o cérebro, que o coração naõ 
tivera cálor,com que exei citar as operaçõts;& ficava kn- 
do híu republica dda-mpsrada de Principe,& 01 faã de go- 

P 3 vemo. 



ii8 O $%!KCFP E DOS >PAT. TOM. II. 
verno. Seaperfeyçoara primcyro o fígado, que o cora- 
ção , faltavalhe ocalor vital , com que actua fie , & ficava 
fendo húa republica aííiítida de Príncipe , mas falta de ali- 
mento. Se apcrfeyçoara primeyro os bofes, que ocora- 
Çaó,creara hum initromentofrulhaneo; oqueíenaó ad- 
mitte nas obras da naturela j 8c ficava fendo húa republica 
com fuperfluidades em o trato jfecreara o coração fem ar- 
térias, ficaráo as partes do corpo fem calor incluente,&: 
mortas para asoperações ; 8c ficava fendo o corpo húa re- 
publica fem minifixos, que a fomcnta-fem. Em obfervar a 
ordem eftabeleíTe anaturefa ocompofto, & obra ajuiia- 
da; tudo fe arruina faltandolhe a proporção} conlcivaiíè 
tudo, o que íe compõem ordenado. 

Ordine ferVato mundiujer^atur, at itlo 
TsLegleclo pejjum totuí , & orbií ab'tjt y 
Macbina perpetuo ccdeflis ab ordmependet. 
'Boeúus Metro, ó.ltb.i. 

150 Occupaçaõ foy demuytos Príncipes, ordena- 
rem fuás republicas, vivendo elles fem ordem j aíTeme- 
Ihando-fe a Nero, aquemdiííe líidoro Cynico, cantara 
bem os males de Nauplio , mas que defpunha mal os feus 
.6 £,jemmriMeMeift-? IO P" os tós. 16 Sendocomo aave,que alimpa oninho 
Jerur cynicttr Neronem xren- andando femprenolodo j donde nafce ter oninho enlo- 

feuntem in publico clara você . . ■ /* I* /"\ J 

eorripuit,(uei ú*upij! mai» dado,porque a ave vive tem limpeza. Uutros, de animo 
iene emitam ,ju* honzmah p U filanime,em tudo faórefpeytófos;naõ reparando , que 

diJp'>neret,neqticuUummvit<i C IT-Tl o'J '1 1 'o 

2t*orcr,2Umper*me'itumȉbi- em todo o edihcio le lavra, 8c mede a pedra, pela regra, 8c 

itrit. Pieriur Fal.de Lyrâ. - r 1 ' J J J r ' J LI' 

nLyir com^m dcteí- dre- nao a regra,pela pedra: 17 dondefervira arepublicaao 
guia»,, no» rtguUad ibidem. p r incipe,do mefmo,que para He&ora cafa, que levantou 
*% Rav.fwifiOfficin». íem igualdade ; porque lhe íervio de iepultora : 10 ra- 
zão, por onde Saõ Bento,como Príncipe experto ,conhe. 
cendoapouca firmeza, que tem a multidão fem difcipli* 
na, tratou logo de pòr em ordem o fequito,deque íe acha- 
va aíliitidoem Sublaco. 

iu Naó quiz Saó Bento , entre os clauftros daquel- 

19 Fort;, etem^ praiiutef * e mofiey ro, de que tratamos, dar batalha ao inimigo,pro« 

Deíjteneri intra daupamiuit vocou-o , a que íahi-fe ao campo; io & para a cova de 

ccttiminis.campum qudíivit, c ii Jí i /* r ' í V*A* t 

D.Grct.M*g.t,.Mor.caf.). aubiaco, alternou o delaho. h menos preliUio na redu- 
ção dos Monjes , por que achou fer tempo perdido, o que 

fe 



EMT<KEZA VLll. 119 

fegaftava feni proveyto das almas : 20 foy São Bento, 2°,f f /^« '*'"" ■>**■• 
como a terra, que lenao occupa íém iructo : mudou-ie pa- tereundu* «<>« e/n .•««« «<« 
ra outra leara, onde o tempo do trabalho roíie,multiphcar ceUtl j ef J an t,,nhcu m *iiu m aj 
o trigo. Os favores, que recebéo doCeo,nefta fegunda Morem tumjru8umigr*nt. 

& , , . Y 1 ir r - litmibi. 

vez, que habitou a cova, todos elcrevem , que torao muy- 
tos , & continuados, não efpecificão, quais foráo, porque 
São Bento os fechou em feupeyto,&osnão communi- 
cou a nenhú feu difcipulo. Dilatou-íe o nome defte Prín- 
cipe por partes mays remotas , do que dantes, & creícéo 
pelas circun-vefinhas, em Roma deu mayor brado a fama, 
por fe r cabeça do mundo , ou porque neíie tempo , não ti- 
nha facilitado o fentido, para ouvir virtudes, porque lhe 
fervia de impedimento, o vicio. 

i 3 2 Tão poderofo , 8c refpey tado corria pelo mun- 
do, o nome de São Bento , que mitigou as diífençóes entre 
a graça,& a culpa, fazendo defíerrar a efta , & reynar a ou- 
tra. Os lequafes do mundo,ás vozes defua Santidade,dey- 
xaváo os entertinimentos da vaidade, por fe aiuftai é cõ os 
da virtude: afly como os Gregos, aos jogos Olympios,por 
acompanharem a Platão. 21 Asmaysclarasfamilias, ti- t , ReverímefisaniâFUt» 
nhão por mays bem guardados os filhos,em companhia de e ^>>>oijmj>igmpervatiffet,fa 

J J 11 • 1 n rr puli qui ludorum grafia co cii' 

São Bento, do que recolhidos em os moíteyros;aiiy como veneram, m ejtuadvthtím «- 
os de Athenas,as chaves da Cidade, poftas aos pés de Ze- cxc e ^l;J^ c ^!Z 
non Citteco Filoíofo, do que fechadas em o templo. 22 """■ ' ia F u J L *«(«/«•.**. i - 

r mi n. 1 1 r 1 r 1 • dthltjítiã. 

rrezavao-ieos illuítrcs, de haver em luas dclcendencias, %*. ^p„j eummimâ&*&- 
quem foflè íervir a efte PrincipejaíTy como os antigos Ro- t^^ít, JJK 
manos, tendo em defprefo as cafas, onde nãoeftiveíTe re- fthree^efeicccquamqiw- 

j . . i->m r r T 1 ir li vU intemylo, ftuifititet IJêibi. 

tratado António riloloio. 25 1 oda aíortuna,quelne % i ob l d, V r.u^ih»'o-iuove- 
fuecedia, atribuhião a amifade de São Bento í aííy como as k f u f* [ "£ e £"i'£?JL 
victorias de Aibogait.es, á familiai idade , que tinha com w»^'"*** "" 

S\ i C i^v y r r • • *4 t aitM i,"iur denebir vi- 

anto Ambrolio. 24 Donde leieguio, queinnumera* &„•*««» iw»/>fc«c**f»*>j4/iM 

veys peiTóas renunciarão fuás patrias,& bés,porfeaflocia- tf*»*»**"***"»** '»'»'«' 

rem a cite Príncipe j não dando as almas por feguras, fenão twi,jhi*Àimk»ofy umuijtn- 

ando a vida, noierviço de Deos,inímuado por elte 

Patriarcha; da melma forte, que Maria, Pvainha dos Sarra- 1% v-*u»imUnoen<mimpt- 

cenos,náo achando fer a mays perfeyta religião aquella, ^/•■#;,/'í^'-' yr ; 

a que a nao encaminhalfe o Ermitão Moylés fcgyp* adi*m,Ep>jc^Lw,^/de>do' 

■ ^ 8trem.miÍiciet s adCl:>iliaii*i* 

VIU. 2^ rehgiiHcinjc ttl»fltnr»0i (Jjc. 

1 33 JaSublaco nãoera deferto, Império fe via Sn- Me»»/, 

bh;cojcrâopoucasfuascòvaspiradomiciIios,qLianJoaré 

aquelle 



1 2 o O Í%1NCI?E VOS VAT. TOMO 11. 
aquellc tempo lá húa tinha occupado. Náole intitularia 
por novela, L4 montanha eeba cor te, fe falara deita foledade: 
nem Corte na aldeado leria, íefeuaífento fora Sublaco. Me- 
nos reprefentaráofarciítas^^/wírçd^/ywa^ÉTYo, fe os ha- 
bitadores delia folidáo foliem as hguras ; como também 
náole apelidara chymera El pedernal ecboVidafc tratara def- 
ta penha. Na concurrencia, parecia Sublaco o monte Cin- 
thio,conlagradoa Appollo,porqueaellecorrião,detodas 
as partes, a confultar o Oráculo. Os que eílimaváo a San- 
tidade por riquefa,alevaváopara luascafas, enriquecen- 
do as famílias, com a repetição das pala vras, que tinháo 
ouvido a São Bento : muy tos, tendo por gloria a compa- 
nhia defie Santo, fizeráo em Sublaco, o que São Pedro 
queria fazer em o Tabor,ficando moradores,daquelle de- 
lertoj que he o que São Pedro pettendéo, fec naquellc 
raonte. 26 

1 34. Como folie numerofo o fequito,pos logo em 

. ic Ftdanmtbietria uber- ordem a multidão, o Principe dos Patriarchas ;(atéem o 

Ceo o conhecèo Príncipe, fua filha Santa Gertrudes a 
Magna,quando em húa revelação vio a São Bento , em lu- 
gar de báculo, com hum cetro em a mão. 27 )Apenha 
x-r GcRabatquebeaturBiHt. era hum Santuario;& SãoBento,como outro Moyfés,pos 

ífZl^líZ h ,T' orc * puii «n ordem as alampadas , que nelle ,como no templo , ha- 

quoaaam aecenttjjimum ,gem- A . 

m ifpreeiojijfim,jm,recorujcâ- vião de alumear. 28 Levantava São Bento, em Sublaco 

t 'bus exutraque parte mnabi- A ■ i^v ri J C • C 1 r 

httrptr cnatuvt.BeattGtriru a Ara, aonde a Deos le ha viao de lacn ncar almas , íem nu- 
áe, Magna i»hhi t injU*uo- mero que era a f ua Religião ,a que agora dava principio; 
in Fejh ticat, b:nediít,. E fe a lenha,aonde fe acendia o fogo , para confumir osfa- 

28 Locatit per ordmtm lu- 'C ' n. T L _ A /" J 

cemat.ExoJ cap«> ver/.^. cnhcios, era compoíta lobre a Ara ; 29 lendo os prit 
x 9 Genf^.verfQ.^Reg, nie y ros diftipulos de São Bento a matéria , em que fe ha« 

etp .18. ver]. \\ J I # i • « 1 r» 

?o u t .z«,,iiieb, n ur,quie. via de atear a chama do amor di vino, & da Santidade def- 
ZZ^lt^naTinZt te Principe, 30 era decente, eftivelTem com ordem,&: 
um.D.x, \BeauB,, íltí e,r,,g não amontoados. Chegou o tempo, em que o rebanho 

Mar.al.b.^cap.zo.cjuroperu .. r r , . , ° r , ' n , ./ i , • 

«. ^ittetemporaBeauPa. dilperlo havia de tomar torma : oeltado Monacnal vivia 
J^iS±SS3Í fóra dos clauftros;& a comunidade religiofa oredufio São 
verfaj»cerutudi„! b tc ,& ,Ua C Bento. Não erão firmes em obfervar a Regra, porque def- 

vgabaniíir. S.HdJef. totn.it , , , . - D 11 

ÈMhteeaPP. ' pois deguardareui hua , tomavao outra, que lhe parecia 

ÍiíSaSSK5f§ ■>*»« 3\ erachegadootempo,di g o,emqueoLigif- 
lAbíaiutomjtitutíonei/ficut lador ( de quem os antecedentes Padres foráo lembras,) 

a-teChn/iunt Legirhtor exte- _,- . L- - j 11 nj V.-.C 1 - J /» 

titMoife,. CarJ,»*iu Gofii- 3 2 " a v,a de melhorar oeltado rcligiolo , com a luz de lua 
du ""fi 4 - doutrina, pondo o em maysperfey ta ordem iChrifto Se- 

nhor 



EMT^EZJ VIU. i2i 

nhor NoíTo o diile : ^ E á luz da obíervancia ,com que *» sicctiam BchsJ;8us /** 

_- _ r , . J J . . J--T1 -1! - r fUlW meti prorofiliu hnjut 

bao Bento reluicitava avidareIigioía,numniiarao-ie to- x>rimu,quoi«nuiffumàivef 
dos os documentos antigos , que trata vão delia : & luz d»- ÍSSKílSSXÍS 
ante de quem fe humilhavão os documentos dos lábios, ^hutieamvujutritmSuSiu* 

i ■ » i II ' Cl r J J í^v vilAhtibailinni.iliílstavil.Di~ 

havia de arder em lenhos compoilos. r oy ordem de Deos Xl! cbuih, & t »i* m^.ia, 
dada a Moyfés.que junto d lenha compóftafobre a Ara, l ' verj ^-" ,' ?}**«(**** . 
para oiacnncio, eLtivelic outra amontoada pelo ehao. 34 "cmftiieiiptóHfMáinecetafé* 
A lenha , que efiava coir.pófta fobre a Ara , era figura do '[\ ' L ^ e % 'l!n^ um trucif 
ma de vro da Cruz, onde Chrifto havia de morrer; a ç & P/ ^f ^'P^f^taçfip.-jjh 

J r . r . ? J> eorntf.Glof. Inttrl. íbi. 

a tem ordem, hua reprelentaçao das profecias, que trata- * erophcti«,qit*ioquifa*tur 

vãodeíh morte: * & á viftado verdadeyroíacrihY.o,& ^S^S,,?^ ^ 

da mayor luz, todos os documentos, que tratavãodella, fe 

poftraráo efeurecidos. Em ordem eftava a!enha,ondefe 

via a luz; & Tem ella a outra, onde apparecia a íbmbra ; & 

por iilònão tinha ordem, porque erafombra; & a outra 

eftava ordenada , porque era luz : á vifta do mays claro , Sc 

natural reíplendor ficou íbmbra ,o que até aquclle tempo 

o não parecia. He a Cruz natural retrato do eítado rcligio- 

íb: defte,diíTe o Eminétiffimo Cardeal Gotfrido,fora São 

Bento luz ,reduíindo a brandura, & fuavidade, o que os ? 6 SicS*tt8orumpr*eede*? 

Legisladores antecedentes, compuierao com durela,& dtmhc«i,fedvèneréhiubmt. 

rigor : aó & a caufa defta excellencia , diíTe o meimo f^èflj^f^q^/^ 

Cardeal, fora, porque São Bento teve mays graça, &ncl- eniKuveiut)exMoyfid^a,tí 

emlpirou o Lipintobanto, com mays incêndio; 37 Sc téntd.mi^iwm^aéSu. 
para que a doutrina do Príncipe dos Patiiarchas, fe ddiin- "^ le " Ut fi- c * r ?''' a ''' < ? c '>' 

gui-le das íombras, & reiplandece-íe lem névoas, havia de »./m& j^s.a^idiS,. 

porem ordem acompoíiçao dos lenhos, em que ardia a #* ir ftoi** T .4*tè&idp* 

iuz, & diante de quem Te abatiáo as fombras. ««»/'«» M^ackou.,»!^! •.,-.. 

r»r-j-if->. i^t-o ftitiifiwntiJiilPinòriehgifiT 

1 35 Preienido tinha Deos o ornato de lua igreja, & rfrôa- ^.....a^jenta Dea 
pawartificàdajoy^quehéíb^^ 

a São Bento. Iodas as (agradas Religiões lhe fervem de »*»>/"»• 
ornatojmas a Beneditina, he a joya de feu pey to.Sublaco, 
que foy o ouro, onde fe aíTentaráo as pedras preciofaí,que 
de penhaamudarãoem joya, teve femelhança naLmina 
de ouro,com que fe enrequecia o peyto do Snnimo Sacer- 
dote Araõ. Mandava Deos, que por ordem íc cngaifofkm 
aspédrasna lamina: 38 em ordem colocou São Bento, ^Ju^^h 
em Sublacoosdifcipulos,quemays,doquepcdraspreci- fertrdmeffutf.ExDd iV.ttrf, 
ofasbriltiaváo entre osjuftos. De doze pedras confia vaò 
Racional >.oujoya de peyto do Sunimo Sacerdote : doze 



13 2 O PINOTE DOS <?AT. TOMO 11. 
mofteyros edificou Sáo Bento em Sublaco,& nelleefla- 
btlkcèoeíta Ordem. Todas as virtudes, leiepielentaváo 

, 9 n*e f> f,tio dherfarkm em as doze pedras; qa & todas as virtudes le proíeila vão 

vtmarum irt , atibKjti.muhipli- \ t\ r C -!/•■ 

„„,,„„» vtmnmgrav- em os doze molttyi os, porque le lomentavao do elpuito 
Za!'!l!"' ' tíuia ' tt61o/ * óç Sá o Bento, que era o de iodos os jufios. 40 Mandava 

Deospòr em ordem as pedras, que fignificavaõ asvirru- 
40 v,xàa ficneJiEiur amni- des,paraaue fempre foliem coníórmes entre Cl. 41 Eí- 

titn /fflorií llir-tu phnuffmt, • r - j r j jt P - J ir r» 

v.G>cg tes intentos íorao todo o hm, da dnpoliçao do nollo IV 

4 . ku«,o«eo,<ii feris i»tar- tr } are h a . A joya , que Deos mandou fabricar aMoyíes, 

de òacerfi tu dtlxct (empo jj>. i ■ \ r 1 f n 'JT 

ia,c>e.hcã*i.k>jHf>a. para uiays decência de leu culto, poíta em Arao,reprekn- 

tava-fe colocada em hum monte, por quanto o nome de 

,aL^ r ""' hUn, J xtm ° n - Aiãoafly fe interpetra: 42 cm outro monte, que era 

Sublaco, apparecéo a Ordem,ou a Joya, que compôs Sáo 
Bento para ornatoda Igreja j 8c naõ ficou menos enrique- 
cida com efta, do que o pey to de Aráo, com a outra. 

1 3 6 Não menos agradável, que terrível compôs Sáo 
Bento, a penha de Sublaco ;em a ornar com ordem, a fez,a 
hum meíino cempo,fermofa, & formidável. Náoachou o 
Elpofo Divino termos, com que moítra-fe a todos a fer- 
ino fura da Igreja, fenáo com a aífemelhar ahúefquadraó 

4t Tcrrihiiinttcatrorumi- formado: 45 defle modo lhe inculcou oviík>fo,&ova- 

cus orJniju. Caril. b.vcrj.i. , ... L , - C 1 C 1 1 -1 

iente. Naoíelograot torças, aondetalta a ordem jnaohe 

apraíivel,oqueeíl:adefordenado.Foy a Sinagoga feya,&: 

frágil figura da Igreja:a eíta,annunciou Deos, por Iíaias,a 

44 ster-amptr erâinem u- fermofura , que lhe havia de dar ;& a firmefa,que havia 

fi.de, mói. IlaUn verf 1 1. . 11 11 1 'J 1 T 

«< kurfHmfignificat^jpof. de ter, dizendo , que elle por ia por ordem as pedras de leu 

Í^SÍ^ÍS"; cdificio " 44 Na com pofição, com que foy levantada lo- 
vciprcpugnarum^vexerut, vti arou a Igreja o decoro , & efiabilidade , que não tinha , fi- 

cvnarut iSilaprâr fup.lfai.KA. , n vf- tíTl A n 

46 .sixumUumrcguiiDiK gurada na Sinagoga , porque lhe íalta va elta compoítura. 
cH, u t, q ue» M j,ronau n ji, ltl t,o ^ -, a monarchia , hum jardim , &húa campanha eftabele- 

apoiou, ai Guiiher.vdbianm céoDeosem. fua Igreja. Húa campanha, hum jardim, & 
*4i iT*™H*fi.veterapma t vti húamoiiarchia ordenava São Bento, em Sublaco: Deos 
ftHitut om*,aira.f ieiu „t, cr cin a compofíçáo, Sc forma de lua fabrica, inílnoua 

tece a Ò.BeneitQofaBafunt r. r 

nova.-iUaitiamtamquam um- Sao Bento as regras , que havia de guardar ema lua obra: 

vi t ^fur^v l dêfur,fcj pe ria U -¥> nao le apartou delias o dílcipulo j 46 & ponho a 
dabihrn&tntd.Uam.tooperante provey tou o trabalho,& deu ao Monachato, neftare-edi- 
lan carJmjiuGoij,- dumk, hcação, nova gala, 47 & permanente dursçao , que 

f \7'Ka; ilte , em pcra Beati ^^ nao *P^ nas partes,aonde por falta da ordem per- 
Patru bu)iuBeneiia,nuHaèer déo a eftabilidade. 48 

t» H^itla Mortaebi confirrnala \- \ t 't • t o- 

\i:. j. tudesar* ubijupra. 1 37 Em breves tempos padeceria o Império de Sao 

Ben* 



EM? REZA VIU. 123 

Bento , o mefmo naufrágio , cm que dantes tinháo pereci- 
do as republicas efpirituaes, que governarão, & inftitui- 
rãomuytos Padres, íe fora ío o cuydadodefte Príncipe, o 
dar documentos,fem tratar da comunidade , dando armas, 
& não infticuindo ordem. Para que os IfraelitaspodeíTem 
reedificar osmurosde Jerufalem ,náoíóguarnecèo Nee- 
mias com armas , os que haviáo de cobrir , aos trabalhado- 
res, fenão, que também os posem ordem, no circuito, por 4 9 St " tu 't inheopofi murt 

, r 1 - 11 -1 ptr circuitum potulur/iincrJi" 

onaeíelevantavaoas muralhas: 49 as armas em mãos de »cmcumgUdi>/juit.i.£jdr+ 
gente defordenada não defendem por tempos, fenáo por ^• Vír J- K i- 
míiantesj erãoneceíTariasmuy tas horas, para murar a Ci- 
dade, & o inimigo, que efr.ava á vifta o impedia ,com toda a 
força • & os que haviáo de rebater a efta, para íe dar lugar, 
a quele levantaííem os muros, não fó havia de fer gente ar- 
mada, fenáo também pófia em ordem, para que naprefif- 
rencia da forma, fepozeíTem os muros emaltura defeníi- 
va. São todas asReligiões Sagradas fontalezas , que profe- 
Çaó reparar a Igreja de Deos , doscontinuos aíTaltosda in- 
fidelidade da hereíia , & do mundo; efte, as defeja deftruí- 
das para triunfar da opoíiçáo; aquella, as quer arruinadas, 
para que a Igreja náo tenha tantos fervos, & nelles os 
mays fortes propugnaculos. Amiguamente,não chegarão 
muy tos Padres , a guarnecer as fottatefas , ainda que alifta- 
rào foldados , porque dandolhe armas nos documentos 
fantos, com que os inf!ituirão,faharão-lhe com a difcipli- 
na , porque vi vião folitarios pelos montes , fem ordem de 
communidade ; com que durou pouco tempo o reparo, 8c 
náo poderão confummara fortificação; São Bento, como 
advertido Príncipe, & ílngular Legislador, femelhante a 
os Pr incipes de Ifrae 1 , que aíTiftiáo á reedificáçáo dos mu- 

. . .* r , . . ~.. . , * — y . ÇO PrifC-r-rrpoll ecsitt omiti 

tos ; 50 com hua maotdbncava ,inliituindo a Orcem, mt dojuJi'*Jif:ciniiSi»mH- 
& com a outra, defendia, cortando os vícios; & aíTy dey- ^2^£^Z 
xou tão fortalecida a obra, que até o ultimo dia durar ibtvaf *t.v\?. 
a inrlexivcl ao mundo, 51 & fempre obediente a lgre- ^Tt^ncmmundijiMt.q. 

•|2 Ç « raculucj*odUiv>nituf fiS 8c- 

' ' ? , , . ncdiBumfjftun, fuifTcptrhi' 

t^8 He claro odocumento,psraos Fnncipes; nao btn.r. \Sfpe>it^r*oi»uiH~ 

hrr • C l_ • * 1 1 _ bion in li\,noviiitlib. i cep.t. 

enecehano íazer combmjçao,comaalma daempreza, ft k ^ c<i ,„ (J , ll f„ er ,,£ e , 

porque temos viito em São Bento, & nos Padres antigos clcfi* R»ttnnêfi»biif4,hgim» 

11 - • r' i i c /V &pt*ri».n mfdectnferHtbit, 

opouco valor dos matenaes tora de ordem, & o leu prelu- j^, 
u»o,quandq ordenados. Húa vez pelejarão as cfuellascon- 

Q^3 na. 



i2 4 ° FKMCMR WS <?AT. TOMOU. 
tra Sifara , Be Fendo força fuperior, a que as movia, em não 
fahiremde fuaordem,coníiltioa vi&oria; 53 comomof- 
í ? De Cah âimkâuim eH t ran( j o Ceo , que ainda que leiáo feus os loldados , não 

tonlineot : btrfl* manentes in 7 n r - n j \ r 

erdi»s,®.curfHjuo % *dverfm vencem como eíircllas, íe nao poltos em ordem. A meima 

S t ZT^Z V . erUttU luJ " J g rc )' 1 de Deos > & á lua »"-i"Çáo , as monarchias do rèan- 

doconhecem,q toda ília perpetuidade cõfilie,em qr.enel- 
laseftejáo polias em ordem, na Igreja, as virtudes; & nas 
republicas, as direçóes. Figurada na Alma Santa , íe coníl- 
derava a Igreja, quando no logro do amor divino depre- 
54 intreãuxit me intuam cou ás filhas de Jerufalem, compuzeílem nella as virtudes, 

vinariain.ordinavit in weCha- n - •' / -, . . a r J c 

riutem.Gamhorum.z.verf.*. para coniervar ena dita. 54 Ameimadeprecaçaoiazem 
(frâin*teMmtCharitatê.sep* republicas aos Príncipes , defpois que ie vem ampara^ 

ttiaginttaptsd.^/JhpHicm.lbt. t -T / i t r 

• dasdefeugoverno: íaõdinerentes as virtudes, de que 

fe compõem, porque faõdiverfas as peííóâs, que as 

adminiftrão,&fe eftiverem defconfbrmes 

parecerão as republicas monftros , que 

errrbrcve tempo perecem. 







FUNDOU 



125 



FUNDOU 

S BENTO 

SUARELIGIAM SOBRE TRÊS 

incêndios de fogo. 
E M '? (R. E Z A 1X % 




l 39 



?&rmm 



FIRMESA do edifício, que 
he fundado fobre a pedra , nao , jtf írt ya/„,„ q „;afnr..ijU 
reful ta lo da durefa da rocha, fe ^jj^j££^ 
não também do fogo, que e»*;^»»^»^*'. 

1 XI „_ experiência Joc*it Pater *#»« 

tranhaopedrenal. i INemto- to r „ iut j eS oi»CaftTo.Styri&. 
|§jlgggg da a pedra, he mina de fogo; a ^i^X^ 
que chamão Azinicia o não lança de íi, por may s, que a fi- j^- ft 

9-B 






rao; 



iz6 O <P7(INCITE WS 9 AT TOM. H. 
rão: temdu rcfade pedra , mas nem por ilío ler ve para fun- 
damento, porque a falta de fogo, dizem os naturaes ,he 
» otfttuciê tnhniaphcaret cau |' a ^ c q lle por tempos , fe destaca cm ró. 2 Os poli- 

tgtie, babei entm duritiem ,ftd . ..*. ,,. . p«. V 

«iperfetu.utiMagijitr ^in- tici>s , noticiolos deite legredo , rtão averiguando acaula, 

tomuf tCerpa de Iniiitulione j - j* rp /v 1L ■ jL 

ReiítiomiffitM-, derao credito aos etleytos; com queaíiemt lharao asbazes 

do Império, (em quanto o governou o Emperador Com- 

modo) a pedra Azmicia jòvno tempo, que o regerão 1 i- 

t i demiti. UBhntf.%.y to, & Marco Aurélio, á pedra ordinária: 3 Tyranno,& 

não Píincipe, foy o Emperador Commodo, para feus vaí- 
fallos: 4 Príncipes, & pays para os fubdiros forão Tito, 

4 gyfV/w Lampri. Invita ' * i c r < c ■ • r 

cornem^® Mrxis. & Marco. Com durera km i@go,com império km amor 

governou Commodo; commaysfogo,doquedurefa ,cõ 
mays amor,do que império regéo Tito,& 'governou Mar- 

5 R e roj«,uiib.i.vt4c*u. co Aurélio. 5 Faltava áqucllc governo, o requifito do 

calor, que ttf^acíiiftenta^&çQpi que vive tudo; donde foy 

<M , M , p , oíuipériocl^%GaHimodo, outro anStiatro v oue para os 

6 Nt'n e<tpto (ipud r iJtrtam l :j5is - -i- ^^ J ' 

tmphith-jt,o,^it,nm quidcm gtodiadorei^^pcou -À tnipjQqual poí falta defundapjen? 
jrWuf,™» cdhr£t,H< qU e to ^krvio-de morte a quartos o oceuparao; 6 Sendo o 
f*ni* me »up t rjoiid U mf«bji- fiiièerio, no tempo de Tito, & Marco, como a Ara do Fe- 
*« cowpa & tmf»perftruxn ... ni2£-onde renalce, por virtude do rogo a ave, que, fenecia, 

tar,J,dr,ndJconvJf*X™ po«"«zaodo tempo. ^ _ 

ruitmtwsut.n cxurior» effú- t a Q múv tos acharão no foeoa]U:a] idades do arnór,7 

ditur: tmmenfimqucvimmor- ' , J . - ■ ' 

taliu m /Jx Século intento/ , aut 

££'%?£!£•%:£ m &» emm henè c * !at mor P* 



trahit, aiqueopreat. Ttc.ms 
inuil /.4.4. «.6 1. 
7 Puniu faleri.lit. 65. De 



Eminet indictofrodito flaniJmfno, 



l 



tcivus. 



OYidi. in Efiifi. Meda. adja-finem. 



Saõ Gõmmúas todas as feirieíhançãs^tnas fa5 particulares 
as fortunas, queacompanhao ao Prineipè,& á república 
no amor.Náo entendéb^,^íff^^nflftiata duração de nu 
Império, quem o eftabellece'ò fobre 3Uia£a= de Hercules. 
Em o poder fe confiaváo Nèro7Galbr;Vitè!io , & Domi- 
ciano, nenhúas forças humanas os podiaõdeíàpoííar do 
fenhorio; o amor da pátria , ique intenço fobre os naturaes 
fe levantou contra os Etnperadores, fem reparo os privou 
da vida. Foy igual,no pouco conhecimento da feguráça,o 
parecer de quem eftabeleeéo a Monarchia, fundada em os 
montes de PluCaõ. Rico, mays que todos os Principes de 
feu tempo foyConftante, Terceyro Emperador, & os 
Byti?Í4F»fyf.iik. 9 x. i . mefmosfoldados^ueodefendiaójomataraõ. 8 Mura- 
do' 









E M V %E Z A IX. ii? 

dode tarclbs , que he o ineíino, que acompanhado de 
grandes -, diíferaó alguns,eftav3 perpetuado o cetro. A ma- 
yorparteda nobreza aíTiuia a Vitelíio,& íoy vencido de 
António Capirão de Vefpaílano, aquemfeguia o vulgo. 
9 Em a multidão de exércitos ahrmavão outros, efiava 
rixa a coroa: entre guardas defeançava Carolo Ruberto, 9 Mexia to vira riteBp. 
hey de Panon!a,qLnndoreuc!ano,cavalieyrodameisna 
rcirj v ofcrrio,& a ília cfpofa. 10 O Emperador Marco 
Aurélio, conhecèo apouca dur?çaó,quc prometem as t( Vequeen-mpecmu^ 
Mon uchias fundada , nefte s a liceiíes faltos de amor: 1 1 S^S£s!Zg 9TK 
porque o poder dos Principes,femoamordos vaífalloshe if]iau«trtg*i,ammum impi- 
iug.j,q naoqueyma;& asnquelas,moeda,que mocorre. me d e «t.Hcioá<itwà. u 

i 4. i Nunca as armas , &: as riquefas poderão igualar 
a$ forças do amor : asMonarchias, queforão ftnhoras do 
amordosfubditos, não fentiraõafalta depóíTesj&muy- 
ras ,qne tiverão eftas,fentiráo a faltado outro. Impofi* 
bilitada de forças, efiava a Cidade de Thtbas, parapo* 
der refi.tir aos Argivos j dos muros fe lançou f< bre os 
contrários, MenéceoThebano, com que ficou vidtorióía 
ap3tria. 12 Guarnecida de ioldados,fe achou a Cidade 
de Attica , quando a acometerão os Gregos , & nenhum JJ P ^' w/?-^^- 
dosqueapreíldiavaõaquiz defender y todos conjurados n*io*t& i»gr*tnuitnt.ii&. 
para a entregar. 13 Depofito de thefouros,eftava a Cida- 
de de Hydroens, quando feus contrários a provocarão a 
defáfiojquizcraõ aliftar foldados , & naó ouve quem qui- 
zeííc receber foldo. 14 Pobre eftava Athenís, em tem- i 4 idemiU.%.*. 
po, que certos tyrannosa quiferaó invadir,todos os moia- 
dores,naó fófahiraó a peleja ,m3sderaõ osbes, para que 
não falta-fe paga, aos que militavão por cítipendio. 15 M '* " 
Os Romanos thmaó a Cupido entre Hercules, & Mcrcú* i6 in j- lgKt i/ e „ et iJeFa. 
rio, i5 Deosdasmercancias,dequerefuItaõasriqneía;); n* > v Soufi tm jm Nw*m 

r . - r t TT 1 Utrtu. Notbtptitaera falef* 

porque iemamor,nao aproveytao asíorçasde Hercules, rM .,. 

nem asriqucfas de Mercúrio. 

T42 As quatro principais Monírrhias, que florcce» 
raõ no mundo, fe arruinarão, quando cm os naturaes fal- 
tou o amor â^ pátria; & os fubditos desfalecerão, quando 
lhe faltou o amor de ftus Príncipes. Os Lrccdcmonios, & 
os Athenicnles,ainda quenaõfizcraõ Monaichia infiruí- 
raõ republicas, foy bieve fua duraçaõ^masmõofcria tan- 
to, fccsvaflallcóknaõ levantarão, contra ícus Prircipes 



1 a8 O MtmClPR DOS QÂT. TOMO 11. 
Sc eftesfenaõ armaflem contra feus vaíT<illos;a efies,efvaev 
ciaó as riqucfasj& aos Príncipes, alienava a ambição ; com 
queieguindo oslubditos, anaturefa dos vapores, que fe 
oppoemaoSol,qoslevanta; &os Príncipes, a a&ividade 
do Sol, que os desfaz ; neíia competência tiveraõ lugar os 
Tyrannos para fe apoderaré de feus dominios.O Império 
dos AíTirios,Perfas,Gregos, & Romanos, foraõreprefen- 
ir D*Ki:iux.-vtrf.).?.Hn- tados em os metais, de que fecópunha a eftatua, que entre 

jus patuá caput ex aurt,tfc. pi . ., ■ , ,-? r l .- 1 ■ j «r> 

íonhosvioNabucho-Donolor: 17 aMonarchiados Ai- 
8 ComumtMtmniUDoSii- firios,figurava-feem o ouro j a dos Petfas,em a prata; a doa 
Gregos , em o bronze; Sc a dos Romanos , em o ferro. 1 8 
Nenhum metal teve perpetuidade, quando do monte íe 
r .*■ ir,e air defpenhou húa pedra, contra a eíh tua 5 em os pès da efia* 

?9 Lafu abfcipm efi dtfeor- í t ' 3 I 

âi*. Rsuiiuim qvodawfermo- tua, ( que erão de barro ) foy o golpe da pedra ; reprefen- 

tavaeíta,adefuniáo; 19 Sc o barro,osfubditos;& porque 
20 Tunc contrita fn*t pari- eftes,fe defuniráoda republica,cahio de todo a fabrica, & 
terferrur* ijju y^ar g e»tum c fpi ra ráo todas as Monarchias. 20 

«fi,v« trt*,qu4rapiajimtvt- 143 Conheço , nao deyxara de por duvida averda» 
t<,.Dan,ei,j4bifuf. verf. )|. ^ ^ ue £emo&affentado ,aeíumaçaõ deriquefas 3 que leva 

trás fias operações humanas. 

__ Omnis enim res t 



1 

THfll. 



Vir tw^ fama, decus. diVtnaJumanaque, pulais 
VtVtàjsparent : qutâqui conjlruxertt, tUe 
Ganis erit , for tis JuJÍm, japiens, etiam ( ^ex > 

Et quid quid Volet. — 

Horatwi.ferm. 3. 

Difculpa , com que intentou condecorar a ambição do 
Emperador Vefpafiano , o Autor, que o adulou , fem ref- 
peitar a verdade : para ter prémios , com que obrigaíle os 
vaflallos a intentar acções hcroycas, diífe, fora todo o em- 
penho , com que Vefpafiano , indecorofamente, ajuntou 
thefouros. Quifera mays com exemplos, do que com ra- 
zões deífuadir os Príncipes defie engano, para que todo 
feu cuydado fofle fenhorearem-fe , da vontade dos fubdi- 
tos. Comqueriquefas poderiáo osLacedemonios, com- 1 
prar as vidas aos dous irmãos, Sparcio, Sc Bulides,para 
que voluntariamente fe fofíèra offerecer aXerxes ,aque 
nelles vingaffe o aggravo, que feus naturaes lhe havião 

feyto, 



EMPREZA IX. is? 

-fevto, para que a pátria fica-fe livre da péfte, que aconfu- 2I ?•* *'«*»"">' **r£ 

J '*■ J A j •- • xis ciJuaatorem inter cnuÇetrt 

mia. 21 Porque preco,vendenao,antiguamente, as mo- yaviquspeHeiabor*rtHiJjb e g 
Jherescscabellos, aquém eftimavaõ como principalor- ^ t Z^mLt%% 
natodefua rermolura?Quebraraó-fe,DeIa continuação, as rummahrum-jtfimm numpií 
cordas dos arcos; &: as mulheres de Carrhago ,de ieus ca- ciatoqucjuregciaiumXtrxifa- 
bel los fazião as cordas, para que naõ ceflafem os foldados, t,ffcc / a - ? , *! ke iix %T f 'l 
<te dei pedirem asfettas. 22 Que conveniência humana ^*#«í,fiw»<fc/s»e £<*«*•- 

... ■ rv r r wonii obhtifi monturos inPer- 

obrigaria os pays, a que voluntariamente mataílemleus h- /«/«;» a / ?lie ,JXerxsm P rofec- 
lhos, para osdar a comera outrem? Emocercode Jerufa- **/"»*• «»*#**«tafr''»M. 
lemo fizerãomuytos, para que os foldados naõmorreíTem z* jacobusde urina Tm- 

. ,- y-\ c 11 /• 1 ■ "l-l jt 8atu acamar:, cap. ti.Tittt!» 

a tome. 23 Com que ioldole obrigaria hu homem a aú- j íamorí rrjptsí fa uu /•/. 
phfe,atè ficar nii, para não faltar, ás obrigações, de fenti- mh, -y- 

*,.,',.. r . b .*.*- H ldemtbifel,w}.tap.uit 9 

nella vigilante em tempo,que as neves cobnaoa terra 5 & 
o a r,congelava o orvalho da noy te?Hum Português o ex« 
ercitou,na frontey ra de Trás os Montes,governando nel- 
Ja as armas,o valeroíiífimo Luis Alvres Conde de S. João, 
& Marquez deTavora.Com o valor de todos feus thefou- 
ros achariãoos Príncipes, quem quizefiè, morrer enterra- 
do vivo, para que fe dilataíTein as terras do feu Império? 
Dous irmãos ambos chamados Philenos, o cõfentiráo,vo- cj*/»e»»jr*» jHvtnuis 
luntariamente, paraquefeusnaturaes,queerãoosdeCar-/ J ^ c " ícr " ro í aí A' , ^'""' £ '" 

r l -* . r A é-y fcctrunt Carthjg-.mnjtbui ut 

tago,excede-lem na demarcação das terras aos Cennen- reifiques fines p^uhf^pe- 

r K7" 1 ri J .. " C L " terem ibicbrutrentur.vcl cost* 

áes. 24 Naoolucroío, oamordafpatriafoy^oqueob^^^^^^,^. 
eouaeftes extremos ; porque a todos os interefíesfobre- niieuiicnàitimfffàbatan- 

D • r 1 tamfuar,iRrJt«l>!irsci>iJtnJ- 

pu;a o leu empenho. „„& vivi m°Ttuifitxt.ii*vifi 

ir. OJfici.tit.i # Vahrius lA** 
. . - Ximuil:b.\ cip-C 

Vjurfiu amor patrUratlomVdentio)- cmni, 
Quodtuce fecerunt Jcripta, retexit opw* 
OvidiíM i.Tont. 4. 

144 Muytos fubditos foraõ de parecer , que não fen- 
do o Príncipe opulento, viviaõ com perigo irreparável; 
■porque as riquefasanimaõ, aquém aspoífue,aquefefoi- 
teme íoberano: & em hum pobre tudo íaÕ temores, & tu- 
docobardias. Nãofey,quea companhia de riquefas endu- 
zilfem os Príncipes a acções tãoglorioias,comoasqueo- 
brarão aífiflidos do amor, q tinháoa feus vaflàllos : o Em- 
perador Sérgio Galba dey xou-íe matar,dizendo, que não 
reparava em fua morte,quandocomella, fe melhorava o 
império Romano: 25 o que também difíelíei mias na lS a/ W w/».->/: ■-•• < 

II cxal» 



i;o ÔPQjNCiPE T)OS $JT. TOMO 12. . 
7.6 Quaj; f>«tri« mfBttCre- exaltação de Crenitoiobre leu deíkrro. 2 6 O Empe- 

ftttHtn lmf>aratortm,quamHer W T 9 *\ t 

nUm^aMvifsitíiftcnmexitia- rador Otno 1. nao quiz por guerra a Viteliio, que lhe 

TvHc^.Rwfimofran* u f urpou p veyno> f p0 r não prejudicar os fubditos: 27 

» 7 Mexia mtjut viu. & meímofez Zeno, Emperador de Conítentinopla, ía- 

bendo,que a Bafililcotinháo léus contrários acclainado 
tin inter eives arm» maoeten. Emperador: 25 que conveniência podiao ter eítes vaí- 
vu-.^uiui^f.bb.i. ^ a jj os nas r jq UC ft s defeus Príncipes, que feiguallem aos 

intereífesdeíeuamorPCodroReydos Athenienfesfabé- 

dodo Oráculo de Apollo Delphico, que fómoi renda 

elleemaguerrapodião osfeus alcançar victoriajVeiVido 

_ ., . I em hábitos humildes, buícou a morte, que lhe tirou a vi- 

át f of:nunfw,busimpe>r,fa- da, com que os feus ficarão vi&oriofos. 29 Em fonhos 

>y.:!iarcm cultum indv.it. *SÍc r ■ « . . ^ r i r> •-#-».- L í 

faianuumboitium ghbo fe/ecb. ioubeMario Coniul,queos íeus veneenaoosCymbrios, 
jeãt&c. Vaiu.uaximmhb.% f ee j{ e f acr ifi ca íTe a lua filha Calphurnia;& náoefperando 

... ..-> . .. . pelo dia, namefmanoyte lhe deu a morte. 20 Asrique- 
ih c -onfuife cxCymk r uv,Eonã íasdos Príncipes, não aplacaõ as iras da fortuna , as findas 
r Ly^„^cr,fc'sfct,arrepto «leu amor remediarão a muytas.Havia declarado o Ora- 
mino peruit noÇurpu fia»- CÚ \ Q a Midas Rey dos Lydios,que lançando em a abertura 

1a fn:*lihui,$$ filiam immolavil , r J ■ • C r ÍT •' • l - 

Áavijutuhjufra. da terra a couía mays precioía ,ielianao as innundaçoes, 

que delia corrião, com que fe arruinaváoosedeficios,& 
moradores de Celemnas ; arrojou Midas nefh cova todos 
feus thefouros , mas náo fc aplacarão as enchentes , fenáo 
quando leu filho Ancharo, entendendo pela coufa mays 
^ J2ESSSSS# P^ciola a vidado homem, vivo fe lançou na concavidade. 
fiuumfcatumiefrawnrtdiret 21 De que ferviaõ aos vaífallos asriquefas de Midas, fe 
quamfihtujàtAmantior,!*- faltara em leu nlho o amor da pátria i naoachao os nlhos 
tcrpr l ?atu í oractím.:u.Pri- tanta utilidade einas azas,comò em o pey to do Pelicano. 
x:<; r,i eam vcragine m ,utchi- i 45 Reforçados ficarão osaliceiles de hua republica, 
infiâensfiiiufe ãemitit.Baf- quando ao amoi dos valíallos ie amnte a íorça dos exerci- 
í'jiatuigof.iib.i.ctf.6. tos, & a copia de riquefas: as aréas juntas na torre, funda- 
da em o meyodomar,reparão,&conglutinão aspèdras, 
de que fe compõem :femelhante aeftatorrehe toda a re- 
publica, mas aífy a húa,como a outra fortaleza, nos princi* 
piosdefua extrucção,omays importante para fe firma- 
rem he a união das pedras; porque eítes coníòrmes refif« 
tem ás ondas, antes que as agoas as firmem com aréas. 
146 A.s republicas ficáofempreemdividaaprimey- 
í2 on$gumiual?eià. ta ^ el P°%ãodefeu principio; íaócomo Júpiter, que em 
ria,®s B t<z4 t tmfni Noebei memoria de Amalthea, queocreou, trazia no braço ef- 
frui, querdo apelletgida. 32 i>e lua ongem recebem a po- 

litica 



EMTftEZJ IX. i 3 r 

litica firmeza, ou inconftancia de fua duração jporqucnáo 
foy menos poderoío , para Alexandre morrer vencido do 
vinho, fera ama , que o cieou fogey ta aellc : para Achiks 
íer anioiofo , averíe creado com medullas de leões: 8c para 
Nero íerTyranno, cobrir a ama o psyto de Tangue a tem- n '**"*& ?«!eft*j. 
po,que lhe queria daroleyte: 32, do que he para a re- 
publica a primeyra difeiplina; para que correíponda , nos 
progreílòs, áíua primeyra nutrição: 8c a do amor quem 
tíuvida ler a mays nobre, a mays reliz, & mays preauravelf quod eji d art . prim/m jpeden 
cm osaliceíTe.s,fbbreque o Príncipe dos Patriarchas 34. S^ffi*g££E 
íiindou fua Religião, fe defcóbre efta verdade. de Roduifitm cap.Mcnatb. 16 

147 Sobre três fogos unidos a húa chama,difiea Vir- ' i,n ' t ' 
gem immaculada,a Sanca Brizida,fundara São Bento a fua 
Ordem. A três fogos, comparou a Senhora, falando com 
íua ferva, o eftado da virtude ; ao primeyro, que ardia em ,, ?„■»*,£«««,« ««-«m 
nurrha aíTemelhou oeítadoreligiofo,emcommum: a Ç ff'*»^*^*'**"***»** 
ao fegundo, atheado na lenha feca, a abííinencia dos Con- «mm m»nu tiiorum::-: ipi>a- 
feitores; 36 aoterceyrojconiervadonaohvcyra^virtu-^j^,/,,,^,,,^^ >f _ Rím 
dedos Martyres. 27 Para fomentar eftes três fogos, diílè vciathiumc*f> 21. 
a melhor may, a lua amada nina, mandara Deos oaoiíen- c^t^^tfccu^uiia.-^dqmJ 
to, ao mundo;& que o Santo os ajuntara a húa chama, pa- ^ZZZZ^tl 
ia que com fua luz a tiveíTem os ignorantes do caminho da tiio.-m. 
virtude; com leu calor aquentaíle, os que erao tíbios no qul j e amoreCbnm í»jfa»* 
k ferviço de Deos; & para que accendefle em mayor à\*i\- í } ,u f' c,Modc /l ãe ;' 6J !f u ~. 
<}ade, aos que fe abrafavão no amor divino : Sc que neíies fkuinbitwirimtinonta. ih. 
fogos tivera principio a Religião de São Bento. 28 Cu- 
jos mndamentos tazem exceder a elta Ordem, a toda a ía- iriMm(i&u m \big%itt<» *»jfk* 
brica, na alturaia toda a fortaleza, na perpetuidade : triun-^' ,i ' ítf,, '' f ' H ^ ; - í7 '''' í?'f!" i 

' * '11 ^ fia-jitírcsiçnrs w u»uin,inta- 

lando do tempo, porque fe izenta a toda a corrupção. * ««, q»od 3 *i mfyimcs nant 

J tfumtti*b««tur.QuijrigidiÍH- 

f.atxmãbjKiur. <Ji<i fi rucntCÊ 

JírepereniM. »wfin*ti»ru &*iiUtvr. 

f J\egau quejitupyramidum alÚM^ hgio Bm*Jí8í, ih. 

fluod non tmber edax, non <±/7 quilo impoUns 
Tofjit diruere, aut mniimerabdis 
Amwumferm, ($fuga temporum. 
Horaúiu.Carm. Itb. %.0d. 30. 

148 AlTy como a carroça de fogo, em que o grande ;9 Eçee (*»,/&'*', <i*t 
Padre Elias fubio ao Ceo, 20 foy hum tcítemunho do wdJivifcrk*tHirui>>jue,& 

r . , _,. ir c i\ n tfccndit £liafftrtHTfom»h4i 

elpiritodeLlus,queaoccupava,daincla)aíonecUaKe- A í<ffl . Tf ,y;, () 

R 2 ígião 



r 5 1 O VKIKCNZ WS <?JT. TOM. 11. 
ligião ficou moinando a virtude de São Bento , que a furi« 
4 o xrtigniiijtebonutquierat dou. 40 As armas Beneditinas ornão-ie de húa torre.da 
«**í Dm Bencâia»m. ojxn qual lay hum caudeloio rio, que le divide por toda a terra, 

BeatiffimaJnrso "Marta. uteP- _ \ r i n i j c r 

ftrítLataBrigitaubifufra. em que lie ngurada eíta ordem, no deíogo,com letne- 

Jhanças daquelle, que vio Ezechie),correr na prefença de 

Deos; * noqua!,aschamasdoamordivino,para fertiii- 

• Fiuviux igitut rapiâufi f áre m a terra, imitarão a correnteza dasagoas. Incendida 

queegreáiebaturafaciecjut. corrente da fantidade foy a virtude , que emanou deite 

DatiiihJi.verf.,0. -, , j c r ri. J C - ' v 

íLtnnabágrado : bobreeltasagoasde íogo, cantarão júbi- 
los a Deos milhares de juítos , que triunfarão do feculo : i 
4 i Et via tâmquâm tnift imitação deoutros, de quem elcrevèo São João no Apo- 

pcrMrciiíifèum\habeBUfii- defpois que vencerão o inimigo, &deltruírão todas luas 

tbcraf Dei,1$càntaritetctnti- t * ° 

tutu Moyfi. vâpoc i $.vsif.z. oDras. A £ 

149 Nas pedras incendidas em fogo fundou São 

Bento íua Religião. A Lúcifer, quando em graça, fervi- 

4% TuChaubtrteHUs p r \ de pa viniento , outras pedras femelhantes a efíasmo a- 

hfçíçgitif :: In media lapiaum .-., -. , r . . ,. 

'igmtoutmambuhiu. Hzechid braíado. 42 Era Lúcifer de fuperior Hierarchia , por if- 
29 " Tf0 '" 1 ' íb logrou efta fingularidade: perdéo a graça, òkagravou- 

4, Etpiccjfu.-r.Éjecite i e ^ iea culpa,cometer o peccado,vi vendo fobre eftas pedras. 
fho»icDii,^;:crj;J:i^,c>, ; - a^ Q n q Udn to fe oftenderá Deos, dos que habitamos 
i&Hwum. ih verf.16. neíía Urdem, le nella vivermos lem reformação? que íuc- 

ceda aos mundanos, o mefmo que a São Pedro,quando em 
o átrio de Pilatos, fe congelou , aquentando-íe a huma 

frt^r^M^ ■&&*$*'* 44 não hémuyto; porque vivem detibefa*: 

porem, que fendo a Religião como o fogo,em que S. Pau- 
4< Enue quLiim exeufuns \q queymou a vibora, que o mordéo, a< vivão nella fer- 

fufeji.ud£torui>ií.%.verf.i. perttes vencnolos , que ínncionao ,& matao o citado ne- 

ligiofo? faódelaeatos, que provocão a rigor,a divina juíti-» 
Ça. Do fogo participado , da claufura Beneditina , fahirão 
innumeraveis varões Santos, abrafados no amor divino, 
com oqual influirão nos peccadores, com a voz de fua pre- 
gação, &de feu exemplo, ô que o Anjo cauzou, em o 
mundo,quando fobre elle lançava o fogo, que no turibulo 
havia tirado do altar:, atemorizado comrayos,& trovões 
ficou o mundo, defpois defta função do Anjo. 46 Ate- 

vibúium^Jnpievhhttàd-.ig- morizadas , óc compungidas , hcarao infinitas almas, dei- 

»etiiarb i ®miMmtcrram& òois, que eftes Hefóes Beneditinos lançarão pelo mundo, 

fjB.iJHnt',itr.,iru». *rfpoc.l. rir, . «r i r i 

vctfs. o íogo de lua doutrina, & a fama de luas obras. 

150 A calidade do edificio ? que edificou efie Pr mcU 

P C 3 



EM&REZJ IX. 135. 

pe, a califica o fogo, que a fuílenta ; porque lhe provou os 
materiaes: 4.7 lo húa duvida quiíera examinar; & he.de 4 ? op^q^uft^Hefnba* 
que parte íahio cite rogo Mc ioyda pedra, íobre queòao 
Bento lançou os primcyrosrifcos, a cfh fundação, (que 
comodiiíemos,& autorifamos em oprimeyro volume, 
48 foy a mtfma, que Chrifíoefcolhéo para fundamento 4 s Emprezanji.iii.ta.il 
deliu Igreja j") ou ie da Çarça, em que Sáo Bento felan- 
cou,nelía penha de Sublaco?DoEfpinheirotemiáo as ar- 
vores, que ficando com o cetro de Rey entre ellas,fjhi-fe 
delle hum fogo, que abraw-fe os Cedros , do monte Liba- «&%%£; '£~ 
no: 49 ospeccadores, Sc os poderólos do mundo, fere- SM/f»»*?, «tf rj, 
prefentaváo nos Cedros, ( fica autorifado no primeyro 

* , NO • . j- -li * • . fo Super hanc peitam eàifi* 

volume ,) & como vejo,, que os incêndios Monachais,a C aboUccUf,a,»meam^ ( . 
húa, & outra forte de gentes encaminhão alabareda,pa- m<»'*-'6. ™/ 18. 
receme , que da Carça iahioofogoj porque enriquecida frfi*erijbi\ute$emil&'ípjiii 

C 1 t - r» r J • imatinein, Çí fimihiudini Tri- 

com o iangue de òao Bento , hcou tendo por merccimen- „ it ; tU . uabtUrgocmjugnorS 
to a coroa, que lhe não deu a eleyçáo. Mas o certo he, que orio L m *F nt , m Pai™, «uiafi- 

. r7* 11 j r ^>! -n cut Pater idca Pater cfí,qunl* 

da pedra iahio a chama, porque nella depotitou Chnito o betfiimm^itaordoconjugamu^ 
abraíado fogo de leu amor; & lobre a fortalefa , & amor ^f^êtítr^ 
de São Pedro levantou o edifício de fua Igreja; oqual íi- «/-.s.tíç. 

, .. n -, 1 r 1 11 ' J L r J * 2 tlat/et,tfClericorum Or- 

cou eterno na duraç30,aíienrado lobre elta pedra abraíada à B \ma g mem Fiiv^uUFerbum. 
cm fogo: 50 i^ertaAaião^ 

São Bento reduzio, a hua fogueyra, para que fua Religião ivmviam uomim idemih. 
íoílecolumnadeiogo, peia qual governando-íeos viado- j ima „ mem òpiinus sanSi, 
ies, não er raíTem o caminho da terra de Promiílàó. f ' *§ "."'1' ££*?*" ' ;í "/' c/ " 

__ ( > Jet ofdo it>fe Jijpifferc niundut»; 

151 Correlpondentes imagesas três Divinas Peílo- nifi pravocatus amore Dei::.-: 

r - ... 1 - 1 iT j L ItabrtiftCr illud quod iniíiicè 

aS) lao as três princi pais ordes de eltados,que ha em o mun- pc / t J t ad Sfir J um S an8 u ». 
do. O eftado conjugal reprefenta ao Padre Eterno,refpei- */*'"#' Re s a h s - &ȣ<>;&* 
tanoo a geraçãodo Verbo Divino. 5 1 OClencai,aoDi- mhihmwtu ume» penintt ai 
vino Vetbo,porque annunciouao mundo a Ley de Deos: ^Z7^it7ad"m}nfii!JtZe 
5 2 & o eftado MonachaI,ao Efpirito Santo, porque 1'em M«**d»MM»i spinm^vita 
o leu amor não fedèyxão, nem feconheífem os enganos 14 -úenachorum ordo ;»«- 
cio mundo. 53 Antes de São Bento, exiíhrão innume- p^^/TÍ" 
iaveis Monjes, claros em virtude, & fantidade ;mas em t»p s. tf o &er**rivtm^i* 

c - T , ■ . . n r , A TV/i pelota ad Guili. ^iíba.circ* 

íao bento, tiverao principio, & iorma oseltarutos Mo-jç w 

nachais. 54 Deípois dos Sagrados A P ol\olos,nelle te- ^^^^'X"- 

ve principio a íórma da Religião: 5 í ik como reduzia a vir , Bcatm Beted&wjciiictt» 

1 - " V. J> 1 -\í inP.it u:t -V " /ei ■•' .Íi...., quttab 

num corpo partes tao diverlus, como levantava Monar- ^ r u mp&iextidwm. o, - 
chia tão extenfa, buíeoulhe aliceílès, que afufícrtafíem »-r:w»x?^ .. "• - -r,' "" 

? * . j; > reliam mtuemttia, ptpmt* 

perdurável : em amor fundou o eltado Religioio ; porque dium , 

R 3 fobre 



1 54 O FH1KC&E WS $AT. TôMO 11. 
fobre fogo fez a fundação ;aíly para correfponder í ima- 
gem do Elpinto Sanco, de quem he retrato; como tam- 
bém, para perpetuar a obra, a que dava principio. 

153 Huma republica finta, que para todas havia de 
fer modelo, inftituía São Bento, íundada lobre amor, por- 
que fein iíTo,fora pouca lua duração. Breves horas teve de 
exiftenciaaEftatua,que Nabucho-Donofor vio entre fo- 
nhos ; era fantaftica , ainda que foy real , no íignificativo. 
Mapa de impérios, & republicas apparecéo a Éfiatua ; Sc 
nella tiverão tão pouca prefiftencia, que num inftante de- 
<6 Tmiccontriufuntpari- fapareceráo todos : $6 a fua pouca eftabilidade foy, a 

tcrfi:rrum t tifta y <tr,ari,entum y £ / y - ev « V n 

^antuiH. Daniehrfupra. meu parecer , procedida , de nao alientarem os pes da eíía- 

tua lobre o ouro , de que era compófta a cabeça : he com- 

muma todos, fer oamorílgniíicado no ouro ; 57 &co- 

meintw*4Ucgorit>. mQ QS j m p Cr j OSj & republicas, de que fe compunha a Efta.- 

tua,fenãoradificavãonoamor,arruinarão-le fem tempo. 
Conheçáo os Príncipes, que as não perpetuou o ferro, 
bronze,& barro, que as reprefentava, o poder que tinhaõ, 
como lhe faltou o amor, em que fe firmaííem. Muyto aju- 
daria áconfervação, fecontinua-fe a fabrica com a varie- 
dade de forças, ou de metays,defpoisdeter osaliceífesde 
amor ; mas como lhes faltou efta baze, declinarão com a- 
quelle pefo. Governo, quenáo aífentafobre amor, dei- 
tróe,&nãoconfervaasmonarchias. Semeftes fundamen- 
tos, como fe podia tolerar a prifaõ da clauzura , Sc a domi- 
nação dopreceyto?oude que forte trabalharia tanto, o 
que he fraco, comobarro,& o que he forte, como brônzea 
como fe igualaria o ouro, com o ferro,o humilde de nafei-* 
mento, com o illuftre por geração, íe asReligiòes fenão 
fundarão em amor, que tudo iguala, Sc que fuaviza tudo? 

TSLon me per altas ire^fijubeM , uives 
(Pigeat gelatis ingtedi (Pindijugis. 
Senec. Hipp. 

153 Quiz o Rey de Babilónia emendar o erro, de 

queprefumio nafeera a Eftatua afuapoucafubfiíkncia ; 

*8 K^hchoDemforJieitfe- & mandou fazer outra toda de ouro: 58 não a mandou 

tnhutUíHttíiHriam.Diin.i.n.l. • . \ r r - 1 r • 

compor ue bronze, ou de ferro, íenao de ouro; aípirava 
Nabucho, a que leu governo foífe perdura ve^Sc mandou 

fazer 



£ M $ %E Z A IX. \tf 

fazer húa Eftatua, que o reprefent3-fe todo deamor. Ao 
clarnaçõestevede eterno, &applaufos divinos: 59 ne- <9 G'Mm*m»*i>. «>afe- 
jihum vafialio o atriouio aiocura j nem tez repugnância 
afua detreminaçáo j igualmente íe humilharão d Eftatua 
os Príncipes, & os vaíTallos, os grandes , & os pequenos^ 
todos aomefmo final obedecerão:, naó tendo horas diífe- 
r entes no culto, nem diffmçaõ depefloasnoíerviço, 60 6o Tunecengregnifutatí.t 
porque o faziaõ a hum Principe, Sc a hum Império , que fe Y**""^ P"*"p»*w°»*™>' 
Ihereprelentavatodorundadoemamor.brauiíooamor, iSrin\u*<tiorawH*iijt*iuani. 
que luzia nefteouro; verdadeyro,oemqfefundaõasRe- ,ver fi-~ ?■ 
ligióes : lendo figurado, naquellenbrafada curo, que no 
Apocalypfe inculcava Deos, ao Prelado de Laodicea,pa- 
racollyrio dos olhos; 61 cornoqualconhece-feobrõze, 6i Suaieottlitmert&meil „ 
& o ferro, oilluítre, & o particular , a terra, de que os cre- twwtwix. bt Q?h r >» •" 
cuoòol, comqueosnaoengana-le } aeiíimaçaoaomun- J^»/.,.,^ rô. 
doj que lhe deu outra cor. 

1 54 De tal forte compôs , & detriminou a fuccelTaó 
de feus augmentos, quem íòube prepetuar as felicidades, 
que primeyro fenhoreou o amor, do quele ajuda-íe óo 
poder. Rogou a Alma Santa , a feu Efpofo , que a trouxe- ^ ^ ^ "^^ sjjtm 
fe retratada no peyto, & no braço 3 6 1 pedio ambas as p.rcr tuuetyutfrpiacuiumf^ 
eoufas^mas o lugar do peyto foy aprimeyra: aquemhe^';;/;;;^;"^^ 
feDhor do peyto, facilmente domina os braços: antes dei- 
te dominio,queria ter a Efpofa a outra jurifdiçaõ^porque, 
como bufcava o Efpofo para fe reparar das moleítias, 62 «* Qj,ufirú.ef:utmcrs,di- 
acnou,quenao empenharia oElpolo tanto leu braço na }mo . m, 
defFenfa, Tem que ella primeyro lho não oceupafíe no alie- 
no. Os que habitáo nas Religiões fa ó(como fica dito)par- 
ticulares inftrumentos, de que fe ferve á Igreja de Deos;& 
fendo oeftado mays nobre, & útil ainda fora muytoma* 
yoronumero dosremiíTos, fe faltara nocommumaquel- 
ía fogeyçáo. Para rendimento das vontades feraõ osprin- 
cipiosdeamor,oPatriarcha,queneHe fundou aMonar- 
chia, foy para que a Igreja tiveíle nos íer vos o empenho de 
Elpofo,& enfina-fe aos Principes,a fc guiarem pela dilpo- f %™Z£j* 

•íiçáo da Alma Santa. cumtmiverfavinutuwh 

15$ Neíta lundaçaocncgav3 o citado Rcllgiolo ao Ccnu> ; llt .i. jt , .•:'..- 
«ermo perfey to j nella, 1c firmou a baliza. Os Herócs ; que ££ 
fiorecerãodefpoís,náocompulerãodenovo,couía cllcn- v* debuxa u/çoe 

•1 n t» 1- • - - i ri* / Catdinaht'íurri Crenrmta ih 

cfal, quçclta Religião nao tenha cm lua Regra, d\ rc- p,;^ : ,ji:.^ Mhi&ntd». 

nhÚA 



1 3 6 O S^INWPE WS VÃT. TOMO 11. 

nhúa igualou á de São Bento ; a defte Principe,a todas le- 

6í A 7 .»»/ R<í"^ Bajiip ík. vou ventagem : óç por iflb foy obra, do amor Divino, 

muitum gemer iiit^aâ pãrtí- porque era ultimo termo daperreyçao Monaitica; cua, 

TiT^&Tí^m, St acabava de aperfeyçoar ; executada efta mayor obra do 

finguhquaqutciaraâijcrtffiu amor.fcm trage de peregrino apparecéo Chriíto, aos dous 

à.^dnto*intopart.xjitui.,i. _ s , r . , ° , . £ - ° r . \ , A r> n. 11 c 

fJ » , 2 .§. 7 . Dilapulas,que hiao para fcmaus ; ate eiie Uaiíello roy 

Chriiíocaminhandocom elles, apelidado fempre pere» 
grinoj 66 chegarão tarde, era )a pofto o Sol, & fingin- 

66 rufojwpregti^tefi^ do Chtiíto, fazer ainda jornada maysdiítante,obrigarão- 

h ui ufitlcntl Luc.i^.vtrj.vi. ... c- ca 11 rr 

noosDifcipulos,aquencaílecoiTieIles: aíTentados todos 
para comer, pegou Chriíto em o paõ , benzeo-o, & repar- 

6 7 usu^utrecumbect tio-o com elles jem cuja repartição foy Chrifto conhecido 
a,meit,acctf * panem, &bc- dos Diicipulos •, com que nunca mays o viraõ caminhar. 

'#Miicil,&]>egir,&p<>rrigctat r» • J_ r j /^L-n. J P ■ jr 

'iiih ±.t*potij>:*t°cc„h,eorv. 6j Pois acabou-íe a jornada aChrilto,deípois que dei- 

ô t^ir«rt««.y£tâ» tnbu ío o paó?Não deu eíte Senhor indícios, de que pafía- 

- Twgitfe.kngmrire.ibi V a adiante de Emaus? Como agora naõprofiegue a pe- 

w ^' 9- regrinaçaõ? Porque naõaperfeyçoa o mays caminho,que 

68 nm incongruenur aceu Jhereftava ? Chrifto Sacramentou-fe fegunda vez,nefte 
fmushocimpeâimMuminoc- - ^g & Sacramentar-fe Chrifto.foy a mayor obrade 

culu eorutn a Satansfui/fe : :: r ■» „ » « . ' v 

scàuntum a cbr.jio faBz cH leu amor: 09 com que, nao tinha mays, que peregrinar, 
ÍSlSíSE/ «*."}' Té '««• defpoisde Refurcitado, fazendo o mayor extremo? Antes 
jí»/ ÈM^.f^.n. queo fize-fe, era peregrino : mas comochegou aoultimo 

69 MtraculoTUm êbipfofa- \ 1 /■ 11 " r» 

aortminjxirKum.D.Tbemat. do amor, acabouíe-lhe a peregrinação. 70 Peregnno,& 
tfatufutficio ,cum ad Sacra- Bento fia fica 3Uthorizado) na iníiituiçaó Beneditina a- 

tnertlnm amoriípcrventum ejl. • i i r r II L *■ 

p.Mcuí z,rJa/up, j H j,tb. quietou dodelaíocego, porque nella chegou o amor, a 
tomo »^s.?/«/.w/. n. | ua remonta ç a õ : tres fogos , todos produção do amor Di* 

vino, lhe fervem de bazes ; o numero ternário fez conta de 
fuperlativo: A eftefubíoo Monachato,nefta erecçáo,corn 
quefocegoude peregrinar ,confummada efta mayor obra 
do amor. 

1 5 6 Faltaria ao citado Religiofo , a fua mayor no- 
brefa, que he fervir-íe com gente voluntária, & naõ cons- 
trangida, fenaô fora todo amor fua actividade. Atrahe o 
amor, fem violência j facrifica-fe voluntário, quem fefo- 
geytaporaíTe£to j humilha-íe conftrângido,aquem ren- 
de o poder. Eíia violência , desluítra as acções, porque as 
fazneceífariasj &aquella vontade, as abona, porque aslb* 
7 . MiãnJtbvMhre,® berta. Intentou ludas ,efcurecer aobra denoíTaRedemp- 

fjcovobjt cum tr»i*r,U M»Uh. . . s J ' . i 

H- »«•/ '*. $ a °j & vendeo a Chriíto aos ;udeos 3 7 1 para quea ven- 

da 



EMVQíEZA IX. 137 

da fize-fe parecer ncceffi Jade, o que fá era virtude ; 8c que 
tiveflèmporfatisfaçio da venda, oqucfó foyobra doa- 
inor Divino. Todo o merecimento aChrifto,& toda a 
utilidade aos honiés pertcndèo tirar Judas , quando do fa- 
cririciojquiz fazer violência. 72 Anticipou-feoamor de 7* Vnicf*tm»Tctmert$iMi 
Chnito, a malícia de Judas: antes, que eíterecebeíle odi- rw««« «/,**, ^z^,,^ 
nheyro Jhedifiè oRedemptor,trataíTe da entrega: 72 í™ Xf ^*"*f/«*«,««- 
ruõ lhe mandando cometer a culpa j mas molxrouine , que ^ffirm.dtPciUomeCbufii,. 
omorrerelle,era lance de feu amor, & naõ procedido da m\^Tvcrf"íf' c " 1 "' ' '"' 
venda. 74 Perdera a deyxaçaõdoabens o valor de facri- 
fjeio, fe fora venda , o que he renuncia : fe fora comercio, o ? 4 1 J *"| M *Í*« quoàf»>;ú 

l , , , .- r * £ j ,. 111 fidorcunftanuamiemfontfi. 

ouelohedelpreio : masneacom todo o credito, de holo« g*rfitaumj>ercinu, : ut/eai- 
cauíio, porque ■ fó a forças do amor deDeos, fe faz o def- jSSS^SKJ^ 
pojo, & fe conlagra a vida. icrba.Quoâfaci.-. 

1 5 7 Grande damno caufa rá a fi , & á Religião aquel- 
le, que com fingido amor abraçar efta chama 5 tratando 
inays de aífegurar a vida tranfitoria , do que de merecer a 
eterna: conheça o mal , que procura para fi , & o prejuizo, 
que faz á Religião na fingida amifade, com que Judas che- 
gando-íeaChruíOjIhedeuoolculodepaz: 75 porque «/*«*«. M«v.i4.wy:<u. 
com elIe,ficouChrifto entregue ámorte}& judas, com o 
querecebèo de Chrifio, livre, de que ninguém o mataíTe: 
Í6 valléo a Tudasofaprado;masnãohavendo,auemlhe J 6 B»«#Á«» w *y* w /*- 
déíie a morte, ellemeimofoy de fihomecida. 77 Fica a ^tiavtnijSetintnf.tertttum. 
Keligiao entregue ao deicredito,quandoaliloue íacmo- bn,,,,»^ sffitit 
xofos: 8c condenado a mayor pena,quem a bufcavafó para »fi^jCbr!iiiv»itmijud*im- 
aíicgurar a vida, que perderia no mundo, lenelleviveíle. ZerJauHfafr*"?-*/***' 
Judas em fe matar a fi , perdéo a alma : fe outrem lhe dera fi£uMlS^C **' 
a morte, podia fer íàtistaçáo da culpa; mas como a deu a fi 
i.iefrno,augmentou o peccado, porque defefperoudami- 
fericordia. A mefma confeiene ia condena ; o próprio pec- 
cadohe o noíTo mayor verdugo: que importa ter a vida fe- 
gura das mãos da juftiça da terra , fe ella efiá condemnada 
pela confeiencia própria ? O tribunal da jufíiça , em dar os 
caftigos, aíTegura para o Ceo muytas almas : a condemna- 
cão da confeiencia mete no inferno ainfinitaspeíTóas: fu- 
gir da omenagem,para vir morrer á cadéa, que mayor lou- 
cura, ou que caftigo mayor? 1 

158 Para defenfivo da obfervancia regular, foráocf- 
tes fundamentos de amor. Dá repulfa a todo o viciofo,o 

S íuave 



1 5 S O pyjNCftE DOS VJT. TOM. 77. 
fuave eheyrodo amor de Deos. O odorífero, que lança de 
fi, nãoo pode coníentir a culpa: foge delle ,o que efiá em 
peccado. Em cafa de Simão Leproíò, eflava Chrifto d me- 
ia, com íeus Difcipulos, quando a Magdalenaihe lançou, 
fobre a cabeça , o unguento preciofo : & o mefmo foy , fa- 
zer a Magdalenaefta unção, & Chrifioreprehender ode- 
íordenado efcrupulo dos Difcipulos, do que Judas fe le- 
vantar damefa,& hir tratar com os judeos ,de vendera 
Chiiíto. 78 Pois íe Judas teve animo, para efíará mefa 
com Chrifto, até eftaefTuzão do unguento, como defoois 
qu, ãkehpit.judas aâ de íeyta,nao pode hatirtar na caia.'' Quem o moveo a íc au- 



Cim 



^r„,c, f as»cc,àoyum^a,tii. f ent2r ? o chevro, que lançou de fi ouneuento.O Alabaí 

lis.quidvitltutmhi darcJS ego • * » 1 l ' J C 

eymvohfiyxjam! Matk »o. tro,eni que o trazia a Magdalenaincendeo-ie,coma cha- 
' /d ' :/ ' ,4 ' ]nadoamordeChrifto,emque aMagdalena feabrafava: 

ao tempo da unção,encheo-íè a cafa de fuavifíima fragran- 
79 Quonian,ahb^rum U «. cta: 79 Si como era procedida doamordeDeos,náoa 



gUUlll 



, abam.ru ig n ef«ccen- pode coníentir Tudas , porque eftava em peccado. Em 

fim, aftjvit odorem. Zerdauli r - J • 11 T • J J rr C\- 

juprajcit.c >/>,f. 4 .«. 4 5. quanto nao experimentou , aqueila íuavidade, aítiítio a 

roefa;masdefpois,queafentic, nãopodemays habitar na 
cafa; dey xou logo a companhia ; porque a habitação, on- 
de reipir3oamordivino,náoheparte,ondeferecolh3 3 quê 
èfíãcom culpas. PoriíTo humÁnjo(como adiante mof- 
tFaremos}diíTe a São Bento, que todo, oquecomeíTa-fea 
viver mal, na fna Ordem , & não emenda-fe a vida , ou fe 
confunderia, ou por íl mefmo, íe lançaria fora. 8o Em 
quanto Chrifto reprehendèo os Difcipulosdo efcrupulo, 
quenioftrarão ter do gafio, que a Magdalena fez no un- 
guento, efíeve Judas na companhia dos Difcipulos :foy 
aqueila pratica deChrifto , como a efpera de tempo , que 
£l»%7™"^S- dá eíla Religião, a quem vive aocontrario, doquedéve: 
iur;::reiperfecgreâietur.Di. hkvs em havendo a tenacidade de Judas , na preílliencia da 

xit Slr.gcíus nd Beatum Bem- ■•■ rr \ ~ r r rr t 1 J* " O. 

àiBum;utpatttex D.^moUc diíioluçao, iaz leu ertey to acíiama do amor divino:& com 
xjbw» inju. Ljgr.. Vit^ub.i. Q.^yçy fo fa a f f . 2 o F ancia lanea fóra,de fua rnarada,aquem 
fè.Bmeãiâi. acha nellaimmundo,pelactilpa. 

159 A detença defteimpulfo, ouretardaçãodeíle 
caftigo , me parece ,íer caufa de imaginarem muytos , fe 
extinguio a chama, ou que o cheyro não he tão acrivo: 
8, Ji^jrnSMiKfiiiv com que perdem o temor, &proícgucm no erro. Ao ver- 
eis,™ *,# percujTit M'ch«- dadeyro Profeta Micheas deu hua boíetada , oíaltoPro- 
Vir}""™ * m ' *' eg " ' feca Scdechias: 81 & vendo EHlcyAchab,náo ficar ári- 
da, 



ÊMVÇlEZA IX. i 39 

da , & ePtupefa-óia a mão de Sedcchias , aíly corno ficou a 
de ElReyjeroboáo, quando amo véo contra hum Profe- 81 Ete*arv;ttr.er.uttiv.r.q t j 
ta do Senhor , 82 atribulo a falta de ãfíifleneia do tf- ^^.^****^ > * 1 
ririto Santo, em Micheas 5 com que, le determinou a dar 8 * €<$&S&tit\i*quii?Bptn* 

111 c- • • 1 1 - r» r n '>fi VeWftutt , «;/rf dicit iftel 

Mt-a-I-ha aos Suios,queery ,0 que lhe encontrava o Próte- mtifipcteft spmuts Sar.s, i,a^ 
U de Deos,& à que,o preíiiadia ofalío Presta : 8 2 mor- *£*£*** "f> """'/"/- 

y 1 ' i 1/ mis a tn! t noceatmet! msi:i,i t:~ 

rco ElReyAchab na peleja; engahou-ie com a piedade, c,it J**à**> 'di*ttr*m r%u 

Í-\ . r o 3 \ • n • ri Jcrotvim andam fexit.Sum co 

_>eos uiou com bedechias, porque a eííimoo em lalta fnnãti^en v<a*í$u. cvmqtk 

úc virtude : primeyro Deos fé iiioílrou , tiguroíb com Te- Ç rc J' /J 'fíí ***»w*i &**# 

, . , r .y. . .. r „ , ' p. J faiprt pafut , ceuferujus efe 

roDoao,do que mnencordiòlo com SédeCm?.s,pafa que os meupfi bichai, ccm™ R r «<m 

hl _ . ^rr . r r... 1 x _ -r < I ■ i* o Synrum mevit exercitam, fo- 

omeiconheceíien^queíuabrandutaeramnericordia^^^.g.^,.^^,,. J 

não falca de poder. Quando fé inftituirão todas às Sagra- * 4 a^^w™», jm** 

, .. .. *■ . , . ,. . ~ /r- • ° taei^qKtaifiajigr.a nonf^eitit 

das Religiões, como erao plantas novasjtoy neceíiano,pa- mMmecreditk>Sedb*cnecef- 
a fe radicarem , cõprôvãr com os íuccéilbs a fatuidade dos {Z^Jldftt '$£ 



tu mi- 



inftitutos.Emõs princípios da Ipreia,pàraémuytos abra- ret multando credimiu 

íT cr • <j'l rr ' i raculisfueratnutrienda Qui* 

çaliem a ie,toy a continuação dos milagres: ceílou, naode &«<,,, cumarbufiapiantamur, 
todo, mas em parte, Tua corrente, porque ia lhe nãohe ne- UrJn \ "'"i""». •"/'»■■'*>»■•■". 

\ f m J ' í } ' quo ca uJqKe eam terra cojIu- 

ceíLria, para iníhucção dos Catholicos. 84 A mefma ifevideamur;atfifemei radi- 

Í- j j r " C J J r> 1* • - lt rc r cemfixerint.irriçatiacefíabitj 

antidade , com que íorao fundadas as Keligioes , lhe aflil- P , M.Gngor. uag.Hemii. i 9 . 

te agora; não apparece em todos, porque não acha cm '\ Eva "^ti' í "' íi . i ?' tíu ^, m 

muytosasdnpotiçoesneceíianas. 05 oeeltachama,que Deut,pottjhmpi c tamjotâdif- 

mo coníemia em íl lenha, que fe rtlo Vfe^de-Te, fogey tos tffiXZSSSffZ. 

faltos de efpirito, hoje os admite, bê, pafa que a adeíimu- ~àp<>J ltlo i va, ' ent &f u P-<"*** 

«„• •!»< i j . , £ ,, cernem eÇ:ifui,nontii rurjas- 

iaçao abone .a vida de hum Micheás 5 fia rhofte de hum ajjumpi*, .■ fd genemiontr 

A r'i aN tranfit m omr.;s: &fi quemlibet 

kommtm in vettit,babitatfupra 

1 60 Conhecidas fofãóâsfbfCãs,âí virttídedoamor; tum.D.^xbaníftu$ quJft.^. 

bn 1 /• o 1 * r» • • r ^^ Médium Ecclejr* efi Or- 

aítava para abono teu, & exemplo dos Pi incides , leror- d Q s. Benedidi ,fup»un, n« 

dem particularde Deoâ t léVar>ía-re $ã& Bento fobreelle, "i*" 0ÍUJtt !' a ? eu JT J T' 

. L , ' - ' mmutur. Qut ad X. r.iverjani 

a obra de mayot importância mtn íifa lgrêjí y que he a Re- ncchfiam^adomnetordintt 

I' r> "í- ' t « . t r> !• feauoadaliquidtenct::;Naifc 

igiao beneditina, a qaem todífs aómays Sif|radas Reli-^l^..,,,, L„ e 0r di»em Be- 

gióes havião de imitar : le vantando-íe ttÚU a coluna mays *cd,w,fcJUet,inaiiquoimmi : 

. . j, . v ,■' lar.tttr. Dtxit Lhnjlut Domi- 

firme,entre t<5das, asqtíe í«ífent»ó' a Igreja Catholica. o 6 ««/ b wí ^ Aírr/w^, utigf, a j- 
pcfpoisdo.Sagrado*A|dM^eífaReligiáoa-prin-^ 

cipal republica Monaftica;ck íeii governo o ma vsconfór- 87 Regulam doente spirit* 

í l . ,. . ' k , -^ S.fcripfit. Cardinal* Gotfri- 

mecom a vontadedivinajo melmo amordelJeos,quea du,tom.n.Bibiht.pp ■ 
fuftentajdcuaSáoBentoosinititutos.porondefccover- J . c . ò - l \ mt ,;'' a f> ' ' 

' m 'l o íil> 1 mKtgula o. Be» 

na:oEfpiritoSantoditoual»egra,queefcrevéoSáoEen- cí ^bba*jo»Mm »«« 
to. 57 Donde ie legue, he todacompoíta deamor,clta Bermardut in Oec.amat. iup r » 
Religião: &afly convinha, pois mandava Dcos.fabricar ,ec : "";?\ '■• 
nella omayor propugnaculo, contra léus inimigos j& o . .,./. 

S 3 ma- 



83 StJIongepoftfmporeBi- 
tnJiSui Monachotum tyJpcfio- 
iiif , vil tu Lucjir MMutiiiMt 
tmicmt ::: Sub Regula Beali 
l',:iru jugoje^amicrtm mie 'pa- 
io ejervitttttr: cXquibus, mul- 
ti admirabiletifloruere Epifcopi 
qui nçn jolumKomaniimEcclt- 
Juni, cuiprafueruntiàfuiidj- 
mnitisrtadificaverum^verum 
citam ftcvitnlt S^numiachorum 
liinfêftai::: iro defende» dajl- 
de l. alb lic.:,its vthdiffimt di- 
micaveruM, Mp^lTimus aietrt 
(um Prophaa : Nifi Dominut 
SabjclbrdiquijTctncltifeme», 
çuafi Sodo mifMÍfltmM*$qMafi 
Gomorrafinitles ejjcmtit. Bcni- 
%mis Epijcoput Succicnftf lib, 
ide Scriptoribtif Ecchf:»fii. 



140 o QqjKcn-n dos $ât. tomo n. 

mayor abrigo para feus fieis. 88 Para reparo, & GÍTen* 
fa, fe congregarão a hum diítricr.omuytaspefíòas; &cada 
húa das nações, a corpo de republica. He opinião, íer o fu- 
mo, fogo dilperío ; ou fogo mixto, com a humidade dos 
materiaes,quegafta j donde, ferefolve cm íumo, o calor 
difperio, que faõ osvafiallos divididos ; ou o calor junto 
com a humidade , que repreíenta os naturaes, vi vendo em 
terras eftranhas: mas he certo, cuenáo une a íociedace, 
nemhecauíade confidencia, a leparaçáo,a quem falta o 
amor :nefte, como em hum ponto, fe firma toda a redon- 
dez,feeftriba toda a uniformidade;& fe a falta defta, ar- 
ruinara tudo, republica a quem não fuftenta o amor, 
fera comoo cadaver,que não tendo de racional, 
Biays que femelhanças, a falta de calor Jhe 
augmenta o pefo, & lhe intro- 
duz a corrupção. 




EDIFICA 



EDIFICA 



*4 r 



S BENTO 



DQZEMOSTEYROS, DENTRO 

no deftri&o de Subhco. 
EM $ %E Z A X. 




■ - 



161 £ 



Si E a demarcação dosReynos de- 



Príncipes, nenhum fora íobe« 



rano,em feu Império. A Águia 
Rainha das aves, tem certo li- 
^^y mite nas nuvens ; o Leão Rcy 
áosanimaes, tem detriminado termo nas brenhas ; a Salea 

t~ s 3 Emp 6 : 



mjj o ççimcftz ws >?jt. tomo n. n 

• Ccte, quétejiimptfauiK Emperatriz dos peyxes , i tem particular deítricto nas 

pifcum £5V. Francifcus DcnJe * * ' ^ * - , , , 

éntraBat.^iwtnaiwmctfrzi. agoas. G Homem , a quem Deos creoulenhor de todo o 

fub-Junar, tem medida na dominação. A Águia não íobe 

áw«y. i. Leão não habita em todos os montes 5 afítfte naqueíles, 

cujocliniaheãccommodado, ao feu natural. ABalea tem 
eirtosinares, aonde reyna ; nem em todos apparece , nem 
fecriaaBalea em todos. O Homem, fendo fuperiormo- 
narcha,he nas forças inferior, a muytos brutos :& com tu- 
do iíto, não deyxa a Águia, de fer Rainha das nuvens, não 
deyxa o Leão,deferRey dos montes ; não deyxa a Bàléa, 
de fer Empei a ti iz das agoas. ; não deyxa o Homem, de fec 
i om*i,f«Hec;(ti, fubpedi. fenhordos>utos r, 3 porque os limites do Império, não 

h,s ejm, (sc. pjut.% t ver/.8. tirão a foberania da Coíba, 

- ■ ' 

Vbifufh Imperium ÕwhJtíH Cefar babeU 



4 Ravijúí ia Dfficintt. 



162 Como doze províncias de hum Reyhb,faõoâ 
doze Signos,em que anda o Sol: por elles reparte toda fua 
aíliítenciá:em todo o anno,não tem mayor extéção,nô em 
todo leu curío, ha de extender a mays íeu Império : o Zo- 
diaco,émqueanda,fendociauzula do governo, que admi- 
niílra, nuolhecoartaamagefíade. O Sol não té mays Sig* 
nos,ou mays provincias,fenãoaquellas,a que pódeaffiítirj 
nem a Á^iia 3 may or altura,do que aquella,que lhe he útil - y 
nem a Balea, mayor paíTeyojdo que aquelle,que lhe he na- 
tural;nemoHomemmayorfenhorio,doqueaqueJle,que 
lhe permite afortunaxpar-a perfuadirem aos Príncipes , a 
não conquiítarem mays Reynos, dotjue aquelles, que po-« 
dem animarcomfuaprefenç3 j defender, com fuasforç3$; 
frequentar,femdefamparo doproprio,confervar,íem difc 
commodo de muytos , 8c para utilidade de todos. 

163 Entre a gentilidade , tantoserãoos ídolos tute- 
lares, quantososRçy nos, 8c os povos das nações^ ai lha de 
Colcos, foy çpnfagrada a Apolio,a Cidade de Trica,a Ef- 
culapiojo rio Callychoros,a Bacco;& omonte Beryntho, 
âDeofa Cibelles,&;c. 4 O Reyno de Arcádia, tomou 
por feu protector , a Ariu* ides Deos do mel ; os Thesbien- 
fes 3 & Parianosjiios í-Uleíponto, a Cupido j 8c os Pcrfas a 

õr- 



M M <? ^ £ Z A X 145 

Orrmfdcs. 5 Nem ainda a educação dos êlhos confia- * Uemibitii.ieDi>,Vivtr. 
vãode hum iopatrocinio; porque a DeofaCima, era pa- 
trona dos meninos, deícançando no berço ; a DeofaRu* 
milia, recebendo o pey co ;& a Deofi Levana , dos que co- 
niecavãoa andar. 6 Até ásefírellas do Zodíaco derão, 6 Uem>bi$i atM iititit** 
os Pithagoricos,Deofes particulares,queosgoverna-íem; ***** Dc<,rhm - 
colocando em o Signo de Aries,a Paliassem o de Tauro, a 
Venusjem o de Gcminis,a Phebo-emode Cancro,a Mer- 
airio;em.ode Leão,aJupker;emode Virgo,a Ceres; em 
ode Libra, a Vulcano; cm o de Efcorpião,aMarte; em o 
de Saojtario,a Diana; em o de Capricórnio, a Vefie;em o ,-.,., „-, ., 
(\z Aquário, a Juno;emode Pileis, aNetunq. 7 Adoze <faw^íeig^%fK&rf»ft 
Deoíes encomendava Platão o governo de íua Cidade. 8 'S^SSSiSS^SSjR 
Para todos os dias do anno, tinhãoos Egypcios,hu[nldo- d:ru ™> ?%«'*&*& WHmJfc 

. 0/ l . dus regenter ,fa!iect , in carie 

locom particular nome. 9 O engano , que os privou ao ^m-jtu p*u*r,&c. Miji*ri» 
conhecimento do verdadey ro,& uni verfal Senhor, não es I^ZIT/"" Bu " &i ' Utui ' 
perfuadio,aquepodeílem acudir a diíferentes partes, 8c 8 Su*mque chnetem Dy* 

,. n ff, . f : . . ãuoiectm commíudãíut. Pinto.' 

di verios tempos as peíioas , tíe quem ie araparavao; ainda, u e miti.' 

que em fuacítimacão,foflcra divinas. 9 *fMeHfi*i*cQ.*.Mtai 

J * . , r quajt. do. 

164 De continuo lamentava, ao leu Deos ApoIIo, 
o ignorante Therizo ; dando por caufa de luas Jagrymas, 
coiillderar a multidão de templos, Sc o numero de sentes, «o Dcieo, ai<bat, dum mente 

;' 1 J - 't M 11 r% 'Cl f li recordar , i nnuir.it olit^tis .iibt 

queiededicavaoaApoílo. 10 Doia-íe do trabalho, que >t . m ,ú w . ^â Bezcnfm 
podia ter o feuDeos, em governar Reynostaõ dilatado?; dcC*cit»teLumi«u. 
&compadeciaffedas neceíiidades,que paífarião léus íe- 
quazc3;porque,comoerãomuytos,faítariaApollo,a defe* 
rua todos. Acertadas la$7rymas,fe as não obrigara o enca- 
no, com a íicção do Senhorio. O que dezeja ao Principe fe- 
liz governo, intrifiece-íe com a multidão: a prosperidade „ 

n . r . ,. . r , r r - " Qu?*»t»utptUftMeorum 

aíiucea-lea mediania. 1 1 Asarmasroradamarc2,{3oper- q»i imperante diutumhu^a. 
didas;os Reynos paliando os termos da commodidade, ¥to.7*. »~í*ííEr. 
iaó armar; prohibidas, nas levs da fortuna: 12 faltalheeí- ,i Summum impetium m. 

. . J . . vidiam habct ,n$ctutum un- 

ta , porque os nao pode abranger , os braços de hum Pnn- 2 „., w „4 mfidp .,. ; . XiphUm. 
cipe. 1 3 O veftido fendo mayor,que ocorpo, perna* \f ^f; B , J>1Ví . . ?9r .„ r ,, e 
quenta com os fobeps, nem fe informa com osdclvios. A6 imperívn,® J.. .-■ ; . 
grandes ivlonarchias, vivem mays pela reputação, do que o,,,, /;i> ,. 
pelas forças; &íuftentão-fe algúas províncias mays por 
credito,do que por utilidade: i.jómuytas;comoas arvo; ts 
encorpadas por fora ,& occas por dentro. He impoffivíj 
haver a união de ânimos , entre a grande muki .::lo de r.c^ 



contl- 



bies. 



144 OlTtjNCtin DOS <?AT. TOMO 11. 
i4K«tj>ae/i efe firmat cm. fo ,._ Buíca motivos de temor , quem íe empenha 

ft»f W i*mig*u Impsrvt inter wt T . '1 , T 

fiurctcoiUgíKfsfottoi^uieri- C om cxcello no poder. 15 oolicita a queda, quempalu 
EÍ&S^EX osliniKcs,porquctomafobrcfi mayorpclb. 16 

ulvifitmiaribtu vincula colli- , 

gcr.tur ;j'iciU tnim inter taltt ty l t • n~ 

\Afcumii,àij!idii, y qu J einb,B* U nele alnor cjjet 

^S%F££$S& CafaVimFlfrptcepsmnmeruui*. 

maiori iiiuorijubitBa êfi.Ll.ij- ItiVClí^ll. J O. 

fofi.fup. htattb. ctp.x. J 

i6 FJití babei fonderú ai rui- 

9 u£$ZZ! t * Ulk * mm ' m " é 5 ApréíTa o fim da felicidade, quem intenta do- 
minar lèmdemarcação.Os Impérios laô como a fruta, que 
defpois de madura ganha podridão ; tem certos limites as 

17 Magnaimperiaiimitesfu- Monarchias , donde começaõ a declinar fem reparo. 17 

ci hibem. auoi cumveneruitt, ¥ --v p • r> (T 11 - *-\ 1 

f}imurctroa..»t,ruunt.L,ffi. Deípois,que os Romanos avaiialJarao Cartnago,teme- 
™" G <*tMW£. t?'ji. 7 . M ra 5 os N um antinos;& forão vencidos em Efpanha de Vi- 

riato;em Portugal, de Sertoric^&emltalia, de Spartaco. 
Em quanto Spartàfefuíientou , entre os limites preferip- 
tos por Licurgo,florecéo ditofa,& foy a mays celebre, en- 
tre as Cidadesde Greciajachou pouca terra a própria , pa- 
ra eliender as raízes de fua ambição, & começarão feus na- 
turaes, a conquiftar as Cidades de Grécia, & os Reynosda 
Afia j coma póííe deite novo império, enfraquecerão de 
tal forte os de Sparta, que fugirão dos Tebanos,gente,na- 
quelle tempo, a de menos forças. Os Veneílaaas, queren- 
do, que fua republica paílà-feaMonarchia, imprenderão 
a tomada de Piza , & conjurarão-fe contra Luis Sfor- 
ça ; na conquifta fizerão gaftos , & não tirarão lucro; & da 
conjuração eíiiveraõ a rifeo, de fe perderem : & para Ve- 
neza recuperar fua valentia, foy neceíTario, recoíherie ao 
próprio jadonde criou as forças, com que felizmente vi- 
£k>riofa, vayreífourando do poder do Turco, as cerras,que 
havia perdido. Em quanto Portugal defendéo as terras de 
feuRcyno,náoperdéo húa vi&oria ; tanto que metéo as 
armas nas alheas, experimentou diverfas fortunas. 

166 Para feudãno eftendem as arvores os braços; 
nelles fazem mayor impreífaó os ventosj com que fence o 
corpo, mays forte, & durável a tempeftade. As revoluçõ- 
es de Pvoma não paífavão de faifeas, cm quanto Roma ef- 
teve entre as faxas de Reyno; & paliarão a incêndios, def- 
pois que Roma feextendeo a Império: ofogoschou ma« 
terÍ2 3 em que fé atear, no ócio dospiquenos; & nas diílcn- 



t:ocs 

•9 



ções dos grandes, 18 Ade tença, que ouve no remédio, '* ^fg^fpetia^en^u 
deutcmpo afeencreipar, Sc crtícer a chama: ainda que o mutuai j .diuo» et cxt , t »ntur. 
febre não principia frenético, malignafTe recarUandolhe -*^' í «**-«i-^* fc "- 
os medicamentos. 

1 67 Por informações, erráo muytasveícs osmedi- 
ccs as curas; em breve efpaço de tempo, coma o achaque 
difFerentes termos ; & a medicina , que aplicada aocempa 
da informação , poderia demir.uir o mal, paliado clk, e 
augmenta. 

Temperibw medicina talei : data temfMt]irtfttiit % 
Et data non apte tempere , Vtn& wxent. 
Qvidats i.^mes/. 

Os avifos quando chegão aos Príncipe, tem o periga 
Damefma contingência do remédio. Seos Cabos Portu* 
guezes,naconquiftà da índia, &na reftauraçio de Per- 
nambuco, executarão todas asordés, queforãode Portur 
gal,nãoconfeguirão com tanta felicidade, emprezas tão 
deôceis.He fortuna dô enfermo,ter por enfermeyre,aquê 
não fendo fiíico, tem enduftriadoa experiência , para que 
não aplique notempo,que fobreveyo o fernezi,a medeci» 
na, que fereceytou quando principiava o ftbie: masdey* 
xará de ler gafto perdido, o que fe fez na mefinha, que não 
aprovey tou ? Impidirá aa mal ,que continue, o defeníi vo, 
que vey© fora de tempo? 

i6& Concordáoos Poli ticos, que o rumero das ter- 
ras conquiftadas, dos Reynos alheyos,hedefenia das pró- 
prias: em quanto o inimigo fe entretém com o difperío,í<í 
repara o unido: mas tambt m fenáo pode negar, que he pa- 
ra fortificação do adverfo, tudo oquefe adquire fórado 
próprio : porque , íe as partes defunidas do herdado , laó 
para defpojos do inimigo - y os defpojosde Numida , & dos 
Cimbros rizeráo grande a Mário ; os de Grécia , & de Me- 
tridates,aSyla josde Efpanha , & Afia,a Potnpcyoj&r 03 
de França,, a Celar: & conquifiar para enriquecer dcípois 
aocontraTio, & lhe alentaras forças, dando victorióío9 
princípios a fuainvazáo, que pode terdcutilidade^Com 
os defpo jos dos vencidos luírenta agueira, o que triunfo; 
aos cecos da viâorUj fegne a multidão > dos que peleja o; 

T & 



1 46 O r r$]KCl?E T>OS PJT. TOMO 11. ' 
& fe acobarda o animo, dos que refiftcm. 

i 6o O veneno que logo infeciona , não he tão pre- 
* judicial,como aquelle > que por tempos diflhnula a malig- 
nidade : na detença cria forças, com quedelpoisnâo a- 
provey ra a triaga aquando o outro no final, que da^eníma, 
o que fe ha de fazer j & he fácil Tua expulçáo , pela poucar 
pòííe ? que tomou. Primeyro a baila faz tfXeyro, do que 
chegue aos ouvidos oeftrondo; &: antes qnedifpareape- 
Ça, alcança a vifta, a preparação doarrilheyro. As difençó* 
es em terras diflantes,chegáo á noticia do Príncipe, dtf- 
pois defey to o damno , & pelo contrario em as próximas, 
porque he pie viílo o mal : 8c a diíferença , que vay da cura, 
á prezer vação ,he o que fe dá entre o fácil , com que fe re- 
medeya em húas partes os perigos, Sc o dificultofo, com 
que fe expélle em outras. CriaíTe na Arábia hum Guzano, 
cqualfeccaa planta Trinaria, fe chegou a teííer o cazulo r 
iç f>v»> BertiaUme ãcOfia em fuás folhas j dondehetáoprovida a naturefa, que toda 

hiilor ia demucb* parte dei 0>: i • l J r /Vil 1 r 11 

**,ir*d*zida dí-itaiumo * m * humidade, que iucea o tronco, eimia pelas tolhas ; com 
2í" fe j'C Le»*ciad a que n ão péaa a malignidade do bicho, fenaõ emaquel- 

las, as quais ialta a lubítancia. 19 Como citas rolhas lao 
as terras, a que náo chega a providencia dos Príncipes: 
nellas, feencazão os contrários jomáominifho; com as in- 
folencias;o ociozo,com asrevoluçóes:o viciofo,com a foi- 
tura, por que lhe falta a prefença de hum Príncipe , que os 
caftiga ;ou a brevidade de húa reforma, que os emende. 
Razáojpot onde o Príncipe dos Patriarchas, 20 nãoquiz 
por eftes tempos , que feu ímperio , que era o Monachato 
£jrSE£Z?T*L confta-fc de mays Cidades , ou mofteyros , do que aquel- 
ciunUfenfu.jermMs.BeHe- \ e$ a que podia acudir comfua prefença; nem deftri&o 

difto.isíptitiBeneJjcJunjHaf- 7 ■ 1 l J II L /* 1 "* 

louw. tom. x.í^hgomenó ,6. mays dilatado, do que aquelle ,que cnega-le a alcançar co 

fua vi fia. 

170 De trinta annos de idade , deu São Bento prin- 
cipioaíua Religião. Sobre aquelle fogo, fundou no ter- 
mo de Stsblaco, doze moíteyros, em os quais pos doze Ab- 
a , Mutua ȉm Uco *i om. bddes , & a cada hum entregou doze Monjes ; com que re- 
Hipote»tuDcifiuititTvitiiiç6n colheu á clauzura aquelles , que o lee;uiáo. 21 Era São 

gregatijta ut Mie duodecimmo n -,, i • « • £ - - r j o i 

ftcftenacumomrtipotctnujtfu BentoSol,na prehiminencia,&: nao quizapartarledo boi, 
chrijti Domini opituUuont numero das ca f as . p ara conhecimento, de que na Re- 

fatrihm duoàentt matucUs de lí^iaó Beneditina checou oeltado Monachal,aluaulti- 
vi»hg,ca S . j. nta pcríeyçao 2 a fundou oao bento > em enumero doze- 

no. 



- 



emprezj x. 147 

no. 22 Efte por fero mays perfeyto,& indicativo da **J^f4»*'*t*m'**i 
mavor virtude loy, o que Chnttoeícoiheu, para leu Apo- f** fHBruxa ejufdemnume* 
iioíado, & para columnas de lua Igreja; & Saõ Bento, pa- n j^KSS$%ÈZ 

rabizesdeilia Religião. * Como relureycáo dos exor-'» 1 "'* to°»j>fi™ co*fumari. 
oios da Igreja de lJeos , roy eíta eaihcaçao beneditina. ^p cai.fii.x S 6. 
Doze eftrellascoroaváo a Igreja', quandona figura dehúa * BeamBaunamjwttmmm 
molíiera vio Sáo João Evangeliíta. 23 Com íemelhan- duedccim moeria conftruxit 
te coroa ,<eennobrece a Religião de òao Bento, em o nu- gi ji er tr . h^aidus desuna 
mero , & fantidade dos mofteyros: em o numero , & farni-^""^""* R <h>°f p >*^'- 

' ' . ' torum infamo ò Benedici. 

dadedos Prelados; emo numero, &: fantidade dos Mon- n Et m capite c jm coro*» 
jes. Sendo Sublacocomo o monte Eiim, ondeosfilhosde [l,Z" r f. t " 3liec '" ^t çcd - 
lfrael, fugindo do Egypto, acharão doze fontes , com que 
metigarafede. i± Do mefmo fervia a virtude dos mof- ** ?'»«***' ™ttmi*Eitm 
teyros, aos que deyxavao o mundo. Como os doze múic- fon 1Sf a q»ar„m.txoj. >, te rf. 
riofosanimaes, quefuftentaváoas apparenciasdomar,em z ]?**" f Z2l%!f r 1,duo- 
hum grande vazo de agoa, 25 eião os doze Conventos 3 decimbqvuimp B fmmtrat. 

r , n . 1 f • • i.ParaJipc.cap.4verfa. 

porque lobre elles corria, o occeano dos eípintos, que era l6 virDiiBentdmmomnu 
o de Sáo Bento, por fero de todos os iuftos. 2 6 umjyft»ru«,jpmtHp!ewf«it, 

171 Náofódefcóbre a igualdade deite numero,con- 
íiimada a pcrfeyçáo na obra; mas também a mageftofa fa- 
brica, com que le enrequecia, o trono de Sáo Bento. O 
tnaysfumptuofo Sólio, foy ode Salaniáo; aquém doze 
leóesferviáodeornato aos degráos, por onde iobião ael- 

ie. 27 Ao pé da penha, onde vivia o Santo, cfraváofun- ^%Z Js^/^TpT. 
dados os doze moíieyrosicra a cova o trono, & os nioftey- d«* exuma** pane. %. fará. 

ri 1 1 • • r 1 • 1 "• lip cap.QiverJ. 10. 

roseicadas, por onde havia de iubir na virtude,o que qm- ' 

zc-fe tratara Sáo Bento; os Prelados, que os governaváo, 

«ráo leões na vigilância , fendo cordeyros,na íingeleza. 

Ainda, que eu pr efumo,que os doze mofteyros tinháo pa- 2 8 Voeavitque jofutiuoãe- 

ridadecomasdoze pedras, que Tofuétiroudo fordáo, & f '" ,: T'"' : o ^^f'^ 

í ' 1 J J ' ante eram Dormiu L>n i In 

aspos em terra firme, paratelicmunho, deque elle,com o adjorja»u mediumjs pormt 
povo, paliarão o rio a pe enxuto. 20 E a lua imitaç.10, $ e .jtfut+verf.i. ' 
meparece,queSáo Bento,em lugar de doze pédras,le van- 
tou os doze Conventos, por memoria, de queelle no tem- 19 SfJeum '*•" ""'>'<""■■ 

> r ' x per abrupta wUornm eerneret, 

po, que em Roma naufragava a virtude, não chegara a tHm,quemq*afiiBi»grsjSum& 
corrente dos vícios, a lhe macular a planta dope. 29 G r r ; g lAtg.i.Uorai.intro*- 

172 O monte de Sublaco, (como ja temos ditos) foy «'*"-•• 
a pritneyra eminência ,queoccupou o Império Benediti- 
no, nelle o levantou Sáo Bento: mas em léus exórdios naõ 
paflbu o Império dos termos da montanha. Com parcicu- 

T 2 lai 



14S O PRÍNCIPE DOS VAT. TOMO II. 
lar providencia, criou Deos a cftedcferto, pagina dos Pe- 
ríodos Monafucos , do Pay dos Monjes. A fama de Saõ 
Bento, chamou os íubditos ao monte: &podèra oSanco 
dilatar a fundação atè as terras , donde vieraõ os íubditos, 
& a dondechegou a fama ; porqueas peílòas, que o bufca- 
vão,naõ íó fefogeytavão a fua obediência , mas também 
renuncia vaõ as riquefas , que polTuíáo , nas mãos do Pacri- 
archa:oqual,não occupou mays terras, do que aquellas,de 
queconliava o monte; nem paliou odeflricT:o,queDeos 
Jhe havia afígnado, para confervar o Império, de que eíta- 
vafenhor. Muytos tempos antes, que encarna-fe 3 publi- 
cou Chrifio,pelo Profeta Ofeas: Que quãdo morrc-fe.ha- 

io Eromorstua.onwrs.Ofe* . r . r- tn • r • • ri- - 

i\.verf:'4i: viadelermorte,dameíma morte. 30 Poisíeaiuriidiçaa 

da morte, he matar, & naõ morrer, como havia de morrer, 
,1 Pérpeccafummerr. ^íj a mortç que nunca morre, & que a todos mata? Foy a cau- 

ia. A morte, entrou no mundo pelo peccado': 31 com 
que ficou a morte, tendodominio fobre ávida, dos pecca- 
dores : excedéo a morte, eftajurifdição, paíTou efle termo, 
em 3 morte de Çhrifto , porque matou , a quem naõ tinha 
peccado: & como a morte paíTou os limites, perdéo oim- 
perio. O de São Bento, foy o Monachato , & por iífo nel- 
le confervou o domínio , porque náo paliou os termos de-» 
ítinados,nefí;e tempo, para fua demarcação. De Saó Ben- 
to crear,aquellas novas plantas , com o calor de leu efpiri. 
to, emanarão os progréííbs de fua inftituiçaõ Replantara 
algúa em terra , onde lhe falta-íe com feu exemplo , óe{- 
rnayat iaó na virtude, porque naõ eílavaõ difciplinados nai 
milícia efpiritual: donde fefegue, que paíTando a circun- 
ferência do monte, arrifcavaSaó Bento, a duração de feu 
Império, na pouca perfeverança dos fubditos. 

173 Confundem-fe os curtumes , & esfriaíTe o amor 
da pátria, nos vaífallos, que afligem fora das extremidades 
do império. A comunicação com os Efirangeyros, amor- 
teço amor natural dosfubditosj&fica fendo irrepará- 
vel a deftruiçaõ de feus Principes. Vã-gloriava-fcElRey 
AíTur, de que com fuainduftria,fogeyta-feos Principes 
de Ifrael: & fabidos os meyos,de que ufou fua aftucia, foy - y 
&*!$^ZXZ. aduzir a huns, & outros vaíTailos , a hum meímo defui&o, 
xi.-v aifiuii termino, popu>.oru t Sc a hum mefir.o trato. 22 Abrindo as portas, de feus 

tí Príncipe, eorum ileprsd». c • » 1 p 1 

mfvm.'ifai* iQ.vtrf.iy, eoMnns,:ícoffimumcaçao dos eitraniios:coin o que^uiltos 



EMTftEZJ X ?4£ 

os naturaes, em os cuftumes, enfraquecerão no amor <ia 
patTÍ2j8<: ficarão ieus Príncipes entfeguesjíemreíiftencia, 
as mãos de Aííur. O que parecéo comercio ao íimples , he 
cavilaçaó do afmto. O Tangue , fora das vea6, naõ lufíenta 
o corpo; dentro neilas , alimenta a vida : afiy faõ os vaílal- 
losdoReyno, como o langue do corpo. Hum certo Ar- 
ménio , querendo dar morte a hum Satyro , fingem, lhe a- 
confelhara, tira-fe opello natural, com queíe reparava 
dos tempos, Sc o poze-ie nas prayas do rio; porque defía 
iÓrtereprimeria, as névoas do rio, a que naõ fubiflem ao 
monte,dondeelle vivia:aíTyofezo falvagem;masenchen- - iA<tu?orh»tíijior.Ui 
do a maré, levarão as agoas coníigo o pello; fubirão como fiij Difhi. Mabyb. } i, 
íempre, as névoas ao monte , $c nelle morrèo o Satyro, de 
íi io. 3 3 He claro o exemplo , por ifíò o não accommo- 
do, ao que tratamos. 

1 7 4 Donde he infalível documento, que fó então fe 
eftabellecem os Impérios, quandoos naturaes vivem, den- 
tro de feus limites. Compadecido Deos dafolidaó, em 
mieeítavapófta aMonarchia lfraelitica,lheprometèo a 
reítauraçaodeleugoverno^omdizeri^etornariaoíeus^f^,,,/^..^,,.^,^^,,,^ 
filhos a viver, entre o âmbito de fuás próprias terras. 34. W"ww#, j«««/< 
Vivendo cada hum dos Tribus , conforme a repartição de 
fçu fenhorio. Poderofo era Deos , para fuftentar o regi- 
mento daquella nação, ainda eftando feus naturaes difc 
pçrfos por outros Reynos; porque , ainda que poucos , ai- 
gunslfraelitas rezidião em as próprias Cidades .mas naõ 
ufou de feu poder , para defengano da ambição , edictame 
dos Príncipes: moílrando-lhe, que nemo mefmo braço 
Divino, quÍEeftabellecer húaMonarchia,fenaõ deípois 
de recolhidos asvaíTallos,a feus próprios limites. E co- 
mo poderia Saõ Bento, que neftes tempos principiava lu3 
Religiofa republica, prolongar o íitio , ou remontar os 
íubditos,fem que arriíca-fe a confervaçaó de feu Império? 
175 Quanto ufurpa-fe de deftriáo, tanto padeceria 
dedamno. No tempo, em que a arvore fonhadade Nabu- ?ç jíjpakt mtuufqut »i 
co-Donofor,eíiendèoasraizes por toda aterra, 3$ não umimi unmrs*^**^^ 
deíceoaoCeo, contra ella, o golpe: masdelpois, que cue- C cuErqri*nfHiti*Hem«gnitt^ 
gouás nuvenscom fua altura, mandou Deos por hum An- '"£' Pf0C(tlUi ,.,.,,, C ont\*gU 
io.queacortáíTe. 26 Pois fc hc natural das arvores cref- t^nm:\: Sumiiu uri ' • 

' ' 1 % r- l • ■> a • prttciditi ramos ejHt, D<ini(I,t 

cer ; que culpa commeteo a arvore cm lubir ? Muy to gran- ^ vtr f, s.zn. 

T 2 de. 



f 50 o $QLmCfàE ws <pat. roíw n. 

de. F igurava-fe nella o Império , de Nabuco-Donofor , a 

quem Deos para caftigo do povo de lírael, dilatou por to- 

57 Etfníient ehtnnosgm- doomundo. 27 E em quanto fcu Imperiocccupava to« 

tet.Jtttm.iT.verf.j, -> ' - cr á - j r 

da a terra, com as raízes, nao paliou ademarcaçao; mas del- 
pois,quelbbio ás nuvés,excedéo os limites j Sc foy diiTipa- 
do o Império, do Rey de Babilónia, pelo que paílòu no 
deftti&o. Também deftes roubos, naícem todas asdefg ra- 
ças ás Monarchias ; porque íónos termos preinitidos do 
,8 Et âdopacem infinibut !mperio,habita a bonança. Prometéo Deos a feu povo, de 
t,tftrú.Lioit.z6.verf.6. Jhedar paz emos fins defuasterras. q8 Eá fua Igreja, fi- 
gurada em Jerufalem confortou, em íeudefamparo, aífe- 
gurandolhe,que dentro de Teus muros,habitaria a faudei & 
, 9 tio, auiuur uiu; m. dentro de fuás portas , a gloria. _ 39 Fora do grémio da 
quitKinterratiia.vaftitaf,® igreja Romana, tudo he perdição, tudodefgraça ; &osfi- 
tHfAhitfãius muras tuos&pr lhos de]itael,aIienados de luas próprias terras,nuca tiverao 
unuafhudauo.ijaiM.verf. <Jefcáço,fempre viverão oprimidos. Não chegou ás raizes 

o caftigo, que Deos mãdou dar á arvore,a voz do Ceo 5 que 

proferio a fentença contra o tronco,folhas,& frutos, man- 

40 Et tctcvivh e? sanSut dou refguardar as raizes. 40 Equalferiaarazaó,queou- 

tSst!S r TS^£ r 4% f : ve, para livrarem as raizes, condenando-fe a tudo o mays, 

cidrterimotejttt.-excuwefoha j e q Ue f e compunha a arvore? A meu ver, a feguinte.Figu- 

rjuf :;::: l/eniimtmen gérmen r n t • 1 • n. i ■» 

radicum sjut m terrifmhe. rava-le nelta arvore o Império, oqual, nas r3izes eita va de- 
pmiHr4.vtrf.1uV i*, tro dg f ua dauzura,que era a terra , & omays refíante da 

arvore,oulmperio vivia fora de fua demarcaçaõ,eítenden- 
do-fe pelo ar , ck fubindo ás nuvês : 8c ío contra, os que vi~ 
viaó fora de feu natural , fe levantou a tormenta : ficando 
tudo,oque vivia dentro nos próprios limites, izento da 
opreçaõ, & logrando abonança da paz. Quem duvida,ex- 
punha Saõ Bento amayores combates osfubditos, que 
nefte tempo auzenta-fe de fua vifta?Oinimigo,contraqué 
Saõ Bento formava o exercito , achava em os defgregados 
mays fácil a preza ; & lo os que habi ta vão em o monte, go- 
zariaõ a quietação da clauzura ; porque vi viaó dentro da 
circunferência doReyno. RefpeytandoSalamão, todos 
eftes inconvenientes , conhecendo efias de/graças todas, 
. „ ,. „ , . diíTe:Que era de ignorantes, poros olhos em os fins da ter- 

41 Occtilt iiultarum wfini' « o t • r o 1 

iuitirrtt.erov.n.fsrf.i^, ra. 41 Porque o babio no governo,^ como o boi mate- 
rial, & o Sol Monaftico, ) mede fóa vifia pela poliibilida- 
de, por mó ftntir as perdas , da ambição. 

PROMUJL- 



PROMULGA 



'5' 



S BENTO 

OS PRIMEYROS DICTAMES DE SUA PvE- 

gra, em ordem ao governo dos Monjes. 




O tribuna! das luzes fe forma- 
rão as leys;deíceraõ do Ceo 5 & „ ., , 
acharaõ-nas os homes. i r»í#w*w/tf»í:-»r;j,., 

UCC bominum ingaiys cxc.-«iu- 
xjot, ntcpopulorum imfiitutir t 

Kon dubito le»cs Cxh flitxiff: f.t- f«* *"'»*"> q»>M*>q»»i »«- 



Humano inventa qnisfnttet mgenloi Gsnmm. 



Foy 



i $ 2 O $%2NCME DOS T AT. TOMO 11. 

FoyneceíTarioajuntarfe a arte árazaõ, para que efta 
executaíle pelas regras da ley , as obras pertencentes , á vi* 
daciviJ. Introduíioa culpa , entre os mortaes, o amor pro- 
prio;efcureceo-íealuz natural,comqueoshoinés conhe- 
ciaõomundocainporazo; fem altos nembayxos, em que 
tropeffjr,& a íimeímos plantas gemi a nadas , procedidas 
todas do memio tronco. Levantou-ie a névoa , da diícor- 
dia,&foytanta a emulação, que naõ feconheciaó huns, 
aos outros, 8c menos a fi próprios. 

177 DefiíYunada a irmandade entre os racionaes, 
naíceraó asdifcenções,crefceraõasculpas,&coma falta 
de cafiigos os delinquentes^ Antes deMoyíés,foy a meí- 
ma razaó a própria ley, que condeninava, & abíbl via; mas 
fofpey tofa para com opovo^ias refoluç||£s, porque os di- 
c"r.amés,náo niofíravão regra^ejue juflirie%-lè, oparcuer 
alheyo.Valléorfe o povo da eíeyção , que fez de ftiperio- 
rejs^c" dos adjuntos; que lhes déu para p governo, com in- 
tento de ferftoderarem as queyxas,& evitarem as caufas; 
% BaBafur.t teget t ut atum inâs náo Gonfeguiráò o fimdefeiado, porque ãcabecade 

#>ttn humana roerceatur auãa- r i ). ■ , ir \ r r r \ * «■ 

*> a -.uiuqucjit mur ímprobos *&* repubuea, çcjpsrevoltolos de ieu-iocego, laltaraooa 

ncccnji facultai. íjidor.hh.x. ifianteà d© ^lia , alenta os olhos,quenaõ tem achaque, &C 
J * onende os olho^que eltao eníermos. 2 



--•& 



JLège cOcêrcqUiir hominufn dilicla malonim^ 
LegeQnomy>imtsnudaque tuta manei \ 
Id&n. 



#* 



178 O primeyro Príncipe , que governou com eira 
luz foy Moy lés; omefmo Deos .-, lhe eícrevéo em duas ta* 
boas a ley, por onde governa-fe,o povoHebréo. Def- 

3 ífiâorushb. $.£//. P°' s Mercuriójdeu lç.y aos Egypfios: Phoxoneo, aos Gre- 

gos;Solon,aos Atheniêfes; Lycurgo, aos Lacedemoniosj 
Numa Pompilio , aos Romanos ; 3 os Magos , aos Per* 
fas;Zalmolfis,aosScythas ; Trifmegiíto, &Bochoroaos 

4 Xivf.usinDffi.íinai Thebanos ; os Cymonofophiftas, aos índios ; Minos, aos 

de Creta; Phido,aosdeCorintho;Hyppodamo Milefio, 
Charonda , aos de Garthago ; Druide , aos Francefcs; 4. 
Ezotuaítes, aos Arianos. 5 

Lntores 



<j Diejortiilih. ).rap.í~. 



w 



EM PREZA XI. 

Latores lequm tulit <etâs prtftma muitos: 
j uris amatoresjujliu<e que f acne. 
Idem. 

Mays accommodadas com o governo Económico, do 
que com o Ariítocracio, & Monarchicoerdó muycas dei- 
tas lcys ; porque deípois Zeleuco foy o primeyro,que 
igualou o caíbeoá culpa . 6 Diidano,o que em Grécia 6 Ravifiut uHfupr* titulo 
abonou a virtude com o premio. 7 UsKomanosconiie- 7 Rcjiwdcvirtuumjrugihu. 
cendo.naó bailar as forças de cada húa delias em parti- 8 ^«"K © J«-»« - w- 
cular,para nrmefada Monarchia, colherão de todas o me- err.piuiib^.je^urec.ncmco, 
lhor 3 ajuftaraõ-nas comaspoiTibilidades, &acrefcentan- /jjíi *!■*/*»« cuJ» 
do-lheos diâames ,que lhes havia enfinado a expe^ien-/" ,w ' ,T '' , uemocrmcump. 

P « 1 ■ 1 - 1 < tum lege regi* in príncipe Unf- 

CÍa,COmpUleraohUà lcy COUimUa atodoSOSgOVerilOS. O tulurtomnempoteXatcm,quam 

Conhecida a Utilidade das ieys commúas, demitio o povo J^^S^SZjS 
daiurildiçaõ Democracia, depondo de feudireyto ema i*pn»i.%.%.y«umtnim.c. 

,*_.. r"ji^ j • 1 deveíerijure h-nucleam.lex x. 

vontade dorrincipe- hcandoelte,comtodoo;juznatural ^, uoviffimeff.de origine iurit 
fobre a vida civil dos vaílallcs: 9 E asleysjuftas , que j» \ s )?Tfl u X t £ n cT um 
promulga , obrigando até o forodaconícienciadosiub- >/.. Jejurejur*»Jo. 

*.! 1 • .■• «• j f ... to Ltx fcrvanda eâ etiimin 

diros,peJa nobrela, que temos dito deíeu principio. 1 o fm .„ a „ im ^ quia u g J eifer /,„_ 

pcrst:rt>,l5 tieSorct Qibitier- 
. .... . rarudiwnitus ctnanãjfccreiu- 

Tctreat omnis bomojunjegtquejubenti iur.c.f*B*funt . di/t 4. e? c. 

EquuMjuJtumJas, atquejalutifaum. ret / bsc nin ,„, , iinkgCfíU . 

Idem. tritivapeccati. 

179 Abonou á origem das leys, o confeIho,emqiie 
feus Legisladores as conferiaõ,antesqueas eftabellccef- 
fem . A mefma naturefanaõcreou arvore, nem metdl taó 
ordenado , que fe izenta-fe dos golpes , para íervir aouzo: 
nem o artífice aprovouorilco ,lem o examinaraocom- 
■pailo^erraria as medidas da arquitetura,naó entregando à 
regra,o que desbaftou com o pico , & levantando fem pru- 
mo . o que trabalhou o cinzel: diftonecelíitaõ as leys, an- , , _ , , . 

1 * r , „ ... J . t, Lexdebetefíehc>; : r tí.?ufu 

tes que layao a publico. 11 Q que as nao encomendou u tiiu - ? «« 

aceníurados lábios, antes de asporaoshombrosdos lub- »nvenUn,.G.»httrdi}Uu 
ditos,arriícou a utilidade no toitOj & a opinião, na defor- 
mem. Porque Moyíés viovoar as letrasdcquele compu- 
nha a ley , que Deos em duas taboaslhedeuemomonte, 
diz Rabbi balamaõ , quebrara Moylés as taboas: olhou 

V para 



! 54 O WQKClfE WS <?JT. TOMO 11 
para ellas, & como as vio rudes,& fem letras, julgou-as in- 
n Cottfiâera»Jumeft,quoâ nuteys,& lem preftimo . 1 2 Aííy cftima , & trata o povo 

RalbiSa.'on:cnJicil,quedaim J r o A" \A iÀ ► I D -. 

■Moyjesdefccndcretfo monte, as leys , como tratou , & eltimou JVioy lesas tábuas, rara 
ciTc*™dicet monti* retfcxitta f ug i r aeltes fracaflòs , nunca o povo Romano naadminif- 

6uÍM,quaf maiiitufjutf por. & . r . . r . , 

ubat^viâ^quodvoítbantii- craçaõde Tra^anojôc Aduano ouvio a ímpoliçao de ai' 
TJu^Lt e l!nttZt%7. gúa ley , fem a appro vaçaõ do Senado . i 3 Alexandre, 
dea,rude,,«onhaientei ãiiquâ deípois que as compunha , da va-as a re ver aos Di&adores, 

lueram: c o quiafif mutiltt trai r , , n 1-1 i 1 r ir 

fregitcasiamquamimtiics. conceden-dolhe tempo dila tado, em que as pode-íem dii- 
^]%í f t !"^SsJr, l J: * 9 ' coner có atenção. 14. O que também fizeraó os Empe- 
M utmpriãiv «1 ^iiexand. adores Theodofio, Valentiniano , 15 O&aviano Ce- 
hiuiibA.e.thm.ii. far, ió & Marco António riloíoío. 17 SodeHiiio- 

.6 Dhvjfw aabalo, Nero, Calígula, & de outros que nafceraõ coi« 

jAmc^int. animomaysde feras, quederacionaes,íahirão as leys co- 

mo o fogo do pedrenal, fem mays outra diligencia, que o 
toque do aço, ou a força da tyrania. 

1 80 Em tudo faõ as leys , como a luz ; & como os 
olhos, os vairallosja luz em quanto efteve na companhia 
das fombras , naõ exercitou fcu império ; defpois de fepa* 
rada, imperou comdominio. Aííy faõ as leys ,comofoya 

jí^ZSSSíl^S^ luz- 18 Comefta,deftinguemosolhosanoyte,dodia i & 
luxcumte»ebru,q«*eratqua. o acerto,do erro : damefmalórte oshomens,comaluzda 

ftabfqueaBivilaieluminU.pt- . .. 1 j j- ttj j I •!• 

um Rauiinw inquad.Epiji. ley j como os olhos , com a luz do dia : io Elta,debiJitaa 
4lalZ l B,t ^ CU> - vifta de hus » & conforta a de outros : com as leys fe repri- 
mo Legibuf propsfna fum nie o facinorofo , & fe anima o timorato. 20 Sendo as 

fuppltcia vi1ih,pr*mia auiem . • n /-- T1JJ1 J j /■» 

vfrtutibm.Gie.vãeòrat. leys mltas,coniervaoa calidadeda Juz:como a virtudedel- 

ta, ha defer a fua virtude , porque nem a luz tem mays cla- 
ros reflexos,que a ley jnem efta,mays viva femelhança,que 
• lâaniaun, luceruaejt,® a i uz * £ u difcurfarey por partes,de que fecomponha 

(cx,Imx. rroverb.6,verf.Zj. J i í ' X I 

o todo. 

181 Nafce diminuta a luz jcrefce pelas horas,atéfea- 
11 Luxftiendentproeedit& perfeyçoar de todo. 2 1 Emalgúashorashe aluzmays,ou 

7Í::lrlT^ fSumãre ' menos aaivajconfórme oafcenfodo Sol.fe ha a luz:quan- 

doo Sol influe por rayos oblíquos, & reflexos, que he ao 
nafcer,healuzmenosintenfa ; & quando o Sol influe por 
rayos directos, que he efiando no meyodia,he mays in- 
tenfa a luz . Conforme o lenhorio , que hum Príncipe vay 

sa GradatimUgetaugtntur. adquirindo, fe confórtaõ,& augmentaõ as leys: 22 To- 

r das as que em leu principio começaro rigurolas , & uni- 

verfaes,?.cabaraó entes da razaó; faltou-!he a fubíiftencia, 

pof que foraó quimeras da ignorância . Michaei Empera- 



dor 



EMQUEZA XI. t$$ 

dor de Confhntinopla , em ódio dos letrados a quem foy 
oppolío, porque nâoídbialer, prometéo decompor Teu 
ln;perioembrevesdias; para que mandou, que dentrode 
cinco, todo o Catholieodeshabita-fefua corte; & todo o 
herege legui-fc lua ley ta : ficarão os intentos doEmpera- 
dortruftiadoscom a préíía, que déoá reforma; porque a- 
cendéo o ódio antigo entre os hereges , & Catholicos ; 8c *i p «' í > , ' í ' ig**tm JeV e . 
creououtrodenovo, entreos nerejes. 22, As iorças àç. poiogia S . c > f .^ 
Hercules de hum golpe cortavâo húa ío cabeça da Hydra, 
que tinha cincoenta : o cirurgião , quando hum corpo eliá 
cuberto de chagas apoftemadas , nãolança em todas o me- 
dicamento a&ivo; fenão, que a húa, molifica hoje,& a ou- 
tras,eftimúla á manhã, para que não prevaleção as dores,ás 
iorças do enfermo. Ainda que a luz de fua naturefaefteja 
fenipre apta para influir, & para illuminar, com tudo he 
neceífario,que ache difpofta a matéria ; razão, por onde 
não anima à pedra, não alumea ao cégo,& não fecunda ao 
feco: Valem pouco as torças da ley ,íem a dilpofição dos a- 
nimos; Sc he perigofa, 8c arrifeada a húa revolução de hu- 
mores, acura, a que não precede'o a preparação conve- 
niente. 

182 Pela luz ferége a vida corporal. 24 Epelaley 

fegovérna a temporal, &eipiritual vida do home. Muy- 14 Gtmi*iamt.M.i.j t c*- 
tosefcolherãoafombra,& refutarão aluzj 25 porque '^iíIE/l»*, 
eíl;a,lhedefcubria asfaltas, que lhes efeondia a £ott\bf&.s ii J e '' eBr * f >1'"" nlucem 

XI 1 1 ' © - 1 / Joanitu\.verf. 19. 

JNsmtodosqueie aley por norte, & a razão por leme: 26 *6 Rttuiegemetmenda, 
a carta de marear por onde íegovernão, não lhes moftra TcruU - áeí "> r <" ia ^< ! 't- 
os topes em que íè periga j & como vivem fem temor, a 
buzáo da juftiça, para uzar da liberdade das feras , que def- 
conhecem o freyo da ley. 

183 Aluzheamefmaparatodos;&náoapparecea» 

legre a hús, & maiácolica a outros. Toda a forte de peflóas , 7 Lcgeffunt wven1( ( qux 
ha de achar em aley igualopezo, & o alivio conforme. 27 ««»» «"*»*« *»*•.«■«$»* »»- 

Ei jf'11 r \ .'-1 telvqucrcnlHT. PUt. i.Offtci. 

ragrandeoacertodoLegisl3dor,leasleys torao doen- 
ça, enfermarão de menos preítimo ; mas como faó medi- 
camentos as leys, he provey tofo a quem necelTita de muy- 
tos para fer bem fervido, repartir com todos do remédio. 

1^4. Avendohomés no mundo, que tem os olhos 
em os pey tos; outros, que os tem nos hombros, & alguns, 

ni, n . Q „L* II 'il O J ... , ° ,^28 Super hie viJi PJimum 

que tem nu olho natelta; 20 todos paiticipao da meí- mNtwtuBifi, 

V 2 ma 



t$6 o Tornam ws <?at. tom. u. 

ma luz j ainda que os olhos variem de lugar. Na peíToado 
Príncipe ha vaílallos ,quelheoccupaõ o peyto; outros, os 
hombrosj& codos,a cabeça:o pey to,no valirnéro^oi hom- 
bros,noscargos}& a cabeça, no governo de [odoj-:neíie,íe 
experimenta o pezo;& nosmays,naõ taíia o aliviarem a 
29 jAhifim de Fiza i»tra- Cruz,para Te izécarem das leys, que os obrigaõ a íervirde- 

Ctalu demuabi.titul. de Ingra- "t 1 1 •?• - 

ihudiKc.Et m paris Bjf;,fta pendentes . Em quanto Júlio Phihppe iervia a Gordiano 

I~7i!"(<f.l)f>.Q.c*p.6.tii.Je Per- 1 • r 1 • . • - . . . - IL j » 

fidi\'v Prodittfcei J unior (em as preniminencias , que lhe concedeo na guer- 

10 Luxpuubnfieat onmiaex laPeríka, muyto o ajudou no governo; levantou o na 

iftentiafecundum ipforum pro- r J . . r ° . .-, 

priamporportioitet» .Gemwia- guerra a lupremo mandante de léus exércitos, km depen- 
7. tt í f aL Meiui«a Medi- aWia de iuasordens,& perdéoa vida; omefmo Philippe 
cu* Grecu jcripfii lihruminf- lhe cortou a cabeça . 2 o Naõ he a condição dos homens, 

1ar itgii,quia m tUo decrevit 1 j 1 ~ \ r 

Mcdicamintaaccommodataix- como o natural de alguas aves, que creando-aslogcyras, 
ifiemuiocu , comphxhmbm a j n( j a que defpois as foltem , vem bufear a prizaõ , & reco- 

natura JxibiUmium luhcgno. * * ' i ' 

^ândreai de PaduaMUanen- nhecem obem-feytor. 

f.i de Piopcrl:onc teiiminú. o _■ \ 4 • C i\ O 1 1 r r» 

iz ErithxjuftaJoffibiJis^i- - ° 5 Manitelta , & realça a luz as coufas , conforme a 
cfttdum rauaam t jectt«dum natural feimofura,& proporção que ellas tem . 30 A 
fonque convemSr. Grcg. Mag. ley , que nao imita eíta propriedade da luz, perde a razão 
t::{Zl U JZTm^. ^ ley i porque falta nos Principesa cbíervação de Bra- 
*.c.d,hBijrim«. vioMeluia, medico de Grécia, que compoz hum livro de 

3$ Medicina TJmhrini ,ne- . . . , , »• i» i 

queinfitmitaumpequettatem medecina , recey tando nelle os medicamentos applicados 
re^cfbat.muMeKimbomin» con f orme com clima , idade , tempo ,& complexáo do 

ferierunt ciiwiíia, atumalibut ' ' l * j» ••».«»•• ~ «-«x» 

♦*•« uviu & ad agiuuonem, enfermo. 2 1 Aííy íaõ todas as leys humanas , Sc mediei* 

£í eitm nij robuUiorci manent. n !• 1 J* • 

idem sindreat de tadn» ubi naes, como ene livro de medicina ; 32 porqueasperni- 
f"f ra ' ciolas,& tyrannas laócomoorenediode Umbrino,que 

J4 <Jtex mediana ntkil opor- . ■ ~ J - . _ ' ' 

tM-mpeSare pofièi , nifiqtud primeyro os racionaes o fentirão veneno , do que útil aos 
quoniamejtucaufaefii^utta: brutos ; a toda a idade, & a enlemiidade toda o mandava 
fie àiegibus nihii tSvenh abri- á»pHca¥: 22 morrerão os homens com abebida, 8c vive- 

tTan,n,J,qv.od reipublica con- i L ..-'-' . T' n I ' 

ducat proficere .- quomam ejw rao com ella os irracionaes \ porque loa ettes lera provey- 
c ^{Z te ° mJ ' a ' aU - PI '' 01 ^ tolo o remédio, que naõ attendeá poffibilidade,nem 1c 
)( GemiHituiuubifupra. accormnoda com a naturefa. 24 

}6 bficatta m lege , eílipfa cxttI r r cr rc T^n- r 

hx,vMeii;*m a *etiexJteor- íoó He a luz encaíiílima no eney to. 35 Naooien» 

f g'eíZ a chg7: P5rh ' l,us ***' do as Ie y s no q ue determinão,perecem em todo. 3 6 Refl 

47 NecejfaríHm eH, «atura peytar a fragilidade da naturela fem deíabono da ley , kn- 

sondohre: hgi autemfuffrajra- t j-o. j - r • iít- 'ci 

rs.Btasapuà puto dehgibu* do dictame da razão, 37 royvirtudede 1 rajano,& cie* 
D,a [- 6 - mécia de António Filolbfo: a mefmaiuftiça encomenda, 

iíi Quando lex exprcjScnon . . m ' , ' *, ' 

««a^j , condotoreèjijufiitia. mitigar o caftigo ,quando a ley dá lugar ao ia vor: 38 & 
^"pTpcMJtgetacriterftatui, ió nefte cazo le deve feguira fentençadeSíntca,<.)uea. 
tnhins autem.quamipftitbiu confelha ao Principc, iuítitua a ley crnuiouiidadc,^ oue 

p* hm fume* emente .apudjtí- tn , /"' ' L ^ 

**»». aoblervemosminiiiroscommoceiíçao: 39 Patateíuc- 

cellos 



E M $ % E Z A X7. tç; 

ccdos de que tratamos , foy o confelho ; porque fendo pa- 
ra codos, davamayormrildiçáoaoalvidriodoshomés,da 
que ao império das leys: Authoridade, que fó em o abomi- 
nável governo de Heliogabalo íoy concedida aos bay- 
xos,& viciofos que oacompanhavão. Ficando as leysper- 
dendoa lua regalia , que he exceder a todas as íorças. 40 4° tegum impcriapaei>tio- 

107 Nadatemdeartihcioiaaluz.INadanaodeterde- DecaJ.i. 
caviliofasas leys. 41 Muytos Legisladores as fízeráo re- 
ines para pefear; como foy Heliogabalo, decretando náo 4I Erit l ' x "\ -:H"<'f l ;:a 

r • r /T II l r quoque, »tahqu,dpcr obfcuti- 

trouxe-iem ieus valíaJlos armas; para dar a morte lem re« wemmcyiianccòtmt»t,nuir 

r>n ' J 1_ * 1/* J J r f lo privato commedo ,fcd pio cò- 

íiltenciaaosgrandes,aquemhav!a expullado de íeuíervi- ^úttihau cUiFadfcVifia. 
ço. 42 Cleomenes Rey dos Lacedemonios , fazendo D - G ^g-M^-"^>-f./udcoí 

* . a TJ- L 11 orationc.^. 

tregoascom os Argivos por letedias,em numa noytelhe 41 ^indrea» de Pádua ubi 
degolou o exercito: &arguindo-o os Argivosda treyção,^"*"*' 
refpondéo Cleomenes: náo fizera conta dasnoytesemas 
trés[oas,que prometera nos dias. 42 Sofpeytolasnaver- 41 t £) -w»í8í«w^.v< 
dadeíorao para comos de Hyera, asrepoitas do Orac*/w*ere«e/,c/»»í»«m^«- 
lo Efefino: toda a fé daváoos de Frizia ás refoiuções do *" «*""».•*'""" '"•." 
feu Oráculo : o Efeílno , fempre nos fins de fuás repoftas c ">» "«*"» F er J> d '* ^rgivi 
dizia : Jjjy condem aos que obedecem: òc oUracuJo de b nzia f e ,„ d t C!iJf j IXI1 f ep <. g:/ < e , Cí( . 
rematava o que dizia , affirmando: que a fíy o mandava a Ma- t " u 'H d i ™?<> ku *» ull '"'? ri > r ' 

T . . *, JJ . . Jttrftcifie mcntúnCM .Bjfn/t. 

gejlade. 44 São as leys viva voz do Príncipe, que heo ttiigo/jib.? ap.^.dt^ijiutè 
Oráculo a quem todos obedecem fem defeonfiança , por- '^'^«jjjjj, j, p izain trt . 
que a fuperioridade o izentou das fofpey tas da vilania,cu- s «« ãc M>rab,ubw mui» de 
ja voz publica a neceííidade , efeondendo nella a trey- 
çaó. 

188 Paliando por partes immundas, não fe inficiona 
a luz . Nas mãos de alguns miniftros perdem as leys a puré- 
ía:para cujo refguardo EIRey Dom Pedro oluftiçczoj 
8c EIRey Dom JoaóoIV. de Portugal examinavaõ em 
publica audiência os fundamentos, com que fedavaõas 
fentenças, emcazosconfideraveis . As leys faõ para alguns 
julgadores, como foy o Manná para com o povo líraeliri- 
co j a tudo quanto os lfraelitas querião, & defejavão ,lhes 
fdbiao Manná: 45 tudo quanto femelhantes miniftros 
querem, ckdezejáo,achão em as leys; Foy virtude do iViã- 4* ^dqu»âqu;fquevohbn 

' r r j 1 • - o <onvett*batur.Sap.\(>.vcrf.iO 

nao coniormar-le comas vontadesdosque ocomiao j & x 

hcdefgraça deley conformarem na os que julgaõ ,coma 
íua vontade. 

189 Encaminhaa luz aosqueerraõ.Guiaõasleys 



V 3 aos 



1 5 8 O PRÍNCIPE WS <P AT. TO MO 11. 

aos ignorantes j & muytas lervirão de perdição aos inten- 
4 6 LuxefivthicHiumvirtH- didos. As virtudes do Ceo tem por carroça a luz: 46 & 
Gcmimsr.Híub^fupra. a virtude dos nomes, a leys; aigUaSiaocomo o carro, onde 

Nero mandava levar os que condemnava a pena do ro- 
J!lit»i m j, e ramHm.» MJ . chedo,que os deipenhava no i ibrc j 47 ou como os 

douslivros de lembrança, que íe acharão nafecretriria de 

CayoCaligula, onde punha em lembrança todos osque 
4 s infecreiuejutrtpertifút f en tenceava a morte ; conltando cadahum doslivros, de 

duo Libclii diver/i titulo: a/te- -, _ , , „ . .. ,-. _ ,. . 

righJius ,aheri pugio index- di verias penas. 40 bo as Jeys Cathohcas lao liviosde vu 
'ZJ^uã^oZ da, por que enfinaó a merecer a eterna. 

àuctoniM inejui vita cap.qy. 

En lex Vttalií/ub Chrtjlo Vtfa tonante. 
Franójats^onanduó. (Cornem. 8. 

ipo Acorda a luz ao que dorme, & alegra ao que vi- 
gia. DefpertãoasleysoremiiToj&aviváoodiligéte. Ale-> 
xandre,paraqueásluasleys nãofalta-le efta propriedade 
de luz , encomendava aos que lhas revião , as expurgaíTe ni 
defórte,quenáoleva-femalgúa palavra equivoca ; 49 cu- 
ja variedade de fentidosmotiva-íe nos expertos,opinióes$ 
& nos negligentes, embaraços,que a hús dobráo a malicia : 

49 %Audrea( de PaJua, ubi c • 

fupr*. & a outros, a ignorância. 

191 Nãoobítance,quealuzfeja ofTenfivo para os 
olhos enfermos ,he também remédio para elles ; o eftimu- 
lo com que osoffende, hecaufa da purgação com quele 
alivião. Afly he a pena da ley,para os homés culpados, co- 
mo a actividade da luz , para os olhos achacóibs. Também 
fo vuni.mfta.mturd.iih. oSalmixto com o medicamento, he medicina para oso- 

io.c.16. dcCiwihbubuUfêc. . _. r 

lhos: 50 O caítigo dado com juftiça,cura, ainda que de fua 

naturefa exaípere como o Sal. O mél , em que morrerão 

ti idemiiihb.it. c»p. 24. as abelhas que o fabrica rão , he nocivo paraosolhos; 51 

de Nattiu Melo. - rr 11 ' c i • - - \^. 

í2 Uem,b,hb.z 9 .e a p6.ti~ naoaiiyaquelle, cm cuja fabrica nao morrerão. 52 Da 
tui »d ^AiopeciMtond^^c. mefmafórte aslevsperdem a virtude, morrendo ncllas a 

U Ibilib.-.x.cap ^ tiul.de . 11 1 r' -T 1 J 1 I 

m/ioria »,i U ra »n,mai, H m y fer jtimça, que lhe deu a torma. 1 emas leys a propriedade 00 
mg* amem , ». fogo, que abre os olhos dos mortos: 53 afly as leys, os dos 

delinquentes. 

192 Deyxo de profeguir a conformidade das leys, 
comacalidadedaluz, porqueemoterceyro volume, ne- 
ceíTariamente, hemos outra vez de tratar das leys. Em o 
<jue moiíramos, fica claro conhecimento aos Prinçipesda 

con- 



condição , & utilidade das leys . E fe a luz com que o Sol 
aJumeya o mundo lhe dá as regras; a luz, com que outro 
Soitlluftrouos clauítroslhe enfina as máximas. Del pois, 
que o Príncipe dos Patriarchas compôs em Sublacoare- 
publicafanta ; quando ja providos os lugares, & accom- 
modados os íubditos eícrevéo as leys, que haviãode guar- 
dar,deulheaRepra,coniquehavião de viver. 54 Náohe u Duoâteim.mmafierU^, 

, - r j- t n 1 âificavit , etqut Saniiffimu h- 

a minha tenção preluadir aos Leytores , que eítes doeu- gi b m eommumvit . Ecchjla /» 
mentos, que Sáo Bento deu em Sublaco aos doze moftey-/' ro /' w ^ c/o5 - *'""''''' 
ros, & com que fe governarão defpois todos os que ie fun- 
darão até Sáo Bento morar em C2Ííino, foya Regra San- 
ta, do modo, que efte Legislador a dey xou por Regra ; fo- 
ráo fi hum principio delia , que defpois confumou , ampli- 
ficou, 8c aprefeyçoou em Caffino . 5 5 Qual fby por %% frfgnsYíp!ílom , c * 
cfles tempos a qualidade defla luz , me parece , aquiz dizer tuna > junu c*«fl« * • o. «««a 
o Poeta, quando eferevéo. ******* 

Spargem rore levi - 

LujlraVit que donws. 
VintiuJEmià.ô. 

Eráo novas as plantas , & para que o calor da luz as não 
defanima-fe , forão as leys como obrando orvalho , que no 
verão regando fuave,encorpa, & alenta a planta , de forte, 
que quando no inverno delcemas agoasdoCeoemmays 
abundância, & com mays força , )a as plantas tem ganhado 
raízes, com as quaes recebem por alento , o que em feu 
principio lhe caufaria defmayo. 

193 Ficou São Bento habitando na cova, onde vi- 
via, defpois que fundou os doze mofíeyros. Fingirão os 
Poetas , que na fornalha em que Vulcano fabricava as 
trombetas, naõ fó lhe dava o fogo a forma ,fenaõ que tam- 
bém lhe communicava a luz. 

Próxima Vulcamluxcjl^quam luflria dteunt: 
LuHraniur pura^quas facit illejubx. 
Ovid.ltb.ty.FaJlor. 

Foyefta fabula, como pintura da verdade, que vemos 
agora: a cova deSublacofoy acfficina do Divino amor, 

onde 



1 6o ÇQLINCME T)0 S $AT. TOMO 77. 
onde São Bento fabricou os clarins Evangélicos , què 
mandou por todo o mundo. Da fantidadecom que vivéo 
nacóva nalcerão os filhos, que teve por íubditosj unindo- 
fe aos documentos com que lhe elpiritualizou a vida , a 
luzjcom que refplandecerão. Fora da cova eftaváo es mof- 
teyros , &de dentro da cova iahiaa Regra: não promul- 
gou efia, íem que fabricaíTe aquelles ; os mofteyros crâo as 
coroas, & a Regra o caminho que havia de ieguir,oque 
fequize-íe coroar com a profilTaó defta Regra ; argumen- 
to certo, de que ja São Bento eftava aclamado Príncipe, 
&conftituidoPay. 

Tolis enimfS libris aSlorumfydrgeregaudes 
Argumenta. Yirijonbusjttfpende cor ohm. 
Iam pater es. 

ftiVenal.Satyr.y. 

194 Noefpirito, & exiftencia deites fantos docu- 
mentos acabarão os enganos dos fabulofos Oráculos. A 
pomba, que em Maciera dava as repoílas no Oráculo de 
lÃayoUDietÇttttituiaret Marte, 56 devia imitar ao corvo, que fahio da arca de 
ceium „ai. Noe, 57 nao tornando mays ao monte de Maciera, oeí- 

s 7 Dimifttarvúm:quiegrc- po j s que ne fte de Sublaco , o Efpirito Santo em figura de 
cer.en.i.vcrj.T. Pomba ditou a Sao Bento os inítitutos. O Oráculo do 

campo Jaunio,aonde dormiáo envoltos em pélles negras 

deanimaes , os que procuravão faber o ílgnificado de 

J^S^^itfeusfonhos, 58 parecéocouíaíonhada, àyifta da negra 

««»j«/;/iH tVftotií»/». mortalha com que andamos cubertososorimevrospro- 

ino vértice, cm petentes Oracu- ' ■» i t r í i 

ianignmtem immeiant anetê, ieliores deites documentos . As arvores dobolque de lu- 

2tó!^SSS5?: Piter,que no Epiro, fingio a gentilidade, daváo as repoí- 

59 ib,foLsi6.f H bcodemfi- (r as cq ficarão muyto atras na eftimaçaõ dos homens ,á 

tuiovaticinia. -ni rii ri-- 1 

vuta dos comemos, com que os periuadiaoas novas plan- 
tas de Sublaco.Sendo efta Regra a verdade daquelle men- 
tido Oráculo de Apollo Milezio,aque chamavãoo da 
immortalidade d'alma, porque toda fua direcção he enca- 
minhar as almas,a viverem eternamente na gloria. 

Cor por e confcclojum totm in tetberafertur, 
In corruptus ubimanetjiumjuam quèfewjcens. 

195 Fonte 



E M <P !? v E Z A XI: \6i 

195 Fonteda vida heaRegradeSãoBento^&ain- 

da que Salamão deu efte timbre, a toda aleyfanta, 60 a , 6 ° ***jifiwtirjkm *iu& 

__ , 4 , " _ r i • i 1 r declina a num merlv.t reter. 

Regra de Sao Bento, ■emianir domar da graça, que toy, t} .iêrf. 14. 
comoja fica dito, o Efpirito Santo, que a ditou ;■& pela 
-comunicar , o Occeano do efpirito de todos os jufíos, que 
foy São Bento, que aeícrevéo,com mays propriedade, 
que todas asRegras,mereceobrazãodefonteda vida. Pa- 
ra reparo dos perigos de morte, amanhecéo efh luz no 
mundo: a todo reparou, porque alumiou a tudo. 6í An- 6l t *k"" jfhnãor ex viro 

„ r . . ri * j. r o - r> i> Dei BenediSotíJ teclefitmil- 

tes , que o Elpinto Santo dita-ie aSao bento a Regra, hftra»damdivinhu, erícuit, 
precedéo em o monte de Sublaco,oincendio daquelles '<</^;>'>*>'<' "'««/?<<< 
três fogos ,fobre que São Bento fundou fua Religião : af- ^«ft"<>»i°ng<>,uiequ:di#«- 
fycomo em o monte Sinay ,antecedco oíogodoCeo,a »*,«»«• S a 9 . 
promulgação da Ley de Deos. 62 Fumoto virão oslf- 
raelitas,omonteSinay: 62 & clara efteVe alabareda no 6a ***$«** \*uiintmú^ 

. , _ 1 , - r - \ \ r • """->*<■ nicar e fulgura txodi. 

monte deSublaco,naimpoíiçao dasleys; emotumoin- 19. *w/. 16. 

dicou o monte Sinay, fer iombra da ley da graça,a ley, ^& ^Zu^™' *'"" 

Deos nelle dava aos ifraelitas: 64 Emalabareda,p^rece, 

mofirou omonte deSublaco,oque porvefés déyxamos <5 4 Commmitat??. 

dito, que he, fera Regra de São Bento a luz das Regras, 

com que os antecedentes Padres, difpuíerão a forma dá 

. , \- • r * * T r ide fupra emprez*%. n t 

vidareligtola. * ,,6.™;.r, M7 . 

196 A condição de híía,& outra ley explicava acâ- 
íidade dehum,& outro fogo, porque nenhum queyma- 
va, ainda que ambos ardiaó. Ley ignita chama a Efcri tura 

áley,que Deos entregou a Moy fés. 6< Jugo intitulou 6 < i*tâhri%«x; g >>* Jèt: 

J/~i O J s J O Deuiercií.n ve'f-Z. 

Chnfto á ley , que deu aos homes : 66 Mas aíTy (c expe- 6f> y^»™ ««'« mtumfuau 
rimenta iuave efte;ugo,como fe fentiobrando aquelle fo- ^ MiUh - ,l - va ' J - }0 ' 
ga; porque occupãdo o jugo ambos os hombros, de quem 
o trás , íócom hum hombto fuftenta o jugode Chriftó , o 
arurrunado,quefe íogeyta a tile. 6j Toda a ley tem ^ $»*;** tibumer» «** 
prcfpetivasde Ethna , porque he ley ; mastaõ moderadas fyfaU > W- si- 
dere véo Deos as fuás; & ditou a S. Bento, as dos Monjes; 
que a ley de Deos, todafe compõem de amor; & a Regra 
deSaó Bento, aíTyheamoròfa, que naó contem nenhum 
preceyto depeccado mortal, mays que aguarda dostres 
votos. Foraõeftasleysaluz,porondeos Príncipes devem 
guiar as fuás ley s, para que os vaíTallo?, na moder?ça 5 dcl- 
tas^eonheçaóadiíFercnça , que vsy do tempo da eicravi- 
doõ, ao tempo dã liberdade. Quando Nabuco-Donofor, 

X leva- 



1 62 o i^mcfoÉ WS $AT. TOMO 11. 

levava o povo de Iírael, estivo para Babilónia } mandou 

pòráscóítas dos mayoraes, entre os ifraeíitas,os livros da 

68 SvperjunBmtm ettvy w act >nipanhados de pedras. 68 Táo pouco peiàdas 

Cif no/ira cnorarijHinur,qua- . , n ->ili 

dopergebamus ;« capúvu»iè. erao as leys , quando o povo eítava emiua hnerdade , que 

m^fiiiorun, i/wi/pi para lhe caufarem opreíiao , quando cativos , foy nccelia- 

ibantvtcut Vp,*c e p,t,Hicõ- rioaiuntarlhe o peio das pedras : o tempo do cativevroa- 

Jutr -ent libro, tegir , & uí face- / , , A .*. , o • i J t 'n 

reniextitmatiucM^imph. crelcentou as leys a gravidade ; & ainda que dehumhey 
7Z%Z!rt; l í'U í ' ,ieT ' lntiM tyrannojcomo craNabuco, não fe podia eíperar outra 

■tipa E.upbra1it > \« ongravernnt J ' ' * ■■ í 

t<sj»íraaka?o,ií.Par»i>hraf- coufa mays, ào quefozer moleftas aos iubditos as leys,que 
wwm.i.verf. 5. cirvidbitt os Príncipes elcoihidos por Deos, decietarao iuaves; cem 
ntfrumiwb»&ur.®c.. tudo, para que o povo ingrato conhece-ie o bem, cue per- 

dião na liberdade, de que os privava, fe lhe ajuntou ás leys 

a durefa, & apeio das pedras, que dantes não tinhão.Com 

mayor coinmiferação foy compófta a ley da graça , do que 

aleyelcrita-nefta,tudo eráo caítagos; naquella,tudo làó 

perdoes: a ley da graça deu-íe aos bornes, quando refgata- 

dos da culpa; 8c a ley efcrita,no tempo, emque vivião ca- 

tivosdella. Os documentos, que os Padresantecedentesa 

São Bento deráo aos Monjes,forãocheyosdeafperefas; 

& a Regra ,com que Sáo Bento os reduílo a forma , he a- 

companhada de branduras: 69 porque osMonjes, antes 

de Sáo Bento,eftaváo mays fogeytos ás tentações pela fal- 

mm. • j 4 auuriu.16. ta > °t ue tmhao ae recolhimento j & dcípois da inítituiçao 

70 M^rii!e,fj!a âcSts Jefte Príncipe, 70 vivião mays reparados, porque fe a- 

Pjte- m,u t D.tisrr.ardustomo juntarão a viver em clauzura: & a dirierença de tempos 

v « PfiinuiHibakiw. foyj a que acre f centou> & deminuío o pezo das leys. 

197 Também a fantidade do Legislador condufio 

muyto, pára o favorável da Regra; aíTy como a virtude da 

Sol he emí a principal, da bondade da luz. Tudo faõ tyrã* 

, . ,. . .,. . .,_ nias, aonde reyna o peccado: não fabe condoer-fe , quem 

intrrimi, i>rm : ,u,qi S cn,ãmui- vive reo j lo ielaltimado delinquente, quem nunca roy 

inn, a nuA 9 n.mU\i.íir t j.xt. comprehendido. 71 O mays cruel verdugo contra 

vrj: \ s ; r hum pcccador.he outro peccador. 72 Souberãoosma- 

7 * Mifereturer.im,qttincr- ., r ' íl«J t Ol 

titerrtre,»<mmifereturquier. nníiey ros , que JJeos eitava irado contra Jonas, & lança* 

rorii ■■A particept. d.iSJmbroft TV li \ ' I - 1^» 

mPfjiLm t7 . ram-noaomar. 73 Mayor culpa tinhao para com Deos, 

7 , TuhruntJon»m<8 mif e - aquelles mariantes , do que o Profeta , que hia por pafla- 

ttihtiniiuK. ]onx i.vsrf. ,$. » ti-ii-o 11 

gey ro ; o leu peccado era o da idolatria ; Sc o peccado de 
Jonas, odadefobediencia; &huns homés homicidas, co- 
mo não tiveráo compayxão de Jonas homiziado? Por iíTo 
mefinoienão hftiuurão deftf , porque eílavão criroino- 

fos. 



fos. Soo inculpável favorecéo a efíe rêo jDeos o recolhéo 
ao ventie dehúaBalea , aonde, como cm navio, íurcou os 
mares, & fe abrigou das ondas. Em onaviofentio Jonas a 
crueldade dasféras,& em húa fera teve o amparo do na- 74 N««« firHatm frifuit 

* . o ' C' C ■ feranavigium wimiiravit . Ze~ 

vio: *j 4 aeliegovernavao peccauores , & aterá, alann- Maum. t .*ajcb»Ucaf.iu 
dade.O melmo, que íuccedèo a Jonas , acontefíe em as re- 
publicas ao vaíTailo, quando as adminihra ofacinorofo. 
Sendo eílahúa das razoes, por onde Chriílo não deu po- 
derá feus Dilcipulos para abíblverem de peccados , fenáo 
defpois, que lhes infuhdio o Efpirito Santo. 7< Era ef« r »J, £%%?* Dife 't uUt *" 
te officio o de perdoar culpas , & primeyro lhe communi- spíntum sanQi,m,qu»rMmre- 

, rr i mtferitú ttccat* , rcmitumur 

cou toda agraça, para que trataílemaospeccadores , com tit.j**w,h t o. *«/.»,. 
todaamiíericordia. 76 Donde venho a alcançar o myf- l6 ,9' J ty* u ?" e ! m " miu 

' t , * ^ Tendi feccata^qbiinjíiffiilicr.e 

te rio, porque Sao Bento viveo,emhua cova tantos a nnos,y«"»»/»^ »/;;«»» evMute^ 

com tantas aiperezas,nao Iheíendo preciío, para alcan- ckvftt&iflrftí. 
caro Ceo,deyxar aCorte: 77 masforão neceíTariasas " fíui juiJmBe*eJj8urj!- 
penitencias, para que hcando comellasmays eípmtuali- «w^e^e, *«■»«*, s cor 
zado, chegaíTe a dar a Regra com tanta brandura. T'llT fl T De l:Ã'11 

? o O reata L i/gr, V.jrijgpud bale 

1 98 E fendo efla Regra a obrigação maysfuave,he *« f i«4m /,*.,. fa«/.«/.aç. 
para algús,a fogeyçáo mays penofa. AíTy como he a luz pa- 
ra com os olhos j he efta Regra para com os fubditos: offen- 
de ao relapfo,& alivia ao Religiofo.O Manná manjar íua- 
viííimo, foy para quafi todo o povo de Jlrael , iguaria gro- ' 8 K»»fe*t anima »*flrafit- 

r r> ir*- 1 • ter cibo iú»hvij]]mo J\iiir?erO' 

ieyra: 70 muytos deltjavaoantesamorte,doqueviver w.n.Wa', 

derte fuítento : 79 os que íe lembravão dos regalos do t 2 &*f>^™"*"°f»<- 

ÍLgyptomâoachavãogoftonofabordoManná. 80 São ^ cortem ex ofutam. 

pitas memorias ,asquenaodeyxaogoitar da bondade dei- 80 Recordamurrfivmqu» 

ca Regra j para os efqutcidos do mundo, faõ asfolhasdef- «*!*'*»"«4^,Dp*.ífc. 

te li vro uvos de mel j & para os radicados no fecule, paíio 

amargofo: Comefiedifíabor reccbèoceítoimsgodo £vã- 

gelifta o livro, que a boca do mefmo Santo achou doce tj ^cetti i.brum je ma»» 

_ M 00 - 1 n ITT" <* xAnleli ,(5 Jcvoravi illum : £5 

como mel: S i Òc a razão delta uiilercnça íoy; porque na 'irm%m»m<usã^uãmãM' 
boca; fefiguravãoos lembrados deDeos & no eltomago. '*M<*»J?rffit!im»mnu' 

r .j , \ rteaius efiveníer rn:us. *,4foc. 

oseíquecidos: 02 & para com cites perdeo o livro ado- »o v.tj. .0. 
cura, que aquelks lhe acharão. O cordeal ,que a todos re- ^T^íSÇ ■ 
frigera , pareííeaodiliriante, que feabríifj com clle ; hum tneàrfuiu^iHxurM. md$ 
púcaro de agoa lelnereprelcntanocauddoío. hmur^unc^hituaYibw duU 

i 99 Najoya,comqueostheí^uro S doSu!t 2 õíc^--t^ ; . ^ 
ziaõde ineflimavel valor ,eíiava embutida húa pedra de *entertjt t amar«mviãmr, d 

t . . .. .. 11 r 1 n- afperum D. *rfy£un. ItmiltM 

tal virtude 3 que nao podia olhar paia ciliciem inoleítia b.,« ^a/. 

X 2 dos 



ié> O $®JKCl<?E LOS VAT. TOMO II. 
dos olhos, quem foííe luxuriofo. Humdosíigitiinos Iier-« 
deyros do cipiritodogrande Padre Elias, aquellefamoío 
Eicritor Carmelitano,oqual entre os Autores infignes, 
que deita fagra da familia íahiráo amontes ,intiruloiiíuas 
obras, Fortaleza Evangélica, eícreve, que afabuloía tra- 
dição deíies theíouros foy hum tofco debuxo das c- 
bras, com que os Santos enriquecerão os theíouros da 
igreja ;& compondo asjoyasdofegundo género dos íer- 
viços dos Patriarchas , porque as da primeyía forte íoráo 
os progréííòsdos Sagrados DifcipuIos,vem a dizer, teve 
a Regra de São Bento , entre as virtudes dos Patriarchas o 
valor, & realidade da joya,que dava aos theíouros do Sul- 
8, F.ayDkvifioieS .Bk. taõ a mayor eftima. 82 Foy efía Regra, para o vicio ef- 
ícwou jermo ttes. Benzia, candalò , & para a virtude eíeudoj fubindo tanto no reí- 
. _ '^ peytocomfualuz,avidareligiofa;&:dekendonaefíima- 

çaõcomfeuefpirito,a vidaditroluta;queefta,íemelhante 

ao idolo de Dagón , padecéo ruína , quando a Regra defte 

Príncipe, como a Arca do Teftamento,Ihe fez oppoíieão. 

U ícceb^otíaceãtpro. 8 4 E a vida R-êlig»ofa,quc antes de São Bento havia per- 

wuinterrAmte arcam Domi- dido,em muytas partes^ a purefa , com que os Apofioloa 

de Chriík>,aplantarâoemtodo o mundo, pelo contagio 
das hereílas y defpois que efíe Patriarcha, como outro Da- 
vid, deu batalha ao Gigante , & vendo que as pe- 
dras , que tomou por armas , & com que o pòítreu por ter- 
ra, fbraõ os capítulos, em que reparte fua Regra íanta, co- 
nhecéo o eftado religiofo, ler j para com elle , a di fpòíiçaó , 
8? EJe Z itf,biq U inquehmpi- & virtude deíla Regra, órègáto,donde,qual outro Dávid^ 
£f T' a ÇJ ■ ' íUtonenu ' Lbi tirou as pedras limpas, comque matou o Gigante immun* 

do. 85 

200 Em pacifica paz reynavaõ os vícios 5 aguarda 
se fortUerstDsgon^uando de feus fequazès lhes aíTèpurava o repouzo : em guerra 

finita gtnúbus àrmafub euHo- r i n \ J -11 U 

■ÀebatmatrtorforthréftjitàÀ viva loy depoítodo trono, por mãos daquelles ,que abra- 
fâc^quahmcvianxfpoiia.m- çara 5 fa R egra Qs foldados,que guardaV3Ó as portas 

ptetatu eripuit. Pater mear * fc> 1,1 j-^. 13 r 

Mcdahb.x.cap.to.adiUaver- do templo, fuftentavaõ no altar aDagon j mas íoy, em 
c»ftodit atriumjuum ,» pace- quanto nao chegou a Arca , onde eltava depolitâda aky. 
funiea^iiapojfidrt.Luctu. $5 Com a virtude deíta.fez a Arca o eftràqo: 87 &com 
87 vtraqu! vera • qu* enim os documentos daRegra, rizerao osMonjés o deíiroço. 
èSS^SãâS Temefta Regra forças de ley,em quanto ádi_fpofiç5o,& 
ru.D.ci 0l o^r.iusfup ni»d. forma Monaftica poriflb com a luz deu eí piri to infun- 

Sitrge Domine inrequieni tua. j- 1 *■ íkL J"i í> li 

né'^3rc».pf.i}i.vtr/.i. dio valor, a quantos teve por uibuitos. Cornélia, a meu 

pare- 



EM? (REZA XI. \l* 

parecer , ficou o eíiado Monachal , fuftituirído o lugar da 
Efpofa dos Cantares , em ordem á nutrição Religioía. A- 
gradava ao Divino Efpofo, que os pey tos daquella Alma 
Santa foíTemasduas taboas da ley , aonde íecreavaõos fi- 
lhos de Iirael : por falta de idade naõ fatisfez a Ei poía a eí- 

jjK oo \í r J-" 83 Soror Kcfirstarva.Vuhc- 

tavontadede Deos. bb Mascomoiavor divino, quart- ranetatetçtnt.è vttj s.Róe 
do efta Religião mal contava os annos de lua puerícia ; a- %lt*?fj?^/' K ^* 
chou nella Deos tal capacidade, que depoíltou em íèus *bMi*fb,tefp>puíumh8** 

dl i o - r • r J íjn' ,V ntttiicbarit. Galatinm 

uas taboas, onde eíiao cicritas a Ley tíe tiud Mckdofatò.i.jup.cap.%. 

Deos, & a Santa Regra ;íef vindo efta delima,& cfcod'a,& ** rftàrf&.-ii.ftB.t.n.x* 

a Ley deDeos de fornalfi3,&martelio: Com efta crea- _ _ . _ . 

- iir. t • cl - c 9 prtpartvtt Dominu» 

çaõíàhifaõ taódiícipiinados osMonjes , que ficarão ien- Deutbedtram.z.-.Vttpttui». 

dn«n J '..JG-j J ^ J bro fitpra Ciput CJ1U Jcn.i d. 

o Meítres em toda a virtude, & Ho mundo todo. vtrf/.Protegcn/bedcri j*„s, 

i o i Chegados ao tempo , em que Saó Bento ampli- iffwijwmprougtnttm,*- 

nri^^/-r"í^ dacs. Pater meus J-aurciui in 

ficou elta Regra, em Caílino,moltraremoscommayspon- ^Segor. verbo Dtfc*dcre&c. 
deraçaó fuás exccllencias : por agora bafta faber-fe a utili- gJ^^Z^t 
dade, que rectbèo efta Republica fanta, com a illuftraçaõ, origmt t f u? Exod.bomji. 9 . 

-, 1 J P • n- li r - J 9' 1" báculo meotrãfivilor' 

& oblervancia deites ínlíitutos, osquaes Jhe iervirao de danem.6tnej.iz.vtrfio.jfor- 
cortina , que no reparo caufa orefpey to : Foraõ as leys fi- ^««fl^i-n»^ ■ '*»?»- 
guradas em a Hera ,com que Jonas fe defendéo das incle- fi™ bmu. 
meneias: bp E nas Cortinas,com quele venerava o ban- /,J, m . idemiÁurtt.fup. 
tuario. go No Báculo, de que fe ajudou Tacob para paf- 9» Extendiíquêfumitnem 

T *j. • j f • i- 1 i virg*,au<c habitat imnanu,& 

lar o Jordão, tiodojuizo, gi era entendida aley,que mmgninfavummais^tUu- 
Jacobguardavá: 92 porque íem ley todo, & em todo o ^^l^^T 
iuizo não fe tomaria pé ,& naufragarião todos: razão, por 7«pt>a, r-""" ! ;s- . "»?»«« 

, . r . j/\r t 11 i» certecontinttduletdwê.Pa- 

ondeasleys iao comparadas a Vara, com que Jonathas ai- t:r ,„eux ^iicu»-,,. «. .• 
cançouofavodemél,qUelheacIarouos olhos. 93 Os ? rb \ L "ZlVZfJ 

* '1 7? lerunt a partem pijcuajj _ i 

foldados,aquemosdeBehunciachâmavãofilhosdeMar- vummeiu. 

n». . . - . « , , , - * 04 Franeifcuf Pálormittnut 

aopordivizahua balança, pendente dehuamao, j e j„ji, t uuo»e&difcipim*mi- 

armada com hum efeudo : òa. balança , & efeudo faó as '"«»"/' 7«-S » «■«*"• so. 

. 'f i ' 9$ Scuto tircundttbit tevt- 

leys: 95 na que os Monjas receberão nefta Regra, fcfir- maftjur. pjai. 90. *«./*. 1. 
marão invencíveis: & nas regras, que os vaíTallos obicr- ÍSEÍS^*"* *" '*" 
váonasleys,fe formão inexpugnáveis. g6 ^ 6 Sumafcutumimxpugna- 

r\. *. /t ' ■• & i« bilcetquiUttmSapicnti,\ .verf. 

101 Os Mon;esconleguiráo grande credito,com a » usumethgê cctru,Ra H - 
profiflaódeftaRegr 3i &eíb, g randeabono,comaobíer- tí °*Z£fi£l 
vanciadosMonies.O valimentodos filhos abalizou a vir- quttxtditntumhab* 

jj lijryii-c /- 11 c filiot dtfigntrt po\ .".Ott 

tnde da molner do Zebedeo: toy a may hgura oa ley, & os g ,*cif u p. Math. b»m.^ . 
filhos das vaflàllos. 97< A fortaleza da Arca defendeu^ 
aosdercendentesdeNoé,dasagoasdodiluvio:aguardada (erva*ti*mitt < . -:<•> 
Jcyroy a medida daalturn da Arca. 90 Agrandcfa aiíy ^atud». 

X 3 cia 



1 66 O ^KClfE TjOS TJT. TOMO 77. 
da Religião como da Regra , aíTy da republica , como das 
leys, depende da obfervancia dos lubditos ; & a felicidade 
deiles, do vigor da Ley. Mas para que aeftaíeja provey- 
tofa a obediência, & lliave aos vaiTallos,icmbrem-fe os 
99 Et aivohu tyijm ai p f j nc jp es da pedra, que fechava a iepultura de Chriíio: 

ejiinw uior.umcntt. Matc.ctp. í ••11 1 • 1 

i.j-.' »;r£ 46. po a quem intitularão ley daiuorte; 100 tiniiaráogrã- 

ico L ap:< ad tfiium menu- 1 ' j /" • J " J ' ?v 4 " 1 

gtnnncrm.Hmonjup. iA»ib. n U efli a podeíTe mover. 1 01 E pedra tão pezada ío po- 

acitâ eunâcia. verbo Latii. ™ ' . *■ r . . , *• ri n * 

.0. Quurevaivet poluía, dia reprelentar numaley demorte: raltavaaeiíaiey a 
'tftm, Uançy.rt.vnf.i. ftavidade da luz , por iíTo não foy ley de vida.O pe- 

zo proporcionado aoaliceífe afiegurafe a íi , Sc 

á obra ; mas quando excede as forças do 

fundamento , he ruina de ambos. 




ENTRE 






ENTREGA 

OSUMMO PONTÍFICE 

SãoHonnifda o governo dos Mofteyros Latarenenfe, 

& Vaticano a Sio Bento j& inftitue o Santo PatrU 

arena, em cada hú delles, húaUniverfidade. 

E M í> ^ E Z A XII. 










20 3 wà Odooedifíciõ,pormáysílimp- 

tuofo que feja , para fe confer- 
varneceffica de reparo: as pa« 
redes deícubertas á inclemên- 
cia do tempo ani fcaõ a íbrtale» 
fa. Saõ as republicas o edifício 
cujas paredes refilem menos ás innundiçóes adveifas, em 
lhe faltando o reparo dos Sábios. AíTy odiflinio Demof- 

thenes, 



nHmèmrrWmto.jk. ^ OsHeròesck Marte, reconhecerão efcavcnfa- 



H% ^iNClfE WS fAT. TOM. 11. 

thenes, i comparando os Doutos de Athenas, aos cãea 

dos paftores,& a republica aos rebanhos ; eftesdiíTeoFi- 

i íftdoruthb.i.EiymtfFa. J f o f o clll quanto tiveraó maíUnS, que OS SUardaíTem, fo- 
fo/;// Uaximut. „ , ,, ,.•*. , , , . r l r , ° , ,. 

rao derendiaos dos lobos; da meíma lorte a republica ten- 

i s»iutauitmubibu$MC9H- do fabios, quea governem. 2 Cufíavamuytofangueao 

tiiia.Provtrb.il. exercito de Filippe Macedonico , fuítentar o cerco de 

Athcnas,& valleo-fe da mayor indiiftria, para a render 

fem deficuldáde ; ofterecèo pazes aos Athenieníes com 

, s.ifiJtrusnbifupra. condição , que lhe dariáo dez fabios daquelles, que affif- 

tiáodentro da Cidade; 3 adeAtheuas eftava fortifica- 
da com gróííòs-ttvuros, & prefidiada de. fortes Toldados: 
4 civii<Kparvaf5pauciinea mas nenhuma deftasfortalefas enfraquecia aerperançade 

virr.venit contra cninRex mag- -,-^.t. . ri'- i 11 I • j " r 1 ■ c i 

mtr&vaUaviteamsxtruxwè r ilippe , ialtandoJhe a companhia, doslêbios , que lendo 
mm,itio*e,pjr Gy,,:,n,v per- j^ - repu bhca como a fombra do louro , re filiem a to- 

fcitt ciiobjidio. InvcMlli ejt tn l L ■> 

e» virpaupcrjSfapiensg) 'libe- da a K3 de Jupíter. "4 

ravit urbcm perfapieni-- 
am Ecclef. 9 . verf, 1 $ . 

gemnoslaureâdos deMercurio, povoando feusReynos, 
náo fó de armas ; mas também de letras : Alexandre ven- 
cendo a Dário, mandoubufcar fabios a Athenas, que Cn- 
% DwJortif jin[te.âe meii- finaíTem aos Perfas. $ Sertório cqufumada a conquifta 
jlan'oeUeTarh% sou/uTu- de Portugal,inftituío neíle húa Univerfidade. Ptholoinco 
TsSaSf t ' , ' ttg ' Phiiade^ho , ajuntou em fua Cidade , fetenta fabios de 
7 suetomut. difTerentes partes. 6 Túlio Cefar, 7 oEmperadorVef- 

8 ldem,\$ blauâuihb.4. n O e a - TV C - r 

9 tonunu, de libcrMtêu ; paliano , o •& Antonino Pio , 9 nzerao ameitna ccn- 
ssD.m.6.%.Mnum. duçao de letrados, para todas as povoações de feus Impe- 

10 Eeptifta i-gnauus. * ' í r  t r> 

rios. Carolo Magno para a lua Corte de r rança , 10 & 

EIRey Dom Diniz, para a de Lisboa. As republicas faó 

como a hera, que náo tendo ai rimo, nemdurió, nenifo- \ 

bemjosconfelhosdQsfabiosfaóo baculodas republicas, 

205 A fantidadc de Calixto IJI.veudo, que entre os 

11 ^ovimus? cnunuthb.de Catholicos havia mays de três milfabTos, dizia, que o não 

*7uL?£mX Mm ' tl " s intimidava todo o ardil dos Capitães de Europa. 11 As 

melhoras de húa Monarehia nãoconllftem nasmachinas 
demuytos exércitos, fenáo na difpoíição dos Fronrey- 
ros. O Emperador Confbntino, experimentando em íeu 
filho o valor neceíTario , para confervar o Imperio,náo lhe 
entregou o governo fem o preceyto, de que tiveíle por 
» £m»(im «fuà Voimt* adjunto ao Filofoío Abfabio. 12 Os Summos Pontifi. 

cesdefpois deinteyrados da vigilância, com que os Paíío* 
rés Ecclefiafticos apafcentaváo.& dcfendiáo-o rebanho 



Van. 



da 



EMV%EZA X21. 16a 

da Igreja, para mayor iegurança decretarão, ouve-fem 
emas SèscadeyrasmagífíraeF. 13 Equeos Parcchos ti- 
vellem em todas as íreguefias Clérigos icientes , que cou- m ^^«ír-í- «ífff^ 
trina-iemopovo. 14 A virtude do Pattornecomootn- Quianonnum. t^itèieto*- 
go; o natural dosfubdkos, como a terra; & ienasrepubli- *''"'• , _ ,. , T ~ 

fy ' ' J 1 14 Ini. ,-ut quijque \.d: '/t* 

tas não ouverem doutos, que as alimpe dos abrolhos, não u&hoiufiàtcCUrtttrà w •.. 
uzira íruto a virtude do Paltor. 1 5 «.#,««*,© *«&•*$»* , ef 

206 Alguns Principes,que negarão efte preftimo âoJ^°f avcr '"" «*■ - v -'"'*' i - M - 
fabio, reynarão fem fortuna. Licino £ mperador,chamava 
aos fabios, péíie das republicas, & não os admitia a nenhú 
concelho. \6 Governou-le pelo próprio parecer, com 16 Baftijia F S natiut. 
oqual não pode confervar a faudavel amizade, que tinha 
com o Emperador,Confi:anrino Magno jnem perpetuar a 

dw 1 1 1 /~v 17 Mexia inviti Csyfin-.si» 

olmpeno,que lograva independente. 17 Oca-^j^ ■ * 

minhante,quenáofegueoroteyro,que oguia,perde-fe 

na eftrada: mapa do governo (àò os concelhos do íabio. 1 8 lS "ntmtum ttgimi»» i&* 

1 **• 1 1 1 • r • 1 fipieitu.buiipeiettjiudijb- 

O Emperador Michael, de quem ja tratamos , leguindo o /,>«■«. 
parecer de Licino perdec-fe no trono. 19 Todas as aves, ' 9 * âmt * xit * , ta evt " 
(& commayscuydado a Águia,) antes que fayão do ni- 
nho, correm comobicoas pennas das azas, para sgilitar o 
vo-o: as azas, que remontão o vo-o de hum Principe,con> 
ponfe de varias pennas , que lhe fabricáo fogey tos de eira- 
dos diflerentes;entre todas as pennas, as que o Príncipe re- 
cebe dos fabios, faó as principaes,& hão defer asmays ef- 
timadas,como maysfeguras:o cuydado da Águia mcíira 
o preíiimo das pennas. 

207 Tanto prefrimo acharáoas Águias Impe ri ae?^ 
«as pennas do íabio,q os adiantarão nos prémios a todas as 
mays Hierarquias de ferviços. Antonino Pio, fez grandes a 
todos os letrados de ieuReyno,& lhe entregou o gover- 
no de muy tas Cidades. 20 Sigeímundo os aniava, lebre 
todos os Príncipes de feu Império. 21 Da mefma forte, ii.rati#imbtaíràÇM*. 

Carolo Crailo. 22 O Emperador Gordiano , 23 <x xl j.iew. 

Carolo Magno. A íoberba de Dionifio Tyranno reco- *» > lhu *»!«»&*'' 

nhecéo tanta íoberania,em afeiencia de Platão, que tin 

pefíoa ofoybufcarásprayasde Sicília. 24. Acrucldade p;. ;ÍJ . ..•.„;>»..,,, iv,.-., : 

de Archeláo,Rey de Macedónia mitigou-ie áííupplicas 

deEuripedesTragiographo, dando libeid.ide a todos es 

Syracufanos, & Athenienles, que tinha cativos. 25 A 2 ç c- : ' ': '/ '■ 

inageftade de Pompeyo, humilhou-fe á vifta do: fabios de 

Y Athc- 



i 7 o O TZjKC&E mS VAT. TOMO U. 
Athenas , não querendo entrar nas efcólas ,com as inííg* 
»« Sabeiifcie^^i.iib.T. e? fí ^ s l m n e riaes. 26 O Adeozado eítiliode Augufto Ce- 

Vcl»ietr».Ge<>gr*pb.lib.9. f ). , ... o, 

17 c »■;*// ,tcho»<rft».Difcifi. lar any lê humanou a vilta de Virgílio, que permitia a léus 
m. 7 .caj>:ií. vaíTalíos,lhe deííem venerações Cefareas. 27 Marco 

18 ? «/,« ca^nm^ntj,» Antonioornou feu palácio, com as eRatuas de quantos la- 
vii*. bios teve por meftres. 28 PhalarisTyranno mandou la- 
zer hum templo dedicado ás memorias do Fiioíofo Stefí- 

1,9 Pcnta "" ! " e ,e " • coro. 29 Concedeu Achiles a feu meíke Phenice, ame* 

tade de íeu Reyno 3 & de fua purpura. 

jScjue } ac ego> regna , ■& dimidiam partir e honor em* 
Homerm. lltad. o. 

Antepõem ojardineyroaplanta,que lhe dá a melhor 
flor, & a arvore, de que colhe o melhor fruóto, a todas as 
inays, que cultiva ;dos lábios colhem os Príncipes, &as 
republicas a melhor flor, & o melhor fru&o ; & aíTy os de* 
vem tratar os Principes como plantas de fua mayor eíu> 
mação. 

Aman aman conclui cantando giv a 
11 Mantoanyde diparjecogioíkra^ 
,„ ti». „ .• ., • •• Etuno»daiipa{far Pimba fiaritoa: 

30 ti une fittmtntUgts jurit * * ■" . . r 

c*f,r . u-x 1 . ãtprofeffer. & Qnefl'' é* mel M.arco Tullto; K cui/i mo/Ira 

">edic.lex\o.C.ti1.%z.lexuni- Ç^ .■> / 7 te? £. .„• F- £ ' 

ca d s fludys iibcr»!b,*rbH Re Chiaro, fiam' ha elaqnenua, Isfruttt, toport: 

T >ex , x l c . "*' '? ' l A* H " ica Quefh lonèiocchi de la Itnvua noãró. 

depi-ofefonb.tnurbeContfan- *^- J J & ^ ■ 1 11 r 

imopB. lexn. c.ut. * 5 . i.6. § . íPetrarcha l rtumph. de la rama cap. 3 . 

•Scd, C? rcprsbari de excufatio. 
tmorJib. f.2f Còcil. 1 ridjetl, 

2? «g.is.A Refarmatn 2 o8 O fabio, como he a Arvore, dcque todos fefuíl 

31 tlaviusVopifcus. - 1 » r rii'j *• r ■ A 11. 

m rã* boa* luic japienti*. tentao,lia de ler eícolinaa , antes que diípoita narepubh* 
^T^uelnfi^hhomiJ^ i comelfe a Borecer. 30 Entre todos os hifioriadores 
mbonadeãrittafrnceâit,fícut Romanos, particularizou o Emperador Tácito as obras 

teiravihspisucíumaiiru pro- , ^-, ,. r ■ • i. — . r . 

àucit uhyfoft.frp. Mattb. aâ de Corneho, para le lerem publicamente. 31 O labor 
i/.'ave£a:Q«*cu„, qil eJ,x e rr,,. f az eftimado o fruão ; o bom procedimento do fabio, he 

Í4 Mijcrcji ,qm ante com- [ ' I : 

puifns r/? docert^am Jrfccrc: credi to ài fabedoria. 32 Na cerra mays efteril fe cria o 

tí ar.teprafument bonum fira- ■ r •!• r 1 - r 

duefe,quimfacere : tmfxi» ouro: na boca mays lacrihga le achao muytas veles os con- 
v.ni*»b,rtu»,»iha<at t pt- ce lh os ma ys Q âtholícos. ^ Não bafta a chuva para íer- 

r.i ;-.op:mis, jpargit verba -pro .. J .-^- , , n-/» 

/»/y>, ef «ii»»0« adfit n,ed u Ua telizar a terra; -nem a feiencia íó para fruetincarcom a dou- 

Jcnlunm, abundai Ibuma verbo- »_• • . n i J d r 

rui. sidoniuahb.i. t-pi/i. Cnna : a virtude do meltre he , o que produz , & lazoua o 

»i ul ,»*$,„, j de pro- ffuão: 3i o nxòsut da vida leia o primeyro. d< Corre 

?>"/*/. 52- as logeas uemuycos mercâdoTes , o que pretende lazer húa 

sala 



EliVREZA XU. , 7 , 

gala da melhor ieda : dis íciencias fe corta ornato da al- 
ma^' docorpo: 16 & devem ferprimeyroefcoihidas: * 6 s ¥ e ' ti '' «/»'•«*"'""» 

7 r rirrj MJ/l * anim*,&eerj>crti, anima rn:m 

porque ha muytasiahincadas. 37 I\emr.odaaiior,que eSucitUiur cum iíia ^ corfus 
deley ca os olhos, be fua ve ao cheyro ; nem todo o fruób ZltSSSCt^ ' '* 
faboroío ao gofto. Em as arvores tem os iabioso feu retra- n Si vef.imtm» cmpiuttu % 

o 1 1 n CP r • &)™ unum negoliaiorcwtf a'.' 

to , & nelks nos moltra a natureia o leu preitimo. ictums$ihmcUatt$->$ti ;«- 

209 Na Ilha Efpanhola fe cria húa Arvore,cuios fru- T^^-ií^i ?! 

7 I ' * ' comparai: quemodi r.en oportet 

Õlos fendo ag;gradaveisáviíta,iaõtãovenenofos ,que em ícfuiumcirtuire »*»:» 2>eSe- 
luas entranhas ervao os índios as letras. 30 Ivjuytosem r/fíW cbíiHo ie*u,.datur , tf 
íuafalfa doutrina uzão do ouro de Jericó ,a quem Deos ^. t fT^!^ êémuG Í^!t' 

J ' i bomtlia xl:iv. me ?,). Mito. 

amaldiço-ou: ajudando-fe da lingua de ouro,que he a pro- í* >« t},jfam iainfuu arbot 
fana eloquencia,com que Valentiniano,Baíilides,& Mar- pfZl^Z^dt^" 
cioafTecbráofeus erros. 29 Amedullado tronco n\o£- f" t i uç i'"* r '"-0'" m " * vcrl,m 

r \ c Cl o -J1J* pc>1ifcT>Jucc»ian Indiíllofu- 

tra-le no âmago do frueto ; & o gentio da Índia , commu- giu* aimhmt iíiut» »<•»£». 
mente, não uza para o fogo de outra lenha mays, do que ^SSHH!!^^ 
da defta arvore: porque femelhantes fabios ; não tem nas re- * 9 humtnio,qu, jefiua tt g. 

11. ri- ibtfnaiuJTit efc emne auiui,}, 

pUDllCaS OUtrO preltimO. qU odi* Hyenthofuerit mveni 

210 Na Africa nafee húa arvore , a que chamão Mu- ^^fir^^^i', *»**& 
fa, he infruâifera , & tem as folhas da medida de hum bra- mhteDve^oeà, oútrhfiMtm, 
ço. 40 Se o muy to falar tefiemunhara o muy to faber, ai- 7at,!j. n ^'l LlíTe7^ níe/ii 
euns fabios faladores conheço,de quem os fete de Grécia ^»flj'xr'*wt»>iits& Bgfi* 

& 1 - r , r . 1 r • Udtf,h;:f;c,t& Klan.cn ba- 

poderão lerdiicipulos : ie os textos autorizarão os arre- rttm^rãtifunttHíiwgua» 
zoadcs,fc asrazóes as palavras, & ie afeiencia a prefun- %Z$?£$*íia"t 
cão, eráopiquenascadeyras as de prima, inferiores luga- 40 Pai : rjiccbu,dcMi,am. 

■ • 1 di -íi I • 1 dain Hiftoria^ficana tilul, 

resosdoprimeyrobanco,& humildes ospulpitosdoma- tirAu*pTtu\aaribus %.% 9 . 

yor concurío,para fatis facão de fúa fantezia: mas como 

neftas arvores não ha mays , que folhas , tem para o ferviço 

da republica o preftimo ,que os rapazes Africanos acháo 

em a arvore Muía, que he cortarem delia frautas: 41 pa- *' IJem,i ^ 

ra intretinimento dos poucos annos, faõ muy to bons eftes 

Doutores. 

1 1 1 Naquelle terreno da Paleftina , aonde fe cria a 

A^ n- 1 1 r IT 4? InPalifíina ari:r Çvf- 

rvore droiion, nenhuma outra planta naice. 42 tia fo „ qu ^ umirjlcw „ ífni:r ^ m 

mimos Doutosdiátcde cuia prefença nenhúoutro avul- >&/*'&*&**']£"*'"" 

J .. , ' í f defmt Jaecbus^jJnc:!'. ih 

ta. A inveja de Athaneo mordendo a Platão, chama a muy- K t pr.p*un,caf>. r>. 
tosdeieus livros apócrifos, & a outros alheyos: 43 eà^ f ^^ m:W ' D ^ 

a rumadas defpois as obras de Athanéo, acharão ler roubos 

daidéa de Plataõ. 44. Não hacoufa,cuede mays aco- A*V"}"rà**tUviliatrà* 

1 1 * *• - 1 r o Batut.iHtJVit <ii*ci munu 

nhecer os talentos, do que íao as obras, que elcreveinj <k «■*». 
cm quanto não lemos, as de algús mordazes , tomem as re- 

Y 2 publi- 



i 7 2 O ^mCTTE DOS PAT. TOMO II. 
publicas a lição , que lhe daõ os da Paleffma , naó fe apro- 
veytando deita arvore íènáodeípois,que largando as fo- 
4í Um Jacobuf ^9fdmh j^s ]} ie vcm fazonados os iruâos. 4Ç 

iil>t fui) "it 

2 1 2 Nas Ilhas dos Troglodittas conhecemos natu- 

4« x/ffui TreghâjtM tu- raesíiúa planta, aqual fentindo,que a querem colher Te 

Z:ÍXZ%? e !%Z* convertem em pedra. 46 Ha Doutores^uenaoccafiaó 

*'»> &>*6*t atnmflrrii qiwJ/i ç m n Ue he neceílàrio communicalos , endurecem-le como 

f-fellcntii i>'t;di<* , in lapidem f ... , . n j- - j /!_■ i r 

trjivfguniur.eiwiuiiib.n. penhas : ialtando mito as condições do i;.bio,que he ier 

t*p. 2.% . >nfi »e. communica vel como a fonte de Drumam , que mollra ag- 

stcdantif Duid de *a- grado, a quem fe aprovey ta delia: 47 &naõcorno opo- 

rrciu natura:. Exfcriemi* 9. ço deltarnarga , de quem fe naó tira agoa,fcnáo em baldes 

precioíbs. 48 Da pédra,em que fe converte eí\a planta, 
4 r íJ^^ev^c/Mj.ai.ao^fazeincontas: 49 por onde fenaõ reza bem delia. 
# th """ **'>/"■«• 21 3 Outra planta nafee em as partes do Brafil ,& na 

Província Pudifetania , que fe encolhe , quando a querem 

;-i , i- ■_■ colher. <o OutrOS lablOS li?, que faÓ O aVCÍTo de lua jac- 

to Mayoliu. verba, Planta, • /* j 1 

^/ri/» ?rovmti*v,ç*i'm>ne» tancra, porque eiprayados nas palavras, osexpenmentáo 
H^^é^ táo encolhidos em fuás refoluçóes , que imitaó o pey- 
t>u,e, pudor*, umenabwcoíu xe, que para lhe tirar amoeda da boca, foy neceiTario , que 

índiBumeHjfurgiíiajiititkÂj' ,-> - r» i r i /r J l j* • 1 

M,npa:moru.»»ove,», aticei bao Pedro íevaleiíe do anzol: 5 1 djzem , que a vntude 
tt^$ÍS^rÁ defiaplanta não hecoufa de eftimaçio : nem taes fabioso 

aecefíerit,ulav:luiretroceden/ mereííeil) ier. 

vamoi infe .:p[am ccViíil. _, 1 f 1 <• ■• 

u Fade Lm*rt& m.ucha- 214 No centro do mar naice nua arvore, de nature- 
ym, Veumpisc™;, qtnpr.u, ç tâ f • , vid lançando-a no fogo abraza-fe, 

acceaent ,to!!e:S5 aperto ore c- o ' ' J D 3 

jtíiitiveaies íiaterem. M*tb. como ferro. 52 Muytos fahiíão dos bancos com fraca 
'jÍ^VííL/^.ij.m/.ij. feiencia, que oceu pados dcfpois em os lugares, forão va- 
ras de feri o, a quem o calor do eftudo, accezo com as obri- 
gações do cargo , intençou o calor da íàbedoria : a virtude 
deílaphnta heapprovada por medicinal, entre osquimi- 
? » ?etriuãeJíbofeo.âerebut cos: 5 2 & o preftimodeiles í.íbios,em todos os tribunaes. 

tKvemu a militibtu ^/ihxandri r» i i t I* I - 

lib.f âeE»rumutii,tati%.ii. 215 Produzem osmares da índia hua arvore, cuias 
l\ nimlu ^ < " lu P ra í Uai ' t folhaseftandonaa£oa,confervãoaverdura:fóradella, fe 

•Qrboies qualdtm inlndtco ,)>*- . r ri • iTT-/~tll 

rerucctejcerc,qzirumj?ondej desfazem em íal : 54 Ascadeiras da Univci íio.ide La te- 

fuhat!U* viridei funt ,at extra r 1 r ,_• 1 c • J J J 1* 

f„htíasvrr.u«íur,nfah m ;,d ranenfe ennobreceo com o titulo, & propriedades de di- 
que experimento ded.foffe ^á- verfos mares, aquelle famofo efetitor, que fondou a altura 

Itxandrr Magm milttcr. r- . •- /» r^ c - r> J 

de todas as íciencias, o meu i níigne Doutor bao J&eda: 5 5 

u Bedatrt&tutâefcitHcia, Scnaoraçáo, que fez aos meftres, lhemoíirou a paridade, 

^ViTtmibtctp.v. que tinháocom as arvores. $6 Promovidos os lentes da 

17 s-piensdMuicnajifio, efpeculáção, para a pratica, cbião como lai , porque rudo 

*def,,í>ore.lfidorniiib.Elbi~ ,. T r * ' r r . . r J r * 

»«. diipoemcomo ubxos. 57 



EM? <REZA XII. 173 

Viátur a Japio fpiens cmfxtSj quiarerttm 3 
EjjcSliió quepotens, omnia nofjejaptt. 
Gemhàan. 

• Nas partes ondeomarprodusefh arvore, todos os man- ** íisntiAiofcouhifvpia. 

- /• 1 1 1 r 11 o \ r L J • ? 9 òed t nu»quidf;nfui;iha- 

lares temperao, com o lai de luas tomas. 5° Alabedoria beredicemttf4,bcrc>>tL*!,cqui 
deixes Doutos compõem, &faboica as vontades de huma ^Te^SJFZ" 

reOllblica cenjebamiti alÍM ex i/iMonio 

_ . _ . . .» , Pigafata,quifcripfit,inReg~ 

1 1 6 Em alguns lieynos cria atcrranuas arvores, de *« «*?*«;, «•*«»* «.«««, 
ctms folhas, & ramos fegerãoaves;& outras, que tem nf™£^$ZZ 
aves em lugar de folhas : < o eítas arvores , faõ o retrato «j»*f»* *rboru~»flU*, J3H 
dos Elcntores, as luas obras > aiiy como as aves, apartadas 
das arvores, dequenaíccm,voáopor todo o mundo. He 
grande o cuydado, & a cultura com que os naturaes bene- 
fidaó eiras arvores: em todas as idades foymanifefia aef- 
timaçâo,que os Príncipes fizeráo dos Eicritores, como 
teítemunhaa veneração, & magnificência, com que Cref- 
fo tratou a Pindaroj Polycrates,a Anacreonte j Lyfan- 
dro, a Cerillo; AugulioCefar,a Virgílio 5 Alexandre, a 
Ariltoteles; o Emperador Antonino,» Appion 5 Priíco, 
a Marcial ;& ElRey Fronton,aHiarnes. Aspenas,com 
que voão eltas aves , as penas com que fe eferevem os li- 
vros, íaò como asazas da Garça, que naõfobemde vc-o, 
íenaó quando o orvalho da manhã lhe pratca as pennas. 

( — mM aquetle Heròe, qin eflim.i> 5? ama 

Com does, mercês ,fivores,& honra tant 'A 
( A Lyra mantmnn f^ que foe 

Eneas, & .i Romana gloria voe. 
Infigne Camões Lu fiada 94. Cant. 5 . 

* Com liberalidade favorecia o Emperador Alexandre . . .. 

, r .. r * Co Jimêxttittttrátot bom* 

Severo, aosíibios, temerofo de feus eferitos: 60 nao «z, vthtmtntrr rgirmid*™, 

defjwezaa*W,qd^ 

vore, faz celebres as partes, aonde fecria jos Efciitores 

dão nome aos Reyno«, ndonde eferevem. 

217 Na arvore Hermopoli achão os da Thtb.?yJa 
icmedio,para todas as iniermidades:foy cfbarvors, a que 
leinclinou profundamente, quando Chrifío paflclipara 

y 3 o 



1 74 O PRÍNCIPE DOS $AT. TOMO 11. 
<Si Memorant trforem efi, Egypto, fugindo á crueldade de Heródes. ói O mi- 

gu« Perf, dicitur HcrmopoJi, OJT * t> _ 

qucâefioppiJum Ttjetaijitycu nutro lábio , a quem io dobra a razão, ne como eíta arvore 
Í^SíSSTS!^ medicinal. Sendoparao juftificadoa arvore, cuja medulla 
KoiamorboràcompiurihvJe. j ie a f ar j nna , de que fe fuiientão os naturaes : 62 & para 

pttlcnt. X»mTr*ditumtJt,Jo- . . r * * 11 1 1 

/cph.cumpropter Herodcm,af. o criminolo, a arvore, que tem por meaulla, numa va'ade 

fflS!Ç5S!&5Í!í te0í 6 3 nenhum ^ipeyto odobra, porque a íua in- 
mjft Hcrmcfoi,m, *iquc f,mui reyrefa correi ponde ao natural da arvore, a quem não cor- 

,ii verta ttrpropinqiiavityitiam J * , c /■ \r- A • 

arforcw.hcetpunewaximam, rompe a sgoa , nem abraza o togo : 64 Vivendo izcruo 
adv^ucbn/ii nnbatam *», do achaque dosminiftros , queiemelhantes a algúas aivo- 

atque aa folum ujqueje Wjis- i ' J o 

x:«c,uí 1 hT,fiumadcra' l ie.sc- res , andão pelo mar, tendo as raizes na terra : 65 accom- 

ZWttdib. $ . cap lo.apud Ma- 3- r J J r J 1_ - j 

yei.vsrboPia»t*fo\.^T. modao-íe com todas as ondas, porque ledobrao a toda a 
6z cur pntertmtuu ■ arb,r conveniência : Donde nafee, terem acalidade da arvore 

ília , c cujtti medulla educitiir _ ' 

PT*cip«» farma-jnbomimm a- Jimale, que com lua íombra corrompe os veludos , de 

j£%? Uím Mayoh " ,b ' quantos iè chegão a cila. 66 Imitando o fabio, incon- 

<s, ttrri vim aique acUmha. traftavel na juíiiça ,as arvores , donde fe veftem os índios, 

be: aJia arbor m Jav» lafula «íji L« ' • v A.J Jt - 

maiore: interior enimmcduii » oc Aramos: 67 & as outras, donde osnaturaes apsgaoa) 
p:£ v t%Z^7i;: ^e com a agoa, que fe ajunta em as folhas de húas, & cor* 
»'?■ re do tronco de outras: 68 Os ramos das arvores, de que 

64 lAlexanâer Cornelius ar» • r • - /o i 

bonmConemapptUaviutanec antiguamente íe teciao ascoroas; 09 & a particular ar-» 

*7»V'.''*'»«'™*/'>"fr 70 & o lenho íingu- 

6s idemiit. 16. cajf.i. lar , de que fe levantavão as torres , 71 a meu parecer, 

66 IfmiHtiimbraomncveFii r - J /l /" l_* tt i* r* 

toeHtHmjratcfcit.Swninf». * ao oretrato deite iabio,a quem a arvore Hermopoh íer* 
'*'"'''• ,. ,, ve deefigies, porque fendo o fabio fértil, & útil para are- 

67 Plmmthk.il.Caf.it. ... & TT r ,„' n . r . . 

68 Mayoiusubifup.foi,^. publica, he coroa, cetro,& fortaleza delia. (J rrincipe des 

^:; í i;^• i • Patriarchas, 72 porque conhecia efte preftimo dos % 
ti idem ibnn rumuia. bios, povo-ou fua Religião de homés Doutos. 

72 Mirabilu eft locut ,íle(fa- V, „ ° n t • J t-n « 

u de subuc )p<r omnipotente 2 ib Governava por eites tempos algreia deDeos, 
ÍlTJt c Jílt ri ^ caf u o Pontífice São Hormifda, oqual movido da fama, que 

Bjtom:i!um monajierioruptrlta ' ' ' 4 

HamconfiitHtenm&vercquia corria defíe Príncipe, omandou chamar a Roma : foy o 
ittwrumeniiuitMonacboru. ratnarcha lançarle aos pes oorontihce: taograndereí- 
rp Lc0 9- peyto caufou áfantidade de Hormifda, o afpecto de São 

Bento, aíly ficou o Pontifice fatisfeyto do efpiritodefte 

Santo, que lhe entregou a Igreja Lateranenfe , 8c Vatica- 

soidoOcddentet na j para que nella pozeííè Monjes,dosqueobferváo fua 

freiudio Lcafrii «, ifi. ^f r l Regra: aceytou São Bento a mercê: & confervandoos ef- 

Í^BuccelJoíaZlLTal 6 . tudosem a Igreja Lateranenfe, a fez publica Uni verfida- 

wu6 , t? t , !'? Cí "''" ^' de, Sc juntamente Convento:& o mefmoinítituío na Va* 

gitirreLuJi Salmanlic.lom.t. . >v »*•«»- « •- r>i 

^iparaiuoperi4n.u 1 . ticana. 75 Os Mon;es de Sao Bento região os eltudos, 

& náo faltaváo ás obripacões âo coro. Atendéo a eíla Sa- 
grada ligíjck politica de meu Patuarcha, o que Juvenia- 

no 



no JPontano, canta no Poema , que fez em louvor de São 
Bento. 

(Prhnuíy & bic Italitfpojuitfaaãrijtgenti 
Et daujtt fr,cros mxma in una choros. 

2 19 EftasduasUniverfidadesforãoduas torres, que 
São Bento levantou em Roma, C2beça do mundo, para 
perpetuar,dcfender,&: reparar a Religião, que tinha fun- 
dado em asentranhas de Sublaco. A caia, que David man- 
dou fabricar para efcóla dos caminhantes, 74 chama a 7< &em*rr>*,&avf*&i% 
Eícritura Torre , preíidiada com armas de Varões alenta- J^f^S í ?fE 
dos, & defendida com os capacetes, dos ínclitos Herdes. tdifitatacnaddcccttdkmtTi- 

A o C 1 r - \ - r íeuntes. Pagmnut. 

75 Armas, & elcudos lao as letras ; reparao comoeicu- 7 , wf e cijpe> pendem es 
dos,& oífendem como armas. 76 Tinha o inimigo odi o, ***** *'»!™* ftrtiim ' 
&os hereies inveja, á nova reforma de vida, que São Ben- 7 6 HAntJhm\mm **>***■ 
to dava aoeltadoReligiolo;& a nova reformação, com qtta ,„jacuUf A cuniht«dvetfM* 
queefte Patriarcha plantava em o mundo ,a Ordem Mo* '»'^* > A h /****'* B, f* J ' 
nachai. Viao creícer a toda a preíla eíte edifício; porque # #«>»* hórvii mu t***g»i*. 
todas as horas fe augmentava o rebanho , de que era paítor j^^*' " 

São Bento. Em breves tempos, palTou efta Republica a fer 
Império ; os aliados com o mundo intentaváo deftruir a 
oblervancia dos fervos de Deos : reparou-os o Patriarcha 
com as duas Torres , que erão as duasUni veríldades 3 eftas 
cm a fua protecção iinitavão a Nuvem defogo,que acom- 
panhava de noyte aos Ifraeliras: 77 defendia.&alumea- 77 Permticmincoiumrun» 

va a nuvem ;rep2rao,&encaminnaoas eleolas. ij.««». *i. 

220 Amparadodas Torres, caminhava o exercito 

de São Bento feguro, &proípero por todas as partes do 

inundo. Augmentou-fc a gloria do Pay , com o grande 

fequito, que lhe arrahiráo os filhos Doutos 5 & creícéo, f 7*^£^í*c/íSíw 

o temor, entre os contrários. Defpois, que lofaphatRey J«4r.; [t»i« e f\^' e fit"Vf 

1 tf , ire L-n- Dcn.HUjUt, cwrMrfgr.iUTTi- 

oe Juda, mandou por todo leu heyno nomes lábios, a fum:; ..... av„.,7 tUnti ■..?..,•, 

irtraJojIipíijidtSFbJifiti 

jofàfh munira Jefinbir.tfic. 

78 Sublimou-fc a magefta- \\hrah cp.n .ferft&g. 
de deite Rey, até o ultimo gráo da veneração humana. 79 ^'crtvttergohfapb^mtg- 
Os lábios adquirem, & confervão. Ao foi , que preltrv.» mficttutjjistfquetdfuMm*. 
comparou Chrifto o prcftimodcs Doutores, E o me Imo % êxíw s*t$«h t 8?«?*f 
foy dizer São joáo, que doladodeChrilto correra t^K^'SJ^J^u^itSt. 

imagem da fabedoria ; 80 do que entender-fe, que na tc« 1 :.«. Wj; 

,T r ,. . . 3 P o r/l 8 ' ^ '!'■< M- 1 '^^ i^ 

meímaagoaíahiraomnum.era.veispovos: si LUc*,cor- f c,.^/«\*r*/.i7,w;is. 

rem 



doutrinar o povo, todos feus confinantes, & oppoftosle ^»' r «7">; 
lhe tributarão feudatarios. 78 Sublimou-fe a magefta- x.Ftrah.T, 



1 7 6 O ?7s]KC7?n WS ?AT. TOM. 11. 
rem atrasda fabedoria, porque os governa : na mefina cor- 
rente da agoa, que fignifica ao douto, anda prefa a multi- 
dão, dos que o leguem. 

221 EfiasTorresforãoasnuvésjdondefahioamul- 
tidaõderayos,queconfumiráoasherefías. NasUniveríi- 
dades , que São Bento levantou em Roma , fe tomava a 
poftilla da Sagrada Efcritura , Sc Theologia , que naquel- 
les tempos, por razão dos herejes, fe lia oceultamente. 8 2 

% :, sou* occjtnu t oa o ,. De codas as P artes do mundo concorrerão difcipulos, pa- 
?niud. 1 cep. u. n. ,6. ra eftas lições , 8c delias fahirão meftres , que como rayos 

defenderão a Fé, & extinguirão muytas lty tas. A firma S. 
Joaõemfeu Apocalypfe,que immediatamente começa- 
rão a cahir rayos fobre a terra, quandoemoCeofeabrio a 

8 1 Vifa efe Área Tefíamc- A it^a O- #-\ a • J rr c~ r ' ' 

titjiit «« Tcrr.phqtu, tf/ia» Arca do Teitamento. o 3 Osmyttenos de nona bata r e, 
funtfkiiu,» ^pocaiypft ,,. j â ^ Sagrada Efcritura, erão figuradas nefta Arca: 

*í»/. 19. í ifa,\5 aperta ejt ac * D ' O 

fi.ifidor. 84 & nos rayos os Sagrados Doutores. 85 Donde foy 

8ç ttwiwU&iprtxvii- ° melmo, tratarem-le publicamente as lagradas letras , na- 

mhcofcriptuwu'm,boctft,fi- quella Celeftial Univerfidade , do que fahirem delia os 

vsexlcgibutjivífropbetarú, T i • - j 1 r>. i , 

yjtr rxEvangeiiorumjivs e X meltres , que doutrinarão todo o mundo. Das palavras de 
l^rj^itl Péricles , eferevéo Cicero, foráo rayos, com que atimori- 
h*umexpo«t, iiiaverba:Sicut zara a toda a Grécia : 86 Eftes effeytos fizerio em todo 

fulgurcxit ab Oriente, ctp.z^. . j a A 1 • - t- 

num.f 7 . o mundo os bagrados Apoltolos,com a pregação Evange- 

A^SWSÍSÍS lica 5 & def P ois delles >. os fi,hos de Sáo Benco foráo > os 
untre^ 'permifceretotamGre- que melhor os imitarão ; em a primeyra Empreza defte 

f>i.Çic.l,b.deBcrfcBoOra\or. ^ i >r> -jj--.^ ir 

volume o moítro, ainda quediminuto, em numerar os Va- 
rões Doutos , os Reynos, & Províncias reduíldas á Fé, pe- 
los Monjes Bentos. AíTombrarão os rayos aos herejes, cõ 
que apparece'o a Igreja de Deos , mays luíída aos olhos do 
mundo. Logo Sáo João a vio , na figura de huma Molher, 
veftida de Sol, coroada de eftrellas, Sc com a Lua debayxo 
8 7 Et r,g»um ™n»um ap. dos pés , quando os rayos fe dcllribuírãopelo mundo. 87 
P 1 ""!'»^'* Mui.tr am,8j Asherefias, reprefentadas na inconfbncia da Lua, con- 

£ch,dLi,«afubp e ãibn r ejut, . . • r - i o j r>v A - 

b J /« capite eiur corona fieUaru vencidas pelas razoes dos Sagrados Doutores , prolirarao- 

poc.i t .verr.i. f eaos pés da Igreja. As forças do Gigante naõ poderão 

reílftir ás pedras de David, porque as cinco pedras, que 

PO r , ,,. . ,. David efeolhéo por armas, reprefentavão as cinco pala- 

-piJijTtnarpetraf. t.Rcg.cap. vras,com que Sáo Paulo deleiava,eníinar aos deCorin- 

'^(JtMZTco: tho: 88 Tudo fe rende aos documentos do £bio. Aos 

rimb. cap .*%\perf. 19, uiit mays obiunados adveríarios metem debayxo dos pés, os 

Muis^aràinulis. 1 •> 1 •..*■■■'' 

nomes doutos. 

222 Qusn> 



E tf <P <1{E Z A X1L 177 

121 Quando São Bento fundou efiasUnivei (Ida- 
des , tinhão de vida religioia , pouco mays de dez annos, 
todos aquelles, que o feguiaõ;porque tanto havia, que eí - 
te Patriarcha, tinha dado principio a lua Ordem. 89 Có 8 9 oiwtubiftyra. 
efta pouca idadere^ular, os inclinouás letras, para os scof- 
tumar as armas. Obíervavao os Lacedemomos, quando 9 , & /*& >n$Uvh »i r «n»* 
lhe nafciáo os filhos , reclinalos íobre os capacetes : 90 IZíT^"" '" ihí "°' Uc °~ 
Alcmena o fez a feu filho Hercules, & a IphicJo: 91 O 
mefmo efcreveClaudiano, do Emperador Honório. 92 9» Rtpmftifcrjcmaputr* 
Oberço,emqueoscriavao,eraoasarmas,quehavjaode 
uzar nas pelejas. Aliçãodasfagradas letras iaõ os capace- 
tes, com que os Catholicos nos reparamos, aííy dos golpes 9 , Smf „ ,-„ n , a „ ihut tuit 
tias tentações , como da aftucia dos hereies. 93 NeíieJ 1 "*'""'""'' 8 "''®''""'" 1 "'' 
tempo aplicou oao bento os Mon;es, ao exercício dei- ja g <,taqwbut .■:■.-. tí UJUIm cdi 
tas armas , para que disciplinados ,pelejaflan deftros, no ^KSãSSÍS %& 
tempo do conflito. 

223 Occuparfe São Bento, na erecção dasEfcólas, 
quando dava principio á fua Monarchia, foy , a meu pare- 
cer, imitar ao Supremo Artifice na creação do mundo, 
aonde o amor Divino fomentava as fciencias , fignificadas 
nas agoas, quando o mundo náoeftava,aperfeyçoado de 
todo: 94 como fortalecendo as columnas, fobre que af- 
fentava a Monarchia doUniverfo. Se já não foíTe, mofirar 
São Bento em profecia , o que defpois comprovarão os S^TSS 
íucceflbsj abrindo osdiques da clauzura,aosmares ôasíc\'f ír ' l '-> ,ur f u p »t*à&e»eft 1. 
encias ; anunciando, que lua Keligiaohavia deler ono, 
donde, (como outro Moyfès das agoas,) 95 tinhãode 9{ Exedicsf.z.verf.i. 
fahir ostervosmays eícolhidos, de quem Deos havia de 
fazer a mayor conta. 

224 Fortalecer São Bento a fua Religião, coma af- 
íiftencia da fabedoria , que fempre ntlla fe profeíTbu , foy 
também darlhe aptidão, para lufientara futura promcíTa, 
que Deos ha via de fazer a efte Pa triarcha, a fegurandolhe, ^%tíZf£:l\ 
premaneceria lua Religião até o fim do mundo. 06 Baf ifimftuw tx momm.mu m<>- 
tavaapalavradivina,para nrmezadaobra;mas augmen- j4rnoidoyvw*. ¥ tp«utcxfuò 
tou-lhe São Bento o numero das columnas, na multidão (*■•****■*■■..*»••■ 
tios homés eruditos , para que nelles , como nas columnas, 
feelVibaífe a duração do edifício. Pelasculpas dos homés, 
fe arruinou o mundo jmoveo-fc a miíericordiadeDcosa 
reparalo com a lev da graça j & hum dos primcyrcs funda- 

Z mentos 



i ;B O P^NCIPE VOS PJT. TOMO 11. 
mentos deita obra íoy , predirinir , & fortalecer a9 colum- 
nas,eni que íè havia de íuífentareíleedificio: 97 quefo- 
9 7 LiqutfaBa eH tena, tf r ãoos Profetas antevendo íua Encarnação; & os Apofto- 

omites quibabitantwea-.egocõ- . , _ . 1 .- i ■ r. 

/rw4fi ceiumintoejM/.PfAim. Jospiegando delpois pelo mundo , a ky Evangélica. 90 

}%Teí\\ 't"!ZZ '*"" ' C° m a fortaleza deíias columnas , difpos o mundo , para a 

os it.'p:a,ic ciem pcrdifum b ra de noiVí Redempçáo , & íobre elhs levantou o edifi- 

y tanifroximuniul in nibihim • j /»'■»• A /"P o - r» 

«■í>.!'.,in itur { Ht/otetumu ml cio de lua igreja. Aíiy , me parece, traçou bao Bento adu- 
tif::SjZ!ZtS. ra $ 5 ° de fa Monachato , como Deos difpos a firmeza de 
^lu.vci.iifi.matMniocai^wct fuás obras y Deos,& São Bento auementarão fortaleza, á 

JiiFiehtavi,i$ conjl*bilivi,ut uó _ p___ n t__itj_j r*v r 1 r 1_ .• 



/í».;«/ coUabaiur, ufque <n cò- melma eitabelidade: Deos lendo luas obras eternas por e í- 
f«m n wnwf*tHií3miman«, fencia , firmou-asfobre os documentos dos fabios: & São 

Jupia Vy.lmss^exponeiu verba: * ... 

±. & o corijiuaavi coiHno* ejur. Bento lendo as proméíTasdeDeosinfaliveis,eftabelIcceu 

lua Religião, fobreos mefmos documentos. Em oshom- 
bros dos fabios, aífenta a mefma firmefa. Os Cherubins 

^jírgTi^.vcrj:^. icicntesjíao o trono de num Deos eterno, yy Permaneí- 

fe a valentia das fabricas, feaosmateriaes,que tomãoda 
naturefa,aííifte a pratica dos Artifices; porque quando 
efia falta , perdemos de maysas forças. Para que o Profeta 
Abdias, defengana-fe os naturaes de Idumea , de que a va- 
lentia de feus moradores fe havia defogeytar á fraqueza 
dos Ifraelitas , lhe diíTe Deos : deftruiria feu Reyno de to- 

ioo Nunqua non inâie Ma, dos os fabios, que nelle havião. ioo Efmorecem os ef« 

dicit Dominus: ?erdam,fap,- . . j . - J li- p 11 TL ÍT li ' J 1 

entes de ídumtca?® úmtbunt pintos de nua republica, ie nella ralta a aiiutencia dosho- 
firurtu, a mef ,d íe ? m,*. més dou fos poder ? com que a cidade de Damafco , a f- 

ioi ^iufcreturfiniiudoDa- foberbava as niays Cidades da Sy ria, efpirou com a vida 
emes. lemiiian.adverjus-ju- de léus Arroios, ioi Arruinarao-le os Hebreos , com a 

falta dosnieftres, que os eníinavão. 102 Nadaproduza 
terra fem as influencias do Sol: Sem a direcção dos fabios, 



Jaós 



í o z XJbi ejl Hteratur? uli h 

S h verba ponderam ?ubi Doe- nenhum vigor tem as forças. 
r J " 225 Confiderando ehadiípouçao,comqueSao 

Bento pos em ordem a fua Monarchia ; vendo , que cono- 
tava a mayor parte deita republica dehomés (cientes ; 8c 
queporefpaço de féis centos annos,feconfervaráo osef- 
«o) Vide Empresai, temo tudos, dentro nosclauftros Beneditinos. 103 Chama o 
\Z m h%. s. Bened.B.cn Cardeal Monacho, á Religião de São Bento,Livro medi- 
medicinaiititofornptpoteqitu, c j n al por onde aprenderão a curar almas, os melhores phi- 
Monacbu, in Oefinttiombut ficos elpirituaes,que deípois dos Sagrados Apoltolos , co- 
^^td^èmjapi. nhecerão das enfermidades da culpa. 104 A fabedoria, 
eMiam finita* ejlerbht enar». graduou os feus Douclores,com os intitular , faude de to- 
Sapnmi. 6. ver/. »6. doomundo. 105 Com adoutrina, de que íe compunha 

efte 






eftelivto, nãoíbíaíráo iníignes médicos para as doenças 
do efpiricojirsas também para osachaques da naturefa^pa- 
ra as doenças do eípirito, receytaráo as medicinas inays 
cordeays ; & para os achaques da naturefa,íorão os medi* 
cos mays celebrados, & íaó os advogados mays propícios. 
A infinidade de almas, que os filhos de São Bento trou- 
Kerão aoconhechnento da fé, teftemunha a virtude das 
medicinas. Ainnúmerabilidadedeenfermos ,aquemde- 
ráo inteyra íaude , abona a doutrina do livro , por onde a- 
prenderão. A fé, com que os Gathoiiccs,emdiverfas en- 
fermidades implorarão o divino auxilio, pela interctflaó, 
& merecimentos dos Santos defta família , os experimen- 
tou advogados , para todas asenfermidades, porque livrai 
ráo de todas, & alcançarão íaude. E para que os fieis fe a- 
provey tem defte patrocínio, efpicifico o nome de alguns 
Santos da Ordem de São Bento,que faõ advogados de en- 
fermidades diverfas. 

• •226 São Bento he medico uni verfal, de todos os a^ 
chaques, porque aííy como teve o efpirito de todos os Sã- 
tos, dá meíma forte logrou a virtude de todos. Defte efpi- 
iito de São Bento, repartio Deos por miíytos deíeus fi- 
lhos,-afíy como o fez do efpiritode Moy (es, pata habilitar 
os Anciãos, que o haviàõ de ajudar 2 governar opovo He- 
bréo 106 DeftribuindoDeosas virtudes de São Bento, I0J ^ a f e tamãe^ititutuo t 
pelos principaes filhos, que fuftentaraõ,& amplificarão traJ*mqueeit,utMt»tc«tte- 
fua Religião. Das doresdoeftamago he advogado, Saõ vt rf. >?.' 
Gregório Magno. Das anciãs do coração, Saõ Bernardo. 
De todas as lezões corporaes, Santo Amaro. Das dores de 
cabeça, São Edo , & a Beata Juliana. 1 07 Das dores , & ^i^í*jSíí^í-«£S 
moleftias dos olhoâ , Santa Franca , & Saó Leodeçario. muiti™ inJicc.iituio Morto. 

»^ 1 11 ^ .*-ts> ' „ . ,. °, ^. rum Mediei minfiti. 

Das dores de dentes , Sao Uímaro, & o Beato Miguel Ga- 

maldulenfe. Dos pólipos, que nafeem dentro nos narizes 

Saó Fiacrio. Das dores do pefccço, Senta Ediitiuda. Das 

alporcas,São Ocho Ahbade.Da eíqilinencia,Saó Suitber- 

to. Da tiricia, Santa Mochua. Das doresde entranhas, Saõ 
Elphego. Dos letargos , São Adelmo. Da gota coral, São 
Lamberto Vencienle, & Santa Erentruda. Das maltytas 
terçãs, Saó Venâncio. Dasquartans,São Amado. Dasfe- 
b: es, São Domingos Sorano ; Santo Angelo , São Macá- 
rio, São Bonifácio, São Paterno , & outros, que podes ver 

Z 2 cm 



i8o O -TVJXClrn VOS TJT. TOMO II. 
era o Autor alegado. Da lepra } SáoRomano,& São Aley» 
des.Domalderayv3,aquemenionoíTo Portugal chama- 
mos danado, São Poncio. Das roturas ,& hei nias, Santa 
Maria de Ocgnias, o Beato Thomás Camaldulenfc:,& 
Santa Syria. Doslunaticos ,o Beato Oervino. Dos men- 
tecautos, São Gerardo. Do perigodasí'<ingrias,Saõ João. 
Da dor de pedra, SãoGalloBifpo. Das dores de parto, o 
Beato Godofrido. Da peite, a Beata Joanna, SãoRcy- 
maldo, Santa Pomba, São Deodato, S. Malachias.A mrys 
fe dilata o numero dos ad voga.dos 3 que dey xo por naõ cau- 
íarmoIeftiaaosLeytores. 

227 Hum Ceo na terra chamarão os Pontífices á 
Religião de São Bento 3 &como tinha as femelhanças de 
Ceo, náohaviadefaltarnella Santos, que melhor, que as 
influencias benévolas ,influiíTem iaude ,em os corpos hu- 
manos: Eíte ofRcio,teni em as republicas os fabios ; os Teus 
documentos íaô influencias benévolas; * quando,feme- 
« Ungu* auiemfapitmium lhantes aosdous Cherubins, que acompanhavaõ o Propi- 
fiHitateft.env.it.wf.tS. c j ator ; 0> põem diante dos olhos o temor de Deos: afly co« 

„ v , , r . moosCherubins,quenuncatiravaóosolhosdoPropi- 

108 Ext:-n.ie/ilira!ar,tf te- " ,v r m >v • 

g.-nte, proi>,cittoriu,fi que mu. ciatorio, relpeytando nelle a aíTiítencia Divina. 
'!$$£*??"> E * 9ii 1 08 Os Cherubins com as azas reparavão,& de- 

fendiaõ o Propiciatório: Os Doutos com Tua 

feiencia reparaõ , & defendem 

as republicas. 




POR 



St 



POR LHES EVITAR O ÓCIO, EXERCITA 

S BENTO 

ASEUSMONJES NAS OBRAS NECESSÁRIAS 
para o uzo , & fcrviço Monaftico. 

E M 'T SJ. £ Z A XIIL 




NATURESA com 2 varieda- 
de das flores , com que véfíe a 
I terra,eníínaosPrincipcs,3com* 
| por fuás republicas. As flores 

'^t/]MíÍ$& I? na " tcm ° me ^ T1 ° chey ^ nK *"" 
lÉltíSSÉ ma cor, nem o mefmo prcftiir.o; 
anaturefacria ahumas viftof^ck íuaves; a outras, com 

Z 3 mays 



i S 2 O <IJ<%lKfflE DOS <?JT. TOMO 11. 
mays cores , & menos cheyro. As artes líber aes faó flores, 
que a Di vina Providencia deítribuíc, pelo campo do mu- 
i PrevideHtiaDeifetgtnte/ ^ Q r jx] em todas eftas flores, tem a meiina fragrância ,& 

«Ulct que Jpargit «nium flor et, . r - a • U 11 o 

ef maguum huncmundum y ve- muno j asartes nobres lao asrloresmays bellas; exas ma- 
t-lTu^Z^t^l «niías, as de menos gala. Todas acartes guarnecem are- 
CW'«'- pub]ica,comoasflores ocampo:neíie,nalcem mu} ras,que 

naó produzindo frucio ferve de enfey te : ainda quemny- 
tas deftas artes fejáo, em a calidade de algús íbgcy tos , íci- 
encia infructifera,illuftra a todos o Tabeliãs. Toda aíior 
tem Tua virtude: ck todas as artes,feu preítimo.Em a varie- 
dade de flores, que produz anaturelacriadiverfosfuílen- 
tos ; na õ comem todos os animaes de húsmefmos paítos: 
em a republica não vivem todos de húas meímas artes. A 
natureí a cria o fuílento , confotmando-le com a variedade 
das èfpecies: & a providencia accommodou as flores com 
a naturefa das plantas. A variedade de iuftantos cria diver- 
íidade de humores : a difTerente forte de vida , infunde, de- 
ligualdadedeelpiritòs. Seos animaesfe fuftentarâofóde 
hum fru&o , perecerão os que naõ ti veíTem azas, para voar 
aos ramos, nem forças, para reíiftir ásféras.Sea oceupaçaó 
em todos fora a mefma , todo o intereíTe feria do mavs no- 
bre, porque mays refpey t ado; como entre asboninas com 
todaa gala, fe levanta a Rofa, porque a naturefa a coroou 
Rainha das flores. 

229 Entrealguas nações foraó taõ efiimadas as fio- 
sL,l , rZ ! . aS ° ciat * DP ' res,que astinhãopor companheyras dos Deofes. 2 O3 

Gentios veneçavão como bemaventurados , a todos a- 
quelles, que eraõ infignes em algiíàs artes, como Terpan- 
der, na Ci tnara; Clonas , na frauta ; Cleantes, na pintura ^ 
Theuch,na Ariímetica; Licaon,nas fundições; & Poli- 
neílo, na Poeíla. 3 A todas as artes daváo a prehiminen- 
\ VideRavi.tetboUvitoret. c j a J a erva, Panacea aqual creião fer fru&o , produíldo da 

cabeça de Apollo,porque com ella curavão todas as enfer- 
midades. Reconhecendo os homés, tão grande virtude nas 
„,,... artes, comoosdeRhadesemoouro,quedezião, chovera 
mfcente Mi>urv* wâuiixiffe em íeu Rey no no dia , em que naiceo Minerva : 4 a eíle 
l7Z fiSSST C/ "" <; ' '" l ' ouro a tribuhiáo os de R hodes , os progre fios de fua furt ti- 
na: &: nas artes confiavão oshomés, a immortalidade de 
feunome: ennobrecendo as fontes, donde emanarão as 
arte$,co;n a fupieíueioía adoração, que derãoa ítusinven-. 



tores: 



tores: $ metendQnaconradosDeofes,aMercurio,por < •>*' Htnuhf,uguia quais 

J , . •>. 1 1 • 1 -o inverAaDeerum num.ro aj.li- 

in venror das letras; a Dédalo, por inventor da arquiteetu- j cre . tumus «*.* 5 .*»/».i. 

ra ; a Necias Megarenfe, por inventor daarte ferraria ; a 
Arabo, por inventor da medicina ; a Chiron, filho de Sa- 
turo , por inventor d.a arte erbolaria ;aEumolpo Atheoi- 
etlfç, por inventor da Agricultura ; a Líber Pater, por in- 
ventor dos comércios 3 a Palamides, por inventor da mi- 
lícia; a Athas, filho de Líbia, por inventor da Afirologiaj 
a Anphion, por inventor da muíica ; aThamiras, por in- 
ventor daCithara ; a Pherefides Syrio, por inventor da 
Oratória ; a Lidio, por inventor da pintura ; a Jafon, por 
inventor da Náutica; aPitio, por inventor doveríoHe- 
icycoj&r a Cadrno,por inventor da hiftoria. 6 Emquan- 6 litmhl >i> ta p-\s. 
tonos Príncipes íenáo introduílo a ambição de reynar, 
premiaváocomeftashonrasatodos.osqueerãoinfignes: - . '.. 
delpois que nao couberão, em os limites próprios ,decli- pm's, l ,irai r j.- ! ,,,j c oquc,^ l>1 . 
nou aeíumaçaodas artes, com o exercício dasguerras. 7 Wrf , wt í f ^ . e J tJ „ imi to „ aex _ 
22Q Antiguamente as coroas dos triunfos, eráo te- trCtre -^& e f-v ,e, " rur >":' l hcn 

. , -* , /> O a ■ J -O. • r I - rcawucoiebjHt:ii;&„ e /l e „. 

cidas de roías, o Aos pes do victorioío punnao retrata- tmiavtiasfrcfàchm^Bfem® 
dos os vencidos. Com toda agrandeía íe adereçava o He- Z^S^t'^'^ 

o 4 togati anui jntei yuare aku- 

fóe: masa todaefta mageftade, ferviáo as rolas de coroa; <***««*, #/»■*«", ey */>«■* *;- 
como mlinuando, lerem os delpojcs, com que le ennobre- reru m amptuudo dSnofuh&c. 
eia, o fru&o das flores , de que le coroa va.Fru&o de honra l*? /'*■ m- '*£«*»»». 

n | iii i • / fl. i /v BolengtT. deT.r-.unf 

chamoua Sabedonaás flores dafciencia. 9 Comellasfe 9 fioret n>eifiu8u* hotwit. 
efmaltavãoascorcas do Empcrador Adriano, Antonino, crlf f'^- ver J- z i' 
Aurélio, Alexandre, Philipe Macedónio , & ScipÍ2Õ, 
lendo infignes em todas as artes: a variedade de eiinaltes 
fazmaysvirtofo o ouro. Não comm única o Sol lua luz lo 
ás clhellas fixas, taiUbem delia partecipão as errantes. 
Prezava-fe Júlio Celàr , de faber nadar ; Adules , & Ale- 
xandre, de lerem excellentesna arte de curfor, correndo 
tanto a pè, como outros acavallo. O Empcrador Valcn- 
tiniano competio na arte da pintura, com os melhores 
pintores; Ptholomeu Philadelpho Keydo Egypto,foy 
particular na arte de fundição ;& Demétrio Poliorcetes, 
lley da Afia, nosartificiosda guerra. Nãohaley,quccl- 

• r . j . 10 Kc» -ti interJiSfum . j:,t 

pecmquequaes, ik quantas aitcs devem aprender os no- rerumnatur*, a,.t aitgtahqu* 
mês. 1 o Todas as arres licitas, & hondhs faó provey- "?""»;"> nt /!"**!". £'/'■ 

5 1 J nofcerelictat CteerA.itOrtt. 

tousatodos,&comcfjx'cialidadeaos Piir.cipes, porque " .^/ c- •'"""•' 'c 

J +~A r V- • J o n • tífprmcitatumtenet ia mui- 

de todas le compõem a lcicncia de reynar: 1 1 &o Pun- tuíaruhrt.uínft.Exb t , 

cipe, 



&4 'OFUlKCME WS PJT. TOMO 11. 

cipe, que tiver mays noticia das artes, terá mays atributos 

deRey. 

231 Sáo as flores, viftofas proméíTas do fi uélo : As 
artes iaóas flores, que melhor indicão os dotes da nature- 
ú. Os Gregos , & os Romanos tinhão eícólas , a que c ha- 
maváoexercicios,aonde fe enfinaváo as artes liberaes. Ly- 
curgo detriminou tempo , aos de pouca idade , para que àS 
aprendefíèm : & conforme as abraçava a inclinação de ca- 
da hum, afly os aplicava aos officios darepubiica. Defta 
forte conhecèo o famoíb Agiíilao , Sc o vi&orioíb Mário, 
os génios de feus próprios filhos. Nodesbaftar do tronco 
vay moftrando o efcultor aíorma, que ha de dar áima- 

tiotitiamfrpihi*. faius Gre- porque defécão a naturefa ; 1 2 8c manifeftão a Índole, 

goriut Thohztnnt tomo x.àe . . 

Tcjpubiicaiib.iy.cap. iz.vide dequem as exercita. 

f^erlilgf"'^^ 1 a 3 2 As flores não dão frufto em todo o tempo. O 

exercício de algúas artes não he em todo o tempo útil. Pa- 
ra que osLydos perdecem o esforço lhe mandou Ciro, 
n jHfiiHusM, ubiftorut* frequentaíTem fó as artes macanicas. 13 E Xerxes nas 
7*?imr.in oiftphttgm. pazes, que fez com os de Babilónia prohibio-lhe , uzar de 

armas,& concedeolhe, podeífem frequentar algúas das ar- 
tes liberaes agradáveis a Vénus. 14 Occupa-íeanature- 
fana produção das flores, conforme os tempos: ordena- 
do fempre d creação dos fru&os , he o trabalho da terra : 8c 
f rufiara o cuy dado efquecendo-fe da feára, fó por compor 
arofa. 

233 Clyfia,humadas Nimphas Occcanas,abrafada 

cõ oamorde Apólloconverteo-leemGyraíol. 15 Cro- 

co impaciente,com o muy to que amava a Smilaz, conver- 

teo-feemaflor defeumefmonome : Smilaz fofpeytando, 

que efta converfaõ fora em feu defprefo , convertec-fe em 

flor de Hera. 16 Nenhúa eftabilidade tem a fortuna 5 de 

" líf'" 4 ' **"*'"' muy tas cabeças reays, foy coroa a mão do tyranno , quan- 

I7 ^u quM arte, eptiflimi do quiz fegurar agolpe. Amuytos Príncipes foy de con- 

r.b,J<,fiJq»™do«ec?jr>t« f veniencia, o converterem-íe em flores, uzando por crhcio 

noadtadmujirit. Gircro t. d as artes liberaes, que aprenderão por curiofidade. 17 

Dionifio J unior , defterrado de Saragoça , aonde foy Ty- 
.8 idem. ranno, iníinava meninos em Corintho: 18 Foyeminen- 

tc nos jogos, Sc perdendo nos da fortuna, não teve em que 
ganhar 3 fenio nos queaprendéo por divertimento. Oli- 

girimo 



• ewp^bza xm 18$ 

gitimo filho de Perféo,Rcy de Macedónia, exercitou a 

arte ferraria, quando o excluirão do Reyno. 19 E Ale- tg. 'uSismiMtu mceSiuufl 

xandre, filho de Perfa , P».ey da mefma gente, defpois que 

Paulo Emiliotriunfbudcíeupay,ganhoua vida, peloof- ..*,..- 

ficiodeelcnváo. 20 Aioiçadadiigraça,naopermittea ut fortuna eotnmufuir.fedfi^ 

todoscahirdalne^ma^órte,nemnome^molugar:anluy- / ' am ^^ xW ^ OT '''f' , 

* O » J cctijeat mijerum; ut nifrium 

tos Principes precipitou domontc,quedeyxou aíentar/^/wjmiíMí,™.)»^- 
r.ovalle ; quando a outros, eípedaíiou logo na penha: o ' *' A 

oue não referva taboapara eíle naufrágio, morre como 
AdrianoVefpifa Turunenfe,quepreíTuadindo-fe,lhenáo 
faltaria nunca ofeu thefouro perecéo, de/pois que o in- 
cêndio o defprefuadio do engano. 

234. Comas flores entretém a naturefa a efperança 
dos homés, aquelle tempo, que lhe tardáo osfru&os.O 
exercício de algúas artes foyaindufl;ria,dequeuzarão os 
Principes, para divertirem os penfamentos dopovo:da 
paz, & da abundância tem manado grandes difeordias; a 
medicina , de que uzouElRey de França, Philipe o Fer- 
molo, querendo prefervar deita doença aos moradores de 
Bruges, foy com o pezo dos tributos ; levantarão-feos na* 
tuues contra osFranceles ,eximiráo-fedojugo,&crea- 91 mjtâ minut g*tiu/ai. 
rào novo fenhorio. 2 1 A poda fem régra,& fora de tem- tiofuit j *"*. '" Br,i & ie M '" be 
po, he deítruiçáo da planta, & perda do lavrador. Os Gre- ctgHomtmoPuicbèr, GaUorum 
gos, em quanto viviao tem guerras, convocavao certos tur!cmcnticne^nmi»ier m i. 
dias os vaflallos,para o divertimento dos jogos Olvmpios, **f»fM"»,c*m q«"rtifi- 

K1 o rv • j rr 1 rri ■ l r 1 r , ttwtquemrcsuretfer.uet-at, 

JNemeos, & ritios jtodaalortedepeíioastinha luapalel- orta,cumj>r*ere**imiumgra- 

o • J 1 - vibtti (e cKtrihut tremi qutre- 

tra, em que entrava ; & na competência dos prémios, hus rw ^ pldiar J rif J :ú( , : , T 
occupaváoas forças, & todos openfamento. Domefmo Huâ«cibu,Brugierf t ,pieitnõ 

D * c ,_ r r. 1 o r urlemedofua.veruatctaquo- 

uzarao os Komanos, & os 1 royanos: Pedro, & Lourenço que Fiandri» Ga/lo* àepuiit. 
de Medicis, de torneos, & juftas ; eftes jogos foraõ o prin- Uem M -9 ca M- 
cipio,por onde Hercules, no monte Alfeo,comccou a ter • f ím ri Jiter*,t>eiiuxttm, 

r • o 1 ' 1 i *~» ■ •" J vel tburrt!<t,vc! fuif r.imir.ibus 

iequito,cx: a crear nomes alentados. O exercício das artes, gpp e uentMr.LuJ*ti»tu t ut® 
que fe encaminhaõ á difeiplina militar,faõ como o jardim, '" J ' u »>»*/**»*»«./?»■ »■ 

1 í ' ' ' Hieron.ad Lttlam. 

que eníina recreando. ??. MintiBumiitoperstiotit, 

r? 1 n ' i * r *. *< vacet : multam enim malitia 

235 Lm nenhum tempo, cita aplantaocioíana ter- j 0CH j t0Jio f ítM .Zc C ief.^.ve<f. 
ra;acabandode darofrucl:o,coméíTa a tomar novoalcn- » 8 - ....,.._ r , 
■to, para frutificar de novo ; & iodeícança, quando de to- e ih,deteriut tfi ,quçj*t>»f»iã 
doíeca. Os vauallos lao plantas, que tem avidanaoccu- 0mpen ,g,? o „f„ ml ,.f.ta*vi. 
paçaõ: 22 &todas, naocioíidadeamortc. 22 O exer» ^«^"'^"'/«'tf ""</"- 

*.'*.. /--Tl cit\ce(íationetorprfcit ae d'Je- 

cicio das artes, yc como a oppoli^ao dos Iiiiínor es, que cl t,i>,Bmm.êiDtmnri. 

Aa cem- 



i U O MffHG&BMS $AT. TOM. 77. 

i4 SjnWjTtmeeotififerBo. coiiíèrva af rjde.Eo Príncipe dos Patriarchas, 24 para 

mini IhmdiíieMonacború Pa- . iiiv/r-- - t r - i i - • /• 

*«-,# D„x.EccLf:*>ni>top,io, que a virtude dos Mojes nao adoece-íe,co o luxo do dei- 
^'TÍítf TÍÍ canço , & a perpetuidade de íeu Monachato não refreia- 

%\ Otio pent Koma, atleta - ç ' i C 

Oir/; J? /«f.D.^í/í.//í.i.^iecoinaocioíidadedosM-oii;esj 25 ordenou, fafíeiwos 

clauítros asoriicinas,nonae kexerutaíiem todas asaites. 
236 Náoíòda obrigação do coro, & afliileccia dos 
efíudos fe compunha a vida dos Monjes; também no exer- 
cício de mãos, os mandava São Bento gaflar o tempo, & 
oprimir as forças. Os Monjcs eráoosofiiciaes, queobra- 
váotodooneceííario,paraoferviçodos Mofteyros: as ar- 
tes mays íervis foráo,paraelles ,as mays nobres : apaícen- 
taváo os rebanhos, cultivavão as terras , davãomateria , & 
forma religiofaa íeusviítuarios ;fervião em todos os ofí- 
cios, &e]lesmefrnos traça vão os Mofteyros. Trabalhava 
São Bento, em que o eftado Religiofo torna-leáquella 

JrZuàVÍ% e f,p a ^,l felicidade amig.ua , onde não ha viáo as regras da A rchi te- 
funtjam»*jcentciuxuria.ovi- # ura , quedefpois traçou a fenfualidade : 26 & que na 

d,.EfiB. 9 x. Pitu toga Isfire .,?• - r r y a f " L»i 

Rempubi.quamhrict.Ttttui. vida religiola , aonde os meitresle enao com o trabalho, 
*f mhwâodtcwtoea viveffemosdifcipulos comoocio.^ 27 Náoopermitio S. 
vita,iibifunt sattorex ubo- Bento, temendo, que como homés lhe fuccedeíTe ornei- 

rioft,ibifantobicififoucfi.D. .^. . , I .r . . , 

+dug.cap*i.deQpereMo»*- mo, que a David , o qual perdeo a virtude, quando dey- 

fÍ0 o ' « j j- r, -i xou a milícia. 28 

18 Qucd qitandiuDavid ex- . . „ 

ercitavitfanmthtia^nòwfui- 337 Os Anjos exercitao-fe continuamente nacon- 
ir. domo ompmrWnfitjohi,, teplaçaojas EiírelIas,nosmnuxos ; & os Mares, no movi* 
ut»2 adtiiurbSem.16 Epji. niento: quanto a creatura he mavs perfeyta, tanto he mays 

adjrurer >n tremo ,impofit* ?^> • ri"'- i - 

d. ^JugHft. oceupada. Os Anjos , que ialtaiao na contemplação , per- 

i0 Opera manuum tuarum i - <-> J f iT i - 

funicÀ, ; ,pf lf eub» n t. m. ^erao a graça j os Ceos, quando ieílarem nogyro, hao- 
joi.t-o/.-ó Hocdtxit, * on fede reputar arruinados: 29 as Eftrellas,fakandonoin* 

qu>apenbun,fedquiaceǻbZt n l - i i- j /* -Kit f l 

awtu.Beda Cayttvjanje- rluxo,haode cahir do Ceo: o Mar íem movimento, he o 
«,u sfH p.„p^.Mm. Mar Morto, aonde no focegofeneíTe a vida das agoas. 

dSÍec more YiVk ihi, mors ejl maris iSa qnieti : 
ÇuodnuUos animai per anchela Volumina fluclus, 
Qucd que etiam pátrio mifcjiumfufpirat ab Aiftro. 
£>. typnanus in diferipttone Sodomorum Everfi. 

ParaqueosMonjes feconferva-fem na graça, multi- 
plicou São Bento os exercícios ; não lhe permitia tempo 
defoceupado, por nãoperderem amayorexcellencia,que 
tinhaõ,queeraafemelhan$adeDeos 3 a que fora õ leyros. 

Occu- 



EMPRZZJ XItti 187 

Occuparão-fe todas as Divinas PeíTóas, na formação do 
lioiTíem : 20 & para que tanto empenho? Porque Deos ià lacUmM^ommêtãimái 
fazia o homem aíua lemelnança ; tk quiz razeio aíeme- Ge*tf.*.n. : ,6. Videtufijiru 
thanea de húa Divindade toda oceupada, para que foííc SfSÍ^S 
obrigação do homem naó viver ociolo. A femelh3nça,que °"°f M e fi- ZmoVtrmen.jer. 
temos de Deos, hefemelhança de hum Deos femprelabo- '"' 
tíozoj entregue acreaturaaoociorifca,&eícureííe emfi 
eíta fermofura. Todas as três Divinas Pcííòas foraõ inten* 
dentes na formação do homem, para que efie gaíta-fea 
vida no ferviço de todas: as obras do poder atribuem-fe ao 
Pay$ as da fdbedoria,ao Filho; & as do amor, ao Efpiritoj 
Santo ; ncihs obras oceupou São Bento os Monjes , para 
que cm todo o tempo foliem agradecidos a todas^ao Eter- 
no Pay,na fortaleza, com que períeveravão na vccaçaõ,& 
ièrviaô a communidade ; ao Unigénito Filho, nasfeien- 
cias,que eftudavaõa fim de doutrinarem as almas 3 ao Ef- 
pirico Santo,no efpirito, & pureza dalma, com que conti- 
nuamente louvavaõaDeos, afíy noCoro,comoem todos 
os g&os de mortificação, & amor do próximo. Nefies ex- 
ercícios andaváo os Monjes, como eítrellas fixas no mo- 
vimento dos Ceos, que nunca perdem a luz do Sol. 

238 Enferma a Abelha , quando naó trabalha :en« 
torpdfe a virtude nas prizões do ócio : naó teria forças 
para refiitir ás tentações, a virtude dos Monjes , vivendo 
deloccupados. Atentnçaó, que nos accommete na hora 
dodeícanço, temcertaavi&oiia j aquenosbufea no tem- 
po do trabalho, fica por defpojo. * Rcndco-fe a conú- J^^J;-^^;"^ 
Mentia de David, ás viíhsde Berfabé ; naó perigou a caíli- P-""'"- D - Hii ^»- si Eu '-'- 
dade de Jofeph,ásmáos defua (enhora: inconftn&avel 
experimentarão os ardis da luxuria,a caftidade de Jofeph: 
pouca repugnância aclnraõas fettas da beleza, na conti- 
nência de David; foyeita, tentada na hora, ein que David . ... ' 
ddcançwa cias oceu pi coes dotrono: 31 & acaliioade vLiâejirâtojíofiiiwfr^;:^ 
de Jofeph, em a occafiaó, queelle fe oceupava nas obriga- u "'" *■ '<ff• M i'• , l - va J' 7 
çõesde fervo. 32 Vencéo acaftidade ;& ficou vencida ;i ^ f „/,,,„,.-„,, ; ;V «. 
a continência; aeíh, enfraquecéo oonodcDavid ; Sc a- ***** P/t/bacmum^eperú 

11 r 1 ' 1 ti 1 •» w f 1 s 1 • 1 ' Wiàpiam factrtt, G:nrf}i. 

quella, tortaleceo o trabalho de Joícph. Abre caminho a ie ,j:\i. 
culpa, quemdefpegaamaõdo tr.ibrilho. 

239 Semon)Uro,que adetende, fica húa alma, en- 
tregue o corpo ao ddearço. A Jacob quando ijormia do- 

'Aa 2 ; >u 



i S 8, O f'l>inCl?E DOS VAT. TOMO 11. 
j; ViditiHfoNwUfctitm: brou Deos a guarda de Anjos. ^ Todo efte reparo he 

tyimchr nuocjueDtiafcende- rr ■ \ 1 r • i 1 

ies v $5àrjctfiitnte,pe,e*m. neceíiano a huma alma, para coníervar a vida da graça, 
Gene) ti.n.M. quando ocorpo fe entregua ámorredoocio ; porqueas 

mãos ociofasíazemaalmaperdida.QuerendoChTiíto dar 

íaude a hum homem, tolhido de húamaõ, conto foílc em 

7 *ru ,;,!.■ -r, odia de fabbado, preguntou primeyro aos Fariicos: ie 

v»mf»tere,anperdert? Mar- çra Jícíto naquelle dia falvar a huma alma: 34 que fe- 

melhançatem a perdição da alma, com a enfermidade da 

?? V*«w anda tericuhfa maó?Era por vencura o mefnio,cer a maõ enferma, do que 

tftan,m*egr,tudo.D.^u gtl ft. a alma perdida/ De algúa forte íy: 2< Amaórulhidaco- 

hb.LQuHthonumtvang.cj. f O' • r o • P J J J - r ■ 

mo nao trabalha, eita ocioia ; òc aocioiídade da mao, razia 

perdida aquella alma j com que era o mefmo livrar Chrif- 

toao homem do ócio, do que lai varlhe aahna. Por rodos 

?6 i,t uBuio meo per no Ser os caminhos anda perdida a almadoociofo; em nenhúa- 

Ztd^Zlf.Íf,nZ7r- certa com a felicidade, porque anaóbufca nas afperetes. 

/ 0l6 - Laítimou-feaAlma Santade não achara Deos. 36 GIo- 

ee:.:- Vidi Deumficieadfad- nou-íe Jacob de o ter nos braços : 57 mas rito ioy , por- 

t m vfdvafaa«fa*m»m e ». n Ue naquelh occafião ,bufcava a Eipofanoleyto, a hum 

Deos,queJacobachounaluta.Faltandona cafa Áurea de 
Nero, a pedra Sphengitem,que Jhe dava claridade , ficou 
fendo caos , ò que dantes parecia Ceo. A Torre de Pharo 
fem a luz ,quegiava aos navegantes , era coufa fuperâua, 
fendo obra tão necefiaria: Torre fem luz, Sc cafa fem clari- 
dade erão os clauítros, vi vendo nelles o ócio; a falta de luz 
nãodeyxava ver opreciofo da cafa ; nem o preftimo da 
Torre: perdião os navegantes o porto, porque íaltava na 
Torre o farol, por onde governar o rumo. 

240 Defpojados das armas do inundo, entravão os 
Monjes a tomar o habito : Sc fortalecidos com as do eípiri* 
to confer vavão a graça ; porque regados com as 1 jgrymas 
da compunção, florecia nelles apurefa daíàntidade: Sc 
como tinhão defalojado dalma todos os peccados , era ne- 
ceíTariooccupar a parte,aonde morou a culpa , com virtu- 
des contrariasaos delidos. Pouco importa a huma alma a- 
limparfe das nódoas inveteradas, fem tratar de adquirir 
novas virtudes. Infru&iferadiligencia hedaquelles , que 
defpois de lançar fora o vicio, fe entregarão defpois ao o- 
cio. Segunda vez atrométou o Demónio o corpo daquel- 
le homem, a quem Chrifto havia livradodelle aprimeyra 
ves 5 & o que admira nefte fegundo treme mo he , que a- 

chan- 



iam 



EMPZEZJ XIII 1S9 

chandoo Demónio a efta almalii»padepeecac!as,kapo-' 
dcja-íe delia : 28 mas a razáo foy , porque eíla almaen- ' 8 £f w * /w " w»"*'' « 
tregou-k2oddcanço,deípoisque levioabioita. runn- «•*«««. ~mmí.«^*^:i4. 
cou-a Chrifto de toda a macula que tinta, quandoa 1 i ví ou 
•domefmo Demónio, que a atormentava j & devendo a 
^ícaturajdcfpoisdeabioltajoccupatfe em actos meritó- 
rios, para fatisfazer as dividas da culpa, encregeu-k toda 
20 deleanço , faltando no exercício das virtudes ; com que 
aalinaperdéo a graça, em que eftava, pelo ócio, em que 
vivia. 20 Devxarospeccadoscomomundo,8ídeícuy- J?. s **** i **F 6 ?'-r* 
darna Religiáodeosremircom penitencias, he immitara imptr «egUgenuam. rm*- 
ignorância <Jo manante , quedando crena a embarcação, ' ' r 
irão tratou de lhe calafetaras juntas, íenão de a alimpar do 
breujcomque naenkadá padece a embarcação, os nau- 
frágios da tromenta. Fugirdas inquietações dofeculo, fó 
por lograr a clauzura,he como o preguiçofo,que para dor- 
mir á vontade ,buíca a parte mays quieta. Chrifto não fe 40 txivit in mmm m , 
auzentoudas prayas para deícançar no monte: 40 nem l«e.6.verf. u. 
tirouoDiícipulosdasai*03s,paraos ter ocioios na terra. 
41 Huanoytequilerao osUiícipulos dormir no Monte úmnum. mvtca b»f\6.Dt 
O li vete, & Chrifto encomendou-lhe, que vigiaflem, para '^'/'J"^? 1 ""*" 1 
«áocairem em tentação: 42 & como íe livrará do peri- axVignate^orate.utnen 

/• 11 ' 1* • C C 11 • ittlrslU if.Xcntationcm. Marci 

go,oque elcoineo omonte reiigioio,ioparanelle viver lfW ^ l( 
com mays ócio/ Efta vida ociofa, multiplica os contrá- 
rios, 42 &deminueareílikncia; donde pareíteimpoíli- 4? opctan S y! *ach«s i*™- 

1 /- 1 . • O. • ks uno pu!fattir,femptrc:icluí 

*el iahir COm VlCtOna. virointumerUJpiritibw devif- 

tJtur. ProverUumfwt \io>:a- 
choru 'i^yfxyttti spuà CaJ;an % 

Cernií ttt ignaVum conumpat otia corms* i ' b - , °- "ftnut-"?-**- 

Utcapicnit Yitium^ nimoVeantítr aqiLt? 
Ovid. lik 1. deTont. Eglog. 6. 

241 Não fatisfaz a fua vocação ofogeyto, que buí- 
candono abito a mortalha, com que mortificar as pay xõ- 
es do corpo, amortalhou o talento no abito: Em tudo pa- 
recidos, áquellelervoinutil, aquemo Senhordeuotulen- ^ ©,»,««*. >,.»*.*«, 
to, para que negocia-fecom eikj oqu2l,cícolhéoporme- í* ,j ,; ' : - : - ■■"•'-'• 

lhor forte ter o talento ociolo :depoíitou-o tm hum len- 4 , inf u d*rw»amtptei 
ço: 44 cofre, em que o mito recolhe o leu talento, deí- 14 „ 
poisdeoterabonadonokmcodeDeos. 4< Uzandoo- •■'■ ■■•--'• 

n.11 r v. -i ii- <i r ('»'*• ' '■ "■■'■ 

}uito do lenço, para enxugar oiuorcro tiabjino ,« oíjn- ,„ „ aU n unim *w/y <• 

A a 3 gúc 



ico TVJKCftE VOS <?JT. TO MO 11. 
guedasmortificações,em que fe exercita^&o fervo inútil, 
como de mortalha , aonde enterra feu ócio o talento, que 
\6 ilcirçpenimtfçbiftiar' ]} le J cr áo para mercíTer , os intercflbs danegoceacáo. 4.6 

ii:j,ticKittoiicru,fed t;t pug- r • f r 11 1 ' 

r«/. D.chrxfoft.homii.i^in J Jelpois queo iervo pereçoío amortalhou o taknro,aon- 
Math ' e - de o havia deaugmentar,com ouzo, fepultou-o na mor- 

talha : não fe conta por vida , o tempo ocioib. Enoch ain- 
da hoje vive no lugar, em que Deos o conferva ; & com 
var , , v tudoiflba Efcritura, náo lhe conta por vida mays, do que 
nocbtmcentifcxaginiaquinqHe os annos,que viveo nefte mundo: 47 naquelle lugar, tf- 
'^ ' táfemoccupaçãocorporal Enoch 3& neíte mundo, itm- 

pre Enoch viveo oceupado. 

242 De maneyra íuou o talento em paliar da mão 
do Senhor, para a mão do fervo, que foy neceííario apli- 
carlhe o lenço , para fe alimpar do íuor : com qualquer oc- 

48 Qmathimerttotiofttstip- cupaçáo fè mortifica hum ociofo ; o mefmo ócio lhe caufa 
fi.oríg. bem. 10. mMnb. niayor enfado : 48 nelle trazem ás cóftas a cruz mays 

pezada,& perdem-fe crucificados nella. 

243 Amortalhado o talento, deulhe focego, como 

49 TcJ,tmier l -a,<8»hfco»- recolher na fepultura; 49 como que fe tivera trabalho 
j-itpicun; 3 Dom,mf*i. Mitb. em viver ociofo. O que tem menos talento he , o que aipi- 

ra mays ás dignidades ; fazem da vida ociofa,juíuça para a 
pretençãojimaginando,queasReligiões tem a proprieda- 
de dosguzanos, que roem ofaõ, & vivem do corrupto: 
fendo efies, os amotinadores das Religiões, & os que lhe 
motivaõ defeoncertos. O foldado, que acabou de dar a 
morte a Abimelech , e*a hú homem, que eíbndo na guer- 
ra tinha a efpada metida na bainha. 50 O talento hea 
efpada do Religiofo ; com ella merece, ou defmerece o 
premio; m2s os que tem o talentoociofo , ou amortalhado 
faõ aquelles,dequem a Religião padece omayor detri« 

50 -Evigita ghimm tuum, mento. Compete o talento ociofo , com o oceupado , mas 
wrf.Tí'.* "' e ^ uâ,eHm ' 9 ' de tal modo, que lhe inveja a eftimaçaõ,& naóa vida;com 

que faltos de fer viços fevallemdas aderências: o mereci- 
<i yicccjr.tmanrfiiiorum mento próprio, naõ fe aprovey t? do alheyo; a juítiça naó 

Zebcãn cumfili; ,<!„„„, % ,, r / r { . J ] , T , 

petent :.-■ DicutfedeanthidHo neceítita de patronos, nem o benemérito de padrinhos. 
&*£*?**'*»"*»»* NenhúaaderenciativeraóSaó Joaó,& Sáo-tiago,parafc- 

^/ uniu aajinijtiam. Matli.iQ, J . o 'I 

~*f>f-2o. rem Difcipulos deChrifto ;mas ajudaraó-fe doparroct- 

\7. Kon fiíiyotiflaicm de eífe j r - i r - j i 

affw ,/c-d mptíum cretm. mo de íu * may , quando pretendiao as duas cadeyras: 5 1 
r*. o. -si™t>">r. hb < âefiàe n 2 q tinhaõ merecimentos para as poíluiiem : < 2 caufa 
TAcumàircvabk. por onde le valerão de aderências na pretençao. 

244 Muy- 



EMPREZJ XUl IJi 

244. Muyto ajudou a fru&iricar a virtude dos 
Monjcs, o exercício das artes-,. florei, ique pioduzem efte 
frucio; fleJJeoccupaváootejiipo^ÇjiislhejeíUva da coa- 
tempbçaõ, & d© cor© ; ©que ranrberntra cHvertimciiít>j 
coqi queferecreavaõ.; mas taõ prcveytoíp ao governo cf- 
piíitualj & temporal, que ferve para direção dos Prínci- 
pes. As artes, que exercitavão os Monjes 3 eráo confernen- 
tes ao ferviçq ,&utilidacedos mofteyros : Dão tinhão tra- 
balho, nem alivio, que foííe diííonante afeueftsdo ;nem 
quedeyxafíedelerproveyrofo alua vocação. Sáo Bento 
media o trabalho pelas forças , & a nenhúa idade premeria 
ócio. Do fru&o , que derão eftas flores, fe fnftemava com 
mays vigor a fantidade ; & com efles exercicror abonaváo 
os Monjes, a cultura das artes, indicando nellas o efpirito 
de fua virtude. 

Myfica figna Vuces prxmlttunt laudibwartis: 
Pi/cês <Petnt4 agem bomines capit, aquoris bospes. 
lnfacris perjtfttt aquis- } habitaatla Taulm 
Dum terrena leVat, docet, ut cxleftia condat, 
FaElaqueJ<epe manu num confiruit atria Verbol 
p.Aug, De opere Monacb. 1 o. 






ORDENA 



ORDENA 

OSUMMO PONTÍFICE 

Hormifda,queoSanto Patriarcha aífíftaemRoma 
a hum Concilio. 




245 



li^^s 






P O Y a morte da Hydra afcgun- 
|! daempreza deHerculcs;& íen- 
MÊ do a íegúdâ na ordem,foy a pri« 
íl rMlSáíl mevra na fama. A monftro-ofi- 



gj^M dadedaféra, encarecèo as for- 
jjggaBM ças do braço: o dam no, que dei- 
larecebião os naturaes , & os eRrangeyros,íubio a efiima- 
cãodafacanha.DosHereiesj&dosJudeosfoyfymboloa 

*' Hv- 



E M T ^ £ Z A XIV; r 9 £ 

Hydra. i Eracérto,queagentemays bruta, &prever- » Comnnn* funui: ' 
f/haviadeter o feu retrato no monftro-o mays desforme, 
tk mays nocivo. 

24.6 As cabeças da Hydra não tinháo numero certo. 

' r * J . . 2 Naucram tntrro. 

hus lhe contarão lete, 2 ourrosnove, 3 hunscincoen- , mgpn.m.&féiih 
ta; 4 &outroscento: 5 aííy a hereíia, porque não tem ^J^F^o.nbMfM,-.-.,-. 
conto os Hereíurchas. Todas ascabeçasda Hydra tinhão s tomtmu. 
linauas: 6 & todoohereje temasmefmas; húa,comque 

j /-*\ 5/1 o li r & Ledavi.Gelielik.iG.cap.i 

pronuncia o nome de Cnrilto; òcoutra,com que blasiema * 

deíua Divindade, Humanidade, Sacramentos, & mays 
myfterios. Sendo como o Dragão, que tem húalingua, 
com que cone;& outra, com que fere. 

247 E não he menos conforme com a perfídia dos 
judeos aqualidade da Hydra; porque efta,deyxa o fuíien- 7 BiermymtuÉeríeieja.t^ 
to, que tem entre mãos , para executar novo eftrago, na ff-%- «•*«.* 

' T _, ' y . o 8 Caro meaveriejí cibui Je« 

prefi , que lhe ofterece a vifta : 7 Defprezaõ os judeos a m.eap.%^.verf.\ j. 
Chrifto verdadeyrofuflento : 8 efperando hús , por no- 
vo MeíTiàs, para executarem nelle os opróbrios , com que 
f<ms afcendentes maltratarão a Chriíto. 9 Setf4ocieas ^T^pTflíjZ^ 
entranhas, como as do Crocodillo, que chora antes, Sc >r^;«. }4 .«.jo. 
defpois que come, por lhe faltar, em que execute lua 
traidora ferocidade. 

248 Achou Hercules a Hydra,juntoá fonte de Ami- 

rii j rln t-\ ia n ■ r n ,0 PauOniaslib.i.eap^. 

nona, hlnaaeElKey Danaode Argos: 10 rara inrelta- 
rem a fonte mays pura,bufcaõ eftas Hydras as correntes da 
potencia humana. Os judeos induzirão ao Emperador ,, ceft* ãifcurfw ce»»ao 
LeáolII.aferhereje. 11 Hum medico judeo, valido de J^™/''- 1 "- 
EIRey Henrique o í II. de Caftella, lhe deu a morte. 12 u a emiíífcl , ?g ^Gan. 
Quem conhece a naturcfada Cobra, &: a recolhe nofeyo, laitwptniiMfi.m i 5 .c.«//. 
quee(perafenão,que o calor lhe facilite apeçonha ; com 
que lhe tire a vida. 

Tdcfuifuertè el bien fe le agradece. 
Que baçer bien a los tales, tal merece o 
JoanHorojco.Emble. 14. 

249 Neíia batalha de Hercules, fshio da kgoaLer- 
nca hú Cancro, em favor da Hydra, que mordendo a Hcr- . , .. 

culcs,lheluípendeo,poralgu tempo, as torças: 1 5 Nun- «.*.# j. 
ca faltarão Cancros, para embaraçar aos Hcrculcs,que de- 

Bb fejão 



. 



*94> o vTQNcnn ms <pat. tomo //. 

iejão ca ftiga relias Hydras. Náofoy lo Federico Duque 
deSaxonia, o que apadrinhou a Lutero \ muycos cancros 
ouve defpois, que patrocinarão ojudaifmo, &ahercfa. 
Foy impoílivela Hercules matar a Hydra , fem que joho 
• 4 H.^fit-vdiaquxJSHy. 3 fogueaííeos golpes, quea lera recebia. Os herejes, & os 

Jtc/ l ii>inaitiuí,vuJnciitiitJuis o _ _ it j o IO 1 1 

er>:t,t,is Jumj*pe reeditar, judeos lao como a Hydra, & como a doí bole ta , que nao 
ÇÍ2SCÍ 3SB7. «abáo , até ps não queimar o rogo. , 4 
àefdeadGrmiHmtaf.A, qío Hercules cortava as cabeças da Hydra, & a par- 

te donde lhe cortava húa,produfia muy tas. 

. Vulnenhu fecunda fuis erat tfla. 
Ouid. 6. Matam. 

- - O cautherizalas Jolao com o fogo, lhe impedi o aprodu-» 
cio. 

Hydra conéujlo peryt Veneno. 
Séneca in Hercul. Furente. 

Por Hercules , fe jame permetido , entender eu , o Tri* 

bunal do Santo Officio,& por Jolao os Príncipes fécula-» 

res. O Santo Tribunal tem por inftituto, cortaras cabeças 

da Hydra, extirpando as herefías , Sc os erros judaicos ; & 

os Príncipes Catholicos,hào de concorrer,como taes,con« 

denando-os ao fogo, que de todo extingua, a peftifera 

multiplicação. Efte feja o caftigo,porque fe for outro naó 

he medicinal: permitirlhe ávida, ainda que feja com ef- 

tip. Pcfiuiaft.í julin ó.coia perança de emenda , nao íe evita odamno da lua propaga- 

verfu. ultimo, Quantur. ção. Os judeos tem amefma pena, que os herejes. 1 5 

, L . ■ .. :. NoscaftigosfempreferefpevtaacalidadedapeílóaorTen-' 

16 C ficuldtgnumãebomi- ° r , *■ . r J p .* r 

eiiio.Vmt.Gi.md.c.decau- dida. ío E lo com padecerem a morte , íatisiazem parte 
*titMi.JeMccmjmi.\!SZ doaggravo , que fizerao aDeos. 17 Trata com pouco 
frineifium. empenho da leára o lavrador, que podendolhe defarrei- 

L.juii. majíft. ttiam p e t.f& gar de todo a mata, lhe deyxa as raízes, com que brota. A 
C ÍVc^l%tZ b z,í zizania,defpois de defarreigada da terra, mandou Chrif- 
nia&aiigatceai*fafcicuio*»i toatar , & lançar no fogo: . 1 8 paraenfinar, quefóentre- 

comburendum. Matb. 1 5 . verf. , ■ * r - 1 r o • ^ • r 

3 o. guesaschamasncaoashereíiasj&ojudaiimo exnntosna 

planta, & na rais. 

25 1 Os Alemães, em quanto não queimarão os ju- 
deos , que habitavão em fuás terras , não poderão evirar as 
£ re fidus, Sc as maldades , cõ que os efeandalizavão. Duas 

veles 



EM PREZ A XIV. 195 

vefes fe valerão defte remédio; húa foy no tempo do Em- 
perador Henrique, Sc do Pontirice Clemente VI. a outra, 
governando o Emperador Federico. O fogorefolve em 
cinzas ao facinorofo, os mays caftigosnão acabão com o 
prócer vo. O defterro,que o Emperador Conftantino deu 
a Ecio. Theodoíío Júnior, a Neítor ) & Carlos V. a Lute- 
ro , que remédio foy contra os erros,com que eítes hereges 
contaminarão apurefadafe? Apenacahio íobre achrif- 
tandade, porque nella dilatarão o império a feus inimi- 
gos. Quem deixa fahir o apeflado da terra, onde fe le- 
vantou o contagio, he querer,chegueas mays partes a cor- 
rução. Nenhum dos nacuraes de Sodoma, & Gomorra ,'9 Suiúertít.-imiverfoste* 



litaiores urbium, Gcnef. 



19. 



ficou de fora do incêndio, quando Deos as abrafou: 19 *»/.»$ 
nem lhe deu outro caftigo,fenáo o das chamas ; porque 
queria Deos atalhar o peccado,&fovertéo os agrefíores. 
252 Vários Principes firmarão contra os judeos dif- 
ferences leys. Prohibindo-os de ter communicação com os ^° g C u 'fà^" Luf '^ c ' 0f " r,et 
Catholicos: 20 de fe fervirem com Chriftãos : 21 de t\ €.adb*c.ytí?it*Qrmit. 
que asmolheresOrthodoxaslhe crea-femos filhos : 22 f *'í* d c.ân '**, v,ta tia*. 
de ufarem da medicina, & deferem boticários, 22 fenão *"?**&£&» ewvcBx- 
em cafode neceflidade: 24 de andarem com omeimo tm.dcBuir.i*d.c.*db<te. 

eque uzavaoos Catnolicos, 25 de terem algua , b , Gln f z8 ' « ... 
dignidade entre os fieis : 26 de fe receber feu teftemu- 2 * u g eij;JcconfucinJiae 

nhoem pleytoscontraosChriitaos: 27 decaíaremcom %% íncap.rnnuintdeiui. 

mulheres Catholicas \ 8c fazendo-o os caOigarião como a- ^ucjfjudJ^t'^^. 

dulteros. 28 Ordenando foíTem eferavos dos fieis: 29 *«s c»p.nuU. 

fazendo emeafados Chriftãos, & nas republicas todos os ,g u.ntcpucMjudtb. 

officios fervis,ck immundos, varrendo as eftrevaiias :lim- ,? c f J - u f^ c ; n " : ^l u r 

pando oscavallos,oV tirando das ruas toda aimmundice: Re? d. Matweiau judeot,quB 

rin n i-»i»ii-> 111 j auiícrth ficar tm Po'tugãl. 

50 EIKeyUomJoaoolll.de Portugal, lhe negou todo a ^cspfVeHdUMfipeT/mtai 
o género de honra. * A eftas penas, lhe aci efeentou a do M ^ e \ n Y f Mt / A bn ''";^'' 

O > I ' nefiot, feJ f'r,liaoi ,pnti,fcr' 

defterro, o Sereniífimo Rey de Portugal, Dom Pedro o ríre ,es mundartvicot,aUadc- 
.donome,exterminandode íeus Rtynos aos compre- ^^titvamjbrdtt.fcofere 
hédidos.Tyberio,& Claudio.expulfarãodeRoma a todas mndaiiayadav^a pecud», 

rrr j - r r - t- I 1? naiere, tf exeoriare, &fi a*. 

aspeíloasde nação jomclmo nzerao o lMuperador, re- f H nthvjMigtmtit»mm», Ma 



dum 




igosloy poderoio paia emenda jcomoqi 
pell.&"philipc o Aiigufto, de França, íè reíoíveiáo a 
lhe dar a morte,& por fuás mãos a deraó.a muy ro c .b o com 

Bb 2 a m or- 



í 9 6 O INCITE VOS <?JT. TO\ÍO 11. 

a morte acaba depcccaí d viciofo^osjudecsiaõ o centro 

de todo o vicio. Osmayores do mundo emanarão dcJlesj 

foraóos primeyros, que inventarão a ufura: qi Os que 

,i íãemMtyoi.Vbifvpfoi. refufeitaraó opeccado nefando: 32 & os que falfifica- 

Ti Frâ»dfíu, fetnnft, âe raõ a moeda : 33 & fe os comprehendidos neftas culpas 

PrtfJjaUb. a. § 70. f e entregadas chamas,querazaó pòdehavtr.que livre del- 

las aos inventores? 

253 Admitir-fe mifericordia nas culpas dos pro- 
34 D.vdugujUe-jeraRetig. tervos,não fey, fe impede a emenda ; porque aos judeos 

mays os obriga o rigor, que a brandura. 34 Compro- 
méfía de reforma faivão a vida, fendo fingidas as mcíiras, 

í< F ccctai aJ-ittílurCati qui i-j r _ 1 J C f r 

Ini^riuscJptratranirnjrigtt quedao de arrependimento : 3 5 alem de que , hca íoí- 
jí ejfc tíerem.tam^ frjapit p e y to na correcção , quem fempre reincidio na meima 

habitam Religiofum. joãnhei l J i • i y y • r • 

Rauii.âeWJvtnxui* Epipb. culpa :36 o mal, que os judeos tem uzado da miiericor* 
fe %''L.s;cHi%jJem.ff.dcac- dia, com que os trataó,ãíTy o Santo Tribunal, como os 
eufa.L.caffim.^ >bi Ban.ff. príncipes Catholicos , os incapacita de toda a compay- 
Sújp&ilt. xao,& piedade: 37 donde devem lenar os mays caiti- 

i 7, y* notan,r > n C -Vf< If 20S & uzar, para com os judeos, & herejes lo do fogo, pa- 
c.fidedon.vivc.oBanad,/- ra que de todo fe extinguaõ. Naõ acabou ogenero huma- 

cíijflo t2. q. i.i3 iiL.ft C. de 1 J*1 • j 11 1 

W( „, dm. no com as agoas do primey ro diluvio ; mas a todo elle ha 

deconfumirofogodo ultimo juízo: Na Arcaconfervou- 
fe a defeendencia de Noé, & todas asefpeciesdos anirna- 

38 Getttfttty.jverf.tj, es: 38 no juizode fogotodos osanimaes,& todosos ho« 

mês haó de acabar. Asmays penas, cm ordem aos judeos, 
correfpondem ao diluvio, onde fempre fefalva a defeen- 
dencia j fó o caftigo de fogo he , o que de todo defvanece a 
propagação: & a efte fimfe encaminhou o zelo dehunj 
Pórtuguesj quando difie. 

Vay crefeendo muyto a rmm 
Dejia arVore taõfectmda, 
E temo, que ajafegunda, 
SémõbouVer ferro^ chama. 

234 Pelejando Hercules, fingem, que a Hydra ba- 
tendo com a cauda na terra , fizera cahir aos pés de Hercu» 
t, , j * lesinnumeraveisaréasdeouro: 39 com intento?, de que 

19 HitròitymuriiHth.difii- . , . . . -> ' . -. _ ' * 

>«//§. 7. «/. } o, oeyxanade amatar,âmbicioio denqueías. JNaoiulpen- 

déo a ofFerta o braço doHeròe:interece,que amuytos o 
fufpende: efquecidos,deque as riqueias dos judeos hedi- 

nhevro 



Elíf^nZA VãV. i 9 7 

nheyro excomungado; porque,como difiehumTheoio- 
po. * faó os ganhos, que ciraraõ rara íl do cinhevro.oor- * pc - r ^«4*f< u ' ãi Pa '~ 
que comprarão a Cnniro ;& tantas íaoasmaldiçoes, que Zíu-6.». 5 o. 
cahirriõlobre os ludeos, quantos foraó os dinheyros, por- 
que comprarão ao Redcmptor: 40 & tantas diferacas *° s *"' '"" eCT " umCT0 u ," 
íbccederáo aos Príncipes Catholicos,cuantss asdadivas, ~'"'^í" *£/*;/>«/,. ;:.».•/.- 

l-j - J r> /" • 1 i'/i r g'"t2 argenisiiemptum Date» 

quereceberao damao deites iacrnegos, por diípeniarcm remb^ikmisç&rifiitmúti 
com elles nas prohibições , que tem pelas leys 5 & nas pe- ?*•*•«»■»*«■ *»/«?./«*, 
nas, que mereíTem lu2s culpas. Não me quero valer de ex- 
emplos, com os quaes podia manifeftaroengano,quenef- 
re particular padecerão alguns Príncipes, queddpoisco* 
nheceráo o erf o j experimentando proveycoío ao dinhey . 
ro dos judeos , & dos herejes, quando hepena da culpa , ck 
não quando he preço do perdaõ. 

255 Com ferro , & com fogo fe extinguirão 2s cabe- 
ças da Hydra 5 fò lhe ficou a principal, que fingitão fer 
eterna. Ne(taconí1deroeu,reprefentada a FéCatholica: 
& em quanto osherejes,& os judeos a náo tiverem poc 
cabeça, naó deicance o ferro , naõ fe apague o fogo. Com 
ferro, & com fogo fahiraõ osjudeos,a prendera Chrifto, 
& neftas armas trouxeraó o caftigo,que mereííem fuás cul- 
pas. 41 PrimeyrocomofogoefpiritualjdevemosPrin- ^ Uc , :íCoflí i chapem, 
cipes confranger os hereies , a que abracem a Ley de cum quitar ex/-eru*t,r**peri0 

\ ._ 1-5 *• *=* • *-M -n- cv.r-vcluraorfumeorun.l~un 

Chriíto, obngande-os aouviremaDoutrinaCnnlta: 42 typertJH>A^i*ioan?t.»d,n* 
& deípois de fuíficiente tempo, em que poíTaó ter delia a fS^^tr^- 
luz neceíTaria, quando a naõ abracem, uzem do togo ma- 4* P.terSuarct tomoJefi- 
tenal,queosconíuma. 43 Naoddcancaobol,derepn- ■B^g,mine?rincipu. 
miro atrevimento do vapor .atèqouorefolveemchuva, J\ J^***«' *//«*•!■$ 
ou o desfaz em vento ; aíly os Príncipes aos herejes , & aos 
judeos j ou desfey tos em lagrymas de compunção , ou re- 
duzidos a cinzas para deíengano. 

256 Atenacidade dos herejes he,como a prefidia • Nw» ««>«/*«*/ ?*/««** 

«WiikWs * fsmtnt Cbriftum regnant • 

uujjuutu» „. G*h$,qu*mquicrucifixerunt 

tmlulanttm ia unir. U.^ug. 

Qm blasphenmt euni domimns , qki regmt olympo, 
<iAjfimilatur à } qui auàfixiteum. 
German. 

44 Cun-.rr.imorfíur >' *.-.■•/, Mt 

Ambasascnfermidadcíptocedcnidcfrio: 44- {o & m %£&&£, n \ 
dâvcrdadeyraluzj que he Chrifto, por ifiò osnaòaquen- ,■,*,. u* n n.vuf.zi. 

£b 3 taò 



> 



1 9 s o T^mciTR vos $;M tomo 11. 

taõ os rayos do Sol, que he a illuítraçaõ da palavra de 
4i Cum judsi rtctjjlccnt a Y) cosx *?■ huns ,& outros tem a noy te por dia , porque 

hicSyiS» eos ol- ,'cura nox oçcu- r 1 !• - i l r C- 

fj(Tci,coq*od. ::„minatiotvã- tem a lua cegueyra,por luz;a condição da noy te he ler rr ia 
:r;:t^;^;^ & «in " os achaques da ineldade , o fogo he o melhor re- 
ij>pmmer£» Dèwm chtritate. médio : para fio moííraraõ ler os judeos nas luzes, que 

Vufebiiubtfarisfiphf: 10. de k . „, . . A . 

fr«t»rauo Evangrí. trouxerao para prenderem a Cnriito. 46 A Igreja como 

,6 SM crgoiudjijamfirt- - piedoía.Di imeyro os fomenta com o toso efpiritual, 

turfiiiau tutorem. D.^âm- J que os caítigue com o fogo material ; femeihance á ave 

que aos filhos deíobedicntes ás vozes , com que os chama, 
47 5<r;,-r-,///j?^« e «í^i vira as coitas, & os deíampara de todo. 47 Só dousfó- 

Mtirevocati^tíum *o«obau- cos f a ô efficazes para defuuir eíh Hydra ; de todoselleso 

áieuni ,neqm fiquiixi fuettnt o i r> 

tnatrem, marre io»ghn abam- fogo do ainor di vino , he o uiays poderolo , por mays acti- 
^ilH^mMuffSn^. vo. 48 Mas quando a contumácia refiíía a eúc incêndio, 
rur u,f>erea»t,sic,® Domiuo ç^ as chamas do fogo material ocaftigomaysutil: em o 
D.joa».c%-irofiom.bom A 6. íegumte cazo o aprovou poríaudavel remédio, a íantida- 
TpISL* d« de do Pontífice S. Hormifda. 

KÒfie^uiquoidetHnnEyàr* 7 cj Detreminava Saõ Bento, voltarfe outra veza 
hoci»EcckfiarumbettUverhM Sublaco, deyxando compoitos osdous Moíteyros,& nel- 

Te!/ab*reft o m »es fenhus me. e ft a vez, o Pontífice São Hormifda , ordenandolhe , efpe- 
exuratf&c. joaHnetCojFaim raíle, para aíiiiiir a hum Concilio de bif pos,& peiloas ian-i 
lib. ,.JeUcat n ai,o» s cbnfi,. taSj & doutas , que havia convocado, para compor ascou- 

fas de Conftantinopla revolta , & inquieta pelos erros de 

< 9 ^^5,/^, e /^> caciorellArce b^P° 5 S uaIeftavacim)atic ^ 49 Foy 
pocap.ib.Mneiij. o efpirito de Saõ Bento efpada de fogo a mays efficaz, 

que nefie tempo havia no mundo, para defiruir a Hydra, 

porque o efpirito de Saõ Bento, como temos dito, foy o 

efpirito deDeos : 50 & fó o fogo deíie efpirito hepo« 

derofo, para domar efta fera. 

Belliia lernais olim qtirt proâiit tintris; 
Multtfidum crtfa cjl , atque recifa capttt^ 
Harcjts tela licet rat tonem concidat enje, 
Jgne tuo tantum Chrijle pertre potejl. 
QjindreM 'Btanco.p. 2. Epig. 24. 

si íuhâhet^tuiaumttt 258 Eícreve Saõ Joaõ no Apocalypfe, ameaçara 
^mtcr^mimiimage-.iiqic Ueos aos hereges Nicolaitas ,que quando íc nao emendaí- 
r.úmisv.niamubicto^pug- fem de íeu erro , os ha via decaítiear com a efpada de ília 

nabactim illis in gUàioorii rr.ei. ■ \ \ r r J l I l «-^ 

•/tpoc.dp.z.vtrf.ti^ 16. boca: 51 de dousuos era a clpada da boca deDeos; por- 
que 



fo Vif Dei IleneàiBut, Pe. 
tre. umiit Òeijpiriíumbabuit 
D. Greg. i. Mor»'.. 



que fendo nellaíigni ficado o feu efpirito, efíe,paracon- 
vencer os herejes, & confundir os mdeos corta de dous gu- 
mes , hum delles he o Teítamento nove, & outro/) velho 
Teitanientojpara que oshere;es,queblasfemaóda doutri- 
na dos A poflolos, os faça confitentes com os dictamesdos * 2 ^■eenin^jadiututerquá 
Proíetas;&osmaeos,que retihemacipada dcS«aPau-M*e.w«,» JW -« w »e«tóB 
lo.os matecom a efpada de Iíaias. ç 2 Com eíta efpada » eltt " t >*'*" il ' i rco*w*eantur 
de Deos,era parecido o ejpirfto de í.Jbeto,porque comia- #eZ«»i$3èetuiredèt d,j-. 
va de todas as virtudes, continha em fi todos os cfpiricos; S4?Svfêwi^|^ífíÇ 
o efpirito de todos os Profetas,&: Patriarchas da LeyEfcri- Xl ! rab ^'" : ™ «" ur tfz -V 
ra,& oelpintodetodoscs Apoiíolos,& 1 aeresdaL^yda/'P«rfr/»f»/./ < ^ f/ y. 1 .,^_ 
Graça: 5 3 fendo o feu efpirito efpada de dous córtes,por-^" / p„^ /J/7w3í/ ^ 



a c Venera- 



qcomprehendia a fantidade de hu , & outro Teftamento. '" Iei ftlm ç$$i i" ' ab '"'- 

XI r. ' rr V J ti fiofuerum Jmjiatut veraeiter 

259 Neíte congreíio aidia em os montes de Roma o f^<lt^^i^ai t ,Mut 
fogo, que Deoscreou em o monte de Siaõ , para afie&urar ò p'I""'h ^tt/fiw*" 6 ™??! 

- 1- • 1 1 1 rn J ir 1 r> r- fim* "^•""■e duktaiur.VaJt 

as lehcidades dos falhos de lirael. 54 Cercou o Pontífice meritòtionomniumjufirumjpi 
deitas luzes, a eftes cegos, ou de fogo a eftes tibios, & frio- "l^juftSjinlu^í^l 
rentos, para queaclaridade lhe abrife os olhos, ouo fogo #>'£/« , '»<fe ''*«©***«*»» 

,, 1T r- r» J 1 • -n b àanth GregovhudabiJisvna 

jheexpeliieo trio. Por todas as partes mandou mínimos U^r^^fiMm^kkvH^ 
Santos, & doutos, que fendo no preíuadir adi vos como o ÈSM^Í^Í^f. 
fogo, 55 com fuás exortações os amoefta-iem doerro^ SumH 'jft»>ui»tom.i.in*ita 
& csdifciplinaílem na fé. Sitiados os herejes, deftascha. BjJmpnpiJjtâi&liiSl 
mas,foraõcomoosiudeos,ema Ley Efcrita.osquaesdef- ^ hrl [. Leo " ar i í clJ , t '" 
prezarao o incêndio, com que Deos os preííuadia á emen- ,or Q r kw &4if(wm >* 
da,& fazendo-fe defentendidosdo ameaíTo, pUfíhxàttàô i^ZtS^^,:^^ 

íemreipeytO na Culpa. <6 \hc»mt>»u,Stm:::filenâorèm 

260 Adverte, Ley tor, que os ;udeos íorao os pri- n gaPfkiwjfrgbiHjm 
meyros idolatras, & deites emanarão os herejes j donde ^^tjT^fT 
querendo faber o natural dos judeos, hasde conhecer pri- < 6 Ctmt »/' f «" fí "««'- 
mey ro a condição dos Cancros; eites, quando os nraõ das eum&nonmuit$x>t if*u 42. 
pedras maritimas,aonde vivem,mudaõ-fe em Efcorpiões, vtrf ' "' 
para offenderem a maõ, de quem os prende. 

ConcaVa litteri oficiemos br acr ia Cancri, 

Scorpim exiba , cawtaque minebitur nuca-, Ovidim. 
Affy os judeos, como os Cancros :convencidohum ju- „ Wtijui ^ paujifuM 
deo de ignorante pelo erro, em que vive, pela mavor parte ?«'«»«"&', auipr*ciput u*~ 

rr \r ■ 14 * r r J *■ _ reBieifiSifuMt. Magifttrjra. 

transtorma-ieem Lícorpiao, porque íe lazhereje. 57 O ter E,ron yi) , u , » d. tendia* 
feu peccado he da condição do Efpartim , Serpente ,quc %%%*"'"" ' nlreJuàt " 
degenerando da ferocidade dospays,fepucamaligmda- s8 Pater UcmicKtic^ífu 

di ft Or> - 1-1 /" Qrdinb Miitoium iutia3d.de 

edascobras. 55 Kazoo^oronuenaopodcsnot.Trjíen- fíí m«amm«f,%.7<n.i<>.cep.) 

da 



boa ^INCITE WS VÂT. TOM. II. 
do entendido, o falhr com a mefma igualdade dos judeos, 
do que dos hereges ; porque ainda, que fejaó diflferenres 
noserros,comoojudaiímoíoyoiiionre,queefcavâdodas 
< 9 Suceiiite trhattm:::® a o[oas,dcu de fi a pedra biuta dahereíla: Deos mandou 

liiffergiufi-uautejtts. Dama- o •» n- j r ci 

iiKi.vcrj.il. daromeimocaitigoaotronco, doqueaoriucto. 5^ 

261 Lembrou-íeo Pontífice SaóHormiída,que 

Deos para encaminhar de noyce os )udeos,puzera no Ceo 

&j£tU0$!*** húacolumnadefogo: 60 E que todas as vefes,que Deos 

61 ugeanmecap.+Deuter. fallava a efte povo rebelde, foy por entre chamas. 6d E 

a imitação de Deos, intentou o Ponnnce guiar os herejes, 

com a luz de outra columna,que continha em fi fogo ma ys 

adivo,queadodczerto jporqueoefpiritode Saõ Bento, 

61 FuitnrputBtatiiientJ;. foy chamado amor Divino: 61 mandando-lhe preflua- 

■v ( i u ifieusurr*,i»q U ociau- dj,^ CO rrecçaõ , porminifiros Santos; que fov omefmo, 

JeltlurigMt Spírttur Sautfi. > '_* -, ' • . •> ' 

j>,xit Beata Virgo Man a s. que falarlhe, por entre linqoas de íogo. Cahio íobre os he- 
Br.gma^tjan.nuumen. re j es efte i ncen dio ; mas alheyos deíua claridade, foraó 

como os judeos , que cegos com a luz de femelhante fogo, 
perdendo o tino á dita, eícolheraõ a difgraça. 63 Rezif- 
6, supncuiiiugnu^ „on ™™ a° remédio, & perfeveraraó no frenezi. Preííftio 
viâatwtfokm.pf»i.%T.verf. 9 . também o Santo Pontífice , na aplicação do medicamen- 
to ; mas os herejes foraó como os òíTos maculados, que 
Deos mandou a Ezechiel , pozefíè ao lume ; os quaes naõ 
lançarão de íi a podridão, por mays intenfo , que foy o fo- 
e*W«»wi jeca nima ruiigo go, nem por mays deligencias, que tez o Prole ta. 64 
tjus, nequeperigntm. E Z ecb. K a £ 2 Detreminou-fe nefíe Concilio, que Acácio, & 

cap.ít.verf.n. -, 1 . «i aIT ri 

Euphemio,& outros maysArcebilpos,que lanarão na pu- 
6$ *Afgap uiifupr». refa da fé , foíTem rifeados do livro , aonde íe aíTenta vaõ os 

nomes dos Paftores Orthodoxos. 65 Decreto ordena-» 
do com fummo acordo, que nos livros aonde fe firmava a 
nobrefa purificada no fangue, & nas obras, naõ efti ve-íem 
os nomes, de húa naçaó maculada no íangce , & defectuo- 
fanavida. Aquelle livro, foy como livro de filhamenro, 
aonde reíiftavaõ os nomes daquelles, a quem Deos condi-* 
tuhia Príncipes de fua Igreja, Sc grandes em ícu Reyno: 
& as folhas de femelhantes livros, cem a calidade, & o pri- 
vilegio das folhas da arvore Outhenacia , as quaes fendo 
preduraveis,cuuumavaõ nellas os Tártaros, efciever os 
íucceífos acontecidos em feus tempos , fervindolhe de tin- 
ta o fangue dehum Cordeyro ;& fendo necefiàrio riicar 
algúacoufajdasquetinhaõefciitOjmiuuravaõ outro lan- 

eue. 



gue,comofang[uedoCordeyro. 66 Donde he eviden- 6 f *»uriAm»;us?i,»e*- 

o ' 01 r -ai 1 - taaercbumaiMraíibuf.lráíl, 

te,queneneslivros,oianguemittoheoborrao,quecon« ,. §.4. 
tamma apurefa, porque deyxa fofpeytofa a verdade da 
maysefcntura. 

263 Privou o Pontifice a todos os herejesda comu- 
nicação dos Catholicos. 6j Osracionaesfaõ,emordem 
a igreja, como os rayos, que emanaõ da mefma luz j como 6y Ut f u t ra ^Wi 
os ramos produzidos da mefma arvore 5 & como os rios 
nafcidos da mefma fonte. Se alçuem intentar dividir ora- 
yo do Sol, ficará fem luz o rayo :cortando-fehumramoda 
arvore, fica fem vida o ramo : & fcparando-fe o rio da fon- 
te, fdtalhe acorrente, & deyxa deferrio. Rio fcparado 
da fonte, ramo cortado da arvore, & rayo dividido do Sol, 
faó o povo herético , & o povo judaico, porque fe defgar- 
raraó do grémio da Igreja. O ramo feco ferve para o fogo: 
o rayo fem luz hefombra: o rio fem corrente corrompe o 
ar , porque fe encharcaõ as agoas. E como pode haver, 
quem entregue afaudedehumpovo, nasmãosdomefmo 
contagio? Quefaçaeftimaçaóde húa gente ,queperdéo 

a cftimaçaõ ? E que bu Ique luz em húa naçaó , que em tu- 
do he fombra? Oh quantos, por razaõdeíua ignorância, 

vivem cegos com efta efcuridaó ? A mefma gentilidade ef- 

táavifando os Catholicos da malignidade, que em fioc- 

culta efta Hydra , para que nos acautelemos de fua aftucia. 

Plataõefcreve'oaftufilho, impedi-fe a entrada dos jude- 

os em Roma ; porque era certo , principiando nella os ju- 

dcos auzarde ieus ardis, Qqueíao as luas letras jcomeiiaryi,^^,^ d»ba^mma cor- 

Roma a declinar de fua felicidade. 68 ™ m f«>™ tíi rr **'&•£ 

16 4. Querendo Deos dar a conhecer aEzechiel,o m.^.ap. ■. 

quanto eraõ os judeos inveterados na culpa, comparou- 

os a huma arvore, dizendo: Se efta arvore, antes que lhe 

queima-fem o tronco, naó tinha ferventia, como defpois 

de queimada pôde ter preftimo? 69 Nefte tronco fe 

queimarão todos os garfos ; porque nellefe incluía toda Cg Eijaticjimt/jethatgrto 

f A • J J • r - 11 • r f ~\ rtonerat aplum ml oput: quen 

aiuapoítendade^oisofogonaolhe purificou o langue? m ^ ií , tumi ii u j.;J,ii »«•«* 
naó ; antes coniumindolhcocorpojhedeyxou ofangue »*v»,»*- /**«*««.■ **r-f. 

l. r . i- i i i /' if>4&ticrircibuxijs»ffu*l* 

n.iterra. 70 E neimpoíiivcl,queacalidade do langue, vrttitm medi» temi. M**p 



um 

ta 

rx- 




*tô O PRÍNCIPE VOS TAT. TOMO 11. 
provando naóhaverem , cometido a culpa , porqueDeos 
caítigavaafeupay.Iítofoy hum grande milagre, porque 
fuecedéo entre o langue Hebréo:& fera diígraça haver no 
mundo, quem faça obra deiemelhante arvore, aprovey- 
tando-le delia para feuferviço. 

265 Todos confeífamos , que da culpa dos judeos 

emanou orefgatedenoíTaculpa;&aelles,aprizaô deíeu 

peccado. Foraó como os bi chos, que fe criaõ nas folhas ào 

Thereby ntho, os quaes roendolhe o tronco, fay por en tre 

as mordeduras a odorifera, & medicinal agoa, a que cha- 

7 iPaiermeHtBercotiuf.Per- m ão Therebynthina. 72 Efta aeoa, livra oshomés de 

7? íraur Magifttr ^ítito- muytas enfermidades ,& com ella morrem os bichos ,oue 

™.Í%££2Z£ lhe abrem as fontes. 73 Os judeos ferirão aCmiíto,ar- 

mrtut.verbeiberebjitthu*. V ore medicinal de todo o género humano ; eftas feridas, 

deraõoprecioíiííimolicordefeufanguejcomellejtiveraõ 
faude todas as enfermidades dalma; fó a dos judeos ,por 
fua obftinaçaõ, ficou mays enferma com elle. Em nósfe 

J4 Vi à 'e tomo i. nu si', r r ? i j r? /-> l i- 

verehcaaiabuladoreniz: 74 porque opovoCatholi- 
co, he ió o Feniz, que renafeéo do fangue : Fazendo os ju« 
deos verdadeyra a fabulados cães de Ac~r.eon,qae mata- 
rão a feu próprio fenhor. Também conhecemos, que os 
7i BereomxuUfufra: judeos ,faõ como ofilho primo-genito daHyena,oqual 
i}L I iTxld7"'í r ruí C " i,H ' earece de vifta,muy tos tempos defpois,quenafce. 75 O 

povo primo-genito de Deos foraó os Hebrèos j j6 & 

vi vem taõ cegos, que fó no fim do mundo haó de abrir os 

77 tofire omnet ss, pp. olhos j reconhecendo a Chriíto, por verdadey ro Meílias: 

77 E creaturas , que morrem com o remédio, que a todos 
deu vida j naçaó , que naó ha de ter emenda , fenaó quan- 
do ameaçada do fogo do juizo ; como he pofíivel degene- 
KOKMfceHdijihinmStcm.DtH- rarde lua naturela, por mays favores, que Inetaçao? E 
ttronom. 5 . verf.%. como os pode emendar outra pena, que naõ feja a das cha- 

mas; quando os judeos naó temerão outro caítigo,fenaõ 
.. a- ■. 1 ■ r> odofogo? 78 Nem venerarão a Deos,fenaõ quando vi- 

79 <^iff 'Ut ttitque gloria Do- fc> \ ' * 

miniomni muhnudmi, & ecce TaÓ O fogO diante dos olllOS? J Q 
egreffiif ivmi «Domine:: Quod ss * * r-v • n *.! 5 1 

<umv,d,írentTurb*,uudZve* 266 A Ley , que Deos impoz a eíta Naçao,cnama a 
rum Dominum, mm» inf*. Efcritura , Ley de fogo: 80 Deos foy, o que a deu, & o 

fiei fiiat. Liviiici ç).verf.7.+, ' J o J* ,-v . 

80 indexter»ejuti!r,:i-3Ltx. que aefcrevéo; donde he femelhante ú Ley Divina, a que 
Dmeronov.z^er/.z. para os j udeos he Ley defogo: &como delles emanou a 

herefia , o mefmo fogo do Ceo , que a mortecêo os mares, 
defanimou as fontes de Sodoma. 

POR 



203 
POR HUM ANJO MANDOU DEOS DIZER 

S BENTO 

QUE LHE PEDISSEMERCES; 

E M Q \E Z A XK 




16 7 



_<<3"t.I: 



I 



•'. 



JB ES AUTORIZA a purpura a 
iÍ|jS?^jf íuaõdehum Príncipe, que fein» 
Mn|| clinou mays a apertar o cé« 
wÊÊI È §\ tro , do que a abrir-le para bene- 

•í$£&êl\'i ficiarovaíTallo. Océtronamaõ 

* tò ^iMiãu53 " e num * finc 'p e nao " e a to * 
íhjj quç Já cg da a !uz á Magcftadeja liberalidade com que 

Ce 2 pre- 



204: O f\mClTE WS TÃT. TOMO 11. 
1 nmugrãuhttuafubfo. p ífin eya he todo o reíplendor da purpura , que vefle. í 

lo Rege nqfiro Juain vídeo non í ■ J ' *■ . 1 o n 

deep mtrctdtm. Nout iiie Amayor íortuna de Ceiar loy ,ter quedar :&omemor 
^Z^^;"Sdeíl,a^rtuna%,terCeíaranimoparadiipender. 2 A 
*crtK4r t Ca,uman:»fii Efijco- ferr»oíura dos Ceos, Sol, Lua , & Eitrellas nâõ fov , a que 
fH x*iJ!b,i'i*furtur>aui» m»iu, obrigou á gentilidade a cahir no erro da idolatria , abene- 
b s »be>,c 1 uam,itpojj l y mk,ime- fj cCÍ , c j a fc { tus influxos foy caufa das adorações, que Ifcc 

tius , auam ui vdit tenejacere. J< % ' ■> ' l 

Pwoiibents. deraõ. He de brutos amageítade do Leaõ,&da Águia, 

porqeefó abrem as garras, paraaíTegurarem a preza. A al- 
tura dos montes méde-fe pela diítançia da vifla ; & a gran- 
delados Príncipes, pela generoíidade da dadiva. 

268 A JbataJha he o campo , onde fe prova a fortuna, 
& a magnificência he a batalha, onde fe apurou o fenho- 
rio. Naó dtícurfòu como bárbaro Alexandre Texiles , hú 
Regulo, que dominava.* índia, quandofahioaoencontro 
de Alexandre Magno, Sc lhe difle: Se te refpey tas Supe- 
rior conquiftanos com benefícios, & ficaremos teus vaílal- 
los ; mas fe es inferior anos, recebeos da noíTamaõ,&: fi- 
' ^ h * l,nhet ' T 'x> 1 " ><»"' carnos-has fògfcVto. , 2 Nos corações , naõreyna a força, 

rem ^hxandzojic iUumaf- que vence ; reyrfa ageneroíidade, que obriga. O Prfnci- 

fjcttir e/l : Provoco te , inamí. ' '• - • '"• _ .. C J • Á \ '-'1 

mnadpugnam ,» eqiie adBei- pe, que nao imitou a natureia docampo,pnva-fedaalce- 
iu m ,f e d adahud ceriammb, fados montes : o campojpaga os ferviços do lavrador dah- 

gtmir-Ji inferior es à nobisac- . „ ..;/ j 11 L ' i-4 r 

cipe hneficmm, ft/uperior no- dolhemays Vido que delle recebeoj pagar por medida he, 
tuhnefacito.piuun^fof,, para quem ^fá Q reg ato, que por razão de humilde cor- 

refpondeao mar, com a mefma pobreza de agoas, que del- 
le participou. O campo, que na gratidão he hierogly fi- 
co de hum Príncipe , paga o fuór, & o gafto do cufto , que 
fez ao agricultor, não ló atempo conveniente, mas tam- 
bém com lucro ; & a gofto do lavrador. A tempo conveni- 
• Vúfamrf.ernjoann.i. ente, com lucro , & a gofío do benemérito ha o Príncipe 
ver/,6. Quidi.bi vu fadam? de fazer o beneficio : a mercê ha de fer, como o veftido. 

2\/i.trc.io.verf.\^. - , c n * o ' J-JJ 11 

4 Beneficia neeejfariaprimu, 4 he íey toa golto, cc a medida,de quem o ha de trazer} 
^ít U r!!'V de 'Í e T l r ni ^ & accommodado ao tempo , em que ha de reparar. 4 

Utiqjiericnfura ,Jandafunt. o r o 1 I r 

senec. de Benc. m. i . ç »p, u . o 6 o Cho ver , & iazer Sol a tempo , ne, o que faz a- 

bundante o anno ; mays em huns meies , do que em outros 
faÕachuva,&oSolmays,oumenos proveytofos áster- 
ras^mays ou menos favoráveis aosfruòlios. Defia condi- 
ção he o beneficio, oqual concedido atempo convenien- 
te á neceffidade , he chuva que rega, & Sol, que cria ; ma? 

5 Extra temptu beneficia no- fe errar as conjunções , $c exceder os termos, hemuvtas 

7t:it,frofíintnecck,»tia^ttmp- r . y *, '" „ , , J _ . . J , 

i-s.EMrif.de,. veies chuva, que atosa,&:boi que murcha. 5 DjziaAic- 



xan- 



EM $ REZA "XV. io$ 

xandre, que a liberalidade havia de fer como a naturefa, a- 
qual em hum infante loccorre aparteleza: 6 E como 6 n™riqutC«i,!ds*á*ti< 
emaIguasoccaiioes,íenaopode aplicar com tanta brevi- 
dade o medicamento; imitem os Principes aElReyDom 
Joaóol. de Portugal, que retardando , por mftascaufaf:, 
os dcípachos, mandava pagar de fua fazenda os gaftos,quG 
ostaes pertendentes,haviaõfeyto nos dias, que os dete- 
ve: Ou a ElKey Dom PedrooJuftiçofo,deaetandofarií- 
fize-lem os miniftros, por conta dos agreiTores, todo o dif- 
pendio, quehaviáofeyto os litigantes. A mercê retarda- 
da hemays caftigo,do que favor, porque deyxa tão de* 
fraudado ao favorecido, como as cultas ao condemnado. 

270 Não hcprovey tolo ao enfermo, o medicamen- 
to inútil ao achaque^ dar de comeir a quem tem Ccâ^ , <k de 
beber a quem tem fome, naõ he remédio 5 porque fenaó a- 
juíhcom a neceflidade. 7 Xerxes, deu oefeudo militar 7 u eqa thne/Uiumiieipo* 
a hum foldado, que lhe pedia dinheyro. 8 E ainda que o ^fi^oâ^Sa Mae /««/. 
Jley diípenoeo mays , do que pedia o ioldado , como lhe 8 ^uumonts Driffo. /« »/- 
naõ deu,odequeneceílitava,ricouamercèfem valor dc , " / ■ , ■ //ií "' / • 
beneficio, o Da. fontede Exaucia, cfcreveráoos Grc- ç offcium nmprtlo t â 
ços, emanava das entranhas damiferia, porque havendos™™ r / , ' v /^™;^»f;v ?,<•- 

S . . r 1 J" -i tuejM,cuipr<t(latur. trafmus 

de mitigar a lede, acendia o calor, jo ,ȣ>>/?. 

, 271 Conformando-fe com o natural da planta, re- lo .*"**'** r*?**-'^ 
parte a terra a humidade produaiva : gaitando maysiubí- 
tancia em alimentar a altura do Cedro, do que em nutrir a 
limitação da planta: algúas, ainda que lerão pequenas, 
cul\aõ mays diipendio á terra, do que outras, que fe levan* 
taõ ao Ceo, empenhando-a mays as fru£iiíeras,por fecun- 
das, do que as etàeris, por loucas. Contraptzados os íèr- 
yiços, & as peífóas , devem os Príncipes regular os prémi- 
os j porque como iàó diverfas as calidades ,deve fer d rife - 
xente a remuneração: forainjuftiça , íobre msyor Joucuraj. 
mediras roupas do Enano, pela eftacura do Gigante.Re* 
nunciou hum íogeyto humilde an.eriè, que lhe fez Ale- 
xandre, conitituindo-o fenhor de huma Cidade, por 
combinando efta honra, com fua esfera , achou não c-ibia 
emfuacalidade. 11 O batel, que rompe as ondasdorit?, ,, ^.y/j/.Jo a,v 
padece naufrágio entreasdomar : onaltiroento humilde *££' ^ 

difpoem para navegar os rios , &c impoflàbilita para vencei :../.)/, >u u ino»con- 

os mares. Inquietava a Anscreonte a moeda dç euro, q^c s j e y , v ,,t,.6. 

Ce 3 Ííjc 



iòé o fi\ina?n dos qãt. tomo n. 

lhe deu o Tyranno Polycrates , cõ que a repartio por íeus 
ia tAKtcrtcnjuumauriu- companheyros. i 2 O pobre de alentos , em pouca açoa 

Utituin a Polycrate Tyrar.no ac- 1 J £ , , • j j i 

cepijfet , *iy» *à âijiuimt , in íe afoga: o benehcio,que excede a capacidade do perten- 
q»u„ t ,od,mu»us>quodvw- j -ç £ naó h oma ao beneficiado: cenfura,& naó 

, } fjuideonveniatiitufcribi autoriza aobem-fey tor. i 2 
ttt t tti*4**itMmi*Humtram 272 Padece a embarcação, nos ba ixos do no,o pen- 
tMgmiudine t qu»m indanii po , que corre obatel na altura domar. O natural illuitre 

tnodo ,r*liene que eonjiftit ; Ç? & 3 ^ ,.,.., fl 

enimfi meu/ura âefit , já* « he como a arvore, que chegando com as raízes a pedra nao 
ítTvi^ZtânfX^h fóbe,neinfruairica: degenera no monte a planta, que fe 
tufrf.hí.t.cy.i. creou no jardim. A pobrefa foy a terra, & o monte, que 

efterelizoua defcendencia,& ab3téo a magcítade de niuy- 

tas famílias. Verdade fe;a,quealgúas,por íuas próprias 

. mãos fe tranfplantaráo nefte dezerto : como o rilho do 

« iW ^/». protentoío Areio Capitão Athenienle,que em iuitentar 

,, ^v^^'*"^« B *- osviciosgaftouosbéspatrimoniays: 14 pobrefa, onde 

luram non turf-n cjí, lUavcre, . & . í 7 Ti'' 

qua^oficrturfcmcatifamac- vi ve o delcreditoj 15 & neceííidade , a que naó deve re- 

filb*Hm. mediaroPnnc!pe,queemtudotemdeimitaroSol;oquai 

tratando do luzimento do ouro com mayor empenho, 
que do crefeimento da planta, tem efte defvélo , em quan. 
to o ouro fe conferva entre as véas da mina -,8c naó delpois, 
que eftá fora delias. 

273 Oshomés defeíl:ima5osfru£i:os,emquenaõa- 

chão fabor: Eda meíma forte os benefícios, que fenáo 

,6 -íiuÈim Umf.cium cjjc con fó rma õ com feu gofto. 1 6 Toda a diffèrença de fi u- 

ca. ftàut. inTriu, aos produzia aquella arvore, colagrada ao Ueos Incógni- 

to, que na opinião dos antigos, reprefenta va a liberalida- 
de de Alexandre ; porque tendo virtude para dar todos 

í 7 TabiurLutamrãereme- osfru£tos, nãobrotava, o que ogofto queria , fenãodef- 

âvr.^/lputlFranrifcun.Je Lo- . ... * /T*JJ /■^ C Cl 

vimMuraSJe nwi«.§.$o.».» pois,que o particularizava a neceíiidade. 17 O írueto 

inGpido ao gofto diminue a fubftancia da planta,que o dá 5 
&não enriquece a mão, que o colhe: até omeímoDeos 
para liberalizar feus beneficios,efpera a declaração de nof- 
fa fuplica, para os conceder á medida de noíía utilidade. 

274. Acabado o Concilio , fe defpedio São Bento de 
Roma : voltou para Sublaco , onde refedio no Mofteyro, 
que havia dedicado a S. Clemente. Não feve aLuamays 
acompanhada de Efirellas, do que São Bento fe vio de 
Monjes , atrahidos do claro efpíendor de fuás virtudes; 
com canta efficacia, que levavão trás fí as rochas maysen- 
cafadasna terra, porque com o exemplo dos de votos, fe 

aba- 



abalarão os coraçóesdosdevaíTos. Por eftes tempos eftava 
São Bento orando, em hum dos doze Mofteyros, que fun- 
dou nefte monte, quando lhe aparecéo hum Anjo , dizen- 

dolhe: Que Veos obrigado defeus (erVkos. lhe mandaVa dr?er, pe» '3 «A?'J" ti» a Sóitãaà,} 

rrr ■ r rr J iL J j \/r O *l campo foi. Of.ftM. 16. ».t. 

ítijjt o que qm^e-fe^com a/Jeguraiiça de Ibe concederão que pedijje. i b t „„ i f, g , r 

275 Neíta promélià moftrou Deos , queria remune* 
rar os merecimentos , conforma ndo-fe com o querer de 
São Bento. Tudo heprefente a Deos: mas aíly coftuma 
acreditar osjuftos, que faz oftentaçóesdehberalidade, pa- 
ra abono da reíignação de feus fervos. Não fe conforma 
com a vontade de Deos, o gofto do peccador ; masconfór- 
ma-íe com ogofto de Deos, a vontade do jufto:razão,por «9 ^fteDeiocuhtmnquS 
onde Deos fe concede ao rogo defte; & não defere á de- t^ZTpZ tftZTúl 
precação do outro. 1 9 Ficou fem defpacho a petição de utc - D -^"s ho ' ml f u P loe "> 

>-.íno r • 1 r ' J 1 -1 rA- lo Memo/tomei, tumveni' 

Celtas j &conteguio todo o ravor a declamação de Dimas : tu i»Re g » U m ttutm:U*He **• 
çfte, no Calvário pedio a Chrifto, lhe falva-fe a alma. 20 ^"Kf* S V *2Í 42 I 
E Géftas rogou a Chrifto, que defee-fe da Cruz: 21 A f ac *«»«'»»»,&«»/. 
fuplicadeGéftas era contra ogofto de Chrifto ; que todo '*"+•*** 
elle foy, morrer pelos homés ; o memorial de Dimas efta- 
va conforme á vontade de Deos,que toda ella he, fa 1 var os 
peccadores. O mayor gofto de Dimas era , aífociarfe a 
Chrifto na gloria ; & toda a vontade de Géftas foy , acom- 
panhara Chrifto no mundo:Satisfezodefpachode Chrif- 
to o gofto de Dimas ; & não a vontade de Géftas ; porque 
ogofto de Dimas era a vontade Deos 5 & a vontade de 
Géftas , não era o gofto de Chrifto. 
, 276 Alemde que, coincidir Chrifto com o gofto de 
Dimas foy, porque o tinha predeftinado para precurfor 

* r t - r rn. 1 » ir' r j- j xx IttroiUecsVaterihrttiii* 

celeutriunto: 22 fcitahonra,de tal lorteroy concedida j am „a, U rd-fc<riera-,iiu<»->c- 
porcfpecialmiíericordia de Deos, que também afiehtoa ^SfiÊSSuZ SSZ 
iobre os merecimentos, que o Bom Ladraó adquiriona te*t.trtB.i.Jef r erti*Êk&kd 
Cruz: 23 E Deos aíTy favorece os beneméritos, que lhe '^"su^cneeiatto confia 
faz os benefícios conforme a fua vontade. No caminho de tau mm "?™ }«*«h eM j a ™ 

- • n. t t r J r meruit ,fed Cbriífi jmimiuaru 

Melopotamia pactuou Jacob com Deos, que felhede-le e fftUu,,prdm<(ru,eiim?*ra- 
paó para comer, & veftido com que fe cobrir , lhe renderia t^^ííl^Z 
asadoraçóes de agradecido. 24 SatisfezDeos avonta- CcBtg»MÀrtirp.s.cyj,ri*mut 

JJIU J PjT. t . ft . 1 1 ftra.âeaetatffermJePtf 

de de Jacob, porque da cala de Labaoíahio Jacob reme-y? . d, mim. 

diado de tudo,oque pedia. Afantidade dejacob erataó ffJ^j^TXí 

grande, que feaccommodou Deos com fua petição ; & as eendu>» t tívefi>memtumaà «- 

I J o - r> - • i-K • àueuJum.erit mibi Dotnwutin 

obras debao bento tao meritórias, que Deos as queria Dtum .Gt»ef. »».»«/.»©, 

premi* 



* oS PUlNClQU WS <PâT. TOMO II. 
premiar conforme o feu querer; que aíTy eftima Deos a 
n fetiicfSarctyittbwgaHfòfò fervos ,que efpera por fuás petições , para que defíe- 

diumvtfrum fit píenum, , .. 1 *■ .J- ., l * . L . * 

loann. \6.vérf.t^. rindolhe comopedem,lhedegoito completo, delpachan- 

do-osafeugofto. 25 

277 Prometer Jacob a Deos, que fazendolhe obe- 
neficio, que defejava , medido pela íuplica, que fazia , naó 
ío o ferveria como a feu Senhor, mas que também o ado- 
raria comoafeuDeos,foy omeímo,que dizer Jacob; o 
naó havia de fervir como a hum Senhor , a quem temia ; fe 
naó como a hum Deos, a quem amava : naó como a hum 
Senhor, a quem temia , como feu Juiz ; fenaó como a hum 
Deos,a quem amava, como feu bem-feytor. 16 Mas pa- 
ra o amar comobem-íey tor, pedio Jacob a Deos,lhe fize- 
fe o beneficio faborofo como pão , & ajuftado , como vefc 
».í ?r f cmrvem,nu-ific,m; tido: a feu gofto ,& medida folicitava Jacob o defpacho, 
tohbaxtmmnonwfUusvmt- p 0r q ue queria dever aDeos todo o valor do beneficio. 
hò:ior.irc,uibt>'.rf.ãorem?b,!. AíTy aos bés efpirituaes , como temporaes he o gofto, o 
ti*r.hb.i* s,m&± queafTeyço-a a vontade, & incita o agradecimento. Pri- 

nieyro David eníina os mortaes , a que goftem da fua vida- 
ra Guit*t e ^viiet e q „o n i3 de de Deos , do que lhe mande contemplar em fua incom- 
fuavitejiDomwkr.rfaim.i). prehenfível fuavidade. 27 Para que oshomésfeafervo- 

ra-íèm no culto, lhes mandou primeyro tomar o gofto. A- 

quella Mulher Forte, não achou faborofa a mercancia , fe 

r% Gun*vittfvidn quiabo- não defpois, quegoftou dos intereíTes da negoceação. 28 

wefineg^tncjHt.erK.ix. He a beneficência mercancia dos Príncipes, & prova de 

feu real animo. O mar lucra em repartir as agoas, pelos ri- 
os; porque eftes,lhastornaõdoces,recebendo-as falgadas. 
j 9 TJtOcctMut,qu«tfugge~ 29 O Sol aclara fua Primazia,& efcureíTe amageftadeda 

fitaquofterrir, recrpit, & ter- w - C L ML J L 1*1 

r-.y/na.quuiquidmnvetma. Lua,naoiono brilhante dos rayos , mas também na libe- 
Kjt a Pnncipe, redunda in ra jjdade das luzes : magnificência prezada dos homés, não 

rnncipem. ftcMtustn taneg. . . • • • & o vr - i 1 i 

** 7 w. pela abundância das agoas , & diíuzao de luzes ; mas pelo 

gofto, que lhes moti vão ; porque aeííefim communica o 
Sol as luzes; & derrama o mar as agoas. 

278 Mandava Deos aopovodelfrael,contribui-fe 

para o fuftento dos Levitas, orfandolhe a penção pelas 

f.r.eJ-ta,,'. ç u « àabu*, ípp.d» poíiibilidades. 30 Os cabedaes,com que entra hum vai- 

Levài,, ííifmcrbr.p.vèrf.íi. f a ]lo, a pretender o defpacho de feus merecimentos, faõ 

os íèrviços;& equivalente ao valor dosíerviços,ha de cor- 
rei ponder o lote do premio. Os candicyros do Templo, 
náofizerão a mefma defpeía de ouro ; avaliando-fe pela 



gran- 



E li ? \E Z A XV. .209 

grandefa,&: pelo prcftimo dos candievro.s,opezo do me- 
tal. 2.1 Todosaixiiãodiantedà Arca,masnaõtinhjáto- \*Jti,&mcê*ààuhr*an- 
rios omeimo numero celuzcs ;r;;zao, porque niotôfzò fram.-nfurawutcajujquecâ* 
i -ui.div.enre cuftoibs. Vivendo nuiycos iuftos no aninho, £J'''^'««'"«*"- •■ *"«- 
quaYido Saó Bento nel!eiÍQiecia,iuó lemos, uza-le Déo.s 
com cilcsdeigunl liberalidade: tinha S.Bencomays luzes, 
porque lograva o efpirico de todos, por iíío a nenhum en- 
riquecéocomoa elle. 

279 Em tudo, Sc com todos ha deter limite a magni- 
ficência do Príncipe jló em húa coufa não ha de haver ter- 
mo, que henabenignidade,& graça, com que deve con- 
ceder o favor. Limitando EJRey Artaxerxesafeusminif- 
tros o difpendio, aíly de dinheyro, como de mantimentos, 
com que haviaõ deafliiln* ao Profeta Efdras,mandoulhe 
dar todo o fal, que o Profeta pediííe. p Òfalnaótinha Jt ^ edeuniquel>eííer!tÀ 
medida, fendo tudo omayspor taxa?Náojporque o lai he vctuEjara* .:■■. ^ibjquemor» 
iymbolo da graça; Sc nao havia de ter termo a graça, com «„ <JW ,eí u/qu/aJ fumam 
que hum Príncipe concedia a me"rce : iublimaá liberalida- coro ' r ce " tur "_ if*i™o ab/que 

Tl «. miftJiira.x.bjJ^cap.T.vtrf. 

de do boi, o alegre roltro, com que enriquece o mundo; n.tfz. 
fendo perjudicial a demazia de fua benevolência, quan 
dofeu calor excede a capacidade das plantas. O fa- 
vor, que fenào conforma, arruina, Sc não le- 
vanta} a fortuna que excede, desfeya, 
&naó enfeyta. 33 



j t Qti;madmoâum imperi* 
ti artífice r , c um Ratuò exiguit 
magna* fubâunt bafes , r>:agit 
ConJpicutmrcJdunt iXarum e 
xiguitat em :1 ta fortuna fi pujil- 
lo animo muniu amplum adJat, 
tS arguit magit animi humilha* 
tem. rlutarcb.tr' Mcrahb. 



m 



RESPON- 



GIO 



RESPONDEO 



t tAtgwtityfW*' 



S BENTO 

AO ANJO:QUE ERAMTANTAS AS MERCÊS, 

que tinha recebido de Deos, que fe achava impoliibili- 

tadoa pagalas ; razaó, por onde ienaó atrevia a pedir 

novos favores. Que fize-fe Deos lua vontade,& 

lhe concede-fe , o que foíTe fervido, i 

E M $ <ÍE Z A XVh 







280 ES IH UANDO nafceoSolentaõlhe 

afíiftea Águia, toda oceupada no 
emprego dos olhos j Sc toda el* 
quecida do fuftento do corpo. 
Em quanto a Águia tem a vifta 
SioSol,naofelcmbramays 3 i^uedosobfequiosjComqueo 

ieípty. 




EMT&EZA XVI. mi 

refpeyta ; porque hea mays nobre das aves 3 & como tal 
perde a memoria do intereíie, quando aííifte á Mageíiade. 
O povo de Pv.odes naõ fazia deprecações ao Sol,íènaó * Souzaihâtmitabmb.caf. 
quando lhes íaicava com a lua luz : 2 em quanto o ci- 
nhaõ preíente, confiavaõ da vigilância do Sol , toda a me- 
lhora 3 mas quando ihe faltava, valiáo-fe dadeprecaçáo. 
Não entregou Chriíto aoshomés o Sacramento, memo- 
rial de benefícios, 5 fenáo nas vefporas de fua partida. 4 ? BocSaeramnummfiitw 
Aozenta va-íe Chriito dos homés , & para remediar os ef- " ' ?"*"" ^^"V«»«- 
fey tos de lua auzsnciajdeyxoulhe o memorial, que o fize- °p i, f c - » *• 
eprezente. O morto, & o auzente combinao,emque o r*e}us y uuTÍ*fcattxhocmuu. 
morto fica vivo nas obras; & o auzente faíTe \tíxííiÀÚúÉà á9 * iF ' tre ^*^ c '^ e " mi ' li ' 
fuplica. 

281 Repreíenta-fe a memoria dos Príncipes, na Ef- 
trella Dalva; porque afly cómoda luz da Eftrella fe infere 
2 mayor, ou menor intenção de calor, com que o Sol ha de 
illuftrarodia 3 da meíma forte colhem os v a íTall os, da me- 
moriado Príncipe a mayor, ou a menor fortuna de feu go- 
verno: Os de Lydia deraó-fe por conquiftados, noticio- 
fosde queElReyCyro fabia o nome, a quantos foldados 
niilitavaõ emfeus exércitos; & os Romanos pronoftica- 
rão-fefelices,em terem no Confulado a Lúcio Scipiaó, 
queatodoopovoRomanofabiaonome. < AMytrida- 

o » n 1 • © J - 5 Cyvttt Restai immsnrot 

tes Rey oe ronto, que governando vinte, & duas nações iujãavittxtrcim^mmbm 



zr,l' 



fabia a língua de todas: 6 aThemiltocIes Capitão ^os u ] ibu, " omí " rsJã ' t ^' cL ' z T 
Athenicnles , que em breve tempo fe fazia ienhor de tudo denpojjít^pipuío Romano.s** 
quanto eltudava: 7 &ao Emperador Adriano, que re- tMr ihb.T.eaf..xn.iemtmo. 
petia fem embaraço, todos quantos livros lhe liáo, 8 fu- , 6 ieriurvà^bus^viginu 
Dlunou retrarcha em o Inumo da rama 3 porque íoruo p er ebat, fuiewqke h»g*am 
Príncipes de memoria. p£ t vpun. 

282 PreíTuadiaíe Appio Cláudio, oue trazendo os ^ a&rtt& >yâefimbiu % t$ 

_. -ii r l>b.2.J:0,.ili. 

Romanos na memoria, bailava para queo trouxe-iem nas s spa,iianusiiieju*vita r ^ 
palmas 3 errode que facou convencido , com lhe dizer Sei- K * 3 J f ^ çlãK j iu , f u „ ». 
piaõ Africano3cltimava mays, que todosoconhecc-fcm, puJ Stipio»emf*8ar<n ,fcom' 

\ .. , 1 A 1 r> net Romano* foffe meint,riur % 

cio que ene conhecer a todos. 9 A todosos Komano.s co- H9 m; n aiuquèj*i>ttitre:Mc y be- 
nhecia,&era conhecido de todos Scipiaó Africano 3 to- ^.IX''""' y£« 

dos oconheciaõ por luas obras, & conhecia atodos pof abuUoigwam*»à»txu*fum. 
feus nomes. 10 Ouve Príncipesdegrandememcri3,quc [*' cútÍHuJJetrMdePf 
foraó pouco memoráveis; lembtádo-ie de muytos,& íen- "" : !?X't7?ll 
do lembrados de poucos 3 porque no empenho he a hm daíama. 

D d 2 mc~ 



aia o ztqkíite dos t-at. tomo u. 

memoria como a rede , que puxa por quantos pey xes cer- 
ca: & na fatisfaçaó he como o pefcador,que regey ta os pe- 
quenos ,& efcoihe os grandes. 

283 Muy tos ficarão na rede da fortuna , porque fi- 
carão na memoria dos Príncipes, que foraõ como ospey- 
xesj aos quaes, os laços daredeprivaõ das conveniências 
domar. Dos muy tos annos, que Aman exiítiona memo- 
ria de EiRey Aíméro^& Belifario, na memoria do Empe- 
rador Juftiniano , fe lhe occaíionou toda a ruína. Em toda 
a terra, ou em todos os homés íaõ os mares da foi tuna, co- 
mo o orvalho, que fingio a gentilidade cahir do Ceo, na 
celebridade da Dcofa Flora ; oqual,augmentava a brancu* 
11 sicfcgetrm nimía Hemit ra, a quem ufava dellecom moderação; & delinayava aá 

tiberias* fie rotni onere iraníit- t- - j /"* 

urjn amaturuatvnnonp» cores, aos que o aplicavao com demaíia. 1 1 _ 

tcmditat. Scnec 2 g ^ q defpego da con veniencia própria, foy em to- 



£ptit. 19 



iz Summkaiuremigavitfiu- do tempo o banho ,em que os validos refrigeravaõasazas 
^:rjfâ$àf££ t ^ fortuna, para que as naó torraíe o Sol do valimento; ou 
ficcnhnyqutbusmerumefimo- asqueima-fe o fogo da inveja : tomando a liçaõ deDeda- 
fiuãufferri, ut Uteat jemper lo,que molhava asazas, para proieguiro vo-o. 12 O íe- 
•»*«, ku m ef*cer e> m folie* b da ambição maligna-fe com oscrefeimentos. 1 a O 

aipolvendas traiam tunc do- T o » , O 

tnumfecure^modefievoíant. Satyro,que fe namorou do fogo, abra çou-fe com asch2- 

Litcianus in Imavinib, ri II C ' C i~~ • \ \ 

, , om*»f*mm»*oce*t jbd mas , receoío , de que lhe íugiiem ; mas eiquecido , de que 
. ^JcrarajHvart.D.Najanz- feq UQ \ mzvãt !^ Nem tanto fogo , que abraze ; nem taó 

it Fiammavorax veiutiâe- pouco, que naõ aquente. 1 5 Algús que viverão como 
^t^tófe" Eftrella, acabarão comoaexhalaçaõ,peloarrebatadocur- 
tho,cívè.'fdcibnxSrucbk. cm. fo comquefubirão: ró & pela immoderacaõ, com que 

i$ Pcri»dcatqueigm y iuuu- ktncheizò: 17 fomentando o precipício , com a deli* 

ioiàu m efi , nqn mmmmprope, CTP n r : a J P rf p f rPr n n v a 1 J m P n fo 

nccombummi,r;nequemmium gencia ae creicer no \ alimento. 

procuí,ncregeamur. stobaus 285 Habitou o paftor Alfo toda fua vida , nobófque 

.6 htãeftègi steSa/ubito de Grynea,lugar dedicado a ApolIo;&morada,onde lenaó 

txmg^u^iu^osfortuH» po( 5 e con f ervar p2 f tor Maftri : hum , Sc outro foraõ cfti- 

Ji:^:tO!nJumniaprovexit,repc- í ( I -.-■.. 

tícorrucrefoint. Piutarcb.in mados á foiTibra de Apollo: perpetuou-íe Alio na dita, 

17 miióren gràiu* let/tier porque fe accommodeu a viver na eftreiteza do bofquc;& 

^riterr^j, m ,quamveiocita* Maftri defeahio da graç3, pedindo a Apóllo>odeyxa-íe 

jrjtiíiaper Jevmm.S.Lco Ma- . & 5 ' r £ > J ^ 

gh.ferntU:dcjefuitio Pemecof habitar no efpaçozo do monte,por haver annos, q o fiasvâa 

noemmaranhado do bofque.Defaparecéo eftepsftorda 

,2 Rtftòmmietfodeio,**. prefença de Apóllo;& achou-fenos confins de Jonia: 18 

tip*?a^ore*iybMor.DMi- padecendo os caftjaos de ambiciofo, porque tratou defeu 

hpe Seliuat Bachiler,yCance- " «. & P » r • .-. • 

tarie de Toledo. taiefl, f .%. ft . valimento, iem relpey tara Mageliaue, queiervia. Denu- 

nue a eílencia do bem, o que lhe naó achou toda .t bõdade. 

28Ó El- 



EMftEZJ XVI. 213 

■2S6 ElRey Theodorico, pondo toda a dursçaõde 
fua fama na grandeíà dos benefícios, que fazia, 19 caf- '9 opumus e«i>í *«« 

P. . T;' V t - 1 Plenuin ben iif» 1iusxcur~ 

tigou a Seylimcnaaoíeu, porque iac pedío hua merec. w«. opsamuíubiauepr^tua 
hi3 efqueeido dos auzenres a deprecacaõ ,que o fupunha Ff Iifi »^firii. ^' udctjjío. 

I L J J J r- /^ * r d- • dornatlfb.j.Episl.u. 

pouco lembrado dos domeiticos. U prerey to rnncipe,na 10 Exui*v>tScjiimkyrft»- 
eícolha dos iubditos guarda as regras do ,ardineyro:co- S^^feS 
nhecendo o natural, Sc prcftimo da planta primeyro,que fitfirwuúitíàtoefiu/rits- 

...- , m- - « ■/ 1 r i D ,> «enjtfuacJudejupc.cap.de 

adilponha, òc a eitime : Caula, por onde LIRey Dom «a*»*;*»;, 

Joaõ oiV.de Portugal mandavafazer inventariodosbés 

íi muvtos, dos que eiboihia para feus Miniftros, 21 en- *] c ftyí#??1 r ?& 

iorniadodopreítimo, inteira va-íe das poíics, cu para co- inventarie*. 

nhecer delpois a fidelidade, ou para remediar a miferia. 

Kc evidente prova do deíamparo , que padecem as outras 

plantas, ver que ojardineyro fedelcuydadasmaysfelec» 

ras. He infalível conlequenciajde que ha de faltar ás partes 

externas o coração , que deianipara as propinquas. 

287 Da mefma forte, que os auzentes inferem íua 
fortuna da remuneração , com que os Príncipes gratificaó 
os íerviços domefticos 5 aííy também do defentereíTe do 
fervo fe conhecea fidelidade , & a fidalguia de feu animo. 
Noinílinto, com que algús brutos relpeytaraõ afeusfe- 
(nhores,patece,eníinou Deos a obrigação, &moíirouo 
«aturai de algús homés. Tudo eraõ continências em o ca- 
valo Bucephalo,áviíh de Alexandre. 22 Etudoafr.aos ,» *'•/*??* i Z^&t 

\ ' O itxe JuopttlSValUTallU.O Kí- 

cm Aura,Caóde Atlanta,em vendoaiuaíenhora. Nun- á wfí M " : vtUit a J eínder 

Bi 1 r 1 Al ~J (boniefuagenuajubmiiuntex 

ucepnaJo,naprelença de Alexandre memo apuiat. Curtiu* «pud k™>- 

Aura, em companhia de Atlanta. 22 Mofírando htá i f" m - lm0 g c - vnh * E * Mêrmm 

„ í r , .. , , _ rir r • nomwa,\2c. 

&outroanimalandc]id2de,&ogeneroíoueíuaelpeae, 2.1 jacobuxGracbi.de natura 

eleu reipey to : mas com advertência > que da 
cfiimaçaõ, ou do defpreib, com que o fenhor os trata, cõ- 
fervaõ , ou perdem os animaes a genei oíi Jade , com que os 
produfioa naturefa. Defpois,queos Sacerdotes daDeola 
Floracahiraõemmifcria.deixaraõprofanarocukodefua „ ... . . ,,„ 
Imagem jfaltou-lhe aDeofa, com afuprcíucioía provi- imaginMm%;rf\i*Kâi3hnii>. 
deneia,comqueosiuftentava ; 8c perderão os domefticos 
ainteyrefa,comqucafcrviaõ. 24 

288 Notempiodoamor,naÕerapermetidoodar _. . - . 

T r - r> i t ri- 25 T . ' • • «> *<"»• h 

voles,ícnaolo ochorarlagrymas. 25 ralrana noamor verbo amor Proftmu, 
asprercgativasdeMor.arch.^feáviftadosafTcctosefpera- 

Dá 3 fç 






s i i O ?3{INCI?E DOS <?JT. TOMO 11. 
fe pela fuplica:& nos idolatrasorefpeyto divido ao amor, 
pedindolhe favores, os que lhe aífifíiaõ no templo ; fóos 
que ficavaó de fora davaó vozes \ as do memorial íaõ la- 
grymas dos auzentes: Dous géneros ha de lagrymas, ou de 
vozes; ha lagrymas, que daõ vozes, 26 & ha vozes, que 
26 ^mihuíercipeUcryriM £.5 lagrvmas. 27 As lagrvmas, que daõ vozes , faó as ib- 



nn-i» 



zt'^ho!rã^cÍm;gcry- plicas dos domeíVscosj & as vozes, que foraõ lagrymas, faó 
»;,n«ju.:.w;i>, os memoriays dos auzentes.Vozes da impaciência chamou 

a8 u^amtuio lacry. Crinito Chio ás lagrymas do ambiciofo ; & lagrymas da 1- 
fww/«« JaM-petit f w **'">« ma,ás vozes doneceílitado. 28 A eítasjdevem os Princi- 

fitietit ticnmit fuit auxiliam ,. ., o f • ' .. J /* 1 

jejhrat.Crw/iCbipdcpt» pes aplicar os ou vidos, ík abrir as portas delua clemen- 
a$im«tnUx.h. 7 . c j a . f ec h a ndo húa ,& outracoufa ásdeprecações dehum 

ambiciofo domelucoj porque com ellas abuza daMagcf. 
tade, em fenaó conformar com adoutrina de hum Prínci- 
pe, que o foy entre os melhores vaííallos, a quem fatisfez 
o confiderarie valido de feu fenhor. 

280 Certificandoo Anjoa S. Bento, que Deos por 
fua infinita mifericordia , ufava com elle de tão defaculiu- 
mada liberalidade , que patentes os thefouros de fua graça, 
podia S. Bento efeolher delles a mercê, que mays lhe con-» 
vie-fe, & que mays lhe agrada-fe ; não teve o Príncipe dos 
Patriarchas boca para pedir , fenão para agradecer a Deos 
os favores, que lhe havia feyto. Ponderando a fimiição 
deíla repofta , me lembro da foberania 'de outra , que o Se- 
reniffimo Duque de Bragança Dom Theodoíio , fegundo 
do nome, deu a EIRey Philipe III.de Caftella, quando 
veyoa Portugal, no anno de mil féis centos, & defanove, 
DilTe EIRey ao Duque , lhe pediíTe mercês , porque àeCc-> 
ja va muy to concederlhe, o que pedi-fe ; ao que reípondéo 
o Duquejque os Reys feus afeendentes tiveráo tanto cuy- 
dado de engrandecer a cafa de Bragança , que lhe não dey- 
xarão caufa para pedir , fe não memoria para recordar tan- 
• Chrmi»da-ReyD.j e ,t e tagrandefa: não aceytouo Duque as mercês, porque 
w ' à ! » < " t , u r s £ l ff rtí, - ca P^ o Sol vive independente de todos os mays Aftros : & te- 

ti.f.do "rtludio efcritafelaR. • r« - n i 1 »-v r • 



Padre Fr. Rafael Jejtfiu mó', mia São Bento receber de Deos mays benefícios, porque 
&e,Td?F C X«W. ÒT náoachavaemíimerecimentos para tanta honra. 

290 A mayor de todas as mercês foy a intima corref- 
pondencia,com que Deos fe tratava com S. Bento:em to- 
do o tempo , & em toda a parte fe achava Deos com São 
Bento, &S. Bçnto com Deos: onde fe verificou odeípe- 






g°» 



go, & a perfeyta virtude , com que São Bento o fervia, em 
não repartir os afie cios lembrando-fe do intereiTe, quando 
lograva a companhia de feu Senhor. Em Moíòpctamia 
pedio Jacob a Dcos , que o ampara-íe com lua aífifiencia, lt > B s 'f"f rit Demimv meta 

,, ,- J r r I r • r^ 1 • •'•'•' £í JcJcr-.t mãi panem id 

ik oíoccorre-íecomíeusbtnencios: 29 Uahi a muytos vettnium t ^e.GtHtf.z%.verf. 
annos lutou Jacob comDeos ;8c tendo aDeos nos bra- 10 * 
ços, não lhe pedio outra coufa mays, do que a Tua benção: 
,30 Pois fe Jacob em Moíbpotamia anellava a compa- }0 Nw ^ /ttíw/e>lf/>f ^ 
nhia do Senhor , interefladono logro dos bés , como na lu- *tà>x»i*«>ibi.iHc.)t.vtrf.>.6 
ta tanto fe efquece de leu intereíie,que todo fe occupa 
na companhia de Deos? Foy acaufa,não fer Jacob em 
Moíbpotamia perfeyto fervo de Deos,& na luta fi : Ja- 
cob em Mofopotamia lervia a Deos,mascom osdefey- 
tos de peccador,que tendo hú coração,o reparte em dous ; 
defejando a companhia de Deos, & appetecendo os bens 
do mundo: porem na luta foy Jacob fervo perfeyto, por- 
que era Bemaventurado, comfínaestão evidentes dare- 
montaçaõ de fua graça ,que em claudicar de hum pé , def- 
pois da luta,moítrou viver de hum fóamorj&r que naóti- 

a mays, do que hum coração entregue todo a Deos. 3 r j íCob ^ vtLilemp . r J a i„ Jh ^ 
E quando Jacob era fervo imperfeyto na virtude ,repar- d «t>iex *>**<»/ viJei.cctcor,& 

1 rr n ri-- 1 • 1 r^ adhutincoti^in$inv^tfuií.ftd 

tio tanto os alkctos,que lolicitava a compannia de Deos, p»m» virfa3us& ijr*ti<à $ 
procurando juntamente a fociedade dosbens temporaes: ÍÍSS^SC^SíI 
mas quando foy perfeyto fervo nagraça, unio tanto oa- tomire$icii,}»mmhccmu»âo 

r r ' t • rr i * -, i âuplitibur iueedere drfiâetyx, 

mor, que íe eiqueceo do inteteíle , elevado todo na com- p„ ur KUmD.Gr^.-M^g M. 

panhia. Nunca S. Bento fedivertío naspertençóesde Ja- 9-^<"-»'-"/-i o - 

cob em Mofopotamia ,afpirou fempreaosaugmentosde 

Jacob na luta; porque o retratou nafantidade, fahindo 

das entranhas de fua mãy com o nome de Bemaventurado: 

& o final, com que Jacob ficou da luta, onde teve aDeos 

nos braços, foy húa fcmelhança,do que obrou S. Bento na 

batalha, onde metéo o mundo debayxo dos pês : recolhéo. 
São Bento o pé, que havia pofioemRoma fobre omun* , , . 

doj 32 para que alemelhançadejacob, abona-íeacon- f,;it rU ptJv,t w«m cct«trtu 
íormidade de feus defenhos; com que ficou patente o au- ^^*£$$£* 
ge de lua graça. E hum fervo taõ perfeyto na virtude co- idem nb.z. DiihgorKmto 
mo S. Bento, qual outra Ac*uia poemtodaaeíhrmçaóna 
companhia de feu Senhor, fem lembrança de outro inte- 
reíTe mays, que o de feu valimento. 

2 £ 1 De mayà, que J ?.co b em Mofopotamia era 

hum 



2 1 6 O ??JNCl?ã DOS <?JT. TOMO 11. 
hum pobre v3Ílallo;& na lura, hum Príncipe opu!ento;& 
hum pobre humilde he, o que íenaó contenta 16 coma 
companhia de leu Senhor ; mas hum nobre ,& opulento 
íi : porque he particular inclinação de ler vo, olhar para as 
V i icccficuteaãifcrvott,,» iru \ os fe f eu Senhor, quandoehá diante delle. 33 Foy 
i>/»,. m.iír/. i. baobentohumlervoaelJeos,dosmay.s illuttres. & bem 

. dotados , aíTy na avaliação da terra , como na eílimacaõ do 
Ceoj & per todos os titulos lhe incumbia retirar os olhos 
das mãos , & empregalos ambos no lerviço do Senhor, 
a quem acompanhava: olhando ío,como outra Al- 
ma Santa, para o peyto de Deosj 34. todaan- 
cioía de lhe íaber a vontade , para o 
krvir a feugcfto. 



; 4 VulnertMi cor meum in 
vko acuh.ritmtiiotuvj, Cant, <f. 
verf. 9. 




DA PARTE 






217 
D A. PARTE DE DEOS PROMETE O ANJO A 





ENTO 



SINCO EXCELLENCIAS: A PRIME YR A,QIJE • s&iíi*** ***„*; 

tojqút t*f.n;>n nttnãiftabit.D. 
*s$rnoldu rlJvicKtn ligno vitit 
lib. i .cnt>. i . UrengrHo in Coro. 
r.a Laciâs.^V.êpiáefuj} Jrrc 
mam.D.Fr. Pedro de San d o. 
r>tl y ttA/UJeçaõ de Gt^ci'a,t£c. 



fua Religião duraria ate' o fim do mundo. 
E M !? (J^E Z A XFIU 




ODAS as partes da terra cro* 
ouDeoscomhúamefma natu- 
refa. A influencia dos Aftros 
devem o fer mays, ou menos 
fruetiíeras ;com que ficão tão 
differentes , que parece empe- 
nho particular de Deos mays eíte , do que outro R.cyno; 

Ee mays 



■> 



•3 1 9- O PRÍNCIPE DOS VXT. TOMO 11. 
maysJnla, do que outra Província ^ o fértil, Sc o infecunJo 
ás diferençou húate , das outras j tendo a terra , na eíti ma- 
ção dos honiês , tanto de nobreía , quanto de produéh va ; 
efc-gjíicndoparaiua morada as partes favorecidas çlesin- 
fluxos j & no miaysfaudável delias edificarão habitações, 
pura iua vivenda ; circunvaflando-as de muros, queasde- 
ienitc-fejr» dos contrários , Sc as diftingui-fem das mon- 
tuoías. 

293 Q que achamos na terra, de que Deoscreou o 
mundo, vemos nobarro, decjueformouohomem.Amef-» 
ma origem ç^Tçétro tem^/ajadoidpjuftico: çja mefma ar- 
voreje que fe lavrouJo^t^o, Teeortoir o cajado. Adão 
foy a mmã donde fahltóbaríò', todod^liúa meirfiá forte: 
mas nem toçlocom a mejma Jimjpez3^jj]'uni tronco produz 
« itaquc que, Deu, adre, ^u^j|a$ ramas j:& em eaifô Jbúa dasxainas di veríos frucios 
Z?jTJl a ^ ! Zl7q"sl J <l- nqs accidentes , hús fazonados , & os outro5_,pecos. ; Muy- 
i»?, v»umiM,& magaaauto. t( f s homés çtòuxeráq.cpníkfOi húa natural, & inefinfeca 
*hee*bivmiuuvocari,$rc- nobreía , qije. os moveo aíazèr acções heròycas : i ou- 
tlnT^oirt^ll rros^vorecêb^os afortuna, & tiverão eíWão pçjas ri- 
-^tque hw cona nobilitai, quet quèfas: 2 apS de mays,nejíiaiudou a naturefa, nem à for- 

hodieadbuc durai ,mquaani- r ~ , J . , , 

nnthcroicitfubmitextnatur. tuna j& ncarao como pedaços de outro barro ; ouramos 
JH. ?.í ^o tt CoU °' dc autro Sõiico ^Ite^permanecerãovaffillosj os outros, 



4 

ler 



* Nohiitof rtn & nUruefl,qu<t fubiráoa Príncipe*: fuperioridade,aqueo vulgo fé fiiprey 

virir,velmulienbttf fit.prop* n- i >-V - n • j 

rJi-jit,ar,v e ivirtut e ,. tou neceíiitado ,*& conitrangiao. 3 



294 Gompófta de montei, &Valles creon Deosa 
ijf//- terra. 4 Em nobres, & huníildes,cmm©íí[fes,S<: vallea 



\ Nobilitas a principio ha- 
'iiit ortttm exviolentijí crudeli- 

v$Z:::;;;:^SZ: dividirâooshomés afomaá Gs vallcs fdÕ reptados dos 
f éreos ãommium ujurparunt, montes; &eíles, combatidos dos ventos ; para lhe reílílci- 

i5qiiivideruntfcfuperiares,fe ri •'T-'rv • J ' 1 o 

r.obihs vocaverunt , ficut d e rem , iabncqu Ueos os montes minaraes de pedras^ <x pa- 
Í^SSSSS ra íoccorrerem osvalles,os provéo de fontes.^ arvore 
meus Bercoriu, tit. Nobilitas, quando fe augmenta na altura , eftende-fe nas raizesj 

4 Terra a principio fn*e crea- r r \ 1 ,v • ■ n 

tionUcavatavaiiib,,,,® cieva- quemiaz íomDra amuytos ne neceíláno ter mais rorças, 

?;S.t/;ri : r;.S;. 9 UC todos el,es - Animofa,& valente mays que todas as 
2. cup 4 . aveshea Aoura, excede a todas na alteza do vo-o, poriíTo 

ç 1'limus de ^/}quila,Mayo- 1- -i. r • • ol "? 1 

;»/,eí Ravf.nt de^iv.bus. «cnaua aiguala noelpinto. bobre amayskvanrada pe- 
6 uia tnimfimuiat n.dmm n h a nidefiça 3 Águia : & a meíma naturefa , que a provo- 

J.bicJDiparavit , qito pojjitfir- . _ «D ' • 1 

ma y ^ineoncuff*remfuampro caabufear oSol,a enuiia a defender oninho com aspé- 

curare, lapidem quem piai/, cx- J_ t«- o a ' II 

qmríuVc.íiJktVaUib^. dras ] ■ »cs» & Acates, 5 paraqueovenro Ihonao arre- 
Je^íjiuia bace, 6 & as Serpentes lhe nãocomão os filhos, 7 Nc- 

7 rii;atrodelot Diofcspartc ,- r .. P . _.... ' ' 

k.m/. 17. píiuá outra ave tem eltc Miunto,oc privilegio: entre iodas 



EWP^EZA ItVlh 2 i 9 

fce a Agub monte empinado, & vivente; porque amays 
pobre de todas. Omefmo Senhor, que aengrandecéo,» 
ciiferençoudas aves humildes ; que arefpeyto da Águia 
iaó como vallesem comparação dos montes; Sc como o 
vulgo, em ordem á nobrefa: razão, por onde ao lolar da A- 
guia lhe concedéo as izençóes na virtude da pedra , com 
que afugenta o contrario; perpetuandolhe a nobre ía,çota 
ihe defender os filhos ,& lhe afíegurar a habitação: tudo 
documentos para os Príncipes confervarem ascafas illuf* 
tf es, tratando do augmento da lua propagação, pievile- 
gios, & fórosdefua nobrefa. 

295 Em três claíTes devidio Nazianzeno a nobrefa ; 
<Jefiingumdo~a pela origem, pelo fangue, Sc pelas obras. 8 
Como também Plínio , fez dertinção entre húas , & outras T ? Nrf»^ff'>'«j(««sf 

' * ' Unum qitoi Juferr.s criminem 

Águias jdando-as a conhecer pelas differençasdefuas na- triti* .-.•.• ^h:rnm rmd ,/an- 
turaes propençoes. * Anobreiade origem nosdeyxou^,^^^^^.,,^.... 
maculada a culpa de Adão : a nobrefa do ianque conferva- °-f"s- k^"» o, e twn.\%. 
ie, coma fidalguia das obras dos deicendentes. Anobreia vifmnit.de^vibut. 
da virtude he aquella, que íenáa cria novo fangue, cria ÁSSU^S^Í^ 
novo ferna efiimaçáodoshomés. Poreftanobrelà come- tumcjjè parem Ah* Piut.de-nb. 

, p -i| n 11 r 1 1 irr Edite. L.z nt zt.tart.i.L.i, 

ÇaraotodosaleriIlultres;ella,ioy a Juzdondeiciormouo %.Qu*omniê,ibi\virMbmni- 
Solda Mageítade. A nobrefa do fanffueJie como a nobre- y iiir P e ) c •*****»* u.u 
ía do ouro, que na fua antiguidade funda afua fineza. 9 taieta»ti$uor) l. t.ffMcai- 
Inupos arvores naodaoiructos iaborofes , fe nao delpois r uf M úUfumaniiq U iifm ■.» .) 
de enxertadas ; & outras, fem novos garfos os dão fazona- »° J Bum »?"'»"*'•* fin e * 
rios; com que íeiazem mays eitimadas pela lua legitima pyibag.^udstoba. 
fubfiancia : 1 o mas advir tão , que lhe dura aeftimação, 
em quanto não degenerão da efpecie. Outra nobrefa fe 
uza,que he nobrefa fantaftica,comaqual fe engana a igno- 
rância do vulgo: porque muytosjfemelhantes ás formigas, 
andão todoo verão acarretando trigo para a cova , Sc def- 
pois de velhas faem com azas ráo fatisfeytas do vo-o, que 
prezumem acompanhar com as aves:eíiadefordcm,lamen- 
tou ja em tempos antigos ,0 meu infigne Bercório: 1 1 ut~i!i$m-n<j*ar».hqif .ju:.i 
mas te alcançara a nona idade , teria mayor razão de icnt 1- ,, :ilUu {r 
mento : efta nobrefa como hc elvaecida fulknta*fe doar, w»í«***>irtw***^Mw 

nMur»m aluiu»/ je> r.ucjtunt 

que aalimenta. ; . . Arcr.<£r<*m.«*fif«ir«# 

Nao temos rayos domínio febre a Águia: 12 ™ . :i ,,,.„ 

foy providencia da narurefa izentar dos perigos, a auem "'» Neèi/ya*. 
adiantava no lugar : íeiakara á Águia o privilegio, todos p^K^fenHiiurfuiviut. 

Ee 2 os 



2 2 o O fQpSBBÊPE VOS ?AT. TOMO II. 

osrayos a ofíenderão.Os Romanos efpeci fica váo a nobrc- 

fados Cidadãos pelas divizas, que lheconccdião-.ahuns, 

. , PiutirdttstfPitriuxhb. autoiiiaváo com trazeré luas cnios íapatos: 13 a outros, 

V4 idmií.ti.ii •An»h. anéis em osdedos: 14 & aos ri lhos dos nobres, medalhas 

1, comixínaatiQnem ma* aopevto: , t nas di v izas trazião a reverencia, porque a$ 

Romar.d uobihtatu >not intre- T J J , T __ ' i ^ 

íarar Gejiaremtmiiicrotbui' iníignias danobreía refreyáo apayxáo, & invejado vul- 
*tcum ferva,, e* tuiia i* ge . gojque imitando a condição domar,para coroaonda,aon- 
nuostjjccagnovijfent; cum ei, delha rebate a ley. Anatuieía defende das inclemências 

turpiter utque impttdice agere o r íl ri 

et/hnoent, jjqut Romano, r/- do tempo as ar vores , & os iructos com a calca , de que as 
S rl7rui fS£' x,W "" véfte. Diziào os de Athenas, & Arcádia, querendo ceníu- 

rar a politica dos Romanos ,que anobiela era húaintrin- 

iccacilidade,que por fi mefma iedava a conhecer: mas 

•<5 Jifud^themeifeii«f- defengánou-os a experiência , de que não era para todos a 

iiuiium mi y Ctcadet ex auro • \. ■ t n r J '!_ j a I 

capitherpawHiogeH»re,qfbf inteligência deite íegredo ; com que os nobres de Athenas 
^i^^^P^^^.^huai^^iQ^^i^^ÚM^^ ouro: 16 Sc os deAr- 
tiVa)e.iib.%6 tit dcCcaJa. cadia vierão a uzar das iníignias dos Komanos. 17 

1 7 Ide n ubtjup.de Luna. 

, Etmhilis y & gènerofits . 

d/l ' ppofitamnifríe Ltinamfubtexil aluía. 
ÇhánulumM [ ^cclor apudJuVenalem. 

Mayor efiimação dãoao théiouro as guardas,que o de« 
fendem, do que o valor, que entheioura ; as praças, na opi-» 
niâo das gentes, mays as fortificáo areílir.enciadosmuros, 
do que o prefiJio dos Toldados. 

297 As iníignias , que hoje manifeftáo a nobrefa } di* 
ri varáo-fe dos premios,com que os Romanos galardoavão 
osíerviços: 18 

i?5 l»alijpi8umC1ypto,ga- * 

ha impendit , vextUum Roma- 

nnm Tbora Xi Campe{Jre y pilS, Vlídimie TwiO 

15 lij/lct adjuniuntur; unde*J- t 

ia videntur i»fig*u '■, tf arma (Plurima fraxineo mine Verberai axrapepLOy 

íju bus nobilitas noílta utitur. <i T r' i • ' ' ■. r~ •. • 

BeiiHgerius de Trmmfb. Re Nuncjedet m ptnms captíum , nunc Jurgit m ar cm. 

«••»•*•*■ _ CorneliUiNepof.mlliacobéoltb.6. 

>q Hx tjut coilo, qui inlgr * J 

l_/£ryptiot /ttJice.- primartum 
eblintret locut», numims imano >^v r ' * ~ nr •! i r 

ftndcbaigimt, vauroconffc- Os quaes fe inventarão, nao ío para inculcar 3 ncbrela, 
T*,q:,9dnumtn,pfi,ve.rttaum mas tanibem para defpertar o valor. Os juizes do Egypto 

e>u»cui>ibii>t:boceiii>»Jniioof- ,„ li ' . cj i 

tendeba»t ; uJtatcordi,orique trazião no peyto a ífiiageii] da verdade: ip nelia,n)oítra- 

&apun.t»igitb!cip.i.d e vao os poderes, &recordavao a obrigação deieuoíricio. 

Ptife. infitu. Os Ammanietes acabarão de todo, quando rrohibitáo á 

.jo Cardu,Raftuid$Helili- t .- „ . -. , V* - r r> . 

f*tecaj>. } . §.6o, noDreÍ3, viverem caíisdeliguaes as coiiíinuas. 20 tiao 

pre- 



t \. EMTREZA XF1J. 121 

previligiados de certos tributos, os que viviaõ cm caías le- 
vantadas: folar, que feus fundadores compra»aõ cem as vi- 
das, que deráo peta pátria: extinguio-fe a nobrefa, por- 
que lhe faltou orefpeyto ; Sc enfraquecerão os 2nimos T 
porque lhe tirarão o premio. Se os Romanos naõeflima» 
ráotanto asvirtudes deTanaquiles mulher do Empeia- 
dor Tarquino, mandando ,queas cípofadas, antes de en- 
tracem nas cafasdeíeus maridos , invoca-íem ás portas o 
nome deTanaquiles, como efpelho doeíhdo conjugal, 
nunca Roma íe jactaria de íer pátria das Porcias, Maicias, 

& Lucrecías. 2 1 xr^ovatinpin^puâftifeot 

8 1-^ ttí 1 • • - r Homsnos merilorum iomcs /'«- 

Os Romanos adquinao a mayor lama , porque £«/«.* ;*/>rW//»;» e c,,, w 

fouberáo dar a devida eílimação á virtude, & ánobreia: CeciUam » *'* «-*** T <««- 
eibbelecendo em a ley Porcia,que nenhum cavaleyroRo- óm»«*«*.v Hha>imwfi,tuth 

p ri p r O Mar.-ÍM t Porfiai ,atcue Lu- 

manotive-le a pena, que íe dava aos eicravos,iervcs, tk crcíiaf R omanifef e „ ru „, 
plcbeos. 22 Decretando em a ley Rocia , que no publi- §&vfi-X* l h**Kf«pr*. 
cooccupaíiem os pnmeyros quatorze degraos do 1 nea- c.-i^.jnui./r/ií,./.:.-;.'. 
tro. Rcftringindo em a Jey Valia os poderes dos Tribunos, ^Tl^^tt?.^ 
íobre a vida dos Cidadãos , para que os não podeílem con- ° s ca [ 0f > ?»*^*«*m 3 if^m. 
demnar a morte : iendo Jey,que todo, o que lhe pcrde-ie o ils deKei,u. a,j„. , 7 . 
tefpeyto, opaga-fccom ávida ;&c quem dèíTe a morte a 
algum dos Tr ibunos,lhe corta-lem a cabeça, & lhe vende- 
fcmos filhos. 22 Os privilégios, que tinhaõos Decu- „*' ^**^*£j':* 
lioens , Ditadores , os nobres de Banda , & de Capacete: n cnrmiHfSjihflNi^ «*- 

» , 1 . 11 (ande lUuhrikus, 

podes inteyrarte dos Au tores , que alego, que como o tra- 
táodeproriíTaó, fera impertinência referiio. 24 Os Ele- 
mentos confervão-fe com a diftinção ; quanto mays pró- 
xima he avifinhança , tanto mays intença he a virtude, 
com que fe defendem ; o ar, vifinho áreçiaõdoíogo,he 
mays húmido, & frio : a nobreía não fó confina com a ma- 
geftade , mas também he parte fua : os que eftaõ perto da 
fontebcbemnafonte;&osqueeítaólongc,bcbemnacor- iÇ c.r...r: ^7 ;.•!/.//; c. 
iente: 2 Ç da mays , ou menos viíinhanca , que os Afíros i.V« offiao i--m> •» fâu #» 

Cl II Tl • ' C quoiinÇ-t\ribuíL.3i-ír.-.::'-. 

tem com o boi, lhe relulta amayor commumcaçao , &c vir- filJle( y„,'.._- r: ^,:i.-. ,:,. „ a m 

tude de feus influxos. _ IfJS^SÍ^ST. 

200 A Águia vendo os filhos prefos,Ieva-lhe húra- ,f; g<.o kc.svuw.'--; 

mo de louro florido, com que lhe defata a prifaõ. 26 Ei- x6 s*fartcverh,~diuii*. 
colhéo Júpiter entre as aves, a Águia, para pagem de ar- 
mas. 



Ee 3 



Quem 



222 O <??#KCiVE VOS <?AT. TOMO 12. 

*__* — * Quem prtfpes ah Ida 
Sublimem pedibu* rapnit fovisarmigertmcit. 
Virgdi. 

E entre as arvores previligionolouro da violência de 
/eus rayo^refpey tando-a como planta ,de que fe havia de 
coroar a A pálio } ik coroo arvore de cujas ramas fehavrão 
de laurear os may ores Monarchas da terra* 



dArbor ViElorio/a, & Triumpbate, 
Honor de Imperatori , ££ de Toetu 
Tetrauba. 






t 



Sendo \ que a principal razão , porque Júpiter izenf ou 
i 7 RcJsrn«*de^v;utra' o louro, tingem fer , porque nelle íe criou a primeyra 

U ~*Ú*ci>mcjíH,tro™fi- Águia; 27 aqual, como JPrincefa das aves, não teve com 
i,m syracvfwm, hono mpr,- que ],berrar os filhos , fenão com a nobrefa , & privilégios 

mUdomíiisbii-ts. i* tecto tertio, ~ ,-. • i> i i - r* • 

aãunc quarta v»rr. de íeuíolar: Cahdade tao iupenor, que entre os Roma- 

S^SSS^lSSSL nos era a m -y,°r. Os termos, de que uzou Cícero , paradar 
*te6.Farr. a conhecer a fidalguia de Heraclto, 28 deDeodoroMe- 

reu?wfbri»,&txperie«f t & ks&nwf) 29 de Aulo Auno, òc de Marco Qrphio, 31 
ch<^£'" • íikm,n0raUj ?>" foy dizer, que eráo homésde folar, oude nobiliflimas ori- 
11 Marcum otphmmtquitè gens» Do mefmo epizodio íe vaiéo Hiercio para com 

lioiaimim ;:bi comendo maw P M • 1 -n a I ' *-> 

ieminmoj*mjoni$unâidu. Metridates Parpageno : 32 Apuleo, para com Crates 

^'"//'f^-^V^T-Thebano: 22 & luílino, para com Thrazibulo. 24 O 

»« Parpagemu maga* nobtii- Principio, que tiverão em Elpanha as caías lolares,foy 

pminbão alexandrino., quando a invadirão os Mouros : (Js nobres, que livrarão 

, » crates vir, icmimtetThe deita derrota , recolherão-fe aos montes,dondefedefen» 

vinis nobiiit. */3puleiuf ^/ipo- . „ - ft r - rr v a uri 

%. i. derao,& nunca ioraoonendidos;nelles,le levantarão ror- 

ànlZ^Sí^t res,emq U emoravão,&tinháovaí'fallo Sj que lhe cbede- 

jaffw W 5. ciaõ, & pagaváo tributo para ícu fufiento: 2Ç <~taqui 

«i,âtCAjtèiiaan»oiz.cap.\o. emanarão ascaías torres , & loiares, com que nú;e íe per-" 

petuáo , Sc cxaltáo as famílias : não fe tendo por legitima, 
& realenga a nobrefa , que não tem voz, & apelido de fo- 
lar. Dosmays rrcos, & nobres de feu tempo foy Álvaro 
Nunes, em Cafiei la j & não fe apelidou rico homem , que 
era o mefmo, que grande, íenáodelpois, que ElKey Dom 
»6 chronic* âtiRtjVom AfonfoXl. de Caftella ; lhe deu os folares deliibera.& 

irffonfj oOnztno de CaHílla. , , r . . _ 

M/.64, L-ubrerao 36 No domínio, qutoslenhorcs de íoJarrem 

iobic 



EMQfcEZA XVU. li} 

fohrecsvaíFaIlos,conniteotimbredeíuagrand^fa. 37 17 ^«to«t./iiínj». 

r1 , ■ A j-i, 1 rir* 4" i>- Captneíu corjid.ft^.a. 

300 rioridatraz a Agmaaos nlhosaiiobrcIaQcíeHíí.^.G^,^^^ ^ ,a ' 6 - 
snogotolar jdamelma íórce,queIuaconceaéo aregalia, 
aííy alográaíeusdeícendefttes: Criou-íe a Águia entre as 
tf ores do leuro ; & do mefmo modo , que o louro íoy folar 
dos pays, he amparo dos filhos. Sempre Te notou aos Prin- 
õpes,revogaremasmerces,que fizetáofeus antepalTados. 
28 Amayorexcellenciada Eftrellad^Alvahexonfervar ** »*'«*</&". f"«"r 

5 J J vocarc ca ^qua maior utnbcgnt- 

nas plantas as influencias, que lhes communicaráo as Èw*'W'' B ^"A r .- £ /'?/;* »«j : . 

as da noyte. Us privilégios , & lOBgnils. dos Senado- vàpuytÇrtiimrbettjicn v,.n 

res herdaváo~fe com o fangue, quando o Senador, que ">"" $&&**■&&**&&- 

O ' k 1 J\ Jet t ]Uí Scnatoruw W kAtttitt 

morria era nino de outro Senador: 30 porque não a*o»tratnfircfat, ,.y; ,.y\...- 

c 1 - • i" • 1 T ' C L bur iliif tuiífst ornilus. Lui.n' 

lendo, erao como as íniigmas dosl nuníos, que acabavao^,^,,/^ deT riu*, f b, Ro- 
com a vidados vi&oriolos. 40 Na antiguidade naõfe a- »>*M.u»icutcap. 19 . 

, 1 n- - r - 1 1 r 1 4° "ocamtminlcr ornam e- 

vahava anobreía pela emmaçao,lenaopela deícenden-rjí*:;/^/:-, ©//-/> .-.*»«- 
cia ; os que naó procediaó de tronco illuftre, corrião ^^ll^^^t 
rfeas com os ferventuarios, que logrão os relpeytos, em vta y&mmwtrtwivr i h*ceà 

, ^y* . * ° cj 1 • j r 1 filio* t &i,epoiertr**f;rast. !b> 

quanto íervem os oíticios: mas nunca a fidalguia dosiola- y uip,*. L.fin ff.de Senamt. 
res deyxoudefer herança dos filhos, fenaò quando a gra- 
vidade daculpa,osde$herdou da nobrefa dos pays. ai *\?^ f - Jef ??'?'L M {'' 
Para nutrimento dos fruaosjeftaõ as arvores lodo omxti- ff.de inireú>u»>v nhgatu. 
nodeípidas defolhas : para augmentarem os filhos muy- 
t as a r vores de nobiliíTimas gerações le empobrecerão, em- 
penhando-fe no íerviço da coroa.Da terra recebe o frudfo 
a fubftancia , & da planta o fabor : afíy de ftus progenito-» 
respartecipaó os nobres a calidade ; & do favor dos Prin« 
cipes,oaugeda veneração: húa,& outra coufaherdaõos 
filhos dos pays, 8í dos Príncipes , quando com o langue 
herdaõ a fortuna i afíy como osfru&os ,da terra , & da 
planta. 

30 r Nafcéo,& vivéoS. Bento, com as pre-eminen» 
cias de Águia. Naõ foy comoElPxey Pirrho, a quem as 
proefas dos vaíTallos o intitularão Águia. * A própria " ?irriut *'* fy»''»*"** 

f_ ""o" ™" r r dum a pugna magna ctn» gloria 

virtude foy , a que deu a S. Bento o nome. Nafcéocom as *cUritiainEpirumrcvc>fus,a 

. r ,-\ Juii ^j.itula, lalutarttur.-Pcr- 

pre-eminenctasjporqneaAguia pnmeyro remcompoltas *„,, , Mí „,,./,„,., quime v t fri* 
a^ a/as, do que tenha o mavs corpo cuberto dcpcnnas; J " r ; • "fi*; "^ '" 

' * r J r r ' extuiijltt.XJirdeftmperC-vqui 

41 S. Bento primeyro teve prefeytasasaz3S,doqucpro- u™ pUcu>t,ea 

porcionado o corpo. Cantar bao bentolouvores a L)eoí, \ t J - 

qmndo citava nas entranhas de lua Mãy Santa Abundan- f *4quihprw,i*aih,qui 

• C • cr iftcoiporcperfctta. 

cu, íorao incy cos da g"ça: & a gí»§f 3 que tem a creatura V mj e Je "Natural, w.io %. j. 

íàò 



*\ 



224 O ZTsJKClTE DOS QÂT. TOMO 11. 
faó azas, com que voa para Deos: adiantando-ie na com-» 
pofiçáo das azas pira fubira Deos, porque nunca de Deos 
lè havia de apartar São Bento. Ordenou Deos a Moyfés, 
que dousCherubins correspondentes msazas, &rnos al- 
peótos, acompanha-iem os lados do Propiciatório j pri- 
meyroJliedilpos o modo, com que ha viáo de eftenderas 
azas,doque aproporçáo,quchaviaõ de ternos roftros: 
43 & porque razáo , primeyro fc ha de tratar da medida 
, xjutmqiàukfropit;. das ««,do que dacçmpoftura do corpo? Porque os Che- 
^ervttgmut^MileaíesaiM, rubins femprc ha viaõ de acompanhar a Deos no Propiria- 

lejhnjní ei*(fc mutuo. Lxodi -o P 1 * J 1 |-\ 

»j. *erf.xò. tono ; & quem iempre havia de acompanhar a Deos , pn- 

mey ro havia de ter perfey tas as azas, ào que proporciona- 
do ocorpo: para que a creatura na anticipação da graça, 
reprefentada nas azas, efpiritualiza-fe deiorte anaturela, 
que defempedida das aílucias da cu!pa,fuftenta-íc a amiza- 
de com Deos. 

30 2 Em mays femelhanças moftrou S. Bento, nafcer 
comasexcellenciasde Águia : porque afiy comoefta,iay 
do berço com a coroa de Rainha; S. Bento das entranhas 
de fuaMãy,fahio com coroa de Santo. Enriquicéo Deos 
a S. Bento com fingular virtude, porque odotou do eípi- 
litodetodososjuftos: 44 & ao compendio das virtudes 
„ . a „. . nunca lhe faltou a coroa; iempre o viraõ coroado. Efpi- 
fienuifuit. d. Grcgor. rou Chrifto na Cruz, ficando com a cabeça inclinada para 

olado, adonde a crueza lhe abrio a ultima chaga: 45 Cõ 

que a Divindade figurada na cabeça de Chriixo, 46 fi« 

^ilãuZjo'aL'ú f ,'g.vírf.\o. cou coroando olado antes, &defpois de aberto: fendo a 

46 caj,„t vero cbrip, Dm/ razáoiporque os Sacramentos, que faõ compendio da gra- 

i.aâCorint. ti. verfi. i •- j ri- J J /->U T o cl \ 

Ça,haviaodeiahir dopeyrodeChrilto; &eitava inclina- 
da a cabeça fobre o ladoantes,& defpois que fahiíkm^para 
que em nenhum tempo lhe falta-fe a Coroa, & íempreos 
viflèm coroados. 

303 Segunda razáo , que confirma , o que temos di- 
to. São Bento quando naícéo, logrou oma\orfavor,ali- 
mentando-feaos honeftiíTlmos ptytos da Virgem Jmma- 
culada j & não podia chegar a efta fublimidade , lem que 
_ Q , •-, .primeyro foífe coroado. DiíTe Deos ao Profeta Ozeas: 

Ht Ljajbo tamjg ituetmeS í" ■ • j ■ 1-1 ti- 1 jol l "' > 

irrfAuHdinem.0jca.-i.verf.14. havia de tirar a hua alma do reboliço do mundo, & levaia-a 

quietação dodeierto,paraanutrir aieuspeytos : 47 & 
para chegara efte aige heneceí]ario,quea almafavoíeci- 

da 






e u ® %n z a xyn. i^ 

$U fuja primeyrodomundo ? Sin^quenoretiroalcançava 
a coroa de deiprefadora do feculo ; & não fendo primeyro 
coroada, não podia chegar áquelles pey tos. 

304 VivéoSaõ Bento comas pre-eminenciasde A- 
guia, porque de entre innumeraveisjuftos,lhediilè Chiif- 
to,oelcolhera para feu Príncipe: 48 aflycomoas Agui- 48 Tttnmeitgi exemnibat 
as de encre os mays hinos elcolhem aquelks, quenaode Cbrèjim, Dominu, be*toZene r 
íerherdeyros de feu íolar. No amor de Deos ficou S. Ben- ^O"?"*- <iord> ' n " f " d 
to, entre os Patriarchas, tendoo lugardo Evangelifta.Por 
antenomazia intitularão os AnjosaSaõBento,o^»^í/oí/e 
'Deos. 40 Donde, o efcolhelo Deos de entre niuytos, 49 H "f «8«< ptHieBat 

%n_ J c Ti J Dcmini Cttlum HenediSut JlC* 

para moitrar, que o preceder b. Bento a todos no va-<w„ u.g^.jw^,,./,*.,. 

limento para com Deos, era , porque para com Deos a to- MeTai - ft, í-ii' 
dos precedia nos méritos. Àfly abonou o Efpofo a virtu- 
de da Alma Santa, affirmando, que de entre íincoenta,& 
nove Rainhas a efcolhera por íiiaEfpofa: Ko &damef- _ 
maíorte a Alma Santa asprendasdeleu tipolo,comdi-/e^«« 1 »í/?f i /« m i Jm M. cv™- 
zer , que de entre milhares de homés , o elegera por feu a- *'"' °' v "f 7> 

mado. 51 ç , toiuSus mutttnii2*ti 

0.0K A Aguiatemnas azas recopilada a excellencia, © ™*'<w*, t uSut txmtt» 
quetodasasmaysaves;untasteno vo-o. 52 lodaavir- j x cdatmt&fiMkmkemjf 
tude, com queos juftos voarão, he a virtude, com que São *"£■ ^ èw,i ** *■**• »« 
Bento vo-ou. Mas fe hum ío efpirito bafta para credito 
dehumjuflo: 53 porque não ha de baftar para engran- 5» VnituiqueMemiam 

de Ti in • [i. r, 1 <->l tnaçnifcliaiicfj ir i tus aii uíili- 

ecer a b. Bento r* Havia Sao Bento deter iobre asazaso t „ t m. *jií; andem á*t«rfcr- 

imyorpezo,&neceífítava de mays agigantado efpirito. *?£/*"*'*< ~4'p««tcnjer. 

• /1 -' .'DO * mvfiicntHC. i.f-JíiÇerini.i 1. 

Hum dos Tronos, aonde neíte mundo defeançou a San- «5/7. 

ti (lima Trindade, foya Alma de São Bento: 54 &para 

fuftentar efta gravidade, era necefiario toda afirmeza. A ^£Ç2£ r t2í,!S 

Torre de David eftava fortalecida côas armas dos Varões *" 3*«ii"Jcri»'s" ,e0rJi - 

/vii . , •/-.^•iri- i&?t4tdicMtriuBiu 1 firmou. 

aíiinalados na virtude: 55 pois ie David a fabricou com a. Benedito. 
extruóhira inexpugnável , para que lhe ajuntou a defcnla ^'j^ffS^ 
dos efeudos? Efta Torre repreíéntava a Virgem Maria, fiMw/fw.*. «$fi> 
Ceo humanado , aonde habitou toda a Corte do Ceo; & 
para fuftentar tanta grandefa, achou David,que era necef- 
iario todas as forças creadas. As armas dos Varões aííina« 
lados erão osdifíerentes efpiritos,com que foráo enno- 
hrecidos os juftos; com elles, fortalecéo Deos a S. Bento, 
parafer Athlante de tanto Ceo. 

q©6 Fingirão os antigos, que a Aguiarepartiracom 

í[ as 



zz6 o príncipe dos <pat. tom. ir. 

{6 Uem dibrihamubifup. asmays aves a agilidade de voar. 56 Aiiinumeraveis juf- 

toscomnmnicou São Bento o vo-o de íeu elpirito ; todos 
os que fequirão leu exemplo , participarão de íiia virtude. 
Coíiuma Deos cnnobrcccr afeus Príncipes tão íupera- 
bundar.tes destaca, que íemperiuizo próprio a podem 

<- ,s?i<f<ra>n àcfiirltu tuo, . \ \ , - - I j 

ià%fifíútucH repartir por muycos. Moyles teve tao grande viríude,que 




de Deos faó como o mar,que communica as agoas,fem de- 
minuir a enchente. 

307 Vive a Águia nos montes, & não habita nos po- 
voados :defpois que São Bento deyxou omundo, nunca 
deshsbitou osdefertos. AMolher,que S. Joãodcfcréve 
%% Dai*/»»* muiieriaU no Apccalypfe,não íahio da foledade , deípois que triun- 
fcvifaj^^feMtffvwU iou do Dragão ; vo~ou para eile, com azas de Águia : 58 
ahturfciemfi,,. ^ij.oçaijp. & immitou o natural, de quem íçguio a femelhança. 

308 Sobre as coroas das penhas nidificaa Águia: ío» 
bre os cabeços dos dous montes Sublaco,& Cafilno, fun- 
dou S. Bento a fua Religião. Defpois do diluvio deícan- 
tç RtquievitqutvArca::; çou a Arca fubre os montes de Arménia. 59 Emomun- 
JTí 'Ter}. e ^ Tmcn '*- G ™" do não havia çrofio, cuja em meneia iguala-ie a altura dos 

montes; nem ouve vitoria, que le equipara, fe com o tri- 
unfoda Arca? por íííò lhe íerviráoos montes de folio, pa- 
ra que eítiveTÍe cdíx* ioda amageftade. S. Bento triunfou? 
St> ijieii:4Ui!?imhi.-,hitav;t, do diluvio dos vícios , em que naufragava Roma j & fuajfi 
tius.ifaiai). para o monte, toy entronizar as virtudes. 60 

309 Antes , que a Águia forme o ninho, leva hrjrrj 
cordeyro á parte, onde o quer fabricar ; efpedaça,&: come/ 
a Águia o corpo do cordeyro , & fobre o fangue , que fica^ 

61 uem JliraUm. Vmd, levanta o berço, éi Na cova de Sublaco, aonde S. Bcn* 

todetrezeannos começou afazer penitencia, & a regou 
com o fangue, que deyxou npsefpinhos, principiou a fun- 
dação de fua Ordem. Pararuina dos idolps( como fica di- 
to^) foy efta erecção de São Eento. MandandoDeos a Go 

62 Et eâificaiit aitare Do. deãodeftruí-íe a Afíde Baal ,diífe-lhe; que levonta^fe hu 

mino Deotuoi» fummitat! te- 1 r i ' j t * i n t 

tr*bujuf,fupcrquamaKteja- a,tar >°bre a pedra, aonde o Anjo antecedente-meme, ■Ih-á 
cnficiumfofwfti. jHdicHi»6. tainha mandado fazer o facrificio: 62 Satisfez Gedcãõ 

verj. 26. „ 

asordesde Deos; proftrou põr terraoidolo, & abrazou 



juncamenreos boíqucs, aonde osgentios Ihecavãn.sdo- 

rações. 



EMT-^EZJ XV1L 227 

rações. A penha de Sublaco foy a parte , que os Anjos ef- 
colherão a S. Bento para lugarde ieu facrificio (de Roma 
doiss Anjos o vierão acompanhando atéa cova. 63 ") A 6 ' Vifotomi /i^u; 
vi rcude de Gedeão refufeitou DeosnoefpiritodeS.Ben- ' 7 *' 
to. Gedeão não fez mayordeftroço em Madian no ídolo, 
& boiques de Baal ,do que S. Bento em Caílino no Ídolo, 
& boiques de Apóllo: 64 hum,& outro Príncipe de «4 u£q»et»rfbHiG e ã e i*i t 
Deos levantarão os altares, fobre os lugares dos facrifi- i u,l J r < , «» t '<*p!:bi,f,r<tiiajg 
cios; moltrando ao mundo , que a deltrujçao dos ídolos ptem* exTmvit dom* ,v »«. 
havia de nafcer daconftancia dosmartyres, figurados no 3/Sí,-5fflt5I5r3Ç 
altar de Gedeão: 65 &efclarecidosnosclauítrosdeSáo ?^"«*«y*«»**Aw*dtó 

" mctltro^eJfiHo indi8uruf,0' 

BentO. raculum tSipollotm evenitju- 

310 Nomonte de Sublaco, aonde S. Bento fc^JÈSft^S^fi* 
ficou contra os vicios , fundou o Solar: apedra Etites ,& ^ymo«int apudè:neâ.H*f. 

e- . , ■ . r tetiumíom, t.K. 1 >,. ik -tu 0. 

rmou , & reparou de todos os perigos , roy Bc»ed. 

omeímoDeos: 66 prometendo a S. Bento, duraria a V í'"7!!"??J mi! / are 7 
íua Religião em quanto exifíi-fe o mundo. O templo de "'«"«Jçf* MaruOrdwh mí- 

,-.. ■?'!_• n. J-£ J 1 - noTur.:Juper JuJiccseap 6. 

Diana Lpnezina eitava edincado com tal arte, que o nao 66 D«™,>fH,/,M M >»«,#,•<;. 
abalavão os terremotos. 67 Mas fe reílfiia aos tremores, hu !' at ? m r J"rA íl - ve ^- 2 - 
nao ieizentou dos incêndios. (J templo de bylico, que *et:rr*mc,iutj' n tirct.piin,nf 
jgualavaaos mayores do mundo nas riquefas,arruínou-o ' ' 3 ' C "*'Q. 
hum terremoto da terra. 68 O Palácio, que edificou o 68 -r errítmo1u syfte 



teus nrfri. 



Emperador Cam,em a Cidade Cambalienfe, competia i'>'4'fi ,B '^"V" ,tt '* mcel '- 

■ • r, liei- 1 lUudtitnplum corruit , C>r. 

riaarctmecturacomotempIodeSalamao: 6<p naopode Zoiwm « u»reu. aturei. 
fua magnificência reíiiiir aosrayos, hum oreduílo a cin- 
zas. 70 OPalaciodosReysdeMangalu,cominnume- ^ZZat^' 1 '^' 
raveis apozentos aderaçados , & cubertos todos de ouro, 7° Jofiptu* GrccurJc mu 

x r n r- • f i a t- -i morahbiisperdituhb.\.C3p7. 

72 omeímo pezo Ineiervio deruma. 73 Empenhou- 7 , wajoiu*ut.dcMcmcrf 
íc ademencia de Chebrene Rey do Egypto, em fazer hum ****•• 
Palácio, que fofíeettrno,&mcdio-lheaalturadosalicef- t P , Ulsl;b ,,«* a «; 
fes, pela que detreminava dar ao edifício: 74 podemays 71 z°f e í hwuhl f u ?- hh - 1 -' 
o tempo, do que o archite&o : com que hoje não apparece 

r , n . j ,. * ' ,. r f r 74 HercàoBu.hb.x.cab.xo. 

mays,quEhummontaodepedras. 75 Os edifícios, que 
faõ partosda vágloria,&: loberba humana, como lhe fal- 75 iitm*ofòÍH$*Kff$. 
ta o fim, que os perpetua, que he a gloria de Deos,& a uti- 
lidade de ícus fer vos, carecem dodefenfivo que os eter- 
niza. 

3 1 1 Com as excellcncias do templo de Salamáo en- 
nobrecéo Deos a Ordem de Saõ Bento. Santificou Deos 
o templo, para depofito de feu nome,& emprego de léus 

Ff 2 olhos. 



■2 sã O P^INCITE DOS ?AT. TOMO 71. 
7 s saitSipivtJemumbaae O lhos , em quanto exiííi-íe o mundo. 7ó Predeítinoii 

auamttdifica(lU,utpnteremȒ) . * ,. . _ ., , , 

ivtnmeun, , ibi ixfcmpiteinum, Deos a cita Rehpiao , para que tempre o louva-iem em 
va^.t^cKhwcnbovjcwp,- ■ n o mundo ouveíiem creaturas ; perdéo o templo 

Temam. j. tleg.cap.g.verjj^ t ' i . • i 

77 ibiverf.T.^4tifer*mtf- deSalamaò o privilegio, porqueieu fundador perdéo st 

raelâcfupsrf cie teme t c S tem- y-\ r o r • - j c - r> ji 

phmbocf&c. g ra Ç a - 77 Coníerva a Religião de bao bento aindul- 

7 3 i„ caraeejHsftarefecit uencia , porque íeu Patriarcha coníervou a vir tude. 78 

««£«< ijípdeUi. tcdtj. 4 6. oi2 Naó foy eíta io a mercê , com que Dcos parti- 
cularizou o Solar Beneditino: nas ícguintes emprezas as 
iremos difcurfando : duplicouihe Deos os privilégios, 
porque fe conformou com a nobreza do Patriarcha. A ne* 
nhúacaía dosPrincipcs de Ifrael concedêoDeos as gra* 
ças,comque autorizou os folaresde Abrahaõ,Ifaac, Ja- 
cob, Jofeph ,& David ; nenhum dos Principes os iguala- 
va na aícendencia dospays,nemna defcendencia àos fi- 
lhos j foraó ramos das arvores mays illuftres}& forac tron- 
cos dos filhos maysheroycos. Herdou Saõ Bento a nobre- 
fa,quetiveraÕQS Patriarchasdaleyefcrita ,que foy a vir- 

x*$ HH ft,pr *- Em ^" d ^ tude, com quefloreceraõ: 79 Em a multidão dos filhos 

■AH . n. 15 H. aittoritats 5 1. . ■* /» 

efclarecidos,nenhum jufto,delpoisdos Sagrados Apofío- 
los,lhe igualou o numero: Sc a hum Solar aparentado com 

80 Dobotiavemâomut Da- a mayor nobrefa da terra, ío Deos havia de fer o defeníbr 
^JT^nZnTqTchu/at: de fua immunidade. Guarda dacafa de David foy ornef* 
c? ciaudet,^ uo»crit,q U i ape- mo Deos: 80 Aparentou-íe a cafa de David , com todas 

nat.lfaiat.i.verf.2.1.. o mi n j ir 1 o r x^ 

as famílias iantas, & inumes de lirael : & entregarie Deos 
da chave , foy para que corre-fe por fua conta o defender» 
lhe a regalia. Por conta de Deos eííá a confervação da fa- 
mília Beneditina: na infalibilidade de fua palavra, fe conf- 
tituhio Deos Confervadorde feus privilégios. 

3 1 3 Com asmcfmas izenções , & excellencias , com 
que Deos exaltou o Solar de São Bento,o ficarão herdan- 
do feus filhos: o ramo de louro, com que São Bento os 
metéo de póííe , foy o eípirito , que nelles deixou depofi- 
tado. 81 Não me parece, que Deos Senhor Noíio, em 
a Ley Antigua fizefle aos Patriarchas, & mimóibs leusal- 

81 HarcãHafftmBanepotes gúa mercê , em ordem a izenção de feus domínios, quea 
^££%T£$S. náodeixa-íe por herança a feus defccndcntes : muytosa 
""'"■ '• perderão, porque deçeneraraõ da fantidade de íeus pays: 
mtím, es caftodieriti, ptB.um Como Efàu filho de lfaac; 8c Abfalaõ filho de David , Sc 
ínTs^XvIZiflnZ o»tros muy tos: fbraócondicionaes aspcméíW. 8 2 por 
ta.Exiiii 9 ,verf.i6. ifíò he neccflTari o, quefejaavida dos filhos, aditada com 

os 



E'M?<T<EZA xrii. n 29 

osbõs procedimentos dospays. Aily autorizou Deosas 
familiasltefe«sjfcr\ws.., pára que os Príncipes, á lua imita- 
rão, eiinobrctc-iem as defccndencias dos iliuftres. To- 8 < Erocujicituu* quocumi 
do, os privilégios foraõ reparos , para que predura-fe no %&"*""*' ^"S"-™* 
mundo a vircude dos efcolhidos j Sc ally lhes reiguardou 84 E s<>f"<>*e&rtuuffi,m.ibi 

D/T' t J J T 1 O O c «P-\%.Virl. i. 

cos aspeiiOds,queroyguardade Jacob: 03 protector 8 S c (Wf> „ w< ró W/ » 

tíeAbrahaó: 84 & de David. 85 Dameíma forte Jhe e 'f rete8er '»<«<■ W J°- 
eiiubellecéo a propagação, avinculando aos filhos 
toda a eceyçaõ do folar ; excluindo delle aosindig- 
nos, para augmentar, & eftabelecer o nu- 
mero dos beneméritos. 



j 






Ff 3 A SEGUN- 



P3° 



A SEGUNDA 



EXCELLENCIA. QUE SUA PvELlGiAM, NO 

Ip^^Sm^ fim do mundo, eíbria rirmepela Igreja Romana^ 
léfihtrtmèt i»fijeco»fott3b,t. confortaria a muvtos na Fé Catholica,. 

*£ E M $ %E Z A XVIlh 




3*4 PPlP^Piil S olhos naõ divifaõfem luz; os 



Ifa 






^£ 



Toldados nao pelejo km ar- 
!$ mas; as praças nao retinem íem 
£$/|Í muros; os edifícios naõ duraó 
_j7p|jj íemalicefiès,-asplantas naõ crefc 
jfS£J ^Ê^^ célcm Sol, & aterra naõ fructt- 
fica fem agoa: Luz, anna,muro, alicefle, Sol , & agoa he a 
Fé Catholica: he luz, que naõ admite fombra ; be arma, 
ue não erra golpe; hemuro, a que naõ rompe a baila ; he 

aiicefic, 



que 



bmprezj yjnn. i 3 i 

aliccfil',quç mó arruina o tempo jhc Sol,aquenaõeclyp- 
iàa JLu3;fchpagoa,aque não turva a terra. Seniefta luz, 
todos vivem eégns ; femeíta arma , todos ficáo vencidos j 
íemefte muro, todos eftáoarri Içados; lemeííealiceílè, to- 
dos vacilão confuíos; íem eíte SoJ, nenhúa virtude crcícc; 
& iciu eíb agoa , nenhuma vida fe immortaliíà. He a 
1 eCâtholicaa embarcação, adonde no mar deite mun- 
do íal vamos a alma: perde a vida, & osbés, o que no meyo 
da tromenta le lançar íora da embarcação 5 perde a alma, 
& ptivâ-íencíie mundo de coda a fortuna, quem vive íóra 
da Ley E vangeiíca. 1 J(/i quiex dij ^ c: j cni u ; •«. 

315 A vilh , & o Reyno perdéo Philippe, Empera- f 



Joann. Cbtjjijt. hnnil. , ES ó» 

dor de Conítautinopla, quando deixou a Fé deChníto. Éj>ifl.adijimoth. 
2 . Pela mefma cauí a , os R eynos de Bri tani a vieraõ á í b- t lJ^$$j£ ? plT»l , j£ 
geyçáodeOcca. :> E o Império deCanftantinopla,ao c0amaihcncjept*i$<mi- 
poder de Pepino ; & de leu hino Carolo Magno. 4 O taf.uwoccuUxipw^uiim- 
cetro de I fcel cahio nas mãos dos Romanos , porque Ale- ^S^&^c. 
xandra, mulher de Alexandre Jamno,hereje Sabducèo, ffit&fri&tyyhá&fj'*** 
feguio oerro defeu marido, que pervertéo oculto, com ' } "';;!r -,; v.r/^/^.g.^/V. 
que os filhos dç lfrael adora vaó ao verdadeyro Deos ; 5 ítàwfffyi* ti:j c ■" -'' 
o primey ro templo, que ouve dedicado á Fidelidade, foy 5 pjif.bu, ^"M- ',' c - 
o que levantou Roma, filha de Eneas, de quem defeendéo x f a ^i\ r " ' r ^' J, ' r " 
© povo Romani; oqual,íundou a duracaó,& potenciade " Pu^tJq»o4rj>h^om, 

kuimpeno,emcqmecarnadediçacaõdeitetemplo. 6 ' zjfoetfiha .- '»'»»>.* 

316 Eíle nome Fé,divideflè em Fé Divina, Ec^S' >^- 

humana, 7 & Fè politica. 8 A Fè Divina he certiífi- '« ^"^ w-f 

Hia ? pcinjaii.vcl; porque tema Deos por<jbjecro tormal, ír^ui^odU^uu^M 
cmqtuhtQ fuaiow, & primeyta verdade revelante: &&^%t,SJi$!ll& 
mfdhncc fikrç poteft. A Fè humana, &oolitica hein- Mx - .. .-.«'o ^;'>' »- 

C r 111 1 1 - r farei, rio;*. \ aht.lib.iS.de 

Certa, oc laliivçtem.tudo ; porque nao rem outra certeza ;„;,.„„ 

mays,doque o parecer, & autoridade dos horoés: donde ^'{^7"^'^' 

çajlimiyor propriedade íc chama fidelidade humana ,& « hnwtydfcií-finp"*- 

politica, uo que te; por quanto lhe falta auchor, quede 

jfua fflTencia niópòils enganar , nem fer çingan^lo 5 &i ío 

Juieojsiemei^a virtude $8c nas couías pertencentes úFè a 

«omauinica a léus Vigários. 

■^ij Com a fidelidade humana fe perderão todos, 
<]Usnrasieguiãooserros - da gentilidade, crendo em os fil- 
íoà Dcufes, porque alTy o diíTerão,& enfinaráo osf.btos 
Õeleus tempos: o que (emolira va naimsgcmda Fidelida* 

de, 



2-2 O T^NCIVE WS $AT. TOMO 11. 
de,que os Romanos po7.erão no Capitólio jaqual, era hum 
9 spt8ttecji:Ji»*JiTiâti velho, dando lições de Cychara a hú menino, o Seguem 

iu Capitólio ima^e nu cumly- _ ... . * • i / 1 

rtpucrãdoccuu. mí»í*í tíji, omelmo precipício todos os nerejes,govcrnando-le pela 
''*•»»• «*• »«>•■• *«>■ opinião dos herefiarchas : afly o moftrou Euricio Viriano, 

Calveniita,deípoisde convertido áFéjretratandoa Cal- 

vino,na figura de hum cego, que defpenhando-fe dehúa 

eminência, levava trás fi innumeravel multidão de peííóas, 

K . . t-. . , „. tão erradas, que perguntadas pela razão de fua loucura, 

10 Euricius /inaniu deCl- '■ 3 T i fr r 3 

feBio>itvu*fiàeix»p.\.%.-ii. reípondião: Porque aíly o mandava leu meítre. 10 
c)l^thut{^ d ^7J!r\ 318 A fidelidade politica he vida das republicassem 
eJúfàem'feHu\ ^pbor. ?oi,$. e H a , não ouvera comércios, nemfociedade entre os ho- 
■ 1 ?iJeipr*j!Jhimf>erb t mes. 11 Semelhantes aos brutos iorao os racionaes ,le 
l^T^tj^. lhes faltara dia confidencia. Eraõ innuteys aos Príncipes 
/«rum Re^úm , tf érindfut», todas as cautellas; & aos preíidios as forças, fe os não con* 

títitojirijkacjiJtperiuduciat r ,. , n • J 

atqucorttores finem immambiu lolldarâ Cita VirtUdC 12 

bcdvs imponit , tfr Bapt. ittlg* 
tnjj.b de fiJe publica. 

., ^áwAíi uicoiioquiumve- Hdc^S am'tciti<u longo pofl tempere firmai, 

titrttnt ,atque eotloquio fadus -. t n 1 ;■ 7.1 

addidcrunt .■ tf a,,l prior Co. Manfuroque adamante ligat, nec mobile mutat 

lngenium,paru<ejlrepitu nec Vincula nox* 



rmniiu tn GaUicis Cafirix cum 
Pitro , ul palam miliaptx ony 



titiui dec!jra,eínr,pr*nd,f<ct, jDijTolvipatitur, neefaflidire prtorem, 

fofindie ad (pular in ca/irit y~j 1 o 1 

Jiiit P ttrum excepit ,ubi eu pro LlaUCtta. 2. OlU. 

prandio cepit, atque incarcerc 

orad.t. Idem hb 9 .caj>.6.de „ orJi-JJ j r • 

Pr*fidia. Algus tomarão a elta fidelidade, por capa de lua incon* 

ii\li?q^p7oZluZ^o%' u fidencia. Confiados nas pala vras dos homés,cahiráo muy-» 
f-Ki/*'» comen^ opera V». tos nas m ã os da treyção. Hum delles foy Pedro , Empera* 

hry Max,m.T,t.de?rodu8wn. . . . J * _. . . * . . . „ .* . 

n erinctpsabfqtiefjehuu dor dos Latinos, a quem 1 neodoricoCominio, Príncipe 

t^^^d^!:; de Macedónia, deu amorte entre as celebridades das pa- 

16 infidchtPrincept Honcji z e $, que havião publicado. 12 Com razão intitularão os 

JJominus fedhumiliJIimtu fer- T ,.,^ M . , Vi j n ■ 2 o T 

-•'in.DwgcnttLaert.apudEu- Hiltonadores a 1 neodoro, o Príncipe cego, & iem pur- 
tt^Ã^ f í^,-P Q »: 14 perde de vifta a fortuna, 15 & defpoja-íe de 
rerefouuu efi.TurpijTiniufte- toda a Mageftade , o Príncipe, que falta á fua proméífa. 

*>ime;tfidcr,,fallers,inRc7ibuf / r\ > rln r\ A £T /' CL* rj 

■vtroiôHgcntrptvA. f a n rm,u- *o Uezia ElKey Uom Atlonlo o babio, que lendo a 
T«^'V ?'%■ Kehu ':, infidelidade em todos o mayor defeyto, era nos Principes 

i!S l urro fiiem tn manibui . I'i- rj ■»/"• 

+Araba adeo cohbanuutfjdu* abominável. 17 Os de Arábia da vao por fiador de íua 
neelvtitjHtta maior» d.tiu* Palavra o próprio langue,que tiravao damaodireyta,lan- 
e orum,qu, f^urini,eKt,hpi. ç ai1 do-o fobre húis pedras , que tinhaó dedicadas para ef- 

tteqindim *It[o.tntintt-jqi4e in- * _ ., t '* -,. * 

iefiocco»ciapiãibu,fiftem,aui ta luprefliciofa ceremonia. 18 Efe a fidelidade hedef- 

firentinbunc llTunt o/npjrali 1 1 r 1 r> li 

.lUtujuUinurtmOrauKó A- empenho do langue ; deve ler o mayor empenho dapur- 
hhtnomm,bu,un,cuinv 3 c>tis. pura. Attilio Regulo foy exemplar da fidelidade politi- 

Pieriur Valttianui lib. )\.de c P. ' L ^ , . r \ _ 

2w««». ca j porque íazendo pazes com osCartnaginelcSjluíten- 

tou 



Cotia amifade no tempo, em que osdeCarthago eftaváo 

defmuhidos de forças. He cerco que o guardar té ao ami- 19 infMcttMttftmJ&vt* 

, . r . 1 c 1 c j ttlbi!Mri!iiume/l**iJctur,verS 

íjo,quandodelamparadodaiortuna,neamáyor fineza do cum q U iftumi*»m a aiaai- 

^^ tjieconjiaiítpernianet.iâomni 

«ttilUI . '7 nvomemcrta rítinendwn e> it 

iitnofh.lib.^. úc reltttf Gtdc. 

Stat nuUa diu mortalibus ufquam 7 

Fortuna tkubante y fides 

Siliitó Italicus 1 r . 

Aplanta em quanto tem fru&os he aífiftida , & defam- 
parada defpois,queosnão tem. Refizeião-feosCartha- 
ginefes de forças, & rompendo as pazes, que tinhãofey to 
com Attilio,náo foy baitante, para queefte,quebraiea 
palavra, que lhes havia dado, de ferem todo o tempo fiel 
amigo dos Carthaginefes : perdéo Attilio a vida , mas im- 
mortalizou o nome. 

• 
Ser anta clarum nomen , tua Regula proles^ 
Çhálongumf empei fama gltfcente per teVurn, 
liijidisJerVdJfefidem mcmorare Pmiís. 
StU. lib. 6, 

5 t 9 Só a Fé Divina he a barca , aonde navega fe* 
guro, quem nella faz viagem: aqual, ainda queofenxida 
figurativo a compare á embarcação ; não recebe paíTagey- 
ros inconfidentes: as ovelhas, que não forem de hum fá 
rebanho , & apafcentadas por hú io Paftor , que he o Sum- 
mo PontiriceTnão podem entrar nella. A Fé Catholica 
he fymbolifada no monte de Hifchara,aonde não fóbe pei- 
fóa,fem que primey ro fe lave nas agoas,que cercão o mon- 
te. 20 O bapnlmo heaagoa,em que pnmeyro ie na ra - vlh b u ,v,b V ut.%.âcku»ti. 
de lavar, quem feouver derecolhcr ando da Fé. A agoa *«'•'»">«;. 7 . 
doBaptifmo tem em ti a virtude, que a fupreftiçaõtõlfa- 

mente atribuhio a outras agoas. Os efleytosda agoa do 
poço Ilmalc, que deziao^clarava os olhos, 21 heavir» 

tude da agoa do Bapciímo , que abre os olhos d'alma , & as 

pói tas do Ceo. A virtude , que fmgiaó em as agoasda ton- 

re de Oecia, apelidando-as criaga contra todo o veneno; 

12 faõ na realidade os eflkytos do Sacramento do Baptil- X1 ij e m,n. 

mo. A «.alidade das agoasdo rochedo de kbruth , tão fubí- 

Gg tancial, 






I o TtâtrUus Jt trflh a Jt mi 



i -4 O I^INCITE DOS VXT. TOMO 11 
Mncial, que muy tos de feus moradores não uzaváo de ou« 
i, idimihK tro luftento : 23 Foy chiméra da antiguidade ; porque 

fó a graça que infunde a agoa doBaptiiino, heovital ali- 
mento d 'a Ima. A opinião de que as agoas da fonte de E- 
quipara eràovenenófas para todos aquelles, que defpois 

24 lâemdivifione II. . n r n- - - l 

deagoitareiníearieyçoavaoaovinrio, 24 amuytospa- 
rece'ofabulofa ; náoalíyacalidade daagoa doBaptiíinoj 
porque dá morte eterna a todos , os que defpois de a rece- 
berem, apofbtarão da Fé. Affirmáo muy tos , que era pro- 
2? riocatiu, afuã Mayohim priedade das agoas de Amoíanto , matarem com feus 
coUo^.xz.nuti.LtcHi. vapores as aves, que voavãofobre ellas. 25 Conhecem 

todos osCatholicos a infalibilidade, com que osherejes 
fecondenáo, querendo voar com aspennas de feus erros, 
fobre as agoas do Baptifmo,que receberão. Prohibia a gé- 
tilidade, entrar no templo do Deos Incógnito, fem pri» 
mey ro ter licença do Sacerdote,que o adminiftrava. Som- 
bra parece que foy da Fé Divina, facrofanto templo do 
verdadeyro Deos, aonde ninguém fe embarca neftaNáo 
de São Pedro, fem primeyro render obediência ao Sum- 
mo Pontifice Romano. 

3 20 Os que fe embarcão levão matalotagem,de que 
fe fuftentáo : na embarcação da Fè cada hum come do feu, 
ninguém do alheyo: quem nella faz viagem , fem levar o 
íuftento das boas obras, corre perigo: conforme o mere- 
cimento próprio, aífy he abonança, com que navega. Ne- 
nhúa ave voa com húa fó aza , todas voão com duas , a Fè, 
&as boas obras faõ as duas azas, com que voamos para 
Deos ; húa, fem outra naõaproveyta, para chegarmos ao 
Zi^S&lf^Z- P°"o defe jado. A Fè Divina he raiz, & principio de toda 
jamemumtJificaveri,, Ucfo- floíTa felicidade: 1 6 Com ella,nos difpomos para a me" 
mns^ofictmetcedsm. Inor operação, que he crer os artigos da noíiar e; razão, 
M mhof ' Ub ' dt G ' im% H por onde S. Paulo chama á Fè, fubítancia \ porque aífy co, 

mo a fubítancia entre os predicamentos he o primeyro na 
ordem, a quem os maysíe referem, como afugeyto,quc 
he fundamento de tudo, da mefma forte a Fè , logra o pri- 
meyro lugar, entre as virtudes Theologaes, como baze de 
todas. Mas de tal íórte tem a Fè em fi elta primazia , & vir- 
tude , que ainda , que a tenhamos n'alma , & no entendi- 
mento, não fendo acompanhada de obras meritórias, he 
tomo aefpada, que não defende do contrario , quando 

pófia 



EM PREZ A XFIU. g 35 

pòfía na finta, fenaó quando empunhada na mão. 

321 Opeyxeílemora fendo pequeno , detém a húa 
embarcação, pormayor quele;3 ; contra as forças da R.e- 
niora náo valem as fúrias dos venros j com que põem a 
náo em termos decalmaria. A Rcmora , que impede nave- 
gar a embarcação da Fè heacuipa mortal: heFèmorta,a 
quefenãoaíToceyacomagraça;& Fè viva,aqueanda jun- 
ta com ella. 27 Suppoíto,que outro peccado não faz 
perdera Fè,fenãoa culpa de inconfidência: 28 He cer- 
to, que com a mortal, eCtí a Fe arvore feca , porque a falta , 7 j, fwf „;„ cer p„, f :ni 
àà charidade a náo deyxa profeguir o rumo, 20 pela^'"'"™"""™' 3 ''",;^'' 

J j • r /me cpenbus mortua til. bpijl. 

carência, que tem a creatura de merecimentos, quefaô Bc«uj»cob.csp.i.^x6 

osapreftoscom que a embarcação da Fè fac*osm<Ks t *JXX^Q& 
defre m undo. fimper smitti,jutfdem,e, Ui c 

T T . . . - rtmanct »on efíc -vetam f.dcm 

322 Uza o inimigo commum,para que nos laníemos Ucctrsfitviva.auteum^uifi. 
fora da embarcação da Fè, dos enganos, com que o feytií- Í^ÍZ^T^^ZTcL 
feyroMachro tirava os peyxesdomar j para efle fimef- aihiridait.feff.ó.eap.zt. 
tendia na praya húa rede, naqual reprefentava aos peyxes t «\ 9 Jd%i«í!*Ti™f P **' 
in3r,ouriofucceíi!Vo,commays fabordfasagoas, doque 
erão,asemquenadavão:& conforme o natural dopey- '° f" m I f' r1be i e ° zenon 

. r '. 1 /r 11 r ».{ X tecla* acundeia; fabular. etP, 

xe, que dele;ava prender, aíiy lhe repreíentava-ofalío la- 3 6.§.5. 
bor. 30 Da meíma forte o inimigo, eftende a rede de Aia 
folia do£bina,com enganofa apparencia de verdadeyra re- 
ligião; aproveyta-fe de 3lgús dogmas fantos , para cõ elles 
hgurarna rede , que nosarma , continuadas as agoas da Fé 
mays pura. Os caçadores encobrem com ramos de arvores 
as malhas das redes ; & efeondem entre os ramos varas.vifc ^j| *** 

cofas : aíTy o inimigo commum. 

323 Ofabor,comquefazapetitofoovenenode 
fuás agoas, hecom o gofío da liberdade, que dá aos vicios. 
Muytos defamparando a embarc3ção,ficarão na rede^pri- 
faó,3donde o mefmotraydor ferve de verdugo; executan- 
do nos delinquentes oscaítigos,comqueafabulofa anti? 
guidade intimidou os ânimos, para aflegurar aeftimaçáo 
de feus foi los Dcofes-, dizendo , que Júpiter transformara 
em Lobo a Lycaonlley de Arcádia, porque o tratou com 
engano. 21 Converte o inimigo na fereza de Lobo,aqué 
dc\xou a ílngueza de ovelha , lendo infiel a leu verdadey- 
roPí.ftor. Affirmaváo,que a Deofajuno privara da fer- 
mo lura as filhas de Preto Rey de Atcadia, transfomian- 

Ga 2 doas 



2 )4 o ^mciPE TjOS $ât. tomo n. 

do-as em vacas, porque íc eitimarãoem mays,doqne a 
ft Ravifi ihCffid.tit. Con. Y)toíá. 2 2 Tira o inimigo a fermofura d'alma , que hc a 

temores D cor. r> L>.J- - r \ 

graça,aos que íaltao a Deos com a obediencia,por nao ra I- 
tareniaficom odeleyte. CreerãoosKomanos,queade. 

9, campana de filada bo- clinaçãodefeu Império procedia dosdeípreíos, que Nero 
P""* w "M-§-7°. fazia áDeoíaSiriaca, a quem adorava: 55 &queosíol- 

34 Ji/s.jc. dados de Alexandre perderão avifta pela deíèltimaçáo, 

com que íeouve Alexandre, com aíuaDeofaCercs. 94 
AfligeoinimigOjCompremifiaõdeDeoSjasMonarchias 
daquelles Príncipes ,queíe apartarão da verdadeyra Fè: 
Sentio-oEfpanha, quando com aentrada dos Godos fe 
introdufio nella a fey ta de Ario : vivendo em perpetua cí- 
curidade os vaííallos, porque falta em feus Príncipes a ver- 
dadeyra luz da Fè, que guia a todos. Fingio a gentilidade, 
que Eneas encontrara no Inferno a Phlegyas Rey dos 
Loptyharos , encomendando a todos os Monarchas ào 
mundo, que para eftabelecerem feus Impérios era necef- 
fario,não faltar aos homés com a juftiga,neni a feus Deoies 
com a veneração. 

^ — .. ^blegyMquèmifemmmòmnès 
Qjí dmonet, £2 magna tejlatur Você pêr timbrMi 
IDiJcitejuflitiam momti> OS non temmre Divos. 
Virgil.6.j£mid. 

A perpetuidade dos clauftros Beneditinos, (Berna ver> 
ttiííUBça adonde defeanção os corpos de infinidade de )u£~ 
tos) eftá amoeftandoatodaa Monarchiada terra, que a 
feentarfe do naufrágio he effeyto, de nunca por o pé í ora 
da embarcação da Fè. 

•• 524 Foy grande ademenciadoshomês,quetendoa- 
tnor á vida,fe reparão da morte com outro eícudo,que não 
foíTeoda Fè. Se o Capitão Prepenna temendo a morte 
«ntre as diífenções , que ouve no exercito com a faka de 
\% Nama Pempeianú Jefre- Sertório, fe enclauzurara naen barcaçãodaFè, aíTy como 
tt^ffiãZfcJXi fe efeondéo nos arvoredos dos bofques, 3 5 logra ra a for* 
iicufidntHçap.ii. tuna do Capitão Aftafio Seracuífano , quebapriiando-is 
navefporadodia,emquedeterminavadar batalha afena 
contrários, veneèoa todos 5 & deyxando defpois a milicia 
letirou-fe para hum dezerto , adonde vivéo lançamento 

cqh- 



mia viven 



EM^^EZJ UVItt. 237 

cento, & hum annos. 26 Se Calígula emluear da cinza, * 6 ^^r^cifcoâe^r^^ 

. . , J , ° ° vida de ciai 01 imor.es tu vida 

lomqtie cobria a cabeça, quando ouvia os trovões, 57 de^fLcio.ht.^. 

a lavara com 2^oa do Bapnirno ; fora como Perufio Haí- }\ &"<?* "*r«>"™<'- 

o _ I / , _ interior? ÇHia in L...i!gttUí,tt~ 

rheno^quedeipois de convertido áFè,ckleytoMon)e, •>"•/«" •'/"""«'•' í: "» «**' 

• 1 p 1 • ■ .-- cum luptib JTimtu cf[d, ad om- 

teve tanta virtude, que íe reparava comoabito,dostan- ni afui g u,apivm S \vduú,n. 
tafticosravos, com que o Demónio o queria moleftar. 38 ^í/^SfH^f**'*** 114 
Toua acreaturaíora de leu natural perde as torças, & a- j» ídcmPjrancjiudit.e. 
bieviaa vida: nenhum peyxevivéo torada agoa 5 nem ra- 
cional algum,dentronella. 

525 Não foy menor a ignorância de muy tos,que de- 
fejando eternizar as patrias,&livralas dos infortunios,que 
padeciáo, íeguindo o confelho do Demónio , a quem cha- 

/-v 1 L " /* 1 - iT"r> m Souzath. de mirabilibut 

mavao Oráculo, hus, felançavao no mar, como íez Remo ^^««./««w. ' 
EíTenej 59 outros, feenterravão vivos, como fez Claro 
Vetuftano: 40 muy tos facrificaváo feus filhos aos Ido- 40 ií/Mf-*y 
los,comofezAuftroCapitãodosTartarosj 41 &forão 4 ' 
innumeraveis, os que enterrarão nas aberturas da terra, 
grande foma de riquefas, para com ellas mitigarem as ima- 
ginadas iras de íuas fupreiuciofas deidades. Todas eftaso- 
bras, que parecem impulfosdoamor, foráopaitos da ig- 
norância, porque com elles não eternifaráo as pátrias, não 
evitarão os infortúnios, & não confeguirão as felicidades. 
Honra da pátria , utilidade dos fubditos , & perpetuidade 
dos Rey nos foy a refoluçáo, com que o Emperador Conf* 
tantino Magno, & Requeredo Rey dos Godos emEfpa* 
nha abraçarão a Fé de Chrifto: com fe lançarem nefte mat 
de graça, defterrarão de feus Impérios as calamidades, que 
trazem contigo as hereíias. Augmentou a eíumação da 
ThebaydaS. Paulo Primeyro Ermitão fepultando-íe vi- 
vo em húa cova, aonde começou a fazer penitencia de ida- 
de de quinze annos. Afíègurarão aeítabilidade de feus ef- 
tados Equicio,& Tertullo confagrando a Deos íeus filhos 
Plácido ,& Mauro debayxo da obediência de São Bento. 
São Domingos Patriarcha dos Pregadores ,&£>. Francif- 
ti í co Patriarcha dos Pobres, com odefprefo que fizerão 
dos bés temporaes, repararão o golpe,com que a indigna- 
ção da divina jufiiça determinava caftigar o mundo. 

3 26 De todas as perfeguiçócs foy combatida a Re- 
ligião de S. Bento, não forão fó os Herejes, & Gentios, os 
que a intentarão extinguir com fuás aueldadcs ; por todas» 

Gg 3 as 



a 3 8 (9 P?{1NCI?E WS TAT. TOM. 11. 

as viasa folicicou atenuar o inimigo commumconuodo o 
41 Titifitmmiitniumiumt- generode tentações ,& de tentadores. Qual outro firma. 

mento íituado no meyo das agoas; 4a eiteve ahehgiao 

•Beneditina firme no combate de tantas ondas : oeicudo 
4 » SoUm igitur certum fi,- cõ que fe reparoufoy o efiar firme na Fé : Virtude,que li- 

r^qurboHumcfífiJrs. &« L j j f j So( J oma a p iaa b do incêndio de 

íMgnfupitmcrtuniydrpuifivu T er j c òj aos três Meninos,do rogo da fornalha ; a Noé, das 
ctiiativum&c. rhih HebrMb. agoas do diluvio; & a Daniel, do Jjgo dos Leões. ÍNao tem 
í/í ./»"*. »»».!, que temer ruínajquemíeeftnbarneftacolumna. 43 

íilga yTííVí iw/fXd Dío trepidantiafirmet 
Pectora ; S> in maftofecurum tempere, tempm 
(Práfumat confifa Dco , quianon metuendi 
Caii/a timere Deum, quem qmfquis non úmettinum 
Omriuijura úmet,fidant legiombu* ith. 
(Perfugio que parent reparatis mama muris 
Nullafalutifèri, quibus cíiftducut Cbri/Ii; 
ISlos Crucis inVicl<efignum , ǣ confeffto mumt. 
S. Taulhms Carmine natalittj. b./õ/. 277. 

Toda a anciã , com que a Alma Santa dos Cantares pc« 
44 uiicimibiubipjfcat.u- dia afeu Efpofo,lhecnfma-feaparte,adondeapafcenta- 

li cubm in meridie.nc vn"/tri li » ■ ■ i c 

iacifiam. Cam. i. va os rebanhos para nao errar o caminho , 44 íoy, que- 

rerfeaííegurar na Fé, porque kbia era certa a perdição 

dos que fe a parta vão do rebanho de feu verdadeyro Paf- 

4í oSui,fir,»;nev*â^iH ÍOTt p ara livrar aRuth detoda adiígraça,lhe encomen* 

tUerUm agrumad colliginâum, . r _^ „ Tl f /• • J • l 

nereeeãetabboeioeo. douleu parente Boos , naocoine-ie aselpigasdotngode 

Rmb.cq.t.virf.9. outrocampo,fcnãodofeu. 45 Figurava Boos, a Chriíio 

(he commum ) oqual,fendo Senhor do univeríb não reco- 

46 ^iur-Ht-ntít*: ^e-fe porproprias, fenão as terras, aonde fru&ifica afua 
cuu ,quituí fiàtsQathoiit* in Fè : demarcação dentro da qual fe acha a gloria, & fora 

Jw «ifiqviwn eorum compra- \ \\ 

hidi>-u,nt<UiU»,>r.,icircove- delia o tormento. 

ít,Tco^pZr::£í .PI Coiníemelhanças de embarcação ficou a Reli- 

u,iHfHmm t vivnntofinionum oúo Beneditina , íituada no mcyo das agoas : náofíucluar 

íncmflantiit. Mjgalmur faeer r r s o 

Canxie* Moyfi , tf Benedúi. nas tormentas ioy , porque conlervou as amarras ; 46 & 
*£™ re £'' A * nmt -*J'* i *' nunca perdèo a ancora da Fé; 47 as amarras que aííegu- 

47 Sicut. inchara j*Uad: rãoeita embar cação íaõ asboas obras; asquaes iempre a- 

tuvi,bnic ptrmittit ejmciícií- , i - r i i • i i -\ a ' i o t» 

fcrre.hctt venti co-nmovUm, companliarao a haelidade , com que os Mondes deS. Ben- 

&&%&*»*&&:& è toferviráoaDeos.O Eterno Pay prometcoa São Bento, 

Uttr, de nunca tirar os olhos oe lua milencordia da ReliciJao, 



me 



E MV REZA XF11L q ;p 

q;;ccFte Santo Patriarchahaviafundado.Duascoufascer- 

uficou Deos a S.Bentoneíla promeffa: a primeyra foy, de 

nunca íaltar a feus Monjes a charidadc, de que fe anima 4 8 ^àc aím ^ a 2 muKcra 

a re. Porque o naoolhar Deos para Caim , nem para a 01- t„/- s . J ^ * 

fertadoíacrificio.quelhceftavaofierecédo, .4.8 fov,oor n * 9 ts ™?/ l é i '. CH l' h ' uit . 
i, • '11 rí 1 j j Zr 1 l *fe»tjf«í« »««*<*«« íi*riwr*. 

que a Caim lne faltava achandace. 49 Aíesmnda cou- D f*u*ii,o,„*f. 

Í3,que Deos certificou a S. Bento foy,de nunca feus Mon- 
jes duvidarem da FéDivina: Porque odizer Chriftoaos J^ÍJÍ^wt!' 
trcs Difcipulosde Emaiis, que íè auzentava delles p3ra ,V &**^*** •«•'#*«*** 
muytoionge: 50 loy, porque os Diicipulos eítavaodu- x,t( e u« g ,u.< i re . p.G,c g0 r. 
vidofosnaFédeChriito: 51 & com a protecção àWi~ Mí '*-'" tl6 "" 1 - 
na , & companhia de Deos, que tormenta pôde ha ver,que 
feja tormenta , & não bonança ? Que morte pôde haver, 
que náo eternize a vida ? Os que a perderão nadefeníada »* ~à»»"<** p-*v° , àufjpt* 
e,reitaurarao por eternidades a vida,que unhão por mo- imfme^ki^wàiamorfa 
mentos:Falfaméteocreiáodeílosiudeos: Zi &osDruy- *^J íèm %^:7* ri,,>f ' 
des de França , por íflo pelejaváoiem medo da morte. 



Inde ruendi 



Infmmmmens prona V/V», aninueque capaccs 
Mm tis ^ & igna\>um ejlredkura par cere Viu. 
Lucaimslè. i; (Pbarfali<e. 



■ ■ 



3 iS Permittir Deos,que fe levanta-fem as tromenta* 
contra efta Religião foy, para certificar oshomés davir^ 
tude que lhes infunde a Fé. Creou Deos os anima es vene-» 
nofos , antes que crea-fe o homem á fua íemelhança : 5 5 
File, vivia no mundo commays commodo, fe Deos não íi EifahDeut BeftiMter* 
creara nelle,aquelles brutos; mas cercou ao homem deites Genej.í. ver/, ?.s. 
oppoftos, porque na Fò,con) que muy tos juftos os doma- 
rão, & vencerão, conheceifemos, quea fereza dos contra- 54 c ^i,v,,r d^/.í? s„- 
tios 10 tem actividade contra os tíbios na re. 54 íNaoic~ évMí,^ cokttUcaíii Lema». 
conhecem as feras neíteshomés,a íemelhança do Crcador 5 D - B "f t '" ,t - 
que as domina , nem acha nos perigos a virtude íobrenatu* 
Tal, que os rebate ; com que náo temrefíftencia as forças 
inimigas. Em quanto S. Pedro efteve firme na Fé achou 
firmezanas agoas ; defpois que duvidou, fomergia-fenci- ^ ^m^flfwã^e^ti 
lis: z< perdèoS. Pedro a virtude, que iuftentava oele- &«/**/?</«$ «>■<• •«•■ 
mento, quando iheialtoua re,com que pTincipioua cor- 
rer nas agoas; fe permanecera nella, náo temera os ventes, 

& 



r 
iS 



240 Of^KCíBE WS ?JT. TOMO 11. 
&confmnara o triunfo. He dilatada ararrcyra , que ha de 
56 Cíiffum eoiifumav} ,fiât profeguir efia Ordem, para alcançara ultima coroa: o rim 

fcrvaviíinnhquo repofita eii *_ ° j i p OLJ Lr C 

mu» carona juiuii*. %. ai Ho- do mundo he o leu termo ;& na de publicar o leu trono: 
^'iZ^odh^utn^o^ 6 poiquea fidelidade, com que em todoo tempo ha de 
tecípiat corona tua. ^pocaiyp, fervir a ftu Deos, a prelervará dos encontros,quc a podião 

arrifear a retroceder o paílò,& a perdera coroa. 57 

320 AFéhehúa efeuridade de tal virtude, que com 

* nJesejiceriituâoãey,rt- ella infalivelmente cremos , o que nunca vimos ; & temos 

hmqu«fuKU*ftc,acf,,a m cx- cer teza , do que lenão ve : * A cita luz efeura , mandou 

^m^uunvujubfijiunt. cb,y. Deos , ao Preladoda Igreja de Laodicea , lhe ajuntJ-fe o 

uharitêuíiiesefiftertndi- ouro da chandade , para que unida com are pode-ie o di- 

rumfubft a »tiarerum,ar gl mè- co p re ] a do uzar de veftiduras brancas : <8 pois íéeíbs 

uii H*breos eap. io erao prova , de que no íugeyto , que as trazia , elta a Fe vi- 

c/&f^tSr^ va com a charidade ; não faltando efta liga, em os Mon jes 

ica<nia U r*migr,n:impribMii y fe São Bento, como he o feu abito de cor negra ? Não le- 

utiocuphsfioffS vsftimgtUal. n • \ r ri- « 

ih"iaã»»rit Ufocai.&vtrc «>os , que o Santo ra tnarcha uza-íeem ieusabitos deou- 

queeftafeja açor dequevifiáoos Monjes, com tudo os 
Beneditinos nunca uzaráo de outra, porque o exemplo 
de feu Fundador foy para elles precey to inviolável. Don- 
de, tacitamente ordenou a feus filhos uza-femfó da cor ne^ 
gra: Pois fe Deos mandou áquelle Prelado, vcftiíTe do 
candor, dcfpois de íerperfcyto na Fé 3 como não ordenou 
São Bento o mefino? Se Deos decretou , que o nevado do 
vefiido abona-fe a efeuridade da Fé , S. Bento porque não 
difposomefmo,fendoPay dehuns filhos, que guardarão, 
ckháodeobfervar a Deos a mayor fidelidade ? Por ventu- 
ra, intentou São Bento accumular fombras, aoque deíl 
heobfcuro? PareíTeque fim \ 8c com intentos, de que feus 
Monjes foíTem osmays perfeytos na Fé. Denoyte infti- 
sgEgoacccpitDomiHo^uoJ tuhio Chrifto o Sacramento ; 8c de noyte ocommuriga- 

iStrtiiài vobit , triioniím Do- - I^VT I o J a 1 1 

r»i» us jcfu S ,in q uaKodeira- tao o DílcipuJos : 59 o Sacramento do Altar he por an- 
iebatHt yccepit pane». <,&. thonomafía omyfterio da Fè ; por fer entre todos osmyf- 

i.êJConnib. 11. xcrf.ij. . J ■ \ p > p ■ 

tenosomays efeuro ;Sc ajuntou Chrifto a efeuridade do 

myfterio, a efeuridade da noy te , para eníinar a feus Difci- 

pulos a terem a Fè mays pura, & perfeyta. Em infíiruhir 

6 a Etigit EucbariFriafljem Chrifto o Sacramento de noyte, foy documento, para que 

fnecurwfitute, tique iJ circo _- • „„. p p ■ p ■ » 1 c 1 • n ' \ 

Jcneae,n.ndeài*,nftituta. ni ° 'ntenralem eípecular a eícundade fcucharikic;* ; 6o 
cofma Mxgitinu, m Canii. porque em não cfpecular os myfterios , confifte a perfey- 

f<Jio. 9 .annoiatis. II. tltul. *- *, „ . .. * r I n. ■ 1 t- t r- r i 

•J/ar.*, no, cao íloCatholico, tk a lubliancia da Fe. Elta doutrina, 

que 



E M T %E Z A XVU1: 241 

que Chi iílo nas peíloas de feus Diícipulos, deu a todos os 
fieis iníikuindoo Sacramentodenoyte,arecórda o Piin- 
cipedos Patriarchas a ieus filhos, mandando-os veftirde 



negro. 



350 Se jánãofoííeefte augmenco defombras,para 
Chriíto abonar a ianridadedos Difcipulos;&c São Bento, 
a virtude dos Monjes. No principio da vocação de Moy- 
fés apparecèo-lhe Deos por entre chamas de fogo : 61 w«/tó^£22£S£ 
Defpois, quefe fortaileceonaamifade, & foy mays fanto í,,i:wJ - »• tír A- 
Moyfés, nunca Deos lheapparecèo por entrea claridade 
das chamasjíènáopor entreotenebrolodasnuvés. 62 E , _, 
elpeculada a caula deita eícundade,ioy, porque como ™*ui>e:iocutu,t,ftauumD.o+ 
Moyíèsem lua vocação tinha menos virtude, neceffirava m '" H * adla <>íf em - lhi »6W- 
deluz, quelhemoftra-íe a Deos ; mas como defpois teve 
maysfantidade, erão neceíTarias asfombras,que lho ef- 
conde-fe. 63 Moyíès tanto feaugmentava na Fè,quan- 6 * Curqui i» principio vo- 

■ t^. o /" v • ' • cationhMoyfu adDei família* 

to menos via a Deos : òc tanto ie diminuía , quanto mais o riuiemjiiin ,,, ,-«»« fendido 
lograva. E he próprio do mays perfeytocrer os myíterios, •tf ruit 'p*Pv" ,m f* militti - 

o r J* j o 1 Utt c "'"'' 1 Ui0 ,m '" >ret fecerat 

quando mays eicondidosj Sc argumento de menos virtuo-/"»2«/«"j »e« >» flamma igmt, 

io o íer fiel iem tantos embaraços. %,'- £';$ $ Tl 

221 Caufa admiração a todos o grande numero de bui D'™'' cmvnfatur.tamo 

rl1 q. o t^v pi r» !■ magiteafJtiblimioretelSecom- 

hIhosbantos,òc Doutos, com que ie ennobrece a Reli- prebenàit^vsiuuinúrd n fa* 
giaõ Beneditina 5 mas he , porque íe nãolembráo ,de que 'TS^SJSS.aSS 
S.BentofoyoPveftaurador,&PaydaFéOccidental;&he 'W- " 
Patriarcha de húafamilia, que entre as mays íieligicfas,& 
Santas , de que a Igreja de Deos compõem o feu jardim, 
tem o lugar de Perpetua, na Fidelidade. E os filhos de tal 
Pay,nãopodiaõ dcyxar defer os mays luzidos. A Abra- 
haó diílè Deos \ conta-fe as Efircllas do Ceo , para taber o 

dr JTl • i-> - i i-x <54 "Numera SleUa<,fi tairlt, 

e ieus deJcendentes. 64 E nao achou Deos #f, tef itf*r*t»uum.Gtncr. 

outracoufa,a queníTemclha-fe os filhos de Abrahaó,fe- «J-«íf'i. 

não ás EftrellasdoCeo? Comjuíb caufa: Intitula-fe A- 

brahão Paydos Fieis: 6< Eos filhos de tal Pay brilhão 

dl r' r~ n 11 ,'ii y. ^5 Pater ciznium creJcntiu, 

odaiorte,queas EitreilasrclplandeccmnoCeo. ^idRomm.^verf.11. 

Filhas do Sol chamou 3 gentilidade ás Eftrellas : No Sol 
tem S. Bento o feu retrato j Soldo Ocádente , he hum de feus 
brnzóes ;& feas Eftrellas faó commumhicroglyfico aíly 
dafantidade,comodas letras, náohemuyto,queos filhos 
defteSol, Sc de t<:l Pay,foflèm innumcraveis, como as Ef- 
trellas, Sc como cilas luminófos. 

Fih 332 Apihv 



242 O ¥%}KC1$E DOS TJT. TOMO 11. 

332 A principal razão , porque os filhos de hum , & 

outro Patriarcha,de Abrahaõ,&de S. Bento, tem a Tua 

femelhançanas Eftrellas,he, porque as Eflrellas fónodia 

66 SteíiacadentJeCah. do Juizo hão de defamparar oCeo,adonde andaó fixas: 

t"umtíuim^Aiiíg,vttbo 66 Nas Eítrellasfe reprefentao os fieis: 67 osquaes íó 

£ua ''- no ultimo dia hão de dtyxar a Fé 3 Ceo, adonde (e firma- 

... r/ . rão;porqueneflèdiahaódeveroSenhor,emquecrerão. 

juminií. int. 21. 68 Os filhos de São Bento,aíly como as Eítrellas no Ceo, 

em toda a duração do mundo hão de efiar firmes na Fè 

Catholicaj cite Ceo, he a fua embarcação; &efia,a 

fua ordem } donde não haõ de lahir atè Deos vir 

a julgar. Origem,& motivo de todas fuás 

felicidades, porque fora defia em. 

barcação,náo ha ventura. 




TERCEY* 



TERCEYRA 

EXCELLENCIA: 

Qjm TODOS OS QUE MORRESSEM EMA 
<U, Religião li WVKHÓÍ& Iene!!,, começaflèmaviver ;„^:*>1"£S 
uul , & nio emend iff^m a vida , ou fc confanderiáo, ou os Apsiwcipiq vvtre&ni Je« 
lin^naoiora ,oa eiies memiosdeyxanaoo Abito. ? fUntijicitut^eiferjè^rt- 

àielUT. D.^/innU.ubi junJ, 

E li ? %E Z A XIX. 




333 g^^gg^g E a fecundidade da terra dera 



!|i^^^p!| todaacftimaçãoaosfr»£l:os,te- 

ÉSRÉ^jJ ria igual preço oinfipido, &o 

\í||| f.,borofo;outil,&odcfnccef- 

I fario;oroetal vil,& oprecio- 



Sffi^^Si fo. A mefma terra, que produz 
o trigo .aia o joyo :& da mina donde íay a prata, fe tira o 

' Hh a ^ 



a 4 ô : O T7{]NCr?E DOS ?JT. TOM. II. 
cltâiihoj&nciuporiíío ojoyoremacftimaçaó do trigo; 
cem oellanhOjO vallor da prata: hÚ3s mclmas entranhas 
oscriáo, ; & os produzem tãadifYerentes cm o natural. & 
i staHHumemKíamttâtta^ pfefttmo,queo ioyonáohemanjar,& o trigo hc í iii íéto , o 

corpora fiãK'H.qiiibui aJ mix- * , , , , ,- n- - V \ - 

iu«,fmnui5 m 'propor nimi- eftanho hcdc natural tao ruíiico , que nao figa com nenhu 
*»jiecit*it* ,q«* j»a,b,iem mcta j. I & a prata.de natural táo benigno, que lê amaca 
hb. i.^-Jkb. «pui Gemmian. com todas , 8c com todos liga. Aparta-le o tiigo do joypfc 

db.zde MíJ.ilis cab.\6. - >-/ti • o J„ Cl i C 

■ i socrau^^Ld^fo para nao diflaborear o trigo ; & a prata do eítanho, para h- 
lebn : KtqucfiHmtntumopu- car f em ] I£ , a a prata ; com que cada hum fica com a eitima- 

mum fudunmus ,quod wpul- p r - \ r 11 r 

ch(rr:n,oa g ro,»attíeft.f e dquod eáo,contorme a lua virtude,lem que lhe aproveyte a íerti- 

zz:%%zzz»**™ iidade da ter p v m ^ e le crea ^ & ffli os p rodu ^«- * 

tumbeueveium,qHÍgenereei«- ^a. Daíor.te, que Qsfruçjios não recebem todo o va- 

tut > fed qui tiwttlitf (gre-gut . ->->t ___ ■ /r /*u 1 j- j 

^íf»r#í.5í^rfii//írflf.4í. lorda terráqueos aia ;aiiy os hinos nao lierdao toda a vir- 
)Jl a Th}fJdtssln"obi'aax tud F 4os pays, que os geráo ; porque hús naícem innutei?, 
aique in ae>ii 'médio ptrvuhs como o jayo; outros, provey tofos,como o trigo : hús, nas 
T$$?£íã£$:Z- inclmaçóeshumildes,comooeftanho-^utros, generofo* 
ãamoccuiorum aciemfervave- coino a p r atá. De húas mefmas Águias nafeem três filhos, 

rit,prôf;itur , quod veritatem t ^ o , , , _, 

matur tt f t *ceteobti»iut confia»- dous degenerao da natureià d$s pay^ jíx numio naicecom 
^ÍT&Trfl^t apteípicaciadosproginitores. 3 

f.excrit, quafi degener , Cí f *»*» 
indignar parente rejicitur- m . i • i •• •,< i 

£>. &»/?/»«/. Trespant, atque anos maoejiat , crfacíj/ 1 «?;kot. 

ViJeTheatrodchfDiofetU. QArtft. llb. 6. de ãlÚmaliCClp. 6. 

Examinaa Águia a&srayosdo Sol a legitimidade dos 
fílhos5& vendo, que os rayosintorpeííèm os olhos de hús, 
& clareficão os do outro, i ecçbea efíe,& repudia os mays. 

Confulit ardentèsradios , (Sluce magiHray 
TSlatorumWeungeniumcjueprobat, 
Degeneres refugo torju qui lumíne VifiiSy 
XJngmbm buncfaVu tr a paterna fera. 
Gauclian. inpY<ef. 3. Honor. Tle natura ÂqmU. 

Separando eftes, do outro, aíly para coníèrvar a natu- 
ral nobreza, como. para não confundir a regia calidade : ef- 
colhendo para herdeyrodo folar, naoao mays antigo de f- 
cendentejtim v ao filho mays benemérito. Em todas as ida - 
desfoy a Águia retrato do Illufirei não fó pela magcftofà 
foberania , com que vo-a , fenáo também pela circunfpec- 
çáoj com que elege fuccellor. 

. 335 Náo 



EMTZEZA - XIX. 245 

5 3 " Não eJjxra a Águia aiuy tos mezes,para experi- 
mentar 3 natureza dos filhos: fendo de pouco tempo os 
pocinaexame. Os filhos do Illuítre fangue íaõcomoas 4 f«raUtarbwuera»iCu* 
arvores rcays, que feparadashiia vtz dotronco,não tor- ^SJ^SL^Stí^'^* 
não a pegar na terra: fundamento, que ti verão os antigos, , ?í" r MeK ^f-> <» Vmiwi» 
para ornarem com Loures, & Ciprcítes as íèpulturas dos 
grandes. 4. 

Fmeris ara mihiferalt cinta CupreJJò 
ConVenit 

Ovid.lè.^.TriJl. 
1 
Quem diíTe, que o natural efclarecidofe parecia com o 
das pedras, de que o Sol cria o ouro, padecéo engano, por- 
que ollIuttre,que naíce pedra, & não ouro, he como o 
marmorBixançatáoduro,& irrefbluivel,queeftandojun- , D.^h*ham?;mtUeLê~ 
todaspèdras, que o Sol reiol vêem ouro, fica íeyxo. 5 •. //<w«*<*m-§-9- 

336 Sem reparar nas razões doiangue,desherdaa 
Águia os filhos. Os que não tem de feu outro cabedal , „ . 

o 1 _ 6 Qut/iu<truntmontm;ntum 

mays, que a nobreía dosaicendentes, vivem empenhados. expoHemt,fimiies f*m $*, ? «í 

tem quanto naoiatisiazem as dividas do langue Jaó T rm „«/»i •/*/<**. 96. 
como os diamantes, que oeipois de lavrados fahem fali- 
dos : AíTy foyjoão Duque Milanez; efqueçrdo das virtu- 
des, com que feu pav loão Galiaço governou omeímo 7 JnterfiimqucsreUmiti 

*->. j j r, i i • • ■ unutJoennefncminecunUu- 

JUucaao, excedeo a rnalans nos vícios : 7 entrou no go- c »tu jucctjj* , nauridt -fio 
vemopor_hKceíTaó, levou o lugar por for mays velho. No ^^XZ^X 
mundo faõ mav.3 antigas as íbmbras.que a luz; & Deos re- ttrbutbtfitúviiuaw. 
|'arttndoosli]gares,dcualuzcodaapreiidencia,&deyxou *.. 
a ioiiibra íem dignidade. 

337 Emhumíófilhoeítabellecea Aguiaolinpetio, 
O cetro dividido, hc o mefmo, que quebrado. 

Muitos ejje duess haíidquaquam proderit, esÍQ 
Q{cx wmSy {Ptmeeps mins , qm publica traclet. 
Honmus. 
■ 
Ainda, que o Empcrador Antonino Philofopho tomou 
por cornpanheyro do governo a feu irmão Lúcio Vero; & 
o Cmperador Valentiniano, a feu irmáo Valente: Sc o 
mays de tudo foy, repartir Gordiano o governe cõ Theo- 

Hh 3 doíio, 



246 O T^mClfE VOS <?AT. TOMO 77. 
dofio, não lendo í eu parente 5 femquedcfta divifiõ cma- 
íiaíTanalgú ísdilcordias jantes delia, nalcerãoaolmperio 
grandes felicidades; donde me prefíiiado, queas MageíU« 
des não correm o mayor perigo na divizáo do goveino,co. 
xno na pouca experiência , cjue tem das peíTóas,que clle- 
gem por adjuntos. 

538 Com eite exemplo da Águia, muytos Príncipes 
ambiciolos , por governarem independentes , unirão a hú 
corpo todas as partes da Monarchia; truncandolhe as ra- 
mas, que o podião dividi:r;náo perdoando ao parente mays 
propinquo, nem mays reinòto. Alexandre Magno, antes 
que lahiííe áconquitòa de Nápoles, mandou extinguir a 
toda lua progénie. OsEmperadores daTurquia comef- 
* ?. T^í.mfut Etiopita fandoa reynar davão a morte a íeus irmãos , como fez Se- 
'■ '*' lin. Os da Etiópia moftrando-fe mays humanos , defterra- 

vão a todos feus parentes, para o monte Amará, * atè 
que foílem chamados para luecederem na Coroa. Enem 
com todas efbs cautéllas evitarão os perigos, antes derão 
occafião a mayores difeordias. O Emperador Carlos V. 
antes que foflè para Alemanha, prendéo no Caftello de 
Xativa ao Duque de Calábria , imaginando aíTegurava 
com iffo a Coroa de Efpanha : Levantarão-fe nefte tempo 
ís íediçóes, que chamarão Comunidades, entendendo ac- 
clamar por Rey ao Duque prefo: Sc defpois atemorifados 
das preparações de guerra, que nefte tempo fe fazião em 
Portugal, offerecerão aCoroadeCafíella aElReyDom 
João o III. oqual recuzoua ofierta, & diíTe aos Embayxa- 
« o?oriuiâtrtiu>E,»mw dores:Que eftava preparado para ir dar ocaftigo a todos, 
th.hb ^.ccm-aJofycothcnc Qs f /y em rc beldes a feu cunhado Carlos V. 8 Ociu^ 

•SJpophtem, Xit.dc tulejeiv*n* 1 

ííj, a d. Fr«er íc^w^Jí rmeexafpcra mavs, que oa2gravo:& os dogoverno laõ, os 
unotHmuifuuco.ctp.ib.HA. que produzem mays pernicioloseíieytos. 

339 O exame da Águia hedoutrina,para queospays 
conhecendo as inclinações dos íilhos,fe conformem com o 

9 PHihtjuo.coyraSoiitr». aeniodecada hum. g Foy lição da natureza, com que 

aios probjt ,qui cl3re vnlcint, ° _ ' ■» * ' 

êutquihppos occuio<h*be»nt: eníina os homés a uzar da experiência , cõaefcoJha dehiis 

iiicnobiUí Jeicnt pratj, e pus - 11 f o i f I • -m 

ro,,utr um *ptiJt<tir**, vd lennos, para o iogo;& de outros para as rabneas. INem to- 
aJa*jjum ^Vc.Majei.nt.ds dasas ervas medicinais feaplicãoa húainfirmidade: nem 

todos os génios a húa proniTaõ. 

340 Pelaefcolha,quefaza Aguia,faó osdefcenden- 
tes.conhecidos^cntreasleisefpecies de Aguias,íemaJgiu 

cqui* 



equi vocação : as particulares excellencias, com que vi« 

vem , moíiraõ ajuitiça, com que herdarão o íblar. Vo-a a 

A^uia mays alto, que as de mays aves, & por ilío hekai- »° { oiqutiaaiitumRegw*dL 

nlude codas, Sc ioy elcolhida de Júpiter, ro Asarvores qucarmigaum l -.■■:, tampa** 

rcays todas fe occupáo em fubir. Pelo ionho , que dous ra- ™ l %* t ' Rai " fí '" ° if>: Jí ; " 1 "'"" 

pazes referirão a Sócrates , conhecéo , qual delles era o 11- 

lultre: Sonhou efte, que lendo levado a húa planice fugira • • tu todo tijinbado <■<./>- 

o contrario o outro. 1 1 O nobre lf& „oJc s.Wb !oF . ò .i,bX%.i. 
nha como ha de 1 ubir - } Sc o humi lde,como íc ha de fufté tar. 
341 Por remontada, que feja a alteza, em que vo-a a 
Águia, não perde de vifta aomays inferior animal :para 
Jhe acudir em algúa oportunidade, dizem, que he o em- ,." s /c*i^qs'i* q** »**'•- 

. .- ^ * . . . ■* bus amn-ahbns viãcl^alti \mt 

prego de coda lua prelpicacia. 1 2 A palma , a quem naó vou™ ,mtnAtns nscp,',,,,™- 
dobra o pezo, inclina o frucio: a piedade hefru&o dano- *?*5i*wi*^ /ty.r*. 
brefa. 13 Os troncos maysaltivos, porque mays nobres, *nn*cHiumhi«kUb.\.c»f. 
tanto fe dobrarão com elle,que PhilippeRey de Macedo- i,' Prima pictatamagUt, 



ra 1 - . 



niafabendo,quefeu inimigo Nicanor Macedónio eftava TV^M* 
enfermo, oíoccorréodedinheyro. 14 E Auguíto Gelar anu* m quadei» Epift. 
perdo-ou aCinna neto de Pompeio os caltigos, a queel- ^í,/,,»,^;,,»^,^. 
tavacondemnado, pela conjuração, que havia feytocon- ^f t t 'f e Fu,gr ^ Mi ' i "P idc 
traelle. 15 Asramas,que fenãoinclinaõ com o fiucto, «? QuareCi»»ape,te,rim* % 

íao de ruftico natural. éa) .; • , , .;,.,, tJ ...,;^ 

1 342 Antes do meyo dia naõ fay a Águia do ninho, fih&- w «*'*'- 
cfpera, queas praças fe frequentem de gente, para come- , . 

* ' * /--/t ir 115 *"^ meridiano isinpcrs o. 

çar o vo-o : 1 6 nao ally as mays aves , porque todas lo- *eratur,tí v«i*t,fricrikiu lork 
gem de concuríbs : voar a furto,indica fraqueza de animo. Z^tltSlLt?*" 
EntreosRomanos requeriaõ os beneméritos, em theatro K '^í- i»o^e.vabo^qui- 
publico^ & o ajuntamento, que defpois lhe aífiitia aos tri- ' 
unfos, era obrigado da juítiça, Sc não fó da curioíldade ; Sc 
conforme agrandelado merecimento, era ailiftencia das ,, BoV*gtQ.aJ»Twmftí 
pefioas. 17 Trabalha o Sol por desfazer as nuvens, para «»»<»?'/""*"• 
que lhe não embarguem a luzjhe regia, a com que refplan- 
dece o Sol , & as azas com que íe remonta a Águia j ambas 
as Coroas calificão as mageítades,manifeítando os mere- 
cimentos. 

343 Não fe abate a Águia a vulgaridades j de hum 
monte vo-a para outro monte, Sc do mays alto monte, pa- 
ra as nuvens j fendo tanto mays eftimada , quanto maysal- 
tovo-a. A reverencia do povo fegueosdegráosdadigni- 
dade5 conforme a eftes, venera os lbgey tos. 



C48 O T^NCIPE T>OS TAT. TOMO 11. 

Ut comes vadios per Solis euntibits nmbra ejl, 
Cum latet bicprejjus nubibitó, illafugtt; 
Mobile ju fequitur fortuna lumina Vulgus. 
OVid.lib.i.Trijli. 

O vulgo ama por conveniência , Sc temor ; em lhe fal- 
tando a razão da dependência , por mayor que íeja a caii- 
dade da peííóa , faz delia a eftimaçáo, que fez o Grego do 
retrato de Eneas, que pelo achar a hum canto, o lançou na 
., , D . , rua. 18 

is Francyeusde"etraiit.ae m 

fiwHxum*, \s cr,iau>. 344 Reparte a Águia com as demays aves da preza, 

10 Pr.tilim dividit ali/t avi- TT 1 • .. J J /"» ' J 

luuwjoucomtd.t. que toma. 19 He prezada a virtude do Cedro, porque 

Mayohu de DignitateHomM. f cnc | Ijujtimo commonica ás plantas , a que chega com as 

raízes, parte de leucheyro: as ambições iao parto da in- 
digência. O regato repartindo as agoas féca,porque he re- 
gato; Sc ornar, quanto maysas commonica, tanto fe di- 
lata. 
10 ViScriam ttiam â-.fa^t, 345 Contendendo com outras aves a Águia, põem 
^;a^^;^:^:todoocuydado,emqueanãofiráonascóaas. 10 Rece- 
grefcvinafefcniiaisefupinat Der ne ll as os golpes , por livrar oroílro , he efcolha do afe* 

Tefé , ac âmgit omnes alai, ac i y-> /--» ILjr r 11 

deorfumad, erram ver f^ataue minado Cayro Genovez , que olnando-ie aoeipeino,no 
ârí^^^ternpoemqueoarmavâocavalleyro^ioqueodesíeyava 
Jerat.to. Q capacete , & defpojando-fe das armas renunciou amili* 

cia ; 1 1 eícolhendo antes , viver fem nobreza , do que 

xi Pedro de u/lvila tratado . „ .^.i- i l C • 

ãehsHcroe* c»f. tf. $.9. com deíayte. Os brazoes ennobrecem ao palácio; as itn* 

das oroftro,comque a guerra o aíignaloudefenfor da pá- 
tria, ou a pendência defenfor da honra. 

346 Não acompanha com as demays aves a Águia, 
» YraKàfcnsdeBeranfadc fò d ç efpecie tem fociedade: 1 1 Efta, fendo 

ww». 56. com o igual, abona ; com o iuperior,arrifca$ & com o infe- 

rior, he defcredito. Pede mayor confidersçáo a efcolha 
dos convidados, do que a calidade das iguarias. 23 Os 

2j lAnte c!rcunfhiciei>dur,i , . , rol' 

efi,cumq U ibm e á M \^ Mas, Plátanos juntos huns , com outros creicem, & durão nmy- 
?Ii",5Í, e f*' eíW- ' ,5í " e * to.Outra qualquerplanta, junto aellescrefce áfuafom- 

bra, mas exifte poucos annos:asViborasa quem eíiimúla a 
14 JdemHeranfaDivifi.ii. fombra do Plátano empregáo o veneno, naarvoremays 

t/um. iz». ■ r- \ ^. 1 - r • . 1 j 1 ' 

viímha. 24 Pormaysaltivo, que leia o natural da plan- 
ta, não fóbe acompanhada defylvas; fendo diferentes na 
efpecie, não ctçfccm,nem fíuctificão jutas: como fica dito. 

347 Do 



EM<P<REZA XIX. 249 

347 Do que temos difcurfado fe ve claramente , que 
oexame da Águia he, para deyxar legitimo herdeyro de 
ícuíolar a hum rilho, que não degenerando do natural 
paterno, feja lublime no vo-o, univerfal napicdade,often- 
tolo na regalia, magnifico na liberalidade , & valerofonas 
batalhas: Todas eítas calidades,que ha de ter o defeenden- 
cc, para vi ver no folar da Águia real, íaõ as virtudes necef- 
íar ias, aos que ou verem de per feverar nefta Religião Solar 
da Águia Beneditina. 

348 O mayslobido dos elementos he o fogo; 25 

& a mays nobre parte da terrahe o Occidente. 26 Sobre jffiZ^Jj®!'™** 
o fogo (como d i iremos ,)& na parte Occidental fundou ^ iitm*ip*rtii%.cmjii, 
Sáo Bento a fua Religião ; os alicefles foráo os mays felec- ,} " 
to*, porque a fabrica, que fobre elles fe levantou, era o 
iumptuofo palácio dos eicolhidos. Aplanta por onde São 
Bento a continu-ou,forão as obras,com que refplandecéo. 

NeLle Religiofo Solar eferevéo S. Bento a fua Regra , que 

foy o Sol, a cuja luz fe hão de examinar, os que nellequi- 

zerem viver, como herdeyros de feu efpirito. Não tem 

conto os que fe apurarão aosrayos defteSol: foráo innu- 

mera veis os admitidos , & poucos os reprovados. Efta Re- 
ligião he o morgado , a que São Bento vinculou todos 

feusbés;a Regra que eferevéo heaefcritura,adondeefpe- 2 , Text«*;*L.q*n,re*i. 

ciricou as condições onerofas, que ha de guardar o defeen- L.amduohu t.m*wu l. 

, o J 11 -ir v - c cui fundiu fJmnàdtahiuntf 

dente; & todo aquelle, que naoobíervou as condições^- xs demontirithmbiuinftnuvo' 
cou excluído do morgado. 27 ■ ^TX^X 

349 Prezavão-leosde Avcrnia.dequena fualgreia cr r»"/ 168.». t 9.ya!Mjc.ce»f. 

£■ ■ c • • • 1 C O 8l " n-Vfrf.traterra. 

nicienle, nao entrava, nem vivia animal venenoto: 20 ,g quqí Zénefca. a*imtiiai 

Abuztva a gentilidade, que morria dentro de hum anno ^ ue T fc ' r T7T 1 Z% 

>--> '\ m muni teclejiit s^7 "ieicrrj:r\iO 

a peiku , que com indecencia entrava no templo de Tupi- fi «//*»</« irferstkr-fítiim *+. 
terLyreo. Los Romanos , de queoscacs,& as mol- Ulí . es „fd.6i. 
casfupilícm do templo de Hercules. 20 Concedido, que »° £»«w/«/«i*rrfííl 
íolTe verdadeira a mentira deftas fabulas, &o exagerado R m*mHere*iiifanum, *ee 

dl 1 ir J" mv.rcoji.ncc Cines unquam in- 

aquellc encarecimento ;comtodaaiegurança podíamos £rr ^„ r )j emif „. 

dizer da immunidade da Religião Beneditina , em fua • Siq*bt»Jo*i*iyc*nemi 

r , .7 • I J I D L fhim,»uttVtmmi'ejm,mi. 

compiraçao, oque clcreveo Marcial dos muros de 15aby- m i m eptraBuf>rii»iuBãvewbvt 
lonia,areípeytodas Pyramides do Egypto. SSS^/^S 

Hc^cf.x.hriik.-T. 8 ttuf*. 
s-\ 1 ^-> 1 ri • 1 ■% r 1 • nÍM in i/írcaJi**' 

'Bárbara Tyramtdwn Ide At miracula Mempbts: 
AJfukusjuclet) nec Sabjlonus Lkor. Eptgram. 1 . 
».. li Por- 



150 O VT{LNCIfE WS QAT. TOM. 11 
* BtneàiButMoH»ciotnm Porque a Religião do Príncipe dos Patriarchas, * 8c 

*/3pcUdtif ,qnivelitt Lúcifer . , , , w ■ i -ri J r> 1- 

mtiutmuttmicuit. s. Bowzo Apoltolo dos Monjes , he tao íingular entre todas as Kcli- 
aSíSS gióes, como a Capella do Duque de Burgundia, entre 
cramt rodas as Capellas ; que por exceder no Santuário, a todas 

íèaventaia nas indulgências. 30. 
' J 350 Amayordasindulgencias,toy prometer Dcos 

a S. Bento, que todos íeus filhos acabariáo a vida emeíta- 
do de graça ; falvando-fe todos, os que morreíTemcomfeu 
abito. Efta proméífadeDeosfoy ,aqueoccaíiou dcíprc- 
fõs aos may ores do mundo,deixando os Pontífices as thya- 
ras, os Emperadores,&Reys os cetros, por veflirema Cu- 
culla de S. Bento. Efta indulgência não foyíb concedida 
aos filhos deite Patriarcha, também fe eftende a todos os 
devotos, que morrem com íeu abito : fundamento , que o- 
brigou os Efpanhoes, em tempos antiguos, a veflirema 
,, Quiius&hocncritoaâ Cuculla de S. Bento , aos que eftavão moribundos, para 
ienâum, <iHcJis,p.Bc>.cd,a„ s que eípiraííemcom ella ; certificados do muy to que apro- 

tiovjemslftin marta agone de- r 1 - 1 1 - 1 1 ,— r\ 



Monjcmeije m mal tu J?one ae- c ■% * x 1 j"f 1 1 /•»'. n 

finfarem sxhibuit eorum , qui veytava para a lalvaçaode hua alma, olevar conligo ena 

**'"• e;Uí '" dt " reg ' ve " indulgência. 2 1 

rum. iSitquecxboc cjpaepra- O 1-1 r • 1 • rr n 

/«x/r vausiiiacoHjkaudo^H* $ 5 1 Que os Efpanhoes tiveuem efta fé , com oabiro» 
Zo%h"Z \Zapc e a Z g dTerl de S. Bento fe verertca coma enfermidade delRey 'Uvam- 
pucuUay»qu*uhinmmexba- ^ a procedida do veneno , com que o intentou matar o 



àeraiutr. sè»edi8*t N]tf, e . Conde Ervigio : Ficou o Rey privado dos fen tidos , com 
5Sj5lSS55êí ° venefico da POtagcm: os cortezáos , que lhe affifiiaõ, 

mandarão bulcar aCuculla de S. Bento, como era coftu- 
32 Duminev\ubiiunecc]fi- me , para que veftido com ella , dèífe aalma aDeos.Tor- 

iudinij tencretur evéptli . luf- . rrT LO JT L" 

ceptaReiigio^âebríocuhi,,^ n°u em iiUvamba,&: vendo-tecom oabito,quiz antes 
vsnerabiiitanfursficrjf^j. deyxar a Coroa,do que defpillo; difpos fuascoufas , & re- 
€ip. 1. colheo-íe a hum moíteyrodeS. bento, aonde viveo,& 

ÍtJâ!S]S}^Smm\ mo "éo lautamente. 3 2 A mefma fé, & devoção tinhaó 
t? puifu ptrxe»uto , cum aha s Emperadores de Grécia : Manoel Commeno mandou 

Ji<j}ir,c,femurpertujrn&Mo- ., A.. r « iV i CB ,- . 

wfcicum balitum pofiuiavit lhe veltiuem aCuculla de o. bento, antes que tenece-le. 
SÍSSS^S 33 E o meímo ordenarão Theodofio Lafcario, o Júnior. 
tu,expcru:->^c.-N, cs ,a*cha. -ia. E Andronico , o Júnior. 35 

riatcxltb.T.K^tanali. J ^-^ J J J ri-lt-i 

?4 Paulo .ftemv-umahcri- 3 5 2 O quanto aproveyte para a lalvaçao de hua ai- 
Ttf :! ""'"°;<l } ' c "'""'f<<'f- ma,efpirareom o abito de Sáo Bento, quero moftrarem 
Hífiorizriim. dous cazos poTtcntofos. Hum poderofo, 8z llluíuc ha* 

j-ciír^utjiò.Mo.ufucumCu. mem, de nação rrancez, vivendo tooa a vidalicencioza- 
tuUuminduhrcMTpriufitt»*,. mente , defeonfia-do dosmedicosíe recoíhèo a hum moí- 

$aex^tt.ldeniib.g. ,. y . . 

teyroadondepedio cgmtoda a humildade aos KeJi^iolos 

lhe 



EMPREZJ XIX. 5$f 

lhe veftifíèm a Cucuila ; alíy o fizeraõ os Mon;es,& veíiin* 
do-lhe o abito, clpirou logo o enfermo. Aílillialhc hura 
Monjc lanço, a quem Deos moíírou a feguinte vilàõ: 8c 
foy ;quenoinfiante,emque aalmale apartou do corpo 
ddtehotnem, concorrerão grande multidão de demónios, 
para a levar ao Inferno. Neíle confli&o appareceo S. Ben- 
to, de cuja preiençaatemoriiados os inimigos, derãoquei- 
xasaoSanco, de que Íem iuftica intentava tirar de leu po- , ' ... ... 

deraquella alma, que toda a vida tora peccadora. 56 Ao matiuieruBcnediScnopnuuc 

C J ' C _«._ O «. " L J — L/i /\£_«.» _ vetoqut bani nunamni dliquiJ 

quereipondeoo Santo Patriarcha: quede mahmíom4 je ^ ÍKJuFleeg ^ fiam J a ^ 
livrava íem jufta cauía, porque aquella alma, defpois que /<"«"»""*• „ , 

,. r .'. rr 1 i-w r? LtoOjlicnfitChroni.CifiJib. 

velho leu abito , nunca mays onendera a Deos. 37 r oy } . M ^. J9 . 

táo meritório o breve tempo, que vivéo em graça, defpois 

que lhe veftiráoaCuculIa, quegozandode lua indulgen- ," ? Í '**W , "S!!? 

cii,merecéocomella alcançar o perdaó de tantas culpas. a»examinate\^fiquidvátri 

s^ rc • 1 n. • J evo ii.sxq-.to miam accev. lha- 

353 Comprovemos aemcaciadelia virtude com ou- f itt ,, u> r?cog*ojnte t v<>bijcum 
tro iuccelTo não menos prodigiofo. Joáo Venefrano Vice- di '" !e - n '- 
Conde, filho do primeyro Príncipe do Jordão, foy ho- 
mem deshumano,& vivéo lempre íem temor de Deos: 
vendo-fe delamparado da faude, arrependido de ftus pec- 
cados , confiando adefenfa deliu alma do patreciniode 
S; Bento, pedioacsdefuacafa,olev2lTemao mofíeyrode > 

CaíTino, & que pondo-o diante da lepultura de S. Bento, 
rogaflem aos Monjeslhedefíèmo abito: veíiida aCucuN 
Ja, pcrdéodetodoavida. Na hora de leu traníuo fahiodo 

motteyro de CaíTino hum lavrador , que por íua devoção, 

ouneceffidade,viíicava todos os dias os Monjes:oqual,en« 

controu no caminho ao Demónio em forma humana , que 

Ihepregunrou^w/^/fVw/v? &refpondendo o lavrador,*/»? 

do mosleyrode Qnffino \ inquii io delle o inimigo , queerafejto, ?g xtnàtvtnh ? £x«Jí*í/?, 

defoaÕ Venefrano? diiie-lhe o lavrador , aueera falecido : (í> que wquit, cambio^ >IH: quidac- 

n- 1 11 j - t , o m o • tumeHdeJoamieVietcMirtcl 

e/pirara na bora> em que lhe derao o abito de o . ! £ento: 30 acii)is ^dqutmruptur.MtxMtmo- 
novas refpondéo o Dcmoniocomeftas queixas: MiferaVel »«*«"#««•' tf, « »"•» •»'- 
de mim r Bento y mtferaVclde mim-, porque rabeio todos os duvs me ejtas , 9 h c , mihi Be»edi8e ■■ 1 •> 

,1 f , r r ■ +* / BcnediBea>ihi!CuTineetqttO- 

roubando a mciMjerVos , que cauja tens para me perjegmres tao cruel- tl . !lc . jdl( f lrVl3 , co«te>t,s?Cur 
mente? 20 E virando-fecom iníernal ira, paia o pebre la- » e "»'""'" ,f ' ' jJ t C0 e '*f, u ~ 

ít i-/r 11 i terftrjequi nondijijtiii m. 

vradnr lhe oifle. <tA ra^uo porque te nao dou lo^o a mor te be , per- 40 òciiocern. uiatifi 

qttehjc comejte em omojieyroj® traces aindano ceyoparte dopao, buill>Folumqiie j;, Mí f,r t ^ 

que la te derao. 40 Baftou faber o Demónio, que eilepcc »</« •*-»«*/*•'« «■/««»*• 

•cadormorrera noabito de Saõ Bento ,para tíeicfpefat a* ^mh «»<«•«« tetidns.iu* 

U z con- 



4 
i 



^i PTJNC1PE WS $AT. TOMO 11. 
condenação de lua alma. 

354 E lendo tão plenária a indulgência para os dc- 
VÓtos,quanto mays olerá para os defcendentesj' A meu pa- 
recer,quiz a Omnipotência Divina fazer a efta Família hú 
aggregado efcolhido , aííy como íeparou a Arão , & a feus 

4 i ipfumeiegit exomni vi- fiJhos de todos os mortais, para miniftros de leu templo,&: 

vente ef erre fatnficium Deo y . , . , *■ , , n rS V -•- 

nc C nfnmfêbotmmodorem®c. ínterceílores de leu povo. 41 Plantando nelta Kehgiao 
Lcckfi.tf.verf. 20. húa arvore, femelhante á da Vida, no privilegio , cjue con 

cedèoa leusclaultrosj aílegurandoa vida eterna a todos os 

feus habitadores. Radicou-fe efta Arvore na perfeverança 

_ .. .. . , com que os Monjes reíiftindo ás tentações, moltrarão ler 

nficjto, o m pane vei ma hc- morgadodo Ceo as terras de São Bento; Solar, adonde vi- 

; edita* iliius , t? m plenittidine j A* J c J J r t 

Sintorumdmntiomta. vem os predeítmados , & donde rogem os réprobos. 42 
íchft.cup.iy Razão, por onde defta Família forãotaóinnumeraveis os 

Santos, que em hum ló dia,& de hum íb mofteyro fubirão 
para o Ceo quatrocentos, &íincoenta Santos Confeílò- 
res. Em toda a Igreja de Deos não ha familia reiigiofa pre- 
fada de femelhante excellencia , não fendo a multidão dos 
Santos vi&ima do martyrio. Obrigame acontarteofuc- 
cefío, o parecerme, ficarás duvidofo do que tenho refe- 
rido. 

355 Ema Província deNormandiaexiftia hum mof- 
teyroda Ordem de S. Bento, chamado Gemeticenfe,no 
qualhabiravão novecentos Monjes:fendofeu Abbade S. 
Aycardo, vio-fc impoffibilirado , para fuftentar tão gran- 
de numero j pedio a Deos , que o tiraffe do cargo , ou lhe 
diminuiíTe o pefo. Ouvio o Senhor as orações do fervo, & 
ouve porbem ali vialo de lubditos; mandoulhe dizer pelo 
Anjo, que guardava aquelle moftey ro , em como determi- 
nava dar amorteaametade da Communidade; pelo que 
era neceíTario difporem-le os Monjes, porque dentro de 
quatro dias feria o feliz traníltodaquelles , que Deos efeo- 
lheíTe : Deu o Santo Abbade efta nova aos Monjes , & co- 
mo todos vi vião conforme a vontade de Deos , f oy a nova 
de mayor alegria, a que para os peccadores heade mayor 
trifteza: dobrarão as penitencias, & multiplicarão osfer- 
vorofos a&osdeamor de Deos. Feytas as difpofiçóes pa- 
ra tão larga jornada, recebidos todos os Sacramentos, fe 
foy o Abbade no quarto dia, com todos os Monjes para o 
Capitulo, adõde cantando Píalmos efperaváo a felice ho- 
ra 



BMVtREZA XIX. 255, 

radefua morte. Oh lórte feliz! Oh efpe&acnlo merece- 
dor clç eterna memoria ! Aosquehaviaó deefpirar íelhe 
inflamava de tal íórteoroítro, que relplandeçia como o 
Soi; mofírando nefia vida parte da ineíiabil luz , que hiaõ 
lograr eternamente : em turmas fe foy recolhendo ao Ceo 
o fobiedito numero ; ficando feus corpos aflentados no 41 oi»j;g»/-Fr.v4xto»iode 

*->"•. I o r r J ' C J 1 Tetei na !:OunJj parle JaCho- 

Capitulo; bc os que ncavao , íaudoios da jornada. 43 r o n <caGtfU*ordtmitsu» 
Náoíe occupaaquella arvore, em írucíificar com menos &*>"<> C">*-i-e*M' 
abundância; nem a terra Benta em pi oduzif,&iuítentar a 
deíiguaesfruâos. 

3<6 Nefta terra ábendicoada intentou vi vertente _ . , . a ., 

J ' . _ » V" , o 44. Stdtbo ih monte tejtame- 

mal procedida. Mas íe Lusbel aípirou a ter cadeyra no tufam* en Aitijfimt. 
monte Divino : 44 que muyto, aquizeuemterospec- l í u *wf' x * % 
caminófos na habitação dos jufiificados?OsCapitulosda 
Santa Regra faõ os rayos do Sol , adonde conhecida a vir- 
tude de hús,&deícuberto o viciode outros, fica o ouro 
feparado das tezes ; eítas,faó expulfadas da deicendenciaj 
& os que faõ finos como o ouro ficaõ encorporados na ge- 
ração: porque mofirando a legitimidade de filhos da A-< 
guia , em fe reverem nos rayos do Sol , lograõ por çeneró-» 
los o Solar, que feus irmãos perderão por fraquezas : co- 
mo o lutadordaTubaria, ficado íenhores das minas do Sol, 
porqueoTubarienfe,provouparentefco com o Luminar, 
cftando annos ao calor de feus rayos, íem que o ofFeiidef- 
4em ; tendo mayor refrigério , quando os ravos eráo mays 4< Wnekèt Jc vifenu-x ãâ 

CalUrOÍOS. 4$ na.lsSoch^. âiahi.^.%.1. 

- 357 Os filhos, que provaõ de legítimos herdeyros 
<3o Solar Beneditino faõ, os que confórmão 06 procedi" 
mentos com oefpirito àtítu Pratriarcha; fendo tãofin» 
guiares no vo-o.com que fogem do mundo, que femelhan- 
tesaSaõBento percaõ o mundo de vifta,& da memoria. 
Húa vez quiz o Demónio, que ede Patúarcha tive-fe lem- 
branças do mundo , & em figura de molher lhe recordou 
as memorias de Roma : & foy neceífario que as trouxe-fe, 
porque S. Bento as naõ tinha. Furçir do mundo, com lem- 
branças do mundo naõhe vo-o,que chegue a falvar húá 
creatura. A Loth , a lua molher, & família mandou Deos 
retirar para hum monte , querendo cafíigar os Sodomitas; ^ SalvaaHimam iMm „ on 
cncomendando-lhe naõolhaflem para trás «quando cami- repeerepofítergumu: Seèi» 

IP s 1- 1 o - II f I "wucjjvumufac. 

nna-km para o monte ao rugio, penao olhou Loth, Gençf,t 9 .vcrj\ii. 

li 3 pew 



2 54 '0 n^ncnE ws pjt. tomo n. 

nem fua família ;fugio,& virou o roftro fua molher ^efía, 
47 Rejpkiwqtteuxerejuí ficou no caminho convertida cm eftatua de Sal: 47 Loth, 

f ;!fr, verfo tf. mãatuanijalu. , ., , . ... ' í . , 

ihverj.ió. &amaysramilia iubitaoaomonte, aonde livrarão donl- 

co: voltar os olhos, para apartequeíedeyxa ,he ter lem- 
brança do que fica : tugir do mundo com memorias âo 
mundo he vo-o que não chega a parte fegura ; deixa como 
a molher de Loth no meyo do caminho: Renunciar as me- 
morias juntas com o mundo he vo-o,que lóbe ao lugar ítm 
perigo, entronizando como a Loth, no fimo do monte. 

358 No caminho do monte, quando acompanhada 
de Loth, foyíua molher convertida tmefiatuadeSa); pa- 
ra doutrina , de que as memorias do mundo faó embaraços 
d'alma,com as quaes divertida do caminho perde o paíio, 
adondeosmaysfirmaõ ospès, & íalvaõaalma j naólhea- 
provey tando a virtude da terra , da companhia , & do âeC- 
preio, porque lhe ficou o mundo na memoria. Os Minif- 
tros dos Reys da Siria lembrados do Sal, que comerão nos 

48 No, amm memore, fiiir, palácios, encontravaõ ao povo de Iíracl, a quem prtíi- 
quidmpaiacioeo-mdimuftfc. diaõ, para que naó re-edifica-fem o templo: 48 fovpou- 

t.EfirMap.n.nrf.n. ' r , \ . -n r •/ ' I j 

cou poderoio, para que os minntros íegui-lem a ley verda- 
deyra, que guardava o povo Iíraelitico, viverem com eíle 

4 9 Si C mingai Beatum Be povo mimofo do Cco ; Sc habitarem nas terras efcoihidas 
^«^f:ZZt^Z por Dco8, & auzentes dos palácios, quando lhe durava na 
uret, etiam corportiner: inhoc boca o fabor dos mamares , que ntlles comerão : Foraõ 03 

4uodfercef C ru»t,Hef,oflier. . ^ . J O 1 - £ 

z«m B ft,i C iat,dederut!t mtrSi. Alunos retrato dos Kegulares,aquem nao aproveita a ian- 

S ^ZZuZ* dm ''"' lum "'~ tidadeda Religião, a virtude dos Monjes , nem o retiro do 

M*g>ji.Lt B tiardu, deVtino mundo,em quanto onaõ perdem da memoria, confor- 

mo.s.Bcrjed. mando-ie com a virtude de b. bento; 40 comaqual, 10- 

graõas agoas da graça, que emana da fonte defta indul- 
gência. 

* (Pura ami mente Venitej 

Etmanibuópuris fumite fontis aquanu 

<o TicauuTienediBusfrofhè' Tíbul. 2.1. 

tinviguit, tfr. VnJtftRiucft 
írincíft Mcnaf 1 '- l*i. 

359 Foytaó Univcrfal na piedade o Príncipe dos 
Monjes, 50 que naó reípeytava acalidade daspeíloas, 
pararemediír a neceflidade dosaflc&os: com igual cuy- 
dado empenhou a Deospara refuícitar o filho de hum ho- 
mem ruítico, que para refufeitar o filho de hum Cida- 
dão Romano. Naó ganhaó a indulgência , que o Alei filmo 

com* 






concedèo a Ordem deite Pactiarcha, eternizando a vida, 
dos que nella acabão, íènaõ os filhos, queimmicaõ eira 
piedade. Para ojulio o tumulo he crono, adonde triunfa 
da morte, porquenelli perpetua a vida. Eefía indulgên- 
cia concedida a todos os juítos, naó publicou o Santo Job, 
que a tinha alcançado, ienaó deipois de examinar a íua vi- 
da j achou nella exercicadas as obras de mifericordia com *' occuiut/uieaeo, & p et 
igual provey to dos cegos , & utilidade dos aleijados , íep DictbSque.nmduiomcomori* 
vindoa huns de viíia, & a ourrosdepés: < i aqual pieda- "'^/"'f 1 '** muitiphcoàu 
de foy difpofíçáo para alcançar aquella indulgência : 5 1 u Sinemifcncordi* gloriam 

SI "'i r 1 1 t J C I •■ nonhabtt ^ palmam nentenet 

c Job ta! tara para com algus na piedade, raltara para com Cbrjfohg.^ud Jitdman. 

elle a virtude da íepultura. 

360 Os cegos, a quem Jobfervio devifla, foraóos 

amigos, os parentes ,& poderoíbs, que o Santo encami* 

nhou com fen exemplo: os aleijados, aquém fervio de *' ? ' iJ f Ma g'ft J»»*». ã« 

pe?, torao os pomes aliy de bes temporaes, como eipintu- Eceieftafi. cap. 7i . § 799 . 

aes j que a todos o Santo remediou - 3 a hus , com o iuften- 

toj 8c a outros, com acorrecção: 53 com que aíantida- 

de de Tob , & a de Saó Bento naõ faziáo diftinoaó de pef- h u f F " ' } "" M VTL"*'"?' 

fóasna piedade, porque era verdadeyraa íua virtude: 54 tomp»titur. D.^3*ionj e Pa- 

&r • 1 111 i- dua.Domin. 12.. poli Trinitat 

nao como a fingida * empenhada toda em remediar as a- - MtU Raiguftquiammà 

flicóes ào poderofoj & defcuydada em íbccõríèr as necef-^"^'*'''*'*"^"^"^- 

iidades do humilde. Lite género de hypoereí ia, he deslui- De),quamaiy ^bb* d*f*. 

Cre da Igreja de Deos. * ^o5:,í*Ste 

. 

Sanclum ntmtenbahêns petVerftti ^Ihmfus^ 
Infinita maius noxia damnat^parat. 
Gmnnn. Verbo { í\elmo. 






Sendo efta peite taõantigua na terra, como faõ as agoas 
no mundo. Na creaçaõ do mundo determinou Deos , que 
as agoas produziiTem os peyxes, & as aves j Ter vindo de re* 
paro, que na produção dos peyxes ordenou Deos ás agoas, 
que prodiiíiíTemanimaes viventes^oque naó cxprefíou na 

uçao das aves: 55 Se era o meimo decretar Deos as n )^ vivmtlt ^\ e iJ efltp „ 
agoas produziiTem os pcvxesanimaes ,que arraitra-lem ó ttrramjuhfirmamtmoC*n. 

& r r , , r n~ ■ r - Gatef.t.mf. 10. 

pey tolebre a área, para queFMiem viventes, ^perquenao ,c cumditit producmtt 
ofcndomalpoderiaômovcícOqueneceflidadeouvcda^ ^S^SÍS 
quelb addiçaô? ^6 Efe íovneccrTaria,paraqueasa2;oas nommTtpt,iiumviv<M* ..,., 

' * • rr - -i -r m»mf*tit cxprimerej/Sj 

produ2iíknj os peyxes co vida^ como o nao ioy, para que R Hf(TÍH1 ,b,, 

as 



■a 



256 O <1%1NCI?E DOS <PAT. TOMO II. 
as agoas produziílem asa ves viventes? A meu ver foy por- 
que os peyxes não tem azas jcom quefaõ hieroglyphico 
dos pobres, & humildes , que por faka de azas , ou porque 
míceraõ órfãos dos bés da fortuna, naõ avultaõ na eítima- 
caõ, porque não tem azas com que voar: pelo contrario 
os poderofos , figurados nas aves. E pareceme não expreí- 
fouDeos ás agoas, que produziílem as aves com vida,íe 
naõ os peyxes, porque era certo o empenho das agoas, pa- 
ra com as aves ricas,& poderoíàs }& duvidofo, para com os 
peyxes pobres,& humildes. AíTy a fingida piedade de hum 
hypocrita,todafolicita emfervir aogrande, & toda deí- 
cuydada em ibecorrer ao pequeno : Efe algum com cíia 
fingida piedade intenta ganhar a indulgência do Oráculo, 
vive enganado j porque efta indulgência he como o eíinal- 
te fino, que naõ aíTenta íbbre o ouro falço. 

361 Portodo omundooftentouS. Bentoarcgalia 

17 Emptczai.fufraiutori- de feu nome,& de fuasobras:a todas aspartes da terra che- 

Mstç,. goua fama de Tua virtude: 57 Os juílos, & ospeccado- 

res a conhecerão, & venerarão. A virtude de Saó Bento 
foy como a dos Cherubins , de quem todos teftimunharaõ 
afuperioridade do efpirito, porque chegarão a todos, as 
vozes de fua íantidade. Vio Ezechiel os Cherubins com 
azasfervir de trono a Deos 3 &teíumunha omefmoPro- 
"-,- u . ' „, feta, que do movimento das azasíe forma vaõ vozes taó 

$<? Eijomtuf ahrttmCbcrtt* r ,* . „ j i^ o - 

limwâiebttHr ufque»d attiã íonoras, que pareciao vozes de Deos;& taopenetrativas, 
niFualichf.io.virf.,. que feouviao no exterior pórtico do templo. 58 Dons 

pórticos havia no templo, adonde Ezechiel vio aDeos 
exaltado fobre as azas dos Cherubins :hum pórtico inte- 
rior, & exterior ooutro:no interior viviaõ os Sacerdotes, 
i9 Vonfotum iiiefonut ««- & peffóas dedicadas a Deos: no exterior eftavaõ as pefíoas 

disbatur in ttno interiori ,ubi -.*. ~ » r» 

iderant sacerd<,ter,acviriDco leculares, & a gente proiana. 59 Com que nao lo aos 

t%pffi:!^!% ui " la " ;uftos,mas tambemaos peccadoreschegavaóas vozes,quc 

Ptigai»juái,taaiai.cfit,x. fecompunhaõdomovimento das azas, quereprefentavaó 

a virtude dos Cherubins j&tao grande virtude nao ic ex- 
tendefó aparte mays próxima, como he a habitação dos 
jufios, fenaó também á mays remota , comohe o lugar «los 
peccadores; a todos fe extende, para que a conheçaõ, & a 
louvem todos. As peiTóas, que viviaõ mays afagadas deS. 
Bento eraõ os peccadores j& as mays vifinhas, osjuftos ;a 
todoefte concurfo, qual outra Águia , oíkntou S. Bento 

are- 



EMf^EZJ XIX. 257 

a Tegalia de feu efpirito, com tal uniformidade na virtude, 
que jiiy hú^comooutros^onheccraõoefpiritodeDeos, 6o rirDeiBeteJiSut, p«- 
noeipmtotlebao bento ; co aily como na virtude dos D.G lí£ .M^.iM<>r.caf.t. 
Cherubins, a voz do Senhor. Tudo iníirucçóes, para que 
fcusMon;vS minutem a & Bento no viver como osChe- 
rubinsj ou a prenda ó dos Cherubins a viver como S. Ben- 
to ; na uniíormidadc,cãque devem aífiftir nos cÍauflros,& 
aoparecer no mundo; vivendo com os ReIigiofos,& tra- 
tando cõ os iecularesjí em diífonancia nos procedimentos. 



- 



QueilemfèmoMcbiítciesottenditad extra: * . „ .*.-*.,«*„ 

>^ . o o • cr /■ HyptcnftmfugtatJSftlt- 

ínteruu oancto mpectore taltsertt. iú interna , gm/fr údetur *«-. 

Germande<Zel T zfis. ■ ***^*^f^°f' 

. 

Virtude necetTariapara alcançar a coroa, prometida a 
ítus filhos; que femelhanteáLaureola da Sabedoria, naõ 
authoriza a cabeça do Sábio, que faltou em algúa parte» 
pmezadaFé. 

262 Com todos foy magnifica naliberalidadeaRe- 
bgiao de Sao bento; repartio com a Jgreia de Deos a ma- 
yor parte de feus bés, &foy taõ grandiofa a dadiva, que 
de Tua abundância nafcèo aquelle Provérbio: St BenedtSlui 
nonfuijfet, Tetrtts mendtcajjèt. Com todas as fagradas Reli* 
giões deftribuhio fuás riquefas; dando a hún$,as rendas,de 
queícfufientaõ, &osmofteyros,-em que vivem: & a ou- 
tras r a«; terras para fua fundação :naó beneficiando a hiu 
fó familia; para todos foy útil: repartia como Princeíà , 8c 
havia de icr geral o beneficio. O Anjo movendo asagoas 6t ^ t!uf am(m Vorni)ti 
da Peícinajnãodava<audemavs,quea hum enfermo. 61 ài/cenâ^t fta,»^,». u-<f* 
Chnlto movendo as agoas do Jordão deu laude a toda* as v qH ip\i„ iffcè»A>Jfowfifir 

enfermidades. Chriíbera Senhor,& o Anjo fubdito , & a *i"»***~pteM ?*w •,"- 

liberalidade do fubdito deftingue fie da magnificência do 

Príncipe, em que eíta,hecommú^;& a outra, particular. 
5^3 Agrandefa,dequeosMon)es uzaráo coma 

Igreja Romana, &krvosdeDeos, auguientouonomede 

Sáo Bento: donde, efte Patriarchu não trata como a filhos, 

aosque faltào nefta charidade , porque lhe não augmen- 

tão a gloria. Jacob á hora da morte prezou-fc Conto de fer «» f/«*j *««/.«/ jtyipfc 

p^y de Jofeph, que fó a efte, deu o nome de feu filho. 6 2 c'" Kl j C ^. 'íTrf. *». 

Ivíuytos teve Jacob, & todos lheaííifiiáo ncftaoccafiáo; 

Kk u:-s 



25S O r v\lNClTE DOS VÂT. TOMO 21. 

mas entrç todos ioy Joieph , o que exaltou o nome de feu 

pay (aceb. Aprovrdencia,com que Joleph no Egypto re- 

á s Pnuicv-rnhijjrfUí p. rno Q fa[ tento , fez a Jacob conhecido, & louvado de 

i?cri-fie»t,coqitodcTivtrhfi- rodo o mundo, lúrrj A magnificência dos hinos he como 

*';:-"'" '"■' '"V "* '" J ;"~ as molduras das qiúdros , que authoiizaõ.& engrandecem 

locur». as-imagés, queornáo. 

364 Quanto vaierofos foráo os filhos de São Bento 
em todas as preíeguições, o ceítifrcão os golpes , que rete- 
be-cáo em defeniada fé, & no exercício das penitencias. 
Nenhua tempeftade os vencéo, quando nosclauílros vi- 
viaõ como açucenas na pureza ; nem quando no corpo fe 
ftfritàiMhi éã^efiã :/,&-, oiíentarao rolas com omartyrio. 64 Nas tentações , ou 
r«fe^4/*«Ki«»f«***«» nas b ata ]h as armarão-íe como os fortes Toldados de Ge- 

ha^nbplloroz**. , i i • t j t • ■* rx 

s. BeJiifup.cap.it. Pwert. ueao , para vencerem aos habitadores dejenco : Dentro 

eia cântaros levaváoosfoldados decididas as luzes jdef- 
pois, que os quebra ráo ficarão as luzes acefas. 65 Seape- 

f Xu™rS?f^ 

hmpade/. judicum.j. ficarão a luz da fé em os martyres, 66 &aluzdaperfeve- 

66 Gedeotiif militei nonfne .» _, j • 1 i 

mfteriL&c. Quiamtnyrafo- rança nos Comdtores : parecendo a luz tanto mays. clara, 
"^Í%l%Í TfXZ ^ W™ «qa*»*» golpgs, & mays pçneuantesas chagas. 
^ inpajrioHB colora bojt,mut {ri qas, & oi) tias íçí id^s compõem Q braza Õ, de que ma vs fe 
g ]IeJI!Tã»\n C huncUcum. pre2a a Ordem Mooachal do Pay dosMonjes. Noinfer- 

noconhecç 0.0 Rico Avarento,© quanto ennobrecia ás fa- 

niilias as chagas do jufto , quando rogou a Abraháo lhç 

<i 7 -Rogou Paur^btabam, . man d a flç a Lazaro , pata. caía de feu pay: 67 á porta dos 

tritmei. Lucaa). pár£ntçs doR-ico^eiieve Lazaro chagado , pedindo eímo- 

la; & intentava© Avarento apparece-íe Lazaro outra vez 
ás portas de feu pay,, para que fervindo-lhe debrazáoas 

68 OuidtHiftrrotMlXJtmit 1 1 n ■ r- s r C » 

■nioTan-m „idot !U ,n Patrír chagas deite mito, logra-lem teus parentes a mayor nobre- 
'.; ■■■ viipoftrstuMfuuut- za> 5g EftçBrazão Beneditino, obriga os habitadores a 

.. íb:tt laureavit. , ' /■ - *i 1 

cv^/ jerm.66:- viverem conformes a elle j porque, (lemelhante á Vara de 

Ulyffes ) he Coroa de animofos., & cenfura de cobardes. 

365 As peífóas, que São Bento eleolhéo para fuâ 
companhia foraõ as mays virtuofas: bufçando a confor- 
midade dos cuftumes , que fizeflèm coníònaneia com a ex* 

6a Duo* queque Cheruhim «l • \ r •ir- • 1 1 1 ■ L - r n ' 

aurcox&.produaiitsf*cte t> ex cel «encia de lua vida. Lntre todas as Hierarchias eKolheo 
wr* q ue pane oracui,. jj eos os Cherubíns, para Ihçafihlirem no Santuário: 6o 

H.iía ioy a cadeyra, aonde Deos oiíentou tua minuta taOBí 
dória, para com o povo ,refpondendo a Moyíés , 8c Aram 
íobreascoufííSjemqueoeonfuUavaQ. A particular virtu- 

I de 



mei 

cerib 



EMPKEZJ XIX. 2 «?9 

cie dos Cherubins he ferem íabios j & para acompanha- 
rem a hum Deos fciente, ió as creaturas entendidas erão 
os companheyros mays próprios. Deos , conforme o acri- 
jbueo, que oitenta ,eícolhe os fervos,quelhe aíliftem;& 
os Santos alua imitação, ajuftada com Teu eípinto fazem 
çleyçaó da lbciedade. 

56o O Monje, nãodeve bufcar para companhia a 
calidade das peíTóas, fenaó a conformidade da virtude, 
com o citado da fua profiçaõ. Os quatro myftcriofos Ani- 
maes , que vio Ezechiel , tinháo diffetentes afpccl:os:huiT!, 
parecia Homem; outro, Leáo: hú , Boy;& outro, Águia: 

r , * . . r \\ • r • ^ Similituio auiermmlftit 

70 L lendo os três Animaes, nas lemelhanças, interiores, eorumfatietiomwh^fin^ 
ao que tinha o afpefto de homem ;efte,com todos acompa- ^ZÁ^JtTa}^ 
nhava , porque todos quatro tinhaõ os pés da mefma for- trhipforum quatuor,® fatie* 

o /-\ ' r A - 1 T-> 1- ^/tquiUdefuptrirfcrumqua- 

ma ,&natureza. 71 Ospes,que lulientaoahum Keli- tuo ;, i<~ CC h. >.verf • <=. 
piofo, he a virtude: 8c fendo os companheyros ieuaes nel J *, ?eití f oruw f eJ " r / 3 ;i 

O f . r . ,. *■ * /- ■ í$ planta pedir eortim quaji pi* 

la, naõ importa a inferior calidade, para que naófejade- tdpduvmiv íu-vtrf.j. 
cente,&util a fua companhia ; fóados mundanos, he a 
que de todo preverte,& incapacita lograr a indulgência. 
Deos abendiço-ou a todos os animaes, excepto os terref- 
tres. 72 E a razaódifto foy, por eftar em fua companhia 

o r~\ U • J 1J- 11 froiucat terra animam 

a Serpente , a quem Deos havia de amaldiçoar; 73 a ma dentem in % entte^o jumc*- 
companhiaos privou dabencáodeDeos. O Monje, que t*,&rcptiiiã t &btfti** tetra, 

K, . j r * , r . / ^ &fa8uctita.Gcncf.i.vtrf.x*. 

tem lcciedade com a lerpente venenola nao alcança a 71 c»uf»propterquamterre- 
graça , nem participa da benção , com que Deos exaltou, J£í2!«i*-*7^f3« 
& ennobrecéo a Ordem dcfte Principe; porque a prata cõ htfihjscoHir*ritu.s.yi**ft** 

.. . , ir>- - 11' tiuxSinaita 1>I>. $. Hexam. 

li^a, ainda que tenha elumaçuo apaiente,perde o valor in- 



tnnfcco. 



367 Será ignorância era (Ta, de quem prefumir,qual 
outro povo de Pharaò, que adivizão domar he caminho 
para todos , que eíia indulgência he eílrada commúa . 
Muytosá hora da morte, & antes diflo, a temexperimen- 74 hvtiuh cor Domawti» 
tado , femelhante aomar,quefepulrouosEgypcios; 74 me ^à\\*Íw}.x%. 
Be dcíFtndéo os Hebréos. Naõ fe dividirão para todos as 

agoasdomar: não fe abrirão para todos os thefourosdo 

Ceo. Para os filhos governados pela Regr3 defeu Patriar- 

chahe a indulgência, alTy como para os que capitaneava 

aVaradeMoyies , foy o abrigo das agoas. ScalgiiEgyp- 

cio, íendo idolatra, feencorporaracom o povo Hebrèo, 

não lai varia a vida. Importa pouco ler Monje em o nome, 
■ "' Kk 2 SC 



■2&o O $%iKa?E WS T/T. TOMO II. 

8c abiro jler Hiiio óâ Aguia,io nas ;{pparencias,para que vi* 

vendo entre osverdadeyros Monjes,& procedendo dií- 

• sí hettf pivart poiuijfc, f ]uro, lhe valha aimmunidade da Religião. * Perdéo 

e.M.Gfg. toqjiemii çf-f. Lucirer , & Itus iequazes a gr^ça , em que torao creado.^ 

í ^ tt,eí - com que degenerando de filhos de Deos,dcsherdaráo-le 

de todo o dircy to , que tinháo á gloria , & pri varãe-fe de 
toda a gloria , que tinha o Ceo. Os Monjes efquecidob da 
,. ... virtude de fudVoc3ção,& da dileiplina regular, em que 

num Rdigiemtnimiantjimo- Jforáo iníiruidos , iaó expulfados do Soldr ,qual ou- 
0tct f t* wfupcbmm ,#/>,*- tro Luciler do Ceo; porque lciueihantesaelle 

fumfuc*em*Çwtg»*u commetterao a culpa , aonde haviáo de 

D.BcritifJ.ferm.contrt vit. *- ' 

i*i>*t. peiíeverar na graça. 75 




QUARTA 



i6\ 



QUARTA 

EXCELLENCIA: 



QUE TODO, O QUE FOR INIMIGO DE SUA L%Z",:%"?;ffZ, 

' vita/tbi abbreviabnur^ vcJ mg- 

'} lê morte moTittur. 



Religião acabará mal, ou íe lhe abreviará a vida. 



quando íe não arrependa. 
B M T <% E Z A XX. 



D.utirnelti.Jiif, 




3ÓS 



1 TÍ !•/'-*% *~-' 



Mj 13- 



BASILISCO moftraovene- 
jj nofo de Pua malevolcncia,em f ^Ufi^f^meS». 

^\f*^(r?$i\M e , • j . 1 1 r lutmtitb Caw.iitnl., 

X AvrW*Tl<t!Íi & em perdera vida a luz doei- UíCO Uoq.<m»v. 
pelho. OSolPerve-lhedeefti- 
mulo, porque he oppoftoa Peu 
pcPtiPcm natural: o efpelhocauPdhea morte, porque nel- 
le reverbera o veneno, que cornmunica pelos olhos, 8c 

Kk 2 com 



1 



X 



Seipfumquoque vifuf.ro. Jj„ n j J a( J 
■> inierimit, ãrmattu emm ho O " 



2^2 PRÍNCIPE WS <PAT. TOMO 11. 

com os reflexos da própria vifta perece ás mãos de íua ma- 



e> 2 



mohfigtcuioconteM exhibat ^6<p Entreos Catholicos , he o eílado Clerical, Sc 
SSSSCSÇ^ Rcl igioio, pela excellencia de ília origem , como pelos ú; 
m,u>r. T , tvisScohotds.^iH- tos de iua ptofillaõ , o Sol .que alumea com oefpiritode 

gujl.dcC-.vda.UoUb.^.cap. r ' v -\ -o TIL 

i i .^? r , l Jô í ( t ij.(>ii. Deos, o entendimento dos nomes; 6c oelpelno,quere» 

jitoj^&2%tZ pref«ita,comluzDivina,ashnportanciasd'alma. 3 

luminans tentbras mcntis,&cor 

dii,detnonllra>iiquèviiitnCti- ,r i 1 »• 1\ • fTi ;• • r- 

hjlem. Pata- Bened.Bm de U- &! « CUÍtUm rellgtt díVíHUm 'I(eil<?l0f0S , 

German. de ^cligtone. 

Nefta conta tinha a cega gentilidade á fua falia- reli- 
gião. Pelos di&ames defeusSacerdotesguiavão as almas, 
&difpunhãoogoverno temporal. Os Romanos naõ mo- 
viáo guerra fem o parecer dos Aurufpices, ou Agourey- 
ros: Atéosmefmos Turcos o nãofazemfembeneplãíico 
do Moftfi: Os Chinas , pelo confelho dos Cabizondos \ r 6c 
Bonzos cumpunhão as máximas de fua politica : Entre os 
Alemães erãoSacerdotes,osminiftros, que condemna vão 
á morte, ou aliviavão da pena ; tendo para íi , que fó era 
fantOj&jufto, o que elles executavaõ. 4 Os 'XÈsu^Lsos 
4 Comeiius Tacittu m. de naõdavãocrèdito ás efcrituras feitas por outra pefloa,que 
rMÍbajSmuiiè.JcjMJi-^àfofík Sacerdote. 5 Refpeytando nafupreftiçsó, & 
€h temforum. falfidadedqfeuerro tanta foberania , nosminifírosde íua 

religião , que os Chinas lhe pedião cartas de aderência pa- 
, F _., . „. , ra o outro mundo; confiados, em que com efíafedula,ti- 

6 Fernão Mendes Pinto. l ^ \ i~x - 1- n- 

7 Nefimut deteriores infi\ nhaoJegura a gloria. 6 Brutos creoulJeos co tal iniiintò 3 

âelibus^qui prctter idihrã cr~ j C l r 

roremJhJuLmcuitur» e * quepodem enfinar os homens a ler gratos. 7 
hibentiijorumfamuiu.cbryfof. 37 -Tulgóifò Emperador Alexandre Sevéèo , que a. 

tomutbom.6i.inGene.fi. -> ' - •> &~ • 1 1 • 1 j I 1 1 j o 

8 Mim™ deàeeonfibi arbi. Mageliade Imperial havia de ceder aauthondade dos ba- 
^;IfÇl"2^«rdotes. 8 Fingioaamiguidadcganhar^aLuaoref- 
jejiatem Sacerdotum authori- plendor ,da reverencia , com que tratou a Nerea , filha de 

ItUceàere. B»pull.£ ulgof.de \ ,. A ' *v 1 

Reiigi.cuitu. Ampmon. Appareceoa Nimpnaemotcmpo,queaLua 

apparecia também em o Ceo;aqual,defcèo á terra, para a- 

zJulZlZm^f]^!" 1 '' companhar a Nerea em obcique. 9 Filha de humfalço 

Deos , como Ámphion ,era a Nimpha: como a filhos dos 
Deofeseítimava a gentilidade a feus Sacerdotes: ravos do 
Sol osintitulavão os Efcotos: A Luaíubiocom Magel- 
tade fupertor, delpois que deícèo do trono , para obíe- 

quiar 



RMfT K EZA XX. 26- 

qulir? Ôih.i uo Deos Ampliion: amelma terra , que dan- 
fc&anáaya debay \o dos pés , ióUe , convertida em ouro , a 
ler coroa dos iVmcipes , obedecendo a virtude dos rayos 
do Sol. 

37 t Filhas do vefdadeyro Deos intitulou Chrifto » z^Ãtt.fcyròiãnyj 
aos Sacerdotes da fua Ley. 1 o Comodivfdoreípeytoa E * cd f iimr - Sí - *Jfà £*&/'?. 
tão alta dignidade , tratarão os. mayores Monarchas do 
mundo, aos que tem efta adopção de Chrilto. O Empeu- 
doi Carlos Magno falava de pé, & deícuberta a cabeça, 
com todo o Sacerdote ; ainda osReligioíbs , que não im 
nhão ocarater tratava com a me ima decência. Chiiífon- 
dade , cm que os Monarchas, de Portugal excederão a 
nn'.ytos;& virtude, em queElRey Dom Fiedio o Il.do 
nome ie aventada o todos. O Emperado.r Conítantina 
Magfio.jaffiítindo em q Concilio Cakedonenlc , acioi-de 
lhe derão hum libello das queixas, que alguns Sacerdotes 
davão hús dos outros * conídíbu-le indiano de conhece* " } K Y r c '"l us e s re z ! «/'"»<>* 

„ • fs 1* raikudfoMJjimum narrahtmiu 

das culpas de nus nomes, a quem Chriíto deu o poder de q»°(tf. h b fíí^í""'/' k 0HC '- 
migar ospeccados de todo omundo. 11 O Emperador ^,,; u;; rj . 
Theadofio. íoy emdia de Pafchoaá SédeMiláa.affifiira ê$!??$ <.w ":':•< •■"•■■^™fe 
GsUivinosUrncíos, òíiendoine advertido, que a parrea^ nui^jc- ,-,-: -.// ;, 
donde eftava era dedicada para osSacerdotes, levantai» ^í 'í^ 

íe. o Emperador, & ficou no ínfimo lugar. 1 2 EiRey Rumina adhominumrtgcndum 

r^v Arrrri- r » • coiflitiuor efíefS trairei mta- 

Dom Anonío Henriques frequentando muytas vezes os f.,, 1 ,,/;»,;,<-, .-,,, M - - 
afros Conventuaes,, com os Cónegos RcgrantesceSauta 7 ?:.' 
■Cruz. de Coimbra, não la immitQu efta humildade, mas '>'• ! ^ ^ v •/ ••' ; - 
também veítia a tobrepeliz de Cónego. Os Reys de Fran- jfíçÇS 
c^qaandoaíriítiáoemaaCadTedrays.faziâóomeírRo. j: •» DepifituRtffiinlJfi 

? '. .... 1 T-, - vi 1 V tu LtittMi veftem SaccrJcteli 

rugindo Lúcio Albino de Roma invadida dos Fran- mcrecumaiiitcauoniceruoiin- 

cezes, encontrou» pé as VirgcsVe^ 

Teus Sacerdotes, que asguardavío do deiaeato, que te- Bapufi.uUjnf. 

m\ia: ç: reverente ao lupreíticiolo culto, com que entre a TiW. £>*«<*.*./,*. 5. 

gentilidade crão veneradas , mandou apcyar a lua família , ' 4 f*"^™" 

dos carros, em que maichavão,& tez nell.es lubir as Yii- Jift""*. «/"** quoãfiquu ,,-■.- 

ges Veíiays,óíosbacerdotcp. lJelprclaaPees,quem l- .... 

defefuma a léus miniíiros. i « O que não legue a Reli- *««%"•• ' r -" , ; 

gião aborrece oReli^iolo. Apurpura regia dtíunidada EpiR.to.ãdSmi 

Sacerdotal, he langue delaniinado,dande íe origina toda a 

corrupção do corpo. 

372" Duvidava hum gentio, que pode-.fe haver ho- 
me m 



2^4 O CONCITE WS VJT. TOM. II, 
jxí&ii taóbruco,que defpreza-fe os Sacerdotes dos feusfal- 
M Quuefthomotauis tcnfi. ( os Oeoles: i < porque fé cxiílilíe,&: cótinuaíTe,fóra en* 

àtntu^qui Sacerãotcm vidare ' r ' - i ri 

jujeatt ?i*ut ih RuJeiít. ^2- tre os bruços, a mayor rera : 16 nao ha laivsge, pormuys 
^'ÍZ^crò/»^,/, «n domi ta , a quem naó fojey te a nectflidade : Donia-ic o 
Jeffix-.i-u „>i,i,>\'ícs Uterura. Tigre em lhe faltando o paíto : humana-le o Leão fe algúa 

dor oariíge. Osgentios íorao brutos racionaes, tao ad- 
diâosao culto da fupreítiç.iõ,que rcfpeytando emícus 
filfos Sacerdotes as conveniências deíuds almas, porque 
os tinhaõ na conta de miniftros dosDeoíes , refreava ó o 
indómito de feus vicios ,por naó faltar á reverenciade iua 
falia religião. 

373 Fe'ra mays bruta , que os brutos gentios , he to- 
do o Catholico defafeyçoado aos miniftros de Deos Que 
Águia provou de foberana tendo oppoílçaó com os rayos 
do Sol? Que Príncipe fe exímio de filho das fombras,me- 
nof-prefando os fervos de Chrifío? Entre os defeendentes 
da infernal lagoa Eftigia numerarão os hiftoriadores a An* 
, 7 p.rumi^Thtfouru, riocho Rey da Afia ,& Syria, pela facrilega expoliaçaõ, 
itque o-r.imtrt.r onnbu, u- com q, je intentou extinguir o Sacerdócio Hebréo. 1 7 
i,;.pti:,um m co v uri cuituj» i odos os anifflQesiao hinos do boi, porque os cna,& pro- 
C dfs e T»fJug>T.' ?Julgnf ' duz,&asaves nocturnas chamaõ-fe filhas da noy te, por- 
que tem antipatia com a claridade da luz. 

574 Que edificio pode fub-fefHrfemalicefles? Que 

republica Chriftã fem Sacerdotes ,& Religiofos funda- 

•u sí auttm njHtiv.tr» fm- mento do ChriíHanifmo? i8 Fortalece a baze, quem tr2- 

fi, a 7 g me»tu»i pofuii^e ca de legurar a columna: rranquea,comoosKeysdePor- 

o.jMmn.Gbryf./uf.Msia. tU g a ] )as terrasde feu Império, á nova erecção demofiey- 

w ros , & Religiões Sagradas , quem intenta radicar a Mo- 

narchia comeftabelimento incontrafíaveL Multiplicadas 
as fortalezas fica mays fegura a muralha. pris 

375 ^ governodo leme fora das mãos do piloto, 
defgoverna o rumo,&arrifca a embarcação. Alcy Evan- 
gélica heo leme, que nos governa- Sc os Sacerdotes, os pi- 
lotos a quem Chriíto entregou o timão. E fó hum Turco, 
humJudeo,& hum Hereje pôde dcfeftimar a peí]Òa,de 
quemChrifto faz tanta confiança; &r de cujo minificTÍo 
depende tanto a falvaçãodos bornes. Aquelle que não in- 
tere'fia no negocio helò, o que não faz cazo das aderên- 
cias. 

376 Aoppoíiçáo,que oB^filifcotemcom o Sol, 

pi o- 



EM? REZA XX. 26$ 

procede , de que a virtude do Planeta he morte da malig- 
nidade da Fera. Elia, por n^o perder ávida venenola, o- 
poem-feao Sol, que a oprime. 19 Todo o cuydado do l %M*to **»&** *'VmSgi 
cnminolohe,livraríe do? gnlnoes,quc o prendei», i feba- v^iuerroriíftetavuiigbui*. 
lha obmtopor lançar fora defi ofreyo,que o reprime. "S^SS^SSÍ^St 
Hum, & outro eirado, oClcrical, & o Rchgtofo íaófu- ^""''"rboKUòacrruoinm ed 
plicio dodevalfo : doqual,femelhante aHcrodiades,he darent*®" ' UAií e ,7«X'h7m. 
todo o cuydado emudecer a voz, queoacuza,pelonãoar« 
pmirdo vicio, que ocondeinna. 20 Os frent ticos não fe zo 2 iin . Ucettil,iitiweuxe ' 
qucyxaoda enfermidade, que os moleira; queyxao-lc das /"■»<*», wfictfut y M «. kur, 
medicinas, que os curão ;&cnfurccem-íc contra o medi- l [\ Hií „ inibuecu , atio „ ilM 
co, que lhas receyta. 21 Efe o viciofo não pôde neíle e J* t -'»g r * ti **™*f»*'* **&*& 

', r J Jol C C ' brephitnetici,i*fif>iitci in me- 

íiíundoioportar os ardores do boi , como loiíera no outro, j,/ U m. D.^i^.m pj a i m . 6 } . 
as chamas do Inferno? 22 adver {- .*■ . 

22 J» Oo/w ca/orem lolcmrc 
ito* pcfitm , quomcJo Iclemb» 

Nonfiret Jnferm tanta mcendta flammts^ £ w< rf f WM Ww , rf . 

dJlrdorem Sdis, qui tolerarenequit* 
German. ttt. de ^etigiojis. 

577 Seria mays louco,queoroefmodilirante,oen- 
fcrmeyro,queaiTeítindo ásqucyxasdovario,defprezara 
as receytasdorlíico. Os Príncipes laõenfermeyros da re- 
publica ; os enfermos frenéticos faó os vaiTallos diíTolu- 
tos; & pode fueceder ,eftarem taõ próximos os enfermos, 
queoução os Príncipes as vozes, com que fe laftimaõ;& 
he necelTario advertencia,porque condoido das vozes,lem 
examinar acaufa, pôde condemnar o medico, & dcfcul- 
par o louco. Tanto vozearão os grandes de Inglaterra 
contra osminiftros da Igreja Romana, porque os repre- 
hendiaõ de feu máo procedimento^que motivarão o ódio, 
com que feus Príncipes conípiraõ contra a Igreja de Deos. 
OsKeligiofosdo Patriarcha S. Domingos, & S. Francif- 
co pregando livremente em Efcocia contra opeccadoda 
luxuria, que os magnates daquelleRcyno julgavaõ porli- 
cito,foraõ aceuzados do crime da inconfidancia; & fem 
mays prova, que o tefíemunho dos luxuriofos , cxpulfa- ?? fatífimàV^Ú 
ráode fuás terras aos fervos de Deos. 25 O iiuz íendo uíUt. Laeymofi Repa sce- 

• . . , r* • i> 1 1 j' tini. foi. 10 Íj ■ » > ■/ . 

ininuaodoautor,crecomíacilidadeasqueyxasdoreo. yy 

2,78 Tendooefpelhoaleúa mancha, empenhamays *4 f»-H^«iw e) 



oB.tfilifcoofcuveneno. 24 Pela parte leza forceja por 2 ,,,8., .§.,». 

LI vene 



2&6 O $<%lKO$E VOS <PfT. TOMO 11. 
venenar todo o corpo deafano. Hum animal compofto de 
peçonha, oflende-fe das manchas do crivai? Se esfru&a 
podre, como te enfaftia a toca da ? O diftraimento de hum 

ij ItaaueeuiiiviJmf òa- -,-.«■ • > i ji_jr 

terdíienudumin^muaiii- Reljgjolo , & de hum Sacerdote relaxado nadeiermoti- 
^;r::r;:^7;^ vo, para que defprel.es o Sacerdócio , & a Religião ? Por- 
,.ebc>:jt„iUuti;ur.Qi<ãjo t }ui q Ue piloto ignorou o rumo , logo a arte de navegar he 

âcn:, : S Jud.n prodilorf;itt y vs- 7 . « r f . ° „ L - * ■ J j 

rum .b,.i «s«\íf«:y íí r»rfl^»deleciuoia.' 25 Porquenua Águia degenerou das mays, 
JíoffoihéJeiMmnimm! i ogc>toG as perderão o timbre de fua nobreza? Húa telha 
njahmaviw,:.- ^Hioqinnqttoi quebrada desfea todo o edifício? Húa moeda falfaempo- 

medicifaBi fut camifica.ac ve . , ir "v t? 1 - n n. j 1 n 1 

nsna^rtpharvtci/chchmrM breee todo o theiouro? fc> nua tior agrette deslultra todo o 
Hon tamc* a.um vitufcro,fiã ^rdim? a tua malignidade fegue a condição das feas, que 

malis utcuttm atle. Queixam* ' o C) 110 • 

>i:au rcxtruntnwgia'1 ' ?**» arguem deley tos no eipelho , porque lhe moítra a mtper- 
K ,ílu'mZTm^. ""'* . ,Ji ' feyçáo do rotlio.Econhece^quea enfermidade domedi- 
d. joan«. Cbj/fofi hm. 4 . de co n ^ Q t j ra a virtude do medicamento. 

ve<btí ijttft. Yidi Dominam ^-~ r . „ ,. . 

fcâenumyVc 379 Deipois,quepeccou Adão, dizem , perdera o 

Sol a lèxta pai te da luz,com que Deoso creou. 

Septupla lux Solisfaerat, quamSol dedh olim, 
Tunc ut Adam cecidit , cecidit pars multa, in terris^ 
Sept ima pars num ejl ^fixperijffepatet. 
Gothfridui Uterbienfu parte i . Cbranicorum. 

Pelo peccadodeíle primeyro Monarcha, faltou no Sol 
orefplendor,que tinha ; & por culpa de algús Principea 
featinuounasReligióes aantiguaJuz,comqueas funda- 
rão feus Patriarchas. Porque os Príncipes fizeraõ Comen- 
datarias,as prefidenciasdos Mofleyro9,deraõ as Religiões 
na clauftra . Porque lhes desfraudaraõ as rendas ,fe rela- 
xou aclauzura. Accommoda-ie aave corna prizão da ga- 
yola , porque acha nella o fuft ento neceíTario , mas em lhe 
faltando, ou rompe a prizão, ou perde a vida: quem inten- 
ta extinguir o fogo, faltalhe com os materiaes , que o con* 
fervaõ. 

380 Relpeyta o Bafilifco a mageftade do Gallo. A- 

16 jureignurgttinacMtm quella fera tem medo defta ave, porque lhe ve na cabeça 

iuithacbefi.a,tum q uod,pfaa. húa coroa mays nobre, mays viíiofa, & mays dilatada, que 

-bit corona redinuta-efl lonçs am p s r \\ \ 1 t 

fiicrc t atfuicbrhre, nobúwre. a iua. 1 6 Com f emelhança de coroa remata a cabeça oo 
USfflSÊírSÍ Bafilifco, & fendo efíeanimal o mays venenofo, parque 
Jemvintt regiam vevetur. fó matta com a vifía dos olhos : nem tem olhos , nem tem 

Mayaltutraa.deSerpentili, n -. . ^ .1 N1 . ., • 1 n 1 

foi.nnhiidc.Goik^uiaS. venenopara otiender o Oallo. ÍNa Vigilância deítaave,he 

hgu- 



& M Q \E Z A XX. i6j 

figurada a obrigação, & virtude afly dos Sacerdotes,ccmo 
tJosPicligiolbs: 27 A coroa, com que hús,ck outros Ce 27 o.%%.!o»tfi/- 
ornao,è<:deíimguein,rcpreiencaolniperio de luajunidi- ,3 vs.BeJj/up./J, ; & 
çaó. Amuytosierve efta coroa de alvo, para os tiros da *'</""' r ?' ; r-<'* n.tfr.Gaãw 
emulação, devendo ler para todos o objecto doreipeyco. 
Idomenèo prezado de deicendentedoSol,traziaiobrea 
cabeça a figura de hum Gallo. 28 Ao figurado nefta ave *« Uomene, jypeum GaUo 
trazem muycos íobre ohombro,comoCruz, devendo-o  T r lllZÍ &n "f fu '^!'"* 

J . yfiofieica quoa u a Mino* 

por iobre a cabeça , como coroa. Pezo infoportavel iaõ tf t 'f'p i '>»t Jwçera origine,», 

1 - • • J J o J o n Tr • ru m WttSolu filia ftierit,cui GatiS 

paraaigusas unmunidades bacerdotaes,& KeJigioias.Gn 3^/ confia é'i t rhu «aju- 
cjuantos invejáoacoroa, que feamedilíempelaspençóes^™ , ^ eG ' il ' < '''' , *'^'' r ''- 
da dignidade, achariáo muytas vezes mayoracabeça,do 
queocirculo,queaorna. Sopòrta o trabalho da vida, lo- 
go naó invejarás oluzimento do Sol : nem a predomina* „ ... „ . , , 
çáoda Lua: olnas para a teimozura doculto,lcm reparar j»««i»r ,/«««>«« fx/>r»>»«»f. 
nos rigores do eftado. 29 Excede a tua malignidade á e^M!'^. C """ r ' '" * dBilg ' 
fereza do Baíililco, porque te iníureíTe afemeihança da 
niefma coroa, que o acobarda. 

318 Morre o Bafílifco, ouvindo cantar o Gallo: a ef« 
tefim,osquepaíTaõpeIosdefertos da Africa levão deftas 
avesconfigo. 20 Porq as exortações dos fervos de Deos ^ Bafinfciu forrei GaUina- 
tedeipeitao do letargo, & tenao deyxao dormir aíono e*>orinir:ii*ptr africam w » 
folto nos braçosdoapetite,defierrasdetua eftimaçaó, a ^S"^ 1 ™''"""" 
quem te caufa a morte , porque vivesda culpa : íem adver- e-^«»»«^'*:3-«j».jq. 
tires,quea defíruiçaõdos Sybaritas eíieve,em náoadmi- 
tirem dentro em fuás cazas ,& povoações os gallos, por- 
que lhes interrompiáo o fono: 21 E que ajudou n.uyto 
aconteivíçao dos Suecos cunharem a moeda nacional, oZr.etmoUituàmisnuweyot-n» 
coma fipurade hum Gallo,com hiia Efírella entre as azas. t*GaUun,i*X),bceffcfTohibt. 
3 1 Republica, em que a veneração Sacerdotal he moeda, wte.feDarct. Ueoqut s?/-*w- 

1 1 i- .f r>n. 11 Utomnti artes ttbletiveruntMt 

que naocorre,he republica íem Eitrclla. pUtfe, <,uoàvoiu f uu,f* M 

282 Naó offende o Bafilifco ao Sol , nem inficiona »»«"*;'««'■ "'"j" "*//v. 

-" -, ,, ' - » — )2 U«w ente:}! Gííiu lio 

aoelpclho, por mays que os encare \ antes quanto ieínfií-/K-reff«/ «'/>»«, cumpfojii ,- 
rece, tanto mays depreíiaefpira. As pedras naolentem os tTÍpti0 * mJic , ttòHtJaK „ umftm 
golpes, a maó que as otTende he, a que fe maltrata. O efla- ««wjWi. idtmAi. 
do Sacerdotal , & Religioio iaõ duas colutnnas , formadas 
de duas pedras unidas ,Chriíto,&Saõ Pedro : ore&odas 
columnasnaó fe troce com o pezo: apedra naó perde o 
fer com os encontros ; antes fe a perfeyçoa com o pico, Sc 
comaefeoda : da mefma for rc asRcligiócs,& oSaceido- 

Ll 2 cio: 



sós o r v%mcnE dos or. tomo n. 

,« 5iítt<í/»»//rwí»rf^íj-- c ', : -q Uemas fére,emfi dáo qolpe. 23 Afi arruinarão, 

cutit Itpidem, ípfa quiJem co/~ r . ■ • s 

iiiii*/,i*fiihinãHitm,}onU- & a ieus Impérios com omao tratamento, que derao aos 
*'•£'> *«V ir \*y "»"■' Religi'jíos,Loduvico Príncipe de Conde, Gaipar de Co- 
nri-u^fit^brijiiamiatiautem ]j n j } Almirante de França. Aquclle, que le põe a conten 
fcDti/.4ò./iiM/.»f. M*tó. der com os rayosdo Sol,queyma-iea lij & alombraapar- 
R e iig,o»o«fc»uifaugationê. tc a0 nde cftá. Os Rayosdo boi Monaltico S. Bento, 24 

Idem. ibi. bom. \%. < 

& os reflexos deite eipelho de virtudes, 55 intentarão 
, 4 Vocíttí>ttiimsa,qii'fA desluziros mal intencionados; & ÍU3 malicia osconfun- 
%untb,EccUfi*&iLi»R<g- dio, como o eipelho, & o Sol ao baíiliico. 
»o?axri,coru.s.^}doyi:i n fa. ^g.^ Efcolhidos á luz de Tua virtude eraõ todos os 

,\ Sfecuhtmbonerumopcrn Mon jes, que por efte tempo viviaõdebayxo da jurifdiçaõ 
& P ttítÍ^t d° P"ncipe dos Patriarchas : Em tudo íeguiaõ oexempio 
fatinue Mijfét ejiix. deíeu Legislador, guardando efíreyta clauzura;porque as 

abelhas naô fazem o mel andando vagas pelo campo, Te 
não eftando recolhidas na colmeya. O recolhimento Mo- 
mítico he a origem daeftimaçaõ dos Monjes : as imagens 
de vulto, & as pinturas ao valente, quanto mays retiradas, 
parecem melhor , porque viftas de perto , faõ defeciuoías. 
Os inimigos da clauzuraíaõ como o vapor incendido ,que 
clauzurado nas entranhas da nuvem naõ defcança,até naó 
romper aprizáo;&faindo delia convertido em rayo of- 
fende os olhos, de quem o ve :na Religião vivem inquie- 
tos como o vapor ^ 56 & nas ruas eícandelizaõ como o 
. „ rayo. Com lembranças do mundo ninguém vi vefocepado 

i6 Sunt qitldam, qui mente J . n „.* . JOJ • 

vaguoccHiii atomtiMituâef- nosclaultros j na o importa tirar o dente, & deyxar asrai- 
foiut, aii U dcantant,aiiudco- mitigar as dores. O Religiofo frequentando o le* 

gitat,tn chorojunt corpore , tn To 1 1 n 

foro mente, nunc inturfunt, culo naó pode vencer o mundo; porque he deftreza do 
•sítufionihM*. íundibularioapartaríedo inimigo, pararetorçar o braço, 

& aflegurar o golpe. 

384 Neftes tempos foraõ mays agradáveis a Deos 
os Sacrifícios , porque era mayor a pureza dos Sacerdotes. 
Ainda queo manjar naõ perde o ií»bor\pela pouca limpe- 
za , de quem o guiza , naõ he taõ agradável , para quem a 

97 Mi/fa boni StcerJotireB af .a„ _ 

«cceptior Deo;ficut cibutpa- 5 u 3/ 

ratuf a mimjlfo mundo jucun- 
diUffm>iitur,quS »b immundo. -r, n . »• 7 » -w n 

D.Tbom. ri» 4. Sm.Jift.u* EJt acceptd magu digno celebrata MiniUra 

Mifía, Velut munda fercula y facla manu. 
German. de Çhialtt. Sacerdot. 

Com facilidade fe emendavaõ os erros do povo , por» 

i que 



çjue viviaõ Tem nota osniiniítrosdc Deos : Se algúa parte 
do edifício ameaça ruina, facilmente ic repara ;mas íe pec- 
car no íundamento ? com dificuldade le reforma. 28 * 8 Sipartai^uadcmwfue- 

n , , . , r , . r ■ ' J j r rif decif^cum labore tawE pef- 

rieduravel via o mundo lua duração, na iantiGade dos ícr--/*;/íryi,í(í^ ( ir t fi.r.-í;«r £ r/w 
vos de Deos. Faltar a luzem os valles , naó teftemunha de '>/«»^'*ff"»/«."*«- 

, l ' ' qusfatum, tjinJ faca -turfa 

todo o hm do dia ;nao appareccr a luzem os montes, he 11- m > ■■■** ,»>fi'>taiiq«o heow 

1 j /• c- 1 4. -S r^ • C r\ \a- ■/" facial fundamcmaS$iaptàetât 

nal ,que deiamparou o boi todo o Emisreno. Os Minii prioudomou*.nf H aan t> aitam 
trosSacerdotaes,&Religiofosfaó figurados nosmontes, M'^ifi'«^imtsie % eni 
oc as uemayspelloas, nos valles. As agoas do Diluvio em rcrpcccavermt pcrp e n,ie*tiam 

'■ . »„11 • - I - comiuniur: iii atilem dijr.pjtu- 

quanto inundarão os valles , viverão os homes j mas quan- e u J t ^sacudou^a 
docobriráo os montes, eípirou todo o mundo. 20 cjipopunfundamcntum, ^md 

585 Com as agoas dos montes íecultivaõcsvalles: u. ckrjfíji. i* 7.4. Manh. 
com o exemplo dos Prelados fe alentaõ os fubditos.A Homl pr^t ]» V atibus fitobr- 
clauzura he o potro, adonde íe amançaõ as rebeldias da turitatjiediciManteadocca. 

&l 1 p I p~ . Jum. Quando ctv? col.cs videti* 

o exemplo do íupersor he o caliigo , que me- ^/^w,-,, quitdub,t»t,quwj» 

lhor doma abrutualidade do viciofo : Se a fonte he falo- n " e fii?\ c Í r Ít u ZÍ" fecult ~ 
bra, também o ha de ler a corrente. Difculpaalezaódaca- pitpMaiercobfcuritatpccca- 
beça, as demaílas do louco : & da meíma íbrte a relaxação '^"^uoTslZlZ^tfilí 
do fubdito, fendo enfermo o Prelado. injumm» vértice jpirnu*i,um 

2,06 Ubngada a Divina Omnipotência das virtu- Uidicuniur,apptebenderiti»i- 
des, & Ter viços prefentes , Sc futuros , com que os filhos de t^^^^L» 
Saó Bento illuítravaõja,&haviaõ deilluftrar fua igreja; idtmm (#.**- **»»*• 
prometéo amparalos,& favorecelos com maõtaõ larga, 
que fendo a mercê de juro, & herdade , lha concedéoatèo 
fimdomundo,comtaes,&taó magefíofas particularida- 
des, como temos vifto,& lèmoftra nefta:& vem a fer: Que 
todos, os que prefeguiííem a fua Religião , & a feus filhos, 
Jhes dbreviaria a vida , ou acabariaõ mal : que he o inefmo, 
que caftigo temporal, ou eterno. Com mays liberalidade 
íe ouve Deos nefle favor com Saó Bento , do que antigua- 
mentena mercê, que fez a Abrahaõ,8r Jaccb. Confede- 
tou-íe Deos com Abrahaõ de fer amigo de feus amigos ; & 
inimigo de feus inimigos. 40 E prometéo a Jacob de- 
fendelo em todo olugar,& tempo. 41 Efta protecção 40 BtHe&ic*mbc«eâicmi»M* 
Divina, com que Deosfavorecéo , & authorizou os Patri- fW™ 1 **"*'" «mW»««#- 
archas teve, em parte, as condições da fimplez colónia, 4> Frocu/iat4uti>,qiu>eum- 

rr r j rr • j r • queptrrcxtrit..$$ç.'lbicep,x%, 

quenao palia a legundo polluidor, porque elpiracom a \trf.i%. 
morte do pihneyro. Não fc obrigou Deosnefias proméf- 
fts,a ter o ineímo cuydado dos deleendentes, que teve dos 
progenitores. Efta condição imaginarão muytos, que ti- 

Ll 3 nha 



27o O PftlNClTE ms VÂT. TOMO II. 
nha o pacto , que Deos fez com São Bento ; tendo para fí, 
queíò em vida deite Patriarcha tinha vigora prometa; 
lembrados do miíeravel fim, que teve hum Sacerdote cha- 
mado Florêncio, que ficou fepultadodebayxo das ruínas 
deíuá própria cala , porqueemprtndéo moleftarcom de- 
fcnvolrura, aS. Bento(emofimdeíie tomo referimos o 
ft!Cceíib)armaráo-íe contra osMonjes, defpoisque lhes 
faltou apreíènça de São Bento : enganou-os o Demónio 
com íua mefma ambição, & malicia: & defenganoií-os 
Deos com perda defeusbens,de íuas vidas, & de luas al- 
mas. 

587 Defembarcando os Sarracenos em Rcma,fa- 
quearáo o Templo de S. Pedro: & noticiofos das riqueías, 
queeftavão no mofteyrode Ca íTino, intentarão darlhe a 
meftna aílàltada. Ataihou-lheopaíToa Providencia Divi- 
na, fazendo crefeerem húanoyte,com tal abundância de 
agoas o regato, que cercava parte da povoação CaíTmen- 
fe, que de manhã o naõ poderão vadear os coílàrios 5 info- 
recidoscom o fucceíío, vingarão feu odio,& íatisfizerão 
fus ambição em hús Prioratos, & granjas do mofteyro , (i- 
tuadas ás margens do riacho j roubando as fazendas, & 
arrazando os edifícios. Vãgloriofos da preza , navegaváo 
os infiéis com profpera viagem. A viíla de terra chegou a 
elles húa pequena barca com dous homés;hú, em trage de 
Clerigo;& o outro, de Monje:& póftos á falia, pregunta- 
rão aos Sarracenos, de que parte vinhaõ,& que terrascon- 
quiftarao com tão poderoíà armada? Referiraõ-lhe os bár- 
baros o fucceíío , que deyxamos dito ; íignificando-lhe a 
grande pena , que traziaõ , de naò poderem roubar o mcí- 
teyro Caííinenfe. Pois nos fomos ( refponderáo os dous 
Anciãos) aquém fizeftes elTes defacatos j ( era o A poílolo 
S. Pedro, & S. Bento o outro) &: para cafiigo voíTo , & ef- 
cramentodosmays, conhecereis peloeffeyto, acalidade 
das peíTóas, a quem perdeftes a veneração: E defaparecen- 
do, levantou-le húa tempeíbde , que metéo a pique todos 
4l oirfznYepetpart.i.Je os na vios j naõ efeapando deita tormenta , mays que algus 
CkroMieaGtnidtOrdemdtS. poucos foldados, para tefíemunha docafuVo. 42 

Menlofil.iZi.wf. * Q . '. r .. /r - • -o , 

300 Hus judeos Neapohtanos palia vao a viíta óm 
granjas do mofteyro de S. João Baptifta , da Ordem de S. 
Bento, fituado, em aquelles tempos,poucas kgoís fora da 

Cida- 



EM $ <HEZA XX. i 7 i 

Cidade de Nápoles , & vendo aos Monjes occupados no 
exercício das cearas lhes preguntarão, por zombaria, fe 
querido, que os aj.uda-fem? Accy Caraõ os Religioíos o of- 
leiccimento, &apaIavra.raó-leos judeos de ihe furtarem 
asferramenras , com que eftavaõ trabalhando ; & pedirão 
aos Monjes lhas entregalTem , para os defeançarem aquel- 
le breve tempo, que lepodiaõ deter, os que hiaõdejorna- 
da:& querendo disfarçar fua malícia, levantaião os judeos 
as eyxadas para cavar a terra ,com tal fortuna , que a huns, 
cahiraõ os íerros fobre as cabeças; &aoutfes, ficarão os 
braços pafmadosnoar, fean os poderem mover. A efte mi- 
lagre fuecedéo outro mayor ;& foy,eoniiecerem os judeos 
feu erro, Sc confeOarem fua culpa: com que movidos a 
coinpayxaõ aquelles Monjes Santos, lhes alcançarão de 4) Tr.ignacioâtiorrcs^ 

DC Pi Nxxera da Ordem Sentina. 

eosperíeytaíaude. 43 S^»*^/^^**- 

• 380 Seria de grande confolaçaó paraosCatholicos,/^J"^'"•P ; " er ' ? ' fJ ''' r ' , - 

r ° £ o r j r - r ■' r • i 1 • V<W« > c " t0íh ' los fo in > con - 

k OS 1 UTCOS,&OS Jude05IOraO iOS OS CaitlgaCOSpeia m- uuwaz^reiejàea lof caHiçot 

credulidade de fua fegueyra; masque o foífem também ^^^Í^ÍS- 
algús Fieis pela arrogância de fua foberba, pela cobiça de cmM ^i»tomo de ['>!>">■> tf 

1 • . c 1 ir ; n Corrigi. Pcrfidia-iz ).§&<>> 

lua ambição, & pelo amor deíeus vícios f He a mayor ra- 
zão de femiineuto.Que oBaíilifco, o Turco, o Judeo ,Sc 
oHereje feofTendaõdosrayosdoSoí,que os mortifique 
avidareligiofajque feinfureça oBafililco áluz doeípe- 
Iho, que rayvem os judeos , os Turcos , & os Herejes ven- 
do diante de fi, os íervos de J E S iU Chrifto , em que naõ 
crem, & de quemabuzaõ, fâõ effey tos de feu maligno fan- 
gue.Mas queosCatholicos conhecendo o eftado Religio- 
fopelomays fanto,&afua vida pela mays perfey ta, por- 
que o meímo Chrifto foy feu Autor,& os Sagrados Apof» 
tolos, os prirocyros que realmente a profeíTaraó, immitem 
oBafililconaoppoíição,naÕatendo por natureza ! Efte 
peccado he culpa tão aggra vante diãte de Deos, que o ca- 
ítigacomaspenasdocrimede LefaMageítade Divina, & 
Humana, a quem offende a Religião , & os Filhos de Sam 
Bento. 

390 O crime de LefaMageftade Divina, & Huma- 
na fatisfaífe com a perda da vida, confifeação debés, & in- 
fâmia dos defeendentes j conforme a atrocidade do diliclo 
lhe í plicão as leys a efpecie de tormentos; Sc fe dilb ta , ou 
reíiringe o termo da infâmia. Manda ajuíuçacafíigarfe- 

para- 



272 O QUIKC&E DOS VaT. TOMO II. 
paradamente aquella parte do corpo , que íoy infirumen- 
44 0frfe».w.$.í/'/.'49.§.». to dodili&o. 44 Por efta ordem, caftigouDeos repeti- 

das veles a pouca reverencia , òc temor ,com que muy tas 
peílóas violarão o culto de S. Bento, & defraudarão as fa- 
zendas de ieus mofteyros. Humíoldado em França, pu- 
4; ■úin&utjigatufqKeintx- xando da elpada paramatar algumgadodosrebanhos,qtie 
tric*iM*r*i»cMtbf4fit t ita • mo iteyro Floriacenle , ficoulhe o braço efmoreci- 
utment^nuitam que tripartem do, & infenfivel. 45 Em juizo contraditório authorizou 
vaidut FhriaceuMb.t. dtmi- iuinihoineiii hum teltemunho iaJío, jurando por b. Jben- 
r«cuii*s.Be«cJ.*pud Bofco. to ^^ niane y ra: furo por S. Sentoem como beVerdade , o que 

tr.Btbhot, Fiou*, fel. s%. ' «iii 110 

digo: St. eítendendo o braço, para aparteadonde eítavao 

mofteyro do Santo, lhe ficou arefacto,& inflexível, atè 

46 .Nece/ritatecspuifmdex- confeflar fua culpa, & ir ao Convento pedir perdão ao 

teram contra Bafilicai» exttn- ,-> s 17 r* V J J C í\ J 

dcnr.curnfuJcjuramcntum Santo. 46 Em Galiza , aonde era de preceyto aleitada 
protuUtjUwquicní.Pcriftu», trasladação dos OíTos de S. Bento, nomezde Julho, en» 

S. BeneJiliu,,,, Cjí o ,11o, ei rei- -r-JJ-J O. D. U SlAÍ L 1 

àtdiídtnarioi.uuodqviitieme hua ireguezia dedicada ao oanto ratnarcna,lahionum la- 
2?^£S?Í^'SÍ vrador ao campo para fegar trigo; tanto que pegou na pri- 
qu,Jemwanum,quamcumbre- m Qy r3i aavélla cora a maó efquerda , Sc com adireyta na 

chio tmprevide, peieratururte- /- . • t - f 1L C J - 

u»ierai,adfcrevocarer>equi- roucinha , nua ,& outra coula ihe hcou pegada nas mãos, 

'£ l tZ£f: l r%:,o m ,.*„- km q ue P or a] g um modo as P odcffe âbrir > fcnaó defpois, 
mdeCbrifto m.fói.ixo.verf. que publicamente na Igreja confeííbu feu peccado. 47 

Tbomhn* BeneátSma Lufi. Outro lavrador em r rança, nomelmo dia , pos os boys ao 

UMAomox i.-,a. t .pan,*.pi. ara dopara trabalhar; apparecéo-lhehum Monje,queera 

48 Dumergo cupitumpen- S . Bento , oqual lhe atou com a çoga dos boys as mãos ao 

infiblnun MonLaii. Qui«- J"g°> cao fortemente, que o langue lhe íaltou íora por cn- 
uafqueiíiiu, mams temns, hi. tfe as unhas, & a carne: com lamenta veis gritos entrou ai- 

fnrco,Puo arainimregi1ur,tam r . 1 t • t Jjo n 

fanhér aftnrixitiigrto, ut/jn- íy atado pela Igreja dentro ; adonde o banto moltrou,que 
ZZ^Zfd^Z não fizera aquílle caftigo por vingança , fenão para emen- 
frorr u ,p,B u e*s diveUcre ai da , porque lhe foltou as prizôes , & lhe deu faude. 48 

eeàtmntqiiiretlijino.QuofaBo, ^ • - • 'V •* • • ' tM ■ r l t /• 

quiapparuerat Monta*,, ne. Quizerao os Monies v lonaceníes atombar as terras de leu 
quaq^muiterhffiíivtfuxe}, mofteyro, por algúas controverfias, que havia entre ellcs, 
iU.M.+.foi.tóí; Sc o Parodio da Igreja de S. Dionyfio: hum louvado per- 

< 9 mmq«eco*tiwu,,i,t,a. fa*à\âo das partes, julgou contra o Convento, nas con« 
âeminiuat dMfkfont parts, frontaçóes dehum campo: perde'o logo o miferavel a fdl- 
ehyitipercu^ss^utnuUomo Ia, &c nuncamays a teve intelhgivel. 49 O baliiiíco pe- 
wÍTil!!g ] lTo£lf*vl* tH * a ios 0, hos, com que intenta infecionar o efpelho , cene ébe 

\Airava\d.ubifup.fol \\, 3 morte 

391 Manda ajuftiça atanazaros comprehendidos 

._ .,, no crime de Lefa Maaeftade, fendo a culpa da primtvra 

41. cabeça. 50 Em a antigua Cidade deBaibonze,(deque 

hoje 



EMV^BZA XX. 275 

hoje não ha memoria na Ungria)hum potentado, por no- 
me Miíael de Aulptich, andando á caça, quiz entrar na 
clsuzuradehum mofteyroda Ordtm deS. Bento ; & pe- 
dindo-lhe os Mondes com muytafumiçáo, que lhes ráo 
violaife aclauzura,reipondéo comlcberba : Que náoió 
lhedevaiTariaacerca,mas também o Convento: mal tinha 
pronunciado eftas palavras, quando os cães , que levava 
configo, remeterão aellecomo ahúaféra: nãodefpega- 
ráo os brutos, em quanto os não confrangerão os Monjes. 
Os quaes, compadecidos do delinquente, lhe alcançarão 
deDeosoperdao,õía vida: 51 Usanimaesíoraoos ver- pu, tt*o r je m d», Pr^advm 
dugos, Sc feus dentes vivas thenazes,dequc a Divina iuí- Cc & u ' ã " idcl >t crf,d "' H ' ! " :n - 
tiça uzou,para caltigar iemelnanteculpa. Quando as re- £fi>»»hoiftu Uctnc,adaj *i 
tíexõesdoefpelho fe imprimem nos olhos do Baíililco, o deT ""'- c w™-*-U°*. 
quemays osaggravahe amefma peçonha ,que dantes os 
defendia. 

392 Com vários géneros de mortes pagaóeftesfaci- 5I otâen.m.yiH.ix.cu. 
noroíòsfuaculpa:ahuns, mandaaiufuça quevmar vivos. "" '"?L auc * •* f a/ f" m » 37. 
52 LmoKeynode r rança,nolugar,aquechamao Vil- 
la de Abbade, reynando ElRey Roberto, deftimidamen- 
te featrevéo hum Toldado aelcalar asportas docelevro, 
aonderecolhiãoosftu&osdaquella terra, pertencentes ao 
mofreyrodeS. Bento. Coméo, & bebéo quanto quiz, Sc 
levou,oquelheparecéo:ánoytegavou-fe afeuscompa- u Jime^^f^^ 
nheyros do defacato, que cometera aquelledia : dcytou-f rcu "x" e ?'J cc ' !lIcc '' 1 " Kjm - 

r J . . ..-. i r ' r 1 o r i ue 'g" u fíiamtma lt8.ru cor- 

áe a dormir omileraveI,latisieytodapreza,& pouco eí- wipk*s,fjn»Mi*giik>i ,*/«. 
crupulofo da culpa : Pegou o fogo no apozento adonde SS^SSSSXSSt 
eftavaj 8c não lhe podendo valer forças humanas, morréo *>'/«"> ifp*c*»&nhii«t~ 

d* rT , t> r*lT r Jequi' fui pucriíyttarn tertimji- 

ovivo. 53 He penado oaiiliíco, lementrepo- ^uftuutuievjft^cquwquc 

pofteão do criftal quey maio o calor do Sol. TlfãlTcTS^T"* 

t ■> J J juppeUcaili^incexaw ccnlump- 

202 A outros, manda a jufticaefpedaçar vivo*, íi '«"/■ ^««««r/n» */*/;<**. 

rT 1 • Tl 1 > u j C FlorU.lii.ifiliii. 

Hum Juiz interen<4dopela parte,prometeo-medeaiavo- , 4 j„ /; „, ctó*>$. Tm*i, 
recer contra aiuiuça, que tinha omofteyro deFloriaco, «'**.'*f« ««/</*■. ■■«• 

' * ' J r fi Hunc tenor e-fm^nu!lut 

na herança de hús bens, íobre que pleyreaváo. E pondo- «tho/Ha na d,etxhu marcha* 

f I] • / !• • r ' SíiBoftrnuI*bi\ur Bcrtcd no. 

ieacavallo, parair aaudiencia pronunciar a ienrença nv wj-fc^ if»p*if, t»k*,,tui 
iufta : efpanrou-fe o bruto , & levando-o de bayxo de «quo.ceitmme.ncendoe t*. 

/•» ~ ' . J-r? pit. Nerproehladcmo rccrflc- 

íiofez pedaços; com que morreo emtres dias. 55 Lm ratprcpnar&eccccqu.cui.n- 

Bi" ■ T* • /T* L 1 J ^editai «fí/jf/v/, /i<7«»f •• ^«r» 

orgundia ,no terntorioTricaíIino vivia hum letrado, o ^^7, ^j, 1 ,,,,,,^ 

-qual tinha pofto, & empenho particular demover csuiàs r*> &f. ân***i»t u.ti»,*,** 

contra o moíieyro de S. Bento , que chamaváa Taunaco: d^Htn».vHfyffif49JMt t 

Mm Eftan- 



274 ° TQJNCITE DOS VAT. TOM. II. 
Eliindo em rua cafa defpachando as partes, entroulhe pe- 
la porta dentro hum rafeyrode cor negra ;oqual,naõía. 
zendo damno aoscircunítantes, lhe íàlcou ao roftro,& rai- 
$f, (hiiãjKhaqutJiceoi» «ando-lhe as faces ,deyxon ao letrado enfermo do mal de 

ionto própria, intra memora:* ° t /• j 1 c r r • 

urbhTriflican* muro* confti. ray ua; com que deipedaçando-ie a li propno,elpirou com 
tuta, rcfid í «H,VjHd,ciar,aw eí p anro denuiytcs, & para exemplo de todos. <6 ira- 

tntsr rvfti canos agente aaionem r J ' i l J 

mgcrunxrabu^Lmis affmi, do contra íi o Bafililco faz-le pedaços, opprimido dos ra* 

£5 niiUumUdctts circur.jlanti- J C 1 

ttm, tmpetit m eumftBo ,nares yOS GO uOl. 

e/tis ,»tf*c>cm morfibus à.h- „qa ^ muytos condemnaó as leys a morrer de gar- 

nians,abcrffit:.::Cathenatus y O/T J t rr \ ■ ■ ■ r 

qut^inquodamreuufuscu- rote. 57 HurnultoCavalleyro de r rança poííuhia injuí- 

hicuhtm ultimum txluljvu (pi- i - • j r\ T?l-^" / í\ \ ' 

r.tu»:. \rtmM*tfit.». "mente hua quinta, do moítcyro Honacenie :eítandoa 
)•>'• ,!Ô ' „ , „ meza jantando, algús feus amigos o reprehenderão da má 

l7 Ordcua.Regialib.% tit.6 ' D rr ,. b ,, r , , , - , 

%. 9 .cabcà.tf.defi.%iti. io. conlciencia , com que poíiuhiaaquelJa herdade ;nao deu 

aíTenfo áainoeftaçaõ,&para moiirar o pouco cazo,que 
delia fazia, mandou a hum feu criado, fofle colher algúas 
peras, para fobre jantar : Chegou a fruâ:a,& pegando de 
húa pêra, diffe para os circundantes : furo por ejlapera^de mo- 

, s Hoc tenanr , ah, ppum, le ft ar ílã f il em àMnte y com w #* empenho , aos Monjes Florio.cenjes. 
Uè 'annome, eu muita in como- Em começando a comer, o primeyro bocado que metéo 

da irretaturum . Hú d:Bis par- . ., f , \ r 

tempomijam màfi ,fuo injecit nabocâ,lne íicou atraveçado na graganta; comoqual , ia- 
cri. Quodcommuoita biatfbe- j ec £ Q brevemente, dando poucos, ou nenhús íinaes de ar- 

mumoppilavit<juitur,ut inter í • i n 

eh/a voeenuBa vaiem prome- rependido, & muytoconhecidas mouras de obftinado. 58 

re verba ::: Sed illeprohqiti no . s^\ r~v /">• "i ' C _. I.. 

■vahm , rediLo Id faletem 395 O Direyto Civil nega íepultura , aos que man- 
*apiu jpiritumexaiavit. da efquarteiar por efte crime : & lançar no mar as cinzas. 

dos que íorem queymados pela melma culpa. 59 Key- 

i 9 ordenac.hb.s.tit.^.in naldo Rey dos Normandos, faqueando as terras de Fran- 

ír^T^.f § "^"^ i/ '" ça,fezreuPalaciodomofíeyroFlonacenftr ; & fentidode 

naó achar nelle os Monjes , para os paíTar a cutello , dey- 
tou-fe a dormir com efte pezar. Apparecéo-lhe S. Bento, 
& com o Báculo , que trazia na mão , lhe deu tantas , Sc taõ 
fortes pancadas, que naó teve de vida mays tempo, que o 

60 Quidam,infiu;t,Mona- n l . C (T n T? CU , C < L J ' n < t- 

cbus t Kon a !ter,ut*ji,,» ,q U am necellano para conieílar : (Jue rr.&entooenbor daquvuemoj- 
^d\aT^lui hc 'f" exiie ' teyro lhe dera amorte. 60 Sepultarão-no feus vaflallos,em 

neaiciM , báculo verticem tan- •* L ' 

gensmeum, monem m.mtando hutu mauzoléo honorifico j naó confentio a terra em fuás 

dolcrem mibi wgejfit t»<<entem, 1 i l \ í rr 

ííí. *àymomMub,f U pf v i% s \ entranhas ocadaver;com hum terremoto o Jançou tora 
AS3tr % r' de íi: quizeráo os Normandos oceultar efta afronta , & a- 

niidemjitpcr <>taijtcaiam,vaui- * ' 

dijimo acçepmms terr*m*tu tandolhe húa grande pedra, lançarão o corpo em hú pro- 

fubverfjm,ac cjits cadáver tel- r,,„j • 1 L J C / f 

lurem a.juire/<é,(fef,nu,<juod tund o no , ou lagoa chamada bequaiia. 6» hxtinguin- 
cHieocumitpiãum moi, únf^n do-fe z memoria do delinquente , para abominação da a- 

tn oequaHamejldemerfHtnfâc. • , , \ ' L s 

idem. trocidade, 

396 Em 



EM PREZA XX. 275 

396 Em outra penaencorremoscomprehcndidos 
rieítecrimejaueheaconfiícaçãodosbés. 61 Naspartes 6z °^^"-'Rtg!ai;i^. v „r. 
de Levante exiitio nuas Convento deMonjes deita Or- ãtfubii.iudi^. eX ghf.mÀb. 
dem, chamado pos excellencia omofteyro dos Santos, a '•«^«"««•c*'.**»»/*^ 
reipe!todosmuytos,quenelleder2oav!da pelaiedejetu Fundao-fetedefoxDu.ua de* 
Chriíto: Vifinhavacom elle, hum homem de conhecida 2l^''«í^%2ií 
nobreza,&: maldade jtào oppofto cm tudo,o que podia,ao *»* '«"" omnibutfijeo mffn 
bem do Convento, que fe jactava dos muy tosgaftos,q lhe 
havia fcyto com demandas intuíras : acabou a vida ás mãos 
de hum leu rilho, que o matou a punhalladas. Na manhã 
icguinte appareceráo aporta principal da Igreja,todas as 
alíayasdeíuacafa, em companhia de dous negros, que as 
efti verão guardando até , que o Sanchriftão abrio a porta; 
& fazendc-lhe entrega, defapparecerão os negros, que 
erão dous demónios; 63 osquaes,não feyfe ficarão her- 
deyrosdomorto.oufceráo elcravos do Convento: Mas r 6i oMeftreFr.Rejwaijoun 
lie certo , que torao os numltros ,de que Deos uzou , para 
moftrar aos homésa gravidade da culpa, na confiíeação 
dosbés. 

397 He tão abominável eíte delicio, que a Tua infâ- 
mia paíía aos filhos dos delinquentes. 64 DomAfTonfo 64 orJena.Hegiauh/up. V. 
Zuz.ro, aíliftente em Roma, & originário deEfcocia, f^if.^tf^: 
qucyxofo de húa fentença, que teve contra fi , pegou nas \.?r»te<usai r«. popun r*. 

lie* J 1! j • 1 r» mani Leg verb.Jtilia Mejc/taf 

barbas, & lurando por ellas-, de tomar vingança do rrocu- ««»<,«.,„ mdiçeitgum &<*>» 

radordomofteyro deCaíTino,eom quem havia pleytea- eoâem vírbo ' 

do, lhe ficarãoos cabellos da barba pegados na mão, & dc- 

iarrcygados doroílro. Atribuhiodefpois ocaftigodelua 

culpa á força, com que puxara pelas barbas ; defperfuadio 

a idade, porque nunca mays lhe nafeerão os cabellos : paf- 

fou a feus filhos, & defeendentes efte deferedito; todos ti- 

verão ameima falta debaibas;, & por muytos annosem 

Efcocia durou efía geração,, a que c-hamavão : Osdesbarba- 

ríos. 65 Ficando memorável apena r paraefcramento da 6x FrRe ,„ t i dttlbifttpra , 

culpa. 

598 Não nieaproveitey de outrostextos, por achar, 
que cites erão a melhor prova , fendocazos íuecedidos aos 
delinquentes na culpa , de que tratamos. Todas as fagradas 
Keligióes,& cada húa em particular tem cfficazes exem- 
plos , em defenfa de fua immunidade ; com que te podem 
prefuadir ámefma reverencia, & temor. Todas vivem á 

Mm 2 f OI «! 



66 ^/SJ/.'cit iuttm o91bertut 
fmniahum lik.ii . li.fi argenta 
irajilijci í i»-" fbujfiicctur,ac- 
cipi ri nuriJpisi:Jerei»jponauí, 
fSjòliditSJt:/». 

^ápud Màyothmtitu. Serps- 
tit.L litotj %.fol.mibi 166. 

67 InteJIigit <rxhit,puto,lec- 
lor,CUjufnarnlingualoúuar.lur y 
qiij v:Jpirilu egtienlur ír.fclt- 
çjjjitm novsiorci , qui m tundê 
SanB'JJlmum virum, ehofque 
BcncdiBoi Monacboi m&ltdic- 
3a. (5 ccnsumeh.n jaeultrt non 
teffantjCdrdintht Cefar Baro- 
ni tr.rm 519 k. 1 1 .fup ti! a v;r- 
hã DtmoKts: MihdiSt, C? non 
£cní diSc , qxid mecum hebef, 
quid me pér-Jequcrif? 

li.Gieg. Mig. i.Msnl.c.%. 



q 7 6 O P^NCIPE 7)GS ?AT. TOMO II. 
fombra da meíma arvore ; a todas il Infira o méfmo Sol ; Sr 
todas faõ efpelhos de virtudes: fe imitares o Bafililco, 
tanto te ha de o (fender a luz de hum , como de outro efpe- 
lho. De yxo innumeraveis caítigos , com que Deos em to- 
do o tempo moitrou aos homes a cftabilidade deita cxcel- 
lencia,que prometéoem vida do Santo Pattiaicha , cafti- 
SMndo a muytos , queaggravados do particular, cenípira- 
ráocontra ocommum. Podes fatisfazera tua curiofkjade, 
cuefcrupullo nos Autores, que alego. 

309 Repeti eftes exemplos, para que detefbíTes a 
culpa, & fendo comprehendido,mudaíTes depropoíico. 
A prata esfregada com as cinzas do Baíiiifcotomaacor,o 
pezo,&afolidade doouro. 66 Sirváo-te as cinzas def- 
tes racionaesBafilifcos, para quecomíua memoria mudes 
de natural. Cefar Baronio affirma,que todos, es que di- 
zem maidaIleligiáo,&dosMonjesdeS. Bento, faõ difl 
cipulos do Demónio. 67 Não tomes a doutrina de tal 
mtítte : aprende fò a de Chrifío, que he a verdadeyra : a- 
qual,manda aos Principes , & vaífallos eftimar os Sacerdo- 
tes, &Pi.c3igiofos como a mefma PeíTóa de Chrifto. Se ef- 
ta doutt ina for repugnante a teumáo natural,& confeien- 
cia,teme a Deos empenhado na fatisfaçaõ;& quando nef- 
te mundo, por feus incomprehenfiveis fegredos,feíirva 
Deos de tua malícia, para infírumento de apurar a pa- 
ciência de huns , & delpertar o defcuydo deoutros j 
conhece eftaoccupação por mayorcaftigojpor 
que es como atocha, que alumeya os 
inays , confumindo-fe a íi. 




QUINTA 



QUINTA, E ULTIMA 

EXCELLENGIA: ■ 

• Qjiod omnts qui orâincm 

QUE TODOS OSQUEAMASSEMA S ¥ MhIud^S^'^ 
Religião ceriáo bom fim. * 

E M V %E Z A XXL 




400 



r^n -r 



3 f^ih 






^ 



IH AT URAL, 011 adquerida he 
toda a amifade dos bomés : Na- 
tural, pela ianguinidade ; ad- 






| querida , pela íimpatia das in- 
clinaçõcs:Nefta amifade, argue 
SÉ oinfenfitivodealgúas arvores, 
á racionalidade de muytos homés: Na outra , imita a in- 
gratidão dos homés áiníenfibilidadedas arvores ; porque 
dks,fendo damefmaefpecie, não fruórjticáo juntas jem 

Mm 3 * wo 



278 O T^mClTE VOS $AT. TOMO 77. 
não efíando apartadas conicm-fehúas,aoutras:Dameí- 
ma forte agréítesfaõalgús parentes. Não pode Abel viver 
na companhia de feu irmão Caim; nem Antigono,nafo- 
■ jir$úti»t Rcxjuâca, ciedada de feu irmão Ariftobolo, Rey de Judea : i Me- 

u,rcg»Pcnfirtemfi£«)fAt. nosOfiredes Reydo Egypto,comícuiimao 1 nypnon: 
fipainimfimfOttmm inierfià q mc fma forte Theilàlonica , nas mios de feu filho 

juljii. > olaterranttr. ' . - 

2, ccmpcrtHm til ofiridem Antipater. 2 Dindimo,&lheíiandro nos braços de íua 

^^tojuftcrcgnantehtjTy- M ,, => 

fbcHefi-jíreiínpw^e uefariotn UM} LVlCUCa. 

terembtum, quêinvíngintijex . ■..; 

partes d iffe3um y cuilibet eontm . ;Wi » '■ /• 

j«í tatttifieieru participes fue- jXatn qmd Mede # referam, quo tempòYe mcats 

rant, partem dedit-, ut i/Tus de- ■» _/.•»•..„ 

fi»jores } cufiod l f 9 uc regados Iram naterum ccedeptaVU amor. 

haberet.Dtodorm Propeli. Ílb. 2. 

3 urogutjcribitlhefalom- i j j 

cm:: r.b lAntipatro filie interfe- 

fZZSZ r;i;n:íí Na amiíade adquerida argue a incenfibilidade de alguas 
quc,quod Alexandra fatrh arvores, á racionalidade de muytos homés, que elegemos 

magir t qu*mjibifaveret. . , r .. i A. r 

jsiarrat. Ravifius inofficina, amigos pelas lemelhanças dos curtumes, lem examinar os 

fundamentos da amifade : Não aííy algúas arvores, porque 
o natural dehúas bufea o útil de outras v ainda<]ue iejão 
deíTemelhantes na eípecie. 

40 1 A Oli veyra, & a Romeyra tem entre íl hum na- 
tural tão conforme, que junta húa,com outra reciproca» 
Zl^dZ^ZV- mente feajudáo nas operações. 4 As folhas, as flores, & 
formiiM , qu,a: fi unafue- os íru&os , deitas duas arvores faó emtudodifferentes; & 

ritjuxta ali Am thntanta,dicã- „ r /* • r e> 

turfièiipft projícerc, 8 altera nao menos o leu lignincativo , porque na purpura, & co^ 
aúrantinfuitopnniombttsaâ ro a de feus frutos,he a Romeyra fymbolo dos Príncipes. 

jitvare. r.M.Bercomisvcrbo, i/->i 1 

F<edut,&UzaHf4injra. 5 E na virtude natural de feu óleo, he a Oli veyra retrato 

< tAlaoiàe tomo x.in Propb. t r \ • s t? J'í"*JJjrj 

na,or /<,!'. i oficie,/., o.v ca- aos iubitos. 6 Entre tanta diipandade deeiíados, con- 
fiiibo dcvãiibus lAaranjoi. f erv ão amifade tão eítrey ta, porque ainda que deííeme- 

39'í. num. 5 < . J '* •» 1 

6 Pater uinioniusâe\Jz»H- lhantes na efpecie, não faltáo ás leys da amifade. 
/*"*•< boub.foi. 7 ). §.4. ^ Q2 EftranhavaAntifthenes aos homés, apurarem a 

bondadedas coufas, antes que as comprem ; & não as ca- 

7 ^ntijiheKe, niud cumpri- Hdades do fogeyto, antes que oefeolhão por amigo. 7 

mis danmabatinhominum mo- . 11 l r r o 1 *-» 1 

r.bus,quoJ in aSionibu, vj/a rrimeyro o lavrador conhece, leo ftuao da Romeyra he 

dtlheter intpicerent, crius auã J J /"" 1 " ' r>5 - 

em^JLorumJn.Jce- âoce y ou a g ro > do °} lG a traniplante ;unto a Onvey ra ; por 
reot , qier/ibi in amicittamad que fendo amargofos os frutos , não ligáoas raízes. 8 O 

1ungertHt.La*rUutlib.x.c%. '. c ,° n-i/i o 

8 idtm\Jz»«f»»iifup.t.%. aliayate antes de cortar o velnqo mede o pano, & toma as 

medidas do corpo. Se ElRey Antiocho fizera efta dili- 
gencia, antes que admitifíe alociedade de Diodato Trf- 
phon, não fentiria defpois a feguinte aley vozia , que dclle 
lecebéo: Rebellou-fe Diodato contra ElRey Demétrio, 

& 



EMTftEZJ XXI. <i 79 

éá veyo-fe amparar deJHey Antiocho ; eftc, fem outra ex- 
periência mays, que as proméílas,&: diiculpas de Triphon 
orectbéo por amigo: Deicobrio o tempo afalcidadede 
íeu animo j porque matando osParthos a Demétrio, &: 
vendo-íe Triphon fem táo grande adveríario, deu a mor- 9 A '- m ^tHt Dnmuy Sj. 
te a Antiocho. q O Alambre nao moltraa hneza ienao ««.««^«^p,,,^/^ 

defpoisdeuzado.O A2oueuetemaniifadecomoouro.cm^7 r "'^f' ,, ' ,/, * f71 ' f *^ ; ''''" 
quantonâovay as chamas; poíronorogo, reiolve-ieoa- i Jr,fcc< m /unxit > fu'»<i»<$t'** 
zougueemiumo. Amizade, aquenao precede aexpen-tó^JUptw^^J 
encia,heflor,ou fruóto outonado.que nafeendo frefeo 1 ' : ' tl " occi f-" dfecaur^hm 
com as pnmeyras agoas, queyma-le nos pnmeyros trios. miÇc b^/i. Fv%oJ:m. 9 . 

403 Da uniformidade dos cufíumes refulta a união d \l"ÍÍ'*ftZ'»nâijfin,, „;- 
da amifade: 10 Em não fendo femelhantes as inclina- eit !*> p^wi»,» morumji- 

. r c - • a *~vi- ' r "" 1 ' tudo cor.jungit. Tutiuide 

Çoes,naoieconiormao os ânimos. 11 A Oliveyranaole 2f#*/«tí#. 
germana com a Romey ra, que dá agros os fmótos , porque ult^7v!Íw7c^^ 
ofeu licor hedoce. O Alambreatrahe apalha,&apédra>' i ' i '"»<'' ? »*'>»- s-entc.incx- 
Imanoferro; conforme o natural bufeão afociedade. O """"f"* M • 
Coração, porque he aparte mays nobre, alimenta-fe do 
fangue mays puro. O Fogo, por mays intenfo quefeja, 

morre na agOa. l2 lAmicrprobabuexcala- 

404 Oamigohadeferamigoem todoo tempo. 12 "''f**/**^ tf **»»«'«*/«» 

* r ', . ° 1 r> 1 firiculorum-^/íitrumenimig- 

JNao lo no verão , quando a Komeyra tem as coroas dos nepraUmtu , amu** aJvtrjk 
fruelos, fenão também no inverno,eni que lhe falta a pur- f %«jZTJSL 
pura das flores , a foccorre a Oliveyra. A profperidade en- ■ ' ^""" r " m n**ffetium 

1 t • e 1 r i \ \ ? <l • fnenletafi>era,h;>rribiiifqiicfor 

cobre os ânimos; &aadverlidadeddcobreosamigos. 13 maJitttit Uètmcerio.fo- 

dthum vaiiur, ambigoí que/i' 
trevit. Bov hi.de tw». 

Sors etdverfa doect , quisfit tibifidm amicusj 
{Projpera falacem celat amiátmn. 
Oerman. de <zA 'micitia. 

Ha muy tos fogey tos íemelhantes ao animal Oryx, que 
deytando-íeadormirnoinverno,acòrdanoveráo. 14 h GHfc^j&Jt&t-s*' 

Dum Zeplmusflab/ít^niultiscomitabar amkis i 
AH JqutlontSy eosy dtraproceUafíígat, 
Idem. 

Todo o amigo ha defer retrato, & nãofombra defeil 
amigo;porque a fombra fegue o corpo,em quanto lhe não 
falta o Sol. Os amigos de vem íer medicamento para a en- 

fermi- 



í8o O <2%INC2?E WS QaT. TOMO 11. 
i^xJtiiia mtâicamt»ta>*. fermidade , & não lo coinpanheyros para a faude. i e? 
fink autemjuptrvacua : ami- Muytos a ímmuaçao de Uyonilio A yranno,uzaodosa« 
TfZZ^lí^r migos cómodos poces de agoa; eigotáoos cheyos, & não 

U.Ctrjfajl Orat. ^.deRegno. fazem CaZodoS VaílOS. l6 

16 Diogtnei rogai us , quem- rrl » •<" 1 L " 1 • 

lâiHoàumamitHuteretHrDio' 40$ Ht ky da amiiade obrar o amigo, pelo amigo,o 
vftu.iuxv.fcunsgitjumpu- ior jj c j co & naó i n ; u f to# j 7 

naJuKt evacuai ,(5 vácua abji- 1 ' • ' 

cu. brus.lib.x .ap.x. 

fandatun «1 amich bonejtapc- /«/" petamus , ttemfaciamus konejta rcgantt, 

tamuupoa^ahonejUfac*. JJ^ ;/j amcl[ta J^ ex datãprWia fuíf. 

mus. liiíiu/ de */tmicitia. l J 

Idem. 
A Oliveyra tem natural privilegio , para confervar to- 
do o anno as folhas ; não communica efta prerogativa á 
Romeyra,por não ficar defpida do próprio, nem aRo- 
«s PerfctiaiUaamicitUeB, meyra vefíida do alheyo ; porque em húa, fora a gala rou- 

ffiSl^SÍSSíSíS bo ^ & naoutra,cauzaraadadiva elcandalo. A amizade 
ccpuiau. ^r.jiboM.i.tihc. unei^c com a virtude. 1 8 

c*p. ,. 

Moram, & Vitafimiles fociantur dmici> 
Traterea Vir tus neclit amicittam. 
Idem. 
Quem efpera do amigo mays , do que pôde a confeien- 
cia, procura, que feja inimigo de fi próprio. Antipater pe- 
i 9 PhtfioHJintipttrtpaè- dioafeu amigo Phofion húa coula contra juftiça, ao que 
pt&SfZ^ refpondéo Phofion : Q^e erafeu amigo , $ que o nacfi^efje li, 
fconpotfr, mquit, s ^âmipa- ?i)}jrrfy r o. i o Entre o lizongeyro, & o amigo ha grandes 
a JuuiorcHU. Pintar. in^pop, diríerenças , &hua delias conlute;em que olizongeyro 

falia conforme ouve fallar ; & faz, o que lhe mandaõ fazer; 

pelo contrario o amigo, naó falia conforme ouve, falia 

conforme entende : naó faz tudo, o que lhe mandaõ , por* 

wferidHrtciféemtHt* qU e não faltando ao licito, faz quanto deve. Péricles, a- 

prole f aipim iiiciret terfimoni- l ' 1 ' 

wn:fia*\àtmeft«dixit t feè»i quelle famofo Capitão, que governou quarenta annos a 

trtfulque. Sentit -vir pruden- ^ • * 1 J* I_ l £ 

tijT>muue*3e»uf beneficicndz «ua pátria , que era Athenas,pedio ahum teuamigo,que 
f<*Z ie Í'>i"''<"«'J»ft*i*<*- ; ura ff e falço, por feu refpeyto : ao que eile deiobedecéo, 

quitai , sS m Iteu-npittAf per- ' 4't l J 7 ' ' 

miuit. fhtar. ub,f»p. tf Gti- dizendo : Que a (ua amhade , como Verdadeira -oobrwàVa a offe* 
/«//*.«.«/.,. ' ,i ce - Si JJ 

recer a Vtdd , <i> nao a perder a honra, i o 

406 O amigo ha de fer amado pela pefíoa,& não pe- 

71 Ueipramamtr ofartet, 1»S poííibíl idades. 21 

nô nu a, Ji vir fiitut a-nici: Ser- 
vat entm zmicixij lega amor y 

no*fi3tit,fid vsrur. i uiintitC Me Vehemcnter amat, fed mn me a, Verus arnicas: 

Munera, non bominesjalfm amicm amat. Idem. 

Sepa- 



re ^'1 >i, ima, 



EM 1 ? (REZA XXL 2 8r 

Separadas a Romeyra da Oii veyra,hÚ3,&: outra frufti- 
ficão; moíirando,queafuaamifade nãohe dependência, 
íenáofympatia. Amayor parre dos amigos deita era faõ 
como Cratero, que amava a Alexandre, porque era Rcy; 
&poucoscomoHephellião,queamavaa Alexandre por 
jer Alexandre : hum amava a dignidade, & outro a peíloa. 2 1 c^urtir, mquit, em* 
Zangão , que nomverno aiuda as abelhas ahbri- xWr„ w . tiLr. ZjiZt, 
car o mél, chegando o veráo,em que as abelhas efcuzão fcu Re & Hm - 
auxilio ,o lanção de fua companhia ; amáo o preítimo, Sc 
não uzáo do ferrão em quanto neceffitão j nem admitem o 
Zangão fenáo em quanto dependem. 

407 Não he amigo de algum, quem fe faz amigo de „. , 

todos. 23 AOliveyranao tem com outra arvore leme- »»«/>///< - ^«^r^r, „„#„„, 
lhan te fociedade, que tem com a Romeyra; nem efta , com ^Zt^lZ^t 
outra planta. O rio dividido em muy tos regatos, corre pa- ldem " 1 Mor,;,*. 
Ta todas as partes deminuto. O thezouro repartido por 
muy tos,a ninguém enriqueííe. Todo o fuperfiuohe noci- 
vo por defneceífario : &os amigos nem por ferem muy- 
tos, íaode mays proveyto. 24 O numero dos afkctuov* .««i», ,«««»•, «, „,„ 
fos não tenha conta :&odosamigos,náo tenha de C ont2í f ' lure ' f '""^ í "' J '' ,c " r "^" t "" vi 

• j j y-> i-i- r t- taniliceetiraJHcen. atulho. 

mays , que a unidade. Com nua lmgoa le explica o enten- w 9- £'*»*• «/• « o. 
dimento j & com hum coração fe anima o corpo. 

408 O fegredo do amigo he o 1 ucro da amifade. 2 5 £j%$^$£ 
A virtude, que a 01iveyra,& a Romeyra communicão «twDwXrfM"****, 
hua, & outra pelas raízes , nao a revellao as rolhas , flores, pvjr». D.^ubrvfMoff.c.i.i. 
& fru&os; porqueaeícondemnamedulla. Não làó como 

a arvore Oreftides,que eítilla pelas folhas o humor, que 

recebe do Plátano. Vazo de ouro, & não de vidro he todo 

o amigo verdadeyro, porque em revellando o fegredo, 

perde o íer de amigo. 26 Emíinal,dequeeípiravaa vir- 'j&^SSSÉg* 

tude da Synagoga,ferafgou na morte de Chtilio a cortina Ecc,e f l ? 

. 1 1L r> l ? V cllutr, icmpli Jci [uw eíl it 

do templo, que lhe recatava os myltenos. 27 àu^f^us.^uih.^u-.Ghf. 

409 Navcrdade,&fmgclezadosanimosconfiírea *£"£ vtra ^.^ ^ 
eííencia da amizade. 28 Entre a 01iveyra,&: p.Garvas/S^^J^Wí""*/' <*<*«». 
lho ha tao grande antipatia, que luntaslecao ambas. 29 1Ç pi in j u ,i<b. lA .cap.i.$ 
O Carvalho tem as folhas farpadas, & a Oliveyralizas;& 'to**?*. JtQH*: 
porque as da Romeyra faõ delta mefua forre, tem com el- 

h amizade, & como outro adverfaó: asfolhas figuiãoas 
lingoas, Sc eftasexplicão os ânimos ; 8c a natural ingenui- 
dade, com que fe devem tratar os amigos, ve-íe na Ro- 

Nn mcyra, 



a8-2 O ^INCITE WS PJT. TOMO 11. 

meyra , que abre os iructos por moítrar o abrazado intrin- 

fecode leu natural: Náo íedáíòciedadenas oppotições 

lem injuria de húa das partes. 
ÍO ^ee»tJth»Bnrfiitttera. . IO £ n tre os amieos não tem lugar a adulação, qo 
dMttttmiciua.Riffnàusàeo- A Abelha nao taz o mel da rior da UJi veyra: 31 nemda 
i.a.hb 7 ,' ^qajhtat: R omeyri} . q 2 He figura do lilonpey ro a Abelha,porque 
}1 xJza^ofit\fiif>'ifi. cfconde o ferrão, quando fabrica omél. Rofciadacom a* 
rev^meatibuscbihuaif/e^iey te morre a Abelha. 33 Aíiymorrealizonja nasmaos 
»•*««* fiaumeffujo^turfui fo v j rtuc | e . & fendo efta, o fundamento daverdadeyra a- 

revevifcunt. tí.tSaJih.intxe- _ ' *. J 

merobomii.s. mizade ,cahecomoedihcioíem aliceile. 

41 1 Não tem limite os termos da amizade, ainda def- 
pois da morte fe ama o amigo. 

Lticlus monumenta manebunt 

Semper Adónis mei^ repetita que mor tis imago, 
<tA 'nnna plangoris peraget jimulamina nojiri, 
OVid. hb. 10. Metamapb. 

Pondo-fe fogo â Oli veyra, por fua intrinfeca virtude 

reverdeíTe,& frutifica entre as mefmas cinzas, que lhe fi-» 

34 fc/i,,.^,,,. carão do tronco. 34 AíTy foy aOliveyra de Minerva, 

3 5 oiiapiàef*f. ^dpçc.foi. q ue n0 niefmo dia, em que a queymaraõ os Pèrfas, crefcéo 

3 6 \Jz»»(ijup.%, 9 . dous covados. 35 It leeíuver junto aKomeyra,razem 

nella tão pouca impreffaõ as chamas, que no mefmo anno 
frucHfica , porque a Romey ra na mayor necellidade , com 
mayor empenho a loccòrre. 36 Os amigos deita eia uzáo 
dos amigos, como o lavrador dosfruâ:os,que osnaõeiti- 
, 7 EttjfummamEeguma- nia, defpoisque fe corrompem : Devendo feraamizade, 

micitiSpriítetrcgrix ipfiniluf- 7 • .í. /» i j li j' v 

quamiaquietim^iiquefericu- como o ambicioio,que mayor cuydado lhe da o diamante, 
f^-ÍSÈ^^ q» ando enterrado na mina, do que quando engaftado na 

£Íle,tremulum,ca^Hcum, cre- 10 V3. 

ír.-í, r.cftíC que Rcount indicam ^-v r r» t rr 1' ? 

wW- f*»«* nub,;ofi>u turti- 4 1 2 Qccupou-le o Petrarcha , em períiuadir a hum 
Íl , !"\TS¥ f!ceí ' ev ' u feuamigo, & nelle a todos os fubditos, que naó havia ami- 

JieguiiiproUjttnjtu ,occupata, o ' _ ' J 

ã,fficm<. Pctrareh. Diaiè.^g. zade,da partedos Príncipes para com os vaííàllos j porque 

38 iie^ibut carutfum.R.vi- 1 - rr r • 1 1 i« • r- 

HiergoubieRamm^vtrtiu.f*- aJ gua, que pareííc ler amizade , he o valimento mays arnl- 
ma y yutfctiumjtcnnt^: „ - ca ;j & ^e men0s cre dito : o mays arrifcado,por mays ex« 
nifi,qiiibUom n ibu,n?gieiu^d poíto ao perigo: 37 & de menos crédito, pela máeíco- 

liâM&avtritufirvumfacit. Ina dos Príncipes. 3a Perdera Autortao grave a mercci- 
Siergoetcharu* Rer.b», , MM tj 3 coroa, com que o laureou o mundo , fe immirara ao ruf- 

ettquo.i ■>mpliiitdetc^H*r*m i i 

ftihefitibi, ídcmib;. tico ; quecondenou a bondade das agoas, porque nunca as 

bebco 



EMf^EZA XXL 283 

btbêo claras na fonte,fenão envoltas no charco.Não com- 
prehende a todos os Monarchas, f aliou fó de algús Prínci- 
pes, efte infignefogeyto. A. amizade dos Príncipes heco- 
mo as romeyras , que não dão todas os írudèos, com o mef- 
mo labor ; porque os de húas, faõ de todo doces; os de ou- 
tras, de todo azedos; & osdealgúasagios,& doces: Con- 
forme a boa, ou má calidade das plantas nafeem os fru&os. 
Da virtude, ou vicio dos íbgcy tos procedem doces, ou a- 
margos os fru&os da amizade. Que doces fru&os podia co- 
lher Cilon do valimento, que teve com o Emperadordos 
Romanos António Caracalla, fendo hum Príncipe injuf- 
to, & tyranno , fenáo a morte? 3 9 Todos os affè&uoíòs 19 *A*un\ ut Caracan, F e . 
doEmperador (jalba,&JNero os colherão lemelhantes. *« «*«, «» WM f,^?,„ f VCXãri 
Que crédito podia ganhar hum vaífallo, fendo amigo do «i« e °<'Mi"ffitV tetrdju 



Emperador Galba, hum dosmays nefandos homés, que <•<* er*j, * ? « s ,.™/m acuperat 

beneficia, quique frafelluí " 
bit fairts tcmpor.but fui 
.qutm ftptttumtro patiem 
fiSnverat. Luís Kn.-.nus 



nafeéo no mundo? Mas deyxou, por ventura, de colher* os %*"'' Wf'?*""- 



palrtt tcmpor.but fueret, 

fru&osmays preciofos,& fazonados daamiz3de,quete- 1«"* &*"*»'" ?**•"* «/■ 

ve com Augufto Ceíar , Arno Cidadão Alexandrino? 

Não (ó em vida, mas defpoisda morte o honrou Augufto. 

40 Em toda a redondez da terra foráo ellimados Ephef- 40 «/ínç»/», c*fi r , ium 

tiáo pela privança, que tevecom Alexandre; 8c Zopyro, CoZÍ^ÍíS^Z 

com Dário. A íòmbra da Figueyra he nociva, porque a Fi- cereMit^ropter^mum «- 

« 1 ,. . 1 ? r i 1 t> ir ir J vem ^/ilext»Jritium,^Saliw,fi- 

gueyra nao he medicinal. A íonibra do Dallamo he lauda- nr*«>«"f"»iiiaritateeo*ju— 
vel , porque o Balfamohe medicamento. ãum - eUur " ^M h - 

413 A Romeyra, retrato dos Príncipes , aíTociou-fe 
coma Oliveyra, imagem dos fubditos; porqueo Sol apro- 
vey ta-fe da Lua, para governar como Sol. A Romeyra el- 
colhéo entre as arvores a de melhor fru&o como he a Oli- 
veyra (razão por onde a gentilidade a pos em lugar ^de cê ^ SunJ quioh/tranMfculs 
tro, na mão de Mercúrio. 41 ") Quando a eleyçaõ, que M«r«iif «*i»^«y«r agncui 

r r\ • • r 1 fi- litT<tfiuJiur»p'i"ldicant::: E- 

t2zem os Príncipes , íe governa pelo preltimo , que tem o umque hcnertm vi, v * p c nu,, 
fubdito, naõ he perigofa a fua amizade;antes he a mavs fir- ? MW *'^"j£*'I'? e "í** 
me; porque todo ometalnúxto com o ouro, fica mays rerctur,quiah»nepiu,e,Ht<h~ 

r i' % e\ t L rr • r "J tatet tXtlcadefummuntUT .qui 

lohdo. Sendo também neceíiano para a conlervaçao da 3- exqu . vi ,aii<jr*a,f C ra,ul*r 
miftde, que os fubdicos uzem do valimento dos Príncipes, *"■■ tfonwM. 5 j. *««. 
comouza do fuftento corporal todo o homem parco: o- 
qua!,trata fóde alimenrar a vida , & náo defatisfdzer a gu- 
la: porque fazendo o contrario, fentirá a ruina, a que muy- 
tos caminhão , levados da ambição de íeus ânimos 5 o que 
intentáodefculpar cõ a independência de feus Príncipes. 

Nn 2 4H A 



- 



284 O ^INCITE DOS TJT. TOM. U. 
- 414 A gentilidade, que abraçou a doutrina de Chri- 
fto , reprefen ta S, Paulo a nobreza de íeu eftado , & felici- 
dade, com lhe dizer: Que eftaV a ger manada com atraíres J$fru- 
41 Scous riâiciíxs pingue* fios d a oli)>eyra. 42 Nas raizes deita arvore,reprezentou o 
à>r ÍAâZ'/^o"lu,u X1 . Apoftoloa Ley Evangélica , & em feus fru&os a graça do 

Eípirito Santo. 43 Não achou o Doutor das gentes, 
4 , ^\*p[àt inEpifl. díví com q U e melhor com parar amayordita,&graça,doque 
inGiop.ord. iht. as propriedades da Oliveyra ,ngura do verdadeyro ami- 

go; como fyrubolizando naRomeyra,o povo Genti licc ja 
convertido; para nos eníinar , que fe a emanação da graça 
procedéo da bondade das raizes , que he a Fé Catholica , a 
que fe unio o povo , he, porque o frucio da virtude lhe re- 
iiikou dareligiofa fociedíde dos Fieis. Caufa,por onde 
os devotos das Sagradas Religiões lucrão de fua cnnfra- 
ternidade, a participaó dos merecimentos, que conduzem 
á pòffe das felicidades eternas , & dos bés temporaes , por- 
que vivem colligados comas raizes da Oliveyra , que he a 
Santidade dos Patriarchãs,adondeDeos depoíifou abun- 
da ncias de fua graça , para que a todos enriqueceílèm com 
feuefpirito: Particularmente aos devotos da Religião de 
S.Bento prometéo Deos o logro deite frufíos. 

4 1 5 Naõ fora prudência , fora temeridade o querer 
dar numero aos milagres, & maravilhas do Principe dos 
Fatriarchas; como o fora, querer contar osrayos do Sol, 
quedefde fua primeyra creaçaõ os repete todos os dias , & 
os multiplicará até o fim do mundo. Em vida igualou São 
Bento osrayos do Sol, na conta dos prodígios que fez; 
delpois da morte alcançou o numero das Eft relias, nafo- 
ma dos milagres, que faz. Se todos os obrigados á intercef- 
faó de S.Bento, trouxeraõ por d ivifa o retrato defíe San- 
to, afly como traíiaó alguns idolatras afigura dos falços 
Deofes, que oDemonio lhes reprefentava mays propí- 
cios ; pareceme , que á mayor parte da Chriítsndade fer- 
veria de venera a imagem deite Santo. Baítavaó fomente 
os contínuos milagres , que Deos por interceíTaõ defie Pa* 
*riarcha obra todas as Seftas feyras do annonefielníigne 
Convento de Lisboa, quando naõouvéíTe outro refiemu- 
nho , para que fofíe venerado pelo Santo mays milagrofo. 
£ entendendo eu fer mays defraudo, que Elogio deite 
frincipe, pauicularifar Reyno, Província > Cidade, Villa, 

ou 



ou Lugar , adonde florece a íua virtude j nem fingularizar 
os de votos, a quem ampara com leu patrocínio ; porque 
em todas as partes do mundo, adonde Chrifto he venera- 
do por verdadeyroDeos^heS. Bento reconhecido pelo 
maysmilagrofo Santo (ji rica author ifado,) & todoo gé- 
nero de peifoas , que com viva fé o tomarão por íeu advo- 
gado, para com Deos , conleguiráo o defejado fim de fuás 
deprecaçoes: Peflo licença ao Santo Patfiareha, para re- 
ferir algús milagres coníeinentes ao aííumpto, que trata- 
mos, para confolação dosdevotos, para reprehencáo dos . M _ 
ubias , & credito aos prareiiores. *»«*<» r ««< p re j, re „,/«<»- 

4 , 6 Os antigos querendo orçftrar o pouco , que a a- ZitlT^ufZ^ll 
Diizade doshomês tinha de verdadeyra , retratarão o amor ^™ f " r - Sjcerpiuei Konb»t e 
profano (jaiz de toda a amizade do mundojçom varias in- «obucffc itUmpntrom «<>#« 
fígnias : Hús,o pintarão coin azas, 8c na mão húa tocha açe- Jf£*£; D - Blrn > r ' i f< rm - d ' 
za: inímuando, que aííy como o amor he tão vario, que to. 
piou azas para fe aprovey tar do vo-o , Sc de tào pouca du- 
ra, que como a luz da tocha com qualquer vento fe apaga. 
44 Da meíma forte inconfíante,& limitada he a amiza-r m ti»guntàn>orem,utqui3 

7i in i< r ri r n fit aceirimtu ,fed exxinanatur 

de dos homes : Lm quanto nao ha vento , nqm fe gaita ace^ tcitrrimt^mortt , cHmflju- 
ra, dura a luz: em quanto ouver bonança, ou dependência f**»^»-*^*''*-^/^ 
perfevera a amizade. Todos os amigos deite mundo fe- 
guem o natural do Cor vo, que affiftio na Arca, em quanto 
durou o diluvio, mas não defpojs,que paflbu ainnunda- 
£ão. 4$ E mal podem attribuhirabayxeza do vo-o á ir- 4* Dimifitcoruum t quieirc 
racionabilidade da ave;porque o homem maysentendido, d J!ÍTí^ZZZ^%fÍ 
tropeçou na meíma bayxeza. Adão lendo homem de me- *«™»>.<s««£8.«cf-7- 
lhor entendimento, imputou a E va toda a culpa , quando 

eosveyo tirar relidencia de feupeccado^ 46 para que h 7 foeitm Xd>tf»ihidcU g «,& 
DcoslhedéíTeocaftÍ20,&aelle oeximiilè da pena. 47 «•»*■'*'■ «m •"/•;* 

° ' *, J '47 ^J*m queque i*J,gni- 

hm quanto Eva eiteveem graça durou o amor de Adão, tioniiivi»*mHiiercm,pt»qua 
para com Eva 5 defpois da culpa , como vieráo os traba- &^&±t { 
•lhos, deyxou Adão a correfpondencia. Antes do pçccado J>£> ,ta «^V»*»*^ «,■•':<- 

1 1- J « 1- 1 1 r> O 1 T • J 1 reproea. O. btrnjrd.de ^íi>- 

publicava Adão as prendas de Eva ; 40 deipois da cm- ,.,;, ...-,., y-,, ,. 
paacuzoulheocrime. Panegeriila,&: fifçaldehummcfmo fJ t t^?Xn^ 
logey to foy Adão 5 conforme os tempos fez os officios ; o 
de panegerifta, na profpera fortuna ;ck o de nTcal,na fortu- 
•na advería: Conformando-fe com as fortunas , & não com 
25 obrigações. 

417 * Encontrados foó os termos , que São Bento uz* 

Nn 3 com 



2 8 6* O PRÍNCIPE WS VÂT. TOMO 11. 
com feus devotos, ao referido, que ordinariamente os no- 
mes uzaõcó léus amigos. No lugar de Vicoverra, poucas 
legoasdiiiantede Sublaco,vivéohúa mulher viuva, no- 
bre^ dotada de bés,táode votade S. Bento,q tendo dons 
filhos , não reparou em gaftar lua riqueza na fundação de 
hum molteyro. Creíceráo os filhos, & pedindo a lua mãy 
conta das legitimas, a obrigarão por juftiça , a que as prefi- 
zeílè. Chegou opleyto atermos, que os filhos entrega- 
rão fua mãy á prizáo. Na primeyra noy te lhe apparecco 
São Bento , & agradecendo-lhe o beneficio , & juntamen- 
te o enfado , que por feu relpeyto padecia, a livrou da pri- 
zaõ.&lhe deu em dobro a quantia de dinheyro, que ti- 
nha defpendido ; com feguro , que Deos havia por bem de 
confervar a parte, que lhe cabia, com taesavanços,que tu- 
do quanto gafta-fe delia em ferviço de Deos, & de fua Re- 
ligião, lhe naõ faria faka. 49 Nenhúademinuiçáofente 
49 Tr.oQntonhãtS. ?auio a ólj ve yra n a fubftancia, que reparte com a Romeyra; 

hlircciíjnj Jcrm.âe S. Bcr.to . J j n. •!_ 11 J r 

um» i.dcjcrmie*?»rios,%.w. nem ena, na que dettribue com eila ; em todo o tempo loc- 

corremhúa a outra, não lhe caufa mudança o tempo do 
inverno , porque a fua amizade como he natural , & por if- 
lo vcrdadeyra, referva para os mezes da penúria, o vigor 
da primavera. 

4 1 8 Ennobrecerão os Id"olatr3s,& mundanos ao fal- 
ço amor, com o titulo de Deidade , & como a tal o pinta- 
rão com arco, fettas , & aljava : Tem por alvo a todo o co- 
ração amante; & com ferir a todos izenta-fe de ler ferido. 
Para acertar,humana-fe convo amor; & para que o naó of- 
fendão , entroniza-fe como Deos . Da me fma fórte os a mi- 
gos do feculo; aproveytaõ-fe da fumiííaõ, quando de- 
pendem; &uzaó da foberania, quando faóbufcados. Os 
homéstratãoafeus amigos, da mefma forte, que aSama- 
io Ditu erg* ei Mim sa- ritana tratoua pefloa de Chrifto. Ouvindo a Samaritana a 

çu*jv,biiberi»mè{>ófefi, cu* Cnrilto, lhe dezia , que neceiíitavade agoa , portou-leco^ 

fk'» mulier Samaritana} \i r j j i^v /* • li 

Jcann.^.verf.^, mo nobre ,lendo moça de cântaro. 50 Delpois,quelhe 

ouvio dizer, que tinha fonte mays faudavel, que a do poço 
de Sichem, donde ella bebia, logo fe humilhou, relpey- 

*« DtmhterTJnJeer&ia- tando a Chrifto por Senhor. <r Seantes,queoRedemp« 

itsu^HsmTivamUbivírf. ti, . , , r ,. rc i • « , ^ r 

tor do mundo pedale o púcaro de agoa , tivera ditto a Sa- 
maritana a peremnidade de vida , que tinhão as aqoas de 
fua graça, ella lhe obedecera como leiva: Mas em quanto 

a Sa- 



a Samaritana vio aChnlto com dependência, feíTe Senho- 
ra. Eíia vileza he táo univerial no mundo, que fe acha,ain- 
danosinfeníkivos. Obrigado da fome buicouChrifto os 
frucros de húaFigueyra: não lhe achou fru&os, achou-lhe ?z Et cum ven,p>: d t«m % 
omence rolhas. 52 Masleo Lvangeliltadiz^queonao ^,0.,,,^,,, 
ter íi^os a arvore fov, por ler tempo de inverno. <2 Co- " **•"*'» trnumpitfi> 
mo tinha folhas nefte tempo? No inverno nem folhas,ncm 
inícios tem as figueyras: Deyxaííe conhecer acauía. As 
folhas da figueyra foi ão a primeyragalla,deque fevefii- 
rãonoílòsprimeyrospays; 54 & comoChriitobuícava u Coffueveruntfoha fe*, 
com necefíidade a efta arvore, ella fe vefiio de Magefiade, *%^£gg* K *:. 
para prova, de que até osinfenílveis mudáo de natureza, 
vendo-fe felicitados. Donde, queríeJ3 o amigo plebéo, 
como a Samaritana; quer prefuma de nobre, como a Fi- 
gueyra, todos guardaõ a meíma regra, porque ieaíchaem 
todos a me Ima condição. 

419 Naõ alTy o Príncipe dos Patriarchas , para com 
feus afle&uofos ; ante« pelo contrario ; quando obufeáo 
aflitos então mays fe humana. Difficultou-fe muyto a 
dous bem cazados , no Reyno de Galiza, que S. Benro, de 
quem eráo devotos, lhe ou viiTe fuás deprecaçóes ; em que 
pediaólhealcançaíTe deDeosfaude,para hum filho úni- 
co , que tinhaõmuyto enfermo.Repetidas vezes dizia hú, 
ao ou tro : Como nos ha de ouvir o Santo ,fe nòs nunca nos lanhamos 
eieíle , com tanto empehbo , como agora o focemos , obrigados da necef- 
jidade? Humdia acabando de dizer eítas palavras, lhe en- 
trou pela porta dentro hum Religiofo de afpe£to peniten- 
te, que imaginarão ferdo mofteyro de S. Martinho: Pte- 
ceberáo-no com todas as demonltrações de alegria j & cõ- 
monicjndo-lhe fuatrilteza,& oqu3ntotémião,que Saò 
Bento não aífentiíTe a fuás preces, lhes refpondéo o Santo, 
( que era o tal Monje: ) QSfJJy refbrhij Vôfsosrovos , que Vcos 
Senhor nojjoha per bem concederme a Jaitdc, que lhe pedíeys : Eu ;:- 
nhã do Ceo, aapplicarll.eoremedto : fc lançando húa benção lo- 
breo enfermo, ficou fua caia com a fiude do filho, & com ....,, 

faudadesdo Santo. 55 Moítrando4e,aoparecer,taour- U b,[upr.%.n. 
bano S. Bento, para quem o bufeava neceíTitado, que dey- 
xâva agloria (quanto aoque parece, ) ló pelos aliviar da 
pena. 

420 Os Egypcios figura vi o o Amor, na compofi- 

£ão 



288 O VfiJNClVE DOS QAT. TOMO II. 
<6 uqutus>vti vir.cuhm, ção de hum laço. <6 Todo feu intento he prender, & 
bujmotcrnhhrogbtbiclfwi-ma foiçar. Afiy fao os amigos, como hc o Amor. Nao 
jic^quipfiqui ertibutbitbo- ■ r ^ poucos os qU e por relpeyto dos amidos chegaiáo 

pef}úii*esçtor>»i»fiúi« t ir*'-qà eltado da milena ; mas nao os rcmio oancceiíjoade, 
h *uJ!"' ' l " Ulh "** '^""quem lhe originou a pobrela. Sendo o amigo, para com 

leu amigo, como foy Dalila com Sanfaó ; dfta",dçfpo« 

que lhe cortou os cabellos, defamparou-o no confiíòfco. 

tj 7 Nos cabellos tinha Saníaõ as torças j de todas o deí- 

f 7 ^"í-í <*«•*»« ea»/í- t i tu hio Dalila; &fendoella a caufa de enfraquecer oho- 

rciítUxrecaput.rocav.t quciò mzmmzys valente , como oaniao, teveo nos braços, co- 

forê,$,»jitfipt«n "««</?• mo e fp í em quanto lhe achou cabellos, que cortarimas 

/«&«. ■jfndttum16.verf.19. defpois que o violem forças, viroulheascòíias. Em quan- 
to ouverem as forças dapoílibilidade, em quanto o amigo 
achar cabellos, que arrancar , íeraõ tudo caricias ; delpois, 
que vos lentir fem forças, & fem remédio, quando vos não 
entregue á morte como fez Dalila a Sanfaó , imitará os 
£tv?J?'®invl*ttllàIrmL Difcipulos, que hús dormirão , quando Chrifto eftava nas 
mtti.Mttk.i+wf.i4. afíicções do horto. 58 E fugirão todos, quando o viraõ 

qmnnscum, tmnetfugerupt. hi r D refo. K Q 

it.verf.ia. ^ 2i Grande amigode feu amigohe SaõBento, nao 

repudia a nenhum feu devoto, a todos conferva , & aug- 
menta osbés de todos : E nos mayores perigos , a que che- 
gãoporfeus peccados,os remedeya São Bento, com tão 
grande empenho , como fe forão caufados por feu refpey- 
to. Noanno de 1679. fendo Reytor daUniveríidade de 
Coimbra o Illuftiiííimo fenhor Dom Simaõ da Gama, ho- 
je meretiffimo Bifpodo Algar ve, afiliando odito fenhor 
ao Sermão de manhã, no dia da fefta de S.Bento,em o nof- 
íb Collegio da dita Cidade, pregou o Reverendifíimo Pa- 
dre Meftre o Doutor Fr. Bento de Santo Thomás , Mon- 
je Beneditino, Lente de Prima de Efcritura, naquelia 
Univeríidade,& anualmente digniffimo Geral da Con- 
gregação de S. Bento neíle Rey no de Portugal,& Provia» 
cia do Braíil ; & naó me fazendo panegeriíta de fuás pren- 
das, porqueem toda Efpanha he conhecido leu admirá- 
vel talento, aífy no Pulpitocomo naCadeyra, repito ió 
oquefuaReverendifíimacontounoSermaõ, & foy: Que 
húa molher cazada moradora em Coimbra , fe viera con- 
feiíàr com elle, dousdias antes da fobredita feita, & lhe de- 
ca licença, para que contafle. do Púlpito hum milagre , que 

Suo 



EM V %E Z A XXI 2 % 9 

Saõ Bento lhe havia fey to anoyre antecedente, fem que 
dilíeílc o nome da pefiõa, a quem havia fuccedido: K foy o 
cazo: Que cita molher por certa cauía, chegou a citado de 
taJ deielperação, queíahio de íua cala ásonze para a meya 
noy te refoluta a le afogai no Mondego:& buícando lugar 
mays accommedado, para que não íoíle fencida, chegou 
á porta da cerca do Collegiode S. Bento, adonde o rio faz, 
húa enfeyada :aííentou-íè na loleyra da poita,& comeílòu 
a chorar íuadifgraça: Por húa paite aprendia oremorço 
da coníciencia,lembrandolhe, que perdia a alma: por ou- 
tra^ facilitava o Demónio, propondo-Ihe o delcredito, 
com que padaria a vid3 j.& reloluta3molher,em «talhara 
infâmia remporal,& a náo fazer cazo da lalvação eterna, fe 
abrio de repente a porta, (cuja chave eftafemprenamão 
do Prelado,) & vio diante de fi hum Mor.jede idade pro- 
vecta, (que era São Bento) oqual, lhepreguntou acaufa 
defua triíieza: &comoella aencobriííe,o Santo lhama-* 
nifeuou , dando-lhe taes conielhos, no que havia de fazer, 
que amolherficou focegada,& arrependida :Lançou-fe 
aos pés do Santo, oqual, lhe mandou foflè logo para cala 
de feu marido , fem a Igum recey o , porque náo havia de a- 
charcoufa,que amoleíta-íe. ÀíTy o fez a venturofa mo- 
lher: Sc achando certo tudo quanto lhe diíTe, veyo no mef- 
mo dia gratiíicar-lhe o beneficio, pondo-fe em graça com 
Deos. 

4.22 Cubertodejoyas,&não defpido,pintavãoos 
Egypcios o Amor : Verdadeyra imagem do Amorprofa- 
no j porque como nada tem de verdadcyro amor, obriga 
com o intertíTe: Prezume , de que todos o bufquem;& pa- 
ra obrigar os ânimos de todos , faz orientação da^riquelas. 
Apobrefaheomayor eftorvoda amizade, porque osbés 
{&ó a pedra Iman dos amigos. Jacob em quanto icrvioa 
Labáo, náo tratou de fe fazer amigo de fczaú , íenáo def- 
pois, que fervio, Sc chegou ao caminho de Canaan : 60 6o •JMLfcmptTegri*** 

T 'T ? • n r J f L- tlufHm&fliiuffHtutpreJtKtí 

«com acerto; porque Jacob,eltavaemcaladeJLnDao, co- àum. Halcoiever,&tfi- :■ 

um dos pobres paltores daquellas íerns; & nounu- Ve „; en , a j Dom ; r „„ ,'.',,., 

nho de Canaan achava-fe Tacob,humdos mays ricos ho- *nvtnumgm>imc< 

-1 ,1 oiirU • Gencf.iz.terf.^%. 

mesdaquelle tempo :& conhecendo Jacob oquanto un- 
poíTibilitavaapobrefa, agrangearos inimos,náo preten- 
déo a amifade de Ezaíi , fenaó quando opulento. Os nun- 

Oo danos, 



IH*. 



290 O PRÍNCIPE WS <PJT. TOM. 11 
danos,ao Amor que pintaõ defpido,tambem o pintaõ ven- 
dado: para elles, he amor cego, o amor pobre. 

423 Em os lugares de mayor pobrela,headondeS. 
Bento empenha mays, para com Deos a íua virtude. A 
muy tos entendidos caula particular reparo, experimenta- 
rem, & ouvirem, que pela mayor parte, todas as imagés de 
S. Bento, que eftáo nasHermidas , & Conventos fituados 
pelos montes, & Aldeãs de toda Eipanha, faó as de mayor 
concurfo, porque nellas com efpecialidade obra Deos por 
Saó Bento mayscontinu-os, & maravilhosos prodígios. 
Grandes milagres faz oSantoPatriarchaem todas as par- 
tes, adonde aífilkm relíquias, & imagés luas; mas em ma- 
y cr numero , & com mays peremnidade , nas que fe vene* 
raõ,aííy nos Conventos, como nas Hermidas dos defpo- 
voados. Claro final , de que não bufca o feu patrocínio as 
opulências, fenão as neceíildades 5 ckque onaõ obriga o 
lucro , fenão o affe&o. 

fflec emm rne divitis auri 

lmbertofa fintes — 

Impuleri :fed amorjuVat opúme tecuni 
Degere MartiaL 

Senão temera a cenfura dosCriticos,fizera total aflump* 
to defte volume, íocom parte das maravilhas, que em o 
noíTo mofteyrodeS.Thirfo, finco legoasdiftante da no- 
bre, & fiel Cidade do Porto, obra Deos pela interceflaó 
defie Príncipe. Mas fe os Sanchriftãos dosnofíbs Conven* 
tosnaõ fazem téda de feus milagres^porq fenão pratica na 
vl?™Í™T£fo b Zul!m anthmeticamanifeftar as partidas, para lhes efconder a fo« 
que venati, a t, qU :j apprehin- ma ; que a naõ fer ilTo , em todos os dias fe publicarão: 

Jeru , fac mihi inde puJnun- c , x . -ri' rr> i i i 

wnjicutvtiiemeHofti&tffer, &■ nao tiverao luas igrejas neceíiidade, de outra armação 

ZnTfea m:d b ™ iimubi " mays, que dos retratos de fuás continuas maravilhas: Con- 

uicap.^.verf. , ;# 4 . cluoefte paragrafo com dizer :que o patrocínio de S. Ben- 

y/Je/,eoquodamiei1iafyte „ r J^ -1 j ir 

fuxàit» tft t»utn,uie y éfõH to, para com léus devotos, nao hecomo oamor deliaac 
'T^nu'a!lf,!, oh ' c ' P ara com íèus filhos , que amava menos a Jacob , do que a 

01 Quique amorum tgmina * ' t J « 

fht&rtájíeBàttur,tufttarúii Ezaii, porque achava mays conveniência em amar a Ezaii, 

malis , £í inter arbortr em fmoâi J^ t 1 • 

Ufcivirtfomm áectrpenU ro- Ú ° 9 UC 3 J SC0D - P * 

'SÍSb^, +H Também os Egypcios retratavão o amor no 
%\.ãcM»i9, pomo de húa Maçã. 62 Em húa fruta, que nas duas par- 

tes, 



tes , de que fe compõem leu nome , moftra o engano de lua 
beiíeza , da vão a conhecera calidade do Amor dos hemés. 
M a; & fa, faõ as partes de que confia o nome , Macà : enga- 
noio pomo, & por iíTo retrato natural do amor laíeivo : ef- 
te,íempre oceulta o damno, que czufi a alma,& mofíra fó- 
mente o bem, que promete ao corpo : efeonde o podre, & 
moííra o faó. Afíy os amigos , porque a mayor parte delles 
foõ lizonjeyros , encobrem a verdade , por naó diifaborsa- 
rem o gofto:Uzaó com os amigos dos meyos, de q fe valéo 
o Demónio, para aruinar o mundo. Sendo a Maça, com 
queo Demónio tentou a Eva fru&o dafeiencia dobem, 
& do maljcile lhe propôs com apparecias dobem, oinfal- 
livel damno, que lhe refultava comendo do pomo. 62 , 6i Fr:t > f .^"f i>$fciente* 
Bom, &maoeraoirucio, aíiy como a Arvore j& conhe- 
cendo o inimigo a fragilidade deEva,propos-lhe ornai, 
como bem; moítrando-lhe a fermofura do pomo, & ef- <m viàiigiturmuVer qua 
condendolhe a fealdade da culpa. 64 EftesardisdoDe- t^£^i!^l 
monio faó as induftrias do falço amigo. 

4.25 Coníifte averdadeyraamizade,emeftorvaro 

mal,&aconfelhar o bem : oppondc-fe aogoíto,quefaz 

perecer o credito do amigo. Quando hum particular de- 
voto de S. Bento vivia com mayor prazer , pelo nafeimen- 

to de hú filho, porque fufpirava havia muy tos annos,lhe a- 

talhou São Bento o golio com dar a morte ao filho, tendo 

ttesannos de idade: Húa manhã lhe entrou pela cafa,em 

abitos de Monje, & chegando aporta adonde a criança 

eftava dormindo, lhe tocou com os dedos na garganta, o 

que baftou para lhe tirar a vida: Comamorte dofilhoco- 

meçarãoa darmilqueyxas, & acertificir,queos Monjes 

deS. Miguel deOft, mofteyro naquelle tempo fituado 

nos Alpes, lhe matarão o filho, para ficarem herdeyros de 

feus bés. Durou efte queyxume , em quanto náo chegou a 

noytej naqual, á viftademuytos,lheappareccoS. Bento 

nos mefmos abitos, em que otinhão vifto de manhã, 8c 

lhes d i ífe : Tara que imputaes a meus Monjes , o que eu fi^ com mi- 

?ibx6 mhs? Tara que jutwtes aggravo , o que eu alcance)' de Deos , pa- 

rabewficioVoffi? Obr toado aos bÕs termos , queu^aes com os Monjes 

de S. Miguel de 0(1 , fuy Vojjò Orador diante de Deos ,para qv.epri- 

Vajje da Vida ao filho, que iinheys em tanta eflimac.aõ, pelas infâmia*, 

que VosbaVkde caufir 7 fe ViVsra m mundo: \L dcfipparecenclo á 

Oo z *ua 



a 9 * O PRÍNCIPE DOS VÃT. TOMO 11. 

fua viíh, mudarão os pays o pranto em alegria j& as quey- 
6? o Paãte MrftnTr.jtto- X as, em iubilos, & gratificações. 6< Deyxacrearahera 
trocmh ât h.< sano, ferm, .. junto da planta , quem eíta mays empenhado , em que a 
icS.Bentd.%.i. planta feque , do que frutifique. 

426 Com peyxes ein húa máo,& com flores na outra 

pintaváo algúso Amor. Senhor domar, & da tetra foy a 

explicação, que muy tos deraõ a eftc retrato. 

TSLec temer e manibm florem, Delphina que traSht y 
Ma, etenim tcirÍ5,foc\>aletipJemari. 
Cláudio Minoys. 

Níasenganarão-fe. Os peyxes fora da agoa morrem ;& 
as flores colhidas da planta murcháo-fe: Afly o Amor pro- 
fano não vive, nem florece em outra parte tora defeuna- 
tural engano. Não tem forças para avultar em terras eftra- 
nhas , fó na própria habitação tem valentia. Os amigos do 
íeculo, em quanto andão juntos, mofírão-fe amigos ; em 
fe auzentando,faõ como as flores cortadas da planta, & 
como os peyxes tirados da agoa. Em algum tempo era a 
redondeza do mundo a demarcação, que os amigos pu- 
nhão aíua amizade: hoje reftringirão tanto feus limites, 
que não paflaõ a diftancia da prefença. Sendo algús, como 
a efpada do Gigante Golias , que pòfta ao lado do Gigan- 
te , não o defendéo de David ; & quando na mão de Da- 
«6 Cumquegieàiumnotiha- vid, matou o Gigante. 66 Porque não fendo os amigjos 

herr.l iamanu UavidyCticurrit. 1 r r* T ' L - 1" " CV **" n 

®fíetitfitp.fbiiiR**m,®tu- armas deieníivas quando acompannao ,iao armas oíicníi- 

litgUdium e;us _£J eduxil cum yas ^^q qU( . fe au f enta 5. 

de vagina lu<>,<5 wierfccit eum, ' * 

i.Rrguw cap.ij.verf.il. 427 Emtodo o tempo, & em toda a parte he S. Ben- 

to amigo de feus devotos. Quer efteJ3 na fua própria terra, 
que faõ os feus Mofteyros j ou na alhea , como faõ os Con- 
ventos de outras Religiões. Ema Sede Braga Primaz das 
Efpanhas ,efíá debay xo das efcadas do Coro húa Imagem 
de S. Bento,que nunca aíifie no Altar, porque fempre an- 
da por cala dos enfermos \ fomente no dia de fua feita ap» 
parece na Igreja , porque na véfpora a manda com folem- 
nidade o enfermo, em cuja cala eítava. Quiferão prender 
o Santo com húa cadeya de íérro , para que o naõ tiraíTem 
do altar j fruftrou-fe efta diligencia , porque hum dia rom- 
perão as cadey as, & levarão a Imagem do Santo, No Con - 

vento 



EM PREZ A XXI. q 93 

vento do Patriarcha SaõFranciico , ema Villa de Guima- 
rães , ha outra Imagem do Santo , que pela mefma virtude 
rioaífiíte na Igreja, íenaó emodia datalfefta. Osmsia- 
gres,quefazS. Bento em o Convento deSetuval,& em 
tnuytos do Alem-Tejoda Ordem Seraphica;& no mof- 
teyro de Xabregas , cabeça da Congregação dos Cónegos 
Seculares de S. Joaó Evangelifía, he notório a todo Por- 
tugal. Taóboas auzencias faz S. Bento a feus amigas , que 
náo confente aos contrarios,os offendão, nem ainda de pa- 
lavra. Bemfabidahe a grande deveçaó, queUgoCapeto 
Rey de França teve com Saõ Bento : certos fidalgos húa 
noytc murmurando com excéííò da difpoílção de ieu go- 
verno, viraõ diante de íi hum vulto como roítro cuberto, 
& com a CocuIIa de Monje; oqual , com húas varas , que 
trazia na maó osdifeiplinoude tal forte, que ficarão en- 
tendendo , que Saõ Bento como grato á devoção delRcy, 6 J ** ?T J !i"°I" p '5l£ 
eftava em toda a parte, para o deíender em todo o tem- 
po. 67 

428 A intelligeneia ,que osiafcivosderaó áquella 
pintura do Amor, dizendo, que nella o acclarnavaõ pode- 
Tofono mar,& na terra hefuprefiicioíaj porque o Amor 
poderofo na terra , & no mar, he a virtude que Deos com- 
municou a S. Bento , para amparar a feus devotos. Entre 
muytos efeolhi efte milagre, que noíío Reverendiffimo 
Padre Meftre o Doutor Fr. Leaõ de SantoThomás, Len- 
te que foy de Prima na Uni veríldade de Coimbra autho- 
iifa,noSegundotomodefuaBeneditinaLuíltana: 68 68 T*m*jr*.t.*f.iM 
parto legitimo deleuuniveríal, & único talento. Refere 
oReverendiffimoPadre, que no tempo, emque era Ab- 
bade defte mofteyro de S. Bento da Saúde o Padre Meftre 
Fr. Maneio da Cruz,quefoy/ioannode 1 633. navegava 
para o Ertado da índia com profpera viagem , o Galiaõ S. 
Bento, a quem o dito Abbade tinha benzido. Voltando 
defpois para o Reyno, padecéo no Cabo de Boa Eípc fc 
rança tão fortes, & repetidas tormentas, que quebrado o 
leme todos fe julgarão perdidos. Levavaõ dentro no Al- 
tar húa Imagem de S. Bcnto,diante ó^ qual fe puzeraó to- 
dos de joelhos com lamentáveis deprecaçóes, para que en- 
trecedefle por elles a Deos ,que os livraífedc táo manifef- 
toperigo: Todos fizeraó ao Santo fuás promélTasj &o 

Oo 3 C a- 



294 ° $WNC1TE WS ?AT. TOMO U. 
Capitão lhe fez cila rogativa: Gloriofo Santo, ejla Nào he Vof- 
fà> & pois fi^cys tantos milagres na terra ,fa^ey agora também ejte 
tio mar ; regendo-a > &go)>ernando-a de forte, que cheguemos todos a 
f ah amento :fede Vos o Piloto , & Vojfa inter ce fino JirVa de Ume. A 
coda a píèílàcomaraó o Santo, &opuzeião no lugar do 
Piloto. Comefibu logo a embarcação a feguiracarreyra, 
tomando o rumo das Ilhas. Acentou-fe o piloto junto do 
Santo,& quando a embarcaçãodefcahia mays,para o nor- 
teou fui, lhe dezia: Meu Santo^a Náo,parece, que ha de inclinar 
mays para tal parte. E logo a embarcação obedecia, ao que 
mandava o piloto: profperamente navegarão até chegar 
aterra ; adonde louvarão a Deosgloriofo emfeus Santos. 
Com toda a propriedade accommodou, neftecazo,oRe- 
verendiílimo Padre, a S. Bento, áquelle Anjo do Apoca- 

c 9 EttofiitpcãcmfHiíJtx. lypfe,qparaoftentaçáodefcu Império univerfal,tinhahú 
tr:<mfup.m*rt,ftn,8tAm*utc p £ no mar & ou tro na Cerra : 6o que a tanto abrange a 

ftto, urram. ,ir» 1 r i i 

^focai. 10. ver/, z. virtude de S. Bento ,para amparo de léus devotos. 

429 Ultimamente,os Gregos retratavão o Amor en» 

coitado a hum tumulo. 70 Ovcrdadeyro Amor dos ho- 

iroftoàdUHTTm». %^%?t. m és na õ paffa da morce : moftrando a limicaçaó , & defey-. 

&' > 00 - tos de mundano , porque no melhor tempo defamparou o 

amigo. A amizade dos mortaes he como o Amor de Jacob, 
', Dará com Rachel, oqual defpois, que avio morta, fepul- 

71 \fertu*elíerg9ltte&el,& * • 1 1 r- 1 ' o r ■ l ■ 

fepuitaeftinv;a,qu*âucit e. tou-a no caminho de fcpnrata , & loy continuando ajor» 
Sw^^™^ nada, que fazia para Canaan: 71 Acompanhou a Rachel 
gu&c.Ge*sf.H.vcrf.i 9 ti xi. cm quanto viva, & deíamparou-a defpois de morta. Dous 

caminhos temos todos, que andar : o caminho da vida,& o 
caminho da morte: o caminho da vida tem certo o fim,que 
he a morce : o caminho da morce , fendo infallivel , o feu 
termo, he, para a noflaintelligencia, incerto. Todos íabe- 
inos, que havemos demorrer, mas nenhum ofjm,queha 
deter defpois da morte. Anoíla alma efpirando o corpo 
coméílã a caminhar, fobindo para o Ceo , ou defeendo pa- 
ia o inferno. Os amigos quando muy to acompanhaó,qual 
outro Jacob a Rachel, até o caminho de Ephratá, adonde 
acabaítes a vida ; não paílaó adiante, porque enterraó a a- 
mizade na fepultura, adonde vosdeyxaõ o corpo. Infnr- 
tifera he a fociedade , que vos acompanha nos povoados, 
& vos defampara nosdefertos. 
430 AintercefídódosSantospaíTaos limitesdoAmor 

dos 






cJoshomês. Em todos escarninhos faónoflbs fieis compa» 
nheyros : no caminho davida,difpondonos a morrer em 
graça ; no caminho da morte,ajudandonos a viver em glo- 
ria. Eitahe a utilidade, de que nos ferve o patrocínio dos 
Santos, & com efpecialidade aintereeíTaõ de Saõ Bento, 
Arrebatada em exeafi, vio Santa Gertrudes a Magna, a eft 
te gloriofo Santo aííUiindo diante dotronodaSantiíTinia 
Trindade, todo cubérto dê roías. 72 Sendo oníyíterio 
daquelle roíal, de que fe veftia , a reprefentaçaõ das iingu- S£S^SSS^St 
lares virtudes, com que o Santo florecéo neíte mundo, & b,hUr g^mwandofrodire »•«/> 

b. 1 1 ... r^ 1 1 pulcberrim* , mira i ii T::Tis , & 

oas obras de todes, os que O imitarão: 73 b Jogo ò vemant,*,grati*qutfi«guu- 

Santo Patriarcha offerecéo a DeOs a fragrância defeusinei '*■ Be ' uGeruude f »«$»■- 

D tione Divina piclaluUb. 4. ct>t>, 

recimentos por todos feus devotos, & poraquelles,qué 2.o,i*f<fios.Be*ed : . 

W- r , i o*_ 17 1 ....... \ \ 72 ttiBliepèrf.oreircfaruirt 

ervavao ieuinítituto. 74 fazendo , em certo modo, gwftfôM»* mh, SÍT , ie f. 

cite Príncipe na gloria, pelo amor de feus arTcétuofos< í/w*^j*^^J»jf«ttwfc 

Ao'I r> • • t 1 crema, quiltif ifje camimJuS 

melmo,que íezneite mundo o Príncipe Jonathás porá- àemundo$mtiujui]ugmti*u 
mor de David^efpindo-fe das gallas, para o homar,& en^ ^p^íT^SÍ 
nobrecer com êildsv 7« Vendo a filha à grande liberais tio*cmfuamfanujfimamfScti~ 

. . r ia ri t» • n i > <"" epeva omnium imitai Cl um 

dade,cóm quefeuPay ò. bento enrequecia a léus àè\O"f U0 ,um&c ídtm.m. 
tos, e*ifteiu*i nomundo, lhedepfecou,foííeáhoíáde lua & IZ^v^^t 
morte, para com elles da* mefma fórtê prõpielo; O qneo «'«»» memtrernmjuorum,qv* 
Santo ouve por bem, -promètendo-lhe oíeguinte: ío«oí, iffl er ereprofciuumnmm,qui 

os que implorarem minha mtércètdõ, fazendo memoriada finoidar vcJ}'g'**j« s f;r-< i P er '> l 'J er ™"- 

1 í * ' J v J o liamrtgulttjux òancta percp- 

honra , C? Virtude com que Dcos engrandeceu , © beatificou o fim de um. idem. m. 
minha Vida, eu lhe affiftirey , co/;z too grande fidelidade ,ahor a dejua £ t *","' a qfã™tldJZ& 
morte, que me achará na parte, adondefor mayor onumero de [em ini- âeã,t tam Dí > v ' d - * • Re s "?• 
micos , para que confortado comminha prejencafriunfe detodoSy&ca- \g Quicumque meaimone- 
mmheJemroparaõswslQseterws. 7 Ó re Hu ^fJl/SaÍ'lt 

J o 1 o / quame uoniintu meia tamglo- 

43 1 Comoa carta deUrias 77 faÒospeccadosdos nofo fine digita ejibon, r jre % 

. - 1 11 i- tf beatificai c , buic tgom hora 

nomes; cm toda aparte,& em todo o lufara trazem conli- «,„,■,/„* m/j jM//j»-«íe »«/» 
go; & nclla o rifeo de fua vida, & de fuaíalvação. Morréo "ff^i"^ ««<m »»*f '"< 

O J ' * tlli cx omni parte, nua vidcbom 

Sau!, porque carregando fóbréelleá mayor parte do eyLet~ fidia* i»imicorum*ochiutc$- 

r. n A 1 1" i 1 r traipfum Çtevire, ut me.i pre m 

cito inimigo , nao tevequem o aiudníle adeiender de íeus /f „,:,„J,„,,/^,,„ /; „f m ,- 
contrarios. 78 Afaltáque fentio Saulpoi pcccador,& fnmmi*tjtt«rur,uc4i 

' r-v • 1 • » 1 11 gaudiapeiatjmefr.e Beatui. 

obitinado contra David, eítptfimentara todo aquelle,que ;*,-. 

viver impenitente de feuspeccados, quando acabar o ul- V^ e f' hlH,ÍM j E f'ff'„: p ^ i 

Y l ' U rr ' mteUriamtxadrerfotiLi,ubt 

timoinftantedefuavida;paraoqueheneceflarionos pr€- fortiffimumcftpr<iium. 
paremos da forte , que fe armou J onathas , contra os Phi- ^ %'" u p m '^/pídu', p* a n; 
íiíteos : Em graça de Deos , & com firmes efperancas em **■/•»»& i*?<ii, ef cenfetuii 
u*a,miíencordia íe animoti J onathas a prevalecer 10 , con- ,,r, £ ( >p. vitimo ver/i . 

tu 



«çé O QWJKCIVE VOS VAT. TOMO II. 
79 ^«"^^'«'««^/-tra todo o exercito dos Phililteos. 79 AíTy nòsparatri- 

fciltjjivarcti/elinmultu.vel .... ... r>, n £1 1 i 

infautt,.'ihi.t»p tt.verj.b. untarmos dos inimigos cralma. raraoconnicto levou Jo* 
J:ÍÍ;;;:^:;^::^^^^configohúad;utorio. 8o Efiefemprenosacom- 
»«. Vcnimccum. ibivtrf. 6. p an ha , que he o Anjo da noífa guarda : & para o melmo 

officioieoffereceS. Bento na hora da morte, a todos léus 
devotos. Em o numero 352. podes ver, em parte, quanto 
aproveytaeíte patrocínio. OmelmoDeos he o fiador da 
proméíía, porque elleconcedéo hum felice traníito a to- 
dos, os que amalíem a Religião, & os filhos defte Príncipe 
dos Patriarchas: AíTociate a eftaOliveyra, porque mays 
te aprovey tara a fua companhia , do que as coroas de tua 
nobreza,& pòíTes,que te reprefenta a Romeyra.Se te pre- 
zas de Ter illuftre,como o Sol, favorece como o Sol , as El- 
vLt$PZ'™y™?rZ trellas do Ceo , que faó todas as Sagradas Religiões. Eftas 
fugMvcriini, judiem. <■</>. Eftrelias, laõ as que pelejarão contra Sizara, 81 figura 

dos Apoítatas , & inimigos da Igreja 5 & te acharás á hora 
da morte com tantos exércitos em tua defenfa,quantas fo- 
rem as Religiões,que beneficiares;ou com tantos exér- 
citos para tua ruína, quantas forem, as que com tua 
infaciavel ambição, ou mal intencionado cor- 
felho deminuiíte oculto, enfraqueceíle o 

fufteiuo,comquelherelaxaftea 3* 
obícívancia. 




£NTRE« 



297 
ENTREGAM EUTIQUIO, E TERTULLO A 

S BENTO 

SEUS FILHOS PLÁCIDO, E MAURO, PARA 

que os creaííe com íeu exemplo , & inftruiííe com os 

preceycos de feu Iníiituto. 

E M <P % E Z A XXII. 




43' 



£ F* 



los como os cor 



UMA mefma arvore ferve aos 
cordcy ros de fuftento,& de abri- 
go; comem das folhas , Sc ampa- 
3 ráo-fedafombra.AiTyheoMef- , M a? tf r i funt ut *rUr*t\ 
IHI trecomoa arvore, &osdifcipu- ^^X^tu^u- 
deyros. i A boa. difciplina ha deter o ww/ . 4 . 
Pp P reftl " 



298 O PRÍNCIPE DOS VAT. TOMO 11. 
preííimo da embarcação, que encaminha aos navegantes, 
& refiíte á operção das ondiis. Todos nafeemos choran- 
do, porque os perigps do mundo iaó como otribntoda 
morte, que tanto rcijpey ta ao Príncipe, como aovaflàllo: 
A morte, & os trabalho» fsõ caçadores do monte, que n^o 
íqlevãp oífenfivos contra os animaespedeítres,mas t?«m- 
bem contra as aves: com efta difTerença, que a morte igual- 
mente acomete ao grande, & ao piqueno j ao defcuydado, 
& ao advertido 3 não afly os perigos, que imitaõ os lebos 
veteranos, não arremetendo com tanta fúria ? aos que ca- 
minhão de dia , como aos que encontrão de noyte ; a falta 
de luz, lhes dá ouzadia, contra quem os intimidara prefen- 
2 oiiva Hiftor ia tau,-*). f,i. te a \ u2t 2 p^o formou Deos ohomem, fem criarpri- 

n.Kap.io.JeLupif. g ai- r» • r } i 

, íeatiiaque Ucut iuo /«. meyro o Sol : 3 Tropeçara Adão no raraizo, taltando- 

'"Z^!^6. lhe aluz doSol,que o encaminha-fe. Da mefma fórtea 

., h.< c tfi òdptr que*, ment creatura fem adoutrina do-Meftre,do que Adão fem a cla- 

c!arcJcit:niendtn,corli,oc- . , , , . 

cuius, amena , tf voluptutfa a- Ildade da lUZ. 4 

nMfaradijHs. s m c. ^3 Se os filhos nafeerão fó para utilidade dos pays, 

fora de menos importância a fua má , ou boa creaçaõ ; mas 

5 £.1. §. tfgmerai,tcr,à e como na k em também para oferviçodas republicas, 5 
.-jenuempoffcjjio.min. ub. yl . he commum ointereíTe dá fua boa difeiplina. Parapropa- 

f.situ.n. L.i.óein/litu.&Je .-- r r L r t * 

jure.e.L.tq,.ad scnatusTub. g^r nua nação requere-le o meímo, que para coníervar nu 
*.L.\.,nfincadh g 3ui.m*. e^foio: Se os materiaes não forem efeolhidos , & aíTenta- 

gcjia.P.L.t 9 .§.j.deCaj>uvif , U , /r> • - ' c i 

cíc. dosporníaos deorhciaes,naatera lorma, nem duração a 

fabrica. As veas do corpo nem por citarem cheas deían- 
guefuftentão a vida ; a fua boa nutrição he, de que fe ali- 
menta anaturefa. OsReynos,aíicomo ascafas particu- 
lares, náoconfervão a nobrefa na multidão dos filhos, fe« 
não na bondade dos fucceíTores. Cento, & quinze filhes 
teve Artaxerxes:(nãoaquelle,dequemefcrevéo Plutsr- 
cho) a todos deu a morte , porque nenhum era merecedor 
< MeibaRenes- da Coroa. 6 Mays feauthoriia o minaral ficando dezer- 

to,do que mina de ferro , tendo-o fido de ouro. 

434 Para que o calor doSolconfolidaíTeobarro,de 
queformou o primeyro homem, o formou Deos cjefpois 
de crear o Sol: creando a eíte,de húa luz pura, porque com 
feu calor havia de fubfter a debilidade do homem , em 
quanto barro; Sc com fua luz havia de encaminhar a eíTe 
barro,defpoisdefeytohomem:eítas operações, faõ os ef- 
feytos da boa doutrina; Nos poucos annos repara a fragi- 
lidade 



EMfpREZA XX11. 2 99 

lidade propenla a cahir,& governa toda a vida do homem, 
occafionado lemprea errar. 7 Piimeyro aclaridadefoy i z>°%rina<$eruàni,cíifir- 
iíz, do que boi, elevado a preíidiraos Aliros. Pnmeyro o ««;»«; Zuu. 
Meílre ha de luzir na virtude, do que fubá á cadey ra,a pre- 
fidir,&aluniearcomo Sol j pára que náo efcureííàcomo 

ÍOUlbf a. 8 8 P reetptrrer wpufolum ca- 

rere crimine lurbiluáinii ,J>J 
etiumfuj^iciont obortet , etenirrt 

L*fit<Lrflcxandntm contagio feclamagi/íri. ^f^^u,, nj h t uunur. 

lndeferunl Vtújs mn carViJfe malis. 
Germctn. de OJJia. Magtjl. 

No primeyro volume 9 prometti moítrar osreque- 9 remaI - £m í"''z.^.n.i6^ 
fitos, que devem concorrer no fogeyto,para que digna- 
mente póíTa Ter meftre de hum Príncipe: Para erta parte re- 
fervey o defempenho , por fer próprio do afiumpto. 

435 Entre as calidades de todo ocreado particulari- 
zou Deos ao natural de húa planta,para nella avincular os 
fíii&osdafciencia. Entre todas as arvores creouhúa, que 

, . j o • • j t oj 1 vi- «o Lhnum que f ciente bofiij 

intitulou Arvore da òciencia do bem, & do mal. 10 Nao $*,#. $«««/.• *';«#'{>. 
faboreou o fru&o de todas , com a doçura da feiencia, por- 
que náo achou em todas o natural necelTario, para enfinar 
como Meítres,ainda que deííem fru&os como lábios. Nem 
todos mereííem cadeyra nas aulas do Paço. Para nutrição 
de hum Príncipe examináo os médicos náo fó a íubftaricia, 
& limpeza do ley te, fenaó tambema Índole, & virtudeda 
ama: Nem devem preceder menos informações dafeien- 
cia, & vida do homem , cuja cabeça ha de inftruir o Prínci- 
pe, que ha de governar hum Reyno. Ariphon , Sc Péricles 
íoráo dous lábios, dos mays eminentes de leu tempo 5 & 
Alcibíades, em quanto íe creoucom lua doutrina ,foy o 
homem mays infolente,& mal procedido, que teve Gré- 
cia -.defpois que aprendéo com Sócrates, ficou fendo hum 
dosmaysilluftreshomés,queteveomundo: 11 Em ra- " Fhthar ''* ^ l <*»*'- 
zãode agoa , tanto o he a doce, comoafalgad3 j Si aíalo- 
bra,como a faborofa ; masdifferem muyto nostífcytosi 
porque húas debilitáo,& cíteriiifaó as terras, por donde 
correm- & outras, asfortaleííem, & fortificão : Da mtlma 
íórte a doutrina, recebe a eíficacia, ou tibeza do procedi- 
mento dos Meftres. 

436 Com pena de morte prohibio Deos ao primey- 

Pp 2. r ° 



3$® cwjHffiE ws <?jt. tomo n. 

ro Mona rena comer Osfru&osdaquella arvore, peíornix* 
tj ©» ngm f.mm fSMtu tQ <j e njal, & berri: i 1 Quebrou Adão o preceyto , & ri- 

íntima u-jline cowftL-u. n -, r . , . . j r> n 

< ;c ,.,/: ... wr/, , 7 . cou menos cftrcaz a iciencia, do que a tinha dantes. Bailou 

odefayrofomòdodeLeonides,TrQ,& Ayo de Alexan- 

., Grttorumuanathiaoru & e ^ra que efte, íicaílè com todas fuasmsnqueyras: í-% 

. ,„ /,.,., r ,t .« cajfuLMi,- Donde, neceílariamente devem buicar para Ayo do Prin- 

áycWtiihé ape a hum fogeyto,queíeja arvore oa iciencia do bem, Sc 

fuh-«t% '=•"«'•■ naódomal.OBairamohearvore,queeíCGlhéòâfabedo- 

D.Hicrcn Lpisi.BK. „ •» . . . 

M Sicut ci«»aniotHum,& ria para natural apodode lua pureza; 14 $*elamtiytsvir- 
ITeZS^Z^Z tude, contra amalignidade,quetemefta planta; & por if. 
/'-' -^- fõ a mays ajuftada regra , por onde devem medir a íuffici- 

cnciaddfogeytOjquehadefereícolhido,paraAyodehi4 
Príncipe. 

457 Crefce o Balfamofem arrimo. 15 Pelomere- 



wvinBautvitu&impht-coí- ci men to propriío, & naó pelas aderências há de ler eícolhi* 
' esvi "lTltl^ní ad " do o Mellre. He incapaz para Ayodehum Ptineipe apef- 

l i?iH!Ciilií e ipjít jUiimci.t. í l J li 



VlaUeolU feri Jicitur,»u • 
per ti 
lei i ;. 
tnrniculufe ipfsfu. - 

pimituH<H.nb.ií.c*p.i<i. fó a poe femelbanteíà Palme vra, não tem vigor fem ajuda 

16 liem tíii perguntfiuãifi- ,,-, , \ > i 1 » 

emfmmt:^^ c "":' "oconiofte: I0 parque tratara com niayscuydadodea- 
}\f> -,..;!* t », ^ufut:,f,cai^ã- prove y târ a quem ofuíienta , do que, aquém enílna. De- 

Ba. sieMunmefcuUfubtra- mocritoempenhava-fe mays em fazer a vontade a Leoni- 

ba jZc^Jthu.ÍS£" re ' áes , que foy , o que o efcolhéo para Ayo de Alexandre, 

i 7 diinim ubifup. jj q ue em doutrinar o Príncipe , que tinha por difcipulo. 

438 NóterceyroannoíruóHiicaoBalíamo: 17 até 
efte tempo, põem todasas forças em crefeer : & náo eftilla 
o unguento, fem eftar perfey to de todo. O Meftre não ba 
defertaó caduco, quelhe faltem forças para foportaro 
trabalho ; nem tão verde , que naõ tenha authoridade p jra 
dar a rcprehenção. Fora taõ mal creado, como os filhos de 
feu Meftre Eli , o Profeta Samuel , fenão correra por con- 

18 Porro flii Hcli.filii Bele- ir> ri i ~ o * r • j 1 i t 

«inefeientes Uominum^c. ta de Deos a lua boa educação, i o A iantidade de Jere- 
ijiegA.verf.it. mias naõ tivera animo para reprehenderopovo,feDeos 

19 l-ccs JeJi verba meatn ore * ,. * *■ 

tuo&c.jeremi. i.verf.io. lho não infundira. 19 Eli por muyto velho foydefcuv- 

io H;!i.i;it:»ieratfenexval- » 1 o t ■ • 1 

àe.x.Reg.x.verf.lx. dado: 20 & Jercmiaspor muytomoço era tímido. 21 

x. Pueregofun, jerem. i. Treme a vara , quando vergonta;& naõ ie pode dobrar, 

quando lenho. 

439 OBalfamo he todo medicinal, porque não fá 

22 p/h»»/ uHfup. es? Geme- põem a virtude no humor , de que fe fuftenta ; fenão tam- 

^Quolfemunusioquanmr, ■** nas folhas , flores , & fru&os , de que fe orna. 2 2 A 

®qu<>ihquitr,Hrf e «tia m us,t&- compofiçãoexterior he hum dos requifitosmavs neceííà- 

cordit jermo cuni vita , Í5 vtta . * . _ . ■* ' 

tHmftrmonc. se»ec.Epiii.tf. nos, para authoiiiar a doutrina. 23 



EMP^EZA XX1L 



301 



tfebus diSlafonent, &> resjonet ipfa locfueflii: 
Saneia docens Doclor^ ViVat bonefiafequens. 
Cermai, 



14 P/m/«/ «*'/*/'*' 



A virtude , & a feiencia perdem a eftimação , fendo re- 
lógios íern demonftradores. Os Sancos, & os Philofophos 
autlfcnilarão afua virtude, & feiencia com a pobrefa,& re- 
tiro, em que vivião. O virtuofo,& o Sábio faõ como o ou- 
ro, que tem avinculada a efUmaçãc do pezo á fermozura 
da cor. 

440 Todo o annoconfervaefta planta, a verdura de 
íuas folhas. 24 Opulenta, & não faminta deve ler a pef- 
íóâ efeolhida para Mefíre. Hetegra da agricultura, encher 
ascòvasdeagoaprimeyro,quelhe difponháo aspiantas: 
a terra não lendo regada , puxa pela fubíiancia da arvore, 
comquenáodeyxacrefcer,antes afaz fecar: nenhúa plan- 
ta he infecunda de fua naturefa > & muy tas o foó pela efte- 

rilidadeda terra, que as cria. Com o que pode degenerar 

da regia magnificência o Príncipe, creado aos peytos da 

miíena. Alexandre perdéo hum dos efmaltes da purpura, 

porque Leonides feu Ayo era demaíiado. 

44 1 As folhas do Balfamo não faó tantas , que o deC- 

componháo,nem tão poucas, que oafeyemj faõ as que 

baítão para compor as ramas. Nas palavras, as quaes repre- 

íentáo as folhas, ha de fer tão comedido o Ayo , que uze 10 

das neceífarias , para intelligencia da doutrina , & folução 

dis duvidas 5 para introduzir no Príncipe mayor inclina- 
ção a ou vir, do que a fallar. Prefava-fe Trajano deterpa* 

ciência para ouvir fallarmuytas horas, & de não poder fal* 

Jar largo tempo. 25 Os Príncipes, & Sábios hão de fer 

como osrelogios,querefpondemcom humgolpeatodo 

o tempo, q a agulha oceupa, em formar feflènta minuros. 16 NamftcutrUmurt&ar- 

Ballamoem ter poucas folhasinímua,que o nm pp t uji*mumr*mi t im 

Mí.ftrehadeferlivredemuy tas obrigações. O etpinhcv- *'»""»> Wr*wuvi<""* 

J t\ * * J contittgtntemJSvcnetJS lanas 

ro, porque tem muytos nlhos, quel.iõ nsinuytasrarny$, iohtabovihutssu»njeunnbiu. 
multiplica oseíiimulos,para com cllcs fe aprovey tarde Bnur -* '!"?• 
toda a forte, & por toda a parte. 26 Osmuytosfilhoso- . Vlgí u„ t e,aãf>r*i*mpr*. 
-brigão aos paysa trabalhai com cuydado, mas não com \n- pera*iba»cmiib*ru,agrun,«om 

B r J J > fitar* dcmctunt^vwiiimtjiu. 

ttyrcza. jot. »*. 



2< v4lfcnf«rt!e*rfvil*. 
Máxima 1 j6. 



P P 3 



443 



Dcf- 



3 o2 O PlftNfflE WS TÂT. TOMO 11. 

445 Defpois que a Arvore eftillaacuftumada quan- 
tidade de Balfamo , por Tua mefma virtude iára da ferida, 
por onde o communicou. O Ayo deve íer como a a- 
lampada, nao lo porque aífafte , & alumea ; fenâo tam- 
bém , porque a tornão a iubir , defpois que a de icem , para 
acender a tocha. Serpedo Meftre de Catão Ceniorino, 
fazia-le táorefpeytado , que nunca degenerou da2iitho- 
rtdade de Meftre , nem ainda nas horas de recreação. A ia- 
ciiidade no divertimento occallona deiprezos no eníino. 

444 Primeyro cortão as folhas , que ficáo daparte, 
» 7 i»/,>í/!//(^7(^.yGíw/- aonde querem dar o golpe para íahir o Balfamo. 27 As 

*!Ttif?3%. falhas deita Arvore laó pouco viftofas , & plauíiveis, por- 

que parecidas com as da Arruda. 28 O Meftre todo ha 
29 Di&t^âiiniMài- de fer alegre quando eníína. Areprehençáo, &oeníino 
twum4wmmfrimuMtiàw*jàB&iEEeo\_ no modo. 29 Anitoteles lendo naturalmente 
jtc»*Jumamo™?vficitur ,«ft e & cJ e máo gcfto , quando doutrinava a Alexandre 

compunha-le muy to veda vel. O tempero das iguarias não 
iè inventou para deípertar ogofto do faminto, fenâo do 
regalado. 

445 Entre as arvores efeolhéo a Sabedoria o Balfa- 
mo, por fer húa das mays nobres plantas, que produz a cer- 
ra. O Meftre fejade talcalidade, que dignamente póílà 
exercitar os poderes de pay , que laó os de Meftre. Pergun- 
tando a Agafiles a razão, porque não efeolhia para feu 
Ayo ao Sábio Tilopanes, refpondéo: He de tao báyxaforte^ 
que me naõpójso pregar dejerjeu filho. 30 O Sol efeolhéo das 
liftrellas, a Eftrellad'Alva para guia deíeu nafeimento, 

jo pjutbar. inejut viu. P or ^ er a nia y s luminofa das Eftrellas : & das flores , o Gi- 

rafol, para demonftração de feu curfo, porque he o gigan- 
te das flores. 

446 Cria-fe o Balfamo nos montes, &he arvore de 
pequeno corpo. A inferior calidade não he impedimen- 
to, para os que vivem retirados do mundo,como íaó os Sa» 
cerdotes,&R.eligiofos. O Sacerdócio, & olnftiruto fu- 
prem, qual a virtude do Balfamo, a pouca altura do lenho. 
Oeftado Sacerdotal, & Religiofo hea verdadcyra pe'dra 
philofophal, que converte a bay xeza do ferro , em nobre- 
za de ouro. 

44-7 Junto ao Balfamo nenhua erva cheyrofahc o- 
dorifera, porque o Balfamo rcctbe cm fia fragrância de 

todas. 



EM <?<REZA XXII. 303 

todas. O Meftre ha de fer noticiofodas eicrituras , hiíto- 
rias, & de algúas íciencias, para comprovar com exemplos 
divinos, & humanos, tudo oquepropuzer ao Principe.Os 
ívleftresfaócomo osarmeyros,quenaó fendo peritos na 
milícia, fazem armas para a guerra. A boa diíciplina não he 
outra coufa mays , do que hum dtfeniivo efcudo, para to- 
do o iucceflb ; 6V os Toldados prováo primey ro as armas na 
paz, que uzem delias na guerra. 

448 O unguento doBalfamoheamargofoaogofto. 
Melire, Sc náo lifongey 10 ha de ler o Meílre. Os de pouca, 
idade antes querem a ftefcura das folhas ,do que o amargo 
do fru&o,a fuavidade da lifon/a, do que o afpero da yerda * 

de. 2 1 L-eonides , & Liíimacho, para complazer a Ale- ,V - /? <W Í ' W ' Í/ " '" Iuio 

1 C - J 1 J J TV/f A 1 JT- l- 'it eflrum Fy»u,»o» m„ pia- 

xandre,rorao mays aduladores, do que Meítres.lndnapli- cer.tfend*,qvampi8a,qu!tque 
nado achou Aritfoteles 9 Alexandre ,& com vicios tão ir- t^t^^lL 
remediáveis, que vivéo , & morrèç coro eiles. O golio he g^UqMmjt*mai, i m»gu t u^ 

• , ra r jji- 11 ' dUttftUornm a<r.ar.aai c cenf- 

* lenha , que lultenta o rogo da adulação , adonde muy tos per g , , quamfi-uSuum ^natc 
íe abrazaráo, imaginando,que renafcião, J^yílSSf^* '* 

449 Tudoquantoem íitemoBalfamohedepreíli^ 
mo; razão,por onde á plantachamáo Ba3farno,ao unguen- 
to Opobalfamo,& ao lenho Corpobalíaqio. 32 Toda 14 J$ti*witi&t* 
Util ha de fera doutrina do Meftre; não enílnando a hum 

Príncipe coufas defneceflàrias, & fuperíluas, fenáo as utis, 

proveytolas para a íalvaçao, & bom governo. 33 O ptú^â ^#^6m%^- 
Solnáo fabe mays caminhos, do que aquelles, por donde ^f^f&^Vt*! 1 "**** 
iobereipiandecenteao lrono,& por dondedeke luzido »v,w, í w» i <».„; tW j i r,»r. 

Ti Fluthtr. m */ipoph. 

uinulo. tr 

450 A fuavidade do Balfamo fortalece, com mays 
a&ividade, as potencias d'alma, do que os fentidos do cor» 
po. 34 O principal fim, defvello,&cuydado do Meftre J4r f.^MfiurruitiJen^ 
íeja,doutrinar o Príncipe em tudo, o que pertencer ao ver- UiU odcr*mentot«m. cep. 23. 
dadeyro conhecimento ,& guardada Ley Evangélica , Sc 
obediência ao Summo Pontífice; porque, fe for bom Ca* 
tholico, lerá bom Rey. 

Acr As víboras, que fefuftentão do Balfamo, per- 
dem a peçonha. 35 Muyros pelo bom enlino ,comque *<«.• te*/**** «■&«*• ». 
oraocreados,perderao os vicios,& propriedades da plan- jk r „jw H0tfím , U ,,.,„ >. 
ta.dequenafceráo. Tarquino Prifco era filho de húmer- ""»< > eai <:»■■/'■!•»'■■> • <•"»-'"« 
cador; LIRey berv)o,dehum eleravo; oConlul Varrao, ,„,„ 
de hum Marchante ; & Porcio Catão, de hum lavrador : a 

boa 



j«- 



urc. 



504 O PRÍNCIPE DOS TJT. TOM. II. 
boa difciplina os mudou em bons filhos, fendo de ruins 
pays: & outros, por talca de doutrina, naicendo de bons 
pays, forão péílimos nos cuftumes. O Emperador Cai ino 
Cefar foy dos imperadores, que melhor governarão os 
Romanos; feu filho o Príncipe Carinofoy omaysimmo- 
deíto,de quantos teve Roma. O Emperador de Alema- 
nha Henrique II. foy fervo de Deos; & leu filho Henri- 
que 111. foy Apofhta. Os nobres, & os humildes íaõ co- 
mo plantas; as mimofasfazem-fe míticas, creadas nos mo- 
tes; & as míticas, mimofas, cultivadas nos jardins. 

45 2 O Balfamo muytos mezes prelerva de corrup- 
ção os corpos mortos. O bom enílno , ainda que degenere 
pela má inclinação da naturefa, dura , & ennobrece muy ta 
parte da vida. Nero governou bem finco annos, porque 
foy difcipulo de Séneca, & fora toda ávida tyranno,fe 
nunca fora difcipulo de tal Meftre.Os racionaes,& osbru- 
tos bem diíeiplinados faõcomo as rodas, que movidas 
com violência, andao algum eípaço de tempo ainda def- 
pois , que as defampara o braço. 

45 5 Finalmente , os cordeyros naõ fe mudão do fí- 

j5 s,cui em-novet, quando tio , adonde achaõ pafto fauda vel, 36 oPrincipenaõha 

iH&nonreceduat.quoujqueaâ devanar de Meltre , que tiver os reqmlitos ponderados. 

raJi^.oJ»*,, Continuem Ná ome lhoraõ osfruftos das arvores tranfplantadas muy- 

^uorf/ut/ua-wt finai*: fie vc tas veles. Príncipe, que fegoverna por muy tos pareceres, 

r.bo-.i a.i ir.), ci , qn3v.li bina i r" 1 1 1*1 J"íT O 1 

p.,ji; ti ,ucjijo„lnUo3orcm he íemelhante , ao que caminha por ditterentes eitradas, 

'«vcn.unt , q «o ufquejutuú, que chega cancado , & fora de horas ao lugar , que perten- 

Btreorím tubo Dijcere. de; arrifcado a encontrar em algum dos caminhos , a quem 

odefeomponha. Dos muytos Mefíres, que teve Alexan- 
dre fe lhe apegarão os vicios. Fiadores de tudo, o que te- 
mos difcurfadojfaó os dousilluftriífirnos Patrícios Roma- 
nos Eutiquio, &Tertullo, efeolhendoa Saõ Bento para 
Meitre de feus filhos Plácido , & Mauro , a quem o vulgo 
chama S. Amaro. 
;? ^rga yf Soh<Ud,ydcã- 454 No anno de quinhentos & vinte & dous , 27 
»8 c*perettumtuncaieum tempo, em que Deos havia prometido a b. Bento, as imeo 
Koma«*«rH,*M e ,,vR t i,. excellencias para fua Religião, vieraõ os dous Patrícios 

giofi concHr:-cre, fuui que tilict . » O ' 

on»;p*te»tiDioitntnêJo, da- (parentes muy to chegados do nolTo Patriarcha)Terrullo 

■fMítEutiqliútMavrã,Ter~ ^° leu nmorlacido,de lete annos deidade;& Eutiquio,co 

?uttm xvwtMríum ,W«<« f cu filho Mauro, dedoze;&os otTerecerão a S. Bento, oa- 

i>.Gr;g.Ai V .z.M»rsi.c*f. l t*<{\iCQS difeiplinaiTe, & inftiuiíTe: 38 Saciificandc-osa 

Deos 



)9 ftcit T)ev* ãuohminariâ 
magnate. Ge>uf i . vcrf 



E M <P %E Z A XXJ1. 505 

Dcos antes, queconheccíTem o mundo: habilitando-os 
eom os riguroíos exercícios da obíervancia Monachal,pa- 
ra rodas as melhoras da forniria ; á imitação, dos queti- 
nhão por cuftume etearem os filhos aos rigores da neve, 
para lhe fortalecerem os membros. 

"Natos adflumina prvnum 

X>eferimi{f,fce)'o que geluduramm , 65 unais. 
Vtrgú.Mnead. 9. 

4<5$ Nefies dous Bemaventurados Meninos enviou 
Deos a S. Bento o Sol , & Lua , com que ornafle o Ceo de 
íuaPveligiaõ. 39 AsduasTaboas,emquefeimprimi{Tea 
primeyraobfervancia de lua Regra. 40 AsduasColunt- 40 peJiíqmebomiinit moj* 

r c , r , rr - 4 r «- n ^ •>' :: duaf ' gb " !af \ttfiinnnijh- 

nas, íobrequerundaíieaextençaodeieu Lltatuto. 41 Os piàca, fenftat àtgh» d c >. 
doas Clarins, com que chamaílè a multidão de feus Diíci- ^tr/j/jlí' »iun,n M 
pulos. 42 Os dous Leões, com que ornaíTe o Sólio de " reM ãeccm > ® " So tiihit °- 
leu Principado. 43 As duas Oliveyras , cujo medicinal 4 i i-aoétubidu** <,<i afar . 
oleoconfervaffea luzdeíua fantidade. 44 AsduasVa- * 4 "»*/«s^ M «.*.« ««,,- 

1 T carepcjjts multitudinlni. 

ras, com que defpertaíTe os tibios, & fe mediíTem os fervo- n««w«-«* io.«r/u. 
rofos. 45 OsdousPeytos,adondefecreaífèmtodos,os w,w"Sr! " ' "" :u 'j"x" 
quequizeíTem feguir o caminho doErmo, ou domarty- *• í ' a r i,íi f'<>' 3 -9- v " r f , 9- 
rio: 46 Propondo-lne neite,a o. Plácido coroado por in- ui>aaJtx$,u,iamp;.iú , & „„, 
vitoi & no outro,a S. Amaro laureado por eminente. Sen- *?%£££%;■£. 
doeítesdous Santos os dous Anéis deouro,que fuftenta- &<* ,™<»»voc.™ u eccycm ,# 

„ jr»«- ir»-i_ ít alteram Fanieúlttm. 

rao a coroa do Príncipe dos Patnarcnas,ally como outros zach»r. tuve>f. 7 . 
ascoroas do altar dos prefumes; 47 *? »»«"»*f-*"^**-« 

456 Anicio,& Tertullo entregarão feusfilhosao t^«,^»*ft«<y*í«w t 84, 
anto Patnarcna, paraqueosinluuiiie,&amparaHecom g , *. 
Tua doutrina. A fabedoria de S. Bento fov como a (ciência 41 EtãHota**ui^aurwfii\ 

lr> r l - o -/-•• j-r torona&c txoJ> ,o »»; 4- 

do Precurlor; hua,& outra eraolcíencias,quedavaoiau- <,« ^i iaHitmftiitUmfa- 
de. 48 Ambos foraõ Arvores da Sciencia do bcm,& não tot,,Mitj»:l+ t **. 
domai ;&: por iíTo predeftinados, oPrecurfor para prr- 
meyroMeftreda Lcy Evangélica }& S. Bento, para Legit- 
lador do Eftado Monaftico. A todos quantos recebèo por 
Difcipulos fuftsntou , & amparou S. Bento, o que naõ te- 
ve a Arvore da Sciencia , de que coméo Adaó-, porque a- 
inda, que lhe deu o fuftenro nos frutos , a Figueyra íoy , a 
que lhe deu amparo nas folhas, de que íe veliio. 49 O ^SÍJSSt^ 
ft u&o da Arvore da Scicncian^õ íoy iaudavelp*raAd;jo, G t *ef. s.vtrf.y, 

Q^q antes 



fo Duc hi a!tum,&Ux0ti 



3 o6 o f^mcifE ws tâm TOMO 77. 

antes lhe caufou íua total enfermidade: & fciencia, qué 
naõ dava íaude, mal podia fervir de amparo , ainda que la- 
tis- fizeife o goílo. 

457 A íaudavel doutrina de S. Bento foy a aderên- 
cia, com que atrahio as vontades dos Príncipes, & Cida- 
dãos de Roma,queoefcolheraõ entre os Varoésda San- 
tidade,paraMeftredefeus filhos. Apalavra de Deos foy a 
fua fciencia, & a fua valia jrazaõ por donde osdifcipulos 
foraõ tátos, que necefíitou S. Bento de multiplicar as ciai- 
(es, fazendo novos mofíeyros. Hum dia aíiiítindo Chrirto 
na barca de S.Pedro mandou osDifcipulos remar para o 

rêiia vcfira /» capturam. pego , porque era neceflario pefcarem algús pey xes : 5 o 

ao que replicou Saõ Pedro dizendo ; que elle, & os mays 
companheyrosgaftaraõ todaaquella noyte em lançar, & 
recolher as redes fem algum frudo ; mas que fiado na vir- 
tude de fua palavra tornaria a lançar as, redes. Deu S. Pe- 
, , vr. f r e ptor,pcrtoiam, w . dro o lanço, & foraõ tantos os pey xes, que lhe naócoube- 

teiti ieUtaAter.,Mnc*pjmui: ra 5 na barca, íi Os corapanhey ros , com que S. Pedro 

intuito w.cmtuoUxabo riis. i- r - \r i • i n 

ibitaf 15. pefcou de dia iorao os melmos , com que trabalhou de 

noyte ; pois como lhe naõ aproveytou o trabalho que fez 
denoyte,fenaõoque fez de dia? Porque S.Pedro fendo 
perito na arte de pefcar , vaUeo-fe de noyte de forças hu* 
manas para alcançar ofru&o de fua fciencia 9 mas de dia 
pos todas as forças de fua fciencia na virtude da paLavrade 
Chrifto j 8c quando efta foy a valia da fciencia de S. Pedro^ 
foraõ tantos ospeyxes,que lhecahiraó na rede, que pe« 
dio outro barco empreitado, para recolher a multidão. 
JL iú}r,™âw£r*M*ej!ti $ 2 Mas quando fe fundou na deligencia dos homés, con- 
<s adjuvai cor.Etvtnttunu fep\}\ o trabalho, mas naõ alucro. AíTyfruc"ti ficou otra- 

Wtmpteverunt ambMiuvicu- ,9, o r L J • J o T> 1_1L c- 

laí. wverj. 7. balho, & labedoria de b. bento, como o trabalho, que bao 

Pedro fez de dia ; achando-íe com tão grande numero de 
difcipulos,como S.Pedro de peyxes;ajudando-íè da erec- 
ção de novos Conventos para accommodar o fequi to ; af- 
fy como S. Pedro de outra barca, para recolher os pey xes: 
porque fendo a palavra de Deos a lua rede , foy a fua dou- 
trina, como a luz do Sol, que fenão manifefta fem a com- 
panhia de innumeraveis attomos. 
5, ticstionamtrvtiiamàc 45^ Os annos , que Sáo Bento tinha nefta occaíiaõ, 

limofaBum wuii.gunu, n./i eraõ pouco mays de trinta, & três. De idade perfevta for- 

ferfííia ttxut. P. LnebciJiif X~\ rr ■ 11 

iuGenei. . mou Deos a noílo pnmeyropay; 53 porque nellecrea- 






uri- 

e 



EMT^EZJ XXII. 907 

va o primeyro homem , & o primeyro Meftre : antes que 
Deos o torma-ie, ja Adão tinha onome de homem: 5^. 
Era homem antes de formado, para que tendo vida dou- *4 fatiamthêmi»tsimê* 
tnnaílea todos. Lm Adão retratou Deos as obngpçoesdo G^mfi verf. ,.6. 
Meftre. 55 Formou a Eva dehúacòfta de Adaó, pira 
que os Meitresfem reparar no dcfcouunodo próprio, era- u **q":E-" ,e * cc P jJ " a 
tem de animar com lua lciencia, a quantos ci verem por &ú- pr, u , ap r,m Ut d,faf*hts -'»/<"■ 
cjpulos. No breve iomno, que dormio Adão ie repreíen- frtigalmnuii.tam.un,^* 
ta va o pouco defeanço , & a muy ta vigilância , que haó de 
ter os Meftres. Eftas obrigações pedem hon.bros taó vigu- 
iofos como os de Adaó , & os de S. Bento. 

450 O exemplo, que S. Bento dava de fi, era autho» 
rifado com fuás virtudes : donde, fe algú defeusdifcipu- 
los fahiífe pouco difeiplinado, naó tinha na vida , & com- 
poíiçaó de ku Meftre a difeulpa , que o Poeta deu a feus 
vicios, cohoneftando-os com o máo exemplo de feufalfo 
Deos. 

ISlec mémorwe ptidet) tali me Vulnere Viciam; 
Subilum bis flammis fupiter ipfefuis. 
OVtd.Eleg.^ % 

O exemplo correfpondia á fantidade, & virtude intrín- 
feca;& por eíía caufa proporcionado para Meftre de taó 
innumeraveis difcipulos. No Jordaó , & no Tabor publi- 
cou o Eterno Pay aChriftoporíeu Filho Unigénito: Cò 
efta ventagem mays no Tabor , do que no Jordaó ; que no 
Tabor difle, era Chriftofeu Filho, &nofiò Meftre : 56 56 nietfíja^tmmsjafsr 
& no [ordaõ , que fó era feu Filho : < 7 Húa mefma cou- *■'»" í M 1 " /fi J*,'^^ 
la toy iempreChrmo em toda aparte, Deos, & Meftre 57 mi't}tmuimcmi»qmo 
dos homés: mas no Jordaó difTerençou-fe muy tode fi mel- m *£™ '" Kfíacu '- Mãtb ^' 
mo, emquantoas apparencias j o que naó teve no Tabor. 
Chrifto no Jordaó, lendo afumma purefa, & fantidade 
teve femelhanças de peccador bautizando-fe, como fe fo- 
ra comprehendido na culpa de Adaó : ç8 E no Tabor, & Few " l e í us " Gíll,u in 

1 rl-JJ -i ir II JfrJa*eniaaJ*ar,:c'>i,titi<jt,- 

<Jamelma claridade, que tjnhanaaimaiezagrilla,comque ufauturatte.iUverf. ,». 
corporal, & exti iníecamente fe transfigurou glorioio. No 
Jordaó naó conformarão as apparencias com a realidade, 
& no Tabor foraó a mefinacoufa : E achou o Ercrno Pay 
(tudo para noffa doutrina) que io quando em Chrifto cor- 
refpondia acompoíiçaó exterior com a viitudcinrrinltca 

Qsi 2 efta- 



5 o8 o voçms&E ms <pjt. tomo n. 

eltavamaysparafer Melire doshomés,cu;a obrigação he 

abondadedo exemplo para efficaeia da doutrina. Confti- 

tuindo Deosa Moyíés Meftre de Faraó, para lhe enfinar 

í9 T~j.'>* qucgiuLincfume aàettenúmcaò de lua vontade, lhe entregou numa vara, 

fgHa.Zxeai^.-verf.f;. com a qual obraíie prodígios : 59 ^onhecenco Deos, 

r 6 -* W ;-"^>' Hí que a doutrina de Moytèsíemoexéplodasobras,feriaco- 

in viar, a tua ,£c. moyjts quo- u J i ' 

miam pcn„4wriusncneraí,f,- mo a voz de Moylés lem a explicação de Araõ: éo Moy- 

vnoitii» .1^-0. il.himtxhibf.it. ri r \ o rr r r 1 

.R^wAfc». ^»"f «.f.|. »es roy tartamudo, & porena cauia luas palavras pouco a- 

61 Kcr. cTiJcitwiiutraJio. gradáveis, & intelligiveis: 61 mas repetidas por Arsó 

ru língua [um. Hxoj.q.vi-fj.io o •> ^ _ D * 1 i 

62 iffcioquttuTproteadfo- eraó perceptíveis, & agradáveis. 62 Alíy he a doutrina 
-™' v "^ i ' doMeítrefem obom exemplodas obras, como as pala- 
vras de Moyfés fem a interpretação de Araõ. 

460 Nefte tempo nem S. Bento , nem feus Moines 
mendigavaõ: tinhaõ poucas, ou muytas terras que culti- 
vavaõ, 8c de cujos hu&os viviaõ. Naõ he pequena addi- 
Çaõ para o Meftre íe aplicar ao enílno dosdiíeipuios , o ter 
bés,deque fefuilente. Acafade Abrahaõ foy publica cC- 
cóla do povo de Ifrael: Omefmo Deos, quando lhe a- 
crefeentou as letras de ieunoine,lheinfundio afeiencia, 
8c o laureou Meftre. 63 MasreparojemqueDeosonaõ 
graduafíe, nem lhe déíle a cadeyra logo, que o tirou de Tua 

«- reig.i»j uãi .um.t.foi. pátria, &omandou peregrinar aterra de Canaan;íenaó 
\xoM.t.%6&fii.i , t . defpois que Abrahaõ íahio do Egypto,& tornou para o 

64 Nan ultra vocabitur nc- , £ , K ' . , , .Sr r - , 

tntniuum^Abramjcâ^ibra- lugar de lua peregrinação. 64. iJuas veles morou Abra- 

\™mlTúu" e mMh * rumge "~ hãonefia terra • a primeyra vez foy , quando Deos oman- 

Gmef.fj.verf.s. dou fahir de fua pátria - & a feguoda , depois quefahiodo 

Egypto,adonde fe recolhéo para remediar a fome, que 

6< TuZlt eB atilem famerm í ■ /-> / _ r- íl - J 

urra.- dr/cendit que cubram i» padecia em Canaan; 65 E.por eita razão, da primeyra, 
Egjtium.w.çtf.ti.verf.iv. & não da íegunda vez oconixituhio Meíirede leu povo: 

Abrahaõ da primeyra vezpadecéo fomes em Canaan , &: 
nãodafegunda: & para Meftre de hum povo não lervii 
Abrahaõ quandoneceííitado , fenáo quandoopu lento. A 
neceflidade dos Meítres he como o calor do Sol, quenáo 
alimentaa planta , a quem falta o humor da terra. 

46 1 Obfervou S. Bento em todafua vida tal íilen- 
cio, que nunca faílou poT divertimento, fenaó para entí- 
no. Efta virtude foy liçáo , que Chrilto deu aos hoenés , a 
quem coníiituhio Meftres. Encomendou Chrifío a feus 
Difcipulos , guardaflèm tal íllencio pelos caminhos por 
tkmde ioflem, que naõ faudaílem os caminhantes 3 que cn- 

contraf- 



EM f REZA XX!!.- qc? 

contra flèm: 66 Deu-lhcs aurhoridade para pregar Uu 60 N'«taMW«»'*» , / i fr- 
Evangelho nas povoaçoes,dentro,& ioradas byn.:g; gas, 
& prohibio-lhçs as praticas do caminho, porque os mati- 
4bVè Meftres do mundo: Aspraticas do caminho f»ó di* 
vertimento do trabalho; & faltar por divertimento não or 
pet mi te Deosa quem conítituhe Meftrc, para doutrina dç 
todosos que tem difcipulos. 

462 Nos actos de mortificação foy S.Bentcomaye 
humilde defeusdifcipu!os;& nas hora.-:, que Jhes permitia 
de alivio, ficava S.. Bento recolhido na íua çélta. Facilitan- 
óo-íc no trabalho, queeraeníinoj& rerirande-iede tudo, 
o que era divertimento. EiereveSalamaõ, que a Sabedo- 
ria fabricara hiía caia , & nella puzera húa meza : A caía, 
paraíi;ameza,par30sdifcipulos: 61 A çafa, a de ndeef- 6 ? ^iekttrí^^tapi 

1 ' *■ !■ / ' Dcn::r,7,:nu>rcilavii vitii.:a'Ju- 

ravaa meza, era a Aula : E porque razão náo eícolhe para at^mifcuitvmum ,e frofofitt 
Íj afabedoria a mez*,&: a Aula? Affenca^fecom osdikipu- Z^IZum^tiuZÍm 
]osna Aula, quando lhes dá adoutrina, Sc naõ feaílenta wtèi tt i&£\z t &± ^ 
com ellcsa meza,quanao mes da a rereyçao:* Nao: porque 
njííoen.ílna os Meftres a lerem fáceis nas horas doenílno, 
& graves nas do divertimento :Naó permitindo a confian- 
ça da meza, para não deminjjir 3 anthoíidade da cadeyra.. 

463 Foy São Bento deafpecto grave, Sc alegre. A 
iodos tratava corn modefía,&: apraíivel gravidade ; fal- 
ia ndofenipreeomoquein infinuava , porque fuás palavras 
erão íblida doutrina j& nunca mudou de fembtante,fenão 
cmandoreprehendia culpas. DiíTç Çhrifíoa feus Difcipu- 68 Vottft*Saiutt« t vot$k 
Jos^ueerãooSa^&aLuzdoniiURdo: 6% Os çfFey tos do i«*«««»*- *"**■*■ 

Sal fio encontrados aos da Luz. O Sahnortificas $c a Luz 
■dekyta : Como logo em hum íog.ey to fecompadeciaõ 113- 
turaestão oppoílos? Chrifto «landava-os tn finar nãofp 
aos ignorantes, mas também areprthender aos detàrahi- 
dos : não fóaenfinar, os que ignoravaõ a Ley Evangélica, 
mas também a reprchender a tibezadaquel les , que iâben- 
d.o-a , a naó obter vavaõ ; & conforme osofficios lhes deu 
as propriedades; as do Sal, para quando reprdhendtíTem$ 
as da Luz, para quando eíifnwfleai.S.BentoimBJtou o nar 
cura! dosprimeyros Apofiolos , porque foy Difcipulo do 
li.víinoMeíVe. .69 

464 Chiiftoefcolhéoii S. Bento de entre os montes 6o . „._.. rh . ;n . Ft>'grâjfo» 
m3ysimpinados dalgicjn Miiinnu ,paraCls*iin ds fen ?e.Zatbariat. 

Q^q 3 Evan- 



3 1 o O &HINC&E WS PAT. TOMO 21. 
7 o sufra. Evangelho: 70 E a graça o eicolhéo de entre 05 montes 

mays fublimes,que tinha a nobreza do mundo, para leu 
Dilcipulo. Dotou-o dehúa,& outra nobreza o meimo 
Deos,que oeícolhéo entre innumeraveisl.ibios. Confi- 
derandoeu nas razões , porque as arvores faõ hicroglyphi- 
co dos fabios, fiz reparo,em que de todas, as que a Sabedo- 
ria ieparou para íua mays própria íemelhança, ennobre- 
ceíTe também aterra, ettimando-as por arvores reaes; Sc 
osíublimalTe a graça tomando-as para feu apodo. O Ce- 
dro, o Aciprefte,o Baliamo, a Palma, & o Sinamomoíaó 
dasarvores,que a Sabedoria particularizou para íua repre- 

71 OkifiCcârustx fitam fum r - r r •£ _ a £ 

inL^Jo^^ftCy^íin fentaçao; & a graça , para leu íigmhcati vo. 71 Amelma 
mome jion&c . hcc^j^ji.^. f a {3 e d or ja increada , que as eícolhéo entre todas asar vores, 

as dotou de todas as calidades íllulíres. 

465 Fallando S . Bento a todos com a mefma graça, 
não lhe achavão todos omelmo labor : Conformava íc 
7 i vrtrb»vít*itian* má- com as virtudes , & naó com asvontades;&por ilfo luas 
jft^títZlkíci palavrasferiaôa huns,& deleytavãoaoutros. A imitação 
ofca.ò.verf.%. das palavras de Deos, que para húsforaõ vida; 72 & pa- 

ra outros morte. 75 O frenético temo medicamento por 
ofTeníivo, porque lhe falta o entendimento, para o conhe- 
cer por remédio. 

466 Em dous pólos fe firmava toda a doutrina de S. 
Bento; no amor de Deos,& do próximo: não ditava ou- 
tras matérias, íendo univerfal em todas asfeiencias; por- 
que ajuflado com aneceíTidade dos difcipulos, fomente 
lhes inílnuava o importante. Nem todos osMeíires tra- 
taõde eníinaro útil para osdifcipulos,fenáo oconveni- 
entepara íua própria utilidade. Oquedefeja augmentar 

vertuiu^oeme,, qu* „ ono - °0"cipulo eníma-!he o prove) ^toío ; quem trsta dapro- 
feut \uitpuinerigrttit. pria utilidade (diz S. Paulo") enilna-lhe o infrutífero: 74. 

^dJ„um.i, vsr f. lu -t j , u r 11 1-1- n- v 

retardando]heoenlino,paralhemult]plicaroeítipend)o. 

467 A doutrina deite Principe mortificava os fenti- 
c 7» "Moyfet po*rht vdamtn dos do corpo,& illuftrava as potécias d^lma: Sendo como 
'&^^/">r,;;':„;:;^ a to* ào roftro de Moyfés, que ofTendendo os olhos , dos 
e J!U z.^stcorut.^.vcf.^. que a vião, 7< illuftrava os entendimentos, dos oue a 

76 Hocrnt Ubi mvtlamt» ^ 1 - r* • J vL' 1 o 

cccuhrunaJomnn^quiucum contempla vao. E como o veo, que deu Amnielecna Sara, 
2£2ÇS!^S5?' cora °q ual ™>™ ^aíTe a vifta,& conícrvaffc a memor ia do 
r Geacf.zQ.vnf.t6. riíco , a que fe expufera ; j6 para que náotoínaílèaoc- 

caílonar femelhantc perigo. 

468 O 



EM <? HEZA XXII 5 Ú 

468 O que temos diícurfadoheíuficiente para co- 
nhecimento , de que fenão requer menos íciencia para 
Ayo dos Príncipes , do que para Meftre de Santos : antes 
fóoque for Santo, pode fer dignamente Meftre de hum 
Príncipe. Porque todo faudavel>& medicinal, como 
Bailamo, ha de ler o Meftre de cujo eníino emana, 
ficar proporcionada , o imper íey taa Regra, 
por onde fe ha de governar atheorica 
de toda hua Monarchia. 



í 
^ 



y I 









RECONí 



RECONCILIAM-SE, E SOGEYTAM-SE A 

S BENTO 

OS MONJESDO CONVENTO DE VÍCO- 

verra, que intentarão dar-ilie a morte com veneno. 

E MV %E Z A XXIII. 




46*9 




SfH ESPADA quebrada húa vez> 



não fe torna a Toldar. O vazo de 
barro na roda em que fe forma, 
ainda que quebre, ur.eílè com 
facilidade.Compõe-fe a efpada 
de ferro, & aço ati bos por na* 
tureza dittuemcs 5 & por eíla razão húa vez divididos, 

que- 



EMV<kEZ A XX2II. V3 

guebrãoparalempre. NáoaiTy o barro, todo he ameima 
eouía,&por iíTo em havendo quemofolde,une-iècora 
brevidade. A naturefa humana , como formada de barro, 
náofegue anaturefa doferro,&aço com quem não tem 
lianç3j adobarrofijcomquenuem parenteíco. De hum 
nieímo barro fe formarão todos os indivíduos humanos, 
& ainda que os fepare a íórte , congraça-os o amor,& a de- 
pendência. No reciproco da amizade acharão os homés fe- 
H uranca contra os receyos da vida : i valor , nos bens da ,' Viu vero f íne "» ic >' *"fi* 

«? * _ ,■: íii altrum ,<s metu plena tti. 

tortuna : i & remédios, contra os males da pobreza : 5 luiiusâcamiat,*. 
porque delpois da Sabedoria, amelhorcouía quáo Ccà SJ^Z^Z'?"' 
infl uio nos homés foy a eleyção dos amigos : 4 Comer- ^f^.ttb.t. 
cio o mays agradável , & proveytoío de quantos ha no w. ?. 

nmi/íí-» C * HauJfci»,anexeeptjfrt- 

U1UUUU. } eHiit,quicquSfitbon,wieCp 

imn;orX»ltíu! Jaium, amicrti» 

«xti 7 • . ■ >• 7 rxel.ut Cicer. in Lélio. 

N ti natura homtm jucunatuõ, ubenm tjut 5 o mmum Tcr u ,„, q „ M fpi- 

Comparat, aut quodlit maius , amtcitia. e "" a \ vel ?""" aÀ be " e - ''' " 

German. de zA micitia. wtftmtHut emienia^iba *íj- 

riui, HibiljueundiUf. 
Qictto mOffit, 

470 Os homês apertarão tanto aos termos da amifa- 
de, que unirão a hum mefmo querer as vontades diflin&as. 
Succededefatar-fe efte vinculo pelas razões,ou fem razões 
que ofFerece o tempo ; com asquaes defunidos os ânimos, 
fica quebrada húa das melhores obras de barro humanado, 
que fabricou o Supremo Artifice: & como o amor,& a ini- 
mizade dos homésacabão por tempos,porque varião con- 6 , "*-***& i*i»fchu mor 
torme as commodidades , o preguntáo os politicos, le »««<» condiu regumur tempo. 

Ti ' ' • p ribuf mutJniur unhiulibus. 

convém aos Príncipes, unirem-le outra vez aos amigos, lurifcdui^Uaaa. 
com quem quebrarão. He certo , que as nòdo-asem cahin- 
do , & manchando fe tirão com dificuldade : mas de ordi- 
nário dá motivo a tudo o mefino queyxofo ; porque de- 
vendo uzardo amigo como degalla preciofa,que fenaõ i Vtrarafuprjit8.it habo» 
põeatodo o trato; 7 uzadelle como de veludo caleyro, irafmut •» tj>,8. 
para todoofervioo. 

471 Filha da antiguidade he aquella commúa fen- 
tença, que amoeíta a todos>& com efpecialidade aos Prin- 

• • jrr J ÍT' _»".,„ 8 j43verfjriurrscor> r :!iitut 

cipes a viver com delcondança das peíioas , aquém tive- vchem( „ u , J taz , ft , liuí . 
rem aggravado, 8 ou vencido : o oque menão fatii- Vrg:uu,„,h,f(o,.nx°. 

5^ ' r r • i 1 r • j 9 Qu*tviccru,t*vcul>i,ã- 

taz: Porque nem em todos revem astcndasdeipoisdecu- mice , e jj- C (r tí fa>. Cwfiuti.j. 
radas: Conforme aboa, ou má complexãofe confolídão 

Pvr mays. 



3 1 4 'O P^IXCITE WS VÂT. TOM. 17. 
may9, ou menos. Da bondade das medicinas procede fi* 
car,ou não ficar final do golpe. Muy tas partes do corpo, 
que antes da ferida fentiráo falta de efpirito, foráo foccor- 
iidascom inays vitalidade, defpois que lárarão. Damef- 
ma force os ânimos ofFendidos, do que a natureza aggra» 

vada. 

A72 Conheço, que muy tas feridas foráo mayspcri- 

golas defpois de fechadas, do que quando abertas: mas foy 
pela pouca experiência do cerurgiáo,enganando-fe corn 
o penetrante do golpe,& difluxóes das matérias: com que 
ferrando-lhe a expedição , ficou reconcentrado o veneno, 
&Dejorada a ferida. Genferico Rey dos Uvandalos fen- 
doemulo de Honório Augufio,reconfiliou-fe com elle; 
efquecido Honório das offenfas , 8c lembrado Genferico 5 
creou novasforças; 8c com a diílimulação lhe tomou a Ci- 
,0 TJtatetpHinGamtíicr.o- ^fe deCartágo. io Damefma aleyvoíla uzou Theo- 

rium novo itnplicaribelio, pró- . • , ~n i T? 1 

d,twr, c canhig,mmocc»pavn, dorico Key dos Oitrogodos com os fcrulos , aos quaes nao 
a \tTJfMT ,Si ' UkoSM ' podendo vencer por força, extingui© por manha: Cele- 
bradas as pazes, lhes cativou a Cidade de Ra vena, com que 
íi Nee nuhopoH inftàiofi osexterminou de Itália. 1 1 Nenhum dos ofFendidos ten- 

initapace ,quallahctim Rcg- , • l - L CT r - it 

wium ■utrique commune fiebat: teou a chaga , que tinhao aberto nos otieníores jnemlhc 
fSZÍZ e & ErZZ derâ0 tem P°> a S ue purgaflèm o veneno com a fatisfação. 
fuiit.Ucm.Ui, Entre Honório tinhão precedido grandes debates fobrea 

repartição de húas terras de Africa , de que o Rey dos 
Uvandalos fe queyxou offendido: EosErulos fendo hú 
povo limitado, blazonavão de fazer roíiro á potencia de 
Theodorico : Efte,queria-fe defembaraçar do laço para 
romper mays groífas prizões: E Genferico intentava for- 
^J:ttZÍÍ7^t talecerfe, para fe reparar mays deftimido: Ambos acharão 
fotuit apote faiicr e ,fiaud u ien na diílimulação o remedio,com que encobrirão os ânimos: 

1 1 Mas roy inércia de quem os admitio reconciliados, 
fem primeyro os experimentar defempenhados , tende-os 
ofFendidos. 

473 Confifte toda a difficuldade na aplicação dos re- 
médios, com que a reconciliação fique verdadeyra amiza- 
de. A louça da índia , que por ler o barro mays fino lie de- 
cente empreza do natural de hum Monarcha, pofto que 
fóldecom algum género de betume, não hc durável afua 
união , porque fó com a lolda do pulimento fica firme. Se 
lium remédio curara todos os achaques , não fora cão efti- 

mada 



macia a medicina. Huns aplicarão por remédio faudavelá 
quebra dos amigos, a neccfiidade docontrario. Mas acho 
nas memorias ,queobrigandoa nectííidade a EIRey Car- 
los Vil. de França , a reconciliar-le com loáo Grão Duz . , 

. -. i-o rii • j H 'idyaa ii/UTiam ob!ipi0' 

de burgundia, & contederados com juramento durou a »*, ., Mm/lilf j, l ,a l ,Joj«pr* 
paz, em quanto Carlos naó achou occaíiãode lhe dará ^^"ZÍ?**"^'** 
morte. 12 AsViboras no inverno não uzaó do venenoj *àVTb;n,t>ur,ih C v,u r .ja» c ò- 
rao porque o nao tenhao ; lenaoporque nao podem uzar c»,oiu* tu^uncit/duccnoc- 
delle por falta de calor. h*/^», fi»<f>"< ***«* •- 

474 AconieJnaraooutrosjqueo medo docontrario 
era o melhor fiador da reconciliaçáo.Suppofto,que asdif- 
íimulaçóes do ódio naõ correm perigoem hum animo co- 
barde; porem o tempo, Sc o trato animou a muytos, por- 
que facilitarão a entrada , & lhe deraó a conhecer as reali- 
dades mayspoderofas na apparencia,do que na fubfiancia. 14 imtepectcum Herme- 
Intimidado Theodorico K ey de França dos progréflbs de Í^ÍÍTSEL/»^ 
KermefredoRey dosThoringos,com oprextodepaza- *. e f i * ití '*w^'?if e J^ m ^f 

/». 1 11 • -i n 1 «mbocçP.ouMCrentur,lheçdori- 

chou a occaliao de lhe tirar a vida. 14 He pela mayor «* Hcrmrfrtâ U m~fiuctfu im- 
partcmiyscfpia,doqueachaqueomedodehúP^^^^^^ 

475 Os remédios approvados pela experiência, 
com que a reconciliação dos Príncipes fica folida amiza- 
de, Càó quatro: O primeyro he o conhecimento do pouco, 
que podem feparados ; 8c as forças , que tem quando uni- 
dos. O mayor inimigo de Scipiáo foy Maífmifla Rey dos 
Numidas; repetidas vezes foccorréoosde Carthagoem 
ódio deScipiaõ. Moftrou otempoaMaífinifla as venta* 
gês, que Sei piaõ lhe fazia: & atrahido da virtude do con- 
trario, Sido reconhecimento de quanto enterefíava ger- 
manando-fe com elle , trocou o ódio no amor mays firme, 
de quantos fe reconciliarão com o povo Romano : E na 
hora da morte deyxou ao Senado, & a Scipiaó tutores de 
teus hinos: 1 5 Como pay do-ou a léus hlhos entre os iuuaBcBtuftuiiin>uta™>*~ 
bésdoReyno a herança dos amigos: \6 Ecomo amigo qut aCMh* V nc*fibM «j* ' 
confiou dos Romanos omefmo, que porelles fizera. O M*fi»i]f* fiirmum n*ium 

Ír - r r " I* _ 1 Komtiti tm;re<u>tt ■' Sictmcrt 

erro lem aço nao corta ;o3çofemterro nao liga jambos euUi; , Me f l „ l ^ ãu ,r, v , x , t pcr- 

unidos obraõ, & formaõ a eípada. fitiuiSiitiveftpMhmjitnt, 

, .-_ r . 1-11 A " J rfiiTiCrt òcnaiut» Kctnjnum , 

476 O legundo remédio headcmonltraçao daami- ic,fiBncm^ueiiber%fuuxutf 
zade nas coufas adverfas . Velpafiano antes de eleyto Em- ^"ÍK' f,cSÍ%fíànti» 

pendor foy poucoafTe&o a Leôncio Muciano Prefidcnte Jerci-n.,, na, «p*n, ***»,,«- 

1 ir è J 'c ■ 1 r • 1 1 r \r r tisfuecedertdebct Sacrtttia- 

do tgypto, Sc da bynaj delpois de coroado armou-le \ el- f U ètimbéttMViiê*i»i$ut, 

Rr 2 pafia- 



g-i 6 O $KiNClTE T*&S íjíT. TOMO 11. 
pafiano.çontfaos Judeosinnobedientes: Vitellio inimigo 
dos Romanos apíoveytando-ie da occaíiaó, começou a 
opprimir o Império: Soccorréo Leôncio ao Empeudcr 
com exercito poílànte ; & toy dos primeyros que o accla- 
niaraõpor Cciar : Toda avidanaõLltou o Prciidenteao 
i 7 c.«m<m cumpofieaVit. | crv ico da Magefiade ,ainda que elia lhe faltaííe cm parte 

ffltiuf Jmpinui» lacerartx,rej • . « .P„ " . \ 

ptf.aKotJvtrfmjHJtotbtiiã a devida gratificação. 17 A parte do corpo que leoao 
^^;;*:;;Z:rf: H^ta «w a enfermidade , moitra que cita bem com- 

t>mrfmi,qiii Iwperatcrem Vcf- pleclOnada. 

pa/ianutiJtlvlaretj alque i>y- ~. •.. f I • I 

, iates, onenus q ue exircitus in 477 O teíceyro remédio vem a ler : obrigar compe« 
Vr$*ftani parus, uêhutt. in R ^ clos a pefloa eícandalizada , que vive independente, 

ex que bencvolerttis, atquef.ae, r ... '-. T 

dumvixir, Mutianui perfiiti. Ficou Afionfo Rey de Sicilia prelioneyro na batalha de 

tptjajup. Cayeta : Philippe Duque de Milaó opôs em liberdade: 

havia muy tos annos, que efíesdous Príncipes viviaõem 

gnerfasjcomaprizão do Siciliano ficava o Milanês mays 

abíoluto jfebem que eia todaj asbatalhasficouoDuque 

..« T^enpo^a^am^ui vi&orioíb ck> Rçy.Deípoisde foltp ,naõmenosie en,pe- 

c>yc:am cgpnu ^/for/us per ^l^u philippe pek) reX-tituir ao Reyno , doquetinha fey- 

IxfeamVosçmorconcmgtastà to de.diligenctas pdo privar da eoioa. Conhecéo Afiou i o 

^S^^ íempreovene- 

/uminRegno, q«am antea ut rol j C omo a tributário. 1 8 A terra que deípreiada , Sc 

indeeiwipclleicttâc.ldimibi, . r r Ci-r TL r o i < 

delerta iruefcitica , pisM&ette dobrar 05 irucios quando be- 
ne ri ciada. 

478 Q-ulíiinç ,rçmedio kc o parentefeo : unindo a- 

coníanguinisáadeja^uemíepar^u a ambição. Deípois das 

grandes diícordias, que ouve entre Carlos VIi.de Fraru 

19 w«*^; f /,«/ e /i,«,«.^>&fi»cardoRí:ydelng3iíttj:ra, paraque ficafleperpe* 

vumaffimtatequoquejfjbeiia íua 3 affi jzad.e çazeu Ricardo com Izabel filha delKey de 

droli filia in matrimomumKt- p, „^ , ., . . _ -»t » 11- 

ciràocoiiociu^ungerenmr. rrança. 19 Da rneíina medicina uzarao Luís Xl.de t ra* 
u,l,b "*' <ça comHeduafdo Plantagineto Rey de Inglaterra, eazan* 

■** jhmM.-j.~~-u*,. doHeduardoicu filho com húa filha de Luis XI. 20 A 

ftniii,iiqiteaffinitate a mbjrc- íededo ambiçloío inter tem-fe bebendona corrente , eoia 

iro in pati um ceffereiHeJuar- r jl > r 1 -r- - iii 

ti/m* LoJ„v,c,fno, quipene as esperanças de chegar a tonte: quando nao leja de calida- 
iSSÍSL* maU '"" ç "" fm de,que facisfey to do regato, imite ao Philoiopho Cran- 

go,queguiava asagoasdo monte Lerne,par^ que inri^ 
queceíTem a lagoa donde emanava a pobre fonte, à-c que 
bebia j accommodando-íe com asbeber claras-, ainda que 
poucas na fonte ; do que muytas,& turbas n^ lagoa. Ati> 
ficacia deíles quatro remédios approvqu a reconciliação 
dos Monjes do inofteyro de Vicovcrra, com o Príncipe 

dos 



áos Patriarchas,-a.quem havia poucos annos deíljiraô dar 
ainorte.com veneno, que Uncaraó no vazo,por donde o 
Santo bebia. 

479 Excedéoa famade.Sáo Bento ágtandeza do 

mundo. 21 E íe mays mundos ouvera , foráo piquena " p eraii;tOrjimTimJ r ã- 

J .. . . n . ir Bm Bcnediãut. SoccdíitiHs m 

cuítancia, paraque neiks ultimaíie o eco de leu nome. CArí»«.#»m>s*». 
G^.jVlonjes dilperlos por Itália, & Províncias çircunvert- 
nhssde Sublaco, montes Anienos, Alpes, & Piatnonte a- 
dondeeráo tantas as regras, quantos os Prelados, conhe- 
cendo a bondade do Inítituto Beneditino todos o abraça- 
rão. Entre elksforaõ osMonjesdoConventode S. Cof- 
nie, & S. JDamiaõ dolugarde Vicoverrajqueguardavaó 
a regra de S. Pachomio : Os quaes quizeraõ antecedente- 
mente dar veneno ao Principe dosPatriarchas, naõ po- 
dendo fopportar a reformação de feusmáos curtumes, co- 
mo fica ponderado na ft gunda , & terceyra empreza deite 
livro. Agora arrependidos de í ua cujpa,& deiejolos de íla 
aAJgmento,profi:randofeaoí pe'sde S. Bento confeguiraó 
o perdaó, receberão a;Regra,&dabi em diante viverão a» D.Co»fti»tm 1 Cajti*Ji*'' 

r . , , . . ã , i.projcjvnc DittconocJp.J. 

eom virtude conhecida, & exemplar. 2 2 ^ !l( i ^ rg ajt SehdaJ ,j et 

480 Naõ kftws , que eftes Monjes Ce vallenem de "»'P oinn0 5 í6 ' 
alheyo patrocínio ., paxá ie reconciliarem com o Santo Pa- 
triarcha, fendo aííy„ que nos diz S. Gregório Magnooeai- 

penho ,com queda primeyra vez o obrigarão a aceytar o 

governo de feu mofteyro. Quando o vieraõ bnícar á cova 

de Sublaco , para oshir governar ao Convento de Vico^ 

verratudofoiraóeifçuzasem^. Bento, & agora naõ reíiite 

.0 Santo á reconciliação , antes os abraça como filhos ? Sy, 

& com grande providencia. Eftes Monjesda primeyra vez 

.bulcario a erte Príncipe para feu Pajrtor,fem terem expe« - 
enciade feu governo, & virtude -, porque nunca haviaõ 

tratadocom o Santo : mas agora certificados de fua oblerr 
v anciã , & Inrtituto iolicitaõ lua protecção , & difeiplina. 

Da primeyra vez vieraõ enganados com a humildade do 
Santo, & da fegianda , defeoganados de fua tnflexãvel vir- 
tude. Emays fappara temer osefíeytosdo defengunode 
hum amigo,do que os de hum contrario : Hum amigo der 
fenganado, que naõ adiou. conveniência na amiíkde, con- 
verte-íe eminimigo. Hum contrario conhecendo, o que 
petdéonaíepataçaõíaírc amigo,. & mó. torna a faltar na 

Iír 2 ndcv 

j » 



5 1 8 o çqçmmE WS <?AT. TOMO 11 

fidelidade. Dosmayores amigos, que teve o mundo foy 
S. Paulo, quando eraSaulo ; & a mefma correlpondencia 
achou no mundo , em quanto naó conhecéo a Chrilto. 
Convertéo-fe Sauloem S. Paulo j & defpois que o mundo 
naó achou conveniência na amilade do Santo, nem efte 
nos afagos do mundo, viraraõ-fe as cofias, & ficarão fendo 
hum do outro a Cruz rnayspezada,& os inimigos mays 
cruéis. 23 Dos filhos defobedientes foy o Pródigo o ex- 
emplar de todos : em quanto naó conhecéo o bem que lhe 
m Mibi muna,:, cvuctfxus faltava vivendo feparado.prefifuo no erro: defpois que 

ejty& tgomundo.iAâGaloub. . r , * ... r r o 

*erf. 14. experimentou a perda reconciliou-le com leu pay,« nun- 

ca mays faltou á filial obediência. 24 Pareceraõ-fe os 
iff-SSSpSKfií Monjescom o filho Pródigo, porque alcançando opou- 
tttcaviinc*iut»& coramte, co q podião defunidos do Santo , & omuytoquea VUlta- 
hu,tuu Si dc vao em lua companhia ,oppnmidos da neceílidade buíca- 
L-Hc ti.verf.zi.v 22. ra ^ na recon ciliaçaõ remédio a feu mal ; & deraõ a neceíli- 
dade por fiadora de feu arrependimento: quando da pri- 
mey ra vez, femelhantes ao mundo , por naô acharem con» 
veniencia na virtude , oppuzeiaó-fe a hum Santo , a quem 
tinhaõ eley topot amigo. 

48 1 A vifta do geral aplauzo, com que foy rece- 
bida aRegra defte Principe, era mayor a afronta que pade* 
ciaõ eftes Mon)es,& o defamparo,em que fe viaõ; porque 
chegando a partes mays remotas as noticias de fuaculpaj 
& conhecendo todos a Santidade do Patriarcha $ ferviaõ 
de eícandalo a toda a forte de peíTóas : & a mefma razaõ, 
que os vexava aíTegurou a verdade defua reconciliação ; 
porque obriga vaó com cila a o Santo a que os favoreceííe, 
quando os via defeahidos. Expulfaraõ os Galaadithas a 
Jephte de cafade feupay, para que naõ foífe feu Principe. 
Dahi a tempos quizeraõ os Ámmonitas invadir as terras 
de Ifrael,& achando-fe os Galaadithas fem peíloa , que os 
capitaneaífejOÍfereceraó a Jephte o Principado. Aoque 
refpondéo Jephte: SendoVÒs osmefmos y queme deskerdaftesdo 

íVm?™e™$liuÍm»iÍÍ : fi^> a ?> ora °^ r % a ^ os ^ a MceJJidade me elegeis Vo/So Trmcipc ? 2 5 

mei&itutcvfnijlitadme,!»- Sim,lhediíferaõ elles, poreiíà mefma caufa; agora que nos 

judicurnx%.f,ers%. vemos neccílitados heame]noroccauao,denos reconci- 

x6 otfaneigitMrcmfamnge liarmos com vofco: 2 6 A msfma occaílaõ , que nos obri- 

mbijcitm^c.iiin.%. ga tara com volco, que nos loccoraes quando neceííita- 

mosjSc á vifta de tal magnificência naõ nos fica motivo 

par? 






EM<P<ItEZA XX111. 9 t^ 

para Jefconfiarde voíía arnifade cm algum tempo; por- 
que aíTenta a reconciliação de ambas aspartes com toda a 
eftabilidade;danoíra,comoconhecimento;davoíTa,coin 
•o beneficio. NaõneceíTita o exemplo de accommodacaõ 
com aílumpto, porque claramente íe deyxa conhecer a íe- 
melhança. 

48 2 Conhecéo o Santo Patriarcha as veras , aíTy co- 
mo da primeyra vez oengano, com que o bufcavaõ;òV pa- 
ra osconfirmarde todoemíua graça, imitou a Jofeph ; o 
qual vendo diante de fi os irmãos , que o venderão , eiquc- 
cidoda orTenfa,osennquecéo,&authorizou por todo o 17 ^»&tmiMfitit,viimph» 
Keyno do Egypto. 27 Jofeph nao neceílicava deieus^,,, f eeUHÍM fí ^J„u« 
irrnaõs nem para oapplaufo,nemparaofuíi,enco. A Saó *«/>«*'«>*• 
Bento naõ lhe era neceíTaria a companhia deites Monjes - *' 
nem para abono de feulnftituto, nem para authoridade da 
peífóa : & coníiderada a independência dos dous Patriar- 
chás moftra fer a razaó, porque nenhum dos reconciliados 
faltou outra vez na fidelidade a íeu bem-feytor : nem os 
irmaós a Jofeph ; nem os Monies a S. Bento. O beneficio 
hecomooemprcítimo, que nos ganhos perde o valor de 
beneficio ; & naó afíegura as vontades , porque as deyxa 
incertas na correfpondencia. Para Jonathas certificar a 
David as veras com que oamava,defpoisde celebrado o 
juramento de fidelidade,defpio Jonathas as vefuduras,& ig *Aeim Joratucc^iu. 
asdetiaDavid. 28 Antecedentemente tinha jonathas tintuejl **i«,* David. 

1 • 1 r 1 1 t . Reguot t% . verj .1 . 

executado mayor extremo, unindo lua alma com a alma ig i„, e ,; IK ttunmDjv;j& 
de David feu amigo. 29 Enaõhemaysaconglutinacaõ ftMfoàfâiidpá"** 
das almas, que a renuncia dos veíudos ? He certo: mas nef- **$*'"&. fejoiath** »««*, 
te cazo nao autnonzava tanto a amiiade de Jonathas a í), r ;J.jfc, «</.*,$'*. 
uniaó,comoadadiva. Jonathas intereífou muyco germa- 
nando fua alma, com aalma de David,que era hum Santo; 
mas não em lhe dar osveftidos; porque David ficou com 
os que trazia, & com os que Jonathas lhe deu;& ainda que 
fizeífe troca,nunca podiaõ as pobres roupasde hum paftor, 
igualar ás euftofas galas de hum Príncipe : Pelo que, com a 
fineza de congraçar aalma naõ livrava Jonathas derece- 
yos a David, porque abonava menos oafFe&ocom os lu- 
cros da liança ; mas no defpojo dos vertidos aflegurou a 
David toda a confederação de Teu animo, na independên- 
cia da ofteita. Os Monjes cm bufearem a companhia de 

Saó 



5 2o MLINC1TE WS PÃT. TOMO 11. 
S. Bento lucrarão comoJonathas,em unir a fua alma com a 
de David; & São Bento em os admitir a feu grémio , igua- 
lou a Jonathas na dadiva dos veftidos, porque Tem inreref- 
fe lhes concedéo fua protecção. Com o que ficou a recon- 
ciliação dos Monjes como a união daquellas almas,aquem 
fervio de laço a independência do beneficio. 

483 Os Monjes naõíe deraõporfacisfeytos, nem 
por reconciliados com o Santo Pacriarcha em lhe pedir 
fomente perdaó do aggravo, que lhes haviaõ feyto; lenaõ 
com profeiTarem a Regra, que lhe havia promulgado 3 con- 
trahindo comelle efpiritual parentefco, dando-Jhe obe- 
diência filial, para afíègurarem com todas as veras a recon- 
ciliação de léus ânimos ; por fer efte o ultimo vinculo, & o 
mays apertado de todos. E ainda que algús políticos fejaõ 
de contrario parecer; como ncftas politicas feguimos as 
máximas da virtude, fora novidade não nos apartarmos 
dos políticos dofeculo. Omefmo Chrifto approvou efia 
fanguinidade pela ultima demonftração dehúa reconci- 
liação firme, verdadeyra,& preduravel. A todas as feri- 
»o xj,, !lt militam lanceaia- das , quantas o ódio dos judeosabrio no corpo deChrifto, 
£j^Cíà« e a Mti '" Mt * i cQtrefpondèQ o Senho* com fangue; & fomente naulti- 
jw. i 9 .tw/ H . ma,comfangue,& agoa. 30 E que myfterio teve fahir 

defta ultima chaga o fangue unido com a agoa , o que 
fenão vio em tantos rios de fangue, quantos correrão do 
fie ManifeJtmie áè FrZl facro-fanto Corpo de Chrifto? Osmyfteriosforáomuy- 
ÍS: *$!$&£ tos í & hun > delles ° ffguinte. A ferida do pey to , ainda 
fuufibre laihtgaâcicoiítdo que o Corpo de Chrifto a recebéo ia defanimado, per- 
» <siqu*popunf u „t,i$ g ' c . tencia a Kedempçao do género humano : 31 na agoa 
»í/.^/ f4/.. 7 .x, e r/;,j. eraõ figurados os homês : 32 E como efta chaga foy 

„ n , ■ , o ultimo complemento da reconciliação dos homéspa- 

U Othtsretuofons egreâi. _ " * e . * , T 

fur,,»viu m atemam pte/iiiêr, ra com Deos , & de Deos para com os nomes; 32 fa- 
que, erigi» dlv tr fi, cmngtai h,rao eltes repreientados na agoa, ÔVgermanadoscoma 
tompiementum fufeBhnutu- realidade do fangue de Chrifto, para refteinunho daami- 
D.cypnanHsinSermonPaf. gavel, & perpetua reconciliação na afnnidade do fangue, 
nJ '' com que os homésfahiraõ do peyto. Corporal, & efpiri- 

tual he o parentefeo , que temos com Chrifto : efpiritual, 
em quanto Deos pela graçarremporal, em quanto homem 
pela natureza ; porque da noíía natureza tomou o corpo 
com cujo fangue nos remio da culpa. AíTy que, a união do 
fangue com os homês foy para moftrar, que ficávamos re- 

conci- 



E *M Q % E Z A XXI11.' $2í 

conciliados com Chriíiocomo Deos, 8c como homem; 
pela graça , & pela natureza: Sendo ultimo maniíefto del- 
ta felicidade o langue, com que nos deyxou aliados, & 
remidos. Razão he efb, que corroborou o acerto, com que 
os Monjes abraçarão o Iníiituto Beneditino, confirmando 
opropoílco defua emenda com o novo pârentefco, que 
conrrahião com o Principe , a quem tinháo aggravado. 
Sendo eftes Religioios parecidos em tudo ao diamante 
quando rude, & quando polido; quando rude, tolco,& 
fem luz ; quando polido , claro, & com refplandores, 
mays (ubidoscom a íbmbra do abito, que receberão, 
como lhes inílnava a arte da pintura , que arrima 
o efeuro, para íbbre-fair o claro. 







• r 






ti mànída 



320 



MANDA 



S BENTO 

JBDIFFICARHUMMOSTEYRO, PARA RE. 
colher nellc a Cyrila, que foy a aina,que o creou. 

B M 2 % E Z A XXIV. 




4 8 4 iHll Pl^fl E todas as aveshea Cegonha a 

mays aífiftente na creaçaõ dos 
filhos: não contente , que ou- 
U trem lhos alimente ; nem que 
fayão do ninho fcm os naruraes 
m requiíltos,paraas operações de 
fuacípecU* bóquando os fiu&os eftaó íazonadcs , lhe £»!- 

ta 




EMf^BZA XXIP. 323 

ta a terra com afubílancia. Na fobre-dita ave, & na terra 
máy cominiu dos viventes fereprefenta a obrigação, 8c 
feargue o defamordas máys particulares ,que degeneraõ « Curterra Hrftur omni*m 
ecio,havendo-le com os partos kgicimos , como ie^^/w^Mfr/^a 

foraó fuppoilos : negando o peyro, a quem trouxerao nas ?«"£""«"• ^"l""". '" Loh ' 

rr * o r v ' t ... qui.tuirapiii,i5jjbuu. 

entranhas, 8c deraõ o íer de creacura. 1 A providencia 1 e,ui queque tpiemcmf» 

D. . 1 11 1 1 ifie Providentiatn conii>t , quJ 

ivina nosdous peycos,com quecreou asmolheres lhe $ Uett mmUeribu , m JL mt 

deu duas fontes , com que creafiem os filhos. 1 A titulo •***»***$%*»&»_****& 

_■*„-., _ . eontigerit,iiuplictx ad altndum 

deiraqueza introdulio aienlualidade,aiazer dos pey tos ./%*»-/ A««er«»r. Piuurch.ub. 
ornato, & naõ alimento para os filhos. 3 Os Alemães de ^t^ „c^. 
caftigavaõ como adulteras as molheres , que negavaõ o gitwum ouram irtc(jh,Mtjs- 

r riL /-\ r> o a j • li»t t qnorgigmunt,nHttirein*i- 

peyto aleus hinos, kjs Komanos, 4 & Lacedemonios uem comem*»* x co,q*e*â 
naõ confentiaóeíle abominavelmelindre. Fica adultera- 7 tri ^ J \ tl tT!T ib V,"'l 

• . ^ Ja„t £)uod viaelittt cicjilacir 

da anaturefa fendo a nutrição dediííerente calidade. 5 »* /»«»//«»»;* w&í«r/«./e 

rr- ■ rillj* - invtntum : quta dum fe comi* 

Toda a terra, pormaysíaudavel,hedoentia,aosque nao neft nohl „ u l r}P , auKt &.&«*, 
faõiiaturaesdella.Razaõporondeamuytos.quenaópro- &?*!?""*% £ 

cederão conrormes a vida de léus progenitores, os reputa- tmumcmwvávF*-' 
iaóporfilhoscreadosaospeytosdasféras. f lJZÍ7 a %^7nZTZ 

tu cella rmpta fumei*, fidgi t- 
.. '1 ■ >7\- t\ I 1 mio, te finu mttrit educubjtur. 

jxec ttbt DiVaparensgeneriS) nec Daraanm autbor iac,t Ui iam i*™ oraurA. 

Terfide : fed duris tenuit tecauttbm borrem \$S* ""J"'« f, " rr-, . , ' , f^ 

Caucaíiu r Hir cante que admorunt ubera tinis. »»« > twpm que , tf «»»«»»« 

T7- -I 2C J V\- I • /C bcttitrtc iHieinti prin;t.rJi ; t itt- 

yvgú. 4. /zntia. Vido m Jcneam. tic^m. «/,„,, j^. «..-',.• ? «« 

aUo.tt 1 hlu alictii cerniu pere. 
Phavorinut tpud QdiumiA. 

485 Com pouca razão fe intitula artífice da imagem, u.«y.i. 
quem lhe naõdeu a ultima máo jopinfel,quelheavivou 
as cores, lhe deu ofer. Ficaõ cominjufta participação nas 
glorias dos filhos as máys, que os nãocrearaó a íeuspcy- 
tos; porque lhes negarão a nobrefa do íangue , com que os 

1- • *-»i • ' r k »• - 1 1 1* *-« 6 «y4'/ff"w ulerAue nutricn~ 

conceberao. 6 Glouavao-ie Aurélia may de julio Ce- j 0l j<;i lc , C c„ : ,<un: lUsfruf*. 
far,& A£tia mãy deCefar Augul^de que o vallor de ftus m**rtfii g i**iqutfcumi+. 
filhos era procedido do lcytc, com que ellas os crearáoj modobo»imfkndittii*nm»- 

* ' o -ri C ' . \ Guilliclmui */Jbbmlib. i.de 

nao tem parte na victona oartincedasarmas,lenaoo vai- vittíiern „j ittí> , t , 

lor, que lbube uzar delias. A creatura quando apparece no 

mundo , he femelhante ao Coral fora da agoa , que toma a 

dui efa,& fobido da cor da bondadedo ar , que primeyro o 

penetrou ; caufa por onde os naturaes o naõ colhem cm 

todo o tempo, fenaõ quando corre o norte. Aoleyte,que 7 u„ tr ;x,qMfi mater r/íí«- 

t r' . 1L l„- . 11 o naruM,tírm/»rui»itriim,iiuat 

nos creou devemos o troleo, ou a mortalha ; o valor, cu a ^ j . lllVHtlJiJ Jj2 ,J ul ^ 
cobardia: 7 acfte rcfpcytodavaó os Romanos primey- \uA. 

Ss z t° 



g-24 O 7%INC1$E WS $JT. TOMO 11. 
ro veneração á imagem de Cornélia , do que á de íeu filho 
o primeyro Graco v tinha-o creado a icus pey tos , & ante- 
pondo a caufa ao eficy to nobre, reconheciaõ a eloquência 
de Graco por feudo da nutrição de Cornélia. Acreacaõ 
de Dona Auíenda, ama que foy delKey Dom Afionlo 
Henriques, featribuio parte das muy tas virtudes, de que 
foy dotado efteinfigne Monarcha. Adifcriçaõcreou-iea 
ospeytosda fabedoria,aííy como a fortaleza, aos do valor. 

Fortes creaníur forúhm , ê» banis* 

"JSlec imbellemferoces 

Trogenerant Aquil* columbam. 
Horat. 4. Carm. 4. 

* ^cpnpmtaoiirtteraú,, 4 86 Livrouaterra de ingrata , quem a rwõ benefi- 
çj íboiith r,aiiv*f>,ejav,*n- C * 10U a tempo : abfolve da obrigação filial , quem faltou á 

menlts.qiucquidtta cJucjJili- _*• - > •* 

em amar* pauem.,<tí matrem materna. No mays tempo nao empenha tanto o amor dos 
tfZiS^^fã filhos, porque osachaafeyçoados áprimeyra, & prinei- 
c,vii„ ,tf opwabíih . p a j obrigação, que recebem no mundo. 8 



Jufia. 






InfantialaEle 



Htc prtmtts puen Venit in ore eibtts. 
Ovid. 3. Trifti.Eleg. 11. 

Razaõ, que fàz menos abominável o defamor dos filhos. 
Todos julgarão por mayor atrocidade omatar Antipater 
afua máyThefalonica,do que Nero, áfuamãy Agrippi- 
na: efta,naõcreou aNéroj&Thefalonicadeuopeyto a 
Antipater. Sendo a principal obrigação o fer que recebe» 
mos,eílima-feem mayor divida áprimeyra creaçaõ,por 
fer a fonte, que fertiliza a terra : aqual , ainda que tenha de 
eifencia o fer produtiva, concebe afertilidade dacultu- 
ra, fem aqual fica agiéfte, efteril , & infruòtifera. 

tZudtis humijacet infans. indignu-s omiti 



Vit ali auxilio 

Lucretius. 5 . 

487 Izenta o Direy to Civil ás molheres nobres da 

9 ísrsqutua as WBilttttU. - i Ai - j 

Uf.io.niii, creaçaocjoshlhcs: 9 & nao hemuytoj porque rara he a 

cul- 



9 TiraqucDa às NíbilittHc. 



EMf^EZA XXIF. 325 

culpa , que não ache patronos ; mas não as exclue da obri- 
gação oainor,& ofero da confeiencia. 10 Fica fendo. «° iicmHm.r A , 
mãy incompleta dos filhos, a que não os alimentou a f eus 
peytos : conhecimento, que obrigou áRainha Dona Fe- 
lipa rilha do Duque de Lancaítre, Sc molher delRey Dom 
João o I. de Portugal, a crear a ieus. peytos os filhos que 
teve. Nos noiTos tempos a grande Maria deMcdices Pvai- 
nha de França criava a íeus pey tos os Príncipes léus filhos. 
* A Rainha Hecuba,a íeu filho Heótor: Penélope, a íeu ^'fiac/rZ denude «jun™ 
lho Thelemacho : & ja neftes tempos antigos foy tãoefti- 
mada efta divida, que Claudiano a celebrou por grade vir- 
tude da ináy do Emperador Honório. 

Ipfi querilmni parvo te ànxit amiclu 
Mater, & ad primas ehcúii repiare emules 
Vbenbm Sanclis. 

ílaudmn, Tanig. 4. 

488 Masfe oilluftreaprendéodoSoI,quecreando 
©Diamante tofco, corre delpois por conta do iapidarioo 
fazello polido, fem que pe'rca a relação de íeu creador , re- 
pare, que de todos osanimaes he eícolhido ofangue do 
Cordeyro , pelo habilitar a naturefa , para aperteyçoar o 
Diamante, obra quecreouo Sol j para queaama, que der 
aoínfante não feja de condição tãoinferior, que perigue 
o natural contrafiado,& não defendido com a deíi^uaida-' ,, tr<tftrtimfiijl»,qvamãâ 
de dacreaçao. 1 1 Conhecerão as torças deite pnmeyro/T tut f ervat autfsrvHi,.-&ut 
arrimo da naturefa humana os pays de Líber Pater, cuan- pierBmqMeftkt,txi»**&**r 
doelcgerao porluaamã alno nlnadeCaamo,õC Armo- i -. ( j l y; T ™, W)í « f i ; /r í «-<i 
nia ; 1 2 de tal nobrela, que cafeu fecunda vez com Acha- »W"J ''**"' f„'/S« 
nus R.ey dos Thebanos : Sc de tal virtude , que a efiimou a jupra. 

• t-jj i'irtirr\r- m ~ n Ravifiur ia Oficina vede 

gentilidade em nua dasíabuloías Deoías marítimas. 1 3 W( , f „„ f . 
Como também Andrafto Rey dos Argivos ,efcolhendo a ^^ oniriofí, ^ riBTH,n ' 
Alceíleefpofade Admeto Rey deThefalia paraamade 
feu^kilhos^ 14 molhertaõ varonil, &amantedeíeu eí- , 4 n„if ÍM tuHfup*a. 
poio, que confultando o Oráculo em húa perigou doen- 
ça de que eftava enfermo, teve porrefpoíta,que íníalii* 
velmenrc morreria, faltando algum leuamigo , que quize- 
fe morrer porelle ; fabida areíolução todos fe delviaráo 
dooerigo: com oqueío a riel Alccfte recebéo a morte, 

Ss 3 para 



5^6 O PHJNC&E' DOS ?AT. TOMO 11. 
tj Difi;e>i*rhvetèe4!cejie.p 3í z q Ue Admeco HcaíTe com vida. i 5 Commonicarão- 

fe todas eftas virtudes aos intantes, que educarão , porque 
vence a todo o natural oleyte que recebemos, por ler o 
prhneyro amigo, que nos buica. 

Confulitur fhebtUjfors efl itareddita matri^ 
QuidederUprimiu ojcuU , Viftor erit. 
Ovidi.i.Fajhr. 

489 He também necèíTario, para decência da creatu- 
ra, que a ama tenha nome conhecido j porque a emulação 
da gloria levantou, que ElRey Ciro fora creado ás tetas 
de húa Cadélla; porque Efpaço, quefoy o nome daama, 
que lhe deu opeyto, na lingoa dos Medos era o mi fino, 

* u j •«.,.,„ queCadélla: 16 & que a Remo, & Rómulo os nutrira 
Bhn.verhojpaco. nua Loba, por lcrruíticaa paltora,que os alimentou. Poli- 

tica obfervada dos Lituanos, não dando por ama aílus 
Príncipes, lenaõ a molher chamada Proferpina; 17 a 
ueuni»cq.i.âcHab,iiuu, quem a barbara gentilidade venerou como Deola. Cor- 
rompe ao mayslaudavel antídoto, o venenofo anime da 
inveja. 

LiVentruhigine dentes-, 

(Peclornfelle virent , língua ejlfujfufa Veneno^ 
JfflatUíjuefuopopulQS) urbefque , domos ijuè 
fBohit — - — 

OVid.i.Uet. 

490 Os garfos enxertados fempreficaõcomfabor á 
arvore, de que faó filhos. E naõ fendo natural , & confor- 
me íuaefpecie fay adulterado ogofto dofrueto. Seja na- 
cional a ama , & naõ eftrangeyra. Alcebiades, fendo natu- 
ral de Athenas teve as inclinações dos Lacedemonios, por 
que foy deita nação 3 ama, que teve. Ejaque ocuftuíae 
priva a creatura do leytc materno, quehe o natural ali- 
mento ácomplexaõ dos filhos, naõ fique perdendo peio 
mixto dacreação o bom natural, que herdou da riatureij. 
A nutrição não he menos poderofa, para a dulterar as cali- 
dades paternas, do que o clima, para crear lauda vel o Pe» 
cego, que na própria terra he venenofo. 



EM PREZA XXIV, 



327 



-1 



Filia materim fueramm prctcoqna ramis, 

ISluncin adoptiVis perfica rarafnmm. 

MartUllllb.^.XeniO.q.6. ,S Cum g>Htraverii flium, 

ftaiim eum trsditforii , £5 p ic- 
tatif ittftgKii abfconâitfui cr- 

4.0 1 Suppofto , que as máys fe envergonhaõ de fe- hii - Erubjc,tferim<t,ix, ^u* 

1 r C\U Q l - D" • faSatfi mater. 

rem amas de ieus hinos: 10 reconneçao os rnncipesa D.^b,)jofi.hom.,.inpjai.fo 
divida em que eftáo,a quem os creou.Com a figura das Ce- 
gonhas fíoreaváo os Príncipes o remate dos cetros, pela t ' 9 s**"trp r *" e *" dum "'' 

o * ' l birvtjurn f/í, quca a Juro httf' 

piedade, que eítas aves uzáocom os pays, íuítentando-os, ticoprodnum cft,din>bm >Uit 

c . r \ J /" * 11/7 Grachu , f-a1remNo1witfuií7l 

& rrazendo-osíobreasazas,deípoisqueenvelheíiem: mas b e Uict,pi]tn,um:tm aUquanâo 
feobrigadosde algum refpeyto.faltáoospays em asali- debeBoreàeutai,muhhkofiium 
mencar, & íejaoutraave damelma eípecie, aqueascrie, ter^nutnxipftur,quibutmu- 
dobrão a correfpondencia,& não faltando nunea aos pays, Z^T^rfZ^Z 
foccorrem aos quefem o ferem, as crearão. Eíh natural *ureum.^3pudTiraqueh*ubi 
gratificação da ave foy documento, para algús hlhoscaf- xo^ZdVã '««fírj^wr. 
tigaremodefamormaternojcompreiaremmaysacreaçáo ^■■ 0e f'"^" , ' u ^ maUTÍ i" tr '-- 
dasamas, doque adivida do ler. Ofegundo Graco,cha- busju6uur»iuhpji*cmtdu- 
o Notho, varão bellicoíiihmo, & esiorçado chegou ut.siquu decorh hcc»orbe 
viãoriofo dehúabatalha : &como oeftiveííem eíperan- *•»*•.«**»•»»*«■«•/'»- 

' _ . I ■vsxit. òi cinlri eliquiJ de de- 

dofu3 mãy Cornélia, & a amaqueocreou, repartindo có conr,,dper ufjttum t ->i,qu* 
cilas dos deípojos, deu a íua mãy hum annel de prata , & a T£ZSZ%*Z$fc 
fuaama hum colar de ouro. 10 Queyxou-fe a mãy da í* am '" me eduea»do cipid>*t: 

..p.... M r , , r ,, tu me conctfiTi ex vohtrtjfe, 

duparidade da remuneração; ao que reipondeo o hino: quamtuexáiwtccepiíJi.Quoi 

Sem KA?m formaes o awraVo ■ Vos trouxe llefme nove me?es em Vof- ex % &?& • ( .W ài , ,: 7'""" 
Jat entranha* ±& ejla , dom annos em feus br aços , alimentandome a Quoiauumb*cmtèi$tf*ièòè- 

/«,;,/- 7 / j tttlit .ex animo puro, [S fifcoo 

em p*yto<; com que a eUa deVo afama, que tenho no mundo ;por que me Fr . cr jj; 1; cu „ ,„/,„, e p rm , vi* 

commwiicouoValor.com ofuslcnto. EUa creou-me pelo aífeclo , quz exmcn tI' l ??'' , ^F\! l i fi' 
inc teVc; c£ Vos conccbestejme pelo amor , que tiVejtes aouirem : o que ti .■ n«c vero mr ,ia rehgatum 
recebi de vòsfoy o corpo rude , parto de hum deshoneflo apetite ; o leyre "££# iíln " """" *'&' 
que cila me deu emanou de bum animo puro,& fincero: quando me ViJ- t < Uii" m '****;* </>«/*'«- 
tes na f eido, no mejrno tempo me aejterrajtes de VolSos othos^s cjta, me i( , c „ t ^uidmam e/fa , qud 
recebéo em [eus braços, ao Foy obrigação de húa molhcr ^d^hH^rr,^ curufaf 

J i .'O * •> 1 obfirvata filia urtttrraducriit. ti- 

Romana,luftentaTcomoleytedefeuspeytosaiuamãy.,de um exemo uber t f»»c mam* 
avia recebido : 21 òc Ruis a feu pay Cymona; ni!er M ; x;/;i _ s , âeVina . 
22 cruar.dohuiT», & outro eftavão condenados a renade ntnaparamt. 

,1 ... . -, n 2í! laemprAdirjtumJtpie- 

inedia : Mas nao migarão por culpa a Cvuvena molner ^ re Ruir externam i*«p- 

partana,alimentar pnmeyro a íua ama, do que a íua may: £Z„ ae }J*m,p*ri 9 »\ <*r- 

huma,&: outra perecião de fome :& pedindo aCruvena, iodui,éd,fum. t amHitim*fi- 

' L, _ ' ,. . ,, 1 nrtiu]irrr/ut itrftntem putrr, 

que as í occorrelíe,tirou o pey to,& appucando-o a boca da j uo a j,„ oíum t i Hli . jj <m jbi. 

áiiu, 



928 O T^lNCITE WS KtfR TOM. 11. 

ama, diíTe a lua niãy : Tenho obrigação de antepor cfta^ que mê cre- 
i, Jeromm.BaftipPaJaeh QU v ^ s fbmeveraHts. 22 No conhecimento deites ex- 

fie n Uifhmif>Y.tr*ui, ' >l J 6 -> _ 

emplos firmem os Príncipes a veneração, que neíte parti- 
cular devem ao Principedos Patriarchas,como exemplar 
mays feguro , & mays Santo. 

492 Não íó edificava S.BentomofíeyrosparaRe- 
ligioiosjfenão também para Monjas. Hum dos que neíte 
tempo fundarão feus dilcipulos, loy o de São Salvador 
nos montes Alpes,& Piamonte,que divide a Itália do Du- 
cado de Saboy a, a petições de Cyrila,quefoy a ama que 
crecu a São Bento , a qual tomou o abito , & proíef- 
íou a llegra do Santo Patriarcha : & íendo Abbadeça 
do dito Mofteyro,falecéo com opinião de Santa noan* 
no de mil & quinhentos , & trinta & hum , a íeis de Outu- 
bro. 24 As hiftorias celebráo com titulo particular as 
»4 ^$rgay S Soieiaâ,yeic5- molheres, que forão Autoras de alguns livros. Edelpois; 

^ das Sybilas, não filiando nas Santas, que efereverão co- 

mo Santa Gertrudes a Magna, Santa ildegardis Monjas? 
de S. Bento, Santa Thereza reformadora do Ca rmel lo, & 
Santa Brifida fundadora defua Religião, &c. Tem íingu- 
1Ç Batoniur anm Bmim. lar nome Proba molher de Adelpho Proconful,que ef- 

59?- crevéoem verfofobreonovo,& velho Teftamento. 25 

j „ ,., Eudocia molher do EmperadorTbeodofio Júnior, que 

26 Socraterlib.i.cap.t.1. l r . J ' i 

compôs hum poema de'£e lio Terjico. 16 EJpis molher do 

27 Uayohtrfii.to.tiui.ãe Valefofo Boecio,que flarecéo com fingular opiniãona 

"""*"""' poezia, & fez o Hymno,que a Igreja canta na folemnida. 

de dos Santos Apofiolos S. Pedro , & S. Paulo d/íurealu- 
i8 1ÍL ce 7 & decore rofeo. 27 Rafuitta molher Germana, que ef. 

crevéoem metro a vidado Emperador Otho I. 28 Ze* 
z 9 Potio.vTtobeih, nobia Rainha dos Palmirenos, que eferevéo hum epitho- 

me da hiftoria Oriental , Sc Alexandrina. 2 o Pitagoria 
P1 ■ L . molher de BrutinioCrotomata, que compôs iobre toda a 

Philofopbia. 30 Entretodas pode fobre-íàhir,pela mays 
douta, Cyrila, que comíbacreaçáocompos,&illuftrouo 
Livro, por donde milhares de juftos ííefizeraõ feientes na 
vidaR.eligiofa. A Regra de S. Bento he o livro illufrrado, 
4* tão conforme com feu original, que foy a virtude do San-* 
to , que Cyrila por ler a ama , que creou o Autor , fe podtí 
grelar, de que compõe o livro. 

4^3 Todas as ca lidades neceíTarias concorri áo em 



Cyriia, 



EM<PÇ(EZA XXIK 3 i 9 

Cyrila, para ama de hum tão grande fervo de Deos ,como 
foy o Príncipe dos Patriarchas. Era Cyrila parenta doSá- 
to Patriarcha , por íer rilha de Ccrulo Senador de Nurcia: 
31 alimencando-fe aos peyros de lua parenta, para naó M *sírgsjr*iifif /«/.^.y 
contaminar com o alimento cítranhoa proíapia, que Deos ' H ' 
eícolhera , para mayor propagação , & adorno de íèu cul- 
to. Com grande myfterio foraó os quatro Patriarchas da 
ley efcrita, cteados aos pey tos de luas propriasmávs : nem 
confia da Sagrada Efcritura o contrario. Reipcytando a 
virtude dos Progenitores, & previmos os próprios mereci- 
mentos predeftinou Deos a Abraham,líaac, Jacob, & jo- 
feph Patriarchas dos doze Tribus delirael ;familias,em 
que Deos repartio a multidão de feu povo amado, para 
que áfemelhança daceleítial Hierarchia, nadiveríidade 
lhe adornalTe,& engrandece-fe oculto de feu Tabernácu- 
lo: 32 &defpois quando divididos pelo mundo, com- n Vih^iupiâefvp.cap.x. 
puzeiíem mays lua ve a melodia, dos que o venerão, com a 1 ** mae - 

à\ vertldade de lingoas,que o louvâo. Tudo forão refguar- 

dos , para náo divertir com a educação eílranha as progé- 
nies, que Deos feparou entre todas , para manancial de lua 

veneração. Não lecreou S. Bento aos pey tos defuaMáy 

Santa Abundância, porque efh, falecèo no parto , em que 

deu ao mundo efte Sol ; falta, que íuprio a fanguinidade,Sc 

virtude de Cyrila, fuftentando oftuóto com onutrimen- 

to, que lhe communicou o garfo da mefma planta, por não 

degenerar com outro luftento adefcendencia ; que como 

mar, de quem havião de proceder tantos rios, quantos fer- 

tilifaráo as terras de fua Igreja, o mandava Deos ao mundo 

enriquecido com o efpinto de todos 05 Santos. 

Cr rr ' i C J O D at Vtât Tomai. EmprtZ* 

omlucceíliva virtuderoy creadoS. Bento; IXtfllràsr #« 

húalvláy Santa oconcebêo: a Virgem Immaculadaíoya >* »«;**»»«/ *«•/*'*>? 
pnmeyra,que o alimentou com oceleiiialnectardekus Tii*>gratUptrfufut(êdi*,t) 

,->. c ' s-\ • 1 o Juotuf ítiim ,/iníeht Ciril* 

virgmaes peytos: 33 Delpois onutrio Cyrila, rao San- ^ tKHttiee9Íilm „com m iu^ 
ta, quemcrecéo ver os dous Anjos, que acompanhavãoa titut. s.iid<-g»rd„hi>. de s. 
b. Kento. 34 Mandava Deos , que o Sacerdote tivelle }í Umi**Humi»aitarifem- 
cuydado defulkntar o fogo, que perpetuamente ardia no %Zff$%^£ 
templo: nenhua outra peiiòa o foccorria de lenha, fcnáoo [mguitt iw y tSimMtto haio- 

o j i-n. r r • r • d • b r eujlo , ie luper tdoltbn adipet 

Sacerdote. 35 Lite togo lervia para os iacnhcios , oc p. ci f (r ,um. v-7- ifiept^ 
• mays oblações do povo : Sc elemento de tanto prellimo, g 1 ^;,*" ""' *""" Jcfc,(t 
quedenoyte,&dedia alumeava acalàdeDeos,nenhúa LmticA.wf. i*.cíi«.. 

Tc outra 



33© O f^JKCVPE V OS VAT. TOMO II. 
outra peiTóa o havia de fomentar, que não fofíeSacerdo- 
te i miniftro deliinado por Deos para Meftre de virtudes. 
Deyxamos authoriiàdopor muycas veies, que o corpo de 
S. Bento foy a terra, adonde ardeo,& ie conlervou o fogo 
do amor Divino, perpetuamente alheado navirtude dos 
Monjes deite Santo Patriarcha, para nunca faltarem á 
igreja de Deos luzes , que illufiraííem íèu culto ; & forão 
diipoílçõesda Providencia Divina em lhe applicar os de- 
vidos materiaes,para que a indecencia dos miniíiros não 
mortificaííe a chama, que ló havia de alimentar a virtude» 
495 Húa,& outra nobreza coníervou em S. Bento a 
Venerável Madre Cyrila ; a nobreza da íanridade, com a 
virtude; a do fangue, com o duplicado parentefeo. Sendo 
tão conforme ao Santo Patriarcha a educação de Cyrila, 
como os mantimentos da terra dePromuTaõ aos filhos de 
i6 EuJuctmJeierrtiihmltizd' Leyte, & mel forão osdous principaes íuítentos, 
tirrembomm ,^/pec,rf ai ,; , ,■„ q Ue Deos prometéo aos líraelitas com abundância, na ter- 

txoj.f.verj.s. ra de Promiílao. 36 Para explicar o muy to, que era Mu- 

dável o clima delia terra, com o natural daquelle povo, 
não fez menção de outros muytos mantimentos, de que 
era fértil o paíz,íènáo deites dous, pormays confentaneos 
á complexão Ifraelitica: O mays fanto, & illuftre de todas 
as nações foy eíte povo, em quanto andou na graça de 
Deos. De todas as partes do mundo he aterra de Promif- 
faó a mays nobre affy na realidade, como no figura ti vo; na 
realidade he a mays lalutifera ; & no figurativo repreíen- 
taaBemaventurança.Eemquanto teTracom femelhança 
da gloria eftilava de íi o mel , que tem por virtude confor- 

}7 Mel enim. muitum ajju- taras potencias d'alma: 27 & como terra mays íaudavel, 

•vat memoriam ^iS >me!I<!ãutiu • r vi • Y.r, t r 

íávoíKntuefu.-in/uaJeeeait. cria o langue mays nobre,quehe,ode que ie compõe o 
■**.*tieto*r*8*tHdcst,bm. leyte mays puro. Na virtude domél tinha opovo, com 

quenutrir asforças do efpirito; &na calidade do leyte, 
com que fuítentar a nobreza do langue. Achou S. Benro 
na creação de Cyrila eiras mefmas conveniências j na vir- 
tude, o mél, com que efbbellecer a nobreza eípiritual j Sc 
no parentefeo , o leyte ,com que íuítentar a temporal no- 
breza. 

496 Donde fe infere a razão, porque Deos, quando 
tirou a S. Bento do mundo, diipos quefua ama oacom- 
panhaíTe atéEfide, lugar aonde o Santo fez oprimeyro 

UiiU- 



milagre : 8c tudofoy para dar a conhecer a fantidade deite 
fidoape, pela companhia de lua ama. Rebeoca quando 
veyo decaía de feuspays,adefpozar-íe com iíaac fcihodc 
Abuiiáo, trouxe confino aama , que arreou: 28 Cir- * 8 DM/eruat eriçam, tf 

r o j t í-n HHtricunejm. 

cunhanciajemqueos Sagrados Interpretes acharão rnyíte- G e «ef.z^.verf. i9 . 

rios rão profundos, quedií]eráo,fei omelmo,doquevir 

Kebecca acompanhada da íabedoria,6V graça do Eípirico 

Santo: 29 & para que eíU iòciedade, naoccafiáo dos ' 9 N,l ?*f «•«»,?**«■ 

celpcucrios ( rara que llaac vielie em conhecimento da vp»i»gtTit,$etiamâijci}Uni 

virtude de fua conforte , pela fantidade da ama , que a ali- ^Z^SL s,h» *»*«, 

mcnrou afeus peytos. 40 Do mefmo poderia fervir ao w **"*- 

Santo Pa marcha a companhia da Venerável Madre Cy- «*«/«/«■ Gene/. 4*. 

rila j conhecida pela própria virtude, & por Irmã de Santa 

Tertúlia, que florecéo em milagres. 41 4 ' ^**'-*^ 

497 Merece algúa ponderação, não fazer a Efcritu- 
fa memoria da ama de R.ebecca,fe não quando efiafahio 
decafadefeuspays. O que, a meu ver foy, para moftrar, 
queRebecca náobuícava o conforcio de líaac, para com 
elle merecer a graça de Deos, porque ;a dantes a tinha. 
Cyrila acompanhou a S. Bento na jornada, que fez de Ro- 
ma para Efide, 8c não quando de Efide fe retirou o Santo 
para os dezertos de Sublaco. Em Efide fez o Santo Patri- 
archa o milagre de reparar o Crivo , Sc com elle provou a 
fantidade de fua creação ; 8c que não bufcava o dezerto 
por neceífitar de graça, fenáo para apurar a virtude; como 
ficaauthorizado. 

4 98 Em recompenfa deites beneficios,alimentou S. 
Bento compafto efpiritual,aquem ohavia nutrido com 
o corporal fuftento. Por eftes annos era ja de pro vécla ida- 
de a Venerável Cyrila;aqual,ainda que fempre vivéo com 
abundancias temporaes, & efpirituaes, agora com mays 
razão neceíTttava das do efpirito; porque, pela conta dos 
dias eftava mays veílnha da morte. Aííifíio-lhe São Bento 
com todo oneceíTario para a nova vida, em que a educa- 
va na claufura, a que a recolhia. Ruthpario hum filho, a 
quem chamarão Obed. Todos os vefinhosnoticioíos do .--,■.«,«. «j 

parto , derão oparabem a Noemi , que era ama do Iníante, w ww , .... a b*b c , qmconf,- 
celhenafcer hum hino, para coníoldçao delua alma, õc tum ^. K , em i pue , U n, f cf! t it 
fuitento de fua velhice. ±1 Confiandodoaçradccimen- í»/»*/^tf «*">»'; «*«■«- 
to de Obed, que teria gratificação, como dehumapeiioa Kmb.^.virj.^. 

Tc 2 illuí- 



3 3 a <? I^IKCWE WS VAT. TOMO 11. 
illuftre, chegando a remunerar a lua ama a divida da crea* 
çãocom tanco empenho, que a alma , & o corpo partici- 
paliem do beneficio. Húa , & outra parte abrangéo a pro- 
fillaõ do inlututo ; a alma de Cyrila , com a graça ; & ao 
corpo,comaelumaçao:liberalidade,queiódclunpenhaa 
magnificência dehum Principe,noreconheciniencodao- 
brigaçáo emqueeftá , a quem lhe iuftentou a vida ,& com 
cila o eíclarecido nome, que adquirio, & deyxou no mun- 
do. Na vida , & na morte de Tuas amas devem gratificar ef- 
te beneficio: ás fuás peíTóas, &ásdefeus defeendentesha 
de chegar a liberalidade da recompenfa, parafe livrar 
cm tudo das limitações dos populares, femelhan- 
tes ao ennano,que pormays quefeeíure, 
não chega com a cl ta tura , aonde 
chega o gigante. 




CASTIGA 



s. 



CASTIGA 



335 





NTO 



AHUMMONJE, QUE ANDAVA VAGUEAN- 

dopelos Ciauíàros no tempo, em que os mays aífií- 

tiáono Coroa Oração. 



E M ■ 2> RE Z A XXI'. 




W. O STR OU á* experiência, não 



499 

ferem uteys para a perfeyçoar a 
imagem os me imos infirumen- 
tos,que desbaftaráo o tronco. 
O Artifice nem guarda a mef- 
maordem , nem uza das meílnas 
regras, quando quebra apedra, & quando a lavra. Scco- 

Tt 3 do? 




534 ° V^INCIVE WS PJT. TOMO II. 

dos os crimes ti verão amefmafatisfação,foraainteyreza 

a mayor injuftiça. As penas da ley imitáo oscaftigosde 

• froviicnuaDeigubtr»»*' l} eos que todos laõ medicinaes j i & Cada hum dosa- 
da)- 3m»:/J,e>9J<.< />«/*»«>•/«<- , \ * 1 r -lo J: M- 

n0,t»,dicin»ea. chaques cem leuparticular,&propnomedicamento.Nao 

d. HicronjmHs. amanfa d todos os brutos hum meíino género de cafiigo j a 

, fôM iffi nm» reti.n M* o freyo,& a outros a vara. Aquém não venccanatuie- 

inojpciat>tnpi4>«m»gnttU' za, obriga o iuplicio. 2 Emhúa varadeferrooreprefen- 

jfffnt.ciccTofro Bofa». tavao os Romanos; 3 pornaoaliemelnaremavaradajuí- 

? íKvhga ferre» pctcftatRo. t j ça ^ cana ^q p e f cac Jor, q não fc dobra, caindo nella o pei- 

fcaufait p*ter -ándreas Je xe pequeno; & toda ie inclina ao pezo do peyxe grande. 

%X]oíT *""""" "*' 500 Não he conveniente, que a vara de juítiça feja 

fempre de ferro, pela inflexibilidade, que deftròe acle- 

mencia. 4- O animal não ío obedece ao golpe, mas tam- 

4 *Airqut ãmiurtia juHitíi b^ ao ecco ^ a V oz ; ao eftalló do açoute , & ao aceno da 

irtchmentia eii, ideo in virgt c n \ \' 

férrea hx cbnfh cxprcjfa w vara. O Ceo mays veles ameaça com oeltrondo dotro- 

ÍÍÍ:::::at">>^>- vão ' do ^ eCom oeflra §° do ™y o - &™ naturalmente 
uejh lâemibi. ne ferrugento , èc afpero. Qcolerico não fe governa pela 

i frobibsnda àlmaximeirs . ° . ;.,*• , . r . ~ : a r 

i»pume»do,r.iíq ua mtKimir*. jumça. $ O mirmcro ha de caixigar com tleyma,paraíe 
: ;:™^p^;; inculcar mays rigurolb quando irado. 6 O mar acobarda- 
qn*ejc inter mtnium& paru*-. ra mays os ânimos na tormenta , fe com qualquer vento fe 

cavcnÁum tji ipturne maior }t * p 

pana., quã culpa. Cícero in o//. tiiO enCteipâra. 

6 quí verhratjineira >f eitr ^ OÍ A ^^ d a iufiiça quer feia de hua , ou outra cali- 

ejtverberante atm ir». J i 1.- 

~dr>ft. Etbic. dade,ha de feguir o natural do Camaliáo , que tomando as 

cores da variedade dos ventos, nem augmenta,nem dimi- 
nue o venenofo, nem ofaudavel. A gravidade da culpa ha 

7 K**u„ifirm;terf*cu»jH» d ea i ceraro r jgor da iuftiça: 7 masnunca ainteyrefada 
nonst quoque cpertet inferr,, l^y. 8 Os viciosmudãò os homés tão outros, do que eráo, 

Jcd âiligenter ajbicire eorum. • r ' : '-'C I C » l 11 '' r 

quideiiquerutv,re,,atquepro' que venheao as ralças transiormaçoes , que delies eícre- 
fjítmm d jcannchryfji. V co VirgUio; & conforme a figura , que tomarem, Ka de 

8 Oportet non infcm panm r ' li í ' - 

*quii:ier,ftd*unquamahfq US correfponder eaítigo, que lhe derem. 9 

lege. Rothordantu de injuria x i i J • 1 1 1 C i 

temporu. 5 o 2 Achelo-o contendeo com Hercules íobre o 3- 

9 lAipeccatumntgatmho. mor de Dejanira ; converteo-fe ultimamente cm touro, 

mine imaginem, qua úentfur- f ' . „ * 

m*vitp,imumbomiHem:tran' para vencer a Hercules j o qual lhe cortou húa ponra ,com 

fijt Jeeffe adnoneffc homo per- \ i * C *J \ w ' C 

fiai U ,gram,rai,onab,n,,q M ia q ue Achelo^o ticou vencido. 10 A Luxuria toy, a que 
tnimjem Deu j[ ie mU( j ou a fórma: & com o ferro lhe caftigou Hercules a 

mJepeccato ingenere , ®f t e- culpaj porquea ienfualidade, como raiz dos vicios,niere- 
To ovid.Ep,j}. 9 . DianiHer. cc a OMys ftgfHftíã pena. Hunscrimes fru£tificão mays , âo 
tid&Efiji.ii.etrkHeitiM. que outros pela matéria, aquefeateyão, 8c pela fonte 

donde nafeem. Os Romanos punião com mayor fe verida- 
de os crimes conimetidos em matéria de contratos 5 do que 

"era 



emcâzosexquififos. n O tritfGiuaiignadoheraaysno- V $ * ocheí llMerUl,i ' M J* 
avo, do que oporaoiweito- U cnupar dasjraizes enira- m^jj.^.o. 
qucce iiiays a cerra, do que a íoilibra das arvores: apura 
força fe cor tão as raízes i &CGrame.n3$puIíòíede£Qráoas 
ramas. 

503 Por caíti go do inderofoío atrevi mento, com 
que Àáceon profanou cem a viíia a honefíidade de Diana, 

ioy transformado em Veado. 12 Tem eíte animal por II 0v ' il,h -\- m*""»- 

natureia , íer ingrato aos progenitores, porque citando a- 

dulco,íef*zfeu inimigo: 13 & defpois,quc A<âeon fe ,, J#rrefw/í/âM/Wâ , eJBà 

rsprefentou cúmplice neíla culpa, os m elmos cães, que àeHeneâMe .Pa-unáer. % .70. 

fuítentavaemcafa,&comqueandavacaGàndonoir,once, 

lhe tirarão a vida. 14. Qs Eífenes davão poT verdugos ' 4 " /r *' 

dos filhos defobediexites, aos mefmos ayos, que os haviáo 

creado; para moítrarem ,quefemtíkantes crimes careciáo 

de todaacompayxáo. 15 Asraizesda arvore Eiiciatra- , s jj em Perimâtr. §.8j; 

zemconíigo o ferro, com que acortão:Efta arvore he a 

mays nociva de todas ; porque á fua íbmbra fe recolhem as 

Serpentes, que fazem aterraiiahabitavel, Sccontagiofa; 

1 6 & anicfma natureza cnílna o ícu caibro no ferro, de l6 ^^rErici a f (r rumgig. 

quearma os nomes, tirado de luas propuas raízes. ! *e«ef c* animam etmortâúr. 

504 Egeriaperdéo afaude a forças doamor desho- ^Zm?^'' 2 ''*'*' 
nefto,que teve a Numa Pompilio^oque viffco pelos Deo- 

i es a transformarão em fonte, que por íífedefpen ha, 8c af- 
fy mefmD fedi vide : 17 ajufíada pena com aculpadehú n ozH.M.i.Meuiw&w. 
• lalcivo>,queconfomeafuameíiwa vida, bens, &honra. O *' 
tormento ,que Menes Florentino mandava dar aos incor- 
iogivíeis-,í&devaírosneÍTe vicio -era ifoúa pocagem ,cujoef- 
ieyto os impelia a morderem-fe ,& deípedaílarem-íecom 
ièusproprios dentes. 18 Os Balíimilho6,cuia planta he o . , , ,, 

húa das medicinaes, defpois queeítão íazonados, porai z **.^uii>° r t-cJeviceJeP*- 
mefiiios fe rompem. Etòefructo junto com outros ingre- v " ""i ?-* 
dientcK he dos mays poderofos iiifcmi vos da Luxuria ; 1 9 , 9 B t»ediBt Põri*nJ er „h 
daqual anoftrou a natureza ogenero de fupikio, na pro- >/"■'•§ 9 o - 
priedade dos fru&os. 

505 A inconfidência, corn que Aglaurusfe ouve no 
fc^redo,que delia coohou Minerva, moltrando-o menino 
Etitonio, que Minerva lhe entregou fechado em bum ca- 
bafinho , com preceyto, de queívem ella,nem íuas irmásio 
viflem ,-nem o dcyx^íkm ver, caftigou a mel ma Deofa 

tranf- 



$36* O fQfíQOM VOS PJT. TOM. 11 

20 Ovii.hh, t. Metam, transformando-acm pedra ; 20 de calidade húmida em 

todo o tempo, para que efcorregalfem quantos paflàiTem 
por ella , & com o pezo da queda moleftalfem mays a 

ii RoJniirodeMoyaComè- i 7 *■ , ' , r J 

toáeVirgii.M. Agláurus. 21 bm toda a culpa , quecometem os iequa- 

zes faõ cúmplices os motores, que íemelhantes a Agláu- 
rus fazem cahir a muy tos , por onde dignamente merecem 
ocaítigo de todos. A cabeça da Vibora por íer a que de- 
funde o veneno por todo o corpo da fera, he a parte, que; 
defpois de cortada ferve de antídoto. Todo o intento dos 
que feguem a miliciahe, empregarem os tiros nos officia» 
es dos exércitos. 

506 Contendéo Aragnes com Palas,fobre o tecer do 

pano, & la vrar da feda: em caftigo de fua prefunção a con- 

vertéoem Aranha,abelicofaDeofa ; 22 para que lede- 

i2 PtiJ.iib,6. Metam. fentranha-fe,& coníumite no mefmo exercício, de que 

fe prefava. As culpas da prefunção nafeem da íobeiba j cu- 
jos effcy tos punia Trajano, não com tirar a vida aos delin- 
„ „ „ ', quentes, mas com lhe dar por habitação os cabeços dos 

habitar: caiumwa mêuumfu- montes; 2 3 para que a altiveza^, que aerea-mente os el- 
^iSSSíSSSí vaecia 5 foífe caftgo, queos defpenhaíTe. Os prefumidos 
vittHtemfiarihut.ctp.j. f a 5 montes de aréa ;o mefmo véto,que os forma, os desfaz. 

5 07 Arne entregou húa fortaleza de feu pay,por di- 
rheyro,que lhederáo os contrários; por cuja atrocidade 
foy Arne convertida em Gralha, que tem por inftituto 
furtar, &efconder quanto acha.femfe lograr do que furta. 

*4 OviJ.M.i. Metara. p 1 1 rM • L- • r c /T 1 

24 rira ley dos Llincos, que oambicioiotolie condena-» 

do a fervir a republica,levando a caía dos nobres todo o ne- 

?í Strvhbant enim avari, ceífario para fuás famílias; carregando, com o que nem ha- 

[u^rnichos)^^^ y ÚQ de comer nemveftir. 25 He mortificação para a 

erant. idem Meâmafup. c.Co. voracidade do fogo gaftar a chama, em preparar o iuiien- 

to, que ha de nutrir a outrem. 

508 EfcarnecèoarufticaGalantis de LucinaDeofa 
dos partos:caufa,por onde foy transformada em Doninha: 
a6 0v,i.ub. 9 . Me,am. 2 6 Ajuftou-fe apena,com a culpa. A Doninha, dizem, 
»7 Fere omnts Nau, rak,. que pare pela boca. 27 Ficou Galantis cafffgada na par- 
te, com que commetéo odeli&o. Ajuftiçahefemelhame 
ao leme , que defgoverna o rumo , fe defobedeílè aos ven- 
tos. Húa mefma carreyra não faz viagem a todos os portes - 3 
nem hum mefmo caftigo emenda em todos oscazos. As 
maravilhas com que Dcos authorifou aechonomica poli- 
tica 



R M T <1{ E Z A XXV. 537 

tica do Príncipe dos Parriarchas, no ajuftado de feu gover- 
no excedéo em tudo as ficções, com que a gentilidade di- 
finio á rectidão da jultiça , neita íubulofa variedade de 
penas. 

502 Em hum dos principaesdozewoíteyrosde Su- 
bhco,tinhaoS?.mo Patriarcha ele) to por PreladoaPom- 
piano Varão de conhecida, & particular virtude : o qual 
entre os íubditos,que governava, havia hum de animo caõ 
inquieto, que nunca aííiliia no Coro aotempodaOraçaõ 
mental. Reprehendéo por muytasvefeso Prelado, feu» 
que o fubdito ti vcíTe emenda. Fez PompianoqueyxaaS. 
Bento, &aprelentandc-lhe o Monje , o amoeftou o Santo 
com affabilidade de Pay,ameaçando-o com o rigor de juiz, 
quando preiTevera-fe cm lua culpa, & dèífe moei vo á con- 
tinuação do efcandalo. Lembrou-fe pouco tempo oReli- 
fiiofo da correcção j & paíTados dous dias profeguio no de- 
lido. Avifou o Prelado ao Santo Legislador da reincidên- 
cia ; com que o Santo Patriarcha fe rcfolvéo adar-lhepor l8 cé ^ eh ^ hhir ec uo 
fua mão o caftteo. Veyo ao mofteyro, aonde morava o tal À)»'^/«#rV«o»«/w,^ «*• 
Keligioio,&aímtindoa«Jraçao ,vionollo Santo Padre, quoqucftt(fàià«téf*s+tài«tiH. 
que hum negrode pequena eftatura entrava pelo Coro,& £í^£' ÍJ3SÍ: 
chegando-feao tal Monje, lhe puxava pelo abito, & o tra- *»* «"»■' L * *àmmtk«tm i«- 

. c> c • Ota c. 1 t - ttuit. Nem ân- tenia ad njum 

21a para tora. Seguio-o S. bento, & pegando em huas va- popriumrmtjm %»&n uvA 
ras, o difciplinou,em tal forma, que nunca mayso Demo- £""£ "" ,u "£* ^'^7 

' t J * '* J _ ferva Uci ::: Nxntiatuwjuif" 

nio o tentou com femelhãte género de defírahimento. 3&fct,dnut: £?«»«»», s *my* 

permcttliffi-n' cmeuJt:: iSij- 
pex:t nuod eurtdcin t/tonacbuni > 

Sale el [acro 'Benito el dia fermente* 1"' '" °"" ,0, "> " w,!Cre T f! " 

_ . . . . . -L& f«/I, quidewni^r pucrultu per 

tonteia de Oracton lagrnepa efpiga, veftimcnufimbriantfor** u-n- 

Èncuentra ai Monje delalgkjia aumente, SS*STÍS£5 

Ycongofaes de mtmbres le cafliva: frf,Jte»temfirà «#•»««*«* ro- 

hl Demento , que en ji la affrenta (tente, g , fcreu r„ , «,< « ãc iu mi 

Ta tm en adelante lefatha, t«f**fnh »*«•«• - «?*»« 

*/ III • 1 pitruli. pertuhi . 

Quedando el Monje en la Oracton eftabki f. Mn» Gtq». Mi\nM.%. 

Como marina roca incontrajlable, '" * "*' 4 ' 

'Benediclina de BraVo.Canto 5 . 

5 1 o Todos,o5 que conheciaõ a brandura>& clemên- 
cia do Principe dos Patriarchas,fizeráo reparo na aípere- 
zadocafiigo: Porque fe algum de feusfubditos era remiíTo 
na obfervancia , com os reprehendcr lhe caftigava a culpa. 

Vv Só 



338 O ^INCITE WS <?AT. TOMO 11. 
Sóa eíle delinquente punio com toda a feveridade.E cora 
juíta cauíà ;porque as í'àkas,ein que ha vião de) inquido ai- 
gús de jfeus Religioíos, nenhúa erade eicandalo, nem paí- 
lã vão de venialidades: mas a inquietação deíle fubdito era 
culpa grave, & efcandeloía para o$ Monjes ; & leguiiido a 
levdivina,mediooSantoa penitencia pela culpa. 

5 1 1 Ajurifdição da julliça ,que tem osminifrros he 
figurada na vara; não fó porque a vara cafiiga,ícnão tzw 
bem porque mede. Tudo ha de medir a vara da juítiça, an- 
tes que condenejOU abfolva: ha de medir a culpa, & a calli- 
, dade. O pavilhão, que cobriaote&o, não era corta do pe- 

»9 Teeittf opartcritimtaber- . •• i í • i • - t i_ 1 

rítcuii âcpeMbut arieittm th- Ja medida das cortinas,que cobnao o 1 abernacuJo: ascor- 
b Z tcf "£&%££»»- úms eráo fabricadas de amorófas pclles de cordeyros; ap 
iecim , aà ofcriendum teBum & o pavilhão,de toíco,& afpero faval. 20 Não fe mede 

tabertueuli. lb; cap.16.verf. 7 . . * .-. • 1 1 • 1 

pelameima vararodoogenerodemercadona jnem todaa 

41 irmã contra eotabytr.:: forte de pefloas. Murmurou oSummo Sacerdote Aaram, 

?"" Hyw»**"»'!* &a Prophetiza Maria contra Moyfés;& fendo compre- 

lepra , qu.iji mx. I piii/ 

Kun-.ir?. >-..-^rf. 10. hendidos 3mbos na mefma culpa y reprehendéo Deos a 

í2 Sol etfcurabiittr::^ SteU A © L » J 1 r> _L í~\ c 1 

lac.JanAcCuio. Aaram, & cobrio de lepra a Prophetiza. 31 O Sol, tem 

Maib.x4.-<crf. %9 , feucafíigonoeclipfe;&aseftrellas,na queda. 32 

5 1 2 Mascomadvertencia, que nascaufascapiraes, 

'y. , . .,„ pãranãofaItarájuftiça,haominiftrodefepararaculpada 

s,fieamwi,t>ftti>d»$tãomu Do- peíioa. hlRey fczechias encomendou aos Levitas, lancaí- 

ttmmiM iemfóra da caía de Deos toda a emmundicia,q nella achai- 



auftrtc oitiacm imr.iunáitiam 
ia òanUuario. 
*. Paritiipo. ip.verf. 5 



fem. 33 Fallava ozelafoReydos Sacerdotes indignosj 



34 & decretou, que os expulfaíTem do Templo, para 
3 4 ha communiu* p p . que deftintos,& privados da imti)unidadeoscaftigalTe,fern 

que lhe valeíTefagrado,nemtiveííe refpeyto ao Sacerdó- 
cio. A calidade he o fagrado , em que muy tos confião , pa- 
ra vi ver diíTolutos :& todo o relpey to, que lhe de've guar- 
dar o miniftro,he para os diferençar no fuplicio;& não pa« 
ra os eximir da ley. Morrerem eniorcados como roiíro pa- 
ra o Sol, ou contra elle, foyadiveríidade,com que Deos 
folliiJmJ e 7df»^S^. deftinguio a morte dos Reys, da morte dos vafíallos. 3 5 
hmwpttibuiu. Se a culpa mereilamorte, padeça igualmente onòbre,&: 

Numero. ZK.verf. jl. r ' r ■> o m ' 

oplcbeo j differindo a condenação nos accidences da pe- 
na, & não, na fubftancia da paga. 

5 13 Nãofoyhumíóogôlpe,comqueoPrincipe 
dos PatnarchasdifciplinouodelH>quente,por lerem mui- 
tas as veies, que cometéo odeli&o. Goneipondéo o nu- 
mero 



EMPKEZA XXV. 559 

mero dos golpes ao das faltas. Ainceyrefa da juftiça não 
contiite ió, em ier vara ;ha de fer vara com aparo de pennaj 
vara, para medir a gravidade; & penna, paraíomar as cul- 
pas. Defta calidadefoy a vara ? com queo rivangeliftame- 
dioo Templo, &osquenclleoravão. Era penna ,& iun- * Dwtàmihi eai*mu,r>- 
tamemevara, ? media, & numeravaasvutudes,&osvi- Su, ge ,hmttiTeumpiHmDu t 
ciosparafe aiuítarcomclies. »«««»,»«*»«». 

5 1 4 Medir lem numerar , ou numerar lem medir as 
culpas he encontrado á dilpòfição divina, que he a luz,por 
©ndefedeve governara juíiiça humana. Por conta, ck me- 
dida entregaváo os officiaes dclRey Joás aos defpenfcy- 
ros da caía deDeosodinheyro,que acha vão depofítado 
notemplo. 36 Reprefentava-fe nefia moeda as boas, & tf fffunMa»tqt, ei i$«u- 
rasdopovolíraeliticoj 37 &pnmeyio osminii- vt m t h t ,« r ,„ uo» dL, k ,m 
tros as aÍfentaváo,& medião,doqueaslevalTemaoTribu- iAam ""»)**** *»n>cr*m,,t 
nal, donde ie haviao de receber ,& julgar. Declarando-ie s «</;«: ,^r í^íwi^t/ í<>. 
arecfidáodo Juiz na legalidade dos procéíTos: ailycomoa ™' r] """}, ']'• veifto 
inteligência do phyílco na informação dos achaques. Por »7 reiunt*b*T*p'trâMHf— 
ilio Da vi d nao achou a Ipereia, antes toda a iuavidade, nos nifca.epneft&rebe. 
caftigosdeDeos: 28 porque não excede com o numero /•/-•^'/ ^«'^'«/i^«- 

dos ticbdlhos a copia das onenías».Os julgadores náopro- Jh. 

porcionando as penas com as culpas, aíiy como os médicos ' , fft , ncco ^,}a ia ^nt. 

errão as curas, porque não obferváo, o que indicão os pui» ? f i,m - *i- VCT l- ' ?• 

fos, & manifeftáo os fyntomas. 

5 1 5 Primeyro São Bento uzou da brandura , que do 

caftigo: amceítou-o, antesqueodiiciplina-fe. Ointeref- 

fedaseuftas faz muy tas vefes, com que alguns miniíhos 

fentenífe-eru as caufas fem piedade: immitando a Kuth, 

quecomhúa vara recolhéomays trigo, do que poderia a- , 9 v.tqu*ccV.cgtnnvWiii<t 

juntar, fe o apanhaffc ás mãos. 39 No que falcão á ^^ffZff^S. 

âuftiça : porque fe o caftigohe para emendar odelinquen- »w ■»•*•». 

r • 1 1 ^11 r t 1 r - i c Ku,b l - Tf, f ' 7 - 

te, muy tos nao abrem os olhos,como Jonathas, lenao deí« 40 e xur.au quefumiunm 

pois, que icháo na vara a doçura do mél. 40 As pedras t^^ittZTu"* 
obedecerão , produfindo de fio fogo , com que fe abraíou co**ertitmânuM(u*m «àeif» 
o holocaulto,quando o An;o tocou brandamente coniltua , Rfí , 1(| T , ef/V? 
vara , na matéria da oblação. 41 A terra moftrou-fe ma- 4> ******* .y% r /«r r>»- 
goada,com le ver terida da palavra de Deos, irado contra nei-m mman*&P*iigit&h6r, 
ella- 42 & ha muy tos homés, que tendo adurefadapé- ffi^?*" : ãfftmdi ' *" 
dr«j, obedecem aoaílènoda vara:& pelo que temos de cer- j*<Heun,6.vtrf.*,, 

* IP/-} L r 4? ^'""""f ferram virgio- 

ra,atodosmoleita oalperodarepiehcnçaoj iem que para ri! y;„. i/m. u.vnf.4. 

Vv 2 todos 



4 

et 



540 O ^INCITE WS VAT. TOMO 11. 
todos feja neceílario avara docaftigo. 
, . iyió Omeimo Deos, que entregou ao Príncipe dos 
Monjes a vara paftoral , & neJla os poderes de Legislador, 
l ^i^'</ t! T ãeraJ 'r o dotou de hum natural brando,&compafíivo{oquedei~ 
íe*<Uf,}j*i.fii,ferf.i. xai«osauthonlado.)Nomelmo tempo, em quearaizde 

Jeílè produfio húa vara, brotou junto delia húa flor. 43 
Vara fem flor, he vara fem clemência : & não pôde haver 

1 • A 

ítnal mays claro para conhecer os miniíiros,que o faõ, por- 
que Deos o quer, ou porque Deos o permitte, do que ter, 
eu não ter flores a vara, que lhe dá a jurifdiçáo. Para que o 
povo delfrael conhecefle, que era Deos, o que elegia a 
A aram em Summo Sacerdote , florecro a Vara de Aaram, 
& não as varas deíèusoppoíítores, queeráo os Príncipes 
dcífrael : 44 As deftes, ficarão vargaftas fecas ; & a de 
Aaram, Vara florida. Deos em ornar de flores a Vara do 
44 i«,e, H cm„r,aff t vírg à Summo Sacerdote moftrou, que para efta eleyção concor- 
*siarcn ,« u omo tevi. . ria fua divina vontade, & não para ados Príncipes, cuias 

varas carcciao de nores : cuja lulu ça nao acompanhava 
com a clemência. 

< 17 Da brandura, & do rigor uzou o Santo Patriar» 
cha na correcção deite Monje, Applicou-lhe a flor, Sc 
vendo, que o não atrahia afuavidade da clemência , fez, 
com que íe dobra-íe á vara do caftigo. 

■ 
No Vêncio la falabra elhecfo mah, 
Que ai ruiu no le convence la palabra, 
Mas la pena de manos , quefrnbalo; 
Uajla en d Diablo el eferamiento Ubrà, 
BraVo. 8. 

O rigor não he a primey ra regra , fenão o ultimo reme* 
dio, de que fe devem aproveytar os bons miniftros. Man- 
dou Deos a Moyfés,pegafíe na vara, para ir fallar com húa 
_ ,, . pedra, que lhe dèfíeagoa, com que refrigerar o povo. 4< 

4Í ToBe mrgãm,& empes* r> • r C* CL U J C 11 ^J l 

popuhim+tu^^iironjrater * °is le Moyles ha de ia liar com a pedra, para que leva a 

?££g$SS&^. Vara? Ao <l» eme parclTe,foy,para quefe apedra como 

Numenr. ío.virf.s. bruta, & indurecida fenão abrandafle ás palavras, uzaíTc 

Moyfés dos golpes. Nunca a pedra havia de faltar , ao que 
Moylés lhe diíTe-fe, porque Deos omandava: mas para 
documento de todos osminiftrosordenou-lheDeos, que 

levalíe 



EMVQ(EZ A XXK 54Í 

levaífe a vara , pára que en tendão fer diSpoíição Divina, 
uzar do rigor, defpois que náo emenda a brandura. 

518 As varas , com que São Sento cafbgou a culpa 
defte delinquente, cem a virtude das varas, com que Jacob 
augmentouonuiDerodeleus rebanhos. As ovemas para 
conceberem em ferviço, & graça de Jacob, pur.hào os 4« ~utcumvanifiitpegitaA 
os nas varas , que Jacob lhes havia poito nacorrente, ^ i8 ;„ ^«tm»»*. 
dondeellas bebião. Ofubdito, o prelado, & o miniftro *&"»*»*> Gew/jo.™/,»». 
que tem delejos de Ter vir com agrado a Deos,& a feu Prín- 
cipe, náo hão de tirar os olhos da confideração delias varas 
de São Bento: Delias a prende ofubdito a obfervar os prè- 
ceytos, conto temor do caítigo. O Prelado^a examinar o 
delido, antes de caíYigar o delinquente; o írartifíro, a fe 
conformar na jufliça coma ley,& coma culpa j&a í 
uzar da jurifdição , como o paílor da vara , que 
com ella encaminha a ovelha defgarrada, 
& magoa a defobsdiente. 






'; 



■ 



Vv 3 PREMEYA 



w 



PREMEYA 



S BENTO 

A OBSERVÂNCIA DE HUM SEU DISCÍPULO, 

cm o eleger Prelado de hum Moftey ro. 

E M V %E Z A XXFL 




E varias columnas ornou Sala- 
mão o mageftofo interior ào 
| Templo.Encre todas, levantou 
duasdemayor fabrica, pelo mi- 
fterioío,com que ennobrecèo 
, o Pórtico de tão fumptuofo 
edirricio.Coro-ouJiie o* capiteis deRomãs,enlaçadas com 

í cade- 




EMV^EZA XXP7. 345 

cadeas. 1 Nás romãs , como fruâcs , prémios ; & nas ca- / **»'*&'" «"»» Titr.pt 
desSjComo pnzoes, caííigosjchc íoy o lymbolo,que o Key qutfi c<n, nu i M ,„ u,mhí>$ 

Monarcha, para cuja mo rada erigia folio, naquellcmagni- «*»**», «ry*e *■«»*««/« ,««■ 

■•• rr 1 « r> 1 /• • 1 o y" fojuit ilCx» queque columnas 

bco Templo. iníimundo na elpeciedopcmo, & naalpe^^y„ ;í ,„v'^ ll/< ,* íro//y 
icfa do laço, a igual providencia de Deos, em remunerar *■**'«*'&*> iMrf.*%.i6. 
os frudos da virtude com a coroa ; 8c os do vicio , com a 
eícravidáo. 

520 Náofatisfez ao génio demuytos Príncipes o 
documento deite brazão ; porquehús, efeolheráo as cade- 
as, pagos de fua tyrannia : van-gloriando-iè,como Taber- 

lane Key dos Sitas, deferem executores da ira do altiíTi- 1 ^«tumehcm;»c m futar t 

fj • 1 n J J • & *">n Dei iram totiui ndho- 

azendo particular eUudo de novos tormentos , a minemfet „ ict J ÍR tl ££- 

imitação de Alexandre Phereo,que gaitou o tempodefeu temi oêbeiuib.%. 
governo, em inventar crueldades, com que déííe varias 
mortesa hum fó delinquente. 2 Comoque fazendocé- 

, r , a * , J n- - * Vivotch-.crp.sinurfefaci- 

trosdaselpadas, & coroas das correntes, eítimarao a crue- ehutf«ftiicbatbomintr,xjt[o- 
za como cflènci ai atributo da mageftade. Seguindo nifto o ^T^bTZ^il 
parecer de Falaris , Cambilíes,Domiciano, & Lúcio Syl- qu»dtup c ãet fera* trantfyw 
la: íem que a luz do boi os defíuadiíie deite engano, moi- Jm./jhWwj», «»,&,, ,*,/- 
trando-lhe, que fe a crueldade fora efplendor da purpura, citbat - íbidem * 
maysapto era o fogo para píeíidente dos aftros ,pelo que 
tem de voraz, &eíteril, do que o Sol, que he benigno, 8c 
fecundo. 

521 Algús Príncipes colherão os fru&os , 8c deyxa- 
rão as cadeas levados da van-gloria, como Zozimo Rey da 
Tartaria, que deyxou tirar a coroa de fua cabeça para fe 0. ••...«« 
moltrar magnânimo. 4. Outros, dominadosdacob3rdia,/v,jj//er4. fUcarj^ de r eT * 
não uzaráo das prizóes , femelhantes a Toringo Vafiano, £; id ; '«/^r'*"*- 
queperdéo ofer Rey dos Efpartanos,por lhe faltar ani- 
mo, para caftigar as rebeliõesdeTragedo,receofode que 

a família do cúmplice lhe diminuuTeoíequitodeíeuscõ- 
■fidentes: 5 fem advertirem , que perderia o Sola magei- ? iiiiii.&.iemtiu&>gn^ 
tade de feu Império, fc dcíTimulafle com o atrevimento * 
dos vapores,temerofode quecondençadoscmnuvem,lhe 
eicureceflem os rayos. 

522 A todos os Príncipes, que fugirão defr.es extre* 
mos , recolhéo a fama dcbayxo do docél de fuaimmortali- 
dadejpor immitadoresde ScythemRey dos Achatos.glo- 
liofo^cqueem todo ículwperio não ouveílè aggrellor 

íem 



344 ° ?$JKC12E T>0$ <?AT. TOMO 11 
6 Srw«c«<»f«#^prfwe«í i' elll marca ; nem benemérito, fem galardão. 6 As mãos 

ju-javitcsncloriartomnefbnnoiy , ,, . . r r ry o j r lo 

çj^/^^^/t^^/o/. dos Príncipes íemiructos,& comcadeas,oulemcadeas,& 
tvpionenoiuiiccihk.Làc f ru & os iaó como as mãos dcMercuiiofemoCadui- 

Jujtiliaieu. tf 

íèo, adonde tinha a vinculado o íupremo domínio de con- 
denar^ abíolver as almas} de afligir, & recrear os corpos, 
de rep remir os ventos, & de desfazer as névoas. 

Tum Vtrgam capit: hac animai ttíac enoceat orço 
(PaSentes : alias fubtriflia Tártara mittit, 
Datfomnos, adimitque , ® lumina morte rejlgnat > 
lãaflucim agit y Ventos, C£ túrbida fr<etiat 
Kubtla. VirgiL 4 . JEnetd, 

- ,. . ~, ,. Ç22 MoíhouoCeoaneccílidade.quetem osPrín- 
®petno8cmi»Coiiimn*igHit. cipes,deferemconheeidospor juítiçofos,& premiadores, 
" iI " j,i1, quando capitaneou afeupovo dedia, comhúa columna 

denuvern}&denoyte,comhúacolumnadefogo: 7 re- 
frigério em a nuvem, & caftigo na chama foraõ as duas íln- 
tinèlas , que em todo o caminho do dezerto acautelarão o 
povolfraelitico. Hum exercito, 8c húa republica forma- 
va efta multidão : & para que como foldados pelejaíTem a- 
nimofos, & como republica vivtffem germanados, lhes 
noticiou o premio, & o caíligo. 8 Com eftas armas, fo- 
geytou Mithridates filho de Phraatis o Império dos Ar- 
ménios, compondo o eítandarte de feus exércitos dasduas 
cores purpurea,& negra j o ameaçando neíta, coma mor- 
« iuHuicpren>;t>m,r» ig»e ce aos cobardes;& prometendo na outra,o premio aosani- 
^JÍáS^ffi mofos - doutrina , que feguio Arato natural, & Capitão 
ret maior de Achaya , querendo pacificar os tumultos , com que Ni- 

£x*J. ái & Laureto íyiva cocle 1 yranno deitruia íua pátria. 10 O premio, & o 
<JintgoriAT«mv«bo,c<>iH*n». C2 ft\a Q reprefeiitavaó as flores , & osanimaes, deque efU- 

9 í-texitío pu>pure*,&ni- • i • • i 

iratoiotvrgtbatr.rstrtmaiu, va entertecido o manto imperial de Júpiter Olympico. 

M.^.dtminundjc.phra. J ' "orque lem caliigo,& premio,nem a virtude leva iru- 

»a íbtdtm. &o,nem ovicio teme o frevo: Parecendo á gentilidade. 

i./ií. *. Jtjufucr. que o naó retratava mageítc!o,fe igualmente o naõ repre- 

fentaíTe premiando,& punindo. 

524 Os habitadores do monte AlvéopreíavaÕ-fe, 
rvmmtximZ.míhtfbatetco. dea , ue ° íeu Ídolo Morgogon era o melhor úís gentes, 
ww, » muitMfgfftim (*;*. porque lhe apparecéo com mintas coroas na maõ direyra, 

*;».•/?«//; ^J!ue»icx)Perai,b> s J r - r 1 «^ - 

fufrêhb.di jnpua. & con» inuycas kttas na mao ciquerda. i 2 Da meíma 

fórte 



EMfKEZA XXVI. 545 

íoríe prezarão os vaílallos o leu Príncipe, fe lhe viraóas 
mãos occupadascom amefma variedade politica. Os ví- 
cios, &r as virtudes florecem, ainda que com muycadiffe- 
rença : & toda a flor dá íeu particular fru&o, 8í uelle tem 
snays, ou menos cluatação. 

525 Sobre o monte Parnafo cahirãohúa noyte 
cantidade decoroas; nenhúa cahiofobre acampina; co- 
das ficarão prezas nas ramas das palmeyras ; de modo, que 
todo, o que naõ fubiífe á palma, não chegava á coroa, r 3 
Edameíma forte, quem nãofobia áscoluumas, naõpu- ,, i M u UZM cornai*. 
nhaas mãos nas romãs. Os prémios amontoados trazem *A«ti" K: t h * t]ÍT 'l asi - 
coníigo o deíprezo,a que chegou em França o abi to de 
S.Miguel,queconcedidoatodos,ninguemfeauthorifa- £ Còlí/ „ va(ÍB de Me , ar . 
va com elle j & foy neceíTario a Henrique III. inventar ou- ch.u.j». íoj. 
tra infignia. Como nem todos os prémios podem enrique- 
cer, valem pelo honorifico : & a na turefa matiíou as flores 
infruâiferas,&agreftescommaysgala,& variedade de co- 
res, do que as fecundas , & fragrantes; porque eítas , tem a 
eltimaçãonopreíUmo; &as outras, nas apparencias. 

. 526 Os prémios deftaibuidos por ordem, honráo,& 

obrigão. OsCarthaginefes davaõ aos Toldados tantos a- 

neis de ouro, quantas eráo as campanhas, em que tinháo 

militado; & tantos vazos de ouro, quantasas proezas, que 

haviãofeyto: 15 a todos contentava a primeyradivif»; M Joa „„ et JeTir r c } „ f „. 

mas nenhum deyxavade afpirar aofegundo premio :Con- pi*t*»»t. suimgcrf.jnui.^. 

fundio-fc defpois efta ordem; & faltou nos de Cai thago o 

valor, porque lhe tirarão a emulação. 16 Os Efpartanos , 6 wj t a>, 

prohibião , ornarem-fe com epitaphios as fepuíturas de 

outras peííóas, que não tiveíTem dado a vida em defenfa 

da pacria :para merecer efte elogio, nenhum reparava em fc 

entregar á morte : concedéo-íe efta honra , a toda a peffóa 

illuftre ; & entrou na gente militar o temor da morte , com 

que todos fugiaó dos perigos. 17 Decretou Lycurgoacs ■' li '*""' 

oradores, não fe occupaíTcm em outra coufa mays, do que 

em!ouvar,osquepelejavão valcrofos;& reprehender,oscj 

íugião tímidos : entrou defpois a adulação enfeytando as 

acções cobardes com titulo de prudentes ;& falraraóaos 

oradores acções heroycas,que engrandecer, fobejando- 

Jhemuycas fraquezas .que difculpar. 18 Osanimosdos _ .... 

- r 1 - 1 r-i l r l% Utdtm. 

homcs leguem a condição dos Elephances,osquaes lei*. 

Xx lindo, 



3+6 O PRÍNCIPE WS PJT. TOM. 77. 
tindo, que o nayrc dá igual afago ao pereçofo , que ao va« 
19 fiuius àt uáJmhtnJif lente, todos le fazem remidos. 1 o 
,itHUcQ«0drut.$.*. ^ ^ Também Salamáo reprefentava enlaçadosos 

fer viços, pára molhar aos Príncipes o género de dores, a 

que havido de corrcfponder com o premio. Nos elos das 

10 QuiatetatMiif inter po- cadeas fe reprefentava o amor de Deos , & do preximo. 

fuiiudeftanhreoci&froximi. Jj eta l lòrce ovaúallo deve mereeercom o Príncipe, 

P. ^/JnJcImurfermonJett/a- , . k ' 

mate. que náodeimereçaparacomDeos.Osde Arcadjayconde- 

naráo a morcea Tramago, mancebo valerofo, porquema-. 

tGuaferpente,quelheinfè{iavaoscampos,femptimeyro 

coniultarcoru o Oráculo, fe era vontade do Deos Apòl- 

àc\l%Zl*!' lu ' S * fr "' titHl ' l-o. ^ 1 E David fezo mefmo ao foldado , que acabou de 

22. Qu*remniimuifih mh- matar a Saul, porque , ainda que lhe íizeífè fervico,foy cô 

chnfiu^DomimíVocaHjf^-.onemà de Deos. 22 Aítirmao os naturaes, que atior, 

Daviàunumdtpuerisfuhmr. na i C endo toda inclinada para a terra ,naó produz íUido, 

*. Rtg.t.n. i 4 .e> 1$. nemdura tempo: falta com orelpeyto ao Sol, queacre- 

ou;&a mefma terra, em que põeos olhos, como reconhe- 
cida ao beneficio, que recebe do planeta, toma vingança 
do aggravo , faltando com onutiimentoáconfervaçaõ da 
floj. 

5 28 Nascolumnas,adonde o prudente Rey copiou 
o re&o juizo de Deos , foy também di lei frado o iufto go- 
vernodos Príncipes :governando-íè ambos em hú mefmo 
hieroglypfaico , pela obrigação, que liga a juftiça humana 
ha-le conformar com a divina no premiar da virtude,& ca- 
fíigardosviciosrcorrefpondencia, aquenaõfakcu adif-» 
ciplina Monachal do Pay dos Monjes. 

520 A ferie dos annos , & dos íucoerTos nos occaíio- 

liou na Empreza antecedente, a diícurfarmos o caftigo das 

culpas: &nefia,opremio dos merecimentos. Faliecéo o 

Abbade daquelle mofteyro dos Alpes , aonde o Santo Pa- 

»» P-M.^ínteniujjeZu- triarcha recolheoa Cyrila. Eíendoeíta aprimeyradigfni- 

"ífr^n^^^f™- «ade Abbacial, que vagou ao noílo Príncipe , elegéo a Fe- 

24 omneopurhvefenfout, lieiano Conventual do mofteyro, aonde tinhacaítioado a» 

Jpesprtmyfãuiumefiuborh. quelic Moii/c: 2.3 Animantiocom o premio,aos que tt* 

D.H IC ro„ ad ocmtuudi. n l la atemorifado com o «Iriso. Ficara commays pezo, & 

fiavirtutct t uecquifquamcfi, menosfuavidade o mgo de lua oblèrvancia ,falrandocom 

quinonad morum fummaniia- - i • ivt - \t 

xurufccnicrc, quando irremu-* remuneração a o benemérito. 24 Nao creara Varões 

*eratu>n»onr?h»qHit«r,quod taó heroycos na virtude , te lhes ndópremiara os mcTcci» 

çtffiedtr.i.FsriMrumtó, alentos. 25 Nu Regra Ihesdeuasda milícia ,&no exer- 



cício 



E M? <KEZA XXVI. 347 

cicio delia aefperançade fobircm aos lugares , em que ie 
moitra premiada a virtude, & eftimadoo valor. 16 »<5 Q»*ty!fà&bfúteejt«tí* 

530 Convocou o banco Patriarcha a todos os iubdi- rti^min.t^phurbSfiUy 
tos,que povoavaó aquella mótanha.para que vilíem o pre- Mr >f < ' t 'i"'t ^"" uy 

. n „ r . rr íT » 1 àJBncf,», hb.de K* Á no. 

mio, & nao porque neceiiitaile dos votos : querendo , que 
a emulação do honorifico os excitaík á imitação do mere- 
cimento. Transfigurou-fe Chriíio, & apparecéo acompa» 
nhadodeMoyiés, & Elias; 27 &naõlendoneceflariaa \yvfftatuttmMU<>ft** f & 
afliliencia deftes dous Miniifros, para engrandecer a tranf- ^uJiib™??' '*" ?í/ "' 
figuração, foy conveniente, para animar ocoração de Teus 
Difcipulos, a não temerem a morte pela defenia da Ley 
Evangélica, vendo o premio , que dava aos dous defeníb- 
resdaleyefcrita. 28 Naó incita o animo, o que não pro- ** &*"'*, pr&trrhe, aí#* 
meteaugmento. 29 rara David ie animar a peleia do ui- b*ter,imqwdd l feipninh,um 
gante,preguntou pelo premio da vitoria. 30 Saõ f^^^JpTdo.r^.ii 
dro, para profeguir nolequitoda virtude, quiziaber oga- t*te*». 

1 1 - t /• • /v L l • *9 loSeAtm ,& Premium, 

lardao de leu merecimento. 31 Abraham,paracontmuar M pttbun,J.,n M tota ; »B,#i\ 
noferviço.pergútouaremuneraçaódotrabalho: 22 pa- ^'^"«"p"/™* <»»»'» :~ioi* 
ra que noticioios do premio, não temeíiem, como a Efpo- w/f eff*bu*t t> z?™ fèrm. 

Í1 1 ri 1 . p ■ r ** de tiJf, Spr, (5 Cberittle. 

a, a altura da arvore, 33 nemcomoLotn, aaipereiado J0 ^.d j a b„ urTlr0tqui 

monte. 24 fertJcTit p *«¥*«'»- 7 

531 v>omomelmopremio,comqueobanto ratri* ,1 QuidtrgemtiieiuiMãt, 

archaennobrecéo a Feliciano, alentou os demaysDifci- 



Gencji 5 . virf.%. 

pulos. Chrillo Senhor Noííò, com moftrar no monte os 11 *s*fc<-n-iami*p t imam,tf 

*.j.i . r/r 111 r- aprchfidant fiuSut ctut. 

prémios das virtudes, animou os proteíloresdellas: 35 t c*núc. j.vcrf^?.. 
fendo fenhorabíoluto de noiío alvedrio, para que aguar- •« ' »>»°»"»>f<ivumtef*c. 

'tio GcneJ . 1 9. vtrf i 7 

cia de feus Mandamentos foífe fuave a todos , nas fere car- ? < Ruupaupcrtr, bc,tit»<u 

1 r r> r>- r 1 \ C ter :: betti rftit eum ver odtrint 

tas, que mandou elerever para os íete Bilpos da Alia , pro- hoinwe ,_ M J ath sw f, 
pos-lhes ascoroas,q lhes havia de dar lendo beneméritos. » 6 v, nc envi*\»cAcTciti>g' 

* . '%•••■ ir J> ••■ 1 1 r.ovittt :: Jabottb' coronatn *i- 

36 Emtodaamilicia,aiiy eipiritual,comotemporal,ato- t * .-.■.• vi»ce»ti d*bom»nm. 
dos defanimdra o perigo, le tiveraó incerta a coroa. ~Ap»c»i. i.w/i.CS >•• 

532 Ponderou hum fogeyto Seraphico , com aquel- 
laílngularagudefa, com que os filhos deite Príncipe dos 
Pobres eníimó nascadeyras, ckdoutrinaõ nos púlpitos, 
que acelebridade deíte a&ofora adifpofiçaõ mays con- 
fentanea,de que podia uzar noílb Legislador, para aug- |? Fl Mte firo Fr. *A*t<>*i» 
menear o numero de feus dilcipulos. 27 E fe com inten- *< L»—> t ')' r ; L '- if / : ' c j d0 

. . r l 1 c n cU r 1 lmpirn.Strm.de ±.Ucr.to%. 7 

tos de chamar lubditos ,leoltentou S. Bento lenhor, que 
repartia prémios, imitou ao Verbo Divino, de quem ef- 
creveS. Joaõno ApocaIyple,que appareccndo noCeo, 

Xx 2 com 



5 4 S O PRÍNCIPE VOS <?AT. TOMO II. 
com variedade de coroas na cabeça , era innumeravel 3 
} 8 Et ir. apite ejut diaie- , í)U ]tidaõ, dosque oièpuiaõ. 28 Os homés paraiua xi- 

maia multa :;; exerciius qutjut > j _ o -> i 

inCaUj::j!-vi;wf.ir eum me- venda naõ povoarão os montes, porque os conhecerão eí- 
%:f^7:^:::i::i. tereis 3 &dcolheraõosvalles, pelos exprimenraremíe- 

%a, I f.,èju'corctiam U r. C UndoS. 

CloJ.imicilin.lbi. . • 1 ¥-» i- • - 

533 Hum grave autor de minha Religião tem para 

fi, que eíteMonje, a quem premiou S. Bento, foy omef- 

& Tr. Victtttt JeMoyaFrf- mo , a quem o Sanco tinha caíligado, por faltar áOraçaõ. 

%Í1£Sfc!$S&. 3 9 Naõ difputo a certeza, aprovey tome da opinião 5 pi* 

ramoftrar aos Príncipes, que os prémios faõamelhor me- 
dicina, para faráré as enfermidades dos fubditos. Eftedif- 
cipulo do Santo , ainda que ficou melhorado com o cafU- 
go, acabaria de convalecer com o premio: porque de to- 
dos os medicamentos políticos, que os Príncipes applicaó 
aos achaques dos vaílallos,oque os livra de todos, laõ as 
mercês , que recebem. Difculpando-fe muytos homés, 
com as oceupações mundanas, para não aiTiftirem aoban* 
quete da gloria, para oqualChrifto os convidava, figura* 
do no pay de famílias ; mandou o Senhor chamar os cegos, 
& aleijados, que havia na terra. 40 Mas como poduó 

40 ExieHoinplatcaf.tfvi- , 1 i • 

co< civiíatú:® /aupcretlac j e . os cc g os ver a luz , para acertar com a porta j nem os alei* 

b Jl c ^ c " co '^ cUudot '"''<>■ jados ter difpoíiçáo,para andar o caminho? O mefmo San- 

l»c« I4 . verf. íi. to, de quem he o reparo, dá a folução. O favor , com que 

Chr irto os authorifou , dignando-le de os aíTentar configo 

a « w ,qui vocamuradea. * mez 3 ? foy a medicina, que deu vifta aos cegos, pés,& for- 

n»m,pr iu * voando f a „ an ,ur. ças aos aleijados. 41 De quantos vaílallos cegos, &a« 

**t.9.e*u!oroftfrinc. leijados conlíao as republicas, que o lao, por lhes ialtara 

eíumação dos Príncipes? Quantos intorpecéo, & impoí- 
íibili tou a falta de remuneração dos íerviços ? Cheas efiio 
as hiftorias de exemplos,& memorias de Varões claros,el- 
curecidos por defeftimados, 

534 Seguem muytos Principes,oeftiío deAriera- 
to,que para fe dar por bem fervido de feus foldados,os 
Jouvava em publico, por lhes naõ dar outro premio. Sup» 
poíto,queaeftimaçaódoshomés tem as palavras laudarr» 
cias dos Príncipes, por flores, Sc fru&os defua may or hon- 
ra: 42 Com tudo, a medicina das palavras amefínharaõ 
tlf.ZZl,^^ ^- "™y tasenfermidades; naõ as feridas do foldado, nem os ar 
4I CtciviitntycUuliam. chaques da pobreza. Chriftobem noíTo, farando todo o 
jví^íí.ii, generoaeenrermidadesj&atodaalofte depeíloas j 45 

naõ) 






naô !ernos,cuigtTe as feridas de alguns foldados. Tarando as 
chagas de muytosjtiem que déílè riquezas teipporaes a ne- 
nhum mendicante, libeiajjzpndo abundância de bens pf- 
pirituaes, a quantos o íeguiaõ: a meu parecer, foy arazaõ: 
com a virtude de íuas palavras obrou Chriito todos os 
prodigiosa luas palavras foraõ univerfal medicamento; Sc 
naõ quiz fazer eftesdous géneros de milagres, para eníinar 
aos Príncipes, que femeihances ach<ques,naó ie remedeaõ 
com palavras, lenaõconi obras jainda que a todos os mays 
ameíinhem as palavras dos Príncipes. 

5 35 Premiou S. Benío a reformação defíé fubdito, 
conxjoâazerPrálarifkclaquel{emofteyrojanimando-o a naó 
temer o pezo da dignidade , com lhe remunerar a vi&oria 
do primey ro confl í&o. Receofo Jacob , de encontrar com 
(eu irmão Ezau,appareceo-lhe hum Anjo,comoqualan- 44 £fí(t ,, V to a f« w « mM 
douembraço&íodahúanoyte: 44 amayorpartedosEx- HfqHe«i™*-Gt* e f-wf-n- 
poíitores concordaõ , que efta luca fofíe, para animar a> Ja- 
cob: & com grande acordo : porque o Anjo premiou a va- 
lentia, com que Te ouve Jacob, mudando-lhe o nome de ,. . „ 
Jacob, emodéliraèl: 45 Sc montou tanto o galardoar- coba Ff >rubm,rri<»*tttiuS,rtd 



íhe o Anjo o esforço, com que fe ouve , que animalo a ^^'«'"fi»"*'* Dc * 

sv 5 ' ^ ' T jortiíjMtiti , Quanto m; f 

íó rçcÉaro perigo, que temia. Efcrevem os Pcetas,que tr*homi»eipréev»Mu. 



feriu fuijli , Quanto msgii cen- 
'ã kommctpr 

a Sol naó teme a fepultnra dooccazo, certo do triunfo, 
aueoefpera no Oriente. 

536 Semelhante ás columnas de SalaiBaó fahio do 

uofteyro de Subiaco,eíte difçipulo de g.iknto: levava 

conOgo as rôrtiá&^ as cadeaS j as varas , & osfiu&os; o 

premio, & ocaíHgo; nelle, mandava o príncipe dos 

Patriarcrás húamoftra defuaredidaõr para 

horror dos tíbios, as varas ; Sc pára conio- 

Colação dos fervoroíbs, osfru&os» 



B 






















1 






• 



Xx 3 DE 



350 



DE HUM DURO PENHASCO TIRA 



S BENTO 

HUMA CORRENTE DE AGOA. 




537 B&^ RIMEYRO no nuindo a P o- 

teítade íc propagou tyranmca, 
do que paternal : prinxyro vio- 
lenta, do quefuave. AosReys 
da terra apdJidarão os homens, 
tyrannos. O primeyro , que ou- 
AttSfSt^ !f nomundo,f oy Ca.m; & defpois do diIuvio,Nembrod. 
tifum.eauf.+vtrfo Com ofraticidio fenhoreou Caim parte da terra , i & 

Nem- 




Nefabrod, com violência íe intronizou Rey de mu y tas 
Províncias. 2 Caufa que ti verão os homés, para avalia- t* Bereftia.^ JeFhr.CjiJa. 
WÃ-poí tyranuos, a todos os Principesabiolutos , & pou- &,& l^XcLÍÍ, g»//' 
co zeloiosdo bem coiiiamra, 2, concebendo ódio taõ 
entranhavei,aosquenafucceíTaõdoscécros,immitarãoas ' I ri J w Re *fa' T i ran » uí - 

. r , • • 7 • , -£C • £ a- ^"fi.ttbjc.M.t.cy.,9. 

miolenciasjntroduzidasnascoioas,queairnruoafupenti- 

caó deRoma,&de Grécia pelo mays Religioíb holocauí- 4 av.^*/, cum TjM**'t 

toíeytoa Júpiter, a vida delmm Rey Tyraano. 4 | ^Í&Z±^ 

hare cum, quem f m cjleeeidc 

»Bn Victimgfiutnutk ampliar "' ,cer% ' ujc ' 

os ' Foõejlytwgis que opma^méíxà JuVty 

Quam^x vnqmus. . : 

•Setiec.in Hercnl. Furznt. . 

. $38 Os verdadeyros Príncipes, pelas acções fedef- 
tinguem dos Tyrannos : Eítas vem aier : que oRey con- 
verte a guerra em paz; & o Tyranno, a paz em guerra: af« 
folando os vafíallos com tributos , para íuftentar feus def* 
©idenados, c^lupcrfluos gaites ^ immitando osReys da 
PerÍja,quetinhãopeníio«adasas Cidades mays opulen- 
tas, a contribuírem com groíTos donativos, para o iuften- 
to,&enfeytesdc Tuas concubinas. 5 OsReysmultipli- , PetríU Rn„ m f tf Jefímt 
caó tributos, para deíempenharfeu credito ; 8c osTyran- Per f ,co - l,i - * 
nos, para íàtisfazer feugofto :como o Emperador Cayo 
Calígula, que em húa cea difpendéo os tributos de três 
Províncias. 6 OsReys lançáo tributos, para remunerar , ,, ..... 
iervjços; & os l yrannos,para conlervarlacmoroioscaíly 
o fez Henrique 111. Rey de França, que para efte fimpos 
tributo nos partos,& morres das crianças. J OsReysfo- 7 K.er,n»jir*ncifj S . 94. 
geytaó-le á Ley de Dcos , & da natureza ; & os Tyrannos 
jiáo íeguem outra ley mays , que a íua vontade. Antiocho 
Magno , chamado o Sedete , publicava , que a lua ley era o 
{c\i apetite. 8 OsRcysobrigaó-feaobemcommum ; Sc s ttrM, i*t r W;* f 
os Tyrannos, ao particular. 9 O Emperador Mauiicio 9 TyrifUtMqu! j^f,^KcK 
foubava as povoações de feumeímo Império : 8c pre^un- \uttmeorum^y»bjp o r <gun- 

. . r ■ l r •* r> r nr,coujnerat comiaodum.. 

tadodos ieus, para que ajuntava tantos tnelourosr Kel- ^riji.nbi.Etf>rr.cjp.,o. 
-pondeo. Aproivytomc do efa-o , em quanto mo naõ tirão. 1 o Os ' ° m J ; ^>.'»©. §^"*"' ' 
Tyrannos faÓcomo a hera, que fc abraça com as arvores, 
para lhe tirar a íulbncia; Sc os Reys, como a3 plantas , que 
te a judaõ da humidade d* terra, para aícailizarcm com 

feus 



5 ç 2 O f^lKCin WS <PAT. TOMO 11. 

feus fru&os, & para a favorecerem com afombra de Aias 

ramas. 

529 As gajes,que recolherão os Tyrannos de fua 
inhuii>dnidade,foraó,defeinpararemosíòldados ao im- 
perador Maurício , confentindo lhe déíle a morte fe u con-- 
»i VcUx?7ranusUb.ti.*Atu c rar j phocas. 1 1 Rebelartm-íe osda Syria contra An- 
' ITjufi.nusM.tf. tiocho: 12 Perder Alberto os Reynos dos Svevos,& Go- 

dos, pelos muycos donativos, com que os vexava; 15 Sc 
peia mefma caufa privarem os Danos da Coroa, á íua Rai. 
h?rJ r ub tir ?'% J * Slth * nM ' u ~ nna Margarida. 14 Deporem do governo, ao Empera» 
h jobatt MtgH M ia.zucM dor Federico. 15 Defobedecerem os de Dalmácia ao 

It Parts de futre de Sindica ,-, , qp-i •/->/"" • o J /* c t 

çjeRegHmexteffih.cy.i.n. Emperador Tibério Celar : 16 & delpovoarem osiub- 
i 9 ./ ;.8i. ditos as terras delReyChylperico. 17 Os Príncipes Ty- 

16 Dwn.LajJhb ss.hHor. J _ ■£ * / . * J 

Rot». rannos, lendo muy tos, tao como oPhenix ;nodwheyro 3 

,'ÍS^Í!: ^ recolhem dos tributos ajuntaó a lenha , & nos íubdi- 
uu, G,; S oriu, je Sjntagjur. tos q UC exafperaó acendem o fogo, que os abraza. 

540 O lucro , que tirarão osKeys da parcimonia , & 
moderação dos tributos, fe vio em Henrique 111. de Caí* 
tella,connibuindo os povos cõ liberalidade; & oflerecen- 
do-fe a mays diípendio, fendo neceflario; como fizeraó os 
de Tolledo, para a guerra contra os Africanos, q lhe oceu- 
pavaõ parte de feus Reynos ; 8c delpois de fua morte éter- 
nizaraõ-no na faudade filial de toda E lpanha, por fer hum 
Rey taó efcrupulofo em os vexarcom tributos, que de- 
zia, quando oaconfelhavaõ á impofiç aõ de algum donati- 
vo : Temo mays as maldições dopoVo, do que as armais de meinini* 
migos. 18 O Emperador Adriano naõ confentindo, que 

18 TbahfanoadPhiujirmm os povos lhe pagaífem a foma de ouro, & prata, que cuftu- 
âa v„, ^poiíonynb.s .«/.,,. ma yaó contri bni r na coroação dos Reys , grangeou tanto 

as vontades de todos , que lhe mandarão húa coroa , Sc os 

19 íitmibu paramentos reays mays cuik>fos,do que a fazenda, que 

lhes havia perdoado. 19 EIRey Dario^emetindodaa- 
ao liem ibi. metade dos tributos, a queeftavaó obrigados feus vaífal- 
„ . los, foyfenhor da fazenda de todos. 20 O Emperador 

21 Joanntt GuUerr.lib. j. '. J . , .. _ r 

praticHmqutFiio. £««,<?. , 3 . 1 rajano, levantando todos os tributos, toy omaysopu- 
num.n Vfej. lento Monarcha daquelle Império. 21 Niceforo Botõ- 

es L,i. t ,iuri,ori e ntaiiin niaro > Emperador do Oriente,rafgando os li vros dos anti- 
cofft.tuio.L boiomé.M.jeu- a OS tributos, em que efUvaó multados feus vaíTallos,& 

levttienefife.debi, , i . i- • - rr f 

perdoando tudo quantodiviao ao nico 22 (^norempo 
cm que o elegerão Emperador )foy amado ,& aíieftido 

dos 






, R U <P ^ E Z A XXVU. 353 

dosvaflallos,com cal promptiddó , que voluntariamente 
lhe offereceráo todos ieusbens ; naó coníencindo , fizeífe 

difpendios acoutada fazenda real. 23 OfamofoCyro %\fT*nt*faisoSm,stm*kk 

careouo meimo,com a diminuição dos cribucos. O Lm- 

perador Contamino, pay de Coniuncino Magno conhe- 
cendo o rendimento , que tem os Príncipes quando os vaf- 

fallos vi vem opulentos , & ftm tributos, dezia : i// fa^en- 

Áa melhor está nas mãos cios Vajíatlos , cio que nus dos (Príncipes , por- 24 p uáor. Vitgii Uijitr. h 

que neflas epooaofas ,& ms outras contrata ,& lucrai. 24 O ^x'™- M*> £>*'<* J ' b - ia - 

ouro creice no ininaral, que o cria ; & naó no cheíburojque 

o recolhe. 

54.1 Efcolhaõ agora osPíincipesdefíesemulumcn- 

tos, qual delleshemays proveytofo áconfciencia,eftima- 

^aó , tk perpetuidade 3 fe o desfrutar como Keys , fe o deí- 

truircomo tyrannos. Fogem todas as aves da Águia, & 

todas fe chegaó ao Pelicano j porque elte, abre o peyco, 

Sc franquea o próprio langue ;& aquella, uza de garra, pa- 

iafe futòentar doalheyo. Defamparaó todos osptyxesa 

Balea,& acompanhaõ o Delphimjporque efte,osguia nas 
tormentas j& a Balea, os intimida nas tempefiades.Elcon- 
dem-fe do Lcaõ todas as feras, & feguem o Unicórnio; 
porque hú, lhes moftra o falutifero para a vida ;& o outro, 
asefpanca com o medo da morte. Defviaó as arvores as 
raízes da parte que as mortefica, eftendendo-as na terra, 
queasfuftenta. Da mefmaíórte os vaflallos fogem dos ty- 
rannos, & abraçaõ aos que faõ Reys. 
. 542 Defgraçadoo Príncipe, que pornaõdeyxar de 
íertyranno vive com menos feguro nospalacios,doque, 
ofacinorofonofuplicio. O Emperador Cómodo Cefar, 
&: Diooifio Tyráno de Sicília foraõ taô defeíhmados dos 
vaííallos , &: viverão taõ receofos delles , que le fizeraõ in- 
tratáveis. Os tyrannos eftaõ nas republicas de peyor par- 
tido, do que as feras no mato : porque efbs tem horas , em 
que defeançaõ , Sc vivem com focego ; & hum tyranno em 
toda a hora, 8c lugar eftá inquieto, porque nunca fe dá por K 7>w»n«tfi»ím»»r*rt#«, 
feguro • 25 & para inoftrar feu natural indómito, ar- u Buy *t>ftnu*m % mctM>t , f j,$ 

. - r c Pi ' '"*"J citam etilteJtt > ttte* otite/ //- 

oiao-le como leras receolos do perigo 9 a ímimtaçao de htepuiiJe)c ^ CWí rr,- ( , vl â ct 
Alexandre Phereo, & ElRtv Macinifa naó largando as »**'<' **»'/*!»>*#*<{• 

...... . ° 7Í> Mu tçi limmt HtC.Ç. i/r, 

armas, por terem offendido a nuiytos. 26 $***#*/« if&tr.fffli.MtiM, 



354 O T^INCME DOS ?JT. TOMOU. 

■ 

Chi terra ,pluó ipfe timet :Sors ifla Tyrcmnis 
ConVe>iit.m)ndwi£ claris, fortes me tructdent* 
Munitt glatiys ViVent 7 feptt que Venems. 
Llaudian. de lujlitu. Princip., 

ty^ Naõfe eximiraóos vafíallos dotributa,C3cafpt» 
táraõ-íe da violenciatnaõ repararão no roubojqueyxáíaõ- 
fe do modo. 

fflec (rum mifer túk recufo 7 

Sedprecor y utpojim tuttor^ efSè mifer. 
OYtd. ty.Trtft. Eleg. 3. 

Sa ó as republicas como o mar; os vafíàHos,como os pey*- 

B7 Tyrcmtrunprtttsmcef. xesi& os Principeíi,comoos pefcadores.Nem todo o pey^ 

fiuiifutatdmixt*. xe f e pe{ C a ao candeyo, porque nem todos defconbecem a 

eavilaçaõ da caufa. 27 O ttiarnaõ correfponde ás peita- 
rias do inverno , com a f ranqueza do veraõ ; porque ainda 
que efteja rico de agoas ,efiá combatido dos ventos, & o- 
primidodastempeitades. As republicas por ma ys opulen- 
tas que fejaó , vendo-fe oprimidas com tributos , fazem-fe 
lebekks á contribuição. O pcícador naõ uza dasmefnías 
ledes, para com todosos peyxes,: afly os Príncipes naõ o- 
brigaõ coní a mefma neceííidade , & donativo a todo aef-< 
tado. Somente o pefcador, que uza de anzol pefca em to- 
do o tempo, & a todo o pey xe; naifca, com que disfarça a 
arezoiconvidaatodos. A moderação, aconveniencia pu- 
blicada conformidade com a tempo, poíTes , & cftadofaõ, 
as que íuavizaó omayorpezo; asque fogeytaõ ao mays 
izento em toda aoccaíiáo,&lugar; & quando afubdk» 
falte neftas occafiões, moíka-le pouco Hei. 

Turpe efly quod mqueat capkictonmkttre pcnduâ ) 
Etprejjitmtnflexomox dare terga genu. 
Fropertitu. 

- : 

28 VaJeidwan&miveka- 544 Chtiíto Senhor NoíTo uzou deite género de 

tfccnicntjoh . Syínare F 10 *" , quando mandou a bao Pedro pckar o peyxc, dç 

hg* , invsnw fiaursn, • m^ cuja boca ha via de tirar amoeda , com quepagáfíe o rtabu- 

^MtHb.xT.vcrf.zô. toaCeiar. ao Que o pefcaíle ao anzol, mandou Chriíio 

aòao 



■/.• T 



EMTHEZA XXF11. 3 ^ 

a Saó Pedro. As circunfhncias, que concorrerão ncitc 
wyllerio,íerviráóaos Príncipes de máximas, por onde go- 
vernem a theorica da impoíiçaõ de feus tributos. Epara 
que as refoluçõesfejaócommum parecer dos intendidos, 
darey relação dos fele&os conceycos ,dos muytos que te- 
nho lido, ouvido, 8c ponderado á cerca defte lugar. 

545 Sejia primeyraluz, que nos aclare os difcurfos, 
o mays ínfigne Prégador,que florecéo no mundo,de muy- 
tos feculos a efta parte : O Padre António Vieyra da illuf- 
tre, & exemplar Companhia de J ESUS , no Sermaó que 
imprimio de Santo António na occafiaó de Cortes. Re- ; 9 ^t^^^T"' 
parou, emChtifto mandar aS. Pedro pagaffe otiibutoa »' l" et ° n ';>»°8<>v c .p. Á z. 
Celar, nao do preço porque podia vender o peyxe , íenso «»». 
da moeda, que lhe achafiè na boca. 29 E refolveo:foy '' Ge "g"v- D ™""*t*t 
para que S. Pedro, que era o pefcador,pagaíTeo tributo,& nige-tehberof ejfeoponere cap 

'" : hut& §. quanivi/, i).qu<i)t 
avid t Jal.toa, Noliletan, 



ficaffeconiofruiSfcode feutrabalho: ordenando Chrifto fe í.d,"' • ■' 



tirafíe o tributo da boca do peyxe, &naóda boca dopef- i^^^fly/^.^jdr^i.b. 
cador. Contorma-ie elta doutrina com a politica circuni- mmdeumver/, t s«cetdetHut t 
pecçaó, de que uzaraõ muytos Príncipes, pondo o tributo ^T^SSm^S^Z 
nacalidade dos géneros ,& naó na ganância dos mercado- 0o-hab e et„peitfiat mimpens- 
um delles toy o Lmperador Auguito, lançando tri- , Wumerer.cap yfàtrt s.V 
buto ao valor das pérolas, deyxando livre a mercancia dos "f &'** u ™ d L%f r b ": 6 - 

l ' J ibi , ciem igitur t(chj'/ithcte 

contratadores, 30 de quem foy particular amparo, ia- .qujèpt>/on*.Etehm<»ii,fr*- 

vorecendo-os em todo poíiivel. 31 Os nomes denego- f,i n , rite tor y vc 

cio faó nas republicas como a medula das arvores fru&ife- ,}\ Cay.ee/ari-Cemp0tMr. 

» > /;* b.L)ue>:hiti in tlilt rtf£ 100 

ras,queiuccada terra aiubítancia,comqueasalimenta,&> »? c<,p Kc-m. f ui,,vc.,p. 
íertiliza ; & ie as inclemências do tempo , ou a mahgnida- cl J e „ u , ll!lce eo j emti1 . c / p . 
dedo ar offende a medula, naó importa a fertilidade da iC5«/.c'mrt/,f«</t*''f»j. 

, , * in cap fecunJum CêU n/cwn^ 

terr a, para que deyxe de perecer a arvore. . €íf trn u tum% g*»*"*'^ 

549 Duvidou também , em que fendo maysfacil &<™*'^^»fi*"fi 
Chnílodizera Saó Pedro ,meteíTeamaó naalgibeyra,& [y*«<»<*f ««/*«//» 6 s$c.Co>>- 
queahi acharia, con que pag.ir o tributo, OMlIldafiwm^ycJSSI^AÍSE 
roarpefcjropeyxe : 32 8c refolvéo, que foy, para que *w« 1 • tfc vs t»L>a £«»* 
S.Pedro pagaífe o tributo como pefcador,& naó como ",6 L.^Ki,i?í.Swi/rt>. 
Apoftolo;cotnofecular,& naó como Ecclcfiaítico; pa- ^/^ct%^ 
pando por razaó do officio o ttibuto, dequeeftava izer.ro torrão §.?/«<■* 16 quatff.i. 
pela dignidade de bacerdote.Catliolicareíoluçaorinnaa- p ^ $,„<•, »«».•, Qu*fi /&». 
danodireyto Divino, 33 Natutal, 34 Canónico, ^^^t^t 



tap.m q" 



8f Civil. q6 ínviolavelmentc guardaraõefiahimunidd- ç*^/-'« /• so^-^A'' "*'*. 
deãos bacerdotesoEmperador Jujiiniano, Arcádio, Ho-^^/^.o. 

. Yy 2 noiio, 



tf 6 O 1%1NC!?E T)Q$ QJT. TOMO 11. 
norio,TheodofÍQ, Mareio, Theodorico, Confiarei no, 
Carlos Magno, & Saõ Luis Rey de França : & todos os 
, 7 Bcia3nkaiom.\\âePoii- Príncipes tementes a Deos. 27 AtéosGétios,<3cidola- 

licahb.i cap. i8.«.i$4. . * „ . .. -",, , , ,- T , 1 

«a ■]t:hoíefir>n cimenta- trás izcntarao dos tributos aos sacerdotes cie léus ídolos. 
•* 7 '*'7- ^8 Certos gentios differaõ de hum idolatra, porque de- 

penou húa Águia, que oftendera a Júpiter j entre as aves 
, 9 tgiiin^fufrcfiitiçn^ cfcolhéo Júpiter a Águia por admmitfradora de Tuas ar- 
faij* ReiigioniicuHor.hb.i.%. mas }& íulgaraõ feromeímo,defpo)arlheominiftro,do 
79 ' quedeíauthoiizar a iuprefuciofa Deidade. 50 

40 p.fci.eBapuâPiMun,, 547 ^mdiVáo'miigri^ikg2iáoi ,com^itgu\\t^x ^ 
''''' : Tãn^,Z r ,f í>iJihD,v ' lo nol " e defíe pcyxe j&deíbobrtndocm hum grave Au- 
cr.xhztm uath.c.\T, qu*ft. tor da mefma Companhia , que fe chamava peyxè afficial: 
*., f »jc»àJe~ric«s. 4Q admira _f e)( je queaténomar,fejaíóopeyxcmacha* 

nico, o que pague o tributo, & naõ aprova, uzar-fe omef- 
mo nas republicas. Piedofafufpenfaójporquc o contrario, 
fora lizongear os Príncipes Catholicos , com o alvitre, 
com que brinda vaó os facinorofos a Alberto Rey dos Go- 
dos, & filho do Capitão Magapoienfe induzindo-o, a 
4 . ihou z »*oub>fupra. queobrigaíTe ospopularesáfatisfaçaõdosdonativos,pa- 
*?. lyranmsadopprimenàos ra queos grandes de feu Reyno vi veflem fobrados , & naõ 
f^ittp bonefitm ftuicm y v<,c. queyxoios: 41 Anyoiezklrley; 42 lem reparar, que 
't^ttcxarg.i». pelosmeátos datara fe enchem os poços de agoa; &fe 

lhe cortarem as veas, fecárão brevemente. Não íè coparão 
as arvores de rama ,fe as raizes as náofuftentaraó,com o 
humor da terra: as veas,& raizes, que fertilizaõ as republi- 
cas faõ os homes de negocio , & os officiaes machariicos 
delia j & a experiência eníina a favorecer os meátos das 
fontes, para a peremnidade das correntes , & a minorar a 
fobegidaõ dos poços, para que íua corrupção naõ inficio- 
ne os ares, de que fe geráo os con tagios , que ape ftaó as re- 
publicas : & he ordem da agricultura decorar as ramas , 8c 
cobriras raizes. >.uiti 

5 48 Lembrome,de que o Re verendiífimo Padre Fr. 
António da Paz, que fallecéo Bifpo eleyto de Malaca, 
Monje Beneditino, varaõcom univerfalidade douto, Sc- 
univerfalmente aplaudido , pregando na Collegiada da 
Villa de Guimarães o Sermão de Noflà Senhora da Oli- 
vey ra, duvidou, em que mandafíe Chrifto a Saõ Pedro , 8c 
não a outro Difcipulo tirar o tributo da boca da peyxe: 
4} wvthamu^ 43 &deupor razão , que Saõ Pedro entre os Apofto! os 

era 






era o pefcador de mayores experiências , por rnays antigos 

& de todos feus ofBciaeSjqueeraõos Dilcipulos,efcolhéo> 

Chriíso omays inteligente nefte negocio, para que com 

todaaarte,&indoítFÍa leouveíTecom opeyxe,ck:quem 

hia arrecadar o tributo. Muy tos tributos foraómays one- 

roíos pelos excéiTos,&iníolencias dosminiftros,doque • Extuirminifirifreeefeefi 

peíacantidade da contribuição. J Henrique 11: Keyoe 9I „4 f ,y fV ,,, pm *,e? ■>•,«*?■,- 

trança, posem contingência a confervação da Província Y"' t mD ' i ^ u '^ u " i ' m f" ev< " 

* ' * ' o v .',2 lMn f->lgUnt impune, ti ujui mo-- 

de Lenguandoch, por naó feguir os conlèlhosdos Minií- d,bo„ et p,inc,pct,jcã pravo* 
troszeioíosde leu lerviço, íui pendendo a iunldiçao,& ín- „„„ e scjUam,»uncH*rpj<» t 
folencias.dosquenellacobravaõos tributos. 44 Levan- *?„?')'" v'* 1 """'' .. . 

_ * * . . i< HtUebcrtuttd quina» fnn» 

taraó-ic os de Dalmácia contra Tibério Cefar,cV pregun- ceptmEpijioi. s 9 . 

tando-lheomefmoEmperadorpeUcaufadefuarebdwõ^ 

lhe refpondéo Batto, que era a peííóa , que os Capitanea- 
va : "Hão podemos eflar fogeytos ,d quem manda para Mtniftrosde 

feus fubdttos , nao caês depajlores , que guardem o rebanho y fenaõlo» 

bosque o esfolem. 45 Os Romanos em cada húa das Provin- 4* Dhm.Cáffjfc n.tôfaj 

cias tinhaõhumMiniftro, a que chamavaó, Quejlor^ que 
arrecadava todas as rendas reays.. 46 Para húa Provin- *fi B0dinsptg.i9.ii 
cia, & para muytos tributos havia hum Miniítroj &naõ 
para húa Cidade, Separa hum tributo multidão de exe- 
cutores: ifto he coníumir as rendas com os ordenados , & a 
poílibilidade dos povos com as execuções. Osfenhorios 
das herdades , naó metem nas podas tantos jardineyros, 
quantas Uõ as arvores , que haó de alimpar^ porque de ou- 
tra íórte , fora mayor o difpendio, queo lucro ; & fiçaraó 
as arvoresi endendo,para quem as córtai& naõ,para quem 
as guarda. 

5 49 Convidame a memoria com hum reparo , que o 

Reverendiffimo Padre Fr. Rafael de JESUS, hoje Çhro* 

nifta Mòr do Reyno, &toda a vida efumado pregador 

<Jefta Corte , {ez y pregando na Catedral da nobiliffi- 

.«na Cidade do Porto, em queunandaflè CbiiftoaS.Pedro, 

quepagaíTe porfi, & por elle o tributo aCefar, 47 &: 47 Dathprome^tel 

naó pelos mays Difcipulos : 8c concluhio, dizendo j que 

ChriAopagouo tributo, porque tinha Diícipulos,ck Saõ 

Pedro, porque tinha rebanhos , lendo paiior da Igrt ja ',8ç 

pedia a razaò, que os m3ys ricos, & author izados foflem os 

principaes, que pagauem o tributo-Deíte parecer íoy Ar- 

cadanio único conlelheyro dos muy tos, que afíUiiraõ ?o 

Yy 3 Em- 



&$ O <?$JNCftE VOS PJT. TOM. II. 
Emperador Tibério votando, que toda a pefíoa, quenao' 
tivefle bésderaiz,ou ordenado do património leal folie 
izentadetodoodonativo : Y^to, aquele inclinou o tm- 
4« ihoiezmettbifupra. p cra dor,& o eliabakcéo porley. 48 Odinluyroquefe 

recolhe com lagrymasdo pobre , ht como a írudra colhida 
com oorvalho da manhã, que náoaproveyta, porque íe 
corrompe : orvalho da manhã laólagryinasda Aurora. A 
fruta, que fe tira das arvores pelocalor do Sol dura, & tem 
jnays goíto. 

550 Náomefaydamemoria,oque oReverendiífi- 
mo Padre Medre Fr. Bento de Santo Thomás, íingular 
crédito de minha Religião , meritiííimo Lente da Ca- 
deyra de Prima de Efcritura na Uni veríidade de Coimbra, 
8c actualmente Dom Abbade Geral de minha Ordem,dif- 
fe, explicando a hiiioria de Ruth, que di£tava,& foy; pre- 
guntaracauft,que teve Chriíio para encomendar a S. Pe-, 
dro , que por fua mão lançaiTe o anzol , que havia de pren- 
der o peyxe: 49 E íoltou a duvida dizendo j podia foce- 
der, encomendar S. PedroacutroDifcipulo efta diligen- 
cia, ck ler Judas, a quem a encomendaíTe S. Pedro^porque 
sté eík tempo , não tinha defeuberto o Difcipulo leu ma- 
lévolo animo : & fendo Judas , o que recebeffe o tributo, 
punha em rifeo a fatisfaçaó voluntária deChrifto sotri- 

<o Funrtt/dhcuh^the- buro de CefaTj porque Judas náotinha fidelidade,porque 
hittfqutm-.tHbMtHr, porta.- -çxz J a( | ra ó. <o Com que, feria necelTario a Chriíio lançar 

bat. Jojiin.cap.ix. ... J l . r K , * 

novo tributo, ou mandar pelcar outro peyxe. iNunca as 
agoas chegarião ás fontes, le correlfem por canos cfpor.jo- 
fos. O Príncipe, que a todos excedéo nos tributos foy 
"Henrique Hl. de França , & de todos os Reys deíia nação 
clle foy omays pobre^porque aífy como gaitava tudo com 
deífo!utos,&eAragados,delles confiava o recibo, & a en- 
(i "MitiUuia âc Strabo.iib, trega das fintas. 51 Ornar he íènhor dos roayorcs the- 

fouros do mundo, porque as cempeliades , quelhos entre- 
gão, nada recolhem para li. 

551 Com a fortuna cuíiumada, com que em todas 
fuás acções ílluítrou oabito Beneditino , reparou o Padre 
Mettre Fr. Bento da Afcençaó, hoje Difinidor delia Fa- 
miln, pregando na Gapella da Univeríidade . no valor 
dodinheyro, que continha a moeda queSaõ Pedro achou 

s » Utemu staurtm. fia boca delie pey xe: StaíeraWiz chamou Chrilioj 52 que 

(( na 



113 efiimação de Portugal vaiomefma,quehtta moeda de 

oiro vintém: 5^. Nem mavs. nem menos, valia amoeda, ** ErgoSuter maina iu- 

~ y II ,- I -!rr flcxdiJricbmum,uuirum uni 

porque eraodous, os que com eJIa ie naviao deortertar, fitrojs «iu,upri>*i,r,j!c d». 

Chrifto,fe& Pedro; cadahumddles neceílitava de qua- X^7I.,.,«4.^.^ 

tro vinténs, &coníórme a neccílidade lançarão otiibuto g»»/«Mi.*. 10. 

ao peyxe. Eftafoy, a meu ver acau fa , porque o peyxe 

com tanta promptidaõ odeu na pontadaiingoa,queno 

peyxeíoy o me(mo,que na palma da maõ^ vçtxk), como fe 

íoife racional, que o tributo, a que o obrigavaõ oaõ era 

parafuitentar cjemaíias, íenaó para acouir aoneceíiàrÍQ. 

Néro,emquantodiipendéoQs rendi mentos, dos. tributas 

cru remediar as nectífidadedoimpeíio,nãQQ aborreceria 

os fubditos ; mas deípois que uzou das contribuições para 

o íuíienco de Iizonjeyros, & adúlteros, com osquaesgaf- 

teu eajoscatorzeannosdeieu reynado (incoenta,& fin- 
co milhões : 5 4 Muy tas famílias defabitaráo luas terras; cíJjfcwí^SS Sv"** 

& outras, fizer áoceífaó de bés obrigadas deíua tyrannia. 

55 Os vaíTallos em poder de hú Rey tyranno , faõ como } * TkoUz^oub^n. 

os rochedos combatidos do mar, que os naó dey xa com a 

repetição das ondas,íenaõ deípois de os desfazer em aréas. 
552 Não degenerou dcíuacuftumada agudeza , ç> 

Muy to Reverendo Padre Pregador Geral Fr. Roque da 

Natividade D- Abbadedelieiníigne Convento de S.Ben-» 
to da Saúde, quando na Miíericor dia da Cidade do Porto, 
ptègandooSetmaódoMandato,reparouemdizerChrir- 
toaS. Pedro, que na boca do primeyro peyxe jqueçaiííe 
no anzol acharia a moeda: 56 8c perguntou,que myfte- 
rto ouve, para que folie maysna boca do primey ro,do que 
do fegundo, & terceyro peyxe? E refolvèo; que naó per- í( s & e tt*t i f* c ' n >1*'P r ' a ' ,ts 
mitio Chrifto pefcafíe S. Pedro mays pey xe,do que aquel- a I ttH ^ r "- 
Ie, que podia remediar a neceílldade; porque derruir pri- 
meyro a muy tos miferaveis, do que ie chegue a obrigar a 
hum poderofo heinfolencia muy tas vezes permitida nos 
rributos, que lançaõ os Príncipes da terra; mas naõ no go- 
vernodo Principedagloria. Mays bé fervido fora oEtn» 
perador PhocaSjfc principiara o lançamento dos tributos 
pelos poderoios , & não pelos n>ileraveis paíiorcs : dos 
quaes fugio a mayor parte: & foy para todos geral ao» 
preíTaõ, junra com a neccfildade , que ouve àc mantimen- 
tos. 57 Q Lobo, para diigarrar o rebanho, primcyroin* S1 ii»i*K»n»fifm 

tenta 



s éo O PUlNCftB VOS ?JT. TOMO Ih 
tenta dar a morte aos maftins ,que o guardáo:& quando 
faminto, comeíía pela ovelha magra, & acaba na pingue, j 

Dilacerai populos, Vtlnti Leo ^quifqite tyrannní: 
{B^gefurenti^lttpi more,gemunt populu 
Cerman. 

S8 D.c.:urf3p'-fc>i DiviPe- 

tritfuà Lbr,fi,»nos. j- r 2 j\Jão me quero izentar do trabalho, nem ao Lcy- 

Gonthzemfupra. i in- rt 1 ■ ■ J ' J r I 

, 9 Uoe u.butopejTtoDomi. tor da moleltia , lo por dar noticia , do que a cerca deite lu- 
ninoftr.âcfignrtur.ibuphiiu,^^ \àmos difcuríando difíe o infigne Poeta, o 

*SÍnliochtr,Jis. fc> l m o ' 

Padre Meftre Fr. Jeronymo Vahia , pregador das Magef- 
60 ^iibatmcap.t.num.\o. tades de Portugal, Monje de minha Religião em hú Ser- 

■vfrfí.Not* di immunittte Ec- . 1 *~» 11 r> 1 j I_ i 

thCtarum Sjivrfttr in fumm» mao , que pregou na Capella Keal , do que haverá pouca 
■»tibo % immu»it*f. & l. 1. »» no( i c j a porfenáo dar áeftampa. Preguntou pelo nome 

fin.vtrficfiveropropUr&etL T . r o r 

amKum.zo&zz.ib.&cxi»' deite peyxe;& authonzando, que íe chamava peyxedeb. 

cJi.p$5&ifm»*í**à. Pcàr °y 5 8 fez ° reparo, emque lendo peyxe fccclefiaf- 
*.TtHetc»miU.&mtnusiH- tico, por fer peyxe de S. Pedro,eftiveiTe obrigado apagar 

sJJitw nâBeU»g..JcjP«Hl. \J ,^ l J fi T? n r>UA P • 

^/«/^ n<^-.- 6 / ,' uj.c-oir,». o tributo? tí, aíientou, que tim: Lliava Cnrilto em myíten- 
^S^J^'t^neceíTidade i & era para utilidade commúa,SV bem de 
dema»t.c»che,«n.b%.»unn. todos o pagar Chrifto efte tributo; porque continha húa 

^Antoni. Qtpycius in inveHi- r \\ l t~> i -1 1 a 

turfcuâ.i.p.veti0 > re í aiiafeu- femelhança daKedempçao do género humano; 50 & 
TcnZ \ua^âVputt? e »GL P ara ac udir áneceflidade urgente dos Príncipes, & para 
bcB. num. 4x4. bem univerfal doReyno he o Ecclcíiaftico obrigado, a 

mutwMdssiwm. contribuir com todo o donativo, que lhe ror importo. Ne- 

Mattb.fMpr». r\\\\ii afperezatem oconceyto, porque he obrigação, & 

&i Cap.magnumtx.q.i.C. . r J >r T &» 

j*mnu»c l x%.q.i.L.n.tit.6. virtude. 6o O melmo Chniío lendo izento achou, que 
tV/^S^Íní: daria eícandalovalendo-fe de lua izençáo. 61 Edamcf- 
tmunH,âcGabtU.mpr*]»a.n. ma forte os Ecclefiaíucos. 61 A Igreja he depoíko dos 

-!.Chfifr.iusi»coxfuetud Bar- _ . .. . „ r> i- • - ri 

gu»,i.'rub, l( :\.%.4.v".rfuui v Príncipes :elles enriquecerão asKeligioes; com kube- 
^J:Z7^{V^p. ncplacito,& nas fuás terras faõ fundados os moftcyros; 
4.cap. , 7 . y oa „„. Garcia de delias vi vemos , & íeus vaffallos nos fuftentáo ; & na occa- 

Noluital. Giof.q n.. i fil. toa. r>~ r» • • o ST II t • i 

ef»»>». ,». iiao em que os Príncipes, & vaílalloscahirem empcbre- 

c\7íHln* g "l **.*;• omn ? za , eíiamos obrigados a concorrer com os donativos até 

(.. ac inditlionibiti 11b 10. L, o 

tutie.ç.defupcTjndifl ísl. empenhar os vazos íagrados. 63 Os Gentios, & Idola- 

niBiorum.C.dcLXCuf.mieoi. Ca J - r • r 

m. i.cumficUcjrtmim. c.de tras rendo os que guardavao omayor relpeyto as coulas 
quiburnum ^ipr^tio. Ut.fi pertencentes a lua lupreíliçáo Relipriofa.em leinelhimtei 
c.»oiim:*ur,&cap .»dvofu,, cazos,lança vão hum donati vo a todos os Sacerdotes. Faon 

ibi tentam ntccffitateni de im- D j r- • rf l r n 

mu.Eecief.Tae cap emnitem. *^ c y dos hgypcios neceliitado para íuítentar a guerra, que 
p,.c*p.ftnun»»ectfit**^ t »p. trazia contra os Perlas fez hum pedido aos Sacerdotes : to- 

tribHtum i\.^X<3ubipropt- , ^ l . 

tctVymtc. doso amdarão com diipendiop^rticular, & coniuium óos 

Tem- 



' EMTREZ A XXPli: 5 6r 

Templos, Sc dimitiraó da decima parte de feus ordenados, 
durance as ditas guerras. 6i\ Os Romanos, que venera* 6 4 ^nfiMi i ^.tonomi*. 
vaoicustallos Sacerdotes com a reverencia, que íe deve i ag m.,ur,itb. í J f . -*o. „,,*,. 
aos miniftros dos Templos, compelirão por húa fentença,• /W ' ;, • 
que deiáo os Tribunos, a todos os Flamines, Augureyros, 
Salios, Sc outros oríiciaes dedicados ao culto de íeus Ído- 
los, a concorrerem para odefempenho dos gados íevtos 

j / A | c & , • i 6 * Tttohv Uh.i.Deetd + ty 

na guerra Macedonica. 65 U louro, & a palma , ainda PctruíG,rgor.ub,fup. ( .z.„^ 
que ieiáo livres dos rayos , por privilegio da naturefa , não 
o eftaõ dos incêndios ; quando a todos abrazao íogo,a pal- 
ma dá mayor luz; 8c o louro exhala mayor fragrância. 

554 Reparou mays o dito pregador Evangélico, em 
que havendo-fe de tirar a moeda do tributo , folie mays do 66 Videai mn - 
mar, que daterra; 66 8c achou-lhe arazaõ,em ler di- 
nhey ro de tributo , que naõ fó le ha de tirar da terra , fenaó 
também das agoas. Quiz dizer, que dos naturaes, & dos ef- 
tranhos, dos da terra, Sc dos de fora , que nella comerceaõ, 
fe ha de valero Príncipe , quando eftiver neceífitado: Im- 
mitando fempre a Chriflo,que havendo de impor tributo, 

náofe valéo da terra, & quiz antes obrigar o mar: em quan- 

toelle poder fuprir,relervem os Príncipes aos vafíallos, 

porque fempre ficarão gananciofos,osque immitaraõ a 

Júlio Cefar, naõ carregando osdomeflicosfenaõnaquel- 

la quantia, a que naõ chegava a contribuição doseftran- 

geiros. 67 A Águia, quandofazoninho,ajuntaosmate- 67 Vtà^htàe^íxmonitfoU 

liaes de diverfas partes, & de difTerentesgeneros,masfe 17 "*'"'"' 

lhe falta a lã , em que anida os filhos , 8c lhe conferva o ca- 
lor, tira as pennas de feu mefmo corpo. 

555 Difficultou também, não mandar ChriftoaSaõ 68 ihuchamum. 

Pedro pefear o pey xe com a rede, fe naõ com o anzol ■ 68 

porque na rede virião muytos , & vendida a multidão 

depeyxes,com o procedido podia Chrifto farisfazer ao 

triburo;efcuzando-fedefta lÓrte o empenho da conttibui- 

çaó • Soltou a duvida ,com dizer, que le o Apoítolopef- 

caífe com a rede os pcyxes , que naó poíTuhiaó dinheyro, 

deyxandode pefear com o anzol opeyxe, q«e o depc fita- 
va, era pagarem os pobres peyxes com a vida, o que naõ 

podiaõ coma poííibilidade ; & ficara o pcyxe rico com a 

demafia, que lhefobejava. Pois iílo naõ, diz Chrifto, ifio 

naó; que he excéílb • naõ leve Pedro húa rede , queobri« 



Zz gue 



3 62 O PRÍNCIPE DOS VAT. TOMO 21. 

gue a pagar os pobres, do que não tem ; leve antes hum ani 

zol, para que taça pagar o rico do cabedal , que lhe íobeia. 

6 9 pjifi ià Ccfta H.flovia Qslndios doReynodo Peru,izentaváode pag-ir tributo 

os velhos,eníermos,& viuvas. 69 Osde Caiao.-ia,íoma- 
váoogaftodasfamilias, pelos rendimentos dosiolares ; 6z 

70 p»âiibauiifupra.foi.% 9 . dos avanços tiravão as fintas, que lhes cabia dos tributos. 
5-*7°-'M c - j O Sol, de tudo quantocria recolhe para fihúa parte 

nos átomos, & vapores, que atrahe; eftes, iaõ excéíios ,&: 
fuperrluidades da terra j &0S0I, com empregar nelles o 
caíoide ícus iayos,deyxa mays fértil, & lauda vel aparte 
donde os tira. 

556 Ponderou a razão, porque não mandou Chriito 
a S. Pedro peícaíTe hum peyxe do rio , fe não hum peyxe 

71 Fadeadmtre. ' *■ ■> ' • Á 

domar; 71 parecendomays acertado ocontrano: Por- 
que o rio paga tributo aomar,&omarorecebe dos rios; 
& peyxe que vive no rio, onde o tributo Íempre fe paga, 
era mays próprio, do que o pey xe,que habita no mar,aon- 
de o tributo íempre fe recebe : mas a razão íoy • porque o 
honien^fendo peyxe do mar, vive com abundanciasdea- 
goas;& o homem que he peyxe do rio , vive fog;eyto á ef- 
treytefa, & penúria delias; & he conveniente, que os gi ã- 
des paguem primeyro , que os pequenos ; osricos , que os 
pobres : Sc com juíia caula ; porque o homem, que he pey- 
xe do rio, anda iogeyto a qualquer lanço, que o ponha na 
efpinha 3 Sc ja ,que he o mays defvalido na fortuna , íeja 
também o ultimo na paga: mas o homem,que he peyxe âo 
iuar,aííy como he o primeyro na bonança, íeja também o 
primeyro no tributo. Decretando Tibério Ceíar^como 
fica dito) que os herdados em bés de raiz foíTem,os que pa- 
gaíTerti o tributo, replicarão eftes, provando os avantaja- 
dos intereífes dos homés de negocio • fahiraõ providos, 
com declaração, que n3Õ pagariaó tributo todos osma- 
chanicos,fenaõ em cazos de urgente neceífidade. 72 Por 
mays leve, que feja adoença , he mays perie;ofa nos que v i- 

7* ThoUzaHofupr»: vem faltos de remédio. A Providencia Divina , dá o frio 

conforme a roupa, livrando os pobres de inuytos acha- 
ques, de que naõ izenta os ricos. 

iiUvtnhtSmtrem: ctj p ez re paro, em Chriílo chamar ao tributo $&n 

74 Stticr gmcc fondíisjig' ' ' x ' . , L „ 

mificêt VáaftHttt terá; 73 quena explicação do Padre Vel.>íques ftgnnb 

cajnalingiuGiegajomefmoquepczo: 74. &querazaó 

have- 



RMVKEZJ XXVll. ^| 

haveria, para Chriilo chamar pczoá moeda do tributo? 

Seria, parque qiulquei ttibuto he carregadiílimo.peíò pa- 
ia quem o paga í Bem podia ler : mas foy y porque aifíy co- 

uio o pezohe iguala todos, áíiy o tributo lcha.de iguais t 

çomapoílibilidadedos tributarias. OquemoílrauClirif- 

tocom a Samaritana ; porque naó havendo c Senhoreai 7? Miidcnadain. 

snido até aquelia hora , 75 que. chegou ao poço de Si- 

cbif ,pedia-lhe de beber, &naó de jantar: 76 & com 

queuiouvo! porque a Samaritana nata QCcaiiaQ tinha Q ?<,*««. 4 .t*#.?. 

cantarei á fonte j& naõ tiniu panélta 30 lume : poys le naõ 

tem panélla , naõ lhe pefla Chriíto dejantarjmas fe teu» 

cântaro, peíTa-ihe Chrifto de beber. O Emperador Tibe» 

lio conforme o maneyo,&pofíibilidades de cada hum aíly 

repartia os tributos. 77 OEmperadorMaximinianopa- 77 T»eitei.»AmtUum. 

ra os rréns dos exercitas defuibuhiaQSgenerosdascarnU' 

gettSy conformando-fe com o trato, &: officio dequada- 

qual. 78 Pedir fogo ao mar, agoa ao fogo, neve aoSol, D .„ _ 

& calor a neve he petição, de quem deíeja apagar o togo, 

cfgotar o mar , esfriar o Sol, & derreter a neve. 

558 Deu fim aos reparos ponderando, tirar S. Pe- 
dro o tributo da boca do pey xe , icm eíperar que o paçaífe 
ás entranhas. 79 Soltou o reparo, com refolver; que fe l9 Et aperto re invtniet 
o peyxe tivera jaodinheyro no bucho ficava difícil afa- s "" e """- 
tisfoçaõ^pofem teado-o ainda na boca coitava pwuco, por- 
quebem podia o peyxe pagar o tributo lemarnícar ávi- 
da. Confirmou-o Chriíto naõ efperando a Samaritana 
quando vinha para a fante,fenaõ quando eftava junto dei» 
la, tío para lhe pedira agoa: porque feria muy to deficil „ _ . r . 

á Samaritana darlhe agoa no meyo do cantinho - 7 & muyco b«tfufuferf«ntem. 
fácil, fendo junto á fonte. Nos annasfertis cobra vaóosVe- 3 ta, -4*"J- 6 
neíianos com execução os tributos; 81 como também gi ^p^^j^ra. 
ootempoda paz: &diffimulaváocomelles,no tempoda 
guerra, 82 & nos annosefíereis.He Providencia Divina, 
que os ventos fcião mays continuados na primavera, que 8* Remirias wftor Vt- 
no verão; naquelle tempo, lao muycas astiores;oc a!noaj; ( / 1! , )/m(KBf; i„,,/íi.y6(. 
que os ventos diipão delias as arvores, íempre lhe dey xlo 
asqiiebafráo para frueti ficar no maysrempo. 

559 Toda a dilação, com que ponderey a diverfida- 
de deites dii'curfos,foy,par3exhortar os Piincipesa lança- 
rem os tributos comequiílAde,tircunfpecçio,;uitiça,Sí 

Zz 2 pie»: 



364 O PI^NCIVE WS ?AT. TOM. II. 
providencia: Conílderando, que o dinheyro tirado dos 
tributoshedinheyro tirado do mar , por mays juftificada, 
qucícjaaimpofiçáoj porque ícmpre íe recolhe acompa- 
nhado das agoas,oudaslagrymas doa\arento, oudos ge- 
midos da ncccilidade: con. batido das ondas , que láo as 
execuções dos miniftros, & a tenacidade do amor pró- 
prio ;& ícmpre amargofas , porque iem preás íalga a mur- 
muração, ou a praga. O que tudole modera evitando os 
Frinci pes a cauía , que muy tas vefes he a prodigalidade , a 
avarela,&adeforc!em. E para que osdelhibua com acer- 
to, intey rela, & utilidade de todos obícrveascircunftan- 
cias,& o modo, com que o Príncipe dos Patriàichas fez o 
milagre feguinte. 

560 Grande falta de agoa, & com ella exceíli va mo- 
lcftia,padtciaõ osReligiofosdetres Conventos íituados 
na eminência do monte Sublacenfe,defcendoao pé da 
montanha a bufcala em cântaros, para o fer viço da Com- 
munidade. Pedirão ao Santo Patriarcha os aliviafíè de tão 
grande moleltia ,& perigo, pelo fragofo ,& defpenhopor. 
ondedeicião. 

(Por ejla atufa* por montes Vamos 

Con peltgrodemuerte ai bondo Vafle y 

Comojifuera el agua enfu caVerna, 

La quepedio VaVid de la ctjlerna. 
Bravo Cant. 5. 

AíTentiooSanto aos rogos dos difcipulos;& determi- 
nou alcançar de Deos o remédio. Sahio do feu Mofteyro 
no mays alto da noyte , acompanhado de S. Plácido : So- 
bioá coroa do monte, adonde eítavão fundados osmof- 
teyros,& orou quaíl toda a noyte. Conhecendo íua alma, 
que Deos lhe ha via concedido a mercê, que era a pereni- 
dade de húa fonte jnaquelle melmo rochedo tomou três 
pedras húas fobre outras, & pondo-as por final na parte, 
onde havia de manar a fonte, fe recolhéoao íeumofieyro. 
Demanhã tornarão os Monjes a repetir a íuplica ao San- 
to, que ouvindo-os lhes reipondéo : Ide ao oito dejje mmte, 
S$ caVay na par te, adonde achares tres pedras buas febr e ouU as, pode- 
rofobe Deos , ainda na eminência , & rocha dejje penha jeo ,para Vos 
dar agoa > © aliviar da opreíaÕy que padeceis, 

Que 



EMtTvEZA XXVll. 3 6$ 

Que aquel, que J abe rebolver la boja, 
la en /eco ■■z/í gojlg ,ya eu mofado Oclubre^ 
Sobra Verter par bocas de un 1/efuVio, 
La<sfets de la* contentes dcl DanuVio. 
Idem fupra. 

Obedecerão todos ;& chegando ao ílcio viraõ, que Ima 
parte da penha depilava humidade. 

Se vio clefeclo en el penhafco luego, 
Que como elpecbo dentro es ViVa fragua, 
'Dejpide elfuego por defuera elagua. 

"' iní Juptr inviccm fífn*> fc 

Tirarão as pedras, & abrindo o rochedo fahio tanta a- tr** .wentu , >» modicum 

. , . i • J 1 • i r r n- cavale; Valei enunomnipottit 

bundancia de agoas, que ainda hoje de lua corrente ie ror- Ucur eímm ,„ ,u mo»t. f ca™. 
ma hum rio, & íe fertiliza apenha : 8 a gozofos os Mon- fV ^T r!ZTu,ltí 

' í J o laborem tanu mneru aignciur 

jes louvarão a Deos na virtude do Santo. tufar*, uuieunutrupêmon- 

tú,q*ai>i UencJi8utpr*ii*xe- 
rat mm fuianiem yayaaetHVt. 

A Dios Eterno de ide ehecbo adorou. c " m i ttt '" e * """""" h( * m 

y r í fcciffeit JUvtzaqu* rcflrtur 

yuedio obemto tanjupremo Império, . e fl- ui" eUm f t, Jf 2cnur "»"<*- 

(ti 1 K r ■ (1 vit.ui nutic ufijue uktnim de- 

Tara bolverju monte en un vijtatue jgj LKG , ^-.wiag. ». Di« 

En Islãs beatificas de Atlante. Ugorum. c*?\- 

Ibidem. 
Em melhor metrodefcreve'oeftecazo,oiníigne Poeta 
Marcos Monje Floriacenfe. 

Mxrent, & largls diflillant fluclibm antra, 

Cumquefuts plangunt ,anda Infira feris* 
Ajl tunc perdcclo fcopuli cefêre rubtque, 

Sicca que mirando* , terra retexit aquas . 
Certum ejl mons Cbrijli, quod montibm tmperet ipfis, 

SubjeElu pedibus, mons caput ipfe tuis. 
Utfmwnum tu Sante Tater Vegetère cacumen, 

Suhmffo tumidam Vértice plana t bumum. 
ISieVe fatigentur qui te 'Benedicle requtrunt, 

Moíliter obliquum ponit ubique latas. 
Nwic mons ipfe tamen , jufte tibi reddubonorem. 

Qui meruit tantum te decorante bonum. 
Anda tu eufm , bortis componiâ amarns, 



) 



Zz 3 Nufa 






$66- O QVtfNClPE WS VXT. TOMO 11. 

ISluda que fecundo palmite Jaxa tegis. 
Mtrantur montes ^Jcopula , freta, nuncjna dona y 

Tomifcriá que Vir et, fyhct decora comis. 
Sic hominum céleres mfruchtm dirtgis artu$, 

Siccafalittiferoflumme corda rigans. 
Sic rogo nunc Jptnái, mfugem, Verte malignas^ 

Çhue macerant Marci,pecIora bruta tui. 

561 Com eftas agoa^ficaraÕ os Manjes arliflidos de 
tanta quentura contra as tibezas do efpirito , como po- 
diaó ficar os Religiofos Dominicanos na llhadeGrelan- 
dia (aonde o inverno dura nove mezes) com o calor da a- 
goa, que defce de hum monte, & lhe rodea a crrcunferen- 
?4 ^ w ' ,,ç ' rfWa ^ 7 '?/»-ciadomofl:eyro;comaqual ,feteparaõ dos contínuos , & 

lí,v.bi hyent noveni m;n/ilnu c/l, m /» r> «• • «m 11 ■ « r\ 

Nonaíi:rium q:,t t>r*dic atoe» intenfosfríos daquella regiaõ : 84. Sendo ene calor ful- 
Z£7à£'£^£2Z%'* íurco , & o ontro milagroíò , pela virtude de Tua corrence: 
efí, faiar* for, ate* cudu a q Ua J femcihante á agjoada fonte Gaíianopholirn, queen* 

aq:iv,nt [instila Mmathorum * r > \ y y s r 1 1! 1 \ r 

cciL-tcai.cr-anKpvriHdtacaiiu-. tre a ineldade deiuanatureza levanta labaredas derogoj, 
a MS:;^Z^^^ alTy cila exhala de fi chamas do amor divino, commu- 
2 « »• ' ' nicadas da virtude do Santo > 8c fempre repetidas na pe- 

bç lApudGraiianapcYtmfons *J J j f 

e/i, qui eum calenttt aqwu non. TCnidadeda IOntC. 

JSSS^^SI 5^2 Nenhua outra coufa reprefentaefte milagre 
eminit ,âmbui codetKhco,iê- niays aonatural ,do que hum tributo, que o Principe da 
ehmínti t n ""' mt ' C0Mtrgr9 ' foledade impôs áquelle monte, para remédio de feus fub- 
tli!hbm!' h ' *'"? ,6iemi ~ ditos. A republica, que habitava o monte eraòpenhafcos 

defeu natural duros , fecos , Si pobres; osquaes, mudarão 
de natureza deíentranhando-fe emabundanciasde agoas, 
para acudiremáneceffidade do povo. Como fe fora racio- 
nal a bruta penha pagou o tributo , vendo a jufiiça com 
que o Santo Patriarcha a tributava. O cibo, cõ que S. Pe- 
drodisfarçou oanzol,foy a juiijça, com que noíTo Re- 
demptor obrigava opeyxe alheíátisfazerotributo: 86 
&comnaõferintelle£r.ivo opeyxe buícou a moeda, que 
naturalmente naó tinha ;& aofTerecéo com tanta facilida- 
de, & promptidaõ, que íoy o meimo ver o anzol , que en- 
86 P e ,»raun mií uie X a it » tregaro tributo; & contender com osmays para fero pri- 
fifcedunTaãcfcamjujhiu. meyro, que contribuiíTe ao donativo. AíTy foy a penha de 

Chmcnt ^ilex»ttdri.z. Pa- c .1 * t o n 1 1 \ rr 

ftago.cip. 1. oiiDlaco,como opeyxe de S.Pedro; ante* que chegaUern 

os Religiofos jafe banhava da agoa, que ofTerecia;& fendo 
eikrilj fe fez fecunda bufcando a agoajtj naõ íinh.a,& niof- 

trando 



EN^^EZA XXVll. 3 6 7 

trandoa propcnção, com que adava.Damefma forte obe- 
decerão os vaííillos, quandocomameíniajultiçajosobri- 
goein íeus Príncipes ao tributo. 

563 Rindo, & correndo íatisfez apenhaopreceyto 
do Santo; com aboca cheade rizo, poi que abundante de 
chriítalinas agoas, aachaião osMonjes, quando forãoa 
executar as ordens de leu Príncipe. O tributo,que paira to- 
dos he pena, paraella foy gloria :& afíy iaõ todos, os que 
iaó para utilidade commiia. A moeda, que S.Pedro achou 
na boca do peyxe chamou Chrifto »W<?/\í,que na K^m*Íc<!rmi*™J!p£"XmPn- 

Ferfuna vai o meimo.do que Verfoamorofo. '07 Chcyo l ^' : ' l "" : 1 U3 I c '" : '}' r ■fi la f é • ntc '"" 
(i * t ■ 111 1 ucâfecundiun cav.„cn amorit. 

oe amor, & de alegria veyo o tributo da boca do peyxe, n^oúardtnaiuf^.Evang. 
porque o entregava nas mãos de hum miniíko,cu)o Prin- '' 
cipeo havia de difpender em utilidade de todos: feja para 
bem de todos a finta, & logo fera gofío de todos a paga. 

564 Como gozoza a penha , no 2rrnonico íuiíurro 
de luas correntes, cantava júbilos ao Santo Patriarcha. As gg v t ican tM iqu*mm choro 
fintas, que faõ para bem de todos, em lugar de triftezacau- ""*«»*■• cum L.aiupcrcmunt, 

r - \ ■ /li- - j s^. tfalyreíjotident, Uetnsfa. 

íao tanta alegria nos lubditos, que as pagão cantando. O 
nome Statera, também ílgni fica a mu íica a Coros. b8 E 
fendo hú o peyxe , cantou muy tas veles o tributo na moe- 
da, que deu. Aíly o ofTerecéo , como fenelle cantara a ra- 
zão, com que era pedido. 

565 Mas não fey,como o Santo Patri archa podendo 
lançar eíxapençáoaqualquervalle,tributaíre antes o mon^ 
te? Com paternal confideração o tez. Os valles mendigáo 
as agoas dos montes , & os montes as entranhão por natu- 
•rela; &enfinouonoílb Príncipe, que o tributo não le ha- 
via de tirar do cabedal do pobre, lenaó do thefouro do ris- 
co. Chrifto podendo-fe aproveytar dodinheyro, que ti- 
nha paraíuftento dos Apoftolos,ntandoua S. Pedro, que 
ofoíle tirar da boca do peyxe. Porque o dinheyro doA- 
poítol ido era juntodeefinolasi;& o do peyxe era dinhey- 
ro de húa bolça tão opulenta, que aboca chea bl «zonava _ 
iieríco. 09 Paguem logo os montes, &nao os valles ; nao tam% 
cites, que mendigáo; os montes fim, que enthelouraõ. 

b 66 Não nbííanre , que a penha revia ja agoa , quan- 
do chegarão os Monjes, mandou S. Bento aosReligioíbs 
cavaflematerra, ou abriflem a penha ; o que parece rigor 
iupeilluo, nioítrando-fe obediente openhaico. Masioy 

myí- 



368 O PRÍNCIPE mS TAT. TOMO II. 
myíieriofo. Era o Santo Patriarcha Príncipe daquelíes 
montes j& como tal enfinou,que nas occafióes oportunas, - 
uzar de rigor na execução dos tributos , naó he íaltar a cle- 
mência de Pay,hcuzar do domínio de Senhor. AosDif. 

9 o QuneHerefijumtetrum c jn U Jos mandou Chiilio repetidas veles, pefcafíem á rede; 

d. *Amb«>jiurt»p, % , & fomente a S. Pedro, & neíta occaiiaó mandou pelcar ao 

anzol: 90 Entre húa,& outra peíca ha grande diflèren- 
ça j a rede hemays íuave para os peyxes , porque ainda que 
os prende, naó os laftima; Sc o anzol fere, & prende junta- 
mente: elte poder reíervouChrifto íó para S. Pedro, por- 
que era Principej& naõoconcedéo aosmays,porqueeraó 
vaíldlos: & uzando S. Pedro efte termo com hum pey xe, 
que antes de lhe lançar o anzol, ou o tributo ;a o tinha 
prompto,lem tragar a moeda, todos os Interpretes vene- 
1. õ eiía acçaó, por reconhecimento do dominio de S. Pe- 
dro, Sc do empenhode Chriito: Ou também feria, porque 
o pey xe, que deu o tributo, prhncyro efperou, que o pren- 
dcllèm ; Sc o monte que deu a agoa , que primey ro o ebri- 
gaííem. 

5 67 Efcolhéoantes o Santo os montes, queos val- 
les para os obrigar ao donativo,porque nos valles fe repre- 
íentaõ os humildes, que reconhecendo a limitação de lua 
poílibilidade,reaccommodaócomfeueftado : & os mon- 
tes, osfoberbos,& efvaccidos,quenáo lembrados da ter- 
ra, que os forma, aípirão aaííombrarem os valles, donde 
naíceraõ : 8c aos que degenerarão por altivos , aconfelha o 
Santo Patriarcha , que íe oprimaó com tributos. Na moe- 
da, que S. Pedro tirou da boca do pey xe, difem,cftavare- 
prefentada a imagem, dosquedegeneráo de leu íer pela 

culpa: o 1 Ordenando Chrifto,foífem elles fós,osque pa- 
ia 1 Slaterille .qutm inptfce n* •• j ■ r ' rr 

tip.ruium Petru* caperefujftu gsíiem otributopor todos , em quanto ienao repuzciiem 
efrfirmamnoftramvitiofuaf. no pr í nci pio de lua creaçaõ. He regra de cerurgia, cortar 
s ifiJer.éeiujtetêJjb.i.Efiji. a carne fobeja, em quanto náo torna a leu antigo íèr,& 

natural proporção. 

5 8 ó Izentou o Santo Patriarcha o valle,& obrigou o 
monte, porque fendo formado de terra, afly fe endurecéo, 
& conglutinou, que fe fez penha viva, & dura pedra :£fi- 
gies de hum facinorofo,que degenerando da racional pie- 
dade, fe transforma em ruílica alpercza. Enílnãcio a razaó, 
que etòesjeuukfconto, & íatisfaçaó de fua culpa fejaõ , os 



EM? REZA XXV1L $fy 

quecootribuaó para as delpezas do Pveyno, & os que com 
dilpendio de feus bé-. poupem, & coníervem o erário de 
toda a republica. Chnito, naóic quiz valer dodinheyro, 
que Teus Dilcipulos tinhaó recebido de eímoías, lenaodo 
dinheyro,queo pey xe trafia na boca j com elie confervou 
o limitado cabedal ,que tinha a íànta Comunidade do leu 9* ?««w^r« ^Aâtm^ui 

Gil • r> p rr ' • pcJicitHdumpifcemlilHratuT* 

ollegio: Kepreleiuavá eííe pey xe a nono pnmeyro pay iw WetoVjm. & GJoj.it,. 

Adaõ. 02 complice em todo o debelo, por ler origem 

de codos : & achou Chriíio,que Adaó eliava obrigado, em 

pena delua culpa, apagaro tributo, aque oobrigavaõ os 

os Fari íeos, lendo elle ízento • confervando por cite meyo 

osbés de fua republica , com as cufbs de Adaó. 

569 De tudo o acima dito Te colhe a urgência, que 
ha de obrigar os Príncipes, apenfionarem com tributos a 
íeus vaílalíos: & também a obrigação, que tem os vaílalíos 
de concorrerem , & ajudarem em tudo a Teus Príncipes. 
Advertindo aos fubditos, que cm nenhuma acçaõ defeo- 
brem melhor a fidelidade, & nobreza de Teus ânimos, do 
que na promptidaó com que pagaõ os tributos. Os Dilci- 
pulos de Chrilto vendo, que São Pedro pagava o tiibuto, 
preguntarão ao Senhor, qual eraomayor noReyno dos 

Ceos? 93 Pois nefboccaíláo, & neíia horafe lenibráo 9* 1 "'^^*i c i(fz u ^ D JC" 
a precedência t bim, & roy para líber com lerteza, o que *#„„./.„ t ji, n ,-; (y; £&«& 
fofpeytavaó da fingularidade. Saó Pedro pagando íó o tri- ""** a;í;,íJ ' !jj '■ 
buto, deu a entender aos Difcipulos, que excedia a rodos 
nadignidade: 94 aíTy parece o alcançarão os A poftolos, 
mas quizerao iaber le era nto ally na cltimaçao do Prin- ?,.,„ í„í „i.t,frc c,>.,,.h. f 
cipe: naõ experimentando até aquelle tempo. mavsclaros ex H ui ev,ie Í:íí2"!,? '" 
indiciosdafuperior authoridadedo Príncipe da igie ia, do gifteiv,nt,&fwflSf '«morem, 

1 • - r • r •! iit PttrootoKetcetiiintnttir. 

que quando o virão latisrazer o tributo. D.Jinrf™ ?•?•*• tx A,£W 

570 Amoeftando cambem ao popu1ar,naõ tome por i<h nenu - 
motivo de murmuraçáo,& efcandalo as izençócs,com que 

os Príncipes libertaõ a nobreza da penção dealguns ti ibu- 
tos, porque alem de os eximirem as leys de íeus foros tam- 
bém nefta occafiáo os privilegiou a defpoíiçáo divina. 
Náoquiz ChriftonoiToPvcdcn^.ptor^queS. Pedro meref- 
fearnãana.aIgibcyra,&3cliaíTc r.tUa amoeda, com que 
pagar o tributo, fenáo que frííe ao mar pelcar opeyxei 

9$ para que não pagaííe o tributo rotrr» A poltolc>;íenáo ç , Vtitêimuo. 

ccnopcícador j porque cm quanto Apoíiolo deChriílo 

Aaa eia 



?7 o o $$im&È VOS PAT. TOM. II. 

era peííoa nobre j & em quanto pefcador, homem rnaca- 
nico* 

571 E menos fe devem efcandalizar os homés de ne- 
gocio, de que em algúas acções os vexem mays, do que a 
outra force de tratantes j porque fendo mayores os rendi- 
mentos de fua ganância, íoy também neíie mylterio, eíco- 
lha divina empenhalosnomayorcufto. Opeyxe,donde 
S. Pedro tirou todo odinheyronecefíàrio para íarisfazer 
o tributo, era pey xe, que tinha o feu thefouro na boca : q 6 

9 6 ímitnitt inora era peyxe mercantil, que tem o feu thefouro na boca, com 

que iuQenta a verdade, & com ella o ciéditOjCom que tra- 
ta, &comercéa. 

572 Náo ceifando de perfuadir aos Princi pes , a que 
attendaõoquantooprimem,vexaó,&mortificaóaos va£. 
fa 1 los, na õfómuy tos, mas hum fó tributo , com ©sexhor- 
tar o exemplo dotribato^auecontribuhio opevxe^ííg- 

07 Hoc tribute peflio Doniini . r » f> lln ■ J r>L 'a «"' 

defignaiur. nihcando-íe nclle a Payxao de Chnlto. 97 Innomera- 

Thiopbiitu jinfiochíiu. ve j s tormentos padece'00 Rederoptor do mundo> & todas 

quantas afrontas lhe fizeraõ osperftdosjudcos, todas fo-» 
raófymbolizadasneíte tributo. Naõ acharão os Sagrados 
Doutores coufa mayspropria;nem os vaíTallos exprimen-* 
i>}-'\ raó coufa mays certa. E fe bem repararem nefíe mila- 

peiem De». gre, que fez o Príncipe dos Patnarchas, ou nefte tri- 

buto , que impôs a hum dos montes de Sublaco, 
5 acharáó,que foy omefmo penfionalo com o 
tributo,do que mandara feus Difcipuíos, 
que lheabriílcm húacova. 08 




A HUM 



37* 



A HUM ACENO DE 



S BENTO 



ANDA O FERRO A N ADO, PELAS AGOAS 

de hum pego. 

E M <P ^ E Z A XXF11L 




573 



pife^^h^; 






OS fuccefíbsreíultaraõosada- 
gios,dequeos antigos U2araõ, 
| comodefentenças, para expli- 
carem íeusconccycos. Queren- 
do encarecer tudo, o cj julga vaó 
impoííivc^dcziaõríertaõdefli- 
cultofo como nadar o terro. Adagio de cjuzou Corintho 

Aaa 2 para 




37* O PRÍNCIPE WS VAT. TOMO 12. 

para dizer a repugnância, que feda no traydor para fer 

tiel j no defconhecido,para ieacclamar Rey : no avarenro, 

i ViieBcrcâoâecurfumuti' para fer dadivofo; no cobarde, para oprimir o valente. i 

*'/»*•§• 39- O^errOjpDrrazaõdeíeuponderofonaturaljfóniiiagroía- 

mentepódeaboyar nasagoas : no que davaõ a entender, 

* NH*gfum e fficie*,utre9 e que fomente as iorçasde hum impulfo fobre-natural , po- 

wgreiianturcScri.Vo^Mhea, ^ ^ fazer aos cangreios , imagem dos traydores, andar pa- 

■virbo impojJ:v!li1#i, o ' ' o ^ J ' l 

, siHcpciwiivoUrebauJfj- laâizntc: i ás aves, retratodos nomes, voarem íempcn- 
tt^m'!» *'"& «as: 3 ao fogo, efígies do avarento, dar lenha aosbof- 
uhfupra. quês: 4. as tartarugas, hierogly fico dos fracos, por em 

5 ^/IquílamTtftuãovMcit. * • . r 1_ 1 J J- 

ftijHambcgfufr: ' medo as Águias, iymboloda ouzaoia. 5 

574 Muytosintentaraõ,vençerpo?rheyos humanos 

/á difficuldade deites impofílveis. Cteí|b tomou p£t/i,i 

conta, atrahif afi ao traydor Eryhato, que tantas vezes Ine 

b l^c7p^uf Uiste ^' feirou naíklelidade; 6 para cujo fim oprefente-ou com 

ri|jmífin]8jS i°y as 5 na õ abrio brecha a dádiva, porque o 
fíéydor conhecéo, que a fua duração coníiftia, em fe^are- 
çér com a terra, aqual fe perpetua com naó degenparde 
finise. Perfuadio-fè Galeto, que vendo os Numidas a feu 
amigo Ser vilio, o acclamariaõ Rey de feus eftados, venci- 
do o impedimento de fer eftrangeyro, com anecellidade, 

7 ièiM.B.dp.9. que tinháo , de quem os governaífe. 7 Aprefentou-fe 

ServiIiòaíTÍftidodostroféos,que oacclamavão vi&orio- 
fo : fóy recebido dos Numidas como o Pheniz a primeira 
Vez, que apparece nos povoados,que todos fe occupãocm 
lhe regiftar a variedade de cores , mas nenhum , em o reco- 
nhecer por Pheniz. Empenhou-fe Laufo , em preíTuadir a 
feu payThirfeno, que immitaífeaos nobres de Itália com 
ler o foccorro da pobreza ; & para o convencer , mlridou 
pintar em hum quadro a figura da charidade , nafcendo da 
bocadoSol: 8 Acontecéo aofilho,comíeupayomef- 
mo, que de continuo fuccéde ao Sol,com o natural das pé- 

8 Petru, BonzeJs Or^inc dras, que quanto mays luz, & calor lhescommunica, cstv 

to as mdurece. Deiejou Gallipedes Grego , que hum de 
feus criados o defafrontaífe da injuria, que recebera de Se- 
necio Pergéo, privando-o de fua companhia : & para iíío, 
efeolhéo entre feuseferavos o mays cobarde, para queá 
viíta dadeíigualdade avultaífe mays a vingança: o vef- 

9 í*;M/.aj.§.»: rto-odearmaS)&animou-ocomproméiTàs:efperou oef- 

çravo a Senecio,a cuja vifta ficou o inviado,como o paífc.-o 



aU' 



EMP<RE'Z)i XXFllf. 37} 

iifumildc á vríia da generola Águia ;oqUâl, rendo azas para 
voar, naó tem armas para fe defender. 

575 Eiítes>& outros impoííiveis mayores vencerão 
es Príncipes, rtue uzaraõ<da brandura, & manfidaõ, por fe- 
rem eíias artes efficazes para adquerir ânimos oppoitos,& ,o ^aietfiâ^u^amm 

dl-v j ry • ^ 11 ( .^y conciliei animo/ botninum co- 

os. 10 De todosospoliivcfselcolneolJeos a m ,t M , afftHiitM quejcrmo»ic. 

Moy fés, para libertador do povo Iíraeli tico: naó fez efeo- ext J" ,e pi ? oU t ? f M W "* 

Jhade Sanfao,queioy ohomemmaysvaJenrejnemdeSa- c*$™àrum .-.-.• Quita* pr*d- 

amao, quefoy oRey mays iabio ,íenao de Moyíes , que \ it J inutnmo , ad **„,/„_ 

entre os racionaesíby o maysdocil. Montou tantoocapi- ';*»«#«««,'»«'**'?««#««- 

v ,, J r \ c do appclJtndo frn/icne dclimãt. 

tancar Moyles aquella gente, como le domara terás, n &c.iib.x.<>ffici. 
pelo f eu rebelde natural , pertinácia , & ceguey ra 5 & fen- ^Zt^tZ}^'' 
rio taó fácil a Deos enriquecer a Moyíes de forças, & fei- 
encia, como odotalode brandura, concèdeo-lhe íoefta 
prerogati va , porque nella lhe dava os requiíicos, para fa- 
cilitar todo o impoílivel. 

576 Com fua natural afabilidade, reduíioCornelio 
Rusinoao traydor Dromacho^ continuou em o cortejar, ■* P»àuh»ubif^r» f 
até o vencer. 12 O traydor,he como aquella efpecie de 
animaes, que tantas vezes continuavaó as cafas alheas,que 
fecfquecem das próprias. Comafagos fefez Calipo Ce- 
reo fenhordosthefouros deMenipoPhilofophotaõava* '* ,caí ' s ' 
rento, que naó fahia de ca faio pelos ter ávifta: 13 nem 
tudo fe leva á efpada : íe o golpe fora proveytofo á faude, • m^-i.^&í furor *•«. 
•naó uzaraó os médicos de minorativos. * Debilitado de citur.cbrxf4on..f* f tr^ia» 
forças era Pifander Etruno, dotado de muy tas foy feucõ- 
rrario Scinis ladraó de Corintho , rendeo-fe eíte Gigante 
áquellepigmeo; convencido de fua moderação, &bran- 14 iuca£.i.i».^: 
duraofoybufcaracafa,parafe reconciliar com elle. 14 
O valente he como o rayo, que dando nabrandura perde 

r * /-v J r • .. ' J J j f * fíomincmhominiuihilaliud 

aforça. * Quemmaysde(tituidodeamparo,doqueFe- manfuttum , y mnUm , e jj, u 
derico Ulbaldino/ atèhoiefe ignora fua pátria. & fua àcÇ- qMmbennoiani*,j»8ni*,& 

j • j r r n i • i trcb.t-iufidt. 

cendenci3;entrodulio-iecomosUrbinosdemaneyra,que Piuth>r.dePoiiti. 

por morte defeu Príncipe o elegerão Rey. 15 Osracio- ^\^SS^SS^Í^. 

naes correm , na eílimaçaó, parelhas com os rios , entre os 

quaes hc o Nilo o mays útil de todos , pela brandura com 

que corre. 

Lenefluit Ndui^fed cunclis amnibus extat 
Víiíior^mtlm confeíiiu murmure Vires. 
CUudtan. m Conful. Manítj Theodori. 

Aaa 3 577 A 



374 O T^INCIVE VOS <PJT. TOMO 21. 

577 A docilidade dos Príncipes tema virtude daa- 
16 xjtàquaHpiàainfttmmê- aoa tépida, que mctipa as inflamações: \6 com cila que"-*» 

%,oncfltCor»tiuUumJ>ut*n>flcp * ~1 D i 1 1, ■»• c f l - 

m^nmmr^tuistít. brantou Anugonoo orgulho deih ey l irro : 17 ãcbabio 

vi u i„<i,> ?: no,*Uu, Máximo, as forçasde Aníbal, íb O fupetlativo de Ma- 

u ímw/«í<-aV>. ximo adqueiio Fábio pela tolerância doelpirito,& naó 

pela força do braço. 

Quofenfumrapitisy Fabi^ tu MaxlmusiUc es 
Unii4 } qui nobií cunclando rejlumt rem. 
FirviLô.JBneid. 



> 9 cimbro/i. de "MoY»}(S. 



ElReyRecaredo,com Tua afabilidade acabou de expul- 

far os Arianos de Efpanha,&redufiomuy tosa fé Ca iho» 

liça j o que naó confeguiraó feus anteceflores com podero- 

Lib.it.tap.i. los exércitos. 19 Xerxes filho de Dário, mudou em af- 

fcycdó o ódio de íeu irmaõ Arimares, prometendo-lhe 
Xerxes de o eftimar como irmaõ, quando o podia cativar 
como eferavo : obrigado Arimares defte termo desfez o 
exercito, com que vinha alheimpedirapòfíèdo Reyno, 
& por lua maó lhe pos a coroa na cabeça. 20 Naó lie o 

2.0 Hh wprafentia tehono- r - ir C - r rr £* • j o 

tufraurtMn Xerxei . quodfi ferro tao ponderolo, como lao os. lucceílos reieridos,& ca- 
Rcxfuerii d t ci»r*t»,,er» ■»- j a qua j Telles taõ longe de retroceder no credito , que lhe 
hurmmtaie ddmitux lArtmt. deu a antiguidade , como o ferro de paílear o fluido das a- 
», k^um adepto pre„\,u,*j g°as: agilitou a brandura , o > que nao poderia facilitar toda 
•""""' ko^rem txh,bmt > á a f or ç a da natureza. Nenhúas forças humanas tem vigor 

tine diadema impofuit. * . . , . À ■ P r - 

£n>fmn,iib. j . ^tpofb. para obrigar as pedras , a que por ii meimas le movao - & a 

luavidade deAmphion foy poderola, para fazer, que as 
pedras íe moveíTem, & o fcguiííem. 

Dift/tf, & drfmpbhn 

Saxa mo)>erefonoteftitucii>w y & prece Manda. 
Horat. hb. de Arte Toe ti. 

578 He officiode traydor,& naó de fiel Confelheyro 
preífuadir a íeu Príncipe, uze mays do rigor,que da afLbi- 
iidade : infinuando-lhe , que a manfidáo occafiona deí- 
prezos, relaxa a juftiça , provoca a diíluluçáo , facilita o a - 
trevimento,& confunde a policia. Os Príncipes zeloíos 
da mítica , amantes da virtude, & columnas d^s Monar- 
chias forão todos, os que fe parecerão com os Reys cie Por- 
tugal 



EtfíítEZA XXFIIL $f$ 

tugàl no amor, & benignidade, com que t-ratão feus vaffàr- 
k)s,rranqjueándo-lhe as audiências em todo o tempo, &• 

lugar, para ou viremj& conhecerem dos requerimentos de 
todos, femdiftirvcíõ de peílóas: Entre osmuytosque vi- 
rão os fe cu los foraó Alexandre Magno, o Emperador la± 
fíiniano, AuguftoCefar, juliano, 1 "itoVeipafiano, An- 
tonino Pio, Marco Aurélio, Trajano, Eífley Dário, Ari- 
iribaí, Antigono, Pompeyo, Scipiaõ Nazica^ Lúcio Albi- 
no, Loduvico PioRey de França, LadislaoRey de Pano- 
nia:. Aquém excederão os Reys de Portugal, Dom Afion- 
Ço Henriques, D. Diniz , D. Pedro o I. D. Joaó o I. Dom 
joaóolLD.Manoel,D.JoaõalV.& EtReyD. Pedro 
o 1 1 . A lhaneza, & brandura T coro que Erataraó feus v anai- 
los foy igual áfevexi&de,con*que£afltgaraó feus emulos. 
E por ventura, perecéo a reformação doscoftumes , no 
tempo deites Monaidias > Deíiftimou-fe a regia venera- 
ção ? Ficarão os facinorofosfern caftigo , ou os vicios fem 
emenda ? Defprezou-fe anobreza,ou excedéoo vulgo á 
iuacfpheraf 1 Ocontrafio acharásemiuas vidas: & otem ,, „ 
mohrado a experiência. A brandura heaoorno damaget- m^\fti»iftiftjiáWurf«fo. 
tade, 2r & toda a força de fua potencia. »a Ofúná- ^£^ 1Jup: ^ cr:cLho - 
pe, naó fendo afaveLhc como o Sol na Canicula,que atra- " M*sPw»* *<*"" , *#*> 

* _ .. ' * rervi incorpore. 

he pouco,& maligna muy to. tdemjcrmo d* m*»f ue t. 

579 Para todos heutií a brandura, 23 paraosPrin- 
cipes,&paraos va&llos;efpecialmcntc para os Princi- &.$2fitfg!^ 
pes. As apetencias de húa republica contentaó-fecom me- hamdi*+ 
nos , lendo o Príncipe dócil. Fora pequeno campo toda a 
circunferência do mundo,para os Reys de Portugal remu- 
nerarem , como de via õ, os ferviços,& proezas de íeusfub- 
ditos j & maysfatisfazia aos varões beneméritos aurbani- 
d^de , comque os recebia , & ttatava íeu Principe , do que 
quantos tbefouros lhes podia dar fua magnificência. O 
Principe afTavel,comoafleyçoa os alvedrios dos vaflallos, 
podeosljtisfazercom pouco. O Rey fevéro,como lècon- 
íidera lenhor das vidas dosfubditos, obrigaíTe a foccorrelas 
de todo o necefiario. Com grande detrimento de íuas ren- 
das remuneraria Alexandre os ferviços de leu Capitão 
Lyfimacho; oqual achou , que Alexandre tinha excedido 
na paga, a quantas proezas , naó fó havia fey to , mas podia 
fazer em toda fua vrda , quando o picdofo Monarcha ven- 

do-o 



374 O PpNClPE WS ?AT. TOMO 77. 

do-o ferido, tirou da cabeça, a cinta,que lhe formava a Co- 

14 Rtãig;*oni> n.ap.6. roa ,& lhe apertou com ella a fenda. 24 i hcbiano efii- 

, , , moucaõ pouco o fenhotio,de que Nero lhe íe2.mertc,que 

% í 9 ..c?«rj«5. o arguiode ingrato. 2$ Neroloy aíperodecondiçao;iX 

Alexandre,degeniobrandoj& ainda, que a lua Coroa h> 
cou lendo atadura em poder de Lyílmacho,& odonati» 
vo feyto a Thebiano íoíle de grande prélio ; cfte qucy- 
xou-te, porque a afpereza com que lhe tez a mercê , lhe tífi 
rouo valor^ & contentou-fe Lyíimacho, porque abenig- 
• M»Hfuetuãi»e mbiipote». "uladc de Alexandre lhe fez eííimar a cinta como Coroa, 
tiut.ckryf.ji fup.Genef.bo.n. Sc naõ como atadura. O Rey fevéiohe como a chuva, que 

i<% S»cto*,.mC*far.n 6i. m AT O D £T I L 

EutropiutdegtHix Romanarã íenaoíarta a terra , eltenliza o anno ; ik oKey arfavel he 
^XÇSZZ**. s«. como o Sol, que fem penetrar a terra fertiliza a planta. * 
pi,mhmtnje\que>ntr*d»»tcã c^q julio Cefar chamava aosfoldados companhey- 
t .,«rvfc>idit»m. ros. 26 hcipiaonaseampanhas comia cepe, por iemo 

p*r.t.jenjp„Mc*M. 9 ti,, a fli. nti , r {óárneza : 27 ca ufa, por onde fcus foldadosfo- 
t * NautraheFfenimutho- ra ó taõ brioíos,& reconhecidos, que mimos oferviraõ 

mina jubtim te nufiti in Cfr- r r . , . +, - v . j / li *-> • 

■vthm degelem ammum , s lem eiíipenaio;à: nao poucos,por limitado íoJdo. O rrgor 
f«f,i« m i»j,fi* m adom»cvhi- ^ os p f j nc j pes adultera obom natural dos vaflallos. 28. 

tCOfUt* \5 lirrniilll ■ r __ 

,ftJ%WWMw-^ NHÓleobriojaõcshoniés do modo , com que ie smaníaó 

, 9 Hom,« e ,y e T e e , animo os brutos. 2 o A rermoíura do pomo he a pnmeyra laiva, 

^■'^■■uuycb.neficih p u- C3mç , UQ ^^ U[llQZi os inculca faboróíos. Sufpevcaraõ os 

w/e «-Ais copaUiTtur. Dixn Koni3 nos, que MarcO Ma nlio,oc Llpurio jVJeJioie icvan- 
,o íi""'^"""^ ^ ""''''>«- que tratavaó a todos. 30 A brandura he a virtude mays 

tirm. ,<J, Jt. r,in ,q. 1 i •> 1 " I ■ O 1 C 

,. M*nf u ?u,jo,virtuteft»- lcnhori! : 31 a todos obriga, òc tudo iogeyta : 33 tem 
*,m.f*fab,ju.pY*dto*- p ro p r iedades da fabuloia fonte de Athalante,que os 

gre moveitur aa irati. I L ' 1 

^irifto.devirt. es' vir âivit. corpos, a quechegaó fuás agoas fe abrazaõ em fogo. 3 3 

i> ~Minf>tett aitiírn baredi- ¥ ,-,. ■* - i r 1 !• 1 J ri- ^i 

i«iM W t»rr«flf. ffii,n. i7 . innamaocoraçío dos íubditos, em chamas de tiiial amor, 
»• 0l l ih " I ?'\ s 'If u ' m S hum PrincipeUrbano.Ashiftoriasoauthorizaõcomave- 

Hb.x.ta». io. neraçaõ,& obediência, quetiveraõosvauallosao Empe- 

,<s ■jnuj» p ,t e iiinvita?tr rador Octaviano, 34 Marco Aurélio, 35 Pertinaz, 36 

""■ . _ _ . . „ Adriano Cefar, ^7 Alexandre Severo, ^8 Aeefiiao, 

<*"'«*. 39 JMelciades, 40 &: a todos, os que deyxamos referi- 

as -.yfiAtíimtriâ-Mrinvita "j d 1 -O í"l TIL 

*/3itxa»j r ;. dos. Pelo contrario os Keys aulreros, porque, lemelnsn- 

,o x<impbonn de Uuiibus tes ásagoas doriodos Ciconés ,adonde chega ó rudocon- 

40 tjfimiiiurProiuiinvita vertem em marmor : impedernindo os ânimos, que indu- 

^Fran^fcHt de M,«teJi. rc cemcom feu afpero natural. O Sol, naõ cria o ouro no 

vr*ii e curr*,-:?,>nflHx*?u- niefmo líano , em que produzo ferro, 41 nos mezer. da 

»;itrnm fH.mtoi joz. ^/ixie- . ° ' . l 1 • • 

mo <4 . " primavera onue oSolne mays benigno, ena o ouro: nos 

da 



EM? <REZ A XXVlli: 377 

da canicula, onde heiníofrivel , produz oferro. 

581 Contd-ie deTrajano, que era paraosfeus da 
nieíma forte, que delejava,fc,llèm todos para com elle. 4.2 ** &*tropio tib.t. Romano. 
O rrincipengurolo,queelperaoiirvao os vaiiailos com 
amor, ou leconfidera idolo, ou fe elquece da obrigjçaó 
paternal. Quero, que a vaUallagem obrigue tanto, como 
o parentelco: Grandes pays ouve, que experimentarão 
nos ri lhos a crueza de tyrannos , pelos tratarem com a vile- 
za de íervos. Carnabas, maçou a leu pay EIRey Trio- 
pas. 43 Siroche,tiroua vida afeu pay Coíroa Rey dos 4 , o/,w a p ; ,d Ravif»,» m 
l J erias: 44 Efqueceraõ-ie da paternidade, porque os °,f r ™" r l '"'"""" " nU '-f ce ' 
pay> fenaõ lembrarão da riliaçaõ. Os vapores, defpois de 41 V*i*uttanur.ibi. 
formados em nuvés,confpiraõ contra o Sol, porque dan- 
dolhe a forma, lhes aniquila o fer. Alexandre efiava aofo* 
go, Sc vendo , que hum leu foldado efmorecia de frio , pe- 
gou delle,ckdando-lhe o lugar, que oceupava, por luas 

tu J 'i\ C - #"v r» • 45 JuliuiTronílarigemcC. 

maoslheadminittrouoiogo. 45 O Príncipe, que entre J 
aMageftade delenhor naõ fomenta as branduras de pay, 
fera como o Elpinheyro, que fendooRey das arvores, vi- 
ve nos montes apartado dos vaíTallos , & de íua eftimaçaõ. 

582 Comadvertencia,queabranduradogenio,naõ 4 g R tgtt Jifcipim* , rigor 
feia frouxidão do animo. 46 Benigno, & fevéro ha de «»»f»BHdtncm& m*»fu,iudo 

. . ' O ornei tiinortm::: ut ncy.gai Jit 

ler o Príncipe j contra-pezando os extremos com as occa- fagidu, »«•<• ma»fuetudo j,jjo- 
fíóesjbenigno,comoreformado i revéro,comodiauluto/ ; '* , '^ G ^' v ^" , 9 w; '^ 
47 Parecéoimpoffivel,acharem-feunidasemhumpeyto 47 BtMU , iquifevtrí1ãti „ t 
«ftas duas contrariedades, fem arti ficio ; 48 porquecom vsma»f-i*J'*f»tmet t utãi- 

c . . . , , . . , ' *. ? , . tero difciplma ftTvetur , altera 

falácia, ne vicio, Scnaone virtude. 49 Os Príncipes hao innounu*no»apprimatur. 
de uíar da benevol encia ,como os fificos da medicina. § o JJ -£J ^Í2/ÍÍÍÍ'Í4 
Com efte aphorifmo, encomendou Amurares II. á hora da i*ge*iojum,tivirihmdiffi t tie 
moite,aleunlnoMahomet tolie clemente, &docii. 51 ; 9 \ •..,-;. • _■,,.■,..-.-. ; ../,,-, tc , 
Epelo melmo, fe regulava o Emperador Conftantino "" ,r ';" í '^""" , "> t, " i "' e * 
Magno, fendo taóa&iva fua afTabilidade, que naõ ouve ?.M,G,eg.v* raffoyh 

El 1 • n- -s_ er I to Maufuetuj homo ccrJU ell 

mbayxador, que acxprimenrallc, que quizelle voltar me iieus.iJ.^mbro/Mver- 

para fua pátria, fó por lhe ailmir na Corte, í: Diffèrem ««'• ¥f •. . 

ímiy to a brandura, & a fim plicidade; porque efb,heinlen- jorte^aBnofto.foi.^x. 

fata,& pródiga- & aquella, induftriofa,& liberal. Naõ fe ^* |âf *í )*. ct '"*'"" 

pulcra em qiieftaõ, qual foramays útil para a Igreja, fea- 

brandura do Pátria rcha, & Doutor Santo Augultiniio,ou 

fca autoridade de hum S. leronymo Doutor Máximo, fe 

. . ->. ,, 7 , . . f - n . 5 1 Babtddhatcm.z. hb. t . 

os nao equivocara o titulo de Colunas da Igreja. 53 rnn- , v .i a . 

Bbb cipe 



i 



37$ O I^NCIfE DOS PJT. TOMO 11. 
cipe dos aftTos,he o Sol, porque naõ commwnica a benig- 
nidade de íua luz, fem a utilidade de leu calor. Proprieda- 
des, que refplandeceraó,emgráofupremo,no Piincipe 
dos Patriarchas, nas circunftancias,com que obrou a mara- 
vilha de tirar o ferro das agoas, íem as moieftar,nem arguir 
odefeuido, que oecaíionou o perigo. 

582 Entre os difcipulos de S. Bento, veftiafeu abito 
hum Monjede naçaõ Godo , que defenganado do muado 
íe retirou delle. Sahiraõhum dia todos os Religioíos da- 
quelle Mofteyro , a exercitarein-fe no trabalho de mãos, 
que a tanta Regra difpõe, nacjtiellas horas, qne lhe relta* 
vaõdoCoro,&daOracaõ. Mandou o Santo Patriarcha 
deíTem ao Godo húa foufe roííadoura, encomenda ndo- 
lhejdefmoutaííe a planicie de hum valle, que cahia fobre o 
profundo de hum pego. ComeífouoReligiofo feu traba- 
lho, com tanto efpirito, que dezefojode fazer em breve 
tempo, oque lhe havia encomendado a obediência ,pos 
may s força do neceííario ao defpedir dos golpes jcom que* 
de húa vez fe defencavou o ferro da hafte , & cahio no fun- 
do do lago, íem efperanças de o poder tirar. Intrifticeo-fe 
fumamente o Godo , & com grande pezar , & fentidas pa- 
lavras deu conta do fucceffo a Santo Amaro , que era Prior 
dotalMofteyrojConfolou-ooSanto, & deu noticia a Saó 
Bento do fuecedido. Pedioo Santo Patriarcha a hafte -,8c 
pegando delia, chegou ao pego , adonde o ferro tinha caí- 
do, & íem dizer pala vra,metéo a hafte nas agoas , & de re- 
pente fobio oferro do profundo da lagoa, & fe cncavoíi 
nella de maneyra, que naó deyxou íinal,donde fe inferife, 
quefe tinha defencavado. 



Buelve a ponerfe en el antiguo ene age > 

, 4 v,r ; t ; Ul r Domim Be*e. ? cm nQ ^ a CBnari&a en eljc ama, 

Íh,Mcaudie»s,*cctff!t aàu- Qjte fide Dios la mano en afro afítíte* 

ciim , Ittlit dt manu Golhi ma- £~- — J r a ^ JJ J 3 

mibnum , $ mifit ia hcum , tf jStingun contrario ai oiro fe refljle. 

mcxferrum de profundo rediit. /T> ,. • tT> J ,r l' i~ , 

ataue in manubriun, u:trav,t\ . ÍDraVO 111 '3emdlctl>Ut UlltO $ . 

qui tv&tiAifeYt afnenium (jotho 
reddiâit, ãicent: ccccJâborafê 

ttohcsntf.siari. Tornou S. Bento a entregala ao Monje, dizendo-!he: 

ttp.6. eg ag ' ' *' ' a " g ' Trabalha^ naõ ttintrúieffas. 54 Fe*» diferiçaõ, âbâíba* 

11 Mayoiutaie.canicu.Coi- ridadedos índios da Ilha Zabur.fendo efteo ferro, porque 

icKjuiiy.Jemeiíihbut.foLMi- , - , , . i 

i> j}6. davao dobrado pezo de ouro: 55 & com razaõ o templo 

da 



daDeofa Serapidis abalizado pelo thefouro de toda Ale- 
xandria, quando amachinadeíerro, a que apedra Iman 
iuiienta valora de leu centro,fofíè atrahidacoma virtude, <6 D.^yg U /iiKu t i,t.j t cu 

quelczíubir aelteíerro. 50 E Dinocrates, com verda- àunfa. 
de, eítimadoporamtkcmilagroio, 57 íe a eiutua de fer- 
ro , que fufpendéo com a frjrça ,daquella pedra 3 a elevara 5 7 PhHius]:b J4-< - -'/>.«4.'*'. 
comoeipirito deite Patriarcha. 

584 Diminuta ficou a mentirofafupreAiçaõ da gen- 
tilidade, fingido, para exagerar o grande poder do fabulo- 
foDeos Mercúrio, que repetidas vezes tirara do centro 
dasagoas vários iníirumentos de ferro ; para o que fingi- 
rão, que hum lavrador cortando lenha emcértoboíque, 
por defcuydo, lhe cahira o machado em húa lagoa. E ima- 
ginando como o poderia recuperar , encontrou a Mercú- 
rio, & lhereferio o fueceflo, & o defejo; oqual, metendo- 
ie pelas agoas,lhe tirou o machado. 5 8 Naó fouberaõ fin- 
gir , que Mercúrio fizera nadar o ferro, fenaõ que entrara * 8 7 *»/"» *■*'«'* 4*. 
dentro na lagoa a bufcallo j porque femelhante prodigio, 
naó o preiumiapoííivela imaginação dos homés. 

585 Vencéo S. Bento o impofTivel de fazer nadar o 
ferro , naó com exhortações de palavras, nem com entrar 

nas agoas, que o íbmergiraó , fenaõ fomente com o aceno, 

com que moiirou aoierro,o buícava para íeu ferviço.Nef- 

ta cccaíiáo,ferviraó as agoas de efpelho,aondefereti arou 

ao vivo,no venerando, & aprafivelafpc&o de S. Benro,a 

docilidade , & brandura de leu animo , taõ íingular , que a 

Virgem Senhora nofla o canonizou pelo mays afiavel de 

todos os iulios, que em feu tempo refulandeciaõ na vir- * ttetUmiithe»Sa»mia. 

tude. O retrato,queodiaphanooasagoasrelundiono nHttrai.qutmei™Jum-M,f- 

proiundo da lagoa, íoy a pedra Iman, que atrahioo ferro: J bomiuet ^ iao J a J, 1utitlUt . 

Valentia , que os fabulofos concederão fó á fermofurade "■ *Affu**s.uiUtg*rãhi* 

Narcizo, dizendo, era tao acíiv.i,que vendo íe Narcizo nas , 9 p in »uu> ,» f*huht. %. 

agoas, fcbiaóacimatodasasaréds do fundo. 59 Mentio } ? $ - 

nifto a antiguidade, porque abelleza,que teve virtude pa- 

raatrahiraííyomayorpezo, foraõ os olhos d'alma Santa, fo ^ wfí flf ,„/,„,,,„ i„ f , 

fazendo voar a feu querido Eípofo. 60 E na ley da gra- juiMij>Jime»vtUrefect 

ça,defpois dos Sagrados Apoftolos deChrifto,oSolda 

virtude , que do centro das agoas atrahioo ferro , com a ra- 

cilidade, có que o Sol material levanta os attamos da terra, 

foy o Soldo Occidéte,o Príncipe dos Patriarchas S.Béto. 

Bbb 2 5S6 Ou. 



fíCefUHt, 



580 O ^INCITE WS <?AT. TOMO II. 

586 Óutrómilagte Como cite, obrou na ley efcrita 
o Profeta Elizeu: quaficom os melmos termos rtície a Eí- 

t è>hcH ante,» lomo Dti: critura o milagre do Profeta, 6 i do que Saó Gregoiio 
SS5SÍ2 TJtfâíSi Magna ctmtW^áe^-íattíarcAB^^^W^^Ill* 
& m ,f,t,Uitt--»»t*v>tq»'firr*- Padres na promptidaõ , com que o íerro fe unio á haí- 

te , que lhemoíirou Elizeu, dizem, fclquecer-le de leu na« 

turaloferro, obrigado, de que podendo-o fobir Elizeu 

com império, porque Deos lho havia concedido fobre to- 

do o creado , a reipey to de leu culto, o chamaíTe com tanta 

aíldbilidade, & manfidaõ, que mays parecéo > que o roga- 

6z cum minfiietuiine na- va, do que o confuangia. 62 Difpondo Deos , que a in» 

ZZL^ti^ZutZ fenfibilidade do metal, neftasoccaíióes pareceíTeíenflvd, 

ofiendeteyUtconfundatMTfu- para com eltes exemplos manifeílar àos Príncipes ©muv» 

PctrtudeRij>afuj>.RegJH. to, que ganhão por dóceis, & o quanto perdem por alpe- 

ros. Fica por veies authorizado oienhotiouniverial.com 
que o miièricordiofo Deõs ennobrecéo a feu fervo Bento, 
&no leguinte tomo o dife tufaremos em muytas partes. 
JMeftecazo,ufou o SantoPatriarchade tanta clementia, 
que fe inclinou para o ferro, quando o bufcava, como dan- 
do-!he amaõ para ofubir, podendo-o violentar. A hum, 
& outro Santo, conftituio Deos, Príncipes entre a multi- 
dão de íeus fervos j 6k como taes, naõ fe valerão do poder, 
porque imprendiaó hum impoíTivel j ambosoVenceraÓj 
porque hú,& outro uzou da brandura. 

587 Também ouve Príncipe nafantidade,queufan» 
do mays do rigor , que da maníídaõ, naõ confeguio ,0 que 
intentava. O grande Elias, com aefpada defeuzellonaó 

6) Regumcap. 18 tf 19. . ° p lr) A , , / r r-víri* 1 1 

64 Ecce tgommo tos jtcut pode converter a ElKey Achab. 63 E osDilcipUlos de 
svcrinmcJioiuforum. Chrifto,com a manfidaó de cordeyros 64 redufiraõain- 

numeráveis Príncipes. Põe Deos eltes exemplos em íeus 
fervos, para que delles aprendaõ agovernar os fenhores 
do inundo. 

588 Vendo a docilidade do Santo Patriarcha ,dey- 
xouoferro o fundo dasagoas, para fe empregar emfcif 
ferviço. Nunca vivéodefacompanhada a brandura, nem a 
feveridade bem fervida. Naõ ha foldo, que faça aliítaí 
mays gente, que a affabilidade dehum Príncipe; nem fal- 
ta de pagas, que diminua mays o numero dos Toldados, do 
queaafperezadosmayores.O DivinoVcrbo,quandoap« 
pareceu no Ceo, cm figura de cordeyro, teve iequico in* 

nume- 



E M 9 \E Z A XXFIIJ. jfct 

numerável. 6% E quando roííioíí 3 fórfuade Leaõ.naó 6í Ec(e >& Ktu ilaba1 f«p 

, rr r » montemos cum eocentum ..».- 

appareceocom cancã aíiiítencia: 66 Em quanto Leaô, dr*gwaquatuortmiiij,vc. 
ainda que y\ãúáoíú , foy n>enos affiftiáo ; & por eordty- ^7,^,11%^ 



nhnbíuj ái- 



ro.amdafiue morro iu appareíTcia, 6i ftiavs aí^ioa- *'' '"'*'•■ We A*» «••"■«*'«« 
nnaao;fomaL,&3o vietonolo tmh9acfpo»/í)5,qtse fej*ar- v^aptwehb,*™. 
lir : & comocordeyro padecendo* penas ,quc eommunv í h "Pf • vtr í\ ' ' 

7 ,.*.'• T ' * , -> "7 isigiutm tamquatu ceei- 

càx; & nefla diminuição deeftado^ílentou-fe Chrifto. a-/*"»- ií'»«». 6. 
companhado de ínnumeravel fequito , para enfinar 2os 
P/incipes, que naóhe ointereflè das pagas, o que alifta 
i7i a y or numero de Toldados, fenaõ, que a brãdura dos Prin- 
jipesj he o íqldo, que lhes multiplica o fequi to. 

5 tta Serve de grande doutrina para os Príncipes a 
confideraçaõ,de quenaõmandaíTe oSanto Patriarcha al- 
ou de ièus diícipulos com a hafte, para que em virtude de 
íeu nome fizefle o milagre: & porqueo naõ fez?Porque fe 
arrifcavaaonaõconfeguir, pois faltava com afuaprefen- 
ça, a honrar a obediência do ferro. Mandou Elizeupelo 
teu fervente Giezi o báculo, que trazia na maõ, para que 
podo-o(obreodeiunto,nlnoda bunamitis,oreiulcitaíiej ,»„,«,,, es po/uera bJuium 
naõ furtio efleyto a diligencia do Santo : 68 foy ntcc&~ fu P erfaciem P u r eri ' ¥,"'" "' ãt 
rio,quepeíioalmenteíoílcoProfeta,&abraçando-fecom viteiáiccm.-Nõfurrexnpuer. 
omorto,oreltituioavida: 6o 1130 venceoamorte com 6y Etmcubuitfuperputru: 
2i dureza do báculo , fenaõ com o afago dos amplexos : ff u ' t i" eo 'f u '""-f 1 '^r o, e JM 
70 amorte,que leindureceo a viltadoameaçOjO- ibiverf.^. 
bedecéo ao íavor.Damefma forte feria o ferro, 

fo_ r " ÍT -11 "70 Qtirm terror fucilartron 

oy a morte ;& lerão os vaílallos,quan- pluiup»*mor»#iritHn,p** 

do os Principes fe aproveytemdori- er*iva*mnip. 

o - , t | " Purpuram ibi. 

gor , & nao da brandura. 



Bbb 



POR 



382 



POR OBEDECER AO MANDADO DE 

S. BENTO 

CAMINHAS. AMARO PELAS AG O AS A PE 

enxuto, para livrar a S.Placido,c]iie perigava nelias. 

E MV <%E Z A XXIX. 




59* 



EGULADAS pclocurfodc 
feuprimeyro movei, fe eterni- 
zao as efpheras flamantes, por- 
que obedientes. Perecera toda 
a republica dos aftros , fe os or- 

m besceleítesnao foborditiaraó o 
gy ro, a defpofi^õ de íçu f UDCf ior } ^ hc Q ^.^ ^ 

por- 




EM?<HEZA XXIX. £$; 

porque, de fcci centrados os Plane ias em feus movimentos, 

Jiefthuminíluira comdifiinção ; nem o Sol cooununicara 

feuTeíplandorcaiiuegular aclividade: Firmes na obedi- 
ência coníervão oier,opreílimo,& o kizimenco ; coro- 

pondo-fede tua uniformidade taõ armonicha coníonan* 

cia, que fui pendera a todo ofublunar, fe a ouvira. Igual 

ícJicidadeadquitem osra-ciotfaes naíageyçaõ,que Eribu- 

taó a (eus Príncipes. Os individu-os rebeldes, a quem os 

domina, naó íloreceni, nem fruóHricaô : como iè vè no bu^ 

mor, que nutre as arvores jconfbpado, 8c naó derretido 

com o calor do Sol, arruina o tronco. Nem toda a terra 

converte o Sol emouro; nem em diamantes,a todo peder- 

nal^ á matéria obediente a teus influxos transforma, aper- 

íeyçoa, Sc enriquece. 

592 Osfubditos, naõ haõdeuzardos fentidoscom 

aquella liberdade , que lhos dotou anaturefa. Naobler- 

vanciadasleys,& nos mandamentos de feus Príncipes naó 

luóde ter mays,que ouvidos para perceber ; Sc mãos, para T y enir obstim mmàatum 
executar : naó íb aprovey tando do entendimento , para a "^tX^ZlC 
execução. 1 AíTy obra o Elelantc ; razaò , porque entre «, pedi-xmmn, ma«u, c f w-. 
as ieras,he o animal mays eiiimado dos nomes. Uuveao j, Uí , ; , j: , CA i tl „, FC ,u>iu f . 
Nayre,& íem demora executa, o que lhe manda : ainda DB^naràMftuctf^dif- 
que o preceyto exceda a todas fuás íorças : o que le viono 
Elefante, que em húa dasconquiihsde Portugal, no tem- 
po delRey Dom Manoel, naõ podendo lançar ao mar húa 
embai cação,que eilava no eítaleyro, por caufa de eftar en- 
fermo, o reprehendéo o Nayre,dizendo-lhe jhum Elelan- 
te dellley de Portugal,por mays diífícil, que feja a empre- 
za, naõ deyxade a executar: inítigadoda advertência, 
tomou legunda vez o Elefante a applicar a tromba,& lan- 
çando a embarcação aomar,perdéoa vida. Nãoioyefte 
valor arrojamentodebruto,foydividade vaflallo. Aíly o 
teftiricaraó todos os Heròes Portuguezes nas guerras da 
índia, & Reftauraçaõ de Pernambuco : o que a todos os 
mortaespruece agora impoflivel, facilitou a fuaobcdien- 7 Scipho4fiice*ut,eum ■- 
cia.Preíava-íeSapiáoArncano,dequeícusfDld 3 dosloi: ^'^; : 
fem taó oromptos em lhe obedecer, que nenhum replica- btbat&turrimf.r*t 

■ , 11 1 rr -i\ \ I ' C~. fim ia min,V attvm 

m, ainda que elle os mandalie,conquiitar anado nua ior- e „„ iume rt, qU i *,.. 
taleza, que cfhva nomeyo domar, a Não experimen- »;;■; 
touo Príncipe Africano cftadecríminação de léus guer- ei H t.v Erojr, 

reyrosj 



384 O VTylKClTE VOS TÃT. TOMO 17. 
ieyros ; porque os náo mandou accommeter a façanha: 
masllosCabosdePortuga] na Reilauraçáode Pernambu. 
, feat àcBanahiaoriaJ* co <^ tomada de Tunes, 2 aonde os ibldados Ponugue- 

Ir.Jij, $ o Ktvercfiiijfimo ra- r ~r 

ire ir. Rafid de jejus. Ref. zes lançando-ie anado com aselpadasarraveifadasnaboci 

tauteçaò Je Ve.naiiibuco foi. _„.. i o • „i - ... 

6(H ; ;/ renderão a rnuycas,oc importantes embarcações inimigas. 

O vaílaJlo , que não obedece a olhos fechados mal pode 
obrar como o Leão, que reíoluto a morrer, ou a triunfar 
cerra os olhos, para que onaó intimide a multidão dos 
contrários. 

593 Fabulavaó os antigos,que a Deofa Pitarchia fo- 

4 Bobsâiihanm.iJePoiiti. raconfórtede íupiter, porque fymbolizava a obediência, 

que lempre acompanhou a valentia. 4 AJguns pintarão 
eiii Deofa em companhia do amor, ambos vendados os 

i chnrtito de Republica i,b olhos. 5 O vaflallo, que na obed