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Full text of "Os insectas damninhos na agricultura"

1 SB 

i 1 

Ent. 

L __ — 

■ • ; 






































Os insectos damninhos 
na Agricultura 



Por Gregório Bondar 



Engenheiro agrícola do Instituto Fígrico- 
\a da Universidade de Mancy. Lente de 
Zoologia na Escola Hgricola "Luiz de 
Qaeiroz" em Piracicaba, Cst.de S.Paulo. 



n 



ff 



<te 



o SECRETARIA DE AGRI- 
CULTURA, IUDUSTRIA E 
COMMERCIO o S. PAULQ 



<jui 3 - mo 



Os insectos damninhos na Agricultura 



Pragas da Figueira cultivada 

(Ficus carica) 



Entre as numerosas plantas e arvores frutíferas in- 
troduzidas no Brazil a figueira cultivada é uma das 
que se acham em condições biológicas menos favorá- 
veis. A cultura desta planta entre nós tem encontrado 
embaraços em consequência de alguns insectos inimi- 
gos, que propagando-se e contaminando-a aniquilam os 
pés pouco desenvolvidos e assim prejudicam muito as 
plantações bem organisadas concorrendo para diminuir 
o lucro que essa cultura poderia dar. 

A defesa da figueira contra insectos era assumpto 
já tratado por algumas vezes nos jornaes e revistas 
agronómicas, porém sempre de uma maneira incompleta. 
Não eram conhecidos os insectos damninhos, os 
seus costumes, as plantas indígenas, que servem como 
fonte permanente da contaminação, hospedando as 
pragas. 

Levados pelo interesse que poderá ter esta cultura 
no Brazil, cujo clima é bem favorável á figueira, nos 
resolvemos estudar particularmente o assumpto. 

Temos estabelecido que as plantas indígenas que 
abrigam os insectos damninhos do Ficas carica, e que 
servem actualmente como fonte do contagio desta cul- 
tura, são as nossas figueiras do matto, género Urusti- 
gma, que pertencem á família das Artocarpeas que é 
a da Ficus carica, 



T^ 



— 4 — 

Sabe-se que no lugar da sua origem, mediterrânea, 
a figueira cultivada não tem nenhum dos inimigos que 
encontra aqui. 

Todos elles provêm das nossas mattas e particular- 
mente das figueiras. 

Uma conclusão muito importante, que podemos 
tirar deste facto, para proteger as culturas do Ficus 
carica, é a destruição das figueiras bravas nas visi- 
nhanças das plantações. 

Estamos convencidos que tomando as precauções 
e as medidas necessárias, que indicamos, as pragas po- 
derão ser aniquiladas ou reduzidas de maneira que os 
cuidados posteriores serão muito menos dispendiosos e 
o lucro da producção, por conseguinte, será augmen- 
tado. 

BUPRESTIDAE 

Colobogaster quadridentata Fabr. (Colobogaster cyanitarsis, G.) 

Os estragos que a larva deste insecto occasiona 
na figueira cultivada, foram objecto da attenção, por 
mais de uma vez, de alguns auctores, porém sò era 
conhecida a larva. Interessados pelos prejuizos que es- 
te insecto occasiona criamol-o e completamos as obser- 
vações sobre a sua biologia. 

Podemos dizer sem exageração que os estragos 
causados por este insecto são tão graves que a figuei- 
ra não pôde existir entre nós sem ser protegida pelo 
homem: no paiz da sua origem esta planta é indemne 
da praga, o insecto é natural da Ameiica do Sul e pas- 
sou para a planta introduzida. Partindo deste principio 
era necessário conhecer as plantas indigenas que são 
hospedes constantes do insecto. O interesse pratico é o 
seguinte : as figueiras bravas será sempre atacada nos 
logares em que existirem arvores que hospedam o insec- 
to. Estas arvores serão a fonte permanente da infec- 
ção. 

Em nossas observações verificamos o seguinte: As 
figueiras bravas, as figueiras do matto (género Urus- 
tigma), servem como hospede ao insecto. Diiferentes es- 
pécies destas arvores são atacadas. 

Notamos os estragos nas mattas, nas capoeiras, nas 
cidades onde geralmente as figueiras bravas estão num 
estado lamentável por causa deste insecto ; como por 






exemplo, na Avenida dos Fazendeiros, Jardim da Mi- 
sericórdia, em Campinas e nos jardins e passeios pú- 
blicos do Rio de Janeiro. 



A 



biologia do 



e Fevereiro. As larvas que nascem 



insecto é a seguinte : a fêmea depo- 
sita o ovo na casca, na extremidade do galho ou qual- 
quer parte do tronco, durante os mezes de Novembro 
Dezembro, Janeiro 

descem progressi- 
vamente, comendo 
sob a casca a ca- 
mada vegetativa do 
tronco numa certa 
largura que vae 
crescendo. 

A casca per- 
manece respeitada. 
A serradura está 
tapada geralmente 
atraz da larva do 
canal e em parte 
apparece fora da 
casca sahindo pelas 
fendas sob a pres- 
são que a larva 
exerce no canal. 
Esta serradura na 
casca e a humidade 
que se percebe fre- 
quentemente, reve- 
lam a existência 
da broca, e o lo^ar 
delia. A parte fina 
do galho geralmen- 
te morre. Nas partes 
grossas a fita comi- 




Schema dos estragos produzidos pela larva do 

Colobogaster quadrideniata em Figueiras. 

o) ovo depositado; a) canal subcortical dos estragos 

feitos pela larva; c) casulo, onde forma-se a nympha 

e depois o adulto. 



da alarga -se com 

o tempo, attingindo 

de 20 a 30 mm. de 

largura. Durante 

algums mezes a 

larva trabalha activamente, desce dos ramos finos aos 

mais grossos ou ao tronco. 

A casca que esconde o caminho percorrido pela 
larva secca e cahe. 



— 6 — 




Colobogader quadridenlala. - de l a 7, pedaços successivos d'um ramo percorrido 
pela larva l\ o) oriíicio tapado da entrada no casulo; a) adulto. 



i — 



à'b vezes o canal afunda-se no lenho ao menos 
em pequena distancia. O comprimento total do canal 
feito por uma larva é de 60 cm. até um metro. Nas 
figueiras bravas attinge a dois metros e ás vezes a 
mais. 

O crescimento da larva completa-se nos mezes de 
Abril e Agosto.JEntão a larva cava no lenho um ca- 
sulo de 25 mm. de compri- 
mento, esconde-se dentro e 
tapa o orifício da entrada. | 

O casulo é feito de cima 
para baixo ou de baixo para 
cima. A larva ou nympha 
ficam de cabeça virada para 
o orifício tapado, pelo qual o 
a imago sahirà. 

No casulo o insecto fica 

em estado larvado durante 

dois mezes approximadamen- 

te. 

j t WJKy^' '"{ vtli 1 As nymphas se formam 

nos mezes de Agosto e Outu- 
bro. A ultima metamorphose 
para o insecto perfeito se 
effectua nos mezes de Setem- 
bro a Novembro, o adulto 
sae duas a três semanas de- 
pois, pelo orificio da entrada. 
Em consequência destes 
estragos as figueiras ficam 
tortas, deformadas e rachiti- 
cas. A metade do tronco ou. 
do ramo atacado pelo insecto 
apresenta um ferimento com- 
prido, grave, que se não ci- 
catrisa. As figueiras nessas 
condições ficam muito predis- 
postas para outra praga : a 
Azochis gripasalis, cuja 
chrysalida se esconde nas ca- 
vidades feitas pela larva de 

e) Estragos pela larva, depois de tirar ColobogaSter. 

a casca. - o) oriflcio da entrada; As figueiras bravas ata- 

c) larva no casulo, onde se trans- Cadas pelo insecto SãO COnheci- 
forma em nympha e adulto. 




- 8 - 

das de longe pelos seus ramos deformados, com a metade 
morta. 

A larva quando crescida mede até 60 mm. de com- 
primento, branca, segmentada, com a cabeça preta, 
pequena. 

O primeiro segmento é excessivamente desenvol- 
vido, e 2 a 3 vezes mais largo do que o resto do 
corpo. 

Na larva nova esta desproporção é ainda mais accen- 
tuada. A larva é apoda. O lado ventral é similhante ao 
dorso, a única diíferença é a existência de pequenos 
pontos lateraes estigmatos no lado dorsal. O primeiro 
segmento tem um escudo redondo no lado superior e 
outro egual no lado inferior. O ultimo segmento é li- 
geiramente bifido. 

A nympha é branca: tem 27 a 30 mm. de compri- 
mento, e de 11 a 12 de largura. Todos os membros do 
futuro insecto são visiveis. O imago é um bezouro de 
25 a 30 mm. de comprimento sobre 11 a 12 de largura, cha- 
to, de côr preto-azulada com pequenos pontinhos de côr 
verde metallica que só se distinguem com o auxilio de 

Colobogaster quadridentata Fabr. 





Nymph; 



Adulto 



uma lente. As an teimas medem de 4 aõmm. 
de comprimento e são pretas, as pernas tam- 
bém são pretas. Os elytros ligeiramente 
estriados terminam em pontas agudas. A parte 
inferior do corpo, das antennas, e das pernas, 
têm uma côr azulada-metallica. 
Durante o verão, nos mezes de Novembro á Fe- 
vereiro, se observa o insecto pousado nos ramos das fi- 



Larva 



— 9 — 

gúeiras. No tempo quente vôa facilmente e não se dei- 
xa apanhar, porém de manhã é immovel sendo fácil 
apanhal-o com a mão. Constatamos a praga em muitos 
pomares de Campinas nas fazendas e suppomos que 
ella está generalizada no Brazil inteiro. 

TRATAMENTO.— Destruição das larvas nas figueiras 
atacadas, extraindo-as com um canivete, nos mezes de 
Março e Abril. Matar as larvas e nymphas nos casulos 
tirando o tapume, que os fecha. Apanhar os insectos 
adultos durante o verão. 

MEIOS PREVENTIVOS. — Distruir as figueiras 
bravas nos pomares e na visinhança das plantações de 
Ficus carica. Caiar os troncos no mez de Novembro 
e Dezembro depois de juntar-se á cal um pouco de car- 
bolineum. 

CERAMBYCIDAE 

Taeniotes scalaris Fabr. 



A larva produz estragos no tronco e ramos da Fi- 
gueira, cavando galerias dentro da madeira viva. Os 
excrementos em parte são expellidos pelos orifícios que 
a larva abre no tronco a pequena distancia uns dos 
outros. Excrementos escuros e adherentes ao tronco ser- 
vem como indicio da presença do insecto. A nympha 
e o adulto se formam num casulo feito na parte supe- 
rior dos estragos e o imago sae pelo orifício aberto 
por elle próprio. 

Os dannos são similhantes 
aos causados pelo Trachyderes 
thoractcus. 

A larva ó apoda até 40 
mm. de comprimento quando 
crescida. O primeiro annel é 
muito mais desenvolvido do 
que os outros e tem no lado 
dorsal uma placa cujo desenho 
é o carateristico desta espécie. 

Nos outros anneis tem os 
tubérculos na parte ventral e 
dorsal que facilita o movimen- 
to da larva. Larva 




Nympha do Taeniotes 
scalaris, Fabr. 



10 — 



As nymphas medem até 35 mm. de comprimento, 
tendo visíveis todos os futuros membros do insecto per- 
feito. 

O adulto é um besouro de 15 até 30 e mais milli- 
metros de comprimento, de cor em geral escura, quasi 
preta 7 com pintas e riscos ammarellados. Na cabeça en- 
tre os olhos tem uma mancha triangular. Atraz dos 
olhos tem uma pequena mancha em forma de meia lua. 
No thorax tem três faixas, uma central e uma mais 
fina de cada lado. O escudo é amarello. O bordo interno 
dos elytros é branco, acompanhado de manchas amarel- 
las, que no seu conjuncto formam uma faixa central 
amarella, com manchas asymetricas. As manchas da 
mesma côr e de tamanhos differentes estão espalhadas 
em toda a superfície dos elytros. As antennas e pernas 
são pretas. 

Os machos differem das fêmeas 
pelo comprimento das antennas e 
do primeiro par de pernas que nos 
machos são muito mais desenvol- 
vidos que nas fêmeas. 

O insecto é hospede das figuei- 
ras das mattas, porém constatamos 
o insecto em arvores definhadas e 
nunca nas vigorosas. Na Ficus 
enrica a praga ataca os pés em 
pleno vigor, deixando-os logo de- 
finhados. 

TRATAMENTO : extirpar as lar- 
vas com um canivete e distiuil-as. 
Cortar os pés ou os ramos mais 
prejudicados e queimal-os. 

Constatamos esta praga nos 
pomares de Campinas. 




Taeniotes scalaris, Fabr. 
Macho 



TRCHYDERES THORACICUS 

(Oliv. Tr. Morio, Fabr.; 



Sua larva produz maiores estragos nos troncos da 
figueira cultivada (Ficus carica) nas partes perfeita- 
mente linhificadas da arvore, e mais geralmente no 
collo. Os estragos são graves, e a morte da planta é 
fatal. A larva tem 3 pares de pequenas pernas. 

Os adultos sanem nos mezes de Janeiro e Feverei- 



11 



ro. O insecto perfeito é 
de comprimento. A cor 




Polyrrhaphis grandini, líug. -adulto 



um coleoptero, de 18 a 30 mm. 

dos elytros é verde escura, o 
prothorax preto com pellos 
curtos, amarello-ruivos nas 
extremidades anterior e pos- 
terior. A cabeça e as pernas 
são pretas. A antenna é de 
cor amarellada, com manchas 
pretas nas articulações, tendo 
a articulação da base engros- 
sada e de cor preta. As an- 
tennas aos machos são com- 
pridas, attingindo a um com- 
primento de 50 a 60 mm. ao 
passo que as das fêmeas são 
muito mais curtas, de 25-35 
millimetros. 



CURCULIONIDAE 

(Heilipus bonelli, Boh.^ 



em pequenas quantidades, 
para indicar externamente 



filifor- 
a pre- 



As larvas deste insecto desenvolvem-se nos troncos 
e nos ramos da figueira. Constroem seus canaes debai- 
xo da casca, tampando as de traz com os seus próprios 
excrementos, os quaes pó no começo sao projectados 
para fora da casca, 
mes, e que servem 
sença da referi- 
da praga. Depois 
nada mais se 
observa se não 
o seccamento da 
planta e os ori- 
fícios por onde 
saem os insectos. 
Para descobrir 
as larvas é pre- 
ciso fazer-se in- 
cisões na casca 
com a ponta de , 7 
um canivete, e 



logo 



se notará, 



se as houver, a 
presença de ca- 




Heilipus bonelli, liou. 
Larva e Nympha (augmentadas 3 vezos) 



— 12 — 



naes feitos por ellas, canaes estes que se destacam por 
que bem differentes são, em sua cor, da madeira viva. 
Os canaes quando se lhes extrae a «serradura», são 
arredondados, pouco profundos, e sem orientação ne- 
nhuma conforme se vê na 
figura. 

A larva é branca, apoda, 
até 16 mm.de comprimento; 
sua cabeça é escura, os 
três primeiros segmentos 
do corpo são, no lado in- 
ferior, muito mais salientes 
do que os outros, e no lugar 
das patas notam-se-lhe fios 
de cabello. Quando seu 
porte já se vae tornando 
maior, a larva penetra no 
lenho e ahi faz um ninho. 
Chegada a este ponto ella 
se transforma em nympha. 





Heilipus bonelli, Boh. 
(augmentado 3 vezes^ 



Estragos em Ficus carica (a casca foi 
tirada para apparecerem os estragos) 

O insecto é um gorgulho de 
J2 mm. de comprimento e 
com desenhos caracteristicos 
no thorax e nos elytros. Geral- 
mente sua côr se assemelha 
á do café fraco com manchas 
symetricas amarelladas. Os 
elytros, alem disso, são estriados. 

Os insectos, ao abandonarem a arvore deixam fu- 
ros que constituem signaes evidente da presença da 
praga. Em qualquer estação do anno pode se encon- 
trar o insecto em todas as suas phazes : larva, nympha, 
adulto. Não ha, segundo parece, periodos fixos da evo- 
lução. O cyclo evolutivo deve -se repetir algumas ve- 
zes por anno. Devido á pouca disposição dos insectos 



— 13 — 

em mudarem de uma para outra arvore, ás vezes en- 
contramos ao pé de um arvoredo inteiramente damnifi- 
cado, outro ou outros muito completamente sãos. Con- 
siderando de não pequena monta os estragos oriundos 
desta praga, torna-se necessário cuidar dos pomares para 
preserval-os da invasão deste insecto. A presença dos 
insectos é mais commum «nos pomares abandonados», 
e para dar-se cabo delles não é difficil: basta, com au- 
xilio de um canivete, tirar as larvas dos troncos ou 
galhos uma vez por mez. E si este remédio não fôr 
sufficiente para a extincção radical do inimigo, lan- 
çar-se-á mão do recurso extremo, que consiste em cor- 
tar e queimar os troncos atacados. E se os plantadores 
da figueira cultivada quizerem livrar-se da praga de- 
vem, em primeiro lugar, inutilizar os pés da figueira 
brava que houver nos arredores de seus dominios, e 
segundo, como medida preventiva de elevado alcance 
económico, extinguir os pés de figueira rachiticos, se- 
mi-mortos que são prejudiciaes por não oíferecerem re- 
sultados materiaes e servirem de deposito permanente 
de muitas pragas. 

LEPIDOPTERA 

Azochis gripusalis, Wlk. 
(Pyralidas — Praga das Figueiras) 

A lagarta desta borboleta produz enormes estragos 
nas figueiras cultivadas (Ficus carica). 

Nos mezes de novembro até Junho, quando a plan- 
ta está em vegetação, observa-se nos muitos galhos 
uma abertura, revestida por uma coberta de excremen- 
tos ligados por uma substancia sedosa . Esta porta con- 
duz ao canal onde habita a lagarta do insecto. As fo- 
lhas terminaes murcham, como também as partes mol- 
les do galho, e entretanto o damno sempre se torna 
maior, porque a lagarta carcome cada vez mais o galho 
em direcção á base, prejudicando-o consideravelmente. 

As frutas nas plantas atacadas na maior parte são 
perdidas, por serem furadas pelas lagartas ou atr opina- 
das em consequência do ataque dos galhos. As lagartas 
têm trinta e mais millimetros de comprimento. Quando 
já crescidas, sahem daquellas cavidades e procuram 
um esconderijo nos galhos seccos, furados no anno pre- 
çedente, nos troncos brocados pelos çoleopteros, ou na§ 



14 



folhas seccas, onde se crysalidam. E' raro encontrar as 
crysalidas nos furos feitos pela lagarta mesma, pois a 
sua humidade excessiva prejudicaria^ seu desenvolvi- 
mento. As crysalidas são revestidas de um casulo pouco 
intenso. Após duas semanas aproximadamente delias 




>1> 



Azochis gripusalis, Wlk. 
1) Estragos na Figueira; 2) corte do broto atacada; 3) lagarta; 4) chrysalida; 5) adulta 



— 15 — 

sahem as borboletas que tem 35 mm. de envergadu- 
ra, de cor amarello-cinzento-pallido, com manchas 
alongadas, pardas. As fêmeas põem os ovos nos gora- 
mos ou também na base dos peciolos foliares, onde en- 
tão a pequena lagarta começa os estragos. A's vezes, 
antes de entrar no galho, ella faz voltas por baixo da 
casca do galho. A infecção das plantas faz-se de uma 
maneira constante, sem periodo definido. Além da fi- 
gueira cultivada, a borboleta parasita algumas figueiras 
do matto, do género Urustigma. 

TRATAMENTO. — Cortar todas as partes seccas 
e furadas das figueiras, que serviriam de abrigos as cry- 
salidas, como também os brotos novos atacados e quei- 
mal-os. Para não prejudicar muito a planta com esta 
poda, os galhos novamente atacados, ou que eram me- 
nos prejudicados poderiam ser guardados, matando as 
lagartas com um fio de arame introduzido no canal, ta- 
pando em seguida a abertura com cera. Fazer limpeza 
dos pomares, queimando os galhos seccos e as folhas 
cahidas ou seccas. 

MEIOS PREVENTIVOS. —Pulverizar as plantas 
com uma solução de verde Paris, 6 grammas por 10 
litros de agua, repetindo o tratamento de 20 em 20 dias. 

PACHYLIA FICUS, Lin. 
(fam. de Sphingidae) 

Entre os insectos que damnificam entre nós a fi- 
gueira cultivada [Fiais carica Lin.) merece attenção a 
lagarta de uma mariposa de nome Pachylia ficus A 
lagarta se alimenta das folhas desta arvore, que fica 
ás vezes bastante prejudicada por esse voraz inimigo. 

A lagarta mede de 100 a 110 mm. de comprimen- 
to, de um verde-amarellado nas primeiras idades, ten- 
do duas listas longitudinaes de um amarello-enxofre, 
cabeça verde-malachita, verdadeiras patas brancas, e 
face inferior do corpo verde cendrado ; mais tarde toda 
de um branco-cinereo, com a divisão dos segmentos es- 
cura e o corno do lio segmento negro. 

Quando para chrysalidar-se íorna-se vermelha, com 
os flancos esverdeados, divisão dos segmentos de um 



— 16 — 

vermelho sombra; cabeça, ultimo segmento e corno do 
11° annel, negros, tendo ainda, lateralmente, nove gran- 
des pontos negros quasi orbiculares. As chrysalidas têm 
de 55 a 70 mm. de comprimento. 

O adulto tem 130 mm. de envergadura. 

Azas superior de um amarello-ocre-escuro, tendo 
na extremidade uma mancha allongada escura, a super- 
fície cortada por linhas transversaes, sinuosas, quasi 
negras. Na metade da aza tem uma mancha muito es- 
cura orbicular, as azas inferiores da cor das superio- 
res, largamente bordadas, muito escuras, quasi 




Pachylia ficus, Lin. — c) Chrysalida 
(tamanho natural) 

negras, tendo na parte anterior da bordadura uma linha 
transversal, da mesma cor e no centro da superfície 
uma larga faixa transversal ; franjas de um amarello- 
ocre-claro ; angulo anal com uma pequena saliência 
branca ; antennas amarelladas, abdómen de um ama- 
rei lo escuro. A face inferior das quatro azas ó de um 
amarello-ocre -ruivo, tendo as primeiras, para o centro, 
três linhas negras irregulares e as segundas duas linhas 
quasi negras, sinuosas. 

Além do Brasil é ainda conhecida no México, na 
índia e na Venezuela, 



17 — 



O tratamento é o mesmo indicado contra 
ta dos pontos, Asòchis gripuzalis 
volk., é a pulverisação das plan- 
tas com verde Paris de 6 a 8 
grammas em 10 litros de agua. 

COCCIDAE 

Morganella maskelli, Ckll. 

As fêmeas formam amas 
crostas pretas, escamosas na su- 
perfície da casca dos troncos e 
dos ramos da figueira, chegaudo 
até a produzir a hypertrophia 
dos tecidos. O insecto aparece 
nas cascas como pequenos escu- 
dos hemisphericos com meio a 
um mm. de diâmetro. Alem da 
Figueira ataca outras plantas de familias differentes. 




Morganella maskelli, Ckll. 
%) tamanho natural 
a) augmentado 
i) insecto 



INSECTOS DAMNINIIOS 
fiQRICULTURfi 



{T FHSCICULO 1 1 J 



Pragas das myrtaceas fructiferas do Brasil 

(Goiabeira, jaboticabeira, araçd, etc.) 



POR 
GREGÓRIO BOriDHR 

Engenheiro agrícola pelo Instituto Agricola da Universidade de Nancy 

Lente de Zoologia na Escola Agricola «Luiz de Queiroz» 

em Piracicaba, Estado de S. Paulo 



TYPOGRAPHIA ALONGI & GALLO 

S. PAULO 

1913 







Insectos damninhos na Agricultura 



ti 



INTRODUCÇAO 



As arvores fructiferas da família das Myrtaceas 
occupain um logar muito importante na lista das arvores 
de nossos pomares. O commercio de suas fructas é 
um factor económico dum valor considerável em alguns 
Estados do Norte do Brasil. Estas fructas tem dado ori- 
gem á industria de doces nacionaes, muito apreciados 
entre nós e no extrangeiro. 

O valor económico da producção poderia ser muito 
maior, empregando a defeza racional contra numerosas 
pragas, que prejudicam nossa fructicultura. Todos co- 
nhecem a importância dos prejuizos causados ás nossas 
Myrtaceas pelos insectos diversos : brocas, lagartas, pio- 
lhos etc, que enfraquecem as arvores, influindo sobre 
quantidade e qualidade de fructas, que perdem em ta- 
manho e sabor. A morte das arvores é frequente. A 
fructeira, a mais preciosa jaboticabeira é pesteada pelos 
piolhos vegetaes-coccidas a tal ponto que ameaçam se- 
riamente sua prosperidade. A devastação pôde ser com- 
parada com a do piolho lanigero das Macieiras ou da 
piolho de S. José (Aspediotus perniciosus) terrível praga 
das arvores fructiferas nos Estados Unidos da America 
do Norte. 

E' de toda a necessidade divulgar conhecimentos de 
entomologia agrícola entre os lavradores, para pôr um 
freio á propagação das pragas, reduzir os prejuizos e 
melhorar assim a nossa fructicultura. As boas fructas 
só podem ser produzidas pelas arvores sãs. 



iUL : ~- ~ v 



— 4 — 

Ha necessidade urgente de se fazer o tratamento 
dos pomaies, que actualmente, na opinião geral dos la- 
vradores, vâo peiorando cada anno. Só uma cultura 
cuidada, o conhecimento e o combate dos inimigos, per- 
mittirão a este ramo da nossa producção elevar a sua 
posição económica nos nossos mercados e tornará possí- 
vel apresentar vantajosamente os seus productos nos mer- 
cados extrangeiros. 

Os Governos, favorecendo a arboricultura fructifera, 
dão um passo para a polycultura, tão aspirada para o 
equilibrio productivo dum paiz. 

o AUCTOR. 




Arvores fructiferas, da família das Myriaceas, cultivadas no Brasil 



Araçá. . 
Amexeira do Pará 
Cabelludeira. 
Cambu caseiro . 
Cambuhy. 
Castanheiro do Pará . 
Cerejeira do Rio Grande 
Goiabeira . 
Grumixameh 
Guabiroba 
Guabiju . 
Jaboticabeira 
Jambo amarello 
Jambo branco 
Jambo chá . 
Jambo rosa . 
Jambolano . 
Pitangueira . 
Pitombeiro . 
Sapucaieira . 
Uvaia ou u valha 



Psidium araçá, Kaddi. 
Myrcia proni folia, DC. 
Eugenia tormentosa, Cambess. 
Eugenia edulis, Vell. 
Eugenia tenella, DC. 
Bertholletia excelsa, Humb. 

Psidium Guajava, L. 
Eugenia brasiliensis, Lam. 
Myrtus mueronata, Cambess. 
Eugenia guabiju , Berg. 
Eugenia, cauliflora, Berg. 
Eugenia jambos, L. 
Eugenia javanica, Lam. 
Eugenia, malaccensis, L. 
Eugenia myr ti folia, Cambess. 
Eugenia jambolana, Lam. 
Eugenia uniflora, L. 
Eugenia luschnathiana Klotszch. 
Lecythis 
Eugenia upalha, Cambess. 



COLEOPTEROS 



Entre os Coleopteros ha trez famílias, cujos re- 
presentantes occasionam prejuizos graves nas Myrta- 
ceas cultivadas. São as seguintes : Cerambicidios, Bu- 
prestidios e Curculionidios. 

Fam. dos Cerambycídíos 

Sãu coleopteros com antennas muito compridas, 
razão porque são denominados Longicornios ; o corpo 
é allongado, elytros bem desenvolvidos, fortes mandí- 
bulas. A larva é branca, comprida, apoda ou com per- 



-b - 

nas insignificantes ; vive na madeira viva ou morta. 
Produz estragos nas arvores das matas e prejudica 
muito as arvores fructiferas. O insecto perfeito alí- 
menta-se da casca ou da madeira ; põe ovos dentro de 
tecidos das plantas, fazendo na casca incisões com suas 
mandíbulas. O desenvolvimento completo exige ao me- 
nos um anno, sendo ás vezes de dois annos ou mais. 

POLYRRHAPHIS GRANDINI, Bug. 

Nas goiabeiras, grumíxameíras, pitangueiras e Mytarceas das mattas 

A larva deste coleoptero produz grandes estragos 
nos troncos das Mytarceas. Nas goiabeiras a larva cava 
galerias subcorticaes, bastante largas, em redor do tronco, 




Fig. 1 - Polyrraptiis grandini em grumixameira e goiabeira; l, larva; n, nympha, a, adulto. 



— 7 



dando-lhes a forma de zig-zag, sem direcção certa. A 
casca, que esconde as galerias, apresenta-se, em geral, 
secca e deixa perceber a serradura e as fitas da ma- 
deira cortada pela broca . Estas partes são mais eleva- 
das do que as partes sãs. Mas a casca que encobre 
os canaes novos, onde a larva opera, está sempre in- 
tacta. Si estas escavações chegam a eomprehender todo 
o tronco das arvores atacadas,é inevitável a morte destas. 
Frequentemente a mesma arvore hospeda de 3 a 
5 larvas em varias galerias, e neste caso a vida da 
arvore é sempre comprometticla. Embora ella resista 




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Fig. 2— li Grumixameira'. Canaes dentro doironco; 2, Goiabeira, quebrada 
pelo vento, em consequência dos estragos; c, casulo de nympha ; 
o, orifício para a futura sahida do insecto. 



aos estragos do parasita, crescendo, torna-se a arvore 
enfesada, torta e rachitica. Todas as partes desde a 
base até os galhos são sujeitos á invasão do insecto, 
porém é a base do tronco que é mais atacada. 

Nas grumixameiras as galerias são sempre feitas 
na madeira, respeitando a casca e os prejuízos "parecem 



ser ainda mais graves. O tronco inteiro está furado. 
Nas cerejeiras do Rio Grande as galerias são feitas 
também na madeira, porém superficialmente. 

Quando a larva attinge seu pleno desenvolvimento, 
penetra na intimidade da parte lenhosa, fazendo cavi- 
dades largas, de baixo para cima. 

Tendo preparado um furo na parte superior desta 
cavidade, para facilitar a futura sahida do insecto per- 
feito, a larva prepara na cavidade, onde se aloja, um 
casulo espesso e alongado, com os fios de madeira, onde, 
opportunamente, passa pela metamorphose de nympha. 

A larva é apoda de 35 a 40 mm. de comprimento 
sobre 7 — 1 mm. de diâmetro ; é de cor branca ; o corpo 
é composto de anneis, sendo os 
de diante mais grossos. A ca- 
beça é de côr ruivo -escura, com 
fortes mandíbulas ; é muito me- 
nor do que o primeiro annel; 
este ultimo, na parte dorsal, 
possue um alargamento de côr 
amarello-ruivo. Quaudo nova, \ 
a larva é mais alongada e de 
menor diâmetro : com o desen- Flg * 
volvimento vae se retrahindo, tornando-se mais grossa, 
para preparar-se para o estado nymphal. As nymphas 
se formam de Dezembro a Fevereiro, e apresentam- se 
nos seus casulos immoveis, de cabeça para cima. A 
cabeça, thorax, pernas e antennas, do 
futuro insecto são bem visiveis. A 
nympha é completamente branca, a 
principio, tornando-se ar ruiva d a e 
escura pouco antes da passagem para 
o estado adulto. 

O insecto perfeito sae nos me- 
zes de Fevereiro a Março, deixando- 
se ficar alguns dias no casulo até ro- 
bustecer sua couraça, trabalhando 
Poiyrrhaphis, gran<u»i durante este tempo para alargar o ori- 
Bug. (adulto) ficio de sahida . Este insecto é uni 

besouro de. 20 a 30 mm. de comprimento, com as an- 
tennas longas, o corpo alongado e chato, o prothorax 
com quatro espinhos, dois lateraes e dois dorsaes, sendo 




3 — Larva e nympha 
de Poli/rrhaphis granãini 




— 9 — 

os primeiros mais desenvolvidos. A côr do thorax é 
branca, os elytros fuscos, com a faixa transversal branca 
na metade posterior. A parte dos elytros tem duas 
elevações salientes, guarnecidas de espinhos, que des- 
cem também até as bordas lateraes. As pernas são 
pretas com alguns anneis mais claros. Os elytros ter- 
minam em pontas aguçadas. 

TRATAMENTO. — E' relativamente simples, desde 
que os arvoredos sejam visitados duas ou trez vezes 
por anno, nos mezes de Abril até Novembro, antes que 
as larvas se afundem no tronco para a nymphagem. 
Desconfiando-se da existência do parasita em um ponto 
qualquer da arvore, o que se percebe facilmente pela 
casca elevada e fendida no principio, ou pela existência 
de serradura preta e estragos na casca, fende -se esta, 
eliminam-se os detrictos achados e esmaga-se a larva. 
Se esta porém, já penetrou na madeira, introduz -se en- 
tão um fio de metal, afim de attingil-a e ser destruida. 
O tempo, mais próprio para fazer este tratamento é 
nos mezes de Abril, Maio e Junho, quando os estragos 
das larvas novas são ainda pouco graves, mas já se 
percebem. Em todo o caso, convém fazer este trata- 
mento antes da ultima metam orphose do insecto e da 
sua sahida. 

Como tratamento preventivo, pôde ser empregada 
a caiação dos troncos nos fins de Janeiro, empregando- 
se a seguinte formula : 

Carbolineum bruto ... 100 gramas. 

Cal virgem A kilo 

Agua 4 litros. 

Extinguir primeiro a cal, diluir em agua e ajun- 
tar o carbolineum, agitando fortemente. Cobrir a ba- 
se dos troncos com esta droga, servindo-se duma escova. 

CERAMBYCIDEOS (vespa) *) 

Nas goiabeiras 

A larva se desenvolvendo faz galerias subcorti- 
caes, tapando a serradura atraz de si. Os canaes vão 
subindo em linha mais ou menos vertical com certos 



O Até agora não conseguimos classificação deste interessante Cerambycideo 



— 10 — 



desvios. O comprimento destas galerias escondidas é 
de 30 a 40 cm., com a largura de um a dois cm. A 
casca fica respeitada ; o seu estado anormal se percebe 
entretanto pelo seccamento, elevações ou fendas que se 
declaram nas partes correspondentes aos estragos. 

O desenvolvimento completo do insecto exige 
approximadamente um anno. Os 
ovos são postos na casca durante o 
verão; a desova dura alguns mezes. 
O crescimento da larva acaba-se 
nos mezes de Maio, Junho, Julho, 
Agosto e Setembro . A larva cres- 
cida, na parte superior dos seus 
estragos, faz furo no tronco, incli- 
nando- o para baixo, e aprompta 
um casulo. E' nelle que a larva 
se esconde, tapando a entrada com 
serradura. A larva fica ahi al- 
gum tempo em repouso, de cabeça 
para cima. As nymphas se for- 
mam desde o mez de Julho até 
Novembro; o insecto perfeito sae 
uns dois mezes depois. 

A larva, quando crescida, mede 
de 26 a 30 mm. de comprimento; 
é branca, segmentada ; com o de- 
senho do primeiro annel bastante 
característico. Tem três pares de 
pequenas pernas, vistas só com a 
lente. 

Fíg. 5— Estragos em goiabeira por Cerambycidèo vespa. A casca foi tirada 
para descobrir-se a galeria, e, estragos ; o, orifício da entrada da larva 
e sahida do adulto ; c, casulo com larva. 

A nympha é allongada, com 
todos os membros do futuro in- 
secto visiveis; mede de 20 a 
22 mm. de comprimento. 

O insecto perfeito é um co- 
leoptero, que se parece muito 
com uma vespa. E' um caso 
curioso, que poderia ser attri- p . g 6 _ CerambycMeo 

buído ao mimetismo, a este 111- Larva, nympha e adulto. 

secto. A cor geral é amarello- 

queimada. As antennas tem os quarto, quinto, sexto e 





— 11 — 

sétimo artículos pretos. Os prothorax tem três linhas 
transversaes pretas : na parte anterior, posterior, e uma 
na metade; esta ultima é em muitos casos interrompida. 
Observámos também exemplares sem essas linhas. O 
mesothorax é a parte mais larga do corpo. Os elytros 
allongados, muito estreitos em duas terças partes de 
seu comprimento, não escondem as azas. O abdómen 
tem uma cintura estreita, como a da vespa. As patas 
da mesma côr amarellada, mais escura na base. As do 
ultimo par são allongadas e ultrapassam muito o corpo. 

TRATAMENTO. - Tirar e destruir as larvas, exa- 
minando os troncos com canivete, nos mezes de Março 
a Junho. Mais tarde, quando estão nos casulos, as lar- 
vas podem ser mortas, batendo-se um pedaço de pau 
no orifício tapado. Nos pomares onde o insecto appa- 
receu, deve- se caiar os troncos da goiabeiras, para 
impedir a desova das fêmeas. 



DORCACERUS BARBATUS, Olív, 



E' um outro Cerambycideo, cuja larva, segundo cons- 
tatámos, desenvolve-se nos troncos das Mytarceas : jaboti- 
c abeiras e goiabeiras. Observámos o insecto em arvo- 
res definhadas, que morrem fatalmente. Estes prejui_ 

zos não podem ser attri - 
buidos totalmente ao 
insecto, e mesmo pôde -se 
pensar que o insecto es- 
colhe arvores fracas e 
doentes e abrevia a sua 
morte . 

A larva branca, alon- 
gada, atè 35 mm. de 

Fig. 7-Doreacerus barbatus. Larva e adulto; Comprimento, desenvolve- 

c, cabeça,! vista de frente se dentro da madeira. 

Ella broquea os ramos e troncos em sentido longitudi- 
nal, fazendo, de vez em quando, pequenos orifícios para 
deitar fora a serradura. Os furos são compridos e ge- 
ralmente limpos dos detrictos. A ; s vezes são elles tão 
largos que os galhos ficam ocos. O comprimento dos 
furos, feitos por uma broca attinge ás vezes um metro 
e mais. Quando a larva está desenvolvida, faz uma 




— 12 



cella de 4 a õ cm. de comprimento, tapando o furo dos 
dois lados com a serradura. E' ali que ella passa o 
seu estado de nympha. Os adultos saem para fora no 
verão. O insecto perfeito é um besouro de 25 a 30 mm. 
de comprimento. A cor da cabeça, do thorax e dos 
elytros é escuro-avermelhada. Na fronte, a cabeça é 
coberta com pellos amarello-vivo. 

O prothorax, na parte posterior, 
é bordado também por uma linha 
curva daquella côr. O escudo é ama- 
rello. Os elytros são bordados na 
parte interna posterior, com a côr ama- 
rello-dourada, que sobe até dois ter- 
ços dos elytros. As pernas pretas, 
com tarços amarellos. As antennas 
de 14 articulos, sendo que os tercei- 
ro, quarto, quinto e sexto tèm dois 
espinhos na peripheria, além disto, 
estas partes são escuras, em quanto 
o resto das antennas é amarello. 
Os primeiros e segundo articulos são 
pretos. 

O insecto foi também notado 
como praga dos pomares na Repu- 
blica Argentina. 

Nas arvores mortas se encon- 
tram, frequentemente, outros Ceram- 
bycideos : Trachy deres thoracicus, Tra- 
chy deres striatus, Trachy deres succi- ^^{^^o^Donc^w 
netuSj etc. Alguns delles são con- barbams 
siderados como pragas dos pomares, assim temos Tra- 
chy deres succinetus, considerado como praga dos po- 
mares entre nós; Tr. striatus, na Republica Ar- 
gentina. 

Observações repetidas, porém, verificam que, en- 
tre nós, aquelles insectos atacam só a madeira morta e 
nunca a madeira viva, e devem ser considerados como 
saprophytas e não parasitas das arvores. Encontram- 
se elles em muitas arvores mortas de famílias as mais 
diversas. Entretanto, querendo livrar-se destes insectos, 
aconselhamos limpar os pomares dos ramos e troncos 
seccos, podando os ramos fracos. A hygiene dos po- 
mares é uma condição necessária para o bom successo 
da empreza. 




— d3 — 

Além dos Cerambycideos mencionados o Dr. Her- 
mann von Ihering descreveu um, como coleobroca das 
goiabeiras, o qual não tivemos occasião de estudar nem 
observar. «A coleobroca da mesma arvore é causada 
por uma larva dum Cerambycideo de 3ò mm . de com- 
primento, mais* ou menos, de pernas bem pequenas e se 
caracterisa pela falta de tubérculos no ultimo segmento. 
Esta larva começa a furar o tronco de cima para baixo 
e o canal que começa com uma largura de um milli- 
metro, torna-se successivamente mais largo, ganhando 
em baixo a largura de 4 millimetros ou um pouco mais . 
Não conheço ainda o besouro que se desenvolve desta 
larva.» 

FA1VL DOS BUPRESTIDIOS 

A biologia destes insectos é semelhante á das Ce- 
ram bicydeas. As larvas se desenvolvem dentro da ma- 
deira. No Brasil são constatadas algumas espécies es- 
sencialmente parasitarias : larvas que vivem dos tecidos 
vivos das plantas, causando prejuízos. As larvas são 
apodes, compridas, annelladas, parecidas com as da fa- 
mília precedente. Os lados dorsal e ventral são geral- 
mente idênticos. 

Os adultos são besouros achatados, de cores bri- 
lhantes, vivas, de vôo fácil, antennas curtas e finas. 
Apparecem durante o verão. 

CONOGNATHA MAGNIFICA, C. G. 

nas goiabeiras e jabotícabeíras 

E' um dos mais curiosos insectos da fauna brasi- 
leira, que sob o ponto de vista económico, merece at- 
tenção dos fructicultores. E ; bastante raro nas collec- 
ções entomologicas, porém os estragos por elle produzidos 
são importantes ; este insecto poderá tornar-se um te- 
mível inimigo da nossa arboricultura fructifera e espe- 
cialmente das goiabeiras e jaboticabeiras. 

A cultura em grande escala favorece muito a 
multiplicação das pragas, que, sem serem combatidas, 
poderão acarretar prejuízos enormes. Num pomar de 
quatro mil pés de goiabeiras o insecto em questão ani- 
quilou durante um anno uns quatrocentos pés, não so- 
mente estragando -os mas destruindo -os completamente 



- 44 — 

Vê-se que os estragos são consideráveis e se não to- 
marmos medidas necessárias, o bicho, uma vez installa- 
do, será capaz de acabar completamente com as goia- 
beiras. Os mesmos prejuizos constatámos, por algumas 
vezes, em jaboticabeiras. 




Estragos da Conognafha magnifica 
Fig. 9— f) Fendas no tronco; g) galeria interna; c) troncos cortados 
com furos de continuação, tapados 

Os hábitos do insecto e os estragos por elle pro- 
duzidos, são os seguintes: as fêmeas, durante o verão, 
de Dezembro a Março, depositam ovos na parte supe- 
rior do tronco ou nos ramos, na incisão feita na casca. 
A larva, clesenvolvendo-se, desce progressivamente por 
um canal que cava internamente no tronco. A serra- 
dura, em parte, é posta fora pelas fendas — janellas 
lateraes do canal — ; estes orifícios successivos servem 
como primeiro indicio da presença do insecto. Elies 
percebem-se facilmente, pois sempre delles sae a seiva 




— 15 >- 

da arvore e forma no tronco linhas escuras. O furo 
interno é de 10 a 12 mm. de largura, chato e os ori- 
fícios lateraes têm 4/2 a c 2 mm. de diâmetro. No mez 
de Abril, as larvas medem 4 a 5 cm. de com- 
primento. Neste per iodo as larvas cortam os pés 
hospedeiros; a parte superior cae e ellas con- 
tinuam sua descida dentro do tronco. O corte é 
feito do interior, é caracter istico, pode ser fa- 
cilmente distinguido e não deve ser confundido 
com o feito pelo « Serrador » que é feito de 
fora para dentro e é convexo ; o corte feito 
nas laranjeiras e muitas arvores das mattas 
pela larva de Biploschema rotundicolle é geral- 
mente menos regular do que o das goiabeiras. 
O corte feito pela larva de Conognatha magni- 
fica nas goiabeiras ou jaboticabeiras é concavo 
nas duas partes. A parte superior e inferior do 
corte têm um furo em sentido longitudinal, ta- 
pado com as fitas de madeira, que fecham o 
Fi g . io orifício na face cortada, A larva descendo con- 

conognatt * inúa seus estragos. 

magnifica Frequentemente, nos mezes de Junho e Agosto, a 
larva corta o tronco outra vez, na distancia de 30 a 
40 cm. do primeiro corte, muitas vezes perto do solo. 
O comprimento total do canal cavado no tronco é de 
um metro e meio a dois metros. Se o tronco não é 
bastante comprido, então a larva entra nas raizes. O 
furo na parte inferior attinge 45 mm. de largura. 

O crescimento da larva termina nos mezes de Se- 
tembro a Dezembro. Então a larva aprompta um bu- 
raco, que será fácil alargar, para garantir a sahida 
quando adulto. Na visinhança deste orifício e geral- 
mente mais baixo do que elle, apresenta-se um casulo, 
bem tapado — precaução contra as formigas e intem- 
péries ; nelle a larva fica num estado immovel, prepa- 
rando-se para nympha durante um e meio a dois me- 
zes. O estado de nympha dura, approximadamente, um 
mez. No fim desse tempo nasce o adulto. Este ultimo 
logo sae e recomeça o seu cyclo evolutivo. 

A larva, quando crescida, mede de 7 a 8 cm. de 
comprimento ; o lado dorsal é semelhante ao ventral . 
O primeiro annel é muito mais desenvolvido do que os 
seguintes. A cor da larva é branca, com pellos arrui- 
vados. O ultimo segmento é bifurcado. 




— 16 — 

O adulto é um coleoptero elegante, chato, com 
thorax verde metallico. Os elytros são de cor azul metal- 
lico na metade posterior. Esta côr é separada 
por uma larga faixa amarella; a metade anterior 
dos elytros é amarella com quatro manchas 
azul-escuras, no sentido transversal. A parte 
inferior do corpo, antennas, thorax e patas 
sào de um esverdeado metallico. Tem uns 30 
mm. de comprimento sobre 10 de largura. 

Fie. 11 

conognatha TRATAMENTO. — Resulta do conheci- 
magnifica me nto da biologia do insecto, e é o seguinte: não 
será pratico nem económico empregarem-se drogas contra 
este insecto. Precisa-se procurar as larvas e matal-as 
para impedir a propagação posterior. E' bastante difficil 
descobril-as em todos os pés, antes do mez de Abril. 

Desde então até Setembro apparecem goiabeiras 
cortadas (o diâmetro dos troncos cortados attinge 6-7 
cm.). Aconselhamos então neste tempo visitar os po- 
mares, rachar a parte inferior do corte nos troncos cor- 
tados pelo bicho, para achar e esmagar a larva. Não 
fazendo este tratamento os pés atacados morrerão ine- 
vitavelmente, como observámos em centenas de casos, pois 
o bicho estraga de maneira tal que o pé não dá brotos, 
e de mais, a praga, desenvolvendo se, poderá propagar- 
se entre nós, visto a frequência das goiabeiras e jabo- 
ticabeiras nos pomares. 



FAM, DOS CURCULIONIDIAS 

São insectos revestidos duma forte carapaça. Ca- 
beça transformada em um bico-rostro. São sempre 
phytophagos : atacam troncos, folhas, flores e fructas. 

A fêmea deposita os ovos nos tecidos da planta e 
a larva se desenvolve dentro da planta, prejudicando-a. 
A larva é branca, apoda, curvada, relativamente gros- 
sa. Causam prejuizos ás arvores fructiferas, ás de cons- 
trucção, ás plantas cultivadas alimenticias, forrageiras e 
ornamentaes. 



17 



CRATOSOMUS DAS MYRTACEAS (*) 

(Cratosomus sp.) 
Nos Cambucáseíros, Jabotícabeíras t Araçáseíros etc. 

género Cratosomus possue no Brasil numerosas 
espécies, pouco estudadas, de classificação difficil, se- 
gundo parece, de costumes muito semelhantes. 

Fig. 12 
Estragos nos troncos pelo Cratosomus das Myrtaceas 




Corte transversal. 
5 furos de diversos tamanhos 




Corte longitudinal, j, janella. 



feitos pela larva. 

As larvas são brocas de 
diversas arvores que ellas fu- 
ram em sentido longitudinal, 
parasitando sempre os tecidos 

vivos da planta. O Cratosomus das Myrtaceas (assim o 
chamaremos provisoriamente, pois ataca muitas Myrta- 
ceas, para distinguil-o do Cratosomus da goiabeira, que 
constatámos só naquella arvore) faz furos de cima para 
baixo . 

Os ovos são postos nos ramos finos, de grossura de 
um lápis e mais. Dahi as larvas descem, progressiva- 
mente, fazendo um canal redondo, cujo diâmetro cresce 
á medida que a broca se desenvolve. A serradura, é 
deitada fora pelos orifícios lateraes, que são geralmente 
distantes de ^0 a 30 cm. uns dos outros. A presença 
da serradura em baixo das arvores indica a existência 
do mal. Constatámos este insecto nas Myrtaceas das 
mattas, e nos pomares de Santos onde a broca é muito 



(*) Falta-nos classificação scienliflca da espécie. 



— 18 — 

commum e occasiona grandes prejuízos ás jaboticabei- 
ras, cambucáseiros e araçaseiros. Geralmente numa ar- 
vore se acham algumas larvas, que descendo, deixam 
o tronco furado completamente, quasi oco, se o numero 
de furos é relativamente grande. Observam-se muitos 
troncos com 5 a 10 furos parallelos. Os canaes onde 
a larva opera são perfeitamente accessiveis as formigas, 
porem a larva zomba destes intrépidos caçadores, sen- 
do perfeitamente protegida pela couraça de dois lados. 
Q,uando mais grossos, os furos são de 12 mm. de diâ- 
metro. O comprimento attinge dois metros e mais ; 
as' janellas lateraes, são de 3 a 4 mm. de diâmetro. A 
larva crescida faz um furo lateral para a sahida do 
futuro insecto perfeito ; depois faz um casulo comprido, 
tapando com fitas de madeira o canal longitudinal do 
tronco. E' ali que passa para o estado de nympha no 
principio do verão. Os adultos apparecem no mez de 
Dezembro e Janeiro. O cyclo evolutivo parece ser de 
dois annos. 

A larva, quando crescida, mede de 25 a 30 mm. 
de comprimento, é grossa, curvada, apoda, cabeça 
ruivo-escuro. No primeiro annel da parte dorsal se 
acha um escudo largo, forte, de cor castanho-clara. 
Um outro escudo da mesma cor se acha na parte pos- 
terior do corpo. Estes escudos, anterior e posterior ser- 
vem á larva como couraça que a protege contra insec- 
tos, que poderiam entrar nos seus túneis : a curapaça 
resiste perfeitamente a qualquer 
mandibula. Os Cratosomus, que 
tapam seus túneis para invasão 
dos inimigos, não possuem a pla- 
ca posterior. O Cratosomus de 
goiabeira está neste caso. Esta 
particularidade das larvas de 

CratOSOmUS é Um CUrioSO CaSO Larva Fig. 13 Adulto 

de adaptação do insecto áS COll- Cratosom us das Myrtaceas 

dições biológicas. 

O insecto perfeito é um besouro de 18 a 20 mm. 
de comprimento, preto, com umas faixas claro-ama- 
relladas. No prothorax a côr clara rodeia a cabeça e 
forma duas -manchas na parte que corresponde aos 
elytros. Os elytros possuem duas faixas transversaes 
dessa côr ; á anterior se liga com um X da mesma côr, 
formado na parte anterior dos elytros ; a parte poste- 




— 19 — 

rior tem 3 manchas, duas lateraes pequenas e uma me- 
diana maior. O prothorax não tem espinhos. 

TRATAMENTO. — A importância dos estragos nos 
pomares onde a broca existe é tal que é de toda a 
necessidade combater o mal, destruindo-se a praga. 

Os escudos da larva, situados nas duas extremida- 
des do corpo, protegem a larva contra insecticidas 
fracos. 

Assim o carbureto de cálcio, preconisado entre nós 
contra brocas, não tem efteito algum. O gaz acety- 
leno que se elabora não chega a matar a larva, que 
obtura o canal com sua parte posterior e impede a pe- 
netração do gaz. Observámos casos em que a larva 
para expellir a serradura, precisando das janellas obtu- 
radas com carbureto de cálcio, fura a cal que é o re- 
sultado da decomposição do carbureto. Experiências 
demonstram que esta substancia tem pouco valor como 
insecticida. 

Effeito muito mais seguro pode dar o sulfureto de 
carbono, injectado nas janellas lateraes, tapando depois 
com barro todos os orifícios lateraes, para impedir a 
perda do gaz. E' necessário tratar attentamente todos 
as fruteiras attacadas, para prevenii a propagação do 
mal. 

CRATOSOMUS das Goiabeiras 

Cratosomus sp. 

E' um gorgulho muito commum nas goiabeiras, ás 
quaes causa prejuizos notáveis, que só podem ser reve- 
lados examinando-se minuciosamente os troncos ata- 
cados. 

No inverno e na primavera o insecto adulto depo- 
sita os ovos nas pequenas incisões que faz com o bico 
na casca das goiabeiras. 

A larva que nasce cava o tronco internamente de 
baixo para cima. A cavidade por ella feita é pelo insecto 
inteceptada com a própria serradura, que produziu pene- 
trando no tronco, de modo que não deixa nenhum ras- 
to externo da sua presença. O furo accompanha a casca 
na camada nova da madeira em espiral ao redor do 
tronco. Mas acontece também que este furo afunda~se 
no lenho, ou vai quasi superficialmente deixando mesmo 



20 



morrer a casca que o esconde. Como a camada atacada 
é que conduz a seiva, a vida da planta fica seriamente 
compromettida. Externamente, os troncos ou os ramos 
brocados pela larva são percebidos pelo seccamento, 
sem revelar outra cousa de definhamento. A's vezes a 
presença da broca se manifesta pela deformação do 
tronco, quando este for bastante viçoso para resistir 
aos estragos. O com- 
primento do furo no 
tronco attinge 1 metro 
e mais, com um diâ- 
metro que varia entre 
\ e 15 mm. Esta vida 
parasitaria da larva 
dura perto de dois 
annos. Os furos são 
sempre conduzidos de 
baixo para cima, co- 
meçando no tronco, 
entram nos ramos, cu- 
jo diâmetro às vezes 
apenas basta para a 
grossura da larva. 
Todos os restos vitaes 
da larva — eseremen- 
tos, serraduras, são ta- 
pados atraz da larva, 
e fortemente compri- 
midos. O canal fica 
bem tapado em todo 
o seu comprimento. 

Os estragos são 
causados só pela larva 
quando crescida a 
25 a 50 mm. de com- 
primento, branca, cur- 
vada com fortes man- 
díbulas, para furar a 
madeira. A. parte dor- 
sal dos primeiros dois 
anneis é muito desen- 
volvida e forma uma 

, . . -j Fig. 14— 1 ronco de goiabeira 

placa eSCUra, ngiaa. deformado pelo Cratosomus das goiabeiras 

O abdómen na parte c , casulo de nymphagem. 





— c li — 

posterior é muito dilatado. Nos mezes de Fevereiro e 

Março, a larva, attingindo seu limite de crescimento, 

alarga uma cavidade na extremidade 

superior do furo, perto da casca, trans- 

formando-se lá em nympha, facto este 

que se produz nos mezes de Março e 

Abril. 

A nympha é de 23 a 25 mm. de 
comprimento, com prothorax espinho- 
so, o abdómen obtuso. 

A ultima metamorphose faz-se 
no fim de Maio e no mez de Junho. 
O insecto passa algum tempo na mes- 
ma cavidade antes de sair. I&^MSÍ^ 

O adulto é um gorgulho de "20 a goiabeiras 
25 mm de comprimento, de cor preta, coberto com peque- 
nos pellos amarellos, densos, que lhe dão a côr amarella 
manchada de preto nos logares desprovidos de pellos. 
A cabeça é preta, com a mancha amarella na testa. O 
prothorax é também amarello, com uma larga faixa 
transversal preta e espinhosa. Na parte posterior ha uma 
mancha preta. Os elytros são estriados, amarellos, com 
tubérculos salientes pretos, e além disso tem uma faixa 
descontinua transversal preta e uma mancha da mes- 
ma côr na parte anterior em cada um dos elytros, sen- 
do que esta mancha engloba os dois tubérculos mais 
salientes. Os hombros são pretos, a pernas pretas com um 
largo annel amarello. 

Os insectos são de movimento lento, passeiam va- 
gorosamente, agarrando se aos troncos e galhos. Os a- 
dultos se encontram no mez de Dezembro, Janeiro, Abril 
e Julho. 

TRATAMENTO. — Cortar e queimar os troncos ou 
os galhos seccos, que ás vezes morrem em consequên- 
cia do ataque pelo gorgulho, contendo algumas vezes 
ainda a broca. Examinar attentamente todos os troncos 
ou ramos doentes e em definhamento, fazendo incisões 
com um canivete, para ver se não é o caso do gorgu- 
lho; tirar e esmagar a larva. 



- 22 — 



CURCULIONIDAS DAS FRUCTAS 

Gorgulho das jabotícabas 

Em muitos pomares as jabotícabas são bichadas 
por uma larva branca, gorda, curvada com tubérculos 
transversaes, a qual mede até 9 mm. de comprimento. 
E' a larva de um gorgulho. seu aspecto externo e os 
seus movimentos lentos, permittem distinguil-a facil- 
mente das larvas das moscas, que também são parasi- 
tas destas 1'ructas. 

As frutas atacadas pelo gorgulho se reconhecem 
pelos escrementos que a larva rejeita fora e que ficam 
agglomerados ás fructas. 

A larva vive 
no interior, ali- 
mentando-se da 
polpa e das se- 
mentes. O seu 
desenvolvimento 
termina no tem- 
po da maturação 
das fructas. Ca- 
hidas estas no 
chão a larva sae, 
entrando na ter- 
ra a dois — sete 
cen ti metros de 
prof u ndidade, 
produzindo no 
solo uma cavi- 
dade onde ella 
fica em repouso. Isso se dá durante o mez de Outubro- 
Novembro. No mez de Janeiro a larva se transforma 
em nympha. A ultima roetamorphose para o insecto 
perfeito se passa no fim de Fevereiro. 

O insecto perfeito é um pequeno coleoptero de 5 a 
5 1/2 mm. de comprimento, de cor amarello- queimada 
no principio, tornando-se depois mais clara. O bico é 
alongado, thorax liso, elytros estriados. O thorax e 
os elytros são cobertos com pellos amarellos, curtos. 

Feita a ultima transformação o insecto continua a 
ficar sempre na terra, na cavidade da larva, nos mezes 
de Março, Abril, Maio, Junho, etc. e, sae sò no tempo 
da florada das jaboticabeiras. O insecto então sobe ás 





Fig. 16 



Gorgulho das Jabotícabas: 
larva e adulto 



— 23 — 

árvores e deposita os ovos nas fructas. 

A larva se desenvolve com o crescimento das fruc* 
tas, estando adultas no tempo da maturação. Os alimen- 
tos que ella armazenou durante o seu periodo larvado, 
lhes servem para passar quasi oito mezes de repouso 
sem comer. 

TRATAMENTO. — E ; impossivel attingir a larva, 
que se desenvolve nas fructas verdes. As fructas cahi- 
das contêm as larvas do gorgulho ou das moscas, des- 
truindo-as exterminamos os futuros insectos que preju- 
dicariam de novo as fructas. Nas fazendas e chácaras 
estas fructas podem ser aproveitadas para os porcos. 
Muitas vezes a larva sae e entra na terra logo que a 
fructa cae. Para destruir as larvas que já se enterra- 
ram é bom remover a terra em baixo das jaboticabei- 
ras nos mezes de Novembro até Fevereiro, para espôr 
as larvas á secca, aos passarinhos, gallinhas etc... Re- 
movendo se a terra pode se lhe ajuntar cinza, cal cáus- 
tica em pò, misturando -se intimamente. A pelle tenra das 
larvas ou nymphas é facilmente atacada por essas subs- 
tancias cáusticas; alem disto estas substancias servem 
de adubo e fortificarão as arvores no anno futuro. 

Emfim, as jaboticabeiras podem ser protegidas co- 
brindo-se a base do tronco com as subtancias que afugen- 
tam insectos. Para este fim pode ser empregado leite 
de cal, addicionado com 2 a 3 % de carbolineum. 

Gorgulho das goiabas. 

A larva produz nessas fructas estragos semelhantes 
aos das jaboticabas, desenvolve-se dentro das goiabas, 
entra na terra e fica no estado larvario durante 5 ou 
6 mezes. O adulto sae só na nova época das fructas, 
para nellas depositar ovos. São raras as goiabas sem 
gorgulho. As fructas atacadas facilmente se reconhecem 
por uma depressão dum lado, no centro da qual se 
acha um ponto preto. O tratamento è o mesmo que para 
o gorgulho das jaboticabas. 

LEPIDOPTEROS 

Os Lepidopteros, vulgarmente conhecidos como bor- 
boletas e mariposas, são insectos de metamorphose com- 



- n ~ 

pleta : lagarta, chrysalida e insecto perfeito ou imago. 
As lagartas em geral são nocivas ás plantas : vi- 
vem das folhas, fructas e madeira, e constituem verda- 
deiras pragas de muitas culturas. O tratamento varia 
conforme os órgãos atacados. 



LEPIDOBROCAS DOS TRONCOS 

Stenoma alhella, Zell. — Fam. Xylorictidae 

Ataca todas as Myrtaceas e muitas outras arvores 

Os estragos causados pela lagarta deste lepidoptero 
são muito communs nos pomares » nas mattas. Todas 
as Myrtaceas são sujeitas á sua voracidade. Além das 
Myrtaceas muitas outras arvores são atacadas : carva- 
lho, castanheiro e algumas arvores das mattas. 

Nos mezes de Março, 
Abril e Maio começam a ser 
percebidas facilmente, nos ra- 
mos e nos troncos das arvores, 
pequenas camadas, feitas de 
escrementos e pedaços da 
casca, ligados entre si por 
uma substaucia sedosa. Este 
abrigo serve para proteger 
uma lagarta de cor violácea, 
que se acha escondida e come 
a casca em baixo da cober- 
tura. 

Não se contentando com- 
este abrigo, a lagarta fura 
um orifício no tronco, que no 
principio é quasi horizontal, 
mas na profundidade de 5 — 8 
millimetros vira para cima. 
O comprimento e o diâmetro 
deste furo são apenas suffici- 
entes para esconder a lagarta; 
seu volume augmenta com o ^ íuro imerno ' *- camada de excre " 
crescimento do insecto. Neste memo ' c ' casca carcomida - 
esconderijo a lagarta se abriga dos seus inimigos. 

Crescendo a lagarta, augmenta ella progressiva- 
mente o abrigo externo conforme a necessidade, até os 
mezes de Novembro Dezembro, dando-lhe a forma al- 




Aspecto externo dos estragos em 
íoiabeirasetc, pelo Stenoma albella. 



— 25 



iongada ou em espiral no tronco, ou simplesmente aii» 
gmentando-o em todas as direcções. 

Tirando-se este envoltório, percebe-se então que a 
casca em baixo está carcomida. Nas goiabeiras a 
madeira fica nua e nunca reconstitue a casca ; esta parte 
morre e o tronco fica feio e torto. Nos araçaseiros os 
estragos são semelhantes aos das goiabeiras. As jabo- 
ticabeiras em maior parte reconstituem a casca e pro- 
duzem a cicatrisação perfeita da lesão. 

Acontece também que os 
ramos ou troncos cercados 
com este envoltório morrem, 
por ter sido a camada vege- 
tativa da planta destruída pela 
lagarta. Nas goiabeiras e em 
algumas outras Myrtaceas esta 
consequência é mesmo muito 
frequente. No fim do período 
de actividade da lagarta este 
envoltório pode medir 2õ0 
cms.2 de superfície, o que cor- 
responde á superfície da casca 
prejudicada, O furo interno 
então é de 50-60 I P m de compri- 
mento. 




Fig. 18 -Stennmaalbella, Zell. 
t-largata, 2-clirysalida, 3-adulto 



A lagarta no seu máximo des- 
envolvimento mede de 25 a 35 mm 
de comprimento. No mez de Dezem- 
bro-Janeiro ella passa para chry- 
salida, sendo a das fêmeas maior 
do que as dos machos. Taes chry- 
salidas são nuas, ficando suspensas 
no furo por dois ganchos que se 
acham no ultimo annel do abdómen. 

As borboletas saem no mez de 
Janeiro -Fevereiro, são brancas, de 
olhos pretos; a envergadura das 
azas é de 40 millimetros nos ma- 
chos, sendo nas fêmeas um pouco 
maiores. Durante estes mezes ellas 
são frequentes nas cidades onde 
são atrahidas pela luz nos seus voos 
nocturnos . 



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Fig, 19 
Tratamento: Z-largata no furo 
interno, esmagada pelo pau- 
sínho em /, c-casca carcomida 



— 26 — 

TRATAMENTO. — E' muito fácil livrar as arvores 
deste inimigo. Os furos são pouco profundos e por isso 
mesmo fácil se torna debellar o mal. Para este, fim, 
convém inspeccionar os pomares nos mezes de Março 





Fig. 20 — Eslragcs em araçaseiros 
pela lagarta de Stenoma albella. 

a Setembro: tiram-se as 
camadas protectoras, intro- 
duz-se no furo um pedaço 
de madeira, bem adaptado, 
batendo um pouco com raar- 
tello. A lagarta fica presa 
e morre de fome. 
Como o cyclo evolutivo do insecto é muito lento, 

bastam duas ou três vistorias por anno para livrar o 

pomar desta broca. 



SICULADES FULCATA, Fr. Rq. (Geometrida) 

A lagarta, quando pequena, é vermelho-pintada ; 
crescendo, torna-se branca, (fig. 21) até 30 mms. de 
comprimento. O primeiro segmento do corpo é alarga- 



- 27 - 

do no dorso ém uma placa escura. Cada annel tem um 
ponto escuro ao lado. 

As lagartas se alimentam da parte cambial dos 
troncos das goiabeiras, respeitando geralmente a casca 
externa. As partes carcomidas sob a casca são irregu- 
lares, pouco profundas, (fig. 21). 




3 Siculades fulcata 

Fig. 21 — 1-Estragos no tronco. — c-canaes sob a casca, o-orificio no canal interno: 
2-Furo interno que abriga a lagarta ; 3, 4, 5-Lagarta, chrysalida e imago. 



No principio, a lagarta passa todo o seu tempo 
nessas galerias, porem crescida, faz os furos dentro do 
tronco, horisontaes no começo, depois dirigidos para 
baixo. A parte longitudinal do furo é alargada, e dá á 
lagarta a possibilidade de se virar. E' neste abrigo que 
ella se esconde dos inimigos e lá passa seu estado de 
chrysalida, que dura quatro a cinco semanas, mais ou 
menos. Não ha neriodos fixos de desova. 



— 28 — 

O adulto é uma borboleta de côr geral amareíla, 
com um desenho escuro, pouco delineado. 

A envergadura é de 40 mm. ; os machos são me- 
nores. O bordo anterior das azas é muito desenvolvido 
em relação ao outro, e forma na extremidade da aza 
um appendice em forma de gancho. O desenho das 
azas anteriores é constituído por algumas manchas de 
côr escura, e é por uma flexa que desce da extremi- 
dade do appendice até a metade do bordo posterior. As 
azas posteriores têm um ponto translúcido e mais claro 
no meio delias. 

Frequentemente as lagartas vivem em colónias de 
õ a 10, produzindo a deformação e o definhamento do 
tronco. Encontram-se também muitas vezes nos feri- 
mentos produzidos pelo Polyrrhaphis grandini, cuja ser- 
radura serve á borboleta para pôr os ovos. 

Entre os inimigos naturaes da borboleta, o mais 
importante é uma mosca, que põe os ovos na lagarta. 
As larvas devoram-na geralmente quando esta já está 
no seu abrigo, e á sua custa desenvolvem-se 3-4 moscas. 

TRATAMENTO. — Preservar os troncos, lavando-os 
com calda bordeleza e verde de Pariz. 

BORBOLETA CINZENTA das Myrtaceas 

Broca dos canaes compridos no tronco 

Nos mezes de Dezembro, Janeiro e Fevereiro os 
troncos das goiabeiras e jaboticabeiras apresentam ex- 
ternamente os furos um pouco alongados, mais largos 
fora do que dentro. Examinando-se, constata-se que 
elles vão até certa profundidade do tronco e tomam a 
direcção longitudinal. O comprimento destes furos at- 
tinge de trinta a quarenta centimetros; ás vezes elles 
são duplos, communicando-se entre si. Estes furos são 
produzidos pela lagarta dum lepidoptero, que não po- 
demos classificar, por não existir nas collecções do 
Instituto Agronómico, em Campinas, nem nas do Museu 
do Ypiranga, como também na litteratura correspon- 
dente. 

Nos mezes de Janeiro e Fevereiro a borboleta de- 
posita os ovos nos ramos e troncos, separadamente uns 
dos outros . As lagartinhas que nascem cavam a casca 
e depois a madeira, quasi na direcção perpendicular ao 



29 — 




tronco. Entrando até certa profundidade ellas fazem os 
canaes longitudinaes. Vivem e desenvolvem- se dentro, 
comendo a madeira e fazendo os furos internos, pas- 
sando assim quasi um anno. 

Neste tempo o orifício 
que communica com o 
exterior está tapado ex- 
ternamente pelos excre- 
mentos ligados com uma 
substancia sedosa. Tudo 
forma uma pequena sali- 
ência arredondada ou 
hemispherica em cima 
do furo. 

Nos mezes de Dezem- 
bro, Janeiro e Fevereiro 
do anno seguinte as la- 
gartas crescidas alargam 
os orifícios externos, para 
assegurar a futura sahida 
do insecto perfeito, depois 
passam para chrysalidas, 
perto do orifício da saida, 
com a cabeça para baixo. 
A borboleta sae depois 
de 5 a 6 semanas. 
A lagarta tem 25 a 30 mm. de comprimento com 
as faixas longitudinaes escuras no dorso. O primeiro 
segmento do corpo é muito desenvolvido, e tem a placa 
mais escura do que o resto do corpo. A parte anterior 
delia é mais clara, e tem dois pontos pretos bem visí- 
veis. Os outros segmentos do corpo têm dois pontos 
pretos, muito menores na parte lateral, 

A chrysalida é de 15 a 22 mm. de comprimento, 
escura, com a parte dorsal mais enegrecida. 

O insecto perfeito é uma borboleta dum amarello 
cinzento com o corpo pesado e grosso, antennas pecti- 
formes. As azas anteriores têm manchas mais escuras, 
que se destacam pouco do resto da cor. 

O tempo da evolução completa é um anno. 
Alem das goiabeiras, o insecto ataca as jabotica- 
beiras, produzindo os mesmos estragos. 

Pensamos que pode atacar também algumas outras 
Myrtaceas. 



Fig. 22— o-Orilicio externo no tronco da goiabei 
ra, para futura sahida da borboleta; c-chri- 
salida; f-furos internos. 



— 30 — 

O insecto tem sérios inimigos naturaes. 

Observamos um hymenoptero que aproveita o tem- 
po quando a lagarta alarga o furo externo para entrar 
lá e por o ovo. A larva que nasce come a lagarta 
antes que esta se chrysalide e depois faz um casulo se- 
doso no logar onde devia estar a chrysalida, e em lo- 
gar da borboleta sae do furo este seu parasita. Em 
nossas observações constatamos mais do õO % de la- 
gartas destruídas por este insecto. 

TRATAMENTO CONTRA A BROCA: Introduzir 
nos furos pedacinhos de madeira forte, batendo ligeira- 
mente. Na maioria dos casos a lagarta morre, não po- 
dendo fazer outro furo. O tratamento dá os resultados 
seguros quando é applicado para os furos alargados 
externamento pela lagarta nos mezes de Dezembro a 
Fevereiro, e quando a lagarta passou para chrysalida. 
As borboletas que saem das chrysalidas não tendo man- 
díbulas para furar a sahida, morrem ali dentro. 

A borboleta tem vôo pesado, mormente a fêmea, e 
nào transpõem grandes distancias. 

LAGARTAS DAS FOLHAS 

As folhas das Myrtaceas têm alguns consumidores 
gulosos que produzem estragos notáveis nestas plantas. 
Os prejuizos mais importantes se verificam nos vivei- 
ros, onde pequenas plantinhas são desfolhadas comple- 
tamente e mesmo os brotos devorados pelas lagartas. 
Notamos duas espécies mais importantes. 

Pyrrhopyge sp. — Fain. das Hesperidas 

A lagarta come as folhas das goiabeiras, araçás etc, 
e faz nellas seu abrigo, cortando-as e ligando o pedaço 
cortado ao resto da folha com fios segregados por cila. 
O pedaço cortado guarda geralmente intactos seus te- 
cidos vitaes e continua vivendo. 

Quando o casulo fica pequeno, a lagarta deixa-o, 
para fazer novo. O estado larvado dura mais do que 
um mez. A lagarta crescida tem de 50 a 60 mm. de 
comprimento.; cabeça vermelha, còr de sangue, com as 
riscas longitudinaes pretas ; o corpo é de côr carmim- 
intensa, com as riscas transversaes amarellas na metade 



— 31 — 

dos armeis ; é coberto de pellos brancos e finos. A 
parte posterior termina por um tufo de pellos vermelhos. 
No estado de chrysalida, que dura de 17 a 20 dias, 
o insecto passai no mesmo casulo, que abrigava a la- 
garta. As chrysalidas são de 32 a 35 mm. de compri- 
mento de cor carmim escura, com os pellos vermelhos. 




*. Pyrrhopyge sp. (Hesperidae) 

Fig. 23 — 1 e 2— Estragos nas folhas de goiabeira e araçaseiro; 3— lagarta ; 
4— chrysalida; 5— borboleta adulta. 



As borboletas que nascem das chrysalidas têm de 
40 a 50 mm. na envergadura das azas; são de côr 
preta, com reflexo azul-metallico ; as azas são bor- 
dadas de franjas amarello- claras ; o lado inferior das 



— 32 — 



azas é preto ; a cabeça e a parte anterior do thorax, 
como também a parte terminal do abdómen, são ver- 
melhas, côr de sangue ; o vôo é muito rápido e irre- 
gular, a desova produz-se continuamente, sem haver 
os períodos fixos dos estragos. 

TRATAMENTO. — Consiste em pulverisar os viveiros 
com verde de Paris ; colher as folhas com os casulos e 
lagartas e destruil-as; visitar os viveiros e proceder a 
este tratamento cada 45 ou 20 dias. 



MIMALLO AMILIA (Fam. Lacosomidae) 
Goiabeira, araçaseiro, grumixameira 

Uma outra lagarta que occasíona estragos notáveis nas folhas 
das Myrtaceas 



A lagarta faz casulos com 
as folhas, os excrementos e 
pedaços dos ramos, ligando-os 
entre si pela seda. Este casulo 
tem ás vezes 2 ou 3 reparti- 
ções. A lagarta de côr parda, 
tem até 40 mm. de compri- 
mento. Os segmentos centraes 
são mais grossos do que os 
das extremidades. O corpo é 
coberto com poucos pellos. A 
chrysalida fica no mesmo ca- 
sulo. 





Casulo, lagarta e íemea adulta do Mimallo amilia. 



— 33 — 

A borboleta adulta ( fêmea ) tem até 60 mm. de en- 
vergadura ; a cor geral é cinzenta, com pontinhos pretos 
disseminados sem ordem na superfície. As azas anterio- 
res têm uma mancha parda arredondada, com dois pon- 
tos claro -translúcidos dentro. As margens das azas são 
bordadas por uma faixa pardo-arruivada, acompanhada 
com uma linha clara. Esta faixa passa também nas azas 
posteriores, ficando mais larga. Este desenho se reflecte 
também no lado inferior das azas. 

Os estragos são mais notáveis nos viveiros, onde 
as pequenas plantinhas são destruídas frequentemente 
ficando só o tronco com o casulo. 



PEROPHORA PAGKARDII ( Fain. Lacosomidae ) 



As Myrtaceas, como também plantas de outras fa- 
mílias, soarem bastante deste insecto. 

A lagarta vive nos casulos suspensos aos ramos fi- 
nos, e sae so á procura dos alimentos comendo as fo- 
lhas. Os casulos são feitos da sub- 
stancia sedosa, gommados superficial- 
mente, de maneira que são lisos e 
tão duros que é difficil esmagal-os ou 
cortal-os com a faca. 





Perophora Packardii 

Fig. 25 — .4-Casulo que esconde a lagarta 



A borboleta mede até 60 mm. de envergadura, é 
de côr amarellada; as azas anteriores têm um ponto 
translúcido claro. A parte externa cios dois pares de azas 
é mais escura, sendo separada da parte interna por uma 
linha preta* 



— 34 — 

TRATAMENTO. — O melhor meio de protecção das 
arvores fructiferas grandes, como também das dos vi- 
veiros, contra as lagartas que devoram as folhas é a 
pulverisação das plantas com substancias venenosas. 
Este tratamento é de toda a necessidade nos viveiros 
atacados. Nas arvores fructiferas deve-se evitar a pul- 
verisação no tempo das fructas. 

Os casulos com as lagartas podem ser também co- 
lhidos e destruidos. 

HEMIPTEROS 

São insectos de metamorphose incompleta : as lar- 
vas são parecidas com os adultos, só lhes faltando azas 
desenvolvidas. Transformam-se em adulto sem passar pelo 
estado de nympha. Todos são sugadores e vivem chu- 
pando com a tromba a seiva do tronco, folhas ou fructas. 
Entre elles se distinguem, pela sua nocividade, os per- 
cevejos de plantas, as cigarras entre nós, mas, sobretudo, 
os piolhos vegetaes: cochonilhas ou coccidas, muito nu- 
merosas, de difficil extinção e que occasionam grandes 
estragos na fructicultura. 

Pachycorís tomdtts — Fam. de Scutellaridae. 

E 5 um percevejo de 12 a 14 mm. de comprimento, 
de 8 a 9 mm. de largura. Sua forma é abahulada e arre- 
dondada; a cor é preta com reflexo avermelhado. O 
corpo tem manchas, cuja côr varia desde vermelha até 
amarello- clara. 

Estas manchas são em numero de oito sobre o tho- 
rax e quatorze sobre o escudo que cobre o abdómen. 

Apparecem durante o verão, atacam 
as fructas e folhas das goiabeiras, araça- 
seiros etc, nas quaes elles introduzem o 
bico (rostro) e chupam a seiva. Os ovos 
são postos superficialmente nas folhas e Fi 26 
delles saem as larvas que se parecem com Pachycons lorridus 
os adultos ; tendo todavia o escudo menor e a côr de 
um verde metallico. 

Coccidas ou Cochonilhas 

São insectos microscópicos na maior parte. Propa- 
gam- se com grande rapidez e em enorme quantidade, 




— 35 — 

infestando troncos, galhos, folhas e fructas. Um grande 
numero das espécies é generalizado em todos os paizes 
do mundo. Os machos são minúsculos insectos alados, 
providos de um par de azas bem desenvolvido e outro 
rudimentar ; quando adultos, não têm tromba e não se 
alimentam. Sua f micção é a reproducção da espécie. 

As fêmeas permanecem immoveis e durante a vi- 
da ficam num logar com a tromba enterrada na planta, 
sugando continuamente ; põem os ovos debaixo do corpo 
com que os protegem ; o corpo mesmo da fêmea é pro- 
tegido com as pelles das diversas mudas ou com as se- 
creções especiaes: cera, laque etc. 

A destruição destes insectos torna -se ás vezes bas- 
tante difficil, devido a esta protecção. 



TRATAMENTO CONTRA AS COCCIDAS (cochoni- 
lhas) e APHIDEOS (pulgões).— Um remédio muito effi- 
caz é a emulsão de kerozene e sabão, preparado do 
modo seguinte : 

Kerozene 6 4 /a litros 

Sabão molle commum 2 i k kilos 
Agua 4 litros 

Corta-se o sabão em pedaços que se põem na agua a 
ferver até completa dissolução; retira-se o recipiente do 

fogo e lança-se 
a solução quente 
no kerozene, agi- 
tando -se forte- 
mente. Obtem-se 
uma pasta que 
pelo resfriamen- 
to fica como 
manteiga e con- 
serva -se bem 
sem se alterar. 
Para empre- 
gar, dilue-se a 
pasta em õO ou 
60 litros d ; agua 
e applica-se com 
bomba de irriga- 
ção ou pui ver i- 

Fig. 27-Pulverisador Zador. 




- 36 



O tratamento deve ser repetido algumas vezes. 

Quando as arvores estão muito atacadas é neces- 
sário cortar todos os galhos finos, deixando a fructeira 
sem folhas, tendo o cuidado de queimar todos os galhos 
e folhas cortadas; limpa-se com uma escova de raiz o 
tronco e os galhos, sem ferir a casca e applica-se, com 
uma brocha, a caiação de cal e enxofre. 

Logo que começarem a nascer novos brotos da-se 
principio á applicação da emulsão de kerozene, com pul- 
verisador uma vez por semana, até que as arvores fi- 
quem livres de parasitas. 

Captílína jabotícabae, Ihering. 

E' uma praga perigosíssima das 
nossas jaboticabeiras, encontra-se nos 
galhos, ramos e troncos e, ás vezes, 
nas raizes, onde vive sobre as cascas. 
Ella é encontrada quasi sempre na 
base do tronco, formando núcleos e 
vivendo á custa da seiva da arvore. 
Desde então, esta entra a resentir-se, 
começando a mortificação das cascas 
e, apesar de ser commum nas Myrta- 
ceas a expoliação das hastes, nota-se 
que nas jaboticabeiras doentes a casca 
fica adherente ao tecido lenhoso, ao 
passo que as folhas se desprendem, 
notando-se nodosidades enormes nos 
galhos. As extremidades dos galhos 
entram a seccar, começando por ahi 
a morte dos tecidos, phenomeno cuja 
marcha progressiva de cima para 
baixo, pôde manifestar-se em todas 
as arvores, mormente nas que não 
foram opportunamente tratadas. 

O hemi ptero propaga-se facilmente 
e em pouco tempo tem infeste. do toda 
a arvore, passando de uma a outra, 
quando os ramos se põem em conta- 
cto ou mesmo pelos ventos. 

No estado adulto o insecto é de 
côr amarello claar, tendo o corpo a 
forma oval, algum tanto achatada, e 
sendo munido de tromba. 



Fig. 28— Aspecto de um 

tronco atacado por 

Caputina jabolicabae 



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O maior damno é causado pelas fêmeas e as lar- 
vas, que vivem se nutrindo sempre do liquido seivoso, 
ao passo que os machos adultos vivem apenas poucos 
dias e não damnificam a arvore. 

As fêmeas depositam os ovos ás dezenas, no meio 
de um producto de secreção que os envolve e retêm. 

Este producto de secreção encontra-se sempre nas 
gretas ou fendas das arvores atacadas, já destituidas 
das respectivas cascas, denunciando sempre a presença 
da capulina. 

TRATAMENTO : deve ser feito o mais cedo possi- 
vel, e pode dizer-se que nisso está o êxito da operação, 
que alias nenhuma difficuldade offerece, mormente quan- 
do se acode logo, antes que se multipliquem muito os 
insectos, o que o pode tornar laborioso, pela necessi- 
dade de muitas repetições. Podar os galhos e ramos e 
incineral-os, eliminar as cascas exfoliadas de toda a 
arvore, com os respectivos parasitas, o que se pode fa- 
zer com a luva Sabaté e uma raspadeira; ajuntar todo 
o cisco em volta da arvore e incinerar tudo. A arvo- 
re inteira é pulverisada com uma escova ou pulveri- 
sador com uma calda de 500 grammas de sabão, e 
12 a 15 litros de agua, de sorte que o insecticida pe- 
netre bem nas fendas ou cavidades do lenho. O mes- 
mo tratamento applica se ás raizes, enchendo-se a cova 
com terra de melhor qualidade. Com duas ou mais 
lavagens bem feitas intervalladas de Ah dias, a praga 

pode Ser destruida. (Boletim de Agricultara N. i, 191 -.S.Paulo) 

CAPULINA CRATERAFORMANS, Hemp, 

em jabotícabeíras 

As fêmeas produzem pequenas empollas em forma 

de cratera, na casca dos troncos e dos ramos. Os pés 

atacados por este insecto apresentam 

p~f~~7~*Jf geralmente estas empollas em todas as 

^|#^| partes da casca, desde a base até os 

I ramos finos. O aspecto geral da doença 

dá impressão de sarna. 

As empollas têm cerca de um milli- 
metro de altura e consistem de um annel 
fí 29 - ca uiin exterior de 1 a 1,5 mm. de diâmetro, 
crcutraformaat^mp, formado pelo tecido da planta, e uma 




— 38 - 

pequena eminência no centro que é occupada pelo inse- 
cto, que pode ser facilmente removido com uma agulha. 
E' muito commum em jaboticabeiras dos nossos 
pomares. 




Fig. 30 
Ceroplasies 
janeirensis 



CEROPLASTES JANEIRENSIS, Gray 

(c« psídíí, Chav) 

As fêmeas adultas têm 
aspecto de pequenas boli- 
nhas de cera branca, com as 
linhas calcareas em baixo 
de cada lado. No dorso 
percebe-se pequeno núcleo 
branco, um pouco mais 
escuro do que o resto do 
corpo. A cera é dura e 
dividida em placas. Com- 
primento 9 mm., largura 8, 
altura cie 6 a 7 milíimetros. 
A forma e o tamanho vari- 
am conforme a idade. 



A fêmea se acha escondida dentro 
desta secreção. 

Ataca as goiabeiras e também al- 
gumas outras arvores da família cias 
Myrtaceas. 

Além das coccidas mencionadas 
encontram-se frequentemente muitas ceropiastes a grãndis, Hemp. 
outras. Assim temos em S. Paulo goiabeiras atacadas 
pelo Ceroplastes granais, que se tornou um verdadeiro 
ílagello dos plátanos nas ruas da capital. 




Fig. 31 



ALERODIDIAS 

Alenrodes horrídus, Hempel 

E' conhecido somente no Brasil. São pequenos in- 
sectos, quasi microscópicos, que moram no lado inferior 
das folhas de laranjeira, mexiriqueira, limoeiro etc. E' 
muito frequente no Estado de S. Paulo. 

Estes insectos são cobertos de um pó branco, fino, 
nas azas, no corpo, o que é uma secreção do insecto. 
São muito parecidos com os coccidas, mas os adultos 



— 39 — 

se distingu sm por terem azas as fêmeas e os machos, 
ao passo que as fêmeas das coccidas são apteras 

Os insectos agglomerados em quantidade no lado 
inferior das folhas, formam uma camada branca feltro- 
sa, sendo os insectos escondidos em baixo desta cama- 
da, chupando a seiva da planta. 

Além das Aurantiaceas ataca também as Myrtaceas : 
goiabeira, araçaseiro. 

Exgottando as arvores, o insecto causa prejuizos 
sérios nos pomares. Como consequência do ataque vem 
sempre a fumagina do lado superior da folha — uma 
camada preta — que produz asphixia da folha. 

TRATAMENTO. Pulverisar as arvores e lavar os 
troncos com calda de sabão ou emulsão de kerozene. 



BIBLIOGRAPHIA 

Boletim de Agricultura. Secretaria da Agricultura 
do Estado de S. Paulo. N. 1 de 1904, N. 1 de 1910. 

O Entomologista brasileiro. N. 8 e 10 de 1909. 

Chácaras e Quintaes. N. 2 de 1911. 

Catalogo da Fauna brasileira, editado pelo Museu 
Paulista, vol. III « As coccidas do Brasil » por 
Adolpho Hempel. 1912. 



PB*-6346«13SB 
J 



SB Bondar, Gregório. 

931 Os insectas damninhos 

B6 na agricultura. 
Ent. 






SMITHSONIAN INSTITUTION LIBRARIES 




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nhent SB931.B6 
Os insectas damninhos na agricultura /