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Full text of "Historia e memorias"

THE ROYAL CANADIAN INSTITUTE 



THE ROYAL CANAD1AN INSTITUTE 



HISTÓRIA E MEMÓRIAS 



ACIDOU MS SCIÍHCIAS M LISBOA 






HISTÓRIA E MEMÓIUAS 



UUI 



i ms mias m lis 



NOVA S ER] E 
2.» CLASSE 



MORAIS E POLITICAS, E BELAS LETRAS 

TOMO XII, PARTE II 



[1910 191G| 




LISBOA 

1910 



607- 
/£.<>-■ S~íT 



ÍNDICE 



HISTORIA 

Piginai 
Teixeira de Queiroz — Alocução proferida na sessão solene da Academia das Scién- 

cias de Lisboa em 7 de Dezembro de 1913 .... i 

Pina Vidal — Relatório dos trabalhos, lido na sessão solene da Academia das Seiên- 

Lisboa em 7 de Dezembro de 1913 ... m 

Programa da Academia das Sei"'iicias de Lisboa para o ano de 1914, anunciado na ses- 
são solene de 7 de Dezembro de 1913 w\i 

Lista d is sócios da Acade ai i das Sciências de Lisboa em 27 de Setembro de 1913 . . x\w 

Lis í dos empregados da Academia das Seiíncias de Lisboa em Dezembro de 1913 . . xlviii 

Teixeira de Queiroz — Elogio histórico de José de Sousa Monteiro 99 

Rodolfo Guimarães — Biografia de Francisco Gomes Teixeira 119 

Júlio Dantas — Elogio de Raimundo António de Bulhão Pato 435 



MEMORIAS 

Sousa Viterbo — Notícia acerca da vida e obras de João Pinto Delgado 1 

Edgar Prestage — Cartas de D. Francisco Manuel de Melo escritas a António Luís de 

Azevedo 37 

Sousa Viterbo — A literatura espanhola em Portugal 131 



ALOCUÇÃO 



Presidente da Academia FRANCISCO TEIXEIRA DE QUEIROZ 

!M SESSÃO SOLESE DE 7 DE DEZBIBRO DE Í913 

REALIZADA PARA ENALTECER A MEMÓRIA 

MIMIDO DE BOLHÃO PATO E A DE JOSÉ DE SOOSA MONTEIRO 



A Academia das Sciências de Lisboa abre hoje ;is portas do seu templo 
para celebrar duas memórias queridas nesta casa. O nosso instituto precei- 
lua-nos que só as sciências e ;i arte pnra de escrever e bem falar nos devem 

merecer culto, e aqueles a quem vamos endereçar as nossas homenagens ca- 
nharam esse galardão, por mais de um titulo, pois foram intemeratos obreiros 
da poesia portuguesa e da sua lingua forte, na qual assenta o nosso maior 
titulo de nobreza e é a nossa carta de alforria. Esta secular instituição segue, 
ou melhor, acompanha as brilhantes tradições das suas irmãs na Europa, de- 
fendendo o pensamento humano na sua liberdade, não reconhecendo como 
fronteiras, que se lhe devam assinar, senão as que o patriotismo, a sã razão 
e bom gosto aconselham. 

Aqui dentro todos temos o direito de exprimir as nossas ideas com a 
isenção e a coragem que só à verdade se reconhece. Não há, entre nós, paixão 
que não seja a de bem servir o progresso, no mais lato sentido, e as nossas 
únicas aspirações consistem em que a Pátria Portuguesa continue a florescer 
e a adiantar-se, tendo por alicerce a virtude, que, no conceito de Montesquieu, 
deve ser a base duma verdadeira democracia. 

A festa que vamos celebrar, na presença dos altos poderes da República 
e de tantas pessoas ilustres, é das mais simpáticas e justificadas: é a come 
moração de dois dos nossos morins, de dois bravos companheiros de trabalho, 
que bem mereceram a honra das palmas académicas. Esses de quem ouvireis 
os elogios históricos engrandeceram as letras pátrias na poesia, na história 
e em toda a literatura. Tais actos são os definidores da sua imortalidade, pois 
neles se lhes regista a memória paia que tique para os vindouros. É, do 



HISTÓRIA DA ACADEMIA DAS SC1ÊNC1AS DE LISBOA 



mesmo passo, uma afirmação da solidariedade humana, um mixlo de saudade 
e respeitoso carinho. 

Estas memorações dão alento aos que ficam, pelo louvor tributado aos 
que partiram. Yè-se que o individuo continua a viver na espécie e que se Dão 
interrompe um só instante a corrente da vida social. Deste modo, a fé salutar 
nos destinos dos povos se revigora, a força de adiantar se acrescenta, o cora- 
ção, cheio de esperança, continua a impelir-nos no caminho do porvir e a 
estrada dessa miragem feliz, que é o progresso, ao qual ninguém ainda soube 
pôr baliza, parece encurtar-se. 

Em nome da Academia das Sciéncias de Lisboa vos saúdo, Senhores, 
agradecendo a vossa preciosa assistência. 



RELATÓRIO DOS TRABALHOS 

LIDO PELO SECRETARIO GERAL 

ADRIANO AUGUSTO DE PINA VIDAL 



Senhor Presidente : 

Minhas Senhoras: 
Meus Senhores : 

Cumprindo, mais uma vez, o dever que me é imposto pelo nosso Esta- 
tuiu, venho relatar-vos os fados mais importantes ocorridos na Academia 
desde a sessão pública, realizada em 20 de Junho de 1909, até este momento. 

Serei quanto possível breve para não fatigar a vossa atenção, que mais 
útil e agradavelmente deverá ser aplicada escutando os primores literários, 
tpie vos dirão o nosso ilustre presidente. Sr. Teixeira de Queiroz, e o presti- 
gioso académico, Sr. Júlio Dantas, tam versados em modelar a Idea nesta 
nossa incomparável língua portuguesa. 

Uesculpai-me, porém, Senhores, se, dilatando o âmbito a que restrita- 
mente se deveria restringir a minha exposição, rapidamente me refira a factos 
que poderosamente exerceram a sua influencia na actividade scientifiea dos 
nossos dias, c a que a nossa Academia não ficou indiferente. 



E uma característica do nosso tempo a necessidade que irresistivelmente 
impele o homem a dilatar a vida, pelo espaço e pelo tempo, numa ânsia fe- 
bril de os abarcar; dai essa carreira vertiginosa que a sciència e a indústria, 
em intima aliança, prosseguem através de velhas ideas e antigos métodos, 
num como que ímpeto de destruição reconstrutiva, procurando aniquilar a 
distância e estreitar em breve espaço os dilatados domínios da sciència. 

A navegação aérea, a telegrafia sem fios, a rádio-actividade, provocada 
ou espontânea, são verdadeiros saltos revolucionários nesse avanço progres- 



IlISTiiHIA HA ACADEMIA 



sivo da plena conquista da existência, que só pode realizar-se na inteira 
conjugação desses dois mundos que se defrontam e se completam — o mundo 
da matéria e o mundo do pensamento. 

Este reiatório vos provará (pie tam importantes factos scienlíficos não 
deixaram indiferente esta Academia. 



Realizou a Academia, em 28 de Março de i 1* IO, uma sessão pública 
para celebrar o centenário do nascimento do glorioso historiador Alexandre 
Herculano, orando os Srs. Veiga Beirão, então vice-presidente da Academia, 
e os sócios efectivos Srs. Teixeira de Queiroz, Consiglieri Pedroso e Cristóvão 
Aires. 

Em 9 de Junho de 1910 efectuou-se uma sessão publica em homenagem 
ao Rei de Inglaterra. Eduardo VII, na qual, depois de breves alocuções do 
presidente e do vice-presidente, discursaram, em nome da Primeira Classe, o 
Sr. Venceslau de Lima, que pôs em relevo o carácter scientifico duma impor- 
tante parte da obra do Rei Eduardo, e, em nome da Segunda Classe, o Sr. 
Cristóvão Aires, que expôs largamente o papel civilizador da Inglaterra na 
evolução do mundo moderno, consignando a natureza não só politica, mas 
scientíGca e literária das intimas e afectuosas relações de Eduardo VII com 
a Nação Portuguesa. 

Em sessões públicas, e com a assistência do Chefe do Estado e do Mi- 
nistro do Interior, reuniu extraordinariamente a assemblea geral em 27 de 
Abril do ano findo e em 20 de Fevereiro do actual. 

Na primeira destas sessões realizou o Sr. Lopes de Mendonça uma 
conferência sobre a Utilidade da Tradição, na qual acentuou bem a necessi 
dade de comemorar de forma condigna os dois centenários da tomada de Ceuta 
e da morte de Afonso de Albuquerque, que coincidem em 1915. 

Na segunda, o Sr. Almeida Lima discursou largamente sobre a Telegrafia 
sem fios, tornando bem compreensíveis os fundamentos de tam notável e im- 
portante aplicação das ondas Hertzianas. 



Um dos assuntos que mais intensamente preocupou a Academia foi o da 
transferência da sua tipografia para a Imprensa Nacional, bem como o do 
serviço e estipêndio, por tarefas, das publicações subsidiadas pelo Estado, em 



DAS SCIENCIAS DE LISBOA y 

conformidade com os decretos do Governo Provisório, publicados no Diário 
do Governo de -i de Novembro de 1910. 

Representou desde logo a Academia perante o Governo e o Parlamento, 
procurando evidenciar quanto iam injustificáveis golpes entravariam a sua 
actividade, que antes conviria por lodos os modos excitar, visto que um dos 
principais títulos de glória dos homens, como dos povos, é a sua superior 
mentalidade : os seus esforços, porém, tem sido, até hoje, baldados, sem que, 
contudo, desespere de ver apreciados, como crê de justiça, os serviços que 
tem prestado ao pais, documentados por obras que não deixarão esquecer 
o seu nome. 



Em sessão de 20 de Junho do ano findo encetou a Academia a discussão 
do projecto de novos estatutos, elaborado por uma comissão especial, discus- 
são que continuou em sucessivas sessões e que ainda não terminou. 

Devendo proceder-se à eleição dos cargos académicos para o ano cor- 
rente, na primeira sessão do mês de Dezembro do ano findo, e tendo a mu- 
dança do regime político em Portugal invalidado completamente o artigo 13:° 
dos actuais estatutos, que se refere aqueles cargos, resolveu a Academia, na 
sua sessão de 7 Novembro do ano passado, que aquele artigo tosse desde 
logo substituído pelo artigo 8.° do projecto, que é o seguinte : 

Os cargos da Academia são : 

Um presidente, que é presidente da classe a que pertence ; 

Um vice-presidente, que é o presidente da outra classe; 

Um secretário geral, que é secretário da classe a que pertence: 

Um vice secretário geral, que é secretário da outra classe; 

Um vice-presidente para cada classe; 

Um vice-secretário para cada classe; 

Um inspector da biblioteca. 

§ l.° presidente e vice-presidente da Academia serão anualmente elei- 
tos pela assemblea geral, devendo pertencera classes diferentes, e assumindo 
cada um deles a presidência da sua respectiva classe. 

A presidência da Academia renovar-se há cada ano alternadamente entre 
as duas classes. 

§ 2.° Os cargos de secretário geral e vice-secretário geral são perpétuos 
e providos pela assemblea geral. 



HISTORIA DA ACADEMIA 



> :!." inspector da biblioteca é eleito de cinco em cinco anos pela 
assemblea geral. 

§ 4." Os cargos de vice-presidentes e viee-secretários das classes são 
anualmente providos pela respectiva classe. 

Esta substituição foi pedida ao Governo em ofício de 8 de Novembro do 
ano passado, que a aprovou por decreto de 9, publicado no Diário do Go- 
verno u.° 267, de 13 do mesmo mês. 

Procedendo-se às eleições em sessão da assemblea geral de 19 de De- 
zembro, foi eleito presidente para o actual ano o Sr. Francisco Teixeira de 
Queiroz, e vice-presidente o Sr. José Joaquim da Silva Amado. 



A sessão da Segunda Classe de 25 de Novembro de 1909 foi consagrada 
à memória do secretário da classe, José de Sousa Monteiro, sobre cujas gran- 
des qualidades de escritor, de poeta e de académico, discursaram largamente 
os Srs. Veiga Beirão, António Cândido, Lopes de Mendonça, Teixeira de 
Queiroz, Consiglieri Pedroso, Cristóvão Aires, Júlio Dantas, Moreira de Al- 
meida, Vítor Ribeiro e David Lopes. 

Nas sessões da Segunda Classe de 11 de Janeiro e 9 de Fevereiro de 
1911 prestaram homenagem devida ao nosso chorado consócio Sousa Viterbo 
os Srs. Lopes de Mendonça, Vítor Ribeiro, Leite de Vasconcelos, David Lopes, 
Coelho de Carvalho, Teixeira de Queiroz, Cristóvão Aires e Pedro de Aze- 
vedo, que exalçaram os méritos de tam ilustre sócio, como poeta, como 
jornalista e como o mais incansável e inteligente investigador dos nossos 
arquivos e bibliotecas, que, apesar da sua cegueira, não diminuiu até o lim 
da sua existência o seu incessante amor pelo trabalho, auxiliado pela sua co- 
laboradora, distinta secretária e extremosíssima filha, a Sr.' D. Sofia de 
Sousa Viterbo. 

A sessão da Segunda Classe de 11 de Janeiro do ano passado constitui 
uma imponente homenagem ao falecido sócio correspondente, Gabriel Vitor 
do Monte Pereira, discursando os Srs. Teixeira de Queiroz, Brito Aranha, 
Leite de Vasconcelos e Pedro de Azevedo sobre o vastíssimo e valioso tra- 
balho do primeiro dos bibliógrafos e arqueólogos portugueses, a quem a Bi- 
blioteca Nacional deve imensos serviços. 



DAS SC1ÊNCUS DF. l.ISliUA 



S3o importantíssimos e de alto valor scientifico e literário os trabalhos 
apresentados e as comunicações realizadas, gUer nas sessões gerais da Aca- 
demia, quer nas sessões especiais das suas duas classes. 

Limitar-me liei, porém, para cumprir o dever de relator, a uma simples 
indicação desses trabalhos, que se encontram desenvolvidamente descritos nas 
actas e boletins já publicados. 

O Sr. Silva Amado, vice-presidente da Academia, em várias sessões da 
assemblea geral e da Primeira Classe, expôs o resultado dalgumas autopsias 
e exames médico-legais a que procedeu, a fim de avaliar os instrumentos 
com que foram feitas diversas ofensas corporais, e quanto possível a intenção 
que a elas presidiu. 

Expôs minuciosamente os diversos caracteres das feridas chamadas con- 
tusas, incisivas, perfurantes, etc, demonstrando que as feridas por arma de 
fogo são perfurantes e contundentes. 

O Sr. Almeida Lima, vice-presidente da Primeira Classe, em sessão da 
assemblea geral de 4 de Novembro de 1 909, ofereceu à Academia uma memória 
do Sr. Baltasar Wilhelm, recentemente publicada na Alemanha, reivindicando 
para Portugal, na pessoa do padre Bartolomeu de Gusmão, a primazia da 
navegação aérea. 

A este respeito o Sr. Cristóvão Aires apresentou, em sessão de 20 de 
Janeiro de 1910, cópia autêntica dum documento manuscrito, existente na 
Biblioteca de Évora, feita pelo nosso consócio Sr. Cunha Gonçalves, resolvendo 
a Academia publicar no Boletim da Segunda Classe tam importante documento. 

Em sessão da Primeira Classe de 1 de Julho de 1909, o Sr. Almeida 
Lima fez uma comunicação sobre a produção de correntes eléctricas, por pro- 
cessos diferentes dos actualmente empregados e que devem produzir correntes 
induzidas continuas. As suas tentativas, até então sem resultado, visavam a 
transformar o movimento de rotação numa corrente eléctrica contínua, o que 
ainda não foi realizado; pois que as máquinas chamadas de correntes continuas 
fornecem, na realidade, um mixto de correntes alternativas de fases diversas. 

Em sessão de 17 de Março de 1910, o mesmo académico dissertou lar 
gamente sobre a influência das pequenas causas no sentido da evolução de 
determinados fenómenos. Em apoio desta tese citou, no mundo físico, a in- 
candescência, que resulta da transformação do calor em luz, e que é influen- 
ciada pela presença de quantidades quási infinitésimas de certas substâncias; 



HISTORIA DA ACADEMIA 



b ;i fosforescência, que se observa em certos corpos quando misturados com 
pequeníssimas quantidades de corpos estranhos. 

Nos fenómenos, de ordem biológica e mesmo psicológica observam-se 
também grandes efeitos de pequenas causas. 

Esta ordem de considerações levou o Sr. Almeida Lima a procurar ave- 
riguar se na composição dos tecidos vegetais ou animais intervém pequenas 
porções de determinadas substâncias, características de cada espécie. 

Em sessão de 4 do corrente fez o Sr. Almeida Lima uma desenvolvida 
comunicação sobre a estrutura descontinua dos campos de força magnética, 
considerada como uma aplicação da hipótese dos quantas às formas poten- 
ciais da energia; sugerindo também a hipótese da descontinuidade da estru- 
tura dos líquidos em movimento, que espera poder confirmar experimental- 
mente. 

O Sr. Lopes de Mendonça, vice-presidente da Segunda Classe, a pro- 
pósito do nenhum resultado obtido com a representação da Academia sobre 
o decreto que regula as publicações subsidiadas, fez, em sessão da Segunda 
Classe de 12 de Janeiro de 1911, uma comunicação para provar a importância 
que tem no pais e no estrangeiro as publicações académicas. 

Em sessão da assemblea geral de 2 de Maio do ano findo referiu-se à 
comemoração do quarto centenário da conquista de Ceuta, proposta em 8 de 
Junho de 1911, em sessão da Segunda Classe, pelo Sr. David Lopes, e que 
ampliou mais tarde (Janeiro de 1912) propondo a dupla comemoração daquele 
facto histórico e o da morte de Afonso de Albuquerque, que com èle coincide. 
Nessa ocasião expôs os trabalhos já executados, e outros em projecto, pela 
comissão nomeada pela Academia. 

Em diversas sessões da Segunda Classe fez ainda o Sr. Lopes de Men- 
donça as seguintes comunicações; 

l. a Sobre o descobrimento feito pela Sociedade Britânica «Fundo da ex- 
ploração do Egipto», dum drama satírico inédito de Sophocles intitulado «Os 
lchnoutas ou Pesquisadores», cuja importância exaltou narrando resumida- 
mente o seu entrecho ; 

2. a Acerca da preciosa colecção de manuscritos de Ribeiro Saraiva, 
adquiridos em Londres para a Biblioteca Nacional, por iniciativa do nosso 
consócio Sr. Júlio Dantas, na sua qualidade de inspector das bibliotecas e 
arquivos; 

3. a Sobre uma paráfrase dum idílio de Teócrito «As Talíssias», cuja 
leitura precedeu de várias considerações acerca da forma poética que adoptou 
e que deu um extraordinário brilho e encanto ao belo idílio do poeta Sira- 
cusano ; 



DAS SCI1 NI IAS DE LISBOA 



i.' Satisfazendo ao compromisso, tomado com a Academia, de coleccionar 
nos arquivos o que importasse à uossa história em Marrocos, participou, em 
sessão de H de Julho de 1911, ter já reunido um grande número de docu- 
mentos de valor, tendo coligido, em vista da actualidade que encerra, uma 
noticia, que leu à Classe sobre o posto de Agadir português. 

•V Na mesma sessão leu um período dum interessante códice de Alco- 
baça, referido a Afonso de Albuquerque, e a anotação que êle lhe sugeriu!. 

G. 1 Sobre os códices da Biblioteca Nacional de Lisboa relativos a Marro- 
cos, dando noticia do texto autógrafo dum tratado de paz assinado em 8 de 
Maio de 1538 entre o Conde de Redondo, capitão de Arzila e Muley Abrahem, 
respectivamente plenipotenciários dos Reis de Portugal e de Fez, tratado que 
dá lugar a interessantes deduções históricas. 

7. a Acerca de vários documentos relativos a arquitectos portugueses, ou 
ao serviço de Portugal, e dos quais não teve conhecimento o saudoso académico 
Sousa Viterbo, e por isso não os mencionou no seu Dicionário de Arquitectos. 

8. a Sobre um manuscrito da Misericórdia de Lisboa intitulado Um breve 
Datado memorial das cousas que poisaram em África no ano de 7òCò', especial- 
mente das cousas que aconteceram em Arzila, manuscrito descoberto pelo 
nosso consócio Sr. Vítor Ribeiro. 

9.* Acerca dum estudo sobre o penhor das barbas, que se tornou célebre, 
a que se filia um gesto igual, sem aparato solene, de Afonso de Albuquerque, 
facto que não se tornou notório. 

O Sr. Cristóvão Aires, vice-secretário geral, na qualidade de inspector 
da Biblioteca, apresentou a academia desenvolvidos relatórios do serviço a 
seu cargo durante os anos de 1909 a 1912, nos quais se consigna uni aumento 
considerável do número de leitores, devido, sem dúvida, á aquisição de obras 
de alto valor. 

O mesmo académico, lastimando a irreparável perda do sócio correspon- 
dente estrangeiro Sanches de Móguel, leu um elogio deste notável académico, 
que muito dedicado foi sempre ao nosso pais. 

E, em sessão da Segunda Classe de 23 de Março de 1911, tez unia 
comunicação sobre o procedimento dos oficiais franceses, aboletados nas casas 
de Lisboa por ocasião da invasão de Junot. Este trabalho, intitulado O Ge- 
neral Barão de Thiebanlt em Lisboa, põe em relevo o fausto dos generais fran- 
ceses á custa das equipagens e pessoal da casa rial, e os abusos praticados 
pelos oficiais franceses, nas casas onde estavam aboletados, cujo procedimento 
contrasta com o daquele general. 

O Sr. Schiappa Monteiro fez a apreciação da obra do eminente mate- 
mático Henri Poincaré, salientando o valor dos seus descobrimentos sobre as 



XII 111ST0KIA DA ACADEMIA 

8. a Acerca dum trecho dum trabalho seu sobre a numismática em Portu- 
ga] : André de Resende como coleccionador de moedas antigas, esboçando a 
biografia do nosso antiquário quinhentista, relaciouando-o com o movimento 
scientífico da época; 

9. a Sobre a explicação da palavra portuguesa momo no sentido de «moeda 
fora de uso» ; 

10. a Acerca de Peio de Moine Anguíi, do século xvi, tradutor dum livro 
de Budé sobre a asse, moeda romana. Esta notícia faz parte da História da 
Numismática Portuguesa, que está escrevendo este académico; 

ll. a Em sessão de 24 de Julho último leu mais um extracto deste livro, 
que se refere ao humanista do século xvi, Jorge Cardoso, de Lamego, autor 
dum raro livrinho de Numismática em latim e português, da l. a edição do 
qual apenas se conhecem dois exemplares, um que está na livraria do Sr. Vis- 
conde da Esperança, e outro na biblioteca de Évora. 

O Sr. Cincinato da Cosia fez uma comunicação sobre leveduras alcoólicas 
e fermentação vinária, apresentando resultados curiosos de observações e ex- 
periências feitas no seu laboratório, no Instituto Superior de Agronomia, mos- 
trando a importância do estudo das leveduras alcoólicas, não só pelo lado da 
indústria vinícola, mas pelo lado propriamente scientífico dos estudos citológicos. 

O Sr. Júlio Dantas leu à Academia uma memória intititulada A sífilis de 
D. João H, na qual se ocupa da influência por esta doença exercida sobre 
a descendência, e, em geral, sobre as raças riais portuguesas. 

Fez uma comunicação sobre a doença e morte do rei D. José I, baseada 
num curioso documento inédito dos manuscritos da Biblioteca Pública, autó- 
grafo valioso do Marquês de Pombal, com o diário da doença, que fornece 
elementos clínicos para o diagnóstico. 

Esta comunicação provocou vivas felicitações da Assemblea, e em especial 
dos médicos presentes, Srs. Teixeira de Queiroz, Silva Amado e Baltasar 
Osório, trocando-se curiosas impressões entre este último académico e o con- 
ferente acerca da obra médica de Curvo Semedo e de Fonseca Henriques, 
notáveis patologistas do século xvm. 

Ainda o mesmo académico, Sr. Júlio Dantas, apresentou à Academia 
um estudo sobre indumentária secular e religiosa desde o século xn até o 
século xvi, sob a forma provisória dum vocabulário. 

Nesse trabalho estuda muitos vocábulos ainda não recolhidos na língua 
portuguesa, tratando de identificá-los, quanto possível, com os estofos ou 
as peças de indumentária, procurando a sua origem e a sua forma de trans- 
missão, e documentando-os largamente. 



DAS SCIÊNC1AS !>!■. MSBOA 



Em sessão de Assemblea Geral de 2i de Novembro do ano Dndo, apre 
sentou o «Relatório sobre catalogação nas bibliotecas do Estadoí ; primeiro 
corpo de doutrina que sobre o assunto se estabeleceu em Portugal, e pelo 
qual se institui a catalogação geral na primeira biblioteca do pais. 

Ofereceu também à Academia um documento iconográfico interessante: 
a reprodução fotográfica dum dos trechos da livraria fradesca do Varatojo, 
agora transferida, in integro, por sua iniciativa, para a Biblioteca Nacional 
de Lisboa. 

Mencionarei ainda uma desenvolvida comunicação que o Sr. Júlio Dantas 
fez á Segunda Classe, a propósito de duas colecções de cartas muito inte- 
ressantes paia a história da corte e da vida portuguesa no século xviii: uma, 
de carias de Goubier de Barrault, ainda inéditas, e que fazem parte dum 
dos códices da Colecção Pombalina da Biblioteca Nacional de Lisboa; outra, 
também do lim do século xviii. de cartas devidas a William Costigan, pseu- 
dónimo do brigadeiro John Terrier. 

Finalmente, apresentou o Sr. Júlio Dantas alguns documentos relativos 
ao segundo confessor da rainha D. Maria I, o bispo do Algarve D. João 
Maria de Melo, cuja acção funesta muito concorreu para a sua loucura. 

O Sr. Carlos Bocage leu à Segunda Classe vários trechos do seu trabalho 
intitulado Subsídios para o estudo das relações exteriores de Portugal, em se- 
guida à restauração — 1640-1649. 

o Sr. Brito Aranha leu á Segunda Classe, em sessão de \0 de Feve- 
reiro de líilo, um estudo intitulado Imprensa do Brasil e Rodrigo da Fon- 
seca Magalhães, repositório de valiosas noticias sobre o jornalismo brasileiro 
nos tempos coloniais: sobre as primeiras tentativas de independência, e acerca 
do célebre estadista português. 

Fm sessão de 24 de Julho último leu à Classe uma carta do venerando 
escritor e poeta Sr. Próspero Peragallo, o qual insiste em não acreditar na 
lenda que fazia de Cristóvão Colombo um cidadão da Galisa e judeu, quando 
todos os documentos até agora encontrados e divulgados desmentem essa 
lenda por absurda e fantástica, confirmando assim o que em sessão de 14 de 
Dezembro de 19 II dissera o Sr. Brito Aranha. 

O Sr. Baltasar Osório referiu-se aos trabalhos do Dr. Vau Beneden. mo> 
irando que existiu em Portugal um predecessor de Darwin — o jesuíta Gaspar 
Afonso. 



MIS 1 ( UII A HA ACAItIC.MIA 



Referiu-se ao poema de Mistral. Mireio, e à Catedral, de Blasco Ibanoz, 
que lala dum monstro que em Portugal figurava numa procissão, a do Corpo 
ilo Deus, segundo Herculano, monstro denominado «Tarrascon». 

O mesmo académico fez várias comunicações sobre exemplares oceano- 
gráficos muito raros; e apresentou fotografias de dois peixes das grandes 
profundidades Corynofoms Compressus, género novo, e Nocantpus Melonoveti- 
tes, nova espécie. Estes peixes foram pescados em Cezimbra e pela primeira 
vez se dá notícia deles. Mencionou ainda um peixe encontrado nas costas 
de Portugal, e que é o segundo exemplar conhecido no mundo scientifico, 
existindo outro no museu dos Estados Unidos. 

Em sessão de Assemblea Geral de 2 de Novembro de 1911, o Sr. Bal- 
tasar Osório fez uma comunicação sobre um processo original que os pes- 
cadores de Cezimbra empregam há muito tempo para atrair os peixes, c que 
envolve fenómenos scientíficos do mais alto interesse. 

O Sr. Edgar Prestage chamou a atenção da Academia para a importância 
dos registos paroquiais e para a conveniência de os publicar, a Qm de con- 
servar essas relíquias do passado e facilitar o seu estudo. 

Este académico, esperando que a Academia tome a iniciativa de tam 
importante publicação, ofereceu uma cópia do primeiro livro do Registo da 
Igreja de Santa Cruz do Castelo, o qual contém os termos dos baptismos 
desde 1 5 45 até 1G28; dos casamentos e óbitos desde 1536 até 1028, e os 
nomes dos crismados de 1547 a 1574. 

Foi já publicado aquele livro, pelos Srs. Prestage e Pedro de Azevedo. 
Êle contêm termos de interesse literário e histórico, e dá uma idea da po- 
pulação de Lisboa no século xvi e princípios do seguinte, e regista a enorme 
mortandade por ocasião das grandes pestes. 

O seu lisonjeiro acolhimento resolveu aqueles académicos a oferecerem 
á Academia mais um Registo paroquial, o da Sé de Lisboa, que por muitos 
motivos se recomendava de preferência a qualquer outro. 

Os livros da Sé começam em 1503, e os quatro primeiros acabam em 1010. 

O Sr. António Cabreira fez em Assembleas Gerais duas comunicações: 
uma intitulada Análise da greve, sua solução económica e jurídica, outra es- 
tabelecendo os primeiros princípios da Geometria Hefracãva. 

Em sessão da Primeira Classe discursou largamente sobre um estudo ma- 
temático, económico e financeiro da nova lei da contribuição predial, que ten- 
cionava publicar. 

O Sr. Gama Pinto, em sessão de Assemblea Geral de 15 de Dezembro 
de 1910, fez uma conferência, confirmada com experiências e exposição de 



DAS 8CI1 \< IAS ih LISBOA 



aparelhos, sobre anestesia geral e local, especialmente sob o ponto de vista 
das suas numerosas operações. 

Em sessão da Primeira Classe de c 2(> de Janeiro do mesmo ano fez 
uma comunicação sobre a lepra em geral e sobre a lepra ocular em especial. 
Apresentou à Classe exemplares vivos de coelhos e porquinhos da índia, ino- 
culados de lepra, e discursou desenvolvidamente sobre a história desta doçura. 
bem como da tuberculose, da doença do sono, seus bacilos e seu tratamento. 

Referiu-se à Influência das cruzadas no derramamento da lepra; ás gafa- 
rias que no século xiv chegaram a vinte mil, e às doenças que nelas se con- 
fundiam com a lepra: referiu-se igualmente aos congressos modernos e suas 
conclusões; à função dos ratos e dos insectos no contágio da lepra e do im- 
paludismo, etc. 

Demonstrou ao microscópio o bacilo da lepra, comparando-o com o da 
tuberculose, e espraiou-se sobre a maneira provável da transmissão da mo- 
léstia, concluindo que ela deve ser directa e não por intermédio de insectos, 
como ultimamente se tem aventado. 

Por fim, depois de ter feito uma resenha das tentativas da Inoculação da 
lepra no homem e outros animais, mostrou uni coelho em que conseguiu 
resultado positivo da inoculação de produtos leprosos na câmara anterior; 
facto raro, senão único, na história da transmissibilidade da lepra aos animais. 

Km sessão de Assemblea Geral de 6 de Abril de 191 1, o Sr. Gama Pinto 
realizou uma comunicação acerca da tuberculose, apresentou alguns casos de 
tuberculose ocular e fez a propósito considerações sobre a tuberculose em 
geral e seu tratamento ; concluindo com a apresentação de animais inocula- 
dos, de preparações, e bem assim de culturas de bacilo sobre soro sanguíneo 
e era caldo. 

O Sr. Bettencourt Ferreira, a propósito dum livro de llarvey, do qual 
julga ter encontrado a edição primitiva de 1651 na Biblioteca da Faculdade 
de Scências de Lisboa, fez uma comunicação sobre a obra daquele sábio in- 
i;lt"'s : como anatómico e fisiologista, descobrindo a circulação do sangue; e 
como naturalista, estudando a função geradora em vários animais. 

O mesmo académico, em sessão de G de Junho de 1911, apresentou uma 
nota intitulada O Museu da Ajuda e a iiirasão francesa, que considera impor- 
tante subsidio para a história das scièncias naturais em Portugal ; e, realizou, 
em sessão de Assemblea Geral de 6 de Julho de 1911, uma comunicação 
acerca da documentação para a história dos nossos museus. 

O Sr. Zeferino Falcão, em sessão de Assemblea Geral de 4 de Novem- 
bro de 1909, fez uma comunicação sobre os trabalhos e conclusões da con- 



\\l HISTÓRIA HA ACADEMIA 

feréncia iaternacional, reunida em Bergen, na Noruega, pura o fim de debelar 
ii flagelo da lepra. Essas conclusões, lidas por aquele nosso consócio e ex- 
postas na lingua em que foram redigidas pelo congresso internacional de 
Bergen, foram publicadas na acla da referida sessão. 

i.ni sessão de Primeira ciasse fez o mesmo académico uma comunicação 
sobre um caso de lepra unilateral, apresentando várias fotografias e radio- 
grafias. É um caso único, conforme foi constatado no Congresso Internacional 
de Dermatologia, realizado em Roma, em Abril do ano passado, onde o Sr. Falcão 
o apresentou. 

O Sr. David Lopes, cm sessão de Assemblea Geral de 20 de Janeiro 
de 1910, desempenhando-se do encargo que lhe cometeu a Academia em ses- 
são de 4 de Novembro de 1909, leu um relatório sobre as duas obras ofere- 
i iflas pela Biblioteca de Jolm Ryland, de Manchester, Catálogo doa Papiros 
dernóticos, existentes nessa Biblioteca, e Catálogo dos manuscritos coptas da 
mesma Biblioteca. Nesse relatório faz o nosso consócio um valioso juízo crí- 
tico, precedido dalgumas palavras sobre a instituição da Biblioteca de John 
liyíand e das riquezas deslumbrantes do seu tesouro. 

Em sessão da Segunda Classe de 8 cie Junho de 1911, o Sr. David Lo- 
pes, concordando com as ideas apresentadas pelo Sr. Lopes de Mendonça 
quanto à necessidade de publicar a massa enorme de materiais que possuímos 
manuscritos sobre Marrocos, propôs que em 1915 se celebrasse o o.° cente- 
nário da conquista de Ceuta, início da expansão colonial portuguesa. 

Em aditamento a esta proposta propôs o Sr. David Lopes, em sessão de 
27 de Julho de 1911, que se acrescentasse a essa celebração um número de 
grande interesse, — o duma missão scientífica àquela costa, em visita ao que 
lá existe ainda atestando a acção dos portugueses. 

São também do Sr. David Lopes os seguintes trabalhos : 

1.° Uma memória acerca da Batalha de Ourique, que demonstra não se 
poder ter realizado no local onde a tradição a coloca, isto é, no baixo Alen- 
tejo, mas em Chão de Ourique, do concelho do Cartaxo, a 15 quilómetros de 
Santarém ; 

2.° Uma comunicação acerca dos Mozarabes, isto é, dos cristãos que vi- 
veram sob o domínio árabe na Península; 

3.° Em nome do sócio correspondente estrangeiro, o Sr. René Basset, 
apresentou um estudo intitulado Notes sur la langue de la Guiné au xv sièclc, 
que foi muito apreciado e mandado publicar no Boletim da Segunda Classe. 

O Sr. Melo Simas, em sessão da Primeira Classe de 17 de Março de 1910, 
deu conta dos seus estudos astronómicos reunidos numa nota que foi publi- 



DAS SC1ÈNCIAS DK LISBOA 



cada nas Memória* da Academia, nova série, Primeira Classe, lomu vh, par- 
te ii, na qual aquele académico conclui pela provável eliplicidade e provável 
periodicidade a longo prazo do cometa de 1910. 

Em Assembleas Gerais realizou o Sr. Melo Simas duas comunicações: 
uma a propósito da observação por êle feita do eclipse do sol de 17 de Abril 
de 1912, e do processo prático que adoptou; outra relativa ás suas obser- 
va.;.'"-; de passagens, durante as quais, tendo necessidade de determinar 
diariamente, e sempre à mesma hora, a inclinação do instrumento, notou 
que essa inclinação parece seguir uma certa periodicidade de cerca de quinze 
dias aproximadamente, fenómeno que julga relacionado com a atracção lunei- 
solar sobre o globo terrestre, e portanto com a célebre questão das marés 
terrestres. 

O Sr. Esteves Pereira fez em sessões da Segunda Classe as seguintes co- 
municações : 

1.° Sobre uma notícia bibliográfica da obra de Camilo Bécari intitulada 
Escritos meditos orientais dos negócios orientais da Etiópia desde o século xvi 
até o século xvni ; 

2.° Acerca duma passagem do idílio de Teòcrito denominado Os ceifeiros, 
com a qual folgou duplamente o Sr. Lopes de Mendonça, por ter dado motivo 
a esta comunicação, e por coincidirem as suas hipóteses, a priori, com as 
conclusões a que a posteriori, chegou o Sr. Esteves Pereira; 

3." Acerca das palavras e frases hebraicas e hebreu-latinas, que se lêem 
numas trovas a uma moça de Luís Enriques, coligidas no Cancioneiro Geral 
de Garcia de Resende; 

4.° Sobre dois fascículos de Pathologie Orientalis, que apresentou à 
Classe, contendo a versão etiópica dos livros de Job e Ester, lendo uma 
interessante nota acerca da importância dos textos publicados. 

O Sr. Lúcio de Azevedo e Carlos Bocage, em sessão da Segunda Classe 
de 28 de Março do ano findo, ocuparam-se da carta do Padre António Vieira, 
em que este se defende de certas alegações do Conde de Ericeira no Portugal 
restaurado, chamando a atenção da Academia para pontos pouco conhecidos 
da nossa história. 

O Sr. Pedro de Azevedo fez em várias sessões da Segunda Classe as 
seguintes comunicações: 

1.°. Sobre o aparecimento de dois valiosos códices, um na Biblioteca de 
Viseu e outro na biblioteca particular do Sr. Conde de Arrochela. O 1.° é o 
original da Virtuosa Bemfeitoria do Infante D. Pedro, o 2.° é um exemplar 

4 



ÍIISTÚHIA DA ACADEMIA 



do código visigótico, que julga ser algum dos aproveitados na edição espa- 
nhola, dos quais dois são considerados perdidos. 

Conclui o Sr. Azevedo por uma resenha dos estudos da história do di- 
reito pátrio, desde o seu início pela reforma da Universidade de Coimbra, 
até os estudos memoráveis do Sr. Gama Barros; 

2." Sobre a Vila de Lordelo ; 

3.° Acerca do resultado das suas investigações sobre António Bocarro, 
o último dos grandes cronistas da índia, juntando algumas apreciações feitas 
por Bocarro, e outros escritores contemporâneos dele, sobre o carácter dos 
portugueses; 

4.° Acerca dum estudo da Chancelaria de Afonso IV, de que existem só dois 
livros, que apenas contém documentos registados até o ano de 1342, estando 
perdidos os outros, que chegavam ao final do reinado daquele soberano ; 

5." Sobre um índice completo dos nomes dos santos mencionados na 
respectiva secção do Monumento, Histórica; 

6.° Sobre os sumários de vários documentos, que se encontram em 
Londres no Public liecord Office, relativos a embaixadores que vieram a Por- 
tugal em negócios de Inglaterra durante a Guerra dos cem anos, e que não 
foram conhecidos pelo autor do Quadro Elementar, Visconde de Santarém ; 

7.° Acerca de Fr. Francisco Agostinho de Macedo; 

8.° Sobre o impressor alemão Blávio, nascido em Colónia em 1521, e 
que foi preso em 1561 pela Inquisição de Lisboa, por denúncia dum seu 
colega chamado Mateus Goteres, que o acusava de ter impresso em Granada 
bulas falsas; 

9.° Sobre uns trechos do diário de Herculano durante as suas viagens 
pelo Minho e Beira nos anos de 1853 e 1854, trechos que se referem às 
freiras de Lorvão e a Santa Rosa de Viterbo; 

10.° Acerca duma denúncia contra o Fr. Jorge de Carvalho, familiar e 
qualificador do Santo Ofício, irmão do bisavô do Marquês de Pombal. Data 
de 1672 e aponta várias interpretações escandalosas que o mesmo frade apre- 
sentou num sermão que pregou na Sé de Lisboa na páscoa daquele ano ; 

11.° Sobre a cópia de 29 documentos, datados de Julho de 1261 a Julho 
de 1265, que se referem ao movimento do tesouro de D. Afonso III, então 
depositado no mosteiro de Santa Cruz de Coimbra; 

12.° Sobre o cartulário da Sé de Braga, que tem o nome da Liber fidei, 
onde estão transcritos para mais de 800 documentos, sendo grande número 
deles dos séculos ix e x, na sua grande totalidade inéditos. 

13.° Finalmente, sobre um documento de 1390, datado de Vila do Conde, 
pelo qual um tabelião nomeou um marinheiro de Azurara seu procurador nos 
negócios e viagens do baixel «Santa Cruz», de que èle tinha a terça parte. 



DAS SCIJ NI IAS DE LISBOA 



E êste o quinto documento sobre a marinha mercante portuguesa en- 
contrado pelo Sr. Azevedo, sendo o mais antigo de 1330, relativo ao naufrágio 
dum baixel no porto da Pederneira. 

O Sr. José de Figueiredo, em sessão da Segunda Classe de 18 de Abril 
do ano findo, ofereceu, em nome de Emile Bertanx, o seu estudo sobre a 
História da arte da renascença em Portugal, acentuando a importância deste 
trabalho, no qual colaborou. 

O Sr. Anselmo Braamcamp leu á Segunda Classe uma desenvolvida co- 
municação acerca de Gil Vicente, como poeta e como ourives. 

Referiu-se também êste académico a um certo opúsculo de André de 
Resende, que examinou e sobre o qual fez várias observações. 

O Sr. Cunha Gonçalves, em sessão da Segunda Classe de 2G de Julho 
de 1911, leu uma memória em que pretende demonstrar que «na organização 
económica dos romanos se encontram os caracteres essenciais do capitalismo 
moderno». 

Em sessão de 25 de Janeiro do ano findo fez uma conferência tendo por 
tema as Causas de criminalidade, segundo a escola psico-patológica. 

Em sessão de 18 de Abril do mesmo ano leu um documento que encon- 
trou na Biblioteca de Évora, e que constitui uma valiosa contribuição aos 
trabalhos da Comissão do Centenário da tomada de Ceuta. 

O Sr. Marquês de Ávila e Bolama, em sessão de Assemblea Geral de 3 
de Julho de 1911, leu à Academia uma memória destinada a provar que a 
primeira exposição industrial da Europa se realizou na Vila de Oeiras, no 
tempo do Marquês de Pombal. 

O Sr. Rodolfo Dalgado, na sessão da Segunda Classe de 28 de Março 
do ano passado, ofereceu o seu trabalho acerca da Influência do vocabulário 
português em línguas asiáticas, e em sessão de 9 de Maio do mesmo ano, 
leu uma comunicação sobre a significação da palavra Ola — folha de pal- 
meira—muito empregada pelos nossos antigos escritores, especialmente com 
respeito às cousas de Malabar, e que da parte dos lexicógrafos portugueses 
não tem merecido o devido tratamento. 

O Sr. José Maria Rodrigues leu à Segunda Classe dois estudos: 

1.° Sobre o conjuntivo do imperfeito e o infinito pessoal no português, 



IIMViHU DA ACADKMIA 



que provocou uma interessante discussão filológica com o Sr. Gonçalves Viana 
e Leite de Vasconcelos; 

2." Sobre o Campo Elísio dos Lusíadas (vm. 3), mencionando as dificul- 
dades oferecidas pelas quatro explicações que tem sido propostas para a pa- 
lavra eUsio. 

O Sr. Almeida de Eça fez uma comunicação sobre uma parte da História 
Marítima, relativa a* monografias de navios notáveis da marinha portuguesa, 
declarando o Sr. Lopes de Mendonça ter já pensado num trabalho idêntico, 
para o qual tem apontamentos de valor. 

O Sr. António Simões Baião fez uma comunicação sobre o poeta Pedro 
de Andrade Caminha e a Inquisição, prestando a devida homenagem aos tra- 
balhos de Sousa Viterbo e da Sr. D. Carolina Miehaélis de Vasconcelos. 



Novas publicações 

Depois da sessão pública, realizada em 20 de Junho de 1909, foi publi- 
cado : 

Volume ii das Actas das Assembleas Gerais, relativas aos anos de 1906 
a 1910. 

Boletim Bibliográfico da Academia das Sciências de Lisboa, primeira série, 
volume i, fascículos i e u; segunda série, volume i, fascículos i e n. 

Pela Primeira Classe foram publicadas as seguintes obras: 

Actas das Sessões, volume ir, relativo aos anos de 1905 a 1910. 

Subsídios para a Historia de Cabo Verde e Guiné, pelo sócio correspon- 
dente Sr. José de Sena Barcelos, parte vi e parte vn, contendo índice por 
matérias e nomes das seis partes de que se compõe esta obra. 

Les applications directes et indirectes de 1'èleciricité à la mèdecine et à la 
chirurgie, 2 ème édition, pelo sócio efectivo Prof. Sr. Vergílio Machado. 

Sobre a rotação das forças à roda dos pontos de aplicação e equilíbrio 
estático, pelo Sr. Fernando de Almeida Loureiro e Vasconcelos. 

The Climate of Portugal and notes on its health resorts, parte i, pelo 
sócio correspondente Sr. G. Dalgado. 

Como publicações da Segunda Classe devo mencionar em primeiro lugar 
o seu Boletim, que toma todos os dias novo incremento e nova importância, 
merecendo especial menção o fascículo ni do volume m, sabiamente organi- 



DAS SCIÊNCIAS DE LISBOA 



zado pelo Secretário da Classe em homenagem a Alexandre Herculano, em 
seguida à celebração do centenário do nascimento de tam ilustre escritor, e 
composto exclusivamente de estudos e documentos relativos ao fundador do 
Portugaliae Monumento Histórica. 

Chamarei também a vossa esclarecida atenção para o fascículo i do 
referido volume do Boletim, um número especial, contribuição da Academia 
para comemorar o centenário da Guerra Peninsular; obra colectiva, não só 
de diversos académicos, como de escritores ilustres estranhos á Academia. 

fascículo i do volume v do Boletim, dedicado a D. Carolina Michaèlis 
de Vasconcelos, constitui uma homenagem prestada a tam eminente escritora, 
como reconhecimento pela maneira como ela aceitou o convite da Academia 
para examinar o manuscrito de Sá de Miranda, conservado pelo arquivo da 
Biblioteca Nacional de Lisboa. Acompanham o precioso estudo da Sr. a D. Ca- 
rolina, artigos de M 8 "' Lucie Ey e dos Srs. Leite de Vasconcelos, Oliveira 
Ramos e Ricardo Jorge, que põem em relevo os inigualáveis dotes de tam 
distinta escritora. 

Publicou mais a Segunda Classe: 

Corpo Diplomático PortuguéSi tomo xiv, dirigido pelo sócio efectivo 
Sr. Jaime Moniz, volume que abrange os documentos relativos ao período que 
decorre de 1661 a 1667. 

Catálogo bibliográfico das publicações relativas aos descobrimentos portu- 
gueses, pelo sócio efectivo Consiglieri Pedroso. 

Direito Comercial Português. Esboço do curso professado no Instituto 
Superior de Comércio, pelo sócio efectivo Sr. Francisco António da Veiga 
Beirão. 

Noticia de alguns pintores portugueses e de outros que, sendo estrangeiros, 
exerceram a sua arte em Portugal, terceira série, pelo sócio correspondente 
Sousa Viterbo (Publicação póstuma). 

.1 fundadora da Igreja do Colégio de Santo Antão (da Companhia de 
./■sus e a sua sepultura. Notícia documental apresentada à Academia pelo 
sócio correspondente Sr. Vítor Ribeiro. 

Registos Paroquiais de Lisboa. Registo da freguesia de Santa Cruz do 
Castelo, desde 1536 até 1628, pelos sócios correspondentes Srs. Edgar Pres- 
tage e Pedro de Azevedo. 

Nota acerca das invasões francesas em Portugal, pelo sócio correspon- 
dente Sr. Brito Aranha. 

O Instituto Histórico do Brasil. A naturalidade de Cristóvão Colombo; 
Gabriel Pereira, notas biográficas e bibliográficas, do mesmo autor. 



IISTuHIA HA ACADKMIA 



D. Pedro, poema dramático pelo sócio efectivo José de Sousa Monteiro. 
(Obra póstuma). 

Centenário do nascimento de Alexandre Herculano, discursos pronunciados 
na sessão pública, de 28 de Março de 1910, pelos sócios efectivos Srs. Veiga 
Beirão, Teixeira de Queiroz, Consiglieri Pedroso e Cristóvão Aires. 

O Doutor Storck e a literatura portuguesa. Estudo hislórico-bibliográfico 
pelo sócio efectivo Sr. J. Leite de Vasconcelos. 

Carolina MichaUis; Gabriel Pereira, notícia necrológica, do mesmo autor. 

Pelo sócio correspondente Sr. Francisco Maria Esteves Pereira : 

Homília sobre as vodas de Cana de Galileia a S. João Crisóstomo; Ho- 
milia sobre o baptismo de N. S. Jesus Cristo atribuída a S. João Crisóstomo ; 
Inscrição de Dário O Grande, Rei da Pérsia. 

Os Árabes nas obras de Alexandre Herculano. Notas marginais de língua 
e história portuguesa, pelo sócio correspondente Sr. David de Melo Lopes. 

Dois versos dos Lusíadas e O Campo, já dito, Elísio dos Lusíadas, pelo 
sócio correspondente Sr. José Maria Rodrigues. 

Origem do episódio dos Lusíadas «O Gigante Adamastor*, pelo sócio cor- 
respondente Sr. Baltasar Osório. 

Novos estudos sobre Sá de Miranda, pelo sócio correspondente Sr. a D. Ca- 
rolina Michaélis de Vasconcelos. 

As causas da criminalidade segundo a nova escola psico-patológica, pelo 
sócio correspondente Sr. Luís da Cunba Gonçalves. 

Catálogo das obras da Guerra Peninsular, existentes na Biblioteca da 
Academia, pelo Sr. Cardoso de Bettencourt. 

Notes sur la langue de la Guiné, por Mr. René Basset. 

Bibliografia Luso- Judaica, pelo Sr. Álvaro Neves. 

Relação das obras que se acham actualmente no prelo 

Influência do vocabulário português nas línguas orientais, por Sebastião 
Rodolfo Dalgado. 

The Climate of Portugal and notes on its health resorts, parte u, por 
D. G. Dalgado. 

D. Francisco Manuel de Mello, por Edgar Prestage. . 

Duarte Galvão e sua família, por Sousa Viterbo. 

Conde de Schomberg, pelo Conde de S. Mamede. 

Subsídios para a História Militar das nossas lulas civis, por F. Sá Chaves. 

Febres infecciosas, por Geraldiuo Brito. 

Livraria do Convento de Nossa Senhora de Jesus de Lisboa. Documentos 
coligidos por Álvaro Neves. 



M3AS HE LISBOA 



.1 literatura espanhola em Portugal, resenha bibliográfica dos livros dos 
escritores espanhóis impressos no pais, por Sousa Viterbo. 

Cartas de Afonso de Albuquerque, volume v. 

Boletim da Segunda Classe, volume vi. 

Boletim Bibliográfico, I.' série, volume i, fascículo m. 

Obras da Comissão do Centenário da tomada de Ceuta e morte de Afonso 
de Albuquerque, também no prelo. 

Consolações dirigidas a Catarina de Neufoille, Senhora de FYesne, pre- 
faciado por Carlos Roma du Bocage. 

Crónica da Tomada dt< Ceuta por El-Rei D. Joham o primeiro, revista 
por F. M. Esteves Pereira. 

Documentos das Chancelarias riais anteriores a 1531, relativos a Mar- 
rocos, coligidos por Pedro de Azevedo. 

Tomada d>- Arzila, revisto por David de Melo Lopes. 

Corpo Cronológico, Documentos relativos a Marrocos, coligidos por António 



Alteração do pessoal da Academia 

Na Primeira Classe foram eleitos : 

Sócios efectivos, os correspondentes Srs.: José Curry da Câmara Cabral, 
Alfredo Bensaúde e Bernardino Camilo Cincinato da Costa ; 

Sócios correspondentes nacionais, os Srs. : António Olimpio Cagigal, Artur 
Cardoso Pereira, Alberto de Aguiar, Henrique Bastos, Marquês de Ávila e 
Bolama e o associado provincial Sr. José Pereira do Nascimento; 

Sócios correspondentes estrangeiros, os Srs.: Camille Torrend, Hermann 
Griesbach, Armand Gautier, Olimpio Artur Ribeiro da Fonseca e Oswaldo 
Gonçalves da Cruz. 

Na Segunda Classe foram eleitos: 

Sócios efectivos, os correspondentes Srs. : Joaquim Coelho de Carvalho, 

Aniceto dos Reis Gonçalves Viana, José Leite de Vasconcelos, Júlio Dan- 
tas : e, sem transitarem pela classe de correspondentes, os Srs. Artur Pinto 
de Miranda Montenegro e José Duarte Ramalho Ortigão; 

Sócios correspondentes nacionais, os Srs. : Augusto de (lastro, Manuel 
da Silva Gaio, José Estêvão de Morais Sarmento, Faustino da Fonseca, Conde 
de Bretiandos, José Caeiro da Mata, Jacinto Inácio de Brito Bebèlo, Pedro 
Augusto de Azevedo, José de Figueiredo, Anselmo Braamcamp Freire, Júlio 
Moreira, Luís da Cunha Gonçalves, Antero de Figueiredo, Sebastião Rodolfo 
Dalgado, Constâncio Roque da Costa, Maximiano Aragão, José Maria Rodri- 



HISTÓRIA DA ACADEMIA 



guês, Francisco Xavier da Silva Teles, D. Carolina Michaèlis de Vasconcelos, 
D. Maria Amália Vaz de Carvalho, Vicente de Almeida de Eça, Anlònio 
Eduardo Simões Baião, José Joaquim Nunes, João de Barros e o associado 
provincial Sr. Cristóvão Pinto. 

Sócios correspondentes estrangeiros, os Srs. : Manuel de Oliveira Lima, 
José Gestoso y Peres, Bené Basset, D. Bafael Errazuris Urmeneta, Donald 
Ferguson, João Lúcio de Azevedo, Tobias Monteiro, José Veríssimo, Alberto 
de Oliveira, Charles Oman, Baimundo Beazley, Barão do Bio Branco, Manuel 
Álvaro de Sousa Sá Viana, Léon Poinsard, Sílvio Bomero, Jean Finot e Paulo 
Barreto. 

Nomeou a Segunda Classe associado provincial o Sr. Manuel Paulo Bocha. 

Se é grande a lista de nomes de homens notáveis nas sciéncias e nas 
letras, que vieram honrar a nossa Academia, não é menor a daqueles cuja 
falta sinceramente deploramos. 

Mencionarei em primeiro lugar o único nosso sócio de mérito, Bulhão 
Pato, um dos grandes poetas da última geração, o venerando solitário do 
Monte de Caparica, glorioso cantor da Paquita e brilhante autor de nume- 
rosas publicações poéticas. Em breve ouvireis o seu elogio histórico feito por 
outro insigne poeta, o Sr. Júlio Dantas. 

Perdeu a Primeira Classe os seguintes sócios efectivos : 
Miguel Augusto Bombarda, notável professor e psiquiatra, cujo brilhante 
espirito por tantas vezes cativou a atenção da Academia. 

Francisco da Fonseca Benevides, que não só foi um verdadeiro homem 
de sciência, como um notável escritor e um artista de aprimorado gosto, 
que se revelava sobretudo na sua paixão pela música. 

Eduardo Augusto Mota, notável clinico e eminente professor, cujas qua- 
lidades didácticas tam claramente se manifestaram no seu importante tratado 
de farmacologia e terapêutica. 

Carlos Augusto May Figueira, igualmente distinto clínico e notável pro- 
fessor. 

Na Segunda Classe faltaram os sócios efectivos : 

José de Sousa Monteiro, antigo secretário da Classe, a quem já nos. re- 
ferimos, e cujo elogio histórico, elaborado por um dos mais brilhantes escri 
tores da Academia, ao nosso digno Presidente, em breve ouvireis. 



NI [AS DE LISBOA 



Zófimo Consiglieri Pedroso, o eminente historiador e poliglota, que tanto 
se salientou nas suas patrióticas tentativas de estreitar os laços fraternais qne 
dos mina aos Estados Unidos do Brasil, nossa República irmã. 

Perdeu a Primeira Classe os sócios correspondentes nacionais: 

Manuel Vicente \lfredo da Custa, ilustre clínico e eminente professor, 

que prestou relevantes serviços à instrução e cujo belo carácter por tantas 

formas se manifestou. 

Bernardino de Barros Gomes, laureado aluno da Academia Florestal e 
Agrícola na Saxónia, e autor de importantes trabalhos, entre os quais men- 
cionarei o Relatório florestal sobre as matas da Machada de Vale de Zebro, 
que constituiu o titulo da sua candidatura. 

Adolfo Ferreira Loureiro, um dos nossos mais distintos engenheiros, 
autor de obras importantes relativas aos portos marítimos, do projecto do 
porto de Leixões, e um dos autores do projecto das obras do porto de Lisboa. 

Foi lambem um literato de muito valor, como o atestam, entre outras. 
a obra em dois volumes para a exposição do centenário da índia, em 1898, 
intitulada No Oriente: de Nápoles à China. 

Eduardo de Abreu, que ocupou um lugar de destaque na tribuna, na 
imprensa e no parlamento, e que foi o representante da Academia no cente- 
nário de Calderon, em Madrid. 

José Pereira do Nascimento, médico naval e distinto colonial, que exerceu 
com muita distinção várias comissões em Angola e publicou diversas obras 
de muito interesse, entre as quais mencionarei a Colonização do planalto de 
Benguela. 

Joaquim Maria da Silva, mui hábil jurisconsulto e professor muito con- 
siderado, autor dos Primeiros Estudos de Filosofia Racional, trabalho vasto 
e profundo, que mereceu os maiores elogios de Alexandre Herculano. 

Perdeu a Segunda Classe os sócios correspondentes nacionais: 

Miguel Martins Dantas, diplomata distinto, célebre autor da obra muito 

conhecida Les Fanx D. Sebaslien, que lhe abriu as portas da Academia de 

Historia de Madrid. 

Zeferino Brandão, oficial muito ilustrado, que em várias publicações re- 
velou não vulgar aptidão literária e profundos conhecimentos históricos. 



HISTORIA \>\ ACADEMIA 



José Maria Barbosa de Magalhães, grande jurisconsulto, notável advogado 
e brilhante parlamentar. 

Venâncio Deslandes, um dos que exerceram poderosa influência nas 
artes gráficas em Portugal. 

Conde de Valenças, advogado, professor e autor de valiosos estudos 
jurídicos. 

José Cipriano da Costa Goodolfim, notável propagandista da instrução 
popular e do movimento operário, que dedicou toda a sua vida à propaganda 
das instituições de previdência. 

Sousa Viterbo, a quem já nos referimos. 

Visconde- de Sanches de Baena, versado nas questões heráldicas e ge- 
nealógicas, acerca das quais publicou obras muito interessantes. 

Júlio Moreira, consumado humanista, autor duma excelente gramática 
da língua inglesa. 

Gabriel Vitor do Monte Pereira, a quem já tivemos ocasião de nos referir. 

José Frederico Laranjo, professor, eminente jurisconsulto e parlamentar 
de muito valor. 

António Joaquim Lopes da Silva, outro distinto jurisconsulto, autor do 
notável Reportório Jurídico Português. 

João da Silva Matos, advogado muito notável, que teve a sua época bri- 
lhante nos tribunais de Lisboa. 

Conde de Monsaraz, poeta encantador, dum sentimento inegualável, que, 
com extraordinário entusiasmo, cantou o povo em poesias muito sentidas. 



Perdeu a Academia os seguintes sócios correspondentes estrangeiros: 

Eduardo Saavedra, engenhoso autor de diversas publicações literárias e 
«científicas, premiado em Espanha com a medalha Echegaray. 



DAS SC1ÊNCIAS DE LISBOA 



Barão do Hio Branco, um dos mais eminentes estadistas, entre tanto. 
que honram o Brasil, e autor de trabalhos históricos de subido merecimento. 

Edouard vou Beneden, notável professor da Universidade de Liége. 

Kar von Reinhard Alster, ilustre professor da Escola Politécnica de Munich. 

Donald Ferguson, grande amigo de Portugal e cultor infatigável da his- 
tória do período português em Ceilão, tendo traduzido para inglês todas as 
matérias portuguesas que obteve para o estudo da cidade (pie lhe foi berço. 

Menendez y Pelayo, eminente professor, filósofo e critico, justamente 
considerado o primeiro escritor espanhol do seu tempo. 

Louis Alphonse Davanne, antigo mestre de conferências da Escola de 
Pontes e Calçadas, e muito notável pelos seus estudos fotográficos. 

Sanchez de Moguel, distinto catedrático espanhol, autor de importantes 
estudos literários e históricos, tanto relativos a Espanha como a Portugal. 

Eouis Henry, mui notável professor da Universidade de Louvain. 

Sigismond Jaccoud, antigo e notável professor da Faculdade de Medicina 
de Paris, e Secretário perpétuo da Academia de Medicina da mesma cidade. 

Henri Poincaré, cuja poderosa intuição de analista e de filósofo foi uma 
honra, não só para a França, que lhe foi berço, mas para a humanidade, que 
enalteceu. Foi tido sem contestação como o primeiro analista do seu tempo, 
e a sua prodigiosa erudição é demonstrada pela inexcedível competência com 
que regeu as cadeiras de mecânica, física experimental, física matemática, 
cálculo das probabilidades e mecânica celeste na Faculdade de Scièncias de 
Paris, onde deixou vestígio da sua gigantesca individualidade. 

Finalmente, temos ainda a lamentar a perda dos associados provinciais: 
Barão de S. Pedro, diplomata distinto, e António Tomás Pires, escritor, poeta e 
erudito investigador arqueológico. 



Eis, Senhores, imanto julguei indispensável relatar-vos para que pudés- 
seis ajuizar sobre a actividade scientífica e literária da nossa Academia, que 



HISTÓRIA DA ACADEMIA DAS SCIÉNCIAS DU LISBOA 



se esforça por manter a gloriosa reputação que era todo o mundo civilizado 
tem conseguido conquistar; e é profunda convicção minha, certamente com- 
partilhada por todos vós, que será pelo ardente culto do bem, do belo e 
da verdade, que a nossa querida Pátria conseguirá alcançar o objectivo das 
suas legitimas aspirações; e confia a Academia em que por todos será ani- 
mada e auxiliada no eficaz desempenho da sua missão perante esse trans- 
cendente objectivo, que define a superior missão do homem na existência 
universal. 



APÊNDICE 



PROGRAMA 



ACADEMIA DAS SCIÊNCIAS DE LISBOA 



ANUNCIADO NA SESSÃO PÚBLICA 



7 DE DEZEMBRO DE 1913 PARA O ANO DE 1914 



ASSUNTOS PHOPOSTOS PARA PRÉMIO 
PRIMEIRA CLASSE 

Em sciências matemáticas 

I. — Ampliar a teoria das variáveis imaginárias sob o ponto de vista 
analítico e geométrico. 

II. — Fazer o estudo crítico da teoria geométrica da curvatura das super- 
fícies, procurando ao mesmo tempo desenvolvê-la e aperfeiçoá-la nalguns pon- 
tos importantes. 

III. — Estudar as equações de dinâmica sob o ponto de vista da sua 
integração. 

Em sciências fisicas 

I. — Influência do descobrimento das vibrações irrefrangíveis nas teorias 
da luz. 

II. — Subsídios prestados pela análise espectral ao estudo da composi- 
ção química das terras raras. 

Em sciências histórioo-naturais 

I. — Um trabalho monográfico sobre qualquer grupo animal ou vegetal 
da fauna ou da flora portuguesa. 

II. — Estudo do vulcanismo nas ilhas dos Açores nos tempos geológi- 
cos e na época actual. 

Em sciências médioas 

I. — Progressos da serulogia e da seroterapia. 



HISTÓRIA DA ACADEMIA 



SEGUNDA CLASSE 



Em literatura 



I. — Estudo sobre Vicente Nogueira, seguido do extracto da sua corres- 
pondência, como subsídio para a História Literária de Portugal. 

II.— Pascoal José de Melo como precursor da Escola Histórica do Di- 
reito em Portugal. 

Em sciencias morais e jurisprudência 

A Política neutral de D. Manuel I e de D. João III durante as lulas de 
Carlos Y e de Francisco I. 

Em soiéneias económicas e administrativas 

Diversidade das nossas colónias africanas debaixo do ponto de vista 
económico. 

Em história e arqueologia 

I. — Esboço do maquinismo tributário e das rendas públicas, e a sua 
conexão com as variantes da moeda, nos dois primeiros séculos da monarquia 
portuguesa. 

II. — Desenvolvimento da riqueza pública, da indústria e do comércio 
em Portugal, durante as últimas duas décadas do século xm. 

Os prémios ordinários consistem em uma medalha de ouro do peso de 
50 escudos. Todas as pessoas podem a eles concorrer, à excepção dos sócios 
honorários e efectivos da Academia. Abaixo destes prémios principais propõe 
a Academia também a honra do accessit, que consiste em uma medalha de prata. 
Far-se há nas Actas e História da Academia menção honorífica da Memória 
que merecer esta distinção. 

As condições gerais para todos os assuntos propostos são : 

a) Que as Memórias que vierem a concurso sejam escritas em português, 
sendo seus autores naturais deste reino, e em latim, castelhano, francês, ita- 
liano, inglês, ou alemão, sendo estrangeiros ; 

b) Que sejam entregues na Secretaria da Academia por todo o mês de 
Julho do ano em que houverem de ser julgadas; 

c) Que os nomes dos autores venham em carta fechada, a qual traga a 
mesma divisa que a Memória, para se abrir somente no caso em que esta seja 
premiada. As Memórias premiadas não podem ser impressas senão por ordem 
ou com licença expressa da Academia, e esta condição igualmente se aplica 
a todas as Memórias que, não obtendo prémio, merecerem contudo a honra 



DAS SC1ÊNCIAS DE LISBO i 



do accessit. Mas nem esta distinção, nem a adjudicação do prémio, nem ainda 
,i publicação determinada ou permitida pela Academia, deverão jamais repu 
tar-se como argumento decisivo de que esta Sociedade aprova absolutamente 
tudo quanto se contiver nas Memórias a que se conceder qualquer destes si- 
nais de aprovação, porém somente como uma prova de que ao seu conceito 
se desempenharam os autores, se não inteiramente, ao menos na parte mais 
importante dos assuntos propostos. 

Lisboa, Secretaria da Academia das Sciências, em 7 de Dezembro de 1913. 



Adriano Augusto de Pina Vidal, 

•i - RETÁRIO GERAL. 



LISTA DOS SÓCIOS 

ACADEMIA DAS SCIÊNCIAS DE LISBOA 

Em %it <lo Setembro tle iin:« 



PRESIDENTE 
Dr. Francisco Teixeira de Queiroz. 

VICE PRESIDENTE 
Dr. José Joaquim da Silva Amado. 

SECRETÁRIO GERAL 
Adriano Augusto de Pina Vidal. 

SÓCIOS EFECTIVOS 

Classe de sciências matemáticas, físicas e naturais 

1." Secção 

I i M Ltii is 

Alfredo Augusto Schiappa Monteiro de Carvalho. 
César Augusto Campos Rodrigues. 
Luis Feliciano Marrecas Ferreira. 
Francisco Gomes Teixeira. 



IlISTiUUA l»A ACADEMIA 



2.' Secção 

SCIÊNCIAS FÍSICAS 

Adriano augusto de Tina Vidal, Secretário da Classe. 

Carlos Augusto Murais, de Almeida. 

Eduardo Burnay. 

João Maria de Almeida Lima, Yice-Presidente da Classe. 

Aquiles Alfredo da silveira Machado, Vice-Secretário da Classe. 

3." Secção 

SCIÊNCIAS HISTÓRICO-NÀTURÀIS 

Alberto Artur Alexandre Girard. 
1). António Xavier Pereira Coutinho. 
Dr. Venceslau de Sousa Pereira Lima. 
Alfredo Bensaúde. 
Bernardino Camilo Cincinato da Costa. 

4." Secção 

SCIÊNCIAS MÉDICAS 

Dr. José Joaquim da Silva Amado, Presidente da Classe. 
Dr. Vergílio César da Silveira Machado. 
Dr. José Curry da Câmara Cabral. 

Classe de sciências morais, politicas e belas letras 
1." Secção 

LITERATURA 

Dr. Joaquim Teófilo Braga. 

Henrique Lopes de Mendonça, Yice-Presidente da Classe. 
Dr. Francisco Teixeira de Queiroz, Presidente da Classe. 
José Duarte Bamalbo Ortigão. 

Júlio Dantas. 

2.» Secção 

SCIÊNCIAS MORAIS E JURISPRUDÊNCIA 

Lucas Fernandes Falcão. 

Dr. Francisco António da Veiga Beirão. 

José Luciano de Castro Pereira Corte Bial. 

Joaquim Coelho de Carvalho. 

Artur Pinto de Miranda Montenegro. 



h\> Mill NC.I \> Hl. I.N|:n\ 



3." Secção 

SCIKM-.IAS Ef.oNÓMICO-AUMlNISTRATIVAS 



Dr. António Cândido Ribeiro da Cosia. 

Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda, Secretário da (liasse. 

José Fernandes Costa. 

Conde de Sabugosa. 

Aniceto dos Heis Gonçalves Viana. 

4.' Secção 

SI 11. M IAS, HISTÓRIA E ARQUEOLOGIA 

Jaime Constantino de Freitas Moniz. 

Henrique da Gama Barros, Vice-Secretário da Classe. 

José Ramos Coelho. 

Júlio Marques de Vilhena. 

José Leite de Vasconcelos. 

SÓCIOS CORRESPONDENTES NACIONAIS 



Dr. Matias de Carvalho e Vasconcelos. 

António Cândido de Figueiredo. 

Conde de Azevedo c Silva. 

Alberto Augusto de Almeida Pimentel. 

Guilherme José Enes. 

Joaquim Urbano da Veiga. 

Dr. António dos Santos Viegas. 

António Evaristo de Orneias. 

João Fagundo da Silva. 

Carlos Roma du Bocage. 

José Manuel Rodrigues. 

José da Cunha Navarro de Paiva. 

Francisco Augusto de Oliveira Feijão. 

Sabino Maria Teixeira Coelho. 

Joaquim de Araújo. 

Pedro Venceslau de Brito Aranha. 

Paulo Morais. 

Emílio Dias. 

Alfredo Luis Lopes. 



MSTÓHIA DA ACADEMIA 



Ricardo de Almeida loi 

António de Assis Teixeira de Magalhães. 

Alberto Teles de Utra Machado. 

Hall asar Machado da Cindia Osório. 

António Bettencourt Rodrigues. 

Júlio de Matos. 

António Joaquim Ferreira da Silva. 

Dr. Bernardino Luis Machado Guimarães. 

António Emílio de Azevedo. 

Sebastião Custódio de Sousa Teles. 

Luis António Rebelo da Silva. 

Eduardo Sequeira. 

Rodolfo Ferreira Dias Guimarães. 

Gaspar de Queiroz Ribeiro. 

roão de Melo Viana. 

Joaquim Ferreira de Sousa Garcez. 

Dr. João Marcelino Arroio. 

António Viana da Silva Carvalho. 

José Cândido Correia. 

José Caldas. 

Manuel Duarte de Almeida. 

Filipe Eduardo de Almeida Figueiredo. 

Augusto Pereira Nobre. 

Hermenegildo Carlos de Brito Capelo. 

Eduardo Frederico Schwalbach Lucci. 

José António Ismael Gracias. 

Manuel António Ferreira Deusdado. 

José Augusto Moreira de Almeida. 

Eugénio de Castro e Almeida. 

António Augusto de Carvalho Monteiro. 

Dr. José Pedro Teixeira. 

António Francisco Nogueira. 

Roberto Belarmino do Rosário Frias. 

Manuel Martins Capela. 

Joaquim de Vasconcelos. 

Frederico Com. 

António Cabreira. 

Visconde de Reguengo. 

Jorge Godinho. 

Dr.Caetano António CláudioJidioRairnimdodaGamaPmto. 



DAS SCIÊNCIAS DE LISBOA 



Dr. João José de Antas Souto Rodrigues. 

Dr. Joaquim de Mariz. 

Dr. António Garcia Ribeiro de Vasconcelos. 

Xavier da Cunha. 

Manuel de Sousa da Câmara. 

Júlio Guilherme tio Bettencourt Ferreira. 

Manuel António Moreira Júnior. 

Alfredo dos Santos Figueiredo. 

Dr. Zeferino Cândido Falcão Pacheco. 

Luis Xavier Barbosa da Costa. 

José Nunes Gonçalves. 

Raul Bensaúde. 

Montalverne de Sequeira. 

João Lopes da Silva Martins Júnior. 

Daniel Gelásio Dalgado. 

Joaquim da Silva Tavares. 

Eduardo Freire de Oliveira. 

João da Mota Prego. 

Caetano Francisco Xavier Gracias. 

José Macia Pereira de Lima. 

Jorge Cândido Heckeley Cotter. 

José Maria de Oliveira Simões. 

Cristiano José de Sena Barcelos. 

Anselmo Assis de Andrade. 

David de Melo Lopes. 

Vítor Maximiano Ribeiro. 

Manuel Soares de Melo Simas. 

Dr. S. C. da Costa Sacadura. 

Dr. Maximiano de Lemos. 

Dr. Azevedo Neves. 

D. Luis de Castro. 

Dr. Aníbal Bettencourt. 

Ricardo Severo da Fonseca Costa. 

António dos Santos Bocha. 

Dr. Alfredo Carneiro da Cunha. 

Carlos Malheiro Dias. 

António Correia de Oliveira. 

Francisco Maria Esteves Pereira. 

João Marques de Carvalho. 

João Penha. 



HiSTÓRIA DA ACADEMIA 



Júlio Brandão. 
António Olímpio Cagigal. 
Artur Cardoso Pereira. 
Dr. Alberto de Aguiar. 
Augusto de Castro. 
Manuel da Silva Gaio. 

têvão de Morais Sarmento. 
Faustino da Fonseca. 

Gonçalo Pereira da Silva de Sousa Meneses (Conde de Bertiaudos). 
Dr. José Caeiro da Mata. 
Dr. Henrique Bastos. 
Jacinto Inácio de Brito Rebelo. 
Pedro Augusto de S. Bartolomeu de Azevedo. 
José de Figueiredo. 
Anselmo Braamcamp Freire. 
Cristóvão Pinto. 
Luís da Cunha Gonçalves. 

António José de Ávila (Marquês de Ávila e Bolama). 
Antero de Figueiredo. 
Sebastião Rodolfo Dalgado. 
Constâncio Roque da Costa. 
Maximiano Aragão. 
Dr. José Maria Rodrigues. 
Dr. Francisco Xavier da Silva feles. 
Vicente de Almeida Eça. 
D. Maria Amália Vaz de CarvaJh). 
D. Carolina Michaèlis de Vasconcelos. 
António Eduardo Simões Baião. 
José Joaquim Nunes. 
João de Barros. 

SÓCIOS CORRESPONDENTES ESTRANGEIROS 

DESDE 1835, PELA DATA DA ELEIÇÃO 

José Martins da Cruz Jobin. Rio de Janeiro. 

João Van Heck. Bruxelas. 

Luís René le Canu. Paris. 

Emílio Blanchard. Paris. 

Francisco Zantedeschi. Pádua. 

Tomás V. Wollaston. Londres. 



DAS SC1EMCIAS DE LISBOA 

Ricardo Tomás Lowe. Londres. 

Júlio Verreaux. Paris. 

Adolfo Legoyt. Paris. 

Carlos Vogel. Boun. 

Henrique Dupont. Bruxelas. 

Artur Morelet. Dijon. 

Dr. Luís Rosselini. Modem. 

Gustavo de Veer. Dantzig. 

II. Bourdiol. /'./>■<>■. 

Dr. G. Eliot. Estados Unidos. 

Hofras Franz Steindacuner. Viena. 

Nathalis Rondot. 1'aris. 

Augusto Teodoro de Griraui. Berlim. 

Leão Donnat. Parts. 

Carlos Faider. Bruxelas. 

Dr. Alberto Erlenmeyer. Bcmlorf. 

C. Luis Livet. Paris. 
Conde do Montblan. Paris. 

D. Manuel Rodrigues de Berlanga. Málaga. 
Lord Talbot de Malahide. Dublin. 
losé Descaisne. P«m. 
Ricardo Bowdler Sbarpe. Londres. 
Ernesto Mònaci. It<nu<i. 
Dr. José Dalton Hoocker. Lomlrrs. 
D. José Villaamil y Castro. Madrid. 
F. Boccourt. Paris. 

José de Araújo Ribeiro. Ato de Janeiro. 
J. i. Auberlin. Londres. 
Dr. Bonnafond. Parts. 
Paulo Porto Alegre. Lisboa. 
Henrique Guinier. Cautterets. 
Conde de Casa Valência. Madrid. 
António José de Freitas. Lisboa. 
Clóvis Lainarre. Paris. 
A. Vesselowsky. Mascou. 
Dr. Alfredo Piragibe. Rio de Janeiro. 
W. 1'. Iliern. Londres. 

Dr. José Pereira Guimarães. Rio de Janeiro. 
Carlos Félix Lenient. Paris, 
II. Howorth. Londres. 



HISTÚKIA DA ACADEMIA 



Dr. l.inest Lambrou. Luchon. 

C. Le Paige. Liège. 

Dr. Droixh. Bruxelas. 

Aristides Marre. 7V/m. 

Afonso Rivier. Bruxelas. 

Francisco Michel. Paris. 

Dr. .1. A. Fort. Parts 

Dr. João da Costa Lima e Castro. Rio de Janeiro. 

Paulo Choffat. Lisboa. 

Adolfo de Ceuleneer. G'«h</. 

Cipriano de Freitas. Rio de Janeiro. _ 

.Maurício d'Ocagne. Paris. 

Max Durand Fardel. Vichy. 

Stanislas Meunier. Paris. 

Augusto Meulemans. Bruxelas. 

Léon Lalleraand. Paris. 

Ernesto Lehr. Lausanne. 

Emílio Cartailhac. Tolosa. 

Dr. Isidoro Neumann. Vienna. 

Carlos Féré. Paris. 

Barão de Baye. Paris. 

S. Pozzi. Paris. 

Júlio Daveau. Montpellier. 

J. Fayer. Londres. 

Carlos Anjos Laisant. Paris. 

Máximo Formont. Paris. 

Estêvão de Carathéodory. Bruxelas. 

J. de Mendizabal Tamborrel. J/toco. 

Aquiles Millien. Paris. 

D. Zoei Garcia de Galdeano. Saragoça. 

René Worms. Paris. 

Duque de Loubat. Paris. 

Próspero Paragallo. Roma. 

D. Rafael Maria Labra. Madrid. 

C. M. Gariel. Paris. 

Henrique Brocard. Bar-le-Duc. 

Edgar Prestage. Londres. 

Alexandre Frugoni. Roma. 

Afonso Celso. Rio de Janeiro. 

Carlos Lepierre. Coimbra. 



NI IAS DE USBO I 



Francisco António Picot. Rio de Janeiro. 
Dr. Goran de Bforkman. Stockholmo. 
Dr. Hugo Schuchardt. OY</:. 
Dr. Henrique R. Lang. /Veia Haven. 
Marcelino Pelayo. Madrid. 

I ir Sempere y Miquel. Bon 
.1. F. de Vssis Brasil. Buenos 
Júlio Cornu. P 

D. José de Echegaray. Madrid. 
A. Martin. Berlim. 

D. Frederico Oloriz Aguilera. Madrid. 
D. .Santiago Ramon y Cajal. Madrid. 
Dr. Gabriel Pouchet. /'/■■'*. 
António Padul 

D. Angel Rodri ma y Arroquia. México. 

Visconde de Révérend. Paris. 
Príncipe Rolando Bonaparte. Paris. 
Paulo Mansion. Gand. 
<;. B. de Toni. Pádua. 
Rodrigo Octávio. Rio de Janeiro. 
Dr. A. li. Griffiths. Londres. 
Dr. António da Cunha Rarbosa. Iiio de Janeiro. 
João Effont. Bruxelas. ■ 
Francisco Deléage. Vichy. 
José Carlos Rodrigues, flw de Janeiro. 
Padre Schmitz. Funchal. 
Barão Descamps. Louvain. 
D. José R. Carracido. Madrid. 
Conde de ia Vinaza. Madrid. 
Ernesto Lebon. Parts. 
Barthélémi Dupuy. 
Henri Serégé. Bordéus. 
Marquês Guillio Marchette Ferrante. Lisboa. 
F. Raymond. 
Frédéric L. Koby. 
Octave Noel. A-V/í*. 
Haton de la Goupillière. P/»/7s. 
William Edward Purser. V J «Ws. 
Dr. .Max Neuburger. Ftena. 
Dr. Clemente ferreira. BrostX 



IIIVInltlA HA ACAIIL.MIA HÁS SCIKM.IAS DE LISHUA 



Padre Gamille Torrend. 

Dr. Hermano Griesbach. Suiça. 

Manuel de oliveira Lima. Bruxelas. 

José Gestoso 3 Peres. Sevilha. 

René Basset. Argel. 

D. Rafael Errazuris Urmeneta. Argentina. 

João Lúcio de Azevedo. Lisboa. 

Vrmand Gautier. Paris. 

Tobias Monteiro. Brasil. 

José Veríssimo. Bio de Janeiro. 

Alberto de Oliveira. Bio de Janeiro. 

Dr. Olímpio Artur Ribeiro da Fonseca. Bio de Janeiro^ 

Charles Orman. Oxford. 

Raimundo Breazley. Inglaterra. 

Oswaldo Gonçalves da Cruz. liio de Janeiro. 

Manuel Álvaro de Sousa Sá Viana. Bio de Janeiro. 

Léon Poinsard. Berna. 

Sílvio Romero. Bio de Janeiro. 

Jean Finot. Paris. 

Paulo Barreto (João do Rio). Bio de Janeiro. 



ASSOCIADOS PROVINCIAIS 

Henrique Manuel Ferreira Rotelbo. Vila Bial. 

José Mendes Norton. Lisboa. Viana do Castelo. 

Francisco Frederico Hoppfer. Lisboa. 

João Augusto Marques Gomes. Aveiro. 

Francisco António Rodrigues Gusmão. Portalegre. 

A. L. de Almada Negreiros. Paris. 

Filoteio Pereira de Andrade. Goa. 

João Baptista Amâncio Gracias. Goa. 

João Cardoso Júnior. Lisboa. 

Carlos de Azevedo Meneses. 

Jaime Pereira Sampaio Forjaz de Serpa Pimentel. Lisboa. 

Manuel João Paulo Rocha. Lagos. 



CONSELHO ADMINISTRATIVO DA ACADEMIA 

NO ANO DE 1913 



Francisco Teixeira de Queiroz. 

José Joaquim da Silva Amado. 

Adriano Augusto de Pina Vidal. 

Cristóvão Aires de Magalhães Sepúlveda. 

Alberto Alexandre Girard. 

Aquiles Machado. 

Lins Feliciano Marrecas Ferreira. 

Henrique Lopes de Mendonça. 

José Leite de Vasconcelos. 

Joaquim Coelho de Carvalho. 



Empregados da Academia 



/." Oficial- - Di'. Rodrigo Aires de M 
2." Oficial. -António da Gosta Moreira. 
Amanuense. Francisco Vasques. 
Servente. - Joaquim José da silva. 



/. Oficial. António Ú varo de Oliveira Neves. 

2° Oficial. Carlos de Mendonça da silva Vieira. 

Fiel dos depósitos </■■ impressos. — Carlos de Mendonça da silva Vieira. 

Alçador e guarda dos depósitos de impressos. — Francisco Rodrigues Baptista 

de Almeida. 
Continuo.— José Vasques. 
Servente. João Domingos. 

AULA MAYNENSE 

Professor.— Carlos Augusto Morais de Almeida. 
Guarda da aula. — João Domingos. 



Porteiro do edifício. — José Vasques. 
Guarda-portão. — Lino de Paiva Monteiro. 



^1 SA ÍITERBO 



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Fac-simile 
do rosto das obras poéticas de João Pinto Delgado 



NOTICIA ACERCA DA VIDA E OBRAS 



JOÃO PINTO DELGADO 



SOUSA VITERBO 

Sócio correspondente da Àcademii 



Parecer da secção respectiva sobre esta Memoria 

A Noticia acerca da vida e obras de João Pinto Delgado, memoria 
apresentada á Academia Real das Sciencias de Lisboa, em sessão de Se- 
gunda Classe de 9 de dezembro do 1909, pelo sócio correspondente da 
mesma Academia, o sr. Dr. Sousa Viterbo, para ser por ella publicada, é 
digna da maior estima, ou se attenda á maneira por que está escripta, ou 
ao ponto sobre que versa: esclarecer a biographia de um nosso poeta il- 
lustre pelas suas obras, quasi todas (as conhecidas) ria língua hespanhola, 
em cuja litleralura tem honroso e merecido cabimento. 

Com elYcito o estylo de João Pinto Delgado é puro e despido dos 
arrebiques de mau gosto que prejudicaram tantos talentos da sua epo- 
cha; a sua versificação é harmoniosa; e os assumptos que trata, em ge- 
ral bíblicos, vesle-os da majestade própria; o que tudo lhe tornou favo- 
rável a critica, tanto em Portugal como em Hespanha, bastando citar, por 
todos, entre os escriptores dos dois paizes que o elogiaram. Barbosa Ma- 
chado, Ribeiro dos Santos, Menendez y Pelayo e De los Rios. 

Mas. se João Pinto Delgado mereceu geralmente louvores, o seu 
nome não conseguiu divulgar-se; e a publicação que Ih'o ha dado, inti- 
tulada Poema de la Reyna Ester, Lamentaciones dei Propheta Jeremias, 
Historia de Ruí y varias poesias, impressa em Rouen em 1627, não lo- 
grou até hoje, que se saiba, as honras de segunda edição. 

Him i Mem. da Acad— Tomo xn. Parts ii N.° 1 1 



1 NOTICIA ICERCA DA VIDA E OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO (2) 

Não parou aqui a infelicidade de João Pinto Delgado, porque até 
a sua pessoa foi confundida com outra de egual nome, do Algarve, e tida 
alli por grande trovador, segundo a voz publica, individuo, cuja existên- 
cia a memoria funda do depoimento de um confessante do Santo Olíicio, 
e que morreu por 1 592, muito antes portanto de o auetor do Poema de la 
Reina Ester publicar esta nina, e ainda muito mais da epoclia provável 
do seu fallecimento: 1(>.'Í7 ou 1638. 

Esta dualidade deslinda-a o sr. Dr. Sousa Viterbo á vista do depoi- 
mento e com varias considerações, mostrando as causas que induziram 
em erro os escriptores porluguezes e hespanhoes, que confundiram um 
com outro, a saber: a egualdade entre ambos de nome e de naturalidade 
ou residência, pois eram do Algarve ou ahi moravam, a crença religiosa, 
pois seguiam a de Moysés, o cultivo da poesia, pois versejavam os dois, 
e até a semelhança de empregos, pois, se o auetor do Poema de la Reyna 
Ester foi almoxarife dos mantimentos e pagamentos de Mazagão de 1602 
a 1613, antes de sahir de Portugal, com receio naturalmente do Santo 
Oflicio, o seu homonymo serviu de feitor da cal e munições que do reino 
do Algarve se enviavam para os logares d'Africa. 

A memoria é geralmente apoiada em documentos, que fazem d'ella 
parte; ao que se junta um capitulo da biblio<; rapina de João Pinto Del- 
gado com a exacta transcripção do titulo, e com o conteúdo do Poema 
de la Reyna Ester, o que mal se fizera até agora, findando com differen- 
tes composições poéticas, que o sr. Dr. Sousa Viterbo respigou nalgu- 
mas obras, nas quaes Delgado louva os seus auetores. 

Por esta exposição vê-se que a memoria apresentada merece ser 
impressa pela Academia Real das Sciencias de Lisboa. 



Lisboa, 7 de janeiro de 1910. 



Gama Barros. 
Jayme Moniz. 
Júlio M. de Vilhena. 
Z. Consiglieri Pedroso. 
José Ramos-Coelho (relator). 



Noticia acerca da vida e obras de João Pinto Delgado . 



Raras vezes se conjugam tão unanimes osjuizos favoráveis acerca de um 
escriptor, como se observa com respeito a João Pinto Delgado, que parece 
deveria ter garantido um logar de primazia ao Parnaso peninsular, ou antes 
no Parnaso hespanhol, porque foi quasi exclusivamente na lingua de Gervan 
tes que elle deixou mostras dos primores do seu incontestável talento. Não 
succede, porém, assim, porque não o vemos descer das altas regiões a que o 
elevaram os applausos da erudição e da critica. O seu nome não se vulgari- 
zou, e creio até que não se chegou a fazer nova edição das "suas obras, aliás 
tão dignas d'isso, o que .se explica por mais de um motivo. Os versos de Del- 
gado são de uma forma demasiado culta, que difficilmente seriam assimila- 
dos pelas classes populares, e, como se isto Dão bastasse, 'tinham a prejudi 
cal-os um ar de particularismo hebraico, havendo o auctor escolhido de pre- 
ferencia os seus assumptos no Velha Testamento. Não admira; Delgado perten- 
cia á raça dos cbristãos novos, e não era preciso mais nada para o tornar 
suspeito, quando mesmo não judaizasse, regressando â religião de seus avós. 
A sua obra, ainda que não fosse posta no Index expurgatorio, só poderia ni- 
trar clandestinamente em Hespanha, inferindo-se d'aqui a sua extrema rari- 
dade. 

Que se saiba, a vida de João Pinto Delgado não offerece, como a de Jorge 
iie Montemor e outros, nenhum episodio dramático aventuroso que desperte 
a curiosidade, nem as suas poesias apresentam elementos para um estudo psy- 
chologico do auctor. São, para assim dizer, impessoacs, sem traduzirem o sen- 



I NOTICIA ACERCA DA VIDA K OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO [l\ 

timento próprio de quem as dictou, as luctas do seu coração, os gritos da sua 

consciência, que se limita a ser ho da consciência alheia, como se n'ella 

achara as naturaes vibrações da sua alma. a expressão mais pura e sincera 
das Mias dores e affectos. Delgado é mais um artista tia palavra do que um 
espirito creador, mais um apaixonado da forma do que um mysterioso evoca- 
dor de sentimentos. É vigoroso, é enérgico, accommoda sempre a phrase á 
idéa dominante, mas falta-lhe a originalidade, limitando-se a reproduzir as 
historias bíblicas, que aão perdem, justo é dizel-o, no seu traslado, nada das 
bellezas primordiaes. As suas paraphrases não temem o confronto com a ins- 
piração bíblica, mas sempre são uma derivação d'esta. Não ha duvida que 
Shakespeare, o colosso da poesia britânica, o poeta universal, pois raros como 
elle revolveram tão profundamente o espirito e o coração humano, Shakes- 
peare, repito, também não foi de uma absoluta originalidade na escolha do 
seu fundo dramático, antes buscou a matéria prima das suas peças na his- 
toria, nas lendas, nas tradições e contos populares. O que determina a gran- 
deza do seu génio é a maneira como põe em jogo os homens e os factos, as 
idéas e os sentimentos, o rigor com que traça os caracteres, e, emfim, o em- 
prego de um estylo e uma linguagem que tanto nos commovem, como nos 
obrigam a reflectir. Dotado ou não de grandes faculdades inventivas, João 
Pinto Delgado, de uma irreprehensivel forma litteraria, é um admirável inter- 
prete da Bíblia, e com estes predicados não será fácil perder a reputação até 
agora adquirida, embora a poesia religiosa não actue com a mesma intensi- 
dade de outros tempos. Repercutindo as Lamentações de Jeremias, elle é um 
instrumento de primeira ordem, muito superior ao mais perfeito gramophone, 
que nos dá, sim, a voz deliciosa de Caruzzo, mas n'um som nazalado, mais 
um arremedo do que a vibração nitida das cordas vocaes do eminente cantor. 

Um seu compatriota e contemporâneo, o doutor Miguel da Silveira, por 
indole de raça e atavismo de crença, seguiu-lhe as pisadas, buscando na Bí- 
blia as fontes da sua inspiração. Em 1638 publicou em Nápoles um poema 
heróico em oitava rima intitulado El Macabeo, cuja demasiada extensão já 
de per si contribue para tornar enfadonha e diffusa a obra, diminuindo-lhe o 
vigor e a concisão, qualidades que tanto realçam em Delgado. 

Não ha duvida que Silveira tinha dotes apreciáveis, não faltando mesmo 
entre os modernos quem exalte os seus merecimentos. Mais hyperbolico e re- 
tumbante que Delgado, não evitou como este a influencia do culteranismo e da 
escola de Gongora, influencia de que raríssimos conseguiram salvar-se indem- 
nes. Silveira foi uma victima dos defeitos da sua epocha, de que não se res- 
gatou por falta de um talento excepcional, á semelhança de um astro que frou- 
xamente rompe as caliginosas nuvens que empanam a sua claridade. 

Em 1897 publiquei um breve estudo sobre Delgado, onde exarei a im- 



'< NOTK !\ Al ERGA l>\ Vlli\ E OURAS Hl. JOÃO 



pressão <iue recebi directamente da leitura dos seus elegantes e conceituosos 
estudo que refundo e amplio agora, não duvidando reforçar o parecer 
que então emitti e que se acha expresso nas seguintes palavras: 

«Efectivamente a poesia de Delgado t . ■ 1 1 1 o quer que seja da sublimidade 
da Biblia, o que, se em grande parte é resultado do seu talento, é devido tam- 
bém á alteza da matéria. O pensamento é levantado e a forma coaduna-se com 
a majestade do assumpto. verso é harmonioso, a linguagem é casta, o es 
tylo é terso e puro, despido dos arrebiques da epocha. O maior elogio d 
está em haver-se afastado do culteranismo que então dominava. \ versificação 
é elegante e donairosa, tanto nos versos decasyllabos, como mis versos de arte 
menor, mas embora titubeasse na escolha, njío deixaria de dar a preferencia 
ãs quintilhas, onde me parece existir mais concisão e vigor, como quem tra- 
duz ao vivo a expressão do propheta. Aqui dou um trecho para confirmação 
e amostra: 

Ó vos otros, que passais, 

Y el estremo, a que é llegado, 

Por dicha, no imaginais, 

Yuestro passo apressurado 
Teneil, por ijue me veais. 

De vuestra lastiriw fio, 
Que si con el Oceano 
No pucde medirse un rio, 
Digaes, que dolor humano 
No puede, igualarse ai mio. 

De aquello, que se edifica, 
\ más su firmeza alaba, 
Su tin la fama publica; 

Que. lo que el tiempo fabrica 
El mismo tiempo lo acaba. 

No fuí- mi ruína assi, 

Que ai punto que me olvide 

Del cielo, a quien offendi, 

Sin tiempo el tiempo llamé, 
Para vengarse de mi. 

Llamandome santidad 

Los efetos de mis manos 
Eran justicia y verdad; 
Mas, como se an buelto vanos, 
Seguieron la vanidad. 



i'ici\ aii iu:\ n\ \in\ i. 



li, 



Llorando el dano Israel 
Del incauto atrevimiento 
Del ídolo de Betei, 
Yo en lugar de escarmiento, 
Segui los errores dei. 



Yo fuy la vifia cercada 
Y dei rocio celeste 
Era mi planta bailada; 
Mas. siendo mi fruto 

Fuy de gentiles pisada. 



A minha opinião coincide em mais de um ponto com a do sr. D. Marcelino 
Menendez y Pelayo, o que não é para extranhar, sendo certo que o illustre 
cathedratico não fez outra coisa senão corroborar o juizo critico de outros es- 
criptores que o precederam. O coro dos elogios é geral e não sei de nota dis- 
cordante, facto deveras singular, se por acaso não é único, nos annaes da 
litteratura. O bom do Homero dormitava algumas vezes, e não ha génio em 
cuja pliotosphera, intellectual e estlietica, não se notem manchas. É que na es- 
tructura poética de Delgado não ha d'essas irregularidades que nos pertur- 
bam, d'essas fulgurações que nos assombram. 

Da obra do sábio professor, Historia de los heterodoxos espafioles, vol. u, 
pag. 006 e seg., vou trasladar o que escreveu acerca do nosso conterrâneo, 
a quem colloca entre os judaizantes: 

«Mucho más que Rodriguez de (lastro l vale como poeta Moseh Pinto Del- 
gado, português tambien aunque no usó en sus obras impresas otra lengua 
que la eastellana. Ilabiase llamado entre los cristianos Juan, y huyendo de 
la Inquisicion, fué á parar á Francia, donde estan impresas sus obras, sin 
ano ni lugar, dedicadas ai Cardenal de Richelieu. - Contiene este tomo, aparte 
de varias canciones y poesias sueltas, un Poema de la Reina Ester, en sex- 
tettos; La Historia de Ruth, en redondil las, y una paráfrasis de las Lamenta- 
tiones de Jeremias, en quintillas. El sentimiento elegíaco predomina en Moseh 
Pinto Delgado, sin que le falten condiciones descriptivas. Está más feliz cuando 
traduce las sagradas escripturas, ó se inspira en ellas, que cuando escribe 
de cosecha própria. Se distingue por el buen gusto continuado en el estylo 
y en el lenguaje, sin que sean apenas visibles en sus delicados versos las 
huelas de afectation y culteranismo, de que apenas se libro ninguno ingenio 



: Refere-se a Estevão Rodrigues de (lastro, poeta e medico portuguez. 
íEm8.°, 366 pag. 



(7) NOTICIA ACERCA DA VIDA I OBRAS Dl JOÃO PINTO DELGAI 



de entonces. En [a versificacion es diestro y fácil mostrando cierto amor y 
gasto especial por los metros cortos á la manera de los antiguos Caucione- 
ros. No desdena 3 por eso, qí se muestra torpe en el uso de los endecasilabos 
de la escuela de Garcilasso. Como poeta de índole tierna y apaciblé consi- 
gue remedar bien el idealismo de Petrarcha; pêro interesa j commueve más 
cuando Hora sus próprias desdichas 3 se dirige ai SeSor con arrebato mís- 
tico, y exclama : 

Del tesoro infinito 

|i>' tu divina lumbre 

Á mi noche : Sefior, um rayo envia. 

Sea tu santa inspiracion mi guia, 

Que entre |a luz dei amoroso fuego, 

Me liame en el desierto, no cursado 

De mundana memoria: 

Alli desnudo, j >« > r tu causa ''1 ciego 

Velo de error, el habito pasado, 

Dichoso suba i contemplar tu gloria, 

Donde mi sér por milagroi 

Ya\ si transfon 1 soberano objeto. 

«Nunca se elevo ;i más altura Moseh Pinto Delgado; mítica hizo tan era 1- 
larda muestra de su fluidez métrica y de la viva penetracion que tenia de 
las cosas bellas, como en srj parafrasis de los Trenos de Jeremias, que es la 
mejor corona de su memoria. Apenas hay mejores quintillas en todo el siglo 
xvu y de Gjo ningunas tan sencillas, inspiradas y ricas de sentimiento: 

Qual desventura, oh ciudad, 
Ba vuelto en tan triste estado 
Tu grandeza y majestad, 

Y aquel palaeio sagrado 
En estrago y soledad .' 

Quien a mirarte se inclina 

V tu.- muros derrocados 
Por la justicia divina. 

Que no vea en tus peccados, 
La causa de tu ruina? 

Qual pecado pudo tanto 
Que no te conosco agAra? 
Mas no advirtiendo me espanto: 
Que tu fuiste peccadora, 
I i]ui''n te ha juígado. Santo. 



NOTICIA ICERCA DA VIDA l. OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO (8) 



La causa por que caiste 
Y por que humildo baxaste 
De la gloria en que te viste, 
Fué la verdad que dexaste 
La vanidad que seguiste. 

Lloren, alfui. entre tanto 
Que no descansa tu mal, 
I obliguen ai cielo santo 
Que no puede ser el llauto 
Á sus delitos igual. 

Antes de proseguir seja-me licito observar que o sr. Menendez y Pelayo 
não teve presente a edição princeps, que eu considero única, deixando-se por- 
ventura guiar, sem lhe fazer referencia, por D. José Rodriguez de Castro, que 
diz que as obras de Delgado foram impressas sem declararão de logar nem 
auno, n'um volume de 3G6 pag. em 8." 



II 



Se os pareceres dos diversos escriptores se harmonizam com respeito 
aos merecimentos poéticos de João Pinto Delgado, pelo contrario vêl-os-hemos 
em sensível discordância com relação á sua vida e bibliographia. 

Diogo Barbosa Machado na sua Biblintlteca Lusitana é quem nos offerece 
mais amplos dados, parecendo, pelas suas minúcias, tel-os bebido em memo- 
rias contemporâneas ou de algum informador tradicional de toda a confiança. 
Não indica expressamente quem fosse o confidente, mas, citando em primeiro lo- 
gar, entre os auctores que se occupam de Delgado, a João Franco Barreto, tudo 
leva a crer que da sua Bibliotkeca Portugueza extractasse os respectivos por- 
menores. A obra de Barreto ficou inédita, ignorando-se o seu ulterior destino, 
e a sua perda seria assas deplorável, se Barbosa, como elle próprio lealmente 
affirma, não a tivesse quanto possível utilizado. 

Passarei a reproduzir o artigo da Bibliotheca Lusitana, para fazer depois 
os indispensáveis commentarios: 

«João Pinto Delgado, natural da cidade de Tavira em o reino do Algarve, 
Provedor da pedra, que se mandava para a praça de Mazagão. Foy dotado 
de tão prodigiosa memoria que ouvindo qualquer sermão o recitava e escrevia 



(9) noticia Acerca da vida e obras de joIo pint slgado 



sem lhe faltar a menor palavra, assistiu alguns annos em Roma e Flandres 
onde deixou celebrado o seu nome pela viveza do engenho e particular génio 
que teve para a Poesia Sagrada e Profana. Morreu junto do anno de 1590, 
quando contava cincoenta d lade. 

Custa a comprehender como Barbosa -Machado, e i i elle mais alguns 

dos nossos bibliographos, incorressem do grave anachronismo de attribuir a 
João Pinto Delgado uma obra publicada em 1627, quando davam o seu an- 
dor fallecido em 1590. Este lado só poderia acceitar-se no caso da obra sa- 
hir posthuma, o que é absolutamente inadmissível, pois o mesmo que a rubri- 
cou com o seu nome a dedicou ao Cardeal de Richelieu, que só alcançou este 
titulo em Uri:.'. Sr Barbosa lovc em suas mãos os poemas de Delgado, que 
descreve alias com alguma exactidão, de certo que os percorreu muito per 
functoriamente, de outro modo oão teria cabido em tão evidente equivoco. 

Não pode haver duvida acerca da existência, no terceiro quartel do sé- 
culo xvi, de um João Pinto Delgado, exercendo funcções publicas qo Algarve, 
e até parece que Barbosa teve conhecimento, directo ou indirecto, dos diplo- 
mas officiaes que lhe dizem respeito e que dão plena autlientieidade às in- 
formações da Bibliotheca Luzitana. 

Effectivamente, a 10 de agosto de 1578, era assignada uma carta régia, 
pela qual se nomeava a João Pinto Delgado «para servir por três annos o 
cargo de feitor de cal e munições, que do reyno do Algarve se enviam para 
os logares d'Africa, isto depois de acabado o provimento de Diogo Lopes de 
Sequeira.» 1 Duas cartas de quitação vêm demonstrar que elle desempenhara 
outras commissões, muito provavelmente correlacionadas com o seu cargo 
principal. A primeira, de 15 de novembro de 1389, dava-o quite pelas verbas 
que recebera e dispendera em dinheiro e em géneros, na qualidade de feitor 
da cal no reino do Algarve, de outubro de 1579 a julho de 1586. 2 a segunda, 
de 3 de dezembro de 1587, dava-o quite pela quantia de 1:409#000 réis, rae 
dispendera. por ordem do governador do Algarve, Fernão Telles de Menezes, 
no provimento da gente que foi em soccorro da Villa de Lagos. 3 

João Pinto Delgado devia ser fallecido approximadamente em 1592 ou 
poucos annos mais tarde, porquanto, em carta de 16 de dezembro de 1599, 
seu filho Gonçalo Pinto Delgado era nomeado paia substituir o pae no cargo 
de feitor de cal e munições que do reino do Algarve vão para os logares de 
Africa. Nesta carta se fazem duas declarações importantes: a primeira é que 



1 Vide documento n.° 1. 
Vide documento n.° 2. 
; Vide documento n." 3. 
lliM' R -Mkm. i>a Ar.AU. — ToMn xn. Paute h. N.° 1. 



10 NOTICIA ACERCA DA VIDA E OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO (10) 

o Duque de Medina SidoDia promettera a João Pinto Delgado, quando este 
morresse, o oflicio para o filho; a segunda é que este estava exercendo o 
cargo havia oito annos, talvez por simples impedimento do pae e não ainda 

por suí rte. Como quer que seja, a epocha do fallecimento de João Pinto 

Delgado oão se distanceia muito da que lhe marca Barbosa Machado. 1 

Em carta de 19 de janeiro de 1588 foi dada serventia do oflicio de al- 
moxarife da cidade de Tavira a João Delgado, residente na mesma cidade. 

Destruída, por completo, a idealidade entre o leitor algarvio, do terceiro 
quartel do século xvi, e o poeta de La Reina Esther, resta saber se não houve 
um dualismo poético e se o primeiro, apesar da prosa do seu tracto, não foi 
também um cultor das Musas. Esta hypothese não é destituída de fundamento, 
não é supposição imaginaria, antes temos a coníirmal-a, e a dar-lhe créditos 
de authenticidade, um interessante testemunho contemporâneo. 

\os oito dias do mez de novembro de 1585, um Balthasar da Costa, que 
regressara de Anvers, veiu delatar perante a Inquisição muitas coisas que ou- 
vira n'aquella cidade a diversas pessoas, com quem alli mesmo convivera. A 
sua denuncia, como é de suppôr, tresanda por todos os poros a judaísmo. O 
que interessa mais de perto ao nosso caso é o que relata a propósito de um 
Gonçallo Delgado, filho de João Pinto do Algarve, morador, ao que suppunha, 
em Villa Nova ide Portimão), homem de habilidades, a quem el-rei dera um 
oflicio na Alfandega e que era grande trovador. Gonçalo Delgado, a chama- 
mento do pae, viera para Portugal, trazendo comsigo a mulher, com quem 
havia casado de pouco. Balthasar da Costa reportava-se a successos decorri- 
dos três annos antes da sua denuncia. 

Apesar de ser bastante vago e até indeciso nas suas declarações, o es- 
sencial do depoimento de Balthasar da Costa não pode deixar de ser tomado 
no devido apreço e por elle ficamos sabendo que João Delgado gosava da 
fama de grande trovador, podendo d'aqui, sem grande risco, deduzir-se, que 
houve uma família de poetas d'aquelle appellido. 2 João Pinto Delgado, o tro- 
vador do século xvi, não é por consequência um mitho, sendo para sentir que 
não chegassem até nós as suas producções, pelas quaes podessemos avaliar os 
seus merecimentos poéticos, e até que ponto era justa a fama que lhe attri- 
buiam os seus contemporâneos. Emquanto ao seu homonymo do século xvu 
procuremos colligir os pormenores biographicos, mais incertos sem duvida que 
as provas da sua alta valia litteraria. 

Em alvará de 12 de agosto de 1602 foi nomeado João Pinto Delgado, por 
espaço de três annos, para o logar de almoxarife dos mantimentos e pagamen- 



1 Viilò documento n.° 4. 

2 Vide documento n.° 5. 



(11) NOTICIA ACERCA DA VIDA E OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO II 

tos de Mazagão, altendendo a que havia já mais de sete que servia n'aquella 
praça com anuas e cavallo. Entrou a exercer o ofíicio ao primeiro de abril 
de 1603, permanecendo a'estas funcções, pelo menos, até ao fim de agosto de 
lt;<»7. segundo consta da carta de quitação que Ibe foi passada do primeiro 
de agosto de 1613. ' 

Seria este individuo o auctor do Poema de la Reyna Ester? Seria filho des- 
cendenti ou parente próximo do feitor algarvio? Não me atrevo a affirmar 
coisa nenhuma em definitivo. O que sei f que três annos depois d'aquella 
carta régia appareceram em Lisboa duas manifestações poéticas de João Pinto 
Delgado. São ambas de pequeno fôlego e fazem parte dos versos laudatorios 
que antecedem dois livros religiosos, um em prosa, outro em verso. 

Em Hilii sahiu dos prelos de Paulo Craesbeeck um livro em 'i." assim 
intitulado: Consolação christã e hiz para o povo hebreu, etc. Seu auctor cha- 
mava-se João Baptista d'Estè, e era judeu converso, tendo sido baptisado por 
|). Theotonio de Bragança. Aqui deixou Delgado um Madrigal em portuguez. 
Os outros poetas que juntamente com elle collaboraram no encomiástico flori 
legio foram: Francisco .Nunes d' Ávila, António Gomes de Oliveira, Paulo Gon- 
çalves de Andrade, Jerónimo Freire Serrão, etc. 

No mesmo anno imprimiu Pedro Craesbeeck, n'um volume em 8.° de xi 
preliminares innum., 180 foi., e mais \ de errata, o Poema mystico ih! glo- 
rioso Sancto António de Pádua, de Luiz de rovar, em treze livros mi cantos 
de oitava lima. No verso da errata: «Acabose de imprimir este libro con to 
das las licencias uecessarias, a í de março de 1616. Lisboa, lai la oflicina de 
Pedro Craesbeeck.» 

As preliminares comprehendem: licenças, taxa, a Nuestra Senhora dePAm- 
paro; poesia latina de Francisco Soares, da companhia de Jesus, sonetos de 
António Gomes de oliveira, de A.ffonso Feliciano de la Vega, de Paulo Gon- 
çalves de Andrade, de João Pinto Delgado, de Manuel Fernandes; prologo ai 
lectar. onde se refere aos que escreveram de Santo António e a Mateo Aleman. 

A poesia de Delgado é um soneto em bespanhol. 

Em Iti-JT achava-se elle em França, residindo provavelmente em Rouen, 

onde existia então uma importante colónia de lieltraizanles portuguezes. N'esta 

cidade publicou o seu volume de versps dedicado ao cardeal de Richelieu, que 
obteve esta dignidade ecclesiastica em 1622. Do exame do livro nada resulta, 
d'qnde se possa aferir a qualidade de relações entre o poeta e o seu Mi 
se a dedicatória era o reconhecimento de nu rcê recebida, ou simples me- 
morial a despertar a generosidade do eminente ministro; se o nosso compa- 
triota havia prestado algum serviço á corte de França ou se estava prompto 



Vnli' ili.iruuM'iit » n." li e 



12 NOTICIA ÍCERCA DA VIDA E OBRAS DE IOÃO PINTO DELGADO (12) 

a fazel-o. Apenas se colhe da prosa de Delgado, não menos elegante que os 
seus versos, que eslava disposto a cantar as acções do exímio estadista, pro- 
messa que nunca chegou a realisar, não havendo até ninguém, creio eu, que 
a ella se refira. Descontentamento por falta de estimulo? confiança trahida? 
esperança desenganada? Talvez. 

Os quatro sonetos laudatorios, que antecedem os versos de Delgado, po- 
deriam projectar alguma luz, ainda que ténue, sobre a sua biographia, mas, 
infelizmente, são anonymos, e assim ficamos privados de saber d'estas reia- 
ções pessoaes, constando-nos apenas dos três amigos que o thuriferam que 
um era de Rouen e o outro de Madrid. 

Não obstante ter collaborado em livros mysticos, como os dois que apon- 
tei acima, Delgado não se julgaria sullieientemente a coberto das suspeitas do 
Santo Oflicio, e, para evitar o faro dos seus esbirros, teve por mais prudente 
refugiar-se no estrangeiro, d'onde o estariam chamando as vozes saudosas dos 
amigos, parentes e correligionários. Liberto do pesadelo inquisitória! ponde 
voltar á lei primitiva, trocando o nome de João em Mosche ou Moysés. 

Innocencio Francisco da Silva, que nunca teve ensejo de vèr a edição de 
Rouen, e por isso lhe deve ser desculpada a maneira menos criteriosa com 
que trata este assumpto, reproduz os erros biographicos de Barbosa, a quem 
nota não ter falado na apostasia do poeta, quando por certo lhe não era des- 
conhecida. Innocencio, porém, esqueceu-se de nos indicar quando e como se 
deu este facto e qual a auctoridade em que se baseia. 

No supplemento ao Diccionario, vol. x, o seu continuador, aproveitan- 
do-se dos apontamentos de Innocencio, volta a falar de Delgado, sendo de 
pouca monta o que amplia e esclarece. Diz que no Catalogo de Isaac da Costa 
vem descripto um exemplar do Poema de la Reúna Ester, classificado de ra- 
ríssimo; manda vêr os elogios que De los Rios consagra ao auctor, e diz final- 
mente que Salva dava vivo o poeta em 1627. A este ultimo ponto redargue 
Innocencio, desculpando-se: «Assim será. O erro porém se. o é, observa em 
suas notas o auctor d'este Diccionario, também se encontra na Bibliotheca Lu- 
sitana.» 

Eu não duvido da mudança de crença de João Pinto Delgado, antes a 
julgo um caso naturalíssimo: um argumento a favor d'esta hypothese é elle 
ter sido amigo intimo de Zacuto Lusitano, com quem de certo conviveu na 
Hollanda. Em 1029 começou a publicar o illustre medico em Amsterdam a 
seguinte obra: De medicorvtn principvm, libri sex, e entre o coro numerosís- 
simo dos Iouvaminheiros, tanto em prosa como em verso, destaca-se Delgado, 
com um soneto em hespanhol, com estrambote, por baixo do qual se vè esta 
legenda: In observantiw et amoris gratiam scribebat amicissimus et perdoctus 
Joannes Pintas Delgado. 



13 NOTICIA VCEW \ DA VIDA 1 OBRAS hl. KUO 1'1N1 U 

O que se me afigura digno de estranheza éelle nem sequer n-estes ver- 
sos ter posto o nome de Mosche, que lhe dà Miguel de Barrios no ( rodelas 
Musas, como se vê: 

Del poema de Esthei 

Mosche Delgado dá esplendor sonoro, 

V correu con su voz en ricas plantas 

De Jeremias las endechas santas. 

Foi o meu amigo ecollegaDr. Maximiano de Lemos, um infatigável in- 
vestigador da historia da medicina portugueza, quem me tndicou a existência 
d' S soneto na sua monographia acerca de Zacuto Lusttano publicada no 

Sem 1909. Desejando saber qual era o volu à* De MedKorvmpnnc 

Zn historia, em que appareceu o soneto de Delgado, pois era um elemento 
Suciai para determinar o período em que ainda vivia o poeta, respondeu o 

m ;.u douto confrade que oão lhe fora possível, ri Marte as activas ili 

gencias que empregara, examinar as primeiras edições das seis P^d»obn 
de Zacuto, mas que certamente os versos teriam apparecido em 1637 ou 1638 
quando se publicaram as ultimas, a partir .la .... Na n. .mpressa em 1636, e 
Joe não vêm, como teve occasião de verificar por exame directo 

Embora este ponto não esteja positivamente liquidado, e ora .1. duvida 
que João Pinto Delgado ainda vivia dez annos depois da publicação do seu 
, vr „ ,,„ Rouen, ignorando-se, porém, em que se occupara a sua actividade 
duran te este lapso de tempo, e se ao cultivo das musas se entregara com par- 
ticular affecto. Onde e quando exhalou o ultimo suspiro, nao ha epitaphio, nem 
obituário que registem estas particularidades. 

A Enwlopedia Judaica j The l wish Encyclop, die , vol. iv, consagra um 
artiíf0 a Delgado, onde traz pormenores que seriam interessantes e dignos 
de apreço, s não viessem de mistura com erros imperdoáveis. Assim diz qu 
nascera em Tavira em 1530 e fallecera em 1590. Como foi que este dislate 
seTropagou tão irreflectidamente atravez de tantos livros e tantos andores, 
;,„;!,„,' a obra publicada em Rouen destruía pelos fundamentos todos esses 

^ccrlscenta a mesma Encyclopedia, sem precisar a fonte de informação 
que elle cursara estudos em Salamanca, onde travara amizade com ire, Lu./. 

^ Tta asserção talvez provenha de se dizer que existe grande aflinidade 
entre o dos poetas no tocante ao vigor da forma e do sentimento religioso 
' emoora úm fosse exaltado catholico, e outro interprete exclusivo do Velho 
^ L Se Delgado, versando as estrophes do frade hespanhol, colheu sa- 
fa»*» da sua leitura, não menos aprenderia nos Versos d* 



I | XOTICIA \< Klii:.\ DA MOA E OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO (14) 

lonr de Nuesíra Sefiora, impressos em Lisboa por António Gonçalves, con- 
secutivamente, em 1572 e 1573. Este livro, no estylo e melro italiano, foi 
composto pelo Ur. Francisco Lopes, medico da rainha D. Catharina, mulher 
ili; I). Jofio III. Dizem que era portuguez, postoque unia phrase da sua de- 
dicatoria, en nuestra Espana, suscite seri,-is duvidas acerca da sua naturali- 
dade. Os auctores do Ensayo '/<■ nua biblioteca de libros raros y curiosos te- 
cem-lhe grandes elogios, rematando-os por esta forma: «el estilo y frase de 
Luis do Leon parece menos original, euando se lee este y oiros poetas que le 
precedieron." 

Delgado, se não fui amigo, teve, pelo menos, relações litterarias com os 
dois auctores supramencionados, cujas obras se publicaram em Lisboa em 
1616. De João Baptista d'Este não pude colher mais nenhum pormenor bio- 
graphico. Emquanto a Luiz de Tovar encontra-se registado, na Chancellaria 
di' I). 1'ilippe III, um alvará com loira de curta, de 8 de março de 1622, pelo 
qual se vê que Luiz de Tovar, fidalgo da casa de el-rei, filho mais velho de Pêro 
de Tovar, embarcava para a índia n'esse anno sem se designar o cargo que 
ai li ia exercer. l 

Luiz de Tovar continuava honrosamente a série de serviços prestados ao 
rei e a pátria pelos seus maiores. Seu pae acompanhava-o também á índia, e, 
por este motivo, recebia novas mercês a accrescentar a outras com que a mu- 
nificência régia o havia já premiado. 

Em 7 de agosto de 1609 era feito cavalleiro do habito de Christo, 2 sen- 
do-lhe permitlido o uso do habito de oiro por alvará de 26 de novembro do 
mesmo anno. 3 

Finalmente, em 14 de março de 1622, havendo-se-lhe passado alvará de 
lembrança da commenda de Santa Maria de Nave, no bispado de Lamego, vaga 
por fallecimento de João Moniz, «attendendo aos serviços de seu pae Sancho 
de Tovar e aos seus, nYste reino e armadas delle, e a se dispor este anno a 
ir continual-os na índia, onde deverá servir quatro annos, e voltando ou fal- 
lecendo ficará a commenda a seu filho mais velho», que deveria também ir á 
índia, se lhe conferia a effectividade da dita commenda, devendo cessar a frui- 
ção da tença que tinha. 4 

Esta tença, que eiva de 50$000 reis, lòra-lhe outorgada por carta padrão 
de 6 de março de 1610, para a usufruir com o habito, attendendo a haver-se 
embarcado em 1606 na armada com que D. Luiz Fajardo partiu de Lisboa e a 



1 Vide doeumenlo n.° 8. 

2 Torro do Tombo. Chane da Ordem de Christo. liv. 17, 11. 106 v. e 107. 
'Ideio. Idem. liv. 9. ti. 231. 

* Idem. Idem, liv. 22, A. 46. 



(15) NOTICIA ÍCERCA DA VIDA 1 OBRAS DE JOÃO PINT LGADO I 5 

lhe pertencerem, pela renuncia que Q'elle fizeram seus irmãos, os sen 
seu pae Sancho de Tovar, que foi fidalgo da guarda de el-rei D. Sebastião e 
seu copeiro-mór, acompanhando-o duas vezes á Vfrica, onde foi ferido e ficou 
captivo na batalha de Alcácer Quibir, e haver fallecido sem lograr a com 
menda de Santa Ovaia de Rio Covo, com que tinha sido despachado. ' 

Luiz de Tovar, além do Poema mystico dei glorioso Santo [ntonio, dei- 
xou outras pequenas composições i ticas, dispersas pelos seguintes livros: 

Relacion de las fiestas qve ha hecho el colégio imprimi de la compaiiia de 
Jesus de Madrid en la canonizacion de Sun Tgnacio de Loyola y San Francisco 
Xavier. Por Dom Fernando de Monforte \ Herrera. Madrid, 1622. 

Relacion de las fieslas que la insigne villa de Madrid hizo en la canoni- 
çasion ■!■ su Bienavenlurado hijo e patron Sim Isidro con las comedias que se 
representaron y los versos que en la justa poética se escrivieron. Por Lope de 
Vega Carpio. Madrid, 1622. 

Gigantomachia de Manuel de Gallegos. Lisboa, 1626. 

Varias Poesias de Paulo Gonçalves de Andrade. Lisboa, 1629. 

Todas estas poesias são em castelhano, e não sei que Luiz de Tovar es- 
crevesse qualquer outra na sua lingua nativa. 



III 



Occupar-me-hei agora da bibliographia de Delgado, que ofiferece alguns 
pontos menos claros e confusos, á semelhança da sua vida. Barbosa dá com 
exactidão, mas sem minudência, o titulo e o formato da única obra que o au- 
ctor fez imprimir. Effectivamente parece tel-a visto, ou, quando a não visse, 
guiou-se por informador seguro. Rodrigues de Castro é que a descreve de ma- 
neira que' faz suppôr a existência de outra edição. Diz o erudito hespanhol a 
pag. 506 do tomo i da sua Biblioteca Espafiola: 

«En el ano dei inundo 5482, de Christo 1722, se imprimiu en Leyden 
una Parafrasis de los Profetas mayores, escrita em Espano! por R. Isaac de 
Acosta, y publicada con estes titnlos: Conjecturas Sagradas. ■ . - 



1 Vide documento n." 9. 



te 



L CER< V DA VIDA E OBRAS DE JOÃO IMNTM DELGADO (16) 



Depois de tratar d'esta obra, occupa-se do Poema de la Reina Ester pela 
seguinte forma: 

«Por este mismo tiempo en que se dieron ã luz estas Conjecturas Sa- 
gradas, se publico, en uu tomo en 8.», con 30(5 pag., sin nota de 5 lugar ,111 
ano de la impression, el Poma de la liana Ester, Lamentatwnes dei Profeta 
Termi as, Historia de lua, .// otras poesias, que escribio en verso Juan I into 
Delgado Estas preciosas obras, que por lo sublime de su estilo, por la va- 
riedad de sus metros, y por la elegância de sus locuciones han merecido la 
acceptation de los doctos, estãn dedicadas ai Cardenal de lUcheheu, Gran 
Uaestro Supremo y superintendente general de la navegacion y Commerciode 
Francia; y por ser obras muy raras, y únicas en su línea, será agradable 
el espécimen de ellas.» 

Seguem-se transcripções bastante extensas de cada uma das partes ou 
poemas de que se compõe o livro. , 

A primeira objecção que suggere o trecho acima transcnpto e saber como 
é que Rodrigues de Castro foi collocar ao lado de uma obra impressa em 1722 
uma outra que não indicava nem logar, nem anno de impressão. Que circums- 
tancias ou que considerações o impelliram a dar-lhe esta ordem chronologica? 
Pois a dedicatória ao cardeal de Richelieu não era uma preciosa indicação 

histórica? _ ... 

A dar-se inteiro credito ao que aflirma Rodrigues de Castro, haveria in- 
dubitavelmente outra edição, mas suspeito que o seu exemplar estaria falho do 
frontispício gravado, e que lhe faltaria egualmente a folha final. Elle accusa 
366 pag , ao passo que o exemplar que possuo tem 368. 

Ribeiro dos Santos occupa-se de João Pinto Delgado nas suas Memorias 
da liUeratura Judaica em Portugal, mas vè-se que não teve conhecimento di- 
recto das suas obras, antes se guiou pelo que encontrou em Rodrigues de 
Castro. Innocencio da Silva não foi mais feliz e nada adeanla ao que escre- 
veram os seus antecessores. Nicolau António cita a edição de 1627, mas dan- 
do-lhe o formato em 4.° _ 

Domingos Garcia Peres fala da obra e do auctor, aproveitando-se do que 
leu em outros bibliographos, sem o menor indicio de exame pessoal. 

Eu possuo um bello exemplar, que mandei vir ha annos de um livreiro 
de Anvers, em cujo catalogo o vi annunciado, e em presença d'elle posso dar 
ao leitor as mais exactas e minuciosas informações. 

O volume é effectivamente em 8.°, o exame do formato e da marcação 
não deixam a menor duvida a este respeito: cadernos de 16 pag. marcados 
\ A 4 até Z Z. 4. O rosto é gravado, formando uma espécie de pórtico ou 



(17) NOTICIA ACERCA l'\ VIDA l OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO 17 

antes moldara: no topo, um quadro allusivo á historia de Esther; do lado es- 
qoerdo de quem observa, a figura de Job; do lado direito, um quadro allusivo 
á historia de Rut. io centro o titulo pela seguinte forma: 

Poema 

de la Reyna Ester 

Lamentaciones dei 

Proplieta leremias. 

Historia de Rut. //. varias Poesias. 

Por Ioan Pinto Delgado 

Al ilustríssimo, y Reuerendissimo Cardenal 

de Richelieu, Gran Maestre, Supremo 

H Supérentendiente General 

de la Nauegacion, 

1/ Comercio </< 

Francia 

Á Roven 

Na base: 

Chèz Dauid du 

Petit Vai, Imprimeur 

ordinaire du Roy 

M.DC.XXVU. 

Os primeiros •"> fólios são innumerados e conteem, além do frontispício, 
dedicatória ao Cardeal de Richelieu; ai kctor; soneto de un amigo, sumiu dei 
mismo; soneto de un amigo de Roan; soneto de un amigo asistenteem Madrid. 
A dedicatória não tem data e nenhuma das outras peças ministra qualquer 
pormenor elucidativo para a vida do poeta ou para a bibliographia da obra. 

ii Poema de la Reyna Ester, em sextilhas endecassyllabas, vae dapag. I 
até pag. III. As Lamentaciones delpropheta leremias, em quintilhas de redon 
dilha, comeram nas pag. ll-_' e terminam nas pag. 311. A Historia de Idt 
Moabita, em quadras de redondilha, de pag. 315 a pag. :íis. Seguem-se de 
pois, de pag. :i'i9 a 368, as varias Poesias, comprehendendo três canções era 
versos heróicos, intercalados de versus de redondilha, assim intituladas: Can- 
cion, aplicando misericórdias divinas, y defetos próprios a la solida de Egipto 
nsin la tierra santa; .1 la sabidvria: Cântico á la solida de Egipto. 

Em Portugal não tenho noticia da existência de eutro exemplar, além do 

Hm- f. Mem. da Acad.— Tomo mi Paute ii. N 1 



18 NuTICIA ACERCA DA VIDA E OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO (18 

meu, pelo menos em livraria publica. Salva possuía um, em não muito bom 
estado, segundo ouvi, o qual vem descripto no seu catalogo sob o n.° 881. 
Passou para a livraria Heredia, em cujo catalogo vem egualmcnte exarado. 
Na venda que d'esta livraria se fez em Paris, creio que foi arrematado por 
ordem do sr. A. Fernandes Thomaz. 

Nu Ensayo de nua Biblioteca, de Gallardo, vem também, sob o n.° 3:483, 
descripto uni exemplar pertencente á Bibliotheca do Infante D. Luiz. Não differe 
do meu. D. Àdolpho de Castro, ao falar do Poema de In Urina Ester, diz que 
estas poesias se imprimiram em Paris. Foi por certo equivoco; ninguém mais 
dá conta d'esta edição. 

Kaiserling, na sua Bibliotheca Espafíola Portuguesa Judaica, inclue Del- 
gado, indicando a edição de Rouen, sem offerecer nenhum pormenor de infor- 
mação própria. 

Ticknor, na sua Historia 'la Litteratura Hespanhola, traducção de Pascual 
de Gayangos e Henrique Vedia, em nota a pag. 182, e a propósito de Frei Luiz 
de Leon, dá um parecer altamente lisonjeiro sobre o merecimento poético de 
Delgado : 

«Al calificar de bebrea el alma de Leon, recordamos a un contemporâ- 
neo suyo, muy semejante á el en este punto, y cuya suerte fué mas singular 
y desgraciada. . . En todas ellas respira el amargo resentimiento de su des- 
tierro y hay trozos llenos de ternura y de una versificacion armoniosa y de- 
licada, traduciendose siempre el espirito hebraico de su autor cuyo nombre 
próprio era Mosen Delgado.» 

Alguma coisa, porém, se deve descontar n'esta apreciação enthusiastica, 
porque ha uma affirmativa que me deixa em duvida se Ticknor leria attenta- 
mente os versos de Delgado. Diz elle que as suas poesias são escriptas em 
coplas antiguas sonetos y otros versos ai gusto italiano. Ora sonetos é coisa 
que não apparece no livro, exceptuando os laudatorios, que lhe são dedica- 
dos pelos amigos e que vêm nas preliminares. 

Dizem Nicolau António e Barbosa que elle traduzira em oitava rima os 
Triumphos de Petrarcha, que ficaram manuscriptos, ignorando-se o destino 
d'esse trabalho, e até os fundamentos de tal noticia. 

Eis o que pude apurar até agora acerca do cantor de Esther e Ruth. A 
porta não ficou cerrada, e por ella podem entrar os que pretendam revolver 
mais a fundo a matéria, ampliando e rectificando, interpretando com mais sa- 
gacidade os dados do problema, quando o não decifrem cabalmente. No de- 
curso d'esta monographia tive ensejo de notar alguns erros e deficiências nos 
meus antecessores, o que fiz, escusado seria dizel-o, não com o vaidoso in- 



(19) NOTICIA ICERI \ DA VIDA E OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO l!» 

luito de menoscabar a sua memoria ou de deprimir as suas obi 
oas com o firme propósito de dar aos factos o inteiro cunho de veracidade. 
Estou portanto convencido que não mereço a pena de Talião e fico esperando 
que os meus defeitos sejam julgados desapaixonadamente uo tribunal da jus- 
tiça benévola. Com isto não se melindrará o meu amor próprio, e a] 
minha intelligencia ficará resignadamente triste, por não subir tão alto, pelo 
débil das suas azas, a nivelar-se com o vôo dos mais. 

Delgado não honrou com as suas producções o Parnaso portuguez, o que 
não quer significar que elle menospresasse, como filho ingrato, a terra que 
lhe foi berço. Se preferiu á lingua de Cervantes á de Camões, não foi, creio 
eu, por ter mais affecto á Hespanha, pois o fanatismo hespanhol não era me 
nos intolerante contra os descendentes da rara precita. Os hebraizantes lusi- 
tanos não se envergonhavam d'esta designação, antes se orgulhavam d'ella, 
como o attestam Amato, Zacuto, Samuel Usque, além de outros. 

Delgado seguiu a corrente dominadora da epocha. O idioma castelhano 
preponderava em toda a península, então unificada, e havia-se vulgarizado em 
outros paizes da Europa, chegando a ser muda na corte de França. A littera- 
tura hespanhola attingira o seu máximo explendor, exercendo uma attracção 
poderosa. O iberismo litterario fora mais intenso e duradoiro que o iberismo 
politico. Durante os séculos xvi e xvii a maior parte dos nossos escriptores 
collaboraram nos dois idiomas, havendo alguns que fizeram emprego exclu- 
sivo do hespanhol. D. João IV, apesar de ser o chefe e o symbolo da nossa au- 
tonomia, escreveu em castelhano a Defensa </<■ tu musica. 

Se tivéssemos de condemnar Delgado, por este delicto, muitos seriamos 
réos que lhe fariam companhia. Na mesma penalidade seriam incluídos os 
que compuzeram em latim, defraudando uns e outros as lettras pátrias. De 
alguns d'elles pouco nos deve importar a sua infidelidade, porque nem a lit- 
teratura portugueza perdeu, nem a hespanhola ganhou com as manifestações 
do seu estro, já de diminuta concepção, já contaminado pilo gongorismo ou 
outros vicios de natureza idêntica. V deserção de Delgado, porem, é muito 
para sentir, pois o seu talento não se havia de mostrar menos fulgurante na 
pratica da nossa lingua. Deixando de sei- [mela portuguez, não deixou de ser 
um dos bons engenhos da nossa teria. Vestiu o seu pensamento de forma es- 
tranha, mas o vestuário estrangeiro não desnaturaliza o homem. 

A poesia mystica está em decadência, como está decahindo o sentimento 
religioso de que ella é filha primogénita. A theologia vae sendo substituída 
pela sciencia das religiões. Atravessamos um período agudíssimo, de crise 
moral, cujo termo e cujas consequências são difficilimas de prever. Qualquer, 
porém, que seja o seu resultado, a poesia religiosa, que ião vasto logar occupa 
em todas as lilteraturas, nunca deixará de ser devi l imente apreciada, já pela 



30 NOTICIA ACEHCÀ DA VIDA E OBHAS DE JOÃO PINTO DELGADO (20) 



soa forma eslhetica, já pela vehemeDtía ou doçura da sua inspiração, já por 
exprimir um especial estado d'alma da humanidade inteira. Delgado não será 
porventura uma estrella de primeira grandeza ua constellação onde fulguram 
s. João da Cruz, Jacopone de Todi, Santa Theresa, etc, mas pode seguir, sem 
medo, no rumo da poesia religiosa, porque os seus versos não o deixarão res- 
valar ao abysmo do insondável esqoecimento. 



IV 



Poesias avulsas de João Pinto Delgado 



Madrigal no livro de João Baptista dEste 

Mostrando-te Baptista, a fé a escada, 
Da terra levantado ao céo subiste ; 
Altos mysterios nella descubriste, 
Que só podes tocar n'arca sagrada. 

No sol diuino a vista penetrando 
Firme no objecto a caridade ardente; 
Que a seu fogo se inclina o raio santo : 
Milagrosos efeitos vás mostrando 
E d'armonia angélica contente 
Levas o coração com doce espanto. 

Qual mais suave canto 
Levou pedras trás si ? mas so puderas 
Tanto alcançar, que da celeste boca 
O canto entendes que altamente toca 
N*arpa do céo as cordas das espheras. 



Soneto no «Poema Mystico dei glorioso Santo António* 

Sujeto es tu pluma, el que pudiera 
Honrar a Esmirna, y dei faborecido 
Rompes con luz la nube dei oluido 
Que le encubrió la imagen verdadera 

Este es el dia, quando António espera 
(Seraphin en amor todo encendido) 
Que quantos ven dei Sol la tuba, o nido 
Sigan alegres su real bandera, 



(21) 



\nni:i.\ mi u<:\ n\ \in\ i: i.huas ih J"\h i-inth iiki.i.aiki 



Paloma subes de la tierra ai ciclo, 
Vngi l desciendes, por moslfar la gloria, 
Que i M extasi suspen Ic 1 1 pensamienlo 

Felice fue la voz, felice el bu 16, 
Que consei uando eterna tu memoria, 
Te guarda, alta deydade, eterno assiento 



Soneto nas obras de Zacuto 

Cármen Hispano s< i miti Lusilan 

Mr.lt, -i et Philosophi praeclari 

Enfermo el hombre dei primo peccado 
Exprimenta su mal, muriendo muere, 
Alta piedad, que su Qagueza inliere, 
El bien le ofrece de su antiguo estado. 

Mirando ariba alcansa el mismo grado. 
Que ya per jiera, el alma quando quiere, 
Y el cuerpo, per que el dan'e se modere, 
Mira en plantas secreto reseruado. 

Estas virtudes dos en ti contemplo, 
Saldo Zacuto, ai nombre merecidas, 
Con que adquieres desde oy premio infinito. 

El camino enseiíando de dos vidas, 
La eterna con diuino j santo exemplo, 
La humana, con la lengua, y con lo escrito 

Y pues en lo linito 
Con tu saber lo radical dilatas. 
Son ai sumo obrador tus obras gratas. 



I antim el amuris gratiam sevibebat, amicíssimas et 
perdoctus Joannes Pinlus Delgado. 1 



1 De regresso de uma viagem a Paris, onde foi com o principal intuito de estudar os mss. 
do dr. A. N. Ribeiro Sanches, o erudito professor, meu particular amigo, dr. Maximiano de Le- 
mos, escreveu-nie uma carta em data de ;t de junho, na qual me diz que, tendo ensejo de ver a 
1." edição das obras de Zacuto, verificara que o soneto de Delgado está no vol. m, impresso em 
1037. D'aqui julgo poder concluir-se que o porta amda vivia por estes annos. 



NOTICIA ACERCA DA VIDA E OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO (22) 



Poesias avulsas de D. Luiz de Tovar 



Cancion Real, na «Relacion de las fiestas. . .<> de Monforte y Herrera 

Al Rey nuestro senor 

en la canonisacion de quatro Santas Espanholes ' 

Tu en breues dias, Príncipe excelente, 

tu en quanto el fuego abrasa, o el elado 

Polo hase ofensas a contrario suelo, 

temido en nombre, en obras admirado, 

que de Ocaso mayor nasciste Oriente, 

vistiendo luzes ai confuso velo, 

tu a quien destina el cielo 

eternidades, si ai valor que admira, 

breue espacio el Sol gira; 

pues ai principio de capases aíios 

ilustras desenganos, 

a cuya admiracion quedo vencida 

la misma muerte que te ofrece vida. 

Ya triunfando dei tiempo te sublimas 

a empresas altas, y el valor que heredas, 

mayor que en tu ascendência en ti contêplo, 

porque ai que beve el Nilo vencer puedas 

glorioso, y el govierno vil oprimas, 

dei dueíio impio dei sagrado templo : 

que mas constante exemplo, 

que las Deidades quatro, a que oy levantas 

adoraeiones santas? 

y ai holocasto, ai esplendor suave 

Gerarquia mas grave. 

Felipe es dueíio (dise) d'esta hasaíía 

Por tal veneracion gloriosa Espana. 

Augmentan sacro honor a tus divisas, 

Protectores divinos, por quien subes 

A nuevas aras de piadoso officio, 

Mira tu nombre, emulacion de nubes, 



1 As canções sobre esta parte do certamen foram poucas, pêro algunas tan valientes que 
valen por muchas. Laurearam-se en primero lugar las de D. Luis de Tovar. 



,>:; 



PJOTN IA VCERCA DA VIDA E OBRAS DE IOÃO PINTO DELGADO ~2'.] 



que astros imprime», quando applausos pisas 

premio ai zelo, ai cuydado, ai ben 

el cielo está propicio 

a tus acciones, si en su trono espiran 

(los Santos que oy admiran) 

opulências ai Reyno, a ti prudência 

con alta providencia, 

que reinar con principio tan dichoso, 

es vaticínio santo a fin glorioso. 

Nobles insígnias, que el terror ostentan 

de la sacra tiara solamente 

lisonj i sean donde acaba el dia 

si quatro santos gosas felismente 

ya columnas divinas que sustentan 

cl peso a tu christiana monarquia, 

Francisco diuidia 

Mares, y en ellos a tu império sacros 

erigio simulacros : 

Ignacio a tu valor valor reparte 

porque excedas a Marte, 

('dória Isidro te dá, Theresa augmentos 

de tu emisferio unidos elementos. 



Cancion en la «Relacion de las fiestas. . . » de Lope de Vega 



Tv claro sostituto, 

Del que vio en el Tabúr luz scintilãte, 

Tu que dás en tributo 

Quatro basas a Iglesia militante, 

Ya divino ornamento 

A piedra triangular de su ciiniento. 

Tu sábio Palinuro, 

Que incultos mares con valor nauegas, 

I en el timon seguro 

No lemes Sirtes, pues ai cielo entregas 

Naue que firme subes 

i ■ indo estrellas, despreciando nuucs. 

Tu Gregório, que imitas 

Al Magno, ya en el nombre, ya en las obras. 

Y en terror precipitas 

Primera causa de la culpa, y cobras 

La oueja que baiana 

Presa cn cadenas, de la culpa esclaua. 



24 NOTICIA ACERCA DA VIDA E OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO (24) 



Hcligiosa se humilla 

Madrid de tanto Príncipe excelente 

Madre si en grave silla 

Higes de inmenso pielago el tridente, 

V el nombre tuyo aclama, 

Con voz de hierrn. leifgua de la fama. 

Gracias, ó Padre, tantas 

Te dá, quantas oy Aras de excelência, 

A la virtud levantas 

Con auxilio, q en llamas fue assislceia 

Que el que eterniza a tantos 

Veneracion merece entre los Sanctos. 

Ya ducno de la llave 

Celeste, vendra dia a gloria tuya, 

Que adoracion suave 

De Aroma Altares sacros te construya, 

Ofreciendo propícios 

Votos, y a tu memoria sacrifícios. . . 



Soneto na «Gigantomachia» de Manuol de Gallegos 



El Pelio coronado de profano 

Esquadrou ai Olympo sacro ofende; 

Pêro en castigo el Etna ai jasan prende 

Que en vano tiembla, y fuego anliela en vano. 

Por priuilegios de tu culta mano 
Discantando este horror ai cielo asciende 
Cilhara, que por tuya enel suspende, 
Lo mortal transformado en soberano. 

Júpiter vibre la serpiente trina 
Haziendo en Niza a la Typbea cama 
Meta, que el mar infame con su spnma 

Que tu, felice ingenio, a tal ruyna 

En quanto biua el mundo darás faina, 
Digno tropheo de tu heróica pluma. 



(25) noticia Acerca da vida i: obras de joão pinto delgado 25 



Soneto nas «Poesias Varias» de Paulo Gonçalves dAndrada 

Canto sonoro, ó Lauso, en quanto fundo 
Nue\ i Di ida i de Apolo en tu instrumõto 
Dando lisonjas, culto, ai pensamiento, 
Hasta que a Marte cantes furibundo. 

Meta a tu vOs l"s términos dei mundo 
Son, si escuchando el admirable acento 

■ i. 'ii dei dolor, quietud dei \ iéto) 
La fama te venera sin segundo 

De artificiosa ditara <■! ofiQcio 

Admire dulcej que siguro puedes 

Gozar dei tiempo aplausos que te ordena, 

Dedique a Anuir acciones tu exercício 
(Jue si escrivicndo dei su império excedes, 
Serás cantando Orfco de ln> penas. 



llisr. f, Mem. ha Acad.— Tomo mi Parte u. N 1 



DOCUMENTOS 



N.° 1 



Depoimento de Balthasar da Costa, perante o Santo Officio, 
acerca de João Pinto Delgado e de sen filho Gonçalo 



«Aos oito dias do mes de novembro de mil e quinhentos oitenta e cio 
quo annos em Lisboa nos estaos na casa do despacho da Santa [nquisiçam 
estando ahy o padre Jorge Sarrão deputado do concelho geral e os senhores 
inquisidores pareceo sem ser chamado Baltasar da Costa. • . disse que hauera 
agora três annos pouquo mais ou menos que estando elle confesante em En- 
tes como tem dito atraas tinha conuersaçam com Gonçalo Delgado christão 
nouo mancebo solteiro filho de hun João Pinto do Algarue nam sabe bem certo 
de que lugar e morador mas que lhe parece que em Villa Noua e ouuio di- 
zer que tinha seu officio em Alfandega e que era grande trouador e que por 
suas abilidades ouuera hum oflirio ou dous delRej o qual Gonçalo Delgado 
estava en Envés em casa de hum seu tio cujo nome lhe nam lembra merca 

dor e elle confesante conversou por tempo de hum ano com este G ;alo 

Delgado o qual lhe dise por vezes que era judeu e elle confesante lhe dise 
o mesmo de sy e por taes se conhecerão hum ao outro. E perguntado se quando 
se declarauam por judeus se esteue presente outra pesoa algua respondeo 
que alguas vezes esteue presente hum cristam nouo desta cidade cujo nome 
lhe não lembra bem mas que lhe parece que o nome hera Dias o qual disia 
la que era ourives e que fora frade de sam Francisco dos Descalsos mas nam 
lhe declarou de que conuento era mas que estiuera ja aqui no erprital de Lis- 
boa e este frade conuersaua la hum Matheus lopez filho de Toam Chilam enris- 
tam nouo morador nesta cidade a Madanela, ao qual (bana Dias que foi frade 
ouuio elle confesante dizer la em Enues que fora frade e que andaua perdido 

e que Deos o alumiara em fazer Judeu e qu sra c isto sabia delle também 

o dito Gonçalo Delgado o qual frade andaua paia se ir pêra Itália. Pergun- 



NOTICIA ACERCA DA VIDA E OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO (28) 



tado se a este Gonçalo Delgado e ao ditto foão Dias que foy frade se lhe uio 
fazer alguas ceremonias Judaicas de Jejuns ou de páscoas ou outra algua res- 
pondeo que lhe nom lembraua uerlhas fazer nenliúa ceremonia mas que de 
palaura se couuersauam lodos três como judeus e declarou elle confessante 
que estando ainda cm Enues o dito Gonçalo Delgado se ueo para este reino 
chamado de seu pay e deue de estar no Algarue onde seu pay mora e a este 
tempo era ja casado e trouxe pêra qua sua molher e que o ditto Martim Lo- 
pez filho do Chilam deue de saber como se chama o dito frade. Perguntado se 
o dito Gonçalo Delgado conuersou em Envers com alguns dos judeus portu- 
gueses que tem dito atras nesta sua confisão respondeo que não e que con- 
uersaua com os mercadores cordoueses.» * 



N.° 2 



Alvará nomeando João Pinto Delgado feitor da cal e munições, 
que do Algarve se mandam para as praças d'Africa 



«Eu elRei faço saber aos que este aluara virem que pela cõfiança que te- 
nho em João Pinto Delgado que nas cousas de que o emcarregar me serui- 
raa e o faraa como a meu serviço cumpre, e por lhe fazer mercê, ey por bem 
e me praz que elle syrua o cargo de feitor da caal e monições que do Reyno 
do Algarue se emvião aos lugares d'Africa por tempo de três annos, que se 
começará depois de Diogo Lopes de Sequeira acabar de servir o tempo que tem 
por prouisão do dia em que lhe fôr dada a posse em diãte, com o qual cargo 
averá dordenado em cada huu anuo xxxiiij bclx rs. que he outo tanto como 
com o dito cargo ouuerão os feitores que o servirão os quaes tomaraa em si 
do dinheiro que lhe fôr êtregue pêra as ditas monições, e pelo trellado d'este 
aluaraa que será registado no liuro da sua despesa pelo escriuão de seu cargo, 
lhe será leuado em despesa o que montar no tempo que seruir ao dito res- 
peito como dito hee; pelo que mando ao prouedor da comarca da cidade de 
Tauira que tanto que pela dita maneira couber entrar ao dito João Pinto no 
dyto cargo lhe de a posse delle e lho deixe seruir e aver o dito ordenado e 
os proes e percalços que lhe direitamente pertencerem, e elle jurara em minha 
chancellaria aos sãtos euãgelhos que bem e verdadeiramente o seruiraa, guar- 



Livro dos reconciliados do anno de UiGO. fl. 237. 



(29) noticia Acerca da vida r obras de ioão pinto delgado -2\) 

damdo a mim meu serviço e as partes seu direito, o qual quero que valha 
como carta etc. na forma. Jerónimo de Sequeira o fez em Lisboa a dezdagosto 
de mil b e Ixxbiij. Gaspar Rebello o fez escreuer.» 1 



\. 3 



Carta nomeando Gonçalo Delgado 
para o logar de seu pae João Pinto Delgado 



«Dom Phillipe, etc, faço saber aos que esta carta vyrem que auendo 
respeito a João Pinto Delgado, já defunto, ter seruido oito annos o ofEcio de 
feitor da cal e munições que do Reyno do Algarue se enuiâo nos lugares 
dafrica, e as boas contas que delle tem dado, e a seu filho Gonçallo Delgado 
ter seruido o mesmo ofiQcio passante de sete annos, de que também deu boa 
conta, e a promessa que o Duque de Medina Cidonya fez o anno de oitenta 
em meu seruiço por seu falecimento a hum seu filho, hei por bem de fazer 
mercê delle ao dito Gonçallo Delgado, o qual o seruirá emquanto eu o ouuer 
por bem e não mandar o contrario; e emquanto o assi seruir aueraa com elle 
cinqoenta mil rs. de ordenado em cada hum anno, que he outro tanto como 
ate ora ouue o dito Gonçallo Delgado e auia o dito seu pay quando o seruia, 
e todos os proes e percalços que lhe direitamente pertencerem, do qual or- 
denado auera pagamento na mesma forma em que te ora se pagou, e pello 
treslado desta carta, que será registada no liuro de sua despesa pello escri- 
uão de seu cargo e conhecimento do dito Gonçallo Delgado lhe será leuado 
em conta o dito ordenado com certidão do gouernador do dito Reino do Al- 
garue de como o dito Gonçallo Delgado seruio o dito cargo, ao qual mando lhe 
dê a posse delle e primeiro juramento dos Sanctos evangelhos que bem e uer- 
dadeiramente o sirua, guardando em tudo o meu serviço e ás partes seu di- 
reito, de que se fará assento nas costas desta carta. Diogo de Sousa a fez em 
1 isboa a xbj de dezembro, anuo do nascimento do nosso Sõr Jesu X" de jb c 
hi\ i 1599). Sebastião dAbreu a fez escreuer.» 2 



1 Torre do Tombo. Chancellaria de D SebastiSo o I), Hoiiri<]iii\ Doações, liv. i.'!, II 
1 I.l.iii Chancellaria de D. Filippe II. Doações, liv. 8, li 298 \ 



,'!ll NOTICIA ÂCEHCA DA TODA E OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO (30) 



N.° 4 



Carta de quitação a João Pinto Delgado 



«Dom Filipe, etc. Aos que esta minha carta de quitaçam virem faço sa- 
ber que eu mãdei tomar conta em meus contos do Reino e casa a João Pinto 
Delgado, que seruiu de feitor da cal no Reino do Algarue doutubro do anno 
de b c lxxix tee julho de lxxxbj e pella recadaçam de sua conta se mostra re- 
ceber de dinheiro dous contos nouenta e quatro mil e seis centos rs. e de 
biscouto vinte e cinquo quintaes e meo e de centeyo quarêta e três moios e 
sete alqueires e de cal mil e sesenta e dous. moios e de caruão cinco mil e 
quinhêtos e sesenta e dous sacos e outras cousas declaradas no enseramento 
da dita conta, lio que tudo despêdeu e êtregou per minhas provisões e mã- 
dados dos vedores de minha fasenda sem ficar devêdo cousa algúa, como se 
vio pella dita conta que lhe foi tomada pello cõtador Gaspar Lopes de Murga, 
e vista pello provedor Luiz Giz d'01iveira. E por tanto dou por quite e livre 
ao dito Joham Pinto do dito dinheiro e cousas acima e das mais declaradas 
no enseramento da sua conta e a todos os seus herdeiros pêra que nuca em 
tempo algum pêra isso sejam requeridos nem demãdados em meus contos 
nem fora delles por assy de todo ter dado conta com êntregua como dito lie. 
Noteíiquo assim aos vedores de minha fasenda e mãdo ao cõtadôr mor dos 
ditos cotos e a todos os corregidores, ouuidores, juizes, justiças officiaes e 
pessoas, a que o conhecimento pertencer, que assy o cuprão, guardem e fa- 
çam inteiramente cumprir e guardar sem duvida nem embargo algum e por 
firmesa d'ello lhe mãdei dar esta carta de quitaçam, per mym asinada e pas- 
sada pela Chancellaria e assei ada com o o meu sello pêdente. Dada em Lis- 
boa aos quinse dias de Novembro. Francisco de Vargas, escriuão dos ditos 
contos a fez de jb c Ixxxix.» ' 



1 Torre do Tombo. Chancellaria de D. Filippe I., liv 1, 11 256 v 



(31) NOTICIA ACERCA DA VIDA E OBRAS Dl JOÃO PINTO DELGADO 31 



Carta de quitação a João Pinto Delgado 



«D. Filipe, etc., faço saber aos que esta minha carta de quitação vi- 
rem que eu mande} tomar conta em meus contos do Reyno e casa a Johão 
Pinto Delgado, que teue cargo do provimêto da gente que o anno de b c lxxxbij 
foi ao socorro da cidade de Lagos, no Reynno do Algarue e pela recadaçâo 
d'ella se mostra receber húu coto e quatro centos e uoue mil rs, os quais 
despendeo per mãdado de Fernão Telles de Meneses do meu conselb 
vernador do dito Reyno do Ugarue cõforme a húu capitulo de húa carta my- 
oha, sem Qcar deuendo cousa algQa, como se vio per o encerramêto da dita 
conta, que lhe foi fumada pello cõtador Christouão do Garualhal e visto pello 
prouedor Luiz Giz d'01iveira. E por tanto dou por quite e livre do dito di- 
nheiro acima declarado ao dito Johão Pinto Delgado e seus erdeiros pêra que 
nuca em tempo allgufl por isso sejão requeridos nem demandados em meus 

cotos nem fora delles, por delle ter dado cota, como dito he. Noteflc isí 

aos vedores de minha fasenda e mando ao contador mor dos ditos contos etc, 
em forma Bernardo Romeu a fez a iij de desembro anno do nacimento de 
Noso Senhor Jhu Xpo de mil b e lxxxbij.» ' 



N.° 6 



Alvará nomeando Gonçalo Delgado 
almoxarife do armazém da cidade de Tavira 



tEu elRey faço saber aos que este aluará virem que avendo respeito a 
boa emfonnação que me foi dada de G.° Delgado, morador na cidade de Ta- 
vira, Reyno do Algarue, ey por bem e me praz fazerlhe mercê da seruêtia do 
officio dalmoxarife do almasem da dita cidade por tempo de três ânuos na ua- 



1 Torre do Tombo. Chanc. de D. Filippe I. Privilégios, In 2, fl. 104 v. 



32 NOTICIA ACERCA DA VIDA E OURAS DE JOÃO PINTO DELGADO (32) 

gaale dos prouidos antes de doze de janeiro deste anno presête de oitenta e 
oito, em que lhe fiz esta mercê, com o qual cargo avera em cada hum dos 
ditos três annos o mãtimento ordenado ao dito oflicio e os proes e percalços 
que lhe pertencerem. Notefiquo assy a Fernão Teles de Meneses, do meu con- 
selho, gouernador do dito Reino do Algarue, e mãdollie que tanto que ao dito 
G.° Delgado couber êtrar no dito oflicio o meta em posse delle e lho deixem 
seruir o dite tempo de três annos e auer nelles o ordenado, proes c percal- 
ços que lhe pertencerem como dito lie, dãdolhe primeiro juramento dos san- 
tos euãgelhoSj etc., e ej por bem que valha como carta, etc. António d'Aragão 
o fez em Lisboa, a xix de janeiro de jb c lxxxbiij. I'." de Paiua o fez escrever.» ' 



N.° 7 



Alvará nomeando almoxarife de Mazagão a João Pinto Delgado 



«Eu elRey faço saber aos que este aluara virem que avendo respeito a 
João Pinto Delgado me ter seruido na villa de Mazagão passante de sete an- 
nos com seu cauallo e armas, ey por bem de lhe fazer mercê do oflicio de 
almoxarife dos mantimêtos e pagamêtos da dita villa por tempo de três an- 
nos e averá com elle o ordenado cõteudo no Regimento e todos os proes e 
percalços que lhe direitamente pertencerem, asi como tudo tiuerão e ouue- 
rão as pesoas que ate ora seruirão o dito cargo; pello que mãdo aos capi- 
tães, cõtador e officiaes da dita villa que dem a posse do dito oflicio ao dito 
João Pinto e lho deixem ter e seruir pello dito tempo de três annos e com 
elle auer o dito ordenado, proes e percalços, como dito he, tomado lhe pri- 
meiro fiança abonada ao recebimêto, porque minha fazenda fique segura con- 
forme ao Regimento delia e elle jurará na chancelaria aos santos euãgelhos 
que bem e verdadeiramente sirua, de que se fará asento nas costas deste al- 
uara, que valerá como carta, etc. Dyogo de Sousa o fez em Lisboa a doze de 
agosto de mil e seis centos e dous. Sebastião de Abreu o fez escreuer.»- 



i Torre do Tombo. Chane. de D. Filippe II. Doações, liv. 17. ti L39 
* Idem. Idem, liv. 10. fl. 172. 



(33) NOTICIA ÁCEnCA DA VIDA E OBRAS DE JOÃO PINTO DEI 33 



N. B 



Carta de quitação 
a João Pinto Delgado como almoxarife de Mazagão 



Dom Filipe, etc, faço saber aos que esla minha carta de quitaçã 
rem que eu mandei tomar conta em meus contos do Reyno i 
Pinto Delgado, que seruio de Umoxarife dos mantimentos e pagamentos da 
villa de Mazagão, do primeiro de abril de bj c e três te íim de agosto de bj c 
e sete, e pella recadação delia se mostra receber em o dito tempo cincoenta 
c dous cintos tresentos e douse mil quinhentos e oitenta e quatro rs., de trigo 
cinco mil seis centos oitenta c dons moios corenta e nove alqueires e hua l. a 
e de senteo seis centos vinte e quatro moios cincoenta e oito alqueires, «• de 
ceuada dusentos e trinta moios trese alqueires, e de biscouto mil e vinte e 
três quintaes, três arobas e dous arates, e de aros mil e setenta e selo arro- 
bas, e de poluora dusentos sessenta e noue quintaes, duas arrobas e vinte e 
quatro arrates; os quaes cincoenta e dous contos, tresentos e dose mil qui- 
nhentos e oitêta e quatro rs. e mais cousas acima e outras declaradas no en- 
cerramento da dita cota o dito João Pinto Delgado despendeu e entregou sem 
ficar deuendo cousa alguma, como se vio pela dita cota, que foi tomada pello 
contador Bertolameu Soeiro e vista pelo prouedor Francisco da Costa. Pelo 
que o dou por quite e liure a elle e a todos os seus herdeiros do dito di- 
nheiro. . . Manuel Cabral, escrivão dos contos do Reino e casa a fes em Lix- 
boa O primeiro de agosto ano de mil seis centos e trese. » ' 



1 Torre do Tombo. Chanc. de D. Filippe II. Privilégios, liv. 3, li. 256 v. 
Hist. E Mem. da Acad.— Tomo xii. Paute ii. .\ 1. 



\ ia ÂtíERCA DA VIDA E OBRAS DE JOÃO PINTO DELGADO (34) 



N." 9 



Alvará com força de carta, 
ordenando que Luiz de Tovar vença soldo e moradia emquanto viver na índia 



«Eu elRey faso saber aos que este aluara virem que Eu ey por bem de 
fazer mersse a Luiz de Touar fidalgo de minha casa, filho mais uelho de Pe- 
dro de Touar que este prezente anuo de 622 se embarca para a índia que 
uença soldo e moradia em quanto la seruir e não for despachado pello que 
mando ao prouedor e officiaes da casa da índia que com esta declaração o 
farão asentar no titulo dos moradores de minha casa na Matricula geral que 
ha de ir pêra aquellas partes e ao Vizo Rey ou gouernador delias e uedor 
de minha fazenda, outro ssi lhe mando que facão comprir e guardar o que 
neste se contem que ualera como carta sem embargo da ordenação em con- 
trario Gonsalo Pinto de Freitas o fez em Lisboa a 8 de março de 1622. Diogo 
Soares a fez escreuer.» ' 



N.° 10 



Tença de 50#000 réis a Pedro de Tovar 



«Dom Phelipe, etc, como gouernador etc, fasso saber aos que esta minha 
carta de Padram virem que auendo respeito aos seruissos que Sancho de To- 
uar fez a elRey Dom Sebastião meu Primo que Sancta Gloria haja seruindo 
de fidalguo de sua guarda e de seu copeiro mor, e ao acompanhar en ambas 
as jornadas de afriqua, e ser ferido e catiuo na batalha de Alcácer e a fale- 
cer sem lograr a commenda de Santa Ouaya de Rio Couo com que estaua 
despachado, e pertencer a acção de seus seruiços a seu filho Pedro de touar, 
meu mosso fidalgo por seus Irmãos lhe renunciarem a aução que nelles tinhão 
e tendo eu também respeito ao dito Pedro de Touar se embarcar na armada 
com que Dom Luis faiardo saiu desta cidade de Lixboa o anno de 606. Ey 



1 Torre do Tombo. Chanc. de D. Filippe 111, liv. I, fl. 336. 



(35) NOTICIA ACERCA DA VIDA E OBRAS Dl JOÃO PINTO Dl I 35 

por bem e me pras de lhe fazer mercê de oO£000 reis de renssa cada auuo 
para os ter com o habito da dita ordem que lhe mandei lançar ate ser pro- 
aido de hõa comenda que lhe valha 200#O0O réis. E tanto que delia for pro- 
vido larguara os ditos 50(5000 reis da tensa e os não auera mais, os quais 
commessara a uencer de 18 de julho do ano de 605 en diante em que lhe li/. 
esta mercê, alem do mais que lhe pellos ditos Respeitos também lis: Pello 
que mando aos vedores de minha fazenda lhe facão asentar os ditos 50^000 

reis de tensa uo livro de fazenda da Ordem. E do dito tem] m diante le- 

uar cada anno no quaderno das tenssas dos débitos para elles lhe serem pa- 
gos, no meu thesoureiro mor, ou en quem o dito cargo seruir com certi 
dão do official que tiuer carguo dos despachos, de como o dito Pedro de to- 
uar uão lie prouido dehOa commenda de 200#000 reis porque tanto que o 
for não auera mais os ditos 50#000 reis de tenssa como dito he. E por (ir 
meza disso lhe mandei dar esta carta de Padrão por mim asinada e sellada 
do sello pendente da dita ordem. Dada tia cidade de Lisboa aos seis dias do 
mes de março. Simão Freire a fez anno do nascimento de nosso senhor Jesus 
Christo de 1610. Luis Borralho a fes escreuer. 

<lÁ margem: Ouue S. M. por bem por sua apostilla que os 50#000 reis 
da tença que peru de lovar tê pelo padrão deste Registo de que auia pagamento 
no thesoureiro mor se lhe mude o pagamento a húa das casas de seus direi- 
tos Reaes desta cidade ou almoxarifados do Reyno onde couberem de janeiro 
de til-2 em diante de que se mandou por esta verba. Lisboa 2í de janeiro 
de c 1-2.» ! 



'Torre do Tombo. Chanc. da Ordem de Christo, liv. 9, fl. li; 



CARTAS 

]). FRANCISCO MANOEL DE MELLO 

ANTnMO LI IX DE AZEVEDO 

PUBLICADAS COM INTRODUCÇÍO E NOTAS 

EDCAB PRESTAGE 

1 ntf -la Ar:i.t.'inia 

ua l 

Parecer da secção respectiva sobre esta Memoria 

Entre as collecções de manuscritos da Btbliotheca Nacional de Lis- 
boa uma existe com o n.° i 55, sol» a rubrica «Cartas de D. Francisco 
Manuel de Mello escritas a António Luiz de Azevedo», as quaes mere- 
ceram cuidadoso estudo do nosso consócio o Sr. Edgar Prestage, que, 
sendo estrangeiro, ama as nossas cousas como se português fora. São 
escritos na maioria inéditos, pois que as nove carias já publicadas, sob 
o titulo de Cartas familiares, differem das manuscritas, e por isso con- 
veniente se torna a sua publicação para as comparar, o que o nosso 
consócio faz com o cuidado que sempre emprega nus seus trabalhos, 
fjs estudos que o Sr. Edgar Prestage tem emprehendido acerca da lite- 
ratura portuguesa são valiosos, e o esautor-philosopho, que foi D. Fran- 
cisco Manuel de Mello, lem-lhe merecido particular atlenção. Este novo 
trabalho auxilia as suas investigações acena do autor da Carta de guia 
de casados e tem toda a opporlunidade para o estudo que emprehendeu, 
e merece que a Academia das Scieucias de Lisboa autorize a sua publi- 
cação. Por isso temos a honra de a propor. 



Lisboa, 17 de novembro de I9i0. 



Francisco Teixeira de Queiroz. 
Henrique Lopes de Mendonça. 
Ramalho Ortigão. 



NTnonuccAo 



Entre os códices do Fundo geral dos manuscritos da Uibliotheca Nacional 
do Lisboa ha um com o numero 155, que se intitula ('.mins de J>. Francisco 
Manuel de Mello escritas a António Luiz de Azeoedo '. É um volume in l.° de 52 
folhas, provavelmente copia de outro mais antigo, pois apresenta duas letras 
diversas, ambas, segundo a opinião do meu amigo Sr. Gabriel Pereira, do 
século wiii, ao qual pertence a encadernação; traz índice posterior em data, 
com bastantes erros. Na lombada, em baixo, tem as leiras «J. L. 1'. A.» doura- 
das, sem outra indicação da proveniência do códice. Estas cartas, em numero do 
61, dirigidas por D. Francisco ao seu consócio na Academia de Generosos, 
abrangem os annos de 1647, 1648, 1649, 1650, 1651 e IGW, c ha uma do 
1(503, mas esta data é com certeza errada, devendo ler-sc 1653. 

Algumas não trazem data, mas é possível lixar mais OU menos a sua época 
oeio lugar d'onde foram' escritas. Todas estão inéditas, com excepção de 
nove, que foram estampadas por Azevedo nas Coitos Familiares, mas mesmo 

om muitas d'essas ha variantes entn s. e o livro, bastantes para as tornar 

dignas de reimpressão. Algumas dYstas variantes explicam-se pelo labor lima 
que soflrêrão nas mãos do seu autor antes de serem impressas, e talvez ou- 
tras pelo desejo que o autor tinha de não ferir melindres. 

Sabemos que logo depois do seu regresso á pátria no primeiro anuo da 



1 0> ilin-ininn"s liibliographicos ii, i<i incluem o de António Luiz il" Vzevedo, natu 

ralmente p lie não ter publicado livro algum S'a Bibliotl i Nacional de Lisboa ha uma 

pequena colleccão de caria-- aulojnaplias nu lalitn c poituguds, dirigidas poi ellc rudito 

padre Manuel Caelano*de Sousa 8 a outras pessoas nos annos de 1682 e 1683 (ms. "Tol do 
Fundo Antigo). 



iO CARTAS Dl: D. I IIAMIsCO MAM KL DK MEU.n (4) 



Restauração, 1>. Francisco começou ;i recolher as suas epistolas ', e em 1649 
diz d'ellas: «os mais d'estes papeis são escritos com summa infelicidade, pri- 
são, desordem, pouco gosto, espirito oceupado de dores; quanto em fim que 
faz desvariar as melhores primas. Comiudo, por minha consolação, dei, já lia 
muitos annos, em ir ajuntando copias mi borrões de algumas cartas, que boje 
vou reduzindo a um livro» 2 . Ulteriormente, cm 2<> de dezembro do mesmo 

aiiiin, confessa que se vae occnpahd sm alimpar algumas d'estas cartas, e 

estão mais i|r 200 já cm forma que se podem ler e julgar» 3 ; no mes seguinte 
conta loo '•. Tudo leva a crer que as cartas aqui estampadas estão exacta- 
mente como D. Francisco as escreveu (excepto a ortographia e outras restric- 
ções que faço adiante), sem cortes nem emendas, sendo por isso apreciáveis, e 
contém os numes das pessoas nellas referidas, ao passo que no livro das Car- 
tas Familiares estes numes são supprimidos. No códice as cartas andam bara- 
lhadas, mas dispu las, quaatp possível, por ordem chronologica, a única accei- 
lavel, e na lista do começo pus entre parentliesis os números que leni no ms. 
Agora passo a dar a correspondência das 9 cartas manuscritas com as 
equivalentes das Carias Familiares para facilitar a conferencia a quem desejar 
fazé-la. 

Códice Cariai l';uiuliarcs 

6(8) Cent. iv n." i s 

li; (28) Cent, iv n.° 2 

21 (52) Cent. iv n.<> 3 fi 

22 (38) Cent. m n.° 95 ' 
" 29 i 9 | Cent. iv n." 76 s 

33 (20) Cent. v n.° 6i 

:!,-; (39) Cent. i n.° 21 ,J 

40 ( 1 ) Cent. v n." 100 <" 

53 ( 5 ) Cent. n n.° 81 

C para admirar que Azevedo se tiSo aproveitasse de mais cartas do códice na coordenação 
do livro, e que os seguintes números das Cartas Familiares dirigidas a elle não se encontrassem 
no códice — Cent. li n.° 94, m, 49, n. 9, e v, 48 



1 Carias Fariiliares (Roma 1664), cent. n, n.° 11. 

2 Ibid, ni. 97. 

3 lliid.. ih, 49 e veja v, 42 e 77. 

I V. o n." 23 d'esta collecção. 

• É dirigida ao Arcediago Francisco de Sousa de Menezes. 

6 É dirigida a «um Ministro» e datada de setembro. 

: Traz o n.° 94 no livro, mas é um erro ; porque a centúria 3." tem duas cartas com o n.° 71. 

s É dirigida a «um Ministro» e datada de 20 de marro, em lugar de 15. 

II É dirigida a «uni Ministro». 

10 Da %' edição das Cartas Familiares. Ditíere da carta do mesmo numero da 1.' edição. 



(5) CARTAS DE D. FRANCISCO MANI l 



Do mesmo i lo que as já publicadas, estas <>l cartas pertencem todas 

ao género familiar, o se algumas tem os conhecidos defeitos da prosa seis 
centistica, laes como regras embrulhadas e jogos de palavras quasi pueris, 
ouinis são escritas em estilo «claro, breve, sentencioso e próprio, sem en 
leito, rodeios, nem metáforas». \ sua paternidade não será duvidosa a quem 
conhecer os outros escritos de Ò. Francisco Manuel, e entre ellas ha muitas 
em tudo dignas do primeiro epistolographo português Alem d'isso, tem incon- 
testável importância bibliographica, por conterem informações novas e apro 
veit.iveis sobre o seu lalmr liiterario na prisão. Na caria 10 encontramos a 
explicação do frontispício desenhado á ponna que adorna o bello ms. inédito 
dos primeiros ires livros (os únicos acabados) do Theodosio, hoje guardado 
na Bibliotheca Publica de Évora. 

Na carta .'ti o autor discorre sobre o Manifesto que vae compondo a pe- 
dido de D. João IV em justificação do procedimento do governo porl 
para com as duas Armadas Inglesas de Realistas e Parlamentados que que- 
riam bater-se UO Tejo em 1650. Deste manifesto existem duas redacções ma- 
nuscritas na Bibliotheca Nacional de Lisboa (códices 3:557 e 8:577 do 
Fundo antigo), ambas inéditas, uma incompleta, mitra inteira, e intitulam-se 
Astrea Constante e El Ptteblo Lusitano '. A carta t\ traz um extenso c 
curioso commentario acerca do soneto composto por D. Francisco na morte de 
D. Duarte, irmão do Rei, soneto qu8 saiu nas Obras Métricas -'. Em lodo o 
seu traballio liiterario d'esla época Azevedo é consultado como critico ajui- 
zado e amigo. D. Francisco assina se sen discípulo, e Azevedo aproveita se 
da sua posição oflicial para o auxiliar nas peripécias da causa d'ellè. Parece 
que, independentemente de D. Francisco, linha concebido a ideia de reunir 
a correspondência epistolar do seu amigo ', e foj seu collaborador activo 
nesta empresa. Na carta 23 D. Francifco pede lhe para mandar as cartas 
que lhe tinha dirigido e que este escolhera como merecedoras das honras da 
imprensa, e incumbe Azevedo de escrever um prologo para servir de inlro- 
ducção ao livro e uma dedicatória a Ruy de Moura Telles. 

A carta continua assim: to livro vae sem ordem escrito, tendo por mais 
agradável aqui a variedade»; do que se deprehende que da falta de ordem 
cbronologica nas Cartas Familiares o culpado é o próprio D. Francisco. 
O livro definitivo com 500 cartas só saiu em Roma em 11564, mas Azevedo 
logo annuiu aos desejos de D. Francisco, mandando-lhe o prologo e a carta 



1 V o meu artigo D.JFranàsco Minutei de Mello, obras autographat e ineditai q< 
Uittorko Poiiwjués, 1909. 

'-' E o ii." 17 da Lira de CU", e um flagrante exemplo de oonceptismo. 
' V. o n.' "2~2 d'csta collecçSo. 



42 CAUTAS DE li. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (6) 



dedicatória. Nd sen reparo ao borrão d'aquelle, D. Francisco mostra partici- 
par da mania erudita do século, pois lembra a conveniência de illnstrá-lo 
com «alguns lugares do letras humanas», aviso cora que Azevedo concordou, 
introduzindo a massa de citações dos clássicos antigos que se encontram no 
prologo i!as Cartas. <> recado Aos Zoilos, com que Azevedo fedia a sua intro- 
ducção, evidentemente não desagrada a D. Francisco, apesar do seu protesto. 

Mas m verdade mánda-nos dizer que elle nunca se importou muito i i os 

seus críticos: «se me murmurão, me rio, se me emmendão, me aproveito, e 
no cabo não sou tão tonto que não distinga o que é zelo do que é enveja»'. 
Gomtudo elle ficava bem contente rum a boa opinião que Azevedo nutria das 
carias, pois ligava grande importância ao juizo do douto professor. 

Na carta 39 diz aguardar mais cartas já promettidas por Azevedo «para 
que as vamos salpicando entre as mais. Adubarão as outras, trazendo o sa- 
bor da estimação que V. M. lhes ha dado»; da carta 45 vè-se que o pu- 
blico eslava esperando com ansiedade o livro. As cartas aqui publicadas Ira- 
zem elementos úteis para a biographia do grande prosador, sendo preciso 
para a intelligencia do texto lembrar os seguintes factos: 

Accusado do assassínio de um certo Francisco Cardoso, foi preso D. Fran- 
cisco Manuel em 10 de novembro de 1644. 

Processado em razão do supposto crime por Domingos Cardoso., pae do 
morto, foi combmnado pelo Juiz dos Cavalleiros em degredo perpetuo para 
a Africa com penas pecuniárias, e, subindo o caso á Relação, em degredo 
para a índia com privação da sua commenda, sendo multado em mais do que 
possuía, segundo a sua própria declaração. Parece que esta sentença foi pro- 
mulgada em 2 de março de 1648. Logo pediu 3. a Instancia, assim como o 
seu incansável adversário, e lhe foi concedida por Alvará de 2<> de abril do 
mesmo anuo. 

Houve grande demora na determinação do [deito, mas atinai, em "21 de 
maio de 1650, D. Francisco- foi sentenciado em degredo perpetuo no brasil, 
e dois Alvarás de 22 de março e 1 de dezembro de 1G52 o mandaram cum- 
prir a sentença, não obstante os embargos que tinha posto" 2 . 

Estava recluso na Torre de Belém, provavelmente até os meados de 
1646; e foi então mandado para a Torre Velha, onde ficou até :tl de março 
de 1650 3 . Nos priucipios d'este anno os seus inimigos allegavam que elle 
estava planeando evadir-se: «primeiro disseram que inalei, agora que fujo», 



1 V. o n.° 21 e confere eom o n.° 27 (Testa collecçSo. 

- V. o meu primeiro artigo D. Francisco Manuel de Mello, Dòcumehtos Biographicos no 
chivo Histórico Portttgiiez, 1909. 
3 V. Curtas Fawiíirim, v. 33. 



CARTAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO '|.'! 



diz elle ', mas. felizmente para D. Francisco, acoutecia quejustaraeule naquelle 
tempo elle andava pedindo a sua transferencia para o Castello de Lisboa, 
prisão mais que segura. Em virtude d'cstas calumnias, foi tratado rum ma 
rigor dosacoslumado, «prezo de novo com aperto, com guardas e com des 
confianças* -'. o que motivou o desabafo; «quatro annos ha que aqiii estou; em 
lodos elles se fez de mj confiança; sempre obrei de sorte que não se arre- 
pendeu de fazer de mj quem '''1111 ella me tratava» 3 . 

Descreve a sua situação na Torre Velha nestas regras simples, mas elo- 
quentes: «não tenho já que vender, nem que empenhar, nem dinheiro para dar 
a barcos, nem grãos a hospedes. Que será de my? Estou sobretudo doente de 
achaques que requerem cura, e, neste tempo, tenho dividas, tenho legados .1 
que dar satisfação. Vndo em vésperas de fazer jornada larga e incerta»*. 

Emfim li. Francisco fez um appello ao Rei ', e este «c padecido dos seus 

trabalhos» 6 mandou que fosse passado para o Castello, onde estava perlo dos 
amigos e onde podia melhor tratar dos seu 

Estas cartas, escritas no tempo do seu enclausuramento, formam triste 
leitura. Se às vezes D. Francisco nutre esperanças e mesmo graceja, mais 
frequentemente cede ao desalento, pois como elle bem diz, «a paciência hu 
mana é cisterna e não poço; tem um certo cabedal de que tanto se tira, que 
não fica nada; então como não cresce, esgota» 7 . 

Ás vezes anda quasi fora de si com as delongas dos juizes e o ódio dos 
seus perseguidores, resolvidos a conserva lo preso, não lhe permittindo o ai 
livin de sair, nem para o exilio 8 . Tem perdida a pátria a liberdade e a la 
/nula. mas o seu animo viril e constante luta sempre, mesmo nos dias de 
doença e entre ferrolhos. Auxilia aos seus advogados na defesa, dirigindo ao 
Rei e aos juizes extensos arrezoados comprovativos da sua innocencia, puis 
erá falle por si quem falia pelos outros», e allicia amigos influentes 
para se servir do seu préstimo em favor próprio. Emfim, arranja uma caria 
de intercessão da Rainha Regente de França '. c, devido a vários esforços, con 
segue a commulação da sua pena. Em logar de ir paia a índia, é mandado 



1 [bid 111 - [81, ii" livro, por eu 
- V. o numero •_':! d't>sla cotli 
1 V. ( 
tbid . 1 , 74 

• V. inei 29 d esl 1 coll 

r ' V. Cartas Familiares, iv, 81. 
1 V. Cai ;, 61. 

• v. ii ui! nero 32 d'i la rolli cç5o 

' Publicada por < amillo na sua edição da Carta da Guio k Casa 
!': e !.■ d'esta collecrão. 



Vi CARTAS I>E D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (8) 



servir ao Rei no Brasil; mais nadai Teve um presentimento de catastrophe 
quando escrevia; «tenho observado vae o meu negocio ás mãos de Sua Ma- 
jestade tão perdido emtim como meu, e supposto que de sua grandeza muito 
pudera confiar, a minha fortuna me faz temer uno menos» '. 

Ainda tentou um ultimo esforço para podei- ficar na pátria tão amada, 
pois existe uma carta do Visconde de Vilja Nova da Cerveira ao Rei, datada 
em 6 de fevereiro de 1654, apoiando a pretensão de D. Francisco para que 
fosse mudado o desterro do Brasil paia unia das fronteiras do reino. Tudo 
inútil I E em 17 de abril de 1653, mais de dez annos depois do delicto que lhe 
foi imputado, D. Francisco Manuel saiu do Tejo para as terras de Saída Cruz. 

Não é este logar próprio para discutir as causas da sua desgraça. Fique 
isto para a sua biographia, que tenho entre mãos. 

Apesar de altamente vexatória para o seu espirito, a reclusão de D. Fran- 
cisco nem sempre era rigorosa. Na Torre Velha habitava os aposentos do 
governador, seu amigo, Ruy Lourenço de Távora-, recebia hospedes 3 , e 
saia de vez em quando 4 . Tinha plena liberdade para escrever e receber car- 
tas, e occupava-se na composição de vários livros, taes como o Fenis de Africa, 
o Panlheon e a Carta de Guia de Casados. For incumbência do Rei traba- 
lhava na vida do Duque U. Theodosio, pae do monarcha, e carteava-se com 
D. João IV sobre este assunto, enviando a parle já feita para a sua approvação 5 . 

Mandado pelo governo, escrevia vários tratados entre os quaes os ma- 
nifestos acima referidos, e era sem duvida para melhor observar os aconte- 
cimentos que elle assistia na Torre da Cabeça Seca á tentativa do Almirante 
Blake para forçar a barra G , facto que talvez motivou a lenda da sua prisão 
naquella Torre. 

Uma vez no Castello, D. Francisco estava mais á vontade, ao menos no 
principio, pois lá linha casa própria na qual os peores inimigos eram os 
piolhos: «sirva se V. Ex.' de me conceder uma alçada contra estes delin- 
quentes, mandando-me uni pentem de cana» 7 . Mas mesmo ali houve mudan- 
ças da sorte: «muitos dias passei ferrolhado escrevendo o que não sabia» 8 . 



1 V. o numero 21 d'esta colleeção. 

2 V. o numero 41 e cf. Cartas Familiares, i, 93 e v, 84. Foi naturalmente nesta occa- 
sião que D. Francisco collaborava na Historia de Varoens illmtres de appellido Tuiora, im- 
pressa em Paris em 1648. V. Cartas Familiares, ti, 50. 

3 Ibid., i, 44, ii, 44, 71 e 83. 
" Ibid., i, 74 e ii, 61. 

5 V. o numero 5 d'esta colleeção. 

6 V. Âstrea Constante, foi. 42 v.° 

7 V. Cartas Familiares, v, 17. 
* Ibid., v, 95. 



(9 I CARTAS DE D. I RANI ISl O MANUEL DE MELLO I i 



Parece que de 1652 em diante teve licença para sair sob palavra 9 , pois a 
carta 36 d'esta collecção é datada de !> de julho da quinta <i 1 "' possuía em 
Alcântara, a Aula politica é datada da Luz, de 29 de agosto do •uniu seguinte, 
e a dedicatória da 3." Epanaphora de Bellas, de '•> de setembro de 1654. 

D. Francisco Manuel foi não só insigi scritor, mas um verdadeiro 

homem de bem, como evidenciam as suas obras e o testemunho dos seus 
contemporâneos, que não tinham empenho em louvar a um vencido da vida, 
sendo por isso insuspeitos. No meio dos seus maiores infortúnios não esque 
cia ;i desgraça alheia, e é realmente coramovedor encontrar nesta collecção 
de cartas nada menos de seis cujo único motivo é pedir auxilio e protecção 
em favor dos outros, na maior parte homens da sua profissão, a militar 

Só me resta dizer que, entre as cartas sem data, as que foram manda 
das da Torre deviam ter sido escritas antes de 31 de março de 1650, sendo 
as do Castello posteriores áquelle dia. Nas datas o copista engana-se às 
vezes: por exemplo a i|ue tem o numero -\-l não podia ter sido escrita da Torre, 
pois que em 30 de julho de 1650 l>. Francisco já estava no Castello. Pelo 
conteúdo, é claro que o numero H> deve preceder ao '.'. e o numero -I ao 
20; mas na impossibilidade de lhes assinar as datas verdadeiras, deixo-as 
como estão no ms. De vez em quando as cartas tem regras que não fazem 
sentido, o que resulta certamente de descuido do copista anonymodo códice, 
nestes casos ponho uma cruz. Conservo a graphia, apesar de variável, limi- 
tando-me a desdobrar as palavras abreviadas e corrigir a pontuação, e dou 
umas notas históricas e litterarias, explicativas do texto. O meu desejo, ao 
publicar estas cartas, é trazer novo material para o estudo da vida de um 
grande português, e concorrer com mais elementos para a edição completa 
das suas obras, que ha de fazer-se, um dia. Que a minha boa vontade releve 
as inevitáveis faltas deste trabalho, feito por um estrangeiro. Aos Srs. Chris- 
toyão Ayres, Dr. Leite de Vasconcellos, Annibal Fernandes Thomás e a Ex. m * 
Senhora Dr." Carolina Michaêlis de Vasconcellos, que me auxiliaram com con 
selhos e informações, os meus mais sinceros agradecimentos. 



9 V. o numeru 4G desta collecção e Carias Familiares, i. i* Cf. lambem Epistola Decla 
maioria, p. 130 



ÍNDICE DAS CARTAS 
(COM \- SI \< DATAS E os SÍTIOS DE ONDE FORAM ESCRITAS) 



1 (59) 


24 de aovembn 


i de 1647 


Torre. 


1 (16) 


ti de dezembn 


de 1647 


Torre. 


3 (23) 


13 de dezembro 


de 1647 


Torre. 


S (6) 


l de dezembro 


de 1648 


Torre. 


o (61) 


lii de dezembro 


.li- 1648 


Torre. 


6 (8) 


28 de janeiro 


de 1649 


Torre. 


7 (41) 


:tl de janeiro 


de 1649 


Torre. 


8 (36) 


l-j de fevereiro 


de 1649 


Torre. 


9 (54) 


16 de março 


de 1649 


Torre. 


10 (2) 


."> de maio 


de 1649 


Torre. 


II (26) 


9 de maio 


de 1649 


Torre. 


lá (4) 


1 1 de junhu 


de 1649 


Torre. 


13 (37) 


14 de jnnho 


de 1649 


Torre. 


14 (30) 


17 de junho 


de 1649 


Torre. 


15 (46) 


l!» de junho 


de 1649 


Tone. 


16 (28) 


í de agosto 


de 1649 


Turre. 


17 (21) 


12 de agosto 


de 1649 


Ti niv. 


18 (14) 


29 de agosto 


de 1649 


Torre. 


19 (60) 


!> de setembro 


de 1649 


Torre. 


20 (49) 


ih de setembro 


de 1649 


Torre. 


21 (52) 


-J de outubro 


de 1649 


Torre. 


22 (38) 


16 de novembro de 164!) 


Torre. 


23 (25) 


6 de janeiro 


de 1650 


Torre. 


24 (35) 


:tl de janeiro 


de 1650 


Torre. 


25 (22) 


Ki de fevereiro 


de 1650 


Torre. 



48 



■ \ u r.\s hk n. h;\\i:imii mwiix m: .\ir.ixo 



(12) 



26 (43) 


25 de fevereiro 


de 1650 


Torre. 


27 (15) 


6 de março 


ii<' 1650 


Torre. 


28 dl) 


!i de marro 


de 1650 


Torre. 


29 (9) 


15 de março 


de 1650 


Torre. 


30 (13) 


31 de março 


de 1650 


Castello. 


31 (50) 


15 de maio 


de 1650 


Castello. 


32 (48) 


30 de julho 


de 1650 


Torre. 


33 (20) 


4 de agosto 


de 1650 


Castello. 


34 (12) 


29 de novembrr 


) de 1650 


Castello. 


33 (39) 


10 de fevereiro 


de 1651 


Castello. 


36 (3) 


9 de julho 


de 1652 


Alcântara. 


37 (56) 


16 de janeiro 


de 1663 


Secretaria. 


38 (10) 


domingo 


Torre^ 




39 (18) 


domingo 


Torre. 




40 (1) 


domingo 


Torre. 




41 (17) 


13 


Torre. 




42 (27) 


domingo 


Castello. 




43 (29) 


segunda-feira 


Castello. 




44 (32) 


terça-feira 


Castello. 




4o (34) 


quarta-feira 


Castello. 




46 (42) 


quarta-feira 


Castello. 




47 (40) 


quarta-feira 


Castello. 




48 (58) 


quinta-feira 


Castello. 




49 (19) 


sexta-feira 


Castello. 




50 (44) 


sexta-feira 


Castello. 




51 (24) 


sexta-feira 


Castello. 




52 (31) 


sabbado 


Castello. 




53 (5) 


sabbado santo 


Castello. 




54 (57) 


sabbado 


Castello. 




55 (53) 


— 


— 




56 (7) 


quinta-feira 


Casa. 




57 (51) 


quinta- feira 


Casa. 




58 (33) 


sexta-feira 


Casa. 




59 (45) 


— 


— 




60 (47) 


— ■ 


— 




61 (55) 


— 


— 





Tem V. M. '" de thezouro athe o escondido, e tenho eu de pouco ditozo 
o não poder achallo. Desde aqui faço minhas deligencias por sequer não 
parecer esquecido, e temo já que athe trampozo pareça. Entendi pelas cartas 
de Paulo Cràsbee ', lhe não tocava a elle a satisfação dos lYanchiosinos 2 ; se- 
guesse loca a V. M. c *; e dinheyro em mãos de prezo não he de boa finca. 
Vão aqui os dous cruzados; eu fico para servir a V. M. ' . Sobretudo N. S. or 
guarde etc. Torre em 24 de Novembro de 1647. 

Am. e dis. 

D. F. M. 



Senhor António de Azevedo. Item se ve o quanto eu havia de estimar este 
papel ile V. M. no como tardou, lie de 25 do passado, e o recebo em fi deste, 
dia de s. Nicolao, que como Pae dos órfãos me soccorreo, e me cobriu de 
boas novas de V. M. Se eu fora tão eloquente como o Sfior. António Luiz 



1 Paulo Craesbeeck, i> conhecido eilitor, publicou varias obras Me 1). Francisco Manuel, 
incluindo o Ecto Politico, a Historia dn Catalunha, e El Fenis de Africa. 

2 No entender de 1). Carolina Michaèlis de Vasconcellos trala-se aqui da paga de alguns 
livms versando sobre a veracidade de Franqui (ou Francfai) Coneslaggio, o conhecido hiato 
riador. Vejam-se os Apologos Dialogues, p. 341, e as Epanaphoras. p. 186 (ed 1678 



.">(! I M,l VS DE l>. FRANCISCO MANUEL I)K MELLO ( 1 St) 



de Azevedo, lãobem dissera de alvoroços e saudades; contento me com que 
sejão tãobera empregadas, ainda que não sejão tão bem ditas. Meu Compadre 
traz os pensamentos muito altos, e custar lhe ba mais do possível abayxalos 
tanto que se lembre de mi; sem embargo cá tive hum Romanção da letra 
de V. .M., que me não foy menos agradável que a Muza do seu Autor, c par 
e meyo de sonetos; a tudo Qz resposta com um simples Romancinho. Manha 
he ila gente que quer bem, não querer o que lhe está bem, senão o que 
quer a quem quer bem. Dislinde o diabo estas couzas. Ora enfim, Snormeu, 
eu estou aqui promplissimo para receber a V. M. nos braços da minha esti- 
marão, já que os do corpo estão atados a tantos impossíveis, que não acha- 
rão nas ondas do mar para buscar a nado os Mestres e os amigos. Quando 
V. M. se disponha a nos dar hum dia, pode avizarme, e irà a fragata '. Se 
do Trajano- ha alguma noticia, também poderá vir por este. Eis aqui o paia 
que eu presto, paia pedir e causar. Comludo para servir a V. M. muito o 
de/ejo, e não farey o que devo, ainda fazendo mais do que poder. Beije V. M. 
por mi as mãos a meu Compadre; e digalhe, que- se não emsoherheça tanto 
com a saúde (la sua Dama, que faça 3 adoecer seus servidores. Nosso Suor ele. 



Torre (5 de Dezembro de 1647. 



Discip. e am.° 
D. F. M. 



As leys que derão privilegio ao grande Ofiicial, me parece que são com- 
plices de muito grandes delictos; porque a troco de ser mayor que todos, 
até grandes lizongeyros se deyxão ser os homens honrados. Agora o propozilo 
que isto leva, não direy eu; e salvarey assim a minha malícia, ou o meu 
despropozito. Sejanos muito para bem a Academia, e a V. M. a lição, e o 



1 A fragata servia para levar hospedes á Torre Velha, da Outra Banda, onde 1). Francisco 
esiava preso. 

-Referencia a qualquer obra de Trajano Boccalini, o celebre satírico e critico Italiano 
(ii. 1556, na. 1623). No Hospital <fe Letras, o 4.° dos Âpologos Dialogaes, um .los interlocutores é 
o livro de Boccalini, / llaijijiiniji. nu português, Regaglios. Sobre este escritor, hoje pouco lido, 
lia um estudo moderno intitulado Traiano Boccalini e la Literatura critica e politica nelSeicenlo, 
por Giovanni Mestiça. Florença \X~H. Veja-se Cartas Familiares, n, K!> e m, 711 (7."i no livro). 

1 No iiis. lê-se n faça. 



I 15) CAUTA- DE D. KRANCISI O MÁN1 I L DE MELLO 51 

Magistério a meu compadre. Até hoje me n5o Gzerão digno, nem de húa no- 
ticia. Puis também Roma tinha Cidadãos entre os Bárbaros. Eu soubi 
mister de Academia bastantemente ; por que a agazalbey em minha caza 
alguns tempos'. Muito louvo esse exercício, e não menos peço a V. M. novas 
de seus progressos. Cá a encommenda remos a Apollo em nossas fracas ora- 
ções. Entregará a V. M. o portador os I. do elle he tão 
bom. que sempre sabe barato; não forão estes dias, porque n5o tinha porta- 
dor náutico que soubesse sobir à gávea de V. M. Dezencarrego na lembrança 
de V. M. as memorias que devo offerecer a meu Compadre. Estou ôrompto 
ao mandado de V. M. sempre que eu o sayba. Nosso Snor, etc. Torre em 13 
de Dezembro de 1G47. 

Discip. D. F. M. 



Tudo quero imitar de V. M., senão o esquecimento, de mi assaz mal 
merecido, porque, apezar de pezares e desvios, faço o que posso por servir 
a V. M. Fiz tanto, que soube tinhamos a V. M. em nova occupação de penna 
e tinta, e ainda que não de aquella que eu desejava, de aquella he que basta 
para passar a outra mais descansada. Tudo o que nisto me falta por saber, 
faça me V. M. mercê de mo avizar, e se se acha de maneyra filozofo, que se 
não embotará com a profissão politicai Là anda o nosso Feniz ', já tão vul- 
gar, como as mais aves: diga me V. .M. se o avistou, e se se engana ainda 
com elle quando impresso, como quando manoescrito. De todos os successos 
de V. M. eslimarey muito saber parte, e se nestas paredes ha outra couza, 
oxalá que eu seja- prestante ao serviço de V. M., cuja pessoa guarde Nosso 
Senhor como dezejo. Torre em 4 de Dez. de 1648. 



D. F. M. 



1 fJSo sabemos qual será a Academia referida. A dos Generosos só foi fundada nesle mesmo 
anno de 1047, ao que parece. Seria a chamada Augusta, mencionada no Tácito Português (có- 
dice 7ò8 do Fundo antigo da Bibiotheca Nacional de Lisboa, p. 116) V 

1 A t.* parle do Fenis foi publicada em 1648, a 2.' em 164'.'. 

2 No ms>. lê-se : eu não seja 



FRANCISCO MANUEL DE MELLO I 16) 



Eu scy de certo lhe serão a V. M." mais penozas as minhas desculpas, 
que as minhas culpas. Achaques, aDições, mizerias, tudo junto fazem hfta 
ruim compozição de humor; elle sempre estranho ao gosto, e obrigação. Es- 
tas são as cauzas. Estas são as desculpas. Agora contra as culpas me não 
faltão argumentos. Posso afirmar (segundo a fraqueza minha) que ou não re- 
cebi papeis de V. M. ce , ou lhe respondi logo. .Mas eu não quero de V. M. ce 
tanto a justiça, como a amizade. Pode ser que porque acho mais depressa 
quem me faça amizades que justiça. De todas as maneyras me he propicia a 
lembrança de V. M. ', suas ventagens alegríssimas. Sò me falta acabar jà de 
ver lhe as que forem cortadas pela possibilidade, já que não poderão ser 
pelos moldes do meu dezejo. Dom Francisco meu Primo l , a quem sempre 
por V. M. ce pergunto, me havia dado noticia desta ocupação de V. M. ce . Não 
me quero fazer tão morto que negue a estimey tão bem pelos meos interes- 
ses como pelos de V. M. c *. Eu sempre fui apendix de secretarias; em Cas- 
tella e Portugal tive muitos amigos neste exercício a quem servi, e que de 
mim se servirão. Bem creyo me continuará V. M. ce nessa posse. E porque 
não sayamos do ponto, nua pessoa de minha obrigação tem por essa via 
certo justíssimo requerimento, e cá ninguém que lho encaminhe; mandou me 
aqui comissão, para que desse hum vestido a quem lhe negociasse sua per- 
tenção. Eu fui detendo-o, esperando-lhe esta hora. Ordeno a António Va- 
rella 5 , meu errado, busque a V. M. ce , e o informe. He couza fácil. Folgarey 
muito que aquillo pouco ou muito nos fique antes em caza dos amigos, e 
destas couzas assim não creyo que faltarão bem dirigidas, porque eu sou as- 
saz atento no que proponho. 

Guardo com grande respeito esta aprovação de V. M. ce ao nosso Fénix, 
certo que eu me animey a acaballo pela que V. M. ce lhe deu aos princípios 3 . 
A segunda parte se acaba ; espero não desmereça o mesmo contentamento. 



1 D. Francisco de Mello, primo do escritor, foi Trinchante da Casa Real, Camareiro-mor 
da Rainhj D. Catharina (mulher do Hei Carlos II da Inglaterra), e Embaixador de Portugal 
em Londres, onde morreu em 1078. 

2 António Varella, criado de D. Francisco Manuel, foi seu testamenteiro e tutor do seu 
filho D. Jorge Diogo Manuel. 

3 Veja-se o que eu disse na Introducção sobre as relações liderarias de Azevedo com 
D. Francisco Manuel. 



1 7 i CARTAS D] D. I RANi tS( O UA.NI El Dl mi U O 53 



Mas para a Historia do S. ,,r Duque D. Theodozio cito eu a atenção de V. M. ; 
porque tanto pi lo i ssumpto, como pelo empenho, e sobre tudo : 
génio meu, espero fazer boa escriptura. Do feito espero porem mais alguma 
parte brevemente do S. Magestade, e então comunicala aos doutos. Y. M. ■ 
se aparelhe para furtar ao oflicio suas poucas de horas. Vejo o Epitáfio à 
morte de D. M. H de Castro. Eu posso ser milhor testemunha que ninguém 
de snas boas partes e virtudes, porque como uão fomos amigos, serey nesta 
parte o melhor crido. Elias forão muitas, certefico a v. \l. , e se perdeo 
naquelle Fidalgo hu muito grande e útil sogeito. Tenha-o Deus no Ci 
na Terra nunca foi mais virtuozo que na pena de V. M.". Também eu me 
haverey de valer delia, porque Geando em vesporas de ser julgado, trago 
spiritu de fazer lula orarão sobre minhas couzas, a qual jà a alguns estran- 
geyros, com quem me corro, tenho prometida em Romance 1 , e latim; esta 
promessa jà invocando o beneplácito e benevolência de V. M. co , de quem 
confio me não faltará nunca em fazer mercê. Sobretudo, S. 01 meu, ficoprom- 
ptissimo ao serviço de V. M. ", ruja pessoa guarde Nosso S. 01 como dezejo. 
Torre em 16 de Dezembro de 1HÍ8. 



Discipulo e servidor de V. M. "' 
I). /■'. M. 

6 



Se eu sempre poderá alcançar o alivio que as razões de V. M. me trazem, 
não receara as cauzas xie o haver mister. Assim digo os bons effeytos que 
destes papeis de V. M. recebo. Sem duvida peleja com armas de ventagem 
contra a fortuna aquelle que tem da sua parte a compayxão dos virtuozos. 
He V. M. este. Mil haverá que digão sou indigno do ar que respiro. Praza a 
Deos não sejão esses os que acertem! e praza lhe de que eu o tema, porque 
me melhore, e faça acertar aos outros que se laslimão. Eu amo tanto aquel- 
les a quem devo, que mais depressa me animarey a emmendar pelo sen cre 
dito, que pelo meu interece. Sempre são violentíssimos os últimos accidentes 
do bem, ou do mal. Este que padesso, quer fazer termo no esforço, ou de 



RonUmce, aqui, significa poj 



i Mil \> Hl. h. ril\\( ISCII \I\NI 



(18) 



belidade; não estranho que nesta ocazião me perturbe tanto. Desgraça será 
grande, por certo, perder agora com a dezesperação o sofrimento passado. 
Sempre ouvi era a mayor escapar do Cabo da Boa Esperança, e vir a fazer 
naufrágio na boca da bana '. 

A Carta de El Rey Chrislianissimo-, em sua lingua, veyo não pouco favo- 
recida. Guardo-a para mais perto da rezolução, e tenho por sem duvida irá 
logo á mão de V. M., a quem eu primeiro remeterey a copia delia. 

O Papel para se traduzir vay. Dos milagres do affecto de V. M. tenho eu 
aquella certeza que me dá a fee de nossa amizade. Determino ajuntallo às 
razões que por mi faz o meu Advogado; porque justo será falle também por 
si quem falia pelos outros. 

Vay o segundo Feniz e agora se acabará de conhecer não he elle único. 
Muito obrigado me deyxa este Epygramma do D. or Braz Nunes Menhãas 3 , a 
cuja pessoa e engenho fuy sempre affeysoadissimo. Assim como pude, enge- 
nhey cá esse Soneto em reconhecimento dos louvores de que quiz fazer me 
parte. Faça me V. M. mercê de lho remeter, haveudo-o lido e emmendado. 

V. M. deve saber que de todo sou seu, e se o não sabe, deve mo V. M. 
Sendo isto assim, do seu não tenho para que lhe fazer offerecimento, nem 
prezente. Nosso Senhor etc. Torre em 28 de Janeiro de 1649. 



Discip." am.° e C.° de V. M. 
D. F. M. 



» De Lisboa. 

2 A carta do Rei de França está escrita de Paris, de 6 de novembro de 1648. Este trecho 
falta na carta impressa (Cartas Familiares, iv, 4). 

3 O Di'. Manhans foi medico de El-Rei D. João IV e poeta. Segundo Barbosa Machado, a 
sua mais celebre composição poética foi um Romance satírico contra o medico António da 
Motta. por se lhe preferir em tomar o pulso á Rainha D. Luisa de Gusmão t Escreveu um Epi- 
gramma Latino á morte de D. Maria de Alaide, que foi publicado nas Memorias F/tnebres da 
dita senhora (Lisboa 1030). collecçãopara que D. Francisco Manuel também contribuiu. Veja-se 
o artigo do Dr. Sousa Viterbo. Médicos Poetas — Dr. Braz Nunes Manhans, impresso no numero 
de 2f> de Agosto de 1 í-07 da Revista Medicina Conlcwjinriiiicn. 



(19) CARTAS DE D. li;w ISi O UAI 



\vv me falta o tempo para o que he} mister, como se o eu houvera 
mister para outra couza do mayor interesse que para gastallo com V. M. na 
maneira que posso. 

A copia Latina e Franceza da Carta dei Rej de França vay para que 
V. M. a veja e se prevenha, pois sem duvida ella haverá de ir a mãos de 
V. M. M . Peço delia por agora secreto, porque não está anula oferecida a 
S. Magestade, posto que eu a tenho he publico. 

Haverá de fallar com V. M. o capitão Henrique Tavares Homem, e posto 
que Insulano, não he péssimo, mas muito homem de bem. He couza bem 
minha; tem negocio nessa Secretaria; sirva sse V. .\1. ' de o ouvir como meu 
amigo, que eu fio seja elle grato à mercê que de V. M. " receber, i 
eu tenho assaz de parte. 

O papel que dezejava em Latim, me parece que não quer a ocazião espe- 
rar por ella, porque eu queria acostallo no meu final arrezoado; mas a parte, 
acossando me a todo o prepozito, \a\ levando o processo de feyção que jâ 
não tenho tempo para nada. A vontade, com que V. M." me faz mercê, deixe 
a V. M. ca ficar no seu animo, que eu me vallerey delia. Nem o Soneto do 
D. or Manheas 1 pode ter era, porque as minhas não são purpúreas; emíim 
elle he dia, e eu sou noute escura. 

Nosso S. or guarde etc. Torre em 31 de Janeyro de 16i!). 



C.° 
D. Fran. '/. 



im no uts. Veja a Carla 6. 



56 CAUTAS DE D. FRANCISCO MANOEL DE MELLO (20) 



Porque aqui nada haja bom, athê a ociozidade, que poder bem empregar, 
Dão lia nunca dentro do mesmo ócio, e silencio. Nem pude estes dias 
dar de mini razão a V. M."'. nem agora em melhor forma me lie possível. 
Desta banda me dizem andou meu Compadre, mas as comadres podem mais. 
Ku d nSo vi porque não posso; elle teria a mesma razão de me não fazer 
mercê. Este moço me disse não tinha V. M. ce o meu primeiro livro: aqui vay; 
e se eu o soubera antes, fora o primeiro, e em melhor maneira, porque tam- 
bém V. M. ce lie o primeiro de toda a maneira em minha estimação. Agora 
com a vinda de S. Magestade, e com estar o meu feylo ja em mão do Juis 
l! ", me parece se encaminhara este meu ultimo desengano. Eu nego que 
elle falte mais que à ceremonia ; sobretudo me guarde N. S. or a V. M. Torre 
12 ilr Fevereiro de 1649. 

A. e D. 

D. F. M. 



Senhor meu, cercos de tempestades, e tempestades de disgostos me tem 
entredito 1 estes dias, para mim annos e tempos, pois falto em saber de V. M. ce 

Ca, pelo que passo na minha toca, vejo qual será o ruido desses Palácios; 
mas também, o que para o meu animo he sobejo, não he nada para os grandes, 
que tem perdido o medo aos riscos, ou de haverem nelles caido, jà os não 
temem. Não he pequena obrigação dos bons sogeytos acomodarse ao audi- 
tório; assaz fará a filozofia que fizer tanto, e inútil será aquella que o não 
fizer, porque saber hum para seu martírio, he prova da inorancia. Colho de 
tudo ser V. M. ce obrigado a dezabafar entre esse seu exercício e tomallo na 
milhor parte, pois delle lhe cahio a sorte; que assim o disse David, conso- 
landosse de lhe haverem cahido os laços de sua tribulação naquella parte, 
donde elle por tàes os reconhecia. Boa esta a minha confiança ! e deixo-me 



(2 1 I CARTAS DE D. FRANCISCO MANUEL hl' MELLO .»/ 

assim pregar a hum Mestre! A vontade fez ludo islo ; he tão podero 
assim nos faz delirar no mal, como do bem. Estão jà vist os 1 em 

seu lugar, nem eu duvidey Dunca de seu acerto quando acerley a pedir a 
V. M. os fizesse. Espero que. como elles são o primeyro de minha 
ella seja também a primeyra das minhas, per amor delles. Não me dà o tempo 
lugar a mais que a pedii .1 \. M. '. como sempre, se lembre de mi 
menos para mandarme, que para me fazer mercê, que tudo he o mesmo 
naquelles que de bom coração servem, ou o dezejão. Nosso S. ' etc. Torre, 
em 10 cie Março de 1649. 

s." e discípulo 

D. F. M. 

10 



Tudo aquillo que embaraça, quer por bem, quer por mal, lenho estes 
dias padessido, Achaques, Hospedes, Negócios. Eis aqui as causas de Dão 
saber de V. M. em lodo- elles, e de Dão obedecer a V. M. e mais a hum Ião 
suave preceyto como aquelle de mandar-me lhe dê razão de mi, que eu 
como devo fazer tanto. 

O Livro farey hir logo, que também por doença de quem com elles me 
corre, se- dillatou atègora. Não se canse V. M. de sua oceupação, posto que 
lhe seja pezada, e differente de seu estudo, certo de que o homem Civil sem 
ofllcio he, a meo juizo, como se lhe faltarão as mãos ou os pees. Pode 
V. M. ahi valer a muitos bons, e servir a Deos, e accommodarse. Seja lhe 
leve pois, Sefior, hum trabalho que pode dar tão bons frutos. Mas eu que 
dos outros não quero ver a V. M. izento, antes de novo lhos proponho. 

Neste Livro Theodozio, que a S. Magestade escrevo, de que determino 
fazerlhe cedo prezente, fiz debuxar hum Capricho por meu Primo D. Fran- 
cisco, que com raro acerto o poz em efTeyto, para delle se abrir híía estampa 
que sirva de rostro ao verdadeyro Livro; mas para que a pintura nem a ten- 
são fique muda, dezejo explicalla em dous Dísticos, ao pee do debuxo, para 
o que fiz deyxar lugar. He tal a pintura: — a Verdade em figura de Nimpha, 
que está pintando em sua estante, e por detraz à orelha lhe dieta o que ha 



' Veja a Carta 10. 

* No ms. si. 



58 CAUTAS DE Lt. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (22) 

de pintar outra Ninfa, que, significa a Memoria. Em o paynel se ve a pessoa 
do Duque Theodozio armado, como pintura feyla da Verdade, e da Memoria. 
Por detraz está .Mercúrio moendo Untas, significando o estylo (por ser elle o 
Deus da Eloquência) que são as tintas de que se compõem a fermosa historia. 
Os Dísticos dezejo que digão couza semelhante. Pinta a Verdade o que lhe 
dieta a Memoria, e da Verdade e da Memoria he fiel retrato a Historia de 
Theodozio, a quem Mercúrio, Deus da Eloquência, prepara as cores do estylo. 
Taes sogeytos merece Theodozio se oceupem em sua immortalidade. Isto he 
assim ruda e longamente o que me parece conveniente para declarar o pen- 
samento da pintura, que V. M. abreviara, e reduzirá a toda perfeysão, como 
espero. 

Meu Compadre ha mister mais desculpas quando se lembra de mi, que 
quando se esquesse. He o certo que eu sem ceremonia lhe sou verdadeyrissimo 
amigo ; e, porque o sou, he bem me và assim ao som da possibilidade. Aqui 
me tem V. M. promptissimo a seu serviço: oxalá nelle vallesse algua couza. 
Torre em u - de Mayo de 1649. 

Discip. e am.° de V. M. 

D. Fr. M. 

11 



Se V. M. me faltar com suas lembranças, acabarey de crer que tudo me 
falta; e se me não faltar com ellas, consolar me ey muito de tudo o mais que 
me faltar. Ha muitos dias que não tenho novas de V. M. se não as poucas 
que me deu cã meu Compadre quando me vio, indo à sua romaria. Torne ' 
me V. M. ao que era meu, que era não ser meu e ser todo de V. M. cuja 
pessoa guarde Deos como desejo. Torre em 9 de Mayo de 1649. 



Am. e Discip. 
D. F. M. 



(23) i ai;! IS DE D. i i;\M IS< n m\m EL Dl 59 



12 



Senhor meu. O certo he que V. M. nasceo tanto para Mestre, como pura 
amigo, e que pode ser Mestre das amizades, (iram].' mercê me faz V. M. 
Desta advertência. Eu de verdade sou desconfiado desta minha negra fortuna, 
e a todos cuido que enfado. 

Mereço muito a António tio Couto ' ler me elle na conta dos seus amigos, 
e particular affeyçoado, qual fuy sempre. Eu lhe escrevo, e creyo de sua 
cortezia não deyxarà passar ocazião em que me possa ser bom. Os meus ne- 
gocios começarão a correr por lii brevissimamente. 

Diga me V. M. por me lazer mercê se aparecerão já lã as cartas que re- 
meti por meu Compadre ao Secretario, e aparecendo, laça me V. M. mercê 
de ler com attensão a Carta que escrevo a S. Magestade 2 . Nosso Senhor etc. 
Torre 11 de Junho de 1649. 

Am. , e C.° 

D. F. M. 

13 



Muitos são os interesses que me vem de obedecer a V. M." . Aqui vão não 
só a carta que escrevi a S. Magestade, mas outra, que também escrevi a 
hum dos meus Juizes 3 . Sey que ambas são largas, mas o cazo o requere; e 
como tãobem havião de ser as ultimas nesta matéria, não quis me esque- 
cesse nada, bem que sim esqueceo. Veja as V. M. "'. e mas tornará, fazendo 
me a mercê de me emendar a mim, pois ellas já não puderão alcançar essa 
dita. Faça me V. M. mercê de avizar, se apareceo já là a de França, por- 
que a inquietação destes dias pôde divirtir os instrumentos. Sobretudo N. s. ' 
etc. Torre em 14 de Junho de 649. 

A. e C. 

D. F. M. 



1 António do Couto foi Secretario de El Rei D. João IV. 

2 É possível que esta Carta seja o Memorial publicado por Camillo Castello Branco na sua 
edição da Curtn da Guia de Casados. Cf. as Cartas 13 e 27. 

3 A rarli dirigida por I). Francisco Manuel ao seu juiz I). Dioito Marchâo Tticniudo, em que 
o informava da sua justiça, é o numero 3 fá Centúria Segunda das Cartas Familiares. 



60 CARTAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (24) 



14 



Dias lia, Síir. António Luiz de Azevedo, que a leytura torna ' a graça e 
;i vida de quem :i lê; assim serão as minhas cartas differentes na mão de 
V. M. ou nas alheas. Se ali algua couza se acertou, a dor seria. Já disse que 
semelhante modo tem a razão em ministrar as palavras, que as armas o fu- 
ror. Não só não vedo a vista desses papeis, mas peço a V. M. os comunique 
a quem for servido; porque manifestar eu a minha justiça, nunca me pode 
ser inconveniente. Tirarey, se quer assim, a conveniência de a manifestar. 
Ajunte aos 2 mais V. M. esoutro papel, que era aquelle que em Latim eu de- 
zejo ver convertido. Com V. M. se cansar delles, então mos tornará ; porque 
são todos os originaes que só tenho. Por certo, siior meu, que se os pregões 
são parte do castigo 3 , que bem altos forão os que se tem dado de minhas 
culpas, e me poderão assim fazer participe de toda a mizericordia. Mas tam- 
bém ha culpas ditozas, sem serem as de Adam 4 ; e outras mofinissimas, sem 
que as de Luzbel fossem. Persuado me que a Carta de El Rey da França 
haverá passado à Secretaria de Estado, porque, a não ser assim, já nessa 
houvera de haver noticia delia. Se Y. M. pudesse fazer de todo este meu 
pensamento observação, eu receberia grande mercê no avizo. Sobretudo 
"guarde Deos a V. M. muitos annos como dezejo. Torre em 17 de Junho de 



A. C. 
D. F. M. 



1 Torna (píer diz<?r traduz, reflecte. 

2 No ms. os. 

3 Antigamente quando os criminosos iam á forca, inamlavam-nos parar em certos pontos 
da cidade onde se apregoavam as suas culpas. 

4 Allusão á phrase de S.'° Agostinho que chamou felix culpa ao peccado de Adão porque 
motivou a vinda do Redemptor. 



(25) CARTAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO 61 



15 



Sempre Deos depara flores âs abelhas ; sempre aos bons bons empn 
exercícios. Não estranho, por esta regra, que por mão de V. M. me venhão 
sempre boas novas. Estas são tanto para estimar, como V. M. ' muy bem 

sabe advertir, e advertir me. Sey lhe não esquecera a V. M. " ponto da mercê 
que me faz, quando se visse em ocazião de fazer ma. Do qui \. M. lá fôr 
achando acerca devia mensage, me faça mercê de me avizar, que este pão da 

esperança lie tão yostozo. como o maná; a tudo sabe e a todos mantém. De 
qovo eivo se move outro negocio acerca do qual eu serey lá nomeado; por- 
que esta nova companhia '. havendo intentado ha dias valerse, ou servirsse 
de ni\, sou eerto que de fresco com instancia ha de propor esta petição a 
s. Magestade. Parece me terá V. M. ce noticia deste negocio, com o que não 
se me ofifrece que' pedir o ajude no que em mão de Y. M." estiver, porque 
creyo que sem que eu o peça, o fará V. M. ce , segundo sua bondade, e a ex- 
periência que eu delia tenho. Mendonça, vendo se favorecido de V. M. co . não 
haverá quem possa com elle. Parecia me que com 2 António do Couto podia 
V. M. " conferir sobre esta matéria nova. De tudo espero avizo de V. M. ce e 
do em que eu possa empregar me em seu serviço. Sobretudo guarde N. S. or 
a V. M." como dezejo. Torre em lil de Junho de 16i9. 



Am." e C, 
I). F. M. 



1 A Companhia é a do Commercio do Brasil, cuja fundação se acha descrita nas Cariai 
Familiares, cent. m, n.° 61. As capitulações, 52 em numero, foram approvadas por Alvará de 
10 de Março de 1649. 

2 No ms; a. 



l'd CARTAS DE D. FRANCISCO MANUEL DK MELLO (26) 



16 



Então se podia ler de mi a mayor lastima, quando V. M. me faltasse por 
ella mesmo. Estas são de aqueUas piedades rigurozas que soem offender a 
muitos, jà na emmenda, jà no remédio. Lembresse V. M. de mi, lastimesse 
embora, e alente me com suas razões, que eu em nada menos estimo que as 
melhores obras. 

\qui me avizão não foy tão ruim quanto eu esperava a rezolução. Se por 
estar jà fácil o raminho, quizessem acabar de despenhar me, certo eu ficaria 
devedor à obra, posto que á vontade não. Vi com grande affecto estes papeis 
do Religiozo P. U. António Ardizone 1 . Em papel aparte digo meu senti- 
mento, por se V. M. for servido comunicar lho, e, de caminho, me faça V. M. 
mercê de offerecer mais hum animo a sua devoção, e reverencia. Sobretudo 
guarde Nosso Snor. a Y. M. como dezejo. Torre em 4 de Agosto de 1049. 



A. eC. 
D. F. M. 



1 P. D. António Ardizzone Spínola foi Clérigo Hegular Theatino, oriundo de Nápoles. 
Veio para Lisboa em 1648, onde fundou o convento de Nossa Senhora da Divina Providencia, 
sendo nelle Preposito e Visitador. 

O seu mais importante livro é o Cordel Triplicado de Amor a Chrislo Jesii Sacramen- 
tado, ao Encuberto de Portugal nacido, a teu Reyno restaurado, Lançado em Ires Lirros de Ser- 
mõens da Felis Aclamaram d' El liei/ Dom Ioam IV. . . Pregou os na índia na See Primacial de 
Goa e em Lisboa un Capella Real. Lisboa 1680. 

Tem gravuras de Thomás Dudley e outros, sendo as melhores: um retrato de El-Rei D. Pe- 
di. > II ; um do autor, que se figura no acto de dar a Santa Communhão aos índios; e um, 
lindíssimo, de El-Rei D. João IV, quando menino, (reproduzido por Dr. Joaquim de Vasconcel- 
ios na obra importante Catalogo de Musica de D. João IV, vol. a). 

Este curioso livro é boje raro. Contém informações importantes sobre o estado politico e 
religioso do Império Português no Oriente. 



(27) < Mil VS Dl D. I RANI [SI O M LNl l I DE MELLO G3 



17 



Se os breves despachos dessa Caza me tirarem o saber de V. M. muitas 
vezes, antes quero ser requerente que despachado. V. M. me mande min 
boas novas suas, que he a melhor munição para |>assar neste Castello. Em 
Palença ' estive, e se não vi a V. M., o li, pelo u\<'i\<'< em alguas letras de 
empresas. Boas são as letras para servir aos Santos, e pintar no Ceo, mas 
que seja o da caza, visto que cà abayxo tão pouco valem. Espero que a 
final consulta do meu negocio torne a esse offlcio brevemente, e eu receba 
do síior. Secretario aquelles que comigo exercita, eu creyo, e devo; confes- 
sa rey sempre. Não lardarey em lembrallo a V. M., para que ajudando me a 
rogar lhe, me seja V. M. também acrèdor dessa boa obra, como mu he da" 
boníssima vontade. Peco a V. M. se uão descuide em me haver aquellas car- 
tas que summamenle me importão, e por isso sò fuy perdellas. Nosso Snor. 
etc Torre em 12 de Agosto de 1049. 

A. e C. 

D. F. M. 

18 



Segundo são os males que contra mi se embrabecem, «ão me estranhe 
V. M. o calor, senão o ter ainda alento para fazer estas letras. Ou isto se 
quer acabar, ou eu; porque as opressões vão de monte a monte. Deos me 
ensine o vâo, que eu estou fraco e cego. -Entendo será amenhãa nessa Secre- 
taria a decantada consulta de meus Juizes. Veremos (segundo espero) mais 
esta vez, que nem por muito cuidar as couzas, ellas se acertão. Meus lu- 
mes tenho de grande variedade, e minhas confuzões das suas. Escrevo ao 
Senhor Secretario largamente, remeto lhe hua Carta para S. Magestade, hum 
papel, parte de aquella declamação, para que 2 se houver lugar de que El Rej 



1 Cidade de Castella a Velha, com uma sé notável. 

•' lia aqui anacoluthia. Elle quer dizei-: para que, se houver lugar, El- Rei se queira infor- 
mar. Mas, como por outro I ido, podemos dizer : paraTquc haja lugar de que El-Reise queira 
informar, elle soiiiiiiou as duas sintaxes (Leite r>K Vasi ONi i i.uim 



64 CAUTAS DF D. FÍMNCISCO MANOEL DE MELLO '(28) 



se queyra informar do processo. Tudo lhe levará João Nunes da Cunha ', 
mas eu tenho com V. M. a fee que sua fee de V. M. me merece, e assim 
como ultima e mor encomenda [teço a V. M. empregue todo o seu valor e bon- 
dade em me ajudar pelos meyos que lhe forem possíveis ; que quando o meu 
amor o não merece a V. M., ainda assim do que V. M. exercita com minhas 
couzas bem se poderá esperai- esta lastima e esta obra para todas as boas. 
Guarde Deos a V. M. como dezejo. Torre em 29 de Agosto de 1649. 



\. C 



19 



Senhor meu, certíssimo de que nenhum silencio fará a V. M.' e esque- 
cido de me fazer mercê, se me 2 desculpar o passado (em que verdadeira- 
mente não sou culpado), pesso a V. M. ce muy confiadamente novas mercês. 
Será hoje, athe manhã, em mãos do S." r Secretario aquella carta dei Rey de 
França em meu favor, e também espero haja de ser logo nas de V. M. ce . 
Creyo que assim na tradução delia, como em todos os 3 accidentes do meu ul- 
timo negocio, que haverão estes dias de correr nessa Secretaria, me fará 
V. M. ce aquelle favor e mercê que sempre, e que agora me he tanto mais 
necessário, como V. M. ce conhece. De meu animo não tenho que dizer a 
V. M. ce , sendo seu e sendo o mesmo. Sobre tudo N. S. or guarde a V. M. ce . 
Torre em 9 de Setembro de 1019. 

Am. e D. 

■ D. F. M. 



1 JoSo Nunes da Cunha, l.° Conde de S. Vicente, Deputado da Junta dos três Estados, 
Gentilhomem da ('amara do Príncipe D. Tlieodosio, e Yice-Rei da índia, onde morreu em 
1668, aos 49 annos da sua idade. Foi poeta e sócio da Academia dos Generosos. D. Francisco 
Manuel dedicou-lhe o Fenis de Africa, assim como o soneto 53 da Tuba de Calliope, nas Obras 
Métricas. 

2 No ms. i-e. 

3 No ms. o. 



(29 I CARTAS DE D. I RANI ISCO MAM li 



20 



Hà infinitos tempos que me faltSo novas de V. Al. , e he esta búa das 
circunstancias que bem ajudam a minha confusão e tristeza, que se funda em 
tantas cauzas, como V. Al." haverá conhecido, e conhecerá o Mundo, quando 
ouvir o ecco das sem razões que se me fazem, respondendo nos effeytos. Por 
là me fazem crer anda essa minha consulta ha vinte e mais dias; e sendo o 
tempo tal, e tal o negocio, asseguro a V. Al. "'. como Christão, que em mayor 
enleyo me não vi nunca. Vim jà a sospeytar se S. Magestade haveria man- 
dado fazer alguma secreta deligencia, movido da grande variedade devotos, 
donde hà dous ex diâmetro opostos; e por ventura que de alguma palavra do 
S." r Secretario se haja colhido bastante ocazião para se cuidar assim. Peço a 
V. M. ce me faça mercê de observar particularmente tudo o que lhe for pos- 
sível acerca desta matéria, porque com qualquer signal de dezengano eu 
embainharey essa pouca esperança de remédio, e me torne a sogeytar a 
hum novo encantamento, pois assim he bem que seja. \ meu Compadre es- 
crevi sobre isto hà dias, de que não vi reposta; bem sey que está de quinta, 
e me conlentarey que passe bem e que, para viver gostozo, alhe o esque- 
cer se de mim ajunte às minhas comodidades, se for necessário. Conserve 
me V. Al." na memoria do seu olíicial mayor com minhas lembranças, e nas 
suas ', que lhe sou o mayor e mais afeiçoado servidor e amigo. Nosso S. or 
guarde a V. Al." como dezejo ete. Torre em 18 de Setembro de 1649. 



\m." e C. 
D. /■'. M. 

21 



Que correspondência se pôde esperar de huma alma despedaçada ? Eu 
me achara ditozo, se sò o fosse da violência a pessoa, com tanto que ao es- 
pirito se perdoasse. Là chegão as lanças da sem razão, là fere a dor, là mala 
a malevolencia. 



00 CAUTAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (30) 



lnda mal, porque os meos disprimores tem tão grande desculpa. Ando 
fora de mim hà muitos tempos, e agora ando sem mim; porque não bastou 
que me destruhissem estes que me perseguem, sem ' que também me enga- 
nassem. Tenho observado vaj o 'meu negocio às mãos de S. Magestade tão 
perdido enfim como meu; e suposto que de sua grandeza muito pudera con- 
liar-, a minha fortuna me faz temer não menos. 

Grande escudo lie por certo aquelle de quem V. M. co me aviza houve por 
bem cubrir e amparar com sua sombra minhas desgraças. Jà pelo S. or D. 
Rodrigo de Menezes 3 havia sabido a singular mercê que a Senhora Soror 
Maria '■ fazia a meu nome; bem mais devida esta obra ao sangue de S. Ex. a , 
que ao meu merecimento, de lodo indigno de ta! auxilio. Se esta Princeza 
quiz mostrar seu poder e bondade em me valer, não acertara com outro 
sugeyto em que tudo mais se luzisse; porque tamanha disgraça de tão 
grande favor necessitava. Mais não hà em mim; mas também fora ingratidão 
faltar eu com material para esta obra. V. M. ce pôde offrecer me a seos pès 
devotíssimo, e perpetuamente obrigado, e necessitado da honra em que S. 
Ex. a comigo se exercita, nesta ultima aflição mais necessária que em ne- 
nhua das passadas. Estou certo que tanto neste rogo e olíerla, como em 
tudo o mais que me tocar, não faltará V. M. co em me fazer mercê, conforme 
tenho visto e espero ver em quanto viva e lambem merecer. A Consulta pa- 
rece não tardara muito em vir a esta secretaria. . Queyra Deos seja de tal 
sorte que tenha V. M. ce primeyro o contentamento do bom successo, e 
guarde a V. M. ce muitos anos como dezejo. Torre em 2 de outubro de Í649, 



Am. e C. de V. M. 
D. F. M. 



1 Hoje dir-se-hia senão. 

-Na caria impressa (Carla* Fam., IV, ó)1é-se: «Tenho observado vay o meo negocio 
acima tão perdido em fim como meu. E siipposlo que da Altura muito pudera confiar», etc. 

3 Presidente do Paço. Foi a elle que D. Francisco dedieou as Segundas Três Musas, das 
Obras Métricas. 

" Esta Princesa era filha illegitima de El-Rei D. João IV, e vivia recolhida, com habito de 
religiosa, no Mosteiro de Carnide. 



(31) CARTAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO 



22 



Direy (não sem pejo, mas com verdade) me incitou a escrever estas re- 
gras, a vista e a ouvida do sr. JoSo Roiz de Sá', que me deo hoje muitas 
lembranças de V. M. , pelo que dou muitas graças ;i Deos, porque se pello 
bem qne tas a todos lhas devemos, quanto mais pelo que aos amigos! 

Não lhe tiremos à mofina sua tamalaves de desconfiada. Muito he, sendo 
feal Somma, s. . que eu me vejo em tal estado, que, contra o que devo 
cuydar, cuydo que a todos canso. Nasce daqui o silencio. higo eu comigo: 
se Job se enfadava de sy, se se parecia pezadOj como se não enfadarão de 
mim, como lhes não serey pezadissimo aos outros! Acbaque-se embora á 
melancolia este argumento; que sobre elle está a fè de que o bom animo de 
V. M." me não faltará nunca. 

Passo a pedir a V. M. me dè aquelle antiguo alivio, que me mandava 
com suas cartas, porque sem duvida que agora que athe eu me vou faltando 
a mim mesmo, lie que necessita de mais fortes arrimos este edifício, antes 
que se arruine; salvo se, por ser ja todo por terra, não ha que temer lhe 
precepicio. 

Disserão me que V. M. c0 consistia tanto naquella afeyção com que olha 
minhas obras, que se determinava a ajuntar algfias cartas minhas. Não 
disputo da razão, pois conheço he a que digo. Pregunto sò se he assim 
porque poderey servir a V. M. nesse próprio engano, à ley de bom e fiel 
libreo, que se lança com seo dono de tão boa vontade ao pego como ao 
campo. N. s. guarde a V. M. como dezejo. Tone em 16 de novembro de 
1649. 

A e C. 

I). F. M. 



1 João Rodrigues de Sá e Menezes foi Commendador de Christo e Capitão das naus da 
índia. Escreveu um livro importante, intitulado Rebellion de Cei/la:i y foi progressos de stt 

• Hl) </,' Omatmrtino </<■ San e .Xnrona. Lisboa 1681. 



68 CARTAS DE D. FRANCISCO MANOEL DE MELLO (õ2) 



23 



ii menos que devo a dons papeis de V. M.. que recebi juntos, lie a res- 
posta de ambOS. Esta divida bem se pude pagai', ainda que tarde; a da mer- 
cê que oelles me faz sò pagara merecendo a; mas isso he impossível. 

Fico de novo (como V. M. ouviria) em novas tribulações: prezo de novo, 
com apertos, com guardas, e com desconfianças. Não sey que haja dado ou- 
tra cauza, salvo se o conformar me com o que de antes padessia, que deve 
parecer menos do que querem meus inimigos. Asseguro a V. M., Snor Antó- 
nio de Azevedo, que me tem poslrado de todo este accidente, e que deze- 
jando como o mais certo remédio delle dar a V. M. esta conta, me não tem 
ajudado até hoje o espirito, havendo começado como com o atino esta novi- 
dade. V. M., que ouve e ve os que vem e ouvem, entenderá melhor as cul- 
pas com que me gravão, e se disser com que me aggravão, Deos sabe que 
mentirey menos que os que me gravão, e me aggravão com tais culpas. Se- 
gundo vay o curso das minhas mofinas, veja V. M. que gosto, que tempo, 
que animo haverá para tratar de outra couza mais que lagrymas e afflicções. 
Eis aqui a razão de não haver escrito a meu Compadre, restituindo-lhe a 
prezunção da sua ida. Eis aqui a de haver tardado tanto a V. M. com estas 
desconcertadas regras. 

Este ofiicio de Secretario do exercito he couza entre nos nova, e que o 
Conde de Alegrete introduzio. Nunca serve, havendo-o. As pessoas que o oc- 
cuparão antes, são bem notórias, e ambas de honra e merecimento : Antó- 
nio Gomes de Oliveira 1 , e Pedro Varella. 

Em Castella vi jà couza semelhante, mas menos formal; porque sò quan- 
do as Armas se governão por mais de hQa pessoa, se lhes põem Secretario, 
que tome e concilie os pareceres. Sem embargo vi levarem alguas vezes os 
Generaes grandes officiaes das Secretarias, com retensão de suas prassas, ou 
nomeação de novos olficios, por quanto aquelles da guerra não são certos, 
como ella o não he. 

Discorro largo nisto, porque os negócios de V. M. são meos, e porque 
veja V. M. se não enganou em me communicar esta matéria. Kezolvo me que 



1 António Gomes de Oliveira foi secretario de Mathias de Albuquerque, Conde de Ale- 
grete Deixou os seus estudos de Direito na Universidade de Coimbra para servir a patriaeom 
a espada e dislinguiu-3e nas batalhas d.: Montijo e das Linhas de Elvas Foi poeta estimado, e 
publicou, entre outros livros, Idylfai Marítimos y Rimas Varias (Lisboa 1617). 



33 | Dl D. FRANI tSCO M \M l I. Dl li',1 

se pôde bem aceytar, e que V. M. será ali estimadíssimo, pois Bellona e Mi- 
nerva he bum mesmo génio. 

Mandando me V. M. as cartas que tem, ficará este Livro em boníssimo 
estado; e, agora que V. M. me raeteo em atlentar para ellas, vejo que tem 
algum geyto. Sirvasse V. M. de me remeter as com que se acha em que eu 
rondo meu crédito, n5o sò por escolhidas de ' V. M., mas por escritas a tal 
pessoa. 

Se V. \i. fosse servido de acompanhar a obra com algúa introducçâo sua, 
leria eu grandíssima confiança e beneficio nesse favor. Pareciame si 
Prologo, e Introducçâo, ou Prologo que o fosse; e que \. M. houvesse por 
bem de escrever hOa Dedicatória da nina ao sfior Ruj de Moura Telles J , que 

por sábio l i, e bom amigo meu. e dos bons (com o que de força o ha de 

ser de V. M.) muito a merece, isto he propozição, e não pacto, e assim pode 
ser alterada de V. M., como fôr servido. O livro vay sem ordem escrito, 
lendo por mais agradável anui a variedade, e me parece que poderá levar 
quatrocentas Epistolas, que, como as mais são breves, não fará fastiozo vo- 
lume. Sobretudo guarde Nosso Snor a V. M. como dezejo. Torre em (i de 
Janeiro de ir>;io. 

\. e c. de \. \l. 

D. /•'. .1/. 

24 



Dissera me V. M. injurias, que ellas chegarão mais diligentes. Este papel 
de V. M., escrito em 26, recebo hoje 31. Veja V. \i. como poderey ser 
pontual, pois nem ainda no tempo o posso servir a tempo. Os papeis vi 
logo. Direy por elles o que disse diante de mi D. João de Garay s (que 
cortezão para allegarl), mandando se lhe um cesto de ruim fruía em hua 
famoza azemola: fes que a recolhessem, e respondeo que In mula era el 
presente. Se de tão bayxa cotiza posso fazer compararão, Snor, a cai ia e 
Prologo he o Livro. Livro nem para sua carta e Prologo pode ser 
bastante. V. M. escreve dobrões, eu, quando muito, reales singelos. Hua 



1 No ms. a. 

* líuy de Moura Telles foi governador de MazagSo, Conselheiro de Estado e Presidente 
do Desembargo do 1'aco. 

3 l). JoSo de fiaray, General Hespanhol, foi um dos 
Catalunha em 1640-164 1, o da Res- 

tauração 



70 DE D. FRANCIS! M INI li. DE MELLO (34) 



razão de V. M. vai por muitas das minhas. Mas emfim pois sou o Noyvo, e 
me ln'\ de honrar com o lugar em que me quiz por a humanidadee cortezia 
de V. M., digo quanto ã Carta, que dezejara metesse V. M. ali lambem por 
motivo da offerta a mercê que o Snor. Ruy de Moura me faz a mi, e a meus 
papeis, parecendo que por esta cauza lhe ficarião mais decentes. Com hum 
pequeno período se fará tudo isto, que eu (f) Gee não de pouco em poucas 
palavras. Quanto ao PrologO; me parece (salvo o juizo de V. M. em que me 
salvo) poderá ser illustrado com alguns lugares das letras humanas. Dou logo 
as cauzas porque assim me parece. A primeira porque se não cuide que he 
supposto, e obra minha, cuja pobre erudição não se pôde equivocar com a 
de V. M. A -V porque indo o Livro á mão de pessoas (se bà algíias no 
Ueyno ignorantes do nome de V. M.) vejão essas que um talento cheyo de sa- 
bedoria faz raso daquelles papeis e os inculca ao juizo publico; couza que a 
meu ver rezultarà em boa opinião do Livro, aquém dezejo melhor sorte que 
a seus Irmãos, por ser afilhado de V. M. Outras razões poderá dar, que como 
são menores se incluem nestas. Retenho os papeis emquanto V. M. me aviza 
e também entretanto os não faço copiar. O recado aos Zoylos he bem digno 
ile V. M.. mas não sey se da obra. Não lhe quero mais Dragões que lhe guar- 
dem seu fruto. Assim elle fora de ouro, como seguro estava. Confesso que me 
consola muito a nova que V.M. me manda do que lhe vay parecendo esse Livro; 
o certo he que por Castella ninguém fes mayor entrada ; mais rica sim farião ou- 
tros. Escrever tanto em lingua alheya, e que se pareça com o honesto que dela 
vemos, não he tão pouco que a mi me fosse fácil. Para os críticos me deu Nosso 
Snor. excellente coração, porque sempre vou a ganhar comelles: se memormu- 
rão, me rio, se me emmendão, me aproveyto ; e no cabo, não sou tão tonto 
que não distinga o que lie zelo do que he enveja. Duvido se tem V. M. jà 
noticia de outro livrinho que estou imprimindo, e o fiz mais depressa que a 
calsada dos Galhardos '. Chamo lhe Pantheon ' 2 , terá quatro atè sinco folhas, 



1 Ha uma lenda da Serra da Estreita que fala da ponle dos Galhardos, feita numa noile 
pelos Galhardos (Diabos). Vid. Dr. Leite de Vasconcellos, Ensaios Ethnographicos, tomo u, 

p. I.'ts, i' Trtiiltrws Populares de Portugal, p. 315. 

Os escritos de D. Francisco Manuel são uma mina riquíssima para o folklorista, pois a 
um grande talento e a um extenso saber litterarioe scientifieo alliou um profundo conhecimento 
das tradições, costumes e linguagem do povo. (lonsulte-se a Feira dns Anexins, as Cartas Fami- 
liares, os A/mlugns Dialugaes e as Oln-as Métricas, passim. Vejam-se os Estudos sobre o Romau- 
cetro Peninsular, de D. Carolina Michaelis. 

- Pantheon, à la immorl(il ; <linl dei nombre linde Poema Trágico. Lisboa 1650. Kste poema 
de D. Francisco Manuel, dividido em duas Soledades, é dedicado a memoria de D. Maria de 
Ataiile, de cujo appellido se formou o anagramma Itade. Foi reimpresso nas Obras Métricas, 
na Tiorba de Polymnia. 



CARTAS DE D. II; W | MIXI.o 7 l 

cora 2500 versos. Cuido que liz algua couza e coma negra tafuiaria de o tirar 
de súbito ;i In i quem quer cegar com ella) o tenho dissimulado 

tanto qne creyo o não reveley ainda a \. M., mas elle será lã muito em breve. 
Ora vamos ao Soneto '. de que lambem duvidava houvesse noticia. Sal) 

medo fallarej nelle, porque havendo elle recebido a alma dos Doulos, 
ia de conciencia despilo delia, e informalo de hú tão limitado espi- 
rito. Considero o S. or Infante hO raro, e nunca visto sogeylo na metapbora 
ii.' aquella rara Vve; e digo assim, Que paxaro es aqurl? (denotando • 
vidade : Penachos dt oro (entendo por sua gentileza) y de laurel cenido (pei- 
tas vitorias de que se adornou), las Augustas insígnias ;^ Vguias de Alemã 
nl i;i . com aluzão ás dos Romanos, das qnaes supposto que Júlio fosse o in- 
ventor, por serem iizadas despois de Vugusto e dos Augustos, bem pi 
lhes lie o adjectivo; e mais próprio, sendo próprias do Império Germânico). 
Con las de Hercules robustas (com os leões de Castella, com alusão ao Nemeo 
de que Hercules fes brazão, e despojo). Temblan s« ceíio, temen sit decoro 
(Alemanha tremeo da sombra, quando vio, ou pôde ver contra sua ingratidão 
irado aquelle Princepe; Castella temeu o respeito que lli» 1 teria o mundo . 
Sangre, nó pluma, vierti cada poro. (A Natureza lhe fazia lançar sinaes de 
enojo justíssimo de sua alma. por donde antes era razão que brotassi 
pompas e bizarrias, dignas de sen real estado. Mais claro: era nelle cólera 
todo o cuydado que devia a sua grandeza). De dòs Piguelas fatigado injustas 
(de se ver prezo pello temor de Castella, e pella astúcia de Alemanha. Pi 
guelas são as que chamamos Pioses, que he vox própria da Citraria). Dormido 
dcascabel (Sintia que por cauza de sua prizão estivesse calada a vox de sua 
fama heroyca). Que en lydes justas (o qual cascavel, a qual trombeta da fama) 
Rcsonante esperava el Indo, el Moro: em lides justas, não porque elle 
o animo á vingança dos que assim o tratavão; mas porque em Gueri 
las contra os Gentios da Imlia. conda os Mouros de Africa, esperava de fazer 
continuo o .som do seu nome pelo mundo. Torno a começar com outrostem 
lios, dou outros sinaes dizendo: Nó és Fénix, que és unis uno. Quero dizer: 
dos Fenis muitos houve, porque ha um despois de outro; porem deste pás- 
saro, deste herôe, não houve, nem haverá semelhante. Que ês unis uno. Mais 
hum he este Príncipe que o Fénix, mais único que elle no numero, no valor, 
na calidade. Diffo mais: Lusitânia texio en cetros sú nido, como dizend 



i Para io e a obra fundamental do Sr. Hamos-Coelho, Histo- 

ria do InfanU D. Duarte (2 ti mi s, Lisb a 1889 90). É d 

entre os versos transcritos nesta :arl nlém mais | sias 

cujo assunto é o mesmo lutam [45 da Viola de 

Talia e 116 e !17 d I rania. 



72 CARTAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (36) 

cuyde o Fénix, que por fazer seu ninho em Arábia, e de lenhos preciozos, 
se iguala rum este illustrissimo pássaro, porque para elle teceo a Lusitânia, 
mais nobre que a arábia, hum ninho mais soberano. Lusitânia texio en cetros 
s/i nido. Tecer o ninho he boa frasis; e seremcetros os adubios, alta prero- 
gativa. Texto en cetros, istp be, de quantos Reys, quantos descende, se ajun- 
tou a soberania, para que este Príncipe fpsse nascido e criado. Tantas reales 
Milanês marmol alas dificulta. «Tantas reales alas»; lautas reaes prendas, 
com que poderá sobir aos mayores Impérios: lautos pensamentos gloriozos 
que lhe servião de azas; e aquellas que lhe derão em sangue e brio seus 
Reaes ascendentes. Dificulta: prende, cobre, delem, húa só pedra de Milão. 
Tão bem aludindo a aquillo de Alciato 1 da aza com a mò pendurada; deno- 
tando que não ha merecimento que, em querendo voar alto, se não ache logo 
contrapezado de lula pedra, de húa disgraça, que o não detenha. Marmol di- 
ficulta: húa pedra, bua campa, sô pôde atalhar seus gloriozos progressos. Dou 
mais sinaes ainda de quem seja, visto que por elles o quero inculcar ao Mundo 
sem o nomear. Dorô, vengó los bosques de Germânia. Dourou, aformoseu, fes 
claros e excelentes os bosques, as florestas de Alemanha, com o grande ex- 
plendor de suas virtudes. Vengó: castigou com seu valor as injurias que an- 
tes que elle apparecesse naquelles bosques, havia recebido de seus Inimigos. 
Vengó. Não fora nunca Germânia satisfeyta de seus agravos, senão fora pello 
braço deste capitão. Limpia prendiolo. Estando já limpa das sombras de tanta 
afronta, assi pela claridade de seu animo, como limpa de seus torpes enemi- 
gosque com erros lhe manchavão a religião, e a çujavão, então o recolheo à 
prizão. As vozes, Limpia prendiolo, parece que não esperava a mais para lhe 
ser ingratíssima, que verse, por elle acabada de limpar, e tornarse a seo an- 
tiguo Lustro. Vistas las senales, perdonala ai dolor 3 sy el nombre occulta. 
Tendo mostrado as parles deste Princepe; tendo dito que não teve no mundo 
igual; tendo relatado os benefícios que delle receberão, e as ingratidões com 
que lhe pagarão: não é jà necessário nomealo, porque nem em merecimen- 
tos nem em disgraças ha outro que se possa trocar com elle. Perdonala ai 
dolor, s// el nombre occulta. Não se atreve a minha dôr a nomealo; e ainda 
que a vossa para ultimo desengano o dezeje, perdoay este silencio ao meu 
sintimento. Pode. se aludir neste recato ao que lançou a toalha, ou pintou, 
por mostrar assi a dor do sacrifício de Iphigenie, que elle não se atreveo a 



1 André Aleialo, eminente jurisconsulto, humanista italiano (n. J492, m. 1550), compôs, 
entre outras obras, o Emblemaíum libellus, publicado em 1522,— collecção de sentenças moraes 
em dísticos latinos, que teve grande popularidade na Península, e albures. Uma 2 a edição muito 
aumentada foi feita em Augsburg em 1531 pelo antiquário Conrad Peutinger, e seguiu-se 
grande numero de edições illustradas e commentadas, até os fins do século xviri. 



(37) l \A1 kS Dl D. I RANÇISCO W II T.\ 



pintar, como era bem que fosse 1 . Isto foy finalmente senhor meu, o que eu 
desejey de dizer; se o >ej ; mas tendo a \. \l. que por mim res- 

ponda, >'ii desprezo qualquer outro oráculo. Perdoe V. M. a impertinência 
com qqe me declarey, que se o cansey, a queda foj de ambos, pois em can- 
sar a V. M. fico assas castigado. Iii> que esta minha satisfação ha pai 
se sirva V. tf. de me avizar, e lambem de guardar esta Paulina ', [mu- se 
acazo for necessário para outrem, para quem seja mais precisa que para 
V. M."' cuja pessoa Deos guarde como dezejo. De negocio escreverey outro 
dia, que certo hoje fico rendidissimo. Torre cm 31 'Ir janeiro de 1650. 



A. e C. 
n. /•'. M. 
25 



Infeliz troca: pui- taes Dísticos, tal Soneto. Das do mundo. Vaj o papel 
que logo achey, como a verdade a de cima. Não foy dos cotados 'I" I'. Ma- 
cedo 3 : e não vai menos por não ser sellado. Vai sem sello. No mais, muito 
ha que dizer, e não tudo. lai tremo de dar lugares. Justíssimo temor a quem 
nem para si o pode ter! Já hoje be preceylo o que começou COllfiauça. Não se) 



1 A lenda ,{•■ [phigenia é das mais conhecidas, tendo sido vulgarizada poi | 
e modernos, mas sobretudo por Euripides. O quadro de Timanthes, em que aquelle artista re- 
presentou Agamemnon escondendo o rnsh. para não ver o sacrifício ila^uaiii 1 

foi uma obra prima da pintura antiga. Será a este quadro que D. Francisco 
neste logar? Se assim fosse, seguia o exemplo de Jorge Ferreira a. Vasconcellos, o qual no 
ihmoriai <i" Tavola Redonda, cap. xi.vn. se desculpa na descriçSo da Infanta D. Mari 
ho pintor que cubrio " rosto no sacrifício de Eufi 

uma .-.'iii;! de excommunhão comminatoria a quem nSo revelar o que 
sabe em alguma mal sria a- que — por essa via pode haver noticia. Figuradamente, ai 
compostura acerba 

3 Padiv Macedo é <> «varSo verdadeiramente encyclopedico» a quem D. Francisco, no pre- 
facio ilas suas Obras Métricas, chama «nuestro insigne Precetor e Amigo, ■•! I'. M. F. Francis,-.. 
.1,- Ifacedo, cuyps copiosos caudales logran admirablemente a,.- Cátedras muclios púlpitos, no 

p s Tribunales j innumerabiles Typos». Qual Pico delia Mirandola, defendeu mi Veneza em 

16S8 as taladas conclusões de omní re si ibili durante três dias, e depois, em 1667, maias ainda 
mais famosas que 'luraram oito dias. A Republica tributou-lhe (puna- .1,' cidadão i 
mandando collocar o seu retrato na Biblioteca de S. Marcos, e deu-lhe a i 
phia moral da Universidade de Pádua. 



/ 'l CARTAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (J38) 

como me haja com os incertos certos. Digo com os que mandarão obras em 
seu nome, mas ellas sem elle. V. M. por si me avize. Conheci e fuy amigo e 
servidor do D. 01 Jeronymo Ribeiro, Pae do Licenceado Duarte Ribeyro l . He 
nobre cansão á sua: melhor que as mais, a meu juizo. Não mo pague, mas 
sayba-o. Recebo a .ura, e o mais que sobre ella me diz. V. M. não Qcarà es- 
crito nella. Melodino - far se à temer, tendo a V. M. i>or Padrinho, qual eu 
por Mestre. João Róis esteve aqui, que me deu novas de V. M., e o amo por 
isso mais; lambem da Apologia ao Censor. Todo o mundo hc açougue, quem 
ln ih diz, melhor ouve, — coutão as velhas. He tardíssimo. Venhão, se se derem 
as cartas, e quando não, sem ellas teremos livro. Alegre estou do frontespi- 
cio; o nome de V. M. lhe bastava por fachada. Não posso mais. Nosso Snõr. 
ele. Torre em 10 de Fevereiro de U550. 

A. e C. 

D. F. M. 

26 



Sobeja me, S. 6r , o tempo, e falta me o tempo. Falta me porque afligido de 
achaques, que me trás o que sobeja, para nenhuma outra cousa tenho tempo, 
senão para me doer e sentir das misérias em que me vejo, e para temer e 
assombrar me das que me estão esperando. Vay me muito mal hà alguns dias; 
mas nem isto ouzo a dizer a todos, porque o ser ouvido com desprezo lie 
ainda mayor injuria que o não ser ouvido. Eis aqui a cauza por onde muitos 
lhe dirão a V. M." que passo bem. Muitos hà a quem eu, nem de lastima qui- 
zera ser devedor. 

Sou amigo de justificar minhas acções, e se os papeis forão capazes de 
segunda razão, atrevera me a mostrar como não delirava na pretenção que 
tive de que fosse mandado á índia. Mas sobre que as cauzas erão muitas, e 
a meu juizo justíssimas, nunca passou de dezejo este negocio, e só o em que 
fiz mayor deligencia foi em buscar meyos para poder entender se S. Mages- 



1 Jeronymo Ribeiro foi suecessivamente Juiz dos Órfãos e do Cível de Lisboa, Provedor 
de Guimarães e Corregedor de Évora. Na bibliotheca ifesla cidade ha cartas de D. João IV 
dirigidas a elle. 

2 Melodino foi nome poético escolhido por D. Francisco Manuel. O livro de que se trata 
aqui intitula se Las Três Musas dei Melodino, Lisboa 16i9, com poesias em castelhano, que 
foram reimpressas nas Ohms Mtiriras. 



(39 i CARI kS Hl li. i i; l.VI ISI O ti I I 7."i 

lade queria, ou não mandar me. O que de tudo tenho recolhido lie qin 
serve qne eu và; e assim tenho jâ cessado de falar mais nesta materi 
curando o possível compor o anim i para qualquer succe so. Porem esta pos- 
sibilidade, com licença dos Estoycos, he assaz dificultoza, e cuido certo que 
mais vezes se consegue poi imbecilidade que por constância; porque os âni- 
mos, que não são para nada, vemos quazi ordinariamente levarem melhor as 
adversidades, como na fraca complei imprimir t3nlosua vi 

a enfermidade. Assim perdoa o rayo ã cana fraca, e não perdoa ao pinheyro 
robusto. Emflm Deos dará vigoi para sobrelevai a carga, que quanto he fazer 
conta das forças naturaes he bem ocioza esperança. Tenho dito a V. \l." 
quanto sey desta minha rezolução, e quanto a ninguém disse. 

Bem justo era que, pois eu não podia servir a V. M. naquella recomen . 
dação com mais que a deligencia, essa não faltasse; segundo me acuza o Es 
moler mor, parecia me que V*. \i. " desse hum memorialzinho a meu Primo, 
para que o desse elle de sua mão à Senhora Dona Mana de Portugal ' sua 
irmã, porque venho a entender que a Rainha Nossa Senhora reparte aquellas 
eleyções pelas encommendadas das Damas, e he bem razão que vão a bom 
lugar todas ns Pessoas que tem taes \njos da (inania. A deligencia he tão 

fácil, que bom será não deixar de a fazer; seremos assim todos a servir a 

V. \l. "'. que segundo o pouco poder nosso, praza a Deos que ainda todos bas- 
temos. 

LembresseV. M. desta promessa da Paschoa, e não me estranhe as lem 
brancas que eu lhe fizer delia. Os princípios do livro venhão quando a \ . M "' 
lhe for mais leve, que então me parecerão melhor, custando lhe a V. \i ' me- 
nos trabalho. Eu me entenderey cà com D. A."-' no tocante às cartas; hasta que 
selhe haja feyto por outrem a primeira rogativa. Se V. M. "' tem novas de Évora, 
diga me. o que sabe de meu Compadre. Sobretudo Nosso s. iH guarde a V. M. 
como de/ejo. Torre em 25 de Fevereiro de 1650. 

Am. o C. 



1 lt. Maria de Portugal foi tlaina da Rainha I). Luisa e ulteriormente da Kainha 1». Cali 

rina, cm cujo séquito partiu para Inglaterra com o titulo de • londessa de Penalvi rendo 

em 1684 Nesti itras cartas D Francisco refere-ge ao seu compadre, qui lo 

deprehende, vivia em Évora lerá talvez Manuel Severim de Faria, chantre eborense, e em 
nente antiquário, a quem eâo dirigidos os seguintes números da 
ui. 20 e 80, e iv, i3. 

- Talvez D. António Spínola, já referido \ a caria l(i. 



CARTAS Hl: D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (40) 



27 



.lá se não passará sem mortificação esta Quaresma, bavendosse passados 
tantos dias delia sem que eu tenha novas de V. M. lejum d'alma lie este, e 
que não pouco enfraquesse o espirito carecer daquelle ar que alenta e vivi- 
fica a amizade, qual o traio. 

Quando V. M. melhore desta queyxa das mais, seja Deos benditis- 

simo, me acho convalescido. Eu jà não conto por trabalho a pena continua. 
Desta peçonha soube lazer iguaria (pôde, senão soube) o tempo, e a nesces- 
sidade. 6, e o que se ganha em não ser melindrozo de paciência! Forrey 
me eu peio menos hum lindo disgosto que se me lua àzando, sò com se me 
não dar ile mi mais do que se lhe dà a quem dezeja fazermos. 

Vá de ludo. Dizia me hontem hum Fidalgo amigo e bom amigo (sesão duas 
couzas qúe não devião ser) ouvira a outro Magnate vituperar me altamente, 
fallando nas parvoisses do meu livro, por thema, ou teyma (que as tem, teve, 
e terá) das minhas injurias. Preguntey lhe em que se rezolvia : se em dizer 
mal do Livro, ou de seu Dono; disse me que do Livro. Respondi lhe que lhe 
dicesse que de mi sentira eu muito que dissesse mal, porque era eu já velho 
para emmendar me ; que do Livro não importava, porque eu faria outro peyor 
que lhe contentasse. Bem necessários me são estes pós na testa, que me lem- 
brem do que sou, quando me vejo cercado de outras noticias donde os mais 
sezudos correm mayor perigo. Os dous amigos não aportarão ainda cã ; de- 
lendeo-lho o tempo por me oíiender a mi, que el.le teve espada nua estes 
dias, e ha muitos que de tais dous gumes. Eu considero a V. M. # na índia. 
Tão longe por sua occupação. Não dê a tardança algum cuidado. Mas se com- 
tudo estão jà passados pela Chancellaria do Mestre, muito folgarey de que 
venhão esses papeis. Se João Roiz de Saa, nosso amigo, tem feyto romaria a 
V. M. despois que cá esteve, dirá dos princípios de hum discurso em que me 
occupey estes dias, e para que a V. M. cito, dando lugar o tempo. Servirnos- 
ha de faltar. Chamo-lhe Carta de Guia de Cazados i . Houve cauza para se 
escrever, e tem-me enganado: chegara às mãos daquelle critico, e dezenganar 
me ey. O Pantheon está acabado de estampar, e também irà logo. Requere 
não sò tempo, mas gosto e companhia. 

Eu jà que das abelhas não posso tomar o mel, tomo pelo menos a indus- 



A Carla de Guia de Casados foi escrita nos princípios á& 1050 e publicada em 1651. 



il CARTAS Dl D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO 77 

tria. De tudo provo. Escrevi a S. Magestade essa Carta. Entendo, pelo avizo 
que tive, irà de El Rey, e jà pode ser que com outro papel 

om que o Conselho quer eu a acompanhe. Esteja V. M. advertido, 
porque eu Dão dezejo nenhQ bom successo que não deva muito ao animo de 
V. M. 

Observey (qão sem razão devia manifestar ao Senhor dessa Caza a pouca 
i';i/.riu que havia para duvidar da minha boa fee. Respondeome a pessoa a 
quem o pedi se havia logrado bem a diligencia ; muito quiz conflrma 
nova. intervindo V. M. na certeza delia. V. M. leya em penitencia, que não 
será pequena dar attensão a tanto, ainda que meu não fosse. Nosso s 1 etc. 
Torre em 6 de Março de 1650. 

A. C. 



28 



Tão deshorado, como eu, vaj este papel escrito despois das duas h 
que no ultimo me mandou ' fosse lá o meu portador. Estou com assa/ dezejos 
e não pouca necessidade de saber o que V. M. me avi/ará em ordem a aquel- 
les meus particulares, que também alguns são geraes peio que comprehen 
dem. Isto lia de ser de tudo de V. \i.. porque eu Dão estou sobo lo que tenho 
escrito para mais que confessar minha fraqueza, e pedira V. M. sua pallavra. 
Aqui tive hoje ao D." e a seu Collega; houve soalheyro, e boas praticas, que 
o nome e amor que lodos temos a V. M. esmaltou. Ao Licenceadp Duarte 
Ribeiro hey de escrever; V. \l. me guarde segredo de que recebeo esta, por 
Dão parecer que falto. Com V. M. bem me averej não lhe dizendo agora nada 
dos papeis que recebi; li e não mereço nem louvalos. De guerra me convide 
V. M., e se houve por là jà memoria de aquelia minha proposta. Pi 
etc. Torre em 9 de Marro de 1650. 

C." 

D. /••. M. 



1 Entenda-se: me mandou V M 



78 CAUTAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (42) 



29 



Fiquej com muito sobresalto com a nova que V. M. me mandou de sua 
aflicção. Se se pegão os achaques corporaes (e mais aos que mais se amão) 
porque se não pegarão os do Espirito? Tenho também medo de preguntar a 
\ . \l. d Hm daquelle successo. Ha huns engannos que nos estão bem; e nisto 
de vida e morte, a cada passo, a cada accidente. Escolheria de qualquer modo 
Deos o que mais conviesse. Sem embargo de carne, somos obrigados por 
suas leys a sentir e a chorar o que magoa. A íilozofia ie ainda a christandade) 
lie despois. Não farão pouco as razões quando estejão ali parede em meyo 
com as lagrymas para consolar os desconsolados. Oxalá todo o meu discurso 
seja ociozo ; mas para que V. M. o não esteja em me fazer mercê, sayba 
V. M. ' como hoje deo o P. Confessor liuma petição minha a S. Magestade, 
porque peço se sirva S. Magestade de me mandar passar de aqui para o 
Castello de Lisboa. Kespondeo-me logo, achara em El Key tal modo que es- 
perava cedo mãdarme a resposta, digo, despacho. Isto lã deve de correr a 
meu juízo, e porque pode ser, escrevo ao Secretario, e lhe remeto por minha 
via a Carta, quiçá com animo de que não lenha a V. M. por parcial meo, e 
assim logre melhor sua intensão. 

V. M. bem sabe e vê o que me vay nesta mudãça de commodo e des- 
canso; não lia senão ajudar todos a ver se se pode abalar este Monte, que 
de difficuldades pode muito bem ter o nome. Tenho muito que escrever, des- 
culpesse assim meu desconcerto. Sobretudo guarde Deos a V. M. e me traga 
a mi boas novas com que me alegre de ver V. M. fora de vizos. Torre em 
15 de Março de 1650. 

Am." e C° 

I). F. M. 



1 O que se lá d'aqui até o Dm falia no texto que saiu impresso nas Carias FanàUar 
76. 



í.'l CABTAS Dl D. FRANCISCO MANUEL DE UELLU 7H 



30 



Deos dos trouxe. Homens aos ajudarão. Seja Deos louvado. Seji s ho- 
mens reconhecidos. 

Nem para isto ha hora; mas para menos que isto ha em V. M. amor para 
se dar por ora por satisfeyto. Grande alvoroço, grande obrigação, braços e 
coração aberto, saúde pouca, amigos muitos, juizo escasso; conteutemo nos. 
Mil dias lie hum instante. Os Domingos pela menhãa (o destes digo) serão 
para ;imbos nós a propo/ito de ver nos, e ouvir nos. Dirija V. M. o»' papel 
.1- nossas aras, e ponha de novo ao livro da obrigação (se cabem ainda) os 
beneflcios grandes e muitos. Nosso Sur. etc. Castello •'!! de Mareo de 1650. 



31 



Se este nosso desvio nasce da ocuparão de uai e outro, terey esperança, 
como de al(mm ócio, de alguma emenda ; mas se toca em desgraça como pa- 
rece, (e minha) não há senão entregar à dezesperação. Podia ser que vendo 
me jà nesse estado, a sorte satisfeita se mudasse. Bofe. meu S. or António de 
Vzevedo, sempre eu dezejo muito dever ;i V. \i. , mas quanto he agora, não 
sò o dezejo, mas o necessito. Estão me de prezente succedendo couzas não 
poucas, para que muito e muito me importava, quando menos o acerto, huma 
conferencia com V. M. "■'. Haja-se por pedida. 

Terá V. M." lá ouvido como S. Magestade foi servido de me mandar fa- 
zer hum manifesto em justificação do procedimento de seos ministros acerca 
do recebimento e mais progressos destas armadas Inglezas ' (qne enfim, isto 
em que andamos, he Imã ingrezia). Occupadissimo estou com este papel e 
assombrado, vendo a muita dezigualdade que ha entre a sua importância e 
a minha suficiência. Aqui pudera V. M. bem socorrer nos. 



mencionada na IntrodncçSo. 



80 CAUTAS DE n. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (44) 

NSo são tão ditozos os meus criados que saibão aquelle ócio fabricado dos 
Deuzes ' onde vive Alexandre de Figueiroa 2 . Por essa cauza peço a V. M. CL ' 
se sirva de lhe querer encaminhar essa carta, que lie em matéria de nego- 
cio, e lumi dos principaes, que espero tratar a V. M. ce quando nos virmos. 
No entretanto saiba V. \l."'. que, como sempre, me tem promptissimo ao seu 
serviço. Sobretudo guarde N. S. or a V. M. ce como dezejo. Castello em 15 de 
.Mayo de 1650. 

Am. e C. de V. M. oe 

]). V. 1/. 

32 



Senhor Meu; Se a V. M. co lhe for prezente o que tenho padecido estes 
tempos, não estranhará V. M. ce que me falte vida e alento, senão que ainda 
lenha algum para poder animarme. 

Todo o ódio, toda a iniquidade, toda a violência, toda a maldição que 
cabe em homens, e homens mãos, se armou contra mim, fraco, prezo, abatido, 
e indefezo; veja V. M." que igual batalha, ou que esperança, posso ter de 
victoria neste trance ? 

Os successos são tàes e tantos, que larga escritura pedião. Faço sacrifí- 
cio a Deos e às gentes de os não referir, que jà disse S. Cipriano, infamava 
todas as idades quem memorava os malefícios passados : as passadas com a. 
memoria, e as prezentes com o exemplo. Taes couzas melhor he que se ca- 
lem. Deos as publicara. Espero nelle que com perpetuo horror as castigue. 

Toda esta maquina se dispõem a perpetuar me nesta prizão, e que não 3 
consiga aquelle grande alivio (veja V. M. ce que tal) de hir desterrado para o 
Brazil; e aquillo que nem os inimigos pudèrão negarme, querem que o tempo 
mo negue, dilatando a execução d'este juizo. 

He já subida a S. Magestade a consulta da Meza da Conciencia; constante 
couza foi dizerem todos que la se havião estranhado de que os juizes, ha- 
vendo anno e meyo que o erão, e provião como tàes nos autos, agora duvi- 
dassem se o podião ser. Elles tinhão nos mesmos autos a rezolução donde 



i Deus nobis haec otia fecit. Virgílio, Egl. i, 6. 

- Alexandre de Figueiroa foi Secretario da Rainha D. Luisa e poeta da Academia dos 
Singulares. Também contribuiu para as Memorias Fúnebres de D. Maria de Ataide. 
3 No ms. nos. 



I lõ CARtAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO SI 

stas sentenças contra mim, havendo eu posto a hum delles a própria 
sospeyção. 

Finalmente, senhor António Luiz de Azevedo, o que eu peço a V. u. he 
o que V. M. ' , sem lho cu pedir, sey que fizera: que \ M. por sua 
e pelos meyos que lhe forem possíveis, queyra ajudar i^i;i minha pobn 

tenção, lembrando ao Senhor Secretario dirija e alembr lisponha o des- 

pacho delia, porque de outra sorte eu ficarey aqui athe que o ecco da trom- 
beta do Juízo Universal nos chame a todos, e confunda, como confundirá aos 
que assim me tem julgado, e não acabão ainda agora. 

Eu escrevo ao Senhor Gaspar de Faria '. do ruja mão espero este grande 
beneficio. V. \r lhe ofreça sempre dianti lerecimento delir. Ao S. or An- 
tónio do Couto me tara V. m mercê da mesma recomendação; e a mim de 
perdoarme a cauza da relação destas lastimas, as quaes eu a nenhús ouvi 
dos de melhor vontade encaminho, pois sey a compayxão que Imo de achar 
na de \- M. ''", cuja pessoa Nosso s. 01 guarde como dezejo. Tom' em 30 de 
Julho de 1650 

Am. e G. de V. M. ' 

I). F. M. 
33 



Havendo me bailado ha tantos dias. creyo haver dito a V. M. como nelles 
tenho passado. Mas este silencio que às vezes he elegante, não me hasta a 
informar de como V. \i. se acha. Isso peço. Agora me disserão que de novo 
eslava o Snor Secretario sangrado, couza que muito sinto e he para sentir 
muito. Sirvasse V. \t. de me dizer em que estado esteja o achaque, e agra- 
decerey mais a nova da melhoria. Peço sobre tudo a V. \l. lhe queira enca- 
minhar parte deste cuidado com que lico e estaiev, sempre que o snor (.as- 
par de Faiia não estiver como eu dezejo. IVosso Snor. etc. Castello em í de 
igosto de I6b0. 

V. e G. 

I). F. M. 



■ Gasp .i de Fafi i - erim foi Secretario das Mercôs de EI-Rei D. João i\'. e do • 

selho. Poeta e genealogista, acrescentou a rica Bibliolheca herdada de Beu tio, Ma i Severim 

de faria, e mandou gravar <> pritoeiro retrato de Camões que saiu nos Dim 
i Ifi24 . 



X-_> CARTAS Dl l». FRANCISCO MANUEL DE MELLO (46) 



34 

E ,.„ sey qvie tenho melhor dita com as minhas intercessões para V. M. 

\ M com e n as p ar a outrem; mas quem he senhor da minha vontade, 

poaco mais achara em mi de proveyto, e este seguramente que não faltará a 

V. M- nunca. 

Capitam Diogo da Costa Quintal * he hum soldado de todas boas cali- 
dades e de cujo valor e procedimentos eu tenho larga experiência. Propõem 
agora'a S Magestade sua pertensão para por ella alcançar algum premio de 
seus serviços, e animasse a fazer outros de novo. Faço certo a V. M. que 
toda a. honra e mercê que S. Magestade lhe mandar fazer, será delle muito 
bem merecida. . 

Sirvasse V. M. que pelo que tocar a sua pessoa e diligencia, que lhe sou 
eu servidor e amigo; e que o sou tanto de V. M. f que lhe mereço reparta 
com os outros do "favor que em mi faz sobejo. Nosso Sfior guarde a V. M. 
como dezejo etc. Castello em 29 de Novembro de Í650. 

A. C. 
D. F. M. 
35 



Muitas vezes lie fiel a vontade, eu digo que, sempre que lie boa, he fiei. 
Não me espanto que, sendo a minha tão boa, fosse fiel, e acertasse a servir 
a aquella s." e em companhia de V. W mais certamente. 

V. M. ce me enriquece por todos os modos. Pode ser tão liberal de the- 
souros quem tem Ima tão rica mina. 



i Na sua edição .las Sondada da Terra de Fructuoso, diz A. R. de Azevedo, a p. MO, 
falando do 'nome Quintal: .« appellido antigo na ilha da Madeira, porque já Manoel Thomaz o 
aponta na Insulana ; mas só delle achamos Diogo da Costa de Quintal que vivia em 1662 e então 
fundou a capella de Nossa Senhora das Angustias na sua fazenda de Morgado a oeste de Fun- 
chal». O IurmKmo dos Uvros das Portarias do Rein? regista varias mercês fe.tas a este mili- 
tar (V. o índice do vol. i, Lisboa 1909). 



1 ' ll CARTAS DE D. FRANCISCO MAN1 l.i. DE Ml i LO 



83 



Os lugares irSq a seu lugar. Sou fraquíssimo requerente, e oem por ser 
justa a pertensão, me fas ouzado. 

Necessito de bua remissão ordinária do s. or Secretario nessa petiçam 
para que se veja e consulte no Conselho da Fazenda. Peço a V. M. queyra 
tomar á sua conta este pequeno negocio; pequeno, se for medido com o 
animo de V. M.", grande, se com o meu merecimento. Castello em IO de 

I c\ RPAÍrn ,l.i c; I 



Fevereiro de 651. 



A. e C. 
D. F. M. 



36 



Snor António Luiz de Azevedo. Pois V. \I. se ha de cansar por me 
fazer m. ee , como costuma sempre (ou por me fazer mercê se não ha de can- 
sar,, sirvasse de me dar algum lugar* de Poeta Latino Clássico em que nomee 
a Mu/a Cito, e a Muza Caliope, em versos distinctos, para se escreverem ao 
pee de cada bua de suas liguras. E se de caminho vierem também versos 
Mm o nome de Apulo e Orfeo, terey logo tudo o que hev mister, como em 
V. M. acho e tenho sempre. Nosso Snor, etc. Alcântara 9 de Julho de 
1652. 



C.° 

l>. Fr. M. 
37 



Com Papel e Tinta de secretaria não posso deichar de dizer a hum Se- 
cretario couzas de boa tinta. 

Senhor meu, esta jornada minha já se vaj apoderando tanto de mim 
que he força recolher os moveis, jà que as raizes me deyxàrão. Sirvasse 



' A nota seguinte vem á margem do códice : Horat. 2. Cann. Od. 12.- Vire 10 -Eneid 
■Lucre.. lb. 6.-SUUO Ib. I - TiLuIlu. I. 2. Kleg 4. _ Ovid. I. , SZSTt 
íeis; Yirg. 10. JBneii 
No ms. : lugar algw 



Bucolicis; Virg. 10. .Kneid. ; Virg. EclogTô." " "" " _ ""'^ ' ' ^ ~ ^ '" 



«Si CAUTAS DE D. KRANCK5CU MANUEL DE MELLO ' ("48) 

\ M. de me mandar as Fontes l , que suposto não sou tão seu Narcizo que 
nellas perigue, todavia, por serem de agoas de que V. M. ce quiz beber pelos 
ouvidos, que também são bocas da Alma, como os olhos, be muita rezão que 
eu as estime como as Hipocreines e Aganipes. Sobretudo Nosso S. or etc. Se- 
cretaria em 16 de janeiro de 1663. 

Am." e Dte.° 

I). F. M. 
38 



; Bem sey que ainda be mayor por possível que haver boas novas que 
me possão ser dadas, o não mas dar V. M. Estas estimo tanto, e mais pela 
circunstancia que pela essensia. Quiz nosso Senhor que no próprio tempo 
cm que alguns que me devem algíía couza me estão faltando, outros que 
nada me devem se lembrassem de mi. A qualquer dos dous amigos que V. M. 
tem naquelle Tribunal, me fará V. M. favor muy grande, manifestado lhe este 
meu reconhecimento e grande devoção a cada hum delles. O negocio tem gran- 
díssimas difíiculdades, e para mi mayores. Pareceo me concorrer a elle com hum 
papel que estou escrevendo acerca do que poderá El Rey fazer neste cazo. lie 
notável o empenho com que me emprego na obra; bem havia mister o soc- 
corro de V. M. de mais perto. Acaballoey nesta futura semana, e será apre- 
zentado a S. Magestade; ver se ha então distintamente o que he justiça, e o 
que abuzão. Velo ha V. M. logo. Se aquellas Cartas, e Declamação - não tem 
lã lugar, agora me servião aqui para me não encontrar, sequer, com o que 
nellas digo. Faça me V. M. mercê de observar qualquer desses movimentos, 
e procurar entender (quanto seja licito) se por essa via se trata do negocio, 
ou pela de estado. 

Quando António de Couto seja necessário para ajudar nos, creyo o fará, 
como promete. Eu de mi nada prometo ; por que sendo de V. M. todo, fora 
prometer o dar do alheyo. Nosso Sr. etc. Torre em Domingo. 

C. Alt. 

D. F. M. 



1 Referencia ao ms. da Visita cias Fontes, o 3." dos Apologos Dialogues; obra de D. Fran- 
cisco Manuel que foi publicada posthumamente. 

'• É possível que esta Declamarão seja a Declamaram jurídica, inédita, incluída entre as 
Obras demonstrativas no calalogo impresso no tomo 1 das Obras Morales de D. Francisco 
Manuel. (Veja também o numero 59 desta colleeção). 



i i!» I GARTAS DE D. FRANCISCO MAM EL DJ Ml LLU 



39 



Nada me embaração os meus trabalhos, para que falte em senlir os dis 
gostos de V. M. Espero em Nosso Sfior. que a resposta deste seja dizer me 
V. VI. tem jà fora de perigo os seus quatro Vnginhos. Não podia \. \i. dey- 
\:iy de ser amigo de quem merece o sejão todos os que amão a bondade. Fico 
muito satisfeyto de que \. \i. se conforme com aquelle meu parecer, v> Car- 
tas espero, para que as vamos salpicando entre as mais. adubarão as outras, 
trazendo o sabor da estimação que V. M. lhes lia dado. Se V. M. por lâ tem 
alcançado de meus negócios algua noticia, muita mercê receberey em que me 
reparta do licito, e possível. Nosso Snor. etc. Torre em D.° 

.1. e C. 

D. F. M. 
40 



Bem mayor mercê he a que V. M. me faz, mandando me peça esta ao Es- 
molei- mor. do (pie elle me fará concedendo no la. O papel vay aqui, e por- 
que não pareça intercessão, senão negocio, logo lhe escrevo quanto me vay 
em que esta encommendada de V. M. fique servida. Não lhe empeça, ora. a 
minha boa vontade. Que fora a minha tal que coubera nella em obra quanto 
em desejo! Dos meus achaques, muitos e porfiozos, algua cousa tico melho- 
rado, não porem que me dexem dizer mais. Muito deve de ser o trabalho, e 
segundo cà soa, mayor agora com novas de inimigos. Sempre virá a tempo 
essa obra, que como da mão de V. M., não lhe pôde faltar essa circunstan- 
cia. Quando V. M. possa, queyra alegrar me com ella, e as mais novas e 
censuras. Sobre tudo guarde Deus a V. M. Torre Domingo. 

Amigo e C Att.° de V. \l. 

D. Francisco Manoel. ' 



1 O nosso autor costumava assignar-se D. Fr.< .!/.•' ou D Fr. Manuel. A BSsignalura 
I). F. M., que se acha, tanto nas outras cartas do Códice, como nas Cartas Familiares, foi 
naturalmente abreviada assim pelo copista. 



86 CARTAS DE li. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (50) 



41 



Nem saúde, nem tempo tinha para estas regras, que às escuras faço: 
V M. as alumie com o juizo, e boa vontade. Em 16 sobio a Consulta do Con- 
selho de Guerra sobre o negocio das Torres. Em 19 se deu a petição. Hoje 
me escreveo o P. Confessor, e o Camareyro mor que S. Magestade lhes dera 
o sim da mudança '. Se couza disto apparecer, ou a respeito da Carla hou- 
ver lugar de que V. M. o lembre ao Snor. Secretario, grande mercê recebe- 
rey nisso, e como de V. M. Ruy Lourenço 2 está aqui: ou ambos havemos de 
estar dezacominodados, ou hum de todo, e este he razão que seja eu. Enfim 
não falta em que padesser. Deos seja louvado ; se damos os parabéns de haver 
hum filho entrado no Passo, com quanto mayor razão os daremos de haver 
entrado no Céo? Não dou a V. M. pezames de cousa tão felice ; a mágoa pas- 
sará, e a Gloria ticarà. Nosso Snor. etc. Torre 13. 



C.° 

J). Fr. M. 

42 



Agora me vay menos mal; porque me vay melhor de novas de V. M. 
que meu Compadre me tem delias mimozo. Venhão me sempre as que de V. 
M. dezejo, mas que 3 mas tragão os inimigos, quanto mais os amigos ! 

V. M. bem sabe que dey eu em ser como nuvem ; vou tomar as aguas 
ao Oceano, para as chover sobre a terra. Não he menor mar hum coração 
boníssimo, qual o de V. M. Aqui se acha o Capitam António Maciel, natural 
da Ilha da Madeira, cujos papeis estão em mãos de V. M. Sou lhe eu parti- 
cularmente obrigado, e he elle tal pessoa, que por sua calidade e procedi- 



1 A mudança foi para o Castello. Cf. a carta 29. 

• De Ruy Lourenço já falei na Introducçâo. Elle foi Mestre de campo, e morreu em 1657, 
no cerco de Badajoz. 

3 Mas que «ainda que». 



(51) CABTAS FRANCISCO MANUEL Dl MELLO 87 

mentos merece toda a cortezia. Receberej muito particular mercê em Ioda a 
que elle de V. \i. receber, na brevidade e favor com que poder tratar o seu 
negocio, a cujo amparo, sej de crio, que não será dezagradecido. Sobre 
tudo guarde Nosso Suor a \. M. como dezejo. Castello em D. 



A. e C. 

l>. F. M. 
43 



Grande interdicto lia sido este, meu Snõr António Luiz de Vzevedo. \. M. 
se queyra emmendar, sequer para ' que se veja que pôde ser melhor ainda. 
Ora Snõr, o portador, que he o Capitam Manoel Martinz Roxo, capitam mor 

de Uegrete, veyo aqui a despachar se. Tardarão lhe seus papeis, e está 
agora confuzo sobre o edital que tem sahido contra os despachos. Faça V. M. 
mercê de me avi/ar se, sem embargo delle, se poderá pedir ao snõr. Secre- 
tario que receba estes papeis; porque lie lastima que tão honrado soldado se 
vá sem consolação para sua caza. Nosso Snõr. etc. Castello em 2. a feira. 

A. e C. 

D. F. )l. 
44 



Aqui estou já neste Castello 2 , como pedia, e dezejata. Bem sey quanto 
devo ao Suor (iaspar de Faria nesta obra, e a boa intensão de V. AI. de 
que mil vezes dou a V. M. as graças, pedindo de novo que esse papel me 
queira V. M. pôr em mãos do s. or Secretario, porque se veja que assim o 
buseão os meus agradecimentos, como as minhas necessidades. Nosso Suor 
etc. Castello em 3/ feira. 

C.° 

D. F. M. 



1 No mis. lé-se por para. 

• V.''-se que esta carta foi escrita logo depois da chegada do D. Francisco ao Ca&tello,ém 
.'11 il»' mano d.' 1650. 



8!S cautas de d. prancisco mamei, de mello (52) 



45 



Não sey por onde me pareça melhor este papel de V. M., se por bom, 
se por novo! Seja por tudo, e próprio por discreto: enfim por de V. M. 

Dez dias pos no caminho. Sempre conheci preguiçozas as boas novas. 
Hoje o recebi, respondo lhe hoje, appellarey à brevidade por absolver os meus 
desvarios. 

Vejo aqui a singular honra que se faz a meus trabalhos; elles mudarão o 
nome e o preço, se me fazem capaz de tal piedade. Bem disse aquelle por 
Troya ' que nunca fora tão glorioza, senão fora tão mofina. O valor da Snra. 
Condeça mal podia achar desvalia à sua proporsão; compadecer-se-ha de mi, 
porque em tamanhas desgraças como as minhas, sò dizem tamanhas lastimas 
como as suas. 

Desta copla ouvi jà duvidar, não sem razão; duvidey, e duvido. Entendo 
que por ventura podia assim declarar se. 

He certo que os vencedores costumavão offerecer às Damas que servião 
os vencidos. Havia D. Luiz jà dito que este Espanhol era namorado como se 
fora Português -. Podesse crer teria feyto tal promessa a sua Dama como voto 
de seguir este costume. 

Pois dis agora: Si eres dei amor cautivo: isto he, se tens senor, se tens 
ídolo que adores, vay te logo desde aqui, antes que a mi me seja forçado 
entregarme 3 rendido a aquella a quem prometi os despojos da minha victo- 
ria, que me pedirão por voto; porque pela promessa, pela obrigação, pela 
fineza, pela galantaria, me verey obrigado a uzar mal da sorte, da dita, da 
ventura, da honra, de aver te vencido. Lo que pense que. era suerte ; isto que 
eu tinha por achado honrozo, haverá de padesser, e eu com elle, aquelle gé- 
nero de desgraça de me não mostrar generozo comtigo. 

.Mais interpretações lhe daria eu, se a tardança deste papel e o dezejo 
de obedecer lhe me dessem tempo. Se não he mais que isto, bem pouco 
disse D. Luiz; mas os Grandes, e os desditozos nessa sò couza se parecem, 
que tudo nelles he tido por mayor e por mais do que he. 



1 Referencia an cerco da Troya pelos Gregos, assunto da Iliada de Homero. 

2 «Nosso natural lie entre as mais nações conhecido por amoroso». V. Epanaphoras (Ed. 
1676) p. 286. 

3 No ins. lê-se entregarse. 



(53) CARTAS DE D. FRAKCISCÒ mim i.i. ih viii.Ih 89 



Os lagares irão em seu lugar, e vem a boníssimo tempo, por que ando 
eu gulozo de acabar com aquellas carias, porque me sejão de alforria, e mu 
veja sequer por ellas livre . i < > s que me dizem as esperão. Nosso S el 
tello em 4." feira. 



C." 

I). /•'. 1/ 



46 



Digo a v. \;. que estou sentidíssimo; porque havendo hontem vindo aqui 
o S. or Secretario, me não achou em caza. Jà está averiguado que o fugir às 
ditas he mais desgraça que o fugirem ellas. 

Tinha outro dia praticado Dom Álvaro de Abranches ' certa obra que la 
mandava lazer, e dito que a visse. Avizàrão me que não lua em forma. Acen- 
di-me do bom zelo e fui alli; faltey donde me era necessário, e la não fazia 
falta. Eis aqui, Senhor meu. que tâes são os passos dos desditozos; errão 
pelo caminho do aeerto. 

ii mesmo significo ao s." 1 Gaspar de Faria com esoutro papel; queyra 
v. SI. encaminhalo às suas maus, que bem necessário he a minhas couzas 
chegar a ellas, para que se encaminhem. Nosso S. or etc. Castello 4.' feira. 

Am. e C. 

I). Fran. M. 
47 



Montem enviey daqui liuma Carla para S. Magestade, com outra para o 
senhor Secretario por um criado meu, a quem mandey as desse a V. M. ; e 
porque não sey se há elle feyto esta deligencia, nem que fortuna lhes haja 
succedido, peço a V. \l." ma faça de me mandar avizar da que souber hão 
tido, porque me importa sabello. 

As copias delias envio a V. M. cc para que as veja, se he que V. M/ uão 



1 1). Álvaro ile Abranches foi Governador das Armas da Provineia da Beira. Muito con- 
tribuía para a acclamaçao de D. Joio IV. sendo •> primeiro que arvorou eui Li boa a bandeira 
nacional. 



90 CAI! IAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (54) 



tem noticia delias; e despois de vistas, me faràV. M. rr mercê de mas tornar, 
mandando me em companhia delias muy boas novas suas, que as estimarey 
como sempre fiz; e que V. M/'' também se queyra servir de mim no para 
que entender que eu valho, que não faltarey conforme pedem minhas obri- 
gações: sobretudo Nosso S. or etc. Castello em 4. a feira. 

Am. e C. 

D. Fr." M. el 

48 



Canonizados são os merecimentos deste encommendado de V. M. ', sendo 
V. M." quem os calefica, e tendo elle por elles tão pouca valia, que não tem 
mais que seu valor, couza que menos vale nesta era! Conheci seu Pay, que 
era bem honrada pessoa. Do filho ouvi sempre, que não desmerecia ser de 
hum Pay honrado. 

Este me disserão aqui que Dom Lourenço de Almada ' havia feito Alfe- 
res: eu o não sey de certo, logo o saberey; e quando o não haja feyto, creya 
V. M. r " que com mais calor do que corre, me empregarey em obedecello. 

De minhas couzas não sey nada, nem de mim ; quando vejo dessas affey- 
ções e vejo destas obras, sempre me lembra bua trova do Escarramão 2 

Sy me quieres bien, la Mendes ; 
sy me tienes voluntad, 
forçoza ocazion ès esia, 
cn que lo puedes mostrar. 

V. M. ce ajunte lã a Oração, pois lhe dou as partes. Nosso S. or etc. Cas- 
tello em 5. a feira. 

Am. e Discípulo 

D. Fr." M. 



1 D. Lourenço de Almada foi filho de D. Antão de Almada. Em 25 de junho de 1652 
recebeu uma commenda com o habito de Christo pelos serviços que prestou acompanhando 
seu pae quando este foi por Embaixador a Inglaterra e pelos que prestou na Armada da costa 
que foi contra a Armada do Parlamenlo Inglês. 

2 Segundo me communica a Sr. a D. Carolina Michaelis, Escarramão, ou antes, á castelhana, 
Kscarraman, era o nome de um rufião de Sevilha. A trova citada íaz parte de uma Carta de 
Escarraman à la Menãez (Xacara 1 da Musa v de Quevedo e cf. o Romance xv da Musa vi). 



(55) CARTAS DE D. FRANCISCO MANUEI DE MELLO 91 



49 



Pelos meus descuidos pode V. M. julgar os meus cuidados. Não tenho mo- 
rar na Corte senão o andar no ar. Espanta me, comtudo, muito, que havendo 
tantos que o gastem, quantos delle se mantém, ainda haja ar em que Míni- 
mos, que nos tenha, e que nos mantenha. 

Esse papel para o Snõr. Gaspar de Faria me queyra V. M. pòr em suas 
mãos, c se o tempo desse lugar a se haver resposta delle, grande mercê re- 
ceberia. Vay aberto para que V. M. o veja, e veja se he justa essa lembrança, 
o mferindo a com o tempo prezente. Nosso Snõr. guarde a V. M. como dezejo. Gas- 
tello 6. a feira. 

A. eC.de V. M. 

D. F. M. 
50 



Por certo, senhor, que não sey cujo he o mayor agravo, se haver eu 
faltado a V. M." na correspondência e paga do que a V. M. ce devo, se cuy- 
dar V. M."' de mim que lhe posso haver faltado. 

Esta e majores deligencias me competem, porque o meu livro se veja 
nessa caza ; mas com toda a verdade afirmo a V. M. c " que nesta não entra- 
rão athe hoje outros senão três, que forão a S. Magestades e A. *. Tenho 
mandado encadernar algús, de que logo em vindo farey meu prezente ; ou 
por melhor dizer, pagarey meu tributo. V. M. " bem sabe que não tenho eu 
outro tão forte escudo em que me fie, como o animo e a sabedoria de V. M.™ 
O mais fica para a .vista, por não fazer esperar o companheyro. Beijo as 
mãos a V. M. cc pela honra e favor que faz a meos encomendados. Heys ahi 
porque lhos eu encomendo a V. M. ce , cuja pessoa guarde Deos. Castello 



feira. 



C. 
I). Fr. .»/.' 



Sua Alteza, talvez D. Affbiiso, depois Rei. 



CARI IS DE n. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (56) 



51 



Ambos, creyo, que somos complices do ruim successo de aquelle seu 
encomendado de V. M., se o elle tiver em seu negocio. Porque, visto que 
elle tem tanta justiça, sò nossos dezejos delle aver guardado lhe devião de 
empecer. Eu fiz logo a diligeucia que V. M. me avizou com todo o alíecto, 
mas como delle mesmo me receyo, agora duvido mais. Todavia me certificão 
o mesmo que antes; mas entre homeus que couza he certa, senão pezar me a 
mi muito de valer tão pouco no serviço de V. M., a quem Deos guarde como 
dezejo? Castello em 0. a feira. 

A. e G. 

D. F. M. 
52 



Sfior meu. Despois que tudo me faltou, jà me não faltava que me fal- 
tasse, se não o tempo. Vay cà grande carestia, e certo que todo o que se 
gasta com as ceremonias, se furta ao Amor. Apenas posso dizer a V. i\I. que 
recebi o papel de hontem, e que me parece que amenhãa pela menhãa nos 
poderíamos entender hiía migalha. Hum masso vay para Évora, e outro papel 
para o Snor Secretario. V. M. se sirva de os dispor a ambos, como se enca- 
minhem. Sobretudo guarde Nosso S' a V. M. como dezejo. Castello em 
Sabbado. 

C.° 

D. F. M. 
53 



Nenhum cuidado, nenhum ócio pode, nem poderá mais que a minha obri- 
gação. Isso em bom portuguez he amor, e este amor empado das boas obras 
jamais vem à terra. Os officios divinos e também os humanos destes dias 
me certificarão não estaria V. M. para correspondências. Eu adoeci e sarey 
sem mezinha. Deo me Deus o mal e o remédio, por isso o mal durou tão 



(57J CARTAS Dl D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO 93 



pouco; mas servíndosse de me curar a saúde, a fortuna ainda ficou peço- 
nhenta. Pregunto a medo a V. M. se acazo daney ' eu em servir a aquella 
sua encomendada de V. M., porque não sò escrevi aquelle dia ao Esmoler 
mor, mas falley a outro com aperto. A boa da Dònna levava duas couzas 
-landes contra si, o seu merecimento, e o meudezejo. N5o sey certo a qual 
prefílhemos o mao suecesso, se o houve. Da saúde de V. M. não se] ha mui- 
tos dias. Estes não serão contados com pedra branca', mas o será " em que 
\. M. me disser que passa bem, e que lhe não passa a memoria daquelia 
promessa da Paschoa, que aqui agora se pode bem comutar com mayor inte- 
resse meo. Sobre tudo nosso Sfior guarde a V. M. como dezejo. Castello, 
Sabbado Santo. 



I). Fr. M. 



54 



An>l<\ estes dias tão 1'allo de saúde, como de tempo, que ocupações inú- 
teis, e achaques proíiozos me tem levado. Eis aqui a rezão de tardar em 
obedecer a V. M. % a que dobem se ajuntou o esperar eu que este Capitão 
me visse ; e parecer-me faria melhor negocio falando, que escrevendo. O pa- 
pel vay, e cã, com a destreza que eu soube, enxeri o valor alheyo, para que 
o desse aos meus rogos, que desrespeitos não bà quem os agazalhe, salvo 
V. M. cc , que em tudo me favorece, e mais em mandarme. Nosso S. or guarde 
etr. Castello, Sabbado. 

A. e Cat.° 

I). F. M. 



1 No nis. darey. 
Oí Cretenses e outros povos anligos costumavam marcar os dias felizes com uma pedra 
hranca e os infelizes com uma pedra preta; deilavam-nas em uma urna e contavam-nas no 
fim rio anno. Cf. Plínio, Epistolar, vi, H,3. 



94 CARTAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (58) 



55 



Amor e Deligencia, já tenho ditto que tudo lie lium. Não quizera des- 
mentir me nas obras; nem para mais palavras fico, tarde e achacozo. O 
Panteon, antes de corrente, vay a V. M.' 1 ' correndo, como para seu centro. 
Não lhe faltão erros de impressão, e compozição mais ainda. Requere duas 
tardes de estudo, e soalheyro, que alumie algumas trevas. Emfim, Poema 
trágico Qão podia ser garrido. Nem aqui sey o que escrevo, como se tam- 
bém fora Panteon. He tardíssimo; eu darey conta de mim a V. M. ce esta se- 
mana. A entrega diz que está feita. Nosso S or guarde, etc. 



Gat.° 

D. F. M. 
56 



Dos primeyros quatro volumes que agora me chegarão, vão dous aos Se- 
cretários, e esse 3.° a V. M. Para os mais amigos não faltarão, em querendo 
os Livreyros. Pague me V. M. o que lhe offereço com o emendar muito bem, 
e riscar, não á sua, mas. á minha vontade. 

O papel e volume que vay com este para o Sõr. Gaspar de Faria me faça 
V. M. favor de encaminhar lhe breve e certamente. Nosso S r etc. Caza em 
5. a feira. 



D. F. M. 
57 



Nem a minha lembrança, nem a minha obrigação necessitão de outra au- 
toridade que sua divida, para que cada qual as pague a V. M." Esta perten- 
ção houvera de ser minha, e athe a emmenda de meu próprio enteresse fico 
devendo a V. M. ce nesta advertência ; mas posso certificar a V. M. ce que de 



(59) 



i:\iii.\-- In-: n. i'it.\M:i>C'i m \m i i. i>i mi i ih 



minha mão somente athe hoje tem recebido este livro os Condes de Cantanhede 
e Torre. He V. M. e terceyro, porque a S. Magestade, que tem nelle a parte 
de seu real nome, o não ofreci ainda, por perguiça dos encadernadores '. 
Pague me V. \l." esta fedilidade â nossa afeição com riscar e avizar me 
do que fazer devo em seu serviço. X. S." r guarde a V. M. como dezejo, 
etc. Caza 5. a feira. 

Am. e serv. 01 de V. M. 00 

I). F. M. 

58 



Torno, Snõr. António Luiz, ao meu antigo oficio de requerente^ ruim se 

nelie houvesse tido boa sorte; ou torno para que a tenha boa, julgando 
por impossível que a Dão acerte, quando acerto em ser requerente diante de 
V. M. 

D. Angela de Britto, mulher do Sargento mor que foy do Porto, Manoel 
Ribeiro, tem dado os seus papeis por mãos de José Guterres ao snõr. Se- 
cretario Gaspar de Faria ; e eu agora por estas letras, que também são mãos 
e obras de espirito, me aprezento, rogando a V. M. que na brevidade de seu 
Decreto, e tudo o mais que V. M. poder favorecer a esta veuva, se sirva de o 
fazer, entendendo que a mi me faz V. M. esta mercê, que dàquem e dàlem 
saberey reconhecer sempre. Nosso S r etc. Gaza ti. a leira. 

Am. 

D. F. M. 



59 



Bem sey não devo a V. M."' bua vontade inlhictifera ; fértil sim de af- 
fectos, que de effeitos espero ver abundante. 

Não há nada como Deos, nem nos Ceos, nem no Mundo. Elle he bom 
para tudo, porque he tudo. Nada sem Deos he nada. Grande honra, grande 
proveyto, tudo junto, recebo nas boas orações que V. M. ce me promete. No 



1 Não sei qual seja o livro mencionado nesta caria. As Epanaphoras foram dedicadas a 
El-Kei D. Affnnso VI, mas só sairam em 1660. 



96 CARTAS DE D. FRANCISCO MANUEL DE MELLO (00) 

animo com que passo meus males, vejo assaz de satisfeyta a promessa. Pouco 
lie sò hú agradecimento para tantas dividas. 

De verdade faltou tempo para me defender, que hú homem entre outros 
que nasceo para que eu moresse, e isso pede, nem huma liora deyxa em vão 
de me perseguir. Apurou os termos judiciâes da cauza, e anda sôfrego des- 
tas Nàos da índia. Emfim, de qualquer modo me quer encaminhar para o ou- 
tro inundo. Para meu brazão e memoria pedirey eu cedo a V. M. ro o mesmo 
que agora para então rezervo: digo o trabalho da traducção do papel, que in- 
titulo Declamação, ^ sey me será necessária toda a vida, essa que ella for. 

Grandíssima mercê receberey, e recebi, na com que V. M."' tratou aquelle 
Capitão meu encommendado, e amigo. Não he elle sò o que a V. M. ce ha de 
dever a mercê que lhe fizer; e Deos, que por todos paga, a pagara a V. M. ce , 
guardando o muitos annos, e dando-lhe todos os acressentameutos que me- 
rece. O Feniz assaz voou ; quando chego a contentar a V. M. ce , já o dezo- 
brigo de que contente aos mais. Nosso S. cr guarde etc. 

Discípulo e am.° 

D. F. M. 

60 



O ruim tempo he dos amigos, e ainda assim he o melhor tempo, se se 
achão nelle. Là veria e ouviria V. M. ce o estrondo dos rayos que contra 
mim se fulminarão de novas prizões, e perseguições, para que de todo falta 
a paciência. Esse papel para o Senhor Secretario me convém que V. M. ce se 
sirva de lho dar logo em podendo, pois falle a S. Magestade antes que là se 
ajunte aquella Santa Mêza ', para mim de Thiestes, donde se comem os filhos 
por iguaria -. Obrara V. M. c ° nisto, não o que eu lhe mereço, que isso he 
pouco, mas o que V. M ce comigo esperdiça de favor e amizade, pois a gasta 
com quem vai tão pouco. E pois nunca pesso a V. M. ce huma sò couza, vão 
também huns papeis deste Alferes, criado meu, portador deste, os quàes 
requerem somente huma remissão ordinária de S. A. para os Estados. Pelo 
despachar com brevidade, não digo mais, que o que sempre digo, que sou 
cativo de V. M. ce 

D. F. M. 



1 A Mesa de Consciência e Ordens, tribunal que exercia jurisdição, quer em causas civis 
quer em crimes, sobre os que pertenciam ás Ordens Militares. 
i Lusíadas, III, 133. 



(61) I \l;i IS DE D. FRANCISCO MAM EL DE MELLO ( .'7 



61 



Sempre rogo a Deos pellas necessidades alheas, porque entre ellas ve 

nha alguma que me dè o merecimento de me lastimar delia, e a paga de pe- 
dir por ella a V. NI. 1 '". 

Certo, que na prezente toda esta satisfação concorre; porque a pobreza 
e dezemparo da Caza de Domingos de Barros (criado que foi de S. Mages- 
tade era ambas as fortunas 1 ) he tanta, que em nenhuma outra acção \. \i. 
pode mostrar melhor o seu bom animo que na presente, favorecendo tudo o 
que for possível a pretençao de sua molher e filhos, que se deve comunicar 
a V. M. cc . Eu faley jà, e escrevo particularmente ao Sor. Gaspar de Faria, e 
creyo que tudo terá bom Sm, como v. M. seja o meyo deste despacho. 
V. M. ce não me disse nada daquelles cazados-, e eu estou tão cobarde que 
não ouzo a perguntallo. Sobretudo Nosso Senhor guarde, etc. 



C.° de V. M. 
D. F. M. 



1 Fortuna prospera e adversa. 

2 Referencia á Curta de Giim tlr Cusmlox. 



ELOGIO HISTÓKICO 

DE 

JOSÉ DE SOUSA MONTEIRO 



FRANCISCO TEIXEIRA DE QUEIROZ 

Sucio 01- 



A classe de letras da nossa Academia, escolhendo-me para enaltecer a 
memória do seu secretário que bem a serviu, honrou e abrilhantou durante 
tantos anos, obriga-me a reconhecimento sincero. Não é desvario de vai- 
dade o ter aceitado a tarefa difícil; mas a recusa não ma consentiria a ami- 
zade que tive a Sousa Monteiro, coração de poeta e cérebro de filósofo, com 
aspectos múltiplos, sempre inclinado à alta meditação e ao estudo: memória 
excepcional, cautelosa no adquirir e pródiga no despender. Havê-lo conhecido 
em vida, o mesmo é que ter ficado preso nas finas malhas da conversa va- 
riadíssima Beste buscador de perfeição no trabalho literário. Na procura da 
verdade filosófica ou histórica, era mineiro de candeia na mão a romper o 
veio aurífero; mas, à luz do sol, sabia voar como a borboleta de flor em flor, 
à busca de cores para os seus sonetos. Aquela natureza delicada, um tanto 
feminil, retraia-se, às vezes, ocultando-nos o sentir. ^Quem poderá, pois, ga- 
bar se de conhecer a sua alma toda? Era èle como a sombra que, em si, 
guarda parte da luz que a gerou. Apesar do jeito que aparentava de repon- 
tador, era afectuosíssimo: que o diga o rasto de saudade que deixou na vida, 
nos poucos corações seus eleitos, o que tanto dignifica a sua memória. Con- 
fessa èle, algures, qae propendia pouco «a ódios, abominações e detestações 
fundas ou não»; porque das cousas que «prezava, amava, admirava sua alma 
feita por índole e hábito a indulgências e branduras, mais ou menos corta- 
das de desdéns» ... era a bondade. 

Português dos antigos, não tolerava transformações violentas e desneces- 
sárias nesta nossa língua, produto de laboração demorada, companheira inti- 
ma e segura da nacionalidade, e que nunca faltou, quando bem sabida, à 
sciència no seu labor incessante, ao filosofar na sua expansão dilatada, e que é, 

Hist. e Mem. da Acad. — Tomo xii. — Parte ii.— N.° 3. 



100 ELOGIO HISTÓRICO DE JOSÉ DE SOUSA MONTEIRO 



sobre tudo boa, para exprimir sonhos do ideal, na poesia, nos afectos que 
unem os homens e em toda a arte do bem dizer. Das outras queria apenas o 
indispensável na técnica das descobertas das scièncias de aplicação, quando 
lá fora se geram. E esta língua, de todos nós querida, nas mãos delicadas e 
habilidosas de Sousa Monteiro, adquiria nobreza, mormente nos assuntos do 
i, em que sua mente se prazia lidar. Nio me desmentirei quem o ler 
com a atenção devida. Não admirará, pois, que ele, no labor tranquilo das 
ideas, que estimava, fosse apaixonado, pois era sincero e crente: tinha o dom 
de escutar com enlevo os mortos que lhe falavam de jazidas sagradas pelo 
tempo; eram vozes que lhe vinham do insondável, do mistério, do Além... 
e enternecia-se com elas. 

Quaisquer que sejam as nossas crenças religiosas ou mesmo que não te- 
nhamos nenhumas; seja qual fòr a nossa filosofia de predilecção, ou a sciên- 
cia que lenhamos aprendido. . . o passado, para quem o saiba interrogar, diz 
cousas que a nossa alma recolhe com simpatia e respeito, mesmo que as ida- 
des, no seu revolver continuo, tenham alterado os aspectos da existência social, 
o passado, a história, é o refúgio de todos os sonhadores inclinados à medita- 
ção, i' Sousa Monteiro percebia-o com avidez. Servia-se — j quantas vezes se 
serviu dele! — para. desmerecer injustamente o presente, mas fazia-o com 
altivez de convicto e batalhou sempre nesse campo, com armas liais afiadas 
no estudo. Por isso aconselhava preceitos sociais, alguns esquecidos, como se 
a nossa inteligência e coração nunca tivessem mudado. Entendemos que esses 
belos instrumentos de inquirição se alteram, como no conceito de Pascal 
se modifica a moral que eles recebem, consoante os tempos e os lugares. A 
educação, excessivamente humanista de Sousa Monteiro, clausurava-o nos 
seus limites e não lhe consentia que metesse, na equação histórica, muitos dos 
elementos novos, que outros aplaudiam. Eu dele me afastei, e me afasto, em 
mais dum ponto dos que formavam as suas e as minhas crenças filosóficas, 
literárias e políticas; porém, oom as reservas impostas pela minha dignidade 
intelectual, que èle sempre respeitou, encontrarei, ainda assim, largo campo 
para vos dizer, Senhores, quanto foi belo o espírito deste poeta, deste come- 
diôgrafo, deste romancista, deste exímio discursador académico; icomo foi sa- 
gaz o crítico, o filósofo e o crente que êle era ! Em todos esses aspectos da 
vida intelectual a sua alma lidou. Era inquieto e ambicioso de produção: 
numa carta a um amigo muito querido, confessava que, no momento em que 
escrevia, lhe andavam em mão vinte e cinco obras diferentes, e dessas, so- 
mente cinco, em via de remate. Não veio a lume todo esse labor intenso ; 
mas, do que nos é conhecido, ressumbra alma insatisfeita, e dele podemos 
afirmar, com o sabido critério de Rousseau, que os seus livros são bons, pois 
na sua leitura muita cousa se aprende para se ficar melhorado. 



LOGIO HISTÓRICO DE JOSÉ DE SOUSA MONTEIRO 101 



A oossa alma, até para o fisiologista é uma unidade. Se] ará la em facul 
dades pode convir ao método de estudo, mas é artificio. Também ;i natureza 
é uma, na sua força colossal, mas havemos mester de a dividir para a com- 
preender: assim a obra do homem, ou dum homem só, paia bem a penetrar- 
mos, teremos que a fragmentar. Sousa Monteiro, no seu triplo aspecto de 
poeta, filósofo e critico, é sempre o mesmo; porém diverso em si mesmo. 

\ sua primeira manifestação foi de poeta e, como poeta, versificador a pu 
radissimo, estudando a mecânica dos seus versos com perfeito conhecimento da 

arte. Eu fujo sempre de apreciar ] tas. porque desconheço a musical sciên- 

cia do ritmo. A natureza, avara comigo cm tudo, esc leu-me o pod 

dor ila divina linguagem. Apesar disso, como o povo rude e ignorante, o meu 
coração adora os poetas, mas os verdadeiros, que me adormecem as dores 
vívidas, e me normalizam a sensibilidade com a melopeia dos seus 
Sinto-os, mas não os julgo, pois não está sujeito ao julgamento duma inteligên- 
cia vulgar o que é essência, o que é perfume, o que é visão das almas. Per- 
doem-me os poetas e perdoe-me Sousa Monteiro o não saber extrair, da corola 
dos seus sonetos, a ambrósia alucinadora neles contida. Demais o autor dos 
Entalhes e Camafeus diz que «poetas só por poetas sejam lidos» e que de- 
testa pensadores, não poupando na repulsa o divino Platão, nem Hegel, os 
quais admirava. Discorrendo para acertar com boa definição de poesia, depois 
de muitas rever, apadrinha a de Edgar Põe, que diz ser poesia : The rhythmi- 
cal creation of Beauly. A criação rítmica de beleza! Como isto é sintético, 
justo e quàsi incompreensível para profanos. 

Nos Poemas escolhe de preferência assuntos do passado, em que a ima- 
ginação si' lhe encontrava mais livre para idear. Assim, na interpretação do 
Cântico das Cânticos atribuído a Salomão, e que denomina Esposa dos Can- 
tares, se manifesta nele um sentimento bucólico, meio pagão. Pela notória po- 
pularidade deste trecho bíblico, pela ressonância que, na religião, na politica, 
e na faustosa vida lasciva, o seu presumido autor ainda conserva, este poema 
mereceu a Sousa Monteiro, como tem merecido a muitos outros poetas, tra- 
balho de esmero. Na interpretarão seguiu a dos chamados ecléticos, Bossuel 
à frente, que entendem ser este um cântico nupcial, para celebrar a união, 
desse pequeno mas formoso rei da Síria, com a filha do rei do Egipto, pois 
fala nos rápidos corcéis, que arrastam a espumante biga do sumo Faraó. Os 
tradicionalistas hebreus entendem ser este um cântico para celebrai- a união 
de Deus com Israel, seu povo dilecto, e os modernos exegetas consideram, 
tais páginas, como um cerzido de poesias bucólicas anónimas. Sousa Monteiro 



102 ELOGIO HISTÓItlCO DE JOSÉ DE SOUSA MONTEinO 



rejeitou estas e outras interpretações pela sua, que é a da Igreja, aceita uo 
Concílio de Constantinopla de 1551. 

A tam célebre como encantadora Sulamite, talvez por violência introdu- 
zida no palácio do rei de Jerusalém, onde se manteve sempre altiva, obsti- 
nada e resistente, com o coração preso à sua aldeia, à descuidosa vida pas- 
joril, e u ouvido à escuta dos maravilhosos sons da flauta do seu zagal, que 
Geara pascendo o rebanho comum das umbrosas pastagens da Samaria, teve, 
em Sousa .Monteiro, um intérprete cheio de doçura melancólica, dum buco- 
lismo dolente, como era o dos nossos quinhentistas. 

Nos Sonetos, todos modelares na métrica, mostra grande sentimento pe- 
los animais. Quási se lhe vêem lágrimas por causa do Pobre Snap, um mí- 
sero cão de circo, que morre com os olhos na juvenil e infida consorte ena- 
morada dum rafeiro de viela; levanta memória a um abandonado Terra nova, 
que, após vida soberba de luxo, morre esquecido num lúgubre canil. É vo- 
lume de bem cinzeladas peças, semeado de ironias bondosas, de queixas de 
amor, de piedade por todos os que sofrem. 

Nos Entahes e Camafeus há também história, lenda e acentuado aplauso 
à secular instituição da igreja católica. No viver contemporâneo, mal lhe re- 
pousa o coração. Num soneto ao pontífice Leão XIII diz que, em volta de si, 
só encontra o derruir da «razão, justiça, trono, espada e lira» ; por isso para 
êle se volta, «num sôfrego anelar de luz, de paz e fé». Não se encontrará, 
nas suas estrofes a Jesus e à Virgem, a candura simples e recolhida dum Frei 
Agostinho da Cruz, o humilde arrabino, nos seus piedosos sonetos; porém, 
reconhece-se firmeza no conceito e na crença. 

Era alma pouco adequada à labuta ardente e exaustiva da vida actual; 
recolhia-se, por necessidade íntima, na saudade dos tempos idos e no incom- 
preendido mistério da religião. 



O seu teatro, que todo escreveu em verso, compõem-se de três peças. 
Tinha, pela exibição scénica, grande entusiasmo. Talvez entendesse, como 
Renan, que a forma dialogai é a que mais convêm para expor certas ideas 
filosóficas, às quais o seu espírito se inclinava. A sua memória excelente, viva 
na conversa, recordava frequentemente os gregos, Shakspeare, os franceses 
do século áureo e muito pouco dos dramaturgos modernos. Citava-os, mimava-os 
recitando-os; mas, para a sua primeira obra de teatro, foi à história pro- 
curar assunto. A celebração do nosso centenário da índia lho indicou: o 
Auto dos Esquecidos é uma página dessa peregrinação famosa. Os humildes 
prenderam-lhe a imaginação; para eles se voltou a sua alma bondosa. Não os 



ELOGIO HISTÓHICO DE IOS£ Dl SOUSA MONTEIRO 103 

podia olvidar aquele que, no orgulho alto da sua personalidade, na defesa da 
sua dignidade intelectual, sempre seguiu bábitos sociais modestíssimos. Os 
pequenos, aqueles que compõem verdadeiramente a história, mas de quem a 
história não Tala. buscou-os Sousa Monteiro au pensar na nossa epopeia ma- 
rítima, e bem fez. Era acto de justiça. 

Compus esta comédia em verso, como compôs as outras duas peças. 
Porquê? ,:Na sua compreensão, excessivamente idealista de toda a arte, 
acharia mais apropriado o verso para lhe ennobrecer o assunto? Talvez ; porém 
nisso nus separamos de Sousa Monteiro. Sendo o teatro, principalmente, vida 
e movimento, e como não é uso adoptar-se a forma métrica da linguagem 
para falar comummente, quere-nos parecer que a acção perde em energia e 
intensidade, o pensamento em prontidão e clareza, se dialogarmos na scena 
cm verso. No teatro, a indispensável sedarão do espectador exige que indo 
seja fácil e prontamente compreensível. Os artifícios da métrica prejudicarão 
o interesse. E não se poderá sustentar que assim se emprega arte mais re- 
quintada e difícil: Lessing, a certa pessoa que lhe preguutara o motivo de 
preferir verso pua um dos seus dramas, respondeu que não dispusera de 
tempo bastante para o escrever em prosa. 

A história, a grande história, no seu orgulho enterra os pequenos, que 
no Auto dos Esquecidos ressuscitam: a historia, a grande história, memora reis, 
imperadores, estadistas, filósofos, grandes criminosos e grandes santos; mas 
deslembra os que dão realidade ao existir social, os que praticam as acções 
elementares, de que se forma a vida dos heróis. A brilhante vida marítima 
dos portugueses doutrora tem, nas suas dobras, escondidos aqueles que Sonsa 
Monteiro achou. Deu lhe Gil Vicente a fórmula; Gaspar Correia, o das Lendas, 
o sentimento; Garcia de Resende, «o obsequioso e gordo historiador de 
D. João II», os chistes e remoques à nobreza, tomados do Cancioneiro. A lei- 
tura desta elegia encanta o ouvido e humedece os olhos. Sente-se a bravura 
e religiosidade do povo português, o seu espirito fatalista, moléstia constitu- 
cional, que sempre nos acompanhou na vida de nação. Eudeixas suaves me- 
moram um grande feito, mas o velho vizinho, repetição do n lho do Restelo, 
diz condoído, mas alto, verdades, quando, ao ver subirem galhardamente o 
Tejo as naus que voltam, considera: 

Porém toda a glória custa 
sangue a sumos e pequenos 

É cnmo tanger triste na festa das nossas descobertas. 

Muito outra, bem diferente na origem e no sentir, é a matéria do Falstaff. 
Pesquisou a no grande armazém sbakspeareano, onde de indo se encontra. 
Sir John, o poltrão do Henrique IV, o borracho amorudo e cobiçoso das Alegres 



101 ELOGIO HISTÓRICO DE JOSÉ DE SOUSA. MOSTEIRO 



Comadres, serviu para nova encarnação. Um escritor vale pelo número de im- 
i duráveis que deixa no espirito de quem o lê. Shakspeare é o génio 
Monteiro absorvia-se frequentemente na sua obra imensa. Por isso, 
as suas e bem próprias, com palavras do seu rico vocabulário, com- 
pôs o tipo grotesco, algumas vezes chistoso e nunca estúpido; o velhacaz re- 
signado a sanas e troças, contanto que recolha alimento para a sua sen- 
sualidade e para a sua gula, premeditando sempre desforra, que nunca 
obtêm completa. É a parte material e arguta do ser-homem, a besta de Xa- 
vier de Maistre, o burguês de Flaubert, o Sancho de Cervantes, o Leporello 
do D. João de Mozart. . . finalmente a adipe inteligente, com todas as quali- 
dades, de esperteza manhosa, de covardia revoltada. 

Sousa Monteiro aceita os dois Falstaffs do genial inglês, funde os num só 
e q ue se j a — t iiz — « a expressão eterna do amor sensual, grosseiro, mixto de 
carne viva e lodo extinto, mas variando de alvo, mudando de objecto. Na forma 
adoptou o verso, e — explica— «usaram-se metros vários, quási todos os dra- 
maticamente possíveis, não menos de oito e, nesses metros, todos os ritmos, 
empregados segundo pedia a situação ou o empenho de sentir de quem falava d. 
Tenha ou não realidade na história, seja ou não seja, este Sir John de Shaks- 
peare o vencido de Bouvray-Sainte-Croix, o que para a arte pouco importa, 
certo é que Sousa Monteiro traçou um belo poema herói-cómieo, recheado de 
conceitos sápidos, com ferroadas certas e picantes a vícios de hoje e doutro 
tempo. As cartas escritas por Falstaff às exemplares matronas Meg e Alice, das 
qnais cobiça «menos o coração do que as chaves da burra e da dispensa», 
formam, quando lidas em scena, uni episódio capital na comédia, o qual tem 
sido aproveitado por quási todos os glosadores desta personagem. Quando a 
enredadora Quickiy procura persuadir Sir John de que as virtuosas senhoras, 
o esperam com tanta impaciência que até parece bruxedo, o gabarola, apal- 
pando-se todo com delicia, mãos espalmadas no ventre, informa-a: 

« I ícauto sem esforço 

«Como assobia o melro ou salta alegre o corso 

Na ocasião em que Ford, marido de Meg, procura atraí-lo a uma cilada 
de combinação com o marido de Alice, e com disfarçada ironia lhe gaba a 
lama que êle tem de espadachim de preço, o poltrão afirma-lhe: 

«Ás vezes mato só por graça e por recreio. 

Na floresta de Windsor, aonde por diversos estratagemas é atraído e aí 
bem sovado por todos que o rodeiam, apesar de conluso e escarnecido, não 
perde o ânimo, o bom humor, a travessura grotesca, a resignação que funda 



ELOGIO HISTÓRICO DK JOSÉ DE SOUSA MONTEIRO 103 

cia esperança de desforra, e, dorido, diz por entre lamúrias ao noivo da Blba 
de Ford, a qual minutos antes procurara seduzir: 

nFicai i'in paz por i m [uanto 
<cAs bodas dispensam zelos 
«Beija-lhe em | 

É um colosso de manha, de sensualidade, de bebedii 
Sir John. 

Outpa obra teatral, também em verso, existe de Sousa Monteiro— uma 
intitulada D. Pedro, Infante de Portugal. É obra inédita, que 
Academia mandou imprimir i sairá a lume com prefá ii 
António Cândido, um dos grandes mestres da palavra I ortugal. 

Por isso, desde já asseveramos que este assunto Bcàrá para sempn 
tado 1 . Pelo título se adivinha lerem-lhe servido de lema os inditosos amores 
de Inês, com o impetuoso Qlho de Afonso IV. í: mais uma página, que será 
das mais belas, acerca desse drama do coração que tantos artistas —músicos, 
pintores e poetas- tem enternecido. 



Amava Sousa .Monteiro a variedade na leitura e na produção. Espírito 
inquieto, imaginação alada, fantasia multiforme, linha necessidade de alternar 
as impressões recebidas, com as que procurava criar. Seduziu-o, um dia, o 
romance histórico, para o que tinha excepcional saber acumulado. Essa for- 
mula de estudar almas e épocas, muito em voga na -nação anterioi 
foi popularizada entrenós por Herculano. Escreveu então Os amores de Júlia, 
seenas da antiga Roma. 

Com o seu conhecido entusiasmo pelo grandioso histórico e ungido, na 
infância, de alta cultura latina, traçar obra, cuja ai 

capital do mundo antigo, era lógico. São desses actos em que a nossa alma 
sofre a influência externa, julgando-os espontâneos. Ideou o livro pela volta 
dos seus trinta anos, já com a razão e o sentimento amadurecidos na expe- 
riência da vida e na meditarão. A forma, na sua prosa excessivamente colo- 



1 Depois de escritas estas páginas foi publicado por ordem da dos 
Sciéncias de Lisboa a Introdução ao Drama D Pedro, à Jo 

nosso eminente consócio Dr. António Cândido. Nao nos eu 
é obra acabada no dizer e nos conceitos; é obra dum 



106 ELOGIO HISTÓRICO DF. JOSÉ DE SOUSA MONTEIRO 

rida, mereceu-lhe tanto esmero como a escolha de lances em que revelasse o 
impudico e grandioso viver da imensa cidade. Os termos empregados são es- 
colhidos com o fito de se exprimir com a maior propriedade e certeza ; a com- 
posição dos períodos diz com a majestade do assunto; há paginas informado- 
ras (pie levariam dias a lapidar. O efeito estético satisfazia-lhe a mente 
cobiçosa, e atendeu, certamente, mais á própria sensibilidade do que ao 
aplauso público, do qual sempre se mostrou desdenhoso. É livro que põe no 
caminho dum espírito baliza anunciadora de conspícua laboração. Roma, a 
conquistadora, a mãe duma literatura, que Sousa Monteiro sobre todas admi- 
rava, avassalou-o. Ao pousar o ouvido auscultador sobre o seu peilo de aço, 
recebia-lhe, do imenso coração, sons que exprimiam acções contraditórias : a 
vileza, a luxúria, a crueldade a par de actos heróicos, prenhes de civilização, 
exemplos desses fortes caracteres, que procuraram em vão salvara república. 
Certamente que à sua alma casta repugnavam as primeiras, emquanto lou- 
vava as segundas. 

INa descrição da vida convulsiva da enganadora capital, com que abre o 
romance, logo se admira- o pintor erudito, que dispõe, com peregrina habi- 
lidade, duma grande variedade de cores. São deslumbrantes, de proeminente 
relevo, essas páginas acerca de Roma que nos trazem à mente a moderna 
Londres — duas capitais que, nas suas misérias e nas suas grandezas, são com- 
paráveis. A construção material moslra-se, ora opulenta, ora pobríssima; 
o Campo Márcio com os seus pórticos de inúmeras colunas, onde gente 
ociosa e loquaz procurava aventuras e inquiria de escândalos, não está muito 
distante da imunda Saburra, onde, em suja e lúgubre taberna, primeiro se 
hospedam a ambubaia Glicela e o lutador Asclipíades, que ambos vinham à 
cidade, a chamamento de Lívia, mulher de Augusto, para a auxiliarem nos 
seus enredos políticos. É interessante o estudo dessa vida faustosa nos cir- 
cos, à mesa dos grandes, no foro e nas alcovas das mundanas. Nas minú- 
cias, o que êle averigou da indumcnta, dos cosméticos, dos segredos des- 
sas mulheres artificiosas, que, por meio de enganos, afastavam os maridos, 
para atrair os amantes. \ E o que se comia nos jantares! jE as falas e segre- 
dos que elas escutavam, recostadas, nos triclíuios, entre os vapores do fa- 
lerno e do ópimo-cós!. . . 

Nos jogos do circo, encontravam o maior divertimento os romanos, su- 
mos e pequenos. A lasciva Júlia, (ilha querida do imperador, com o pescoço 
a rir da neve, logo ao rútilo alvor da manhã, atravessa a cidade para assistir 
a uma festa de circo dada em sua honra. Caminha lentamente a sua liteira, 
por entre a pressa dos adoradores. E quando, do seu lugar, assistida pela admi- 
ração de todos, sorrindo à turba que a aplaude, vê descer o primeiro ovo da 
arquitrave, os olhos vivos fixam-se-lhe nas bigas das facções combatentes, que 



ELOGIO HISTÓRICO DE JOSÉ DE SOUSA MONTEIHO 107 

rompem com ímpeto. Ajustam se os carros, nas curvas tam unidos que à vista 
parecem esmagar-se; os látegos dos cocheiros retorcem-se oo ar, silvam, esta- 
lam sobre as ancas dos corcéis, alguns gerados, nas orilhas do Trio. de éguas que 
concebem do vento (sic). Solta se a multidão em ovações ao triunfador. Júlia 
com a túnica scientemente desmanchada, para < jue o generoso pretor Minúcio 
!he espreite com a sua esmeralda, um dos seios, aplaudeo destro Asclipíades, 
o seu auriga, depois tomado paia amante. Segue-se o espectáculo doloroso da 
luta de homens com tigres hircanos, leões munidas e ursos da lusitánia. \n> 
avestruzes, aos antílopes, aos búfalos, peões e cavaleiros, oferecem suas car 
ues moles. Os gladiadores de Cápua, de Preneste, de Ravena batem-se até a 
morte, aos pares ou em catervas, formando, o seu sangue, com a terra da arena, 
lama nauseante, o descritivo dessa loucura é fremente, estrangula O coração. 
Sousa Monteiro faz-nos assistir depois às scenas da vida íntima das impu- 
dicas romanas. Na ceia dada por Quinto a Júlia, o vinho corre como um liquido 
sensual; no templo de Isis, a deusa da voluptuosidade— Voluptas idiio — a 
cujas cerimónias lascivas a princesa assiste, com o rosto coberto, comparti- 
Ibando-as. . . sentimos o coração revoltado. 

A paixão neste romance encontra-se mais no descritivo do que no entre- 
cho e nas palavras trocadas entre as personagens. Porém há diálogos de vigo- 
rosa contextura, apesar de saírem de corações romanos, em língua lusa, 
que não era a deles. O de Tibério e sua mãe Lívia, que se esforça pelo guiar 
ao trono imperial; e o de Augusto e sua filha dilecta, de quem o dissoluto 
imperador censura os actos públicos de devassidão, devem ser considerados 
modelares no género. Tibério lamenta-se de ser o escárneo de Roma, como 
marido da pulcra Júlia e quere repudiá-la. Lívia exclama cinicamente: «Pasmo 
de te ouvir Tibério! Tám declamadas fraquezas, não são da nossa raça!» De 
longe vem a torpe razão de Estado e grandes mestres teve. 

Eis a síntese, a largas pinceladas. Para que este valioso trabalho de Sousa 
Monteiro fosse procurado sofregamente, bastava que o bafejasse um raio de 
amor cândido, qualquer cousa que significasse ternura de coração — a inocên- 
cia, a devoção casta, o espirito de sacrifício para fim moral elevado, o sofri- 
mento pela justiça Foi esse sopro humano que salvou do esquecimento o 

Quo vadis de Sienkiewicz. O seu autor encontrou na conversão de Vinícius, 
no casto e heróico martírio de Lígia, na dedicação de Ursus, e até na vene- 
randa barba de Pedro e na celestial legenda do Cristo, que todas as páginas 
ilumina, sentimentos, todos uniformes, que no diama introduziram suave cre- 
púsculo de sonho. O autor dos Amores de Júlia preferiu castigar a proterva 
Roma rebenlando-lhe os tumores, escancarando-lhe as pústulas, expondo-lhe 
a nudez asquerosa, e fé lo com um luxo de saber e uma perfeição no descri- 
tivo, que se admiram, mas não comovem. É exacto e justo ; mas é duro. 



108 ELOGIO HISTÔBICO DE JOSÉ DE SOUSA MONTEIBO 



Páginas que enaltecem a sua memória e aumentam a nossa saudade são 
as que escreveu para esta Academia. Neste mesmo lugar donde o evoco, vi-o 
eu, vimo-lo todos nós; ouvi-o e ouvimo-lo; vibrante nà palavra, lábios fre- 
mentes, gesto largo uo seu corpo apoucado... vimo-lo, ouvimo-lo e applau- 
dimo-lo com entusiasmo recôndito. Belo cinzelador de frases e apurador de 
conceitos; estatuário de grandes figuras e esconjurador de épocas, tentavam- 
iio as glórias perduráveis. Apreciava medir-sé com os grandes obreiros do 
pensamento: um dia era Latino Coelho, cérebro enciclopédico, sensibilidade 
rara, que tanto lidou nas sciências da natureza, apreciando-lhes as conquis- 
tas experimentais, como estudou a metafísica no seu divagar sumptuoso, 
como ideou na história, na literatura e na eloquência; noutro comemora o 
quinquagenàrio do trânsito na vida de Almeida Garrett, poeta portuguesís- 
simo que soube exprimir as dolências da nossa alma, ao falar de mulheres e 
de Qores com devoção de apaixonado, e nas Viagens discorrer com tal encanto 
e simpleza. que até as crianças o podem acompanhar. Da última vez que subiu 
a esta cátedra, que para mim ficou ensilvada, foi para nos falar de Mommsen, 
o profundo historiador que, após tantos séculos de estudos anteriores, soube 
refazer, em novas bases, a história de Roma, remoçando lhe a vida guerreira, 
politica, económica e do direito, criado por essa grande alma colectiva. 



Esse que vimos poeta, comediógrafo, romancista e panegirista, nos pró. 
logos de obras suas e de estranhos, prazia-lhe também a critica estética. Gos- 
tava de pôr barreiras a escolas e de definir teorias. Nas substanciosas páginas 
com que prefaciou nova e rica edição do Camões de Garrett, escova, desas. 
sombradamente, da cabeça gloriosa do autor das Viagens, a caspa de român- 
tico com que lha tinham conspurcado. Cm fundamentado estudo explicou o 
que seja romantismo e como a nossa leviandade importou de França a defor- 
mada doutrina da escola que, na Alemanha, florescera sob o patronato de 
Goethe e do seu matelote e rival Sehiller, com a legião de sábios e artistas 
que emWeimar proclamaram a unidade da Poesia e da Vida. A qualquer novo 
seguidor do credo novo, diz Monteiro : «cumpria-lhe assumir, compreender, fun- 
dindo-as soberano em si, todas as múltiplas manifestações da vida, das artes, 
das sciências, para de si as fazer irradiar depois, sob forma a um tempo mais 
subida e mais pura». Pretendia-se fazer de novo surgir a maneira de poetai 



ELOfitO HISTÓRICO DE JOSl': DE SOUSA MONTEIIU) 109 

dos trovistas da idade média, esses errantes cantores de amoi , com a sua crença 
ea sua fél Na imóbil, impressionável e agitada França —diz o rôman 
tisnio, transformando se, oegou o amor do antigo, que os alemães conserva 
ram. Esta foi a base da campanha de Hugo, contra o neo-classissismo». Dai 
acrescenta — «a dramaturgia fulgente, mas absurda do autor do Ernani, as 
violências de sentimento, as brutezas de colorido e estilo». O nosso Garrett 
era, por temperamento, avesso a tais exagerações, como o era ao apego dos 
alemães à idade média. Antes se reconhece como «espirito disciplinado pelo 
classissismo magistral dos gregos e o paladar apurado no trato dos romanos 
altíssimos de Augusto». Por isso Garrett nem era romântico a maneira dos 
alemães, nem ao jeito do figurino francês. Falta-lhe a fé e a crença religiosa 
de Novalis, de Brentano, de Klopstok paia ser dos primeiros; não nega o 
valor do estudo das letras antigas como o fazem os segundos. 



O filósofo espiritualista que era Sousa Monteiro, o seu ânimo de comba- 
tente pela fé católica, mais do que em nenhuma outra das suas obras se reco- 
nhece no Santo António de Lisboa, que denomina Estudo histórico e critico. 
É mais do que uma biografia comentada, pois compreende a explanação da 
doutrina teológica que venerava. Decorria o século xui, na Itália, em plena o 
efervescente controvérsia escolástica, já bem longe dos últimos alentos do 
paganismo romano, estrangulado por Oxigenes, por S. Jerónimo, pelo viril 
Santo Vmbrósio e principalmente por Agostinho, o célebre bispo de Hipóna. 
Estes revolucionários do quarto século combatiam denodadamente pela liber- 
dade do pensamento, contra Simaco e Volusiano, representantes do conser- 
yantismo, e venceram, como acontece sempre vencer o fraco, que tem razão, 
contra o forte que a não tem e se lhe opõe. Este livro, escrito para a ce 
lebração do sétimo centenário antoniano, por certo de muito estaria traçado 
na mente do seu autor. É a sua obra capital no ponto de vista filosófico, e 
nela compendia vasta erudição metafísica. «One grandes somas de virtudes se 
tem gasto pior causa de quimeras» — exclama Próspero, duque de Milão, diante 
dos seus alambiques. ; Como o homem mais audaz é tímido em face das ideas 
absolutas, que a sua própria mente tem criado!... — digo eu. 

Estudar Santo António no seu pensamento, que desde a mais tenra in- 
fância se ocupou de cousas divinas; compreendê-lo na sua palavra, que foi 
eloquentíssima e só de assuntos do céu falou; segui-lo nos actos terrenos, 
sempre conformes á vontade de Deus. . . é tomar por veredas, ora escuras, 
ora luminosas, onde o espírito humano tem encontrado as suas consolações 



HO ELOGIO HISTÓRICO DF. JOSK DE SOUSA MONTEIRO 



mais altas e os seus desvarios mais gloriosos. Tal a traça de Sousa Monteiro 
a respeito da vida dosanto. Ao considera lo no pensamento, encontra um mís- 
tico e logo penetra na selva escara dò mistério, que é a miulez da boca e a 
audição agudíssima de tudo quanto possa entrar no cérebro e no coração, 
vindo do Infinito. Aqui recebe-se e não se dá; porque a alma do verdadeiro 
crente é avara, o que de Deus obtêm guarda-o em si, só para si. António, 
como homem de fé, compreendeu toda a seiéneia do ser, mais pela intuição do 
que pelo raciocínio, e o seu biógrafo, expondo as fases de tal scièucia, desde a 
Grécia pagã até a metafísica do nosso tempo, diz que tudo se resume no 
estudo puro de Deus. E comenta, concluindo: «Defeito o termo essencial da 
síntese cristã é Deus, o Deus revelado pelos profetas, pela encarnação do 
verbo, pela obra da Redenção humana; o Deus Absoluto, Uno e ao mesmo 
tempo Trino, criador Supremo, Supremo moderador de tudo». Estas e outras 
afirmações mostram dum modo claro e iniludível a rehgiosidade de Sousa 
.Monteiro, por éle defendida com leituras e meditações longas, das quais esta 
obra dá testemunho. Aqueles que, como eu, não tem asas para subir a altu- 
ras tais, reconhecendo-se privados de consolações divinas, não tem direito de 
as negar a quem as sentir. A fé pode discutir-se e bom é que se discuta na 
sua lisura, pois é do evangelho que os actos digam com as palavras; mas 
não é legítimo pòr-se em dúvida a sua existência sincera. É acto espiritual 
dos mais íntimos, alucinação talvez, mas facto de consciência. Vive nos pín- 
caros altíssimos do sentimento e lá se demora olhando para a terra nua. Não 
serei eu quem desmereça a incomparável felicidade, e dela me confesso admi- 
rador, num S. Francisco de Assis, que, voluntariamente, se despiu de todas 
as riquezas chegando á nudez do hábito, para nada possuir dos homens, nem 
mesmo a sciência que negava — oh! admirável exagero! — para se conservar 
em simpleza absoluta e melhor se abrasar e consumir na chama do amor di- 
vino. É o adormecer da razão, e, quantas vezes, a razão adormecida terá ga- 
rantido a paz do existir ! É necessário que o gladiador descanse entre dois 
combates, emquanto não chega o verdadeiro repouso que só na morte se en- 
contra. Cerremos ouvidos, neste instante de convivência com uma alma reli- 
giosa, para não escutar Diderot, que nos diz: Si je renonce à ma raison, je 
n'ai plus de guide. Este vivaz interlocutor de Catarina da Rússia nunca po- 
deria entender-se com um homem de fé, como foi José de Sousa Monteiro. 
Outros pontos da vida de Santo António são explicados com ardor e lar- 
gueza : a sua eloquência abundantíssima assoberbou o próprio S. Roaventura, 
que lhe chama egrejius predicaior. Não chegava a amplidão dos templos para 
recolher a multidão que de longe vinha para o escutar : as praças nas cidades, 
os quietos vales entre montanhas, as vastas campinas e charnecas sem hori- 
zonte marcado, selvas escuras e gementes... foram— quantas vezes! — os 



ELOOIO HISTÓRICO DE JOSÉ DE SOUSA MOXTEIHO 1 I I 



templos de Deus, onde vibrara a sua palavra quente. Perante o povo humilde, 
não era o teólogo dos congressos religiosos e das catedrais civilizadas e opu- 
lentas, antes o moralista, cheio de candura, que exemplificava para persuadir. 

A lingna de que se servia era o italiano vulgar, e nele condenou todos 
os vícios que enfraquecem a pobre natureaa humana. A lascívia, principal- 
mente, mereceu lhe as mais duras agressões: o lascivo é «burro preguiçoso; é 
rã a coachar no charco da voluptuosidade ; é aranha com os "lhos cheios de 
pecados e que, pelos lios que entretece, vai a condenação eterna; é insânia e 
lepra da alma». Para reforçar o quadro negro, põem-lhe diante o da castidade 
que é: «lírio mais branco do que a neve. mais nítido do que o leite; luz [tara 
o coração obscurecido pelas sombras da sensualidade». As páginas em que 
Sousa Monteiro leu essas preás oratórias são meras condensações rui sá- 
bia língua latina. É provável que tenham, no tocante aos sermões para o 
povo, desmerecido o togo de espontaneidade que animava a palavra do santo. 
Porém, naqueles outros discursos, em (pie discutia pontos intrincados de dog- 
mática, como a união, em Cristo, das duas naturezas, divina e humana, que 
compara ao fogo quando se une ao ferro, donde resulta ter o ferro a eficácia 
e o poder do fogo: o mistério da Trindade, que para alguns teólogos resume 
a sciència de Deus e o próprio santo considera origem de tudo quanto existe, 
essa linguagem deve ser exacta. Sousa .Monteiro trasladou-os para português 
com as cautelas indispensáveis em assuntos, para definir os quais a lingua- 
gem do homem não chega; mas era tal a sua preocupação em se des- 
culpar de qualquer imperfeição que nos diz: «Logrei, nesta versão, dar 
longes só da ternvel precisão dos textos. Nestas alturas santas, e por san- 
tas demasiado altas, não se pode resfolgar bem. Titubia o animo e a pa- 
lavra hesita». 

Mas nos sermões de moral exemplificada, o dizer corre límpido com 
fulgentes encantos e risonhas ingenuidades. É uma linguagem cheia de fé, 
como a dos hinos litúrgicos da idade média, que, o primeiro, inventou o 
grande propagandista Santo Ambrósio, que Santo Hilário de Poitiers difun- 
diu na Gália e com que o nosso Herculano enfeitou a lenda poética do seu 
Eurico. Algumas vezes António seguia (com maior relevo e maior saber) o 
seu modelo, S. Francisco de Assis, principalmente no amor dos seres criados, 
no reconhecimento efusivo de Deus em tudo encontrado. Falava-lhes, como 
aconteceu aos peixes, ou deles falava, como aconteceu às abelhas. Estes pe- 
quenos alados enchiam-llie de deleite o coração: eram, no segredo com que 
faziam o seu mel, comparáveis às mulheres do evangelho, que, afanosas, pre- 
paravam em silêncio e prece os perfumes com que haviam de ungir os pés 
de Jesus: «Fabricam umas a cera, outras o mel — diz o santo. Sugam umas, 
o néctar, transportam outras a água requerida, recolhem e resguardam o 






112 ELOGIO HISTÓRICO DE JOSÉ DU SOUSA MONTEIRO 



mel feito. Saem estas a forragear uns campos ao romper do dia, emquanto 
aquelas se refazem 0.0 descanso e esperam que as despertem para também 
saírem a lidar ao sol. São como as santas mulheres, etc — » Tal divisão de 
trabalho não corresponderá ao que sobre o assunto já sabiam os entomolo- 
gistas do tempo; porque na mordente critica que lhe fez Sousa Martins, o 
santo teria lido Plínio de pernas para o ar; porém o símile é belo e bem ta- 
lhado. Acerca da industriosa formiga, na qual reconhece a falta da vista co- 
mum paia contemplar a natureza, encontrando-lhe só coração para entesourar 
haveres, exclama António: «Ó alma curiosa, que em tanta cousa a um tempo 
te dissipas. . . não procures imitar a formiga, mas a abelha: dela depende a 
sabedoria". 

Porém, os maiores entusiasmos poéticos do santo, todas as ternuras do 
seu coração, iam para cousas do céu, para o doce nome de Maria, legenda 
dourada, que tantas imaginações tem deslumbrado. Dos evangelhos apócrifos, 
os que mais tem prendido a mente cristã, são aquele ou aqueles que, a Igreja, 
conservou por estarem dentro do seu ponto de vista doutrinal, e que se refe- 
rem à geração, nascimento, educação, práticas no templo e predestinação de 
Maria para ser a mãe do redentor; porque neles se referem episódios da in- 
fância, pregação e morte de Jesus. A poesia da idade média embelezou ainda 
o que era de si tam belo. Todo esse maravilhoso anónimo, vertido às man- 
cheias no coração dos crentes, fez mais pelo sentimento religioso do que os 
famosos evangelhos canónicos. A arte cristã deve-lhes algumas das suas me- 
lhores criações na pintura, na música, na poesia e principalmente na drama- 
turgia. Fundados neles se apresentaram, nos tempos da idade média, durante 
séculos, esses encantadores e ingénuos mistérios em que entrava Jesus com 
a bela irradiação da sua cabeça loura, Maria com o sereno e inspirado olhar 
e José com a sua barba de velho patriarca ondulando com uma brisa 
mansa. 

Nesta corrente de idealismo cristão, entrava ousadamente, o sapiente 
teólogo António de Pádua para quem Maria é: «Estrela da manhã, cidade de 
refúgio, júbilo do coração, mel à boca, melodia ao ouvido. É árvore formosís. 
sima cujos frutos são a pureza e a humildade. É. . . altar. . . trono de mar. 
fim. .. sólio revestido do ouro da pobreza. É mar amargo, pois no preságio 
da paixão do filho bem lhe acerca o nome de amargura». E brada-nos Sousa 
Monteiro, citando estas palavras: «iEra ou não um poeta e grande, o grande 
místico?...» Respondemos: era um poeta. 

Da vida do santo, sabe-se como apurado, que ainda muito novo era frade 
agostinho em Santa Cruz de Coimbra e que daí transitou para a companhia 
duns franciscanos estrangeiros residentes no sitio dos Olivais, cerca da mesma 
cidade, onde depois se levantou um convento da ordem, patrocinado com o 



FXOGIO HISTÓRICO DF. JOSK DF. SOUSA MONTEIRO 113 



seu nome. A propósito desta mudança, escreve o nosso extinto consócio : 
cTrocon a correia, o hábito e i murça de Santo agostinho, era cuja pobreza 
há ainda o quer que è do mundo, pelo cordão de S. Francisco, o grosseiro 
burel de S. Francisco, os desprezos de S. Francisco, os pés descalços de 
S. Francisco em que explende o céu». De Coimbra cora o exemplo dali che- 
garem os ossos dos santos mártires de Marrocos, enviados por um infanti 
lugués. a sua irmã D. Sancha, cobiçou glória semelhante e partiu paraoim- 
pério africano a piocur N á-!a. Não teve a ditosa sorte dos outros frades, não con- 
quistou o martírio e, na volta, uma tempestade miraculosa atiron-o àscostas 
da Itália, onde o seu nome tinha de adquirir a notoriedade que teve, a ponto 
de ser consenso geral o julga lo dali oriundo. Outra cousa maior do que 
a celebridade la se lhe deparou, como foi o conhecer pessoalmente opoa 
Assis,, seu superior na ordem e exemplo na virtude. Segundo Joergensen, 
na recente biografia deste santo, os dois estimaram-se, amaram-se e admira- 
rão, i íiprocamente. Como Vntónio fosse considerado mestre em teologia, 

que aprendera cm Santa Cruz, e o cobiçassem para professar essa sciência nu 
Montpeliier e Bolonha, Francisco de Assis, para isso requerido, concedeu a li- 
segundo diz Celano, sob condição do que lai estudo lho não fizesse 
desprezar a prece e nele não extinguisse o espirito do recolhimento era si, 
como mandava a regra. 

No Monte Paulo encontrou António asilo o solidão para meditar. Nada, 
absolutamente nada possuindo de terreno, na sua pobreza voluntária e pro- 
curada, encontrou a completa liberdade, essencial à prática da ascese, que se 
gundo Mouteiro o «a elevação da alma a Deus, a sua absorpção tara perfeita 
e cabal, quanto possa entendê-la a frouxa mente do homem, sem ce 
da humana na divina natureza»... Com esta prática, chegou à extrema debi- 
lidade e delgadez de corpo, e, para descer do seu retiro, só o podia fazer 
amparado pot seus irmãos na ordem, As pernas tremiam-lhe, o seu olhar 
era pasmado, como dum insano. O fim da vida do corpo estava próximo, 
logo começaria essa outra vida que a imaginação lhe mostrava superiormente 
bela, duradoura e cheia de encantos. 



Desta publicação, do estudo histórico e crítico de Santo António de Lis 
boa, derivou uma polémica interessantíssima entre dois lídimos espíritos, que 

do mesmo passo eram penas bem aparadas. Sousa Martins, nome que ao re 
cordã-lo a todos enche de saudade, depois de ler lido o livro que lhe fora 
oferecido pelo autor, cujo íntimo eia, escreveu lhe uma carta, agradecido pelo 



i | i ELOGIO HISTÓHICO DE JOSÉ DE SOUSA MONTEIRO 

oferecimento e ironicamente crítico quanto as afirmações de excessivo espiri- 
tualismo. Não se poderão facilmente encontrar dois homens mais separados 
pela educação intelectual recebida e mais unidos pelo mútuo respeito e afecto. 
Monteiro mais literário, melhor cinzelador de frases à padre António Vieira, 
que muito amava e lia; Martins mais espontâneo e ponteagudo. Quando o sa- 
piente médico o contradiz nas maravilhas da fé religiosa, e, falando das trans- 
formações dos órgãos na série animal, alude à hipotética passagem dos qua- 
drumanos para o homem, o que daria em resultado éle Martins, ter possuído 
dois valentíssimos pés, no lugar em que tinha actualmente duas mãos, Mon- 
teiro alfineta-o dizendo-lhe: — «Dois? . . . Você, Martins, sempre tem cousas! ...» 
Porém e apesar disso as expressões do mútuo carinho aparecem por entre 
argumentos e sarcasmos como lírios entre os abrolhos. Monteiro com encan- 
tadora tristeza, aludindo a impiedade de Martins, chama-lhe «seu enganado 
amigo», diz ter «a certeza do seu afecto» e jura lhe «inteira admiração e ami- 
zade», apesar do fundo abismo que os separa. 

Sousa Martins, sempre grande pelo coração, diz-se «contemporâneo do seu 
tempo» chama-lhe «místico d'après natwe» e di-lo «autor do importantíssimo 
livro, primor de dição, de erudição e de crítica», considerando estas duas 
qualidades de natureza extra scientifica. Denomina-o «ourives da fé» emquanto 
se considera a si mesmo, simples «tecelão da sciência». Ao falar do carácter 
de Monteiro é duma rasgada e nobre franqueza: admira-o por ter «convicções 
raciocinadas», por se levantar contra «o tom do dia» que é o materialismo 
ignorante. Da vida modesta que vive, diz que èle se «contenta com a vaca e o 
riso, a vaca da sua honradíssima pobreza e o riso da sua saníssima consciên- 
cia». Eram, pois, dois inimigos intelectuais que nasceram para se amar pelas 
prendas reciprocas do coração e do carácter e que, na esfera superior da con- 
trovérsia, se combatiam rijamente, sentindo-se o silvar das setas, o arpoar 
das garrochas e o palpitar das carnes doloridas na batalha incruenta. 

Condensar assunto tam largo, como o debatido nessas cartas publicadas 
em resumidíssimo número, por mão carinhosa e solicita *, é tarefa arriscada e 
difícil, posto que agradável, para mim. Tentá-la-hei: o conhecimento da na- 
tureza, origem e fim da nossa alma tem preocupado o homem desde que 
èle existe. Absurda é esta investigação, quando para o estudo seja exclusi- 
vamente empregado, o método dito psicológico — nota Comle— visto o jul- 
gador e o julgado, serem um só e o mesmo. Estas páginas, apesar do seu 



1 Foi o Sr. António Auguslo de Carvalho Monteiro, nosso consócio, quem mandou pro- 
ceder à impressão dessas cartas, após a licença indispensável das pessoas que as possuíam 
tirando só quatro exemplares, um dos quais me foi facultado para leitura. 



ELOGIO HISTÓRICO I>K JOS1 D] SOUSA MONTEIRO 



tom, por vezes galhofeiro, encerram lição variada e séria. As duas últimas 
cartas, as mais extensas, são dois compêndios, um de materialismo, de espi 
ritualismo outro, aquele negativo e este aplauditrvo da metafísica. Sendo a raiz 
da contenda a vida de Santo António, cujas virtudes místicas, o saber humano 
e milagrosa existência corporal, Monteiro exalça e Martins enche de zombarias, 
os dois contendores logo de começo se colocam cada um no seu terreno es- 
pecial. Para Sousa Martins, Santo António era um mísero doente brighteano, a 
incorruptibilidade da sua lingua, que ainda hoje em Pádua se mostra, só a 
pode explicar o alcoolismo ou o uso aturado de sais de mercúrio ou arsenicais. 

• b «Seria o santo um incontinent i um corrupto?» exclama o erudito 

médico. Dura e cruel esta ironia, era o sopro implacável da sciència experi- 
mental a destruir o belo edifício da misticidade: a magreza do corpo, adqui- 
rida na prática do jejum e da penitência, paia assim ascender a divina pre- 
sença, comparada a miséria dum vulgar caso patológico! Não podia ser. Mon- 
teiro reponta fortemente, chamando-lhe, com ácida mofa, doutor sapientissimo, 
doutor eximio. Segue demorada a correspondência com fortuna vária, ate que 
para última peleja escolhem e limpam as melhores armas e escrevem as cartas 
a que aludimos, cuja composição lhes consumira cerca de três a quatro meses 
a cada um. 

\ natureza da nossa alma considera-a Sousa Martins uma energia, soma- 
tório de energias várias de almas celulares espalhadas, por indo o corpo, e 
reunidas no cérebro. É a unidade do ser. a afirmação da existência duma 
consciência orgânica, que, Mademoiselle d'Épinasse, surpreendeu num sonho 
d'Alemberl e fixou para vindouros conhecerem. Sousa Martins dá lhe a forma 
scientifica actnal, busca a sua procedência na junção das forças preexistentes 
no óvulo e no espermatosóide progenitores, que, desenvolvendo-se juntos na 
vida letal, chegam a exlreina-uterina na forma de energia máxima e harmónica 
no nosso cérebro. É a consequência, sem demonstração suficiente ainda, das 
ideas que os hodiernos fisiologistas formam da vida orgânica e que levaram o 
irónico médico a alirmar-nos que, depois da sua morte, êle tem a certeza de 
não ver « seu próprio cadáver; porque o termo do existir do corpo é- o 
Nadai Sousa Monteiro, contraditando-o, julga que a nossa alma vive vida inde- 
pendente ilo nosso corpo. É força imortal, vinda directamente de Deus; mas não 
assinala, como o fazem alguns teólogos, o momento especialíssimo da gera- 
ção em que o inapreciável favor desse contacto se opera, estando no emtanto 
convencido de que o cérebro, histológicamente, é mero agente. Se os patolo- 
gistas reconhecem que, a determinadas deteriorações anatómicas correspon- 
dem certas manifestações anormais da inteligência e do sentir, está em que, 
estragado o instrumento, lógico é encontrarem-se anomalias no seu funciona- 
mento. Quanto ao destino da alma. peia morte do corpo, entende que está 



|| d BL0G10 HISTÓRICO DE JOSÉ DE SODSA MONTEIRO 



i S eio de Unis. doade proveio. Posta a questão neste pé e com esta 
exactidão e clareza, logo se compreende a sua irredqtibilidade, tendo de con- 
tentar se o sábio com a sua sciência e o crente com a sua fé. 

Da existência da nossa alma, da qual, nem materialistas, nem espiritua- 
listas duvidam, sai o alcance das nossas aspirações, a idea do infinito que pode 
conter e contêm a idea de Deus. Que o infinito seja uma legitima concepção 
do espirito humano, ninguém o duvida; que o infinito contenha indubitavel- 
mente e a afirme a existência dum Deus, como sendo o grande arquitecto e 
criador de todas as cousas, disso duvidaram, duvidam e duvidarão pensadores 
de todos os tempos. A questão do sentimento religioso, forte e absoluto em 
algumas criaturas, fraco e quási não existente em outras, redu-la Sousa Mar- 
lius 3 existência, no nosso cérebro, de células a que chama de religiosidade 
iiuniii. pouco oh nada desenvolvidas e afirma, como observação pessoal que, 
no actual momento histórico, elas vão em regresso, e por isso considerava 
a nossa época como falta de religião, acrescentando ainda que esse distrito 
do cérebro se tem atrofiado em favor dos seus vizinhos, dados a sciências e 
artes. Monteiro contesta com factos recentes de propagação do catolicismo 
e dà exemplos de grandes homens, artistas e sábios, que são, declarada- 
mente, almas de fé ardente e crenças vivas. Para ferir mais certeiramente 
Sousa Martins, o autor da vida de Santo António, que sabia quanto èle admi- 
rava o grande experimentalista Pasteur, copia-ihe as suas afirmações deis- 
tas. «A idea de Deus é uma forma da idea do infinito — diz o sábio — aquele 
que proclama a existência do infinito, e ninguém a ela se pode furtar, 
acumula nessa afirmação mais de sobrenatural do que existe em todos os 
milagres de todas as religiões ; porque o infinito tem este duplo carácter de 
se impor e de ser incompreensível. Quando esta noção se apodera do enten- 
dimento, não há senão a gente prostrar-se». Esta citação devia doer a Sousa 
Martins, que, no criador da microbiologia, reconhece um dos grandes, talvez 
o maior luminar do experimentalismo moderno; mas já não lhe pôde respon- 
der a esta carta, por a sua vida afanosa no trabalho não lhe permitir tais 
debates literários e filosóficos, e porque, em breve tempo, o entusiasta ho- 
mem de sciência foi roubado, pela morte implacável, ao convívio dos muitís- 
simos que o adoravam e admiravam. Talvez firmado nessa opinião de Pasteur 
é que Sousa Monteiro lhe afirmara: «O acordo (entre naturalistas e espiritua- 
listas) há-de vir a formar-se por força, tudo deriva do mesmo foco incomen- 
surável e eterno, duma mesma fonte, sempre e em tudo certa de vida e luz». 

O problema ficou sem resolução e na mesma fosca névoa onde os dois 
contendores o tinham encontrado. Assim tem acontecido sempre que o de- 
vanear dos homens o tem soprado. Não há argumentos novos para isto. As 
harmonias de Santo António, em que tam desvanecidamente falara o seu bió- 



KLogio HISTÓRICO 1 m: ih m>is\ Muviuhu 



grafo, Dão se estenderam aos dois amigos aos pontos controvertidos. Po 
i .'mu. .1 questão era, como dissemos, irredutível, como são todas aquelas em que 
o sentimento e o raciocínio se não podem fundir. E, nu coração grande de 
Sousa Monteiro, apesar das falazes palavras de esperança que emprega 
acerca do fnturo, ficou certa nuvem de tristeza, quando, nu final, se dirige ao 
grandíssimo de Sousa Martins, dizendo-lhe: «Não nos entendemos, 
meu caro Sousa Martins. Tudo é diverso em dós: cárcere de partida, pista, 
\ ático, recursos, preconceitos, hábitos e jeitos '1'' alma, tudo. Chegamos na- 
turalmente a metas i^&utuiln o puniu opostas. Nem você me percebe ou ex 
plica a mim, nem eu avocè o percebo ou explico». 

E não; eram ambos rudes de mais e demais inteiriços oas suas convic 
ções, para tanto. Faltava-lhes, aos dois, o que requeria, para tratar estas 
questões : ! e variável sonhador que se chamou Ulaise Pascal, «le 

doute discrète, le sourrire, 1'esprit de finessi á esta a forma humana 

de encontrar em debates de natureza delicada aquela dose de certeza, que ao 
nosso entendimento é dado adquirir?... Ah!... eu creio que sim. 

Disse. 






BIOGRAFIA 



FRANCISCO SOMES TEIXEIRA 



RODOLFO GUIMARÃES 



t) Dr. Gomes Teixeira nasceu a 28 de Jaaeiro de 1851 na aldeia de 
S. Cosmado, freguesia de Armamar, pertencente ao distrito de Viseu, tendo, 
portanto, hoje <>;{ anos de idade. 

Educado na sua terra natal, onde estudou as primeiras letras com o pro- 
fessor oficial Gabriel Mendes Mourão, adquiriu uma simplicidade e modéstia, 
no vivei' e no tratar, que nunca perdeu, não obstante mais larde residir em 
cidades, como Coimbra, Lisboa e Porto, e ter visto mundo. 

Seu pai destinava-o para padre, mandando-o para Lamego hospedar-sc 
em casa do médico Francisco Mana de Carvalho, seu primo, a fim de frequen- 
tar, no Colégio do padre [{useira, as disciplinas necessárias a essa carreira. 
Como igualmente desejava que seu filho se formasse em teologia, e, sendo 
possível, também em direito, e visto o Liceu de Lamego ser de _'.' classe, 
não servindo os exames nele feitos para a matricula na Universidade, ia anual- 
mente o moço Comes Teixeira a Coimbra, algum tempo ''mies dos exames 
do Liceu, preparar-se para eles no Colégio de S. Bento. Entra outros, lá 
fez o de geometria, em que tivera por professor o referido primo medico. 
sendo examinado pelo severo Dr. Rufino Guerra Osório, lente de matemática 
na Universidade, que o aprovou. 

O primo, não vendo talvez com satisfação que o jovem Gomes Teixeira 
seguisse a carreira eclesiástica, tratou de aconselhar o pai do futuro sábio a 
que o mandasse formar antes em matemática. Manuel Gomes Teixeira —as. 
sim se chamava o pai — não se opôs, e preguntando ao filho por qual das 
duas carreiras optava, respondeu este ser-lhe indiferente uma ou outra, e 
portanto seguiria aquela que seu pai quisesse. 

Hint k Mbm. da Icàd.— Tomo xii. — Pabte n. N.° 4. 



120 BIOGRAFIA DE FRANCISCO GOMES TEIXEIRA (2) 



• Nesse caso tire-se à sorle», disse Comes Teixeira pai. li a Sorte desti- 
nou Gomes Teixeira para matemática I 

Não foi, pois. a vocação, ainda latente, que o impeliu a escolher a scién- 
cia em que havia de se tornar uma celebridade, mas simplesmente o acaso. 

Concluindo os preparatórios exigidos para a matrícula na Faculdade de 
matemática, nela se matriculou em Outubro de 1869, com mais 60 compa- 
nheiros, que iam também encetar o seu curso universitário. 

Lá frequentou, por conseguinte, no ano lectivo de 1869-1870, a ca- 
deira do Dr. Torres Coelho, o mais severo dos professores da Faculdade. 
Tomando verdadeiro gosto pela álgebra e geometria analítica, matérias de 
que essa cadeira constava, nela obteve prémio 1 , sendo o único aluno do l. u 
ano que o alcançou. 

No ano lectivo imediato, 1870-1871, nesse ano terrível, em que o retlexo 
da guerra franco-prussiana se fez sentir em quási toda a Europa, causando 
por toda a parte apreensões, Comes Teixeira, bem compenetrado dos deveres 
de estudante, alheando-se de ludo para somente se entregar ao estudo, fre- 
quentou, cheio de entusiasmo, a cadeira de cálculo, cujo professor, o Dr. Rai- 
mundo Venâncio Rodrigues, lhe concedeu no fim do ano um partido, e a 
éle só. 

Foi no decorrer de 1871 que o moço laureado escreveu o seu primeiro 
trabalho, a que deu o título de: Desenvolvimento das funções em fracção conti- 
nua. 

Nele apresenta fórmulas para desenvolver as funções em fracções conti- 
nuas; transforma em seguida estas em fracções ordinárias, e aplica as frac- 
ções contínuas ao cálculo integral e à determinação das raízes das equações, 
observando que por este método se obtém resultados mais convergentes do 
que pelos métodos de Newton e de Lagrange. 

Desejando que pessoa competente examinasse o seu estudo, pediu Gomes 
Teixeira a Basílio Alberto de Sousa Pinto, seu condiscípulo, para o mostrar 
a seu pai, o sábio professor da Faculdade, então já jubilado, Dr. Rodrigo 
Ribeiro de Sousa Pinto, director, ao tempo, do Observatório Astronómico da 
Universidade, e sócio correspondente desta Academia. 

Da melhor vontade viu Sousa !'into o trabalho, e, reconhecendo-lhe valor 
e novidade, aconselhou o seu autor a que o publicasse. Assim o fez Gomes 



i _N,i coiiuivj-irfiu ila Faculdade foi êle propos f o para partido pelo seu professor Dr. Coe- 
lho, como consta da respectiva acta, ppondo-se a Iam elevada classificação, por nâo ser. cos- 
lunie conceder-se no I.° ano, os lentes Drs. Florêncio Barreto Feio e Gonçalves Mamede. 

Ambos esles professores propuserani-no. todavia, dois anos mais tarde para partido, 

lias cadeiras o mecânica e ^'•ometna descritiva. 



(3) BIOGRAFIA DK FRANCISCO GOMES TEIXEIRA 121 



Teixeira, em fins do ano de líS7 1 . sendo impresso na tipografia da i niver- 
sidade e dedicado a António de Almeida Soeiro de Gamboa, seu companheiro 
desde os primeiros anos do liceu, actualmente coronel de engenharia do qua- 
dro da reserva. 

O aparecimento do folheto do jovem matemático produziu sensação no 
meio académico coimbrão, recebendo Gomes Teixeira aplausos e palavras de 
encitamento, não só deis seus professores e dos seus condiscípulos, que o 
estimavam e admiravam, mas ainda de professores estranhos à Universidade, 
como Daniel da Silva, sendo este sábio um dos que mais o animou a prosse- 
guir na carreira scientifica que iam brilhantemente encetava. É bem signiíi 
Cativo o trecho da seguinte carta de Dauiel, quando, a ti de Janeiro de 1872, 
agradecia ú opúsculo que lhe oferecera Go s Teixeira: 

tA paixão pelo estudo das sciências matemáticas, que foi em mim assaz 
desordenado peio excesso, desde muitos anos se tem reduzido às proporções 
modestas de amor platónico. A diuturna e gravíssima enfermidade que padeci, 
pelo excesso de aplicação, deixou após de si o desabito da contensão de espí- 
rito e mesmo talvez a impossibilidade para as aturadas investigações. Restou 
-me, porém, das ruínas do meu passado scientífico a afeição admirativa, o 
vivo inierésse de simpatia que me ligam sempre àqueles que se distinguiram 
dum modo notável na sciência, objecto das minhas predilecções. Dizer, pois, 
que estimo desde lá cordialmente o autor da memória que recebi, é muito 
mais que um cumprimento epistolar: é simples enunciado duma condição 
inevitável da minha organização». 

A esta carta seguiram-se muitas outras, cheias de conselhos afecti 

que Teixeira conserva, com a mesma veneração que um crente tem pelas 
relíquias dum santo, como recordação do sábio e do amigo 1 . 

No ano lectivo de 1871-1872 frequentou Gomes Teixeira, com o mesmo 
r-xito. o 3.° ano de matemática (mecânica e geometria descritiva), alcançando 
outro partido, único no curso, e no ano seguinte, 1872-1873, fez o 'i. ano 
(astronomia e geodesia), cujas matérias eram de Índole diversa daquela para 
que o seu espirito estava orientado, obtendo, contudo, e ele só, prémio -'. 

Não obstante as ocupações e§colares lhe absorverem muito tempo, pros- 
seguia nas suas locubrações e tratava de completar o seu primeiro trabalho 



1 Apontamentos biográficos de Daniel Awjnstoda Silva («Boi da Dir. Geral de [ns 
Lisboa, t i, 1903, p. 839) 

2 Tanto no 4." como no ;i.° a So eram concedidos partidos, sendo, por i 

,i mais i>|i'v:nl:i .•las>ili.\i./ã.'. 






\l-2 BIOGRAFIA DE FRANCISCO GOMES TEIXEIRA (4) 

com a aplicação das fracções continuas á determinação das raizes das equa- 
ções, baseando-se sobre a propriedade reconhecida por Enler «que certas 
fracções continuas dão resultados mais convergentes que as séries, ao mesmo 
tempo que elas são sempre finitas, quando as funções não são racionais». 

Este novo estudo, sob a epígrafe: «Aplicação das fracções continuas à 
determinação das raizes das equações», foi apresentado por Daniel da Silva, 
em I de Maio de 1872, a esta Academia— onde pela primeira vez foi pro- 
nunciado o nome do estudante (iomes Teixeira, que mais tarde tanto a havia 
de honrar — a qual deliberou que o trabalho fosse publicado no jornal da 
l. a classe. Lá se encontra no t. ív (1872-1873 1 da l. a série, a pp. 89-94. 

Em 1873—1871 ei-lo, finalmente, no último ano da Faculdade (mecâ- 
nica celeste e física matemática), que terminou em Julho de 1874, obtendo 
prémio. 

Concluiu, pois, nesse ano a sua formatura "com a classificação de mé- 
rito, ou, como vulgarmente se diz, a informação de: «Muito bom por unani- 
midade, com 20 valores», nota esta que nunca na Faculdade de Matemática 
havia sido conferida ', nem mais tornou a sê-lo, no regime de valores que 
então vigorava, e continuou até 1901 -. 

No ano seguinte, 1875, fez, a 8 de Janeiro, exame de licenciado, e acto 
de conclusões magnas a 30 de Junho do mesmo ano. 

A dissertação inaugural apresentada a esse acto grande foi verdadeira- 
mente notável, toda cheia de novidade, destacando-se por completo dos me- 
lhores trabalhos anteriores e posteriores, escritos para idêntico fim. 

Designava-se ela : Integração das equações às derivadas parciais de se- 
gunda ordem, e abrange quatro capítulos. O primeiro é inteiramente con- 
sagrado à teoria de Ampere, sobre as equações ás derivadas parciais de se- 
gunda ordem, que o autor generaliza a um qualquer número de variáveis in- 
dependentes. 

O segundo trata, com toda a generalidade, das transformações de Euler 
e de Imschenetsky. 



1 Pela antiga fornia de classificação, muito anterior ;'i época em que o Dr. Gomes Tei- 
xeira frequentou a Universidade, a maior distinção era serem tantos os MBB quantos os vo- 
lantes, o que só Manuel Gonçalves de Miranda (18U1;. José Ferreira Pestana (1819) e José 
Maria lialdv (1837), haviam alcançado. (O Conimbricense, n.° 2519, de 17 de Julho de 187ò). 

2 No decreto de 2i de Dezembro de 1901, publicado no Diário do Governo n.° 294, de 
28 do mesmo mês, que reforma os estudos da Universidade de Coimbra, encontra-se unia 
escala de valores, com a correspondência entre ela e a que até então vigorava. Assim, ao 
passo que na antiga a classificação MB ia de Jli até 20 valores, na moderna vai somente 
de 18 s 20, 



(5) BIOGRAFIA DE II; A MM ivii.s I LIM.Ili \ 12lj 



No terceiro são expostos os métodos de Monge, de Ampere e de 
Imschenetsky. 

No quarto, finalmente, apresenta Gomes Teixeira o resultado das suas 
investigações, assaz notáveis, sobre a integração das equações da forma. 

tfe (Pa \ 

'■ " " *> Ã? dr ,,,) = ° 

O maior elogio desta dissertação fica feito dizendo que Forsyth, que a 
desconhecia, obteve posteriormente vários resultados nela consignados, o 
bem assim que M. Goursst, dedicou um belo capítulo das suas Leçons sur 
Vintégration des êquations attx déricées partieltes du second ordre, a trans- 
formação, muito mais geral que as de Laplace e Imschenetsky, devida ao 
nosso jovem matemático. 

Primam igualmente pela novidade as suas leses propostas para o mes- 
mo acto, uma das quais, que ele defendeu com grande brilho, consistia em 
um método novo de dedução das fórmulas da mecânica celeste, cujo valor 
o Dr. José Falcão, seu arguente, solenemente proclamou. 

Dezoito dias após a celebração do acto de conclusões magnas, ou seja 
a 18 de Julho de 187"), realizava-se o doutoramento de Gomes Teixeira, o 
qual contava 24 anos e meio. Foi seu padrinho o Conde de Samodães. 

Não foi Gomes Teixeira classificado como licenciado por ter sido o 
doutoramento no mesmo ano. Nesses casos dava-se só a classificação de 
doutor, que para êle fora lambem de: «muito bom por unanimidade, com 
20 valores». 

Foi um sensacional acontecimento universitário, pois jamais havia sido 
conferida esta mais alta classificação simultaneamente no bacharelato e no 
doutoramento. 



Passado um ano, isto é, a 3U de Junho de 1876, abria-lhe esta casa as 
Mias portas, elegendo-o sócio correspondente, e"em 20 de Dezembro do 
mesmo ano, por se ter jubilado o Dr. Gonçalves Mamede, que espontanea- 
mente para então reservara o pedido da sua jubilação, a fim de não haver 
demora na admissão de Gomes Teixeira ao magistério, tinha êle ingresso no 
quadro da Faculdade de matemática, como lente substituto, precedendo con- 
curso que decorreu brilhante. 

Para ele escreveu o moço matemático outra "notável dissertação, com- 
pletamente fora do vulgar, intitulada : Sobre o emprego dos eixos coordenados 
oblíquos na mecânica analítica. 



1-1 BÍ0GRAF1A DE FRANCISCO GOMES TBIXB1RA (6) 



abrange ôste estudo Ires capítulos. No primeiro, começa o jovem doutor 
por mostrar que a equação que traduz o principio das velocidades virtuais, 
deduzida por Lagrange, no caso dos eixos coordenados rectangulares, se ve- 

riflca igual ate sendo obliquos os eixos. Km seguida trata de generalizaras 

fórmulas de Poinsot, para a composição das forças, no caso dos eixos oblí- 
quos, e conclui por estabelecer, em face dessas fórmulas, o princípio do pa- 
ralelipipedo das forças. 

\c segundo capitulo deduz do princípio das velocidades virtuais as 
equações que exprimem o equilíbrio do sólido invariável quando os eixos são 
obliquos, equações que Poinsot havia já obtido, empregando a teoria dos 
binários. Gomes Teixeira faz esta dedução de dois modos, sendo o segundo 
baseado sobre as fórmulas que exprimem uma generalização nova de três 
outras devidas a Euler. 

No terceiro capitulo, estabelece a equação geral da dinâmica no caso 
dos eixos oblíquos e finalmente as equações do movimento do sólido inva- 
riável. 



Desejando o Governo efectuar o primeiro provimento dos astrónomos de 
1." classe do Observatório Astronómico de Lisboa (Tapada >, que acabava de 
ser montado, consultou a este respeito esta Academia, a qual em sessão de 
i.* classe de li de Julho de 1878 escolheu para primeiro astrónomo e direc- 
tor do Observatório, Frederico Augusto Oom, ao tempo seu sócio efectivo; 
segundo astrónomo o Sr. Campos Rodrigues, presentemente também seu 
sócio efectivo, e eminente director- desse notável Observatório ; e terceiro as- 
trónomo o Dr. Gomes Teixeira. 

Foi êsle, em 10 de Julho do mesmo ano, nomeado, por decreto, mas 
não exonerado de substituto de Faculdade. 

De poucos meses foi a ausência dele da Faculdade, regressando a ela, a 
ocupar o seu lugar de lente substituto, por ter sido exonerado a seu pedido, 
de astrónomo, em 28 de Novembro do mesmo ano. 

Falecendo em 22 de Novembro de 1879 o lente de prima da Faculdade, 
Dr. Raimundo Venâncio, que era o professor de cálculo, foi promovido a ca- 
tedrático o Dr. Rocha Peixoto, e como o Dr. Florêncio Barreto Feio estava 
doente e em via de jubilarão, tomou desde logo Gomes Teixeira conta da 
cadeira de análise, ficando Rocha Peixoto na de geometria descritiva. 

Pouco depois jubilava-se Rarreto Feio, sendo por consequência Gomes 
Teixeira promovido a catedrático, e tomando posse em Fevereiro de 1880, 
conservou-se na regência da cadeira sua predilecta durante todo o tempo 
que permaneceu na Universidade de Coimbra. 



7 BÍ0GRÀF1A DE FRANCISCO GOMES TEIXEIRA 12Ô 

da onde dos primeiros anos de magistério Gomes Teixeira pre- 
leccionou, que vai agora recebei o seu nome, e nela vai igualmente ser colo- 
cado o sen busto em bronze, sobre um pedestal de mármore, constituindo 
este pequeno monumento, erigido por iniciativa da actual Faculdade de Scién- 
cias da l niversidade de Coimbra a mais justa e honrosa homenagem prestada 
ao professor que tanto a elevou dentro e fora do pais. 



Como investigador o Dr. Gomes Teixeira possui no mais alto grau um 
espirito essencialmente generalizador, que lhe permite, induzindo sobre fór- 
mulas ou propriedades conhecidas, obter a lei geral donde dimanam muitos 
resultados novos. 

Dada tal orientação, muitos consideravam o ensino que êle ministrava 
na Faculdade de matemática teórico de mais, principalmente não se desti- 
nando a maior parte dos seus alunos à formatura em matemática, mas sim 
a seguirem, na Escola do Exército, os cursos das armas especiais, do antigo 
corpo do estado maior e de engenharia civil. E dizia-se que, devido a essa 
orientação do seu espirito, Cumes Teixeira preocupava-se talvez mais com as 
generalizações de teorema- e de fórmulas do que se importava com as aplica- 
ções das matérias a questões qtie mais tarde poderiam ser vantajosamente 
utilizadas em resistência de materiais, em hidráulica, etc. 

Mas a culpa não era sua, mas sim resultante dum defeito de organização 
da Faculdade, por nela não haver uma cadeira de análise destinada a quem 
tivesse de frequentar o curso completo da Faculdade, e outra para aqueles 
qae seguissem engenharia civil e a carreira das armas. Hoje acha-se bas 
tante remediado esse inconveniente pela criação nas Faculdades de Sciências 
de uma cadeira de análise superior. 

Salvo este reparo, Gomes Teixeira sabia, como ninguém, interessar os 
seus discípulos pela sciência que professava. 

De tempos a tempos dava-lhes questões intrincadas para resolver, e 
assim, os que chegavam a resultados satisfatórios, iam contribuir, embora 
em modestas proporções, para o progresso da sciência. 

É assim que vemos Duarte Leite, discípulo de Gomes Teixeira em 
188I-IS8-J, estudar, a convite do mestre, as derivadas de ordem qualquer 
de a em ordem a X quando e /' (./■. // o), trabalho este que viu a 111/, da 
publicidade. 

No mesmo ano. outro discípulo. Rodrigues Braga, há pouco falecido. 
sendo médico da armada, fez idêntico estudo, também muito interessante, 



126 U10G1UF1A DE FHANCISCO GOMES TEIXEIRA (8) 

mas diferente do de Duarte Leite. Não foi, porém, publicado 3 existindo ma- 
nuscrito na Biblioteca desta Academia (sala dos reservados). 

Duarte Leite, animado pelo bom êxito do seu primeiro trabalho, e inci- 
tado pelo Mestre, abalançou-se ;i outras questões de análise incompletamente 
estudadas, sendo notável a forma por que tratou uma delas, que o grande 
Hermite muito apreciou, fazendo publicar uma parle desse estudo no Bulk- 
tin de Darbouxj em 1883, o que muito honrou o talentoso estudante. 

Em 1884, Gomes Teixeira, por conveniências de família, solicitou ê 
obteve transferência para a cadeira de Cálculo diferencial e integral da Aca 
demia Politécnica do Porto, que se encontrava vaga, tomando dela posse a 
26 de Maio daquele ano. 

Ali o vemos reger ininterruptamente essa cadeira desde o ano lectivo de 
1884-188'), em que tive a honra de ser seu discípulo, até hoje, ou seja du- 
rante trinta anos. 

No Porto, continuou Gomes Teixeira a procurar interessar os seus alunos 
pelo progresso da sciência matemática, dando-lhes igualmente questões para 
resolvei 

Assim, Raimundo Ferreira dos Santos, meu condiscípulo, já falecido, 
obteve a expressão da derivada de ordem n de y em relação a x, em função 
das derivadas das variáveis em relação a nova variável independente. 

João de Oliveira Ramos, aluno do curso de 1885-1886, fez um interes- 
sante estudo sobre a decomposição das funções circulares; o mesmo aluno, 
com o seu condiscípulo Casimiro Jerónimo de Faria, determinaram os coefi- 
cientes da fórmula que dá a derivada de ordem qualquer das funções com- 
postas. Todos estes trabalhos foram publicados. 

Por minha parte, também nesse tempo, do qual conservo as mais 
gratas recordações, me ocupei, guiado pelo Dr. Gomes Teixeira, de várias 
questões, em que me sai bem, e, animado e incitado por êle, abalancei-me 
a empresa mais arrojada, tendo a satisfação de ver os meus esforços coroa- 
dos de êxito e de poder estar hoje nesta casa a falar a V. Ex. as de meu Mes- 
tre, com o qual mantenho, há trinta anos, as mais amistosas e cordiais re- 
lações. 

Com que entusiasmo expunha Gomes Teixeira as doutrinas que se acha- 
vam obscuras ou incompletamente tratadas no livro que então servia de texto, 
o tratado de cálculo de Serret! Ele, que se exprimia ordinariamente com difi- 
culdade, quando chegava o momento de ter de expor uma teoria nova, ou 
qualquer matéria obscura, fazia-o com tal clareza e método como só um 
grande Mestre o podia fazer. 

Nunca se me apagará da memória a argumentação, claramente deduzida, 
que vi fazer, em 1880, a Duarte Leite, por ocasião da defesa da sua magni- 



iíum.uaiia ni. i ii \.n<;im:m mi\ii> rir riu \ 



127 



Qca dissertação: «Integração das diferenciais algébricas», no concurso um 
memorável concurso — para lente da Academia Politécnica do Porto. 

Em I88G empreendeu o sábio professor, e logo realizou, um;: obra de 
imenso valor: um -Curso de análise infinitesimais que estivesse em harmo- 
nia com o estado em que então se encontrava aquele ramo da sciència mate 
mática. De farto, em ISS7 apareceu a primeira edição do seu «Cálculo dife 
rencialt, sendo-lhe por esta academia concedido em 1888 o prémio D. Luís I. 
correspondente ao ano de 1887. Nova edição saiu cm 1890 o uma terceira 
nu 1896. 

Em 1889 foi publicado o «Cálculo integral» (4. a parte), com outra edi- 
ção em 1893, e nu 1892 a 2." parir do mesmo «Cálculo integral». 

Èsle «Curso», em três volumes, não obstante os defeitos rpu; lhe possam 
ser apontados — ,: o qne há que não tenha defeitos? — é um tratado composto 
segundo um plano bem definido e pensado, com novidade na exposição das 
matérias, dando conta de todos os progressos realizado.- pela análise; numa 
palavra, é uma obra que por si só é bastante para dar nome e glória a um 
homem de sciència. 



Tendo residido o Ur. Gomes Teixeira, nesta cidade parte do ano de 
IK7!> e dos de 1883-1884, devido a ser Deputado da Nação, tomou activa 
parto nos trabalhos da I.' classe desta Academia, chegando a relatar, não 
obstante ser sócio correspondente, os pareceres sobre as candidaturas do 
professor belga Le Paige, e do Sr. Schiappa Monteiro, actual presidente da 
secção de scièncias matemáticas. 



Pouco depois de obter Gomes Teixeira transferencia para a Academia 
Politécnica do Porto, foi nomeado seu director, conservando-se à sua frente 
até 1911, em que fora, por decreto de 23 de Agosto, nomeado reitor da 
nova Universidade do Porto, cargo que está desempenhando com superior 
competência. 



Vejamos agora a obra scienlifica do sábio professor. 

Logo após a sua entrada para a Faculdade de matemática da Universi- 
dade de Coimbra, fundou o Jornal de scièncias matemáticas e astronómicas, 
que teve gloriosa existência, marcando época nos anais da sciència portu- 
guesa. 






128 UI0GHAK1A DE KHANCISCO GOMES TE1XKIHA (10) 

Apareceu o tomo i em 1877, lendo-se na primeira página do seu fas- 
cículo I .° o seguinte : 

Começamos hoje a publicação dum jornal dedicado às sciências matemáticas e astronó- 
micas. 

Quási todos os países da Europa, ainda os mais pequenos, sustentam, além das publica- 
ções periódicas publicadas pelas corporações «científicas, onde vem artigos relativos a todas 
as sciências, jornais de iniciativa particular dedicados exclusivamente às sciências matemáti- 
cas ou as sciências astronómicas. Em Portugal não existe nenhum deste segundo género. 

É na realidade uma empresa difícil, que todavia ousamos empieender. apesar das nossas 
poucas forças, confiados no auxílio que esperamos dos matemáticos e astrónomos portu- 
gueses. 

É nosso objecto a publicação de memórias relativas às matemáticas puras, â mecâ- 
nica racional e aplicada, à física matemática, à astronomia, á geodesia, à estereotomia, etc. 

Em cada número haverá duas secções, uma relativa a questões de matemática superior 
outra destinada ás pessoas que conhecem só as matemáticas que se ensinam nos nossos cursos 
de instrução secundária, na qual publicaremos artigos sobre matemáticas elementares, noti- 
cias astronómicas, etc, para cujo bom êxito esperamos que concorrerão os professores dos 
nossos liceus com os seus artigos. 

A este entusiástico chamamento acorreram logo distintos professores das 
nossas escolas, como: Francisco Horta, Mota Pegado, Amorim Viana, Schiappa 
Monteiro, Marrecas Ferreira, Rocha Peixoto, e tantos outros, que publicaram 
nele importantes memórias e interessantes notas, servindo de incentivo, a 
bem dizer, aos novos, que sucessivamente vieram trazer a sua contribuição 
para a realização do grandioso monumento que o Dr. Gomes Teixeira pensara 
levantar. 

De entre esses novos devo destacar o malogrado tenente de artilharia Mar- 
tins da Silva, que tam prematuramente desapareceu do número dos vivos, 
e outro tenente de artilharia, José Manuel Rodrigues, hoje coronel e profes- 
sor, e que há muitos anos é nosso consócio, seguindo-se-lhes outros, como 
Luis Woodhouse, Duarte Leite, Dr. José Bruno de Cabedo, Dr. José Pedro 
Teixeira, etc. 

O Jornal de sciências matemáticas e astronómicas, que adquiriu notorie- 
dade durante os vinte e oito anos da sua existência, contribuiu poderosa- 
mente para reanimar em Portugal o gosto pelas sciências matemáticas, e, 
graças a êle, o nosso pais tomou sempre parte nos trabalhos internacionais, 
tendo por objecto o progresso da Matemática. 

Inútil será dizer que o mais assíduo colaborador do jornal fora o seu 
ilustre director, 

Mantinha já a esse tempo Gomes Teixeira relações com alguns dos mais 
ilustres matemáticos da Europa, que por êle tinham grande simpatia, a saber: 
Hoúel, que logo o propôs para correspondente da Sociedade das Sciências 



(il) BIOGRAFIA DF. HUNCISCO GOMES TEIXEIRA (29 



Físicas e Naturais de Bordéus: Hermite, sempre pronto a guiar os novos talen- 
tosos, como bem acentuou o professor Emílio Boiei em uma biografia relati- 
vamente recente, sendo o primeiro sábio estrangeiro qne veio colaborar ao 
jornal de Gomes Teixeira, logo DO 2.° fascículo do tomo i; Bellavilis. Gutzmer, 
Lerchj Rouché, Júlio Tannery, e outros ainda moços, lais como Ernestd Ce- 
saro e Maurício d'Ocagne. 

Dentro em pouco víamos o Dr. Teixeira colaborar em numerosos jor- 
nais da França, Bélgica, Itália, Alemanha, Áustria, Suécia, e mais tarde em 
outros de Espanha, Inglaterra e Holanda, constituindo este lacto, dada sobre- 
tudo a reputação dalguns deles (como o Journal de Lionville, e de Crellc, 
Acta matemática de Mittag Leffler, Btdlelin de Darboux, The Quartely Jour- 
nal, Annales de l'École normak supérieure de Paris, Annali di matemática 
pura ed applicata. e as memórias das Academias dos Linces e Rial da Bél- 
gica) o seu mais brilhante titulo de glória. 



Passemos agora em rápida revista os escritos de Gomes Teixeira, se- 
guindo a ordem cronológica, e assinalando, no decorrer, os seus principais 
triunfos académicos ; 

Sur la décomposition des fractions ralionneUes («Jorn. de Sc. Math. e 
Astr.» Coimbra, t. i, 1877, pp. 1-12, 17-24, 33-37, 49-56, 97-101, 113-1 Mj 
t. ii, 1878, pp. 33-41). 

Tendei Hermite deduzido do seu Curso de análise Fórmulas directas para obter os nume- 
radores das funções simples, nas quais se pode decompor a fracção racional 



( x -a) «+ 1 ( x -b) p + * 



generaliza Gomes Teixeira esta doutrina, dando às express<3es dos numeradores das fracçCes 
simples uma forma nova. tendo a vantagem de apresentar estes numeradores independente- 
mente uns dos outros. 

Noticia sòbrc Saturno (Idem, l. i. 1877, pp. 13-16, 25-32, '»l-'»8. (53- 
64, 90-93). 

Sur le nombre des fonctíons arbitraires des intcgrales des équatíons aur 
dérivées partielles («Mém. de la Soe. des Sc. de Bordeaux», 2." série, t. u, 
1878, pp. 315-321). 

Consiste íste trabalho na generalizado «lo teorema de Ampere a uma equaçfio rom 
qualquer número de variáveis independentes 



130 B106RAFIA UE FRANCISCO GOMES TEIXEIRA (12) 



Sobre a integração das equações às derivadas parciais lineares de 2? ordem 
(«Jora. de Sc. Math. e Astr.», Coimbra, t. ii, 1878, pp. 138-153). 

ExposiçSo dum método novo para integrar as equações às derivadas parciais fle á.* 
ordem, no raso particular da funçío arbitrária do integral intermediário conter unicamente as 
variáveis x e y. Faz o autor depender esta integração da de duas equações ás derivadas par- 
ciais de 1." ordem, nSo simultâneas e independentes, que são também as condições necessárias 
e suficientes para que haja um integral intermediário com uma função arbitrária de x e y. 

Noticia sobre BeUavitis (Idem, I. n, 1878, pp. 189-191). 

Sur le développement des fonctions implicites en série («Jorn. de Sc. Math., 
Phy. e Nat.», Lisboa, l. a série, t. vn, pp. 1879-80, 247-254; «Journ. de 
Math. Purés et Appliq.», Paris, 1881, pp. 278-282). 

Desenvolvimento em série ordenada segundo as potências de x duma função de u defi- 
nida pelas equações 

u = f(y) 
» = <+a,(p4(j) + a; 2 «p 2 fo)-f + •<■'"?„ (|fl 

obtendo o autor uma expressão que lem como caso particular a fórmula de Lagrange. 

Sur les dérívées d'ordre quelconque («Giora. di Matem.», Nápoles, t. xvni, 
1880, pp. 301-307). 

Sobre a origem e sobre os princípios do cálculo infinitesimal («Jorn. de Sc. 
Math. e Astr.», Coimbra, t. m, 1881, pp. 21-45). 

Sobre a multiplicação dos determinantes (Idem, m, 1881, pp. 185—186). 

Demonstração dum lema com que Dostor faz preceder o teorema da multiplicação de 
determinantes. 

Sur Vintégration d'une êquation aux dérivées partielles du deuxième ordre 
(«Comptes-rendus de 1'Acad. des Sc. de Paris», t. xcm, 1881, pp. 702-703). 

Sur lintégration dune classe déquations aux dérivées partielles du deu- 
xième ordre («Bui. de 1'Acad. Roy. de Belgique», Bruxelas, 3 e série, t. m, 1882, 
pp. 486-488). 

Determina o autor as três equações para que a equação às derivadas parciais 

Ar + lís + Cí + D = o 
tenha uni integral da forma 

/' (x, y, z. p, o) = <p (x, y) 
sendo 9 uma função arbitrária. 

Sur une formule d'interpolation («Mém. de la Soe. Roy. des Sc. de Liège», 
2. a série, t. x, 1889, pp. i-7). 



13 BIOGRAFIA DK FRANCISCO GOMES rEIXEIRA 131 



Determinado duma função inteira de j de que se conhecem os > dores issim como os 
das suas derivadas para valores particulares de x em número suficiente. 

Sur la théorie des imaginaires (»Ann. de laSoc.Scient.de Bruxelles», 
i vii, 1883, pp. H7-427). 

Exposiçáo nova da lheoria de Cauchj 

Solução duma questão proposta (*Jorn. de Sc. Malh. e \sn. . C< bra, 

t. v, 1*83, pp. [85-186 . 



Sur 1'interpolation au moyen des fonctions circulaires («Nouv. Anu. de 
Math.i, Paris, 3. a série, t. iv, 1885, pp. 351-359). 

Exposicáo do desenvolvimento de certas fórmulas de Hermite, forni ndo um método 

de interpolação por meio duma função inteira homo^-uea de sen. x e de cos. r. Dedução 
também das fórmulas inversas d iposiçáo com aplicarão ao cálculo integral. 

Sur In détermination de la partie algébrique de Vintégrale des fonctions 
r-ationnelles («Rendia delia R. Accad. dei Lincei», Roma. 4. a 8érie, t. i, 1885 
pp. 187-188). 

Sdbre a expressão lim. (l + ~) («Rev. Seient. da Soe. Ateneu do Par- 
to, t. i, 1885, pp. 97-98). 

Sur Vintégrale j e m f{x) dx (aRendic. delia R. Aecad. dei Lincei», Ro- 
ma, 4.' série, t. i, 1885, pp. 278-280). 

Sur le développement des fonctions satisfaisant à une question différentielle 
(«Ann. de 1'École Norm. Sup.», Paris, 3." série, t. h. 1885, pp. 321-324). 

I rbrr einen Satz der ZaMentheorie («Archiv. der Math. und Phys.», Ber- 
lim, ± a série, t. ii-m. 1885, pp. 265-268). 

Por considerações de cálculo integral, demonstra o autor um teorema que havia sido 
deduzido por meio da teoria das combinações. 

Sur une formule d'Analyse («Nouv. Anu. de Math.», Paris. 3. 3 série, 
t. v, 1880, pp. 36-39). 

Dedução duma fórmula que da a relação das expressões 

f(x)-f(x.)- - ,J *~' r|, -/'i.,-.i 

calculadas para duas funções /' e F, e para dois valores diferentes de i. A expressão deduzida 
contém a de Tavlor e algumas fórmulas de f.auehv ■' de 1'eano. 



Í32 BIOGRAFIA DE KUANCISCO GOMES TEIXEIRA (14) 



Aplicação da fórmula que dá as derivadas de ordem a qualquer das 
funções de funções («Jorn. de Sc. M;ith. e Astr.», (Coimbra, t. vii, 1886, 
pp. 150- 1 56). 

DeducSo duma fórmula que publicara cm 1880 no Giornale di balayliiii, algumas ex- 
pressões de análise que se obtém de ordinário por processo diferente 

Sw le théorème d'Eissenstein («Anu. de 1'École Norm. Sup.», Paris, 3. a 
série, t. m, 1886, pp. 389-390; Cassopis, Praga, t. xxi, 1892, pp. 100-102). 

Demonstração elementar dum teorema, abrangendo o de Eissenstein, sobre as séries 
inteiras que satisfazem a uma equação algébrica. 

Sw une l imiti' relative au.v polygones de tegenâre («Sitz. der Kgl. 
Bohmischen Gesells. der Wissensch.», Praga, 1886, pp. 19-20). 

Determinação do limite para que tende X „, quando N passar pelo infinito. 

Ueber der Eissenstein schun Satz («Archiv. der Math. und Phys.», Leip- 
zig, 2. a série, t. m, 1886, pp. 315-317). 

Nova demonstração do teorema de Eissenstein baseada sobre a formula relativa ás de- 
rivadas de ordem qualquer das funções implícitas. 

Extrai t d'une lettre à M. J. Tanner;/ («Bui. des Sc. Math.», Paris, 2." 
série, t. xi, 1887, parte i, pp. 193-194). 

Estudo duma série que representa uma função reciproca doutra, considerada por J. 
Tannery. 

Sur un théorème de M. Hermite relatif à l interpolation («Journ. fúr 
die reine und angew. Math.», Berlim, t. c, 1887, pp. 80-84). 

Dedução duma fórmula que tem como casos particulares : 1 ", uma outra devida a Her- 
mite, aplicável quando a função analítica considerada não tem poios ; 2.°, alguns resultados 
relativos a interpolação, obtidos por este eminente geómelra. 

Sobre o desenvolvimento em série das funções de variáveis imaginárias 
(«Jorn. de Sc. Math. e Astr.», Coimbra, t. vm, 1887, p. 17-24). 

Generalização duma fórmula de Mansion, sobre o resto da série de Taylor, às funções 
de variáveis imaginárias, por meio duma fórmula que foi publicada por Gomes Teixeira em 
1885 nos Nouvelles Annales, e deste resultado obtêm uma forma nova do resto da série de 
Taylor, inteiramente semelhante à que aplica às variáveis riais. 

Sobre a derivação das funções compostas («Idem», t. vm, 1887, pp. 120- 
131). 



(15) BIOOR AFIA DE FRANCISCO OOMES TEIXEIRA 133 



Expõe o autor ; I, 1 . a demonstração do teorema relativo a derivação das funçOee com- 

- •. uma objecção que lhe havia sido feita ; 3.°, as condições para as quais o te nu 

tem lugar. 

Exemples de fonctions à espaces lacunaires («Nouv. Anu. de Ma th.», 
Paris. 3. :i série, t. vi, 1887, pp. 13-48). 

Cita Gomes Teixeira um primeiro exemplo em que espaço lacunar 6 um circulo : de- 
pois um outro em que são círculos de raioe iguais: finalmente, estabelece a possibilidade de 
haver uma função coru uni número infinito de espaços lacunares. 

Démonstration d'une formule <!>■ Waring («Idem», 3. 1 série, t. vii, 1888, 
pp. 382-384). 

Nova demonstração duma fórmula de yaring que da a soma das potências do grau » 
das raízes duma equação algébrica. 

Sur lajréduction des intégrales hiper-elliptiques («Sitz. der Kgl. Bòhmi- 
scben Geselis. der Wissench.», Praga, 1888, pp. 222-227 ■. «Jorn. de Sc. 
Math. e Astr»., Coimbra, t. ix, 1888-1889, pp. 164-170). 

Exírail d'une lettre adressée à M. Hermite («Bui. de Sc. Víath.», Paris, 
J. série, t. xn. 1888, i parte, pp. 272-276). 

Exposição dum teorema sobre a derivação dos integrais cujos limites são infinitos. 

E iiini! d'une lettre adressée ii M. Hermite («Bui. de Sc. Math. Paris, 2.' 
série, t. xu, 18*8, i parte, pp. 228-231). 

Algumas obsen ições para demonstrar que é preferível estabelecer directamente um 
ceeto teorema (B), que se deduz de ordinário doutro (A), para aproveitar algumas circuns- 
tâncias da sua demonstração que ficariam desconhecidas com a demonstração do teorema ( \ |. 

Alguns pontos <ln teoria </<« integrais definidos («Jorn. de Sc. Math. e 
Astr.». Coimbra, t. ix, 1888-1889, pp. 39-50). 

Estudo dos valores médios e da diferenciação dos integrais definidos. 



Sabre o integral f cot. (x—a) ,i.i («Idem», t. ix. 1888-1889, pp. 113- 
liti: «Nouv. Anu. de Math.», Paris, 3.» série, t. mu, 1889, pp. 120-122). 

Dedução drste integral dum modo elementar. 

Note sur 1'intégration des équatiom aux dérivées partielles dn second or 
dre («Idem», t. ix, 1«88-1889, pp. 103-172: «Bui. doía Soe. Math. de 
France», Paris, t. xvn, 1889, pp. 125-142). 



134 BIOGRAFIA DK FRANCISCO GOMES TKIXlilKA (il)J 

Moiln dc obter, por considerações directas, a transformação e simplificação da eiruaçâo 
às derivadas parciais de 2.' ordem. 

Hr -f 2 Ks + L< + M + JV i ri — **) 

em rme //, A. /.. .)/, A" designam funções de x, y, :. /<. q. 

Extrah d'une kltre adressée à M. .1. Tannery («Bui. des Sc. Math*. Pa- 
ris, L 2. ; ' série, t. xm, 1889, parle i, pp. 111-112). 

ExposiçSo dum teorema sobre a derivação das integrais de limites infinitos. 

Sur le développement des fonctions implicites («Journ. de Math. Pures et 
Appl.», Paris, i." série, t. v, 1889, pp. 67-71). 

Desenvolvimento em série ordenada segundo as potências de x duma tinirão u definida 
pelas duas equações. 

« -ti») 

y = í + * 9l (y) + x*- o 2 (y) + +*„ + ?„ fj l 

A fórmula obtida contêm como caso particular a de Lagrange. 

Sur Vintégrále f rfix («Sitz. derKgl. Bõhmischen Gesells. der Wissench.» 
Praga, 1889, pp. 118-120). 

Demonstração de dois integrais duplos sobre a ipial se baseia a da fórmula 

Extrait d'une letlre adressée à M. Hermite («Bui. des Sc. Math.», Pa- 
ris. 2. a série, t. xiv, 1890, parte i, pp. 200-208). 

Na primeira parle desta nota trata o autor do desenvolvimento de funções em série or- 
denadas segundo as potências dos senos, a qual encerra uni teorema que representa o pri- 
meiro ensaio nesta doutrina. Na segunda parte generaliza uma fórmula deduzida por Hermile 
para o caso das variáveis imaginárias, estudando as condições de convergência da série que 
dele resulta. 

Sur les êcrits d'histoire des mathêmatiques publiés m Portugal («Bibl. 
Mat.», Stockolmo, 1890, pp. 91-92). 

Eootension d'un théorème de Jacobi («Monats. fiir Math. und Phys.», 
Viena, t. i, 1890, pp. 481-484; «El Prog. Mat.». Saragossa, l. a série, t. i, 
1891, pp. 121-125). 



(17i BIOGRAFIA DE FRANCISCO UOMES 1'EIXEIRA \ '.'>'. 

Démontrer lidentité suivante 

l 



7 i S 

'• V k xl ,-.: ' (2!) 



le signa Sportant sur toutesles valeurs eittières, positives ou nulles, des quanlilés 

■j.. ';. . . . >. que vérifient les deux équalions simultanées « 3 ... /.==»/. 
3 + 2) ... p''=i>. («Mathesis», Gaod. 2. a série, i. i, 1891, pp. 143- 
144). 

Sobre a representação da função log. I' (x) por um integral definido 
(«El Prog. Mal.». Saragossa, i. x. 1891, pp. 185-187). 

Demonstração nova da fórmula de Gauss 

Extrait dum lettre à M. Rouclu («Nouv. Ann. de Matb.», Paris, 3." sé- 
rie, I. x, 1891, pp. 312-317). 

Generalização, no caso de n irracional, duma demonstração da fórmula de Stirling. 

Notas sobre a teoria das funções elípticas («Jorn. de Sc. Math. e Astr.», 
Coimbra, t. x. 1891-1892, pp. 150-155). 

Demonstração directa do teorema de adição de funçãop («); do seu desenvolvimento 
em série e das suas propriedades, bem como das das funções ; í«i e o («). 

Sobre u desenvolvimento dm funções em série ordenada •segundo as po 
téneias de senos e cosenos («Idem», t. s, 1891-1892, pp. 35-48). 

Remarques surVemploi de la fonclion p (u) dans la théorii des fonvtiom 
cUipliques (tSitz. der Kg!. Bóhraischen Gesells. der Wissensch.», Praga, 1892, 
pp. 182-184). 

Considerando a função sn. it, nota o autor que esta função lem no paralelogramo dos 

periodos 'iA e i i F, os poios i A e ÍK > A', e que os resíduos correspondentes si 

~c ■ sendo A o módulo de sn u. 

Sur la fonction p (u) («Bui. des Sc. Math.», Paris, ~1.' série, l. svi, 1892, 
parte i, pp. 76-80). 

Partindo duma definição particular, demonstra o autoi que aquela função satisfaz a uma 
cerla equação diferencial, subsistindo o teorema da adição. 

. Sobrr la descomposiciún de las funeciones ellipticas sn. u, cn. u, dn. u 
en serie de fracciones simples («El Prog. Math », Saragossa, I.' série, I. ii, 
1892, pp. <;:;-6n. 

Demonstração nova de fórmulas conhecidas. 

Mim e Mi:m. da Acad. — Tomo XII. — Parte II.- -N.° i i 



136 BIOGKAFIA DE KltANCISCO GOMES TEIXE1KA (18) 

Sobre ,-i desarrollo de p (m) eh serie de fraccione» simples. Idem, l. 8 série, 
l. ii, 1892, pp. 207-212. 

Demonstração nova de fórmulas conhecidas. 

Extrait d' une letlre adressée à M. Hermile («Bui. des Sc. Math.», Paris, 
2.' série, I. xvu, 1893, parte i, pp. 29-32. 

Modo simples de formar as funrõeí. analíticas que admitem um circulo por espaço la- 
cunar, baseando-se em um teorema do qual se encontra uma demonstração intuitiva no Tra- 
tado de análise de Pieard. 



Eis-nos chegados a 1895, em que se deu um facto muito honroso para 
Gomes Teixeira, e que passou, por assim dizer, desapercebido no nosso 
país, qual foi o Prémio, fora de concurso, que obteve a sua memória : «Sobre 
o desenvolvimento das funções em série», apresentada ao concurso ordinário 
para prémio aberto em 1893 pela Academia Rial das Sciências de Madrid. 

Esta Academia organiza todos os anos um certame scientifico, para o 
qual há sempre três pontos: um de matemática, outro de física e. o terceiro 
de sciências naturais, consistindo as distinções em prémio, accessit e 
menção honrosa. 

O autor da memória, para ser admitido, há-de ser ignorado até decisão 
final. O seu nome fica oculto e a memória é analisada e julgada, sem indi- 
cação alguma acerca do seu autor. 

O tema sobre matemática para o concurso de 1893 era o seguinte: 
«Exposición razonada y metódica de los desarrollos en serie de las funcciones 
matemáticas. Teoria general de los mismos. Significación de las llamadas 
series divergentes. Investigación de una série tipica de la qual, à ser possi- 
ble, se deriven como casos particulares las series de mayor importância y 
uso en analisis, como las de Taylor, Lagrange y qualquiera ótra análoga». 

Tendo o Dr. Gomes Teixeira concorrido a este certame, mas apresen- 
tando a sua memória em português, e não em castelhano, ou em latim, como 
preceitua o regulamento respectivo, não pôde receber o prémio ordinário ; no 
emtanto a Academia, sciente do excepcional valor da memória, onde o espírito 
generalizador do seu autor se revela pujante, tomou a deliberação de lhe 
conceder prémio, fora do concurso, e publicá-la na colecção das suas Memó- 
rias, o que efectuou em 1897. 



Continuemos com a citação dos trabalhos do nosso matemático: 



(19) BIOGRAFIA Dl; I RANCISl GOMES IE1XEIKA 137 

Sur les coarbes parallèles à VelUpse («Mém. de I \<;kI. roy. de Belgique , 
Bruxelles, t. liii, 1895-1898, pp. 1-39). 

Kxpõe o autor a teoria analítica das ourvas paralelas 
■ i- pontos múltiplos, singulares, etc, assim como as propriedades destas curvas e obtêm, por 
uma análise elegante, resultados conhecidos. < loupa-se em seguida das pod u ii 

que trata a fundo, e termina i m estudo das cui lipse, baseado 

método 

Sur le développemeni des [onctiom en série ordonnée suivani les puissance 
de» sinus ei des cosinus de la variabh («Journ. fur die reine und angew. 
Uath.». Berlim, I. cwi. 1896, pp. 14-32). 

Nos primeiros parágrafos desta memória sSo estudadas as curvas definidas pelas equa 
, ; , ■ r. sendo c nina constante real e positiva, e . unia variável 

'I + '.</<• 

Se ■• < 1, esta equação representa uma eurva composta de dois ramos dispo 
métricamente em relação ao eixo das abi il ao infinito, fazendo uma 

ondulações de igual amplitude. 

Sendo c I. se / l (a i fôi halomorfa aa área limitada por uma das ovais repn 
tadas pela equação sen. 8 ; c, esta função pode er desenvolvida eiu ârie da 

v, | \, jen > \ i u " .'■ 

a qual se verifica para todos os valore do i representado por] to da i l qui 

dera. 

Quaiiú" jejaj l,ea função /'(a.-) holomorfa aa área compreendida entn doi 

mos da curva | sen. - c, Is id c o perii do 2 i funi u - eptivi I 

.i seguinte desenvoh imento 

I 
-j-cos. x (B| Bj si n. ' + B sen.* i 

Por último considera o autor o caso da função/ (x) admitir o período 2u ri 
ginário, sendo feita a aplicação dos resultados obtidos a função elíptica sen. x. 

Sur le àtveloppement de \ en série ordonnée suivani les puissances des st 
nu* de la variable «Nonv. \im. de Math.», Paris, 3. a série, t. cxvi, 1896, 
pp. 260-274). 

Pemonstração elementar de duas fórmulas que publicou em 1896 tio Journal de Crelle. 

Sôbn o desenvolvimento das funções em série («Mem. de la l'«. Acad. de 
Sc. de Madrid, t. xvm. 1897, pp. 1-116»). 

Mesta memória, premiada pela Academia liial «las N-nmria- <\>- Madrid, m-up 
Teixeira, primeiramente do desenvolvimento ordenado segundo as potências inteiras e posi 



138 U10URA1 l\ DE FRANC1SC MES TBIXElliA (20) 



livas duma variável iudependente, rial ou imaginária, expondo os diferentes métodos seguidas 
ilver esta questão, estudando assim as séries de Bernoulli e de Taylor, 
completa by.para o desenvolvimento das funções das variáveis riais; 

raliza às funções de variáveis imaginárias. 

método de Caucby, baseado na teoria dos integrais curvilíneos, o 
di Riemann fundado ia teoria das funções harmónicas, e o do VveierstrasN, na teoria das 
ateiras. 

\ fórmula do desenvolvimento das funçõe> em série segundo as potências inteiras e ne- 
gativas, deduzida por Lanrent, é demonstrada nu 3." capítulo pelo método de Caucby, e no 
•">." pelo de Weierstrass e Mittag-Leffler. 

Também é demonstrada a série de Burmann, e finalmente deduz uma fórmula nova 
de Burmann, Taylqr, Lagrange e Laurent. 

Em 1897, um importante acontecimento veio influir na orientação scien- 
tifica do Dr. Gomes Teixeira. 

A novo concurso, anunciado pela Academia Kial das Sciéncias de Madrid 
em 1890, se apresentou o sábio matemático. O assunto que serviu para 
lenia era: 

«Catalogo ordenado de todas las curvas de qualquier classe que han 
recebido nombre especial, acompanado de uma idea sucinta de la forma, 
ecuaciones y propriedades geométricas de cada una, anadiendo la noticia de 
los libros, 6 autores, que primeramente los dieron á conocer». 

A memória que êle apresentou tinba por titulo : 

Tratado de las cuícas especiales notables, tanta planas como alabeadas. 

.Não foi. porém, Gomes Teixeira o único concorrente. A esse certame 
scientíflco concorreu também o professor Gino Loria, da Universidade de 
Génova, com a memória': Las curvas planas particulares, algébricas y trans- 
cendentes. Teoria e historia. Ensuyo de geometria comparado dei plano, e ainda 
o espanbol D. Joaquim de Vargas e Aguirre, com o seu Catalogo general de 
cuecas. 

Gomo se vê pelo meticuloso relatório que a comissão encarregada do 
exame destas três memórias redigiu, o qual se encontra impresso em suple- 
mento ao fascículo xi da revista El Progreso matemática (Saragossa, 1900)., 
considerou ela digna de prémio os trabalhos de Gomes Teixeira e de Gino 
Loria, o que levoji a Academia de Madrid a tomar uma resolução sem pre- 
cedente, a saber: solicitar do Ministro do Fomento autorização para conceder 
extraordinariamente dois prémios, em vez dum único, a fim de serem recom- 
peusadas as duas aludidas memórias, como era de justiça. 

O Ministro acedeu do melhor grado, sendo pois conferidos dois prémios, 
um ao geómetra italiano e outro ao nosso compatriota. 

15 para notar a circunstância de que tendo Gomes Teixeira cultivado du- 
rante 20 anos. quási exclusivamente a análise infinitesimal, onde alcançou 



(21) BÍOGB II IA Dl i RAM ISC IMES n.l\i:ili\ L30 

merecida uomeada. e concorrendo a um certame cujo tema proposto versava 
sobre geometria, quis o acaso que o seu competidor fosse, sem êle o suspei- 
tar; Gino Loria, um dos maiores geómetras da actualidade; puis apesar desta 
desigualdade, o trabalho composto pelo analista português hombreou honro 

sãmente com o do professor Loria, um especialisti assunto e até teve 

sobre êle superioridade em minúcias e em clareza, tanto assim que .1 aca- 
demia de Madrid fez preceder a publicação da memória do geómetra italiano, 
pela de Gomes Teixeira. 

Cousa extraordinária ! Vem de is,*;:} que a Academia das Sciências de 
.Madrid promove anualmente estes certames, e em matemática apenas até 
hoje concedeu ela prémio quatro vezes: em IS7-J, em 1893, em 1897 e em 
|s'.i!), dois deles alcançados pelo nosso sábio compatriota. 

O relatório da comissão que foi encarregada de apreciar as três memo 
rias referidas, foi tornado público em 1900, sendo só então conhecidas as 
suas conclusões, as quais, desta vez, não passaram desapercebidas no 
país. Assim, a l niversidade de Coimbra oficiara em i'\ de Abril, ao Dr. Go 
mes Teixeira e ao Presidenie da Academia de .Madrid, congratulando-se pelo 
sucedido, e pouco tempo depois a extinta Câmara dos Pares, em sessão de 
8 de Maio e a Câmara dos Deputados, em sessão de II do mesmo mês, 
aprovou, por unanimidade, votos de congratulação. 



V.pós o estudo que iam bom resultado tivera. Gomes Teixeira, o antigo 
analista, começou a ocupar-se, de preferência e com entusiasmo, de quês 
iões de geometria, que adiou muito mais interessantes que as de análise. 
evidentemente muito áridas, chegando um dia, em conversa, a manifestar-me 
pesar em não se ter há mais tempo dedicado á geometria, mais fácil que a 
análise, e onde se encontram a cada passo horizontes novos. .Mas o meu 
querido Mestre, está nesse ponto um tanto equivocado. Se hoje êle encontra 
na geometria esses «horizontes novos... em que ela é tam fecunda, é preci 
sãmente por ter educado o sen espirito na árida e difícil análise. 



Continuemos na enumeração dos seus trabalhos: 
Enveloppe d'une droite de longneur donnée s'appuyant sur dmx droites 
1 l.lnterni. des Math., Paris, t. v, 1898. pp. 162-163). 

SolnçSo duma questão proposta. 



I 'lll \! IA DE FRANCISCO liOMES TKIXKIHA (3i) 

Sobre u na curva natabíe (*E1 Prog. Mat.», Saragossa, %.* série, 1. 1, 1899, 
pp. 161-164). 

Determinação analítica do invólucro dam segmento rectilii de comprimento dado. 

apoiando-se sobre duas rectas, deduzindo, por um processo analítico e directo, os resultados 
mie j;i havia obtido na solução duma questão proposta por M. Barjsien. 

Sm les séiies ordonnêes suivant les puissances d' une fonction donnée 
iJouro. Rir die reine und angew. \lath.», Berlim, 1. cxxii, 1000, pp. 97-128), 

\s séries de Lagrange, de Burman e de Laureiít sâo casos particulares duma expressão 
apresentada por Gomes Teixeira, a qual dá o desenvolvimento das funções em série ordenada 
do as potencias positivas e negativas duma outra função. 

Évaluation directe <!<■ Vaire <l<- la développéc de Vellipse («Llnterm. des 
Math.í, Paris I. vu, 1900, pp. 20-21). 

Limaçon </<■ Pasça/ (Idem, idem, p. 362). 

Sobre los furos de las espiricas de Perseo («Kl Progr. Mal.». Saragossa, 
.'.' série, t. a, 1900, pp. 306-310). 

Métpdo elementar paia determinar as espiritas de Perseo. 

Si une courbe est carráble ri rectifiable, ses courbes parallèles Ir sont filos 
aussi? («Llnterm. des Malh.», Paris, t. vu, 1900, p. 247). 

Síoticia biográfica sôbi*e F. da Ponte Horta («Jorn. de Se. Ma th. e Astr. », 
Lisboa, I. xiv, 1900-1901, pp. 2-9). 

Sobre anã propriedud de los foros de los ovales de Cassini («Rev. Trim. 
de Mal.»», Saragossa, 1. í, 1901, pp. 84-86). 

Demonstração duma propriedade das distâncias aos focos dos pontos onde uma recta 
qualquer encontra as ovais de Cassini. 

Sai la Irlrarasjiiilalr ilr Bcllavitis («Mathesis, Gand, 3." série, t. xxi, 
1901, pp. 217-219). 

Dedução, pelos métodos ordinários de cálculo diferencial, das propriedades que Bellavilis 
havia estabelecido pelo método das equipulências. 

Em 1902 uma nova distinção, digno coroamento das anteriores, veio 
consagrar oficialmente os méritos do nosso primeiro matemático. 

O Governo Português, por portaria de 8 de Fevereiro, inserta na folha 
oficial de 3 de Março, determinou que se procedesse à publicação em volume 
de todos os trabalhos do Dr. Gomes Teixeira, os quais, como estamos vendo, 
se encontravam dispersos por numerosos jornais e colecções de memórias. 



33 



BIOGRAFIA DK FRANCISCO GOMES TEIXEIRA 141 



Estão já publicados seis grossos volumes, o pri iro dos quais foi em 

1904, achando-se o sétimo qo prelo. 

De 190:2 ate 1908 foram publicado os seguintes trabalhos: 

Sw la courbt éqmpotentielle («Archiv. dêr Math. und Phys.B, Leipzig, 
:!• série, t. ih. 1902, pp. 132-138) 

Exposição dalgumas indicações sobre ama maneira de ipresentar i teoria analítica da 
curva equipotencial, deduzindo algumas propriedades que nSo se encontram em uma memória 
de Cayley. 

Sur une propriété des ovales de Descartes («Mathesis, Gand, 3." série, 
1902, pp. 138-437). 

Apontamentos biográficos sobre Daniel Augusto da Silva («Boi. da Dir. 
Qar. de Instr. Públ.», Lisboa, i. i, 1902, pp. 829-840). 

Sur le développement desfonctions doublement périodiques de second espèce 
en série trigonometrique (fJourn. fiirdie reine und angew. Mathem.», Berlim, 
t. ii. cxxv, 1903, pp. 301-318). 

Sabe-se desenvolver a função 

f(í + 2 u )=f(i) /■(,.•+ 2 ,,')= <■/(.»•) 

em série trigonométrica, válida em lodo o plano de representação da variável x, e também em 
série válida na zona compreendida entre duas rectas, cuja inclinação sobre o eixo é igual ao 
argumento a. 

Gomes Teixeira demonstra que se pode tratar esta questão no caso geral, de ser c um 
número qualquer, pela teoria dos resíduo.- de Caucliv. e obtém, não somente 08 resultados co- 
nhecidos, mas ainda outros. 

Sur In eonvergence des formules d'interpolation de ÍMgrange s de Gauss, etr. 
(Idem, t. cxxvi, 1903, pp. 116-162). 

Conhecendo os valores que toma uma funçSo f (x), quando se atribui a x os vai 

O/, «2, .... o„, pode-se formar por meio da formula de interpolação de Lagrange, uma fun- 
çSo inteira de r que tenha estes mesmos valores nos pontos o,, a 2 , a,„. 

O autor ocoupa-se na primeira parte do seu trabalho do estudo das condições para que 
esta funçSo tenda paia f (x) quando m tender para o infinito. 

Na segunda parte do sen trabalho, estuda as fórmulas de interpolação trigonométrica, 
considerando uma fórmula dada por Gauss, e mitra indicada por llerniilc. 

Após algumas observações gerais, trata Go - Teixeira em particular das funções perió- 
dicas, supondo primeiramente que n t , a 2 , «3, sejam números reais arbitrários, e em 

seguida raízes da equação cos. nx = o ou sen. nx — o. 



I 'ri B106BAFL4 r>K FRANCISCO GOMES TK1XEIRA (24) 



Sobri la temia de logarithemos («Gac. de Mat.», Madrid, t. 1, 1903. 
pp. 222-226). 

Kvunma o autor se ;i unidade pude ser base dum sistema de, logaritmos, 

Remarques sur un travail publié par .V. Bougaiev («Bui. de la Sor. Malh. 
de Kasan», 2." serie, i. xm, pp. 1903, 74-78). 

Lu ecuación lineal indeterminada («Gac. de Mat.», Madrid, t. ri, 1904, 
pp. 68-70, 94-96). 

Sur une formule trigonometrique dHnterpolation («L'Enseig. Math.», Pa- 
ris-Genève, t. vi, 1904, pp. 214-218). 

Dedução duma fórmula para delermiuar uma função homogénea do grau a-j-p (>. — 1 1 

de si'ii c p cos. .<•, sendo dados os valores que esta função, e as suas derivadas até a ordem 
-/. -, >., tomam nos pontos dados .;-,, ./••,, .!■,, /■,. 

Sur la serie <le Lagrange et ses applfcations («Mém. de 1'Acad. Ro,\. de 
Bêlgique», Bruxelles, t. i, sciences, 1904, pp. 1-29). 

Sur les fonctions alef de Wronshi («Prace Mat. Fizy», Varsóvia, t. xv. 
1904, pp, 199-201). 

Método paia calcular as funções alef de Wronski por meio das expressões das somas das 
raízes da equação algébrica à qual elas pertencem. 

Notes sur deux travaux d'Abel relatifs à Vintégration ães différences fintes 

(«Acta Mat.», Estocolmo, t. xxvm, 1904, pp. 235-242). 

Mittag-Leffler, director desta notável revista, desejando publicar um vo- 
lume comemorativo do centenário do nascimento d'Abel, dirigiu convites a al- 
guns dos mais ilustres matemáticos da Europa para nele escreverem artigos 
que se relacionassem intimamente com a obra do grande analista norueguês. 
Gomes Teixeira foi um dos honrados com o convite do director de Acta Ma- 
temática, e a èle acedendo gostosamente, colaborou no volume especial refe- 
rido com o trabalho mencionado, que é deveras interessante. 

Sw un problème de Gauss et une classe particulière de fonctions symêtri- 
ques («Giorn. di Mat.», Nápoles, t. xlii, 1904, pp. 337-338). 

Nula sulVapplicaziom dei teorema di Fagnano agli archi delia Itimaca di 
Pascal e delle sinussoide («Period. di Mat. per lTnsign. Second.», Livorno, 
1. xix, 1904, pp. 275-277). 

Sejbre una propriedad de las cubicas circulares («Rev. Trim. de Mat.». 
Saragossa, 1. ív, 1904, pp. 214-215). 

Sur la théorie des cubiques circulaires et les quartiques bicirculaires 
i «Annali di Matemática Pura ed Appl.», Milão, 3. a serie, t. xi, 1904, pp. 9-28). 



-'•"> BIOGRAFIA DE FRANCISCO GOMES rBIXElRA 143 



Determina primeiramente o autor os centros de inversão das cúbicas circulares e das 
quárticas bicirculares. Indica um modo de construir as quárticas bicirculares unicur.sais. Fi 
nalmente, demonstra que estas curvas sâo as cissoidais de duas circunferências reais ou ima- 
ginárias, existindo era geral quatro sistemas de circunferências que produzem a mesma quár- 

lica. 

un lhe reclification of Booth's logarithmic eUipse and logaríthmk hyper- 
b»la < «The Qaart. Journ. of Puré and Appl. Matli.», Londres, t. xxxvi, 1904, 

pp. :ii5~fi0). 

Grandeza dos arcos de elipse e de hipérbole logarítmica por um método muito mais sim- 
ples que o empregado por Roolh. 

De qualquier series quepueden sumar-sepor los métodos eletnentales («Gae. 
de \lat., Madrid, t. u, l!)0í. pp. 152-455). 

Ocupa-se o autor duma série cuja soma é e que se pode estudar sem sair do 

domínio da álgebra elementar 



Eis-nos chegados a i90.*>. Nesse ano, por portaria de 5 de Maio, foi au- 
torizada a Academia Politécnica do Porto a iniciar a publicação duma revista 
consagrada às sciências professadas naquele estabelecimento de ensino, isto 
é. às matemáticas puras e aplicadas, à física, à química, à história natural e 
às sciências sociais. 

A nova revista, que tomou o nome de Anais Scientificos da Academia 
Politécnica do Parto, e é dirigida por uma comissão de lentes, tendo por pre- 
sidente o Dr. Gomes Teixeira, substitui, na parte relativa às matemáticas, o 
Jornal de Sciências Matemáticas <■ Astronómicas, que findou a sua publicação 
em 19(H. 

novo jornal scientífico, onde predominam os assuntos matemáticos, 
tem continuado as honrosas tradições daquele que substituíra, e adquiriu já 
verdadeiro renome no estrangeiro, onde está sendo muito citado, acorrendo 
a èle colaboração de matemáticos ilustres de todos os países. 

Dada, portanto, a alta cotação a que lá fora subiram os Anais, as memo- 
rias neles publicadas, não ficam sepultadas nas Bibliotecas das Universidades 
e Academias, como infelizmente sucede com numerosas publicações acadé- 
micas. 

Foi neste mesmo ano de 190."» que apareceu o tomo xxu das Memórias 
da Academia Rial das Sciências de Madrid, no qual foi publicada a Memória 
sobre as curvas notáveis, premiada em 1897, e a que aludi. 



144 HUliillAFIA DE FRANCISCO GOMES TEIXEIHA 



K ela dividida em catorze capítulos. Cada curva, que recebe um nome 
particular, e é tratada directamente : geração, equação cartesiana ou polar, 
tangente e normal, raio de curvatura, quadratura, rectificação e uma no- 
ticia histórica. 

Mais tarde foi esta Memória, consideravelmente desenvolvida, e com mé- 
todo de exposição mais harmónico, publicada em francês, sob a epígrafe : 
Traité des courbes sptciales rmarquable» planes cl gaúches, constituindo tal 
obra '. que teve do estrangeiro um sucesso ainda não igualado, por ninguém, 
os tomos iv (1908) e v (1909) das Obras de Matemática que estão sendo pu- 
blicadas por conta do Governo. 

Ainda em 1905 e nos anos seguintes publicou o Dr. Gomes Teixeira os 
os seguintes trabalhos: 

Sur quelques iittègrales dèpàes («Archiv. der Math. und Phys.», Leipzig, 
3. a série, t. ix, 1905, pp. 3-33). 

Fonction numérique («LTnterm. des Math.», Paris, t. xn, 1905, pp. 
69-70). 

Sur une formule pour le caleul numérique des logarithmes («Nouv. Anu. 
de Math.», Paris, 4. a série, t. v, 1905, pp. 36-45). 

Dedução, pelo cálculo dos valores dos logaritmos dos números, duma fórmula que po- 
derá ser útil em algumas circunstâncias. 

Sur les démonstrations de deux formules pour lo calcai des nombres de 
Bemoulli («L'Enseig. Math.», Paris-Genève, t. vu, 1905, pp. 442-446). 

Sur le nombre des tangentes qu'on peut mener à une courbe par un point 
situe sur la courbe (Idem, t. vu, 1905, pp. 138-141). 

Sobre uma questão entre Monteiro da Rocha e Anastácio da Cunha («Ann. 
Sc. da Acad. Pol. do Porto», t. i, 1905, pp. 7-15). 

Sur quelques propriétês des cubiques («Nieuw Archief voor wiskunde 
uitgegeven door hat Wiskundig Genootschap, Amsterdam, 2. a série, 1906, 
pp. 247-248). 

Sur une propriélé de la strophoide et sur les cubiques qui voiueident avec 
leurs cissoidales («Nouv. Ann. de Math.», Paris, 4. a série, f. vi, 1906, pp. 337- 
343). 

Propriedade interessante da estrofoíde, n5o ainda notada, e generalização do resultado 
obtido. 



1 Foi o eminente matemático Dr Haton de la Goupillière quem, reconhecendo o alto 
mérilo da memoria publicada pela Academia de Madrid, aconselhou e incitou Gomes Teixeira, 
a vertê-la para francos, e a dar-lhe maior desenvolvimento, constituindo assim um Tratado 
único no género. 



BIOGRAFIA DK FRANCISCO GOMES ll.iU.iiiA 145 

Sur deux tnanièrcs de coiistruire les tphriques de Perseus («Archie\ der 
Malh. mui Phys.», Leipzig, 3. série, t. \i. 1906, pp. ti'i-71). 



Em 2o de Junho de 1907 foi Gomes Teixeira eleito sócio efectivo desta 
Vcademia, havendo desde logo a secção de sciências matemáticas, ao parecer 
sobre a sua candidatura, deixado bem patente que reputava aquele ilustre 
professor digno da mais alta distinção que esta Academia lhe pode confe- 
ferir: a de sócia de mérito. A proposta, devidamente instruída, para tani ilus- 
tre académico ser considerado como tal, só foi, porém, formulada pela secção 
de sciências matemáticas alguns meses mais tarde, a 18 de Janeiro <le 1908, 
não se tendo ainda, sobre ela. prouunciado a Academia, sendo todavia de 
crer — esses são os meus votos que o faça brevemente. 

De l!H)7 até hoje publicou o Dr. Gomes Teixeira mais os trabalhos que 
seguem: 

Sobre a construção do circulo osculador das minais circulares v das guái 
ticos bicirculares (Ann. da Sc. Acad. Pol. do Porto», t, n, 1907, pp. 198- 

211). 

Oito pequenas notas, bastante interessantes, relativas à construção <io circulo oscu- 
lador, quer das cúbicas circulares, quer das quárticas bicirculares. 

Sobre as espiricas de Perseo (Idem, t. n, I!in7, pp. 160-163). 

Determinarão dos pontos de inflexão das espiricas de Perseo, assim como da sua área 
e dos volumes dos sólidos gerados por revolução em Mmo doa eixos 

Sobre os hiperbolismos das cónicas (Idem, t. n, 1907, pp. 119-12(5). 

Examina o autor os hiperbolisiims das cónicas, e mostra que qualquer curva que seja 
um hiperbolismo dum círculo que éle determina, bem como qualquer curva que seja hiper- 
bolisrao de hipérbole nâo equilátera, é-o também doutra hipérbole equilátera. 

Sóbrr a» integrais de Premei (Idem, t. v, l!i(i!t. pp. ("»«»— Tt* i . 

Os integrais de Fresnel podem ser obtidos por meio da inversSo da ordem das integra- 
ções dum integral duplo com limites infinitos; Gomes Teixeira, utilizando este método, obtém 
os aludidos integrais por uma análise diferente da que lem sido empregada pelos autores que 
tem tratado do mesmo assunto. 

Réponse à la question 3507 (T. Lemoyne), («L'lnterm, des Mato.», Paris, 
t. xvi, 1909, p. 95). 



I ili BIOGRAFIA Di: FRANCISCO COMES TEIXEIRA (28) 



Reponde à la question 3551 (T. Lemoyne), (Idem, p. 240). 
Réponse à la question 3581 (G. Espanet). (Idem, pp. 287-288). 
Sobre >> método de Gauss para o cálculo aproximado dos integrais defi- 
nidos i Anu. da \c:hI. Pol. do Porto», 1910, pp. 220-223). 

Nova demonstração dura resultado obtido por Mansion no seu Rèsumê rfti nuns ã'al- 
gèbre. 

Réponse à la question 3632 (T. Lemoyne), (Llatcrrn. des Math.», Paris, 
I. xvii, 1910, pp. 117-118). 

Réponse à la question 3658 (Picpus), (Idem, pp. 142-143). 

[Igumas propriedades das ouras notáreis («Jorn. de Math. Phys. e Nat.», 
Lisboa, 2." série, t. mi, 1910, pp. 302-308). 

Dedução de interessantes propriedades da trac.rriz circular e da cocleoide. 

Sur la développotde de la parabole du second ordre («LInterm. des Math.», 
Paris, t. xvii. 1910). 

Note i ir Professor Nuraniengar Paper («Proceed. of Edinburgh Math., 
Soe», t. xxix, 1910-1911). 

Sobre una nueva proprieilarl de la* risoides y nua generalización ile estas 
curvas («Rev. de la Soe. Math. Espan.», Madrid, t. i, 1911-1912, pp. 156- 
162). 

Note ou Recherches of Maclaurin <>n Circular Cubics («Proceed. of Edin- 
burgh Math. Soe», t. xxx, 1911-1912). 

Sur une propriété de la lemniscate de Bemoulli («Atti. delle Pontif. 
Accad. dei Nuovi Lincei», Roma, t. lxv, 1912). 

Sobre o folium de Descartes e a construção duma classe de cúbicas -uni- 
versais («Ann. da Acad. Pol. do Porto, t. vii, 1912, pp. 186-189). 

Sur les courbes semblables à leurs conrbes paraUèles («LInterm. des Math.», 
Paris, t. xix, 1912). 

Sur les trajectoires des paraboles cl de leurs courbes inverses i«Giorn, 
di Mat.» ; N;'ipoles, t. l, 1912). 

Sobre algunas propriedades de las cubicas («Rev. de la Soe. Mat. Espan.», 
Madrid, t. u, 1912-1913, pp. 5-12). 

Sobre Ia teoria de las ruletas (Idem, t. n, 1912-1913, pp. 245-249). 

Sur une intégrak ãéfinie («Archiv. der Mat. und Phys.», Leipzig, 3. a sé- 
rie, 1913, t. xxi, p. 248). 

Pequenas notas sobre a geometria das curvas especiais («Ann. da Aca. Pol. 
do Porto», t. vii, 1913, pp. 121-124). 

Sobre as tangentes à astroide (Idem, t. viu, 1913. pp. 220-225). 



i^9i BIOGRAFIA DE FRANCISCO (ÍOMES TE1XEMA 147 



Sui la développuhle de 1'ellipse («Nouv. Vim. de VIath.», Paris, 
I. xiii, 1913, p. III'. 

Sobre as roletas das cpicidóides («Rev. da Univ. de Coimbra», t. u, 
1913). 

Surtes courbes à développée interinédiaire circulaire i «Munais, fúr Malhem. 
mui Phys.», Vienna, i. xxiv, 1913, p. 347). 

Sur les roulettes circulaires («Nouv, \un. de Maih.». Paris, l." sério, 
I. xiii. mu, p. 438). 

Sm les courbes isoptiques et les podaires (Idem, Paris, í.' série, i. \i\, 
1914). 

Sur la courbe représentée par 1'équaiion p e m2 sin n • («Bendic. dei 
Circ. Mat. di Palermo», i. xxxvii, 1914). 

Sur ks courbes orbiformes d'Euler et sur une généralisation de ces cour- 
bes \n-liiv. der Math. and Phys.», 1914). 



No decurso de quarenta anos de vida académica, teve o nosso sábio, 
além dos assinalados triunfos que ligeiramente deixo apontados, muitas mais 
glorificações, puis assim se podem chamar, além das criticas altamente lison- 
geiras feitas aos seus escritos nas principais revistas matemáticas do mundo, 
a sua admissão em importantes academias e sociedades scientíflcas, como só- 
cio correspondente e sócio honorário, a saber: correspondente da «Société des 
Sciences Physiques el Naturelles de Bordeaux», da «Société Royale des Scien 
ces de Liège», da «Kgl. Bõhmische Gesellschafl derWissenschaften de Pragas, 
da «Real Academia de Ciências Exactas, Físicas y Naturales de Madrid», da 
Kaiserliche Leopoldinish-Carolinische Deutsche \kademie der Naturforscher 
iHallei», ila «Sociedad António Ai/ate, do México», da «Société Nationale 
des Sciences Natiuvilrs el Mathématiques de Cherbourg», da «Accademia 
Pontifícia Romana dei Nuovi Lincei», da «Real Academia de Ciências \ \r 
les de Barcelona», do «Circolo Matemático de Palermo», membro honorário 
da «Faculdad de Ciências de Lima (Perui», e sócio honorário do «Instituto 
de Coimbra- e das «sociedades de matemática» de Madrid, Karkow e Moscou. 

Tem acompanhado domes Teixeira o movimento matemático do estran- 
geiro, tendo sido sempre o seu nome incluído — o que é altamente honroso 
para Portugal — , nos diversos comités, com carácter permanente, organizados 
para promover o progresso das sciências matemáticas e do seu ensino. 

Assim o vemos: vogal da «Commission internationale de rEnseignement 
Mathématique», da «Commission permanente internationale duRépertoire Bi- 
bliographique de- Sciences Mathématiques», do «Comité de Patronage de 



148 BIOGRAFIA DE FRANCISCO GOMES TEIXEIRA (30) 

L'Enseignemenl Mathématique», e colaborador do «International Catalogue nf 
Scienliflc Litterature» . 

Km 1910, de Jiuiho a Setemb/o, foi Gomes Teixeira, com outros pro- 
fessores tia Academia Politécnica do Porto, em missão de estudo ao estran- 
geiro, onde já não ia ha bastantes anos. 

Percorreu a França, Bélgica, Holanda, Alemanha, Suiça e Itália, visi- 
tando os mais importantes institutos de ensino, e a essa viagem bem se pode 
chamar triunfal, em vista das homenagens que por toda a parte recebeu de 
eminentes homens de seiència 1 . Assim, não devo deixar de referir, por exem- 
plo, o facto do grande Klein adiar a sua ida a Berlim, onde tinha de ir br 
mar parle nos trabalhos da Câmara dos Senhores (Câmara Alta), para poder 
achar-se em Gottingue por ocasião da chegada ali de Gomes Teixeira para 
visitar a celebre Universidade. Igualmente, o Dr. Gntzmer, sábio professor 
da Universidade de Halle, foi expressamente a Gottingue encontrar-se com o 
o nosso matemático. 

Na Itália, assistiu, na Universidade de Pavia, a exames de mecânica, ao 
lado do júri; na de Bolonha, a quatro exames de álgebra, sentando-se á di- 
reita de Pincherle; e na de Boma, aos de geometria analítica e geometria 
descritiva, tornando assento entre Castellnuovo e Pittarelli. 

Assistiu também a um doutoramento ua Universidade de Boma, junto 
dos examinadores. 

Em 1912 voltou Gomes Teixeira ao estrangeiro, com mais dois profes- 
sores da hoje Faculdade de Scièncias da Universidade do Pôrlo, a tomar parte 
no quiuto Congresso Internacional de Matemáticos, que se realizou em Cam- 
bridge de 22 a 28 de Agosto. 



Pela despretensiosa exposição que acabo de fazer aos meus prezados 
consócios, vè-se que a carreira de Gomes Teixeira, quer como estudante, 
quer como professor e académico, numa palavra, como sábio, que tem 
levado o nome português a todos os recantos do mundo, é verdadeiramente 
notável, e por isso compreendem V. Ex. as quam justificada é a manifestação 
que em breve se vai realizar em Coimbra. 



1 Vide a série de Cartas publicadas no Comércio do Pértu n." 121 e 124, de 24 u 27 
de Maio, n." 128, 130, 132, 135, 143, 146, 147 e 132, de 1, 3, 8, 9, 18, 23, 34 e 30 de Junho. 
e n.<" 155, 159. 168, 169, de 3, 8, 15 e 20 de Julho de 1910. 



(31) BIOGRAFIA DE FRANCISCO GOMES iki\iii;\ L49 

Como discípulo que fui de Gomes Teixeira, associando-me do coração a 
essa homenagem, julgo do meu dever rogar a V. i'.\ ', Sr. Presidente, se 
digne propor á Assemblea Gemi um voto de congratulação da nossa Acade- 
mia pelo alto preito com que vai ser honrado um seu ilustre sócio efectivo, 

glória da nossa Pátria. 

Lisboa, em i de Abril de 191 i. 



A LITTERATURA HESPANHOLA 



PORTUGAL 



OUSA VITERBO 



Iniroducção 

A bibliographia, para que não pareça unicamente sciencia de livreiro, deve 
ser a estatislica da actividade intellectual d'um povo; o quadro, para assim di- 
zer, esphygmographico, onde se venham reproduzir as pulsações cerebraes 
duma nacionalidade, o grau mais ou menos elevado do seu funccionalismo pen- 
sante. Um inventario d'esta natureza, rigorosa e metdodicamente coordenado, 
ha-de forçosamente apresentai -nos o valor moral duma rara ou d'um estado, 
o contingente com que tem contribuído para a marcha da civilização, para os 
progressos da humanidade. A lilleratura, no sentido mais lato da palavra, é 
o espelho onde se vem reflectir todas as aptidões, de qualquer natureza que 
cilas sejam, e quem tiver perfeitamente organizados os seus quadros litte- 
rarios poderá avaliar da sua pujança em todos os ramos das manifestações do 
espirito, quer estheticas, quer scientificas, quer proflssionaes. 

A bibliographia peninsular tem já produzido trabalhos importantes, mas 
ainda está longe de satisfazer o ideal a que, na nossa humilde opinião, se 
pode aspirar. Tanto a Hespanl.a como Portugal possuem, n'este género, obras 
consideradas justamente dassicas, como as Uibliolhecasde Nicolau António e de 
Barbosa Machado, mas esses monumentos não exprimem de per si só, dum 
modo completo, o grau de vitalidade da civilização ibérica. Depois dos traba- 
lhos d'aquelles eminentes bibliographos, muitos outros se tem realizado, tanto 
lá como cá, mas ha muita especialidade, que ainda não foi convenientemente 
explorada, e falta, portanto, um estudo synthetico, formado sobre essas mono- 
IIist. k Hbm. da Ac.au— Tu mo mi parte h.— N.° 5 1 



152 A LITTERATURA HF.SPANHOLA EM PORTUGAL (li) 

grapbias indispensáveis, que dê a nota, luminosa e vibrante, unisona egual- 
mente, do poderoso organismo psy enológico da nossa raça. 

Por certo que a bibliographia não seria bastante, de per si só, a nos apre- 
sentar a soinina completa de todas as nossas aptidões, mas ministrar-nos-hia, 
pelo menos, os indícios indispensáveis. Assim a litteratura artística hespa- 
nbola, assaz restricta, está bem longe de nos fornecer uma idea perfeita do 
estado Oorentissimo que attingiram as suas importantes escolas de pintura, 
entre as quaes sobresaem as de Madrid e de Sevilha. O que dizemos com re- 
lação à pintura poder-se-hia applicar a outros ramos da nossa actividade, ás 
artes industriaes, por exemplo. 

Não faltará porventura quem estranhe a generalização que fazemos, appli- 
cando simultaneamente as nossas considerações a Portugal e á Hespanha. O 
reparo, porém, tornar-se-ha ocioso, e até certo ponto importuno, para aquelles 
que, aprofundando a historia da península, tenham reconhecido a intimidade 
que sempre nos uniu e quasi nos irmanou, sobretudo em certas épocas ca- 
racterísticas. Hoje parece que estamos mais distanciados da Hespanha que da 
França, mas os laços de família não se extinguiram, nem se poderiam extin- 
guir, por mais alta que fosse a barreira da ignorância, por mais fortes que 
fossem os preconceitos ou as antipathias. Temos para nós que, longe de ser 
uma inconveniência ou uma leviandade, será até um acto de patriotismo inata- 
cável o demonstrar qual o grau de influencia civilizadora, que mutuamente se 
tem exercido as duas mais importantes nacionalidades da península, mostrando 
qual a parte com que cada uma tem contribuído para afirmar a exuberância 
vital da raça ibérica. O confronto não nos será humilhante, antes nos será 
glorioso, principalmente levando-se em linha de conta a proporcionalidade dos 
nossos recursos. 

Houve uma época em que a língua portugueza, elevando litterariamente 
o dialecto galiziano, e depurando-se na convivência e na escola do lyrismo 
provençal, chegou a exercer incontestada supremacia na vida culta da penín- 
sula. O predomínio da corte irovadoresca de D. Dinis circumscreveu-se, po- 
rém, ás regiões da poesia, e foi limitado, tanto intensiva como extensiva- 
mente. A lingua castelhana levou a palma áquella, cantando afinal o triumpho 
definitivo. O seu rasto é extenso e duradouro na nossa litteratura, assim como 
é extenso o rasto que deixaram os nossos escriplores na litteratura hespanhola. 
O espirito portuguez, adoptando-lhe as formas materiaes, chegou todavia, em 
alguns casos, a imprimir-lhe caracter. Que o diga, por exemplo, a Diana de 
Jorge de Montemor. 

É principalmente no século xvi e no século xvu que a litteratura hespa- 
nhola se torna quasi commum aos dois paizes. Este phenomeno explica-se fa- 
cilmente, tendo concorrido para elle diversas causas, umas naturaes, outras 



(lll) A UTTERATDBÃ HESPANHOLA EU PORTUGAL 153 

de momento. As duas cortes não só se estreitaram fortemente pelos laços de 
família, mus identificaram-se na sua politica e nas suas aspirações religiosas. 
A vinda frequente de princesas bespanholas trazia aos nossos paços um sé- 
quito numeroso, que se impunha sem grande difficuldade e que era acceito 
gostosamente. A linguagem castelhana tornou-se habitual entre os coi 
que procurariam assim lisonjear as rainhas. De Portugal também iam prince- 
sas para Castella, e isto explica o apparecimento n'aquella corte de figuras 
salientes como Jorge de Montemor e Rui Gomes da Silva, mas a corte de Ma- 
drid absorvia e identificava a influencia estranha. 

As ordens religiosas eram um meio frequente de relações internacionaes. 
Numerosos frades bespanhoes pregavam nos nossos púlpitos, ouviam de confis- 
são nos nossos confessionários e auxiliavam na cathechese do gentio os nossos 
evangelizadores. Hasta citar Luis de Granada, Anchieta, S. Francisco Xavier. 
Muitos d'elles subiram ás cadeiras do episcopado, e eram os conselheiros es- 
pirituaes de muitos membros da família real. 

A reforma da Universidade muito contribuiu também para accentuar e 
generalizar a influencia hespanhola. D. João III chamou bastantes professores 
daquella nacionalidade, alguns dos quaes regentavam com grande credito em 
Salamanca. Entre elles figura como proeminente o afamado canonista Martin 
de Azpilcueta Navarro. Nos seus Diálogos de varia historia, Mariz, referin 
dose á reforma da Universidade, dá-nos couta, dos professores que vieram 
do estrangeiro. Enxertaremos aqui os trechos que se referem aos bespanhoes: 

«Estes forão na faculdade de theologia o Doutor AíTonso de Prado, na 
doutrina de Santo Thomaz eminente : veyo da Vniversidade de Alcalá para a 
cadeyra de Prima. Frey Martinho de Ledesma Castelhano, da Urdem dos pre- 
gadores, veyo para Lente de Vespora. Doutor Francisco de Mõsão Caste 
lhano, Pregador muylo douto & em todas as partes muyto erudito, veyo tam- 
bém de Alcalá ...» 

«Lentes da faculdade de Cânones forão em a Cadeyra de Prima o Doutor 
Martin de Azpilcueta Navarro, bem conhecido no Mundo. Estudou em Alcalá 
Artes & 1'hilosophia; em Tolosa Cânones A Leys, A logo na mesma os ensinou 
com grande nome; d'ali veyo a Salamanca A nella quatorze aiinos a enrique- 
ceu eõ sua doutrina. Depois solicitado por eIRey Dõ João III, de Portugal, 4 
rogado pelo Emperador Carlos Quinto, veyo a dar principio á ultima trasla- 
dação desta Vniversidade, A a ensinai- o Mundo, assi cõ a vida, como com a 
sciencia, que foy profundíssima, muito uniuersal A Catholica. Para a Cadeyra 
de Vespora, juntamente com Nauarro, veyo o Doutor Luys de Alarcão, tão 
uobre em sangue, como em engenho A fertilidade de memoria excellente, em 
que em seu tempo ninguém lhe levou a vantagem. Doutor Joam Morgovejo 



(54 A UTTERATURA HESPANBOLA EM PORTUGAL (iv) 

na muyta continuarão do esludo muylo notauel, de na bondade da vida excel- 
lente». 

«A faculdade de Leys derão principio: O Doutor. . . & sacedeolhe o Dou- 
tor Sãta Cruz Castelhano, muy grande jurisconsulto». 

Com relação ao Collegio das Artes diz o mesmo historiador: 

«E o mestre João Fiz, que tendo ensinado Rhetorica nas duas Vniuersi- 
dades de Salamanca & Alcalá, nesta também fez o mesmo cõ muyta satisfa- 
ção e applauso: porque foy perfeyto Orador & tão geral em todas, que rara- 
mente se acharia seu igual, em nenhua Yniuersidade do mundo». 

Nada mais curioso que o phenomeno que se dá na elíervescencia da civi- 
lização portugueza, no século xvi, quando o nosso espirito e a nossa activi- 
dade se desenrolavam d'uma maneira assombrosa. Nenhum povo, n'essa época, 
se mostrou mais caracterizadamente nacional, pela audácia das nossas desco- 
bertas marítimas, e nenhum povo lançou mais elementos estranhos no cadi- 
nho da sua civilização. O amor da sciencia e a aventura do mundo desconhe- 
cido impulsionavam-nos egualmente. Ao mesmo tempo que uma chusma de 
fidalgos e marinheiros, de soldados e pilotos, se abalançava na descoberta e 
na conquista de novos mundos, um enxame de estudantes talentosos fre- 
quentava as universidades de Hespanha. de França, de Itália e da Bélgica, dei- 
xando por toda a parte as provas da sua competência. Muitos discípulos. tor- 
naram-se mestres, e mestres eminentes, e na própria França os Gouveias, 
em cuja família os talentos eram hereditários, chegaram a formar uma espé- 
cie de dynastia profissional l . 

Alguns d'esses estudantes, que tinham alcançado nome em Paris, em Bor- 
déus, em Toulouse, em Salamanca, em Luvain, e n'outras universidades 
ainda, foram chamados por D. João III para vir propagar a sua doutrina e os 
seus methodos de ensino em Coimbra. Com elles vieram muitos estrangeiros: 
franceses, hespanhoes e d'outras nacionalidades. O espirito do renascimento, 
que percorria então a Europa como uma corrente galvânica, alimentava egual- 
mente esse bando de sábios, ávidos de mostrar os seus conhecimentos e de 
corresponder ao honroso convite do rei. Não admira, portanto, que o classi- 



1 João de Banos allude ironicamente aos cabulas portuguezea que cursavam Paris, e di- 
rige-lhes o seu remoque. Na sua Grammnlica, a propósito do verbo neutro, formula file a se- 
guinte oração para exemplo : «Os bómees que uã a Paris, e eslã no estudo pouco têpo, e fólgã 
de levar bóa vida. nâ fica có muita doutrina». 



(\) A UTTERATUBA HKSfANHOI-A EM PORTUGAL 155 



cismo desenrolasse triumphante a sua bandeira. As lingaas antigas, o grego 
e o latira, eram o vehiculo indispensável de lodo o ensino. Não só se lia por 
livros latinos e gregos, mas até o idioma do Lacio era a linguagem familiar 
dos estudantes. Era quasi infamante, mesmo fora das aulas, o falar-se a lin- 
guagem vernácula. O autor da Descripção e debuxo do mosteiro de Santa Cruz 
de Coimbra, estampado na oficina Lypographica do mesmo mosteiro em 1541, 
dá-nos este testemunho: »E a todos he opróbrio falar salvo em a lingua ro- 
mana ou grega, o que aos olhos dos caminhantes be bii espectáculo di 
O autor da Preparação Espiritual de Catholicos, obra que sahiu anonyma em 
Coimbra dos prelos de João da Barreira e de João Alvares, a \2 de outubro 
de 1549, explicando o motivo por que pusera no corpo da obra as auctoridades 
ou citações em latim, dá, entre oulraSj a seguinte razão: «A primeira be que 
eu li/, empremir este liurinho em Coimbra, onde, depois que sua alteza polia 
bondade de Deos, e por sua muita virtude creou e prãtou esta Católica Vni- 
uersidade ha nella tantos e tam íamosos letrados, e tantos e tam singulares 
latinos: e frorece nella tanto a lingm latina, que ato os meninos que nam 
sabem ainda falar lingoagem, saltem já lalar latim». Diego Ximenez Árias, 
indo antecipadamente ao encontro dos reparos que lhe poderiam por rja 
crever em vulgar, dá esta satisfação do seu procedimento: «La falta de la 
gloria dei Autor por escriuer em Romãce (aunq'esto ya lo vzan graues varo- 
nes) se recõpensara suficiètemente con la gracia de Vuestra Alteza y prouecbo 
de muchosí '. 

Alguns escriptores tinham vergonha de escrever em vulgar e d'isso se pe- 
nitenciavam. Assim o filho do Dr. Rui Fernandes pedia vénia de seu pae, 
sendo jurisconsulto, ter escripto em portuguez uma obra de direito. No pro- 
logo do seu Libro dr la verdâd de la fé, Fr. João Soares, bispo de Coimbra, 
que estudou em Salamanca, julga-se também na obrigação de dar esta des- 
culpa: «V si a alguno pareciere que la tal matéria es alta fiara linguage, 
acuerdesse que el Credo se sabe y reza em romance delos que nõ sõ letra- 
dos o saben la lengua latina. V lo que en este libro se trata no es mas que 
vna declaracion de los artículos dei: y otras cosas de la sancta fé eatholica. 
Y pues es bien que sepan alguns los artículos de la fé in romance, tambien 
pin deu saber la declaracion de ellos y authoridades : v las razones que a esto 
siruens. Mo era devido lambem ao receio que linha a igreja de vêr em 
vulgar certas obras religiosas. índice de D. Jorge de Almeida chegou a 
prohibir as Horas em linguagem. 



li. .Iu5u 111 do mu livro / -mi . m I.l-Imm .ih I.V>J. 



156 A LUTEHATUHA BESPANHOLA KM PORTUGAL (.Vi) 



O ensino da língua latina mereceu sempre singular preferencia, e para 
o demonstrar basta fazer o computo das grammaticas latinas, que se publica- 
ram em Portugal no século xvi. Da língua grega, que saibamos, ha apenas a 
de Clenardo. Meliodoro de Paiva publicou em 1532 um Lexicon Graecum 
& Hebraicum, impresso no mosteiro de Santa Cruz, que nunca pudemos vêr, 
nem sabemos onde exista algum exemplar. O hebraico também era ensinado, 
como se Vê da obra de Heliodoro de Paiva, e d'uma Grammatica hebraea, de 
Francisco de Távora, impressa em Coimbra por João Alvares em mdlxvi 1 . 
Ao passo que durante todo aquelle século só se publicaram duas grammaticas 
portuguezas, latinas publicaram-se as seguintes, de que temos noticia e de 
que vamos dar a nota cbronologica : 

1501. — Thesaurus Pauperum sim speculum puerarum. É a Grammatica 
de Pastrana. A. R. dos Santos duas vezes se refere a esta edição, não con- 
cordando, todavia, nas suas descripções. 

1505. — Prosódia Grammatica! cum summa diligentia correcta. É de Es- 
tevão Cavalleiro, e foi impressa por João Pedro Bonhomini. 

1513. — 2. a edição da Grammatica de Pastrana, de que existe um exem- 
plar na Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro. Pela subscripção final, vê-se 
que collaborou na obra Pedro Rombo, celebre professor de grammatica que 
houve na Universidade de Lisboa, e de quem fala com louvor Henrique Caiado 
num epigramma latino dirigido a Lourenço Moniz. 

Outro professor afamado da mesma Universidade foi frei Xinal (Frexe- 
nal?) que parece hespanhol, e com quem D. Manuel mandava aos moços fi- 
dalgos que aprendessem. Na freguesia de S. Thomé, bairro das Escolas Ge- 
rais, havia uma rua do Freixenal. 

1516. — Ars Virginis Maria;. É de Estevão Cavalleiro. Veja-se Barbosa 
Machado. 

1522.— Outra edição da Grammatica de Pastrana, de que dá conta Ri- 
beiro dos Santos. 

1535. — Grammatica latina de D. Máximo de Sousa. Diz no fim: Colim- 
brie apud ccenobium diue crucis, Armo dni m. d. xxxv. Exemplar sem fron- 
tispício na Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

1538.— Instilutiones Grammatica;, per Nicolaum Clenardum. (Escudo 
de armas do Cardeal D. Henrique). Excusw Bracarw Anno m. d. xxxviii; 
sumptibus Guliclmi a Troie, ele. Cum privilegio régio, ele. 8.° de cevu fólios. 
Exemplar pertencente ao Sr. Macedo Braga. 



1 O nome de Francisco de Távora não se inscreve no Dicáonario Bibliograpkieo. Vimos 
um exemplar desla Grammatica na Bibliotheca da Ajuda. 



(vil) A. LITTERATUKA BESPANHOLA EM PORTUGAL 157 

1840. De perbonm conjugatione commenlarius, de André de Resende. 
Barbosa attribue a edição a este anno, mas não traz designação. Foi impres- 
sor Lais Rodrigues. 

1546. — Institutiones Grammaticce Latina Nicolai Clenardi. Per Joannm 
Vaswum Burgensem aucta & recognita. Impressa Conimbricw uuxlvi. Exem- 
plar na Bibliotheca da Ajuda '. 

1852. — Aelii Antonii Nebrissensis Grammatica. Cum privilegio u. d. i.ii. 
Apesar desta edição não trazer indicação de lugar nem de impressão, não 
duvidamos attiibui-la a Lisboa e a Luís Rodrigues. A portada é a mesma da 
Viciosa Vergonha, de João de Barros, sem os enfeites que a circundam. Bi- 
bliotheca da Ajuda. 

1553. — Rudimento gramática-. Indicação de Bibeiro dos Santos. 

1554.— Ediç3o idêntica á de 1552. Existente também na Bibliotheca da 
Ajuda. 

1865. — Gramática Despauterii. Indicação de Ribeiro dos Santos. 

1557. — Institutiones in latinam Knguam, de Jeronymo Cardoso, Lisboa, 
por João da Barreira. Descripla em Barbosa Machado. 

1861. — Grammatica Despauterii. Braga. Indicação de Ribeiro dos Santos. 

1882. — 2. a edição da Grammatica de Jeronymo Cardoso, Lisboa, por 
João Blavio. Descripta em Barbosa Machado. 

1565.— ih libram quartum Antonii Nebrissensis de construetione decem 
partiam orationis Cadabalis Grani] Calydonij lucidissima explanatio. Lisboa, 
por Francisco Correia. Exemplar da Bibliotheca da Ajuda. 

ÍSlI.—Emmanuelis Alvari é Societate lesv De Instilulione Grammatica 
Ubri três. Lisboa, por João da Barreira. Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

1572. — Grammatica; duo compendia in metkodum contracta, út nihil re- 
dundei, ma decet. Ebora apud Burgensem. E de Fernão Soares Homem. Des- 
cripta em Barbosa Machado. 

No Corpus poetaram lusitanorum, entre as poesias dn Jorge Coelho, vem 
um epigramma a esta grammatica. 

1379.— Grammatica; institutiones a Roderico Lopez a Sigura nuper ardi 
toe. atque ExceUentissmo Domino Sebastiano Portugaliae Regi dicatae felicitei- 
incipiunt. Lisboa, por João Alvares. 

Vem descripta sob o n.° 2:78i, cm Gallardo, que conjectura que esta se- 
ria já 2. a edição. 



1 Reproduziu-se esta edição em Salamanca, por João de Jujita, sem anno, mas prova- 
velmente em 1551, data do Privilegio. Traz um epigramma de Jorge Coelho. Veja-se a sua 
descripção em Gallardo. Catalogo de una biblioteca, sob o n.° 4:180. epigramma de Jorge 
Coelho já vinha na edição de Coimbra. 



158 A LITTKRAITHA HESPÀNHOLA F.M POBTUGAL (vill) 



1377.— 2. a edição do Compendio de Fernão Soares Homem, impresso 
em .Coimbra por João Alvares. Descripto em Barbosa Machado. 

1596.— Grammatica Latina de Manuel Alvares, 2." edição, Évora, por 
Manuel de Lyra. 

L r i!i!).- Gommentarium in Manuais Akari Grammalicam Latinam. Évora, 
por Manuel de Lyra. 

De anno incerto e sem designação de tjpographia ha ainda um compendio 
intitulado Elementa Grammatica, de João 1'ennndes, sevilhano, um dos pro- 
fessores chamados por D. João III para reger cadeira na Universidade de 
Coimbra. Cita-o Manuel Monteiro na prefacio do seu Metkodo de Grammatica 
Latina. 

Por esta enumeração, que de certo não é completa, se vè quanto estava 
generalizado entre nós o estudo disciplinai da lingua latina e com quanto ri- 
gor e estima se professava. Alguns compêndios, como o de Pastrana, eram 
de origem hespanhola, modificados e accrescentados por portuguezes. Outros 
eram devidos a professores hespanhoes, que residiram em Portugal, como os 
de Ruy Lopes de Sigura e Cadabal Gravio Calidonio. Em compensação bas- 
tantes portuguezes alcançaram nome em Hespanha no ensino da lingua de 
Virgílio. Citaremos em primeiro lugar o distinto humanista Ayres Barbosa, 
de quem André de Resende se confessa discípulo ', Francisco Martins, que 
compoz diversos tractados da sua especialidade 2 , Diogo Barbosa, Latinilatis 
Primarias Salmanticae, e Gaspar Alvares da Veiga, que publicou em 1G09 o 
seu compendio Bios con tu ayuda, etc. Todos elles leccionaram em Salamanca 3 . 

Não era só nas aulas, nas palestras escolares, nos escriptos scientificos 
e litterarios que o latim florescia exuberante. No theatro, sobretudo quando 
este era um exercício de estudantes, o sen emprego tornou-se indispensável. 



1 Na nota 34 dos Commentarios ao seu poema Viéentiui Levita et Martyr, diz André de 
Resende: «Sed de hac re multa Gellius, & plura Arius Lusitanus magister olim noster in sua 
Prosódia». B. Machado, em vez duma Prosódia, atlrijuo a Ayres Barbosa um tractado de Or- 
tkographia, impresso em Salamanca em 1517. 

2 A Francisco Martins dedicou Fernando dei Pozi o seu tractado grammatical Per b-eres 
fí uiiles, etc, impresso em Salamanca em 15'67. Vidi; (íallardo n.°3:518. 

3 Outros professores portuguezes ensinaram latim no estrangeiro, sem ser em Hespanha. 
Barbosa cita-nos Gaspar Lopes, auetor d'uma gmurutiea latina impressa em Flandres, e 
Francisco de Brito, auetor doutra, publicada em Vene-.a em 1509. A grammatica do jesuíta Ma- 
nuel Alvares teve grande acolhida em toda a Europa, sendo muito commentada e recebendo 
muitas vezes o beneficio da imprensa em diííerente? p lizes. Marlin Cueva, auetor do tractado 
Be corrupto docende Grammatice Latine Genere, estampado em Antuérpia em lSò'0, diz que 
eompuzera a sua obra a rogos d'um frade portuguez (An'onio Sanches), que ensinava gram- 
matica em Mantua. Vide Gallardo n.° 1:969. 



(ix) A L1TTKR.VITHA BESEANHOLA KM PORTUGAL i. r >!) 



Quando 1>. João III visitou a Universidade de Coimbra, ao tempo em que ella, 
com os novos professores, attingira o seu apogeu, foi lhe representada uma 

comedia latina, salpicada de dilos picantes, no estylo d Uni dos mais applau 
didos cómicos da velha Roma. As graças plautinas não agradaram, porém, 

no dizer do padre I.uis da Cruz, aos homens graves, e por isso OS jesuítas, 
que tanto exploraram o lheatro, considerando-o como um dos melhores e mais 
attrahentes passatempos para os seus alumnos, produziram grande numero de 

tragedias e comedias, de fundo religioso e moral. Ás vezes lambem esco- 
lhiam para assumpto das suas tragi-comedias factos históricos e patrióticos, 
como a Batalha de Ourique e a Descoberta e conquista da índia. Esta ultima 
foi representada com um esplendor extraordinário por occasião da vinda a 
Lisboa de Filipe III. Os Collegios da Companhia brilharam com as suas re- 
presentações dramáticas, em occasião de grandes festas, até aos últimos dias 
da sua existência em Portugal. 

Os elementos clássicos e os elementos estranhos lançaram profundas o 
extensas raizes na educação da mocidade portugueza, contribuindo para a 
desnacionalizar e para lhe dar um caracter cosmopolita, universal, ecléctico 
Era necessário que a nossa individualidade fosse bastante forte paia não per- 
der de todo as suas qualidades innatas, a pujança da sua originalidade. Diver- 
sas correntes actuavam no nosso meio social, até que o jesuitismo as fundiu 
e converteu na sua propaganda poderosa. Os lentes que vieram do estrangeiro 
introduziam no nosso paiz as ideas da reforma litteraria, já que as ideas da 
reforma religiosa encontravam uma barreira invencível nas fogueiras inquisi- 
toriaes. O espirito da civilização europeia invadia-nos e subjugava-nos, pro- 
duzindo uma raça de humanistas, de que poderia orgulbar-se qualquer nação. 
ainda de mais poderosos recursos que a nossa. As escolas de França, de Itália 
e de Hespanha, tinham aqui quem as representasse dignamente nos estudantes 
(pie as haviam frequentado e nos professores que de lá nos vieram. Como 
hoje ainda, Paris estendia então sobre as nossas cabeças o virente ramo da 
arvore da sciencia. Se os cursos das suas escolas eram ambicionados pelos 
nossos estudiosos, a litteratura também não deixava de ser tomada em alguns 
casos como modelo. Os autos de Gil Vicente resentem-se muito dos Myslerios 
franceses. N'uma das suas peças o diabo fala em francez. No Auto da Ave 
Maria, de António Prestes, a mesma personagem fala hespanhol. Parece que 
a lingua portugueza era desconhecida no inferno. Lisonjaria nacional dos 
nossos poetas I 

Os portuguezes que se doutoraram em Paris e nDutras universidades de 
França não serão menos abundantes que os que se doutoraram nas universi- 
dades de Hespanha. ()s reis de Portugal sustentavam ali numerosos pensio- 
nistas. O Çollège de Sainte-Barbe, pela nacionalidade dos alumnos e dos profes- 



160 A LITTERATURA HESPANHOLA BH POHTUGAL (x) 



sores, qaasi chegou :i ser unia instituição portugueza. O doulor João Claro 
publicou em Paris, em 1500, o seu Livro de Horas em porluguez. Ali publi- 
caram também: Diogo de Sá o sen tractado De Navigatíone, contra as doutri- 
nas de Pedro Nunes; e Miguel de Cabedo, em 1547, a sua traducção cm la- 
tim da comedia de \ristophaiies, Plvivs. outros exemplos semelhantes se po- 
deriam adduzir. Diogo de Gouveia sustentava relações amigáveis com os poe- 
tas francezes, como se deduz das suas poesias latinas. Trasladou uma de Ma- 
rol 6 dedicou o Epigramma x.w do seu livro u Ad Portas Gallos. Gonçalo da 
Silva, bacharel formado em Paris e prior de Alcobaça, traduziu do francez o 
Libro da rida e milagres do glorioso e bcaventurado São Bernardo, impresso 
por mandado da rainha D. Catarina, na officina lisbonense de Lais Rodrigues, 
em 15 ii. 

No século xiv (1362), outro monge do mesmo mosteiro, Fr. Vitorio de 
Braga, traduziu o Castello Perigoso, que se conserva manuscripto. D. Filipa 
de Lencastre, talha do Infante D. Pedro, o d'Alfarrobeira, traduziu o livro 
dos Evangelhos, precioso manuscripto que existia no mosteiro de Odivellas, 
e que se diz, não sabemos com que fundamento, ter passado, com a extin- 
ção d'aquella casa religiosa, para o poder do patriarcha. Os filhos de João I 
usaram nas suas divisas a língua de sua mãe, que era então a lingua da 
corte ingleza. O talenl de bien faire do infante D. Henrique tornou-se a di- 
visa inspiradora dos descobrimentos marítimos portuguezes. Tínhamos o ta- 
lento de bem fazer as descobertas. 

Se as litteraturas clássicas e a litteratura e sciencia franceza actuaram 
com tamanho poderio sobre a cultura nacional; se os escriptores italianos, 
já directamente, já por intermédio dos escriptores hespanhoes, nos seduziram 
com as suas bellezas e se nos impuseram como modelos; acima de tudo isto 
devemos collocar todavia a influencia da lingua e da litteratura hespanhola. A 
vizinhança, o contacto social e politico; a communidade da procedência; a pro- 
miscuidade das tradições históricas ; a identidade de pensamentos e de aspi- 
rações; tudo isto nos explica o phenomeno. 

Os reis portuguezes foram geralmente affeiçoados ás letras, e muitos es- 
criptores estranhos, sobretudo hespanhoes, vinham buscar a sua protecção. 
É grande o numero de livros que estes lhes dedicaram, sendo alguns d : esses 
trabalhos directamente inspirados ou eneommendados pelos nossos monar- 
chas. Passaremos a dar a prova. 

Mossen Joannot Matorell, cavalheiro valenciano, traduziu do portuguez a 
novella Tiranl lo Blanch e dedicou-a ao infante D. Fernando, pae de el-rei 
D. Manuel. O texto portuguez, que era por sua parte traducção do inglez, per- 
deu-se, e, se não fora a versão valenciana, ignoraríamos completamente a 
existência d'este producto da nossa actividade litteraria. São frequentes os tra- 



(xi) A LITTERÀTORAJBESPAIIHOU EM PORTOGAL 16! 

balhos portugaezes, cujos originaes se extraviaram e de que temos apenas 
noticia pelas versões estranhas. Varnhagen, ao seu estudo acerca da Littera- 
tttra dos livros de caoaUaria (Vienna 1872), conjecturava que a novella de 
Matoreli teria sido traduzida do portuguez. A sua conjectura Dão é bem ex- 
plicita, porque nlo dá bem claramente a entender se a traducção portugueza 
seria feita directamente sobre o original ou sobre a versão Matoreli. Se Var 
nbagen tivesse lido o frontispício da 2.* edição (Barcelona 1497), as suas 
duvidas Dão teriam razão de ser '. 

Alonso de Gartajena, bispo de Burgos, traduziu do latim em romance 
a Retórica de Gicero, a pedido de elrei l>. Duarte. Gartajena viera a Por- 
tugal como enviado do Bei Catholico, e foi durante a sua estada ua nossa 
corte que el-rei lhe solicitou o emprehendimento d aquella traducção. 

O manuscripto conserva-se no Escurial. (Gallardo, n." 1:638). 

Bnire os manuscriptos da selecta livraria do Conde-Duque de San Lurar, 
D. Gaspar de Guzman, existia Un libro de Poesias Castellanas de arte mayor, 
dedicadas a el-rei D. Àffonso V, de Portugal. Ao mesmo soberano dedicou 
Mossen Diogo de Valera o seu Traindo de los Rieptos e desafios. 

Fr. .Martin Cueva consagrou o seu compendio de grammatica latina, De 
corrupto docende Grammalice, ao príncipe D. Filipe, lilho de D. João III. Na 
dedicatória diz elle que o motivo de compor a sua obra fora haver lhe rogado 
um religioso portuguez da sua ordem, que ensinava grammatica em Man tua, 
ao passo que elle a ensinava havia quatro annos em Veneza aos seus convén- 
tuaes, que lhe communicasse o seu methodo. Celebra, n esta especialidade, o 
merecimento do mesmo príncipe, António Pinheiro. A dedicatória é datada 
de Bruges, a 10 das calendas de dezembro do anno de 1549. Segue-se uma 
carta a Fr. António Sanches, que e o sobredito religioso portuguez. 

O Cathecismo pequeno, de Fr. Diogo Orliz, impresso em Lisboa por Va- 
lentim Fernandes e João Pedro Bonhomini. em 1504, foi offerecido a D. Ma- 
nuel. 

Ao infante D. Luis dedicou Francisco de Vilallobos, doutor em medicina, 
o seu Libro titulado Los problemas que traria de cuerpos mturalès, impresso 
em Zaragoça em 1544. 

É sobretudo a D. João III e a sua esposa D. Catarina que nós encon- 
tramos maior numero de dedicatórias subscriptadas por autores hespanhoes, já 



1 Eis o que diz Varohagen : «Esta novella, tesoro de contento y mina de passatempo no 
conceito de Cervantes, foi impressa por primeira vez em Valência, no anno de 1490, na pró- 
pria língua valenciana, e não é impossível que chegasse a ser traduzida ao portuguez». Ob. 
«(., p. 111. 



1(1-2 .\ i.ri li HA i i li A HESPANHOEA EM PORTUGAL (xuj 

dos que residiam no reino, chamados para o ensino ou para outros mesteres, 
já d'aquelles que residiam fora de Portugal. Eis aqui a relação dos livros, que 
estio u'este caso, c de que temos tomado nota. Principiaremos pelos que foram 
dirigidos ao rei: 

a) Comiença el libro primero dr la i'claraciõ de instrumètos. de Juan Her- 
mínio, Ossuna, 1348—1549. 

b) Libro ih< mvsica de vihuela de mano, de Luys Milan, Valência 1536. 

c) Tractado llamado frúcto de todos los attetos: contra el mal serpentino, 
(ir liuy Diaz ile Islã, Sevilla 1542. 

d) Libro de enfermidades contagiosas, de Francisco Franco, Sevilla 156Í). 

e) Libro primero dei espejo dei Príncipe Christiano, do doutor Francisco 
de Monçon, Lisboa 1544. A 2. a edição, Lisboa 1571, é dedicada a D. Se- 
bastião. 

f) Enchiridion o Manual de Doctrina Chrisliana, de fray Diego Ximenez 
Árias. Lisboa 1552. 

g) Obra deuotissima intitulada de Septe verbis domini, de fray Juan de 
Xodar, Sevilla 1532. 

h) Historia de la Iglezia que Uaman Ecclesiaslica y Iripartita, de fray 
Juan de la Cruz, Lisboa 1541. 

i) Questio de Fascinalione edita a Gaspare de Ribero in medicina licètiato 
e illustrissime Caterine lusitanie regine medico. Sem designação de lugar,- typo- 
grapliia ou anno, mas provavelmente impresso em Lisboa. No verso do fron- 
tispício a dedicatória ao rei. Veja-se o Catalogo de Gallardo, sob n.° 3:621. 

j) Ad Ioannem Terlium inuictissimum Portugalliae & Algarbiorum regem 
Africam, Arabicum, Persicum, Indicam principem piissimum. Duae Johannis 
Femandi Rhetoris Conimbricenses orationes. Coimbra 1548. 

Ribeiro dos Santos attribue ao mesmo auetor uma edição dos Colloquios, 
de Erasmo, impressos em Coimbra em 1550, e dedicados também a D. João III. 

k) Psalterio de Darid en linguage Castelhano, de Gomes de Santo Firmia. 
Não traz data, mas o privilegio é de 1529. 

I) Historia passionis, de Diogo Ortiz, bispo de Ceuta, Lisboa 1542. 
m) Libro llamado menosprecio de Corte y alabança de Aldeã, de D. Antó- 
nio de Guevara. 

Estes são os livros, que conhecemos, offerecidos a D. João III. A lista, 
como se vè, é já extensa bastante, e estará porventura longe do seu termo. 
Julgamos opportuno encerra-la, mencionando o nome de Luis Vives, que dedi- 
cou ao nosso monarcha os seus tractados De artibus. De tradendis disciplinis e 
De corruptis artibus. El-rei correspondeu generosamente á offerta, presenteando 
o illustre sábio, alem duma grossa quantia em dinheiro, com um gomil de pra- 
ia, incrustado de pedras, e uma mesa de ébano. Colhemos esta noticia no 



(XHl) A UTTKRATDRi BESPANHOLA KM PORTUGAL 163 

livro do Sr. Van den Bussche, Fíandre et Portugal, que baseia a sua asser- 
ção numa noia colhida dos archivos da igreja de Jerusalém, era Bruges 1 . 

Na dedicatória de Vives, datada de Bruges, exalçam-se por estas pala- 
vras os feitos dos portuguezes: Ausi sunl progenitores tui, Lusitânia egressi, 
nova maria, novas terras, nova atque incógnita sidera scrutari. Primum littus 
Atlantici maris, dejectis inde Igarenis, occuparunt. Erecti tonguis ultra viam 
solis, penetrárunt ad orbera nobis adversum, permensi maré uationale sub 
jEthiopia: hinc ad Maré Bubrum adquo fauces persici sinus munierunl sibi 
arces. Transgressique supra ostiura [adi fluminis, in feracissima el beatíssima 
Índia 1 totius ora, jus sibi et ditionem quaesiverunt. Ostenderunl uobis vias caeli 
ac pelagi nuDquam anda, ne fando quidem auditas: populos nationesque, ul 
riln ac Barbárie admirabiles, ila etiam iis opibus quos lantopere affectus nos- 
tri suspiciunt. Plane geueri humano suas est orbis patefaclus . . . » . 

Vejamos agora as obras dedicadas a l>. Catarina. São as seguintes: 

a) Comento ô Repetición dei capitulo Quando De Consêcralione, de As- 
pilcueta Navarro. Coimbra 1550. 

b) Tratado de la vida loores y excelências dei glorioso apostolo y bienauen- 
lurado euangelista san Juan, de Fr. Diego de Estella. Lisboa 1554. 

c) Libro de S. Juan Climaco, llamado Escala Spiritual, de Fr. Luis de 
Granada. Lisboa 1562. 

d) Segunda parte dei libro llamado Caia de Pecadores, do mesmo. Lis- 
boa 1557. 

e) Carro de las donas, de Fr. Francisco Jimenez. Valladolid 1542. Foi 
traduzido do catalão em hespanhol por um religioso de S. Francisco, que foi 

quem dedicou a l>. Catarina. 

f) Tratado Uamado Mistérios dt la devocion, compuesto por un Religioso 
de la órden de San Francisco de la provinda de Santiago. ■ ■ Burgos 1537. 

gj Alphonsi Rod. de Gueuara Granatensis, in Academia Conimbricenci rei 
medicai professoris, & Inclytae Regina mediei physici, in pluribus ex iis qui 
bus Galenus impugnalur ab Andrea Vesario Bruxelêsi in cõstructione & usu 
partium corporis fiumani, defensio, ele. Coimbra, por João da Barreira, 1559. 
Bibliotbeca Nacional de Lisboa. 

Mal le Àranda, professor de musica na Universidade de Coimbra, de- 
dicou os seus Tratados de canto llano e de calo mesurable ao infante l>. AÉfonso, 
filho de D. Manuel, cardeal e arcebispo de Lisboa. Cadabal Gravio Calidonio 
o seu Encomiasticon Cármen ao infante D. António, e o seu tractadode gram- 
matica latina a D. Sebastião. D. Juan de Malara offereceu a D. Joanna, infanta 



Vau il.'ii liu^rhr. ,,!,. nl . 



164 A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (xiv) 



das Hespanhas c princesa de Portugal, a sua obra La Psyche, que se conserva 
manuscripta. Esta infanta foi cisada com o maliogràdo príncipe D. João, de 
cujo matrimonio nasceu D. Sebastião. Alonso Ortiz dedicou um dos seus 
tractados impressos em Sevilha em 1493 á princesa de Portugal. Garcilaso de 
la Vega, o Inca, dirigin ao Duque de Bragança a sua Florida, impressa em 
Lisboa em 1605. Podíamos accrescentar ainda mais algumas indicações, mas 
parece-nos que são já bastantes. 



As successivas allianças de família entre as duas cortes, as relações so- 
ciaes e politicas, a afinidade de raça, eram poderosos elementos para que a 
civilização hespanhola exercesse a sua hegemonia sobre a nossa. Accrescente-se 
a isto o cila estar em contacto directo com os mais poderosos centros intellec- 
tuaes da Europa, a Itália, as Flandres, a Alíemanha e a França, e esta circums- 
tancia bastaria para lhe dar um lugar de superioridade. A Hespanba atrahia- 
nos inquestionavelmente, e os nossos homens de letras desejavam, por inter- 
médio d'ella, tornar-se conhecidos no mundo culto, escrevendo na lingua, que 
era, n aquella época, das mais estimadas e familiares, graças á importância 
politica e militar da nação que a falava. É grande o numero de escriptores 
portuguezes que contribuíram para augmentar o rico manancial da litteratura 
hespanhola. O Catalogo do Sr. Garcia Peres demonstra á saciedade qual foi o 
contingente poderoso que offereeemos para engrossar o caudal. Os nossos poe- 
tas não só escreviam na lingua hespanhola, mas tomavam em alguns casos por 
modelo os escriptores daquella nação. No século xvi Garcilaso e Boscan são 
considerados mestres a par dos mestres italianos. No século xvn o predomí- 
nio de Gongora tomou proporções extraordinárias. Nos nossos clássicos en- 
contram-se amiúde citações e referencias a livros hespanhoes. Em Gil Vicente 
vemos apontadas, por exemplo, as seguintes novellas: Carcel de amor e Pere- 
grino amador. As allusões a romances hespanhoes enxameiam nas peças dos 
nossos dramaturgos e nos versos dos nossos poetas. 

Uma circumstancia especial, própria da nossa Índole, a mania do estran- 
geirismo, feição de tendência cosmopolita, contribuiu em grande parte para 
o alastramento da litteratura hespanhola. António Ferreira é dos poucos que 
conservam inalterável o seu afinco á lingua materna. Em volta d'elle girava 
uma roda de amigos e admiradores, mas poucos foram os que adoptaram á 
risca os princípios que elle proclamara no seu credo poetico-nacional : 



Floreca, fale, cante, ouça-se, e viva 
A Portuguesa lingua, e já onde fôr 
Senhora vá de si, soberba e altiva. 



(XV) A LITTERAlTltA HESPANHOLA EM PORTUGAL i(i.""i 

Foi a Pedro de Andrade Caminha que elle dirigiu a epistola em que lhe 
faz a apologia da linguà natal, e foi Pedro de Andrade Caminha o que adop- 
tou com mais fidelidade as suas doutrinas, pois apenas escreveu, que se co- 
nheçam, unias duas poesias em hespanhol. 

Gil Vicente, uma das mais características individualidades d: ssa litte- 

ratura, compoz a maior parte das suas peras em idioma castelhano. É curioso, 
e merece advertir-se, a mescla, que elle e outros poetas dramáticos da sua 
faziam das duas línguas, empregando-as intencionalmente segundo a 
qualidade das personagens, reservando a portugueza para as mais nobres mi 
qualificadas. A dualidade ou emprego das duas línguas acha-se exóellentémente 
accentuada no Dialogo em defensão da língua portugueza, de Pêro de Magalhães 
Gandavo, em que se discriminam os géneros, em que uma e outra terão e 
devem ter a preferencia. \ nossa merece ser escolhida nas comedias em prosa 
e no verso heróico, ao passo que a hespanhola leva vantagem nas trovas re- 
dondas e garridas, que naturalmente parecem feylas & inuentadas paru ella '. 

Já trinta e quatro annos antes João de barros sustentara idêntica doutrina, 
pondo em parallelo as línguas neo-latinas, a franceza, a italiana, a hespanhola, 
e confrontando mais particularmente esta ultima com a portugueza. Assim, 
diz elle no Dialogo em louvor (la nossa linguagem: 

tA linguagem Portuguesa, que tenha esta gravidade, nõ perde a força 
pêra declarar, nioiier. deleitar, e exortar a parte a que se inclina: seia em 
qualquer género de escritura. Verdade é ser em si tio honesta e casta que 
parece nõ consenti!' em si hua tal obra como celestina. E Gil Vicente cómico 
que a mais tratou em composturas que algua pessoa destes reynos t nunca se 
atreveo a introduzir hii Centurio Português; porque como o nã cõsete a na- 
çam, assy o não sofre a linguagem. Certo, a quem nã falecer matéria, e en- 
genho pêra demonstrar sua tençâm, em nossa linguagem não lhe falecera vo 
cabulos. Porque de crer é que se Aristóteles fora nosso natural, nã fora bus- 
car linguagem emprestada para escreuer na filosofia e em todalas outras ma- 
térias de que tratou». 

João de Barros é, para assim dizer, o antecessor de António Ferreira. O 



1 Xuni discurso, pronunciado na Academia dos Generosos de Lisboa por D. Francisco 
Manuel de Mello, um dos espiriti s mais cultos e um dos escriptores mais notáveis do meado do 
século xvii.enntv elle nra | te ao de Gapdavo Enumerando os estylos, em que 

as línguas ni.iis se disling i I ha o cómico como se chega para os de Castella. O 

grave para os de Poriugal-. Este discursa vem na colleççSo das suas obras poéticas Las três 
Melodino, impressas eia I66á em LeSo de Franca, I». Francisco Manuel é dos escrip- 
tores portuguezes um dos que melhor possuíram o idioma hespanhol, sobretudo na prosa, cheia 
de concisão e energia. 



166 A L1TTERATURA HESPANHOLA EM 1'OliTUGAL (xVl) 



que este Pez na poesia, fez aquelle na prosa. Um e outro souberam demons- 
trar, com varonil espirito, que o idioma portuguez é roupagem digna de ves- 
tir os mais nobres e delirados pensamentos. 

Não obstante a theoria e o exemplo dos dois preceptores, duas correntes 
se manifestaram n'este caso. Havia portuguezes que escreviam em hespanhol, 
por desaffecto á língua própria ou para corresponderem ao gosto do publico 
pelas cousas estranhas; ao passo que outros adoptavam aquella língua pelo de- 
sejo, até certo ponto justificado e justo, de vulgarisarem mais o seu pensamento, 
de expandirem mais a gloria do seu nome ou a gloria do seu paiz. Felizmente, 
Camões, apesar de ter composto parte da sua lyrica em hespanhol, comprehen- 
deu de sobra que o seu poema, tão repassado de patriotismo, perderia uma 
das suas qualidades essenciaes, se fosse escriplo em lingua estranha. 

O testemunho de desaffecto, que consagramos muitas vezes a tudo que é 
nosso, é bastante frequente para que deixemos de o assignalar, marcando- o 
ao mesmo tempo com o ferrete que merece. Exaggeramo-lo talvez; damos 
a esse sentimento uma forma exterior que elle não tem na realidade, mas 
a queixa encontra-se amargamente repetida em muitos dos nossos escriptores, 
e já é para estranhar que tenhamos de nos insurgir contra semelhante manifes- 
tação de hostilidade nacional. Citamos acima Gandavo e será elle quem venha 
mais uma vez em nosso apoio. Eis as palavras que elle põe na boca de um 
dos interlocutores do seu Dialogo, Petronio: «A isso vos respondo, senhor Fa- 
lencio, que esta nação Portugueza pela mayor parte, é mais affeiçoada às cousas 
dos outros Reinos, que às da sua mesma natureza, cousa que se não acha 
nas outras nações: porque lodos engrandecem sua lingua, e fazem muito pelas 
cousas que quadram nelia, sós os Portuguezes parece que negam nesta parle 
o amor à natureza». 

Razão semelhante nos dá Simão Machado para escrever em hespanhol as 
suas comedias: 

«... por natureza 
E constellação do clima, 
Esla nação portugueza 
-O nada extrangeiro estima, 
O muito dos seus despreza 
Vendo quam mal acceilaes 
As obras dos naluraes, 
Fiz esla em lingua extrangeira 
Por ver se d'esta maneira 
Como a elles me tiataes. 
Fiome no castelhano 
Fiome em dar novidade, 
Se n'uma e noutra me engano, 
Vós, Portugal, eu o panno, 
Cortae à vossa vontade. 



(xvil) A LITTKHATUU HESPANHOLA KM PORTUGAL 1G7 

Apesar (Teste desamor à lingua pátria, apesar d'esta affeição ao estran- 
geirismo, é certo, por outro lado, que alguns escriptores tinham escrúpulo em 
usar a liogna estranha, e disso pediam vénia ao publico, escusando se perante 
aquelles, que de tal delicio previamente os accusariam. Ha mais de um enver- 
gonhado que se penitenceia da sua culpa. Henrique Garcez, aosso compatriota, 
foi um d'esles espíritos aventurosos que procurou fora da pátria mais largo 
campo a sua actividade. Dirigindo-se as [ndias occidentaes, ali prestou impor- 
tantes serviços na exploração das minas do azongue, em que parece ser pe- 
rito e ter particular competência. Os trabalhos mineralógicos não o absorve- 
ram, porém, completamente, não o desviaram do cultivo das letras, paia as 
quaes tinha não vulgar inclinação. Não só poetava com facilidade, mas pos- 
suiu o conhecimento das diversas línguas, de que fez traducções para a liespa- 
nhola. Assim do latim traduziu o livro de Francisco Patrício, De Regno; do 
italiano Sonetos e Canções, de Petrarca; e do portuguez os Lusíadas. Da Ira- 
ducção dote poema não linha que dar satisfação aos*seus compatriotas; por 
issn que prestava um serviço ao seu pai/., vulgarizando o seu melhor poema. 
Por causa da traducção da lyrica de Petrarca é que elle julgou dever adoptar 
o processo de Pilatos, lavando em publico as mãos, para mostrar a pureza 
das suas intenções. Nas folhas preliminares lia poesias laudatorias de diver- 
sos, e entre ellas o soneto assim encabeçado: 

Vn amigo responde por /'< pluma 

Henrique, que cl Ocaso enriquesciste, 

con el instable azogue que lias hallado, 

eu ilonde dantes nunca fue tratado, 

fundado en solo lo que dei leyste : 
Yo no puedo entender como pudisle 

estado en tantas partes derramado 

dar ai Petrarcha en lengua trasladado 

diversa d,' la que usan do nasciste: 
Espana mucho deve ciertamente 

a tus vigílias, pues que lai riqueza 

do alma \ cuerpo te das lan francamente. 
S r o cesses, persevera alegremente, 

quet suecessor de Carlos su grandeza 

contigo mostrará cumplidamente. 

A este soneto e a qualquer mitra objecção idêntica, que se lhe pudera 
apresentar, responde elle n'estas ires oitavas: 

Y si el frasis fuere regulado 

ai Duero \ Porlo encargo mi desculpa. 

donde el humano velo me fue dado 

que alli cíescio mi huesso, neruio y puipa, 

HiST. f. Meu. n.\ Acad —Tomo mi. paivie ii.— N." ■ >' - 



168 A UTTKKATIHA HESPANHOLA KM PORTUGAL (xVlll) 



Aunque por otra parte bien mirado 
oo scé si esta disculpa mas me culpa, 
ijue pues a tal empresa me atrevia 
dirari, fuera mejor eh lengua mia. 

úença no me lo impidiera 

por mil vias mostrara mi descargo, 

y la mas importante dVllas, era, 

mas ta|.\ ipiVs mejor passar de largo, 

Que enlin ello fuc todo véntõlera, 

\ \n tienpo mal gastado, y mny amargo, 

tanto, que en el no vi jamas contento, 

mas ya enliendo que fuera antes tormento. 

Con lo diclio el estar tan desviado 

y lexos de mi pátria Lusitana 

fue causa que ai Pelrarcha trasladado 

lo diesse mas en lengua Casteilana 

que no en la mia, aun que he muy bien provado 

que la es muy semejãte, y quasi hermana, 

de que espero (si bivo) que mi diestra 

Venga algun tienpo a dar entera muestra. 



A promessa exarada n'esles últimos versos, que saibamos, não se reali- 
zou. De Henrique Garcez só se conhecem as três obras acima mencionadas, 
todas em hespanhol, mas é possivel que deixasse inédita alguma composição, 
de que não restam, porém, vestígios. Deve-se observar que Garcez publicou 
todas as suas obras em Madrid, em 1591, quando Portugal tinha perdido a 
sua autonomia e estava sob o domínio dos Filipes. 

Antes d'elle, já outro poeta nosso, bastante notável, se justificava publica- 
mente de escrever em hespanhol o seu poema Felicíssima Vicioria. Com elle não 
se dava a mesma circumstancia, que se dava com Henrique Garcez, de residir 
em Hespanha, mas havia outra, porém, que lhe servia de desculpa: era ter 
costela de fidalguia hespanhola. Eis as palavras que elle emprega em sua 
defesa: 



«La lengua y frasis castellano, escogi, aunque murmurado y arguido de 
nlgunos de mi pátria. Con los quales non me he valido dezir que los Mendo- 
ças y Baçanes de Castilla, abuelos mios, a ello me dan licencia, cuya sangre 
en vn mismo grado me fuerça y obliga quasi con ygual razon. Por estes y 
por otros mil inconvenientes hé passado, y a todos facilmente ha resistido el 
desseo de presentar a V. M. este libro debuxado de mi mano, para que la 
variedad de las colores, y la inuencion de la pintura a que V. M. es inclinado, 



(XIX) A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 169 



haga fácil aqael peso j moléstia de vna lectura falta de inuencion, y de aquel 
ornamento y polido estilo que eu los grandes ingenios solo se hallan». 

Este poema tem por assumpto a vicloria de Lepanto, uma das paginas 
mais gloriosas da ^marinha hespanhola e christS, e foi dedicado a i''ilipe II. 



Nos fins do século xvi e nos princípios do século xvn, a unidade, politica 
da península tinha tornado quasi commum o idioma hespanhol, deixando na 
sombra o portuguez. No emtanto é digno de observar-se que dois dos nossos 
primeiros prosadores, senão os primeiros, Fr. Luisde Sousa e António Vieira, 
compuseram as suas obras, primores de classicismo, no idioma pátrio. O 
primeiro, por causa do incêndio do seu palácio em Almada, ateado n'um mo- 
mento de indignação varonil, refugiara-se em Madrid, e ahi publicou, em 1000, 
as obras de Jayme Falcão. prefacio <|ue as antecede é escripto em latim, 
n um estylo vigoroso, que contrasta solemnemente com a prosa suavíssima da 
Vida do Arcebispo. È que então Fr. Luis de Sousa, o brioso Manuel de Sousa 
Coutinho, ainda não havia trocado u farda de capitão de cavallaria pelo habito 
de dominicano, e como que tinha na mão, não a penna, mas a espada. Era o 
fidalgo cavalheiroso e altivo; não era o frade humilde do convento de liemlica. 

Manuel de Gallegos, ao publicar o Templo da Memoria, poema em que 
se decantam as bodas do Duque de Bragança, queixa-se do desprezo em que 
os litteratos portuguezes deixaram cahir a sua lingua. Diz elle: 

«A Lingua Portugueza, como não é oje a que domina, esquecerãose delia 
os engenhos, que com seus escritos a podião enriquecer, & autorizai-: A- quem 
agora se atreve a sahir ao mundo com hum livro de versos em Portuguez 
arriscase a parecer humilde; pois escreve numa lingua, cujas frasis, A- cujas 
vozes se usão nas praças o que não deixa de ser embaraço para a alttueza; 
que as palavras, de que menos usamos, soão bem, & agradam em razão da 
nouídade, A- porisso os retóricos lhe chamão peregrinas». 

O mais curioso é que, feita a independência politica, a dependência litte- 
raria e linguistica proseguiu. Muitos dos escriptOS destinados a celebrar a 
nossa autonomia e os feitos que se praticaram durante a longa campanha 
separatista, foram exarados na lingua de Calderon e de Quevedo. O próprio 
D. João IV escreveu em hespanhol a sua Defensa de In musica moderna. 

Como já dissemos, alguns dos nossos escriplores eram levados a usar do 

hespanhol pelo desejo de se tornarem mais conhecidos, pois esta lingua era 



170 \ l n TKUATl HA HESPANHOLA EM PORTUGAL (XX) 

não só mais vulgar na península, mas na Europa; É este o motivo que allega 
Pedro Nunes na dedicatória ao infante 1). Henrique do seu Libro de Álgebra, 
impresso em Anvers em l. r i(37. I>iz elle que primeiro a escrevera em portu- 
guez, como a vira Sua Alteza, mas que depois a trasladara a castelhano, por 
6er mais cornmum em toda a Hespanha que a nossa. Pedro Teixeira explica da 
mesma forma o seu procedimento ao publicar as suas Relaciones, impressas 
também em Anvers em 10 IO 1 . 

Muitos dos nossos escriplores manejaram perfeitamente a lingua hespa- 
nhola, principalmente os que residiram em Hespanha, mas os que nunca sahi- 
ram de Portugal apresentaram por vezes vicios pátrios, verdadeiros provin- 
cianismos para bem dizer. Gallardo, no seu Ensayo de una biblioteca, aponta 
de quando em quando alguns lusismos, que maculavam, o que não é comludo 
para estranhai', a pureza das composições dos nossos compatriotas. Faria e 
Sousa' diz que muitos dos portuguezes, que escreviam em castelhano, mos- 
travam claramente que não sabiam nenhuma das duas línguas. Parece que os 
residentes em Castella se orgulhavam de possuir, como naturaes, o idioma 
estranho. Miguel Botelho de Carvalho faz observação idêntica á de Faria no 
seu Pastor de Clenarda. Referindo-se a 1). Bernarda Ferreira de Lacerda e ao 
seu poema, tão apreciado no paiz vizinho, La reslauracion de Esparta, apesar 
de o encarecer bastante, repara que ella não tivesse acertado no uso dos vo- 
cábulos castelhanos, pension quesuelen pagar los ijue escriuen en légua extranha, 
sin auer estado algunos aítos en cl mismo lieyno, o sin coninumicarlo con per- 
sonas experimentadas en la misma lengua. Todavia ha muitos escriptores por- 
tuguezes, como Gil Vicente, Sá de Miranda, Camões, Bernardes, Jorge de 
Montemor, João Pinto Delgado e D. Francisco Manuel de Mello, considerados 
a par dos clássicos hespanhoes. Perez de Montalvan faz o seguinte elogio de 
um portuguez, que versava admiravelmente o hespanhol: «... como discreto 
e doctamente encarece Don Álvaro de Athaide Sumiller de su Magestad, con- 
sumado Teólogo, y Português en el ingenio solamente, porque en el linguage 
es tan perfeto Castellano, que pudiera su nacion tener zelos de la elegância 
con que habla en ageno idioma. . . » 2 . 



1 Diz elle no prefacio da sua obra : «Primero escrevi estas relaciones en mi lengua ma- 
terna Portugueza, y solo el primei - libro hasta la entrada de los Árabes en la Pérsia, y que- 
riendolo imprimir por licencia que ya para ello tenia, mude de parecer, obligado de la instan- 
cia y consejo de amigos, puselo en lengua Castellana aíiadiendo el segundo libro basta nues- 
tros dias: iU7g3do que en esta lengua quedava mas couimunicable : y mi pátria antes riciba 
servido que ofensa: no dubdo que como ya escrito en lengua no própria, Heve el estylo y 
balda muchas impropriedades que tu cândido lector corrigeras con tu prudência y saber». 

2 Montalvan, Pau para todos, edição de Lisboa, 1691, p. 431. 



(xxi) A L1TTERATURA IIKSPANHOLA EM 1'ORTUGAl, 171 



Não contentes os nossos escriplores era compor emhespanhol, ainda faziam 
na mesm;i língua as traducções tiradas de outros idiomas, o latim, o fraucez, o 
italiano! tatonio Rodrigues Portugal, rei de armas, verteu do francez a Crónica 
Uamada: el triumpho de los nuece preciados de la fuma. impressa em Lisboa 
por Germão Gallardo, em 1530. Salusque Lusitano fez uma lraducç5o do 
Petrarca, De los sonetos, sanciones, madrigales y sextinas, Veneza 1567. Hen- 
rique Garcez publicou mais tarde Madrid 1591) outra traducção da lyrica do 
mesmo poeta. Já atrás nos referimos a dia. Os Cantos de Jacopone da Todi 
e as Sentencias são traducções anonymas, mas fundamentadamente, em nosso 
conceito, de auctor porluguez. adiante, nu cerpo da nina, trataremos com 
mais amplitude este ponto, nos artigos correspondentes. Nuno Fernando do 
Cano traduziu do latim Los provérbios de Salomõ y espejo de peccadores, im- 
pressos em Lisboa por Luis Rodrigues, em 1544. Km 1551 publicaram-se 
em Coimbra os Tractados 'In >i,l>i espiritual de João Taulero e no prologo do 
interprete (anonymo) fe-se a seguinte declaração: «y porque ri prouecho que 
sus autores pretendierõ en estas obras y que sin duda podia hallar los que 
con humildad y attencion las leysen: sea comun a los lides ignorantes de 
lenguas extranas, trasladei as en lêguage comun destes reynos». Jeronymo Lo- 
pes, escudeiro del-rei D. João III. declara ler traduzido do allemão a segunda 
parte do Clmian ih' Landanis; mas esta maneira de dizer era costume da 
maior parte dos componedores de historias novellescas o romances de caval- 
larias. Fr. António de Portalegre traduziu elle próprio para hespanhol a sua 
Meditação da pai.rão de Christo. 

Alguns eseriptores liespanboes também publicaram livros em porluguez, 
mas foram poucos, e alguns d'elles suppomos até que dariam os seus manus- 
criptos a traduzir, ou quando escrevessem originariamente na nossa língua os 
dariam a limar, antes de estampados, a eseriptores portuguezes. Citamos Ortiz 
de Villegas, auctor do Cathecismo pequeno, Fr. Luis de Granada, Pêro Domeneco e, 
nos tempos modernos, Urcullu, que compoz um extenso tractado de geographia. 
Merece registar-se que muitos portuguezes, apesar de adoptarem a lín- 
gua castelhana, não abandonavam a sua nacionalidade, e como faziam gala do 
epitheto lusitano, ainda mesmo no tempo em que a união politica da península 
se tinha consubstanciado no domínio filipino. 



O theatro, que tanto esplendor alcançou no reino vizinho, dilatando por 
toda a Europa os raios fulgurantes da constellação dos seus poetas dramáti- 
cos, foi um dos vehiculos principaes da preponderância hespanhola no nosso 



172 a urrauTiniA hespanhola em portugal (xxn) 



paiz. Não cra só a parte litteraria, 'propriamente dita, que actuava no nosso 
espirito; era por egual a parle puramente plástica. Ao passo que alguns poe- 
tas, como Mattos Fragoso, Jacinto Cordeiro e Freire de Andrade, brilhavam 
entre os ingeníos dramáticos de Hespanha, successivas companhias de comedian- 
tes hespanhoes vinham representar nos pateos de Lisboa. As leis de Filipe II 
e de seus suecessores eram tolerantes e velavam com a sua égide os pobres 
cómicos, a quem a Inquisição, o Ordinário e outras auetoridades não viam 
com bons olhos. O poder real acobertou-se com o manto de misericórdia, fa- 
zendo dos divertimentos theatraes uma receita abundante em favor do Hospi- 
tal de Todos os Santos. Um manuscripto existente na Bibliotheca Nacional de 
Madrid, e de que Gallardo transcreve extractos no seu Ensai/o de nua Biblio- 
teca sob o n.° 554, fornece-nos curiosos apontamentos sobre alguns adores 
portuguezes, que mais se tornaram salientes, e sobre alguns actores bespa- 
nhoes que estiveram em Portugal. Os actores portuguezes de que faz menção 
são estes dois: 

João Sequeira de Lima.— Vo\ casado com Teresa Garay, de quem se se- 
parou. Gonsorciou-se, em segundas núpcias, com D. Maria do Prado, senhora 
fina, que falleceu de modo bastante extraordinário. Acercando-se duma de- 
functa, que estava de corpo presente na Rua de las Huertas, ficou tão impres- 
sionada com aquelle aspecto, que enfermou e morreu. 

Em 1691, Sequeira foi mettido nos cárceres inquisitoriaes, attribuindo-se 
a sua prisão ao seguinte motivo : estando amancebado com a Grifona, e esta 
morrendo, fê-la retratar defuncta, collocou o retrato em um nicho com corti- 
nados, e de noite, com luzes accesas, punha-se em extasis diante d'ella. A 
louca religião do amor! Accrescenta-se, porem, que sabira incólume das gar- 
ras do Santo Officio. 

Luis de Mendoza. — Tem biographia menos romântica. Fazia com acceita- 
ção os papeis de barbas. Em 1662 já era mencionado no livro da Fazenda. 
Morreu em 1684. 

Dos actores castelhanos, que estiverem em Portugal, dá-se noticia dos 
seguintes : 

Petronilla Jiraja. — Esteve muito tempo em Lisboa, onde se diz que gozara 
os favores de elrei, por cujo motivo e por desconfianças da rainha, se retirou 
a Madrid, cheia de jóias e de fatos riquíssimos, que despertavam a curiosidade 
do publico, que acudia mais a vêr os enfeites que a mulher, que com elles se 
adereçava. Entrou para a companhia de José Prado, de quem pariu, em 1721, 
um filho monstro. 

Afonso de Medina. — Figurou primeiro de musico, na companhia de Fer- 
nando Roman, em 1689, em Guimarães. 

Domingo Labrana. — Morreu em Lisboa, em 1703. 



(Win) A LlTTERATUÍA HESPANHOLA EM PORTUGAL 17.'! 

Diego Rodriguaz.— Natural de Granada. Em \l\~-i representava em Ma- 
drid na companhia de José de Prado. Esteve em Lisboa, onde matou à beira- 
mar um portagnez, que dizia mal dos castelhanos, Outro portugueí 
lheu cm casa, e ahi o homisiado se exercitou na arte de ourivesaria, traba- 
lhando cm filigrana. \> buscas da justiça não cessaram, mas elle conseguiu 
escapar-se na guarda-roupa duma companhia de comediantes. 

Estebam Vallespin. -Nasceu em Palma, onde casou, muito moço, em 
1673. Veio com uma companhia a Portugal, onde esteve um anno, particular- 
mente em Lisboa. Depois de uma vida bastante accidentada, morreu no reino 
de Aragão cm 1711. 

Francisco António Palomino. Esteve cm Lisboa cm [671, na companhia 
de Isidoro Huano. 

Juan de Espafía. -Gracioso. D'elle se conta a seguinte aventura. Estando 
em Lisboa, na quinta do Marquez de Fronteira, viu pintada nos azulejos do 
jardim uma batalha entre hespanhoes e portuguezes, em que se representava 
D. Joio de Áustria fugindo e o Marquês de Fronteira no .sen encalço dando- 
Ihe espadeiradas. Juan de Espana ficou ião indignado com csie quadro que 
puxando da espada, principiou de bradar: «Ah! perros de portuguezes!» E 
espatificou os azulejos. Avisado o Marquez, acudiu logo com outros portugue- 
zes, e dariam cabo do actor, a não lerem intercedido os rogos das damas do 
tlieatro, valendo lhe sobre isto o favor que linha no publico. 

É possível que a aneçdota lenha algum fundamento, mas acha-se pelo 
menos muito exaggerada. Os quadros históricos formados de azulejos, repre- 
sentando as batalhas da independência, e em que desempenhou Ião brilhante 
papel o primeiro Marquez de Fronteira, estão ornamentando uma sala do pa- 
lácio, e não o jardim. E, que saibamos, conservam-se intactos, sem vestígios 
dos golpes do irado Juan d<> Espana. 

buis Geronymo. — Granadino. Esteve em Portugal em 1689, em compa- 
nhia de Fernando Homan. Em 1700 representava em Valladolid. 

Pedro Labc. — Veio por um desgosto para Portugal, onde entrou na comedia. 

Pedro de Espinosa.— Era em I7<>| apuntador na companhia de João An- 
tónio, em Lisboa. Morreu em 1709. 

Dos tempos modernos seria interminável a relação, se quizessemos apre- 
sentar a nota de todas as companhias de zarzuela, que leni representado nos 
theatros portuguezes, sendo não poucas as estreitas que tem despertado, como 
a Zamocois, o enthusiasmo th> nossas plateias. Basta dizer que bastantes hes- 
panholas si 1 tem ostentado nos nossos palcos, escripturadas em companhias 
portuguezas. principalmente em companhias de canto. 

Para mostrar quanto a litteratura dramática hespanhola estava vulgari- 
zada entre nós, recordaremos duas composições satyricas, uma delias do 



17Í A LITTERATURA HESPANHOLA EU PORTUGAL (xxiv) 

tempo de D. Affonso VI, e ;i outra mais recente, de Tbomaz Pinto Brandão. 
Tanto numa como noutra se faz uma enumeração extensa de comedias hes- 
panholas, servindo os seus títulos de allusões salyricas e de remoques in- 
dividuaes. Os curiosos poderão recorrer ao Catalogo do Sr. Garcia Teres, 
onde se acham transcriptas na integra. 

No século xvi os dramaturgos portuguezes forneceram elementos bas- 
tantes para as representações theatraes, tanto palacianas como populares. Ape- 
sar de não haver documentos indiscutíveis que mostrem a existência de thea- 
tros públicos antes dos Filipes, podemos todavia conjecturar da sua existên- 
cia por algumas referencias, sobretudo pela declaração que se lè no Intróito 
da Tragicomedia alegórica d' El Paraíso y d' El Infierno, impressa em Burgos 
em 1539, e que é uma traducção ou imitação de um dos melhores Autos de 
Gil Vicente, pertencente à trilogia das Barcas: 

! Mia fé yo os quiero ronlar 
No sé qué vi en Lisboa, 
Que dicen que es cosa boa 
Segun su comun liablar. 

Enxertaremos aqui uma noticia que nos parece servirá de auxiliar para 
o estudo das relações e das influencias dramáticas dos dois paizes. João Mal- 
donado publicou em Burgos, em 1535, uma comedia latina Hispaniola. Diz elle 
no prologo que um rapaz lha furtara, e que, sendo dada à luz contra sua 
vontade, fora representada sumptuosamente diante da corte de D. Leonor, 
terceira mulher de D. Manuel. . . et apud Helionoram, Gallia: Reginam, nua; 
tunc eral Portugallia, non levi sumptu acta. spectante Procerum caterva, Sum- 
moque Smatti*. , 



Com o theatro anda intimamente relacionada a musica, e decerto que não 
foi pequeno o numero de cantores e músicos hespanhoes, que vieram a Por- 
tugal de passagem ou que aqui se estabeleceram. Mateo de Aranda foi pro- 
fessor de musica na Universidade na primeira metade do século xvi. Garcia 
de Besende, entre os músicos celebres do seu tempo, menciona um Badajoz, 
cujo nome indica a procedência. A fama de Morales achou echo nos versos do 
auto de António Prestes, o Mouro encantado. Francisco Garro publicava em 
Lisboa as suas obras, em 1600, na imprensa de Pedro Craesbeeck. António 



' Gallaido, CuIuIoqo, sob n.° 2:879. 



I\\\ I .V LITTERATUBA HESPANHOLA ESI PORTUGAL I /■» 

Cabeçõn esteve também em Lisboa, fazendo parle da capella real. Té y Sagau 
foi director da impressão de musica ao reinado de I». João \ e existem d'elle 

diversas composições mosicaes. Os villancicos que se cantavi as igrejas, 

pelo Natal e outras festividades sacras, tinham quasi todos a letra emhespa 
nhol. É abundantíssima entre nos esta especialidade litleraria. A Bibliotheca 
Nacional de Lisboa e a do Rio de Janeiro possuem importantes collecções. \ que 
pertence a esta ultima havia sido formada pelo abalizado bibliographo Bar- 
bosa Machado. 

Os músicos portuguezes lambem exerceram brilhantemente a sua pro 
fissão em Hespanha, já na corte, já nas capellas das diversas calhedraes. Al- 
guns compositores, como Francisco Guerreiro e Francisco Correia de Araújo, 
tem sido. porém, indevidamente considerados como portuguezes, quando nos 
parece indiscutível a sua nacionalidade hespanhola. Ser-nos-hia muito honroso 
tê-los na conta de nossos compatriotas, mas antes a nossa faliotazinha, ainda 
que pobre, de que o rico vestuário ostentado por empréstimo. A lista fica di- 
minuída, mas não nos envergonha. \ testa d'ella vemos figurar o grande poeta 
Jorge de Montemor, que foi para Hespanha a titulo de cantor da capella da 
Infanta D. Maria. 

Depois da tbeologia e do direito canónico, as sciencias hespanholas, que 
mais nos invadiram, foram a astrologia e a medicina. São numerosos os me 
dicos daquella nacionalidade, que frequentaram a nossa corte e que trataram 
nos nossos lrospitaes '. N"este ponto, porem, talvez o balanço nos seja favorá- 
vel, porque e extenso o rol dos médicos portuguezes, que regentaram cadei- 
ras nas universidades hespanhola.- e que exerceram clinica n'aquelle pai/.. 
A lista da.- obras por elles ali publicadas também é extensa e importante. 

A astrologia hespanhola deu-nos um Zacuto, que floresceu no século xv, e 
cujo Almanach, um dos primeiros produetos da imprensa portugueza, ainda 
hoje e apreciado. Outros astrólogos hespanhoes figuraram por vezes nos con- 
selhos dos nosso- reis, na consulta das descobertas. O bacharel mestre Joham, 
physico e cirurgião de el-rei D. Manuel, acompanhou Vivares Cabral na des- 
coberta do Brasil, e ve-se que foi encarregado de observações astronómicas. 
D'elles dá conta ao monarcha portuguez em carta que lhe dirigiu, e cujo ori- 
ginal se conserva na Torre do Tombo*. \> Chronologias e Reportorios do 
tempo eram na maior parte de procedência hespanhola. Valentim Fernandes 



1 Garcia Peres inclne no sen catalogo a Francisco Franco, que foi medico de l> JoSo III 
e a quem Jorge Cardoso dá por natural de Villa Viçosa Do seu /.<< ro de enfermidades, im- 
presso em Sevilha em 1569, se vê, porém, que era natural de Xativa, reino de Valência. 

* Corpo Chronologicdj P. 9 ', maço 2, doe. 2. Varnfaagen publicou-a entre os documen- 
tos que comprovam a sua Historia Geral do Brasil. 



170 A LITTERATURA HESPANHOLA KM PORTUGAL (XXVI) 

traduziu, augmentando o e corrigindo-o, o Reportório dos tempos, de André de 
i.v, que teve repetidas edições no século xvi. Luis Rodrigues reimprimiu em 
Lisboa, em 1543, o Repertório de UêpOj de Salaya. O mesmo fez em 157G o 
typograpbo António Ribeiro com relação à Chrmographia de Hieronymo de 
Chaves. 

Portugal também contribuiu pela sua parte para augmentar neste ponto 
a litteratura scientifica hespanhola. Francisco Faleiro 1 publicou em 153b, em 
Sevilha, um Tractado dei Esphera y dei arte de marear. João Baptista Lavanha 
foi cosmographo real, é d'elle existe na Bibliotheca Nacional de .Madrid um 
manuscripto original illumlnado para uso de Filipe IV, Descripcion dei uni- 
verso. 

Na mesma Bibliotheca existe outro manuscripto (A a, 57) Arte de navegar, 
traducido ai castellano por Juan Cedillo fíiaz, e cujo auetor, Pedro Nimez de 
San, ê evidentemente portuguez. Luis Freire da Silva deu á luz em Barce- 
lona, em 1038. unias Ephemerides generales de los movimientos de los cielos. Co- 
lombo pussuia na sua bibliotheca um manuscripto do infante D. Henrique, &• 
Creto de los secretos de astrologia, que ainda boje se conserva na Bibliotheca 
Colombina de Sevilha. Na bibliotheca do Conde Duque de S. Lucar (D. Gaspar 
de Gustnan) existia um manuscripto do popular auetor do Thesoro de prudentes, 
assim intitulado: Tesoro magistral de Gaspar Cardozo de Sequeira, de scien- 
cia mathematica, em castelhano. Diversos pilotos e cosmographos portuguezes 
foram offerecer os seus serviços á corte de Hespanha, divulgando ali os se- 
gredos das nossas navegações. A marinha hespanhola inscreve nas paginas 
mais gloriosas dos seus annaes os nomes de dois descobridores notáveis — Fer- 
nando de Magalhães, o que deu primeiramente a volla ao mundo, e Pedro 
Teixeira de Queiroz, um dos descobridores da Austrália. Colombo, antes de 
arvorar nas suas naus a bandeira dos reis catholicos, tinha sido companheiro 
dos valentes marítimos, que fundaram o castello da Mina e dobraram o Cabo 
da Boa Esperança. 



1 A proposilo d' ou Iro Faleiro, portuguez, lé-se na obra do Dr. Diego Cisneros «Sitio na- 
Idralraa J propriedades de la ciudad de Méjico», impressa nesta cidade em 1618, o seguinte 
trecho : 

«Dividieron los antiguos la tierra en três parles principales: Ásia. Africa y Europa; los 
modernos, que á fuerza de immenso trabajo y atrevido animo se determinaron à experimentar 
más que no ellos, hallaron la cuarta parle, que vulgarmente se dice América, ó índias, atri- 
buyendose a si la gloria Américo Vespucio, no habicndola bailado el, segun la más cierta opi- 
nion, sino Huy Falero, português : y que lueron suyas las descripeiones cou que el Almi- 
rante Cólon se determino à bacer cierto esto descobrimiento y nuevo mundo». (Cap. xvi, 
foi. 74) 



(xXVIl) A I.ITII SRATI T.A «ESPANHOLA EM PORTUGAL 



Muitas outras especialidades poderíamos apontar, fazendo o respectivo 
confronto. Das que mencionamos ainda seria possível maior desenvolvimento, 
mas os traços que lançámos dão já uma idea, senão exacta, pelo menos muito 
aproximada, do ediflcio que esboçámos. 

A. resenha bibliographica que elaborámos é a pedra dum monumento le- 
vantado em honra da actividade litteraria e da civilização peninsular. Com o 
seu Catalogo, o Sr. GarciaPeres revelou, por um lado, a puja ura da nossa 
cultura, por outro lado, a parte importante, com que Portugal contribuiu 
para augmentar os lhesouros intellectuaes da Hespanha. Estimamos que se faça, 
se desenvolva, e se complete esta estatística, dos seus variados e numero- 
sos aspectos, não por uma rivalidade mesquinha, mas por uma emulação 
sincera e generosa. Quaesquer que sejam as ideas politicas e históricas, que 
secularmente nos separam de He6panha, esse antagonismo não poderá evitar 
que no campo da sciencia fraternizem as duas nações, ajustando serenamente 
as coutas do que se devem mutuamente nesta herança e conquista do saber, 
n'esta lacta gloriosa do progresso. A questão da lingua é urna questão secun- 
daria quando attentemos unicamente na originalidade e na pujança do pensa- 
mento criador. O I). Quixote seria sempre apreciado e louvado, ainda que 
fosse escripto primitivamente em lingua de menos valor e importância. Menos 
conhecido e o portuguez e isso não obstou a que os Lutiadas fossem apre- 
ciados pelo mundo culto como uma das obras primas do engenho humano. 

O trabalho que nós hoje apresentamos demonstra que a litteratura hespa- 
nhola se tinha vulgarizado muito no nosso paiz, sobretudo nos fins do século 
xvi e nos princípios do século xvu. Não ha hoje em Portugal pessoa a quem 
os livros castelhanos lhe não sejam tão naturaes como os próprios portugue- 
zes, dizia Simão Lopes, ao prefaciar a traducção do Fios Sanctorum, de Ville- 
gas, impresso em Lisboa em 1598. Não recenseamos somente os livros escrip- 
tos em hespanhol, mas também os escriptos em latim e mesmo em porluguez, 
porque o nosso intento principal foi mostrar a produetividade intellectual, 
qualquer que fosse a forma da sua manifestação. Confessamos que muitas 
vezes nos sentimos um pouco descoroçoado e abatido, porque não ha nada 
mais enfadonho do que ter de examinar dezenas e dezenas de volumes de 
pouco valor intrínseco e que só poderiam ser tidos em alguma conta pelos 
fanáticos do tempo. Custa a crer, como sendo tão abundantes os escriptos 
theologieos e mysticos de auetores portuguezes, ainda fosse necessário repro- 
duzir os trabalhos de auetores hespanhoes, alguns dos quaes, aliás, de bem 



178 A UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGA* (xxvill) 

escasso merecimento. Podíamos ter feito uma selecção, mas entendemos que 
devíamos fazer menção de ludo que chegasse ao nosso conhecimento, porque 
isso era mesmo um elemento demonstrativo e característico das influencias 
do meio e da época, decrescia ainda uma circumstancia : o que não servisse 
para o estudo puramente litterario, serviria pelo menos para o estudo do mo- 
vimento mercantil da typographia e livraria. 

Não poucos livros hespanl s receberam aquio baptismo da imprensa. Não 

ê pequeno b rol das edições prínceps. Diversas circumstancias contribuíram 
para islo, sendo uma delias puramente mercantil: o ser acaso mais fácil e 
mais barato o trabalho dos nossos typographos. Outras vezes era isso devido 
aos auetores residirem entre nós ou virem aqui. já por circumstancias da vida 
official, já por outras que nos são desconhecidas. Assim ainda não pudemos 
averiguar o motivo que trouxera a Portugal o celebrado auetor do Gttzman 
d'Alfarache. Alguns apaixonados bibliophilos portuguezes gostavam de pos- 
suir nas suas livrarias manuscriptos de auetores hespanhoes. Luís Briseno, 
querendo publicar uma edição das obras de Garcilaso de la Vega, príncipe 
de los poetas castellanos, dirigiu-se ao-Dr. Vicente Nogueira, grande erudito, 
pedindo-lhe os manuscriptos que possuísse do poeta, mas Nogueira não poude 
satisfazer o pedido porque, havendo emprestado o seu códice, não lh'o resti- 
tuíram. A edição foi feita em Lisboa em 1626 por Pedro Craesbeeck e com 
os mesmos delicados typos com que este impressor dera à luz uma edição dos 
Lusíadas. O arcebispo de Lisboa D. Luis de Sousa, conselheiro de estado de 
D. Pedro II, possuía uma livraria magnifica, e parece que foi por algum có- 
dice seu que se imprimiu em Lisboa, em 1690, El Fénix Caslellano, de D. 
António de Mendonça. Os luminares da litleratura hespanhola foram aqui re- 
produzidos immediatamente, como suecedeu com Cervantes. Aleman, Lope de 
Vega, Quevedo, Perez de Montalvan, Galvez de Monlalvo, Malon de Chaide, 
Gongora, Garcilaso de la Vega e muitos outros receberam em Lisboa a con- 
sagração da imprensa. 

Um dia, se nos permittirem as debilitadas forças e nos não faltar o tempo, 
estenderemos o nosso trabalho, aproveitando os subsídios que jã possuímos, 
para fazer uma resenha idêntica relativamente às obras dos portuguezes im- 
pressas em Hespanha. E, se pudermos, completaremos essa indicação com a 
lista dos portuguezes que no paiz vizinho tiverem por qualquer modo alcançado 
algum renome, já nas armas, já na sciencia ou nas artes. Feito o respectivo 
inventario, realizado o balanço, quer-nos parecer que a nossa nacionalidade 
não teria muito de que se julgar abatida. E quando porventura o resultado nos 
fosse desfavorável, quando a comparação, proporcionalmente feita, das nossas 
forças e das da Hespanha, nos revelasse um grau de inferioridade, nem por 
isso calaríamos a verdade, antes a houvéramos de proclamar com justiça, 



(wix) A ÚTTJSRATUR.A HESPANHOLA EM PORTUGAL 17!' 



para que essa confissão publica e sincera nos viesse servir de ensinamento e 
de estimulo. 

Não nos entontece a pueril vaidade de ler realizado uma obra completa 
e perfeita. N'estes assumptos é difilcil, senão impossível, o dizer a ultima pala 
vra e exbaurir completamente a matéria. AJèm d'isso é a primeira vez que 
se leva a cabo um ensaio d"csta natureza e lia-de resentir seda falta de explora 
ções preliminares, tio auxilio dos pombeiros, que nos fossem esclarecendo o 
caminho, como acontece cora os atravessadores do continente negro. Se não 
Qzemos uma obra prima de critica, cheia de tbeorias transcendentes e de hypo 
lheses arrojadas, coordenámos pelo menos uma razoável somma de apontamen- 
tos curiosos, colhidos, na sua quasi totalidade, directamente e em primeira 
mão. N'este intuito empregámos os nossos mais ardentes esforços, e se não 
atlingimos o ideal da perfeição, resta-nos a convicção de haver feito conscien- 
ciosamente uma obra, modesta sim, mas útil: útil sobretudo, se fôr encarada, 
como entendemos que o deve ser, debaixo do ponto de vista que deixamos 
delineado e a que procurámos obedecer. 






I3IBLIOGRAP1II A 



Abarca (Juan Fernandes). Discurso de las partes y calidades, con que 
forma ttn buen secretario, con catorze capítulos, que debe guardar para su en* 
teresa. Lisboa, Pedro Craesbeeck, 1618. V." vm-244 lis. 

N." 778 'In Catalogo do Marquez de Pombal. 

Agreda (Soror Maria de Jesus). Wystica civdad de Dios milagro de su 
omnipotência, y abysmo de In grada. Historia divina, y vida de la virgen 
Madre de Dios, reyna, y sefíora nvestra Maria Santíssima, Restauradora de la 
culpa de Eva, y Medianera de la Uniria. Ofrecida ai muy ilustre seflor Uni- 
ria de Mello, do conselho de ara alteza, montero-mayor dei Reyno etc. Manifes 
toda en estos últimos sigbs por la misma Sefíora a su Esclava Soror Maria de 
Jesus, abadesa de ri convento de la Immaculada Concepcion, de la Villa de 
Agreda, etc. Primeira parir. Lisboa. En la Emprenta de António Craesbeeck de 
Mello, Impressor de la Casa Real. Afio .1/. DC. LXXXI. 

l vol. foi. I7(i lis. prel. imi., íi-J pags. de texto, mais 156 de notas. A 
dedicatória é precedida por um bello escudo gravado por Ignatio. Depois do 
prologo e antes da vida da venerável madre, o seu retrato em gravura. 

A segunda parte, 976 pags., mais 65 de notas, foi impressa por Miguel 
Manescal em M. !><:. LXXX, e tem um ante-roslo gravado, assignado por 
And. C. 

A terceira parte, 196 pags., mais '.',:> de notas, tem também um ante-rosto 
gravado, e foi impressa por António Craesbeeck de Mello, cm M. DC. LXXXI. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Aguilar y Prado (D. Jacinto de). — Certíssima relacion de la nitrada qve 
hi:<> Sr Magestad, e nas Altezas eu Lisboa ; y de la tornada que hizieron las 
galeras de Espafía, a de Portugal, desde ri Puerto de Santa Maria hasta la [a- 
mosa ciudad de Lisboa. Donde se refiere las prevenciones, fiesias, y grandezas 
que se hizieron <n riia y otras muchas rasas notables, sucedidas en esta facion. 
Compvesta pia- Don làcinto de Aguilar y Prado, natural de la ciudad de lira- 



18^ A. UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (2) 

nada, .// soldado de su Magestad, que en esta tornada se halló. Dirigida ai ge- 
neroso Conde de Saldaiía, Apulo presente de la iniciou Espaftola, Cauallerizo 
mayor dei Príncipe de Castilla, Gehtilhombre de Cumaru dei Re// nuestro Se- 
fior, // primer Gentilhombw de la de su Alteza, Comendador mayor de Cal- 
traua, Capita» de vna de las compartias de los hombres de Armas de Castilla, 
hijo dei Ilustríssimo e excelente Cardenal de Ler ma, tau conocido en el mando, 
por sus grandezas, como por su antigua caliãad. Con todas las licencias ne- 
cessárias. Impresso en Lisboa, por Pedro Craesbeeck. Aíto de M. DC. XIX. 

'(.", 2:í lis. siga. A.-E. Descripto em Gallardo sob n.° 51. 

4.°, 2 fls. inn., 20 mim. pela frente. 

Nos dois fólios piei., licenças, um soneto em latim de António de Paiva, 
portuguez, «en loor dei autor», outro em hespanhol de D. António Quadrado 
de Lacueva, e dedicatória. 

Bibliolheca Nacional de Lisboa. 

Bibliolheea Nacional do Rio de Janeiro (Animes, 8.°, 290 e 291). 

Albornoz (D. Diego de). — Cartilla politica ij chrístiana. Ofrccela a los 
pies dei liey N. Sef/or D. Diego de Albornoz, Tesorero, e Canonigo de la Santa 
Iglesia de Carthagena. Dedicada ai excellentissimo sefior D. Jvan Mascarei/as, 
Conde de la Torre, Sefior de los Lugares de Cocilin, ij Vereda en el Estado de 
la índia, ele. En Lisboa. En la Emprenta de António Craesbeeck de Mello Im- 
pressor dei Rey nuestro Sefior, y de Sn Alteza. Aíio 1667. A costa de Miguel 
Manescal, Mercader de libros. 

1 vol. 8.°, 11 pags. prel. inn., 118 fls. numeradas pela frente, mais 30 
fls. inn. de índice de los Lugares Latinos. 

livro abre com a dedicatória, 4 pags., de Miguel Manescal a D. João 
Mascarenhas. As matérias são dispostas em forma de alphabeto. 

Alcântara (Fr. Pedro de).— Tratado de la oracion y meditacion recopi- 
lado por el R. I'. F. Pedro de Alcântara Frayle menor de la orden dei B. 
S. Francisco. Anadiose ai cubo vna breue Introduction para los que comienean 
a seruir a Dios: y vn Tratado de los três votos de la Religion. Compuesto por 
F. llieronymo de Ferrara. Impresso en Lisboa en casa de Joannes Dlauio de 
Colónia. Con Real Priuilegio. 

1 vol. 16.°, 7 fls. prel. inn., 107 lis. numeradas pela frente. Segue-se 
depois, sem paginação, o Tratado de llieronymo de Ferrara. 

Exemplar da Bibliotbeca Nacional de Lisboa. 

Alcocer (Fray Juan de). — Cerimonial de la missa en el qval se ponèn ti.- 
das las Rubricas gmeralrs, e algunas particulares dei Missal Romano que dia- 



i3l A MTTERATURA HESPANHOLA EM l TUGAL 183 

ulgô Pio V, y mando reconocer Clemente VIU. con aduertencias, y resoluciones 
de muchas dudas q se pueden ofrecer. Recopilado por Fray Jnan de Alcocer de 
la Orden de S. Francisco de la Regular Obseruancia de la Prouincia de Ara- 
gon. Dirigido ai Santíssimo Sacramento dei Aliar. En Lisboa. Con las licen- 
cias necessárias. Por Pairo Craesbeeck. Afio 1622. A costa de Domingos Cor- 
tines, mercader de libros. 

I vol. 8.", 7 lis. prel. inn., 201 numeradas pela frente, afora -2 lábias. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Aleman > Matheo). — a; Primem parte de Gvzman de Alfarrache por Ma- 
ta' Aleman, enndo delRey don Felippo III, nuestro sefior, y natural vezino de 
Seuilla. Dirigida a I). Francisco de lin/as. Marquez de Posa, Sefior de la casa 
ile Monçon, Presidente dei Consejo de In hazienda de su Majeslad, y tribunales 
de ella. Con licencia de la Santa Inquisicion. F.n Lisboa. En casa de Jorge 
Rodrigues. Ano M. DC. A insta de Luys Peres, mercader de limos. 

í.°, !) tis. prel. inn., 120, 56, numeradas |>cla frente. primeiro livro vae 
ale folio 69, o segundo até 120, e leni no final: «Fim dei segundo libro: en 
Lisboa por Jorge Rodrigues Impressor. Ano 1600». O terceiro livro tem nu- 
merarão especial. 

Brune t, fiando-se no catalogo de M. G. Gancia, livreiro em Brighton, diz 
que esta edição contêm três partes, quando só contém três livros. Um pouco 
de reflexão mostraria o anachronismo do equivoco. 

Esta edição soffreu alguns cortes, conforme se deprehende de uma das cen- 
suras, assignada por Frei António Tarrique: «Revi este Liuro, & emendado o 
que vay riscado: iras folhas 6 A 17 á :í.*>. Não ha nelle cousa contra a fé & 
bõs costumes. Em sete de Janeiro de 600». 

<i exemplar que examinámos pertence hoje à Bibliotheca Nacional de Lis- 
boa, tendo feito parte da livraria de Camillo Castello Branco, onde vem des- 
cripto no respectivo catalogo sob o n." 1:136. 

In Primeraparte de Gusman de Alfarache, compuesto por Matheo Aleman. 
Em Coimbra, na oficina de Anti mio de Mariz. /'. Genro e Herdeyro Diogo 
Gomez Loureiro, 1600. 

8.° pequeno. 

Esta a descripção do catalogo Miro (n.° 395), que transcrevemos por não 
lermos encontrado ainda nenhum exemplar d'esta edição. 

António de Mariz deve ter fallecido nos Dns de 1590, «porquanto, na en- 
trada de 1600., a 4 de janeiro, concedeu a mesa do santo oflicio de Lisboa a 
seu genro e herdeiro Diogo Gomes Loureiro, impressor da universidade, li- 
cença para dar na impressão, com as emendas postas pelo revedor, o livro 
Hi<t k Mem. da A' u) — Tomo mi. parte ir. — N.° 5 :í 



1S4 \ L1TTERATURA HESPANHOLÀ EM PORTUGAL (4) 



de Mateo /Ueman intitulado Guzman de Alfarache, estampado naquelle anno 
nos prelos de António de Mariz». Deslandes, Dteumentos para a historia da 
typagraphia, i: 1 edição, p. 69, nota. 

Vendido no leilão Miro (com a segunda parte de Luxan dê Sayauedra, 
Barcelona 1602) por -li'-') francos. 

c) Segunda parte dela vida d'' Guzman de Alfarache, Atalaya de la rida 
umana por Mateo Aleman, su verdadero autor. Eu Lisboa, impresso por Pe- 
dro Crasbeeck, 1604. 

í.° pequeno. 

L a edição princeps d'esta segunda parte, impressa em Lisboa, durante 
a residência aqui do seu auctor. Ainda a não lográmos vêr nem temos até 
agora noticia de outro exemplar, por isso transcrevemos a sua descripção do 
catalogo Miro ( n.° 39C), o qual accrescenta : 

«Première édition de la seconde partie de Guzman d' Alfarache, pré- 
cieuse et fort vare. Õn peut voir dans le Catalogue de Salva une longue note 
au sujet de cette édition, et oú il est dil qu'il ívest pas fixe sur la date exacte 
de ce volume. II ne sait pas sil a été publié en 1604 ou 1605. n"ayant jamais 
pu en voir un exemplaire. 

«Quant à Bnmet il dit que ce volume a paru pour la première fois en 
16U0. Cest une grave erreur, car, comme l'a dit Salva, la première édition 
de la première partie est de 1599; la continuation, par Lujan de Sayavedra, 
ne parut pour la première fois qu'en 1602, et ce nest qu'après, que le véri- 
table auteur refondit son manuscript et le publia. Voici la description de ce 
précieux volume: 15 feuillets préliminaires, y compris celui oú se trouve un 
joli portrait de 1'auteur, grave sur bois; 64 lis. pour la première partie, HO 
pour la deuxième, 113 pour la troisième. Quelques petites taches et mouil- 
lures». 

Vendido no leilão Miro por 230 francos. 

d) Seg-unda Parte de la Vida de Gvsman de Alfarache, Atalaya de Ia rida 
umana. Por Mateo Aleman, su verdadero Autor. Dirigida a Dom .Ivan de Men- 
donça Marquez de San German, Comendador dei Campo de Mõtiel, Gentilom- 
bre de la Camará de el Bei nuestro senor, Teniente General de las Guardas i 
Cavallaria de Espana, Capilan General de los Reynos de Portugal. En Lis- 
boa. Impressa con licencia de la Sancta Inquisicion: Por António Aluarez. 
Afio de 160.5. Con Previlegio. 

8.°, 284 fls. numeradas pela frente. 

Nas preliminares: licenças; privilegio; dedicatória do auctor ao Marquez 
de San German, ao Leitor; elogio do alferes Luis de Valdez a Matbeo Aleman; 



5) A LITTERATI li\ HESPAN A EM PORTUGAL 1 Sã 

poesias diversas, a saber: l.° \l Libro e! ai auctore fatto da mi suo amico 
(soneto italiano); 2.° Fratris Custodii Lupi, Lusitani, ordinis Sanctissimae 
Trinitatis de libri utilitate (em latim); :\.° Del mismo (soneto em hespanhol); 
ià M;iiih:ruin Alemanum de sim Qusmano (poesia latina de Ruy Fernandez 
de Almada); Joannis Riberii Lusitano ad Authorem (Encomiastiehon) ; El Li- 
cenciado Miguel de Cardenas Galmaestra, a MateoAleman (soneto em hespa- 
nhol). Segue-se a Tabla e no fim d'esta, em frente ao primeiro folio, o re- 
trato do auctor, tendo por baixo Legendo simulque peragrando: na parte su- 
perior, de um e de outro lado, um brasão e um emblema; este com a ins- 
cripção Ab insidiis non est prudentia. No fim do livro «Laus Deo», rematando 
com a figura de um leão. 

O retrato, com traje militar, aponta com o index da mão da direita para 
d emblema; a mão esquerda pousa num livro fechado, cujo fecho tem a se- 
guinte palavra corta; o livro descansa sobre uma carteira ou pasta, que tem 
nos ângulos umas estrellas e na face vertical esquerda um Y maiúsculo. Será 
a inicial do gravador? Este retrato é o mesmo que adorna o San Amónio de 
Pndra. 

Damos em seguida a Informação, a Licença e o Privilegio. Êis a primeira: 

sPor Mandado do supremo Conselho da Santa Inquisição. Vi & examiney 
este livro intitulado segunda parte de Guzmão de Alfarache Atalaya de la 
vida umana, A- com as emendas que lhe fiz não fica tendo cousa algQa contra 
nossa Santa Fé, A- bons costumes. Antes me parece, que alem do muito en- 
genho A- eloquência que nelle mostra o Auctor lhe cabe com muita razão o 
nome de Atalaya, porque assi como da Atalaya se descobrem os perigos A 
se dá noticia delles aos navegantes e caminheiros, não para cair nellas (?), 
senão para os fugir. Assi se pode avisar com este livro o curioso Leitor, 
para com elle se prevenir contra muitos males que vão pello mundo os evitar 
A se defender delles. Dada em o Gollegio de Santo Augustino de Lisboa, a 
sete de Septembro de 1604. — Frei António Freire». 

«Vista a informação, podese imprimir este livro intitulado segunda parte 
de (lu/mão de Alfarache. 4 depois de impresso, torne a este Conselho pêra 
se conferir com o original, A se dar licença pêra correr, A sem ella não cor- 
rerá. Em Lisboa a nove de Septembro de 1604.= Marcos Teixeira Ruy Pi- 
rez da Veiga». 

Privilegio 

«Ev el Rey faço saber aos q este alvará virem, q Mateo Alemão ora es- 
tudante nesta Cidade, me enviou dizer por sua petição, que elle compôs a 
segunda parte do livro intitulado Guzmão de Alfarache Atalaya da vida umana. 
qual imprimiu nesta Cidade cr. licença do Saído Officio. E me pedia llve ti- 



186 A L1TTERATIHA HESPANHOLA EM PORTUGAL (6) 

zesse mercê concederlhe Privilegio para por tempo de dez amios nenhúa 
pessoa o possa imprimir, nem mandar imprimir, nem trazer de fora do 
Heyno. E vista sua petição por lhe fazer mercê, ey por bem, que por tempo 
de dez anos impressor, nê livreiro algií, nem outra pessoa de qualquer cali- 
dade que seja, não possa imprimir, nem mandar imprimir nesta Cidade, nê 
trazer de fora do Reyno o dito livro, salvo as pessoas que para isso tiverem 
seu poder. E qualquer impressor, livreiro, ou outra pessoa que imprimir, ou 
mandar imprimir, ou trazer de fora do Reyno o dito livro, durante o dito 
tempo de dez annos, perdera para elle Mateo Alemão todos os volumes que 
lhe forem achados. E alem disso encorrerá em pena de cincoenta cruzados, 
ametade para eaptivos, & a outra metade para quem o accusar. E mando a 
todas as justiças, officiaes, A- pessoas a que o conhecimento desto pertencer, 
que cumprão, & guardem, como nella se contem. O qual ey por bem, que 
valha como carta, posto que o effeito delle aja de durar mais de hum ano, 
sem embargo da ordenação em contrario. Sebastião Pereira a fez em Lisboa 
a quatro de Dezembro de mil seiscentos, & quatro. Duarte Corrêa o fez es- 
crever. Rey». 

O exemplar acabado de descrever pertence á Bibliotheca Municipal do 
Porto. Se a edição anterior é raríssima, esta não o é menos, sendo até agora 
desconhecida. Ao Sr. Calheiros, dislincto official, que foi d'aquella bibliotheca, 
devemos os apontamentos que a este respeito e a nosso pedido se dignou 
sollicitamente enviar-nos. 

Damos em seguida as poesias que se acham nas folhas preliminares : 

Al libro et avctore fatto da un suo amico 

Sotto una bella & poética fintione 
con Iroppo ingegno & arte fabricata, 
non manco degna d'esser celebrata, 
che la Metanioiphosis di Nasone: 

La vi ta scelerata d'un poltrone 
vedrai con alto stil fabuleggiata, 
acchio che la virlu sia cercata; 
lasciato il vitio dogni mal cagione 

Proccacia, come accorto uccelatore, 
col battuto \ pentito prigioniero 
pigliar ogni eàttivo il faggio auctore 

Lecui lodi cantara volontiero 
ma per lor moltitudine, & splendore 
bisogna, che le canti un'altro Homero. 



A LITTKRATl RA HESPANHOLA EM PORTUGAL 18/ 



Ad Matthaevm Alemanum de suo Guzmano 



Ruy Fernandez de Almada 

Vilibus exeinplis Pharij quid gramli.i ccelanl ' 

Plauaque cur simulans ab dicliore lypo .' 
Nempévetanl Sophioe mysteria prodere vulgo 

Inlimiusque animo pressa figura manet. 
Ilis ducibus Guzmane geris, ceu Proteus alterj 

Plana sub obscuro, magna minore lypo. 
Ergo cum scile Maritais u.i')rMn.7x dones 

Te sibi («Taío|* Hispalis alma canal. 



loannis Riberii Lvsitano ad Authorem 

Encomiastichon 

Laus, Matthae, libi superes! post fala peremnis 

Quam nullo minuel lempore, tempus edax. 
Orbe pererrato virtulem extendere factis, 

Pactum ingens: opus est Martis & artis opus. 
Fortunam maior uariam superare labore, 

Herculeis raanquiribus iste labor. 
Maius opus, maior labor est coluisse Minervam: 

Maior & exproprio condere Marte libros: 
Heroas decorare solent duo nomina Mars, Ars: 

Muneraiu pariter Martis, & Arlis habes. 
Mars dedit invictum, quo tendis ad árdua, pectus: 

Excoluit menten doeta Minervam tuara. 
lugenij monumenta fui super aethera nota. 

Testantur larga prsestita dona raanu. 
Multa Hispana canil Musa: at qui nullus Ibera 

Dogmala pinxit adiou- v : ? TS r'-< *» pwfcfc. 
Testes tiic est codex módico qui vendilur sere: 

Attãlicas superant, quas dabit emptus, opes. 
Cuius ab aspectu usorsus eompressit inanes, 

Invidia, heu multis iniuriosa nimis. 
Zoile transuerso calamo qui uulnera figis, 

Iprocul, en contra numina bella para-. 
Contra Mercurium, Phoebum. contraque Minervam, 

Morlalis poterit tela moverè manusí 
Quis quis auarus ades, redimis qui sanguine gemmas 

Gemma libi parvo uenditur 8 re, ueni. 



188 A L1TTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (8) 



Hauris ah effossa pretiosa pericula terra: 

llir liber arcanas fundei, & addel opes. 
))■• color '--i dives, fuluo quod palie) in >. 

Non sunl divitise delitiseque simul 
At liber bic auri uenis qui pulcher abundai, 

Nunc lilii delitias, diuitiasque dabit, 
Aureus hic certe gemma est pretiosa, libellusl 

Quis tenui geramara respual sere, datam. 



El licenciado Migvel de Cardenas Calmaestra a Mateo Aleman 

Soneto 

Que entre las armas de 11. iroico Achilles 
teuiplen su Lira el Griego i Mantuano 
i entone el verso el Cordoves Lucano 
para las dissenciones mas civiles: 

Qui- i-oii sentencias graves i sutiles 
alumbre ai mundo el orador Romano 
i entre la fértil pluma dei Toscano 
Sabia Helicona. tu licor destiles: 

Hazaiía es alta, i mucha gallardia, 
aunque los hizo faciles i prestos, 
la ocasion, los sujelos i la historia 

Peio que de la uiuilde picardia 
Mateo Aleman levante a lodos estos 
exemplo es digno de immortàl memoria. 

Na Bibliotheca da Ajuda existe o seguinte manuscripto : 
g) Tercem parle de Gusman de Alfarache. Su Autor Félix Machado da 
Silva Castro, 1." Marques de, Montebelo. 

Este é o frontispício. Na folha immediata diz: Libro primero de la terçara 
parle de Gusman de Alfarache. Segue em letra posterior, mas aspada por 
cima : Ba livraria da Graça de Lisboa, e continua : Quénia como trato de 
emendar su vida desde que salio de la galera y sapo quien era su padre verda- 
dero. Compuesta por Félix Marques, calhedratico de prima en la Picardia sin 
salário. Dedicale a la senoria livre de los magnificios, y muy illttslres senores 
Esportilleros de Madrid. — No fim da dedicatória assigna-se: Félix Mar[quez 
Cathedratico de] prima el la Picardia sin salário. A parte meltida entre pa- 
rentheses rectangulares acha-se escripta em uma tira de papel ali coitada, atra- 



U A LITTERATURA HESPAM \ I \i 1'ORTUCAl 18 ( J 

vez da qual senão percebe o que fora escripto por baixo (Telia. Na primeira 
«ias quatro guardas ou folhas em branco que lem antes do frontispício diz em 
letra lalvez d esle século o seguinte: 

N. li. sen verdadeiro author he o primeiro Marquez de Montebello; 
e e este o original». Effectivamente não deixa duvida de ser esle o original, 
pelas muitas emendas que apresenta, todas em tiras Me papel colladas sobre 
os erros; bem como pela proveniência de haver pertencido a livraria do con- 
vento >la Graça, onde Barbosa Machado tomo n, p. 7) afirma tê-lo visto. É 
um vol. in-fol. ordinário, contendo alem do frontispício e dedicatória, r>'il pa- 
ginas com o índice. 

Esta noticia foi-nos communicada pelo Sr. Rodrigo Vicente de Almeida, 
que era intelligente e prestimoso official da Bibliolheca da Ajuda. 

A obra que vamos em seguida descrever não foi impressa em Portugal, 
mas parece-nos que merece ter aqui natural cabida, não só por causa do 
assumpto, mas por outras circunstancias, que nos fazem suppor que houvesse 
uma edição princeps, de Lisboa, anterior á de Sevilha. Alem do auctor se achar 
por esse tempo em Portugal, é de notar que uma das approvações, em portu- 
guez, e de Fray Luis dos Anjos, datada de S. Francisco de Xabregas, de Lis 
boa, a 2í de novembro de 1603. A segunda por Fray Gregório líuyz, é da- 
tada de S. Francisco de Valladolid a 7 de dezembro do mesmo anno. 

f) San António de Padva <lr Mateo Aleman. Dirigido ai Heyno y narm/t 
instituía. Con licencia dei Santo Oficio de la Tnquisicion, y Previlegios de su 
Magestad para Castilla y Portugal. Impresso en Sevilla por Clemente Hidalgo. 
Ano 1604. 

'i.", :>:! ti-, prel. inn., íl7 numeradas pela frente; alem de mais 7 inn. 
de Tabla. 

Nas preliminares contêm-se : Approvações ; erratas; dedicatória; elogio de 
Matheo Aleman por Ivan Lopez dei Valle: poesias ao autor, de Lope de Vega, 
D. Jlodrigo de Ayala y Castro, Dou Hieronymo Cortes, nielo dei grau Cortes, 
Ana de la Pvente. .Ivan Lopez dei Valle, ao letor, poesias latina- ao Santo. 
Depois dos versos seguc-se uma tolha solta com um retrato, que é por certo 
o de Matheo Aleman. E o mesmo que vem na segunda parte de Ciisman de 
Alfarache, atraz descripto. 

No elogio de Lopez dei Valle ha a seguinte allusão á 2." parte de Guz- 
man de Alfarache: 

«La vida dei bienaventurado San António tio eu su intercession, que 
servira de espuelas, a los varones perfetos, para que lo sean mas, alentados 
de, la variedad de discursos que a diferentes propósitos se apuntam eu este 
libro, y la de Ciizman de Alfarache, cuya segunda parte, aviendo ya cum- 
plido con esta que lo fue (por voto) de necessidade se imprimira presto, 



11)0 A L1TTEKATIRA HESPANHOLA EM PORTUGAL (10) 

para desterrar la que sin verdadero nombre de autor, y contrahaziendo el de 
Matheo Aleman, salio em Valência el ano passado». 

D'este trecho se collige que a Vida de San António devia sahir antes da 
segunda parte do Gtizman, ou pelo menos estava para isso preparada. Mais 
um argumento a lavor da nossa hypolhèse da edição princeps de Lisboa. 

Uma das composições poéticas dirigidas ao celebrado èscriptor é em por- 
tuguez, e aqui a reproduzimos, tendo o leitor o cuidado de emendar os hespa- 
nholismos, que o impressor lhe introduziu e o revisor deixou escapar. 
Ei-lo : 

Devino António estrela rutilante : 
Do povo Portuges gloria A amparo, 
Sagrado protector, iV ezemplo claro, 
Da virtude na terra mais contanle. 

Se Portugal não deu quem de vos cante, 
Por de louvor aos seus ser sempre avaro 
Da alheya pátria Aleman engenho raro, 
Desta empresa quisestes fosse Atlante 

Com ella seu estilo sublimado, 
Qual pedra preciosa en rico engaste, 
Mais nos olhos do mundo resplandece 

E assi de haver a um Santo tal louvado, 
Sem da murmuração temer contraste, 
De enveja a mesma enveja desfalece. 

Ê anonymo. Apenas corrigimos o 4.° verso da 2. a quadra, onde estava 
«foge» evidentemente por «fosse». A este soneto segue-se o retraio. 

O San António de Padra, se não foi publicado primitivamente ern Lis- 
boa, foi pelo menos escripto aqui, onde o auctor residiu, não sabemos por que 
motivo. As provas da sua estada entre nós não faltam. Ainda quando o não 
dissesse o alvará do privilegio do Gusman, di-lo-ia o auctor. O capitulo V 
da vida do nosso celebrado thaumaturgo é uma descripção de Lisboa, se não 
muito particularizada, bastante curiosa pelo menos e feita de visa. N'elle tece 
um levantado elogio aos portuguezes, gabando muito a educação recatada das 
mulheres. O seguinte período mostra-nos que elle falava como observador 
ocular: «Quiero aqui con verdad referir, y como testigo de vista, que profes- 
san la Religion con tanta observância y santidad, y tratan las cosas dei culto 
divino con tanto respelo devocion y cuidado, que a los Paganos convierten, 
a los destraidos edifican, a los justos alegran, y a todos en general ponen 
grande admiracion, y sirven de buen exemplo*. 



II A L1TTERATURA HESPANHOLA Eil PORTUGAL 



Possue um bello exemplar d'esta obra o distinto bibliophilo o Sr. Fer- 
reira das Neves Sobrinho. 

No catalogo da «Biblioteca selecta dei Conde-Duque de Sanlúcar», vem 
descrip.ta a segainte edição: 

Víateo Aleman. Historia de San António de Pádua, in-4.°, Lisboa ItjOo. 

II., I!) . 

Alvarado (M. F. António de». — Arte de bien morir, y goia dei comino de 
la muerte. Compvesta por el m. i\ António de Aluarado, Predicador de S. Be 
nito eiReal de VaUadolid. Dirigida a Jesu Chi isto nuestro Sefíoi: Impresso en 
Lisboa por industria dei P. /•'. Marcos de la Trinidad P. de la Prouincia de 
la III Orden de S. Fi'ancisco. Con licencia, por Pedro Crasbeeck 16 1 6. A costa 
de Thome do Valle mercader de libros. 

IG.°, 7 lis. prel. inn., '.)1*2 numeradas pela frente, mais 3 inn. de Índice 
No fim: Impresso em Lisboa por Pedro Crasbeeck. Ano IGL'i (sic). 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Alvarez (Fray António). — a) Primera parte de la Sylva spiritval de va- 
rias consideraciones, para entretenimiento dei alma christiana. Compuesta pw 
el padre Fray António Aluarez, Predicador de la orden dei Seraphico Padre 
sant Francisco, y de la Prouincia de Sanctiago. I agora en esta lercera im 
pression de nuetto corregida por el mismo Autor. Dirigida a dona Meneia de 
Requesens y Çnfíiga, condessa de Benauenle. [Làminazinha]. En Lisboa. Con 
licencia en casa de Si moa Lopes, Impressor de libros. Anã M. I). KCIV. 

'i.", :i lis. prel. inn., 523 pags. afora a Tabla.O titulo a preto e encarnado. 

A licença, de Fiei Barlholomeu Ferreira, é assim concebida: 

a Vi por mandado de S. A. este libro, cujo titulo he Sylua Spiritual ú<- 
varias consideraciones, autor o Padre Fray António Aluarez. E não tem cousa 
contra nossa sagrada religião & bõs costumes, antes a doctrina lie de muita 
edificação, A fará muito frueto a sua lição. 2 de Nouembro de 1393o. 

Segunda parte, impressa pelo mesmo livreiro e no mesmo anno. 

\.°. Mi-2 pags.. afora Índice e Tabla. 

b) Addiciones a la Sylva Spiritual, y su tirara porte. En Lisboa. Con li- 
cencia de la Saneia Inquisician, y Ordinário. En casa </<■ Simon Lopez. M.D.C. V. 

í.". 3 fls. prel. inn.. 746 pags., afora índice inn. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Barbosa diz que o auetor é portuguez. 

Alvarez (Thomaz).— Vide Innocencio da Silva, Diccionario Bibliographico, 
i. vn, p. 319. 



192 A LOTERATCRA HESPANHOLA EM PORTUGAL (12) 



Alvarez de los Reyes (Manuel). — Libro real de las alabanças de la glo- 
riosa santa Ana y san loachin, y su carta executória, //letras en loor de oiros 
santos. Compuesto por Manuel Aluarez de los Reyes Ciudadano de la Cindad 
de san Christottal Islã de Tenerife de las siete de Canária. [Estampinha : mo- 
nogramma da Companhia de Jesus]. Con privilegio de Castilla y Portugal. 

Segue-se ii 1." folio com Emmmdas. 

O -2." folio é qua>i cheio com um escudo de armas reaes portuguezas, 
tendo por cima: Dirigido a Doiía Ana, de Velasco Duquesa de Bargança, è 
pela parte inferior: Impresso con licença da Sancta Inquisição por Jorge Ro- 
drigues. Anno de 1604. Impresso á costa dei Autor. Seguem-se sonetos ao 
auetor, de Alonso de Crasto Macedo, Don Alonso Prego de Villafane, Salinas, 
resposta do auetor, etc. 

8.°, sem numeração, 52 fólios com o frontispício. 

O soneto de Salinas é d'este theor: 

Aluarez aduierte buelue con lu intento 
No te metas en mar dei mundo vano 
Porq perderte, y anegarte es llano 
Sino lleuas de arriba el íundamêlo. 

Siempre tu zelo é mirado atento 
Veo que en el bien publico te gano 
En esso pierdes, porque el cortesano 
"Es gouemado solo por el viento. 

Porq quitar, poner, aduierte. cuêta 
questa suspenso baxo de la Luna 
y ai se menoscaua el que acrecienta 

En la occasion que tienes oportuna, 
Para que se acreciente la real rêta 
Ten confiança en Dios y no in fortuna. 

Villancico ai Nino Iesus 

Nino diuino de luz 

amor os haze la guerra 

que oy verteis agua en la tierra 

y ai morir sangre en, la Cruz. 

' la eomençais a sentir 
en aquel pesebre echado 
que si oy aueys llorado 
en Cruz aueys de morir. 



I 13) A L1TTERÀTURA HESPANHOLA l.M PORTUGAL l'.l.' 



Para dai ai alma luz 

ordei 1 padre esta guerra 

vertaj s 03 agua en la tierra 
j ai ii j' tu' sangre en la Cruz 



Romance ai yloiioso apostolo San Pablo 

rf> duros hierros cargado 
estauá Pablo glorioso 
aquel escogido vaso 
aquel Capitão famoso 
aquel diuino Soldado 

aquella coluna lir 

que Uios labrú por su muno, 
el despertador glorioso 
ile las almas en peccado, 
aquel camino dei cielo 
de mil virtudes sembrado 
el rayo viu" encendido 
que abrasa los mas elados, 
aquel defensor de Christo 
j de su nombre sagrado 
aquel diamante fino 
en la Fe que ha professado 
aquel rubi encendido 
en charidad abrasado 
aquel espejo glorioso 
donde Dios se ha remirado 
eslà puesto de rodillas 
-■li viuo amor abrasado 
pidiendo esfuerço j fauor 
a Christo crucificado, 
diziendo: Padre querido 
aqui estoy aparejado 

|i ira la n rte dichosa 

d i fin tan desseado, 

a ti corno a Sefior mio 

me ofreseo y põgo en tus manos 

j a mi alma pues es tuya 

a ti la entrego y encargo 

pues la compraste, j costò 

la sangre de tu costado 

y el morir en vna Cruz 

con ânsias agonizado 

recibeme Padre mio 

• ■li este iu amoi sagrado 



194 A UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (14) 



pues sabes que le entregue, 
el mio en siendo llamado, 
y vos cuerpo no tembleis 
pues oy sereys desatado 
m. desmays ni temais 
que lêdreis gloria 3 descanso, 
estando en esto e] pastor 
puestas las manos orando 
oye que abren las puertas 
los lieros sayones brauos, 
\ que le quieren lleuar 
para ser marlyrizado 
alegre sala e humilde 

ai Ciei il .vraeias dando 

y Uegado ya a) lugar 

v 1 alfange blandeando 

en la mano dei sayon 
que le mira amenaçando 
acaba sayon le dize 
leuânta ya esos duros braços 
qui si oy por Christo muero 
oy viuire eternizada 
y en esse golpe que dieres 
esta el viuir con descanso 
y con enojo el sayon 
vn fiero golpe le ha dado 
apartando la cabeça 
dei cuerpo glorioso y sanlo 
la cabeça salta en tierra 
três vezes donde ha saltado 
Ires fuentes de agua viua 
obrando el cielo el milagre 
que quiere Dios q se entienda 
quanto ama a sus amados. 

Alvarez era da casa do condestavel de Gastella e acompanhou por certo 
a filha deste que veio a casar-se com o Duque de Bragança. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Alvia de Castro (D. Fernando). — D. Fernando Alvia de Castro foi 
também dos que residiram no nosso paiz. Natural de Logrono e cavalleiro da 
Ordem de Calatrava, desempenhou um cargo oílicial na época do domínio 
filipino, sendo vedor geral da gente de guerra e presídios dos reinos de 
Portugal. Outras funcções flscaes exerceu conjuntamente, pois tinha a seu 
cargo as coisas de contrabando. D'esta ultima circumstancia nos dá conheci- 
mento uma representação do município de Lisboa de li de março de 103 1 , 



15) A UTTEftATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 195 



na qual pedi' providencias a sua magestade contra os vexames praticados 
por aquelle funccionario contra a gente de negocio, na interpretação de leis 
relativas ao commercio externo e asiático '. 

D. Fernando Alvia de Castro teve permanência bastante longa em Por- 
tugal, estando já em Lisboa em 1616, pois n'este anno aqui estampou, nos 
prelos de Pedro Craesbeeck, a sua Verdadera razon de Estado. Do anno 
seguinte irmos nota de uma ordem sua de pagamento a Luis Alvarez de An- 
drade por diversas pinturas que executou para a armada real, do cominando 
de D. Fradique. 

Na chancellaria de D. Filipe 111 está registado um alvará, de 17 de maio 
de 1624, pelo qual lhe foram concedidos sessenta mil reaes por anno para 
arrendamento das casas em que se aposentasse, conforme tinha o seu ante- 
cessor. Kste alvará é do theor seguinte: 

«Eu El Rey faso saber aos que este alvará virem que eu ei por bem de 
fazer mercê a Don Fernando dAluia de Crasto, uedor geral da junta de 
guerra deste reino, de sessenta mil rs. de aposentadoria para pagamento das 
cassas em que uiuer, que he outro tanto como tinha e auia seu antesesor 
conforme nua carta delrei meo senor e pai, que santa gloria aja, de uinte e 
sete de outubro do ano de seis sentos e dezaseis, os quaes sessenta mill rs. 
se lhe pagarão desde o primeiro de maio de seis sentos e uinte dois en deante, 
emquanto seruir o dito cargo: pelo que mando ao meo aposentador mor lhe 
fasa lleuar cada ano nas folhas das ditas aposentadorias os ditos sessenta 
mil rs. de aposentadoria como dito he, e este se cumprirá. . . Ccistouão d'Orta 
o fes en Lisboa a desasete de maio de mil e seis sentos e uinte quatro. Luis 
de Figueiredo o fes escrever»-. 

Alvia de Castro presenceou a revolução de dezembro de 1640, não adhe- 
rindõ, como bom castelhano, ao novo estado de coisas. Por este motivo 
certamente foi mandado recolher com toda a vigilância no castello de S. Jorge, 
onde se achava com sentinella á vista. No livro n da Secretaria da Guerra, 
II. 42 verso, acha-se registado o seguinte mandado: 

«O sargento mor do Castello de São Jorge Rui Tavares Viegas porá 
guarda de soldados a Thomas Dibio e a D. Fernando Dalvia de Castro para 
que lhe assistam de dia e de noite sem os deixarem sair nem comonicar-se 
de pallavra nem por escrito tomando-lhes os papeis e entrarem e saírem em 
suas casas os quaes remeterá a este Conselho. Lisboa, 2 de março de 1641». 



1 Esle documento foi publicado pelo sr. E. Freire i 
di >s Elementos para a historia d» município de Lisboa. 

• Tone do Tombo. Chancellaria de D. Filipe m. DoaçO 



190 \ I nri.RATl RA HESPANHOLA EM PORTUGAL I U>) 



Alvia de Castro não foi só prosador, foi também poeta, embora não lhe 
conheçamos nenhuma produeção neste género. Manuel de Galhegos é quem 
lhe confere as honras de sacerdote de Apollo, incitando o a entrai' com a sua 
voz no coro epithalaniico entoado nas bodas do Duque de Bragança, que 
poucos ânuos depois devia ser o restaurador da pátria e o fundador de uma 
nova dynaslia. poema de Galhegos foi impresso em Lisboa em 16:3"). e no 
livro iv. quintilha 202, se faz o convite por esta forma: 

í)e Dom Fernando Albia de Castro vejo 
J:'i temperada a lira Castelhana. 
Que inda que lie Castelhana o claro Tejo 
A honra na Academia Lusitana. 
Cante pois (o Fernando) a vossa Musa. 
E a metro o Panegerico redusa. 

culto das musas eslava todavia em honra na familia de Alvia de Castro, 
pois não menos de quatro sobrinhos seus, entre os quaes uma senhora, col- 
labqraram nas poesias laudatOrias que antecedem a Memoria y discurso politico 
por la mvy noble y mvy leal civdad de Logrono. 

A actividade litteraria de Alvia de Castro não foi escassa, pois desde 1616 
até 16X1 deu ao prelo sete volumes, sendo seus impressores Pedro e Lourenço 
Craesbeeck. Nicolau António, na sua Bibliotheca Hispânica, cita-as todas, me- 
nos uma, Traducion dei Compendio, etc, mas em compensação refere-se a 
outra, que não pudemos encontrar nem vimos mencionada em qualquer outro 
auctor. É uma traducção franceza de Pedro Mathoei, que escreveu umas obser- 
vações sobre o estado e vida do sr. deVilleroy. 

Alvia de Castro duas vezes se occupou de coisas nossas, colligindo os 
aphorismos da primeira Década de João de Barros e fazendo o panegyrico do 
Duque de Barcellos. 

Nos Vários efletos de amor, en cinco novelas exemplares, de Alonso de Alcalá 
II Herrera, residente y natural de la inclyta ciudad de Lisboa, vem no principio 
uma carta ao auctor, por D. Fernando Alvia de Castro. 

As novellas, impressas em Lisboa em 1641. teem a particularidade de 
serem escriptas cada uma d'ellas sem uma das cinco vogaes respectivas. 

Luis Marinho de Azevedo, na sua Fundação, antiguidades e grandezas da 
mui insigne cidade de Lisboa, etc, obra impressa pela primeira vez em Lisboa 
em 1652, procura demonstrar no capitulo xn do livro iv da parte ii, que a 
geração dos Duques de Flandres provinha de um nobre porluguez, de nome 
Lyderico. Depois de citar a opinião de Manuel Soeiro, acerescenta: 

«E muito mais que a Manuel Sueyro, deve Portugal a D. Fernando Alvia 
de Castro, vedor geral que foi da gente de guerra d'elle; cujas letras humanas, 
erudição e perfeito juizo em todas as matérias o fizeram bem conhecido». 



(17j A LITTERATURA UESPANHOLA EM PORTUGAL 197 

Transcreve em seguida -is palavras que Uvia de Castro exarou a esle 
propósito no seu Panegírico... dei Eu Duque de Barcelos. 

Alvia de Castro, além de escriplor, era lambem bibliophilo, ajuntando 
uma livraria, que parece deveria ser importante. 

\ ío sabemos se foi vendida por elle, pelo.- herdeiros ou em resultado de 
sequestro. que sabemos é que a adquiriu Sebastião César de Meneses, que 
exerceu altos cargos no episcopado, na magistratura e na politica. Foi homem 
douto e escriptor de merecimento, deixando obras de apreço, tanto aa lingua 
materna, como na latina. 

Em uma das suas cartas a Vicente Nogueira, datada de 23 de agosto de 
lti'i7. escrevia o Condi' da Vidigueira, primeiro Marquez de Nisa, o seguinte: 

«... quando a primeira vez me parti para França, se me vendia toda a 
livraria de l>. Fernando Uvia por tresentos mil reis. a prazos; mas como eu 
ainda então andava com OS olhos fechados, sem ver mundo, a não COmprey, 
de que me tenho arrependido,... cuido que a comprou Sebastião Cesár». 

Em 11 de outubro do referido anno, escreve ainda em carta dirigida ao 
mesmo: 

o \ livraria de I». Fernando de Alvia será importante lirar-se ao bispo do 
Porto (Sebastião César de Meneses, de quem atraz falei), porque, a querel-a 
elle vender, Iba comprara eu sem duvyda. . .» 

A este propósito consulte-se o opúsculo do sr. Ramos Coelho, Oprimeiro 
Marquez de Sisa, pags. 12 e 15. 

Na Bibliotheca Nacional de Lisboa existe uma obra, e porventura haverá 
mais. com este ex-Ubris á mão e sobre o frontispício: es de mi dum Fernando 
aluiu de Castro. A obra intilula-se: Carias que os padres e irmãos da campai/ia 
de lesus que andão nos Reynos de lapão escreuerão, etc. Em Coimbra, em casa 
de António de Mariz. Anuo de 1570. Acha-se na secção dos Reservados, B-92. 

Do que se pôde deprehender das cartas do Conde da Vidigueira, Uvia de 
Castro teria fallecido pouco depois da sua prisão, a não ser que a venda da 
sua livraria, por sequestro, ainda se effectuasse emquanto estava no carcen 

N'um dos volumes de Miscellaneas da Bibliotheca da Universidade de 
Coimbra existe, no que tem o n.° 477, uma collecção de Diplomas de nomeação 
para vários cargos e serviços passados a /arar de .hum de Soto, e atiestados de 
serviços por elle prestados, etc. Muitos d'estes diplomas são subscriptos por 
Fernando Alvia de Castro. Veja se o Archivo Bibliographico, da l Diversidade 
de Coimbra, volume viu, n.° 5, pag. 76 e seguintes. 

mnocencio Francisco da Silva incluiu o nome de Alvia de Castro no seu 
Diccionario Bibliographico tomo n. pag. 269), descrevendo apenas os Apho- 
rismos y exemplos políticos y militares e referindo- se ao Panegírico genealógico, 
que mereceu os elogios de D. António Caetano de Sousa no Apparaio á 



198 A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (i8) 



Historia Genealógica da Casa Real. Innocencio explica o motivo, per que 
procedeu d'esta maneira, não costumando dar cabimento no seu Diccionario 
a auetores estrangeiros, senão áquelles que escreveram em portuguez. Fez 
esta excepção para corrigir um erro que António de Moraes Silva, que enumera 
Alvia de Castro entre os auetores de que se aproveitou para o sen Diccionario 
da lingaa portugueza. 

Eis a relação das obras de Alvia de Castro, das quaes as três primeiras 
vêem descriptas no Ensayo de una biblioteca, de Gallardo, e a quarta no 
Catalogo, de Salva: 

a) Vefdadera razon de Estado. Discvrso politico de Don Fernando Alvia 
de Castro, Prouedor de la Real armada y exercito dei mar Oceano, y de la 
gente de guerra, y galeras dei Reyno de Portugal, por el Rey nuestro Senor. 
Dirigido a Don António de Çuftiga Comendador de Ribera, Del Consejo de 
guerra de su Magestad, y su Capitan general dei mismo Reyno de Portugal. 
Con todas las licencias necessárias. En Lisboa. Por Pedro Craesbeeck, Ano 1616. 
t vol. in-8.°, 76 fls. registo § A.S. 

Bibliotheca da Ajuda. 

b) Aphorismos, y exemplos políticos, y militares. Sacados de la primera 
Década de luan de Barros. Por Don Fernando Alvia de Castro Prouedor de la 
Real Armada, y Exercito dei mar Oceano, y de la gente de guerra dei Reyno 
de Portugal. Por el Rey nuestro senor. A Don Diego de Sylvo, y Mendoza, 
Duque de Francauila, Marques de Alenquer, Conde de Salinas, y Ribadeo, 
Comendador de Herrera en la Õrden de Alcântara: Virrey, y capitan General 
de los Reynos de Portugal. Por su Magestad, dei Consejo de Estado, y Veedor 
da hazienda dei. Con todas las licencias necessárias. En Lisboa. Por Pedro 
Craesbeeck. Impressor dei Rey. Ano 1621. 

1 vol. in-4.°, 112 fls., registo §-§§. A-A a. 

Existem exemplares na Bibliotheca de Lisboa e Bibliotheca da Ajuda. 
D. Francisco Manuel de Mello, no seu Hospital das lettras, refere-se a esta 
obra, pondo na boca de Quevedo e Bocalino os seguintes dizeres: « Quevedo: 
Não; quanto á falta de aphorismos políticos não perderá nada João de Barros, 
se D. Fernando de Alvia e Castro continuará os que d'elle tirou e imprimiu, 
das entranhas da primeira Década. Bocalino: Buscou-os sem falta de mergulho 
porque elles não apparecem á face do estylo, mas por isto se verifica a 
observação do outro que dizia que todo o homem tinha sua graça se lh'a 
sabiam encontrar e lh'a queriam achar». 

o Pedaços primeros de vn discvrso largo en las cosas de Alemania, Espana, 
Francia. En forma de Epitome. Contienen Católico Verdadero de Espana. 



i l!)i A UTTERATORA HKSPANHOLA EM PORTUGAL 199 

Enganos de Francia y desenganos. Por Don Fernando Aluia de Castro. Cauallero 
de In Orden de la Caiatraua, Veedor General de la gente de guerra, y / 
de los Reynos de Portugal. Con las It irias. En Lisboa. Poi I 

Craesbeeck. Impressor dt Sw \Iagestad. Afio WDCXXXVI. 

I vol. in-4.°, 34 II-.. registo A. II. 

Todas estas tres obras descriptas em Gallardo sob os n.° 1 7 7 a 179. 

Existe um exemplar na Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

d) Panegírico genealógico y moral dei excelent."" dvque de Barcelos, i \rmas 
dòs duques). Por Don Fernando ilvia de Castro, etc. 

En Lisboa. Con todas las licencias necessárias. Por Pedro Craesbeeck. 
Impressor dei Rey. Ano 

ln-i.". 3 lis. prel. iiiii. 68 fólios numerados pela frente, dssignado no 
liin pelo auctor e datado: En Lisboa a 18 de dezembro de 1627. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa e Bibliotheca da \jinl.i. 

i Traducion dei Compendio italiano de la vida dei santo Francisco Xavier. 
Hecha por Don Fernando Aluia de Castro, Cauallero, etc. Dirigida ai mismo 
Santo. En Lisboa. Por Pedro Craesbeeck, ano U 

In-s.'. 8 lis. prel. iim.. 93 II-., mais 2 inn. de Tabla. 

Na primeira pagina dos preliminares traz uma explicação do auctor sobre 
as muitas erratas do livro, sendo tão pequeno; N'uma das paginas vem a 
traducção do frontispício dá obra italiana, impressa em Roma em 1622 pelos 
herdeiros de Bartolomé Zaneto. Seu auctor Mutio Vítelleschio. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

f) Memoria y áiscvrso politico por la mvy npble, y mvy leal civdad de 
Logrono. En prveba, y calificacion de se juslicia, para que tenga effecto la 
ni, i n,i que elRey Don loan el Segundo le hizo afio de I 111. de voto en Cortes 
en los de Caslilla. (Escudo de armas). Por Don Fernando Alvia de Castro. 
Cauallero de h Orden de Caiatraua, Veedor General de la gente de gueira, y 
presídios de los Reynos de Portugal. (Escudo de armas). En Lisboa. Con licencia. 
por Lorenço Craesbeeck. Impressor delRey, ano 1633. 

m-4.°, 140 pags. além de 16 inn. de prel., incluindo o frontispício. Entre 
pags. Ti e 75 uma folha solta com gravura. Nas folhas preliminares, além 
das licenças e approvações, entre as ultimas das quaes se deve destacar a de 
Diogo de Paiva de Audrade, em portuguez, conteem se as seguintes poesias 
laudatorias: de Francisco Lopes de Zarate, bastante extensa, I». Francisca de 
Alvia, sobrinha do auctor, Don Diogo Jacinto de Rueda y Herrera, Don Diogo 
da Fonseca Villagomez, Don Manuel de Castejon y Mendoza, Joan deTreuijano, 

Hist f. Mem. da Acad — Tomo xn, parte n. — N ■■ 4 



200 A UTTERATURA HFSPANHOLA Eli PORTUGAL (20) 

licenciado Don António Vasquez de A.cuna, Dou Francisco Onofre de Barrinuebo, 
sobrinho do auctor, Don Ramiro Yanez de Cabredo, sobrinho do auctor, 
Bernardino de Hobredo, de um amigo, Don Geronymo de Aluia, sobrinho do 
auctor. 

Todas as poesias são em forma de soneto, à excepção da primeira, que 
é uma Cancion e da ultima que é uma Decima. Vê-se que a família de D. Fer- 
nando era dedicada ao cultivo das musas, ainda que não fosse senão em honra 
do seu parente. 

I ih exemplar d'esta obra foi arrematado no leilão da livraria Merello 
pelo sr. Duque T. Serclaes. 

A Bibliotheca da Ajuda possue também um exemplar. 

g) Observaciones do esta/lo y da Historia sobre la vida, y servidos dei 
Seuor de Villeroy; ex gallico Petri Mathcei. Lisboa 1631. 
In-16.° 

Anchieta (José d). — Veja-se Innocencio, Diccionario, t. iv e xu e os 
Annaes da Bibliotheca do Rio de Janeiro, fascículo 1.° e seguintes. 

Andrade (Alònso de).— Itinerário historial qve debe gvardar el hombre 
para cominar ai cieio. ãispvesto en treinta y três grados, por los treinta y três 
Anos de la rida de Chrislo Nuestro Redemptor, y las virtudes que en ellos exer- 
cito. Por el Padre Âlonso de Andrade de la Compartia de Jesus, natural de To- 
ledo, Calificador dei Consejo Supremo de la Santa, ij General Inquisicion. Pri- 
mem, segunda y tercera parte, en que aora se afiade el ter cero Tomo que an- 
tes andava a parte con titulo de Patrocínio de Nuestra Seuora, y por ser todos 
exemplos de la Yirgen ha paredão juntados todos en uu Tomo. En que se pone 
una breve cronologia de toda la vida de Christo y los grados de sus virtudes, 
hasta los diez y nueve Anos de su edad. Dedicado ai ilvstrissimo senor Garcia 
de Mello dei Consejo de Su Magestad, Monteio Mayor dei Rei/no, etc. 

En Lisboa. En la Imprenta de Theotonio Crasbeeck de Mello, Impressor 
de su Magestad. Ano de 1687. 

Foi., 10 fls. prel. inn., 701 pags., afora índice de las cosas notables. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Angeles (Fr. Juan de los).— Fr. João de los Angeles, confessor das frei- 
ras descalças da Ordem de S. Francisco da villa de Madrid, requereu, com 
todas as licenças precisas, a de imprimir no reino de Portugal o livro que 
compusera com o titulo Considerationum Spiritialium super libram canlici 



- i | A LITTERATURA IUM'\\ A I.M ['ORTIGAL 20J 

canticorum Salamonis. Foi-lhe a licença concedidaj pelo tempo 'li' dez annos, 
em alvará passado em Valladolid a 5 de dezembro <\» anuo de 1600. 
Deslandes, Documentos, parte 11, p. 83. 

António dei Rey Uon Ivan . Epitaiamio a las felizes bodas de los Sr 
Sói s Condes di Regalados, el Sefíor Don luan Gomez de Abreu e Lima y la 
Seãora l>. Inês dt Vilaragud y Abreu, hija de los muy ilustres sefiores Marque 
ses de Llaneras y Condes de Olocau. Que consagra y pone a svs pies Don Ivan 
António dei Rey. 

í. 1 . ií lis. numeradas pela frente, sem designação de lugar ou imprensa, i: 
possivel que seja impresso em Hespanha. Pomo-lo aqui a titulo de curiosidade. 

Bihliotheca Nacional de Lisboa. Collecção 2:455 vermelho. 

Apolinar (P. Francisco). Manval moral én el qval brevissimamente se dá 

noticia de los principales casos morales que ha menester saber el que professa 

el confessionário. Compvesto por el /'. Francisco Apolinar de los Clérigos Re, 

glares Menores, Leclor de Teologia de sus Colégios de Salamanca y Alcalá. 

a. Na ofjicina de Manoel Diaz. Impressor da Vniversidade mino 1668. 

8 10 pags. prel. inn., 375 pags. alma índice. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Apoyos dt la verdad catalana contra las obieciones de vna justificacion, 

hizo en nombre dei Rey Catholico contra esta Prouincia. Con los cargos, 

qve inivstamente se le impusieron, por vnos papeies volãte?, y descargas a ellos. 

Con todas as licenças necessárias. Em Lisboa. Por Jorge Rodriguez. Anno 

de 1642. 

i.". 28 fólios (com o frontispício) sem numeração. 

Uma das licenças reza do seguinte modo: 

«Manda el Rej N. S..que pello Desembargo do Paço se despache licença, 
& Privilegio a Lourêço de Quirós liureiro, para fazer imprimir quatro liuros 
sobre as cousas de Catalunha, que o Embaxador daquelle Principado presen- 
ton a s. Magestade, que offerecerá com esta portaria. Em Lisboa a 6 de Mayo 
de 64 !. Francisco de Lucena». 

mesmo se lê nos seguintes opúsculos: 

Noticia Vniversal de Catalvfía, por el 1!. D. \. \. ^ . VI. F. D. P. It. N. 

Epitome de los Princípios y Progressos, de Gaspar Sala. 

Aranda (Luis de).- Glosa peregrina compuesta por Luys de Aranda >> 
zino de la ciudad de Vbeda. Va repartida en run-o Cânticos. Foi impressa em 
Sevilla em casa de Juan de Leon junto a las siele Rebueltas en 1604. 



1>|I^ A LITTERATUBA HESͻANHOLà EM PORTUGAL (22) 

Descripta pelo Sr. Conde de Sabugosa a p. 10 da sua edição do Auto da 
Festa, de Gil \ icente. 

Gallardo, a p. 255 do Ensayo de una Biblioteca descreve uma edição 
de 1607 da mesma cidade, impressa «en casa de la biuda de Alõso de la Baf- 
rera». 

Aranda (Matbeo de).—") Tractado dcãto llano nueuamente compuestopor 
\Iatheo de arada maestro en musica. Dirigido ai muy alto e jllustiissimo sefíor 
don Allonso cardinal Infante de Portugal. Arçobispo de Lixboa. Obispo Deitora 
comendatario de Alcobaça etc. com preuilegio real. Esle titulo, dentro d'uma 
portada, eslá por baixo das armas dò cardeal]. 

No verso do rosto o «Preuilegio: Dom joã per graça de Deos Rey... 
Jorge fernandes a fez em euora: a vinte e oyto de Junho. De mil e quinhen- 
tos e trinta e três»; 

Segue «Prologuo- considerando munchas vezes muy alto y illustris- 
simo. . . " 

No folio 3.°, no alto: «Conclusion priíriera de las siete letras dei canto». 

Segue, contendo 37 folhas sem numeração, nem reclamos, em íi cader- 
nos, 8.°, desde iaí, contendo este somente seis tolhas. 

Na subscripção final lè-se: 

"Fue impressa la presente obra en la muy Doble cibdad de Lixboa por 
German Gallarde: a veynte y seis de Setiembre ano de mil y quinientos y 
treynta y três». 

In Tractado de cato mSsurable: y contrapueto : nueuamêie cõpuesto por 
Matheo de arada maestro e musica. Dirigido aí mui alto // illustrissimo seí/or 
dõ Alõso. Cardenal Infame de Portugal. Arçobispo de Lixboa. obispo Deuorã. 
Comedatario dAlcobaça. Com Priuilegià Real. [Este titulo num frontispício 
egual ao da obra anterior]. 

8. u , 30 folhas sem numeração em 5 cadernos, contendo o E apenas 4 fo- 
lhas, na ultima das quaes: 

«Fue impressa la presente obra de Cato mensurable y contrapunctò. En 
la muy noble y semp leal ciudad de Lixboa por German Galhard Empremi- 
dor. Acabose aios quatro dias dei mes de Sêtiebre De Mil e qnientos: treynta 
y cico ■'■■ yfr. 

A impressão é em caracteres gothicos. 

Descripção feita sobre os exemplares da Bibliotheca Publica de Évora. 
Acham-se egualmenledescriptos (^n. 83), embora com algumas incorrecções, no 
catalogo da livraria Ferrão, vendida em leilão, na Rua Larga de S. Roque, 
por intermédio do agente C. J. da Cunha. Foram arrematados por 180;H)00 
reis para o livreiro Cohn, de Berlim. Atai se lhes dá o formato de 4.° 



23) A L1TTE1UTUHA HESPANHOLA I M PORTUGAL 203 



Ribeiro dos Santos (Memorias, p. lis dá os dois tratados impressos 
em 1533. Riano descreve-os também na sua nina sobre instrumentos músicos 
(em inglez). 

Aranda foi professor de musica ua Universidade de Coimbra. 

Na acta do conselho universitário, de 12 de fevereiro de 1546, foi orde- 
nado que se paguem para a capella sete mil reis de livros, os quaes se hão 
de pagar a Santilhana livreiro e os pague NicoJao Leitão e os carreguem so- 
bre Matheus d'Aranda, que são três livros encadernados com suas capas, e 
que pague mais Nicoláo Leitão outro livro de vinte missas que custa dois 
cruzados e o carregue sobre Matheus d'Aranda». (Gabriel Pereira, «Noticias 
varias da Universidade», Aurora do Cavado, n.° 698, anno de 1881 . 

Matheo de Aranda não era bem recebido pela gente de Coimbra, por ser 
estrangeiro, talvez. No conselho universitário de II de agosto de 1548 quei- 
xou-se amargamente o seu compatriota João Fernandez id'insultos q lhe ti- 
nham dirigido e nessa occasião se declarou q o facto não era novo e que 
por caso similhante morrera de pura paixão o mestre de musica Matheo de 
Aranda >. 

cadáver ou a ossada do musico hespanhol foi levada para Évora. No 
livro dos defuntos da Misericórdia de Évora, que principia em 1547, a lis. 86, 
lé se : 

«Enterramentos em junho de 1549: aos L 2 dias enterrou a misericórdia a 
ossada de matheus daranda que veio de Coimbra; deram desmola duzentos 
reis». 

Foi o Sr. Gabriel Pereira quem descobriu este assumpto. 

Em I55J havia em Lisboa um musico d" mesmo appellido, Diogo de 
Aranda, talvez parente de Matheo. 

Uma caria regia, de 7 de junho d'aquelle anno, recommendava á camará 
de Lisboa, a pedido do infante D. Luis, que o admitissem no lugar de tan- 
gedor de órgãos da casa de Santo António, bavendo respeito a servir ha mais 
de 21 annos a casa e a deixai os de Santa Justa, com o partido que com elles 
tinha. 

(Freire, Elementos para a historia do Município de Lisboa, i. i. p. 562). 

Arce (Francisco de). Fiestas reales de Lisboa, desde que el Rey nuestro 
Sefior entra, hasta que salto. Por Francisco de Arce Eçcriuqno de su Magestad. 
Con i/iii Loa ai Príncipe nuestro sefior, qut toca a la jornada. Dedicado n In 
noble ciudad. [Escudo d'armas reaes portuguezas]. Impresso en Lisboa. Com 
todas, as Licenças n cessarias por Jorge Rodriguez, neste anno </< 619. 

1 vol.. l.° Exemplar truncado pertencente á Bibliotheca Nacional de 
Lisboa. 



Jlll A UTTERATURA HESPANHOLA I-..M PORTUGAL (24) 

Nas preliminares tem poesias ao auctor de :— • «D. António Maldonado, D. An- 
tonio Quadrado, de vn Grande de Portugal, de Asensio de Sequeira, Lusitano, 
de vna Dama (quintilhas)) de otra Dama (redondillas), de vn famoso predica- 
dor, dei licenceado Benauides, de vn curiosomusico e poeta, de Micer de Di- 
mas, de vn cauallero seuillano, de l>. Pedro Ossorio. de vna Dama que se queria 
casar con el Autor, de l>. Rodrigo de Menezes, de D. Francisco Manrique». 

A descripção é em Luas. (Ungidas a unia dama madrilena. Depois da 
sexta loa, uma descripção em prosa— «Festas reales de Toros con las inven- 
ciones de danças, bayles y juegos» —que occupa 9 folhas. 

O exemplar que examinámos pertence á Bibliotheca Nacional de Lisboa, 
e faltam-lhe folhas no fim. Gallárdo (Ensayo de una Biblioteca) dá noticia cir- 
cumstanCiada da obra sob o n.° 233. É em 4.° c tem 26 pags., sem numera- 
ção. \coinpanha-a um retraio, que falta egualmente no exemplar da Bibliotheca 
Nacional, o qual tem este dístico— «Ku los cuarenta anus de mi edad el fa- 
moso Enrique me fecit». — Seria portuguez este artista? 

No tomo iv do Ensaio de una biblioteca (n.° i:456) se descreve outra 
obra de Arce, que a subscreve com mais um nome— Francisco de Leon y Arce. 
Tem também o retraio do auctor, com a seguinte legenda — «Portugal me co- 
pio en bronce ano 1629 en los 10 de mi edad». — Deve ser 1619. Não sei de 
quem seja o erro: se da própria estampa, se de Gallárdo que copiou mal. 

O auctor queixa-se da rivalidade de outros poetas e dos trabalhos e pri- 
sões que soffreu, mas ao mesmo tempo alardeia a protecção de grandes se- 
nhores, que lhe valeram, como o Duque de Bragança e o Conde de Medellin. 

De Juan de Arce, irmão ou parente do auctor, ha um manuscripto na Bi- 
bliotheca Nacional de Madrid — «Belación dei estado de Portugal desde que 
se rebelo basta el ano de 1642 que se hallaba prisionero». — Vide emGallardo 
respectivo catalogo. 

A Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro possue um exemplar perten- 
cente á collecção Barbosa Machado, n.° 943 (Ánriaes, 8.°, 292). 

Árias (Francisco). — Tratado dei Rosário devotíssimo de los sinquenta mys- 
lerios de Ghristo Sefior nuestro 3 y de su benditissima Madre, sacado de las 
obras de Ludouico Blosio, u trasladado de latin en romance por el Padre Fran- 
cisco Árias de la compafiia de Jesus. Con vna medilacion sobre cada vn mys- 
terio. En el fin deste tratado estan treze aduertencias compuestas por el nrismo 
Padre Francisco Árias, en las quales ensena el buen vso deste santo Rosário. 
Con todas las licencias necessárias. En Lisboa. Por Pedro Craesbeeck, Impres- 
sor dei Rey y a su costa, ano 1624. 

12.°, 22 lis. prel. inn.. I8.*i tis. numeradas pela frente. 

Biblioteca Nacional de Lisboa. 



25 A L1TTERATURA «ESPANHOLA E.M POR! 20") 

Árias Perez (Pedro).- Primavera, y Flor de los meiores romances que 
han solido, aora en esta Corte, recogidos de rum:- Poetas. Por el licenceado 
Pedro irias Perez. Dirigido ai maestro Tirso de Molina. Con todas ias licen 
cias necessárias En Lisboa. Por Mateus Pinheiro. Anno M. DC. \\\i. 

8.°, 7 tis. prel. inn., lio fls. neradas pela frente. 

Nas preliminares: «licenças, dedicatória a Tirso de Molina, Prologo ai 
lector, decima dei Padre Fraj Plácido de Vguilar, Tabla de los -Romances». 

A approvação é desta forma: 

*Vi esta Primavera ; 4 flor de Romances, Autor Pêro Vrias Perez, & não 
tem cousa contra nossa sãta fé, & bom costumes. Em S. Bernardo de Lisboa, 
em ::i de Julbo de 626. Fr. Feliciano Montei*. 

Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 

Parece que a I.' edição d'este Romancero é a de Madrid, 1621, descripta 
no Catalogo de Duran. Salva calcula que a edição de Lisboa será a oitava. 

Arteaga (Félix de), a) Obras posthvmas divinas y hvmanas dedon Félix 
<lr Arteaga . A la si nora Dona Mana de Ataíde, Dama de la Reyna A. S. Con 
todas las licencias necessárias. En Lisboa. Por Paulo Crus/uni. Impressor de 
las Ordenes Militares y a su costa. Anno 1645. 

12." (?), 336pags. 

Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 

\ l. a edição é de Madrid, 1641. Cita-a Salva. Tanto este como Barrera 
alludem á edição de Lisboa, mas parece não a terem visto. 

D. Félix de Arteaga era o P. Fr. Hortensio Félix Paravicino j Vrteaga. 

In Avisos para la muerte, Lisboa, 1659, 24. 1 vol. Indicarão de Garcia 
Peres. Temol-os, porem, descriptos sob o nome de Rarnirez Avellano. 

Avendano (Fray Ghristoval de).— a) Sermones dei Adviento con sus festi- 
vidades y santos. Predicadas en el Hospital Real de Zaragoza. Por el maestro 
fray Cristoual de Auendano, de la Orden de N. S. dei Cármen Calçado. Dirigido 
ai mvy poderoso, y esclarecido príncipe Ranucio Farnesio, quarto duque de 
Parma. y de Placencia, etc. En Lisboa. Por Pedro Craesbeeck. Impressor dei 
Hei/. MDCXX. A costa de Thome do Valle mercader de libros. 

\.°. 14 pags. inn. -J-ii; fólios a 2col. numeradas pela frente, mais -1\ lis. 
inn. de Tabla. 

Exemplar <\r Rodrigues, livreiro. 

b) Sermones para algvnas festividades de los Santos, predicados en la Corte 
de Madrid. /•.'/< Lisboa. Por Pedro Craesbeeck, impressor dei Rey. Afío 1626. 



206 A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (26) 

\." a 2 (dl.. 5 fls. inn., :>:!'.) numeradas pela frente, mais ^í) hm. de Tabla. 
Exemplar de Rodrigues, livreiro. 

c) Marial.de las /lestas ordinárias, y extraordinárias de la Wadrede Dios, 
Sefíora nuestra, con Sermories ai fin de sus celestiales Padres. Dedicado a la 
Wagestad dei Espirita San/n. infinita Dias, y Seãoi' de Cielo, y tiara, de lo vi- 

sible, è imisible. Compvesto por el padre maestro fr. Christoual de Auendafío, 
dei Orden de Nuestra Sefíora dei Carina, Definidor de. su Prouincia de Castilla 
la Vieja, y natural de la iniiy noble Ciudad de Valladolid. [Gravurinba de 
.Nossa Senhora . En Lisboa. Con las licencias necessárias. Par Pedro Craesbeeck 
Impressor dei Rey. Afio 1620. A casta de Thome do Vale, mercader de libras. 

i.". 9 fls. prel.j 248 lis. numeradas pela frente, mais 44 inn. de Tabla. — 
(N,° L 2i:i do Cataloga do Marquez de Castello Melhor). 

Exemplar do Rodrigues, livreiro. 

d) Sermones sobre las Erangelias de la Quaresma. Lisboa, António Alva- 
res, 1624. 

4.° (N.° 2 lo do Catalogo do Marquez de Castello Melhor). 

e\ Sermones sobre los Evangelias de la graresma. Predicados en la Cai lede 
Madrid. Por el V. M. F. Christoval de Arendalto, de la Orden de N. S. dei 
Cármen, g difinidor segundo de su Prouincia. Aora nvevamente Iodas en vn 
ralninen, con los Índices juntos, y emendados. Dirigido ai ilvslr. m ° e rever.™ S. 
D. Rodrigo d'Acufía, Obispo de la Ciudad dei Piaria de Portugal dei Consejo 
de estado de su Magestad, &c. [Armas do bispo]. Con todas las licencias, ij 
approuaciones necessárias. Eu Lisboa. Por António Aluanz. Impressor y Mer- 
cader de libros. Y a su costa. Afio de M. DC. XXIIII. 

4.°, 7 fls. prel. inn., :s.">:t numeradas pela frente, afora Tabla. 

A dedicatória de António Alvarez é em bespanhol. 

No fim do volume, em folha solta, o escudo do livreiro — Moysés diante 
da rocha donde mana agua, e o dislico «Demonstrat mihivias tuas Domine» — 
Por baixo: En Lisboa. Con todas las licencias necessárias. Por António Alua- 
rez. Ano 1624. 

Ribliotheca Nacional de Lisboa. 

AvendafiQ (Pedro de). — Sermom s para las festividades de Christo N. S< hor. 
Dedicados ai amar, con qve dio la vida por los pecadores. Por el licenciada 
Pedro de Auendafío, Comissária de la santa Cruzada. Beneficiado mayor de la 
Parrochial de San Facundo de la Villa de Medina dei Campo, y natural delia. 
Anno de 1644. Con todas as licenças necessárias. Em Lisboa. Por António Al- 
uarez Impressor dei Rey N. Senhor. 



(27) A UTTERATURA HESPANHOLA EH PORTUGAL 207 



Is. prel. ioa., :í7o pags., afora Tabla. No verso da ultima folha o 
escudo do impressor — Moysés, etc. 

sermões foram impressos em Aloalá em 1638. 
Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Ávila (Padre Maestro).— Libro Espiritval qve trata delos maios lenguages 

dei mundo, carne y demónio, y de los remédios contra ellos. De la Fe, y dei 

conoscimiento, rfi la penitêcia de la Oracion, Meditacion, y Passion de 

lestt Christo, .// dei amof dgos próximos. 9 , Compuesto por el 

Reuerendo Padre Maestro Anila, predicador enel Andaluzia. ^ Dirigido ai 

Uluslrissimo Sefíoi don Alonso d Aguilar, Marques de Priego, Sefíor de la casa 

d* Aguilar. * Visto y aprouado por los sefiores dei consejo ih- su \Iagestad, de 

la saneia geral Inquisicion: em Lisboa, afio de Íõ89. Pio fim Impresso em 

:ii licença, en casa d< Afonso Lopes, (num 1589. 

1 vol. 8.° peq., 356 fls. aumeradas pela frente, mais 14 inn. de Tabla. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Avisos dei feliz svcesso de las cosas espiriluales, y temporales en diurnas 
provindas de la índia, conquistas, y nauegaciones de los Portugueses por los 
afios 1628 y 1629. 

Este titulo ua cabeça da primeira pagina. 

No tini da narrativa — Em Lisboa. Por Mathias Rodrigues. Anno de 
1630. 

Seguem-se as licenças. É interessante a approvação de Jorge Cabral: 

«Vi esta Relação, na qual se dá noticia dos felices sucessos que ouue, 

assi no temporal, com i espiritual em diuersas prouincias da Índia. Rtbiopia, 

conquistas, & nauegações dos Portugueses, nos annos de 1628 & 1629, com 
verdade, brevidade, & bom estilo: vay en língua não materna mas peregrina, 
posto que em Europa tam'cõmua, para que como tal possa correr, & consolar, 
i tantas aflições de peste, & guerra, con os felicíssimos sucessos que 
ouue na Ásia, & na África, pelo que me parece muy digna de se estampar. 
Lisboa nesta casa de S. Roque da Companhia de Iesu. 28 de Outubro de 630. 

Doctor Iorge Cabral». 

4.° sem numeração. \, A i, 8 fólios. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Avisos militares sobre el servido dela ynfanteria en guarniâon y cam- 
pafUx... Tercera edicion. Lisboa, na offidna de José da Costa Coimbra, 1757. 
2 vol., sendo um de 17!) pags. e outro de 221. 
Bibliotheca da Ajuda. 



208 A UTTERATURA BESPÃNHOLA EM POBTDGAL (28) 



Azevedo (Luis de). — Marial, Discvrsos morales de la Reina dei ciclo nvestra 
Seflora. Compvestos por el padre fray Lvis de Azeuedo, Predicador de la orden 
de nuestro Padre san Áugustin. Gravura representando Nossa Senhora com o 
menino ao collo. Por baixo: Com licença da saneia Inquisição. Km Lisboa. 
Impresso por Pedro Crasbeeck. Anno MDCÍI. 

I vol. in-fol. a 2 col., 3 lis. prel. hm., 608 pags., mais iO hm. de 
tablas. 

Exemplar do Coelho, livreiro. 

Será portuguez? Garcia Perez, não o cita, porem, no seu Catalogo. 

Azpiicueta Navarro (Martin de). — a) Capitvlo veynte y ocho de las Addi- 
ciones 'lil Manual de Confessores de Doctor Mentiu de Azpiicueta Nauarro, 
afiadido por cl mimo Author. Con so Tabla. Con licencia dei Consejo General 
de la Saneia Inquisicion. En Lisboa, Impresso por António Ribero, Afio de 1.575. 

8.°, A-Aiuj, etc, 59 tolhas numeradas pela frente, afora Tabla. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa — Theologia dogmática. 

A.pprovação de I». Affonso de Caslello Branco. 

In Relectio. §. in Leailicn sub cap. Quis aliquando. de ptenit. dist. I. quw 
de anno inbelea, & iobelea indulgentia principaliter agens, totam indulgentiarum 
matéria ai exhaurit: exponitq; quinque Extrauag. de poenit. d- remiss. ciim 
multaram nouarum qucestionu decisione* Aveterum resolutione: vsui quotidiano 
accommodata. Quw habita fuit in inclyta Lusitânia; Conibrica, per Marlinum 
ab Azpiicueta lureconsultu Nauarrum, sacrae militiee ordinis Beatos Maria 
Roncceuallis Commendatariúm. MDL. Vij Id. Nouêbris. Contenta in ea versa 
pagilla indicai. — No fim, por baixo da approvação de fr. Martinho de Ledesma: 
Conimbricat Ioannes Barrerius, & Ioannes aluaras typographi Regii excudebant. 
Septimo Id. Nouemb. M.D.L. 

8.°, 335 pags., afora Índice. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

c) Relectio cap. Ha quarundam de ludecis, in epia de rebus ad Sarracenos 
deferri prohibitis, <(■ censuris ob id latis non segniter dispulalur, cõposita & 
pronuciata in inclyta Conimbricêsi Academia, per Martinvm ab Azpiicueta 
iureconsultum Nauarrum, primaria' funclionis gymnastam, qui ante duodecim 
a unos fuerat eiusdê funclionis in prwclarissime. Conimbricae MDL. — No fim, 
antes do índice: Conimbricce Ioannes Barrerius, & Ioannes Aluaras typographi 
Regii excudebant: Septimo calend. Nouemb. MDL. 

8.°, 239 pags., fora Índice. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 



29 A LITTERATURA I1ESPAKHOLA EM PORTUCAL 209 

Tractado d< las rentas rf< los Benefícios Ecclesiasticos: para sal 
que se han de gastar, y a quien se han de dar y dexar. Fundado en el cap. 
final. XVI. quest. I. Compuesto por el Doctor Martin de Azpilcueta A 
Cathedratico lubilado de Prima, en Cânones. Con su i> 

• nido en este tractado se vera en la pagina siguiente. (Escudo do im- 
pressor: 1 1 1 ■ . : 14 Ti t > alado . Km Coimbra. Por han de Barrera, Impressor de la 
tmiuersidad. Afio de M.D.LXVJI. Con Priuilegio Apostólico, Real, de Portugal, 
Castilla, Nauarra >/ Francia. No fim: impresso em Coimbra, por loan de 
Barrera, ano dei Seííor, dt W.D.LXVJI. 

'>.". 5 lis. piei. hm. com privilégios e dedicatória ao rei de Hespanha, 
•Vi lis. numeradas pela frente, mais 6 inn. de Tabla. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

-i Comento 6 Repeticion dei capitulo Quando. I>< consecratione. distin. I. 
compuesto y dt > a emendado /«>/• el Doctor Martin de Azpilcueta 

Navarro: cathedratico de prima, etc. Por luan Barrera y Tuan Alvares, im- 
- dei Rey en la Universidad de Coimbra, a W de Mio de tõõO. Vendese 
cu los Palácios dei Rey, en i impressores á cient maravedis ó m, 

toston. 

s.°. letra goth., 178 pags. (n. 1 52 de princípios). Dedicatória á rainha 
l>. Catharina. Prologo ai Cristiano lector. Tabla. 

Gallardo :í-J'.. 

/' Addicion de la repeticion dei capitulo Quando... etc, compuesta por el 
Doctor Vartin, rir. Vista por los Diputados de ia Suaria Inquisicion tsíôl. 
Tassado en 50 mvs por ser el papel grande y la letra pequena. 

s.". 22 i pags., mais 16 de princípios. 

g) Commento en romance a manera de repeticion lai ma y scholastica tf< 
turistas sobre el capitulo Quando de cõsecratione disl. prima. Cõpuesto p el 
doctor Martin de Azpicnella Nauarro, cathedratico de prima e cânones dia vni- 
uersidad de Coimbra, enel exercido de todas leiras muy sublimada. Enel qual 
de rayz se trata de la oracion, lanas rama, iras y oiros officios diuinos; y 
quando, como y porque se han de dezir en el choro y fana dei. ■ . t vna cõ el 
auiso de las faltas, q en ellos se ha:?, y las causas de que nascen, y con que 
perecen. 

Ne me vilem pules ob anu, iam vulgar^, interspice, quod cere tigò, aiiru. 

Conimbricae. Sonos Octo. W.D.XLV. 

Titulo a vermelho e preto dentro da portada gravada, representando um 
pórtico. 



210 A LITT15RATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (30) 

I vol. J.. (marcação de 8.°), 600 pags. alem do Reportório inuumerado. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa — e de Nepomuceno— que 
tem do fim, por letra de mão: Eu emPmi esta obra Ioam de Barreyra. 

h) Martini Abazpilcueta Nauarri iuriscõsulti in três de pcenitentia distinc- 
tiones posteriores commentarij. Adiectus est in calce libri locupletissimus indeop: 
Conimbrice. Ex offlcina lohannis Alvari et Ioannis Barrerii. Anno M.D.XLII. 
Cu gratia et priuilegio. — Este titulo dentro d'uma portada gravada. No fim: 
In Nobili Lvsitanorvm Commbricana Academia. lohannes Aluaras, & Ioannes 
Barrerius typographi excudebãt. Anno M.D.XLII quarto calendas Augustas. 

Ej)lio (marcação de i.°), 6 lis. piei. inn., incluindo frontispício, :i96 pags., 
mais 18 lis. inn. de Index. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa e Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 

i) Comment." en romance a manera de repeticion latina y scholastica de 
Iuristas sobre el capitulo Inter verba XI q. III. Cõpuesto por el Doctor Martin 
ilr AzpUcueta Nauarro cathedratico de prima en Cânones de la miuersidad de. 
Coimbra, e nel exercido de todas leiras muy sublimada. Enel qual derayzse 
trata, quando el dezir, oyr, o huyr las alabanças, los vitupérios, y las detraclumes 
o murmuraciones, es mérito, quando venial peccado, y quãdo mortal. 

Liber ad ervditum lectorem. 

Noli erudite lector, qui minime vulgaria sermone ac amiclu vulgari tego, 
contemnere: Nam introspectns silenus quidam Alcibiadis videri tibi forte • potero. 
Vale. 

Conimbricae. (Pridie Idus Aprilis M D XLHII). Ex o/pcina Johãnis Bar- 
reriy Et Johanis Aluari. 

Frontispício gravado. 1 vol. foi., 200 pags. alem de outras por innumerar. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

;) Libro de la oraciõ horas canónicas, y otros ojficios diuinos, dei Doctor 
Martin de AzpUcueta Nauarro cathedratico jubilado de Prima de Cânones en la 
miuersidad de Coimbra, nuenamvti> reuisto. El qual va a manera de repeticion 
latina, sobre el capitulo Quando, de consecrationr distintione prima. Fite im- 
presso eu Coimbra, por Iuan de Barreia impressor dei Rey. M.D.LXI. Vendese 
con la adicion, en dento y quarenta marauedis. 

8.°, 24 fls. prel. inn. incluindo o frontispício, 476 pags., mais 1 folio inn. 
contendo um Breve de Paulo III ao auctor. 

Nas preliminares da dedicatória á rainha D. Catharina, epistola de João 
de Jaureguiçar a D. Remigio de Gori arcediago pompelonense, Tabla, app. de 
Fr. Martinho de Ledesma. 



■11 A L1TTERATUUA HESPAfíHOLA I M PO] 211 

A dedicatória á rainha principiai «Las mismas causas) razones, que los 

dos i s passados Reyna Christiamssima ponian lei de dedicai aV. \. 

dos obras, vna de Latin, y otra de Romance, etc». 

Por baixo da dedicatória a seguinte declaração: «Eu esta segunda im- 
prension quitose mucho dei Latin, porque se dezia que resfriaua su encuêtro 
a los que ao lo entêdian». 

Texto em caracteres gothicos. 

Exemplar de José Maria Nepomuceno. 

k) Reflectiu sim- iterata prcelectio non modo tenebrosi: sed & tenebricosi. c. 
Accepta de restit. spolial. cõposita & pronuciata cora frequentíssimo, eruditís- 
simo, ac lõge illustri auditório, in inclyta Lusitaniae Conlbricensi Academia, 
pei Wartinu ab Azpilcueta iureconsullu Nauairu, nunc eius in sacra facultate 
canonu pritnariae functionis gymnastã, qut ante npueno annos fuerat eiusdem 
functionis in praeclarissima Salmanlicensi. 

Contenta in ea versa pagella indicai. 
MDXLVI1 

8.°, 274 pags. .Nu fim: 

In iclyta Conimbrica lohannes Barrerivs et lõh. Alvarez, regiis Vypographi 
excudebant. Anno » Christo mito MDXLVI1 Idus Septebres. 

Vimos um exemplar na loja do Rodrigues, numerado 1402. 

l> Capitulo vinte </ ocho de las adiciones dei Manual ih- cõfessores dei doctor 
Martin iÂzpilcueta Namrra, (Titulo dentro 'In frontispício gravado). No fim: 
Fue impresso i-n Euora ê casa de Christoual ih- Burgos Cauallero de casa dei 
Rey. Afio de 1/ I). LXXXI. 

8.°, 153 fólios numerados pela frente, afora extensa Tabla, no cabo da 
qual vem a subscripção final acima transcripta. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

N.i egreja de Santo António dos Portuguezes em Roma existe o seu tumulo 
com o seguinte epitaphio: 

li. o. M. 

Martinvs. ah. Azimlcveta Navahrys. 

II. S. E. 

DlVINI. Hvma.movi;. lvms 

CONSVMISS. 

Qvi. Salmanti&k. Primvm 

Deiindf.. Conimbricae. 

Faventibvs. Portcgalliae. Kegibys. 



212 A I.HTKItAII HA IlESPANHOLA EM PORTUGAL (32) 

1\>. Pont. Docvit. 

Ho.mam. Profectvs. 

fio V. Gregório XIII. Xisto V. PP. MM. 

Cahvs 

Omnib. Nationib. Grãtvs 

Hvic. Xenodochio. Benekicvs 

Obiit. XI. Kal. Ivl. M. D. L. XXXVII. 

jEtatis. A.nno XGIV. M. Vi. D. VIII. 

mvltis. doctuinàe. suar.. 

Pervvlgatis. Monvmentis 

Maiitinvs. Zvria 

Avv.ncllo. B. M. 

Pos. 

Gaetano Frascarelli Inscrizioni Portoghesi 

Roma 1868 

Bacarrao (Jorge). — No Lyma, cpllecção de poesias de Diogo Bernardes, 
impressas pela voz primeira em Lisboa, por Simão Lopes, em 1596, vem duas 
cartas (tercetos) em hespanhol, a xvn e a xix, a primeira das quaes tem a 
seguinte subscripção: 

«De Jorge Bacarrao Aragonês, estando por Alferez em Ponte de Lyma, de 
hua companhia de Soldados, donde me escreveo, estando eu na Ponte da Barca» . 

Barco Centenera (Don Martin dei). — Argentina \ Y Conqrista dei Rio \ de 
la Plata, con oiros acae-\cimientos de los Reynos dei Peru, Tucuman, y esta-\do 
dei Brasil, por el Arcediano don Martin dei j Barro Centenera. 

Dirigida a don Cristouàl de Mura, Marques de Castel Ro- \ drigo, Virrey, 
Gouernador, y Capitan general de Poria- | gal par el Rey Philipo III, nuestro 
Senor. (Gravura tosca, representando armas reaes portuguezas, coroadas). Con 
licencia, En Lisboa, Por Pedro Crasbeeck. 1602. 

1 vol., i.°, 3 lis. prol. inn., 230 lis. numeradas pela frente. 

As licenças oecupam o verso do titulo. Nas preliminares contam-se: De- 
dicatória do auctor ao Marquez de Castello Rodrigo; Soneto do auctor a sua 
obra; poesias ao auctor de loan de Zumarraga Ybarguen, Diego de Guzman, 
Pêro Ximenez, Gamino Corrêa, Valeriano de Frias de Castillo. Transcrevere- 
mos o soneto d'este ultimo por ser portuguez: 

E] Rio de la Plata queda vfano, 
Por ver tan celebrada mi memoria, 
Pregunto qual merece mayor gloria, 
El Rio o su poeta Trugillano 



(33) \ l.lill li.VUllA UESPANHOLA EM PORTUi i 



De Fri is de I ti 

Dai ila Irgentin i bel] 

^ i - u due le ih [i mi" sobei 

\ eiiid Mus is ;ozad dei nueuo Appolo, 
Nimpbas di ( rico Tejo coi Di ma 
Dexad la antigua fonte Cabaliu 

Mirad que aquesto Barco basta solo 
Que a la prouincia arriba Lusitana, 
Por eropn sa trayendo su Argentina. 

A dedicatória é assignada de Lisboa a 10 de maio de 1601. auctor 
subscreve-se perpetuo capellão doViso-rej e declara ler peregrinado vinte e 
quatro annos pelas regiões do Rio da Prata, o poema tem xxvm cantos e é 
muito curioso pelo lado histórico, interessando-nos egualmente pelo que res- 
peita ao domínio do Brasil. Os dois últimos cantos referem as desastrosas 
tentativas dos inglezes para se apoderarem de parir d'aquelle paiz. Transcre- 
veremos os titulos dos três últimos cantos, que são os que mais nos impo- 
rtam: 

Canto XXVI. — Como el capitan Tbomas Candis senhor de Mitiley salio 
de Inglaterra, j atrauesso el estrecho de Magallanes, y tomo tierra en la Puna 
y Payta ene! Peru, y de buelta tomo vn nauio que vénia de la China. 

Canto XXVII.— En este canto se trata de la toma 3 roljo dei puerto de 
Santos v s. Vicente, j de los insultos j maldades que alli hizo el Capitan 
Tbomas Candis senor de Mitiley, ) Capitan general de la Reyna de Inglaterra. 

Canto XXVIII. — En este canto se cventa la gran victoria que tuuieron 
los Portugueses contra el senor de Mitiley, y de su perdida, y desbarate de 
su armada. 

Exemplar do Sr. Ferreira das Neves. .Nu leilão do Innocencio foi ven- 
dido um (11." '>G7j por ll;>:u>i> para Fernando Palha. 

Xavier Cordeiro possue ou possuía pelo monos \ cantos d'um poema em 
portuguez com titulo idêntico. Argentineida, lendo por assumpto a guerra do 
Rio da Prata, em que o auctor entrou. É escripto por Paulino Joaquim Leitão, 
official da aunada fallecido em 1831. Vide este muni' no Diccionario de Inno- 
cencio. 

Gallardo, no Ensayo de una biblioteca espaãola, dá a descripção do 
poema de Centenera. 

Na Bibliotbeca Nacional de Lisboa ha um exemplar. 

Ferreira das Neves arrematou outro exemplar no leilão de Merello poi 
64000 réis. 



214 a I.ITTKRATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (34) 

Barkman i \ndiv). - Compendio dei Deseoso .// por otro nombre Espejo de 
religiosos, que fue compuesto por mi Religioso de la Orden dei D. Máximo San 
Hieronymo. Recopilado por André Barkman natural de Rippen en Denemark. 
Coimbra, No Real Collegio das Aries da Companhia de Jesu, Com iodas as li- 
cenças necessárias. Anno de M.D.CCXV. 

Antes do frontispício ama gravura, tendo inferiormente Deseozo. 

I vol. 12.°, 33S pags. 

Vide El Deseoso. 

Barros (Alonso de). — a) feriu de los provérbios morales de Alonso de 
Barros, anuir, dei Rey nuestro seãor. Dirigidos ai Reverendíssimo sefhor don 
Garcia de Loaysa Giron Arçobispo de Toledo, Primado de las Espafias, y dei 
consejo de Estado dei Rey nuestro seãor. Avo JtiJT. Impressos em Lisboa, Com 
todas as licenças necessárias. Por Jorge Rodriguez. (Colophon) Impresso em 
Lisboa com os licenças necessárias, por Jorge Rodriguts afio 1617. 

1 vol. 8." pequeno, 54 lis. numeradas pela frente, afora preliminares. 

0) Provérbios morales Heraclito, de Alonso deVarros, concordados porei 
Maestro Bartolomé Ximenez Patqn. Al Retor, y Maestro dei Colégio Imperial de 
la Compafiia de leses de la Villa de Madrid (Escudo da Companhia) Con todas 
las licencias necessárias. En Lisboa. Por Pedro Craesbeeck. Afio 1617 . A costa 
de Tomé dei Valle Mercader de litros. 

í,", 92 lis. reg. A-M. 

Reprodução da edição de Baeza de 1615. 

Descriptos em Gallardo sob os n. os 1333, 1334. 

Barzia y Zambrana (D. Josepli dei. — a) Compendio de los sinco tomos dei 

despertador christiano. Lisboa, tia oj\kina de Miguel Deslandes, 1684. 
In 4.° peq. 
N.° 196 do catalogo do Marquez de Pombal. 

b) Despertador Christiano de Sermones doctrinales, sobre particulares as- 
sumptos, dispuesto para cjue buelva en su acuerdo el pecador, y vença el peli- 
groso letargo de sus culpas, animandosè a la penitencia. Sn actor el doctor 
D. Joseph de Barzia y Zambrana. natural de la cindad de Málaga, ele. Lisboa. 
Na officina de Migrei Deslandes. MDCLXXXV. A custa de António. 

1 vol. iu í.", 9 tis. inn., 432 pags. 
Exemplar do cabo Luiz. 

c) Sermon en la accion de gradas ai S. Christo de la colma: por la 
preservacion de los grandes danos, que amenazò á Gr anu da el extraordinário 



35 A LITTERATURA «ESPANHOLA EM PORTUGAL li 1 ."> 

(o dei dia 9 à Ivz, y le 

dedica a la milagrosa imagem dei Santo Christo de la Coluna dei Hospital de 
Corpus Christi, la Hermandad de la Caridad, de Corpus Christij >, ' 
Seíiora de la Misericórdia de esta Ciudad de Granada. Predicole el doctor 
D. Joseph de Barzia, y Zambrana, Canonigo de la Iglesia Colegial insigne dei 
y Cathedraíico de Sagrada Escritura de sus Escuelas. 

Lisboa: Na oficina de \1 . V.D.C.LXXXI. Com lodosas li- 

cenças necessárias. .1 custa de António Leite Puma, Mercador de Liuros na 
Bua Noua. 

I vol. i.°, 6 pags. mu.. 24 pags. a L 2 col. 

d) Decimas ao Desengano do Mundo. Compostas pello Doutor Dom Joseph 
de Baniu, y Zambrana &c. Publicadas por José Barboza Machado: E as offe- 

senhor D. Diogo dt Faro & Sousa, etc. 
Lisboa, na oficina de Miguel Deslandes. Anno de 1681. Com todas as 
licenças. 

\i: de 82 pags. 

Exemplar do Nepomuceno. lia lambera na Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

e) Decimas ao desengano do mundo compostas pelo doutor Dum Joseph de 
Bania >/ Zambrana &c F. dadas segunda vez a eslãpa por hum devoto. Lisboa. 
Por Manuel Lopes Ferreira. MD.CC. Com as licenças necessárias. 

12.° 84 pags. 

Exemplar do Sr. A. Almeida Campos, do Porto. 
Traz nu fim — Decimas que estam na Ermida do desengano nu S. Calha- 
rina </• Bibamar. São 12 decimas em portuguez. 

Basílio Sanctoro (Doutor fuan . — Piada espiritual, en que se contienen 
seis libros. Becopilados de antiguos, claríssimos y santos doctores. Lisboa d;<>7. 
2 tomu>, folio. 
Bibliotheca Publica Municipal d" Porto. 

Bazelar (António). Defensa evangélica de la cognacion, y parentesco de 
glorioso apostol, y n/iro Patron d,- Espafta Santiago el mayor mu 
Christo Bedentor nuestro m quanto hombre. Compvesla por elpadre Pr. António 
Bazelar dei Orden de S. Francisco, Predicador y Lector de Theologia Mara! 
dei Conuento d,- S. Lorenço de la Ciudad de Santiago, y Calificador dei Santa 
Oficio de la Inquisicion. Natural de la Villa de Bedondela, Arçobispado en lo 
temporal dr Santiago. Corregida en esta segunda impression por el mismo 
Autor, y ahaãidos algunos milagres que wscedieron a Peregrinos, y el funda- 
mento di' trair conchas eu los sombreros quando hazen esta Bomeria << Santiago. 

HlST E MEM. DA ACAD —Tom.. mi. PARTE II - \ " ■• •') 



a utti:hatuí\ bespanhola em portugal (36) 



. ai mismo Apostol Santiago Zébedeo, vnico Patron de Espafía. (Es- 
tampa losca, mas curiosa, representando Nossa Senhora e um peregrino). 
Con todas las licencias necessárias. Impresso em Coimbra. Por Nicolao Carva- 
lho. Ano 1631. 

í. . l-il pags. e mais I inn. de errata. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Bermudez e Alfaro (L. Juan). — El Narciso Flor traducida dei Cefiso ai 
Iliis. Por El licenciado Iuan Bermudez i Alfaro. Ofrecida en três centúrias 
M reuerendo /'. Fr. Diego Bermudez, hermano suyo } // predicador en la Seráfica 
Religion. Lilio cultiuado en cadencias rimas, sino tan oloroso como en sas pater- 
nos exametros. Imitacion deldulce Poeta Latino en las transformaciones quinta i 
se. iia de sa tercem libro. Com licença. En Lisboa por Iorge Rodriguez. Ano 1018. 

S.". .Vi lis., sign. A. II. 

Descripto em Gallardo sob o n.° 1:372. 

Boccacio (Juan). — libro llaniaâo Fiameta \ porque trata de los amures 
ile vna note/Ide \ duefía napolitana llamada Fiameta el j qual compuso el famoso 
Juan roca \ cio poeta florentino: vacompue | slo por sotil y elegante estilo. \ Da 
a entender mau po/rti \ cularizadamente los | efectos que haze \ el amor en los \ 
ânimos ocupados de pasiones enamoradas. Lo qual es de gran J> | uecho por el 
aniso q | enello se da en | tal ca\so. \ 1541. 

No reverso principia o Índice, que termina no branco da folha segunda; 
na volta d'esta, parte do prologo, que finda no resto da terceira, principiando 
ali a obra, e nas costas da sétima da sigla 1, se lê: 

«Fenece el libro de Fiameta cõpuesto por el famoso | poeta Iuã bocacio | 
fue impresso en la muy no | ble y leal ciudad de Lixboa por Luys | Rodriguez 
librero dl Rey uso | sefior. Acabose a xudias | dDiziebre. Ano | deM. d.XL | 
y vno». 

4.° do letra gothica. Sigas. a-1. de 8 tis.; a ultima oceupada unicamente 
pelo escudo do impressor. São 88 íls. ao lodo. 

Ha um exemplar na Bibliotheca Nacional de Lisboa, outro na de Évora. 
Salva descreve o seu exemplar a pags. 2!) e 30 do tomo n do seu Catalogo. 

Descripto sob o n.° 388 no catalogo Miro, em cujo leilão foi vendido 
por 39o francos. 

Existia uma antiga traducção portuguéza de Bocacio. Possuia-a na sua 
bibliotheca o condestavel de Portugal D. Pedro, rei de Aragão. Eis como se 
acha descripta no seu inventario, sob o n.° 92: 

«Item un altre libre a forma de full script en pergami e en vulgar castella 
o português, appellat Ioan bocaci, cuernat de nou ab ports de fust cubertes 



(37) A LITTERATURA HESPANH01 \ EM PORTI iAl 217 



de cuyre vermell empremptadés ab quatre gaffets e quatre scudets de leuto 
ab parxes de seda». 

Boscan y Garcilaso.- Las obras de Boscan y algunas deGarciah 
la Vega. 

Brunet, refêrindo-se a Bouterwecl< e ao catalogo de Pajol d'Ousenbray, 
cita uma edição de Lisboa, de 1543, í.", que Salva julga poder considerar-se 
terceira edição. 

Vide Salva, n. c 'i7:!. 

Eis o que diz Brunet: -l ne édition de Lisbonne, 1543, in I o , estportée 
dans le raiai, de Pajot d'Osenbray, n" 1997, et, au rapport de Bouterweck, 
il s'en trouve an exemplaire dans la bibliolhèque de Gòttingen». 

Parece não haver duvida sobre a existência d'esta edição, provavelmente 
feita por Luis Rodrigues. .Numa edição de Barcelona, de Carlos Imoros, ter- 
minada a 2<> de março de 1543, vem um privilegio por dez annos do rei de 
Portugal, datado de Almeirim a 18 de março de 1543. Embora custe a con- 
ciliar estas duas datas, o que é indiscutível é que o privilegio do rei de Portu- 
gal só poderia servir para uma edição portugueza.Vide Gallardo, sobn, 1:452, 

Bravo (Fr. Joseph Vicente Diaz).— El confessor instruído: obra canónico- 

mural. Lisboa 17õT. 

1 vol., 4.° 

N.° 566 do catalogo da Bibliotlieca Publica do Porto. Bibliotheca Nacional 
de Lisboa. 

Bustos de Olmedilla (D. Gonzalo). — El monstrvo horrible deGrecia, mortal 
inimigo dei hombre, domado por D. Gonzalo Bvstos de Olmedilla, Medico de ta 
Real Cartuja dei Paulur, natural de la Villa de Gascuefia en el Obispado de 
Cuenca... Lisboa En la Officina de Ivan de la Costa. MDCLXXV. 

8.°, 48 inn., 163 pags. e mais Ires no lim com as licenças. 

Como ás vezes, debaixo de uma ruim capa, se esconde um bom bebedor! 
Quem diria que este livro, com um titulo tão extravagante, era um tratado 
contra a sangria? 

Gallardo (n.° 1:513) descreve a edição de Valência, 1669, que supj tos 

ser a primitiva. 

Cáceres y Soto-Nlayor (F. don António de). — Paraphrasis de | los 
Psalmos | de David: \ redvzidos ai phrasiSj y modos de ha blar de la lengua 
Espafiola, en el sentido que los dixo el Prophe \ la segun que los entiendem los 
Sonetos. | Gompvesto por F. don António de Cace | res y Soto Mayor, Obispo de 



218 A l.rni.liATUKA HESPANHOLA EM PORTUGAL (38) 



Astorga, dei consejo dei Rey mastro \ sefior, y su confessor. \ Dirigido a Ia 
catholica magestad | dei Rey nuestro seíior Don Philippe III deste nombre. | Va 
despues dei estilo ordinário el Psalmo LcetattiSj y el de Profundis, en el que el 
Auctor solta predicar j los Psalmos, en cl qual ceran los predicadores como los 
han ile reduz/r a estilo predicable. (Vinheta, em oval, com a effigie de Ghristo). 
Con licencia de la saneia Inquisicion, dei liei/ y Ordinário. En Lisboa, En la 
officina de Pedro Crasbeeck. Ano de 1616-. 

No primeiro folio licenças e no verso o privilegio real, em portuguez, a 
lavor de frey Luiz Gonçalves, dominicano, que foi quem mandou imprimir o 
livro. Segue-se Dedicatória ao rei, de frei Luiz, e o Prologo, do mesmo, ex- 
plicando os motivos por que editava o livro. 

1 vol., folio, a 2 col. numeradas pela frente, mais 7 pags. hm. de 
Tabla. 

No fim: Acabose de imprimir este liuro, en Lisboa, con todas las licencias 
necessárias, por Pedro Crasbeeck. Ano 1616, 2 enero. 

Cadabal Gravio Calidonio (Álvaro de Cadaval Valladares de SotoMayor). — 
Foi este poeta grande amigo do bispo D. Rodrigo Pinheiro, conforme escreve 
D. Rodrigo da Cunha no seu Catalogo dos Bispos do Porto (2. a parte, pag. 301). 
Este mesmo auctor explica assim o motivo por que o poeta se intitulava Gravio 
Calidonio: «... e em especial huma que escreveo a seu grande amigo o Poeta 
Cadabal Grauio, Calidonio, natural da cidade de Tuy em Galiza, que deuia 
tomar este nome por sua pátria ser pouoação de Diomedes Rey de Calidonia, 
& dos Gregos (corrupto o vocábulo Grauios) que com elle vierão, etc». 

As obras de Cadabal offerecem curiosos pormenores para a sua biographia 
e para a historia da sua estada e relações em Portugal. Na Pitgographia nos 
conta elle o motivo de sua amisade e convivência com Rodrigo Pinheiro. 
Regressando de Lisboa, junto de Coimbra foi escouceado por um cavallo na 
boca, de que resultou estar quasi ás portas da morte. A hemorrhagia durou-lhe 
vinte dias e quasi lhe tirou a esperança de salvamento. Partindo para o Porto 
gravemente enfermo, ali foi recebido e agasalhado carinhosamente pelo bispo, 
que lhe dispensou todos os cuidados e favores. 

Publicou grande numero de opúsculos em Portugal, quasi todos em latim, 
a saber: 

a) Deichthyotyrannide. Liber in Lvsitanorvm Regvm gradam, et commen- 
dationem d Cadabale Grauio editus (Gravura : Armas reaes, encimadas por 
chapeo cardinalício). Por baixo: Subijt sanctae Tnquisitionis examen. Ex o/ficina 
loannis Blauij de Agripina Colónia. Anno 1563. 

I vol., 4.°, 7 fólios inn. 



(39) A L1TTERATCRA HESPANUOLA I.M PORTUGAL 219 



E um poemeto em versos latinos dedicado ao infante I». Henrique. No 
verso do frontispício o argumento da obra. A. dedicatória é assignada: Com- 
postellae sexto Callendas Augusti. Anuo t563. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

b) De magno atque universalt calaclysmOj Tckthyotyrannide liber in Lvsi- 
tanorvm Regvm gratiam et commendationem. . . Excudebat Franciscus Corrêa. . . 
Vlyssippone 1565, 

l." 

Tem no frontispício anuas similhantes ao anterior. Deve ser -.' edição. 
Exemplar do Dr. A. M. Simões de Castro, de Coimbra. 
Exemplar da Bibliotheca de Évora. 

c) De obitu et apotheosi inuictissimi Toannis Tertii... \ec non de miseranda 
regince Catharinte lamentatione opus. Ex officina Toannis Blauij de Agrippina 
Colónia. 1563. No frontispício as armas da rainha. 

4." 

Exemplar do Dr. Augusto Mendes Simões de Castro, de Coimbra. 

d) A mesma obra. Outra edição, cum Scholijs et annotalionibus. Tem quasi 
o dobro das paginas da l. a Vlissipone excudebat Franciscus Correia L>«;.'>. 

Ilibeiro dos Santos {Memorias, tomo vm, pag. 117) refere-se a esta edi- 
ção... a obra de Cadabal Gravio Calydonio na morte de El-Rei 1). João 111 
em 1365. 

Exemplar de Simões de Castro. Bibliotheca de Évora e Bibliotheca Nacio- 
nal do Rio de Janeiro, N." 521 da collecção I!. Machado. 

pi 1» librem qvartvm Antonii Nebríssensis de construetione decem parlium 
orationis Cadabalis Gmuij Calydonij lucidissima explanalio. (Armas reaes por- 
tuguezas). Subijt sandeu Inquisitionis examen: Ex officina Francisci Corrêa 
Typographi Serinissimi Cardinalis Henrici. AnnolõGõ. Vlyssippone. Hcecbreuiter 
Cadabal quondam dictmitt in vrbe Amphilocki unto. qua dicitur Aureus Ensis. 

8. n , com aspecto de 4.", A A 4, B B 4, etc, 34 1'olios numerados pela frente, 
incluindo o frontispício. Bibliotheca Real da Vjuda. 

No 2." folio dedicatória em verso a D. Sebastião. Nas ultimas folhas, 
diversas poesias latinas; de Diogo de Arroio (Didaci de Arroio) Vuriensis, ao 
auetor; de certo poeta (cujusdam peregrini poetae) contra Marianvm Gàprifi- 
i-viii, detractor gallegO, e em louvor de Cadabal; Salyra de Cadabal contra 
certo professor de grammatica (quem Bardum Pandulphum appelare libet); 
de Simão Roscio, estudante (Paschalis Roscii ciuis Auriensis filii), inqvosdam 



22G A LITTEBÀTURA HESPANHOLA KM PORTUGAL (40) 



rvsticcmos poetas, & Cadabalis Grauij Calydonij prceceptoris sui honorem. Entre 
estas poesias vem também uma epistola em prosa de Cadabal dirigida a Je- 
ronymo Campano, professor de primeira classe ein Compostella. 

f) Varias composições em versos latinos, sem frontispício próprio e sem 
numeração de paginas, podendo talvez ser continuação de outro folheto. Estas 
composições são : 

a) In laudem. . . Balthasaris Limpis. Archiepiscopi Bracharensi . . . 

b) Ad. . ■ dominum Gasparem de Auellaneda de Stuniga, Cõpostella- 

nen. Archiepiscopam. ■ . 

c) De laboribus Herculeis. 

Na ultima pagina a seguinte indicação: Excudebat Ioannes Blauius ex 
Agrippina Colónia Vlissipone 1563. 

Exemplar e communicação de k. M. Simões de Castro, de Coimbra. 

g) Rithma en honor, celebridad y recommendacion dei Ilhislrissimo sefíor, 
el Obispo âon Iulian de Alba, capellan mayor dei Cfirislianissimo y muy alto y 
poderoso Rey don Sebastian, y vno de los de su consejo. Con relacion de la hedad 
de oro, en la qual Saturno reynó: y de la hedad de hierro en que agora uiuimos. 
Cadabal Grauio Calydonio Author. (Gravurinha: o carneiro paschal ao centro 
com o dístico em volta: Qui tolis peccala mvndi miserere nobis. — Yor cima o 
chapéo prelaticio. Debaixo da gravura um dístico em grego em três linhas). 

No verso do frontispício: 

Fue la presente obra vista, examinada, y approbada por la sancta Inqui- 
sicion y authoridad ordinária. 

Fue impressa en la Real ciudad de Lisbona, en casa de Francisco correa 
impressor dei sereníssimo Cardenal Infante dõ Henriq, a XV de Nomêbre ano 
de 1566. 

Copla dei Impressor ai prudente Lector: 

Lector venerable si qui,eres saber 
La bondad nianifiesta de don Iulian, 
Del Rei de Occidente mayor capellan, 
Esle breue tractado procura de leer, 
Adonde muy presto podras conocer 
Sin mucho trabajo con facilidad, 
Sus allos conceptos, y felicidad, 
Sus claras virtudes y gran merescer. 
De las quales scribe con muebo primor 
En Latin y Romãce y en metro sonãte 
Avn que breuemente, el Poeta elegãte 
Cadabal Valladares de Soto Mayor, 



(4í) A UTTERATURA HESPANHOLA EM POl 221 

El iin ii lod birtn, 

Estes versos põe aos o poeta ua boca do impressor, mas são evidente- 
mente da sua lavra. Disfarçou mal a sua excessiva modéstia. 

Depois d'estes versos vem 28 quintilhas de arte maior, do auctor, de que 
transcrevemos a l. a paia amostra: 

Enaíjlla corriente tnucl i 

Del i 

Que íu I b I ■ 

De paz y juslieia. y bon 

Quandi 

Segue-se Soneto dei Poeta Aluaro 'li Cadabal valladares de Solo riiayorao 
bvipo D. Jidian sobre la Apographia. V. i-w . . to, que nada tem de 

soneto. 

I vol. in i.°, ;> lis. imi. No fundo da pagina final uma curiosa gravura, 
representando um homem armado, de pé, entre signos. 

Em seguida a este opúsculo, outro que é sua continuação, embora com 
frontispício á parte: 

In praeclarissimi, alqve beneficientissimi episcopi Miani de Alba, rerum 
Sacrarum Regii Prcefecti Corporis & uni nu egrégias dotes, elegãs ac breuis 
Apographia. Cadabale Grauio Calidonio authorè. i \ mesma gravura da portada 
acima, com o mesmo dístico inferior em grego). Por baixo: subiit sãcto In- 
quisitionis examen, cu ordinariae authoritatis approbatione. 

Prosa e verso. Traz também composições de João Rodrigues de Sá. 

i: , 1 5 fólios imi. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. Outro em poder de i. M. 
Simões de Castro, no qual vem primeiro a parte latina e depois a Rithma. 

h) Pityographia. (Este titulo acha-se superiormente a uma gravura re 
presentandd as armas do bispo portuense I». Rodrigo Pinheiro). Pela parte 
inferior: In amplíssimas illvstrissimi praestantissimiq Doctoris Roderici Pinarij 
Portugallensis Episcopi laudes, egregiasq dotes, cum generis, titulorum, acvir- 
tutum eiusdem in signi commendatione, graphicaq; ornalissimae villae Sanctae 
Crucis ilc Maia descriptione Libriduo, cum annotationibus & scholiis. Cadabale 
Graniu Calydonio authore. Subij sanctae Inquisitiõnis, acOrdinariae authoritatis 
examen. Excudebat Antonius t;<»i*<iii* Typographus Olyssipone. Anno a glorio- 
sissimae Virginis sacratíssimo parto 1568. 



--- A L1TTERATUBA HESPANHOLA I M PORTUGAL (42) 

l \ol., i.". 25 fólios Dumerados pela frente. Exemplar da Bibliotheca Na- 
cional de Lisboa. 

No verso do frontispício: 

Operís argumentam 

aRedeuntem Olyssipone Cadabalem Graium iuxtn Conimbricam èquns 
calcipeta in os ferrato sic percussit pede, vt param alfuerit, quin expirarei. 
Per viginti dies mananle sanguinè mortuus sine vela salutis spe ab omnibus 
existimabatur. tnde Portugalliam segre venit. Ad praestantissimum, beneficen- 
tissimq doei. nem Rodericum Pinarium Portugallensem Episcopum ruri iuxta 
marem philosophantem, fanmlum suum iam ferme moriês (vt dilectissimu 
Mecaenatem suum ante obitiim salutaret) praemiserat. Puer abijt. literasEpes- 
copi iucundissimas cum amo reportai, quibus leclis Cadabal Graius in pris- 
tinum statum a mortis limine reuocatus est. Pro tali beneficio, ac singulari 
munere insignes títulos, egrégias virtutes, generosos animi conceptus & im- 
mortale decus eiusdem, non sine magno constantis amoris testimonio graphica 
depingit». 

De partis huius operis 

«Sex huius operis partes existunt. In prima describitur pinus cum auibus 
earumq vocibus. In secunda Pityos & Atys antiquíssima metamorphosis. In 
tertia depíngitur terribilis Leo, cum clarissimi Episcopi Roderici Pinarij vir- 
tutum, titulorum, ac nobilitatis encómio. In quarta, et eleganter constructa 
villa eiusdem praesulis, cui nomen Sancta Cruz de Maia, cum Eedificijs, bortis, 
plantis, luco, sacrisq Diuorum templis concelebratur. In quinta supradictorum 
cum autboris asseueratione beneíiceatissimum virQ testiíicatio est. In sexta 
vero perquã iucudus Lethis ac viatoris cuiusdam colloquium, fontiumq septem 
varia' inscriptiones circa finem habentur. Ilis quoq doctissimi viri Ioannis 
Roderici de Sa Portugallensis areis pralecti de rústica} yitffi principatu adiecta 
carmina sunt». 

Rodrigo da Cunha dá-nos lambem no seu Catalogo dos Bispos (pag. 304 e 
305) uma enumeração das partes d'esta obra, mas enganou-se na conta. Eis 
o que elle escreve: 

«Tem toda esta obra cinco partes, na primeira, em graça do bispo, poi- 
se chamar Pinheiro, descreue elegantem."' hum pinheiro com as aues que 
nelles costumão fazer seos ninhos, onde põem as vozes de cada huma. Na 
segunda conta como a Nimpha Pitys, & o moco Atys, se tornarão em pinheiros. 
Na terceira pinta o Leão rapante, que nas armas do Bispo está arremetendo 
ao pinheiro. Na quarta celebra todas as grandezas da quinta de sãta Cruz, 
os edifícios, as aruores, as hortas, o bosque, as ermidas, as fontes. Na quinta, 
canta com toda a variedade, a frescura do Rio Lessa, a quem chama Lethes 
misturando sempre em cada nua destas partes muitos versos em louuor do 



i-'! A L1TTERATURA HESPANHOLA IM PORTUGAI ^'2.'? 

Bispo, que lhos soube bem pagai com as muitas merçes que Ibe fez, de sorte 
: razão lhe chama muitas vezes o seu Mecenas». 
A numeração está errada nos dois últimos fólios, devendo ser 27 e 28 
e não ±2 e 25. lia ainda outros erros de paginai 

Brachyologia. I ti titulo poi cima'd'umas armas reaes portuguezas). 
Por baixo: Inviclissimorvm ac perinde clarissimorum triumphalittmq Lusitaniae 
Regum Hercidisq monstrorum domitoris laborum, ml prudentissimum beneficen- 
tissimumq Principem Editar dum, serenissimi Principis Eduardi charissimum 
/iliuin, felicissimi Regis Emamtelis longe dignissimum nepotem, cum eiusdem 
luculenta commendatione breuissima relatio, quae Brachyologia sitie Laconismus 
inscribitur. Ac simul de praestantissimai Principis Munir, illustrissimiq viri 
Alexandri Farnesij, Parmae necnon Placentiai Principis nuptis Bruxella? cele- 
bratis tertio Tdtis Nouembris, anno 1565. Cadabali Grauio Calydonio antore. 
■ Subii sanctce Inquisitionis examen, cum Ordinarice authoi itatis comprobatione, 
ar nihil, quod pium Lectorem offendat, habet. Excudebat Anlonius Gonsales 
Typograpkus Olyssippone, anno 1568. Pridie Kal. Martij. 

i.", \\± fólios numerados pela frente. 

Bibliotheca Publica Municipal do Porto e Bibliotheca Nacional do Rio de 
Janeiro, n.° 709. 

Tem diversos capítulos em [irosa muito curiosos: um d'elles intitula-se 
Animaks et auium vocês : — Elephantes barriunt, runcanl Tygres, rugiunt 
Leonês, fremuni Lynces, vneantVrsi, etc. 

Insere uma poesia dedicada a Pêro de Andrade Caminha — Ad generosvm 
ac perinde virtutis studiosum oratorem, atque rociam Petrum ab Andrade, 
serenissimi clarissimique Principis Eduardi Cubicularium, Cadabalis Grauij 
Calidonij Monocolon Encomiasticonque carmen. 

Em uma annotação a esta poesia: «Periphrasis a loco. quasi dicat. Petrus 
ab Andrade vir egregius, & quauis laude dignus natus est a claris parentibus 
in ciuitate quae Portugaltia dicilur, nõ proeul ab ostio Durij sita». 

;■) Por baixo das armas reaes portuguezas o seguinte titulo: 

Ad magnificenlmimvm illvstrissimumq, Principem Antonium, serenissimi 
necnõ animosissimi Principis Lodouici charissimum filium, forlunatissimi Chris- 
tianissimiq Lusitanie Regis Emanuelis non a pernandum nepotem, Cractique 
Priorem Cadabalis Grauij Calydonij Monocolon Encomiasticonque carmen. Subiit 
Sanctae inquisitionis examen, etc Excudebat Antonivs Gonsales Typograpkus 
Olyssippone, Anno t568 3 16 Cal. \Iai. 

\:\ 8 lis. numeradas pela frente. 

Bibliotheca Publica Municipal do Porto e Bibliotheca Nacional do Rio de 
.lancil-,., v 7 lo da collecção B. Mai bado. 



224 A LITTERATCJRA HESPANHOLA EM PUKTUGAL (44) 

k) Trivmphalis Ttmvlus.- (Águia de duas cabeças; entre ellas a coroa 
imperial). Por baixo: Invictissimi Caroli Quinti Ccesaris Avgvsti Romanorvm 
ImperatoriSj Hispaniarvm Clarissimi regis trivmphalis condignvsque tvmulus 
Cadabale Gravio Calydonio Tydensi avthore. Sancta inquisitionis etc. Excudebat 
Antonivs Gonsales Typographus Olyssippone. Anuo lõô'8 octauo Calendas Maias. 

i.", 26 fólios. 

Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 

Na dedicatória a Filippe dá indicação das obras que escreveu: 

tln Incem supeiioris minis haud inutilem, circa Latinam Syntaxim, para- 
phrasim ad felicissimum Regem Sebaslianum (fias mim studijs, ac a:tati con- 
sulebam) (é o opúsculo descripto sob letra e); Fortunatissimique Ioannis tertij 
Apotheosim, cum prudentíssima; Regina Catharinw Lugubri lamentatione ad 
eundam Reginam (é o opúsculo descripto sob letra c); Vniuersalem Cataclysmum 
ih husitanorum Principum commendationem, ad serenissimum Cardinalem 
Henricum (é o descripto sob letra a); Bràchiologiam ad nobilissimum Príncipem 
Eduardum (é o descripto sob letra i)\ Piti/ographiam ad benemeritim de me 
Rodericum Pinariam Porlugallensem Episcopum (é o descripto sob letra h); 
Encomiaslicon carmen ad prwcelletem iuuenem Antonium serenissimi Principis 
Lodouici fúium, qui te vnice colet, obseruat, amat, mirisque in caiam laudibus 
dignissime tollit (é o descripto sob letra j) ; Nunallaqae alia opuscula pro meo 
capln atque mediocritate, non sine solicitudine iamen (ita enim providw rerum 
parenti Natura? placuit, ut prwstantissima quwque non nisi summis rigilijs 
assiduoque labore consequerémurj adideram inueçtissime Philippe». 

Nicolau António parece ter conhecido apenas um dos opúsculos deste 
poeta, mas refere-se brevemente a élQ n'estes dois pequenos artigos: 

«Gadavallis Gravius — Caledonius, Gallsecus, poeta Latinus, auspiciis 
Pinarii episcopi. 

«Descriptionem versibus fecit villae S. ,Crucis, atque edidit 1568, in 4. 

«Gadavallis de Sotomayor, Bracharensis, praecéptor grammaticae ai tis sub 
Sebastiano rege plura Latina Poemata seripsit, Gardoso teste. Nisi Gadavallis 
Gravius supra laudatus sit». 

A observação de Nicolau António é justa e justificada. 

João Baptista de Gastro enumera-o entre os poetas portuguezes e dá-o 
como natural de Braga. Befere o que diz Faria e Sousa no commentario ao 
soneto 90 da Centúria 2 de Camões. O nosso poeta, vendo as poesias de 
Cadaval, pareceram-lhe tão boas que teve inveja d'ellas. 

Calatayud (Pedro de).— Pratica de la vida dulce y racional dei Christiano. 
dispvesta por el Reverendíssimo P. Pedro de Calatayud, Maestro de Tlieologia, 



(45) A UTTERATURA BESPANHOLA I \\ PORTUGAL 



y \fissionero A instancias de mm Seíiora 

principal, para su direccion, ele. Quarta impression. Coimbra: En el Real 
Sollegio á 1743. 

1 TOl. I»''.'. I i- [ 

Bibliotheca Nacional de Li 

Calderon (D. Rodrigo). — a) Carta', y relacion verdadera dei nacimientò, 
vida, y muerte de don Rodrigo Calderon; en que se declaran los títulos, officios, 
y rentas que tenia, // las sentencias que contra el se dieron.- -Nu lim: / 
Impresso por Geraldo da Vinha. Anuo 1621. 

Folio, 2 folhas. 

h) Relacion de lo sucedido en la execucion de la sentencia que se dio a 
don Rodrigo Calderon, Miercoles y lueues, veinte y ventiuno dei mes de Octubre 
de 1621 aftos. — No lim: Em Lisboa. Com licença da sdncta Inquisição, Ordi- 
nário, & Paço. Por Pedro Craesbeeck impi r dei Rey. Anno 1621. 

Folio 2 folhas. 

Ha ainda um terceiro opúsculo sobre o assumpto : sem logar de impressão. 
Descriptos em Gallardo sob os n. os 171 a 173. 

Calvo Asensio (Gonzalo).— Los celos dei Bardo. Poema por Anlom 
dano de Castilho. Ve> Gonsalo Calvo Asensio. 

Porto. Imprensa Portugueza 1870. 

8.°, 29 pags. Traz uo principio um soneto com estrambote, do traduetor, 
«a cl inspirado autor de Os Ciúmes do Bardo a el Homero português A.ntonio 
Feliciano de Castilho», e mais uma espécie de explicação critica acerca do 
poema. 

Camargo (Padre [gnacio de .— Discurso Theologico sobre los Theatros y 
Comedias de este siglo, En que por todo género de autoridades, en especial de 
los Santos Padres de la Iglesia, y Doctores Escolásticos, y por princípios sólidos 
de la Theologia, st rt melve con claridad la queslion, de si es, ó no, pecado grave 
el ver Comedias, con,., se representan oy en los Theatros de Espana: Consàgrab 
a la Emperalris puríssima de los cielos, Maria Santíssima, Madre de Dios, y 
Seíiora Nuestra, concebida en plenitud de gracia, y Jusltcia original ai instante 
primero de su ser, el padn Ignacio de Camargo de la Compania de Jesus, Lector 
de Theologia en su Real Colégio de v . En la Emprenta de 

Miguel Manescal, Impressor dei Santo Oficio. A costa de António Leyte Pereira, 
mercader de libroi en la Calle Nueva. M.D.C.XC. Con todas las licencias 
necessários. 

1 vol. i.", li pags. ii ih . de dedicatória, approví • licenças, 211 pags. 



226 A UITKIUHKA HESPANBOU EM PORTUGA! (46) 



Parece que a i. a edição foi de Silamanca, por Lucas Perez, 1689. Des- 
creve-a Gallardo sob o n. ,J 1548. 
Exemplar de Rodriguez. 

Câncer y Velasco (D. Geronimo de). — a) Obras varias de don Geronimo 
de Câncer y Velasco: qve en esta segunda impression publica en Lisboa Henrique 
falête de Oliveira, en su officina. Anò 1657. Con todas las licencias. 

1 vol. 12.°, 5 lis. prel. iiiu., 251 pags. 

Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 

In Obras varias de D. Geronimo de Câncer y Velasco. Anadidas en esta 
tercera impression. En Lisboa, por António Rodrigues d'Abrev. A costa de An- 
tónio Leyte Perora, Mercader de Libros. Ano 1675. Con las licencias necessárias. 

1 vol. 12.°, 10 pags. prel. inn., 251 pags. Nas preliminares: prologo de 
D. Ivã de Zavalita, em prosa, e Retrato de una Dama, poesia. Traz no fim, 
de pags. 199 em diante, a comedia burlesca La Mverte de Baldovinos. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa e Bibliotheca da Ajuda. 

Salva diz que Barrera cita uma edição de Lisboa, António Rodrigues, 
1671. Foi equivoco. Barrera cita effectivamente, mas é a de Lisboa 1675. 

Cancionero. — Cancionero de romances en que estan recopilados la mayor 
parte de los romances. Lisboa, por Manuel de Lyra, 1581. 
1 vol., 12.°. 
Diz Rrunet que contem 182 romances. Vide Salva, notas ao n.° 193. 

Canizares (D. José de). — d) Amor aumenta el valor. Fiesta que se executo 
en el Palácio dei Marquês de los Balbases Embaxador Extraordinário de su 
Magestad Calholica (que Dios guarde) en esta Corte, con el plausible motivo de 
lia verse efectuado los Despozorios dei Sereníssimo Seíior Príncipe de Astúrias 
Dou Fernando, con la Sereníssima Si nora Infanta de Portugal Dona Maria: 
en. .. de Henero de 1728 (Vinheta). Lisboa Occidental, en la Patriarcal Oficina 
de la Musica. Ano de M.CC. XXVIII. (sic) Con todas las licencias necessárias. 

4.°, 1 11., 72 pags. 

Este folheto faz parte da collecç.ão Barbosa Machado e acha-se a sua 
descripção nos Annaes da Bibliotheca Nacional do Bio de Janeiro, vol. n, 
pags. 137, acerescentada com a seguinte annotação: 

«Começa a composição por uma Loa: vem o primeiro acto do Melodramiua: 
segue-se o Entremes mievo de la Qaenta dei Gallego, e termina tudo pelos actos 
segundo e terceiro do Melodramma. Segundo uma nota exarada a pag. 10, a 
composição poética è de D. Joseph de Canizares. A musica foi de D. Jaime 



(47) .\ UTTERATUKA «ESPANHOLA EM l'<n \, 227 

Facco, D. Joseph de Nebra e l». Felipe Falconi, Executoa-se esta romposição 
no dia is de janeiro de 1728, segundo refere fr. José da Natividade em sen 
Fasto de hymeneo». 

Com o titulo de Amor aumenta el amor não achamos esta composição 
entre as de Canizares, relacionadas por Barrera j Leirado. Encontramos, 
porem, Las amazonas de Espana, de que se faz menção do follieto seguinte: 

6) Las Amazonas de Espana. Fiesta que se represento en el Palácio dei 
Marques de los Balbases embaxador extraordinário de su Magestad Catholica 
(que Dios guarde) con el motivo de haver hecho su entrada publica, y de 
obsequiar el feliz tratado matrimonial dei Sereníssimo Sefíor Don Fernando 
Príncipe de Astúrias: con la Sereníssima Sefíora Infanta de Poi'tugál Dona Varia 
Barbara, glorioso asumpto de su Comision (Vinheta). Lisboa Occidental. Eu la 
Patriarcal Officina de la Musica. Ano WDCCXXVH. 

í.°, 52 paus. 

Bibliotheca da Ajuda. 

Cano (D. FranciSGO).— Foi bispo do Algarve e capellão da rainha D. Ga- 
tharina. 

Nos manuscriptos da Torre do Tombo i I7.V») lia a seguinte obra sua: 
Exposicion de los Siete Salinas penitenciales. 
Tem um desenho á penna. 

Cargos contra el emule Uvque, y Memorial de avisos que cierto ministro 
de Castilla prezentó a s/t Rey Don Felippe el IV para reparacion de su malograda 
Monarchia. -No fim: Em Lisboa. Com todas as licenças necessárias. Na officina 
de Lourenço de Anveres. Anua de 1<J44. 

1 vol. i.°, 7 lis. inn. lia um exemplar d'este opúsculo na Bibliotheca 
Nacional de Lisboa. 

Cario Magno. — Historia dei Emperador Carla Magno, etc. 
Gallàrdo, em nota ao n.° 192, cita duas edições portuguezas: 

a) Lisboa, por Domingo de Fonseca, 1615, foi. de 30 lis., som contar o 
frontispício, a -2 columnas; 

In Coimbra, por José ^ntunez, 8.°, 1732. 

Carrion Pardo iJuan de). — Tratado como se deven formar las qvatro 
esqvadrones, en qve milita nuestra nacion Espanola: Eu el qual se hallaran 



228 A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (48) 



cosas muy curiosas tocantes ai origen de las Armas. (Vinhetasintaa: um leão 
rompente). Dirigido ai illvstrissimo, y excellentissimo Sefior Dou Ivan de Sylva, 
Conde de Portalegre, Comêdador dela Obreria de la Ordè de Calalraua, Mayof- 
dotno Mayor, y <l< I Consejo de Estado de su Mageslad, su Gouernador, y Ca- 
pitan General destos Reynos de Portugal. Compuesto por Iuan de Carrion Pardo, 
Capitan de Infanteria Espafíola, por el Rey ntiestro sefior. Impresso em Lisboa: 
Cõ licêeia de la Sancta Inquisiciõ, por António Aluarez. Ano de MJ). LXXXXV. 

8.°, k- fólios inn. incluindo frontispício, 11 numerados pela frente, mais 
í inn. 

No verso do frontispício as licenças, sendo a approvação inquisitorial 
assignada por Francisco Pereira. No i.° folio e no verso «dous sonetos do 
capitan Andres Rey de Artieda ao conde de Portalegre». No 2.° folio «Soneto 
de fray Alonso de Espinosa ao Capitan Iuan de Carrion». No verso começa o 
prologo, que oceupa duas paginas. No verso do 3.° folio, uma gravura oval 
com um retrato de militar, que talvez seja o auetor. Este retrato acha-se 
reproduzido numa das folhas linaes innumeradas. A obra principia por um 
tractado de arismetica. No verso do 3.° folio outro retrato, maior e mais 
ornamentado que o anterior. Talvez que o do conde de Portalegre. Este 
retrato acha-se lambem reproduzido no verso do folio 14, \ obra tem também 
dois escudos com armas reaes poftuguezas, encimadas pelo dragão! Um maior 
que o outro. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. — N "~ 3 u 7 7" - 

Del Capitan Andres Rey de Artieda, ai Conde de Portalegre 
Soneto 

Para Poder vencer a los Troyanos, 
Dos hõbres escogio, el General Gwego, 
til vno de prudência, y de sossiego, 
El oiro, valoroso por sus manos. 

Con sus consejos vtiles, y sanos, 
Vlisses començo a entabter el juego, 
Lteuolo Aquiles a euehillo, j Fuego, 
Con sus proezas, y heehos soberanos. 

Ambas cosas de tanto ser, y peso, 
Qúiso el Cielo sefior eomuniearte, 
Liberalmente con notable i 



Pues lupiter le influye por su parte, 
Valor, çagacidad, prudência. & seso, 
y sus azeros, y potencia Marte. 



(49) Al.lTli iNHOLA EM PORTUGAL ±2\\ 

Al Capitan Ivau de Carrion Pardo. Fray Alonso de Espinosa 

Soneto 

Do la inuension, y origen dei arreo, 
De q •■■ adorn i, y visl 

I».' pistas de esquadroneSj q aqui leo, 
Singuno tratar pudo (segui) creo), 

el Estandarte, 
. dieron por tropheo. 

:i Pardo, digo, que a mi gusto, 
D \ Wili 

Ni dedicarlo a oiro. fuera justo, 
11 3 iquiêl 

Que tal subjecto, tal arrim 

Cartas. — Copia de vna caria, qve escriuio vn Espafiol Residente m la 
Cttria Romana, a vn Ministro superior dei Estado de Milan. — No fim: En 
Genoua a 10 de Abril 1645. Aora en Lisboa, con licencias, por Puniu Craesbeeck 
1645. 

4.°, 7 pags. inn. 

Bibliotheca da Ajuda. 

Carvajal (Diego de). — Relacion dei caso o casos notablçs, qve han socedido 
en la civdad de Milan estos trt s mesi s próximos passados. Cm ntase en que forma, 
sin corrupcvm de Ayres inuentaron diabólicos ministros inimigos de Dios, y de 
la Catholica Corona de Espafía, que Dios siempre prospere, empestar, y conta- 
minar toda In tierra, de que son muertos cerca de ochenta mil personas y 
ãespoblada la Ciudad de Pauta, hecho todo por rua inuenciçn diabólica jamas 
vista en el mundo, y relatase los que se han cõdeneulo, y el suplicio que se les 
dio, ij las diligencias que se hazen. — No fim: Con todas as licenças necessárias: 
Km Lisboa por Mattheus Pinheito, & vendese en sua casa ao Poço da Fotea 
anno 1630. Vou faixada esta Relação na Mesa do Paço a 5 reis a folha. 

Foi. i fls. O texto é firmado na Simoneta de .Milan a 2G de agosto de 630. 

Descripto em Gallardo sob o n.° 1:641. O Pinheito talvez seja erro de 
copia, em logar de Pinheiro. 

Casiano (Juan). — Breve discurso acerca dei cometa, de. Lisboa, por Pedro 
Craesbeeck, 1018. 



230 A LITTERATURA IIESRANHOLA EM PORTUGAL (50) 



s. o auctor diz-se licenciado astrólogo de Sevilha. 
Cxi mplar da Bibliotheca da Ajuda. 
Vide Mexia (Pedro). 

Castillo (Fr. Francisco dei). — Migaias caydas de la mesa de los santos y 
doctores de la yglesia. Colegidas y aplicadas a todos los Euangelios de la Qua- 
resma. Por Ff. Francisco dei Castillo de la Orden de S. Agustin en la Pronincia 
dei Andaluzia, y natural de la Ciudad de Cadiz. Anno 1621. Con todas las 
licencias necessárias. En Lisboa. Por António Alvarez, Impressor y Mercader 
de Libras. 

1 vul., 8.°, 3 lis. prel. inn., 310 num. pela frente, mais 9i pags. de 
índice. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Castro (Francisco de). — Christiana reformacion, assi de el pecador como 
de el virtvoso. (Estàmpinha: Ghristo entre as santas mulheres). Por el P. Fran- 
cisco de Castro de la Compania de Jesus, natural de Granada. Aora de nuevo 
sacado a luz por industria de Pablo Craesbeeck. Lisboa. En la Officina Craes- 
beeckiana. Anuo 1656. 

i 1 vol., 8.°, 4 lis. prel. inn. incluindo frontispício, 674 pags. afora Tabla 
inn. 11 pags. 

Reprodução da edição de Sevilha de 1630. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Castro y Afiaya (D. Pedro de). — Amoras de Diana. Por D.on Pedro de 
Castro y Anaija, natural de Mareia. A Senhora D. Maria da Sylua Religiosa 
em o Comento Real de S. Clara de Coimbra. Em Coimbra. Com todas as 
licenças necessárias. Na Officina de Manuel Dias Impressor da Vnitiersidqde. 
armo 1654. 

1 vol., 8.°, 10 fls. inn., contendo dedicatória do livreiro, licenças, versos 
ao auctor, 339 pags. — É uma espécie de novella em prosa e verso. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa c Bibliotheca da Ajuda. 

Catom. — Castigos e enx-\empros de Calom. 

Este titulo acha-se por baixo d'uma estampa, representando um professor 
sentado; a seus pés um individuo, de joelhos, com livro aberto: outros dous 
de cada lado com livros também. 

Pela parte inferior do titulo larga tarja. 

No verso curiosa estampa: — Nossa Senhora num throno; dum lado um 
bispo, do outro uma santa. 



(51) A LITTERATURA IIESPANHOLA EM PORTUCAI 231 



\ T o alto do primeiro folio: 

Aqui comieçan los castigos ij ilotrinau que dio el sábio ruína a su hijo. 

i fue vn hõbre que dezian ealon 
rastígaua a su hijo cu muj grà" ilcuociii 
como pusiessse vi, vida en buena inlêcion 
guarnecido de coslumbres j de buena razon 

\ orno ei padre >■! hijo nombre auia 

ii los c isti os dei padre • I coraçon leni - 

eu dichos y eu I Ims ai padre bien seguia 

assi ci yrèis el padre le dezia 

£ como el moço de su padre era mandado 

y '' saber costumbres era muj alavado 

de In que lo casti o lonio muj grau cuydado 
començo se a guarnecer por ser bien dotrinado Ele 

V fim: 

Fue impresso el presente tratado min mtty nobley leal cibdad de Lybsoa (sic) 
por Germã galharde Francês aios doze dias de Seplembre. Mm de mill y qui- 
iiienlos // .1.1 j anos. 

Dios sea Intuiu. Amen. 

I vol., l.°, 12 lis. inn. cora o frontispício. Km cada pagina 7 quadras. 
It. aij avj. 

Exemplar existente na Bibliotheca Publica Municipal do Porto. Pertencera 
a Santa Cru/, de Coimbra. Nu mesmo volume acham-se encadernados os 
seguintes opúsculos: 

a) Despertador de peccadores: Inueutado /»>/' rim deUos. Impresso em 
Burgos, segundo a declaração final, a :!<> de março de l"i'il. 

In Glosa famosíssima </<■ Alonso de seruantes.—Sem data, com caracteres 
golhicos. Parece ser a descripta por Salva. 

ri Glosa Famosa, de Luys Perez, Valladolid 12 abril 1664. 

Gallardo (514) descreve uma edição de Burgos, MDLxiij, por Felippe de 
Junta. 

Haverá alguma correlaçno entre esta obra e a do mesmo titulo de Mosen 
Gonzalo Garcia de Santa Maria? (Vide Gallardo. II. 2:316). 

Veja-se o que deixamos escripto sob este nome. 

Veja-se em Salva outra obra de Gonzalo Garcia de Santa Maria m." 3:876). 
IIist e Mem. da Acad— Tomo yn paute u. N.° 5 6 



$32 A L1TTEHATURA IIKSlMMlui.A KM 1'OHTUOAL (52) 

Na livraria do (libo de Colombo vem descripta (a.° :i::i-2^i a seguinte 
obra, que é talvez a primeira edição castelhana, anterior á de Lisboa: 

«Castigos j ejemplos de Platon (sic): procedea en manera de coplas. 
I. iEn Roma fué un bombre». I>. «Ya laVirgen Maria-. Es en 'i." — Coslú 
en Medina dei Campo 8 maravedis». 

Cavallaria (Romances de).- -a) Primaleon. (Este titulo está por cima 
d 'uma c-tairipa que representa um eavalleiro armado de ponto em branco, de 
espada desembainhada, e galopando). Por baixo: Libro dei inucncible eabaUero 
Primaleon hijo de Palmerin de Oliua donde se tractan los sus altos hechos en 
armas y los de Polmdos su hermano, y los de don Duardos Príncipe de Ingla- 
terra, y de oiros pv< ciados caualleros do la Corte dei Emp"rador Palmerin. 
Fue impresso con licencia en Lisboa, tn casa de Manoel Joan. Impressor de 
libras. Afio de 1566. Vende-se en casa de Frãcisco Graphea y de Frãcisco Fer- 
nãdez libreros, en la Rua nona. -No fim: Aqui hace jin el libro dei ualeroso 
y esforçado cauallero Primaleon, hijo de Palmerin de Oliua. Fue impresso en 
Lisboa <n casa de Manoel loan. En este ano de MDLXVI. 

Folio, letra gothica, a 2 rol., 242 lis. 

No verso do frontispício a dedicatórias Al muy Magnifico senor loan Ala- 
mos de Barrientos, Capitan de su Mageslad .// Begidor de la rilla de Medina 
dei Campo . . . Benito Boyer S. 

Descripto em Gallardo sob o n." 997. 

b) Primaleon. (Este titulo a vermelho se lè sobre uma grande estampa 
representando um eavalleiro, que oceupa quasi toda a pagina). Por baixo 
lê-se: Libro que trata de los valerosos ij es/orçados hechos en armas de. Pri- 
maleon, hijo dei Emperador Palmerin, y de su hermano Polendos: y de Don 
Duardos Príncipe de Inglaterra, y de outros preciados caualleros dela Corte 
dei Emperador Palmerin. Con licencia dcl Supremo Consejo de la Mesa Ge- 
neral de la Saneia Inquisicion. En Lisboa. Impresso eu casa de Simon Lopez 
Mercader de Libras. Ano de 1598. 

No reverso do frontispício as licenças. A Enformação do Padre Reaedor 
diz: «Vi este Liuro à- alimpeio de alguas cousas; Em o mais não tem cousa 
algúa contra a Fé, ou bõs costumes. Frey António Tarrique». 

Este mesmo Tarrique é o que alimpou também o Gusman dWI/ar- 
rache. 

1 vol., folio, a 2 col.. typo redondo, 17 linhas nas columnas compactas. 
226 fólios numerados em arábico. A numeração dos capítulos seguida até ao 
298.°, como na de 1566, e sem a separação das Ires parles feita por Delicado 
na edição de 153:1. 



53) A LITTBKATI l;\ IIESPANHOM I M l'OKTI (JAI 233 



No verso do folio 2â6 Iraz as seguintes coplas «I* 

O in que desseas balallas leer 
amigo de Marte A belligera gente 
hablas de amores de estilo excelenl • 
rieplos A lides procuras saber : 
iquilas de Vénus podras conocer 
de Marte Minerua A sabroso Cupido 
razi nes j hablas en lodo sentido 
K libro aplazihle si quieres lener 

Aqui la excelência de Túlio exmaltad i 
vence j excede a los libros hyspanos 
las guerras de Troya de grecia romanos 
debuxa coti pluma de sciencia dorada 
aqui palmerin i orona su eçpada 
las cosas dei hijo gran Primaleon 
demueslra inuencibles con mucha razon 
e buelue las otras vencibles en nada. 

Aqui se declara de caualleria 
doctrina & manera de en guerras biuir 
reptar por palabras saber combatir 
a toda persona que aleue liazia: 
aqui por donzellas traçaua j hendia 
la espada <le Primaleon los reptados 
muestra ganarse por armas ditados 
[>or sciencia virtudes j gei logia 

Aqui se sublima la gente chrisliana 

i sarícta razon & catholica rida 

;i yr contra maios incita e combida 

*«aqiie pari matéria profana 

la lengua adelgaza sotil caslellana 
espajo & carreaa de los que ventura 
prdsiguen la honra de clara natura 
que haze succedan en mas soberana 

E neste esma lado & muy rico dechado 
vau esculpidas muj bellas labores 
de paz j de guerra j de castos amores 
por mano de duefia prudente labrado 
es por exemplo de lodos notado 
(jne lo verisimil veamos en flor 
es de augustobrica aquesla labor 
que en Lisboa se ha agora estampado 



234 A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL !•>')) 



Recucrda & contempla discreto lector 

qvan vtile sea teer sus Fengl s 

y eu letras de oro notar las raa - 

que fueren notables si ouieres sabor 
ruega & snplieaos su historiador 

no ii rda ni roa sus hablas algunq 

porque no \cMnos se atreue ninguno 
hazer l.in gran libro & de tanto dulçor 
Dko Gkatias 

Segue-se o colophon do impressor: 

Aqvi haze fin d libro de Pamerin (sic) | Emperador de Constantinopla. 
El qual traia de los altos & muy estre- | madós hechos eu anuas que hizo su 
kijo Primaleon: & de las eslra- \ Tias auenturas q a su honra <& con minha 
gloria acabo. E assi nus | mo trata de los grandes hechos que en anuas hizie- 
roíi : & de | lãs marauillosas auéntúras que acabaron los muy precia- | dos 
caualleros Polendos hijo dei Emperador Pai | merin y de Don Duardos Prín- 
cipe de In- j glaterra. historia es muy dulce & apla | zible: traduzida de lo 
griego en \ miestra lengua castellana. | Impresso En Lisboa. A custa de Simão 
Lopes Mercador de limos. 

Exemplar da Bibliotheea Nacional de Lisboa. 

Vide Varhagen. Da Litteratura dos Livros de CavaUarias, pags. 91, 220 
e seguintes. 

Um exemplar vendido no leilão Miro pui' 59 francos. Catalogo n." 354. 

c) Florando d' Inglaterra. Por baixo d'nm eavalleiro com espada desem- 
bainhada, o seguinte titulo: Comieuça la coronica dei ualiente y esforçado pft- 
cipe dv Florãdo dlvglatierra, hijo dl noble y esforçado pricipe Paladiano, en 
q se cuètã las grades y marauillosas auêturas a q dio fin por amores d'la her- 
mosa prícesa Roselinda hija dei empddor de lhana. - No fim : Aqui se acaba la 
primera, segunda y tercera parte de la crónica dei muy esforçado y animoso 
príncipe don Florãdo de lnglatierra: hijo dei príncipe Paladiano y de la prin- 
cesa Aquilea: en la qual se hã coutado los grandes hechos (pie en armas hizo y 
las grandes aventuras a que dio fin por amores dv lu princesa Roselinda, hija 
dei Emperador de Romã. Fue impressa en la mu// noble // leal ciudad de Lis- 
bona por German Gãllarde, impressor dlibros. Acabose a reynte dias dei mes 
dv Abril. En el ano de mil e quinientos // quarenta & cinco anos. 

Folio, letra gothica, a duas columnas, com gravuras de madeira interca- 
ladas no texto. É dividido em três partes, a ultima das quaes começa no fo- 
lio cLxxui com portada á parte e o seguinte titulo: «Tercera parte de D. Flo- 
rando». 



55) A I.ITTKUATIUA IIKSIWMH H.A LM 1'ORTUliAI 235 

As duas primeiras parles d'esla obra, cujo auctor aão se declara, ainda 
que conste do prologo que foi portuguez ou vizinho de Lisboa, irem a dala 
de :íi> de fevereiro. Não se conhece d'el!a mais edição alem da que acabamos 
de descrever. (Bibliotheca de l>. José de Salamanca). 

Esta é a descripção que nos dá Gallardo, sob o n.° 734. 

Num catalogo do livreiro de Londres, Beraard Quaritch, com data de 
abril de 1890, e intitulado l catalogue <</ medieval litterature: romances of 
chivalry, costume and pageanliy of lhe middle ages, vem, sob o n.° 338, des- 
cripto um exemplar do Florando, posto ã venda por lo<> libras. Traz a se- 
guinte annotação, que contraria, emquanto á nacionalidade do auctor, a opi- 
nião de Gallardo e de Brunei : 

«This is one of lhe rarest oí ali tlie romances of chivalry. Besides this 
perfecl copy only one other 'and thal imperfect) lias been recorded. The 
whereabouts of lhe imperfecl copy is now onknown. 

iThe author was nol a Portuguese, as Brunefs continuator supposed 
from a misinterprelalion ol lhe preface. He simplj happened to be in Lisbon 
in 1545. The storj is feigned lo have beéii translated from an English origi- 
nal at a time wben he was resident, for pnrposes ofbusiness, «in this... 
noble and for-most-famous-deeds-of knights-errant- renowned-in-arms ceie 
brated isle of England». Of lhe language of lhe country lie tought little, 
as he uses the phrase «barbara lengua como la Inglesa». The Florando 
ina\ be assigned to the Palmerin cycle, simply as a supposed Eúglish chro- 
nicle; but the only connexion which the book itself suggests is with the 
romance Palladien d'Angleterre (Lyons, 15ÍJ5), a work professedlj derived 
from the Spanish, but usually supposed to be an original composition of 
Claude Collet. The íirsi chapter-heading in Florando runs thus: «Capitulo 
primero de vna marauillosa auenlura que ai nacimienlo dei príncipe Pala- 
diano aparecio. En la cibdad de Londres entre los palácios dei Re) Mi 
lanor su padre". In the.lasl chapter of the primera parte, Florando is bom 
to Paladiano; and \ve may fairl) conclude thal this firsl pari of Florando, 
dealing wholly with lhe bero's talher, was the real original of Claude Colei s 
romances. 

I in exemplar da livraria Thonias Crofls il7H:C foi vendido por I libra 
e 7 shillingsl Vide Salva, n.° 2:466. 

di Lisvarte de Urrem. (Este titulo, a vermelho, está sobre uma gravura 
grande representando dois cavalleiros). Por baixo da estampa segue, a prelo 
e encarnado: Libro septimo de Amadis, en el qual se trafã los grandes hechos 
en minas de Lisuarte de Grécia hijo de Esplandian. Y de los grandes hechos 
de Perion de Gaula. 



^.'{(i A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 561 



• En el qual se bailara el eslrafío nascimieulo dei cauallero dei urcUtiíe 
espada. 

• Impresso en Lisboa com licença. A!io de 1587. 

y, reverso do fronlispicio as licenças. \ de frey Bartholomeu Perneira 

diz assim: 

«Vi por mandado de S. A. esle limo & emendado como \a\ não lem 
cousa por onde se não deua imprimir». 

No folio 2.° ;i cabeça do capitulo é dò teor seguinle-í 

Comiença ta eliminai de los famosos caualferos limar \ le de Greeia y 
Perion de Gania, hijos de los valientns y esforçados caualleros Ama \ dis de 
Gaula Rey de la gran Bretafíu, y de Esplandian m hijo Emperador de Côs 
tau \ (inópia, segun que la escreuio el gran sábio cu los magicas, Alquife. 
Emendada de ai | gunos vocablos que corrompidos estauan por el antigue- 
doil. La qual traia de las grandes cauallerias que por estos dos grandíssi- 
mos príncipes passaron, j segun que por ella paresceru. ) fue dirigida aí 
reueren \ dissinto y muy magnifico seíior don Diego j de Deça Arçobispo de 
Seuilla. 

No fim: 

Fenesce el Septimo Libro de Amadis, enel qval se Irata i lie los grandes 
y famosos hechos en armas, de los muy esforçados Ca [ ualleros Lisuarte de 
Grécia, hijo dei Rey Amadis. Fue impres j so en la Ciudad de Lisboa, en casa 
de Afon j so Lopez. Acabose ai fm de Oclubre \ De 1587. 

Folio, a 2 col., typo redondo. Tem G capítulos. 

Exemplares da Bibliollieea Nacional de Lisboa e Uibliotheca da Ajuda. 

Vendido por 75 francos no leilão Miro, n.° 3'i3. 

e) Amadis de Grécia. Chronica dei muy va | liente y esforçada príncipe 
;/ Caualero de la ardiente espada Amadis de Grécia, hijo de | Lisuarte de Gre- 
eia, Emperador de Constantinopla, y | de Trapisqnda, y Rey de Rodas. Que 
irada j de bis sus grandes linhos en Armas, y de los sus altos, ij eslraiíos \ 
Amores: | ) es el noueuo libro de Amadis de Gaula. j Impresso en Lisboa, con 
licencia de la Saneia Tnquisicion, en casa de Simon Lope: | Mercader de Li- 
bras, Ano Í59G. 

Antecede esle titulo uma estampa de negro e colorido, como toda a letra 
da portada, que representa um personagem a cavallo, e o dístico Amadis de 
Grécia por cima da cabeça. Ao II. 96 principia a Segvnda porte dei libro dei 
mei/ ralienie ij espirrada cauallero Amadis de Grécia: el qual trata de los gran- 
des hechos, assi en armas, como en amores, que por el ij por Lisuarte de Gré- 
cia su padre passar on. La qual fue sacada de griego en latiu, y de latiu en 
romance, segun que lo eserinio cl gran sábio Alquife en las Magicas. Emenda- 



A LOTERATURA UKSPANH0LA K51 ['ORTUliAL 237 



dos algunos vocablos que /»'/• ta i/rau anliguedad delia estauan corrompidos. 
(Al fm se repelen las seftas <!• la impression 

Folio, ti II.-. prel. i' 252 lis., principiando ;i numeração pelo folio 3. 

Salva, i. ii. pags. I-.» e 13. 

liruuel cita mu exemplar existente na Uibliolheca Nacional de Paris 
^Imperial). \ numeração de Brunei é 5 e 232 lis. a -2 col., leiras re 
doudas. 

Vendido por ò''.i francos no leilão Miro, n." 344. 

Gallardo descreve-o também, dizendo que lem 232 lis. e mais 'i [irei. 
Vide ii. 393. 

f) Florisel de Niquea. Estampa representando um rei a cavallo. É a 
mesma da obra de Francisco Uvares acerca do Preste João. Por baixo: /.'/ 
coronica delos muy volteies caualleros don Florisel de Niquea y el fuérte Anã 
xartes hijos dei excelente príncipe imadis de greda. Emendada dei estilo anlt 
guo segun que la escrínio Cirfea reyna de .1/ gines por el noble cauallero Feli- 
ciano de Silua. Foy visto <£ aprottado este libro pellos deputados da sinta in 
quisição & ordinário. Impresso e lixboa e casa de Mimos fíorges opressor dei 
rey nosso senhor. -No fim: Acabouse o presente livro em a muy nobre & leal 
cidade tl> Lixboa nus xa dias de Abril de 1566. Em casa de Manos borges 
Impressor delRey nosso Senhor. 

Folio pequeno, 3 fls. prel. de Tabla, ccxxji fls. 

d livro segundo principia no folio cxvi. 

Exemplar da Biblioteca Municipal do Porto: tem no fim algumas folhas 
m; scriptas. 

Gallardo descreve-o, pelo exemplar da Bibliotheca de Salamanca, c dá lhe 
ccxxxn folhas. Vide n." 397. Varhagen inclina-se a que houvesse uma edição 
de Lisboa de l*>'.i7 Vide Livros de Gavallaria, pag. 224. 

!/) Terceira parle de Florisel de Niquea. La terçera parte de ia coronica 
dil muy excelente príncipe dou Florisel de Niquea, en la qual se trata ih- las 
grandes hazafias de los excellenlissimos príncipes Don Rogel de Grécia, q el 
segundo Agesilao, hijos de los excellentissimos príncipes don Florisel de Niquea 
// don Falanges de Astro. No lim: Acabose la choronica delos vitoriosos et 
invincibles càvalleros Dou Rogel de Greda el el segundo \gesilao hijos de los 
excelentíssimos príncipes don Florisel de Niquea y don Falanges de Astra : la 
quale fue corrigida por Feliciano da Silva, de algunos yerros que en la trans- 
lacion que se hizo dei gríego en latin por el gran hystoriador Falistes Campaneo 
avia. Inipfessa en la ynsigne dudad de Évora, en raso de los erederos de An- 
dris de Burgos. 



238 A I.UTMí.VHItA IIKS1WMI0I.A KM PORTUGAL (58) 



Sem data (por 1550). Pequeno in-folio, golhico, a -2 col., v. !'.: lil comp. 
à froid, ir. dor. 

aExemplaire bien conserve. Ce volume, ires rare, forme la I l e partie des 
Amadis; ii se compose de 3 ff. prél., \ compris le titre, sur lequcl se trouvc 
uuc gravare sur bois, el de 285 ff. chifres. Branet cite ce volume (í'après 
|'exemplaire de la Bibliothèque Naiionak, auquel il manque sans doute lés 
2 ff. de Prohemio, car il ne parle pas de ces denx feuillelss. 

Catalogo Miro, n." 346. VeDdido por 305 francos. 

Salva possuiu uni exemplar d'esta edição, que descreve. Referindo-se a 
Brunet, cila outra de Lisboa, de 1566, por Marcos Borges. Não haverá equi- 
voco com a edição de Florisel de Niquea, do mesmo anno e do mesmo im- 
pressor? 

Gallardo também descreve um exemplar da Bibliotheca de Salamanca. 
Vide n." 403. 

A supposição (In andor do catalogo de Miro, de que a impressão seria 
de 1550, é inadmissível. 

Cayrasco de Figueroa (Barlolome). - -Templo militante. Fios sanclorvm, 
II trivmphos de ses virtudes. Dirigido a la M. C. dei Rey Don Phelippe Tercero 
deste nombre. -Armas reaes; d'um e d'outro lado: Ano 1613. -Debaixo: Por 
Don Barlolome Cayrasco de Figueroa, Prior, y Canonigo de la Iglesia Cainhai 
de Canana. Primera y segvnda parti'. Con las licencias necessárias, y Priuile- 
gios Reales de Castilla, Portugal, y Aragon. Em Lisboa, por Pedro Craesbeeck. 

Este Ululo está dentro d'uma portada gravada, formada por qualorze 
medalhões representando a vida de Christo e os quatro evangelistas. 

1 vol. folio a 2 col., 5 tis. prel. inn., 531 pags. Ao fundo da pag. 528 
tem a seguinte inscripção: Em Lisboa. Por Pedro Craesbeeck. Ano, 1612. 

As folhas preliminares contém: privilégios, approvações e licenças, poesias 
ao auetor, cartas dedicatórias a el-rei; ai lector; Cancion a la magestad dei 
Rey. No fim desta canção o seguinte disticho: 

Donni llarioloinei Cayrasci de Figueroa, insulae Canariae oriundi, nobilis 
genere, ipsiusque insulae sanctae Caihcilralis Ecclesiae Prioris, & emerili Ca- 
nonici, siicrae & humanae doctrinae sapienlissimi, Musarumque lubae, & noui 
Hispani sagfuci, (Sdrujulos vocant) inuentoris, eloquijque oratoris eloquentis- 
simi, Mineraae filij, de Sancionou lande jireconis, perpeÇuae famis, laudis, & 
gloriae dignissimi, ab inuido Zoylo ob ingenij claritalem, & praeslaritiam lair 
dali, Catholicae Fidei amantissimi, haeresis perseculoris acerrimi, nriuiis 
Doctoris, <t- siiuudi cera effigies. 

Inferiormente, o retrato num medalhão, fendo de um e oulro lado: 
Ano 1600, e por baixo: Mtatis suae Anno LX. 



•'''.' A L1TTERATI liA IIESPANIIOLA EM 1'ORTUCAl 239 

\ :;. 1 e i.' parte tem frontispicios idênticos á I. 1 . com modificações nas 
dedicatórias. A 3. a é dirigida á rainha Dona Margarita de Vustria.Tem armas 
reaes e d'um e d'outro lado: Ano 1618. Tem '-''ri pags. e 'i prel. inn. com 
licenças, dedicatória, versos ao andor, e o retrato. 

A í.' parte é dirigida a Don Francisco de Sandoual, Duque de Lerma, 
Marques de Denia, etc. \> suas armas substituem as anua.-, reaes. Diz em 
baixo: Em Lisboa por Pedro Craesbeech VSlõ. Sc não ha engano n'este unir 
simo, não sabemos explicar como a 3." parte fosse publicada depois da í. a 
i; um volume de 289 pags. Nas preliminares contém uma canção, em tos 
cano, ao auctor, -por Leonardo Tvrriano, ingeniero general dei Reynode Por 
tugal por su Magestad.n 

A edição pode dizer-se, senão luxuosa, pelo menos esmerada. Cada as- 
sumpto ou vida de santo divide-se em duas partes; a primeira, espécie de 
introdução, em itálico; o mais em redondo. A canção a Filipi e III é em exdru 
xulos rimados: 

Bulucd las sacras Iflbres a esle Cântico 
David guei rero. Salomon pacifico, 
Ali xandre nouel, César calholico, 
Y el açúcar vercjs, fruto magnifico, 
Que 'ai mi ingenio deste reyno Allático 



i mi 



Tres longas composições preliminares são lambem em exdruxulos sem 

N.° 7IU do catalogo de Innocencio. 

Celestina (La). — Tragicómedia de Calisto y Melibea. 
Salva refere-se ao catalogo do Sr. Marquez de Morante, onde vem des- 
cripla uma edição: Lisboa, Luiz Rodrigues, 1540, '». 

Prohibido pela Inquisição em Portugal. Ver os respectivos Index. 

Cervantes (Alonso de). -Desconfiamos que este Cervantes residiria em 
Lisboa, onde exerceu algum cargo de magistratura no reinado de l>. Manuel. 
É porventura a elle que se refere o Dr. João de Faria, nosso embaixador em 
Roma, na carta que em í de setembro de 1.512 dirigiu d'aquella cidade a 
el-rei, e na qual se queixa amargamente da parcialidade de um juiz Cervantes, 
que fazia melhores coplas as freiras do Alemtejo do que fazia justiça. Veja-se 
o ai Imo que publicámos a esle propósito no Jornal da Manhã, do PorlOj de 
30 de si 'lembro de 1889. 

Nicolau António não dá noticia de Cervantes. Ribeiro dos Santos, enun- 
ciando os trabalhos typographicos executados em Lisboa em 1501, aponta 



'J'|U a UTTERATURA HESPANHOLA KM PORTUGAL (60) 

succintamente i Glosa famosíssima sobrelas Coplas de Don Jorge Manrique, ele. 
por Valentim Fernandes, também raro». (Memorias de Lilteraiura Por,tugueza, 
publicadas pela Academia, tomo viu, pag. 97). 

Brunei foi quem descreveu primeiro a edição princeps, de Lisboa. Salva 
diz ler visto um exemplar d ; essa edição, eximindo-se de a descrever «porque 
Brunei la trae con bastante exactitud». Ensayo de una Biblioteca Espá- 
fiola descreve-a duas vezes, sem que da segunda vez faça, como seria natu- 
ral, referencia á primeira. A segunda descripção (n.° i:396J é mais desenvol- 
vida e apresenta algumas differenças. Aqui a damos na integra: 

tCon privilegio. Glosa famosíssima sobre las coplas de dõ jorgemanriq. 

«En foi. menor. Siri foliación. Sign. A-C de ti fólios (menos la A que 
tiene 8). 

«A continuación dei titulo que dejamos copiado, el escudo de armas de 
los Zímigas, y debajo esta leyenda; 

I ,i vanda \ cadena son çiertas senales 

de armas y gloria de lierlios nombrados, 

ile <;u»niga fueron los antepassados 

que aquellas dexaron : por ser immorlaleí 

fueron fundadas por casos reates 

dinos de Ioda perpetua alabança 

que agora se hallan no menos mas lales 

en esle quês quinto de no transuersales 

en quien liene [mesta mu\ firme su estanca 

«Al titi, y debajo de im grabado que representa dos santos rezando a' 
Eterno y los muertos saliendo de sus tumbas, y junto ai escudo dei impresor: 

«.Acabose la presente obro corregiãa y emendada par el misnvo autor é 
imprimida en la muy noble cybdad de Lisbona repito de Portugal por Yalen- 
tin fernãdez de la prouintia <le morauia Ario dei naçimiento de ntiestro seí/or 
jhesu xpo di 1 mil n quinienlos y ano ano. A diez dias dei mes de Abril». 

« \ la vuelta de la portada im grabado, en el cual un ángel sostiene en 
una cinta á guisa de lema el conocido verso: Recuerdt ' el alma dormida... 

«Debajo dei grabado la siguiente advertência: 

«La glosa dela psente obra procede segun que por cila se maestro a cada 
copla de las di' don jorge quatro cíiuiene a saber sobre cada pie principal una 
copla acabado cu <l mismo. los qles van puestos m el jiu por a. b. c. d. salvo 
cinco (pie eu esta obro se hallarán epte por no tener en si/ soloy sentencia vau 
en cl médio, y acaba la glosa y ossi se poilráu ver y aigun delia fruto gustar 
s'// con beniiiola y piadosa correcion de los discretos fueren recebi/las de ba.ro 

ile la qual dicen lo que por ellas parece ... 
«Prólogo de Cervantes. 



61) \ LITTERATUKA HISSPANHOLA EM POKTIUAL 241 

i roxio. 

lidición lan bella como rara». 

exemplar, cuja descripção se acaba de ler, pertence á bibliolheca 
Uhagõn. 

Anteriormente a este, linha Gallardo (ou os seus runlinuad s des 

cripto sob u n." -J:7-'i'i um exemplar, fallo de porladu, pertencente á bibliu 
Iheca do infante D. Luis. Coinparem-se as duas descripções «• noteni-se as 
differenças. 

Na Bibliulheca Municipal do Porte lia uma edição em l.°, em golhicu, 
sem data, que parece ser a descripta por Salva, sob o u. 757.. A ortogra 
|ilii;i do nome de Cervantes apparece, porem, differente: Glosa Famosíssima 
de Alotiso de seruanles. 

Cervantes de Saavedra (Miguel de).- a) /.'/ Ingenioso \ Hiáalcju Uon 
Quixote de la Mancha. Cotnpueslo pm Miguel ile Cervantes \ Saauedra. (Gra- 
vura, moldurada num quadrilátero com 10,5 conlimelros de largo e 8 cenli 
melros de altura, representando um çavalleiro de espada desembainhada, c 
n;i frente um soldado a pé, de espada e lança). Em Lisboa. \ Impresso com 
lisenra do Santo Oficia por Iorge j fíodriguez. Anno de ItíOô. 

'i.", !i lis. prel. hm., 219 lis. numeradas pela frente (por crio, o 211) 
está 209) e mais I inn., a 2 col. 

Nas preliminares contem-se informações e licenças; prologo; diversas 
poesias, a saber: «ai libro de Don Qvixote de la Mancha Vrgandá la desco- 
nócida; Àmadis de Gavla a don Quixote ^ la Mancha (sonelo); dou Belianis 
de Grécia a don Quixote de la Mancha (soneto); la sènora Oriana a Dvlziuea 
dei Toboso (soneto); Gandalin escvderd de Amadis de Gaula a Sancho Pança, 
escudero de Don Quixote (soneto); dei donoso poeta entreverado a Sancho 
Pança, \ Roziante (duas decimas); Oilando Furioso a don Quichote de la Mau 
ch.i (soneto); el cavallero dei Febo, a don Quixote de la Mancha (soneto); 
de Solisflan a Don Qvixote (soneto); dialogo entre Babieca y Rozinante (so- 
neto)». 

Kis a informação e approvação : 

•Por mandado do Supremo Conselho da santa, a Geral Inquisição, vi, & 
examinei este liuro intitulado el Ingenioso Hidalgo Dou Quixote de la Man- 
cha. Assi como vay não leua cousa algua dessoante á doutrina Catholica. E 
polia múyla eloquência, & engenho que o Author nelle mostra me parece se 
lhe pode dar licença que neste Keyno se imprima para entertimento, i\r re- 
creação. Dada no Collegio <\r santo Vgustinho de Lisboa a 26 de Feuereyro 
de 605. 

«Frej Vntonio Freyre». 



242 A L1TTEBATUBA HESPANHOLA EM PORTUGAL (62) 



«Vista a informaram podesse Imprimir este liuro intitulado el Ingenioso 

HidalgO Don Quixote, & depois de impresso torne a este Conselho para se 
conferir, 4 sem ella uão correia. Em Lisboa o primem de Marro de <>'>.">. 

«Marcos Teyxeira Ruy Pires da Veyga». 

Exemplar que fazia parte da livraria de José Maria Nepomuceno. Salva 
possuía outro, que descreve sob o u. " 1:544, e nunca tinha visto outro, pelo 
que suppunha esta edição ainda mais rara que as primeiras castelhanas. Eis 
como elle commenta a sna descripção: 

«Se ha dicho constantemente que las dos ediciones madrilenas de Cuesta 
sou primera y segunda; sin embargo yo coloco la de Jorge Rodrigues de Lis- 
boa, como segunda, pues el no tener suprimido el passage antes citado dei 
cap. 26, hace ver que se copio de la príncipe madrilena immediatamente des- 
pues de su publicacion, y asi lo evidencia el llevar una aprobacion de Fr. An- 
tónio Freyre dei 26 de febrero de 1605, es decir, poço más de dos meses de 
haber fechado Gallo de Andrade la Tassa de la original. 

«Si bajo el punto de vista literário las ediciones de Madrid tal vez sean 
preferibles á la portuguesa, esta las avantaja de mucho en cuanto á rareza: 
conozeo alguns exemplares de aquellas: de esta no he cisto oiro». 

Gallardo descreve, sob o n." 1:767, um exemplar pertencente á biblio- 
lheca de D. Pascual de Gayangos. No leilão Miro foi vendido um exemplar 
da l. a e 2. a parte, edição de Jorge Rodrigues, por 1:250 francos. Vide res- 
pectivo catalogo, n." 378. 

b) Segunda pane. | Del Ingenioso | CavaUero Don Qui | xote de la Man- 
cha. | Por Migrei de Cervantes Saave \ dra, Autor de su primera junte. 
Dirigida a don Pedro Fernan | dez de Castro, Conde de Lemos, de Andrade, 
y de Yillidua. | Marques de Sorrio, Gentilhombre de la Câmara de su Ma 
ijes | tad. Comendador de la Encomienda de Penafiel* y la \ Zarca de la Or- 
den de Alcântara, Virrey, Gouerna \ dor, y Capitou General dei Iteyno de 
Napo | les, y Presidente dei supremo Con \ sejo de Itália. (Gravura num qua- 
drilátero, medindo 72 millimetros de comprimento por 50 de alto, represen- 
tando dois cavalleiros alacando-se de lança em riste). De um lado, .1/'/": do 
outro, 1617. Por baixo da estampa : Com lodos as licenças necessárias. \ Im- 
presso Em Lisboa por lorge Rodriguez. 

4.°, 6 tis. prel. iun., 306 lis. numeradas pela frente, a 2 col. 

Nas preliminares: licenças, prologo, dedicatória e tabla. As licenças são 
d'este teor: 

«Podesse dar licença peia que se imprima este liuro intitulado don Qui- 
xote, emendado na forma que agora esta, em Lisboa em S. Francisco de 
Enxobregas a 12 de Agosto de 616. Fr. Luis dos Anjos». 



(63) A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 24.') 

• Vista a informação podesse imprimir este linro intitulado Don Quixoti 
assi emmendado como vaj : & despois de impresso torne a este Conselho pêra 
se conferir A dar licença pêra correr, & sem ella não correra, em Liáboa a ±2 
de Agosto de <'»ic>. 

i Bertolameu da Fonsequa. António diaz Cardoso. 

«Fr. Manoel Coelho». 

«Podesse imprimir este liuro aos -J"> de Agosto de 616 & impresso torne. 
Damião Viegas». 

iDam licença ao suplicante que possa mandar imprimir este liuro intitu- 
lado Don Quixote, visto a que tem do Santo oflicio, 4 do Ordinário, depois 
de impresso tornará, pêra se taxar, 4 sem isso não correrá, em Lisboa a 10 
de Setembro de tilii. Gama. Luis Machado». 

cTaxão esta Segunda parte de dõ Quixote de la Mancha, em duzentos & 
quarenta reis ? papel, em Lisboa a 17 de laneiro de r>l7. 

«Pinto. Machado». 

Exemplar que fazia parte da livraria de J. M. Nepomuceno. .Nu catalogo 
de José Gomes Monteiro havia um, descripto sub o n." ±331. 

Salva não possuiu esta segunda parte, mas refere-se a ella quando an- 
nota a edição de Bruxellas, de 1616, sob o n. 1:553. Eis o período que elle 
consagra a este assumpto: 

«Navarrete cita otra de Lisboa, Jorge Rodriguez 3 con todas las licenças 
necessárias. .1/'/" 1617, 4.°, que debe contarse como cuárta impression, por- 
que haj en ella aprobaciones fechadas hasta el lo de setiembro de 1616 y la 
Tassa es dei 17 de euero de 1617. Supongo que este tomo lo imprimiria Ro- 
driguez para unido ai primero que tengo y dió á luz en 1005». 

c) El Ingenio | so Hidalgo Don \ Qvixote de la \ Mancha. \ Compuesto 
por Miguel de Cer uantes Saauedra. (Dos grabaditos en madera). Con licen- 
cia de la S. Inquisicion. En Lisboa: Impresso por Pedro Craesbeeck. Ano 
M.DCV. 

8.°, 160 lis., sig. ** • AKkk. Portada, verso em branco. Lie: Ti, -l\\ y 27 
Marzo 1605. Prol.; Al libro Urganda la Desconocida. Sonetos à I). Quijote de 
la Mancha, de Amadis de Gaula y de Belianis de Grécia. Oiro de la Sra. 
Oriaua à Dulcinea. Otro de Gandalin á Sancho Panza. Dos décimas dei Do- 
noso, poeta entreverado, à Sancho Panza y Rocinante. Soneto dei Caballero 
dei Febo à D. Quijote de la Mancha. Oiro en diálogo entre liabieca y Roci- 
nante. Texto. 

Exemplar descripto por Gallardo, sob n." 1:766, pertencente a biblio- 
theca de Gayangos. 

Salva não possuía, mas viu esta edição, que descreve emnotaaon. 1:544. 



_"l I \ I.ITII i; V. 1 1 BA III M'A\IIh|.\ EM P0RT1 GAL li'l 



Tanto de uma como de outra edição possue exemplares o Sr. I>. .losé Maria 
As.Mi7.in. d.' Sevilha. 

d) Novelas exemplares d Miguel </<■ Ceruantes Saauedra. Dirigido, 
etc. (Sigue un escudo parecido ai de Guesia; no pude comparar si era el 
mismo puesto en la ciliciou de 1614, que lleva el nombre de este im- 
presor). Con !<>>Ia^ las licencias & aproi\aciones necessárias, em Lisboa. /'«/• 
António Aluar ez. Afio 1*>17. Tosado en la Mesa </<• palácio a 180 reis mi 
papel. 

i." peq. como la impresion de 1614, a dos col.. í hojas prel. y 2:5(1 fols. 
En la ultima se repite la fecha. 

Tal é a descripção que se encontra em Salva, em nota ao n.° 1:746. Na 
Bibliotheca Municipal do Porto ha um exemplar com falta de frontispício e das 
dnas primeiras folhas.' 

Salva sustenta que ;i edição de luan de la Cuesla, Madrid 1614, é suppo- 
siticia, e deve ser considerada de Lisboa, de António Alvarez. Vejam-se as 
razões da sua coujectura, quasi affirmação, em nota ao n." 1:744. 

Um exemplar da edição de 1617, vendido no leilão Miro por 203 fran- 
cos. Vide respectivo catalogo n.° 408. 

é) La discreta Galatea de Migvel ij-rnauh-s Saauedra. Diuidida enseys 
Libras. (Escudo do impressor: um moço, peregrino, deante de uma rocha; 
em volta o dístico: demonstra miki rins iras Domine), dm todas las licen- 
cias necessárias. Em Lisboa, Par António Mame:. Afio 1618. Tasado em 150 
reis em papel. 

8.°, 3 fls. prel. inn., 375 lis. numeradas pela frente. No verso da ultima 
o escudo do impressor, tendo por baixo: Em Lisboa. Con iodas las licencias 
necessárias. Por António Aíuarez. Anno 1618. 

No verso do frontispício as licenças. A do Santo OfReio é do In ir se- 
guinte : 

«Este liuro não tem cousa que empida poderse tornar a imprimir. 
Em S. Domingos de Lisboa, 14 de Iulho de 1617. Erey Thomas de san Do- 



Nas preliminares: Cvriosos lectores (4 pags.): sonetos ao auctor de Lvys 
Galves de Montaluo, don Lvys de Bargas Manrique. Lopes Maldonado. 

Exemplares das bibtiothecas: Nacional de Lisboa, Universidade de Coim- 
bra e Municipal do Porto. 

Gallardo também a descreve sob o n." 1:762. Exemplar de Gayangos, 
Salva suppõe que a edição de Lisboa é feita pela de Baeza, a única em que o 
livro se denomina La disereta Galatea. Estamos persuadidos que houve uma 



65 



líAli li\ IIKSI'AMI 



edição de Lisboa ante ■ á de 1017 >. N'uma edição de Paris, acabada de im- 
primir a li de outubro de I6U, vêem insertas licenças em porluguoz, da- 
tadas de Lisboa a 15 de fevereiro de 1590. (Veja se Gallardo, n. 1:761) \ 
nossa hypothese robustece se com o dizer da approvação acima Iranscripta: 
■Este liuro uão tem cousa que empida poder-se tornai a imprimir». 

I Los trabaios de Persiles, y Siyismvmlo, historia setentrional. Poi Mi- 
guel de Cervantes Saauedra. Dirigido a don Pedro Fernandez de Castro Conde 
de Lemos, de Andrade, de Villalua, Marques de Sorria, GentUhombre de la 
Camará de su Magestad, Presidente dei Consejo supremo de Itália, Comen- 
dador de hi Encomienda de la Zarca, de la Orden di llcantara. (Rectângulo 
enquadrando uma rosa Bwi Lisboa. Com todas as licenças necessárias. Poi 
lorge Rodriguez. \nno 1617. 

í. ", 3 foi. prel. inii.. ^JIS numeradas pela frente, a 2 col. No verso da 
ultima folha: Impressa en Lisboa por Torje liodriguez. Afio M.DC.XV1I. 

Nas preliminares: licenças; a el sepvlcro de Migvel de Ceruantes Saaue- 
dra, Ingenio Christiano, por Luys Francisco Calderon (soneto); dedicatória 
do auetor ao Conde de Lemos: prologo. 



1 Nota. — Sobe titulo A 'Galalea» de Cervantes publicou Sousa Viterbo, no Diário d< 
Noticias de í de junho do 1905, o seguinte : 

• No artigo liililhtiinijihia >■■ i rutiiim . publicado ii" liuinn de Noticias de ' «lo maio, des- 
crevi uma edição da Galatea, sahida dos prelos de António Alvares, em Lisboa, no anuo de 
1618. Alii. fundando-me em dois factos, aventava a hypothese de que anteriormente a Galalea 
já havia sido impressa em Lisl 

«O Sr. Jordão de Freitas, distincto bibliographo e conservador da Bibliolheca da 
Ajuda, leve a amabilidade de me communicar pessoalmente a confirmação da minha hypo- 
these. A prova nã lategorica, absolutamente positiva, mas é tilo convincente, embora nSo 

seja directa, que nSo poderá deixar de ser acceita por todos os espíritos, ainda os mais me- 
ticulosos. 

«Na Bibiiotheca da Ajuda existe um exemplar da edição de Paris de 161.1, descripta no 
Eusayo de Gallardo, e custa a crer 10 este notável bibliographo, alias ISo curioso de inves- 
tigar ioda- as particularidades interessantes, que se podem saccar das folhas preliminai 
tivesse ligado a devida atlençâo á advertência de César Oudin, sob o titulo de «A los estudio- 
sos j amadores de las lenguas estrangeras» 

«Foi o que loz o Sr. Freitas e nSo perdeu o tempo com a leitura d'esta peça. Oudin, que 
era um erudito e um polyglotta, linha especial affeição pela litteralura he panhola e viera á 
península em 1610 paia recolher livros de'prazenteiro entretenimento, divulgando-os depois 
na sua pátria. I»>/ elle que procurara a obra de Cervantes por Ioda a Castella e outras partes 

sem ler a felicid ide de a alcançar. Vindo, porém, a Portugal, em ontr sm Évora exemplares 

de uma edição feita em Lisboa, a qual era baslanti defeituosa lanto na parte,malerial como na 
parte iitterafia, la liando lhe até alguns versos e linhas em prosa Apesar disso, serviu sed'ella 



246 A LITTERATURA HESPANHOLA KM PORTUGAL (60) 



A informação do Santo Officio reza assim: 

«Este liuro emendado como esfá não tem cousa qne impida poderse im- 
primir, por quanto contem honestas historias, & grande recreação, posto que 
fabulosas. Em São Domingos de Lisboa a \? de Abril de 617. Fr. Thomas 
de S. Domingos». 

Exemplares das bibliolhecas Nacional de Lisboa e da Universidade de 
Coimbra. 

Um exemplar da livraria Innocencio (n.° 392) foi vendido em leilão por 
100050 réis. 

Gallardo descreve também, sob o n.° 1:783, um exemplar pertencente ;i 
bibliotheca de Gayangos. 

Céspedes y Meneses (Gonzalo de). — a) Varia \ forlvna \ dei soldado | 
Pindaro. \ Por dou Gonçalo de. Céspedes y Meneses vezino e na \ lurai de Ma- 
drid, j .1/ Excelentíssimo sefior dou Manuel Alonso Perez de \ Guzman el Bueno 
Duque de Medina Sidónia. (Escudo do impressor i. Cem Iodas las licencias ne- 
cessárias. | Lisboa. Por Geraldo de la Vifía. 626. 

4.°, 4 fls. prel., 188 fls. 



para a edição de Paris, eorrigindo-a convenientemente. Merece vulgarisar-se a confissão do 
Sr. Oudin, que é iio theor seguinte : 

«A los estvdiosos y amadores de las lenguas estrangeras. S. — Llevome la euriosidad a Es- 
pana el ano passado, y mouiorae la misma estando alli, a que yo buscasse libros de gusto y 
entretenimiêto, y que fuessen de mayor pronecho, j conformes a lo que es de mi profession, 
y lambien para poder contentar a otros curiosos. Ya yo sabia de algnnos que ofros vezes auian 
sido traydos por aca. pêro como tuuiesse principalmente en mi memoria a este de la Gala- 
tea. libro ciertamente digno (en su género) de ser acogido y leydo de estudiosos de la len- 
gua que babla. tanto por su eloquente y elaro estilo, como por la sutil inuencion, y lindo en- 
treteximiento, de entricadas auenturas y apazibles historias que condene. De mas desto por 
ser dei autbor que inuento y escriuio aquel libro, no sin razon, intitulado El inr/eniosn hidahjo 
dou Quixote de la Mancha. Busquelo casi por toda Castilla y aun por otras partes., sin poderle 
bailar, basta que passando a Portugal, y llegando a vna ciudàd fuera de cambio llamada 
Euora, tope con algunos poços exemplares: compre \no dellos, mas leyendole vi que la iin- 
pression. que era d^ Lisboa, lenia amenas erratas, no solo en los caracteres, pêro aim falta- 
uan algunos versos y réglones de prosa enteros (lorregiloj lemendelo, lo mejor ijue supe; 
tambien lo he visto en la presente impression, para (pie ^aliesse vn poço mas limpio y cor- 
recto que antes. Ruego os pues lo recibays cou lâ buena volfltad, como es las que luue siem- 
pre de seruiros, basta q y dõde yo pueda =C. ovdins. 

«É evidente que se fez em Lisboa uma edição da Galalea não só a anterior á de 1618. 
mas ainda antes de 1611, sendo muito provavelmente de 1590. pois as licenças sã«> de feve- 
reiro deste anuo. O que resta agora saber é o nome do impressor. 

«Ter-se-ha, perdido completamente esta edição, ou poderão os bibliopbilos nutrir a espe- 
rança de que venha a apparecer qualquer dia algum exemplar inesperado?» 



(67 I A LITTERATI li \ HESI'ANHOLA EM i 



\~ licenças são de Lisboa: 8 de janeiro e 6 de fevereiro de 1625. De- 
dicatória subscripta por o auclor. «Al tectom. Erra la. Texto. 

Exemplar pertencente ;i bibliolheca il-' Gayangos; vem descriplo v,,i, 
u ii. 1:793, ii" Ensayo de una Biblioteca espaõola </. livras raras >/ curio- 
sos, de Gallardo Parece ser a edição princeps. Vide lambem Salva, sob 
n.' I:7f,:t. 

b) Primera parti de la historia de /'. Frlippe el llll. Rey delas Espanas. 
Por Dou Gonçalo ih- Céspedes// Meneses. (Armas reaes hespanbolas). Al e.i 
iil:-- seíioi Don lorge de Cardenas Manrrique, duque de Najara, y Maqueda. 
(Outro brasão de armas, decerto as de D. Jorge). De um e oiítro lado: Immú 
de 1631. Em Lisboa, con licencia la imprimio Pedro Craesbeeck. 

Folio, :i (Is. prel. inn., <ii>7 pags. a 2 col. 

Nas preliminares: Duas approvações do Santo Officio, uma do Dr. Fr. Ma- 
ouel de Lemos, outra de Fr. Thomaz de S. Domingos Magister. Licenças da 
Inquisição, do Ordinário, do Paço. Taxa do livro a dois cruzados em papel. 
Dedicatória do auctor; epistola ou elogio ao auctor de Francisco Tello, Le- 
gionensi, em latim. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

i Poema iragico dei Espaííol Gerardo, y desengano dei amor lascivo. Pri- 
mera y segunda parte. Nvevamente corregido y emendado en esta vitima im- 
pression por don Gonçalo de Céspedes y Menezes, vezino ij natural de Madrid, 
s/i mis-mo {utor. I don Gomez Svarez de Figveroa y Cordoua, Duque de Fe- 
ria, Marquez de Villalua, Sefíor de las casas de Saluatierra, Comendador de 
Segura de la Sierra, Virrey y Capitam General dei Rei/no de Valência. Afio 
(escudo do impressor) U>'2õ. Con todas las licencias, // approuaciones necessá- 
rias. En Lisboa. Por {ntonio Munir:. ) a su costa. 

i. . .'i II.-. prel. inn., ~2'M fólios. 

No verso do frontispício informação e licenças. 

\- preliminares conieem: Dedicatória; S to de D. Sebaslian de Cespe 

des y Menezes ai duque de Feria; \l lector prosa ; 2 decimas dei Maestro 

Espinel ;i don Gonçalo de Céspedes y Menezes; S los de I». Francisco Da 

ualos y Orozeo. Luis Velez de Gueuara, Gonçalo de \,\;il;i, dona Beatriz de 
Zuniga y Alarcon; Epistola a los lectores de Sebastião de Céspedes y Mene 
zés; Al Lector e El Poema ;il lector (sonetos). 

A primeira parte acaba com o folio 123 (por erro 223). 

A segunda parte Inn frontispício á parte e no verso: «Al lector». Dois 
fólios innumerados, com poesias de diversos: de D. Francisco de Avalos j 
Orozeo ;i L). Gonçalo de Céspedes j Menezes; Felipe Bernardo dei Castillo, 

IIist. e Meu. da Acad— Tom., mi pabte n.— N.° S 



[48 A L1TTERATURA HESPANHOLA HM PORTUGAL (08) 



l>. Diego de Agreda, I». luan Bui/ de Alarcon \ Mendooa, D. Bernardo Ber- 
mudez Caruajal, luan de Vergara de la Seroa, Goriçalo de \\aia. 

\;i epistola de l>. Sebastian de Céspedes ha a seguinte allusão a Camões: 

Si fuera oiro famoso tau di ci elo 
como desuanecido \ arroganti . 
hipócrita quica de lo perfi to. 
Que pudiera medir con el Gigante 
Apolo Português, honor de Espana 
sii balbuciante Musa > lira infante. 

Exemplarei da Bibliotheca da Ajuda e Biblioteca Municipal do Porto. 
Descripta em Gallardo, sob o n.° 1:799, que desereve também outra edição 
do mesmo impressor, sob o n.° 1:796. 

d) No catalogo dà livraria de Joaquim Pereira da Costa (Lisboa 1873) 
vem descripta outra edição da Varia fortuna dei soldado Pindaro, Lisboa 1640, 
8." Vide Q.° 'í-Ví. 

Céspedes y Velazco (Francisco de). — Tratado | de la gineta provechoso 
y breve \ Compuesto por el Capitan Francisco de j Céspedes y Velazco. Vezino 
II natural de la Vttla de Moguer. \ [no (escudo do auctor) 1609. | Dirigido 
ai Scítor ilaii Gaspar de Guzman, Conde de Oliuares, Alcaijde de las Meneares 
i/ Maraçaiuis reales de Seuilla. Y Comendador de Biberos \ ilel abito de Cala- 
iraiia, &c ! Em Lisboa, par Luys Estupinan. 

8.", 16 folhas, sign. A-B. Portada, verso em branco. Dedicatória (n'ella 
falia de luan Gallardo de Céspedes, irmão do auctor). Al lector. Composições 
laudatorias de Melchor de Salablanca, D. Pedro de los Rios Osório. 1>. Fran- 
cisco de Paz Balboa, y Don Baltasar de Salablanca. Texto. 

auctor, segundo as composições laudatorias, esteve por varias vezes 
em alem-mar. 

Exemplar da bibliotheca de Gayangos, descripto por Gallardo sob o 
u." 1:792. 

Cevallos (P.). — Discursa apologético por la devocion ai Sagrado Corazon 
de Jesus. 

En Lisboa, en la olíicina de António Bodriguez Gallardo, 1800. 8.°, 
209 pags. 

Bibliotheca da Ajuda, cc-7-13. 

Vide Zehallos. 



(69) \ L1TTERATURA IIESPANHOLA EM PORTUGAL 249 



Chafrion (Bartolomé). — Arte universal de la guerra dei Príncipe fíay- 
mundo Montecttcoli TmienU general de las \rmas dei Seuor Emperador. Tra- 
duciílo de Italiano en Espniiol, por Dou Barlolomé Chafrion Alferez di Infan- 
leria Espanola dei Tercio de Vidência. Kn la Itnprenta de Miguel Wanescal Im 
prtssoi do Santo Officio. \no 1708. 

Tem anle-roslo gravado e na parle inferior da gravura: Arte vniuersal 
de la gverra, 

l vol. 16.°, 20 pags. prel. inn., 142 pags. com estampas desdobráveis. 
Nas preliminares: dedicatória a Feliz Joseph Macliado de Mendonça Eça Cas 

tro de Vasc :elos mestre de campo do terço velho da guarnição dè Cha 

ves. Ê assignada pelo capitão Joseph Velloso Barros. Além da dedicatória, 
tabla. 

Exemplar de Macedo Braga. 

Chaves (Hieronymo de . Chronographia o reportório de los tiem pos, 
el mas copioso y preciso que hasta ahora \ ha solido a In: | Compveslo por 
Hieronymo de Chaves Aslrologo ij Cosmographo. 

Retrato do auctor, de gravura em madeira, num medalhão oval, met- 
iíiIh n'um quadrilongo, tendo em volta a seguinte legenda: Virtus in infirmi- 
late perficitur. 

Afíadiose l en esta vitima impression una Tabla perpetua para sabe) las 
Limas | nueuas: y otra regia y tabla perpetua para sabei' la liara de la ma- 
rea: i) assi mismo otra tabla perpetua de las fiestas mouiles. \ Con licècia dei 
cõsejo general de la saneia Inquisiciõ, i) Ordinário. \ Con privilegio. 

1576, i.°, de vm inn., 188 (Is. numeradas só na frente e n inn., con- 
tendo a tábua das luas novas e a das marés, em portuguez. Nu verso da fo- 
lha 188 acha se a seguinte subscripção: 

Aqvi fenesce el reportório de Hyeronimo de. Chaues, el mas copioso qiu 
hasta agora lia salido a luz Foi impresso em Lisboa por íntonio Ribero. Inno 
1560. 

No verso da folha de rosto encontram se as licenças para a impressão, 
e m;i folha seguinte um prologo de João de Hespanha Liureiro ao Cândido le- 
ctor, no qual, fallando dos motivos que o deliberaram a reimprimir este livro, 
diz: ... & vendo quanto proueito recebem todos dos liuros que chamamos 
Reportorios, quando são c impostos com a erudição & prudência que a ma- 

leria requere, determinei polia obrigação que tenho de u officio & desejo 

qne em mim mora de seruir á Republica, imprimir este, que cõpoz o licen- 
ciado Hieronymo de Chi s natural de Seuilha, q d'esta matéria se pode affir- 

niar (sem fazer agrauo a alguém) que tractou melhore mais copiosamête que 
quantos ategora d'ella escreueram, &c». 



250 A I.IITKUAII HA «ESPANHOLA EM POBTUGAL (70) 

Aproveitamos esta descripção e transcripção das Cartas bibliographicas de 
Vnnibal Fernandes Thomaz, 2." serie, pag. 31. Pelo trecho transcripto se w 
que Chaves Qão é portuguez como suppoz Innocencio. {Diccionarió, I. m, 
pag. 259). 

Na Bibliotheca Municipal do Porto lia um exemplar. Vendeu-se outro no 
leilão do Marquez de Gaslello Melhor (u." 430). Outro na Bibliotheca da Ajuda. 

Chaves (Fr. Thomaz). a) Svnima sacramentorum cr doctrina Fraticisci 
Victorij Dominicani saem Theologiat olim apud Salmãticã Prhnarij professo- 
ris. F. T/mina Chauio eiusdem ordinis authore. Olysippone. Apud loanmm 
Barrerium. Typ. /(• M.D.LXHU. 

i vol. 8.", :{ lis. prel. inn., 220 lis. numeradas pela frente, afora Tabula. 
No liiu leni: Impressvm Vlijssipp. Per loannem Barrerium. Quintus idas Au- 
gust. MDLXII1L 

Nas preliminares, prologo em latim de João de Barreira, no leitor, e carta 
de Thomaz de Chaves, egualmente em latim, ao reverendo Francisco Perez. 
D'esta edição falia Ribeiro dos Santos (pag. 103). 

b) Svmma, etc. Conimbrim. Apvd loannem Barrerivm. typographum re- 
f/irm. tôtíO. — No l i ih : Conimbrico?. Excudebat loannes Bairerius Typogra- 
phns Regius. Amo Domird. MULXVL vj Calendas Aprilis. 

I vol. 8.°, 1 foi. prel. inn. 230 numeradas pela frente, afora Tabia. No 
frontispício, por baixo do titulo, o escudo que usava Luiz Rodrigues, o dragão 
enroscado e encimando uni tronco com a divisa salvs vite. Esta edição não 
traz o prologo riu latim do impressor, que vinha na edição de 1564. 

A approvação é de Fr. Manuel da Veiga e diz: «Vidi totum hoc opus, & 
nil in eo inueni quod pias aures possil ofifenderes. 

c) Svmma, ele. lime mdilioni accesserunt multes quaistioms, ex sanclo- 
rum Concilioru decretis, preeserlim Tridentini, & alioru, qua; antea desiãera- 
batur, cura & studio, H. V. F. ThomiB >i Chaues. (Monogramma da Compa- 
nhia de Jesust. Vlyssipone. Excudebat Emmanuel de Lyra. Expensis Symonis 
Lope: Bibliopolce. Anuo, MDLXXXII. — No verso da ultima folha da Tábua: 
Olyssippòne, Apud Luram. M. D. LXXX1I1. 

Exemplares da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

d) Sriitma Sacramentorum ecclesiae, ex doctrina fralis Francisci à Victo- 
ria, ordinis PrinlicatoiHin. apud Salmanticam olim primar ij Cathedi atici, per 
Reuerendum pairem Pratsentatum Fruírem T/tomam à Chaues illius discipulum. 
Ad (Ilustríssima ae Reuerêdissimum dfvm D. Gasparê à Stuftiga & Auellaneda 



I 7 I I A L1TTERATURA HESPANHOLA I '.M PORTUGAL '2~> 1 



Archiepiscopu Cupostellanu. Huic ea lertia [uthoris recognitione, num denuò 
multo plures '/uniu antea quaestiones accesserunl, necnon & «incluíam Conct 
liorum, prwsertim Tridenlini, & aliorttm decretis aueta, focupletata, <//</ Mus 
trata est. (Estampinha: Chrislo entre n Magdalena e S. João Evangi 
Conimbricae, In cedibtis Intonij à \iaris, Vniuersitatis Typographi. Anno 1573. 

Impressa com licença dos Deputados da Santa Inquisição. 

8.°, 3fls. prel. inn., is'i [is. uumeradas pela frente. No verso doía: 
Conimbricae. Exçudebat \nlonius à l/am, Vniuersitatis Typographus. Anno 
Domini. i/. D. LXXII. Wenst Souembri. Segue-se Tabula innumerada. 

Innocencio, baseando-se cm Barbosa Machado e Fr. Pedro Monteiro, dá 
a Tbomaz de Chaves como porluguez. Não esta, porém, averiguado este ponto. 

Nicolau Vntonio ili/ o seguinte de Tbomaz <lr Chaves: 

«Tliomas de Chaves — ordinis Praedicatorum collegil ia schedis suinmi 
viri Francisci Victoriae pariter Dominicani alumnus ipse Stephanise ad Sal- 
manticam domus». 

I vol. 8.°, l-:> (Is. numeradas pela frente, afora Tabula. 

A approvação é de Fr. Bartholomeu Ferreira: 

«De mandato lllustrissimi & Reuerendissimi D. D. Georgij de Almeida 
Archiepiscopi Vlyssiponensis dignissimi, vidi summam hanc de Sacramentis 
Magistri Fr. Francisci de Victoria, & indico dignam que, prelo tradatur, ex 
puncto loco í 1 lo in matéria de Baptismo questione 38, vbi dicitur, Inter patri- 
niim vero filiosq; ejus, & baplizatum contrahitur affinitas spiritualis. Decreuil 
enim postea sacrum Concilium Tridenlinum oppositura, Sess. 24. de refor- 
matione malrimonii, cap. -' . 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Chaves Masa (D. Pedro de). — Llanlos fúnebres a la sentida, lamenta- 
hlv. ... muerte de la... scfiora dofía Maria Sophia Isavel de Neoburgo reyna 
de Portugal; que consagra y dedica... don Pedro de Citares Masa, su au- 
tor. ■ ■ Lisboa. ■ . in la Imprenta de Hermínio da Costa. Ano 1699. 

i. ". 14 pags., .i ultima das quaes inn. 

Collecção Barbosa Machado, n.° 548. 

Claramonte (Andres de), ftelacion dei nascimiento dei nueuo In fã ir. y 
de hi muerte y enlierro de la Reyna nueslra Seãora. Escrita en Ires Romances 
por Andres de Claramõte. — No lim : En Coimbra Impresso con licencia de la 
Santa Inquisicion, por Diogo tíomez de Loureyro. 1611. 

'i.'. 'i lis. inn. 

Exemplar da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 

Collecção de Barbosa Machado, n.° I is. 



252 A UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (72) 

Este escriptor é por certo o poeta uespanbol Andres de Claramoule j 
Corroy, auctor da Letania morai que Gallardo descreve desenvolvidamente 
uo seu Ensayo de una biblioteca, sob o a.° 1:843. Não encontrámos, porém, 
uem em Gallardo nem em Salva, noticia da Relacian, que e portanto a pri- 
meira publicação de Claramonte. A Litania é de 1612^-1613. 

Collaz08 (Baltbazar). — Nicolau António diz apenas que elle era natu- 
ral de Paredes de la Nava, e que publicou duas obras: Comentários de 
la fundaáon, impressa em Valência em I-jG(í, e a seguinte, impressa em 
Lisboa: 

Diecisiele Colóquios, y Discursos de nulos asuntos. Videlicet inter alia: 
Que se sustenta con trabaoco la honra sin hacienâa. Trabaxos de ta guerra, y 
lo mal que $e medra. Que el oficio de legisla, y Mercader es noble. Que el mundo 
siempre ha sido de una numera. La vida de galera. Grandezas de Sevilla. De- 
claracion de algunos ofícios y nombres militares. Olysipone apud "Emmanuelem 
Joannem, 1578. 

I vol. 8.° 

Comedias.— a) Doze Comedias las mus famosas que asta ama han sa- 
lido de los mejores, y mas insignes Podas. Tercera parle. Dedicadas ai Se- 
íior Lvis de Sovsa, etc. En Lisboa. Con todas las licencias necessárias. Por 
António Aluarez Impressor DelBey N. S. Anno 1649. Taixão estas Come- 
dias a dons vintes cada hàa. Lisboa a 17 de Dezembro de 1648. I. Pinheiro, 
T. Pinheiro. S. César. Coelho. A casto de Iuan Leite Pereira Mercader de 
Libras. 

i.°, "1 pags. piei. inn., Í80 pags. 

No verso do frontispício, licenças e indice das comedias. Eis os seus tí- 
tulos e auctores: 

Mas valera callarlo que no dezirlo.— D. Geronymo Villayzau; 

.1 m tiempo lley, y Vassalo.— Ires ingenios:; 

Mudanças de la fortvna e firmezas dei amor. ChristovaJ de Monroy; 

Lo mas priva lo menos.- -Diego António de Cifontes; 

Enganar para reynar. — António Enriqvez Gomes; 

Todo svceda ai revés. -D. Pedro Rosete Nino; 

Babilónia de amor. — D. Fadrique de la Camâra; 

/). Florisel de Niquea. — Doctor Ivan Perez de Montaluan ; 

Por el esfverço la dicha.— D. António Coello; 

Amor, Ingenio y Muger. — Dòctor Mira de Mescva; 

Galau, Tercem y Marido. — Alonso de Sousa: 

No aii culpa donde ag amor. — Bachíljer Ivan de Vega Beltran. 



73 I A L1TTKH \li II V HliSRANHOI.A EM l'l R'l 253 



i io Leile Pereira : «Delibereime ;i sair a luz cu este 
terceiro volume de Comedias, fruto dos mais polidos engenhos, que a repu- 
blica literária em >i conte: etc.» 

Exemplar .la Real Bibliotheca da \juda. 

Barrera também descreve esta edição (pag. 708). Salva refere se a ella 
ii." 1:226) mas designa o impressoi pilo nome de .\lonso, em vez de Antó- 
nio. A indicação de Tercera parti dá a entender que talvez se tivessem pu 
blicado em Lisboa as anteriores. Barri ra diz que Uonso de Sousa é porlu 
guez, i' que é mais mu nome a accresceutar a Bibliotheca Lusitana, de Bar- 
bosa Machado. 

/" Barrera descreve mu tomo de Cm, m/tus, adquirido por D. Pascual de 
Gayangos em Portugal, que não tem frontispício especial, tendo cada uma das 
rui lia- paginação a parle. Contém : 

El conde 'Ir Sex. De I». Vntonio Cocllo (segundo diz ; 

Progne ij Filomena. De Bojas Zorrilla; 

Lu mayor hazana de Portugal. Sem nome de auctor, mas é de Manuel 

de Araújo de Castro. No lim d'esla uma folha c< i escudo do impressor e 

o colophon: Em Lisboa, com todas as licenças necessárias. Por António Alua 
rez, Impressor dei Rey nosso Senhor, Anno de 1645; 

El Mariscai 'ir Viron. De VIontalban; 

Ofender con las finezas. De Villayzan; 

Peligrar en los remédios— De Rojas Zorilla; 

/•;/ cataian Serralonga. !»'■ D. Vntonio Coello, Rojas Zorrilla y Luis 
\i'liv. de Gucvara. No lim este colophon: En Lisboa por António AluareZj Im- 
pressor dei Reg. \im>< 'Ir 1645; 

Sn liai/ amigo para amigo. De Rojas Zorrilla; 

Obligados y ofendidos.- De Rojas Zorrilla; 

Sufrir mas poi querer mus.-- De Villayzan; 

.Ví) hay w pthlir siendo Rey. De Rojas Zorrilla. 

I, Doce Comedias las mos grandiosas qve hasta aora han solido, De los 
mejores, y mas insignes Poetas. Aora </< nueuo impressas. Dedicadas a António 
Pestana de Miranda. Lisboa. Con licencia. Por Pablo Craesbeeck. A costa de 
Felipe George mercada de libros. Afio 1653. Vendese en la Rua noua en su 
casa. 

í." 

Approvação do Dr. Frey Adrião Pedro, Lisboa 7 de novembro de 1652. 
Licenças, Lisboa lá, 15 e 16 do mesmo mez e anuo. Outra approvação do 
mesmo censor, 13 de julho de 1653. Nova licença, Lisboa 15 de julho de 



!_'-Vl a LITTKRATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (74) 

1653. Taxa, 17 de julho de 1653. Dedicatória do editor George ao Sr. Antó- 
nio Pestana de Miranda, escrivão do crime da Curte, datada de Lisboa a í) 
de julho de 1653. Tábua das comedias. 

Este raro e apreciável livro, que D. Pascual de Gayangos adquiriu em 
Portugal, é uma reproducção, quasi por metade, respectivamente., dos iuii- 
lulados: El mejor de los mejores libros que han salido de comedias nuevas 
(Alcalá 1651, Madrid 1653), do qual contém 7 peças, e Flor de las mejores 
doce comedias de los mayores Ingenios de Espafía (Madrid 1652), do qual com- 
prehende cinco. 

São, pois, as peras seguintes,: 

El Cain de Cútalufia.- De Rojas Zorrilla; 

El Príncipe perseguido. De três auctores (diz na Tábua). É de licl- 
monte, Mordo e Martinez. Na epigraphe do texto se attribue a Moreto; 

El Príncipe prodigioso.— De dois auctores (diz a Tábua). É de Mattos c 
Moreto. No texto se attribue a Mattos; 

El garrote mas bien dado. — De Galderon; 

La Luini de la Sierra.—De Luiz Velez de Guevara; 

A gran dano gran remedia.— Na Tábua attribuc-se a D. Rodrigo de Her- 
rera e no texto a Villayzan, a quem pertence; 

El CabaUero de Olmedo.— De Monteser; 

El pleito qae puso ai diablo el Cara de Madrilejos.- -De três ingeuios. .No 
texto expressa os seus nomes: Luiz Velez de Guevara, primora jornada; Ro- 
jas Zorrilla, segunda, e Mira d'Amezcua, tercera; 

El privado perseguido. — De Luiz. Vide/ de Guevara; 

Celos na ofenden ai sol.— De Enriquez Gomez; 

Competidores ij amigos.— De D. António de Huerla; 

La guarda de si mesmo. (No texto diz: El guardarse a si mesmo). De 
Galderon. 

Barrera, pag. 709. Salva também a descreve, sob o ri." 130. Diz que 
o volume tem 4 lis. prel. e 498 pags. 

d) Comedias de los mejores y mas insignes Ingenios de Espana. 

Lisboa 1652, 4." 

Tal é a suecinta descripção de Barrera, que apenas logrou ver um exem- 
plar incompleto pertencente a D. Pascual de Gayangos. Salva também pos- 
suía um exemplar nas mesmas condições (n.° 1:190) e deu o titulo segundo 
os apontamentos do Sr. Duran. Coincide com o que lhe dá Barrera. com 
uma differença apenas. Aonde o Sr. Barrera põe Ingenios traz Salva Pãe- 
las. O barão de Sehack também citou este volume, que contém as seguintes 
comedias : 



(70J A UTTERATORA HESPANI10LA EM PORTUGAL 25ÍÍ 

II principi constante. De C iltleron ; 
/•,'/ conde Alar cos. De D. Guillen de Castro; 
El pèrfecto caballero. De D. Guillen de Caslro; 
/.</ batalla dei honor. De Lope ; 
Reinar despues de morir. De Luiz Velez de Uuevara; 
/.-/ y/r ////r,A /i/ porfia. De Coello ; 
Lo jwe mi// juicios 'hl ci' In. |ii' Montalban; 
Errar princípios de amor. De Rosete; 
Ar/ ///////o/- hazafía de Carlos V. — De Jimenez linciso; 
Lances de amor e fortuna.— Da Caiderou ; 
Envidias vencen fortunas.- De Monroj ; 

/•:/ pjemplo mayor de la desdicha. -De Lope (a quem ú allribuida), mas 
é d.' Mira d'Amezcua. 

Sue/los //.//. 7//-' -1// verdades 1/ l>. Phelipe I 7. ph Estremadura. Comedia 
nueva. — Tem no fim: Inipresso en Lisboa. 

í.". -2\ pags. 

Numa Miscellanea da Bibliotheca Nacional de Lisboa (11." 2:922 verme- 
lho lia umas poucas de comedias da mesma época e mais mu menos referen 
tes ao mesmo assumpto, ;i saber: 

.1/ freir de los hvevos; 

No liiu/ tiempo qve no se (legue, entremes ; 

tfazir cuenta sin la huespeda, Zarzuela qne se representa actualmente en 
Yilln Viciosa de Portugal, Recreo dei Rey Dou Palio: Zaragoça 1704. 

j Comedia famosa dei Recibimienlo que le hizo el Rey D. Pedro de Por- 
tugal nl Archiduque Carlos. Primem y segunda jornada.— Gafa uma d'ellas 
de í fls. in í.". lendo no fim: /•.'// Lisboa, con las licencias necessárias. Afio 
de 17 a 1. 

Promelte terceira jornada. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional th- Lisboa (n.° 2:922 vermelho). 

Compendio ild derecho <ii' la Augustissima Casa de Áustria a la sueces- 
sion de Espafia.- No verso da ultima folha: Lisboa, na Oficina de Valentim 
1I0 Cosia Deslandes, Impressor de Sua Wagestade. Anno 1704. 

i.°. 29 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa (n.° 15:179). 

Copia de la caria qve embio a m Magestad el gran Turco, Soldan Soli- 
mini Hamet. Tambien se dá comia dei grandioso presente une h> presente. Na 



•Jõli a LITTERATUKA HESPANUOLA EM PORTUGAL (70) 

seguada pagina, em continuação: Relacion de la alegre entrada en público, 
que hizo en Roma el excelente sefíor don Fernando Enriquez Afan de Ribera, 
Duque de Alcala, Embaxador extraordinário por la Católica Wagesta-d dei Rey 
don Felipe Quarto nueslro sefíor. \ 27 de Mio desie afio de 1625. — No fim, 
depois das licenças: Em Lisboa. Por Geraldo da Vinha. Anno 1625. 
Folio, 'i pags. 

Corduva y Figueroa (D. Diego e D. Joseph de).— Ia gran comedia Ren- 
dirse a la obligacion. De Don Diego e Don Joseph de Corduva y Figueroa, caval- 
leros de In Orden de Alcântara. — No hm: Lisboa. Con todas las licencias neces- 
sárias. Em In emprenta de Bernardo da Costa Carvalho, Afio de 17<>7. A cosia 
de Manoel de Figuerelo Mercader de libros. A S. António. 

I vdI. 'i.°, 40 pags. 

Tem na primeira folha o numero da serie 88. Ter-se-hiam publicado 
mais em Lisboa? 

Cortez 'Geronimo). — El curioso de vários secretos de naturaleza. 

Lisboa 160 1, 8.° 

Indicação de Garcia Peres, de Setúbal. 

Courelia (Fr. Jayme de).— Por alvará de 21 de fevereiro de 1693 foi 
concedido privilegio por cinco annos ao livreiro Manuel Lopes Ferreira, de 
Lisboa, para a impressão e venda do livro de Jayme Courelia, Plalica dei con- 
(icionario. 

Deslaudes, Documentos, parte i, pag. SI. 

a) Pratica dei confessionário, Lisboa 1693, 1 vol. foi.; 

In Idem, Lisboa 16í>4-1695, 2 vols. foi.; 

ci Idem, Coimbra 1708, 2 tomos ou 1 vol. foi.: 

d) Idem, Coimbra 1721, 2 tomos ou 1 vol. foi.; 

e) Summa de la Theologia moral, Lisboa 1696, I vol. foi. 

Vide Catalogo da Bibliotheca Municipal do Porto (Leilão) n. os 1:046 e 
seguintes. 

a) Pratica de d Confessionário, y explicacion de las proposiciones conde- 
nadas por la Saiitidad de N. S. P. Innocencio XI. y Alexandre Vil. Su imi- 
tiria, Ins casos mas selectos, ele. Decima quarta impression. . ■ I ij II parte. 
Consagrala a In emperatriz de Ins Cielos Mina Santíssima Nossa Senhora el 
R. m0 P. Fr. Jayme de Corella, capvchinho, ex-leclor de theologia, missionário 
apostólico, ij Predicador de Sn Mai/estad, Jjiju de la Santa Provinda de la 



77 \ i II II RATURA Hl SPANHOI.A I.M PORTUliAL 25i 



Puríssima Concepcion, dei Reyno de Navarra, &c. En Lisboa. Enla Emprenta 
de Manuel Lopes Ferreyra y u su cosia. M.DC.XCV. 

:i<> pags. prel. inn., 193 p 

A segunda parte tem frontispício especial, mas a numeração prosegue. 

Um). Drama impression. M.D.C.XCJII. Mesmo impressor). 
Será edição a valer, ou ;i de IC9S repetição d'esta? 

c Summa dela Theologia Moral, ele. St avlhor el rever endis. I' /•/. Jaymv 
Corella Savarro, '-ir. Primera Parte. En Coimbra. Na Officina 'ir loam Antu- 
nes. Anno de 1694. 

I vol. foi., 212 pags. 

Idem. Segunda parir. Lisboa. En la Emprenta </< Manoel Lopes Fer- 
reira, ii a su costa. M.DC.XCIV. 
1 vol. foi., 283 pags. 

Suma J, i,i Theologia moral, l e II Parte. En Listam. Eu la Emprenta 
ilr Manuel Lopes Herrera, y a -" costa. MDCXCVI. 

I vol. foi., tendo ;i primeira parte -I- pags. e ;i segunda i's:i. 

Cruz Fr. Juan Ar la).— a \ 'uma bonita portada gravada o seguinte 
titulo a preto e encarnado: Historia de la Tglesia que llaman Ecclesiastica y 
triparttía: abreuiada y trasladada de latin en Castellano: por vn denoto Reli- 
gioso de la orden de s mio Domingo. Con privilegio real. Mil DXLi. 

1 vol. foi., lypo gothico, 7 Qs. prel. inn., 171 lis. numeradas pela frente. 
Nas preliminares contem-se: dedicatória a D. João III. prologo do interprete 
ao leitor, avisos e tabla. 

No lim : A '■'•'/ de Dioa y de la gloriosa Virgen Muna se acabo de impri- 
ma la presente hisloría de la Yglesia de Dios. Agora nuevamente trasladada de 
latin en romance por vn <l< noto padre de la ordè de sanl Domingos. La '/uai 
fue vista y examinada por los reueièdos padres: el Prior d' sanl Domingos d la 
dicha ciitdad // fray Alexo de Sancta Maria subprior y fray Chrisloual de Vai- 
buena. Que por el sefior Infante 'l" inrriq inquisidor general en estos Reynos 
d' Portugal tienen cargo de examinar los libros que se hahde empremvr y leer. 
Y dizen que la (raduzion esta fiel y prouechosa para que elpueblo la leu. ) por 
tanta dieron licècia a Luys Rodrigwz librero delRey qw la emprima: y firma- 
ronla de sus nombres. kabose en la muy noble y leal ciitdad de Lisboa a x\ 
de Octubre 1541. 

N'este exemplar não se declara o nome do Lraductor, mas sim na segunda 
edição, cuja descripção passamos a fazer. 



258 A L1TTKRATURA HKSWANUOLA EU PORTUGAL (78) 



N'uma portada gravada o seguinte titulo: 

b) Hystoria de la Yglesia que liamã Ecclesiastica y Triparlila. Abreuiada 
ii trasladada de Latin en castellano por vn Religioso dela orden de saneio Do- 
mingo. ) aora nueuamente reuista y cotregida por el mesmo interprete. Afio de 
MDLHII. i.oii priuilegio real. 

No verso do frontispício uma nota manuscripta acerca da raridade do 
livro, mencionando os auetores que faliam de Fray Júan de la Cruz. 

I vol. foi. a i col., 171 foi., caracteres gothicos, com excepção do fron- 
tispício, dedicatória a l>. João III, e aviso. No (im do folio 171 lê-se: 

.4 loor de THos y de la gloriosa Virgem Maria acabo de se empremir la 
presente historia de la Ygksia de Dios trasladada d' latin e romance por el 
padre frey llian de la era: d' la ordê de predicadores de la prouincia de Por- 
tugal a aliara de nueuo cotregida par el mismo interprete. 

Fae impressa en la muy noble ciudai de Coimbra, por iuaii Aluarez, im- 
pressor dei Rey nuestro seftor a veinle y siete dei mes de Agosto de MDLiiij. 

Possue exemplar de uma e outra edição a Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

c) Coronica de la Orden de predicadores, de sv principio y sucesso hasta 
nuestra edad, y de la rida dei bien anenturado saneio Domingo su fundador, 
y de los sonetos y rarones memorables 7 m ella florecieron. Copilada de Histo- 
rias antigiias, por el padre fray laan de la Cruz professo de la mesma Orden 
de la prouincia de Espana: dirigida ai sereníssimo Príncipe de Castilla Don 
Carlos, &c. % Acrecentargnse muchas cosas de memorias antiquas de la orden 
por diligencia de algunos Religiosos dei Conuento de Lixboa, de la Prouincia 
de Porlogal, a cm/as manos riuo esta Coronica. y la hizieron estãpar. — No 
fim tem: Acabose este primer volume a xxiiij dias de Dezienibre dei presente 
ano de MPLXVfí. en la emprenta de Manuel laan con licencia dei Ordinário 
II deputados dei saneio O/jicio, y dei Reuerèdo padre Maestro fray Francisca 
Forero prouincial de la prouincia de Porlogal. 

1 vol. foi., w foi. prel. inn., cclvii fólios. 

frontispício tarjado. No alto um frontão, sustentado por duas espécies 
de columnas, formadas pelas imagens de dois santos cada uma. Nas prelimi- 
nares: carta do auetor ao Príncipe D. Carlos, prologo, prologo do 1.° livro, 
índice das matérias. 

Bibliotheca Naeional de Lisboa. 

d) Dialogo sobre la necessidud // obligaciou y provecho de la oraciou. 

Lisboa 1555, 1." 

Catalogo do Visconde de Pereira? 



(79) k LITTEKATURA HESPANHOLA EM POUTUGAI 25i) 

e) Treijnta y dos Sermones dei Padrt Fr. Juan de In Cruz. 

Lisboa, JoSo lilavin. 1558, l± 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Ribeiro dos Santos, pag. 122. 

Desseoso (El), a) Este titulo está por cima de uma elegante portada gra- 
vada, que tem ao centro a estampa do calvário, circundada d'este dístico: Ve 
inii ml me '1111)11 s i/m laboralis et onerali estis vt ego reficiam vos. Por baixo: 
Tratado (lamado el Desseoso \ n poi oiro nombn Espejo de religiosos i agora de 
a, a uo visto i/ examinado | // aftadido la quarta y quinta parle que hasta agora 
nu Im sulo impressa. NO Qm: .1 gloria ij honra de lesu christo nuestro sobe 
rano redemptor >/ de su gloriosa madre nuestro. scfíora. Aqui se acaba el linro 
llamado Desseoso que por otro nombre se llama Espejo de religiosos: compuesto 
/nu ni devoto religioso di In orden </<■ sefíor sant Hieronitno nueuamente tradu 
zulu </. lingua catalana i n um sim vulgar insidiam). ) afiadida In quarta // 
quinta parte q hasta agora no hauia sido impressa. Fue impresso cu l<i mm/ 
noble i/ muij leal ciudad </< Lisboa en casa <l buis rodriguez Itbrero dei He// 
firo sefior. [cabose a Hij tinis dagosto De MDXLj 1 1541). 

i.°, sem paginação, rubrica aiiliiii. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. É a edição ;i que se refere 
Ribeiro dos Santos. 

Desejoso foi traduzido nu portuguez. Vide Innocencio, vol. iv, n." 1:093. 

In Ti at imhi lltiiiitnlti ri Desseoso ij por otro nombre, Espejo de Religiosos. 
Agora de unem, coiregido, g anadida In sei ia parti-, que /insta agora no Im 
sido impressa. (Laminasinha, Christo entre as Santas Mulheres), Em Lisboa. 
Impresso con licencia de In Saneia // General Inquisicion, ij Ordinário: Poi- 
António Aluarez 1:~>88. 

1 vol. 8.°, 7 lis. piri. imi . , 268 numeradas pela frente, mais 'i inn. de tabla. 
No verso do frontispício uma estampa representando o Salvador coroado 

c com d symbolo do império na mão. Por baixo: I costa de Pedro de Flores 
lilirern. 

\ informação é de Fr. Bertholameu Ferreyra: 

«Por mandado de S. \. vi o liuro chamado Desseoso, a- emmendado 
como vay o lilulo do primeiro capitulo da quarta parte, me parece que seraa 
proueitoso imprimirse, por cõter boa doctrioa: especialmente arma para a 
gente religiosa, adúertindo que o estilo he todo parabólico, A- as palauras de 
fora são significatiuas doutras cousas spirituaes». 

Diversas lainiuasilas nas folhas preliminares. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. Outro de Nepomuceno. 



Jlill A MTTERATCRA HESPANHOLA EM PORTUGAL (80) 

\ Bibliotheca Nacional de Lisboa possue as seguintes edições hespanholas: 
Sevilha, 1530; Burgos, 1548-4554; Alcalá, 1554; Salamanca, I57í e 
1580; Toledo, 1536 (nos reservados). 

Diaz Bravo (Er. Joseph Vicente).— El Confessor instruído en lo que loca 
à su complice m el pecado torpe, contra el sexto Precepto dei Decálogo, segun 
las Gmstituciones ultimas de N. SS. Padre Benediclo XIV. Obra canonico-mo- 
tal. . . nuevamenie corregido, y anadido por su Autor el M. li. P. M. F. Io- 
seph Vicente Diai Bravo, Doctor en Theologia, Examinador Synodal de los 
Obispados de Barbastro, y Tarazona, Calificadór dei Santo Oficio de la Inqui- 
sicion de Navarra: y Prior dei Cármen Observante de TudeUt. Offerecido ao 
eminentíssimo e reverendíssimo senhor Cardeal Patriarcha l>. Jazi' Manoel do 
Conselho de Sua Magestade, e seu Capellão Mór, par Amónio da Silva Escrivão 
do registo geral da Torre de Belém. Lisboa: na Officina de Dom najas Gonsal" 
ves. Amai 17.~i7. 

1 vol. 'i.", 1 1 pags. prel. inn., 240 pags. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Diez de Aux y Granada (D. Fernando Álvaro). — Séneca y Neron, com- 
presto par D. Fernando Aluara Diez de Aux y Granada. Dirigido ai Sr. Juan 
Rodriguez de Sàa, conde de Penaguião. Camarero mayor de su Magestad, y 
de su Conscjo de Guerra, ele. Con licencia y Priuilegio Real, en Lisboa, por 
Mamei Gomes de Ca malha, y a su costa. Ano M.DC.XXXXVIH. 

8.°, 8 pags. prel. incraindo a portada, 160 pags. 

Domeneco (Pedro). — o) Doctrina \ muy proveitosa pa todo christão \ de 
qualquer estado que seja: ti \ rado do Espelho de bem ri J uer, que fez hu pre- 
ga- | dor da ordem de j sani Agustinho \ & de outros j liaras de | notas. \ Co- 
pilado por reuerendo pa- \ dre Pedro domeneco, reytor dos pobres órfãos de 
lesu da Cidade | de Lixboa. 

No verso do titulo lia unia gravura muito tosca, representando Christo 
crucificado, com a Magdalena aos pés, e a seguinte legenda: 

Tíbi derelictus esf pauper 
Orphano lu eris adiutor 

Este opúsculo não tem paginação, mas as signaturas chegam a biiij, com- 
prehendendo 13 pequenos fólios, cuja chapa lypographica medeO in ,075XO ra ,052. 
O titulo é em romano; tudo o mais em gothieo. 

Na ultima pagina ha a licença em latim, datada de 20 de outubro de 
1550, assignada por Hieronymus ab Oleastro, deputado do Supremo Inquisi- 



81 rEHATURA HESPANII01 \ l M PORTI G \\ 26J 



dor, permittindo a impressão com a clausula de que se declare o n d 

auctor, ul typis possit modo nomen atithoris titulo Wm perfigatur. 

Segue-se, no mesmo formato e typo, sendo também o titulo em r ano, 

ii segundo opúsculo, continuação d'este : 

[visos de como os proues órfãos de \ lesu si hão d( auei naspe 
grinações & romarias que fizerem. E outras \ doctrinas & conside I rações 
mui/ proueito \ sas d neces sarias. Feitos pelo reucrendo padn ' Pêro dome 
iirtii Reytor d'elles. 

No verso do titulo tem também uma gravura representando Christo cru- 
cificado, mas differente da do primeiro opúsculo, rum esta legenda: 

Estraneus factus suin Iribus méis 
& peregrinus filijs matris mere 

Segue se o Prolog - Vvisos, que comprehendem 50 foi., sem nume- 
ração, mas as signaturas, que vem seguidas do precedente opúsculo, chegam 
a h iiij. 

Na penúltima pagina encontra se a licença, em latim, na qual Marcus 

R erus, por mandado do bispo de Coimbra, D. João Soares, julga o livro 

muito proveitoso a quem o ler. \" verso da licença a divisa do dragão enros- 
cado, com a legenda salus vitae. 

O livro não designa impressão nem traz assignada data e local. A divisa 
do impressor poder nos-hia fazer suppor que foi Luiz Rodrigues e que fora 
estampado em Lisboa por fins de l.'i.*it> ou princípios de 1551. Causa-nos 
todavia alguma estranheza que uma das approvações, a de Marcos Romero, 
fosse passada por um lente da i niversidade e por ordem do bispo de Coim- 
bra. Impresso n'esta cidade, em ]'■>'■>->, vimos um opúsculo impresso por João 
Alvares e João da Barreira, eni que apparece Lambem a divisa do dragão 
alado. 

O único exemplar, até hoje conhecido, da obra de Pedro Domeneco 
existia em poder do Sr. José do Canto, da ilha de S. Miguel, que leve a bon- 
dade de nus enviar a sua descripção completa, consultando nos sobre quem 
era o auctor, que até hoje passou completamente desconhecido aos nossos 
bibliophilos. Parece nos ter achado a incógnita do problema na noticia que 
se lè nu Summario de Christovão Rodrigues de Oliveira, sob o titulo de Col- 
legio da Irmandade dos Órfãos de Jesv. Diz elle: 

i Esta Irmandade, e Collegio dos Órfãos de Jesv ha pouco que foi fundada 
por hum Padre Catalão, etc.» 

Por certo que não erraremos identificando o padre catalão com Pedro 
Domeneco. Por esta circumstancia o incluímos na nossa obra. 



26Í A UTTERATUBA HESPANHOLA EM POHTUGAL (82 



A ajuizar pelos excerptos que nos enviou o Sr. José do Cauto, a obra 
ile Pedro Domeneco é escripta em boa linguagem da época e é interessantís- 
sima para a historia dos costumes da época, devendo inclnir-se na collecção 
das chronicas religiosas, ^qui damos, para amostra, o Prologo do segundo 
opúsculo: 

^Filhos meus iiiiiy amados, e gerados no dulcíssimo sangue dq humilde 

cordeiro Chr8 Jesu. Ho ; >r grande que em ho senhor vos tenho me faz 

cõtinuamente cuidar como vos poderes melhor aproveitar em as cousas do 
serviço de Deos, e bem das vossas almas. Mouendome também a isto ho 
carrego que nosso senhor delias me tem dado: ainda que eu para isto, como 
para todo ho mais me ache muyto indigno; porem sua misericórdia he Iam 
grade que aos fracos como eu esforça, e ajuda, e supre os defeytos dos bõs 
desejos, que elle por sua bõdade, de vossa salnaçam me tem dado. K por 
lauto vendo eu que muytas vezes era necessário mãdaruos a alguas peregri- 
nações e romarias p.* <j fizésseis algu seruiço a nosso senor e proueito a 
vossas almas, e tínheis necessidade de saberdes ho como vos auieis de auer 
nellas, por nam poder yr sempre com vosco algum padre, determiney de vos 
fazer estes auisos, para que estes supprissem o q minha presença podia la- 
zer. Encommendouos muyto que os leais muytas vezes, e muyto mais pro- 
cureis de os cumprir: por que nos certifico que se os guardardes bem, os 
trabalhos que nas romarias tomardes, seram muy aceitos a nosso senhor, e 
galardoados na gloria e bemauêturança que esperamos a qual elle por sua 
bondade, queira conceder a mi e a vós. Amen». _ 

Exemplo dos avisos, que são numerosos e para Iodas as situações ima- 
gináveis : 

«Depois de lanado o rosto e mãos tomareis os bordões e sacos, e agar- 
decendo aquellas pessoas que vos tem agasalhado direis que nosso senhor 
lhes pague aquella caridade que vos fizeram, pedindolhes perdam se lhe des- 
tes algum descontentamento ou mao exemplo». 

«Nam leuareis com vosco senã ho pão que ouuerdes mester nem peçais 
mais daquillo q vos for necessário, e se vos sobejar day o que fica por amor 
de Deos, e nam o vedais por nenhua maneyra, e tende grande fee que Deos 
vos prouera ê todas vossas necessidades». 

Nicolau António, na sua Bibliotheca, dá a seguinte noticia de um Jero- 
nymo Domenec, valenciano, jesuíta: 

«Hieronymus Domenec, Valentinus, Jesuíta, ex primis Ignatii patriarchíe 
sodalibus, magna vir pietate A- religionis observantia, primus Siculse província 1 
res admnistravit, deinde in Aragonia ad suos reversus piíefedi vices. Seripsit 
Siculis anno MDXLVII. 

«Gathechismum. In loto regno auctore. ipso pro rege usurpatum». 



83J A LITTIUATI-HA HESPANHOLA KM PORTUGAL 263 



Echaburu (D. Juan de Espínola Baeza). — El Confessor instruído, etc.,poi <l 
M. R. /'. Pablo Sefieri, traduzido poi D. Juan de Espínola Bm za Echaburu. Coim- 
bra. Na O/fic. de António Simões Ferreira Impressor da Univers. Annode 1751. 

I vol. lá.", 368 pags. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa (n.° 3:057). 

Encarnacion (D. Pedro de la). Fúnebres queixas dei dolor. 

Lfcboa, por Mai I Lopes Herrera, 1696, l.°, 32 pags 

Exemplar da Bibliotheca da Ajuda. 

Enganos de los desenganos, Vícios en los remédios descubiertos a mejor luz 
de la razon, y expuestos a la dei mundo, para sossiego d inquietos, alienlo de 
los Hespafíoles verdadercs, y confusion de Infieles Hispafío-Gallos. Lisboa. En 
la Officina de Miguel Manescal, Impressor dei Santo (ijjiem. Afio de 1704. Con 
las licencias necessárias. 

i.°, á pags. inn., 1:20 pags. e mais 1 inu. de erratas. 

É resposta a um papel intitulado Desengano de ignorantes, remédio de 
apasionados, ele. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa (n.° 15:179). 

Enriquez (P. F. Ivan). — Qvestiones praticas de casos morales. Por el P. F. 
Ivan Enriquez, dei ordem de S. Agostinho, Predicador, y Lector de Theologia 
Moral. Anadidas en esta decima impression. Ciai dos Tablas, la vna de las Ma- 
térias, y la otra de casas notables. O/ferecidas ao muy Illustre Sen la a- o Senhor 
Manoel Pimentel de Sonsa, Inquisidor Apostólico & Prezidenle do s. Officio da 
Inquisição de Coimbra. & Cónego Prebendado na See da mesma Cidade. &c. 
(Estampa representando um escudo de anuas, soffrivel gravura de João Go 
mes). En Coimbra. Con todas as licenças necessárias. Na Impressa da Viuva 
de Manoel Carvalho Impressor da Vniversidade Anno 1668. 

1 vol. í.°, 6 pags. prel. inn., 146 pags., afora tabla. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Enriquez de Rivera il>. Fradique). — Este libro es de el viaje que hize a 
lerusalem de todas las cosas que en el me pasaron desde une sali de mi casa 
de Bornos. miercoles 24 de Nouiembre de 518 hasta 20 de Otubre de 520 que 
entre en Seuilla. Yo Don Fadriqve Enriquez de Hurra Marq. s de Tarifa. En 
Lisboa. Ano de 1H08. 

Este titulo numa bonita portada gravada, sem nome do artista. 

No fim: Impreso en Lisboa con licencia y priuilegio de la santa Inquisi- 
cion: En casa d< Intonio Aluar ez. [fio de 1608. 

'i.'. 2 lis. prel. inn., 237 numeradas pela frente. 
IIiít. k Mem. da Acad. — Tomo mi, parte ir. — X. 5. 8 



_'i'''i A LITTERATURA HESPANHOLA EH POKTUGAL (S4) 



Nas preliminares: Requerimento do Duque de Âlcálá, pedindo revedor 
para o livro que quer mandar imprimir; Approvação de Fr. I.u.vs dos Anjos, 
e Summario do privilegio (em portuguez) concedendo ao Duque de Alcalá 
privilegio por dez annos. Datado <lr 23 de junho de H'>'»7. 

A narrativa da viagem termina no folio L86. No verso d'este a seguinte 
declaração : 

Estes versos de loan dei Enzina, fumoso poeta en su tiempo, dexó el Mar- 
ques de Tarifa escriplos en su libro: que por auerle acompafiado ri. m su pere- 
grinacion, quiso tambien, que este Viage acompafiasse el suyo. Y por guardar 
,1 orden de el original, se imprimierqn aqui. 

A folio 187 principia a narrativa, em verso de arte maior, da Viagem de 
loan dei Enzina. Curiosos pormenores para a sua biographia. Termina no 
verso do folio 220. No folio 227, Romance y Svmma de todo el Viaje de loan 

dei Enzina. Começa : 

Yo me partiera de Roma, 
para Ierusalen ir, 
fuerame paia Venecia. 
por mejor via seguir. 
Que de alli los peregrinos 
cada afio suelen partir: 
embarquem? en (in de lunio, 
per mi viaje cumplir. 

É para reparar que Gallardo, aliás tão minucioso na descripção dos 
livros, a[iontando qualquer circumslancia mais importante que n'elles se lhe 
depara, não li/esse menção da parte poética de Enzina. que se contém na 
viagem do Marquez de Tarifa. 

Salva (n.° 371 > refere-se a uma edição de Lisboa de 1580, mas de modo 
muito confuso. 

A Historia da Universidade de Salamanca também dá como impressa em 
Lisboa, em 1580, a Tribalgia da Via Sucia de Jerusalém, de Juan de la Encina. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Ercilla y Zuniga (Alonso de). — a) Primera parte de lu Aramaria, ele. 

Lisboa, António Ribero, 1582. 

12 fls. prel., 149 tis. o uma folha com um escudo. 

b) Segvnda parte de la Ai arcana .. . Que traiu de la porfiada guerra 
entre los Espaãoles y Araucanos. 

S. I. (Lisboa), António Ribero, MDLXÍX. 

12.°, 130 fls., incluindo as preliminares, e no fim 2 ou mais folhas com 
appendices e vários elogios em verso. 



(85) \ I.ITTKIIAITHA HESPANHOLA EM PORTOGA] 265 



Diz Salva, de quem tiramos esta descripção, que este ultimo millesimo 
deve estar errado. Salva, Catalogo, vol. i, pag. 220). 

Entre as poesias encomiásticas dedicadas a Ercilla ha um soneto i m poi 
tuguez de l>. Isabel de Castro j Andrade. 

Escarate Ledesma 'I». António). En la desgraciada mtterle dei sefioi 
don Miguel, fujo dei magnânimo sefíor D. Pedro II. Romance escripto por 
Don António Escarate Ledesma, Clérigo fíeglar, Examinador Synodal dei 
Arzobispado de Toledo, Juez de sus concursos, Theologo de la Reverenda Ca- 
mera Apostólica, Examinador de la Nunciatura de Espafia, y Predicador de 
la Magestad Cesárea. 

'i.". 5 pags. É uma composição em quadras octossylabas, Segue logo por 
baixo do titulo. Sem indicação de logar nem de imprensa, mas provavelmente 
é de Lisboa. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa, fazendo parte da collec- 
ção 1:298 de litteratura. 

Salva accusa a existência de um soneto acróstico á morte de D. Maria 
Lvisa de Bourbon por D. Raymundo Escarate 5 Ledesma. Vide no seu Cata- 
logo n.' 11. 

Escobar (Iuan de), a) Hysloria dei mvy noble 1/ valeroso cauallero. el 
Cid Ruy Diez de Biuar: /•.'// Romances: En Lenguaje antiguo. Recopilados 
por Iuan de Escobar. Dirigida a Don Rodrigo de Valençuela., Regidor de, la 
Giudad á [ndujar. En Lisboa, Impressa con licencia de la Saneio Inquisi- 
don. Por António Ahtarez. Anuo MCCCCCCI. — Em volta do titulo, na parte 
superior e lateraes: Soy el Cid honra de Espana Sialgunopudosermas— 
En mis obras lo veras. 

8.°, ií Ds. prel. com app., licenças, dedicatória, soneto de Iuan Mendez, 
Tabla, l'il fólios. Falta, porém, pelo menos I folio. 

\ approvação é de Fr. Manuel Coelho: iVi este liuro da Hystoria do 
Cid Ruy Diez en Romances antigos, não tem cousa algua por onde se não 
possa imprimir». 

\ licença é de 20 de outubro de 610 (troca dos dois nltimos algarismos). 

Exemplar pertencente á Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 

b) Historia dei mm/ noble, etc. En Lisboa ■ . . /<<"■ António Aluar ez, 
MCCCCCCV. 

8.°, L>i2 fólios. 

Parece ser uma reproducção exacta da antecedente, senão uma contra- 
facção. Appareceu de venda no leilão da livraria do Marquez de Castello 



266 A L1TTKKATIHA HESPANHOLA EM PORTrGAL (86) 

.Melhor, onde foi arrematada por Fernando Palha pela quantia de 500010 
réis. Veja-se o respectivo catalogo sob o n." 1:081. 

c) Historia dei muy noble y valeroso cavallero el Cid Ruy Diez d,- Ui- 
var. Lisboa, poi António Alvarez, 1615. 

Esta edição assim vem descripta no catalogo da livraria Gubian, sob o 
íi." 893, sendo vendida por 5)5000 réis. 

d) Idem. Lisboa, 1650, 12.° Edição indicada num apontamento do pae 
de Salva. 

As edições d'este romanceiro teem sido muito numerosas. À mais antiga 
que se conhecia era a descripta por Brunei, Alcalá (1612), Juan Gracian (12.°). 
Sahá, a mais antiga que possuía, era a de Çaragoça, por luan de Larumbe, 
1618. A Bibliotheca Publica Municipal do Porto possue uma edição de Alcalá, 
por Maria Fernandez, 1661, em que vem reproduzida a approvação de Fr. Ma- 
noel Coelho, prova de que alguma das edições porluguezas lhe serviu de mo- 
delo. O exemplar que descrevemos em primeiro logar affirma com grande 
antecedência que pertence a Lisboa a prioridade da edição primitiva. Appa- 
recerá ainda quem lhe venha tomar a deanteira? 

Barbosa Machado enumera um João de Escovar, que foi musico e poeta, 
auetor de um auto. Floresceu nos fins do século xvi, princípios do xvn. Em 
1582 era procurador da irmandade de S. Julião de Lisboa um Juan d'Esco- 
bar. Veja-se o livro que á procissão d'esta egreja dedicou Izidro Velasquez 
Salamantino. Que affinidade haveria entre estes dois Escobares e o que col- 
leccionou o Romanceiro? 

As edições hespanholas, de Alcalá 1614 e Segóvia 1621, também trazem 
a approvação de Fr. Manuel Coelho, em portuguez. São as únicas descriptas 
por Gallardo, sob os n. 08 2:111 e 2:112. 

Escobar y Mendoza (P. António de). — Nveva Geivsalem Maria. Poema 
heroyco. Por el P. António de Escobar y Mendoza, de la Compartia de Iesvs. 
Fundase en los doze preciosos cimientos de la mystica Ciudad, la vida y rxcel- 
lencias de la Virgem Madre de Dios. (Gravurinha de metal). De um e outro 
lado d'ella : Offerecido a Nossa Senhora. Por baixo : Por Domingos Carneiro. 

O ante-rosto diz: Nveva Gervsalem Maria. Poema heroyco. En Lisboa. 
An. 1662. Um e outro a preto e encarnado. 

8.°, 10 fls. prel. inn., 320 fls., mais 3 inn. É de advertir que até 100 
vão as folhas numeradas por pagina, de um e outro lado; d'ahi por deante 
os fólios de um só lado. 

Exemplar da Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 



(87) A UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUOA1 267 

Espejo dia vida humana repartido ê sie \ te jornadas: aplicadas a los 
siri, dias de la sema- \ mi. I i tambien vn , sermõ do glorioso sam \ Bernardo 
dei menospn cio dei mudo. ) vn memorial dela passiõ repartido po> su ti 
cõtèplaciones alas sie ir horas canónicas. 

Este titulo está muna portada de gravura nada primorosa. 

Por baixo: Impresso en Ebora con licencia. 

No liin: Fue impresso nln gloria ie dios y de su bcdila madre, < i< Ebora 
en casa de Andres de Burgos a l-~> de Setiêbre de 1574. 

8. ■', sem numeração, rubrica aij nv. 

Exemplar da Bibliolheca Nacional de Lisboa. 

Espínola y Torres (D. Juan) . — Transformaciones y robôs de Júpiter, y ce 
los te Juno, por I>. Juan Espínola y Torres. Dirigidos ai padre maestro fray Au 
guslin Espínola, su tio, Prior dei Convento de Santo Domingo de Guztnan el Real 
deJerez dela Frontera. Con licencia, en Lisboa por Jorge Rodriguez. Mo 1619. 

I vnl. s.". l 2 tis. prel., 66 numeradas pela frente, mais 9 no Qm, Tabla 
de los nombres poéticos. 

É um poema de seis cantos em oitava rima. Descripto por Gallardo sob 
o ii. 2:130. 

Estella (P. P. Diego de).— o) Tratado de la \ vida loores y excelências 
dei glorioso a \ postol y bienauenturado euangelisla san hian; cl mas amado 
li querido discípulo ' de Chrislo nuestro saluador: cõpuesto \ porei /'. /•'. Diego 
de Estella, de la or \ den de los frailes menores: dirigido j a la muy alta ij 
muy poderosa rey \ na de Portugal, .// por mãda \ do de su alteza agora nue 
uamente impresso. \ Con real priuilegio y visto poi la sancta inquisicion. \ Nota 
q el autor mas da en este libro \ de lo que promete: porque a bveltas de los 
loores de San Juan, rum entretevidas | algunas matérias morales: de manera 
.) no solo a los deuolos de san Juan es apla \ zible, pêro aun a todos los pe- 
les Chris j tianos vlil y prouechoso. 

No reverso uma gravura, representando o martyrio de nm santo dentro 
de unia caldeira. 

Dedicatória á rainha e prologo ao leitor, 4 pags. 

Subscripção final: .1 loor y gloria de Dios. acabose el tractado de la rida 
// excelêeias dei glo | rioso euangeUsta sant luan, en la nau/ noble y siempre 
leal ciudad de Lisbona, en la imprêta ãe German . gallarde imprimidor dei re$ 
nuestro sefior. \ Acabose a nueue dei mes de Au gusto. Afio de mil y qúi 
fiientos ij cinquen \ ta y qm | tio. 

|.°, foi. ccvnj numeradas pela Frente, mais 6 pags. inn. de tabla e 
errata. 



k Jl)S a LHTI.HAII HA HESPANHOLA KM PORTUGAL (88) 

\ portada d este livro é a da l. a edição dos Lusíadas, por isso muitos 

camonistas o c prehendem nas suas collecções. Exemplar do Dr. Carvalho 

Monteiro. 

b) Primera parte dei libro de la vanidad dei mvnflo. Hecho porei R. P. F. 
Diego de Estella, de la orden de Sant Francisco. (Mesmo escudo das Medita- 
ciones). Quanto este libro sen mayor que el passado, y la ventajà q haze ai de 
hasta aqui, m la bailia desta hoja la vera el Lector. Con licencia y aprobacion 
dei Consejo general de la saneia Inquisicion 1576.— No fim: Fve impresso en 
la oficina de António Ribéro 1576. 

1 vol. s.°, ^ lis. prel. inn., 246 fls. numeradas pela frente, afora Tabla. 

A «Licença & approuação do Conselho geral da santa Inquisição» é do 
Ih ' seguinte: 

«Vi as três partes do libro intitulado Vanidad dei mundo, por mandado 
do conselho geral da saneia Inquisição, cõposto por o padre frey Diogo de' 
Estella. Cuja doctrina me parece christaã, & pia & de muyta deuaçâo, confir- 
mada com muyta lição dos Sãctos, & authoridades da sancta Scriptura, por 
onde julgo será proueytosa para os bõs costumes, & digna de se imprimir. 
En fe do qual assiney aquy a xxv Doutubro l.'i7. r i. 

«Frei Bartholomeu Ferreira». 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

A declaração que tem no verso do frontispício é como segue : 

«El impresor ai Lector. Al libro que solia andar hasta aqui de este titulo, 
auadio tanto el autor dei, que teniendo antes cada parte dei passado quarenta 
capítulos pequenos, tiene agora cada parte de las três deste libro cien capítu- 
los giandes: por auer acrecentado los capítulos dei primero, y aíiadir a cada 
parte sesenta capitulos de nueuo: y assi a causa de su grandeza va en três 
volumines differentes distlncto, Y no solo ha crecido mucho en quantidad, 
siendo este de agora casi quatro talo mayor que el passado: pêro aun tam- 
bien e'n qualidad, por ser el presente tan lleno de escriptura y copioso en 
sentencias, q haza grandíssima ventaja ai de hasta aqui, y tanta que es otro». 

A segunda e terceira parte foram impressas no mesmo anno e na mesma 
ollicina typographiea. A segunda tem 249 fls. numeradas pela frente; a ter- 
ceira tem 252. No final da terceira parte lê-se: Fveron impressas estas três 
parles dei libro de la Vanidad dei mando m Lisboa en la oficina de \titonio Ri- 
béro. 1676. 

Parece que terá havido alguma edição anterior. 

c) Primera parle dei libro de la Vanidad dei Mundo. Hecho por cl H. P. F. 
Diei/o de Estella. de la Orden de Sant Francisco. (Laminasinha). Con licencia 



(89) A LITTERATURA HKSPAMIOLA EM l'ORTUGAI 260 

dei supremo Çonsejo dr In sancta y General Inquisicion, /»'/■ Manuel de Lyra. 
Armo de MDLXXXIIII. 

1 vol. 8.°, •_' lis. inii., 273 lis. numeradas pela frente. 

A approvação é ainda de Fr. Barlliolomeu Ferreira. DiJTere todavia um 
pouco da anterior. Eii-a: 

«Por mandado do [Ilustríssimo & Reuerendissimo Senor Arcebispo de 
Lisboa, Inquisidor Geeral destes Regnos, examiney o liuro chamado Vanidad 
dei mundo, & me pareceo a doctrina delle, sãa & proueitosa, onde não ha 
cousa contra nossa sancta fee, nõ cõtra os bõs costumes, & será muyto grande 
seruiço Deos (sic) imprimirse. 

«Frey Bartholomeu Ferreyra». 

A segunda e terceira parte são impressas pelo mesmo impressor e no 
mesmo anno. 

Ao vol. ih anda annexo: 

Tabvla rcrvm omnivm, quae continenlur in iribus libris H. /'. /•'. Didaci 
Stellae, Ordinis Minoram, de Vaniiale seadi, Euãgelijs Dominicarum todas 
anui. &, Sanctorum accõmodata. Excudebal Emmanuel de Lyra Typographus. 
Cum facultate Supremi Consilii Generalis ínquisilionis. Anno, ÍÕ83. 

8. [32 pags. numeradas pela frente. 

d i Meditaciones devotíssimas dei amor de Dios. Hechas por el li. /'. /•'. 
Diego de Estella, de la Orden de Sanl Francisco. [Escudo representando uma 
palmeira, tendo de um lado o Douro e do outro o Minho (vem em Salva)]. 
Impressas con licencia y approbacion. 1Õ78. — No fim : Fveron impressas estas 
Meditaciones dei amor de lhos, en Lixboa, por intonio Ribero. 1678. 

I vol. 8.°, 291 lis. numeradas pela frente, arrua 5 inn. de Tabla. 

\ approvação, «p. 1 os Reynos j Senorios de Portugal», é de Fr. Bar- 
tholomeu Ferreira e do II r seguinte : 

«Vi estas Meditações do Amor de Deos por mandado do supremo Conse 
lli<> da sancta & geral Inquisição, & me parecem catholicas & denotas, & 
dignas de se imprimirem 

d escudo é o nu 1 . sino que vem ua Felicíssima Victoria, de Jeronymo Corte 
Real, e que Salva transcreve no vol. i, pag. 210. 

Exemplar da Bibliotheca Sacional de Lisboa. 

d iíappa de Portugal considera Diego de Estella porluguez. 

lia uma edição de Salamanca de 1576. 

Na approvação diz-se que Diego de Estella era «predicador doctis imo 
dei convento de S. Francisco de Salamanca». 

Alliulr aos «Libros de la Vanidad dei mundo» e á «la obra grande que 
compuso sobre el Euangelio de Sanl Lucas». 



^>7<» A i.i I ll.iiAM RA HESPANHOLA EM PORTl GAL (90) 

Av Meditaciones foram vendidas por HO réis no leilão Gastello Melhor. 
A nina sobre S. Lucas, em Latim, foi vendida no mesmo leilão por 190 réis. 
É de Salamanca, 1575. Vide n. os 1:107 e 1:108. 

Everardo •> (Padre). — Copia de vna Consvlta qvefuzo elsenor Inqvisidor 
general confessor de la Magestad Catholica de la tteyna de Espana. Respon- 
dendo a una Caria que escrevia a S. Magestad el senor D. luan de Áustria. 
de la Villa de Consuegra, en 21 de Ociubre de este afio, salisfatiendo a los car- 
gos que le kaze en eito.— No fim: Em Lisboa. Com Iodas as lio uras necessa 
rias. Na Officina de Domingos Carneiro 669. 

1 vol., i.°, -'• pags. 

Exemplar de Luiz António. 

Fajardo (L. de Figueiroa).— Arte de computo ecclesiasiico. 
Coimbra 1604, 4." 
N.° ""21 de [nnocencio. 

Fernandez (Gabriel). — Comedia famosa ai Capitan de Pamplona. 

Lisboa, por João Galvão, 1682. 

Bibliotheca Nacional de Lisboa, secção de litteratura, H, H, 5, 39. 

Fernandez (Iuan).— a) Ad loannem Tertivm inuictissimum Põrtugallia, é 
Algarbiorum regem Africum, Arabicum, Persicum, Indicum principem piissi- 
uium. Duae Iohannis Fernandi Rhetoris Conimbricensis orationes. Aã Princi- 
pem Lvdovicvm De Celebritate Academiae Conimbri<xn. Oiratio funebris habita 
in funere inclyli Eduardi Filij D. N. li. Conimbricae M.D.XLYIII. 

8.°, 36 íls. sem numerarão. 

A segunda oração tem frontispício aparte: 

Oratio funebris qvam in fonere inclyti Eduardi F. D. N. II. habuit lona- 
nes Fernandus Rhetor Conimbricensis. Apud inclytam Conimbricam. 

Alguns trechos em caracteres gregos. Exemplar solfado da Bibliotheca 
Nacional de Lisboa (historia). Ribeiro dos Santos (Memórias de Litteratura, 
t. viu pag. 87) descreve esta obra, attribuindo ao mesmo auctor a seguinte: 

b) CoUoquios de Erasmo. Coimbra 1650. Dedicados a D. João III e ao 
Cardeal Infante par João Fernandes, de Sevilha. (Idem, pag. 88). 

Pedro de Mariz, referindo-se aos mestres que D. João III mandara vir para 
ensinar na Universidade de Coimbra, escreve a respeito de João Fernandes: 

«E o mestre João Fernãdes, que tendo ensinado Rhelorica nas duas Vni- 
uersidades Salamanca e Alcalaa, nesta também fez o mesmo com muyta satis- 



(91) A UTTERATURA «ESPANHOLA i:m PORTUGA] 27 I 

façSo a applanso: porque foi perfeyto orador, e muy douto nas sciencias & 
línguas: A- taõ geral rui todas, que raramente se acharia seu igual em ne 
nluia vniuersidade do Mundo». Diálogos de varia historia, 11. 222 v.), 

\ cidade de Coimbra parece que nau estava satisfeita com os estudos 
universitários que l». João III para alli transferira, e insultava sobretudo ns 
professores estrangeiros. Talvez fossem quem sabe! — rivalidades suscita- 
das pelos antigos estudos monásticos alli existentes, por ventura por Santa 
Cru/.. No conselho universitário de li de agosto de 1548 queixou se Mestre 
João Fernandes dos graves insultos que recebera da gente da cidade, que não 
duvidava do atacar a própria pessoa doirei, dizendo que Meus lhe perdoasse 

por ler trazido taes homens á terra. João Fernandes strou-se profunda 

mente resentido o magoado, negando-se a principio a repetir os nomes insul- 
tuosos, que contra elle haviam proferido, tão afrontosos e vis os considerava. 
Por ultimo, sempre se resolveu a revidar algumas d'essas phrases, como cas- 
telhano, judeu avenedico. 

Este já não era o primeiro caso. Segundo a acta, outro idêntico se dera 
com Matlieo de Aranda. que por isso morreu de pura paixão. 

Veja-se Matheo de Aranda. 

Noticias carias da Universidade de Coimbra, extra hidas dos livros dos 
conselhos (1546 a 1548). Artigos publicados por Gabriel Pereira na Aurora 
do Caiado, n.° 697 e seguintes. 

Barbosa Machado considera Fernandes como portuguez, o que é inexacto. 
.No artigo relativo a João Rodrigues de Sá diz que Fernaudes impugnara um 
parecer de Sá, em que sustentava que certa arvore eia um plátano. 

Barbosa cita uma provisão de 1). João 111, de 10 de setembro de 1539, 
para João Fernandes ser examinador de grammatica, e outra, de \ de maio 
de 1542, para mestre de rhetorica. 

No catalogo da Bibliotheca Nacional de Lisboa (litteratura) está verbete 
relativo a uma Ars rhetorica, de João Fernandes, mas a obra não apparece. 

c) Ad Serenissimum Lusitânia! Prinàpem loannem Filiam D. N. Regis 
loannis III jam feliciter. Regem designatum Elemento Grammatices rum adno- 
tationibus ia eadem per loannem Fernandum Hispalensem Rhetorem Regum ia 
inclyta Conimbrice. 
' 8.°, 155(?). 

Vide Tbeopbilo Braga, Historia da Universidade, I. i. pag. 584. 

Fernanclez de Soto (Bodrigo). Relacion, y verdadero romance, en que se 
declaran roa individualidad los Reales desposorios, </»<' ia la Corte de Lisboa 

se çelebraron roa los Sereníssimos Senores Príncipes de las Astúrias, y Brasi- 



272 A LITTERATURA «ESPANHOLA EM PORTUGAL (92) 



les, con las Sereníssimas Sefíoras Infantas de Espafía y Portugal, y de las 
sokmnes festas, q por ires dias se celebraron cu obsequio de las Reates Núpcias. 
Cõpuesto i>/>r Rodrigo Fernandez de Soto, este presente afio de 1728. 

Este tilulo por baixo de uma gravura tosca; anuas reaes portuguezas. 
Segue logo o romance. 

No fim: Lisboa Occidental. Na Officina. de Miguel Rodrigues. Com todas as 
licenças necessárias. 

i.°, 'i pags. inn. 

Fiesco (.1. ■!.)• — Suefío dei católico politico. Dirigido ai seMr I). Luis de 
Portugal, emule de Vimioso. 
Lisboa 1629, 18.° 
N.° "os do catalogo de Innocencio. 

Figueroa (Francisco de). — a) Por baixo de Ires gravuras, sendo a do 
centro um pagem e as dós lados Nossa Senhora e o Calvário, lé se o seguinte 
titulo em gothico: Aqui se contienen dos nolables y graciosos Romances nobre 
dos marauillosos milagros, que sucedierõ nu este afio. De MDLXXVI. El pri- 
mero em la ciudad de Auifíon en Frãcia, com hum hijo de vna Muda. y vn 
judio Y el segundo em Alemafia la alta, cõ vn Sacerdote, que desseaua Der a 
Jesu Christo enforma de nino. y assi permitia nuestro sefior mostrarsele vn dia 
diziendo missa. Co» dos glosas o dos vilancicos. Cõpuesfos por Francisco d' Fi- 
gueroa. priuado dela vista, vezino de Murcia. 

Por cima das gravuras tem as licenças, parte em gothico, parte em re- 
dondo, pela seguinte forma: 

«Licenças dos Illustrissimos, & reueròdissimos senhores do supremo cõse- 
Iho da santa & geral Inquisição. 

«Podem se imprimir vista a informação, cõforme a ella & cõ as declara- 
ções que se apontam, ôv liiis dos nouamõle impressos tornarão a esta mesa 
cõ os originaes pêra ver se concordam, A este despacho se imprimira no 
principio das ditas Obras, as quaes nam correrão antes de- se confferirem em 
Lixboa a xxn de Setêbro de 1578. Paulo Affouso. Dõ miguei de Castro. An- 
tónio Telles». 

4.°, 4 fólios sem paginação, ao verso do ultimo uma gravura. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Será este Francisco de Figueroa o Francisco Gonzalez de Figueroa, de 
que dá noticia Salva sob o n.° 49? 

b) Obras de Francisco de Figueroa, Laureado Pindaro hespafíol. Publica- 
das por el Licenciada Luis Tribaldos de Toledo, cronista mayor dei Rey nuestro 



(93) A L1TTERATUKA HESPANHOJ \ I.M PORTUGA] 273 

sefíor por las índias, bibliotecário dei conde de Olivares, Duque y gran cancil- 
ler &c. Dedicadas a Don Vicente Svguera, referendário de ambas signaluras de 
su Santidad, dei Consejo de las dos Wagestades, Cesárea y Católica, gentilliom- 
bre de la camará dei Sereníssimo irchiduque de Áustria, íseopoldo. Con todas 
las licencias necesarias. Lisboa, por Pedro Craesbeeck, impressor dei li>!/ nues- 
tro sefíor. ano 1625. \ costa de intonio Luis, Mercader. 

8. , sem paginação. 

No catalogo do leilão de Conde annuncia se outra edição do mesmo im- 
pressor, de 1626. Vide Salva. 

No leilão de Innocencio (n ' 720 foi vendido um exemplar por 20560 réis. 

O exemplar do Marquez de Gastello Melhor parece ser de 1626. Des- 
cripto suecintamente. Vide q.° 3:746. 

Fimia (Gomes de Santo). «Psallerio de David en Lenguage Castellano, 
impresso con licencia y mandado DelRey nuestro Senhor con privilegio de su 
Alteza. Tem no frontispício por cima do titulo de hum lado as vrmas Reaes 
de Portugal, e do outro a Esfera: e ao fim do Titulo por baixo uma Cruz 
pequena; uo reverso vem o privilegio datado de três de Setembro de 1529; 
na segunda folha a Dedicatória ao Rei. Segue-se o Reportório dos Psalmos, e 
depois òs trez Prólogos de S. Jeronymo; logo o Livro dos Hymnos, Psalmos, 
e Solilóquios, em que se seguio a urdem de Santo Athanazio, e a interpretação 
de Angelo Policiano. L)o Privilegio e Dedicatória se vê, que Gomes de Santo 
Fimia, Castelhano, fez imprimir esta obra por licença que para isso houve d'El- 
Rei. Na primeira folha tem por letra de mão esta nota Lisboa 1529. Anonymo; 
foi mandado imprimir por EIRey de Portugal. Comtudo do mesmo privilegio, 
e dedicatória parece, que o seu toithor fui o mesmo Gomes de Santo Fimia. 
lie obra raríssima, de que só vimes um exemplar na Livraria de Enxobregas». 

Transcrevemos esta descripção ipsis verbis da Memoria sobre a Historia 
da Typographia Portugueza do século XVI, por António Ribeiro dos Santos, 
no tomo viu das Memorias de Litteralura da \cademia (pags. 99 e IO0). 

Brunei cita uma edição de Lisboa de 1529. Foi em Ribeiro dos Santos 
que elle colheu por ventura a noticia. 

Veja-se a nota intitulada A livraria do prior do Crato em l'ans. ao 
tomo vi da Lisboa Antiga, de Júlio de Castilho. 

Em \± de janeiro de 1493 escreveu el-rei á camará de Lisboa, pedindo- 
lhe que concedesse carta de naturalização a Santo Fimia. 

Talvez seja o mesmo. Vide Archivo Municipal de Lisboa, tomo i, pag. 364. 

Flegetonte (El capitan)- La Crysélia ãe Lidaceti, famosa ti verdadera 
historia de vários acontecimientos de amor y anuas. Con graciozas digressio- 



27'l \ UTTEBATORA HESPANHOLA KM PORTUGAL (94) 

nes de encantamienlos, y colóquios pastor iles. Del capiían Flegeionle Cómico 
Inflamado. Com licença, em Lisboa, por Pedro Craesbeeck, 1621. 

s," pequeno, de viu-312 pags. 

Salva (18U-I812) descreve .a primeira edição (Paris 1609) e outra de 
Madrid, por Padilla, 1720. Na advertência d'esta ultima se diz que é a ter- 
ceira edição, salva, no entanto, pergunta pela segunda. É provável, porém, 
que seja a de Lisboa, que elle desconheceu. 

Vide Catalogo de Manuel Francisco Pereira de Sousa, n.° 588. 

Florencia (Geronymo de). — Sermon qve predico a la magestad catholica 
dei rey don Filipe llll. A. S. el padre Geronymo de Florencia, religioso de la 
Compartia de íesns, Predicador de su Magestad, y Cõfessor de stis Altezas los 
Sereníssimos Infantes D. Carlos, y I). Fernando Cardinal, y Arçobispo de To- 
ledo, en las Honras que su Magestad hizo dei Rey Felipe 111 su padre ij N. S. 
que Dios lime, en San Geronymo el Heal de Madrid, a 4 de Mayo de 1621. 
Dirigido ai Rey nuestro Sefior. Ano 1621. Impresso en Lisboa. Com todas as 
licenças necessárias por João Rodriguez. 

i.", 'ii lis. numeradas pela frente. 

Exemplar da Bibliolheca Nacional de Lisboa. 

Flores (Pedro). — Ramillete de Flores. Oraria, quinta y sexta parte de 
Flor de Romances nueuos, nunca hasta agora impressos, llamado, Ramillete de 
Flores: De muchos, granes, y diuersos Autores. Recopilado no cõ poço trauajo: 
por Pedro Flores Librero: Y a su costa impresso. Y demas desto va ai cabo la 
tercera parte de el Araucana, en nueue Romances, excepto la enlrada de este 
Reyno de Portugal, que por ser tau notória a lodos tio se pone. Con licencia y 
Priuilegio. En Lisboa. Por António Aluarez Impressor. Ano de 15.93. Vendese 
eu casa de el mismo Flores, ai Pelorinho Velho. 

1 vol. 12.°, 13 lis. piei. iim., 444 numeradas pela frente. As innume- 
radas conteem: licenças, prologo, poesias a Pedro Flores e um romance 
seu em resposta. A quinta e sexta parte tem frontispício especial, mas a 
numeração continua. A Approuação de Fr. Bartholameu Ferreira é do theor 
seguinte : 

«Vi por mandado de sua Alteza estes Romances de diuersos Autores 
catholicos, colligidos por Pedro Flores, & tirado o que vay, não tem cousa 
contra nossa Sancta Fé, e bõs costumes: A- os mais forão ja impressos, 
& aprouados: Parece que não tem cousa por que se não deuão de impri- 
mir». 

Pela approvaçào e por outras referencias se vê que Pedro flores leria 
sem duvida colligido e publicado também as três partes anteriores. Não se 



(95) A LITTERATDRA HESPANHOLA l.M PORTUGAL 27í 



conhecem todavia. A Bibliotheca Nacional de Lisboa só possue o exemplar 
acima descripto. Salva menciona também esta edição, transcrevendo a des- 
cripção de Duran. Ahi se descrevem mais edições hespanholas de Pedro Fio 
res. Veja se Catalogo de Salva, tomo i, pags. 159 e 160. 

Fonseca (Christoval de).- a) Tratado dei amor de Dios. Compuesto poi 
il Padre Mestre Frey Chrísloual ih' Fonseca, rfi la Orden de San/ Augustin. 
Van de nueuo aRadidas en esta impression três copiossissimas Tablas, ele. 
(Gravurinha representando Christo crucificado entre as santas mulheres). 
Em Lisboa. Impresso cu licêeia da Sãcta Inquisicion. Por Pedro Crasbeeck. 
Afio Í603. 

I vol. 8.°, 7 lis. prel. inn., 339 (Is. numeradas pela frente. Tem no fim, 
sem paginação, em 68 lis.: 

dabla alphabetica, qve resvelve lo qve principalmente se trata en esto 
libro dei Amor de Dios, dei Padre Vlaeslro Cristoual de Fonseca. Con otras 
dos Tablas de Scriptura. Hecha por el Padre Fray Domingo de los Revés, 
Predicador dei Gonnento de Sancti Spiritus, de la Orden de Sant Domingo 
de A ia nda». 

Exemplar de Coelho. 

Pela licença (16 de maio de 1602), assignada por Fr. Manuel Coelho se 
vê que o livro já linha sido impresso em Lisboa. Effectivamente no catalogo 
Ferrão (n.° 170) vem descripta nina edição de l*i98, por António Alvares. 

b) Vida de Christo Sefíor Nuestro. 
Lisboa 1600-1603, 2 vol. 4.° 

N.° 1:456 do catalogo da Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 

c) Primera parle de la Vida de Christo seRor nveslro. Compuesta par el 
Padre Maestro Fray Christoual de Fonseca dt la Orden dei glorioso Padre Sun 
Augustin. Van emendados en esta impression algunos descuidos de la primera, 
ii anadidas cosas de mucha importância. (Figura oval, representando o busto 
de Christo). En Lisboa. Impresso con licencia de la Saneia Inquisicion, y Or- 
dinário. Por António Aluarez. Anno de 1600. t costa de los erederos de Simon 

Lu/ir:. 

I vol. folio pequeno, a 2 col., 3 ds. prel. inn., .'dl numeradas pela 
frente, afora Index. Na ultima pagina estampa grande oval, representando a 
Mater dolorosa. 

Frontispício a preto e encarnado. 

Será portuguez? \s licenças em hespanhoL 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 



276 A LITTERÀTURA HÉSPANHOLA EM PORTUGAL (96) 



Gallego (Iuan Nicario).- El dia dos de Mayo, Elegia. 
Lisboa, 1809, 8 pags. * 

N.° 1:659 do catálogo de Kart W. Hiersemann (Bibliotheca Hispano-Por- 
lugueza), Leipzig 1889. 

Gallo (António). Regimiento militar, qve (raia de como los saldados se 
li, unir gouernar, obedecer, y guardai las ordenes, y como los oficiales los han 
de gouernar. Compvesto por el sargento mayor António Gallo, Cauallero pro- 
fesso de la Orden de Christo. (Armas reaes portuguezas). Con todas las licen- 
cias necessárias En Lisboa. Por Pablo Craesbeeck. Impressor, & Liurero de 
las ires Ordenes Militares. 

I vol. 4.°, sem data, 3 fls. prel. inn.. 78 fls. numeradas pela frente, 
I (1. desdobrável. A taxa do livro é de 3 de dezembro de 1044. A dedicató- 
ria é a el-rei. Principia: «Por más de treinta e ocho anos he seruido en 
este Reyno de Portugal en la milícia, etc». No verso da fl. 24 trata de um 
caso militai-, quando commandava junto de Elvas uma força de 310 infantes 
e 80 cavallos, em frente do inimigo. 

Duvidamos se será liespanhol. Se o era, ficou ao serviço de Portugal. 

Exemplar do .Museu Britânico. 

No Portugal Restaurado, livro 4.", pag. 215, vem narrado o episodio da 
sortida de Elvas. 

Galvez de Montalvo (Luis). — El Pastor de Philida. Compuesto por Lúys 
Galuez de Monlaluo Gentilhombre cortesano. (Gravura: homem tocando gaita 
de folies deante de uma arvore). Dirigido ai mvy Illustre senor don Henrique 
de Mendoça y Aragon. Impresso en Lisboa por Belchior Rodrigues con' licencia 
de, los senhores Inquisidores, aím de 1589. 

8.°, 248 fls. numeradas pela frente. 

Antes de começar a obra, sonetos de Don Lorenço Soarez de Mendoça, 
IhVgn de Lasarte, Pedro de Mendoça, D. Francisco de Mendoça, Doctor Cam- 
param*. Gregório de Godoy, e dedicatória do auctor a don Enrique de Men- 
doça y Aragon. No verso do folio final um soneto ai libro, de su autor. 

Não publica a approvação inquisitória] nem as licenças. 

Exemplares de Jeronymo Ferreira das Neves e Bibliotheca Nacional de 
Lisboa. 

Garau (Fr. Francisco). — El sábio instruída de la Naturaleza en quarenta 

ma. notas politicas c morales. 
Lisboa, 1087, 2 tomos. 
N." 470 do catalogo de Cruz Coutinho. Vide também n.° 515. 



97 A L1TTEBAT0RA HESPANHOl \ EM PORTUGAL '277 

Garcez y Gralla <l>. Gabriel). O aome de D. Gabriel Garcez 3 Gralla 
nãc se acha iascripto Deni no Ensayo de una biblioteca, de Gallarda, nem no 
di Salva, nem tão pouco no Catalogo bibliográfico e biográfico dei 
teatro antiguo espafíol, de Barrera j Leirado, onde devera figurar, por ler 
composto, segundo dizem, algumas comedias. Sabemos da sua existência 
por dois livros publicados cm Lisboa e de que abaixo apresentamos ;i des 
cripção. Tanto n'um como n'outro se dá como natural da Calalunha, capi- 
tã :avalleiro. Segundo o Dr. André .Nunes da Silva, illustrou com ;i In/. 

do seu engenho o velho ivo mundo, a Europa e a America. Ignoramos 

o motivo que i' trouxe a Lisboa, e se teria aqui alguma occupação, alem da 
litteraria, que decerto lhe grangeou o patrocínio de alguns fidalgos, sobre 
tudo «li 1 D. João de Sousa da Silveira, a quem dedicou a obra que passamos 
a descrever: 

a) Vénus y Adónis Fabula trágica | que dedica n Dm, hum de Sosa | 
• h Silveira | el capitan ' ii<>n Gabriel Garcez // Gralla Cavalleiro Catalan. 
(Escudo de armas gravado era cobre com a assignatura f. Manuel de Almeida). 
Lisboa. En !<i officina 'li' Henrique Valente de Oliveira. Afio Í6Õ6. 

'1.". ií fls. piri. hm., incluindo o frontispício, 23 pags. 

Na. preliminares: » \ quien leyere; Poesias dedicadas ao auctor; Licen- 
ças; Dedicatória (em cinco oitavas) ai senor Don .Ivan de Sosa da Sylueira, 
Alcayde mayor de la villa dr Tomar, Comendador dr la Orden de Ghristo, 
de las encomiendas de Olallas, y de las Pias, Veedor de la Casa de la Reyna 
N. s. Presidente dei Senado dr la Gamara de la Ciudad de Lisboa, General 
que fue dei exercito de Trás los Montes, \ gouernador de aquella Prouincia 
por Su Magestad ; Vrgumento». 

o poema é em i4 oitavas. 

As poesias encomiásticas ao auctor são as seguintes: 

D. 1 R. I'. D. Prospero dos Martyres, Cónego Regular: 

Decima 

Consagre egundo aiflor 
\ I- te Adónis elegante 
Vénus, se pretende amante 
\ 111 11 de Marte o rigor: 
De Adónis, que agora Ite flor 
A (lôr este Uoni3 leua . 
Desli que immortal .1 eleua 
Não tema, \ enus rizonha, 

Nem boca que se II ponha, 

Piem dente que se lhe atreua. 



278 A L1TTERÀTURA KESPANHOLA KM PORTUGAL (M) 



De D. Emmanuel de Soto Mayor: 



El emprender es valor, 
Conseguir felicidad, 

Y en todo con grauedad 
Tu caudal muestra primor: 
A li acuda por fauor, 

No a la Castalia fuente, 
El que coronar su frente 
De lauro immortal presuma. 
Que es oráculo tu pluma 
D.- Aprtlo más eloipienle. 

Seguem-se dez anagrammas e duas decimas de Alonso de AJcalá y Hei 
fera. 

As decimas são as seguintes: 

Si de Garcilaso aprueua 
La lyia y dulçor Thalia, 

Y su métrica harmonia 
Hasta Hippoerene le eleua : 
Vuestro Adónis la reprueua, 
(Solar Cid) y en el Parnaso, 
Si fue, Sol, le dá el Occaso, 

Y haze, remontado ai cielo, 
Angélico vuestro buelo, 

Y el de Garcilaso, laso. 

Si dei Marino el pincel, 
A su Adónis lan lasciuo, 
Muerto, le retrata viuo, 

Y el se immortalisa en el : 
Más se eterniza (ó Gabriel) 
Vuestro Adónis Peregrino. 

Y vós en el. por Diuino, 
Pues tanto honesto excedeis, 

Que en norabrê, 5 pluma, os liazcis 
Angélico : v el, Marino. 

Do muy Reverendo Padre Fr. N.: 

Redondillas 
Solo tu pluma pudiera 
Dar a Adónis nueva vida. 
Que en sus rasgos repetida, 
Más galan se considera. 



99) A L1TTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGA! L 27'.l 



Alma dás, i n bn ue suma, 
; de su Historia, 
V se lleua 
Ei aciei 

Los aplausos de Deidad 
Lo solicita In lyra, 
Disfracando \n.i mentira 
Con achaques de verdad. 

Solo, j Sol le a de aplaudir 
El Parnaseo parecer, 
Por solo en el merecer, 
Solo y solo i ii el dezir. 

L'm exemplar (Testa obra, único de que até agora tivemos conhecimento, 
fazia parte de um volume de Miscellanea (n.° 8:548), pertencente á livraria 
arrematado por Jeronymo Ferreira das Neves. 

A outra obra, de que nos vamos occupar, foi certamente publicada pos- 
iluima. mi em segunda edição, mas, n'esta ultima bipothese, com accrescen 
lamentos posteriores. Eis a .sua descripção bibliograpbica : 

b\ Ocupacion en el retiro, comprehendida en In sylva, que en respuesta 
de otra, embia desde su quinta Cal uniu n Ergasto, Descrive Chrislim 
virtuosos exercícios, passatiempos apacibles, y entretenimiento dei campo. Per- 
suade communes, y generales enganos de varias opiniones, que se padecen en 
el siglo. Inculca evidentes desenganos para reformacion de In vida, y prepara 
oion ile In muerte. Compuesta /»"■ el capitan I). Gabriel Garcez y Gralla, ca- 
valkro Caialan, y dedicada ai senor Francisco de Web, Comendador -le s. r, 
dro de los Comi*, // de s. Martin 'le Pinei, ambas en la Orden de Christo, y 
Capitem de Infantaria. Por Francisco Lm* Ameno. Lisboa: l~.n la Inprenta 
ile António Isidoro da Affonsec. Afio de 1/ DCC XLII. Con todas las licencias 
necessárias. 

1 vol. i.", '■'<■) tis. prel. inn., 121 pags. Nas preliminares contém se: 
Al vulgo, bien, ó mal intencionado»; dedicatória, historico-genealogica, 
em portuguez, muito extensa, assignada por Francisco Luís Uneno: diz abi 
que na casa Mello achou sombra o engenho do auctor; Licenças, algumas das 
quaes bastante desenvolvidas; Epigramma latino de João de Couto de An- 
drade; Decima do li. i". Mestre F. V: Do M. R. P. o doutor André Nunes da 
Silva, em louvor do capitão I). Gabriel Garcez y Gralla. Refere se ao idonis 
do auctor e a comedias suas. Diz que elle foi sol, que não cabendo na Eu 

Hist. e Mem. da Acad. — Tomo mi parte 11.— .V 5 9 



280 A I.I TIT.lt A ITiU HESPANHOLA EM PORTUGAL {^^) 

ropa, illuslrou a America. Depois de algumas phrases muito encomiásticas, 
remata com o seguinte soneto: 

Ú tu Gabriel, que dessa estancia inculta 
Descubres las traiciones dei engafio, 
*i dei sábio ignorado de 
Inculcas la vereda siompre occulta. 

(i quanto bien ai mundo le resulta 
Del alto buelo de tu pluma estrano, 
Puès nos ensenas qu tnto offi nde el dano, 
Puès 'in- declaras quanto el bien abulta. 

Farol luziente, tu escrivir facundo 
Al orbe alumbra, que gozoso admira 
Los rayos de tu ingeíio sin segundo. 

Puòs en el melro de tu dulce lyra, 
Si la verdad por li conoce el mundo. 
Por ti escarmiente el mundo la mentira. 

«A cierto prelado, tau doctO, como enrolado, y perseguido, amigo par- 
ticular dei Author». Esta dedicatória ou epistola é assim datada: «Deste re- 
tiro, Enerb, a 8 de 1007 annos». 

Isto prova que a obra estava escripta setenta e cinco ânuos antes de ser 
impressa. 

Innocencio Francisco da Silva parece não ter conhecido esta obra, pois 
não a menciona no seu Diccionario, o que todavia não é para estranhar, sendo 
o seu auctor estrangeiro e a obra escripta em hespanhol. Poderia, porém, 
cital-a indirectamente nos artigos allusivos ao doutor André Nunes da Silva, 
e a Francisco Luis Ameno. 

Para se fazer uma leve ideia do merecimento poético de D. Gabriel, da- 
remos aqui o trecho inicial da sua Occupacion en el retiro: 



Dividia el montante 
De Ciréo flamante 
I.a luz d" la- tinieblas, 
Sombras hiriendo, acuchiflando nieblas 

Galan Apolo de la bella Aurora. 

Que quando ai cielo rle, "/ campo llora; 

La rubicunda greíia, 
Que entre Olimpos, y Caucasos despeCa ; 



' 1**1 i A L1TTERAT0RA UESPANUUL.A l.\l PORTUGAL JS I 



iiundo : 
Quando de mi profundo 

ei in dcspierlos, qno rnorimos, 
Hurlaml 
M''\ i iun vivicndo 

d verso que sublinhamos encontra se quasi textualmente no (inal da oi- 
tava 'ii do canto i da Ulysseia, \ ma lieroico de Gabriel Pereira de Castro. 

Aqui transcrevemos toda a estancia, para que o leitor possa fazer o con- 
fronto e, com Lodo o conhecimento de causa, formular o seu juizo: 

Aos í; e !a\ a Ulysse i pi rando, 
Qn indo j i de Laton i - filh i ardenle. 
Pi o b ilcõi ••'li lurora pa seando 
Mo i: n i .1 i u i luz i • ■•■. i gente : 

ili. já '! p irolas l 

i Is i-ainpos, | [ui as portas do Oi 

i indo aljofai ahn i bel! i Lurora 
Que quando i 3 • a n po choi 

A Ulysseia sahiu posthuma á luz da publicidade, em Lisboa, nu 1636, 
quatro annos depois da morte do seu auctor. \ segunda edição, feita pelos 
cuidados de seu irmão Luiz Pereira de Castro, não lem ;i data da impressão, 
mas calcula [nnocencio da Silva que é dos annos de 1642 ou 1643. N'ella se 
corrigiu sensatamente a palavra sbolcões» do terceiro verso para «balcões». 

\ chronologia demonstra a evidencia que não foi Gabriel Pereira que 
Garcez j Gralla, mas mui este que trocou as primas do seu appel- 
liilu pelas do pavão, com que pretendeu enfeitar-se. 

Desta obra lia dois exemplares na Bibliotheca Nacional de Lisboa, um 
dos quaes pertenceu ao Hospício Real de S. João Nepomuceno dos Car li- 
lás Descalços, conforme se vê do ex-libris manuscripto: Ex-libris — Hospitii 
Regii S. Joannis Vepomucenii Carmel. Discai. 

Este convento, de religiosos allemães, foi fundado em IToT por )». Ma- 
ria Anua de Auslria. malhei' de D. João V, e n'e||e se aeha hoje estabelecido 
o Asylo de Santa Catharina. Veja-se o que diz João Baptista de Castro, a 
pag, 396 do vol. ih do seu Mappa de Portugal. 

Garcia de Alexandre (João Baptista). — Cancion real ai altíssimo misté- 
rio </• el l"' \faria w l<> sacratíssima incarnacion de el Verbo Dios Eterno, 
principio de nuestra feliz redempcion. Romance chãos de ri mundo en la muni, 



282 \ I.ll TÊRATl RA HÉSPANHOLA I.M PORTUGAL (102) 



de el Fénix Christo seftor nueslro y alegria universal en su reswreccion. \ In 
sereníssima sefíora princeza Margarita de Saboya, duqtCeza de Mantua, etc. 
Lisboa, por António Alvarez, 1638. 

'».", :!í iim.. 22, l!» iiin. pags., 3 estampas gravadas, impressas em se- 
parado. 

O auctor era bacharel pela Universidade de Salamanca. Exercia em Lis- 
boa o cargo de fiscal do real commercio e contrabando nos reinos de Portu- 
gal e da Junta do embargo de bens dos francezes. A obra contém muitas poe- 
sias laudatorias dedicadas ao auctor, sendo grande numero d'ellas escriptas 
pòr senhoras. Veja se Diccionario Bibliographico, tomo xin, pag. 301. 

Ha um exemplar na Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Garcia de Santa Maria (Mosen Gonçalo). Veja-se o artigo de Innocen- 
cio da silva, e artigos de Salva n." 3:876) e Gaílardo (n.° 2:312 e seguintes!. 

Garcilasso de la Vega (El Ynca). — a) La Florida dei Ynca. Historia dei 
adelanta- ! do Hernando de Soto, Gotíernador y capi- \ tan general dei Reyno 
ih' la Florida, y de atros heróicos cauãlleros Espafiotes ê Índios; escrita por el 
Ynca Garcillasso \ de la Vega. capitai) de su Magestaã, | uai arai de la grau 
ciudad dei Coz- co, cabeça de los Reynos y | prouihcias dei Peru. \ Dirigida 
aí sereníssimo Príncipe, Duque de Bragança, etc. ] Con licencia de In sancta 
Inquisicion. \ En Lisbona. | Impresso por Pedro Crasbeeck. \ Ano 1605. \ Con 
prhHlegio Real. 

i.°, 10 pags, inn. com licenças, dedicatória, proemio, 3.'>1 fls. numera- 
das pela frente, mais 13 pags. inn. de tabla. 

Edição princêps. 

In Commentarios reates, que tratan dei origen de los Incas, reyes que fue- 
ron dei Peru, de su idolatria, Ienes y govierno en paz y en guerra : de sus vi- 
das e conquistas y de todo lo que fue aguei Império ij su republica antes que 
los Èspanoles pássãroh a el. Lisboa, afficina de Pedro Crasbeeck, 1609. 

Folio, com umas armas gravadas. 

Edição princtps. ,\ T ." 1:281 do catalogo Ferrão. 

Garro (Francisco). — Fràncisci Garri, j Nationi nacarri: \ nvnc in regia 
capella olisiponensi capellani, et ih eadem mi \ sices práefecti opera aliqitot: \ 
Ad Philippvm tertivm hispãniarum | Regem, secundi Lusitaniae. | Nuncpnmum 
ih lacem edita. \ Cum facultate sanctae Inquisiiionis & Ordinarii | Olisipone. | 
Ex o/jicina Petri Crasbeeck Anno hino. 

Jóáquini dé Vasconcellos, Archito Artístico, fase. 3.'\ pag. ;!í. 



(103) \ L1TTERATUR.A HliSPANHOl \ 1M PORTUfiAI 283 



Gerardo Lobo ih. Eugénio). Rasgo épico de la conquista de Oran, que 
ii la diversion de los oficiales de los Regimienfos de Guardiãs Espaflolas, y Wa- 
lonas, dedica el afecto de Qon Eugénio Gerardo 1 mo Compafiero 

sut/Oj em 170 Octavas. Lisboa Occidental, en la imprenta de Musica. Con las 
licencias necessárias. Vendese en la misma Imprenta. 

Sem daia. 4.". 36 pags., incluindo o frontispício. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisl 

Gil de Godoy (Fr. Juan). o) El mejor Guzman N. P. S. Domingo. 

Lisboa 1602, _' volumes. 

v 1:092 do catalogo de Cruz Coutinho. 

In El mejor Guzman de los buenos Y. /'. S. Domingo, patriarca de los 
predicadores. Predicado, y aplavdido, por el menor de sus hijos. Fr. Ivan Gil 
de Godoy, maestro en sagrada theologia: prrdicador general de la tinira de 
predicadores, y de sv magestad: prior que ftte dei Ilustríssimo Convento de 
S. Estevan de Salamanca; Difinidor dos vezes, Vicário General de la Provin- 
da de Espafía, etç. 

Vimos o vol. ii (enorme calhamaço) na loja do livreiro Rodrigues. Rota 
a ultima parte do frontispício, por isso não vimps a data: não deve, porém, 
ser a que está acima. 

Godinez (Miguel). — Practica de la Theologia mystica, escrita por el M. li. 
/'. .1/. Miguel Godinez, de la Compafíia de Jesus, Cathedratico de Theologia en 
el Colégio de Sua Pedro, y San Pablo de la Ciudad de México. 0. D. y C. ai 
excelem, y reverend. sefior D. Fr. .los,' Mana de Fonseca y Évora, etc, por el 
I'. Domingos Gomes Santiago. Lisboa. En la Offlc. de Francisco de Sylva, li- 
brero de la Academia Real y Senado. Afio de 1741. 

1 vol. 8.°, 16 pags. prol. inn., í-ii pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Gonçalez de Mendoça (Fraj Juan). Itinerário \ y compendio de las 
rosas notables que asy desde Espana | hasta ri Reyno 'Iria China, y de la 
Chi j naà Espafía, boluiendo por la índia ' Oriental, despues de auer da- do 
buelía, á cosi iodo ri ; Mando. | Enel '/rui se ti aio de los ritos, cerirnoniqs, y 
costumbres | de lu gente que en todo ri ay, y de la \ riqueza, fertilidad, y for 
taleza de \ muchos Reynos, y lu descripeion de iodos ellos. 

* llrr/iu por ri mui/ Reuerêdo padre Maestro fray luã \ Gonçalez de Men- 
doça de la ordm de S. Augustin, assi por to que el ha visto, como por rela- 
cion verdadera \ que tuuo dei padre Mn rim Ignacio de Loyala y sus | compa 



284 \ UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (104) 

fieros religiosos Descalços dela Orden \ de sant Francisco, que lo anduuieron 
todo el afio de 158 í. 

^1 Impresso em Lisboa em S. Philippe , el Real. Afio de MDLXXXVj. 

•i Con licença da sancta y J Geral Inquisição. 

1 vol. 8.°, 135 lis. numeradas pela frente, incluindo o frontispício. Nu 

verso d'este :i tabla, que occupa í pags. (xxvn cap.). Segue-se (em 5 pags.): 

\ los padres y hermanos religiosos descalços, delas Ordenes dei Seraphico 

Padre s. Francisco, y de nuestra Senora dei Cármen, fray Geronymo Gracian 

de la madre de Dios, Carmelita Descalço. S.». 

N'esta carta se explicam os motivos da publicação do Itinerário, como se 
pode ver pelo seguinte trecho inicial: 

«Con las nãos q llegaron de la índia a esta ciudad de Lisboa, por fm de 
Agosto, deste ano de 86. Rescibi cartas de nuestro hermano, el Padre fray 
Martin Ignacio de Loyola, Comissário dela ('bina : enlas quales de mas dei 
buê suecesso de su nauegacion, da cuêta dei grã frueto q se puede hazer 
enlas almas de la Gêlilidad, y el aparejo q aora de nueuo ay para poder 
meterse enel grémio dela yglesia, inumerable multitud dllas, si viiiesse- minis- 
tros q acudiessen ã su cõuersiõ: y torna á èncargarme lo que le offreci, 
quando bezimos nuestro vinculo de bermandad: que fue animar e afervorar 
a Ys. Rs. q se dispongan á tomar tau alta empressa. Y para ponerles este 
animo, y aferuorarles este desseo, me parecio hazer imprimir en estos Reynos 
de Portugal, este Itinerário, q el mesmo padre fra\ Martin, escribio dei otro 
viage que bizo antes deste: el qual hizo imprimir en Madrid, el padre Maes- 
tro, fray Iuã Gonçales de Mendoça, dela Orden de S. Àuguslm, en la tercera 
parte de su libro, q trata delas grandezas dela China, ahadiendo algunas 
cosas de las que el mesmo vio». 

Exemplares de Vieira Pinto e Nepomuceno. 

Yeja-se o artigo de Gracian de la Madre de Dios (Fray Hieronymo). 

Lêr Salva a respeito de Gonzales de Mendoza, especialmente n.° 3:337. 

Ha um exemplar na Bibliolheca Nacional de Lisboa. 

Gonçjora (D. Luiz de). — a) Obras de Dou Lr is de Gongora. Primeva 
parle. Sacadas a luz de nueuo, ij enmendadas en esta vitima impression, 
Lisboa. En la Oficina de Ivan da Costa. Con todas las licencias. Ano 
MDC.LXVH. 

A primeira parte tem 2 pags. prel. inn., com a dedicatória subscripta 
por Joseph de Faria Manuel a D. Anna Maria de Portugal, dama da rainha; 
390 pags. A segunda, 425 pags., tendo no verso da ultima folha a licença e 
a taxa. Foram taxadas as obras de Gongora, primeira e segunda parte,-, em 
200 réis em papel. 



(105) A LITTERATl li\ HESPANHOLA EM PORTUGAL 285 

Bonita edição, typo mignon. k ultima | sia da segunda parte è a Can- 

cion (em exdruxulos) a las Lusíadas di Camões, que traduxo de Portu* 
Castellano Luis de Gomez de Tapia. 

Exemplar de Jeronj I ei reira das Neves. 

■ Obras d* />. Lvis de Gonyora, ele. (Titulo idêntico ao de cima . 

Lisboa, Paulo Crasbeeck, 1646-1647, 2 vols. 12." 

Edição mencionada por Salva. Vide n.° 642 do respectivo catalogo. 

Gonzalez (Thyrso). — Synopsis tractatus Theologici Ebora; ea Typ. Aca 

*h mor 1697. 

8.°. 32 pags. iniL. 243 pags. 
Exemplar da Bibliotheca da Vjuda. 

Gonzalo (Árias).- Memorial en defensa de las mogeres de Espana, y de 
bis vestidos y adornos de que usan. U reij V. Sor. D. Licenciado Árias Gon- 
çalo. 1. C. Lisboa, António Alvarez, 1630. 

\:. I 11. de portada e 58 fls. 

Obra curiosa, diz Salva, que a descreve uo tomo u, pag. 785. 

Gracian (Lorenzo). a) El Discreto de Lorenço Gracian, qve pvblica 
I). Vincencio hum de Lastanosa. Em Coimbra. Cõ todas as liceças necessárias. 
Na Officina de Thome Carualho Impressor da Vniuersidade. \nno 1656. 

1 vol. 16.", li pags. inu.. 127 pags. 

No reverso da ultima pagina lê-se: «Em Coimbra. Por Thome Carualho 
Impressor da Vniuersidade, Anno 1647»! 

b) Arte de Ingenio, Tratado de la agvdeza. En que se explican todos los 
modos, y diferêeias de Conceptos. Por Lorenço Gracian. Dedicado a D. Joam 
da Costa, etc. Em Lisboa.. Com todas as licenças necessárias. Na Officina Cras- 
beckiana. An. 1659. Por Simão Antunes de Almeyda. 

i vol. 8.°, 5 fls. inn., Ill numeradas pela frente. Nas primeiras con- 
tem-se: licenças; dedicatória de Simão A. de Almeida; ai lector. lia n'esta 
obra frequentes referencias e elogios a Camões, de que se transcrevem trechos. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

c) Oracvlo Mamai y Wte de Prvdencia. Sacada de los Aforismos, qve se dis- 
cvrren en las obras de Lorenço Gracian. Publicala D. \ incendo Ivan de Lastanosa. 
Lisboa. Can licencia. En la Officina de Henrique Valente de Oliueira. Afio 1657. 

12.°, 272 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 



_'Sli \ I.ITTKIíAIIHA HE§PANHOLA EM PORTUGAL (106) 

No verso do frontispício approvações e licenças. Segue-se 1 foi. inu. com 
dedicatória a Francisco de Britto Freire, Comendador da Villa de Midoens, 
General da Armada da Costa. 

Nu lundu da ultima folha lè-se: 

«1,0 impresso de Lorenço Garcian en este Reyno eslo siguiente: 

../•:/ Heroe; 

"W Discreto; 

t /•;/ Oritícon. Primera parte; 

«El Criticon. Segunda parte». 

il ) El Criticon; primem parte. En la primavera de la nine: y en el estio 
de la juventud. Sn autor Lorenzo Gracian. Lisboa con iodas las licencias neces- 
sárias. /■'// In officina de Henrique Valente de Oliveira. Afio 1656. 

s.", 3 Qs. prel. inu., 280 pags. 

A approvação de Fr. Adi ião Pedro reza assim : 

«Por mandado do Conselho Geral do Santo Officio vi este livro, cujo 
titulo he, El Criticon, primeira parte, Autor Lourenço Gracian, ja impresso 
em Zaragoza ; não tem cousa contra nossa Santa Fé, ou bõs costumes, antes 
he livro digno de andar nas mãos de todos, porque ensina deleitando, A- de- 
b;ix<> de bua metáfora mostra o des*engano do mundo cõ muita erudição. Lis- 
boa no Convento da Santíssima Trindade em 8 de Fevereiro de 656». 

e) El Criticon, segvnda parte. Jviziosa cortesana filosofia, en el otono de 
la vqronile edad. Lisboa, na mesma officina, AM 1657. 
S.°, 14 pags. prel. inn., 288 pags. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

/ ') El Heroe. Coimbra, por Thomé de Carvalho, 1660. 
16.° 

Exemplar da Bibliotheca da Ajuda. 

No catalogo Bertrand (livros bespanhpes) vem uma edição do El Criticon, 
primeira, segunda e terceira parte, Lisboa 1736-1761, 3 tomos. 

Gracian Dantisco (Lucas). — Galateo Espanol. Autor, Lucas Gracian de 
Antisco, criado de su Magestad. Y de nueuo va anadido el Destierro de Igno- 
rância, que es Quaternário de Auisos conuinientes a este nuestro Galateo. Y 
agora de nueuo, la inor ânsia y vnos versos. Con licencia. En Lisboa, en casa 
de Iorge Rodrigues. Afio 1598. A costa de Francisco Perez Librero y Merca/ler 
de libros y vendese en su tienda ai Pelorinho Velho. 

1 vol. 12.°, 9 fls. prel. inn., 132 fls. numeradas pela frente. 



i 107 i a UTTERATUUA HESPANpOLA EM PORTUGAL 28' 



Depois do Galai i: i stos versos estan en Roma escritos con letras de 
oro», i lis. inii. Depois, com numeração separada: Destierros de ignorân- 
cia. Nueuamente compuesto j sacado en lengaa Italiana, por Oracio Rimi- 
naldo Bolonez. V agora traduzido de lengua italiana en Castellaua. Impresso 
con licencia en Lisboa». 56 As. numeradas pela frente. 

Nas 9 fls. prel. contem-se: Informação; licença; dedicatória a loachiu 
Santi Goseller de la Ciudad de Barcelona i IS de junio de 1593); outra a Gon 

calo \r-<ii. de Molina assignada Lucas Gracian Dantisco); ai letor; s stos 

de Galues de Montaluo, doctor Francisco de Campuçana, Lope de Vega, Gas- 
par de Morales ; tabla. 

A informação é de Fr. Manuel Goelho: 

"Vi este Liuro intitulado Galateo Espano! con vn tratado junto a elle 
caju titulo lie destierro de ignoranciaj & outro de sentenças de Francisco de 
Gusmão assi como vão não tem cousa algõa por onde se não possão impri- 
mir >. 

A licença é datada de 23 de junho de 1598. 

Exemplares de Neves e da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Gracian de la Madre cie Dios (Fray Hieronymo). — a) Stimvlo de In pro- 
pagacion de la fee. Contiene el vincvlo de hértnandad entre los Padres descal- 
ços, de nuestra Sefíora dei Monte Carmelo, y dei Seraphico Padre Sant Fran 
cisco, para ayudarse y fauorescer se en la conuersion de la Gentilidad. ) vna 
Exôrtacion para eUo: Hecha por Fray Hieronymo Gracian, de la madre de 
Dios, Carmelita descalço. Con licencia de la sumiu y General Inquisicion. //// 
presso en Lisboa en Sant Philippe, de los Carmelitas descalços, por Andres 
Lobato. Afio de M. I). LXXXVj. 

8.° pequeno, 71 fólios numerados pela frente. 

No verso do frontispício tem a seguinte approvação: 

«Por mandado de su Alteza, vi este tractado, cujo titulo he, Vinculo y 
bermandade perpetua. Cod vna exortação, para yo pregar ò saneio Euange- 
Iho, as terras dos Gentios, & toda a doctrina que aqui se cõprende, he catho- 
liça, 4 niuytii proueytosa, pêra mouer os Religiosos ao zelo da conuersão das 
almas, & será grande seruiço de Deus, imprimirse. Frey Bertbolameu Fer- 
reyra». 

Segue-se : 

i Uos padres y hermanos, de la ordê denuestra será Senora dei Cármen 
de los descalços. Fray Hieronymo Gracian de la madre de Dios Salud. 

Contiene este libro el fin que mouio a los Padres Carmelitas descalços, 
ha azer hermãdad cõ los Padres descalços Franciscos, para la cõuersion de 
infieles, y la escriptura que sobre esto se otorgo; Ia ijiial embiamos luego á 



288 A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (108) 

Roma, para que nuestros Reuerendissimos Generales y su Sactidad la cõflr- 
masse. ^ vna exortaciõ para proseguir esta impressa, y porq todos los q la 
leyerê, se anime á ganar almas para Dios, y los religiosos destas dos orde- 
nes, sepamos a lo que estamos obligados y correspõda cada vno con lo que 
pudiere segun su talento me parecio seria bien hazer mir [(sic) será impri- 
mir? y juntamête con el Itinerário q nuestro hermano fray Martin Ignacio 
de Loyola, escribio dei viage q el y sus compaõeros hizieron ala China, q 
puso en su libro de la historia de las cosas notables de afjllos Reynos, el 
muy Reueivdo Padre Maestro, fray lua Gõçales de Mêdoça, de la orden de 
S. Augustin. Para q viêdo la mucha mies q blãquea, y está aparejada pa el 
baptismo, y los poços obreros çj ay se anime a yr a segar lo que Chrislo 
nuestro bii~ sêbro cõ su preciosíssimo sangre. Es la primera cosa q se im- 
prime en ia imprenta deste couêto de S. Pbilipe, despues dias bulias de la 
Cruzada, v viêdo vuestras reverècias enella la occupacion que lie tenido, da- 
ran por bien empleado el tiempo, que enestos Reynos de Portugal lie gastado, 
y me encommendaraná Dios, para que prosiga con lo demas que se va im- 
primiendo». 

Veja-se, porque tem relação com este, o artigo consagrado a Gonçalez 
de Meudoça (Fray Iuan). 

Exemplar de Jeronymo Ferreira das Neves. A impressão é incorrecta e 
descuidada. 

b) tampara incendida. Libro de la perfection religiosa : enel qual se traia 
lo que deue hazer el alma para con Dios, para con su próximo, y para con- 
sigo mistna : y para la perfecta guarda de su regia, y de los três votos. Por el 
P. Fr. Hieronymo Gracian de la Madre de Dios, vicário Prouincial de los Des- 
calços Carmelitas de la Prouincia de Portugal. (Vinheta : Virgem com o me- 
nino ao colo). En Lisboa, Impressa con licencia por Manuel de Lyra, 1586. — 
No fim: Impressa en Lisboa, por Manuel de Lyra, M. D.LXKXVI. 

8.° pequeno, m-56 tis. numeradas pela frente. A Segvnda Parte tem 
i-60 fls., mas parece que ainda lhe falta alguma cousa. 

No verso do frontispício a approvação de Fr. Bartholomeu Ferreira. 

Exemplar da Bibliotheca Publica de Évora. 

Nicolau António descreve grande numero de obras d'este frade, mas 
cremos que não menciona nenhuma impressa em Portugal. 

Granada (Fr. Luis de). — a) Comlemptus mudi, nimiamente romançado y 
corregido. Anadiose aqui vn breue tractado de três principales exercícios cõ que 
se alcança la diuina grã: q son Orõn, Confessiõ y comuniõ. Cõ vna breue re- 
gia de vida xpiana: cõpuesto por el ft. P. frey Luys de Granada de la ordè de 



(109) A UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 289 

S. Domígo. 1555.— No fim: .1 </V«; áe Jesu Christo haze fin el presente tra 
dado, intitulado Cõlêptus mudi, aora mteuamète romançado por muy mejor & 
mas apazible estilo </ solia estar. Fue nisto y examinado por los muy reuerê 
ires Inquisidores. /■' con su licêcia y mandado impresso en la muy no- 
ble a siempre leal ciudad de Euora: en casa de Andres de Burgos, impssor dei 
Cardenal infante. MDL I . 

I vol. 12.°, 190 lis. sem numeração; sign. aij qvij. 

Exemplares da Bibliotheca Nacional de Lisboa e de .1. M. Nepomu- 
ceno. 

Com esta obra e edição costuma andar junta a seguinte, de que Nepo- 
mucene possuía exemplar cm separado: 

b Siguense unas oraciones y exercícios </<■ deuocion mm/ prouechosos. Re- 
copilados de dittersos y granes andores pm >i reuerendo padre Frey Luys de 
Granada, dt la orden de saneio Domingo \ 1555). -No lim: Fue impresso este 
lii'ra de oraciones y exercidos en In muy noble & muy leal ciudad de Erma. 
i n casa de Andres de Burgos impressor dei Cardenal infante. Acabose u quinze 
dias ilrl mes de Odubre dei afio 1555. 

c) Contemptus mudi, rir. Impresso en Lisboa en casa 'Ir íoannes Blauio 
de Colónia 1557. 

i vol. 1-2.", 178 lis. numeradas pela frente, afora Tabla. 
As Oraciones y exercidos, do mesmo impressor e anuo, com frontispício 
e paginação á parte. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

d) Contemptus mudi. Nueuamente romãçado y corregido. Afíadiosele vn 
bretie tractado de oraciones, y exercidos de deuocion muy prouechosos. Beco- 
pilados de diuersos y graues autores, por ri li. i>. Fray Luys de Granada, de 
In orden de sancto Domingo. Impresso en Lisboa. A costa de luan de Borgofia 
librero dei Rey 1563. 

1 vol. 12.°, I7!i fls. numeradas pela frente. 

Tem em continuação: 

Siguèse runs oraciones y exercidos de deuodõ mm/ prouechosos. Recopila- 
dos de diuersos >j graues auetores por el reuerendo fidre frey Luijs de Granada. 
Prouincial de la Proiiiucia de Portugal, de la otden de sancto domingo. Im- 
presso en Lisboa eu casa de loan de Barrera en el arco de san Mamede. h~>tí:i. 
Con priuilegio real. 

42 lis. numeradas pela frente, alma Tabla innumerada. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 



390 A UTTERATURA iiksiwmiui.a EM PORTUGA!, (110) 

e) Contemptus mundi, etc. En Lixboa. A costa de luan Despafíar, 1573. 
No mesmo volume: 

Sigvense t»uxs oraciones, etc. Impresso en Lisboa en casa de António Gon- 
calues \ll>Llll (faltam de certo os dois \ i. 

12. e , 'rJ lis. Dumeradas pela frente, afora Tabla innumerada. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

/ ) Cohtemptvs Mvndi, etc. Agora de minto emêdado., y acrecentado por el 
mismo Padre, con el Calendário nueuo. Impresso con licencia. En casa de An- 
tonio Ribero. A costa de luan Despana, y Miguel Darenas. 1589. (Frontispício 
a prel incarnado). 

1 vol. 12.°, II lis. prel. inn., -'20 fls. numeradas pela frente. 

As Oraciones tem frontispicio especial, mas a numeração segue a mesma. 
A approvação é de Bartholomeu Ferreira: 

«Vi por mandado de S. A. este Contemptus mundi, A- conte iloctrina ea- 
tholica, & será seruiço de Deus imprimirse». 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

g) Conlemptvs Mvndi, etc. En Lisboa. Impresso con licencia de la S. In- 
quisicion por Jorge Rodrigues. 1623. 

1 vol. 12.°, 280 fls. numeradas pela frente. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

h) Contemples Mundi o Menosprecio dei Mundo. Afíadidos vnos tratados 
deuotissimos, y Litanias de que vsa la Iglesia. En Lisboa por Matinas Rodri- 
gues. Ano de 1631. 

1 vol. 16.°, 7 fls. prel. inn., 348 numeradas pela frente, afora Tabla. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

i) Contemptus Mundi o Menosprecio dei Mundo, afíadidos unos tratados, 
y Litania, de que usa la Iglesia. Anno 1649. En Lisboa, en la celebre ofíicina 
de Pablo Craesbeeck, y a su costa. 

1 vol. 24.°, 6-268 fls. 

Exemplar de Nepomuceno. * 

/) Contemptus mundi, nueuamente romançado, y corrigido. Afíadiosele un 
breue Tratado de Oraciones, y Exercidos de deuocion niuy prouechosos, Reco- 
pilados ih' diuersos, y granes Autores. En Lisboa. Con licencia. En la Officina 
de Henrique Valente de Oliueira Impressor dei Rei N. S. Afio 1660. 

1 vol. 8.° (como 32.°), 610 pags. e mais 7 inn. de Tabla. 

Exemplar da Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 



íll I l A LITTr.li.ViniA HESPANHOl \ EM PORTUGAL 'J'.» 1 

/, CoUectaneá \foralis Philosophiae in Ires tomos distribuía: quorum pri- 
mus seleclissitnãs senleiítias ea omnibus Senecae operibus, Secundus tx morali- 
bus opusculis Plutarchi; Tertim clarissimorum principum & philosophorum in- 
signiora apophthgmata, hoc est, dicla memorabilia compleclilur. Quw omnia 
per communes locos digesta sunt, il studiosus lector quid in quouis argumentt 
Hbi commodum fuerit, inuenire facile queal. Collectore F. Ludovico Gra- 
nateR. monacko Dominicano. Olisippone, Excudebat Franciscut 
niss. Cardinalis ///. Typogra. 1571. 

:: tomos em l vol. 8.°, 1:017 pags. e mais 6 inn. de Index. 

Exemplares da Bibliotheca Publica Municipal do Porto e da Bibliotheca 
Nacional de Lisboa. 

I) Libro de S. loan Climaco, llamado Escala Spiritval: En elqualsedes 
crive treinta Escalones, por dõde pueden subir los hõbres a i" cumbre d, In 
perfeclion. 

• Florescia este S. Doctor en tiempo de los Emperadores Constante // Cons- 
tâncio: Escreuio cu lengua Griega, mil // tantos afios lm : y fue agora tercera 
vez trasladado en lengua Caslellana por < u Religioso <!• In orden d,- S. Do- 
mingo. 

^f Afíadieronsele vnas breues Annotaciones en los primeros cinco Capítu- 
los, para In inteligência de ellos. 

■ Vendese en Lixboa cu In Rua de los lisa/tlmis: En casa de loannes 
Blauio impressor. Ano 1562. — No fim: Impresso eu Lixboa en casa de loan- 
nes Blauio ilc Colónia n xxx dias de Febrero de 1562 afíos. 

I vol. 8.°, lo tis. prel. inn.. 220 Eis. aumeradas pela frente. 

No verso < 1 « > frontispício a seguinte declaração: 

«Fue examinado este Libro por ri R. I'. I'. Francisco Foreyro Examina- 
dor de libros por cl Reuerendissimo y sereníssimo Cardenal Infante D. Enri- 
que, Inquisidor general -en estes Reynos de Portugal, etc.i 

Esta edição sabiu anonyma. Nas preliminares: Dedicatória á rainha de 
Çortuga), I». Catharina; \\ christiano lector; Tahla. Na dedicatória, o tra- 
duetor explica o motivo do seu trabalho. Referiodo-se ás duas traducções 
hespapholas existentes, acerescenta: «De Las quales traslaciones la vna es 
tambien antigua, que apenas entiêde: y la otra es mu\ nueua, hecba poi vn 
Aragonês o Valenciano: la qual nu es menos escura \ diííicil íj la passada, 
assi por la difficuldad dei Libro, como pbr muchos vocablos que tiene pere 
grinos y estrangeros, como son Bahorrina, soledubre, inrobable y otros tales. 
V pareciendome que bastaria para la intellígencia dei Libro mudar estos \<> 
cablos, y aclarar mas algunos logares dei, comence a hazer esto assi: *i sien- 
dome forçado recorrer alguas vezes ala fuente dei Original, baile quem um- 



"-2'^2 A I.MTKlun KA HESPANHOU KM PORTUGAL lll^j 

chas partes era tan differête el sentido que ilaua el Interprete dei de la leira 
dei Autor, que me fue forçado tomar todo el trabajo de la Translacion de 
nueuo». 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Ribeiro dos Santos (Memorias de Litteralura, tomo vm, pag. 123) diz 
que esta é a terceira edição, sem todavia apontar as anteriores. Quer-nos pa- 
recer que é mais um d'aquelles equívocos, em que tão frequentemente incor- 
ria o, aliás, douto investigador. A causa de seu erro está na maneira como 
interpretou unia passagem do titulo agora tercera vez trasladado en lengua 
castellana. Se Ribeiro dos Santos houvesse lido o trecho que transcrevemos, 
nlo teria emitlido semelhante opinião. 

m) Compendio de doctrina Christãa recopilado de diuersos andores que 
desta matéria escreuerão, jielo R. P. F. Lw/s de Granada, Prouincial tia or- 
den </<■ S. Domingos. AcrecerUarãose ao cabo treze Sermões tios principais fes- 
tas ilo aii no: pelo mesmo Autor, i Escudo de armas). Foy impresso em Lixboa 
<m casa de Toannes Blauio de Agripina Colónia, impressor delrey nosso senhor. 
Acabousi' aos xxr dias Dabril. Anno 1559. Com priuilegio Real por 'Ir: ahnos. 
(Este frontispício é em redondo, com excepção da declaração do impressor, 
em gothico). 

1 vol. 4.°, 3 lis. prel. inn., Clxxiiij numeradas pela frente. 

O texto é em gothico com alguma mistura de redondo. .Nas prelimina- 
res: Ao Christam Lector (em gripho) e Tavoada (em redondo). No verso do 
frontispício a seguinte declaração: 

«Foy visto e examinado per o Reuerendo Padre frey Francisco Foreyro 
examinador dos liuros por o Sereníssimo Cardeal UTante Inquisidor mor nes- 
tes reynos de Portugal». 

No verso da ultima folha, o escudo do impressor, tendo por baixo: Fim 
ila doctrina Christãa. 

Seguem no mesmo volume os Sermões, que tem frontispício e paginação 
á parte : 

n) Segvemse treze sermões 'las ires paschoas ilo anno, & das principaes 
festas de Christo nosso Sálwdor, & de Nossa Senhora. Pelo R. P. F. Luys de 
Granada, Prouihcial da orden de S. Domingos na prouincia de Portugal. Foi/ 
impresso em Lisboa em casa de Ioannis Blauio de Agrippina Colónia, Impres- 
sor (bino/ nosso senhor. Acabouse aos xx 'lias do mes de Mayo. Anno 1509. 
Com priuilegio Real por dez annos. (Este frontispício n uma tarja formada por 
doze estampinhas religiosas).-— No verso a declaração de que foram examina- 
dos por Fr. Francisco Foreiro. No verso da ultima folha o escudo do imprés- 



(li.3) A UTTERATURA HESPANHOLA EN PORTUGA] 2'.I3 

sor, tendo por baixo: Foy impresso em Lisboa em casa ih loannet Blauio de 
Colónia. Anno tõ59. 

I vol. %.°, l II. prel. inri. , liiii numeradas pela (rente. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa, reservados n. iiii. 

Ha outra edição de Coimbra, do Compendio, de 1789. 

D. Lihro llamado Guia ih peccailores mel qual se enseha todo lo qm el 
Chrisliano deue hazer, denth el principio de su Conuersion hasta el fin de la 
Perfection. Compuesto por el Reuerendo Padre Fray Lais de Granada ih la 
orden ih. S. Domingo. Impresso en Lisboa en cisa de loannes th lilaniu de 
Colónia 1556. Con priuilegio real por diez [ftos. 

I vol. 12. (?), •> fls. prel. iiin., áo-2 numeradas pela frente, afora Tabla. 

Tem no Bm: »Este volumen Christiano Lector crescio mas delo que se 
pensaua y por esto lo que resta va en otro volumen». 

É dedicado: «A la mu\ magnifica Seiíora, la Senora Dona Cínica de 
Mêdoça, en Montemayor el nueuo». 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa 

(p Segunda parte dei lihro llamado Guia de peccadores, en la qual se trata 
th três muy principales médios con que se alcança la diuina grada que son Ora- 
cion Confession, y Comunion. Va entretexido aqui vn vita Christi muy deuoto, 
II ni piadoso exercido en I" consideradon de los benefícios divinos con olras 
muchas oraciones para diuersos propósitos y affeclos. Por el Reuerendo Padre 
F, Luys de Granada Prouincial de la orden de S. Domingos en la Prouincia 
de Portugal. Impresso <n Lisboa en casa <!<• loannes lllaui<> </<■ Colónia 1557. 
Con priuilegio Real por diez anos. 

1 vol. \-l. ", 7 lis. prel. inn.., 2!)'i numeradas pela frente. 

Tem typo gothico entremeado. Dedicatória a rainha D. Catharina. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

q) Guia 'ir Peccailores, en In qual se trata copiosamente (!>■ las grades 
requezas y hermosura de lo Virtude: ij dei rumino que se ha <!<■ llevar para 
alcançaria. Impressa con licencia de la Sãcta Inquisidõ. l'or António Alvares 
impressor </< Hinos. Mm de 1594. 

8.°, :i:í6, í lis. 

Exemplar de Nepomuceno. 

n Manval de diuersos Oraciones y spiriluales exercidos, cõpuesto por ri 
li. I'. F. Luys rir Granada, Prouincial de la ordê ih' S. Domingos en la prouin- 
cia de Portugal. Anadiose vna breue y summaria institucion, para los que 
comiençã a semir a bios, mayormente en las religiones, por ri mismo Autor. 



V J(»I A LITTKKATUKA HESPÁNHOLA EM PORTUGAL (^^) 

Impresso en Lisboa en casa de loannes Muniu de Colónia a lô de May o. Ano 
Con priuilegio Real por diez afíos. .No verso: Fue ris/n y examinado 
este tratado por el Reuerendissimo y sereníssimo Cardenal lúfante Inquisidor 
general en los Reynos de Portugal. 

I vol. L2.". 5 Qs. prel. inn., 210 numeradas pela frente. Alguns capítu- 
los são adornados a principio por laminasinhas religiosas. 

Km continuação: 

Seguese vna breue institucion y regia de bien biuir, pára personas deuotas 
li sprituales, especialmente para religiosos y religiosas. (Laminasinha). Impresso 
en Lisboa en casa de loannes Blauio de Colónia Armo 1569. 

-2'ò lis. numeradas pela frente. 

Exemplar incompleto da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

s) Oraciones y spiritvales exercidos, recopilados por el li. P. F. Luys dé 
Granada, de la ordem, de S. Domingo. Agora nvevamente reuisto y acrecentado 
por el mismo Autfior, como en lu Tabla se vera. Con el avreo nvmero, Lira 
Dominical, y Fiestas mouiles, conforme ai Kalendario mimo. Con Ih /teia. Por 
António Ribero impressor de Sn Magestad. MDLXXXIII. (Este titulo é a preto 
e encarnado). 

1 vol. 12.°, 15 fls. prel. inn., 183 numeradas pela frente, afora Tabla. 

A approvação ê de Fr. Bartholomeu Ferreira e resa assim: 

«Por mandado do illustrissimo & Reuerendissimo senor Arcebispo de 
Lisboa, Inquisidor geral destes Reinos, vi estas adições que ajuntou o Padre 
Frey Luis de Granada agora nouamenle a este seu Manual de orações, á- não 
tem cousa cõtra a Fee & bõs costumes, á- podemse imprimir». 

D'esta approvação se deprehende que esta obra não é por ventura senão 
uma nova edição da anterior. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

t) Libro de la Oracion, y Meditacion, en el oral se trácia dela considera- 
cion de los principales Mysterios de nuestra Fé. Con otros três breues tractà- 
dos de la excellencia de las principales obras penitenciales : que son, Limosna, 
Ayuno, y Oracion. Compvesto por fray Luys de Granada de la Orden de Saneio 
Domingo. Este Libro Christiano Lector, sale agora nueuwmente afiadido, y 
emendado, y quasi hecho oiro de riueuo, por el mismo Author, con approbacion, 
li licencia. ) assi agora puede correr, y ser leydo de todos. En Lisboa. Impresso 
con licencia de la Sancta Inquisicion, y Ordinário: Por António Aluafez Impres- 
sor. Ano de MDLXC11 (sic). 

1 vol. 8.°, 7 fls. prel. inn., 440 fls. numeradas pela frente, afora Tabla 
innumerada. 



1 !•">' \ LITTEBATURA HESPANHOU EM PORTUGAL 295 

/. do millesimo é a mais. A impressão deve ser de 1592, puis a licença 
é ii.' s de agosto d este anno. 

A approvação, de Fr. Bartholomeu Ferreira, é assim concebida: 
«Vi por mandado de S. A. este Liuro da Oração, a- Meditação, '1" Padre 
Frej Luys de Granada, A será seruiço ih' nosso Senhor imprimirse, rum con 
dição, que seja da impressão do anuo de 1561 A dabi por diante: A não <> 

da impressão antes do Ai !<■ 1561. Por que se emendarão depois, com 

consentimento do mesmo Autoi . 

No verso das licenças uma gravura representando o presépio. Tem ainda 

uniras. 

Exemplares da Bibliotheca Nacional 'li' Lisboa e de Nepomuceno. 

u) Libro <i< Oracion, etc. Con todas las licencias necessárias. En Lisboa. 
Por António Aluarez. Afio </< 1612. Esta tayxado em dous tostões em papel. 

1 vol. 8.°, de 8-430 lis. 
Exemplar de Nepomuceno. 

v) Doctrina Spiritval, repartida en seys tratados, que s< senalan en la 
buella desta hoja. Recopilados por el />'. /'. /•'. Luys de Granada, de sus mis- 
mas obras. (Gravurinha). mpresso con licencia dei santo officio, y Ordiná- 
rio, por António Ribero, 1589. .1 costa de luan Despana, y Miguel Darenas 
Libreros. 

I vol. 16.°, H pags. inn., 264 numeradas pela frente. 

A approvação de Fr. Bartholomeu Ferreira, diz: 

«Por mandado de s. A. \i esta Doctrina spiritual, a mo parece digna 
ila impressão, por não ter cousa cõtra a fee A bõos costumes, A poderá 
fazer muito proueito a- almas ». 

Exemplar 'la Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

x) Memorial dé to que deue hazer >l Chrisliano con algunas Oraciones mwj 
denotas para pedir el amor de Dios ij para oiros propósitos. Compuesto por d 
R. /'. Fray L>u/s de Granada de la orden de Sondo Domingo. Vendese en caso 
il<' loannes Blauio Imprimidvr en la ma ih los Escuderos. En Lisboa 156 í. 

I vol. lti. . sem paginação. 

No verso do frontispício a declaração de que os dois tratados, do que 
consta o livro, foram revistos pm Fr. Francisco 1'oreyro. 

O volume divide-se em três partes : 

l. a Memorial.— Sig. A2C í ; 

-l. Tratado de algvnas muy denotas Oraciones para prouocar ai amor de 
li, \& ,, de las olras virtudes. Dedicado á infanta I». Maria. A2Lv; 

Hist. e Mejí. da Acad. — Tomo xii partk n. — N.° 5 lo 



296 A I.ITIKIIATI HA IlESPANHOLA EM PORTUGAL |H<>) 



3." Vita Chrisli. En el qual se contienen los prinàpales passos y mysterios 
tle In vida de Christo. 42Q2. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

y Explicatio copiosior Concionis habilae in consecratione Reuerenãissimi 
I). Antonij Pinarij mri laudatissimi de oflicio é moribus Episcoporu, <t\i<>- 
rumq Praslatorum. Pa li. P. F. Ludouicum Grãnatmsem ordinis />'. Dominici 
professorem. Caia facultate & approbatione sancli officij. (Estampinha: um 
santo l)i<|»i!. OUjsipom excudebaí Frãnciscus Corrêa Typographus Serenissimi 
Cardinalis Henrici \n/m tôôõ. 

8. . 3 fls. prel. inn., '.)" fls. numeradas pela frente. 

No reverso do frontispício: Argvmentvm operis. 

Exemplares da Bibliotheca Nacional tle Lisboa (Parenetica) e Bibliotheca 
da Ajuda. 

Ha exemplares que teem a folha do rosto mais singela. Possuímos um, 
por signal em muito bom estado. Reza assim: 

Condo /•'. Ludouici Granatensis de officio & moribus Episcoporum habita 
Olyssip. in consecratione Reuerendissi. I). Animai Pinarij Episcopi Mirandefl. 
(Estampinha, como no anterion. Oli/ssipone c.icudebal Franciscus Corrêa Thy- 
pograpkus regius. Anno 1565. 

No verso, em vez do Argvmentvm operis a Operis aprobatio, de Fr. Ma- 
nuel da Veiga. No demais em tudo egual ao anterior. 

A Condo anda ánnexa e como que faz sequencia ao Stymvlvs pastorvm, 
de D. Fr. Bartholomeu dos Martyres, tanto que a errata que vem no final da 
Condo e commum ás duas obras. 

z) Sermon en que se da aviso que en las caydas publicas de algunas per- 
sonaSj ni se pierda el credito de l<i verlude de los buenos', ai césar y se entibie 

el buen propósito de los /tacos. En Lisboa. Impresso con licencia dei Suado 
Officio, ii dei ordinário, por António Ribero 1588. 

N.". 36 lis. sem numeração. 

Exemplar de Nepomuceno. 

aa) Sermon en qve se da aviso que en los caydas pvblicas de aígunas per- 
sonas, ni se pierda el credito de la virtitd de los btienos, ni cesse, y se entibie 
. / buen propósito de los flavos. Compueslo por el Reuerendo /'. .1/. Fray Luys 
de Granada dela Orden de S. Domingo. En Lisboa, Impresso con licencia en 
casa de António Ribero. 1589. Vendense en casa de Iuan Despafia Liurero. 

8.", sem numeração. 

Exemplar, a que faliam algumas folhas no fim., da Bibliotheca Nacional 
de Lisboa. 



(11/) A LITTERATURA IIESPANIIOLA EM PORTUGAL _".'y 

No verso do frontispício a appro\ 

«Digo eu frey Bertolameu Ferreira Mestre em sancta Theologia, Depu- 
tado do s.ancto ofificio, a examinador dos liuros nestes Reinos, que vi por 
mãdado d( S. \. este sermão do muito Reuerêdo Padre Mestre !'. Luís de 
Granada, & tenho a doctrina delle, por Calholica, como lie toda >u;i doctrina, 
tV por muito necessária, & proueitosa nestes lèpos, 4 digna, que se imprima 
nos corações dos horaês: en ree do qual assinej aqui. Frej Bertholamen 
Ferreira». 

Ha outro exemplar na Bibliolhi ca da \juda, completo. 

bb) Perla Preciosíssima. (Vinhetasinha representando Nossa Senliora). ina- 
dida y emendada poi el reuerendo padre Frey Luys de Granada. Con licccia. 
Impresso. t575. — Nu fim: A honra de Dios, y de su gloriosa madre, Iprimio 
la presente obra en la muy noble y siempre leal ciudad de Lisboa en casa de 
Marcos Borges imprimidor dei Rey, aos dez dias de Agosto de Í57õ. 

I \«)i. i-2. u . Í31 pags. numeradas pela frente. 

Exemplar de Jeronymo Ferreira das Neves. 

No indice dos livros prohibidos, de 1578, i c lemnada a Perla Preciosa. 

Ha uma obra com titulo idêntico em portuguez: Pérola preciosa ornada 
com excellenles documentos e avisos espirituaes para desterro do peccado e exe) 
cicio de virtudes, escripta por Jacome Carvalho do Cauto e publicada pela pri 
meira vez em Lisboa por Pedro Craesbeeck, 1610, 12.° Será traducção ou 
imitação da obra de Granada? 

cc) Primvs tomvs Concionvm de. lempore, qvae d prima Dominial Aduen- 
tus vsqne ad Quadragesimae initiam in Ecclesia haberi solent. Adiectae svnt 
ih fine quinque de Pamitentia conciones, quae diebus Dominicis in Quadragé- 
sima posl meridiem kabitae sunt. Autore II /'. /•'. Ludovico Granateu. sacrae 
Theologiae professore, monacko Dominicano. Olysippone, In ofpcina loannis 
Barrerij, expensis loannis Hispani Bibliopolae. Amo, Domini, 1575. Con priut 
legio de Castilla y Amuou. Esta tassado a três marauedis el pliego. 

Tem no verso da pagina 589: Explicit primvs tomus, qui conciones ea$ 
conluiei, quae ab initio Dominia íduentus vsque ad inilium Quadragesimae 
habenlw. Excudebat Olysippone loannes Barrerius Typographus regius, expen- 
sis loannis Hispani. Í573 < iic). 

Segue-se com novo frontispício: 

Seqvvntnr qvinqve 'ir pamitentia conciones, habitae in Quadragésima post 
meridiem: in quibus primum guidem exhorlatio ml pwnilentiam conlinetur: 
deinde uno ratione vera pamitentia, cl peccatorum confessio agenda sit, tradi 
inc. Avtore eodem fi. /'. /*'. Lvdovico Granatensi, monacko Dominicano. (Es- 



298 a L1ÍTERATURA HESPANUOLA EM PORTUGAL (**°) 



tampa formada por diversos quadrinhos religiosos). Olysippone excuãebai Ioan 
nes Barrerius, expensis loannis Hispani. Anua Domini MDL.XXIIII. 

Segue a numeração até pag. 694. No verso d'esta a subscripção": 

Olysippone Excudebal loannes Barrerius Typographus Regius, expensis 
loannis Hispani. Anno Domini 1674. Mense Aprílis. 

1 vol. í.'. 6 pags. prel. inn., 694 pags. 

.Nas preliminares: alvarás de privilégios e licenças. A Approbatio Theo- 
logorum è do theor seguinte: 

iEx speciali commissione atq; mandato Serenissimi Cardinalis Iffantis 
Portugalliae, Inquisitória generalis huius Regni, perlegimus três tomos con- 
cionum R. P. F. Ludovici Granaten. à prima Dominica Aduentus vsq; ad fes- 
imii sacratissimi corporis Christi; nihilq; in eis offendimus, quod vel ortho- 
doxae fidei; vel bonis moribus aduersaretur. Quo circa digníssimos duximuSj 
c]iii in lucem ederentur. Continenl enim sanam salularemq ; doctrinam, pielate 

ac deuoti i plenissimam, eãdemq; perspicua & pura oratione descriptam : 

nec solum diuini verbi cõcionatoribus, sed omnibus etiam pié in Ghristo 
viuere voluntibus cumprimis vtílem & necessariam. In cúius rem lidem nomina 
nostra subscripsimus. Datae Olysippone. VIII Calend. Decêb. 1575. F. Anto- 
nius de sancto Dominico Magister. F. Bartholomaeus Ferreira, Praesentatus», 

Secvndus tomvs, c/r. 1675.— Tem no fim: Olysippone Excudebat loannes 
Barrerius Typographus Regius, expensis loannis Hispani, Anno Domini, 1574. 
Mense Aprilis. 

'i,", li) pags. prel. inn., 866 pags. 

Terlivs tomvs, etc. Olysippone Excudebal Antonius Riberiux, r.rprusis loan- 
nis Hispani bibliopolae. Anno Domini, 1676. — No fim, depois da indicação do 
registo: OfyÈippone Excudebat Antonius Riberius, expensis loannis Hispani. 
Anno Domini, 1575. Mense Ianuario. 

10 pags. prel. inn., 671 pags. 

No verso do frontispício outra approvação, que differe alguma cousa da 
já transcripta : 

«Nos frater Antonius de S. Dominico sacrae Theologjae in Academia 
Conimbricensi primarius lector & frater Bartholomeus Ferreira in Theologia 
Presentatus, & examini librorum, qui aliunde importantur prefectus ex spe- 
ciali comissione & mandato inanu própria subscriplo Serenissimi Cardinalis 
Infantis Henrici, Generalis Inquisitoris in regno Portugaliae, perlegimus lias 
conciones K. P. F. Ludouici Granatensis sacrae Theologiae prófessofis quae, 
á Paschate Dominicae Resurrectionis vsque ad festum sacratissimi corporis 
Cliiisíi habentur: nihilq; in eis offendimus, quod vel orthodoxae fidei, aul 
bonis moribus aduersaretur. Ideoq; dignas duximus quae prelo mandarentur, 
quod eas omnibus diuini verbi concionatoribus, caeterisq; pietatis cultoribus 



1 I 9) A I.ITTI.HAM II \ HESPANHOLA EM POB I 299 



maxime vtiles a- salutares speramus. In cuius rei (idem nomiua nnslra sub: 
cripsimus. Olysippone 1573». 

Exemplar da Bibliotbeca Nacional de Lisboa. 

dd i Segvndo volume dei Memorial de In vida Chmtiana en </ qual se con 
tienen los três Tratados postreros '/w pertenecen u los exercícios 'Ir In deuocion, 
y dei um. n- de Dios. Compuesto /<<</■ el It. /'. fray Luys '!'■ Granada </< ' 
,h s. Domingo Gravurinha). Vendesc en Lixboa en casa de Francisco Corrêa 
impressor dei Cardenal, en Valuerde. \uu<> de 1565. 

s .", I il. prel. iini., 316 numeradas pela frente. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional <\r Lisboa. 

Na mesma bibliotheca ha uma obra intitulada Adiciones <\i Memorial de 
In Vita Christiana que compvzo el li. /'. Fray Luys 'Ir Granada, etc, Sala 
manca MDLXXXIII1, onde se encontra a seguinle approvação: 

iNos os padres abaxo nomeados por commissam do muyto li. I'. Mestre 
F. Frãcisco de Bouadilla Prouincial da prouincia de Portugal vimos estas adi 
ciões do Memoria] da vida Cbristãa que compôs o li. P. Mestre Frej Luis de 
Granada. Nas quaes nam achamos cousa algúa que nam seja conforme a 
doctrina catholica da sancta madre ejgreja, mas antes nus parece liuro muyto 
necessário para as pessoas que querem alcançar o caminho da perfeiçam como 
luram todos os outros liuros que o sobredito I'. compôs. Polo qual nos parece 
digníssimo de se imprimir. En S. Domingos de Lisboa a 25 de Março 1573. 
\ntnniiis di' Saneio Domenico. Frey Bertbolomeu Ferreira presentado 
em s. Theol». 

Por esta approvação se vê que houve edição de Lisboa das Addições 

Svmma de Fray Lvys ih Granada, qve trata dei exercido espiritual en 
,i qual se iratan con breuedad, y sustancia los Mysterios 'Ir la Passion, y Res- 
surreccion de N. S. lesu Chrisli. Trata tambien dei conocimiêlo de si mesmo, y 
misérias de In vida y munir y dei juyzio final, ih 1 las /nuns dei infierno, y 
gozos dei parayzo, y ih' los bienes de Dios. Abreuiada por el Padre Fray Her 

muniu ih- Yillnrml. IJrilil unis runs DoCUmmtOS '/Ui' ri M. Illilli ilr Allihl, il/n 

n ih mãcebo Discípulo suyo. Eu Lisboa. Con licencia. Por António iluarez. 
Afio 633. 

1 vol. 16.°, numerado pela frente. Depois de foi. 112 deixa de sei 
numerado. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

ff) ohms espirituales dei venerable padre maestro fray Luis de Granada 
dei Orden de Santo Domingo. Tomo primero que contiene In Guia ih- Pecado- 



300 A UTTERATUBA HESPANHOLA EM POBTUGAL (120) 



res cxorlacion a la virtud, y guarda de los Manãamientos, ele. B« segundo 
logar trata de la Oracion, y Meditacion, y de las três principales ninas peni- 
íenciales, que son Oracion, Ayuno, y Limosna, etc Dcdicasea la excellentissima 
sefiora Dona Thercsa de Moscoso, Hurlado y Mendoza, Margueza de Santa 
Cia:, y Aya de las Sereníssimos Príncipe // Infantis de Portugal, rir. En 
Lisboa, En la Imprenta de Bernardo >la Cosia Carvalho, dai todas las licen- 
cias necessárias. Afio MDCCXIH. 

I vol. foi., 520 pags. 

A dedicatória é assignada por Fr. Manuel de Lima. 

Tumo segundo. En Lisboa. En la Imprenta <!<■ António Pedrozo Caíram. 
Ano MDCCXIH. 

I vol. foi-, 564 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

gg) Ecclesíasticw Rhetoricce, sive de ratione concionandi, Libri sex. Âuthore 
Ludovico Granatensi, Sacrw Theologice Professore, Ordinis Prwdicalorum. Jttssn 
Josephi I regh fidelissimi Instauratis Artiam stndiis in lacem editi. Olisipone, 
Typis Regiis Silvianiis MDCGLXII. 

1 vol. 4.°, 023 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 

hh) Ecclesiaslicae lihetorica: sue de ratione concionandi libri sex. nunc 
primum in lurem editi. AtUhore li. P. F. Ludouico Granateã. sacra; Throlo- 
i/iiv professore, monacho Dominicano. Fatias mellis compósita rerha, dulcedo 
animae, & sanitas ossium. Qui sapiens est corde, appellabitur prudens, & qui 
ditlcis eloqnio, maiora reperiel. Prouerb. 16. Olysippone, Excudebal Antonius 
Riberius, expensis Ioannis Hispani Bibliopolm. Anno Domino lõ7<>\ Crm pri- 
vilegio. 

Esta taxado a . . . em papel. 

1 vol. 4.°, 7 fis. prol. iun., 3tiá pags.. mais 1 íl. inn. com registo e 
declaração do impressor. 

No verso do frontispício: Approbatio examinatorum: 

«Nos frater Bartholomeus Ferreira in Theologia presentatus, A- examini 
librorum, qui aliunde importantur, prefectns, & F. Gaspar Leytão in eadem 
Theologia praesentatus, ex speciali commissione A mandato manu própria 
subscripto Serenissimi Gàrdinalis Infantis llenrici, Generalis Inquisitoris in 
Regno Portugália?, perlegimus hos sex de concionandi ratione libros, quos 
R. P. F. Ludouicus Granatensis sacrae Theologia? professor, in concionato- 
rmn gratiam scripsil: nihilq in eis offendimus, quod vel orthodoxa' fidei, 
aut bonis moribus aduersaretur. Ideoq dignos duximus, qui prelo mandarem 



' 1-1 A UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL .'101 

tur. quod eos omnit)us diuini verbi c :ionaloribus, maxime vtiles A saluta- 
res fore speraraus. In cuius rei fide omina noslra subscripsiinus. Olysip 

pone, 1575. 

V. Bartholomceus Fei reira, l'. Gaspar Li 

«Preesentalus. Prtosentatu 

Exemplares da Bibliolheca Publica VIunicipal do Porto e Bibliotheen Na 
cional de Lisboa. 

Nicolau António dá esla obra como impressa apud Lazorum Ribero. Gon 
verteu, por equivoco, António em Lazaro. Lazaro Kibeiro 6 um nome mui 
pletamente estranl a typographia portugueza. 

Entendemos dever dar aqui a descripção da seguinte obra, que, impre a 
nu Japão, o foi todavia no collegio portuguez dos jesuítas em Vmacusa: 

ti) Fides no Dõxi toxite /'. /•'. Luis de Grana <l<i amaretaru xo no 
riam. Con uo Companhia no Superiores no go saicacu vomotte no cotoba 
ni vasu. ; Tesvs /"> Companhia m> Collegio Amacusa ni voite Supeiiom 
no go men | quio toxite core uo fun ni qizamu mono nasi. \ Cn xuxxe yori 
MD.L.XXXU. (0 fronlispicio tem uma gravura nu centro: Christo entre os 
apóstolos i' s. Tliniiu:' locando no corpo do divino mestre). 

8.°; prefacio de '■'< pags.; breve do papa Gregório \lll dirigido a IV. Luis, 
'i pags.; prefacio do auetor, 5 pags.; segue o texto: Hl!) pags.; errata, I pag.; 
tábua das matérias, 7 pags.: glossário, 2í pags. 

Diz Satow (Ernest Mason) que é uma traducção do ^>uinni<> de lu Intro- 
duecion dei Symbolo de In /•>. de Fr. Luis de Granada. Exemplar existente na 
Bibliotheca da Universidade de Leyde. 

o mesmo bibliograpbo descreve ainda outra obra impressa pelos jesuítas 
no Japão, Contemptus mundi. Será traducção do livro de Granada do mesmo 
Ululo.' Veja-se The jesuii mission press u* Japan, Í691-1610, bj Ernest Ma- 
son Satow, privatelj printed. 1888. 

No Livro iln Regra ilc Sancto [gostinho : e das Constituições perpetuas dos 
Religiosos pobres hermilãos </" serra bossa, ele, encontra-se a seguinte refe- 
rencia ii. i cap. mui. »Da ereação, & do ensino, «a do Mestre dos Nouiços»: 

«Item (os mestres de noviços) ensinalosbão a mar (que lie pedir mercê 
a nosso Senhor) com muita deuaçam, a- darse a exercícios spirituaes, & a 
liçam Mos liuros denotos, como sam os do mestre Krey Luis de Granada, da 
ordem dos Pregadores, e outros similhantes». 

li \ Ecdesiasticai Rhetorico3 sive ih' ralione voncionandi libri sex. 

Edição 'la Imprensa Nacional. Veja-se o respectivo catalogo. 



'Ai)-} A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL ( 1 -- ) 



Guerra y Ribera (Fr. Manuel de). — Sermones vários de santos, dedicados 
ai sereníssimo seflor, el sefior don Ivan de ivstria. Predicados por Fr. Manuel 
de Guerra, y Ribera, Doctor Theologo poria Vniuersiãad de Salamanca, y Ca- 
tedrático de Filosofia en ella, Predicador de Su Magestad, y Redemptor General 
por In Provinda de Castilla, de la Orden de la Santíssima Trinidad Redempcion 
de Cautivos. Bwi Lisboa Na Offkina de Domingos Carneyro. Anno las:;. Com 
as licenças necessárias. 

1 vol. 4.". »i pags. prel. inn., 503 pags., afora índice. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Guevara (D. Antpnio de).— a) Libro llamado Menosprecio de corte y ala- 
bança de Aldeã. Dirigido ai muy alto, y muy poderoso sefior Rey de Portugal, 
Don luan Tercero deste nombre. 

Coimbra, officina de Manuel Dias, 1657, 8.° 

Seguem-se no mesmo volume, com paginação e numeração especial: 

Libro llamãdo Aviso de Privados y Doctrina de Cortesanos; 

Libro de los inventores dei arte de marear y de muchos trabajos que se 
passan en las galeras. 

h) Monte Calvário; primera, y segvnda parte, A la escellentissima sefíora 
li. Lvisa Maria de Meneses, marqvesa de Govveia, y Condeça de Portalegre, 
ele. Compuesto por el ilustre sefior !>. António de Gvevara, obispo ih' Mondo- 
nedo, predicador, y chronista mayor dei imperador Carlos Quinto, y de su con- 
sejo. Traia de lodos los mysterios, ele. Lisboa. A despesa de António Craes-. 
beeck d»' Mello, Impressor d,- lu Casa Real. Anno MDCLXXVI. 

'i.": a primeira parle omi 313 pags.. a segunda com 362. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Gumiel (Pablo dei.— José de Torres, incansável investigador de tudo o que 
dizia respeito ao archipelago dos Açores, na sua numerosa e valiosíssima Col- 
lecçâo de Variedades Açorianas possuia um exemplar do seguinte poema épico: 

La Yieio \ ria q tuim don Alua- \ ro liara Marqs de i Sãcta Cruz contra 
Felipe Stroço en la j ysla de S. Miguel a \ 26 d'Iulio 1582. \ Cõpuesta por Pa- 
blo | de gumiel natural \ de Cuenca. j Dirigida ai muy il- \ lustre sefior Sebas- 
liã ! de Santoyo de la ca- j mara de su Mag. ' Con pri- uilegio \ Real. 

Não tem lugar da impressão nem nome do impressor, mas mostra ser 
impressa em Lisboa, onde foi para isso licenciada em 5 de novembro de 
1582. É um poema épico em sete, cantos e em oitava rima. O frontispício está 
contido numa portada gravada em madeira. 

Vide Innocencio, vol. v, artigo José de Torres. 



| 123) A UTTERATDRA «ESPANHOLA EM PORTUGA1 303 

Ha mu soneto de Pablo de Gumie] numa obra idêntica: La victoriosa con- 
quista, ele, por Garcia de Clareou (Gaspar). Vide Gallardo, lomo 111, pag. 18. 

Outro soneto de Gumie] na obra El sitio y toma de Anvers, de Miguel 
Giner 1587 , \ ide Gallardo, tomo ru, pag. i6. 

Guzman (Francisco de), a Sentencias qenerales de Fiancisco de. Guz- 
uniu. agora nueuamente corrigidas. Con licencia, Impresso eii Lisboa, eu casa 
Rodriguez Afio de lõ98. \ costa de Francisco Perez tíercader de libros 
y vêdese en su tienda ai Pelorinho Velho. 

I vol. 12. . 180 lis., sendo 10 preliminares. Registo A.-P., todos de 
1-2 lis. A numeração é erradíssima. 

Deve ser esta a edição a que se refere Nicolau António, dando-lhe o 
lilulo de Decreto de Sábios, e á qual se referem Salva e Brunei, citando o 
grande bibliophilo hespanhol. 

Ribeiro dos Santos (pag. I-Jii diz que dos prelos de Jorge Rodrigues 
salina ii livro Sentencias generales de Francisco de Guzman, in 16.° Existia 
na Bibliotheca Hasseana. 

b) Glosa sobre la obra qve hizo Don George Manrique a la muerte dei 
Maestre de Santiago, Don Rodrigo Manrique su Padre. Las quales se pueden 
aplicar a estos tiempos presentes. (Dois gravados, um dos quaes representa 
um cavalleiro armado e o outro a morte). Dirigida a la mini alia. y min/ escla- 
recida, i/ Christianissima Princesa Dofía Leonor, Reyna de Francia. Con oiro 
Romance, y su glosa, quando el Emperador Cario Quinto entro en Francia por 
la parte de Fíandes, cm, grande exercito: En ri afio de íõéõ. Con licencia, en 
Lisboa. Por António Aluarez. Ano 1633. 

i £0 il rubricadas, sem paginação, em reclamos. 

Na penúltima pagina e depois do Laus-Deus diz: 

Podesse imprimir. Em Lisboa en Sancto Elo//. ■/ de julho dt 1619. \l. Vi- 
cente da Resurrecção. Con las licencio* necessárias. Em Lisboa. Vo, António 
Aluarez. .\inio 1633. \a mo de Don lulianes. sobre o arco de leses. 

A ultima pagina é oceupada por uma gravura representando uma coroa 
de espinhos. A licença, < i * - HW'.), da a entender que houve alguma edição 
anterior a 1633. 

As duas obras descriptas por Gallardo sob os u. 2:449 e 2:451. 

c) Trivfnphos morales, de Francisco Guzman. Dirigidos ai felicíssimo Rey 
don Phelipe segundo desto nombre, nuestro sefíor. (Armas reaes de Hespanha). 
impressos por Andres Lobato. Ano de M.D.LX.XXYJj. 

8.°, 196 fólios, principiando a uumeração no folio 5. 



304 .\ LITTERATURA «ESPANHOLA EM PORTUGAL (124) 



O exemplar, pertencente á Bibliotheca Publica Municipal do Porto, está, 
porém, incompleto, faltando-lhe algumas folhas no fim. 

Nas preliminares: licenças. A approvação é do seguinte theor: 

«Vi por mandado do supremo Conselho, da Sancta & Geral Inquisição, 
estes Triumphos de Francisco de Guzmão, & não tem nada contra nossa -anda 
fee, & bõs costumes, & podense imprimir. F. Bertholameu Ferreyra». 

A licença é de 17 de junho de Ki85. 

No verso: Tabla de las matérias; Soneto de Simon de Ribera corrector 
de la imprenta en loor de la obra; Soneto dei mismo. 

A obra é adornada de muitas gravuras, mas muito toscas. 

Num catalogo do livreiro madrileno Gabriel Sanchez (1885) vimos an- 
nunciado um exemplar ao preço de 30 pesetas. 

Guzman teve grande voga em seu tempo, como o provam as repetidas 
edições das suas obras, algumas das quaes no nosso paiz. Cervantes ceie- 
brow-n assim no seu Carito de Caliope: 

De aquel que la Cristiana poesia 

Tan en su ponto ha puesto, en tanta gloria. 

Haja la fama y la memoria mia 

Famosa para siempre su memoria: 

De donde naceá donde nmere el dia 

La ciência sea y la bondad notória 

Del gran Francisco de Guzman, que el arte 

De Febo sabe asi como el de Marte. 

Que extraordinário contraste entre este elogio e a apreciação actual dos 
auctores do Ensayo de una biblioteca de libros raros: 

«La poesia de Guzman es ima prosa rimada, árida y seca: los conceptos 
y sentencias son comunes y triviales. Es libro que se lee con fatiga y ancie- 
dad (Los Triunfos moralesi». Vide n.° 2:444. 

Guzman (Lorenzo de). — El primer keroe atribvlos de la heroicidad, con- 
templados. En la vida de Iosue, Caudillo dei Pueblo de Bios: y el primer Heroc 
entre los siete. Por el P. M. Fr. Lorenzo de Gazman, Lector de Theologia, en 
S. Felipe dr Madrid, y jubilado en la Provinda de (Jastilla, dei Orden de san 
Aguslin. En Coimbra. Por Thomè Carvallo Impressor de la Vnirersidad, Ario 
limo. 

1G.°, 6 pags. prel. inn., 187 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Henriquez de Guzman i Dona Felicianai.— a\ Tragicomeãia | Los Jardi- 
nes y campos sabeos : j primera ij seganda pai te con diez coros y cuatrn ! en- 



125) A UTTERATURA HESl'ANIIOU EM l'ORTL T 0AL 305 



treactas. Compuesla por Dona Feliciano Henriqim rf< Guzman. Dedicada a 
Doha Carlota Henriquez // ti Dofía Madalena de Guz mau sus hermanas 
Monjas • u Santa ínès de Sevilla. (Escudo aberto em madeira . Com licencia, 
en Coimbra por Jacome Carvallo, afio de 1624. Primera parti 

1 vol. í." ' . 35 lis. numeradas pela frente e mais 12 preliminares. 

N fi > > consta ter existido em Coimbra typographo cham ido Jacome Carvallo. 

Segunda parle de la tragicomedia Los Jardines y campos sal 
compuesla por /'<</>« Feliciano Enriquez dt Guzman. Dedicada à l>. Lorenzo 
d- Ribera Gárabilo. En Lisboa por /'. Crasbeck, afio </< 1624. 

\:\ 36 lis. numeradas pela frente, mais '< preliminares. 

Descriptos por Gallardo, sob os n. os 2:463 e 2:464. 

ci n. Pascual Gayangos possuía um exemplar d'esta obra, com ;i dilíe- 
rença, porém, de que a primeira parte é publicada em Lisboa, sendo, por- 
tanto, segunda edição portuguesa. Descreve a assim Barrera no seu Cata- 
logo (pag. I í í i : 

Tragicomedia: Los (ardines y Campos Sabeos-. Primera y segunda parle, 
con diez coros y cuatro entreactos. Por dofía Feliciano Enriquez dt Guzman. 
Dedicada á dofía Carlota Enriquez y á dona Madalena de Guzman, sus her- 
muitas, monjas em Santa Ynés de Sevilla. (Escudo de los Enriquez, Guzmanes 
y Leonês Garavitos). Con licencia, en Lisboa, por Gerardo de la Vifia, afio 1627. 

i. 

Os coros e entreactos tem portada á parte, com data de 1628 e sem in- 
dicação typographica. 

Hernandez de Velasco (El doctor Gregório). -La Eneida de Virgílio, 
príncipe de los Poetas latinos traduzida en octaua rima. y verso Castellano: 
ahora en esta vitima impression /'formada, y limada con macho estúdio, i/ 
cuydado, de tal manera, qut se puede dezir nueua traduccion. Dirigida a la 
S. C. H. M. dei Rey Don Philippe segundo deste nombre, nuestro senor, Hase 
anadido en esta octaua impression lo siguienle. Las dos Eglogas de Virgílio, 
Pnmrru, y Quarta. El libro tredecimo de Mapheo Vegio Pacta Laudense, inli 
taludo. Supplemento de la Eneida de Virgílio. Vna tabla, que contiene la decla 
raciõ de los nombres próprios, y vocablos, y lugares dificultosos, esparzidos por 
toda la obra. Svstine, et obstine. En Lisboa. Con todas las licencias necessárias. 
Impressa en casa de Vicente Alvarez, ino Í614. Tayxada a 160 rs. cm papel. 

6 pags. iim.. '-"iii licenças, dedicatória (pela subscripção da qual se vè o 
nome do traduetor el Doctor Gregório Hernãdez de Velasco), poesias latinas 
ao traduetor e um soneto em hespanhol. 



.'{(Mi \ I.ITll li\TI t(A HESPANHOLA EM PORTUGAL (126) 



Seguera-se 16 pags. iim.. com a primeira e qilarta éclogas. Depois é que 
vem a Iraducção da Eneida. 

I vol. s. peq., 182 Qs. numeradas pela frente, mais 84 pags. inn., con- 
tendo a Tabla ou Declaracion de los nombres próprios, y lugares difficul- 
tosos, etc. 

Exemplar da Bibliotheca da Escola de Bellas-Artes de Lisboa. 

Um exemplar vendido por 1)5000 réis no leilão de Innocencio Francisco 
da Silva. Vide respectivo catalogo, n.° 1:976. 

Herrera > Alexandro). — Akgacion jurídica en que por las verdades mas so- 
lidas <i> In jurisprudência se mueslra el infalible derecho con que los reynos ?/ 
sefiorios <l<' Espafía pertenesen por mtterte del-rey Catholico Cario II ai Semi. 
Sr. Archiduqm de Áustria Carlos III. verdadero y legitimo Rey de las Espafias, 

Lisboa, 1704, folio. Imprensa de Valentim de acosta Deslandes. 

V iiíts do catalogo do Marquez de Pombal. 

N.° 566 «lo catalogo de Ferrão, onde vem mais largamente descripta. 

N.° 1:773 do catalogo Duplicados da Bibliotheca Publica .Municipal do 
Porto. 

Herrera (António de). — Historia de lo svcedido en Escoria, e Inglaterra 
en qvarenta y qvatro afros que riam Maria Esluarda Reyna de Escoem. Es- 
crita por António de Herrera criado dei Rey nueslro sefíor % Dirigida a Don 
Diego Fernandez de Cabrera y Bobadilla, Conde de Chinchon, Mayordomo de 
su Magestad, su Tesorero general de los Reynos de la Corona de Aragon, y de 
sus Consejos de Araaon, y linha e Alcayde de perpetuo de los Alcaçares Reales 
de la Ciudad de Segouia. Con licencia, ^f Impresso en Lisboa, por Manuel 
de Li/ra. 1590. 

8.", 173 fólios numerados pela frente, mais 3 inn. de Tabla. 

A Bibliotheca Nacional de Lisboa possue dois exemplares: um d'elles 
pertenceu á Cartuxa de Évora, segundo a nota manuscripta no verso do fron- 
tispício, a qual è do tbeor seguinte: 

«Libro de la Cartuxa de scala coeli que dio el 111. ra0 y R. m " enx.° Padre 
D. Theotonio de Bergança Arçobispo de Euora fundador de la dha casa... 

Nas preliminares: Licenças: Dedicatória do auetor, datada de Madrid a 
20 de maio de 1589; El avtor ai lecior; Approvação do Doctor Abril. 

A approvação de Fr. Bartholomeu Ferreira é muito singela : 

«Por mandado de S. A. examiney este liuro, & me parece digno de se 
imprimir. . 

Salva descreve, em nota ao n.° 2:97o, uma edição de Madrid (por Pe- 
dro de Madrigal) 1589. 



(127) v UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 307 



Herrera Sotomayor (D. Miguel de).- Motivos qiu expone Do» Miguel 
de Herrera Sotomayor, hijo 'li- 1 capitah de infantaria montada, Don Manuel 
i/r Herrera, Governador en actual servido, por el Calh Espaíia 

ri Seflor l>. Felippt V. (que Dios Guardt • de la Vueva Galizia, en la Ame- 
rica, y Nueva Espana Notário Publico ij ippostolh 

di la Christandad, par la Seá Appostolica; para ar r venido desde 
In Ciudad de Badajoz, n esta Corte, con la milagrosa imagen de Maria San- 
tíssima, con ri iiiiila ih' Diriím Pastora de mestras aluais. Con «na dedica- 
tória, sonetos, y decimas, que rmdidamentt pone debaxo dei Real amparo, de 
la Sereníssima Sefiora Princeza, dei Bracil. En reconoscido agradecimiento, 
par ri li, /to vesti <>. <i»r su Alteza, a ilaila ,i dicha Soberana Pastora. Lis 
boa: Afia M.DCC.XLII. 

1." 13 pags. inii. Tem um romance heróico e um soueto cm portuguez. 
Que portuguezl e que hespanhol ! 

(i titulo d'esta obra faz lembrar a ponte do Manzanares em Madrid. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Hinojosa y Carvajal (P. I-'. Álvaro de).— Libro de la mia. 1/ milagros 
«A s. Ines con otras runas obras a la Diiiino. Compuesto por ./ /'. /■'. Aluaro 
de Hinojosa y Caruajal, Monge de S. Benito, Colegial Theologo en el Colégio 
de S. Benito de- Coimbra en el Reyno >l Portugal. Dirigido a Dona las, ir 
Vargas, y Caruajal muger de don Rodrigo Calderon seftor de las Vilas de siete 
Iglesias, a la alma. y de la Camará de su Magestad. Con privicegio (sic) Real. 
Tnpresso com licença da S. Inquisição, & ar, Imana. Em Braga, Em rasa de 
Fructuoso Lourenço de Basto, & a sua custa. Anno H.D.CXI. 

I vol. í.", 1 1 (Is. prel. imi., 107 pags. 

Libro de la Vida é um poema em 10 cantos e oitava rima. Termina a 
pag. I7<>. 

.\as preliminares: Licenças; Svma do Privilegio; Licença da Ordem; 
Dedicatória interessantíssima a Dona lues de Vargas 3 Carvajal; Al Lector; 
Del Capjtan Don Gaspar de Hinojosa y Caruajal hermano dei imtor, soneto; 
Del Padre Fraj Ugustin de la Gracia Colegial Theologo enel Colégio de 
s. Benito de la Vniuersidad de Coinbra ai Autor, endechas; A S. Ines virgen, j 
mari.vr cuya vida el Vuthor escriue en el principio deste libro, romance; Tabla. 

As prelimincres comprehendem li fólios inn., incluindo frontispício. 

A Bibliotheca Nacional de Lisboa possue Ires exemplares d'esta obra. 

A dedicatória, interessantíssima pelos dados biographicos, é do theoi se- 
guinte : 

«.1 Dofia Ines -Ir Vargas, y Carvajal muget 'ir don Rodrigo Calderon Se 
fuá dr las Villas de sair Iglesias, y la alma, y ,1, la Camará dr su Magestad. 



308 A L1TTERATI HA HESPANHOLA EM PORTUGAL (.128) 



■ Svelleo los hombres, que por alguna ocazion forçosa salen de sus tierras 
dexando a caso allá algun thesoro, informar dello a sus hijos, para que an- 
dando el tiempo -'pau adonde quedo, j puedan áprouecharse dei: lo mismo 
me ha acaecido a mi, aquien mi padre dou íuan de Hinojosa y Caruajal en 
compania de mi madre duna [nes de Loyola saco de Gastilla mi pátria, \ 
Iraxo de quatro anos a este Reync de Portugal por ocasion de guerras, en 
que el dicho padre mio andaua ocupado siruiendo a su Magestad con cargos 
de milícia: y sacandome (como he dicho) de mi pátria siempró mis padres 
tuuieron especial cuydado de auisarme dei lhesoro, que allá les quedaua, y 
dei lugar donde li' bailaria. Este thesoro es el de la nobleza, j antiguedadde 
sangre: el lugar, adonde me dixèron, que lo bailaria, es V. m. en quien depo- 
sito, v athesoró la família de los Caruajales toda su hora, nobleza, y virtnd 
juntandosele a esto, para que en todo se eternize, y queda más perfecta, el 
felicíssimo casamiento, a cuya causa se vnió, y vinculo esta familia con la de 
los nobilíssimos Calderones, con que la familia Caruajal quedo en su punto, 
supuesto que ha produzido varones muy famosos, q todo el mundo sabe, y 
por esso dexo de nombrar: y no va fuera de camino, que yo busque este 
lhesoro que (como digo) está en Y. m. recopilado, pues por auer quedado 
tan solo me puedo tener por heredero deste bien, pues las guerras en que 
la mayor parle de mis deudos más cercanos han seruido, los han consumido 
poço a poço quasi lodos: conuiene a saber, a don Auguslin hermano de mi 
padre, que murió peleando en vna galera de Turcos en la batalla naual, don 
Francisco tambien hermano de mi padre raurió en Chile peleando, don Luys 
mi hermano muriò viniendo de la jornada de Bretana el ano de nouenta, y 
cinco, don Luys mi sobrino murió en el Canal de Inglatierra peléãdo y vlti- 
mamête fue Dios seruido de lleuar a mi padre siendo Castellano dei Castillo 
de S. Iuan de la Foz dei Puerlo, y en el mismo tiempo ai seíior don Aluam 
de Caruajal Limosnero mayor de su Magestad, y ai seíior don Alonso de Soto 
mayor, aquien tenia en lugar de padre; supuestas estas razones alguna he 
tenido en tenerme (pues he quedado tan solo) por heredero deste bien, aun- 
que no digo bien en hablar en singular, pues somos dos, aquien toca, que 
es el Capitan don Gaspar de Hinojosa, y Caruajal mi hermano, que tiene la 
misma razon, y derecho, que yo: yo y cl con tener a V. m. por Senora, y am- 
paro no sentimos la falta, que nos han hecho los. que he contado, pues todo 
lo hallamos en V. m. aquien suplico acepte este pequeno seruicio, que em- 
prendi en tiempo. que andaua ocupado en mis estúdios solo por entender, 
que seruia eu ello a V. m. por tratar en este liuro la vida de S. lues, aquien 
V. ra. por muchas razones deue de ser aficionada: aerecenté más essas varias 
obras, porque no quise partir cosa tan poça en dos libros: y por lo que ga- 
naua en que essas obras saliesseu tambien debaxo dei nombre, y amparo de 



| 129) A LITTERATORA HESPANHOLA I M PORTUGAL 309 

V. iii. cuya [Ilustríssima persona en compania de mi senor dou Rodrigo guarde 
.•I cielo. Vale». 

n auctoi veiu para Portugal aos V annos de edade, por occasião de 
guei ras. 

Este livro é mu valioso Cancioneiro de devoção. 

Vi obra do I'. M. Fr. Gregório Baptista, monge beneditino, Completas da 
vida de Christo (Lisboa l ( i ^ : i , vem um soneto em portuguez do padre Frej 
António de Caruajal, Collegial Theologo. \.i relação de Sardinha Mimoso vem 
duas poesias de Hinojosa ao padre António de Sousa, auctor da tragi-come- 
ili;i representada pelos jesuitas cm honra de D. Filippe. 

Hita (Gines Perez de). Historia de los vandos de los zegris e abena rrages. 
Lisbo;i. António Alvarez, 1610. 

Hontalba et Arce il>. Petrus de). — a) Egrégia sancti sacramenli Matri- 
monii honorificentia. Lisbonue. 1760. 
Folio. 

b\ Tractatus apicilegius, canonicus foi-ensis de jure supervenienti in onmi 
judicio. Lisboa 1760. 
2 vi ils. folio. 
Catalogo da liyraria Pombal, u." 1:036 e 1:039. 

Hurtado de Mendoza (António), a) Vida de- V. Senora, \>or António 
Hurtado, ih' Mendoça, Comendador d,' Zunia, de la Orden de Cqlatraua, Se 
crelario de Camará ih- su Magestad, y de lusticia en la Suprema Inquisicion. 
En Lisboa, A custa de Wigvel Manescal, mercador de Liuros na Rua Noua 
MDCLXJX. Com iodos as licenças necessárias. 

I vol. 12.°, \ pags. prel., 134 pags. 

Nas preliminares, a dedicatória á Sereníssima Infanta de Portugal Con 
tem 786 quadras uumeradas e mais duas por numerar. 

Salva uciona como primeira edição uma de Nápoles de Wúl. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

b) Cl Fénix Castellano, D. António de Mendoça, Renascido de la grande 
Bibliotheca dei Ilustríssimo Sefwi I). Lais de Sousa, Arçobispo de Lisboa, Ca- 
pellan Wayor* dei Consejo de Estado d'el Sereníssimo Reg de Portugal Dou Pe- 
dro 11. A la excellentissima sefiora D. Mariana de Sousa, marqueza de Arron 
ches, condessa de Miranda, ele. En Lisboa. En la Emprenta de Miguel Manes 
cal, Impressor de su Ilustríssima. WDCXC. Con iodas las licencias necessárias. 

I vol. l.°, a -2 col., <> pags. prel. inn., I6í pags. 



310 A I.ITTKKATIHA BESPANHOLA EM PORTUGAL (130) 



Na dedicatória e ao prologo fazem-se os mais levantados elogios á biblio- 
theca de D. Luis de Sousa, «aquella gran madre de toda La divina y humana 
erudicion». Parece que a edição foi feita por algum manuscripto que possuía 
aquelle bibiiophilo, e é considerada edição ptinceps. A de %drid (Juan de 
Zufiiga, 1728) declara ser segunda. Uma e outra vêem descriptas no Cata- 
logo de Salva, sm-'u< dramática, sob os n. 0s 1:284 e 1:285. Eis o Resumo do 
que contém a edição de Lisboa: 

«Vários Romances, Decimas y Letras a diferentes assuntos; 

«El Poema Sacro de Maria Santíssima; 

«La Comedia, No ay amor donde ay agravio, que anda eu nombre dei 
autor, y tiene sus duvidas; 

«La Comedia, El trato muda costumbre; 

«La Comedia, Los empenos dei mêtir; 

«La Comedia, Mas merece quiê mas ama ; 

«La Comedia, Querer por solo querer; 

«Las (lestas de Aranjuez»: 

Bello exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa, dourado por folhas, 
com armas nas pastas. É pena estar traçado. 

Santo Officio, dando licença para a impressão das obras, não permit- 
tiu comtudo que se publicasse o romance, que começa «De tu beldad sòn pri- 
mores» e tem por titulo A una Dama. que lenia un nouio &c. 

A Vida de Nossa Senhora compõe-se de 788 quadras e tem estas obser- 
vações a seguir: 

«Este Romance, haviendo alcançado tau elevado punto de piedad, y ele- 
gância, auu no conseguió la ultima demano de su Author, assi se colige de 
la siguiente advertência, que está en el manuscripto ai fim: 

«Hase de pintar la porfia de las Cores de los Angeles, sobre de que 
Hierarquia havia de ser la Virgen ; si dei Amor de los Seraflnes, y assi de 
las demás virtudes de las otras Hierarquias, y que fue el pfimer pleito en 
que todos tuvieron razon. Y tambien que los Patriarcas, y Profetas buscaron 
alli eminência de sus Virtudes, y fueron dibuxo de las que en aquel género 
tenia Mana. 

«Algunas coplas sueltas estavan tambien escritas ai tin, las quales se han 
colocado donde han parecido más oportunas, menos Ias dos siguientes, que 
estavan duplicadas con otras. que se han puesto en su lugar, que lodo de- 
nota, que su dueno aun no habia perfeccionado esta Obra». 

Seguem-se mais duas quadras. 

c) Tractado llamado el desseoso y por otro nombrè Espejo de Religiosos 
Agora de nuevo corregido, ij afíadida la seria parle, que hasta agora no ha 



(131) A LITTERATURA HESPANHOLA 1)1 PORTUGAL 311 

sido impressa. En Lisboa. Impresso con licencia de la Saneia y General Inqm 
sicion, y ordinário: Por António Miou:. Íõ88. 

8 , 8-268-4 fólios. 

Exemplar de Nepomuceno. 

Ha outra edição mais antiga, de que fala A. Ribeiro dos Santos, 1/ »i 
rias, pag. P27. Vide Gallardo, n.° 590. 

Hurtado de Mendoza (Diego). Lazarillo de Tormes. Historia entretenida, 
etc. Lisboa, Domingos Carneiro, 1660. 
!.", 'i7 pags. 
Exemplar da Bibliotheca da Ajuda. 

Ignacio de Porres (D. Francisco), a) Escvela de discursos. Formada ti 
sermones vários, escritos por diferentes Autores, Maestros Grandes de la Predi 
cacion. Con tabla para las Ferias mayores de Quaresma, dispitesta por el do- 
çtw D. Francis Ignacio de Porres. Ano (escudo do livreiro: um sol, toado por 
baixo oblectat et ilvminat) 1649. En Lisboa, Con licencia. Kit la Imprenta i 
Pablo Craesbeeck. 

1.", 15 fls. prel. inn., 17-2 numeradas pela frente. 

No verso do frontispício, Index dos sermones (13), que são dos seguin- 
tes auetores: Pedro de Sant Joseph, Pablo de .Me/a, Cosme Zapata, Gregório 
de Santilan, Manuel de Naxera, Francisco Riojano, Ignacio Cotino, luan Antó- 
nio Vzon, Frantiseo Boil, Francisco de Quintana, luan Telles de Portillo, 
Andres Seraple de Touar, Diego Curie de Ayala. O ultimo sermão (xiu) de la 
Gloriosa Santa Engracia, de Manuel de Naxera. tem frontispício e numeração 
aparte (24 fólios) e é datado de 1648. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

b) Discvrsos morales paru los miercoles, viernes, y domingos ti*' la evan 
Contenidos en el primer tomo. 1 Lvnes, martes, jveves y sábados en el segundo. 
Con indice para las ferias mayores de la cuaresma. Por el doctor D. Francisco 
Ignacio de Porres. A la sagrada y esclarecida Religion de la Compafíia de 
Iesvs. Impressos tercera vez. En Lisboa. En la emprenta de Lorenço de Am - 
res y a su cosia. Anuo MDC.XLIIH. 

1.", 2 pags. prel. inn., 8í<; pag., afora Tabla. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

c) Tomo tercero. Idem, idem, MDCXLV. 

í7."i pags. 

É muito curiosa a approvação do chronista l'r. Francisco Brandão, elo- 
giando o auetor por considerar Vjriato portuguez. 

Hist. e Mem. da Acad.— Tomo mi parte h.— N T .° 5. H 



312 A LITTERATORA HESPAWHOLA EM PORT0GÀL (132) 

d 1 Discvrsos elocventes en alabança deâiezmntoe. Estritos per ú deter 
Don Francisco Ignacio de Porres, Catedrático de la lenam Sagrada en la 
Vniuersidad de Alcala. Dedicados ai illvstrissimo sefior Don Rodrigo de Mello, 
hijo dei muy Ilustre Sefior Marques de Heirera. Co» Tabla para las ferias 
mayores de maresma. En Lisboa en la enprenta de Domingos Lopes Rosa y a 
su costa. Ano de M.DC.XXXXVIII. 

'i. 1 . 9 n>. iiin.. 561 pags., afóra Tabla innumerada. 

O airte-rosto é uma grande e bella gravura, assignada V; escudo de 
armas encimado por um chapéu episcopal ou cardinalício. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Inês de la Cruz (Soror Iuana).— Tercer tomo de las obras, y fama pós- 
tuma de sor Juana, etc. 
Lisboa 1701, 4.° 
Barrem. Catalogo. ■ ■ dei teatro amigue espafiól, pag. 112. 

Insigne mctoria que el Sefior Marquez de Guadalcazar, Virrey en el Reyno 
dei Piru, ha alcançado en los puertos de Lima, // Callao, contra vna armada 
poderosa de Olanda, despachada por orden dei Conde Maurício. Dase atenta dt 
como ii enemigo lle.uaua intento de coger la prata de su Magestad: y cl desas- 
trado fui que tuuo por mono de los Espafióles. Auisase tambien de vna declarar 
cion que hizo m soldado dei enemigp, Francis de nacion, y en su profession 
Católico, llamado Iuan de Bulas, que huyô de su exercito, ante el schor Virrey, 
a ocho de Enero deste ano de 1625. 

Este titulo está no alto da primeira pagina. 

No fim tem as licenças, em poríuguez, de agosto de 1625, e a taxa, 
a 4 réis. Sem lugar de impressão. As licenças são de Lisboa. 

Fulio pequeno, 4 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Islã (Lasaro de la). — No catalogo do Marquez de Castello Melhor vem 
descripla sob o n." 1:655 a seguinte obra, cujo auetor parece ser hespauhol, 
embora o titulo seja em portuguez: 

Breve tratado da artilharia. 

Lisboa 1676, 8.° 

Jarava (Hernando).— Por debaixo de uma gravura representando um rei 
(David» tocando no psalterio, e ao fundo uma cidade oriental, lè-se o seguinte: 

«Libro muy prouechoso para todo fiel christiano el qual mãdo traduziria 
muy poderosa y chrislianissima seíiora Leonor Reyna de Frãcia». 



i3.'i' A UTTERATCRA HESPANHOLA EM PORTUGAL 3i.'l 



grifado a tinta preta, o mais a encarnado. \ gravura é a mesma do 
Liuro atra hos sete peccados mortays, que vem reproduzida no 
Diccionario de Innoceucio, lomo x. artigo Diogo Oitiz. O Livro dos remédios 
foi impresso por Luis Uodrigues em 1543. 

No verso do titul lenço da obra : 

•Lo que se sigue en el presente libro es I" siguiente: 
Los siete psaim is penitêciales ; 

luioze psalmos dei canticungrado ; 
>Las lamentaciones de Jeremias: 
• jjuese lo prime ro ma carta para la dicha reyna : en la qual se declara 
como .se lia de entender todo lo que en este libro va escrito; 
•Otra carta para el lector: 

tTraduzido por el maestro Hernando laraua capellan de la dicha sefiora 
Reyna». 

A carta á rainha de França é muito interessante., como se pode avaliar 
pelo primeiro período, que transcrevemos: 

aPudiera ai presête tener acabado de traduzir todo el psalterio \ embiar 
a vuestra magestad los psalmos que me falta por embiar: sino porque de 
nueuo: quãdo me parti d' paris vuestra magestad me mãdo traduzir las lamê- 
- de Jeremias: y que en ellas pusiesse vna breue exposiciõ de la ma- 
nera q la ponia en los psalmos: lo qual yo he heclio aun que uo lan presto 
como quisiera: porq he estado de cõtino muy enfermo: despues que a esta 
vriiuersidad vine». 

1 vol. 8.°, sem paginação, rubricado em baixo, impresso a vermelho e 
preto, caracteres golhicos. 

No fim: Fue impreso enla muy noble y sãpre leal cinda d de Lixboa: en 
In oflicina d' Luys Rodrigues libre \ ro delRey nosso sefior. Fue visto j por los 
deputados de la Sancta Inquisicion. Acabose aios quinze dias dei n 
mil y qui nientos y qua \ rêta y qua tro nuns. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Vide Fiinia (Gomes de Santa), Psalterio de Lisboa,, de 1529. 

v índice probibitivo de 1578, elaborado por Kr. Barlholomeu ferreira, 
vêem prohibidos os Psalmos Penitenciaes & o Canticum grado & as Lamen- 
tações romançadas por mestre laraua. 

Joseph (P. Fr. Jorge de S. . El Solitário contemplativo, y gvia espiritval, 
sacada de diuersos Sonetos, y Padres espirituales. Compuesto, y recopilado poi 
el P. Fr. Jorge de S. Joseph Religioso descalço dei Ordê de N. Sefiora rfi la 
Merced, Redêpciõ de Captiuos de la Prouincia dei Andaluzia. Dedicado a N. P. 
Rmo. i). Frãcisco dx Ribera. M. en S. Theologia, digníssimo General de todo 



314 A UTTERATORA HESPANHOLA KM PORTUGAL (134) 

el Orden de .v. S, de la Merced, Redêpciõ de captiws, Sefior de Alijar. En Lis- 
boa con las licencias necessárias, por lorge Rodrigues. Afio 1616. 

1 vol. 8.°, 7 fls. prel. inn., 125 numeradas pela frente. 

Exemplar da Bibliotlieca Nacional de Lisboa. 

Joseph (Maria de S.). Uma das fundadoras do convento carmelitano de 
Santo Alberto, em Lisboa, lendo vindo para esse fim de Sevilha. Tinha algum 
talento poético e fazia composições dramáticas acomodadas ao exercício das 
noviças: entre ellas um dialogo entre uma mestra e uma discípula. Fr. Bel- 
chior de Sant Anna insere no tomo i da Cluonica de carmelitas descalços diver- 
sas poesias d'esta freira. O seguinte soneto faz parte do sobredito dialogo: 

Pobre •'! vestido, limpio sin cuidado, 
Vn rostro afable, grane, alegre, bonesto, 
Vn trato honroso, sincero y modesto. 
A la verdad >■! coraçon ligado. 

Vn valoroso peebo ai bien atado, 
Sin que temor, o amor le mude el puesto, 
Conforme a Dios, en todo ai hombre opuesto, 
Por si mismo temblando sossegado. 

Buscar a Dios, por solo ser Dios bueno, 
Abraçar eon el alma la pobreza, 
Tener por liberlad el ser mandada, 

El coraçon vazio, de Dios Ueno : 
Conocer la soberuia en su baxeza, 
Esto es ser Carmelita reformada. 

Joseph (Fr. Pedro de San). — a) Sermon de la saneia ervz predicado por 
el R. P. fray Pedro de San Ioseph Redor dei Colégio de Augústinos descalços 
de la Ciudad de Huêsca, en la veneracion particular, que la Ciudad de Cala- 
tayud hizo a la Saneia Cruz, en la Parroquia de San Andres, de la dicha 
Ciudad. Dado a la estampa por el doctor Don Francisco Ignacio de Porres. 
En Lisboa, por Pablo Craesbeeck Ano de 1*548. (Traz no principio a relação 
de 19 sermões, que hão de ser dados á estampa por 1). Francisco Ignacio de 
Porres. Este é o primeiro). 

4.", 14 (Is. numeradas pela frente. 

Exemplar da Bibliotlieca Nacional de Lisboa (collecção n.° 2:048). 

6) Glorias de Maria Santíssima en sermones dvplicados para todas svs fes- 
tividades. Por el Padre Fr. Pedro de S. Joseph, Dipnidor de la Prouincia de 



(135) A l.irmiAIM, \ HESPANHOLA EM PORTUT.A] 315 

Castilla de Agustinos Descalços. Em Coimbra. Na Oficina de Thome Carualho 
Impressor da Vniuersidade inno de 1658. 

\:\ li pags. prel. ian., 546 pags., afóra Tabla. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Discvrsos morales para domingos! miercoles, ij viernes de qvaresma, prt 
r/i la catedral dt In civdad dt Hvesca. Por el P. Fray Pedro de S. Jo- 
seph, prior dei Conuento de Barcelona de Agustinos Descalços. Los discvrsos 
para los restantes dias de la semana irán en el segundo Forno, con que salirà 
a luz toda la Quaresma continua, como en dicha Catedral se predico. Con 
iodas as licencias necessárias. Em Coimbra. Na Officina de Manoel Dias Im- 
pressor da Vniuersidade inno do Senhor Í663. 

1 vol. i.", 2 lis. inii.. 274 (ls. numeradas pela frente, afóra Índice. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Laso de la Vega (Garci). — a) Obras \ de , Garcilasso dela Vega \ Prín- 
cipe de los Poe \ las Castella- j nos. [ Cuidadosamentt revistas en esta \ ultima 
edicion por ri Doctor \ buis Brist fio de Córdova , residente <■» Madrid. \ Dedi- 
cadas | a Don Vicente Noguera Referendário \ de ambas signaturas de su San- 
tidad, [ dei Consejo de las dos Magestades | Cesárea i Catholica; Gentil- | hom- 
brt 'Ir In Camará dei sereníssimo Archiduq \ de Áustria Leo- | poldo. \ Con 
■ das las licencias necessárias. /•.'// Lisboa. | i>m- Pedro Crasbeeck. Impressor 
dei lie;/ N. S. 1626. 

1 vol. 12.°, 18 pags. prel. iiiu., 141 pags. 

As preliminares contém: Licença. No verso d'esta um brasão, talvez o de 
Nogueira, com dístico latino, em verso, por baixo; Dedicatória do editor 
D. Luis Briseno a D. Vicente Nogueira; Prologo de Luis Briseno. 

Da dedicatória extrahiremos <> seguinte curioso trecho: 

«Movido yo deste parecer, i de vários ruegos de otros muclios amigos, 
determine encargarme deste trabajo; i en orden a el pedi a V. m. el ano 
passado, que de su raríssima i selectissima bibliotheca me socorriesse con 
algun buen manuscripto de Garcilasso, para cotejar con el, lo ya impresso; 
i publicar lo que aun no lo estuviesse : i andando aora en esto, llegaron de 
ahi, bien acaso a mis manos, unas Lusíadas dei famoso Camões, en forma 
muy pequena: mas de letra tau legible. que Inego ia codiciè para mi libro; 
i me resolvi (aunque fuesse con mucho mayor costa) a hazerle imprimir eu 
essa ciudad de Lisboa; porque no see que en ninguna otra de Espana se 
hallen semejantes caracteres; i tambien porque a la sombra de tal Mecenas, 
como V. m. i en su vezindad no podrã temer ninguna contradicion o azar: 
antes bien saldra a la plaza con gran confiança. Ofresco pues a V. m. las 



.''. |l> A I.ITTKUAIUHA HE8PANH0LÁ KM PORTUGAL (136) 

obras deste ilustre Cavallero, Príncipe de nnostra poesia: i ofrescoselas mui 
justamente: porque siendo V. na. tarabien por sus padres abuelos, i ascen- 
dientes Cavallero ilustre parece Príncipe eu todas las dotes de un grau 
animo: etc». 

u elogio prosegue. 

V dedicatória, assignada pelo Dr. Luis Briaeão (ie Córdova, tem a se- 
guinte data: «Madrid 2 de Mayo de 1626». 

prologo é do mesmo e d'elle sacamos os seguintes dizwes: 

«Algunas otras Poesias ai snyas aun no publicadas, que procure haver, 
mas en balde: pues, si bien interpuse médio tau autorizado i eficaz, como el 
dei sefior Don Vicente Noguera dei Goosejo de su Magestad, l'ue mui tarde; 
porque las que su merced heredò de la senora Dona Iuana de Castro (a la 
qual las havia dado el Maestro fray Domingo de Guzman escritas de su pró- 
pria mano, por legitimas de su padre) estava ya mera de las suyas, que en 
las tan liberales nada para mucho; i havialas presentado a quien pensaua que 
las publicaria, mas no lo hizo, i ni aun aora. haviendosele instãtemente para 
esta ocasiõ pedido (siquiera prestadas) se las bolviò». 

A avaliar pelos trechos transcriptos, vè-se bem quanto é o valor da dedi- 
catória e do prologo para a biographia, não só do poeta, mas do erudito 
Vicente Nogueira, sob cuja protecção se publicaram outras obras hespanholas. 
O Santo Officio encontrou no seu espolio noventa e seis exemplares da edição 
de Garcilasso. Diz assim a verba do inventario inquisitória! : «Garcilassos no- 
venta e seis volumes, também em papel, a oito rs., valem setecentos sessenta 
e oito rs.» 

Quem seria o individuo a quem D. Vicente Nogueira emprestou o ma- 
nuscripto de Garcilasso? É muito de crer que fosse Tamayo de Vargas, que, 
em 1622, publicara em Madrid as obras do poeta. Eis aqui uma passagem 
do editor que abona a nossa hypothese : 

«De los versos castellanos (de Garcilaso), demas de los que havemos hal- 
lado, pudieramos anadir otros, devidos á Ia diligencia i curiosidad de don 
Vicente Noguera i de don Francisco López de Aguilar, que con liberalidad 
me los comunicaron, si no temiera las dudas de nuestros Aristarchos». 

O exemplar que examinámos pertence á Bibliotheca Nacional de Lisboa ; 
é impresso no mesmo typo diamante da edição dos Lusíadas de 1626. Perten- 
cera a Monsenhor Ferreira e acha-se encadernado com a Silvia de Li/sardo, 
recopilada por Lourenço Crasbeeck e impressa por Pedro Crasbeeck. 

b) Obras | de | Garcilasso \ de la Vega | Príncipe de los Poe- | tas Cas- 
tella | nos. \ Al Revercndis- \ simo Padre Frag Luis de | Sosa, Religioso de la 
Orden de San | Auguslin. | Con las licencias necessárias. | En Lisboa. | Por 



(137) A LlTTi:i;.vui;.\ BE5PAMH0LA EM PORTUGAI '.\ I i 

Lourmço Craeshe$i \ Asm 1632. | .1 cosia tbeeck, merca 

libros. 

I vol. i2.° (ou Hi."-.'. typo diamante, 5 il>. prel., 141 pags. 

Nas preliminares: licenças; dedicatória; prologo de Briseno. \ dedica- 
tória, em vez de ser a Vicente Nogueira, é em portuguez, de Paali 
Craesbeeek a Fr. Luis de Sousa. prologo^ de Briseno, é mutilado na parte 
que diz respeito às diligencias empregadas para alcançar o maausGripto de 
Nogueira. 

Exemplar da BiWiotheoa Nacional de Lisboa. No tini do prologo tem 
escripto por letra de mão; «He de António da Paixão da Costa e Craesbeck». 



Notamos que os dois primeiros versos do primeiro soneto de Garcilaso, 
Quando me paro a contemplar mi estado, são semelhantes aos dois primeiros 
do primeiro soneto das Rimas Sacras, de Lope de Vega. 

Da edição de Ki-ii; havia um exemplar (n.° &746) no leilão do Marquez 
de Castello Melhor. 

Ledesma (Alonso de), a Conceptos Espiritvales De Alonso de !.■ 
desma, natural de Se§ouiaL Dirigidos a nvestra Sefíom de Fnenci4a. (Gra- 

vurinha. representanâe Nossa Senhora a amamentar nino . En Lisboa. 

Impresso eon Ucentia ih- In Sanefa Inqui mim: Por António Aluar ez. \ 
Ano 160$. 

I vol. *.". i;í ils. prel. irin.. 258 lis. nunieradas peia frente, mais 13 pags. 
inn. de Tabla. 

.Nas folhas preliminares: licenças; dedicatória do aactor a Nossa Senhora 
de Fueucisla; de fray Juan de Arenas ai lector; carta de la Civdad de Se- 
gouia ai Consejo Real; redondillas de Don DiegO de Abendano y dei Alama a 
Nvestra Sehora : versos ao auetor de Francisco \i'ias de Vargas. Rieronymo 
de Virucs y Árias. Alonso Franco, Franri.ro de Vergara, António Garcia, 
Alonso Rosales Aguilar, Juan de Cootreia.-. 

í, curiosa a analyse do padre revedor, que é da tbeor seguinte: 
«Podese imprimir emendado em alfas logares, que tem as emendas em 
a margè, & o cabo do libro estão as folhas. E he necessário, que se confirão 
despois de impresso com este original, porque tem algua erros claros, como 
he folhas 13. Christo nacio eselauo, que esta cõdènade por el Papa lla- 
driano X (sit) & por o ConcrRo Franesfordíense acisoeieatos anos ha, 4 fo- 
lhas 232 (está um pouco illegivel este numero) dize que Christo es Dios, y 
vn alma de Dios. Este segSdo es Cambies erro: "\ assi iene otras cosas seme- 
Ihanles, que emenden leyendolo todo leter por leter. S. Roque i de Mayode 
602: Pêro Paulo Foreyro». 



318 A LITTERATURÀ HKSfAMK >l.A KM PORTUGAL (J*^) 

Este jesuíta, se uâo era hespanhol, parecia-o, pela mistura que aqui faz 
das línguas portugueza e hespanhola. 

Bonito exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

//) O catalogo da livraria Ferrão nua Larga de S. Roque) cita outra edi- 
ão de 1602 e do mesmo impressor. É possível, attendendo á data da licença. 
Vide respectivo catalogo. n.° 635. 

A Segunda Parle de los Conceptos Eapirituales l Burgos, 1606i traz pri- 
vilegio para Portugal (20 de setembro de 1605) e notificação do privilegio 
portnguez. Vide Gallardo, n.° 2:t>62. 

Os jesuítas cantaram na Ethiopia uma poesia de Ledesma. Vide Relação 
dé Fr. Manuel da Veiga, pags. 38 e seguintes. 

Ledesma (Fr. Martinho de).-- Era professor na Universidade de Alcaiá, 
de onde veio para a de Coimbra, jubiiando-se depois de 30 annos de serviço. 
Falleceu em Coimbra a 15 de agosto de 1574. Jaz sepultado na capella-mór 
do collegio de S. Thomaz. Vide Sousa, Historia de S. Domingos, parte i, 
livro ni, capitulo v. 

Foi revisor de livros ; entre outros deu a approvação para a Vida & mi- 
lagres da gloriosa Raynha sancta Isabel, impressa em Coimbra em 1560. 

No conselho universitário de 8 de fevereiro de 1546 pediu elle licença 
para ir a Roma, por estar eleito para o capitulo geral da sua ordem. 

Ba delle uma trova, entre outras que se fizeram aos filhos do Conde de 
Odemira, por irem caçar, escondidos, na Semana Santa a um logar seu, por 
nome Velarinho. Eis a trova de Ledesma: 

Quieia Dios que no sea esta 

La caza de Roncesvalles, 

Que os perdais alia eu las ealles, 

Y aqua deis nesta ante fiesta. 

Culpa lá se manifiesta, 

Fue sin tempo y sin designo 

La casa de Velarinho. 

Estas trovas foram publicadas por Joaquim Ignacio de Freitas no opúsculo 
intitulado Sonetos a D. Guiomar, Coimbra 1826. 

Ignacio de Moraes dedica-lhe os seguintes versos no seu Conimbricae 
Encomium: 

Templuin etiam dominice tibi candore refulget, Coikgium Sanai 

Atque nouum extruitur non proeul à veteri. Donuma. 

Pnpfeclus staluit Martinus Pallade doctus Frater Martin de 



Cndesti, atque idem relligiosus homo. 






(139) A L1TTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 3 19 



a In quartum libram Magistrx sententiarum. Conimbricae tõõõ-1560. 

2 rols. folio. 

N." 2:034 dos Duplicados da Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 

Martinho de Ledesma foi examinador da Santa Inquisição na Universidade 
de Coimbra, segundo se deprehende das seguintes obras: 

No verso da Preparação espiritual de catholicos vem a seguinte declaração: 

«Foy vista, examinada e approuada a presente obra pelos veneraueis 
doutores, mestre Payo Rodrigues, e mestre Frei Martinho de Ledesma, exa- 
minadores da Sancta Inquisição, em esta real Vniuersidade de Coimbra e com 
sua authoridade impressa». 

A Preparação concluiu a sua impressão em Coimbra a 12 de outubro de 
1549. Vide Innocencio, tomo vn, pag. ±1. 

\ nina de l>. Sancho de Noronha, impressa em Coimbra por Francisco 
Correia^ a í de setembro de 1549, Tractado mural de louuores, etc, tem no 
fim a approvação do l»r. Fr. .Martinho de Ledesma «per commissam do car- 
deal dom Anrrique Inquisidor mór em estes reynos de Portugal». 

Também deu licença para a approvação da obra Vida & milagr i da glo- 
riosa Raynha sumiu Jsabel, molher do caíholico Hei/ dõ dini* sexto de Portu- 
gal, Coimbra, por João da Barreira, MDLX. (.Vide CimeUos, pag. 334 

b) Secvnda qvarta Doctoris Fraíris Martini Ledesmii, m insigm Conim- 
bricensi Academia publice professoris, atqrin sacra Thvologia primarij. Conim- 
bricae. .\ptnl loannem Aluarum typographum Regiutn. Anno MDLX mense Ia- 
nuarij. 

I vol. folio, 13 tis. prel. inn., 674 fólios numerados pela frente. 

Tem no frontispício, em baixo, por letra de mão: «Dooado pello III." 
Snr. D. Aff." de Castel Branco B.° Conde ao Coll. de lesvs». 

A approvação é do L)r. Diogo de Gouveia. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Fr. Amador Arraes, no Dialogo segundo, em que trata da gente judaica, 
Ig-se a seguinte passagem: «Em nossos tempos meu mestre Ledesma cathe- 
dratico de prima em Theptogia, na vniuersidade de Coimbra ensinaua estas 
duas conclusões». (Diálogos de D. Fr. Amador Ãrraiz Dispo de Portalegre. 
Fm Coimbra, por António de Mariz, 1589, l.°. folio 46). 

Ledesma 'Fr. Pedro de).- a Si/ ma de todo lo que toca d los sacramentos. 
Lisboa 1617, 2 vols. folio. 

li i Segvnda parte de la Svmma en la qval se cifra, y svmma todo lo moral, 
II casos de consciência que no pertenrcen a los Sacramentos, con todas las iludas 



'.\'20 A L1TTGRAT1 RA IIKSI'.\MI( li. A BI WWDBGAL (Í4fr) 



c^/í sm mzones brevemente puestas. Compvem por el padre maestro fray Pedro 
de Ledesma de la Orden de Sancto Dom/uno, Catkedratico dfe Vísceras en la 
Vnitiersi taã de Salamanca. Va en esta vítima impressim anadido el Tratada 
dei estado de (Oitos tos temores. Dedicada ai illcstr.'"" y nverèad ™ senor dou 
Fernã Martins Mascarei/as. Qbtsps dei Algarbe, dei Cnnsejo de sn Mage-iad, 
y Inquisidor general en los Reyms de Portugal . (Estampa*: um santo escre- 
ncihIu, inspirado pelo Espirito Santo i. En Lisboa. Impresso por Pedro Cras- 
oeeek. ) a sn costa. Ai/o M.DC.XVII. 

1 vol. folio, G88 pags., afora Tabla. 

No mesmo volume, com frontispício idêntico: 

Addiciíans a la seqnnda parte, etc. 

I vol., !":} pags., a tora Ta 1)1 a. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Lizana i Fr. Francisco de).— Doclrinas evangélicas para las ferias ma go- 
res de la Quaresma. En sermones, qve ha escrito, y predicado cl padre maestro 
fray Francisco de Lizana, Comendador que ha sido dos rezes dei Convento de 
la Ciudad de Citenca y Difimdor de ta Pronncia de, Castilla, dei Orden de 
Nuestra SeUare de la Merced, Rcdencion de. Cautiros. Llera ijratro elencos mvy 
copiosos. El primero, de las Doclrinas Titulares de los Sermones. El segundo, 
en que se aplica/i las Domi nicas de Adríenlo, y Sepluayesima . El tercero, de la 
Sagrada Escritura. Y el quarto, de las cosas Notables. Oferecido ai ikslrissimo 
senor Dom Lris de Sorsa, maestro en la sagrada lheologia en la Vniuersidad 
de Coimbra, ele. Em Coimbra. Na Officina de Manoel Dias Impressor da Vni- 
ceisidaile: Anno liJó'6. 

1 vol. 4.", a 2 coL 5 tis. inn., 254 fis. numeradas pela frente, mais 
27 fls. inn. de elencos. 

Exemplar de Rodrigues. 

Llontisca y Ribas (Fr. António). — Obsercaciones criticas, joco-serias sobre 
ciertos memoriales dei ultimo Impuynador dei Theatro Critico, el li. P. Fr. Fran- 
cisco Soto y Mame, Chronisla, General de la Orden de N. Padre Sam Francisco, 
Por Fr. António Llontisca y Ribas, de la misma Seráfica Religion. Lisboa, na 
officina de Miguel Manescal da Cosia, Impressor do Santo Officio. Anno 1751. 

4.°, 40 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Loarte (Gaspar).— Existem duas obras em portuguez, de Gaspar Loarte, 
tiradas do migar italiano, ambas descriptas em innocencio. Uma delias inti- 
tula-se Inslruiçam éè adtterlencias, etc. e foi impressa em Lisboa em 1587 por 



Ill A l.lTTKH\rn;A BB3PAHH0LA !.M PORTUGAL 32 I 



António Ribeiro. Possuía um exemplai José d<> Canto. \ outra, impressa 
no mesmo anuo-, não traa o aome do typographo, sendo decerto editada pela 
Companhia dte Jesus, cujo monogramma apresenta ao frontispício. Também 
Dão declara qae seja traduzida d" italiano. IntituJa-se tmtrviçam ,r avisos 
pêra meditar os mysterios do Rosário da vanctissima Virgem Muna. Feitos peUo 
Bnwrêdo Podre Gaspar Loarte doctar Theologo da Companhia de leso. tano 
cencio Dão viu esta obra e cita-a referindo ae ao catalogo da Academia. Este 
dia que é de formato 24.° Efiectivamente é um volumesinno pequeno, mas os 
cadernos são de 16 paga., logo em formato de 8.°, rubricados A Al n \\\ ate 
R R4. Vimos um exemplar na Bibliotheca Nacional de Lisboa, onde existem 
outras obras, cm italiano, do mesmo auctor. 

(iallaiMo, no -cu Ensayo de una btbuateea, descreve um manoscripto 
intitulado Granada ó deseripcion kistorial </</ insigne rema, etc. (a. 77;$'. cm 
que mi Breve catalogo dr los hijos de Gramada que hnn estrito, se ia/ a se- 
guinte menção: 

«Kl L. Gaspar de Loarte escribió nn libro dei Bosario; j otro detConó- 
õmiento próprio . 

Como quer que seja, na Bibliotheca Nacional de Lisboa eacoatramos a 
seguinte impressão lisbonense de uma versão hespanhola: 

Constelo dr los afligidos. Donde se trata d,- los prwedm, !l remedias di- 
las tribulaciones. Prouechoso assi para los Siglares esmoipara los Religiosos; 
mayormente Confessores: donde podran sarar consuelos para aplicara los peni- 
tentes. Compvesto por el 1'inhr Gaspar Loarte Boetor Ihaohgo ée la Compafiia 
di' lesus. Impresso en Roma mi A ano lí>73, en lengua italiana, t/aoranueua- 
mentt traduzido en lenam r alijar. En Lisboa. Con todas las licencias necessá- 
rias: Por Pedro Craesbeeck Impressor dei /te//. Afio 1627. 

1 vol. \i.". •') lis. preL iim.. 192 numeradas pela frente 

Lopez ÍJWego). — •) las obras dr Piblio Virgílio Manai traduzidas m 

prosa castellana, por Dirão Lopez, natural dr la Villa dr Valência, Ordrn d, 

Alcântara, 1/ Preceptor ea la Villa dr oimrdo. Cen eammento » mnotaciones, 

donde se drclaran las historias, 1/ [abalas, // el sentida dr los nrsos difficultOSOS 

que tiène ri poeta. Dirigido a Pedro César Deça, cavallero dr la Orden, 1/ Mi 

licia dr y. S. fesa Cliristo. // Comendador dr la rncoinimda dr S. Salaador 
dr Minhotârs. Ano (togas de brasão de armas) Í620>. En Lisboa. Por António 
Alrurr: impressor 1/ Wèrcader dr libras. ) <t m rosto, fossado por los Sena 
rrs drl Consrjo a 3QQ uiaraardis en papei. 

Depois das licenças: dedii aloria do impressor a Pedro César Deça. Se- 
gjH8-S£ um epigramma latino de Christovão de Barros, que, em nome de 
auctor, dedica a obra a Pedro César de Eça; mais duas poesias latinas do 



322 A LITTKRATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (142) 



mesmo; prologo do auctor; labla de las historias ; vida de Virgílio; tabla de 
los auclores referidos en esta obra. Tudo isto occupa 10 pags. innumeradas. 

nosso exemplar não está completo: faltam-lhe algumas folhas finaes: vae até 
II. 370, só numeradas pela frente. As Éclogas acabam no verso do folio 14, 
seguindo-se-lhe O commento. As Georgicas principiam no folio 41, princi- 
piando o seu commento no verso do folio 74. A Eneyda principia no verso 
do folio 103; o seu commento no folio 257. \" 

Edirão desconhecida de Salva, que cita a primeira, de 1601, Córdova. 
Refere-se também ás de Madrid, 1614, e Córdoba, 1620. Ignora portanto esta. 

b) Las obras de Pvblio Virgílio Maron. Tradvzido em prossa (sic) castel- 
lana por Diego Lopez, natural de la Villa de Valência, Orden de Alcântara, y 
Preceptor en la Villa de Olmedo. Con Comento, y anotaciones, donde se decla- 
ra» las historias, y fabulas, y el sentido de los tersos dificultosos qve tiene el 
Poeta. Aora en esta vitima impression, anadido, y enmendado. (Escudo de 
Cuesta, da edição de D. Quixote, Madrid 1605 1. Con todas las licencias, y 
approbaciones necessárias. En ]Lisboa, Por António Aluarez, Aíto de 1627. 

1 vol. 4.°, a 2 col., 3 fls. prel. inn., 291 numeradas pela frente, mais 

1 inn., com um escudo, e por baixo : En Lisboa. Con todas las licencias neces- 
sárias. Por António Aluarez. Ano 1627. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

c) Aulo Pérsio Flacco, traducido en lengua rastellana. 
Lisboa 1609, 8.° 

Esta é a succinta descripção que encontramos no catalogo da livraria de 
Joaquim Pereira da Costa, sob o n." 1:706. 

Na Bibliotheca Nacional de Lisboa existe a seguinte edição: 

Avio Pérsio Flacco, tradvzido en lengva castellana por Diego Lopez, natu- 
ral de la Villa de Valência, Orden de Alcântara, y Preceptor en la ciudad de 
Toro, etc. Burgos, por Iuan Baptista Varesio. 1009. 

8.°, 228 fls. numeradas pela frente, afora Tabla. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa, n.° 3:002 preto. 

Lopez de Sigura (Rui). — IWammaticm institutiones a Roderico Lopez a Si- 
gura nuper wdita>, atque F.xcellentissimo Domino Sebastiano, Portugália Regi, di- 
cata, fceliciter incipiunt. (Escudo de armas reaes de Portugal). Ulyssipone, ex ofi- 
cina Joannis Alrari, typographi Regii anno 1573: cum gratia et privilegio Régio. 

Em 4.°, letra bastarda por la mayor parte, sin foliación, sign. Gg. 

Dedicatória latina ; Prólogo latino de Enrique Manuel, lusitano ; Epi- 
grama latino dei mismo ; Idem de António Marquez ai autor. 



(143) A UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 323 

Las correspondências que pi Sigura en las conjugaciones, etc, están 

en castellano. 

Las regias de géneros y pretéritos están en verso j son diversas de las 
de Nebrija. Acompáõalas un copioso comentário en prosa en latin. 

Debe esta de ser segunda impresión, como lo indica el nuper, pues ya 
el ano de 1566 el maestro Sánchez de las Brojas, en la cuarta edición de 
sus Breves instituciones de Gramática latina, hecha en Salamanca por Matias 
Gast, tira contra López Sigura : 

«Denique it sentit Quintilianus etiam si quidam nebulo obganiat, qui 
com meras nugas Regi Lusitanorum inculcarit, dente rodeie lupino seciire 
bonos auctores se posse putet: quem nominare non audeo, ne méis scriptis 
aliquando fiat illustris». 

A este propósito dice Mayans en la vida dei Brocensej § xlviii: 

«Quis ille fuerit néscio. Oportel eum scripsisse posl editas priores Insti 
tuciones (Brocense) anno 1562, el ante has posteriores 1566 . 

Conviene también averiguar si ya en alguna de sus três impresiones el 
Brocense tiraba contra Sigura, y si este se habia antes disparado contra él á 
tiro hecho. 

Descripção copiada de Gallardo, Ensayo de una biblioteca, n.° 2:784. 

Lopez de Ubeda. O Vergel de Flores divinas traz o privilegio datado de 
Poriugal (Lisboa 3 de dezembro de 1581). Teria havido alguma edição por- 
tugueza? 

A primeira edição conhecida é de 1582 (Alcalá de Henares). 

Vide Ensayo de nua biblioteca. 

Lossa (P. Francisco). La vida que hizo el sieruo de Dias Gregório Lo- 
pez en algunos Lugares de esta \ Nueva Espana. \ Por el Licenciado Francisco 
Lassa Presbítero Cara: que fue en la Iglesia Cathedral de M< ria,, dirigida a., 
Illustris sinto. & Reverendíssimo Senhor hma Miguel de Castro Metropolitano 
Arçobispo desta Cidade </<■ j Lisboa \ Com as licenças necessárias, j Em Lisboa. 
Por Pedro Crasbeech Anno 1615. Esta tayxado este Lina a 50 reys em papel. 

[2.°, Ki-107-1 lis. 

Exemplares de Nepomuceno e Bibliotheca Nacional de Lisboa Historia, 
T, 9, 2). 

Lujan de Sayauedra (Matheo).— a) Segvnda parte de la rida dei Picaro 
Guzman de Alfarrache compvesta por Matheo Luxan de Sayauedra, na/aral 
vezinho de SeuiUa. Lisboa, par António Alvares, 1603. 

8.° peq., 4 tis. inn. de licença e prologo, 223 pags., mais .'i inn. de Tabla. 

Vide Aleman (Matheo). 



.'{-J'l A I.ITTI-HAITIU HBSRANH0LA EM FORTOGáL (14 il 

Salv;i não menciona as edições de Lisboa. Descreve unia de Madrid 1603, 
suppondo que a primeira será de Valência 1602. 

Ir. Segvnda j parte <te . la tdda dei Pt caro Gvzmom \ de Alfarache. | 
Compvesta por Motim Lvxan de Saya • unira, natural vezino de | Seuilla. 
Dirigido a don das | par Mercado- y Catroz, legitimo herde ro ie las Baro- 
nias de Bunyol, y Si«- , te águas. \ Em Lisboa. j Ml) CHI. Impressa com Li- 
censsa por Jorge Rodriguez. 

I vol. 8.°, _í:í i folies, incluindo frontispício e Tabla. A numeração está 
frequentemente errada: assim, de folio 120 salta a -ií\, mas não conserva 
depms a regularidade. A tlltima folha numerada, antes da Tahla. é -2i>K 
quando a anterior é 319. 

No fim leni: Impresso en j Lisboa por Iorze (sic) Rodri- guez. Arruo de \ 
1603. 

revedor foi Fr. Manuel Coelho e a sua approvação e do theor se- 
guinte: 

«Esta segunda parte de la vida dei Picaro Guzmau de Alfarache nam 
tem cousa algua contra a nossa sancta fé calholica nem contra os bos costu- 
mes. Antes os louua eu todas as occasiões que se offerecem, & condena os 
mãos. Alem disto lie Liuro variósso (?), & corioso, ã- pior estas rezõis digno 
de se imprimir». 

Exemplar de Jeronymo Ferreira, das Neves. 

Lumbier (Raymundo). — Noticia de las sesenta y cinco proposieiones nue- 
vamente condenadas por N. SS. /'. Innocencio XI, mediante su Derreto de 2 de 
Mayo dei Ano 1679. Publicala el reverendíssimo P. M. Fr. Raymvndo Lvm- 
birr. catedrático de Prima de la Yntrersuiuil de Saragoça* Examinador Sino- 
dal de Sn Arçobispado, Calificador de la Santa Inquisicion de Aragon, y de la 
Suprema. Predicador de su Magestad, y dos rezes Exprovincial de la Provín- 
cia de Aragon, dei Orden de Nuestra Sefiora dei Cármen. Reconocida por su 
autor: de nvevo condenada, // m muchas parles nuevainenle afiadidas. Sétima 
impression, afiadidas las quarenta, y cinco Proposieiones de Alexandre VII. 
Lisboa. Na Officina de Domingos Carneiro. An/m de 1083. Com as licenças 
necessárias. 

'k". 10 pags. prel. hm., 336 pags. 

Exemplar da Bibliotheca da Ajuda. 

Luque (Jiian de). — Divina poesia y vários mnceplos d las fiestas principa- 
les dá Ano que se ponen por su Calendário. Con los santos mtebos // todo género 
de poesias. Ponense ai fin en verso los dias en que caen las fiestas de guardar. 



li.) A LlTT!.lUlt'l;A HESffAMHOLA EM 1'Oim'i.AI. 

)' la quenta para saiu- de memoria las mouiles. Porei lioenceado Jvan de 
Impe. Lisboa tuna (hum) de Lira, ífto tk ÍGO&. 

8 6 Qs. preL, 560 pags. 

li;i D'este volunn em todo o género de metros, mas abun- 

<!ain especxalmesle os romances e vilhancicos, alguns em dialogo e um em 
in de Guiné. 

No fim varias peças dramáticas, entre as quaes uma: A la Bedencion dei 
género humano. Pleito ejecitiivo entre el Género humano y el Castigo, l 
di Cristo torneo, uma loa e quatro autos. 

Barrera não faz no seu catalogo a menor menção d'este livro e do seu 
auctor, o que dá ideia da singular raridade d'esle livro. 

V-eja se também a descripção d'este livro em Gallardo, sob o n.° 2:851, 
onde 'li/- que o impressor é Gima (sic) de Lira. 

Madre de Dios yYr. Valentim de la).-— Fwero de la conciencia, obra 
utilíssima para los ministros, \ y ministério dei Santo Sacramento de la Peni- 
tencia, donde ha- , llaràn quanta necessitan para hazerse suficientes en la 

a aciertOj y j fruto à lapractka. Contiene cinco 
tratados. El primero de la jurisdiccion dei Ministro, conforme las nuevos De- 
cretos, y Bit- las Apostólicas: // de atras noticias necessárias. El segundo dei 
Juyzio Sacramental entre Confessor, y penitente: donde se 'rata de los Pre- 
ceplos dei Decálogo, è Igle- \ sia. El tercero de los Sacramentos. El qua 
las Censuras, è Itregularidad. El quinto, Notas sobre las Proposiciones con- 
denadas por Alexandra VIL U. A lo ultimo se ponen las Difíni- 
ciones de todas las matérias \lorales. | Vease el prologo ai lector. j Ofrecida a 
la gloriosa i Santa Theresá \ de Jesvs ; por Fr. Valentin de la Madre á 
Carmelita Descalço, y Lector de Theologia Moral. Lisboa, !■:>, la Imprenta 
</. Valentin a Costa Deslandes, | Impressor th' Su Magestad, y à su costa im- 
M.DCCIX. , Con todas las licencias necessárias. 

! vol. V. ", lii pags. prel. inn., 563 

Nas preliminares: Dedicatória «A la mayor lombrera de ia Mística Theo- 
Santa Theresa]; Prologo ai Lector; índice de los tratados, capitolos, y 
Parrafos; Licenças. 

Si gue o texto, incluindi índice de la-, cosas que contiene este tomo». 

Bibliotheca da Ajuda, :2-m-:>7. Este exemplar pertenceu á Bibliotheca 
da Congregação do Oratório das Necessidades, em cujo catalogo linha a mar- 
cação seguinte: fj. 

Magalona. Este titulo está por cima de um busto de mulher, cm mol- 
dura circular, tosca gravura em madeira. Por baixo: Historia dela linda !/</- 



:{2li A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (146) 



galona hija delRey de Nápoles; y dei muy nuble, y es \ forçado cavallero Pier- 
res de Provença, y de las | muchas adversidades ; y grande* t rabujas, \ quepas- 
saron, sirndo sempre conslan j tes en la virtud, y como despues \ reynaron, y 
acabaron su ruía honradamente en servi j cio de Dios.— No fim: Foy visto, e 
aprovado pelo Padre Fr. Manoel Coelho. Impresso em Lisboa por António Alça- 
res, anno de 1625. Taxado na' Mesa do Paço a quatro reis a folha. 

4.°, 41 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa, na collecção de autos do 
século xmi. N.° 3:012, vermelho. 

Maldonado (Fr. Pedro». — ai Traça y exercidos de vn oratório. Compvesto 
por F. Pedro Maldonado. Religioso de la Orden de San Augustin de Seuilla. 
Dedicado a Dona Ana Centurion de Cordoua condesa de Ride. Con previlegio 
real, y con licencia de la Sancta Inquisicion y dei Ordinário. Impresso en Lis- 
boa En la Officitia De lorge Rodrigues Anno de 1600. (Frontispício gravado, 
tendo ao centro um bonito medalhão com emblemas religiosos). 

1 vol. 4.°, 18 pags. inn., 54, 82, 116 fls. numeradas pela frente, mais 
3 tis. inn. de Tabla. Cada livro tem numeração especial, excepto o quarto, 
que é continuação do terceiro. 

O auctor era natural da cidade de Sevilha e residia em Lisboa ao tempo 
em que imprimia a sua obra, conforme se vê da dedicatória, datada d"esta 
cidade a 1 de março de 1609. Era frade augustiano e estava no convento da 
Graça. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

b) Commentarii in Psalmos David. Avclhore frater Pedro Maldonado His- 
palensi Ordinis B. Augustini. Ad D. Didaccm de los Cobos, <£• Mendoça, Comi- 
tem de Ride. Cvm facvltale svperiorvm, & cum Priuilegio Regis. Vlisipone E.c- 
cudebat Antonius Aluar ez. Anno 1609. 

8.°, 11 fólios prel. inn., 238 numerados pela frente. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

ci Lecíiones sacrae in primam Canonicam B. Joannis Apostoli. Olisipone 
1609. 

Assim mencionado nos verbetes de theologia da Bibliotheca Nacional de 
Lisboa, com a nota inutilisado. 

d) Consuelo de justos. Compueslo por el P. Pedro Maldonado, Religioso 
de la orden de San Agustin de Seuilla. Dedicado a Doíia Felipa de la Madre 
de Dios, primera Vireina de la índia, y ahora monja en la Esperanza de Lis- 



I lí 7 A UTTERATDRA HESPANHOLA i:\l PORTUGAL 327 



boa (empresa do aactor). Con privilegio Real y con licencia de la Sancta In- 
qvisicionj y dá ordinário. Impreso en Lisboa en la oficina de Pedro Crasbeck. 
Anno 1609.— Ho lini : Fm de la Primera parte dei Consuelo de los justos. Im 
presso com as licenças necessárias por Pedro Crasbeeck. Em Lisboa. Anno d* 
1009. 

l.°, frontispício gravado, li pags. prel., 144 pags. (Gallardo diz que o 
formato è de i.°, mas os cadernos são de 16 pags. Veja-se n.° 2:881), 

É interessante pela portada e pela introducção oa dedicatória. 

Ha um exemplar na Bibliotheca da Ajuda. 

Malon de Chaide (Fr. Pedro). — Libro de la Conversion dela Magdalena, 
en que se ponen los ires estados que tuuo de Pecadora y de Penitente, y de Gra- 
da: fundado sobre el Euangelio que pone la Ygksia en su fiesta, que dizei Ha 
gabai lesum quidam Pharisaeus, vt manducarei cum Mo: Luc 7 F. Cõpuesto 
por 'I Maestro Fray Pedro Malon de Chaide, de la orden de S. Augustin. Con 
licencia. En Lisboa, Impresso por Pedro Crasbeeck. Ano MDCJ. A costa de 
Domingos Martinr:. mercador de libros. 

1 vol. 8.", I fl. inn. com approvaçSo e licença, 341 lis. numeradas pela 
frente. 

A approvação de Fr. António Tarrique é deste theor: 

«Vi este liuro, «i- emendado o que vay riscado nas folhas 125 e nas 189 
no mais não ha cousa contra a fé & bõs costumes. Em 28 de Ianeiro de 601». 

A primeira edição desta obra parece ser a de Barcelona 1588, 8.°, que 
traz Nicolau António. 

prologo 6 importante pela critica pbilologica e poética. Traz curiosas 
referencias ás Dianas e outras obras idênticas. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa, na secção de theologia 
ascética. 

Maiianitas dei molar, Dialogo critico joco-serio, en que entre vaiios inter- 
locutores se formam Censuras, y Crisis con notable acierto sobre las observa-' 
ciones, que Fr. António Llontisca hizo ai Memorial de el M. li. /'. Fr. Fran- 
cisco de Soto I) Mame, Chronista General de la Orden de N. I'. San Francisco. 
Lisboa Anno M.D.C CLII. Com Licenças. 

\:\ 99 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Maria (Fray Juan de Santa). — Republica // Policia christiana. Vara reyes 
y príncipes, y para los que en el gouierno tienè sus rezes. Compuesto por Fray 
Jnan de Santa Mana. Religioso Descalço, de la Prouincia de San Ioseph, de la 

Hist. e Mem. da Acad— Tomo mi paute u — N." 5 12 



328 A LITTERATURA HESFANHOLA EM PORTUGAL (148) 

Orden de nateiro glorioso Padre San Francisco. (Gravurinlia representando 
S. José em adoração ao menino, semelhante á que anda no poema de Valdi- 
vieso).— De um e de outro lado: Ano 1621. Con licencia de la S. Inquisi- 
cion, Ordinário, y Paço. En Lisboa. Por António Alvarez. Impressor, y Mer- 
cader de Libros. 

1 vol. 8.°, 7 lis. prel. inn., 2(>.'i lis. numeradas pela frente. 

Exemplar de Coelho. 

Marne (Fr. Francisco de Soto y).— Reflexiones critico-apologeticas sobre 
las obras dei R. P. M. Fr. Benito Geronymo Feijão. 
Lisboa 1751, 2 vols. 4.° 
N.° 2:185 do catalogo de I. G. Monteiro. 

Marquez (F. Joan). — a) El Governador Christiano, dedvcido de las vidas 
de Moysen, y Josve, Príncipes dei Pveblo de Dios. Por el maestro F. Jvan Mar- 
qvez, de la Orden de san Augustin, Cathedratico de Visperas de Theologia de 
la Vniuersidad de Salamanca. Dirigido a Dou Gomez Svarez de Figveroa y 
Cordoua. Duque de Feria, ele. Con qvatro tablas mvy copiosas. La primera de 
los Capítulos : Ia segunda de las Questiones: la ler cera de las cosas notables: y 
la quarta de los lugares de Escritura. (Por baixo deste titulo uma gravura 
representando uma águia sustentando um escudo de armas). En Lisboa por 
Pedro Crasbeeck. Afio M.DC.XIIII. 

1 vol. folio, a 2 cols., 5 fólios inn., 393 pags., mais 23 pags. inn. de 
Tablas. 

Exemplares de Rodrigues e da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Esta obra é citada por Fr. Luis de Sousa, Annaes de D. João III. 

b) Los dos estados de la espritval Hiervsalem, sobre los Psalmos CXXV. y 
CXXXVI. Por el maestro F. Joan Marquez, de la orden de S. Augustin. Diri- 
gido a don Cltristoval Gomez de Sandoval, marqvez de Cea, & Gentil-hombre 
de la Camará ddRey Nueslro Sefior, etc. (Gravurinlia representando David em 
adoração e no alto um anjo empunhando uma espada). De um e de outro 
lado: Afio 1609. Impresso. Con licencia de la S. Inquisicion. En Lisboa. Por 
Jorge Rodrigvez. Está Tassado en Trezentos reis, en papel. 

1 vol. 4.°, 3 íls. prel. inn., 284 fls. numeradas pela frente, mais 48 fls. 
inn. de Index e Tabla. 

Exemplar de Coelho. 

Marti y Viladamor (D. Francisco).— Noticia universal de Catalufia. En 
amor, servidos y finezas, admirable. En agrários, opresiones y desprecios, su- 



(149) A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 329 

frida. En constitucumes, privilégios, y libertades, valerosa. En altera 
movimientos y debates, disculpada. En defensas, repulsas y evasiones, encogida. 
En Dios, razon y armas, prevenida. ) siempre en su fidelidad, constante. Por 
eí B. D. a. v. y. m. E. D. I'. I). N. En Lisboa, por António Alvarez, 1641. 

i.° pequeno. 

[L,'auteur de cet opuscule rare est 1>. Francisco Marli y Viladamor, abo- 
gado de Barcelona. Ce traité, qui contienl une defense de la conduite de la 
Catalogne en 1G40, obligea son auteur à cacher son nom». 

Catalogo Miro, n." ,*i^l. Vendido por 10 francos. 

Descripto em Salva, sob o n." 3:080. 

Martyr Coma (I). F. Pedro), -a Directorivm cvratorvm ó inlrvction de 
eiras, vtil y prouechoso pura los que tienen cargo de Animas. Compuesto por 
el Illustrissimo, y Reverendíssimo Seflor D<»i E. Vidro Martyr Coma Obispo 
de Elna. Nueuamente traduzido de lengua Catalã na en vulgar Castellano. Con 
licencia. (Estampinfia: Chrislo entre as santas mulheres). En Lisboa. En casa 
de António Alvarez. Anu de 1591. 

8.°, 7 tis. prel. inn. de Tabla, 1G0 tis. numeradas pela frente. 

No verso do frontispício, licenças. A approvação de Fr. Bartholomeu Fer- 
reira é do theor seguinte : 

«Vi por mandado de S. A. este liuro, A- tenho a lição delle por prouei- 
tosa, & catholica para cõfessores, & penitentes, por onde julgo ser digno da 
impressão». 

Exemplar da livraria Ferreira, da Rua Áurea. 

b) Directorum cvratorvm, etc. En Lisboa por António Aluarez, 1622. 

i vol. 8.°, li fls. prel. inn., 201 tis. numeradas pela frente. Depois do 
frontispício uma folha com uma gravura em cada lauda; curiosas. 

Pela approvação de Fr. Tbomaz de S. Domingos, vè-se que o livro teve 
muitas edições: «Este liuro Directorium Curatorum foy muytas vezes im- 
presso & se pode tornar a imprimir por vtil, assim p. a confessores como pe- 
nitentes». 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

c) Idem, Coimbra, Mariz, 1593. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Medina (Fr. Bartholome de).— Breve instrvetion de como se hade admnis- 

trar el sacramento de la penitencia dividida en dos Kbros: com pvesta por el pa- 
dre Maestre fray Bartholome de Medina, Calhedratico de prima de Theologia en 



330 A I.1TTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (150) 

la Vniuersidad de Salamanca, de la orden de saneio Domingo. En la cjval se 
contiene In que hade saber, y hazer, el sábio confessor para curar almas, y 
todo lo que deue hazer el penitête para cõseguvr el fruclo de tan admirable me- 
dicina. Con SU talila mii// copiosa. Con licencia impresso en casa de Manuel 
de Lyra. Afio de 1591. 

8.°, 7 lis. prel. inn., 331 fls. numeradas pela frente, afora Tabla innu- 
merada. 

Exemplares da Bibliotheca Nacional de Lisboa e Bibliotheca de Évora. 

Parece ter havido edições anteriores, não só por a licença ser de 2 de 
setembro de 1586, mas por n'ella se dizer: «Poderá o supricante imprimir 
esta summa de Medina, visto como foi ja vista, & impressa com licença desta 
mesa, á- depois de impressa tornará a esta mesa, etc». 

Na Bibliotheca da Ajuda ha uma edição de 1582, com approvação de 
Fr. Bartholomeu Ferreira. 

Memorial que el Duque de Osuna embió a su Magestad en defension suya.— 
No fim: En Lisboa. Com licença da S. Inquisição, Ordinário & Paço. Por 
Pedro Crasbeeck Impressor delReij. Taixão esta folha em cinco reis em Lisboa 
13 Agosto 1621. 

Folio de 4 pags. 

Exemplar de Nepomuceno. 

Mendoça (D. Diego de). — Gverra | de Granada | hecha por el rei de Es- 
pana don Philippe II. nuestro seftor contra | los Moriscos de aguei reino, sus 
rebeldes. \ Historia escrita en quatro libros. | Por don Diego de Mendoça, dei 
cousejo dei Empera- | dor don Carlos V. su Embaxador en Roma, \ i Venecia; 
su Governador i Capitan Ge- | neral en Toscana. \ Publicada por el licenciado 
Lais Tribaldos de Toledo, \ Chronisla mayor dei Rey nuestro sefwr por las | 
índias, residente en la corte de Madrid, \ i por el dedicada | A don Vicente No- 
guera, Referendário de ambas Si \ gnaturas de su Sanctidad, dei Consejo de las 
dos Magestades Cesárea i Catholica, gentilhom- \ bre de la Camará dei Archi- 
duque de j Áustria Leopoldo. \ Con todas las licencias necessárias. \ En Lis- 
boa | Por Giraldo de /a* Vifia. Con privilegio. Ano 1627. 

Na primeira folha innumerada, as licenças e privilegio em portuguez. 
No verso d"esta folha um escudo de armas, tendo por baixo oito versos lati- 
nos assignados D. B. Segue-se a dedicatória a Don Vicente Nogvera, em 
13. pags. inn. É um elogio e ao mesmo tempo um esboço genealógico dos 
Nogueiras. Segue-se em 3 pags. inn. a dedicatória ao leitor. Depois 2 pags. 
inn.: Breve Memoria de la vida i mverle de don Diego de Mendoça escrita por 
Don Baltazar de Çuniga. Seguem-se 2 pags. inn.: hilroduccion de Don Jvan 



(,151) A LITTERATURA HESPANHOLA HM PORTUGAL 331 

de Silva conde de Portalegre... a la historia de Granada de dou D 
Mendoça. 

\ obra é em formato de í. , de 127 tis. numeradas pela frente. 

Exemplar de Jeronymo Ferreira das Noves. 

N. 1:054 do catalogo Pombal. 

No leilão de Innocencio vendeu se um exemplar por 350 reis. «N. 1:161). 

Mercurius Ibericus, que relata algunos casos notables que succedieron en 
Irlanda, despues qut tomo las armas por defender la Religion Catholica. 
Lisboa, por Domingos Lopes Rosa, 1645, í." 

Mexia (Pedro). — Discurso sobre los dos cometas, que se vieron por elmes 
de Noviembro dei ano passado de 1618. Por Pedro Mexia, tnathematico, resi 
dente en Lisboa, A l>. Rodrigo Sarmiento de VUoa Villandrando y Lacerda, 
conde de Salinas, etc. 

Lisboa, por Pedro Craesbeeck, 1619, l.°, 15 lis. inn. 

Descripto incidentalmente por Innocencio oo artigo dedicado a Manuel 
Bocarro Francez. 

Por certo que este Mexia é inteiramente differente dos Mejias (Pedros), 
mencionados em Gallardo e Salva. 

Existe um exemplar na Bibliotheca da Ajuda. 

Sobre estes cometas os mathematicos e astrónomos do tempo escreve- 
ram as suas lucubrações. Além dos opúsculos que menciona Innocencio no 
artigo sobre Manuel Bocarro Francez, publicou-se mais um, de Juan Gasiano. 
Veja-se este nome. 

Micheli y Marquez (D. José).— La corte confusa y agonisante restaurada 
por Judith hebrea. 
Lisboa JG."iò\ 8.° 

Catalogo (In Marquez de Castello Melhor, n.° 2:196. 
Salva menciona outra obra deste auctor (vol. u, pag. 8). 

Molina (Fr. António de). — Instrvccion de sacerdotes en qve se les da do- 
trina muy importante, para conocer la alteza dei sagrado oficio Sacerdotal: y para 
exercilark debidamente. Sarada toda de los santos Padres y Dm,, ris de la Yglesia. 
Por Fray António de Molina, indigno monge d,- lo Cartuxa de Miraflores. Los tra- 
tados que conliene se dizen en la plana siguienle. Con licencia de la S. Inquisicion, 
Ordinário y Paço. En Lisboa: En la officina de Pedro Crasbeeck. 1611. Vendese 
en casa d. Domingos Mar tines, mercader de libros. Esta lassado a ... en papel, 

1 vol. 4.°, 33 lis. piei. inn., 284 numeradas pela frente. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 



.'532 A LITTEIUTUÍU IlliSPA.NIlOLA EM POHTUGAL (152) 

ll.i outros exemplares das edições de Lisboa de 17.'i7 e 1781. Yeja-se o 
catalogo dos Duplicados da Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 

Molina (Luiz dei. — ai Concórdia liberi urbitrii cvm graíiae donis, divino 
praescieniui. providencia, prcedestinalione, et reprobatione, ad nonmtllos primae 
partis D. Thomav artículos. Doctore Ludouico Molina primário quondam in 
Eborensi Academia Theologiae professore ê socielate Jesv autore. Adiecti sunt 
duo índices, rerum alter, alter eortm seriplurae locorum, qui vel e.r professo, 
vel obiter e.rplicantur, eode autore. Oh/ssipone. Apud António Riberiutn typogra- 
phum regium. MDLXXXVHI. Cum priuilegio et farullate superiorum. Expensis 
Joãnis Hispani & Michaelis de Arenas Bibliopolarum. 

',.'. 5 tis. inn., 512 pags., mais 2i tis. inn. de Index. 

A approvação, em latim, é de Fr. Bartholomeu Ferreira. Um exemplar 
desta obra fez parte da collecção de livros enviados por Portugal para a sec- 
ção da Historia do trabalho, na exposição universal de Paris de 1867. Vide 
Description des monnaies, médaitles et atares objects darl concernant 1'Histoire 
portugaise du travail, por A. C. Teixeira de Aragão. 

Encadernado com esta obra encontra-se: 

b) Appendix ad Concordiam liberi arbilrii cem gratiae donis, divina praes- 
cientia, providentia, praedestinatione, et reprobatione. Doctore Ludouico Molina 
Primário quondam in Eborensi Academia Theologiae professore è Socielate Iesv 
autore. Olyssipone. Apud Emman. de Lyra Typographum. M.D.LXXXIX. Cum 
facultate Superiorum. 

1 vol. 4.°, 44 pags. 

Ha, pelo menos, cinco exemplares d'estas obras na Bibliotheca Nacional 
de Lisboa. 

Ler a biographia de Molina em Balthazar Telles, Chronica da Companhia 
de lesu, tomo n. 

Monçon (Francisco de). — a) Libro pri \ mero dl espejo dei prlcipe chris- 
ti | ano : que trata como se ha deriar \ vn príncipe o nino generoso des | de su 
Herna uiftez cõ todos los \ exercidos y virtudes que le con | uienen hasta ser 
earon perfecto \ contiene muy singulares doctri \ nas morales y apazibles. \ Con 
preuillegio real. \ M.D.Xliiij. 

Este titulo acha-se dentro de uma portada, suspensa por duas cariatides 
assentes sobre duas esphinges. Na parte superior ha duas figuras, que, sus- 
pendendo um manto, ajoelham sobre uma lapide, em que se lè Mcsis dicatvm. 
No centro da parte inferior da portada tem a Fénix cercada de uma fita com 
a inscripção Xunc revkisco. 



(153) \ i.n n.HATl'KA RBBPANttOLA FM PORfUÔAL 



A inseripçSq Soai é d'este II r: 

A gloria de dios y de su bêdita ma \ dre la virgen Mana nuestra sefiora 
se acabo ú libro prime- j ro dei perfecto príncipe christiano aguara nueuamêd 
hecho por el doctor Frãcisco de Monçon cappellã \ y predicador dei serenisimo 
rei/ do/i luã de Por \ tiigal tercera deste nombre Cathredatico de \ saneia teolo- 
gia en la vniitersidad de Goitn | bra fue visto tj examinado por los reue rendos 
padres deputados dela sã- cia inquisicion fue impreso en lis boa ê casa ie 
Luis Rodrignez | Kbrero delrey nuestro sefior acabasse a los xxtóij di | as dei 
mes de Mio de MM.xl.iiij afíos. 

No verso do frontispício, um escudo de armas pórtnguezas, com o tim- 
bre do dragão sobre uma vizeira. A folha immediata e seu verso contém a 
Memoria de los yerros. Na outra vem a Tabla dos capitules, que, além d'esla, 
occopa mais três paginas. Até aqai sem numeração. 

Fl. I, Prologo primeiro, até Verso da 11. 2; 

Fl. 3, Prologo segudo, até verso da II. 5; 

Fl. 5, verso, no (im, Prologo tercero, até II. 7: 

Fl. 7. verso, Capitulo primero, e segue até II. cxci (191). 

Exemplar da Bibliotheca da Ajuda [Raros, ."iO-xn-17 . Outro, sem fron- 
tispício, na Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Ribeiro dos Santos (Memorias de Litteratura, tomo viu, pag. 102), refe- 
rindo-se ás edições lisboetas do século xvi, attribue o Espejo dei Princepe ao 
anno de 1545. 

b) Libro primero dei espejo dei \ Príncipe Christiano, campueslo y | nimia- 
mente. feUisto, ij mug êmen ! dado, con nueita composicion, y | mucha addi- 
cion: por el Doctor Frã | cisco de Monçon, anja leccion es \ mwj prouechosa 
a todo género de personas discretas, aitnque sean pre- | dicadores y corlesanos, 
por las mu- | chás y sabias sentencias, y mug fa- \ mosos y illustres exemplos 
(pie se | ponen: adõde eon varia leccion \ g erudicion se cõlfene vna \ perfecta 
dodrina mo | ral Ckfiêliana. \ Esta aprouado por el Saneio officio, y por el \ 
reuerendissimo senor el Arçobispo \ de Lisboa. \ Impresso cm casa de António 
gonçaluez | impressor dei illustrissimo g reueren \ dissimo sefior don lorge Ar- 
co- i bispo de Lisboa. Este titulo dentro de tarja gravada. Na tarja inferior: 
Aos 30 de junho M.D.LXXI, o que não está em harmonia com a subscripç3o 
final, que é: Acabose esta segunda ímpression deste primero libro dei Espejo 
de Príncipe Christiano, enmèdado y ãfUtdido, o por | tnejor dezir, atra vez 
nueuamente compueslo por su mismo Au- | thor, a gloria de Dios nuestro Setím . 
y de su bendita ma \ dre. En casa de António Gonçalues Impressor de | libros 
en la Cibdad de Lisboa aios 2" de Júlio, De 1Õ71 Anos. 

1 vol. folio, a 2 rol., 226 lis. numeradas pela frente. 



334 A UTTERÃTBRA HESPANHOLA EM PORTUGAL (154) 

No verso do frontispício a approyaçao de Fr. Barlholomeu Ferreira: 
«Ly com advertência este Liuro primeiro do Espelho do Princepe Chris- 
tião (sic), por comissão do sereníssimo Cardeal Diante Inquisidor mór. Achey 
nelle muyta A varia erudiçam, A- nenhua cousa contra a Fee Abõs costumes; 
& a meu juyso a liçam do Liuro fará grande proucito a Republica; A será 
seruiço de Deos A do Reyno comunicarse A impremirse obra tam docta A 
tam vniuersal». 

Segue-se: «Epistola dedicatória ai muy alto y muy poderoso senor Rey 
don Sebastian primero deste nombre, zelador de la Fe, Rey de Portugal y 
de los Algarues etc: Por su predicador y capellan, el doctor Francisco de 
Monçon Canonigo magistral en la Sancta See y Yglesia Metropolitana de Lis- 
boa: Sobre la correpcion y addicion, o por mejor dezir nueua composicion 
dei primero libro dei espejo dei Príncipe Christiano», 2 pags. inn. Vem 
depois a Tabla dei libro e errata, 8 pags. inn., e em seguida o «Prologo pri- 
meiro (sic) dirigido ai muy alto y muy poderoso senor zelador dela Fe Chris- 
tiana, elRey don Iohan tercero deste nobre, Rey de Portugal y de los Algar- 
ues, senor de Guinea, y de la conquista y nauegacion dela Ethiopia, Arábia, 
Pérsia y índia. Por su capellan y predicador el Doctor Francisco de Monçon, 
Calhedratico de Theologia en su insigne Vniuersidad de Coimbra». 

Exemplares da Bibliotheca Nacional de Lisboa e Bibliotheca da Ajuda. 

O titulo d'esta obra dá claramente a entender que Francisco de Monçon 
a continuaria. Elle mesmo chega a referir-se a um segundo livro. Faltando 
da invenção do xadrez, escreve: «aunque se tiene que fue mas anligua inuen- 
ciõ de vn Philosopho, segun q el segudo Libro dei Príncipe Christiano haze 
mencion» (cap. 37, folio 87 r). Quer-nos parecer, porém, que esta segunda 
parte não se chegou a publicar: pelo menos ainda não lhe achamos rasto. 
Declara o auctor que foi na velhice, por certo nos ócios da sua conesia lisbo- 
nense, que elle reviu o seu livro. 

A obra do Dr. Francisco de Monçon é digna de apreço, não só por nos 
revelar a doutrina dominante da época no tocante á matéria da educação, mas 
pelas muitas referencias históricas de que vem semeada, algumas delias para 
bem dizer inéditas. A erudição clássica é dominante, mas as allusões aos fa- 
ctos contemporâneos são sufficientes para tornar a obra verdadeiramente inte- 
ressante. Os últimos capítulos do livro são dedicados à apotheose de D. João III, 
que elle compara a Salomão, tirante, bem entendido, o caso das setecentas 
concubinas. O nosso monarca era um Salomão . . . catholico. 

c) Norte de cõfessores compuesto por el doctor de Mõçon predicador dei rey 
nuestro senor: adõde se tralan las partes que han de tener los Sacerdotes q 
confiessan: y declararse la orden q han de guardar en sus confessiones : y la 



155 A LITTERATUIU HESPANHOLA EM PORTUGAL 335 

numera que Urna en determinar los casos y dubdas que aUi se offrescen. Es 
obra muy prouechoso para todo género de personas \ principalmente para los 

que tienen cargo de confessar. 1 esta aprouada por muy exceletes perlados y 
doctos varones. Fue vista por la sancta inquisicion. (Kste titulo esta dentro 
de uma singela mas bonita portada tarjada. No verso do frontispício o es- 
cudo real encimado por um dragão). No fim: A loor de Dios y de la gloriosa 
Virgen nuestra sefiora se acabo de imprimir el libro llamado norte de confesso- 
res i compitesto por el doctor de Mõçon: fue visto y aprouado por los deputados 
de lo saneia inquisicion. Imprimiosse en casa de Luis rodrigttez librero dei rey 
nosso senhor y escudero de su cosa. Acabosse a los doze dias dei 7nes de Mayo: 
de mil ii quintetos y quarenta y sus unos. (No verso o escudo do impressor). 

1 vol. 8.", sem paginarão, 74 lis., rubrica Aij Jvj. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa, encadernado, com o n.° 3:OG0 
(Theologia). 

Ribeiro dos Sanlos, dando suecinta noticia desta obra, cujo auetor não 
designa, attribuiu-a, como impressão, ao typographo Jorge Rodrigues. Inno- 
ceucio da Silva, notando o anachronismo, cahiu em outro, opinando que tal- 
vez fosse João Rodrigues. Este impressor é, todavia, do século xvu. Innocen- 
cio não viu a obra. A nossa deseripção desfaz todas as duvidas. Veja se a 
Memoria pina a historio ,la lypographia portuguesa no escuto xri, por Ribeiro 
dos Santos, no tomo viu das Memorias de litteralura, da Academia, pag. 126, 
e o artigo Norte de confessores no Diccionarío de Innocencio. 

Outro exemplar na Bibliotheca de Évora. 

d i Avisos Spiritvales, que ensefían como el suefío corporal sea prouechoso 
ai spiritu. Compuesto por el Doctor Francisco de Monçon. (Escudo com armas 
reaes coroadas por um chapéu cardinalício). Visto // examinado por los Depu- 
tados dela sancta Inquisicion. Impressa en Lixboa, En casa de Foannes Blauio 
de Colónia. Ano 1563. 

i vol. 8.°, 3 fls. inn., 64 numeradas pela frente. 

No verso do frontispício, as approvações de Fr. Jeronymo de Azambuja 
(20 de janeiro de 1560) e de Fr. Manuel da Veiga (23 de abril de 1563). 

e) Norte de Ydiotas. Compuesto y reuislo por el Doctor Francisco de Mõ 
çon. Adomle se traía vn exercido muy spirituàl y prouechoso. (Escudo de ar- 
mas). Visto y aprouado por los Deputados dela saneia Inquisicion. Impresso en 
Lixboa, En casa de Ioannes Blauio de Colónia. Ano de 1663. 

I vol. 8.°, -28 lis. numeradas pela frente. 

Bonito exemplar, encadernado com a obra antecedente, sob o n.° 1:5(55' 
i Theologia ascética). 



.'!•'!'') A LITTEHATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (156) 

A obra i dedicada, como se vê do prologo, a «dona Maria de silua, mu- 
ger dei S. Francisco de Sousa tauares por su deuoto orador el doctor Frã- 
cisco de Mõçon». Esta dedicatória, que em seguida transcrevemos, é muito 
interessante, não só para a historia do livro, mas para a historia da vida in- 
tima de D. Maria da Silva. 

Este Francisco de Sousa Tavares é provavelmente o auctor do Liuro de 
doctrina spiritual. 

«Ala mvy magnifica sefíora áoíia Maria de silua, miiger dei S. Francisco 
de Sousa Tauares. Su denoto orador el Doctor Frãcisco de Mõçon. 

«Sant Ambrósio como glorioso Doctor dela yglesia, da vn consejo singu- 
lar diziêdo. No loes a ningun hõbre en su vida, loale despues de su muerte, 
quãdo el que loa no será notado de lisongero, ni el que es loado, será tentado 
con alguna elacion o presuncion. De aqui tomaste ocasion lavnque no era efi- 
caz i muy magnifica senora, para avdarme cõ humildad, que no os dedicasse 
los Tratados dela vida spiritual que ha compuesto, como me parecia q era 
obligado a hazer, considerando que la doctrina que contienen, mas la aprendi 
de vuestra conuersacion, que dela lecion, pues los exemplos presentes tienen 
mas energia y eficácia para mouer a ymitar los, que los passados que leemos 
en los Libros. 

«Mas si considerardes prudente senora, que nuestro Maestro y Redêptor 
vniuersal nos auisa, que las obras buenas se publiquen, para que se de hõrra 
y gloria a su padre celestial, no deuierades de recelar que se publicara. Como 
essa vuestra casa es hospital de pobres, y meson de peregrinos, y escuela 
adoi.de se exercitau las obras dela vida actiua con toda charidad, y assi es vn 
monesterio y casa de relegion : a donde se reciben muy frequentemête los 
sanctos sacramentos, y se exercitan perfectamête los exercícios spirituales dela 
vida contemplatiua, ocupado senores y criados no pequena parte dei tiempo 
en sanctas meditaciones, segQ que van sumadas en este breue tratadico, de- 
baxo dei titulo de vna noble y deuota muger, q vos representa ai viuo, avn 
que se finge, que esta no sabia leer: porque se da general exemplo a todas 
las personas, que avn que no tengan lecion de libros, se podran exercitar en 
todos los exercícios dela vida spiritual. El qual Tratado se imprimio con vues- 
tra licencia, y a vuestra incitacion, y bien parescio ser cosa vuestra, porque 
ha sido aprouado por todos los Inquisidores de Espana, avn que han vedado 
con razou otros que tratauan de doctrina spiritual, porque no conueniã para 
estos miserables tiempos. Mas la deste ha sido tan accepta, que se han aproue- 
chado todos de su lecion : de manera, que ya~no se halla ninguno, ni yo le 
tengo para dar aios que me le piden : por donde por hazer obra de charidad, 
acorde de tornarle a limar y reuer, y que se imprimiesse junto con otro Tra- 
tado, que se intitula Auisos Spirituales, que me pedieron que sacasse a hiz. 



(157) A i.li n ::\ 11 !;\ UESPÀNHOLA EM PORTUGA1 'MM 

Lo que se os pide (amautissima senora en Christo es, que con el /elo de 
vuestra perfecta charidad, pidais en vuestras aceptas 5 inflamadas 01 u 
a nuestro Senor: que esta lecion sea para prouecho spiritual delos próxi- 
mos, 3 a gloria suya. La qual todos le demos como somos obligados, por los 
siglos delos siglos. Amen». 

As ultimas .'> pags. são occupadas pela Oracion que hizo el Hey Manases. 

A obra é adornada com laminasinhas religiosas, adequadas aos assumptos 
de cada capitulo ou declaracion. 

Acerca do doutor Monçon lè se nos Annaes de h. João Hl, de Pr. Luis 
dé Sousa (xO: 

«El Maestro Gil Gonçales de Ávila, que vive a s. Martin, en las espaldas 
de los Premostratenses, cronista delRey, me promete livros dei Doctor Mon- 
çon escritos em Portugal, huns impressos, e outros de mão, e a relação parti- 
cular de como entrou a Inquisição em Portugal, etc». 

Pedro de Mariz, nos seus Diálogos de varia historia, escreve d'elle o 
9eguinte: 

«O Doutor Francisco de Monsão Castelhano, Pregador muyto douto, e em 
todas as partes muyto erudito, veyo também de Alralá». (2. 1 edição, folio 153o). 

Nas Antiguidades de Lisboa, de António Coelho Gasco, manuscripto da 
Bibliotheca Nacional de Lisboa, encontramos a seguinte curiosa nota biogra- 
phica do Dr. Francisco de Monçon: 

«A todos hê" conhecido aquelle grande Theologo, o Doctor Francisco de 
Monçon, lente iubilado na sagrada Theologia, e Cónego Doctoral da Sancta 
See de Lixboa, e de nassão Castelhano : cuia rara virtude foj muj grande : 
era muyto grande amigo de D. s Pois sendo pessoa tão authorisada e de muyto 
credito, e nobresa, pello tempo da peste grande, quis ficar na See, offerecen- 
dosse a ella, por amor de D. 8 , gastando suas rendas com os doentes: cuio 
corpo iaz enterrado nos claustros da See, iunto a capela do Benegnissimo 
Iss., e por sua humildade ias da banda de fora. Este illustre uarão entre os 
muytos liuros fes, hê hu muy docto, e muy senteneioso, a que intitulou Es- 
peio dei Príncipe Ghristiano: em cuio graue volume, no capitulo nouenla, 
diz a rasão porque Ulyxes, Príncipe Grego, ueio edificar Lixboa: cuia opinião 
uerifica com hystoriadores, como Homero, e com a opinião uulgar, q vai 
mais que tudo», (cap. xv, folio 31). 

Prymeyra parte das antiguidades da muy nobre Cidade de Lixboa, Impo- 
rto do mundo e Princesa do Mar Oceano. 

Exemplar que pertenceu á livraria de D. Francisco de Mello Manuel. 

Montalvo i\ : v. Diego de). Venida de la Soberana Virgende Gvadalvpea 
Espana Sr dichosa invencion: y de íos milagrosos fauores, que ha hecho a sus 



338 A L1TTERATURA IIKSPAMluLA EM PORTUGAL (158) 

deuotos. Por el /'. Fr. Diego de Montalvo Monge Professo, y Predicador desta 
Santa Casa. Al Sereníssimo príncipe don luan Duque de Bargança, &c. Tomo 
primero. (Escudo de armas da casa de Bragança). Ano 1631. En Lisboa, Cõ 

/mins los licencias necessárias, por Pedro Craesbeeck. 

\.°, a á cols., 6 fls. prel. inn., 312 numeradas pela frente. 
Exemplares da Bibliotheca Nacional de Lisboa e Bibliotheca da Ajuda. 

Monte Oliveti. — Prática regular y modo de proceder cn las visilaciones 
judiciales de los religiosos de la seráfica religion de Sari Francisco. 

Lisboa 1635, 4.° 

'(Apêndice primero ai Catalogo de libros raros de Gabriel Sanchez, Madrid 
1885). 

Será hespanhol? 

Montoya (Fray Luys de). — a) Tomo primero de la segunda parte de la 
vida de lesus dulcíssimo, hijo de Dios y de la Virgen Maria nueslra Senora: 
que trata de sus obras y palabras diuinas y humanas, segun que las escriuen 
los quatro Ettangelistas. Fite copilada por Fray Luys de Montoya Religioso df 
la ordem, de los Hermitafíos dei bienauenturado Padre saneio Auguslin. ^f Tienen 
en este libro los Christianos deuotos declaradas las obras de amor: que nos ha 
hecho nuestro Sefíor Dios, para nos mouer a lo amar y sentir. Y t iene aqui los 
predicadores y estudiosos declarados machos lugares de la sagrada Escriptura, 
para entender y sentir los mysterios altíssimos de nuestra saneia Fee. Fite vista 
y examinada esta obra por el Ordinário y por los deputados dei saneio officio. 
Foy impresso este liuro en Lisboa em casa de António gonçaluez impremidor de 
Liuros. Anno de 1568. 

i vol. 4.°, 5 fls. prel. inn., 303 fls. numeradas pela frente. 

No verso do frontispício uma grande estampa de Nossa Senhora, lendo 
aos cantos os emblemas dos Evangelistas. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Vendido por 29 francos no leilão Miro, em cujo catalogo vem descripío 
sob o n.° 6. 

b) Obras de los qce aman a Dios copiladas por fray Luís de Montoya de 
la orden de bis hermitafíos dei bienauenturado padre soneto Auguslin Obispo y 
doctor de selã yglesia. Vendemse en casa de Christouão Lopez liureiro á See. 
Com preuilegio Real. 156õ. (Este titulo acha-se por baixo de uma vinheta 
representando Nossa Senhora amamentando o Menino, e em volta d'ella a 
saudação em latim Ave' Maria, ele.). — No fim: Foy impresso em Lixboa em 



(15!)) A L1TTERATURA «ESPANHOLA EM PORTUGA1 33il 



casa de loam da Barreyra impressor delRey nosso senhor, aos quinz< l 
neiro. De M.D.LXIIIII. 

8. , 7 Os. prel. iiin.. -2'rl numeradas pela frente, mais '■> lis. inn. di rabia. 

Exemplares da Bibliotheca Nacional de Lisboa e de Nepomuceno i n.° I: Kit; 
do catalogo da sua livraria). 

[gnacio de Moraes, referindo se ao convento da Graça, fundado por 
D. João 111. como diz a inscripção da portaria, a instancias, por certo, de 
Fr. I.uis de Montoya, dedica lhe estes versos no seu Conimbricae Encomium: 

Praeterea Charitas diclum de nomine templo 

Eminet, iramensi grande labore opus. Colfejíuin Qratiae. 

Fundauil monachi Lodouici industria, docto 

Qui populum mores edocet ore pios. FrtUi l 

Namque Augustini vitam, moresque prol 

E terris rertam nstrat ia astra viam. 

Mora (Fr. luan de), a) Enigma numérico pradicable explicado en cinco 
tratados de números doctrinales con veinle y nna Oraciones Panegyricas de dife- 
rentes assumptos: ilustrado con diversas Sentencias Morales, y Politicas: ador- 
nado cm» muchas humanidades, y noticias raras: hermesado con Ucas innu- 
merables para diversos Sermones. Enriquezido con ires Índices copiosos. Compu- 
solo el Hm. /'. AV. Iuan de Mura. leclor de Theologia en la Cathedra de Prima, 
Hijo de la Saneia Província de S. Pedro de Alcanlra de los Religiosos menores 
descalços dei Seraphico S. Francisco de la Gudad de Granada. Dalo segunda 
vez o lo imprenta, e h dedica a la Virgen Maria su afectuoso esclavo Feliciano 
liebclo. Lisboa Occidental. Fn la imprenta de Pedro Ferreira. Afio MDCCXVII1. 

I vol. folio, í pags. inn., .'»T7 pags., afora copioso índice innumerado. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional do Lisboa. 

lia edições de Lisboa do 1678 e de 1718. 

h> Pencil Eucharistico, Lisboa 1732. 
I vol. folio. 

Moran (Jorge Henriques). — Regimiento politico dei hombre en edad flore 

eieide. 

Lisboa, António Pedroso Galram, 1697, 'i.° 
N.° 563 do catalogo Forniu. 

Morejon (Padre Pedro). — Historia \ y Macion de lo svcedido \ en los 
reinos de Iapon | y China, en la /piai se continua la j gran persecucion que ha 
auido | í'« ajlla Iglesia, desde el afio de 615 hasta cl de 19. \ Por el Padre 
Pedro Morejon de la \ Compafíia de .lisas. Procurador de | la Prouincia de 



3Í0 A UTTERATURA IIESIANHOLA EM PORTUdAL (160) 



Japon, natural \ de Medina dei Campo. \ Afio (monogramma da Companhia) 
1621. | Con licêcia en Lisboa por Iuan Rodriguez. 

\ °, (» pags. inn. com approvação, licença, prologo e relação dos marty- 
res, 200 lis. numeradas pela frente, mais 8 pags. inn. de Tabla. 

Exemplares de Neves e Macedo Braga. 

Vendido por 5#800 réis no leilão Ferrão (n.° 801). 

Mosquera (Juan). — Relacion de la sei/alada, y como milagrosa conqvista 

dei paterno império consegrida dei sereníssimo príncipe Ivan Demétrio, Gran 
Duque de Moscouia, en el Afio de 1605. lentamente con sv cornnacion, y con 
lei qve a hecho despues que fite cortinado, desde el ultimo dei Mes de Iulio, hasta 
agora, recogido todo de vários y verdaderos auisos, venidos de aqwllas partes 
en ãiuersas uezes: traduzido de lengua Italiana en nuestro vulgar Castellano. 
Por luan Mosquera Religioso de la Compania de Jesus. Ano 1606. Con licen- 
cia de la Saneta Inquisicion. Impresso en Lisboa, Em casa de António Alvarez. 

I vol. 4.°, 20 fls. numeradas pela frente. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

No verso do frontispício tem a seguinte nota manuscripta : «Bibliothecae 
S. Crucis dono dedit Petrus Homo frade cujus anima requiescatinpace. Amen». 

Munné (Juan Wencesl ao). — Ecos dei Alma. Poesias espafiolas. Coimbra, 
Imprensa da Universidade, 1859. 

1 vol. 8.°, 189 pags. 

A ultima parte do livro, intitulada Coroa Poética, é formada de poesias 
portuguezas, compostas por Rodrigues Cordeiro, Augusto Luso, Silva Mattos, 
Araujo-Juzarte, Visconde de Pindella, Augusto Sarmento e Tavares Crespo. 
São dedicadas aos dois irmãos Munnés, João Wenceslau e Camila. A formo- 
sura d"esta parece ter inspirado particularmente aos nossos poetas. Um d'el- 
les, no enthusiasmo do seu estro, rimou «Camões» com «irmões». Força de 
rima a quanto obrigas! Vê-se que os dois irmãos eram cantores de theatro 
e que percorreram em passeio artístico algumas cidades de Portugal. Na poe- 
sia Actor y Poeta Munné apresenta alguns dados auto-biographicos. Logo de- 
pois de entrar no nosso paiz perdeu a mãe em Portalegre. Depois deu con- 
certos em Coimbra, Leiria, Guimarães e Vianna. 

Exemplar de Rodrigues. 

Murioz (D. Francisco).— Funiculo áureo, tríplice indissoluble el muy alto, 
y todo poderoso sefíor digníssimo rey de Portugal, el Invictissitno Emperador 
siempre Augusto, y á la Excelsa Mageslad Catholica Rey de Espafia, y ai Sa- 
cro Epithalamio, Nttpciales leas, Real Himeneo de la Princesa de Espafia mies- 



(161) A LITTERATORA HE8PANHOLA KM PORTUGAL 341 

tra Sefíora la Sereníssima Sefíora l>. Marianna Victoria con el sereníssimo 
siempre maruim sefior Don Joseph Príncipe dei Brasil, y la Sereníssima Prin- 
cesa nuestra Sefíora Dofla Maria Barbara Glona de Portugal, honor dei Áus- 
tria, con el Sereníssimo Sefíor Príncipe de Astúrias. Don Fernando. Cante Eu- 
ropa, competiendole profvsos gozos a la real Casa de Castilla; sea Índice de 
tanta universal alegria la que ai glorioso nombre dei Sereníssimo Príncipe dei 
Brasil consagra un ingenio andaluz, que prostrado á sus Reales plantas le feli- 
cita, y adora el )l. D. Francisco Muno;, protonotario apostólico, examinador, 
y Theologo de la Nunciatura de Espana. Lisboa Occidental, en la Patriarcal 
impression de la Musica. Afio de MDCCXXVII. 
\ vol. 4.°, 78 pags. prel. inn., itiT pags. 

auctor ora natural de Granada. Pelo t:\travagante do titulo se fica 
fazendo ideia da obra e do que ella vale. 

Murillo (Fraj Diego). — a) Discvrsos predicables sobre los Evangelios qve 
canta la Jglesia en los qvatro domingos dei aduiento, y festas piincipales que 
oceurren en este tiempo hasta la Sepluagessima. Compuestos por el padre fray 
Diego Murillo, Lector de Theologia, y Guardian dei Conuento de nuestra Sefíora 
de Jesus de Caragoça. Tomo primero. (Gravurinlia de madeira). Com licença. 
Em Lisboa por lorge Rodriguez. Anno de 1604. A custa de Domingos Martiz, 
& lorge Artur. 

1 vol. i.°, .'! fólios prel. inn., 798 pags., a â cols., mais 47 pags. inn. 
de Index. 

Exemplar de Rodrigues. 
Ainda só vimos o tomo i. 

b\ Discursos predicables sobre los Evangelios que canta la Iglesia en los 
Domingos y ferias desde bi Sepluagessima hasta la Ressurrecion dei Sefior. 
Lisboa António Alvarez 1602. 

4.°, YIU--202-LXXXII pags. 

N.° 98o do catalogo de Pereira e Sousa (Lisboa 1890). 

Naxera iR. P. Manuel dei.— ai Temos visto d'este jesuíta vários ser- 
mões avulsos, mas com numeração seguida, próprios a formar eollecção. Te- 
mos presente um das quarenta horas, que vae de lis. 44 a 65 (numeradas 
pela frente). No tim a seguinte nota : 

«Los Sermones, que esta ya impressos dei Autor, son los siguientes. De 
la Concepcion, dei santíssimo Sacramento, dei Mandato, y este de las quarenta 
horas, a el se sigue, el de San Francisco Xavier. 

«o impressor Paulo Craesbeeck, 1047». 



l\'l J 2 A L1ITKI1ATLHA HESPANHOLA EM PORTUGAL (162) 



In Sermones sobre los versos de lo Mtserere, predicados los Viernes por la 
(arde en el conuento real de. la Encarnacion, por el padre Manoel de Nascera, 
Catedrático antes de Sagrada Escritura en su Colégio de la Cõpaítia de Jesas 
de la Vniuersidad de Alcala, despues de politicas en los Estúdios Reales dei ím- 
perial de Madrid. Em Coimbra. Na Ofíicina de Thome Carualho Impressor da 
Vniuersidade Anuo 1656. 

1 vol. 4.°, a 2 col., 19 fólios inn., 553 pags., mais 28 fls. inn. de Tabla. 

Exemplar de Rodrigues. 

c) Sermones panegíricos, predicados en las festividades de la Virgen Nves- 
tra Si í/ora. Dados a la segunda impression por Domingos Carnero, mercader 
de libros. Lisboa. En la Officina Graesbeeckiana. Ano 1651. 

1 vol. 4.°, a 2 cols., 29 fls. inn., 520 pags. 

Exemplar de Rodrigues. 

d t Sermon de la Concepcion de la Virgem mestra Senora predicado etc. 
Com todas as licencias necessárias. Impresso em Lisboa por Pablo Craesbeeck, 
Impressor y Libvero de las três Ordenes Militares Afio 1647. 

4.°, 242 fls. 

Exemplar de Nepomuceno. 

e) Sermon de la Concepcion de la Virgen nuestra Senora. Predicado por 
el R. P. Manvel de Naxera Catredatico de Escritura de la Compafiia de lesrs 
en la Uniuersidad de Alcalá. Diolo a la estopa el D. Dõ Frãcisco Ignacio de 
Porres. Dedicado ai Palriarcha S. Joseph. (Estampa: Nossa Senhora). Con 
todas las licencias necessárias. Impresso en Lisboa. Por Paulo Craesbeeck, Im- 
pressor y Librero de las três Ordenes Militares. Ano 1646. 

4.°, 39 pags. numeradas pela frente. 

No mesmo opúsculo, do folio 25 em deante, Sermon dei Santíssimo Sa- 
cramento. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

f) Sermon de la gloriosa Sancta Engracia y de los inumerables Martyres 
de Zaragoza, etc. Lisboa. Por Pablo Craesbeck Ano 1648. 

24 fls. numeradas pela frente. 

Nebrija (Aelio António de).— a) JElij Antonii Nebrissensis Grammalica. 
Cem privilegio. M.B.LU. 

8.°, sem numeração: AA5-XX2. Esta ultima folha só tem 8 pags. 
Apesar d'esta edição não trazer indicação de logar nem de impiessor, 



(163) A UTTERATURA «ESPANHOLA I.M PORTUGAL 3M 

não duvidamos classiGcal-a de Lisboa e attribuil-a a Luis Rodrigues. \ por- 
tada é a mesma da Viciosa vergonha, de João de Barros, sem os enfeites que 
a circundam. 

Bonito exemplar da Bibliotheca da Vjuda. 

b) Idem. idem. 

Outro exemplar idêntico, naas do anno de 1554. Dir-se-hia fraude typo- 
graphica, mas não parece pelo exame a que procedemos. 

Nicolas (Vito de San). — Historia dela vida, virtudes y mi logros dei beato 
padre Don Joseph Calasanz, fundador y patriarcha de la Religion Mariana de 
Clérigos Regulares, Pobres, de la Madre de Dias, de las Escuetas Pias, con un 
resumen de noticias chronologicas pertenecientes d esta Sagrada Religion por el 
padre Vito de San Nicolas, Commissario general de la misma en esta Corte, 
Dedicala a la Reyna nuestra Sefiora Uofía Maria [na Victoria de li rbon, que 
Dios guarde. Lisboa, Na Offkina de Miguel Manescal da Cosia, Impressor do 
Santo Ofíkio. 

I vol. í.". 23 fólios prel. inn., :)74 pags. 

Do prologo vê se que o auctorveiu a Lisboa encarregado pela sua Ordem 
de propagar a religião dos Clérigos Regulares das Escolas Pias. livro é 
pois indispensável complemento a collecção das chronicas religiosas portu- 
guezas. No mesmo prologo diz ainda oauetor: sQuise escrivir la presente 
Historia en Italiano, pêro discurri que seria ocioso el trabajo, porque no todos 
entiendem este idioma, por ser forastero, y assi determine escrivirla en len 
gua Castellana; etc». 

Seria Nicolas italiano ou de origem italiana ' 

Nieremberg (P. [uan Eusébio).— et) De la diferença entre lo temporal y 
eterno. Crisol de desenganos, con la memoria de la eternidad, postrimerias hu- 
manas, y principales Mistérios Divinos. Por el V. Ivan Evsebio Nieremberg, de 
la CompaRia de Iesvs. Al illvstre sefíor André Fritado y Mendoça, dum, y ca 
nonigo de la Saneia Iglesia Metropolitana de esta ciudad, etc. Lisboa. Con 1/ 
cencia. En la Oficina d' António Oraesbeeck de Mello, Impressor de Su Alteza. 
Ah. 1665. 

4.°, 10 pags. prel. inn., 420 pags., mais 40 pags. inn. de Autoridades 
latinas, Índices de las cosas notables, Ivgares de la Sagrada Escritura. 

b\ De la diferencia entre lo temporal y lo eterno. Ebora 1678. 
4.° 

N.° 2:371 do catalogo manuscripto da Camará Municipal. 
Hist. e Mem. da Agad— Tomo >h parte ii.— N.° 5 13 



.'{'l'l A L1TTEHAT0RA HESPAMIOfcA KM PORTUGAL (164 I 

c) Dictamenes dei padre Jvan Evsebio Nieremberg de la Compafíiá de .le- 
sos. Recogidos de. svs obras, y afiadidos por el mismo Autor. A Don Joseph de 
Saattedra Marques de Bibas. Afio 1658. Usina 1658. En la Oficina êe Henri- 
que Valente de Oliuera. 

I ml. 12. \ 328 pags. 

Exemplar de Rodrig 

d i Outra edição. Lisboa 1667, 1-2. " 

i D In hermosvra de Dios y sv amabilidad por las infinitas perfecciones 
dei ser divino. En Lisboa. Por Domingos Carnero y a su costa. Afio M.D.CLX. 

I vol. 8.°, 7 fólios imi., 231 fólios numerados pela frente, mais 5 inn. 
de índice. 

Exemplar de Rodrigues. 

/ i De la aficion // amor de Mana Virgem Sacratíssima Madre de Jesus 
Dios y hõbre que la deven lener lodos los redimidos de su fíijo. En Lisboa por 
António Al: Impressor DelRey X. S. 1648. 

16.°, 4, -202 lis. 

Exemplar de Nepomuceno. 

Niseno (P. Fr. Diego). — a) Asvníos predicables para los domingos, miesr- 
coles, ií viernes de qvaresma. Por el P. Fr. Dirijo Niseno, Predicador dei 
Conuento de San Basílio de Madrid, natural dr Alcazaren, de Castilla la rieja. 
En Lisboa por Pedro Craesbeeck Impressor delRey. Ano M.DC. XXVIII. A costa 
dê Thome dei Valle Mercader de libros. 

I vol. 4.°, a 2 cols., 7 fólios inn., 312 tis. numeradas pela frente, mais 
12 fls. inn. de Índice. 

Exemplar de Rodrigues. 

b) [suntos ; Predicables para \ todos los Domingos despues j de Pentecos- 
tes. | Por el P. Fr. Diego Niseno, j Monge de la Sagrada Beligion | dei Gran 
Basílio, j .4/ Ilustríssimo S:' \ D. Al" Perez de Guzman Arç." | de Tiro. Pa- 
triarca de las índias, [ Capellan, i Limosnero Mauor, \ de su Mageslad. \ Con 
Priuilegio, en Madrid. \ Por Francisco Martinez. \ Ano 103o. 

I vol. í.". 8 lis. inn., 292 numeradas, mais 34 inn. 
Exemplar da Bibliotheca da Ajuda. 

c) Asvntos | Predicables, para | Todos los Dias de Ctturesma. | Con algu- 
nos Sermones afiadidos j Tomo Primem. | Por el P. Fr. Diego Niseno | Abad 
dei Monasterio de S. \ Basílio Magno de \ Madrid. \ A Nvestro Beverêdo | P. 
Fr. Ignacio de Guona Prou. 1 \ en Castilla de la dicha Orden. [ Con privilegio, 



lti") A UTTEHATURA HESPANHO! \ EN PORTUGA 

i a Madrid, Por Disgo Flamenco Afio dt 1631. No I 
'/io, ,ii Madrid, Por Fran. ct Marlines, Afio de \ 1631. 

I voJ. l.". 6 Os. um . . 298 numeradas, mais 20 im . ': imo l - T< 
10 Qs. inn., A'i-2 numeradas, mais -Ji> iim. 

Exemplar da Bibliotheca da Vjuda. 

d) Asvntos Predicables para todos los domingo 
Adviento ai ult • reccion. Por /' /'< . D 

[bad dei Monasterio dei Gran Basílio de Madrid l Eí l 
D. Ivan Alonso Enriquei de Gabrera Mini- rante de Gastilla \ En Lisboa. . 
la S. Inquisicion, Ordinário, i dei Rei. 

A costa de Tome do Valle, mercader <! 
I vol. i.'. 13 As. inn., 330 numeradas, mais 26 inn. 
Exemplar da Bibliotbeca da Ajuda. 

El Gran Padre de los Creyentes Abrahan, en moi y la- 

trina predicable. Avtor Fr. Diego Niseno munir dela Sagrada Religion ■' 
Padre, y Doctor de la Iglesia S. Basílio; despues rfi lesu Christo, ylos 
los, primer Legislador, facilmente Príncipe, y im-Uto Patriarcha de ■'• 
Vongi í. Ao illvstrissimo senhor Dou Hieronimo Mascarenhas, Reytor do l 
de San Pedro da Vniuersidade dt Coimbra, d Cónego na Saneia - • 
cidade. (Brasão de anuas. De um e de outro lado: Amw de 1636). Ueiia 
índices: de Libros, y Capítulos, de la Sagrada Escriptura, Cosas Notai 
Remissiones a los Euangelios de la Quaresma. Con las licencias >■ 
Lisboa. Por António Aluarez. 

4.°, a 2 col., 7 fólios prel. inn.. 249 numeradas pela frente, afora I 
innumerado. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Noticia, a individual dei sagrado culto, con qve la d 
Lisboa celebro en un Odor, uai de solemnes festas la canomzacion dei gl 
sano S. Andres Avelino de los Clérigos Regulares Teatinos, en su tg 
nuestra Sefiora de la Divina Providencia, con la descripeion de su ma 
adorno. Hizola, motivado de su devocion, un Espaftol Matritense. En 
En la Imprenta Real Deslandesiana. M.DCCXIII. 

'i.'. 31 pags. 

Exemplares da Bibliotheca Nacional de Lisboa, Bibliotheca do B 
Janeiro, collecçSo Barbosa Machado e Vnnibal Fernandes. 

//) Breve noticia dei certamen sacro-poetico con que prevenieron los . 
gos Reglares Teatinos de la Divina Providencia de esta gran Corte dt Lisboa 



346 A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (166) 

/■ i natalício dei gloriosíssimo S. Andres Avelino en aplauso de su canonizar 
. Hizola, por su devocion, un Espafíol Matritense. Lisboa. En la Imprenta 
de Miguel Manescal, Impressor dei Santo Officio, y de la Sereníssima Casa de 
Bragança ín~o de 1714. Con todas las licencias necessárias. 
4.°, lá pags. 

Exemplar da Bibliolheca Nacional de Lisboa (collecção Z|4 19, a." 1:841, 
H storia) 

c) Noticias n imias de varias partis publicadas em Zaragoça d 14, y veni- 
Valencia á 21 de Deziembre 1706. coo la carta, que el Sefíor Conde de la 
',!,i escriviò à su Magestad (que Dios guarde), y otra que se cogiò ai Ceruo, 
que vénia d Francia escrita ai Duque de Berbic en 10 de Deziembre de 1706. — 
No fim: Impressa en Valência, y aora en Lisboa, En la Emprenta d<- António 
':' Irozo Caíram. Con las licencias necessárias. Ano 1707. 
4.°, 10 pags. 
Exemplar da Bibliotheea Nacional de Lisboa. 

Noydens i Padre Benito Remigio). — Pratica de erras, y confessores,'ydoclrina 
;>■ i penitentes: en qve con mecha errdicion, y singular claridad se trata n 
todas las matérias de la Theologiã Moral: Por el padre Benito Remigio Noy- 
dens, antrerpiense, theologo, y religioso de la Sagrada Religion de los Padres 
■ Regulares Menores. Dezima Septima Eáicion. Etc. En Lisboa. Con 
todas las licencias necessárias. En la Emprenta de Migvel Manescal, Librero 
de Su Alteza, y dei llluslrissimo Sefíor Arcobispo de Lisboa. Ano 1680. 

1 vol. folio, 2 pags. prel. hm., 540 pags., afora Tabla. 

Exemplar da Bibliotheea Nacional de Lisboa. 

Ochoa tíe la Salde (Iuan).— a) Prímera parte de la Carolea \ Inchirí- 
dion, qve trata de, la \ Vida y Hechos dei Inuictissimo Emperador Don Carlos 
Quinto de este Nombre, y de muchas notables cosas en ella sucedidas hasta el 
Ano de lõõô. Dirigida ai Excelentíssimo Sefíor Don Aluaro de Baçan, Mar- 
ques de Saneia Cruz, Comendador mayor de Leon, dei Consejo cie su Majes- 
tad, y su Capita» general dei Mar Oceano y Reynos de Portugal. (Brasão de 
armas do Marquez de Santa Cruz, n'um quadrilongo, onde se acha inscripto 
o seguinte dístico: Don Álvaro de Baçan Primero Marques de Santa Cruz). 
Recopilada en dos partes por Iuan Ochoa de la Salde, Prior perpetuo de Sant 
luan de Letran. Impressa con Licencia dei Consejo general de la Sancta Inqui' 
sicion, Afio de M. D. LXKXV. Con privilegio real. 

1 vol. folio, 4 fls. prel. inn., 451 fólios numerados pela frente, incluindo 
a Tabla. 



167l A LITTERATUHA UESPANH01 \ EM PORTUGAL 347 



A obra termina ao verso do folio iii. ao fundo do qual s< 
guinte declaração: 

Fm impressa esta Primera parte de l" Carolea inchiridion, a costi 
mismo Author, en su própria posada, en Lisboa, /<"/■ Ma 
Ribeiro <■ Anlon (sic) Uuarez impressores, con licencia dei swpi 
dela santa Inquisicion, como e& costumbn enestos Rei/nos. Acabt 
dei mes de Deziembre. >l< 1585. La Segunda t><irt<' desta h 
luego. 

Não consta que esta promessa se reali 

.Nas folhas preliminares contém-se: licenças e appn 
privilegio, riu portuguez; dedicatória a l>. Uvaro de Baçau, e pn 

\ approvação, de Fr. Bartholomeu Ferreira, é do theor segu 

«Digoe^ Frej Bertholameu Ferreyra Mestre em sancta rheologia, de] 
da Sancta Inquisição, & Reuedor dos Liuros, que vi por mandado do illus- 
trissimo & Reuerendissimo Senhor Vreebispo de Lisboa, Inquisidoí - 
digníssimo, destes Reynos de Portugal, este Liuro, cujo titulo he, G 
Inchiridion, etc. No qual não ha proposição herética, nem errónea 
nem escandalosa, antes tem cousas de edificação, ã \a\ escriph por mi il 
bom estylo, ã- engenhoso, por onde julgo, que se deue de imprimir certifico 
d assi xij de Dezembro de mil & quinhentos & oitenta &dous. Frey Be 
lameu Ferreyra». 

N'este volume se encontra a narrativa de muitos factos da historia 
temporanea portugueza, como tomada de Azamor, etc. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

No leilão Gubian foi vendido um exemplar (n.° 988 poi i 10 

b) Chronica dei \ esforçado príncipe ; y capitan lorgi Caslrioto r< 
Epiro, o Albânia, traduzida dei lenguage Português enel Castellam p< 
Ochoa de la Salde Príor per- ! petito de Suni luan de Letran. Dirigida 
ylusire seSíor Dou Alonso de Baçan Comendador de Vallaga. (Escudo de 
tendo em volta, num quadrilátero: Dou Álvaro de Baçan Primero Vai 
Santa Cruz,. Eu Lisboa. Inpresa con licencia e aprobacion dei Consejo 
de In santa Inquisicion. Afío de 1588. Con privilegio real. 

I vol. folio, a 2 col., -1 fólios prel. inn. de licenças e dedicatória, VM ' >- 
lios numerados pela frente, mais 3 fólios inn. de Tabla. Não tem colopl 
typographo, nem indicação de typographia, mas a impressão é identii 
Carolea. 

A approvação, de Fr. Bartholomeu Ferreira, é do theor seguinte: 

Vi por mandado de su Alteza esta traslação da Chronica de lorgi 

trioto. 4 tiradas algúas cousas do original antigo, que não soauãi bei 



S4S A LITTERATURA HE8PANH0LA EU PORTUGAL (168) 



ii-Mi nada contra a Fee & bõs costumes, nem cousa porque se não deua de 
imprimir, antes le boa lição, & digna de se saber». 

Nicolau António cita unia edição de Sevilha de 1528, que não existe. 

a por anachronica. illustre bibfiophilo equivocon-se duas vezes, no 

;ui!iu e na data, Innocencio da Silva, corrigindo o anachronismo, emenda que 

a edição sewa di IS82. Vê-se que não teve conhecimento da edição de Lis- 

uc sem duvida se pode reputar prmceps. Salva descreve a edição de 

Madrid de M.D.XGVII. 

\ edição de Lisboa é primorosa e o exemplar que temos á vista é excellente. 
fteiieace ao nosso amigo e eximio bibliophilo Ferreira das Neves Sobrinho. 

Vendido po] 50 trancos no leilão Miro (respectivo catalogo n.° 343;. 

Ontiveros António Maldonado de). — Barbosa dá-o equivocadamente como 
jaez. Innocencio contesta, baseado nos testemunhos de José Caetano de 
Almeida e D. Thomaz Caetano do Bem. Publicou: 

'Dos breves tratados sobre dos perguntas que se hizieron en la mesa dei se- 
fif-r D. Thmdosio, Duque de Bragança. Lisboa, por German Galharde, 1548. 

4.° 

S T ide Ian$eenei@, tomo i, pag. 194, e torno ix, pag. lol artigo 583). 

Oropesa [Marti Lasso de). — La hystoria \ que escreuio en latin el poe \ ta 
'f.uo.mo: trasladada c | Castellano por Marti | Lasso de Oropesa \ secretario 
dela ex | cellête >efíora \ marquesa dei | Zenete cõ | dessa de Nasson. . . (Este 
titulo, a vermelho e preto, está numa portada de figuras, tendo no fundo e 
ao centro as armas portuguezas. Esta portada é de outros livros). 

Segue-se a dedicatória: Al may magnifico sefíor don Pedro de Gueuara 
sefíor de Juan Vela cõmèdador de Valência dei vêtoso y de Benamexi cama- 
■raro de stt Magemd, 5 pags. Segue-se Vida de Marco anneo Lucano, 3 pags. 
innumeradas. Segue-se Las Causas generales por dõde se momo esta guerra 
iam grande que escriue Lucano. 

JSo fim: Agut se acaba» los diez li | bros de las guerras ciuiles que com- 
puso eu verso ke_ ■ roj/co el famoso poeta Lucano traduzidos en ro I niance castel- 
lano por Martin Laso dorope | sa secretario de la sefíora Marquesa dei | zenete. 
J ímprimierõse a n la insigne \ ciudad de Lisbona a XX de mayo \ de mil <£■ quietos y 
quoreta | ?/ tm cfios por Luijs \ Rodrigwz libre \ ro dei fíeij \ nosso se | flor. 

•4.°, letra gothica. 16 inn. e cliiii fls. 

Exemplar pertencente ao sr. Ferreira Neves. 

A traducção é em prosa. 

Ha uma edição de Burgos de 1538, foi. Vide Catalogo Castello Melhor, 
ti. c 1:914. 



(169) A UTTEMTURA «ESPANHOLA EM PORTUGAL 349 



Ortiz de Villegas D. Diego I. K 
Veio para Portugal acompanhando a princesa D. Joanna, chamada a 
excellente senhora, na qualidade de seu confessor. Bem recebido na côrle, foi 
nomeado bispo de Ceuta e depois de Viseu. Morreu em Almeirim em 1519. 
Para a sua biographia veja se o que escreveu V. Alexandre Lobo na sua R< 

sumida noticia dos Bispos d, Viseu primeiro volu das suas obras e Dr. Lev> 

Jordão (Visconde de Paiva Manso) na Wemoria sobre o& bispados d\ Ceuta < 
Tanger. Escreveu: 

« Calkecismo pequeno da doctrina & instruiçam que os cpaãos fiam de 

obrar peru conseguir a benauenturança eterna feilo & copilado pollo 

reuerendissimo sefior dom Dioguo ortiz bispo de çepta. Emprimido com priuile- 

gi<> dei Rey nosso senhor. &c. (Este titulo tem por cima a esphéra armilar e 

por baixo as armas do bispo). No fim da ultima folha: Acabase o calheçismo 

da doctrina & instruiçam qut os xpaãns ham de creer & obrar pêra con 

a bemauenlarança eterna, feyto <i copilado pollo reuèrêdissiino senhor 

dom Dioguo ortiz bispo de çepta. /•.' etnpmido em a muy nobrt cidade </■ 

per Valenti fernãdez alemã & lohã pedro boõhomini dt cramona aos xx dias 

de lulho. Era de mdl & quinhêlos & qlro annos. 

1 vol. folio, lxxviij fólios, gothico, bella impressão. No verso uma grande 
estampa representando um bispo sentado deante de uma estante de livros; ao 
longe um armário tendo livros e um tinteiro por cima. Um cão ao fundo. No 
alto, um anjo despregando uma tarja com um versículo de [saias. No folio 11, 
dedicatória em latim a D. Manuel. No verso o proemio, explicando o motivo 
por 4111' escreveu a obra, declarando ter escripto outra mais longa: < E si ai 
gau quiser mantiimento de liaram leea tio cathecismo mor que desta mesma 
matéria escreuêinôs». Se se chegou a publicar, não ha noticia de nenhum 
exemplai- nem da sua impressão. 

Exemplar da Bibliolheca Nacional de Lisboa. 

b Historia passionis Domini lesu, ex quattor: in unam: per reueren- 
dum dominam Didacum Hortijz ã Villegas, uisen, Episcopum: cum eiusdê 
plana & catholica explanatione. (Este titulo por baixo de uma estampa repre- 
sentando o Calvário, tudo enquadrado por ornamentação de flores e pas 
saros).— No fim, em folha separada: Absobotum esl opvs Historiae Passionis 
Qominicaedàe et anuo a nativitate Domini millesimo quingentesimo quadragi 
simo secwtdo olisbonae. (No verso d'esta folha o escudo grande de Luis lio- 
dfágues . 

4.°, cadernos A Aiij. sem numeração, 34 folio.-, incluindo frontispício e 
folha de subscripeão final. 



350 A UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (170) 



Mo verso do frontispício começa a dedicatória: dnvictissimo principi 
loãni iij Lusitanie. d-c. Regi potêtissimo lacobus Hortiiz a Villegas Episcopus 
Septêsis eiusdêq, Régie, celsiludinis à consiliis atq; decaqus. 

liem per difficilem existimauerúl perili 4 sapientis viri, clemêtissime 
lic\, doctrine sue archana diuersis hominurn ingenijs proponere censenda. 
Porro, quò quis ad ipsius scientie proprius accedit, eò longius ab ea se 
distare pulai. El bona paro nostre scientia esl scire q niliil scimus. Si. n. 
noua d inaudita tibi excogitasse videaris, aoimaduerte paciiici Salomonis cõ- 
cionê rererentem nihil nouu sub solo. Vnde uullo preconio. cus indico exhol- 
lendos, qui vix adepta Iriú uocaboleru origine passim libros edíit, increuit. n. 
adeo librorum copia, esl bonarum literarum amatores a quo debeant inchoare 
dubitent (esl nãq; ars longa & vila breuis). Accidit prolde scriptoribus nostri 
temporis, ul nihil ex próprio fonte promant: sed mutatis verbis nõnullis, q 
maiores scripserunt, quasi aliquid noui ex Africa nobis ferãt, enarrãt, quod 
elaré innotnil bis, qui antiquorum volumina versarunt. In antiquis. n. est 
sapientia & in multo tempore prúdêtia. Quam obre istius doctissimi Presidis 
tui quõdam preceptoris in sacro sanetã Christi passionê ex quattuor in una 
coilectam, scholia retractaui prelo cõmittere excudêda. Cui quidê Antistili 
utinã muitos episcopos bec mísera cõditio têporum baberet símiles. Veru quia 
ipse cu esset tu prudentia, tu doctrina luculenter preditus non sesse huic ne- 
guem ingessit: sed uoluntate & império patrui tui Serenissimi Regis Ioan- 
nis. ij. incitatus potius q; domestica laude dnctus bãc puiciam subiuit. Volui 
ita<| ; inuictissime Rex, quod ipsemet patruo tuo dedicauerat, tibi offerre: ul 
qui eius doctrine Iac suxisti infans, nnnc demu in maturiore etate A- feliciore 
statu cõstitutus eius reminiscaris, qui te velut antiquus Simeõ infantulQ Iesum 
in ulnis tenuit A- asporiauit. Tibi inq; inuictissime Rex. boc múnus libes offerre 
udui. Quippe qui beneficiis accumulatus uicê reddere nõ ualeo, animo saltem 
nõ pigro tibi, cui omnia debeo lucubrationes alienas (nec a me longe alienas, 
eius cu sine sanguine iunctus) dicaui. Ecce igitur, Clemêtissime príceps. En 
foetus eius, cuius tu fatus es, fetu inrjuam, quem velut pares materno amore 
sua doctrina aluit & illustrauit: foetum, ob quem regnu boc mérito sese iacti- 
tat: eo q sub tãto Príncipe ei cõtigerit militare: foetum, quem adeo amplecte- 
batur & venerabatur ut non nisi morte oceupatus d- senecta fracidus des- 
cruerit: quê nempe dií uiueret, regali insignitum diademate summo affectu 
exoptauit iutueri. Habes. n. in bis scholiis abditas doctorum hominurn diffi- 
cultates enucleatas, omni prorsus ambiguitate explosa. Habes unde de Christo 
passioè possis laetari : quia te redemit, deuictis potestatibus aeris huius, & 
morlis acerbitate repressa. Habes, und plagas: eocj nostris scoeleribus d fla- 
giliis tot d tanta pertuleritu itiorum monstra. Et q tam mirabile exposuerit 
pietiu pro ingratis d obduralis hõinibus, qui dominum suum non cognoscunt, 



(171) A L1TTERATURA HESPANHOLA EW PORTUGA1 3 

qaê bruta reuereotor. Sicut scriptura esl glorificabil me bestia agri, di 
& strutiones, quia dedi in deserto aquã. Hãc ttaq; aquã, i lementissime Prin 
ceps, tibi propino, quam ex hac editione hauries, quse te reficial A satiel in 
illtam .flcniaiii. Ainrn . 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. (Reservados, n.° 953 . 

Reproduzimos a dedicatória d esta obra, não só porque ella explica o 
motivo da publicação, mas também por algumas ideias que expõe acerca da 
originalidade litteraria. Gomo se vê ; a Historia Passionis foi impressa pos- 
thuma, dada á luz por um sobrinho do auctor, seu homonymo, bispo de 
Ceuta, como o tio. A differença é que se conservou n'este bispado enão teve 
;i mitra de Viseu. I». Diogo Orliz foi do conselho cosmographico de el-rei e foi 
um dos que se mostraram contrários á empresa de Colombo. Só esta circuns- 
tancia bastaria para o fazer relembrado. Foi também professor de D. João III, 
quando infante. Orador notável, pregou em diversas cerimonias históricas im- 
portantes. 

Ortiz de Villegas (D. Diego) -'. i. Sobrinho do antecedenti . Bispo de 
Ceuta, tnnocencio confundiu as duas individualidades, atlribuindo ao primeiro 
a obra seguinte, que é indubitavelmente do segundo: 

(O Cerimonial da missa rezada segudo cuslume Romão, e se guarda no 
Capella dei Rey d Portugal dõ Johão terceyro deste nome nosso senhor. Com 
ho oflicio dos sabbados e outras adições. Com priuilegio de sua alteza. (Este 
titulo é mettido em uma tarja, tendo por rima uma vinheta, que representa 
um padre e acolyto ante um altar, com todos os mártyrios do Senhor).— No 
verso do rosto diz: Cerimonial da missa rezada priuada segudo custume Ro- 
mão. Recopilado i de nono augmetado e emendado pelh muyto reuerendo <■ 
muyto magnifico senhor, H> senhor I). Diogo Ortiz de Villegas, bispo de Cepta, 
primas d'Africa, ele, etc. Com o o/ficio dos sabbados. — E no fim: Acabous. 
este tracto io cerimonial da missa, segudo custume Romão, etc. E de nòuç 
augmentado ■■ enmendado cõ ho officio dós sabbados. .1 louvor de d's e de nossa 
senhora, etc. impresso, em Lisboa, por Germão Gallardo... Aos y dias ih- Se- 
tembro do anno ii 1541. 

i.°, gotlnc», IG lis. 

único exemplar conhecido existe na Bibliotheca de Évora. Tomamos 
a sua descripção de Innocencio. 

Osuna (Duque de).— Memorial que et duque de (huno... en defension 
suya. (Este titulo, que se acha no alto da pagina, não se pode ler por cora 
pleto por estar muito aparado).-— No fim. Em Lisboa. Com licença da S. In- 



352 A LíTTERATUBA HESPANHOLA EM PORTUGAL (172) 

quisição, Ordinário, & Paço. Por Pedro Crasbeeck, Impressor dei Bey. Taixão 
esta folha em cinco reis em Lisboa 13 Agosto i62í. 
Folio i pags. 

Ouando (Fraj luao de). — o) Consideraciones y Exercícios sanctos sobre 
los evangelios de las Dominicas áespttes de Penthecosles. Compvesto por d padre 
fray Jttan de Ouando, Lector jubilado, de la Prouincia de Santiago. Natural 
de In muy noble y muy leal Villa de Cáceres. Dirigido a Dou Francisco de. 
Sosa, obispo de Canária. Sperabo in Homine Deo. (Monogramma de Jesus uum 
escudete oval). Gaudeo in Deo lese meo. Con licencia de la Saneia Inqvisicion, y 
dei Ordinário. ímpnsso en Lisboa, en la Ófficina de Luys Eslupifían. Afio de 1GOO. 

1 vol. foi., a 2 col., a primeira parte com 128 fólios numerados pela 
frente, a segunda com 88, afora Tabla. 

lista segunda parte parece .ter sido impressa por outro, pois diz no fim: 
Impresso en Lisboa en la imprenta de Vicente Alvarez. Afio de M.DC.IX. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

b) Copioso tratado sobre la primem dominicu de advienlo, dispiesto por 
Discursos y Consideraciones. En que se trata dei rigurõeissimo dia dei Iayzio, 
con las mas Dominicas de Aduiento, llenas de loores dei Baptista, con loores de 
oiros Sanctos, y de S. Juan Eaangelista. Compvesto por el padre Fray Iuan de 
Ouando, Lector jubilado, de la Prouincia de. Santiago. Dirigido a don Ivan pri- 
mero rey de Cândia en el Império de Ceijlam. Afio 1610. Con licencia de la 
saneia inqvisicion, dei Ordinário y dei Palácio. Impresso en Lisboa, en la Óffi- 
cina de Vicente Aluarez. 

1 vol. folio, a 2 col., 3 fls. prel. inn., 6G, 91 numeradas pela frente. 

Palácio i Paulo dej. — a) Svma Caietana, sa | cada en knguage Castel- 
la | no: Con Annolaciones de | muchas dubdus y ca- | sos de consci- | encia. \ 
Por d M. Pavio de Palácio \ Natural de Granada. \ Por mandado y con ap- 
probacion dei \ Reuerendiss. y Sereniss. S. Dõ Henri- \ que, Canlenal, Infante 
de Por- | lugal, y Arçobispo de Ebora. écet. \ Fue impresso en Lisboa en casa 
de Joannes de Blauio de Colónia. Acabose a los xx dias | de Mayo de 1557. 
Con priuilegio Real. 

8.°, x fls. s. n., 501 lis. numeradas pela frente, n s. n., contendo-se nas 
x fls. preliminares: rosto; declaração de que foi visto e examinado pelo padre 
Fr. Bartholomeu dos Martyres e por Diogo de Moraes ; epistola do traduetor 
ao cardeal D. Henrique; prologo de Fr. Luis de Granada, e tabla. As duas 
ultimas folhas sem numeração são preenchidas com as erratas. 



(173) A LITTEKATTRA USSPANHOLA KM PORTUGAL .'!õ!5 



6 Svmma Gaietana, sacada en lenguage Caslellano: con [n 
nes <!<• muchas dubdas y casos de consciência. Por el M. Pado de Palácio 
Natural de Granada. Segunda edicion, en algum a. Por 

mandado y con approbacion dei lieueren- diss. y Sereniss. S. Don Henrique, 
Cardenal, Iffantt ■'- Portugal, y írçobispo de Ebora. A-caet. Fiu impresso 
a en la rua di los Escudi ros en casa dt Joannes Blauio dt Colónia. 
A cabose a los x dias de Setembro rfi 1560. Con / 

8 . \u fls. s. ii.. 'it'.'.i Ds. numeradas pela frente. 

i l i segunda edição apenas differe da antecedente era ler .-is erratas in- 
cluídas nas xn Qs. preliminares, que, na primeira, estão no fim. 

Transcrevemos esta descripção do Boletim da Bibliographia Portuguesa, 
vii]. i 1 1879), Q,ags. 7 e seguintes. 

Innocencio descreve só a primeira edição, conjecturando, porém, a exis- 
tencia de uma segunda, anterior á chamada terceira edição, em portuguez, 
de 1566. 

Na bibliotheca do Marquez de Castello Melhor havia exemplares da se- 
gunda e terceira edições. Vide n. os -J:.'ií(i e ±'->'t~. 

Ribeiro dos Santos (pag. 123) refere-se ã esta edição. 

Da Svma Caietana se publicaram traducções em portoguez, sendo uma 
dVllas, segundo parece ao Sr. Tito de Noronha, do próprio auctor. Eis a sua 
descripção. segundo se encontra em Innocencio: 

c) Svmma Caetana, trasladada em lingoagem português, com annotações 
de muitas duuidas < ; casos é consciência. Por ho Horto, Paulo de Palácio, 
cathedratico de S. Scriptura na uniuersidade de Coimbra. Poí mandado e com 
approuação do Cardeal Jffante, Arcebispo de Lisboa, Inquisidor Mor destet Rey 
•,,/ em esta terceira 'dirão todos os Decretos de S. Concilio Tridentino, 
que sam a propósito dos casos de consciência. Com priuilegio real \ 
amos. 1566.— lio fim: Foy impressa a presente obra da Summa Caietana em 
Coimbra por João de Barreyra, impressor da Universidade. Acabouse aos xxi 
dias do no: de Janeyro. Aoon M I). LXVI. 

8.°, vi-49-2 lis. numeradas pela frente. 

\pesar de se dizer terceira edição, é certo que houve outra anterior, 
impressa em Braga em 1565, por António de Mariz e traduzida pelo padre 
Fr. Diogo do Rosário. Desta tradúcção fizeram-se mais duas edições, ambas 
do mesmo impressor, sendo uma de Braga 1 1566) e outra de Coimbra 1573 

No artigo Diogo do Rosário, escreve Innocencio: «Ha outra versão por- 
tagueza da mesma Summa feita por Paulo de Palácio, a qual foi varias rezes 
reimpressa». No artigo consagrado a Paulo de Palácio não cita, porém, ue 
nliuma d'essas reimpressões, nem tão pouco as acusa o Sr. Tito de Noronha. 



,'i5'l A L1TTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (^74) 



De Paulo de Palácio publicaram-se mais em Portugal as seguintes obras : 

d) In sacrosantvm lesu Ckristi Euangelium secvndvm Matthaeavm enna- 
rationes. Per Pavlvm de Palácio Granatensem, Augmtissimi CardinaliSj & Se- 
renissirm Augmtissimi Principis Henrici Concionatorem: & S. Scripturae in 
clyta Lusilanorum Conimbricensi Academia professorem: Omnia Ecclesiae indi- 
cio svbmissa svnto. Conimbricae. Eoc officina Ioannis Barrerij Typographi Re- 
gij. M.D.LXIIII. Cvm Privilegio Regis: é facvltate Inquisitoris & Ordinarii. 

Folio, 20-404 pags. 

Veja-se o artigo sobre Paulo de Palácio publicado por Tito de Noronha 
no Boletim de Bibliographia Portugueza, vol. i, pags. 59 o seguintes. 

e) In dvodecim prophetas, qvos minores vocant, commenlarivs pivs et doctus. 
Po Pavlvm de Palácio Granatensem D. Henrrici Lusitânia; Regis, & S. B. E. 
Cardinalis Concionatorem: & D. Catharinm Lusitanorum Regina) Eleemosyna- 
niini: & S. Lilerarum in Inclyta Gonimbricensium Academia Enarrotorê. Cem 
índice rervm insigniòrvm. Omnia jvdicio S. B. E. svbdita sento. (Escudo do 
impressor). Apud Villam Viridem Franeurnm. Eieudebat Anionius Bibériús 
Typographus. Anno Domini MDLXXXT. Cum facultate & approbatione Supremi 
Senatus S. tnquisitionis Generalis & Ordinarij. Cvm privilegio.— No fim: Apud 
Villam Viridem Franoorum, in wdibvs Pavli Palacii Salazarii, hvivs librí avtho : 
ris. Mense Novembri. Anno Salvlis. M.D.LXXXI. 

1 vol. folio, a 2 col., 3 fls. prel. inn., 276 pags. 

No verso do frontispício a approvação de Fr. Bartholomeu Ferreira: 

«De mandato lllustrissimi & Reuerendissimi Domini Georgii de Almeyda 
Inquisitoris Generalis & Archiepiscopi Vlisiponensis dignissimi, Kxaminaui 
laudatissima Commentaria in duodecim Prophetas minores, Pauli de Palatio, 
Doctoris Sacraruni Literarum olim in gimnasio Conimbricensi, in quibus nihil 
est quod Christianse aduersetur religioni, sed omnia sapiunl hominem pium, 
A- doctum: & sunt prasdicatoribus verbi Dei valde necessária á- vtilia. Qua- 
propter digna sunt qure in lucem íedantur. xx Augusti I.'i79». 
«Frater Bartliolomaeus Ferreyra». 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

f) In Ecclesiasticvm Commenlarivs pies et doctvs. Per Pavlum de Palácio 
Granatensem D. Henrici Lusitânia- Regis, & S. Romance Ecclesice Cardinalis 
Concionatorem: & I). Catharince Lusilanorum Begina? Eleemosijnarium: & S. 
Literarum in Inclyta Gonimbricensium Academia Enarratorem, Cem índice re- 
rvm insigniòrvm. Omnia judicio S. B. Ecclesice súbdita svnto. (Escudo do 
impressor). Apud Villam Viridem Francorum. Ereudebat Antonius Biberius 
Typographus. Anno Domini M.D.LXXXI. Cvm facvltate et Approbatione Supe- 



I 175) A UTTERATURA HESPANHOLA I.M PORTUGAL 



• natus S. Inquisitionis GeneraUs éOrdinarii. No fim: Lavs Deo. Apud 
Villam Viridem Francorum. In adibus Pauli Palatij Salazarij, huius Libri 
[utkoris. inno Í58Í. 

I vol. folio, a 2 col., :í fólios prel. iim., i.'iti pags. 

No verso do frontispício a Approbatio de Fr, Bartholomeu Ferreira. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 



Palafox y Mendonça (U. Juan áe).—Peregrinacion de Philotea ai santo 
templo y monte de la crvz. Del ilvstrissima y reiterendissimo Seftor Um, Juan di 
Palafox y Mendoça, Obispo de (hum. &c. .1 la excellentissima sefíora Ih Lvisa 
Maria de Meneses, Marquesa de Góuea, y Condessa de Portalegre. &c. Lisboa. 
En la o/ficina de Henrique Valente d\ Oliuera. Impressor delRey S. S. Afio 
1660.— No fim: Con licencia F.n Lisboa en la officina de Henrique Valente de 
Olivera. Impressor dei Rey nuestro Seftor. .\í/o MDCLX. 

1 vol. 8.°, ti pag. prel. 'i<U pags. 

Exemplar de Rodrigues. 



Panegyrico apologético por la desagrauiada Lusitânia: Di la servilvd 
inivsta, dei lyranico yugo, y de la insoportable tirania de Castilla. Con ú de- 
ii clm. virtvd, y cvydado de Don Ivan IV. Rey Insto, legitimo seftor, y buen 
Padre, Afio sessêta de su cautiuidad. Al terrible, y mageslvoso, y ai que quita 
la vida, y espirita a los Príncipes, ai espantoso con los Reys de la tierra. 
Psal. 75. Impresso en Frauda en Latvn. Y despues en Barcelona traduzido, >'■ 
impresso, y ora de nueuo en esta Ciudad de Lisboa. Com todas as licencias ne- 
cessárias. Impresso por .Ima*' Rodrigues. Atam de 1641. .1 custa de Lourenço 
de Queirós, liureiro do Estado dt Bragança. 

í.', 22 fólios. 

Exemplai da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Paravicino (Fr. Ortensio Félix).— a) Oracumes evangélicas de adviento, 
qvaresma y de sanctis. Predicadas por el mvy /(. /'. M. F. Ortensio Felia Pa- 
rauicino, dei Ordê de la S. m " Trinidad, Redêpcion de Cautivos, y Predicador 
delas Cal. M. Felipe 3 y 4, Prouincial, y Vicário General dos rezes de la 
Prouincia de Castilla: y atras dos Comissário Visitador de la Andaluzia. Saca- 
das a Ivz, por el mu// Reuerendo /'. M. F. Fernando Reminez, Padre dela dicha 
Prouincia de Castilla, Leoa y Nauarra, Procurador, etc. Ofrecidas a la prote- 
cion de la Virgen Maria de lietancor la Grande, Concebida sin macula de pe- 
cado original. (Gravara tosca de madeira, representando Nossa Senhora. De 



356 A LITTKRATUnA IIESPAN1I0LA KM PORTUGAL (^6) 



um c outro lado: Afio de Í647). En Lisboa. Con Urinem de la S. Tnoukicion, 
Ordinário, y dt su Vagestad. Por intonio Aluarez Impressor delRey N. Sefíor. 
y a s/i costa. 

I vol. folio, -2 col., 2 pags. prel. mu., mais 20 pags. inn. de índice 

b) Oraciones evangélicas, qve en las festividades de Christo N. S. y su. 
s. Madre predico, ele. (frontispício exactamente idêntico ao da obra ante- 
rior. Mesmo anno de impressão). 

1 vol. folio, -2 pags. prel. inn., 453 pags., mais 15 pags. inn. de índice. 

c) Oraciones evangélicas y panegíricos fvnerales, qve a diuersos intentos 
dixe el reuerendissmo padre maestro Fr. Hortênsia Felis Parauicino, Predica- 
dor de las Sfagestades de Filippo Tercer y Quarte; vna y olra vez Prouincial, 
II Viraria General en la Prouincia de Castilla: atras dos Visitador Apostólico 
en la de Andaluzia, dei Orden de Redentores de la Santíssima Trinidad. Saca- 
das a Ivz por cl Padre Fr. Christòual Nunez, Predicador general de la misma 
Orden, en Madrid, y agora nueuammte impressas en Lisboa. Dirigidas al R. 
1'. Fr. Diego César, ele. Con licencia. En Lisboa por Pablo Craesbeeck. Im- 
pressor y Librero de las Ordenes Militares y a su costa. Afio 1646. 

i.°, 6 pags. prel. inn., :J95 pags. 

Traz um sermão de Santa Isabel, Rainha de Portugal. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

d < Santa Isabel, gloriosíssima reyna de Portvgal, Sermon o oracion evan- 
gélica en la Solenidade de su Canon izarion. El Maestro Fra/j Horlensio Félix 
Parauicino, Predicador de su Magestad, dei Orden de la Santíssima Trinidad, y 
Redencion de cautiuos, la dixo. En Madrid. En la lmprenla Real. Afio M. DC. XXV. 
Aora en Lisboa, En la Imprenta d" Domingos Lopes Rosa. Afio M.DC.XL.IV. 

1 vol. 4.°, 32 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Pardo (Padre Geronimo). — Discvrsos Euangelicos, para las solemniiades 
principales de los Santos. Con Ires índices copiosos, de Escriptura, de Cosas 
Notables, y para las Ferias mayores de la Quaresma, y otro al principio de 
los Discursos. (Gravurinha representando Nossa Senhora com o menino e um 
santo adorando-a). Predicolos el Padre Geronimo Pardo, antes Lector de Theo- 
logia en Alcald, y Salamanca, y aora Assistente Prouincial de los Clérigos 
Reglares Menores; Calificador de la Suprema, y Visitador de los Libros, e Libre- 
rias destos Reynos, por comicion dei Consejo de la Santa, y General Inquisi- 
vion. En Lisboa, Dom. 05 Carneiro, 1661. 

I vol. 4.°, 9 fls. prel. inn., 445 pags. a 2 col., mais 26 fls. inn. de índice. 



17/' A UTTERATl [RA HESPANHOLA I.M PORTUGAL 357 

Contém 26 sermões. No fim da Tabki que os enumera, diz: «As Festas de 

Chrjsto, >li smo Vutor. se ficam estampando, pêra breuemente sahirem a luz». 

- i este Geronimo Pardo o mesmo que Geronimo Pardo de Villaroel? 

Pardo de Villaroel (Padre Geronimo). Discursos evangélicos para las 
solemnidades de los mysterios <>< Chrislo. ('">/ quatro índices muy < 
(Gravurinha). Predicolos el i/. li. P. Geronimo Pardo rfi VUla Boel Pt 

Clérigos Menores de esta Prouincia de Espana Calificador de la Su- 
prema, y Visitador de los libros, y librerias de estos Reynos. En Coimbra. Na 
Officina de Manoel Dias. Impressor da Vniuersidade. Ann 

aLi este liuro de Discursos Euangelicos sobre as festas de Christo, com- 
posto pello M. li. P. Hieronymo Pardo, da sagrada Orden dos Cleri) 
nores, não contém cousa que impida o passarse licença pêra se imprimir neste 
Rcyno. Lisboa no Conuento de S. Domingos em 10 de Junho de 1661. Frey 
Barthol eu Ferreyrá». 

Anteriormente tem : 

«O Padre Mestre Frey Bartholameu Ferreyrá Qualificador do Santo Offi- 
ja 'i liuro de que se faz menção, & informe con seu parecer. 
Lisboa 3 de [unho de 1661. 

iPacheco. - Rocha. A. S. de Castro». 

i.". 9 foUos prel. inn., 518 fólios, afora Índice copioso. 

Vê-se qui este Bartholomeu Ferreira é posterior ao censor dos Lusíadas, 
seu homonymo. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Paredes (Fr. Bernardo de). — a) Campafla Espirilcal ordenada con plv- 
mas de Santos, y de interpretes Sai/nulos paru conquistar el Alma. Dispvesta 
desde el primer domingo de Aduiento hasta la Quinquagesima. Por el /'. Fr. 
li* muniu de Paredes Predicador dei Conuento de nuéstra Sefíora dei Cármen 
é [ntigua Observância de. Madrid. Em Coimbra. Na Officina de Manoel Dias 
Impressor da Vniuersidade atum 1665. 

í.". 3 lis. prel. inn., 136 pags. 

Exemplar 'la Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

h Harmonia mystica y mural . para divertir dei vicio, y accionara la vir- 
ttid. Conliene los sermones qve se predican en los Domingos, Miercoles, y Vier- 
ws ile la Quaresma hntamente los qve en la semana Santa st predican. Âvtor 
et /'. Fr. Bernardo de Paredes, Predicador dei Conuento de N. SeRora dei Cár- 
men de Antigua Obseruancia de Madrid. Em Coimbra. Na Officina de Thome 
Carualhs Empremar da Vniuersidad. An. M.DC.LJV. 

i.° ; a lis. prel. inn.. .*)3^) pags., afora índio . 



'}->< s A UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (178) 

Parecer do chronista-mór Doutor Kr. Francisco Brandão. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Parra y Cote <l'v. Alonso). lieal solemnisacion natalícia en debida piau- 
sible celebridad d el felice cumplimiento de afws de la augustissima, y fiedetis- 
sima sefiora D. Maria/m Viciaria... a cuja magestad... dedica reverente el 

p. f. Alonso Parra y Cote Lisboa M.DCC.LI. Na Oficina de Joseph da 

Costa Coimbra. 

í.°, 12 lis. inii., 62 pags. 

N.° 346 da collecção Barbosa Machado, qos Annaes 'la Bibliotheca Nacio- 

do Rio dr Janeiro. 

Exemplar da Bibliotheca da Ajuda. 

Pastrana (ML Juan dei.— Ribeiro do? Santos, referindo-se ás edições 
feitas em Lisboa no anno de 1501, descreve a seguinte: 

a) «Thesaurus Pauperum sive speculum puerorum, em 4.° e em golhico; 
por João Pedro de Bonis hominibus, ou Bonhomini edição raríssima. Tinha 
antes sido impresso em Salamanca ainda no século xv, quanto parece: he 
obra do Mestre João Pastrana : vem no flm o Tratado do Báculo dos cegos 
de António Martins, primeiro Mestre que houve na Universidade de Lisboa ; 
e feito ludo emendado e correcto por João Vaz, Bacharel: traz estampado no 
frontispício á direita as Armas Reaes de Portugal, e á esquerefa em propor- 
ção igual numa Esfera com seu pé, e por baixo em letra Gothica maiúscula — 
Grammática Pastranae. Possuía um exemplar d'esta edição Ignacio de Carva- 
lho e Sousa, Académico da Academia Real da Historia Portugueza» ipag. 97). 

Mais adeante, tratando de Bonhomini, acerescenta em nota : 
«Esta obra do Thesouro dos pobres sahio com este iilu\o = A ntonii Mar- 
lini quondam hujus Artis Pastranae in alma Universitate Ulixbonensi praece- 
ptoris materiarum editio a báculo coelorum \sk) breviter collecta incipit: e 
acaba : — Magistri Johannis de Pastrana cum conjugationibus tempor moviter 
inventis cum materiebus Antonii Martini etc, per venerabilem Johannem Petri 
de bonis hominibus de Cremona in splendidissima Ulixbona Givitate quarto Ka- 
lendas Decembris impressum anno Dane (sic) millesimo quingentessimo primo 
felice sydere explicita ipags. 124 e 125 das Memorias de Litleralura, tomo viu). 

b) 2. a edição. lol3. 

Ribeiro dos Santos diz que ha um exemplar na Bibliotheca da Ajuda (pag. 98). 

c) 3. a edição. 1522 (pag. 99). 

Gallardo, sob os n. 11 ' 3:351 e 3:352, cita duas ediçces hespanholas: uma 
sem lugar nem anno, outra de 1583. Pergunta: Que ano se hizo Ia primera? 



(179) A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL .'j.>9 

O exemplar da Grammatica de Pastrana, que Ribeiro dos Santos dá como 
existente na Bibliolheea da Ajuda, é sem duvida o que hoje se conserva na 
Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro, e que vem descripto da seguinte ma 
neira no Catalogo da exposição permanente dos Ctwlios, da mesma Biblio- 
theca : 

*N.° 112.— (Thesaurus Pauperum sive Speculumpuerorum). In-fol. goth.». 

Impresso a duas tintas. Consta de 41 tis. sem numeração. <» nosso exem- 
plar tem apenas 40, faltando lhe a folha do frontispício, onde, segundo Ri- 
beiro dos Santos, traz estampadas, á direita, as armas reaes de Portugal, e 
á esquerda, em proporção egual, uma esphera, e por baixo, em letra gothica 
maiúscula : Grammatica Pastranae. 

A segunda folha começa com estas palavras, impressas com tinta ver 
melha : 

«Incipit compendium breue vtile siue tractatus intitulatus: Thesaurus 
pauperum siue speculum puerorum editum a magistro Iohãne de pastrana». 

Em seguida a este Tratado vem: 

«Antonij martini primi quondã huius artis pastrane in alma vniuersitate 
Ulixbonensi preceptoris ; materierum editio a báculo cecorum breuiter collecta 
incipit». 

No fim a declaração : 

«Explicit materiaruz editio a Petro rõbo ex báculo cecoru breuiter colle- 
cta. Impressa vero Ulixbone. Anno domini millesimo qngentesimo xuj sydere». 

(t exemplar tem o carimbo da Bibliotheca da Ajuda. 



Pawlowski (Padre Daniel).— Locucion de Dios ai corazon de el Heligioso 
eu el retiro Sagrado de bs Exercícios Espirituales, compuesta en Imiíh por el 
padre Daniel Pawlowski. de la CompaMa de Jesus, Doctor y Cathedratico 'Ir 
Theologia en su Província de Polónia. Traducida en Castellano por un Reli- 
gioso de la misma Compartia. Coimbra. En el Real Colégio de las Avies de la 
Compania de Iesus, Afio de M.D.CC. XXXIX. 

8.°, 4 pags. prel. inn., 288 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 



Pedraza (Fray Iuan de).— o) Confessionário muy prouechoso assi pa sa- 
cerdotes como pa penitêtes : por el qual todo christiano sabra en que peca o no 
jirca si mortal ó venialmête en los diez mãdamientos y siele pecados capitales. 
Nueuamête copilado por Iuan de Pedraza, maestro en theologia. (Este titulo em 
frontispício tarjadoi. — No íim: Fite impresso el presente tratado en lo muy no 
ble y siempre leal ciudad de Lisbona en roso de German Gallaide Impressor de 
Hist. e Meu. da Acad.— Tomo xii, parte ii. — N.° 5. 14 



300 A LITTERATURA HF.SPANHOLA EM PORTUGAL (180) 

libros: a los quatro dias dei nos de Morro. Ano de mil y quinientos y qrenta 
y seis anos. ȣ< Vendelos Jorge daguilar a la piaria do Ferro; a treinta reys. 

1 vol. 8.°, sem numeração, 48 fls. com o frontispício, caracteres gotliicos. 

No verso do frontispício começa logo o prologo a don Fernando de Me- 
nezes Arcobispo de Lisbona y capellan mayor dei rey. 

Exemplar da Bibliothera Nacional de Lisboa (n.° 30G9), (Theol. Dog.). 

No mesmo volume encadernado a Monçon. 

Pertenceu a Livraria de Alcobaça. 

b) Confessionário mui/ provechoso assi para Sacerdotes como para penitè- 
tes: por el ijl todo xpia.no sabra en q peca mortal o venialmête. Aora inwua- 
mente copilaâo por luan de Pedraza Maestro en sanefa Theologia. M.D.LIX. — 
No fim, em folha solta: Fite empeso este tratado en Euora en casa de André 
de Burgos. (No verso d'esta umas armas toscas). 

8.° pequeno, gothico, portada gravada, GO fls. inn. 

c) Svmma de casos de consciência aora nueuamèle compuesta por el doctor 
Fray Joan de Pedraza en dos breues rolnmines rnuy necessária a Ecclesiasticos 
y seculares a confessores y penitentes. (Escudo, com o dragão enrolado: dragão 
pequeno). Fite vista y aOadida segundo el sancto Concilio Tridentino. Ano de 
M.D.LXV. — No fim, debaixo de um versículo da Bíblia : Impresso en Coimbra 
por Ioan Aluarez. Acabose a los x dias de Iunio M.D.LXYII. 

8.°, 246 fólios numerados pela frente. 
Dedicatória a D. Julião de Alva, bispo de Miranda. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Pedraza era frade de S. Domingos e diz o Claustro dominicano (vol. i, 
pag. 77) que fora leDte da Universidade. 

Perea de Bernal (Afonso). — Suppomos ser hespanbol. Foi professor de 
musica na Universidade de Coimbra. Publicou nesta cidade uma Arte de can- 
tochão, de João Martinez, traduzida e ampliada, da qual se encontra no.Dic- 
cionario bibliographico (tomo x, pag. 314) a seguinte descripção: 

«Arte de Cantochão posta e reduzida em sua inteira perfeição, segudo a 
pratica d'elle, muito necessária, etc... Acrescentada de nouo com as entoa- 
ções de cousas necessárias por Alonso Perez, sendo cathedratico de musica 
na universidade de Coimbra. Impressa por António de Barreira, impressor 
delRey Nosso Senhor. Anno de 1597. 8.° de 68 pags.». 

Iuan Martinez foi clérigo maestro de los moços de Coro de la sancta yglesia 
de Seuilla. A primeira edição da sua Arte de Cato llano suppomos ser a que 
se acabou em Alcalá de Henares a 16 de janeiro de 1332. Vide Gallardo, 



(181) A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 361 



n.° 2:933. Na Bibliotbeca de Évora existe um exemplar de ediç5o mais an- 
tiga, de Sevilha, por João Cromberger, 1330. 

Innocencio erron o nome. Em vez de Perea poz Perez. A li. St-, ao Se- 
gueme alguas anisas.. ,è que vem declarado o nome por inteiro, Afonso 
Perea de Bernal. 

Peres (Fr. (eronimo). — Escvela de Oracion, contemplacton, mortificacion ti- 
las passiones, y otras matérias, principales dela Dactrina Espiritual. Compvetta 
por el padre Fray luan de, Jesus Mana. Carmelita Descalço, natural de Cala- 
horra. Al illvstrissimo S. lha, Marim Afonso Mexia, Obispa de Lamego dei 
Consejo de su Magestad. (Escudo com as armas do bispo). En Lisboa. Por 
Pedro Crasbeeck. Ano 1616. Vendese na rua Noua em casa de Manoel Pereira. 

1 vol. 8.° pequeno, 150 pags. numeradas pela frente 

Na licença, assignada por Fr. António de Saldanha, é que se faz a se- 
guinte declaração acerca dõ auclor e traductor: «Vi este liuro composto pelo 
padre frey loão de lesus Maria, en Italiano, & traduzido por Fr. leronimo 
Peres en Espanhol, etc». 

Exemplar da Bibliotbeca Nacional de Lisboa. 

Perez de Guzman (Fernan).— a) Las sietecfilas dei do cto & noble canal- 
In» Fruíam perez de guzmã: \ las quales sou bien scientificas y de grades á 
diuersas matérias & muy prouechosas: J por las quales qualquier hõbrepue- \ de 
tomar regia & doctrina y ex$- \ pio de bien uiuir. | Agora nueuamête ipssas 

enl | ano de mil // quintetos n \ quarenta y vno. '■ . (Este titulo está por haixo 
de uma vinheta em madeira, que representa um personagem escrevendo, e 
tudo, menos as três ultimas linhas, circuitado por uma orla).— No fim, nas 
cosias da ultima folha lê-se: Fueron impressas las setecientas dei noble | eaual- 
lero Fernã perez de guzman enla mu// noble | <t- mui/ leal ciudad d' Lisboa por 
Lui/s Bodriguez | Ubrero dei Rey nuestro seuor. AcabarQse efil ano \ dei na 
cimièto ile ui o sefior Jesu ícpo de M. Ii.il/. 

i:\ lettra gotbjca, sem paginação, Sigp. a-f., todas de 8 fls. 

Este volume, além das Setecentas, conta oulras obras do mesmo aactor. 
Nicolau António refere-se a outra edição de I.ishoa, l.'ilá, í.", mas suppõe 
Salva que será equivoco. Kefere-se a outra de HHá, que será lalvez a ultima. 

b) Las sietecientas dei Docto & noble cauallero Fernan Perez de Qusman, 
la-, quales sou bien scientificadas y <!<■ granas» ê diuersas matérias & muy pro* 
ueeliosas: por las quales qualquier fiambre puede tomar regra y doctrina // e.mii- 
plo iie bien biuir. auno 1664. Agora nouamenie impressas, y vistas por la saneia 
niquisiciou. (Este titulo esta por baixa de uma laminaaita, representando a 



362 A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (182) 



fonte da sabedoria, da qual se aproximam dois personagens para beberem 
das suas aguas).— Por cima da lamina: Exemplo para bien biuir. 

Nas costas do frontispício principia o Index, que chega á folha seguinte 
sig. uij e na terceira começa a obra, que termina no reverso da sig. Kiiij com 
o seguinte colophon : 

Fueron impressas las siete dentas dei noble cauallero Fernan Perez de 
Guzman, en la noble y muy leal ciudai de Lixboa, en casa de la vinda que fite 
muger de German Gallard. Y acabaronse enel afio de M.D.Lviiij. A los vinte y 
uno de Março. 

4.°, lettra gothica. 

D'esta edição ha um exemplar na Bibliotheca Nacional de Lisboa. A des- 
cripção coincide com a de Salva. 

Perez Licea (Iuan). — o) Excelências de la Tercera Orden dei Seráfico Padre 
San Francisco, y la primera procission hecha en la Ciudad dei Funchal de la Ysla 
de la Madera. Por el Teniente Iuan Perez Licea Hermano professo de la dicha 
Orden Ano (vinheta xilographica) 1621. . . . Em Lisboa. Por António Aluarez. 

4.°, 2 fls. inn., 17 numeradas pela frente. 

Contém: titulo; licenças; dedicatória ao p. fr. António de S. Luiz, defi- 
nidor da Província, dous sonetos a S. Francisco, o poemeto composto de dous 
cantos em oitava rythma, e um soneto : Soliloqvio de vn hermano nouicio, &c. 

Pertencente á collecção Barbosa Machado, existente na Bibliotheca do Bio 
de Janeiro. Descripto no respectivo catalogo sob o n." 1:792. 

Cremos que o auetor é hespanhol. 

No Catalogo n.° 4 dos livreiros Pereira da Silva d C. a (Lisboa 1905; vem 
descripto um exemplar, posto á venda pelo preço de 12?j000 reis. É o n.° 3:620, 
a pag. 279. 

b) Vida admirável y preciosa muerte de la Bienaventarada Sancta Marga- 
rida de Cartona, de la Orden de Penitencia dei Seráfico Padre San Francisco. 
Dirigida a Gaspar Fernandes Gondin Ministro de la dicha Orden en la Islã de 
la Madera. — No fim: Impresso en Lisboa con todas las licencias necessárias 
por Paulo Craesbeeck. Anno 1633. 

1 vol. 8.°, de H-138fls. 

Exemplar de Nepomuceno. 

Perez de Montalvan (Juan).— a) Para | Todos | Exemplos morales, hu- 
manos, y divinos, en que se tratem divei~sas matérias, ciências y facultades. 
Repartidos en los siete dias de la semana, y con ahjvnas adiciones nvevas en 
esta undécima impression. Por el doclor Iuan Pirez de Montalvan, natural de 
Madrid, y Notário dei Santo Officio de la Inquisicion. Offrecido a la Sefiora 



(18Ml A LITTF.RATIRA HESPANHOLA EM PORTUGAL 363 

Dofia Maria Constantina de Sylva. (Gravurinha, representando um le5o rom 
pente e coroado n'nma cercadura oval de espinhos ou silvas). Lisboa. En la 
Oflicina de Domingo Carnero, Impressor de las três Ordones Militares. Con las 
licencias necessárias, {fio Í691. 

1 vol. i.", i'> pags. prel. inn., 507 pags. 

Na primeira das paginas preliminares a dedicatória, em portuguez, de 
Domingos Carneiro a D. Maria Constantina da Silva, religiosa em Odivellas. 

Exemplar que compramos a Rodrigues por 30000 reis, bastante traçado. 

In Svcessos ij Prodígios de Amar. En ocho nocelas exemplares. A/iadido en 
esta vitima impression el Orfeu a la Decima Musa. dei mismo Autor. Por el 
Licenciado Ivan Peres de Montaluan, natural de Madrid. Km Coimbra. Na 
Officina de Tnomé Carvalho Impressor da Vniuersidade. [nno 1656. 

8.°, :i lis. prel. com licenças, tabla e diversas poesias; 487 pags. 

Segue, em nova paginação, o Orfeo en lengva casteUana, 76 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Publica Municipal do Porto. 

Perpinham iPero de). — Valenciano. Jesuíta. Leu nos collegios da Com- 
panhia . em Lisboa, Évora e Coimbra. Esteve depois em Homa e Paris, onde 
falleceu na florente edade de .30" annos. Era grande orador e polemista. ffelle 
escreve Fr. Baltliazar Telles: 

«Elle foy o primeyro que com muyta eloquência, á graça, neste anno de 
looo, ao primeyro dia de Outubro, quando os nossos sahiram a primeyra 
vez a ler no Collegio real das Artes, em presença de toda a Vniuersidade, & 
do Bispo Conde Dom loam Soares, deo conta dos Collegios, q já tinha a Compa- 
nhia, A das escholas, q já tomara a seu cargo, & das causas porque aceytava 
esta oceupaçam de ensinar Philosophia, & letras humanas; mostrando como 
semelhantes exercícios, que parecem muy exteriores, nam desdouram, antes 
iilustram muyto a perfeyçam religiosa da Companhia: .No mesmo anno literário 
leve ii Padre Pêro de Perpinham outras duas orações publicas, huma em De- 
zembro, nas exéquias do sereníssimo Infante D. Luis, raro exemplo de Prince- 
pes Chrislãos; e outra a quatro de lulho, na lesta da Rainha S. [zabel, continuado 
os dons annos seguintes, conforme os estatutos da mesma Vniversidade, em ter 
as orações (que chamam da Bainha Santa i empregando sua eloquência, & seu 
talento na excelleucia das períeyções daquella alma bendita, idaquelie corpo in- 
corrupto; tudo com grande aplauso da Vniversidade, & admiraçam dos ouvintes». 

Isto lè-se a pag. .*>í):t da Chronica da Companhia de Jesv. Já antes (pag. 19l 
fallando do mesmo sujeito, tinha escripto Balthazaf Telles: 

«Delle temos hoje varias óraçoens impressas, que andam em hum volume, 
muitas delias eia louvor da Rainha saneia Isabel, lidas diante da Vniversidade 



364 A I.1TTERATIRA HESPANHOLA EM PORTUGAL (184) 



de Coimbra ; de cuja grande eloquência, 4 particular erudiçam pudéramos 
escrever outro livro mayor que o das suas óraçoens, etc». 
Nunca vimos a obra a que se refere Balthazar Telles. 

Pinamonti duan Pedro dei. — Exercícios espirituales de S- Ignacio de 
Loyola, dispostos en italiano para los seglares por el padre lua» Pedro de Pina- 
monti, de la Compartia de Jesus y traducidos en romance por oiro Padre de la 
misma Compartia. A costa de D. Carlos Santos Valiente, vecino de la Giudad 
de tíuenos-Ayres. Lisboa en la Regia Imprenta Sylviana, y de la Academia 
Real. M.DCC.LII. Con todas las licencias necessárias. 

4.°, 11 lis. prel. inn., 415 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Plana (Don Pedro Joseph de la). — a) Preludio Encomiástico y Representa- 
do» panegyrica con qve la família de el illvstrissimo Sefíor D. Emanuel de Sent- 
manat, y de latiuza, Marques de Caslel dos Rios, de el Consexo de su Magestad 
Catholica, e» el supremo de Guerra, y su Embiado extrahorditiario en esta Corte 
de Portugal, continua en celebridad de el feliz dia, en que el Sereníssimo Sefíor 
Príncipe D. Juan, cumple sus quatro dichosissimos anos. Compuesto por el lizen- 
ciado Don Pedro Joseph de la Plana, etc. Lisboa Na Officina de Miguel Manescal 
Impressor do Santo Officio, Ano de 1693. Con todas as licenças necessárias. 

4.", 12 pags. inn. (poesias laudatorias ao auctor), 31 pags. 

Exemplares da Bibliotheca Nacional de Lisboa e Bibliotheca Nacional do 
Rio de Janeiro (vol. xm, pag. 162). 

b) Lustral Celebridad con que las esclarecidas Províncias de el Nobilíssimo 
Reyno de Portugal concurren reverentes, y obsequiosas ai aplauso de el felicís- 
simo prímer Lustro, que cumple el Sereníssimo Senor Príncipe Don Juan, en el 
faustissimo dia 22 de Octubre de 1694. combidando á que le publique el affec- 
tuosso respecto de la família de el Illustrissimo Sefíor Don Manoel de Sentma- 
nat, y de Lanuza, Marques de Gastei dos Rios, de el Consexo de su Majestad 
Catholica en el Suppremo de Guerra, y su Embiado Extraordinário en Portu- 
gal. Repitiendo en la feslividad de tanto dia, su humilde afecto, la pluma de el 
Licenciado Don Pedro Joseph de la Plana, Notário Apposlolico Secretario, y Vi- 
sitador de el Illustrissimo Seíior Arpo Obispo Diocesis de Barbastro, Cura de la 
Iglesia Metropolitana de Nuestra Seíiora de el Pilar de Zaragoza, y de las Igle- 
sias de Rida, y Savinan en el Reyno de Aragon. Em Lisboa. Na Officina de 
Miguel Manescal, Impressor do Santo Officio. Anno MDCXCIV. 

4.°, 8 pags. prel. inn., 48 pags. Adornada de 5 gravuras, representando 
os escudos ou tarxetas das províncias que entram em scena. 



(185) A L1TTERATURA HESPANH01 \ EM PORTUGAL 365 

Ê uma ci idia ou loa, em verso, bastante interessante. 

Nas paginas preliminares lia versos laudatorios, em hespanhol, e alguns 
em portugaez, do Conde da Ericeira, do Sr. de Mello, de D. Francisco Ma 
carenhas Henriquez, de ^ndré Rodrigues de Mattos, do padre l». Gaspar da 
Encarnação, do padre D. Leonardo de S. José, do padre D. Mo de Christo 
e do Visconde de Asseca. Transcrevemos um soneto de D. Leonardo de 
S. José : 

Ho\ [Uo iflrmavSo, 

Entre vários abusos que 
Que de todos iquelles que moriSo (sic) 
A outi pi ilina 

Co a ido ei 1 1\ ío 

Nesta falsa opinião em que viviío, 
Mas que muito iheciâo, 

Quando se os ralsos Deoses adoravSo. 

Quem ler esl 

Pai to de vosso dmirá 

Qu o omii o m ilhores leva a palma; 

Si mi temor d i sensura rigurosa, 

barbara opinião talvez seguira, 
Dissera que de Lopo era vossa alma. 

Exemplar de Luis António. 

lia também na Bibliotheca Nacional de Lisboa e Bíbliothefa Nacional do 
Rio de Janeiro. 

c) Concurso festivo de las anuiu* en que obsequiosamente unidas empefían 
los afectos á celebrar el faustissimo dia 22 de Octubre de 1696, en que cumple 
s« sexto afio el Sereníssimo sefíor príncipe Doa Jvan. Continuando esta celebri- 
dad en su casa, a gloria de tanto dia, la respectuosa atencion de el iUmtris- 
simo sefíor f). Manuel de Oins, e.tc. Lisboa Na Officina de Miguel Maneecal, 
Impressor do Santo Officio, anno de 1696. 

1.°, .*i lis. prel. iim., 29 pags. 

É uma composição dramática em verso no gosto da anterior. 

Exemplares da Bibliotheca Nacional de Li.-boa e Bibliotheca Nacional do 
Rio de Janeiro. 



PlataíFr. Iuan de la).— Defensorio po» la antigvedad, legisladores, y santos 
de la sagrada Religion de N. Sefíora dei Cármen, de la anta/na obseruancia. 
Por el P. Fr. Ivan de la Plata, Predicador >j coronista dei mimo Orden, natu- 



360 A L1TTKRATURA HESPANHOLA EM 1'OHTUUAL (186) 



rol de Seuilla. Dedicado a la se/tora D. Antónia Enriquez, Digníssima Priora 
de la Termo Orden de nuestra Sefwra dei Cármen. Fite impresso en Seuilla, 
ano P,W. Aora segunda vez con iodas las licencias. En Lisboa. Por Paulo 
Craetbeeck Impressor de las Ordines Militares. Afio 164õ. 

4.°, 6 pags. prel. inn., i i3 pags. 

Exemplar da Bibliotheea Nacional de Lisboa. 

Pradilla Barnuevo i Francisco de).— Tratado y summa de todas las leyes 
penates, ele. Lisboa, por António Alvares, 1615. 
1 vol. 8.° 
Exemplar da Uibliotheca da Ajuda. 

Proclamacion católica a la magestad piadosa de Felipe el Grande, Rey de 
las Espanas, y emperador de las índias nveslro sefwr. (Este titulo por baixo 
de uma gravura tosca, representando dois anjos adorando uma custodia). Los 
conselleres, Consejo de dento de la Ciudad de Barcelona. Impresso en Barce- 
lona, & agora em Lisboa por António Aluarez Impressor dei Rey nosso Senhor. 
Anno de 1641. 

4.". 169 pags., mais 3 inn. de índice. 

Pujol (D. Francisco).— a) Respuesta a un amigo y avisos para todos. De- 
dicada ai il. m ° Sr. Redor, y claustro de la Real, y Pontifícia Universidad de 
la Ciudad de Santo Domingo, Capital de la Islã Espaãola, una de las Antil- 
las. Con la que se satisface a una pregunta dei Doei. D. Joseph Eusébio Llano 
Zapala, Examinador de la Facultad de Medicina, y Professor publico de His- 
toria Natural, y leuguas sabias. Siendo su autor Dou Francisco Pujol, doei. en 
medicina, revalidado por el Real Protho-Medicat de Castilla, agregado ai de 
Portugal, Sócio Physico-Medico de la Regia Sociedad de Ciências de Sevilla, 
Académico de las Reales Academias Medico-Matritense de Nra. Seftora de la Es- 
peranza, y de la Portopolitana, Natural dei Lugar de Santa Maria de Olost., 
Obispado de Vicli en el Principado de Cathalufia, Medico en la Corte de Lis- 
boa. Lisboa. Na Off. de Joseph Filippe. MDCCLXI. 

4.°, 23 pags. Tem em seguida mais 8 pags. 

Outra carta dirigida á Universidade de S. Thomaz de Aquino, fundada 
no convento imperial dei Sagrado Orden de Predicadores, en la Islã de Santo 
Domingo, Cabeza de las Lucayas. 

Ambas são datadas de Cadiz: a primeira, de 10 de janeiro de 1758, e a 
segunda, de 2 de junho do mesmo anno. 

Exemplar da liibliotheca Nacional de Lisboa, n.° 2:978 (amarelloi. 



(187l A UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL .'{67 



b) Carta apologética, critico-medica. Su author, el doclor D. Francisco PI. 
medico en la corte de Lisboa <èc. Natural dei Principado de Catalufía. Dada á 
luz, por un Cacallero Portuguez, amante ilc la Verdad, y de la publica Salud. 
Lisboa. En la Imprenta de Joseph Phelippe. Afio 1760. 

4. ■', 20 pags. 

É uma resposta a um papel attribuido a Joaquim Pedro de Abreu. Versa 
sobre a enfermidade, que tirou a vida ao Conde dos Anus. 

Quesiion d'amor. — No frontispício, debaixo de varias tiguras. gravadas 
em madeira, lè-se: libro Uamado 'pus/mu (sic) | de amor. 

1 vol. l.°, 64 pags. inn., caracteres gothicos. 

A ultima pagina, na II. 63, conclue deste modo: 

Fenescc el libro Uamado que- | slion de amor. Impresso en Lisboa en casa 
de Luys Ro- \ driguez tibrero d'lrey m/estro seíior. Acabose el pri- \ mer dia de 
Diziembre. Armo de MD.XL. 

No verso desta pagina o escudo do impressor. 

Possuía uni exemplar F. A. Varnhagen, que o descreve na sua obra Da 
Litteralura dos livros de cacalbiria, (Yienna 1872), pags. 229 e seguintes. 

Quevedo Villegas (D. Francisco de) — a) Desvelos sofiolientos y verdades 
sanadas. Por Don Francisco de Quevedo Villegas, Cauallero dei Ordcn de San- 
tiago, y Sefior de la Villa de Iuan Abad. Corregido y enmendado agora de 
nueuo, por el mismo Autor, y afiadido vn tratado de la Casa de Locos de 
Amor. Con todas las licencias necessárias. En Lisboa por Luís de Sousa, 
1629. 

8.°, 3 fls. prel. inn.. 191 pags. 

A approvação do Santo Officio, assignada por Fr. Feliciano Moutel, é 
muito curiosa pela sensatez e espirito de tolerância. Diz assim : 

«Este Liuro nam tem cousa contra nossa santa Fé, nem os bons costu- 
mes, antes he por estremo engraçado; nem o que se riscou he perjuizo im- 
primirse, porque se ouuerem de riscar os chistes, á graças que dizem os 
Autores não ouuera no mundo comedias, contos, nem autos pêra entreteni- 
mento da gente, do que se seguira mayor dano, que de se ler em bum Au- 
tor huma ociosidade. Em Sam Bernardo de Lisboa a 20 de Dezembro de 628». 

b) Desvelos sonolientos, Lisboa, Mathias Rodrigues, MDCXXXUI. 
8.° pequeno. 

Catalogo do Marquez de Castello Melhor e catalogo de Pereira da Costa, 
1788. 



368 A LITTERAITRA HÊSPANMQLA EM PORTUGAL (188) 

c) Politica de Dios, Govierno de Christo. Avtor Don Francisco de Queuedo 
Villegas, Cauallero dei Ordcn de Santiago, serior de la villa de la Torre de Iuan 
AbOd. A dou Gaspar de Gvsman Conde Duque, grãn Canciller mi senor. Lleva 
atíadidos três capitulo* que le faltauan, y algunas planas, y renglones, y va 
restituído a la verdad de su original. (Dous textos de S. Paulo e S. Joan). 
Ano 1630. Con licencio. En Lisboa. Por Malhias Rodrigues. A cosia de Domin- 
gos Pedroso Mercader de libros. 

1 vol. 8.°, 13 fls. prel. inn., 00 num. pela frente, mais 2 imi. de Tabla. 

d) Las obras dei Marques VirgiUo Malvezzi. Dauid perseguido, Rómulo, y 
Tar quino. Tradvzido de italiano, por Don Francisco de Queuedo Villegas. Caual- 
lero dei Abilo de Santiago, Sefíor de la Villa de Iuã Abad. Dedicados. A Antó- 
nio de Saldana Cauallero professo dei habito de Christo, y Capitan de cauallos, 
de las caraças, en las fronteras de Alentejo. En Lisboa. Con todas las licencias 
necessárias. Por Paulo Craesbeck. Ano de 1648. Impressos d costa de Iuan 
Leite Perera, mercader de libros. Vendese en su casa. 

1 vol. 8.°, 6 pags. inn. com licenças e dedicatória do editor em portu- 
guez, 140 pags. numeradas pela frente. 

É curiosa uma das licenças, que dá indicações para a historia bibliogra- 
phica do livro. Por isso a transcrevemos : 

«Vi estes três liuros do Marquez Virgílio Maluezzi, a saber Dauid perse- 
guido, impresso ern Tortosa no anno de 636. Tarquino o soberbo, impresso 
em Madrid, no anno de 63o. Rómulo, impresso em Tortosa, no anno de 636. 
Não tem cousa que encontre nossa santa fé. ou bons costumes. Lisboa, no 
Gonuento de Santíssima Trindade, em 16 de março de 646. 
«O D. Er. Adrião Pedro». 

Salva cita, sob o nome de Virgílio Malvezzi, a seguinte obra : David per- 
segvido. Traduzido dei Toscano en Espanol Caslellano. Por don Aluaro de To- 
ledo. Barcelona, Pedro Lacavelleria, 1636, 8." 

É curioso que na edição portugueza, no principio do David persegvido, 
também diz: «tradvzido de Toscano en Espanol Gastellano por Don Aluaro de 
Toledo»." 

N.° 690 do catalogo de Ferrão. 

Exemplar de Rodrigues. 

e) El Pamasso Espaftol, Monte en dos cvmbres dividido. Con las nveve 
mvsas castellanas. Donde se contienen poesias de D. Francisco de Queuedo Vil- 
legas, Cauallero de la Orden de Santiago, y senor de la Villa de la Torre de 
Juan Abad. Al senor Salvador Corrêa de Saa, y Benauides, Gouernador, y 
Capitan General de los Reynos de Angola, dei Consejo de Guerra de S. Ma- 



(189) A LITTERATDRA BESPANHOU IM PORlUGAL 369 



gestad, etc. flvstradas por Don Joseph António Gonzalez de Salas, Caual- 
lero de la Orden de Calatraua, y sefior de la antigua casa de los Gonzalez de 
Vadiella. Con Licencia. En Lisboa. En la tmprenta de Pablo Crasbeeck. Afio 
1652. 

I vol. 4.°, IO pags. prel. um.. SOO pags., mais IS iim. de Sumários. 

Na dedicatória do livreiro lé se o seguinte período: «... este livro das 
obras em verso do grande Poeta D. Francisco de Quevedo, que por minha 
industria sae segunda vez a arrecadar o aplauso do mundo. ..». Esta maneira 
de dizer pode ficar sujeita a duas Interpretações: ou que Paulo Crasbeeck edi- 
tava pela segunda vez a obra, ou que publicava a segunda edição. 

Salva {Catalogo, lomoi, pag. 187) descreve, sobon." 1:366, uma .edição 
de Madrid de 1668, no prologo da qual o editor, Mateo de la Bastida, declara 
que é a terceira edição, <> distincto bibliographo hespanhol declara, porém, 
que ignora a data das edições anteriores. 

Exemplar da Bibliotbeca Nacional de Lisboa. 

f) Ensefiaça Entretenida y Donairosa Moralidade comprehendida en el Ar- 
chivo Ingenioso de las Obras escritas en Prosa He Doa Francisco de Qvevedo 
Villegas, Cauattero de la Orden de Santiago, y Seítor de la Villa de la Torre 
de Iuan Abad. Contienense en este Tomo, las que sparcidas en differentes Libros 
hasta aora se han impresso. Ofrecidas " Pedro Severim d'- Noronha. En Lisboa. 
Con todas las licencias necessárias. Km la Imprenta de Pablo Craesbeeck, y á 
su costa. Ano de 1657. 

• 1 vol. 4.°, 2 cols., 4 pags. irm. 483, 92 pags. 

A dedicatória, em portuguez, assignada por Paulo Crasbeeck, tem a data 
de 9 de junho de 1657. Occupa as duas primeiras paginas innumeradas. 
Na terceira os titulos das Obras contenidas en este tomo, e no verso as licen- 
ças. Eis a lista das obras: 

La historia, y Vida de el gran Tucano, dinidida en dos Libros, folio 1 ; 
El Suefio de las Calaveras, folio 88 ; El Alguacil Alguacilado, folio 95 ; Las 
Zahurdas de Pluton, folio 103; El Mundo por de dentro, folio 131; La Visita 
de los Chistes, folio 14í ; Cartas dei Cauallero de la Tenaça, folio 173; Libro 
de todas las cosas, y otras trinchas unis, folio 182; Aguja de navegar Cultos, 
foi. 192; 1m Culta Laliniparla. folio 194; El Entremetida. La Ducfla, y el 
Soplon, folio 200: El mento ih' cuenlos, folio 234; Casa de los Locos de Amor, 
folio 234; La Prematica dei tiempo. folio 2o8; Govierno superior de Dios, y 
tirania de Satanás, folio 322 ; El Perro y la Calentura, Novela Peregrina, 
folio 266 ; Tira la piedra, y esconde la mano, folio 286 ; Los Remédios de qual- 
quier Fortuna, folio 304; Vida de Marco Bruto, folio 406; Vida de S. Paulo (sic) 
Apostol en el fim, folio 1. 



370 A LITTERATURA llt.SPANHOLA EM PORTUGAL (190) 



Como se vé, a Vida de San Pablo tem numeração á parte (92 pags.) e é 
por cerlo tiragem ou edição separada. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

g) Primeva parte de la vida de Marco Brvto. Escriuiola por el Texto de 
Plutarco, ponderada con discursos, D. Francisco de Quevedo Villegas, Cauallero 
de la Orden de Santiago, seftor de la Villa de Iuan Abad. A don Francisco 
Manuel de Mello, Comendador dei Espinel, en la Orden de Christo. En Lisboa. 
Con todas as licencias necessárias. Por Pablo Craesbeeck. Aíio de 1647. 

\-l.°, H lis. piei. inn., 240 pags. 

Exemplares da Bibliotheca Nacional de Lisboa e Bibliotheca da Ajuda. 

h) La caída para levantar se. El ciego para dar vista. El montante de la 
iglesia. En la vida de san Pablo Apostol. Escriue Don Francisco de Queuedo 
Villegas. Obra Teóloga, Ética y Polilica. Al seuor D. Francisco de Faro Conde 
de. Odemira, dei Consejo de S. Magestad, y Veedor de su Real hazienda. &c. Em 
Lisboa. Con todas las licencias necessárias. Por Pablo Craesbeeck. Afio de 1648. 

12.", H íls. prel. inn., 126 numeradas pela frente. 

Exemplares da Bibliotheca Nacional de Lisboa e Bibliotheca da Ajuda. 

Nepomuceno possuia um exemplar com ante-rosto gravado em chapa 
de cobre. 

Quinhones (D. Juan de).— Carta que escrivio ai P. Fr. Diego de los Reys, 
de Madrid a Sevilla. Lisboa, o/ficina de Lourenço de Anveres, 1642. 
4.° 
Exemplar da Bibliotheca da Ajuda. 

Ramirez Arellano (D. Luis). — Avisos para la mverte. Escritos por algu- 
nos Ingenios de Espana. Anadidos en esta segunda impression con algunas obras 
de Ingenios Portuguezes. Dedicados a Christo crucificado. En Lisboa. Con todas 
las licencias necessárias. Por Domingos Carneiro, y a su costa, ano 1659. 

1 vol. 16.°, 11 fls. prel. inn., 14o (?) numeradas pela frente. 

O exemplar que examinamos pertence á Bibliotheca Nacional de Lisboa e 
vai só até fls. 143. Vè-se, porém, pelo indice que só lhe poderá faltar uma 
folha. 

Na licença, assignada por Fr. Agostinho de Cordes (S. Domingos de 
Bernfica 10 de Mayo de 1658), diz-se que este livro fora publicado por 
D. Luiz de Avellano, em Barcelona em 16o6. Os ingenhos portuguezes 
são António Barbosa Bacelar, Joseph de Faria Manuel e Soror Violante 
do Geu. 



(191j A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 371 

Gallardo {Erisayó de una Biblioteca* descreve dnas edições, ambas de 
Madrid, uma de 1634, outra de 1659 (n." 3:5(57 e 3:568). Salva descreve 
varias e refere-se á de Lisboa, que não descreve completamente por faltar ao 
seu exemplar o frontispício. Vê-se por aqui que são 144 as folhas. Da lhe o 
formato de 24.° (Salva, n.° 165 a 168). 

Ramon Marti (Angel). — A la feliz Uegada a Lisboa de S. A. R. el SS. In 
[ante D. Miguel. Melodrama alegórico en un acto. Lisboa, 1828, Imprensa da 
Rua dos Fanqueiros. 

4.°, 10 pags. 

O auctor era Taquigrapho mayor de las Cortes de Portugal. 

Exemplar de Annibal Fernandes Thomaz. 

Rebolledo (Conde de). Voto dei Conde Rebolledo natvral de Leon, sobre 
las tregvas de Portugal. Lisboa. Con las licencias necessárias. En la Emprenta 
de Diego Soares de Bullones. Ano 1667. 

4.°, 3 tis. inn., incluindo o frontispício. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Relaciones. — o) Relacion de ma carta qve vn sefior de la Corte embio a 
m amigo svyo. En qve trata de lo que succedio en la muerte dei Rey Don 
Felippe Tercero. . . Y ansi mesmo le da cuenta de lo que el nueuo Rey su hijo 
a comencado a hazer, y ha hecha hasta la fecha desta. Impressa em Lisboa por 
laão Rodrigues. Anno de 1621. 

4.°, 8 lis. inn. 

N.° 468 da collecção Barbosa Machado nos Annaes da Bibliotheca Nacio- 
nal do Hio de Janeiro. 

b) Relacion de dos milagros que dios obro en fíalia, por intercession de 
S. Rita de Casia, y el renerable padre Fr. Atuíres Monreal, ambos de la obser- 
vância dei Ordem dei Grau Padre San Augustin. 

Começa logo a Relacion em verso, a 2 cols., 3 pags., 4." 

No fim: — IÂsboa Occidental, eu la Impression de Musica. Con las licencias 

necessárias. Ano 1730. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa, fazendo parte da collecção 

1:426 (azul). 

c) Relacion de las fiestas reales y icego de cartas, qve la magestad catholica 
dei rey nvestro seíior hizo a los reinte y vno de Agosto deste presente a Tio, para 
honrar y festejar los tratados desposorios dei sereníssimo Príncipe de Galês, con 

a sefiora Infanta dona Maria de Áustria. Lleua ai fin vna carta en que trata, 
como se juraron las capitvlaciones por su Magestad, y Príncipe de Galés de los 



372 A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (192) 

casamientos, y de la despedida dei Príncipe, y buella a Inglaterra, y de las 
grandiosas dadiuas que su Majestad le dio, y a atros Ingleses Caualleros: y 
ansi mimo lo que el Príncipe de Galos ofrecio ai Rey, Reyna, Infanta, è In- 
fantes.— 'Sn fim : Em Lisboa. Com licença da S. Inquisição, Ordinário, & Paço 
por Pedro Crasbeeck Impressor dei Rey Anno 1623. Taxase em oito reis. Em 
Lisboa a 25 de Setembro de 1623. D. de Mello. Araújo. 

Folio, 4 fólios inn. 

Exemplar de José Borges Pereira (Inflas). 

d) Verdadera, y breue relacion de las exéquias, y deposito dei cuerpo de 
su Alteza el sehor Archiduque Alberto (que este en gloria) en Brusselas, en la 
Capilla dei Sfmctissimo Sacramenta dei Milagro.^-No fim: Com todas as licen- 
ças tiecessarias. Em Lisboa. Por Pedro Craesbeeck Impressor dei Rey. Anno 
1622. 

Folio, 2 fls. 

Descripto em Gallardo sob o n.° 339. . 

e) Relacion de las Fiestas que los Príncipes y Nobleza de Francia por man- 
dado de los Reyes christianissimos han hecho a la alegria de los casamientos de 
Espaí/a. Impresso en Lisboa con licencia de la santa Inquisiciõ, por Pedro 
Graueez,- este afio de 1612. 

Por baixo deste titulo começa o texto, que occupa 4 fls. em 4.° 
O Graueez é por certo erro, devendo ler-se Gracez. 
Gallardo, n.° 4:384. 

f) Relacion. de las cosas de Iapon, China, y Filipinas. Y de la cruel per- 
secucion que padece aquella Christiandad y dei numero de Martyres que en ella 
lia auido. Assi mismo se dizen los espantosos terremotos, y aberturas de tierra, 
juntandose los motes imos con otros, assolado Ciudades, y haziendo grandes 
estragos. Escrito por vn Religioso de la Compartia, que assiste en las Filipi- 
nas, a oiro de México, y de alli emhiado en el auiso a los de la Ciudad de 
Seuilla. Ano (monogramma da Companhia) 1621. Impressa en Lisboa con todas 
as licenças necessárias por João Rodrigues. t 

4.°, 4 foliòs inn. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 



q) Relacion breve de los grandes y rigurosos martírios que el ano 
de 1622 dieron en el Iapon a ciento yfUez y ocho illustrissimos Martyres, sa- 
cada principalmente de las cartas de los Padres de la Compania de Jesus que 
alli residen: y de lo que han referido muchas personas de aquel Rey no que en 



(193) A L1TTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 373 



dos nauios Uegaron a la ciudad dè Munia a 12 de Agosto de 1623. (Este titulo 
acha-se do alto da primeira pagina). No lim da ultima: Con todas las licen- 
cias necessárias. Lisboa. Por Giraldo da Vinha. Atino 1624. Ettá conforme 
cot) o seu original. Lisboa 19 d* Julho de 1624. D. Jorge Cabral. Tavcasse esta 
relação em ■ ■ ■ reis. 

Folio, 4 pags. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

In Relacion (segunda) de la sumptuosa mirada çon pallio en Madrid dei 
Príncipe de Inglaterra. Lisboa. Giraldo da Vinha, 1623, 
Folio, í pags. 
Mannscriptos. WisceUanea, tomo n, da Bibliotheca da Ajuda. 

Ribadeneyra (Padre Pedro de), a) Hystoria ecclesiastica dei scismu dei 
Reyno de Inglaterra. En la anal se trata las cosas mas notables q hatt sucedido 
en aquel Reyno tocãtes a nuestra saneia Religion, desde que començo hasta la 
muerte de la Reyna de Escócia. Recogida de diuersos y graues Autores, por el 
Padre Pedro de Ribadeneyra, de la Compafíia de Tesus. Dirigido ai Príncipe 
de EspaTía Don Felipe nuestro sefíor. En Lisboa. Impressa con licencia de la 
Sancta Inquisiciõ y Ordinário: En casa de António Aluar ez. Ano de 1588. 

8.°, M lis. prel. iiiu., 249 lis. numeradas pela frente, mais tí hm. de 
Tabla. 

\ approvaçãò, de IV. IJartholomeu Ferreira, é do theor seguinte: 

«Vi esta Hystoria Ecclesiastica, por mandado de s. A. & alem de não 
ter cousa contra nossa Sancta Fé, lie Hystoria de edificação, á- será muito 
proueitosa aos Lectores, & he digna de ser sabida de todos, por onde será 
muito seruiço de Deos imprimirse». 

A segunda parte tem o mesmo frontispício (sem indicar todavia segunda 
parto, mas as licenças são differentes. Diz a de Fr. Nartliolomeu Fer- 
reira : 

«for mandado de S, A. Vi esta segyda parte da Scjsma de Inglaterra, 
Autor o padre Pedro de Ribadeneyra da Companhia de lesv, & me parece, 
que será seruiço de Deos imprimirse, á fará muito frueto a sua lição, assi 
para nossa Saneia Fé, como para os bõS costumes». 

8.", 7 tis. prel. uni., 108 tis. 

Tem no lim: En Lisboa. En casa de Manoel de Lyra, Ano de 1594. 

b\ Hystoria ecclesiastica dei scisma dei reino de Inglaterra, En la e/iial se 
tratan tas cosas mas notables que bati sucedido en aguei Reyna tocantes a nues- 
tra santa Religion, desde que çomenço, hasta la muerte de la Reyna de Escócia. 



374 A LITTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (194) 



fíecogida de diuersos y graues Autores, por el Padre Pedro de Ribadeneyra, de 
la CompaUia de lesvs. Dirigida ai Príncipe de Espafia Don Felipe nuestro se 
fíor. Impressa con licencia por Manuel de Lyra 1589. 

S.°, 1 1 fls. prel. inn., 258 fls., afora 4 inn. de Tabla. Tem só os dois livros. 

A approvação, de Fr. Bartholomeu Ferreira, é a mesma de 1588. 

Ha uma traducção portugueza de Pedro Nicolau de Andrade, Lisboa 1732. 
Vide este nome em Innocencio. 

António Ribeiro dos Santos (Memorias de Litteratura da Academia, 
tomo viu, pag. 113) menciona uma edição em 2 vols., 8.°, estampados, o 
primeiro em 1588 e o segundo em 1594. É a descripta em a). Innocencio 
declara ter possuído uma edição differente das citadas, pois era n'um só vo- 
lume e tinha 374 fls. numeradas pela frente. 

Ribero (Dr. Gaspar de). — Questio de Fascinatione edita a Gaspare ã Ri- 
bero in medicina Licêtiato et ilustrissime Caterim lusitanie regine & medico.— 
No fim : Deo grãs. ^f Explicit qstio de fascinatioê a Gaspare de Ribero in Me- 
dicina licêtiato. Et illuslrissime Katherine: Lusitanie Regine <£• edita: istillo 
repetitionis compósita. 

4.°, 14 fls. inn., sig. a-b. 

Sem designação de lugar, imprensa ou anno. O frontispício representa 
ao fundo um astrolábio. No reverso dedicatória ao rei D. João de Portu- 
gal (3.°). 

O auctor parece-nos hespanhol. A circunstancia do auctor ser medico 
da rainha D. Catharina e o ser o livro editado ou mandado imprimir por ella 
leva-nos a crer que seria impresso em Lisboa. 

Descripto em Gallardo sob o n.° 3:621. 

Na livraria do filho de Colombo havia uma obra com titulo idêntico : 

Traclatus de fascinatione, editus a Didaco Alvari Chama. (Yide Gallardo). 

Barbosa falia de um medico portuguez, que cursou as faculdades de 
Coimbra e Salamanca e também escreveu um Tractatus de fascinatione, que 
não se publicou por falta de licença. Veja-se o artigo João Caldeira na Biblio- 
theca Lusitana. 

Ribes (Joseph de). — Comedia famosa. El sitio de Barcelona, y fuga dei 
dvque de Anjott. De Joseph de Ribes. — No fim: Em Lisboa. Con todas las licen- 
cias necessárias. Em la imprenta de Bernardo da Costa Carvalho. Ano 1707. 
A costa de Manoel de Figueyredo mercader de libros baxo el arco de la Conso- 
acion a San António. 

4.°, 36 pag. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 



I ' "5 A LITTERATI l;A III SI'ANHOM R.M I'0RT1 OAL 

Roa (PadreMartin de), a) Benefícios dei S." Angel de nvestra grarda. 
Por el P. Muniu de Boa, de la Compartia de fesvs Ano (mouogramma tia 
Companhia) 1634. Con las licencias necessárias. En Lisboa. Por António 
Aluar cz. 

1 vol. 8.°, 6 lis. prel. inn., 162 numeradas pela frente. 

6 Estado de los bienavenlvrados en el cielo. />• los mitos en el limbo. De 
los condenados en el inficrno: ij de todo esto Vniuerso despues de la resurrecion, 
y juizio vniuersal. Por el padre tiartin de Boa de la CompaRia de lesas. Con 
licencia. En Lisboa. Por António [luares, [nno 1630. 

I rol 8.°, 116 lis. numeradas pela frente, mais 5 inn. de Advertências 
e índice. 

c Estado de las almas de Purgatório. Correspondência que hazen a sus 
fiores. Meditaliones, > vários Exemplos a este propósito. Pot el P \ía\ 
lin th' Boa de la Compania de leses. Con licencia dela S. Inquisirion , Ordi- 
nário, y dei Bey. Em Lisboa por Giraldo da Vinha. Anuo 1024. 

I vol. 16.°, 7 (Is. prel. inn., 190 numeradas pela frente. 

d Idem, nina. Em Lisboa. Poi Matlheus Pinheiro. Anno 1627. 
1 vol. 16.°; o exemplar vae só até II. 151, faltando lhe algumas. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Rocha y Figueroa (Dnii Gomez de la). Filosofia moral derivada dela 
alta [rente dei grande Aristóteles slagirita. Escribiola en toscano el conde cacal- 
lero gran cruz Don Manuel Tliesauro Patrício Turinense. Traducela en Espa 
Tiol D"/t Gomez de In Rocha, </ Figucroa. Dedicala ai excellentissimo senou 
l>. Ivan Li is de Orleans, conde de Charni, genlilhombre de In rumina de sw 
magestad, capitan general de lu cavalleria de Estremadura. Lisboa. Eu In /»«- 
prenta </<■ António Craesbeech </< 1/.//" Impressor de la Casa Beal. Afío de 1682. 

t vol. 'i.", 18 pags. inn. de dedicatória, prologo, licenças e índice, 140 
pags., -2. col. 

Pela Suma dei privilegio se vê que o auetor era «vecino j natural de la 
ciudad de Badajoz». A licença, de Madrid, inn a data de outubro de 1681. 

N." :!-..'>*_! do catalogo do Marquez de Caslello Melhor. 

Exemplar da Bibliotheca da Ajuda. 

Rodriguez (Lucas). \Romancero hysloriado mu mucha variedad de glosas 
u Sonetos a nl fui una floresta pastoril, y cartas pasloriles. Hecho y recopilado 
por Lucas Bodriguez, escriplor de la vniuersidad '!<■ Ucala 'Ir Henares. I>> 

HlST. E MKM DA ACAD fOMOTIl PARTE II.— N.° 5, l? 



376 A LITTKRATUBA HESPANHOLA EM PORTUGAL (196) 



rígida ai Wustrissimo senor Melchior de Herrera Marques deAufion, dei Consejo 
de hazienda de su Magestad. (Escudo do impressor). Impresso por Andres 

LobatO. \í«> U.n.L.rr.nuj. 

I vul. 12.", 263 fólios, sig. A-Y. Figuras em madeira. 

A approvaçSo, sem data, é de Fr. Bartholomen Ferreira e a licença de 
Lisboa 29 de julho de 1584. 

Apesar de não indicar lugar, pela approvação, licença e nome do im- 
pressor vê-se que é de Lisboa. 

Gallardo, que descreve esta edição sob o n.° 3:659, suppõe que falte ao 
seu exemplar uma folha no caderno final. 

Rodriguez de Guevara (Alfonso). — Alphonsi Rod. de gueuara Granaten- 
sis, in Academia Conimbricensi rei medicce professoris, & ínclitas Regina mediei 
phisici, in pluribus ex ijs quibus Galenus impugnatuf ab Andrea Vesalio Bru- 
xeíêsi in cõstructione & vsu partiam corporis humani, defensio: Et nonnullo- 
rum iji/ip in anatomè deficere videbantur supplementum. Cgnimbricce. Apud loan. 
Bauerium Typographu Regiam. M.D.LIX. 

8.°, caderno de 16 pags.; rubricado AAinj etc, 7 íls. prel. inn., 298 
pags., mais 1 fl. inn. de erratas, mais 3 íls. de indiee coordenado pelo licen- 
ciado Diogo de Ribeira dacobum à Ribeira), mais 1 fl. avulsa com a appro- 
vação de Marcvs Romoevs. 

Nas preliminares, dedicatória ã rainha e prologo ao leitor, o qual é 
muito interessante para a biographia do auetor e para a historia da medicina 
hespanhola. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa (sala 4. a , n.° 7:359j. É mui- 
tíssimo curioso este exemplar: numa das guardas, declaração de ter sido 
dadiva do auetor no anno seguinte ao da publicação. Descobrimos que o per- 
gaminho que servia de capa continha um desenho muito apreciável e bem 
conservado — a planta de um palácio, casas de saa senhoria — do século xvr, 
talvez o palácio dos Vidigueiras, a S. Roque. É documento precioso, artístico 
e archeologico, e que merece ser seriamente estudado. 



Rojas (D. António de). — Vida dei espirita para tener oracion y anion 
con Dios segun los sagrados Dadores, que eu la contemplar ia», anion, 
y myslica Theologia mas se aventajaron, compuesto por D. António de 
Rojas. 

Lisboa 1645, 12.°, viu pags. con licencias, censura y ai pio Lector, 
331 pags. de texto e mais 6 inn. de Tabla. 

Communicação de Garcia Peres. 



(197 A LITTERATURA HESPANHOLA Eil POBTUGÁ) .'i7/ 

Rojas (luan Luís de).— Relacione* de algvnos svcessos prostreros de H>/ 
beria. Salida de los Woriscos d* Espafía, y entrega de Alarache. Dirigidas a 
Dou Fernando Mascarenhas Cauallero de la Orden Militar de Christo. Com- 
puesta por Tuan Luis de Rojas. Em Lisboa Impresso por lorge Rodriguéz. Com 
as licêças necessárias. Anno de 1613. Ta i ado na Vesa do Paço 40 reis em papel. 

8. pequeno, :i fólios, prel. inn., 90 numerados pela frente. 

Nas preliminares: licenças; dedicatória do auctor, muito encomiástica, 
de I». Fernando Mascarenhas, e El iutor a la obra \fadrigal. 

V. temas Rei icion si I 

\l.-iin Cririco Zoilo, 

\ menos que a Ceniza condenare 

l'or bárbaro tu 

Que \n Mecenas te doi con q eternizas 

Mas i) ii la \ ida fama en tus cenizas 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Roman (Fraj Hieronymo). a) Historia de la rola dei mvy religioso Varon 
Fray Luys de Montoya de la orden de San! Augustin, Vicário General en la 
Prouincia de Portugal de la mesma orden. Ordenada por Fray Hieronymo Ro- 
man, Coronista de la misma orden de Sant Augustin. Dedicadaala mnylllus- 
ora Dona Cecília Deça. (Este titulo está por cima de um brasão de ar- 
mas, que occupa mais de metade da pagina). 

Estas armas acham-se repetidas nas obras de Publio Virgílio, traduc- 
ção 'ii: prosa castelhana de Diego Lopez, Lisboa 1020. Consultar esta 
obra. 

exemplar que temos presente, talvez por aparado, não tem a indica- 
ção typograpbica, mas dizia Nepomuceno que fora impresso cm Lisboa em 
1589 por António Alvarez. 

1 vol. 8.°, 19 lis. prel. inn., 110 fls. numeradas pela frente. 

No verso do rosto vem logo a approvação e licenças. O parecer de Frey 
Bartholomeu Ferreira é do theor seguinte: 

«Vi por mandado de S. A. a vida do Religioso Padre Fray Luys de 
Montoya: Composta polo Reuerendo Padre Fray Hieronymo Roman, Cho- 
ronista da ordem de Saneio Augustinho, na qual não ha cousa contra nossa 
Fé & bõs costumes, antes exemplos de edificação, para imitação dos reli- 
giosos & pessoas spirituaes, por onde a tenho por digna da impressão. Com 
tanto que se imprima a aprouação do Ordinário das obras marauilhosas, 
que aqui se referem, que o Senhor fez pelo seu seruo, 7 de Dezêbro I58R. 

Frej Berlholameu Ferreira». 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 



378 A I.ITTEIUTURA IIESFANIIOLA EM PORTUGAL (^^) 

Salva iii." 3:506) só menciona de Hieronymo Roman a Historia de los 
das Religiosos infantes de Portugal, Medina, 1595. Gallardo desereve esta 
e a Crónica de la órden de los Ermitvnos dei glorioso Padre Santo Angus- 
ti/i, etc, Salamanca 1569. 

Braz Freire de Fina imprimiu em Lião, em 1(127. a seguinte obra: De 
rebvs S. Elisabeth® Lvsitanorvm Regina Lilri dvo; na nota preliminar dos 
auctores que trataram ou se referiram a Santa Isabel, diz o seguinte: «Fra- 
ter Didacus de Rosário Dominicanae familiar, & Frater Hieronymus Romanus 
Augustiniana;, vterque suam Lusitanè». 

Não sabemos da existência d'esta obra: do prologo da Historia de los 
ilos Religiosos vê-se que o auctor tinha recolhido en diez y seis centúrias as 
Vidas ile los Sanctos de Espafia e ahi incluiria por certo a Vida de Santa 
Isabel. 

O auctor da Historia Genealógica, D. António Caetano de Sousa, refe- 
re-se ainda a outro trabalho histórico de Roman, de que ninguém accusa 
exemplar ou dá noticia. Seria talvez manuscripto. 

Existe effecti vãmente um manuscripto na Bibliotheca Nacional de Lisboa, 
que estava prompto para imprimir. 

b) Historia de la Ínclita cavalleria de San Tiago en la corona de Portu- 
gal. Por fraij Jeronymo Roman. 

4.°, 76 fls. numeradas de um só lado. 

Manuscripto pertencente á collecção Pombalina, n.° 24, na Bibliotheca 
Nacional de Lisboa. 

Parecia que estava prompta para a impressão, pois já tinha a approva- 
ção da ordem. 

Outra copia na livraria dos Condes de Tarouca. Vide Catalogo, pag. 20. 

c) La Historia dei religiosíssimo y Real Monesterio de Alcovaça de la orden 
de San Bernardo. 

Acha-se no códice 686 da collecção Pombalina, de 11. 200 a 255. 

d) Historia de la Ínclita cavalleria de Avis en la corona de Portugal. 
Tem no fim a approvação (1591) e licença para se imprimir. Copia do 

original, que se conservava na livraria do Marquez de Gouveia. 
4.°, 203 pags. 
Códice 23 da collecção Pombalina na Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

e) Historia de la ynclita Cauallaria de Christo en la Corona de Portugal. 
Incompleta, começando em 11. 71 e terminando em 11. 157. 



(1.99) A UTTERATORA HESPANHOLA KM PORTUGAL 'M\\ 

No códice <iis da collecção Pombalina. 

No códice 688 da mesma collecçi nconlra-se outro fragmento d'esta 

obra, de il. II a 50 do volume ou «los volumes de que ella se compunha. 

Na Refaçam Svmmaria da Vida... de Dou Theotonio, quarto arcebispo de 
Euora, por Nicolau Agostinho, impressa em Évora em 1614, lè-se o seguinte 
trecho (11. 58): 

- ^.conteceo, estando recolhido oa Quinta de Valverde, só em cujo seruiço 
eu estaua com elle, chegar alli o Padre Frey Hieronimo Romano Castelhano, 
Religioso da orden de Sancto Agostinho, que escreueo as Republicas, dizen- 
dolhe, que linha entre mãos escreuer hua historia Pontifical das vidas, Afei- 
tos de iodos os Bispos de Hespanha, pello que vinha a sua Senhoria infor- 
marse, & saber o qne delle podia escreuer: o Arcebispo o não admittio, nem 
recebeo com aquella graça, com que costumaua agazalhar a todos, em espe- 
cial estrangeiros: antes logo o fez e mandou despedir, sem lhe mandar dar 
cousa alguma, nem por via de esmolla, para seu caminho, de que o padre 
se espantou, como cousa não esperada, de quem desejaua seruir e em sua bis 
lona louuar*. 



Romance kecho quando El Emperador Cario Quinto entro en Franciapot 
la parte de Flandres com grande exercito en el Afio de 1545. Impresso com li- 
cença ifa Sãcta inquisição por intonio Aluarez. Anno MCCCCCCII. 

Tem no frontispício um retrato que se diz ser de I). Álvaro de Bazan, 
Marquez de Santa Cruz. 

Este retrato foi muitas vezes tomado como sendo de D. Sebastião. Para 
esclarecimento veja-se a gravura respectiva no catalogo de Salva. Tem no fim 
em vinheta as armas de Portugal. 

Descripto pelo Sr. Conde de Sabugosa, a pag. H da sua edição do Auto 
da Festa, de Gil Vicente. 



Sabuco de Nantes (Dona Oliva).- -Nveva Filosofia de la natvraleza dei 
hombre, no conocida, ni alcançada de los grandes filósofos antiguos: la i/ual 
mejora la vida, y salitd humana: con las addiciones de la segunda impressiõ, 
y (en esta lercera) espurgada. Composta por Dofía Oliua Sabuco. Dirigida ao 
l. S. D. loão Lobo liarão D'albito, «tr. (Escudo de armas do Barão de Al- 
vito). Impresso e Braga, cõ as licêças necessárias, por Fructuoso Lourêço de 
Basto, Ano de M.DC.XXII.— Ho verso do frontispício: lo que contiene esta 
nveva filosofia. 

8.°, :{ lis. prel. inu.. IIV7 lis. numeradas pela frente, mais 9 lis. inn. 
com Tabla, licenças e dedicatória. 



.'5SII A LITTERATURA MtSPANliULA EM PORTUGAL (200) 

Transcrevemos o primeiro período desta por nos parecer interessante 
para a historia do livro : 

(Este Liuro de Dona Oliua he forçado sair cobarde, pello mao sucesso 
da segunda impressão em que o mandarão recolher: 4 por ser seu autor 
hfia molher ; a quem, como fraca he mais natural o temor, particularmente 
em impressos semelhãtes; tam alheas de sua protissão, 4 a que tam poucas 
se atreuerão. Pello que o Liuro, 4 sua autora (ainda depois de morta) parece 
me estão pedindo o não tire outra vez a luz sem protector que com seu valor 
anime, 4 defenda das caliiuinias de que o fauor de nu Monarcha o nã pode 
defender, etc». 

Salva descreve a primeira edição, Madrid, P. Madrigal, MD.LXXXVL A 
segunda é do mesmo impressor, 1388. Na dedicatória a Felippe II a auctora 
assigna-se Oliva de Nantes Sabuco Barrera. 

Manuel Gomes Alvares, natural da Bahia de Todos os Santos (Brasil), 
publicou uma tradúcção desta obra: Lisboa 1734, 4.°, xxiv-olO pags. Veja-se 
o respectivo artigo de Innocencio. 

Sagredo (Diego de). — Dentro de uma portada gravada, com figuras, que 
já temos visto em outras obras, está o seguinte titulo, a preto e encarnado, 
em nove linhas : 

a) Medidas dl \ Romano agora nimiamente | impressas y anadidas de 
mu- | chás piegas & figuras muy ne \ cessarias aios officiales que | gúieren se- 
guir las formado \ nes de las Basas, Colunas, \ Capiteis, y olras pieças de \ 
los edifícios anliguos. (...) \ Afio MDXLii. 

No verso segue-se a dedicatória ao arcebispo de Toledo, primas de las 
espanas. É curioso que, no exemplar que vimos, estas duas palavras estão 
riscadas com tinta. É por esta dedicatória que se vè o nome do auctor — 
Diego de Sagredo, capellan de la Reyna nuestra senora, etc. 

4.°, 42 fólios inn. caracteres gothicos. 

No íim da ultima folha: Imprimiose el presente tratado intitulado medidas 
dei Romano enla muy noble y siempre leal ciudad de Lisbona agora nueua- 
mente acrecentadas muchas cosas que de antes tenian muy necessárias. Impri- 
mido por Luiz Rodrigues libreto dei Rey íiosso sehor. Acabose a xv dias dei 
mes de Enero d mil quiniètos y quarenta y dos anos. 

No reverso da ultima folha o escudo de Luiz Rodrigues. 

Exemplares de Nepomuceno e Bibliotheca de Évora. 

A portada é semelhante, senão egual, á do Insino Chrislão, reproduzida 
no Diccionario de Innocencio, tomo x. 

Veja-se o que diz, em nota, Tito de Noronha no seu opúsculo acerca das 
Ordenações (Archeologia Artística). 



30i A l.ll II HAIM,\ HESPANHOLA IM PORTUGAL 381 



6) Medidas dei Romano necessárias a los officiales que quieren seguir las 
formaciones de las bases, columnas, etc. 

Joaquim de Vasconcellos diz que se publicaram duas edições d'esta obra 
rui Lisboa, por Luiz Rodrigues, em jaDeiro e junho de 1542. (Archeologia 
Artística, fase. í. , pag. 77 , 

\ edição descripta por Salva é de 1544, Toledo. Refere-se a uma de 
Lisboa, que possuiu, 1541 (Luiz Rodrigues). 

A primeira edição parece ser de Toledo, 1526, segundo se vè no Ca- 
talogo de la Biblioteca de Sora. 

Veja-se Salva, lomo u, pags. 368 e 369. 

Ribeiro dos Santos (pag. 101 1 refere-se á edição de 1542 (Luis Rodrigues). 

Sala (Fr. Gaspar), o) Noticia universal de Catalufia. Con todas as licen 
ças necessárias. 1641. En Lisboa. Por António Alvarez, Impressor delRey N. S. 
I vol. 4.°, 8-135 pags. 

6) Princípios y progressos de las Guerras dei Principado de Catalufia, y 
setialada vitoria en Monjuyque. Afio 1640 y 1641. En Lisboa. Con todas las 
licencias. Por António Aluarez Impressor delRey N. S. 641. 

l. , 38 fls. sem numeração. 

Exemplar de Nepomuceno. 

c) Epitome de los principias, y progressos de las numa* de Catalufia en 
los anos de 1640. y 1641. y sefíalada vitoria de Monjuyque. Escricelo el /'. 1/. 
/•'. Gaspar Sala dei Ordeú de Sm/ lugustin, Catedrático de Theohgia de la 
Vniuersidad de Barcelona, y Letoi Magistral de la Sancta Iglesia de Lerida. 
Dedicado a los mvy ilvslres seflores Deputados, y Ohidores y a los mvy ilvstres 
seflores comelleres, y sábio Consejo de la Ciudad de Barcebna. Por mandado 
de los seflores Deputados.' En Barcelona. Por Pedro Lacaualleria. Afio 1641. 
E agora Impresso en Lisboa pello mesmo original. Por António Aluarez, tm 
pressor dei Rey nosso Senhor. Anuo 1641. 

l.°, iii lis. sem numeração. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa (Historia llll 6 13). 

Salaya (Sancho de). Reportório de I tuipo nueuamènte coiregí \ do por 
el famoso Sm/dm d Salaya calhedratico ã Astrologia enla Vniu&rsi \ dad de 
salmoura: el qual \ tãbiê afiadio enel /"//" | rio imxij. afios sobre lo que an- 
dam impresso has | ta agora. \ M.D.xliij. \ Laus Deo. 

\ portada é como a da Viciosa vergonha) de João de BaTros, sem as 
Qores circundantes. 



382 \ Liril.llAll ll\ HESPANHQLA EM PORTUGAL (202) 



No verso do rosto: «Al lector». 

Na pagina seguinte: «Comiença el Repertório de los liempos». 

8.", gothico, cadernos de A a K, sem numeração nem reclamos. 

A paginação, sem embargo do formato, é desegual, porque alguns cader 
nos teem seis folhas em vez de oito. 

No privilegio do raríssimo livro do portuguez Francisco Falem, Tratada 
dei Esphera, impresso em Sevilha em 1535, vem a seguinte referencia a Salay a: 

«ia Reyna. Por quãto por parte de vos Francisco Falero me fue hecha 
rela. 'iõ q vos cõ ceio de nos seinir hezistes vn tratado dei esphera y arte de 
marear en légua castellana. . . nmy necessária para los nauegãtes el ql vos 
psentastes ante el dotor Salaya firo prothomedicb y catedrático de astrologia 
en la vniuersidad de salamãca para q lo examinasse, etc. Tordesillas a xvnj 
dias d'J mes d'agosto de !\1.D. y xxxij anos». 

A subscripção linal da obra alraz descripta é : 

Fue impresso enla muy noble sempre leal Ciudad de Lisbona. Acabose a 
xv. dias dr Março: en casa de Luys Rodrigaez: librero dei lie// nuestro sefior. 
Afio ill nacimiento de nuestro sefior Jesu Christo de 1513. Laus Deo. 

Exemplar da Bibliotheca de Évora. 

Salcedo (Gonçalo de). — Examen dela Verdad en respuesta a los tratados 
de los direchos de la Reyna Christianissima. 
Lisboa, 1600, folio. 
Catalogo de livros hespanhoes da Livraria Bertrand. 

Salmeron (Fray Marcos). — Tesoru escondido eu el campo de la hvmanidad 
dei hijo de Dios. Bichas de Maria, Piedras preciosas, esplendor hèrmoso de sus 
solemnidades. Por el maestro fray Marcos Salmeron, Prouinciàl que fue, y Vi- 
cário Prouincial que es de la Provinda de Castilla dei Orden de nuestra Sefiora 
de la Merced Redempcion de Cautiuos, ('.edificador dei Consejo de su Magestad 
de la suprema, y general ínquisicion. En Coimbra. En la o/jicina de Manvel 
Dias impressor de la Vniuersidade: afia M.DC.LIX. 

1 vol. 4.", !) fls. inn., 512 pag., mais 19 lis. inn. de Índice. 

Salzedo (Garcia de). — Vide artigo relativo a Thomaz Alvarez. 

Salzedo (Fr. Marcos de). — Norte de Capellanas, y Guia de Militares. 
Obra muy útil para los RR. Padres Capelanes de los Regimientos, Confessores, 
Sacerdotes, e para todo Militar, y demiis Catholicos, compuesta por el Padre 
Fr. Marcos Salzedo, Religioso de la Sagrada Orden de Predicadores, Capellan 
mayor en d Regimiento de Cavalleria dr Moura, y Serpa, ofrecida ai muy 
alto. a 'poderoso sefíor Ih Juan Y. el Magnânimo, Nuestro Senor, Rey de Por- 



(203) A LllTERATURA IlESPANHOLA l.M PORTUGAL 383 

tugal. Lisboa Occidental, en la Palriarchal Impression de la Musica 
\I.DA C. \\\ll. Con todas las licmcias nsccssarias. 

I vul. í.". 15 lis. prel. inii.. 69!) pag. 

Da Cintura, w-tv que o auctor era Valenciano. 

Exemplar de Rodrigues. 

Sanchez (Francii o Franc. Sumiu, Brocensis, in Inclyla Salmai 
Academia Primarii Rhetorices & Graxa Língua' Doctoris, Minerva, seu d 
Língua; latina Commentarius, cm inserta sttnt, uncis inclusa qua: addidil Gasp. 
Scioppius, et subjectat sins paginis Notai Jac. Perizonij. Edilio nova, jussit He 
gis Fidelissimi Josephi I. Vlyssipone M.DCCLX. 

8.°, In fls. prel. iiin.. siri pag., mais 32 pag. com De partibus orationis, 
afora copioso índice inu. 

ante-rosto é uma estampa, sem nome de gravador, allusiva á obra. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Sanchez (Thomé). — a) Compendivm lotivs traclalvs desando matrimonii 
Sacramenti, H. P. Thomac Sanches i Societatu lesu. Ab Emanvele Lavrenlio 
Soares Vlissyponensi, Praesbglero The,ologo, alphabelicé breuiter dispositum. 
(Estampinha religiosa). Wyssipone. Ex offkina Gerardi de Vinea. Anno 1021. 
Expensis Melchieris Pereira Bibliophilae. 

1 vn!. 8.°, 249 fólios numerados pela frente. 

h idem, idem, 1622 (mesmo impressor). 
I vol. 8.", 316 tis. numeradas pela frente. 

Sandoval (D. Juan Bautista de). Ensayos poéticos. Lisboa, En la Im- 
prenla Nacional, 18õõ. 

1 vol. 8." grande, 106 pag., mais '1 inu. de Índice. 
Pouco valor poético. . 
Exemplar de Rodrigues. 

Sandoval 'Uniu Fray Prudencio de). Antigvedad <i< la Civdad y Iglesia 
Calhedral <l< Toy, y <!<■ los obispos qve se saue aya aui<lo en ella. Sacada de 
los concílios, n cartas Reates, y otros papeies, por Don Fray Prudencio de 
Sandoual su Obispo, coronista de su Magestad. (Gravurinha de Nossa Se- 
nhora). Impresso com licenças tia S. Inquisição & Ordinário. Km Braga. 
Em casa de Fructuoso Lourenço de Basto. Anno 1610. 

I vol. i.", íi lis. prel. inu.. 203 numeradas pela frente. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

No leilão da livraria de Innocencio foi vendido um exemplar para Ker- 
nando Palbá por :30-j:>h réis. 



384 A LITTERATORA HESPANHOLA KM PORTUGAL (204) 

Santiago (Fr. Hernando de). Consideraciones sobre todos los Evangelios 
de los domingos, y fiestas de la qvaresma. Cõ m breue Pafaphrasis de la 
letra de cada mo dellos. Compuesto por el /'. M. F. Hernando de Sanctiago 
di la Orden de N. Senora de la Merced, Redempcion de captiuos. Dirigido 
a Don Pedro Fernandez de Cardona, Marques de Priego, Sefíor de la Cosa 
de Aguilar. En Lisboa. Impresso con licencia de la Saneia Inguisicion, Por 
António Aluarez. Afio de MDXCVIIL -No fim: Acabose este libro de impri- 
mir a los quinze dias de Hebrero de Í598. por António Aluarez Impressor. 

Frontispício a preto e encarnado. 

'».", 3 íls. [irei. inn., 416 numeradas pela frente. 

Licença de Fr. Manuel Coelho. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

N.° 1:116 do Catalogo Ferrão. 

Ribeiro dos Santos falia desta obra, sem todavia citar o anuo (Manual 
de Litteralura, pag. 1 1 3 > . 

Santíssimo Sacramento (Fr. Juan dei).— Viaje g peregrinacion de Ieru- 
salen, que hizo cl Hermano Fr. Juan de cl Santíssimo Sacramento, Religioso lego 
de el Orden de nuestro Seráfico Padre San Francisco, y hijo de la Provinda 
de San Gabriel, y morador que fue en el Colégio Seminário de Arcos. Dedicalo 
a EIRey D. Juan V nuestro Seiíor. Lisboa. En la Emprenta de Domingo Gon- 
sales. M.DCC.XLIV. Con las licencias necessárias. 

8.°, 38 pags. prel. inn., 327 pags. 

Nas preliminares: Dedicatória a la católica mano de D. Juan V; pro- 
logo; licenças e approvações liespanholas e portugaezas; Tabla. Pelas ulti- 
mas licenças vê-se que a edição de Lisboa era uma reimpressão. 

O auetor assigna-se Fr. Juan dei Santíssimo Sacramento y Robleda. A 
sua dedicatória é datada da corte de Lisboa, Septiembre de 1744. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

O livro é adornado com uma estampa de Nossa Senhora, gravura de Debrie. 

Sartolo (P. Bernardo). — El Doctor >;rimio g cenerable P. Francisco Sua- 
rez ile la Compartia de Jesus, en la fiel imagen de sus heróicas virtudes. Edi 
ciõti segunda. Coimbra, en el Real Colégio de las Artes. 1731. 

4.°, <i-l inn., 503 pags. 

Exemplar da Bibliotheca das Necessidades ^-. 

Scarion de Pavia iBartolome).— Doctnna militar. En la qml sé trata 

de los principias y causas porque fue bailada en el mundo la Milícia, y como 
con razõ y justa causa fue hallada de los hombres, y fue aprobada de Dios. 



(205 .\ LirrniAii u.\ hespanhou iím poh 

Y despues se va de grado en grado descurriendo de las obligaciones ij advertên- 
cias, q /uni de saber y tenei forfi s tos q nguen la soldadesca, començando dei 
Capitan general hasta el menor soldado por mui/ uisofío que sea. !>■■ Barlo 
lom Scarion de Pauia. Gravurasita). En Lisboa. Impresso po) Pedro Cras 
beeck. dei Auclor. 

i :. .'i lis. prel iím.. 109 numeradas pela frente, afora i no fim de Ta- 
bla de las cosas notables e Tabla de los avtores. 

Nas preliminares: aprovações e licenças; Alvará; Dedicatória do anctor 
ao conde de Portalegre, datada de J.'i de junho de 1598; no fim d'ella, 
occupando uma pagina inteira, um leão coroado; Soneto do auctor ao conde 
de Portalegre; Soneto ao auctor, de Alexandre Massay. 

Eis os dois sonetos : 

Al conde de Portalegre 

Por ei valor j sciencia alia admirable 

Kn Armas, j ;i nte 

Affirman de Leuante hasta el Pouienle 

Que sois Dou tuan de Silua tncõparable, 
No foé Pom| ii hechos ma- loable 

M de gloria cefiido justamente. 

; r i méis i "I-' obediente, 

Si «'I coo sangre la Mar hizo espantable, 
El Occeano, el Aguila, j Lisbon 

Di quanto afçais el ínclito estandarte 

Cada vno por testigo se , 
V eterno quieren, los que siruen Marte 

Seguir el gran Le le la corona, 

Por aprendei de la Milícia ''I arte. 

De Alexandre Massay ai avetor 

De aquel linage claro mas que el dia, 

Di . qu lia n elli nte 

Nacistes Scarion resplandeciente 

Qual rayo, que mas claro '■! sol embia. 
d prudência, esfuerço j gallardia 

i isasti - escreuir tan altamente 

De la milícia y bellicosa gente 

Lo que es eterna g\oria <le Pauia. 
Desla doctrina si nus bien miramos, 

Jíuestros ojos p iiores, 

Que escrito tienen de milícia el arte 
Diremos, que los otros fueron ramos. 

'i d estos fuistes vos el fruto, j 

Por mas grSdeza, j oombre ai fiero Mait»- 



38(5 A UTTl l.AiriiA BESPAN ,A EM PORTUGAL (206) 



A approvação é (Teste theor: 

«Vi este liuro, por mandado do supremo conselho do sancto Officio, 
c não lia nelle cousa contra a fé, ou bus costumes. Em lf> de Fevereiro de 
1598. Fr. António Tarrique», 

auctor era italiano, segundo se colhe da sua dedicatória, e natural de 
Pavia, conforme indica o seu appellido e o soneto de Massay. Eis um periodo 
da dedicatória: 

«No haziendopor agora mencion de las batallas y empresas adonde me 
he hallado, y como vine de Itália a ja jornada deste Reyno de Portugal con 
mucha costa, j gasto de mi haziêda, j seruido en el por Mar y Tierra, por 
auenturero, por official, y con veutaja dei Rey, desde el principio basta 
agora, que avn siruoi . 

Scarion veio de certo a Portugal paia combater a annunciada invasão 
ingleza. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Sebastia y Vila (D. Pedro).— Documentos passados a favor de l>. Pedro 
Sebastia y Vila, auctor do novo systema completo de calygraphia, professor 
theorico-pratico de vários còllegios e corpos militares, presidente nato de diver- 
sas sociedades calygraphicas do Porto, Vianna do Castello, Madrid, Corunha. 
S. Thiago, Ferral, Ponlevedra, Orense, Vigo, Liigo, Tuy, etc, etc, por indi- 
víduos de differentes classes da península; aos quaes deu instrucçm calygra- 
phica em Hespanha e Portugal. Porto, Typographia Commercial, rua de Bel- 
lomonle, n." .57, 1851. 

8.°, 31 pags. 

Nas costas da capa vem annunciada em 3i a edição uma Collecção de 
leu ih ingleza, em 21 lições. 

Este opúsculo não vem mencionado em Innocencio, que descreve outras 
obras tio auctor, posteriormente impressas em Lisboa. 

Segóvia y Peralta (D. Gaspar Ibanes). — Dissertaciones eclesiásticas por 
el honor de los antiguos tutelares contra las ficciones modernas. Lisboa, lmp. 
Silviana, 17 17. 

2 tomos em 1 vol. folio. 

N.° 593 do Catalogo Ferrão- 

Catalogo Bertrand. 

Segura (Francisco dei. — a) Prímera Parte \ DelRoman- \ cero historiado, 
truta di los hazanozos ] hechos de los Chrislianissimos He- \ yes de Portugal. ' 



207 A L1TTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 38/ 



Dirigido ai illvstrissimo sefíor Don Migvel de Noroíta, Mrritissimo < 
binares, dei Cõsejo de s?< Wajestad, Comendador de Noyda y Barranco*. 
Compvesto /"</• el alferez Fruncisco rf< Segura, criado 'Ir su Magestad, Nalu 
rui de hl ViUa de Atiença. ' \no Brasão de armas) Í610. j En Lisboa. Im 
presso con licencia de In S. Inquisicion, y Prinilegio real. i'.n la imprenta de 
Vicente Almrez. 

1 vol. 8.°, li lis. prel. iiui., isj numeradas pela frente. 

Nas preliminares comprehende-se : licenças; dedicatória do auctor ao 
conde de Linhares, datada de Lisboa a !> de novembro de 1609; i 
em hespanhol ao ronde; aos leitores, explicando o motivo por que o auctor 
compoz a obra; carta de Gonçalo Vaz Coutinho; 3 sonetos em portuguez, 
riu nome de auctor, .1 Francisco de Segura ; e por fim unias quadras do 
auctor ;to seu Romancero. Por baixo da ultima pagina preliminar, duas gra- 
ciosas gravurinhas, representando homens de anuas, mu a pé, outro a 
cavallo. 

Nas paginas que consagra aos leitores explica elle os motivos por que, 
sendo estrangeiro, trata de um assumpto nacional, o ser filho de pães lole 

d; s e ter nascido em Atiença não o impedira de escrever o que sentiu da 

invictissima nação pprtugueza. Os melhores annos da sua vida passara-os 
em Portugal; desde 1» treze que ficara cm Ponta Delgada, mu seguida á 
batalha naval cm que o marquez de Santa Cruz vencera Philippe Strozzi. 
AH recebera muitos benefícios, principalmente do conde de ViUa Franca e do 
esforçado cavalleiro Gonçalo Vaz Coutinho, seus generales capilanes. Além 
dVsias circumstancias, outra occorria e era ter o excellenle poeta lusitano 
Duarte Nunes {sic)* escripto cm castelhano, e cm maravilhoso estylo, um 
poema heróico cm que celebrou a restauração de Granada pelos reis catholi- 
cos. .ia que houvera mu portuguez que cantara as proezas castelhanas, era 
bem que um castelhano cantasse os feitos heróicos dos porluguezes. 

\ carta de Gonçalo Vaz Coutinho é muito importante, sobretudo pela 
maneira como ajuizava, sob pleno domínio philippino, da infeliz campanha 
de resistência intentada pelo Prior do Crato. Reproduzimol-a aqui como um 
documento histórico: 

«Gonçalo Vaz Coutinho dei Consejo de su Magcstad ai Alferez Frãcisco 
de Segura entretenido, cerca de la persona dei Virrey de Portugal, en res 
puesla de vna carta que le escreuio. 

«Nvnca desejey de ser Poeta como agora, que só rum o ser, & iam bom, 
como a matéria requeria, pudera declarar <> gosto, que recebi rum estes 



1 Deve ser l»ii n i- hi .- 



388 A UTTERATUKA HESPANHOLA EN hUiTUGAL (208) 



Romances de V. M. porque alem do estilo, & conceptos tam leuantadòs, & his- 
toria verdadeira tam poeticamente cantada, notey ires cousas, que delias 
resultam a Portugual (sic), que sempre lhe desejey com lastima particular de 
nelle faltarem. A primeira as cousas de nossos Reys antiguos serem notó- 
rias, & diuulgadas pello mundo, que faltaua, assi pela falta, que nellas ouue 
de Coronistas, como por os que o íorão, averem escripto na lingoa materna, 
que Iam pouco se deixa entender das estrangeyras, & a outra que desejada 
aprendêramos dos Lacederaonios, que costumauão escrever em metro os fey- 
tos heroycos dos seus. pêra que os mocos os cantassem, & daqui lhes 
nàcesse, nam só fazeremse práticos nas hystorias de sua pátria, que imporia 
muyto pêra o bom gouerno, senam moueremse, & incitaremse a obras simi- 
lhantes, á leuarem este desejo desdas ietas rias mãys, & crecerlhes com a 
idade, 4 pêra isto lie marauilhoso, & fácil o estilo dos Romances. A terceyra, 
nam quisera dizer, mas v. m. como amigo velho me terá segredo, cõ grande 
ânsia desejaua que particularmente os Castelhanos tiuessem noticia de nos- 
sas cousas, porque os antigos, que as sabiam, por experiência, d- proua são 
acabados, os modernos (de trinta annos pêra ca) sem fundamento algum, 
tomando o da perda dei Rey Dou Sebastião em que não ouue mais erro, que 
de demasiado amor, & obediência a nosso Rey i se se pode chamar erro) & do 
recontro, que o exercito de sua Magestad dei Rey Dom Philippe, que está em 
gloria, teue em Alcântara (que sem rezam chamam batalla, & conquista» con- 
tra o prior Dom António, & seus apayxonados, sem forma de exercito, & com 
falta de tudo, o que se requeria pêra o ser, pois lhe faltaua o primeiro, 
& principal, que era gouerno, & inda que auia algus fidalgos esforçados, 
& soldados valentes, bem sabemos que vai pouco o esforço, & valentia nos 
soldados, quando falta o gouerno, & pratica no geral, por onde Pompeyo 
Magno dizia em Lucano Dux sit intiis castris sénior, dum milis in Mis; E 
sobre tudo o restante do Reyno todo da parte de sua Magestade, á a do 
Prior, gente rizonha, mal armada, d- pior disciplinada, & assi pouco obe- 
diente, e em fim nam tinha mais de exercito, que ser hum corpo de gente, 
que no mais era um puro chãos, d- bastaua pêra o ser, quando nam ouuera 
outras cousas que auia auerse publicado, é dado liberdade a negros captiuos, 
que negra ordem, e disciplina auiam estes de ler? infamam a nação Portu- 
guesa, e fora isto (o que pior he) algus escreuem, e notão cousas, que pode- 
rão ser bem notadas, se guardaram a principal parte que a historia requere, 
e sem a qual, nem nome merece de historia os escriptos em que falta. A 
tudo isto confio V. M. acudirá, leuando, pois começou, ao fim esta obra, em 
que mostrara (como se e-spera de homem tam bem nacido) o agradecimento, 
que deue a amizade, e boa correspondência, que em sua mocidade achou 
nos Portugueses com que se criou nas Ilhas, e a todos nos obrigara a pro- 



(209) a [.irri-.lt.ui i;\ RESPANBOLA Eli PORTUGAL 389 

curarm >s seu aerecentamento, «• creo também obrigara a el Rey dosso Senhor, 
como iam afeyçoado a Portugal, fazerlhe muyta mercê, e darlbe húa praça 
mnj honrada, que eu com minhas tuna- me offereço a procurar, tio 
nhor, & de Santarém 25 de Julho 1609. Gonçalo Vaz Coutinho». 

Salva diz que ha umaterceira edição, de Lisboa 161 i, !2.°Cita-a Duran. 
Na Primavera y Flor de Romances, de Ária- Perez, ha uma 2.* parte de 
Francisco de Segura. Veja-se Gallardo, n.° 273. 

A edição de 1610, Vicente Uvarez, foi vendida por 73 francos ao leilão 
Miro. (Catalogo, n. 246). 

\ Primavera y flor de los mejores muni uns. de Árias Perez (Lisboa 

Matheus Pinheiro, 1626 . justamente cora a Secunda parte, de Segura (Sara- 

1629) foi vendida por 750 francos no leilão Miro. Catalogo, n.° 259). 

\a Bibliotbeca Nacional de Lisboa ha um pliego, de Segura, Relacion 
<lfl lastimoso sucesso que nuestro Seflor fue sentido sucediesse en la Islã de In 
'. etc São três romances. 
Barcelona, Gabriel Graello, 1614, \:. 8 pags. 
Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. Obras varias secção de 
historia), II II 3,8. 

Este pliego é desconhecido dos bibliophilos hespanhoes. Reproduzido no 
[tchivo dos Açores. Mencionado na Bibliotheca Açoriana. 

Sentencias, a) Primera paru de las sentencias \ que hasta /mestras 
tiempos, para le buenos costimbres, estan por di j uersos Auto- 

res escriptaSj eneste tratado summariamente referidas, en su próprio estilo. 
) traduzi ' das enel nuestro : comun. Conueniente licion, a toda \ suerte y 
estado de gentes. W.D.LIIII. No fim: Fue impressa la presenti obra, en la 
mini noble y si? | pre leal ciudad de Lixbona, en casa de German Galhardo 
Impressor dei Rey nuestro seflor. | [cabose a treze dias de Nouiembri, \ De uni 
& quintetos y cincuenta y yitatro. 

O frontispício está n uma portada similbante á da I." edição dos Lusía- 
das de 1572, rum d pelicano voltado para a esquerda. A obra é antecedida 
de um prologo ao leitor e termina por uma Respvesta a algvnas objecciones, 
i/ir sobre el presente tratado se dizen, o pveden dizir. Occupa 7 pags. É inte- 
ressantíssima e, se não levanta o veu mysteriosd que cobre o auetor, fornece 
todavia pormenores curiosíssimos, i ma das aceusações >\uc se faria ou pode- 
ria fazer ao auetor era não ser competente: V algunos ha parecido, que el 
autor no deuiera emprender esta oceupaciõ, por ser differente de su officio, 
j profession, diziêdo, que a las letras, y a los estudiosos delias, se le haze 



.*{!)() A L1TTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGÁÍ (210) 

:■ i ■ mia irreuerõcia, en ser tratadas por ingenios menos curiosos, y distrahi- 
dos en otros exercícios de] mundo». Não se comprèhende bem hoje o alcance 
d'esta objecção, mas parece deprehender-se d'ella que o auctor não era 
homem de gabinete, mas homem de acção, talvez militar— distrahido en 
oiro exercido dei mundo. \ resposta que elle dá é fácil e victoriosa: a maté- 
ria não era particular de ninguém, mas commum a todos. 

Outra objecção é que a nina não devia ser escripta em linguagem alheia, 
donde conjecturamos, cremos que com todo o fundamento, que o auctor era 
portuguez. Confronte o leitor a nossa bypothese com o seguinte trecho: «A 
otros ha parecido, q no deuiera esto ser en ageno lêguage, mas uel suyo 
natural, presumiêdo q enesto se hizo menos acatamiêto ala autoridad, que a 
la pátria, y a sus costumhres se deue. fionflesso ser esta obligacion muy 
grande. \ que el autor tuuiera mucha culpa, si enesto no tuuiera mejor fun- 
damento. Aceptose este lenguage, no por mejor, mas por mas general, ypor 
que los otros son particularmête de los suyos, y este quasi es tan próprio a 
los agenos, como a los suyos. ^^ esto esta claro, porque eneste estylo, en 
que va, lo lenemos nos, y ellos, y nel nuestro, lo tuuieramos solamente 
nosotros. V como estas dos naciones sean en verdad, y en amor, y trata- 
niiento tan conformes, es justo que se comuniquen en todo, lo que virtuosa- 
mente pudieren». . 

Se Innocencio tivesse lido este trecho estamos persuadido que se lhe dis- 
siparia a duvida sobre a nacionalidade do auctor. Respondendo ainda a outra 
objecção, o auctor promette publicar uma segunda parte, mas esta promessa 
não ha indícios de ter sido cumprida. 

Gallardo sustenta a principio que o traductor era hespanhol, divergindo 
de Nicolau António, mas acaba por admiltir o contrario. 

/;) Primera parte de las sentencias que hasta naestros tiempos, porá edi- 
ficación de buenos costumbres, estan por diuersos Autores escritas, neste tratado 
summariamente referidas, en su próprio estilo. Y traduzidas ai <l nuestro 
comum. Conueniente licion a toda suerle y estudo dr gentes. MDL1HL- No 
tini: Fite impresso lo presente obro, en la muy noble y siempre leal ciudad de 
Coimbra, por Joan Aluarez impressor dei Rey nuestro seTtor'. Acabose a veinte 
dias de Marro. De mil y quinientos y cineuenta y cinco unos. 

i.", leltra cursiva, 340 pags. inclusas as preliminares e mais I II. de 
Yerros, no verso da qual a subscripção do impressor. Hespanhol de um lado, 
latim do outro. 

Esta ultima edição vem descripta por Innocencio. (Tomo vn, pags. 254). 
Ahi nota que esta portada tem a singularidade de ser similhante a que appa- 
receu nas I. as edições dos Lusíadas. 



A l.ll ILIIAIl KA lll>l'A\l|n|.A I.M PnKlTr. A I. 



No Catalogo Ferrão vem descri pto um exemplar da edição anterior. 

Não se vil»' se <> auctor da "Ma é liespanhol ou portuguez. 

I ih exemplar da I.' ediçi i Catalogo do Rocha, n." 840. 

\ imos também um exemplar da edição que o Salva descreve em primeiro 
logar. Pertence ao Bernardino eslauceiro. A portada é ;i mesma do I usino 
i:inistã,i. 

«Nombres de los \vlores, que las presentes sentencias cscriuen: 

Plutarcho, rito Livio, Quintiliano, Soneca, Plinio de la natural historia, 
Plínio el moço, Saluslio, Quuinto Curcio, Valério Máximo, Lúcio Floro, Túlio, 
Aulo Gelio y otros diversos Autores, De diuersos Vutores Griegos, Suelo 

nio Tranquilo, Publio Mimo, Vergilio, Ouidio, lloratio, .1 uai, Planto, De 

diversos poetas, otros, De ambos derechos, S. Hieronymo, S. Cipriano, 
s. Vlju-iíiim. s. Vmbrosio, S. Bernaldo, s. Cbrisostomo, Plalon, Vristote 
les, Erasmo, S. Gregório 

Serpi (Kr. Dimas). Tratado contra Lvthero // otros hereges segrn el 
decreto dei S. C. Trident. con singular dotrina </*■ SN. DD. Griegos, Latiu. 
a Hebreos. Con setenta consideraciones sobre las leciones ih' Job. Dirigido ai 
illvstrissimo don Diego te Couarruuias Vicicanciller de Aragon, dei Consejo 
dei ftey .V. S. y Comendador <!<■ Montesa. Compveslo /«>/■ Fray Dimas Serpi 
Calaritano </<- la orden </<• S. Francisco, Obseruante, /'. de la Prouincia rir 
Sardefia, y Commissario \postolico. Mima de nueuo corregido conforme ai 
Catalogo de CastiUa. (Estampinha: Mater dolorosa). Con todas las licencias 
ij aprouaciones necessárias. Eu Lisboa. Por António Uuarez. Afio D; 17. To- 
cado aa Mesa de Palácio em 300 reis nu papel. 

i.". 7 lis. prel. um.. 266 lis. 

Tem a seguir, com fronlispicio e paginação especial: 

Tratado </<■ Consideraciones espirilvales, sobre las liciones dei Oficio de 
Dif untos. Recopilado <le los qvc los Santos y grauissimos Doctores Iam escrito 
sobn Joh. dou singular Docliina para Predicadores, deuolos y curiosos. tjim- 
puesto ij afiadido por el mismo Autor. (Estampinha). Con todas las licencias 
necessárias. En Lisboa. Por António Alvarez. Mio 1617. 

100 fólios afora copioso Index innumerado. 

A approvação, de ±\ de junho de 1614, de Erey António Saldanha, diz 
que este livro é a quarta vez que se imprime. 

Exemplar da Bibliotheca da \juda. Pertenceu a António Lourenço Cami- 
nha. 

No Catalogo Miro havia um exemplar (n.° 60), vendido por I!) francos. 

salva (vide ti." 3:514) descreve varias edições hespanholas, mas desco- 
nheceu a ile Lisboa. 

IIist. e Meu. da Ai.au. — Tomo xii, r-Aim: ii.— N :> 16 



'.V.)'2 A UTTERATUBA HESPANHOLA EM PORTUGAL (212) 



Nas preliminares vêem dois sonetos em bespanbol de Fr. Boaventura 
Machado. 

Silva y Figueroa(l). Gracia da). ■ Hispanicae Historiae Breviarivm. Avtore 
illvstrissimOj (C Generossissimo D. Don (iraria de Silva, cf- Figueiróa a Phi- 
lippi Hl Hispaniarum Monarchae Cõsiliario, eiusque ad Xaá Abbas Persarum 
Rege Legato. Nvnc primvm edil Antonius Furtado da Rocha. Olysipone. Cum 
facultate Superiorum. Apud Emanuelem a Silva.— No fim: Goae Orientalis 
Indiae Melropoleos, Nonis funii 1615. — No folio 1.": Jllr.sins.sinu el generosis- 
simi li. Don Garciae de Silva & Figueróa Ad Mostrem el Genirosum li. Dom 
Vincentiutn Noyuéram. 

i vol. 10.", 00 pags., typo itálico. 

D. Gracia da Silva y Figueiróa foi embaixador á Pérsia. Acerca d'esta 
embaixada ha curiosos documentos no tomo m dos Documentos remettidos da 
Imlia ou Livro das Monções, e uma lista (pags. 119 e seguintes) do rico pre- 
sente que elle levou ao Xá. 

O Hispanicae Historiae Breviarmn escapou ás indagações de Mr. Alfred 
Morei Fatio e Graça Barreto, e é mais um testemunho de consideração a 
accrescentar áquelles de que foi alvo D. Vicente Nogueira. Veja-se n'este 
catalogo os nomes de Figueróa (Francisco de) e Mendoça (Diogo dei. 

O cavalheiro de Oliveira linha, entre os manuscriptos da sua bibliotheca, 
o seguinte: 

Comentários de D. Garcia da Silva de la Embaxada que da parte dei 
Hi\i/ de Espana Philipe III hizo ai Hey de. Pérsia, 1018, folio. 

Vide Mémoires de Portugal, 1." vol., pag. 379. 

N"uina collecção de Chronicas publicadas em Madrid, no ultimo quartel 
do século passado, por D. Eugénio Llaguno Amirola y D. Francisco Cerda 
y Bico, impressor António de Sanche, vem la Vida dei grau Tamerlan sacada 
de los Comentários, que escrebió Don Garcia de. Silva y Figueróa. < Vide Salva, 
Catalogo, n.° 2:900). 

Na Bibliotheca do conde-duque de Sanlúcar existia o seguinte manuseripto : 

Garcia da Silva (D.). — Sus Comentários sobre su Viaje a Pérsia, y lo 
que le sucedió. Y un tomo De las cosas de la índia y sus nacegaciones, en 
folio (Caj. 18, núms. 12, 13). 

exemplar do Hispânia; Historia 1 Breviarivm, acima descripto, existe 
na secção dos reservados da Bibliotheca Nacional de Lisboa. Encontramos na 
mesma Bibliotheca, na secção de historia, outro exemplar, cujo frontispício é 
diflerente, e que é do theor seguinte : 

Hispanicae Historiae Breviarivm. Ad d listrem, et generosum D. Don Vin- 
centium Noguerám lt. P. p. utriusque Signaturae Referendarium, Sacrarum 



213 A UTTERATURA HESPANHOLA EM PORTUGAL 393 

Wagestalum Cacsareae d Catholicat Consiliarium, Leopoldt iustriai ArdQ 
Cubicidarium. Avtore illvstrissimo, et generosíssimo D. Dnn Garcia th 
li Figueróa Philippi III Hispaniarum Monarchae Consiliario, eiusque aW Xaá 
Abbàs Persarum Hegi Le/jalo, /'.'/. Bibliotheca Nogverica nunc primiim edil Anto 
ttius Furtado de Rocha presbyter, eidem l>. I>>m Vincentio << sacris; m Collegiali 
S. Petri Ponta- Delgadensis Ecclesia, Philippi fíegis 1111 nominalione tlesignatus 
bvneficiarius. Olysippone. opnd Emmanuelcm n Silva. i<l'J8. (Segue-sc um folio 
iiinumerado de approvações e licenças). 

A approvação da Inquisição, cm latim, é assignada por Fr. Thomaz de 
S. Domingos. 

Este folio Lambem falta no primeiro exemplar. 

Diiferem, pois, entre si: no frontispício (o primeiro dos quaes não tem 
data) e nesta folha innumerada de licenças. No mais, absolutamente eguais. 

Conhecemos a seguinte obra, que existe mi preciosa livraria 'lo nosso 
amigo Ferreira das Neves: 

Vambassadedi /'. Garcias de Silva Figoeroaen Perse, contenant la politi- 
qoe </' ce grand empire, les maurs <ln fíoy Schach Abbas, & vne Helation exacti 
de tons les liem de Perst •( des Indes, <<u cét Ambassadeur a este l' espace de hilil 
années qu'il y a demeuré. Traduite de l'Espagnol /»// Monsieur De Wicqforl. 
(Estampa: talvez o escudo do impressor). .1 Paris, Cliez lean De Pvis, rui! S. 
íacques, à /</ Couronne d'Or. M.DC.LXVJ1. Avec privilege dv lt<>//. 

I vol., i.\ l<i pags. prel: iim., 506 afora Table generale innumerada. 

No Qnal do prologo lia o seguinte; período elucidativo para a historia do 
livro: 

«Cette Helation na pas este dressée par Figveroa, mais seulement sur 
ses memoires, par vn de ses gens qui 1'auoil accompagné dans son Ambas- 
sade; lequel peut-estre ne lu\ a pas donné toute la perfection que son Mais- 
tre luy eusl píi donner: mais les defauts en onl este reparez autanl qu'ils le 
pouuoienl estre, par celuj qui a pris la peine de la traduire. Vous connoi- 
trez assez quand ie ne vous li' dirois pas, que c'esl vne personne de condi- 
tion 4 de raie mente, qui a beaucoup derudilion, & qui scail pailailcmeul 
les plus belles langues qui ayent cours dans la Chrestienté. On peut dire que 
son Estude, .-es Voyages A ses Emplois qui onl tousiours este for! conside- 
rabies, l'out naturalisé dans tous les Pays de ia Chrestienté; il parle et il 
ecfit bien en François, que beaucoup de nos ^utheurs onl. sujei de lui por- 
ter enuie. Si le public reçoil son trauail auec 1'acceuil qu'il merite, ie croy 
qu'il se disposera a luy en donner d'autres plus importans dans ces sortes 
de malieres, & mesme dans 1'Histoire, pour laquelle il a vn talent toul parti- 
culier, iV- des lumieres qui ne sonl pas comnnines». 

Seria esta versão feita sobre um original impresso nu manuscripto? 



394 A I.ITTI.IIATI HA HESPANHOLA EM PORTUGAL (214) 

Soarez (Cypriano).- Da Companhia de Jesus. Foi dos primeiros mestres 
que deram principio ás classes no collegio de Santo Anlam de Lisboa. Ali 
regeu uma cadeira de rhetorica e deu licções de grego. Era doutor pela uni- 
versidade de Évora. Ensinou escriptura divina no Collegio de Coimbra, onde 
foi principal. D'ali passou, por obediência, para o Collegio de Alcaiá. Era 
natural de Ocanha, do arcebispado de Toledo, e veio ;i fallecer em Placencia 
no anno de 1S93, com perto de 80 annos. Fr. Baltbazar Telles, de quem 
tomamos estes apontamentos, nem sempre está accordé comsigo próprio, 
pois ora o dá fallecido em Alcaiá, ora em Placencia. Leia-se a Chronica da 
Companhia de Jesv, tomo n. pags. IS e 592. 

Publicou: 

a) De Arte. Rhetorica Libri três ex Arislotele, Cicerone, & Quintiliano, 
prcecipue deprompti, Authore Cypriano Soarez Sacerdote Societalis Jesv. 1M0110- 
gramma da Companhia). Cum facultate inguisitoris <& ordinarij, quam seuuens 
pagina indicai. Conimbricae Apud Ioannem Barrerium. 1562. 

8.°, 5 tis. prel., 116 tis. numeradas pela frente. 

V) Idem, 1575, Coimbra, por João de Barreira. 

c) Idem, 1583, Coimbra, por António de Maris. 

d) Idem, 1590, Coimbra, por João de Barreira. 

Soarez (Francisco). — a) Jesuíta, natural de Granada; conhecido pelo 
nome de Granatense. Opus virtule et statu religiones. 

-2 V0l„ folio. Coimbra, Pedro Craesbeeek, 1608, 100!». 
Vide .Martins de Carvalho. Apontamentos, pag. á!*iJ. 

In Epitome delucida, brevis et resoluta disputationum Theologicarum, ele., 
Ulyssipone, Typis Gerardi ú Vinea. 1626. 
i.°, 26 hln., 419 pag. 
Exemplar da Bibliotbeca da Ajuda. 

Solanes (Dotor Francisco). — Comedia famosa intitulada, Duelos de amor 
ii desden; eu papel, cinta, y retrato. lÂsboa, por António Pedroso (lalrão, 
1712. 

4.°, 36 pags. 

Exemplar da Bibliotbeca da Ajuda. 

Não encontramos o nome d'este anclor nas bibliographlas hespanholas. 



(215) \ liiiiiímh;\ hespanhola em pob ;!'.'.") 

Solis y Gante D. Joseph de . — Fabulas d» Eco, >/ Narciso, la primem, 
escrita por el excellentissimo seflor duque de Monlellano, la segunda, respon- 
dida pm los mismos consonanles por el conde dt Ericeira D. Francisco Kavier 
de Menezes. Con una idéa epitalamica de las Reales Vodas de los Príncepes, 
celebradas en Caya em 1729. 

Depois das licenças, novo frontispício: 

Fabula de Eco, y Narciso escrita por el seRor D. Joseph de Solis >/ GanU . 
marques de Caslel Novo, duque de Monlellano. Sacola a luz Don Vicente Ha 
caUar, y Sanna, dei lleyno de Cerdefía, y en el Cavailarizo mayor de su 
Magestad, y de su Consejo, y Governador de Caller. 

Segue-se o prologo de D. Vicente e logo a Fabula era M5 oitavas nume- 
radas, occupando até pags. 39. Vem separada, egualmente com frontispício 
próprio, a obra de I». Francisco Xavier de Menezes : Narciso de Hipocrene, 
Ecco d< la Fama, etc. Lisboa Occidental. En la Imprenta Herreiriana. 
MDCCXXIX. 

I vol. l.°, 6 pag. prel. inn., s:> pag. 

N. > fina: in;ii> !» pags. inn. com o catalogo das obras do Conde da Eri- 
ceira I». Francisco Kavier de Menezes). 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Soria (Fr. Francisco áe).— Sermon predicado en la solemne octava, qve 
la Cowjregacion dei Santo Oficio celebro en el Real Conumlo <1e S. Domingo, 
n los desagrauios ih' Cliristo ofendido en su Imagen. Por el V. Fr. Francisco 
de Soria, de la Orden dei gran Patriarca S. Basílio Calificador <lrf Santo 
Tribunal '/<■ /" Inquisicion. Con todas los licencias necessárias. En Lisboa. Eu 
la Oficina de Domingos Lopes Rosa. Afio M.DC.XL.IV. 

'i.', 15 IK nu radas pela frente. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Soto .1 1 1 ;i 1 1 de). Compendio de la Svma ih' Toledo. 1'or cl /'. .1/. F. 
.hum ih' Solo, Predicador mayor dei Colégio Real <h' la Orden de S. Augustin 
ih' Alai la. Diuidido cm ires Libros, y dos Tratados, y afiadido cl de Online, 
II mas emendado nesta segunda impression. Dirigida ai D. Afonso Furtado de 
Mêdoça Dean en lu inetropoli d» Lisboa, ''.ou las licencias necessárias. Em Lis- 
hou por Pedro Crasbeeck. 1616. Tassado "... em papel. I costa de Sebastian 
Garcia Librero. 

I vol. 16.°, '■'< il>. prel. inn., -JN-"i numeradas pela frente, afora Tabla. 

Soto IV. Lucas de . Relacion verdadera de gran admiracion y espanto, 

// ihi/na ih- ser contada, laqual embió el Padre fray Lucas de Soto, Religioso 



39C A L1TTERATURA HESPANHOLA KM PORTUGAL (216) 



Descalço de la Orden de San Francisco, desde la ciudad de Manila en las Fili- 
pinas, á sit Hermano que se llama Diego Lopez de Solo, mercailer de la ciu- 
dad de Lisboa, dandole menta de los grandes sucessos y prodígios, y desgraçais 
que a auido en la villa de Fresno, y en oiro lugar que se llama Vai hermoso, 
distantes dos léguas de la ciudad de Manila en las Filipinas, y porque son dignas 
de ser contadas, escriuo esta Relacion, que sucedio a veynte y quatro de Mayo, 
de 1622, ii duro hasta á três de Agosto dei mismo ano, cada dia su prodígio. 
No Sm: Con licencia, Impressa en Lisboa por António Alvarez, ano 1623, 

Folio, 2 lis. O texto é subscripto pelo auetor: Manila, 8 Agosto \Cr> L 2. 
Gallardo, n." 3:967. 

Spiritu-Santo (Cathalina dei).— Relacion j de como se ha \ fvndado en 
Alcan- : tara de Portvgal ivnto a \ Lisboa, el nau/ deuoto Monasterio de N. S. 
de la Quietado» , por la Catholica Magestad dei Rey N. S. D. Philippe II de 
gloriosa memoria para las monjas peregrinas de S. Clara de la primera Regia, 
renidas de la Prouincia de Alemania Baxa, despues de los hereges las hauer 
perseguido, y desterrado de tierras en tierras por quatro rezes. — Compvesta 
por la madre sor Cathalina dei Spiritu Saneio Monja dei mismo Monasterio. — 
Dirigida a la sereníssima Infanta Sor Margarita de la Cruz, Monja en el Mo- 
nasterio de las descalças en Madrid. En esta historia se veran muy ilustres mar- 
h/rins, que la Seraphica Orden Franciscana ha padecido con strepitu de publica 
justicia. En Lisboa. Por Pedro Craesbeeck Impressor dei Rey. Afio 1627. 

1 vol. i.°, 7 fls. piei. inn., 3-'i numeradas pela frente. 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

As 7 folhas preliminares comprehendem — dedicatória da auetora e pro- 
logo de Fray Juan de las Llagas. É n'este prologo que se encontra o seguinte 
trecho que elucida a naturalidade da auetora: «La Authora que esta historia 
escrivio es la Madre Sor Cathalina dei Spritu S:into, Ia qual siendo monja 
professa de Santa Clara de las vrbanas reformadas, biufendo en el Monasterio 
de Hoochstrata, ciudad de Brabaule, íue muy perseguida por ser hija de \n 
cauallero Hespanol 11 amado Don Luis Carrillo, gouernador de aquel Con- 
dado, etc.» 

É obra interessante para a historia das luetas religiosas nos Paizes Bai- 
xos. Innocencio descreve-a como anonyma, prova de que não a viu. 

Stafford (Padre Ignacio). — a) Historia de la celestial vocacion a la mis- 
sion de la índia dei Padre Marcelo Francisco Mastrili. — Lisboa, 1630. 
i.", por António Alvarez, 4-136 pags. 

b) Elementos mathematicos por el Padre Ignacio Stafford de la Compaflia 



-1/ A i.ll II li\H HA III >l'AMIo|.\ im PORTOOAI ^!'.'7 



de Jesus a la Noblesa Lusitana. En la Real Academia Sfathemalica dei Collegio 
di S. Anton de la Còmpafíia de Jesus de Lisboa. En Lisboa. /•.'// la imprenta 
de Mathias Rodrigues. Ano de 16H4. 

i semplar de Nepomuceno. 

Este SlaiTord cremos ser inglez, ou pelo menos de origem ingleza. 

Sumario de In vida </<7 primer arçobispo de Granada, dõ frey Hernãdo 
de Talauera: y dt s« gliosa muerle. Dirigido <il Cardenal tiro sefior. Visto y 
examinado por el sefior inquisidor. (Este titulo u'uma portada gravada). — No 
fim: A loor y honra de Dios se acabo el presenh libro de la ruía dei primem 
Arçobispo de Granada. I isto y examinado por el muy reuerêdo sefior licenciado 
Pedraluarez de Paredes inquisidor en este arçobispado. Fue impresso en Euora 
en casa de Andres de Burgos impssor y cauallero de In casa delCardinal infante: 
n u dias de Otubre de M.D.lvij aftos. 

s." sem numeração, HM) fólios com o frontispício. 

Nu I." folio: «Prologo de andres de Burgos imprimidor ;il Cardinal in- 
fante sn sefior; 

«Tabla de vícios; 

«En las primeras impressiones, las mas delas vezes salen algunos vicios 
de letras de mas o de menos, que mudar) la inlencion dei auetor, & porensta 
yr alguos vicios se pone aquj esta tabla por la qual se entenderau como se 
deue leer; 

«Carta dei andor íj recopilo esta obra ai muy magnifico sefior el sefior 
don Luys'Obispo de Salamanca, por cuyo mandado fue recopilada». 

Exemplar da Bibliotheca Nacional de Lisboa. 

Ha também um exemplar na Bibliotheca da Vjuda. 

Gallardo descreve unia edição, de letra gothica, sem data. (Vide n.° 1:200). 

Sygeu Toledano (D.).— É o pae da celebre Luisa Sygéa. Encontramos 
d file uma caria, em latim, datada de Lisboa aos í idos de Fevereiro de MDLXij, 
dirigida a Miguel Cabedo. Vem no final das poesias d' este no appenso ao tra- 
tado jurídico de seu filho Gonçalo Mendes de Vasconcellos e Cabedo— Diver- 
som/, jvris argvmentarum, Coimbra. Vntonio de Barreira, 1594. A sobredita 
epistola é epigraphada da seguinte forma: 

D. Sygeus Toletamu Wichaeli Cabedio Régio senatori, salutem. 

Sylvestre (Gregório).— Apesar de nascido em Lisboa, deve ser conside- 
rado bespanhol, não só por ser filho de pães hespanhoes, mas por ter vivido, 
desde creança, em Hespanha, onde exerceu a sua actividade musical e por- 



398 



I.ITTKltATI liA III.SI'AMIO|.A ).M PORTI GAL 



(218) 



tica. Os seus versos, todos em lingua castelhana, foram publicados posthu- 
uios, sob o seguinte titulo: 

Las obras dei famoso poeta Gregório Silvestre. \ Recopiladas y corregi- 
das, por | diligencia de sus herederos: I y de Pedro de Cáceres, \ y Espinosa. 
Dirigidas por los mismos here \ deros, ai III.'"" // l{." Sefwr. j Don Jtian Mêdez 
<1r Saluatier j ra, Arcobispp de Granada, &c. \ Con licencia. Impressas em 
Lisboa, por Manuel j de Lyra. [no W/2. A custa de Pedro Flores Librero. 
Ven dêse en su casa ai Pelorifto vcllo. 

Informação de Fr. Bertolameu Ferreira. Informação e censura de Pedro 
Laynez. Diversas poesias laudatorias ao arcebispo de Granada. Carla ao mesmo 
da viuva do poeta, Joana de Caçorla y Palencia. Conta que as poesias de seu 
marido andavam dispersas e adulteradas, como filhos degenerados que per- 
deram cedo o carinho e bafejo paterno. Ella, porem, era mãe destes órfãos e 
não os queria abandonados e por isso encarregou do colleccionamento e revisão 
a Pedro de Cáceres y Espinosa, não só grandemente entendido em poesia, 
mas também o maior amigo de Silvestre, e por isso duas vezes competente. 

Segue se o «Discvrso breve sobre la vida, y costumbres de Gregório Syl- 
uestre, necessário para entendimento de sus obras por Pedro de Cáceres y 
Espinosa». Vae de folhas 8 a 19. Na folha 20 um epitaphio feito pelo mesmo 
biographo, e no verso desta folha um soneto de Francisco Caseales. Na fo- 
lha 1\ principiam as obras do poeta divididas em í livros. 

Um vol. em Li. " de 432 lis. numeradas pela frente. No verso da ultima 
folha a subscripção Con Licencia. En Lisboa por Manuel de Lyra, impres- 
sor de Libros. ãno 1592. Segue-se a Tabla, \t pags. innumeradas. 

Mais de um exemplar em poder de Jeronymo Ferreira das Neves. 

A approvação de Fr. Bartholomeu Ferreira é do theor seguinte: 

«Por mandado de sua A. vi esle liuro, <& assi emendado como vay não leni 
cousa contra nossa saneia Fe, nem cousa p onde se não deua de imprimir». 

A licença, assinada por António de Mendoça e Diogo de Sousa, c de 'i 
de Abril de 90. 

Barbosa dá João Rodrigues, pae de Gregório Silvestre, como portuguez. 

Taulero (Fray Iuã). — a) Iiistituciones, o dotrinas dei excelente Theologo 
Fray Iuã Taulero. Coimbra, 1551. 
1 vol. 
N.° 1:043 do Catalogo do Casliço. 

b) Institutiones de Taulero (Exemplar falto de frontispício, mas pelo bo- 
cado que resta vè-se que foi impresso) em Coimbra. 
I vol. 8.°, 312 pag. 



(219) A L1TTKRATURA HESPANHOI \ EM PORTUGAI 399 



e) Tratados <U vida spiriiual, que ensefian corno el híibre subira tlrl es- 
tado dei peccado a h vttmbrr. de In perfevlion. Impressa por mandado, *i con 
approbacion dei muy alto ij illustrissima sefior don Emriqtte Cardenal de lu 
santa iylesia Homana, InfanU rti Portugal, av. En Coymbra MDI.I. Com jni- 
uilegio Real. 

1 vol. 8.°, -jos-jsii pags. \ pags. 208 acaba «De la Vitoria de si mesmo» 
e começa numeração nova com o «Espejo dei Uma». 

No fim: Ha:e fin el presente volumen, en que se conlienen los wys tratados 
de lu vida spiriiual. Impresso ri, Coymbra. WDLI. 

No verso do frontispício lê 

•Este volumen contiene siete tratados de vida spiritual, conuiene saber. 

I. de la conuersioo dei pecador, i. de la victoria de si mes 3. de la dis- 

crecion. í. dei espejo dei alma. d. de la oracion. c>. de cien pregíitas cõ sus 
respuestas cerca de la oracion: compuèstas por dõ Seraphino de fermo cano 
nigo regalar, en légua Italiana. 7. Las instituciones de perfeciõ de fraj luã de 
Taulero de la orden de predicadores, escritos en latin: trasladados en légua 
espaúola, j impressos por mandado 3 con approbacion dei mm alto príncipe 
j illuslrissimo sefior dõ Enrique Cardenal de la santa iglesia Romana Infante 
! Portugal, Açu 

Scgue-se: Prologo dei iuterprete de los siguieulos tratados ai loctor. Faz 
grandes elogios ao cardeal. 

K interessante o seguinte paragrapho: 

^ porque el pr icho que sus autores pretiídierõ en estas obras j que 

sin duda podrã hallar los que con humildad 3 altêcion las leyeren; sea comD 
a los fieles ignorantes de lenguas estranas, trasladelas en lõguage comíi 

dotes \< ■> 

Vcêrca de João Thaulero vide Innocencio, tomo 11, pags. 134, artigo De- 
votos Exercidos, e o artigo Fr. Marcos de Lisboa. 

Té y Sagau (Jayme de la;.— Jayme de la Té > Sagau não é um des 
conhecido. seu nome acha-se registado no Diccionario Bibliographicv de 

lu ;encio Francisco da Silva (vol. ih, pag. -J.'i(> e a pag. "Jr>s do vol. 11 do 

Diccionario Biographico de Músicos Portugueses, o primeiro, em resumido 
artigo, menciona-o apenas como typographo ou proprietário da Ofíicina <\< 
Musica, que foi uma das principaes na primeira metade do século kvih. Jul- 
gava-o de procedência estrangeira, mas ignorava a sua nacionalidade, assim 
como quaesquer outros pormenores biograpbiços, afirmando que o seu nome 
apparecia repetidas vezes nos rostos e dedicatórias de diversas obras d'aquela 
época. Cita, além d'isso, o juízo pouco favorável que a seu respeito exa 
rou Francisco Xavier de Oliveira 110 tomo 11, pag. :>I7. das suas Memorias: 



41)0 A LITTBRATUKA HESPANHOLA EM PORTUGAL (220) 

«era homem de génio, e patarata: por fora cordas de viola, por dentro pão 
bolorento». 

sr. Ernesto Vieira apresenta-nos la Té y Sagau como compositor de 
musica, indicando-nos alguns volumes de Cantatas, de que elle próprio escre- 
veu a letra, impressos na sua officina. 

.Nus podemos ampliar a biographia de la Té y Sagau, cuja variada apti- 
dão arlista, artífice e homem de letras— não sabemos se corresponderia a 
um relevante merecimento. 

Jayme era natural de Barcelona e viera para Lisboa ahi por ITits na 
companhia do padre Cienfuegos, sob ruja protecção e arrimo vivera durante 
7 annos. Tendo-se este retirado para a corte de Vienna, ficou la Té y Sagau 
um tanto ao desamparo e querendo D. João V favorecel-o, lhe concedeu pri- 
vilegio em 12 de outubro de I7l'i para que ninguém, além delle, por espaço 
de 10 ânuos, podesse ter outra impressão de musica, á similhança do que se 
praticava em Madrid e outras capitães da Europa (Vide doe. i). 

Além deste privilegio, o musico barcelonez recebeu ainda outras provas 
de estima e consideração de D. João V, o que bem mostra a influencia que 
linha na corte, graças ao valimento que lhe concedera a esposa d'aquelle mo- 
narca, D. Mariaiina d Áustria. 

Em 2í de maio de 1 T 1 - > recebeu os alvarás para ser armado cavallciro, usar 
do habito de ouro. e ser-lhe lançado este. os qúaes estão registados no liv. 20 
da Ordem de Santiago a II. 110 v e seguintes. A carta de profissão tem a 
data de 31 de junho de 1710 e está registada no mesmo livro a II. 185.. 
Além da mercê recebeu um padrão de 12$000 réis de tença, lambem registada 
no liv. 26, a fl. 76 v. 

La Té era de baixa estirpe e por conseguinte pouco faltou para que dei- 
xasse de lograr o habito de Santiago. Sendo necessário proceder-se ás forma- 
lidades indispensáveis para receber as respectivas insígnias, pelas provanças 
e inquirições que se effectuaram em Lisboa, visto a difficuldade de se rèali- 
sarem na Catalunha, verilicou-se que elle não tinha as habilitações suffiçien- 
tes, isto é, os documentos próprios a comprovar a limpeza de sangue. De 
nobreza é que não havia nada nos seus antepassados, sendo até muito pro- 
blemático que os seus avós fossem christãos velhos. A magnanimidade real 
manleve-se, porém, superior a todos os escrúpulos, comprazendo galante- 
mente com as instancias da rainha. Dessas duvidas, d'essas perplexidades, 
d'esses obstáculos, exarados nas provanças é que resulta o conhecimento da 
arvore genealógica de Sagau. Seu pae e avô do mesmo nome, e sua avó L'r- 
suía Peinado eram naturaes do condado de Ruselho, principado da Catalunha, 
e seu avó materno Pedro Pons e sua avó Magdalena Arnês e sua mãe Madroná 
Pons eram naturaes da villa de Marturel, bispado de Barcelona. O pae, se- 



--I A l.ll llltui l;\ IIKSPANIIOLA EM 1'OUTUfíAI 'i < > 1 



gundo uma testemunha, era musico que cantava por estipendio; o avô pa 
terno fora dançador e a mãe lavadeira. (Vide doe. li . 

Na Officina de Sagau não se raziam somente impressões de musica, mas 
também se publicavam outros livros, alguns dos quaes revestiam um caracter 
artístico, verdadeiras edições de luxo, como por exemplo as I Uimas acções 
iln Duque D. Nuno Alvares Pereira de Mello, dadas á luz em 17:5o e enrique- 
cidas de numerosas estampas. 

\ Jornada que o seniior António de Ubuquerqw Coelho, ... fez de Gòa 
a Macau, impressa n'esta ultima cidade, foi reeditada em Lisboa em 1 7 :t^ por 
Jayme de la Té, na sua Officina de Musica. O impressor offerece ;i edição a 
D. Jayme de Mello, terceiro Duque de Cadaval, e na dedicatória, assaz ex 
tensa, escripta em portuguez, patenteia-lhe o seu reconhecimento por haver 
mandado estampar na sua Officina, em edição monumental, as 1'ltimas acções 
do Duque l>. Nuno Alvares Pereira de Mello. \lii se faz uma importante refe- 
rencia a M. Guillard, egualmenle destro no pincel > no buril. É unia partícula 
ridade curiosíssima para a biographia d'este artista. \ dedicatória de Sagau 
merece ser lida e confrontada com a descripção que fez Innocencio da Silva da 
obra atras mencionada. 

Além das Cantatas o Sr. Ernesto Vieira cita a composição musical 

de diversos villancicos nos ai s de 17-Jl e IT-j:; e um Oratório a S. Vi 

cenle. 

Este ultimo merece, porém, ser mais especificado, pois n'elle se revela 
ser auetor dos versos o cónego Julião Maciel, de quem não faz menção Inno- 
cencio ila Silva, mas que vem apontado no Catalogo de Domingos Garcia Pe- 
res. Eis aqui o titulo, segundo o exemplar que examinámos na Bibliotheca 
Nacional de Lisboa: 

Oratório que se canto, con vários instrumentos, en 22 de Enero: Fiesta 
ilri glorioso, Invicto, Mártir, >'. Vicente, Palron de [mbas Lisboas: en la Me 
tropolitana Cathedràl de Oriente. Siendo magordomos los seRores arcediano de 
Saníaren, etc. Compuso los metros el seftor Canonigo Julian \íaci>l: ij In mu- 
sica I). Jayme /Ir La Té e Sagau. 

Lisboa Occidental. En la Imprenta de Musica. Ano 1719. Con las licencias 
necessárias. 

8." pequeno, 21 pags. 

Conhecemos outra nina. em que Sagau collaborou com o seu talento 
musical, sendo a leira de outro poeta. 

É a seguinte : 

La comedia El poder de la armonia, fiesta de zarzvela, que a los felices 
aftos dei rey. . . </<>/' Juan V. si- represento en su Real Palácio el <lin 22 de 
Octubre tl<' 1713. De Luis Calisto de Vcosta \ Faria. Compuso la musica 



402 A LITTERÁTURA HESPANHOLA EM PORTUGAL (222) 



don Jayme de La Té, y Sagau. i Vnnas portuguezas). Km Lisboa, Kn la lm 
prenta Real Deslandesiana. MDCCXHI. 

'<.", 'd pags. 

Bibliotheca Nacional do Rio de Janeiro. Coltecção de Uarbosa Machado. 
Descripta sol» o n.° 21!) nos Annaes da mesma bibliolheca, vol. m, pag. 164. 

La Té y Sagau deixou um filho Jayme Domingos de la Té y Sagau, que 
subscreve a dedicatória da edição das Décadas, de Diogo do Couto, de 1 73<i 
iDecadas IV. V). Diz que o pae deixou a impressão adeantada— que tivera 
esta herança— e a mira obriga-me a gloria de patrício. 

D'esle trecho se pude claramente deduzir que Jayme de la Té y Sagau 
era fallecido em 1736 e que seu filho Jayme Domingos nascera em Portugal, 
onde provavelmente seu pae se matrimoniara. 

Explanámos razoavelmente, cremos, a biographia de Sagau, o que não 
obsta a que novos dados, sdggeridos por estes, venham intercalar se n"ella, 
esclareçendo-a e completando-a quanto possível. 

o exame minucioso de todos os livros impressos na Typographia da Mn 
nca e de outros contemporâneos fornecerá sem duvida importantes subsídios, 
Lanto para a historia da fundação e desenvolvimento d'aquella O/ficina, como 
para a historia do seu fundador e do movimento artístico e industrial da 
época, sobretudo nas suas relações com a musica. 

Seguem-se agora os documentos comprovativos. 

Carta de privilegio paia a impressão de musica: 

«D. João por graça de Deos Rey de Portugal, etc. Taco saber que Jayme 
de La Té y Sagau cavalleiro da ordem de Santiago me reprezentou por sua 
petição que havia sete annos que se achava nesta corte havendosse mantido 
nella com o arrimo do padre Cienfuegos o qual paçandosse a corte de Vienna 
Jicara elle supplicante Com tam lemitadas eonviniencias que não hera possí- 
vel manterse com aquela decência que athe aqui se manteve. Pédindome lhe 
fizesse mercê conceder previlegio para poder fazer impremir e vender niuziea 
como se fazia na corte de Madrid e em todas as mais partes da Europa e que 
ninguém senão elle podese ter a dita impreção e visto o que alegou: Iley 
por bem concedei' ao supplicante o previlegio de que las menção por tempo 
de des annos paia que durante elles nenhum impresor Livreiro nem outra 
qualquer pessoa possa impremir vender nem mandar vir de fora do Reyno 
muzica sem licença do supplicante subpena de perder todos os volumes que 
lhe forem achados para o mesmo supplicante e de pagar sincoenta cruzados 
ametade para o acuzador e a outra para a minha Camará Ueal e esta provi- 
zão se cumprira como nella se conthem de que pagou de novos direitos qui- 
nhentos e quarenta reis que se carregarão ao thesoureiro delles a f. 201-v 
do L." '■)." de sua receita e se registou o conhecimento em forma no L." :>." 



(--3) \ LITTERATURA UESPANHOLA EM PORTUGAL U)3 

'l" registo geral :i II. I7.'i. El-Rey Nosso Senhor o mandou por seu especial 
mandado pellos dczembargadores Vntonio dos Santos de Oliveira c Vnlnnio de 
Beja de Noronha auihos do seu conselho e seus Dezombargadores do Pacn 
Jnseph da M.iy.-i e Faria a fes em Lisboa a doze de outubro de mil setecentos 
u quinze. Pagou desta duzentos réis. Manuel de Castro Guimarães .1 les escrever. 
\iiiiinio dos Santos de Oliveira. Vnloniu de Beja de Noronha. Por rezolução de 
s. Magestade de I í de Setembro de I71íi em consulta do Uezembargn do Paço 
c em observância da Lei de i\ de Julho de 1713 — Josepli Galvão de Lacerda 
Pagou quinhentos e quarenta réis. Lisboa :!l de Outubro de I7i:> Dom Mi 
guel Maldonado Consertado Luis Siqueira de Saa». 

lo II. .1 11 

Provanças para o habito de Santiago: 

Senhor Jayme de La Té j Sagau reprezenta a \. Magestade em Ima 
su;i petição que V. Magestade lhe fez mercê do habito da ordem de S. Tiago 
pellos respeitos que lhe foram presentes, e serviços que tem feito á Raynha 
Nossa Senhora e porque he natural da cidade de Barcelona, e sen paj e \\<< 
do mesmo nome e sua Vvó I rsula Peinado erão naturais do Condado de 
Ruselhó Principado de Catalunha e seu \\ô materno Pedro Pons e sua Wó 
Magdalena Vrnés e sua Mai Madrona Pons erão naturais da villa de Mar- 
turel Bispado de Barcelona, em cujos destrictos sem comunicação com este 
reino não lia cavaleiro de algíía das ordens a quem se possam cometer 
as diligencias e provanças da limpeza do sangue do sup. tc e nesta corte 
como pátria comua ha muitas pessoas naturais daquelles pai/es que possão 
depor da sua nobreza e sangue e V. Magestade costuma dispençar em 
semelhantes impedimentos como se tem practicado com pessoas de varias 
nações e o sup.' 1 não desmerece esta graça. P. a V. M.il;. ' lhe faça 
mercê dispençar com elle para que nesta corte se lhe facão as suas inqui- 
rições por não haver naquelles payzes cavaleiro a quem se cometa esta 
deligencia F. por V. Man. 1, mandar que a dita petição se veja neste Tribunal 
e se consulte o que parecer sem embargo das ordens em contrario. Pareci 
que V. Mag. dl tara mercê ao sup. ,e de dispençar com elle para que nesta ci- 
dade se lhe façam as suas diligencias, visto na sua Pátria e de seus pays e 
Avós, não haver cavaleiro a quem se cometão e V. Mag. d6 ler concedido esta 
graça a outros habilitandos. Lisboa li de Abril de 1714. Joam Bibeiro Fer- 
reira—D. Henrique de Noronha Forão votos os I». I). Dom Francisco de 
Souza e Domingos de Souza s. Tiago Ferraz. 

«Como parece Lisboa 7 de Maio de 171 '1.- Uma rubrica». 

«Senhor \ D. Jayme de La Té j Sagau foi V. Mag.* 1 " servido fazer mercê 
do habito da ordem de S. Tiago e paia o poder receber se lhe mandarão fazer 



A LITTERATURA HESPANUOLA KM PORTUGAL (224) 



as provanças de sua habilitação das quais constou que em sua pessoa concor- 
rem as partes pessoaes; porém que seus pays e Avós não tiverão nobreza 
algua por serem pessoas de segunda condição e que o paj era muzico que 
cantava por estipendio dizendo nua testemunha que o Avô paterno fora Dan- 
çador e outra que se dizia fora a May do justificante lavandeira; e porqne 
lãobem não ha sulnVicnic noticia dos Avós, nem se açhão legitimamente pro- 
vadas suas origens, como também as dos Pays, e posto não haja testemunha 
algua que deponha de defeito de sangue do justificante antes alguas dizem 
que tem hum Irmão Clérigo, como porem 'pella falta de prova das ditas natu- 
ralidades e da que tem as testemunhas do conhecimento; e sufficiente noticia 
dos quatro Avós, não aílirmão nem podem depor que elles fossem christãos 
velhos c limpos de sangue, e ;issim tique faltando a prova pozitiva da limpeza 
do justificante que se devia mostrar na forma de direito e DeDnitorios das 
ordens paia se poder julgar por habel. E ordenando-se ao justificante decla- 
rasse as naturalidades dos ditos seus pays e Avós, e o mais que tivesse a 
esse respeito pedir por bua petição por elle assinada se lhe sentenciassem 
as suas inquirições no Estado em que se achavão se julgou pelos referidos 
impedimentos por inhabil para entrar na ordem do que se dá conta a V. Mag.' 1 " 
como governador e perpetuo Administrador delia na forma que o dispõem os 
Definilorios. Lisboa 7 de Fevereiro de I71S — João de Mesquita e Matos — 
Dom Francisco de Souza — Joam Ribeiro Ferreira. 

«Está bem. Lisboa 13 de. Fevereiro de 1715. — Uma rubrica». 

«Senhor — Das prouanças que se mandarão fazer a Dom Jayme de La Te 
y Sagau para receber o habito de S. Tiago de que V. Mag.? e lhe fes mercê, 
constou que seus pays e Avós não tiverão nobreza algua, por serem pessoas 
de segunda condição e que o pay hera muzico que cantava por estipendio, di- 
zendo bua testemunha que o Avô paterno fora Dançador e outra que se dizia 
1'ôra a May do justificante Lavandeira; e por não haver sufficiente noticia dos 
pays e Avós e tãòbem se não acharem legitimamente provadas suas origens, 
posto não houvece testemunha algua que depuzece de defeito de sangue, pella 
falta de prova das ditas naturalidades e da que tem as testemunhas do conhe- 
cimento, e sufficiente noticia dos quatro Avós, não affirmarem nem poderem 
depor que elles fossem christãos velhos e limpos de sangue e assim faltace a 
prova pozitiva da limpeza do justificante, se julgou por inhabil para entrar na 
ordem do que pella consulta induza se deu conta a V. Mag. de a que foy ser- 
vido mandar responder que estava bem. — Tendo o sup.' e esta noticia recorreo 
a V. Mag.' 1 '' com bua petição em que refere que V. Mag.' le foi servido honrallo 
com o dito habito de Santiago cujas provanças se haviam feito nesta côrtè 
como pátria comua e não se havendo achado bastantes testemunhas por fazer 



(225) A L1TTERATURA HESPANHOLA EU PORTUGAL 105 

Ima declaração de occupações que liverão os pays e Avo- paternos delle 
supp." eslava por esta causa excluydo de pessuir a lionra que V. Mag. ' lhe 
havia feito. 1'. a \ . Magestade seja servido dispençallo nas mechanicas e 
impedimentos que por parte de seus pays e Wós lhe rezullarão I. por 
V. Mag.' le mandar que a dita petição se veja neste Tribunal e se consulte o 
que parecer sem embargo das ordens em contrario Sendo tudo visto Pa 
receo que visto V. Mag.' le haver condecorado o habilitando rum a mercê do 
habito a contemplação da Raynha Nossa Senhora e a mesma Senhora se ser 
vir de interpor para rum elle na prezente suplica a sua soberana protecção 
como se fizera prezente neste Tribuual devia V. Mag. dl haver por bem dis 
pençallo pois o respeito de hua tal intercessão hera justíssima canza para 
facilitar hua dispença que não depende mais que da real grandeza deV. Mag. de 
Lisboa 12 de Abril de 1715 João da Mesquita e Matos Joam Ribeiro Fer- 
reira—Dom Francisco de Souza Como parece. Lisboa 13 de Março de 
1715. Uma rubrica. — (Torre do Tombo, Meza da Consciência e Ordem 
Maço 8, m" •'». da Urdi m dt S. Tiago). 

Tello de Leon (Fr. Francisco). Discursos de la nalividad dei f/loriosn 
san Ivan Baptista. Predicados en nveslro convento de la Santíssima Trinidad 
de la muy Real Ciudad de Lisboa. Por el padre maestro fr. Francisco Tello de 
Leon Religioso de la misma Orden, natural de la Ciudad de Granada. En la 
fiesta de la cofradia de S. Juan Baptista en su mismo dia, en estepresenle afio. 
Dedicados a Don Rodrigo de la Camará, Conde de Villa Franca de luro, Ca- 
pitan y Gouernador General de la Ma de S. Miguel. En Lisboa Com lulas lai 
licenças necessárias. En la Emprenta de Girardo de la Vinea. Afio 1628. 

4.°, !.'i I1-. prel., 75 pags. 

Nas preliminares: licenças, dedicatória, Genealogia de don Rodrigo de la 
Gamara, Conde de Villa Franca e Genealogia de la mvi excellente j noblc 
senora dotia Maria de Faro. 

Exemplar da Bibliolheca Nacional de Lisboa. 

Teresa de Jesus (Santa).- a) Tratado \ qve escrivio la madre Teresa 
de Jesvs. .1 las hermanas Religiosas de la orden de miestra Seítora dei Cár- 
men dei Miau- steria dei Seia»- sanei Josepf. (sic) De Anila de donde ala 
sazon era \ Prima y fundadora. 

( Fue impressa la presente obra, | enla min/ noble y siempre leal ciudad 
ile Euora, en casa de la Viuda Mu \ ver que fue de \ndres de Bur- gos, que 
saneia gloria aya. 1583. 

No verso do frontispício estão as licenças, a saber: 

<^j Vista á enformação do padre Bertolameu Ferreyra podersea imprimir, 



jdi; a UTTERaTURA HESPANHOLA KM PORTUGAL (226 J 



tiradas as clausulas que estão riscadas, & antes de correr tomara a cela mesa 
hum dos liuros impressos cõ isste original, pêra se cotejarê lium com outro 
em Lixboa a sele de Outubro de M.H.IAW K esta licença se porá do prin- 
i ipio rio liuro <j si' imprimir. 

Paulo Ifonso Intonio de Mendoça». 

"■ Conforma rum o original, pode correi em Lixhoa a oylo de Fciw- 
reyro 1583. 

Paulo Mbnso. António de Mendoça». 

Segue n;i pagina seguinte a dedicatória ou saudação do arcebispo de Évora 
li. Teodósio ile Bragança ás madres dos mosteiros da primeira regra de Nossa 
Senhora do Carmo. Parece ter sido eile o editor da obra pelo seguinte pe riodo: 

«\ no es pequena consolacion ver que aun despues de su fallecimienlo 
su espiritu biue enla doctrina deste libro, que ella con el sancto zelo, que 
lenia de aprouechar a sus hijas, ordeno y compuso para solas ellas, pidien- 
dome encarecidamente lo mandasse yo imprimir para solo este effecto: porque 
auiendo algunos traslados de mano, haliaronse muchas rosas trocadas, de como 
ella las auia escrito, lo qual se remediaria con la impression». 

Tratado é o Camifio de perfecion. 

1 vol. 8.°, II lis. piei. inn., 143 lis. numeradas pela frente. A 1.-' linha 
do titulo dos capítulos é em gothieo. Este exemplar pertence a Jeronymo Fer- 
reira das Neves, que o arrematou na livraria Pombal <n.° 2:152). No mesmo 
volume acha-se encadernada uma obra. sem designação de Jogar nem de im- 
pressor, mas reconhece-se que é do mesmo antecedente, lntitula-se: 

b) La Vida y \ milagros de el glorioso padre \ san Alberto, de la sagrada 
religion, de mestra se nora dei carmen. \ Va esta obra dirigida a la muy 
religiosa se j fiora madre nueslra Teresa de .lesas: fan- J dadora de las descal- 
ças Carmelitas: A em/a instancia se escribe: ij se pune muchas cosas ftw | ra 
dela historia | pa mas glo | ria de es | te glo \ rioso | sancto. \ Afio de lõ82* 

I vol. 8.", de ii fólios numerados pela frente. 

Na Helaçam Srmmaria da vida do illvstrissimo el reverendíssimo Senhor 
Dom Theotonio de. Bragãça, quarto Arcebispo de Euora. lê-se a seguinte pas- 
sagem: 

«Não teue amisade com nenhua Freira em particular: assi súbdita, como 
qualquer outra: Só estando em Salamanca, comunicou, & tratou com muita 
familiaridade a Madre Saneia Tareza de lesvs, fundadora dos Carmelitas des- 
calços, pellas grandes partes que nesta Sancta Madre conheceo: assi de Sancti- 
dade, como de prudência, que ella tinha: Elle foy o primeiro, que lhe mandou 
imprimir o seu Liuro, que [ella compôs, chamado caminho de perfeição». 
iFolio i5). 



(227) A UTTERATURA HESPANHOLÀ I.M PORTUGAL 407 



A Relaçam é de Nicolau Vgostinho e foi impressa em Évora, anuo de 
liili. por Francisco Simões, impressor e livreiro da l diversidade. 

c) Los libros de La \fadre Santa Theresa de Jesvs, Fundadora de la 
reformacioh de los Descalços, y Descalças de Nuestra Sefíora dei Cármen. 
D mirro corregidos con stt original, y afíadido Tablas muy copiosas en esta 
vitima impression. Ao Illustr. & Reitercnd. Sefíòr D. Afonso Furtado de Men- 
donça Arcebispo de Lisboa, Gouernador de Portugal &c. (Gravura repre- 
sentando Santa Theresa, escrevendo um livro e recebendo a inspiração do 
Espirito Santo).— Por baixo: Com Licença. Em Lisboa. Por António Aluar ez. 
Afio 1628. 

1 vol. i.°, II lis. prel., 560 pags. a 2 col., mais 20 Qs. innumeradas de 
Tabla de las cosas nolables. 
Este volume contem: 

La vida de la Sancta, escrita por ella misma; 
Comino de perfecion; 
Castillo interior, o las moradas. 
N." 3:6 1:2 do Catalogo do Marquez de Caslello Melhor. 

d) Ims obras de la S. Madre Teresa de Jesvs fvndadora de la reformácion 
ilr las Descalças, y Descalços de N. Sefíora dei Cármen. Primera Tly III Parte. 
St; vida. Comino de Perfeccion, y Munida*, Fundaciones, Cõceptos y todas sus 
obras. En Lisboa. Cõ licencia. Por Ant. M: (António Alvarez) Tmp. Del Rey 
N. S. 1654. (Este titulo acha-se ao centro d'uma portada gravada — gravura 
pouco primorosa — por baixo da imagem da Santa, sentada n'uma cadeira, 
escrevendo. Aos lados, a oliveira e a palmeira com dísticos enrolados nos 
troncos, tendo as raizes nas armas carmelitas). 

Em -2 vol., tendo o 2.° a mesma portada que o I." Este com 17 lis. 
prel. inn., 642 pags., mais 19 lis. inn. de Tabla de las cosas notables. O 2.° 
'.i lis. prel. inn., TOS pags., mais III lis. inn. Tabla. 

Pelas licenças vê-se que esta edição é uma reprodução da de Anvers, de 
1646, cm :í volumes. 

Exemplam d Coelho. 

Thalesio i Pedro). -Foi professor na Universidade. Compoz uma Arte de 
Cantocham em portuguez, de que mnocencio aponta duas edições. 

No Registo de Consultas da Mesa da Consciência logo ao principio do 
anuo de 1616 a 16 17 encontra-se curiosa informação a respeito de Thalesio. 
Vide Ernesto Vieira, Diccionario biographico de músicos Portugueses. 

Hist. e Mem. da Acad.— Tomo mi parte ii. — N." ."> 17 



408 A LITTERATURA IIESPANHOLA EM PORTUGAL 

Timoneda (Juan de).— a) Aliuio <l<- ca \ minantes, Cõpuesto por | Juã de 
Timoneda. \ E nesta vitima impssion | vã quitados muchos cue \ los desones- 
tos: ij afia | didos oiros muy \ graciosos. Impresso em Euora en \ casa de Andres 
de Burgos | 1575. 

Veja-se o fac-simile do frontispício em Innocencio, Diccionario, vol. x, 
pag. 142. 

b) El Vatrafíuelo. Lisboa, 1580. Suprimida la patraãa 8. a >. 

Sem mais indicação em Barrera, pags. 395. 

Tode (Fr. Jacopone de). — Cantos j morales, | spirilrales, y \ contemplati- 
vos. | Compuestos por el Beato F. Iacopone j de Tode, Fraijle menor. \ Tradvzidos 
nueva- | mente de vulgar Italiano em Hespafíol. | Damos en ires Classes por 
mas prouecho de su lecion. | Que es de admirables effectos en lis almas. | Cm 
Incutiu dei Ordinário, y dei Sancto Offlcio | En Lisboa. \ En casa de Francisco 
Corrêa, | Impressor do Sereniss. | Cardenal ///". | M.D.LXXVI. | Esta lassado a 
60 marauedis en Papel. 

1 vol 8.°, li fis. prel. inn., 224 fls. numeradas pela frente. 

No reverso do frontispício a divisão da obra em três classes. 

Nas folhas preliminares: Approbaçam do Sancto officio. 

É do lheor seguinte: 

«Vy por mandado da sancta & geral inquisiçam hum liuro cujo titulo he: 
Cantos morales, spirituales, y contemplatiuos &c. Os quaes foram compostos 
polo Beato F. Jacopone, em rylhma & medida Italiana. E agora trasladados de 
nouo em lingua Castelhana. 

«Os quaes sam de muita edificaçam & doclrina, & nam tem cousa contra 
nossa sagrada religiam & bõs custumes, & me parece que tiraram delle muito 
fructo os lectores deuolos, á- se diuertirã as pessoas de outros versos profa- 
nos á- amor mundano, vendo aqui tantos affectos-á effectos de diuino amor. 
Polaqual razam sinto serem dignos de se imprimirem, juntamente com hfia 
carta que vay no começo, & nua anotaçam sobre a obra do Padre F. Marcos 
ministro prouincial da prouincia de sancto António. Em fe do qual assiney 
aqui oje 11 d'Agosto de 1575. 

F. Bartholomeu Ferreyra». 

Alvará de 13 de março de 1576 para que Belchior Maciel possa imprimir 
ou mandar imprimir o livro composto pelo beato frei Jacopone da dita ordem, 
que hum religioso delia tradazio de italliano em lingoagem castelhana. 

Deslandes publicou este Alvará nos seus Documentos para a historia 
da typographia portugueza, mas com a data de 14 de março conforme achou 
nos registos da Chancellaria de D. Sebastião. É curioso que o Alvará diga 
que os Cânticos foram traduzidos por um religioso franciscano, quando na 



(229 ,\ UTTERATDRA HESPANHOLA EM POB Í09 



advertência do Interprete ao Ledo) se affirnia cousa maito differente, como 
adeante se verá. 

Aunolaçam de F. Marcos em a obra seguinte do li. F. lacopone. F. Me- 
nor. 

Esla Annotaçam é quasi a mesma cousa que se lé no Prologo sobre a 
doutrina do bea irtugueza, que fr. Mar- 

cos inserira no Bnal da Parte segunda Jus chronicas dos l<Yad s Menores. 

Principia o Prologo: 

«Tanto poder tê o de] rauado juizo iS opinião das cousas, que por boas 
A- proueitosas que sejam, as Imas as pode fazer ter por mas A- danosas, como 
libem as mas pode fazer ter em cota de loas a- proueitosas». 

Comrrii da Annotaçam: 

«Tem tanto poder o errado juizo A- opiniam das cousas, que por boas A 
proueitosas que sejam, as faz ter por mas a- danosas; como lambem as mas 
faz ler por boas». 

«Ao mvyto R. l\ Luys Gonçaluez da Camará, da Companhia de Jesus, 
Confessor A Mestre dei Rey nosso senhor, Frey Marcos d,' Lisboa frade me- 
nor deseja a saúde eterna. 

«Bem lembrará a v. K. q ê Roma me deu os cantos italianos do bêauêtu- 
radO f. lacopone frade menor peia q cõ elles me eõsolasse A- estoirasse na 
peregrinara q entã fazia por cansa da historia da nossa ordê. E verdadeira- 
mente eu recebi delles os effectos q me V. li. prometeo. E vi com quanta 
razam os padres de sua santa companhia se seruem & aproueitam de sua 
familiar lição. Amua os tomo a V. II. em romance traduzidos poi pessoa de 
saber e peito christão, peraque V. R. os laca imprimir A- se possam commu- 
nicar a muitas almas deuotas, A- façam nellas mouimentos a- effectos do desprezo 
do mundo a do amor de Deos, a que tam marauilhosamente moue esta fer- 
uente liçam. E lambem porq os nobres e curiosos tenham hum limo que com 
saauidade os aparte dos enganos do mundo, A- os faça conhecer A sentir a 
verdade A effectos do diuino amor, pêra que somos criados. E sem duuida 
quem com atençam christam ler estes cãtos lã deuotos & aferuorados em Deos, 
nam estranhará as pessoas religiosas os lermos A nos aproueitarmos delles, & 
os communicarmos assi em uma e verso como foram compostos por seu con- 
templatiuo A feruente author, por o muilo frúilo spiritual q álles se tira. 
E puuesse á nosso Senor, que a lioam destes cãtos tam deuotos, moraes a con- 
templatiuos, tizes.se conhecer aos discretos A curiosos mundanos, quam baixos 
vijs, A mortaes sã seus amores, em q vãinrie occupã seus ingenhos cõ elegã- 

tes Rimas, A lhas fizesse lançar das mãos que não seria este pequeno ganho 

de tempo, A de sanctos pensamentos A desejos. V. li. a que nosso Senhor pos 
nesse lugar de lata authoridade os pode incitar a isso mais que lodos, como 



410 A UTTERATCRA HESPANHOLA EM PORTUGAL (530) 

sêpre trabalhou fazer. O mesmo senhor por sua bõdade infinita de a V. R. os 
prémios da elema gloria. 

«O Interprete. Ao Lector, 

«A primeira pessoa. Lector amigo, que me mostrou as obras do Beato 
Jacopone que sam em i'ma Italiana, foyo padre frey Marcos de Lixboa Minis- 
tro da prouincia de Saneio António de Portugal. Que com o mesmo spiritu & 
diligencia, rum que pos em ordem & copillou as chronicas do glorioso padre 
sam Francisco, o que tem acabado cõ muyto louuor de Deos, & de sua reli- 
giam, com esse mesmo desejo me rogou as quizesse traduzir em hespanhol. 
I.n as comecey a ler, A- posto que a grandeza da matéria, & alteza dos con- 
ceptos me espantou & me fez recear cargo tam desigoal a meus hombros, 
todauia tem tanta força comigo ver o feruor A- suauidade com que aquelle 
arrebatado Spirito traia seus amores com nosso Senhor, A o artificio A inuen- 
çam com que moue os aífeclos como poeta ingeniosissimo que era, que sem 
cuidar que nisso fazia mais que passar algus pedaços do dia, comecey a tra- 
duzir alguns cantos que pêra isso escolhy; mas estes acabados em qualquer 
outro com que me encontrara, achaua tanta riqueza de conceptos A- tantas 
cousas bastantes a mouer d- inflammar qualquer spirito por muy frio A descaido 
que cstiuesse: que me pareceo bua muyto grande culpa, nam se comunicar 
aos que carecem do Italiano hum Iam grande thesouro. E por isso da minha 
parte nam quis cair nella, & como pude os acabei de traduzir todos. A mayor 
difGculdade que aquy tine, foi na variedade das lingoas, A- na escuridade dos 
vocábulos, com que este seruo de Deos nos quis communicar estes segredos 
seus, A do amor diuino. Porque tam desejoso foy em todas as suas cousas 
mostrar bQ grande desprezo A- auorrecimento de sy. que nam somente na vida 
o vsou estranho A quiçá nunca visto, mas inda pêra a scriptura buscou as ' 
mais grosseiras lingoas, as palavras mais toscas, escuras, A- desusadas, que 
no Italiano pode achar. A profundeza grande das matérias me deu tam- 
bém trabalho, porque como as mais delias sejam cousas que desaparecem 
aos nossos olhos, & onde o humano juyso de todo fica cego, em muitas delias 
me deixey guiar do author, s