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Full text of "Portugal antigo e moderno; diccionario ... de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias"

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<^'ám 






Í*ITTTT 



de Sotonu^ord-J^ímeida 

él^concellod 
Count of Santa Culaíia. 






W-l^;M 



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PORTUGAL 



ANTIGO E MODERNO 



VOLUME SEGUNDO 



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Google_ 









t í f 






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PORTUGAL 

ANTIG O EMOD ERKO 
DICCI 10 

Oeoflri^a.pliloo, JQjstAtistieoy Oboi*og^apliieo, Heráldico» 

^4jreHeolog^eo, 
CUUstorieo, Siog^rapliieo e JEltyTXkalafgico 

U TODAS AS CIDADES, VILLAS £ FBEGUEZIAS DE PORTUGAL 

^ E DE GRANDE NUMERO DE ALDEIAS 

Se estas sSo notáveis, por serem pátria cfhomens célebres, 

por batallias ou outros factos importantes que n'ellas tíTeram logar, 

por serem soleures de famílias nobres, 

ou por monumentos de qualquer natureza, alli existentes 



NOTICU DE MUITAS CIDADES E OUTUAS POVOAÇQEIS M LQSITMIA 

DE QUE APENAS RESTAM VESTÍGIOS OU SOMENTE A TRADIÇÃO 

POR 

Augusto Soares d^Azevedo Barbosa de Pinho Leal 



LISBOA 

LàT^ARJA Editoiia de Mattos Moreira & Companhia 

68— Praça de D, Pedro — 68 

1874 



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V 



HARVARPCOLLESE LfWMY 

COUNT OF SANTA EULAUA 

COLLECTION 

6IFT OF 

moi ft sTcnoN, Hb 

MAY 20 1924 



A propriedade doeste DICCaONAWO, pertence a Henrique d' Araújo 
Godinho Tavares, súbdito brazileiro. 



LISBOA 

TypoGRAPfltA Editora de Mattos Moreira & Compakhia 
67— Praça dé D» Pedro — 6? 

1874 



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PORTGGAL ANTIGO G MODMO 



C 



CAB 

CA— portuguez antigo (derivado de car, 
celta) significa parque. 

GABA — serra, Traz-os-Montep, termo de 
Chaves. Principia na villa da Torre, corren- 
do de norte a sul, tem i8 kilometros de com- 
prido e i:500 metros de largo. 

Em partes é cultivada e produz centeio. 
Ê fria e pedregosa. 

Cria algum gado e traz caça. 

Caba é mesmo a palavra árabe Caba. Si- 
Cnifiea cenáculo, ou casa quadrada. Deriva- 
86 do verbo caabâ, fazer alguma cousa qua- 
drada ou em quadro. 

Tendo porém anteposto o artigo o/, signi- 
fica o templo de Mafoma, em Mecca. {Álcabay 
isto é, a casa por exoellencia.) 

Parece-me porém que esta serra deriva o 
seu nome de Cábba (que os nossos antigos 
Mcreviam Ciwa ou Caòa) e significa mulber 
má, dissoluta, adultera. 

TUvez que para aqui ftigisse (ou dester- 
rassem) alguma mulher de má vida. , 

Também deram o epitheto 4e Cava á filha 
do conde Julião, pelos molívos que se pó* 
dttn ver em fr. Bernardo de Brito, João de 
Barros, fr. António Brandão {Monarchia ím- 
iikmaj ê outioa. 

«Os grandes e públicos peccados, aeaba- 
nm de encher a medida da sua condeoma- 
00, com a força feita á Cava, filha do eon- 



CAB 

(Barros, dec. !.■, pag. 1.) 

CABAÇOS— freguczia, Beira Alta, comar- 
ca e concelho de Moimenta da Beira, 30 ki- 
lometros de Lamego, 330 ao N. de Lisboa^ 
130 fogos. 

Em 1757 tinha 90 fogos. 

Orago Santo Adrião. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo de Viseu. 

Situada em um alto, d*onde se vêem as 
villas de Fonte Arcada, Leomil, Sarzédo e 
Arcozéllo. 

O reitor de Sendim e o de Moimenta da 
Beira, apresentavam aqui alternadamente o 
cura, que tinha 8i/(000 réis de côngrua e o 
pé d*altar. 

E' terra muito saudável e fértil em trigo^ 
centeio, vinho e castanha. 

CABAÇOS— freguezia (foi viUa e couto) 
Minho, comarca, concelho e. 10 kilometros 
ao S. de Ponte de Lima, SOaoONO.deBníp 
ga, 3fiO ao N. de Lisboa, 160 fogos. 

Em 1757 tinha 90 fogos. 
' Orago S. Miguel, archanjo. 

Arcebispado de Braga» districto adminis* 
trativo de Vianna. 

E' fertiL 

Está situada entre o monte da Nó (a MO.) 
o de S. Veríssimo (a SE.) A primittiva ma- 
triz era a uns 200 metros da actual, que 1^ 
construída entre os annos 1710 e Í725L Se- 
gundo a tradição existiu n'e8U (toguezia, a 



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6 CAB 

uns i:500 metros da matriz, ao S. d*ella, 
um convento de monges benedictínos, a que 
davam a denominação de frades longos, o 
qual foi destruído pelos árabes, em 718. Era 
no sítio ainda actualmente cbamado Bouça 
Longa. Não se reconstruiu. Se é certa a exis- 
tência d'este mosteiro, d'elle não existe o 
mínimo vestígio, apenas em Í8i3 ou Í8i4, 
arroteando-se a parte da tal Bouça Longa, 
que flca ao S., se acharam, a pouca profun- 
didade, quatro sepulturas, divididas umas 
das outras apenas por grandes tijolos, muito 
bem conservados. Se n'este sitio se fizessem 
escavações em outros pontos da bouça, tal- 
vez se encontrassem mais curiosidades ar- 
cheologícas. 

Era antigamente da comarca de Braga, 
segunda parte da visita da Nóbrega e Nei- 
va. E* povoação muito antiga. 

O parocho (reitor) era apresentado pela 
Câmara écciesiastíca de Braga. Tinha 2s2O0O 
réis de èongnia e o pé d'allar, tudo uns cem 
mil réis. 

Tinha annexa, a Areguezia de Fojo Lobal. 

Tinha um juiz ordinário e dos orphãos, 
escrivão, âltúotacé, vereador e meirinho, to- 
dos sujeitos à jurisdição da mfhra de Braga. 

Passa pela flreguezia o ribeiro do seu no- 
me, que letn 12 moinhos e um lagar de 
azeite, rega, móe e desagua no rio Neiva. 

CABAÇOS ou RÊGO DA MURTA— fregtie- 
"tiâ, Extremadura, Comarca de Figueiró dos 
Vinhos, concelho de Alvaiázere, 48 kilome- 
tros de Coimbra, 155 ao N. de Lisboa, 250 
fogos. 

Em 1757 tinha l€fe fogos. 

Oragô S. Pedro ad ptncula. 

Iftisp^adò de Coimbra, districto adminístriEh 
t!to de Leiria. 

Rêgo ã^ Murta, era tiota freguezia que se 
annexou à de CsS^aços. No Bego da Murta, 
houve um anti^ convento, funáado em iém- 
pò9 rc^dtos, e que ainda existia eín 1459, 
como consta da doação que â'eHen'^sòaft^ 
iio fez aos templários, D. AfTonso L 
í '6 paroelMÍ (prior) era 'de àpresençao al- 
tèt^áHVá dà nhra 6 âo cbllégioda Sílpieii^ 
«b, 4ocí fi<á(!eè cftii^» Aè Coimbra. Tild^ 
tfi^réBahriénté ÍOOifOOOYéiS. >^ 



CAB 

Em 1757 ainda nao existia a freguezía dos 
Cabaços. 

Em 30 de novembro e em 4 de dezembro 
de 1810, houve aqur dois combates, en- 
tre o exercito luso-anglo e as hordas de Mas- 
seha. Nenhum d'elles foi decisivo. 

CABANA MAIOR— freguezía, Minho, cor 
marca e concelho dos Arcos de Vai de Vez^ 
35 kilometros de Braga, 395 ao N. de Lis- 
boa, 170 fogos. 

Em 1757 tinha 164 fogos. 

Orago, S. Martinho, bispo. 

Arcebispado de Braga, districlo adminis- 
trativo de Vianna. 

Foi antigamente da comarca de Yallença 
do Minho. Fértil. 

Situada entre montes, d'onde se vê a 
maior parte do termo da villa dos Arcos. 

O vigário linha de rendimento 210^^000 
réis. E por esta freguezía ser aanexa à fre- 
guezía de S. Cosme e S. Damião, o abbade 
doesta ultima apresentava, ad nutum, o vi- 
gário d'aqui. 

Cria bastante gado, de toda a qualidade. 

Na serra do Outeiro Maior, havia anti- 
gamente javalis e corças, hoje só ha caça 
miúda. 

Passa n*esta freguezía o rio Vage ou Va- 
gem, qiie rega e móe. 

Festejà-se t) orago no primeiro domhmo 
de agosto. 

Ha aqui uma aldeia, chamada Bouças-'Dá- 
nas, cujo nome tomou de uma infanta e mais 
donas que a acompanhavam, psâra fundarem 
no alto do monte um convento (o de Caba- 
nas?) e como aqui fesidisseiâ, na s^deia de 
Bouças, lhe flcòU o sobrenome de I>ottas. 

CABANAS ou GAbMmJJkS— fÉ^eguezia, 
Beira Alta, comarca de Santa Comba DSo, 
concelho do Carregal, 18 kilometros deVi- 
seu, 265 ao N. de Lisboa, 540 fogos. 

Em 1757 tinha ^13 foges. 

Orago 8. Ghrlstovãu. 

Bispado e ^istrioto «dnkinimratívo útf ¥1- 
seà. •■• ' '^» '• ^^ ' ■ •' »'-••" 

Foi antigamente da comttèfl de ViMO^ 
tènMé de onveira do Ckmde. < 

Etâõo» 6Mdés da âortélliai mas d^f^H 
ps^tíià fm â eortá. 

E* situada em um alto. Os condes 4)I^VMÍIt 



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GAB 

Nova apresentavam o vígaíío,^e Oihai^ís 
300/000. Fértil. 

CABANAS DE TORAftS— fíí^egnetía, Ex- 
ttremadura, comarca e concelho de Atem- 
quer, 60 kilometros ao N. de Lisboa, 80 fo- 
gos. 

Em 1757 tinha 58 fogos. 

Orago S. Gregório, papa. 

Patrfarchado e di^lricto administrativo de 
Lisboa. ' 

Era da casa das rainhas. 

Situada em um alto, d'onde se vôfem os 
termos de Alcoentre, Santarém, Aíambuja, 
Castanheira, Arruda, Sobral, Mafra, Cintra, 
Aldeia Gallega, Villa Verde t parte do ter- 
mo úé Lisboa. 

O prior de Nossa Sehhora das Virtudes, 
da Ventosa, apresentava aqui o cura, que 
tinha uni moio de trigo, 51 alraúdes de vi- 
liho e o pé d^altar. 

E' tradição que o logar da Torre e O de 
Cabanas do Chão, foram ftrndados no século 
Xin, quando uma peste terrível assolou Tpr- 
fes Novas e Villa Verde dos Francos, obri- 
gando os povos doestas terras a fugirem pa- 
ira outras mais saudáveis^ levando à stiia fren- 
te o seu bispo ou parocho, e caindo a cada 
passo, pelo caminho, t)essoas atacadas da 
terrível epidemia de que fugiâlm. 

Chegaram âo sitio de Monte Junto, liha- 
iúkáú Mbnte Santo, e ádli prèládò f^ue, se- 
gundo a mesma tradição,- «ra dá íhmHià Gor- 
jão) mandou fazer um tosco áltár-dê pedras 
soltas, ilo quál coHoCáram a imàfgem de S. 
Roque, e aHi celebrou mfssa^ pedindo todos 
á Deu« e áqueller Saínto, qué-tis !im«s« do 
flagéllo da peste. Srtas prôées foram ouvi- 
das, e durante i^éé díaS « trèsfloftésnâo 
morreu mais níngtlem 4a peste. 

O bispo maôdoli alU àmstnfir ««ábánas 
para abrigo ^ povo «m qttanfo táto podes- 
se regressar a suas casas. 

pòvof dfrl^oltes Vèdh« ^íâííttitwtiWtí 
sitio o seu arratól, e MiyTi^sta àgropou»^' ào 
lògai' de Cabanas d6<(%Sd e iti^gsidáten- 
tio chamada Amieiro). ' ' : 

Cotòtrófa-se tmtáiie^tMiíátftpeiMid^ 
'^Séiài k 8i4tOqàe, qiifrol€tepo'4éfllHlftt,*^8èÉ-* 
do a imagem depois levada para a AbrigMÚi^ 
'- -'MitítéidVdleá^mlgrâdois pi^erinM vtver 



ÔAB f 

âqctí, a i^^essw &s Mâs: teafra»^ e èòm o 
tempo erigiram uma egrejá e se cobstitai- 
liam em fire^uezia. 

Nó logar dá Patda, ha uma capella dedi^ 
(^da a Nossa Senhora do Ó. A de S. Roque 
era no meio da charneca^ em fi>ehte doesta 
aldeia. 

Quanto ao convento de S. Domingos^ vi^ 
Montejunto. 

Nasce debaixo da egí-eja uma lònte, por 
isso chamada de S. Gregório, que é muito 
abundante de aguas no verão, e sécca no in- 
verno. Attribuem -se-lhe muitas qualidades 
milagrosas, para cura de varias doenças. 
*'Esta fregu^ta está encostada á serra éa 
Monte Junto, da qual nasCe o rio Amdro» 
no sitio chamado Valle do Amai. 

CABANEIRO— Homem ou mulher de tra- 
balho, que viviam de per si e sem família. 
Pagavam annuafmente, úe foro taban^irt), 
um capão otí gallinha, 10 ovos e um tdquei- 
re de trigo. 

Na Terra da Feira dá^e o hoiiáe àétàba^ 
neiro ao pequeno lavrador, que i^ tetn bois 
nem carro. 

€ABAl?ELLA8-^freguezia^ Tras-oS-Mon- 
tés, éoraarca e concelho de MirandeHa, 8i 
kilometros ao NO. dé Miranda, 4Í0 ao N» de 
Lisboa, 80 fidgos. 

Em {7S7 tinha 46 fogos: 

Orago S. SebastfíO'. 

Bicado e diètHvto aAnMi^ftHvd de 
Bragança; • 

FV)i antigamente da cômarèá áa forre de 
Moncorvo. 

V^òi dòs marquètes de TÀVom Âté i799, e 
desde então passoã para a ec»^. 

Cábaneilàs, iio p«Hrtúguez ánttgòj^ifféiflca 
cabaninhoâ. Os nossos passados fonttá^atti 
o diminutivo de algumas palawas mi Mio e 
<^?to (àquéife mttéctdífio e este feiÉiiiteOt) Vgr. 
covo, eóv«l05 souto, wutéllo; eôttft.totétta; 
etc. Arada, aradella; parad% ptÉ^d^a/cé^ 
èofveHa; vefcíádÀ, tetigádèlla^ eto. 3%xfift)em 
^fítíásatí ^«ttíÉírtíVdS <f^e^*; tgwPal- 
va, Paivó; bouça bouçó; mosteiro, lÉeMeltó, 
(Hi ttM>èteifôj Itavassò^ TfêffMb; efi^ ei- 
Mj egí^ èífíejblaíauegt^retéíj etti 
' «tilada em eaÉipttà^tl^olBaeVM v^%i4Ha 
da Torre de Dona Chama, liattihlMflà,^- 



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8 



CAB 



lariídio de Agro Chão, Cellas, Mortos, Soa- 
^llo, Bocozende, Edroso, Melez, Uascare- 
Dhas» Yillar do Monte, Grijó, Bornes, Bur- 
ga, Caravellas, Villa Verde, Valle de Covi- 
nhas, S. Pedro Velho, Valle das Fontes, Er- 
vedosa, Villar-Tao e Bouças. 

A egreja está fora do logar, ao S., em um 
prado do concelho. 

O reitor de Mascarenhas apresentava aqui 
o cura, que tinha i4^(K)0 réis em dinheiro, 
12 almudes de yinho e um moio de pão. 

É terra fertiL 

Aqui nasceu o célebre capitão de cavalla- 
ria António Gomes da Gosta, um dos ho- 
mens mais valorosos do seu tempo e de for- 
ças hercúleas. Morreu pelos annos de 1720. 

Esta fireguezia fiea entre os rios Rabaçal 
e Tuella. 

GABANELLAS— freguezia, Minho, conce- 
lho do Prado, comarca e 6 kilometros ao N. 
de Braga, 360 ao N. de Lisboa. i80 fogos. 

Em i7!(7 tinha i4i fogos. 

Drago Santa Eulália. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

Foi antigamente da comarca da Vianna. 

Os marquezes de Minas apresentavam o 
abbade, que tinha de renda 800^000 réis. 

No Portugal Sacro e Profano, diz-se que 
o seu rendimento era de 2:400 alqueires de 
pao. É terra muito fértil. 

Passa pela freguezia o rio Cávado, que 
rega e moe. Traz lampreias e outros peixes. 

Foi do real padroado e depois passou pa- 
ra os condes do Prado. 

Passa também aqui o pequeno rio Puris- 
80, que desagua no Cávado. 

Ha mais em Portugal ii aldeias d*est6 



A mesma etymologia. 

CABANObS— aldeia, Douro, freguezia, co- 
marca • concelho de Ovar, 276 kilometros 
ao N. de LUi)oa. 

É agui a 34.* estação do caminho de fer- 
io ^ Norte, chamada vulganneate Esta^ 
4© Ovar. 

Dizem alguQ^ escriptoras (• é multo pos- 
sível) que Cabanões foi a primeira povoa- 
00 de Ovar, isto 4 qoo a villa teve princi- 
p)oià*est9.^|deia. 



CAB 

A capella de S. João, de Gabanoes, parece 
que foi a primittiva egreja matriz da actual 
Xreguezia de Ovar. Junto á capella ainda exis* 
te uma grande sepultura de granito, com sua 
tampa, que, segundo a tradição, é do pri- 
meiro parocho da antiga freguezia de Gaba- 
noes. Não tem inscripção nem ornatos e é 
muito tosca. 

GabanÕes era terra de pescadores, e com- 
posta (no seu principio) apenas de cabanas 
de palha, d*onde lhe veiu o nome. 

É povoação muito antiga. 

Em 1254 era donatária de Gabanoes a 11- 
lustre sr.> D. Orraca Fernandes, da quinta 
de Moz, junto a Berteande, que deu parte 
das rendas d*aqui ao mosteiro de Tarouca* 
(Vide Casar e Ovar.) 

CABEÇA B0A~freguezia, Traz-os-Mon- 
tes, comarca e concelho de Moncorvo, i50 
kilometros a NE. de Braga, 378 ao N. de 
Lisboa, 90 fogos. 

Em 1757 tinha 73 fogos. 

Orago S. Braz. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Bragança. 

Situada em um monte sunmiamente ás- 
pero e firagoso, d*onde se vé a Torre de 
Moncorvo, Cabeça de Mouro, Junqueira, Ur- 
ros e Estevaes. 

O reitor da Torre de Moncorvo apresenta- 
va aqui o vigário ad nutum, que tinha por 
tudo, 50^000 réis. 

É terra fértil. 

Passa pela fireguezia o rio Douro. 

Muita caça no monte da Fraga. 

CABEÇA DA EGREJA— freguezia, Traz- 
os-Montes, comarca e concelho de Vinhaes, 
455 kilometros ao N. de Lisboa, 50 fogos. 

Em 1757 tinha 30 fogos. 

Orago S. Bartholomea, apostolo. 

Bispado e districto administrativo de 
Bragança. 

Foi aotigamente da comarca de Miranda, 
d*(mde dista S4 kilometros. 

Eram seus donatários os condes de Athou* 
guia. 

Situada em um outeiro, d*onde se vêem 
as aldeias de Nu^eodoX^espassante e Bid^ 
lhe. 

O nitf» da TiozeUo apresentava o aan 



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CAB 

d*aqiii, que tinha 34 aliiueires de tcigo, 30 
de centeio e 9^500 réis em dinbeiro. 

O Portugal Sacro e Profano diz que tinha 
12^000 réis de côngrua e o pé de altar. 

É fértil. Grande abundância de castanha. 

CABEÇA DE LORlGA— freguezia, Beira 
Baixa, comarca de Gouveia, foi até i855 do 
concelho de Longa e hoje é do concelho de 
Geia, 84 kilometros ao NE. de Coimbra, 264 
ao NE. de Lisboa, 60 fogos. 

Esta freguezia está ha muitos annos an- 
nexa á de Loríga. 

CABEÇA DE MOURO— fre uezia, Traz-os- 
Montes, comarca e concelho de Moncorvo, 
138 kilometros ao NE. de Braga, 378 ao N. 
ád Lisboa, 60 fogos. 

Ja em 1757 tinha 90 fogos. 

Orago Nossa Senhora das^eves. 

Arcebispado de Braga, distncto adminis- 
trativo de Bragança. 

Fica a 12 kilometros ao O. da Torre de 
Moncorvo, e 6 a E. de Yillarinho da Gasta- 
nheira. 

A egreja era commenda da Torre de Mon- 
corvo. 

Situada em um alto, d*onde se vé, a Tor- 
re de Moncorvo, Perédo, Felgar, Urros» La- 
rinho, Estevaes, Gouveia e Alfandega da Fé. 

O reitor apresentava, primeiro o reitor da 
Torre de Moncorvo, depois o cabido de Bra* 
ga. Tinha de renda, paga pela conunenda, 
10 alqueires de trigo, 10^700 réis em di- 
nheiro, mais 2 alqueires de trigo, 2 almu- 
des de vinho e 6 arráteis de cera lavrada, 
para as missas, e o pé de altar. 

É terra muito áspera e fragosa. 

Produz algum centeio, vinho e azeite. Do 
mais quasi nada. 

Tinha juiz do povo» com 4 homem do re- 
ghnentOy eleitos pelo juiz de fora e camará 
da Torre de Moncorvo. 

Diz-se que um mouro, a instancias de um 
cbfistao, encantara as víboras d'estes sítios, 
para que nao tivessem veneno, e que depois 
o ehristão, junto á fonte da aldeia» lha cor- 
tou a cabeça para que as nâo deseneantas- 
seL 

. Dii o padre Cardoso» que eflèetivanente 
as víboras d*aquí não teem veneno. (!) 

É )tradi(|aa qa» doeste íácto (da cortadeUa 



cáb 



9 



da cabeça do mouro) é que a freguena to- 
mou o nome que tenL 

É aqui a serra também chamada Cabeça 
de Mouro, que tem 14 kilometros de com- 
prido e 6 de largo. É muito alta. Tem mui- 
tos azinhos, arvoredos e matta. Ha aqui, e 
ha mais de 120 anno^ grande numero de 
amoreiras, para sustento do bicho da seda. 

É cultivada em algumas partes e produz 
bom vinho e centeio. 

Os menos crendeiros em historias da ca- 
rochinha, julgam que esta serra se chamava 
antigamente Cabeço de Mouro, e que foi a 
que deu o nome á freguezia, degenersmdo 
cabeço em cabeça, É mais provável 

CABEÇA DE S. ROMÃO— (Vide S. Ro- 
mão. 

CABEÇA SANTA— freguezia, Douro, co- 
marca e concelho de Penafiel, 36 kilometros 
ao NE. do Porto, 335 ao N. de Lisboa, 200 
fogos. 

Em 1757 tinha 152 fogos. 

Orago O. Salvador. 

Bispado e districto administrativo do 
Porto. 

É tetra fértil. 

O convento de Santo Eloy, do Porto, apre- 
sentava o cura, que tinha 60^000 réis de 
rendimento e o pé de altar. 

CABEÇAES— pequena villa, Douro, fre- 
guezia de Fermédo, comarca, concdho e 24 
kilometros ao O. de Arouca, 10 ao SO. do 
rie Douro, 30 ao SE do Porto, 12 ao ENE. 
da Feira, 12 a NE. de Oliveira de Azeméis, 
65 ao NO. de Yizeu, 280 ao N. de Lisboa. 

Na villa 50 fogos» na freguezia 280. 

Foi por muitos séculos a capital do con- 
celho de Fermedo, que foi supprimido, no 
tempo da regência do sr. D. Fernando, por 
decreto de 24 de outubro de 1855. 

Antigamente chamava-se a esta villa, Fer- 
medo (er ainda nos nossos dias, em papeis 
públicos se lhe davam indistinctamente os 
dois nomes, Cabeções ou Fermedo.) 

Foi antigamente da comarca da Feira, e 
esta freguezia é a ultima (a £.) das Terras 
de Santa Maria. 

£ povoação antiquíssima, • a dar credito 
á inserípção romana que está em imaa pe- 
dra» na parede exterior da capeUa-mór^ 



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10 



CâB 



egr«}á, datada da era 28 de César, se cha- 
mava então Aviobriga. 

Devo declarar que nâo vi em auctor ne- 
nhum dar similhante nome a Fermédo; mas 
é certíssimo que consta da tal inscripção, 
que eu muitas vezes li, aberta em uma la- 
pide de mármore duríssimo (que veiu de 
muito longe, pois por estes sitios-«ão ha si- 
milhante pedra) e em partes apagada pelo 
tempo. 

Aòiobfiga è incontestavelmente nome pró- 
prio celta de povoação ; e ó certíssimo ser 
esta IVeguezia habitada pelos celtas, muitos 
séculos antes da vinda de Jesus Chrislo, o 
que attestam varias mâmoas que se vêem 
(ainda que já todaá arrombadas pelos bus- 
cadores de thesouros encantados) no monte 
do Curuto, onde em alguns rochedos se dis- 
tinguem ainda inscripções em caracteres 
completamente ininteligíveis. 

Ha também um dolmen na mesma serra, 
mais ao NE. das mâfnoas, fora outros que 
por allí haverá, sem que os eu tenha visto. 

Ainda inais ao NE , onde já lhe dão o no- 
me de Serra do Borralhoso, ó onde existem 
stauroiidos em grande quantidade. (Vide 
Doiralhòso. 

Foi lambem esta terra habitada pelos ro- 
manos, o que prova os nomes latinos que 
ainda conservam alguns legares, vgr. Para- 
tnô (cpíe é manifestamente corrupção de 
PatamuÉ; Roda (què é corrupção da pala- 
vra persa, adoptada pelos romanoF é ára- 
bes, RhodOy que si^ifica jardim) etc, 
etc. 

Quando os povos do Norte invadiram a 
Lusitânia, um senhor godo pdvoou ou do- 
laínou esta freguezia e lhe deu o seu nome, 
que era Phatathundo. Nos primeifos sécu- 
los da nossa iponarchia, já esta pafóvra se 
• tinha corrompido em Fermudo (que é como 
então a vejo eácriptay^e, ^nahneôte, tia nWii- 
tos sectilòs que se chama Fermédo. 

D. Aflfonso ni, a tôr Tilla e lhe deu feral, 
etó ií75. 

Tém lííma ' seíilèíiçá sobíe o foial áml^, 
dada em Fermédo, a 22 dè nòveÉnlbfo de 
' 4Í490, aqúaí se pôáe ver no arebivò^dà tor- 
re do Tomtbo, thaío 6 dos fotaéd veRws, *.• 
i; e tiaíAaeBittatíui^ eli.** estão ès^âlKiíiilà- 



GáB 

naentQs para o loral novo, que explicam^mtú- 
ta cousa antiga. 

IX Manuel lhe deu novo foral, em Lisboa, 
a 27 de setembro de i514 (vide lív. dos fó- 
raes novos, da Beira, folha 64, columna 1.*) 

Eram donatários d*esta freguezia os con- 
des da Feira (cujas armas ainda se vêem tia 
capella de Santo António, d*esla villa.) De- 
pois, passou no século i6 para a casa dos 
duques d'Aveiro, e d'esta,por troca, para a 
casa dos Peixotes, do Porto. Tinham aqui 
grandes rendas e direitos dominicaes, que 
lhe rendiam um conto de réis por anuo (e 
se fossem bem administradas, podiam ren- 
der mais de quatro mil cruzados.) O ultimo 
representante da família dos Peixotes, é o sr. 
António Peixoto Pereira Padilha, que ven- 
deu isto tudo, e jáalli não tem absolutamen- 
te nada. 

A casa do infantado ; as freiras d' Arouca ; 
de S. Bento, Santa Glara e Monchique, do 
Porto; os Figueirôas (hoje «ondes de Rezen- 
de) os Cardosos do Porto, os Bacellares e os 
Mourões- Guedes, de Penafiel ; os Albergarias 
do Buraco (vide Buraco) os condes d' Avintes 
(hoje marquezes do Lavradio) etc. etc* ain- 
da aqui teem muitos foros, rendas, domí- 
nios, eluetuosas : o que faz a terra mais po- 
bre do que podia ser. 

Parle d'esta freguezia era cottto (ou hon- 
ra) dos Peixotos, e tinha pdourinho o câsa 
da camará, na extremidade da villa, ao NE. 
o resto, com a freguezia de Sr Miguel doMftt- 
lo e parte das de Escariz, Romariz, VaHe e 
Louredo, formava o concelho de Fermédo an- 
tes de 1834. Depois formou-se um concelho 
maior (de 1:800 fogos) eom as freguezias de 
Fermédo; Mançores; Escariz; Matto; Roma- 
riz e duas egtejas annexa; Valle e Loure- 
do. 

Este foi o concelho ^e se suppríaiiu. 

N'estâ villa havia tmwf^fôfcade pedWfe 
èal, que foi deftwlf da eto 1845 (por um pâf- 
ticulsr, para fa^r paredésl.v.) e ao^siHe em 
éfué^ell^j estava, ainda sdliediániaCIfão^ih 
Forca. 

Eiii quanto foi sede concelhó^eátà Villapro- 
sperahra a óthos vistos, é bastante» ca!Miís(àl'- 
Hguitta^Mas) seiÉaâfltzén^èk^Bé^aa^ex- 



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CAB 

linçao do concelho para commodidade do 
povo (ít!) deu em total decadência ; acaban- 
do de completar a sua desgraça o abandono 
da estrada do Porto a Viseu, que passava 
pelo meio da villa, e que hoje quasi ninguém 
segue, preferindo dar uma volta de 40 kilo- 
metros, e irem por o caminho de ferro até 
à Mealhada I 

Esta estrada, (a antiga) que era Vantajosís- 
sima para parte da Beira- Alta, e grande par- 
te da Beira- Baixa, aproveitando» a muitissi- 
mas freguezias populosas e muito producti- 
vas da província do Douro, não ficava muito 
tara ao Estado ; pois só havia a fazer uns 50 
kilometros de estrada — isto é — entre os Car- 
valhos e S. Pedro do Sul ; porque dos Car- 
valhos ao Porto, e de S. Pedro do Sul a Vi- 
seu, já cslà feha. 

Mas é que em Portugal nào fazem estra- 
^s senão aonde e por onde determine ;i as 
inflencias de campanário. 

É escandaloso ver terras msignificatissi- 
mas com boas e quasi inúteis estradas c n'ou- 
tras, em que ellas sao urgentíssimas, não ha- 
ver nadai 

Oliveira d*Azemei8 é uma villa de muita 
vida, muito commercio e muilo florescente, e 
«ão preciza das esmolas do thesouro. Pois o 
'Campanário arranjou para alli 9 contos de rs. 
para reparos da egreja matriz (Itl) que o po- 
vo tinha obrigação de concertar ; não sei se 
^SOO^OOO réis se um conto de réis para o ce- 
mitério, e, como viam que a cousa lhe sahia 
^mo elles queriam, até pretenderam que o 
thesouro lhes desse dinheiro para a conclu- 
são do seu theatrol... 

Isto alem de uma verdadeira rede de es- 
tradas que teem para toda a parle-f 

Não devo esquecer qué, o campaftario, 
<5ontra todas as regras da arte da economia 
e do bom gosto, o até contra a utilidade da 
VOIa, obrigou ôs engenheiros {contra a opi- 
nião de todos) a metterem a estrada por um 
héeo KntUf é estreitíssimo uma verdadeira al- 
ftttjj^ omàijeiesga, q«ie lá está tolhendo o 
éeéentúltibiènto da villa, « intommo^ndo 
ès pa^sagèlrds; poi^ etít shtòs ftSò eaheái 
«òtó èárros a j^r! <- 
Ha em Cabeçaes uma óptima feira ^m tó- 



CAB 



11 



Os moradores d*esta freguesia tinham pri- 
vilegio de infançdes, por ser Terra de Saa- 
ta Maria. 

Para tudo o mais vide Fermédo. 

CABEÇiO — villa, Alemtejo, comarca de 
Arrayolos, concelho de Mora, 40 kilometros 
ao NO. d^Evora, 15 ao O. d'Avii, 18 ao SO. 
das Galveias, e 6 ao NO. de Pavia, 120 ao 
E. de Lisboa, 220 fogos. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Évora.- ' ' 

Orago Nossa Senhora da Purificação. 

Em 1757 tinha 254 fogos. 

Foi antigamente da comarca d*Aviz, tem 
Misericórdia e Hospital. 

Era da coroa. 

Situada em uma elevação e banhada pelos 
ribeiros Aviz, e Téra. 

D*ella se avistam o castello dEstremôz e 
as villas d'Evoramonte, Arrayolos e Pavia. 

Teve antigamente termo seu, com 6 kilo- 
metros de comprido, d'E. a O. e 3 de largo, 
de N. a S., com 30 fogos, repartidos por her- 
dades e sesmarias. 

A matriz está a um lado da villa, em um 
cabeço, ao S. 

O rei, como governador da Ordem -d* Avir, 
apresentava o prior, que linha dois e mdo 
moios de trigo, 2 de cevada e mais 34 al- 
queires de trigo da thesouraria, 2 arrobas 
de cera, 21 almudes de vinho e 22|;O0O réis, 
ao toâo rendia ^|>000 réis. 

Tinha uiha albergaria, admmistrada pela 
Misericórdia, que foi fundada com esmolas 
d*este povo ; e, para a concluírem, pediram 
os moradores mercê de Phillippell, para 
lhe dar os privilégios, e lh'os deu em 1597» 
Ètóéndo*sed-í9so escrlptura, qtieestánacar- 
torio da egreja. 

E9ta albergaria suppotího que é^o actual 
hospital da Misericórdia da villa. 

Produz esta terra mait» e exeellente vi- 
nho; do mais medeania. 

Titihaéoí9}uizefiLorditiarios, 3 vereadores, 
um procurador do concelho, t almotaoés, ca- 
da 3 mezes. Capitão-mór, sargentò^mdr, te- 
nente é aAèl^ de òrâenaii(&9. 

iSra éofiibiinda à^k^t 

A am pdndpto^ d^^eslè medoí^ ^ 

Pèlòs MUioà dé^lO(^d»iÉlesfroB4aOrd«m 



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12 



CAB 



GAB 



d^Aviz, fixeram aqui uma grande quinta. Em , 
redor d*eUa (como era costume n*aqueUe 
tempo) se foram reunindo moradores, muitos 
d*elles mandados para alli pelos cavalleiros. 
Foi-se a povoação augmentando, e para seu 
maior incremento, lhe deu foral, com gran- 
des privilégios, D. João I, em 1395. D. Sebas- 
tião a elevou á cathegoria de víUa em 1578, 
dandolhe foral. 

Nem do foral dado por D. João I, nem do 
que depois lhe deu D. Sebastião, falia Fran- 
klim na sua obra. 

Ha na freguezia um pinhal, que antiga- 
mente era do povo, que o deu á coroa, com 
a condicção de poderem os moradores da vil- 
la ir a elle buscar toda a madeira preciza 
para construcções de casas, na villa. O ouvi- 
dor da comarca d*Aviz, era guarda-mór does- 
te pinhal, e tinha aqui um vigia ou guar- 
da-menor. 

Pela freguezia passa o rio Bembelide, que 
rega e móe. 

É terra fértil. Junto à villa ha uma exten- 
sa várzea, muito productiva, por ser regada 
pelos ribeiros Aviz, e Tora. 

Foi seu alcaide-mòr D. Luiz de Alencastre, 
depois, os condes de Villa-Nova de Porti- 
mão. 

Parece que esta circumstancia indica que 
teve casteUo; mas não o vejo mencionado 
em parte nenhuma. 

CABECEIRAS DE BASTO— villa, Minho, 
comarca de Celorico de Basto, 48 kilometros 
a NE. de Braga, 378 ao N. de Lisboa, 260 
fogos, no concelho 3:300 fogos. 

Em 1757 tinha liO fogos, na freguezia. 

Orago S. Nicolau e Santa Marmha. 

Arcecispado e districto administrativo de 
Braga. 

Era da comarca de Guimarães antiga- 
mente. 

E' situada nas marg^is do Tâmega, e ter- 
ra fértil. 

Cabeceiras e Celorico, formavam antiga- 
mente um só concelho^ com o nome de Ter- 
ras de Basto. 

D. Ifanuel Ibe deu fora), em Usboa, a 5 
de outubro de 1514. <Bste foral çerve t|un- 
bem para Lapeila e Mação.) Mvro dos fo- 
xaes DOTOS do Miaho^ fl 60^ v., c«L i.« 



Tem um fertilissimo valle, dé mais de 18 
kilometros de comprido, e 6 a 8 de largo^ 
situado entre duas montanhas. Produz mui- 
tos cereaes, azeite, vinho, castanha, etc., etc 
Cria-se aqui muito gado de toda a quaUda- 
de, e seus montes são abundantes de caça. 

Esta freguezia é a mesma que está em 
Basto (S. Nicolau) a primeira de^ripta. Vi- 
de pois no logar competente, para tirar 
qualquer duvida. Em Basto descrevi a fre- 
guezia e aqui a villa. 

Julgo que antigamente houve duas fregue- 
zias de Cabeceiras de Basto, sendo orágo de 
uma S. Nicolau e de outra Santa Marinha. 

O que me convence d'isto, é que a fregue- 
zia de S. Nicolau era apresentada pelos ar- 
cebispos de Braga (como já disse na fregue- 
zia de Basto, S. Nicolau) e rendia 360J(000 
réis e a de Santa Marinha era apresentada 
por os Pereiras, da Taipa, e depois por D« 
Gastão José da Camará Coutinho e seus her- 
deiros. Diz-se que estes Pereiras e Couti- 
nhos descendiam de D. Guéda, de que adian- 
te se trata. Era abbade e tinha de rendí^ 
mento 150)^000 réis. 

Esta freguezia é que, em 1757, tinha 110 
fogo5. 

E* mais antiga do que a de S. Nicolau» 
pois a de Santa Marinha vem descripta na 
Portugal Sacro e Profano e aquella não. 

Mem Gomes, musarabe, de Toledo, que 
veio a este reino com o conde D. Henrique» 
foi senhor de Barroso e Aguiar da Pena 
(Villa Pouca de Aguiar). Foi sua filha, D. 
Guéda Velho. Seus descendentes se appelU- 
daram Barrosos, Aguiares» Bastos e Masca- 
ren^ias, cujos troncos procedem dos gôdps. 

O solar dos Guédos (hoje Guedes, que 
quer dizer, descendentes de Guédo) ó em 
Norwega e diz-se que é anterior a Jesos 
Christo. 

Ha aqui a casa solar dos Pereiras Marra-^ 
maques, chamada Taipa. 

Tem este concelho 17 freguezias, que sao : 
Abbadim, Alvit^ Arco, Basto, Bucços, Cabe- 
ceiras» Cavèz, Faia, Gondiães e Samão, Oa* 
teiro^ Painiella, Paços» Pedraça» Refoyo% 
Rio-Douro, Villa Nuno (ou Villa Nume) • 
Villar. 

N^este concelhê aasc» o rio péça» queei* 



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CAB 

tra no Tâmega, em frente do logar d*Âiv3o8. 
CilBEÇO DE REI-— sitio no Alemtejo, pró- 
ximo a Campo de Ourique, onde Ismar(Is- 
mario ou Ismael) com Tinte chefes, sendo 
dnco d'elles reis, e o seu grande txereito, 
acamparam, no dia S4 de julho de 1139, es- 
Iterando o exercito portuguez commandado 
por D. Affònso Henriques. (Vide Ourique e 
€ampo de Ourique.) 

CABEÇO DE SOBREIRO ou de SOYEREIRO 
—serra, Douro, próximo da margem es- 
querda do Douro, S4 kilometros ao SE. do 
Porto, 3iB ao N. de Lisboa. 

Produz apenas earqueija (que toda vae 
para o Porto) urze e matto. Traz alguma ca- 
^ e, no inverno, lobos. 

Pertence às fireguezias de Fermédo, S. 
ICguel do Matto, Valle, Ganédo e Lomba. 

E' notarei por no seu cume ter um mar- 
eo chamado Marco dos qutUro concelhos, que 
marca a divisão dos concelhos de Gondo- 
mar, Paiva, Feira e Arouca. E' o ponto ex- 
tremo (a ENE.) das Terras de ^nta Maria. 

D*esta serra se vé o Porto, a sua foz e 
grande extensão do Occeano Atlântico, mili- 
tas freguezias dos arrabaldes do Portoj) rio 
Douro e muitas povoações e serras de am* 
bas as margens d'este rio. 

Na maior parte é muito boa terra e com 
varias nascentes de agua, peto que é susce- 
ptível de cultura, e certamente nio estaria 
improductiva se os nossos governos cuidas- 
lem mais nos interesses do paiz. 

CABEÇO DE VIDE (alguns antigos tam- 
bém lhe chamavam Cabeça de Vide) — villa, 
Alemtejo, concelho de Alter do Chào, co- 
marca da Fronteira, 30 kilometros a NE. 
' de Aviz, 20 ao O. de Portalegre, 6 ao SE. 
de Alter Pedroso, 36 de Évora, 160 ao E. de 
Lisboa, 370 fogos, 1:300 almas. 

Em 1757 tinha 200 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Annunciaçâo, 
vulgarmente Nossa Senhora das Candeias. 

Bispado de Elvas, dislricto administrativo 
de Portalegre. 

Situada sobre a ladeira de uma eminên- 
cia; tinha muros e casiello, em sitio forte e 
alcantilado : tudo está destruído. 

Era do mestrado e commenda de Aviz. 

Segundo a tradição, a sua piimeira fun- 



CAB 



i3 



dação foi no sitio onde hoje se chama Pom* 
bal, em uma baixa próximo da villa. Quan- 
do a povoação era no sitio primittivo, foi 
invadida por um grande exercito de moa* 
ros, que, depois de rija batalha, mataram 
muitos christios, isto pelos annos dt 1090. 
A povoação em uma bana estava mais 
exposta às correrias dos mouros, e a gran* 
de quantidade de corpos mortos que alli fi^ 
caram da batalha, tomou de mais a mais o 
sitio muito doentio; pelo qtíe a gente que 
escapou e os povos visinhos foram fbndar 
nova povoação no alto. Logo que aqui se es* 
tabeleceram, sararam os que estavam doen* 
tes, e por isso pozeram à povoação o nome 
de Cabeço da Vida. 

Segundo outra versSo, o seu nome pro« 
vém de uma grande vide que havia no alto 
do cabeço. (E' muito provável que esta s^i 
a verdadeira origem do seu nome, em vista 
das armas da viHa.) 

D. Manuel lhe deu foral, em Lisboa, no 
l.« de julho de 1512. 

Tem tun rocio, que é dos mais Ihidos das 
villas da provinda» 

Tinha voto em cdrtes, com assento no 
banco 13.« 

O concelho é atravessado pelos rios Villa, 
Vide e Yidigão, que fazem a terra muito 
fértil. 

D*esta villa se descobre Portalegre, AI* 
ter Pedroso, Soda, Aviz, Souzel, Arrayolos, 
Évora Monte, Extremoz, Veiros, Fronteira 
e muitos montes e desertos. 
A egreja matriz está dentro da villa. 
A Mesa da Consciência e Ordens é qá« 
apresentava aqui o prior e três beneficiados. 
O prior tinha 3 moios de trigo, 2 de ceva- 
da, 20^000 réis e todas as oíTertas da egre- 
ja por inteiro. Cada beneficiado tinha 2 moios 
de trigo, 90 alqueires de cevada e 10^000 
réis em dinheiro. Todos elles tmham obri- 
gação de curar a freguezia, ás semanas, e o 
prior, nos domingos e dias santificados. 

Ha n'esta villa dois hospitaes, um da Mi- 
sericórdia, pela qual é regido e administra- 
do, e outro junto á egreja do Espirito Santo, 
governado pela irmandade da egreja do 
mesmo titulo (Espirito Santo). Este traha 
muitos privilégios. Consta qiie esta egreja 



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14 



CA5 



do Espirita Santo ó dos maia amigas egreja» 
da provineia, e que já existia muito antes 
da villa ser do mestrado de Aviz. Pareice 
qqe isto consta do arcbi^o da irma^dade. 

A Miserioordia e o seu hospital é do tem- 
po da creação dos outras do reiao, isto é 
•r-do século XVX. . 

Tinha no antigo regimei^ juiz de fora, 
posto pelo rei, com seus vereadorç^s e pro^ 
euradores dO:ConGelho. 

Qualquer que seja a data. da fundação 
â>sta villa, tem ella, pelo menos, 780 annos 
de ^istencia, nç. sítio actual. A povoaj;^ 
primitiva era antiquíssima. ^ 

Foi antigamente murada, mas os caste* 
lhanos arrazaram as suas fortificações, em 
i710, tt apenas restam algumas ruínas. 

O sitio em que está fundada a villa t^m 
glpande declive para to dos< os lados. : 

Tem uma boa íeira no domingo do Espi- 
rito Santo, que dura 3 dias. . 

Dentro > e fora da villa ha varias fontes, 
sendo a mais notável a do Borbolegão, djB 
aguas mineraes.' 

As suas armas sao— um castellp. com 3 
torres, cercado por uma vide, ou por i doas 
vides, uma de cada lado. > 

Tem óptimo estabelecimento de baiúioe 
de aguas míneraes (sulphurícas e aloali- 
nas) as quaes foram descobertas em 1820. 

O edifício dos banhos foi muito melhora- 
do pelo sr. D. Pedro V, em 18S8. 

Estas aguas, applicadas em banhos, curam 
varias moléstias cutâneas e outros padeci- 
mentos, e tomadas internamente, curam os 
padecimentos do estômago, bexiga e outros. 

São tão efficazes como as de VMy. 

Estas aguas exportara-se em grande quan- 
tidade para Lisboa e outras muitas terras do 
reino. 

Foram analysadas na Exposição Univer- 
sal de Paris em 1867. A sua temperatura é 
de 25*»5 centígrados. As amostras que foram 
psúra França, eram extrahidas de dois ma- 
uanciaes, dos quaes um fornece agua para 
banhos o o outro para uso interno. 

A agua, applícada externamente, contém 
por kilogramm^ 0^.3225 de princípios li- 
xos; são— chlorétos alcalinos, carbonatos 



CÂfi 

de m^Lgnesia, de cal, de soda; sílica, etc Tra* 
tada pela dissolução gradeada, do iodo, dá 
resultados que /azem acreditar queella co^- 
tóip por kilogramma Ogr.00693 de acido ^ulr 
phydrico.. 

O manancial cuja agua se appiica ex^ 
ter^ainente, tem a^ mesmas propriedades e 
a mesma composição que a precedente» ma^ 
apresenta uma mineralisaçãp mais Xraca. 
\}m. Hiiogramma .d*agiia apenas C(mtém de 
principi()kS.;ialino& Ogr.230. 

Rebentam em um sitio alcantilado, proxi*- 
mo à villa, e depõem nos sítios por onde 
passam um precipitado côr de enxofre. <. 

As aguas são límpidas, sem cheiro, e com 
sabor muito pouco pronunciado das aguas 
sulphurqsas, apresentando uma ce^cção le» 
vemente alcalina. Sua temporatora- ^.de 
£^ 5 centígrados. 

Dista 10 Idlometros da liAha férrea do 
jLeste e das estações de Portalegre e Grato. 

CABEÇUDO— fi-eguezía, Bieira-Baíxa, co- 
marca e concelho da Gertan, 66 kilometros 
ao N. do Crato, 190 ao E. de Lisboa, 200 
fogos. Emii737 tinha 162 fogoa. 

Orago o Santíssimo. Sacramento.; i 

Grão .priorado do Grato (patriarchado) 
districto administrativo de Gastello BrancQ. 

O parocho era apresentado pelo grão prior 
por ser esta freguezia do seu districto (iseu- 
to). Tinha de rendimento uns i^^iOQO réis 
ao todo. É terra fértil. , 

CABEÇUDOS— freguezia, Minho, comarca 
e concelho de Villa Nova de Famalicão, 18 
Mlometros ao O. de Braga, 345 ao N. de 
Lisboa, 130 fogos. 

Em 1757 tinha 29 fogos. 

Orago S. Ghrístovão. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

Era antigamente da comai^ca e termo de 
Barcellos, visita do arcediagado de Yermuim 
e Faria, 

Era da cajsa de Bragança e seus habitan- • 
tes tinham os grandes privilégios de seus 
caseiros. 

Situada em um bonito valle, próximo de 
Villa Nova de Famalicão. 



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GÂB 

o aUDadd tisha da rendia 4ÍKM00a réis; 
era apr€s^tad0 (por oooíourso # yiiodal) pe^ 
lo ordinário. 

ÉídiASL dô agua dt^fontes» mas tem mui- 
toapóçosw 

Paasa por ella um ribeiro/ qa« se mette 
BO rio c^ Pelle, que também aqtii passa; 
Ambos regam e moem. 

GABEDA— aldeia, Traz-os^Montes, Dregue*» 
zia de Yillar de Maçada» comarca de Yilla 
Real. 

Ha aqui as ruínas de um grande palácio, 
com muitas e j^andes salas e muitas janel- 
lasde vários feitios, que mostram muita aa- 
iiguidade. 

Foi dos DragoB. Tíjàha o pritilegio de se 
não poder prender u'elle quem alii se acoi- 
tasse^' sem; prpyisão regia. Istoó*— tinha o 
privilegio de coiilo dehomsiados. (Vide Ho- 
misio.) 

CABED£LLO-~lingua ou zona de areia 
na barra do Douro, do lado 4o S. 

Entre a ponta septontrional do Cabedêllo 
e o casteilo da Foz (na foargem opposta) 
medeiam apenas tms 30 a 40 metros, queé 
a largura do Douro na sua embocadura, o 
que, e os muitos penedos que obstruem o 
rk>, tomam a sua navegação muito perigo* 
sa. '■ . 

&em)rtugal tivesse governos que olbas- 
sem com seriedade para as coisas mais 
instantes e necessários, ha muitos annos 
que a barra do Porto teria considerável' 
mentemelhorado, o queaugmentaria a pros- 
peridade do commercio d'aquella florescen- 
tissima cidade, digna de mais sollicitude dos 
governos de Lisboa. 

Mesmo na ponta do Cabedôllo conslruiram 
os realistas, era fevereiro de 1833, uma ba- 
teria, a tiro de pistola das baterias do cas- 
teilo da Foz. Só portuguezes eram capazes 
de fazer e sustentar em tal sitio uma bate- 
ria, e de mais a mais de areia ! 

Os liberaes fizeram uma sortida, em 10 
de abril de 1833, sobre o Cabedôllo, com o 
fim de destruírem esta frágil bateria; mas 
foram repellidos. 

Esta obra fechava completamente a bar- 
ra do Porto. (Vide Hist. de Port.) 

GABOCAavOEmO-^Extremadura, pro- 



m^ 



m 



jumo 4 praça de Peniche e das Berl^igas* 
95 kilometros ao: O. de Lisboa. E^tá em 39«<^ 
e ^r.delaUiuj^N^, e l.*" longitude ocçiden^ 
tal. E' posto semaphorico. 

Tem estação telegraphiea de primeira or- 
d«n, ou do Estado, por decreto de 17 abril 
de 1869. 

, É a. Promontório da Lua^ dos antigos, se-. 
gundo uns, mas segundo auQtores mais di* 
gnos de fó o Promontório Lufiario é o Caba 
da Roea. (Vide esta p^avra.) É>um.roehedo 
de mediana altura. 

CABO 00 ESPICHEI.— Gxtromafcra, ao S. 
da foz do Tejo, e proxhno^foz do Sado. Em 
38/ e 34' de latitude, JN. 48* dp loQgitudia 
Occidental. É posta isemaphíOricQ. < 

Os antigos lhe chamavam, Promontório 
Barbarico. (Vide Arrábida.) ■; 

i CABO MOííDEGO — Dourp, pw«imo, e ao 
K dafoz do Mondego, juiikto A villa de Buar- 
cos. , . 
r Está 40.'> e 12' de lâlitude.,N-^e.S»* de 
longitude, occidentaL : 

É o Munda dos antigos. 

! Grandes mioasdecarvãQfosail: (jurássico) 
da nação, qQ& são exploradas por uma coim? 
panhia del.isboa, daíqual é chefe otsr. Jon 
ga Crof t (hoje viseondd da< Graça^ . i 

O carvàa que aqui se ^exlrabe^ tem sido 
expererimeiílad^ nosgazometros e^ de tào 
boa qualidade como 0^ melhor icarváa miue-! 
ral inglez. . ... i 

A principal extracção do carvão da actual- 
mente, ó no poço IMi, no alto das Fontait 
nhãs, o qual já tem 200 me^tros de profon? 
didade. 

Anda por 90 os opeparios (incluindo os das 
galerias de serviço) que aqui já Se empre* 
gam, extrahindo-se ordinariamente de 7 a 
40 toneladas de carvão por dia 

Todo tem prompto consumo, e nao chega 
para satisfazer às encomendas. 

A mesma empreza construiu uma grande 
e magnifica fabrica de vidro^ cujo motor 
é o vapor, no que se emprega o carvão 
d'estas minas. Pnncipiou a produzir vidro 
crystal em agosto de 1872. Está estabeleci- 
da mesmo no Gabo Mondego. É mais um ele- 
mento de prosperidade para estes sities. 



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16 



CAB 



' Com o earvSo mais ordinário d*esta mina 
se cosem i 7:000 tijolos e 11:000 telhas por 
semana; empregando-se nesta industria 74 
pessoas. 

Junto à mina trabalha nm forno de cal, 
que emprega 76 operários e carreiros. De 
modo que esta empresa (que se pôde dizer 
nascente, pois apenas conta uns quatro an- 
nos de existência) já emprega 240 pessoas. 
Os aetuaes empresários tencionam dar a es- 
tas industrias o máximo desenvolvimento. 
(Vide Buarcos.) 

GABO DA ROGA— Extrems^ura, 30 ki- 
lometros a O.N.O. de Lisboa, próximo, ao 
N. da foz do Tejo, formado pelo prolonga- 
mento da Serra de Cintra. É a ponta mais 
Occidental do continente europeu. Tem um 
pharol 

Os romanos lhe chamavam Promontório 
Magno, Olisiponense^ Artabro, Cynthio ou 
da Lua. 

Está em 38.« e 4&* de latitude, N., e 1.* e 5* 
de longitude occidental. 

Segundo a opinião de auctores antigos di- 
gnos de fé, já em eras remotíssimas se cha- 
mava Promontório da Lua ou Cynthia, sob 
cujo nome os primeiros habitantes da Lusi- 
tânia adoravam aquelle planeta. Segundo el- 
les, de Cynthiá se deriva a palavra Cintra. 
(Vide Cintra.) Plínio diz que este cabo se es- 
tendia pglo Oceano, por espaço de 60 mi* 
lhas. (Vide Cintra, e Cintra serra.) 

GABO RUIVO —bonito sitio sobre a mar- 
gem direita do Tejo, na freguezia dos Olivaes. 
Consta de varias quintas e vastos arma- 
zéns, sendo os principaes os do sr. visconde 
de Abrigada, que eram antigamente do sr. 
Bessone. 8 kilometros ao N. E. de Lisboa, 
Extremadura. 

GABO DE SANTA MARU— Algarve, em 
uma ilhota d^areia, defronte de Faro, aqu^ 
tem 1:500 metros na sua maior extensão. É 
posto semaphorico. 

Eslà em 36.» 55* de latitude N., e 38* de 
longitude oriental. 

É o Cúaeus dos antigos. Um pequeno bra- 
ço de mar, separa esta ilhota da terra firme. 
A este braço de mar se chama e Barrota. 

Chamam também a este cabo, osd'alli, Cam 
po da Cunha. (Talve? corrupção de Cúneus. 



CAB 

É formado pela extremidade meridional de 
uma ilha d*areía muito raza, chaoiada ilha 
dos Cães.) 

Este cabo occupava todo o espaço do li- 
toral desdt Vilía Real de Santo António até 
Pêra, por onde ainda actuahnente corre um 
banco d'areia. Dizem alguns que por estes 
sítios estavam as antiquíssimas cidades de 
Cunisorgi e Carteia. 

Plinio lhe chama Promontório Cútieu, os 
gregos lhe davam o nome de Sphena, e os 
latinos de Cúneus-Ager. 

Dava-se o nome de Cabo Cúneunãosóao 
actual Cabo de Santa Maria, mas a todo o 
espaço da costa desde Mértola, Alcoitim, Cas- 
tro Marim, Villa Real, Tavira, Faro, Quar- 
teira, Albufeira, até quasi à armação de Pôhl 

GABO DE SINES— Alemtejo, próximo á 
villa de seu nome, e o mais pequeno de to- 
dos os que aqui vão mencionados. 

Está em 37.* e 57* de latitude, N., e 28* 
de longitude occidental. 

É o Pyrgus dos antigos. 

GABO DE S. VICENTE- Algarve. Está 
em 37.* e 2* de latitude N., 34' de longitu- 
de occidental. 

Segundo alguns escriptores antigos, foi 
aqui enterrado Tubal, e por isso lhe chama^ 
ram os antigos Promontório Sacro. 

E' posto semaphorico. Tem grandes pe- 
dreiras de basalto. 

(Sobre Tubal, vide Setúbal e para saber 
quando e por que motivo se lhe mudou o 
o nome antigo no actual, vide Lisboa. 

Também se chamou Cabo dos Cynetas. 

A fortaleza de Santo António e as povoa- 
ções de Portimão, Alvor, Lagos, Estpmbar, 
Lagoa e Silves, e seus territórios, era tudo 
comprehendido pelos antigos sob o nome de 
Promontório Sacro. 

Diz-se que houve aqui um templo dedica- 
do ao Sol, no qual quizera Hercules ter a 
sua sepultura. Outros dizem que o templo 
era dedicado ao próprio Hercules. Querem 
algUQS que por ter este templo é que se cha- 
mou Sacro. 

Em maio de 1639, S3 descobriu juuto ao 
Cabo uma s pultura, com a se^iuinte inseri- 
pção: 



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ÇAB 

Hf c est Postkumms Rufuê, qui nu- 
liHáns sub prtBliò Caij Pompilii p#- 
riit m beUolusiianorunu Caius Cot'^ 
neliui Chatisimus eju» eh faaniUoh 
rUatem sUn cot^unetam hunc sar^ 
eopkago memoriam imposuit: sU 
tibi terra le9i$. 

Dentro da scpuUura estava ama caixa d^ 
pào preto, ,copi esta ipsçripQão: 

Ctim 8oh Uhaverit oi^a mea^ tunc 
appropinpMbU laetieia Lusitano^ 
rum; september auiem videbit m^ 
gressw. 



Gd árabes lhe cha^narain, Canisat-el-gora^ 
(Egreja do Corvji,) 

É notória a lenda deS. Vicente e dos «or- 
Tos^ e é por isso quo os árabes lhe dayaqi 
aquelle nome. (Vide Lisboa.) 

No tom. 3.» da. Mons^hia Lusitami, £s- 
4sríptnra 25, di2-S6 :>/n loco remoiiêsimo, ver- 
sus Occidâfitem, qui Latine diciiur ad caput 
4ancti Vincentii de Corvo, ArcAice Kani$at 
et gorab : id est Ecclesia Corpi, 

O Cabo de S. Vicente é formado por uma 
pitqttena península, do 60D palmos de com* 
prido, na ponta meridional e occidental da 
Europa ; cuja península se prolonga ao SO. 
e se une ao continente por umisthmode 
300 palmos de liirgo. 

Suas margens (melhor diremos, bordos) 
são roehedos cortados perpendicularmente, 
que em algumas partes teem mais de 300 
palmos sobre o nivel do mar, e no seu cu- 
íne está o convento que ultimamente era de 
frades capuchos, construído sobre três pi- 
cos de rocha, por entre os quaes passa o 
mar, que aqui é escuro e profundíssimo; e 
^ando bate furioso nos penedos, passa por 
cima dos telhados do convento, de um a ou- 
tro lado. 

D'aqui foram para Lisboa os frades de S. 
Vicente Martyr, em 1173. 

D. Affonso III aqui mandou fazer uma ca- 
sa pelos annos 1260, para se abrigarem os 
que iam era romaria a S. Vicente. 

VOLUME II 



GAB 



17 



D. Diniz ordenou, poor carta regia de 24 
de setembro dt 1316, ao bispo de Silves, D. 
AÍTonso Annes^ visitasse esta casa. Qcistiáa- 
do d'ella foi confiado aos firades de S. Jero* 
nymo, sendo entàoaugmem^a e feita mos* 
iciro, ao qual obispQ doAlga^e^D.Femanít 
Coutinho, fez doação de vários herdmififiios, 
confirmada por carta regia d^Q. Manuel,, de 
ff de niarço de 1514. 

I^m 1516> pasflou jsl cargo da Custodia de 
Santa Maria da Piedade, de frades capuchos; 
aos quj^a ainda o meappio bispo, pcxç esçri- 
ptura publica, feita em Silves o novo, a 2| 
de julho de 1520, doou varias outrsks pro- 
priedades, com casas e cerca, para o eonr 
vento, salvas aq^elfas em que estava a torre 
dç pharçl, p^ra cuja conserva^ applicav^ 
os,rendimentQS, pedindo aos frad^ies o man? 
dassem accender, para salvação e guia d'a^ 
quelles.que ao dito Cabo de S. Vicente vem 
t0n ... 

D. Manuel confirmou esta doação, em 7 
de agosto do mpsino anno. 

Dâo aqui muitps navios á costa, mórmen* 
te indo do N., por ser fácil equivocarem-se 
com a Ponta da Carrapateira e a Torre d^ 
Aspa, que se a^stam primeiro e sao pontos 
mais altos que o Cabo. 

Em 1587, foram incendiados todos os edi» 
fícios do Cabo, pelos inglezes, escapando 
apenas uma pequena capella, que nâo ardeu 
por ser de abobada; pelo que os frades absm- 
donaram o convento, recolhendo-se a Lagos 
e Portimão, ficando aqui só a guarnição das 
baterias, em algumas casas que foram repa- 
radas; 

Depois foi reedificado o convento, e os 
fhides tomaram a occupal-o, até 1834. Des- 
de então, tanto o convento como as bateriaSi 
ficaram abandonados. 

Em 1797, lordJer>is, bateu aqui em fren- 
te do Cabo e derrotou completamente, a es- 
quadra hespanhola que tinha sabido de Ca? 
dix ; pelo que o governo inglez lhe deu o ti- 
tulo de conde de S. Vicente. 

Ha em Portugal mais alguns pontoes qua 
não mereeem o nojne de co^o^. . 



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18 



GÂB 



Bi tamhem 76'aTâelag comonoBie de Ca* 
ho; mas sem cousa noUTcl. 

CABRA— Yilla exttneta, Beira-Baixa, oo» 
marca e concelho de Gouveia, 75 kilome- 
tit)S ao ENE. de Coimbra, 225 ao Nfi. de 
Lisboa, 120 fogos (na vilh e freguezia). 

Ein 1757 tinha €8 fogos; 

Orago S. Jeronyma. ' 

Bispado e districto ádmliÉistrativo da 
Goarda. (Antigamente era bispado de Coim- 
bra.) 

' Foi da comarca da Goarda e era da co- 
rta. 

' É situada em um valle, sem tistas para 
imtras povoações. 

O prior de Arcoréllb apresentava aqui o 
tura (por ser esta freguesia annexa à de Ar- 
cozéllò). Tinha G^^OOO réis de eongnia e o 
que rendia o pé d'altar. 

É terra pouco fértil e pobrèi 

Antigamente foi concelho e tinha juiz or- 
dinário, vereadores, procurador do concelho 
6 mais officiaes, e uma companhia de orde- 
nanças. 

- Passa aqui o rio Hondego, cujas margens 
aia incultas n'esta freguezia, por serem fra^ 
gosas. 

Junto á villa ha sobre elle uma ponte de 
cantaria, chamada Ponte da Cabra. 

Os condes da Figueira eram senhores 
tfesta villa. (Vide Figueira.) 

Gid^RÂÇÃO— freguezia, Minho, comarca 
• concelho de Ponte do Lima, 35 kilometrps 
« O. de Braga, 300 ao N. de Lisboa, 70 fo- 
gos. 

Em i757 linha 90 fogos. 

Oragb Nossa Senhora da Assumpção. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Yianna. 

Era antigamente do concelho de Ponte do 
Lima, mas da comarca de Yaltença. 

Situada em montanha, mas fértil. 

Toda ou parte d*esta freguezia, pertenceu 
ao mosteiro de Victorino das Donas. Suppõe- 
se ser uma quinta de algum nobre senhor go- 
do, o que se collige de uma escriptura que 
as freiras do mosteiro de Victorino das Do- 
nas levaram, quando foram para o conven- 
to do Salvador de Braga, na qual se diz que 
^— indo D. Affonso Hèiuiques á caça dos ja* 



GAB 

vahs, 1 esta flregoeda^ que^ na serra de 
Arga, aeompMiluido de Nuno Velho, San- 
cho Nunes, Gottfalo Rodrigues, Lourenço 
Viegas, Soeiro Mendes^ (o Gordo) Gonçalo 
Ramires e outros fidalgos; o abbade de Vi- 
etorino, D. Fernando, thes deu ahi de jan- 
tar, junto à capella de Nossa Senhora de 
Azevedo, no fim do qual o rei lhe demarcou 
o couto. 

No reinado de D. Sancho I (li87) o seu 
celleireiro, por estar a õapelia arruinada, 
quiz que se lhe pagassem certos direitos, ao 
que se oppos a abbadessa D. Sancha, e ven- 
ceu. Depois foi vigariariada casa de Pen^ 
teeiros. 

As freiras do convento do Salvador de 
Braga apresentavam aqui o vigário ad nu- 
tum, que tinha— o passai^ SilOOO réis ém 
dinheiro, 2 alqueires de Irígo, 4 cabaços áe^ 
vinho e a cérá para as missas coeventuaes;. 

Cria bastante gado mindo e grosso. 

Ka por aqui muita caça. 

Nasce n'esta freguezia o ribeiro do seuno^ 
ine (ao qual também chamam Ceadouré). 

Rega e móe e desagua no Lima, proxims 
à villa do Ponte do Lima. 

CABREIRA— freguezia, Beira-Baixa, co* 
marca do Sabugal, concelho de Almeida«85 
kilometros ao SE. de Vizeu, 325 ao NBi de 
Lisboa, 50 fogos. 

Em 1757 tinha 93 fogos. 

Orago Santa Maria Magdalena. 

Bispado de Pinhel (foi do de Viseu), dis^ 
tricto administrativo da. Guarda. 

Era antigamente da comarca de Pmhel^ 
concelho e twmo de Castello Mendo. 

O abbade de Santa Maria Maior, de Cas- 
tello Mendo, apresentava annualmente aqui 
o cura, que tinha 6^000 réis em dinheira, 
e o pé de altar. 

Passa aqui próximo a ribeira de Pinhel^ 
que nasce a 6 kilometros de distancia e 
morre na Côa, próximo á serra de Morosu 

Era do concelho de Castello-Meudo, que 
foi annexo ao do Sabugal. Em dezembro de 
1870 passou (com outras freguezias) a ser 
do concelho de Almeida. 

CABREIRA-— ha em Portugal cinco ser- 
ras d'esle nome— 1.« em Traz-os -Montes, 
próximo de Barroso, de cujo alto se vé o 



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CAD 

mar. TearlSkilomelros de comprido e iO 
de largo. É muito fria. Cria gado, lobos» por- 
cos bravos^ raposas, veado» e caça miúda. 
Tem três fojos para caçar lobos. 

A S> é no Minho^ com 6 kilometros dè 
eemprído e 3 de largo.Tem muito arvoredo 
silvestre e muita caça. Tem dois fojos para 
caçar lobos, umí no sitio do Chio de Braga- 
dos e outro no do Confurco: este fica no 
mais alto cume da serra. 

A 3.« é no liinl^o^ comarca de Guimaiies, 
com 3 kilometros de^ comprido e 1:600 me* 
Ivoe dé largé. Tèm raposas e caça miúda. 

A 4.* è no MMio, comarca de Guimarães» 
coneelbo de Vieira, entre as fregueziasi de 
Santo Estevão e Santa Maria do Pinheira. 

É muito pedregosa e produz matto aUo; 
]i*eUe se criam lobos, raposas, porcos bra- 
vos, algum gado, mas pouco, e também 
pouca caça miúda; 

A ^.* ó no IGBho^ concelho de Basto; cria 
loboSj porcos bravos e caça miuâa« 

Ha também em Portugal 16 aldeias cóm o 
mesmo nome de Cabreira, que por naò ter 
nenhuma d*ellas coisa digna de nota não 
disscrevo. 

•CáBR£BU>— serra, Traz'08<>Monte9, faz 
parte da serra do Marão, e fica 18 kilome- 
tros ao NO. de Yilla Real. 

QáBRfiiRO — freguezía, Minho, cooiarca 
e concelho dos Arcos de Valle de Vez, 40 
kilometros ao NO. de Braga, 396 ao N. de 
liisboa, 1Í60 fogos. 

Em 1757 tinha 306 fogos. 

Orago o Salvador. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Vianna. 

Foi antigamente da comarca de Vallença, 
termo dos Arcos. 

Eram seus donatários os viscondes de Vil- 
la Nova da Cerveira. 

Situada em um monte d^onde se desco- 
brem varias freguezias. 

Os donatários apresentavam o abbade, que 
com a annexa (Cistéilo) tinha de renda réis 
800^000. 

A egreja matriz foi edificada na era de 
César 1309 (1271 de Jesus Christo) reinan- 
do D. Affonso III. 

Passa aqui o rio do seu nome, que a fer- 



GAB 



d9 



tilisa. Nasce no sitio do Calcado, d'esta fre- 
guezia, e morre no Minho. É de curso arre* 
batado e suas margens são em parte culti- 
vadas. 

Ha n'esta freguezia a serra do seu nome. 

Foi abbaxtía in $oUdumy tendo por annexa 
Cistéilo (ou Sistéllo) dos ditos viscondes. 

Em Yillela Sécca, doesta íjreguezia, vive a 
gente muitos annos, por cansa da sua sakir 
bridado. 

No tempo da primittiva egreja, os filhos, 
assim que os pães, por velhos, não podiam 
trabalhar, os levavam ás costas, a uma lage 
escorregadiça, e os precipitavam no Poço de 
Portucales, acima da ponte^ que atravessa o 
rio que vem dó Outeiro Maior. 

Parece que este acto de horrível barbarir 
dade o herdaram dos cantabros (ou mesm^ 
seriam cantj^ros os ppvos d'esta freguezia). 

Foi junto a esta lage que, trazendo um fi- 
lho, seu pae, este lhe perguntou, que jonutr 
da levavam; respondeu*lbe o filho que pa- 
ra perto. «Bem sei, meu fiiho, disse o velho^ 
levasme onde eu levei teiiavô, e onde te 
hade levar teu filho.t 

O filho, meditando n*isto, tomou a pegar 
no pae e o levou para casa. 

Consta que desde então cessaram estes 
atrozes parricídios. 

Isto é o que consta da tradi^, mad sup- 
ponho que, se é certo ter aqui existido este 
bárbaro costume, terminou pela acção be- 
néfica do catholícismo, exercida sobre estes 
povos, até entào mcultos e ferozes. 

CABREIROS— freguezía, Douro, comarca 
e concelho de Arouca, 40 kilometros a O. de 
Lamego, 300 ao N. de Lisboa, 50 fogos. 

Em 1757 tinha 65 fogos. 

Orago S. Mamede. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo de Aveiro. 

A matriz está no monte do Padrão, fora 
do povoado (mas a pouca distancia) e pró- 
ximo de um regato. 

Antigamente na primeira sexta feira e 
sabbado de junho, ia o parocho com os 
íreguezes em procissão a uma alta serra, 
chamada Còtlo do Nabo, da mesma fregue- 



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20 



GAB 



ria, e se recolhia na egreja do Candâl. Glia- 
mavam a esta procissão — da Mura, e cons- 
ta que foi instituída para afugentar os ratos 
que lhe destruíam os fructos. 

A abbadessa do real mosteiro de freiras 
bernardas, de Arouca, apresentava aqui o 
cura, que tinha 30 alqueires de pão, 30 ai* 
mudes de vinho, 4)^500 róis em dinheiro, o 
dizimo da castanha, do vinho, do linho è o 
péd'altar. 

Ha aqui bastantes colmeias, e cria-se mula- 
to e bom gado, de toda a qualidade. 

NO' monte Vidoeiro ha muitos carvalhos 
e mais algumas arvores silvestres. N'elle se 
criam lobos, rapozas e caça minda. 

Junto d'este monte nasce um regato cha- 
mado Tevilhão, que rega e móe. 

Apesar de montuosa, esta firegaezía é bas* 
tante fértil. 

Eram senhorad donatárias d'esta fregue- 
zia, as ditas religiosas, que recebiam os di- 
zimes, menos os exceptuados (os que eram 
para o cura.) 

CABREIROS — freguezia, Minho, comarca, 
concelho e 6 kilometros de Braga, 360 ao 
N. de Lisboa, 130 fogos* 

Em 1757 tinha 78 fogos. 

Grago S. Miguel, archanjo. 

Arcebispado e distrícto adminislrativo de 
Braga. 

O parocho (vigário collado) era apresen- 
tado pelo cabido da Sé de Braga. Tinha de 
rendimento 70íí000 réis. 

É terra fértil, posto que o seu território 
seja bastante accidentado. 

CABRELLA— villa, Alemtejo, comarca de 
Arrayolos, concelho e 24 kilometros ao O. 
de Monte-Mór-Novo, 34 kilometros de Évo- 
ra, 24 ao N. de Alcácer do Sal, 18 ao S. de 
La>Te, 40 a E. de Setúbal e 65 ao NE. de 
Lisboa. 200 fogos. 

Em 1757 linha 343 fogos. 

Grago Nossa Senhora da Conceição. 

Arcebispado e distrícto administrativo de 
Évora. 

Situada em um alto. Chamava-se antiga- 
mente Aldeia do Pinhal. É povoação muito 
antiga. A sua primeira situação foi em um 
outeiro, onde ainda se vêem vestígios da 
egreja. 



GAB 

A egreja velha foi matriz até lide janei* 
ro de 162â, em cujo dia se celebrou allí o 
ultimo baptismo. Era de abobada. / 

Consta qu0 D. Afifonso I lhe deu foral edi 
1170, mas Fraiiklim não falia d*elle. D. Ma- 
nuel lhe deu foral novo em Lisboa, a 104o 
fevereiro de 151&, fiazendo-a então villa. . 

EV banhada, pelo norte,, por uma ribeica 
do seu nome, que desagua noanar, furoximo 
a Agua de Moura. - t 

É terra' fértil em tuâQ^^Pròduzmuitas.va- 
ras de porcos nos seus montados^ E* abun- 
dante de lenha, cria muito gado o colmeias 
e tem muita caça. Óptimos queijos. 

Era do mestrado da Ordem de S. ThíagaL 

A maior parte da freguezia é espalhada 
por montes (casaes) herdades e sesmarias. 

Quasi todas as casas da villa são terrea% 
menos as da camará. e poucas mais. 

D'esta freguezia se descobre o castello de 
Palmella, a serra da Arrábida, a de Monte 
Junto e o palácio real das Vendas Novas. 

E' aqui a divisão do patriarchado t(m o 
arcebispado de Évora. 

A actual matriz é dentro da villa. <) pri- 
meiro baptismo e o primeiro casamento^ipie 
aqui se fizeram, foi a 1& de janeiro de l^tSL 
A Mesa da Consciência apresentava aqui o 
prior e um beneficiado, curado; ambos frei- 
res da Ordem de S. Thiago. O prior tinha 
5 moios de trigo, 2 de cevada e 20j;000réis 
em dinheiro, e tinha a tbesouraria annexa, 
que rendia 2jí000 réis em dinheiro, 4 al- 
queires de trigo e 5 almudes de vinho. O 
beneficiado tinha 3 moios de trigo, 90 al- 
queires de cevada e lOjíOOO réis em dinheiro. 

Ha oU houve aqui uma albergaria para 
peregrinos. pobres, e se elles vem doentes 
os remette para o hospital de Monte-Mór- 
Novo. 

Tem casa da Misericórdia, com os privi- 
légios da de Lisboa, por alvará de 1601. 

Ha n'esta freguezia muitas gallinholas, e 
nos seus montes bastantes porcos bravos. 
Os cabrilos de Cabrella são muitos e bons. 
(Querem mesmo alguns que o seu nome lhe 
provenha de haver aqui muita cabra.) 

Tinha antigamente dois juizes ordinários 
três vereadores o um procurador do conce- 
lho, feitos de três em três annos, por peloa- 



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GAB 

TOS, u votos dos que serviam na republica, 
presidindo na eleição o ouvidor de Setúbal. 

Além d'eslas aucloridades^ e empregados, 
O prior-mór do real mosteiro de Palmella 
lÈomeava o escíivàó da camâra (que o era 
lambem do judicial e notas) avaliador, par- 
lidor do concelho, escrivão dos orphão8(que 
O era timbem do judicial e notas) almotacé, 
contador e distribuidor, inquiridor e escri- 
vio das sizas. ^ 

Tinha akaidé pequeno, posto pelo alcai- 
áe^nsér; mas este era lambem posto pelo 
mosteiro de Paimellflk O alcaide^mór tiáha. 
de rendaypelo celeiro da commeoda d*esta 
vttia, 2 moios (te' trigo* 

Os aggravot e appellações eram para o 
corr^edor de Si^baJ ; mas o juiz de fora 
de Alcácer do Sal, por posse antiga, vinha 
aqui faeer o lan^mento^da siza e cabeção. 

Tinha avlll^ e seu termo privilegio de 
bSo pagarem piorlagem, por ser terra do 
mestrado da Ordeui de S. Tbiago, por alva- 
rá de D. Manuel; de iOde févei^iro de 15i6. 

A comraendi d*tísta villa, era da Mesa mes- 
tra! de Pakne]la,'e se arrendava no mesmo 
convento; passava o rendimento de um con- 
to de réis; lin^e dos ordenados que se paga- 
vam ao prior e beneficiados da matriz d*esta 
THla e ao capellâo da capella 4wrada do lo- 
gar da Landeira, nem 85^000 réis que se 
pagavam á fabrica grossa doesta egreja, réis 
9/000 para x fábrica miúda e 3/000 róis 
para a egreja de Landeira, e outros mais 
ordenados mmores. 

Esta terra, é, em muitas partes do seu 
termo, asperâ, monluostn, de maus cami- 
nhos e de muitas mattas» serras e brenhas 
impenetráveis, nas quaes se criam muitos 
lobos, javalis, rapozas e caça miúda. 

Passa aqui a ribeira do seu nome, que 
nasce nas Silveiras^ termo de Monte-Mór- 
Novo, Juntatso-lhe o ribeiro Saphira, o do 
S. Romão, o dos Cabritos e o de Campo 
Maior. Não é navegável por correr arreba- 
tado por entre penhascos; mas no fim doesta 
fireguezia, corre em despraiado o é de cur- 
so plácido. 

Cria muito peixe,, mas diz-se que causa 
8ez908 a quem o come. Suas margens são 
#m partes cultivadas. 



CAB 



U 



Do Porto de CabreUa para baixo tem mui- 
tas arvores pelas margens. 

Perde o nome na Marateca, tomando este, 
com o qual se mette no braça de mar que 
entra por Setúbal (Sado). 

Tinha uma companhia de ordenanças, com 
seu cap kík) e mais offioiaes competentes. 

CABRIL ou BALTAR DE CABRIL — fre- 
guezia, Beira- Alta, comarca e concelho de 
Castro Daire, 30 kiiometros a ONO. de La- 
mego, 20 a NE. de Arouca, 310 ao N. de 
Lisboa, 2iOf9go^ 

Em 1757 tinha 107 íògos. 

OragoSántaí Maria. r. 

Bispada de Lamego, distrieto administra- 
tivo de Vizeuí. 

Situada em terreno muito aceidentado. 

Muita castanha, boas íructas, e do mal» 
mediania. > 

Críá muito gado miúdo, e nos sous n)on- 
tes ha muita caça grossa e miuda« 

CABRIL — freguezia, Douro,^ comarca de, 
Arganil, concelho da Pampilhosa, 85 kiio- 
metros ao NO. da Guarda, 220 ao N. de Lis- 
boa, 170 fogos 

Em 1757 tinha 97 fogos. 

Orago S. Domingos. 

Bispado da Guarda, distrieto administra- 
tivo de Coimbra. 

Era antigamente da comarca de Thoroar. 

Pertencia á coroa. 

Situada na falda da serra do seu nome. 

O prior da Pampilhosa apresentava aqui 
o cura, que tinha 15^000 réis, que o dito 
prior lhe dava em fructos, e o pé d^altar. 

Produz muita castanha, algum milho, e do 
mais mediania. 

Passa aqui a ribeira de Unhaes. 

CABRIL — freguezia, Traz-os-Montesy cp- 
marca e concelho de Montalegre (foi até 185^ 
do concelho de Ruivães), 42 kiiometros ao 
NE. da Braga, 400 ao N. de Lisboa, 190 for. 
gos. 

Em 1757 tinha 95 fogos. 

Orago S. Lourenço, martyr. f 

Arcebispado de Braga, distrieto adminis- 
trativo de Yiila Real. 

Era antigamente da comarca de Chaves, . 
termo de Montalegre. 

É da casa de Bragança. 



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n 



CAB 



Situada parte em Tálie e parte em monte 
pegado á serra do Gerez, d^onde se vô a vil- 
ia de RuiYães, Govéllo do Gerez, Parada do 
'Outeiro e Salamonde. 

D. Manuel lhe deu foral em Lisboa^ a 16 
de julho de 1514. 

A casa de Bragança apresentava aqui o 
^bbade, que tinha 300^000 réis. 

É terra fértil. 

Tem muita caça grossa e miuda^ 

Passa aqui o rio Cávado. 

Ha mais em Portugal 5 aldeias chamadas 
Cabril. Nada n^ellas ha dé notável. 

GABRIZ ou GABRÍS— aldeia, Beira Alta, 
freguezía de Sindiro, comarca de Armaraar, 
3 kílometros da villa de Paredes da Beira» 
30 ao E. de Lamego, i^ ao SB. do Porto, 
2 da margem esquerda do Távora, 8 da foz 
doeste no e 335 ao N. de Lisboa. 

Próximo a esta aldeia estào os célebres 
Castellos de Cabriz, sobre a margem esquer- 
da do Távora. 

São trez rochedos alcantilados, contíguos 
uns aos outros, communicando-se por um 
carreiro dilBcílimo (que é uma fenda natu- 
ral da rocha). 

Ha vestígios de terem sido habitados em 
eras remotas, pelos restos de paredes que 
ainda existem. Só são acccssiveís pelo lado 
do O., por umas pequenas fendas perigo- 
síssimas. Estes castellos serviam, pela sua 
quasi inaccessibilldade, de abrigo aos povos 
d*alll, em tempo de guerra. 

Chamavam-se primittívamente Castellos 
de Távora, e era o solar da família d*este 
appellido (Távora). 

D. Thedon (ou Theudo, ou Thedo) Rami- 
rez e seu irmão D. Ramendo Ramirez, eram 
filhos de D. Ermigio (ou Ermiron) Ramirez « 
de Dona Dordia Ozores, netos do infante D. 
Alboazar Ramirez (o Cid) e de D. Helena 
Godés, e bisnetos de D. Ramiro H, de Leão e 
da c4Iebre moura Zahara, que se fez christan e 
tomou no baptismo o nome de Dona Artida 
(ou Artiga) e foi mulher ou amante do dito 
rei (vide Ancora, rio) e filha ou irman do 
rei ou emir mouro de Cale. 

D. Thedon e D. Rausendo Ramirez, vie- 
ram da província do Minho para estes sitios 



pelos annos de 1069 de Jesus Chrísto, eonr 
bater os mouros, ^e se estobeleceram nas 
margims do Távora. 

(D. Raosendo foi o progenitor 
dos Tavoras. D. Thedon morre» 
solteiro, sem descendentes» nas mar- 
gens doThédo, onde os mouros^ 
suqirehenâeramw — (Yide Thédo e 
Granja do lliódo.) 

É tradição que D. Thedon foi o que fun- 
dou a fortaleza ou casteUo. de Gabriz. (Qif- 
se que sendo o seu primeiro nome, eoiM 
já i^sQ-^Cástelhde Tavara^se lhe mudou 
muito dq>ois, talvez mesmo depois de es- 
tar abandonado)— no de Cabriz^porlhe êm^ 
rera em frente uns curraes de cabras (oa- 
brh) onde se recolhiam grandes rebaixo» 
doeste gado, que então por aHi havia.) 

Foi D. Thedon que fundou a |>ovoaçio 
próxima, também: chamada Cabril. 

(Vide Granja do Thedo, Paredes da Bdfâ 
e Slndtm.) 

É antiga e constante tradição que pelos 
annos de Jesus Christo, 1062, nas margens 
do Távora, próximo a estes castellos, deram 
os dois Irmãos, D. Thedon e D. Rausendo^ 
uma grande batalha aos mouros, por surpre- 
za,na manhã do S. João d'aquelle anno, em 
que os mouros se andavam banhando no rio» 
derrotando -os completamente^ e dando esta 
vlctoria dos christaos em resultado a to- 
mada da vllla de Paredes da Beira. 

D. Thedon deu o seu nome ao rio Thédo e 
á Granja do Thédo; e D. Rausendo á villa de 
Rezende e outras povoações. (Vide Rezendte.) 

CAÇARELH08— fjreguezia, Traz-os-Mon- 
tes, comarca de Miranda, concelho do Vi- 
mioso, i8 kílometros de Miranda, 470 ao N. 
de Lisboa, 140 fogos. 

Em 1757 tinha 120 fogos. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Bispado e distrícto administrativo de Bra- 
gança. 

Foi da eomarea do Mogadouro. 

Era da coroa. 

Situada em uma campina, d*onde se vé o 
cas^ello da Villa do Outeiro, e varias fregoe- 
zlas e serras de Portugal e Castetia. 

O bispo de Miranda (depois o de Bra- 
gança) apresentava o abbado, ^e tinha de 



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CAC 

Mída 6SOÍO0O féú» e o abbade â*jifiii apre- 
«eoUTa uma aimexa^ qae «ra S. Joanieo. 

<0 PorL Sacro Profano, diz qaea apre^ 
aeBtaçio era alwinada, do papa e do ondi- 
nano.) 

É terra muito fértil em ludo, cria muito 
gado e ha por estes sitios «muita caça. 

CAÇàRILHE ou CASSARILHE — fregue- 
sia, Minho, comarca e concelho de Celorico 
de Basto, 50 kilometros ao NE. de Braga, 
385 ao N. de Lisboa, iW fogos. 

£m 1757 tinhai 72 fogos. 

Orago S. Miguel, arehai\jo» 

iLrcdi^ispado e 4istriclo adimnistrativo de 
firaga. 

Foi antigamente da comarca de Guima* 



GAG 



n 



Eram seus donatários os marqnezes de 
Vallença. 

Situada entre duas serras, d*onde se vêem 
as freguozias de S. Salvador da Infesta, San- 
ta Tecla, S. Miguel do Carvalho e S. Joào 
d*Ani0ya. 

O abbade era apresentado pek) arcebispo 
de Braga, e tinha 400^000 réis. 

Entra u*esta freguesia a Seira do Viso, 
que tem de comprido 18 Jôlometros e 3 de 
largo. Criasse aqui muito gado cavallar, bo- 
vino, ícaprino e lanigerg. Mujta caça grossa 
e miada. 

É terra muito fértil. 

É n*esta frcguezia o monte d^Ourilhe, que 
tem 5 kilometros de comprido e 3 de iargo. 

O rio Tâmega» com curso arrebatado, atra- 
vessa esta freguczia. 

CAGAV£UOS— ha m Portugal 24 al- 
deias assim chamadas; mas nenhuma d*el- 
las tem (que me conste) coisa digna de men- 
ção. 

Não se confunda com Carcavdloê^ que é 
diílerente, como adiante se verá. 

« GACELLA^viUa, Algarve, . comarca e i2 
kilometros a E. de Tavira, eoBodbo de Vil»- 
la Real de Santo Amónio, 36 kilometrosde 
Faro, 260 ao S. de Lisboa^ 500 kt^ (com 
% fregnezia) 

£m 1757 tinha 291 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado e disttíeto administrativo do Al- 
garve. 



CaciUa é corrupção da palavra árabe 
Cacila. Significa— prado ou pastagem do 
gado. . 

Esta povoaçaç é antiquíssima, e> se n%> á 
fundação rofpai^, foi edificada pelos nu)^^ 
ros, que lhe deram o nome que, com p^uidf 
na corrupção^ ainda copserva. 

Pretendem alguns que os phenicios agui 
fundaram, pelos annos 3200 do mundo (aa- 
tes de Chrísto 804) uma grande ptdade^i^iu 
veiu a ser a capital dos eún^*, (algarvios 
modernos) e á giial deram o nome de CtmU^ 
t€rgi$ x>u Ctmistorgis. Se as^i^^ foi, p mar ^ 
o Quadiana deram cabo d*eUa. (Yi^e Cunla- 
torgis.) • 

D. Sancho II a tomou aos mouros, ena 
1240, mas elles á retomaram logo. O mestrp 
de S. Thiago, D. Paio Peres Correia, front- 
tairo mór do Algarve, a rec»q[)erou era iifâ^ 
Logo em 12&Q,o rei,emattenção ao me^tr% 
a tinha dado á Ordem de S. ThiagOi eom^ 
seu castelio. D. ACfopso III confirmou esta 
doação em 20 de setembro de 1255. 

Mostra evidentes vestígios de ter sidp 
grande povoação antigamente; mas çm 1750 
já não tinha senão 108 fogos, a villa. 

Tinha um castelW e reductos muito anti- 
gos {talvez do lempo dos romanos) e armtr 
nados. 

À fortaleza actual mandou construir D. 
Roddgo de N<»ronha, governador do Atgaiv 
ve, em i770. > 

A egreja matriz ó um bom e magestoso 
templo de 3 naves. 

Ao prior e coadjutor apresaitava a Mesa 
da Consciência, por ser da Ordem de S> 
Thiago. 

O prior linha de rendimento certo 16i 
alqueires de tngo^ 120 de cevada, 15M00 
em. dinheiro e o eventual, que andava por 
100^000 réis. 

No tempo dos árabes, e ainda nos prlici- 
pios da nossa monarchia, era uma povoaçii 
famosa e importante. 

Foi por muito tempo residência (ou quarv 
tel gaieral) do valoroso D. Payo Peres Cor-' 
reia, c aqui estava quando lhe vieram dar 
parte da infame tirai^ praticada peh» moor 
ros de Tavira» contra sete dos seus princir 
liaea cav^eiros: d'aqui mardioo éõt cosa 



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Sí« 



ftÂG 



*í tropas que pôde reunir, para soccort-er 
bs seós companheiros ou lhe vingar a mor- 
te^ se não fosse a tempo. 

Com effeiío, chegando á Tadra jáelleâ^li- 
Hhaín morrido gloriosamente. O meslíe, nó 
fcaaior accessô 'dê juàlo ftífòr, sem attender 
ao diminulissimo numero das suas tropas, 
invòste e toma a cidade, fazendo cruel des- 
tJPôço nos mouros, <iuc pagaram bém caro a 
iBUa iraiçãd. (Vide Tavira.) 
' A hivasàò' daà areias do mar, o terremo- 
tb dè 17S5, e á' proximidade de uma lagoa, 
'^e d(itii formam as aguas da ribeira Pedra* 
Alva, a' quem as areias da costa impedem a 
sahida, tem concorrido para o aniquHamen- 
16 e dôspovoaçáo d'esta villa. Também é si- 
tia doentio por ousadas aguas estagnada^ 
lia lágóa; sobre a tal ribeira è a meia distan* 
éia^ènlre ViltaHeal e Tavira/ mandou o san- 
to bispo D. Francisco Gomes d*Aieiiar, con- 
Btrair uma bôa ponte de pedra. 

O terremoto deitou por lei^ía varias casas 
e arruinou a egreja matriz; maB o mesmo 
tâspo a fez reconstrui!*. 
'' Bm 1840, já da' antiga e ' grande vfUa de 
Gacelia, não existia senão a egréja, as rui- 
liás dos antigos paços di conie^ho, as rèsi- 
úe&cias do patx)cbo e saebristão e mais umas 
6 ou 7 moradas de casas I 

A pouca distancia da Villa (ou do sitio 
d'elia) para o lado do N.,se teúi achado ali- 
cerces e ruínas, que indicam ter alli sido o 
primíttiro assento da povoação. 

A freguezia (excluindo o termo) lem^ ki^ 
lomètros dé comprido, 4«N. a S., e^de lar- 
go, à*E. a O; 

É muito espalhada, por casaes (montes) e 
faxendas, Gcando-lhe a egrejanaextremidade. 
^ Corre pela fregueeia a ribeira da Gifa, 
que tiasce mt serra, a £., e morre, a O.,' na 
ribeira do Almargem. ■ 

' £m Cacelía desembarcou, a 24 de junho 
4a. 1833, o general conde de Villa Flor (du^ 
que da Terceira) com uma força ^o 2:900 
liomens, com a qual atravessou todo o Al- 
garve, que conquistou ^em seis dias. Rofor* 
içada esta força, com as tropas da brigada da 
marinha, da esquadra realista^ qiae se iioha 
passado para a lit)eral^ e com os oinciaes • 
soldados realistas, que tinham desertado d^ 



CAG 

divisão do general legítimista, visconde ^^ 
MoHelos, marcha em direcção a Lisboa; Ea<» 
contía-s^ na Cova da Piedade, com o general 
Telles Jordão, com 3^000 homens, alK, e em 
Cacilhas o derrota e mata (23 de julho) e no 
dia seguinte entra em Lisboa. 

Vide Cacilhas, Cova da Piedade, Lisboa» 
e, sobre tudo, Éistoríá- de Portugal, no fim^ 
do Diccionario. 

É terra abundantíssima de peixe de V3i« 
rias qualidades, por ser* próximo da costa. 

Hoje, mal merece o nome de villa. 

Tinha até 1834, juiz ordinário, com júris* 
dição em todo o termo, o qual constava dê 
30 kilométros de N. a S., e 6 d*£ a O. 

É terra muito fértil em vinho, azeite, amen» 
doa, Ago>, trigo e cevada. Muitos e bons pas- 
tos (origem do nome da villa.) 

Tem uma serra do seu notíie, em partes 
cultivada e, onde o não é, tem caça grosto 6 
miúda. 

Pela freguezia passa a ribeira da Pedra* 
Alva, que desagua no mar. Tem lagares d^a- 
zeite, moinhos e réga.< Traz peixe. 

D. Diniz a fez víita e ihe deu foral em Lis- 
boa, a 17 de julho ^ 1283. 

(Não me consta que tenha foral novo.) 

CACEM— Vídé S. Thiago do Cacem. • 

CACHADA = Ha em Portugal 40 aldeias 
d*este nome, e 4 chamaidas Cachadas. (Vide 
Cachadinha.) 

GACHADIIfHA--'8 aldeias doeste nome. Ne- 
nhuma d*estas nem das antecedentes tem 
cousa notável. 

Cachadinha é dimkiutivo de* Cachada, o 
esta palavra, no portuguez antigo, significai 
Árrtaeia. (tertra cuhivad«de novo.) 

No Alto Minho, ainda se diz geralmenti» 
cachada por arroteia. ' 

Á arroteia se chama «ikt Arouca, rompUid; 
na Terra da Feira, eàcouça, naihaior {Uir* 
te do S. do rekío rátta} oxi roça. 
i GACHiO -^ Vide Doèró» rio. ' 

CACHARIA'— antigamento Gacheiria) al- 
deia, Extremadura, freguezia deS. Pedro de 
Dous Portos, comarca e concelho dé Toi^res 
Vedras (MM 1853, doceneelheí da Ribal- 
ddra> 36 kilométros aoii£. de Lisboa, 52 
fogos. 



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CAG 

' ' Ha aqai< a capettár de Nostò Sdnhora dos 
Prazeres, e juato d'ella ama albergaria.. 

Tinha a&tigamevile juiz, escrivão e jnòr- 
domos, suieilos ao provedor de Torres Ve- 
dras. Ê terra ferlii e prodnl muito e ópti- 
mo vinho. ! 

CACHARIA ou GACHARIAS (antigamente 
SACfflEIRIA)— aldeia; Bxtreinadura, comar- 
ca do Thomar;tn)íicelho de Ooreln, fregua- 
£ia de Nossa Senh^a da Purificação de Xilei- 
ça,^aO kflòtnetros ao N. de Leiria, 132 aoN. 
de Lisboa. i 

É aqui a 20.* estação do caminha de ferro 
do Norte. 

£8creTe^se vulgarmente Caaorias. 

Ao S., entre esta estação e a de Chão de 
llaçãs^ é o primeirO' tonnell do caminho de 
ferro. (Indo da Sol pára ò Norte e Leste.) 

CACHEIRO ou«CAIX£IRO(heje Chamasse 
S, àhUhias de Montes C/aro«) -^freguezia, 
Aiemtejo, comarca e concelho de Niza, 40 
idlometros de Portalegre, i95 ao £. de Lis» 
iioa, 240 fogos. ' 

Em 1757 tinha 194 fogos. 

Orago S. Mathias. 

Bispado e districto administrativo de Por- 
talegre. 

Bra antigamente da comarca de P(»'tald- 
gre. 

Sitoada em um aho d'onde se vé Niza, 
€astelk) de Vide t a viUa dos Envendos, do 
priorado do Grato. 

O Tigario era freire da Ordem de Christo, 
apresentado pelai Mesa da Consciência. Ti- 
tíML dois moios e meio de trigo, um de cen- 
tèia, 26 almudes de vinho mosto, uma arro- 
ba de cera e 12^000 réis em dinheiro. O the- 
sooréiro tinha 1 moio de trigo, 6 alqueires 
do mesmo para hostiai^ô almudes de vinho 
mosto para missas, 4 alqueires de azeite pa- 
ra a aiampada e 5^000 réis em dinheiro. 
' É terra fértil, sobre «tudo em trig*^ e ctn- 
ttio. 

/Passa aqui a ribeira de Palhaei» que rega 
emóe. 

Náo se cdhftmda este Montes Claros, com 
o outro em que foram derrotados os caste- 
lhanos. Este é próximo de Borba. (Vide 
Montes Claros. 

CA€HO£IRAS--fregu^a, Extremadnra, 



CAG 



as 



comarca e concelho de Vil!^ Franca de Xi- 
ra, 48 kilometros ao NE. da Lisboa» 1^ fo*> 
gos. 

Em 1757 linha 135 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Puriíicaçuo. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa» 

Foi antigamente da comarca e termo de 
Alemquor. 

Era da casa das rainhas. 

Situada na costa de um. monte, d*onde se 
descobrem varias serras e povoações. 

É terra fertih 

O prior de Santo Estevão de Alemquer, 
apresentava aqui o cura, que tinha de ren- 
da lOO/KXK) réis. 

O Portugal Saeroe Pr0fa$u>, diz que o seu 
rendin^ento, era 80 alqueires.de trigo, 60, ai- 
juudes de vinho, dois cântaros de azeite e 
64000 réis em dinheiro^ 

Tinha antes de 1834 juiz pedaneo, posto 
pela camará de Alemquer. 

Aqui nasceram Philippe de Sousa, capitão 
de mar e guerra, c seu irmào Francisco de 
Sousa^ nosso embaixador na Hollanda; Co- 
mes Freire de Andrade, sargento-mór de 
batalha (avó do infeliz general que morreu 
enforcado em 1817 e.que tinha o mesma jm)^- 
me;) Barthoiomeu de Gamboa, provedordos 
eoAtos do reino e casa, eta, etc* 

Passa aqui o rio do seu nome, que nasce . 
em vários sítios, que são : Monfialim, S. Quin- 
tino e Chão da Estiva Corda; Cormando.tOr 
dos estes regalos o tal rio, que, todavia^^^ 
pequeno. Toma diversos noipes, segundo os 
logares por onde passa. Cria bastante^ peixi^, 
e morre na margem direita do Tejo, no si- 
iío da Volta da Marinha, entre Yiila Nova 
da. Rainha e ar Castanheira. Suas margena 
são cultivadas e férteis. Tem uma ponte de 
cantaria, chamada da Couraça entro a quin- 
ta dos marquezes de Abrantes e o Carrega- 
do. Dct verão ílea quasi sécco. 

CACHOPO — freguezia, Algarve, comar- 
ca e concelho de Tavira, 40 kilometros de 
Faro, 265 ao S. de Lisboa, ^80 fogos. 

Em 1757 tmha 370 fogos. 

Orago Santo Estevão. 

Bispado e districto adminisurativo do Al- 
garve. 



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V" 



i^ 



CAG 



' £ra antigamente áo tenno de Aleoutlfli 
(dV)nde éista 40 kilometros para o O.) ' 

Era da coroa. 

Situada em um monte e cercada por um 
ribeiro, d*onâo nada se vô, por causa da ser- 
ra que tem à roda. Clima excessivo. 

O bispo do Algarve apresentava o cura, 
que tinha de renda 9 moios de trigo e 90 
alqueires de cevada, certos, e de incertos, ^ 
moios de trigo e 1 de «evada. Tinha coadju- 
tor, que tinha 3 moios úe trigo, pagos p^os 
freguezes. 

Fértil em cereaes (sobre tudo centeio, cas- 
tanhas e nozes) e produz dos mais fnictos 
o sufficiente para a freguesia. 

Esta freguczia tem na serra 24 kilometros 
^e comprido, desde os montes de Pêro Qhu- 
oiaço (que são do concelho de Faro) até ao 
^e Cabeças Gordas, do concelho de Tavira, 
e 18 de largo, desde a aldeia da Mealha, eom^ 
telho de Aieoitim, até ao monte Garrôbo, 
concelho de Tavira. Tudo de serra. 

Cria bastante gado miúdo e grosso, etem 
limita caça e lobos. 

Está esta freguezia entre os rios Fonpana 
IM) N. e OdeleHe (ou Deleite ou De*Leite) ao 
S, que ambos trazem bastante peixe, e mor- 
rem na margem direita do Guadiana. 

Também passam n*esta freguezia os ribei- 
ros do Leitejo (que se mctte no Benaflor) 
das Vargens do Velho (que nasce em Pêro 
^neho, freguezia de S. Braz, e morre no 
Tio de Tavira e Asséca,nO' sitio da Aventu- 
rosa.) 

Passa pela freguezia a estrada de Tavira 
para Lisboa. 

Tem aguas ferreas em difTerentes sítios. 

CAGÍA— freguezia. Douro, comarca, con- 
celho e 6 kilometros ao NNO. de Aveiro, 
350 ao N. de Lisboa, 630 fogos. 

Em i757 tinha 447 fogos. 

Orago S. Julião. 

Bispado e districto administrativo de 
Aveiro. 

Situada em uma boniu, extensa e fértil 
planicie, sobre a margem esquerda do Vou- 
ga, e atravessada pelo caminho de ferro do 
Norte. D*aqui se vé Fermelan, Salreu, Ca- 
mélias, Veiros, Murtosa, Estarreja, Aogc^ e 
varias povoações e montes. 



CAG 

£ um dos boBdos sítios por onde passa 
o caminho ée íèrro. 

Tem extensas veigas pafDtanosas ao sC, 
qué t^odnzem arroz e muitos pastos com 
que se engordam muitos gados, sobre lodo 
cavallar, muar e asinino. 

£ povoa^(^ antiquíssima (e foi villa.) 

O conde D. Henrique e sua mulher. .1K 
Thereza, deram metade d'esta íregoezla ao 
convento de Lorvão, por carta de 24 de ja? 
neiro de 1076 de iesus Christo (iii4 de Ce* 
sar.) 

A abbadessa de Lorvão apresentava o ?vi- 
gario, que tinha i50i^000 réis. 

Pretendem alguns que a antiga eidad^ de 
t^labriga exlsÚM aqui, o que me parece^ér- 
ro; todavia <8ta povoação foi muito Inato 
extensa na antiguidade, do que ha vesligios 
e tradições. (Vide Avein)ue Esgueira). ^ 

CACILHAS-^ grande aldeia, Extremada» 
ra, freguezia, de S. Thiago, da villa de Al^ 
mada, a «uja comarca e concelho também 
pertence, e d*onde d*ista 1:500 metros, ao 
NE., 5 ao S. de Lisboa, e do seu patriardia- 
do e districto administrativo. 

Tinha em 1757, só esta.povoação, 158 fo- 
gos, hoje tem uns 300. 

£ situada na margem esquerda do Tejo, 
sobre uma pequena rocha, que entra, em 
forma de península, pelo rio, fazendo uma 
eoceada, capaz de conter 40 embarcações dê 
pequeno lote. Na ponta da rocba^ ao S., ^ 
que chamam Pontal de Cacilhas^ tem um 
fbrte, hoje desartilhado, que antigamente era 
defendido por oito bòecas de fogo. 

O Tejo, que na sua foz tem 3 léguas de 
largura, Tae estreitando até ao Pimtal de 
Cacilhas^ onde só tem 5 kilometros. Toma 
logo aqui a alargar, e mais acima recupera 
a largura ^a sua foz; formando uma vasta 
e formosíssima òocio, em cujas margens se 
ostentam, do lado do Alemtejo, Seixal, Bar- 
reiro, Alhos- Vedros, Lavradio, Aldeia Gaito- 
ga de BibaTejo^ Sámouco e Alcochete. Ao 
ENE., ainda ao S. do Tejo, vastas e formo- 
sas lesirias^ e ao N. do rio, naExtremadura 
própria, A&andra, Alverca, Póvoa, S. João 
da Talha, Sacavém, OHvaçs, Poço doBi^K]^ 
Beato e finalmente Lisboa. 

A maior piarle 4& P^P^l^^^^ Cadlhas 



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GAD 



GÂD 



82 



é eomposU de calafates, barqueiros e mari- 
nheiros. 

O sr. Sampaio mandoa construir aqui nma 
CKcellente doka, onde se conc«nam muitos 
Bacios. 

Ha aqui uma grande capelh, dedicada 
a Nossa Senhora do Bom Suecesso, Tolgar- 
mente chamaaa Santa Lozia, que fòi anti* 
fSgmmle hospital de Lázaros. 

Ha também a capella de Nossa Senhora da 
Palma. 

É terra fértil, bonita e produz óptimo vi- 
lílio. 

Dois kibmetros ao S. de CacilbaSy fica o 
I)e0issímo e pUtoresco sitio, da Cova da Pie- 
43ade, onde, principalmente no verão, afflue 
grande numero de famílias de Lisboa, a go- 
«ar as amenidades d*e8ta linda povoação. 
(Vide Cova da Piedade.) 

O cães de Cacilhas é concorrídisskno de 
Ioda a qualidade de barcos, e aqui estão de 
meia em meia hora, aportando os vapores 
que atravessam o Tejo, levando e trazendo 
passageiros e toda a casta xle mercadorias. 

O panorama que se gosa de CaciSias é 
magestoeo, pois além de se vér a maior piar* 
te de Lisboa e o Tejo famosíssimo, se vêem 
outras muitas povoações das duas margens. 
£ povoação antiquíssima, pois já existia no 
tempo dos árabes (e provav^niente no dos 
romanos) mas não pude saber por quem 
Bem quando foi fundada. 

Cacilhas é palavra árabe (com pequena 
corrupção) Cacila, que significa pastagem de 
gado. 

Ha outra Cacilhas na frcguezia de Oeiras. 

Tem a mesma etymologia. 

CADAFAES— freguezia,Extrcmadura, co- 
marca e concelho de Alemquer, 48 kllome- 
tros ao NE. do Lisboa, 310 fogos. 

Em i757 tinha i70 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 

Patriarcbado e districto administrativo de 
Lisboa. 

O seu antigo orago era Nossa Senhora das 
Candeias, on do Azambujeiro. 

Situada em terreno muito aecidentado, 
mas fértil 

O juiz e irmãos da confiraria do Santíssi- 
mo Sacramento, apresentavam o cura ni êoli" 



dvm. Tiniia 1 alqueire de trigo de cada fogo 
e dos viúvos e viuvas melo alqueire; ps qon 
tivessem vinha (ou própria ou arrendada) 
lhe davam i almude dedinho, e os viúvos e 
viuvas meio. 

N'esta freguezia, nâ raiz do outeiro do 
Valle do Golfa^ /CStá o conventade Santa Ca- 
tharina da Caraota, de frades capuchos de 
Santo António, fundado por fr. Diogo Árias 
(asturiano) e fr. AfTonso Saco (gallego) em 
1408. 

Tem uma linda e grande cerca e uma ex- 
tensa matta, a maior parte d*elia sobre um 
grande penhasco. Espalhadas péla mattalià 
muitas ermidas, com es diversos pot^oi éa 
Paixão de Jesus Chrlsto, nmito devotas « 
de grande concorrência. 

O edifícia d*6ste convento (como «^^asi to* 
dos de Portugal) depois de estar alguns an- 
nos abandonado e a principiar por isso de 
desmantellar-se, foi vendido a um inglez 
(depois feito conde da Camota)porumaba- 
gatella, assim como a sua bella cerca. 

Deve porém confessar-se que o sr. conde 
que é um distincto escríptor, e homem de 
vasta instrucção o^ muito bom gosto, trans- 
formou o mosteiro em uma bella e sumptuo* 
sa vivenda. Deve mnicjânar-se o sr. Gui- . 
Iherme Henriques, administrador d*ésta 
quinta, 4iue a uma grande actividade junta 
um aprimorado gosto, o que sobremaneira 
tem conecMTido para o actual aformoseamen^ 
to d*esta vivenda. O sr. Henriques, além de 
ser um óptimo administrador, é um joven 
escríptor de muito talento, que alân de ou- 
tros eseríptos, publicou em 1873 um civio^ ' 
so livro sobre cousas de Alemquer, no qual 
revelia muita intelligencla e aturado estudo. 
(Vide Carnota.) 

Passa pela freguezia o ribeiro dos Refugi- 
dos, o abaixo d'dUe, ao N.) está uma gmn- 
díosa font^ chamada dar Pimenta, quonaa- 
ce debaixo de um rochedo e lança grande 
volume de agua • 

Diz -se que esta agua é remédio inCaUivel 
contra a dôr de pedra e areias. 

Na egreja matriz ha duas lapides, com ia- 
«crípções rombas. 

Em 1855, caindo n'e8te sítio da parede, a 
cal <pie a rebocava, é que se descobrhram 



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^ 



S8 



QAD 



GAD 



as duas pediras, A «primeini' tem oninwdn) 
de largo 6 dois de^omprida, dk: 



I. TERENTITS 

AN. XXXII 

JVKIA FÈSTmA. BCATER 

r. PI£9PTISSnfO.' 



Quer dizer: 



. ^Dedicada aos deuse$ màn^. Junia Festi- 
na, tmmdou fazfr etía t^pullura, para seta 
/Uho .piejiasis^ino, Ter^icio Permicio, gue 
morreu 40 BB annoê.» , 

A segunia (que mo eslá ioteiFa)'díz: 



D. M. 

II. FABRITIVS 

. F. FILLT» C. XAR 

CIANYS. AN. .jUII 
SÊV. FLORILLA. 



Não so pôde ler ^mirís, por lhe faltara par- 
te inferior. 

ladiea «er a sepultura de M^írciano Fabri* 
€10, fi!ko de Caio Marciano, que morreu da 
tdaie de 22 annos. Dedicada aos deuees ma* 
nef^, por Severina Florilla, ete. 

E* pois mnito provaTcl que esta egreja 
^teja edificada com os materiaes de aignm 
templo ou outro qualquer edifleio romano; 
ou que algum templo romano fosse em tem- 
pos remotos transformado em egrrf a ehristã. 

Esta freguezia é situada na extremidade 
do concelho de Álemquer, e confina com o 
de Yilla Franca, pelo O. e S^ pelo N. e E., 
com a freguezia de Santo Estevão de Alem- 
quer e annexas. < 

O vinho de Gadafties (principalmente o 
l)ranco, que é egual ao de Bucellas) (ere 
grande fama, e exportara-seem grande quan- 
tidade para o estrangeiro. 
' Esta freguezia /oi muito mais «xteosa, e 



abrangia a rica propriedade diamada a 
Granja, que foi dos padres de S. Vicente» e 
boje ó dos srsi duques de Palmella. A quin- 
ta da Garnota de Baixo, que á muito antlg»^ 
e que, depois de pertencer à casa dos srs. 
niarquezes de Penalva, boje étámbemdosr 
srs. duques de PalmeMa. Uma quinta ao pó 
das Caxoeiras, que foi de Luiz de Sousa Pa* 
checo. A quinta juuto à Ponte da Couraça, 
que, em 1707, pertencia aos marquezes de 
Fontes, e depois aos de Abrantes. 

A matriz está situada próximo .da aldeia 
de Cadafaes. E* um edifício vasto e deceut^ 
mas de architectura simples. 

Foi edifioada, peioe annos de i£í90, pof' 
Vateo de Carvalho, mas tem sofTrido varias 
reconstrueçdes. No centro da abobada tem 
as arma9 do fundador, que era d<mo da 
quinta da Peça, a qual era obrigada á fa<» 
brica da egreja. 

Na capelia estão as sepulturas de YaSM 
de Carvalho o de eua mulher, I>. Isab^ da 
Sousa e de Nicolau de Sousa Carvalho, eeu 
filho, em uma mesma campa, e a de Anto« 
nk) de Carvalho e Sousa (filho do fundador) 
e de sua mulher, D. Brites Brandão, emou* 
ira sepultura. Ambas téetii inscrip^es que 
explicam isto. 

A egreja actual foi reconstruída e ami^ 
pilada em 1680. \* 

N^ capella-jnór ha um carneiro, e na pa«^ 
rede, do lado do Evangelho, uma lapide com 
as armas da família do primeiro fundador,, 
e a segtfiiite inscripção : 

*Esta capelia é de Diogo de Sousa e tua 
mulher Philippa de Sousa e de todos os seu^ 
descendentes. 1681,^ 

N'este' carneiro se sepultou a sr.* condesf 
sa da Louzã (julgo que em i84fi>. Era veaoe 
Iher do ir. conde D. Diogo. Na occasiao do 
funeral, passando um dos t)adre0 pela ca« 
peUa*mór, sem reparar que estava aberto (X 
carneiro, caiu n*elle, e ficou de tal modo fe*» 
rido, que poucos dias sobreviveu á queda. 

Próximo á egreja ha um soíTrivel cemite* 
rio, feito á custa do povo, em ÍS50L . 

O documento mais antigo que ne eartoria 
d'«sta parodiia se encontra, é um asseata 
de baptismo, de 16SI7. 



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€AD 

As aldeias que actualmente pertencem a 
esta fregueda^ são: Cadafaes, Refagidos, 
Guizandaría, Cascaes, parte do logar do Car« 
regado e o extincto logarejo da Camota. 

Na Castanheira, próximo á matriz, houve 
uma magnifica fabrica de sedas, que foi do 
failecido sr. conde do Farrobo. 

Há n*esta freguezia algumas boas proprie- 
dades. 

A quinta do César, pertencente em outro 
tempo à nobre íámilia dos Césares, e é hoje 
dos srs. marquezes de Sabugosa. 

Na verga do portão d*esta quinta, ha a 
seguinte inscripçâo : 

CAB8ARK 

III 
ÀYSPICIO 

1613 

A quinta das Amendoeiras, pertencente 
ao antigo morgado de Oliveira. 

A quinta de Yalle Flores, que é do mor- 
gado do Juncal. 

O Casal do Bernardo, uma bella proprie* 
dade, foreira aos srs. condes de Lumiares, 
e do domínio utii da Companhia do Credito 
Predial Portuguez. Chamava-se esU proprie* 
dade, antigamente, Quinta da Fonte da Pi- 
oienta. Tinha as officinas no sitio onde ago- 
ra está a azenha da Pimenta, e derivava o 
appellido, de um olho de ag^a salobra, que 
rebenta com grande força, próximo á azenha. 

Esta propriedade foi de Diogo Lopes Pa- 
dieco, um dos assassinos de D. Ignez de 
Castro (7 de janeiro de 1355). Dos seus três 
cúmplices, foi ello o único que escapou ao 
cruel, mas merecido castigo. (Vide Coimbra 
e Santarém). Parece que lhe nâo foi seques- 
trada esla propriedade, pois que nos fins do 
século XY, ainda era da família dos Pache- 
COS. Depois passou para a família Cunha, 
pois cm 1760 era de Manuel Ignacio da Cu- 
nha. 

A Quinta da Ferraguda, que em 1707 era 
de João Homem do Amaral, e hoje é do sr. 
Eugénio da Encarnação. 

Tem esta freguezia, as quintas e casaes 
seguintes : 



CAD 



39 



Oti/n/a< —^Mécea, da Pxmte^ Amendoeiras' 
Valle de Flores, Carvalho, César, Poço, Ve^ 
lha, Outeiro, Chamalaria, Ferraguda, Santo 
António e Grillo. 

Ca^afs-^Toríno, Hannelleira, Amoreira, 
Guedelha, Coívaceira, Bei-nardo * e Preces. 

A aldeia de Cadaíáes, é muRo antiga, e 
talvez já existisse no tempo dos romanos; 
Em 1435^ foi arrasada por um violento ter- 
remoto, morrendo todos os seus tnóradores, 
deixando apenas com vida duas creanças. 

Tinha em 1707 (segundo a Chorographia 
do padre Carvalho) 49 fdgos, hoje tem 62. 

A origem do nome da aldeia d^ Aetogidos, 
parece ser por aqui se «terem refugiado os 
mouros, depois da tomada d' Alemquer. Tam* 
bem o terremoto de 1435 aqui fez g}*andes 
estragos e algumas victhnas. Tinha em 1707 
12 fogos» hoje tem 32. . 

.Em 1811, os frai|icezes saquearam e 4e^ 
vastaram esta aldeia e assassinaram um dos 
habitantes. 

Houve em 1645, um famoso pregador, d'a- 
qui natural, chamada tr. Manuel dos Refu- 
gidos. Era Capucho. 

A €uizandaria (aldeia) fica próximo ao 
Carregado. Em 1707 tinha 28 fogos, hoje tem 
63. Ha aqui uma capella que/oi dedicada a 
Santo António, mas está em ruínas. Tinha 
casa de residência para eremitão. Ha tambepi 
n*esta aldeia um bello Jagar d'azeite. 

Também foi saqueada, em 1811, pelas hor- 
das de Napoleão, que profanaram a capei- 
la. Desde então, nunca mais alli se disse 
missa. 

Casaes — (aldeia) é o que o seu nome in- 
dica. São vários casaes espalhados, compre- 
hendendo 46 fogos. Teve uma capella dedi- 
cada a Santo André, apostolo, que já não 
existe ha muitos annos. 

1 É notável esta coincidência de nomes* 
Na margem esquerda do Douro, freguezia 
de Penajoia, ha a quinta da Corvaceíra (dos 
srs. Ferreiras) e logo abaixo, a pouca dis- 
tancia, e também á beira do rio, o Casal do 
BerAardo. Vide estas duas palavras. 



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30 



GAD 



{^M) 



Caréota —foi aldeia. Hoje é a quinta^da 
Gamota de Bako. 

Em 17^7 tinha 8 fogos, aetualmente, tant 
to as casas, como a ermida, idecieada- ao Bom 
Jesus, estão effl ruínas. Havia na ermida as 
únagens do Bom Jesus e de Nossa Senhora 
do Bom Successo, ambas objecto de muita 
devoção e muita» romarias, eni todo o amio; 
mas espedaimeaia na dominga do Espirito 
Sontot: vindo injesse dia um Círio de Lisboa^ 

Em 1727, os romekioslIsbonMises, desgo9<> 
tosos (não se sabe porque) deixaram de aqui 
vir, e erigiram, à sua custa, acapellade 
ITossa Senhora da Graça, na Camota, para 
onde possou o Círio easn*omarias. 

A; quinta da Carnota de Baixo, era vincu- 
lo, de Manuei Freire d^Andrade, que foi o 
fcmdador da capeliá, e suas armas estão so* 
bre a porta. 

São: uma banda vermelha, coticada d^ou-^ 
ro, em campo verde, e as palavras AVE MAr 
RÍA, em lettras negras* por orla, em campo 
âe^prata. 

GADAFAZ — Beira-Baixa, comarca e oon* 
eelho de Celorico da Beira, i2 kilometros da 
Guarda, 385 ao NE. de Lisboa. 90 fogos. 

Bispado e districto administrativo da Guar- 
da. 

Orago S. SebasUIo. 

Em i757 tinha 43 íbgos. 

Situada a meia ladeira de um monte. O 
prior de S. Martinho, da villa de Celorico, 
apresentava aqui o cura, que tinha 35^000 
réis e o pé d'allar. É terra fértil. 

CADJIJAZ — freguezia, Beira-fiaixa, co- 
tíiarca d* Arganil, concelho de Góes, 35 kilo- 
metros a NE. de Coimbra, 22 O ao N. de Lis^ 
boa, 220 fogos. 

Bispado e districto administrativo deCoira- 
bra. 

Orago Nossa Senhora das Neves ou das 
Necessidades. 

Em 1757 linha 125 fogos. 

Era antigamente da comarca de Coimbra. 

Eram seus donatários os condes de Vil- 
la Nova de Portimão. 

A egreja é pequena. O cura era annual, 
apresentado pelo vigário da matriz, de Góes. 
Tinha 14j5000 réis de côngrua, pagos pelos 
beneficiados da mesma egreja de Góes, e 



8M00 réis pelos freguezesd^cpiL PágaVám 
mais estes 30 alqueires de trigo e umape^ 
quena porção de castanhas, a que chazna^ 
vam magusto* Andava tudo por 100^kXM)rft 

Todos os logares da freguezia são en^s* 
tados às serras da Cabreira e Baço, que aaif 
bas nascem na serra da Estreila, e d^eàtas 
principia o rio Ceira. Fértil. 

Nos montes ha caça grossa e miúda. Pás* 
sa pela freguezía o tal no Ceira, que móe e 
rega. 

(StíAlà — Ponto perigoso, no rio DourOé 
Vide Douro, rio. Querem alfiins quoros ro« 
manos lhe chamavam Caliipus. Duvido. 

CADAVAL— villa, Extremadnra, comarca 
d*Alemquer, 00 kilometros ao NE. de Lisboa» 
12 ao S. de Óbidos, 160 fogos, no concelho 
1:330. 

Patrhrachado e districto admmistrativo de 
Lisboa. 

Orago Nossa Senhora da Conceição. 

Em 1757 tinha 139 fogos. 

Feira a 8 de dezembro. Fértil. 

Era antigamente da comarca de Torna 
Vedras. 

É a cabeça do ducado de Cadaval, e eram 
seus donatarios^os duques d*ella, a quem os 
moradores pagavam os oitavos do vinho* ^ 
linho. 

O primeiro duque de Cadaval, foi D. Nu* 
no Alves Pereira de Mello, marquez de Fer- 
reira, feito por D. João IV, cm 26 d'abril de 
1648. 

Para a genealogia^dos duques do Cadaval, 
vide Guarda, no artigo Barbadão. O sr. L 
de V. Barboza diz que este duque foi feito a 
18 de julho. 

Tem theatro. Da villa se vêem as aldeia» 
de Pragança, Vermelha, Póvoa eRochefòr- 
te, todas do termo de Cadaval. (A villa está 
em um alto.) 

Era antigamente do termo d'Obidos, d'on^ 
de a desmembrou, em 1371, D. Fernando Ty 
que então a fez villa, e a deu, com toda a 
sua jurisdição, a D. João AíTonso Tellos do 
Menezes (seu cunhado) conde de Bareelios e 
Ourem, mordomo-mór, e alferes-mór do di- 
to rei. Por sua morte, tornou á coroa, e D. 
João I, a deu a D. Pedro de Castro, filho do 
D. Álvaro de Castro, conde d*Arrayolos. 



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CAD 

Tem eeu ítegueijjak nHúlf^frande^e be)^ 
Ia» quintas e bQiiítos.d rendosos easaes. 

O prior da egreja de S^ Pedfo^ d^Obidos, 
apresentava aqui o cora (por esta egreja ser 
aaoexa á de S. Pedro) e tinha, o enra, um 
moio de trigo, duas pipas de Wnho, e 30 al- 
queires de cevada. 

Tinha uma albergaria onsto pobres quf 
era administrada por mm mordomo, noiOBa- 
doipeio.prevedor de Torres Yedcas. i 

Ató 1834, tinha jui2 ordinário, ouvidor 6 
eaoíara e mais empregadoa judicíaes e mur 
uicipaes. 

É terra «abundante de boas aguasy que se 
dizem muito eOcaies para a cura de molés- 
tias de bexigai dôr de pedra, areias, ele^ete* 

Parte da serra da Monie^iunto perlence a 
esCa freguesia. 

JNo: termo d*esta villa está/O hospício 4b 
Nossa Senhora das Neves, de frades domini^ 
cos, fofidado na ãerra de Monte- Junto. 

Tem fofal, dado por D.Manuel, em li^oa, 
no primeiro de outubro de i^idk 

Passa aqui o rio Bogotá, que nasce n^esta 
freguezia, formado de vários arroyosi 

Tem^ lindas e férteis várzeas, que 3e estei»- 
dem desde a quinta do Brigadeiro até á Yer- 
inélha. 

Crecm os povos d'aqui que o pó extrahi- 
do das costas de Santo Estevam, ^e existe 
em uma pequena ermida, na aldeia da So- 
Ihreira, doesta freguezia, misturado em bom 
vinho, livra de sesoes; pelo que a imagem 
(que é de pedra) está já quasi sem costas! 

Produz muito c óptimo vinho, que é a sua 
pricipnl riqueza. 

Junto á villa ha ténue vestígios de edifí- 
cios árabes. A villa não possuo antiguidades, 
mas tem bons prédios, s^do um dos metíio- 
res a casa do snr. Feliciano José da Silva. 

É lambem digna de mensáo a quinta de 
D. Amiga, muito aprasivel e ferlil^ com lin- 
das alamedas e formosas ruas, e que é o 
mais bonito passeio da villa. 

Ha ainda em Portugal nove aldeias 
chamadas Cadaval, mas nenhuma tem 
nada notável. 

D. João IV, querendo premiar os relevan- 
tes serviços prestados á causa da restaura- 



GAD 



U 



çâa de P(»rtugal, por D. Nuno Alvarez Perei- 
ra de Mello, lY marquez de Ferreira e V 
conde de Tentúgal, o fez duque de Cadaval^ 
em tô de julho.de i648 (ou segundo ouiraa 
em 26 d*abril desse anno. 

D. Nuno casou três vezes (as duas ultimas 
com duas princezas da casa de Lorena, em 
Frmçâ, hojePrussia.) 

A varonia dos marqueses de Ferreira éa 
mesma da de Bragança. 

D. Álvaro, filho de D. Fernando I, do no- 
me e segundo duque de Bragança, e irmie 
de D. Fernando H, casou cem Di PhiHppa 
de Mello, filha e herdeira dos condes d^OU? 
vença. D'esie casamento nasceu D. Bodrlge 
de Mello, que íòí primeiro conde de Tentúgal 
e* primeiro marquez de Ferreira^ 

Fot segundo duque de€adayal, D. Luiz» 
filho do duque D« Nuno, que casou com D. 
Luiza,fílha legitimada deD. Pedm II.Moirea 
novo o sem filhos, pelo que lhe sueeed^ii o 
terceiro duque de Gadaval/SeuiroaâoD. Jab* 
me, que também casou com a viuva de sea 
irmão. Foi quarto duque, seu filho D. Nuno; 
quinto duque, o filho d*este, D. Miguel, que 
casou com uma filha dos duques de Luxem- 
burgo. 6.<> duque. D.. Nono Caetano Alva- 
rez Pereira do Mello> que casou com^ D, Ma- 
ria Domingas de Bragança Ligne e Souza, 
filha do esclarecido D. João de Bragança, 
duque de Lafões. 

7.^ a senhora D. Maria da Piedade Caeta- 
na Alvares Pereira de Mello, condessa de 
Tentúgal, actual representante e senhora da 
opulenta e nobilíssima casa do Cadaval. 

É casada com seu tio paterno, o sr. D. 
Jaime Caetano Alvares Pereira de Mello, 
marquez de Ferreira. 

D*este casamento ha dous fílhoí>, gcmeos, 
são os srs. D. Nuno Alvares Pereira de Mel- 
lo e D. Jayme A. Pereira de Mello. 

Os filhos primogénitos dos duques de Ca- 
daval são marquezes de Ferreira, c os segun- 
dos condes, de Tentúgal. 

E' esta villa pátria do historiador Duarte 
Ribeiro de Macedo, e do jurisconsulto Fer- 
nando d*Abrt;u e Faria^ que nasceu em 1660 



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Sâ 



GAD 



e aqur fallèceu em i737. F<rf jHir de f6ra 
tfObidofi e ouvidor d*AIemquer. Por morte 
de sua mulher, se fez padre^e foi desembar- 
gador da relaçlo ecciésiasika de Lisboa e 
visitador da comarea de Santarém. Escre- 
veu, alem d*outras obras menos imporlan- 
les, o Commentnrio ás Ordenaçdes da Reino. 

Segundo diz Francisco António de Mattos, 
os casamentos das pessoas d*aqui, pouco 
abastadas, fazem-se is segundas feiras. 

Á hora marcada para a ecremonia nu- 
pcial, dirigem^se os noivos para a egrcja, 
acompanhados dos competentes convidados^ 
que vão embrulhados em compridos capo- 
tes. Durante o acto religioso, é levado para 
o adro, por duas raparigas^ um vistoso arco, 
formado de oannas verdes^ guarnecido com 
fitas e lenços de soda, de diffcrenles cores. 
As raparigas sao sempre das mais novas, 
bonitas e solteiras^ que sd apresentam cpoi 
as sua^ methorès galas. 

No centro do arco vôem-se pendurados 
emblemas allnsivos á occupaçào dos noivos. 
Se elle é jornaleiro, é uma enxada de ps^el, 
e se ella é tecedeira, um pente de tear, col- 
locado junto da enxada, etc. 

Finda a ceremonia, dirigem-se os esposos 
pai*a casa, passando pot* baixo do arco ; sen- 
do n*é3se acto saudados e festejados. Segue- 
se depois o jantar da vôda, e durante uma 
l)oa parte da noite ha baile, ao som de flau- 
tas e guitarras. 

No fim do bailarico, recebe a esposa um 
ramo de flores seccas, denominado ramo ma- 
trimonial, que existia na mâo da que uUi- 
mamefite tinha casado, a qual, desde este 
momento perde o titulo de noiva. 

Em março de 1862, havia no Cadaval, duas 
lojas, com 2 caixeiros, e duas balanças em 
t5ada uma, 2 egrejas, cada uma com 2 sinos, 
2 facultativos, 2 tabelliacs, 2 cantores, 2 al- 
faiates, 2 ferradores, com duas bigornas ca- 
da um, 2 ferreiros, 2 barbeiros, 2 tabernas, 
2 estalagens, 2 cemitérios, 2 sapateiros, bons, 
2 pedreiros, 2 carpinteiros, casados, 2 enge- 
nheiros (carpinteiros de moinhos); nos pa- 
ços do concdho, 2 salas para sessões, 2 ca- 
deias, com 2 jancllas cada uma, 2 nascentes 



CAD 

de óptima agua {yotavel^S chafarizes, t por- 
tas e 2 janellas no theatro, e fioalmeQteS 
moinhos ao norte e outros 2 ao sul. 

Este concelho é composto de 9 freguezias» 
que saocPéPo Moniz» Cadaval, Peral, Ver* 
molha, S. Thomé das Lamas, Yillar, Figuei« 
ros^ Cercal e Atguber. 

GADELLA-^serra, Douro, termo 4o Por- 
to, caminha dé N. a S. Ha espalhadas :par 
elkt varias povoações e as fr^ezias deHel- 
res, Aguiar de Sohsa, S. Martinho do Cam- 
po, etc, etc. 

D'ella sabem os braços chamados li Aço- 
res, Santa Iria, Santa Justa e Pena^Povta. É 
cortada^da vários rios e regatos. É baètaate 
alta e «m^grande parte coberta de penedias • 
mattagaes, onde antigamente havia lobos 
e porcos bravos Hoje apenas ha caça mia- 
da. 

É tradição qué em um braço doesta iserra, 
ao SE. da aldeia do CovéUo, a 2 kilometros 
da margem direita do Douro, onde boje li& 
grandes pinhaes, existiu em eras remotas 
uma cidade, que alguns dizem ser a antiga 
Penafiel, que foi abandonada em 850. 

Para vér se por aquelles sitios descubría 
alguns vestígios de edificios antigos, aUiftd, 
em i866, e em um dia ínleiro que por allí 
andei a indagar, nada absolutamente vi, que 
po^sa, nem de longe, verificar a tradição. 

Entendo (e doesta opinião são bons escrit- 
ptores antigos) que a primittiva Penafiel era 
na foz do rio Sousa, e d^ella (ou de antiga 
povoação, qualquer que fosse o seu nome) 
ainda ha vestígios. (Vide Sousa e Penafiel.) 

CADIMA — villa. Douro, comarca, conce- 
lho e i2 kilometros de Cantanhede, 24 ao 
NO. de Cohnbra, 210 ao N. de Lisboa, 960 
fogos, 4:000 almas. 

Em 1757 tinha 434 fogos. 

Tinha o concelho, 2:740 fogos. 

Orago Nossa Senhora do Ó e 'S. Vicente, 
martyr. 

Bispado e dístricto administrativo de 
Coimbra. 

Era um antiquíssimo concelho, que foi 
suppriraido em 24 de outubro de 1855. 

Foi antigamente da comarca de Coimbra, 
e do termo de Monte-Mór- Velho. 



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;jCAF 

'£ terra muit^fertiL 

EsUviUa tein*se desenTolyido miuiU) M 
120 annos, pois ainda em. 1757 não tml^a 
aenào %1 fogos, a hoje tem quasi SOOi 

Sitoada em uma vasta e fértil campíiia. 

Em um padrão de mármore, qae está do 
la^o de fora da porta priocipal da egr^ 
debaixo do alpendre, está a seguinte inserí- 
|içao, em lettra gótica ; 

Era 1219 (oímm 1181 de Je$ui Ckrísto) lô 
kaUnd. Maríu dedicata fuit Eeclnia isto, m 
koHore Sanetop Marias et Vincentiif m d^df^ê 
Domini Jldefansi Begis :^ et cansecrí^vii eam 
Vermundus Episcopus regem domum ittam 
Menendus Pelagit, que ecm fecit cmseerare 
pTQ remédio animee suee, 

A Universidade de Coimbra apresentava 
í o vigaria (por concurso) que tinha 404000 
róis e o pé de aUar. 

Ha muitos séculos que ^a cotncelho eop 
juiz ordinário e camará» estando scgeita no 
crime a Montemor Velho, e no eivei ao ou- 
vidor da Universidade. 

Ha aqui muit(^ pinhaes bravos^ e por 
çopseguinte grande abundância de madei- 
ras. 

No sitio das FcEvenças, ba dois olhos de 
jagua, que sorvem tudo quanto se lhes lança, 
ainda que sejam arvores inteiras. Já Plínio, 
o naturalista, celebra esta fonte^ a que cha- 
ma Catinense, Suas aguas vão formar a la* 
gôa de Mira. 

Segundo a opinião de muitos antiquários, 
Cadima se chamava, no tempo dos romã- 
nos,-- Co/mo. É certo que Plínio lhe deu 
este nome e por isso á tal fonte da Ferveu* 
ça chamou CcUinense. 

Tem foral dado por D. Manuel, em Lis- 
boa, a 23 de agosto de i514. 

Cadimo signíGca — patente, manifesto, e 
o que usa continuamente de um offlcio. 
' Também se chamava cadima á ponte e 
estrada publica. Isto no antigo portuguez. 
Na lingua árabe cadima quer dizer — an- 
tiga. 

CAFEDE—freguezia, Beira Baixa, comar- 
ca e concelho de Castello Branco, 75 kilo- 

VOLUMB u 



M(á 



33 



metcof dâ Guarda, 910 ao NE. de Liabct» 

50 fogos. 

. Em 1757 linha 46 fegos. 

Orago Santo António. 

Bispado , e^ districto administrativo da 
-CasteUo-Branço. 
..Eittdaicorte. 

É terra fértil. 

Antigamente ,foi do bispado da Guarda. 
; Situada em oca alto, d'pnde se vé Castel- 
lo Branee^ Alca^is^^CastelIo Novo, Soalheira» 
Lordosa, Alpedrinha. S. Vicente da Beirai 
Plnaihas, Póvoa. de Rio jdeMoinh^ Sane- 
das, Penamacor e Pedrogam. 

O vigário de S. Ifiguel de Castello-Bran- 
eo apresentava aqui o cura, que tinha da 
porção 55 alqueires de trigo^ e 55 de cen- 
teio, pago pelos freguezes^ e 27 arráteis da 
c4ra>e um 4e iooenso, pagos pela. commea- 
da. .:,.■■.. 

Passa Aqui o rio ^Ocréza e a ribeira da 
Çafede, que n'esta freg^ezia se mette n*a* 
quelle, e ci]gas margens sao cultivadas a 
férteis, em partes e n*outras orladas de firon* 
.doso arvoredo silvestre. 

(;AHIPE ou CAlDE-— íi*egu^ia, Dooro, 
30 kilometros de Braga e 360 de Usboa. 

Em 1757 tinha i4i fogos. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Arcebispado de Braga. 

O reitor era apresei^tado pelo conde mei- 
rinho-mór, e tinha, de rendimento lOOjtOOO 
réis. 

Descrevi esta freguezia por descargo da 
consciência, pois entendo que é engano do 
Portugal Sacro e Profano^ que fez d*ella uma 
freguezia e da seguinte outra, quando sao 
uma e a mesma freguezia. 

CAlDE (ouGAHIDE) DXL-REI— f^uezia» 
Minho, foi até 1855 da comarca de Amaran- 
te, concelho de Santa Cruz de JUba Tâme- 
ga, e pela suppressão doeste concelho pas- 
sou a formar parte da comarca e concelho 
da Lousada. 35 kilometros a NE. de Braga, 
360 de Lisboa, 250 fogos. 

Em 1757 tinha 212 fogos. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Arcebispado de Braga, districte admiais- 
iralivo do Porto. 

O reitor era apresentado pelos condes da 

3 



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X 



^ 



ÊM 



6 o pé de altar. 

É terra muito feilU. Cria muito gftde dot 
toda a qualidade. 

É Domo' (bmliiino^éa palatra Mrtèi» Caí- 
4on, que significa— o goveniAdõt ott «api- 
lao; e Tem pois a ser povoação dm çep^ma- 
iara. 

^Èt$t4tíaÁê eiymi^o^ •fÉcrénr>«S' Eàid. 

Qe^m quiser sa!)er rnâHt' efreumitiAeia- 
iílámetíte o que ha êòbra éitA^iiftfn^ Tcja 
Ale^ide; villa. 

GAIA— freguesia Tidé Câyaí^ 

CAIA ou CATi^ — rio, Alemté|ò. Màsee na 
serra de 9j Mamede^ AN^eiiíâi^e SitCN^go- 
tio, Junio a KVMtaSégre (ao N. de Alegrete). 

€òrre pelos ténues dè Portálegrs e Ar- 
fonsb^ « abaixo de Campo lfai<^, diTiúe 
Portugal de Hespanha. 

Hette>>te depoit n^ést»^ uUittO reluo, ]un- 
liádo*^ ao Guadiana, iio ténao de Eivas^ 
próximo a Badajos. 

A 3 kilometros de Campo Màíior, pr«d- 
mo a Badajoz, ó a célebre Fmit êá Caia^ 
onde se faxia entrega èa» penoM reaes 
de Portugal e fiespanha, que mudafvmn de 
um para outro doestes dois reinos, p<M» ca^ 
samento. 

A mais esplendida e sumptvosa 4%stas 
eeremoflias íbi em 1728. 

O^rineipe do Brasil (depois D. Smé I) 
aqui veiu receber sua mulher, a infanta de 
Hô^yanha D: Maria Anna Ylotoria, e D. Fer- 
nando, príncipe das Astúrias, veiu reeeber 
a nossa príneeza da Beira, D; Iforia Bàr^ 
lâra. 

D. João y (pae de D. José e da príneeza 
4a Beirã) ostentou por essa oocasiSo uma 
siagniflceneta própria do seu cognome (o 
Xa(fnan(tno). 

O estado da casa real constava de 10' eô^ 
tihes, 8 berlindas, 29 estufas, á\}sts caléfas e 
141 seges; As cavalgaduras para servi^ 
d'eâtes vehiculos eram 353 urco^ ou ftisões; 
468 cavallos e mulas; aquelles para os co- 
ches, e estas para as seges e para os criados 
— - 6?3 cavaMos de sdla e 316 muares, para 
as galeras, carros de matto, liteiras e outros 
transportes. 



Os criados passavam de MO, «tt faia # 
serviço dos côohes # cinlgaédMti; atém 
4*e8liitfl/dMld, havia oecôéfaese as^uât^tm- 
peieniief oavkgailiraB e catattos de seRa e 
críadatfeãi tl4i lIMgoa que iam na ewft» 
tivai 

« €1 pairiarella^ 19 cónegos^ e oiais eecle* 
^asttees necessários' paT» o eillto áconÉpé- 
tâumuBfdret. 

Na vmda da família real «seu prMtto 
para Lisboa, se empregaram, alem do ber- 
gantim rebite omraft^embareáç9es,piern»do 
"dOOba^roos, que da Aldeia Otilega dl^^lâto- 
Tê]& segtttrakn até BeTem, onde se fec o^Aes- 
«mbaurque, em uma vidtosa pomo que aâr te 
armou. 

(Yide GuadiaiM^) 

GAIMA— rio, DoQTo. Naseo aos^iioms 
da Feiteira, freguezia de Albergaria das Ca- 
br»,eo)lbèlhode^ Arouca, de 3 tegatds^-qu» 
bretam^dl^eMa sernL Fasáiundb peh> lèrtMoao 
vaile de Cambra (onde lem três boieSlls 
pontes dè^pedr^ prtoimflísttmisâãBocifrafl) 
reèetie muitos ribeiros^ que o engruasaiak 

Suas maiigens sSo em grande parte «cMKi- 
vadas e muito férteis; 

- Desde as minas do Braçal para iMiixe^ es- 
tio estéreis e tdMmdonadas^ por causa di^la* 
vagem do minério, o que muito prejudieoa 
os proprietários dTesses campos, que em 
conseienfòta deviam ser indemnisadbs. (^Hêe 
Val-ITaior.) 

Faz mover mvdtos moinhos e trafe muâo 
peixe. 

Chamava-se antigamente rio Goimbtnye 
diz-se qUe tanfo o nome d*^te riOj eomo o 
áéCamtra, é corrupção de (Joámòréi; Ottlròs 
^feem que só se chamava Coiiiú)rft â^âki^e 
a um dos rfteiros que nasce n'este coiMse- 
Iho, e que no valle de Cambra se junta ao 
Caíma. 

(Esta ultima questão não vale muite a 
pena de se discutir.) 

Iforre na mai^m esquerda do Vebga, 
acima de Serem. (Vide Braçal.) 

GAIOLLA GATOLLA ou ÚHRA— fregue- 
zia, Alemtejo, comarca, concelho e 6 kilo- 
metros de Portalegre, 185 a E. de Lisboa, 
239 ibgo». 

Em Í7S7 tisdia 188 fogos. 



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OAI 

Oráfo & Tiiaie ifemir. 

8to|Hidii « âtstricto adlninistMiro de 

SlmiidaréDtfláaiíeie, cfoiíde se Té Porto- 
legre e Alegrete, % 3 kílométres; Crato, » 18; 

€ i rt i Ul M H it i apw»ema^à o eara, ({iie^lintaa^ 
S moios e i5 alqaeln^^tngo^pagoè pelos 
m^fSefès.* 

Ihti entuÉii fretJneíisL^Caiolls (Mra, 
qae se uniram ha mais de cem annos. 

É fárà ferttl ein císréáel; lem mtiilbs e' 
ffiadeir méhlados, fae criam nmitas rarlis 
de pdueMi Criamuito gado. 

TiÉtaiaiffisiaBMÉiejtiSí dft Ttateáa^ feito 
yéitt'<»imaíni de Portstêgre. 

Pástfft aiiai o rio GèiViKii^^e lhe dà o no- 
me e qae morre no Caia. 

OdMr é^ Bâ liifgaa portng^csa anagaí,< di- 
itthmcMi de Cáfe. 

GÍIRS8^(amiií«iiiemeiCoa^ e OKéimi)' 
fregoeth^ Xinho, rod até 1855 42t eomaréa 
idi^PIco^dè Recsiido^ «oncétho e i kiloilie- 
M*ds Ama/ep, hdje é dò meslno coneelho, 
Mnarair dtf ¥ltlft' VtMe, 10 Mlometros m 
^nUB^âè^firai^ 365 ao N. de Lisboa, i80^ 
lògos. Em i757 tinha i30 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Purificação. 

AreeMsptdo « élstiicto adinhâstt*ái^ de 
Bfifía; 

' 8k« iMrftâia á^^refleaiada pdo átoebi^' 
de Braga. 

A^egiraja mairic, afietíãt da reedifiéição 
ék ^pdtísíwóty capeHado SaotoChnsfé, fo> 
chada principal e torre, (feita tio mêiáOò do 
século XYIIi) mostra moita ^fgiddàde, 
eonsèr^anído áShda restos da sõá plfihslttiva^ 
architectura, que nos convencemde ser obra- 
do XI ouXItsecuto. 

De Vinte aaoos a esto part^ tem-se cui- 
dado com soliicittide no afòhnoseamento 
d^^to egrejà, que é hoje utna das melhores 
do concelho. 

A confraria do SàntMrao Sacramento 
d'esto íiregneaHa, consta que foi a primeira 
que se creou no anâígõ coiíéèlhò'dé Entre 
Hòáoèm e C^ado. Foi iniítittadâf dm 21 dé 
sèptembtty âe'i6S9^ 



6M 



^5 



KiB*ésto Mgdezla 3 càpdhÉ-^uma pfd- 
lâmó á egreja matriz, dedicada, desde tem- 
pos immemoríaes, a S. Bento; e desde i8&3, 
€ta que ib mudou da matriz para aqui a 
imagem do Bom Jesus Crucificado, ficou 
seÊídèdà hivocaçio do S^or da Salva- 
ção. 

A segunda é dedicada a Nossa Senhora 
^ià^Lapa. 

Por reedificaria ^m £7^. É muito antiga. 

A' terceira é deáitada a Santo António. 
Foi éonstfuidftem iSSi.ESstosiduas ultimas 
são particulares. 

Além d^éstas^ etíste/«m mn pequeno pla- 
tó; úb cume do lOMntede S. Pedro Fins, ou- 
tra edificada, metade nos limites d'esto tire- 
guezia,'' e inetode aos da freguezia de S. 
Thiago doColdeiias^ servindo esta capeUa 
áemaroo< divisório das duas lireguezias. 

É dedicada a S. Pedro Fias, e dào nome 
ao ntoMé. Paz-8e»lhe uma grande íesta no 
primeiro domingo de agosto, sendo obriga- 
das a concorrer aHi em procissão (damor) 
tõdaiaiâ cruzes parochiaes do concelho de 
Ateftíes. É istoo comprimento de um vo- 
to lèttò pela camará municipal doeste con- 
celho. 

Antigamente se fazia esto solemnidade no 
prinebro de agosto^ e a camará assisti?, en- 
corporàdsf: dcipois assentou-se* em ser na 
primeira dominga, para havor mais coaeor- 
reiida, por ser dia desoccupado. 

Concorre gramda numero de romeiros, 
que levam muitas ofTertas, mas em maior 
quantidade frang^os. 

Sl Pedro Fins é ol^ecto de particular de- 
voção, não só dos povos d*esto freguesia, 
mad taii^)em das circumvisinbas; esol)re- 
tudo nas calamidades publicas, aqui c<m- 
correm clamores e procissões de penitencia 
de muitas fre^fuezias, invocando a proteção 
do santo. 

ESto capeUa é antiquíssima. Foi reedifi- 
cada e ampliada em i869, fazendo-se-lhe 
então sachristia, á custa de um devoto e 
dos dois parochos respectivos (Caíres e Cal- 
dellèÊs). 

É tradição que a* imagem do Santo veio 
para aqtfi, do logar de S. Fins, da freguezia 
de Renduíe, e por isto se chamou S. Pedro 



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36 



CAI 



Fins, por abbreviattira 'da<9. Pedro de S. 
FÍDs; tttSíÈ ea snpponho ífam é cormpçao de 
S. Pedro Felix. 

Gomo já disse, está esta capella no solo 
de duas freguezias, pdo qneiiin anno é sen 
parocho o de Galres, outro o de GaldeUas. 
(É meeira.) 

Do sitio em que está esta capella se avi^ 
tam os pontos cahnlbantes da serra das Al- 
turas (de BaitoBO)>a 55 kilometros a ENE. 
a serra do Marão' e & Oceano a 40 kilome- 
tros a O. 

Também se yé todo o formosíssimo valle 
que se estende desde o mosteiro de Bouro 
até á Tília de Barcellos, atravessado pelo 
rio Gávado; bem como a maior parte do 
Valle, que o rk> Homem atravessa. 

Houve ainda n*esta fregnezia outra capei- 
la dedicada a & Vicente, martyr, sita no lo- 
gar do seu nome (S. Vicente) que foi demo- 
lida em 1815. 

É tradição que foi matriz da fregnezia eln 
tempos remotos, o que náo é verosimil, nâo 
só porque estava em uma das extremidades 
da parocbia, como por ser do acanhadíssi- 
mas dimensões. 

A freguezia de Gaires está situada na en- 
costa meridional do monte de S.PedroPins, 
com lindíssimas e extensas vistas. É muito 
abundante em cereaes, legumes, hortaliças 
e fructas, especialmente laranjas, famosas 
pela sua óptima qualidade. 

É também muito fértil em vhiho verde, 
azeite, linho e castanha. Gría muito gado de 
toda a qualidade. 

£ abrigada do N. pelo tal monte de S. 
Pedro Fins (ramo do Gerez) que principia na 
freguezia de Paredes Seccas e termina na de 
Besteiros, com 4 kilometros de comprimen- 
to e um de altura. 

Nas suas faldas ha oliveiras, castanheiros 
e arvores silvestres em grande cópia. 

Tem caça miúda, especialmente perdizes. 

A residência parochial é um bom edificio, 
mas o que a faz, sobretudo, apreciável, é o 
delicioso panorama que d*alli se dosfructa. 



CAL 

N^estafregueziatem àsoaâopplicftda ori» 
gem o rítieiro do Barri o, que alráYessando 
esta parochia e as de Amares o Ferreiroi^ 
vae morrer, com 3 kilometros de curso, na 
direita do Gávado. 

Tem duas pontes de pedra, de om só ar- 
co; uma n*esta fireguezia, entre os legares do 
Outeiro e Sobrado e outra no logar do Bar- 
rio, firegueda de Ferreiros^ na esteada que 
d'aqui vae para Amares. 

Ha n*^st(B ribeiro um engenho de senw 
maiâeira,e moinhos. Rega e Iraz* peixe mia- 
do. 

-^ A distancia de 600 metros a NE. da resi- 
dência parochial, no sitio doa Orávos, exis- 
tem vestígios de uma antiga povoaição e 
restos de um castello ou fortaleza. Tem aqai 
apparecido tijolos, canos de metal^ e ampho- 
ras de barro, cheias de um pó negro (pro- 
vavelmente cinza). 

Ha 7 para 8 annoa^ appareceu uma cova 
redonda de metro e meio de diâmetro e ou- 
tro tanto de profondidade, forrada de pe- 
dra, e em forma de forno de coser páo.jS 
talvez uma tulhá subterrânea dos antigos 
celtas e lusitanos. Téem também apparecido 
pequenas mós de pedra, próprias para moer 
cereaes^ e pedras muito bem lavradas eoam 
lavores. 

A E. e S. d*esta firegueaia passava uma 
das vias militares romanas, que de Braga 
iam a Astorga, e conhecida por-— JS^/rociei 
da Geira. 

Tocava na Portella do Gouto e Gancella 
de Paredes Séccas, terreno d*esta firegueaa. 

CAIXEIRO^ Vide Gacheiro. 

CALABRE — Vide Galiabria. 

CALÇADA DE CARRIGHES— Vide Garrí- 
ches. 

CALGEDONIA—cidade antiga de que fal- 
iam Strabão, Plínio, Pomponio Mella e ou- 
tros, a qual, segundo elles, existiu na^pã^rte 
septemtrional da Lusitânia; mas cujo sitio 
certo se ignora. (Vide Govíde.) 

Passava por esta cidade a via milíiar^ro- 
mana chamada Geira, (Vide Geira.) 

CALDAS D'AREGOS— Vide Aregos. 

CALDAS DE S. JORGE ou CALDELLAS— 
freguezia, Douro, comarca econoelho e 6 Id- 



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CAL 



QAL 



37 



lometros to E. da Feira, 35 kilometros ao 
S. do Porto, 38 ao NE. d'Aveiro, i6 ao NO. 
tfOltvelra d*Azeineis, 288 ao N. de Lisboa, 
200 fogos. 

Em 1757 tifiha ii2 fogos. 

Oragio S. Jorge. 

Bispado do Porto, dbtrieto administratiTO 
de Aveiro. 

É terra fcrtlK 

Tf«n uma egreja, feita oo^íim âo seoiilo 
passado. 

O parocho é abbade, a soa residência é 
éas melhores do bispado, e seus passaes dos 
mais rendosos e extensos da comareá. 

Na parede etteríór da egreja^ do lado do 
S., está uma pedra com uma inseri p^. A 
pedra é muito branda; péíé qúeí em tô&O já 
me custou muito a len Como mintos curió* 
SOS desejarão saber o.que diz a inscrlpçao, 
aqui vae: - 

Pedro Gonçalves, d'eeta freguezia, deixou 
por ohrigãçã&aseu fiiko Bálthazar Fernan- 
des e succêssoreSy que é ntandOr-se disser 
%yuí(i égrêfa n(me missas em cada armo, que 
9ê âisêesãem do inodo t nos tempos declarar 
dos em seu testamento^ e vinculou a esta ca* 
petld aê herdades declaradas no dito testa- 
mento, e que o visitador toiíéasse conta d*isso. 

Muitos me criticarão por copiar aqui uma 
ins($rípção tão insigiiiOoante. Declaro que 
^6 O fie para que os curiosos, quenaoà* 
píossàm ler; se nio persuadam que é outra 
eoisa, visto que jà está quasi illegivel, e d*a- 
qui a poiioo deeapparecerá^ completamente. 

No adr6 da ègreja está unn lapide eom> 
eata inscrlpção: 

S. de Gonçalo Gil do Poria, MOi 

O bispo do Porto^e o convento de flneira& 
de Santa Ciara ^ftetncitK^anas) da mesfna ei« 
daâe, apresentavamaltemativsrinenté òabba^ 
àè, que tinha de rendimento 500^000 réis. 

A n^guczia ó situada em terreno bastan- 
te accidentado; mas é muito-apraáivel. ' 

A egreja está isolada, quasi noeenlro4a 
fregueahr, t^odo junto" a ella apenais a resi^ 
deoda^ do-paroche. O logar prihcilial da 



fregnería é a aldeia da ^, que ha 30 annos 
a esta parte muito t^n progredido e prós* 
perado cem as caldas, e está já quasi uma 
villa, tendo bonitas roasas. 

Tem.nm t)om estabelecimento de banhos, 
feito no reinado de IX Marta I, e adminis^ 
trado pela camará. 

As aguas são sutphui^aae muito recora- 
mendaídas e effioàzes .para a cura de diver- 
sas moléstias, .(sobretudo cutâneas) e> muita 
' concorridas oa mrào por gente do PoriO e 
de outras muitas locaHdades. 

Deíve porém conlassar-se que as tinas dos 
banhos são indecentes. São de madeira de 
pinheiro e soíTrivelmeote immundas. Po- 
diam muito bém. sér de pedra, pois ha por 
aqui muita, é. óptima, ou, ao menos, forra- 
das de azulejo. 

A camará da «Feira, qué ha i5 ou i8 an-; 
nos tantos e tão bons melhoramentos teiem 
feito no concelho, com reconhecida utilida-^ 
de publica^ deve também melhorar isio, no 
que não só utilisam os doentes; mas os po- 
vos da freguezia e eircumvisinhas, que fa- 
zem aqui bomi^ooiono tempo dos banhos 
e cujo interesse é o augmento dá concor- 
rência, o que teria certaoKnte logar^ se es- 
te estabelecimento ' estivesse montódo com 
maisaceio. ' 

A agua; que saihe côr de leite, é natural- 
ment&tépida; mas aquecida artificialmeiâe. 
por um systema muito vulgar, em caldei-. 
rões destapados, e com a maior desçantella, 
a que taz perder á agua uma -grande parta 
da<8ua força e virtude therapeutica. ^ > 

A 20 ou 30 metros do frontespicio das 
calda^ passava a* primeira directriz do ca- 
minho dó ferro do Norte, que Uiíloencias de 
campanário arrenessaram para a extremi- 
dade do reino, para os pantanoà d^Aveiro, 
Se dlé por aqui foase^ como devia sérimui*. 
to mais prospei^va este estabelecimento ther- 
maL ■> f \ . 

O descobrimento d'e8tas agu^s, hoje tão 
preeonisadas e frequentadas^ foi . do piòdo 
seguinte: 

Em um grande campo,. pertencente ao 
passal do abbade, que está ao fundo da ai* 
deia da Si, e sobre o-pequeno rio Uima, se 
via, no centro do tal campo, boitulhar da 



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38 



CAL 



enda de und i^hedo^liraàiaguaésbraiupb! 
^ cada, com um psonundado eheíro a effl[0« 
fre. Isto excitou a curiosidade do abbade éa 
freguezia, Ignacio AbIoiho' de Ganha, que 
conseguiu, à sua eustá, desviar o curso do 
rio, para a extreniidatde do campo, deixan- 
do a agua thermal separada á» rio. Mandou 
construir um cano para tbvar a agua míae- 
ral para sitio accommodado (ao oenuio do 
tal campo) e íèz construir alguma» barca- 
ças, com tanques de maiaiira^ pata tonar 
banhos quem quisesse. 

Isto teve lof^r ahi pcâos amios de 1770. 

Como se fossem acreditando as virtudes 
therapeuticas d'estds aguaa^ :o governo de 
D. Maria I, pelos annos de i76â, tomou con- 
ta d*este estabelecimento, e lhe constrQju 
um soffrivel edifício, de cantaria, com quar* 
tos para banhos de uma só pessoa. 

Mas os tanques (apesar de por aáyoi ha- 
ver abundância de óptimo granito) foram 
provisoriafnente feitos de tábuas, e ainda as^* 
sim se conservam. 

Em 1843, a. camará: da Feira expropriou 
mais uma pequena parte deidampo, ^ r&- 
dtMT do edifício, para o desentesrar, pois que 
estava uns dois metros mab baixo (o pavi- 
mento) 4o que o nivel da campo^ o que o 
tomava immundo e incómmodo. 

Ficou desde eatâo e edifício dos hanliDS, 
soho e independente, e com um passdoem 
redor, de uns 5 metros de largura. 

Pela. proximidade a que está do Porto, 
Aveiro, Feira, Oliveira de Azeméis,. Ovar, 
Estarreja e outras multas povoaçõ^ meno^ 
res^ e ipelos bons créditos que teem adqui- 
rido estas aguas, sobre tudo para xqolestias 
cutâneas, podia e devia faier^se d*isto'um. 
bello e confortayd eslabetecimento thermal, 
que redundaria em proveito geral á^aquettas 
povoações todas^ eem especial dos habkaoK 
tes da freguezia e proxicõidadesu 

Era porém preciso que se expropriaaoe 
lodo o campo immediato, ou a maior parte 
d^eltei para alli se 'construírem casas pam 
os banhistas, e um parque ou passeio^ que 
seria bellissimo, pojrque o sitio, posto ser 
«ína baixa, é pittóresco. 

Mio totuà amostras para a fixposi^^ 



Uflirarsal ds PAtíz, <|^e tmeiogf^ «miSM» 

A uns i5^ metros ao & ià ediSoj»^ doi 
banhos, ha uma nascente de aguasJbcrugfcr 
nosas, que se appHeam kitemomeDle,. fora 
a cura de varias moléstia^ «dice In40b^pan 
padecíBieBftQs do eaUMBago. 

Ha n*esta freguezia minas d» fetro^ida 
cobre, que se nio exploranifcPoriBKticaBPfn 
pobreza. 

É u*esta .frepiezia o Jogar das Airaa» M 
Souto Bedondo, onde tevo. togar a bataUui 
de 7 de agpsto de á83fL (Vide Soulo Se- 
dondo. 

GAUA8 9A UiNHA-r-vilU, B^Urem- 
dura, 5 kiilometros ao N. 4*Obido^^ 90= 
N£. de Lisboa, &50if()«os,iioooneeUio^i:8Ml 
na comarca 3:700. 

Em i757 tinha 308 fogos. 

Orag o Nos»^ S^enhora do F6|Kdo. 

Patríarchado de Usboa, dislrieto admi* 
nistcativo de Leiria^ 

Feira a i4 dfr ^igoslo,. ttes ^b^ meittar 
do diário, e feiea de gadoao uHimodeMini»^ 
go de cada mes. 

Situada era uma haixii d*^»d0 se iè(Mn 
dos e aigumaa aide^ts. 

Era da casa das rainhas, desde a funda* 
çâo da villa âlé i833. 

Famosa e concorrida nascente de aguw 
thermaes. O edifício das caldas foi feito por 
D. Leonor, mulher de P. Joào II, em 1490. 

D. Manuel (a pedida d'efla^ fei jwtp m 
ho^ital que a rainha ftmdou, um logiir p«* 
ra 30 moradores» dando-lhe lòro de vill% • 
com o privilegio de nào pagaremi^^Mi^ 
oitavos, Siza ou portagem; nem os de fora 
que aqui comprassem e vendMsem. 

O sr. Vilhena Barbosa diz que foi D. João 
n quà mandou ediftcar e0ias 90 casas» • 
deu á povoação liko de villa, em lASB. Mia 
coneordow i^iaaí todos os auQtores dtm 
que a obra dos b»hos prtneqtiM em ^t9L 
D. João II nonreii (etavisnenadip) de 40 an* 
nos de idade, a li^ de (mUqIMeo de iMfí 
qfooúfk ainda o hK^pital protaveUnei^ nio 
eslava; ewiclpido^; e, é m^ito imvaíf el ipa 
fossi J). Mapuii que mandott fuor uífik^ 



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l^QQ) j)«su9^ d|i4eimin«i))(iBienle,,it tú^ 

riores da vHIa. 

saa tida) ^\^»to D. Joio \, a <«mli^ nNj 9 

€oinQ^ii eia maio de 1747 a deo^çio 
âik ol^ra aptíga, q)ie esti^ira mpto ept^rra4A 
(pqr eau^ das ^ig^a^ que paira agiii ikiTat- 

Comprou varias moiradas de is«sas, que en- 
Ap se demoliram para aogpieiHp c^ hQ9pi* 
tai* Foi pva o mesma fim tapibem dç^ioli- 
4a « priminiv^ faaa dii oamaraecMeMi 9 1^ 
iSiQba (D. MariaDQa d*Au9li;i^ mulher de 
IH; Jfm. V) as maqdou facear de i^vo, dp 
MfíiP da. viila, eom umios melboran^Hiis^ 

Mff^m-m eales baobos bo prioewo 4» 
mio e Socbamsie a W de 9Q$^mbri>. 

Na estação dos banho$^|)A^aapi'Um9t;.e<m* 
eorreneia extraordinária de gente de mui- 
m povoaçdes do reipct, «QbrQliido,.dP Ms- 
boa^ F<yra. A*^te t^i^po, a pcfoiaçâa permar 
leste^d^ villa anda ppr á:700.alm«S4 

Tinha* tendas parasecararei^^Mafobi^e;^ 
as quaes lhe deixou a fiondadora* A)l4m- 
fRe «i^e do ealabelecine^C(v r^iO mpf e 
¥»e e«irar na lagoa d*0bíd09é 
. O arobíteeto. e director 4*e9tapbr|t (de re^ 
mustrucçâo) Joi o briga4^ro Ifoiyiel ií» 
Haia» ámaosoppraerlambemo^ur^hUectpo 
oonstruotor dof asmofo aq^educto das Agoav 
LiTres, de Lisboa^ (GoiMtaia^ae^^m.diaía^l^'^ 

Manuel da llaia,;morrea em 17 de fleleõ^ 
fero de 1768, e ^na«afA4o^€apítQio do 
cwwinlo de S. Pedrode Akantara. k 

O hospital tem nma bella egreja. Até I8lk 
ttUtt éaaaenfennariaa; pira.tbepieB% 4aas 
paca malh^ms 0^iidQ «ma d-e^a%í ABtt^ ai^ 
pari^pttfa Aeirii^jumaffMa featett Mq 



CIVL 



n 



trapir«padPM.0pJelein seis para hon^wt 
a dPM para Bi^lber^. 

Aa d^ boisimi^ ^wapi-se, de S. FrajpK 
dHQy Sw C4PhII0j S. Joio de p^ms» Saiit<^ 
Amaro e Kossa Sepibora do Pópulo^ e oat^^ 
qtte^;jiao sQi o nome. As d;^ mulb^cea 
sao: ^d^ SanMt Cifra a Sanu Isabel. 

A diMli^lânba ;P. liepqor (que era filha da 
infante D. Fernando» duque de Yizep» ir*» 
map do ipli^iis duqjue do mesmo Utulq» qpe 
mPireu apunhalado ásnxaps do próprio, fP. 
João II» setupripio e eunhad^ passando d* 
OMdoiip^aa B|9^1h0H cm 4437^ QosiUodf 
Góp^, viu lios do^tj^ a baubarem-se m 
una.cbarc^f. 

Perguntou-lhe porque pia|iai9«ediz^* 
do-lhe el|e«» quei c^pprqup aquellasagu^s 
ouravam mui|as enffsnpidlades iO feridas, el« 
la, 4pie padeda de uiu pcitcv íez a experieu^ 
cia da« taes agijias, e se achpu facilmento 
curada; pelo qpo aUi uiandon Ipgp ^igir 
um padrão eommompra,tiyo, dp qual aind^k 
bavestigips. 

Mandou logo em á^ fazer aqpui um bom 
hospitais ao qual applipou todas ^ suas ren* 
das» e até i^d^u, para isto, a s^u irmão, o 
F^ D* l^uel, todas as su^ joiaf. 

Foi este estaMocíaiei^ (^e.ám priuefr 
pÍP^á,TSIa. 

Fes a. earidosa, faipba# ao hospkal, W)a 
comprouússQ^ as^ignado a i3 de luarçp d^ 
I0i^ eoufirmado por D. Maoduel, a ti de 
abril do mesmo anno, approvado por breva 
do papa lulia II» U^[4>oni om i5||l 

Foi I9pt|tegiie agpvemp do ho^ital, aos^ 
frades loyot (cónegos seculares de S. JoaQ 
Evangelista). D. José I lhe tirou a adminis- 
to-atão» por atiwrâ de ia de abril do Í778L 
Qcimdo <eU:a por conta 4o governo. 

A Gasa da jConialescença, foi feita «QSlli 
dos bens piu^iw) doados p(Mr o epmmen-^ 
dador da Qrdew de Cbristo, Manuel VaUoik 
de Sousa. 

A mauv 4a víUa (Nosaa Senhora do Pó* ' 
pulo) foi principiada em i488 e cQneiíMda 
em iWl £ tanrfiem obca 4e D. Leonor. 

Foi reedificada com fraude sumpluositefi 
4l^ por D. leio If^ pel» ânuos do I7M. 
,, Aipiiiiieiía ipiia 9Bi tiVi eeiaviUii (i 



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40 



GAL' 



liSÒ matriz) foi a eapeflá do Espírito Saúte: 
Tem a villa mais quatro cape!fei(Nòsàa Se- 
nhora da Graça, Nossa Senhora do Rosário, 
S. Sebastião e S. Bartholometi) qúasi todaí 
rfecdiíicàdaí por D. João V/ * 

Modernamente tem-se feito algans inelho^ 
ramentos no hospital. Defronte d'en«baum 
bonito passeio publico, que era a antiga 
cerca do hospital. Ha na íriUa ainda outro 
passeio publico ajardinado. * 

O parodio, até i834, era vigário còllado, 
e tinha três capellàes (todos quatro resaram 
em coro) e eram da apresentação m iolidum, 
do provedor do hospital. Tódòs tiàham egnal 
renda, que era, para cada um, 40 alqueires 
de trigo e 40]^000 réis em dinheiro, ao todo 
uns 12OÍ100O réis. 

O provedor e ò almoxarife, eram cónegos 
de S. João Evangelista, deâde D. João III 
até Í77S, em que, como já disse, passon a 
adtniniétra^o para o governo. 

O termo d*està villâ é terra infértil, vindo 
^asi tudo de fora, ínas ha sempre abun- 
dância, porque concorrem aqui género!í de 
muitas léguas de distancia, sobretudo, fira- 
-las, hortaliças e legumes qtie vem dàâ im- 
mediais de Alcobaça i gallinhas, ovos e 
caça de varias partes e pescado da lagoa de 
Óbidos^ de Nazareth e Peniche. 

Na tua origem tinha juiz ordinário & ea^* 
ihara; depois passou a ser sujeita ao juiz de 
fora de Óbidos;' mas modernamente tornou 
a ser cabeça de cooteélho e de comarca. - ' 

Tem elação telegraphicá de i.* ordeni 
tu do estado, |ior decreto dd 7 de abril de 
1869. ^ - 

Tem esta villá útn grande rocio; mttita» 
•asas boas; óptimas hospedarias r um club, 
<Aide ha gabinete de leitura e ^ dãorluíidos 
báiléS; vários chafarizes, abundantéd de ex* 
edlentes aguas, ièdds obra ^ D. Jo3o V. 

O primeiro brasão d*armas da vitla» dado 
pela rainha D. Leotior, 'éra o me^made Obi-í 
dos (de cujo témíia^entãe ora) é qú»^ é àim<^ 
plesmente o escudo reAl. ' 

Estando D: Joãoile a. rainlia, = èo!n's0á 
Mbo oníco D. AMouMUfi «mu éè^fotíOà^ a 



pHneezá D; Isabel, Olha dds reis cathottéos > 
Fernando e Isabel, em Sárits^em, cahlu o' 
prliièipe abaixo do cavalld, has margelis do 
Tejo, a i2 de julho de i491. ficou sem "sen- 
tidos, e' fel levado em uma rede para aeasa 
de tmi pescador que morava proximd; nrâs^ 
apesar dos mab promptos sotodorros, o ptíú^ 
cipo morreu, sem tornar a fallar. ^ 

Desde então, augmentôu a Iodas as sutis 
villas, em memoria doeste triste aconteci- 
mento, uma rede e Um pelicano (que era a 
divisa ou emblema de seu esposo.) 

São pois as armas d*esta viná actualmen- 
te :^-^o escudo de púrpura, tendo no centfty 
dois escudetes paraHek)s, brancos» comdn<^ 
co escudetes ámè&, pequenos, em cruz, cada 
um; o tendo cada um doestes eScúdetes; cin- 
co beaames brancos em aspa (domo os daí. 
armas de Portugal, mas duplicados, eomi> 
se vé)' e sobre o escudo doz^castellos^' 
ouro, em três linhas perpendiculah*es, d» 
quatro cada uma, fleasdo os quatro: do cen- 
tro no intervallo (de púrpttra()'que divide o» 
escudetes brancos. Este escuÃ) 6 meltido 
em outro branco, e de um lado d'aqúelle 
tem uma rede e do ooiro um pelicano, *Mia^ 
tentando os filitòs com seu sangue. O esôa- 
do branco tem sobre fell» uma coroa aberta^' 
c^no^a dos duques; 

Ba tbmbem nascentes ^e aginis thermaeB 
da' mesma natureza das das Caldas da Rai- 
nha, prt>ximo á quinta âas Gaieiras^ em 
Yalle def Flores, onde aiiída se^vé um gran- 
dé tangue para banhos. ^^ ! 
'^ Também iaqui Iproximo, na cerca que M 
do convento de^S. Miguel, âe ÍTades arraM<< 
dos, ha tima outra nascente de aguas <ber- 
mães, e altida allt exiáte uma casa que lúf 
feita pára se tomarem tanhos doesta aguá^ 
Tem^tim tanque, no qual sefodiam banliar 
tS>peftsbai simultaneameme. 

A tal quinta das Gaieiras era antigamen^i 
te sánexa â6 èospital/ao quid pagava IM». 
^ A iasa: d*esta quinta/ ó antiquíssima^ o que 
prova a areUiteotdra de^uas portas e ]anBl«> 

lèr. ^- r' <t :■ ... 

> A esta quintas» clamou aotigamettte^- 
aa^dos HMtuéiroa, e porque depois veíou' 
pMeniir -á^ 6aef ar Frare db iAaidra4ft m 



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CAL 

chamou quinia dos Freires. O braão d^ár- 
maâ dos Freires, ainda existe no portão 4a 
quinta^ 

Chamam-lhe das Caieiras, por estar perto 
dotlogar doesta nome, e os yisinhoe também 
lhe dào o nome de quinta das Janellas. Vide 
Gaieins. 

Entre as portas das enfermarias, na casa 
da copa, do hospital da villa, estão em relê* 
^ as armas de Portugal, e por baixo uma 
lapide com a inscripçao seguin^ : 

' JOAlfNBS QOINTUS 

UmiTAMIAB BEX YIOSSIMUS OUABTVS 

BSIiEVOLEMTIA £T CliUUTÀT^ MOTUS 

HÀKC THERMARUM HOSPITALISSIMAM DOMUM 

INSTAURARE A FUNDAMENTIS 

tT DECEirriUS ÁUGERB JUSSIT 

ÁO MAJUS AEGftOTANTIUU COMMODUM 

AMNO REDEMPTIOMS HOGCI4YÍI. 

BT IN TRIENNIO ABSOLUTA CONSPiaiCR 

LEOxXORA REGINA 

RB6IS JOANKIS n DILBCTISSOfA GOIfUa 

CONSTRUXERAT, BT ORDINAVERAT 

SOUaTE, LIBERALITER, ET RELIGIOSE 

ANNO DOMINI MCCCCLXXXVIII. 

AMBO MfSERICORDES 

ÀMBOBUS DEUS RETJUBUET. 

rRUEBB HOSPES 

MITAREQUE QUANTUM POTUERIS 

ET NON TE PAENITEBIT. 

CALDAS m VIZELLA (S. Miguel)— fre- 
guezia, Minho, comarca, concelho e 6 kilo- 
metros ao ÁE. de Guimarães, 24 ao NE. de 
Braga, 348 ao N. de Lisboa, 280 fogos. 

Em i757 tinha 150 fogos. 

É terra fértif. 

Era antigaiAênte^da vitUa dê Motâê Lofi- 
90. 

Situada em^um valle, d*ond6 iè Téèm as 
freguezias de S. João das Caldas e a de E!n^ 
flàa e Yaríoâ tíiontes. r 

O ài^eebispo de Braga apT«s(»ta(va o ab* 
bade, que tinha de renda 400^000 réis. 

Na dlvtsi^ doesta freguesia ^e da de S. 
loao das Caldas, Bslà^mÉa lagoa de água 
4ueBte, e tan mais dlTersot olho$ úu ma* 
eoites doesta agua. 

Em 1744^ se descobria acftíl m^lán^e 
da 20 palmos doiargè por 20de compHdo, 
lafVBíto • mídie tai(r feUa,xoHi dègMiM de 



CAL 



41 



mosaico, obra romana^ o que proVa que já 
no tempo dos romanos se usaram, para cu- 
ra de doenças, d^eçtas aguas. 

Os banhos públicos dos. JTomanos (ther^ 
mas) não estavam reunidos dentro em um 
edificio, mas dispersos nos diíTerentes sitioa 
em que rebentam as nascentes. 

Como as príncipaes aguas thermaes saa 
nas duas freguezias de S. Miguel (esta) e S. 
João, para evitar repetições, direi aqui o 
quê tenho a dizer das tão justamente cele- 
bradas Caldas de Yizella. 

É nas margens do pequeno rio Yizella, 
que nascem eatas aguas famosas, e frequen- 
tadas deâde a mais remota antiguidade. As 
nascentes estão a 6 kilometros^a SO. de 
Guimaiies. 

(Diz*se que os romanos edificaram aqui 
um templo a Ceres,) 

Mas, nem d*este templo nem da povoação, 
que consta elles também aqui Amdarain, ha 
o menor vestígio. Os próprios banhos jase« 
ram por séculos soterrados e sem noticia, 
que commemorasse ^ sua existência, até 
que (p^^tce que em i840) foram descober- 
tos uns apoz outros. 

Estas Caldas oflerecem a vantagem que se 
não encontra facilmente em qualquer -paiz, 
isto^^, a variada- temperatura dos seus ba* 
Bhos, desde a agua qoasi fervente até à té« 
pida, ou quasi firia. Se tivéssemos outros go* 
vemos, ha muito que d*estas caldas se teria 
tiradotodo o pai^oeimmensas vantagens, 
que podiam e deviam produzir á nação em 
gemi . e ao» povos d*aqui em especial. 

A tefbpératura da agua das Caldas^ pro-^ 
ximo á nascente, è de >65%3, thermometra 
eemigrãdo. > 

' Borain analysadàs em setembro de 1867; 
pelos engenheiros srs Pereira Caldas, Schla^ 
ppaeKlass. (VideLijó.) ' ^ ^ 

Yão*se-lhe fòzer i^randas melhoramentos^ 
já principiados, pajra o lyneestá feito o pia** 
no, pelo eogenheire Dejanto. Realisados el- 
les,. a prodneção da água sulphurea será dè 
mais de 16:000 litros por hora. 
'Os banhos são de mui dffTèrènid^ló/fâas 
9 grandeza, mas todos revestído» de pedri- 
nhas èraftcas,^ do> taádanho e feitio das què 
9» w6èàt nosnóosaioée i^manfôèi O maior^ó 



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4tsr 



QkL 



mil ii^íkáe Unqpe qntdrilongo, onde sAm; 
eatéwiooáo se podem banhar 10 pessoas. 
Este porém dÍo aerve^ popqBs a a|[iia> dft 
qna está sempre cheio, coseria giutlqoer 
tsofpo animal que lá oahisse* PaPA eTítar 
quaJquer sinistro, ^tá resgiiiyrdaáo poruma 
iprade de ferjo, que j^re de ?arandii ao 
passeie de lagédo jqu« çérea p tanque. Ha 
outro Ianque grande eircukr, em <^q% po« 
dem ^anhartse ê pessoas. 

É destinado a gente pobre^ Os etttn» ha^ 
nhos é cada um para uma só pessoa. 

Passa também pelarftregueiia (além do Ti- 
sdla) o rio Pombelro» que 4^ga, móe » tM» 
pisões. 

O «átío das Caldas é era um fireseo • dila^ 
tado valle, rodeado de frondosos ar^wredoa^ 
4u^ o rjo Visella corta /ertiliaa. Ko cen- 
tro da povoação está um linda passeio pu- 
Moo, depominado <}a Lameira. {Na Drente 
d*el]6.está uma pequena praça, ondesefaxo 
maçado. Aesquôrdae ao Aludo eorremduaa 
ruas^perfeitamente alinhadas^ opmcaaa^ caía* 
das e bonitas, que se alugam no tempo dos 
banhos. Pelo lado dir^o eatá outrarua, ond^ 
estão varias casas de banbos jaumafonáe 
de agjDias sulpburjeas» que rebatam qmsi a 
{BTv^r. Próximo á entrada do passeio, par» 
a esqu^da, também e^lào algumas casas de 
banhos. M outras eaaas da poioa^ sotmi 
espalhadas pela encosta, e assombmdas da 
denso arvoredo. 

* Agora (julho dei87d)está^$eoiia«isaftdP 
nma companhia coip o capital de cem codpi- 
tos de réis, em acções de iQO^OOO réis, :par« 
se «ppstruir um estabelecimento d^ banhps, 
aqui, com. todas^as^ndio;^ requeridas pe^ 
las leis da hygiene e do cofi/br/íit?ri. É,u«l 
iaeBi)ramento mapor^aailsaiaio a todos os 
respeitos. 

No monte da margem esquerda do riPi 
írtá a linda casa. gotbiea do sr. Vilbf, nego- 
eiante brítanoicoí 4a praga do Porto. 

Éuma aprasível Tirenda» com be8o jar- 
dim. en'um sitio alcantilado, mas muito pit^ 
toresco. (Vide Visella, rio J 
^ CAIAAS Sfi VISEUA (& ícm Siaptifta) 
«Tifreguezia, llinho, comarca, concelho e 6 
kiípmetros ae SE. di^Guímarâe% Si.ao NE. 
««.Bcaga, 3«« ao^^ Jí. de Usbov 180 bgo^. 



CM. 

Mm dW7 tinha ÍK1 fogos. 

A egreya era 4o padroado real, a OMtíbt^ 
de (apresenudo pelo rei) tinha 330^00ftfléi9r 
de^ne^ida. 

iuhto á er«jat passa, o rio ¥iseMap^«m. 
curso arsebatado. 

Ha n*esu freguesia a capella de Nossata-i^ 
nhora de Jerusalém, do sr. Francisco Diogo 
^ Sousa Çjrme d» Já adttreira, da Pdgo #8 
Palas do Porto. 

Sobre, agq;^ theirmae^ nm a Ih^nee^ 
de S. Miguei das Gaito de Visella. 

Todas as mais caldas o aguas mineraet 
que ka aoraíBo, «ao nas tenras onda nas 
cem e é lá que derem ser procuradas. 



CALDE— fregueiií^ Bejra-Alta, cpmarca, 
e concelho 9 lulometcvs de Viaeu,289ao N. 
de Lisboa, 170 fogos. 

Bispado e districto administrativo de Vi» 
seu. 

Ocago Kossa Senhora èA Kativádadft 

Em Í7II? tinha tôO fogos. 

Situada çjn uraa serra, da qual se véfem 
as de Besteiros, J^stfellaeMonte-Muro. 

O vigário de Lordoaa apresemagra aqui o 
cura, que tinha 9^800 réis, t alqueires do 
trigo, 2 âlmude? de yinho, e 8 arráteis de 
cora, É terra fértil. 

Fica A'asta Apegaria a sem A» YflW^ 
e iiassa aqui o rjo Voug^. 

D. Mamei lhe deu foral, em Lisboa, a S^ 
de julho de idl5, *-Ghai9a-se allt— Caldm 
do Couto de Lafôsê. 

CALDEmlO— serra, Algarve, copipoata 
di^ ipet^ voteaaicas. «'cite naice orio Vas- 
cão. 

ÇALBrj yKmO S-^Yide S. Jejip da CMdei- 
rebroiL 

CALDELLAS — cidade imti(p;Jb^Í0U 4a 
Lttsllami^ Ba actual pfoffinoia da GaUreoft- 
dura- 

Aindahavestigios d*eUa. Naoseaaíie quan- 
do foi iUndada; e deitruída. Ficafa proxioui 
òsa cidadãs, tambpm deatruidas» Besâjgaa 
Concórdia. Vide Bezelga (a ultima.) 

^SAUWLLASr-aldeia, »oup(v b« flnegia- 
sía dM €aMas de Sw fevgctoniaircA^aapiie 
cilbadaiFaíia..|c:attaaaiaiiea prímmiaMMn 



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tri2, e é poríssiftíqiiei^t9)fFe9qezifki9«,9ha- 
mavi antigamenle Galdíèlas. Yi^ iCjiid^ 
detS.Jarge^ 

CALDELUia CB-3%iafo ^ ^irtgo^zid» 
MWio, fot ài. OMoarca â^ Piop 4« Bff alados, 
alé i85$, tode^de cai^o d^dfr Yiila V^n^ 
d'onde deita 4 kilometros a D(E., r99Q«ili0i 
é^Amáresy IS kíteme^a d^9nagii^ V% apjN. 
4aLi9b9«, 150 togo». 

AFQetofadp e fdistr-íeia i4inHòí»ti?ti3ro. da 



G«. 



4^ 



Ocaga S. Tl|ia«9 Mftipr. 

Em á7S^ li|)A?k ii^ (ogQ^ 

Era antígaiQi^iitQ da cowprca 4^.yja^)^ 
concelho d*Entre-Hoinem e Càrado (» qua 
hoje se chamn Mnàr^»^ 

I»ap0voaíç$^8 eojíia?. 

O reUop ^a aprça^^^do pelo prdliuiHo, 
^n eonoQi^o, e Uaha iO<pQO0 i^j$ e o j^ de 
tUar. LaBbes e Ymmtíbo,,eT^iitusífi ^ma- 
xaa. 

Ot no eemiro di ^^guezia, daas/ootes 
4fagiia8 HHoeraes, ;^ c^e ct;^MPfm CaMaa 
•0*0iKte a liregiiekliaixwi o nome) U|n^ t4^ 
^a eomra^fria.PwmpiwiaM^rfkaseiTas^^ 
lAiáeiro e d0 S. Pedro Fios* que tra^^em mui- 
la' caça*, ^o lódào «eb^p^ 119- Mi^hp io* 
âfiiro«). 

Passa pela freguezia o rio.Hoi^inf que r^ 
ga» màee tnmpebcft. 

. <£' aqui a caaa sotar da Laraosp^ qae foi 
^ eonde Dw Reial de Lamaós» ^ quefo^mat^ 
tam 03^ de Sev4r« E* dioB Uaripl^os. 

£* terra ferUk 

Eça da copaiBeEda de Ghris^. 

A «gr^a m^ilfui é um jbw tWPto; foi 
reedificada do AieJaA) do aeq^Jo fl8.«4€pk 
oma bte tofi» da 4»ataria, piifoelpi^ pm 
f656 e<concliiida m anoo 3ag)iioie. 

b ii*eau firf^^7ía<3 eapelbis uina de N<^ 
|i Seatora dai Veserioardla^ pei^^ioeiUe a^ 
st. DomiagoS' jManjael de llello Frejc&Haca- 
tft, de Braga. Galra do^Saahor da Saúde t a 
leneíca de Sanlo Ovidio, bispo. JSsIá t ki- 
lomeuioa a fi» 4a malriz^ 0diflcada.9obre iam 
eabdço chai|aado jnoDte de $. Pedro Fi»fl^ 
4*onda se gosaift estenaaa e Undiasimaa tjs- 
tiB. £* mnitoi aiitíg%'inaa-f9i reedificada» 
d'abobada» em forma decroi deMalm^epi 



733, por mand^ de Jlos^ Alve» d'AypTed% 
sarge^O^ór da, co^narca do Bio 4as M<^-; 
te% JiiMQral. da Braga. 

ÃiQda f^qul ha o^tra expelia, jio eupoa d(^ 
moiHa de & iPadro Fio^dedic^daaestesa^ 
to (Vide Cairia.) 

Esta freguezia e^ sijU^^ no priocipio^ 
da bppMia fenjl {(it>^ira do Qpmapn, ep 
teif ano media^ame][^e accidexuado, so|)ce a 
margem a^querd^ ^ rio Hon^^. E* abun^ 
danta d^^gna, não ^ d'eale rio, mas de ya- 
rios arrois e nascente», e por isso mujto fcr^ 
Ul, em cer^^s, fmç%9^ e if^mes» ifjinbo, 
aaeMa a Imbo. Ti^midiundai^ia da lenba ^^ 
caça (m juda a grosw) p^t ^rra. 

tf a nasla freg«ezia/uma p^^ de can^aiii^ 
do tempo dos romaoos, sobre o r^k) Bpmeaii, 
que ligaasta frajpezia com ad^ S, Vicente 
da Ponfa de Caádelll;^ e dá copmuniaa^o 
para as villas daj^rea e Arcos d9. VaJHa^ 
Vez, e para o Alto-Minho. Tem 3 ^reas^ tçnf 
do o maior l3.-,a a da largwa i3.,"**à- O 
seu compriooeiuo.é da 34.,-a e tem de ^^ 
guraSL^I^. 

Entre os montes de S. Pedro Fias e jLqm^ 
bada^^na ctotro d^í^ freguesia, oorre o ri- 
beiro Alvito, que nasce no logar d'e5jb^ iifn 
me, freguezia dt^<9aranhK>8, o depois do ^ 
kilometros de cur(M\ meirpyPa H»m9i9f f é- 
ga e móa* 

Na esquerda d*e^ta ribeiro^ na meio da 
fregnezia, são as ^m» tbermaes. 

Ha 4 tanques (d'id)obada> p^ra baiUios. 
Eatas tanques, uma fonia d'agtta mioeml, 
para uao interno» ;e umj^aqneno passeio, 
foi tudo feito à custa dos povos d'eataaaar; 
eeftbe, no jMTiaaipio da s^uJo i9.« 

Hem mm duta^ bo9s nasc^ntas, fora do ri- 
beiro» a ainda mais ouir^^ masmo no leim 
d'aUe^ que tskfiUví^ia podiam ser aprovei-r 
tadas. 

Tew lambam a9Mt freimyíia,. aguas féirroas, 
na margem dirçita d9 mesma ribeiro, quei 
por da$mazôUo« and^m des^^^eitadA^ e 
que sem gmndet da»paw ia podiam ulilt^ 
ur; o qaa9ei;ía,nàoLsé»4e suíuma Vj^tagem 
para os doentes, mas também paraospofoa 
dafragmm. 

Houve próximo aoa tanques^ uma c^pejyim, 



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44 



CAL 



mandada fazer por Tim fidalgo de Ponte de 
Lima, para n^ella ouvirem missa os enfer- 
mos : foi demolida, em resultado de uma de^ 
manda que houve entre o ftindador e o pa- 
dre António da Quíntan, d^alcunha, o padfê 
Calção ; provando este que a eapella estava 
edifleada em terreno seu. 

Ha 30 ânnos eram muito concorridas; 
mas, os péssimos caminhos, a pouca limpe- 
za dos tanques e a falta dfhabitações tole- 
râncias, tem d*aqui feito fugir para outras 
partes os doentes. 

Já no tempo dos romanos se fazia uso does- 
tas caldas; o que consta, nao s6 da tradiição 
mas de duas inscripçdes que aqui foram 
encontradas, e ainda existem debaixo de um 
alpendre, junto aos tanques. Estão ilegíveis^ 
pÒT terem já muitas lettras apagadas. 

Estas aguas são da mesma. composição 
chimica das outras do Gerôz. Yide Geréz c 
Vilar da Veiga. 

CâLD£LLAS (S. Vicente) —freguezla,Ttfi- 
nho, comarca 6 concelho de Viila Verde. Até 
1855 foi do concelho de Pico de Regalados, 
lí kilometros de Braga, 372 ao N. de Lis- 
boa, 120 fogos. 

Arcebispado e distrícto 'administrativo de 
Braga. 

Orago S. Vicente makiyr. 

£m 1757 tinha 90 fogos. 

Próximo á freguezia antecedente. 

O arcebispo de Braga apresentava oàb- 
bade, que tinha de rendimento 300^000 rs. 

Tem minas de crystal de rocha. 

Fértil. Situada eih montes e valles, vendo- 
se d'aque]les mtiitas povoações, serras e o 
Occeano. 

Passa também aqui t rio Homem. No mon- 
te de S. Gião, d*esta freguezia, ha vestígios 
âe fortificações antigas. D*aqui vaeuma mi«^ 
na de 1:500 metro» de extenção, até ao rio 
Homem. 

Também no eaminht (fue vae á Gemida, 
ha ruínas de antigas casas fortiQcadas. 

CALDELLAS (S. Thomé de)— freguezia, 
Hihho, comareai, eoneelho e 9 kilometros ao 
O. de Guimarães, ^Í60 ao N. de Lisboa, 2i0 
fogos. . 

Arcebispado e distrieto admini^tretív» dé 
Braga.- - "•- • í' ■ 



CAL 

Orago S. Thoméj apostolo. - 

Em 1757 tinha i43 fogosi < 

Dá-se geralmente a esta freguezia o imk 
me de Santo Airromo tAs TAi»4á ' * > 

O D. prior é cónegos de Gaimái^es apre^ 
seflilatam aqui octira,quetinha fle rendimen- 
to 60^000 réis. 

De um lado cérea toda eista fireguezla ó» 
rio Ave, que juntando- se como Visella, des* 
á^uam no Occeano, em Villa db Conde. 

Pelo meio da freguezia passa o rio Agr^^ 
la e o ribeiro da Canhota, queaÀibassemet* 
tem no Ave. Fica a freguezia no iheio de 
duas serri^s, chamadas Falpérra de Santa 
Catharina. 

E' terra bonita e multo fértil; 

Ha n'esta freguezia uma nascente d*aguas 
mineraes, que lhe deu o nome. Vide Citani»; 

Próximo ao rio Ave, e mais perlo ainda 
de um pequeno ribeiro, no logar do Coute^^ 
d*esta freguesia, estão situadas as caldas das 
Taipas, ou Caldas de Santo António áaft 
Taipais, distantes assim de Guimarães, como 
de Braga, nove kilometros. O sitio é aprasi» 
vel, e ha poucos annos começou a ser mais 
povoada, em razão da utilidade que lem près-^ 
tado as agiias mineraes, que ahi nasoen^, é 
tahto que em algumas occasiões acontece nãii^ 
haver quartéis sufflcientes para os enfep* 
mos que concorrem. 

E* o terreno plano e ferliVo as nascen^ 
tes das aguas,' eiii quatrio differentes manán- 
cfaes,são abundantes, r^artindo^se d*«ste» 
as aguas para noVe tanques ou poços, cin^ 
CO dos quaes são de pedra, e se denominam 
poço do Carvalho, dos Leprosos, do Fígado» 
do Rheumatismo, e de Atitonio^deSousaros 
outros quatro são de madeira. 

Todas as aguas ^o da mesma natureza p 
a côr é diaphana, o cheiro a ovos chòoès^ 
(sulphurio,) o sabor hepático, nauseoso, des- 
de as origens até aos poço^ deixando tt*e8* 
tes sítios e nó seu transito, deposito, ou lo- 
do, cinzento, eeom todos oir caraoteres dm 
suá qualidade sulphurià;^ mas sio memn^ 
«meralisadas do que as^ de Visella, e oon4 
tem menorporçãò de aefdo sulphydrieo. ' ' 

A natureza dos saei qae n^ellas se achani^ 
em dissolução são todavia os mesmos'^ dtf 
Visella. - ■ ^^ " Kà - •'•^•-' *■ 



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A usoenu Ifteroud das Taipas, eonteorpor 
ftilogranima d'agQa Ogr, 00242 de addo 
4tilphydieo e Ogry2035 de princípios fixos; 
éSio priadpalddente silicatos «ehlorótos, as- 
-8ÍDi como saes calcários e de magneaia. 

Estas aguas foram analysadas na exposi- 
^ universal de Pariz, emi8ê7, e déramos 
resultados que ftcam descriptos. 

Vide 'Daipas. 

GALE^ povoação (alguns dizem cidade) 
•«ntiquissima da Lusitânia, sobre a nur^em 
^esquerda do Douro e a 3 kilometros da sua 
fòz. 

Bm 41* e a* de latitude N. e i2, de longi- 
tude Occidental 

Segundo alguns eseríptores, foi fundada 
pelosgaUos-cdtas^ 296 annos antes de Jesus 
Christo. Outros atribuem a sua fundaçio aos 
gallos-celtas, e tordeuta&os, 4i5 annos antes 
de Jesus Christo, denominando-aPorto-Gal- 
40. A Monarcihia Lusitana diz que foi Am- 
,dada. por, Diómedes (general grego, no cér- 
.eo de Troya) 600 annos antes de Jesus Chris- 

.10. 

• Dizem outros que foram gregos da-Thra- 
da, habitantes das margens do rio Axio; e 
Kmtros dizem que foi Menelau (o infeliz ma- 
rido da bella Helena) 600 annos antes de Je- 
sus' Christo; finalmoite dizem outros que 
foi Calais, rei da Thracia. 

Os romanos lhe chamavam Calem, outros 
dizem quePortucale. Parece que depois lhe 
mudaram o nome, no de Castram Antiquum 
para a differençarem do Porto, a que chama- 
vam Castram Novum. 

Caie na Itngua portngueza antiga (suppo- 
nho que derivado do celta) signiOca cano pu 
aqueducto onde a agua corre com rapidez, 
por causa de grande descida. 

Ainda nas provindas do norte se dà 
o nome de cale ao cano ou tubo que 
da levada dirige a agua ao moinho. 

Dizem alguns que na antiga língua latina, 
significava rio sinuoso (ou torto.) Strabão, 
fállando de Cale, diz no liv. 5.* — Cayetam 
sic esse appellatam á smus curvitate, quia 
. cmnia curva laeorum idiamaie sic solerU no- 
mnari.9 

Tanto pôde pois quadrar a Cale a pala- 
vra portugueza e a sua significação, como a 



GáL 



45 



latina^ porque o Doviro, sendo muito estr^. 
to em fireote de Gaia (a antiga Cale) corre 
alli eom grande v/elocidada 

Também no mesmo sitio faz uma grande 
curva, o que justifica a significação latina. 

^Has se (^le (de que depois se fez Gaia) épa- 
lavra grega, significa porjU) fre4co, e plano, 
e que entra peta terra dentro. Ainda se usa 
o seu diminutivo, jque é ccall^eta.» Gaia si- 
gnifica (como já .diesel porto sinuoso. Gaeta 
.é seiu diminutivo* E;{nlt^ia.ha um^ cidade o 
porto de mar chamado Ga^ : e em Portu- 
gal, ha^ na flreguezia de Yilla-Maiory comar- 
ca e concelho da Feii^ uma aldeia do mesmo 
nome, que lh*o dá um ribeiro que alli passa 
(Vide Assaes.) 

Não faltam porem auctores que sustentam 
3er Cale fundação »dos gregos» pelos annos 
2632 do mundo— isto é— -1372 antes de Je- 
sus Christo. — e quepor isso se lhe chamem 
Porto-Graio, ou Porto-Gaío que, segundo el- 
le^[auctpres) quer dizer Porto Grego, ou dos 
Gregos. 

Pretende-se que de Porto-Cale, ou Portq- 
GaiOi provem o modemp nome de Portugal. 

Quando nos pomos a combinar os livros 
antigi9^ parece-noscpie sempre assim se cha- 
mou Gaia, ou pelo meno^ nmdou o seu pri- 
meiro nome de Cale em Gaia, ficando ao 
Porto o nome de Cale, ou Portu-Cale; por 
que vemos que Cale era do arcebispado de 
Qraga, reinq da GalUza (todos sabem que, no 
tempo dos suevosi.a Galliza chegava até 
ao Douro, que a dividia da Lusitânia) e 
Gaia era do bispado de Merída, na Luzitania. 
Esta divisão da Galliza durou até ao sécu- 
lo 8.* 

Desde que os árabes se apossaram da Lu- 
sitânia, tiveram sempre em Cale um regulo 
ou emir (a que muitos escriptores antigos 
dão o titulo de rei.) 

Na era de 886, que é o anno 848 de Jesus 
Chrislo, D. Ramiro L% de Leão, venceu e 
fez tributário o Mahamad Cid Atauf, rei 
mouro de Cale. O filho de Mahamad se cha- 
mava Haluf. 

Em 932, era rei, ou emir de (^le, Âl-Boa' 
zar-al-Bucadão, A lenda (parece-me antes 
um facto histórico embelezado pela poesia) 
do roubo de Gaia (ou Zahara) por D. Ba- 



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m 



mL 



Cáli 



ttilro n; do L^^, e^á^iiB^oMí rAt-Eo^r 
irmSo de Gala, i^odUaildá IX. UmM»,' niirihér 
de D. Ramiro I^ *rém ^ocAitãdii «^' Attodra, 
rio, pelo qaeo iúk> rèpffo aqái,, Yidé Aàco- 
ra^ rio. 

Tattibem atfaiii pretendem <|ú0<:at(» foi 
eidáde episeòpa!^ o qttè é ^gano* evideiué. 
Cale nun^ teve bi§po. ^ ]^râiei{^io da pré- 
gaçlMi db evMgelhe e áté ao tempa doâ 8ue- 
tos, foi dò' bispado de^Mèrída, e depois pas- 
sou ||)ará Cf' dé Géfttá)4^ ao q^l pen«ne^ 
'Mnpré, até <túe ò blspèf do Pòl^td, T>. Mto 
Péculíai*^ èotosegélu separar toda a Terráde 
Santa IfàHá <hoJé"Ferràí dk Feiil, a qae-Ga- 
lé, ouGata pértènda) êo bispá&o de Gelin- 
bra e a iacluiu no do Porto, d ({tietof oon- 
fiirttiado pot 4 bulltò pòittifldáii, ai saber : 
âé IniíoeeBcfo If, em 1139 ; de Liíeio n, Hú 
1144; de Eògedío I!I; ettrf i48; e, fitiafiméfi- 
te, de Celertinô TV, eirf Í19K. 
* Ibdálf ésias de bulia» fòrám fifréebá^y)^- 
raí que os biápos de Gciâibrã làitáraisÀii 
a sua preza; e quasi 60 annos gastarán^- 
tes em*todã a qualidade de ehk^sas é so- 
pbiÀiÉáè ííará fíâo pefdei-eM* estes reudi- 
utemos; esè â^^fófçà de^bréflla^,' oèiÉsums e 
ameaças^ dè !ávei^cV6^ riéseomo^iiih&BS^ é 
qcie se rèflIgttáràM a lá^g# isiõl 

Alitn de uma pe(j(áena' torre, qâe sè^dlz 
sef obra dosf romanos, maé qúèparèééttMli- 
tò mais mòdèiHá, não existe etíi 6àia (ft^au- 
tiga &de} o mais leve/ veSttgié de «dtlguidã- 
des. 

Aquéila toh^ (a^eíádá) esti na qulrftà de 
Gampò-BèRò, jtiiitoaò monte de Gaia. E* dos 
herdeiros do sr. Álvaro Leite Pereira úq 
KèUo o Atvim, descendentes de D: iBuria 
!^endes Petite, fUndadòra do eonveáfo de 
freiras de VillaNoVa de Gaia. (Vide esta vil- 
la.) 

Era còncellio, que sê supprimiu em £834^ 
annexando-o a Vília Nova de Gaia. 

Gaia é um sitio bdlissímò, situado etn uma 
elevação, com extensas viãt^s para todos os 
lados, e descobrindo-se do O. uma immei]^ 
vastitíSo do Oeieàno; 

Se fòi cidade, hoje nem é vílla. Más nem 
pôr isso deita, de ser uma povoação nofaM- 
'Jiiteiína pela sua muita antiguidade. 



Ifo^ prifte^' d» níaaiiiliJi ckamavâ-se 
«ViUade íhiá*, e desde«|B« D. Aflòoso IS 
ituadbu a aolnal VilUi Nora de Gaia, 9d«^ 
^u chamabde Vilia Velha dé Gaia,' para^m. 
distingtrir 4'aquellai GonI o tempo, e pôr 
abreviatura, se ficou dmibando akniHes* 
m«ftte Gaia; más muitos^ chaáiam oencdb» 
de Gaia ao actoíail dé Vi^ Nora d« Gàíil 

É um bellissimo aggregado dè feMno* 
sàB quintas e boáltos casaíBs, esíidhiid0» 
por toda a serra^ o qoé á' toma defíow* 
ift^e pitieresea. Setts ares ^íò ptaros e sal- 
dáveis. Seria um dos mais bellos passeios^ 
Pútiò, se 08 caáimhcs que para lá eoiida- 
zem não fossem tào mcónmíbdos, por intso^ 
meé 6 tnal construidoSi MeBBto assim amda 
^ bafstáme eoneorridia por i^ate^do Portúu' 

{Vtde Ahcora, rio ^6sia^ Gi^ó, Poifil^ 
Pbtiugai (vaia). Serra do PUar ê Maie^) 

Depois de ter Botteado a horr^ d^ íoa^ 
£tdo#es'qtie dão a Cale, úAnl qo» B^^atí», 
vãíf i^QíMentés cbm aqueMe liamenò, nem 
aquella antiguidade, attribuem a funda^ 
de Galé a ^etkato^ rei de A^ieM^ qu^ vi« 
YlsiiiK^ tempo de Jfoysérf 

A c^lnlão mâíis seguida, iporém, é qpslò- 
radfios gallos^celtas e turdélanos, qiíe ftÉi- 
éarâan€ade^4tíaniiosaiite94e Jeens Gloto* 
to. 

De tudo isto o que ha de^ certo é cpie Ca- 
le é povoação antiquíssima, cUJa ftmdaòio 
se perde' em a mité dos tempos. 

(Para lodo o m^is que dir respeito aOoi^ 
e aqui não vae, vide Gala eTono.) 

GáLBlIbáilia DE^If^ERMQtM i-fregâezi% 
Mibho, oomi«rea e coneéih6 dé Vills JMfh 
de FamaHeSo, 30 kitometros ao N. do Por- 
to, 341 ao N. 4à Lisbo^^ 966 íbgos; 

Em 1757 tUtUa 00 fogos. 

Oràgõ S. Jultãa. 

Arcebispado e dfssríâto áteÈáistrativo de 
Braga. 

O arcebispo apresemafva o' abbade, per 
concurBo. l^nt» de rendimento 600|Ò0O 
réis. 

GAirarfrAIlIO DA SILYA-^freguezia, Mi- 
nho, comarca e concelho de BaroelloSj 365 
líilòmfeÉPGísao N. deliisboâ, 90íogoj5. 

Eriíirârãfiha 60 fogos. 



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C^rafo>S. MíSa. 

Arcebispado t difllriolo adoikii5tntLvo de 
Braga. 

ST tem MtíL 

O deão dá Só de Bi«gtt apreitiitafta 4 vi- 
iBrío, ({«10 tiiitia HW^OOO TéHê di rendltten- 

mje^ se a esfia ir^gttesia, g^ilOMiiie^i 
«rnotuedeSIÍiVâ. 

Gâ&aiinmi£— fl^egueda, Etiremadiltia,! 
edmartia e ç(moetto> de YWa Pi^autá éé Xi- 
ra, e foi até i855 do eofieelbo d'Allilaiidrtt;i 
SO' iáloíBetros ao NB. de Lisboa, 180 fegos. 

Em' i757 tiilba 78 fogos. 

Orago Si lÊtítoB, evaflgdiiitái- 

Patriarcbado e dlttricto administratiTo d» 
Lisboa, 

O povo apresentava o eara^ ^iiie tinha átt 
rendimento 40#O(X^ réis ero pé d*altar. 
t — 

Na aldeia do Katto, doesta fregaezia, nas-* 

eeOya i7 dejatíefréde f73d^dvirffioso;ií[a»' 

, trado e benemérito D. Franciteo Gomes do 

Avellar» filho de pães humildei. Foi da con- 

gltegaçao do Oratório^ de Lisboa 

Visitou Roma e outros paizes. D. Maria I 
, o fez bispo do Algarve^ em 16 dç janeiro de 
1789. 

Bigido, austero e frugal eomsigo mesmo^ 
era bondoso e liberal com os mais. 

Muitos e grandes beneficios lhe deve o 
id^s9B, que aohon assolado pblo terTèmo^ 
lo, com sua» povoações, egneja^^pcinte^MM. 
emruíias; 

O santo prelado tudo via e tudo reme- 
diava. 

Sm poucas leirasd^ta prbvincis dekam 
de haver monumebtorda soa tseueicencia e 
liberalidade* (Grande pâute das obraa deiiti- 
lidadepública que mandòQ eonttruir^ vão 
nas terras onde -ea^tem^) 

Morreu repentinamente e sem moléstia 
tBvítíBà^ aaates era de utna eonstnièçad 
eádia e robusta^ na appare&oia. Conservou^ 
mesmo até á- sua morte, uma prodigiosa for- 
ça^ muscular. 

Falleceu na cidade de Faro, no dia 16 de 
dezembro de 1816, na edade de 78 amios, 
menos um mez (mi^to eerto) tendo gover^ 
nado a sua egreja 27 annos e 11 mecos e^ía- 



GáJi 



4sr 



eifesinas^ lidlia tátnliem^ 00 amíosexaelte 
<dia por dia) quanèo foi leito bisfo. 
Jaa no eameõno chamado-^eemiterfo doe 

bÍS(08« 

Pobre na* vida <e na morte, só èe lhe en- 
eoBlraffam eod cisa mt$erUÊadú$nã90$, reê- 
tetds 10 moed» que poooos dtais anfes-ha* 
via pedido emprestadas. 

I^iâo or mais titíh^ gastado em^ benefeto 
dois seos diocesaaosi 

Todh) o Algarve cteou :SNiceramenie a 
morte d'este glorioso prelado^ eom^a^ds 
uttpae estuemeetdD, o amètnoria dos seua 
benefieios será ettirna na proviada& 

GâLmBlQS -^Dregoezia^ liinhov eomarea 
e*concelbode Ponie do Liffij^ aO kflomems 
ao O.âs Braga^ 365 ao JX. de Liá)oa, 230 
fogos. 

Em 172^ 1inlMt< 148 fiofos^ 

Orago Santa Eufemia. 

Arcebispado de Braga, districto adtnitiis* 
miivodeVíasma. 

É t«rra fértil. 

A femiya Cadheiffos é qob a]^«setílava 
abbade, qóe tiHhá do tèn^ ãSO^ODO réis. 

Estes Càlheiros toem o seu soiar noPa- 
9) vVeUio^ d*estfti fregoesfet. 

Desoenâem de D. Arnaldo de Bayâo^ Ou- 
tros dizem que eUes descendem de Pedfo 
Manins doChactm Gaifaeiros; ma»«ào am- 
igas as coisas; # 

Garcia Lopes de Catheiros (d*esta frague- 
fia) entregou Pente do Lima a Dl João 1, 
que o fez aicaide-móF de Ponte do Lima, 
com or i^guengos doesta villa e do Burral, 
e o senhorio de Santo Estevão, com todos 
os tens movei» e de rai^ qno íoEam de Lo- 
po;GomeB de Llra^ 

Ha> também aqui outra casa antiga da 
mesma Camitiay chamada Cladellas» que foi 
de 0. Itabel de Amorim Càlheiros. 

As armaá dos Galhenros sao — etn campo 
asul, cinco vieiras do prata estendidas do 
preto, e, em chefe, trez estrellas (em facha) 
de 5 pontas cada uma. 

Timbre — dois bordões de prát% emas- 
pa, ferrados de asul, e atados com um tro- 
çai, e no cèntito (por cima) uma das vieiras 
das armas; 

QMJlBiaâ-^BesaBãiica, 5 kUometios 



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18 



CAL 



distante de Castello Melhor. Entre E. e NE. 
já no treino de Almendra; antiga eomarca 
dè Riba Côa, estão as minas da famosa ci- 
dade de Galiabria, (outros também lhe cha- 
mam Calábria, mas é erro), que no tempo 
dos godos foi cidade episc({pal, e nos concí- 
lios de Toledo figuraram seus prelados des- 
de 621 até 693. 

Deixou de ter bispos desde a inrasao dos 
mouros, em 716, e na restauração das Hes- 
panhas passou a sede episcopal para Ciu- 
dad Rodrigo. 

Foi ultimo bispo de Caliabria, segundo a 
tradição, Santo Apolinário, que foi martyri- 
sado pelos árabes» em 716, na freguètia de 
Urros, Traz-os-Montes, e na egreja matriz 
d*esta freguezia está o mausoléo do santo. 
(Vide Urros.) 

Ainda hoje se dá ao sitio que occupava 
a cidade o nome de Caiábre, corrupção de 
Caliabria. 

Pretendem alguns que esta cidade fosse 
no reino de Castella, mas é erro crasso. 

Em uma doação que D. Fernando II de 
Leão fez à Sé de Ciudad Rodrigo em 1171» 
se fez menção expressa de Caliabria, confir- 
mando ser aqui. D*outros mais documentos 
que existem n'aquella Sé se proTa o mes- 
mo. — 

Em um angulo recto que forma a ribei- 
ra de Aguiar, quando se lança de S. a N. 
sobre o rio Douro, se levanta um Íngreme e 
alcantilado monte, em cujo cume se admi- 
ram os notáveis muros que cingiam esta 
nossa velha cidade; os quaes teem 2 metros 
e 20 centímetros de largo, feitos de lousa 
e sem argamassa de qualidade nenhuma. 
Não tem fossos, torres ou baluartes, e é de 
forma circular esta ch*cumvallação. Todo o 
seu âmbito é um campo cultivado, que leva 
uns 40 alqueires de semeadura. A actual 
altura da muralha varia entre 1 metro, e 70 
centímetros. 

Este sitio é falto de aguas nativas, pelo 
que a tinham em cisternas, e ainda se vêem 
as ruinas de pequenas povoações» alberga- 
rias e casaes. 

Em 1767 se achavam aqui 3 sepulturas 
feitas de grandes e finos tijolos, contendo 
ossadas de individues de 10 até ii palmos 



CAL 

de altura, com inscrípções que fonon des- 
truídas. Pareciam romanas. 

A 2 kilometros e meio da foz do Aguiar, 
e mesmo junto ao angulo que formam o 
Douro e, o Águeda, ha um descampado, cha- 
mado Aldeia Nova, que é tradição ter sido 
antigamente uma grande povoação. As gran- 
des escavações e pedregulhaes immensQs 
que alli ha, provam que houve B*B9te sitio 
grande fabrica da metaes, que os romanos 
aqui mesmo fundiam. 

Ha aqui a antiga capdla do Santo Chris- 
to, e n*ella uma lapide na* esquina do lado 
direito, da parte exterior, que diz: 

MODESTVS AVIRATI P. C.« 

BEL. AN. LX. COIINIUA. 

CRKSVUA. AX. L. H. S. S. S. 

V. T. 2g. avimivs Mons- 

8TINVS. PATRI. FIRMVS 
MODESTI. LIB. PATRO. 

Por esta lapide consta que : 

Modesto, filho de Avirato, terminada a 
guerra, em que havia militado, faUeeeu, de 
60 annos de edade, e aqui foi sepultado com 
sua mulher, Cornélia Censulia, que morreu 
de 60 annos; e que Caio Avimio Uodestino e 
Firmo, liberto de Modesto, poseram esta me» 
moria, o primeiro aseus pães eo segundo a 
seus patronos. 

Alguns dizem que era aqui a cidade ro- 
mana de Ravenna, mas, segundo já disse, 
ha provas incontestáveis de que era Calia- 
bria. 

Foi arrazada pelos árabes, quando inva- 
diram a Luzitania em 716. 

Supponho que o primeiro nome d'esta ci- 
dade era Caliabriga, depois Caliàbrica, e 
por corrupção finalmente Caliabria. 

CALLB— Vide Cale. 

GALVÃO— freguezia, Traz-os-Montes^ co- 
marca e concelho de Chaves. Foi até ÍBS^ 
do concelho de Ervedédo, 72 kilometros a 
NE. de Draga, 420 ao N. de Lisboa, i90 fo- 
gos. 

Em 1757 tinha 92 fogos. 

Orago Santa Maria, ou Nossa Senhora da 
Assumpção. 



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CAL 

'. Areebisf^ado âe Braga^ distrleU^admials- 
trativo de Vitta Rcri. 

O arcebispo apresentava o ^rifavte, <tiM ti- 
nha de renda 160^00 réis. - 

íí- terra fertil. ^; 

CALVELHE— fregaezia, Traz-os-MonteÉ, 
eomarea e concelho de Bragança. Foiité 
1855 da comarca de Chaeim; condelb» de 
Isédo, 40 kilometros áe Mkanda^ 480 ao N. 
deLMboa, t6 fogos. 

£n} 1757 tinfca 67 iégos. 

Orago S. Justo. ^' 

Bispado e ^ disUicto admihistratiYO de 
DuagaAça. 

IÀ;intJgainente tinha sídoda comarca. de 
BingaDfQ, p«ra onde tòmoa. . 

O reitor de Isáda apresentavar ktpoA o cn»- 
TSii qm» tinha 49t alqadros de>pio, t> almii^ 
dM dei vinho e 8yUM)0 yéi& 

É tema fértil. 
' Passani por esta fnègaezia duas liMuas 
anonymas. Na que fica aE., nosMSodo 8iiiii> 
jwòi&o^ba Tèstigios idq uma iértálepa/^na 
qnal se léeni achado instrumentos dé^femov 
CQja affiicação se deAsonhecié faidje;> 
í: Nas margètas da outraí nb^fpa.ha lambéni 
lirilligios de outra ftirtáleca: :dQ ecas rento^ 
tasi- '■ • ■ • {- .': ■ t':-. 

OALfEbLO-^freguezia^ HtÉlio, coonarea 
«concelho de PoMle do Lima, ddiilomâréfc 
a a de BragB^375 ao N. de ysbom iSd fo^ 
*o». ' . , 

•oBm 1757 tinha ii5 fogos. 

i Orago ^. Pedrou ' ^ :> 

-> Arcebispado de* Braga, districloa4«iinlt<» 

trati^o áe Vianna. ! . i 

Era antigamente- da comarca de> Vfanift% 
eóneelho de Albergaria de Penella* ^ ^ 

É terra fértil. i mI' ' ' 

'SiiiMdà em ^m TaU^ «a raiz d^ moiltéide 
deS.^ríà?íèio.:- i •!• . s '-rní •■:'. 

A egreja matriz ó nraito antiga, e foi con- 
vento de frades béitediotinofi/doJfuáFainda 
hn^vestigios. . - /. . i m ;• = ' 

- O reitor, antes de iS34,^era(éiÍo pé^ éêú- 
curso synodal, apresentado pelo ordinaMòi 
e^tíiiha de- renda 4S5WÔ0 féis." " J í '^ 
• Dizeti a%an8 que houve aqái tiraf èòtf*«*^ 
to de- tomphríos, mas jolgè séi» étttóulo. Ò 
que é certo é ser um antigo, mkê^fe^piíetà 

VOLUMBU 



CAL 



19 



nnosteir» de frades bentos suppríaido na 
úm á9 secQlo XY, passando para abbadia 
secular, commenda da Ordem de Cbfisii^ 
•coiaBi W annexa^ Prístellas. 

Foi a^i abb^e^ Gonçalo Dias de Barros^ 
da éasa de Barros^ que era senhora da hdá^ 
ra de Babbo. Este abbade julgo que foi ca» 
sado antes de ser padre, pelo menos teve 
muitos filhos; é seu descendente o célebre 
Mstoríador portuguai, loio de Banhas, au* 
ctor das Décadas da índia. 

Ha mais n'èdta freguezia a casado Ifenes- 
se, solar dos Regos, que procedem de Mem 
de Gondar, fidalgo astnriano, e de sua mnr 
lherD;6oda. 

' ^tSmMem velo para Portuga! em^ 1093, 
oom^o* conde D. Henrique. É d*esta fetmiltá 
António Pereira do Rego, auctor do celebra 
tratado de cavallaria e alveitaria (veterlna^ 
ria) ainda hefe^ muito consultado. 

Na aldeia de Gadem ostá uma torre per- 
lehceaié ao nfcórgadò de Parto Supposlo, â 
qufil^' pagam fóvos de diversos casaes. 

N*esta torre viveramf os fídal(toe de Penib> 
iá, senhores d'estie concelho* 

>Nrft)esniaa)deia existem ruihas deumâ 
íbnlAca^ antiga, com covas e estradaa 
cobelrtas. ' 

-' ftó alto do monte está a anliqtilkshnaea^ 
peHa de S: Verisi^imo e suas irmis, Santa 
Haxiinna e Safytá Jnlia, naturaes de Li^oa^ 
onde foram ihartyrisadas, pelos annos éè 
96<>, íttíperando^ Diocleciano, e séiido eoni- 
sul das Hespanhas o sanguinário Dtacianot 

A rainha D. Mafalda, muOiér de D. Af- 
íbnèo Henriques, dena^sta dapella varioá 
casaes,<B^ai t^ndas^Sfirí todas se perderaiá 
ha muitos annos, provavelmente pòr incú- 
ria dos mordomos. ** ' 
^'Ha tnais ení Portugal if aldeias chaiha* 
das Calvêllo e Calvéllos, que não teem na^ 
da de liétlivel, jpor i^so^^^áâ rãó déseréVo; 

CALVOS^ freguesia, Mítih^, comarca e 
eOhceftfO d^ OlifmàrSes, 24 kilometrbs ao 
NÉ; dè' Braga, 360 ao N. àeLisbba, 80 foffo^. 

íBhi I7tminhft 63 fogo^. ' '• J 

^ Ofeígô S. Lourenço. ' ' 

Arcébi^paáo e districto adhiinistralívo'^ 
Bràgtt/ ■ •"• ■' 

A freiras franciscanas,* do èíorivenlo*dc^ 

4 



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50 



C^ 



Remédios de Braga, apresentavam o rigario, 
qae tinlia de renda 40jt0Q0 réb e o pé^ de 
alur. 

CALVOS (S. Gens de)-^fregaeaa^MUi^ 
comarca e concelho da Pávoa de Lanhoso, 
30 kilometros a NE. de Braga, 360 ao N. de 
Lisboa, i20 fogos. 

Em i757 Unha 115 fogos. 

Orago S. Gens. 
^ Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

Era do arcediagado de Fonte-Arcada. 

Antigamente pertencia a dois concelhos, 
Lanhoso e Ribeira de Soaz. 

Sitoada em um valle bonito e fértil. 

O arcebispo de Braga e o arcediago de Fpn- 
te Arcada, apresentavam aqui simuUanea- 
mente o abbade, que tinha de renda 260M0Q 
féis. . 

Passa aqui o ribeiro de Pwrto.de Garro, 
4|ae rega, móe e traz peixe. 

Ha mais em Portugal 16 aldeias chamadas 
Calvos, nenhuma das qiaes menciono, por 
aao ter nada notável. 

GlMARANGBiO--portuguez antigo, obra 
trançada das fortificações; antigas, «spíQcie 
de cmbêllo. Hoje dà-se o nome 4e tarammt 
€hõo (e não camaranchão) à armação de.TÍ* 
pas, em forma de capélIoi(eu pyranúdal) pa- 
ra sustentar as parreiras, ou nutras quaes- 
quer plantas. Também sigoiôca eirado ou 
miradouro, coberto de trepadeiras, opde se 
está ao abrigo do sol Também se diz carar 
manchei - . 

CAMARATE— -freguesia, Extremadura, 
termo, comarca e 8 kilometros ao Nitde Lis» 
lM>a, concelho dos Olivaes,: 140 fogos. 
. ]^ 1757 tinha 230 fogos. 

Orago S. Thiago, apostolo. : « : 

Patriarchado e districto administrativo;de 
Uaboa. , . 

É da casa de Bragança e foi couUk ' 

Situada em terreno accideiitadp; 
. A matriz principiou por uma capetta fun^ 
dada no século XIV.Lançou-lhe a primeira 
pedra o bispo de Lisbpa, D. Agapito <^«»Ioiui, 
natural de Roma, que governou a egreja 
Idysstponense desde 1371 até 1380. Foi re- 
construída e augmentada em 1511, quando 
9 ^evou a matriz. 



JGAM 

OsJfiregQete»4 que aaitigamenta apresen* 
tavam o cura, que tinha lOOJOOO réis. 

Esla Cregufizia foi desmembrada, da de Sa- 
cavém, em 1511. 

Teve uma albergaria para passageiros po» 
bres. 

É terra fértil e abundante de bom vinho,, 
chamado (io termo. 

Tinha juiz ordinário, fdto a votos do po«* 
vo e confirmado pela camará de Lisboa, t> 
qual era sujeito ao corregedor do bairro da 
Castello. 

Entre muitas cousas que D. João I deu ao 
fomosissimo condestavel D. Nuno Alvares 
Peneira, foi uma d*ella9, uma grande quinta 
em Camarate, oode.IX Nuno te uma capela 
la dedieadar a Nossa Senhora do Socconro. 
Depdis; o mesmo condestavel» deu esta quiii«> 
ta aos firades carmelitas calçados, de Lisboa, 
que n*ella (lindaram um oonventoidaáua 
OJDdem, em 1602, da invocação de Nossa Se- 
tthora doSoocorro. 

< A quinta foi do-opUlento judeu, David Né* 
gro, almoxarife das alfandegas do reino, em 
tempo de d: Femantib, e seu privada e da 
ffaiáha IX Leonor. Por morte do rei, seguia 
0'jttde&as partes de D. João I, de €asteil% 
pelo que D. João I, de Portugal, lhe mandaa 
confiscar tudo, dando então estaiquiatà a 
D. Nuno» que aqui vinha awitas vezes e zqaà 
viveu alguns asnos, com sua nãe, Eyria 
Gonçalves. Sabemos que o santo condestavel 
morreu nos hábitos de religioso do conven* 
to do Carmo, de Lisboa. Foi. lá que «lie deu 
esta. quinta aos firades. Até 1608 foi vigaria- 
ria, ou hospício, e desde então passou a ser 
coavenio, "com iseu prior. 

O edificiOwe cerca foram vendidos peio 
governo em 1835. . t r 

Dizem que a agua da fonte do Orelhado 
sara toda a chaga e moléstia do figado»^: 

\N'estar^inta, antes de ser mosteiro, ha- 
bitou D. Eyria (Iria) Gonçalves do Carva-^ 
IhaJ, mãe 4o condestavel a qual aqui mor- 
rea-'f«.r.- . 

D. Francisco deCastelloBrancovem^uni'^ 
p^rimento 4o testamento de sua tia, D. Vio- 
lante Eugenia, tomou conta da capella-mór, 
4aa4o-l^d bO^ rendas^ 



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GâM 

ITesla eonvento residiu (no tempo de D. 
João ni) D. Fr. Balthazar Limpo, pregador 
da capella real e ooníès^r da rainha D.€a- 
tharina. Foi 13 annos reformador da ordem, 
13 annos bispo do Porto, onde te o e6ro da 
Sé. Em 1545 foi ao concilio de Trento;; Em 
1550, foi foito arcebispo de Braga, onde 
morreu em 1558. Era íiiho de Luiz Limpo 
6 Ignez da Rocha. Tinha nascido na villa de 
Moura no anno de U78. 

A egreja parochial foi fandada pelos ân- 
uos de 1370; mas só foi elevada a matriz 
em 1511, quando se criou esta ft^goezia. 

CAMARlOO — grande pinhal -da.na^, 
(era doinfantadô) fóra das Portas 'de Yian- 
na, na villa de Caminha, provinda do Jáinho, 
105 Jdlometros ao N. do Porto, 417 ao Ni de 
Lisboa. É no litoral. Oeeupa todo o 'espago 
«totre a estrada de Lisboa e amar. Foi man- 
dado semear por D. DUáz^ em 1294. Vide 
Caminha. ^ 

CAMBAR — portuguez antigo^ troçai; cam- ' 
Inar, escambar. i ! 

CAMBAS-^ fireguezia da Beira Baiiía^iH)- 
aarca da Certa, concelho de Oleiros,^ 90 ki<- 
lometros ao O. da Guarda, 240 ao PiB. de 
Lisboa, 95 fogosk : f, ^ ! 

Bm 1757 tinha B7 fogoa 
i Orago a. Jmo Baptista. : 

Bispado da <yuarda, distrido administrar 
lívo de Castello Branco. 

Era antigamente da comarca da Goaida, 
4ermo da Covilhã. 

Era-da coroa. FertU» 

Situada em uma' baixa, oereada: de. iQon- 
fes, junto ao rio Zéiere. i; . t 
- Era do padroado real, e o prior (que o 
rei apresentava) tinha do renda 3On(0OO 
réis. í- i 

É 5 regada. pelas ríbeiw de,Çam|)as, ou 
4e VUlar^ e a do Orvalho^ que ^*esta opies- 
ma freguesia se Juntam cpm o Zéiere. á. 

Camba signiQca— moin|io pequeno, moili* 
nheiFa, mqinho de mão, picarneL Também 
86 chama camba^ ^ poças das rodas dos 
earroa que unem ao meiúi 

CAMBAS— freguezia, Alemtejo, comarca- 
e concelho de Mertola, 108 kilometros ao O 
4*£vora, 180 ao 3* de Lifboa, 500 fogosa 



GAM 



5i 



Em 1757 tinha 89 fogos. 

Orago Sant*Anna. 

Bispado e districto administrativo de Beja. 

Era antigamente da comarca de Campo 
de Ourique, termo de Mértoia. 

Era da coroa. 

O bispo de Beja apresentava o cura, que 
tinha de renda IBO alqueires de trigo e 60 
de cevada. 

Situada em montes e compõe-se apenas 
de duas grandes aldeias (Cambas e Marian- 
nes.) 

Abundante de trigo e centeio, do mais 
líoueo. 

Cria muito gado nos pastos communs, 
por^guezes 6 castelhanos. 

Ao E., passa o rio Sancha, a distancia de 
3 kilometros, rega e móe. Desagua na di- 
reita dô Guadiana. 

. A mesma etymologia. 
hGAMBEZES— freguezia, Minho, comarca 
eeonpelho deifonção, 60 kilometros a N(X 
deiBraga» 420 ao N. de Lisboa, 90 fogos. , 

Em 1757 tinha 130 fogos. 

Orago o Salvador. 
• ^^Arcebispiado do Braga, districto adminis- 
trativo, de Vianna* 

^ ! Antigamente era do termo de Hongao, 
mas da comarca de Vallença^ 

Ha n*esta freguezia uma caverna circular, 
pela qual só de rastos se pôde entrar, d'ahi 
a alguns passos, está :iuna sala e n'ella uma 
escada der pedra, que ninguém sabe onde 
vaeter, porque a certa distancia se apagam 
as luzes, por causa da densidade do ar. At- 
tribue-se a factura d*esta caverna aos celtas. 

E* n*esta freguezia a nobre e antiga casa 
do &$pegal,d*onde procedem os Pereiras, 
d'esta ribeira e de outra» partes.. E\d'estes 
P(»reJk^ ar formosa e vasta capella de Nossa 
Senhora dos MiJiagrQS. . 

Descendem de AOqasq Pereira do Lago, 
vedor da fazenda, da provinda do Minho, 
em tempo de D. Mkmo Y. 

Os Alpoins, de Braga, apresentavam aqui 
p vigário (que era collado). Tinha 8^000 
jféis, cera, vinho e hóstias para as missas 
conventuaes, e o pé d'altar. 

O Portugal ^acro e Profano diz que o ab- 
bade de Cambezes (a freguezia seguinte) é 



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52 



GAM 



CAM 



que apresentava o cara, que tinha 4(W)00 
réis. 

É fértil. 

Cambezes, quer dizer, terra ^Mlcambas, 
Vide esla palavra. 

GÂMBEZES— villa, Minho, comarca 6 con- 
celho de Barcellos, 18 kilometros ao O. de 
firaga, 360 ao N. de Lisboa^ 15^ fogos. 

Em 1757 tinha 115 fogos. 

Orago S. Tbiago, apostolo. 

Arcebispado e distríetò administrativio de 
Braga. 

E* fértil. 

Era antigamente visita áo deào da Sé dç 
Braga. 

O cónego fabiiqueiro da mesma Sé, apre* 
dentava aqui o vigário, que tinha ^JtKX) 
Téis. 

Era couto privilegiado de Nossa Senhora 
da Sé, de Braga. Tinha juiz ordinário e ca- 
4nára, feitos a votos des moradores e confir- 
mados pelo deào da Sé de Braga, que era \ 
ouvidor doeste couto. Goízava á í^egiHS^ os 
taes privilégios, |W)rír-«in;va>^>* aSádeSra- 
Çfiy todos os sabbados. 

Estes privilégios deu D. Sancho li e aí se* 
nhora D. Thereza a D. Pellagio Ramires. - 

Tinha alcaide^mór, que recebia a quarta 
parte dos dízimos. ; ' ' • i 

. Passa aqui o rio Este. f 

A mesma etymologla. 

€AMB£Z£S DO RI€--fr6gaezía, Traz-os- 
Hfontes, comi^ca e concelho dd Montalegre, 
54 kilometros a NEi de Braga, 414 aoN. de 
Lisboa/W fogos. 

Em 1757 tlnfha KK5 togOB- ' • 

Orago S. Mamede. > ^ * 

Arcebispado de Bftiga, dísirícito aâi(ninib-> 
ttativo de Víllà Real. 

Era antigamente do termo de MontMegre; 
mas da comarca de Ghavesí.'* -. 

Tèm só duas aldefás (Cambezes e Pra- 
úes.J l ■:.:'■ 1 ■! / 

Situada em uma elevação; ^'onde se vêem 
varias povoações. ' 

É da casa de Bragança, qtté apresentava 
aqui o abbade, o qual linha SOOjíOOOréis de 
renda. - 

É terra muito fria e pouco fértil. ' 

Suas aguas sao muito Insalubres, o que 



tudo tem concorrido para a diminuiçlá da 
população. 

Faesa aqui o rio MdHalegre. 

A mesma iatymologia. 

CAiiBRA^(YideMadeihi 4e Gambvi.) 

CAMBRA -«-rio, que rega o valle deC^un- 
brsL (Douro) concelho. de Oliveira de Aâl^ 
méis, e no mesmo vaile seguinte ao CainaL 
(Vide Caíma.) 

CAMBRA— freguezia^ Beira^Alta, comat^ 
ca e concelho de Youzella, 24 kilometros ao 
N. de Vizes, 375 ao Ni âeiiisboa. 360 fo- 
gos. ' 

Em Í7S7 tinha 900 fogos. 

Draga S. Julíàq. 
. Bièpáde e distrioto administrativa^ óm 
Viseà. 

Bra antigamente do termo de YouséUa, e 
<la comarca de Viseu, concelho de LaíSes. 

O rei' apresentava o vigário, que tinha te 
rendiníiento 70^^)00 tréis^ e o pé de altar. 

Situada em um valle entre montes. 

É do padroadeí real. 

É terra fértil. » • 

TMti duas feiras, uma^na terd<tlta4l£iva 
do Espirito Santo, e* outra em dia de S. Sil* 
•vestfeC ■■•" . '.:.:.\» .• 

Passa aqui o rio Alfusqueiro. 

Era do concelho de Oliveira^dè Praies^ 
comarca de Vouzella, e em outbbro de i87i 
passoíti-a ser do concelho e comarca deVbu- 
zella. * ■'■•^i- . íi . 

GAMBHES^tkiegueiia, Beira- Aha^ comar- 
ca, concelho e 3 kilometros ao NO. de La- 
mego, 330 ao N. de Liàbóà, 820fogos. ^ 

Ehl'Í7»7 tittha 3ÍO'fogos. 

Orago S. Martinho, bispo. 

Bispado^ de Lamego e diMirteto admltiis« 
iratív^ de Vizèu. ' 

Era do padroado real. 

O vigário ^inha 4Ói90eO réis. Tinha dois 
curbs è dois bef^eiiciadòs, oíí curas 'tiáhaiu 
eOjíOOO téis, com 0^ pé ée altar, os benefi- 
dâdos 4OÍÍS00O réis cada utti. 

Muito é optitíiò viuho; do m»l« fertik 

O Douro passa spelá extremidade N. da 
freguezia, ficando esla eríl frente da Rô- 
■gua.^ ■ -'■■''■ ■ '■■ ' '■'"" ' '■' 

É uma bonitia fire^uezía, fnuito povoada e 
toda cultivada. Nà mafgem do Douro, tem 



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CAM 

muitas e bellas ^ninias, sendo as prínctpaes 
as seguintes : Pacheea, Tooraes^ Calçaci, Car- 
neiro, Varaes, etc^ etc 

É dentro da demarcação da antiga Com» 
pofuihia do$ Vinhos. 

Produz annuaiinénte, termo médio, 2:500 
pipas de vinbo de embarque. 

É abundantíssima de cereaes, legumes e 
bortalíças, e as suas í^octas são em grande 
quantidade, muito variadas e de boa quali- 
dade. 

Ha n*esta íreguezia uma casa notável pe- 
la sua grandeza e peio seu loeal. É ai Casa 
da Corredoura, com grande quinta ajardi- 
nada, contigua. É dos srs. Perfeitos, 

Óptima egreja matriz. Faz-se n'ella an- 
ni]|almente a romaria do Senhor dos AlQi- 
ctos, que é talvez a mais concorrida d'ambas 
as margens do Douro. 

O povo d'aqui, é appareniemente trata- 
vel) vivendo (como vive) em contacto com 
Lamego, Régua, Villa-Real, Porto ele. ; mas, 
pela roais leve desintelligeneia, se assassi- 
nam uns aos outros, sem ceremonia. 

fla annos que tem havido i8 e mais as^ 
sassinalosl 

Não ha talvez em todi) o reino, freguezia 
onde se encontrem tantas cruses, commemo- 
nndo húmicidios. Só na estrada da Barca 
do Carvalho para Lamego, se vêem nove, 
«ocon(randO'Se só em um angulo da estra- 
da (em Felgueiras) trcs; mas algumas d*el- 
4as, marcam varias nsortcs que aqui se teem 
feito. 

De todas as aldeias d*esta freguezia, a 
mais tristemente célebre é Portéllo, que aliás 
é das mais bonitas povoações da freguezia, 
« atravessada pela estrada nova de mac- 
adam, que liga a Régua com Lamego. 

O porco dó /isco. 

Jtínto á cidade dé Lamego, o no dia de 
Santo Estevão, era muito celebrado o gran- 
de párào do fisco, que dos 13 casaes do logar 
de Portéllo, d*esta freguezia, se pagava an- 
nualmente ao mosteiro de Salzédas. De to- 
dos quantos os taes frades recebiam, este 
era sempre o maior. 

Fazia-se aqui n^ésse dia (26 de dezembro) 
mna feica de porcos; vinha > ella o proca- 



cm 



91 



rador do mosteiro (que era mesmo um fira* 
de) e escolhia na leira o melhor porco quQ 
via, e os povos o pagavam pelo preço que o 
dono do porco muito bem queria, e lá ia pa- 
ra Salzédas. 

Este fòro do porco era na sua instituição 
pago ao rei (e por isso se chamava do fi^co) 
mas D. Afifonso I deu ao mosteiro de Salzé- 
das, em attenção a D. Thereza AÍTonso (4.* 
mulher de D. Egas Moniz) todos os direitos 
reaes, e portanto o porco de Porlélio e ou- 
tros mais togares. 

Fisco é pois o direito ou tributo que se 
paga á fazenda real. (Hoje diz-se á fazenda 
publica, e é mais bonito.) 

Em 1163, Pedro Viegas, anctonsado por 
D. AÍTonso I, vendeu á tal D. Thereza AÍTon- 
so^ por 480 moralntinos (maravidins) tudo 
quanto linha nos territórios de Lamego e 
Ermamar (Armamar) que era em Queima- 
da, Figueira, Portéllo, Quintião, Bouzonas, 
Peneilas, Moimenta, Haguéja, Candédo (abai- 
xo do monte de Galafúra) Yalle do Conde e 
Lamaçaes, aguas vertentes para o Douro. 

Em 1165, Munio Sandinio, parocho d'A|- 
macàve, com seus freguezes, venderam va- 
rias fazendais^ em Mosteiro, d'esla freguezia, 
ao mosteiro de S. João de Tarouca, por 3 
mauros para elles e 6 ^m o senhor da ter- 
ra. Uns dizem que estes mauros eram escra* 
vos mouros; outros pretendem que sejam 
morabitinos ou maravidis mouriscos. É mais 
provável que seja isto. 

Supponho que os maravidis é moeda africa- 
na, talvez cunhada pelos marabetins, ou fno- 
rabeiinos, povos da Arábia, da seita de AH 
(genro de Mafoma) opposta á de Ornar; os 
quaes vieram para a Africa, em companhia 
de ÂbU'Jauar, fundador da sua seita, pelos 
annos 40 da Egyra, ou 662 de Jesus Chris- 
to, e d*alli passaram para a He.«panha, seus 
descendentes, no século YIIL 

Dos árabes adoptaram os portuguezes esta 
qualidade de moeda, mandando-a cunhar 
com o mesmo nome. 

Alguns pretendem que esta moeda, sim 
era originariamente mourisca, mas que ti- 
nha outro nome, e que o de maravedi, oa 
maravedim, que nós lhe dêmos, vem de mau- 
ro butm, que quer dizer, despojo dos «umroi. 



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u 



CAM 



É ôrro crasso, commettido pelo simples 
desejo de arraDJar etymologias. Na palavra 
maravedi serei mais extenso. 

O bispo de Lamego, doou ao convento de 
Tarouca, os dízimos da Bugalheira, por con- 
sentimento dos flreguezes de Cambres, em 
1217. 

GAMINHA—villa, Minho, comarca e 18 
kilomelros a ONO. de Vianna, 54 a O. de 
Braga, 8 a O. de Villa Nova da Cerveira, 25 
a O. de Vallença, 105 ao NNO. do Porto, 
417 ao N. de Lisboa, 450 fogos, 1:800 al- 
mas. 

No concelho, 2:400 fogos. 

Em 1660, tinha a villa 500 fogos, e em 
1757, apenas 135. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Yianna. 

Em 41° 52* de latitude N. e 20* de longi- 
tude Occidental. 

A 1:500 metros da foz do rio Minho, e so- 
bre a margem esquerda d*elle e a confluen- 
te do Coura com o Minho, fícando-lhe este 
ao N. e aquelle a N. e NE., banhando -lhe 
ambos as suas muralhas. 

Também é sobre a margem ^querda do 
Coura. 

A casa do infantado apresentava o reitor, 
que tinha de renda llOJiOOO réis e o pé de 
altar. 

É provável que os phenicios, ou os car* 
thaginezes (que vieram depois d'elles) fundas- 
i9em aqui alguma povoação ou estabeleci- 
mento, visto a importância d'esta posição; 
mas não ha d*isso vestigios nem memorias. 

.0 que é incontestável é que estes sitios 
foram habitados pelos celtas, pois d'eUes ha 
monumentos. Eu vi na freguezia de MoUé- 
do, do concelho e 1 kilometro ao S. de Ca- 
minha, cams (a que os d*alli chamam cerra- 
dos dos mouros) e etn Gontinhães, freguezia do 
mesmo concelho, a confinar com o Mollédo, 
um dolmen, perfeitamente bem conservado. 
(Vide Gontinhães e Ancora.) 

É certíssimamente povoação romana; tnas 
não pude saber o nome que os romanos lhe 
deram. 

Na divisão dos condados de Entre D^uro 
e Minho, feita por D. Fernando de Leão em 



CAL 

1026, se lhe dâ o nome de Cabeça do Mi- 
nho. (Vide Britonia do Lima.) 

Foi esta villa uma praça d'annas impor- 
tanti6sima da edade média e o continuoa a 
ser até ao fim do século passado. Era defen- 
dida por três ordens de muralhas. 

A 1.*, foi construída petos romanos. Era 
tudo ;de cantaria. Tinha iO torres e 4 por- 
tas, que são, a da Villa, que é uma alta tor- 
re, onde está o relógio; a do Sol; a Porta 
Nova e a do marquez. Ainda existe grande 
parte d'esias muralhas, a tal torre do reló- 
gio e a casa da camará, tudo obra dos ro- 
manos e [em tão perfeito estado de conser- 
vação, que surprehende. 

A 2.* circumvalação é obra de D. Diniz^ 
no fim do século XIII, era onde hoje é a roa 
da^Misericordia. Tinha uma só porta, que 6 
a de Vianna (ao S.) e um postigo, que vae 
dar ao rio Minho. 

A 3.* fortificação e circumvalação é obra 
de D. João ly e de seu filho, D. Monso YL 

É feita de alvenaria, com cava (ou fosso) 
e contra-escarpa. Tinha 6 portas, que são: 
Porta Nova, de Santo António, daCorredou- 
ra. Falsa, do Cães (ou do Vau) e a do As- 
sougue. 

Esta ultima circumvalação era muito mais 
ampla e comprehende no seu âmbito qa3â 
toda a villa. 

Todas estas obras de defeza estão em com- 
pleto abandono e em grande parte arruina- 
das. As mais bem conservadas (como já dis- 
se) são as mais antigas! 

Fora das Portas de Vianna principia o pi- 
nhal do Camarido, da nação (vide Camarí- 
do.) 

Tem, na rua da Misericórdia, um convenlD 
(ainda habitado) de freiras fransciseanas, 
fundado por André de Noronha, bispo de 
Portalegre, em 1561. 

Este convento é da invocação de Nossa 
Senhora da Misericórdia. 

O bispo fundador, tinha sido abbade da 
freguezia de Caminha. 

Tinha também um convento de frades ca- 
puchos, fundado por D. Miguel de Meneies; 
marquez de Villa Real, e pae do primeiro 
duque de Caminha, em 1618. (Ambos mor- 
reram degolados por traidores á pátria, na 



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CÁlf) 

prata do Rodo de Lisboa, a 29 de agoêto 
de i64i.) 

Caminha foi cabeça de dueado, até q&e, 
em i641, se descobria uma rasta eoiiBpira« 
ção, cujos conjurados tinham por fim as- 
sassinar D. João ly e toda a família real, e 
entregarem o reino aos castelhanos. 

Os principaes traidores eram o arcebispo 
de Braga; o inquisidor geral; D. Miguel de 
Menezes, filho do marquee de Yilia Real e du- 
que de Coimbra; o marqaez de VillaReal 
<de qeu já fallei) o conde d*Annamar; D. 
Agostinho Manuel de Yasconcellos e^outroi. 

O arcebispo^ morreu na prisão; o inquisi- 
dor-geral, esteve muitos annos pr6$o, sendo 
por fim perdoado; os quatro seculares^ mor- 
reram degolados, no Rocio de Lisboa, a 29 
d*agosto de i64i. Foi então supprímido o du- 
cado de Caminha. 

D. Affonso Y, fez conde de Caminha a Pe- 
dro Alvareà de Sottomaior, visconde de Tuy 
(gallego) ao serviço de Portugal, e seus des^ 
cendentes foram alcaides mores de Caminha. 
Phillippe lY fez duque de Caminha, a D. Mi- 
guel de Menezes, primogénito do marquez 
de Yiila Real. Yide adiante. 

Para a geneologia dos duques de Cami- 
nha, vide Guarda, artigo Barbadão. 

Um illustre cavalleiro gallego cujo nome 
se ingnora, de appellido Cannnio (por ser 
senhor da Casa do Caminho,) reedificou e 
povoou esta villa, pelos annos 950 de lesus 
€hristo, dando-lhe o seu nome. 

É preciso notar que a palavra gallego, não 
quer dizer que o individuo fosse natural da 
actual Galliza. Já tenho dito e repetido que 
a antiga Galliza comprehendia então toda a 
nossaactual província do Minho eparte dado 
Douro da margem direita d'este rio para o N. 

Sirva isto de regra para quando aqui fal- 
lar dos antigos gaUegos. 

Depois se destruiu, em grande parte eom 
guerras continuas d^aquelies infelizes tem- 
pos e a reedificou e povoou de novo, dan- 
do^he o titulo de ;nlla, Tk AfEanso III, em 
1265. 

D. Diniz^ a augmentou, fazendo^lhe novas 
e mais amplas fortificações, «m ÍS84, dana- 
do lhe, a 24 de julho desse mesmo anuo, fo- 



CAM 



55 



ral, eom todos os privilégios do de Yallen* 
ça. D. Manuel lhe deu foral novo, em Lisboa^ 
no primeiro de junho de 1511 

Entre os muitos privilégios concedidos 
pelos seus foraes a esta villa, era um d'elles 
ser Caminha— rotUo do reino — isto é-HM)U- 
to d*homisiados : podendo para aqui vir mo* 
rar qualquer malfeitor, sem receio da jus- 
tiça nem do castigo. 

Todos estes coutos do reino foram extin<^ 
etoS' pela lei de 1790; mas ficaram as car* 
tas de seguro, que ainda eram peores. Yide 
Couto. 

Tinha voto em cortes, com assento no 
banco 13.o (3.* logar da direita.) 

Junto á Torre do Marquez, houve antiga- 
mente um grande cães, onde carregavam à 
descarregavam navios de muito maior lote 
do que os que hoje podem entrar a barra; 
mas as areias foram cobrindo este cães, até 
ficar completamente enterrado. 

Ha mais de 2G0 annos (ine esta porta sa 
tapou, por inútil. 

Chamava-se do Marquez, porque junto 
d*ella havia um palácio dos marquezes dè 
YillaReal. 

D. AÍTonso Y, fez d*aqui conde a D. Pe- 
dro Alvares Sotto-Maior. Philippe II, fez d'a- 
qui duque a D. Miguel de Menezes, marques 
dè Yilla Real, e Philippe 1 Y, (depois de de- 
golado D. Miguel de Menezes, por traidor» 
em 1641) fez d*aqui duqueza, D. Maria Bea- 
triz de Menezes e Noronha, condessa deMe- 
delim (Hespanha) casada com D. Pedro Por- 
to Carreiro, 8." condetde Medelim. D. Maria 
Beatriz era irman do ultimo duque de Ca- 
minha, Philippe lY, lhe deu este ducado m- 
perpetuum (í) em sua família, isto em i64i 
(ainda velo a tempo)) e de mais a mais as 
honras de grande de Hespanha. 

Tem por armas, em escudo branco, um 
castello d*ouro, com três torres, sobre o mar 
d^ondas verdes. 

A egreja matriz da villa, é o mais bello 
templo d'archltectura gothica das provincns 
do norte ; lançou-se-lhe a primeira pedra no 
dia 4 d^abril de i4S8, reinando D. João IL 

Foi principiada â custa da camará • e<nà 



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56 



GAM 



^amolas do povo da vHla ; mas esUmdo as 
obras irmito atrazadas quando D. Manuelsa* 
biu ao throno, este rei, contribuiu nmilo, 
eom grandes esmolas, para a sua oonelusio, 
que teve logar em 1500. 

É este templo todo de robusta cantaria, 
t t<»ido a porta principal e travessa, janel^ 
las, cimalha e torres ornadas d« muiias es* 
cuipturas e arabescos. 

Tem:uma platibandaformada por um pri- 
moroso rendilhado, com embornaes ou go- 
leiros esculpidos. (Sendo osdous do lado do 
norte que olham para a Galliza formados por 
dous rapazes de cocaras (1) deitando a agua 
da chuva por um grande buraco que tcem 
no recto! 

O tecto de toda a egreja, apainellado, é 
formado de madeira de muitas qualidades e 
eòres (naturaes)e não tem (que eu saiba) ri- 
val no reino. 

Tem uma imagem de Jesus Ecce Homo, 
de primorosa esculplura. 

Veio d^Inglaterra, quando Henrique VHL 
alli aboliu o catholicismo. 

Tem egreja da Misericórdia e hospital, 
fiuidado pela câmara e povo, cm 1551. Du- 
rante a guerra dos 27 annos (1640 a 1667) 
houve aqui um hospital mílil«nr. 

Tem uma extensa praça, chamada Terrei- 
ro, com um bello chafariz no centro, feito em 
1865, exactamente egual ao do Campo do For- 
nOjdeVianna, pois foi feito pelo mesmo risco. 

I^'este terreiro estão as melhores casas 
particulares da villa, distínguindo-se as doa 
srs. Lima, barão de S. Roque, Cardoso e 
Faria. £' também notável pela sua muita 
antiguidade, a casa gothica ameiada, do sr. 
Rodrigo Pitta. 

A casa do sr. Pitta foi construída por um 
aeu ascendente, chamado Inigo Lopes Âmn* 
civay, fidalgo gailego, em 1490. Antigamente 
(não sei porque) se appeliidavam Serpes, os 
membros doesta famiiia. 

Sao também situadas n*esta praça, a tor- 
re da villa e a casa da coimara (de que já 
fallei) de construeção romana, onde está 
úmbem a estação telegraphica. 

fia n*esta villa 5 boas capcllas, (Senhora 
da Piedade, S. Sebastião, & João^ Senhora 
de Guadeiupe e Senhora da Griaça.) 



Tem varfis fontes de Óptima agua, dai- 
tro e fora das muralhas. 

Tem um estaleiro onde fazem brigues^ ta- 
grés, htalese outras embarcações menores. 

O aeu porto é muito frequentado e sofl- 
lenta umcommercio activo com Lisboa, Por* 
to e outros pontos do reino. Entram e sa* 
hem annualaaente mais de 100 navios, cujas 
lotações (de lodos, excedem a 8.000 tonela- 
das. 

Camufla está pittorescamente situada. O 
rio Coiractu^ lho corre aB^eNE., Allinhdi 
que corre pelo N. e ONO.j e o Oeeeano que 
a banha pelo O., fazem Caminha e seu terri- 
tório uma formosa península. 

Fica a viila nas margens esquerdas dos 
dons rios, confluindo, mesmo aqui o Coira 
com o Minho, e tem, sobre a fóz d*aqueile, 
uma linda ponte de madeira, em linha reota, 
assente em robustos pilares de granito, e 
uma das mais compridas do reino. 

Desde Yianna até esta villa, sempre na 
costa^ e desde aqui até Yaliença, na mar- 
gem esquerda do Minho, é um continuado 
jardim (melhor diríamos paraizo.) 

Mas Caminha não cede em formosura a 
estas duas deliciosas zonas. Os campos que 
a cercam, são formosos e fertilissimos; os 
montes que lho fícam sobranceiros, estão co- 
bertos de froadoso arvoredo, appareeendo 
por entre eíle as cristas escalvadas e cinzen^ 
tas de rochedos alcantilados. 

Ao O., vé-se o Atlântico, já deslisando-sei 
plácido sobre os areaes, já furioso debaCen* 
do-se, com medonho estampido, contra o» 
rochedos. 

Na embocadura do Minho, se vé a.forta« 
lesa da lusua (vide esta palavra) como um 
navio debatendo-se entre as ondas. 

A ONO., em frente da villa, se espraia o 
formoso Minho, e na margem opposta se vé 
a bonita aldeia gallega da Passagem (dafre- 
guezia da Guardiã^ pequena villa hespanhO" 
la no litoral.) 

Quasi a pn^mo sobre a fóz do rio^ tam^ 
bem do lado da Galliza, se vé a serra de Saa^ 
ta Teela^ cu|o pico (coroado eom a eapella 
da mesma Santa) se vé a muitas legoas de 
dástancia, tanto do mar, como de terra. Veem^ 



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^e as lindas margens gaUegas do rio JKmha, 

desde a Passageras até Gaíão. 

' Para NE. e alem da ponte do Goira, sé vé 

a poética ft*egaezia de Seixas ; e para o £. o 

lindo rio Coira e saas férteis e deliciosas 

margens. 

Finalmente, de qnal()uer ponto d'«sta Tíl- 
ia que nos colloquemos, vé-se úm panon^* 
ma bellissimo, em que nossos olhos «é não 
fartam de divagar. 

Com a estrada nova, tem progredido o 
prosperado muito esta viliá, qué c»dá diasd 
idrtia líiais bonita. ' 

A rua principal (da MiséHdordia) e aque 
Yae á ponte, são formadas péla estrada real 
(à macadam) feita em 1857. Tem mais va- 
rias ruas, quasi todas perfeitamente calçadas 
com lagens de granito, cujo nkdhorameíito 
é devido ao sr. Torres, segundo barão de S. 
Roque, cavallieiro d*esia viila. 

O sr. barão de S. Roque já morreu . (é 
hoje representante de suá casa, seu filho 
tinico, o sr. doutor António Xavier Torres e 
Silva, terceiro barão de S. Roque) Dos mais 
ricos proprietários e capitalistas da provin- 
da, sendo muitos annos presidente da 
camará, empregou o seu patriotismo, zello 
6 illustração em melhorar as condições mo- 
raes e materiaes da terra que o viu n^eer. 

Fique aqui registado o nome d*este por- 
tuguez benemérito, para honra dos seus des* 
cendenles e d'esta villa. 

Ha também cm caminha a bonita casa e 
quinta do sr. José Maria de Leiras; e a S 
kilometros aN., na margem esquerda do Mi- 
nho, em formosa planície, está a casa aças- 
tellada do sr. Camillo, dignado menção pe- 
la sua antiguidade. E' na freguezia do La- 
nfaelas. — 

Caminha, ainda no século íd.* formava 
uma península triangular, e muito menos 
espaçosa do que actualmente; por^n o Coi- 
ra (que então passava por onde hoje é a 
I>raça do Terreiro) foi-se obstruindo na sua 
margem esquerda e invadindo os pântanos 
da margem opposta, dando assim mais am- 
plitude á villa, e á península sobre que elia 
está fundada, a configuração quadrangular 
que actuaimente tem. 



CAM 



n 



Na nurgem direita âaíoz Ao Gfi^Câ; àoQve 
muitas marinhas de sal, nuas, por este não 
ser de boa qualidade, estão hqje abandona- 
das4 ' - 

Faz -se também em Caminha grande com- 
mercio coin Hesparnha. 

Exporta eereaes, cortiça, fructas, vinho, 
peixe, ctc. 

Tun varias diTi^fneú» diárias, ascenden- 
tes a descendentes e a sua estrada é coih 
corridíssima. 

É pairia de D; Anienio Mendes^ que foi 
lente de Gcimbra, e biapo d^Elvas; que mor* 
reu n*esta cidade a 9 de janeiro de 159i; 

Do insigne compositor de musica João 
Soares Rebello, muito estimado de D. João 
IV; 

Do famoso jurisconsulto Pedro Barbosa» 
que reformou as OrdenaçõeM do Reino; 

£ dé outros Tarões iUustres em armasi 
em lettras e em virtudes. 

Tem estação teiegrapliica de prinieira or< 
áem, ou do Estado, por decreto de 7 de 
abril de i869. 

Já disse > que Philippe IV fez duque de 
Caminha, em 14 de dezembro de Í6i0, a D. 
Miguel de Manezes» filho do quinto marquei 
e primeiro duque de Villa Real. 

D. Miguel Luiz de Meneares, sobrinho do 
antecedente e filho do sétimo marquez de 
Villa Real, foi feito segundo duque de Ca- 
minha, por D. João* IV, em i4 de maio de 
1641; porém esta graça não obstou a que 
este duque e o marquez, seu pae, fossem 
traidores ao seu rei e á sua pátria; pelo 
que, como também }á disse, foi justiçado 
com seu pae e os outros cúmplices na tral^ 
ção, na praça do Rocio, de Lisboa, em 29 
de agosto de 1641. Ficou desde enUío extin- 
cto este titulo. 

(Vide Loronhas.) 

' Ç AMORA— Vide Samora. 

CAMPANA-* pDrtuguez antigo, sino, si- 
neta. 

GAMPANEIRO-r-portuguez antigo, sinei* 
ro. 



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58 



Í3AM 



CAM 



GAMPANHAN— fregaèzia (que foi Tilla), 
Douro, arrabaldes, comarca e 3 kiiometros 
a N£ do Porto, concelho .e 3 kiiometros a 
O. de Gondomar, 310 ao N. de Lisboa, 1:000 
fogos, 3:800 almas. 
Em 1757 tinha 758 fogos. 
Orago Nossa Senhora do Rosarío; 
Bispado e dístricto administrativo do 
Porto. 

Era couto dos bispos do Porto, e perten- 
cia ao termo velho, pelo que tinha todos os 
privilégios e honras d'aquella cidade. 

Situada cm terreno accidentado, mas fer- 
tiUssimo, formoso e saudável, muito abun- 
dante de aguas, e correndo-lhe pela extre- 
midade N. o rio Douro, cujas margens são 
muito bellas. 

Dos seus cabeços se vé o Porto e muitas 
povoações das duas margens do Douro, e 
interiores. 

A egreja matriz, de uma só nave, é um 
templo vasto e multo aceiado, todo de can- 
taria por fora e forrado de aiulejo interior- 
mente. 

Á padroeira se chama Nossa Senhora de 
Campanhan, por ser achada em uma cam- 
pina, depois de vencidos os mouros. Pri- 
meiro chamava-se Nossa Senhora da En- 
te^ga. É de pedra e muito bem feita. 

Festejâ-se a 8 de setembro, e vae alli 

muita gente de fora, especialmente do Porto. 

O bispo do Porto apresentava aqui ín so- 

lidum o reitor, que tinha de renda 400^000 

réis. 

Havia aqui uma commenda, que rendia 
l:30OM00 réis livres de todos es oncargíw 
a que era obrigada. 

Tinha antigamente juiz ordinário, que 
era também o almotacé do couto e julgava 
toda a quantia. Era confirmado pelo bispo. 
Servia-lhe de escrivão um ecclesiastico por 
turno. 

Aqui nasceu fr. Manuel de S. Jeronymo» 
frade dominico, que, sendo captivo dos mou- 
ros, foi martyrisado em 1718, na Africa, 
sendo queimado vivo, 

É terra muito rica, pelas suas variadas 
producçoes agrícolas, pelo grande e contí- 
nuo commercio que sustento com a cidade 
do Porto, e sobretudo pelo decidido amor ao 



trabalho» que tio honrosamente dirtíngUA os 
seus habitantes. 

Passa aqui o Rio Tinto, que se mette no 
Douro^ no sitio do Esteiro, e outro ribeiro 
chamado Bibeirmho, que nasce no logar de 
Baguim do Monte, freguezía de Rio Tinto» 
e se mette no Douro em Campanhan de 
Baixo. Ambos regam e moem. 

Ha aqui muitos quintos boas, com formo- 
sas casas, sobresaindo, entre as melhores, o 
sumptuosíssimo palácio acastelládo do sr. 
António AfTonso Yellado, visconde do Frei* 
xo, o. qual palácio, excluindo o d^ Breijoei- 
ra, é o mais bello, rico e mf^piifico 4^ Por- 
tugal, fóra de Lisboa. 

Está mobilado com um luxo surprehen- 
dente, e seu digno proprietário, que é um 
cavalheiro illustrado e delicadamente obse- 
quiad(H*, o franqueia facilmente para ser ad- 
mirado, quando os visitantes são pessoas 
decentes. 

O sr. visconde do Freixo é um cavalheiro 
perfeito, de conversação amena, revelando 
muito intelligencia e bom gosto, chão e sem 
ceremonia, pondo as pessoâs que tem o gos- 
to de conversar com elle, logo á sua von- 
tode. Parece exactamente um dos nossos 
antigos fidalgos portuguezes, e não cede em 
boas maneiras e aíTabilidade aos de sangue 
asul. 

Se o tão justamente célebre palácio da 
Breijoeira excede em grandeza e magestode 
ao do Freixo, se a quinta e magníficos jar- 
dins do sr. Moscoso excedem em vastidão e 
disposição aos do sr. Yellado, o palácio • 
quinto d*este senhor excede à d*aquelle pe- 
la sua pittorescao formosa posição, pois es- 
tá mesmo sobre a margem direito do Dou- 
ro, no sitio onde este rio é mais bello, e cu- 
jas ondas se deslizam pelos muros d*esta 
encantodora propriedade. 

O sr. visconde do Freixo comprou este palá- 
cio e quinta, em 1850, aosr. visconde de Azu- 
rara, por 15:000ií000 réis; mas, como estoi» 
ha muitos annos em total abandono, o sr. 
visconde, para o tornar uma das mais lia- 
das vivendas de Portugal, tem gasto qaasl 
tr^ vezes o seu custo. 

Esto palácio foi feito pelos Tavoras, cnjos 
golphinhos (ou delphias) que eram o sea 



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cm 



gâm 



5» 



tindbre, ainda se vêem esculpidos em varias 
partes. 

Chama-se a quiuta do Freixo. 

(Vide Freixo (quinta do). 

Tem o segundo logar entre as bellas pro- 
priedades d'esta freguesia, o lindo palácio e 
formosa quinta de Yillar, de que é proprie- 
tário o sr. Alfredo AUen, Tisconde de Yil- 
lar Allen. 

Estão hoje também reparados com gran- 
de luxo o palácio e quinta que foi dos srs. 
viscondes de Balsemão, comprados em 1867 
pelo negociante e cjqiitalista portuense, o 
sr. Simão Duarte de Oliveira. 

Além d*estas três, ha muitas mais casas 
de campo, e bellas vivendas, queanaturexa 
doeste livro me não permittem especificar. 

Fabricam-se n>sta freguezia muitas e de- 
licadíssimas obras de ouro e prata, estando 
omito aperfeiçoadas as obras de filagrana. 

Ha também aqui muitos e bons marce- 
neiros (que chamam ensmMadom) indo 
a maior parte dos artefactos d'estas duas 
qualidades de artistas para a cidade do 
Í>orto. 

Ha n*esta freguezia muitos vestígios de 
gcandes obras de mineração, do tempo dos 
romanos e árabes. 

A agua da Fonte da Senhora, em Bom- 
jóia (que rebenta de um rochedo) dizem que 
€ura as moléstias do estômago e outras. Re- 
bentou milagrosamente (segundo uma inseri* 
f>ção que tem) na grande sécoa de março, 
de 1741 

Também no logar de Azevedo, d'esta fre- 
f^uezia, ha uma nascente de aguas the^Dae^ 
«que ainda não foram (que me conste) ana- 
lysadas scientificamente. 

Aqui nasceu, em 4 de outubro de 1789, 
Joaquim Ferreira dos Santos, 1.* barão de 
Ferreira (feito em 7 de outubro de 1849), 
á.« visconde de Ferreira (em 91 dejunbade 
i843) e l.*" conde do mesmo titulo (em 6 de 
agosto de 1850). Era commendador da Or- 
dem de €hristo, par do reino e grioeruz 
da ordem hespanbola de Isabel a Gatholica. 
JHorreu na cidade do Porto, petes 9 horas 
da manhã, do dia 94 demarca de 1866. 



Os governos que Portugal tem Hda desde 
longos annos, e que tanto téem ridtcularisado 
os títulos, commendas, brazões, cartas de con- 
selho, etc, prodigalísando-os a tanto homem 
sem mereemiento de casta alguma, poucas 
vezes conferido graus de nobreza bem me- 
recidos, e nenhuma certamente coUocaram 
na classe da moderna aristocracia um va- 
rão tão digno d'essa distineção como o be- 
nemérito eonde de Ferreira, mais nobre ain- 
da pelas suas virtudes e pelas suas obras, 
do que pelos títulos que o condecoravant 
São diplomas d*estes que a posteridade aca- 
ta e confere aos bemfeitores da humanida- 
de; diplomas que trazem por siílos pendên» 
Us, ainda mais respeitáveis do que os offl- 
ciaes^ as obras de beneficência e os legados 
de caridade. 

O conde de Ferreira, nascido em humilde 
berço, adquiriu na America, pelo seu assí- 
duo trabalho, pela sua intelligencia e hon- 
radez commercial, e pela sua economia bem 
entendida, uma grande fortuna, que no seu 
regresso â pátria o tomou o maior capita- 
lista da segunda cidade do reino. 

A sua vida, depois de rico, foi uma con- 
tinuada série de actos de caridade e benefl- 
ceneia, e a coroa de todas as suas obras» foi 
o seu testamento, o mais notável, o mais 
philantropico de quantos téem havido em 
Portugal e talvez em todo o mundo I 

Este documento é o reflexo da alma vir- 
tuosa, do coração grande e beneficente de 
quem o dictou. N*este testamento brilham e 
resplandecem as qualidades de um bom ami- 
go e de um inimitável cidadão. 

Não faliando nos valiosos legados que o 
conde de Ferreira deixou aos seus Íntimos, 
tratarei apenas dos que dizem respeito ao 
bem geral. 

Deixou, além de outros muitos legados de 
muita valia em benefieio das classes desva- 
lidas, 144 contos de réis para a fundação • 
mobília de 190 escholas de instrucção pri- 
maria, para. ambos os sexos, nas terras da 
Portugal que forem cabeças de concelho. 

Á Santa Casa da Misericórdia da cidade 
do Por4o, para uma enfermaria homoeopa- 
ifaica, quenão tenha menos de 90 enfermos 
permanentes, 90 contos de réis. 



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Deixou o remaneseetkte da stia grande rU 
^eza (calculada em uma cifra superior a 
200 contos de réis) à fundação e sustenta- 
^ de um hospital de alienados^ na cidade 
do Porto; que tanto carecia d^ste indispen- 
sável estabelecimento, e que já está em con- 
strucçao, com grande diligencia esumptuo'' 
sidade, fora de barreiras, ao NO. da cidade, 
Bo sitio chamado Cruz das (tegateiras. 

Do que deixo dito se vô que o conde de 
Ferreira está na frente de todos os varões 
porluguezes que téem sido bemfeitores da 
humanidade, e o seu nome irá, de geração 
em geração, cercado de utoa aureola de glo- 
ria, até ao fim das edades. 

Esta freguezia, pois, deve ter orgulho de 
ser a pátria de tão nobilissmio varão, menos 
nobre pelos seus títulos do que pelas suas 
qualidades* 

A egreja parochial está situada tpiàsi no 
centro da freguezia. Presumese que o local 
em que hoje está não é o prlmittivo. 

È provável qu3 o primeiro assento da 
egreja matriz d*esta fireguezia fosse no sítio 
chamado antigamente Luzazerès, entre as 
ideias de Luzaceres e Contumií. 

Ignora- se quando foi mudada para o si- 
tio actual, mas é certo que o foi ha muitos 
annos, e provavelmente antes da fundação 
da monarchia. 

Eu supponho, com bons fundamentos, 
que o primeiro nome d'esta fregt^zia foi 
Los Azares (As Batalhas — vide Azares) ou 
D'os Azares, 

Sendo governador do Porto o conde Her- 
menigiWo, Ab-el Raman, rei' de Córdova, 
pretendeu, em 824, reconquistar a cidade 
do Porto, atacando a com um grande exer- 
cito. 

O conde não só resistiu com a sua gente, 
aos mouros, mas tomando a offensiva, veio 
sobre elles, e n'esta fireguezia lhes deu uma 
grande batalha, destruindo-os completaoMn- 
te. 

Foi tanto o sangue mourisco (fucn'ellasc 
derrafnou, que um ribeiro qiie por aqui 
passa, tomou o nome de Rio Tinto, que 
ainda conserva, em razão das suas aguas to- 
marem a «ôr do sangue. 



(Esta vietòría» porém, custou cara aoB 
lusitanos; porque, logo no anno seguime^ 
825, veio sobre o Porto o feroz Almançor» o 
grande, cognominado terror dos christõos^ 
com um numerosíssimo exercito, e tomanda^ 
de assalto a cidade a saqueou e destrcdu^ 
reduzindo-a a um montão dominas, e as-^ 
sim esteve até 999.— (Vide Porto, onde i^o 
vem mais ^rcumstanciado.) 

Tomando á etymologia de Campanhau^ 
parece que Los Azares se chamou a este 
sitio, em razão d'esta mortífera batalha. 

Com o tempo se mudou o nome para Cam^ 
ponha, que no antigo portuguez vinha a&i<^ 
gnificar o mesmo; ou talvez para Campa*^ 
nhans, que na língua do^ lusitanos, era o 
mesmo que dizer — sitio das batalhas. D'a* 
qui facilmente se modificava em Campa* 
nhan. 

Segundo a tradição, no dia da batalha 
appareceu aqui uma imagem de Nossa Se* 
nbora, á qual os fieis atlribuíram a victoria 
dos chrístãos, e lhe erigiram logo depois 
d'ella uma ermida, que veio a ser a matríx: 
da freguezia que aqui veio a crear-se. 

Estoii persuadido que a esta imagem se- 
deu primeiro o nome de Santa Maria de 
Azares. É certo que depois se lhe chamoa 
Nossa Senhora da Enu^ga (não sei porque: 
talvez em razão de se entregarem muito» 
moiros para esbaparem com vida depois da 
derrota) e por fim se denominou Nossa Se«^ 
nhòra de Campanhan, nome que ainda con*^ 
serva. 

A egreja que hc^e existe foi roubada, eok 
1809, pelas hordas de Soult, que não con»- 
tentes com o saque, a desmantelaram. 

Também soíTreu alguns damnos com a 
guerra firatricida de i832 a 1834, estando, 
então fechada mais de um anno. 

Depois se lhe fizeram alguns reparos, e 
em 1862 se lhe accrescentou a capelia-mck' 
d se lhe collocou um relógio na torre. É 
actualmei^ um lindo templo. 

Eslá na qumta do Pinheiro doesta fregud- 
zla o asylo dos meninos desamparados (de- 
nominado Semmario). Fundou este carita^ 
tivo estabelecimento o padre José de 011^ 
vdra, da congregação do oratório, em 6 dd 
janeiro de 1814, na rua das Hottas (hoje da 



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GAM 

Almaéa) coadjuvado pelo dontor Simio da 
Costa e Silva, para cineo treanças do sexo 
masculino, em ck)anneinoraçào das cinco 
chagas de Jesus Christo. 

Foi depois transferida para a Tbrre da 
Harca, para uma casa prdxkoa á capella do 
Senhor da Boa Nova, e já no anno de iS19 
recolhia e educava 30 meninos. 

Em Í8â5 mudou-se' esle collegio t>a- 
ra o fundo da rua d« Cimo de ViUo, para 
mn^ casa denominada Pago à^ Ifarqueza, 
tomando então a dengmhia^ de ^lo ét 
lYossa Senhora da^ Dftres e Sj José^ 
• Em 1863 foi imidadé para a quinta do 
Pinheiro, de Campanban, a qual tinha doado 
a este asylo o bemfeítor Luiz Antonioi de 
liima; com odtrod vários bensi 

Efiíte collegio esl» mttito hem administra- 
do por uma commissao, e o seu estado é 
mui florescente. 

Tem hoje de rendimento atiBUal>-*Jfiro 
de imcripções li:340^2SO réis-^ rendimen- 
to de capitães 1:098^290 réis— de ohrlgar 
5^ prediaes 64460& réis-^âe-aeç6es'da 
<^ompanhia Utítidade Publioa» SOCUSOSO^réis 
—do Banco Mercantil Portuens» '26W)Q0 
réis— do Banco UniSo H^fOOO réis-^do 
Banco Alliançá' 1971600 réls^^ d«. Banco 
Çommercial 15^000 réíB^de juro de ae^ 
^s da camaraido Porto, 9^13-^ deifópos 
em dínheiro' 99^360 e em eèpeoie 890M60 
— derendaé- dé ptbpHedades em Portugal 
<M^i40i Teth láábeiti propriedades «a ^ 
dade da Bahia (Brasil)! t - . 

A sua receita regula por It^OOOjOOO téis 
annuaes, e a sua despesa aoéi^pòr dez^fcbn- 
lòsderéia ^ 

O sitio d*este collegio é formoso e muito | 
«audavd, e a quinta «stá «mltivada^comes- 
mero. (Vide Porto e Blo^timé.)^ 

CÂMPANHÓ — ^Arèguexitt; Tnusoi-^Montes, 
ifò& até i855 da co^io^èa de AtiHa^Bèal^ con-, 
.cdhò d*£rmélk>vhojeé^á comarca de Villa 
Pouca d* Aguiar, concelho de ^ndim de 
Basto, 60 kilometros a NE. de Bragd, 378 ao 
N; de Lisboa, TOfbífos. ' • i 

Em 1757 tinha 30 fogos. ; ^ 

Orago Santa Bárbara*' • 

Arcebispado de Braga^ distíricto adminis- 
irattvo de Vitta Real. ! 



CAM 



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Enmi seus donatários os marqueses de 
Marialva. 

Situada em uma afiq[)erissíma montanha» 
nas abas da sek^ra do Marão. A egreíaparo- 
ciiial era anned^aádoS. Vicente de Erméllo. 

.0 abbade de Erméllo é que apresentava 
a^ui annualmente o cura, que tiaha 15^(000 
réis e o pé d*aUar. 

Apesar da aspereza da serra cm qu? dstá 
^uada esta freguezia» tem sUios bastanle 
fert^a . 

Passa aqui o rio Olo; 

GlMPSAN-^iRegaezia, Trazos -Montes, 
coroarfia e conoelho.ide Viila Real, loi ali 
1859. da. mestna cemarca, mas do conce^ 
4e Erméik), 66 kilometnos a ME. 4e Rra^ga, 
360 ao N. de Lisboa; UO Ibgos. 
: Em* 4757 tinha 28S iògos. 

Orago Santo André, 

Arcebispado de Braga, diatricto adminiir 
tratívo de Villa Read^ . < 

É do infantado, e povoa^^mqjto antiga. 
! Skuaxla tíaa planicâje^ uai: serra do Mairão, 
mas em uma baixa, sem vista para ouIriJ^ 
povoações. í) i 

OarceliiipQ deiBfagatapresenlavjaiaabr 
bade; que tíoháde renda jTâQ^OOO r^ks. 

Muito fértil em milho, centeio, trigo^ e^sfii- 
bretudo^ caatairiia..\JNàoi pivduz vinho p(^ 
<sau&a da ípiMdaide «do dlõia. É terra jnuito 
BajudaveL Tem uma Xoate abupdante de bpa 
agua, ehamidadOiV^^hâ^e du8$ lagoas^: ch^r 
madasí Balça «: Sardnnra. É abuodaatade 
agua9; mas, qaesmofno verio,é terra. fôa. 

•Tem miaas:de.prata eijoutrosmetaes^i. .,, 

Parece que houve por este» siUos an|^- 
neiíle bivr^.muito afiliya. deieánasdeferro. 
Vido Gontãesi . . , -j 

iEii disee <|aei esta iiriesguetía estava eflji 
uma liáixa^^ assim 6; mas^ no alto da ser*- 
ra dè Mmo, em uma e^^ie de plató, c^^ 
jas bordas sào maís.ele.vada& « 

Em 1847 estive aqui aquar^Uado emca* 
'sa do nútrlco proprietário, que tinha o des- 
gosto de lhe.4iaâeerem os Uikm todos coma 
lOTriveLmelèstia dê Aydroc^Aaío; morrendo 
ántesée chegaremr.aos 7 annos. 

CAMPÊLLO— freguezia, Extremadura^ co- 
■marca o concelho de Figueiró dos VinUoSj 
tiga. 



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GAM 



30 kilonietros da Coimbra, 180 ao N. ds Lis- 
boa, 590 fogos. 

Em 1757 tinha 240 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Graça. 

Bispado de Coimbra, districto administra- 
livo de Leiria. 

Era antigamente do termo delfirandado 
Corvo. 

O prior 4e Miranda do Corvo é qae apre- 
sentava aqui o cara, que tinha 60|i000jéis. 

E* fértil. Cria muito gado e seus montes 
sao abundantes de caça. 

Pelo meio da fregaezia passa a ribeira 
d*Alge (ou Algea, como antigamente se di- 
zia) que nasce na€han do Alhale morre no 
Zdzere, abaixo de Figaeik'ó dos Vinhos» no 
sitio da Foz do Algé.-(Yide Alge.) 

•GAMPÊLL0-— freguezia, Douro, comalrca 
e concelho de Bayão, 60 kilometros a NE. 
úo Porto, 348 ao N. de Lisboa, 350fogoâ. 

Em 1757 tinha 260 fogos. 

Orago S. Bartholomeu. 

Biépado e districto admisistiativo do 
Pdrto. 

Era antigamente do concelho de Báyâo, 
mas da oomarea do ForUk Depois foi (até 
i855> da comarca 'de Soaftàes^ eoneelhd de 
Báyão. ••* . ^ ( ' ; . . 

Creada, em 24 de outubro a comaiva de 
Bayão (sendo então supprtmida a de Soa- 
Ihãés) ficou Campéllo a ser a sede, ou capi* 
Úl do concelho e da comarca> de Bayão. 

Situada em um valle entre dpas sorras. 

Um dos arcediagos de Braga s^presentaxa 
aquro cura, que tinha 300^000 réis de rettda. 

E* terra fértil; 

Foi antigamente víha ethiha juiz ordifiiar 
rio, camará e almotacés, procm^or doton- 
telho, meirinho, cinco escrims do }udidal, 
porteiro, um escrivão da camará,- dois tâafi 
sizas e juiz dos orphãos com do0>escrivães. 

Feira a 24 de agosto, três dias, e mercado 
a 8 de cada mez. 

As serras entre as quaes está a freguezia 
chamam-se Aboboreira e Mixo. 

Ha mais em Portugal 16 aldeias chamadas 
Campéllo e Campéllos. Nenhuma tem nada 
de notável. 

Campéllo, no portuguez antigo, é diminu- 
tivo de campo, o mesmo que campinho. 



gãm 

CAMPtA— freguezia. Beira Alta, comarca 
e concelho de Yousella, 30 kilometros ao 
NO. áa Vizeu, 270 ao N. de Lisboa, 360 fo^ 
gos. • 

Em 1757 tinha 249 fogos. 

Orago S.. Miguel, arehanjo. 

Bispado e districto administrativo de Yi^ 
seu. 

Era do termo o ducado de Lafões. Sítnsr^ 
da entre montes. Fértil 

Era do padroado real, o o vigário tinha 
4041000 jeis de renda. 

Era do concelho de. Oliveira de Frades^ 
comarca de YouaeUa, e em outubro de 1871 
ficou sendo da comarca e concelho de Voa.* 
selfeu 

CAMPO— freguezia. Beira Alta, comarca^ 
coneolho e 6 kilom^Uros ao N. do Viseu, 28ft 
ao N. de Lisboa, 240 /ogos. 

Em 1757 tinha 184 fogos, 
r Orago Santa Maria Magdalena. 

Bispado ^ distrito administrativo de Vi^ 
seu. 

O provisor do birpado de Viseu apresen* 
tava o euara,^ que tinha 6^000 réis de renda 
e o péd*altar« , . 

E' terra pouco íertil. , 

Campo é a palavra celta cotnp (ainda hq|> 
usada» com a mesma significação, ep) Fran* 
ça,) Também' significa acampamento, arraiaL 

CAMPO (S. Martinho do)— fi^çguezia, Mi- 
nho, comarca e concelho da Povoa 4o La- 
nhoso, 12 kilometros a. NE. de Bragit, 36(^ 
ao N. de Lisboa, 120 fogos. 

Era 1757tínba'80 fogos. 

OragoiS. Martinho. 

Arcebispado e districto administrativo de- 

. Foi dai) icomurca . de Guimarães, conceba 
da Povoa de Lantto^.; 

Situada em plaoicie fejrtil. 

O cabido da Sé da Braga apresentava aqui 
o vigário, que tinha de côngrua 8JSQQ0 réifly 
o pé d'aiLar, vinho o hóstias para as mis8Jis> 
coHventuaes» 

Passa aqui o rio Ave, que réga> móe^ 
traz peixe. 

No logar da Motta, d'esta freguezia, exis- 
tem as ruinas de uma torre, obra dos roma- 
nos. E' o solar dos Mottas^ que procedem d» 



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GAM 

Fernão Kendes de Gondar, filho de Meín de 
Gondar, capitão do tempo do eondeD.flen^ 
jique. 

CAMPO e COUTO (annexAs)— freguezia, 
Minho, comarca e concelho de Barccilos, 18 
kilometros ao O. de Braga, 360 ao N. de Lb^ 
boa, 120 fogos. 

Em 1757 tinha 33 fogos. 

Orago do Campo, S. Salvador «o da an- 
nexa, do Couto, S. Mamede. 

Arcebispado e districto admlnbtraíivo de 
Braga. 

Foi antigamente da comarca de Brag% 
termo de Barcellos, terceira parte da mitu 
dé Nóbrega e Neiva. -^ ^ 

Situada no valle de Tamcl, d'onde sa ¥é 
. Braga e Barcellos. 

O arcebispo de Braga api^sentara o rei* 
túr, que tinha de renda lOOlOOO réis; 

E* fértil. Passa aqui o rio Seilomil, que 
rega emóe. » ■' 

E* tradição que a egreja màtrirde S. Sal- 
tador do Campo, foi conventa do freiras 
bentas, e que estas morreram todas de áiedo, 
por terem um bixo. *^^ •: 

Vide Couto. ' 1 

CAMPO (S. MartinbodoH-firegtiesla, Deu- 
to, cimiaFcá e concelho de «Santa Tbyrso, 
(desde a suppressão do ooncdho de Negréi- 
los) 24 kilometros io SO. de Braga, Í4 ao 
N; do Porto, 335 ao N. de Lisboa, i80 fogos. 
' Em 1757 tinha 165 fogos. 

Orago S. Martinho. 

Bispado e districto administrativo do 
Porto. 

Foi antigamente da coitiaiic&#itenik).ilo 
Porto. Depois foi do concelho de Negréilos^ 
que, senda supprimido, passou a formar^Kur- 
te d'este. 

Situada em uma campina, aem vista para 
oatraa freguezias. 

£ra da corda. 

O abbade tinha de r^ida^ até 1834^ 700JÍ000 
róis. O jPDr^t«(ral 8íM:ro # Pro/iono diz que 
•ram 500/000 réis. Era da apresentação ai* 
teniativa do papa, do bispo e dot croaos da 
serra do Pilar, em frente do Portos 

É terra íerti!. 

Era couto de Frauccmil e vMtaie Sousa 



ۉM 



63 



Tii^ia Juiz ordinário; 

Passa pel^ freguszia o rio Yisella, que ró« 
ga e móe. Ton uma ponte de pedra, chama-r 
da d^ NegFéllos, na estrada do Porto para 
Guiroaiies. 

CAMPO <S. Salvador do)— freguezia, Dou- 
ro, eomarM e concelho de Santo Thyrso, Vk 
kílomeitros ao SO. de Braga, 24 ao N. do 
Porto, 335 ao N. de Lisboa, 40 fogos. 
- Em 17^7 tinha 35 fogos. 

Orago o Salvador. 

Bispado e districto administrativo da 
Porte. 

Era antigamente da comarca e termo d^ 
Forto^ concelho de Refojos de Riba d'Ave» 
visita de Sousa € Faria, e itepois passou pa^ 
ra^o^eoneéHiQPde Negréllos> que foi suppri- 
midò.. 

O abbade de S. Miguel de Entre as Aves; 
ápl^ntavâ ikiurânnuàhneate o vigário, qua 
tiáha de renda 90^000 réis. 

Élerrafertil. 

Estk fk^egUezia está hoje annexa à de S, 
Martítiho do Campo, do mesmo concelho. 

CAMPO {i. Silteèiredo)— írtguezia, Dou- 
ro, comarca, concelho, termo e 9 kilome- 
tros ao O. de Coimbra, (foi at6í85&dacòn^ 
celho de Tentúgal) 284 fogos. ^ 

Em/171^ tinha 106 fogos. 

Orago S. Silvestre, papa. 

'Bitipádo e districta admitiistrativo d» 
Coimbra. . 

'Situada em um valle d'Onde se descobre 
a cidade" de Coimbra, S. Martinho do Bispo^ 
TáVeiro^, Rèvéílès, Cegonheira e Ameal, que 
âcath além dò McÁdego (para o sul). Muita 
fértil. 

a prior tinha de renda aoOfOOO réis^ 
^ Temíumr convehta (de S. Marcos) que foi 
de frades jfron]fino8. 

Offidai (e vulgarmente é esta freguezia s6 
conhecida pelo nome do padroeiro, S. Sil" 
veêireí ■'•>;. 

CAMPQ (S. 'Martinho doHfrèguèzia, Doit- 
ro, comarca e 12 kilometros ao NE. do Por* 
to, 815 a6(N.:dé Lisboa, òonòelha de Vallon« 
go, 330 fogos. Em 1757 tinha 145 fogos. 

Orago S. Martinho* 

; Bispada •' dhtficto administrativo da 
Porto. 



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64 



€ÂM 



Foi antigamente d» terme da Pprlo, oon- 
celho de PenafieL 

Situada entre monle^ dos. 4|uae8 s« vâ o 
mar e grande parte das potOiQões d(> Mir 
nho, Douro e Traz-os-Montes. 

O abbade era sípresentad^ aUmiattora- 
mente pelo papa, o bispo do F^urto^ os fra- 
des eruzíosda^semi do Pitair. Tinha 400^000 
réis de renda. 

Foi couto do Poria Tinba então juij( or- 
dinário, procurador e jurados^ >. 

Nos limites d*esta ffeguezía fieia.a serra 
de S. Martinbo, e passa aqui a rio de I^ímte 
JPeireira, que; régie móei >: 

N'esta freguem está a pequena vUIa; de 
Franeemil Yid© esta palavra. ^ 

É uma freiae»iai.muitiQ rka P6l& aitaf^rr 
tilídade e pelo grande commercio que t»f. 
Qom. a cidade do Porto. 

CAMPO DO C^KRKZ ou S. JO&O BO CAM- 
PO— freguezia, Minbcs íoi até M55 da.e<^ 
marca de Pico de Regalados, «desde então, 
da comarca, de Yilla Vetrde^ mas 4^Q)ifl«ou 
a ser do «oncelho de Terraside Bomr^^ .30 
iôlometroa de Braga, 390 a^ N. deXíiaboa, 
eOTogos.. -•-..! ..„■. . 

Bnií 4757 tinha» Í4 fogos* 

Orago S. Joao;B:ip^i^aL . ,., . 

Foi antigamente da; oomarca 4s Yjamia, 
mas do concelho dje Terras de Bourpw , 

• Temi 9ò dua9*alfWiaii^ que «Io Capapo e 
Villarinhô das Furnas. . . j 

Yiaham (e não* sai ae ainda vem) t esu 
Jfcegueziay iítem«r<5, 4od^ . oa ^m\ daa A-e- 
guezias de Aboimi Touyedo, Atia«, VillA 
Chad, Batre Afobos pa Bi«9, Germil» Eríni^ 
da, Carvalheira, Covide e outras. 

A^greja ena>da padffoaido;itedl e a abbade 
linha de renda ^OOiíOOO. róis.* Osí.pasâaes 
d'esta egreja são no logardeSoqUdiftts^fra^ 
fuecia de i Cbamèim, distante 7 IdiiMietros 
d*esta fpegueiia^íp d^eUeSv paga o; paroefabide 
pensão ao senhor da casa de S. João deBei^ 
II pipas de vítoíba^ lialqUeiííes d^ p2b;e320 
4réis em dinheiro.' rj i i . ; 

- Ob diiimos >do logar.da Per^oim iíA^iXk 
tiam< pelo ibeioi,; metsíde «paírao abbadé.dç 
S. João do Campo; a mesrao^se^pr^licara 
com os. da.aldâia de Padtoz, fregueaia^sde 
Chamoim. a \Jl 



GÀM 

Além d'isto^ picavam os moradores d» 
Padroz, ao abbade de S. João do Campo, om 
dia de Natal, 2:400 réis. 

Tamban no legar da Infesta, da freguesa 
de S. Payo da Carralheira, tem esta egreja 
muitas terras» de<^e os moradores partiiioi 
os dízimos, com o abbade de S. João do 
Campo. 

K lenm ferlil. 9a aqui muito e optímo 
mel. 

TJtíba estaifneguezía o prírilegio de se nlo 
fazerem n*ella soldados, com obrigação df 
delenderem. a PorteUa do Honrem à «na. 
eusta. 

Cra esta f^egnezla praça d^annasi, oa 
raia da GáJljza, mas não tinha toTre Dem 
fortaleza alguma. No sitio onde se fatía • 
cmrpo^ dagmréQ, ba um muro feito de pedra 
miúda, entulhado <;om terra, que tem i"*«li(^ 
de aKo, i* de grosso e 120 de eoa^ildo. 
Tem também duas casas térreas, peqaena^ 
ond&<se recolhiam as sentíaellas do eonre- 
Iho das Temas de Bouto e do de Sant^^Mar^ 
iMauâe Boniroy que «iam os soldados que dtt* 
fendiam esta posição, em tempo de. cpoefrai^ 
por contracto feito com o rei. 

€<)mpreb9Dde>~e6ta< (Tegnetla ^gnanda liar- 
ia datsermdb âerez. ]>iz o padre Cardo^ct 
doa^a DicdoiMrio Qèograph.cOf que os ho* 
meti e Biulheres d*esla freguezia, sio agi? 
gaiitádos, robíi&tbse óptimos trab^hadoreu 
Eu não lhe acho differençá nenhuma,, em 
c«rpoIencia, dos outros imbitaatesiloJIiinho, 
e^ quanto a roíbàstez e áo amor ao trabalho, 
é qualidade que distingue todos os agrkuU 
t<)re8ídeíPirtugal, sobretudo os datprolia- 
eías do iforte.' ) ' 

^ F^ssa aqtii o rio llomem,. queiduitocoiv* 
corre para a fertilidade da freguezia; ! 

Quem segne a estrada da Geíra (Tía^t)- 
mana que de Braga se dirigia á €alKza^ aira* 
vez do Gerez) nos limites doesta Mgoéiia, 
ao ápproàfiÀiar^e- da Portolla do > fiomem, 
sobre uma en^sta' 8f>bt'anceira áb rioMô^ 
mem^ e >na 'Bua' margem esquerda, Td^m 
nkonsiniosd è alto rooheda,. chamado^ «om 
razão, o €á»tèlld^ porque a ciAtO' dikano^ 
parece um castello artiíiciaV^*» «wwí i^r- 
thtòs^ sètteívà», aíitòas, gnàiltas d>aitéeMfti- 
nellas. As heras e outros parietarias 04dWíM 



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cm 

com soa constante verdara, dando-lhe um 
aspecto singularmente pittoresco. 

Ha n'esta freguezia muitas antiguidades 
romanas. . 

Á entrada da planície onde está a povoa- 
do do Campo, está um mareo millíar a ser- 
vir de pilar a um cruzeiro. A cruz é cober- 
ta por um telhado triangular, que descança 
em três columnas de iino granito, muito 
mais delgadas do que o tal marco. Este mar- 
ca 27 milhas, d*aqui a Braga, como se vé 
da sua inscripçào, que é a seguinte : 

IMP. CAES. 
C. MISSO. TR. 
DACO. K\T0. 
Pio. FEL. AVG. 
P. MX. TB. P. 

PC. uir. c. n. 

P. P. A BRAC. 
M. P. 

XXVII. 

Sobre a esquerda d*este sítio corre um 
ribeiro, formado de vários arroios que des- 
tem do Gerez. Sobre este ribeiro, e a pou- 
tos passos do referido cruzeiro, está lançada 
uma ponte de dois arcos, com suas ameias, 
contrafortes e cortamáres, tudo de boa can- 
taria. Argote diz que é obra romana, mas 
parece que é fundação, ou, pelo menos, re- 
èdificaçâo do rei D. Diniz. 

Na veiga doesta freguezia tem apparecido, 
por Yezes, restos de construcções romanas, 
e vários padrões (marcos milliares) que o 
povo destruiu, applicando-os a differentes 
obras. 

Ainda n'esta freguezia ha um campo cha- 
mado Leira dos Padrões, pelos que aqui ha- 
via. 

Ao fim d*esta veiga está o sitio chamado 
Casa da Guarda, onde antigamente haviam 
alguns padrões; já não apparece nenhum. 

Tudo foi destruído. 

D'aqui descabe a Geira para uma planí- 
cie chamada Valle de Linhares, cortada em 
lodo o seu comprimento peio rio Homem. 

Este valle é o maior do Gerez, e é encai^ 
xilhado pela esquerda e direita por altas 
montanhas, semeadas de bosques e rochedos. 
Termina n*um desfiladeiro, que se prolonga 
até á Portélla do Homem. 

voLuiau 



CâM 65 

A Getra corta pelo sopé da cordilhdra 
que fica ao SO. 

Do meio do valle até ao Bico da Geira, 
ainda existem vários padrões. Um d*elle8 
tem iy^SO de alto, está de pé e da inscripça^ 
só se pode ler: 

mP. CABS 

M. AVR....... 

PRO 

' AUO 

IMP... N L... 

Outro, também de pé, e da mesma altura 
ou pouco menos, tem uma inscripção (j(ue 
diz: 

UIP. CABSARI 

TRAIANO. HADRUNO 

C. AUG. 

PONTIP. MAX. 
TRIBU. POTEST. XIÍX 

A BRAC. XXXI. 

Ha outro padrão de um metro de altura, 
sem inscripção. 

Outro de i,"66, sem vestígios de inscri- 
pção. 

Outro de uns 12 palmos, partido em duas 
partes, do mesmo comprimento. Está cahid» 
e com a inscripção voltada para a terra, pe- 
lo que se não pôde ler. 

D'aqui á Volta do Covo, segundo a medi* 
çao romana, é uma milha (2 kilometros). 

Ha n'este sítio vários padrões. 

O primeiro, da altura de 2,"2Í, tem uma 
inscripção, da qual só se pode ler; 



TRI. 



.. SI... 

NENÉ. . 
SSI.. 

M 

BOP... CAÍO. 

cox.. 

B... 



O segundo^Tda^mesma altura, diz: 



Cah. caesari 

....ANO 

cos. III. P. P... 

BRÁCARA 

M. P. 



O terceiro, de 2,"'44, não tem Inscripção. 
O quarto, do l.>"33, tem a inscripção se* 
guinte: 



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m 



OMf) 



€im 



MAGNO. • : 

, ; DEOKNTIÍV ^'. 
.NOIUMSSIMO 
F. dORENTlSSlMO 

cabsa!rí 

B. O. P. NATO. 
M. XXXJl. 

O quinto está partido p^lo meio. Tinha 
12 palmos de alto. Sem inswipçâo. 

O sexto de 8 ^palmos de altura, sem in- 
scrípçâo. 

O sétimo de 1 metro, sem inscripçào. 

O ©itavo tem %'^f'È de alto, e só se pôde 
ler: 

....Mi. R. 

....*.o.- 

. . AiíG . . . 
M. P. XXXII. 

o nono, da mesma alluTa, está [partido 
em dois, servindo ide parede de um pardiei- 
ro. Sem inscripçap. 

O decimo — um bocado de outro, tendo 
só .44 ceptimetros 4e alto, sem ânscripjção. 

Ò undécimo de 1,"33, mais delgado do 
qpjò n^hum dos outros, sem inscripçào. 

P'aqiM A Albergaria é uma milha, segun- 
do os padrões (2 kilomctros). Ha aqui um 
p^ão sem inscripçào. 

O segundo está tombado e partido, tem 
1,"33, sem inscripçào. 

O terceiro tem quasi i metro de altura, e 
o resto da inscripçào (o. que se pôde ler) 
diz: 

N. # 

MIN. lAN. 

M 

. .10. FO. NOBI. 

O quarto tem 2,™il de^alto^e a'inscripção: 

IMPE. CESAWI» 
MARCO AVRELIO 

c.\aiN. PIO. 

o quinto tem 2,"60, sem inscripçào. 
O sexto é o bocado de um com ij^íí, tom- 
lado.e com a inscripçào: 

i* ... ES. G. WKS. 

QUINTO. TRA. 



,P, MX, TU, l'UT. 

PR. nu. COS. ii. 

■ A AVG 

XIII 

O sétimo lem 4,»60, sete insrrip»^. 
O oHavo tem l,«â2, só se pode léf: 

...PO... 

...PI 

. , .. MD... 

O nono tem 2" de alto, sem inscripçào. 

O decimo tem 2,«22, inscripçào illegivel. 

O undécimo, tombado, l,°il, sem inscri- 
pçào. 

O duodécimo, metiido num fojo, tomba- 
do, i,'"22, sem inscripçào, ou com ella para 
a parte de baixo. 

D^aqui á Portella do Homem é outra mi- 
lha (romana). 

Também alli ha vários padrões, e de um 
d'eiles consta que de Braga alli são trinta e 
duas milhas. 

(Vide Portdla do Homem.) 

CAMPO GRANDE— freguezia, Extrema- 
dura, comarca, termo e 3 kilomctros a XO. 
de Lisboa, concelho dos Olivaes, 260 fogos* 

Em 1757 linha 225 fogos. 

Orago os Santos Reis. 

Patriarchado, districto admiuislrativo de 
Lisboa. 

Chamava-se antigamente Alvalade. (Alca* 
lade ó a palavra árabe Al-balade, que signi- 
fica— logar h;ibitado e murado.) 

Grande feira no segundo domingo de ou- 
tubro, 15 dias. 

2.» estação do caminho de ferro Larnian- 
jat, de Lisboa a Torres, aberto á drculaçào 
no dia 6 de setembro de 1873. 

Dá o nome a esta freguezia uma extensa 
planiçie (arborisadA o ajardinada no gosto 
do Bosque de Bohnha, emParis^ e cujcme* 
Ihoramento se prmcipiou em 1669, e ainda 
fiãa concluiu). 

É oercado de bellas casa^, quintas e hOT- 
tas» e li^equentadissimo dos iisbooieiíses* 

Teve fabiicas de seda. Hoj^, |em uma ^x^* 
cellente de laniíicfos^ onde trabalham nutâe- 



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A rftjahaiSflfpU Izabcl fez aqui c^le))rar 
pazes entre D. Diniz, e ^ Çlbo^ p., AÍfTuAsPt 
. (detQÍ3 IVUm 1323. . '; .1: . 

Parjeçfa u^ |u*qYavel qm as p;^^ foram 
Qeletu*^das eoi unia ca3^ próximo do Cani- 
po Pequena (perto d>8tç). (Vjd^ Çaa?po Per 
quenc^ Aj;rpioa, LjslK)^ e^IM^C/iron. Port. 

Alvalade era ântigan>ejate aldeia da fr^- 
goezia de Saata. Justa; depois passou a ser 
4^ freguezia do Lumifar, e ppr Qm focmou 
fireg^eiifia iadepeudeute^ 

Havia aqui uma gn^e cí^ella dediqí^á 
aos Treis Reis Magos. Quando esta pqyoa- 
çãq ^ .tornou freg|i(^ía independente, lar- 
9iiaps.dizíQ3os de todos os fructos» para a 
freguezia do Lumiar, com obrig^ào do — 
1140 havendo aqui clérigos suílicientes para 
as funcçdas, so chaánariam da freguezia 
()o liumi^, e vice versa, o que (t^do depois 
foi exiincto, por sentença contra os do Lu- 
miar. 

HouVe aqui uma óptima fabrica de sedas, 
de superior qualidade, rivalísando com as 
inelhores do estrangeiro. 

A primeira alameda que aqui so plantou 
foi por ordem de D. Maria i, no íka do ae* 
culo passado, sendo ministro do reino D. 
Rodrigo de Sonsa Coutinho, que deu Im- 
pniso a esta obra. 

£ste D. Rodrigo foi depois primeiro conde 
de Linhares. 

Ainda depois se lhe fizeram outros afor- 1 
flioseamentos. 

É todo fechado por om muro baixo, e tem 
seis avenidas fechadas por grandes portas 
aferra. 

Ha aqui brilhantes corridas de cavallos, 
organisadas pelo hig-Ufe de Lisboa, e por 
cavâllciros (sportmenj estrangeiros, sobre- 
tudo inglezes. Mesmo assim, eram-lhe supe- 
riores em magnificência as que se faziam 
aqui antigameiíte. Davam entào logar a va- 
liosíssimas apostas, nas quaes também se 
diaUifgY^iam os amadores brit^nnicos do /o- 



ÇAM 



^7 



,,,Aq!U fizeram pQr muitos dias exercida 
as tropas porluguçzas cpie acompanharam 
o rjéi p, Seba^iâo na. infeliz jornada d' Afri- 
ca, para irem ser derrotados em Alcacer- 
Kíbif (ide agosto dQ 1578). 

Aqui vinha todos^ os domingos aquelle jo- 
ven e infeliz rei passar revista ás suas tro- 
pas. 

Ha aqui o ai»ylo de D. Pedro V, obra di- 
gna de attençao. 

Um dps melhores edificios par(ieuiài*es 
do Campo Grande «i o palácio do sr. Manuel 
Joaquim Pimenta. 

Di?;-se,que esteedificio foi construído por 
D. João V (pelos aunos de 1730) para resi- 
dência de certa dama da sua amisade. É 
un|^- bella construcçao de noJ)re e regular 
architectura, e está adornada com sumptuo- 
sidade. 

A quinta, pela sua grandeza, e pelas ma- 
gnificas decorações dos seus jardins, corres- 
ponde á nobreza e elegância do palácio. 

Tudo o mais que aqui se não encontrar, 
vide Alvalade (Campo de). 

CAMPO DÉ GESTAÇÔ— -freguezia. Douro, 
comarca e concelho de Bayão, 66 kilome- - 
tros a NE. do Porto, 348 ao N. de Lisboa, 
4^ fogos. 

Em 1757 tinha 258 fogos. 

Òr^go S. Joào Baptista. 

Bispado e dislricto administrativo do 
Porto. . 

O abbade era apresentado pelos condes 
de Unhão. Tinha de rendimento um conto 
de réis. 

Os donatários da freguezia eram os taes 
condes, que recebiam os quindenios (isto é 
a 15.* parte dos fructos). 

O nome vulgar d'esta freguezia é Gesta- 

E terra muito fértil e faz grgnde commer- 
cio com a cidade do Porto, por ficar próxi- 
mo da margem direita do Douro. 

CAMPO MAIOR-r-villa, Alemtejo, comar- 
ca e 18 kilometros ao N. de Elvas, 3 ao O. 
de Badajoz, 180 ao E. de Lisboa, 1:400 fo- 
gos, 5:000 almas, em 3 freguezias (Nossa 



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V 



68 



CAM' 



Senhora da Expectação, Nossa Senhora da 
Graça e S. João Baptista.') Verdadeiramente 
a villa só tem uma fregueziá, que 6 a pri- 
meira nomeada. As outras duas s3oí uma 
espécie de curatos ánnexos e dependentes 
dá matrií principal. A de Nossa Senhora 
da Graça é a freguezía d'Ouguella, que tem 
70 fogos. 

Bispado d'EIvás, districto administrativo 
de Portalegre. 

Em as*» e 49' de latitude N. e il» 24' de 
longitude occidental. 

Feira a i5 de agosto. É praça de armas. 

D. Diniz lhe íez o castello, pelos annos de 
1300. 

Diz- se que o nome lhe provem de que — 
havendo duvidas sohre o sitio onde se havia 
de fundar a villa, o rei (D. Diniz) disse:— 
tNo campo maior»— e lhe flcou este nome. 

Nào é inverosímil esta etymologia; mas 
nSo podia ser o nosso rei D. Diniz, nem 
mesmo nenhum de Castella, pois quando os 
Peres a tomaram^aos mouros, em 1219, já 
era villa. Só se foi algum rei godo, pois 
talvez que esta povoaçiio fosse fundada pe- 
los godos. 

Situada na costa de um monte, fronteira 
a Castella, e d'aqui se vé Elvas, em Porlu- 
" gal, e na Hespanha Badajoz, Albuquerque, 
Lobon e as serras de Mérida. 

A 3 kilometros d'esta villa passa o rio 
Caia, sobre o qual, perlo de Badajoz, está a 
célebre ponte do Caia, onde se costumava 
fazer entrega das pessoas reaes de Portugal 
e Castella, que por casamento mudavam de 
reino. fS^de Caia.) 

É povoação antiquíssima, mas não pude 
saber quando nem por quem foi fundada, 
nem o nome antigo que teve. É certo que 
foi povoação árabe, pois os Peres, de Bada- 
joz, a resgataram do poder dos mouros, em 
1219. Os Peres a deram á egreja de Santa 
Maria do Castello, de Badajoz, sendo bispo 
d'esta cidade D. fr. Pedro Peres, da familia 
dos restauradores, que lhe deu por armas: 
Nossa Senhora com um cordeiro c a legen- 
da— tS/^Y/ww CapitnU Pacenmt —.([sio es- 
tá em contradicção com o que diz Estevão 
da Gama de Moura é Azevedo, nos seus Ma- 
nuscriptos.) 



CAM' 

D. João n, lhe deu novo bráziad*aniui8, 
que é — Em escudo branco as armas de Por- 
tu^l de um hdo, e do outro SC João Baptis- 
ta, patrono d'esta villa. 

No tratado da paz que houve em lt97, 
entrel^ortngai e Castella (reinando D. Dinis) 
sé assentou que d*álH em diante deixavaia 
de ser castelhanos e ficavam pertencendo ã 
coroa portug[ue2íà as Villas de Campo-Maior, 
Otiguella e Olivença. 

D. Diniz deu a villa de Campo-Maior a» 
concelho d*Elvas, por carta regia, feita em 
Santarém, no l.*" de dezembro da era de 1335 
(19 de novembro de 1297 de Jesus Christo.) 

Deu-lhe foral, em 1309 (Franklim não falia 
em semelhante foral. 

Outros dizem que D. Diniz a elevou â ca- 
thegoria do villa e lhe deu foral, em 1299. 

Não pude investigar a razão por que esta 
villa tornou logo para a coroa; o que vejo 6 
que uns auctores dizem que D. Diniz a dea 
á infanta D. Branca, em 5 de julho de 13(H, 
outros dizem que elle a deu em 1311 a sua 
irman, a infanta D. Sancha, abbadessa das 
Olgas, de Burgos e senhora de Monte Mór 
Yelho, em sua vida. 

Concordam os auctores em que por mor* 
te da tal infanta (Branca ou Sancha) foi se- 
nhor d>ita villa D. Affonso Sanches, filho 
natural do mesmo rei, e senhor d' Albuqiuer- 
que. 

D. Manuel lhe deu foral novo, em Usboi^ 
a 16 de setembro de 1512, «acorporanâ9>a 
então na eorôa, com privilegio de não tor- 
nar a sahir d*ella, e não sahiu mais. 

(Os noâsos reis davam este privilegio a 
muitas povoações, mas depois os seus sue- 
cessores o quebravam, dando-as a quem Uies 
parecia.) 

Em 16 de setembro de 1732, cabia Hm 
raio nos armazéns da pólvora, que fez voar 
a porta principal do castello, arruinando 
também 823 casa da villas e ficando mortos 
ou feridos grande numero de habitantes. A 
villa ficou quasi arrasada, pois tendo Í076 
fogos, só ficaram intactas 253 càsas^ e tendo 
mais de 3:000 habitantes^ ficou reduzida a 
836! 

Este sinistro teve logar pélas 3 horas da 
manhã. Cinco torres foram pelos ares. Bsta* 



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MH 

vam avessa occasiao no payol 5:732 arrobae 
e 6 arráteis de pólvora, i:8i6 granadas or- 
dinárias, 830 reaes, 711 bombas, tudo car- 
regado, alem de 2:575 granadas desataeadas. 

Morreram 200 pessoas, 300 ficaram gra- 
ndemente feridas, morrendo muitas d^ellas, e 
2:000 ficaram levemente feridas. Senliu-se 
o abalo a mais de 24 kiiometros de distancia. 

Sentiuse emElvase Arronches, e em Ba- 
dajoz e Albuquerque* (Vide o que digo 
sobre os soccorros que muitas povoações 
(até de Hespanba l) foram ofTerecidos e pres- 
tados aos infelizes povos d-esta vilia, por es- 
sa occasiao. 

A egreja de Nossa Senhora da Expecta- 
ção, que era a única parochia que antiga- 
mente tinha a vilia, é um bom templo de 
3 naves, todo de óptimo granito, com 10 al- 
iares. 

Foi esta «greja construída, sendo bispo 
d'£lvas D. Sebastião de Mattos e Noronha, 
« pouco depois da expulsão de 1732. Até 
então a noatriz era uma capella dentro do 
eastello. 

. Tinha 3 parochos, (um prior e dous vigá- 
rios) todos apresentados (por opposiçâo) pe- 
lo bispo d*Eivas. 

Tem 8 beneficiados, 5 da mitra, e 3 que 
deixou o beneficiado João Lourenço, com 
20^000 réis de renda, para cada um doestes, 
pagos pelos rendimentos da sua fazenda. 

Os 3 da mitra, tinha cada um 5^000 réis 
pagos em trigo. 

O prior e vigários, tinham a 9.* parte do 
cellçiro do bispo, sendo esta 9.' parte divi- 
dida em 4 partes, duas para o prior e uma 
jMura cada um dos vigários. 

Tinha um convento de frades francisca- 
nos^ da província do Algarve. Foi primeiro 
Jnndado fora da vilia no sijlio das Poças, em 
1496; 9m 1646, passaram para o eastello, e 
para o sitio actualmente, em 1708. Foi D. 
Pedro II, que numdcHit edifiiçar p convento 
actqaL 

Tinha também um cpnvento de frades de 
S. João de Deus, fundado em 1645, para hos- 
pital mMitar. 

Ostros di2çm ,4ue p hospilol dp 3. k^ de 
JMm Aúftuidado em 1583. O «leé certo, é 



UH 



60 



que foi fundado por donativos dos morado- 
res da vilia. Era no convento das freiras da 
Madre de Deus e assim existiu até 1645, em 
que passoua ser hospital militar, a cargo dos 
frades de S. João de Deus. Hoje é isto con- 
siderado bem nacionaes. 

Tem Misericórdia e hospital fundado no 
século 16.<> com um conto de réis de renda 
annuai. 

A 1.* albergaria que consta ter havido 
n*esta viila, foi fundada por João Vicente do 
Casiello, cujo testamento está no Cartório 
da Misericórdia. A primittiva egreja da Mi- 
sericórdia era na praça (onde hoje se ven- 
dem os comestíveis) mas, arruinou- se total- 
mente. 

Em 1718, se deu principio á egreja actual 
(da Misericórdia) ao fundo da rua do Poço» 
e foi feita á custa do provedor João Rodri- 
gues Galvão e dos irmãos padre João Mexia 
Fouto; padre André Mexia Bernardo, padre 
João Bernardo Mexia, Luiz do Rego Mexia, 
André Barradas Juzarte, Manuel Mexia Fou- 
to e Manuel Gonçalves Mexia Fouto. 

No baluarte deS. Sebastião, está a capella 
d*este Santo, mandada fazer por elrei D. Se- 
bastião. Diz-se que esta imagem foi feita per 
lo nosso bem conhecido poeta Jeronymo 
CôrteReal. 

Alem d*outras ermidas, ha ao E. da viila 
uma grande capella de Jesus Maria José, e 
sobre ella uma torre, chamada do Mexia 
cujo nome lhe provem, de ser feita por o 
coronel Martinho AíTonso Mexia, natural 
d*esta viila, em uma herdade sua, junto ao 
marco do Castello. 

Ha também a ermida de Nossa Senhora do 
Rosário, com uma torre sobre elia, extra- 
muros, em uma quinta dos srs. Dáças Gas- 
tellos Brancos. 

Tinha antigamente juiz de fora, com 3 ve- 
readores, escrivão da camará e procurador 
do concelho. 

Tinha 4 escrivães do judicial e notas, um 
dos PrphaÕs e outro da aimotacena. 

Tem um celletro commum muito antigo 
onde se tem chegado a recolher 700 moios 
de trigo, que em outubro se reparte peloi^ 
lavradores e visínhos do povo. 



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Ih 



tkiiL 



Seus campos sào rertiliksimos, e criamuí 
to gado, sobre tudo ovelhum, do quâl exlra- 
hèm muita c óptima. lan, ^itc se exporta em 
grande quanlidadi?. 

tinlia esta villa toàos o<i grandes privilé- 
gios da cidade d'Elvás^ sendo os principaés 
os seguintes : 

1.** — Nàd pagarem ós riioradores da villa 
e seu termo senão riíetaAe do caberão, tão 
se podendo cm tempo algum accrcsccritar. 

â.*»— Não haverem aduanns, ilem saccas, 
para os vísinhos da villa c Isou termo. 

3.° — Nunca em tempo algum se podtrom 
aqui lançar sizas, fintas nem talhas, nem etti- 
préstimos, ou outros qunés^ueí* ifnpòátos, 
por i^enhum motivo. ' 

4.'»--Que lodoò visinho da vitla e termo 
fosse franco e não pagasse nenhum dii-etto, 
passage, costúmage nerii porthgc por todos 
os reinos de PoHuèal fe Çastelln. (Este pri- 
vilegio foi dado no tenipo dos Philippes.) 

S.** — Qtie setião pòi^bsse tirar d'e^ta Vil- 
la c termo, gente nem armas para fazerem 
guerra aos naturaes (íVstê reiílo. (Este pri- 
vilegio tambeh) íhô foi dado pelos Pfiillppesf.) 

C.** — Quô n*esta villa se não possesc pre- 
sidio nem guarnição de soldados, ainda que 
fossem naturaes d'esla villa 

Í^^Qnc as rendíís da tâmara se gasta- 
riam em' reparos de muros e furtale/.as does- 
ta villa. . < 

S.«— Que os moradores doesta TílIà é seu 
termo podessem andar montados em millías 
e múè '(11^'aTÉhòy) com selías, òpodi^ssem tra- 
zer livremente sedas e vdstírerfi-sc 'd'èllas, 
ainda os ínéchanícos. • " •• 

9.*— Què lhes lião pd(!es!se ser imposta 
pena ri/,' salvo se o delk'ir)"lbssc de qnaft- 
dade que por elle o crimin'óSò pèiídéSse a 
nobreza' naturdi. ^ * 

fy, toídiz íhe cotttèdeti ítilritoâ dVsH?k^^ 
vilcgios, e D. João II lh'os augfrtehtòii. ' 

Em IVií, delido réi de'Hespanha Philip- 
pp V c de Portugal D. WÍio V; fòi eáta*pra- 
irk sitiada pèfó mhi*qute de Bat, e séu tttér- 
cito (castelhanos) e hbtcúíútáeská corâ tí (Jè- 
^as, 7 morteiros (f<netóttrávam bòrflbâs de 



9an^obas'ca«télhaTtos)'eâbis peâtYircè {que 
lançavam balas de pedra.) 

Ò òéfí^o t^rin(*ipimi a 58 dè 'setembrty. O 
íftimigò tinha 10:000 hbnrens de infattteriíL 
é 8^.000 de cávallatrã. 

' Abriram brecha no b^fàafte de S. Joaô, a 
27 tíè outubro, sondo atacada por'&2 com- 
panhias de granadeiros, o regimento de ifra- 
gões, apeados, chamado de QueltíZj^cwn es- 
padas e ròiellnrf é 16 regítírientos de mfen- 
lei^la, do que tildo era commaitdante D. ^- 
dro de Ziiiiiga, lido por um bravo riiíHtar 
" entre os hesparthoes. 

Deram primeiro e segundo âtaquò^itiâs 
forátti i^opellidos Vatorosamentô cóm graiidea 

pet-ctíís. ' •■' "' "i "■;■' '■ '' 

Avançaram também pelo flanco da cor- 
tina da Jlòrtà dé S. Piédro, cóm escada^; mas 
foram repellidos e derrotados pela brKwa 
guarnição e'pelh attilheria que esthva no 
b.iluarie do Pi^^a-Totia; deixando 'o inimigo 
36 escáilas, e mm\ú^ triortol ' -^ ' í 

Òà castelhatlofs pcrderhní 'tféstc cèWfo, 
mais de 5:000 mortos c muita arlilheríà;' 
" O que ri;^efhtT!'fof at-ruii^ârètrirnuitesedi- 
ftcios' coiti' ò boMbardeameiltb: Durou este 
cerco 36 dias, sendo 28 d'elíes dèirinclieira 
a^eha. EnVcòmmemoraçao d\'sta grande ví- 
ctòria,''èô fazia íòdos os annos, no' dfât8 do 
'outubro, timait)rò^iysãd, eth (JueMa S. líSo 
Baptís1;a; e era acompanhada ptla òamarare 
pela gíiarniçSo frtili ta ráa praça. ' 

Dispararam contra a villa, no (!è(^ur^'do 
kitio,4IO:á';d Wlas dé canhão; f :309 bom- 
Dá^, áSeflbaílc-t^^de pedira e gt^hilcflfrtttieto 
•dtvgratiádás. ^ ' "' '■ ' ' ' ^ ••'"''•^ 

Arruinaram.8é"rt>m 70 nidrttè^ áé^tk- 
sas de paizanos. ~ 

• Ò§tótéááii{)sÍfeVít'íítaríiW d'Wr^tí'k% de 

noVòWbrt) (tenab-oí principiado â' 67 ^e^Vii*- 

■^lúbrb) e* s(ifVétii*aratii, áídermêTit/im,^' 

rídòs de Vèrgbtihc^, pbf vet-eVh-^ue 'ttima^^ 

^xeròilÍD' nW^jftedérá tòírifiarfimà çraç#l!dja 

•^aWtíiJãb ètá'''<ib dfiWInma. • '* ' ••'' " 

Governava a província do AlemlejiTPéíaw 
lla^kiiénticn^; (lttè"d'<^líòís fi)ÍH^tidfe'(ÍfeBaa- 
áò^nVê vifc^^ei dàf^fiWPiá'. /^'^' '"'' ^ ^ 

O governador e bravíssimo' 'dèfeHsbi''Ía 
ÍP>râ^, érâ?^é^b''*a Gama de4tfWirtl'Aze- 
' v^db;''e s&^^éAntfòiíu^iú pM^ktíihitàêéèsL 



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gnarniçdo, no uiiimo assalto, o x^nde^éa Ri- 
beira Grande, que teve a coragem e alicia 
de entrar na praça, ao quarto dia do cerco. 

(Chamava*se o conde da: Ribeira Grande, 
D. Luiz da Gamara. Entrou peh porta faisa^ 

Gonstava a fortaleza de novo baltiártcs 
(S. João, Pixa-Torta, Fonte do ConceltiQ, 
Santa Roza, Boa Viâta, S. Sebastiàa; Lisboa, 
Curral dos Goelhog e Santa Gruz.) 

Tinha o foite de S. João e o dô Gachimbp. 

Tinha reveliníi, meias tnasecoiilra eswr^ 
pa. Tinha um f6i moso castello, que sodp- 
moliu todo, pela occaslão da^explòsãoj e no 
qual havia a egreja do Senhor do Castello, 
ífwe, cahiMo, ílfou a Imagem sem a.minlma 
lesão. ' ' 

Era a egreja matiiz da vifla. Era de ro- 
bustíssima comtruccrio ; mas fii*ou arruina- 
da, cahíndo toda a frente e a abobada do cd- 
ro, que era toda de pedra. 

Como a praça ficou bastante arruinada 
com este cerco, e demais a mais, éarante 
cl!^, se vir^m os dernitos das^ntigafe fortifl- 
carões, foram cilas depois reedifloakla8'e 
aperfeiçoadas; mas, como 6 dominada por 
elevações, por quasi todos os lados, não pô- 
de offerecer grande resistência a um ihíM- 
go valoroso e ajudado pòl^poderoaa arfílhe- 
ria moderna. 

Foi D. Jofio V quo mandou retedifioar e 
ampliar as foríiíicaçíKís d'esta praça, pelos 
anDOsd0'i735. * 

É todavia bem murada c tjem boas cspto- 
uadUs c uma entrada coberta, defendida^por 
travezes. Os fossos sik) bôfis. 0'da <Jor4ína, 
dos baluartes do Cavalleíro e Santii Gruz, 
eram cheios de agua; mas«m 1801, o gene- 
ral de «ngétiheria Malhias Josc Azodè, o 
mandou scecarj por difl^rent«8 raz5e$. - 

A praça tem duas portaíigéraes^ um fíU- 
sa, para servir em tempo dç guerra'. 

A porta de S. Pedro (ao N.) é bem con- 
struída o defendida peia frente e flãmeoáj pe- 
iosíiaráartes do CaválIelrty^Prineipa, tendo 
em frente vx» re\'ellfn>'qto A^cobrb'^ 4ie- 
ofende. . ■ ■ •' ••' ' •. ■ ""^ . .'• 

' A ttom do Santa. Maria^ ou da TilU> ého 
ladcí do S., entTèiOí beilttartes deS. Sebab- 
tii^o e Lisboa, e defendida por um re^^liDi. 



ÊAM 



st 



Oantigo.câsteUoena; obra dos roouroB, e 
'0.Diniz:o mandou rep^arar e construirá 
lònBStetn 1290. 

fi, llanuèl 'mandou prinjeipiar a sua iúx^- 
tèAha, no ' siiio de S. Sebastião; mas assfm 
íieou, atáxiue em 164^, D. J.oào.IV ickattdou 
mqrar toda a praça e fa^ervariaaQbfad4e 
-defesa, pejlo engóuheiro francez I^ieolaa Lan* 
gre. . , 

Tem actualmente as muralhas ao lodo 10 
baluartes^ prinrJpiaiido pela.porta de,S;{Pe- 
dro, e são: Gaviílieiro (ondt^ os]bespanbi>6s 
Jèrirain breeJ^a om 17i2,'€otno já di^) 
Santa : Gruz, Curral dos Goelhos, Lisboa, 
S. Sebastião, Doa Yí.s||i,.&inta Ro^a (debai- 
xo d*este ó a porta falsa) S. Fjancisco (tem 
um tn^oz) Goncdbo (n'esta abriraiu iirecha 
os hespanboes em 1801 e os francezes em 
1811, coitio adiante di|*ei.). i ; 

A pouca distancia d*este baluarte, patfa o 
(ado da camfpanha, era a forte de ,S. João 
Baptista, qup se dí-moliu; por se não podefr 
defender. O do Príncipe (tem um travez,.pài;a 

livrar de recoclicstçs.) 

O casteUo está no ponto mais elevado da 
villa,:e a domina pòr todos os kdosL Aatf- 
gamente ora alii a matriz daviUa; mas hoje 
8ó lá cstáaérmida do I Senhor do* Gastei^, 
reconstruída depots> da ^explosão do. paioS. 
Dentro do castello eslava a torre de mena- 
gcm, qub voou com a explosSo b nâa se tor- 
nou a fazerj . - < 

Ató 1834, tinlia esta praça de guartiiçào 
' permanente, um regidicnto de iuíán^eriae 
outro de cavallaria; e em tempo do gueira, 
4 de iofantéria o 1 de eavallaria,-e d< parque 
dor artilheria. Hoje, tem apenas: um dèslaica- 
Isento de *U<rh{L e os veterai»^. > . > !> 

Por oocásião do sinistro de 1732, túda3 0S 
povos das visiuhanças, sobrai tudo iOtutflQl- 
TeHloi^fsaCT5orrerani{)or todos osmodúâique 
ppdefaHiids mfelízes lutbttatte&d^^sta vjlla. 
' Um- dos^ rr^oTfi de.AJbuqíierínJte vcÂa 
òfftirecor a sua:vil|a a todos que fAralà 

1 quK^era Jr viveri. Oigeneral 4e Badi^^ 
niafndóu t>fftírecer aoigowfoader de. Campo 
•Mâier, os armazéns è quantof setacftiaBse no 
seu %o\títvíQ, (Tetiho pepa. ^ nik>.5abir 
oa Bomc^ d*éstè6 dois boorados he^paplioes, 
Ivarftàicpi&^.os Tegiatarl) ' > <i '\ .:A^u'<'^h 



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n 



CAM 



O conde d*Al?a, qae era general da Alem- 
lejo, Yeiu logo de Villa Viçosa, com grande 
quantidade de dinheiro, para ser repartido 
pelos pobres, por conta de D. João Y; que 
além disso mandoa cirurgiões, com medi- 
camentos para os feridos e mais 960^000 
réis para repartir pelos moradores. Depois 
mandou mais oito contos de réis para se re- 
pararem as casas dos particulares. 

Em 1801, alliando-se a Hespanha com a 
França, para fazerem guerra á Inglaterra, e 
não querendo Portugal fazer parte da allian- 
ça, pois não tinha motivos para fazer guer- 
ra a uma nação amiga e antiga alliada, nos 
declararam guerra aquellas duas nações, e 
Portugal foi invadido por um exercito de 
fjrancezes e hespanhoes, sob o commando de 
Gondoy (o chamado piincipe da Paz.) 

Tomaram-nos Olivença e pozeram eérco 
^ Campo Maior, chegando a abrir brecha no 
baluarte do Concelho, tendo a praça de ca- 
pitular. 

Era governador da praça o marechal de 
engenheria Mathias José Azedo, o qual, de- 
pois de um cerco de 17 dias e estar a pra- 
^a em um montão de ruínas, e sem muni- 
i^Ses, tendo-se até ahi.defendido com a maior 
bravura, conseguiu uma honrosa capitula- 
do. 

A paz de Badajoz (a 6 de junho d*esse 
anuo, e na qual deixámos em reféns á Hes- 
panha a praça do Olivença, que lá âcou 
usurpada contra todo o direito) terminou 
esu guerra. 

Também em 12 de abril de 1811 o mare- 
chal ^ortier, com uma divisão do exercito 
de Massena, põe sítio a esta praça, e chegou 
a abrir brecha n*este mesmo baluarte do 
Concelho* 

Era governador da praça o tenente eoro- 
Bel de engenheiros José Joaquim Talaya, 
qoo por não ter gente nem munições e te- 
rem brecha aberta, capitulou no dia 21 de 
março, mas logo a 25, pela manhã, fugiram 
Ofttrancezes á aproximação da divisão por- 
tngueza de Beresíbrd, o qual por isto teve 
• titulo de marquez de Campo Maior. 

A praça, em março d6 1811, apenas era 
defendida pelo regimento de Milidas de 



CAM 

Portalegre, e um destacamento de artilheria 
n.» 3. 

Era juiz de fora e foi então um brioso e 
aguerrido soldado, o dr. José Joaquim Car 
neiro de Carvalho. 

Talaya e Carvalho foram promovidos no9 
postos immediatos, e os governadores do 
reino, em nomo do príncipe regente (depolâ 
D. João VI) em abril, gratificaram a gaanú-> 
ção, e em testemunho de lealdade e heróis* 
. mo dos habitantes da villa, determinaraizi 
que d'ahi em diante se denominasse — «A 
leal e valorosa villa de Campo Maior». 

Campo Maior era povoação muito mais 
extensa do que actualmente, pois se e^tesh- 
dia muito pelos arrabaldes. Hoje está cir- 
cimiscripta quasi ao âmbito das fortifica<^ 
çõ; mas mesmo assim, não é pequena e tem 
bonitas ruas (ainda que estreitas) e omadast 
de boa casaria. 

A casa dos paços do concelho é um edifi* 
cio nobre e amplo, situado na Praça Nova, 
com salas para as audiências civis, e tev» 
uma bonita capella. 

É terra abimdante de aguas de boa qua- 
lidade. 

Tem muitas fontes publicas e partícula^ 
res. 

No eastello ha uma cisterna com agua na« 
tiva. 

Tinha dois lagos nos fossos da fortaleza» 
que occupovam duas cortinas e um balnar* 
te, e n*elles se criava o saboroso peixe tencQ^ 

Consta que antigamente se faziam aqni 
as ^doenças com grande magnificência. 

Campo Maior é uma das vi lias povtugue- 
zas, que de maior numero de varões illostres 
tem sido pátria. Entre eiles se contam os 
seguintes: 

Ruy Gomes da Silva, grande capitão da 
Africa, pae do beato Amadeu e de D. Brites 
da Silva, fundadora do convento das freiras 
da Conceição de Toledo. Era alcaide-mórde 
Campo Maior e Ouguella, feito por D. ioio 
I, e concorreu muito para a tomada de 
Ceuta. 



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GAM 

Martinho Affonso Mexia, filbo de MartiBho 
Affonso Foato, e de Maria Loarença. Era 
^utor pfela Universidade de Salaroanea, 
prelado de Tliomar, agente dos negócios de 
Portugal em Roma (quando este reino esta- 
va sujeito a Casteila) secretario de estado 
do conselho de Portugal, bispo de Leiria, e 
depois, de Lamego. Foi elie que tratou da 
eanonísação das rainhas Santa Izabel, e San 
ta Mafalda, e passou por Dm a bispo de 
Coimbra. Foi um dos 3 governadores does- 
te reino, por Philippe 111, e morreu em 30 
de agosto de 1623. Jaz na egreja da Senho- 
ra da Expectação d*esta villa. 

D, Manuel de Menezes, filho de D. João 
de Menezes (ode Campo Maior). Foi grande 
mathemalico, profundo cm historia grega e 
romana e na sciencia do brazão. Era tam- 
bém poeta. 

Foi 4 vezes capitão mór das náos da In- 
dia, e era um capitão valorosíssimo. 

Foi chronista-mór do reino, por morte 
de fr. Bernardo de Brito (pelos annos de 
1618) e cosmographo-mór. 

Escreveu a Chronica de D. Sebastião, a 
Restauração da Bahia e fez importantes no- 
tas ao Livro das Famílias. Morreu a 28 de 
Julho de 1628. Jaz na egreja da Madre de 
Deus, em Lisboa. 

Aflfonso Mexia, vedor da fazenda e capitão 
de Cochim. Instituiu no termo d*esta vilIa 
€s morgados que depois foram de D. Antó- 
nio da Silveira e Albuquerque. Foi também 
valoroso capitão. 

Diogo Mexia, que serviu em Ceuta, onde 
tbrou acções de grande valor, e recolhendo 
ao reino cheio de cicatrizes das lançadas 
dos mouros. 

Bartholomeu Rodrigues, tão valoroso ca- 
pitão em Africa, que fti cognommado tBlan* 
Hm Marte Portuguezt. 

Francisco Vaz Galvão, valorosissímo sol- 
dado da aeelamaçào de 1640, capitão de ca- 
vallos ligeiros, commissario geral de caval- 
laria; morrendo na patente de tenente g^- 
nensl. 



CÀM 



73 



Gonçalo Mexia, que pela sua muita sabe* 
dória foi chamado o mestre* Gonçalo. (Em 
memoria d'este sábio se deu o seu nome 
a uma rua de Lisboa, que ainda se ehama 
Beco do Mexia. 

João Rodrigues, que, cegando, ainda no 
berço, de ambos os olhos, com bexigas, mes- 
mo assim aprendeu portuguez, latim e phi* 
losopdia, na Universidade de Évora. Foi 
mestre de latim em Tavira, onde casou e 
morreu. 

Estevão da Gama de Moura e Azevedo» 
valoroso soldado das campanhas de 1704 a 
1705. 

Ajudou á rendição das praças de Yallen- 
ça e Albuquerque, ie foi valoroso governa- 
dor da praça doesta villa, que defendeu he- 
roicamente em 1712 (como já disse) com 
grande gloria das nossas armas. 

Tem esUcão telegraphica de primeira or- 
ordem (oiffio Estado), por decreto de 7 de 
abril de 1869, por serpraça de guerra. 

Este concelho é apenas composto de 3 fre- 
guezias, com 1:400 fogos, que são as duas 
da villa e a d'Ouguella. 

CAMPO DOURIQUE^Vide Ourique. 

CAMPO PEQUENO — Extremadura, 2 ki- 
lometros ao N. de Lisboa e no seu termo, e 
comarca; concelho dos Olivaes do lado do 
N., e do de Belém do lado do S., freguezia 
do Campo Grande. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. 

Dá-se-lhe o nome de Campo Pequeno^ 
não porque elle o seja, mas para se diffe* 
rençar do Campo Grande, que lhe fica visi- 
nho e ao N. 

Ê plano e muito espaçoso. 

Por todo o lado do N. o guarnece a ex- 
eellente casa e quinta do sr. Francisco Isí< 
doro Vianna. 

O lado do S. é occupado com o palácio o 
quinta dos srs. condes das Galveias. É uma 
das melhores residências dos arrabaldes de 
Lisboa, tanto pela belleza da sua situação, 
como pek) nobre e grandioso palácio, cons* 



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74 



€AM 



ICAM 



trtiido no seeulo XVIII, e pelos' jardrrts e 
bòsqaes da qainta, ricos de ai*vor«i ôKotii- 
cas. InfeHzmenle ê^ta quinta está mtiíto des- 
pregada, nâo obslanle servir de habitação 
permanente aos seus proprietários. 

Pelo do E. é o campo orlado de boas ca- 
sas, e junto a ellas paissaA tístrdda que sain- 
do das barreiras do Arco do Cego, se diri- 
ge ao Campo Graiide, Lumiar, iete. 

'Wesla estrada, entre o Arco doێgo eb 
€ampo, está o padrão que comntemóra as 
pazes, que a rogos da rainha Santa Izab^l, 
fez o rei D. Diniz com seu fllho o infante D. 
AíTonso (depois IV do nome), no próprio lo- 
gar onde a batalha estava imniinentc. 

Actualmente este campo, alt^m de ser um 
passeio predilecto dos habitantes de íjisboa, 
é o destinado para os exercícios militares 
<los corpos da íruarnição de Lisboíí, e alliíte 
passam brilhantes revistas em oeeasides de 
solemnidades publicas, ou em obsequio de 
algum príncipe estrangeiro qu<^'em visitar 
Portugal. ' 

Tratemos rapidamente das discórdias que 
deram causa ás pazes que fizeram este cam- 
po célebre nos annaes dá historia pòrtu- 
gueza. .:•" ' • f''' 

OinfatítoD. ÁíTonííó, de g^ivio^^insoffrido 
e arrelKitado, nao Aia com b^ms olhos o va- 
limento com que seu pae distinguia D: Af- 
fonso Sanches, filho bastardo de O.' Diniz; 
porém, para colorir a sua rebelliào contra 
seu pae, tomou por pretexto? a refcuèaf qiie 
este lhe *f}zera sobre a prethíçlo da posse 
de varias terras e castellos e sobre atrgfnen- 
to de rendas. 

' Pondose o infíínte á frente de algtins fi- 
dalgos descontentes e de seus vassa11o9'e 
das tropas que puderam reunir, se dirigi- 
ram a Lisboa, onde seu pae se a^toVa. 

(Note-sè que já nao era a pHmélra vez 
que o turbulento mancebo tomava as ar- 
mas contra seu pae e rei.) ^ ^ .^' 

Sabendo D. Dinlí dâ' Chegada dó 'filho 

desobediente, e da« tí^opas rebeldes ao €áih- 

jpo Grande (ainda eiltão chamado Alvalade) 

marchmílogo tonlfú eile com as tropas que 

'á preôsa poude teilaír. Apenas ch^ou *«to 



Campo Pequeno, começaram logo as esea- 
raÂiuças, e a'pelflja erai infallivel; raas e^k- 
tâo apparêce Santa habel, montada em nina 
mula, atravessou,* «sem ninguém, por-ealre 
os combatentes, e chegando ao pó do flilio x> 
convenceu do reprehensivel acto que pr;ití> 
cava, e' conseguiu trazel-oá presença do rei 
a pedirdesculpà da sua rebelliao, e alli ain- 
da mais uma tez fiíeram as pazes. 

Para mo mona d*este successo, mandou a 
mesma rainha collocar um padrão. È oqaie 
está no míoro, do lado direito c no^itlo já 
indicádtíi. 

Passados annos ser poz no pedostal da 
memoria a seguinte inscriprào : 

SANTA IZABEL, nAíNIIV DE PORTUGAL, 
MANDOU COLLOCAU ESTA PEDRA 

' NESTE LOPiAR 
"EM MEMORIA DA PACinCAÇÃO, 
QUE N ELLE FEZ, ENTRE SEU MAUiDO, 
. 1 EL -REI D. DLVIZ, 

E SEU FILHi), D. AFFONSO IV, 

ESTANDO PARA ÍJE D VIíEM BATALHA^ 

NA- EUA DK Í:32^. 

O infante D. AÍTojiso pagou o que /ez a 
seu paci cora as desobediências e guerras 
que depois lhe promoveu seu filho IX Pe- 
dro.^ . 

Ênor Campo Ptíqueno íi primeira eàtàrao 
do caminho de ferro L:írinanjat (thtirwa^^^a 
vapor) de Lisboa a Tornis- Vedras, cuja cir- 
culação começou no 1.» de outubro de 1873. 

(Vide Alvalade*, Arroyos e Campo Grande.) 

CAlsitO SALGADO— * Vide Cbào Salgado. 

CAMPO Í)A TRINDADE— Yide Trindade. 

CAMPO DAS víboras — freguezia, Traz- 
pçj-Monfes^ fui alé 1BS5 da cooi^^ca do Mo- 
^a40|Uro, conceUio de Viuiioso. Desde en^o 
ócomarcar de ifiranda, e.do mesmo concelho 
2i kilometros de Miranda, 460 ao N. de L}§- 
boa, 185 fogos. 

. > Ena 1757 linhaiSO (ôgOB. , ' . -i 
- Orago iNiOâ$a Senhora ^a Assampçàa* « 

Já foi antigamenlQ.daMOomaPca do Mi- 
randa. 

' Foi da bispbdo de IfíiTrtnda/ bojei é^d» bis- 
pado e didtrtetb admii^ieiTAU^o do^Dmgaiiçii. 
• Foi saqt^eada pet08^^!»8tellmnos em 1705, 
^t2Ètíiio^ os seusmoMoFes reáOKiéos i mi- 
séria. .i;Hi 



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A egreja matriz é milito pcibre, eacnra, 
antes de 1834, apenaí tíhha 71000 Wfs'e'b 
Jíé cl'aTfar. El\a apresetitado pelo téíM êe 
Vimioso. ' ' ' 

Está situada enire duas ft^agas múítò âll- 
ta?, d'orideíc avista muita terra dcPohu- 
çal o Hespànha. 

Fiea entre o^ rios Mâçans e Àngúetta.Re- 
pm mócm e tem pisoes. 

Ha em Portugal mais 81 aldeias com o 
nofnei do Campo, mns sem coi?a notável. 

CAMPOS — fregueziá, Minho, concClhòde 
Vieira, comarca da PoVoa de Lanhoso, fô 
kilometros a NE. de Braga, 3í>5 ao N. de 
Lisboa, 90*fbgos. ' • 

Em 1757 tinha 67 fogosj. 

Oi-ago S. Vicente. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. * 

Ò reitor de Santa Maria de Visde apre- 
sentava aqui o vigário ad nttftmt, qne tinha 
?0^000 réfs e o pé de altar. 

Produz e?ia freguezia muito milho e ceh- 
' tcii); do mhi3 pouco. 

Confina com as serras do Gereze Cabrei- 
ra. Enterra fria, mas mOito saudarei. 

Passa aqui o rio Misar*ella, qtie ré^^ c 
Tuóe. 

CAMPOS e VILLAMEAN— freguezia, Mi- 
nho, comarca c 10 kllouteli^os ao osé. de 
Vallença, concc^Iho e 8 Itílónielros a NE. de 
Mlh Nova da Cerveira, 54 a NO. de Bi*aga 
c 405 ao N. dé Lisboa, 260 fogos. 

Em 1757 tinha Campos, 127 fogo^, e Villa 
Mean Oo, hoje tem a primeira Í63 e a se- 
gunda 97. Orago S. Joào Baptista. ' 

Arcebispado de Braga, distrftíto kdihFtlIs- 
tratívo de Viaíma. • • 

' Fòi antigamente^ dft comarca de Viáhíiíti 
' Situada etn bellaí e fertiHssima plattièíe, 
ÍEttráVesfsádíi pela estrada* real' dé Llitóa, 
feita: em 1864. BM^ui se vetem Varras pb- 
Waçôês pbrtuguem, a c!dáde-de Tér}*^e al- 
gumas serras de Po^l«gaí o Gallfta. ' ■ ' 

■pásl^a-^lhc iíeíá' extremidade N. ò ^Méioso 

te TMirilíO, que com scufé rlcoà itatetros fho 

• fthffífsa'ds campDá ráarginaés, èà'faíiifb«ni 

<lante de peixe de varias qualidadéáj"átííi- 

'^6 o ftíâis eMimadof e^tlbâVèl o salmlío, a 

lattipTíeia è é savtl. ' < ' ' ' ' 



<^m 



tB 



Vllla Mean era freguezia independente, 
téfido pororâfeo S.- Payo ^ pertenfciíi (é p<Hr- 
tence) áb cbneelho de Vi lia Nova dn Cervei- 
ra. Cam^ws é dividida de Vílía Méan pbr 
um tíboiró^quo dcSa^a Ra esquerda» do Mi- 
nho, e pertcíice ao tíoncelho de Valléíiça. 
Agora que se nníratn e^is diías fregiiezias 
fòrmaBdo lim* só, fiedu pertencendo a dd5s 
concelhos; Vide Viila Mkti,' de Villa NòVa 
da Cerveira. 

Né bmppa das eong^ãas dé 1856,'Vcirttes- 
ta« ft^gUeíílas èíéparadas ; mas eu esti\'è aqtti 
em 186i e ellas estavam Hnidas, teétlo ró 
um parocho. Èfinf '1757 s6 a freguertó d^âm- 
pos tiblia dois abbades, um com cura^é^ou- 
Iro siem eíle. Cadíí tirt! tinha erilàod^rènSl- 
iueuto, 15O?i5O0O' r^. NVsso tempo, *a fre- 
guezia de Villa Mean tinlia^ vigaíior, apre- 
sentado pelo cabido' da eoHegiàda dèVallcn- 
ça (Sânlo Estcvam) e tinha de rcndá trinfa 
mH réis e o pé d'al(ar. ^ 

O arcebispo de Bra ga apresentava aqui, 
por coneurso, o abbade, e umbeneficíosim- 
píes», íinéy ambòá- retediam .5G()|i600 réis. - ■ 

Onde aetuahnénte estíà-a capei la dè Santa 
Luzia, foi a priniitlivá fundação do^éoAVen- 
to do fruirás dé^anf Anna (bcnedíc^inaSíl de 
Vianría*. ••''.-:''■ : . . > . 

Eram padroeiros d'eáte convento, o» 9i!- 
•yai,'íqríé Unham o sêu ^dar afjtti perto. Péi 
aqui abbadessa, D. Urraca Soares, filha de 
Soeiro^ Ot^ncalvès barbudo. O nrcebiífpò D. 
Fernando da Guerra, ^í- breve de MafUnlto 
V o reduzia « abbaditíseèular, tutídándô âs 
freiras para Loivo,' c d-a(íai foram para o 
convcrito de» Vianiltt,' prtr ordem do arcebis- 
po il>; Diogo do Sòúfe*; nfâá, oomo^jádís^, 
o piimeiro conváálo (muito 'peqtfenfèf)fbi 
íuôto â'tal ftáípeM^i qtteí'lhe sei^íáde t^ft*- 
Jai Maslsto sóoonslâi daifradiíjão. que é 
certo é ter sido o mosteiro, oèdef hofÍF^a 

' ' Sdo árhM osla^ relí^osds a^ipi^adffiiáis* 
IranaaqueUáícapèllííi ' . '* ■'''''■ • 

É terra muito afetondantédé â|:ua3. -'^ 
O sr. Gaspar fiefte ttíbeií^eSíf v^ídè^Val- 
ibft((di'4em áiiuJi^uffliilHidÂ^casa d^catrfpoe 
grande quinta, a uns 100 n^rds* da eM^rada 
i|líHi;>» oi, ..,-1.., *> ..i. -hí ,.. •./:•, :.C\ 



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76 



:CAN 



do seu nome, que rega, e vae desaguar (mes- 
mo D'esta freguezia) na margem esquerda 
do Minho. É o que dividia antigamente as 
freguezias de Campos e Yilla Mean. 

£' bellissiraa a situação doesta freguezia. 

Diz- se que foi aqui o solar dos Valbôas, 
do cuja famitía procedem varões célebres. 
Alguns d^elies são famosos nas nossas chro- 
nicas, peio seu valor nas guerras do ultra- 
mar, onde fizeram grandes serviços á pátria. 

Ha mais em Portugal 21 aldeias chama- 
das Campos, não tendo nenhuma cousa di- 
gna de menção. 

CAMPOS ELTSIOS— vide Leça e Lima. 

CANA ou GANNA— viila e freguezia, Bei- 
ra, Baixa, comarca e concelho da Guarda, 
65 kílometros ao SE. de Viseu, 300 ao NE. 
de Lisboa, 232 fogos. 

Bispado e districto administrativo da 
Guarda. 

Apenas vejo esta villa e freguezia mencio- 
nada no Diccionario Qeographko do Flavien- 
se, e em mais nenhum livro antigo ou mo- 
derno. Ou foi engano do auctor do tal dic- 
cionario, ou esta freguezia foi annexada a 
alguma das da Guarda. 

CANADA — portuguez antigo, passagem 
ou caminho por entre paredes ou logares 
ermos e escusos, isto é, por onde coFtuma 
passar pouca gente. De Canada se deriva 
canal 

CANADELLA — medida usada antigamen- 
te (até ao século XIV) na terra de Moncor- 
vo; eram Vi do actual alqueire. 

No alvará que D. Pedro I deu a Moncor- 
vo, em 1361, declara que— suppbsto havia 
mandado que fosã^e geral no reino o alquei- 
re de Santarém, os de Moncorvo não pagas- 
sem 2 alqueires de cevada, que faziam duas 
eanadellas e meia, mas sim V4> qu^ foziam 
duas eanadellas. 

CANADÊLLO — freguezia, Minl^ cornar- 
.4» e concelho de Amarante, 60 kilometros 
a NE. de Braga, 360 de Lisboa, 7^ fogos. 

Em 1757 tinha 30 fogos. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo do Porto. í 

Era antigamente da comarca de Guima- 
, riies, termo da honra da* Ovdba do Marão. 



Pertencia Canadéllo á freguezia de Boa- 

delia da Ovelha. Desannexou-se, formando 

freguezia independente, pelos annos de í680l 

Está situada em uma baixa, entre serras» 

que são ramificações do Marão. 

O abbade dos frades bentos de Pombeiro,. 
apresentava aqui o cura, que tinha 20WOO 
réis de côngrua e o pé d*altar. 

Produz milho, legumes, vinho, azeite c al- 
gum trigo. 

Boas aguas. Fria. Passa aqui o rio Olio* 

Canadéllo, no portuguez antigo, é diaii- 
nutivo de canada, como se disséssemos ca- 
nadinJia, pequena azinhaga. Vide Canada. 

CANAES — aldeia, Exlremadura, fregue* 
zia de S. Christovão da Caranguejeira, co- 
marca, concelho e 9 kilometros de Leiria,. 
138 ao NE. de Lisboa. 

É tão saudável esta aldeia, que se passam 
20 e mais annos sem n*ella morrer ou adoe- 
cer pessoa alguma. 

CAJí AL— villa, Alemtejo, comarca, con- 
celho e 6 kilometros ao S. de Extremoz, 35 
ao ENE. de Évora, 144 ao E. de Lisboa, 5Q 
fogos. 

Em 1737 linha os mesmos 50 fogos. 

Or:igo Nossa Senhora dos Milagres. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Évora. 

É da casa de Bragança. 

Situada em um monte d*onde se vò Es- 
tremoz e Évora Monte. Tera termo próprio^ 
no qual não ha senão uma aldeia, chamada 
Agua Santa. É terra fértil. 

O arcebispo de Évora apresentava o cura,, 
que tinha 3 moios de trigo e 19^000 réis 
em dinheiro. 

Ha n^esta villa um hospício de frade» 
paulistas, chamado do Valle do Infante, nas 
abas . da serra de S. Gens. N^este sitio de 
Valle do Infante, se fundou um convento 
para frades paulistas, no anno de 1372, ten- 
do por orago Sanio Antão, e foi o segando 
da ordem em PortugaL 

Demoliu* se em tempo de D. João IV, mu*^ 
dando-se o convento para Lisboa, e ficando 
aq^ o hospício, ao qual pertencia uma boa 
quinta. 

Tinha, smtes de 1834, juiz ordipano, feito 
a votos do povo da villa e termo, confirma*' 



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CAN 

^o pelo corregedor da comarca de Efora. 

Tinha casa da camará e vereadores (que 
eram os últimos que tinham s^vido de jui- 
xes ordinários, por não ter vereadores feitos 
por pelouro). 

Tinha os privilégios de caseiros da casa 
de Bragança. 

Foi n*esta freguezia, e nas proximidades 
do Ameixial, a gloriosa victoria ganha por 
D. Sancho Manuel de Vilhena, conde de Vil- 
ia Flor, contra D. João d' Áustria, no dia 8 
de junho de 1663. Chama-se a victoria dó 
€anal, porém mais vulgarmente, victoria do 
Ameixial. Vide pois Ameixial. 

CANAS ou CANHAS e RANS, (também se 
diz RANS e GANNAS)-- freguezia. Douro, 
comarca e concelho de Penafiel, 48 kilome- 
tros a NE. do Porto, 335 ao N. de Lisboa, 
100 fogos. 

Em 1757 tinha Canas 45 fogos eRans 65. 

Orago de Canas, S. Tbomé, apostolo, e de 
Rans, S. Miguel, archanjo. 

Bispado e districto administrativo do 
Porto. 

Era antigamente da comarca do Porto. 

N'esla freguezia era a celebre honra de 
Bai^sa (vide Barbosa). 

Situada parte em monte e parte em valle; 
tfella se vê a freguezia de Oldrões, parle da 
de Gallégos e da de Boa Vista, 

Os frades bentos, de Paço de Sousa, apre- 
sentavam aqui o cura (de Canas) que tinha 
de rendimento 70^000 réis, e o reitor do 
collcgio da Graça, de Coimbra, apresentava 
o cura de Rans, que tinha lliWOO réis de 
côngrua e o pé d^altar. 

Esta freguezia era sujeita ao juiz da honra 
ie Barbosa. 

€orre aqui o ribeiro de Canas, que nasce 
Tia aldeia de Villa Verde, freguezia de Duas 
Egrejas, que móe e rega. Suas margens são 
orladas de arvores de vinho (arvores com 
•vides) e tem de notável, segundo diz o padre 
Cardoso, não crear qualidade nenhuma de 
peixe. Morre no rio Cavallum, no logar da 
Pena, freguezia de GaHégos. 

Estas duas freguezias íbram amiexadas 
uma à outra no principio d*este século. Vi- 
de Rans. 

CANAS DE DUAS EGREJAS e RANDB-^ 



CAN' 



Tí 



freguezia; Douro, comarca c coneeHicí é» 
Penafiel, 35 kilometros ao NE. do Porto, 
335 ao N. de Lisboa, 260 fogos. 

Em 1757 tinha 190 fogos a freguezia de 
Canas, e 29 a de Rande, que ainda então wa 
separada. 

O orago d*esta era S. João Raptista, e o de 
Canas, SaAto Adrião. 

Bispado e distrícto administrativo do 
Porto. 

O reitor de Villa Bòa de Quires, apresen-^ 
Uva o cura de Rande, que tinha 30|!000 
réis e o pé d'altar. Vide Rande. 

Era antigamente da comarca e termo do 
Porto. 

(O padre Cardoso diz que esta freguezia, 
em 1750, tinha 514 fogos; mas parece-me 
muita gente, nem vejo motivo porque a po- 
pulação diminuísse metade, desde então até 
hoje.) 

Situada em montes d^onde se vé Penafiel 
o Valle de Sousa até Cepeda, o Valle de S. 
Chrístovão dos Milagres, S. Thiago da Serra 
do Bom Jesus de Barrosas, Unhão, Santa 
Quitéria e as serras do Marão, Aboboreira, 
Gralheira e Rossas. 

A matriz é na aldeia de Giro. 

O ordinário é que apresentava aqui o rei- 
tor, que tinha 40^000 réis, pagos pela com- 
menda^ c 2|>250 réis para cérae hóstias. Tem 
dois campos no passal, com suas hortas, jun- 
to à casa da residência, outro entre os pas- 
saes da commenda, onde antigamente este- 
ve a matriz prímittiva. Tem mais 3 quartas 
de pão e 6 estrigas de linho de conhecença^ 
dos casados, e dos meieiros metade. Tinha 
um coadjutor a quem a commenda dava 
SfifíÚO réis de porção. 

Esta freguezia é muito abundante de aguas 
e muito fértil. 

CANAS DE SABUGOSA— villa. Beira Al- 
ta, comarca e concelho de Tondella, foi até 
1855 do concelho de S. Miguel do Goleiro. 
13 kilometros ao N. de Viseu, Í70 ao N. de 
Lisboa, 300 fogos. 

Em 1757 tinha 514 fogos. 

Ha provavelníiente efigano na conta dos 
514 fogos, dada pelo Portugal Sacro e Pro^ 
fano. O padre Cardoso, que escreveu quasi 
pelo mesmo tempo (1750) diz que tinha SOO 



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w 



GM» 



íogo^ía, fç^guezia e 40 a- viB^ a<í lQ4a, ?«,; 
P<ar0oe-me esta cantsi maiaraaoavel, qíçqi^^ 
motivo para suppor ctue eiM^freguezú a^* 
gmenta&se inaia . áç^ 4o)|rO) po e^s^aço, 4^ 7 
aonos. ' 

Bispado e districto administrativo' de Yi- 

Foi antigamente couto do^ hUpos de Yi- 
seu, qo^ ainda aqui conservam uma tullia 
ou celleiro, junto da praça, onde recebiamr 
0^ diicjmos e íôros^ 

Era da coroa. . 

Nos livros, antigo^ diz-se qpe. o orago 
á^sta íreguezia é Nosaa Senhora da Assum- 
pção, e nos modernos se lhe dá por orago 
Nossa Senl^ora das Candeias. 

O aiibade, já antes de 1634 era feito por 
Goncuro^ synodai^ apresentado pplo ordina- 
Th, e tinha de reuda 360^000 réis. 

Tinha antigamente juiz ordinário, verea- 
4orps, procurador dq concelho, escrivão da 
çamara c ^scrivlo do ; publico e judiei»!. 

Produz nmito yi^iho na freguesia, dos mais 
géneros mediania. 

O seu foral é o ^ne? mo dQ Penafiel. 

CANAS DE SENHORIM— vttia, Beira Al* 
ta, comarca de ManguaMe» concelho de Nel- 
las, 18 kiiometros ao S. de Yiseu, 26o aa.N. 
âe^ Usboa, o90 fogos, 2:200 almasw Eracon* 
oelho^ que foi supprimido em^ 1855. Tjnha 
iW>;eonc5elho 870 fogos. 

A villa a freguezía, em 1757, tinha 254 
fogos. Orago o Salvador. 

A 3 kiiometros de distancia, para SE., a 
400 metros da margem direita do MoodégQ,. 
ba uma nascente de aguas sulphurosa?, np 
logar de Felgueiras <pelo que, uns lhe cha- 
mam Caldas de Canas de Senhorim^ outros 
Caldas de Fel^miras^ Yide Felgueiras. 

Teve antigamente donatário particular, 
mas passou para a coroa, em tempo de D. 
jKaauel, e assim se conservou até i83L 
. .SijU3dda em planície, d'onde se despobrem 
«muitas, povoações, que ficam nas abas e vi- 
sinhanças da 'serra da Estreita. 

O cabido da Sé de Yiseu e.o papo, 2^re- 
sentavam alternativamente o abbade, que 
4ÍQba de renda ôOOJiOOO réis. Tinha a tefça 
008 disimod o cabido e chantre de YJseM, e 
os oitavos e foros, que rendiam, para o ca- 



GAN 

bido ^^000 réis e para o chantre 350^000 
réis. 

Havia cm tempos antigos, no termo jd*est2k 
villa, Junjto ao logar de Y«'Ulc de Madeiros,, 
um convento de, frades bernardos, de que 
hoje só resta a memoria. 

Outros dizem que este mosteiro era< de 
Creiras bernardas e nâo de frades; oulrçs^ 
finalmente, dizem que elle era dupl x^ islo. 
é, de ambos os sexos, o que c mais p^-ova- 
Ycl. Também se eh^mava mosteiro do Yalle 
de Medeiros, e de Ca^^as de Senhorim. 

Esta freguezia é muito fcrtil e cria nmito 
gado miúdo. 

Já antes de i934 linha juiz^rdinario, dois 
y^neadoresj procurador do concellip, escri- 
vão do judicial e notas, escrivão, da camarji 
& almo^acé, tudp feito por eleição triennaj» 
dos povos do concelho. 

Ha n*esta freguezia muitos dolmens^ a que 
os d^aqjoi chamam cas, e dizem ser obra 
dos mouros, e que sobre adagem superior 
queiffuimin os disiuws. 

Tu dos sabem que o nosso povo das aldeias 
(e mcismo muitp das villas e cidades) atiri- 
bua aos mouras todos qs monumentos cel- 
tas, phenicios, carthagineses, romanos, go- 
thicos e árabes, que existem em Portugal. 
É porém certo que a tradição conservada 
de pães a filhos,, por entre varias fabula^ 
nos transmitte muitos factos verdadeiros. 
Entendo, pois, que, depurando-a dos acces- 
sorios u^aravilbospS) e dos erros do costu» 
me, quanto ás raças, se deve, se não dar 
credito completo ás tradições, pelo menos 
tel-as em muita consideração e prestar-lhe 
a maior attençao. 

Por isso, a applicação que os povos d'aqui 
attribuem aos dolmens, é, na minha humilde 
opinião, verdadeira; e confirma a dos ar» 
cheologos que sustentam serem os dolmens 
— áras> para a celebração dos sacrifícios que 
os celt^ faziam ás sui^s divindades — e não, 
oomo alguns pretendem,. wi<)nuwm/05 fune^ 
mrios. Nem o facto de apparecerem ossadas 
humanas sob estes monumentos, prova nada 
ab3olutamente (na minha Gy|)inião) contra os 
q^e sustentam que os dolmens eram própria 
e exclusivamente altares ou aras, para a ce^ 
lebração de 3acrifícies. 



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G!m> 

Yoii áiúòx as caa^a-quieiiâe/ttoyem^a sus- 
tentar A nifiha opinião. 

Grande numero A^dolDiem qiie tenho Tis- 
to^ não téem a eapai*idade ncees^ríá para» 
conterem o cadáver de um adulto, estendi- 
do horisontal mente. Ga da opinião adv^psa, 
dlzom que os celtas enterravam os sdus-mor- 
los, sentados ou de cocaras! Etsl isto qmsi 
impossível materialmente ; porqufi aaUigens 
perpen4iculare$ estão ordinariamente enter- 
radas um metro. Para alli se enterrar >uj» 
cadáver sentado, seria preciso, pelo menos 
uma cova de l-^jSO, um metro para o corpo 
e 50 oeaiimetros para ficar abaixo do nivel 
do terreno. Já se vé que, fazendo- se esta 
operação, cabiam os sustentáculos da mesa 
sopeiior, e o temerário coveiro, ficaria es- 
nagado, sob a lousa. 

Uma religião antiga e radicada em qual- 
quer paiz, ainda que seja substituída por 
outra, por muitos annos ainda (e, digo mais, 
por muilos secuios) ficam existindo e sào 
respeitados, muitos dos seus usos, ritos e 
praticas. I^ão ha pois nada mais verosimil, 
do que sobreviverem à religião céltica (que 
foi substituída pela idolatra e depois pela 
diristã) omitas das suas praticas. Ha um fa- 
cto^ que, na minha opinião, prova isto in- 
contestavelmente. Cabia a religião de Endo- 
velioo, druidica ou céltica, ante uma myria* 
de de divindades olympícas, que nos impinr 
gtram os romanos. 

Parece que os antigos lusitanos^ conver- 
tidos a uma outra religião, deviam ír-se aos 
dohttens, antas e carns e escangalharem 
tadp. 

Pois não o fizeram, pelo contrario, eon- 
sa^aram-lhe d'ahi em diante o mesmo res- 
peito; e tanto que muitos d^csses monumen* 
tos, do mais de 2:000 annos de existência^ 
chegaram intactos até aos nossos dias. 

É pois muito de suppor, que as raças que 
vieram habitar a nossa península, depois de 
já estarem os celtas convertidos, o vendo os 
éolmms sem applicação, mas respeitados, 
«scolhessem os mais amplos, para n'elies 
depositarem os ossos dos seus, pondo-os as- 
^im a coberto de qualquer proCmação^ at- 
tento. o respeito conservado áqueUes monu- 
mentos. 



GàN 



n 



Devo por^ declarar que, mandando oa- 
var profnndainente (e quanto sem perigo sd 
podia' fazer) alguns dolm^s, nunca «achai 
n^elles seicio raizoa, terra e pedras. 

Entendo pois«quesó as niito^^ eram mo- 
numentos funerários dos celtas N*ellâB^im^ 
tenho cu encontrado cinzas e em algumas 
(tnuito poucas) ossos humaiKos. 

Eis em que eu fundamento a minha opi- 
nião sobre os dolvisns; mas direi como oss^ 
jurisconsultos, no fim dos seus articulâdo& 
— Salvo melioíi judicio. 

Tem esta frcguezia yaríos ribeiros e a rir 
beira de Canas, que regam e mpem, e fazem 
a terra fresca e fértil. 

Todas estas aguas vão ter ap Mondógo^ 
que passa lambem n'esta freguezia. 

No Outeiro do Mçuro, pequeno serro no 
sitio de Valle de Boi, ha pedreiras de cag* 
taria, branca e muito fina. 

Aqui nasceu Águeda Lopes. Era casada, 
e accusando-a seu marido (parece que fal- 
samente) do crime de adultério, foi presa e 
sentenceada a pena ultima, sendo enforcada 
em Lisboa a 9 de maio de 1494. Indo a enter- 
rar á egreja dos Anjos, e vendo os frades do- 
minicos que ella dava signaes de vida, a 
levaram para a sua egreja, no meio de uma 
grande multidão de gente. Ella escapou, e 
acabou os seus dias no serviço da dita egre- 
ja, morrendo em cheiro de santidade. 

Tem foral, dado por D. Manuel, em Lis- 
boa, a 30 de março de 1^14 

Era couto muito antigo. Em 1186, D. San- 
cho I, o doou a D. João Pires, bispo de Vi- 
seu. 

CANAVEZES—vilIa, na freguezia de San- 
ta Mana de Subre Tâmega, Douro, comarca, 
concelho e 2 kilometros ao NO, de Marco de 
Canavezes. 40 kilometros a NE. do Porto, 30 
ao S. de Guimarães, 12 ao & d*Amarante^ 
391^ ao N. de Lisboa, lêlO fogos toda a fre^- 
guèzia. 

(Em 1757 esta freguezia e a de S. Nico- 
lau, tinham ambas 210 fogos.) 

Orago Nossa Senhpra da Purificação, vul* 
go, Santa Maria de Riba Taméga. Vide & 
Nicolau de Riba TWnégiu 



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80 



CAN 



Situada em uma encosta de pouco dedi- 
ve, d*onde se vé a villa d'Ámarantee varias 
povoações e serras, nas margens do Tâme- 
ga, sobre o qual tem uma magestosa ponte 
de robusta cantaria, feita (ou, pelo menos, 
reedificada) pela rainha D. Mafalda, mulher 
de D. Affonso I, pelos annos 1200. 

Outros querem que fosse a rainha Santa 
Mafalda, sua neta, pelos annos i230; mas é 
erro. Julga-se que já aqui existia uma ponte 
romana, que a rainha reedificou. 

A ponte, que é de pasmosa solidez, é toda 
d.-^ cantaria, com sele arcos, e as guardas d 
ponte são guarnecidas de ameias. Está tudo 
em tão bom estado como se fosse feito ha 
poucos annos. 

Dizem bons auctores que a origem e cty- 
mologia d*esta villa é a seguinte: 

Ahi pelos annos 110 de Jesus Ghrlsto, sen- 
do imperador o immorlal Trajano, hespa- 
nhol natural de Córdova, que o imperador 
Nerva tinlia adoptado descobriram os ro- 
manos, em um monte sobranceiro ao Tâ- 
^)aca (Tâmega) uma nascente d'aguas sul- 
phuricas, a que deram o nome d'Aquae Ta- 
macanae, pela proximidade era que ella es- 
tava do Tâmaca. 

Todos sabem quanto os romanos (e de- 
pois d'eUes os árabes) gostavam de banhos, 
e quanto se apuravam nos seus estabeleci- 
mentos thermaes. Aqui crescia mais o seu 
interesse e predilecção pelos banhos, em vis- 
ta das muitas qualidades therapeuticas que 
a tribuiam a estas aguas. Fundaram pois lo- 
go aqui umas tbermas. Para facilitarem o 
transporte dos que precizavam fazw uso 
d*estes banhos, construíram uma estrada, a 
que deram o nome de Tamacana Via, e so- 
bre o rio edificaram uma solida ponte (que 
muitos dizem ser a actual.) 

Junto aos banhos se foi pouco a pouco 
formando uma povoação, que, por não ter 
outro nome, se chamou Tamacana Via (co- 
mo a estrada) e por consequência aos seus 
habitantes • TaLinacanavienses * mas, como 
acharam a palavra comprida, lhe amputa- 
ram as duas primeiras sylabas, ficando por- 
tanto canavienses. D'aqui se formou a pala- 
vra Canavexes, que se deu primeiramente 
aos habitantes, e depois á povoação. 



CAN 

Também se veio a encurtar a palavra Ta- 
macana Via, dizendo-se somente Cana Via. 

(Perto da villa ha uma aldeia chamada 
Cánavía, que se suppòe ser corrup^ de Ca- 
na Via) 

Soffreu esta villa (como todo ó reino) di* 
versas alternativas e dominadores, até qoíò 
o conde D. Henrique e sua mulher vieram 
para Portugal. 

Desde o principio da monarchia que esta 
vilta teve bastante importância, e tem um 
foral muito antigo (mas sem data) tirado por 
certidão, em 9 de janeiro de 1498. 

Foi até fins do século IS."» da comarca de 
Guimanies, mas formando concelho inde- 
pendente, com três juizes (ordinário, dos or- 
phãos e das Sizas) vereadores^ procurador do 
concelho pespectivos, escrivães e mais em* 
pregados judiciaes e municipaes, tudo con* 
firmado pelo administrador da Albergaria 
da Rainha (de que logo tractarei.) 

O juiz das sizas tinha jurisdição no cou* 
celho de Tuyas e em parte do de Soalhaes. 

Greada a comarca de Soalhães, passou a 
pertencer-lhe o concelho de Canavezes^ e fi- 
nalmente, creando-se a nova comarca do 
Marco de Ganavezes, foi supprimido o anti- 
go concelho de Ganavezes, ou, para faliar 
com mais propriedade, foi a sede d'e$te con- 
celho transferida para o Marco de (^nave- 
zes, e esta povoação (que, ainda ha poucos 
annos era uma pequena aldeia) é hoje a ca- 
pital da comarca e concelho de seu nome; 
mas nem freguezia é. 

A mesma rainha D. Bfafalda, que mandou 
construir (ou reconstruir, como é mais pro- 
vável) a ponte, fundou aqui uma albergaria 
para 9 passageiros pobres, como consta do 
seu testamento, (que está no archivo da ca- 
mará) feito na era de 1240 de Gesar, 1202 
de Jesus Ghristo. N'este testamento, ordena 
que o povo da villa e seu termo, eleja um 
administrador d*ella (albergaria) dos melho- 
res da terra. 

A rainha encheu este administrador d*hon- 
ras e privilégios. A albergaria (que ainda 
existe) era contigua ao paço que para si 
aqui mandou fazer a fundadora. Para cus- 
tear as despezas da albergaria, a dotou com 
muitas herdades e os direitos da portagem 



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4*^6(^11(00. fí4 albergaria faudou a n^es- 
«u&jraí^ba om capella dedicada ao Espiri- 
to Santo. : * 
. , T^ a coufrarja do Espirito S^uto. Cha- 
ina-s6 ia este estabel^imeoto «Albergaria dja 
Bainha iM^ào sei coinoforapi dígiipuindo «is 
rendas d*esta albergaria, o qm>é corto ó^ue 
Untp aa foram defrau^dando qq& no pfia- 
^eipio do século pasmado eraiii apen^ uos 
-SO^OOQjs, Hoje Cfrlamemo não ha nadí^. 

Oi,« orago d'«sla viila. foi S. Pedro, cu- 
ja egrejíi ai^uda. existe (r^diizida a ^pella) 
fora da viila. É fundação da mesma rainha 
. O padre Cardozo diz que esta, villa tinha 
^m 1750 (quando elle escreveu o seu Qiçcio- 
nario^ d^asi freguezias, ambas dentro da. vil- 
io-p que é manifesto engano. A viiXa nunca 
teve^não uflf)|i freguezia, eessa mesma pe- 
qi^na,e a matriz d'ella nào ó deutrQ, mas 
sioi, na extremidade da villa, como passo, a 
dizer. A parochia de S. Nicolau^ está a 800 
ou 900 metrps ao SO. de Canavezes, e é e 
foi senapre^ freguezia separada* 

A mairiz de Canavezes é ao fundo da vil- 
la, mesmo sobre a margem do Tâmega. . 

A <)r»gcm d*esla egresja (oi a seguinte^ Pou- 
ca tempo depois da fundação da albergaria, 
^m um 8iti9 próximo d>sta e do rio, appa- 
receu uma Imagem da virgem, D. Mafalda edi- 
. ficou logo para a dita imagem uma pequena 
«Breja, com a Invocâçào que ainda boje tem. 

Oadpiinistrador da Albergaria da Cainha, 
apresentava io soliduro, ao abbade. Tem uns 
bons passaes, mas a mais de um kilometro 
da direita da egreja. O rendimento do pa- 
rooho andava por 360^000 réis. 

# Portugal Sacro e Profano diz que a 
apresentação do abbade estava n'aquello 
tempo (1757) litigiosa copi o padroado real 
e a camará de Canavezes. Segundo elle, ren- 
dia 480^000 réis. 

Tinha em 1757 130 fogos. 

De Canaveses se vé a serra do Marão, que 
fica 1? kilom^lros a E. 

. Djííi ô p;^^ Çardczo, que n^esía, vílla vi- 

. yeapor^çi^tos ai^pcs Sa;Q a Ma al|^ rainha 

de Htspanhà, filha deJÓ. 3anchoÍ l^de P^- 

tn£a], que tinha casaifo im lXÍ^çmT>J^eii' 

Ti LUME u 



:çm 



m 



riquel, de Castclla,€ cujo casamento ^qnu- 

lou o papa, por serem parentes e casarem 
sem despensa. 

É mais que provável que Cardozo se en- 
gano, por varias razões. Elle confunde as 
doas rainhas D. Mafiildas, avó e neta, e atrí- 
bue a esta o que fez aquella, como adiante 
mostrarei. 

Alem d'lsso, é Je simples intuição que ca- 
çando Santa Mafalda em 1215 (como diz 
próprio Cardozo, e é assim) esteve em Cas- 
. lella uns dous ou três annos (o rei D. Hen- 
rique I, morreu em junho de 1217) e em 
1220 já estava no convento de Arouca. Co- 
mo pois esteve ella muitos annos em Cana- 
vez.es? 

Quem aqui mandou fazer uma casa (ou 
paço) foi D, Mafaldí, mulher de D. AíTouso 
I, (avó da Sania) que mandou reediTicar a 
ponte e fazer a albergaria; e talvez que es- 
ta D. 3íufalda aqui residisse por varias ve- 
zes (n^as uão por muitos ànnos) para fazer 
uso (\os banhos, na estação própria, 

E mais: Cardozo á,\z que o testamen^p da 
rainha D. Mafalda foi feito em 1240 de Ce- 
zar, qm é o anno 12Ò2 de Jesus Christo, e 
portanto é certo que é o testamento da viu- 
va de D. AÍT^nso Henriques. 

Santa Mafalda morreu no primeiro de 
maio de 1290 (vide Arouca) e nao ó verosí- 
mil que ella fizesse testamento 88 annos an- 
tes de morrer. 

Nem da vida da Santa, que vemnaChro- 
nica de Cister, consta que Santa Mafalda re- 
sidisse em Canavezes. ' 

Tombem Cardoso sç' engana quando diz 
que no concelho de Bembiver (que nao tem 
nada coai o do Marco, nem com o de Soa- 
Ihàes, nem com o actual do Marco) está^ no 
íogar do Memorial (vulgo Marmoiral) um ar- 
co de cantaria (que deu o nome ao logar) 
feito pela camará .d>^uelle concelho para 
lembrança de por elle passar a santa rainha 
Mafalda, pa sua ida para Arouca. 

Nem o Marmoiral é no extincto concelho 
de Bemviver, nem commemora nada que 
pertpnça a Santa Mafalda; mas sim p tumu- 
lo çle um senhor chàrnado D. Souzinho Al- 



vares. (ViiHe^Marmòíial.) 



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m 



CAN 



Da Monarchtã Lmitania, de ft*. António 
Brandão (lív. X». cap. 38.«, pag. i90) aqui 
citada por Cardozo, para provar que foi 
Santa Mafalda que fez aquellas obras em Ca- 
navezes, se colli^e facilmente que foi a avó, 
e nâo a neta, que as fez. Vejamos o final do 
tal testamento. Reza assim: 

•E sejam hi camas boas e limpas, em que 
se posam bem albergar nove desses perigri- 
nos^ aos qnaes serão dadas reçoins de entra- 
da e sahida, e lume, agua e sal, quanto lhe 
fizer mister; e finando-se algum desses pe- 
rigrinos, seja inteirado, com três missas de 
sobre aUàr, e com pano e cera; e para que 
isto nunca perca, tudo se deve bem arecadar 
assim as portagens, como as outras rendas 
e porque me el Rey (se o testamento fosse de 
Santa Mafalda, é muito provável que dises- 
se el-Rcy ftieu irmão) deu privilégios porque 
esta cousa melhor fii^nase, não será escuso 
nenhum, dà dita portagem, por rezão da obra 
ser para bem dos minguados, que tenho que 
será pfol das almas del-Bey e minha c dos 
Reifs e Rainhas, que de nós vierem etc* 

Todos sabem que D. Affonso I, marido de 
D. Mafíilda, morreu a 6 de dezembro de H85. 
Ora, sendo o testamento feito dm 1202, já 
se vé que a rainha estava viuva, e que o 
rei de que ella falia no seu testamento era 
D. Sancho I, seu filho. 

Eu já disse (em Arouca) que a rainha San- 
ta Mafalda morrera com fama de virgem, 
por ter feito voto de castidade. Então como 
diz ella no seu testamento te dos Reys e 
Rainhas que de nós vierem?! 

Pois uma mulher virgem e que tinha fei- 
to voto de castidade, podia lá dizer seme- 
lhante cousa? 

Parece-mé ter demonstrado que foi a avó, 
e não a neta, que fez estas obras. 

É certo porem que a rainha Santa Mafal- 
da (neta) esteve aqui por varias vezes e dei- 
xou aqui muitos testemunhos da sua pieda- 
de. É mesmo provável que ella reedificasse 
ou ampliasse varias das obras que féz sua avó. 

Canavezes foi uma das behelrias do reino. 
' Já disse que por está freguezía,.,e mesíno 
pelo fundo da villá, passa o Tâmega, qtie 
rega, móe e traz bastante peixe. 



GAN 

Os arrabaldes de GanaTezes ^' boaitOB» 
férteis, e muito bem cultivado^ ; perdofeeai 
em abundância cereaes, legumes, azeite, vi- 
nho e frutas. Os pécegos e md§es d*aqai 
teem fama pela sua óptima qualídadô. 

Tem mercado todas as segtoidas efntfl^ e 
fdra a 3 e i5 de cada niez. 

D*aqui foi natural o dr. José Monteiro da 
Rocht, a quem o marquei de Penada gra- 
duara doutor, com capétio graf^itd, na <7te- 
çio da faculdade d^ mathematíta, na Uni- 
versidade de Ck)tmbra, em 9 de outubro de 
1772. 

Foi graduado, depois de nomedSdo Jènte^ 
juntamente com Miguel ^totiio Cieiiy'}^ 
emontez, e Miguel Franzini, ^'eneztana. 

Ambos estes professores estrangeiros* lec- 
cionatam ne collegio dos No4brés, em ListxA. 

O renome de mathematico distincto, que 
o dr. Monteiro da Rocha grangeára pelos 
seus trabalhos valiosissimos, nio ha caalo 
do globo civilisado, em que não reèôe^coia 
assombrosa veneração : e a extincta Ordeia 
da Companhia de Jesus teve n*elle um dos 
filhos mais venerandos, pela sua dtíttnctis* 
sima illustração. 

Infelizmente, maream-lhe dé sobs^ a hon- 
radez que deveria tér, as invejas com 4tie 
tratara o dr. José António da Gunh^ quètta 
mathematicá o assombrava. 

De Canavezes foi também nfattifal o tone* 
go da Sé de Évora, Jcronyino de AlmeSda, 
âuctor da Relação de como foi recebidtíem 
1582 o cadáver de el-rei D. Sebastião, traei- 
do da Afiica, a qual não vem mencionada 
no Diccionarío Bibliógraohico do sr. Itmõ- 
cencio Francisto da Silva; mas vetti índfeá- 
do n^Bibliogy^aphiá Histórico Portíigue^ãí do 
sr. Jorge César de Figaniere, 

Esta Relação anda inscrípta na Hisíortà 
Sebastita do célebre chronista cistercieiíÉe 
fr. Manuel dos Santos, fallecido em Alcobaça 
em 29 de abril de 1740. 

CANAVÉÍES^freguezia, Traz-os-MdMea, 
foi da comarca de ChaYes, coticelho de Car- 
razedo de Monte Negro até 1855, e desde 
então ^comarca e concelho de TaBá^ Pa- 
Òg, efl-kílomeiro^ ao NE. de BfttÉga, 395 ao 
^^éLÍstíoa, 130 fogos. 

Etti Vhíí tiniiá 8í fogos. 



t. 



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Ofíitgo Nò^ Senhora da Éâpeetà^o. 

Arcebispado de Braga, diátrfctò admliiis- 
irativo dè Villa Real. 

O reitor de S. Pedro da Veiga, aprèàdátà- 
va aqai o vigário, que tinha de ren£niento 
20^000 réis ^opé d^altar. 

É terra fértil. 

GáNâVEZEâ— Yide Canavêzes, vina, S. 
Nicolau de Riba Tâmega, Fornos é llárcb 
de Canavôiès. 

CàlWÍAL— freguezia, Beira- Alta, cíomarca 
de Vousella, contelho dé S. Pedro do Sul, 
35 kllomeiros de Vixeu, 30a ao lí. do Lis- 
boa, 50 fogos. Eni ÍTÍ^ tinha 78 fogos, 

Orago Nossa Senhora da Natitidade. 

Bispado e dlstrícto ádOímbiratíTO ' de 
Vlsea. » 

Foi antigamente da comarca de Vizeu, c 
é termo c do ducado de LafSes. 
^ O àbbade" de S. Thiago de Carralhaes apre- 
sentava aqui o cura, que tinha 10/ODOréís, 
2 alqueires de trigo, i afahudéá de thifab e 
o pé d'altar. 

Produz bastante milho e centeio, algum 
vinho, e do mais pouco. 

Parte da sfeíra da Coelheira é n'esta fre- 
guezia. N'eSta serra nasce o rio Coelheira. 

CANBAL— aldeia, Douro, fí^guezia de Vil- 
la Nova de Gaia, ao S. t em frente do Porto; 
fòriAosíssimamente situada no alto da serra 
^e Gaia; formada de beílas qumtas com súas 
casas de caAipo, e varias e bonitas habíta- 
^õeé, sendo a maior parte d*éllá8 em uma 
larga e vistosa rua. 

é*aqui sé gosa um deliciosíssimo panora- 
ma. Ao N. se Té fodá a cidade do Porto, e o 
Dotlro, que' lhe ílca ao sopé (táhto do Cau- 
dal como do Porto) medeando entre uma e 
outra povoaçSo apenas a largtirá ãb rio, que 
Aqui é estreitai Para o E. vé-se o convento 
dá Sèi¥a do' Pilar* é parte dè Villa Nova de 
Caia, e ao O. Vô-se uma grande extensão do 
Atlântico. 

í Pafecé-nie haver en^iáno rio ífanierb de 
feltó)'í, eni Í7Í1, qtie'Ihe dá o Púrtimnl Sãáb 
V Wo/itn<í; tjtie áío vi táes 7fe Nd tempo dò 
j^Sté dkrílhúo; iínna 21. Parete-níè isto inafs 
provável, porque nào íà rdiití)^rk 6 deaf- 



Ê nina dhs poVóações mais betíi àiicíádas 
à'esté reino. (Vide Gaia è Cale.) 

Além das descríplas, ha em Póriugal màb 
6 aldeias chamadas do Caudal. 

GANDAL -~ aldeia. Douro, comarca, conce- 
lho e 9 kilomeiròs ao KO. da Feira, ffegue* 
zia de Oleiros. 

Ha aqui uma beni montada fabrica de 
óptimo papel de varias qualidades, da qual 
é proprietário o sr. Joaquim de Sâ Couto. 

É uma das mais amigas e mais bem aórd- 
dítadns fabricas de papel da Terra da Feira. 

GANDEDO — freguezia, Traz-os-Mont^ 
comarca de Alijó, concelho de Murçá, 105 
kJlometros ao NE. de Bra^a, 37Ô ao N. d* 
Lisboa, 280 fogos. ' 

Em 1757 tinha 115 fogos. 

Orago Santa Maria Magdalena. 

Arcebispado de Braga, distrieto admilib* 
Iratlvò de Villa Real. 

Era antigamente da comarca de Villà lléãl, 
termo de Murça, correição c provedoria d& 
Torre de Mòticorvo. Eram seus dohat^os 
os senhoras de Múrça. 

Situada em unia baixa. 

O D. prior e cabido de Guimarães apre- 
sentavam aqui o cura, que tinha 26 alquei- 
res de trigo e 10^600 réis pagos dos dízi- 
mos, e 1 alqueire de pão de cada fogo. 

É terra fértil e produz muito bom váaho. 

No sitio chamado Caldas, próximo ao rio 
tinhella^ ha uma foiité de agua tépida sul- 
phurea. É remédio pára. moléstias cutâneas 
applicada[em banhos, e cura obstruções 
bebida. 

' Ha n'esta freguezia a seiTa do Eivado; e 
passa por aqui o rio Tinhella, que rega « 
móe. , 

Esta freguezia tem só 3 aldeias, cftíé stó: 
Porraes, llarlim é Monfevres. 

CANÍJÉDO— freguezia, Traz-os-Montes, tól 
até 1855 da comarca de Bragança, concelho 
dfe Tmhaes, e desde então é comarca e con- 
celho de Vinhaes; 90 kiÍQthetrós dé Miraiidá» 
450 ao Nr de Lisboa, li6 fogos. 

Éni 1757 tinha 35 fogos. . / 

Bispado e distrieto adminfstfatffcr áèlàfi* 

Orago S. Nicolau. , 



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c^bispo e tinha 50OÍÍ00O réis de rend^^^pre- 
seDtava as egrej^s de Santo Estevão de Es- 
jpÍDhoso ,e Nossa Senhora da Assun^)çào de 
Yalle de Gameiro, por serem ambas ann^- 
js^ a esta egroja. . ^ 

^ (regucz^ é monli^o.sa;, prodíiz poifCQS 
eereaes, muito vinho e castanha, e pmita ca- 
^(^ miúda, dp chào e do ar. 

. Pas3a próximo o rio Ral};^çal/ 

(ÍANDEMIL---freg\iezia, Douro, comarca 
•e concelho de Amarante, 60 kilometros ao 
NÉ. de Bríiga, 345 ao N. de Lisboa, 170. fo- 

*)Èm 1757 tinha i 10 fogos. 
^: Orago S. Christovàow 

Arcebispado de Braga, distriçto admiois- 
Iralivo do Porto. , , 

Situada em terreuo accídcntadlp, mas fer- 

Cria bastante gado de toda a qualidaíde e 
,4ein muita caça nos seus monteie 

Ô. arcebiçpo apresentava o, abbade, que 
tiii^a de rendimento 400*000 róis. , . 

CANDÉMIL—fregueziây /Minho, comarca 
de Vallença, concelho e 4 kiiomelcrps ao Ò. 
dQ Villa No.v^ da Cerveira, 54 ao ONO* de 
Braga, 24 ao N., de Yianfta, 400 ao N. de 
Msboa, 120 fogos. 

£m 1757 tinha 9$ mesmçs 120 fogos. 

;Arceí)ispado de Braga, distncto adminls- 
tTjativo de Vianna. . 

O primeiro orago d*esta freguezia foi S. 
Pedro Fins, hoje é S. Félix. (Parece que é 
uma e a mesma cousa.) 

Esta freguezia é da casa do infantado. 

Ha çm Candamil o grande prasp das Çor- 
j«w, ou da Egirja^ que foi vinculo. Pertence 
lioje o dominío útil d'elle á sr.* condessa da 
JUbeira e seus sete irmãos. 

É senhorio directo o arcebispo de Braga, 
ar.quem os emphiteiftas pagam annualmente 
;aÇ^250réis. ^ 

A casa do infantado apresenlí^va o ab- 
bade, que tinha 3O0*P0O réis. 
' Próximo doesta freguezia é oconvénto de 
S. Paulo do Monte, die frades frant^scanos. 
Ç3lá arruioado. ,,. ^ 

É terra fértil e fica próxima da margem 
esquerda do rio Minho. 
. GAlfPC^ ou VÁRZEA DA C^PÒZA- 1 



vílla, Beira AUa, comarca, concelho e 6.kN 
Ipmçtros a £. da villa da Táboa, foi até 1855 
da comarca e concelho d/) Midyes, 48 kilo- 
pietrQs ao fiE. úq Coimbra^ 240 ao N« ái^ 
Lisboa;» 280 fogos. 

Em 1757 tinha 143 fogos! 

Orago S. Facundo, martyr. . 

Bi3pado e distriçto admjaistraUvo- de 
Coimbra.^ ; 

Foi antigamente da comarca de Vis«u, e 
tinha concelho independente, d^ qual era 
çapi^l esta villa. Foi extiijicto. 
.. SUuada em um. ameno e aprasivj&l vaile 
(chamado ji Várzea) d'oiido se vè a villa de 
Mid^ e o logar da Póvo^de Midoes.^ 
' Tinha termo seu, que comprehendiai 05 
legares da Várzea de Candoza e Villa CluL 

As freiras bencdictinas dQ Vairào apre- 
sentavam aqui o .'Vigapo, que tinha 31 al- 
quebres de trigo, 32 almudcs de vinbo, 20 
alqueires de centeio, 20 alqi^eircs ãemilha 
e ,10^000 réis em dkilieiro. , 

É terra frrlil. 

Tinha j uiz ordinário, vereadores o procu - 
rador do concelho. , , 

Junto á vlUa nasce a ribeira doseunomf> 
que mesmo aqui tem 3 moinhos e um lagar 
de azeite. Suas nçiargens sào muito bonif^s a 
ferieis, jj 

Esta villa se tornou tristemente célebre 
em nossos dias, pelas atrocidades impune- 
mente praticadas pelo scelerado, conhecido 
geralmente pelo nome de Ferreiro da Can- 
dosa, que foi barbaramente assassinado por 
outro scelerado ainda mais perverso, o João 
Brandlo, de Midoes. (Vide Midões.^ 

D. Manuel lhe deu foral,, em Lisboa, a 12 
de setembro de 1514. Serve também para 
Várzea da Candoza e Villa CUà. 

Ha ii*esta freguezia o palácio e bella quin- 
ta do Iforôn^ o, do sr. Luiz Canãido de Fi- 
,(nieiredç^ Audiapt, a mais formosa vivenda 
da Beira, abaixo da dos srs. Paes, deMaa* 
gualde. 

p sr. Audinot m^pdou construir uma lel« 
la e^tfada^ à sua custa^^^çai yae rntroiicar 
na estrada real de Coijoíibra, (>'e,modo qae sà 
sabe do ^urC^'to à enin im X^lf^^ ^^P^ 
JPqfío, d^caíiuagcnii. ./ ,, ,,, , 

CANDOZÒ — ífet^ucvi^, Jlru-w-^IoAtef 



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«JTúârèâ de Miraiidellá, concelho de Vfllâ' 
Flor, 414 kilomeíros ao NE. de Braga, 3^ 
ao N. de Lisboa, 80 fogos. 

Em 1757 tinha 86 fogos. ' 

OragoS. Sebastião. 

Arcebispado de Braga, distrícto admínís- 
traiivo de Bra^^anra. 

Eí-a antigamente da coninrca da Torre de 
Moncíorvo. ' 

O comracndador de Máilá, da vflla de Ffd- 
xia], apresentava aqui o vigário (cÒfTadoj 
que tinha Ali alqueires de trigo e 12^600 
réis em dinheiro. 

Situada cm terreno accidenfado, e abtm- 
dantc de centeio, vinho, azeite e Castanha: 
do mais mediania. Críá-se aqui algttth bidio 
4e s(?da. 

GANDOZO — freguezia, Minho, cotnaroa è 
concelho de Guimarães, 48 kiloraetros ao NE. 
4ç* Braga, 360 ao N. de Lisboa, 4Í0 fogos: 

Km 4757 tinha 444 fogos. 

Orâgo S. Martinho, bispo. ' 

Arcebi.^pado e dístricto administrativo' de 
Braga. 

Sitiíada em um vaile, d*ondé se vé Guima- 
rães. A matriz é antiquissima: Em uma pe- 
dra que está na parede, jurito á porta tra- 
«ressâ, está uma inseri pçào gotbica que <diz: 

Na era 210 (172 de Jems Christà) Pedro 
Uôo obríju. (É provável que fhlte t letra 
que devia designar um milhar, ou por estar 
apagada, ofu por omissão, o que e^a frequen- 
ta n'aquelle tempo, naô inscHpçÕes.) 

O bispo de Constantina apresentava o vi- 
^0^ que tinha de rendimento 80J600 téii. 
En coitado. 

Tem uma soíTrível residência Junto é^egre- 
ja. Corre pela freguezia o riòCélhé. 

Éteitafrrtil. 

GANDOZO^f^eguezia, Minho, étimarca e 
concelho de Guimarãesf; 18 kllometroft ao 
NE. de âraga, MO ao N: de Liábost, 70 fòigòs. 

Em 17t^ tinha 80 ft)g08. 

OragoS. Thiágo. » » ^ 

'Arcebispado e ' distrícto âklailniktrMfi^4e 
Prtkga. ■ -• '• '-J •■• ^ -. , - 

'8ituaâa em aiki vãlle fertif. ^« > 
'<^eaíMdo de Gaiinarães apresentam^ «m-^ 
nualmente o cura, que titiba tens ¥WM 



m 



é» 



É' terra teriií.' ' * ' " '^ * 

CANÍÇAS-^áldeíai Exiremadura^ frcgué- 
zíà de Loures, termo de Lisboa, e no pa-. 
triiirchado; Ó seti tiome é derivado do ari^í^ 
be caniça, quê ^ignifica templo de cbrisfaòs^ 

Há ií*esta ^líleià vatiãís naspenlés de aguas 
ferràginosaí5, applicadas inlernamenle, cònà 
hom exilo, em rpoleslías do eslpmágQ. 

As aguas mais usádaá s5o as das násc^n- 
te^ do Çamora è àÒ Caldas. ^ 

Concorre aqui muiia gente a fazer ftsd^ 
d'eslas aguas, e a gosar os acres pcrfui4es 
dos pinheiraes círèumvisinhòs, mesmo psor 
expressa recomràendaçSo dos nicdicos. 

Ha aqui um bom hotel, pnra rosideoçia 
dos fri^quonlldorés. ' * . - ^ 

Os^moradores d'aqui cíao-se geralmente a 
sementeira é plantio de viveiros dp ir^rèa 
frucliferas, de todas as quaíídàdevS com, ò 
que fazem bom negocio com Lisboa e outras 
localidades. . ' 

(Vide Alcan^ça, mie vem a "ser o hiesmiiJ 

G ANEDO — - freguezia. Traz -os-Monles, col' 
marca de Montalegre, concelho das Boticas» 
60^ kiloraetros ao NE. de Braga, 420'a(O^N. 
de Lisboa, 480 fogos. ' « ' 'i In 

Etó 4757 tínlla 461' fogos'. ^ '^ 

Orago 6 Salvador. ; • ( .} 

Arcebispado de Bri^, âi9ti*icto adimtlfi^ 
trativo de Villa Real ' .'■ '' 

Er^ atAigamehte da comat^ de Bra^áilP 
ça, termo de MoBtalégre^ 

SHiUda em terrenos àspefoif e montnoMM 
e só sfe vô a povoaçSoda Penha LònjgaL '" 

08> frades bentbS'do «tmyentode S. Hí*^ 
guel de Refojos de Basto ápi^seiitavam aiqlií 
o reitok*, qtie tinha 40^000iréfe ^e eongrân 
e o pé de allat. '• " - ' ' 

Passa n'esta freguezia o rio Bessa. 

É-ftertaifèrtlI. -■ '^ -• '• * - >■■« '^- 

TIfiha f^ral^ dadb pér D. AíToilso iHjteÉr 
27:de«ialodelÍ58; ' i ^ ' . • om 

GANEDO — fitegueda, Mttiho; comareà é 
concelho de Celorico de Basto, 48 kilomê- 
tròs ^ ^B. ido Braga, 375 ao^N. é0 LtòMa, 
t35 foges. .'■■' "'!:■■■' '■'« r" 11 --t) 

^Bm4í57ainha»irfogw. i } j ^1 
> Orago Sama MAHa. t ' ^í ■ 

:/^eebispado t distrieto admlaifCralifi áft 
BMÍ|a^i<.:H "b t.-. ; :! ',v '^ /. ,£in;ib .-- 



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Foi antigamente da comarca de Gaiola- 
râes, termo de Celorico de Basto. , 

lEÇra, em tempos «antigos, dos çondps de 
Basto, e ^^pois passou para a cor6a, afé 
Í834, 

^tua^a em um alto, d'onde se voem as 
freguezias de Atey, Mondim, Faya, Corgo, 
Valle de Bouro, Molares e Vláde. 

O ^.^bade benediciino de Poipbeiro apre- 
sentava aqui o vigário ad nutum, que ti- 
^ha Í30)ií000 réis. 

É terra fértil. 

Passa aqui próximo o rio Tâmega. 

Ê n*esta fireguezia a serra de Valle de 
Agu^s. 

CANEDO— freguezía, Douro, comarca, 
concelho e i2 kilometros ao NE. da Feira, 
22 kilometros ao S. do Porto, 300 ao N. de 
Usboai 610 fogos. 

Em 1757 tinha 322 fogos. 

Orago S. Pedro. 

^í^pado do Porto, districto administrativo 
i^ Aveiro. 

Ti^m çsta freguesia 40 aldeij^. 

/Of<>rdiQario apresentava o reitor, que ti- 
nha 360i$000 réis. 

Passam aqui os ribeirps ki;ba B Ifuyma. 
O primeiro morre no Douuro (margem es- 
q^^i^> na Foz da laba, logo abaixo de Pé 
de Moura; o segundo m(M*re também no 
Df^WOi i^a povoação de Crestuma. O rio Dou- 
ro serve de termo a esta frefuezia peio N., 
\S«yÍ/^ eila na margem esquerda a graiMle 
aldeia de Carvoeiro, d*onde constantemente 
a^bteoi liarco3 para o Porto (que lhe fica a 
^ikjlQmetros ao O.) condazindo vários ge- 
9t9n>0, sendo os principaes madeipas, lenhas, 
• carvão vegetal. • 

A matriz é no logar do MoMir<^ assjm 
qluupíido por ter aqni hayido um amigo 
mosteiro de frades benedictiaos, que já eití9- 
ya AQ principio da moíiarehia. 
''5í(i'' .! :. ^; y-i . ; . . 

:fiMiaie3teirot ftn (undado por a Telia 
Òuterres, no século XI. 

D.Diniz deu C6|^ liHteíro ao bispo do 
Porto, D. Giraldo, em IMA; ooio^bqgi^o 
^Ite ieMii&4Qfice9$ores eantai^mumanis- 
Sá diária, á honra de Dcus.e de Maria.',§iih 



04N 

tiswia, p^Ia alma, d^e s^u pae (d^ rei) ptí^ 
sua 6 pelas de todos seus ante<;e8spre3 ^ soe- 
cessores. 

Depois o bispo, em i307, o deu ao ^u ca- 
bido, conservando-se ainda três jeÍigi(>sos 
benedictinos. 

Em 1312 foi dado ao deão da Sf do Porta 

Em i336y o deão. Domingos Martin3 nâo* 
o quíz e passou a ser da commenda de Gbris* 
to. E^te Domingos Martins^ recusou ser par 
droei|'o d*este convento, para naa sustentar 
Qs três religiosos que ainda continuavam a 
residir aqui. 

Eov 1336, em vista d*esta recusa, foi re- 
duzido o mosteiro a reitoria secular, indo qs^ 
frade^ para o 3eu conyenio, do Porto. 

O mosteiro o a cerca foram vendidos na 
tempo dos Philippes. 

(Adiante trato d*e)le.) 

Houve um hospiciocpna 3wa pequena cer- 
ca, que ficava junto á porta princip^ da 
egreja matriz; ficou isendp a residência da 
reitor.. 

Alguns foros, foram para as freiras beae* 
dictinas de S. Bento.de Avo Maria do Porlp,^ 
e uns campos, que estão prpxiipos e ao N. 
da egreja, foram encorpor<idos á cpmpiien,da 
de J^lalta, ciiamada com^tenda de Lobão. (l/>- 
bào i&. uma freguesia do mesmo copcelbo, a 
uns 3 kiloQíietro^ ao SO. do Capéáo.) 

Achei a maior parte doestas noticias sobic>^ 
o convento, em uns apoptamenfos me|U3 f^\•. 
tigos (n^p jiei d'onde psextrahi>]99^s nâpine 
conformo com ellc^ por varias rasõe^,j|pa 
nào aponto, para não fazer este artigo po^^a 
extensOr Entretanto, a mínlia bufnild0 >ppi- 
nião é (me nimca aqui hou.ve morteiro dfi 
monges bentos, mas sim de fr^ji^s ^ n^^- 
n»a oird^m. (Viterbo é da peâq>^ mtíÍP> 
mas mo a ítwdaíQenta,) 

Eu sqpponhp^^ qm w ^^. ^oHoal^m; 
hoje a quinta do iiv Ta(fari^ f^-j^. dao^* 
triz, (a uns 250 metros dif^pte d'9)jia>r<^ 
HiQsteM^: de Ikwas; e o que ^ Me rm^- 
cia e passaes do parocho, era um hoçpl^ 
onde residiam pa ^atr^ fnades» aa0 íOHO^ 
catjieUieff . e eonfi^ssocf^ da» (rm^^^om^^r^ 

Entendo que foi esta circumstancia.i 



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deu moUvo & dii^r-^e que o convei^ era 
46 ^ades. 

É provável qae em 1304, o rei só desse 
^ bispo do Porto o convento» e cerca, o hos- 
pício e .teiras joQtas e os foros : e os cam- 
pos, que sâo grandes e bons, os encorpoi?as* 
se fíSi, Gommenda de Lobão, que foi dos tem- 
plários, e desde 1311, em que esta ordem 
Ibi extincta, ficoa isto para a coroa, até 
1319, em cujo anno o mesmo D. Diniz deu 
tudo quanto era d^aquelles cavalleiros, à Or- 
dem de Christo, que então instituíra. 

O bispo, para, lhe ficar a encargo menos 
pesado, mandou as freiras para o convento 
da f joa ordem, do Porto, e deu a este todos 
os lorosy e mais nada. (É eerto que ainda 
em Canédo ae pagam estes foros de S. Ben- 
to da Ave Maria.) Mas, vendo que os rendi- 
meiit|(^ do mosteiro não chegavam p^^as 
despezaa das missas cantadas, diárias, ou 
Bio podendo cumprir islQ (que na verdade 
era árduo) doou este resto ap cabido. Este, 
não lhe fazendo também conta, com taes 
eondíçòes, o passou ao deão, que por Am 
também o veiu a regeitar, pelos mesmos mo- 
tivos; passando então tudo a ser uma reiUH 
ria do p^df gadp epispppal. 

O bispo deu o lH>9pícij[) e pertenças para 
reiMd^licia de pair^cho, ficando com as v^n- 
das do ea^tínctpfmosteiro. Um dos Phiiippes, 
não sei qual deiles, tratpiji de seapo^r,d'is- 
la e o mandou vender, para ãs urgência;^ do 
•stado (ou antes para as soas.) 

Eis o que me parece certo, qu, pelo me- 
1^^ multo verosinHl. 

A commenda jde Lobão (as terras, porque 
os dizimos já não existiam) foram vendidas 
pelos annos de 1840. Ppi^omprada pelo d^u- 
toVA jente da Universidade, o padre lli)ii||iel 
AntpQV> Gp^lh^k da Rocha, escriptorjuridicç^ 
bem conbecM^ (vido & Mjgttel dç. Ifa(tp) a 
é hoje dos seus herd^trof. 

Este convento Unha uma grande^^^l'^ 
m^ W^ U]|^inculML Hoje está pc^iiída 
pelo sr. Bernardo José da Silva Tavares, po* 
m^ dA «Pvrto, e ppr ^eu irmão Ifeirp^nfigil- 
A»mAí#U.^x^ q ^diPcip,dompsi<^rft (me- 
nos a egreji^ lra«^fQirm^4p em ça^f^.p^rMr 
colar, do dito cónego^ ppf^f^Af^da a ^Mime 



CAN 



m 



Ainda sobre as ruinas do antigo maro 
d'esta quinta, do lado do E., sobre a es^'ada> 
dp Clarvoeiro, está um vetusto miradouro 
(mirante) e junto a elle um velhissimo ce^ 
dro, que é do tempo das freiras (ou dos fra- 
des.) 

A aldeia de Várzea, doesta freguezia, an- 
tigamente chamada Várzea de Carvoeiro, era 
uma freguezia antiquíssima, pois já existia 
em 897, em cujo anno a doou Gondezií^do, 
ao mosteiro de S. Salvador de Layra^ de 
de freiras bentas. Carvoeiro, sobce a esquerr 
da do Douro (de que tratarei nokgar com- 
petente) formava parte doesta freguezia, e 
provavelmente 3ouça, ViIlares„Mosjleirô'(de 
que adiante trato, vide Mosteiro) Vai- Cova 
e Suzaml. Nãp pude saber quando ejsta fre- 
guezia foi supprimída. A matriz ainda \xoie 
existe reduzida a capeHa.na aldeia da Vár- 
zea. (Vide Lavra.) 

É preciso noiar que em Canédo lia Mos- 
teiro e Mosteiro, aquelle junto á matriz, este 
próximo do Douro. Em cada uma d*estas al- 
deias h^via um convento de freiras benedicti- 
nas, e ambas depois foram encorporadas no 
da vfíestúSk Ordem d^ Porto. Parece qu^s o dô 
Mosteiro ainda era m^^is ^nMgo da, que o do 
Mosteiro. D*aquelle não ha vestigios^ n^ 
mesmo tradição; mas é cerlissima a sua 
existência, pois de documentos antiquíssi- 
mos consta ser na freiguezia de Vnrp^de 
Carvoeiro, assifn como • consta s^; a outro 
na freguezia de Canédq. .. 

A egrcja, do uma só nave, èmuiioDm- 
pia; mas, mais parece lUm firmazem^dp qqa 
mn^lempto. É toda de tosca, alvenaria, e«aa 
(irente, eompletameií^te.^git^i^^a de tiffk» 
tarias, causa desagradável lo^ress^. O ^t^ 
rior está tan^m em qua3í < total ^^idano, 
lendpci^co agreis, todos^ac^dúr^mdeyôr 
lhos. t ! , / 

, É n'esta freguezia a apMgf^ ^^^ ^ BT^^^ 
qi^inta de Fagilde^ ond^ ;Pa8<^ e mP^^QÇ 
o brigadeiro Victorino José da,,Si(v^ xâ^ya- 
res, bem conhecida pela «1^^ac^ctfta4a f de- 
Udade j^ mol|^l^^ legitimft. , 

iKst^fceipiezi^, qne comose.véyémmMp 



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X 



é8^ 



CAISP 



poptilosa, é tamibcm muito exlenâa e aí^i-^ 
dentada. > . 

Suas ribeiras (vallê^nas margens doã ri- 
beiros) siío muito férteis; míis confio atfiaidr 
parte da fregaezia é em elevaç5eíi, tem mui-' 
ta falta de aguas e é pouco fértil, sobretudo 
em annos de sôcca. É todavia bastante rica 
pêlo muito coinmercio que faz coín o Por- 
to, para onde exporta constantemente mui- 
tas e varias mfadeiras, lenha e carvão. 

Ha n'e>tâ freguesia fabneas de papel de 
embrulhar, e uma, fundada ha dois ou trcz 
annòâ, dê óptimo papel almasso, de que é 
proprietário o Sr. Dids. 

Ha cni Canédo muitos e Aiastos pinhaes. 

Querem algims que Canédo fosse Villa nó 
principio da monarcbia; mas tiãí) achei dó- 
cnmento que o prove satisfactoriamente. Teni 
isso porém algum fundamento pcM facto 
seguinte: 

Cànôèo tinha foral próprio, dado pòrt). 
ÀfTònso ífiio i.» de junho de 1212, e n'elle 
se lhe dá o titulo de villa; e no foral velho 
da Pôira (dó Século XI ou XII) assim como 
lio novo dé IO' dè fevereiro de 15!4, que 
tt*ázeni as dífftírentes fregtiéiiás ^ompreheíi^ 
didas no fòíal, tàomefhciòna Cáhédo, qrié 
foi sempre dâ Terra; da Feira; o ^que induz 
a crer que formava villa e concelho inde- 
pendente. 

CAÍfÉLliAS—rilIa, Ha freguezia de S. 
Miguel dePoyares,TraÍ!ios-Mónies, comarca 
e 8 kilometros ao NE. do Peso da Régua, 
50 fogos nà Yiíla, que é a cabeça do conce- 
lho, o qual tem 1:060 fogos. ' 
' Ei^ antigamente da coniárca de Y tila Aeál, 
(qué lhe fica 18 kilometíos ao NO.) e Isimtó 
da Ordei^ de Maítâ. » 

Hcá 85 kilometros a E, de Bra^a, 102 ao 
ENE. do PoTfto, 12 ao N. de Láhiegõ, 336 ãd 
N. de Lisboa. Toda a freguezia tem 620 
fogos. 

Situada éhi oiÉi monte próximo da már- 
géfh e^uierdâ 1sl 'da foz do Coi*feo, e dà dl* 
retendo Dóuftt. * '' ' 

- (Vide S. Míguèrde Poyàres«.> 

Esta freguezia tinha emí'1757, 101 fogòv. 

Já antigamente tinha juiz ordinário, verea- 
dorèsi, aknotacé «^ escrivão do g^l; Déiftro 



dá vilh está a èapeila do Espirito Santo. 

É terra muito fria e pouco fértil, mas 
saudável. ' 

É povoação mnilo antiga, mas não se sâ- 
bè quem à fundou nem quando: É na térrt» 
dePaiioias. " ' - .- 

D. Sancliu Ia doou á Sé de Làttlega, cm 
1205. ' ' 

D. Sancho 11 aí contou, cm janeiro te* 
1225, e cm julho d^esáe mesmo ahno, a pe- 
dido do bispo de Lamego, erigiu D. 'Silves- 
tre, arcebispo de Braga, n'eéte couto, utoar 
e^ja matriz, qtie já náo existe. 

Aqui viveu e morreu ^o nUlmó Visconde 
de Canellas, da familia do^ Silveiras, • pr6- 
xitno parente do i^alofosissimó^generalmar- 
quftz de Chaves. 

tlAmELLAS— freguezia; Dôufo, cotnareá 
è concelho de Arouca, 40 kflometros aot>. 
de Lamego, 60 a E. do Porto, 315 ao N. étí 
Lisboa; 80 fogos" - 

Em 1757 tinha 78 fogos. 

Orago S. Miguel, archanj(y. 

Bispado de Lamego, dislrtclo administra- 
tlvo de Aveiro. ' '■'\'* 

Foi do cxtincto contíclhd de^AWarèaga: " 

Situada enttx) dois irtótíteà. '* • 

O' bispo de Lamego apresentava annttál^ 
mehle o cura, que tinha 40' áltineires dè 
pão e i2^O0O réis em dinheiro. ■ ' 

O Portugal Sacro e Profano diz que era 
da apresentação do real padroado. 

O clima d'esra freguezia, apesar de exces- 
sivo, é muito saudável e rertil.NóssctiSTncrti- 
les ha ihúito árvonédó sflvest^ e Aiuila 
caça. 

Passa áqul b rio Paiva. ■ ' ! 

CAlfeLIAS— fregtieziá, Dónh), coii(!«fté 
dè Gaia, cotharca e 7 kilometros aô Si éfe 
Pottt>, 30Saò N. de Lisboa, 340 fogoè. 

Em 1757 tinha 180 fbgos. ^ ' 

Orágo S; Jóao Baptiista. = • '^ 

' Bispado c districto aiditfhiistráiito é» 
Porto. - ■ ■ ^ '..... ... . ■= -i- í 

SItúáda tio suave deóliVe' dé tiM 'Sétra» 

d*ottde se descobre úmâ vastsí éxtdnsio d» 

itíár, qtie flc^ 6 kilonietro^ a D. ' ^ "• 

É terra rtiuito fertih' ' ^ ' '^^ 

O abbade, já anets de iSSi (^Uliíi Mi 



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CAN» 

çgraja pof^ebncurso synodhl, c tinha de ren- 
da 800^000 réis annuaes, entrando oi pa^- 
sacs, que ^o muito grandei e bons. 

Era apresentado peia mitra e pela colle- 
giada de Cedofeita, (Porto), em que esta en- 
trava com alternativa de 4 mézes. 

Tinha anliganVente ouvidor, doié almota- 
cés (estes sô serviam dois mezes e eram fei- 
tos a votos pelo povo; findos os dois mezies 
<?!egiam outros.) Tinha dois jurados, que ser- 
viam um anrió; um <iuadrilheiro qu? ser\la 
três annoS (todos eram eleitos a votos pelo 
poro da f^eguezia). ' 

Ha n'esta freguezia grarldi) abundância 
de aguas excellenles. 

Tem aqui uma boa quinta e casa e mui- 
tas rendas 'psr. conde de Resende (D. Luiz 
Banedicto de Castro Pamplona), qtle, em 
!870, fundou aqui e sustenta á suá custa 
uina escola de inslruccFio primaria para os 
dois sexos. 

' Westa fi*eguezia lia grailde cròací^o de ga- 
lib bovino. ' 

Era antigamente da comarca e Terra dá 
Feira. 

ÇANfiLLAS— fregue^.ia, Douro, comarca 
de A^eda, concelho íJoAngeja, l2'kilome- 
iros ao NO. de Aveiro, Í6S ao N. de Lisboa, 
360 fogos. 

Em n^l tlhhíi 295 fogos. 
* Bispado e districlo administrativo de 
Aveiro. ' 

Orago Si Thorhé, apostolo. 

Fòi do bispado de Coimbra. 

Pol antigamente do termo da vllla da Bem- 
|X)sta, comarca da Esgueira. ' 

Erádos marquezes de Angeja. 

Ê sitiihdá em uma ladèlKa, d^ondc sé vé 
ViiiHeM, 6 liitdo Campo d'Angeja, o ríd 
Vdàga, Sáf reu, Braíica.. Veiros, Cássia, e 
Angeja. 

•O reltér^e Fei4ne!ân hpriesentava o cura 
d'c8la freguezia, que tinha l^iífOOO^ téis em 
dinheiro, 6 almudes de vinho e 6 alqueires 
dé-tMgo; t)ue lhe davam as freiras de lesiis, 
dé" Aveiro, as quaes ree«iyiàiii'os'dizíti)os 
tf*^Uiniògtiezia. 

É terra fertil. 

' Aqaf ^^M^^Q, em 9 de Jalli#-d6 ím,i^ 



CAN 



m 



hexú conhecido pòetá; Francisco Joaquim* 
Bingfe (cognominado «o cysne dó VoUgá»' 
e na Arcádia— FranòelioVougufénse). ' ' 

Fòí baptisíídd a 17 do mesnrómez e annd. 
Nasceu na aldeia de Pedregosa. 

Era filho de Manud Fernandes Dias, do 
mesmo Ioga r, e de D. Anna Maria Clara Hf- 
bingre, nascida em Vienna d' Áustria, 

Francisco Joaquim, quenâo quizserFer-^ 
nandes, adoptou o appeHído de sua mae^ 
por ser de melhor extracção; mas por Causa 
^tieuplwnia, de que era amante, cortott^he 
o fíy, deixando ficar só o Bingre, ''^ 

O pao d'aquélla senhora (Gaspar HyWii* 
gre) foi, segundo consta, capitão de um re- 
gimentò de hussards, no reinado dá impe- 
ratriz Maria Tht^rcza. 

Ficando viuvo, raeltew sila filha em um 
convento do Vienna, e morrendo em cjun- 
panha, ficou eila desamparada. ^ - 

Sahíu do convento e da pátria «veio ter 
a Lisboa em busca de uma tia materna, que^ 
era, ou tinha sido, dama ou criada da ral^ 
nha D. Maria Annad'ÁUstriâf'(m(ilher'de 01 
Joio V) e mulher de PhilippeBallesIri, (^ 
não tinha filhos e parece que tinham algtr*' 
ma coisa de seu, do que a sobrinha contará 
ficais herdeira; mas o terremoto do L^úò 
novembro de 1755, que destruiu Lisboa, 8d^ 
pullou nas suas ruínas Ballestri, sna mu- 
lher e tudo quanto tinham, ficando a fftfelto 
ort)han abandonada pela segunda vez** 

Tinham os tios da mãe de Bingre um 
criado chamado ManueT Fernandes; que bf- 
fereceu a D. A^a Maria €lalra trazeti j^- 
ra a stla aldeia (Canéllas) e ahi easar joon 
eila, é que foi ác<^ité, e tadt> asdíw se rèau 

Manuol Fernandes teve de sua mtilhev 
este filho- sótnente, e o^ ednceu oora os reu-' 
dtmèntois de alí[uâ9f'4)en8 <joé tíúhn; mat 0o* 
md eram poucos e mal lhes chegaT&rff pari 
não morrerem dÔ^fomej resolveiram Ir pÍP«M 
eurár fofluÀá parà^^ Lisboa. i 

Alfi se deraft) té negoèio de eèntraftwleij 
em qAB pa reèe lucravam bastante^ mâdfér^ 
Dãnde^ ou desgostoso ^a moiher ou de no^ 
gocio, deixou aquella e seu filho e veiafánl 
GaoeKss caiéaftia8'SQt« teffâs. 

Fel ^sBibgi^ eâacj4è lior^sw^ 



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90 



cm 



que apcDai o mandou apr^p^er primeiras 
leUras e latim, e o destinou ao cooimercio, 
que exerceu em casa de sua mãe, roas prin- 
cipiando desde a sua adolescência a fazer 
versos. 

Passou a sua juventude entremeando o 
commercio das Musas, com o de contraban- 
do e com a leitura de iH^ns auetores. 

Era de génio aíTavel e brando, inimigo do 
sar^soM) como da lisonja eda inveja; pelo 
q|Uo era de todos bemquisto. 

Casou CO n D. Anna Maria, como cile na- 
tural ua aldeia de Canellas, que lhe foicom- 
pa^d^ira extremosa, tanto na próspera como 
na adversa Ibrtuna. 

Parece que d'este matrimonio houveram 
6 filhos, morrendo dois em creanças, pois 
3i^ 3e sabe ao oerto de quatro -^ D. Raymun- 
á^ Marianna, que morreu vit^va, pouco an- 
tes de seu pae — Nuno Maria, que morreu 
flPYQ e era ba^charel em direito — Francisco 
Lonreo^ d* Assis, e D. Perpetuia Clara, que 
ng^irea ^adotlescente. Parece que só de D. 
B^ymupda ha ,d^soendencla. 

A mulher de fiingre, segundo se collige 
de umar carta d*elle, parece que morreu em 

Em 1700, Bingre, d*âccofdo com o beM- 
ficiado Caldas Barbosa, Joaquim Severino c 
Curvo Semedo^ organísaram a sociedade, que 
deneoinaram Academia de Bellas Lettras^ 
(depois conhecida sob o titulo de Nova 
Jaiaâia). 

;Ko aeu principio viu esta sociedade reu- 
nidps. «o seu .grémio os melhores engenhos 
4a época^e que, se durasse tanto eomo pro- 
nietlia» daria vantiâo^os resultados ás lettras 
pátrias; mas a discórdia depressa lavrou éxk-, 
treseos membros» divididos em dua^ par- 
ciaiidades^ uma oomppsta de Bocage e dos 
^m&t a a ouM» «e^ioaé Altinho de Haqe- 
4Qi:<Çiirv« Semíôda e a maior parte; pelo que 
^m4^ se desbaratou em i70tL 

Durante estas disjceiKlias, Biogce eaUva 
fOaeBlaa. tratar dof seus «ego^ios, e nâo 
leflioii parie o^dlasrff^nio para os harmo- 
râar* rm eonieguindo senão ficar bem eam 

Os negocioa da mie 4»ipaelta se «omplii 
«aMDr# tepdp-tte pregado virioa fidaifos 



ÇAN 

grandes calotes, e vendo se outra vez em 
penúria, enlouqueceu. 

Bingre, para ver se dava cura a sua mie» 
foi com toda a familia para Canellas; aias o 
mal d*ella aggravou-se, e, morrendo seu pae 
pouco tempo depois da sua chegada, sua 
mãe poiuco lhe sobreviveu, pois ^||)bos mor- 
reram, parece que em 1793, e Bingre, naa 
tendo rendimentos que o sustentassem eak 
Canellas, regressou a Lisboa logp.em i79^ 
a requerer algum logar publico. . 

Nove annos gastou como prete^idente, ar^ 
ranjando no fim d'elles o insignificante lo^ 
gar de escrivão em Villa Nova d'Anços (pró- 
ximo á sua pátria), logar que não exerceu^ 
por ser logo depois mudadp para escrivãa 
dos orphãos do julgado de Ílhavo. 

Foi demittido em 1804; mas, Florêncio de 
Abreu Perada, corregedor d*Aveiro, e sea 
protector, o fez escrivão da camará e do ju- 
dicial e notas, da villa de Mira. 

Sendo, como jà disse, de trato ameno, dc« 
generou para politico furibundo em 1820, e 
em seus versos, elogiando até aos astros a 
constituição, blasphemou contra a realeza» 
insultando os realistas, ainda mesmo^epoi» 
da restaiiração (1833) pelo que foi dei^ittida 
em 1823, ficando reduzido á miseri^. 

Parece que os libertadores de 1834 4^ 
viam pelo menos, restituir o pequeno empve- 
go ao seu façanhudo cantor, np^as elle esU- 
va velho e já não podia servir para os ^u« 
dar na sua obra de libertação, pelo q^e o> 
deixaram ficar na Indigência^ de^eatiqdo* 
lhe assim os grandes elogios que havia í^i^ 
to aos liberaes e á liberdade. 

Os últimos t% annes da sua vida^de 34 a 
59) viveu de esmolas, a maior p^te fei^s 
pelos realistas, que nãoquiz^ain y^/^^^ 
o poeta atrabiliário, e só viram o tcI^ioiiM? 
seravel. . ,, 

Morreu a 264^ n^rço de |856,^m;q^a- 
si 93 afmos de edade. w 

Qi«is* todas ^ &\is^ obras estafa ioedM^^ 
Escrevieu soneto^ odes, dithy^o^l^ «ai»t 
ções, epistolas, elegias, idyljios^' a^ó)ogw^ 
contos, epigranunas, madrígae9,sátyraS| etc^ 
e dois poemetos— Ifomo e As Mulheres-- 
^Sijtm ámmBi fariças e eiHKeB)peadia& 



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isto de poueo ou nenhum merecunen,t,o)w 

,|íasa;t mocidade foíseffrivel imfNPOvi^a- 
dor. . 

Poí|to estar muito áquem dos graiidíds pa- 
eómios dos seus amigos, suas poesias n|^ 
•ram destituidas de graça; t^pba^ pQrém, 
dois defeitos, um (copao Nioolau "^ToileptiAo) 
^ ped^' esnjola e phorar ^[li^elnias exa gran- 
de parte dos seus versos, outro era mprd^ 
a i^aão. caridosa (|ue Ibe dava çom qu(^ ma- 
t^<a£ome. isto.ó, insultar vjrutentameAtep: 
paijtido realista, que nunca; o o^endeu^ e 
qpe, co^ disse^ tantas yezes o soecorreu. 

Este maldito sestro não o perdeu «^ i 
hora da morte, apesar de só dever q^ejlx|r- 
se dos seus, que lhe pagaram cpm de^pr^so 
e esquecimento tantas resmas dp veiros que 
lhe dedicou. 

. Ç4VEU«AS~fregu^a, Dpur^, cçmarcaí 
concelho e 12 kilometros ao SÓ. dePeAaHel 
35 ao NE. do Porto, 325 ao N, 4^ jLjsboa' 
S40 fogos, 
f Em 1757 tinha 226 fogos. 

Orago S. Mamede. 

Bispado e . diãtripto administrativo do 
Borta 

EfU antígameut^ do c<^ncelho de Penafiel» 
Qias termo do Porlo* 

Pafece que esta fregu^zia pouco tepf , au- 
gmentado ha cem annos, mas nào é assino. A 
tansa do poueo augmentp apparen^ é par- 
que se desmembrou d'e^ fregueaç^ a de 
Sebellido no principio d*es(e secuk). 

£ d>sta freguezia a quiiita da Ufít^ que 
foi 4s O. Ufa, da qual tomou, ou ella lhe 
4eu, p seu nome. (Vide Bai^ão.) 

Fica esta quinta sobre a margepf^ direita 
Í9.Doi|fOi em frente das jQéld)res Pedras 4e 
Liff bilrei. Vide esAa iaaavciL 

Cerca a egreja matriz um grande adro f 
i|0 Am d*eUe, ao sul, está ^residençia-O vi- 
fMia. «i:« apresentante altemalivaíqeute^imlo 
BMK» ^0 bispo do Porto e pelos frade» 
bentos de Paço de Sousa,,TiQba de côngrua 
%i#O0ftrtts» p^goa pela ceowieiida (q;ip tapi- 
biii pagava « um coadjutcrr) e qsmaia repn 
dweatoa ^arooUiies, que tAda andava p^ 
MOMOQii^s. 

hA AAtiulJhe)gueWr4e S)^b«iHí^^ 
diiifl^ie«b iiualdejâ^^ttla tegiiiihN < ' 



C.^ 



%i 



É terra feí til eriça. 

Tinha ouvidor, feito a votos pelo povo e 
co^rmado pelo senado do Porto. Tinha tam-» 
t)em um juiz chamado da Rapoza ou da 
Montaria^ o qual, por privilegio aniiquissi- 
mo, fazia os juizes das montarias e os cou- 
deis de muitas freguezias circumvisinhas. 

Este juiz e os seus subordinados, com to* 
dos os f^eus monteirqs, eram obrigados a fa< 
zer montarias em todos os sabbados da qua- 
resma. A estas montarias ia uma pessoa de 
cada ,casa, do sexo masculino, de mais de 18 
anno& 

Os que faltavam eram multados em certa 
porção de vinho, ou dinheiro para o com- 
prar. Se algum recusava pagar a multa, iam 
os juizes e monteiros a casa d*elles, arma- 
dos de espadas e roçadouras e os obrigavam 
a pagar á força. Todo o vinho d*estas çon- 
demnações era bebido pelos que iam ás 
montarias. 

Esta freguézia é atravessada por vários 
ribeiros, que todos desaguam no Douro, que 
a limita p^io sul. 

É nos limites d*esta fregu^zia^ grande 
qnipia (copi óptima casa e capella) denomi- 
nada de ^nta Cruz, que foi solar dos Ma* 
dureíras. Foi vendida por 30 cpntos de réis, 
em 1863, á sr.* vmva Cardoso, do Porto, 
que é a sua actual proprietária. Só os pi- 
nhae^ e olivaes valem hoje o custo. É mes- 
mp soiMre a margfmi direita do Douro. 

Tem anneica a pequena Qi,iinta da Coro- 
ca, que é contígua, também sobre o Douro 
e ^m Arente da {reguezia de Sardoura^ do 
con^lho de Castello de Paiva. 
. Tem mipas de cobre, q^e se nào expjk>* 
ram; 

CANGOSTA—vide Cpngôsy^. ^ . 

GANHAr-rio^ nasce nas vj^inhanfif»; de 
MoBte-Mór-Novo, Fece)>e em si o La^rf, pr<^« 
ximo á Malta do Duque, e entra na marg^ 
eaqi^çc4a dP T^^^ abai)[o de Samoi^a Cor- 
reia, <Am 60 kitamíetiEos dis, cursou fis|^ rio 
é:qne deu o nome á villa sefuínte. Aptjga- 
nmf^/clMtiBftYa^Sfli ríQ de C^aãa^, que s^ pro* 
nuncia canhas^ e signi^ea-^^r jo.de Cam^Si 
P0te» m^ií^a que havia aas sua4 i«^«i^ 

GAMHA— viUa, Extremaduray oqnmfa e 



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0^ 



cm 



ÍÍAfí 



concelho de Aldeia Gallogi do Ribatejo, so- 
bre a esqaefda do Canha, 40 kílhrhclros ao 
NE. de Setúbal, S5 de Palmella c 48 ao SE. 
de Lisboa, 370 fog'os. 

Em 1757 tinha 400 fogos; 

Orago Nossa Senhora da Oliveira. 

Patriarchado e disiricto administrativo de 
Lisboa. 

É situada em um alto ametíò, ondo anti- 
gamente haviam multas cannas, das quacs 
tomou o nome. 

É banhada prlo Canha e mufto fértil em 
toda a qualidade de fruclos, lenha, peixe, 
caça e gado. 

Tem foral velho, dado por D. AfTonso I 
cm 1172. fFranklim não falia n'esle foral.) 
D. Manuel lhe deu foral novo, bm Lisboa, a 
!0 de fevereiro de 1516. 

Tém extensos montados, onde se cria 
grande porção do porcos, que exporta. 

Em 1750 tinha, só na villa, 200 fogò^, e 
cm toda afrcguezia outros 200.- 

A Mesa da CòVísciencia e Ordena aprcsen-* 
tava o prior, que tinlia dois beneflciadòs da 
mesma jipresentaçao. 

A egreja era do mestrado e commenda 
da Ordem militar de S. Thiago dá Empada, 
e, por carta do cardai- rei, andava annexa, 
in perpetutím, ao convento de Sanlos-o-No- 
vo, do Lisboa. 

Prior, beneficiados e despeza da fabrica 
eram pagos pela commenda, qtte rendia, li- 
qtiido doestas e d^outras despe;^, lO&^dOO 
réis. 

O prior tinha de congrtía 4 moios de tri- 
go, 2 de cevada, lÒíOOO réis em dinheiro e 
todo o pé d*altar. Cada beneficiado tinha 2 
moios de trigo, 90 alqueires de cevadsk e 
12|!000 réis em dinheiro. ^ t' - 

Tem ema de Misfericordia, (úndaâa pc^os 
mòmddres^a vHIa, na càpeila de S. Seb^^ 

ThAa, antes 'de 4834^ iuk ordlnai^io, pro- 
curado? do concelho^ escrivão da' 'catnara, 
\^eaiiores, Jnk dos off^hãos «òm seu escri-* 
vãoy tabelliàò « alcdlde. Tinha uma còmpa*' 
nhia de ordenanças. 

Ha aqai bòaá e grandéè berdadés. Offda^ 
quês do Cadaval lêem aqui a fainíOfla quiàta 
«a'lbtt&'i o i:. i- ^ - . • J/i: . j 



A mesma etimologia; ■ ♦ " ' ' 

CANHA oú SANTCESTÊVÃO-frégufeÓa, 

Alemtejo, comarca e concelho de Exlremóir, 

35 kllonietròs ao NO. de EVora, 144 aB. de 

Lisboa, 700 fogos. • 

' Em 1757'tinha 203 fogoi ' - '• ^ ' - 

Orag^o Santo E^fevão, protomartyrf 

Arcetíspado ef districto administrátiiro d»" 
Évora. 

A Mcsá 'da Cónsdetícia e Ordens, apreseti- 
tava o vigíirio, que linha de rendimento ift5' 
alqueires tiè trifeo, 90 dé cevada, umiárm^t 
ba de íéra, 121 gallinha^ e 2U500Téi« eOl 
dinheiro. 

É terra Thuito fferfíl. 

A mesma etynwlogia. 

CANIÇADA e 80EN6AS— ft^egueria, Ifi- 
nho, comarca da Povoa de Lanhoso, conee'^ 
lho de Vieira; 24 kilometros ao ÍÍB. deUf^* 
ga, 360 aO N. de Lisboa, 160'fogost. 

Em 1757 tinha 87^ fogos. 

Orago S. Mamede. 

Arcebispado e districto administrativo dê 
Braga. 

Foi antigamente da comarci» de Guima^ 
rães e do concelho da Ribeira de Soai,'d# 
qual eram donatários os condem de Uablto. 

É situada em dois vaíles, o de S. Migiwí 
e o dá Cantçada, d*onde se descobrem Va- 
rias povoações. 1 . 

Esta fregaelia era a cabeça do lai conce- 
lho de Ribeira de Soaz, e n'ella está opai^ 
e foral das audiências, próximo à niálriz. 

O arcebispo de Braga apít^séntava o db- 
bade, qué tinha 3001000 réis de reiMa. 

Passa pela f^eguezia o rio Cávado, que » 
torna muito fertH. i 

^ O Concelho de Ribeira de Soas teVld* feral 
dado por D. Manu^, em Lisboa, a 16 âeju-i 
lho de 1515. Este fordl é das ^guintes po- 
voaçííe»: AVentoSft, B^rrezal (oa BeMffal> 
Caniçáda, Cova, Poroeltos, Frad^los, Freaoi- 
de. Parada de Bonito, Portella^' PétAadefls^ 
Soeft^ e Vetttosa. ' *> - * 

Soengas era firegoei^ia itidepeniêfite,^^ 
foi ' anneiada á da Caniçáda Ao flni do s»J 
(talo XYfH. a^rago da ^^est^ à»^9om* 
gas era S. Martinho. Em 1757 tiabafO>'l6^' 
gds. O cura era kpresentado poltt aM)adè^40 
S. MarCtedM^ di V«(itosa) >è 4ifilui^ ds^nttdtL» 



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mi 

.^eiito 20^000 réis e o pé d*aUar. £9t& frf- 
. g)^^fía aaoexou-se á outra, ^âo só por ser 
muito pecmena, cpmo porque ninguém que- 
ira aqui ser parocho, com tâo iosigniíiçaute 
rendunenlo. . i 

CANIDÊLLO-^freguczia, MinhOjComarca 
• coDcelho de Poule deXiuaa^ 100 kilofne- 
U09 aq Ni do Po^rto, 360 ap N. de Lisboa, 
SOíegoa. , , , 

. Arcebispado çdiâtricio adqúnistr^iti^vo de 
Braga, , 

, Ifa uVsta freguezja uma. 9lt;i torre. árabe, 
c^ainada, # Torre de Florentim BajrrétaY^ £9(e 
era um senhor déspota, que ^brigava as des- 
posadas a estarem prjmelrp cpm el(e, p.t^m- 
PQ qi^Of^Ile qi]M;ria e. depois a^, entregava, 
Uji^di^i^e çeftp tributo d^ feijões (de qfi9 era 
.muita guloso). NingwçH^ peí^uutçií^pf bar- 
^iroa do rio Uma, «e^^/^a^janips/et/u^^ 
«o F^:^(/»». (Vide Gardiellas*). 
. . ,É , terra muito fef til em- cereacsj írMçtos, 
gado o caça. Peixe do l^iD^,g}i^ p^sapro- 

V^o* ,"■'.'■ . v.« ; -..■: 

Para a etymologia viiáe CauadollOjide qi^ 
o nome d'csla freguezia é çpixpj^^p^ . 

Nâp acha esta íreg^czia nos .livros mp- 
éemos. ^ 

, GANIDÊLLO-T^rreguezia, j)purQ,;C(m):|rca 
e concelho de Yiila do Conde, foi até 1855 
do concelhio 4a Maia, comarjca..e 15 kílpine- 
tro9 ao N. do Porto, 324 aol^. de Lisbqa, 80 
fogos. - i 

£m 17^7 tinha 60 fogos* 

Orago S. Pedro. 

Bispado 9 districto administrativo do 
Porto. ^ 

Situada em um vaIJe, d*onde se descobrem 
lOij^tas fr^guezias. . i; 

O papa e a mesa episcopal do Porto apre- 
sentavam alternativamente o abbadp^ que ,ti- 
i^ba 4e renda âOa^OOO réis. 

É fértil A inesma etymologia. 

CAUIUELLO ou LAVADÚRES— freguezia. 
Douro, .concelho, e 10 kilometros a jOS(X de 
Qaia, co^narca e lOkUon^trosaSO.^dp.PpJç- 
IQ, 305 ao N. de Lisboa» 360 ^s, 

Bp f][57 tinha 156 fogos.. > / 
' . Orago, ^nlo Andréi ,. v 

Bispado 6; di^tri(;|p a^f^isifat^yo do 



CAlíí 



m 



V Foi d^ antiga comarca e terra da Feira. 

Eram seus donatários os marquezes de 
Abrantes. 

Situada em fértil campina, juntp ao mar, 
que a limita pelo O. Pelo N. chega até ao 
Douro. O Cabcdéllo, na foz d*esie rio, ó does- 
ta freguezia. ; , 

Ao N. vá- se S. Joào da Foz e Lessa da 
Palmeira. Ao S. a freguezia da Magdalena, 
ao NEi a cidade do Porto e outras povoa-, 
çôes. 

As suas pdncipaes aldeias sâo : Paço, Ca* 
nidéllo, Lavadores e Lumiara. A egreja ma- 
triz e^tá no (togar do Paço. 

Os frades7cruzk)9 da Serra do Pilar apre- 
sentavam o cura, que- tinha 120^000 róis. 

É terra muito abundante de íructose pei- 
^xo,domare doDoiiro. ^ • ^ 

A mesma etyhioiògia. < • 

: CANNAS — Para todas a» Cannas, vide Ca- 
jias; É maii etymologieo Cannas; mas des- 
crévi-as Só com utau n, por assim estarem 
nos Diccionarios geographicos antigos. 

CANp^^villayAiemtejo, comarca eeo&ce- 
lha da Pronteira, e QJcilometrosde Souzel 
4Q kilomeCros â^Evora, 75 ao SE., de Lis- 
boa, 280 fogos* 

. Arcebispado d' Évora, districto administra- 
tivo de Portalegre. 

Orago Nossa Senhora da Graça. 

Etn 1757 tinHa 183 fogos. 

Fica 18 kilometros ao N. de Estremoz o 
15 a ESE., d'Aviz. Foi até 1855 do concelho 
de Souzel, que foi ent<ào extincto. 

Situada em uma fresòa e aprasivel alame- 
da. Gbania^se Cano pelos muitos i3anos d'a- 
gua que por ella correm. (Outro.<( dizem que 
por um célebre cano q&e aqui havia em eraB 
remotas.) 

É povofiçào n\ai^ antiga do que Aviz^ mas 
não se sabe quem a fundou. 

D. MuQuei Ibp deu foral, em Santariem^ no 
primeiro de npvembrp de ljU3 Tem. Miserj- 
cprdia. 

Tem duas graudes fontes (alem de muitas 
n^is nas^eq^ menores.) A:cl]amadft Fonte 
Grande, é um : grande deposita /d' óptima 
agua, p djellii sahe am granda^oana <ique pro- 
vaveloietKtd dou o nofiap 4 villa.>iPafa o Oi, 
tem mnaa naaopntes dtagoai^ chamadas ^Pon- 



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94 



€AN 



te dos Olhos, à*ondci sáe um cano que faz 
moer azenhas e prsões. Dizem alguns que a 
agua d'esta nascente se petrifica. 

Diz o Dícclonario Abreviado, de Almeida, 
que esta agua sáe fervendo, e que depois se 
petrifica. 

É terra muito fértil. 

Era antigamente da comarca e mestrado 
d'Aviz. 

Em outros tempos era povoação muito 
mais vasta do que actualmente, o que atles- 
tám 08 ilicerees que se encontram fora da 
villa. 

Apesar de estar situada em uma planície, 
d'aqui se Vêem as villas de Vimieiro, Ar- 
rayolos, Evorà-Mbnte, Fronteira, Cabôço de 
Vide c Aiter-Pedroso. 

A Mesa da Gonscienoia apreswitava o 
prior, que tinha 3 moios de trigo, 2 dei ce- 
vada e 20^1000 réis em dinheiro. Tinha um 
beneficiado da mesma apresentação com 2 
moios de trigo, 90 alqueires de cevada e 
8^000 réis em dinheiro. 

A Misericórdia, foi fundada pelo povo^ no 
seculb iG«. Tem uma albergaria, fundadb 
pelo mesmo temj^o (reinando D. Manuel) que 
lhe deu os privilégios das mais Misericórdia^. 

Há na fregnezia muitas e excelléiltes fru- 
ctas. 

Feira a 24 d^acfosto. 

Era antigamente cabeça dfe oonceího,'Com 
dous juizes ordinsu^ios, trez vereadores, pro- 
curadores àO «mcelho, escrivães, meirinhos 
ele. etc. 

Por provisão de D. Duarte, de 30 d'agos- 
to de 1438, tinha este concelho privilegio de 
não pagar siza nem portagem, de todos os 
géneros que trouxessem da viila d*Aviz. D. 
Manuel lhe deu também em 1476, privilegio 
de podeãrem cortar madeiras para as suas 
abegoarias no termo d'Ayiz. 

Consta que a agua da lònfó da Elmolinha 
t^m a virtude de fazer lançar as sanguessu- 
gas da garganta e de curar a ronqueira do 
gado^ 

CANfáNHraiE— -villa, Douro, 23kilome- 
tros aoiNO., de Coimbra, 2í ao N. de Lis- 
boa, 1:000 «Gígoft, (em 1660 ti&ha 400 foges) 
nò «oncelho 3:550, na eomareà St780. 

Diz o Poriugoi Sacro ê ProfitHo qfiB&n 



1Í87 tfnhailíOfòjgos: ééítoevMenie; p^- 
que o padre Cardoso, que cscreteu pocid» 
antes, diz que tinha então 420 fogos. 

Bispado e distrieto administrati vode GoiM- 
bra. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Feira a 20 dé cada mèz. 

Niò pude averiguar á data da funda^b 
d'esta villa, nem quem foi o seu ítuMtackM*. 
È porem certo ser antiquíssima; talvez do 
tempo dos romanos e foi povoada pek» áHá- 
bés. O conde D. Sisnandò, govemadòf d« 
Coinfbra, a mandou povoar de christió8> ^- 
los átutós de 1080. 

Pòram setís dotoái^lios os conde» de Gaií- 
lanhede (que eram marquezes de Màrial^) 

A matriz é de três naves. Tinha èbas cti* 
ras, ambos apresentado peio bispo de Coitú- 
bra, cada um com 14^000 réis, fôrà o^^ 
d'altar, e obrigação de nnssa por seis raezes. 

Tem Misericórdia e hospital, fundado pe- 
los donatários, com provisão real. 

No sitio do Agueiro ha um convento qtt« 
foi de frades eapúóhos de Santo António, de* 
dicado a I^ska Senhora da Conceito; túà- 
dado em 1675 e do qual eram padroeiros os 
donatários. 

' É terra rimlto fértil em cerèaes, fmclas; 
aiíeite, gado, Cblmcfiás e ea^. 

D. AíTonso V, fez conde de Cantanbedfe a 
D. Pedro de Menezes, e depois o renovou 
Philippe III, em outro D. Pedro de Meneteé. 
Para a genealogia dos condes de Cantanhe- 
de, vide Guarda, artigo Barbadão. 

Antigamente tinha um ouvidor posto pele 
donatário, dous juizes ordinários, 3 ietéà- 
dores, procuradores do concelho, escrivão da 
camará, juiz dos orphãos e seu escrivão, dMis 
tabellíães, um alcaide, um escrivão áàÍ3i' 
zas e um almoxarife. 

Tinha capitão-mór e uma compafihiáilb 
ordenanças. 

Desde tempos remotos atft ao fim dtf 'sé- 
culo pltòsadò, tinham os d*aqui privilégio íe 
virem todos os^atfnos os parochbs é jirítí- 
ças, com cruz e varas levantadas, á iSénW- 
ra de Vagos, ná primeira oitava dó tópi- , 
rito Santo, com jurisdição, prendendo é âol* 
timdo é dando dias santò^emMira éVa^s^ 
onde tinham casa própria para se reíòfté^ 



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can 

temy que foi feita pelos donatários. Ignora- 
se a origem e causa â'este privilegio singd- 
!ar. 

A villa é situada em alegre e fértil planí- 
cie. Tem um palácio, que foi sumptuoso, dos 
sous donatários. 

No Úm do anno de 1360, e principio de 
1361, aqui celebrou cortes D: Pedro I, para 
Validar o seu casamento com sua segunda 
mulher, a infeliz D. Ignez de Castro. Então 
declarou o rei perante as cortes e grande 
numero de fidalgos c povo, que D. Ignez era 
sua legitima mulher, jurando em sua alma 
que haviam sete annos (primeiro de Janei- 
ro de 1354) a havia recebido canonicamente 
em Bragança (com despensa do papá João 
22.% que cxhibiu) cm presença de D. Gil, en- 
tão deão da Guarda e depois bispo ; o que 
este confirmou por estar presente. 

Diz Miguei Leitão, que ha aqui uma fon- 
te que sorve com espantosa violência todo 
o páo que se lhe deita.» E se fôr pedra? . 

Estou persuadido que ha engano em Mi- 
guel Leilão, e que esta fonte é a das Fcrven- 
ças, proxinlo da villa da Cadima, n*esta co- 
marca. Vide Cadima. 

Tem foral, dado por D. Manuel, em Lis- 
boa, a 20 de maio de 1514. 

Este foral é lambem o de Pohte Arcada e 
Povoa do Bispo. 

A familia dos Menezes, á qual pertenciam 
os condes de Cantanhede, é oriunda de Hes- 
panha. Pelos annos 120!Q, vferatn para Por-' 
tttgal D. AÍTônso Telles de Menezes e seu h*- 
mão D. Fernão Telles de Mehezes, a quem 
D. Sancho I admittiu no seu exercito e fez 
grandes mercês. ^ 

Suas armas eram — em campo de ouro, 
um annel do mesmo, perfilado de verme- 
lho» com um rubim n*elle. Elmo de aço aber- 
to; timbre, meia donzella vesUda de broca- 

1 Julgo aqui indispensável uma nota. Mui^ 
ta gente que é da familia dos Telles, çbidan<* 
éo que se arlstòcratísa mais, se appellída 
TeUo, É udi erro. Tellò é liome próprio, e 
TelUs patronímico, por consequência Tel/eê 
dignifica glho, ou da Camilia (descendente) 
de TellíL ^e este nome é noDrè,'poftifae o 
nlo^ha de lífer o appellldoí 



GAN 



n 



do, ck>m um escudo oomo o da» moãs^ flà 
mão direita, tendo os tiabéllos sèltos. 

ly. AffoBso Telles de Menezes, càsoiv dm 
segundas núpcias, com D. Théreza Saacbeé^ 
filha bastarda de D. Sancho I e da célebre e 
fonnosfssima D. Maria Paes Biheira. Foi pri- 
mogénito d*este consorcio, D. João AflonsD 
Telles de Menezes, rico-homem e alferes- 
mór de D. Affonso lU. filie (D. João) e seus 
irmãos áccreseentaram ás suas^ as annás 
de Portugal, ficando o seu brazio assim -^ 
escudo esquartelodo: no l.« é 4.^ m armas 
de Portugal (sem o filete de bastardia, ^poe 
devia ter ni» três primeiras gerações) e no 
2.<' e 3.% em campo azul ires fldreadelizâe 
ouro, em roqueie^ sobreposto, um escàdi- 
nho com o annel dos primeiros Mene^tes. 
Elmo de prata, aberto, e por timbre mna 
flor de lizi í 

Os marquezes do Lourrçal, marqnetett âô 
Marialva e condes da Ericeira, que eram da 
familia Menezes, nsavatii d*estad armas, sem 
a mínima diflerença. 

De D. João AfTonso Telles de Menezes, foi 
quarto neto, D. Gonçalo Telles de Menezes, 
conde de Neiva e Paria, alcaide-mór de Coim- 
bra e primeiro senhor de Cantanhede, e fòi 
a D. Pedro de Menezes, seu filho, que D^ Af- 
fonso V fez conde de Cantanhede, pelos an- 
nos de 1470. 

As armas d'este eram como as aikteceâcÉ- 
tes, mas com o filete negro em eontrabandu, 
no !.• e 4.*» quartel (por signal de bastardia). 
Elmo de aço aberto, e por timbre a meia 
donzella dos primeiros Menezes. 

Passou tahibem a Portugal (fugido a D. 
Pedro, o cmel, de Hespanha, que o queria 
assassinar) pelos annos de 1350 (em qne o 
tal a*uel subiu ao ihrono) e reinuMlo ein 
Portugal D; AfTonso IV, outro D. AíTònso 
Telles de Hfônezes (da mesma faimlía, em 
Castella). O rei de Portugal o fez rico^bè- 
mem, seu mordomo-mór e conde de Ourem, 
de quem procedem D. João AfTonso Telles 
de Menezes, primeiro conde de Viannaf (do 
Minho), D. Leònòr Telles dè Meneze» (um* 
Ihcr de João Loiri^^ da Cunha, ao qMa 
t!ron Bi Pcrhando i; casatiâo' com eltt>, a 
ittfelíz D. Ifòria Ttiltès de^ttènézès^^^qul mof- 



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^ 



»^ 



cm 



mn j^punUalada por seaçiorido (vitle CoUn- 
bra) e outras muitas famílias nobres. Suas 
ansoas são — escudo terceado^ em paia, na 
!.• parte, 3.* e 5.% de ouro, dois lobos ver - 
melbos passantes, em pala; na 1*, 4.f e 6.*, 
4e ouro, 4 palas vermelbas, o sobrepo^o o 
escudete das ^rmas dos Idenezcs (com o au- 
nei) ehno de aço, aberto; timbre, um lubo. 

Umbisnata4e D. Joáo AÍXonso Telles <ie 
Menezes, foi coudc de Tarouca e prior do 
Crato, e a sua varonia terminou em sua 
sexta neta, D. Joanna Rosa de Menezes, e 
eatrou, n^esla casa a varonia dos Silvas. Sua» 
armas sào as mesmas dos Meneze:!^, ultima- 
mente dçscriptas. 

|)'esta linhagem foi D. Duarte de Meneses, 
qoe tevQ fóra do matrimonio, de uma se- 
nhora castelUaif a, cliamada D. Clara Morena 
de Bivar, a D. Joanna de Vilhena, que. ca- 
30U com Damião. Dias da Ribeira, alcaide- 
mór da Amieira, escrivão da camará e fa- 
lenda de D. João III» e ao qual deu carta de 
brazão d'armas, em Évora, no 1.' de abril 
de 1526. 

Foi lillio de Damião Dias, Duarte Dias 
de Menezes. As armas doestes (as taes que 
Uie deu D. João lU) são— em campo asul, 
um leopardo de prata, passante, chefe de 
ouro, carregado de ires eslrellas de púrpu- 
ra, de cinco pontas; elmo aberto, de prata, 
Iknbre um leopardo, como o das armas, com 
uma das -eslrellas d*ellas na espádoa. 

Outros do mesmo appellido, trazem -i— es- 
cudo de pavezes de ouro a modo de esca- 
mas, e sobre ellc seis leões de prata, dividi- 
dos, de dois em dois, em três paveses, e ou- 
tros três coni as paJas de púrpura e sobre- 
posto um escudeie de prata, carregado de 
. uma macassadade ouro. £1 ^o aberto, e tim- 
lure um dos koes. 

Ha ainda outras muitas famílias de Mene- 
zes, ligadas com vários ramos do diversos 
i^pellidos, que formaram seus bra&ò«s d'ar- 
fi^s de diílereuíes modos. 

: Q cpi^4e de .Cantanhede^ D. António Luiz 

. 4^ Menezes^ ^neral em chefe , do exereHo 

poirfuguez, durante a gi^rra dos 27 apnos, 

coníbiE^o ^m D. Sancho Manui I^ governa- 

. dçr da^praç^jde £(v^^ alAçai derrota « põe 



em*vej'gunhOia fuga, D. Luiz dallaro, mar- 
quez dei Carpia, primeiro ministro de iPhi- 
lippe IV e o melhor general castelhano d'a- 
quclle tempo. Por esta gloriosa vicloria, fòi 
D. António de Menezes feito marquez de Ma- 
rialva, por D. AÍTonso VI, cm 11 de junho 
4e 1661,0 a 23 do mesmo mez,o anno ^Coi- 
to conde de Villa Flor o intrépido D. Siancbo 
Manuel. Esta vieturia (denominada das Li- 
nhas d'Elvas) teve logar em 14 de janeira 
do Í66"9. Vide Elvas, no logar competente^ 
onde isto vem mais circumstaneiado. 

CANÍ ARO— serra do Douro, limites da 
villa do Carvalho. Chama-se do caniat-o, 
porque como é muito sócca, tinliam os mo- 
radores da villa obrigação de terem n*e]la 
\xm cântaro cheio de agua, para os passa- 
geiros, nos mczes do julho, agosto é setem- 
bro. Também se chama serra do Carvalho^ 
por estar a vílla d*este noiíie nas suas jibas. 
Vide Carvalho, vilia e serra. 

CÂNTARO DEM ADO— vide Estreíla. 

CANT]£ — poriuguçz antigo, uaadissiaio 
ainda nas provindas do norte, sobretudo, 
na Terra da Feira, Porto e seus arredores, 
É a palavra mais elástica da linfevia portu- 
gueza. Significa : está visto, pois ^ sim, quem 
dtra ! não admira^ eia d'espei'ai\ pois que, o 
mil outras cousas. 

Ninguém é capaz de saber a.elymologia 
de similhante palavra. 

GANTELÃES — freguezia, Minho, comar- 
ca, da Povoa de Lanhoso, concelho da Viei» 
ra, Vk kilometros a ]N£. de Braga, 60 ao N. 
do Porto, 36o ao ^\ de Lisboa, 190 fogos. 

Em 177)7 tinha 153 fogos. 

Orago Santo Estevão, prolo-martyr. 

Arcebispado e distrlcto administrativo de 
Braga. 

Foi antigamente da comarca de Guima* 
ràes. 

Situada cm um valle, d*onde se descobrem 
varias povoações. 

O arcebispo de Braga apresentava o ab- 
bade, qufe linha de rdnda 300ji000 réis. 

É terra muito ferlíL Tem muita çaç^ e 
cria muito gado. Passa por a freguezia o rio 
Ave. ' ' 

' "Ha aqui o c::Stcl!o de Villa Slô(*cá, a WD 
metrcs de distancia do rio LimíuTinli^esie 



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CAP 

-castello ama galeria subterrânea, por onde 
os caTallos iam beber ao rio. 

CÃO (forte do)— pequeno fortim abando- 
nado, à esquerda e a 200 ou 300 metros da 
foz do Ancora (no Minho). Vide Ancora, rio. 

CAPAREIROS— vilia, Minho, comarca e 
iconcelho de Vianna, 105 kitometros atf N. 
do Porto, 4Í0 ao N. de Lisboa, 300 fogos. 

Em 1757 tinha 218 fogos. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Arcebispado de Braga, dístricto adminis- 
trativo de Vianna. 

Era couto dos arcebispos de Braga, que 
tinham também a jurisdicçao temporal. 

Está situada parte em valies o paftè^ na 
^rra da Padella (famosa pela sua grande 
abundância de caça). Do alto d*esta serra se 
descobrem muitas freguesias. 

A matriz é de três naves e antiquíssima. 
A camará ecclesiastica de Braga apresenta- 
va aqui m solidam o abbade, que tinha de 
renda 300^000 réis. 

Houve aqui um convento, muito aiitígo, 
de frades bentos, que passou a abbadia se- 
cular, no século XVI. Era sèu padroeit*o 
Payo Paes; que deu o padroado ao arcebis- 
po D. Payo, pelos annos de 1125j seussuè- 
cessorcs supprimiram o convento, do» ^al 
não ha vestígios. 

Nas lagoas dos Médros ou Medos, ha^ mi- 
nas metálicas, que iinda não foram explo- 
radas. 
' É terra fértil. 

Tinha o couló, juiz ordinário, que também 
o era dos orphãoSj um vereador, um j[)rocú- 
rador do couto, escrivão e meirinho. 

No Campo de BarTozellas ha feib todas 
as qáattas feiras. 

Em dia de S. Pedro vem a est^ freguézia 
com procissões e clamores os parocbòs e 
freguezes de Mujàes, Trcgosia, Cáryoeii*ô e 
de todas as mais freguezias circumvisinhas. 

Passa aqui o ria Neiva. ' 

CAÍAÃlCA^freguezia, Exlremadura, c^ 
marca e concelho de Almada, 6 kilometros 
ao S. de Lisboa, 1:430 fogo». ' 

Eip 17IJ7 tinha 1:193 fogos. ^ 

' Orago Nossa Senhora do Hònte. 

P&tiiarchado e districto admintstra)(ivo de 
Lisboa. •: C ■! . j . '' :i ::i 

VOLUME U 



Caí» 



97 



Situada na esquerda do Tejo, e d^ella sé 
gosam deliciosas vistas. 

É n*está freguézia a chamada Torre Ve- 
lha, ou de S. Sebastião de Caparica, ^ qttè 
Berviu de lasáréto. Fica em frente da tor* 
re de S. Vicente, de Belém. 

Foi mandada edificar por el-rei D. Sebas- 
tião, pelos annos dé 1575. 

Principia a freguézia lògò á entrada dá 
barra do Tejo, que a banha na extensão de 
12 kllometros, pelo N.: o Oceano lhe serve 
de termo pelo O., e na praia está a aldek 
da Costa, d*esta freguézia. 

A matriz é um bello templo, fundado noá 
fins do século XVL 

O terreno d'està freguézia é ená geral fér- 
til e seu clima saudável Antes do oidUm^ 
produzia annualmente, termo médio, 6:50(^ 
pipas de bom vinho. 

Na aldeia de Mofaeem, d*esta freguealí^ 
ha 30 e tantas cisternas, todas magnificas ft 
de dispendiosa constrdcçãò, obra dos árabes* 
Foram elles que deram a esta aldeia o noma 
de mo-hacem, que significa barbeiro. 

Vè-se pois que esta povoação é nrnitô an^ 
tiga. Ca^ tanibem é palavra arabé (que ò^ 
mouros adoptaram dos pers^) significa mes- 
mo capa. (Capote é diminutivo de capa.) 

Ha duas tradições sobro a etymologia de 
Caparica. 

Uns dizem que morrendo aqui um velho, 
declarou no testamento que deixava a sua 
empapara ser vendida e com o pi^oducto da 
venda se fazer uma capella a Nossa Senho- 
ra^ do Monte: Fez isto rir bastante; inas,' sa- 
bidas as contas, a boa da capa estava re- 
cheiada de beílos dobrões de ouro, qué che- 
caram de sobra para a fundação da ca- 
pelía. < ^ . 

A segunda versão (e mais vei'oslmil) é 
que, sendo a Senhora do Monte, dè muita 
devoção para estes povos eíimitrophes, con- 
tjorrcram todos para ^e lhe fazerum esplen- 
dido manto (ou cat)a) pelo que a Senhora 
licoti d^áhi em diante sendo conhecida pot 
Nossa âeáhora dà Capa Rica. ^ 

Junto a Caparica está o convoíto de:ca* 
puchbs arrabidos, ílmdado poi* Dl Loorango 
Pires de Távora; quatto stínhor de Gapari* 
ca, em 1564. Bile mofrea em iS de fetecúl^ 

7 



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98 GAP 

y^ de «f73, e ^ pa çfí0B dp me^o con- 
vento. 

Est^ ftdajgo, seado embaixador dePortu- 
H^ em Hespanha, em uma occasião que o 
iTO^dor Garloa V «stava zaogudo com elr 
le, lhe disse : «Eu sei muito bem quantos 
rios e pontes tem Portugal» ao que Tavpra 
respondeu: «Os mesmos que linha em i4 
de agosto de i385.» Digna resposta de um 
bravo portuguez. 

Çapanca foi antigamente da comarca 4p 
Setúbal. 

Doesta freguezia se avista a serra da Ar- 
raJ^ida, Pahnella, o mar, o Teia, Lisboa e ou- 
tras muitas povoações, mou^s e valles. 

Antes de 1834 era o povo da freguezia 
^oe ^^esentaya o eura^ a quein davam an^ 
««aímente, i moio de pão meiado e 5 pipas 
de vinho em mosto, a saber; os que tinham 
liuna junU de bojs^ davam nm alqjg^ire de 
paOj os que tinham duas ou mais, dofc al- 
queires, e cada fazendeiro um pote de vinho. 
AjBdava tudo por 250*000 réis. 

Além do convento dosuapuchos arrabidos, 
ba. -maj3 n^esta freguezia um convento de 
bades paulistas, fundado em 14i0. ÍEste moR- 
íeiro eatá em um profundo vâjle, e era de- 
nominado, convenijO de Nossa Senhora, da 
Bosa, Na sua cerca ha uma fonte, cuja agua 
dizem que cura a lepra e outras moléstias 
^ilaneasw Foi fundador d'este cwvQpto Men- 
do Qomes de Seabra. 

Outro de frades agostinhos descalços, fpn- 
dado em 1677. Este é no logar da Sobrada. 
Ha n'esta freguezia nada meno* de SAcar 
pellas, entre publicas e particulares. 
É terra muito abundante de agnas. 
Tem vários portos de mar, sendo os priU" 
pães, Benatega, Porto Brandão, Paulina, Por- 
tinho da Costa e Trafaria. 

Benatega é a palavra árabe ben-atai- 

ja. Signifloa, filho ou descendente da 

coroada. Y^ai de bm^ fflho, ou desr 

eend^te, e de ataija»^ coroada. 

No togar da Costa, doesta fregueiM* estevi^ 

(julgo que em 1823 ou 182^ D» João VI, 

IttfpedindOi-se na única casa de pedra que 

eçtaa ^ havia (todas as mais eram cabanas 

êa nalha) e tanto gostou da caldeirada que 

affi Vdà 4eâím, que iei o coftinbeiro (dono 



QAP 

da casa) mestre das caUeiradas (I) com a 
renda de 800 réis diário^ emquanlo vivo. 
Também aqui esteve a sr.» D. Maiia n 
e depois, quandp rei, seu fijho, o sempre 
chçrado D. Pedro V. 

CAPARROSA— freguezia, Beira-AUi^ co- 
marca e concelho de TondeHa, 18 kilome- 
tros de Yisen, 264 a<? N. de Usboa, 310 fcí>- 
gos. 
Em 1757 linha 170 fogos. 
Orago S. >Iiguel. 

Bispado e districto administrativo de Vi- 
seu. 

Era antigamente do concelhp de Béal^ 
tein)fl, comarca de Viseu, 

A matriz está edificada jmijto á serrado 
Foméllo. Era vigarií^ría do padroado real e 
o vigário tinha 40*000 réis em dinhehx>, ce- 
ra a ipcenso para o culto divino, 4 almudes 
^ vinho cQsido, o^ $ em môstp, tudo pago 
pelo coQUJQíendador, que era descendente de 
Bernardino Freire de Andrade. 

O vigário d'aqui apresentava annualmen- 
te^ a egre^a de Boa- Aldeia, e um anno sim 
outro nãp^ a de Silvares. 

(NO; outro aiftio apresentava o vigário de 
S,Thiago.): 

È terra fértil e saudável, ainda que bas- 
tante fria de inverno, por cauaa das neves 
da Serra da Estrella, que fica próxima. 

ÇAPATARÍA ou SAPATARIA— freguezia, 
Extremadura, até 1855 comarca de Tonrea 
Vedras, concelho de Enxara dos Cavalkiros, 
^ desde então concelho de Arruda, comarca 
de Villa Franca de Xira, 26 kílometros ao 
N. de Lisboa, 230 fogos. 
Em 1757 tinha 51 fogos. 
Orago Nossa Senhora da Purifica^., 
Patri^rchado e districto administi!atra^vo 
de Lisboa. 

Q prior e beneficiados de S. Julião, de 
Lisboa, apresentavam o oura, que tinha á» 
rendimento 60ií000 réis. A aídeia de Piro 
N^grOj que era da freguezia. de Dois Portos, 
paesou para estia, por ser mais proxinut ede 
mais fáceis caminhos. : 

CAPELINS— fregnessia^ Alemtejo, até,lí55 
comarca de fixtremoz, agera de Redondo, 
eonceiío 4o Alandroal, 30 kilomeiros de 
Évora, 150 ao E. de Lisboa, 165 fogos. 



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^ 



CAP 

£m 1757 tii^ 100 fogos. 

Orago Santo António. 

Arcebispado e districto admsAistrativo de 
Évora. 

É terra ferUL 

CAPELLA—íreguezia»Minho, concelho de 
Bendttfe, comarca e 9 kilometros de Braga, 
ãtó i855, e desde eniâo da comarca e con- 
celho de Guimarâes, 360 de Lisboa, i50 fo- 
gos. 

£01 1757 tinha 86 fogos. . 

Orago a Santissima Trindade. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

(Não acho esto freguezia nos livr^ mo- 
âemos, nem da lei das Côngruas consta que 
esteja^unida a outra.) 

O parocho era um frade bento, por apre- 
sentação trienal do D. abbade do mosteiro 
de Rendufe (benedictino.) Tinha 6^1000 réis 
de renda e o pé de altar. 

GAPELLA— freguesia, Douro, comarca e 
concelho de Penafiel, 25 kilometros a NE. 
do Porto, 330 de Lisboa, 150 foges. 

£m 1757 tinha 100 fogos. 

Orago S. Thiago. 

Bispado e districto administrativo do 
Porto. 

lEra antigamente do concelho de Penafiel, 
mas do termo e comarca do Porto. 

Situada entre as serras de Mòsinbo e Lou- 
aado, d'onde se descobre a villa de Yallon- 
go e varias serras. 

. O reitor de Lagares apresentava aqui an- 
nnalmente o cura, que tinha de côngrua 
4K)«000 réis. 

JBsta freguezia esteve muitos annos anne- 
u á de S. Martinho de Lagares, e eifa por 
2»90 que o parocho doesta apresentava o d*a- 
qoeUa. 

Na noite de 16 de dezembro de 1740, foi 
arrombada a porta da egreja da Capella e 
d*ella levaram o vaso sagrado (de prata) com 
tt formas cpnsagradas. 

Prenderam-se varias ^pessoas, e a 29 de 
abril de 1741, foram garrotados e depois 
fueimados, na cidade do Porto, por este cri- 
m^ António José e João Martins. Pelo mes- 
jBMi^me foram açoutados Paschoal d^^Sil- 
x^ Aotoni^ Alvea (p derroàaào) e Joio ^g^ 



CAP 



99 



drigues. Foi condemnado com baraço e pre- 
gão pelas ruas, João de Miranda— António 
-Barbosa, degredado. Foi absolvido José Ro- 
drigues, por ser menor, mas assistiu ao supr 
'Plicío com «3 mãos algemadas. 
. É terra abundante de aguas ,e ferti). 

Na serra de Mósinho nasce o ribeiro cha- 
>mado de £ntre Aguas, que morre na direita 
do Douro. Na extremidade S. da serra de 
IfeOQsado está a pequena villa de Mehres. 

Produz esta freguezia muita lenha, gado, 
colmeias e caça. 

Na seira de Mósinho e próximo ao logM* 
de Branzéllo, ha um fojo de caçar loboSé 

GAPEUA D£ 6. PEDRO DE J.OMAR-- 
(Vide Lomar.) 

CLAPEIíLUDOS— -freguezia, > Traz-os-Mon- 
tes, comarca e concelho de Villa Pouca de 
Aguiar, 90 kilometros a NE. de Braga, 385 
ao N. de Lisboa, 240 fogos. 

£m 1757 tinha 14ò fogos. 

Ora^o S. João Baptista. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Villa Real. 

Eia antigam^te do mesmo concelho, mas 
da comarca de Villa Real. 

Situada^ parte em monte, e o resto em um 
vaUe. 

O reitor de Santa Eulália de Pensalves 
apresentava aqui o vigário, que tmha de 
renda lOOi^OOO réis. 

Grande abundância de vinho^ milho, cas- 
tanha, centeio e mais fructos. 

£ n*esta Areguezia a Serra de Rio d*Uvas. 
Corre aqui o rio Tâmega, que rega, móe e 
traz peixe. 

Tinha foral velho, dado por D. Affonso 
m, em Lisboa, a 12 de julho de 1255, e ou- 
tro dado pelo mesmo rei, no Porto, a 30 de 
agosto doesse mesmo anno. 

CAPINHA — freguezia, Beira-Baixa, co- 
marca e concelho do Fundão, 40 kilometros 
da Guarda, 255 ao NE. de Lisboa, 260 fo- 
gos. 

£m 1757 tinha 180 fogos. ' 

Orago S. Sebastião, martyr. 

Bicado da Guarda, districto admhiistra- 
.tivo de Castello Branco. 

Eia antigamente do termo da Covilhã e 
da comarca da Guarda. 



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100 



CAR 



Era áa coroa. 

E* terra fertil. 
- Situada ao pé da Serra de Villa Velha, e 
d'aqui se vé o convento de Notôa Sefihora 
do Seixo, de frades capuchos antoninhos, o 
Fundão e outras muitas povoações e serras. 

A egreja é de 3 naves. 

O biépo da Guarda apresentava aqui o 
prior, que tinha de renda i20jS000 réis. 

Tinha juiz pedaneo, sugeito ás justiças dá 
Covilhã. 

Ha aqui um reduclo, que se fez em 164i 
6 tem 4 revelins : dão-lhe o nome de cas- 
teilo* 

Corre próximo o rio Meimoa. Fica perto 
a Serra da Carrapata, muito abundante de 
<^ça grossa e miúda, e que produz muito 
pasto para o gado, que aqui se cria em 
grande quantidade. 

É de horripilante nomeada em toda a pro- 
víncia esta freguezia por um antiquissímo e 
atrocíssimo costume qiie aqui ha. É o se- 
guinte: 

Assim que principia o adventOy todos os 
homens querem tocar os sinos de dia e4e 
noite, o que causa uma insupportaVel Infer- 
neira, que não deixa ouvir nada de dia,' nem 
dormir de noite. 

Isto dura até dia do Natal. Ainda que cho- 
vam raios e coriscos, não ha nada qne os 
faça arredar da torre, nem largar os bada- 
los! Chamam elles a isto o Tm-teri-nó, Se 
algum parocho, ou outra qualquer pessoa 
tenta dis9Uadil!^s de tamanha e tão infer- 
nal tolice e diabólico disparate, é tido por 
pedreira livre, 

Ignora-se quando teve principio este mal- 
dito e atFoador costume, nem o que lhe deti 
origem. Uns dizem que é para festejar {/) õ 
-nascimento de Jesus Christo; outros que é 
em memoria de um antigo figurão de Capi- 
nha; que aqui appareceu, depois de ser ge- 
ralmente julgado morto. O Tim-teii-nô da 
Capinha, é na Beira synoniraò de baridho 
infernal. 

-. CARÂMÕL— portuguez antigo, ainda ho- 
je usado na Terra da Feira e outras. Signi- 
fica lamentação em gritos, berreiro, etc. É 
corrupção de caramó ou caramâ, que é con- 



CAÍl 

tracção de cara aos mouroS; (Vide Gâara* 
môs. ; ^ 

CARAMONA— monte, Minho, freguezlA d^ 
S. Martinho de Balugães. 

É tradição que existiu actni lima cidade 
ou grande povoação, dá quial ha vestígios de 
roas, alicerces e outras ruivas. Ignora-se • 
nome d*esta cidade; mas alguns pretendeot 
t]úe se chamava mesmo Gàramona, o que 
me parece pouco provável. 

Outros dizem que era a Cidade de Garbo* 
na, (Vide esta palavra.) 

(Vide Carvoeiro.) 

CARAMÓS— freguezia, Douro, comaroâ e 
concelho de Felgueiras, 18 Idlometros ao 
NE. de Braga; 18 a O. de Guimarães, 48 ao 
NE. do Porto, 360 ao N. de Lisboa, i60 fo- 
gos. 

Em 1767 linha 106 fogos. 

Oragt> S. Martinho, bispov 

Fica 12 kilometros a E: dei Amarante, â^ 
cando-Ihe- Pombeiro aoO. - 

"Tenho visto em papeis ahtigos o* notoe 
doesta fregaeíia oscripto de diversas manêi^ 
ras, Caramôs, Garâmos, Câràmos éO^adra- 
moUos. (Vide Caramól.) 
' Situada em um vatlè fisrtil, ameno e a|lra- 
sivel. 

Eis, segundo a tracção, á origem e ety- 
mologia da palatra Caramôs : 

D. Fernando Magno, rei de Castella, era 
tsásádo cora D. Sànc*ia,irmã de D.Bermun- 
do, rei de Leão. Ambicionando aqudie o rei- 
no d*est^, moveu gtíerra aò cunhado e o^iba- 
tou em combate, no' anno do Jesus Chridtô 
1036; ficando depois disso, por conqiífstk^ 
por herança, rei deOastelte e Leão. Éstc 
rei, qtíe morreu em 1065, tomou muitas ter- 
ras aostnòuro?, desdeo Minho até ad Mofr- 
dego (comprehendcndo Coimbra) o flCâri^ 
este rio servindo de limim S. dassuas con- 
quistas. * '• '■ 

Era então goteraâdor e general dás pro- 
víncia do Minho e Traz-os-Montes, o válòroife 
côride D. Kitno'Mendes,qaô residia einXíui- 
inai^aès.' ■ "". • ' " 

■' ^No sitio onde hoje está o convento («'cha- 
mado elitão Campos ék Veiga) teve o dito 
cohdè ama grande batalha com os tòòMs 
Tio^anna 1060; na qual,^pptimidosòá^i«- 



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GAK 

tãos com o grande namoro de inimigos, lhe 
viraram, as costas e fugiram. 

Debalde D. Nuno empregou todos os meios 
para conter os seus; mas quando as coisas 
estavam n*este estaco eis que apparece S. 
Martinho» moniado em um çavallo branco^ 
armado de uma formidável lança, espetan- 
do com ella mouros, sem dó r^em piedade, e 
gritando aos christãos: Cara aos mouros! 
Cara aos mouros! — Outros dizem que foi 
o conde que gritou: — Cara aos nwuros iça- 
ra aos mouros, que S, Martinho é comnosco! 
(Eis um ponto histórico que muito cumpre 
averiguar.) (Vide Chacim.) 

Os portuguezes^ vendo que o santo era 
por elles, viraram a cara aos mouros valo- 
rosamente, e os pozeram em completa der- 
rota. 

Em commemoraçao d*esta victoria, e em 
agradecimento ao santo, fundou o conde, 
em 1068, no mesmo sitio da batalha, uma 
egreja com a invocação de S. Martinho de 
Cara aos Mouros. 

É de Cara aos mouros que procede, por 
abreviatura Caramos. 

(Os aiitigos portuguezes chamavam aos 
mouros, môs ou moos.) 

Junto à egreja se fundou depois um con- 
vento de cónegos regrantes de Santo Agos- 
tinho (cruzios) cuja origem é a seguinte: 

D. Feroapdo Magno, por sua morte, dei- 
xou os seus estados divididos por seus trez 
filhos, dando a D. Sancho Castella, a D. Af- 
Ifílúsa o reino de Leão e a D. Garcia (o mais 
novo) Portugal e Gaijiza. 

D. Garcia foi um mau rei e teve um pes- 
shno conselheiro, que era o seu valido Ver- 
tia. Tractava muito mal os seus vassallos 
em geral, e especialmente os portuguezes. 

O bravo conde D.^Nuno Mendes, (que era 
portugoez e núnhoto) nao podendo já sof- 
írer as vexações e prepotências que D. Gar- 
«ia iázia aos aeus patrícios, juntou bom nu- 
mero d^elles e ofiereceu batalha ás tropas 
do rei (que est^commandava em pessoa) po 
sitio de Pedroso, entre Braga e o rio Cá- 
vado. 

Os gallegos erani em triplicado numero 
dos portagoiBz^; de Joa» a mais estes en^ 



GAR 



101 



quasi todos gente do campo e mal armados. 
Mesmo assim bateram- se por muito tempo 
como leões; mas^ vendo morrer o seu conde 
e não tendo chefe, foram derrotados^ não 
sem fazerem pagar cara a victoria aos ini- 
migos. 

Esta infeliz batalha foi em 1071. 

D. Gonçalo Mendes, filho do conde, pôde 
escapar com vida, doesta batalha. Foi muitos 
annos perseguido pelos castelhanos, até que 
obteve carta de seguro, do rei de Castella. 

Fez-se padre e veio, em 1090, fUndar um 
convento, junto á egreja que seu pae man- 
dara fazer; dotou largamente este convento, 
e n'elie foi habitar com outros padres e aqui 
falieceu, em 8 de janeiro de 1124, sendo elie 
mesmo primeiro prior d*este convento. 

O arcebispo de Braga D. Pedro, anteces- 
sor de S. Giraldo, aconselhou os padres 
d*este convento a que seguissem a regra de 
Santo Agostinho, ao que elles annuiram, e 
o mesmo arcebispo lhe veio lançar os hábi- 
tos, a 28 de agosto de 1091. 

Eram então apenas sete os padres doeste: 
convento. 

D. AQbnso I doou a este mosteiro uma 
sua grande herdade, que tinha na villa de 
Borvêta (a qual tinha sido de Garcia Fafes), 
e o padroado da egreja de Constantim, pró- 
ximo a Villa Beal. Isto em julho de 1154. 

Teve priores perpétuos até 12 de feverei- 
ro de 1595, unindo-se então ao convento de 
Santa Cruz de Coimbra, e passando os seus 
priores a ser tríennaes, sendo o primeiro 
d'estes D. Fr. João das Neve% nomeado n'es- 
se mesmo dia. 

D. AíTonso IV coutou a freguezia do mos- 
teiro e a deu ao convento com todos os di-^ 
reitos reaes. 

A egreja do convento é matriz da fuegue- 
zia, e, até 1834, n*ella; era vigário um frade- 
do mesmo convento, apresentado pelo seu 
prior e collado pelo arcebi^K) de Braga, por 
trez annos, com 50^000 réis de côngrua e 
o pé d*altar. Tinha coadjutor, a quem o meSf^ 
mo prior passava carta de cura, approvada 
pelo ordinário. 

É terra muito fértil. 

Já que falíamos n'esse péssimo rei D.Gar-^ 



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102 



CÂR 



CA» 



cia, diremos que elle morrea preso e eégo. 
no Castello de Luna, por sea irmão D. San- 
cbo. (Vide mt. Port. e a villa d^Alfkiates, 
que quando foi dos castelhanos se chamava 
àastillo de Luna.) 

Garamôsé pátria do nosso dtstincto escri- 
ptor clássico Manuel de Faria e Sousa. 

CARAMUJO— bonita povoação na Extre- 
madura, contigua à Cova da Piedade, e pró- 
xima a Almada, a cujo concelho pertence. 

Ha aqui uma importante fabrica de moa- 
gem de trigo, pertencente ao sr. Manuel Jo- 
sé Gomes. Encontram se alli as machinas 
mais modernas, todas movidas por vapor. 
É estabelecimento que muito honra o seu 
proprietário, e mesmo o paiz. 

CARAMULO— Beira,aIto pico da cordilhei- 
ra que se estende a O. do Valle de Besteiros. 
(Vide Bôsteiros> Bussaco e Alcóba) 24 kilo- 
metros de Viseu. Também se chama Serra 
de Besteiros e d'Alcóba. 

Tem um extenso plató, d*onde se vé o 
mar a 48 kilometros a O. 

O seu cume é todo composto de penedos 
amontoados uns sobre os outros, a modo 
de oolumnas, e é ao pé d^isto que está o 
tal plató ou planície. 

CARANGUEJEIRA— freguezía, Extrema- 
dura, comarca, concelho e 8 kilometros ao 
E. de Leiria, i38 ao NE. de Lisboa, 960 
fogos. 

Em 1757 tinha 79 fogos. 

Orago S. Ghristovão. 

Bispado e districto administrativo de 
Leiria. 

Situada em uma ribeira, que tem 6 kilo- 
metros de comprido e um de largo, entre 
montes muito altos. 

O ordinário apresentava o cura, que ti- 
nha de renda 60^000 réis. 

É terra muito fértil. 

Passa aqui o rio Caranguejeira, que nas- 
ce AO principio da ribeira, ao S., no sitio do 
Olho da Fonte, do manancial d*este nome, e 
de outro chamado Olho do Seixo; sendo a 
agua d*aquelle quente e a d*este fria, apesar 
de estarem ambos próximos. 

Rega, move 5 lagares de azeite e faz 
moer. 



Monre no rio Lii, no sitio da Baralha^ 
junto á egreja da Encarnação, de Leiria. 

Ha n'esta fi-eguezia muito caça, e prodor 
óptima fhicta. 

Diz-se que, por aqui haverem nmltas a 
boas ameixas caranguejeh^s. é que se 11» 
deu o nome que tem. 

CARAPAlHA-^nome de uma quinla nos 
arrabaldes da cidade de Gastello-Braneo, de 
que é proprietário o sollieito agricultor e 
delicado cavalheiro, o sr. Domingos Robal- 
lo. É uma verdadeira granja modelo. Nio 
ha melhoramento agrícola que elie nio co- 
nheça, nem progresso agrário que não acom- 
panhe e nào ponha logo em pratica. Qnando 
o sr. Roballo introduz um novo systema do 
cultura, os visinhos riem-se primeiro, es- 
pantam-se depois, e acabam por imital-o. 
Se houvesse um agricultor assim em csida 
concelho do reino, certamente a nossa agri- 
cultura havia de progredir e prosperar. 
Honra ao sr. Roballo, que assim despreza a 
rutina e os preconceitos. 

GARAFÊÇOS— freguçzia, Minho, cornar- 
ca, concelho e 6 kilometros de Baredlos^ 
18 ao O. de Braga, 460 ao N. de Lisboa, i60 
fogos. 

Em 1757 tinha 120 íbgòs. 

Orago S. Thiago, apostolo. 

Arcebispado e districto administrativo Ao 
Braga. 

Era em 1757 da comarca de Vianna. 

Situada na costa de uma serra no prin- 
cipio do valle de Támel Do alto da serra so 
vé o mar e toda a praia, desde FSo até Vian- 
na. Também se vêem as serras do Marin^ 
Palpérra, Gerez, Nossa Senhora da Abba- 
dia e outras varias freguezias. 

O abbade era de collaçao ordinária, pof 
concurso synodal, e tinha de renda 5OOIO0O 
réis. • 

No alto de um outeiro da serra está a ca^ 
pella de S. Migeel, (onde vae um clamor M 
dia 29 de setembro) e que é tradição sér a 
primeira matriz da freguezia. 

É terra abundante de aguas, mnito ÍMil» 
e cria muito gado. ' 

Passa aqui o rio Corujeira. 

Na serra ha multa caça. 

N'esta freguetía d a quinta da Mftdarei«> 



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GAR 

ra, de que foi senhor Joio de Carapéços, ca- 
sado com D. Maria Martins de Carvalho. 

Depois passoti ao infante D. Pedro, con- 
de de Barc^Uos, qne a deu a Pedro Coelho 
(um dos assassinos de D. Ignez de Castro). 
Vide Santarém. 

D. Pedro I mandou confiscar todos os bons 
dos 3 assassinos, sendo portanto comprehen- 
dida esta quinta. O arcebispo de Braga D. 
Gonçalo Pereira, a comprou, emprazando-a 
aos Pigueiredos,;de Chaves, cujos descenden- 
tes hoje a possuem. 

CARAPINHA e 8AN60INHEDA— fregtte- 
zia. Beira Alta, comarca e concelho da Tá- 
bua, foi da comarca de Midões» 35 kilome- 
tros de Coimbra, 240 ao NE. de Lisboa, liO 
fogos. 
Em 1757 tinha 81 fogos. 
Orago o Bom Jesus. 

Bispado e districto administrativo de 
Coimbra. 

Carapinha foi antigamente villa c era da 
comarca da Guarda, concelho de Ázere. 
Situada em um valle. 
O prior de S. Martinho da Cortiça apre- 
sentava aqui o cura, que tinha de côngrua 
6^000 réis e o pé de altar. 

É terra pouco ferlií. Tem porém muito 
gado de toda a qualidade e muita caça. 

CARAPINHEIRA— freguezia. Douro, até 
ífltóíS comarca da Figueira, concelho de Mon- 
temor- Velho, desde entào comarca e conce- 
lho de Montemor- Velho; 30 kilometros a O. 
de Coimbra, tlO ao N. de Lisboa, 720 
fogos. 
Em Í757 tinha 360 fogos. 
Orago Santa Suzana. 

Eram donatários os duques de Areiro, 
mas^ desde 1759 até 1834, flcou pertencendo 
à coroa. 

A maior paftc d'esta freguezia é situada 
em t)laiiicie e o resto em montes. Véem-se 
varias freguezias e a estrada de ferro do 
Norte. 

O parocho de Montemor Velho apresenta- 
va aqui o cura (por esta freguezia ser anne- 
xá á de Montemor Velho) e só tinha o pé 
tfaltar. 

É terra fértil, cria muito gado, os seus 
montes teem caça e nas diíTereDítes Valias 



car 



m 



qtie aqui ha e se mettem no Mondego ha 
muito peixf. Andam n^estas valias varfos 
barcos pequenos de pesca e para serviço dá 
íavoira. 

CARAPITO— villa, Beira Baixa, comarca 
de Trancoso, concelho de Aguiar da Bdra, 
35 kilometros de Vízeu, 321 ao N. de Li^« 
boa, 135 fogos. 

Em 1757 tinha 120 fogos. 

Orago Nossa Setíhora da PuriíleaçÀo (vul- 
go—das Candeias). 

Bispado da Guarda, districto adnimistrá* 
tivo de Viseu. 

Em 1757 era do termo e comarca & Pi- 
nhel. 

Eram seus donatários os Mirandas Remi- 



Ê situada junto ao monte Calvário. 

Os donatários apresentavam o abbade, qué 
tinha de renda 300^000 réis. 

Era cabeça [do concelho do seu nome d 
tinha juiz ordinário, vereadores, procuradot 
do concelho, escrivão da camâra e seis elei- 
tos, tudo sujeito ao corregedor de Pinhd. 

O Portugal Sacro e Profano diz que era 
do real padroado. 

Feira a 29 de abril. 

Enbra n*esta freguesia a serra de Almaki- 
çor, assim chamada por estar n*e]la utna 
torre em que, segundo a tradição, assistiu e 
rei árabe Almançor, e da qual ainda ha 
vestígios, no fundo da serra. 

Passa pela vitla a ribeira do Pinheiral é 
n'ella entram, n'esta freguezia, os ribeiros 
de Santa Cru^ e das- Bouças de Aguiar. Ré^ 
gae móe. 

Também Junto à villa nasce a ribeira do 
seu nome, que morre no Dão, no sitto de 
Entre Aguas. 

Ha mais em Portugal 5 aldeias d*este 
nome. 

Pára o mais que diz respeito á serra ãb 
Almançor, a quem lhe deu o nome e o qtiè 
n*ella ha, vide Almançor, serra. 

D. Manuel deu foral a esta villa, em Lis- 
boa, a 10 de baio de 1514. 

OlRAYELL A — - firegúezia, f raz-os-Moáté^ 
termo de Bragança. 28 fogos (etiá 17lM.) 

Fértil. Egreja de 3 naves. Orago S. Bár- 
tholomen. 



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iOi 



GAR 



O reitor linha de renda 42^000 réis» 4 al- 
queires de trigo e 2 almudes de vinho, tu- 
do pago pela commenda. Era apresentado 
pelo cabido de Miranda, depois, de Bragan- 
ça. 

Ao O. da freguezia, nas proximidades de 
tuna pequena ribeira, ha vestigios de uma 
fortaleza, que, segundo a tradição, é obra 
dos mouros. 

Tinha antigamente um juiz e um jurado, 
feitos pela camará de Bragança. O juiz ele- 
gia doug indevíduos, a que chamavam ho- 
mens do accordam, e todos adjniAistravam 
a justiça 4a freguezia. 

Não acho esta freguezia nos livros moder- 
nos. Jalgo que está ennexa a Bragança. 

GARÂVELLÂS — freguezia, Traz-os-Mon- 
tes, comarca de Ghacim, conacelho dos Cor- 
tiços. A comarca de Cliacim e o concelho 
dos Cortiços, foram supprimidos em 1855. 
Desde então ficou esta freguezia pertencen- 
do ao concelho e comarca de Mirandella. 75 
kilometros de Miranda, 420 ao N. de Lisboa, 
80 fogos. 

Bispado e districto administrativo de Bra- 
gança. Orago S. Braz. 

Em 1757 tinha 73 fogos. 

Era antigamente da comarca da Torre de 
Moncorvo, termo de Mirandella. Foram seus 
donatários até 1759, os marqaezes de Távo- 
ra, ficando então para a coroa. 

Situada cmcampina, d*onde se vé Vinhaes, 
Montalegre e Monforte do Rio Livre, ao N. 

Aq,0. se vé Chaves, Jínrça de Panoyas, 
Lamas, Villa Real, Favaios e . Villa Flor.- 

O reitor de Bornes apresentava aqui o cu- 
r^ que tinha de côngrua. 40^000 réis. 

É terra fértil e ha mais de 120 annos cul- 
tivam aqui o bicho de seda. 

Tiqha juip da vara, homens do accordam, 
quadrilheiros e jurados, todos sujeitos ás 
justiças de MirandeUa e á provedoria de 
Moncorvo. 

Feira a 3 de fevereiro. 

CARAVELLAS — aldeia, Tr^z-os-Monjes, 
«omarca e concelho de Villa Real, fregue- 
zia de Santa Maria de Borbella. Tem uma 
ermids^ de Santa Barbara. 

Consta que foi villa, cem o nome de Ca- 
ravilhas. 



GAR 

Ê tradição que houve aqui um convema 
de freiras bentas e que, despovoando* se a 
^rra (não sei porque) pediram a sua tras- 
ladação para Nossa Senhora Cabeço, na 
^eguezia de Mouçós, junto ao rio Corgo, on- 
de ainda ha vestígios de paredes e de ama 
capella. 

CARAVILHAS — Vide Caravellas, aU 
deia. 

CARBONA— Antiquíssima cidade da La* 
sitania, que existiu no Minho, no alto de am 
monte que fica por cima de Santa Maria de 
Carvoeiro, no concelho de Espozende e da 
qual ainda ha vestígios. Consta qus era muita 
vasta. 

Dizem que se chamava Carbona, pela 
muito carvão que alli se fazia. Agora cha« 
ma-se Caramona, ao sitio. 

Foi destruída pelos árabes em 716. Tinha 
um convento de frades bentos, que foi tam- 
bém então arrazado. 

Estando despovoada, D. Affonso Magno a 
deu, pelos annos de 1050, a um fidalgo, que 
a povoou com colonos e reedificou a con- 
vento, que se ficou chamando de Santa Ma- 
ria de Carvoeiro. 

Vide Carvoeiro, no concelho e comarca 
de Víanna, pois que este convento é o mes- 
mo de que alli se trata. 

Na egreja d*este convento estão sepulta- 
ras de vários fidalgos, muito antigos, enti^ 
elles D. Nuno Soares Velho, D. Sarrasina 
Ozores (filho de D. Ozorío Velloso, conde d» 
Cabreira, que era neto de D. Ramiro II, e 
da célebre Zahara, moura, de Gaia, (que de- 
pois de chrístan se chamou Artida. Vide An- 
cora, rio.) Também em um monumento al- 
to, junto da sachristia, e sob um arco, está 
sepultado o santo D. Pedro AÍTonso, D. ab- 
bade d*este mosteiro, que uns dizem filho^ 
outros irmão de D. Affonso Henriques. 

CARCABEAR ou CARCAVEAR—porlu- 
guez antigo, abrir fossos, valias, covas, cár- 
covas, etc, para defeza d*arraiaes, praças ou 
castellos; e também para desviar as aguas, 
das cearas, hortas, pomares, etc, etc. 

GARÇAO —freguezia, Traz-os-Montes, co- 
marca de Bragança, concelho do Vimioso^ 
30 kilometros ao N. de Miranda, 455 ao N. 
de Lisboa, 320 fogos. 



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GAR 

Bispado e districto administrativo de Bra- 
gança. 

Orago Santa Cruz. 

Em 1757 tinha 203 fogos. 

Foi antigamente da comarca de Miranda, 
e depois do concelho do Outeiro, até 1855- 

Situada em uma serrania no sitio chama- 
do Lombo de Babe, próximo dos rios Ma- 
çans e Sabor, que a tornam uma península. 

O cabido de Miranda apresentava annual- 
mente o cura, que tinha 6)^000 em dinheiro, 
1 alqueires de trigo, 2 almudes de vinho e 
o pé d*aUar. 

Produz algum pão e vinho, e dos mais 
fructos muito pouco. Cria algum gado e ha 
por aqui muita caça. 

CARÇÃOZINHO— freguezia, Traz-os Mon- 
tes, comarca e concelho de Bragança, 40 
kilometros ao N. de Miranda, 474 ao N. de 
Lisboa, 20 fogos. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Em 1557 tinha i5 fogos. 

Pertenceu antigamente á comarca de Mi- 
randa, termo de Bragança. 

É situada em um alto, d*onde se vé a al- 
deia de Penella e a Serra de Seabra, na Gal- 
liza. O rei apresentava o abbade, que tinha 
residência e passaes e como mais lhe rendia 
isto 200íi000 réis. 

O abbade apresentava as egrejas de Pe- 
nella, Yilla Bôa, Talhas e Serapicos, que sâo 
<^ratos annexos a esta freguezia. 

O Poítugal Sacro' e Profano, diz cousa 
muito difíerente. Segundo elle — o parocho 
era cura, apresentado pelo abbade de Sara- 
picos e tinh^ 8^000 réis de côngrua e pé 
d*altar. 

É terra fértil. 

Cria multo gado e tem muita caça. 

Esta íreguezia não vem nos livros moder- 
nos. Fui annexada á antecedente. 

CARCAVA— Vide Cárcova. 

CARCAVELLOS— freguezia, Extremadu- 
ra, concelho de Oeiras, comarca, e 20 kilo- 
metros a O. de Lisboa, 60 fogos. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. 

Orago Nossa Senhora dos Remédios. 

Em 1757 tinha 72 fogos. 

Era antigamente do termo de Cascaes. 



GAR 



105 



Situada em uma elevação muito linda e 
saudável, vendo- se grande parte do mar a 
muitas povoações e serras. 

O prior era da apresentado ordinária o 
tinha de côngrua iOO^tOOO réis. 

O Portugal Sacro diz que o parocho era 
apresentado pelo povo. 

A matriz está no meio da praça. Junto a 
ella está um chafariz d*optima agua (como 
são todas d*aqui) e muito abundante. Tem. 
mais duas fontes publicas. 

Ha n*esta freguezia muitas e formosas 
quintas, muito férteis em tudo. 

Entre Carcavellos e o Oceano está a Quin- 
ta Nova de Santo António, que era do morga- 
do da Alagôa. Tem no centro um rico palá- 
cio, (lindado ha uns cem annos por José Fran- 
cisco da Cruz, avô do ex-possuidor. Tera 
bello jardim, grande alameda, e o palácio é 
decorado com gosto e magnificência, tendo 
vastas salas e uma bonita capella dedicada 
a Santo António. Tem óptimas vistas e seus 
torreões servem de baliza aos navegantes 
que demandam o porto de Lisboa, por so 
avistarem a ihuitas léguas de distancia. D, 
Joáé I, aqui vinha almoçar muitas vezes» 
quando estava no Estoril. A quinta está ho- 
je em grande decadência. 

Antes da moléstia das vinhas produzia ^OQ 
pipas de óptimo vinho. Foi vendida em 1872, 
por uns 23 contos de réis à Companhia da 
Cabo Telegraphico Submarinho, que aqu^ 
fez a sua estação ; o que bastante tem feito 
prosperar esta terra. Ouvi dizer que o direc- 
tor doesta companhia vence annualmente a 
bagatella de 6 contos de réis. Entre as boas 
quintas de Carcavellos, distingue-se a do se- 
nhor conde da Lapa. 

Ha muito boas fructas, sobre tudo laran- 
jas. Produz muito e famoso vinho, princi- 
palmente o branco, muito conhecido e apre- 
ciado, não só em Portugal, como no estran- 
geiro. 

Fica- lhe o mar a uns 300 melros de dis- 
tancia, e próximo ílca a torre de S. Julião 
da Barra. 

Tem um forte na praia, onde esta é de 
areia, pois que o mais são rochedos inacçes- 
siveis, que por si se defendem. 

Abundante de bom peixe. 



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106 



CAR 



Com todas estas condições, nao sei a ra- 
são porqae a população descresce em vez de 
augmentar. 

Ha aqui muitas e vastas pedreiras de már- 
more branco (carbonato de cal) óptimo para 
edificações, pelo que ha n'esta freguezia mui- 
tos canteiros. 

Carcavellos é diminutivo de cárcova ou 
corcova quer dizer : pequeno fosso, etc. (Vi* 
de Cárcova e S. Domingos de Rana.) 

Ha em Portugal mais 12 aldeias d'este no- 
me; mas nenhuma notável. 

CARGAVA ou CARGOVA— porta falsa. 
Também significa caminho encoberto. 

Em Braga ha um sitio, próximo ao Cam- 
po de SanfAnna, chamado, Fonte de Cárco- 
va. 

CARDAL ou GARDOSA— sitio cheio de 
cardos. 

CARDENHA— freguezia, Traz-os-Montes, 
comarca de Moncorvo, foi até 1855 da de 
Chacim, concelho de Alfandega da Fé, 144 
kilometros ao NE. de Draga, ,390 ao N. de 
Lisboa, 130 fogos. 

Em 1757 tinha 83 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Oliveira. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Bragança. 

Já antigamente tinha sido da comarca da 
Torre de Moncorvo, concelho de Alfandega 
da Fé, 

Situada em planície, d'onde se Vêem va- 
rias povoações. 

Foram seus donatários, até 1759, os mar- 
quezes de Távora; desde então ficou para a 
coroa. 

O reitor de Adeganha apresentava aqui o 
vigário ad ntUutn, que tinha 50i^000 réis. 

É terra pouco fértil. 

Carderúia significa cabana, e também sitio 
cheio de cardos. (Vide Barga.) 

CARDIELLOS antigamente GARDELLOS— 
freguezia, Minho, comarca e concelho de 
Víanna, 35 kflometros ao O. de Braga, 395 
ao N. de Lisboa, 130 fogos. 

Em 1757 tinha 80 fogos. "^ 

Arcebispado de Braga, districto adinnlis- 
trativo de Vianna. 

Orago S. Thiago, apostolo. 



CAR 

Foi antigamente da comarca de VaflaÈlça 

O seu orago foi primeiro Santa Mai^^aii«» 
da, mas depois passou a ser S. Thiago. 

O papa e o ordinário apresentavam alter- 
nativamente o abbadc, que tinha 120^000 
réis. 

Ha aqui, no alto de um monte, a eapella de 
S. Silvestre, onde vem clamores de 14 fregoe* 
zias, por varias vezes do anno e por voto 
immemorial que fizeram por occasiao de 
uma grande fome. 

O mesmo fazem para alcançar o sol ou 
chuva, ou por qualquer calamidade publlea. 

É pouco fértil, apesar de por eUa passar 
o rio Lima. 

Ha aqui a célebre torre de Monre, oa 
de D. Sapo. 

É tradição que um tal Florentim Barreto, 
das margens do Lima, senhor absoluto de 
Cardiellos, e fundador da torre que ainda 
hoje existe com o nome de Torre de D. 
Sapo, exigia de seus vassallos o tributo 
chamado antigamente marketta (direito de 
dormir o senhor da terra, com a noiva, na 
primeira noite do casamento.) Consta que 
foi assassinado por ordem do rei. 

Segundo outros, o povo, para obter do ref 
licença para assassinar a D. Florentim (por 
alcunha 4) Sapo) ifle dissera que um sapo 
violava todas as mulheres da fregueúa, se 
os auctorisava a mataro, ao que o rei fòicO- 
mente annuiu; mas quando soube que o tal 
sapo era D. Florentim, ficou muito pesarosa 
(porque era tao bom como elle.) 

Nas Canárias consta que havia o mesmo 
costume, que cessou depois da descoberta 
d*ellas pelos hespanhoes. 

Na Escócia, si vera est fama^ os senhores» 
usavam e abusavam do mesmo ignominioso 
direito. O catholico rei Malcolm, éta 1090^ 
aboliu este odioso tributo, reduzindo-o a dl- 
nheiro, e remivel por 400 réis. 

Em Lovaina, diz-se que havia o môSiOio 
costume. 

Mais acima, na Aguieira, no sitid oiMe 
esteve o facho, se vêem as ruinas de vctú dá^^ 
tello, de eras remotas. 

Também nas duas margens do Lima, ôm 
frente doesta fireguezia, ha vestígios de foUí- 



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CAR 

âeaç5ed do tempo dos romanos ou dos anti- 
gos lusitanos. 

GARDlGA (quinta da)--Tide Gollegâ. 

Esta quinta foi dos templários, e depois 
ÚSL Ordem de Christo. 

CARDIGOS (antigamente) VILLA NOVA 
DB CARDIGOS— villa, Extremadura, comar- 
ca de Thomar, concelho de Villa de Rei, 
168' kilometros ao NE. de Lisboa, 380 fogos. 

Em 4757 tinha Í2f fogos. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado e dislricto administrativo de 
Castello Branco. 

É do grao-priorado do Crato (d*ondè dis- 
ta 50 kilometros para o N.) provedoria de 
Thomar (d'onde dista 35 a E.) 

Situada em um alto, d*onde se vêem as 
viílas de Figueiró dos Vinhos, Villa de Rei, 
Amêndoa, Niza, Castello de Vide e Marvão. 

Tinha termo seu, que antigamente foi jul- 
gado, chamado da Brucheira, como consta 
de muitos papeis antigos. 

Já era villa em 1521. O seu termo com- 
punha-se dos logares do Carrascal, Chavei- 
ra. Chaveirinha, Casaes de S. Bento, Collos, 
Casas da Ribeira, Cavalleiro, Pé do Azi- 
nhal, Azinhal, Azinhalete, Valles, Tinfanei- 
ros, Pára Cannas, Lameir^ncha (ou Lamei- 
ra Ancha) Samadas (ou Cernadas) Freixoei- 
ro, Arganil, Montaricome, Meijão Frio, Val- 
le de Infante, Rhoda, Casalinho e Carvalhal; 
qae por todos, incluindo a villa, faziam 221 
fogos. 

A matriz é de 3 naves e está no principio 
da villa. 

O Tigarío da villa da Amêndoa apresen* 
lava aqui annualmente o cura, que tinha 
15^000 réis e 30 alqueires de trigo, pagos 
pela commenda, e o pé de altar. 

Tem Misericórdia e hospital, fundado por 
Francisco Moreno Callado, parocho <juo foi 
d'esta villa, em 1620, e tem provisão de 1610 
com os privilégios da Misericórdia de Lis- 
boa. 

O seu rendimento é limitadíssimo. 

A terra é muito abundante de cérá e mel, 
•gado e caça. 

De cereaes o friíctas, prodacçãò mediana. 

Tinha 2 juizes ordinários, 2 vereâtores e 

procurador do concelho, feitos por pelouro 



CAR 



107 



e confirmados pelo ouvidor da comarca do 
Crato. 

Tinha escrivão da camará, judicial e no- 
tas, 1 alcaide e 2 almotacés, cada 3 mezes. 

Tinha também uma companhia de orde- 
nanças, com seu capitão e offlciaes, confir- 
mados pelo grão-prior do Crato^ sem sugei- 
ção a mais ninguém. 

Tinha uma commenda do mestrado de 
Christo, sendo a terça parte do seu rendi- 
mento para os bispos da Guarda. 

A frcguezia é em sitio montanhoso, áspe- 
ro e cheio de matagaes, tendo apenas ao 
fundo alguns valles férteis. 

Passam aqui as ribeiras de Meijão Frio, 
Bostelim e fsna, que regam e moem. 

Eram seus donatários os grãos -priores, 
por ser uma das 12 villas do grão-priorado 
do Crato. 

D. Affonso Henriques a tomou aos mou* 
ros^ em 1135. 

GARBOSA c depois VILLA FRANGA DA 
GARBOSA— antigo nome de Castello Brari- 
0. (Vid e esta cidade e Cardai.; 

GARBOSAS— flreguezia, Extremadura, co- 
marca de Villa Franca de Xira, concelho de 
Arruda dos Vinhos, 35 kilometros ao E. de 
Lisboa, 190 fogos. 

Em 1757 tinha 83 fogos. 

Orago S. Miguel, archanjo. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. 

Era antigamente do termo de Arruda, mas 
da comarca de Torres Vedras. 

Os freguezes apresentavam o cuia, que ti- 
nha 50^000 réis. 

Terra abundante de vinhos, mas do mais 
mediana producçSo. 

Tinha jui^ da vintena, posto pela camâra 
da Arruda. 

Passa aQUi a ribeira do Bagueíro. 

CARÍA— Na baixa latinidade, caria signi- 
ficava pãOy e taiiibem a malaioUa, isto é, 
máo costume, injusta e violenta imposição 
de algum foro ou tributo. 

Segundo fr. João de Sousa (fV^fí^jr. â^ 
LÂng, Ar,) caria é palavra árabe, e sigmdca 
aldeia, villa ou povoação; a que os hebreus 
chamam Qnitia. (Vide Álqueria e AJOaria.) 

CARlA— freguezia, Beira Baixa, ^oneelbò 



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108 



CAR 



de Belmonte, comarca e 30 kilometros da 
Gaarda, até 1855, hoje é do mesmo conce- 
lho, comarca da Covilhã, 288 kilometros ao 
£. de. Lisboa, 400 fogos. 

£m 1757 tinha ^286 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Conceição. 

Bispado da Guarda, districto administra- 
tivo de Casteilo Branco. 

Foi antigamente do termo da Covilhã. 

Situada em um monte, d*onde se vêem as 
villas da Covilhã e Belmonte e os logares de 
Trutozendo, Pêra Boa, Aldeia do Souto, En- 
guias, Malpica e Aldeia do Monte do Bispo. 

Em 24 de agosto de 1869, pelas duas ho- 
ras e meia da tarde, hòuve aqui um medo- 
nho temporal (um cy clone) que causou gran- 
des prejuízos. Vide Covilhã, no logar com- 
petente, onde vem isto mais circumstanciado. 

Por contracto, feito em 1644, davam os 
d*aqui dois jantares por anno aos camaris- 
tas da Covilhã. 

O bispo da Guarda api*esentava in solidum 
o prior, que tinha de renda 400)^000 réis. 

É terra fértil. 

Tinha dois juizes ordinários e procurador. 
Não tinha vereadores, mas, em seu logar, 
«legía o povo três homens (a que se dava o 
titulo de vegedores) e com elles e os juizes 
se governava a freguezia e faziam osaccor- 
dãos e posturas. 

Ha aqui um reducto, ou pequeno casteilo, 
e dentro d'elle umas casas como torre, que 
sao do praso da mitra, e antigamente foi ca- 
sa de campo dos bispos da Guarda. 

Parte da serra da Pedrosa é d*esta fregue- 
zia. 

O nome d'esta freguezia é árabe, sem cor- 
rupção; significa villa ou povoação. Vide 
Alçaria. Vide também a Caria antecedente. 

D. Manuel lhe deu foral, em Lisboa, a 15 
de dezembro de 1512. 

CARIA— villa. Beira Alta, comarca de Moi- 
menta da Beira, foi até 1855 do concelho de 
Caria e Rua, e desde então é do de Ceman- 
celhe, 30 kilometros de Lamego, 324 ao N. 
de Lisboa, 210 fogos. 

£m 1757 tinha 160 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Corredoura. 

Bíspi^o de Lamego, districto administ^a- 
Iíyo de Viseu. 



CAR 

Foi antigamente da comarca de Lamego», 
termo da villa da Rua. 

O reitor tinha de renda 200^000 réis. £ra 
apresentado pelo bispo de Lamego. 

É terra fértil. 

A mesma ctymologia. 

É -povoação antiquíssima e jâmuita notá- 
vel no tempo dos romanos, com este mesmo 
nome de Caria. Em vista d*isto, ainda que 
Caria seja a palavra árabe Caria, ou Alça- 
ria, como é, e que essa seja aetymologia de 
todas as outras Carias, ha todas as razões 
para crer que não o é d*esta, mas sim a quô 
lhe dá fr. Joaquim de Santa Rosa de Viter- 
bo, no seu primorosíssimo e estimável Elu-- 
cidario, que é a primeira que dou na Caria 
primeiramente descripta. 

No tempo dos godos era esta villa de Ca^ 
ria uma das seis matrizes que formavam o 
bispado de Lamego. 

No testamento de D. Flâmula (ou D. Cha- 
ma) feito em 960, se acha (no livro de D^ 
Muma Dona, íl. 7) mencionado o casteilo de 
Caria, juntamente com os de Trancoso, Mo« 
reira, Langobria (Longroiva) Naumam (Na^ 
mão) Vacinata (Macieira, de Fonte Arcada ?> 
Amindula (Amêndoa) Pena do Dono (Pene- 
dono) Alcobria (Alcarva) e SemórzelJi (Ser^ 
millo?) 

Sobre o cume do monte que fica sobran- 
ceiro ás terras de Moimenta da Beira, sead«^ 
miram as vastas minas da^primittivaCaría^ 
(As terras de Moimenta da Beira perten* 
ciam ao dilatado território ou termo da an- 
tiga Caria.) Almançor destruiu esta grande 
povoação, no século IX, e no tempo de D* 
Aífonso Henriques fazia apenas um julgado,, 
pertencente a Leomii; até que, no seeula 
XIV, se erigiu em concelho e villa indepen- 
dente; mas ficou cerceado o S3U território, e 
a sua capital, que era o casteilo de Caria, se 
foi despovoando, retirando-se os moradores 
para logares mais commodos e abrigados,, 
por já não terem a recear as invasões 4o$. 
mouros. 

Já no século XIII liavia Caria Juzan (Ca- 
ria de Baixo) e Caria Suzan (Caria de Cima). 

Na gavela 23 dos documentos de Tarou- 
ca (a que chamavam, iitu/m) havia um in- 
strumento, leito na Tapha, a ide setembro» 



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GAR 

de 1284, pelo qna) se tô que estavam pagas 
fi5 dividas e satisfeitos os graves damnos fue 
D. Pedro Annes e sua mulher, D, Urraca 
Affanso haviam feito e mandado fazer nos 
iogares e pessoas do coneeltio de Cana, que 
éntio se dividia em três, a saber : Caria a 
Yelba (que era o tal castello, ha algans sé- 
culos desmantellado), Caria Suzan (que é a 
Actual Caria) onde então estava a cabeça do 
concelho, justiças, empregados e casa da 
camará — e Caria iuzan, que é a actual villa 
da Rua, para onde finalmente se transferiu 
o pelourinho, senado ou paços do concelho, 
Justiças, etc 

Junto a esta villa, no logar de Vide e seus 
tontomos, se tem descoberto por moitas ve- 
zes, varias inscripções, cippos, pedras sepul* 
chraes, lapides, etc, que attes^m haver n*es* 
tes sítios uma povoação famosa, no tempo 
dos romanos, e ainda depois d*elles. 

Na capella de S. João, havia uma lapide 
<qu6 se desencaminhou ha mais de 300 an* 
nos) da qual constava que — Amanda, sêrva 
de Jesus Christo, falledra em paz^ no anno 
do Senhor 686. 

No fim do século XVHf, se achou emuma 
vinha, junto a esta capella, uma gratide se- 
pultura, de pedra mnito bem lavrada, que 
foi para a quinta do Ribeicp, onde ainda no 
principio d*este seci&lo se conservava, e não 
sei se ainda lá existe. ^ 

Em 1788, se achou nas casas do benefi- 
ciado Lourenço Manuel d^Almeída, uma la- 
pide dedicada ao imperador Marco Aurélio, 
que diz: 

IMP. 

M. AV. 

V. M. E. 

AUG. P. F. 

P. M. T. P. 

P. P. 

I I X X. 

No mesmo anno, na quinta da Lagoa, se 
achou outra lapide, ,coir\ uma inscripção de- 
dicada ao imperador Antoniap, que reinou 
desde 211 até 217. 

Parece que por aqui passava alguma via 
militar romana, que de Braga se dirigia a 
Amarante, d'aqui a Cidadelhe (povoação ro- 
mana nas faldas do Marão) e d'aqúi ia um 
ramo para a cidade de Panoyas (no termo 



CAR' 



im 



de Villa Real) e o outro á terra de Caria e 
d*aqul para toda a Beira e Riba Côa. 

A inscripçSo dedicada a Antonino, é umá 
espécie de marco nNlliar, de 2",20 de alto, 
levantado sobre ura pedestal quadrado, da 
mesma pedra. Diz : 



CONCILIO AN- 

•noo 

CAIO BAQ. 

fortíssimo 

CAES. 
ANTÓNIO 

:::ti::: 

FlUO. 



BONO 
BBIP 
NATO 



(A ínscripção superior aos dois traços, es- 
tá no marco, e a inferior, no pedesl^d.) 

No logar de Vide, no fronlespicio da ca- 
pella do Espírito Santo (qiíe antigamente 
era de S. Sebastião) eslá uma pedra qua- 
drada, que sem duvida serviu de base ou 
pedestal de úm outro marco milliar, pois 
também diz : bono^ rèíp, nato. 

No logar de. Prados, junto à villa da Rua, 
está a capella de S. Domingos, antiquissima. 
Cónáta que era, em tempos remotos, matriz 
da freguezia. No frontespiclo está uma la^» 
píde con\ a inscripçâo seguinte : 

VICTOR. 
MARII. F. 
HBIC. SB: 
P. lAOET. 

(lictor, filíio âe Mário, aqui jaz.) 

Muitos outros vestígios de antiguidades 
romanas aqui por estes sitios se toem en- 
contrado; mas téem sido desprcsados e deâ- 
truidos. 

lia aqui um convento que foi de terceiros 
de S. Francisco, fundado em 1443. 

CARÍA a RtJÁ— concelho (extinçto em 
1855) naTcomarca de Moimenta da Beira 
(Beira Alua) 30 kílometros de Lamego, 321 
ao N. de Lisboa, 880 fo^os. ' ' ^ 

* Vide a Caria anlecedenlò e Roa. 



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m 



GAR 



CARIDADE oa NOSSA SENHORA DA CA- 
RIDADE— íregnezía^ Alemtèjo, até 183d da 
comarca, e concelho de Monsaraz, desde en- 
tão é do GOBcelho de Reguengos, comais 
do Redondo, 35 kílometros d^Evora» i55 a 
SE. de Lisboa, 160 fogos. 

Em 1757 tinha 101 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Caridade. 

Arcebispado e districto admmistrativo de 
Évora. 

Era antigamente do concelho de Monsa- 
raz, mas da comarca de Yilla Viçosa. 

O arcebispo de Évora apresentava ò cura, 
que tinha 4 moios de trigo e 2 de cevada, 
que lhe pagavam os íreguezes. 

Situada em um vaUe fértil. Tem grandes 
montados de azinho, em que se criam mui- 
tos porcos, com que a freguezia faz grande 
commercio. 

Tinha antigamente juiz da vintena, sujeito 
ás justiças de Monsaraz. 

CARIt£L, CARITÊLLO ou KARITÉLLO 
— significa o a que hoje qharoamo? querel- 
la. Correspondia ao nossg — aquid^elreil — 
e se chamava a este grilo— dar vois.de can- 
tei ou rascar. Vem do latim quiritare, que 
segundo Varrão, tinha a mesma applicaçâo, 
e se gritava— Porro quirilis! 

De quiritare vem gritar (clamar, dar vo- 
zes de alllicçào a pedir soccorro, etc.) Na 
freguezía de Mançores, comarca e concelho 
de Arouca, lia uma aldeia chamada Caritél. 

CARLÃO — freguezia, Traz-os-Monles, co- 
marca e concelho de Aiyó, 108 kilometros 
ao NE. de Braga, 370 ao N. de Lisboa, 300 
fogos. Em 1757 tinha 150 fogos. 

(O padre Cardoso diz qj^e em 1750 tjnha 
233 fogos.) 

Orago Santa Águeda. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Villa Real. 

Tem caldas. Vide Tinhella. (O rio TUihel- 
la entra no Tua, próximo a esta povoação.) 
£ra antigamente do termo de Alyó, con^ar- 
ca de Villa Real. 

O yigario èra collado e tinha 16^000 réis 
e 80 alqueires de trigo, de renák, ' 

Produz muito centeio^ castanha e figo^; 
do mais pouco. 

As aguas ,thermae3 rebentam no fui^idg de 



GAR 

ama fragosa eminência: sào crystaHniaâ^ 
teado em a nascente a temperatura de 92 a 
94, F., eom o cheiro e sabor próprio ázs 
agua^ min^ralisadas pelo gaz hydrogeneo- 
sulphurado, deixando no paladar uma ses* 
sacão, como de tinta de escrever (caparrosa). 

É muito adstringente. 

Não ha no sitio banhos estabelecidos. Es* 
tes tomam-se em uns poços immundos^ ost 
em tinafi. 

Tem estes banhos diversos nomes: cha* 
mam-lhe Caldas de Faváios, de Porrae^ â& 
Murça, e, ímalmente, de Tinhella. 

Não me consta que fossem examinadas 
pelos engenheiros que em 1866epriii€ipios 
de 1867, andaram pelo reino a inspeedofiar 
as nascentes de agui^ mineraes» nem ioram 
apresentadad na expo^ção universal de Pa* 
ris, em 1867. 

É muito provável que estas aguas tenham 
tantas virtudes therapeuticas como qnalqner 
das outras tão preeonisadas, mas o abaõ^ 
no em que estão, é a causa de serem ^last 
desconhecidas. 

Se a camará de Alijó, ainda que pedia» 
para isso um subsidio ao gov^mo^ tratasse 
de ediâcar aqui um soffrivel estabeleeimen* 
to, no qual, com alguma comi|iodidad6^ se 
pedessem tomai^Jbanbos, a concorrência se- 
ria muita e certa, porque, feita a estrada de 
ferro do Porto à Régua, e com o rioDiwro^ 
tinha duas vias de communicação, que am- 
bas âoam próximas. 

Isto daria uma boa renda ás camarás» ntí- 
ligavam os enfermos que necessitassem d*63* 
tas aguas, e os povos circumvisinhos, que 
tinham prompta e vantajosa venda aos seus 
géneros alimentícios. 

CARMÕES— freguezia, Extremadura, co- 
marca e concelho de Torres Vedras, foi até 
1855 do concelho da Ribaldeira, que então 
foi supprimido, 40 kilometros ao SE. de 
Lisboa, 160 fogos. 

Em 1757 tinha 142 fogos. 

Orago S. Domingos. 

Patriarchado e districto administrativo 
de Lisboa. 

Chamava-se antigamente Clamores, Era 
já do termo e comarca de Torres Vedras, 
julgado da Ribal(j^inu 



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CAB 

Sitoaâa em alto com extensa vista. 

A matriz primittiva era muito pequena^ 
pelo qae foi qnasi reedificada pelos Ãxada- 
inentos» em 17W. 

O prior de S. Pedro, de Torres V^drafi> 
^[msentava aqui amiualmente o cura (por 
ser esta freguezla aliai d*aquella de S. Pe* 
dr«) que tinha 2 moios de trigo, 30 alma* 
des de vinho crú e 6^600 réis em dinheiro. 

O Portugal Sacro e Profano diz que tinha 
$4000 réis de congma e o pé d'altar. Pare- 
ce-me que vem a ser o mesmo. 

Maito fértil, sobretudo em óptimo viiâio. 

Tinha antigamente dois juizes, dois almo* 
laces, um procurador, um escrivão o um 
porteiro. 

Ha aqui muitas fontes de boa agua, que 
so inverno formam um ribeiro, que tem 
•doas pomes de lagens^ uma no caminho da 
egreja para o Baraçal, outra indo da quin^ 
ta do Yalle de Cavallos para à firegoezia de 
£. Pedro, de Dois Portos (diama-se mesmo 
a ponte de-Valle de Cavallos.) Morre no rio 
Steandr4), na fregaezia de S* Pedro de Dois 
Portos. £ orlado de arvores de fnieto e sil- 
vestres. 

CARII—- monumento celta. Etistem mui- 
los em Portugal. 

(No monte do Crasto, freguesa de Roma- 
riz, concelho da Feira» .appareoeram ^em 
i84£^ uns cinco ou seis carns.) 

Era uma espécie de tanque de diíTerentes 
tamanhos e figuras geométricas^ com o pa^ 
Vimento feito de calçada, coberta de barre 
olu saânro, ou ambas as coisas combinadas, 
fechado por uma parede de 1 metro de al- 
tar»: yào se teem achado com sjgnal de 
porta ou entrada. 

Aiiida que hajam suas duvidas sobre a 
applicàçao das quatro qualidades de monu- 
mentos célticos (ou como querem 0utrt)3, 
precelticoi), de que tanto abunda a Luzita- 
nia, a opinião mais seguida é que — aswwl- 
moas eram os túmulos dos celtas notáveis; 
as antas, monumentos erigidos á memoria 
dés seius chefes; — e os cflnw, templos onde 
cada iribti tín famHIa se reunia para orarem 
aosêttdeus Endovelico.-^lMmen (ondolmin) 
*— ara céltica, onde se faziam os sacriftclos. 

Vide Antas, Dolmens e Mâmeas. 



CAR 



lli 



Yide também Vestígios celtas em Portu- 
gal 

Cam também é palavra árabe, que signi- 
fica ponta ou chifre; mas nao tem applica* 
çao para aqui. Onde ha maior quantidade 
de carns é em Traz-os-Montes, e na Galliza. 

Naa fregueiçias do MoUôdo, GristéUo, P(^< 
tella e Gontinhães (concelho de Caminha) 
também vi alguns. Ghamam-lhe alli «cerra** 
dos dos mouros.» 

Em muitos sítios de Portugal tçm-se oor* 
rompido a palavra mm, transformando-a em 
castro ou crasto. Evidentemente assim acon« 
teceu ao monte dos carns, em Romariz, ao 
qual hoje se chama Monte do Crasto. (Vido 
GaslFo e Crasto.) 

CARNAXIDE — Areguezia, Extremadura» 
eonoelho d*OQiras, comarca, e 10 kilometros 
ao NO4 de Lisboa, 630 fogos. 

Patriarchadoedistrícto administrativo da 
Lisboa* 

Orago S. Romào. 

Em 17IÍ7 tinha 303 fogos. (O Portugal Sa- 
cro, diz 493.) 

Aittigamei^ dizia<se Camexide e era maia 
etymoiogico. 

Era reguengo d'A]gés e Oeiras. 

Situada em posição eminente e esoaibro* - 
sa, mas multo sadia. 

É quasi nas faldas da serra d'Alfragide e 
certíáda de montes. 

Regam a fireguezia as ribeiras d'AIgés 
Jamôr. (Esta é célebre pelo apparecímentoda 
imagem do Nossa Senhora da Conceição da 
Rocha.) 

A ma^iz é de largas dimensões, e o cul- 
to divino é aqtíi feito com magnificência. 

Sobre levantados cabeços ficam as boni- 
tas e famosas aldeias de Ninha-a- Velha e 
Ninha-a-Pastora (vulgarmente Linda a Ve- 
lha e Linda a Pastora.) 

Desde tempos immemoriaes que a estas 
duas formosas aldeias se chamou Ninha a 
Pastora e Ninha-a- Velha : só desde o sec\ilo 
passado é que por corrupção se trocou o 
Ninha em Linda. (Todos sabem que Ninha 
no antigo portugueE é menina, dohespanhol 
nina.) 

Na segunda doestas aldeias estão duas for« 
mosas qmntas; a do Roditío, á beira dò J»- 



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H2 



CAR 



mor (e que produz óptimas laranjas) com a 
sua extensa alameda d'arvores seculares 
que é um delicioso passeio no verão — e a 
da Graça, na margem opposta e em frente da 
antecedente; também aprasivel e do mesmo 
modo notável pelas suas óptimas laranjas. 
(Pena é que a moléstia das laranjeiras te- 
nha damnificado tanto as doestas quintas.) 

Aqui perto são as estações dos banhos da 
Cruz- Quebrada e Bôa-Viagem, no Tejo. 

Alem das duas aldeias já designadas, tem 
mais a freguezia as seguintes, todas notáveis 
por serem no termo de Lisboa, e refugio dos 
ricos doesta cidade durante os calores do ve- 

tSLO. 

São : Carnaxide, Outorella, Algés e Quei- 
jos. 

Antes de Í834, era o prior de Santa Cruz 
do Castello, de Lisboa, que apresentava ín 
wlidurn o vigário d*aqui, que tinha de ren- 
da um moio do trigo, uma pipa de vinho e 
o pé d'allar, ao todo- uns 240^005 róis.' 

Ha aqui três conventos de frades arrábi- 
dos— S. José— este convento está em frente 
do fcrte de S. José derRiba-Mar, pelo que se 
lhe dá também o nome de Riba-Már. Foi 
fundado por D. Francisco de Gusmão e sua 
mu)her D. Joamxa (progenitores dos condes 
de Vimioso) em 1559. Vide Ribamar.— Santa 
Catharina. 

O convento de Santa Catharina de Riba- 
Mar foi fundado por D. Isabel, Olha dô D. 
Jaime, duque de Bragança, mulher do in- 
fante D. Duarte, filhd d'eirei D. Manuel, em 
Í551.—- Nossa Senhora da Boa-Viagom. 
> O convento da Boa*Viagem ftítidDu-o a ir- 
mandade da Misericórdia dè Lisboa emcum^ 
primento de testamento de Diogo Faloiro, 
que lhe deixou uma grande quinta em Í6i8» 
Todos ttes ficam perto uns dos outros, sSú 
edificados na margem direita do Tejo, Je 
com lindas vistas para eBe. 

E' terra fértil 

Antigamente tinha juiz ordinário, feito 
pela .camará de Lisboa, e sujeito ao corre? 
gedor do Mocambo. 

Ha n^esta freguezia quatro fortes sobre a 
margem direita^doTejo, são Forte da Ponle 
dePalhaes, S. José de Riba^Mar, Cruz Que- 
brada e Poa- Viagem.. - , ' 



ÊAR 

o Tejo serve de limite a esta fregueria pe- 
lo S.eSO. 

O Jamôr nasce em Bellas. Tem aqui doas 
pontes— a de Ninha a Pastora e a da Gmz 
Quebrada. 

O Algés nasce em um outeiro junto a Mon- 
santo, e augmentado com o ribeiro Outorel- 
la, que se lhe junta na linda quinta das Ro- 
meiras, se meite no mar. junto ao forte da 
Conceição, ende ha uma bella ponte de pe- 
dra, que parte com a bella quinta dos du- 
ques de Cadaval. 

D*aqui se descobrem as torres de S. Ju- 
lião e Cabeça Secca, ficando-lbe defironíe a 
Torre Velha. 

Carnaxide é corrupção da palavra árabe 
—Carnexate — significa como da of>€lha. 
Comp5e-se de carti (a ponta ou corno) e dé 
xale (ovelha.) Vem pois a ser: Povoação do 
chifre da ovelha. 

É terra abundantíssima d^optimas agoafl^ 
e por tanto muito fértil, aprasivel, fresca • 
saudável. 

Ha n*esta freguezia uma curiosidade wSim.' 
ral â qual veio juntar-se uma lenda religio- 
sa, que deu celebridade em todo o reino 4 
povoação de Carnaxide. É a gruta em qae 
appareceu a pequenina imagem da Vir<- 
gem, que se venera na Sé de Lisboa «ob a 
invocado de Nossa Senhora da Rocha. 

Está situada esta gruta próximo da povoa- 
ção e ó cavada cm uma rocha banhada pe- 
io no Jamor, A gruta é quasi ovale pôde 
conter umas 80 pessoas. Tem 28 palmos de 
comprido e 24 de largo. Toda a rodia é de 
pedra lios. 

Na manhã do dia 28 de ihaio de 18H^ 
andavam uns rapazes a brincar nas margens 
do Jamor, &aí um casal chamado da Ri)cha 
(por causa da penedia que alli se leranta 
junto ao rio). Por junto d*elles passou um 
coelho, que se introduziu por entre as fen- 
das do rochedo. 

Os rapazes, com o desejo de apanharem o 
coelho, metieram^ a muito custo, pela mes» 
ma fenda uma çadella, mas sem resultado. 

fintão ellcs foram ao casal buscar uma 
lanterna e feri^menta, e, depois de muito 
trabalho, conseguiram ^U'ar de^^at^s em 
uma concavidade. Entram a proc^u^r ò ooe- 



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CAR 

lho: mas acbaraim doas caveiras e vários 
ossos humanos espalhados pela grata, agar- 
rando por iim o coelho qae estava cosido 
com a parede. 

Divulgada a descoberta da gruta, concor- 
reu alli muita gente a vor esta curiosida- 
de. 

No dia 31 do mesmo mez de maio, indo 
alli Manuel Plácido, natural de Carnaxide, 
descobriu sobre umas pedras a imagem da 
Senhora, feita de barro e comum manto de 
fléda muito velho. 

Wessa noite, ou no dia seguinte, foi rou- 
l»ada a imagem. Procedeu-se a uma devas- 
sa, e depois de muitas diligencias baldadas, 
«ppareceu a Senhora, a 4 de junho, sobre 
«uma oliveira, a pouca distancia da gruta. 

Per ordem da auctoridade foi levada a 
imagem para a gruta, e alli allumiada e 
lioardada. 

Concorreu cntâo â gruta uma grande 
multidão de gente do todas as classes da so- 
ciedade, não só dos arredores e dé Lisboa, 
nas de toda a Extremadura. 

Em breve a oliveira desappareceu até á 
Boa iikima raiz, para reliquiaS) e a gruta sè 
encheu de oíTerendas dos devotos, em jóias, 
«éra e dinheiro, chegando este em pouco 
tempo a â.OOO^^^KX) réis. 

Por portaria de i7 de julho mandou D. 
João YI que a imagem fosse conduzida pa- 
ra a Sé de Lisboa, o que se fez com grande 
pompa no dia 5 de agosto, collocando-se 
no altar de Nossa Senhora ia Grande. 

Cootinuando comtudo as oíTerendas a 
concorrer paira o sitio onde a imagem havia 
apparecido, , projectou^se edificar alli uma 
egrqa, daiido-se logo principio ás obras, 
que por algum tempo progrediram com ar- 
dor; mas tendo-se esgotado o dinheiro das 
esmolas, psuraram as obras, ficando o tem- 
plo t^naa quasi concluído de obras de: pe- 
dreiro, e assim está. 

iO cabido de Lisboa, invejoso das^ muitas 
esmolas quo os devotos ofiéreciam á Senho- 
taiéi^e influencioju o rei para que a ima- 
gem viesse para a Sé, na esperança de se 
^apoderar das esmolas; ma?,í «oodo viram 
que tilas continuaram, ainda depois da mu- 
dança da imagem, a concorrer parada, gru- 
yoLxaan 



CAR 



il3 



ta, tanto fizeram com o rei que este a nuin- 
dou tapar com pedra e cal. 

O povo havia posto no sitio da gruta on- 
de apparecera a imagem, umregístoda mes- 
*ma. Vendo que se lhe tapava a lapa, arrom- 
baram a parede e puzeram tudo outra vez 
patente. 

O rei, então (já- se sabe a instancias dos 
padres da Sé), mandou entupir quasi toda a 
gruta, e vedal-a com um muro solido, e as- 
sim está. 

Foi desde emão que cessaram as esmolas 
com que se faziam as obras da nova egreja. 

CARNEIRO — freguezia. Douro, comarca, 
concelho, e 12 kilometros d' Amarante, 60 
kilometros a NE. de Braga, 355 ao N. de 
Lisboa, iOO fogos. 

Arcebispado de Braga e districto adminis- 
trativo do Porto. 

Orago S. Martinho, bispo. 

Em i660 tinha 50 fogos» em 1757 44. 

Era antigomente da comarca de Gníma- 
Fâes, concelho de Gestáço. 

O ^bade de Santo Estevão, de Villa-Chan, 
apresentava aqui ad nutum, o vigário^ que 
tinha de côngrua 50j|i000 réis. 

É terra fertiL É n*osU freguezia a^serra 
dos Padrões. 

Foi povoada por um grande ca valleiro, 
chamado Martim Carneiro, monteifomórde 
D. Affonso II, e progenitor doa. Carneiros^ o 
qual lhe deu o seu nome; pelos annosfiiío. 

D*este Martim Carneira procedem os cour 
des^ da Ilha do Príncipe, e outras famílias ao- 
bres de Portugal. Martim Carjieiro descen- 
dia dos duques de Montou (França.) Também 
d*esta familia procedem os condes de Luna- 
res. 

O primeiro cpnde da Uba do Príncipe foi 
Luiz Carneiro de Souza, por Philippe IV, em 
4 de fevereiro de. 1640.. As< armas dos Car- 
neiros sáo em campo de. púrpura, umaí ban- 
da azul: com três flores de liz, d*oiro entjrp 
dois carneiros passantes, de, prata, armados 
d*oiro. Timbre um dos carneiros das ar- 
mas. 

; CABNICÃBS-tfreguezia, BcíKbBaixa, m^ 
macca e eoncelba de Trancoso, 54 Mlome- 
U*os a SE. de Viseu, 305 ao N. de Uskoa, 
115 fogos. 

8 



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114 



GAR 



Bispado de Pinhel, dístricto administra- 
tivo da Guarda. 

Orago Nossa Senhora da Calçada. 

Em 1757 linha 110 fogos. 

Era antigamente do termo de Trancoso* 
mas da comarca de Pinhel. 

D'aqui se vé a villa de Celorico da Beira 
e parte da serra da Estreita. 

O vigário de S. Payo, de Trancoso, apre- 
sentava aqui o cura, que tinha 6M00 réis e 
e pé d'altar. 

É terra fértil e saudável, ainda que de 
clima excessivo. 

Chamava-se antigamente Comicâes. 

CARNIDE— freguezia, Extremdura, con- 
concelho de Belém, comarca e 6 kilometros 
a N. NO., de Lisboa, 260 fogos. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. ^ 

Em 1757 tiaha 250 fogos. 

É freguezia muito antiga, pois já existia 
em ll>94, o que oonsta por documentos, e 
parece que já existia no tempo dos árabes. 

A maior parte da freguezia é situada em 
fértil e saudável campina, com lindas vistas. 

O seu primeiro orago foi Nossa Senhora 
da Assumpção ; depois passou a ser Santo 
Amaro, o hoje é S. Lourenço. (Não consta 
porque houve estas substituicç/5es.) 

Antigamente o cura era da apresentação 
annual do prior do conyento da Luz, de fra- 
des da Ordem militar de Christo; depois pas- 
sou a ser vigário collado perpetuo, com 
Ô0#000 réis de renda. 

Ha aqui quatro conventos, o tal de Nossa 
Senhora da Luz, que o terremoto em 1755 
arrazoa, ficando só a capella mór. Fundado 
pela infanta D. Maria, fílha de D. Manuel c 
de sua terceira mulher D. Leonor, pelos an- 
Dosde 1540. * 

• Na capella mór está Sepultada a fundado- 
ra* Está n'este convento a milagrosa ima- 
gem do Bom Jesus. 

' Freiras carmòliías descalças; de Santa 
-Ttiereza. 

É antigo este convento e foi reediflcado 
pela infanta D; Maria, filha natiihil de D. 
Mo IV, pelos annos de 1680. (Vide adiante.) 
. Frade? carmelitas descalços, de 8. loão da 
Cruz: 



GAR 

Fundado pela prínceza Michaela Margari- 
da (fílha de Bodolpho II, imperador da Ale- 
manha) em 1642, que n*elle está s^ultadai. 
Augmentou-o e enriqueceu-o eom moitas 
rendas e jóias, a infanta D. Maria, fílha na- 
tural de D. João IV, que aqui viveu desd6 
1649 até ao anno em que morreu (1693) e 
também aqui jaz no coro debaixo. Foi mes- 
tra da infanta D. Luiza, fílha bastarda de D. 
Pedro II. Esta D. Luiza foi reconhecida por 
D. João V, que a casou com D. Luiz, doqne 
do Cadaval ; por morte doeste, com seu ir- 
mão (do duque) D. Jaime, que ficou seiuto 
duque de Cadaval, pelo primogénito mor- 
rer sem fílhos. 

Ha mais o convento de freiras da Concei- 
ção, fundado em 1694, por Nuno Barreie 
Fuzeiro, cm umas suas casas, dando -lhe 
muitas rendas. 

Ha aqui o célebre hospital, fundado pda 
infanta D. Maria, fílha do rei D. Manuel e da 
sua terceira mulher, D. Leonor; concluia- 
se em 1618. E' obra grandiosa, com uma 
sumptuosíssima capella e uma bõa cisiema. 
A fundadora lhe deixou 2:500^000 réis de 
renda, sendo 250)^000 r^ís para se dizer por 
sua alma uma missa cantada quotidiana, ao 
nascer do sol, e duas rosadas. Não se cura- 
vam n'ellc mulheres, nem doentes de molea- 
tias prolongadas ou contagiosas. E' Ua mui- 
tos annos collegio militar. Vide Luz.. 

E' terra muito fértil. 

Tinha antigamente juiz da vintena, poste 
pola camará de Lisboa. 

Ha aqui uma única fonte, chamada anti- 
gamente da Machada, e bojo da Luz. Dizem 
que a sua agua cura a dôr de pedra, 

Carnide é corrupção da palaVra. árabe 
camtete. Deriva-se do verbo cáranoi um*r, 
juntar uma cousa a outra. — Quer pois di- 
zer -— Povoação reunida, ou junta. 

Também afeuns pretendem que G^amide 
se deriva de cam, palavra celta-togar d*on- 
ç^ dos sectários da religião druidiòa. Vide 
Cam. Tem esta freguezia muitas e ))0DUa8 ea- 
sas de campo, a maior parte d*ellaa odiabel- 
los jardins. . . íu 

Grande feira e concorridíssikiia arrSaial e 
festa' a Npása Senhora daLus^ a Te 8 de 
setembro. •> í^ 



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CAR 

^á disse qae o eonveato de Saata Thore 
«a (freiras carmelitas descalças) era antigo; 
mas no fim do século XVII era pequeno e 
eslava muito arruinado. 

D. Maria, filha bastarda de D. João VI, foi 
aqui educada desde 1649, sendo cnlao de 
tenra edade. 

Esta senhora reedificou a egreja e o mos- 
teiro, ampliando este e dandolhe muitas 
rendas. Vireu sempre recolhida n*c8te con- 
renU), sem professar, e n^elle fallecèu. 

N'este mosteiro se fez a ceremonia do re- 
f4)iihecimento de D. Maria, como filha do rei, 
na presença da hmilia real e da corte. 

Foi muito estimada e era com frequência 
Tísitada por seu pae e seus irmãos ; por D. 
Luiza de Guímão, mulher de D. João IV, e 
por a» rainhas D. Maria Francisca Isabel de 
Saboyíi e D. Marja Sophia de Neubourg. 

Seu irmão, D. Pedro II, a encarregou da 
educação da sua filha, também bastarda, D. 
Luiza, que do mesoK) modo que sua lia, foi 
reconhecida, já no reinado de seu irmão D. 
ioão V, que a deu em casamento ao duque 
de Cadaval, D, jLuiz Alvares Pereira de Mel- 
lo ; e como este fallecèu pouco depois de ca- 
sado e sem filhos, casou a infanta cora seu 
euntodo D. Jayme, que fioou sendo duque 
4e Cadaval, 

Goaluma vir a esta freguezia o Círio do 
Cabo. A primeira vez que aqui veio, foi no 
anno 1437, sendo então, como ainda hoje, 
a septima ordem do giro. 
•A mais esplendida solemnidade que aqui 
so fez do Círio, foi em 1795, á qual veio o 
príncipe D. João (depois VI) cora sua mulher 
D. Cailota Joaquina, 

Nossa Senhora ia na roais riea estufa da 
casa real, puchada por oito urcos o acompa- 
nhada por dous coches d;esladp, Uimbem ca- 
da um puchádgi^^^^ 4.par^l/iaa d^urcos. 

CARííU)E--rrio,:Exlrema,dJuraj q^ie n^qe 
no t^rmo de ]Le4ria, j^q, ^iiip de San^a, Mar- 
garida. Passa próximo da vilU jdo, Louriçaí, 
dWí?,Ç^)»^* pamp9? *> Terro, Qjuiífiaiie, 
M^npto^Çaíflpo-VelfK) e Campos- 4^ Rainha. 
Mçrre na e^qtierd^ do Mondego, 6 kíl^mei?, 
lrosdisiant^;dasua fo;ç, cipn^SPudei curso. 

O.Hond^ jjwí cpflamlu^ç^ ai.su^.agiij^ 



CAR 



115 



Também lhe chamam Louriçal, por pas- 
sar pelo termo d*esta villa. (Vido Figueira 
da Foz.) 

. CARNOTA— freguezia, Extremadura, w 
marca e concelho d'Alemquer, 54 kilome^ 
tros ao NE. do Lisboa, 290 fogos. 

Pairiarchado e districto administrativo dt 
Lisboa. 

Orago Sant^Anna. 

Em i 757 linha 208 fogos. 

Era da casa das rainhas. 

Situada em um valle fértil. Os freguezct 
apresentavam o cura. (E* annexa ao priora- 
do de Santo Estevão d^Alemquer.) O cura 
linha dous moios de trigo, um quarto do 
vinho e o pó d^altar. Andara tudo por 80^000 
réis. 

Ha no logar de Sanl*Anna (onde está a 
matriz) um hospital administrado antiga- 
mente pelo ouvidor de Alemqucr. 

É terra fértil. Grande abundância de gin- 
ja e cereja. 

As aldeias de que se compõe esta fregpe- 
zia, s|io: SanfAnna, Dosopo, Serra, Gataria 
Moipho de Vento, CurraJ das Eiras, Boafd- 
ria. Praieiro, Gavinheira, Pipa, Antas e Ca- 
nhôslro. 

No logar do Moinho de Vento, ha uma 
capella, na Pipa outra, dedicada a Santo An- 
tónio; no sitio da Silveira da Machôa, l^ a 
de Nossa Senhora da Guia, e nas Aptas ^ de 
Nossa Senhora das Angustias. 

. Quintas que ha n^esta freguezia 

Quinta fh Valle da Palha — era vincule^ 
in3liiuido em 1628, por Francisco Soares de 
Abreu, e, ó hoje da sr.» D. Margarida Ger- 
trudes Falcão. E uma bonita e productivj^ 
viv^nd^. r. 

Quinta do A/aiwo— Foi dos marquezes j^ 
Arronches, pelo que é hoje dos ^rs. dsjtqoes 
de Lafões. , " , ^ 

Otií^ffl 4a ,Bqa Fúria— foi áe Barl|icap«' 
meu Lobo da Gama, filho do bravo capi^' 
António Lobo da Gama^ quç, em i6|5^, ém 
uma batalha naval^ pro:^if]io a^ Mascate, y^- 
do que nao era po^ivelíuç^af jçpnira^o^- 
nha desproporção numérica dç iníotíjgDçs^ 
e que seria mj9M ^^^^^l^^Wh^^à^^ 



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«' 



€AR 



tíi^ O séu navio fk invadMo por graúdébu- 
ínéro de contrários, lançou fogo ao paloí, 
indo tudo pelos ares, navio, elie e os seus, 
é ós iníínigos. Foi esle acto que deu o no^ 
làé^á quinta. Roje é propriedade do sr. Theo- 
tçnio Lopes do Macedo. 

Ha mais n'esta freguèzia as quintas das 
Antas, do Garrido, do Arreieiro, da Burjana, 
do Pinheiro, do Sòpo, do Leão, da ôataría, 
do Moinho de Vento, Quinta Nova, de Vàlle 
de Mulheres, da Prata, do Chafariz, da Sil- 
Veíra, da Adega; do Pòrlo de Cannas. 

E os casaes dos Mourões, da Uimeírada, 
do Canhestro, do Ginéto, do Moinho de Ven- 
to, dos Mochos, Casal Novo, da Malícia, da 
iSarrueira e do Moinho. 

ÇARNOTA— aldeia, Exlremadura, fregue- 
iià de Cadafaes. Célebi*e pela grande mátta 
que fórmá a cerca do convento de frades 
capuchos de Satilo António, que aqui está 
Ihndado. Vide Cadafaes, onde já tratei d'es- 
te convento. 

CÁÃOCEDO, CAÁROCÊBO ou CARRAÍE- 
étí — fi^cguezia. Traz ôs- Montes, comarca e 
CÓjtlcelho de iJraganía, 3o kiloihetrbs de Mí- 
tóndã, 480 ao N. de Lisboa, iS fogos. ' 

Em 1757 tinha 39 fogos. 

lí/riígo Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado e distrlcto administrativo de Bi*a- 

Foi da comarca de Miranda. 

Situada em um alto. 

O parocho intilulava-se confirmado e era 
da apresentaçào do bispo de Miranda, (de- 
pois, de Bragança). Tinha 6^500 réis, 30 al- 
queires de pào e 19 aímudes de vinho. 

Fofmava com Faildè um cònèelho (cha- 
ínado de Faílde e Cafocôdo) c(úé foi suppri- 
àíldo. • 

^ CARPENTO— monte na costa do AÍgar\'=e, 
ictoono dfftavira. 

CAl^UÉRE — freguèzia, Beil^ Alta, wí- 
ms^rc^ e concelho de Rezende, 18 kiíometròs 
â'0.iíé tamego, 310.ao N.déti8bda,to 

'^ffl ITSr tinha 53lítoèos. 
^Oíago Noása Senhòln de Cái-^uere. 
'ites^ádo de LátóSégò, disttícto ádttíliíistrà* 
lfííí^'V)séb. 



^JEitó^da cUniãf^ca de IMe^o. 



•f 



Eslà freguozía ptíncipía na serri âo Es- 
pinheira e chega á margem esquerda do 
Douro, com o comprimento de 6 kilome^ 
Iros. 

C*0lla se vé, paiHe dos concelhos ^de Re- 
zende, Areígos e Bayâo. 

A imagem da Senhora do Cárquére é tâo 
antiga, que é tradição que no tempo do ul- 
timo rei godo, D. Rodrigo, quaridò òs mou- 
ros tomaram Portugal, foi enterrada dentro 
de um cofre, em um cabeço que está próxi- 
mo à egreja (vide adiante). * 
^ A matriz foi aniiganvínte hiosteiro, da In^ 
vocação de Nos.^a Sedhora de Gârqnere. A 
càpella-mór ó de abobada, com arcoádeí>e- 
dfa multo antigos, mas de mage^rosaatelii- 
tectura. Era'mòsleiro de concas règfáíiles 
de Santo Agostinliò (críreiòs), fdndádb pHè 
conde D. Henriíiue, peíos annf)s'Ao fWO. 

D. Sebasliáo deuoèónVento,'em lôTCX,*^©!. 
fipades jesuítas dè Coimbra. Foi redtlzida a 
abbadia secular, e dõ ^lavenio apenas ftoj« 
eliste a residência do» p^irocho, quê era rei- 
tor, apresentado pelo bispo de Lamegio, e tí- 
ilha 404000 r6is e o pó xi'âftar. 

Vagando o priorado d'este conv^eoto, em 
1570, D. SebástiEo appHcou às suas r^das 
para 'a nova ftmflação do collegio âe JésoR, 
de Coimbra. O bispo de Lamego,' D. Ambro* 
Pio Pereira, deu aos jésuitas, em troôa d'«s- 
te convento, os cinco de^ Santo Ailtão, e ò 
. de Cárquére conihiuou a ser de èrmfos. 
Vide Lisboa, no logar cdrapetente. Pôi esit 
bispo q;ue reduziu ò^ convento a abbadiá se- 
cular. » 

Passa pela fre^ezia um pec^éHo ribeira 
do seu nome, no qual ha duas pontes de pe- 
dra chamadas de Cal^CaVelIos e deToffiélIos. 
Cárquére é pólbaçào atrtiqttissíhia, poU 
já existia tio tènipo dos godo^. Os*ttiionròs a 
occuparam for mÚltos ahilòs. O conde D. 
I Henrique, achando-á abandonada (otíélpful- 
[ sándo d*eíhi os íhoUí^^> á povoou tíeljhrís- 
lâos, ym'l<3Í99. • • : — 

'Éi^áa)çàò'qoe íítisáa Sétítiora atípáWi^ 
edsoilhósa I>. Egas Moniz, tóandtóaòflhè 
qúÍi'Yôsse 'a Cái^eipe'e'friètóéifeâv^ nôJo* 
^r^faá4hé iriaicou,'e qtieian-áchaHa^ 
áMl5«r(ító dè utíia egi^ía qúle Ifie^rottk^d^- 
cádâ/íe' tuiiaínfâgem stia.'(}iÈtó 1d!teúèo4m 



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um altar, fizesse uma noite de vigília, ppodo 
o iníantdi D. Aflbnsa Heonqa(^s,(4e q^em 
era aio) que tinha nascido tolhido das per* 
nas, no mesmo altar, ao pé da imagem, e 
qu4i Ipgo alcoDçnria saúde. D. Egas as^m o 
fez e D. Aflt>n3o íieou logo sâo. . ; 

O conde D. Henrique, em acçrio de graças 
pela cura milagrosa de seu filho, mandou 
aqui fazfr a egroja Q, p mosteiro, que djca 
aos çrusios, pelos annos de 11 iO. 

SQppQUho que a nomç d*o$^La povoado 
iíem dia antiga pal9.vra portugueza carqtf^ 
tarqueija. 

CARRACEIRA— serra, Douro, fregue;tia 
4e Santa Marinha, do Tropeço, concelho, de 
Arouca^ i2 kiiometros ao S. do Douro, 38 
ao SE. do Porto, 300 ao N, de Lisboa.. Pro* 
ximo á aldeia de Fol^o^inbo. 

Ha aqui pedreiras de bellissima calcedo- 
nia, e bastante crystal de rocha. 

No siitio chamado dos Sete Buracos, ha 
miaas aoiiq^issiiças (dos romanos ou dos^ 
árabes) abandonadas, NTio se &abe que ma- 
tai elles d!aqui extrahiram (suppouho que 
(ora cobre) nem se púdç saber a exten$àã 
d'cstas minas, por. estarem entulhada?. 

O nome d*esta serra é arabo^ derivarse 
4a palavra (K7rá(ía, insecto que se introduz 
entre o cabello dos cães e outrps animaes, 
vulgarmente chamada, cané^sa, Signiftca, 
poí^ serra das Carraças. 

CABRAftOZAr-fregu^zia, Traz-osMonles, 
«omarca e aoncelbn de Bragança, 60 kilo- 
inetros de Miranda, 480 ao N. de Lisboa, 
iiO íbgos. Em 1757 tinha 40 fogos. 

OragQ Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado e districto administrativo de Bra- 
gança. 

. Situada om planície^ d*onde se vé o eas- 
leUo de Bragaqça e a /reguezia de Babe. 

O rei,, coino senhor da casa de Bragança, 
donatária d'e&ta fc«guozía, é que apresenta- 
Ta o reitor, que tinha 46^000 réis, 30 ai- 
qnerçSiOe trigQ o 30 dp wrôdíp, giieihe 
|Mig»vaio os coftimendadoneft. : 

apfaientado^pelo.teitt^ de Donaii,! «i:qii& >ti^ 
nha 6JÍ500 réis de côngrua e o pi-^dlaliant 
4ttl0[> l6U>i«i»/.por9ie eMgffHiOimlteCir- 



CAR 



i\J 



É, terra fértil. 

Tin^a juiz da vintena, eleito pelo ju^iz da 
fora e camará de Bragança, a cuja justiça 
era sujeito. 

É. regada por duas fontes, que fazecq a 
sitio muito ameno e fresco no verão, por- 
que re^am muitos e frondosos castanheij:;o% 
que abrigam o solo dos ardores do estio. 

CARRA60ZÊLL0 ou CARREGOZÊLLA-- 
freguczia. Beira Baixa, comarca de Gouveia, 
copoel^io de Géa, 78 kilometros a I^E. d« 
Coimbra, 264 ao N. de Lisboa, iOO fogos. 

Em 1757 tinha 60 fogos. 

Orago S. Sebastião, marlyr. . ^ 

Bispado de Coimbra, districto administra- 
tivo da, Guarda. 

Clima sadio, mas pouco fértil, por exofs* 
sivo. Muito gado e caç>a. ^ 

Nos papeis olliciaes denomina-se esta fre- 
guezia CaiT^gozêllo ; mas em livros antigo* 
taqibem se lho dá o nomo de Carregozéll^ 

CARRAL-CÓVA— freguezía, Minho, co- 
marca e concelho dos Arcos de Vai de Vçr, 
35 kilometros ao ONO. de Braga, 395 ao ^. 
de Lisboa, 90 fogos. 

Em 1757 tinha 111 fogos. 

Orago S. Thiago Maior. 

Arcebispado de Braga, districto admitis* 
trativo de Vianna. 

Foi antigamente da cqpiarca de Vallençi^ 
Eram seus donatários os vi^qndes da Yiila 
Nova da Cerveira. 

Situada em um alto, com boas vista^. 

O vigário era coUado v. apresentado pçlo 
thesoufeiro-mór da coUegiada de Santo E$* 
tevão, de Yallença. Tinha 50^000 réis/dt 
renda. 

É terra pouco fértil, por ser muito fria* 

CARRAPATAS— íreguezia, Traz-os-Mon- 
tes^ foi da comarca de Chacim, concelho dqt 
Cortiço% até 1855, e então sendo supprimi* 
da esta comarca e este concelho, ficou 9ep- 
do da ^copiarjca e cqnc^ho de Macedo de Çar. 
vaUeiroft;^^! kilometros de Miranda» 4fi$ M 
K. de Ua|»a, W íogqs, 
, SpATfi? Ul3Íí%A*ft)gPR. QragôS. Ger^ 

Bispado e distriçiQ adPMuisUl^tíTÇl de Qfnr 
gança. , . l .,;- i • ^ : i :. < • . . / 

oomareAflelImnfML. 



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il8 



CAR 



Situada em uma baixa, povoada de mui- 
tas arvores fructiferas e silvestres, e vendo- 
86 d'aqui Valle Bem Feito, Grijó, Villar do 
Monte e a serra de Monte Mel. 

O ordinário apresentava o cura, que ti- 
aha 8^000 réiâ e 22 alqueires de pão. Os 
disimos eram partidos em três partes, duas 
para o bispo de Miranda e uma para a casa 
de Bragança. 

É terra fértil. 

Tinha juiz da vintena, sujeito ao juiz de 
fora de Bragança. 

Foi antigamente couto e regalia da casa 
ie Bragança. 

A agua da Fonte Santa, traz ás vezes pe- 
tróleo. Dizem que cura moléstias cutâneas. 

CARRAPATEIRA e RÂFOZEIRA ou RA- 
POZEIRA e CARRAPATEIRA — freguezia, 
Algarve, comarca e concelho de Lagos, foi 
do concelho de Villa do Bispo, que se sup- 
primiu em i855, 60 kilometros do Faro, 215 
ao S. de Lisboa, i50 fogos. 

Em 1757 tinha 42 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Conceição. 

Bispado e districto administrativo de Faro. 

Situada em um monto na costa do mar, 
^\le lhe fica a 1:500 metros ao SO. e N. 

O ordinário apresentava o cura, que ti- 
nha 3 moios de trigo, pagos pelos freguezes. 
A cgreja é pequena. 

É terra pouco fértil. 

A agua potável que aqui ha é de um pô- 
fo que está a i50 palmos da poVòaçâo. 

Tinha juiz da vintena (chamado aqUi juiz 
da terra) feito pela camará de Lagos. 

Na cosfta, entre o Murração e Pont© Rui- 
Ta (no caminho do cabo de S. Vicente) ha 
•ma pedreira de bom lápis preto para de- 
senho (graphites) e perto outra de branco- 
A veia íica coberta pelas marés, quando sao 
grandes. 

Próximo ao logar da Carrapateira esti 
«ma fortaleza feita em 1673, sendo governa- 
^rilo Algarve D. Nuno da CuAha e Athai- 
de, conde de Pontevel. Fòi reediftcada ert 
1748, perorâem do eondd dâ Ath<ta|fíila, 
«ntid general do Algarve. í ■ 

No centro da fortaleza está a egreja. 

TMÉ â foHaleza 6 coaríeis para guaríii- 
{ão. Foi feita por eauftk das conlínaas e 



GAR 

cruéis invasões dos piratas africanos, qoe 
aqui vinham captivar gente e commetter to- 
da a casta de roubos, barbaridades e sacri- 
légios. 

É quadrada, e em cada canto tem ima 
baluarte, que antigamente era defeDclido 
por seis peças. Está tudo arruÍn:ido desde 
1755. 

Pouca terra se cultiva n*esta freguezia, 
por ser quasi toda montanhosa e esteriL 

Ha aqui muita caça grossa e miuda, so- 
bretudo gi*ande quantidade de coelhos • 
lebres. Cria muito gado e produz muito mel 
e eéra. 

Ao E. passa uma ribeira, cujas margens 
sao cultivadas e férteis; morre no mar, com 
3 kilometros de curso. 

É terra doentia, por causa da péssima 
agua e por uma iagôa que tem ao S^ que 
conserva todo o verão as aguas estagnadas. 

O povo da Valleirinha, a i:500 metros dd 
distancia, e que tem iO fogos, é d'esta fk^ 
guezía. Tem excellentes vargens de pâo, pe- 
la ribeira acima. Esta ribeira nasço nos bar* 
ranços - de Yalle Tisnado, sahe ao ParaiM, 
passa pelas vargens do N. da Carrapateira» 
e vem melterse nos pegos, sahindo ao mar 
no sitio onde havia a fortaleza que já áissifi^ 
feita em 1673. 

A costa aqui é ahrantilada, pelo que a pes- 
ca é perigosa, mas o peixe é muito bom. 

A fregaezia da Carrapateira está ha mui» 
toi annos unida à da Rapozeíra, fornuuu^ 
uma só. 

Esta fí^guezia conflna com Aljezur ao N.« 
Bordeira a E., Budens e Yilla do Bispo ao 
S. e ornar a O. 

No dia i6 de novembro de 1873, estand» 
o povo e auctoridados na egreja matriz da 
Rapozeira, a proceder ás eleições municia 
paeSj abateu todo o tecto do corpo da egr** 
ja, matando umas S ou 10 pessoas^ e feria* 
do muitas. 

A camélia mór, por ser de abobada, aaáa 
seíljreu. N'ella estavam o administrador dg 
ediíeéinio, parocho, Wt^M^ e^ oufrad pèssèa» 
qtte flearaai 'inèólunM: lá «e acfaa repasa» 
dò o lecta - i «> « 

GARMftFIGHANA ou GARAPIXANA «^ 
^reguezia, Beira Baixa, cMaarcs dè Celorí^ 



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GAR 

da Beira, concelho de Linhares, 95 kilome* 
tros ao NE. de Coimbra, 288 ao NE. de Lis- 
boa, 100 fogos. 

Em 1757 tinha 73 fogos. 

Orago S. Lonrenço. 

Bispado e distrícto administratiTO da 
Guarda. 

Foi do infante D. Pedro, filho de D. João Y. 

Situada em planície, d'onde se vé Villa 
Çorlez, Nabaes, Nabainho*», Fulgosinho, Frei- 
xo e Linhares. 

O parocho de Linhares apresentava aqui 
o cora dois annos, e o vigário de Mcsqui- 
lella, um. Tinha o cura 8^000 réis e o pé 
Caltar.. 

É terra fértil. 

Tinha juiz da vintena, sujeito ao juiz or- 
Ainarto de Linhares. 

Fica próxima à serra da Estrella. 

É terra fria; mas cria bastante irado e ha 
por aqui muita caça. 

CARRAZEDA ou CARRAZEDO DANCIÃES 
— vilhi, Traz-os-Montes, comarca e 24 kílo- 
netros ao O. de Moncorvo, 120 kilometros 
10 NE. de Braga, 370 ao N. do Lisboa, 75 
fogos, no concelho 2:200. 

Em 1757 tinha 51 fogos. 

Orago Santa Águeda. 

Arcebispado de Braga, distrícto adminis- 
trativo de Bragança. 

Cercada de campos omito abundantes de 
agua, e muito férteis em vinhos flnos e or- 
dinários, azeite, fructa, cereaes, etc 

A casa da camará é o melhor edifício da 
vilia. 

Em 1734 se mudou para aqui a capital 
do concelho de Anciãe& 

(Tudo o mais que se deseja sa- 
ber de Anciães, e que aqui não 
vae, veja-se em Anciães.) 

Era antigamente da comarca da Torre de 
Moncorvo, e do concelho de Anciães. 

O reitor de Marzagão apresentava aqui o 
tanadmnium, que tinha 24^(000 réis, mais 
deis tostões para ensinar a doutrina, o pé de 
altar e um alqueire de centeio de cada fre- 
guez. 

Foi cabeça de um morgado, que inátitúia 
# Hcenciado André Fernandes de Magattáes, 
saturai d*esU freguezia, «m It^L . 



CM 



119 



É terra fértil. 

No sitio de Sainça, limites dQ logar de- 
Belver nasce um ribeiro muito caudaloso no 
inverno, que com 12 kilometros de curso se 
mette no Douro. Rega e móe. 

Tinha até 1733 juizes ordinários e desde 
1734, juiz de fora. 

Porque na palavra Anciães não mencionei 
todos os varões que so tornaram célebres, 
por qualquer motivo, accrescentarei aqui 
mais os seguintes, dos quaes esta terra com 
razão se ufana de ser pátria: 

João Gonçalves Vella'sco, cónego da Sede 
Miranda, cuja memoria se conserva e res- 
peita, na egreja de Santa Mana do Pinheiro 
no bispado de Viseu, onde depois foi ab- 
bade. 

Frei Diogo de Jesus, que deu a vida pela 
fé de Jesus Christo. 

As /amilias d*este concelho, de appellido 
Mesquitas, Magalhães, Mellos e Sampaios, 
são todas antigas e nobres, e descendem 
d'aquelles heroes. 

Accrescentarei aqui, com respeito ao Ín- 
clito Lopo Vaz de Sampaio, 8.<* vice-rei da 
índia, do qual já tratei em Anciães, mais o 
seguinte: 

Dopois de praticar na Ásia mil acções de 
sobre humano valor em dcfeza da sua pá- 
tria, adquiríndoUie novos estados e fazen- 
do-a temida e respeitada em todo o Orien- 
te, foi preso por intrigas e caprichos de Nu- 
no da Cunha, seu successor no vioe-reina- 
do, e preso veio para Portugal, por ordem 
dè D. João IIL 

Foi solto, por se não adiarem fundamen- 
tos às iníquas aecusações de seus invejosos 
inimigos, e vendo-se esquecido e despresa- 
do na sua pátria, emigrou para a Hespanha» 
onde se conservou alguns annos, atè que 
D. Jayme, dnqne de Bragança^ e seu paren- 
te^ conseguiu que el|e regressasse á pátria; 
mas não figurou mais na republica, antes^ 
retirado ao seu solar, ahi terminou a sua 
vida gloriosa, mas atribulada, em 5 de mar- 
ço de 1538. 

As maiores façanhas d'este grande capi- 
tão na índia toanL 



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>"■ 



i20 



CAR 



A destruição de um exercito de 10:000 
malabares^ com pouco mais de 2.500 por- 
mguezes, em iò!26. 

A gloriosa victoría e desbarate da arma- 
da real de Calicut, em 1527. 

A victoría contra o rei de Bintlo, no Mar 
Roxo e a das Molucas; além de outras mui- 
tas nos mares e reinos asiáticos. 

Ddie disse Camões nos seus immortaes 
Lu9iada$: 

• nào nego que Sampaio 

« Será no esforço illustre assignalado, 
«Mostrando-se no mar um fero raio, 
«Que d^inimigos mil verá coalhado.» 

As armas dos Mellos sào: — em campo de 
púrpura, seis besantes de prata, entre uma 
dobre cruz e bordadura de oiro; Umtoe uma 
torre. 

Os condes da Ponte e outras muitas fa- 
mílias nobres de Portugal, são doesta fami- 
Ma. 

O nobre appellido de Magalhães foi to- 
mado da torre e quinta de Magalhães, no 
Minha O primeiro que usou d'este appelli- 
do, foi AíTonso Rodrigues de Magalhães, no 
reinado de D. Diniz, por ter casado com D. 
Sancha de Novaes, senhora da dita quinta. 
Suas armas são : 

Em campo de praia tre» fachas xadreza- 
das á& púrpura e prata de três peças, em 
palia: elmo de aço aberto, e por timbre um 
abutre de prata, bicado e armado de oiro. 

Outros Magalhães trazem por armas escu- 
do esquartelado; — no 1.* e quarto de prata, 
um pinheiro verde— no 2.* e ^, de azul, 
uma croz cie oiro floreada e vasóa do cam- 
pos elmo de aço aberto, e por timbre o pi- 
nheiro das armas. 

Ainda outros Bfagalhães usam por armas 
—em campo de prata tre» bapdas escaque- 
tadas de vemaelbo e prata, de três peças, 
em palla^elmo e timbre anteredente. 

Ainda' outpos teem construídos oá seus 
brasdes de differente» modos, segundo as 
suas allianças. 

Os Mesquitas procedem de Fernão Mar- 
tins Yasques Pimentel, que nmdolx este nl* 



CAR 

tíiXH) appellido em Mesquita, por ter tomadt^ 
com mais quatro irmãos seus, a mesqmtar 
dos mouros, na conquista de Ceuta, na Afrí'* 
ca, onde os ismaelitas se tinham refugiado. 
Foi seu Olho primogénito Lopo Martins de 
Mesquita, que herdou a sua casa de Guifna* 
ràes. 

Suas armas são: — em campo de ouro, cin- 
co cintos de púrpura, em banda, com flvel- 
las e passadores de prata, orla azul, carre- 
gada de sete flores de liz, de oiro. Elmo de 
aço aberto e por timbre, meio mouro, em 
frente, vestido de asul, com turbante de pra- 
ta, e uma lança de sua côr, com hastea de 
oiro, e n'ella enfiada uma bandeira dê pna<* 
ta. 

Outros Mesquitas usam — escudo dtvidlde 
em palia, na 1.* as armas dos Pimentei^itt 
2.* as descri ptas dos Mesquitas. O taesmo 
ehno e timbre. 

Ainda outros Mesquitas trazem por ar- 
mas -^escudo dividido em p^la, nal.' as 
dos primeiros Mesquitas, e na 2.* as dosPi' 
menteis — o mesmo elmo e timbre. 

Também outros Mesquitas teem alterada 
as suas armas por se ligarem com fomiitae 
de outros appellidos. 

Os Sampaios procedem de uma nobre 
família de Hespanha. 

Em tempo de D. AíTonso lY veiopam 
Portugal, fugido, Pedro do Souto (outrot 
dizem Pedro Alvares Osório) primeiro mar- 
quez d'Astorga,por matar, em desafio, a um 
fidalgo poderoso de Castella, e aqui fieoo. 

Era seu filho, Vasco Pires de Sampaio, e 
primeiro que se acha com este appeUíéo, 
que se suppõe tomara do logar de S. Pay«^ 
na província da Minho. 

D. Fernando I, e depois seu irmão, D. Joãt 
I, lhe deram muitas terras, entre ellas Yilla- 
Flor, Chadm, Mós, Anciães, Yillariaho, ele 
Foi grande vaHdo de D. João L 

Suas armas sãot-^eseudo esquartplado, ne 
l.<» 6 4.*, de oiro, «mia águia de púrpmnc 
armada de neígro — o segundo e.terseiroea* 
oaquetadq de oiro^e asul, de quatro peças ea 
faxa e 4 em palia. Orla de púrpura, canre* 
giúda de oilo SS depuata. filote de aço liMr- 
to, epor timbre aaguiado eaeude» ooi»||bí 
dos SS no peite. 



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CAR 

Outros Sampaios trazem por armas— escu- 
do xadrezado e duas águias negras em pal- 
ia. 

Outros da mesma família teem — em cam- 
po de oiro, águia do púrpura, com o peiío 
xadrezado de prata. Talvez fossem estas as 
primeiras armas dos Sampaios, anlcs de se 
Alliarem cora outras famílias. 

Para (udo o mais que aqui se não encon- 
trar, pertencente a esle concelho, vide An- 
ciães. 

CARRAZEDO— freguezia, Traz-os-Montes, 
«omarca e concelho de Bragança, 48 kilo- 
melros de Miranda, 444 ao N. de Lisboa, 90 
íbgos. 

Em Í757 tinha 50 fogos. 

Orago Santa Cecília. 

BÍ2H)ado e distrieto administrativo de 
Bragança. 

Era antigamente do termo de Bragança, 
mas da comarca de Miranda. 

É da casa de Bragança, que apresentava o 
abbade, que tmba uns 5{SOj|000 réis (mas a 
terça parte dos dízimos pertencia á capeJla 
4e Villa Viçosa). 

Havia (e nào sei se ha ainda) n*esta fre- 
guezia um monte de piedade, que constava 
46 pio serodiOy q^e era repartido pelos io- 
gares de Refojos, Raio, Alimonde e este de 
Carrazedo; pagando por cada alqueire um 
selamim. Isto é: — quem precisava de pão 
pelo decurso do anno, ia-o alli buaeac, e por 
<sada Alqueire dava, pelas colheitas, uip sela- 
mim de premio, em benefício do estabeleci- 
mento. 

Consta que o. fundador doesta instituição 
Ibi um abbade d*esta freguezia. Administra- 
Ta isto o parocho e o juiz da egreja, que 
«ada um tinlia sua chave. 

É terra fértil. 

Tinha juiz da vinJena, sugato ao juiz de 
^a de Bragançflu 

Tbm muitas agois, que no verão saa frt- 
gidissimas. 

Ha ii'esCa fregeesia três casCeHosiamitaia- 
dos, que sãa: Castro^Carrazédo (do^ip»], dl* 
zem, a terra tomou o nome) da Ceará 6 das 
Modorras. 

Esta fseguezia é situada no n[ieio da Serra 
do Carvftllio. 



CAR 



lai 



Nascem aqui vários regatos, que se jun-^ 
Iam no sitio do Pontão da Vargem, forman- 
do um ribeiro perenne, que rega e m6e. 
Morre no Tuella. 

Cria a serra muito gado e caça grossa • 
miúda, e também muitas viboras. 

É terra muilo fria e ventosa. 

Vé-se esta freguezia escripta em livros 
antigos e modernos de differentes modos, 
Carrazedo, Carocédo e Carrocédo. 

Hoje, oífleialmente, é como vae na palavra 
indicadora. 

GARRAZEBO DE BOURO -~ freguezia, Mi- 
nho, foi até i85â da comarca de Pico de Re* 
galados e desde então da de Villa Veicde, 
concelho de Amares, (d*onde dista 3 kiloim^ 
tros ao O.) 9 de Braga, 365 ao N. de Lia^a» 
i20 fogos. 

Em 1757 tinha 70 fogos. 

Orago S. Martinho. 

Arcebispado e distrieto administrativo dt 
Braga. 

Fica a 4 kilometros a E. de Villa Verde. 

Era da comarca de Víanna, concelho ds 
Entre Homem e Cávado (que agora se cha- 
ma de Amares.) 

Eram seus donatários os descendentes dt 
Luiz Machado de Mendonça Eça Castro • 
Vasconcellos (depois foram os marquezes ds 
Monte Bello, representados pelos actuaes 
condes da Figueira) que apresentavam o ah^ 
bade, ouvidor, juiz, 3 escrivães do publico • 
um da camará, almotacé, meirinho, juiz dos 
orphãos e seu escrivão. Era também o do- 
natário capitão-mór e íázia capitão de orde- 
nanças. 

Todos os ofliciaes de justiça d'este conca* 
lho secviara no couto de ReuduíTe. 

A matriz está n'uma planície, no logar áè 
Carrazedo. 

O abbade tinha até 1834 de rendimento 
250A000 réis. 

Diz-se que havia antigamente n*eâti^ fot<* 
guezia o costume de porem mesas cheias do 
iguarias, sobre as campas dos parentes fal- 
tecidos, e alli comerem e beberem regalada- 
mente; não 80 esquecando^porém dqmef^r 
nas sepaUuira^ parte do e^otheudo d^s^MV 
tos* 

É aqui a casa e castoMo do Gastio, ondii 



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122 



CAR 



teilleccram D. Maria da Silva e o commen- 
dador de Renduffe. 

A egreja mairir é um bom templo; foi re- 
^ificada -pelos annos de 1750. Tem da par- 
le do Evangelho duas capellas, mai9 antigas 
do que a egreja actual. A primeira, junto ao 
arco cruseiro, dedicada a Santa Margarida, 
martyr, era do marquei de Monte Bello, e é 
actualmente dos srs. condes dá Figueira. 
Tem esta capella prazos administrados pelos 
ditos pondes, cujos rendimentos sào (deviam 
Bcr) applicados para legados de missas, que 
9$Ão ha muitos annos por satisfazer, ape- 
sar dos foros se lerem sempre pago. 

A segunda capella é da casa da Tapada, 
da freguczia de Fiscal, concelho de Amares. 
?í'ella (na capella) está sepultado o grande 
poeta Francisco Sá de Miranda, o que cons- 
ta do seguinte epitaphio, escripto em duas 
grandes pedras, da parede da mesma ca- 
pella: 

EPITAPHIUH FBÀNGISCI DB SÁ DB MmAKDA 
BIJSTICA QUAEFUEBÀT SOLIS VIX COGNITA STLVIS, 
AULICA HIRANDAE CAllMINE MUSA FUIT. 
MAirnOSQUE lOCOS ET VUDRICA SERIALLDENS, 
mVIKA HUUANUM MISCUIT ARTE MELOS. 
CUM POSSET GLADIO TRANSCENDBRE NOMEN 

AVOUUM, 
MALUIT ARGUTI MILITIAM CALAMI. 
OMMA MIRA>'DUS, MIRANDlg PILVERE IN IPSO 

EST. 
PULVEBB IN HOC PATRIAB GLORIA SCRIPTA MA- 

íiET. 

Istoé: 

A MUSA PASTORIL AINDA NOS MATTOS MAL CO- 
NHECIDA 
TORNOU FRANCISCO DE SÁ MUI CORTEZÂO. 
DISENDO GBAÇAS MADURAS E GALANTERIAS SI- 
SUDAS 
AJUNTOU POfeSIA HUMANA COM SUAVIDADE DI- 
VINA. 
PODENDO COM SUA ESPADA PASSAR A HONRA DB 

SEUS AVÓS 
QUIZ SOMENTE PBLLEJAR COM A PENNA DA POE- 
SIA. 
BM TUDO MIRANDA, B NA MORTE TAMBÉM FOI 

ADMIRÁVEL. 
EM 8UÁS COUSAS E5TÁ ^SCRIPTA A GLORIA DB- 

5UA PÁTRIA. 

Há n*esta egreja umâ reliquia de Santa 
Mar|[arida, guardada em uma grande cabe- 
^ de prata, que o marquez de Monte-BeUo 
ém a esta fregnezia. 



CAR 



A freguezia é situada em terreno plano e 
produz cereaes, vinho (verde) e azeite, no 
c<ue é fértil. 

Nasce n'esta fi*eguezia o Ribeiro de Cães, 
o qual, depois de atravessar esta freguezia e 
a quinta de Castro e a freguezia de PerozéU 
lo, jà com o nome de Ribeiro de Castro (qu» 
toma na tal quinta) morre, com 3 kilome- 
tros de curso, na mesma freguezia de Pêro- 
zéllo, na direita do Cávado, pouco acima ck> 
barco de Ancéde. Rega e móe. 

Ao NO. e a pouca distancia da matriz, es- 
tá um terreiro, chamado Feira Velha, com 
uma capella no centro, dedicada ao Senhor 
da Piedade. N*esie terreiro se fazia antiga- 
mente uma feira, nas primeiras quartas fei- 
ras de cada mez. É por isso que tem aquel* 
le nome. 

Era a principal feira do antigo concellio 
de Entre Homem e Cávado (que é o actual 
de Amares.) 

Foi mudada esta leira, ha muitos annos, 
para um grando terreiro que ha no contpo 
da ft^eguezia de Ferreiros, onde agora se fai; 
em todas as quartas feiras do anno. 

É muito concorrida de gado vaccum, e 
geralmente conhecida pelo nome de Feira 
Nova, (Vide Ferreiros.) 

Pelo tal terreiro da Feira Velha se esti 
construindo a estrada districtal, de BarceU 
los a Montalegre (1B74.) 

No passal do parocho teem apparecido ali^ 
cerces e outros vestígios de um antigo edi« 
fício. É tradição que houve aqui um con- 
vento de fireiras benedictinas, que os árabe» 
destruíram. 

Ha n'esta freguezia a quinta e casa (ou 
paço) de Castro, que foi do marquez de Mon^ 
te-Bello e é agora dos srs. condes da Figuei- 
ra. A quinta é soíTrivel, as casas sào gran- 
des, mas estão muito arruinadas. Tem ao E. 
uma torre quadrada, com ameias, de aittira 
de i4-,66. 

No lado E. d'esta torre, está o brazio dos 
Macba!4os^>é tem por baixo a seguioto in* 
scripçio: 

RSTA TORRE MANDOU REFOIllLi^lt 
A?(TONIO B LUIZA^ SUA MUUltK^ 



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CAR 



GAR 



123 



SEKHORES DONATAHIOS D KSTB 
CONCELHO. ANKO DB 1699. 

(Adiante tratarei dos Machados e suas ar- 
mas.) 

A entrada principal doestas casas, é pelo 
O., e junto ao portão tem outro brazào dos 
Machados, ainda roais antigo do que o ante- 
cedente. 

Estas casas teem sido varias reies con- 
•ertadas; mas foram reconstruídas (segundo 
a tradiçio) por Manuel Machado de Azeve- 
do, senhor das casas de Castro, Vasconcelloâ 

• Barroso, Terras de Entre Homem e Cáva- 
do e da vílla de Amares, commendador de 
Sousel, da Ordem de Chrísto, e sua mulher, 
D. Joanna da Silva (dama da rainha D. Ca- 
Iharinii) e filha de Manuel da Silva, aposen- 
tador-mór c alcaide- mór da villa de Soure. 

Esta reedifícaçao foi feita por occasião do 
Ikaptisádo de seu filho primogénito, a fim de 
darem uma esplendida hospedagem aos ín- 
fiantes, D. Henrique, arcebispo de Braga e 
ministro do baptismo; D. Luiz, duque de 
Beja (padrinho do baptismo) e a seu irmão, 
o infante D. Fernando. 
*'No fim da ceremonia, )[)rindou D. Joanna 
da Silva, os trcs infantes, com três collares, 
de primorosõ^ lavor e de grande peso. 

* O ouro de que foram feitos estes collares, 
fbi extrahido das minas de Freitas, situadas 
na Ribeira de Térva, entre a fireguezia de 
Ardãos • as aldeias de Sapéllos, ^voaçáo 
da freguesia de Sapiães, e Nogueira, aldeia 
4sL ftreguezia de Bobadelia, no concelho das 
Boticas, comarca de Montalegre, em Traz- 
ts Montes, no antigo terrítorío chamado Ter- 
eis de Barroso. 

O povo chama a estas minas. Paço (ou Pd- 
çoê) de Fritías. 

Philippe IV, concedeu, em 1638, a Félix 
Machado da Silva Castro e Vaseoneellos, {• 
■larquec de Monte-Bello, proprietário, então, 
Cestes terrenos, uma provisão para explo- 
m* aqaellfts minas, por tempo de 5 annos. 

D. Aflònso Y, fez doação do senhorio do 
eoneelho de Entre Homem e Cávado, a Pe- 
di^ Machado, fidalgo da soa casa« trinebftn- 
ftrdo 5ea irmão, o ItàUtíi» D. Fernando. 



Machado é um nobre appellido em Por- 
tugal. Principiou em D. Mendo Moniz, rico 
homem e senhor de Gondar. 

Como já tenho escripto tudo o que diz 
respeito aos Machados, suas armas, o a ex- 
plicação d*ellas, na freguezia de Gondar, no 
concelho de Yilla Nova da Cerveira, para 
evitar repetições, remctlo o leitor para Gon- 
dar. 

CARRAZEDO DE MONTE NEGRO— villa, 
Traz-os-Montes, até 1855 foi da comarca de 
Chaves, e desde então é da comarca e con- 
celho de Yalle Paços, 70 kilometros ao NE. 
de Braga, 408 ao N. de Lisboa, 350 fogos, no 
concelho (cxtíncto) 1:900. 

Em 1757 tinha 226 fogos a fk*eguezia. 

Orago S. Nicolau, bispo. 

Arcebispado do Braga, distrícto adminis- 
trativo de Villa Real. 

Era antigamente da Correição de Bragan- 
ça, provedoria de Guimames, termo de Cha- 
ves. 

Era coramenda dos niarquexes de Fron- 
teira. É terra fértil. 

O arcebispo de Braga apresentava o reitor 
e tinha um coadjutor, da mesma apresenta^ 
ção, ambos pagos pela commenda. 

O Portugal Sacro diz que este beneficio 
era da apresentação alternativa da papa e 
do arcebispo. 

Tinha o reitor 40^000 réis, $eU tostSes de 
ensinar a doutrina, 8 libras de cera branca, 
3 alqueires de trigo, para hóstias, 3 almu- 
des de vinho para missas e de cada fogo 1 
alqueire de centeio, ao todo, uns 1604^000 
réis. 

São 09 d*esta f^gaezia foreiros á casa da 
Bragança, que recebia d'aqui annualmente 
500 e tantos alqueires de pão. 

N*esta f^guezia está a Serra de Yiduédo. 

CARREÇO ou GARRESSO-^f^guezia, Mi- 
nho, comarca e concelho de Yianna, d'onâo 
dista 6 kilometros ao ONO., 40 ao O. de Bra- 
ga, 330 ao N. de Lisboa, 180 fogos. 

Em 1757 tinha 197 fogos. 

Orago Samta Maria (ou Nossa Senhora^da. 
Graça. 

Arcebispado de Braga, distrícto adminis^ 
trativo de Yianna. 



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lU 



CAR 



CAR 



Situada em rertillissima e formosissima 
plamcie, na costa do Oceano (que lhe fica a 
O.) 8 abrigada do N. por a serra do soa no- 
me. Tem dois pequenos portos para barcos 
de pesca e dois fortins abandonados, á bei- 
ra mar. A costa aqui é em geral pedregosa 
e baixa. 

É: atravessada na extremidade O. pela es- 
trada real de mac-adam, feita em 1837, ten- 
do na mesma, sobre o ribeiro do seu nome, 
uma pequena ponto de pedra. 

No sitio de Monte-Dôr, próximo d*esta fre- 
guesia, foi assassinado o emir (ou rei) mou* 
ro de Gaia, cm 9.^, pelo rei D. Ramiro II de 
Leào. (Vide Ariosa, Afife, Ancora e Calei) 

O reitor era apresentado ín solidtim, pela 
mitra, e tinha i60iM)00 réis de rendimento. 

É uma bellissima fregoezia, quasi toda em 
planide cultivada e com bonitas e boas casas 
e quintas, abrigada poio N. e NE. pela serra 
de seu nome, e desfructando a magestosa 
vista de uma larga extensão do Oceano. 

CARREGADO— aldeia, Extremadura, an- 
tiga freguczia de S. Tbiago, hoje de Santo 
Estevão, de Alemquer, e meieira da flregue- 
zía de Nossa Senhora da Assumpção, de Ca- 
dafaes. Foi do concelho da Azambuja, hoje é 
do concelho e comarca de Alemquer. 120 fo- 
gos (Vide Alemquer.) 

Situada em extensaa, bonita e fértil pla- 
nície sobre a margem direita do Tíjo. 

É a 8.* estação do caminho de ferro de 
Pf orte e Leste. 

CARREGAL— freguezia. Beira Alta, co- 
marca do Moimenta da Beiíra, foi até 1855 
do coneeHio de Caria e Rua, e desde então 
é do concelho de Cemancélhe, da mesma 
comarca, 30 ktlometroa ao N. de Lamego, 
324 ao N. de Lisboa, 190 fogos. 

Em 1757 tinha i70 fogos. 

Orago o Espirito Santo. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
Hvo de Viseu. 

Tem um hospital da Misericórdia, muito 
antigo, administrado por uhis^ irmaiidade, 
com soíTriveis rendimentos. 

O reitor doC^ria apresentava aqui o cu- 
ra ; depois passou a ser vigariaría da apse* 
senlaçSo do ordinário. . 

Ha aqui um convento de freiras beroar* 



das, fundado por D. Maria, mulher de Pau- 
lo Homem Telles, governador da Beira. 

É terra fcrlil. 

Ha mais em Portugal 30 aldeias <^âina* 
das do Carregal. 

CARREGAL e GURRELLOS— villa, Beim 
Alta. comarca de Santa Comba Dão, 24 ki^» 
lometros de Viseu, 258 ao N. de Lisboa, 3M 
fogos, no concelho 2:110. 

Tinha em 1757 200 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Purificação. 

Bispado e districto administrativo df 
Viseu. 

Era antigamente da comarca de ViseiL 

É terra fértil. 

Os condes de Villa Nova apresentavan^ 
aqui o vigário, que tinha 24i^000 réis, o pé 
d'altar e bons passaes, ao todo uns 200^000 
réis. 

Já antigansepte era concelho (do Carregal) 
com juiz ordinário, um vexe^dor o procorat 
dor. 

Passa aqui o Mondego. 

Feira ao Domingo do Espirito Santo. 

Eram antigamente doas freguezias. Sopr 
ponho que Curréllos era freguczia mais an- 
tiga do que Carregal, porque vem no Por- 
tu^l Sacro e Carregal não. 

CARREGOSA-— freguczia, Douro, cot^area 
e concelho de Oliveira do Azeméis, d'and» 
dista 8 kilometros a NE., 36 ao S. do P^* 
to, 276 ao N. de Lisboa, 370 fogos. 

Em 1757 tinha 265 fogos. 

Orago S. SalViídor. 

Bispado, e districto administrativo di 
Aveiro. 

Era^ antigamente do termo da Feira^ eor 
marca de Esgueira, e depois, da comarca dt 
Feira. 

É da casa do infantado, por ter pertenci* 
do primeiro á dos condes da Feira. 

Situada em um valle, d'onde sò vé o Poi> 
to, Aveiro, o mair e. outras varias povoç^çdet 
e sçrras.^ , > 

Os iníántes apresentavam aquio pn^ qp» 
tinha de renda 700,jt000 réis. 

É fertil e tem muito gado e caça. / »f 

Aqoi naseeo, pek)8. aimo* d^ laSA^BllIir 
nuelGoRsèa deBailQSPMM, qii0ia»4»mi4ii 



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OAR 

em direito, pela Uaifversiâade de Goihibra : 
fez-se padre, foi l6go feilo eoncgo da Sé de 
Viseu, e pouco reifipo depois chantre. Trans- 
féíriu-íse para Coimbra, onde foi deão. Pou- 
cos annos depois foi nolnieado coadjutor e 
fUldro íQccessor do biíipo de Coimbra^ to- 
mando conta do bispado pòr morte do pre- 
lado, e foi sagrado em 1872. 

Ê um varào ilhistrado e vií-íuòso, di^no, 
W todos os respeitos, da sua rápida fortuna; 
« dos raríssimos da actualidade, que só do- 
Ye a sua posição ás suas eminentes qoali- 
fládes. 

No ]ogar da Póvoa, d'esta frêguezia, ha 
uma excellente fabricii de papel, com motor 
fcfydràulico. É do Morgado da Pót^a, 

Produz annualmente cas 3 contos de róis 
de papel. 

Foi ftííndada em 4868. TéVe mensão hon- 
rí>sa>na Exposição Industrial Portuense, de 
Í861. 

GAltRÊGOSA-- aldeia, Beira Baixa, na^fi^e- 
guezia da Gésteira, foi até Í8d5'do cúàicdho 
da-AbfUnfteira, hoje é comarca e concelho 
"âe Sorure, 30 kilometros ao S* de Coimbra, 
404 aòN. de Liàboa, 280 fogos nafreguezia, 
^a quaf é orago Nossa Senhora da Concei- 
ção. 

Bispado e dâsiricto ádmimstrativo âe 
Coimbra. 

Etn 1854 apparet^Q aqui, etn uma éica- 
vação que andava fazehdo o parodio, uma 
^Abeça humana' de enorme, grandezft <^ti6»pe- 
^áVai>rtâid de 15 kilòs) atravessada por uma 
lah^ ^de páo; uma farraáura e àma laran- 
ja, tudo petrificado. Também appareceu^um 
buaSo ' e muitas confehas. 

Note- se que esta povotçãa está longe âe 
rios e muito ackna do nivel do raai', 

Os^poVos â*estéd arpedotes, crton quê ha 
por aqui mtiioos' objectos de ouro, prata e 
diamantes fh(Min<itifa^ pelos (mouros. 

Crêem também que a imagem dopaitnâái- 
«bft' âl Bento <âei pedra) qtte hq 'áèiia')em 
um» ciqiella* â'e8ta' áldeia»4e Garrég^sa, f^ra 
achada H^ >peitb^i em> lumu la|M,<xbaiÉadA 
Gosiâride^i Bento; e 4](Qe a tál^MRgiem tra- ' 
fida plm^iiieftpellay-KnrQaitvil ariigir;'átétqiie 
foi pre«lk)i«rr«i4a^Uie'um Sé a«ao BapU^ 



msi 



125 



ta, não só para lhe fazer companhia^ mas 
também para estar de sentinella^a capella 
só ha aquelles dois santos. 

Ainda em 1843 ou 1844, preténdendo-se 
fazer uma procissão na matriz, o povo se 
oppòz a que da capella sahisse o S. loão» 
para ir cm um andor, com receio de terem 
4epois de andar em procura de S. Bento. 

Ha em Portugal mais 4 aldeias d*este no« 
me. 

CARREGOSO— aldeia, Douro, freguezia 
-do Couto de Cucujães, concelho de Oliveira 
de Azeméis. 

Possue aqui uma excellente casa 6 uma 
magnifica quinta, o sr. António Gomes Bran- 
dão, feito, em 1870, visconde de Carregôso. 

GARREGUEIROS— freguezia, Extremadu- 
ra^ comarca e concelho de Thomar, 130 ki- 
lometros a NE: de Lisboa, 240 fogos. 

Em 1757 tinha 32 fogos. 

OragaS. Miguel, Arctianjo. 

Prelasia do Thomar (Patriarehado de Lis- 
boa) districto administrativo de Santa- 
rém. 

Situada em um monte, d^onde se vêem 
muitas serras desertas. 

Era commenda das freiras de Christo, de 
Thomar, que apresentavam o vigário e seu 
coadjutor. Tinha o primeiro, 2 meios de tri- 
^o,dois de ceYada,[20^000réi8em dinhelm 
26 almudes de vinho mosto e 6: a]i)ueirçsée 
azeite. O segundo, 2 moios do trigo^ mais 6 
alqueires para hóstias^ 6^000 róis em di- 
nheiro, mais 3^200 réis para céca, 13 almu- 
des de vinho mosto o 4 alqueires de ^zeiti^l 
tudo pago pela eommenda. Ambos eram fttei- 
Tes de Christo e collados por consulta da 
Ilesa dá Consciência, precedendo exame na 
prelasia de Thomar. i . 

Na capella de Santo António doa pég6es^ 
^tá um tuihulo, a -que serve d^atmas um 
leão, e no tumulo, a Jnscripção seguintoi: 
Âquijàz NunoG&áçáloÃe Meifúf col* 
la^dúihfamte^D.AJf&M&V, filha á*eU 
rey D, João (o 1.) e foi o ditorefíá 
tomada de CeuttLe se aeJíioufnado cer- 
co; e foi á Cúnaria,aipHíneira^ez 
que foi de$ooberiú^romde:fiom^€dpti' 
vOy e por ordem ^ virmoêiséimo iH- 
fanfe D. Henrique, foi fugêl4»do; $ é& 



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126 



GAR 



finou a 7 de novembro, na era do Se* 
nhor J, Chriêto, de 1460. 
É terra muito fértil em azeite ; mas do 
mais medeania. 

A agua da fonte de S. Miguel, cura (dizem) 
moléstias cutâneas. 

Do sitio dos Pegões, n^esta freguezia, vão 
encanadas, sobre arcos de pedra, as aguas 
para o convento de Christo, de Thom^ir. Diz 
o padre Gardozo, que este aqueducto, na sua 
maior altura tem cem braças (220 metros !) 
e por cima d*elle caminho para se poder an- 
dar. (É ímpossivel que aqui não haja cifra 
a mais!...) 

Tem 3 kilometros do comprido. Tem três 
mães d'agua, uma no principio, outra no 
meio e outra no 6ra do valie. N'esta ultima 
que é de abobada, de bella architectura, em 
uma pedra que está na parede, e sob as ar- 
mas de Portugal, está esta inscrtpçao: 

O invictissimo e muito catholico rey 
Pkilippe /, dó nome, de pia e venerada 
memoria, com real liberalidade, man- 
dou fazer este aqueducto, em o anno 
4e 1596, Com a mestna o auguslissi- 
mo e christianisUmorey D. Philippe, 
seu filho, segundo do nome,ja fez aca- 
bar ^ em 1613, 
No mesmo silio, do lado de cima, ílca ou- 
tra fonte, chamada do Yalle, com 3 olhos 
â'agua, de bôa qualidade, a qual tem aque- 
ducto abastantes pegões, para o lado da fon- 
te que vae para o dito convento de Christo, 
onde também a quizoram levar; maâ, por 
'nao podeir subir, ficou frustrada a muita 
ofata que já para isto se tinha feito. 

Ha n^esta freguezia outras tíiaiâ fontes, e 
.passa pelQS eonfíns jdeila o rio ^'abáo, que 
rega e móe. 

CA|lR£IRá*- freguezia, Minho, comarca 
e concelho de Yilla Nova de Famalicão, i2 
kilometros ao O. de Braga, 30 ao N. do Por- 
to, 348 âó N. de Lisboa, 120 fogos. 

Arcebispado e districto adrainisirativo de 
Braga. ' . 

Or^gOiSv Thiago, Maior. ' 
£m á7^7ttinha 76 fogos. 
JSca^anljgámeníe do termo e correição de; 
Bareelk)% proíTeâort& do Yi^nB% visita de 
Vermuimv«'»Fapííi.o - \ y > 



CAR 

É da casa de Bragança. 

Situada em um dos mais bellos sítio» da 
província; por ser todo povoado de aldeias 
tão unidas, que em um espaço do 2 kiioni»- 
tros se contam i2 freguezias. 

A casa de Bragança apresentava o abbad# 
que tmha 300|;000 réis. 

É terra muito fértil. 

CARREIRA (e sua annexa Foh(« Coberta) 
— freguezia, Mmho, comarca e concelho ^ 
Barcellos, i8 kilometros ao O. d^ Braga, 
342 ao N. de Lisboa, 130 fogos. 

Arcebispado e districto administrativo da 
Braga. 

Orago S. Miguel, archanjo 

£m 1757 tinha 128 fogos. 

Era antigamente do termo de Villa-Chan. 
É da casa de Brapnça. 

Situada parte em valle e parte em monti^ 
e d'este se vé Braga e varias povoações. 

O arcebispo de Braga apresentava o ab* 
bade, que tinha de renda 340^000 réis. O 
abbade apresentava o cura do Salvador da 
Portella das Cabras. 

Ha aqui uma capella de Nossa Senhora da 
Penha, assim chamada por ser fundada em 
ama penha, junto à torre de PenegaU, Esta 
torre é antiquíssima e edificada sobre uma 
penha. E* de bella cantaria e tinha ameias, 
mas teem-ihe cabido quasí todas. 

Tem 66 palmos d'álto o 35 de largo. 

Esta freguezia era antigamente sugeita às 
justiças de Yilla-Chan. Fértil. 

GARI^niA— freguezia, Douro, comarca 
e concelho de Santo Thyrso, 24 kilometroa 
ao N. do Porto^ 335 ao N. de Ljâbpa,hl50 fo- 
gos: ; 

Bispado e districto administrativo do Por* 
to. Orafeo S. Thlaf o, apostolo. 

Em 1757 ttnha/106 fogos. 

Era antigamente da comarca e Jtermo d« 
Porto, concelho da Maia. Fértil, t . p 

Situado em um rvalle, do quai se vêem va» 
nàs pqvoâçôea. .^r>-t 

O .aU>ade d€|> S. Christoyâo^ de fiefotiOf 
(qttoaqui reti^tiaos ; dizimou) é q^eapro- 
âemaváo v%áno,4ue tinha ^fiSf» tMsu 
jTambeaiLMjconoelho» eteha O!i\\idoror* 
dinario; «Ijsito: pelo povç^ Q epafijuoado P6ia 
•cáB^itacdo^íPiâ-lo^á qtwafraíf^Oi^v^ ,ni 



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CAR 

Ha mais em Portugal 70 aldeias chama- 
das da Carreira. 

CARREIRAS — freguczia, Aleratejo, co- 
marca« concelho e 6 kilometros de Portale- 
gre, i85 ao SE. de Lisboa, i50 fogos. 

Bispado e districto administrativo de Por- 
talegre. 

Orago S. Sebastião. 

Em 1757 tinha i30 fogos. 

Situada nz Ponta de uma serra, entre as 
villas de Marvão e Castello de Vide. 

D*esta freguezia se vêem as viilas do Cra- 
to, Flor da Rosa, Valle do Poso, Alpalhão, 
Mza e aldeia da Lagoa. 

O cura era da apresentação ordinária, e 
tinha 3 moios de trigo, de rendimento. 

E* terra muito fértil em cereaes. 

CARREIRAS (S. Tbiago)— freguezia, Mi- 
nho. Foi até 1855 da comarca de Pico de 
Regalados, concelho de Villa-Chan, desde 
então é comarca e concelho de Vi lia Verde, 
por ter sido supprimida aquella comarca, e 
concelho de Víiia Ghan : i2 kilometros de 
Braga, 382 ao N. de Lisboa, 400 fogos. 

Arcebispado e dístrie lo administrativo de 
Braga.. 

Orago S. Thíago apostolo. 

Em 1757 tinham 78 fogos, (afrcguczia de 
S. Thiago e a seguinte, de S. Miguel.) 

Éra antigamente da correição de Barcel- 
losy provedoria de Vianna, termo de Villa- 
Chan. 

E* da casa de Bragança. 

O arcebispo de Braga apresenUwa o ab- 
bade, por concurso synodal, e tinlia de ren- 
dimento 360^000 réis. 

Ha n^esta freguezia a capcUade Santa He- 
lena, ao pé do monto do Castello, á qual, 
em 3 de maio, vão muitps clamores, ^íí& fre- 
^ezias visinhas. - 

E' terra muito forlil. 

Pelo meio da freguezia corre uq[) ribeiro 
.anonymo que rega e ii)óe. Desa^^i^ np Cá- 
vado, ji^nto á villa do Prado. ; 

E3ta freguesia e a seguinte, ahid^a om 1757 
form;^ya9i uma só, cigpOr^era S. Thia- 

CARREIRAS (S.. Uigu^)—fr^iiezija, Mi- 
nho, na ^çesoia com jut^ay^nce^ipip jí^^p* 
cias isto é foi da coB^rca de Pico de^ Rega-' 



CAR 



427 



lados, e concelho de Villa Chan ató 1855, e 
sendo então supprhnidas estas duas circtt- 
mnscripções, passou a ser da comarca e con- 
celho de Villa-Verde, 100 fogos. , 

Arcebispado c districto administrativo do 
Braga. 

Orago S. Miguel 

Em 1757 tinha 61 fogos. , ^ 

Era pois, como a antecedente, do que foi 
desmembrada, antigamente da comarca de 
Barcellos, provedoria de Vianna, termo de 
Villa Chan. 

E' também da casa de Bragança e muito 
fértil. 

Atravessada pelo mesmo ribeiro. 

Houve aqui uma antiga torre, de que ain- 
da lia vestígios, onde viveu D. Egas Paes, de 
Ponegate, senhor do couto d'este nome e do 
concelho de Villa-Chan, grande valido do 
conde D. Henrique. 

Junto aos alicerces da tal torre velh^, ha 
outra torre mais moderna. 

O arcebisdo apresentava o abbade por 
concurso synodiíl, e tinha do rendimento (o 
abbade) 330^000 réis. 

GARRICHE ou GALÇAjDA de CARRICHE 
— aldeia da Exiremadura, freguezia de S. 
João Baptista do Lumiar, termo, districto, 
comarca e 8 kilometros ao NO. de Lisboa^ 
2i fogos, 90 almas. 

Situada sobre a estrada real,^ que de Lis- 
boa conduz a Loures, e próximo do Lumiar 
e também na estrada para Odivellas (queé 
a mesma do Lumiar.) 

No fundo da Calçada de Carriçhe, es^Â 
uma hospedar!^ que pomposamente se ^• 
titulou ^Hoíel de Nova Cintra,* 

K por isto .que muita gente vae chaman- 
do a este sitio Nova Cintra. , 

Em Nova Cintra é a quarta estação do Ca- 
minho do ferro L^manjat de Lisboa aTçjf- 
res Vedras. 

Tem esta povoação tido baístantes melho- 
ramentos, e, como é muito çpncoi;rida.||M 
famiUas de Lisboa (prinçipalfiici^te np.yii- 
rão) é bastante prpyavcl quo.^und^^ ye^a« 
n^erecei: o nomc^ de Nova Cintra, j^ j. 

Pouca Adiante de Carrícha^haum^lifpgp, 
oude ^ eatra^.!^ diy^(]^e^.d.9is r^^j^^ç^^^O 
que segue dÍi;(W,to, conduz ^.PÓVQ? Çl%^{H<> 



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^m 



CAR 



CAR 



Adriab, Mealhada, Loirfes, e outras terras 
dos arrabaldes de Lisboa, e depois a Torres 
Vedras. O da esquerda vae para Odivellas 
e outras povoações. 

Ao tal largo se chama O Senhor Roubado, 
por causa de uma capella que alli está, da 
invocação do Senhor Jesus Roubado. A ori- 
gem d*esla capella e do seu titulo, é a se- 
guilfite, (segundo a relação que do facto dá 
o padre Luiz Montez Matloso, pregador e 
nofaíio apostólico, cm um folheto publicado 
cm 1745.) 

Na noite de domingo para segunda feira, 
10 para 11 de maio de 1671, António Ferreira, 
trabalhador 6' moço de soldada, entrou na 
egreja matriz d'Odivellas (eni' quanto um 
rapai tocou a trindades) e se escondeu em 
uma mesa. Peta nouiè morta, foi ao aitar-. 
inóre depois de roubar a Nossa Senhora do 
Rosário umas contas d*ouro, ao Menino 
* Jesus òs seus vestidos, e cortar o espaldar 
do docel; abriu violentamente a porta do 
sacrário, tirou d^elle ós vasos sagrados, e 
iírdo abrir o em que estava o SS. Sacra- 
mento, com a força que fez quebrou a cruz 
áo remate, e (íomeu as hóstias. (N'este pon- 
to e quando o ladrão sacrílego hia a apo- 
derar- se de 10 ou 12 partículas consagradas 
diz o padfe Mattos lhe déú tamanho pó de 
vento, que cahiu sem sentidos. 

TomanÔo a si, pegou nos vasos, luneta, 
corporaf e sanguinho, que estavam no sa- 
crário. Decorreu pelos mais altares da egre- 
ja ; despiu a imagem de Nossa Senhora do 
Égypto é descompoz as mais que encontrou. 
Áchandtf em uma gaveta o Santo Sudário, 
envolto em uni bocado de tafetá encarnado, 
levou este è deixou aquellé. Tirou a bola da 
alaropada da capélla-mór e uma toalha do 
âftair d*ella e embrtilhando tudtí na ft*onta- 
íèira da mesa, âe sabiu da ègreja, fazendo 
caminho para Lisboa; mas vendo que hia 
WtíiiJehdo o dia, entrou em um silvado e 
'^atta de canii^os (onde hoje é a capella do 
ISeijttor Roubado) e álli escondeu p roubo, 
*iyata d hir btiséar em melhor occasião. = 

Todas ás juátiças civis e ecdesiasticas pró- 
'écffèrám liàpida e escrupulosamente às mais 
^líjàrtsas invéstfgaçCres pai* descobrir à 
-mAole o íàcÚrâo; taâs foi MtrtiL 



Em 16 de julho seguinte, se descobriram 
no tal silvado, casualmente, os dois vasos 
sagrados, atados em um lenço, faltando no 
dourado, a cruz do remate. Também então 
aqui se encontraram em uma trôxa, os vesti- 
dos da Senhora e do Menino e os mais ob- 
jectos roubados. 

Mas, por mais diligencias que se fizeram, 
não foi possível descobrir o criminoso. 

Na norte de 16 de outubro do mesmo an- 
uo foi preso um ladrão que andava a furtar 
gallinhas, .dentro da cerca do mosteiro de 
Odivellas. Era o tal António Ferreira. Tra- 
zia no bolso a cruz de prata do remate do 
vaso sagrado. Estava finalnfiente descoberta 
o ladrão sacrílego. 

Entregue aos iribunaes competentes, Toi 
condemnadô a baraço e pregão, arrastado 
pelas ruas de Lisboa, teve as mãos cortadas 
e queimadas, à sua vista, e sefndo subido a 
um alto poste, ahi foi garrotado e depois 
queimado, e suas cinzas lançadas ao mar; 
isto por accordão da Relação, de 20 de no- 
vembro do mesmo anuo, que foi executada 
a 23 no Rocio de Lisboa. 

No sitio onde o roubo esteve escondido^ 
se espetou no chão uma cruz dè pau, úias 
como apodrecia em pouco tempo, icolJdca- 
ram outra em uma oliveira. 

Em outubro de 1742, indo para a pedrei- 
ra de Paradella, o irmão António dõs San- 
tos Prazeres, da congregação dos descalços 
de S. Paulo, primeiro erethita (a quetn a 
casa do Senhor da Boa Morte, de Buenos 
Ayres, de Lisboa, deveu grande paf te da sua 
fundação e augmento) encomraehdarpedraria 
pára as obras da referida casa, chegouâ calça- 
da de Carriche, junto a um painel das almas^ 
onde, como já disàe, convergem as duas estra- 
das, e subiu a uma cortina de pedra e cál^ 
que divide uma levada de agua que alll 
corre (ou corria) de inverno. Vib draanuat- 
ta de caniços, algutnas cepas d& vide e uma 
oliveira, na qual estava pregada uma cnwv 
feita de uma estreita tábua, pintada ^e^er- 
melho. Entendeu qué esta cruz indicava o 
sitio onde morrera algum christão e lhe na- 
sou pela alma. Na vblta^ pelo mesmo sitio^ 
adiou alli tim lavrador ^e lhe disse o qm> 
aíquella cruz memoi^ttu 



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GAR 

"*âo consentia o animo do bom do padre 
se conservasse quasi esquecido e com tão 
ca decência o logar onde tinham estado 
37 .dias tão sagrados olijectos do culto 
istão, Q por muitos mezes seismou nos 
os de construir um padrão mais dm*a- 
ro, que recordasse o facto. : 
primeira cousa que fez foi o risco para 
etáoria. Depois, foi a casa de Luiz Pan- 
da Silva e Azevedo, escrivão da cama- 
le sua magestade, na: mesa do desembar- 
lo paço, que era o senhor da terra em 
a cruz se achava, a pedir- lhe licença 
3L fazer a obra. Azevedo respondeu que 
le o padre queria era muito prejudicial 
i elle, Azevedo, porque a concorrência 
)ovo, que decerto se seguiria áquelle si- 
lhe talaria e devastaria as propriedades 
icentes, mas, que, cmfím, consultaria com 
mulher (D. Maria Michaella Joaquina de 
Las) que deixasse o risco e viesse saber 
)^^sta d^abia três dias. 
[ão faltou o irmão António no dia indi- 
9, e Azevedo lhe disse que, não só lhe 
a licença para construir o monumento, 
I tambeiin concorreria com o que podes- 
para ajuda das despezas. : 
e easa de Azevedo foi ao paço do car- 
1 patríarcha, pedir a este, beneplácito pa- 
i deeejaáa conctracç^, que o prelado de 
ito boa vontade lhe concedeu; mandan- 
[) porém dar parte ao prelado do seu 
vento, que também lhe deu licença, 
ibtidas todas as licenças indispensáveis, 
aiva o mdlhor ao bom do padre-^era di- 
Âro^mas não. esmoreceu;/ Ctegaá pe- 
ira deParadella e todos os^pabouíqueiros 
offereceram de muito boamente toda a 
ra precisa para a obra.) e os lavradores* 
lueiles aitios se offereceram para a tr^s- 
tar gratuitamente. ; 

K Leonor de Menezes, condessa de $. 
aga (de Beduido) lhe emprestou ama jdtus 
is^ da sua quinta de Odivellà9^jpfur^.R'ella 
itar o padrei, e alli lavrai^ja cailUria^ ^or- 
ando, ao caseiro ique áémfflOij0^p tii4o 
mto elle pedisse. . ,MM(ff. . ; i 
)^ Luiza Maria de Moura, aI]ibi4e9sa(,do 
1 mosteiro de S. Dionysio (de 04i^l^|)Jlbe; 
i^p Q sp€t6iito<^:quimtQ<dRrQira.o|)ra.; 

TOLUMB U 



GAR 



1^9 



Na quinta feira, 14 de maio de 1744, co- 
meçou o irmão António a lavrar por suas 
próprias mãos, as principaes peças do pa- 
drão, isto é, a cruz, com o crucifixo do re- 
mate, e outras, em que esculpiu a figura do 
vaso sagrado^ guardado por três seraphins. 
Aos pedreiros que lavravam as outras mais 
simples, pagava com as esmolas que obtinha 
dos devotos. 

Estando tudo concluído, se assentou o pa- 
drão, em uma quinta feira,. 5 de novembro 
de 1744, com grande alegria do padre e de 
toda a gente dos arredores. 

Para que a todo o tempo constasse a ra- 
zão d'esta memoria, se gravou na parte dian- 
teira do padrão e no pedestal d'elle, ain- 
scripção seguinte: 

AQUI 

OCCULTOU A INGRAjmAM 

DO MAYOR RQUBO A INSOLÊNCIA; 

MAS LEVANTOU A CLEMÊNCIA 

A MEMORU DO PERDAM. 

ESTE PIEDOSO PADRAM 

COM ETERNA DOR ÇE LEYA ! 

AQUI mJM ATROZ IADRAM, 

« DUAS DA NOITE, E META, 

OS CÉOS ENTERROU NO CIIAM. . . 

CAZO DE ODIVELLAS, SUCCEDIDO NO ANNO DE 167L 
ESTE PADRAM SE FEZ NO ANNO DE 1744, 

Para memoria do lògar onde esteve en- 
terrado o vaso com as âaéradas relíquias, ós 
37 dias que jà disse, levantou' o irmão ^An- 
tónio ura pequeno padrão, junto áô' griínde, 
jB íiÒ séu temàle; qtie é^ espherícô, lhe gra- 
vou ás letlrasseèufníes': ; 

LOGAR DO fiKTBáHO? 

•n Prií^cipioíi togo este Jogar a ser muito 
«Quç^^rido e o povo a venerar o Senhor 
Roubado (nome q^e logo geralmente se lhe 
deu) encommendando-se a eUe em Codas as 
suas tribulaç5es»^,.dando-Ihe muitas esmo- 
las. .-1 .; , .1 .- ! 

- ; >Q prioi; t do I^poi^,. sob pretexto d6 que 
p pipilo estava noa ;ljini4ies<da suaík^egue- 
. s|ia,.fe,qu)^ Jogo, apodotur de todaaas esmo- 
.la3.q{!fi;iDs,9oi» dax^ftq.geiihor,:p8ra itfttda 
das suas obras. Acud^iOtÀmaâo Antojijio íO 

9 



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130 



CÁR 



se combinou em nomear um thesoureiro 
provis(H'io par& receber as esmolas e enu^- 
gar a quem o ordinário mandasse. 

O irmão António foi a Santo António do 
T(^al, ao retiro onde então se achara o car- 
deal patriarcha de Lisboa, e expoz a este 
prdado o que havia, e si]q>plicaQdo-ihe que 
quabdo regressasse a Lisboa Tiesse pelo Se- 
nhor Roubado, pois lhe ficava no caminho, 
para dar as providencias. O patiiarcha na 
vòha assim fez, e determinou que as esmolas 
fossem appíicadas exdosivamente para se 
fazer um coberto ao crusenro e para as mais 
obras n^etle necessárias ; o que se cumpriu. 

ProtHbiu n^esse acto quealli se consen- 
tissem bailes, comedias, ou quaesqtier ou- 
tras acções profanas. 

D. Fernando de Sousa e Silva, prelado da 
santa basílica patriarchal, filho dos condes 
de S. Thiago, prometteu todo o azeite neces- 
sário para a alampada do Senhor Roubado, 
em quanto fosse vivo, e cumpriu sempre 
religiosamente a sua promessa. 

Com o producto das esmolas, se construiu, 
poucos tempos depois, a eapella, que é a 
actual. 

troximo e em frente da eapella, fica a cé- 
lebre aldeia da Ameixoeira, hoje freguezia, 
o que quando pertencia á parochia do Lu- 
miar (da qual foi desmembrada em i536) se 
chamava Funchal. Vide Ameixoeira. 

CARI^IL— em portuguez antigo é o mes- 
mo q^e caminho de carro. Ha em Portugal 
vários legares d*este nome, e até ha uma al- 
deia do Carril que já teve visconde. 

GARROCÊI)0-*vide Caroeédo. 

CARROS ou A DOS CARROS ou S. SE- 
BACmAO DOS GARROS— freguezia, Afem- 
tejo, comarca e concelho de Mertola, 1^ 
kilemetros a O. de Evorà, 180 ao S. de Lis- 
boa, 90 (bgos. 

fim 1757 linha 95 fogo». 

Orago S. Sebastião, martyr. 

Bispado e distrieto aáml&lstrátivo db Beja. 

A Mesa da Consdéncia e Ordens apreisen- 
tava o capellão cttrade, qfue tinha de retãi' 
mento 1 moios de trigo, í âi3 cevada e étz 
mftréisemdtiâieifo. 



CAR 

É terra fértil em eereaesi. 

GáRTAXINTO— vide Condeixa Velha. 

CARTAXO— villa, Extremadora, cornar-^ 
ea de S^mtarem, 72 kilometros a NE. de Lis- 
boa, l:i60 fogos, 4:600 almas, no ooncelto 
1:900 fogos. 

Em 1757 Unha 550 fogos. 

Orago S. J(^o Baptista. 

Pairiarchado de Lisboa^ distrieto adminis- 
trativo de Santarém. 

Gramde feira a 1 de novembro, 6 dias. 

D*aqui se vé Santarém e os campos d» 
Vallada. 

As c(NnmeDdadetras de Sastos, de Lisbos» 
apresentavam o vigário, que tinha lOO^OOO 
réis. 

Tem um convento de frades franciecanos» 
observantes, da província de PortugaL 

No bosque que está próximo ao convento^ 
houve, em 18 de novembro 4e 1810, um pe- 
queno combate, sem consequência, ^tre » 
tropas portuguezas e os invasores fraacezes 
de Massena. 

Tem Misericórdia e hospital. 

É uma bonita villa, construída à- modais 
na. Seus arrabaldes são muito bem cukhrm* 
dos, aprasiveis e muita ferteis. Prodpzem 
muito e óptimo vinho, que se exporta pân 
Lisboa e para o estrangeiro. 

Tem foral velho, dado por D. Dmiz^ en 
Leiria, a 2i de março de 1312, e eonflnna- 
do por D. João II, em Santarém, a )7 de ju- 
nho de 1487, e segnnda vez confirmado^ 
também em S^tarem, por D. ManUtel, em 4 
de novembro de 1496. Esta confirma^ da- 
da por D. Manuel, não ó classificada ecÉn 
foral novo, mas é a que o substituem 

Os foraes chamados novos, só se prind- 
piaram a dar em 1500. (Vide o eap4 5L<) 

GARTUXA-^O convento de frades (mon- 
ges) cartuxos é situado a distância de 1 kl- 
lometro a NO. da cidade de Évora, e jVmto 
da estrada que segue^para ArrayoloseMmi- 
te-Mói^Novo* Foi este convento e a suaa- 
tensa eèrea, fundado pelo arcebispo de Bvo- 
ra, D. Hieotonio de Bragança» de 1587 « 
1598, mandando vir monges da Cat^útfDiía, 
que foram os t^meiros qtie habitaram este 
eonvetito. 

D. Theotoni^ de Bragança (ttí udi j 



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CAR 

pFeladq, fainoso e illostre^ luo só pelo saaga e 
e riqueza mas pela humildade e pobresa 
em que quiz viver» para dispender as suas 
immeBsas rendas em instiiuiçoes de carida- 
de e em soccorrer, por todos tís modos que 
lhe era possível, os desgraçados. Em Évora 
tratarei de mais alguns estabelecimentos 
pios fundados por este santo e illustre varão. 

O mesDK) arcebispo o doou, com os terre- 
nos circumvísiolios que lhe pertenciam» aos 
monges, em i5 de junho de 159% por es- 
eriptura publica feiia em Évora. 

Cbamava-se Convento da Scala Dei Este 
e o de Laveiras eram os únicos doesta Or- 
dem que havia em Portugal. Apenas tinham 
um hospicio em Lisboa. Também se dava 
vulgarmente a estes monges o nome de Bru- 
nos, por serem da Ordem de S. Bnino, que 
a Instituiu nas -montanhas de Saboya> pelos 
annos de 1082. Seguiam a regra de S. Ben- 
to. Era da sua instituição empregarem-se 
nos trabalhos ruraes, que eram a principal 
oecupação das suas communidades. E com 
^eito grandes serviços prestaram os cartu- 
xos (assim como os frades de Alcobaça, Lor- 
vão, Tibães, Pombeiro, etc.) ao aperfeiçoa- 
m^AtQ e desonvolviíQento da agricultura em 
Portugal. 

Os frades cartuxos vieram habitar este 
convento em 1^ de dezembro de 1598^ ten- 
do estado aposentados nos paços reaes des- 
de 8 de setembro de 1587. 

jNicoJau Agostinho, aífirma que IX Theo- 
looio de Bragança dispendeu com a funda- 
ção d'este convento, nos bens com que o 
doH>u.e nos seus paramentos, 15Q:000 cru- 
ftados. (Foi desmèortisado por 57:200^000 
réis, abatendo d'isU) 9:OQO;0()0 réis que o 
governo aqui gastou inutilmente, como 
adiante digo, veio a receber 48:200^000 réis, 
iH^éy menos de 131:000 crusadosd^aisOíial 
moeda, que é o meomo que diser que foi 
vendido por .a quinta parte do seu eosto, 
attendendo á moeda do século XVi)f Tam- 
bém deu ao convento 7 escravc(9^ a inalor 
parte, a 40^000 réis cada «m. Como eombi- 
utídBtO bom de acc^bispo asua provada ca- 
ridade com a escravidão? Que época aQUei- 
MfSrn cè^aiK) ddxava de ser uaiapessoa 
para sor luàít oousi^ 



CÂR 



131 



Tendo D. João d* Áustria destruído este 
convento quando sitiou Évora, em 1663, D. 
Pedro II deu ao prior da Cartuxa, D. Ber- 
nardo de S. José, 26:000 crusados para a 
reedifícação da egr«ya, o que teve logar até 
a(0 fim do século XVU. 

(Tudo o mais que diz respeito a este coa* 
vento, veja-se em Évora e Laveiras.) 

Ficou ]^oTém estipulado na referida escrl- 
ptura de doação, de 1598, que— ca^o viesse a 
acabar a communidade, raverteríd tudo para 
o collegio de donzellas. pobres desamparadas^ 
que o mesmo arcebispo instituirá tia ma da 
Lagoa, na casfl que foi da família do capi* 
tão Manuel de Sousa de Sepúlveda. (Hoje 6 
uma fabrica de moagem.) 

Em 1834, o governo (sem atteo^der á clao- 
sula terminante da doação) apoderou-se do 
convento e cerca, arrendando-os por soa 
conta, e estava par^^ ser yendido; mas a Ca* 
sa Pia d*£vora (á qual tinha sido encorpo- 
rado o Collegio das donzellas) conseguiu fa^ 
zer valer os seus direitos e tomou conta do 
convento e dependências. 

Em 1857, foi 'pela Casa Pia arreudado isto 
a uma sociedade constituída em Évora como 
fim de ensaiar na quinta machinas agrícolas 
modernas e novos processos de agricultara. 

Em 1863, comprou o estado por treze 
contos de réis, á Casa Pia, a quinta da Car- 
tuxa, para alli se constituir a escola regio- 
nal, conforme o decreto de 16 de dezembro 
de 1852. 

Até 1869, gastou o estadjO 9:000^^0 réis 
em ordenados a epipregados e em fazer eur- 
raes e eavaUariças (sem gado|) 

Em 8 de abril de 1869, um decreto abor 
Uiu a3 escolas regionaes, e lá se foi o dinhei- 
ro e um estabeleeimeoto que podia e devia 
ser uma optinu^ escola pratica para o ^mr 
Bo dos vários ram^s agrícolas^ tão descurar 
dos em ForiugaL 

O rico capitalista e grande proprietário, 
o sr. José Maria Eugemo d'Alineid0,4eliift- 
boa, comprou, em fevereiro de 1871, o con- 
remo da Cartuxa, ^ governo, por vbM e 
Ircj^fontos de réis, 

Agora está em poder de <p3i|i|i^de e qoor 
faz^ d'i8to maa belljssim^c prpdttctiva vi- 



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i<3g 



GàR 



' Para noticias mais circmnstaneiadas d*€S- 
JU Ordem, vide Laveiras. 

CARTUXA DE LAVEIRAS --Tide Larei- 
ras e Caxias. 

CARTEIA— famosa cidade. da Lusitânia. 
Alguns escriptores dizem que Carteia era na 
-costa do Algarve, onde hoje é a aldeia da 
Quarteira ou Carteira. (Sanct, Varianno, 
tom. 6»'», liv. 2.», pag. 377 e outros auctores 
que elle segue). 

O mar tem arruinado e desfeito muitas 
ilhas do nosso litoral. 

Salgado (Mem, para a HisL Ecdes. do 
Alg.J diz que descí)briu muitoís vestígios de 
antiguidades na Quarteira, e que a torre a 
que hoje chamam de Vigia, talvez seja a fa- 
mosa dos antigos. 

Era Carteia cidade marítima e famosa por 
suas pescarias e marinhas de sal, no tempo 
dos pheniciof», carlhaginezes e romanos. Os 
t^regos lhe deram o nome de Tartesso. l^es- 
"cava-se aqui muito atum, trinchiadas (sar- 
dinhas) etc, que se vendia e exportava secco 

O mesmo Salgado diz que viu aqui, na 
mâo de um curioso, duas medalhas de pra- 
ta, achadas na Quarteira, e bem conserva- 
das. 

• Em uma se via uma cabeça laureada e 
no reverso um delfim, tendo por cima a le- 
•genda tLucius Marcius* e por baixo ^Car- 
teia*, A outra era ornada de muitos symbo- 
los: na parte mais nobre se via um delfim 
e um tridente, posto horisontalmente, pare* 
cendÓ ferir o tál peixe, e por baixo ^Car- 
teich\ no reverso, um leme, e em cima 
lUIVIR, e pór baixo D. D. (decreto deeurio- 

No tempo dos romanos, era Carteia sua 
alliada, « aqui se refugiou Leiio com a suà 
«squadra, depois que Scipiâo tomou Càr- 
thágena. O filho de Pompeu, vencido por 
César, junto a Munda, se retirou a Carteia, 
onde havia um presidio marítimo, ealli se 
apoíd^ott- de 30 galeras ou fragatas. 

lòrge Cardoso diz que aqui prógou o 
Evangelho, Santo Hesychio, ou Isco, ptío» 
âilnos'40dtièsas Chri8to« 

É certo-^itie na costa do Algarve havfá 
uma cidade de Carteia, além de duas do 



CM 

mesmo nome que havia ao sul do Guadia* 
na, -uma das quaes é a actual Cadix. 

Pomponio Mella (hespanhol) diz que na 
Lusitânia havia uma ilha chamada Carteia, 
ou Erythia, que foi habitada por Geryao. 
Collige-se que isto era imia grande ilha (ou- 
tros até dizem que era o prolongamento de 
nosso continente, que chegava até á Madei- 
ra e Porto Santo) que o mar ou algum gran- 
de terremoto, em tempos de que não ha me- 
moria, destruiu, reduzindo-a ao que hoje 
está, isto é, a um grupo de ilhéus. Segundo 
este escriptor às Berlengas se chamava ilha 
Carteia. 

Podia ser nas Berlengas a ilha de Carteia 
e na Quarteira a cidade de Carteia; mas eu, 
em vista de tanta Carteia, quer-me p«recer 
que Carteia é nome genérico de cidade, for* 
taleza ou ilha, no litoral. 

CARULHA ou GARULHA— portuguez an- 
tigo, carocha (insecto). 

CARVA — freguezia. Traz- os Montes, foi 
até 1855 da comarca de Villa Pouca de 
Aguiar, concelho de Alfarella de Jalles, e 
desde então da comarca de Alijó; concelho 
de Murça, 95 kilometros a NE. de Braga, 
378 ao N. de Lisboa, 85 fogos. 

Em 1757 tinha 60 fogos. • 

OrágòS. Sebastião, raartyr. 

Arcebispado de Braga, districio adminis- 
trativo de Villa Real. 

O reitor de S. Miguel de Três Minas apre- 
sehta\^a aqui o vigário, que tinha 45^000 
rèls. 

Muito bom mel e cera, algum vinho e cas* 
tanha; do mais pouco. Cria bastante gado e 
seus montes toem muita caça*. 

Era antigamente da comarca de Guima- 
râes. 

CARVALttAES^-freguezia, Traz-os-Mon- 
tes, comaroa e concelho de Mirandella, 90 
kilometros ao NO. de Miranda, 408 ao N. de 
Lisboa, 110 fogos. 

Êm 1757 tinha 4^ fogos. 
- Orago o Espirito Santo. 

Blq^o « distrioto admimstratívo de Bra- 
gan{lBu . 

Era aâtig&mente do tcrmideMirandèHâ; 
mas da comarca da Torve de MoncorTO» : 



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CAR 

Eram seus donatários, até 17S9, os Tavo- 
ras. Desdo euilío ficou sendo da coroa. 

Situada em campina d onde se vô Miran- 
delia. 

Ò reitor de Mascarenhas apresentava aqçit 
o cura, que linha 10^500 réis era dinheiro, 
30 alqueires de trigo, 12 aloiudcs de vinho 
e o pé d'aUar. 

É terra fértil. Produz muita fructa e hor- 
taliças, bons repolhos e óptimos melões. 

Corre por a frcguezia o rio de Lobos, qu» 
nasce em Macedo de Cavalleiros e morre no 
Tuella, próximo a Mirandella. 

CARVALHAES—freguezia, Beira- Alta, co- 
marca de Vo usei Ia, concelho de S. Pedro do 
Sul, 24 kiiomelros ao NO. de Viseu, 288 ao 
N. de Lisboa, 360 fogos. 

Bispado e districto administrativo de Vi* 
seu. 

Orago S. Thiago Maior. 

Em 1757 tinha 269 fogos. 

Era antigamente da comarca de Viseu, 
lermo de Lafões. 

Situada em uma planície, encostada à ser- 
ra d' Arada, d'onde se descobrem muitas po- 
voações. 

A Misericórdia de Viseu e os descenden- 
tes de D. Isabel Maria da Gamara apresen- 
tavam aqui o abbade, que tinha 500^000 rs. 

É terra muito fértil e produz muito bôa 
fnicta. 

D. Manuel lhe deu foral, em Lisboa a 10 
4e março de 1514. 

A egreja d'esta freguezia era, in solidum, 
de Pedro Moniz Buchicho e de sua mulher 
Maria Cides, d'Alafoes, os quaes doaram me- 
tade d'ella ao mosteiro de Paço de Sousa. 
Depois: impughando esta doação Martim Pe- 
res Buchicho, filho dos doadores, se justou 
como dito mosteiro, em 7 de julho de 1228^ 
que apresentasse juntamente, os frades com 
elle e seus descendentes, Buchichos, a ég^- 
ja. Em 1455, por contracto com os herdei- 
ros do Buchicho, passou a ser do padroado 
exclusivo db mosteiro. Por sentença da Le- 
gação apostólica, de 25 d*agostO de 1787, 
foi asshn julgado, declarando-se n'eHá que 
nunca esta egreja foi do padroado real. Nao 
pude saber quando este padroado passou 
para a Misericórdia de Viseu • paraá tal 



CA/? 



133 



D. Isabel Maria da Gamara : é c^rto que foi 
no fim do século XVIIL 

CARVALHAL e ATALAIA-- já está em 
Atalaia e Garvalhâl. 

CARVALHAL —aldeia, Douro, uma só ca- 
sa da freguezia de Santa Maria do Valle e o 
resto da de Romariz, comarca concelho e 10 
kilometros a L. da Feira, 30 ao S. do Porto, 
282 ao N. de Lisboa, 60 ao NO. d' Aveiro, 
17 fogos. 

É terra íerliL 

Ha aqui pedreiras de bcllo feldespatho, 
branco e verde, e uma grande veia de kao- 
lim. 

Passa próximo o rio Inha, que rega seu» 
campos e móe. Morre na esquerda do Douro, 
no sitio da Foz da Inha^ um kilometro abai- 
xo de Póde-Moura, e 24 a E. do Porto, coní 
uns 20 kilometros de curso, desde Escariz, 
onde nasce. 

Óptimo granito, em grande abundância, 
que vae para vários edifícios, alguns a mais 
de 6 kilometros de distancia. 

Ao N. d*esta aldeia, a uns 400 metros do 
distancia, está o morro da Golfareira, N*eK 
le havia uma monstruosa anta^ a que chama- 
vam o Penedo da Golfareira. Os pedreiros a 
destruíram, para cantaria. 

Viveu aqui muitos annos uma cobra gi- 
gasiesca, que era o terror do povo. AWcha 
da Golfareira, ente pacifico, socegado e ino- 
fensivo, do qual não consta um único acto 
aggfessivo, um só momento de mâo humor, 
fez apesar d'isso, dar prodigiosos saltos a 
mais de quatro. Dois machos, carregados de 
azeite, que a viram, tomaram tal medo, qn« 
na força da fugida rebentaram as cordas m 
os odres. 

Esta cobra deixou d*apparecer desde 18W> 
Segundo diziam os velhos d*aqui, tinha mais 
de 100 annos. Até, se é certo o que dizem o«' 
mais entendidos na matéria, era uma moura 
encantada! 

CARVALHAL — freguezia, Minho, comar- 
ca e concelho de Barcellos, 18 kilometros 
ao O. de Braga, 342 ao N. de Liiboa, 120 fo- 
gos. 

Arcebispado e disUrícto administrativo d«' 
Braga. 

Orago S.Payo. 



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134 



CAR 



Em 1757 tíDha 84 fogos. 

Era antigamente do termo de Barcellos^ 
mas da comarca de Yia&na. 

O D. prior da collegiada de Barcdlos a- 
presentava o vigário, que tinha de rendi- 
mento 40^000 róis e o pé d'altar. 

É terra fértil. 

GAHVALHÂL— aldeia, Extremadnra, co- 
marca e concelho de Torres Vedras, e 48 
kilometros de Lisboa. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Lisboa. 

E' a i6.* estação do Caminho de ferro 
Larmanjat (tramway a vapor) de Lisboa a 
Torres Vedras. É fértil. 

CARVALHAL— freguezia, Beira-Baixa, 
concelho e comarca de Meda, 54 kilometros 
de Lamego, 348 ao N. de Lisboa, 60 fogos. 

Bispado de Pinhel e districto administra- 
tivo da Guarda. 

Orago S. Sebastião. 

Em 1757 tinha 58 fogos. 

E' terra fértil. 

Era antigamente da comarca e termo de 
Pinhel. 

O abbadie de Santa Maria da Atalaia apre- 
sentava aqui o cura, que tinha ISilOOO réis, 
6 arráteis de cera jQna, e o pé d^altar. 

Passa aqui a ribeira de Pinhel, que rega 
emóe. 

Ha em Portugal 107 aldeias d'este nome, 
alem das deseriptas. 

Esta freguezia era do concelho de Marial- 
va, supprimido em 24 de outubro de 1855, 
e passou então para o concelho de Foseôa. 
Em 18 de dezembro de 1873 passou a ser 
do concelho da Meda. 

CARVALHAL DE ÓBIDOS— freguezia, £x- 
tremadura, comarca d'Alemquer, até 1855 
foi do concelho do Cadaval, passando en- 
tão para o de Óbidos, 72 kilometros a NE. 
de Lisboa, 350 fogos. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Leiria. Tinha juiz da vmtena. 

Orag^ Senhor Jeeus. 

Em 1757 tinha 71 fogos. 

Chamava- se antigamente Carvalhal de 
Soeiro, depois se chamou Carvalhal d'Obi- 
dos. Era da correição de Leiria, provedoria 
d'Alemquer, termo d'Obidos. Fértil. 



CAR 

Foi seu primeiro orago S, Pedro de Fhus^ 
Terr<B (por ficamos confins occidentaes da 
teira) Os principaes da pàiriarchal de Lis- 
boa e o prior e beneficiadoF da egreja de 
Santa Maria, d'Obidos, apresentavam simul- 
taneamente, aqui o cura, e lhe davam um 
moio de trigo, um tonel de vinho, 30 alqaci 
res de cevada e o pé d*allar. Tinha mais 
6^000 réis por administrar os sacramen- 
tos aos povos das aldeias de Barrocalvo, 
Salgueiro, Sanguinhal e mais sete casaes, 
que são da freguezia de S. Thiago d^Obidos. 
Estes 6^000 réis lhe eram dados pelo prior 
e beneficiados da egreja dita, de S. Iliiago, 
d'Obidos. 

taz-se aqui uma grande romaria ao Se- 
nhor Jesus, muito concorrida dos povos da 
freguezia e arredores. 

CARVALHAL— freguezia, Beira-Baixa, co- 
marca e concelho de ViHa Nova de Foz-Côa. 
54 kilometros de Lamego, 345 ao N. de Lis- 
boa, 70 fogos. 

Em i757 tinha os mesmos fogos. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo da Guarda. 

Orago Nossa Senhora dos Prazeres. 

O reitor de Valle de Ladrdes apresentava 
o cura, e tinha (o cura) 6Í000 réiB em di- 
nheiro e o pé d'altar. 

E' terra pobre e pouco fértil. 

CARVALHAL— freguezia, Beira-Baixa, co-^ 
marca e concelho da Certan, 40 kilome^s 
de Coimbra, i80 ao NE. de Usboa, 110 fo- 
gos. 

Patriarchado de Lisboa fpor ser Isento do 
Grão Priorado do Crato) districto admifiis- 
trativo de Castello Branco. 

Orago Nossa Senhora do Amparo. 

Esta freguezia não vem no Poiiugal Sa- 
êro. E' provavelmente creação moderna. 

E' terra fértil. 

€ARVALHAL.B£M-F£ITO^ freguezia^ 
Estremadura, comarca e concelho daa Cal- 
das da Rainha, i08 kilometros ao NE. de 
Lisboa, i50 f(^os. 

Palriarchado e districto administrativo de 
Ldria. 

Orago Nossa Senhora das Alercés. 

Em i757 tinha 134 fogos. 

Era antigamente da comareiA de LeMi^ 



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GMl 

termo ísl villa de SanU Gâtiiarina» e de 
SeHr do Mâito, eoatos d* Alcobaça. 

Situada em um valle muito ameno (d*on- 
de lhe Tem o noo^e) e do qual se vêem va- 
rias povoações^ 

E' terra fértil. 

O abbade dos bernardos d^Alcobaça, apre- 
sentava o vigário, eoliado, que tinha um moio 
de trigo e uma pipa de vinho, que lhe pa- 
gavam as freiras do convento de Cós (que 
aqui recebiam os dizimes) iOliOOO réis em 
dinheiro, que lho dava o convento d* Alco- 
baça, e 2^000 réis que lhe dava o prior da 
vilia d*Alvominha. 

CARVALHAL MEiO — freguezia, Beira- 
Baíxa, comarca, concelho e i8 kilometros 
da Guarda, 300 ao SS. de Lisboa, 50 fogos. 

Bispado e disthoto administrativo da Guar 
éa. 

Orago S. Thiago. 

Em 1757 tinha 54 fogos. 

O thesoureíro mór da Sé da Guarda apre- 
sentava o cura, que tinha 6A000 réis de ren- 
dimento e o pé d'altar. 

E' terra pouco fertíL 

CARTALHAL REDOKDO --^ aldeia, Beira- 
Baixa, 3 kilometros ao S. d'Alpedrinha. Sup- 
p9e<se que ó a antiga Petrata dos romanos. 

Vide Alpedrinha^ 

QAKVALMAL RBDONDO -- freguezia, Bei- 
ra-Alta, comarca de libngualde, concelho de 
Cannas de Senhorim, i5 kilometros de Vi- 
seu, 270 a NE. de Lisboa, 340 fogos. 

Bispado e districto administrativo de Vi- 
sou. Orago S. Joio Evangelista. 

Em 1757 tinha ii7 fogos. 

Em antigamente do coQceiho de Cannas 
de Senhorim, mas da comarca de Vizeu. 

S' terra fértil. 

litnada em ptanieíe, donde se vé^m va- 
lias poveaçOes. 

. €8 alèades de Santar e de Caunas de Se- 
nhorim apresentavam altemativamente ocu^ 
in, que tinha de 60i^000 réis. 

Passam pela freguezia as rilieiras da San- 
lar e Carvalhal, que regam e mòeuL 

GARVALAAL de VERIOLHAS — fregue- 
zia, Beira Alta, eomarca • concelho de Vou- 
sella, i8 kilometros ao N. de Viseu, S8S ao 
M. de yshiM, 110 fogos. 



GAR 



135 



Bispado e districto administrativo de Vi 

Orago S. Simão, apostolo. 

Em i757 tinha 65 fogos. 

Era do concelho d'01iveirade Frades, co- 
marca de Vousella, e em outubro de 1671 
passou a ser da comarca e concelho de Vou- 
sella. Era dos duques de Lafões. 

O vigário de Cambra apresentava o cura, 
que tinha Si^OOO réis de rendimento, e o pé 
d^altar. E' terra fértil. 

CARVALHAS— freguezia, Minho, comar- 
ca e concelho de Barcellos, i8 kilometros a 
O. de Braga, 360 ao N. de Lisboa, 80 fogos. 

Em 1757 tinha 61 fogos. 

Orago S. Martinho, bispo. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

Era antigamente do termo de Barcellos, 
mas da comarca de Vianna. 

É terra fértil. 

Situada Junto ao Monte da Saya. 

O reitor de Santa Eulália de Rio Covo 
apresentava o vigário, collado^ que tinha 
40^000 réis. 

CARVALHAS— freguezia, Traz-os-Montes, 
comarca e concelho de Vinhacs. 

Bispado e districto admmistrativo de Bra- 
gança. 

Está annexa á freguezia de Montouto. 

(Vide Montouto.) 

CARVALHEIRA-*- fk^eguezía, Minho, foi 
até 1855 da comarca de Pico de Regalados, 
e desde então é da de Villa Verde, concelho 
de Terras de Bouro, 30 kilometros ao N. 
de Braga, 384 ao N. de Lbboa, 120 fogos. 

Em 1757 tinha 75 fogos. 

Orago S. Payo, martyr. 

Arcebispado e districto administrativo dt, 
Braga. 

Era antigasaenle da comarca de Vianna, 
concelho de Sequeiros de Terras de Bouro. 

O aroebiiypo de Braga apresentava e ab- 
bade, que tinha 1:000^000 réis. 

É terra muito íèrtiL 

No «n^ rrgitnen, gosava dos grandes. 
privilégios concedidos pelos nossos reis ae 
concelho de Terras de Bouro, sendo os priur 
cipaes nao darem toldados nem concorre^ 
rem para as guterras com eoisa alguma. 



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^ 



136 



GAR 



Mas tinham obrigação de, em tempo d<^ 
guerra, defenderem o ponto da Portella do 
Homem das invasões dos gallegos e castelha- 
nos, á sua custa. 

Passa aqui o rio Homem, e n*esta fregue- 
zia se lhe junta, no sitio doPoniido, o ribei- 
ro Fervéda ou Alfervôda. 

Nos limites d'esta freguezia e da de Gi- 
bões, se some o rio Homem, uns 80 metros 
por baixo do chão. 

A este í«n7ie//, natural ou sorvedouro, se 
dá o nome de Pontído ou Rio Séeco. (Vide 
Ponlído.) 

Esta freguezia está situada em umas col- 
linas, sobre a Ribeira do Homem, d'onde se 
avistam a mesma Ribeira, até Villa Verde, e 
muitas vezes (em tempo claro) uma peque- 
na orla do Oceano. 

Corre-lhe o Homem ao N., e ha aqui, so- 
bre elle, uma ponte de cantaria de um só 
arco, mas muito alto e firmado sobre dois 
rochedos. 

Ao S. passa o Rio das Rodas, que é atra- 
vessado por uma ponte de alvenaria de dois 
arcos, em Cabaninhas. 

Em um dos arcos tem a seguinte inseri- 
pçao: 

FUNDATÀ AKNO 1745. 

Estes dois rios fazem a sua jnncçáo na 
extremidade O. da freguezia, depois de a 
cercarem, fazendo d'ella uma península. 

É terra bastante fria no inverno, e mes- 
mo no verão seu clima não é excessivamen- 
te quente; é, por isso, muito sadia. 

Produz muito milho e castanha, algum 
<;enteio, vinho bastante, verde, e nos logares 
abrigados do N., azeite, laranja e optim fru- 
•cta. 

Tem esta terra muitas nascentes de excel- 
lente agua e bons pastíos, em pequenos mon- 
tados. 

Foi digno parocho d'esta freguezia o il- 
lustrado sr. Manuel José Martins Capella, 
(agora foi despachado abbade de Painzel- 
la, em Basto). Este ecclesiastioo, com a 
maior benevolência m% tem dado precio- 
sos esclarecimentos sobre a sua freguezia e 
immediatas; pelo que lhe dou os mais cor- 
diaes agradecimentos. Grrande parte das des- 



GAR 

crlpgões de antiguidades e inscríp^es doa 
marcos mílliares romanos-da céldbre Geira^' 
os devo a este benemérito parocho, que me 
forneceu, á custa de nâo pequeno trabalho 
seu, estimáveis apontamentos para as Tenras 
de Bouro. Honra lhe seja. 

CARVALHO— villa, Douro, concilio de 
Pena Cova, comarca e 24 kilometros de 
Coimbra, 228 ao N. de Lisboa, 32D fogos. 

Em 1757 tinha 224 fogos.- 

Orago Nossa Senhora da Conceição. 

Bispado e districto administrativo da 
Coimbra, 

Situada nas abas da serra do Carvalhoi» A 
qual se chama também serra do Cantaiv. 
(Vide Cântaro, serra.) 

O morgado do Carvalho, e depois os con* 
des d^Oeiras, marquezes de Pombal, apre- 
sentavam aqui o prior, que tinha 200^000 
réis. 

Havia aqui próximo uma albergaria, cha- 
mada de S^to AntoDio do Cântaro, com trez 
camas permanentes ç com a obrigação de ter 
nos mezes de j ulho, agosto e setembro, um cân- 
taro cheio de agua e um púcaro para se be- 
ber, na dita serra, à qual por isso se dá tam- 
bém o nome de Cântaro. 

Na larga doação que D. Bartholomen Do- 
mingues fez á Albergaria do Cântaro» janta à 
villa, em i2iS,se determina que ttoào oqii« 
fòr contra aquella doação, pague o dobro do 
damno que causar.» 

Esta obra caritativa foi instituída por uma 
senhora de appellldo Carvalho, que atraves- 
sando esta serra (do Carvalho ou do Cânta- 
ro) lhe morreu um criado á sôde. Já se vé 
que é muito antiga^ pois em Í2i5 )à existia 
esta albei^aria. 

Esta senhora é ascendente dos aotuaos srs. 
condes de Oeiras, marquezes de Pombal, por 
casar em Cernancelhe Diogo de Carvalho 
com D. Philippa de Seixas, filha.e herdeira 
de João de Figueiredo e de Maria Seixas. O. 
morgado do Carvalho foi instituído em il7S 
por Domingos Feyo de Carvalho. , 

Era terra realenga e governa va-se por um 
juiz ordinário $ camaTa, cúuârmatofwio 
corregedor de Coimbra. 

É terra pouco fértil. 

A serra do Carvalho (ramo da^ Aipábat 



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CAR 

flue é ramo da Estrella) é aLundante de 
arvores c hervas medicinaes, e diz Grisley 
no seu Herbolario, que n'eHa encontrara 
todas as hervas que Laguna descreve. 

D. Manuel lhe deu foral em Lisboa, a 8 
de junho de 1514. 

• CARVALHO — frcguezia, Minho, comarca 
t concelho de Celorico de Basto, 40 kilome- 
tros a NE. de Braga, 365 ao N. de Lisboa 
230 fogos. 

Em 1757 tinha 88 fogos. 

Orago S. Miguel, archanjo. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

Era antigamente do termo de Villa Nova 
<le Basto, comarca de Guimarães. 

O abbade era apresentado alternativamen- 
te pelo papa e pelo arcebispo; linha de ren- 
da 700,^000 réis. 

É terra muito fértil. 

(Ha em Portugal mais 76 aldeias, além 
das dcscriptas, com o nome de Carvalho,) 

CARVALHO D'£6AS— freguezia, Traz-os 
Montes, comarca de Moncorvo, concelho de 
Yillarinho da Castanheira. 130 kilometros a 
NE. de Braga, 370 ao N. de Lisboa, 50 fo- 
gos. 

Em 1757 tinha 45 fogos. 
. Orago Santa Catharina, virgem e martyr. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Bragança. 

Situada em um valle. 

O abbade de Yillarinho da Castanheira 
apresentava aqui o vigário, que era collado. 
Tinha lOílGOO réis, 22 alqueires de trigo 
â almudesde vinho. 

Tinha juiz da vintena, sujeito ao juiz or- 
dinário da villa da Castanheira. 
' Produz centeio, trigo, vinho e castanha; 
do mais pouco. 

CARVALHO DXSTE ^aldeia, Minho, fre- 
ffuezia de S. Julião de Covellas, comarca da 
Póvoa de Lanhoso, concelho de S. João de 
Rei, 15 kilometros a NE. de Braga, 360 ao 
N. ÕB Lisboa, 16 fogos. 

Uma guerrilha portngueza fes aqui um 
fogo violento e aturado contra as hordas 
frakieezas commaQdadas por Soult, em i9de 
março de 1809. Tiveram porém de retirar, 
«m vista da desproporção de forças do ini* 



CAR 



i37 



migo, que de mais a mais era gente perfei- 
tamente armada e disciplinada. 

Soult entra em Braga e a saqueia no dia 
seguinte (20). 

CARVALHO D'ESTE— serra, Minho, co- 
marca da Póvoa de Lanhoso. Principia nos 
logares da Botica e Pinheiro. Tem 6 kilome- 
tros de comprido e 3 de largo. 

No alto d^ella, no sitio chaniado Pona- 
Provincia, ha uma grande penedia, compos- 
ta de dois grupos de rocl^edos, um ao E., 
chamado Matta dos Lobos, outro ao O. cha- 
mado Carvalho de Sancho. ; ' ' 

É fria e ventosa. Em partes cuUiva-se e 
produz milho, centeio, trigo, painço e al- 
gum vinho. 

Ha n'ella a capella de S. Sebastião, á qual 
concorrem vários clamores, a 20 de janeiro. 

Cria bastante gado e tem muita caça. 

CARVALHO DE REI— freguezia. Douro, 
comarca e concelho de Amarante. 54 kilo- 
metros ao NE. de Braga, 355 ao N. de Lis- 
boa, 100 fogos. Em 1757 tinha 52 fogos. 

Orago S. Martinho, bispo. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo do Porlo. 

Pertenceu antigamente ao concelho de 
Gestaço, e á comarca de Yilla Real. 

Situada em alto d'onde se vêem algumas 
povoações. 

O reitor de Santa Maria de Gondar, apre- 
sentava o vigário, que era collado, e tinha 
de renda 60ifO0O réis. 

I^oduz centeio, miiho e castanha; do mais 
muito pouco. 

N*esta freguezia fica a Lagoa do Olho Ma- 
rinho, ou Olheira. 

Cria muito gado e seus montes teemnoul- 
ta caça. 

CARVALHOS— aldeia, Douro, freguezia 
de Pddroso, concelho e 10 kilometros ao S. 
de Gaia, comarca e 10 kilometros ao S. dê 
Porto, 300 ao N. de Lisboa, 200 fogos. 

Esta povoação assenle sobre a antiga es- 
trada real do Porie a Lisboa, principiou a 
tomar grande incremento em nossos dias. ; 

Com a nova estrada real á macadam (qud 
aqui seguiu o leito da antiga) ainda mais 
prosperou e hoje ostá maior e mais bonita 
do que muitas villas do reino. 



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«s 



CAR 



Tem muito bons ediQclos (grande parte 
novos) e uma extensa praça no centro, onde 
se faz uma %rmáe feira de gado, às quar- 
tas feiras. 

Esta povoação eslava topographica- 
mente talhada para cabeça de uma 
comarca, das mais bem arredondadas 
de Portugal, e que já ha muito tem- 
po estaria creada se os nossos gover- 
nos cuidassem mais nos interesses 
geràes e menos nos pessoaes. 

Para o mais que pertence a esta povoação 
vide Pedroso. 

Ha em Portugal mais 18 aldeias d'este 
nome. 

CARVÂIBOSA — firegoezia. Douro, foi até 
iBS& da comarca de Amarante, concelho de 
Santa Cruz de Riba Tâmega, e desde então 
é da comarca e concelho de Marco de Cana- 
vetes, 48 kilometros ao NE. de Braga, 348 
ao N. de Lisboa, 145 fogos. 

Em i757 tinha 76 fogos. 

Orago S. Romão. 

Arcebispado de Braga, dlstrícto adminis- 
trativo do Porto. 

Os frades dominicos de Amarante apre- 
sentavam o vigário, que tinha de Rendimen- 
to 60^000 réis e o pé d'alur. 

É terra fértil. 

Cria bastante gado, de toda a qualidade. 

CARVALHOSA —freguezia, Douro, co- 
marca de Santo Thyrso, concelho de Paços 
áe Ferreira, 24 kilometros ao N. do Porto, 
330 ao N. de Lisboa, 230 fogos. 

Em i757 tinha 2i5 fogos. 

Orago S. Thiago, apostolo. 

Arcebispado de Braga, âstricto adnunis- 
trativo do Porto. 

Era antigamente do termo « comarca do 
Porto, concelho de Aguiar de Souza, visita 
de Souza e Faria? 

Situada em uma elevação, d'eBde se vêem 
ai freguezias de S. Thiago de Figueiró, San- 
ta liaria do Lamoso, S. Pedro Fins de Per* 
reira e ft. João 4e Eiriz. 

Os firades craslos do convento de Santa 
Ibria de Landim apresentavam aqui o vi- 
gário, que tinha iO^OOO réis, 30 alqoelres 
de pão e o pé d*ahar. 



CAR 

Produz milho grosso e miúdo, centeio e ^ 
algum linho. 

Ha em Portugal mais 7 aldeias d'e5le no*^ 
me. 

CARVIÇAES— flpeguezia, Traz-os-Monles, 
comarca e concelho de Moncorvo, i55 ki- 
lometros ao NE. de Braga, 385 ao N. de Lis- 
boa, 300 fogos. 

Em 17^7 thiha 260 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 

Arcebispado de Braga, districto admínis-^ 
trativo de Bragança. 

Chamava^se antigamente Carcaçaes. fira 
da mesma comarca, mas do termo da ViUi 
de Mós. 

Situada em um alto, com extensas vistas^ 

O abbade da villa de Mós apresentava 
aqui o vigário, collado, que linha ^e rendi^ 
mento 9A000 réis e o pé d*altar. Isto, segun- 
do o padre Carvalho. 

O Portuifãl Sacro diz que o vigário era da 
apresentação régia e tinha iOO^OOO réis. 

Prodiu muito centeio; do mais pouco. 

Tinha juiz pedaneo, sujeito â^justiças do- 
Mós. 

Dizem que a agua da Fonte do Gago ca^ 
ra as febres intermitentes. 

Ha n*esta freguezia varias e abundanlea 
mbas de ferro, parte das quaes se tem ex^ 
piorado, e dão óptimo mineral 

CARVIDE— freguezia, comarca, concelho 
e 15 kilometros de Leiria, i44 ao NE. de 
Usboa, 3i0 fogos. 

Em i757 tinha 282 fogos. 

Orago S. Lourenço. 

Bispado e districto administrativo deLei**- 
ria. 

Situada em campina, eom larga vista. 

O ordinário apresentava o cura, que ti^- 
nha 140^000 réis. 

Produz muito milho e feijão; do m^poa-- 

00. 

Corre proxim» o rio Real. 

No fim doesta freguezia principia o lhmo«- 
so pinhal de Leiria, que tem 24 kilemelroB^ 
de comprido e i2 de largo, encostado ás 
praias do mar. 

Este piídial tisba antigamente guarda* 
mór, meirk)^ escrivão o 40 monteiros. (Vl*^ 
de Leiria.) 



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CAR 

Foi mandado semear por 0. Dinii, em 
1290. Ainda emprega basiante gente e anda 
bem administrado. Ha ahi uma fabrica do 
estado, para a extracção do alcatrão e ou- 
tras substancias dos pinheiros. 

llodernamente tem-se feito n*este pinhal 
muitas sementeiras do pinus larix e outras 
variedades do Norte da Europa, ^e muita 
esttímacão, pela óptima qualidade das ma- 
deiras. 

O pinhal de Leiria é uma boa fonte de re- 
ceita para o estado. 

CARVOEIRA-— vílla, Extremadura, co- 
marca de Cintra, concelho da Ericeira até 
1855, depois concelho de Mafra, comarca de 
Cintra, 24 kilometros ao NO. de Lisboa, 140 
f4gos. 

Orago Nossa Senhora do Porto. 

Era antigamente da comarca de Torres 
Vedras, termo de Cintra. 

Situada em um alto, com boas vistas. 

Esta freguezía formava parte da fregueiia 
da vllla de Cheleiros, da qual flcou aimexa; 
pdo que, até príncipios doeste seculoi, tinha 
obrigação de ir uma pessoa de cada casa da 
firegtiezía de Carvoeira, três vezes no anno, 
{Corpus Ckmti, Natividade de Nossa Senho- 
ra e Candeias) á sua antiga matriz. 

Todo o dizimo era da cgreja de Cheleiros. 
Era reguenga. 

Havia aqui uma capella de Nossa Senho- 
ra do Porto, que em 1570 (quando se sepa- 
rou de Cheleiros) foi elevada a matriz* 

Os freguezes apresentavam o cura e lhe 
davam uma pipa de vinho, iOO alqueires de 
trigo e ^ de cevada. 

Produz vifiho, trigo, cevada e milho; do 
mais pouco. 

Tinha juiz e almoxarife; juiz ordinanio e 
procurador, que com o escrivão faziam ca- 
mará: todos eleitos pelos homens da gwer» 
fumça e confirmados pelo senhor da terra. 

Tinha o privilegio de se não fazerem aqui 
soldados, sob a obrigação de faaerem senti- 
nella a om f4Uko que estava na foz do rio 
(pelo perigo de poderem aqui 4e8end)arcar 
momros.) 

• Passa pela fireguezia o rio chamado Rio 
Grande d« IVurto, que n''e0ta fregueâa des- 
afia M mar. 



CAR 



139 



Esta freguezia está outra vez annexa a 
Cheleiros. • 

CARVOEIRA ou CAROEIRA— freguezia, 
Extremadura, comarca e concelho de Tor- 
res Vedras, 40 kilometros a NO. de Lisboa, 
330 fogos. 

Em 1757 tinha 24 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Luz. 

Patriarchado e disttrícto administrativo de 
Lisboa 

Foi antigamente muito populosa; mas de^ 
pois se foi despovoando, de modo que em 
1757 apenas tinha 24 fogos. Hoje está mais 
povoada do que nunca. 

Situada em um baixo. 

A matriz tem 7 altares. O prior de S. Pe- 
dro, de Torres Vedras ,aprcsentava o prior 
in solidum. Tinha 4 beneficiados collados, 
da mesma apresentação. O prior tinha de 
renda 300^000réis e cada bendiciado 30^000 
réis. 

Tinha 3 juizes de vintena, postos pelo se* 
nado de Torres Vedras. 

É terra muito fértil. • 

CARVOEIRA— vide Carvoeiro, de Viamia 
do Minho. 

• CARVOEIRA— vide Carvoeiro, do conce- 
lho de Mação. 

CARVOEIRO— vide Cabo Carvoeiro. 

CARVOEIRO— aldeia. Douro, freguezia 
de Canedo, comarca e concelho da Feira, 
d'onde dista 16 kilometros a NO., 24 a E. 
do Porto, 300 ao N. de Lisboa, 100 fogos. 

Situada na encosta da serra do seu no- 
me, e sobre a margem esquerda do Doivo. 

Tem uma capella de Santo António, par« 
ticular. 

É ponto muito eommercial, pois aqui vem 
embi^rcar para a cidade do Porto grande 
parte dos géneros que para aMi exportam 
omitas íireguezias da Terra da Feira, sobre 
tudo madeiras, lenhas^ carvão, casca de car- 
valho e laranja. 

Causa apertos do coração vér que, apesar 
da continua concurrencia de gente, carros e 
bestas de carga, que do interior affiuem a 
Carvoeiro, não tenha a42amara<la Feira da- 
do impulso ás obras da estrada ha tanto 
temfK) approvada pelas Obras Publicas; o 
Oiie muito láriSL prosperar «a^s terras. 



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140 



CAR 



A actual estrada nâo é mais do que uma 
sequencia de barrancos e* precipícios, por 
onde se passa sempre tremendo; mas, 
mesmo assim, como não ha outra, o tran- 
sito é continuo, e muito mais seria se 
houvesse uma estrada que merecesse este 
nome. 

A camará da Feira, que (de alguns annos 
para cá) tanto tem curado de obras publi- 
cas municipaes, se tem completamente es- 
quecido dMsto (provavelmente por lhe fiear 
distante da vílla, que se não aproveita does- 
ta via de conírounicação.) 

Esta desgraçada estrada, artéria princi- 
pal para a vida commercial dos povos que 
estanceiam a NO. davilla da Feira, só é 
lembrada em tempo de eleições. 

Esta povoação tem mais de 1000 annos. 
Em 897, era da freguezia de Várzea de Car- 
voeiro, hoje extincta. (Vide Canedo, Várzea 
de Carvoeiro e Mosteiro de Canêdo.) 

CARVOEIRO ou CARVOEIRA— freguezia, 
Minho, comarca e 'concelho de Vianna, 24 
kilometros a O. de Braga, 108 ao N. do Por- 
to, 378 ao N. de Lisboa, 200 fogos. 

Em 1757 tinha 151 fogos. 

Orago Nossa Senhora. 

Outros dizem Santa Maria. Antigamente 
era Nossa Senhora da Assumpção. Tudo 
vem a dar na mesma. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Vianna. 

É da casa de Bragança. (Vide Carbona.) 

Situada ao pé do monte Padella, do qual 
se vé Vianna e o mar. 

A egreja é a do mosteiro de frades bentos 
e o D. abbade apresentava o vigário, trién- 
nal, que era um frade do <!onvento, que ti- 
nha 50^000 réis. Os dizimos eram dos fra- 
des e rendiam annualmente 500^000 réis. 

Ao S. da freguezia passa o rio Neiva. 

Ha n'esta freguezia o convento de Santa 
Maria de Carvoeiro, de monges bentos, fun- 
dado na éra de César 923 (885 de Jesus 
Christo) por D. Payo Guterre». 

Tinha o mosteiro umas doações regias; 
que lhe davam esta freguezia e a visinha, 
(S. Lourenço de Durriies) por couto, e wam 
os frades senhores de todos os maninhos do 



CAR 

couto (das duas freguczias) que os davam 
ou tiravam a quem queriam, e quando que- 
riam. 

D. Payo Guterres, éfa senhor absoluto do 
seu couto, e se alguém casasse sem sua li- 
cença, e sem lhe pagar certo tributo, per- 
dia as suas casas e terras. 

Terminava e sentenceava todas as duvi- 
das e demandas, sem appellação nem aggra- 
vo, c se houvesse ferimento, era preciso li- 
cença do abbado, para o ferido ir querellar 
a Barcellos. 

N'este mosteiro está sepultado Nuno Ve- 
lho, sogro de D. Gomes Paes da Silva, fllho 
de D. Payo Guterres. (Vide Cardiellos.) 
..nÉ terra fértil. 

CARVOEIRO ou CARVOEIRA— villa, Bei- 
ra Baixa, comarca de Abrantes, concelho de 
Ma^lo, 36 kilometros ao N. do Crato, £74 
ao E. de Lisboa, 320 fogos. 

Em 1757 tinha 178 fogos. 

Orago S. João Baptista. 

Patriarchado (por ser isento do Grão Prio- 
rado do Crato) districto administrativo á% 
Santarém. 

Era da comarca e ouvidoria do Grão Prio- 
rado do Crato nulius diocesis, provedoria úb 
Thomar. 

Em 1757 apenas tinha esta villa 15 fogos, 
e o resto da freguezia 163. 

Situada na encosta de um monte; mas na- 
da d'aqui se avista para outras freguezias, 
por estar cercada de outros montes mú% 
altos. 

Era da casa do infantado, que apresenta- 
va aqui o reitor, que linha 60/000 réis. 

Isto diz o padre Carvalho; mas o Potiu- 
gal Sacro diz (e ó o mais certo) que en 
apresentado pelo grão-prior^ e tinha 100 al- 
queires de trigo, um cântaro de azeite, 10 
almudes de vinho e4iS300 réis em dinheiro. 

Tem Misericórdia e hospital, instituída pê- 
lo padre Jorge Fernandes, reitor d'esta frd- 
gúezia, no século XVII. 

Produz azeite, mel, cera, vhiho, castanha: 
do mais pouco. 

Tinha juiz ordinário e camará, de eleição 
popular e cònQrmados pelo oiividor do Cra- 
to, sem sujeição a justiças d*outra terra. 

Passa aqui a ribeira de Canroeiro, 4f» 



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CAS 

nasce na serra de Bando Cimeiro, passa pela, 
Yilla dos Envendos e morre na ribeira d'Ei- 
ra3. Suas margens são cultivadas e arborí- 
sádas. 

(Ha em Portugal mais. seis povoa- 
ções doeste nome, além das desori- 
ptas.) 
Eram seus donatários os grão-priores do 
Grato, por ser uma das 12 villas do grào- 
priorado. 

CASA BRANCA— freguezia, Alemtejo, co- 
marca e concelho da Fronteira, (até 1855, 
foi do concelho de Soozel) 40 kilometjros de 
Évora, 105 a SE. de Lisboa, 3iOtogos. 
Em 1757 tinha 168 fogos. 
Orago Nossa Senhora da Graça. 
Areebispado de Évora, districto adminis- 
trativa de Portalegre. 

É aqui a 12.* estação do caminho de fer^ 
ro do sul e sueste, e ò entroncamentq. 

Era antigamente do termo e comarca de 
Aviz. 

Situada em um va)le d'onde se não vêem 
outras povoações. 

A Mesa da Gonsciencia apresentava o ca- 
pcUSo (por. ser a freguezia da Ordem de 
Aviz) o qual tinha de renda 2 moios ^e tri- 
go, 90 alqueires, de cerada e: 15^5000 réis. 
É terra fertiU 

Passa aqui a ribeira chamada da Alfan- 
dega da Fé. 

: GASABS— freguezia. Beira Alta, comarca 
« concelho da Pesqueira, 35 kilometros de 
Lamego, 348 ao N. de Lisboa, 50 fogos. 
Km 1157 tinha 27 fogos. 
Orago S, St^bastião, martyr. t 
Bispado de Lamego, districCo administra- 
tivo de Viseu. 

Era antigamente isento do mosteiro dç S. 
Pedno das Águias^ cujo abl»ade tinha aqui 
jurisdição episcopal m solidum. Era termo 
da villa de Yallenca do Dquro e dacçjmarca 
de PinheL. , : . ,j 

O -abbade (bernardo) de S. Pedro /dai^ 
Águias apresentava < o vigário, que tinha 
tOíOOOréis* .. 

f : A amiga matriz, foi a que hi(^'e ^ cap^lla 
de JNosea Senhora da Annunçia^OtAtnd^ 
tem pia baptismal. Junto a esta capella se 
faz orna feira no dia da ^nhora^ .: : ^ 



XAS 



141 



Fica esta freguezia nas margens do Rio 
Torto. 

Fértil em cereaes, e muito sumagre. 

CASAES — freguezia, Minho, comarca e 
concelho de Lousada, 24 kilometros ao ^'E. 
do Porto, 330 ao N. de Lisboa, 140 fogos. 

Em 1757 tinha 103 fogos. 

Orago S. Payo. 

Bispado e districto administrativo do 
Porto. 

Era antigamente da comarca e termo do 
Porto, concelho de Penafiel. Estava sujeita 
ás justiças de Lousada e ao ouvidor de 
Aguiar de Sousa. 

O papa, a mitra e os crusios da Serra do 
Pilar, apresentavam alternativamenle o íàh 
bade, que tinha de renda 300^000 réis. 

Pelo meio da freguezia passa o ribeira 
Mçzio ou Amezío. 

CASAES DA SOANNA— freguezia, Extrer 
madura, comarca, concelho e 6 kilometros 
de Thomar, 138 ao NE. de Lisboa, 480 fo- 

gOSi 

Em 1757 tinha 370 fogos. 

Orago Nossa Senhor^^ de Roque Amador 
(vulgo Reclamador), . ; 

Patríarphado de Lisboa, districto adminis- 
trativo de Santarém. 

É da prelasía de Thomar. 

Situada en^ lun monte. Yé-se o jconvepto 
de Christo de Thomar e varias aldeias. 
. A Mesa da Consciência e Ordens apresen- 
tava, a concurso, o vigário (collado) que 
tinha 20^0P0 réis, dois moios de trigo, um 
de cevada, uma pipa de vinho e seis, alquei- 
re de a2eitQ, meqos meia canada. Temcofid- 
jQtor,,da ivesma. apresentação, com 6if000 
réi8> i moios de trigo„ mais Q alqueires, do 
mesfno, pfi^ra hóstias, 48 ai^r^te^ de ce- 
ra, meia pipa de vinho e 3 alqueires dè 
azeite. , ;, , 

É terra fértil- eu\ cereaes; do mais me- 
diania. 

Ai^tigameptecbamava-se Ca^aei(^So(»t(/a« 
., CA§4^^ — .^Ideia, Minho^ comarca econ- 
çcJlio dp Yilla; do Conde» freguezia de S.Mi« 
g]^dl dos Af:cos, 30 kilometros a Q,:de Bra« 
ga, 330 aO;^. de Lisboa. 
' Era aniigamente, da comarca de Yiaana,| 
termo de Ba^celloa, 



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i42 



CAS 



Tem uma capeHa de Nossa Senhora da 
Conceição. 

Junto d*esta aldeia ha nm monte chama- 
do do Castello, no qual, segundo a tradição, 
houve uma fortaleza mourisca. Próximo 
d'elle está outro chamado da Reguenga, no 
qual ha vestígios de uma estrada occulta, 
que ia dar ao rio Ave. SuppSe-se ser <*ra 
dos romanos. 

Ha em Portugal mais 115 aldeias 
chamadas Casaes, além das descrí- 



CASÂL ou VILLA NOVA DO CASAL — 

vílla, Beira Baixa, comarca e concelho de 
Cronveia, 84 kilometros ao NE. de Coimbra, 
970 ao NB. de Lisboa, 428 fogos. 

Em I7$7 tinha 247 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado de Coimbra, distrícto administra- 
tivo da Guarda. 

O real padroado apresentava o prior, que 
tinha de rendimento 650^000 réis. 

É terra fria, mas muito fértil, e povoação 
muito antiga. 

D. Guilhelmo (senhor d*esta terra) lhe deu 
foral na era de 1220 (1182 de Jesus Christo) 
Bava-se então a esta vília o nome de Villa 
Nova de Riba Mondego, e era no termo da 
villa de Fulgosinho. 

E^te foral foi dado aos 20 povoadores 
d*esta sua herdade. Uma das suas clausulas, 
é a seguinte : — Homines de Villa Nova non 
âetU de Exaveaãuras, nec radferiis, etc. 

Exaveaduras ó o mesmo que esffer- 
daduras, vide estas palavras. 

€ASAL D^ALYARO— villa, na freguezia 
de Espinhei, Douro, comareáf e «oncelho de 
Águeda, 12 kilometros ao NO. de Aveiro^ 
262 ao N. de Lisboa, 35 fogos, na fi'eguezia 
340. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 
' Bispado e distrito admhiistrativo de 
Aveiro. 

' Unha um foral muito antigo, sem data. 
(Está na Torre do Tombo, maço 1.» dos fo- 
rafes vefhos, n»» &^ 9.) D. Menuel lhe deu 
foral nova (e a Boífar) em Évora, a 2ê ^ 
dezembro de 1519. Bolfar também tem umá 
senten^ a favor dos seus moradores e con- 
tra João Alvares, de à de maio^ áé 1804. 



CAS 

Chamav2-S6 antigamente Casai, áeptíi^, 
por ser donatário d*aqui um fidalgo «hjona- 
do Álvaro (de quem João Alvares era dso- 
cendente) se chamou Casal d*Alvaro. 

Hoje merece mais o nome de aldeia do 
que de villa; entretanto, como não ha lei 
ou decreto algum que lhe tirasse o seu an- 
tigo íôro, a dou como villa. 

Para tudo o mais, vide Espinhei. 

CASAL CINZA — freguezia, Beira Baixa, 
comarca, concelho e 9 kilometros da Guar- 
da, 305 ao NE. de Lisboa, 160 fogos. 

Em 1757 tinha 150 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Conceição. 

Bispado e distrícto adnúnistrativo da 
Guarda. 

O commendador de Malta, bailio de Oli- 
veira do Hospital, apresentava o vígaiio, 
que tinha 5 moios de trigo, 8^000 réis em 
dinheiro e mais 606 réis para o vinha das 
missas. 

Passa aqui a ribeira Pinhel. 

É terra muito fértil. 

CASAL COMBA — villa> Douro, comarca 
de Cantanhede, concelho da Mealhada, i8 
kilometros a NO. de Coimbra, 222 ao N. da 
Lisboa, 320 fogos. 

Em 1757 tinha 77 fogos. 

Orago S. Martinho, bispo^ 

Bispado de Coimbra, distrícto adnumstra- 
tivo de Aveiro. 

Foi antigamente do termo e comarca de 
Coimbra e era dos bispos doesta cidade, e 
seu couto. 

O ordinarío apresentava o prior, que ti- 
nha 200^000 réis de rendimento. 

Tinha camará, juiz or^narío, escrivães, 
etc. 

Corre aqui o rio Cértoma. É terra fértil 
e produz óptimo vmho chamado da Bain* 
rada. 

D. Manuel lhe deu foral, em Lisboa, a 12 
de setembro de 1514. Serve para Antas, Laa* 
deesá, Mainei, Pedrulha, Silva e Vimi^ras. 
Ho^ está reduzida a aldeia. 

CASAL DO ERMO (outros dizem á'Emié^ 
— ^guezia. Douro, comaroa t concSeUto' da 
Louzan, 18 kilometros aNNO; de €oiaíbní, 
201 ao N. de Lisboa, 85 íbgos. 

Em 1757 tinha 47 íòg^s. 



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CAS 

Orago Santo António. 

Bispado e distrícto administratiTO de 
Coimbra. 

Era antigamente do termo daLoozan, co- 
marca de Coimbra, ouvidoria de Jãoút^ Mór 
Velho. 

Foi até 1759 dos duques de Aveiro, fican- 
do depois para a coroa. 

É annexa á coUegiada da Louzan, cu]o pa- 
rocho apresentava aqui o cura, que tinha 
40^000 réis. 

fi terra muito feny> cria muito gado e 
tem muita caça. 

Passa aqui o rio Ceira, que rega e móe. 

Esta freguezia denominava -se antigamen- 
te Casal de Ertnijo (ou Ermigio) depois se 
«hamou Casal do Ermo, e hoje, offieUilmen- 
te^ se chama Casal d'Ermio. 

lulgo que seria mais etymologieo como os 
antigos escreviam — Ermigio — que é nome 
próprio de homem; talvez algum assim cha- 
mado, notável no seu tempo, desse o seu no- 
me a esta freguezia, ou ella tivesse principio 
no casal de algum individuo chamado Er- 
migio. 

CASAL D£ FOGO e LOGO— vide Logo. 

CASAL DE LOI?OS— flreguezia, Traz-os- 
Monles, comarca de Alijó, concelho de Fa- 
vaios, 95 kilometres aò NE. de Braga, 955 
âo N. de Lisboa, 130 fogos. 

Em 1757 linha 76 fogos. 

Orago S. Bartholomeu, apostolo. 

Arcebispado de Braga, dÃstricto admínis- 
. trativo de Yilla Real. 

Era antigamente da comarca de Yilla Real. 

Foi villa e couto, exiinctos. 

Situada em um alto, próximo do rio Pi- 
nhão. 

O abbade de Goivies apresemava aqui o 
vigário, que tinha 40]f000 réis. 

Corre próximo, ao S., o rio Douío. D; Af- 
fonso in lhe deu fbràl, peba annos de 1260 
(sem data) Franklim nâo o menciona. 

CA9AL BE MONTAHtA— o que pagava 
foro de caça do monte, ou cujo emphiteuia 
ou colono, era obrigado at hir á úiontaría, 
quando fosse chamado pelo rei. ' 

CASAL m «ro rCT^v ide eoeiriz. 

CASAL BK XOmm&Ot-^vfde tfézsb 
PWo, de^Fftt-tJs^Monfesi. ^ 



CAS 



143 



CASAL BE VASCO e RAH!RÍO^fregue- 

zía. Beira Baixa, comarca de Celorico dà 
Beira, concelho de Pomos de Algodres, 30 
kilometros ao E. de Viseu, 300 a NE. de Lis- 
boa, 110 fogos. Em 1757 tinha 59 fogos. 

Orago Santo António. 

Bispado de Viseu, districto administrati- 
vo da Guarda. 

Era antigamente do termo de Algodres, 
comarca de Linhares. 

É do infantado. 

O vigário de Santa Maria d' Algodres apre- 
sentava aqui o cura (de Ramirão), que tinha 
6i^500 réis de côngrua e o pé d*altar. 

Situada em campina, ao N. da serra cha- 
mada Raza. Produz milho, centeio, castanha 
e trigo. 

Todo o mundo sabe o que é casal. Vasco, 
é talvez o nome do que povoou este logar, 
ou d'eHe foi senhor. Ramirão é augmentati- 
vo do nome próprio de homem, Ramiro. Al- 
gum Ramiro d*aqui, notável por suas rique- 
zas, forças ou cc^agem, deu o nome á fre- 
guezia. 

Os antigos portuguezes accrescentavam o 
cio ao Home do que se distinguia ein qual- 
quer d^aqueHas cousas. D*aqui,Ce9arão,Al- 
metdão. Vascão, Numão, etc. 

Ramii^o foi freguezia independente, até 
ao fim do século passado. Tinha por orago 
S. Sebastfôo, martyr, e compuiAa-se de 31 



O Portugcd Sacro e Profano, só traz esta 
Areguezia. É provável que ainda ifòo exis- 
tisse a de Casal de Vasco. Hoje íbrmam am- 
bas uma só íipeguezia. 

Ha mais em Portugal 559 aldeias 
chamadas do Casal, além da^ nomea- 
das. 

CASi^ e CASARES — é o mesmo que Ca- 
sal e Casaes. Casal é uma propriedade com- 
posta de casas, campos, hortas, pomares, 
etc, que pôde sustentar uma familia e (pelo 
menos) uma junta de bois e umrebai^ de 
ovelhas. Vem de casa. 

Também se diz um casal, por marido e 
tnulher^ ím» casal de pofnbos, um casal de 
paios {todos estes três easaes de differente 
espécie, vem por A» a sér uma e a mesma 
cottSa). 



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144 



CAS 



Ao sul do reino dão também ao eas^l o 
nome de monte ou herdade. 

Em 1258, fez seu testamento D. Ghamòa 
Gomes, e n'elle deixa grandes e valiosos bens 
às donas da ordem de S. Danúão e de S. 
JPrancisco, assim como às da cidade de Ro- 
drigo e ás de Entre Ambos os Rios. Tam- 
bém deixa ao mosteiro de Salzedas nove ca- 
sarei, para que os frades non seguem em o 
verão. 

Os frades antigamente roteavam os 
matagaes, brejos e charnecas, que os 
reis e os particulares lhes davam; 
construíam as suas habitações e uten- 
sílios domésticos; cosishavam; sega- 
vam e malhavam os seus pães; vin- 
dimavam, faziam e envasilhavam o 
seu vinho; Gualmente, não só, faziam 
lodo o serviço pertencente à agricul- 
tura e colheita de fructos, òomo fazem 
os lavradores, mas também eram pe- 
dreiros, carpinteiros, tanoeiros, eta, 
de modo que alguns dos primeiros 
conventos (e ainda muito tempo de- 
pois de constituída a monarcbía por- 
tugueza) eram feitos desde a sua pri- 
meira pedra até á sua total conclu- 
são, só e exclusivamente pelo^ frades 
e seus escravos, se os tinham. 

Já se vé que isto trazia. necessaria- 
mente muita relaxação na regra. Os 
frades indo ás malhadas, vindimas, 
linhares, apanhas de azeitona, etc, 
juntavam-se coqfl o povo, do que, às 
vezes resultavam desordens. 
. Foi por is^o que o povo via de má 
vontade que os frades fossem a estes 
serviços. E foi lambem pela mesma 
razào que. muitos dos doadores aos 
conventos^ lhes deixavam seus lega- 
dos com a condição expressa de nâo 
. segarem malharem, pindiitnarem, etc. 
£m 1254, fez testamento a illuslre senho- 
ra D. Orraca Fernandes^ que viyia na sua 
qumta de Moz, junfo a Bfeliandi, e era viu- 
va de D. João Garcia, escolhendo para se- 
polluifa o mosteiro de Tarouca. EnMfe varias 
CQjasa^ que testa aos fra4^s doeste convento, 
lhes dôa dois casares e uma vinha (para j7t- 



CAS 

tanças). E se tudo isto não chegar, se snp* 
pra peias rendas de Cabanòes. (Gabanões é 
onde teve principio a actual villa de Ovar, 
e onde está a estação do caminho de ferro 
do norte, vulgarmente e até oíUcialmente^ 
chamada estação de Ovar.) 

Em 1303, deu o rei D. Manuel liceBça ao 
abbade de Maceiradão, para comprar para o 
seu mosteiro 300^000 réis de bens de raiz, 
em Figueiredo de Céa; pois o dito abbade 
lhe cxpoz que, de muitos annos airaz, não 
tinham alli havido mais do dois até ires mon- 
ges, que escassamente se podiam manter, 
pelas poucas rendas do seu casar. 

CASARES— freguezia, Traz-os-Montes> co- 
marca e coucelho de Vinhaes, foi do conce- 
lho.de Sanlalha, 44 kilometrosaoN. de Lis- 
boa 

bispado e districto adminÍ3traXivo de Bra- 
gança. 

Orago Santa Cecília. 

Em 1757 linha 24 fogos. , 

Fpi antigamente do termo de Vinhaes, co- 
marca do Miranda. 

Eram seus donatários os condes d*Atou- 
guia. 

Situada em uma ladeira frafosx Q reitor 
de Santa-Yalha apresentava aqui o cu/^> 
que tinha 2d^000 réis. 

Este cura também era paroeho da fregua- 
zia de Cerdédo, sua annej^a, e dizia missa 
alternativamente nas duas freguezias. , 

Pfiodui^ centeio, vinho, castanhas e fracla. 

Situada próximo da raia. ; 

Esta freguezía e as de Cerdédo, Carva- 
lhas, Landédo e Villarínho da^ íouças,: es- 
tão hoje unidas á do Montoulo. (Yida.Mon- 
touto ) 

Para. a etymologia vide Cas^. 

CASAS — íreguezia, Traz-os-Mp;ites> co- 
marca e,.concelho. de Chaves, fpi até 1855 
.do coifLCçlt^o de Monforte do ^íq LivrQ, 46^ 
kilomptros ao N, de Lisboa,..^ fogos. , , 

Bispado de Br^ganj^, distfieto.;àd2BÍ;ni- 
trativo dç Villa Real. ^ 

Orago Santa Marinha^ , 

Em 1757 tinha 47 íogps. : . > 

Era antigao^nte da comarca da Tpcre de 
Jtfoj^rvo^ terpQ de Monforte^^ ; o 

Situada junto à serra de càb6lliQ]||U)s>> ei^ 



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I CAS 

tre duas ribeiras que vão desaguar ao Tâ- 
mega. 

O abbade de Monforte do Rio Livre, apre* 
sentava aqui o cura, que tinha 40 alqueires 
de centeio, dois de trigo, 2 almudes de vi- 
nho e oito mil réis em dinheiro, e mais um 
alqueire de centeio d*oirerla,.;de cada fre- 
guez. 

É teira fértil. Cria muito gado, pois tem 
muito bons pastos. 

Produz muita lenha e tem bastante caça. 

Esta freguezía, com outras, estào anne- 
xas à de Aguas-Frias, formando uma só fre- 
g:uezia de 280 fogos. 

CASAS DO RIO antigamente CASAS DO 
REI— freguezia, Bcira-Baixa, comarca e con- 
celho de Celorico da Beira, i8 kilometros 
da Guarda, 300 a NE. de Lisboa. 

Bispado e districto administrativo da 
Guarda. 

Orago S. Marcos Evangelista. 

Em 1757 tinha 38 fogos. 

Era antigamente do termo de Celorico, 
mas da comarca da Guarda. 

Situada em um valle, entre vinhas e ôli- 
vaes, próximo ao Mondego. D*aqui se vé Ce- 
lorico e as aldeias da Ratoeira, e Aldeia da 
Serra. 

Os priores de S. Martinho e de Santa Ma- 
ria, de Celorico, apresentavam alternativa- 
mente o cura, que tinha 20Ji000 réis e o pé 
d*allar.. ^ 

É terra bastante fértil. 

Esta freguezia está annexa à da Ratoei- 
ra, cujo orago é S. Sebastião. Vide pois Ra- 
toeira. 

CASGAES-T-aldeia, Yiáe Cadafaes. 

CASGAES— villa, Estremadura, comar- 
ca de Cmtra^ situada na costa do Oceano, 
27 kilometros a O. de Lisboa, 400 fogos em 
duas freguezías (Santa Maria ou Nossa Se- 
nhora da Assumpção eRessurreição de Chrís- 
to.) Hoje só tem uma .freguezia (Nossa Se* 
nhora da Assumpção) pela razão que adian- 
te se diz. 1:600 almas. No concelho 1:700 fo- 
gos. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. 

Em 1754 tinha a freguezia da Ressurrei^ 
ção 250 fogos e a de Santa Maria (ou Senho- 

VOLUMBU 



CAS 



145 



ra da Assumpção) 536 ao todo 760. Em um 
seeulo tem diminuído a sua população quasi 
metade t 

Arruinada a egreja da Ressurreição, em 
1755, eyisle desde então- somente a de Nos- 
sa Sei^ra da Assumpção, que reuniu am- 
bas as invocações e os parochianos das duas; 
as quaes, com a de S, Vicente d*Alcabide- 
che e S. Domingos de Rana, formam o actual 
concelho de Cascaes. 

É praça d'armas marítima (12 kilometros 
ao N. da torre de S. Julião da Barra e lâ 
ao SO^de Cintra.) Defendida por um castel- 
lo e dois fortes, feitos com toda a solidez. 

Tem no caslello quartéis para 5:000 ho- 
mens de todas as armas, hospital, capella 
(Nossa Senhora da Victoria) duas grandes 
cisleraas, fossos e contramuralhas: alem d*i3- 
to, tem seis fortes ao longo da praia. Próxi- 
mo fica o forte da Senhora da Luz, com um 
pharQl; (Vide adiante.) 

A sua barra é das máls seguras das cos- 
tas de Portugal, em oecasião de tormentas. 

O terremoto do primeiro de novembro de 
1755, fez aqni grandes estragos, demolindo 
muitas casas; arruinou as fortalezas, os quar- 
téis militares, o palácio dos marquczes de 
Cascaes, as duas egrejas matrizes e os con- 
ventos da Piedade e Santo António do Esto* 
ril. 

O mar, sahindo^do seu leito, arremeçou 
os barcos da bahia ao Alto-do-Pòço-Velho, 
a maior eminência da villa t 

Mais de 300 pessoas pereceram n'este ca- 
taclysmo. O povo fugiu todo para a capella 
da Senhora da Conceição dos Innocentes^ 
collocada em uma pequena península ao E, 
da villa, a qual, parecendo que devia ser a 
a primeira submergida pelas ondas, foi por 
elias respeitada, e os que alli se abrigaram, 
poderam escapar á morte. O povo, em acção 
de graças, faz todos os annos uma grande 
solemnidade a esta Senhora. 

Cascaes está na latitude de 38» 4r O" e 
na longitude de 6*» 27' 12" a O. de Gr eewi- 
eh. Está situada na costa que corre desde o 
Cabo/Razo até ao seu assento. D*allí até â 
PoH^ira, é toda a costa formada de ro<» 
chedos a pique, sendo aqui situados os for- 
tes abandonados de S^iorge e da Guia, e 

10 



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146 



CAS 



cóllocado n'esle, o pbarol da Guia. Dobran- 
do a ponta S. para NE. começa a linda cn- 
ceada, ou bahia, de Cascaes, com 40 a 44 
metros d'altura. 

Junto a esta villa está o pbarol de Nossa 
Senhora da Guia (ao pé da capella doesta 

Senhora.) 

Tem 16 lumes c avista- se a distancia de 
24 kilometros. Foi construido em 1761. 

Cascaes lem marquez. Foi quartel de um 
regimento de infanteria, desde 1814 até 1834 

(era o 19.) ^ ^ ., 

Ha no seuteripo minas de carvão fóssil, 
pedreiras de bom mármore e pedras litho- 
graphicas. 

Aqui desembarcou em 1880 o duque d*Ál- 
ba, general da usurpador Philippe II, com 
um numeroso exercito de castelhanos. Os 
nossos se defenderam heroicamente i^r 
espaço de 2 horas; mas, tendo um traidor 
aberto uma das portas do casteUo, por ella 
entraram os castelhanos. O bravíssimo e 
leal capitão d' Africa, D. Diogo de Menezes, 
era governador da praça, por D. António 1. 
Foi feito prisioneiro e poucos dias depois 
degolado em um patíbulo levanUdo no meio 
da praça 1 Foi esta a primeir avictima do 
cruel usurpador. 

Aqui embarcou para a Inglaterra, em 1589, 
D. António, pridr do Crato, com o exercito 
auxiliar inglez. (Vide Ericeira.) 

Apesar do estado de mina e inutilidade 
em que estão as suas fortificações (como to- 
das 00 reino, çienos Elvas) ainda é conside- 
rada praça dô guerra, e como tal tem go- 
vernador, tenente-rei, e uma grande cater- 
va de oflBciaes adidos e agregados. O qt» 
não tan sio soldados!... 

Com a sabida do regimento de linha d*es- 
ta vílla, ella decabiu muito, da sua antiga 
prosperidade e está hoje muito p(*re, com- 
parado com o que foi em melhores tempos. 

Não se sabe a data da ftmdaçao doesta vil- 
lá, nem quem foi o seu fundador. É todavia 
muito antiga, pois jà no tempo dos romanos 
existia e era pavoaçao importante, com o 
nome de Gascale, de que o actual é corropn 
çaa. 

Qluteau cáe em éreo manifesto dizendo 



GÁS 

qoe Caaoaes foi fundada pelos annos 1540, o 
dando por origem ao 3eu nome as cascas 
d'aroeiray que, postas de molho, davam a. 
Untura para as redes, e que ás tinas em qoa 
se punham de infusão, chamavam casqueiros 
e os pescadores perguntavam uns aos oaOros 
^Eneascasle játt e que d'iâto se fez Cas- 
caes! Nem merece refutação esta puerUida- 
de. O que prova complemente contra filu- 
teau, é o foral de Cascaes, dado por tk Ma- 
nuel, no iH-incipio do século XVI quando jà 
Cascaes era villa havia muitos amaos, Atn- 
da mais. Cascaes já era villa no princi^ 
da monarchia, pois que D. Affenso I, lhe 4w 
foral em lisé, que seu ftlto reformw^ em 
1189. Adiante tratarei mafe circanwuní»^ 
damente doestes foraes. 

É terra muito sadia, muito abiindante de 
peixe, óptimo vinho e algum azeite, nwilo 
bom trigo e cevada. 
Tem um so&ivel tbeatro. 
Foi antigamente da comarca de. Toires 
Vedras. Eram seus donatários os marqunzes 
d*aqui. 

A egreja da Ressurreição de Jesus Cbris- 
to, twn 9 altares. O cura era apresentado 
pelo pátriarcha e tinha um moio de trigo e 
uma pipa de vinho, pago pelos donatário». 
Havia n'esta freguezia um hospício 4e fra- 
des capuchos arrabidos, na serra de Cânir^ 
e, fora da dita serra, um conv^ato de frades 
recoletos franciscanos, da província ^ Al» 
garve. N*esta freguezia está a Misericórdia 
e seu hospital, fundado pelo povo em lífól. 
A egreja da Misericórdia era originaria» 
mente uma capella de Santo André. Aspri* 
meiras rendas que teve, vieram do ho^itat 
de lázaros e gafos, que então se achava no 
logar de S. Pedro da Penalferrim, e que ti« 
nha sido instiluido por D. Leonor, mulher 
de D. Joio II. 

As rendas d'este hospital, foram divididfts 
meladepara a Misericórdia de Cintra e »©• 
tade para a de Cascaes. Adiante trato do hos* 
pitai. 

No sitio do Estoril, a uns 800 metros da 
villa, está a capella de Nossa Senhora do 
Pápulo e as cobres caldas d'EstoriL Sao 
su^oreai^ (Vide adiante) 



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CAS 

Péla praia tem esta vílla seis fortes, como 

|á disse. 

Dentro dos muros âa villa, está a egreja 
Matriz âe Nossa Senhora da Assumpção. O 
palriarcha apresentava o reitor, que tinha 
300^000 i^s. 

£n 1754 tinha 536 fogos. 

Tãonbem era apresentada pela mitra a 
egreja da Ressurreição, e o cura tinha 25:000 
téis e o pé d'altar. Esta freguezia tinha em 
1754 250 fogos. Hoje^ó existe a matriz de 
Nossa Senhora da Assumpção, e é a única 
porochía da freguezia, pois que a da Ressur- 
reição de Jesus Christo foi destmida pelo 
terremoto e nunca mais foi reparada. 

Para o posto semaphoríeo de Nossa Se- 
nhora da Guia dava o rei, antes de 1834' 
Qniai>ipa de azeite por anno; faias o pharol 
86 se aceendia desde novemhro até ao fim de 
março. 

Tem utna bonKa praça de touros, que foi 
construída em 1873, e que foi inaugurada 
etn agosto d*é8se anno. 

Tem taonbem um bom theatro, denoBúBa- 
^0 Oi^VieeBite. ^ 

É pátria do célebre e intrépido piloto Af- 
ftnso Sanches que em 14dS descobriu a Ame- 
rica: muito ames que alfí aportassem Amé- 
rico Yespueio, Goíombo, Gadatnosto, Emo, 
Caboto etc. etc. (âobre este ponto vide Me- 
morias Históricas de João Cardoso da Costa, 
ilhorograpfaia Brazileira.) 

Afifdnso Sanches, navegando paia as ín- 
dias orientaes, em uma caravella, foi impei - 
lido por uma violenta tempestade para a 
America septentrionat. Arribando, na volta, 
á ilha da Madeira» com três ou quatro ma- 
fhiheiros apenas, todos quasi mortos dos 
grandes trabalhos da viagem, alli falleceram. 
Sanches morreu em casa do seu amigo e col- 
lega Ghristovão Colombo (piloto genotez, 
qaib se thiha casado e estabelecido na Ma- 
deira). 

O diário náutico do navegador portuguez 
fkcon em .poder dé Colombo, que, guiado por 
eile reachcH a America, em 1492. 

IMia foral velho^do por D. Affonso I, 
«» t de janeiro á& 1164, confirmado por D. 
Sancho^, em 1189. 



CAS 



147 



D. Manuel lhe deu foral novo, em Lisboa, 
a 15 de novembro de 1514. Este foral serve 
também para Villa Nova (boje Aldeia Nova). 
(Torre do Tombo, maço !.• de foraes anti- 
gos, n.'' 2 ; litro 2.« dos próprios das rai- 
nhas, fl. 41, V. ; livro de foraes novos da Ex- 
tremadura. fl. 102, col. 1.») 

O primeiro marquez de Cascaes foi D. Ál- 
varo Pires de Castro (6.'' conde de Monsan- 
to) feito por D. João IV, em 19 de novembro 
de 1643. Para a genealogia dos marquezes 
de Cascaes, vide Guarda, artigo Barbadão. 

O marquezado de Cascaes, acha-se ha 
muitos annos unido ao niarquezado de Niza. 

Em março de 1871, um pescador doesta 
costa, disse ao sr. Barruncho (administrador 
do concelho) que na Boca do Infeimo, — um 
dos sítios mais predilectos dos banhistas — 
havia umas grandes aberturas nas rochas, 
ciyo Interior parecia forrado de bocados de 
jaspe. 

O sr. Barruncho decidiu ir examinar o 
sitio, para ver se poderia servir de refugio 
a malfeitores. 

Antes de atravessar a ponte, para descer 
à Pombeira, do lado esquerdo, e na altura 
de 9 a 10 metros acima do nivel do mar, 
viu uma grande abertura, para a qual só 
pôde descer com ajuda de cordas. Na con- 
cavidade que ao £. e O. é defendida por 
grandes massas de rochedos e que tem ao 
S. o Occeano, encontrou cinco ou seis gru- 
tas, que apresentam luna bellissima vista, 
p^is são todas forradas e tapetadas por po- 
derosas camadas de stalactites e stalagmites, 
na sua máxima perfeição. 

A maior das grutas pôde conter 10 a 12 
pessoas e as outras 7 ou 8. 

Com« as seis grutas ficam perto da Pom- 
beira (para onde ha jà um excellente cami- 
nho) é fácil e pouco dispendiosa a factura 
de uma communicação para ellas. Se as au- 
ctoridades não pozerem cobro a isso, em 
poucos dias, od vândalos do século XIX es- 
migalharão e roubarão estas curiosidades 
geológicas^ como fizeram em Marvão e ou- 
traâ partes. 

A Boca ou Gruta do Inferno, é um antro 

I medonho por onde emi^ o mar com fragor 
^»trofid<»&* nigindo e fervendo lá dentro 



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148 



CAS 



CAS 



como se fosse a fabulosa caldeira de Pêro 
Botelho, 

Faz-se aqui lodos os annos uma esplendi- 
da procissão á rainha Santa Isabel (mulher 
de D. Diniz) de quem ò povo d*esta vllla é 
muito devoto. Antigamente era feita à custa 
da camará; mas, como esta se fosse des- 
maselando no cumprimento d'esta solemni- 
dade, tomou a Misericórdia a seu c^^rgo fa- 
zei •;», o que Cumpre com sollicitude. 

Auligamenle era obrigada uma pessoa de 
cada casa, da villa e termo, a concorrer a 
esta procissão. 

Uma postura da camará, feita em 1593, 
com respeito a esta solemnidade, dizia as- 
sim : 

^Convém a saber^ de cad^ casa wna pes- 
soa, e faltando, pagará 50 réis, para o con- 
celho e accusadm\ e não serão môçm nem 
moças, senão homens e mulheres; e os homens 
levarão capas e as mulheres, seus manténs.* 

Se n'esta villa existiram alguns tidificios 
ou monumentos de remotas eras, foi tudo 
destruído pelo nefasto eataclysmo do l.^» de 
novembro de 1755. 

O objecto existente^ julgado mais antigo 
d'esta villa, é uma palmeira famosa, que es- 
tá no quintal da sr." D. Feliciana Reicha 
* Coutinho, situado junto ao rio que atraves- 
sa a villa, e pertença da casa d'esta senho- 
ra, na rua mesmo chamada da Palmeira. 

Lineu lhe chamou princeza do reino vege- 
tal. Tem 23 metros da altura # 4™,50 de cir- 
cumsfcrencia, na base. Está mUllo bem con- 
servada. 

Segundo a tradição, vindo D. AíTonso I de 
tomar Mafra e o forte castello de Cintra, aos 
mouros (1147) e fazendo aqui o seu quartel, 
para cercar Lisboa, descansou e comeu á 
sombra doesta palmeira. 

Dizem alguns que o rei que descansou e co- 
meu á sombfa da palmeira, depois de tomar 
Cintra, ctc, foi D. Saneio L Não foi lai. D. 
Sancho I ainda então nem era nascido. Este 
príncipe viu a luz do dia (d'ahi a 7 annos) 
em Coimbra, a 11 de novembro de 1154. 

É formosa a posição de Cgscaes, estancean- 



do na costa do Oceano, com elegantes casas 
modernas, e agradável clima. É abrigada do 
N. pela pittoresca Serra de Cintra, e em 
communicação com Lisboa por uma beUa 
estrada a maçada m. 

Antes do pouco tempo tomar-se-ba oiias- 
seio predilecto dos lisbonenses e de mutos 
viajantes estrangeiros, pois que a companhia 
dos caminhos americanos de Lisboa, vao 
prolongar esta fácil e cómmoda linha até 
Casckes, o que lhe foi concedido pelo gover- 
no, em janeiro de 1874. 

Corta esta povoação pelo meio, um pe- 
queno rio, atravessado por duas pontes. Cha- 
ma-se vulgarmente Rio 'fla Villa (e é o no- 
me que lhe dá o foral.) Nasce na Serra de 
Cintra e entra aqui no mar. 

Tem um bom passeio publico, praça prin- 
cipal, onde está a casa da camará e triba- 
nal do juiz ordinário e cadeia. É este lua 
ediQcío de solida construcção e muito b^n 
conservado. 

Não tem edifício para as repartições da 
administração do concelho e fazenda, que 
estão em casas de aluguer, na rua das Flo- 
res. 

Ha na villa um posto fiscal da alfand^a 
e outro dos pilotos da barra. 

É porto de mar de 1.* classe. 

Tem duas estações telegraphicas, electri* 
ca e semaphoríca. 

Divide-se em 28 ruas, 13 travessas, 4 be- 
cos, 12 Jargos, 3 calçadas, 2 caminhos e \ 
altos. 

Entre as diííerentes escolas de instrucçio 
primaria que na no concelho, citarei a par- 
ticular, do sexo masculino, na freguezia da 
Assumpção. É sustentada á cusla do pró- 
prio professor, o benemérito e illustrado 
presbytero, o sr. José Maria Loureiro, que 
fornece casas para a aula e ensina gratuita- 
mente os que se querem aproveitar d*este 
louvável beneficio. Honra lhe seja* 

Cascaes pertenceu antigamente á comarca 
de Alemquer, depois â de Torres Vedras e 
actualmente pertence á de Cintra. 

E a 1712 era o termo de Cascaes forma- 
do pelas povoações seguintes : 



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CÀS 

Alcoitao, Àívide, Cabreiro, Ribeira de Pe- 
nha Longa, Malveira, Almuinhas Velhas, 
Areia, Murches, Gobre, Rio Doce, Birre, Ti- 
ri9, Caparide, Murlol, Aiapraia, Gailiza, Sa- 
inan*a, Manique de Cima, Manique de Bai- 
xo, Douroana, Bicessi, Páo GOrdo, Carea- 
vellos, Sassoeiros, Torre da Guilha, Parede, 
Revélha, Albarrâqne, Portas de Manique, 
Trajousse, Axfamii, Outeiro, Rocio, Reguen- 
go a Par de Oeiras, Zambujal, Covas, Cer- 
radas e Cabra Figa. 

Ainda hoje comprehende os mesiros, me- 
nos Manique de Cima, Reguengo a Par de 
Oeiras e Cabra Figa. 

Como alguns dos nomes d*estas po- 
voações são arabos, ou porluguez an- 
tigo, julgo aproposiio dar aqui as 
suas significações. Eil-as: 

Akoitãú, ou AlcotUão—é a palavra árabe 
Âlcoton, significa algodão. 

Aimuinha — não é árabe, mas porluguez 
antigo, significa horta; pomar, ele. (Vide Ai- 
muinha.) 

MurCal, Nwíeira e 3fwrtoa— 6 também 
portuguez amigo. Signiiica logar onde ha 
abundância do murta. 

Saiwátra— porluguez amigo, ainda usa- 
do na Beira Baixa; significa pelle. 

Dowvana — é provavelmente corrupção 
de Ouroanna, ou Oroanna, nome próprio de 
mulher, no antigo portuguez. (Vide Óbidos.) 
Talvez qnè a este logar se ehamasse anti- 
gamente Aldeia d*Ouroanna, que com faci- 
lidade se corrompia ou abreviava em Dou- 
roana. 

Carcavellos — ^rtuguez antigo, diminuti- 
vo da cárcava, ou cárcova, significa fosso ou 
cova, etc. (Vide Cárcova.) 

Albarraque — segundo alguns, Albarraque 
é alcunha de homem árabe, significa o le- 
proso, derivado de aíbairás, lepra* Frei João 
de Sousa, diz què Albarraque, é, sem cor- 
rupção, palavra árabe, que significa CQusa 
brilhante, etc. (Vide Albarraque, vol. i.») 

Reguengo — uma espécie de couto, cujo 
senhorio era o rei. (Vide esta palavra.) 

Cerrada e Cerrado — portuguez antigo, 
propriedade ínurada, ou cercada de parede 
oa valia. 



CAS 



149 



O território de Cascaes é muito salubre, e 
grande parte das suas aguas potáveis gosam 
a fama de adstringentes e próprias para a 
cura da dôr de pedra e areias. A agua do 
Poço Velho, aberto em rocha, é de boa qua- 
lidade e fornece grande parte da villa. 

Junto á villa, na Guia, ha duas curiosas 
fontes de excellente agua, que rebentam de 
uma grande fraga, contigua ao Oceano. Uma 
d'ellas é coberta pelo mar, nas enchentes; 
mas ás vezes rebenta com lai força, que se 
separa da agua salgada. 

As Aguas da Poça, sào assim chamadas, 
por estarem em uma baixa, junto ao sitio da 
Cadaveira, a esquerda da estrada de Lisboa, 
e a quasi 3 kilometros da villa, são também 
mineraes.^Ha aqui uns banhos, pertencentes 
á Misericórdia, de Cascaes. S5o úteis para a 
cuna do rheumalismo, paralyzias, escrophu- 
las e varias niolestias cutâneas. 

A composição chimica d*estas aguas é 
muito similhante ás do Estoril. 

Segundo o sr. B^TTxmtho (Apontamentos 
para a historia da villa e concelho de Cas- 
cães) a analyse das aguas Ihermaes da Poça 
dá o seguinte resultado. 

(Esta analyse é dos srs. J. D. Correia e F. 
M. C. Leal.) 

Em 5:000 gram. (14 lib. e S onças) con- 
tem: 

Gaz acido carbónico i2.ce 

Ar atmospherico. . • 108.ce 

Cblororéto de sódíum...;.... .. ilgr,429 

V • de calcium 0,7 

> de magnesium 1,89 

Carbunato de cal ^. . 0,98 

» demagnesia. 0,5 

Sulphalo de cal 4,02 

• demagnesia 1,39 

Sílica...;. 0,2 

Matéria orgânica 0,1 

Oxido de ferro. . * 0,2 

Substancia gorda.. 0,04 

Na Exposição Universal de Pariz, de 1867, 
foram estas aguas competentemente analy- 
sadas. Do relatório òílieial consta a respeit 
doesta nascente o seguinte : (Traducção.) 



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150 CAS 

'Nascente da Poça de Estoril 

Este manancial rebenta á beira-mar, ao 
lado da estrada que de Lisboa conduz .a Cas- 
cães. O estabeleciooento dos banhos está col- 
locado tão perto do mar, que a agua salga- 
da aqui entra algumas vezes no inverao, ape- 
sar dos altos muros que se construíram pa- 
ra o evitar. 

A9 propriedades e a composição d*esta 
agua sào quasi idênticas ás de Estoril. Sua 
temperatura é de íy^^C, no reservatório, e 
um pouco inferior nas banheiras. A evapo- 
ração de um kilogramma de agua, fornece 
um residuo fixo do peso de 3gr,il, que é 
exactamente formado dos mesmos saes e 
princípios fixos da agua de Estoril. 

As caldas de Estoril, tão justamente céle- 
bres, nascem na quinta de que actualmente 
é proprietário o sr. João António Vlanna. 

Já d'ellas trata Jorge Cardoso, no seu 
Aquilegio Medicinal. Diz elle : 

•Na quinta chamada do Estoril, está um 
ctanque, em cujo fundo nascem três olhos 
cd'agua» que ao romper da manhã está mor- 
ena e pelo dia adiante se põe menos fria que 
«qualquer outra agua commum. Corre por 
«mineraes de algum enxofre e por muito sa- 
«litre e muita caparrosa; o que manifesta- 
«mente nos <constou, tirando-lhe o sal, em 
«que achamos bastante salitre e maior copia 
cde vitríolo. 

«São muito uleis estas aguas nas paraly- 
48ia3, nos rbeumatismos, nas convulsões, na 
«gota c^ríeliar, nas hydropesias quentes, flu- 
«xos mensaes imraodícos» nos hipochondrios 
«do ventre e do útero, e» finalmente, para 
«todas, as queixas espúrias e de calor, o que 
«nos consta por muitas experiência^ algu- 
«mas próprias, outras de varias pessoas, e 
«partiottJarmeute do dr, Paulo DiasPolicào, 
«medioa davilla de Cascaee» de que temos 
«vmte e três observações, de differentes ata- 
«ques^ remediados felizmente com estes ba* 
«nhos, etc.» 

Analysados competenten^nte na Exposição 
Universal de Paris» em 1867, ejtti^abi do ye* 
iatorío original trancez o seguinte : ' 



CAS 

Nascente thermal de Estoril 

Este manancial é mais importante e ine- 
Ihor situado do que os dois outros (Poça e 
Santo António.) Rebenta a 200 metros, apdro- 
ximadamente, distante do mar, sobre a ver* 
tente de uma pequena coUina, onde está a 
estabelecimento dos banhos. A agua é Iíbh 
pida e crystalína, levemente salgada e ino- 
dora. 

Tem no aqueducto a temperatura de 28*c, 
diminuindo um a dois gráos nas banheiras, 
que são vastas, porém mal dispostas. 

Um kilogramma d*esta agua, contem 
3gr,570 de princípios fixos. Estes são chio- 
rorétos de sodium, potacium, magnesia a 
calcium. Sulphatos de cal e sulphatoe e car- 
bonatos de magnesia e sílica. 

Nascmte de Santo António do EstorU 

Estas aguas mineraes também foram aaa- 
lysadas na Exposição Universal de Paris^ 
em 1867. Eis o resumo do relatório official, 
dado alli então pelos chimicos: (Tradneção.) 

Esta agua rebenta do fundo de um poço, 
na cerca do antigo convento de Santo An^ 
nio do Estoril, a 200 nitros, pouco mais ou 
menos, das precedentes. É menos mineráli- 
sada do que as outras duas, tendo por kilo- 
gramma, lgr,174 de princípios fixos, qna 
são: chlororetos de potacium, sodium eeal- 
cium. Sulphato de cal, carbonatos de cal • 
de magnesia e sílica. 

Ha no concelho "^minas de carvão fossQ, 
que já foram exploradas em 1799 e abando*^ 
nadas em 1802. Ficam junto ao mar eproxi* 
mo do Estoril. 

Em Alcabideche, d*este toncelho, ha orna 
mina de oiro. Diz-se que fbi explorada em 
1517; mas que, por ser pobre, se abandonos 
em 1520. 

Ha também no termo alguns jazigos de 
ferro e pyrites de ferro, mas pobresL 

Em todo e^o concelho ha abundância á» 
mármores, pelo que muitas pessoas d*aqai 
se empregam nas pedreiras, tirando e la- 
vrando pedra, e condozindo-a para d^o» 



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CAS 

rentes localidades (a maior parte para Lis- 
boa.) 

Actualmente (1874) estão em exploração 
K vastas pedreiras qtie, desde 1868 tem pra- 
duzido mais de 14:000 metros cúbicos de 
pedra. • 

Diz-se que na Torre da Guilha, bouve uma 
pedreira de bello mármore vermelho. (Vide 
S. Domingos de Bana.) 

A bôcoa do inferno 

Não posso resistir a fazer aqui uma re- 
petição, transcrevendo (com a devida vénia) 
a bella desoripção que doeste antro faz o sr. 
Pedro Lourenço de Seixas Borges Barruncho, 
nos seus Apontamentos para a historia da vil- 
la e concelho de Cascões. É a seguinte: 

t£stà a 1 kilometro de Gascaes, à esquer* 
da da bella estrada que conduz ao sitio da 
Guia, a furna de larguíssima bocca ha mui- 
to conhecida por esse tétrico nome. 

tObra da natureza merece em verdade a 
nossa admiração. 

<As paredes d'este profundo antro são 
formadas de rochedos á borda do mar, mais 
cu menos incrustadas de camadas pedrosas 
de variadíssimo e exquisito feitio. 

No mais profundo, à esquerda, vô-se uma 
abertura fabricada pelo poder do Oceano, 
que pof alli entra rugindo e elevando-se lo- 
go para afrontar as paredes do abysmo. 

«Á direita fabricou o mesmo artífice uma 
gruta revestida de curiosas petriíicaçóes, 
tendo no tecto uma fenda, por onde o sd 
vem aUumiar tão lúgubre paragem e apre- 
sentar ao observador curió to um phantasti- 
€0 e admirável quadro. 

«Em oceasião de tempestade parece que 
todas as fúrias do Tártaro alli veein despe* 
daçar^se em medonha lucta. 

«É verdadeiramente pavoroso n'esses mo- 
mento% o espectáculo que a natdreza nos 
apresenta n*aquellelogar, justificando assim 
o temeroso nome de Bócca do inferno, daAa 
a Me abysmo. 

«A esquerda, passando a ponte que eon* 
duz á Pombeira Alta, e descendesse pela ri- 
ba ou ladeira que alli existe, «ncontra-se 



CAS 



i5i 



wna grande abertura^ no fundo da qwã, i 
direita, está uma gruta que communica pá- 
ra uma sede de galerias ou abobadas de 
diversas alturas, contendo grande vai^iedado^ 
de stalactitcs. 

«As paredes e tectos estão revestidos de 
incrustações, que ao reflexo da luz formam 
um quadro maravilhoso. 

«No fim da referida ponte, em frente, ha 
um caminho de ladeira, onde ultimamente 
se fizeram alguns degraus na própria rocha 
que conduz a uma grande ft^aga de 30 me- 
tros de comprido, por 12 de largo; a qual 
se chama Pombeira Alta; e descendo-se ain- 
da uma pequena rampa, ao poente, eneon- 
tra-se outra fraga de 20 metros de compri- 
do e 10 de largo, a que chamam a Pomòtí- 
rá Baixa; havendo ahi uma furna onde to 
recolhe grande numero de pombos bravos^ 

«Aqui costumam vir pescar os pescado» 
res de profissão e os curiosos, no que tam- 
bém se divertem algumas famílias que vem 
a Cascaes a banhos, e principalmente os es^ 
trangeiros. 

«O volume 4a agua que entra pela Bôòea 
do Inferno, é, àé vezes, tão grande e impe- 
tuoso, que subindo á enorme altura, desce 
formando diversos cyhndros, que d^ois se 
convertem n*um immenso lençol de escuma^ 
no qual, se o sol brilha, se refletem as xaaàA 
variadas e scintillantes cores. 

«O bramido das ondas que entram poi^ 
entre a» fragas, já abaladas, a uma ij^ande 
distancia, e vão cobrir os penedos (alguns 
talhados por forma phantastica) que bordam 
o logar, completa este quadro do beBo hdr^ 
rido, bem digno de mais acurada descri^ 
pção. 

^Becomníèndamos pois ás pessoas que 
pela primeira vez visitarem Cascaes, que 
não deix^si dé observar aquella obra, étã 
qué só foi artífice a Natureza.» 

Junto á Bôcea do Inferno está a praia do 
Mexithoeiro. 

No dia 2 de outubro de 1873, a Senhora 
D. Maria Pia, seus dois filhos^ aia e tea- 
dòr, quizeram ver e 'examinar com seua 
pcoprios olhos a famosa caverna infernal. 

Sé 08 actores e espectadores d*essa seeáa 



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152 



GAS 



pódiBm informar com verdade do qae então 
alli se passou; porque das folhas publicas é 
impossível tirar-ee uma conclusão incon- 
testável. 

Dizem umas que uma furiosa e inesperada 
onda envolveu a Senhora D. Maria Pia e 
seus fílhos, e que se não fosse a intrepidez 
e dedicação do ajudante do pharoleiro da 
Guia, as trez pessoas réaes seriam irremes- 
sivelmente tragadas pelas ondas. 

Outras porém teimam em dizer que não 
houve mais do que escorregar na areia um 
dos príncipes, cahindo a uma poça, e que 
indo a rainha tiral-o d*alli, cahírá, assim 
como também o outro príncipe, que ella 
levava pela mão. 

O que é certo é que o ajudante do pha- 
roleiro foi condecorado, e se lhe decretou 
uma pensão vitalícia. 

As fortificações de Cascaes foram quasi 
todas feitas ou reedificadas, e ampliadas nos 
remados de D. João IV, D. AíTonso VI e D. 
Pedro II. 

Tem quartéis para 3:000 homens de In- 
fanteria e artilheria d para dois ou trez es- 
quadrães de cavallaria. 

Tem duas boas cisternas, além de outras 
menores, e para o O. tem um baluarte de- 
fendido por 14 peças montadas. 

A pouca distancia está o forte de Nossa 
Senhora da Luz, defendido por 13 bôccas 
de fogo, com paiol e arrecadações de mate- 
rial de guerra, e uma boa cisterna. 

Na fortaleza da praça está a ermida de 
Nossa Senhora da Victoria, tão vasta como 
qualquer egreja, e com cinco bons altares. 

A imagem de Santo António, d*esta capei- 
la, acompanhou sempre o bravo regimento 
de infanleria n.» 19 (regimento de infanteria 
de Cascaes), em toda a guerra peninsular, e 
ara de grande devoção para todas as praças 
d'este corpo. 

Segundo a tradição, Santo António ficou 
prisioneiro dos francezes, junto com as ba- 
gagens; mas o 19 correu logo a libertai- o e 
depois o trouxe sempre á sua vista, coUo- 
tado sobre um macho branco. < 

?em uma enfermaria militar, que ha mui- 



GAS. 

tos annos não serve para o íim a que foi des- 
tinada. 

Tem a fortaleza as seguintes baterias des- 
artilhadas actualmente: 

Bateria dos Artilhei^s, 
que teve 37 boccas de fogo 

Bateria de Nossa Se- 
nhora da Luz 14 » » 

Bateria dos Obuzes.... 13 » t 

Bateria dos Inglezes... 13 » » 

Bateria Alta de Santa 
Barbara ^ — 12 t i 

Bateria Baixa de Santa 
Barbara 16 • ■ 



Total. 



105 



As duas ultimas baterias são do mesma 
revelim, e provavelmente as primeiras quo 
se c(mstruiram. Teem as armas de D. João 
II, picadas pelos francezes em 1807. 

As casas do governador são boas e te^on 
lindas vistas. N^ellas se aloja a família real 
portugueza, quando vem a Cascaes. 

A cidadella de Cascaes ó incontestavel- 
mente um ponto militar de muita importân- 
cia, e seria muito bem empregado o dinhei* 
ro que se gastasse para os concertos que es- 
tá reclamando. 

O paço dos senhores de Cascaes eslava edi- 
ficado no alio da villa. O terremoto de 175í^ 
o arruinou, e d*elle hoje não restam vestí- 
gios; apenas junto ao sitio onde existiu, es- 
tá o antigo castello (vulgo castellête) que era 
dos senhores de Cascaes, e cuja porta dava 
^trada a este velho edifício. 

Na muralha ainda se vô o brazão doestes 
Castros; são: 6 aruellas azues em campo d« 
prata. Estas armas foram feitas ealli coUoca- 
dasem 1598, pelo mestre Pinto, segundo 
uma inscripção inferior. 

Apesar de muito arruinado pelo terremo- 
to, ainda n'elle se aquartellaram os françe- 
tes de Junot em 1807, e tropas portugueza» 
em 1831. 

^ Este venerando monumento foi votado ao 
extermínio pela fúria dos elementos e pelo 
desprezo dos homens. Em 1837 e em outras 
épocas se lhe venderam grande parte dos 
seus materiaes. 



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CAS 

O sr. marquez de Niza (bai pouco falleci- 
do nos Pyreneus) que herdou a casa de Cas- 
eaes, vendeu este solar dos seus maiores ao 
sr. José Carlos Mardel. Este vendeu-o de- 
pois ao sr. José Maria Eugénio de Almeida 
(também ha pouco fallecído em Évora). Es 
te o vendeu ao architecto o sr. Evaristo, e 
este finalmente o vendeu ao sr. Sebastião 
Pinto Leite (visconde da Gandarínha) que o 
mandou arrazar completamente, para edifi- 
car uma sumptuosa viveada. 

Havia aqui um convento de frades carme- 
litas descalços, principiado em 1594 por ini- 
êiativa do conde de Monsanto, D. António 
de Castro, e de sua mulher D. Ignez Pimen- 
tel, filha de Martim AíTonso de Sousa, vl- 
ee-rei da índia. 

Os fundadores oíTereceram ao provincial 
d*esta ordem fazer aqui um convento car- 
melitano, obrigando-se a darem sitio, casa 
e rendas para sustentação dos religiosos, 
sem outra condição que serem padroeiros 
do mosteiro. 

Este mosteiro está em ruinas. Era da in- 
vocação de Nossa Sent^ora da Piedade, e foi 
fundado no sitio chamado até então as Cou- 
relias, próximo da egreja de Nossa Senho - 
ra da Assumpção e da fortaleza. 

Os religiosos vieram habitar este mostei- 
ro, ainda incompleto, em 8 de feverei^^p de 
1596. 

Por morte do conde, seu filho, D. Luiz de 
Ca*lro, por eseriptura feita em 10 de feve- 
reiro de 1598, se obrigou a concluir o con- 
vento, dando para as obras 500 cruzados 
(200^000 réis) por anno, emquantoellas du- 
rassem; com a condição de se dizer uma 
missa diária por alma do conde; se puzesse 
na porta da egreja o escudo das suas ar- 
mas; que na capclla-mór se enterrassem os 
condes e no cruzeiro só pessoas illustres. 

Em 1600 alguns ministros disseram a D. 
Philippe lII de Hespanha, que então reina- 
va em Portugal, qae este convento era pre- 
judicial à fortaleza. O renegado D. Christo- 
vão de Moura (feito pelo usurpador marquez 
de Castello Rodrigo) deu ordem, da parte do 
rei, ao prior fr. Pedro dos Santos, para não 
continuar eom as obras, e para se arrazar 
tudo. As obras pararam, mas não 8« demo- 



CAS 



153 



liu nada; até que em 1616, mandou o mes- 
mo Philippe III levantar o embargo e conti- 
nuar a obra. 

Por morte de D. Luiz de Castro herdou 
esta casa D. Álvaro Pires de Castro, que 
não quiz oar nada para as obras do mostei- 
ro; mas desistindo dos encargos a que elle 
era obrigado e do direito de padroado. 

Expulsos os religiosos em 1834, nunca 
mais aqui foram celebrados os officios divi- 
nos. Foi depois comprado (e a cerca) per 
um individuo que a vendeu ao sr. Joaquim 
Rapozo, 2 este o vendeu ao sr. José Maria 
Eugénio de Almeida. Este o vendeu ao sr. 
Çvaristo, que o vendeu ao sr. visconde da 
Gandarinha, actual possuidor, e da respecti- 
va cerca. 

Foram bemfeitores d*este convento, e con- 
correram para as obras d^elle, o padre João 
Franco Ribeiro, que, em 1721, mstituiu a 
capella de Sant*Anna, com missa diária, 
por sua alma e de sua irman, Anna There- 
zi^ Brites da Veiga ; o doutor Miguel Cordei- 
ro, medico da viUa ; D. Maria d' Azevedo ; 
Francisco Gomes e Francisco Bayão. 

Apezar de ser reputado pobre este con- 
vento, deviam- se-lhe em 1834 mais de 24 
contos de réis. 

Por occasião da colera-morbus (1833) era 
governador da praça de Cascaes o brigadei- 
ro realista Raymundo José Pinheiro. Para os 
que morressem daepidemia^ mandou elle 
construir, junto ao aK)steiro, nas ruinas da 
capella do Rosário, um cemitério. Uma la- 
pide collocada na esquina do muro que vol- 
ta para o campo da Parada, tinha, por bai- 
xo de uma caveira e duas fouces, a seguin- 
te inscripção: 

Oh tu que me vés aqui. 
Assim feia com sobejo. 
Vigia, olha por ti; 
Tu te vés qual eu me vi, 
Yer-te-has qual eu me vejo. 

A yilla tem agora outro cemitério, e para 
lá foi mudada a lapide. 

A egreja matriz úe Nossa Senhora da As« 



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154 



CAS 



CAB 



sumpçlo, está sítoada em um largo, próxi- 
mo a3 convento. É um bom templo, d*iuiia 
só nave, e muito bem ornado. As paredes 
interiores estão forradas d*asalejo, com bo- 
nitas pintoras de quadros biblicos. Tem se- 
te aliares. A capella do SS. foi mandada fa- 
zer por D. Ignez, viuva de José Edulirdo, ma- 
jor que foi, do regimento i9. É obra moder- 
na e bòa. O púlpito é de mármore e notável 
pela sua elegante simplicidade. A sacbrbtia 
da irmandade do BS. foi' mandada fazer pe^ 
los irmãos marítimos, em 1720. 

Ha na freguezia as seguintes capellas. 

S. Pedro Gonçalves ^— também chamada 4^ 
Nossa Senhora dos Prazeres; mas vulgar- 
mente denominada Egreja dos homens do 
mar. 

S. Pedro Gonçalves, é o Santelmo dos na- 
vegantes. 

Esta capella é antiga. A imagem de Nossa 
Senhora dos Prazeres, veio para aqui de 
uma aatiquissima capella da sua invocação, 
de que já não ha vestígios. 

Esta capella é octogoua, e construída de 
bella pedra lioz. 

A sua construcçio é solidissima, e nada 
solTreu com o terremoto de 1755. Foi ree- 
dificada em 1729. 

Tem cinco altares, e grande parte das ima- 
gens que os adornam, foram do extineto 
convento dos carmelitas. 

Está aqui a Ordem terceira de S. Fmcis- 
CO, que tomou a seu eargo a celebração das 
festas dos marítimos, desde que foi suppri- 
mida a sua iriiandade. 

A capella particular de Nossa S^hora da 
Nazareth, junto às casas do sr. Lima. Estas 
casas são antigas, mas das melhores da villa. 

A capella de S. Sebastião, Gelebra-se aqui 
tuna festa aunual, a 20 de janeiro. 

A capella de S. Martha, era situada pró- 
ximo ao mar, e foi arrasada. 

A eapella de Nossa Senhora do Rosário. 
Era muito antiga. Só d'ella existem as ruí- 
nas. Os escravos faziam aqui, com licença 
dos seus senhores, uma festa annual. Foi 
aqui, como já disse, oémiterio dos coléricos. 

A capella de S. Bento da Torre. Também 
B*ella se celebram 3 festas annoaea. 



A capella de S. Braz éa Areia. Também 
aqui se fazem algumas solemnidades reli- 
giosas. 

A capdla de Nossa Senhora da Guia. Foi 
fundada pelos amios de 1570, por António 
Ribeiro da Fonceca, que morreu em 1^77, 
e jaz sepultado n*esta capella. Tem 3 altares 
mas está muito descurada. 

Antigamente faziam aqui os negociantes 
de Lisboa uma grande (esta annual ao Espí- 
rito Santo. 

Hoje fazem-se duas ; uma pelo povo d*Al- 
moçageme e a outra pelos visínhos. Fica con- 
tígua ao pharol, por isso chamado da Guia» 
Tanto a ermida como o pharol, foram ree- 
dificados pela junta de commercio (sob cu- 
ja direcção estavam os pharoes) em 1810. 

A egreja da Ressurreiç^ de Jesus Chris- 
(o, era mm templo vasto e sumptuoso, com 
nove altares, sendo o maior dedicado a Nos- 
sa Senhora da Victoria. 

Os navegantes e outras pessoas devotas 
quiseram construir uma nova egreja da Res- 
surreição, depois que o terremoto arrazoa 
a antiga. Principiou a fabrica d>lla, com ta- 
manhas porporções, que devia ter 17 alta- 
res (t) mas a vastidão da obra fez esmore- 
cer «s devotos, e ficou por concluir. Hojo 
está em ruínas. Mesmo assim, ainda lhe ^ 
geralmente o nome de egreja-nova. 

Houve aqui um hospício de frades capu- 
chos arrabídos, da serra de Cintra, com sua 
capella. Foi tudo comprado por o snr. Fran* 
cisco Marques Leal Pancada, vario mui- 
to estimado em Cascaes, pela sua muita ca* 
ridade. A capella foi restaurada em 1871, 
pelo comprador. É de abobada, com bonitos 
estuques. 

É da invocação de Nossa Senhora do Por- 
to Seguro. A sua imagem tem um navio por 
pedestal. Sobre a porta principal está uma 
lapide com a seguinte inscrípçao: 

ESTB hospício HANDOU PAZRR 

PASGHOAL MAS B SUA MULHER 

imUA 9A COSTA, 

XATURAES D'0BIBAS, B O DBBAM 

DB ESMOLA AOS RELIGIOSOS CAPUCHOS 

DB SANTA GRBZ l)A SBRRA DB CllfTRA, 

PARA N*flLLB SB RBGeLiffl»IH 



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CAR 

QUANDO VlfiREM ÁS E^OLAS 

À ESTA VILLA, COM A 

OBRIGAÇÃO DE UMA MISSA, 

QUE LHE DIRÃO TODAS AS SEGUNDAS FEIRAS 

POR ELLE E SUA MULHER 

S SEUS DESCENDENTES 

FOI FEITA NO ANNO E 

ERA DE 1691. 

O convaato dos religiosos recolelos de S. 
Francisco, vulgarmenlede Santo António do 
Estoril, foi edificado no sitio d'este nome, a 
pouca distancia davilla, om 1525. É pequeno 
e era pobre. A egreja ainda está soíTrirelnaen- 
té conservada. 

Foi isto comprado pelo snr. Manuel Joa- 
quim Jorge, que entregou a egreja á junta 
de parochia, a cujo cargo eslá. 

O comprador edificou aqui um bello pré- 
dio, contíguo á cerca do convento. Tem um 
-excellente pinhal. Ha aqui um estabeleci- 
líiento de banhos, do qual já dei noticia. Tem 
bellissimas vistas. É actualmente proprieda- 
de da senhora D. Anna Therez^ Jorge Gt ur- 
lade. 

O hospital da Misericórdia é contíguo á sua 
egreja. Tem 20 camas, aceiadas. O rendimen- 
to actual daMisericordía, anda por 2:600^000 
réis por anno. Cumpre os seguintes legadot. 
Dá dois dotes de iO^OOO réis annualmente, a 
duas orphans. Veste 12 pobre8,em quinta fei- 
ra santa. Dispende 60i^000 réis em baeta, para 
vestir 12 raparigas pobres. Sustenta o» pre- 
los da cadeia da villa. Dá 120^000 réis em 
esmolas aes pobres. Subsidia com 20jK)00 
réis a anta Hoctuma. Fornece alimentos a 
25 pessoas do sexo feminino, dando a eada 
uma sete alqueires de trigo, cinco de ceva- 
da é 255 réis em dmhetro. É ebrigada a fa- 
zeis as soleanidades da Semana Santa, Na- 
tal, Santa Jsabel e offieios pelos defuntos. A 
«aa despesa annual anda por 700^000 róis. 

Também eoncede gratuitamente aos po- 
lares o uso dos banhos thermaes da Poça. 
Em 1873, deu 1:987 d'estes banhos. (Ospa- 
fos foram 3:120 a 120 réis cada om.) 

Tem dois capellàes, um secretario, dois 
oedicos, um boticário, um enfermeiro, orna 
rodeira, um recebedor, um saehriBtão e um 
servente. Tem também advogado de partido. 



CAR 



155 



Houve n*esta villa, e próximo ao rio qút 
a atravessa, uma capeèla, dedicada a Sant» 
Clara, virgem e martyr, que foi den»)lida 
ha muitos annos. 

A capella^os Innocentes ou de Nassa Sê-i 
nhora da Conceição dos Innocentes, está bem 
conservada e n*ella te commemora o anoi^ 
versario do terremoto. Junto á capella está 
uma cruz de pedra e na sua base a seginte 
inscripçao: 

ERIGIRAM ESTA CRUZ 

UNS DEVOTOS NO ANNO DE 1634, 

EM MEMORIA DE UM NAUFRÁGIO 

QUE HOUVE N*ESTA BAmA, 

NO ANNO DE 1609. 

(Consta que foi a náo Conceição, que nau - 
fragou, morrendo grande parte da sua tri-* 
pulaçâo. 

A capella de Santo Isidoro^ é em Birre, es- 
tá bem conservada. 

A eapeUa de Nossa Senhora do PópulOi, 
no sitio do Estoril, junto a umas alfarn^i-' 
ras, está desmantellada. Só existem as suaa 
ruínas. 

Nio ha em Cascaes vestígios de fortiflea- 
ções anteriores a D. João II. Em vista po-* 
rem da importância miUtar d*este ponto, é 
de supper que as tivesse desde rtmota an- 
tiguidade. 

Estas, se existiram, o tesnpo ou os tremo- 
res de terra as aniquilaram. 

As mais antigas fortificações existentes» 
datam do reinado de D. João II, entre os aa- 
nos 1481 e. 1495. 

Cascaes tem stdo theatro d*acçdes dignu 
de memoria : mencionarei algumas. 

Em 1580, a indecisão de um velho imbe- 
cil, a indifférença de alguns e a traição d* 
muitos, deram a coroa portngiKza ao odio- 
so Philippe II de Castella, contra as leis fom- 
damentaes portuguezas. 

A maior parte dos fidalgos d'este reiío, 
confrades com o ouro castelhano, tomaran 
o partido dos inimigos da sua pátria. Al- 
guns, porém, conservaram -se fieis ás tradi- 
ções gloriosas de seus maiores^ e juntan- 
do o povo que poderam, se pozeram em 
campo, em defeza de D. António, pri(K do 
Crato, que, apesar de bastardo, fundado na 
legitimidade de D. João I, se julgava eom 



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156 



CAS 



direito ao ihrono porluguez; e o linha mais 
altcndivel do que o usurpador estrangeiro. 

D'entre os fidalgos que se dedicaram á 
causa da pátria, sobresahiu o intrépido D. 
Diogo de Menezes, em cuja famijia a bravu- 
ra e lealdade foram em todos os tempos qua- 
lidades infalíveis. 

D. Diogo era governador da praça de Cas- 
cáes, por D. António. O duque d' Alba tinha 
chegado a Setúbal com numerosas tropas 
castelhanas, e depois d*alli deixar uma forte 
guarnição, embarca o resto das suas tropas 
(22:000 homens) e saltando em terra na 
praia de Cascaes, em 20 de agosto, principia 
o ataque geral ás suas fortificações. 

Corajoso e previdente foi D. Diogo de Me- 
nezes, e obstinada e valorosíssima a resistên- 
cia que os seus 2:000 homens oppozeram 
aos castelhanos; mas um traidor (segundo 
consta de vários escriptores verídicos) abre 
uma das portas da fortaleza ao inimigo, que 
tomando-a, alli e na povoação pratica toda 
a sorte de barbaridades. 

O bravíssimo D. Diogo de Menezes, foi 
agarrado, e o malvado duque d*Alba o man- 
dou degolar no meio da praça dá vílla. 

Morreste, valoroso D. Diogo, às màos de 
um inimigo da pátria, que só por traição te 
poude vencer; mas o teu nome glorioso 'Se- 
rà sempre repetido com orgulho e respeito 
por todos os verdadeiro3 porluguezes. 

Era então seithor de Cascaes, D. António 
de Castro, que havia tomado o partido de 
Castella. Foi elle que influiu o duque d' Al- 
ba para que atacasse Cascaes antes de Lis- 
boa, pedindo porém que a villa não fosse 
saqueada. O cruel general hespanhol assim 
o prometteu; mas, tomadas as fortificações, 
houve saque gerai na villa, não escapando 
nada à rapina e voracidade castelhana. 

Estava em Lisboa o pequeno exercito do 
prior do Crato, se exercito se pôde chamar 
a 4:000 homens, quasi todos paisanos, mal 
armados e sem disciplina. 

O feroz duque d'Alba cae sobre Lisboa 
com um exercito regular de 22:000 homens 
(protegido por uma forte esquadra) c, ainda 
assim, depois de encarniçada peleja^ derro- 
\sí os porluguezes, junto á ponte 4e Alcan- 



CA& 

tara, em 25 de agosto d'csse nefasto anno de 
1580. 

D. António poude fugir para o norte do 
reino, e de lá para França. 

Nove annos depois (1589) a rainha Isabel, 
de Inglaterra, depois de haver feito um ver^ 
gonhoso tratado com o prior do Crato, se- 
gundo o qual Portugal ficava sendo uma co- 
lónia ingleza, dá ao mal aconselhado prínci- 
pe um exercito de 12:000 homens, com a 
sua competente esquadra, do qual era gene- 
ral em chefe Sir João Noris. 

Os inglezes desembarcaram na Ericeira e 
em Peniche, fiados nas promessas do prior 
do Crato, que lhes afiirmára que, apenas en- 
trassem em Portugal, o povo se levantaria 
em massa, em seu favor. 

Pozeram cerco a Lisboa; mas os portu- 
guezes, que já sabiam do ominoso tratado,. 
não se moveram; pelo que estes auonliares^ 
levantaram, poucos dias depois, o cerco, e. 
marcharam em direcção ao mar. 
. Era então governador da praça de Cas- 
caes o ofllGíal castelhano Yíllafana, ao qual 
persuadiram qúe Lisboa se tinha rendido a 
D. António, pelo que elle entregou cobarde- 
mente a praça aos inglezes, que d'el]a rou- 
baram o que lhes pareceu e saquearam a 
villa, sem que D. António se oppozesse a 
isso! 

Depois de carregarem os seus navios doa 
roubos que fizeram por onde tinham anda- 
do, embarcaram para a Inglaterra, e D. An- 
tónio não tornou a tentar fortuna. 

Yillafana foi degolado, por ordem dePhl* 
lippe IL 

Cascaes representou um importantissimo 
papel, na heróica restauração do 1.» de de- 
zembro de 1640; pois logo a 19 d*esse mes 
veio para aqui como governador o intrépi- 
do Marlim Affonso de Mello, que, por ordem 
do rei, reparou e ampliou as fortificações* 

Em 1646, o padre João Turriano, jesuíta» 
do collegio de Santo Antão o Novo (actual 
hospital de S. José, de Lisboa) veio para 
aqui, por ordem do rei, construir o forte 
chamado Cabeça Sécca, a que depois se veio 
a chamar Torre do Bogío. 

Por esse tempo se publicou uma lei, obri- 



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CAS 

fiando os eapitãesmòres de Santarém, Tor- 
res Vedras e Thomar, a acudirem á defeza 
ée Cascaes, sempre que fosse preciso. 

É também d'essa época a muralha do la- 
do da praia, pois que, em uma lapide, que 
está no arco grande d'ella, e por baixo das 
^nnas de Portugal, está a seguinte inscri- 
pçào: 

I. H. s. M. 
o MUITO ALTO E PODEROSO REI D. JOÃO IV, 

QUE DEUS GUABDE, 

MANDOU QUE D. ANTÓNIO LUIZ DE MENEZES, 

CONDE DE CANTANHEDE, 

SENDO GOVERNADOR D*ESTA PRAÇA, 

FIZESSE ESTA FORTIFICAÇÃO, 

NO ANNO DE 1645 

É da mesma data o armazém qne está na 
praça da villa. Tem também as armas reaes 
€ por baixo d'elias uma inscripção, que diz: 

D. JOÃO IV 

MANDOU FAZER ESTE ARMAZÉM, 

GOVERNANDO AS ARMAS D*ESTA PRAÇA 

D. ANTÓNIO LUIZ DE MENEZES, 

CONDE DE CANTANHEDE, 

NA ERA DE 1645. 



Sobre a porta da entrada da fortaleza es- 
tá uma outra lapide, que diz: 

I. H. s. M. 

KL -REI D. JOÃO IV, DE FELIZ MEMORIA, 

MANDOU FAZER ESTA FORTALEZA, 

SENDO GO^^ERNADOR DAS ARMAS 

D. ANTÓNIO LUIZ DE MENEZES, 

CONDE DE CANTANHEDE, 

DOS SEUS CONSELHOS E DO DE ESTADO 

E GOVERNADOR DA SUA FAZENDA. 

GOMEÇOU NO ANNO DE 1681. 

É certo que esta data está errada. Ou de- 
via ser o anno de 1641, ou declarar-se que 
esta inscripção é que foi aqui posta em 
1681. 

Da própria inscripção se conclue eviden- 
temente que, quando foi feita já tinha falle- 
cido D. Joio IV, pelo que se lô na sc^nda 
regra— J&/-m D. João IV, de feliz memo- 
ria. 

D. João IV morreu em 6 4e novembro de 
1657, e D. António Luiz do Menezes falleeeu 
em 1675. 



CAS 



157 



Durante as guerras da restauração, vá- 
rios cavalheiros e os terços de Cascaes fize- 
ram importantes serviços á pátria. 

Em 1808, depois da vergonhosa conven- 
ção de Cintra (30 de agosto) a guarnição da 
esquadra ingleza do almirante Cotton veio 
occupar a cidadella de Cascaes e as fortale- 
zas de S. Julião e Bugio. 

Por decreto de 3 de dezembro de 1808, 
foi creado o regimento de infanteria de Cas- 
caes, com o numero 19, que em poucos me- 
zes tinha o numero de 1:600 praças aguer- 
ridas e disciplinadas. 
Fazia brigada com infanteria n.» 7. ^ 
O regimento de infanteria n.« 19, desde a 
sua instituição até ao dia 27 de maio de 
1834, em que capitulou em Evora-Monte 
(sendo então dissolvido, como todo o exer- 
cito realista) foi sempre famoso pela sua 
bravura, disciplina e lealdade. 

Na gloriosa batalha do Bussaco (27 de se- 
tembro de 1810) cinco companhias d'este 
regimento, commandadas pelo tenente coro- 
nel (emigrado francez) Mr. Bean, deram tão 
furiosa carga de bayoneta nos soldados de 
Massena, que muito concorreu para a victo- 
ria. 

Seguindo o exercito alliado do immortal 
lord Wellington, ao travez das províncias 
hespanholas, o 19 mostrou sempre uma bra- 
vura indomável; em Fuentes d'Onor, no si- 
tio e assalto de Badajoz, em Victoria e nos 
Pyreneus, e depois na França, foi sempre 
um modelo de coragem e disciplina; assim 
como durante a guerra fratricida do 1832 a 
1834. 

Durante o reinado do sr.pD. Miguel, se fize- 
ram vários concertos n'esta praça e a estra- 
da, junto ao mar, d'esta villa ao Estoril. 



^ Segundo a organisação do marechal Be- 
resford, d'esse anno, havia 12 brigadas de 
infanteria, que eram— 1 e 13— 2 e 14 — 
3 e 15r-4 e 16—5 e 17—6 e 18—7 e 19 
— 8 e20— 9 e 21— 10 e 22 — 11 e 23—12 
e 24. Os uniformes e vivos de cada brigada 
eram eguaes, com a differença de que — 
de 1 até 12, as golas eram azues ferretes, 
isto ó— do panno das faurdas. 



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i58 



CAS 



Também n'esse tempo serviu a fortaleza 
de prisão para crimes poWkos. 

Ha 3 ou 4 annos a esta parte, se teem 
operado importantíssimos melhoramentos 
em Cascaes, e construído eómmodas e bel- 
las casas particulares. Mencionarei as prin- 
eípaes. 

Casa da Serra, é um lindo ekalet no gos- 
to suisso, com bello jardim e cercado de pi- 
nheiros. É situado no alto de um morro, 
junto ao forte de S. Roque, t perto do con- 
vento do Estoril. Pertence ao sr. José Jorge 
de Andrade Torrezão. 

Palácio e parque dos srs, duques de Pai- 
metta, à entrada da villa, no sitio chamado 
Castelhana. 

Tem beliissímas vistas do mar e terra, e 
é abundante de agua, que lhe vem de Alca- 
bideche, a 5 kilometros de distancia. 

No sítio do forte da Conceição, em frente 
doeste palácio, à beira-mar, estão ainda os srs. 
duques construindo um outro palácio segundo 
o nsco de um architecto inglez, executado 
por outro inglez. Diz-se qu«, concluído, te- 
rá a apparencia de uma abbadia em ruí- 
nas. 

Theatro de GU Vicente é no alto da villa, 
BO sitio da Nazaretb, junto á casa do seu 
proprietário o sr. Manuel Rodrigues Lima, 
de Lisboa. Foi edíOoftdo em 1868. É con- 
struído com luxo e comporta 500 especta- 
dores. 

O palácio dei sr. conde de Valle de Reis é 
proxiíno ao palácio Palmella, está adsente 
sobre rochas e a sua architectura é original 
e curiosíssima. Ainda anda em obras, mas 
estão quasi completas. 

Propriedade da Galliza, do sr. António 
losé Marques Leal, a 4 kilometros de Cas- 
caes. Ainda ha pouco, sitio estéril, é hoje 
uma bella granja. 

O sr. Leal comprou o casal e quinta da 
Carreira, que tinha sido do fallecido desem- 
bargador Alexandre de Gamboa Loureiro. 
Bsta formosa propriedade^^^ a ser dentro 
de mui poucos annos umá dás melhores e a 
mais rendosa do concelho. 

PcAado e parq^ dos srs. viscondes da Gan- 
itamAa— Está em coifitrueçao. É no sitio 



CAS 

onde existiu o palácio dos senhores de Cas- 
caes, e a cerca do convento carmelítano. 

A quinta é cortada pelo rio dos MMÈoe, 
atravessado n'etla, por bonitas e elegaates 
pontes. 

Se a praça de Cascaes era uma das mais 
importantes de Portugal pela sua situação^ 
não acontecia o mesmo á villa, a quem os 
terremotos, os saques e outras causas tinhaia 
muítoldaumificado. O que apenas dava vida 
a esta povoação eram os três conventos^ e, 
sobre tudo, o ser quartel do i^:"* regimento 
de infanteria e da numerosa guarnição da 
praça e fortes. 

Em 1834, que tudo isto acabou, sofirea 
Cascaes um golpe quasi mortal. Chegou a 
tal decadência que mais parecia aldeia do 
que villa. As casas eram demolidas para se 
lhes venderem os materiaes. Muitas se fo- 
ram desmantelando e reduzindo a montões 
de entulho. Y^dia-se aqui uma casa por 
meãos do que em tempos anteriores rendia 
por anno. 

Mas^ das ruínas da decrépita villa tinha 
de nascer a nova Cascaes. 

Em 1859, sendo director das obras publi- 
cas o sr. Joaquim António Vellez Barreiros 
(visconde de Nossa Senhora da Luz) se prin- 
cipiou a bella estrada para Oeiras, que se 
concluiu em 1864. 

Custou esu estrada 7:273|;000 réis, dan- 
do a camará 5:273^(000 réis, e o estada 
2:000^000 réis. 

O sr. visconde tendo tomado a peito a con- 
strucção d*esta verdadeira artéria para a vi- 
da de Cascaes, foi smceramente amado pela 
povo da villa, que bem conhecia que d'esta 
obra dependia a sua prospmidade. O sr. 
visconde também se affeiçoou á villa e aos 
seus habitantes, e aqui construiu, em 1863^ 
na Aldeia Nova, a sua linda casa do AUad^ 
Boa Vista. 

Também concorreu poderosamente paia a 
constnicçãa do passeio puhUco da viOab 

A estrada de Cascaes para Cintra, qnatí 
tão importante como a antecedente, é ópti- 
ma, e foi construída, á costa do eâtadúy em 
1868. 



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CAS 



CAS 



159 



A facU eommimicaçao estabelecida asim, 
entre Lisboa, Cascaes e Cintra, originou a 
n&oda de vir tomar banhos a esta praia. Os 
ooneoirentes foram aogmentando ; as easas 
foram- se reparaado e reconstraindo; as no- 
vas edificações progrediram, e Cascaes é ho- 
je uma rejuvenescida e formosa povoação, 
e com todas as condições de diuturna pros- 
peridade. 

Agora (i874) que o governo concedeu á 
companhia dos caminhos de fòrro aoienca- 
nos o prolongai&ento da sua linha até Cas- 
caes, tem esta viila mais outra garantia ao 
seu prospero desenvolvimento. 

Os que descem mai» amplos esclareci- 
mentos sobre es^ villa e seu termo, consul- 
tem a curiosíssima obra intitulada ÀpofUa- 
mentos para a historia da villa e concelho 
ée CaeeaeSy dada à luz, em 1873, pelo actual 
administrador d» mesmo concelho, sr. Pe- 
dro Lourenço de Seixas Barruncho; decujo 
livro, com a devida vénia, me aproveitei, 
em grande parte, para a eonsU^ueçio^d^este 
artigo. 

Honra ao sr. Barruncho,, que tào bem em- 
prega os ócios, que lhe deixa o seu cargo, 
dotando a sua pátria com (mia obra de tan- 
to merecimento. Pena é que nao tenha imi- 
tadores. 

O concelho de Cascaes é apenas compôs^ 
to de três fíreguezias. Nossa Senhora da As- 
sumpção & Ressurrei^ de Jesus Christo, 
annexaS) na villa; e no termo, S. Vicente de 
Aieabideehe e S. Domingos de Rana. 

CASSEM ou GA^M— aldeia, Extrema- 
dura, patriarchado e distrícto administrati^ 
vo de Lisboa, d*onde dista i5 kilometros ao 
K, entre Qoélni e Rio de Mouro^ É a 7.* es- 
tação do caminho de ferro Larmanjat (tram- 
way a vapor) de Lisboa a Cintt^ Foi este 
caminho aberto á circulação pubtíea, no l."" 
do outubro de 1873. 

CÁSSIA-— vide Gaeia. 

GASSURRÃES — freguezia. Beira Alta, eo^ 
mavca e concelho de Mangualde, 12 kilome- 
tros de Viseu, 280 ao N. de Liftboa, 430" fo^ 



Em 1757 tinha 300 fogos. 

Orago S. Thiago, 2^)ost(do. 

Bispado e districto administrativo de Vi- 
seu. 

Era antigamente da comarca de Viseu, 
termo de Azurara da Beira. 

O abbado tinha de renda 700^000 réis. 
Era apresentado pelos condes de Behnontò. 

Fértil, sobretudo em milho, de que ha 
grande abundância. 

CASTAINÇO— freguezia, Beira Baixa, co- 
marca da Pesqueira, concdbo de PenedôQ<S 
40 kilometros ao SE. de Lamego, 340 ao NB. 
de Lisboa, 110 fogos. 

«Em 17^7 tinha 100 fogos. 

Orago S. Sebastião. 

Bispado de Lamego, distrícto administra* 
tivo de Viseu. 

Antigamente era do termo de Peneddno, 
comarca de PfnheL 

Situada em um pequeno valle, d'0Bde se 
vô a villa do Sendim. 

O abbade do Satvador, de Peaedôno, apre- 
sentava aqui aonualmente o cura, que tinha 
60 alqueires de centeio, 24 de ^Igo e 13 ar- 
ráteis de cera. 

É terra fértil. 

CASTANHEIRA— villa, Extremadura, co- 
marca e concelho de Villa Franca de Xira, 
45 kilometros ao NE. de Lisboa, 200 fogos. 

Orago S. Bartholomeu. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. 

Feira a 24 de agosto. 

Era antigamente da comarca de Torres 
Vedras. 

Situada em bonita e fértil planicie,^ sdbre 
a margem direita do T^, e muito abundan- 
te de aguas. 

É povoado antiquíssima, mas não pude 
saber quando nem por quem foi fuB^lada. 
Os mouros a abandonaram quando aqui che- 
gou o exercito de D. Aflònso Henriques. De- 
pois da tomada de Lisboa, este rei a deu, 
em 1174, aos ^trangeiros que o ajudaram, 
e íòi potoada por elies^ 

Fot depois dos condes ásí Castanheira, que 
aqui tinham os quartos do pão e os oitavos 
do vinho. 

Esta villa tem decahido muito da suaan* 



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j^ 



160 



CAS 



tiga prosperidade e está reduzida a uma al- 
deia. Ainda em 1750 tinha 500 fogos, e hoje 
nem tem metade. 

A casa do infantado apresentava o prior, 
que tinha 400^000 réis. 

Tem Misericórdia e hospital. 

Tinha dois convoíitos : um de freiras firan- 
ciscanas, de Nossa Senhora da Annunciada, 
fundado por D. Fernando de Athaide, filho 
de D. Pedro de Athaide, em 1514. Depois o 
augmentou em rendas D. António de Athai- 
de, 1." conde da^ Castanheira (feito por D. 
João III) e fílho do fundador. 

Para este convento foram transferidas as 
freiras franciscanas do convento de Santa 
Clara, de Alemquer, quando os franceies lhe 
queimaram o* seu convento, em 1811. Vide 
Alemquer. 

Outro de frades capuchos, de Santo Antó- 
nio, fundado em 1400, por D. Pedro d'Ale- 
mancos. D. Jorge de Athaide, hispo capei* 
lão-mór, augmentou esle convento e redu- 
ziu a melhor forma a capelia-mór e egreja. 

Esta freguezia era da casa do infantado. 

Tinha dois juizes ordinários, três verea- 
dores, um procurador do concelho, escrivão 
da camará, juiz dos orphãos e seu escrivão, 
e quatro tabelliães. Tinha também capitao- 
mór. 

É terra muito fértil. 

Passa pela villa o caminho de ferro do 
norte e láste, e tinha aqui uma estação, que 
está actualmente fechada. 

O seu nome provém-lhe de ter sido fun- 
dada em um vasto souto de castanheiros. 

Vide Cadafaes. 

D. Manuel lhe deu foral, em Santarém, no 
1.» de jimlio de 1510. — 

Na bibiiotheca real da Ajuda, existem dois 
manuscriplos, que, pela lettra e côr da tin- 
ta, parecem do meiado do século XVI, e 
que escriptores de muita imparcialidade at- 
tribuem ao célebre chronista Damião de Góes. 
(Vide Alemquer.) 

Damião de Góes era, como todos sabem, 
um varão de profundo saber e vasta intelli- 
gencia, mas era homem, e por consequên- 
cia, sujeito, como outro qualquer, ás rums 
paixões e aos vícios inherentes á humani- 
4ade. ^ 



CAS 

D. António de Athaide, l.» conde da Cas- 
tanheira, era seu contemporâneo, e tamb^n 
um litterato illustradissimo. Não pude sa- 
ber porque, tornaram-se estes dois homens 
imphacaveis inimigos um do outro. Damião 
de Góes foi preso pela inquisição, e por ella 
condemnado a confisco e degredo, cumprin- 
do este (por graça especial) no convento dá 
Batalha. 

Com razão, ou sem ella, attribuiu esta 
perseguição a influencias e intrigas de D. 
António de Athaide, e o seu ódio para com 
elle redobrou. 

O conde da Castanheira estava muito alte 
para que Damião de Góes se podesse vingar, 
a não ser pela calumnia. É por isto que so 
suppõe, com bons fundanaentos, ser Góes o 
foijador das duas genealogias (de Pêro Es- 
teves e Barbadõo) que elle ou algum dos 
seus amigos introduziram subrepticiamente 
na bibiiotheca da Ajuda, e cujas copias se 
espalharam então profusamente por todo o 
reino. 

É certo que o conde da Castanheira e Da- 
mião de Góes foram os dois homens mais 
celebres e importantes do reinado de D. Joio 
III, e a sua reciproca inimisade (que tanto 
deslustrava um como o outro) procedia tio 
somente da inveja, paixão mal cabida em 
varões de tanto merecimento. 

Notarei aos leitores que a fabulosa genea- 
logia inventada por Góes, foi destruída por 
documentos legaes, passados nos tribunaes 
d*este reino; e que, mesmo quando estes 
documentos não existissem, bastava a his- 
toria para anniquilar a universal lenda; pois 
todos sabem que D. Diogo Pinheiro, desem- 
bargador do paço, D. prior de Guimarâes e 
de Thomar e bispo do Funchal, era filho do 
doutor Poro Esteves Marques. Já se vé que 
o neto ou bisneto de uma moUra, ou judia, 
como diz outra versão das coplas que adian- 
te se seguem, e de mais a mais bastardo, 
não chegaria n^aquelle tempo a tão «levadas 
dignidades; nem seriam (como eram) os va- 
rões mais respeitados de Portugal, no seu 
tempo. 

O doutor Pêro Esteves Marques^ foi filho 
legitimo de Estevão Nunes de Penella e de 
sua mulher Garcia Martins, que era filhado 



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GAS 

doutor Martim Domingues, cavalldro nobre, 
da cidade do Porto e fundador do antiquís- 
simo hospital da rua das Congostas (que é 
o actual seminário de Gampanhan. Vide 
Campanhan). 

Pêro Esteves era casado com D. Isabel 
Pinheiro, que, por sen pae, era descendente 
dos Lobos, d' Alvito (condes barões d* Alvito 
e depois marquezes do mesmo titulo) e por 
sua mae era neta ou bisneta de Tristão Go- 
mes Pinheiro. Vide adiante, sobre a genea- 
logia e armas dos Pinheiros. 

Estevão Nunes de Penclla, era um fidal- 
go, companheiro do justamente celebre con- 
deslavei, D. Nuno Alvares Pereira, com o 
qual se achou na gloriosa batalha dos Ato- 
leiros (29 de janeiro de 1384) e o mesmo 
oondestavel, em recompensa dos seus ser- 
viços, lhe deu o reguengo de Alviellas. 

D. Luiza da Silva Pinheiro, filha de Álva- 
ro Pinheiro, alcaide-mór de Barcellos, e 
chefe da família dos Pinheiros, em Portugal, 
foi sexta avó do actual sr. visconde de Aze- 
vedo, que é hoje o representante doesta no- 
bre família; porque aquella senhora trouxe 
para este ramo dos Azovedos o seu solar e 
morgados; como consta de D. Tiv^sco, fl. 70 
da Histoiia Genealógica da Casa Realt tomo 
11% parle 2.*; prologo a ÍL Ií6, e de todos 
os nobiliários do reino. 

É por esta circutnstancia, quo o sr. vis- 
conde de Azevedo possue todos os documen- 
tos, com que os Pinheiros destruíram com- 
pletamente a tal lenda, attribuida a Damião 
de Góes. 

Pinheiro é um appellido nobre em PortUr 
gal. Procede de uma quinta chamada do; Pi- 
nheiro (em.Hespanha) por haver allL um pi- 
nheiro de prodigiosa grandeza. O primeiro 
que em Portugal usou doeste, appellido, foi 
Tristão Gomes Pinheiro, fidalgo pllef o» ^ue 
vindo para Portugal, foi mandado construir 
as muralhas de Barcellos, por ordem do du- 
que D. AfTonso, e alli ^tabeileceiL morgado; 
e onde seus descendentes foram alcaides- 
móres. • ^ < i 

As armaA dos Pinheiros, são : em campo 
de púrpura, um pinke^o V9rd^ perfilado 
de ouro, com pinhas do joes^]^ ^ raízes de 

VOLUMB u 



€AS 



i61 



prata, e junto d'elle, um loão de ouro, tre- 
panto; timbre, um leão com um ramo de 
pinheiro nas garras. 

As dos Pinheiros de Guimarães, (de que 6 
actual representante^ o sr. João Hachado Pi^ 
nheiro, visconde de Pindella) são do modo se* 
guinte: em campo de púrpura, um pinhei« 
ro verde, perfilado de ouro, com pinhas 4p 
mesmo e raízes de prata. Juoto a elle um 
leão de ouro, trepante, orla de prata, com a 
seguinte legenda : 

Hercúlea quodam duclafuere mano* 

Elmo de prata aberto, ^ por timbre o leão 
das armas. 

Os Pinheiros d'Aragãe (assim denomina- 
dos por virem do reino de Aragão, em Hes- 
panha) trouxeram por armas —em campo 
de prata 5 pinheiros verdes, em aspa, e por 
timbre um dos pinheiros das armas. 

Assim se acham no Livro d* Armaria da 
Torre do Tombo. 

Pinheiro d'Andrade é também um appeK 
lido nobre em Portugal. Suas armas são — 
em campo de prata, 5 pinheiros Verdes em 
aspa; chefe verde carregado de uma banda 
de t)úrpura, perfilado de oiro, sahíndo da 
bôcca de duas serpes tragantes, de ofro, 
lampassadas de púrpura. Timbre, uma ca- 
beça de serpe, de oiro, lampassada de púr- 
pura, com um ramo dC' pinheiro na bôcca. 

Depois da prevenção em quo puz x) leitor» 
sobre os manuseríptos da biblíotheca da 
Ajuda, e què serve* também para modificai* 
rem a sua opinião sobre o que digo om Bar- 
cellos j!om respeito á fnmilia dos Pinheirds 
e ostras (afrtigo esòripto quando áão «stavai 
como hoje, habilitado com imals amplos es- 
clarecimentos) julgo curioso resumir aqui 
as taes duas lendas, ^ue se súppõem invea- 
tadas por Damião de Góes. 

; Nã(> julgo tcom esta tran^cripsãQ,,QÍTender 
nep leveoaente as i^bii^es faD(iilias lííescei^- 
dootes dos aggredidos.. ..[ . . i. 

Se a ]eu4a(;fo|^e verd^eic^/ie|fi por.is^ 
er^ Wtfyo de indisposjjão; yistQ qú^ c^^ris- 
tãos, mouros, judeus, turcos, esquimós, «t^ 

11 



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|ièÊ 



ms 



tofloô procedem ^de tim tronco cônunutn— 
Adão eEva. Quanto mais, não podit de ma- 
neira nenhuma ser descrédito, proceder do 
tóeSlno tronco de que procedem quasi to- 
das as famillas reaes da Enropa. 

^ a lenda é caiumniosa (como estou con- 
Tencido que é) ainda menos se lhe dere dar 
importância, seiíâo a que lhe dá a edade, c 
a celebridade do seu auctor. Também a co- 
pio, para sabermos que já ha mais de 300 
annos, homens grandes se deixaTani arras- 
tar ao tremedal dos insultos e da calumnia, 
por motivos ás vezes ^bem fúteis e pueris. 

Piimelra lenda 

- ; BRÀGAKÇ-V 

Meswna dos manuscriptQS ia Ajuda 

D. AntoniQ de Athaido descendia por um 
de seus troncos, de Mem da Guarda, de al- 
cunha o Barbadão. Este homem, natural de 
Castella, era judeu converso. Veio estabele- 
oer«se na cidade da Guarda, onde exerceu 
por alguns annos a sua profissão de sapat^irp 
e foi morrer á Villa de Veiros, onde se en- 

IWTOU. 

Tinha elle uma iilha chamada Ignez Fer- 
nandesi Esteves, que foi amante do nosso D. 
Joãol, e d':dle teve dois filhos, D. Beatriz, 
4pie casou com Thomaz, conde de j^ondel 
.(Inglaterra) e D. Affonso que casou ; com D. 
Beatris, filha uniea do c^estavel D. Nuno 
otí vares Pereira. |£ste D. Affonso, filho tos- 
^iSiú reconhecido de D. J^ão I, foL pae ^ 
•primeiro doque de Braganga. D>Ue proce- 
âeiki os usondes da^astanheira, muit^ coisas 
Ittiilave&die Poriugal (Vide Guarda) e imitras 
«Hiitifi da Euiropa. 

Begux^àfií lenda 

BARCELLOS 

• Martini A^ftanio fle Sousa, teve um filho 
aaciuràí, io mesmo nome. Teve este, tirii fi!ho 
chamado Pedro de Sd^sa (de sua mulher 
i). Violante IP^rès' de •fóvdh, fflfca de Pedro 
Xdííreníjò de Tavòra, seniòi^ do Mogàídou- 



ms 

Pedro de Sousa, que era criado dos da* 
quês de Bragança, passou a Castella, e alli» 
sendo protegido pelo conde de Benavente, 
lhe deram a alc^aria-mór de Seabra, pelo 
que d*alli em diante se ficou chamando Fe* 
âro de Sonsa Seabra. 

Regressando a Portugal, cason com Ca- 
tharina Pinheiro, filha bastarda do dr. Pe* 
dro Esteves Marques (natural de Barcellos^ 
ouvidor do duque de Bragança, filho bastar- 
do de um padre, por nome Mestre João^ e 
de uma moura), e de uma judia ctmversa 
chamada Maria Pinheiro. 

De Pedro de Sonsa Seabra e de sna mn'> 
Hier Calharina Pinheiro nasceu o padre Joâ» 
de Sonsa, prior de Rates, que teve muitos 
filhos bastardo^ entre outros Thoméde Sou- 
sa, gavernador do ^rm\^ ao qual ficou uma 
filha que casou com D. Diogo de Limiâ. 

Teve mais o dito Pedro de Sousa Seabra» 
de sua mulher Catharina Pinheiro, unia &r 
Ria chamada D. Violante de Sousa, que ca- 
sou cdm Ruy de Sá, e ficando viuva, tomou 
a casar com D. Alvado de Athaide, senlHU' 
da Castanheira. 

D*e8te casam^to nasceu D. António de 
Athaide, primeiro conde da Castanheira, o 
qual casou com IX Annade Távora, filha de 
Alvaíro Pires de Távora, senhor do Mogst- 
douro. 

Foram filhos doestes D. António de Athai- 
de, segnndo conde da Castanheira, D. Vifl«- 
lante de Távora, mulher de D. Luiz 4e C^- 
tro, f^nde ée MíinisaQto, D. Maria de Athai» 
de, mulher de D. Vasco da Gama, conde da 
Vidigueira,— D. Joanna, que casou como 
códíâo da Atalaya)~-e D. Anna, que casou 
còbioámies M^desde VaaèonoeUos, mor- 
gado do: Esperio. 

^oéedi^ da "bibllotlieea <da Ajuda, 
attrtimida tasibem a Damifto de Ctóes 

Medtre João, sacerdote, 
>De Bàréellos natural, 
- Houve defuma moura tal... 

Um filho de bôa sorte: ' • 

>Pedix> Marquês se ehaBfiLva, ' 
' HMurádaneéte vivia, 

E por aonoreaicasou * 



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Cama formosa judia. 
Doeste que niida se esconde 
Nasceu Maria Pinheira, 
l£le.âa máe d*aqaelle coade 
Qae se diz, da Castanheira. 

Ha aqui a ermida de Nossa Senhora do 
Fejo. 

Ha também a sumptuosa egreja de Nos- 
ÍMt Senhora da Barroquinha. 
' A Castanheira é solar da íiamilia nobre 
dos Correias e Silvas. Principia eín D. Payo 
Btmires, ricohomem de D. Aífenso VI, de 
-Gastella, cavalleiro portuguez, do qual foi 
filho^D. Soeiro Paes Correia, casado oomD. 
Urraca Hueres, dos quaes foi fllho D. Payo 
Soares Correia que casou com D. GontÂiha 
"Godins, de cujo matrimonio houve dois fi- 
lhos. 

Por morte de sua mulher, casou D. Payo 
Soares dam D. Maria Gomes da Silva, de 
quem teve Pedro Paes Correia, que casou 
com D. Dordia Paes de Aguiar, e ao inelyto 
D. Payo Pereá Correia (cognominado o Jo- 
Bué Portuguez, por fazer parar o sol, em 
mna batalha contra os moui^os algarvios) 
mestre da Ordem de 8. Hiiago, valoroso ge- 
neral portuguez e fromeíro-fmór do Algar- 
ve: ' ' 

Sao descendentes doesta família, Mattitti 
Còn^eia, senhor dá Torre da Mimia, que 
níorreu na batalha d* Alfarrobeira (20 de 
março de 1449.) 

As armas dos Correias sâò — Em campo 
"€e púrçúra, uma aguianegra, tendo no cor- 
jro um escudo, lambem úe púrpura, tecido 
com correias d^ oiro. . 

As armas dos Silvas sSo— -emc«impò de 
prata um leão de púrpura^ armado de azul, 
t poi' tiiábre o leão das armas. Alguns se- 
nhores da casa d' Aveiras, usam uma silia 
irétaeoòmoTabréladtihtdbeseírido^' 'í ' 

Pka â genealogia -doesto família, vi^Jé^^- 
la Nova da Cerveira. ! i : 

Segundo um doomiienfto qulí éxistkifto 

canoifiò da Gâirtiotà, assignaidò pelo ^tiar-^ 

iBSõealgunfi frades, eliovètt no 'inverno de 

§495, trez mexes coíisecWvod,')e houve um 

terremofd, qo» fórtnmdee^estraffo^eímiis 



<}ÀS> 



iim 



boa, arrazou Villa Franca de Xira e a Cas- 
tanheira, e causou grandes estragos no con- 
celho de Alemquer. 

O Campo de Santarém, Várzea de Villa 
Nova e outros, estiveram cobertos de agua 
por mais de um mez. Perdeu- se muito pão 
e outros géneros e morreu muita gente e 
gado, afogados. Andava-se em barcos por 
cima dos campos e até das casas. Não se 
podendo semear as terras, houve uma fome 
que dnrou três annos. < 

Tomou a haver ouira fome na Castanhei- 
ra e terras circumvisinhas, em 1485. O tri- 
go, que até então regulava por i5 até 20 
réis o alqueire, chegou a 9^ réis. 

Em lí>31, no dia 7 de janeiro, principiou 
um grande tenremoto (pe- devastou e des- 
truiu muitas casas e campos de Lisboa e do 
Riba-Tejo. (Vide Lisboa, em 1531.) 

Ainda em 1546, houve por estas terras 
outra grande fome, chegando então o trigo 
a 400 réis o alqueire, cousa até então nun- 
ca vista; mas no anno ^seguinte houve tal 
abundância, que* se vendeu o trigo, no Alem- 
tejo, dez tostões cada moio e do superior 
e escolhido, a 30 réis o alqueire. 

CASTANHEIRA— freguezia, Minho, co- 
marca de VaHen^, concelho de Coura, 48 
kilometros a NO. de Braga, 408 ao Ni de 
Lisboa, 140 fogos. 

Em 1757 tinha os mesmos 140 fogos. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Arcebispado 4e Braga, dístiicle adminis- 
trativo de V4anna. 

Os viscoíides de VlHa Nova^^da^CeiN^iray 
senhores donatários d'esta Ik*eguezia, apre- 
sentavam o abbade,qu^ tinha de rediíÉ^to 
300*000 réis. ^ ' . 

É terra fria e muito acddentada^ mas f^- 
til. Cria muito gado de toda a qualidade, e 
ffos seixá montes ha mtiita 4}aça e lobos. 

Ha n'esta freguezia a cafiella ide Nossa 
iS^or^de Qoniro dé (Gontrode 6 iion8t)ro- 
prio de mulher) á <|tial o arcebispoi D. Êfei 
BáhbazMT LimiM», appliootí osíéizinos da alr 
deia de Sornil, desannexando da paroòldauos 
moradores d'esta aideia^e deuiesta renda e 
direitos a Heitor Leão de Lemos^ seu pa- 
rente. ■'■■ '"• ^ ■' ' 

Ha também aqui uma CJ^teUa possoldiupe- 



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164 



€AS 



lo sr. João Luiz Pereira de Azevedo, e per- 
tencente ao vinculo dá casa de Mantellàes. 

É acima da egieja matriz, e junto à ca- 
pelia havia uma torre, que foi d'eata fami- 
lia. 

GASTANHEIRA—freguezia, Beira Baixa, 
foi até 1855 do concelho de JerméUo, e desde 
então é do concelho, comarca e iSkílometros 
da Guarda, 3i8 ao NE. de Lisboa, i80 fo- 
gos. 

Em 1757 tmha ii3 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Conceição. 

Bispado e districto administrativo da 
Guarda. 

Era dos marquezes d* Arronches. 

A freguezia consta das aldeias da Casta- 
nheira e Quinta de Porto Mourisco. 

Situada em uma campina d*onde se vêem 

castelio e muralhas de Almeida, ea aldeia 
doPinzio. 

Os marquezes d' Arronches, e depois os 
duques de Lafões, apresentavam o prior, 
que tinha de rendimento 350^000 réis. 

Esta freguezia produz^ muito centeio, al- 
gum milho e castanha : do mais pouco. 

Cria muiU) gado, principalmente cabras e 
ovelhas. Muita caça. 

CASTANHEIRA— casal, Traz-os-Montes, 
na comarca e concelho de Montalegre, arce- 
bispado de Braga, districto administrativo 
de Yilla Real. Em Terra de Barroso. D. Af- 
fons 111 lhe deu fora), em Guimarães, a 28 
de maio <ie 1258. (Liv. l."" de Doações do sr. 
rei D. AÍTonso III, H. 31, col. l.*> 

CASTANHEIRA— freguezia, Beira Baixa, 
comarca de Figueiró dos Vinhos, concelho 
dePedrogamGrande,35Julometros.deCoim- 
bra, 180 ao NO. de Lisboa. 800 fogos. 
< Em 17£^7 ítinha 364 fogos, r 

Gtóigo ^ Domingos. ; n , . 

Bispado de Coimbra, distríctoadministra- 
.4ivtf de I^ifift. 

1 • Em antigiamentd do> termo de Pedrógão 
/Grande^ coínarca- de Thomar. ; < . . ^ 
w Eraa i seus donatários, o^ conies de Be^ 
•doiido. . ; ; 

^ Situada em um valia, d'onde nada seivá 
além da^fregufezia. ' ; íj 

O caI)ido de Coimbra apresentava o cura> 
^^n^tinha BOI^OpO réi& . ' : 



CAS 

É terra fertiL 

CASTANHEIRA— freguezia. Beira Baixa» 
comarca e concelho de Trancoso, 54 kiio- 
metros de Viseu, 348 ao NO. de Lisboa. 90 
fogos. 

Em 1757 tinha 71 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Graça. 

Bispado de Pinhel, districto administrativo 
da Guarda. 

Era antigamente da comarca de Pinhel 
termo da viUa de Moreira e bispado e dis* 
tricto de Viseu. 

O cura tinha 8^000 róis, de porsão, qfgud 
lhe pagava o commendador de Santa Mari- 
nha, da villa de Moreira, e o pó d'altar. 

Fértil em vinho e castanha. 

CASTANHEIRA— 4ildeia, Estremadura, 
freguezia*de Santa Eufemia, comarca e con- 
celho de Torres Novas, 125 kilometros ao 
NE. de Lisboa. 

A freguezia era antigamente da comarca 
de Leiria, termo de Cós. « 

Ha n'esta aldeia a capella de Santa Mar- 
tha, fundada pelo licenceada Aolonio d'Ai- 
mcida. É nmito bonita. Seu fundador a do- 
tou com a T^fxõ^ annual de 330^000 réis, 
com obrigação de uma missa quotidiana» 
vestir por ajuno 12 pobres e casar uma, or* 
phã da freguezia (com o dote de 20^k)Q6 
réis.) ; , 

O p^ocho de Cós era o administradcr 
doesta capella e seu legadç, ç repartia as so- 
bras d'elle com os pobres. 

CASTANHEIRA DE PENAS RQTAS—íire- 
guezia, Traz-os-Montes, comarca o.iponcetto 
do Mogadouro, 35 kilometros de Miranda, 
430 ao N. de Lisboa, 60 fogos. 

Eiii 17SÍ7. linha 34 fogojs* ;. . , / 

Orago S^tp i\tndró. 

BÍ3pado §í.,4islricto adn^inisiíatiYO , de 



D. Diniz. ihe.dei^ íwdl.iW Li^Híi\».a ^Ode 
ípnto de ^289.:(L.,^l.^daf Pça^õç^jOo sr. 
rei D. Diniz, fl. 261, cqjí^iif) ,, . ^^ , 

Era antigamente da comarca de Miranda, 
leníao de Penas Royíis.., ., .j;, ; ,. 
, Os inarque;çfts de Ja)fpl:f(q^e er^m /i>p.do^ 
nalario^,dVí§l^ íregueziai até Í759),apíe5«i— 
tavam a cuca, que.-Unb^ 8íppo rl^'s,,fí;^- 
íaudesde vinh9 erijíf Iqpeiç^ 4ft4f«9^ • 



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CAS 



GAS 



165 



Teve antigamente um convento de frades 
bentos, denominados de S. Martinho da Cas- 
tanheira, e depois do Lago. Em 1356, deu 
este mosteiro, por 15 annos, todos os bens 
que tinha em S. Martinho de Àngueira de 
Miranda e em França e Avelleda de Bragan- 
ça, com todos os seus foros è padaliças (pas- 
tagens) etc, etc, a Estevão Pires, de Bra- 
gança, para este se pagar do que os frades 
lhe deviam. 

Situada ao pé da serra do seu nome. Do 
mais alto doesta serra se vécm terras de 9 
bispados, que são, cm Portugal: Miranda, 
Guardíi, Braga é Lamego; e na Hespanha: 
Ciudad Rodrigo, Salamanca, Samora, Astor- 
ga e Orense. 

Chamam a esta freguezia, corruptamente, 
Castinheira, 

CASTANHEIRA B RORIZ (chamava-se 
âuUgamente CIMO DE VILLÁ DA CASTA- 
MHEIRA) — freguezia, Traz-osMontes, co- 
marca e concelho de Chaves; foi até 1855, 
do concelho de Monforte do Rio Livre, 420 
kilometros ao N. de Lisboa, 170 fogosv 

Em 1757 tinha 57 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Expectação. 

Bispado de Bragança, distrrcto adminis- 
trativo de Villa Real. 

Rortzérauma freguezia independente, à 
qual o reitor da Castanheira apresentava o 
eura, que tinha 50^000 réis. Tinha por ora- 
go Nossa Senhora da Conceição, e em 1757, 
tinha 27 fogos. 

À Castanheira era outra freguezia á qual 
aquella se annexou ha muitos annos. Esta 
tinha por orago S. João Baptista, e o seu 
parocho (cura) era apresentado pelo reitor 
de S. Finsj e linha 60^000 réis de rendimen- 
to. Hoje que atnbas formam uma só fregue- 
âa, é seu orago Nossa Senhora da Expecta- 
ção. 

Nos livros officiaes dá-se a esta freguezia 
o nome de Roriz. ' 

Era antigamente da comarca da torre de 
]tònco>V(E^, termo de Mobforte do Rio Li- 
vre. ' ' '. * ■ 

Era dos condes de Athouguia. 

Situada em plató. FHá. 

A tnáirit tem tima torre separada d'ella, 
que consta ser obra dos romanos. 



Em frente da matriz está a capella de S. 
Sebastião, que pela sua architectura mostra 
ter sido fortaleza mourisca. 

É terra fértil. 

Passa aqui o rio Mouce, de curso arreba- 
tado. Rega e móe. 

CASTANHEIRA DO VOUGA— villa, Dou- 
ro, comarca de Águeda, concelho do Vouga, 
40 kilometros ao NO. de Coimbra, 240 ao 
N. de Lisboa, 140 fogos. 

Em 1757 tinha 58 fogos. 

Orago S. Mamede. 

Bispado e districto administrativo de 
Aveiro. 

Foi do bispado de Coimbra. 

Era antigamente da comarca de Esgueira. 

É da casa do infantado. 

Situada em um monte, próximo á serra 
do Caramullo. 

A casa do infantado apresentava o prior, 
que tinha 400^000 réis. 

É fértil em milho e centeio: produz ai* 
gum vinho e do mais pouco. 

Tem loral, dado pòr D. Maquel, em Lis- 
boa, a 16 de Junho de 1514. 

Era cabeça do concelho do seu nome e 
tinha juiz ordinário, camará, escrivães e 
mais justiças. 

• Passam pela freguezia os rios Águeda, 
Aguedão e Alfusqueiro. 

(Vide Vouga.) 

Aqui viveu e mofreu o dr. José Feliciano 
de Castilho, pae do célebre poeta António 
Feliciano dè Castilho (hoje visconde) que 
também residiu por varias vezes n*esta villa 
e aqui escreveu varias obras, sendo uma 
d'ellas Os ciúmes do bardo. Em 29 de setem- 
bro de 1872 foram seus ossos (os do pae) 
para um jazigo do cemitério dos Prazeres, 
em Lisboa. 

Ha mais em Portugal 29 aldeias chama- 
das Castanheira. 

CASTANHEIRO—tide Gostei. 

CASTANHEIRO— freguezia, Traz-os-^Mon*- 
tes, comarca de Moncorvo, concelho de Car- 
razedo, 110 kilometros a NE. de Braga, S65 
ao N. de Lisboa, 225^ fogos. 

Em k7tS^ tinha 134 fogos. 



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tm 



GAS 



Orago S. Braz. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Bragança. 

É terra fértil. 

O reitor de S. Miguel de Linhares apre- 
sentava aqui o vigário, que tinlia do rendi- 
mento 8^600 réis em dinheiro e o que ren- 
dia o pé d*altar. 

CASTANHEIRO— pequena freguezia, Traz 
os-Montes, comarca de Bragança. Está ha 
muitos annos annexa a Gostei. (Vide esta 
palavra.) 

CASTANHEffiO — viila, Beira Alta, até 
1855 da comarca de Taboaço, concelho de 
Trovões, e desde ontSo comarca e concelho 
da Pesqueira, 35.kilometros de Lamego, 340 
ao N. de Lisboa, i40 fogos. 

Em 1757 tinha 96 fogos. 

Ofago Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo de Viseu 

Tem foral, dado por D. Manuel, em 1 de 
fevereiro de 15*4. 

O padre Carvalho chama-lhe erradamen- 
te Castanheira. 

Era nuUivs diocesh, isento do real mos- 
teiro de S. Pedro das Águias, de frades ber- 
nardos, cujo D. abbade tinha aqui jurisdic- 
çlò in solidum. ^ 

Esta freguezia consta da villa e seu ter- 
mo, que sào as aldeias de Espinhosa e Pe- 
reiro. 

O foral compjrehende^ estas doas povoa- 
ções. 

O D. abbade de S. Pedro das Águias apre- 
aetítava o.yigario, que tinba 00^000 réis e 
o pé d*altar. 

Fértil em enleio, azeil^ «omagra, e mul- 
to bom vmbo. 

Poran seus donatários^ até 1759, os mir- 
quezes de Távora. 

Tinba dois jÈiâes ordinários (um na villa, 
outro no termo) dois vereadores e um pro- 
curador, que todos formavam a camará, sem 
sujeição a outra» jmstíçasr, por ser couto 
isento. 

Passa aqui ^ Rio Torto. : . 

lia maisi 13 aldeias d*69t0 nono. 
«CASTEDO— vide Gast^Ho. 
ClSTEDO-^eguezis^ Iraif os-Monles^ <k> 



GAS 

marca c concelho d« Alijó, 110 kilonaetros 
ao NE. de Braga, 360 ao N. de Lisboa, 140 
fogos. 

Em 1757 tinha 104 fogos. 

Orago S. Joào Baptista, 

Arcebispado de Braga, districto adminisf 
trativo de Villa Real. 

Era antigamente do termo de Alijó» ca-» 
marca de Villa Real. 

Foram seus donatários, até 1759, os mar- 
quezes do Távora, desde então ficou para a 
coroa. 

O prior de Alijó apresentava o vigário^ 
coitado, que tinha 40j;000 réis. 

Fértil ent óptimo vinho, azeite e cereaesu 

1:500 metros ao S. passa o Douro. 

GASTEDO DA T^LARIÇá— freguezia, 
Trazos-Montes, comarca e concdho de Uon^ 
corvo, até 1855 da mespia comarca, n^endo 
concelho de Villarínho da Castanheira^ que 
foi então supprimido. 135 kilometros a N& 
de Braga, 370 ao N. de Lisboa, 160 fogos. . 

Era 1757 tinha 136 fogos. 

Orago S. Miguel, archanjo. 

Arcebispado de Braga, districto admims- 
trativo de Bragança. 

Situada em um alto com ampla vista. 

O abbade de Villarinho da CasCanbeíni 
apresentava o vigário^ adnutum, que tijaiia 
Í3JK600 réis, e para as missas 2 alqueires da 
trigo e 2 almudes de vinho, • o pé d'altar. 

A antiga parochia ó agora a eapella de S. 
Bartholomeu. 

Fértil em vinho, centeio, cereja, castanha 
e linho. 

Passa aqui o Ribeiro Grande, qua sóeca 
no verão. 

CASTEIÇiO— vítía, Beira Baixa, coipaffca^ 
concelho e li kilometros ao & da Módi, 60 
a SE. de Lamego, 345 ao N. de Lisln^a, 190 



Em 1757 tinha 100 fogos. 

Bispado de Lamego, districto^admioistia- 
livo de Viseu. í í 

Era antigamente da pomarca d9 Pínbef» 
d*onde dista 30 kilometros ao E., e 12 ao N. 
de Trancoso. 

Situada em um alto. ,. - 

Orago Nossa Senhora da Graça ou No|ua 
Senhora da Assumpção. 



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CAS 

O rei e O bispo de Lamego apresentavam 
alternativamente o abbade, que tinha de ren^ 
dímento 250^000 réis. 

Antigamente cbamava-se Castreiçaow 

D. Sancho I lhe deu foral, em 30 de julho 
de ii96, confirmado em Coimbra por D. Af- 
fonso lí, em novembro de 1217. 

Teve outro foral, dado por D. Sancho II» 
em 1234. 

(D*este ultimo falia o padre Cardoso, mas 
mo vem mencionado em Franklím.) 

GASTE JOM—portugez antigo, significa, 
ca^tellão (nobre que tem castello.) Parece- 
me que também significava castelhano; mas 
era mais vulgar dizer-se castijono, ao que 
era de Castella. 

GASTELLãS— freguezia^ Minho, comar- 
ca da Povoa de Lanhoso, concelho de Viei- 
ra, 18 kilometros a N£. de Braga, 365 ao 
N. de Lisboa, 490 fogos. 

£m 17o7 tinha 155 fogos. 

Orago Santo £stevão. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

Era antigamente do concelho de Vieira, 
^ omarea de Guimarães. 

Eram seus donatários os pdalgoê dê 5í- 
tnães^ que apresentavam o ouvidor, e as 
mais justiças apresentava o reL 

Situada em um valle, d*onde se vêem va^ 
rias povoações. 

O arcebispo de Braga apresentava o ab- 
bade, que tinha 380^000 réis. 

É terra fertil. 

Ha na freguezia a serra do seu nome, que 
luiça dois braços, um chamado Cabeço de 
Yacca, ao E., outro chamado Cabeço da Ci- 
cilia, ao O. Cria muito gado. Caça. 

Passa pela freguezia o rio Ave. 

CASTELLAO— vide a freguezia seguinte^ 

QASTELLAES ou CASTEUÚBS ou CAS- 
TMLLÕES-^freguezia, Minho, comarca e 
concelho de GainuHrâes, i8 IdlometroA a NE. 
de Braga, 366 ao N. de Lisboa, 70 lògos. 

fim 1757 tinha 64 fo|^ 

Orago S. JcaaBa^tista. 

Arcebispado e districto aâminístnubo db 
Bfaga. 

I^ antigamente da visita de Moiitg hom* 
go, termo e comarca de fimmagif , 



GA^ 



167 



O parocho era antigamente abbade^ de* 
pois passou a ser reitor. Apresentava este 
parocho as egrejas de S. Pedro de Queima- 
della e a de S. Christovão da Agrella. O ar* 
cebispo de Braga é que apresentava o rei* 
tor, que tinha 16^000 réis e o pé 4*altaiL 

£* terra fértil. 

Ao N. da freguezia corre o rio Ave. 

Esta freguezia e a seguinte (assio) epou) 
todas as de Castellões) chamaram-se sempre 
Casteliàos e (é o seu verdadeiro nome; por* 
que, castelluo era o nobre que tinha castei* 
Io, quasi sempre o castellão era rico ho- 
mem) e é o plural da castellão. Hoje diz-se 
Ca$tellões, que vem entào a ser augmentivo 
de casteliOr e significa, gratide castello, Jâsa 
vé que é cousa muito djíTerente c transtor* 
na a sua verdadeira etymologia; porquanto 
freguezia de casteliàos quer dizer freguezia 
dos nobres e nunca dos grandes casteUos^ 

eAST£LLAOS ou CASTELLÕES DE CE* 
FEDA — freguew. Douro, comarca de Pena* 
fiel, concelho de Paredes, 28 kilomçtros a 
NE. do. Porto, 32i aN. de Lisboa, 260 fogoa. 

Orago S. Salvador. 

Em 1757 tinha 136 fogos. 

Bispado e districto admiaiatratíva da 
Porto. É fértil. 

Era antigamente do termo e comarca 4p 
Porto. 

Situada em um valU d*onde se vé Pena^ 
fiel e outras povoações. É n*esta freguezia a 
vilia de Paredes capital do concelho d*esta 
nome. O bispo do Porto e o D. abbade da 
convento de frades bentos de Paço deSouca, 
apresentavam alternativamente (cada um, o 
seu mez)o abbade, que tinha 300^000 réis, 
isto segundo o padre Cardoso. 

O Portugal Sacro e ProfanOy du qjae^o ab- 
bade era da apresentação da Só Apostólica, 
com reserva de quatro mezes do mosteiro 
de Paço de Soiua; e que a abbadia rendia 
4i00^(JDQ réift annualmente. 

Quando foi eaá>eça de concelho tinha um 
ou^oTy dois tabelliàes! (que serviam de ea^ 
orivaesda camarb) procurador, meirinho^ 
ete. «te. o 

Em 1821, foi iDpprknido jo antiquíssimo 
e vasto cotteelho â*Agaiar de Sousa» p^sun- 
do a maior parte das freguezias que o coo? 



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lÔS 



CAS 



slítuiam a augmentar também o antiga con- 
celho de Castellãos de Cepeda, cuja capital 
se mudou então para a povoação de Pare- 
des, que obteve o titulo de villa, e deu seu 
nome ao actual concelho. 

Junto á capella dè Nossa Senhora da Guia 
está a Fonte Sagrada, abundantíssima d'a- 
gua, com que se rega uma tlbeira muito fér- 
til. Pelo E. e S. da freguezia passa o rio Sou- 
sa, que rega e móe. 

Vide Paredes <d6 Penafiel) e Aguiar de 
Souza. 

Para elymologia, vide a freguezia antece- 
dente. Vide Caslellões. 

CÂSTELLATIGO— direito real antigo, ap- 
plicado para fundação, conservação e repa- 
ros dos castellos no respectivo território. 
Nos princípios da mónarchía, quasi nâo ha- 
Via julgado ou concelho que não tivesse o 
seu castello, em que governava um conde, 
caslellano ou alcaide, que sempre era pessoa 
muito fiel e honrada, a quem pagava o po- 
vo certos foros (alcaidàrías) mas o direito 
<5astellalie0 ef» para ò rei, e se pagava a di- 
nheiro, quando não eram precizos reparos 
no castello da terra, e em dia de trabalho 
quando era necessário. 

Expulsos os mouros e inutllisados os in- 
numeráveis castellos, cujas ruinas hoje se 
encontram, foi reservado esse tributo (de 
que nem os monges e os padres eram isen- 
tos) para edificar ou reedificar as praças das 
fironteiras. O po>x), para se eximir d*este fo- 
ro, no reinado de D. AÍTonso IV combinou 
coiU o rei cm lhe dar a terça do rendhnen- 
to dos seus concelhos. 

Desde 4640 ficaram essas terças para a 
coroa. 

Ainda^ actualmente se pagam á faz^da 
publica íA terças do eoncelho, a cujo paga- 
mento são obripdosas camarás municipaes. 

CASTELLEIRO— freguezia, BelraBaixa, 
foi até 1855 da comarca da Covil haà, con- 
celho de Sortelha, e desde então é da comar- 
ca e conaelho do Sabugal,^ kilometros da 
Guarda, 260 aoBNE. de Lisboa^ 220 fogos. 

Orago o Salvador. 

Em 1757 tinha 146 fogos. . 

Bispado e distHctoadmin^trativodaGuar- 



GAS 

Era antigamente do termo de Sortelha, 
comai*ea de Castello Branco. 

Situada em uma planície. O vigário de 
Sortelha apresentava o cura, que tinha de 
côngrua 20i^000 réis e o pé d*altar. 

É terra pouco fértil. 

CASTELLÊJG E FREIXIAL DOS POTES 
— freguezia, Beira-Baixa, comarca e conce- 
lho do Fundão, 5i kilometros da Guarda, 
240 ao ENE. de Lisboa, 410 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Silva. 

Em 1757 tinha 18â fogos. 

Bispado da Guarda, districto admístrativo 
de Castello Branco. 

Era antigamente do termo da Covilhan, 
comarca da Guarda. 

Situada em uma baixa, junto a uma libei- 
ra, cercada de montes, d*onde só se vé aal* 
deia do Souto da Casa. A Mesa da Consciên- 
cia e Ordens apresentava o vigário (por ser 
a freguezia da Ordem de Christo) e tinha 
80^000 réis, 54 arraieis de cora e 10 alquei- 
res de trigo e 10 almudes de vinho, para as 
missas: tudo pago pela commenda da Or« 
dem de Christo. 

Feira a 16 de setembro e 13 de dezembro 
(Castellejo é diminutivo de Castello.) São 
duas freguezias reunidas Castellejo e Frei- 
xial dos Potes. Esta, quando era freguezia 
independente, tinha por orago S. Sebastião, 
martyr. O prior do Souto da Casa, apresen* 
tava aqui o cura, cuja renda era incerta. Tin- 
ha o Freixial, em 1757, 70 ffgos. 

CASTELLO — monte, Douro, fregueda de 
Mançôres, concelho e comarca d^Arouca, 
d'onde dista 20 kilometros ao OSO,. 12 ao 
NE. de Oliveira d'Asemei«, 3 ao SE. de Fer- 
medo, 36 ao SE. do Porto e 275 ao N. de Lisboa. 

Bispado do Porto, districto administrati- 
vo d' Aveiro. 

Tem uns 400 metros acima do nivel do 
mar. \ É quasi todo inculto e no cume bas- 
tante pedregoso. Tem algumas arvoree sil- 
vestres e matto. ' ' 

Do tope d'este monte se gosa um beUissi- 
mo panorama. Vé-se uma vast;^ extensão 
éb terra e mar; as seiras da Freita, Par- 
naval, Marão, Vallongo e outras muitas dô 
menos nota ; toda a eidade do Porto^ e cen- 
tenares de povoações. 



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CAS 

Ê tradição que houve aqui uma fortaleza 
e uma povoação romana, e ha ainda vesti- 
giod de alicerces e vários montões de pedras 
em differentes partes, que parece terem já 
servido em edifícios toscos. 

Em 1843 appareceram aqui dois capace- 
tes romanos, de cobre,- e parte do machado 
de uma acha d'armas, de bronze. 

Tem extensas pedreiras d'optimo granito. 

£ incontestável que os celtas habitaram 
este monte, porque, do lado do O. d'eile ha 
varias mâmoas (todas já esgravatadas pelo 
povo à cata de thesouros encantados) um 
dolmen e vestígios de cams, 

A este monte andam ligadas varias tradi- 
ções de mouras encantadas. 

Tem varias nascentes d>gua (até quasl ao 
seu cume !) e vastos terrenos d*optima qua- 
lidade para a cultura, tudo desaproveitado; 

Se uma companhia, intelligente e bem ad- 
ministrada, obtivesse isto do governo e o 
arborísaisse e cultivasse, tiraria um óptimo 
resultado. Assim como está, apenas cria al- 
gumas arvores siWesires, tojos e carqueijal 

CASTÊLLO ou GASTBDO— pequena vil- 
la. Douro, na freguezta de Santa Maria d'A- 
vioso, comarca e 14 kilometròs ao N. do 
Porto, concelho da Maia, 324 kilometròs ao 
N. deLlsboa,.i80 fogos, na villa c freguezia. 
Pertil. 

Foi cabeça do concelho da Mala. 

Vide Avioso (Sania Maria.) 

Disse em Avioso, que a freguezia tem lÊíO 
fogos; mas actualmente tem 180. 

GASTELLO — vilIa pequena, Beira- Alta, 
concelho de Satâo, comarca e 24 kilometròs 
de Ylseo, 300 ao N. de Lisboa, 40 fogos. É 
na freguesia de Ferreira d*Aves, da qual foi 
cabeça por muitos annos, assim como do 
concelho de Ferreira d' Aves, até á sua sup* 
pressão. Vide Ferreira d' Aves. 

CAOTELLO ^Vlde Alfandega da Fé. 

CASTÊLLO— - freguezia, Exirpmadiu^ co« 
marca e concelho da Gertan, 165 kilometròs 
ao E. de Lisboa, 230 fogos. 

Orago E^pStíto Santo. 

Em 1707 tinha 190 lògòs; 

Patrtarchado de Lisboa, distríeto admmis* 
intivo de Castèllo Branco. 

Era amigamente do príocaéo do Grato» 



CAS 



169 



nulUm ãioecesis, comarca de Thomaf, termo 
da Certan.- 

Era senhor d'esta flreguezia o grão prior 
do Crato. Fértil. 

Situada em campina, d*onde se descobrem 
as vi lias de Figueiró dos Vinhos e Aréga e 
parte do termo de Pedrógão Grande. 

O prior do Grato apresentava aqui o rei- 
tor, que tinha 2 moios de trigo, 20 almudes 
de vinho e 2]j(000 réis em dinheiro. 

Passa aqui o rio Zêzere, e n*esta fregue- 
zia se lhe junta a ribeira da Mourisca. 

CASTÊLLO ou QUINTA DO CASTÊLLO— 
freguezia Traz-os-Montes, concelho d*Alfaíi- 
dega da Fé, comarca de Moncorvo, 145 ki- 
lometròs ao N. de Braga, 360 ao N. de Lis« 
boa. 

Orago S. Pedro ad Vincula. 

Em 1757 tinha 17 fogos. 

Areebispado de Braga, districto admiais- 
trativo de Bragança. 

O reitor d'Alfandega da Fé apresentava o 
cura que tinlia de rendimento 6^000 réis e 
o pé d^altar. Esta freguezta esta, ha nmitos 
annos, annexa á d* Alfandega da Fé. 

CASTÊLLO— villa, Beira-Alta, comarcão 
concelho de Moimenta da Beira, 18 kiloiúe- 
tros de Lamego, 324 ao N. de Lisboa, 220 
fogos. 

Em 1757 tinha 120 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Gonceição. O seu 
primeiro Orago foi o SS. Sacramento. 

Bispado de Lamego, districto administra* 
tivo de Viseu. 

Era antigamente da comarca de Lamego. 

Situada em um alto, d'onde se vêem as 
víllas de Leomil e S. Gosmádo. Tem outra 
matriz, e greja orago Nossa Senhora da En* 
carnação, situada em um cabeço da qual é 
fora da vllla. 

Os frades bernardos de Salzédas apresen^ 
tavam o vigário, que tinha 18^000 réis, 80 
alqueires de centeio^ 25 de trigo, e 60 almUf 
des de vinho. 

Feriil. 

Foi cabeça do concelho do seu nome ti- 
nha juiz ordinário, camará, procoradof do 
concelho, escrivães e todos os mais empre* 
gados judiciaes. 

Passa pela fregoeiia o no Tédo. 



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170 



CAS 



CASTELLOou S.THOMf DO CASTELLO 

— fregueziaTrazos-Montes, comarca, e conr, 
celho de YíUa-Real, 365 kilometros ao N. de 
Lisboa, 320 fogos. Em 1757 tinha 200 fogos. 

Drago S. Thomé, apostolo. 

Arcebispado de Braga, dislricto adminis- 
trativo de Villa Real. 

O castello que dá o nome a esta fregue- 
zia, está situado sobre o cume do mais alto 
picôtto quo ha na freguezia, e sobre a mar- 
gem esquerda do rio Corgo, quasi ao nivel- 
da serra do Marão. O reitor de Mouçós apre- 
sentava aqui o vigário, que tinha 80^006 rs. 
de rendimento. E* terra fértil. 

A fundaçãodo castello é tão antiga, que não 
ha memoria de quem foram os seus ediôea- 
dores. A tradição attribue a sua conslrucção 
aos antigos lusitanos, no primeiro ou segun- 
do secufo do christianismo. 

Algnns atribuem aos romanos a fundação 
d'este castello. 

Hoje não é mais do que um montão de 
ruínas o conhecem -se ainda, apezar d'isso, 
as cortinas ou panos da muralha, os alicer- 
ces da torre central e poi baixo d*elles uma 
casa (jne parece t«r sido cárcere. 

Segundo os vestígios ainda existentes,, ti- 
nha esta fortaleza 3 portas; uma ao N., ou- 
tra ao S., outra a E. 

Segundo a constante tradi^, conserva- 
da por estes sitios, ó este o mais antigo 
castello da provinda e o ultimo que foi 
conquistado pelos suevos, depois de uma 
obstinada resistência, pelos annos 410 de Je- 
sus Christo. 

Segundo a mesma tradição, era chefe dos 
suevos D. Ruy Coiodio, capitão poderoso, 
brav0 e habilissimo nas manhas da guerra; 
peld que se tomava temivel a seus ínimi* 
gos. Suas tropas estavam divididas em qua^ 
tro legiões, (cada uma dividida em 8 ctntu- 
rias) commandadas por Felmano, Lucino (ou 
Lioinio) Roqueian e Jaime Guibwne (não 
me parecem muito germânicos estes no- 
mes). 

Foi este eastefla investido pelos romanos, 
dá guarnição do eastelio úo P0ntida(no ao« 
tual coBcetho de Villa Pouea de Aguiar) 
mas, apesar do grande numero dos sttian^ 
tes, foram postos «m fofa o destroidos^ . 



A D» Ruy Golodio succedeu D. Bruno I»u- 
cilio (este nome é mais^ romano do que sue- 
vo) que, não sei porque, não tomou logo con- 
ta do governo, sendo substituido por Jaime 
Guibeme. Por morte d*este foi eleito Luci^ 
no; mas então tomou conta do governo D. 
BrimoLuellio. Todas estes chefes ou régu^ 
los obtiveram grandes victorias dos seus Ini- 
migos. 

A D. Brimo succedeu D. Taludo, valoroso 
e int^Uigentissimo guerreiro e legislador. 

Depois, nas guerras que houve entre os 
suevos e godos, ficando victorioso LeovigiU 
do, rei d'estes, pelos annos 585, foi este cas- 
tello atacado com grandes forças^ e apezar 
de uma obstinada e brava resistência, foi 
tomado e demolido pelos gMos. 

Até aqui o que consta da tradição e das 
memorias conservadas por curiosos de anii- 
guidades. — 

Ha< 11'esta freguezia um sitio cham^ 
MascusinhoSy que foi uma populosa aldepa.* 

Houve em Portugal uma grande peste eai 
1503 e outra ainda maior«em 1505, que ma- 
tou toda a gente doesta aldeia, escapAodo 
apenas doas mulheres, que fugiram para ^ 
aldeia de Aguas-Santas, doesta fraguezi»^; 
abandonanâorse para sempre a aldeia dQ 
Mascusinhos, da qual hoje só ha ruipas. 

Perto do castello e junto à porta do L» 
existem aâ minas de uma oapeUj^ que de- 
pois se mudeu para um outro sitio, a poucos 
metros de distancia, e é agora a capeila de 
S. Sebastião, ou S. Chrislovão do GasteUo. 
Fiéa a uns 2 kilometros da povoação pôn- 
dpal da f^egnezia. 

Ainda em uma dasannexasd'esta firegUQ- 
zia existem duas imagens que foram da aat 
tiga capeila de Mascitôinhos — um^ é do & 
Domingos e outra de Nossa Senhora das Hor 
ves. Os povos doestes sitios teem tnuita de* 
voçãocòm esta Senhoita^ à qual ^âtlttoem 
muitos myagres. 

Não podiam deií^ar ar niíaâsJd*í^tOivi8«? 
tustissimo castello de ter suas l^das^^ ison- 
tos de mouras o thesoaròs enaâtíiâos ;.o o 
nosso bom pivo, cuja loiftgiínaQio è tio fér- 
til n'estas coisas, iraz: ligadas» a eèta»nit4 
nas, híscori» pavorosas o honipdftatasi. 



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CAS' 



GAS» 



LU 



Ahi vão a» prÍDCipaes. 
D. Taludo e sens ^intecessores possuíam 
riquezas hyperbolicas, qae tinham escondi- 
do em uma espeeie de lunneU que mina o 
picôtto, na Fonte dos Louranços (a uns 60 
metros dò castello) — na Fraga dos Sabu- 
gueiros, onde se vô uma mão esquerda, por 
baixo da qual, diz o tombo ou roteiro^ eslao 
as armas de I>. Taludo, e onde era a mora- 
da de D. Martha; na Fraga da Torre, onde 
ainda se vêem os alicerces de um edifício, 
que se diz ter sido torro, e era o cárcere dos 
prisioneiros e delmquentes. Dista 900 a 1:000 
metros do castello. Por estes sítios, diz o 
tombo, se encontrarão as jóias de um rei. 
Tendo já faHado n'e8ta obra em roteiros 
<a que nas proviíicias do N. chamam tom^ 
òos) é preciso dizer aos leitores que o igno- 
rarem, que roteiro è um quademo manus- 
cripto que diz os sitios onde estão os tbesou- 
$*os encantados e a maneira de os desencan- 
tar. Já se sabe, os taes roteiros não pas- 
sam de um logro. 

Fiados nos taes tombos, muitos teem ten- 
tado desencantar thesouros, por meio de li- 
vros mágicos (dizem que eseriptos porS. 
€ypriano, antes da sua conversão) e com re- 
zas dos padres, que para isso alli teem. la- 
vado. 

Diz* Fe que de uma vez acbaram algumas 
riquezas. Que por outra tez, depois de mui- 
to trabalho nocturno, e estando mettidos 
lodos dentro de um grande sino saimão (si- 
gno de Salomão) lhes appareeeram figuras 
diabólicas e Ídolos monstruosos e medonhos, 
mas ríquissimamente vestidos de oiro e de 
diamantes, que brilhavam oomo o sol, a cu- 
ja vista os ambiciosos desencantadores fica- 
ram aterrados e fugiram espavoridos. 

Junto à porta do castello que olhava pa- 
ra o N., consta que havia antigamente um 
buraco, por onde facilmente podia entrar 
um homem. Diz-se qu« ha annos por eito 
entraram vários indivíduos audaciosos, os 
^piaesa poucos passos daentrada viram uma 
abobada de cantaria lavrada e depois tirnas 
escadas de uns 16 a 20 d^iraos^ ao fim doi 
quaes se seguia uma estreita galeria alé um 
largo onde estava um bello jardim com um 
elegante chafarir. 



I Mais adiante estava outro largo^ e n*elle 
um sumptuoso templo pagão, todo oruid^ 

I de ouro e pedrarias^ com ídolos medonhos o 

I ameaçadores que lhe faziam terriveis esga- 
res. Os pobres fugiram espantados, e pou- 

I cos dia s sobreviveram â sua tem^aria em^ 
presa. ' 

Consta que os principaes chefes doesta éx** 
pedição foram Gonçalo Esteves e Paulo Men- 
des, da referida aldeia de Mascusiobos^ ar- 
ruinada. » 
Eli jazem encantados os famosos e riquis- 
simos thesouros dos antigos possuidores do 
castello ! 

Dou os mais cordeaes agradecimentos 9& 
reverendíssimo sr. Fortunato António Bote- 
lho Machado, digníssimo abbade de S. Tho^r 
mé do Castello, que obsequiosamente me 
forneceu estes apreciáveis esclarecifiientQS. 

Honra a este clérigo attencioso e íUustra* 
do, que não lez como muitos a quem pedi 
por muito favor esclareeimenlos de antíguir 
dades, e que nem se dignaram respondei ! 

CASTELI.0 DAGUIáR DO SOUSA— Dou* 
ro, comarca de Penafiel, concelho de Pare- 
des» 1& kiiometros ao NE. do Porto, 3i5 ao 
N. de Lisboa. 

Este castello, célebre na antiguidade, exis<^ 
tiu sobre a margem direita do rio Sousa, na 
sua confiuente com o Douroimargem> durei* 
ta) onde hoje se chama Foz do Sousa. 

Provavelmente foram os romanos que o 
edificaram^ (se não foram os antigos lusi^ 
tanos). Durante o reinado dos príncipes 
godos foi este castello reedificado (ou, segun^* 
do outros, fundado) e d*e]le trata claramen- 
te a Chronica gothica; situando-o na mar- 
gam do rio Sousa^ em frente de Amellas. 

O ehronista fr. António Brandão copm a 
dita Chronica d*este modo:— t^ra íOSdí 
Áknançor cepU Castellum de Aguilar, quod 
e$i in ripa Sonsa ifi Portugatensi PratiiW' 
ciá.r (IfoH. Luiit.X(m. 34% in App. fl. 27.) 

Flores, que deu correcta e ilKistrada esr 
ta Chronica, conta o successo^assira:— -nfim 
MXXXVIIL CepU Almanzor Castellum Aqui- 
lar, qnod e$i in ri^ dt^Soma Propineia Ãr- 
tu§$iemi.^ (Esp^ Sagr. tom«2^ App. 7 pa|^. 
357.) 



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172 



CAS 



Quer a tomada à'eslG cstólello fOw«;so na éra , 
de 1033, como copia Brandão, quer na de 
1038, como diz Flores, é incontestável que 
pelos annos 995 ou 1000 de Jesus Chrislo 
(que é a tal éra de César 1033 ou 1038) Al- 
tnançor sitiou ou conquistou este castello 
aôs ehrislâos n*uma d'essas datas. Prova-se 
doesse facto que estci fortaleza era importan- 
te n'aquelle tempo, airás nenhum desejo te- 
ria o famoso ferreiro Almançor de a con- 
quistar. 

Quando D. Fayao Soares fundou Arrifana 
de Sousa, em 850, a povoou com gente que 
tirou da velha cidadQ de Penafiel e do Cas- 
tello de Aguiar do Sousa, de que era senhor. 
Mas, ou o castello não ficou despovoado, ou 
foi povoado de novo, visto que Almançor 
depois lhe poz sitio para o tomar. 

Pela leitura da CkronicaGofhicaáeá\iz-se 
que Almançor, tomado o castello de Aguiar, 
lhe poz guarnição mourisca; porque se as- 
am não fosse, o arrazaria, como fez a ou- 
tros, o que não consta. 

Ignora-se quando os chr islãos recupera- 
ram este castello. Suppõe se ser ahi pelos 
annos 1020, em que o infante Alboazar Ra- 
mires resgatou muitas terras ao N. do Dou- 
ro do poder mauritano; ou D. Fernando III 
(o Graádc) pelos annos 1036. 

O que ó certo é que o castello de Aguiar 
doíSousa, aindaexistíanaerade 1273 (1136 
de Jesus Christo) porque o mestre da Ordem 
deS. Thiago fez então uma escripturade 
doação a Martim Annes do Avinhai (que 
era da familia dos Aguiarefe) na qual se lé 
o seguinte: 

%BamoB e outorgamos a vos Martim Annes 
e áqwlles vossos hereres (herdeiros), que de 
cós descerefn, por vosso herdamento para to- 
do sempre so (sol)) a maneira, eso as con- 
dicions que adiante son escritas en esta car- 
ta es nossos iogares, que son chamados os Pa- 
dróis (Padrões) o que vós posestes nome 
Aguiar dos padrois, que són en ó Campo 
IHíuríquey etcr ^ ■ , 

Declara-se n*«8ta escriptura os muitos ser- 
Tiços que á Ordem tiaba recebido de Mar- 
tim Annes, e vários outros bens que lhe dá 



GAS 

em recompensa d^esses serviços, e conti- 
nua:— «E outro si pelo Castello de Jguiary 
que era vosso herdamento, que nós atemos 
de vós, que nos entregou D, Gil Gomes, vosso 
tio, em vosso nome, e por vosso outorgamen^ 
to, quando nos deo os Castellos de Asnar* 
efe.» — (Alarcão, Relacion Gen. In Append' 
pac. 115.) 

Vô-se pois que este castello foi então ce- 
dido (ou trocado) pelo seu proprietário à 
Ordem de S. Thiago. 

Não me foi possível averiguar quando es-' 
te antigo castello foi destruído, mas é de 
suppor que fosse durante as frequente» 
(quasi continuas) guerras que tivemos al- 
gumas vezes com castelhanos e quasi sem- 
pre com os mouros, desde o conde D. Hen-» 
rique até D. Sancho 11. 

O que é certo ó que foi arrazado até 
aos fundamentos, pois d'elle não restam ou- 
tros vestígios além do que deixo dito. 

Segundo alguns escriptorcs, era este cas- 
lello o solar dos Aguiares. Outros dizem que 
era a freguezia d'Aguiar do Sousa. 

Consta que em frente d'este castello, na 
margem esquerda do Sousa, e também por- 
tanto na sua foz, existiu a anlíquissima ci- 
dade de Penafiel. 

Outros querem que esta cidade exislisso 
na serra que fica sobranceira á foz do Sou- 
sa. (Vide Arrifana do Sousa e Penafiel.) 

CASTELLO D^ALMOUROL— vide Almou^ 
rol. 

CASTELLO BOM— villa. Beira Baixa, co- 
marca do Sabugal, concelho e 18 kilometros 
d'Almeida, 36 kilometros de Pinhel, 324 aa 
E. de Lisboa, 75 fogos. 

Em 1757 tinha 96 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado de Pinhel, districto admiaistrlti- 
vo da Guarda. 

Era antigamente do districto de Cimct 
Côa, comarca de Pinhel, bispado de Lame* 
go. 

Situada em um alto, sobre orna rocha^ 
d'(mde se yô a praça d* Almeida da 12 kilo< 
metros) e Castello Rodrigo (a 30). 

Foi cabeça do concelho do seu nome^ e 
tinha juiz ordinário, cam&ra, procaradordâ 
concelho, escrivães, e/ rWi^rua; tudo feito déf 



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CAS 

ires em três annos pelo corregedor de Pi- 
nhel. O seu termo comprehendia os logares 
de Frcinôda, Naves, Rio Sécco e Villar For- 
moso. 
É terra fértil. 

A matriz é dentro das muralhas. O papa 
€ o bispo de Lamego, e depois o de Pinhel, 
apresentavam alternativamente o reitor, que 
4inha 40^000 réis. 

Tem um castello, a cuja conservação eram 
obrigados os viscondes de Ponte de Lima. 
Ainda no fim do século passado tinha duas 
bôccas de fogo e armazéns para petrechos 
de giierra e munições. Hoje está tudo des- 
Biantelado. 

Tem uma antiga e famosa torre com duas 
;^bobadas, que tem servido de cadeia. 

Este termo é dividido do de Castello Men- 
do pelo rio Côa, que passa 3 kilometros a £. 
da villa. 

Castello Bom foi praça d*armas, o a villa 
é cingida de muros de cantaria, com duas 
portas, tendo dentro o castello, que lhe ser- 
eia de cidadella. Todas estas fortificações 
foram obra de D. Diniz, cm 1296. D. Manuel 
as reformou em 1509. 

Era povoação árabe (mas não sei o nome 
que linha) e D. í)iniz a mandou povoar por 
chrístãos quando lhe fez as muralhas, e re- 
construiu a Tilta. 

Castello Bom passou jpara a coroa portu- 
gueza (1282) em dote da rainha Santa Isa- 
bel, mulher de D. Diniz; mas' estava quasl 
despovoada. 

D. Aflonso YIII de Leão (primo e contem- 
porâneo do nosso D. Sancho 1) lhe deu foral, 
«em data. D. Diniz lhe deu também foral, em 
i296 (ainda que Franklím não íalla n*este 
foral) e D. Mapuel lhe deu foral novo, e$) 
Lisboa, no i.« de junbo de i5iCK 

Vide foral antigo, .semtdata, no maçoi5 
dos mesmos, n.^" 2. Vejam- se mais os ArH' 
go8 da Portagem ^ auUroã direitos^ qt^e sepa- 
pam^ segwide o foral velho, no livra XLVI, 
dè Toml)os, no armark) 17, fi. 60» v^ eUvfio 
âe foiaes novos da Beira, fí*i%.\,, coL^l* 
' Esta povoação tem decahido muito da sua 
antiga imp(H*tancía e prosperidade. ; \ 

CASTELLO BRANCO— 'Cregueaia^ Traz- 
«a^Montes, comarca e eoncelho do Mo^adou- 



€A& 



173 



ro, 168 kilometros a N£. de Braga, 395 ao 
N. de Usboa, 155 fogos. 

Em 1757 tinha 100 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 

Arcebispado de Braga, distpcto adminis- 
trativo de Bragança. Muito fertik 

O real padroado apresentava o abbada^ 
que tinha de rendimento 400^000 réis. 

Era esta freguezia dabeça de uma oom- 
menda dos templários até 1311. Em 1319 
passou a ser do mesmo modo cabeça de uma 
commenda de Gbristo (a mesma que foi dos 
templários). Esta commenda rendeu alguns 
annos 4:800^000 réis. 

CASTELLO BRANCO— cidade. Beira Bai- 
xa, capital da província, do bispado & do 
districto administrativo — 84 kilometros da 
Guarda, 80 ao E. de Abrantes, 120 d*£lvas» 
215 ao E. de Lisboa, 1:500 fogQs, 6:000 al- 
mas, em duas freguezias. Santa Maria e S. 
Miguel (Sé) que boje estão unidas, por carta 
de lei de 20 de julho de 1849, existindo só 
a matriz da Sé. No concelho tem 5:400 fo- 
gos, na comarca 6:820, no districto admi- 
nistrativo 34:000- 

Até 1771 foi do bispado da Guanké 

Era villa <3om o titulo de notável (confe- 
rido poTíSK loão II) e em 15 de agosto de 
1771 foi elevada â cathegoria de cidade, e 
a sede de bispado. Até então era do bispa- 
do da Guarda. 

Foi D. José I que obteve do papa Glemea- 
te Xiy, que aqui se formasse o novo bispa- 
do, desmembrando-se do bispado da Guarda 

território para esta diocese. 

Foi seu primeiro bispo, D, Jo9é de Jesos 
Maria Caetano, mestre dos fllbosde Sebas- 
U^oi José, de. Carvalho e Mello^ l.*» conde àò 
Oeiras e ij", marquei de Pombal. Este bispo, 
era religioso d^^rdem.dos prégadoroA (to- 
minico)^ I ^ oi (! . . • : ., '. 

Jã situadai.^iiiposi^eii^adae vistosa, 
. próximo idPfrip Laça-, 

1 O lic^HMeai^o Gaapar Alvares de Lousafla 
e*oiiAtros arc^^ogos, dizem que é aanli- 
quissima Castraleuock^ dos nxuanos» (onde 
foimartyrisada^ASam^ Wilgeforte, segunda 
.do nome). Éícertq que aqui tem iq)t>ai%cidD 
cippo;^ e insQripç5es roma&aa» pof^riâs 



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;1^ 



-CAS 



Sasleatam outros que esta cidade íbi fon- 
dada pelos célebres cavalleiros templários, 
no século XII. Na iDiuha hcunílde opinião 
(e de(K)i8 de folhear toda a casta de puhre- 
iikleatDS fllfí|rrabios) Gastello Branco é a 
Caslraleuca dos romanos (da qual o nome 
inoâemo é a tradução litteral). O eastello e 
a cerca velha, cuja edificação alguns attrí- 
taem aos templários, é, segundo todas as 
'|nrd)abilidade8, obra dos romanos. 

Vide adiante o mais que sobre isto digo. 
bambem alguns escriptores sustentam que 
^astraleacosé R villa do Grato. 

Um dos factos prindpaes (e julgo-o mes- 
ma esseacial) em qu« me fundo para«us- 
teniar ^ue os eavalleiros do templo não fun- 
daram esta cidade, ó que — se fossem elles, 
o ^u grãb-mestre (segundo o invariável 
<oãtume) lhe daria foral; mas não deu — 
pois a primeiro foral da então villa de Gas- 
tello Branco, lhe foi dada por D. Sancho !, 
em 1188. 

Em 22 de setembro de 1495, D. Pedro de 
Sousa, visitador da Ordem de Ghristo, deu 
outro foral a Gastello Branco, segundo a pos- 
se em qui se achava esta ordem, i 
- -Tem foral novo^ dado por D. Manuel, em 
Santarém, no-l.*" dejuÁho de flll0.1[Qave- 
la 13, maço 2, n.» 5, Livra dos foraes novos 
da Beira, íl, 23, cal. 2.*) 

Estou convencido que os templários só 
aqui fizeram obras de defezá e reedídcaram 
as antigas, desde 1229, anno em qne, sendo 
já CasteUo Branco wm (frande t importan- 
te povoação (como expressamente o diz a 
doação) D. Stocho II a doou a D. Simão 
-Mendes, mestre d^ templários n'este reino. 
Bstelèz nò eastello * um palack) para os eom- 
mendadores da Oi'dém, o qual depois foi i^e- 
sidencia dos alcaides^móres. 

Em 1286 mandou D. Diniz ampliar eedti- 
eertar as iòttificaçSes, faisendo uma nova 
cerca e outro castella, com (íjuatra portas 
i^elame, S. Itiago, Traição e do 0«ux>> guar- 
necida com sece torres^ além da de mena- 
^«n, que lem set^ quinas. 
' S^ndo a Qio^rofphki^HUtofiea^ de D. L. 
íCJ de Lima <tom. %\ pág^ 133) ainda èin 
^734^ bKvia ^kÀ& recintos demuralhas^ deno- 
minadas Cerca Nova e Cerca Velha. A mais 



antiga era provavelmente do tempo de D. 
Sancho I, ou mesmo talvez antes da monar- 
chia portugueza : a nova foi a que fez D. 
Diniz, ou os templários, por sua ordem. Não 
se sabe quem mandou construir o antigo 
castelk), que alguém disse ser obra romana 
ou árabe; afaa quem sustenteque foi elle 
que deu o nome á villa. 

Todos sabem que a Ordem dos templários 
foi extincta em toda o mundo catholíco, em 
1311. 

Em alguns reinos (àobre tuaana França) 
foram os eavalleiros assassinados, depois de 
lhe fazerem soffrer os mais atrozes suppli- 
cios, e seus immensos bens conQscados em 
beneficio do papa. Em Portugal, foi a ar- 
dera simplesmente dissolvida, e o nosso bom 
rei D. Diniz, para evitar que Rama tomasse 
conta das grandes riquezas dos templários 
portuguezes (como fez em outras nações) 
instituiu a Ordem de GhTisto, á qual deu to- 
dos os bens dos templários, em 1319. 

Desde então ficou sendo Cajstello Branco, 
comraendâ da Ordem de Glu^isto, cujos eom- 
mendadores se estabeleceram no palácio que 
os seus antecessores tinham feito no eastel- 
lo, e allí residirani até 1640, em cujo anno 
mudaram a sua residência para Lisboa. 

Os últimos commendadores que viveram 
nos paços^ 4o eastello, foram D. Fernanda 
de' Mene^s e D. António de Menezes, que 
ioramp^ra Lisboa, logQ depois daacciama- 
ção de D. João IV. 

Já disse que esta cidade tem duas fregue- 
sias, Santa Maria do Gastello (assim chama- 
da t>or estar a egreja deniro da eastello) se 
mudou para a capeUa de S. Braz, que está 
junto ao mesmo eastello, por se^to* armi- 
nado a antiga matriz, com as guerriís de 
1705. Ade S. Miguel, è extra^nuros e tem 
nove altares. . , 

Desde a ereoçaa do tHspado, foi estaegre- 
já feita Sé e dedicada a Nossa â^hora da 
Assumpção (como todas as egrejas (âtM- 
^ae» da rdlno). 

Ambos PS parochos eram vigários e freires 
da Ordem de Ghristo, apresentados pela Me- 
Ba da Gonsciencla 6 Ordens. ^ 

T«Bt cada uma doestas firegueaias éiaoa 



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i)0ne&eiados, que eram da mesma apresen- 
tação e freires de Christo. 

O vigário de Santa Maria, tinba de i)ot*«âo 
7$ alqueires de trigo, 3^ almndes de vinho 
4mido, 14j^50Q réis em Hinheiro,, i moio de 
denteio e 10 alqueires de aieilei tudo pago 
pela commenda. Ttnha msàs 2 moios de tri- 
go, i de centeio e i3 almudes de vinho co- 
sido, pago em dinheiro (á vista da certidão 
ãòs preços correntes, tirada em agosto). Os 
beneficiados d'esta egvefa tiábam cada om 
90 alqueires de trigo, 4 de azeite e iSi^OOO 
réis em dinheiro, de poríão, pago pela com- 
itoenda. 

O vigário de S. Miígttel tinha áe porsão, 
pago pela commisnda, 75 alqueires de trigo, 
1 moio dô centeio, tí) alqueires dè azeite e 
'Í4if060 réis em dinheiro, e mais 130 alquei- 
res de trigo, i moio de cevada e 39 almu- 
des de vinho, em dinheiro, segundo a certi- 
dão adma dita. Os beneficiados, tinha oada 
tim, 1 moio de trígo, 4 alqueires de. azeite e 
12^000 réis em dinheiro^ pago pela com- 
menda. 

Efh 1757, linha a freguezia< do Santaila- 
ría do Castello 574 fogos^^ e aéeS. Miguel 
620. 

tinha dois conventos de fradeo, extra- 
muros. Capuchos deSaato António, no fimda 
povoado da Soledade, fundaâo^r>D. Eer- 
nando de Meneses, commendadore: alcaide- 
mór de Castello Branco, em 1562. 

O edifído do convento serve actiutmente 
de quartel e hospital militar, ^ oa parte^o 
sul esfà o theatro, feito aqui com licença^^ 
por decreto do governo, de 25 de maio de 
4^44. Denomina- se tlxeatro União, e é de 
uma sociedade constituifda em 184^^ e 4om 
os devidos estatutos. o , . 

Eremitas de Santo Agostinho '(òofiNreniD 
^à Gi^açá) ^e primeiro Ibi de frandscanos, 
•até 1526, em que passou para agostinhos. 
É extra-mtu'08 e Junlo do paço episcopal. 
Tinha propriedades, no valor ide 32 c^htos 
-de i^is, que foram vendidas em 48^4 ^(ou 
pouco depois) como bens nacionaes. Jto 
i89l velo para este coni^ento ò> hospital ci- 
tlA, que aié entio estivera na Misericórdia 
•Velha e« Rainha Sanla. (SoHrealliseríoór- 
día, tide adiantei) > 



CAS 



175 



O primeiro é a K da cidade e o segundo 
ao N. 

Tem Misericórdia e hospital, o meUior da 
província e dos bons do reino. 

É terra muito fértil e produz muita e boa 
hortaliça. 

Não é muito abundante de fructa, mas a 
<tue ha é de opiima qualidade, principal- 
mente as pêras serôdias, quetéem fama em 
todo o reino. Da bella quinta da Carapálha, 
pertencente ao sr. Domingos Roballo, já tra- 
tei no logar competente. Vide Carapálha. 

Antes de 1834, tinha provedor, correge- 
dor, juiz de fora, juiz da aliandega, juiz dos 
(beires da Ord«m de Cbristo, juiz dos or^ 
phios e camará, ^om seu^ competentes es- 
crivães, meirinhos e porteiros. 

Tinha capitão^mór com 15 companhias, 
5 na cidade e 10 no termo. 

É tradiçlo c^e a 3 kikunetros a E. de 
Castello Branco, existiu á ãntiqpusskna oí- 
dade de Bélcagia, ou cidade dos Belgaios, 
(Vide Belcagia.) entre as ermidas de S. Mar- 
tinho e de Nossa Senhora de Mercules. 

Existem aqui ainda vestígios de requotis^ 
simos edificios. 

Spgundo a mesma tradição, uma epidemia 
assolou esta cidade, ae tal maneira que a 
deitou despovoada; porque os que escapa- 
ram á peste resolveram abandonar este si- 
tio e fundar outra cidade, para o que esco- 
lheram uma pequena montanha, que lhe fi- 
cava a uma légua ao O., onde eítectivameu- 
te fundaram a actual Castello Branco, a que 
ftepois os rqniafios denominaram Castra* 

É certo que a tradição parece conôrmar- 
se por algrâes cippoa com iBscripçò0s.roma- 
nas, que aqui se tem em varias epoeag.efl- 
eontfado. i ; , 

Antes da invenção das armas ^te fogo, era 
a fortaleza de íiasleUo Branco ooAsideiada 
íMxpugDaível. ;Ttiiia iqiaalro pioffias^ o cas- 
tello, e na sua torre de^ menagem (em ífypr 
ma sde i|)iolygona J)(#tafoiio)ii estavam-— as 
armas de Portugal de um Jtfdo ei da outra 
as da Ordem de Christo. 

:Poi o rei DriDiniZy 9ie,emi319t, mandou 
cingir it tilla, de fortes miMi^eom 10 por- 



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176 



CAS 



taS) todas em forma de arco. Estas portas 
foram todas demolidas, por ordem do mi- 
nistério da guerra, de 17 de jalho de 1835. 

Sobre os muros existentes, das vetustas 
muralhas, se vêem alguns mirantes, construí- 
dos por particulares, que estão de posse de 
parte d'ellas. 

Do palácio dos commendadores e do cas- 
tello, apenas hoje existe uma pequena parte, 
que é dependência do bonito lyceu nacio- 
iial, que modernamente se edificou em um 
recinto do castello. É este um dos melho- 
res pontos de vista da cidade, pela vastidão 
de horisonte que d*aqui se descobre, em 
uma ciroumferencia de 30 kilometros de 
raio; vendiose a E-^as povoações de Ida- 
nha Nova, Ladoeiro, Zibreira, Monforte e 
Malpíca; a S., parte da Hespanlia, Marvão, 
Castello de Vide e a gargama do rio Tejo, 
chamada Portas do Ródão, a O., Sarzedas, 
Ninho d' Açor, Tinalhas e S. Vicente; ao N., 
Alcains, Alpedrinha e outras povoações de 
menos importância. 

Aqui esteve D. Diniz e a rainha Santa Isa- 
bel, em 128S, e D. Manuel, em 1510. 

No reinado de D. AÍTonso VI, existiu o 
titulo de visconde de Castello Branco. 

Também no tempo da Senhora D. Maria 
II, houve visconde de Castello Branco. 

No actual reinado do Senhor D. Luiz, tam- 
bém se deu o titulo de conde de Castello 
Branco, ao sr. f riguçiros 

Tem é^ta cidade diligencia, que kli^a 
com Abrantes, Covilhan e outras muitas po- 
voações, 'i ' 

Seu território é ^imdante á^ cereaes, le- 
itraies e fractas. ' ^ n • , 

Faz grande commercio de exportação, de 
excellonte azeite, cortiça, gado suino e ou- 
tros mtiitÒB género». : i 

Tem ma bom 'DÍercado ctuinzenal e duas 
fBiras aniltta«s, uma no !.<" de jaBeíro e oo- 
ira X 4 de outubro. ; i 

' Nos detts montes ba grande abundância 
dôcaçàmiudaL { o 

Os deudbabitante^ sao< laboriosos^ soffre- 
*^ooe^ hospitaleiros e de boa indiQilâ| k^*. 



eAs 

A cidade é salubre, aceada e regular, prin- 
cipalmente a chamada baixa, onde abundam 
praças e bonitos palácios particulares. 

Uma das melhores praças é a denomina- 
"da Deveza, da qual, uma parte, arborísada, 
constituo o passeio publico, servindo ainda 
uma grande parte para largo de paradas, 
de eavallaria n.*" 8. 

Está Castello Branco situada entre as n- 

1 beiras Ponsul e Várzea, e a 20 kilometros 
do Tejo. 

Em 1704, as tropas castelhanas de Philip- 
pe V, tomam e saqueiam a villa (então) de 
Castello Branco; mas pouco tempo estive- 
ram senhores da praça, pois que as tropas 
portuguezas não só a resgataram, expul- 
sando os hespanhoes, mas os levaram nas 
pontas das bayonetas pela Hespanha dentro. 

Distinguiram- se na expulsão dos inimi- 
gos, alguns habitantes da praça, pela sua de- 
dicação e coragem. 

Querem alguns roubar a honra a Braga 
(n*este.;p(HUo) sustentando q^e as nove Ir- 
mãs santas, eram d*aqui, o que segundo io- 
das as provabilidades é erro manifesto, fun- 
dado apenas no roartyrio de Santa Wilge- 
iorte, natural ;d*esta ddade e aqui assassi- 
nada, cujo nomo é eguala uma das nove ir- 
mãs. / 

Havia t aqui antiganoente oinoo feiras: a 
12 de iparço, 25 de abril, dia da Ascençao^ 

2 de agosto e 4 de outubro. Todas duravam 
Om só dia. 

Agora tem as seguintes feiras : i^^^fie ja- 
neiro a .4 de outubro, cada uma dura Ires 
dias, e mercado bi -mensal^' .na L* e 3,' s^ 
gunda leira do -cada mez.' ^. 

Consta que a agua do. poço da Paqueixa- 
da faz despegai! as sanguj^gas daagoellas, 
G quda da Fonte da praça( aura a dôr de 
pedra e ardas. 

Peio ítermo passam QS:riâ9 Pppsi^i Ocre- 
aaíe.Liria. . : . . : 

As ruasf da cidado alta ^em geralestrei- 
tas. e tortuosas, como as de^ toda», as povoa- 
^Õ69iaalâgasvf^bem ulo teeSL^ii&eiosi no- 
táveis. A egreja cathedr^ jera'paç^tepi^e<ir 



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CAS 

fú fM Itofts éOlfièios. Pioa-flie }imto íim 
jil^iktt miiiM ifitéresnate e ft{)nsivel. 

(Adiátite fonárei d*6Bte jardim mais dr- 
«Otnitsliidaéeuiieâte). 

O paço episcopal 6 JardMM, foram manda- 
dos fá^r pelo bispo da Guarda, D. Nono de 
Noronha, para residência de verão, para elie 
« sebs siloêelisores. O biepo de Castello Bfan- 
to D. loão de Mendonça fez muitas obras 
Bo paço e aformoseou os jardins e ^piinta; 
mas actualmente está tudo em grande áeca- 
deàeia e revelando a knalor incúria. 

Temlyeéu. 

Tem por armas, em campo de pílrpura, 
um castef lo de ouro com ires torres ameia- 
ilas. (Escudo coroado). 

fi <iuat^ general da 6.* divisão militar e 
i^taitei de oaviaUaria «. 

Tinha voto em côrt^ com assento no 
fcátfco 7.* 

No mieio da barafunda de «opiniões em que 
nos fazem boiar os nossos antigos escripio- 
res, atrevo-me a emittír também a minha 
ccmciliaímá opinião sobre ã origem d*ésta 
eidade; e é o que judiciosamente se pôde 
cOlligir dos differentes códices. 

É provável que n^esfte sitio edificaram os 
iHMttanos um castello, que, pdk côr branca 
da sua pedra, ou por outra qualquer cir- 
ttimstancia, denominavam Coslra/eúco^, que 
i^r dizer, Gastellos-Brancos. 

Esta fortaleza, e, prova velmehte, a )^ovoa- 
ção contigua, lòí por diversas ve^esdeslroi- 
dá e reconstruida, durante as encarniçadas 
guerras dos lusitanos com os romanos e de- 
IM>ts com os arabee. 

£ preciso porém notarmos que Ptolomeu 
menciona uma cidade da Lusitânia, chama- 
da CflWafeti<?oí (qué, segundo Viterbo, é pa- 
kvra grega, que significa ad albos.) Mas a 
Cátttiiêucòs de Ptolomeu não pdde ser a 
actual CastelloBranco, que está situada en- 
tre o Tejo e o Guadiana. Seria CaMraleucos 
tSúÀ povoação e Cattaleucos outra? Enga- 
nar-se-hia Ptolomeu na posição d*esta cida- 
de, como se enganou em outras? 

Plolômeu, na sua geographia da Penínsu- 
la Ibérica, curou, na maior parte, por infor- 
mações : é por isso que o seu livro está cheio 
de mcorrecções, algumas disparatadas. É 

VOLUME U 



CAS 



m 



todavia mnâ obra veSMranda pelasua^ntí- 
guidade, e, mesllio assim, a melhor que te- 
mos d'aquelles tempos (d*este género) e o 
Itintiwio do imperador Antonino Pio, 

Seja como fôr, o qoe é certo é que oo 
tempo de D. Sancho I, haviam, exactam^te 
^0 sitio Onde hoje está€astello Branco, as 
Tuínas de uma grande povoação (com certeza 
romana) que os antiquários diziam ser a ve^ 
fiia Castraleuco&, e a que o povo chamava 
Cmrdózá, pelos muitos cardos e silvas que 
vegetavam por entre as ruioas. 

O vasto territorrio que circumdava a Car- 
dàzà, cooSlítttia uma magnifica propriedade, 
pertencente a Fernando Sanches, que em 
1209, doou aos templários metade d^ella, 
com toda a sua pwoação, foras e direitas^ e 
metade das egrejas quê no seu termo elle tir 
tíia sdificado e viesse para o fitíuro a edi/L- 
car. 

Etíi iâi4, era da coroa a metade reserva- 
da por Fernando Sanches, pois n'esse anno 
a doaram D. Afonso II, sua mulher, D. Ur- 
raca e seus filhos, D. Sancho e D. Afionso 
(depois reis) e sua filha D. Alionora, aos ca- 
Valleiros da Ordem do Templo. Dava-se-lhe 
então o nome de Villa Franca da Gardoza. 

Os templários reedificaram o antigo cas- 
tello, c(mi grande solidez e muito ampliado, 
8 deram principio á reconstrucção da povoa- 
ção, e persuadidos (erradamente?) que estas 
ruinas eram as de Castraleucos, deram logo 
á povoação o nome de Castello Branco, isto 
é, o. antigo nome traduzido em portuguez. 

O rei, na citada doação, só reservou para 
si a colheita que lhe parecer, quando alli fos- 
se. Pouco depois, estando D. Afionso II na 
Covilhã, confi^nnou a doação, por carta re- 
gia do !.<" de novembro do mesmo anno. 

O papa Innocencio III confirmou aquefia 
doação em 1215; dizendo na bulia *que os 
templários tinham fundado, na fronteira dos 
monros, uma villa e fortaleza, no sitio da 
Cardoza, a que elles deram o nome de Cas- 
tello Branco.^ 

Quando se expediu esta bulia, ainda o 
castello e a villa andavam em construcção. 

Em parte do paço episcopal se estabele- 
ceram depois de 1834, ás differentes repar- 

12 



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^78 



CAS 



tíçdes do governo ci^t do dístricto e da ad- 
ministração « da repartição àehzé»dááo 
^concelho. í 

A quieta do b2spo é uma boa' proprieda- 
de ; porém os jardins episcopaes sao mages- 
tosos e surpreheildentes. Teem lagos, caseá- 
las e tanques sumptuosos. Teem longos lan- 
ços de escadaria, ornamentados cora duas 
-filas de estatuas de pedra, representaado 
apóstolos e reis, que se patenteiam um pri- 
mor de cinzel soíTrivdmente problemático, 
nem por isso deixam de embelecer aquella 
estância. 

Diz, com muita graça, o sr. Manuel Pi- 
nheiro Chagas^ que vou seguindo, na des- 
xripção d*esta quinta, que as taes estatuas 
t vistas de perlo, parecem ter sido feitas por 
vm radical façanhudo, que se encarregasse 
de desacreditar ena pedra, o thronp e o al- 
tar. Dir-se-hiam as folhas soltas de um 
•Punch republicano, que se lembiioil de f m- 
mortalisar em Castello Branco as taricatu- 
tas dos monarcbas e dos santos ^roes da 
egr^*a.» 

- flottve aqui em outro tempo jogos d^agtia, 
como em Yersailles; hoje na uraa-vasiá.da 
melanchotíca. estatua, da «asoala cresce o 
-musgo esverdeando a pedra. Em compensa- 
ção, os canteiros, bem ornados de flores, as 
ruas dos jardins limpas e lisas, attestam a 
sollicitude do jardineiro. i 

Do vetusto e desmantellado casteHo, abran- 
ge a vista uma esplendida paisagem. Correm 
os olhos por vastas e férteis campinas, sul- 
cadas em todas as direcçlfes pelas linhas si- 
nuosas das estradas. 

Em torno de nós jazem as pedras desmo- 
ronadas da antiga fortaleza. Trabalhasse al- 
ii porém em novas construcçdeá. De um la- 
do premedita-se (1874) um observatório me- 
teorológico; do outro lado ergue-sejá, mui- 
to adiantado, um edifício destinado para es- 
cola de instrueçao primaria, que estando 
concluído, será decerto o mais vasto. e 6 de 
mais satisfatórias condições que existe no 
paiz. 

Segundo as observações do sr. Pinheiro 
Chagas, nota-se n*esta cydade uma tendeu- ^ 
eia mergica e profunda para satisfazer ás 



GAâ 

tQugenci|s4á vida moderna;. paru si& roía^ 
per cúm a rotina do passado; par^ secajpir 
nhar na senda do progresso, p p^rase to- 
mar, por todas as formas, a iâiçiati¥a,,pp0 
iuelhoramentos. Muitos d*elles.sao obra do 
s^. Guilhermino de Barros,, que aqui fei al- 
guns, annos governador civil , , ./ 

O ^sylo dos orpl^ãos, foi fundado, no tem- 
po do seu governo e por diligenci33 suas, • 
efficaj^enta protegido pela caritativa famí- 
lia Vaz Preto. 

É um asylo modelo. As cfeanças adqui- 
rem alli uma educação solida e séria, ^stà 
montado com un>a. eoonomia^ com fim aeeio 
e com uma orden inexeediveis. Os rpsto^ doa 
asylados respiram a. alegria e o bem estac. 
• Parece mais uma oasa de família do fue 
um estabelecimento de caridade. As CFoaa- 
ças, privadas do }ar domestico, vão alli ter 
o carinho e conforto, que só os pae^ sabom 
dar. A dirôeç|k> ^ com elles;essen9ci,aln)aita 
paternal. . . r,- 

É innegavel qoe Castellp Brancp deve 
muito ao. sr^iGuiD^un^ino de Barros. Além 
do asylo dos^orphãos, elle fezdes^volvèra 
constniGÇão de varias jeatrad^s^ fuado^ a 
casade banhos, no monte da Touca, e algu- 
mas escolas^ ; 

Foi durante o governo doeste cavalheiro 
que se colleecionaram. importantes memo- 
rias 4ãs difftf rentes povoações do districto, 
etc, etc. Nunca houve em Portugal admi- 
nistra^ção mais fecunda e ii^iciadora do que 
a doeste iHustradíasimo magistradQ : o que é 
geralmente reconhecido por amigos e inimi- 
gos políticos do sr. Barros. 
. O actual governador civil (1874) o sr. João 
José Vaz Preto (cunhado do sr. Guilberqai- 
no)segue-lhe felizmente as pisadas eestà 
fazendo também uma excellente administra- 
ção. , 

Ha n*esta cidade o recolhimento d^ Saala 
Maria Magdalena, principiado pelo bispo 
da Guarda, D. João de Mendonça, e eonclcii- 
do em 1753, pelo sea suc«essor» D, Bernar- 
do António de Mello Osório. 

N*este edifício está actualmente o asylo da 
infância desvalida, que sustenta e educa, per 



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CAS 

<>ra (1874) 24 ereaiças d6. ambos oi sexos. 

O palácio episcopal,, foi i principiado em 
vi590y>por D. Nuno de Noronha; hispo da 
Guarda. 

Hoje está occupado por diversas reparti- 
ções do estado, taes como: seeretaría de go- 
YemO' civil, repartição da: fazenda (do dis- 
4ricto e concelho) secretaria da camiura^ecr 
tíesiastíca, administração do concelho, re- 
partição dos aOiamentos mnnicipaes, typo- 
^raphia, étc. 

Este palácio é digno de vér-se. O ^lão da 
entrada é grandiosof e rico de mármores t 
estuques. / ; 

Do seu Jardim jáiallei; mas accreseenta* 
jFei que é, apesar de deteriorado, umldos 
melhores do reino. Passasse d*elle por um 
viaducto, que corre sobre o Largo d»& João, 
para a quinta «jardipada e bosque, no gosto 
antigét, mas bonita. ; . , 

A Sé, é de simples e ordinária fabrica; 
mas toda de cantaria. A capella do Santíssi- 
mo Sacramento e a sachristia maíor^ qup 
tem 2:364 pés quadrados, são notáveis, e 
dignas de serem vistas. , ' -. 

A Misericórdia de Castello Branco era 
pobre: pctém o venerável e virtuoso Bar- 
tholomeu da Costa, fallecido em 1608, 1e- 
gou-Ihe todos os seus bens, que eram mui>- 
tos e bons, e ó de então que data a prospe- 
ridade d'esta casa; pois que, tendo priiici- 
piado com alguns donativos de bemfeitofes, 
e com uma avultada quantia do rei t>. Ma- 
nud ; âcou tendo, depois do legado de Bar- 
tholomeu da Gosta, um rendimento de três 
contos de réis. Hoje tem uns seis contos de 
rendimento. 

O quartel de cavallaria 8 (caçadores a ca- 
valio) é moderno, e o segundo d*esta arma. 
O antigo foi quasi destruído por um raio^ 
no l.« de agosto de i847; pelo que foi qua- 
si totalmente reedificado. 

Os paços do concelho, ficam no centro da 
cidade, e n*elles está a cadeia publica. Nada 
tem de notável. Foram construídos pelos 
«unos de i6&6. 



CAS 



m 



: Ai>ibUótbeca publicaé soíTrivel. Contem 
8:000 volumes, e possue obras de muito m^h 
recimento. 

Ha aqui dois montepios, o dos lavradores 
e o Idos artistas. 

Ha também uma fabrica, movida a vapor, 
para cardar e fíar lã e para mo^r azeitona • 
cereaes. 

Perto da cidade, ha minas de aiòugue. 

Bntre as varias fontes pubjicas doesta <;!- 
dade^ ha uma« a distancia de 2 kilometros ao 
S., de agua^ férreas, muito recpmmendadaa 
pelos médicos, para certos padecfm^Qtos. t 

A fonte da Graç^, de uma só b!ca, é de 
agua. muito a^tríngente e dizçm qua çpra 
a dôr de pedra- , 

Na, Deveu» existe um poço, ebiainado da 
Páqueixada, cuja agua é boa, seguido dl- 
ms% para acura das inflammações dos olh^^ 
e lem a particularidade de fazer, cahirii]^ 
mediatamente as sanguessugas da gargaota 
doa aolmaes que d>lla bebem. 

£&tre as pessoas illustres nascidas em 
Castello Braoco, ufana^se justamente e^ 
cidade de ser pátria das seguintes (além de 
Santa Wilgi^forte, m^artyr, de que já falíei) 

Frei Roque do Espirito Santo, que recu- 
sou o arcebispado de Goa e os bispados de 
Visen^ Ceuta e Lamego. 

Bartholomeu da Costa, thesoureiro>mór 
da Sé de Lisboa, da família de D. Jorge da 
Costa, (o célebre cardeal de Alpedrinha.) 

O Cardeal da Motta. 

D. José Pinheiro, bispo, de Meli^por. , 

Dr. frei Manuel da Rocha, lente de prima» 
em theologia e auctor do Poutugal Betio^* 

João Velho, procurador no casamento da 
rainha Santa Isabel. 

Francisco Sanches, célebre medico e «au- 
ctor de varias obras da sua profissão. , 

Francisco Xav^r d*Andrade, poeta mys* 
tico. 

Francisco António de Paiva, lente de pri- 
ma, em philosophia, e auctor de um com- 
pendio de zoologia. 



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IBd 



CAS 



Bama, Meior Aê dltr^rsas obrai e «Aolor 
das do papa Bento XIV. 

António Nunes Ribeiro Sanches, doutor 
«kà teediclna, pelas iinlversidades do Coim- 
bra 6 Salamanca, medico do- hospital de 
Ifoscow, e da imperatriz Anna: auctor de 
Varias obras. 

Rodrigo Rcbello, primeiro capilão-mór da 
índia. 

João Evangelista d*Àbreu, mn dqs vidtos 
mais eminentes da engenharia moderna. 

Doutor Joio Rodrigues de CastelloBran- 
tò Xâmato íjusitanc) medico famoso. Pefse^ 
goido pela laqúisi^o, íéi naotrer a Tsala- 
niea,èmi490. 

Aeo)pre!^So de tifisteftòllraftco «oinfiii- 
nha-se de 22 villas, que eram; 

Al^yéAriífiha, Atalayia, Belmonld, Bemposta, 
Òtsíleflo^Bi^nco, GasteUe-Noro, fda^a-Ve^ 
lha, Idanha-Nóva, Monsanto, P«na-<ãa^oi8) 
nhamaéôr, Proença- Velha^ Rotfmanitkhal, 
Sábogal, Salvatérra-do-Bxtremo, Sarzédas^ 
Segura, Sortia, 1Po«ro, S. Vicenle da Bei* 
ra, Villa Velha do Ródão e Zebreira. 

'Aétttálm^te oseú diís^to admhvísfra- 
llvò compSese de 12 concelhos ^e Bãò : 

Belmonte e Govilhan, no bispado da Ooar* 
ida, — Ofeiros, parte no bispado da<}uaixla^ 
imrtè íiò gi^b priorado do CfratO',=hojèpatr*ar- 
(JhádOj-t-Pudfdão, pât*l6 no bispado da €uar^ 
da e parte no deCàstdlo-Branco,— Proen- 
ça a Nova, parte no priorado do Crato e íter- 
te hò bk^ádò de Casteflô Bratwo, — Pefla- 
macôr, parto no bispado da Guarda e parte 
no de Caslello Branco— Certaii, no gr^ prio- 
rado do Grato (patriarchado.) Gastello^ Bran- 
co, Idanha Novd, S. Vicente da Beira, Villa 
fle Rei é VlIIà Velha do Ródão, estes cinco 
nltimos, no bispado de Gastello Branco. 

A cotnarca de Gastello Branco, é formada 
dos julgados de Caslello Branco, S. Vicente 
Qá BeiTa ie Villa Velha^ do Ródão. 

O concelho de Gastello Branco é formado 
ftas 14 fireguezias seguintes: 

Alcains, Bemquerenças, Caféde, Ceb^es 
de Citna, Escallos de Btiixo, Escallos de Ci- 
maj Lardoâa, Lousa, Malpica, Matta,Monfbr- j 
|e, Salgueiro, Sarzedas e Gastello Branco (S^ | 



O bispado eom^rdiMde os eoti6dhot dè 
Gastello Branco, Idanha Noya,S. Vicente da 
Beira» Villa dó Rei e Villa Velha áú «oâão, 
na toa totalidade^ e ^ane dos oonealhoi db 
Fundão, Penamacor e Proença Nova. 

Dou os mais smoeros agraáecimentog iu> 
senhor António Roxo, pelos aprecíaveia w- 
dareeimentos que meeavioti, relativos a^» 
ia cidadow 

GASTELLO DESPINHO — (ou de S. Pedro 
Fins) pKoo notave^ MíbIk>, ft^egiieiia d6 S. 
Pedro-Fins, concefho d' Amares, comalrea ét 
de Vila Verde. 15 kilometros a NO. de Bl^ 
«a, 366 ao N. de Lisboa. 

lEra amigemence da comaroa de Vianii% 
conoeAo de d*&itre*IIomem e Cávado. 

Bstepú») on morro é muito aho épeduego^ 
60, talhado, em partes, quasi prumo, Cria al^ 
gum matto e n'elle pastam aÂi^BS gaios^ 

Tem caça do chão e do ar. 

No seu tope ha vestígios de uma antiquis- 
sima atalaia, e depois também aqtd houve 
um facho. 

Tem vastas e belíssimas vistas. 

GASTELLO DE FARÍA— Vide Faria. 

GASTELLO pS Oinif A«iES*-fr%u^a, 
MÍ9ho, oonsafrea, con^lho, e iaiKo4e ^^ 
marãea, i8 kilometros a NB. de 9raga, 2Q 



Orago S. Miguel archanjo. 

Aarcebispado e districto aàninistrativo d^ 
Braga- 

Vide Guimarães. 

GASiTELLO BfELHOR villa, B^íra Baixa^ 
foi até 185^ da comarca da Héda, co9fielbQ 
dfAlm^ndra, e des^e então *é da comaroa e 
concelho de Villa Nova de FozCôa. 36Í kif 
lometros a NE. de Lisboa, 150 fogos. 

Em 1757 ^enas tinha 89 fogos. £m i660 
tintea 100 fogos. Ignoro a causa d'esta fla^' 
ctuação na população. 
' Qrago o Espirito SantOi * • 

Bispado de Lamego, distrteto administra^* 
tivo da Guarda. 

Foi antigamente da comarca de Pinhel» 
d'onde dista 24 kilometros. 

É cabeça do marquezado de seu titulo^ 
que foi condado. ( O primeiro conde de Caa* 



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GAS 

Mio Ifittior, M Ray Mendes 4e ViHMMel- 
los» feito por Philippe m» em f i de wãtqè 
do Mil.) 

Situaida em wna b«ixa « por Isso sen yiÊf 
tas para outras partes. 

O vigaiio d* Almendra apresentava ammal- 
meme o cora, qao tinha malqneíresde 
tn§^ 6 o pó d*altar. 

Da capella de S. Gabriel, na po»ta de orna 
serra d*tsta fregaecia, se YÔem terras de se- 
%b U^Midos ^portogueeas e hespanlioes^ e 
Ciadad Rodrigo, em CasteUiL 

til torra fértil em oereaes, do mais media- 



GAS 



m 



fadM de yilrpara e prata, e por limtfMii 
leak) preto» láekado das três facbA» da», w- 



Afliígameiite tinha jiií£ ordinário, mas a 
«imara assistia tm AUnendra» Eram seus 
4kmaaaríos os marqnezes de Caitello Melhor. 

Bb um alto, fora da vitta, está um eaa- 
tello com mna barbaean, feito de pedra miil- 
da o desmantelado. Chamasse Castello-Me- 
Ikor, • foi elle quo dev o nome a esta pe- 
^MATiNa* 

Vor o sem termo passa o Douro, e aqui se 
làe Smto o Côa. 

É povoação antiquíssima, mas bSo pade 
mílMP a soa origem. D. Diniz ó que lhe man- 
dou iacer o easteHo, em IS08, e povooa a 

Esta viiia veio para Portugal em dote da 
rainha Santa Isabel, em IML 

Tem um foral veHio^ dado por D* Aflònso 
VIU do Leio (quando a povoa^ era de 
Castella) feito n'esta mesma vitla^ onde en- 
tfo eslava o rei, em fevereiro de IM9^ (Ifa- 
^0 %^ dos foraes antigos^ n.« 9.) 

A 5 kllonetros de dlstaueia ha vsesligíos 
4a uma aaliqulssima povoação, que uns dl- 
99tt lòi a cidade romana de Ikwena^ outros, 
«em aAolbor fon^temento, sustentam quoera 
a cidade episcopal lusitana de Galiabrta. 
Vide Caliabria, Almendra e Crrôs. 

A (áfliilia dos VaseoneeHee, uma das bo* 
Whssllaias de Portugal, procede do eapMo 
IfébbiMo DOS Luêiaâai} MemRodrtgues de 
faseoaceUos, seabor de muitas terraeè gtan- 
* laMo do D. Dinis. Deseeèdia de a Ro- 
dyigbyeilosò, íUhodoD. Ramti^lfl déliOo. 

As mnam dos Vascénoeilo^ aio: ^Mm 
sirtpè prslsv 3 tehát vtiiMai o OoMinvii* 



Pata outras famílias do mesmo a|q[>ellido 
e suas armasv vide Amares. Penella, Porto 
Carreiro e Mafira. 

GASTSLLO MENDO— villa, Beira-Bai»^ 
eomaroa do Sabugal, concelho d*AlQieida» 
i% IdionQOtros ao O. de Yillar-Maior, U ao 
SE. do Pinhel, 349 ao E. de Lisboa, 80 fo^os. 

Em Í7ft7 tinha 100 fogo% a Tilla, oa9 tM 
freguesia que então tioha. O teraiD' tinha 
IMO fogos. 

O eray>acUMi dastges freguezias reuaidnir 
é & Pedro, apostolow 

Bispado de Pinhel, dislrioto adaiiiiisliall* 
vo da Guarda. 

Foi sempre concelho, e era antigameslB 
da comarca de Pinhel. Depois passott^ra 
a do Sabugal. Foi este concelbo sopprhvMo 
pelo decreto da regência^ do H do outubro 
do I8Ò5| e as freguesias que o componham 
(que erafiro esta, Azinhal, Peva, Freiío, Itaih 
quítella, Meute^Paraboloso (ou Pêro Bolso) 
Ade, Cabfeira^ Amoreira, Leomit» Midc^ Si* 
Bonres o Aldeia^Nova) foram anuexadas m 
concelho do SabugaL Emdezeoftbrodo ft8N 
todas e^las freguesias passuram a Cater pa0* 
te do concelho d'Alme«la. 

Está situada em um alto muito firagosi^ 
Dias margens do Gda. 

É cerdtda de muralhas com seis portai. 
Era da coroa. 

Foi fundada por D. Sancho II, em 123^ 
transfeHiido para aqui uma pequena povoa* 
çio que estava na baixa, e dando4he mui- 
tos privilégios, sendo o principal, que seus 
cavalleíros tivessem privilegio de infanções^ 
e seus pides^ privilegio de eavalleiros. 

D. Diniz ampliou a povoação e fUndou o 
casteBo^ pelos amios de i2S5« 

Pl^ippe IV féi condo d'àqui a IX Jeúoiaf 
mo de Neronha, alho segundo do condo da 
Liiihares. (Poueo se gosoU do seU ttoift ébn* 
dado!) > 

Kofé tem s6 uma fíitegnezia (S^ Pedroi apo^ 
tolo) mas antigamente tinha três, todasuMI^ 
to pequenas, que eraikií NoSsa Seiâlora doa 
Remédios (ou SanU Uária) fkykmttm Sw 



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i%t 



CAS 



ÍPcídro^ está uitima fica no nieio^a ViDá. O 
láêpo é que apresentava o abbade, qae tinha 
200^000 réis. Isto segundo o padre Cardo- 
so. O Poiiugal Sacro e Profano dir que fera 
eurà) apresentado pelo abbade de Mesqui- 
tella e que tinlia 6á;000 réis de côngrua e o 
pé d*altar. Em i757 tinha 26 fogos. 

' Nossa Senhora dos Remédios é dentro dos 
muros. O abbade de Moreira apresentava o 
«ura, que tinha Ôi^OOO réis de côngrua e o 
pé tfahar* Em 1757 tlhha 42 fogos.» i» H 

' S. Vicente lambem é intra- muros^^e of prioY 
de S. Vicente de Fora, de Lisboa, é que íipte- 
«entava o vigário, que tinha 40A000 féis, 
segundo o padre Cardoso; ma^ o Portugal 
Sktcro e Ptofano áh que era cura, da apre- 
sentação do reitor de Pêro Bolso, e tinha 
6*000 réis e o pé d'altar. Em 1757 tinha 32 
fogos, i . 1 ' 

Tinha }niz ordíaario, vereadores emais 
^ffie£aes do concelho. 
< Tem Miseiicordia e hospital. 
' É fértil e cria muito gado. Ha por estes 
sítios muita caça. 
O seu cástello era muito forte. 
Tinha foral antigo, dado em Toum, por 
D. Sancha II, a, 16 de março de 1229, e co»- 
fttnade n*esta villa (estando áqui o riei) por 
I>. DSoiz, a 16 de dezembro de 1281. D. Ma- 
nuel lhe deu foral novo, em Santaren», a 1 
de Junho de 15t0. (Gaveta 15, maço 3,'n.* 
9— Livro !.•, de Doações do Senhor rei D. 
Dinix^. fl. 38v v., coL l.«— Livro dos foiíaes 
novos da Beira, fl. 6, v., col. l.« 

Todos os auctores sào eoncoíides 

em dizer que D. Sancho fundou esta 

villa em 1239, pelo que, o foral velho 

que elle deu, em 1229, foi á antíga 

povoação ()ue estava na baixa, e que 

foi transferida para aqui, com o seu 

foral e privilégios. 

Den-selhe o nome de Caslello Mendo, por 

se chamar Mendo o primevo aleaide-m6r do 

tea eastello. 

GA8TBLL0 DO NEIVA— fregueiia, Minho, 
•omarca e concelho de Vianna, 24 kilomd- 
Iros ao O. de Braga, 360 ao K ét Usboa, 
MOfdgos. 

£m i7(^7 tinha 190 fogos. 
.: ârH[oâ.>TMago Maior. 



eAs 

' Aroebisf)ado dè Braga, districto ^dihinls^ 
irativo deiYianna. 

Era antigamente da comarca dô Bf^ga, 
termo de Barcello^ terceira parte da visita 
de Nóbrega e Neiva. 

O arcebispo de Braga apresentava o ab- 
bade, que tinha de renda 1:000^000 réis. 

É terra fértil e ena muito gado. É abua*> 
dante de peixe. 

'Está situada na costa, <e pela fregoccia 
passad xip Neiva, que aqui mesmo se metce 
no mar ao S. do Lima. ^ . ) 

D. Manuel lhe deu foral, em Lisboa; a* 20 
de novembro de 1516. É o foral d'Aguiar« 

O noÉie d*csta íreguezia provém de um 
antiquíssimo eastello que tinha na foz do 
rio (de que hoje não ha vestígios) e òúvh 
Neiva. Chamava^se antigamente Aguiar: do 
Neiva. . 

Fui villa, no reinado de D* Joào L 1^- 
cou-se por Santa Cruz do Douro, ea(ce.lX 
João de Soaltiâes, bispo de Lisboa e D. Mar- 
tinho, arcebispo de Braga, em tempo de D. 
Diniz (1307). > 

CÁSTELLO NGYO ^ villa. Beira Baixa, 
comarca e centelho ^lo Fundão, 60 Idlome- 
tros da Guarda, 240 a E. de Lisboa, 230í)>> 

gDS. 

Em 1757 tinha 170 fogoB. 

Orago Nossa Senhora da Graça. 

Bispado e districto administrativo de Cás- 
tello Branco. 

Era antigamente concelho, da comarca de 
Cástello Branco; depoie passou a ser con* 
celho de Alpedrinha, comarca do Fundão, a 
finalmente (em 1836) concelho d^estattltíon 
villa. Fica 30 kiiometros ao N. de CasteUo 
Branco e 12 a E. da villa de S. Vicente da 
Beira. 

Era da eoròa. 

D. Pedro Soeiro e sua muiher Ausenda 
Soares» então donatários d*e8ta villa, e pro^ 
ge&Uores dos actnaes bardes de Ca$teilaKo«> 
vo, lhe divam foral, sem data, no seenlo XIIL 

O ultimo baroo de Gaslelio Nofc^.era eo^ 
roBel do bataUião^ de voluntários realistai, àê 
Cástello Branco e Penamacor. Per BeatíUé* 
eimentalhe suceedeu seu filho, pnmogemlo, o 
m D.P#dr»d*Qrdai Caldeira Queiroi é^Ntà* 



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Mared^cpíi» foJf^Kpitiodo icnesmo bàtailMo 
de seu pae) e que níú tem .querido ser bâr 
lío, féftó pelos liberâes. ^ 

D. Maintiel lhe deu iKm) f(ipàl, em Santa- 
rém, no !.• de junho de 1510. (Livro de ío- 
raes novos da Beira, 11. Í9, côl. I.-) . 

O vigário era freire de Ghristo e apreieii'' 
lado peta Mesa da Consciência eOrdensiTi^ 
nha de porsão, 75 sílqueirefs de trigo, 75 de 
«èiitéfiêl 20^000 referem dinheiro, 37 Vi al^ 
mudes def vinho e doUquein^^ e^ô quaniilu)» 
db áí^ite; iTinha úm eb^djutor, da mçsma 
npresentaçao, eom íLforsõo de SO alqueires 
de tHg^ e e^MOO réis em^ diniieif cv 

Tem Míséríe<nrdía. 

É terra ' fértil ; prodor "muita e óptimo vi* 
bho e eastatiha. 

A 8 kilometros da vllla, « E., haiunaca^ 
fliélla fimdada pelos; lemplaritoe, no dftouio 
XII,' na^ qual se venera a imagem de Nossa 
Senhora do Mosteiro; e a de S. Braz. Esta 
capella está no centro' de uma antiquissima 
eii^dosa mafta dfrca8|aiifaeiros.í 

Foi cabbça de julgado, com juiz de fora» 
camará (cem tres< vereadores) proòurador do 
•onc^o, esoMvies; ettw 

No eemtn da vUlai ha um eastello antigo, 
decantaria, emnnnass fondido por. IXDi^ 
m^p^lodannos de liÒO, segundo ims^ ese-^ 
gundo outros, é mais antigo e foi fundado 
por o dito D. P)edro Sodro. 

Passa 'aqui á ribeira Alpreade^ 

Esta vlfla está situada nas faldas da serra 
dtOai^unha. 

A^va antiga casada camará e cadeia, es- 
tão hoje reduzidas' a theatro e^escola de |»1- 
iKíra» iettras. . v 
' 'l^egado á ex^casa da camará ha um char 
fuír aèundante, com as^ armas de Portugal, 
muito antigo. 

Ha aqui febricas dè saragoças e buMs. 

A melhor casa da ^lla e arredores, é a 
é08 srs: Saraluuis. fTinha um cedro mons* 
Iráoso e amli^aissimo,' queseccoufom 1864.) 

È mvHo «otavel um outro chafiiriz que 
tem cm nb kitfo^ aberto em rotha viva; 
€ii}a'!tgtta sae alli mesmo do rochedo om 
AOBdancàa • d»optima^qnalidadb. 

'^iFoi é»aR)ilBèo Mbrs^oB Portugal 



GA& 



i^a 



i^ocede^das Asturi^ (Hespaiiha). Troúz^o^ 
a P^artugal Fernão Alvares de Queiroz, se**. 
nhor da casa de Moz, na Gajliza, que per», 
deu, por seguir o partido de D. Fernando, 
de PorlogaL Sua íitha única D. Leonor Al- 
vares de Queiroz, casou cem Vasco Fernan- 
des de Gouveia, alcáide-mór de Castelio Ro- 
drigo, por D. João I. Suas armas, são: es- 
cudo de prata, esquartelado, no 1.*» e 4.*', seis 
er^oentes de púrpura^ em duas palas; no 
%flie.Z,% lítn leãpide púrpura, armado dq 
negro. Elmo d*aço, cerrado, e por timbre, o 
leão do escudo, com um crescente de ouro 
na espádua. . 

Nos manuscriptos da livraria dos srs. du- 
ques de Palmella, vem as ármks dos Quei- 
rozes dèseriptas na forma seguinte : escuda 
esquartelado, no !.• e 4.* quartel deouroí 
e no 2.0 ê 3." de prata, teão ífêul^ armado e 
lampassado de púrpmra. Elmo de^prata aber- 
to. Timbre, tntío leão das' armas. • ,<■• t 

Outroé Quehrozes traiem pòr airmas, toi 
campo de prata, dnco cabeças de donzeUasí, 
por outras tantas que os eavalleiros é^esto 
Appellido, ém Portugal, salvaram do poder 
dos mouros, aos quaes eram arrastadas t>elo 
in&me tributo iaslituido por o usurpado^ 
godo Mauregato. (Vide Fígueitedo das DOrí 
nas.) ! 

OuU^ do mesmo ap^Uido, trazem por 
armas: em campo de púrpura,. cinco cabe* 
ças de dbnzella, de prata, em aspa; talvez 
que estas fossem aà primeiras armas d^esta^ 
família, antes das alliançaa. 

Ainda outros, também procedentes da$ 
Astúrias, trazem : em /campo do prata, dtlas 
chaves aisucs, em aspa, entre quatro flores 
de Hz, da mesiâa côr, ireiein chefe e uma 
no- :o(Mitractaefo e quatro rosas de púrpura, 
duas de cada lado« Orlado mesmo, carrega- 
da de oito aspas de ouro. 

Outros trazem as chaves entre seis cader* 
nas de crescentes de ptirpura, e em chefe, 
tres flores de liz de ouro. 

Valladares é também appellido muitano- 
bre em Portugal. Não se sabe se foi idaído 
poi^ algum senhor á viUa de Yalladares, no 
AHo Minho, se dielia o lomou. 
. O primeiro que se hcha d*este appelttdo» 
é D. Soeyro Árias de Yalladares^ que se dls^ 



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181 



GAS 



tiognia nas dius bataliiaft que^AD 

dia (i8 de abril de li7i) se rencenoD janta 

á cidade de Blja« 

De D. LoittençaSoares de Valladare^ pto- 
eedeM qoasi todos os reis da Buropa^ polr 
soa neta, a rainha IX Ignez de Cintra. 

Vem por armas, oaj^Yallaidaves: eaendo 
esquartellado, no i.* e V de asul, ud» leão 
de prata» lampassado de pik*para; no 1* e 
3.* eaoaquetado de prata e púrpura, de seis 
peçat em íadia e seis em pala. Tind^re, um 
leio de prata» com a C9di>eça escaqoetada de 
pilfpura e prata. ^ 

Outros do mesmo appellido, usa» as ar- 
Bias dos Soutos Maiores. 

84BTELL0 B£ PAIVA (vulgacmente FAIr 
¥A)— conceUio, Doniroy oomarea e tt kilo^ 
melros a NO. de Aroucs^ 96 a & do Porlo, 
B^ a N. de Lisboa, no eoneelbo i:790 16^ 
fM^cm ft freguesias, qK são : Fonios^Bair* 
ros, S. Pedro do Paraixo^ Real, Raiva, Pédo* 
rido, Sante liaria da Sardoor a» ^ Martiaho 
da Swdonra c Sobradar (Bsla ulMma é villa 
o espitial do concelho.) 

IK Manuel lhe deu florai^ no i.* de desembvo 
áa iftia. (L.^ doa Cwaea novos da Minho, fl. 
kit, çaL i.») Serve tamhsi piva EBpidoea» 
eiiveira do Arda, Oliveira Reguenga» Pódo- 
rido, Real, Rio Douro, S. Pedro do Paraiw, 
âaidaora, (Sa*fa Iferia e Sl Martialia) o a 
viila e freguesia de Sobrado. 
^ É do bispada de Lamego, que fica 40 ki* 
loaelros ao ESB., o do^ dislnctoadminiBlia!^ 
tivo de Aveiro, ^ue fica S5 kilometra» a 
08D. 

Beta dividida d» exiineto coneelha de & 
Fina (hoje Sía£àes) pela rio Paiva; de eonee- 
lha de Arouca por varias serras; do e^diacto 
«ancelho de Fermedo (boje Arouca e Fcíca) 
pelo rio Arda (á CKcepcão da fregueua de 
Pádorído, que fica ao O. d'e8te rio^ vindo 
entioa divisão a aer á serra de Gabido*) 

Oito Dourolimí|ae8teconcelbopeloN.eNQi 

Quatro freguezias etaao na margem esquer^ 
«da do Douro, aâo: Fomosi Sardoura» Raiva 
-ePédorido. 

O que diz respeita a cada uma d'estas froí 
guezias, vae na logar oonpateata; e a qpia 
iianaice á capllsd do conoelha a li^^a, 
^m en Sobrada. 



Aeate aoaselhn em iffit^K p6d»fl>iro>ir? 
sa«lh0 a Sttiesa portugAeia* 

Tem lindos e ferteiavalh», moi^tanhaac^l* 
eantUada^ lindos oMNitee a cab^gM^oies- 
cos. , , 

É abundaatissimo d'agua» poía.c^npivi 
ik'elfte immensoa ribeiros e regalos^ q«a; o n^> 
gam a íevtilisaini a niaY»a nwilas awahof . 
e lagareade aseRo e sâamotorea dafabriqi/l 
de pi4>eL Todoa estas.iibeiroaaqiii iwam 
e morreoa no Douro, Paiva e Afda. 

& pois esto coaaelho ftrtUisslpiQ em tod» 
a qualidade de ceraaie^ fracta^i tegwnwft 
hortaliças^ a ptodoa molla & ^timi^ vinbt 
verde. Também produz baatantisaieitai tal- 
vez a melhor de Portui^. OpUma e mpta 
castanha e muitíssima cereja* Pradui mif^ 
mel a eéra e «ia imUa gado; da Ioda a qpa- 
lidada^ sobratndo opáimoa bailados qmMi 
uma (prania paiie sa asparia pai^ %In|^ 
tamu 

Ha aqui muita eafa. 

É incontasiavel qua os; catoa fiaMnpa k$h 
ga habita^ n'«ate pau, p(»ad'eillflabafliai- 
tos vestígios» senda aa «saia soláveis aamé^ 
moas de Monte Grande^ próxima a Sarradái^ 
lo, a muitas atUai am diOeremas parles. 
Tatnbem t^m vBiéas aidiíMa nos noates dg 
Grei d*Anda» sendo algunaas6aopM|idia 
da quartao (seixípi> 

Na freguezia daFoiDOS^ aèaisa d^ logaf 
do Castello, no sitio obamdo GaeleMo da 
Baixo (au Inferno) tem, mesma aetane a mar- 
gem do Douro, um nótabilissíma ifcihaoiW 
muiio maior do qua nenhum da PaUagaL 
(Yi^e CaaieUo de Paúra, aldeia.) 

Tem também antiguidades ramanav 99Íã 
^pe na aldeia de Fundões ^U^eguazia «to ia- 
brado) ha as nmas de um templo Mmaaa» 
e na aldeia de Felgueiras (da mesBia tB9n 
gueaia) teamappareaido paàdM padaça^de 
mosaica. Em Gervide (da aMsmalregnegia) 
ha orna capeUa, qaa foi evidenlementacM* 
quita arabo, a no ^noala daiÇamita (aMi 
da Cregunua de Sobrado) ara wn fl t wya t n r 
(oemiMifl^ «rsb^ do qiasi^ ^«Ai a lgnBtti 
s(^ui|ttr»8k feítaa em ro^bedp^ astaiw Mir 
feito estadi» di af»MNrf^.(aaiaâMMb 
se as nao desfizereuL) 

Bgneii^iimiiiht «iM»4»t»daa fMli* 



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eAs 



CAS 



èatedi Bietaes (aéfse anéMD apetqiiBAf ânas 
dtehaoibo nat he§mmu da. Raâv» • è^** 
doara) e uma gcand* iBina da oa^nrio dftpet 
én, €8» 13 kitometros de egiteoaSa; poia 
principiando na serra de BarMHoy HMrre na 
âragaezia de Póderído (cfointa de Ctemn- 
ée) alraresaanéo as Ci«£^ieiiaa do f af«iaú^ 
Real^ Raiva e Pédorído. 

Ha <^tiiiia ardósia (kyiisa) em Gliiralla • 
iNoito e bom granito do meio do eonoeUK) 
para E. e NE. 

É notável o seguinte: No Porto 
e até Avintes (Douro acima) ba 
oi^fano graniio. D*abi^ snlnndo o 
Douro, desappareee esta qualidade 
de pedra, por espaço da 30 kilo- 
metros^ até ás oélebres f eàm ds 
Linliares (que já sâa toda» de gra* 
Bito) e só ha diflferentes' espécies 
de sctoéé. Deilinharea paia cima 
continua a gráitíto> até ásinunedia- 
^9ès da Regna. 

É de notar que estas differaitei 
qualidades de pedra (granito e 
sehisto) sepMui fonas paraMIas^ 
de NE. a SO. 

fla muitos annas que n*estd ooBceHiaeoMs* 
to uma Mieanriçaâa guetrapeuoãi, qpa to- 
lhe o progresso moral e mateiial d*<st*bel^ 
lissímo e saudahiMssimo pai^ digno de me- 
lhor sorte. 

te os iufiuemim de Paiva tivesesm miais 
•amor à terra abençoada, que os viu BasMt» 
e menos à^ sévúldas^ meiquinlM» e ridieu- 
las intírigafl^ o seu eoneelho seria^ osm toda 
a eerteia, um dos mais floresoetttee da Por* 

As oamaras d'iM}uiy h» lalvei maia dei %ò 
dâAos, ião teem gastaé» {í^réis em nenlMi- 
mà «âista de obras de ntíHd^d» para o màr 
nicipkv (flera em nenhumas^ nwsmo imitei^ 
4e modo que a única roa daeapilal docon- 
^eik» é um bdce estreito, torio et mmnm, 
nie passando, de inverno^ desuna immmwle 
lagoeipp. 

Aq«illo a que aqui se dáioiumade e^ 
nadas, vàa é mais do qae «matwtivMMlt 
de barrancos e precipícios, a a despn^pdo 
4MIÍU ¥è^oiti«ida.ftti4ar poiialú^ vasem 



pm^ oónstèBto ds «smigalhaff os. oisoa^ 
Estive em. Paiva três amos : nunoa lomal 
parte, %em p&lh mmbras^ nas auas falrijaii 
Fittí sempre optimamente bem tratado par 
0effQ9- e tmicmoã, o que eordealmenla aqaí 
Ums agradeça; nem O que digo acima é pa^ 
ra oOènder os paívenses, anles é uaaa pr«N 
va âaqaamaiBtevesso pelo sen b^m eelai^ 
e uma tentativa para o esquecim«itA dd 
ódios vdhoa e. para uma ammtíia gfnU* 
(Vida Sebra4o de Paiva.) 

CASnua Bfi VálVA— aUeiv DMPg^ 
freguezia de Foiaoi, eonoelbisi do Gaalelia 
de Paiv^ eoHMíca de Arouca, 36 kileaielros 
ao B. ds ForU), %I0 ao N. de Lisboa^ tí» fer 



Bispado da Lamagd^ dteUiciA admínistia* 
Mva de Aveiro. 

£ uma pevoa^ pineresoa» sltoadasotit 
a margem esquerda do Uosn» e muto feft 
liL 

Em firento d*esu aldeiarBa meio 4k>loB» 
ro, está um morro obaMido e CaateUo* De 
verâo communica com a peivoacãa por ama 
Uflgoa da areiam aMsne inverno é umitteu. 

i teadiçia qaa n^eeto m^na havia imi 
oastelto de mouros^ Eii fui lá» em IMI, e 
nao vi no seu tope mais doqaanna r e tl m 
dos naftvnoa^ W^ wioa de lóra, na verda- 
de, parecem as ruinas de um pequeno eaa^ 
lettíx Nà» ha alU vestígios da edíftcâa algum. 
Todaíiia o noma daClaeteUoé bamuitaasa» 
Gttlee dada a este mto*o, e d*elie laeiotta 
nome a povaa^ e doesta o coacelhe^ 

A eafiitat d'eUe (8ebrado> fica ao címada 
serra f&m e^ basq está a povoafãa^ a 3 
kNoniegrQS3ao*& 

à p^voaçio^ mnila antiga, mas a SMáir 
parte daa sms easas saa novas, peequafna 
proepeioda mmto eii aessos dias^ 

Os celtas babiiaram ai^ pois 400 a IM 
metoos abaixada povoação^ no sitio «iiaiiui- 
do por uns Castetto do Baião o por outrea 
Inferno (nama mal poste^ porque o sicto é 
aló beoMeO^lm ivnMiaaii siQgKte» V&ltar 
lha a lagem (oa «ilia^ sovecieiv <|aa daii|a 
ter maia da M metiosi qpai> r adqs. Seta jMtar 
11% qaa psrasem eaUdoà a^^ n  mUn é oÊ im 
iaoMM>pelo atrito caaaado pateacacrentsi^ 
de forma cylindrica, sustentavam a áia» W 



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m 



CAS^ '^ 



mê$a, Dè um atestes pilèresi só existe a^pai^ 
te inferior, os mais estão perfeitos: Não elram 
monotythas, pois são feitos de três ou qua? 
tro peças cada um, com as Juntas tão cer^ 
tus, que bem demonstram o empr^go^^e 
tnstrumentos defefro. Pertence portanto aos 
dúknens de ura época mais moderna do que 
a maior parte dds que existem na mossaPe^ 
ninsula. 

Em frente d-este dohnm, é um ponto al- 
guma cousa perigoso dò rio, pelos muitos 
eaiháos que tem éspáRiadòsf pôr éHa, a que 
chamam as Pedras da Rua. 

O rio Paiva 4esagiia no Douro }uiito àpoí- 
voa^ do CasteUOj-e divide a fréguezia de 
Fornos, de Paiva, da de Souzéllo, do conce- 
lho e comarca de SiD^s. (Yid0 Fornos.)* 

GASTEI LO DE PENALVA ou PENALVA 
DO CASTELLO— villa. Beira' Aila, comarca 
de Mangualde, concelho de Penai va do Cas- 
leJIo, 24 kilometros ao E. de Viseu, 288 áo 
Ni de Lisboa, 470 fogos. 
* Em Í7I{7 linha 90 fogos* 

Orago S. Pedro, 

Bispadoedistricloadministratlvode Viseu. 

>Era antigamente da comarca de Viseu. 

Situada em um alto monte» d'onde se vêem 
varias povoações. 

A parochia foi antigamente oollegiada; es- 
tá dentro da povoação. 

Os marquezes de Cascaes apresenáivam o 
abbade e este apresentava id egrejas filiaes, 
das quaes recebia os dízimos. O seu retídi- 
mento excedia a 1:200^MK)0 réis. 

Fka n*e8ta fréguezia a serra- da Peramu- 
na, na qual ha vestígios de uma grande po* 
voação antiga, que, segundo a tradição, foi 
tMade romana; mas eu entenda que são as 
ruínas da antiga povoação chamada Villa 
Nova de Penalva, ou Villa Nova d* Sepul- 
ehro. Vide Traneozéllo. •■ 

O rio Dão rega a maior parte d'esta fire- 
gnezia, que é muito fertil. 

Note-se que Castéllo dePenalva é onome 
4a fpegoetía e Penalva o da vitta. GonsU 
ipie D. Sancho II lhe deu foral, em 1200; 
nas; julgo que é étto. D. Ibaraelihe deu fo- 
n],^m Lisboa, a 10 de fevereiro de i5ti. 
fbJ^ dos fbraes novos da Beirã, fl. 106 ▼. 



GÁS 

Dizr^ que o nooníe «ttie provem de vnn an<^ 
tiquissimo èastello que aqui havia sobre 
uma rocha, e do qual não ha vestígios. Ou« 
tro9 dizem qne do cestello que havia, na sei^ 
ra da P^amuna. > 

CASTÉLLO PICÃO ^Ha na Extremadura 
duas aldeias d*este nome, uma no termo d& 
Lisboa, fréguezia do & Miguel do Milhará^ 
do, fértil em cereaes e muito vime, ouirajia 
termo de Almada, fréguezia de Caparicaa 
também ferlil. . ^ 

A primeira é ao N. do Tqo e a segunda 
ao S. 

Também em lisboa (no bairro de Alfama) 
ho um sitio, d 'este nome. í 

CASTÉLLO RODRIGO— villa. Beira Bai- 
xa, comarca de Pinhel, concelho da Figuei- 
ra de Castéllo Rodrigo, 18 kilometros ao NE. 
de Pinhel, 16 ao N. de Almeida, 6 ao S. de 
Escalhão, 348 a K de Lisboa, 100 fogos. 

Em 1757 thifaa 70 fogos. 

Orago Nossa Senhora do Beclamador, ou 
Roque Amador. 

Em 1660 tinha 250 fogos. Se R. M. da Sil- 
va, ou o padre Cardoso se não enganaram 
(o que ó muito provável) não sei a que at- 
tribuir tão rápido deerescimento de popu- 
lação^ em tão pouco tempo. í 

Bispado de Pmhel, districto adminâstraU*^ 
vo da Guarda. 

Foi antigamente da comarca de PinbeJL t 

Situada sobre uma alta collina isolada. ^ 

Foi fundada pelos Turdulo^iK)0 amio^ 
antes de Jesus Cfaristo. 

D. Sancho I a tomou aos mouros, pessoaU 
mente e aqui mesmo Ibe deu foral, em se« 
tembro de 1209. 

O primeiro rei portuguez que tirou esta 
villa do poder do mouros, povoando-a.de 
ehristãot e fundando-^lhe o. convento, foi D*. 
Aflònso Henriques, em 1170; mas tomou a 
perdar^se, ataque seu filho a resgatou. 

Coiú as guerras entre christãos e mouros 
tomou a arruinane, e a mandou reedificai^ 
e povoar D. Diniz em 1296, fazendo4he aot* 
tão um forte castéllo. Tornou a despovoar^ 
se e a tomou a reedificar D. MafiHel^ 'em 
áttOB^ dando^lhe foral, em Santarém, ena âft 
dè junho doesse amMK < 

Foi cabeça de cgnáado; d^ por PhiUp- 



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eA3 

pe U, em 1690, a D. Chr istovio 46 Moura 
porCuguei traidor á pátria» e poricafisequen- 
cía seu grande valido. Foi depois marque» 
zado, dado ao mesmo, por Philippe III, que 
o ler também grande de Hespanha, 

Para a origem doeste appeilído e suas ar- 
mas, vide Moura, viUa. 

Para a genealogia dos marcfuezes de Gas- 
tdlo Rodrigo, vide Guarda, artigo ^arftotóo. 
i A vílla está assente solM-e uma alta eoUi- ^ 
tíA »olada^pelo que seu dima éiiesabrido. 

É cercada de muralhas, com id torres (6 
ao S., 3 ao £., 2 ao N. e 2 ao O.) 
t É também cercada de Masos. Tem um 
eastello, com' sua torre de mmagemy do can- 
lalia, de extraordinária grandeza e altnra. 
É quadrada e tem 6janellasr(t^a(la«e gra- 
deias de ferro. 

Dentro de tastello está o palácio que mai^- 
dou fazer o tal D. Ghristovâo de Moura^em 
1090^ obra âe> grande prinaor; mas estiem 
rlúnas.^ 

Feito á custa* do suor e do sangue dos 
porluguezes, .que eHe detorava wtth alma 
nem oonscienda. Mas também, em 164Ç^ o 
povo foi -se ao palácio e queimou- o.; 

No sitio de Alvacar, tem uma ctatel^na 
•om 69 degraus, aberta em mármore. 
' A fortaleza tem duas portas (a do âo/ e a 
iiòAherca,) k entrada da porta de Alverea 
ba um poço de eantaria, muito íundoe^eom 
sduila^agua em todo o tempo. 

A- inatris eátá bo meio da villa. 

O bispo de Lamego apresentava o reitor, 
^ue tinha lOJiOOO TéiB e or pé 4*&lur. .; 

Tem Misericórdia. 

Tíkiha governador militar, ]uiz de fora e 
•amara, tudo feito peto rei. 

Era isenta dé pagar porugem. 

Tuha aasento edi cortes, no banto il.* 

Teve mna feira nos terceiros doratogos de 
•Ilda mez; mas pela escabrosidade do sitio 
•ra pouco concorrida, pelo que se mudou 
<ha tiOusft de 20D aonos) para a Figueira: de 
Castello Rodrigo. 

Peno dá vUia lia uma.abizndaBtíssima 
laBte»^q«e.réga multas hortas • oanpos^ 

A.«gua do eba£ari£do GavaUo^ diaim qiM 
tem a virtude de curar dôr de pedra. 



GAS 



187 



É terra amUo abundante de aguas e fert 
til^ Jfuito gado e caça; , . ^ r 

A lidOO metros da» villa é a secra da Mo- 
r6fa, muitOíalta. r 

No mais alto â^lkL ha vestígios 4e murof 
e é tradição que alli foi a primitiva funda- 
^ d*esta villa. . . 

Suppõe-se que o primeiro seu nome 
era Aguiar, depois que se lhe construiu 
a tonrerse chamou aiorre de ^j^i«n Quando 
D. Diná ftzo Castello^, poz« pqr ^Icaide-inór 
d'elle a um tal Rodrigo, de quem a villa herr 
dou o sobrencMue^ i 

Parece que este Rodrigo é progepitor.do? 
escondes de FontetAreada; pelo menos 9n- 
douísempre n^eHesaalcai^aria-mór de Cas- 
tello Rodrigo. ;) 

Tand>em a distancia de 1:500 metros^ pa- 
ra E. é o coQ^ento que foi de bernardos, de 
^Nossa Senhora d'Apiiar, ou da Ribefa*a; 
fundado por D. AÍTonso I^em .ti70, q^mdo 
povoou a villa. 

N'este eoi^veu^ víyeu, morreu e jostá se- 
pultado p célebre chronista fr. Bearnardo de 
Biito. Tauri)«m se«hama a^ste convento de 
Sanjla María da Torre de Aguiar. . 

Proxhno corre o rio Aguiar. 
; Foi doinfantoD. Pedro,, filho de D. Aftonr 
#0 o Sábio, de GasteUai. Depois foi do infan^ 
te D. Fernando, filho dp rei D. MaQuel* de 
Portugal^ depois passou a ser da casa do iur 
fantado. f 

Em um manuscripto gothico que existia 
no cartório da camará ,d*esta villa, se rela^ta 
a historia d'ella. Não o transcrevo^ para evi- 
tar repetições» pois diz o que aqui fica dita 

Nao sei se ainda existe este documento, 
que já no tempo de João Bernardo Falcão 
de Mendonça (que o leu) estava muito es- 
tragado e em parte iUegiveL 

Em i^O, 08 ingleies, a pretexto da coo- 
strueçaedeom hospital railitar^que, diiiam 
elles, queriam construir próximo ao cour 
vento de Santa Maria de Aguiar, extra- 
muros; desmoronaram as fortifioaçdes, que 
•ilãò todaa arruinadaa. r 

Junto a esta villa, o general hespanhol 
4kiqu« d*Osennfty que a ceroaia com 4:000 
mfaates^ 700 oavallOA.fvJS(i peças d*iirtilfcie* 
ria, e D. João d*Aa8tria, que o veio soceor* 



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18S 



CAS 



im^ foram derrotaik» pdo lUwtrs 6 ralo- 
rosissimo porta gaez Pedro Ja^nei d» IbgR^ 
mies, qoo eominandava f :Mi iiiMiiteê^ e 
XSOO cavallos, além de 150 soldados do goar- 
fti^ en 7 de julho d^ 1644. 

EMâ iMUalht foi á*da na esplanada (jao 
•e estende nas visinhanças do eastello^ éí^ 
éo o convento até ao rio AfáM. AMa ho- 
je áo sitio da acção se chama a Salgadeth. 
s^ ilK> s oldadoe da guatvíçio tndiam sua- 
fentado o ceroo eom o maior desodo. Os 
castelhanos iearam quasí lodos mortos^ fe- 
ridos ou prisioneiros. Ossona ftigki vesílido 
doíMk 

Jimto á Matta de Loboa está nm padi^o 
nemorando me foito glorioso, o ao tal pa* 
drao se chama Cruz de Pedro Jú^im$é 

D. JoSto d'Anslria, se ^ii eseapM* eom tí- 
da, fàgia também vertido de frado. 

Poi a ttUima inrasSo dos caatelhaAo» na 
filem dòs %7 annofi. 

Aa armas de Caatellô Rodrigo é nm es- 
fndo com as armas de Portugal, ao rsvec 
(do eor6a e escndo com o do ehn* para ha»- 
xo). Foi um doa castigo» que infligiu D. 
João I a esta lilla, porcpie os seua bábílan- 
Ma, segtlíndo o partido de D. Beatrii» mu- 
lher de D. João I de Gastella^ recusaram, em 
1385, a entrada na praça ao rei portugnei, 
^ando por aqui passou, em direeçto àCksh 
res, 

D» Joio I de hntugal fl» o eaalello d*èsta 
tflla sujeito ao de Pinhel, eom certof aenri- 
Qoa humilhantes, qtie Pinhel foi deixando 
perder. Aeata poroação (Pinhel) deuaquel- 
lo rei o homroso titulo de^^lriMttUhiiM^r 
é9$ têimê de PortH§al, 

Parece que pelo glorioso feito do IM4 do- 
veria ficar remido o castigo do tempo do D. 
Mio I e tomatse^lhe a plVr o eectido das 
quiuas áa dírsUds; maa esqÉoeau. S6 Híf iií 
dido o título de Notêvei no foral novo. 

Foi muttoa annoa (mais de d seeuloe) e»- 
pital de concelho; maa for oausa da aifo* 
feaa da sua^ poaiçioi pela aua éeeadeMia, o 
porque a povoado da PIgaeim foi ptogra^ 
^íbAo^ se mudou pata aqui á cÉbiça d» <•»> 



eAs 

(¥Me Figueira da Caatello Rodrigo.) 

fiâSflUA K TIM9---Iivgueai% jUorn- 
MjO. Yé-ae^eata flregunla a fl. 150 do toako 
i« do Pori. Booro § Profano. Segudâa oieu 
auctor (o dr. Paulo Diaa do Niza) tem por 
orago Nossa Senhora da Aununeiaçio^ è o 
parocho era prior apresentado por el-rei, 
pelo frihunat da Mesa da Consdeacia^ o 
tii^ de renda 3 moios do trigo, doiadoea- 
vada e ^NtfOOO néie em dinheiro. Dista de 
Lisboa t7 leguàs, o d'£lvaa aeia. Tém 311 
fofloa 

Não vejo ^ta fi«guezia em mato parte al- 
guma» o ealeudo que é manifesto augana do 
Portugal Sacro. 

Bslon persuadido que o auctor confaudta 
GabéQO de Vido com CaiteHo de Vida, apot 
este nome em logar d*aqueUe; meémo por» 
quo nSo traz Cahéço do Vide. Esta flreguazfa 
é no Alemtejo, eoncelho de Aher do ChU^ 
eomarca de Fronteira^ bispado da W/9U, 
dístricto administrativo dePortalegre^ leUda 
par orago Nossa Senhora daa Candeias 

Finaloenle^ nio consta que Jamais am 
Portugal houveaae povoação algnauí daua^ 
minada Caatello de Vido senão a vllla ae^ 
guinto. 

Ainda mai% o reudiUieaio qua dà o p»> 
dfe Cardoso ao prior do Gahéço da Tide é 
exaetamonto o quo o Portwgaí Saero ê- Ptê- 
fimo dá a esto Casulfo do VMe. 

Entendo pois fioar pleHamenta provada 
que similhante fínegneiia do Gaetitto de Vi- 
de, nunca exietiu^ 

CASniXO ra YSDZ^yrmá, Aknits}oi 
comarca de Portalegre, d*ondé disla M ki- 
lometroe a NB., 6 a O. de Marvãoi, H da 
raia, 190 ao SB. da Liehoa, 1:474 fogoa, 
6:000 almas, emi3 fraguezias, (9. João Ba- 
ptista, Santa Maria e S. Thiago) na aattidho 
1:690 fogos. 

Bm iMO tinha na villa SOafegus. 

Bispado e distríoto adniaistndfvo áa 
Portalegfe. 

Bm situação elevada^ nu enooata de um 
monte da serra de Portalegre^ 

fpatvoa^ amiquiasínia» notare istta- 
ofl^temporanea da P(ort>a*€9$mrta^ paia 
aniea dTMa didade air deMaidl^ já exiltia 
avilla. 



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Diz-se até «ae é dai nutís tAtigai poioa- 
1}dM do Atem^Jo, pois qoe /á exístit áiHM 

Pedro Aimes lhe deu foral em 1480 6 De 
Diniz «m 1310 (não falia d^Het FratikKm.) 
D. Manuel lhe deu, foml boto, em Lisboa» 
DO, i.» de )nnM de i542; o qoal serve tam- 
tem para Aleogullo, Fonte de MâfCkiho e 
Prado. 

O seu nome primittivo era Vala de Vide, 
segando ons, e segundo outros era Kttiia 
Di9iâ9. Os primeiros dizem que o nome, (om 
^obreBOkne) lhe proi^io de ona grande vU 
de qoe havia no siiio onde ae fundou o eas*- 
tello <é certo fue sã suas armas sSo uroavi^ 
úb ooncaoéo um caslelle) os segundos dí- 
cem que se^hamou Divide, por eslarivo- 
xímo da divisão de Portugal e CasleUa. 

É oereadia de muralhas, oom ^luatro por- 



QíA&. 



tm 



Em Í7á0 foiçara aqui tnuâdo imi Mie 
pórtico de cantaria lavrada, que foi da aiiti^ 
fa dídade de Hedobiiga, para substituir a 
stmlga porta de carro docastello, e por isso 
te ficou chamando porta de Âramenha (Ara« 
manha é o nome moderno da cidade de Me* 
dobriga). Para evitar repetições, vide Ara» 
saeiiba no logar competente. 

Tem um forte castelio antiquíssimo (pro* 
vavehnente do tempo dos romanos) que IX 
Diniz reedíOcon ou concertou, e Áie íéz a 
torre de menagem em i^S9. 

Outros dizem qae castelio, torre emura^ 
lhas é tudo obra de D. Biniz; mas ó maiB 
]^vavel que elle só reconstruísse o eastel* 
lo, e fizesse de novo as roais obras de de- 
fesa. 

D. AÍTonso III deu esta viila a sei^ filho, ò 
infante D. Afrdflso;mas D. Diniz^ irmão d^^s- 
te, não esteve pela doação paterna^ e por 
vezes poz cerco ao oastollo. Qaiz o infante 
cercar a vílkt de muralhas, para so defen- 
der do rei; mas este ih*o impediu á força 
de armas (i)^). 

O infante D. Affonso pretendia 

ser o rei legitimo de Portugal, 

por seu irmão nsais velho (D. 

Diniz) ter nascido antes de seus 
. . pães obterem dL«(pensa de Roma 

e por ter sido gerado (I) em vida 



ia^onékuamnkme de £e/M^ 

primeim nmlher de D. À/fomo 

UL O relk por fim cercou o iiip 

faate em Arronches, ne metme 

anno de Í2tt7; mas soa mulbei; 

a rainha Sanu Icabel, oompaz 

entío as desavenças eotre soa 

marido e cunhado. 

Depois de D. Diniz estar aenhor pacifice 

d^esla praça, é que lhe fez a tom de mena« 

gem e a oeroou de muraUu^ em i289, eo^ 

mo jà disse. 

Os hespanhoes occnpacam esta praça em 
1704, destruindo-lhe as fortificações* 

Em 1710 foram não só reedificadas, maa 
lambem «Qgmcntaites todas as obras de de- 
Ibm da praça; perém, apesar de tio moder* 
nas, estas obras estão, pelo abandono e deet 
maséio, ^n eslado de grande mímL 

A firegnetia de Santa Maria da Derez^ 
ou da Assumpção, foi primeiro uma ca* 
pella, edifioada em 13dl^ por Lourenço Pi* 
res e sua mulher Domingas Joannes. Tem 1^ 
altares. / 

Esta freguezia, em 171^7, tinha 1:098 fo^ 
fpes;hoj0 apenas tem 960. 

O Portu^ Sacro e Ptofátw diz que San- 
ta Maria da Devem tinha 110 fogos. É im 
faUivelmente órro. > 

O padroado real apresentava o paroch<v 
qne tinha {SOJK)00 réis e o pó d*altar. 

A fregoezia de S. João Baptista era da 
Ordem de. Malta e commenda daslreiras 
malcezas de Estremoz (que parece foram as 
fundadoras da egreja). O grão-príor do Gra^ 
to ó que apresentava o prior. 

Tinha em 1757 486 fogos, hoje tiem Wi. 

A^regueoia de:S. Thiagq era do padroa* 
do real, e tinha em 1757 MO fogos, e hoje 
só tem 222. 

Teempois estas 3 ffeguezias, ém 1874, 
480 fogos menes do que tinham em 1757. 

Oparocho da firegnezia de S. Thiagoé 
prior^ e era também prior da villa da Pó- 
voa, onde tinha um cura. 

Os dÃzimos da Póvoa e Meadas eram to- 
dos das egrejas d'esta villa de Castelio de 
Vide, partidos assim — em três montes 
eguaes: um terço de um numte para as dif 



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190 



GÂS' 



griidades da Ckiành) (por ter sido Portale- 
gre antigametite d*este bispado) e dos dois 
86 faziam 7 partes, 5 d^ellas para o bispo de 
Portalegre e dáas parra o seu «abido. Os ou- 
tros dois terços do ptiácipal, se partiam em 
Z quinhões; doeste tinha um a eommenda e 
beneficiados de Santa Maria da Deveza, e 
os dois que restavam se subdividiam em 5 
partes, das quaes duas eram para a fábrica 
da Sé da Guarda,- duas para o prior de S. 
Thiàgo e uma para o prior de S. João Ba- 
ptista. 

Os priores de S. Jòâo Baptista e S. Thià- 
go vinham a ter unsiftòOlíOOO réi$ de ren> 
dimento. ; i 

-'Tem hospital e Misericórdia que, uo rei- 
nado de D. Manuel, instituiuMiguel Gonti^i- 
ras na egi^a de Santo Amara 

O capital da Misericórdia é de 60 contos, 
a tem (bem como varias confrarias e irman- 
dade^ encargos de dotes para casamentos e 
outros actos >de beneficência, para socgoíto 
dos desvalidos. 

Ha ta tibem n'esta villa um recolhimento 
para velhas f pobres» 

Tinha dois conventos de frades^ um de 
Nossa Senhora da Gonceiçio, ôereoolétos de 
ft. Francisco, da piovincia dos Algarvès, e 
outro de Nossa Senhora da Yíctoria, de hos> 
pitaldros de S. João de Deus, que é hosp^ 
tal actualmente (do primeiro logo fallarei). 
' Estando o hospital da Misericórdia muito 
arruinado, foi abandonado, transferindo^se 
os doentes e repartições d*elle, em 8 de de- 
zembro de Í8ò5, para o convento de S. João 
de Deus, que fora hospital militar. 

Principiou<seaquino castelk), um conven- 
to para freiras, que estava quasi conj^lúido 
em 1750; mas M embargado e não se che- 
gou a povoar. 

Tem doij recolhimentos para mulheres 
pobres, um de velhas e donzellas beatas, 
fundado por C>priano de Torres, adminis- 
trado pela Misericórdia; o outro recolhimen- 
to não sei como se chama. 

Tinha (e não sei se ainda tem) uma alber- 
garia (de S. Domingos) com um bom vincu- 
lo, que a camará d*esta villa nomeava em 
um homem nobre^ I 



íCAS 

T&m a egreja do Espirito Santo, na qual, 
em i700, o abbade Manuel Carrilho de Mat- 
tos instituiu uma collegíada, com rendas pa- 
ra seis beneficiados. 

Dehtro da villa e nos arrabaldes ha nada 
menos de 20 eapellas. 

A casa da camará é um óptimo edtfieio. 

O castello é vasto, e dentro d'elie assis- 
tem multas familias (ornas i50). 

É terra fertilissima em toda a qualidade 
de cereaes e legumes, muita e óptima fro- 
cta, excellente vinho, muito gado (sódesul- 
tío exporta annualmente de 7 a 8:000 ca- 
beças, com o que faz um commercio im- 
portantíssimo). A carne de porco d'aqui tem 
fama em todo o reino e no Braail. Produz 
taosbem muito e bom azeite, o tem muita 
lenha nos seus vastíssimos montados. 

l^em uma fonte de agua exoellente dentro 
dos muros, e outra fora, chamada da Mea* 
Ihada, cuja agua dizem que cura as, dores 
nefriticas. 

, Cercam esta villa as ribeiras de Vide • 
S. João, que amenisam e tomam fertilisai- 
mos 08 seus arrabaldes; e fazem mover 
moinhos, azenhas, lagares de azeite epi- 
zdes. 

Teve uma grande fabrica de pannos^ tom 
70 teares, na qual se faziam annuaknente 
mais de 6:000 téas. Ha na villa e termo mais 
de 300 fontes. 

Finalmente, todos os arrabaldes d*esta vil- 
lA, formados por quintas, hortas, campos o 
pomares, são deliciosos. 

Ainda aqui se fabricam muitos pannoa^ 
que se exportam. 

Ha aqui também óptima hortaliça e mui- 
ta castanha. 

Os seus montes téem muita caça. 

Tem uma feira muito concorrida, a 10 de 
agosto, que dura três dias. 

Eram alcaides-móres do seu castello, os 
condes do Sabugal, que também eram mei- 
rinhos-mórcs. (Por isso aos condes do Sabu- 
gal se dava vulgarmente ò titulo de condo 
meirlnho-mór.) 

Era da coroa, com privilegio de não sahr 
d*ella, nem de se fazerem aqui soldados; 
mas com obrigação de defenderem a praça 
em tempo de guerra. 



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CAS 

Tinha .vota em. côrles, eom assoito: no 
banco ll.« .. . .; 

Até 1834, tinha juiz de fora (que era lam- 
bem juiz das sizas e direitos reaes) eamara, 
escrívãeS) etc. . 

, Tinha no eoncelho C24»tik)rmóre i4 com- 
panhias de ordenanças. 

• Foi aqui juiz de fóra, António Diniz da 
Cruz e Silva, distineto e bem conhecido poe- 
ta portuguez. Vide, para isto, Lisboa^ 

Aqui nasceu, a 12 de julho de 17.80, José 
Xavier Mousinho da Silveira, formado «m 
direito pela Universidade de Coiad)Fa. Ser* 
viu differentes legares de magistratura e.foi 
ministro da fazenda em 1823. Emigrou para 
a Ilha Terceira em 1828, e lá escreveu essa 
unaltidão de decretos, datados da Terceira, 
cm 1832. , 

; Foi ministro da Senhor D.Pedro, na^ Ter- 
ceira, em 1832, saindo do flunisteFio no 1.* 
de janeiro de 1833, p^a ser dire<^or gturjal 
das alfandegas: do reino. 
. : Em 1840. retirouf se á vida prhada, mor- 
rendo em Lisboa a 4 de abril de, i849, ; 

Mousinho da Silveira era homem detpilU- 
to talento e seria um óptimo reformador com 
governos mais patriotas, prudentes e- justos:; 
porque foi sempre e ineontestav^mente um 
varão, que a par de muita iUustração, tinha 
muita honra e probidade. Vae^diante^que 
diz respeito ao seu appellido e armas. 

Âsylo de Nossa Senhora da Esperança — 
Na parte mais meridional da villa, se ergua 
o magestoso edifício que foi dos frades reco- 
létos. É hoje o asylo de Nossa Senhora da 
Esperança, monumento venerando e respei- 
tável, sobretudo pòr ser a primeira institui- 
^ piedosa que em Portugal se destina ex- 
dcoivamente a dar asylo, sustento e vestuá- 
rio a cegos de ambos os sexos. 

O nome do bacharel João Diogo Juzarte 
de Sequeira Sameiro, natural doesta villa, 
será perpetuamente venerando aos portu- 
gueies, como um dos mais gloriosos bemfei- 
tores da humanidade. Foi este Ínclito varão 
o fundador do asylo dos cegos, sem carecer 
de alheio amparo ou ajuda, e exclusivamen- 



QiS 



m 



te fundado á isna «usfia, no que díspendeu 
quasi iOÔ contos de réis. 

Era loão Diogd de uma familia nobre^ ppis' 
seu pae (Manuel Dionísio Carrilho de S«^ 
quei») era 7.^ neto de Diogo AfTonso de Se- 
queira^ que viveu na segunda metade do sé- 
culo XV. Havia casado com D. Joanna-Ga- 
tharina Xavier da Costa Juzarte, havendo 
d*este casamento 18 filhos, alguns dos quaes 
^garam totalmente, outros padeceram mais 
OU! menos da vista, menos o maisjoovo dos 
filhos, José Godinho Juzarte de Sequeira Ssí- 
meiro. 

O instituidor achando-se na edade de 56 
annos, solteiro erieo, casou com sua sobri- 
iiha,^ D. Helena Isabel de Barros GasteUo 
Branco. 

Tiveram um filho, que apenas viveu mo- 
mentos, e* ainda mais dois que morreram aa- 
tes de Tf^r a luz do dia. 

Desenganado João Diogo de que não po- 
dia ter familia própria, enão ignorando, pe- 
li> exemplo de seus irmãos e d*elle, a tna- 
4eza que a cegueira infunde, decomèinaçiD 
com sua mulher, concebeu o grandioso, e 
caritativa projecto de fundar um asylo para 
ee(ro9 de ambos t os sexos, sob a invocação 
de Nossa Senhora da Esperança. 

Entendeu que o convento que tinha sido 
d6i frades franciscanos (recoletos) sob a in- 
vocação de Nossa Senhora da Concei^, 
^tava nó caso de servir para o seu piedo- 
sissimo intento. O edificio estava em ruinas 
e dividido em duas partes, uma perteniDente 
tíb mhiisterio da fazenda, outra ao daguer- 
t&;eBS desmanteladas fortificações da villa 
(qne foi praça de guerra) circumscrevendo 
a povf açã<v não lhe davam logar a uma no- 
va edificação. . 

.Em vista destas difficuldades, resolveu 
João Diogo esperar que o convento fosse á 
praça; mas proOurou estabelecer provisoria- 
mente o seu asylo no edificio abandonado 
da antiga Misericórdia, o que conseguiu da 
administração d'esta santa casa, e foi con- 
firmado por carta regia de i8 de abril de 
i856. 

- João Diogo eslava velho e viuvo, e co|ne- 
çou logo a reparar o velho edificio, e no dia 
(sempre grato e sempre memorável para 



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m 



CAS 



m/Ih imu) to de julbo €e 1663, M laaúga* 
rado o asylo, sendo ji nVlle coflittetiioraído 
« primeiro atmivénarío da vittwÊí éo insti- 
tvldelr. 

CelebroaHse eom o maior iiúAV^^ íeu) ma- 
fBsCoso templo da Misericórdia, a oeremonia 
«efigiosa da inauguração, com ^tuiifo oeigas 
« dois cegos. 

A oamara, todas as pessoas príndpaes e 
povo da viila assistiram a este aotocommo- 
^nte, « á noite todos os edificios se íikuni- 
ttram éspontàneameilte. 

De accordo com seu irmão José Godintio, 
it«digia «s estatutos do estabeleeimento,^ue 
éíáou de 25 de março de tôdâ, oàquaes fo- 
mn confirmados por deer^o âe^5 de ou- 
tubro de i866. 

Eseríptos os estatutos^ mandou lavrai* o 
•testamento e o mais que respeitava â insti- 
tuição do asylo, no principio de junbo de 
i865. 

Sessenta dias depois (7 de agosto) era ca- 
4aver ! Oonsummou a sua grande obra e ex- 
tÍDgui«i-se-lhe a vida, como se mais nada ti- 
vesse a fazer n'este nnndol 

João Diogo deu ao asylo todas as siuas ri- 
quezas, com excepção de pequenos legados, 
e encarregou seu irmão José Godinho da 
adminlstraçio do estabelecimento. 

José Godinho elevou a 23 o numero dós 
asylados, e comproti o convento doS.Fran- 
^00 para o estabelecimento definitivo d^ei^ 
les. 

Arrematou primeiro a parte do oòavonto 
que pertencia ao ministério da fazenda (que 
foi a que primeiro se poz em praça) e jul- 
gando que ninguém lhe feria coneorrencia 
á outra metade, em vista do Hm caritativo 
para que era destinado, preparou os mate- 
tiaes e planeou a obra para todo o ediíieio. 

Seis mezes depois foi posta em- praça a 
metade que pertencia ffo ministério da g«er- 
ite, e «qual foi o et^panto e indignação geral, 
quando viram um oppositor, qué por acinte 
elevou o prédio a um preço muito superior 
ao seu valor 1 

Foi este concorrente de uma espécie sin- 
gular, o sr. Manuel Caetano de Barros (an- 
tigo amigo de José Godinho) pessoa distin- 
cta e muito relacionada, de Portalegre, que 



CAS 

assim fleoQ eom esta |iarte da propriedade, 
que lhe era completamente inútil, por umi 
graâde quantia. 

Todos os parentes 6 os mais íntimos Mni*^ 
gos do sr. Barros, e que tinham levado mui» 
to a màlo seu inqualificável prooedihiento, 
instaram com elle para ceder do seu eápriv 
cho e vender, pelo preço que quizesse, a Jo- 
sé Godinho uma cousa que para nada lhe 
servia; mas elle despresou todas as propôs*^ 
tas e empenhos. 

Passando casualmente em Castello de Yi^ 
ã» o «r. €aHos José Caldeira (irmão do sr. 
José liaria do Caisal Ribeiro, hoje conde dé 
Casal Ribeiro) e sabendo d*esta òifrra dosh. 
Barros, foi a Portafegré, empregando quan^ 
tos ai^umentos lhe lembraram para o reso^^ 
ver á venda. 

p sr. Barros respondeu-lhe termUiaflalei* 
mente que, por dinheiro nenhum venãérim a 
prédio em questão, mas que o dava desde 
logo ao sr. Caldeira, que d'elle podia dispor 
edmo e para o que quizesse. 

Isto foi em julho de 4866, e logo no dia 
seguinte lhe fèz o «r. Barros doação tegai^ 
pura, Irrevogável e Incondicional <do prédio 
da questão. 

O sr. Barros allegava certos aggravos que 
havia reeebido de. José Godinho. Se aquelle 
«avalheiro oommetteu um erro, ninguém 
jiinâao reparou mais nobremente. 

O sr. Caldeira o doou logo ao asylo, que 
assim adquiriu gratuitamente o resto de 
edificio de que tanto precisava. 

Não (bi este o único obstáculo, outro se 
levantou ainda maior. 

- O instttaiidor dizia no seu testamento, que 
oaducando o le^db ao asylo, passaria aos 
seus herdenroi naturaes, dividindo-se eái 
três montes, um para José Goditího, outro 
para sua innã (virtuosa e respeitável reli- 
gissa no convento de freiras bernarda de 
Portalegre) outro para ser dividido por vá- 
rios representantas de um fallecido teretiro 
irmão do testador. 

Foram estes suppostos herdeiros de um 
dos três montes^ que proposeram acção em 
juízo contra o asylo. 

É talvez o pleito mais notável e singular 
que se tem ventilado no foro porluguez. 



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José Godinho defende tenazmente os direi- 
tos incontestáveis do asylo, vindo assim a 
«ustentar com ^ maior obstinação (secunda- 
do por a dita sua irmã) um direito que, an- 
níquilado, o tornava e a elJa, a cada um com 
uma parte egual a todos os auctoresi 

£ra uma espécie áe ganha-perde \uTÍáico, 
em que os dois vencidos ficavam incontes- 
tavelmente vencedores. Era José Godinho e 
5ua irmã a negarem por todos os meios que 
as leis lhes poisam suggerir, o direito que 
cada um d*elles tinha à bagatella de uns 30 
e tantos contos de réi^ direito que os seus 
contrários lhes queriam por força conferir! 

Este acto de José Godinho e de sua vir- 
tuosa irmã é nobiiis3imo e não se eommen- 
ta. Referido, estão feitos todos os encómios. 

O asy lo venceu a demanda, a contento geral. 

O governo premiou José Godinho coi;n a 
commenda de Christo, em 22 de outubro de 
1867, por occasião da transferencia do asylò 
para a sua nova casa. 

O estabelecimento é vasto, aceiado e com 
ludo quanto é preciso para as suas necessi- 
dades. Tem um grande deposito 4*2igua, uma 
enfermaria para homens, outra para mulhe- 
res, dois grandes dormitórios para homens, 
Ires para mulheres, um parlatorío para ca^ 
da sexo (com fogões que se accenden; no 
iuverno) duas varandas ou terraços, dois re- 
feitórios, grande cosinha, dispensas, etc. 

Todas as habitações de ambos es sexos 
estão separadas, e os asylados só se reúnem 
todos no coro da egreja, para assistirem á 
missa e orações diárias. 

O edifício forma um quadrado, com um 
claustro no centro, guarnecido de^^olumnas 
de <xtntaria. 

. Os leitos são de ferro e a roupa branca 
lo^ de linho. O vestuário é uniforme. To- 
dos os asylados trazem no peito uma meda)- 
Iha com Nossa ^hora da Esperança» pro- 
tectora do asylo. 

Téem duas refeições áMa^ (ás 9 da ma- 
nlíã e 3 da tarde) abundantes e iiutríentes. 
ÇoioQem carne quatro diai^ em cada seipana. 

Por em quanto tem capacidade para uns 
60 asylados; mas para o.futiiro, ^nnexan- 
do-se-lhe a egreja do convento (que impro- 
priamente serve agora de capella do eemi- 

VOLUMBU 



CA$ 



193 



terío) e as casas da fazenda nacional, qu» 
por ora occupa a ordem terceira, pôde con- 
ter muito maior numero. 

Gastaram-se uns i5 contos com as obras 
d'este edifício, para onde os ceguinhos fo* 
ram transferidos no dia 22 de setembro át 
i867. Foi outro dia de grande regosijo para 
Castello de Vide, que estava embandeirada 
e as janellas guarnecidas de ricas telas. 

Os asylados foram em procissão para o 
seu novo domicilio, indo um anjo a condu- 
zir pela mão cada dois ceguinhos. A imagem 
da Virgem da Esperança, ves tida de sumptuo- 
sas roupas, bordadas a ouro, hia em um 
sumptuoso andor. 

(Tenho pena de não poder descrever miu- 
damente tão esplendida quanto comovedora 
e imponente festividade. Muitos olhos d*am- 
bos os sexos derramavam temas lagrimas. 

De Portalegre e de outras varias terras 
veio muita gente assistir. 

O sr. Carlos José Caldeira e sua esposa, a 
snr." D. Gertrudes da Conceição Caldeira, 
que também quiseram assistir, levavam pé- 
la mão, aquelle um cego e esta uma cégá. 

As philármonicas de Castello de Vide e 
de Gaffete, abrilhantaram a solemnidade, 
tocando (gratuitamente) o hymno do insti- 
tuidor, intitulado •A columna de bronze* o 
da Padroeira, e outras varias peças escolhi- 
das do seu reportório. 

Acabamos de ver tudo quanto de grande 
e generoso te n havido na instituição d*este 
asylo ; mas ai ! toda a medalha tem o sea 
reverso 1 — Todas as obras dos mortaes, teem 
deteitos! 

Em um jornal politico qua S3 publica 
actualmente em Lisboa, intitulado Jot-nal da 
Noite, lé-se (ém o numero 175, de ^5 e 
26 de julho de i87i) em um communicado 
legalmente reconhecido, datado de Castello 
de Vide (de 21 do dito mez e anno) assigna- 
áo pelo snr. João Marques Canário, em^ue 
este.se queixa urò< et orbi, do seguinte^ 
. « Óue, apezar dos differentes artigos íau- 
datorios, publicados pela imprensa, á admi- 
nistração do asylo, esta tem delapidado es- 
escandalosamente o património do estabeta*» 
j!Ímento.> 

i3 



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iÚ 



ÍDAè 



tQae muita gente sabia, e nlo era até 
ignorado pelos poderes públicos, qde os bens 
do asylo eram muito menos o património 
tfelle que o dos seus administradores e in- 
culcados protectores.» 

' «Que José Godinho deu largas ao róubò 
dò àsylo, vendendo alguns píedios e occul- 
tándo tias respectivas escrií)lura's grande 
parte dos preços ajustados.» 

«Que morrendo José Godinho no primei- 
ro de julho de 187!, aproveitou os últimos 
instantes da sua vida para, por seu pi^òcn- 
rador, assignar dois dias antes de sua ihor- 
le (I) uma escriptdra de venda de lodoâ os 
bens que ainda nâo linha vendido e que es- 
tavam avaliados (baratos como é costume) 
no inventario legal por 67:777i>800 féis, 
yendendo-os por menos de metade, íktò ^ 
por 33 contos de réis.» 

«Que no inven tario' occul tavá váloVes im- 
portantes em prédios, dinheiro ç gaddsi» 

«Que ainda por cima íorarn' esses oens 
vendidos com a clausula expressa dé que o 
prfeço âcaría na mào do comprador mutua- 
do, ç^m o vencimento de juros do 5 p. é. ao 
a»hò, sendo o capitai somente pago quatido 
D.cpmprador quizer oii Ihç convier.V0 

«Que Caídeíra, inculcadaum dos maiores 
protectores do asylo, era o mais favorecido 
asylado do estabeleci m(?nto^ que havia mui- 
to tempo que elle e a sua família tinham no 
f^^lo hospedaria jg^raluita. Iodas as vezes 
.^e, queriam ií tomar a fresca para Cas- 
íello de Vide.» ' ' ' / ; ^ ' 

. «pue o tal Caldeira comprou por 3á con- 
xos o que valia pelo menos, ÔO.» . / ' ,' 
,, j ^Que devendo pagar . de iurps no ásyío 4 
^í^ntos de r/éí^ poránnof (em\Ísl'a'ào'v3lor 




féis ánnual. f^ 

,_,,.« Que é ma is çómmodçv contrabandear cojfi 
oé bens ^p asylp, do que cpui cofies àésc!d'a!i 
^ ,*Que José iSodinhp declarou em seu tes- 
ún^enio feito ábofà da morte" kiiièérka(í- 
míái^tijador sem responsabilidade (é era, se- 
gundo o testamento de sèu santo irmão,' qilfe 
tinha n'eíle ampla confiança) e que se havia 
feito a si mesmo (!) arrendamento dos Ifèíià 



íGJ^S 

do asjflo, pela renda annual de 050^000 rs' 
(dos qúáes só se virá a pagar menos dé me^ 
lade, at tendendo à fórmá do pagamento) è 
qhe portanto os rendimentos de 1871 éraift 
da stik fkmitia e não do asylo.» 

«Qiíé no dia do f^illecimento do admímV 
ti^ador Godinho, não linha o asylo um fcal 
cont que comprasse O isústènto dos cegos, 
vendo- se a nova adminiíjtraçao obrigada, pa* 
raiáltt, a recorrerá caridade publica, de que 
aíndà se está aproveitando.* 

Até aqUi o commúriicado. 

Xá vôém oS leitoreá que semelhante acctt- 
sa^ãó é grávisálttia e qtie os próprios co- 
mentários são áobre liiodo mélihdrosòs. 

íéhios de um lado, uirla nódoa infí^man- 
tò, qiic se quer lançai* sobre pessoal dô 
titná clevadáiiosição da èocíedâde. 

temos Ô*omtò lado um homeni que Vem 
à imprensa 'convicta &o qde a^'ança, e tão 
cònviètoi 'qhe não trepida eríi se sujeitar k& 
consequências legaes do seu artigo. 

Será òsnr. Canário um calumtíiádór? 

Faria o snr. Caldeira a stia philanttopidi 
joi^ada à l^orlalegre, a casa do snr: Farroí^ 
para depois èxf^nr dOs tHstes cegos tão éxa- 
è^eràdà i^ccòmpénsa ? Defenderia José Godi*- 
nho cbib tanta tenacidade, contra òi seuà 
píifentes, a legalidade do testamento do iéti 
saWo irniao, para no flrà de contas, Sef^ à 
sua família a herdéii^a Universal dos bfensíá 
á'^5lo, com excltíáão de sfaa irraan'e'sobri- 
'flíiós?~Isto é~èm logar de Herdeiro dè 
um Vó dos líiôntes dá herança do fa^udaiioí* 
do asylo, copuo lhe' aconteceria se ò testa- 
mento doeste fe'e àhnííliisâé, levaria eiín níira 
ser áhtól herdeiro dõ'S'ir6á? "'' * 

Poderia, juridicamente fallandò, pi^áíicar 
tâp (k)báràé 'expòlia^çaô, Úo insigiic trahiiia, 
'ííindadò ák' kua irf espoíísaliilidádd aámtóiâ'- 

MtiVay'''''--;:^''''^ ;*■--'• ■' - -■: 

telonávetód^ifaiítósàiàrl ' 

Custa a crer que o snr. Cânaríp se 'à^^i- 
tó^asse. a dal* tâ^^ grande tiibríéiiJade ãV- 
mantíáííáiumníá, seín refeeiò áo casligoT ' 
' Cúka a èref quiè 'bàjâ'tó do% KotóMíâ tS6 
pouco eiscfupuiósiiàcòtrto eílè^dfescreVe Cal- 
aérrae Godinho! ' ^ ! " ^ , " ;' 
. pkémpòuósd^encàlíatÍL' ' !' ' 



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eÀS 

Ainda estávÉm quentes as dnzas do earí- 
-doso le&tádor « ji' seas pretendidos ^^reín*' 
fios forçadoi empregava» todos os meiôÊTiri- 
tectos para anlqnllarem a obra caridosa 
do snr. doutor João Dfógo. 

Friifetrados porém esies meios^ appareceu 
o extenso libello no respectivo tríbanal, em 
1867. 

Apesar dè Indo, o íntegerrímo juiz de di- 
reito de Portalegre, profòriu a sentença a fa- 
Tor dos réoè; isio'é jalgíanSo vàtide o testa- 
mento e por consequência o legado e insti- 
tuiçào do asylo. '" " 

Os auctoresapp^IIaram para a relnçàp de 
Lisboa; porem esle digno iríbonal, poif ac- 
cordào de 27 de junhp de 1868, coriíifmou 
plenamente a sentença da primeira iàstán^ 

Entreposto pelos auclores o recurso de 
revista^, para o Supremo tribunal de iustlça, 
íoi revogada a decisão i^a segunda instân- 
cia, por accordào de 21 de àezembro de Í869, 
à qual o ajdijainlstradúr do asylo oppoz êin- 
iMurgòs de falsa cíiusa. / 

\ A resposta do sr. doutor Caetano''díô ^èi- 
^as Vasconçelios, ajudante do procurador 
geral da coroa, aos embargos do asyto, pd- 
r^nte o supremo tribunal de justiça^ eqiie 
se vé a tí. 24Í dos áulos^^èhobílissijtía^e re- 
vela o ma^ profui^do côiibeciíiíenlo tfi iíro 
portoguez e umá ^érmeneatica incóÀtesta- 

:i^'" Y^ ; \[r\ ■ " ; .^ ;\;^;';: 

Não posso reisístir ã tentação' de tfaáscr'^- 

ver para esta obra (registo de todaâ'as ú- 

j^^ T^i^ ^^randçs„d^;portUj^a^zef) o 

^ulliDçio período dí^, resposta 4o sr* dcjíntpr 

Seixas, .EiiV. q . . , ,, ' ' '', ,M '"',;,' ■ 

jj, «Pediqaos d4,cuííf^.dfi,extensao^4|> np^^^^^ 

,f j^^âbài^o ; moveji-nõ? ai>enas. ^ oprigaçao 

'^% 4o o0iç^o, e um senti oieçítc) npbríi^^in^é- ; 

.tires^ peia. ;caqs^ .' ^d,{Ji\iQ\\t^^^^^ 

•ía,'ou . p ,?icc^so ; piçi vou .^os , b-^ijepçíos fta 

^fíiW e dos bfefl9 da ^funa. São dQsvfiJií^os^ 

•por miijlQ satiçfeilp^ nos darei^jp^ sè, com 

ias íinnasáa justiça' Conseguirmos epxilgar 

^•a^s Ja^gf ^m^^ ^mm m]m. .(^ssignadp) 

«ceilos.» . . , r 

Apesar dos fondaníentòs com que ò asylo 
.anBtenteUros attitf enbargol e da»jèloqúenté 



€AS 



195 



« tão htm Amdaâa resposta do digno agen* 
te do ministério publico, foram pelo supre- 
mo tribunal de justiça regeitados osembar* 
gos, por accordão de 24 de maio de 1870. 
• Em vista d'este accordào, segue a causa 
seus tramites ordinários, ofTerecendo os aur 
dores, no recurso, a mesma sua minuta 
ânt appellação, pdo seu advogado, a sr. Dr. 
Francisco Jeronymo da Silva. 

•O' advogado dos appelbdos (os cegos do 
tasylo) o sr. doutor Constantino Luiz Simões 
Ferroa, sustentou triumphantemente aine* 
aptidão do UbeUo^ e a validade e competên- 
cia dos ensborgoB. 

Também o digno agente do ministério pu- 
blico, O' SC doutor Manoel Pedro de Faria 
Azevedo, na sua. coneiudedite resposta de 
fli<258, sustentou» com os mais sólidos íun- 
jdamentoajuridicop, os direitos do asylo, is- 
to ó, da humanidade. . 
Em uma' causa que se avalia cm per- 
to de cem contosi de réis, e que deci- 
•diu in pèrpetutm, da sorte de tantos 
infelizes e da maoutenção do mais ca^ 
- : ridoso estabelecimento d*este reinPy 
do- uma causa, digo,, que fez alterna- 
^ tivafâentO' estremecer de sustoe de 
esperança a tantos corações beqeô- 
cos, em todas as terras de Portugal; 
jttlg6 4ever aqui mencioaar a^ ten- 
ções dos desembargadores do supre- 
mo tribunal de justiça, concernentes 
a esta oélebrotidemanda. ^ 
Foi relatoi^ o sn d^ter Jos^ Maria Perei- 
^rá Forjazi Foi fâ.voravel ao asylo. 
[' O sr. Barão da Ribeira Uâiooga- Contra. 
< o sr. doiatoriJosé Maria da Costa e $Jiiya 
• fe-'A favor. ■ • .■■:í-'i í ,j :.i..', , , i'., 

O sr. 4outor ' Augusto Henriques . Ribeiro 
de Carvalho — A favor. 
: G^srifdoiilor <Y»eei^te< ferreira de Novaes 
.-—A favor^u a-. - ;-.] .,' , ■ ., , .,: ,. , ■, 

O sr. doutor Joaquim rP^dro da SilvaXo- 
•^bo.r--A fayor.tjM I. /li- ,;.,i*í- i^i .i- ..♦^ 

: Foraín) poisioinoQtlenQpf^ia, favor do ^y- 
lo e só uma contraria; pelo que o supr^i^o 
ialbunai òe jo^iça. «proforiu ^. ^eu ^ceon^ão, 
«ifliST^, coÕQrmandj^ a ^eintença daprioH^- 
. ra instancia «coni^mnaoda os auctoroe^- 
«çirentes, em todus as oustasiJE^steaocordao 



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196 



CAS 



é de 25 d'ãbril de 1871. É assignado pelos 
cinco desembargadores cujos accordãos fo- 
ram favoráveis ao asylo. 

Esta sentença, que era já a terceira favo- 
rável ao asylo, encheu de sincera alegria 
a todos os moradores de Castello de Vide. 

Ás 5 horas da tarde do mesmo dia 25 
d^abril, o sr. Carlos José Caldeira (que, se- 
gundo o sr. António Maria do Couto Mon- 
teiro, é um dos mais dedicados amigos ào 
asylo, seu bem feitor, peh doação que lhe 
fez, e incançavel em pugnar pelo bem e pelo 
direito dos pobres cegos) lelegraphou para 
esta víllo, dando parte da victoria. 

Acções de graças, missas, promessas, mu- 
sicas, o hynno do asylo, mil vezes repetido, 
finalmente, tudo quanto em oecasiões dé pu- 
blico regosijo costuma fazer o nosso bora 
povo porluguez, tudo foi feito, como se a vi- 
ctoria dos cegos fossse um facto de que de- 
pendesse a felicidade geral da villa. 

No dia 27, foram os ceguinhòs, todos des- 
calços, em cumprimento do voto que haviam 
feito, dar graças a Nossa Senhora dos Re- 
Hiedios, á sua ermida, que é em sitio pitto- 
resco, próximo do asylo, mas fóra das mu- 
ralhas. 

Farei aqui honrosa menção do sr. conse- 
lheiro António Maria do Couto Monteiro, in- 
signe e desinteressado patrono juridico do 
Asylo de Nossa Senhora da Esperança, de 
Castello de Yidè. A gratidão que lhe consa- 
gram os asylados, o povo doesta vilia e Iodas 
ás almas caridosas em geral, constituem já 
o primeiro prehiio da sua caridade. Omaior,j 
achaFo ha alem da morte, no logarresèrva-i 
do pelo Omnipotente ás almas bemfosejas. 

A pesar de tuàb quanto deixo dito, e de: 
tanto dinheiro gasto pelos auctores e réus ; 
áqudleid, aiifida iãa desanimados com três 
sentenças contrarias, invidam todos os meios 
imagináveis, pari conseguir a perda do 
asylo. 

. Restava-lhes ainda umrèfugiOy uma ultí* 
msLtrincMra, era o recurso de segunda re- 
vista. Não trepidam em lançar mão d^eile. 
D^K>is de ainda mais 19 mezes de despe- 



eAs • 

zas e demandas, o supremo tribunal de jus- 
tiça, por accordão de 18 de norembro de 
iÁ7^,nega a Begtmda reviêta do processo^ 
aos auctoreSv 6 o carido9o asylo tem agora 
certa a sua existência.: . . 

Os que quizerem ter^mais amplas no- 
ticias do que rjespeita a este estabe- 
lecimento, leiam o bello livro da sf. 
conselheiro António Maria do Coute 
Monteiro, Intitula^ Qasylo de Nassa 
Senhora da Esperança, de Ca:teUo. de 
> Viae, para cégofi d*ambo$ os seooOÊ^ 
impresso em 1872. : . 

A população de Castello de Vide é qua^i 
exclusivamente agrícola e muito laboriosa, 
por isso todas as terras estão muito bem 
cultivadas. 

, As suas communicações são boje rápidas 
e. commodas, para algumas grandes povoa- 
ções. Uma boa estrada a macadam, de 40 
kílometros, liga esta villa com a estação de 
caminho de ferro de Portalegre. 

Tinha-se projectado, ém 1869^ fundar aqui 
um banco agrícola, com todos bs bens dos 
estabelecimentos pios dos dois concelhos, do 
Castello de Vide e Marvão, que tinham de ser 
d^samortisados e cujo yalor attingia a uma 
cifra de 300 contos de réis. Não sei se já le- 
varam isto a effeito. 

Ó concelho de Castelío de Vide é apenaís 
composto das três frêgúezias da villa, e da 
freguezia de Noss^ ^^pbora da Graça, da 
Póvoa. = :• I 

\ Castello de Viile é *tótár d> fátírilia Mott- 
sinho (liirósinlio ou Mkusinho, que túdó é[ e 
mesmo). É muito antiga, poi^qtiè Gopçáíb 
ilousiiího era um nobre cavallein),tío tem- 
po dó èònde D. Henrique è do de séu filho, 
D. Attònso I. Foi este rèi, em recompeiísa 
i^òâ serviços que aquelle fez áPoridgal, (j^ue 
4he deíi bndas h'esta vHla, è por armas :— 
em cárapó así), baiid^ de ipírata, can^e^da 
'6om três rosetas de pórpufst çnlre seis ès- 
tipeííâs d^ ouro, dé dito poátas, tr^ déí éada 
lado, çraí f*oquéte. Elmo d*^ifo ajiértb é por 
kimbfe, uma aspa de praíá, e iib melo ffella 
tuna roseta das armas. 

Castelo de Vide é uma das mais nobies. 



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€AS 

rieas 6 bonitas viHad do Aleâifejò; aj^éBar 
de falta de estradas, que a ponham em faeil 
«otnmanicaçao eom outras terras da provín- 
cia, o que lhe daria ainda maior importân- 
cia commercial, agricola e industrial. 

Também, com razão, se queixam os seus 
moradores do desmasélo, descuido e até des- 
preso com que as camams d*aqúi, ha mui- 
tos annos téem tratado esta bélla povoarão, 
«ujas ruas estão em péssimo estado, t>are- 
•endo mais asínhagas da serra do qtie ruas 
4e uma populosa ¥iUa. i ; 

A notável villa de Gastelio de Vide sem- 
pre primou em ser fidelíssima a todos os 
nonarchas pfortugueces, dando não^vulgares 
«xemplos de boa lição nas artes^ nas scien- 
tias e na guerra. 

Jà em 11K)9 os povos dè Gastelio de Vide, 
lendo á sua Arente el^rei D. Diniz, av^aAça- 
▼am contra Portalegre, quC' havia tomado o 
j^artido do infante D. Affonso, írn»o do rei- 
lavradore ao qual pretenáLa usurpara coroa. 

A fidelidade de Castelio de Vide ao seu 
legitimo rei está comprovada por documen- 
tos históricos de grande valia. A 14 de maio 
i*aquefíe memorável- anno estaVa D. Diaíz 
illi, e no dia 15 contlrniou «estando jà se- 
«bre a villa, os foros e Idrmos ao eodcelho 
«de Castelio de Vide, concedendo^Hn que 
«fosse sempre da coroa.» 

Seria um nunca acabar se roenddDksse 
lodos os nomes dosjvarões illustres, que nas- 
^teram na abençoada e encantadora viila de 
Castelio- de Vide. O insigne Morato Roma, 
fue honrou a sciencia; o abalisado estadis- 
ta Mousinho da Silveira; o philantropò dr. 
João Diogo Juzarte de Sequeira Sameiro; 
«io três nomès que Resumem èín sí uma epo- 
peia de tudo quanto ha de mais maravilho- 
so ua vida social de um povo livre. ' 

Mas ainda acima d^léstes três grandes vul- 
tos depaàt^ se-nos o nome do um valoroso 
capitio^ que kz proesàs no cam|kí de Aljn- 
barrou, sendo victima de sua pàlatra é do 
imor que lá dentro de «ua alma tot«vá: ao 
aestre de Avit 

<k>nçalo AnneSí de Castelio de Vide, era 
«4ieroe que votou ser o primeiro ^oè^feris- 
ae de bnça os oastelhMíos. « . n* -. 



CAS 



197 



. Quando a H de agosto de 1385 os portUr 
guezeft de A^ubarrota estavam estândídos 
em linha de batalha» tendo por capitão o 
destemido D. Nuno AlvaresPereira,obravo 
Gonçalo Annes, em oumpHmento do sea vo- 
to, tâdiántou-se das fileiras a ser o primei- 
«ro que- ferisse de iauça, mas foi derríbado, 
«e sendo soccorrido desempenhou bem o 
«próprio vator.» 

SàU) doesta tempera todos os filhos de Cas- 
telio de Vide, comprovada em todos os iem<- 
pos, e ainda não ha muitos annos, na bata- 
lha do Bussaco, onde o bravo regimento de 
infanteria 8, quasi todo composto de cas- 
telio videnses Sei prodígios de valentia.. 

Amor ao rei, á pátria, á liberdade e á fa- 
mília constituem o brasão do nobre povo de 
Castelio de Vide. ' 

É afamada, desde antigos tempos, a pro- 
cissão de domingo de Ramos, em Castelio 
de Vide, a qual aqui attrae grande concor- 
rência, nãó só das visínhas: povoações, mas 
até de Hespanha. 

Todas as mais solemnidades da semana 
santa^ &ão aqui feitas com grande sumptuo* 
sídade, e são sobremodo notáveis e impo- 
nentes. 

No dia SO de setembro de 1870, sé come- 
çou no Rocio d*íe8ta villa, um monumento ao 
sempre cliorado t«i D. Pedra V. Foi inau- 
gurado em 29 de setembro de 1873. 

Tem por avmas udi castelio cercado por 
amai vide com seus cachos. 

o território de Castelio de Vide. é fertilis- 
simo em todos oé prodaotoa. agrícolas ne- 
cessários à vida^ e a villa semira pelo K e 
L. em vasta amplidão de vergeisi, olivaes e 
vinhas e é semeada de variasí quintas,, sendo 
a ipelher d*ellas á afamadaíQuintçijdo Prado 
(do sr; Leeoq) «madas mais beHas proprie- 
dades de muitas Jeguas de circumferendá. 

Pek) O. se descobre da viilá a formosa 
cordilheira de alcantíladois penhasco^-que 
lhe fica parallela. : i 

Esundo D. Diniz a*e8ta vtila^ tmíKÍ 



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19S 



eAS 



íEáSÍ 



vieram aqni ter òs embaixadoifes de Arai^o, 
ratificar o easamento do rei còtn a prínceza 
aragoneza D, Isabd ^ ralBha saota) qae 
se effectaou em i^St. ' 

GASTSLLO VIE6AS-*free:Qezía, Douro, 
comarca, concelho e 3 kilometròs de Coim^- 
.bi*a, i98 ao N. de Lisboa, 140 fogos. 

Em 1757 tíQha 168 fogos. 

Orago Santo Estevão, proto-martyr.. 

Bispado e disttieto administrativo de 
Coimbra. 

Situada em um fresco, ameno e fértil val- 
le, abundante d'aguas, mas sem vista para 
outras freguesias. 

A matriz está no lAaisalto do logar. 

O ordinário apresentava o prior, que ttnh^ 
500^000 «réis. 

O Portugal Sacro c ProfanB diz que era 
da apresentação do padroado real.) 

Tinha um convento da invocação de S. 
Jorge, de cónegos f egt^ntes de Sailto Agos^ 
tinho. (Vide Goin^ra, onde vem mais mi- 
auciosanaente dedapada a fundação d*este 
convento.) 

Ha aqui uma albergaria para passageiros, 
^ um hospital para pobres/ que eram per- 
tenças do convento. 

Fértil, sobretudo em vinho, azeite efmctas. 

Antigamente formava esta freguezia dois 
^OBfselhos, ^sbamados de Castello Viegas e 
Iheâ eram sujeitoe.os oooeelbos deValIe de 
Cannas, !Sobrai, Cèiru e Gouiaria. 

Regam esta ft^egueda oè rios Mondego, 
Duéssa e Geira, que fertilisam seus campos 
e «M>vem raoiíihõs.^ dagareaiée azdte. 

É tradição que o nomeihei^rov^adeum 
castello que aqui houve (de que nào ha ves- 
tígios) ediôêádo por um» tal Viegas. Outros 
-dizem que foram ottiasi donas ^aa o funda- 
TaíúQ e que por-isao. s&.obamava»;Caá(i^ li^ 
^(»:yti^af(Gabtello>da8VtUus). ^ ., 

(Em ii66'ieiftiseDharide GasteUo Viegas, 
C6B1 íldalgpr oha9iiatío> Salvador Viegas^ aqual, 
>Bl(Mrrendo>lhe então^lo/jniilherD.iAkioiíça 
^ètt^Ikdoe)^ desgostoso ido mundo, deu lodo 
/^quanto tiobaao oonvoole^ S^Joiíge^etfel- 
jlq;s^ toihidf. Xávtt d*fste ttte fyrovenbao 
nome. i; , . , ..i t 

O convento foi em-i568 imido ao de San- 
HH^CnudeCoimbrai ;< j \ w/ 



€AST£UQ ]M)JSEZSiíB--Ak«t^. Pm> 
3iimo á vtlla de Punhete (boje CoQstanda);e 
na foz do rio Zêzere, fundou I>. Goaldiii 
Paes, mestre da Ordem do.Templo^em 1180 
ou Í16Q,, um forte castello» que está hqjeieni 
minas. 

O mesmo. D. Gualdim llie deu foral em 
ii74. (Vide Almonro} e Gonstancia.) 

GASTSLLOSS ou GASXELLiDS —fregu^ 
zia, Seira Alta, comarca e. concelho de Tour 
delia, 24 kilometros de Viseu, 258 ao N. de 
Lisboa, 520 fogos. Em 1757 tinha ^66 f(«oa. 

Orago o Salvador. 

Bispaklo e distncto admioistrativo de Vi- 
seu- 

Situada nas abas 4a serra do GaraiBollQ» 
e é uma das freguezias do Valle de fiéstei* 
ros. 

Era do padroado real, que apresentava o 
reitor, o qua! tinha 40^000 réis, 24 amafteiB 
de cera, 4 alqueires de trigo e 4 almudesde 
vinho (para as missas) e um arrátel de<ii^ 
ceaso.. 

EV terra/ naoi to lertil. 

Paesa aqui o rio do seu nome, que nase^ 
na serra do Gáramullo, de vários arroios e 
BMrre no Grins^ com 6 kilometros de ouraa. 
•Suas macgens são oultivadas e ciagidas da 
frondoso arvoredo. . 

GhaUoa^se a esta íregneife vulgarmente 
Gastellões de Besteiros. (Vide B^sletros.) 

Antigamente, em todos os eseriptores e 
nos litros offieíaes se denominava ^ta fra- 
gueiia e todas as. seguintes do mt^wo m- 
me, Castellàos, e ó o seu verdadeiro msmi 
mas hoje dizse corruptamente Gaat^U^a. 
(Vido a prin^eira freguezia. , de CjwI ^M ^ 
d'eBtaobra. 

fiASTEUd£&(ouGAgTSUiM)DEiÇMII- 
^M^fraguexie, Douro, mfM:r^ de (M^- 
veira de Afenieis.(d'ae4edi$ta6Jkilei|ietToe 
a. JtíE.) eoeeelho de lltciein^ de Cfoubri^ 72 
kiloaelrot ao , N. 4e .Goimbra» 40 ap .3- 40 
Pei7to,.i2aat40 N. doXitsboa, ttO Cogoa. 

Smil767 tisha i50 íogas. 
.. Biflfn4o ,e dibtolQto admielstna^vé r4e 
Aveiro, ' . . 

K.Feli^tiiamenle daíbi^adcKdeG^woAra. 

PlPtefoeu á ic<froareaiíe*BaiP(M»T^í4i^ 
pois passou para^:deilRetas|. ..•.]' -^ - 



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CÀ3 

É do infantado. 

Orago S. Pedro, apostolo. , 

A matriz é smnptjaosa. 

O cabido de Coimbra apreseptava óre^r 
lOT, que tinha 200^000 réis. DepoÍ9> quando 
se criou o bispado de Aveiro, era^ até 1834, 
apresentação do ordinário. < 

Situada quasi toda em plapicie muito fer-. 
líl o ^prasivel, nas qargens do rio Cáima. 

Foi antigamente concelho, com juiz or- 
dinário e cainara, sujeitos ás justiças d^f 
Feira. 

N*esta freguezia está a bon^A quinta e 
magni^a casa de Areias, do sr. 4r. António 
Soares Leite Ferraz de Albergaria, vulgo o 
Areias, com uma boa capella. 

Para as armas d'esU^ familia, vide Alber- 
garia, a paginas 4B do i.'' voltme. 

Vide Cambra e Macieira de Caijobra. Para 
a etymologiay vide Cistellàos, a primeira 
mencionada. 

CASTELLÕES ou CAST£U.iO$— fregue- 
zia, Viobo, cpmarca e ponceJho de Villa No- 
va de Famalicão, i8 kilometros a O. de Bra- 
ga, 35 ao N. á,o Porto, 348 ao N. áp Lisboa, 
iOO fogos. 

£m 1757 tinha 80 fogos. 

Orago S. Thiago )faior. 

Arcebispado e distrieto adQiinistrativo dç 
Braga. 

£r^ an^tigan^eute da còmarc^ de Yianpa, 
lejr mo de BarqeJlos. > 

Situada em um vall^ muiip fertjj, sobrç 
tudo em fruct^i. J^ào se vêem d*aq^ povof- 
ç^e^ d*outras firegoezias. ^ 

O prior do eop vento de S. Yic^te deFó- 
ra, de Lisboa, ajpreseatava q vigarÂo ad nu- 
i^Hf^ que tínl^i $0^pOO réis e o pé â>liár. 

I^ara ^ ety^dologia, vide a ]^\m^^ Ça^- 
Idlâos mencionada. 

CjkS^^UOj^S PU CA91!SI44P8-in^uet 
III^ Tíftzp^-;ífr)irtes, foi a(é iS{55 d^ ç(^iw. 
ca e conceV^^ de Ch^m, e 4eade entàa é d^ 
a>mar^a e /çonqell]^, âe,Mace4o de Qa.vat(ei- 
r(M* 4S0 kilometros aq ^. d^ ^i9))oa^,|iqQ fo? 
«os- . 1 

JS» 1757 linha JO.fogpf. ^ 

, 9mK> Nom S§nlH>l>a 4af A^«mpçip^ , 

fi|il§a4o e disftrkti^..a4múú8tr;^|r^4e 9r,9f 
fança. 



CA$ 



m 



Foi sMItigamente (|o ^rmof e comarca ^^ 
P^agança, provedoria de Miranc|a. 

E* da casa de Bragança. 

Situada em um alto, nas Ilidas de Honte 
Mel, d*onde se vécm muitas povoações. 

O reitor de Macedo de Cavalleiros apre- 
sentava o cura, que linha 6^0P0 réis, 33 al- 
queires de trigo e 2 aimudes de vinho. 

f^o sitio do Castello (onde está a capella 
de S. Bernardino) é tradição que existiu 
uma povoação de mouros. 

No alto da eerra ha vestigíps de ^ma for- 
taleza mourisca. 

É ao pé da capella de S. Marcos. 

É terra nmito fértil, principalmente ^m 
afeite ^ castanha. Passa aqi^i a ribeira d^ 
seu nome, que morre no Tua. 

A industria da oreaçào dos bichos 4é se- 
da dura ha mais de ÍíO annos n^esta lire- 
guezia. 

A mesma etymología. 

CASTELLÕES SE CEPEDA— vide Castel- 
lãos de Cepeda. 

CASTELLÕES (ou GASTELLÃOS) DE RE- 
CESINHOS— freguezia, Minho, foi até 1955 
da comarca de Amarante, concelho de San- 
^ Cru^Ede Riba Tâmega, e ^esde entào é co- 
marca e concelho de Pen^flel. 48 kilome- 
tros ao N. do Porto, 355 aq N. de Lisbpa, 
il3pfogo^ 

Em i757 tinha 115 fogos. 

Orago o Salvador. 

Bispado e distrieto administrativo dp 
Porto. 

Era antígame^e da cioumarca dO; Guima* 
raes. 

O conde d*Obídos apresentava in solidum 
O abbade, que tinha 300MPP réis. 
' É teri;a multo abundante de aguas e pQail9 
fi3rt|i. Tem caça. 

Os condes d*Obidoseram donatario9t4'^* 
^afqçguezi^ e ^ppunb^ ás j^isj^iça^., 

Tem muito boas quintas. Passa aqui p rto 

A mesma etyfl^legia; . . 
. (;;AS?]çiWWr-yiU?,n^fçwe^i»4^^ 
B^>41u, ,wnai:c4 ^ j W aq g pal^ei i9 IfMP? 
mil\í^ ^ B. 4a Vi^t^ S^fi 1^^ íf, J(e^is^a, 

310 fogos. ; , , ^ r , 

M Wn^#^.íl9^ 5fl*dá q,Wi*'doj^n- 



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200 



CAS 



Celho de Penalva do Castello, í:400 fogos. 

Situada próximo da margem direita do 
Dao. 

E' terra ferlíl. 

Muito e muito bom vinho. 

D. Sancho II lhe deu foral (á villa de Pe- 
nalva do Castello) em liiO. 

Franklim nào falia d*este foral. 

D. Manuel lhe deu foral novo, em Lisboa, 
"k 10 de fevereiro de 1514. 

CASTEVAL— portuguez antigo, alcaide- 
DQór, governador de um castello. 

CASTIJÂNO-— portuguez antigo, caste- 
lhano. 

CÂSTRÊLLO->viIIa, capital do concelho da 
Mala, 18 kflometros ao N. do Porlo, a cajia 
comarca pertenceu. 

Tinha em 1660 150 fogos, hoje tem 350. 
ã30 kilometros ao N. de Lisboa. 

D. Sancho I a povoou em 1202. 

CASTRELLOS— freguezia, Traz-os-Mon- 
tes, comarca e concelho de Bragança, 60 ki- 
lometros de Miranda, 474 ao N. de Lisboa, 
80 fogos. 

Em 1757 tinha 42 fogos. 

Orago S. Jo5o Baptista. 

No século X era denominada villa, como 
se verá da doação adiante mencionada. 

É povoação muito antiga, pois já existia, 
com certeza, no tempo dos godos, e, prova- 
velmente, no dos romanos. 

Situada em um valle, no termo de Bra- 
gíinça. 

(No mappa dâs côngruas diz-se que o ora- 
go é S. Pedro ; mas julgo que é engano; por- 
que em todos os outros livros vejo S. Joáo 
Baptista.) 

O reitor de Quintella de Vinhaes apre- 
sentava o cura, que tinha 8^500 réis, 25 al- 
queires de centeio, 27 de trigo serôdio e 12 
almudes de vinho. 

O rio Bacelto rega esta fk-eguezit, que é 
fcrtil. 

Chamam-lhe vulgarmente (e assim está 
nos livros antigos) Crastellos. 

^rastello é diminutivo de casfrumy como 
86 disséssemos cástellinho. (Vide Crestello.) 

D. AffoQso IV lhe deu foral, em Extrè- 
nôz,a29de]ulhodel32(L " 

Bm 98^ dui)ti Mimiò Ganctlves, ao Mes- 



CÂâ 

telro de Lorvão, a sexta parte da villa da 
Castréllo. 

Na doação feita ao mesmo mosteiro por 
p. Sancho I, em 1190, da villa de Villa Meã, 
junto a Prime, também menciona outro Cas- 
trellos. Não pude sa\)er (apesar de boas di- 
ligencias) que Caslrellos era este. Ou muda^ 
ram de nome, ou são aldeias insigniíicanfes. 

CASTRO— aldeia, Traz-os-Montes, na fre* 
guezia de S. Maiheus do Sobreiro (ou Sobrei- 
ro de Baixo) até 1855 foi da comarca de 
Bragança, e desde então é comarca e coih 
celho de Vinhaes. 

Antigamente foi da comarca de Miranda» 
termo de Vmliaes. 455 kibmeiros ao N. d» 
Lisboa. 

Em 1750 tinha 6 fogos. 

Situada no monte da Circa, junto lio qual 
houve em tempos antigos uma grande la- 
goa, que hoje está quasi sêcca. N>ste mon- 
te ha muitos vestígios de uma antiga fbrta« 
leza e grande povoa^. 

Na aldeia ha uma capeila de Santa Bar- 
bara. 

Para a etymologia vide o Castro seguinte 

CASTRO ou CR ASTO— monte. Douro, fre- 
guezia de Romariz, comarca è concelho da 
Feira (extincto concelho de Fermedo) 27 ki- 
lometros ao S. do Porto, 288 ao N. de Lis- 
boa. 

Em 1845 se descobriram aqui vario» 
carns célticos. Estavam entulhados com pe- 
dras, ten*a, carvão e cacos de telha. N'ellea 
appareceu uiri resto (capitel) de uma co- 
lumna muito tosca e à noó de um pequeno 
moinho. A poucos metros a O. d'estes corns 
existem òs vestígios de uma grande fnâtnoa^ 
em um plató, e ao ftmdo d*el!e os alicereé^ 
de uma muralha de um metro de inTo^tíra^ 
Entre esta mâmoa e os carns (que estão a» 
E. em sitio mais elevado) ha uUia esfieciede 
azinhaga, a qiie o povo d'aqtii chama Ru4 
dos Mouros, com vestígios de paredes. 

É tradi^ entre a gente d*aqui, queli*e$- 
te monte houve uma povoado e fortaleui 
mourisca. 

Todos sabem que o ii09s<l povo chama 
mouriscos t tédoi osf mdDúmentos amigos» 
qualquel* que seja a éua edade ou ftmdaèo- 
ree. - - 



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CAS 

Ha roais pi^obabilidade que isto fosse po- 
Toaçlo dos antigos lusitanos. O que é certo é 
que ella foi incendiada e arrasada, talvez pe- 
los romanos o que se colííge da grande abun- 
dância de carvão que se encontra dentro dos 
cafTw, poucos ceniimetros abaixo do solo» 
assim como de restos de telha e tijolo esmi- 
galhados. Também aqui se achou o troço 
superior de uma columna muito tosca; duas 
mós pequenas, que parececiam de moer me- 
taes, e uma espécie de fômo, que provavel- 
mente era alguma sepultura, pois continha 
Qma porção de cinzas, quasi reduzidas a 
lerra. 

No mesmo monte, tms ÍO ou i2 dias an- 
tes, e mais abaixo, tinham apparecido em 
tuna ampbora de prata, i02 medalhas e meia 
de prata de diversos imperadores i^manos e 
da republica, todas muito bem conservadas, 
• junto com ellas uma meia lua e uma ar- 
gola ambas de ouro. 

Deve notar-se que, ao SO. e a i kilome- 
fro d'este monte (na freguezia de Milheiros 
de Poyares) ha uma aldeia chamada ifeimoa. 
Ao S., e a partir com esta freguezia de Ro- 
inariz, ha a freguezia de César (no conoelho 
de Oliveira de Azeméis.) Um nome celta e 
três romanos. (Mâmoa, Castro, Romariz e 
César.) 

Na serra do Pinheiro, em frente do Cas- 
tro (na dita freguezia de César) ba também 
Testigios de alicerces antiquíssimos. 

Do alto do monte do Castra se ré parte 
da cidade do Porto, muitas serras e povoa- 
is e uma vasta extensão do Oceano. 

Tenho notado que a alguns sítios onde ha 
eatM, o piòvo dá o nome de Cra$to. Estou 
convencido pois, que algumas rezes, crasto 
é corrupção de eamê^ outras de castiiim e 
•atras de crasta. 

O Elucidário de Viterbo diz : Castro ou 
Crasto tem-se equivocad«f com castello, que 
é^ comocastréllo, dfbinutivo de ca^lrtim. An- 
ligâBiente» aos arraiaet de todo.<) exercito, 
•omi portas, cada mna de séu Uido, cercado de 
fosso c vallado, se chamou eraita. A um pe- 
q[aeDo arraial, só para uma legião (brigada) 
se cbaokava ea«/ii<m. fioanlo pi^is pequenos 
^am estes arraiaes « laeDos lòrntcidDs de 
g^Dte e armas, mis cuidado havia etti se 



CAS 



201 



assentarem em sitios altos e facilmente de- 
fensáveis, e a estes se chamava castréllos, 
crastellos ou crestéllos. Alguns d'estes se 
povoaram e ficaram a servir de ataíayas, 
cidadellas ou guardas às campinas e legares 
chãos e abertos ao inimigo/ 

Ha em Portugal (além do que aqui vae 
descripto) mais de 200 aldeias e montes bom 
o nome de Crasto ou Castro. 

Não se dava antigamente o nome de Cas- 
tro ou Crasto só aos montes que tinham 
grande ou pequeno castello. Dava se também 
áquefles cuja posição era própria para alli 
se edificar qualquer fortaleza, e até aos que, 
sendo coroados por penedias, simulavam de 
longe um castello. 

CASTRO D AVELLANS— freguezia, Traz- 
os-Monles, comarca e concelho de Bra^^aft- 
ça, 48 kilometros de Miranda, 460 ao N. de 
Lisboa, 46 fogos. 

Em Í757 titiha i5 fogos. 

Orago S. Bento. 

Bispado e districto administrativo de Bra- 
gança. É no termo d*esta cidade. 

A mesa capitular da Sé de Miranda (depois 
de Bragança) apresentava o vigário, ín iO' 
lidum, que tinha 40^000 réis. 

Fértil em trigo e centeio; do mais pouco. 

Houve aqui um mosteiro de frades ben- 
tos, dé sumptuosa fabrica, cujas memorias 
existem em um arco que está à entrada do 
logar, o qual (arco) era a portaría do mos- 
teiro. Ainda se vêem parte dos alicerces da 
egreja e uma torre, das duas que ella tinha, 
feita de cantaria, de 24 metros de altura. 
Em uma pedra, de mármore, que serve de 
credencio, na egreja matriz,' estia seguinte 
inscrípção: 

bBO ABTBBKO ORDÒ ZBLATÚB 
BX VOTO 

EsU Inscrípçio, que está no «Itarinór da 
egreja matriz, do lado da Epistola, é inier- 
prelada de nmi dilTerente modo, por outros 
eserlptores, como adiante direi, quando tra- 
tar dos hiodadorès presumidos d*estA TíUa. 

No fnmtesplcio lia uma lapide que diz: ' 

B. MOCO PIXmUBO^ BISPO 



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m 



ÇAS 



DO FUNCHAL, ÀDMUnSTRÀDOR 

D*BSTE CONTENTO, MANDOU 

VAZEBKSTÀ OBRA. * 



A anUga capella-mór da egreja do con- 
vento, é que é hoje a matriz da freg\iezia. 

N'ella, em um tumulo de cantaria, jaz o 
ooi^deD. Árias Annes, que morreu na éra 
de 1300 (1262 de Jesus Çbristo), 

Este cpnvenio foi fundado por S. Fructuo- 
^0, em 667. Era poiptanto do3 mais autígp^ 
do reino. 

Os frades doeste convento eram senhores 
de Brag^^nça (então villa) e de ostras mui- 
tas villas e coutos, por doação ^e D. AÍTon- 
80 y, de Leão, feita pelos, annos 830. Os fra- 
des cederam Bragança ^ P* ^anebo I éePor- 
tugal,^ pelos annos de Í20Q. 

£ram e^tes frades dos mais ricos, pode- 
rosos e despóticos de lodo o reino. Nas mui- 
tas cartas de povoação (foraes) que deram a 
vários legares, que, ou por doações ou por 
usurpação, Si^ tomaram do seu domínio, im- 
puzeram aos moradores, o infame, absurdo e 
expoliador direito de maninha4égo; isto con- 
}r^ a expressa determinação do foral régio 
dado aterra de Bragança, por D. Sancho I, 
(sm ii87. 

O tal direito de maninhadégQ (eumane- 
ria) consistia em herd^^reip ps frades a ter- 
ça parle dp toda a herança dos casados 
que oiorríam sem filias I (Vide M^qinhadé- 
jgo.e Maninho.) 

Vas os frades^ abusfm^P do seu poder ^ 
da simplicidade dos póyos^ não se contenta- 
ram ainda con^ f;sta çxlpr^ immQralíssi- 
|D4, e exigfaoia tçrça de todos o^ deí^^nctos; 
quer tivessem, quer deixassem de ter filhos. 
E os povos aguentavam isto com receio das 
execuçõesir Odips.^ e^ccommunhões dos fra- 
des! 

O duque de Bragança, D. AfTonso, por 
■itttote Mia úeiVSij (eskj^vmmr «s^ nmbo 
«mndaloso, por aer conti» o foial reijo, 
w^ntra a^ Ordes^ições do immA> eonlra p 
hwk Moao; e ocdenoo >qtt^. as du»s panais 
da herança fioasaamAcis lUbos .Ottíjkerdeiro^ 
do def«i^t% .podendo e«ila)«ii|ido*|pstado- 
res dispor do terço livremente, a beneficio 
da «ua^alMii ; •;- -n tn / -í v^.-. > 



Prohibiu que fossem penhorados ojx ep t- 
taclos í os qi^e o abbade do mosteiro, (como 
vigário geral do arcebispado) excon^mun- 
gasse por isto; e que o mosteiro e seus offl- 
ciaes não tomem as coisas e mantimentos; 
mas as paguem á vontade dos donos (porqud 
03 frades^ sobre lodos os seus escândalos, 
também praticavam o de tirarem aos lavra- 
dores gados, fruct^s, pastos, etc, e pag^r 
rem-lh*08, se lh*os pagavam, pelo preço quo 
muito bem queriam !) 

Apesar, porém, doesta terminante carta do 
duque, os frades, armados com a terrível 
arma da excommunhão, continuaram a rj^- 
ceber os maninhadégos, e taes extorsões 
foram fazendo, sem respeito às leis do rei- 
no e ás ordens do duque, que D. João III 
(apesar de muito religioso) viu-sena neces- 
sidade de se queixar ao papa Paulo III, pe* 
dindo a suppressão d*este convento, ao quç 
d pontífice annuíu, extinguindo-o.por um^ 
bulia de I5i5, sendo as rendas encorpo^- 
das na mesa capitular de Miranda (hoje Bra- 
gança) com a condição de se fazer todos os 
dias, na Sé, a commemoração de S. Bento. 

Os frades fugiram antes de se lhes ler a 
sentença da puna romana, e não çsperar^ 
para s^em expulsos. 

Mandaram alguns d'elles queixarse amsfrr 
Hanaente ao papa, mas nada conseguirei^. 

A lapide, de cuja inscripção primeiro fiúr 
Id, \em um melro de aluíra e meio de lar- 
gura, e «como tem as letras já bastftntQ qMTr 
comidas pelo tempo^ não é dará e positiva 
a sua leitura. . ^ 

Segundo Viterbo e outros archeologoi^k 
dii: 

DBO 
AVKRNO .*. ..:» 

í^òéLar. 

EX voto. ' : .•;- 

1 Evitados, AqdeHes I quem «rá iiM^là 
a pena de èxcommànbão^ ficavam ipio fmr 
^((j, JiftCítnwmiicaveMcom o r^fttodos-QhBUr 
t^ qi|e IjBiCoipriam na mesma ac^ ^m- 
íássém com êlíeà; poí isso evítatuth w'^- 
fhèâ;> trà á%stè eétMo de fnóomnvftRFÍeàbl- 
lidadéi a iqile^se ahamavra nitadot^ Aoit 
dOíf#i«fi^MZQl«>JB^¥upMy9eiit«i. ^flbftaif^j 



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GAS 

Isto é— tAo Ekm d9 Amrno. a ordem do$ 
zoeloi dedica,i^ 

Por esta iascrípção .e pelo», vestigios evi- 
dentes de uma grande povoação, que ej^h- 
tem próximo do rio Sahâr, supp^^e içom 
bons fundamentos que aquella povoação era 
a antíquissima cidade de Celiobríga ou Ze- 
iobriga, e que os povos zoelas, vindos das 
Astúrias, a fundaram mais de 300 annosap- 
aes de lesos Ghrísto. (Vide Ci^Iiobriga). 

.Pareee que o povo, depo|s da suppressao 
do convento, tratou de ^struir o ediRcío 
'áo mosteií^, pois apesar de ser cpnsíruido 
de tijolo e cal, nâo me parece que no eepa- 
^ de pouc^ mais de dOO annos, estivesse 
no estado de ru4na em que actualmente $e 

É pois impossível fazer uma idéa appro- 
ximada da vastidão d*este ediíkio. 

Estão ainda >de pé, e arrostando a acção 
«orrosiva dos agentes atmospbericoa, dois 
«rcos do vetusto mosteiro, também de tijo- 
lo e eal, que se suppde terem servido para 
^'rem passagem para a egreja. 8ão de for- 
ma acanhada. 

Parece qtte a egréja ^ o mosteiro Qfam 
^feadidos por um$ murallia da mesma ma- 
nteria; o que induz a acredi^r que oerdi- 
igiosos se veriam algumas vezes lar^adoda 
'defenderem-se das aggreasões dos mou- 
Tos. Confirma esta opinião um curioso ma- 
«uscripto em que se id: 

«Eram os religiosos de :Gastnv oenl^ores 
de Bragança (então villa) por doação que 
?d!atta Iheè kiBi Manso V^ Hei de Leão, 
ipér ikê term feiio grandts temçoí' « qM^- 

fista fregnezia lem4io]e muita liaipoitan- 
«eH, pelpiteoòelieeida vitii^e de 0uas aguas 
«ulphureas, que attrahem aqui, durante p 
VaiâOi aapriBt^n^ies! famílias de Bragança e 
de «ntraa oroitas partas dai proseia. 
,: Nio jw «OAStaque ttté Mie tenbamftido 
analysadas competentenifitfc^ nem C^ap 
amostras d*ellas para a Exposição Univer- 
'taldel^UD^emilM?^. 

CASTRO DAIRE w^«f1Rfli«!AIDKrr- 



CAS 

villa» Beira M^ ^ kilometros a 0. d^ La;- 
mego, 30 de VMeu, 305 ao N. de Liaboa, 72Ò 
fogos na freguezia, no concelho 2:380 eoa 
comarca 4:660. 

Em i757 tinha 80 fogos a villa, e toda a 
freguesia 540. 

Orago S. Pedro^ apostolp. 

Bispado de Lamego» distrícto administra- 
tivo de Viseu. 

Situada sobre uip mpnte pyr^midal» cpr- 
rendo-lhe ao sopé o rio Paiv^. 

A 1:500 metros ao S. d*esta villa, em nq^ 
casa que consta ter sido hospício dos tem- 
plários,, ha uma eapelUi de Nossa Senhpjra 
do Presepe, e ao N. d'ella está um carva^)o 
cujo tronco está perfeilainente ôco, ca)^- 
do-}he dep^o, l^nt4da^, 24 ou 30 pessoas. 
Tem mais de 22 metros de altura e de c^ 
cumferencía i3 e meio. É, pelo menos, eoe- 
vo dos templários. 

^ eutne do monte bpuve antigamenV) 
um fiQ!rtis0MnQ! casteUo, do qual ain^a ha v^- 
tigios. Foi; elle que deu o ^pme á viUa. 

É tradição que, passando aqui D. Dioi^ 
pelos annos de 130Ô, lhe pediram oe nn^ra- 
dores a pedra do. eastello, para fazerem |t 
egr^a; o rei lh'a deu e a fiíseram. 

Este templo é sumpUtosissimo e dp^io^- 
Ibores 4o bispado 4^ Lamego. Foi concluída 
esta obra (que e^i^va apenas em |neio):pebp 
aanos de i8|H, igas^ando-i^e p>lla o^tos 
contos de réis. Tem 9ete b^Uos aitares. JllfL 
em Portugal Sés menos vftstaa. 

NãO! acredito muito na tradiççãoem q^elál- 
leí, por três motivos: i.% porque aquibam^ 
ta«biin4aiiei%^ pedrae não valia a penares- 
aMOchuiem Orseu QaAtelloe importm^arei^ 
rei por tio pouca cpusa.; M porque nieqp 
tempo era uma grande j^opraler u^ Oj^lellP 
e os d*aquí não a haviam de querer pj^pr^; 
ié\ j^q^f ft^ndo rPi Pím^ nm ^nçani^vei 
eonsinuAor de<ea!9tel|os f, torres, ma^^qf)- 
' menie oenieBtíri^ i^m o ^napd^ r^wPw» 
do que em o deixar d^MT^rir» 

J^ e^feo^exnaar^iflpe P «dstel)oi^i«jem 

' (como em muius outras partes) deu § j^fl^V^ 
4iaiaa J( ejeif i^wf|fla%4fscíJbii||doí.^ 



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204 



CAâ 



tas povoações e as serras de 8. Macário, S. 
Lourenço, Moute Muro e outras muitas me- 
mores. 

Era antigamente da comarca de Lamego. 

Foi cabeça de condado, sendo seú tfliímo 
conde, Simão Correia da Silva, por morte 
do qual passou para a coroa. 

Era primeiro do padroUdo real, e depois 
passou para a casa do infantado. 

O abbade linha de renda 1:300^000 réis. 
Tera cinco beneficiados, com pequeno ren- 
dimento, que resam em coro todos os 
dias. 

É terra niuito fértil em cereaes, fructas, 
azeite, mel, cera e óptimo vinho. Cria muilo 
gado, de toda a qualidade. 

N'esla villa nasceu o padre Sebastião Viei- 
ta, jesuíta, que foi mártyrisado no Japão. 

Muita caça. 

Regam esta freguezia os rios Paiva e Pai- 
v6, que aqui se Juntam. São aqui atravessa- 
dos por uma antiquíssima e muito alta pon- 
te de cantaria. Regam, moem e trazem mui- 
to bom peixe. 

IX Manuel lhe deu foral em Lisboa, a 14 
de março de i5!4. (No foral dá-se-Mie otiò- 
nae de Castro Dairo) Livro de íbraes novos 
ia Reira, fl. 7, v., coL 1.*^ 

É povoação muito antiga, mas não se sa- 
be quem a fundou, nem guando. 

Unha antigamente uma feiráf nos 4.*' éo- 
ningos de cada mei. Hoje tem duas, uma 
DO i.*e outra a 15. 

tem Misericórdia e hospital, com bom 
rendimento. 

Tem uma óptima escola dé^nstmeçio pri- 
maria, das que instituiu o benemérito eoode 
ie Ferreira, (vide Campanban) e um roagni- 
âco tribunal das audiaieias e senado da ca- 
i&ara. 

Castro Daire tem muito bons ediflcíot par- 
ticulares, sendo- dos melhores o palácio do 
sr. bário de Castro Daire, combello )árdlm 
• boa quinta e mátta. 

É aqui o solar Am srs. AgHilar«s, 4|ae é 
também tini bom palácio. É ediflcio «raivo 
amigo. 

Também ha aqui um antigo e bdio edi- 
iétd, 4tíé foi dos Mendonça^. É bofe, por 
IriMÚça, do sr. José Comsia, por itarlo de 



CAS 

sua esposa, a sr.' D. Dtana de Maidonça* 
Tem uma boa capella e grande qtiinta. 

Ha ainda o soberbo palacete dos srs. Tei- 
xeiras dé Lacerda. Tem um bom jardim e 
quinta. É casa muito antiga. i ' 

A irmandade das almas, doesta freguezia, 
é antiquíssima e muito rica. 

Para a genealogia dos Mcndonças e suas. 
armaSj vide Barbacéna. 

Lacerda é appéllido úobre em Portugat 
Veio de Hespanha, por AfTonso Fernandes 
de La Cerda, que seguiu o partido do rei 
D. Fernando, de Portugal. 

Suas primeiras armas ^o:-^fim campio 
verde, uma torre de ouro, com .ameias, en- 
tre dois leões trepantes, de púrpura^ arnutp 
dos de preto e lampassados de vermelho. 

Outros do mesmo appéllido usam:— Es- 
cudo dividido em pala. A primeira dividida 
em facha, na primeira, deptirpura^umcas- 
tello de ouro; na^gunda, de prata, um teao 
de púrpura, armado de negro; na segunda 
pala, de asul, três íldres de liz; de ouro eia 
pala, entre seis meias flores ditas, em duao^ 
palas e formadas nos lados do escudo, filmo- 
de aço aberto. Timbre o leão dás armas. 
' Outros travem r^Eocudo eaquaridado, a 
!.• e 4.* quartel, divididos em pail;iia pri- 
meira, de púrpura, castellode ouro; na ao- 
gunda,'de prata, leio de púrpura. No t>e^ 
3.<* quartel, as armas reaes do França, quo- 
sio, em canopo asul, Ores flórea de liz de oo^ 
ro, em roquete. Elmo de aç(^ al)ertOy e tim^ 
bre, o leão dasarmas. 

o concelho de Castro Daire, é c^mpbéti^ 
do to fireguezias, sendo^B no bispado de ¥h 
seu e IS no de Lamego; mas todas no dik» 
tricto administrativo de Viseu. 

As do bispado do VáaeU, sâo: Alva, Gafa- 
iihio, ilamooros^ Mdes, Moliédo, Fepim, Ro- 
riz e Mbolhos. ' r 

As do bispado de Lamo^ oao: Cabrlt 
Castro Daire, Ermida^ Esthen^Gozende, S. 
loanniDho, Mezio, Monteiras^ Moura Morta, 
Parada, Picão o Pinheiro. 

A comarca é composta dos JolgadM do 
Castro Dtiío^fMgoas.^ ^ rr/i -^^ 



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CAS 

CASTRO LABOREIRO^viI]a,Mioho,co 
foarca, concelho e i5 kilometros ao SE. de 
Melgaço, 66 ap JíNO. de Braga, 78 aú N. de 
Vianna e 400 ao N. de Lisboa, 570 fogos^ 
2:200 almas. 

£m 1757 tinha 60 fogos na villa e 432 no 
resto da freguezia. 

Orago Santa Maria ou Nossa Senhora da 
Visitação. 

Arcebispado de Braga, districto adininís* 
trativo de Vianna. 

£ra antigamente da comarca de Vallença. 

Situada em um alto. 

O reitor tinha uud coadjutor da sua apre- 
sentação. A casa de Bragança apresentava 

reitor, que tinha de rendimento annual 
690^000 réis; e o coadjutor 20 alqueires de 
«enteio e iO^OOO réis,^ tudo pago pela com- 
meada, i 

É da casa de Bragança. 

. Foram seus commendadores os Saldanhas 
de Albuquerque. 

É terra muito tria e pouco fértil. Pouco 
mais produz do que centeio^ nabos e vinho. 

Tinha o iprívjlegío de se não fazerem aqui 
«oldados; dado por vários reis e confirmado 
por D. João V. 

. Próximo á villa ha um castello muito an- 
tigo,: que diz o povo ser obra doSjmourQS, 
ao6 quaea eile átiribuc! todo» os edifícios a^- 
.ttgoa. É porém mais provável ser obra dos 
romanos, em vista do seu nome latino. Por 
efle estar edifíci^do sobre uma rocha, se chu- 
moQ CoãívHm Laporetum (castello penhasco- 
so, ou do penhasco) da palavra latina /op^, 
pedra. Vide Lapédo. . 

Ainda ha outra o|MDiãa sohre a ^etymolo- 
gia ateste castello, que não julgo ^âtitu|da 
de íonds^nento, é. que. Laboreiro Viem dp 
substamiva latino. /a{í(r, (trabalho), pelo tra- 
balho ou difficuldade que ha em «ubir, ap 
iiiôrr<i em que a fortalesa está edUkadaJ 

1 O que poi^ém se líào pôde oertíftear dqaal 
dos doisé mais.antigo^ se <i!east6llQS6 a vil- 
la, e^qual â^>6lle&- deu o:nome ao otitro.iO 

'que 4 certo é daro oabéça.o.&omea.aaibos, 
quer eUe ténhai dè /apw^dHim qual! de kiòof . 
É prováv«l que se edificáèse o castello ede- 
'Poisa.^rffla,<€omo;era co«tamet]uasi geri^. 
O que eu supponho é que- antigameAle 



CAS 



20^ 



se dava á fortaleza o nome de Castro Lebo* 
reiro e á povoação o de Villa de Leboreiro^ 
e primeiramente Póbra de Leboreiro. 

O castello fica ao sul da villa, a distancia 
de 400 melros, pouco mais ou menos, sobre 
um elevadíssimo pico, que terá de altura 
400 e lantps metros, e se levanta sobre uma 
base de acanhada circumferencia, o que o 
torna espantosamente aprumado. 

Já só o morro se pôde chamar um castel- 
lo natural. É um gigante coroado de pedra 
de cantaria, muito regi^ar (e não tosco co- 
mo diz o padre Carvalho). 

É inaccessivel, e seria inexpugnável, se 
não fura, impropriamente fallando, um^ es- 
pécie de isthmo nimiamente estreito, que a 
põem, se bem que dillicilmente, em con^mu- 
nicação com o exterior. Teve quartéis em 
tempos remotíssimos, assim como (cousa ad- 
mirável n'aqueUa. ^espantosa altura) um po- 
ço de agi^ nativa, o que tudo desappareceu 
ou ficou obstruído, em virtude de um raio 
que caiu no paiol; mas foi reedificado, co- 
mo adiante direi. Hoje apenas apparecem 
as ruinas. 

Os muros s^ bafxos, parecendo presidir 
á sua construçção mais o agradável do que 
as necessidades da guerra. Tem d^uas por|as, 
um^ para o sul è outra para o norte. 

Por aquella, dizem que outr*ora, aliada 
que arriscadamente, se podia entrar a ca- 
vallo; pan^.^ do norte, que dá pa^a o tal 
isthmo de rocha vjva, custa a jr d^ gatas; 
porque sendo esta rocha tão iac(inada e res- 
valadia, foi^ precisp abrir-lhe a picão ^ns 
toscos e estceitos degraus para subir por 



Um o perigo não eQtâahi, esli ao çhegigr 
i tal portçi, 0)i|,ante9 írésta,. pois que é tão 
estreita, que pouco PA^sará de 60 centitne* 
■tt^OS,^ ,v. .-í ■-, . i , ,, 

Ainda o visitante vai arripiado do perigo 
que venceu, mas na esperança de recuperar 
a 8erenidaAe».;quando \m novo sustc^pofem 
mais iiorriv<^, aai& sem ilom^, se apodera 
d*ellel 

Destaca-se-lhe á direita um penedQ, ,qp^ 
terá, quando muUo^^lr^^ «etroa 4'aUo^ ahi 
posto pela naturesa, de fígi^ra rigonâsaaíe n- 
ilé cónica» 9 que fiioaniçsmoíjronteir0|^ pior*» 



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20^ 



CAS 



lâ, e a lao pouca distancia, que qualquer 
bdmem, em ouird sijrio que não fosse este, 
a poderia salVar d'um âalto; mas aqui está 
a morte t 

Ê um abysmo proftiíidíèsimo, *qúe terá 
at)Toximadamente 350 a 400 metros, que é 
a dFstancia que tem de percorrer o ousado 
curioso, se porventura tiver a infelicidade 
de lhe escorregar um pé ou de se assustar. 

Ninguém que tiver conhecimento doesse 
faínosocastelio indico, deixará de chamar a 
ieste o nosso Savendrôog ou Rocher de te 
Morí. 

O conde Wíiira, tenda-se levantado ná 
Galfiza contra D. AfTonSo III, (o magno) o 
irer mandou contra elle seu primo, o conde 
Hertnenigildò, que ô venceu etí-ouxe preso 
iô té\; o qual, em premio d'este serviço Ihè 
dfeii as terras do conde tròídor ; entre ellas 
a. villa de Lima, (Galliaía) òridte sèli neto S. 
Roiendo fundou o mosteiro de Cella-Nova, 
e está villa de Castro Laboreiro.' 

CônslitUida o reino de Portugal (i093) do 
qual o limite septentrional ficou (como 
afctuálínente) sendo o rio Miftho, ftóòuésta 
Villá sendo de^e o princípio pbrtuguefci. 

b, ÀlTonsdHebrí4tte8^ ^e rodeou de ttni- 
ralhas o antigo tasteJl<y, Ò^^que consta de uma 
àbaição que eéle printipeifezàbéMitodét^a- 

'derne! ' , "' ' ' '' ', " '''^■'''^" ■ '' 
No i[)riricíp!ò dó sééuló Xiy,*tíàhiuum 
wlò nó paiotdàpolvora, qúe, incendiando- 
àc, fez ir d cfAstellò pelos^res? pelo que b 
ftíf D. Diniz ò fflâbdbu reédPBbat. • 

A egreja matriz foi primeiramente vi^- 
Vidrik' da bbtrà de^Pòme débifila^ d^is, 
iSAÚm ' dó bispo dè Tàf^ qttfe D; loioí Pef- 
niitiàés Sotto^^ior tfòcòttíctím''^ noè«a'rei 
commenda da'Otf-, 



D. Diniz, em 1308, e era 



Hiéfn aè ChHstd. 






J'! 



' fi^tcffàvèl <a e^j^pentnHadaSettlyD^ d'^na- 
mlld, inò dístríetd^^â^^stbif^egàezfo; }u»to*á^ 
raia, em uma gruta natural, cavada éni< rd- 

^à vka.'-i í^í '■••'í''' -' '■'■'■- '■?' í' 
A ponte cliâftbaéa 'PédiMia, ^Me qãe é 

'È tbi^ d^úni diiM èjfti^nlòí: «eAte^>^i 



CAS 

dlnvemo um írio polar, e de tet§o ttiA ca- 
lor tropical. O padrô Carvalho diz que o vi- 
nho chega aiii a congelar naquella primeim 
estação. 

O solo é sàfaro e desabrido. 

Nenhuns frnetos produz mais que centeio, 
nabos, c batatas; mas a providencia^ para 
comi^ensar talvez os seus habitantes da falta 
dos mais fructos, dotou* llies estes eom uma 
qualidade tão superlativa, que não sei quet 
haja melhores. 

Abunda em gado vadcum e lanígero, i^^ri- 
meiro de má qualidade, pela iocnria; dos 
setiis habitantes em ape^rfeiçoar a raça ; mas 
o ségcmdo gosa 4a reputação dó melhor de 
"Port^igál, o que decerto é devido ás excel- 
lentes pastagens que aqui se criam de veria 

A terra é absolutamente despt^vida 4'ar- 
vores, se bem que o auctor da Chorogra|»hia 
Por Uigueza (CarvattM^) Uie dé alguns poíxcos 
e pequenos carvalhos^ e pòoeo «iMho miiSdo, 
coisas que nunca lá viram, a não 9er que ás 
leVasèem de lôfa, á exeepçào dos primeiros- 
que alguns tem em raríssimos éitios, mas 
muiio infezados. Estes me^es ndo passam, 
de poucos palmos de altuna. A arvore ia^ 
digna é o piorno e a urze. ^ ' i 

> A fi^èguetía é a ttais extensa e dilatada 
em* áreb que ró conheee, pois até li^ poaco 
eUa dó 'formata^um concelho, sendo 4epoia 
^áne!X!ádo à òòm^rcaie concelho 4ç Melgaço. 

É eeh^da de elevadíssimas serras, que 
desde a< staa base até ao lòpo escao eriçadiu. 
dei)enhaseós,d'Qm aspecto ftiáee selvageoi, 
que se^deoEenlianiii Qas novena e^m ilíí (mt* 
mas caprichosas e phantasticas. É abunéaq* 
tibsima emcáçft éé4ò4o ofonero: Qriátfi-se 
aqui máBlIiiif d'oQi& oorpolènda e viger ax> 
> A^erdlnark>s,< pòi^ qualquer d'elie& mata um 
k/Uai Greadòsíora d'aqu1, degénenaoi ialei* 
'Vamieíile.O' '"; •!■! -(''ij- *'1' ^n. k-mí- 

Há u«aá» eflUfgraçãòies^antos^, íipoisi iqns 
[#$9^ qi]eeiitt»4>mpede seteaibiK), U^oiiiue 
èheQieiiiideeiade deiíito annos ^ararcíiBtoy 
^átó áliáe de maisiproveéta^ eMándo^^m^di^ 
aiáMtaiieiM'de>8e âbrlrasiani^ tDaitba lianitO^ 
Do^i^o^^ f rai;-os«lfoiites, Beirá^Aitae outras 
t)àne9JSiião reoeiheíido senão >ttaPas^d«> 
^ é Oitermoiálftl >em que IdÚKilè appsfe-^ 
eeriwrforça; • -, : • 



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Fica a terra tão despovoada de homens, 
qne os cadáveres são conduzidos para a egre- 
ja pelas mullieres, havendo antes disso, em 
càsa dos doridos grande comésana para todas 
âs pessoas que quizcrem aproveitar-se d*el- 
le, o que todos da melhor vontade fazem, e 
ás vezes em numero de mui las dezenas, mas 
que ninguém estranha por ser uso da terra. 

Diâhle do fereclro (que é, como já vimos, 
conduzido por mulheres) ^egue uiha comi- 
tiva dVHas, umas com biroas de pão, outras 
com açafates com baealhau ei outras coisas, 
à cabeça, tudo para a egreja, e que lá é ea- 
tregue ao parocho. 

Quem encontrasse um préstito d*estes^ e 
n3o conhecesse o costume da terra, leria 
qué se persuadir (iiíe esta pobre, mas boa 
gcnlo estava embebida hà cretíça d^alguris 
povos, que eslao convencidos que os càda- 
vereá comem debaixo da terra, recebendo 
pòr essa occasião muU()'s presentes! 

Ao oílicio da sepultura assistem quantas 
pessoas ahi estiverem de todas as edadés e 
d'ambos os sexos, ca()a qual com uma véía 
na maò, arrancando gemidos uns, soliíços 
Outros, mas todos (ápaí-te? os tregeitos ridí- 
culos qiíe alguns fazem) manifestando timá 
dôr e iiv^gua tao profundas, que não se po- 
der iam fingir. 

A egreja é boa, para aquella terra. 

A chamada villa é uma pequena e po^re 
povoação, ciijas casas, assim como as de' to- 
da a freguezia, são cobertas de éoFípo, e se 
algumas ha de telha, aiiíàá ásíim não dis- 
pensam a palha por baixo, jpot qáè,' á não 
ser isto, òs sobrados, em virtude do' eiíjeá- 
sivo resfrlámenló íía alhmost)hera,. âppktè- 
cèríam alagados em agua, como se ali lives- 
setid' entornado alguns cântaros à'á(iuellé lí- 
quido. ' ' /,. ' 

No tracto, em gera. a ^ente i^esehtò-^e'd^ 
rudeza dá terra,* advertindo qúò é là^io 
oísi^eqúí adora ehosóííaloíí-áiiàrá cpih'a's'^á- 

NfcóbsiaiÀô a inaiiieálítóna^^^^ í^0ék 
^tfèstí ^ârageni ãelyatfcâ, tèém Wslés àllí- ' 
AõS ' áíínoá Mídb' 'd*áqut' ' ékliiàaniés ffluí 
distii^tos, e que t^m sido l^^qidos eúa á(- 
verias ikculdjade^ o. içju^ yei^ c(^lrarjiai: a 
opinião dos que dizem qiie as coinidas de- 



'tító 



âb7 



licadas e as terras mimosas concorrem pa- 
ra o talento. 

A convivência d^esses mancebos estúdio» 
SOS, que tem ido beber a sciencia por esses 
diversos estabelecimentos scienlificos dolpaiz, 
devem os habitantes d*esta desfavorecida 
terra o verem os seus costumes, rudes e ás- 
peros como ella, consideravelmente mais 
adoçados e as maneiras mais cívilisadas. 

Agradeço ao reverendíssimo sr. Josó Ma- 
nuel Alves &ilgado de Castro^ os valiosos es- 
clarecimentos que me deu, tanto de Castrp 
Laboreiro, como ç|a Çorrelhan : e se nao fui, 
em algumas cousas, da sua epiniao, é por- 
que houve para isso imperiosas razões. 

D. Maunel lhe deu foral, cm Lisboa, a 20 
de noveriíbro de lo 13. (NVste foral se lhe 
dá o nome de Castro teboreiro.) 

Tinha foral velho, dado por D. Affonso III 
em Lisboa, a 15 de janeiro de 1271. N*este 
foral se lhe dá simplesmente o nome deLe- 
boreiro, e foi elle que a elevou á cathegoria 
de villa. Ha porem muitas aldeias em Por- 
tugal, mais ricas e muito maiores do quo 
esta villa, que actualmente mí|is merece 6 
pome d'aldeia. É porem povoação antiquís- 
sima, e que jà existia no tempo dos roma- 
n.0% que, com muita probabiiiãfa^e lhe çiiá- 
ipavam tapòretiini, áo qiie o home actuai é 
corrupção. É na raia de Hespanha. 

O termo d'esla freguezia é montanhoso^ 
desa|)rido p sem .arvores. 

']Eí^ frente da VjSila fica o c^teíjo (gall^|jQ) 
de Lobeira. . ^ . 

D. Àltonso I; a íomou aos mouros em ÍÍ2th 
p. piniz a rjeediífcpu e ^o çasiello^ pelos an- 
no3 de Íá9pl j'|fçfl[j tiji^a mijiraíha tosca,, com 
duas portai^, ]alçap^ra o 0, pela (}u4s^ po- 
dia passar a cávallcj, çutra pVa o ít ppr pn,- 



de Epal, ^ com firand^ risco^póde passar umà 
Çiessoa à pé. A estacliamam ofostigo, ^ 
Hom^s e paulhêres d'aqui usam de po- 
mnf^s ,dé DjUfe^j^r^nco jb cÀaiu;af jéspecie de 
^íàj^jah^ conf a Wa do pao,rpresa ao pé 

. ^^qui sahepi PP inverno, para Iraz-^^os- 
'&|tòiite3 e outrai.têrr^y mais d^^ hbme^ 
2( fazer, Dâredes á^^PiaUosecanypós. Cha- 
mam a ates peoreiros tap&as. 



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208 



CAS 



CASTRO MARIM— villa, Algarve, comar- 
ca e 24 kilomelros a E. de Tavira, 54 a 
ENE de Faro, 3 a ENE. de Villa Real de 
Santo António, 3 ao N. de Ayamonte (cida- 
dã hcspanhola da Andaluzia) e 240 ao S. de 
Lisboa, 930 fogos (3:700 almas) no conce- 
lho 1:860 fogos. 

Em 1757 tinha 523 fogos, na villa e fre- 
guezia. 

Órago S. Thiago, apostolo. 

Bispado do Algarve, districto administra- 
tivo de Faro. 

Em 37»ir de latitude N. o 1°5' de longi- 
tude oriental. 

Por todas as partes de Portugal por onde 
tenho viajado (principalmente de Lisboa, pa- 
ra o Norte) em se fallando em Castro Ma- 
rim, toda a gente estremece, cuidando que 
esta villa é no fim do mundo, a terra mais 
feia e inhospila que ha; finalmente terra de 
degredados. 

Quanto se encanam! 

Castro Marim é uma das bonitas villas do 
Algarve (onde quasi todas são tão bonitas) 
e do seu castello goza-se uma vista que não 
tem superior em belleza em todo o reino. 

Pelo decui*so d'este artigo se desengana- 
rão, dando á esta interessante villa o seu 
verdadeiro valor. 

Em Uma vasta e fértil planície e^tão dous 
outeiros que se coomnfmnícam por uma bai- 
xa (espécie de istmo) mais elevada do qiie a 
planície. 

O castello coroa o monte do E. (por isso 
cliamado Monte do Castello) e no do O. cha- 
mado o Cabeço) está o forte de S. Sebas 
tião. ' í , . ' 

"Foi à forte do Cabéçò (ou S. Sebastião) 
fundado por í). João IV, durante as guerras 
da restauração. Communicá com o castello 
I^òr nmà estrada coberta. 

Àmbaâ estas fortalezas edt^io bem conser- 
vadas (se as compararmos éom as das ou- 
tras praças àe guerra portugiiezas.) 

O castello é & fó^a tircUlar, e, ainda 
^e feito Úé pedra miudâ, Ijástante solido, 
por ser a pedra toda assente em cal e areia. 

D. í)iniz (ó^uíròs dlzéni qúe foi seà %e, 
D. Aífonso ííi) ínandott^ instruir o castello 
primittivo è as antí^ mu|^had 4ue cerca- 



CAS 

vam a villa; mas os castelhanos damnifica^ 
ram estas obras de defeza por varias veze% 
de modo que D. João IV, em vista da gran- 
de importância militar doeste ponto, recon- 
struiu o castello, dando -lhe nova forma • 
mais amplidão, e guarnecendo-o com cinco 
torres ou baluartes, c com cinco portas. 

Tendo o terremoto arruinado muito este 
castello, D. José I o mandou reedificar, dan- 
do lhe a forma que hoje tem, e só com uma 
porta para o O. e um postigo (ou porta fal- 
sa) para o SO. 

As muralhas de D. Diniz estão desmantel- 
ladas; mas as de D. João IV, que teem mui- 
to mai3 âmbito, estão em melhor estado; 
porém, também muito arruinadas em parles. 
Tem esta muralha três portas : S. Sebastião, 
que é na praça doeste nome, tem um baluar- 
te, e está soffrivelmente conservado. (É ao 
ONO.) a de Santo António (ao SO.) é do sé- 
culo passado e está em muito bom ^tadq, 
ea da Villa, ao N. 

Foram seus alcaidesmóres os condes de 
Soure. 

A villa está fundada em redor do castel- 
lo ; mas, como a população foi crescendo, a 
maior parte d*ella é extramuros. O cabeço 
também é povoado até á esplanada do forte, 
e este dista do castello uns 900 a iÒOO me^ 
tros. 

Dentro do castello estão as ruinas da egre- 
ja de S. Thiago, primiitiva matriz da villa. 
(Quando eu aqui estive, estava reduzido a 
cemitério.) Foi destruída pelo terremoto do 
l.* de novembro de 1755. Também aqui era 
a Misericórdia e o, hospital, e ha casas de 
habitação de muitos particulares, e o con- 
vento dos cavallçiros de Christo, hoje quar- 
tel militar; pois a villa primittiva estava to- 
da deqtro do recinto do castello. 

Entre o castello e o| C^l)éço está (sobre 9 
tal Istmo) a sumptuosa êg^eja de Nossa Se- 
nhora dos Martyres, a cuja Senhora se faz 
annualmente uçi^a magestpsa festa e cpncor- 
ridissima romaria, poji^. é esta egreja um 
santuário de muita dpvoçào para o> algar- 
vios. 
' Junto a esta egreja está tim bom hospital 

n^itar. Ao 0. da íuesma é contiguo a el« 



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CAS 



CAS 



309 



Ia ba um vasto eirado (que é 6 adfo da igre- 
ja, e ao qual aqui chamam o Alpendre) cu- 
jo pavimento é todo de cal e areia, cercado 
de muro, também argamaçado. 

A egroja é antiga, mas foi restaurada pe-r 
lo bispo do Algarve, D. Praneiséo Gomes 
d-Avellar» quando para aqui se transferiu a 
parochia, depois do terremoto. É hoje a ma- 
iriz. 

Castro Marim é um porto maritimo do 
Algarve e uma das suas pnncipaes (senão a 
principal) ptaça de guerra. 
- É situada sobro a margem direita do Gua- 
diana, a 6 kilometros da sua foz e a i:500 
melros d*este rio, com o qual communica 
por um esteiro, que permitte que as embar- 
cações fundeiem no bairro da Ribeira, ao 
sopé do castello. 

É povoação antiquíssima (talvez fundação 
dos carthaginezes, ou, pelo menos, dos ro- 
manos) mas n2o se ^be por quem nem 
quando foi fundada. 

Alguns pretendem mesmo que fossem os 
phenicios os seus fundadores, pelos annos 
do mundo 3030 (954 antes do Jesus Christo) 
porque navegaram muito pelo Guadiana, 
em busca de minas metálicas, sendo os pri- 
meiros exploradores das célebres minas de 
cobre de S. Domingos. (Vide Pomarào.) 

D. Payo Peres Correia, fronteiro-mór do 
Âlgar>'e, expulsou d'aqui os mouros, pelos 
annos lã4â, e esteve só povoada por tropa, 
até que D. AfTouso III a mandou povoar, 
em 8 de julho de 1277. Segundo outros, oS 
mouros â'aqui, abandonaram a villa e fttgi- 
ram para a Africa, e quando aqui entrou D. 
Payo Peres Correia, já eslava abandonada^ 
concedende-Ihe entio o rei grandes foros e 
privilegíosl D. Diniz lhe deu foral, no i."" de 
maio de 128^ confirmando e augmeatándò 
es que seu pae tinha dado. 

Lopo Mendes, commendador d*esta villa, 
vexava os moradores com exigências exor- 
bitantes^ pelo que ellcs lhe moveram, deman- 
da; em 21 de março de 1504, obtiveram seií- 
tença contra elle, na qual ficou prolúbido de 
levar mais direitos do que os que lha mar- 
eava o foral velho. 

D. Manuel lhe deu foral novo, em Lisboa, 
a iO dé agosto de 1504. 

VOLUMin 



Esta villa tinha voto em cortes, com as-^ 
sento no banco Id.^" 

A mesa da consciência e ordens é que 
apresentava aqui o prior, que tinha 3 mòíos 
de trigo, 90 alqueires de cevada, 90 alquei^ 
res de centeio e 8J5000 róis em dinheiroj É 
annexa ao priorado e thesouraria, que ren* 
dia 30 alqueires de trigo, um quarto de vi* 
nho e 4)^000 réis. 

Tem um bonefíeiado, airadOy que íinhá 2 
moios e 24 alqueires de trigo, 90 alqueires 
de cevada, 10 J>000 réis e metade do pé d*al- 
tar. 

É terra muito fértil em cereaes, legumes 
e toda a qualidade de fruetas, que são optí* 
mas, muito bom vii^o, bastante azeite, bor^ 
taliças, ele. 

Grande abundância de peixe do mar, do 
Guadiana e dos esteiros. (Este uHímo, nao 
é grande cousa, por ser do lodo o é alli de 
muito pouco merecimento e baratíssimo 
Chamam-lhe peixe tapa-esteiro,) 

Eram alcaides-móres d*esta villa os eòn* 
des de Soure, que tinham o seu paço dentro 
do castello. Esta familia está extincta. 

Esta povoação foi muito mais vasta em 
tempos remotos, o que é provado pelos ves* 
tígios de alicerces que se encontram nos 
seus arredores. 

Quando, pela extincçâo dos templários^ D. 
Diniz creou a Ordem de Christo (1319) fes 
esta villa cabeça da nova Ordem; mas D^ 
AíTonso V a passou para Thomar. 

Outros dizem que foi o rei D. Fernando 
que transferiu a sede da Ordem para Tho- 
mar, e Rodrigo Mendes da Silva (na Poblacion 
general de Espana) diz que foi D, Affònsò 
IV; o que é manifesto engano. É mais pro- 
vável que tosse D. Fernando. D. AíTonso V 
é que fez troca com es cavalleiros de Chris- 
to, dando-Ihe Thomar poretCa villa, qtle des* 
de então ficou para a coroe. 

Tem grandes marinhas de sal, cujo géne- 
ro exportam em grande quantidade (uma 
grande parte para ã cidade do Porto.) 

O. sal, 09 figos, as amêndoas e uma gran^ 
dé porção de peixe salgado, que levam para 
todo o reino, constitue a maior eimelhor 
parte do séu oomnaercio. r 

MuUos 4*estaB guieros s6 exportam parjfr 

14 



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SIO 



CAS 



6â)raltar, Africa, Brasil, Lisboa, PqUo e ou- 
tros pontos. Também produz muita cal Ex« 
porta também bellas rendas de linha, de pita 
e de palma, em cujas obras se empregam 
HKiitas mulheres. 

O seu. bra^ d*armas é um escudo com 
uma cidade cercada de muralhas e por ci- 
ma as armas de Portugal. 

Foi desde 18 i9 até 1834 quartel dobaU- 
fiiao de caçadores 4, o que muito fazia pros- 
perar esta villa. Tinha uma companhia de 
veteranos, e capitão mór, com 8 companhias 
de ordenanças. 

As suas ruas são alegres e guarnecidas 
êe muitas casas boas; mas mal calçadas (ao 
HMBDs quando eu li estíre) e não tem edifí- 
cio nenhum notável. 

Poucos sitios ha em Portugal d*onde se 
gosem tão deliciosas vistas, como do castelo 
Kl 4*ô3ta villa. Ao SO. vé-se a foz do Guadia- 
na, a linda povoação de Yilia Real de Samo 
António e o; mar. 

At) S. vô'se o Guadiana (que-é aqui largo 
e formoso) a linda cidade hespanhola de 
Ayamonte (quasi defronte, na foz do rio) e 
varias montanhas de Andaluzia. Ao £. vêem- 
se as serras de Alcoutim e outras; ao N. e 
KQ., vastas e férteis planícies, bonitas al- 
deias, e ao longe varias montanhas. 

Aqiti toem os detractores de Castro Marim, 
o qne^ é esta villa e seus arrabaldes, e a 
fealdade que tem a tal fárra âe degredados. 

A gente doesta villa ô muito alegre e áa- 
da a folias; mas, no geral, bôa e multo ser- 
viçal As senhoras e os cavalheiros de edu- 
cação são de trato ameno e delicadíssimo. 

Tem o titulo de »Mui antiga e notável 
villa de Gastro-Marimt. 

A primittiva villa constava^apenas das ca^ 
sas que estão dentro do caatdlo. 

D. João I, para promover o angmento da 
população, em carta; de foral de iO de abril 
âe i421, permiuiii qaiò aqui ^dessem vi- 
YtBt ¥^h(smi9iados, sem poderçm ser per^* 
fuidos pela justiça, não sendo os seus ed- 
mes de traição ou aleivosia. D. ioão II # D^ 
ViimoL lhe conâfBiarafli estea privilef^s, 



CAS 

DAas eueeptaaram também d*elles os moe^ 
deiros falsos, sodomitas e herejes* 

D. AÍTonso Y esteve aqui em abril dô 
1453, fazendo então um regimento sobre aa 
p«scaria& 

Em 7 de julho de 1480 os governadores 
do reino aqui publicaram a (uninosa s#n- 
tençOf que declarou Philippe II rei de Por- 
tugal. (Esta sentença tinham elles e os cas*> 
telhanos redigido e assignado em Ayamon- 
te.) 

O terremoto do 1.'» 4ie novembro de Í7S^ 
cansou aqui espantosos pr^nisos, demolin- 
do muitas casas, morrendo debaixo das suas 
riúnas muita gente. 

Também o clK)lera-moii>us aqui matoii 
muitas pessoas em 1833. 

Tem esta villa dois arrabaldes, o bairro 
ou arrabalde da Ribeira, ao Sol, e o de Fo- 
ra, ao Norte. 

O seu porto é aecessivel a navios de alto 
bordo, mas não chegam á villa^ nem mefima 
á Ribeira, onde só podem fnnéear feôates; 
porém ficam no Registo. 

O terreno d*e3té concelho é na maior 
parte muito fertil, e regado por muitas ri^ 
beiras. 

A agricultura tem-se aqui desenvolvida 
bastante ha alguns annos a esta parte. 

Foi elevada a cabeça de condado por D. 
Joio VI (ainda principe regente) em 14 dâ 
novembro de 1801; sendo primeiro eonde 
Francisco de Mello da Cunha Mendonça^â 
Menezes, 8.« monteiro mór do reino. Esle 
mesmo foi depois (1808) leito marquez de 
Olhão, pelo mesmo principe regente. 

São dependentes da praça de €astro-Ma* 
ríffl— o forte de S. Sebastião^ as baterias úot 
Registo (no esteiro) e da Rocha do Zamba^ 
jal (perto do castello) e a praça de AIqou^ 
tim. 

Aqui principia a Serra do Algarve^ atsim 
chamada por percorrer quasi todo elle, ató 
á villa éò Aljesur. Dia-se que eflta senpa ó 
um raoid da Serra Morena» em Hespanha. 

Oooneelfaode Castro Marim é composto 
de trez freguezias— a da villa, a 4o Espíri* 



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CAS 

to Santo, do Azinha], e a de Nossa Senho- 
ra da visitação, de Odeleke. 

O foral do rei D. Manuel está na Torre do 
Tomho, no Uvro dos f<>9'aes novos do Alem' 
tejOy fl. Í4, col. !.• 

Vefam-seos autos entre partes, que eram 
os moradores da mesma vllla, e Lopo Men* 
des, seu commendador, nos quaes se deu 
sentença contra este, a 21 de março de 
1504; para que não levasse mais direitos do 
que os que lhe dava o foral antigo, e não 
continuasse na eobrança dos que levava sem 
lhe pertencerem. 

No maço de Autos sobre Direitos Reaes e 
da Ordem de Christo.n^ I, acfaa-so inserto 
nos mesmos autos, a 0. 18 e fl. 22 o foral 
antigo de D. Diniz. Vcja-se também no Li" 
vro í^ do Senhor Rei D. Affonso l//,fll41, e 
Uvro í* do Senhor Rei D, Diniz, fl. 44 v. 

GASTRO-IORE— Vide Crestuma. 

GASTROROUPAL — freguezia, Traz-os- 
Montes, comarca e concelho de Bragança, 
4M) kilometros ao N. de Miranda, 480 ao N. 
de Lisboa, 32 fogos. 

Em 1757 tinha 330 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado e distrícto administrativo de Bra- 
gança. 

Foi antigamente da comarca de Miranda, 
termo de Bragança. 

Os marquezes de Távora apresentavam in 
pOiãum o abbade d*esta freguezia^ até 1759, 
que ficou sendo do real padroado. 

Tinha o abbade de renda 1: 200^1000 réis; 
apresentava as egrejas de S. Sebastião de 
Lfmàòs. S. Giraldo de Banrezes, S. Vicente 
ée Bagueixe, Santa Cruz de Gralhós e S. Vi- 
cente de Vinhas. 

Era este logar, cabeça do titulo da abba» 
dia de Nossa Senhora da Assumpção (vulgo 
Nossa Senhora das Vinhas). 

É terra muito fértil, sobretudo em fructa. 
As ameixas brancas d*esta freguezia são as 
maiores e melhores de Portugal. Também 
ba aqui muitos e bons pastos. 

IPlnba làiz pedaneo (de vara encarnada) 
4 quadrimeíros, 2 jurado» e 3 homens do 
accordàm, feitos pelo povo e confirmados pe- 
tas juistiçás ^Bragança. 



CAS 



2ii 



Eram seus donatários até 1759 os mar- 
quezes de Távora, e desde então ficou para 
a corôa^ 

Era da jurisdicção da casa de Bragança» 

Cria-se aqui muito gado de Ioda a quali- 
dade. 

Esta freguezia foi dissolvida no principio 
d*este secuh), dividindo-se por varias our 
trás. 

GASTRO-VERDE — vllla, Alemtejo, co- 
marca de Almodovar, (foi até 1855 da co- 
marca de Ourique) 40 kílometros de Beja, 
50 de Serpa, 12 de Entradas, 95 de Évora» 
150 ao E. de Lisboa, 880 fogos, 3:500 ahnas^ 
no concelho 1:380 fo^s. 

Em 1757 tinha a freguezia 216 fogos. 

Qrago Nossa Senhora da Conceição. 

Bispado e distrioto administrativo de Beja. 

Até 1759 era da comarca de Campo d*Ou* 
rique, mas sujeita ás justiças de Azeitão» 
pôr ser terra dos duques d^Aveiro. 

Feira a 18 de outubro. 

Situada em campina, d^onde se vé Beja» 
Serpa, Entradas e os castellos de Messejana 
e Aljustrel» e a villa de Monchique. 

A matriz era da Ordem de S. Thiago. Ti- 
nha 3 benefíciadof curados e um ihe^úu- 
reiro. 

A Mesa da Consciência e Ordens iq)resen- 
tava o prior, que tmha 4 moios de trigo, % 
de cavada e em dinheiro ^ijKKX) réis; cada 
beneficiado 2 moios e meio de trigo, 90 al- 
queires de cevada e 10^000 réis; o thesou-< 
reiro 90 alqueires de trigo, 3 almudes de vi- 
nho e 4i^000 réis, tudo pago pela commen- 
da d'esta vUla. 

Tem hospital e casa de Mis^icordia, cout 
firmada pelo cardeal rei, com três capellães, 
cada um com 3 moios de trigo e ífitOOO 
réis e dois meios anoaes de missas» com a 
renda de 150 ahiueiíes de trigo, cada um. 

O juiz ordinário e cantara d*Qste conce* 
lho eram antigamente sujeitos ás justiças de 
Azeitão. 

Passam pelo termo dois ribeiros, (Cobres 
e Yiomar) mas a terra é falta de agua. 

É fértil em trigo; da B^ais poo<o. Cria 
muito gado, sobretudo» grande quantidade 
de porcos, oQja oarao se éJ^oru para todo 
I o refilo. 



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212 



GAS 



Foi perto iVesta vil la a gloriosa batalha 
de Campo (l'OunqDe (vide Ourique). 

No logar em que vivia o ermitão que an- 
nuuciou a D. Afifonso I a a p par içào, mandou 
esto rei edificar uma capella, em memoria 
dVsta milagrosa batalha. Philippe II amau' 
dou reedificar, ampliaúdo-a muito. Tem es- 
ta capella o titulo de egreja das Chagas do 
Salvador (mas chama-se vulgarmente Nossa 
Senhora dos Remédios). Para as obras d'cs- 
ta egreja instituiu o rei a feira de* outubro, 
apphcando para ellas o rendimento do Ur- 
radégo. 

Era toda de abobada, com primorosas pin- 
turas. Tinha um rico púlpito de talha dou- 
rada, e na parede dez quadros de grande 
merecimento, alluslvos à batalha d'Ourique, 
acclamaçào do D. AÍTonso I como rei de Por- 
tugal, seu juramento, etc* 

Todos estes primores d'arld ficaram es- 
tragados, pois no dia i6 de abril de 1867 
(terça-feira da semana santa) abateu a abo- 
bada da egreja, esmagando tudo. Lá so foi 
mais um padrão das glorias de nossos avós, 
sem esperar pelo camartello destruidor dos 
vândalos do século XIX. 

Ha n*este concelho minas de manganez e 
de chumbo. (Só no mez de abril de 1867 fo- 
ram registadas n*e8le concelho e no d*Ou- 
rique 30 minas, e em dlezembro de 1872, 
mais duas de sulphato de baryte e irez de 
manganez). Entre aquelias ha algumas de 
cobre. 

São pi'oxtma3 d'esta villa as milagrosas 
aguas de S. Joào Baptista do Deserto, em 
Aljustrel, que curam a morphea e todas as 
moléstias de pelle. (Vide Aljustrel.) 

Tem foral, dado por D. l^Ianuel, em Santa- 
rém, a 20 de setembro de 1510 (Livro dos 
foraes novos do AlenUejo, fl. 46 v., coJ. 2.») 

(Com respeito ao celebre ermitão de Cam- 
po d'Ouríque, vide Rériz.) 

Foi ês(a íroguezia commeoda da Ordem 
de S. Thiago. 

O concelho de Castro Verde. é composto 
4a8 fregnezias —da villa, Entradas, Santa 
^rbara, Taboeira e Caserel. 
' GASTRO VICENTE t^Yilla,: Traz os-Mon- 
tes^ foi até 1855 da comarca e coucelhò de 



GAS 

Chacim, e desde então, é comarca e conce- 
lho do Mogadouro, 155 kilometros ao NE^ 
de Braga, 30 ao N. de Moncorvo, 408 ao N. 
de Lisboa, 180 fogos. 

Em 1757 tinha 96 fogos. 

Orago S. Vicente, martyr. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
trativo de Bragança. 

Era antigamente da comarca da torre d^ 
Moncorvo. 

Situada em um alto ; fria mas saudável. 
Eram seus donatários os marquezes de Tá- 
vora, a quem cada fogo pagava 36 réis. (Jà 
se sabe que, desde 17o9, passou para o do* 
minio da coroa). 

Os Tavoras apresentavam as justiças e 
não entrava aqui o corregedor em correição^ 
por privilegio antigo dos senhores da villa. 

O abbade era apresentado pelo real pa- 
droado e tinha 600^.000 réis, segundo Car- 
doso, e 400i$000 réis segundo^ o Portugal 
Sacro e Profanp, 

O abbade pagava, dos 600ií000 réis^ 
200j^00(>;réis â Capella Heal, e é por isso 
que o Pofiugal Sacro e Pivfano lhe dá só 
os 400^000 réis, mas tinha mais; porqp^ 
como Cttte abbade apresentava as egrejasde 
Parada e Saldanha, os parochos doestas duas 
freguezias concorriam para o pagamento da 
pensão á Capella ]\eal. 

Tem Misericórdia e é fértil, sobretudo em 
azeite e vinho. ? 

Produz muita e boa seda, e os seus m(>a- 
les sào abundantíssimos de caça, de todas 
^s qualidades. 

Tinha antigamente dois Juizes ordinário^ 
O seu termo comjMinha-se de 9 legares, que 
eramPerédo, liomba, Saldonha, Valpereiro, 
Agrobom, Gebelim, Soeima, Villar (^haQ.,e 
Parada. . v 

Abundante em boas aguas. 

A primittiva villa era onde hoje se chama 
Villa Velha, 300 metros mais ao sul,, paia o 
lado do Sabor, e ainda alli ha vestígios de 
antigas fortiGcaç5es e outros i^dificios. Era 
muito maior povoação ãí^ que a actual. ^ 
Dizem que a antiga paxoQhia era a^cai^l- 
la que ha em VUla Velha, dedicada,^ S^ík^ 
to Christo da Fraga. Proxim^ d*es(a capei- 
la está uma inaccessivel jffsabA ile.desconr 



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CAT 

nranal altura. Chama- se Fraga de Villa Ve- 
lha. Em frente d'ella ha ainda outro mente 
mais alto, chamado Asidhal, que cria matto 
bastissimo e caça grossa e miúda. 

O rio Sabor corre próximo d*esta villa e 
Wga o seu termo. 

D. Dini?: lhe deu foral, em Évora, a 3 de 
dezembro de 1305. D. Manuel lhe deu novo 
foral, em Santarém, no l.* de junho do 1510. 
Livro de foraes novos de Ttaz-os-Montes, 
fl. 12, col. !.• e Livro 3." dè Doações do se- 
nfkr rei D. Dínt, fl. 47, col. 2.* * 

Em Villa Velha existiu um càsiro roma- 
'nò, que deu o nome à povoação antiga (e 
que foi transferido para a moderna). Pare- 
ce que do nome do seu fandadoi*, ou primei- 
ro alcaide, por nome Vicehle, tomou o so- 
brenome. 

É povoaçAO anliquissihla, mas não se sa- 
be com certeza quando foi fundada, e se foi 
o tal Ticente ou outro ò seu fundador. 
CATAIAZÊTE— vide S. Julião da Barra. 
CATAIttA— Na frcguezia de S. Salvador 
*de Lòuredo, comarca e concelho da Póvoa 
de Lanbóso (12 kilometros ao NE. de Bra- 
ga, 360 ão N. de Lisboa) e sobranceiro á 
egreja matriz, ha o monte de S. Miguel e o 
outeiro de' Castlíhão e outro chamado de 
Brandião, entre Lanhoso o Pedralva. 

Ha aqui vestígios de antiquíssimas forti- 
ficações, (júè fizeram os bracharenses para 
isltiar a cidade (também antiquíssima) chac- 
inada Cattítiia, qne ficaVa a 1 kilpmetro ; a 
qual, depois dè tomada, arrasaram, não dei- 
xando pedira sobre pedra, de tal modo que 
nào ha de similhante cidade outras memo- 
rias, neW dò annò dá sua fundarão, nem do 
da sua destruição. Nao se confunda com Ci- 
tanía, que era outra cidade em difTerente 
sitio, como sé verá no logar competente. 

CATHAMNÁ (Santa)— freguezia, g.xtre* 
madura, èomarca e concelho das Caldas da 
Bainha, 95 kirometros &o NE. de Lisboa, 280 
fcgos. "■'^' • 

Ém Í76i tfhlia 143 fogos- 
Orago Santa Catharína. 
Patriarchado de Lisboa, districto admi- 
itísttaliTo dé LfelHâ. ■ 

Foi antigamente vflla, da comarca de Lei- 
ria^ sendo uma das 13 vilJas dos coutos de 



C4t 



ãl3 



Alcobaça, e dá qual portanto erà donatário 
o D. abbade dos bernardos, cujo mosteiro 
era senhor (somente no temporal) d'esta tre^ 
guezia, o que lhe dava um grande rendi- 
mento. Teve antigamente duas ogrejas, a da 
Senhora Benedicta, cujo parodio era o que 
o pov«> apresentava, e a das Mercês do Car- 
valhal, que era vigariarúi, apresentada pelo 
D. abbade de Alcobaça. Esta é hoje a fre- 
guezia do Carvalhal Bem Fciío, doesto con- 
celho e comarca, e ctijo orago é Nossa Se- 
nhora das Mercê:». A da Senhora Benedicta 
é hoje osfa de Santa Catharina da SL*rra, ~ 
vulgarmente, por abreviatura, denominada 
freguczia da Serra. 

A villa linha, até 1834, e em quanto foi 
concelho, no seu termo 38 aldeias e casaes. 
Os freguezes apresentavam annualmenle 
o cura, que tinha 250^000 reis de rendi- 
mento. 

Tem Misericórdia e hospital. 
' É terra feriH e muito saudável, e produz 
oxcellentes fructas. 

Tinha, quando era concelho, juiz ordiná- 
rio (que o era lambera das sízas e orplÊos) 
camará, com três vereadores, procurador 
do concelho, etc. 
' Feira a 25 do novembro. 

Ao O. da villa coire o ribeiro do Corquei- 
ro, que aqui se junta com outro e desaguam 
nít barra de S. Martinho. 

A villa é situada em um teso, no meio dd 
uma espaçosa, fértil e saudável TH)eira. 
É muito abundante de boas aguas. 
D. Manuel lhe deu foral, em Lisboa, no 
1.* de outubro de 1518. (Livro dos foraes 
novos da Extremadora, fl. 129, v., col. !•) 
Teve até 1834, duas companhias dé ordèr 
natiças, de 300 homens cada uma.comsèus 
competentes capitães é mais offíciaes. 

CATHARINA (Santa)— vide Fonte do Bia* 
po. * » . 

CATHAKINA (Santa)— vide Ribamar. ' 
' CATRARINA (oratotio de Santa)— arra- 
balde da villa de Alemquer, Estremadura. 
Está situado á betra ida estrada real A 
historia dVsta cajiellá ántíquiásimaf acha- se 
tilo envolvida em tradíl^çôes milagrosas, quô 
é muito diflicil, senão impossível, emittir 
uma opinião mconiestavel. 



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S14 



€AT 



Segundo o sr. Henriques (Alemquer e o 
sen concelho, Untas vezes citado n*esta obra) 
« mais verosímil é o seguinte : 

Anterior à vinda dos frades franciscanos 
para o convento d*esta villa (1222) o terre- 
no que esta casa oocupa, era da coroa, e, 
por testamento de D. Sanclio I, passou a sua 
^Iha D. Sancha, junto com o senhorio da 
viWa. 

Havia n*este sitio, já n*aque]le tempo, duas 
-atuídas, uma de Santa Catharina e oulra de 
S. Jeronymo. Quando vieram os frades me- 
' nores, Zacharias e Gualter, a santa infanta 
deu4hes este cantinho de terra, onde, ou já 
havia, ou eiles construíram alguma casinha 
ou hospicio, para se recolherem. 

Com a doação dos paços, que formaram 
o núcleo do convento de S. Francisco, tor- 
nou o terreno do hospício á coroa. A capei- 
la de Santa Catharina, foi arrasada com as 
enchentes do rio, e a imagem da Santa foi 
levada para o sitio onde é hoje o convento 
da Carnota. 

Era 1330 apparece este terreno em poder 
4e Lourenço Martms, eicoMom (copeiro) do 
rei D.^Dmíz. 

Martins construiu no mesmo sitio un» 
nova capella, dedicada á mesma santa» e por 
escriptura publica de 22 de outubro de 4330, 
tetítuiu um vinculo, denominado— Morga- 
do de Santa Catharina — cuja Cíy[)eça era a 
^inta, que tinha casas e officinas no sitio 
que hoje occupa o convento. 

Os seus successores no morgado, que com- 
prehendia avultados bens, tinham por obri- 
gado ter quatro capeliães eíTectivos, para 
ba ôapeUa dtserem missa quotidiana, por 
alína do fundador. 

Caso a sua geração se ^tinguissc^ o di- 
reito de kuHueaçao de successar, flcava ao 
guardião, que então fosse, do convento de 
S. Francisco. 

Terminada a geração, pelos annoa 1400, 
frei AíTonso âacco, então guardião» nomeou 
João Vaz, escrivão da puríd^de^ de D. João 
I, que approvou esta nomeação. 

loão Vaz casou com D. Catharina Faça- 
nha, fiUia de Mecer Manuel de Façanha, 5.* 
Almírante-mór, d*esta íamilia, que tiveram 
niunerosa descendência, que loi tronco dos 



Lobos, d*Alvito; Teixeiras, de Alemquer; 
Vaz de Azevedo, da quinta do Bravo e de 
Castello Branco; e Façanhas, de Évora, que 
possuem hoje o vinculo. 

Em 1508, o então administrador do mor- 
gado, para não fazer despcza com os quatro 
capeliães, cedeu a capella e cerca aos frades 
franciscanos, para se estabelecer alli um 
oratório, onde residissem cinco frades, de 
missa, para cumprirem o legado; e assim 
continuou até 1834. 

Este hospicio era muito pequeno e ape- 
nas tinha commodos para os cinco frades. 
Tem um poço no meio do claustro, aberto 
por um dos frades (segundo a tradição) de 
óptima agua, que ainda existe. 

Na parede do claustro, em frente do ca- 
pitulo, em uma pedra, está a inscrípção la- 
tina, cuja tradução é a seguinte: 

Caia santa; conventinho sagrado; cinco 
flores pequeninas, nuis formosas e alegres, 
de cor rosada e suavíssimo cheiro^ destes a 
Deus peio santo martyrio. Estas são asjtri» 
imcias e flores gloriosas, das mesmas que já 
possuem venturosas o reino dos aus. Nunca 
em H, casa de Deus, faltem perfeitos frades, 
que guardem devotissimamente o Santo Evan- 
gelho. 

Estas palavras são a benção que o sen- 
phico padre S. Francisco, fundador da or- 
dem, lançou a esta casa, quando soube o 
martyrio que os cinco religiosos (que aqui 
haviam estado alguns mezes) soflrera a em 
Marrocos. 

No capitulo estão enterrados algims fri- 
des e seculares; uma lapide diz: 

Este capitulo e sepultura é de Salvador 
mbeitv de Sousa, commendador de Chrieto^ 
natural de Guimarães, a quem os naturaes 
do reino do Pegú elegeram por seuxeu 

Tem obrigação de missa cotidiana conforta 
me o contracto que fez. Fede um Padre Nàe* 
so e uma Ave Maria. 

Fará a biographia de Salvador Ribeiro de 
Sousa, vide Guimarães., 



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CAT 



CAV 



31S 



A egrejinha d>si6 hospício, é miltD ale- 
gre 6 acelada. Foi eompletameõte reparada 
ba poaeos annos. 

Debaixo do arco craselro ha uma lapide 
pequenina, com esta ioscrípçao : 

S.' (sepaUura) de Manuel daiMiro Ara* 
nJki e de seus herdeiras, 

GÂTHARINA DA SERRA (Santa) — fregne- 
aa, Extremadnra, comarca, concelho e 12 
kiiometros de Leiria, i30ao NB. de Lisboa, 
im fogos. 

£m 1757 tinha 230 fogos. 

Orago Sanu Catharína, virgem e mattyr. 

Bispado e dístricto administrativo deLd- 
tia. 

A matriz é situada em nm monte, d*onde 
■se vé Onrem e varias aldeias. Os frecuezes 
^resentavam tn soiidum o cura, e lhe davani 
éò alqneires de trigo, e vinte almudes de 
tinho; tinha mais 30 alquebres de tHgo d*6» 
mentas perpetoas e 25 aimudes de vinho, 
<pie lhe pa^va a mitra, e 44000 réis em di- 
nheiro. 

É terra muito abundante d*aguas e fértil 

fia na íreguezia ires h^ôas, mas, uma d*el- 
las sócea no verão. Cria muito gado^ e ha 
por aqui OHiita caça. 

GATIVELLOS — freguezia, Beira-Baixa, 
comarca e eoneelho de Gouveia, 80 kitome» 
Iros ao 1^. de Coimbra, 288 a ENB. de Us- 
lx)a, 250 fo^xs. 

£m 1757 tinha 113 fogos. 

Orago S. Sd>astiào, martyr. 

Bispado de Coimbra, districto administra- 
tivo da Guarda. 

Bra antigamente da comarca da Guarda, 
termo da villa do Casal. 

Bra da Ordem de S. Beolo d'Aviz. Gem» 
punha-se de tre$ aldeias --(GativeUos, Pó- 
voa da Rainha e Doèereira. 

Está siiuada nas margens do Mondego, em 
^(io Í)rago90.. 

Q prior de Yilhi Neva do i^^ai apresen'» 
uva o oura, que tiaiui 60^000 léis. 

3, Affonso lil lhe ieu fora) em Ifrarça, ae \ 
primeiro de maio de 1253. <liv. L* de Dea- 
^ do sr. Rei D. Affonso III, fl. i coL 2 e 
liv. 2.« da Doaçlies do mesmo rei, a 8 in* 
prindi^) 



GAUCSA— cidade antiquíssima da LusRa- 
nia, Minho, entre Braga e Valença. Nãorea* 
ta d*ella mais do que a memoria, e até a sua 
situação se ignora. 

Foi pátria do imperador romano Theodo«> 
fio primeiro (o grande) que reinou pelosan- 
nos 392 de Jesus Cbristo. Este imperador 
favoreceu muito a sua pátria* 

Bra fllho do famoso conde Theodozio, e 
descendente do imperador Trajano (que era 
hespanhol, natural de Córdova, por iasoA- 
gUDs escriptores o fazem hespanhol, no qat 
não ha ôrro, porque á península ibérica sem^ 
pre se chamou e chama, Hespanhas.) O im^- 
perador Theodozio morreu em Milão, de 50 
annos d*edaâe, no anno de 395, pelo que sé 
vé que nasceu em 345. Por sua morte co- 
meçou a progressiva decadência do io^- 
rio romano. 

Theodozio liavia, antes de sua morte, di- 
vidido o império eotre os seus dois filho\ 
dando a Arcádio o do oriente e a Honório • 
do oceidente. 

O imperador Gracino, seu anlecesso^ 
lhe havia já dado o titulo d* Augusto. 

Vide Braga no logar competente. 

CAÚHBO, CUNHO— Penedo jredondo omi- 
to grande e solitário, que está no meio de 
um rio. (Portuguez antigo) 

CáYA (de Viriato) — Beira- Alta, monu- 
mento célebre com que a cidade de Viseu 
com tanta razSo se ufana. B* xuna extdnsa 
fortaleza, circumdada de grossíssimas mura- 
lhas de terra (grande parte das quaes sãohq}^ 
hortas e pomares) com largos fossos cheios 
d*agua, dos ^mes apenas bojo existe uma 
pequena parte com onome de Lago da Cava. 

Bsta antigufllha gloriosa está próxima 4 
ddade de Viseu e a pouca distancia do rio 
Pavia. 

(Quem quizerlerampUn notictas sobre a 
Cava de Viriato, « d*outras antiguidades dê 
Vieev» ¥^a .atmamorias de ar«^ Joeé de^OM* 
véira Berardo.) Vide Viseu; 

GAVA ^p0rtuguiBZ onT^^ mulher per* 
dida, concubina, rMieira. 

GAVAfiDfHAS—bionte, Douro, prmúno 
•a aldeia de PejSo, freguezia dó Pariizo,eQB- 
celho de Paiva, M kiiometros a E. do Po^o, 
600 ao S. do Douro, Í55iM> K deUabn. i 



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216 



CAV 



• Passa áqai a grande zona carbonífera? de 
Paiva, e d*este sitio se tem extraindo gran- 
de porção de carvão mineral. Da-se-lhe vul^- 
garmente o nome de Mina do Pejio. É diu- 
rna companhia e está em lavra. 

CÁYADO (CàUvo ou Gàdavo) — rio, de 
Trazros^Montes e Minho. Em latim Cadanm^ 
Cavadtís, Caius^ Celandus Celanus o Celemis. 
' Ainda se lhe davam os nomes de Cabdo, 
Cela e Celado, Rezende, nas Antiguidades de 
Portugal, diz que Gelando ou Celano nâo era 
a actual Cávado, mas sim o Leça. É mani- 
lesto engano, que o padre D. Jeronymo Con- 
tador d*Argote desfaz completamento. 

Os gregos c romanos lhe chamava m Ce- 
{and^s^ seguQdo diz Pomponio Hella. 

Nasce dividido, de varias serra^ía^, pro* 
ximo ao logar do Cabo; parte d^elle nasoe 
na aldeia da Codeçoso, tudo na serra de 
Latooo, Traz-os-Montes, termo de Moojtiile- 
grCi, próximo da nascente do Tâmega. (A ser- 
ra de Latoco é parte hespanhola e parte por- 
tugueza, (raia) a pouca distancia de Monta- 
legre; passa a serra de Gerea^ e no Váo do 
Bico se junta ao rio Homem, sendo aqui 
atravessado por uma dns mais extensas e 
bdlas pontes de Portugal. (Vide Bico.) 

Cria sáveis» lampreias^ salmões e outros 
vários e gostosos peixes. 

Toma-so caudaloso com os muitos ribei- 
TOS que se lhe juntam. 

Antigamente suas areias t raziam ouro. Tem 
o*eile apparecido an^histas e jacinthos. 
Suas margens sao íertilíssimas. Fenece no 
mar junto a Fão, entre esta povoação e Es- 
pózende^ por uma barra de pouco fundo e 
oorcada de rochedos chamados Cavallos de 
Fão. Só ó navegável 12 kilomeiros^ desde a 
soa foz até á aldeia de Mareees, pouco abai- 
xo de Barccllos. < 
2 Na freguesia de S. Thomé de Perozéllo 
lem luaa ponte de cantaria, -d^ iãlai^os, 
oèm âoberba,ie consta aerMOOostruicçio itr- 
mana, porque por aqui passara uma das 
eiaçoívias inilHareft que.^de Braga taibiam 
para a estrada da Geíra (ou Geiría) que&sz 
(oa ampliou) o imperador Yespasiano i^elos 
lanos 74 d» Jesus Ghristo^ 
• £slaviaiaaté^renseeâ*abi até AsUirga, 
no «ofaorífoeilta 4e 240 kiiometro& \ • 



CAV 

Nasce pois este rio na província de Traz- 
os^Montes, próximo da raia, ao O das po- 
voações de Meixêdo, Padornellos e Pedroso. 
Aa suas 3 nascentes se unem a pouca distan- 
cia ao NE. do castello de Montalegre, for- 
mando entiio o rio, que, atravessando parlo 
doesta província o da do Minho, rega e ferti- 
liza varias freguezias ; passa ao N. de Braga, 
banha Barccllos (passando ahi pop baixa de 
uma ponte magestosa, (vid6Bai*ceilos) e vae 
(armar a barra d'£spózendo. 

Recebe pelo N. (margem direita) o rihel- 
áa Mourilhe e pela margem esqi^erda (Si) o 
de S. Pedro. Junto de Fiàes, recebe pela di- 
renta.o rio Máo, e descendo em torno da 
Rocha da Ponteira, recebe do mesmo fada 
o rio Berédo (ou BrédoO Depois se lhe jun- 
ta o Regavão e mais abaixo, a pequena 
distancia da ponte do Saltadowv recebe o rio 
d*este nome. Junto de Salamonde, entra na 
província do Minho, onde engrossa ainda 
com muitos ribeiros, sendo os in^íncipaes 
Rk)(^ldo, que se lhe une junto â frego^ 
zia de Vi liar da Veiga, e o Homem, junto. á 
bdla ponte do Bico. Na provinda do Miaho 
ó atravessado por quatro notáveis pontes do 
cantarLi, que sao : primeira, do Porto, na 
freguezia de Perozéllo, que elle divide da de 
Pousada, e é obra jomana, na estrada da 
Geirá. Tem iâ arcos, tendo os 3 maiores» 
10.*" cada um altura e i3."14 dé váa. A 
ponte tem 3." 28 de largo e i74.í" de com* 
prido. 

Segunda, a do Bico; terceira a do Prado 
e quarta a de Barcellos. Estas três váo des- 
criptas nos togares competentes. 

Tem 110 kilometros de curso; roas 98 
nao são navegáveis, por incúria dos goreis 
nos de Portugai 

Na^ margem esquerda d*este rio, na quia- 
ta de Ruães, ha uma «ptima fabrica de pa* 
pel, do sr. - Bento Luic Feireb^ Carmo, do 
Porto. Foi avaliada, com a quinta, em i87ã^ 
em 53:180^000 réis. O seu proprietaríp pre- 
tende formar uma companhia com o capital 
ét 100:000^000 réis para fazer d*esta fabri- 
ca ama daS melhores de Portugal» e que pro* 
duia papei do todas asqua]idade^ taàto pa» 
ra' escrever como para imprimir. 

CAYADOUDE—freguezia, Beh^-Baixa,C0f 



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CAV 

inarca e concelho da Guarda (da qual dfelá 
6 kilòmotros) 300 ao NE. de Lisboa, i!0 
fogos. 

Em 1757 tinha 105 fogos. 

Orago Nossa Sonhora da Conceição. An- 
tigamente era Nossa Senhora d'Assumpção. 

Bispado e dístricto administrativo da 
Guarda. 
Foi antigamente do termo de Celorico. 

Situada na raiz d*um monte, d*onde se 
descobre Porco, Villa-Corlez e Porto da 
Carne. 

O prior era apresentado pelos herdeiros 
dos Pinas, senhores de Carapito, c tinha de 
renda, 150^000 réis. 

Passa aqui o Mondego, cujas margens^ 
cultivadas ou arborisadas n^está fregnczia. 
É terra fértil. 

GAVALLÕES— freguozia, Minho, comar- 
ca e concelho de Villa Nova de Famalicão, 
345 kilometros no N, de Lisboa, 130 fogos. 

Em 1757 tinha 98 fogos. 

Orago S. Mi^rtinho, bispo. 

Arcebispado e dístricto administrativo de 
Braga. 

Era antigamente da comarca de Yianna, 
termo de Barcellos, visita do arcediago de 
Vermuim. 

O ábbade era feito a concurso, mesmo án- 
Xtíè de Idai, e tinha de renda 400^000 réis. 
Era apresentado pelo arcebispo. 

É terra muito fértil. 

D. AfTonso III lhe deu foral, em Guima- 
rães, a 16 de maio de 1^8 (livro l.*" de Doa- 
-çôes do sr. rei D. AÍTonso III, fl. 29 v., col. 
2 in principio.) 

Foi abbadia da mitra, com S. Veríssimo 
de Otttis, que foi antigamente convento de 
freiras. Foram estas que mandaram con- 
struir a ponto que aqui ha. 

Antigamente chamava- se a esta freguezia 
Cavallões de Vermuim, por fícar no tero») 
de Vermuim. 

Aqui próximo está a torre de Pena Bòa, 
qu6 coDstá ser a residência de D.Elvira 
Fernandes, de Cabanões, mulher die AÍTonso 
de Messada, pães de D. Dordia, ndulher de 
Gil Esteves de Avellar, tronco doi Avella- 
fes. 

CàYàLLOS D£ Fio —Minho, são uns pe- 



Wf 



W 



nhascos, que correm de N. a S., na distan- 
cia de uns 1:500 metros, em firente de Fáo 
e Espózende; podendo navegar entre ellese 
a terra, qualquer navio. Ha n^elles grande 
abundância de marisco. (Vide Pão.) 

Já eram conhecidos dos antigos. Os ro- 
manos lhes chamavam Promontório Ávarú, 
' Para mais vastos esclarecimentos doeste o 
ouíros cabos e rios do Minho, vide Braga. 

GAViO ou CAVON— portuguez anligo. 
O pequeno lavrador, que não tinha bois nem 
carro, e só com o trabalho da enchada, ca- 
raneto, semeia o seu pão. Cavão é o mesmo 
que cavador. 

Na Tetra da Feira, aos pequenos lavrado- 
res, que não tcem bois nem carro, se lhes dá 
o nome de cabaneiros. Esta mesma palavra 
e com a mesma significação, se voem fo- 
raes e outn)s documentos antigos. 

CAVERNÃES ou CAVARNÃES— fregtte- 
zia, Beira-Alta, comarca, concelho e 8 kilo- 
metros de Viseu, 288 ao N* de Lisboa, 270 
fogos. 

Em 1757 tinha 180 fogos. 

Orago Santo Isidoro, arcebispo^ 

Bispado e dislricto administrativo de Vi- 
seu. 

A mitra apresentava o abbade, que linha 
360^000 reis. 

E* terra multo ferlll. 

Grande abundância de castanha. 

d AVEZ— freguezia, Minho, comarca de 
Celorico de Basto, concelho de Cabeceiras 
de Basto, 54 kilometros ao NE. de Braga, 
390 ao N. do Lisboa, 340 fogos. 

Em 1757 tinha 136 fbgos. 

Orago S. João Baptista. 

Arcebispado e dístricto administrativo de 
Braga. 

Era antigamente da comarca de Guima- 
rães. 

O abbade do convento^ de benedlctinos de 
Pombeiro, apresentava o aUiade, que thiha 
150^00 réis. 

Passam aqui os rios Tâmega, Moimenta a 
-Cavéz, que tornam a terra multo fértil. 

O Tfimega é aqui cortado por upfia boa 
ponte de cantaria, bMiante antiga^ 

Nas margens do rio, junto á poncr, ha 
uma nascente de ag«a sulphurea, que sae 



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^18 



CAV 



com a tefflperatora de 68 a 74 gr. F. É ap- 
pfícada Hiiefna e exlernameote para a cura 
lie varias moléstias^ e os povos d*aqiii altri- 
buem grandes virtudes therapeuiicas a esta 
agua. 

A sua origem prímíttiva, é em uma gran- 
de penedia, no sitio 4as Caldas, d'onde per 
canos de pedra, de algumas braças de com- 
prido, vem cair a um pequeno tanque. Dei- 
xa um resíduo que, depois de sécco, é com- 
bustível 

É tradição que houve aqui um hospital, 
para onde vinham os doentes do hospital ci- 
vil de Braga, quando precisavam d'estes ba- 
nhos. Se existiu, nao ha d*eUe o minnno ves- 
tígio. 

Consta que esta ponte foi mandada edifi- 
car por fr. Lourenço Mendes, no século XIU 
{Trficíado das Ordins Beligiaia$, de Pedro 
Diniz, cap. 2.% pag. 18.) Tinha uma inseri- 
pçio que dizia : 

Eêta é a ptmte de Cavez 
Aqui jaz quem a fez. 

O Tâmega divide aqui a província do Mi- 
1^ da de Traz-os-Montes, pele que se con- 
sidera a ponte, metade de uma e metade de 
outra província, o que declara um marco 
que está no meio d'eHa. 

Na margem direita, juato à ponte, existe 
uma capella da invocação de S. Bartholo- 
meú, e fh)nteira a ella, na margem opposta, 
é que está a fonte de agua mineral. 

Não ha nesta capeUa nenhuma solemni- 
dade religiosa; ma^ apesar disso, desde a 
manhã do dia S2 de agosto de cada anno se 
principia este sitio a encher de grande mul- 
tidão de romeiros, de an^os os sexos, e ao 
meio dia o concurso é enorme; estabelecen- 
4o-se aqui barracas de doceiros e de bebi- 
<4afl, oosinhein», taberneiros, tendeiros» bel- 
fdrinheiros, carniceiros» com seus talhos. 

Todas as mulheres que se julgam oecupa- 
das por espíritos diabólicos, ou por almas 
do outro mando^ aqui vem, na esperan^ 
•de ewar-se, fazendo grandes iregieitos emo- 
«úces e dando ^BTAndea becofl^ apoDasaWa* 



CAV 

taaa a cèpetla do santo; mas, seus parentes 
as arrastam á força ató ao altar, onde de- 
pois de gritos e contorsões violentas, se 
acalmam, o que é signal de que os naus 
espíritos as abandonaram. 

D^iiois, fazem romaria a S. Bartholomeu,^ 
em volta da sua capella, umas de pé, outras 
de joelhos, e muitas com velas na mão^ fue 
depois offereeem ao santo. 

Também aqui concorrem bastantes ímiz^- 
deirúSy que, abusando da credulidade d'e8ta 
gente simples, lhe vão extorquindo o dinhei- 
ro que podem. 

Ha sempre aqui por essa occasião graves 
desordens, por causa da emulação dos mi- 
nhotos contra os transmontanos oestes con- 
tra aqueUes. Os dois bandos occupamo ter- 
ritório das suas províncias, uns na esquer- 
da, outros na direita do rio. 

Na tarde do dia 23 é que principiam as 
disputas, sobre qual das duas províncias £• 
cará vencedora. Muitas vezes, ainda de dia, 
ha braços e cabeças quebradas; mas a'essa 
noite é inlalUvel a pancadaria. 

A ponte, que de dia está cheia de romei- 
ros, íka despovoada ao sol posto. Tomam- 
se porções de um e outro lado^ e o prínci** 
pio da desordem é, de um Mo—vtpa^fMi* 
nkol^e do oniro— viva Traz-és-Monêes! 
— isto, por mnitissimas vozes o ^caigrandeB 
berros. 

Os da margem esquerda dtzero aos con- 
trários-— anda; á foniel^OA da direita^es- 
pondem-lhes—- onÃie ao eantal 

Ouve-se de um e outro lad« um vivíssi- 
mo tiroteio^ que quasi sempre diura todaâ 
noite. 

Muitas vezes os contendores avançam ató 
ao meio da ponte, e alli prmetpia a paaear- 
daria, facada e pedrada, resultando sempre 
muitos ferimentos e cof^usões, e alé ás ve- 
ies mortes. 

Tem o povo d*aquí a firme crença ée que 
a agua da fonte de que fallei, bebida na ma* 
nhã do ^ M <dia do santo) antes^ na»- 
eer o sol, lívita de todas as moléstias pcesea<- 
tes « preserva das (taturas; pelo cpm log* 
de madrugada (hora em que os ânimos «ft- 
tap mab jooegaáos) tême^ BiJDtfír«dnte 



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CAY 

de todoe os cantos do arraial, a encher gar- 
rafas, potes, cântaros e todas as mais vasi- 
lhas que podem haver. 

Também ahi levam creanças a banhar-se 
sendo do ritwU, lançar a camisa d*ellas pe- 
io rio abaixo, onde outros já as estão espe- 
rando. 

Pele meio do dia 24, despovoa-se o arraial* 
e lá vão todos para saas casas, uns contan- 
4o façanhas^ outros protestando' desforra 
pira o anno seguinte; protestos que raras 
vezes esquecem. 

GAXARIAS^víde Cacharia. 

GAXIáS— quinta da família real. (Vide 
Lavei ras. 

CATA ^ rio do Alemtejo. Já está em Caia, 

CATA ou CAIA— freguezia, Alemlejo, co- 
marca e concelho de Elvas, situada sobre o 
Caia, 18 kilometros de Elvas, i60 a £. de 
Lisboa, 40 fogos. 

Em 1757 tinha 30 fogos, dispersos em 
iierdades, pelo campo. 

Orago Nossa Senhora da Lentisca. 

Bispado de Elvas^ dútricto administrativo 
4e Portalegre. 

O parocho era capellâo apresentado peto 
<cnra da seguinte freguezía do mesmo nome, 
« tinha 40i9000 róis de rendimento e o pé 
'd*altar. 

Os castelhanos arrazaram alegreja, em 
Í70S, sendo pouco depois reediflcada. 

Abundância de centeio e cevada^ do mais 
mediania. 

Passa aqui a ribeira do seu nome. 

Esta fineguezia ( stá ha muitos annos anne- 
xa á seguinte fregoezia de Caia, d'oBde se 
Mflha desmembrado. 

CATA— ribeira, Beira-Baixa, que nasce 
Ba serra da EstreNa com o nome de Alfofa, 
o qual perde no logar das Cortes, tomando 
^eate nome (Cortes) até á aldeia do PaúI, da 
^4Bal toma o nome até á freguezia de Onron- 
<do, onde se junta ao Zètere^ no sitio chama- 
do Foz da RibeínL 

£ de curso arrebatado. Cria óptimo pei- 
xe, e em partes rega e móe. 

2^ se eonftinda este Caya, com o Cala 
49 Alemtejo, que morre no Guadiana e fica 
«descripto em Caia. 

QàJA OU CAlA— freguezia» Alemtejo, co- 



CAZ 



219 



marca e concelho d'Elvas, 180 kilometros a 
E. de Lisboa, 290 fogos, dispersos por 46 
herdades. 

Em i757 tinha 243 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Encarnação. 

Bispado d'Elvas, districto administrativo 
de Portalegre. 

Situada em uma elevação, d*onde se vé 
Campo Maior, a 6 kilometros, e Badajoz, a 
15. 

O cura era da apresentação do ordinário 
(o bispo d*£lvas) e tinha 6 moios e 13 al- 
queires de trigo e 113 de cevada, que lhe 
pagavam os freguezes. 

É terra fertilissima, sobretudo em trigo e 
cevada. 

Ha n*esta freguezia três atalayas^ chama- 
das, da Mexia, de Marvão e de Segóvia. 

Regam e feriilisam a freguezia, os rios 
Cuia e Cayolla, e os ribeiros do Rico e do 
Judeu, os quaes todos se juntam ao Caía. 

Está annexa a esta a freguezia antece- 
dente. 

CAZA, CAtAL, CAZA£S— vide Casa, Ca- 
sa], Casaes. 

CAZÊ6 AS— freguezia. Beira Baixa, co- 
marca e concelho da Covilhan, 60 kilome- 
tros áz Guarda, 240 ao E. de Lisboa, 200 



Em 1757 tinha 188 fogos. 

Orago S. Pedro, ad mncula. 

Bispado da Guarda, districto administra- 
tivo de CasteUo Branco. 

Era antigamente da comarca da. Guarda. 

Eram senhores d'esta freguezia escondes 
de S. Vicente. 

Situada em uma baixa, d'onde nada se 
descobre para outras freguezias. 

O vigário de Nossa Senhora da Silva do 
Castellcjo apresentava o cura, que. tinha 
10^000 réis, 22 alqueires e uma quajrta de 
trigo, 16 e meio de centeio, 2 almudes de 
vinho e 24 arraieis de cera, tudo pago pela 
commeada, 

É terra ft*rtiL Produz muito mel e cèfVL 

O seu nome deriva-se de Casa d*Bgaf em 
Caea Egas; provavelmente de algum indivi- 
duo que aqui viveu, chamado Egas. 

•GAZEV£L~ freguezia, Extremadm^ co« 
marca de Torres Novas^ concelho de Paneis 



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Í2e 



CAZ 



ilO kilomelros a XE. de Lisboa, 140 fogos. 

Em 1757 linha 62 fogos. 

Orago Santa Maria, ou Nossa Senhora da 
Assumpção. 

Palriarchadp de tisboa, districto admi- 
nistrativo de Santarém. 

Já era antigamente do termo e comarca 
de Santarém. 

CompÔc-se de trcs logares: Villa Nova, 
Monliràs e Vaqueiros, e de muitas quintas 
e* casáes. 

' A Mesa da Consciência apresentá\^ o vi- 
gário (que era freire da Ordem de Cliristo) 
c tinha de renda, pago pela commenda, 
AOmd réis; e de pé d^allar uns lôOi^OOO 
réis.Tinha coadjutor, ao qual a mesma com- 
menda dava um moio de pào meiâdo, um 
sacco de trigo (6 alqueires), 43 almudes de 
vinho c 4iíOCO réis. 

Ê terra muko fértil. Cria muito gado, es- 
pecialmente porcos, e ha por aqui muita 
caça. 

Esteve muitos annos annexa a esta fre- 
gueztã a de Vaqueiros (Espirito Santo) mas 
está outra vez independente. 

CAZEVEL— villa, Alemtèjo, comarca de 
lieja afé 1855 e desde então da de Almodo- 
Var, concelho da Messejana até 1855 c des- 
de entào do de Castro Verde, 95 kilomelros 
de Évora, 144 ao S. de Lisboa, 180 fogos. 

Em 1757 linha 113 fogos. 

Orago S. João Baptista. 

, Bispado e districto administrativo de 
fiejia. 

Antigamente da comarca de Ourique. Era 
da coroa 

O réi, como administrador da Ordefti de 
S. Thia^o, apresentava o prior, ^ue tinha 3 
"ínofos de trigo, í de cevada e JOjWOO réis 
*án dinheiro, pago pela cotnménda da villa. 

Tem Misericórdia, pobre." 
'É ferra fértil' em cereacs: 
* tiàhá 1'amara é juif de fórá (que tatilbem 
governava as villas de Messejana é Aljlisifrél.) 

l)?Vandel Ihfe deu foragi, em âantareni, a 
!tO aé-setèmbro de Í510. 
' Tem tima sentença sobre a/Mjr^íftiidòt^a- 
sal da Raposeira, n>ste reguengo, ic 10 ^c 
Jkheírb de 1533. (Líyto dás sentenças a fa- 
♦df Tià corttó, n. 6, col: 2>) I 



CÉA 

. É a 27." estação do caminho de ferro do 
sul e sueste. 

CAZEVEL— aldeia, Exlremadura, fíegue- 
zia de Nossa Senhora da Graça, da villa da 
Ega, 53 fogos. Tem uma capella de S. João 
Baptista. 

CEA ou CEIA— ribeira, Beira Baixa. Nasce 
das fontes do Salgueiro, no monte daMouta, 
e de outra do Valle da Quinta dò Paço e de 
uns regatos que descem do Cabeço de S. 
Bento. Régá, móe c traz algum peixe míudòw 
Tem uma ponte de cantaria no sitio mesmd 
chamado a Ponte Nova. Morr(^ no Mondego^ 

CEA ou CEIA— villa, Beira Baixa, comar- 
ca e 18 kilomelros a SSO. de Gouveia, '76 
kilomelros a NE. de Coimbra, 260 ao NE. 
de Lisboa, 500 fogos, 2:300 almas, no'cbn- 
celho 3:330 fogos. 

Em 1650 tinha a villa 200 fogos e em.l757 
linha 329. ''-^ 

Orago Nossa SenhoVa dâ Assumpção. ' 

Bispado de Coimbra, districto adminiâ^ 
trativo da Guardn. 

Foi anlignmenle da comafcá dá Guavda. 

Situada em um alto, nas vertentes òccl* 
dentaes da Serra da Eslrella, domriiáilda 
um bonito ^'íilfe que lhe fica infl^rlOf, e so- 
bre a esquerda do Mondego,' sobre o (jual 
tem ires pontes, uma d'ellas de pedra. ' 

Foi fundada pelos turdulos, 450 annos (Ou- 
tros dizem 300) antes de Jesu^ Chrísto. 

Foi senhor de Céa o tristemente célebre 
conde D. Julião (pae de D. Florinda, a Ceva.} 

Os mouros a conquistaram em 715. D. 
Ordonho lí, rei de Portugal e Galliza (filht> 
de D. Aííònso é Grande, rei de Castella ^ 
Leão) a resgatou dos mduros em 910. Al- 
mançor, rei de Córdova, a reconqufstòuPem 
985 e, flnalmehte, D. Fernando 1, e Magná^ 
de CasteUa,'a resgatou do poder dos árabes, 
em 1037 ou 1038; manda ndo-lke entSo fáw 
zer o seu eastdio, de cuja cotistm^^So èii- 
carregou um cavallelf o chamado Fedro fc 
Céa, da casa de Céa, na Gallira,- e d*ellè tíh- 
Thoii 0'tastfello; e depois a villa, o'ndmô^ 
actuaL i 

Outros dizem, com fundamento, quê o 
primeiro nome d*edta rílhi (no seeuk) Xt> 
foi Castello de Sena. ■ ' .•' .r->^ ; 

Cia é pàíftvra grega, enome prõj^ió^ de^ 



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mulher. Cêa se chamava a ultima amante 
do poeta Anacreoute, natural de Téos, cida- 
de da lonía, que morreu engasgado com um 
bago de uva de Coryntho, aos 8o annos de 
edade, estando a cantar na companhia de 
Cêa e alguns amigos, pelos annos 280 de 
Roma. 

É porém certo que a povoação se chamou 
Sena, Vide adiante. 

Arruinada com as guerras contínuas en- 
tre mouros e christàos, se despovoou, e D. 
Affonso Henriques a achou deserta, em 1132, 
€ d*ahi a três annos a mandou reedificar e 
povoar, em 1136. 

Em 1133, fez D. AÍTonso Henriques doação 
ao seu valido João Viegas, dos bens e her- 
dades que tinham sido confiscados a Ayres 
Mendes e a Pedro Paes (o Carófa) naluraes 
de Viseu, que haviam passado para os seus 
inimigos (es castelhanos) e se tinham fei^o 
Tortes no castello de Céa. Talvez fosse por 
occasiào d*csta traição que a villa foi des- 
truída, O lai Mendes e o Carófa, passaram- 
se para os leonezes em 1129, quando D. Af- 
fonso Henriques pretendeu unir a Galliza a 
Portugal, que lhe foi oíTerecida por varioa 
fidalgos gallegos, descontentes do seu rei; o 
que se nào eíTectuou, porque, a rogos do ar- 
cebispo de Braga, se fez o tratado de paz, de 
Tuy, terminando a guerra com os leonezes. 

No fpral que. o rei entàp lhe deu, lhe dà o 
nome de Civitale Senam, 

D. Sancho I a ampliou e lhe deu grandes 
privilégios em 1188. 

t>. AfíoBso III, deu esta villa aos bispos 
de Coimbra, aos quaes também pertencia a 
Jurisdiçiio. temporal, por sentença do car- 
deal João Caetano Orsini, de 27 de feverei- 
ro de 1256, confirmada por uma bulia do 
papa Alexandre IV, de 27 de abril do mes- 
mo anno. 

D. Fernando I fez conde de Céa a D. Hen- 
rique Manuel de Vilhena. 

,0 appellido de Manuel, veio de Hespanha, 
tomado do nome próprio do infante D. Ma- 
nuel, filho de D. Fernando Hl (o Santo), de 
CasteUa, que subiu aò throno em I2l7. O 
filho de D. Manuel chamou-se D. Juào Ma- 
nuel, ê foi senhor de Biscaia. Passou o ap- 
pellido de Manuel para Portugal conx 1)1 



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Constança Manuel, em 1340. Era filha de D. 
João Manuel, principe de Vilhena, e foi pri- 
meira mulher de D'. Pedro I de Portugal, e 
màe de D. Ferpando I. Veio com e!la seu 
irmão paterno (bastardo) D. Henrique Ma- 
nuel, de Vilhena, ao qual D. Fernando fez 
conde do Céa e alcaide-mór de Cintra. Suas 
armas sào : escudo dividido cm pala, na pri- 
meira,, de prata, um leào vermelho ; na se- 
gunda, da mesma, uma asa de ouro, saindo 
do colo uma mão de homem, da sua côr, 
com a espada levantada. Timbre a mesma 
asa e mão armada. Outros Manueis proce- 
dem de D. João Manuel, filho bastardo do 
rei D. Duarte e bispo da Guarda e depois 
de Ceuta. Foi por ultimo capellãomôr d'el- 
rei. Este bispo^ leve dois filhos, D. Nuno Ma- 
nuel, que foi legitirrado, e D. João Manuel; 
os quaes fundaram dois ramos do mesmo 
appellido. Estes téem por armas — escudo 
esquarlellado, no !.• e 4.», vermelho, uma 
asa d*aguia, como os antecedentes ; na 2.* e 
3." o mesmo leão vermelho, mas lampassa- 
do de asul, elmo aberto; o mesmo timbre. 
Ainda outros ramos modificaram mais ou 
menos estas armas. Muitas das principacs 
famílias de Portugal são d*esta linhagem. 
Vide Cintra, no logar competente. 

Depois, não sei como nem porque, passou 
para a coroa. (Pareceme que foi porque es- 
te D. Henrique sustentou contra D. João I, 
o castello de Cintra, do que èra alcaide-mór.) 

Eranl bravíssimos os povos d*esta villa o 
suas dependências (chamados pesures, assim 
como todos os antigos lusitanos que habita- 
vam a serra da Estrella) e eram reputados 
pelos romanos como os mais bárbaro^ e 
cruéis habitantes da Lusitânia. É ceriò (piQ 
os povos doesta villa e seu termo deram ^ue 
fazer a Júlio César (quando pretor) e só á 
custa de muito sangue das suas aguerridas 
legiões é que poude domar estes ferozes mas 
valorosíssimos lusitanos. 

Também as mulheres d*aqui eram tidas 
como as mais formosas das duas Beiras. 

Tem Misericórdia e um hospital muito ar- 
ruinado. 

A egreja matriz (Nossa Senhora dá As- 
sumpção) é notável pela sua grandeza. É 
collogíada do real padroado. O pàrocho é 



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reitor. Tem quatro beneficiados, que eram 
da apreseutaç^ e coUaçao do reitor, cada 
um (servindo) tinha de rendimento ÍOOiSOOO 
réis. O reitor tinha Í50íí000 réis e meio pé 
d^altar. 

Consta que foi cidade no tempo dos ro- 
manos, mas ignora- se o nome ou nomes que 
teve, antes do actual. 

Antes de 1834, tinha juiz de fora, verea- 
dores, procurador do concelho, juiz dos or- 
phãos, escrivães competentes, dois tabelliàes, 
etc 

Teve antigamente alcaidemór, e tinha, até 
Í834, capitao-mór, com três companhias de 
ordenanças. 

No tempo da Patuleia, também teve um 
batalhão de voluntários, ao serviço da junta 
do Porto, que andava unido ao de Viseu. 

Aqui pasceu Santa Antonina, virgem e 
martyr. Os romanos, depois de a fazerem 
sofTrer os mais atrozes tormentos, a lança- 
ram na Lagoa Escura, da serra da Estrella, 
no anno 300 de Jesus Christo, sendo impe- 
rador Diocleciano. 

Dizem outros que quem martyrisou esta 
santa furam os mouros, em 716, afogando -a 
em um pego do rio Céa, próximo á villa, 
que ainda hoje tem o nome da santa. (O pa- 
dre Cardoso também diz que foram os mou- 
ros que a martyrisaram.) 

É terra fértil em cereaes, azeite, vinho, 
fructas, gado e caça. 

O seu termo comprehendia 40 legares. É 
um dos maiores concelhos do^distrlcto e tem. 
29 freguezias. 

Em frente do Terreiro, onde se faz uma 
feira nos segundos domingos de cada mez, 
está o edificio chamado Casa das Obras, que 
é xm palácio. 

A casa da camará é também lun bom edí* 
ficio sobre bonitas arcarias. N*esta casa es- 
tá o tribunal, o quartel militar e varias re- 
partições. 

D*esta viUa se descobrem, para £. e S., 
grandes pmhaes, e para o N. e O. vastos oli- 
ve4oa. 

Aa aro^ da villa são— Em campo azul 
woffk torre ameiada, d;a sua cOr, circular, 
com uma porta, e por cima d*eila uma fres- 



CEA 

ta redonda; sobre a torre uma estreita de 
prata de cinco pontas. De cada lado da toi^ 
re uma azinheira. 

O seu primeiro foral lhe foi dado por D. 
AÍTonso Henriques, em maio de 1136. 

N*este foral se dá a Céa o 4itulo de cida* 
de. É muito curioso este foral: entre outras 
coisas, diz: — Se o muro (do castello) cahir^ 
e se houver de levantar, o senhor da terra 
apromptará mozom e luria, e marra, e ma- 
lios e duas lavancas; e nós, nosfros corpos, 
et tilo muro sedeat factum.* — Julga -se que 
mozom é o guindaste e ívria o calabre. 3far- 
ra é o martello grande a que hoje se chama 
marrdo; malio é martello. O foral está todo 
escripto no latim bárbaro d*aqueile tempo. 

Este foral foi confirmado por D. Sancho I^ 
em Coimbra, no mez de dezembro de 1217. 

D. Sancho I lhe deu também foral em 
1188 (doeste foral nao falia Franklim.) 

D. AÍTonso II lhe deu outro foral em Coím« 
bra, no mez de dezembro de 1217. 

D. Manuel lhe deu foral novo em Santa* 
rem, no 1.* de junho de 1510. 

Trata-se n*este foral das terras seguintes: 
Folhadosa, Lageas e Passarella. (Maço 12 
de Foraes antigos, n.» 3, fl. 11, col. !.■— Lf- 
t?ro de foraes antigos, de leitura nova, fl. 30^ 
col. !•, e impresso no tomo 8.», parle 2.» 
pag. 24, das Memorias da Academia.— Livra 
de foraes novos da Beirã, fl. 15 v., col. 1.", e 
impresso no tomo 8.% parte 2.*, pag. 29, da» 
Memonas da Academia. 

Houve aqui um convento de firades cru- 
zios, cliamado Convento de S. Romão de Céa» 
cuja historia é a seghinte: 

Junto a esta villa viviam em 1137, em uma 
ermida dedicada a S. Romão, dois anacho- 
reta?. Deram elles esta ermida a S. Theoto- 
nio, primeiro prior de Santa Cruz, de Coim- 
bra, para aqui fundar um convento de cone* 
gos regrantes de Santo Agostinho. 

O santo acceitou a oíTerta, e, em juiíha 
de 1138, J[izeram os dois anachoretás (que 
se cbaoiavam João Cldiz e Tafila, amboi 
presbytêros) escriptura publica de doação 
da ermida, com todas as casas, poihareâ^ 
herdades ç tudo o mais pertencente à er*^ 
mida. 



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GEA 

Esta ermida e soas dependeneias 
tinha dado áquelles dois padres o 
conde D. Henrique e soa mulher 
D. Thereza ; mas só em vida dos 
dois anachoretas. 

D. Âffòoso Henriques conArmou a doação 
doe dois clérigos, e doando tudo aos cruzios 
para sempre, em dezembro do mesmo anno 
de Í138, e coutou o novo mosteiro. 

Em 1139, fez uma senhora de Céa, cha- 
mada D. Elvira Moniz, doação ao convento, 
de uma herdade que tmha em Bobadella : e 
em 1140, Ausédo e sua mulher Gentile, lhe 
doaram também todas as suas herdades e 
bens que tinham no logar de Lagares, no 
território de Sena. 

Ainda outras pessoas fizeram doações de 
varias fazendas ao mosteiro ; mas de menos 
hnportancia. 

Em 1140 mesmo, se augmentaram as ca* 
sas> fez-se a cerca e se ediflaou uma torre 
para defeza do mosteiro, como então se usa- 
va, por ser preoizo. 

O primeiro prior foi D. Payo Godinho, 
que para aqui Veio com nove cónegos, fa- 
zendo a sua entrada solemne a 24 de julho 
di 1142. 

Continuaram as doações, sendo as mais 
importantes em julho do mefsmo anno de 
1142, a de Fernando Hairiguiz, de um casal 
que tinha no logar da Nogueirínha.Em agos- 
to de 1144, a de Vernrado Paes e sua mu- 
lher Gontina Mendes, do seu casal e herda- 
de, no logar dos Yidueiros. 

Em 1147, compraram os fírades a um tal 
Duelo, toda a herdade que tinha em Fonte 
Góva. Continuaram as doações. 

D. Sancho I, confirmou todas as doações 
e coutou todas as terras de Céa que eram 
do mosteiro, em 1186. D. Dulce (ou Dôee) 
mulher do dito rei, lhe deu a villa do Erve- 
da^ em agosto de 1193, a qual tinha com- 
pradO| para isto mesmo, a Gonçalo Carnei- 
ro e seus irmãos, por cem morabitiaos. (Vi- 
nham a feer HOWOO róis da nossa moeda; 
porque, cada morabitino valia 500 réis.) 

Em i7 de fevereiro de 1106, os mouros 
oercaram o convento, e, como o não podet*» 
sem entrar, juntaram muita lenha e lhe dei" 
taram o fogo, ardendo todo o edefido e mor* 



CEA 



âsa 



rendo queimado o prior (que ainda era o 
primeiro) e todos os frades. 

Não se sabe quando foi redificado ; mas 
é certo que em 1226 já tinha outra voz fra- 
des, pois, querendo D. Sancho lí, tirar-lho 
a vlila de Yalezim, o prior de S. Romão (D« 
André Alvares) se oppoz, dizendo que esta* 
va dentro do seu couto ; e ficou com ella^ 

Ignora- se também quando e por quem í^^ 
segunda vez destruído este convento ; maa 
o de Santa Cruz de Coimbra ficou ainda até 
1450 com a jurisdição eivei do couto de S. 
Romão de Céa, e até 1834 com muitas pro- 
priedades que tinham sido d*este mosteiro. 

Ainda em 1660 existia junto da egreja, a 
torre que foi do convento, e n*esse amo 
a mandou demolir, não sei porque, o condo 
de Portalegre, senhor do couto de S. Romão 
de Céa. 

Alguns escriptores sustentam que o gran- 
de Viriato (o antigo) era natural d*esla vil- 
la, ou, pelo menos, das suas immedíações. 

Eram d*aqui alguns dos celebrados Dose 
d'In§íaterray os mais eram de Unhares» 
Gouveia, Celorico, Trancoso, MellD e PinheL 
Foi n*esta viila que se reuniram e d*aqui 
marcharam para Lisboa e de là para Ingla- 
terra, em 1390, com licença de D. João h 

Foram a rogos de João de Gand, duque 
de Alencastre (sogro do dHo rei). Foram vin-» 
gar 12 damas inglezas motejadas de feia» 
por alguns senhores d*áqueUe paizi Km pu- 
blico palanque, em Londres, estando pre- 
sente toda a corte, os mais nobres lordes do 
reino e grande multidão de povo, venceram 
osnossos 12cavalleiros beirões, aos soberbo», 
filhos de Gran- Bretanha, morrendo .alguns 
d*estes na liça, ficando o resto feridos, e o» 
nossos bravos victoriosos e grandemente e&« 
timados pela corte e muito mais ainda pe* 
las damas que foram defender. Ha alguma 
divergência nos nomes d*este^cavalleiro»; 
Rodrigo Mendes da Silva, na sua Poblacion 
general de HespaiMy diz que se chamavaoi 
Álvaro Gonçalves Gontinho (o Magriço) fi-^ 
lho do marechal Gonçalo Vai €eutinho-T*Al*< 
varo V^ d'Almada,--seu toMnbo, Alvará 
d^Almada-^^Lopo: Femanáe fteliecodiesoen? 
dente do leal D. Fernão Rodfi0ae9 Pacheco^ 



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CEA 



alcaide dò Celorico por D. Sancho II— Pedro 
' Homemda Costa— João Pereira, sobrinho do 
grande D. Nuno Alvares Pereira— Luiz Gon- 
çalves Malafaia — Álvaro Mendes— Ruy de 
Cerveira— Ruy Gomes da Silva— Soeiro da 
Costa, e MartííQ Lopes d* Azevedo Mendes. 
Estes i2 heroes, mereceram ser cantados 
por Camtjes no seu immortal poema os lu- 
síadas Nove voltaram á pátria e 3 ficaram 
por lá. Álvaro Vaz d' Almada fez grandes 
serviços ao rei de França, que o fez conde 
d*Abranches, na Normandia e o rei d^Ingla- 
terra o fez cavalleiro da noblissima ordem 
militar da J^rroteira, (vide Alfarrobeira.) Vi- 
de Ferreira d* Aves e Pachacos. Muitos escri- 
piores julgam isto nma fabula devida à fér- 
til imaginação de Camões. 

Aqui nasceu, em 9 de julho de 1789, Luiz 
Pinto de Mendonça Arraes, i.* visconde de 
Vallongo. Era 8.* filho de Luiz Bernardo 
Pinto de Mendonça e Figueiredo, fidalgo ca- 
valleiro da casa real, professo na Ordem de 
Chrisio, desembargador da relação do Por- 
to e senhor das quintas de Penhanços e do 
morgado de Nossa Senhora das Preces^ em 
Géa; padroeiro da egreja de Santa Comba, 
e senhor da casa de seus paos. Era este casa- 
do com D. Anna Leohor Nogueira de Abrea 
Abranches, senhora dos morgados de S. Ber- 
nardo, em Santa Marinha, e da capella de 
Nossa Senhora da Piedade, que foi instltoi- 
da, era 1893, por Melchior- Rodrigues do 
Rêgo. ' 

O 1.* viscortde de Vallongo, entrou para 
o Cdllegio dos Nobres, em LisbDa, em 1798, 
é d*aqui foi para a Universidade de Coim- 
bra, em 1802^ tomando o gráo de bacharel 
em leis, em 1807, e tormando-se em 1808. 
N-estc mesmo anno, a 5 de agosto, sentou 
praça, de cadete, no regimento de infante- 
ria li. Foi feito alferes^ em 14 de janeiro de 
1809; tenente, 9m 25 de setembro de 1811; 
eapitão, em 28 de novembro de 1817; ma- 
jor, em 6 de fevereiro de 4818^ tenente co- 
ronel, cm 28 de dezembro de 1826; coronel, 
em 6 de aígoslo de 1832; brigadeiro, em 4 
dcf abril de 1^33; marechal de campo, em 
4 de julho de 1845, e tenente general, em 6 
di8 jtdho^de 1847. 



CEB 

Entrou nas batalhas do Albufiera (16 de 
maio de .1811) Vieloria (21 de julho de 1813) 
Pyrineus (29 e 30 de julho do mesmo anno) 
Orthez (27 de fevereiro de 1814) e Tolouse, 
em 10 de abril do mesmo anno. 

Assistiu ás acções, da Redinha (12 de mar- 
ço de 1811) Alfaiates' (27 de setembro do 
mesmo anno) Ronccsvalles (25 de julho de 
1813) Alturas de Salin (no mesmo anno.) 

Esteve no sitio de Ciudad Rodrigo, desde 
2 até 17 de janeiro de 1811, no da Dad^^oz, 
desde 17 de março ató 6 do abril de 1812, 
em que foi o assalto. 

Foi três vezes ferido na campanha da Pe- 
nínsula (em Badajoz, Vieloria e Alturas de 
Salin.) 

Nas guerras civis, seguiu o partido libe- 
ral, até 1828. N*estc anno adherlu á accia- 
mação do Sr. D. Miguel I; mas, em maio, 
revolucionou um batalhão de infanteria 23, 
pelo que teve de emigrar para o estrangei- 
ro ; e veio na expedição do Mindôllo. 

Em 19 de abril de 1852, casou em C^a 
com sua sobrinha a sr." D. Anna de Guadalu- 
pe de Mendonça Arraes Nogueira de Figuei- 
redo, filha de seu irmão Francisco Pinto de 
Mendonça Arraes Nogueira de Figueiredo, 
que tinha sido coronel das milicias d^ Co- 
vilhã; mas não teve filhos d'este.casamento; 
Morreu em Lisboa, a 30 de julho de 1858^ 
Jaz no cemitério occidental, em jasigo pró- 
prio. 

O concelho de Céa é composto das 29 fre- 
guezias seguintes : Alvôco da Serra, Cabeço 
(ou S. Romão do Cabeço) Carragozéllo, Céa,» 
Folhadosa, Girabolhos, Lages, Loriga, Para- 
nhos, Pinhanços, Sabugueiro, Sameice, San- 
domil, S. Gião, S. Martinho a Par de Cé^ 
S. Romão, S. Thiago a Par de Céa, Santa 
Comba a Par de Céa, Santa Eulália de Céa» 
Santa Marinha de Céa, Sazes da Reira, Ter- 
ro»^lo (ou Torrozéllo) Teixeiras, Touraes, 
Travancinha, Vallezim, Várzea, ViMa-Cóvae 
Vide. 

CEBOLA— freguezia. Beira Baixa, !Comar- 
ca 6 concelho da Covilhã, 25 kilonotetros da 
Guarda, 285 ao NE. de Lisboa, 100 (ogo3^ 

Em 1750 tínha 80 fogo». 



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GBD 

Otspgo S. Jorgel 

Bispado dA Guarda, distrícto administra- 
tivo de Gastello Branco. 

O Portugal Sácrú e Profano não traz e^ 
íjrej^ttezia nem a segainte. 

CBBOLÁES DE dUA—fregaezia, Beira 
Baixa, comarca, concelho e 25 kilometros 
da Guarda, 284 ao NE. de Lisboa, 3iO fo- 
gos. 

Orago Nossa Senhora dos Prazeres. 

Bispado e 4ístricto administrativo de 
Castello Branco. 

GEBRADA — portnguez antigo, hojedizse 
Quebrada. (Docam. d^Alpendnrada, de 1309.) 

CEDiES— freguezia, Traz-os*Montes. co- 
marca e concelho de Mirandella, 36 kilome- 
tros de Miranda, 420 ao N. de Lisboa, i20 
fogos. 

Em i757 tinha 93 fogos. 

Orago Santo Ildefonso. 

Arcebispado e districto administrativo de 
BragançsL 

O reitor de Nossa Senhora daEncama- 
^ de Mirandella, apresentava o cura, que 
tinha 8^000 réis e o pé d'altar. 

É terra muito fértil. 

CEDAINHOS— fregnezia, Traz-os-Montes, 
comarca de Chacim, concelho dos Cortiços, 
até i855, e desde então é da comarca e con« 
celho de Mirandella, 70 kilometros de Mi- 
randa, 408 ao N. de Lisboa, 33 fogos. 

Em 1757 tinha 20 fogos. 

Orago S. Gyriaeo. 

Bispado e districto administrativo de 
Bragança. 

É terra fértil. 

Foi villa. Havia antigamente na casa da 
eamara, um freio, para castigar as mulhe- 
res bravas e maldizentes; e mesmo todas as 
pessoas que proferiam palavras obescenas 
ou calumnias. Era applicado do mesmo mo- 
do que ás bestas. Nas camarás de Mós e de 
Murça ainda em 1834faaivia também eguaes 
freios, e com a mesma applicação. ' 

O reitor de Bornes apresentava o cura, 
que tinha 6^000 réis de côngrua e o pé de 
ahar. 

GBBAVU oa áSDAYDI ou GEDOYIM — 
villa, Be|ra-Alta, comarca da Pesqueira, con- 
celho de Freixo deNutDã(^atél8&5,e4'e8de 



CED 



2â5 



então, comarca e concelho de Yilla Nova de 
Foz- Côa, 54 kilometros de Lamego, 355 ao 
N. de Lisboa, 250 fogos. 

Em 1757 tinha 240 fogos. 

Orago S. João Baptista. 

Bispado de Lamego, districto administra- 
tivo da Guarda. (Vide Téja.) 

Situada na ladeira de um penhasco, pro- 
ximo ao rio Téja. 

Ghamava-se antigamente Gedaviz, e é es- 
te o nome que lhe dá o foral que lhe conce- 
deu D. Affonso III, em Lisboa, a 5 de feve- 
reiro de i27i. No Portugal Sacro e Profano 
se lhe dá o nome de Sedavim. 

O rei e o bispo de Lamego apresentavam 
alternativamente o abbade, que tinha de ren- 
dimento 400^000 réis. 

CEDOFEITA— Douro, uma das mais an- 
tigas freguezias da cidade do Porto. 

Ainda ha poucos annos era um arrabal- 
de; mas com o progressivo augmento da po- 
pulação e dos edificios, é actuahnente.uma 
parte da ddade e dentro dai suas barreiras. 

Vide Porto, onde vae tudo o que perten- 
ce a esta freguezia. 

CEDOFEITA —aldeia, Douro, freguezia do 
Yalle, até 1855 do concelho de Fermedo, 
comarca d* Arouca, e desde então, concelho, 
comarca e 12 kilometros a ENE da Feira^ 

Bispado do Porto, districto administrati- 
vo d* Aveiro, 60 kilometros a NE. da C2^i- 
tal do aistricto e 29 ao S. do Porto e 285 ao 
N. de Lisboa, 18 fogos. 

Situada em planície, cercada de montes 
pouco elevados, e muito fértil eaprasivel. 

Passa aqui o rio Inha, que rega e fertiliza, 
os seus campos. Move moinhos de pão e traz 
peixe miúdo. Tem aqui uma ponte de ma- 
deira. 

GEDâES ou CIDOES — freguezia, Traz-os 
Montes, comarca e concelho de Yinhaes, 75 
kilometros de Miranda, 480 ao N. de Lisboa. 
20 fogos. 

Em 1757 tinha 15 fogos. 

Ocago Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado e districio administrativo de Bra- 
gança. 

O abbade de Yillar de Peregrinos apre- 
sentava aqui o cura, que tinha 6^000 réis. 
de eoDgrua e o pé d*altar. 

i5 



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22& 



GED^ 



Esta freguezía foi sup^Drímida, por peque- 
na, o está, ha muitos annos, annexa á de, 
Víilar de Peregrinos, no mesmo concelho e 
comarca. Vide Yillar de Peregrinos. 

CEDRIM ou SEDEIM-^-freguezia, Douro, 
comarca d^Agueda, concelho de Sever do 
Vouga, 40 kilometros ao O, do Viseu, 275 ao 
N. d^ Lisboa, 150 fogos. . 

£m 1757 tinha 136 fogos.. 

Orago S. João Baptista. 

Bispado de Viseu, districto administrati* 
vo d' Aveiro. 

O reitor de Ribeiradio apresentava o cu- 
ra, que tinha 8ijS000 réis de ccmgrua e o pé 
d'aitar. 

É povoação muito antiga. Em 1017 tinha 
um mosteiro de monges benedáctinos, que 
em 1050 doou D. Gonçalo (Olho do conde D. 
Mendo Luci) e sua muther, D. Fianaula 
(€hama) ao convento benedèctíQo de Pedro- 
so (concelho de Gaia.) No tal anno 1017 foi 
que D. Gonçalo comprou metade d*este mos- 
teiro (parece que a outra metade já erad*el- 
le.) Ghamava-se então esta fregnezia Geda- 
rim. Para mais amplas explicações, vide Pe- 
droso. 

CBIÇA ou CEIGE ou GEISSA^freguezia^ 
Extremadura, comarca de Thomar, oonce- 
Iho^ de Villa Neva d'Ourem, 30 kilometros 
de Leiria, 130 ao NE de Lisboa, 510 fogos. 

Em 1757 tinha 514 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Purifioaçao. 

Bispado de Leiria, districto administrati- 
vo de Santarém. 

N*esta freguezia, e no logar de Caxariaa 
(ou Cacharia) é a 20.* estação dp camiabo 
de ferro do Norte. 

É da casa de Bragança. 

Situada entre ribeiras, d*onde se vé Ou- 
rem ao O. Para o 3. se vêem a» villa&da 
Atalaia e Chamusca, e para as* outras par- 
tes, varias serras. 

O povo apresentava o cura e cada mòi^ 
dor lhe dava meio alqueire áe trigo, e uma 
quarta de cevada, e os que tinham vinho, 
um quartão de vinho mosto. Andava isto 
pelo valor 110i5000 réis. 

É banhada pelas ribeiras Barreira, Ceiça 
e Pisões, que a tomam muito fértil. 

É povoação antiquíssima e os' romanos 



CBI 

lhe chamavam Ce/mm. (Vide a, ^Uf r^peito 
Ceira^ freguezia,) 

O abbade João (vide J^^oiTT^) ^<u]4pu acpii 
um couivento de frades bernardos, em. 856. 
Morreu a 2 de fev^eira de 867 e jaz sçpulr 
lado na egreja d'estecpnyenip,\Yid^$i|B- 
guinte, (Vide Monle-Mor^ Velha) 

CSIÇA (Sant4 Maria de) — povo^-ào. Dou- 
ro, situada em uma planicie, cercada por 
toda a parte de penedias» e próximo do Mon- 
dego e da Figueira. (Vide Tentúgal.) 

No reinado de D. Ramiro Il,4eLeãp (pç- 
los annos 850) se fundou aqui moa «çmida, 
dedicada a Noj^sa. Senhora. 

D. AíTonso Itenriques aqui fundou, em 
1165, um ccmventp de frades bentos, do 
qual foi primeiro al^ade D. Payo Egíis, que 
era frade de Lorvão, d'onde vieram para 
aqui os primeiros religiosos. 

No mesmo anno de 1165, orei coutou es- 
te logar dando-o ao mosteiro, em 1175. As- 
signaram esta doação seu filho D. Sancho 
(depois l.*") e sua filha, a rainha D. Therp^. 

$io reinado de D. Sancho l, muidoí^ este 
convento para frades bernardos, por provi* 
são regia, passada em Leiria, no priin^'ro 
de março de 1195; n'est£|; memo smo^vi 
o rei ao mosteiro, o couto da. Barra, (da Fi* 
gueira.) < 

Em 1199 o mesmo D. Sancho I, com seus 
filhos 6 filhas, doaram o reguengo de^ Mig^- 
lho, a Mendo Gonçalves ^jwejwer^díu^o 
in peíT>etuum* (!) com lioença de fazer d'ei- 
le o que Jhe parecesse, e o dar» v^dçr,. ou 
doar a quem muito bemquizesse: fi^topiv 
Deo, et pro bono servicio, quodnolfit, et fihae 
nostrae Reginaú Di Thatmia fecisti^^ etfaçi' 
tiê... et dtdhmuvoòis ipsam haeredifate»Bpt^ 
unob(moeguo,quemNobis deiUtiã. EtNo9 if* 
dbanu» Hlum ad Va^sallMm tiM/rum D. Feii> 
nandum Eernanáiz.9 O; donatariè.doou esta 
regmengo ao mosteiro do Ceiçai. 

OEIFE— -rio pequeno^ Beira Alta, bispar 
do de Lamego. 

É mesmo a palaivra árabe ceife^ significa 
espada. i 

CEIRA ou SEIRA (chamava-se antigameftr 
te TULA; NOVAKOA 9BfllA)~ freguezia, 
DQUro^ comarca^ coDoelho e 9 kilometros de 
CkHtúfera> 904 a6 N.^ Liaboo/ 450 fogos^ 



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m 

Era 1757 tinha 370 fogos. , 

R. M* 4a Silva {Pobl Getkde Hesp.) di^ 
qae esta freguezia tinha en^ i660 80 fogos. 
Deoçrto ha engano, pois em 97 axmps não 
podia ter um aagmeato de 290 fogos, isto é, 
inaís do tresdobro. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado e districto administrativo de 
Coimbra. 

Situada perto da foz do rio Ceira, que nas* 
ee ao S. da* viUa de Avô, na serrado B^ço, e 
Bftorre no Mondego, juntp ao logar de Ceira. 
É de curso arrebatado, mas cria bom peixe. 
Trouxe areias de ouro. 

Tanto o rio como a freguezia se chama- 
vam antigamente Céfla. 

É povoação muito antiga^ já conhecida dos 
romanos, que, segundo aJ^ns eseriptofes, 
chamavam Célia ou CeUutn; mas é mais 
provável que fosse Célia ou SeiUa, e que 
Celinm fosse a actuai povoação de Ceiça. 

I>. AÍTonso I a mandou povoar em 1180, 
dando -lhe grandes privilégios, e encarre- 
gando da povoação a Julião, seu cancella- 
Pia 

D. Manuel lhe deu íbral novo, em Lisboa, 
a 12 de março de 1914. N*eUe lhe dá o no- 
me de Villa Nova da Seira. i 
. A matriz (Nossa Senhora da Assumpção) 
é fundada sobre um moute. 0& condes de 
Atíiottguja apresentavam o prior, oonc^n*? 
rendo também a prioreza do convento de 
Santa Anna, de Coimbra, e não concordan- 
do ambos, desempatava o ordinária. O prior 
tinha de ronda 600^000 réis. 

Isto segundo Carvalho. O Portugal Sacro, 
diz que quem apresentava era o real pa- 
droado e as freiras de Santa Anoa d? Govn- 
In^^ alteroativamente^ e que o prior tinha 
400d»KK> réis do rendimento. 

O Mond^o e o Ceira tornam esta terra 
muito fértil, e produz .geando abundância 
ú^ fructa, sobr^ã tudo laranja e limão. 
. O citado R. M. da Silva diz que havia 
aqui um convento de frades bernardos, o 
que é engano. Confundiu Ceira com Ceiça. 
CEDIA— rio, Traz-os-Moutes, que i^oe 
da grande fonte de Roalde, na freguezia áe 
S. Martinho d^Anla. , 
No sitio da Quéd^, se 4espenh^ de uipa^ 



mh 



mi 



altQ4pa dcí 44 mtjm, por i^j^e^g^nhas^s. 
Suas margens são em parles eiíutiyad^s e 
férteis. 

Morre na margpm direita do Douro» pf o- 
ximo. a Galafúra. 

Ê no concelho de , Sat^rpsa, comarca do 
Alijó. * r 

CEIRA— rio, DouFO. Nasce ao S. de Mi- 
does e da vUla de Ayô, e recebendo o Dué- 
ça, pela margem esquerda, entra no Monde- 
go, em frento de Coiíphra. Tambei» lhe cha- 
mauí Elnas. (Vide Ceira freguezia.) 

ÇEIVÃES ou SEIVÃES— freguezia^ Mi- 
nlio, comarca e concelho de Monção, 60 ki- 
lonaetros ao NNO. de Braga, 4^ ^o N. do 
Lisboa, 160fpgos. 

Em 17S7 tinha os mesmos 160 fogos. 

Orago, o Salvador. 

Arcebispado de Braga, districto admini^ 
tratíva de Yianna. 

A casa de Bragança apresentava o reitof, 
que tinha lOOi^OOO réis de rendimento. 

Foi commenda da Ordem de Christo, dos 
marquezes de Villa Rea^ até 1641, e sendo 
então o ultimo marquez justiçado por ti;ai- 
dor, no Rocio~de Lisboa (vide Caminha, Bra- 
ga e Vílla Real) e seus bens confiscados, pa^ 
sou o que era dos marquezes, n'esta fregue- 
zia, a formar um prestimonio da mesma op- 
dem, da casa de Bxagança^ 

Cl^LAytZÂ ou CELLAVIZA— freguezia^ 
Douro, coiparca e concelho de Arganil, 3Ç 
kilometros de Coimbra, 215 ao IJí. áp Lis- 
boa, 230 fogos. 

£m 1757 tinh^ 180 fogos., 

Orago S. Miguel, archanjo. 

Bispado e districto administrativo de 
Coimbra. 

O. bispo de Coimbra apresentava o paro- 
cho, que tinha 60^000 réis de rendimento^ 
e o pé d'altar. 

Parece que o nome 4'esta. freguezia vem 
de S^a, planta terrestre eaq^ati(» (alga ou 
botilhão) e segundo o antigo pòrtuguez, c^- 
bães, significa logar onde ha sebas ou algas. 

Todos sabem que na liqgua portugueza 
(mesmo em muitos escriplores clássicos) se 
vé friíita, por fructa; ^«rúí^a, por escuta; 
trúita, por truta, ele, etc, nío 6 pois inve^ 
rosimil que de séba se fizesse séilia. 



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228 



CEL 



CEL 



l^bem pôde ser derivado de seiva, o 
Bucco nutriente dos vegetaes; por ser este 
terreno de muita fertilidade. 

Inclino-me mais a acreditar que o nome 
d'esla freguezia vem de sebe (tapume feito 
de rama sécca, ou que depois vem a seccar 
com que os lavradores vedam alguns cam- 
pos, vinhas, etc.) ou áe sebe, tecido grossei- 
ro de várâs (ordinariamente de castanho ou 
salgueiro) que se põe ém roda do leito do 
carro, para amparar a carga, quando ella é 
de objectos miúdos. Sendo ptír alguma does- 
tas duas causas, é, ou porque aqui havia 
muitos campos tapados de sebes ;o\x^oTq;ae 
aqui sé faziam muitas sebes para carros. 

É pois incerta, em vista do que Gca expen- 
dido, a origem da palavra Ceivães; e esta 
(como outras muitas) perde-se na noite dos 
tempos. 

CELEIROS ou GELLEIRÕS òu GELLEI- 
ROZ— freguezia, Minho, termo e próximo 
a Braga, 47 kilometros ao N. do Porto, 359 
ao N. de Lisboa, 160 fogos. 

Em 1757 tinha iiO fogos. ^ 

Orago S. Lourenço. 

Arcebispado e distrfcto administrativo de 
Braga. 

Era antigamente do couto de Vimioso, 
comarca do Porto. 

Um dos cónegos de Braga apresentava o 
vigário. Rendia a egreja para o cónego 320 
mil réis e para o vigário iOtí^OOÔ réis. 

É terra fértil. Muito gado e caça. 

Passa aqui o rio Deste. 

Celeiros, ou Celleirôs, é porltiguer antigo, 
signíflca, pequenos celleirôs. 

CELEIROS ou CELLEIRÔS — freguezia, 
Traz-os-Montes, comarca de Alijó, concelho 
de Sabrosa, 90 kilometros ao NE. de Braga, 
120 ao NE. do Porto, 360 ao N. de Lisboa, 
1^ fogos. 

Em 1757 tinha 135 fogos. 

OragO S. Pedro, apostolo. 

Arcebispado de Braga, dislricto adminis- 
trativo de Yilla Real. 

Esta (i*eguezia andou muitos annos anne- 
xa à de Villarinho de S. Romão. 

Éra antigamente da comarca c termo de 
Villa Real, chamava-se Celleirôs de Pa- 
noyas. 1 



Situada em um alto. Ha aqui uma boa 
egreja, qtie foi a antiga e é a actual matriz, 
dedicada a S. Pedro, apostolo, com 6 alta- 
res e com sacrário. D*ella se administravam 
os sacramentos aos moradores (por ficar 
longe a matriz, S. Romão) mas os baptismos 
eram na matriz. (Isto, já se sabe, emquanto 
esteve annexa.) 

Pagava este povo 80 alqueires de pão pa^ 
ra que o parocho lhes dissesse missa con- 
ventual n'esta egreja e os não obrigasse a ir 
à matriz. Pagavam mais 80 réis por cada 
uma das quatro festas do anno e 20 réis no 
dia do orago da casa. 

Ha mais n*este povo 4 ermidas (S. Roque, 
S. Bento, S. Francisco e Santa Barbara.) 

Antes d*esta freguezia se annexar á de 
Villarinho, o reitor era sempre um cónego 
secular da Ordem de S. João Evangelista, 
(lóyo) e apresentado pelo reitor do conven- 
to de Santo Eloy, do Porto. 

Tinha 50||000 réis de côngrua e o pé d*al- 
lar. 

Produz alguns cereaes e azeite, e o me- 
lhor vinho branco do Douro : do mais pouco^ 

Está próximo da margem direita do río 
Pinhão (ou mais propriamente, Penhão.) 

D. AÍTonso I e seus filhos lhe deram foral 
em 4 de dezembro de 1160. 

N'elle se determina que a viuva que qui- 
zer passar a segundas núpcias detpro òõítf* 
gas una t^-a, (Uma cera eram 3 arraieis o 
quarta de cera. (Vide Balugães.) 

N*este foral foi a freguezia repartida em 
8 coirellas, cada uma com o fbro de 3 ^ftwr- 
teiros, um de trigo, um de centeio e um de 
cevada ou milho. (Vide Coirella) 

GELEllllIOS— povos que habitavam ao N. 
do Douro, nas margens do Avo (Ave) próxi- 
mo da sua nascente, e cujo paiz confinava 
com o dos nemetatos. Estes dois povos, os 
Ihnicos e outros dá província do Minho, e 
de parte da Gallizâ, tinham ò nome geral de 
braccarenses, por serem da província de Brá- 
cara. 

Ôs celerinos ajudaram a construir a pon- 
te de Chaves. (Vide Chaves.) 

Estes celerines descendiam dos grnvtos on 
graios (ou eram uma tribu d*cllcs) descen- 
dentes dos gregos. (Vide Ceiiobríga.) 



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CEL 

CELHO ou SELHO e também dUA GE- 
LHO (S. Lourenço)— freguezia, Minho, co- 
marca e concelho de Gairoaràes^ 18kilóme- 
tros a NE. de Braga, 53 ao N. da Porto, 360 
fto N. de Lisboa, 90 fogos. 

£m 1757 tinha 44 fogos. 
. Orago S. Lourenço, martyr. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

É terra fértil. 
. O bispo de Constantina apresentava o vir 
gario, que tinha 12^000 réis de côngrua e 
o pé d*altar; por tudo, uns 50i^000réis. De- 
pois passou esta apresentaç^ para um dos 
cónegos da coliegiada de Santo Estevão^ de 
Vallença. 

Esta freguezia e as duas seguintes sào ro- 
gadas pelo rio Célho, do qual recebem o no- 
me. 

Para todas as três freguezias d*este nome, 
é importante ver o ultimo período, no 9T' 
tigqCelinha. 

CELHO ou SELHO e também CDiA CE- 
LHO (S. Ghristovào)~freguezia, MiohQ, a 
mesma comarca, concelho, arcebispado, dis- 
tricto administrativo e distancias que a an- 
tecedente. 90 fogos. 

Em 1757 tinha 32 fogos. 

Orago S. Christovào. 

Primeiramente apresentava esta egreja o 
bispo de Constantina, depois, passou a ser 
beneficio simples de um cónego da coliegia- 
da de Santo Estevão, de Vallença» que apre- 
sentava o Vigário ad nutum, que tinha 4e 
rendimento GOi^iOOO réis; mas quando era 
apresentado pelo bispo de Constantina, ti- 
nha 100 alqueires de «^(jrutlifa (centeio emi- 
iho roiudo) 2 de trigo, 2 arráteis de oéra fi- 
na» 32 almudes de vinho • lIJiOOQ réi^ em 
dinheiro. / , 

É lerra fértil. 

CELHQ ou SELSO ou COU GELHQ (S. 
Jorge)— freguezia, Minho, comarca, conce- 
lho, arcebispado, districto administrativo e 
distancias^ como as duas preced^te». 230 
lègos. 

Em 1757 tinha 380 fogos (mas poriae^níie 
qu6 é engano do Portugal Sa0ro, porque o 
padre Cardoso apenas lhe dá 9$ fogos^ «n 
f 75Q, e. não podia, em 7 aonos, a^gopieptairr 



CEL 



939 



se a freguezia com mais 285 fogos; nem ha 
motivo para esta freguezia diminuir de en- 
tão para cá 150 fogos.) 
Orago S. Jorge. 

A mesa capitular do arcebispado de Bra* 
ga, s^^resentava aqui o vigário, collado, que 
tinha 50^000 róis e o pé d^altar. 
É terra fértil 

Em todas estas três freguezias de Çélho« 
se cria muito gado de toda a qualidade. 

Tendo fallado tantas vezes n*esta 
obra, e fendo ainda de fallar, em pa* 
rochos ad nutum, noto aos leitores 
que o nao saibam, que, parocho aã 
nutum era uma espécie de encommen-^ 
dado, que o padroeiro (o que apre- 
sentava a egreja) nomeava e despe- 
dia, quando quizesve. 
CELHO— rio, Minho. Também se chama 
Cêlhe ou Sélhe. Nasce mesmo na comarca 
de Guimarães e morre no Yisclla, com uns 
10 kilometros de curso. Rega, móe e trás 
peixe miúdo. 

Já era conhecido no tempo dos i;omanofl^ 
que U^e chamavam Célio. Tratam d^ella di- 
versas eseripturas, que existem no livro dff 
Muma Dona. 

CSLIM ^aldeia, Minho, arcebispado de 
Braga. É corrupção do nome próprio árabe 
Çafim, que significa salvado, livrado, resga- 
tado, etc» Aqui viveu e possuiu esta aldeia 
uma fámilia árabe assim appellidada. 

CELINHO — ribeiro, Minho, nasce na eo* 
marca de Guimarães, e, como o Célho, mor- 
re no Yisella. Dá-se-lhe o nome de Celinho, 
para o distinguir do Cêlho e por aquelle ser 
mais pobre d*agoas. Também era já conhe- 
cido dos romanos» que do mesmo modo Ih;^ 
derani o diminutivo de CéliOf chamando-llw 
Celiolo. ;^ 

Estes dois pequenos rios correm proxi* 
mos 'um do outro. > 

Plzr^ que a ambos provém o nome de 
se; seUarem aqui uns cavallos, pa^a certa 
batalha; mas na doação que Mníivt Dona feot 
aq mosteiro de Guimai^, desqaente-se es* 
ta etymotogia. Vide Guimarães. 

Segundo bons auctores, a anti^issUiuf 
cidade d» Cdiobriga era, siiaad^ ei^ os 



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^ 



m 



mii 



rfós Célho e Celintio, e nâo distante de Ce- 
lorico de Basto, se nao era esta mesma vfl- 
la que foi a antiga Cttiobnga, 

' O qiie é certo è que já no tempo do èõn- 
cilio Ittôéhsc, sfe nomciávam três fregtiezia^ 
na diocese de Braga, chamadas ÚeliôUs, Cè- 
liotão e^CellOy que se suppôe Serem ú três 
actuacs ÍVegiiezias de Célho; é também que 
alguma à'effas, ou todas três, fqrraavain a 
tal cidade de Cêliohriga. Já se vé que tudo 
iátó não passia de conjetluras, mais ou me- 
nos bem fundadas; porque, etó tanta obscu- 
ildade, tóô pôde a simples luz da razão (sem 
documentos positix^os) penetrar e decidir 
com evidencia. 

Viáe Ccliobriga, Celorico de Basto eCha- 
ves. 

miOBRtGÂ ou ZElOBRIGA-^tr^os- 
Hòntes, cidade antiquíssima, fundada pelos 
íoeílâs, taals de 300 annos antes de Jesus 
Christo; é' cajás ruinás éxíèteúi (ou vestígios 
d'ellas) próximo do rio Sabor. Zelòbiigà 
quer dizíef, cidade dos'zoelás. 

SuppSe-se, cóm bons fundamèmtos, qtté 
òs ioelas Viveram por estes sities. Eram í)o- 
Yos das Astúrias, do paiz onde existiu a d- 
âatde de íoela, que lhe deu o nomèí. 

fi de ppcsmnír que no termo de Bragan*> 
çi exlslill alguma cidade, na quâl a ordèrt 
oti dassò dôs negociantes ou artistas zoélas 
dedicassem a memoria ou inscrip^o qnte 
tstáhoje na egteja de Castro d*Avtílans, a 
Plutão^ delis dos infernos t das riquezas. 

Vide Castro d' Avellans. 

* páíi^e D. Jeronymo Contador d'Argote, 
itós tatíiÉ^emòí-ias para a Historia Eectesias- 
fí(k ãò' arcebispado dê "Bragtí,, tomo I, pôg. 
317, n.* 520, diz que Celiobíiga era uma^iA 
daíde, cabeça dos poves céleriinb^: 

Querem uns que estivesse nô Slíio da 
ítfeiaál tíllíi de Bai^cellò^, otítros, eiítrefeHes 
ò dôtit* loSd de Barros, iias^oas AMigui- 
SdOe^à^EHHt Douro eMmhó, diz^ueíléfkh 
ttSgâ *â <3e!óirico de Ba«ò, e qtíe por àlU 
habitavam os poros teléiiíios; mas 'pi^ten^ 
de que Ptolomeu lhe chamava Selobrica; 
è^^íiáiaVhi téfdaVíáie^d Vé-n'^te'fln(fgo 



GÈL 

typbg^ptíicó, em algÔáia dfts edíçBés das 
obt-as de Ptolomeu. 

Outros dizem que Celiobriga é a actual 
villa de Céferieò da Beira. Nab afeho nenhimi 
fundamento a esta opiíiiíio, a nao ser que 
houvesse na Lusitânia duas ou trefe Ceíio- 
brigas, ou uma Zdidbrigâ e duas Celiobti- 
gas, ò que não é muito presumível. 

O doutor Francisco Xavier da Serra, cor- 
regedor de Guímaráèsí, eiím dois mais ilUis- 
tradoís méiflbros da Academia Real de His- 
toria Pertugueza, ostenta que Celiobriga> 
ou era onde existe hoje Celorico de Basto^ 
ou nas stias immediações, e que o seuíiome 
romano era Elia, talvez por alguma mercê 
que recebeu do imperador Elio Adriano (o 
qufe fez ou Reconstruiu a eelebre via militai 
da Geira.) 

Diz eHe ^ne na egr^eja de Santa Senhdri- 
ntia de Basto, sòbHd a porta prfé^ipal; à di- 
reita, da parte exterior, em aliufa de i^ pal- 
mos do chào (3*;30) '^tá uma 'piB^râ róm 
esla lliscripçSo : 

. . , MP. CAES- 

10. HADU 

AN. Pt NT. M. 

ACO. ^ 

FUMaUU 

A puoa VI ^ 

T. VA. VEGETI. 

Isto é:^TUoValãl*ioVeífêC9âi mperinten^ 
deMe das cal^Mas, dedicou ^/b memoria oô 
^peraêor Wio Adriano, pmtípce, matsbmoy 
aUgmto, ipíò, e a Furnio, -^.^ proc&MistU. 

Se isto á Tei^d&de (o que dfíeníi Atgote: ^ 
Serr&y é po^ivd qiié houve;»8ê a eidadede 
Geliobíitía, clípital dos pevos oeterinw, rià 
que boje é província do Minho, e Kelt«twl«> 
ga, capital dos zoelas, próximo ao rk) Ss^r, 
e (fké -aé sÉippee ^nktír nò tor^i^io^da 
a(!iual Gfl^tro d^Avelláiís. 

Offcreicém-^-me aqui umas duvida», saoi 
«u dSo vejo na iodc^rip^ò tmitÊn9r^m4^^*^ 
dre Carvalho diz ter estado sobre a pottlè 
de Cftávea, *nmá menbieiiados è^ zoékií 'dém 
os ttílériood. BtippDndo ideséio qw^geimiátí^ 
f^ré^me e^^escrlpietoa tal iméripç^ 
dí0 GamaiK)^ seja enro de ^xrph, em Jofal* 



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CÊL 

^ Iselérléèâ (òorao «mrám escrevendo liB- 
ciois em vez 4e Ilmicos) o cjne Argole recti- 
ficou, coroo se ^ eip Chíives; porque razão 
os povos de Zelobriga, que habitavam mui- 
foipais pro;!ii|»09 de Chaves do que os de 
Celiobriga, nao ajudaram à construcçao da 

ponle,?, 

Ê verdade que esta inscripçao é por al- 
guns julgada apocripha; m?s, por isso mes- 
mo^ lambem pode ser fabulosa alguma das 
iuas cidades. ^ 

jFinalmente, pjestas cousas, nao podemos 
sair dA região dás hypoiheses. 
CELIR— ViçlQ Selir. 

C£LLA— e Encelada, vide o que digo em 
Cellas, vide lambem Inclusa. 

CELLA — freguezia, Traz-os-Monles, co- 
tmtcá e eeticelho de Chaves, 90 kilotoe^ros 
ao WE de Btftga, 4tO âO N. de LiBbba, i88 
fiigoà.'Em 1757 iilíha'38í fogo». 
Orago Nòi^tiS^ntíora das Neves. 
Arcebispado de Braf(^, e districto ^admi- 
Tlistfiilivo de VHía Rtóftl. 

'O reítòf d€i Nogoeii^ tfa^Otfòntanha apre- 
tava o vigarity,i que (inha iOO alqâeire^ de 
éèMieiò, 7 2frralte1s de céraf lina, S alqueires 
de trigo, 2 almudes de vinho e em dinheiro 
iiftSlQO ^is, mdo pa^é peia comti^dik 
É terra |>oo«)ifertil. ' ^ 

casOiLá— -aidela, Dowro, còmafca, oonee- 
Hià e iO lEilometroá'ao <ISyO, â*.i^raticft> fre- 
gaezia de Yarfcea. Poi aM^amenie villa^eom 
o nome de SaélIa^D. Affeh^liéiifíqUeadòou 
esta villa a D. Monlo^ a ^ de abril de 1129, 
j«mUÀenié com a ^a de Sak {hoje aldeia 
de Sá, freguezia de Santa Eulália, também 
rioMIèâè i/kroae»). t 

13gUi< ipèvéaç9o é situada nas iMtims 4o 
JtíúAá^k pMsò, bor eNa ámeva ètitl»Ááái(ett 
€dásó^ct&))'â*)Aíit>iiea aOlivlslra dAzemeis. 
É fertilissima. ^ > 

CELLA — viya, BxMnoadnvái eomàrcá e 
«oÉbeffco d^teobaça^ 4«^1ííllolnem» aoME. 
4ííI)ri!tbòà,8&Ofo(^5. . 

8[*)«7S7 nimba 160 fbgosi ' 
Orago Sáttlo AnAré^^apostolo; i ^ ^ 
^trtwctedo te LtsbiNH éMido^tãmi- 
iMniltodel.eliiia. 

ErtK^miábrto «iftibaâe geral d^Aloo^ 
lÉi{Éi, ípo¥is«rMtta^^Oêlieli& (ftooiès. 



CEL 



âai 



Situada em alto, d^onde se vêem varias 
povôaçCes. 

O abbade geral d'Àlcobaça apresentava o 
vigáriot, que tinha âOOi^OOO réis. 

Tem Misericórdia, ma» pobre. Foi erecta 
em uma ermida do Espirita Saiito, om{58o, 
por AntônSo Rebello, com provisão regia e 
bulia do papa Gregório Xill. Tem ou teve 
tímaalbergaria depeddente da Misericórdia. 

É terra muito fértil e ha aqui óptima 
fructa. 

Tinha dois juizes ordmarios <afé 1834) que 
lambem o erftm doe erphãos e sizas, e as 
mais^ justiças do couto. 

Fica 6 kiiometros ao S. da Pederneira. 

É povoação muito ahtiga. 

D. Manuel lhe deu fbral, em Lisboa, no 
"pi^ineito de outubro 4e^ 1!SÍ4. N^este íbral 
se lhe dá o nome 4e Cella-Nova. (Liv.dos 
íoraes, Novos da Extreniaduhi> fl. 134, v, 
coL l.«Vejam-se apontamentos para esle fo^ 
rk]i nó maço 1.^ dos Foraes^ Amigos, n.«» 12.) 
' ÍIBLLA— aldeia. Douro, ft^fguezia de Fer- 
mefdb, iconcelho, comarca e li kilodietros a 
<yd'AWuca, e a2l»lomeifos ^ SE, do Porto, 
5aoS. do riô Doufo^ 2Wa^ N. de Lisboa, 
lÒfogos. 

Bispado do Port<H»di9tri0lo ádministrMivp 

K povoação aiitiqéissíiii^, em frente e 2 
kilométtos a O d'Almançòr* (lambem aldeia 
antiquíssima) Icttndo entre as dctes poVoa- 
çõeio 1% Atdaj qne a«(ni perto tem ama 
bôa pbtkíe dé madeirdi 

E' tradi^ ^ue uma senhora, morreúdo- 
lhe um maneebo com. quem estava para ca- 
sar, tomou grande sentimento e}uroa b2^ 
cásÂf eom outro, fa^et Voto deeámldaàe^ 
encellar-se. Andou por esias montanhaB^xa- 
minando um sitio que lhe a^gtàéassè, è che- 
gando a<ttií, maildeu íkzek* ^iti^ éelía onde 
se empaiédotr, até ao fito de seus dias; De^ 
pois de morta íbi tida t^^ santa e se trans^ 
fòtihou a sua celta em erèbída' da invocação 
do Senhor dos AíRiétòs, eihftiemoria das aí^ 
flicções que a santa soíTreu com a morte do 
seu liohro. 

Tem uma capella, ieita em 1420 (á custa 
do.iMVo e do don^io deFermedo) da ii^- 
toeação do Senhor dos Aílliclos. Ha n*ella 



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^ 



232 



CEL 



CEX 



missa todos os domingos e dias santíflcados, 
dita por nm capellão pago pelo povo do lo- 
gar e circomvisifihos. Faz-se todos os amios 
uma festa e romaria, muito concorrida, á 
imagem de Nosso Senhor dos Afilictos. 

£* situada na lombada de uma serra, sem 
vista para outras partes (alem d^Almançor) 
por ser cercada de serras ainda mais altas. É 
terra pobre e desabrida; produz algum ópti- 
mo azeite e vinho verde, muito bom: do 
mais pouco. 

Ha em Portugal mais 26 aldeias do mes- 
mo nome, sem .cousa notável. 

CELLAS — próximo a Coimbra, conven- 
to de freiras bernardas, fundado 9m Í2i0, 
pela infanta D. Sancha, filha de D. Sancho I, 
(irman da rainha Santa Mafalda.) 
, Tinha a fundadora, na viila d^Alemquer 
(que era sua) umas molhíeres a que chama- 
vam encelladaSf ou emparedadas^ vivendo 
«m uma pobre casa. 

Resolveu D. Sancha mudaras para uma 
sua quinta, que tinha ao pé de Coimbra, 
chamada Uvvnmrãe$. Fez alii cellas para 30 
freiras e mandando vir ^beatas d*Alemquar 
6 algumas freiras de Lorvão, para as instrui- 
rem, lhes impoz a regra de S. Bemardç, 
professando tambein aqui a mesma iníianta. 

Vide Alemquer, onde tracto da egreja de 
^'ossa Senhora da Redonda. 

Chamavam então a este convento o de 
t Cellas de Uvimarães* para as distinguir 
de outras encelladas que viviam junto á pon • 
te de Coimbra, no sitio onde esteve o con- 
vento de Sant^Anna, antigo. Esta pltimas vi- 
viam muito pobres q do convento de Uvi- 
enarães lhe vinham todos os dias as cobras 
do jantar ; o que depois foi redundo a cer- 
tas medidas de trigo. 

Vide Coimbra. 

D. Therez^, irman de D. Sancha, também 
íez algumas doaçõei^ ao mesmo convento de 
Uvimarães, no ani^io de 1229^ 

Nos claustros d'^te mosteiro existia um^ 
lapide com a inscripção seguinte: 

HIC BIS QUINQUE MANENT, QUAE CETIBUS ASSO- 

CIATAE 
ANGEÍJCIS, CtLtU PBOMBBtBWi PAW 
Htrc AB AtONOUBRIO, QUO VltAIC SH)NTB RBCUÍ- 

.-SÁK 



ABGTAJi OBSSBBimr, HIRTIS BT PELUBUS USAK 

m;C INQUAM REGINA THARASU BEGIS AMOBR 

ETHEREl VIXIT, CONTENTAS LAUDIS HONOBS. 

ERA IfCCLXXn. 



Quer dizer que alli descançavam iO reli- 
giosas, as quaes, com egual tracto e santa 
observância, mereceram ter logar entre òs 
coros' angélicos das virgens: que alli mora- 
vam e que d*Alemquer, onde faziam antes 
vida de ngores, com reclusão voluntária, as 
mudara para este mosteiro de Cellas, a rai- 
nha D. Thereza, entendendo que o que ellas 
mais desejavam era permanecerem em con- 
tinuos louvores ao ceu.— Era 1272— isto é, 
1234 de Jesus Chrísto. 



Todos os escríptores antigos dízen^ e vá- 
rios documentos provam, que foi D. $^<Aa 
e não sua irman D. Thenaza que ps^ra aqui 
mandou as beatas d* Alemquer, o que esta 
inscripção parece desmentir. 

Entendo que ha aqui erro de copia, tal- 
vez por estarem «lal compreheDsiveis os ca- 
racteres» por gastos do tempo. 

N'esta duvida, o leitor (aça o juizo^o» 
quijoer. 

CELLAS — freguezia, Traz-os:KonteS| foi 
até 1855 da comarca de Bragança» conce- 
lho de Vinhaes^ e desde ^tào é da^oar- 
^ conoelhade Yiobaes, 60 kilometros de Mi- 
randa, 480 ao N* de Lisboa, 175 fogos. 

Em 1757 tinha 43 fogos. 

Orago S, Genezio, mmyr» 

Bispado e districto administrativo d(^Qi^* 
gança. 

O abbade de S. Bartholcm^ de N^gjréiti 
apresentava o eura, que tinha da randim^A* 
lo 30(MO0O róis. O Parlugal Saçf9, 4iJ( m^ 
era apopesenudo pelo^ fiabidP da Si 4o. Mi** 
randa. É mais prvavel. 

£* terra fértil, « tempaça. 

Antigamente deliberava qualquer inollier 
encellar-se ou emparedar-^^â. Mandjivai U^ 
zer uma casinha, mettiarse n*dla e alU .pas- 
sava o resto de seus diai. ia ye^es.^Ttn^ 
também doas ou mais beatas que«:,a4o- 
ptavam este género de yidfti>j|a meMiat^V^ 
ra. Eis a raião porque am PortugaLhaii^a- 
e seis aldeais chamadas G^tíf^iài^ ehamat 



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CÈL 



CEL 



233 



dâs Cellas. CellOf quando a povoaçlo tinha 
49Ó uma entelhá^-^Cellas quando eram mais. 

Nas cidades e villas também havia em- 
paredadas ou encelladas. 

Vide Inclusa. 

CELORÍCO PE BASTO -.villa, Minhp, eo- 
iDarcae concelho do mesmo nome, 40 kilo- 
metros a NE. de Braga, 375 ao N. de Lis- 
èoa, no concelho 5:110 fogos, e na comarca 
^:500. • 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

Situada nas margens do Tâmega, em ter- 
ritório muito accidentado, mas ftirtilissimo, 
-produzindo muito vinho verde de superior 
qualidade 

D. Manuel lhe deu foral; em Evora^ a 29 
«de março de 1520 {Livro de foraes novos do 
Hinho, fl. 125 v., col. 1.»). 

Trata das terras seguintes: 

Afies, Agilde, Ardegio, Amoya, Amozel- 
-la» Barbadães, Barrozende^ Borba, Borba 4e 
Azinhores, Borba de Godim, BorbeNa, Bri^ 
iello, Cabeceiros, Cacavellos, Cacerôlhe, Ca- 
nêdo, Carvalho, Castello, Ceidões^ Gelmies, 
€hapa, Chéllo, Coiríto, Covas, Crespos, Cu- 
rujeira, Fervença, Fonte Coberta, Freixeiro, 
Feixo, Gagos, Gémeas, Gotom, Infesta, La- 
vandeira, Loureiro^: Macieira, Mademe, Mo- 
lares, Montas de Beirega, Ourilhe, Paços, Pa- 
radelia, Quintan, Quinta de Borba, Quiotel- 
la, Bebordàos, Real dX)teiros, Rilhas, Ribei- 
ra, Rio Máo, Sancremonço, Santa Tré(pia, 
Sequeiros, Tudeía, Tulôes, Valle de Bairix)^ 
Viàde, Villa Garcia, Villa Mcan, Yillar, Vil, 
lar d'Ao(ò e Uveiras. 

A isto se chamava antigamente Ttrras de 
Baeio* / 

A coraarea de Geldrico de Basto, 6 com^ 
posta do» Julgados de Celorico de Basloe 
€abeoeiras de Basto. 

O concelho de Celorico de Basto com- 
prdiendo 22 fregueuaa, que tào: 

Agiláe^ Amóia, Borba, Britèlle, Canédo, 
Carvalho, Cassanilhe^ Codeçòso, Cófi^, Fer- 
vença, Gagos, Gémeos^ Infesta, Molares, Mo- 
«àfa, Ourilhe, Rêgo, Rlbas^ 8. Clemente, 
&au Tecla, Valle de Bouro a Veáde. 

CELDRlGO HA BEIRA --^viiia, Beíra-Baif 
xa, iakUoflietro»a0^4aGaarda, próxima 



da Serra da Estrelia, e 300 kilometros a E. 
de Lisboa, 550 fogos, em 3 freguezias (Santa 
Maria, S. Martinho e S. Pedro, que hoje es- 
tão reduzidas a duas— Santa Maria, ou Nos- 
sa Senhora d^ Guia e S. Pedro, apostolo. 
Antigamente teve 4 freguezias, como. adian- 
te se verá. I^m 2:000 almas. No concelho 
3:200 fogos, na comarca 4:750. - : ' 
Em 1757 tinha em 3 freguezias 380 for 

gOS. T. 

Bispado e districto administrativo da 
Guarda. 

Situada em um alto nas vertentes da Ser- 
ra da Estrelia, próximo do Mondego. 

Diz-se que foi fundada por Brigo, quarto 
rei de Hespanha, 1890 aanos antes de Jesus 
Christo, com o nome de Celiobriga (amio 
do mundo 2070. 

Os túrdulos a ampliaram 500 annos anr 
tes de Jesus Christo. 

Parece-me que não foi fundada por BrK 
go (se é que tal rei existiu) nem se chamou 
Celiobriga. £ mais provável que os seus 
fundadores fossem os titrdulos, pelo tempo 
que disse. Para eyitar repetições sobre Ce- 
liobriga, vide esta palavra, onde vaetudo 
quanto pude saber com respeito a esta an* 
tiquissima cidade. 

Já Plínio a menciona como uma das ci- 
dades si]yeitas a Braga. 

.Depois se chamou Coiro Rico, Rodrigo. 
Mendes da Silva, 'na Po&íocion êrtnerol de 
HespanQ lhe dá também o nomedeZ^ia Ri? 
cOi alludindo á fidelidade de seous habilan* 
te$ ^m varias oceasiões. Pronuncíavanse en- 
tão Cêlo Rico, e d'aqui derivaqx o seui nome 
actual i 

Ainda outros dizem que o seu nome era 
Solo Rico, pela fertilidade, de sçus camposL . 
At$ mesmo ha quem «istenteque o moder- 
no nome d*esu villa ;é^ apenas a corrupção 
do primittivo, istp é — ^^ Celiobriga Qzerani 
08 romanos Celiobrica e ps árabes Celorico. 

A miqha humilíssima opinião. iao|ina-se 
a esta ultima versão, por me parçc^r muito 
natural. 

Não sabemos hoje se os #ntigp9 pronun- 
ciavam Celiobriga, se Celiobriga (is^^^nten- 
de-se com todas, as poiroaçdes que tinham a 
terminação em fth^j^nm ha razQes para 



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^ 



&3I 



CBL 



Çtppor que diziam Celiohiiga, Os^vhh^ 
córromperam-nos mttitas palavras (e antes 
d>lles fizet^m 6 meàmo os romanos ègò- 
dos) e não é muito para admirar qíie de Ce- 
^iòòH^ fizessem Celorico, qo^ para ellcs era 
de (nais faeil pronuncia. 

iTèfli porurmas urii escudo bipartido, len- 
do à direita cinco estrellas, e por cima um 
treàceíite; e à esquerda uma torre, o solbre 
ella, voando, uma águia com um peixe nas 
jgarras. 

Deram causa e origem a estas armas doi^ 
feitos 'gloriosos aqui occorridos, que sâo os 
seguintes: 

Em 1189, veio sobi^ esta villa um gran- 
de ebcefcito 4e castélhariês e leonezes, e lhe 
pWíeram céroo. 

Era aleaide-mór do castèlló de Celorico 
B. Goliçalo Mendfes, é do de Linhares, feeu 
irmão D. Rodrigo Mendes, filhos do conde 
f). Mendo; sendo ^ei de Púirtugal D. ftm- 
<*o I. 

7?ãò soíDtu ò animo raloif oso d*esteB dois 
tjravos porluguèzes estarem muito tempo 
cncuiTftlados nò «tóteTIô, pelo que, umi noi- 
te de hêa íkwa, deram de improviso íKkfé 
<ífr inimigos, e os derrotaram completattwn^ 
te. 

Os de Linhares tinham chegado n'éssa 
mesma noite à praça, e foi animsíâos èoèi 
este valioso reforço Vjue os de Cekirko tte- 
«díram investir ò iriimigc^ que fugiu ver-' 
gonhosamème, deixando no ciampò todos «s 
nHd^ds que tinha feito, ioAas as suas b^- 
giigen^, e grafnde numero de mortos, fópidos 
%l>rlisioneíroB. 

D*aqui tomou a villa por armas cínjeo ès- 

Lf Wwtf es teve a& mesmas aroM. | 

irdlas e um crès(%»te. ; 

'' £m 1945, ^rá^l«áfde-môr dé Qolorico, B. 
l^ôttlatído Rodrigues 'P»^heoo, pbr D. San- 
cho IL Sendo este rei dejiofeto, «^nomeado 
tòvemador do reino seu irmaò, o (xmde de 
Bolonha (depOí^ D. Affonso fll) per8i$ti<i o 
ter^vo dléaidé^mói' iia sua idèlidade aotei'^ 
pelo que D. Affonso lhe veio pôr eénco, qoé 
dtíl^ mttito^ Meses. EtdssAo 0'<»stello pro- 
yMb a reudct'^ j^èlà fome, por «caso nmà 
Si^la dei^tt eair sobre o cai^o Mbatití- 
ta. O ákaãdea iiifa»do^dé iAi0seMe«D. Af^ 



fonso, signiflcando-lhe que na praça haví* 
abundância; pelo que este abandonou a 
c^rcoi 

O conde de Bolonha (depois D. AfTonsD 
III) em desforra de não poder tomar o cas- 
tello de Celori<^, a^lou toda a s8a comar- 
ca! D. Sancho li, por carta regia, datada de 
Toledo, li 2 de setembro da era de 1284 
(1246) declara estas crueldades, e que cê 
bispos, de Coimbra c Braga excommungacen* 
os cortadores. Conta a historia da truu%'elc. 
Pela mesma carta regia fez alcaide-már de 
Celorico a Pacheco e deu grandes privilé- 
gios à villa (aMm dos antigos, que conOr* 
mou) sendo umd^elies, «que seus pei^s se- 
jam em juizo havidos por cavalleiros'eésttB 
por inf!inç3e8.i Esta carta estáiassignaâa<^elo 
rei, pela rainha (D. Meoia Lopes de iiaro) 
D. Lopo Dias de Haro, D. Diogo ^oçe% de 
Salcédo, D. Rodrigo Gonçalves Girony D. 
Martim Qil, D. Pedro Bannes, D. Goniçala 
Mendes» D-^-fi^s Vaz, Ir. Iliguel e fpj Tt- 
iSBúte^ £ste ultimo a éseÉeveti, por mandada 
d'^l.rel. 

Qabib levou á tniU aD. Affonso III foi 
Gomes Viegas. D. Affonso, admirado, cluM' 
mou a Gomes Viegas, o PWii^. Este ficom 
iodo orgulhoso com o appéllidoe deixou è 
de TJega^ (que 9ígnifiài;ra viíhai, pelo que 
eti feio) è tornou d-atii pél- diante o de Pm*^ 
as^. Eis, segundo e podre Garvabo, a ónV 
gem flo appellido Péixolio. Será. 

'fits a origem da eegundai[>artedasârmas^ 
de Celorico, íslò é, da aguht còm á trou e 
da' torre. 

Teve esta villa differentee éenhorés. Aa^ 
ibs do reinado de D. Fernando, pertence a 
Martim Vasques de Sousa. D. Beatriz» ttinV 
Iher de a Affonso iHI^ fòz âleaide-mói^de 
CetorMo, á llarrtihi Yalques da Gmiha.«^ 
rei a deu em dote a sua Olha (bastarda, tlX 
Isabel, 4ue caéou, em 1373, com oconde*do 
Gíjon (D. Affonso Henriques dé CàsteUa 9 
Noronha) flih6, Umbèm'l)a8tapdo,^ de D. Hen- 
rique H,d(yGa9leUà, il*mi6 de D. Pedh» Ora. 

Km ti de janeiro de 1^85, «ra seniior 
doesta vUla Martidi Àffonsd de MeHo, qitatta 
senhor da Villa deHello èiico^hocaei*^» 
Poitugal. ^Esié %eroè M^pHMira^vdllei- 
to píon«giiéz^^ ^ia a reofber D. leio \ 



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de Gastella, à cidade da Gtiarda, reúonf(eem' 
d0'0 por legitimo rei de Portufialt etitregan* 
do-lhe erta villa ! 

- D. Manuel a deu áô íritnefh) <?oiide de 
Periálègi^e (O. Diogo, seu aio) e, pelaextinc- 
ç3o<l*eíta família, tendo Vagado para a co- 
roa, a deu D. Peáto II a Andlré Lopes de 
Lavre. 

(H seus donatários éraíid também akai^ 
de9'tnóres do castello. 

No reinado de D. José I (1762) foi esta 
vHla tomada e saqueada pelos liespaiihoes ; 
mas logo a largaram. 

A egreja matriz 4e S^nia Maria, é eolle- 
gíada do padroado real. É um tem^o ma- 
géstoso e'seu orago NoesaSeiílioradaGaía. 
O prior ifeba 300^000 réí3. tem seis bene- 
Sitiados, que etam apresentados aftepnátlTâ- 
itíénte pelo papa e pelo ordinário, e duas 
apresentações eram do padroado real. Cada 
beneficiado tinha 200^000 réis. TlnHaittai9, 
um âírcediago, beneficio sirilples, queiecUia 
500JÍ000 réis; e um thesoUrbíro da api^esen- 
tação do prior, com 250^000 réis. 

A egreja matriz de S. Martinho é um tem- 
plo antigo, e, segundo alguns escriptores, 
ftmdádo pelos templários, em 1302. Era do 
padroado real, e o prior tinha* 350iíí(|W réis. 

Viterbo dií que òs tettiplarlos funúarâm 
ou reedificaram esta egreja, em 1217. No 
Séu frontispício havia duas pedras com a 
seguinte inscrípçào : 

£w-M. GO. IL V. HiMSISTàO 

I4EÍÍD0, CONSTRUCTA. PUW* • 
ISTA ECCLESIA. 

Sèhdo 'estti egreja tfeeíiflèâdá em Í77fr, se 
ádulteroti bòihplètamente a sua prhnittíva 
ordein arcbfttéetonica, náo testando outfod 
^oaoBumaato^^ 4^ antiga egreja xDai3 do que 
mas duas pedras, ooUocâdas na parede ex^ 
lítior da «apelIsHraór, da parte áo Evtm- 
gélbo. 

£sta egrga d^xou de i&er n^atriz, porque 
86 -gtopprimiu a parcebia, que em 1757 t*- 
tâia 92 fpigos. 

A matriz de S. Pedro; é também ôbr^ttcte 
templário^ ÍMudada em 1230, e iambem io 
roal ipadroadd. O ptior tinha 30Q#000 léis. 
£m 1757 tinha 1854^001 < :^ 



CÉt 



235 



Havia antigamente n'es(a villa tuna fre- 
guezfa de Santo André, apóstolo, que fôi 
supprimida no reinado de D. João Ilf, fa- 
zendo-se a Miâerfc'ordía na sua egreja, x? das 
teádás se fiiieram dois benefícios na colle- 
giada de Santa Haria; que eram os dois da 
apresentação regia. 

tlá aqui uma albergaria. ' 

O Mondego corre próximo da villa, ferfi- 
lisando os seus campos, pomares e hortas. 
Cria muito gado e tem bastante caça nos 
seus montes. 

Antes de 1834, tinha juiz de fórá, cama- 
rá, escrivães, eic, tudo posto pelos marque- 
zcs de Gouveia, menos o juiz das siza?, que 
era feito peb rei. 

No reinado dos nossos primeiit)s rtionar- 
chas, tinha dois juizes, dois vereadores, al- 
molacè, alcaide e meirinho, et reliqua. Tinha 
30 logares na sua jurisdição! 

Tinha capilao-roór, sargento-mór e uma 
éómpanhia de ordenanças. 

Sobre o rio Mondego tem uma mngeslosa 
ponto de cantaria, feita pòr D. Manuel, no 
principio do século XVf, e duas menores. 

Cercam a villa extensas vinhas, que pro- 
duzem óptimo vinho, e grandes olivaes, que 
d5o muito bom azeitei 

fe terra muito ferlll. 

O Campo do Tabolâdô ch^^nia-se assim, 
porque antigamente havia aqui uiíi amphi- 
theatro de taboado, onde se faziam justas, 
t^raeips, ete. . 

Em 1695 appareceu aqui ^ uma lapide com 
aseiguíate ioscripçào roowi^: 

R. c. I. A. 

V. A. N. S. I. R. 

.i{ A. -C-If. ?i. Ijr a.t 

IV V. M. 
. J. N. I..p. I. , . 

Dizem ;(qs ,a|d;vint)ia(]|pres) que quer dizer : 
«Ser^o imperador romano Augusto Cé- 
sar, os povos de Castell^, chanpados vascos, 
com os capitães Nigro, Sérvio e Junio, edi- 
ficaram este castello, em nome do impera- 
dor. 'O mestre que o féis' se chamava Ruilio 
Varo. Os^ c^itaes Junto & Nigro o dedicar 
ram ao imtpérador Jnllo.» f) 
- O Mstetio «de Celorico (ira Ibrcinimo e tf- 
nha duas torres e dois ettbéilod. 



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236 



CEL 



£* no tope do morro em qae está fun- 
dada a villa, a qual e seus arrabaldes don^í- 
na inteiramente. Ê obra. dos romanos e D. 
Dii>i o reediOcou. Está em ruínas. 

D. AfTonso I lhe deu foral, sem 4^ta, eom 
muitos privilégios. D. AfTonso II lhe deu fo- 
ral, conflrmando e ampliando os privilégios 
do primeiro, em Coimbra, no anno de 1S17. 
D. Manuel a fez villa, e lhe deu foral novo, 
em Lisboa, no i.<> de julho de 1512. 

A villa tem bons edifícios, mas nenhum 
notável, além da casa da camará (contendo 
.também o tribunal judicial e a cadeia) que 
é das melhores e mais seguras da província. 

Ha aqui duas feiras cada semana, de gran- 
de concorrência e importância. Só de trigo 
concorrem ás vezes a uma doestas feiras 
8:000 alqueires. 

Celorico ó o centro de todo o commercio 
com a raia, o que faz muito prosperar esta 
terra. 

É o seu território fertilissimo e muito sau- 
4dvel. 

Ha aqui, sobre o Mondego, três pontes, 
uma de pedra e duas de madeira. Ao S., 
junto ao rio, se toem descoberto varias anti- 
guidades romanas. 

Os povos da Beira chamam a esta villa 
Celorico dos Bêbados. E\ com inveja da abun- 
dância e óptima qualidade dos vinhos d*aqui. 

Tem Misericórdia e bom hospital, 12 ca- 
pellas, 8 fontes, sendo a melhor a da Pipa. 

Celorico, como praça de grande impor- 
tância, serviu de reféns, dado por D. Diniz, 
para as pazes que fez com seu filho D. ÂÍTon- 
80 (depois lY) em Santarém, a 25 de feve- 
reiro de 1323. 

Tornou a ser dada como reféns, por D. 
AÍTonso lY, para penhor de paz com D. Af- 
fonso XII, de Castella, vindo então para al- 
caide (com guarnição castelhana) D. Fernan- 
do AÍTonso €ambráén. Tornou ainda a ser 
refen^, dado por D. Fernando, de Portu^l, 
a D. Heàrique lí, de Castella, em 1373. 

É pátria do dr. Miguel da Silveira, poeta 
illustre e aacior do poema dos. JUo^Ao^eta. 

Do beato fr. António de S. Pedro, que fe^ 
muitos Dúlagres em Ossima, no convento dos 
mercenários descalços. u 



CEL 

E de Rodrigo Mendes da Silva, ehronista 
de Portugal por Philippe III, e auctor da bem 
conhecida obra intitulada — Pobladon Ge- 
neral de Espafl<h impressa em Madrid, a pri- 
meúra véz em 1628 e reimpressa na mesma 
villa coronada, em 1675. Este Silva ban- 
deou-se com os inimigos da sua pátria, • 
na sua obra chama muitas vezes tyranno ao 
nosso D. João lY. Passou-se para Qlstella, 
lá escreveu (em hespanhol) e por lá ficoa. 

A comarca de Celorico é composta do jul- 
gado de Celorico e do de Forpos de Algo<> 
dres. O concelha comprehende 22 flregoe- 
zias, que sao:— Açores, Baraçal, Cadaía^ 
Carrapichana, Cortiço, Forno Telheiro, Je- 
jua, Juncaes, Lagiosa, Linhares, Maçai, Mi- 
nhocal, Ifesquitella, Prados, Rapa, Ratoeira, 
Salgueiraes, Celorico (Santa Maria e S. Pe- 
dro, duas freguezias) Yalle d* Azares, Yello- 
so e Yide. 

CELTAS ~suppõe-se que eram os pnmtl- 
tivos povos da Lusitânia. ^ 

!,• grupo 

Occupavam uns a Estremadura portogoe- 
za, ao ^. do Tejo, o Alemtejo e uma peque- 
na parle Occidental da £xU'emadura hespa- 
nhola. 

Suas principaes cidades eram Paca (Beja) 
Ebora ou Elbora (Evora) Myrtilis (Mertóla) 
Salada (Alcácer do Sal) Cetobriga (Setúbal, 
Tróia) Norbn Cesariana (Alcântara, Hespa- 
nha) Medobríga (Aramenha) Cecília Geme' 
Una (Cáceres) Aruci Novum (Moura). 

A estes se chamava celtas ifieridion^e^ 
por estance^em entre o Tçjo,ja.p GuadíaiKa, 
e por conseguinte, ao S. da Lusitânia. A esle 

> Ú$ investigadores modernos prét^tiâem 
que os primeiros habitadores (tiidigeitòs,'^^!!» 
pelo menos^ abprigenes) da nossa peninsqH^ 
eram uns povos bárbaros, ferozes e antr(^- 
phagos, vivendo em cavernas como as fefiw^ 
cujo nome genérico nos^ hoje completa- 
mente desconhecido, e na Impossibilidade de 
o descobrir, concordaram em o^deppmioar 
pfe-celtof^ isto ó, os aptece^qifps doscéUas. 
Comparados com eltcs, os Celtas pôdiam-sa 
cfhamar c!vi!isados ; porqile ao menos tinham 
amareltgilo e taes oa quaes leis e instilai^ 
çdesporqaesegevânuvam..., .; i 



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CEL 



tm 



237 



paiz se dava mesmo o nome de Céltieay an- . 
tes qne os romanos, com as suas diíTerentes 
circumscripções e Subdivisões, confundis- 
sem, alterassem e mudassem os prímittivos 
nomes dos paizes e povoações. 

2.* grupo 

Outros celtas occupavam uma grande par* 
te da Bética. Este pais, no tempo dos impera- 
dores romanos, o ainda alguns annos antes, | 
já se não intitulava Céltica, nem celtas os seus 
habitantes; mas sim lusitanos, e Lusitânia a 
sua região, como se vô em Plinio e Ptolo- 
meu. 

Outros celtas havia que occupavam outra 
parte da Bética, segundo refere Plinio, no 
livro S.» cap. 3.» 

Segundo Contador d^Argote, a região does- 
tes, antes das demarcações romanas, estava 
unida á dos celtas nomeados aqui em se- 
gundo logar, e todos juntos constituíam a 
província céltica, depois das divisões que os 
romanos fizeram. 

O paiz doestes se ficou ainda intitulando 
Céltica, e se aggregou à Bética. 

5.» grupo 

Estes habitavam o promontório céltico 
(hoje Cabo de Finis Terra) e em todo o Além 
Douro Occidental, isto é, desde a foz do Dou- 
ro até ao promontório céltico, e pelo lado 
septentrional, occupavam desde aqui até 
além da Corunha. Não se sabe hoje com 
exactidão, onde terminava pelo N., nem pelo 
lado oriental, que vinha terminar no rio 
Douro. Vinham pois a occupar o a que hoje 
chamamos provindas do Douro (a parte que 
está ao N. d'este riç) Minho, Traz-os-Mon- 
tes (ou a maior parte) e a Galliza. 

Vé-se pois que sob o nome geral de cíél- 
(as se comprehendia um vastíssimo territó- 
rio (que quasi todo se veio a chamar depois 
Lusitânia) comprehendendo um grande nu- 
mero de povos, sendo os mais notáveis os 
gravios, os presamarcos, os artabros, os lu- 
sitanos, os astures, oscantabros, os vacceos, 
os arevacos, os bracaros, os;:elerinos, os ce- 



renecos, os espaços, os interamicos, os leu- 
nos, os limicos, os narbassos, es seurbos, os 
tamacanos, os turolos, os celtiburos, os pe- 
sures, os cintios, os eburones, os cuneus, e 
finalmente, ainda outros muitos povos cuja 
menção seria longa e abhorrecida. 

Vide a antiga divisão da Lusitânia, no fi- 
nal d'esta obra. 

GEKlDE ou SEMlDE— villa, Douro, co^ 
marca da Louzan, concelho de Miranda do 
Corvo, i4 kilometros de Coimbra, 193 ao 
N. de Lisboa, 730 fogos, 2:900 almas. 

Em 1757 tipha 380 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Assumpção. 

Bispado e districto administrativo de 
Coimbra. 

E' terra fértil. 

Ha aqui um magestoso convento de frei- 
ras bentas; eram ellas que apresentavam o 
cura da freguezia, que tinha de rendimento 
anriual 60íí000 réis. Foi couto. 

No alto da serra de Cemide está o san- 
tuário do Senhor da. Serra, muito frequen- 
tado ha mais de 300 annos. 

Cemtde é palavra árabe, significa a flor da 
farinha. 

D. Manuel lhe deu foral, em Lisboa, a 13 
de janeiro de 1514. (Livro dos Foraes Novos 
da Extremadura, fl. 108 v., col. !■) 

É povoação muito antiga, pois já existia 
no tempo dos árabes. 

E* situada no declive da serra do stea 
nome. 

Foi senhor d'esta vllla D. Anião da Es- 
trada, fidalgo asturiano, fiel companheiro do 
conde D. Henrique e de seu filho, D. Aflbn- 
so Henriques. Foi também senhor de Góes e 
seu termo. Teve dois filhos, D. João Anaya 
(que foi hispo de Coimbra) e D. Martinho de 
Anaya, que, com seu sobrinho, D. Gonçalo 
Dias (o Cid) fizeram prodígios de valor, na 
batalha de Ourique, em Vi de julho de 
1139. 

Estes dois Irmãos, além do que tinham 
em Cemide, compraram terras a João Melio- 
res e fundaram o referido mosteiro benedi- 
ctino, em 1154. Este mosteiro e sua cérea e 
dependências, foi coutado por D. ASonso l, 
no mesmo anno. 



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?38 



€EM 



. Dl MacUqlíjQ Anaya, fundador do mo8(eÍT 
Xpy casou com D. Herm^neda» da, q^aal teve 
um filho do iQesmo npme do pae, qiie ca* 
sou com? P. Elvira AfToQso, natural de Coim- 
bra. 

Doeste casamento nasceram D. Marinha 
llartins, D. Urraca Martins o D* Elvira Mar- 
tins, que todos casaram, e D. Sducha Mar- 
tins, que professou, 
. O convento foi fui;Ldado par^a frades. 

As três filhas casadas» de D. Martinho 
Anaya e D. Elvira Aifonso, tiveram muitos 
filhos e filhas : e como todps eram conside- 
rados padro^iro^, e tinham de se sustentar 
do moateiroy não deixavam nad^ pai*a os po- 
bres frades, que se viram na necessidade de 
deixar este convento e hir para outro da sua 
ordem,, onde podessem viver. 

Abandonado o convento, D. Sancha Mar- 
tins (a 4.^ filha de D. Martmho) veio para 
elle com varias sobrinhas suas, formando 
communidade, e aqui professaram, a mesma 
regra de S. Bento^ e n'elle falJeceram. D. 
Sancha foi a primeira abbadessa. 

Deu-serl|ies então, o padroado e dízimos 
da cgreja de S. Pedro e varias rendas, para 
sija, sustentação, por escriptura publica de 
U^. E^tàoi ^*ella, assignadas i2 Aoayas jà 
freiras, e a tia (D. Sancha) já con^o abba- 



Em 1610, o bispo de Goimbrai D. AfTonso 
de Castello Branco, removeu as freiras d^a* 
qui, para o convento de Santa Anna, de 
Coimbra; fnas, não estando ahi^ satís£çitas, 
voltaram para Cei^ide. 
. As freiras doeste morteiro tiveram seonf 
pneum comportan^epto exen^plarissimoe flo- 
resceram €an todaa as virtudes chrísta^ 

Gfilf SQLPDSr-lreguezis^ Extcemadura, 
comarca, cois^ha e 2V2^ilon)6tros deTho- 
mar^ 130 ao N. de Lisltoa, 310 fogos. 

Em 1757 ^inha 3Q0 fogo3. 

Orago Santa Maria Magdalena. 

Pfttriarjçhado (por ser prelazia de Thom^r) 
c districto admioístr^^ivo de Santarém. 

O realipadri^do apresentava o vigário 
(por ser.afregivazia da commend^ ^^>Chr,|Sn 
to) que.tjatiarde rendimei^to 100^^)OOfrói% 

Ha aqui a aldeia de Caldella3) qu^ seguix^ 



do a tradição, são os restos da anliqalssúaa 
cidade do n^esmo nome (segundo outros 
Caldede.) 

Ha aqui o convento de Saata Cita^ quejéi 
de recoletos de S. Francisco, do qual eram 
padroeiros os Abreus, descendentes do con- 
de D. Mendo, irmão do ultimo rei dos lon- 
gobardos, Desiderio, que ambos viveram en- 
tre 03 annos 700 e 760, D*este D. Mendo 
procedem não só muitas casas nobilíssimas 
do Portugal, mas até quasi todas as famílias 
reates da Europa e a imperial brasileira, por 
D. Nuno Alvares Pereira. São seus descen- 
dentes (entre as primeiras) os Sousas, Abreus» 
Sequeiras, Forjazes, Pereiras, Gonçalves^ 
Castros, etc, ete« 

GEMD6FE E RIO CABRÃO— fregoezia, 
Minho, comarca e concelho dos Arcos de 
Vai de Vez, 30 kilometros ao NO. de Braga, 
390 ao N. de Lisboa, 125 fogos. 

Em 1757 tinha 94 fogos. 

Orago S. Thiago. 

Arcebispado de Braga, distrícto adminis* 
trativo de Vianna. 

A mitra primacial apresentava o abbade, 
que tinha 300iji00Q réis de rendimento. 

Bio Cabrão era ainda no fim do século 
passado uma freguezia independente, com 
42 fogos, cujo orago era S. Lourenço, mar- 
tvr. O reitpr de S. Cosme e Si Damião de 
Azer« apresentavam o vigário, collado, que 
tinha de rendimento ann\ial 1204>0OO.rél& 

Cendufe tinha antigamente o nome de Ar- 
cozéUo. Foi abbadia do convento de S. Do- 
mingos de Vianna^com reserva do ordinário. 

Pouco acima do povo véem-se vesti|^ 
de fortificações, no sitio ainda por issp cha* 
mado Crasto. Suppõe-se que era um castel- 
lo ou Castrum romano, pois que tem n*este 
logar appareeido moedas roíjoanas, de ouro 
e prata, de diversos imperadores. 

Logo abaixo se d^cobriu uma necrop^lis 
(cemitério) em quc^ as sepulturas estavam 
dividMlas por paredes d^ pedra ecimemo 
romano, e cpbertas de terra. 

. • » "''^ ' 

A actual egreja matriz foi edificada á cu^- 
ta de um abb^e d*esta freguezia, chamado 
Manuel Barbosa de Araújo. . í, , 



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casp 

Ka aldeia d^ Cenoi houve um paço, (pie 
fez Mârtim £3t6vesy ^ Teixeira, e lhe junlou 
herdades que comprou, insliiuiudo um vin- 
oulo, que aiada oxutia no tei^po do rçi D. 

Taoto a aldeia como a quinta mudairam 
de nome, e^ por eitiocção da família do in- 
stítuidor, paasou o vmculo a oulra^eracão. 

£âte moinado tamhem já deixou de o ser 
ba muitos aauos. 

CENTENAIRO-^PQrlugttez antigo, o espa- 
^ de cem aimos. Também se dizja eenteoai- 
ro o que tinha um século, 

GEPiSS-^freguQzia, Minho, cmnarci^ e 
concelho de Fafe^ 24 kilomelroç ab NE. de 
Braga, 360 ao N. de Lisbo^ IdO fogos. 

Em 1757 tinha 125 fogos. 

Orago S. ^larnede. 

Arcebispado e disi/âc^ administraUvo de 
Braga. 

Eram seus donatários os condias de Unhão* 

Foi antigamente honra, e depois concelho 
da comarca de Guimarães, e oomprehendia 
parte das frcguezías de SaiUa Cbristioa e 
Fareja. 

Situad^emum aUo.. 

Os frades bentos de^ombeiro apwswita- 
vam o vigário, quo tinham 6(WO0O, réà». 

Rendia a egreja para os frades (%ae aqui 
reeeblam os iditimoã^ 3001^000 réis. 

O infante D. AÍTonso Sanches e sua mu- 
lher D. Tareja, deram o padroado doesta 
egreja ao mosteiro de Ppmbeiro, em 6 de 
outubro de 1313; por aqui esitar sepultado 
seu sogro e pae, D. João AHonso de Albu- 
<]uerque, conde do Barcelios. A honra era 
dos c0nde3.de Uabão. E' terra, lertil. 

Tinha jHi& ordioario^e dos. orphaos. 

Tem gado e caça. 

Corre aqui o rio Bouça3, qua jul^ se 
chamou antigamente Ria de ííí$inho$s 

D. Affonso III, Iht deu foral, em março 
de 1251: 

Bm ld90, era S^ Migmel o padroeiro díes- 
ta freguezia. Não pude sabec quavdo.o^oi 
porque foi substituído <Yido ingi4«rig#íaa ^ 
Dé Diniz /, doesse annq.) 

€£P£Bà;(ponle deH* vido Sonsa» rlo^ Ga$- 
lellãos de Gepôda, Paredes (de 'BenaSel)ie 
Aguiar de Sousa^ U!^ 



cm 



mi 



CEPÉLLOS— fíreguezia, Douro» ooDoarca 
e concelho de Amarante^ 60 kilometros ao 
NE. do Porto, 360 ao N, de Lisboa, 150 fo- 
gos. 

Em 1757 tinha 136 fogos. 

Oragp Sahta Maria, ou Nossa Sei^ora^ da 
Assumpção. 

Bispado e districto adpiii^istratlvo dp 
Porto. 

E^a aiuigamente da comarca de Guimar 
rães, concelho de Sobre-Târaega, ou Santa 
Cruz de Riba Tâmega, termo de Gouveiftu 

Eram seus donatários 1 os condes do Re- 
dondo. 

A oiaior parte dos moradores vivem epi 
uma rua chamada Gouveia, o resto ^a. fror 
gueziâ é en> um monte, d^onde se vé Am^r 
rante, o castello de Celorico de Basto, o Ma? 
rão 6 outras serras. 

O ordinário apresentava o abbade> quOfU- 
nha 300 alqueires de pão de 2.*, 4 de. tr^o, 
200 ahnudes de vinho verde^ 10 alfnudesde 
azeite, os passaes ^^ o pé d*altar,. ap todo 
2t(U;0p0 réis. 

Antigamente os fnades bentos de Ppmbei- 
ro aHernavam a apresentação com o ordi- 
i^ario. 

Havia aqui uma jdberganaadministpada pe- 
la Misericórdia de Amarante, a qual , iasti- 
tpiu e dotou D. Mafalda, mulher de D» Af- 
fonso I. Só tinha camas para passageiros o 
mais nada (Foi vendida.) 

Ê terra muito C^rtil. 

Passa aqui o rio Tâmega. 

Esla Gouveia d^ que aqw se tna^^ve 
termo próprio e foi vilia, á qaàl D. Manuel 
deu foral^ em Lisboa, a 32: de novembro de 
1513. 

Estie fof ai servia também para Boe^ya, 
Bomba, Fonte Arcada, Lourédo, Lourpsâi, 
Mirelhf) Mo^ Looiba,, S. Salvador e yiyei- 
ro^' . .; 

Eram estas povoações que eonstituiam o 
termo de Gouveia 

GfiPfiUiOS ou ÇAFfildiOS-^fregueEia, 
Douro, comarca de Oliveira de A»mei3, 
concelho de Macieira dq Cambra, 48 kjlor 
•ttotros^a NE* de Aveiro; 6ja NE. de Oliivei- 
Ta de Azeméis, 15 a E, da Feira, 40 ao .8. 
do Porto, 275 ao N. de Lisboa..23ÍQ (ogoç* g 



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m^ 



CEP 



Em 1757 linha 105 fogos. 

Ora^o S. João Baptista. 

Bispado 6 distrieto administrativo de 
Aveiro. 

É povoação autiquissima. 

Era antigamente da comarca de Esguei- 
ra, ouvidoria da Feira, Depois passou a ser 
da comarca da Feira, depois da de Arouca; 
e em 1855 passou para a comarca de Oli- 
veira de Azèineís; mas foi sempre do conce- 
lho de Camhra. 

É da casa do infantado, por ter sido anti- 
gamente dos condes <la Feira. 

Mas o seu primeiro donatário foi o con- 
vento de monges de S. Bento, de Castromi- 
re, a quem foi doada esta egreja de Cepél- 
lòs, por D. Ordonho II e os fic|aIgos da sua 
corte, em 922. (Vide Cresluma.) 

Era a casa do infantado que apresentava 
o prior> que tinha 400|i000 réis. 

É terra muito fértil. Cria muito e óptimo 
gado, produz muita manteiga, óptimas vi- 
tellas e tem muita caça. 

CEPINS ou SEPINS— freguezia, 'Douro, 
concelho e comarca de Cantanhede, 30 kilo- 
metros ao N. de Coimbra, 225 ao N. de 
Lisboa, 190 fogos. 

Em 1757 tinha 181 fogos. 

Orago S. João Baptista. 

Bispado e distrieto administrativo de 
Coimbra. 

O cabido da Sé de Coimbra apresentava 
o prior, que tinha de rendimento annual 
200^000 réis. 

CEPÕBS— freguezia, Minho, comarca e 
concelho de Ponte do Lima, 35 kilometros 
a O. de Braga, 455 ao N. de Lisboa, 86 fogos. 

Orago S. Tbiago, apostolo. 

Arcebispado de Braga, distrieto adminis- 
trativo do Vianna. 

Era antigamente da comarca de Yiamfia, 
termo de Ponte do Lima. Era annexa ao ai^ 
eediagádo da Labruja. 

Situada em um valle. 

O arcediago da Labrnja apresentava ad 
mUuniy o vigário, que tinha lOi^OOO réis» 2 
alqueires de trigo, 5 almudes de vinho, o pé 
d*akar, e, de cada freguez i alqueire de mi- 
lho 6 uma quarta de centeio, ao todo uns 
604000 réis. 



Fértil. Muito e bom vinho. Cria bastante 
gado e ha por aqui muita caça. 

É n*esta freguezia a torre de Parada, qv» 
foi de Martim Garcia de Parada, que viveu 
noiempo de D. Affonso Henriques. Esta fa- 
mília extingtiiu^se no Minho, e só ha des- 
cendentes dVilai no Alemtejo eem Trazes* 
Montes. Aquelies ainda conservam o appeU 
lido de Parada, e estes são os aetuaes Bote- 
lhos. D*elles procedem os condes de S. Ml-^ 
gael e varias familias nobres do reino. ' 

Da família dos Paradas sahiram varõe» 
eminentes nas armas e nas lettras. 

GÊP&ES— freguezia. Beira Alta, próximo 
e ao E. de Lamego (1:800 metros de distan- 
cia) 330 kilometros ao N. de Lisboa, 195 fo-^ 
gos. 

Em 1757 tinha 150 fogos. • 

Orago Nossa Senhora do Bosario. 

Bispado de Lamego, distrieto administra^ 
tivd de Viseu. 

Situada em um baixo. 

O ordinário apresentava o cura, que ti- 
nha TOj^OOO réis. 

CEPÕES — freguezia. Beira- Alta, cornar*' 
ca, concelho e 12 kilometros de Viseu, 294 
ao N. de Lisboa, 330^ fogos. 

Em 1757 tinha 230 fogos. 

Orag(r S. Thíago, apostolo. 

Bispado e distrieto administrativo de Vi» 
seu. 

O abbade era apresentado pelos Taborda» 
6 tinha 450i^000 réis. 

Abundância de milha grosso e castanha: 
do mais mediania.* 

Passa aqui o rio Vouga, 

CEPOS — freguezia, Beira-Alta, comarca 
e concelho d* Arganil, 240 kilometros ao N^ 
de Lisboa, 85 fogos. 

Em 1757 tinha 46 fgos. 

Orago S. Sebastião. 

Bispado e distrieto administrativo de 
Coimbra. 

Era antigamente da comarca de Coimbra^ 
termo d'AiigaBil. 

Situado em um monte. 

O reitor do Collegio-Novo (da Sapeincia)- 
dos cruzios de Coimbra apresentava o câra,. 
que tinha 3511000 réis. Pouco fértil. 

CERAMS— logar sombrio e am^o. £' & 



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GER 

palavra árabe çarame, derivada do verbo 
çaramay cortar rainQ3 para fazer uma caba- 
na, OQ cobrir algum logar. 

C£RA8— aldeia, Extremadora, 12 kllo- 
metros ao N. de Thomar, antigamente Cera. 

Arrasada a antiquíssima cidade de Naba- 
cia (Tbomar) pelos árabes, em 715, esteve de- 
serta até fevereiro de 1159, em que D. Af- 
fonso I fez d cila doação aos templários, que 
a vieram povoar. 

Era então mestre da Ordem do templb 
D. Gualdim Paes, grande privado do rei, 
q[lie 4> tinha creado e armado cavalleiro. Re- 
sidia elle com os cavalleiros da sua ordem 
no castello de Ceras (derivado da deusa Ce- 
res, por ser sitio de muitas cearas) em um 
antigo castello» que o rei lho tinha dado e 
^e elle havia reedificado. 

Como, apesar desconcertos, o castello não 
era muito forte, D. Gualdim Paes, e os seus 
cavalleiros, examinando as ruínas de Naba- 
nela, que o rei lhes havia dado, escolheram 
um monte que está na margem opposta do 
rio Nabão (ao O) e principiaram a fundar 
nm novo castello, no primeiro de março de 
1160, e, concluído elle, abandonaram o de 
Ceras. 

Ainda existem vestígios d*este castello, e 
Junto a elle está a aldeia de Ceras. 

Vide Thomar e Templário. 

CERCAL — villa, Aiemtejo, comarca e con- 
celho d*Odemira, 105 kilometros d*Evora, 
130 ao SE. de Lisboa, 510 fogos, 2:000 al- 
mas, no concelho (que foi extincto em 1855) 
9È0 fogos. 

Em 1757 tinha 240 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Conceição. 

Bispado e districto administraUvo de Beja. 

Feira a 29 de junho e a 18 de outubro, 3 
dias. 

Era antigamente do termo de Yilla-Nova- 
de-Mil-Fontes, e do arcebispado d^Evora, 
comarca d*Ourique. 

O tribunal da Mesa da Consciência apre- 
aentava o prior, que era freire da Ordem de 
S. Thiago, e tinha lOAOOO réis, 2 moios de 
tti0» e 90 alqueires de cevada. 

É terafertil 

A agua daFonte-Santa é abundante, e di- 
xem que cura varias moléstias. 
voLumn 



CER 



241 



CERCAL— Também lhe chamam Cerceai, 
freguezia, Exlremadura, comarca d^AIem- 
quer, concelho do Cadaval, 70 kilometros a 
NE. de Lisboa, 105 Jogos. 

Em 1757 tinha 86 fogos. 

Orago S. Vicente. 

Patriarchado e districto administrativo de 
Lisboa. 

Era antigamente da comarca de Torres- 
Vedras, termo da villa do Cadaval. Foi tam- 
bém do concelho d* Alcoentre. 

Egreja pequena e com um só altar. O pa- 
Iríarchapresentavao cura, que tinha 60 al- 

3ueires de trigo, 30 de cevada e 52 almu- 
es de vinho, ao todo uns 30JI000. 

Tem UQia albergaria. 

É terra fértil. 

Tinha juiz da vintena, sujeito às justiças 
do Cadaval 

Distante do logar, para o N, ha uma la- 
goa que cria muitas e bOas sanguessugas. 

Ha aqui uma fabrica de louça ordinária. 

CERCIO — freguezia, Traz-os-Montes, co- 
marca e concelho, e próximo de Miranda, 
48 kilometros de Bragança, 468 ao N. de 
Lisboa, 50 fogos. 

Em 1757 tinha 70 fogos. 

Orago Santa Leocadía. 

Situada sobre uma fraga, d'onde se vé ter- 
ra do bispado de Samora, na Castella. 

Era annexa á freguezia de Duas Egrejaç, 
cujo abbade apresentava aqui o cura annual- 
mente, e tinha este 8^000 réis e o pé d'altar. 

É terra fértil. 

Ao fundo do logar ha uma fonte de can- 
taria, feita em arco, a cuja agua se atiribue 
a virtude de curar a dôr de pedra. 

Tinha juiz pedaneo, sujeito ás justiças de 
Miranda. 

Passa pela freguezia o rio Douro, que tem 
aqui curso arrebatado. 

Está outra vez annexa á freguezia de Dua» 
Egrejas. 

GERGOSA-^freguezia, Beira- Alta, comarca 
de Santa Comba Dão, concelho de Mortágun, 
240 kilometros ao NE. de Lisboa, 120 fogos. 

Em 1757 tinha 38 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Conceição. 

Bispado de Coimbra districto administra- 
tivo de Viseu. 

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CER 



Antigamente era do concelho da Moriá 
gua, mas da comarca de Viseu. 

O prior do Carvalho apresentava o cura. 

A actual capella ' de ,S. João Baptista era 
a primiiiiva matriz da freguezia. 

É terra fértil. Cria muito gado e caça. 

CERDAL — freguezia, Minho, comarca a 
concelho de Vallença, 54 kilometros a NO 
de Braga, 408 ao N. de Lisboa, 480 fogos. 

Em 1757 tinha 331 fogea. 

Orago Santa Eulália. 

Arcebispado de Braga distnctp adminis- 
trativo de Vianna. 

Situada cm terreno accidentado e fértil. 
Feira no primeiro de novembro, 3 dias. 

É n'esta freguezia a quinta do morgado 
de Cubes, familia das mais antigas e mais 
nobres do reino. 

N*esta quinta está a torre (arruinada) so- 
lar dos BaceHares (Vide Cubes.) 

O bailio de Malta, apresentava o abba- 
de, collado. Era tomaria em 3 vidas, duas 
dos bailios, e uma do mosteiro de Ganfei. 
Èra beneficio simples, que rendia 6001000 
réis. 

Foi abbadia dos Telles Vieiras, descenden- 
tes de Gabriel Pereira de Castro, pelos Cal- 
das, de Vascões. Tinha duas vidas, tanto na 
abbadia curada, como na terça, que era sim- 
ples. A outra vida era do convento benedi- 
ctmo de Ganfei (próximo e ao ENE. de Val- 
lença) isto é, tinha a egreja dois padroeiros, 
os Telles (descendentes dos bailios de Malta) 
apresentavam em duas vidas successiva^, de 
abbades, e o convento em utna. 

O abbade simples desfruclava a renda, 
sem outra responsabilidade ou trabalho 
mais que recebei a e gastal-a. 

Em tempos remotos era esta freguezia 
apresentada pelos Barbosas de Aboim, Gar- 
cias, Gondins, Pereiras e outros, por heran- 
ça; mas os Telles Vieiras lhe tiraram o pa- 
droado por demandas que por muitos aunos 
litigaram, e estão no archivo da Sé de Braga. 

Aflfonso Gil Martins (morgado de Cubes e 
Mira, de que fallo em Cubes) casou com D. 
Mecia Gil. D'este casamento nasceu Vasco 
Gil Bacellar, que casou cdm D. Helena Go- 
mes de Abreu (da casa e couto de Abreu, 



CER 

na freguezia de WorufTe). Foi filho doestes, 
Ruy Vaz Bacellar, grande capitão e famoso 
guerreiro, do tempo da D. João I e D* Af- 
fonso V, já na Africa, já nas guerras contra 
os castelhanos; pelo que D. Affonso V lhe 
confirmou os senhorios, por carta regia de 
17 de março de 1476, datada de Toro. 

D*estes procedem os Malheiros de Ponte 
de Lima, os Pereiras da Cunha, de Vianna, 
os Sotto-Maiores, do Minho, os Cunhas» de 
Monção, e muitas nuis famílias nobre» de 
Portugal. 

Houve taaabemjio logar de>Gondim, d*e&ta 
freguezia, a torre e casa solar, chamada pa- 
ço de Gondim, com cuja pedra se fez uma 
presa d*agua e alguns a3sentos. Foi vincolo, 
instituído por um fidalgo fraacez, da familia 
de Contin, de que procedem grandes pria- 
cipes» Este Mr. Contin, veio para Porttigal 
ajudar os nossos primeiros reis a expulsar 
os mouros, doeste reino. De Contin procede 
o nome de Gondim. O primeiro qne.usoa 
este appellido, foi Garcia de Gondim. 

Em Alderéte de Cima vivia a famitfa dos 
Garcias» ligada, por parentesco, comos Goa- 
dias. Esta aldeia de Alderéte de Cinui^ foi 
honra, e veio depois a poder de xxmsimfites 
lavrador, vendo-se ainda hoje no ^(al da 
sua casa, duas garças, pegadas uma â outra, 
que são as armas d'eâtes Gardas. 

Ha também n'esta freguezia a honrada ca- 
sa dó Fojo, que procede dos Caldas,^ de Vas- 
cões, com uma capella dedicada a Sant*Anna. 
São fidalgos da easa real Doesta familia pro- 
cedem os Caldas de Villa Nova da Cerveira 
(Caldas Osôres) e outros Calda^ do Ittnho. 

Ha a casa da Deveza, que ioi dos Pereiras 
Caldas. Está hoje, por compra, em amore 
estfxmíia, 

A capella de S. João, foi antigamente do 
padre António Rodrigues, e tem património, 
que lhe fez Gaspar Pereira e sua molhei; 
por os seus terços. i- 

A casa da Lameira, d*esta freguezia, está 
hoje unida com a de Mantellaes, em Coura. 
Vem-lhe por Bento Soares Barbosa, da fre- 
guezia da Gandara, casado que foi com D. 
Maria de Sousa, e 5.<> avô de Jmo Pereira 
de Azevedo, easade com D. Ig&az Barbosa. 

Os Caldas^ e Soares da Acevedo; d^ toi- 



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ga, e outros muitos do Minho, são ramos 
d*esta família. 

Está ii'esta povoação o conventd de fra* 
des franciscanos, de Nossa Senhora de Vos- 
teirô, da provinda da Conceição, fundado 
por Diogo Árias, fr. Pedro e fr. Gonçalo, 
quando deixaram a província de S. Thiago, 
para obedecerem ao verdadeiro pontiffoe. 
Urbano YI, a quem seguia Pprtug^, sendo 
a Hespanha do partido do anti^papa Gle^ 
mente VIL Isto em 1383. 

Fr. Gomes do Porto, foi qqe institaiu os 
recóletos. Passou a observantes e dqK)is à 
provinda de Santo António^ em i668; e ol- 
tíinamente, para a Conceição. 

Foi e^e o primeiro convento que houve 
em Portugal, pertencente â província de 
Santo António dos Capuchos da Observân- 
cia, cuja regra teve começo no prinbipio do 
âeculo XV, reinanck) D. João I 

Ena padroeiro, seu filho bastardo o infan- 
te D. AfToasò; depois passou para a cas^de 
Villa Real, e por fim para o ordinária 

O Sanctuario Marianno (tomo 4.*, liv. 10.*, 
tit. 19.*, pag. 98) diz que hòuue aqui dm 
ifeledt^o de eremita» de Santo Ai^osHhiho, 
Bo tempo dos godos; que abandonaram o 
siosteiro (os monges) em 71S, pela invaâo 
dos mouros. Que quando fugiram, deixaram 
escondida a imagem da Santíssima* Virgem, 
que só foi descoberta no tempo de D. Ralmi- 
j^ II, de Leão, pelos annos de940. Que logo 
que foi achada á santa imagem, a condessa 
Mamadona (tia do rei) erighi, no sitio do 
appareclmento, um mosteiro dá ordem be« 
i^íctfna; mas que, havendo uma grande 
pesle, os brades abandonaram o convento. 

Ficou na egrejinha do mosteiro, apenas 
um eremitão. O convento foi redusido a cin- 
za», por um incêndio, ficando apenas intacta 
a ermida. 

Esta ermida ficava pela parte de baixo 
das escadas que vão para Crozende. Hoje na- 
da d'ena já existe, mais db qtie a hastea do 
crúseiro. 

Dizem outros que era no sitio onde nasce 
a fonte de Santo Antoflio. 

Foi pois, pouoo mais ou inoios, nb sítio 
do antigo mosteiro de benedictinie queism 



CEB 



US 



1392, sendo Já pontífice Beniláeio IX^ ot 
referidos Diogo Árias e seus compadniro» 
fundaram o novo contanto, com licença ôm 
cúria romana; dando-lhe Martin), solteifio^ 
natural de Vallença do Minho, o tence&o pa- 
ra a egreja. Muitos proprietários d*aqai, doa- 
ram aos fundadores tenras para se foser ú 
mosteiro e á céroa. Esta era tão pequena^ 
que os mcmges se serviam da ihatta de fôrv 
para as lenhas d'este convento e do da bi^ 
sua. 

Ck>m o andar dos tempos, estes dois cOn« 
ventos se tornaram senhores da líiatta cpM 
estava fora da cerca e de alguns bakQos^tte 
a camará de Vallença lhes tinha dado; mas 
depois, por accôrdo com a mesma camará, 
deram isto ao conde de Vallença, marqttcs 
de Villa Real, em i585. 

Era então ([efal da Ordem, t: Francisea 
de Gonzaga (i^lano) que auctorisou esta 
doação, mas pediu ao marquez qné, pores* 
mola, deixasse es^ convento e o da fiisua 
irem alli buscar lenha para as suas cosinhas^ 
a que o marquez annuiu dè boa vontade^ 
com a condição de os ffádes plantarem ai?*- 
vores em toda a matta ou coutada, onde as 
não . houvesse, e não dessem lenha a nin- 
guém. 

O ouvidor Mofhlas Nunes Botelho, tomou 
conta d'isto, em nome do novo senhor, e fez* 
se a demarcação, assistindo o mesmo ouvi* 
dor e a camará, em 14 de julho doesse mes- 
mo anno. 

Gomo erá de lei e còètuhie, foram citados 
os donos das propriedades confinantes, qu^ 
eram os moradores dos legares de Ordál e 
Thaíão, para redamarera, se tivessem moti* 
vo; mas ninguém se óppoz. 

Tornemos ao mosteiro. 

Desde 1392 até 1557, era um pequeno e 
pobre edifleio, onde mal se agasalha)vam os 
frades. N*e8te ultimo anno, estando tudci 
muito arruinado, e sendo província) ih Dio- 
go de Ancéde, è guardião fr. Aifohso do Al«> 
buquerque, se resolveu reedificar o mostei^ 
ro, o que n*«stè amio se levou a efléito; mas 
com tanta; pobr^a e maus mat)^iaes, que 
em 1729 já estava outra vez tudo arruina- 
do. Reedfficou-se então tudo, e^ em quaáto 
dunáram as obras, se dlzíà missa e celebra- 



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244 



GER 



TSUD OS outros officios divinos na casa do 
«apitulOy que Gil Velho, alcaide*mór de Vai- 
lença, e soa mulher, D. Constança de Abreu» 
haviam dado ao mosteiro, e n'elle estão se- 
pultados. Estes Gil Velho e mulher, e os que 
lhes succederam no padroado, José Soares 
Pereira e Pedro de Sousa Pereira, são os 
progenitores do sr. Simão Pereira Velho de 
Moscoso, senhor da magestosa casa da Bre* 
joeira. 

Estes davam annualmente 800 réis para 
a fábrica da egreja do mosteiro, até 1743, 
em que desistiram do padroado, que, desde 
entiO) ficou vago. 

Os marquezes de Villa Real davam aos 
firades, annualmente, para vacca, 12^000 



D. Affonso V, por carta régia, datada do 
Porto, em 13 de dezembro de 1465, ordenou 
que a pessoa encarregada pelos frades de 
lhes receber as esmolas, fosse isenta de pa- 
gar fintas e de exercer qualquer emprego 
jmblico. 

O mesmo rei, por provisão também pas- 
sada no Porto, em 22 de julho de 1476, deu 
as mesmas isenções a um criado dos frades. 

Foi este mesmo rei que deu o titulo de 
guardião ao superior, que até então se inti- 
tulava vigário, e de mosteiro ao convento, 
que até esse tempo era' uma simples viga- 
riaria. 

Todos estes privilégios foram confirma- 
dos por D. João II, em Évora, a 24 de julho 
de 1482; e por D. Manuel, em Vallença, a 
16 de novembro de 1502. 

D. João rv mandou dar a este convento, 
pelo almoxarifado de Vianna, 26 cântaros 
(um quarto, se dizia n*esse tempo) de azei- 
le, por carta régia datada de Lisboa, em 8 
de julho de 1647. 

Tinha o convento muitas rendas e lega- 
dosj que foram dados por particulares, e 
pelos marquezes de Villa Real, e depois pe- 
, Io duque de Caminha, filho do ultimo mar- 
quez de Villa Real; mas, sendo ambos sup- 
pliciados por traidores (vide Caminha) pas- 
sou o padroado d*este mosteiro para o in* 
iiantado. 

A imag^ín de Nossa Senhora das Dores 
foi feita em i823. Tem uma irmandade^ que 



cm 

ftmdou fr. João de S. Thiago, da freguezia 
de Campos. 

O órgão era o melhor da provinda, mas 
foi tirado da egreja (não sei porque titulo) 
e está em poder de um particular, mas es- 
cangalhado. 

A egreja não é grande, mas é das melho- 
res da província. 

Apesar da pobreza d*este conveDto, em 
1577 6 1630, que foram dois annos de fome 
por estas terras, nunca n*esta casa abençoa* 
da faltou o alimento para os religiosos e 
para todos os pobres da vismhança, que alli 
iam matar a fome; o que todo o povo attrí- 
buia a milagre da Divina Providencia. 

Deu este mosteiro muitos religiosos de 
extremada virtude, e não poucos de muito 
saber e eloquência. 

Foi collegio, mas com a creação dos con- 
ventos de Melgaço, Monção, Arcos de Vallo 
de Vez e S. Frandsco (de Tuy, na Galliza) 
lhe escassearam os meios, findando em 1787. 

No principio só tinha 12 frades^ mas por 
fim tinha 20. 

No sitio do Corgo, d'esta ft^eguezia,!»/^- 
gar de Paços, tem appareddo uma grande 
massa de madeiras podres (algumas eom o 
cerne ainda são) que, ardendo, expeUe ama 
matéria betuminosa epessimo cheiro. Suppo- 
nho que é lenhites que não attingiu o esta- 
do de carbonisação completo. Foi isto des- 
coberto em escavações que se fizeram para 
construir uma fabrica de telha. 

Por baixo doesta matéria (do tal carvSo 
fóssil imperfeito) ha uma camada d*argilla, 
boa para louça; mas tão cheia de alumína^ 
que se não poderia empregar n*esta indus- 
tria, sèm ser misturada com outro barro 
mais simples. 

Na primeira camada de lenhites se encon- 
tram troncos de grande espessura e tama- 
nho, de uma espécie de pinheiro; mas mui- 
to dificrente dos pinheiros que este paiz pro- 
duz actualmente. Alguns ainda conservam a 
casca, e até se acham pinhas do tamanho 
de um ôvo de gallinha, com pinhões do ta- 
manho de sementes de linho. 

Também aqui apparecem uns globos qua 
parecem de breu (alguns do peso de 90 



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GER 

gramniás) formado» de matéria salphnrosa. 

Encontram -se por estes sítios certos pe- 
daços de uma matéria pesada e oom appa- 
rencia de bronze, quebradiço, e que, expôs* 
to ao fogo, faz chamma mas nào se derreta 
É de certv) sulphnreto arsenioso. 

Tem-S3 aqui também achado vários glo^ 
bo6 de ferro completamente oxidado, ecom 
um orifício. São evidentemente bombas ou 
granadas que a acção do tempo deoompoz. 

Teve esta fjreguezia três fortes: o de Pa- 
ços, que é o que está mais bem conservado; 
o de Baoellar, onde se vêem duas pias, dr- 
eulares, de pedra, e um pombal (ou cousa 
similhante) da mesma forma e de 5^,50 de 
diâmetro; e pequenas mós de pedra (picar- 
neig) que os árabes empregavam para rooér 
os minérios de ouro e prata; e pouco abaixo 
ú'eate forte se téem achado tifolos, muito 
maiores e mais grossos do que os que hoje 
se fazem. O terceiro (òrte é o de Eíma e 
Pou, ao N. de Mosteiro. Tem uns fossos pro- 
ftmdissimes, por onde correm dois reinos 
e é rodeado de um eounaranhado e escuro 
bosque. 

Dos dois últimos apenas ha vestigios. 

A primeira ve» que aqui appa^eeu a ul 
lenhites, foi peloi annos de 1816; ifias a 
grande massai de madeiras fosseis foi des- 
coberu em 1840. 

Muitos dos troncos tinham as suas raizes; 
o que mostra terem sido arrancados por al« 
gmn cataclysmo em tempos renralissimos, 
provavelmente anti-diluvianos. 

Estes troncos assentam em uma grossa 
camada d'argilia, e estio tncaifmlhaãoê ém 
seixos rolados. O sitio é pantanoso e perten- 
ce á classe dos terrenos a que os geólogos 
chamam $eeundario$ ou de aJmião. 

Ha pois bons fundamentos para acradifar, 
qie a vasta bacia que se estende desde' Ca- 
minha até S. Pedro da Torre, na mai^m 
esquerda do rio Minho, e nuismò todo o vaa* 
lo terreno bafxo que }ai proxioM aaVio^ én- 
trct Yallença è Monção^ csteTê por muitos 
aecaloà coberto pelo mar. 

Ha n*esu fireguecia à aldeii^ 4» GohiMim, 



CER 



345 



que foi da f/egnezía de Ferreira, de Gounu 
Consta que passou para esta freguesia, por^ 
que, estando perigosamente doente um iu- 
dividtto d*esta aldeia, o abbade de Ferreira 
se negara a vir mínistrar-ibe os sacramen- 
tos, desculpando-se com ser de noite, em 
occasilo dé tempestade e serem os caminhofl^ 
por Íngremes, perigosos. Em vista d*isto foi 
chamar-se o abbade do Cerdal, que prom- 
piamente se prestou a acudir ao enfermo 
com os soecorros espirítuaes. 

Queixando-se o povo de Gondelim ao ar- 
cebispo de Braga, por este acontecimento, 
elle castigou o abbade de Ferreira, tirando- 
Ihe esta aldeia, e dando -a ao abbade do Cer*» 
dal, para sempre, em premio da sua soUi- 
dtude. 

€£RDEDELLO ou SEROEDELLO— firegoe- 
zia, Minho, comarca e concelho da Ponte do 
Lima, 30 kilomdtros ao O de Braga, 372^ ao 
N. de Lisboa, 145 fogos. 

Em 1757 tinha 132 fogos. 

Orago Santa Martha. 

Arcebispado de Braga, districto idminia- 
trativo de Yianna. 

Era antigamente da comarca de Yianna, 
termo de Ponte do Lima, visita de Nóbrega 
e Neiva. 

Situada entre os montes de Lousado e 
Agrella,: qtíe.:a dividem do antigo Couto de 
GoudufTe. 0*aqui se vêem as torres de Pon« 
te do Lima. 

O arcebispo de Braga apresentava o rei* 
tor, que tinha 40^000 réis e o pé deitai: 

Fértil, e tem muita caça. 

HouTC aqui um mosteira de fireiras bea- 
tas, fundado no século XI ou XIL O aitíe^ 
bispo D. Fernando da Guerra, com breve do 
papa Martinho Y, o converteu em ábbaáia 
secular, em 1425, uniodo-lhe a fr^jfuexia de 
Suconforto (S. Joio). As freiras^ com ȉna 
abbadessa, terminaram seus dias a pedir oS< 
mola por Ponte do Lima. 

Esta egreja passou pouco depois %9tít 
uma commenda da Ordem de Chrislo* r 

Ha. aresta Areguecia uma confraria deu»* 
minada do Sanctiflssetur. 

OBRDEDO o GASáRSS— fregaezâ^TrU- 
o»4fontee» comarea de Bragança, antígo eea« 
celbo^ Santaiha» boje comarcão eondelli^ 



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CBH 



Ã6 Yinbies i90 kílonftetres ao N. de Ustioi, 
i5 logos. 

Em 1757 tinha li fogos. 

Orafo Nossa Senhora d^Assumpçao. 

Bispado e districto administrativo^de Bra- 
gança. 

Foi antigamente da comarca de Miranda, 
termo de Yinhaes*. 

Era dos condes d^Âtongaia. 

SHaada em mna ladeira, próximo da rala 
de Castella, com boas vistas. Fertik 

O reit(»r de Santalha (ou S&ntavalha) apre- 
sentava o eora, que tiaha S5I000 réis com 
ebrigaçao de diíer missa alternativamente 
fl'esta rre^^exia e na de Casares; sua anne» 
^a, da qual também era cura. Estas duas 
pequenas freguezias sâo divididas por um 
ribeiro anooymo. ^ ^ 

Cerdédo, e Casares, estão ha muitos ân- 
uos unidas i frftgtezta de Montouto. 

Vide Casares e Montouto. 

CERDÊDO~fregueiia,Traz-os-M()rites, co- 
marca de Montalegre, concelho dás Boticas, 
114 kilometros ao Nfi. de Braga, 415 ao N. 
de Lisboa, 40 fogos. 

Em 1757 tinha 36 fogos. 

Ora^ó SI Thiago, apostolo. 

Arcebispado de Braga, dístricto admíais- 
trativo de Villa Real. : »! 

Stiuada «;jn terreno aocídcatado^ mas foiN 
tíl. . 

A casa de Bragança apresentava o abba- 
ds,'que tinha de rendimento ieOM60 réis. 

CSfiRBEIRA — fregnezra, Douro, oonutrca e 
concelho de Arganil, até 1855 foi do conce- 
Uia éb Goja, ((ue foi então sup|n*imido. 54 
kttametros de Coimbra, 340 ae N. de Lis- 
bi», ISO logos: 

Em 1757 tinha 75 foges, 

Orogo Saâto António^ 

Bispado 6 distrícto adlniliistratlvo do 
Golminu 

Chamavase vulgarmente, Cerdeira éd 
Gé|a. É terra fértil. 

Era antigamente da provedoria da Hmr* 
da» tiirreiçio^ ét Yiieu,> termo de €ó}a. 

Situada em campina. * ^ 

O Viearw da C^a ij^reseotavâi é «ttra, 
fM ti9iia>i0#000 réis^ áOalqueifed dd4i** 
fc^ i<^ de centeio et lOftuiâii de ^iatMk ^ 



GBH 

Tem foral, dado por D. lorge de Almeidoí, 
biq;K>-conde^ em Coja, a 15 de dezembro de 
150$. Confirmado por D; Maaud, no forâl 
^ bispado de Coimbra^ dado em Lisboa, a 
13 de setembro dd 1514. 

CXROEIRA—-freguezía, Beira Baixa, .cor 
marca do Sabugal, concelho de Almeida, 70 
kilomelros de Yíâeu, 335 ao E» de Lisboa» 
65 fogos. 

Em 1757 tinha 74 fogos. 

Orago Nossa Senhora da Visilaçào. 

Bispado de Pinhel, dístricto administnti* 
vo da Guarda. 

Sendo supprimido o aatiquissimo oomsa^ 
lho de Castdio^l^endo, emi 1855, poaearam 
aa freguezias que o compunham para oeon» 
ctlho do Sabugal; mas, eip dezembro dd 
1870, todas as freguesias do extincto fconee* 
lho d» Caetello Mendo passaram para o.eoa* 
eelho de Almeida. Todavia no decreto não 
y^0 eomprehendida esta fnsgueata, com eer^ 
teza por erro ou esquecÂmenOQ de quem re» 
digiu o decreto^ f ' l . 

É hoje pois do coneeUio de Almeida. : 

(Vide Caistdlo Mendo.) 

Era antigamente da comarca de ?iífbeL 

Situada em um valie» i. 

O D. abbade dos frades bernardos de San- 
ta Maria de. fAguíqn apresentava oJíigario» 
que tinha '24^000 réi9^ 5a(alqpeires dexeai 
teio, 37Vt de trigo e BVs almudes de víííhi^ 
tudo pago pela comm^nda, qud era d^tOKh 
de-meirinhomór (conde do Sabugal^ eâbi- 
dos^. .- . ..•:.-. 

Na eapeUa da Senhora do Monte havia 
6 feiras (e não sei quaatas hoje ha) ^u^ 
eram, a 35 de março, 15 de iAgosto» dtde 
sftteníbro, dias da Anáuuciâjçãot da .Nativí* 
dada e da Assumpção de Nossa Senhora. 

£ serra, feriu. 

Ha aqui um íoite pequeno <)u atalaia» 

iléga a firegueana a ribeira de No^m^ â 
goal Jo junta um ribeiro anonyma ^ m 
-TíQba lèral, dadorpor D. Afifoaso III, em 
Morça^ no l.*" de maio de 1353. 

:€|»£JA£8^frpgiiezn^. Trae-os-Moatei^ 
eomarca d^ Moaeôrvo, oomelho de AUâHés^ 
ga da Fé, 395 kiloodetpos ao;if^ da Lisbo% 
65 fogos. 

Sill7l7 linha 79 Jogos. * t 



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CER 

Orago S. Paulo, evangelista. 

Arcebispado de Braga, d^trieto adminis- 
trativo de Bragança. 

Era antigamente da eemarba e termo de 
Moncorvo, depois foi, até 1855, da de Cha- 
cim, e sendo esta supprimída, passou para 
a de Moncorvo. 

Foi dos marqnezes de TavÒra até 1759, 
passando então para a coroa* 

Situada em alto, d'onde se vêem varias 
povoações. 

O reitor da freguesia de S. Pedro, da vil- 
là de Alfandega da Fé, apresentava o cur^i, 
atiDIbatnente, e Ibe dava SifOOO réis, 2 ai- 
mudes de vaboé 2 aiqoeires de Crigo. Ca- 
da ^nnorader lhe dava também meio alquenro 
defrígo. 

E* terra pouco fértil. 

éria mtiliâs ovelhas, que prdduzem flnis- 
fi/hná lan. 

Tein 18^ fontes, qu^ quasi sempre secéâm 
na estiagem, sendo eutão a terra falta de 
agua. 

Goh^ protímo o rio Sabor. 

G£R£JO ou SEfeJO— fireguezia, Beira 
Baixa, comarca e concelho de Piiihef,60ki- 
lometros a SE. do Viseu, 3!0 ao E. de Lis- 
boa, 130 fogos. 

fim 1757 thiha 95^ fogos. 

Orago Santa Maria Magdalétia. 

Bispado dè Pinhel, distiicto' administrati- 
vo ãà Guarda. 

O cabido da Sé de Viseu e depois o de Pi- 
nhel, apresentavaib o aisbade, que tinha de 
rendimento 49(^000 réis. 

CERIZ (S.) ou S. CTOIAGO— pequena 
vilhi, Traz^osMontes, eomarca de Miraàda, 
ISO ktlométros ao N. de Lisboa, 30 fogos. 

Òraito 8. Cyriaco. 

Bispado e diàtticto admíniãiMtlvo de Bra- 
étttÇ*. 

Àituada <em mna baista. ' 

Étèitaífeillh 

O eaíbMb «á ^ dd Miranda apreseatava o 
ítÉfk, que tiálta «^000 réis, 3 aknudes 4e 
víéIk) 6 3 alqueires â« trigo. 

Era «MitoeAio, cony caiíitàra e )«rit ordlna- 
fh^ «Mrtvie», ietb., etc. ÍPèf iopprknido ba 
HmHoé attbofl, à^iftt como a (Ire^etia. 

TiAbà forkl; áadi por tX Disii^ em Lisboa, 



QBR 



247 



a n de julho de 1Í85. (IJi>ro i.« de Doações 
do $r. rei D. Diniz, fl. 140, col. )/) 

D. Manuel lhe deu foral novo, sem data, 
e está no Idvro dos fmynes novos de Traz-os- 
MorUeSy fl. 73, col. 2.* Veja-se também a in- 
qolriçào para o foral novo no Corpo Cfiro- 
làologico, parte 1% maço ll,doc;iimento 154. 

O foral novo, sem data, retíiette-se ao to^ 
ral do Miranda;:que foi dado por D. Manuel, 
«m >Sa»tarem, no l.*de junho de 1510; e 
por eomequencâa é posterior a este o que 
se havia dado a S. Geriz. 

CERNÁCHfi ou SERNÁGHC DOS ALHOS 
— vilia, DourO) comarca, «eoacselho e 8 ki- 
lometros ao S. ^ Coimbra, 195 a N. de Lis- 
boa, 550 fogos. 

Em 1757 tinha 111 fogos a vflla, e ioda a 
fAguezia 353. 

Orago Nossa Senhora da Assumpçio, ou 
d* Alegria. 

Biftpado e disiricto admUnstrarivo de 
Coimbra. 

Situada em planície. É xttr^ fertillssima. 

Era dos condes de Athouguia. 

O prior tinha doas terças partes do9 dízi- 
mos, e o cabido de Coimbra a^tra terça 
parte. Era aiaresenláda attornatitsmieBte po- 
ios condes donatários (de Athouguia) e peio 
dito cabido. Tinha 600^060 réis. 

Foi coneelbo, e tinha camata, S juizes or- 
dinários, procuraéoi^es de coneettio, escri- 
vães e mais bel^;uins; juiz dos orpbâos ^ 
seu escrivão, um tabelliào, um aleaide 6 uma 
companhia da híoha, 

D. Manuel lhe deu foral, em Lisboa, a lf( 
de setembro de 1514. {Lèvrci dos fot^aes fUh 
vos da ExUnmaãwtk, fl. 73 y;^ col. 1.') 

€hama-se dos alhos, pela grande abun- 
dância que <akiui ha d^eUes. * i < 

Para a etymoiogia, vido Sema. 

fSBRNACOBDB^aWiUIláCaE) DO BOM JAR- 
MM^fregmezla, Beira- BaÉcâ, eomafca, ooa- 
«elho 6 M kfiènetres^ Gertd, 430 ao £. 
de Lisboa, 560 fogos. 

Em 1757 tinha 109 fogos. 

(Parece qué é ttnro éo Portugal Saero^ 
porquo o padre Cardoeo lhe 4iá 500 fogos 
em 1750, e nio podia diminuir 391 fogos 
em 7 annos.) 

Orago S. Sêbastiioi 



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248 



CER 



Está DO espiritual annexa ao patríarcha* 
do— districto administrativo de Gastello 
Branco. 

É do grào priorado do Crato, nullius dioe» 
cesis. 

O reitor tinha 2^000 réis, i moio de tri- 
go, 20 almades de vinho e uma arroba de 
<!éra, ao todo uns 80^000 réis. 

Tinha dois coadjutores, um coni i moio 
de trigo, i de centeio, uma pipa de vinho, 
meia carga d^uvsis e 3 alqueires de azeite; 
o outro tinha 157» fangas de trigo, i3 de 
centeio, i5 almudes de vinho, meia carga 
d*uvas, 8 alqueires de azeite, e 2^000 réis 
por ensinar a doutrina. Tudo era apresen- 
tado pelo gráo prior do Crato. 

É uma lindíssima e fértil aldeia, situada 
em planície, coberta de opulenta vegeia- 
çao, e toda a íreguezia muito abundante de 
aguas e fértil em todas as producçdes agrí- 
colas. Cria muito gado. Nos seus montes ha 
muita caça. 

Feira a 20 de agosto. 

Aqui nasceu o ímmortal varão D. Nuno 
Alvares Pereira (o condestavel) em 25 de 
junho de 1360. Era filho do príor do Grato 
D. Álvaro Cronçalvçs Pereira. Pelo pae era 
descendente dos reis da Lombardia, e pela 
mãe, de D. Bermondo II de Leio. Foi o 2.'' 
condestavel do reino. Foi armado cavalleiro 
pela mão da própria rainha, D. Leonor Tel- 
les de Menezes. 

Morreu (no convento do Carmo, de Lis- 
boa, que tinha fundado, e onde se tinha re- 
colhido) no. i> de novembro de lyo. D. 
João I e seus filhos assistiram ás exéquias. 
Quando estava no convento do Carmo, 
tantas obras de caridade fazia, que todo o 
povo lhe dava e nome de Santo. . 

As Chnmiõai ^cmtíetnporaneas trazem 
umas trovas feitas ao Santo condestebre e 
que o povo de Lisboa cantava no seu tem- 
po, que dizem : 

• . 
O gran condestabre 
. £m o seu moesteiro, 
•Dá-nos sua sopa, 
MaiFa sua roupa, 
Mairo seu dinheiro. 



CER 

A bençon de Deòs 
Caiu na caldeira 
De Nun' Alvares Pereira* 
Que avondo creceu, 
E todo lo deu. 

Se comer queredes 
Non vades álem« 
Don, menga non tem; 
Ahi comerédes^ 
Como lo bebédes. etc 

Em i44i, os Trez-Estados e os bispos de 
Portugal, pediram a Urbano IX, e em iW! 
a Clemente X, para que D. Nuno fosse ca- 
nonisado; mas de ambas as vezes oseiBbai- 
xadores hespanhoes taes tricas empregaram, 
que nada se poude conseguir. 

Tal era o odío que os castelha- 
nos tinham a este Ínclito vario, q»e 
nem o lapso de 300 annoa o poade 
obliterar! 

Pois merecia bem ser canonisado, porque 
sendo um bravíssimo guerreiro, era ao mes- 
mo tempo muito caritativo ebemfasejo.^ ti- 
nha uma al^Qa nobilíssima. 

Anda-se agora de novo tratando em Ro- 
ma da sua canonisação. 

Portugal tem tido grandes hqmens, mas 
ninguém ainda fez tantos e tio assignalados 
serviços á sua pátria como este guerreiro- 
illustre. Na edade de 25 annos, contribuiu 
poderosamente para a gloriosíssima victo- 
ria de Aljubarrota» e por mmtas vezes der- 
rotou os castelhanos, em batalhas sanguino- 
lentas, r 

D. João I« que quasi lhe devia a coroa, • 
amava com amor de krmao, e o encheu de 
honras e riquezas. Foi. o 2.* condestavel do 
reino. Em premio das suas assombrosas 
proezas em Aljubarrota, foi feito conde de 
Ourem. Pela victoria de Val-Verde, foi feito 
conde de Barcellos. Foi tamb^n conde do 
ArrayokML O rei o fez mordomo-UBór do pa- 
ço e lhe deu o senhoria de 60 villasaeaslel- 
ladas! Se ninguém o poude egualar em servi- 
ços, também ningoemo egualouem booras 
e riquezas. Além d*isto o rei casou seu filho 
natural, D. A^fonao^ com & filha única de D. 
Nuw^ 0^ Beatriz. E9te D^Afibuso foi o i.* 



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GER 

dnqne de Bragança, e tronco de qaasi to- 
das as famílias reinantes da christandade. 

A sua primeira vietoria foi na batalha dos 
Atoleiros, na qual derrotou os castelhanos» 
commandados por seu irmão, o traidor Pe- 
dro Alvares Pereira. 

Entrando por Castella, derrota em Val- 
verde 30:000 castelhanos commandados por 
08 grao-mestres das ordens militares, mor* 
rendo o da Ordem de S. Thíago (5 de on- 
mbro de 1385). 

Finalmente, taes proesas obrou, que bas- 
tava dizer-se:— ilAí vem o Ctmdestavel ! — 
para os castelhanos íúgirem e^avoridos. 

Vide Aljubarrota, Barcellos, Flor da Ro- 
sa, Guarda e Lisboa. 

Ha n*esta f^guezia um seminário, man- 
dado construir por D. João VI, nos flns do 
século XVIII (quando ainda era prineipe 
Ingente) e que pertencia á Congregação das 
Missões. É actualmente o Cdlegio das Xis- 
soes UUramarinas. 

É um edificio magestoso, apesar de in- 
completo, tendo na frente S8 janellas, que 
deitam para um lindo pateo. 

A egreja d'este coUegio é ampla, siunptuo- 
€a e magnificamente ornada. 

Tem uma linda e fertilisissima cerca, mui- 
lo abundante d*aguas. 

O governo, poróm, tem feito muito pou- 
co caso d*isto, e^ se lhe não acodem os par- 
ticulares, vae indo até se desmantelar. 

Ha também n*esta freguezia a linda vi- 
venda da Qmnta das Águias, que era um 
convmilo de frades. O edificio do convento 
^tá agora transformado em palácio. A an- 
tiga cerca dos frades, hoje transformada em 
fuifUa, ó vasta^ muito abundante de aguas e 
Ibnilissima. (Vide Gertan.) 

D. Gonçalo Pereira, arcebispo de Braga 
4fatnão de D. Vasco Pereira, progenitor dos 
4kB condes da Feira) sendo estudante em 
Salamanca, teve de uma nobre dama, cha- 
ttada D. Tbereza Pires, -a D. Álvaro Gon- 
^ea Pereira, pae do Grande D. Nuno Al- 
vares Pereira. 

Estoared^po era também um bravissi- 



GER 



249 



mo militar. Nas guerras que houve em 
1336 com os castelhanos, entrou D. João de 
Castro, governador da Galliza, pela provín- 
cia do Mínhs, com um grande exercito cas- 
telhano, roubando e queimando tudo. 

Sahiu-lhe ao encontro o bravo arcebispo, 
com alguns portuguezes. que á pressa pon- 
de juntar, e os derrotou completamente, oom 
morte do general inimigo, tomando-lhes to- 
dos os roubos que elles tinham feito o todas 
as suas bagagens. Teve logar esta batalha 
no i.« de junho de 1336. 

O arcebispo morreu a 6 de março de 1348 
e jaz em uma nobre capella, mandada fa- 
zer por elle mesmo na Sé de Braga. 

CERNADA ou SERNADA—Vide Sema. 

GERNADELLA— freguezia, Traz-os-Mon- 
tes, comarca de Chacim, concelho dos Cor- 
tiços, até 1355, e desde então é da comarca 
e concelho de Macedo de Cavalieiros, 60 ki- 
lometros de Miranda, 420 ao N. de Lisboa^ 
50 fogos. 

Em 1757 tinha 60 fogos. 

Orago a Apparição de S. Miguel. 

Bispado e distrícto administrativo de Bra- 
Cfança. 

Era antigamente da comarca da Torre de 
Moncorvo, termo de Cortiços. 

O reitor de Cortiços apresentava o cura» 
que tinha 50|i000 réis. 

Passa aqui uma ribeira que quasi sécca 
no verão. 

É terra fértil • 

Esta freguezia está ha muitos annos uni- 
da á dos Cortiços. (Vide Cortiços.) 

O nome d*esta freguezia é derivado de 
Serna^ipie no antigo portuguez, significa— 
herdade que se semeia ê tributo quese paga 
poreUasêr cultivada. (Vide Sema.) 

Tem foral dado em Constantim por D; 
Affottso U, em 33 de fevereiro de iW (Li* 
vro 3.* de Doares do Senhor Rei D. Alfim" 
soII,fí,ll% in fine, e Uvro de foraes a/níti- 
gos de íeUwr^ uQva^ fl 120, col. 2.'> 

Vem incluído no foral novo da villa de 
Cortiços. (Vide esta palavra.) 

CERNADBLLO — freguezia, Douro^: co- 
marca ie concelho de Lousada^ 35 Ulometros 
a NB. de Braga, 349 ao N. de Lisboa,, iia 

fogos t .. ; 



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250 



CER 



CER 



Em 1757 linha 88 fogos. 

Orago S. Thiago, apostolo. 

Arcebispado de Braga, dislriclo admiBis- 
traiivo do Porto. 

É terra fértil. 

O reitor de Alvarenga apresentava o vi- 
gário, que tinha 40i^000 réis de rendimento. 

A mesma etymologia. 

.CERNANC£LH£ou SEfUIANC^B£--yi^ 
la, Beira^Alta, comarca de Moimenta da Bei- 
ra, 40 kiloroetros de Lamego, 330 ao N. de 
Lisboa, 250 fogos (no concelho 950). 

Em 1757 tinha 146 fogos. 

Oragó S. João Baptista. 

Bispado de Lamego, districto admfoiistra* 
tivo de Viseu. 

O vigário era apresentado pelo comm^n- 
dor ^ Cemancôlhee tinha de renda 20^000 
réis e o pé d'altar. 

Sitaada em mn alto, ai kilometro ao N. 
do rio Távora. Tem um antigo castello des- 
mantelado, que se diz foi reedificado em 
il24, por João Viegas e Egas Gozeiides (ou 
Gondezendiz) descendentes do grande Ar- 
naldo de Bayio. 

É povoação anliquissima; e estando abaa* 
donada pelos árabes, os taes Egas Gozendes 
e João Viegas (que julgo eram irmãos) a po- 
voaram e lhe deram for^l a 26 de outubro 
do ditoanno de 1124. 

Em 1156 se concertaram os habitantes 
d'esta villa com D. Affonso I, ofTerecendose 
a pagar-lhe annualmente 200 Hbra3,-«om a 
condição de nunca sér a villa dada a ridbs- 
homens ou seqhorés particulares, mas andar 
aempre na coroa. 

Ghamava-se atllígametlte SêfnomUe, e 
este ntmie lhe dá Donn Flâmula, senhora 
d*este castello e d*outros muitos, no sentes^ 
tamento feito em 960. VMé Langroiva, fe o 
Livro l.« de Mumtná DomnOy de Guimarâeé» 
afl7). : 

* D. Affonso n lhe deu foraV eonirtíiakido* 
lhe os seu privilie^ios, em Pinhel, em feve'> 
feiro de 1220. 

Tem ainda uma dentença de foraL dada 
p6f D. Joâro I em 17 de junfié ésy 1430. ' 

D. Manuel Ihè deu novo (bral em Lisboa, 
à to de fev^rèir^ dte 1514. ' 

Tem Miseiicordia. É terra fértil. 



A 3 yiometros da villa está o convento 
de freiras franeiscauas, chamado da Ribeira 
fuíMlado por Irei Pedro da Ameixcelra, em 
1460. Foi primeiramente de hrades da mes^ 
ma ordem, até 1520, em que D. Mnria Pe-* 
reira, da casa dos condes da Feira, toniaii 
esta ca«a aos frades (não sei com que ÍAu- 
âaiBMiiito ou' pretexto) e o fez de freiras, pr»^ 
fóssondo ella aqui e sendo a sua primeira 
a>bbade9sa; mas. ficou sujeito á mesma rv» 
gra. 

Esta^nbora foi também a fuudadora^do 
convento dá Rua. 

Este convento foi supprimiéto em 1979^ 
e as senhoras seculares que n'elle se asyla- 
vam postas na rua. A maior parte d^^aa 
andam a pedir esmola. * Até, em Lisboa, <> 
jornal— Diano de Noticias, anda (1874) a 
proaover uma subscripção pára estas infe- 
lizes e edosas eenhoras. Seria menor emeU 
dade, se o governo, que as expulsou do seu 
único abrigo, as transferisse para outro eow> 
vento ainda habitado, onde eilas terminasi* 
sem em paz o resto de seos^ tristes dias« 

O Senhor D. Miguel i fez > visconde de 
Gernancelhe, o doutor José da GaoKieGaa*' 
tro» vario exemplar e iUustradissimo e \un 
verdadeiro portófuez. Arremessado às plft» 
gas do exHio, om 1834, ílxou a sua reeidèn*- 
cia em Paris, e alli foi mullo^ annos ooíre»*^ 
poadente do Jornal do Comnerào^ do Kia 
de Janeiro. Era um escríptor elegante' > 
consciencioso. 

Fafteoeu, estimado de quantos o coáhe- 
ciam, em novembro de 1873, eom 7B ixaiOBy, 
fia ddade que 39 amios lhe servia de re» 
ftegio. . . - . ■ • i< . 

No foral de 1124, se ordena que ^^ d 
mulher fizer malfjav^o (adultério) o mtirtA 
repartirá toda a sua fazenda, de meio a meio 
com b ienhor da terra, b ú mulher fiâèrá 
sem nadat (os donatários aié espéeulavaál 
com isto I E se o adultério^ foiso B(mimeitl>> 
doeomo senhor da Urra?) . • -i^^ ^ 

Nò Tombo do ^ro, dé Lamego, Ibitd «tt 
1346^ tatinbiÉn (a fiL 3) vem um pekia ^hÉ|*> 
Ihante, mas a metade é para oieU (flGú 
basuvâ aos^infellMB fitarem áéshonrddds e 



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GER 

léus filhos qaaÊsi orphaoí, sdõão sàaáa |}or 
olma, roubado» legahnentel) 

Ka aldeia de Santo Estevies, doeste conce* 
lHo ha um castanheiro (diz un jonial de 
Goithbra, de deièmbr» do 1873) que mede 
i6 nietros dè eircamrereiíGia. 

Tekn dado alguns asnos cem rafeaa de cas* 
tanhás^ «Calcnla^se que produziria 200 «ar« 
radas de madeira. 

Se é verdade isto, decididaineBle éa mais 
gigantesca arvore de Portugal, QeandoHie 
a^erderde vista o pinheiro d' Evora^ àecoh 
losal memoria; o famoso can^aUío de Bar* 
bosa e o célebre pinheiro manso de Rio 
Meio: 

É propriedade do sr. Luiz de Figueiredo 
Pereira Pimo de Carvalho. 
' eiilNálCDE ou S&RNANIHS-~-firegnena, 
Aouro, eooMurca e concelho de tFefgueiras» 
30 kiloraetros a NE. de Braga, 8(K) ao N:d6 
Lisboa» 120 fogos. 

Bm 1757 tinha 90 fogos. 

Orago Sl Jo3o Biiptista^ 

Arcebispado de Braga, districto admints- 
trativo do Porto. 

O reitor do Salvador d*UnhãO apresenta- 
va o vigário, que tinha 60^000 róis de ren- 
dirnemo. :* > 

É terra fértil. > : 

A meètoa^etymologia. Alguns lambem ddè 
a esta freguezia o nome de Oemende» 

GBRTAN ou SERTAN--*viila, Belra^Bai^ 
ia, 65 kilometros ao N. do Crato, 190 ao E- 
de Tliomaf ; ít2L villa é freguesia 900 fo^s, 
3:M0 ahnas; no coneelho ZAWò fogos; oa 
comarca 8:500. 

^m 16e0 tmhá 300 fogos. 

Em 1757 thiha ^M fogos na villa e fre- 
guezia. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

BitàaiiAexav na«spiHtaal, ao patriaitèa* 
do de Lisboa. É no dístrieloâdtaiintstraíiivv 
de GaèieUo-Branco. 

Rpa antígameiíle do priorado ouvidoria 
ê^eorrel{âo do €rato, conaroa e provedoHa 
daThòmar, .^ 

Era uma das 12 viUas que o constiluiami 

tttuad» em plankie, entre duas ribeiras 
(UM chamada Cena» oum Amioso) que 



çm 



Í5i 



ante» se juniam ao fim da yilla, e desa- 
guam no Zêzere. 

Esta villa foi ftmdada por S^torio, 74iQin- 
Bos antes de Jesus Chrí»to^ com o i^ome d^ 
Certago^ que depois mudou^ara Ceiiagem e 
finalmente para Certan, O mesmo Sertório 
lho ítmdoti entào o casiello. 

Quasi todos 0^ auctores dizem que a ori* 
gem do nome doesta villa foi pelo facto sev 
guinte: 

Quando ainda se andava construindo o 
castello, foi a povoação atacada pelos roma- 
nos, matando no combato um nobre cavai- 
leiro lusitano. Enlao Celína (oú Celinila) 
sua mulher, sahiu desesperada ao encon- 
tro dos romanos,) que já linhani eiifra- 
do rio castello) coift uma certaii cheia dé 
azeite fervendo, e deu com dle na cará aos 
romanos, que espantados fugiram tomando 
08 lusitanos a fechar a porta do castello 
até serem soccon^idos. 

É por isto que a villa Jomou por armas 
uma certan, com a legenda— C^?/fl^o ster- 
nit certagine hostes (a Certan derriba os ini- 
migos com a certan). 

Dg castello apenas existe o si Lio. Ainda 
ha poucos^npos se conservava a poria oH" 
d§. Çelina.lpwortalisou" ot^sçíu nome; ma# 
í!úi Jbarbara e, estupidamente demolida para 
que as suas pedras fossem .empregadas n^ 
concerto do arco de uma ponte. Nem a sua 
veneranda velhice, de 18 séculos, nem a np; 
tabiUdade que ihe tkiha dado a valorosíssi- 
ma lusitana, (pois que foi jufito a esta porta 
que Òelina fritou a cara psS) romanos) vale,- 
ram áquelle célebir^ monumento, 

O ooiide Dj Henrique reedificoM esta iú\k 
6 o seu castdlo em 1111, dando*làe Ibral 
com grandes privilégios em 9 dp saaío d*iM» 
se anno. 

Outros dizem que nio foí^ o oonde D. fifôn- 
rtque, jnas.seti filho Dw Affonflo I que arei» 
edificou e lhe deu foral com grandes privl? 
legios (para attrahir panixqui habitaste^ 
pelos asn#s 1150. Isto é o»ais provaVei to» 
davia Franklin nào falia em foral. neohuitt 
seáãon» dei). Manuel, j ^ 

Ik lia^^oel lhe deta foral noTo,> em Lisboa» 
a 20 de outubro de 1513. 



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St5ít 



CER 



Tinha voto em cortes com assento no ban- 
co 12.» 

A Tilla tem a fók*ma de uma península, 
formada pelos dois nos Já nomeados, que 
se juntam ao íiindo da villa, próximo ao 
conrento. 

Trez boas pontes de cantaria dSo entrada 
para a villa (a de Santo Amaro, a da Vár- 
zea e a da Madeira, por ter sido primeira- 
mente de páo). 

É magnifica a entrada principal para a 
villa, pelo Largo da Carvalha, que é uma 
frondosa alameda. 

Em seu termo é grande a producção de 
cereaes^ fructas, vinho, azeite e castanha. 

Tem um bom mercado todos os sabbados 
e 4 grandes feiras cada anno. A de Santo 
Amaro, a dos Passos (em uma sexta feira de 
março) domingo de Pascoella e S. Lucas (a 
18 de outubro.) Tem gado e caça. 

Misericórdia, fundada no reinado de D. 
João III. Tem também hospital, que parece 
mais antigo, o qual foi annexado à Miseri- 
córdia em 1565. 

Na extremidade da villa, onde se juntam 
as duas ribeiras, está o convento de capu- 
chos de Santo António, em formosa posição. 
Este convento foi fundado em 1635, por flr. 
Christovão, de S. José lançando-se-lhe a pri- 
meira pedra no dia 2 de maio d*esse anilo. 
É hoje o palácio e Quinta das Águias, 

Já é em território da (Ireguezia de Gema- 
che de Bom Jardim. 

Consta que a eapella de S. João Baptista 
}á foi egreja matriz. Antes de 1834, tinha 
juiz de fora, 3 vereadores, escrivães e mais 
offlciaes, feitos pelo grão prior do Crato, 
que era também alcaíde-raór da Gertan. 

As duas ribeiras eram da casa do infan* 
lado, e os que se serviam das suas aguas 
lhe pagavam foro. 

A ribeira da Céhan nasce na fregnezia do 
Estreite, termo de Oleiros, e juntando-seao 
Amioso, no sitio d*Entraguas, junto á cér* 
ea que foi do convento, e depois ás ribeiras 
de Palbaes, Nesperal e Cemache^ morre. no 
Zêzere. > 

Até ao principio d*e8te século, era o dis- 
trido d^esU villa dividido em 9 capeUanias, 
com 850 fogos. 



CER 

A matriz da villa é uma bôa egreja de 3 
naves» t^do por orago S. Pedro» apostola 

O vigário (que o era também da vara n*es* 
ta villa e^seu termo e nas viilas d^Oleiros, Ál- 
varo e Pedrógão Pequ^u)) era apresentada 
pelo grão prior do Grato. Tinha 22^580 rs. 
4 moios de trigo, um de centeio, 66 alonir 
des de vinho, uma carga d'uvas (para tinta) 
6 alqueires d'azeite (3 cântaros) e 56alqud'^ 
res de pão, de passaes ; tudo pago pelo grãk> 
prior. Tinha 6 beneficiados curados^ cada 
um com 2 moios de trigo, e um de centefi^ 
uma pipa de vinho, meia carga d*uva8 para 
tinta, 3 alqueires d*azeite e 4M00 róis em 
dinheiro. 

O Thesoureiro tinha um moio de trigo, 
40almudes de vinho, 5 cântaros d^azeite» 
10 alqueires de trigo para hóstias, 2^000 
réis em dinheiro, e mai9 outros dois mil réis 
por ensinar a doutrina. O organista tinha 4 
mil réis» o vigário do coro 2^000 réis, o mes- 
tre de solfa, um moio de trigo. Tinha mais 
esta egreja 6 mercieiras, cada uma com 20 
alqueires de pão, 6 canadas d'azei(e e 3 mo- 
ços do coro, cada um com 1^800 réis. 

Tudo isto pagava o grão prior. 

(Ha em Portugal também 3 aldeias ebà* 
madas Gertan) 

Na Poblacion General de Hespana, diz Ro- 
drigo Mendes da Silva, que n*e8U villa, em 
1624, uma mule pario outra mula. Pode ser. 

O que é certo é que em 1624 vivia o tal 
Rodrigo Mendes da Silva. 

A pouca distancia da Yilla da GerUyo^ es- 
tá situada a ermida de Nossa Senbora Hd^ 
Remédios. 

Todos os annos no dia 15 d'agosto se Ui 
ali uma festa, que termina de tardo çom o 
sahimento da Senhora em torno da sua er- 
mida. A concorrência, de romeiros a esca 
festa é sempre immensa^ e muilos vemide 
grandes distancias. 

Esta ermida tem a seguinte tradiç9o^ 

Andando á caça um fidalgo,. foi aconvie- 
tido d'um^ formidável serpente, que ttvia 
no centro do espesso matto que então áU 
existia. 

Horrorisado com similhante appari^. 
trepou pai».ciiM.d'una arvore^i^ posniido 



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CER 

de grande susto, invoeòa o auxilio de Nos- 
sa Senhora dos Remédios, e com tanta fé 
pedia á Senhora* que esta o ouviu, porque 
repentinamente se achou tão encorajado, que 
logo carregou a espingarda, e com toda a 
firmeza e felicidade disparou sobre o horro- 
roso animal, matando-o instantaneamente. 

Mais se diz, que, logo em seguida, man- 
dara construir no mesmo local em que a 
serpente cahiu morta, a ermida a Nossa Se- 
nhora, e por sua morte lhe doou alguns bens 
para a sustentação do seu culto. 

Ao lado do altar, onde está collocada a 
imagem» existe, para memoria, a queixada da 
serpente^ que seguramente tem de compri- 
mento um metro. 

Este sitio é mui pittorcsco e aprasivel, to- 
do circumdado de immenso arvoredo, ex- 
perímentando-se n*elle uma certa suavidade 
que delicia e encanta. 

O concelho da Certan é composto de 14 
íreguezias que são — Cabeçudo, Carvalhal, 
Castello, Certan, Cumiada, Ermida, Figuei- 
redo, Marmelleiro, Nesperal, Palhaes, Pedró- 
gão Pequeno, Cernache do Bom Jardim, 
Troviscal e Várzea dos Cavalleiros. 

A comarca oompõe-se dos julgados da 
Certan, Oleiros, Proença a Nova e Villa de 
Rei. 

CERTAN— rio, vide Certan, villa. 

CtRTOMA ou GÉRTEMA ou SÊRTEMA— 
rio. Douro, que nasce no sitio das Lameiras, 
no Couto da Yaccariça, junto ao convento 
do Bussaco ; junta vários regatos è vàe des- 
aguar na esquerda do Agadão (ou Ague- 
dão) no sitio do Requeixo. Rega e móe. 

Passa perto da Anadia. Próximo da sua 
foz, forma a pateira, navegável, de Fermen^ 
tellos. Vide Bairrada. 

Dizem que o lacto seguinte deu origem ao 
seu nome: 

Passandolpor elle a rainha Santa Isabel, e 
querendo beber, lhe disseram que o não fi- 
zesse, que era lígaa de péssima qualidade, 
tanto para a gente, como para o gado que 
d*eHa bebia. A Santa provou, e disse— tC^r- 
to fiuiit—- e flcou-lhe o nome; mas desde 
então por diante ficou sendo esta agua d*o- 
ptima qualidade. 



CER 



253 



Isto não passa d*uma lenda. O nomed*es- 
te rio é árabe (Sertemma) composto do impe- 
rativo do adverbio êára (andar) e do adver* 
bio tetnma (ahi.) Quer dizer— Comm/iapa* 
ra ahi — Vae para lá. Em todos os papeis 
antigos se escrevia como os árabes e pro- 
nunciavam Sértema. 

CERVA— villa, Trai-os-líontes, comarca 
de Villa Pouca d'Aguiar, concelho do Ribei? 
ra de Pena, 60 kilometros ao NE. de Braga» 
380 ao N. Lisboa, 550 fogos. 

Tinha a villa e freguezia, em 1757, 411 
fogos. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Arcebispado de .Braga, e districto admi* 
nistrativo de Villa Real 

Era antigamente da comarca de Guima- 
rães, e concelho (com 770 fogos) que foi sup- 
primido em 1855. 

Situada em um valle fertíL 

Alguns também escrevem Sèrva^ mas jul- 
go que é erro ; todavia, no foral de Mondim 
(que ó de Mondim e Cerva) vem escripto 
com 5. 

Eram seus donatários os marquezes de 
Marialva. 

As freiras^de Santa Clara, de Villa do Con- 
de, apresentavam, m $oliáun^ o abbade, que 
tinha 4001000 réis^ Tinha 3 economias (es- 
pécie de beneficios) cada uma das quaes ren* 
dia 78 alqueires de pão, 66 almudes de vi- 
nho e 390 réfe em dinheiro, tudo pago pe- 
las ditas freiras, que recebiam os disimos 
doesta frc^ezia, os quaes rendiam annual- 
mente 4«500 cruzados (1:800^000 réis) 

É terra muito fértil e cria muito gado e 
caça. 

Nó termo da villa^ha a FonCè Santa, a cu- 
ja agua se atribue a virtude de curar varias 
moléstias. 

Paása aqui o rio Cerva, que nasce na Ser- 
ra d^Ordens, e recebendo o rio Lourédo, no 
sitio das Pontes Velhas, morre no Tâmega, 
que também passa próximo da villa. 

Em dezembro de 1870 appareceu aqui 
umá porção de dinheiro, de cobre, do impe- 
rador romano VespastOM. 

Consta que D. Manuel lhe deu foral em 
1517; mas Franklim não traz foral velho 
nem novo d*esta villa. 



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â54 



CER 



Diz somente que o sea tora! em o de Mén- 
ôim (IJv. dos Foraes Novos de Traz-os-Mon* 
tes, fl. 27. Viga- se o processo para este fo- 
ral, na gaveta 20, maço H, n.« 22.) 

Se me julgo obrigado a mensionar n'esta 
obra todos os varões que illustraram e eno* 
breceram a pátria, pelo seu valor nas bata- 
lhas, contra os inimigos de^^Porlugal; pelos 
geus talentos e obras litterarias; ou pelo 
exemplo de suas ttotaveis virtudes e sanií- 
iidade; nâe me jtilgo menos obrigado a di- 
vulgar os nomes d*aquelles utilissimos cida- 
dãos, que, á forçado insanos e honrados tra- 
balhos, com risco de vida, em paizes insalu- 
bres, onde o leão, o ligre, a onça, o leopar* 
do, e outras feras vor^eissimas; e monstruo- 
sos reptil' ^ dos quaes a mais leve ferida é 
a morte) augmentam ao audacioso empret 
hendedor os perigos da vida, e, quando me- 
nos, a perpetua aniquilação da saúde. 

Sk)o dignos da nossa estima e doBnosso 
respeito, aquellés que d'um berço humilde^ 
se souberam elevar, à força de trabalhos 
honrados o sérios perigos, a uma esphei» su- 
perior, e muito mais dignos são de respeito 
^consideração, segues se nSo envergonham 
da humildade do seu nascimentos 

Quatro homens doesta classe tenho a apre- 
sentar aos meus leitores, d*esta fregnezia:. - 

'São os trez irmãos; os $n. Manuel José 
Machado, Francisco Xavier Machado e Joa* 
4ulm José Machado; o José • Gonçalves dá 

snva. 

Manuel José Machado, que fólleceu em 
Lisboa, no íim do anno de 1873, era um dos 
maiores capitalistas doesta cidade. 

Depois dos trez irmãos Teixeiras de Sam- 
paio (conde da Póvoa, bar^ de Sampaio, e 
visconde do Cartaxo) cuja casa reunida va*- 
Ha em 1S27 vinte mlhdes de cruzados (!) 
tudo por elles adquirido^ pois nada herda- 
ram de seus pães, era a eása commeroiai de 
Manuel José Machado e irmãos, a mais rica 
e |)òdôro?aí de Li^a. 

Tinham riquissímas 4^8as commerciaes, 
alem de Lisboa, na Bahia, Pará^ Gibraltar e 
Algecíras. • 

Em um dos últimos balanços» só a Câsa 
de Manuel José Machado, na Bahia^ valia 



GER 

dois mil contos liquidas, e era das mais in- 
feriores em rhjuezas. 

A caixa de Manuel José Machado» em Li9*' 
boa, era. reputada a primeira doesta prȍa. 

Morreu o!) intestatu. Sete partes da sua for* 
tuna pertencem a herdeiros cujas casas sâo 
em Traz-os-Momes, no districto de YlllaReal 
DUas partes são provavelmente para o Brazil, 
e trez|íleàm em Lisboa, que são as do sr. João 
José Machado, sua esposa e cunhada, tam^ 
bem suas primas e sobrinhas do falleeido^ 
que deixou 42 parentes collateraes. 

A pesar d^avultadas esmolas e valiosos 
legados que el4e próprio distribuiu nos tt* 
timos annos da sua vida, ainda assínf^ legoa 
aos seus uma fortuna verdadeiramente is^ 
lossal. 

r— 

Apesar do que ^em alguns estrangèi* 
ros, e da pequenez do reino de Portugal, 
ainda se contam n'elle muitas casas qupse 
podem dizer riquíssimas. 

Acasa de Henrique Teixeira de Sampaio, 
primeiro barão de Teixeira e primeiro con- 
de da Póvoa (falIecidoei;n 1832) valia 8j?40O 
contos de réis. Rendia annualmente 22t con- 
tos ! É actualmente da casa Palmelía. 

Sé em Lisboa ha uns 12 ou i4individnos 
cada ,úm dos quaes poasue para cima de 
mil contos de réis. 

Em bens de raiz ha duas casai enorases, 
que, tnefimo em Inglaferra, seriam graiiâlBs. 

A do tf, duque de Cadaval, rende amiual** 
mente uns 300 contos. 

A casa Palmella O^tita com a da Póvoa) 
te mum rendimento pouco inferior. 

Aqui nasceu também José Gonçalves da 
Silva, que morreu no Maranhão, pelos annos 
de 1830. Era alcaidemór de Itapicurú-Miv 
rim (província do Maranhão, Brasil) e o 
maior proprietário da província. Jáemi8S0 
tinha uiha fortuna calculada em 2:800 cen- 
tos (7 milhões de ctusadosl) em dinheinv 
cotnmerdo ee5tabeledmenliosagriooiiaSi.QOS 
qnae» trabalhavam 2:000 esoravosí seus* Sa 
as suas propriedades podeâsem reunif/^se^ 
formariam uma zoea de 6 kitometros de 
largo e 180 de còmpridot 

CERViES — villay Minho^ eo&celha dO; 



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CBR 



CER 



S55 






Prado, comarca c 12 kilomelros ao NO. de 
Braga, até 1853, e desde eiHao 6 da cornar* 
ca^e coHcelbo de Yilla Verde, 360 Júloine* 
iros de LUboa, 240 fogos. 

Em 1757 tinha 235 fogos. 

Orago o Salvador. 

Arcebispado e districto admmístrativo de 
Braga. 

Aotigamente era metade da freguezia da 
comarca de Yianna, termo do Prado, e a oa- 
4ra metade era couto da cidade de Braga. 

Diz-se que a cgreja foi conveuto de temr 
plarios, e por exlincçào d^elles (1311) foi do 
arcediago do couto, até ao concilio de Tren- 
to (1545 a 1556) em etgo tempo foi (como 
outras muitas do reíao) reduzida a beoeíl- 
táç curado. 

Antes da instituição da ordem dos tem- 
plários em Portugal, era este mosteiroi de 
npnges benedictinos,. qoe & Martinho de 
Djma havia fmadado pelos annos de 560 
(vide Dume) o qual foi aqui rejigioso. Não 
sô sabe porque razão os templários tomaram 
^oota d*este mo&teiro e o habitaram até á 
soa eaUincção; passando depois a ser dos ar- 
cebispos o que era emito de homisiados, dos 
lemplarios. 

Nesta freguezia se fabrica muita louça 
ordinária, de barro. 

Ha a<pi a capella de Nossa Senhora do 
Bom Despacho, a qa» deu principio o ere- 
mitão João da 6ru^ natural de Monçaoy em 
1640, e que era eremitão da capella dt^Nos- 
sa Senhora da Estreita, qne ílca pouco mais 
a baixo, edificada^ entre dpis peneis, tendo 
m> recôncavo d'elles os passos da Paixão de 
4esus Ghrísto» 

Eatando já adiantada a obra^ o povo lan- 
hou por torra a casa^ por imaginar que se- 
fia para convento de frades» que por ne- 
nbmnímodo queriaen. ' 

O eremitão queéxou-se ^ao general das ar- 
mas,^ da província do Minho, D. Diogo de 
Lima, visconde de.Yilk Nova da Cerveira, 
que tinha o seu qiwteligeneral em Braga. 
Veio elle com tropa e socegou tudo. 

A obra adiantou*se muito, e mais se adian- 
taria se aqui não melt6ssen> beatas com ere- 
mitdes, pretendendo fazer um mosteiro du- 



pU9 (dos dois sexos) como se usou muitos 
séculos^ e como se verá pelo decurso d*esta 
obra. Foi supprimido. 

Está n'esta freguezia a torre de Gomoriz» 
solar antigo, de que foi senhor Francisco da 
Gunlia da Silva, filho de André Velho d^ 
Azevedo, o que lhes veio por descendência 
da casa de Azevedo, de quem era o dito so- 
lar. 

Na porta travessa da egreja matriz, em 
uma pedra, está a seguinte inscripção, em 
lettras gotbicas: 

FEITA NA ERA MIL E 

DUZENTOS ANNOS 0ÔM. 

4. B. B. VELLASCO VIEGAS 

ME FBcrr. 

Tem pois esU egreja, em 1874, 712 an- 
nos, visto que a era (de Gesar) 1200 é o an- 
uo de Jesus Christo 1161. 

A mjtra do Braga apresentava o reitor, 
por concurso, syoodal. Tinha este, de rendi- 
mento annual, 70iií000 réis. 

A parte da fregueizia que era couto da 
mitra, tinha juiz ordinário, do eivei, crime 
(à orphãos» dois vereadores, procurador, al- 
caide, escrivães» etc. 

Tinha este couto o privilegio de os cri- 
minosos d'elle não serem punidos com pe- 
na de morte, qualquer que fosse o crime I 

É terra muito fértil. 

GERVBIRA^vide Villa Nova da Cerveira. 

d^ltOSi— freguezia, Traz-os-U(»ité3, cor 
marca» concelho e 12 kiiometros ao S^ d^ 
Bfontale^re, 70 Ulometros ao NE. de Braga, 
420 ao N. de Lisboa, 108 fogoS; 

Em 1757 tinha 101 fogos. 

Orago Santa Gt^rístina. 

Arcebispado de Braga, districto adminis- 
irativo de VillaReal. 

Terra mcmtanhosa^ o^as seus vaUes âo 
férteis, e ar maior parle da freguesia está sir 
tnada na planície, na base occidental da ser* 
ra de Leiranco. É abundante em centeio, ba^ 
tatá e castanha, produz^^ óptimo linho galle- 
go e algum milho; cria muito gado de toda 
a qualidade, principalmente bovino. 

Tem^ na serra, lobos, raposas e muita ca» 
ça mittdai. ' 



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.y" 



S56 



CER 



CER 



Dizem ODS que o nome lhe provém de ha* 
verem muitos cervos antigamente nos seus 
montes. Outros dizem que é porque os ro- 
manos aqui fundaram uma colónia de ser- 
vos. A primeira versão é mais verosímil. 

A casa de Bragança, donatária d*esta fre- 
guezia, apresentava o abbade» que tinha 
600^000 réis de rendimento. 

Esteve muitos annos annexa a esta fre- 
guezia a de Santa Maria de Sarraquinhos. 

Compõe-se esta freguezia de 4 aldeias, 
que sâo : Cervos (sede da parochia) Arcos, 
Villarinho e Cortiço. 

O pequeno rio Bessa atravessa a fregue- 
zia, que corre na direcção de NE. a SO. e 
recebe, dentro dos limites da freguezia, pela 
margem direita o ribeiro de Avenó, que nas- 
ce no valle de Fervidas, e o da Cova do For- 
no, que nasce junto ao logar de Morgado; 
tendo corrido juntos, a distancia de uns BOO 
metros. Pela esquerda recebe os ribeiros de 
Varziellas, que nasce a E. do logaf d* Arcos, 
e mais abaixo o de Cervos. Todòá estes ri- 
bairos são abundantes em escallos, bogas, 
enguias e saborosas trutas. 

Também esta freguezia é cortada, na di- 
recção de SO. NO. pela estrada real, do an- 
tigo systeraa, que de Chaves vae a Montale- 
gre, passando pelo centro da povoação d*Ar- 
cos, muito conhecida, não só por este facto, 
mas também por ser a primeira aldeia que 
se encontra, depois de ter subido a serra de 
Pindo. sobre uma ponte de um arco, feita 
em 1809, a qual atravessa aqui o rio Bessa, 
ao SO. e uns 400 metros da aldeia do Cortiço. 

Ao NE., e a 50 metros d*esta ponte, está 
um morro chamado Crasto, de diíficil subi- 
da pelo SO., pela sua escabrosidadè e qúasi 
perpendicularidade; mas pelo E. e N. de fá- 
cil subida até ao seu cume, onde está uma 
chapada um plató, de fónna quasi circular, 
cercada de três ordens de fossos e muralhas, 
com a altura de 1*50 a 2*, feitos de terra e 
pedras miúdas, sem outros alguns vestígios 
de mais fortificações. 

Ao NE. da aldeia do Cortiço, e nar distan- 
tancia de 300 metros, está outro pequeno 
morro, quasi todo cultivado, em que, segna* 
do a tradicção, existiu um facho, e por Isso 
ainda se lhe chama Outeiro do Facho. 



Na mesma direcção, e a distancia de um 
kilometro, existe no centro de uma deveza de 
Carvalhos, uma capella dedicada a Nossa Se* 
nhora da Natividade, vulgarmente denomi- 
nada Nossa Senhora de Gailégos, em razão 
do sitio onde está se chamar Deveza de 6al« 
légos. 

Tem 2 altares, e exteriormente um bom 
adro de cantaria, com assentos^ em volta, e 
rivalisa com a melhor egreja parochial do 
concelho de Montalegre. Tem festa e rorna* 
ria, no dia 8 de setembro de cada anno, áa 
quaes concorre muita gente pela grande de^ 
voção que consagram a esta imagem. 

Próximo á capella existem vestígios do 
p#voação antiquíssima, e sepulturas abertas 
em forma de corpo humano, cavadas empo- 
nedos. Não se .sabe que povoação foi, hem 
a causa da sua ruína: ha porém todas as 
razões para acreditar que era habitada p^ 
um povo árabe, visto que se encontram aqui 
as taes sepulturas, feitas ao modo dos ma- 
hometanos antigos, que, sem duvida de* 
monstram ser aqui xm almocabar (cemité- 
rio) mourisco. (Vide Almocavar e Corvite.) 

N*efita aldeia do Cortiço nasceu, em 1779^ 
o hábil e distincto facultativo, José dos San- 
tos Dias, bacharel em medicina, pela Uni- 
versidade de Coimbra, medico da camará 
de Montalegre, do partido das Caldas doGe- 
rez, onde fez relevantes serviços. Era do 
muitos conhecimentos litterarios^ e cidadão 
honradíssimo. 

No território d*esta fk'eguezia se desco- 
briu, pelos annos de 1770, junto da estraite 
de Chaves para Montalegre, no cume da re^ 
ra do Pindo, a pequena distancia do lògar 
do Antigo d' Arcos, povoação da f^egueiia 
immediata, de Sarraquinhos, um marco mi- 
líario, que tem de cireumferencia i"i6, e 
de altura i^lO. Na cireumferencia da base 
se vêem ainda os cortes das cunhas^ com 
que se raivou o penécfo. 

É de forma cylindrica, e tem a seguinte 
inscripção : 

TI. CABSAR niVL AU6. F. 
niVI. TVU. WEI». AUG. PONT. 



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Gm 



€,m 



W7 



MAX. iMP. vni. c5s. V. 

TR. PRET. XXXIHI 
BBAC. AUG. LIX 

Quer dizer: 

Dedicado ao imperador Tito César Au^- 
<o, divino, ponti/lce máximo, filho de Augus- 
to, Oito meves coiuul, cinco tribuno e trinta 
€ quatro pretor. D*aqui a Braga, sõo 69 mi- 
lhas. 

Está eollocada no patim da escada de um 
lavrador do referido logar do Antigo d' Ar- 
cos. 

Pelos annos de 1840, appareceu, ao S. do 
mesmo logar, outro marco miliario, de 1"90 
de alto e o mesmo de circumferencia. Antes 
de ser empregado em columna de uma va- 
randa, em que ainda existe, tinha mais Oy^^SO 
de altura. 

Tdm a seguinte inscripção : 

Tl — CAE8.AVG. DIV. 

.SA. P. AVG. C 

.... Nic. . . VS. P. O. 

nfp vco 

POT. . . . m — p. . . 

....AVG 

Nao 86 pôde traduzir, por imcompleta. 

No sitio do Vi dual e no de Travassos da 
ChaOy se encontram montões de pedra e ter- 
ra e outros vestígios, que mostram ter por 
aqui pasmado, bem como pelo Crasto e Cor? 
tico, já referidos, uma das vias militares ro- 
manas, que dd Braga sahíam para a Hespa- 
nha; o que estes dois marcos miliarios evi* 
denceiam. Talvez fosse ramal de outra e que 
se separasse em Penedónes (mais ao S.) Es- 
ta sahia de Braga e seguia a Salamonde, 
Codeçoso do Arco, Yilla da Ponte, Penedó- 
nep^ S. Vicente da Cban, Peireses (anlig^ 
Bermr) Caladuno (antiga cidade, ao S. de 
Gralhas) Castellaos e Chaves. 



SI 

d< 

lOUMBU 



outros apreciáveis esclarecimento?, que tave 
a bondade de me remetter, de varias fregue* 
zias do Norte. 

CERZEOELLO ou SERZEDELLO ou SAR» 
2EDELL0 — villa, Minho, comarca e conce- 
lho da Povoa de Lanhoso, 18 kilometros a 
NE. de Braga, 370 ao N. de Lisboa, 180 fo- 
gos. 

Em 1757 tinha 166 fogos. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Arcebispado e distrícto administrativo de 
Braga. 

Antigamente era do concelho de Lanheso 
e da Ribeira de Soaiv comarca de Guhna* 
rães. 

O ordinário apresentada o abbade, por 
concurso synodal, e tinha 5S0f 000 réis d« 
rendimento. 

Fértil em cereaes. 

Passa aqui um ribeiro, que nasce na fire- 
guezia de Santo Adrião de Soutôlio e morre 
no Ave. 

CERZEDELLO ou SERZEDELLO ou SAR;f^ 
ZEDELLO — freguezia, Minho, comarca^ e 
concelho de Guimarães 18 kilometros ao 
O. de Braga, 345 ao K. de Lisboa, 140 for 
gos. 

Em 1757 tinha 139 fogos^ 

Orago Santa Christina. 

Arcebispado e districto administrativo dtt 
Braga. 

O papa e a camará ecclesiastica de Braga; 
apresentavam alternativamente o reitor, qoi 
tinha de rendimento annual 150jí000 réis. 

Esta egreja foi de um mosteiro de mon- 
ges benedietino^, que aqui houve em tem- 
pos antigos. Passou no seccUo XV a abbadia 
secular e por fim a reitoria. 

E* n*e3ta freguezia a capella de Nossa^Se^ 
nhora do Monte. 

CERZEDO ou SERZEDO— freguezia, Mt<» 
nbo,( comarca, coao^l^ termo e 9 Hilome^ 
tros ao O. de GiiiaMPaes,^ 9 ao N£. de Bra- 
ga» 365 ao N. de LisW^a, i9fi foges. 

Em 1755 Unha «3 foger 

Qrs^ge S. MigneL 

.Arcebispado e;^Hf|HetQ a^Nnietfttivoídtt 
Brag>^ . r 

Eri^ a^tigamenl^ 4aí eàíte 4e Monle htm* 
go. Pase^ aqui o rie Viselle. W fertít 

17 



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258 



CET 



A miira apresentava '<y abbade, que tinlia 
de rendimento 400^000 réis. 

GERZEDO ou SERZEDO— fregúezia, Dou- 
ro, concelho e 11 kilometros ao S. de Gaia, 
comarca e 12 kilometros ao S. do Porto, 300 
ao N. de Lisboa, 350 fogos. 

Em 1757 tinha 215 fogos. 

Orago S. Mamede. 

Bispado e districto administrativo do 
Porto. 

O prior do convento de cónegos regrantes, 
de Grijó (cruzios) apresentava o cura, que 
tinha de rendimento annual 70 jOOO réis. 

E' terra muito fértil. 

Passava aqui a antiga estrada mourisca. 
Vide S. Félix da Marinha. 

' €ES AR — vide Cézar. 

CÉSTRO— portuguez antigo (ainda usado 
cm algumas partes do reino) maú, prejuíi- 
ciai, adverso. Também Significa mau costu- 
w^, má manha, e é n*esse sentido unica- 
mente que hoje se emprega, escrevendo-se 
Sestro, 

GET0BRI6A ou ÍROIA— Na margem es- 
querda do Sado, ou Sadam (antigamente cha- 
mado Calipo) e desde a sua foz até á Com- 
porta, corre uma faxa ou zona de terra, que 
tem 16 kilometros de cobprído e 5 a 6 de 
largo, banhada ao S. pebs aguas da enseada 
de Sines e ao N. pelas do Sado. 

Na ourella boreal d*esla faxa, em frente 
de Setúbal (que fica na margem direita do 
Sado) existem as minas da antiquíssima ci- 
dade phenicia, cíiamada pelos seus fundado- 
res G(?ío6riíya, e vulgarinente Tróia, men- 
eionkda por Cláudio Ptolomeu Alexandrino 
e por outros rruitos anctores. 

Caio Plinio, segundo, que percorreu as 
Btespanhas citerior e ulterior, e passou al- 
gum tempo na Bética, romo intendente 
de Vespasiano, descreve a costa d*aquem 
do Estreito, do modo seguinte: «A. que se 
estende deàde o Ana (Guadiana) defrontan- 
do com o AUautico, eâtà povoada de bastu- 
los e lúrdulos.» Eram pois èstès dois povos 
que estanciavam ao norte do Ana. Plinió e 
Mela dizem qátí àiiútéths occiipavam a 
região mariíima desde o Tejo até ao Dour o 
portanto; eram bis básttiloá os habitantes^ de 
Cctobríía, antes da dóbinação^ romáfia. 



GET 

Em Strabão vem uma nota topographica 
ainda mais positiva. Começa a descripção 
pelo Promontório Sacro (Cabo de S. Vicente) 
c depois de ter feito menção geral dos bas* 
tulos que habitavam a costa, faz menção es- 
pecial de uns que habitavam uma estreita' 
faxa de terra junto ao mar (angustum ac- 
colunt littus.) Ptolomeu dá a estes povos a 
denominação de bastulos-penos. Appiano 
lhes chama bastulos-phenicios. 

Notemos que phoenices, poenices, punia\ 
pomici são uma e a mesma cousa, porquan- 
to, as vozes poenos, puniceus, pimicus, phoe^ 
nix, phoenicius ou poenicius, todas signifi- 
cam vermelhos, ei^jthnos, os do Mar Verme- 
lho, d'onde os phenicios se estenderam até 
Sidoh e Tyro, c depois a Carthago e àsHes- 
panhas. 

Segundo elle?, a sua fundação remonta ao 
anno do mundo 3200, isto ó, 804 antes de 
Jesus Christo. 

Strabão e Avieno dizem que os phenicios 
d'aquem e d'além das Columnas d*HercuIes 
(estreito de Gibraltar, por onde o Atlântico 
se communica com o Mediterrâneo) em tem- 
pos antiquíssimos e por muitos annos, fize- 
ram exclusivamente commeicio com as Ilhas 
Cassiterides, costeando a Lusitânia, e fun- 
dando na costa, cidades e feitorias. 

Os objectos achados nas escavações d'esla 
velha cidade, corroboram isto; pois, em 
1814, desmoronando-se uma ribanceira que 
entestava com o rio, deixou a descoberto 
uín pequeno caixão de chumbo (que foi en- 
tregue a D. Rodrigo de Lencastre, então go- 
vernador ^de Setúbal) contendo objectos in- 
contestavelmente phenicios. 

Em casa do sr. duque de Palmella existe 
uma taça fle prata, com figuras mythologi- 
caá em relevo, vermiculadas de ouro, que é 
um dos objectos contidos no tal caixão de 
chumbo. 

CetoWiga ainda era povoada no tempo dos 
rèmanos, cujos vestígios se encònlratn fre- 
quentemente nas escavações que aqui se 
téem feito, como estatuas, sepulturas de pe- 
dra e de adobes (tijolos cosidos ao sol) umas 
com ossadas, outras com cinzas; colunmas; 
cíppos; medalhas; inscrípçõe^ e outros va- 
rioà objectos. 



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CET 



Os romanos, alatini^ando á palavra, como 
sempre faziam, lhe chamavam Cetohrica, 
Caetobríx, Catobrica e Ca$tcbrix. SuppÕe-se 
que esta cidade foi subvertida (coberta com 
as areias que o mar sobre ellk arrojou) pe- 
los aonos 420 a 425, de Jesus Christo, im- 
perando Honório; porque são d'elle as moe- 
das mais modernas que aqui se tôém encon- 
trado. Pelas camadas de despojos marinhos, 
de Carvão meudo e outnts matérias, suppòe- 
se que não foi submergida de uma vez, mas 
por dififercntes invasões do mar. 

André de Rezende foi o primeiro desco- 
bridor d'estas ruínas, e diz o livro 4.« das 
suas Antiguidades, que achou alii uma esta- 
tua, sem cabeça; algumas inscripções roma- 
nas; os destroços de um templo, dedicado a 
Júpiter Amon, sobre cuja portada existiam 
lônda 08 symbolos d'estâ divindade, e algu- 
mas satgadeiras de obra lignina: 

Em agosto de í873,'deseobriu-se aqui unia 
bem conservada e expressiva cara ou mas- 
cara, em bronze, de um Satyro, de um d'es- 
ses monstros da fabula, qite habitavaài os 
])osqnes e as montanhas, rej;)resentavam em 
toda a sua plenitude as forças vitaes da na- 
tureza, fortíiaVam ò séquito do Fauno e eram 
inseparáveis do culto de Baccho. 

Esta Interessante antígualhà foi descober- 
ta junto ao logar onde antigamente se des- 
cobrira o tal templo gentílico, cuja maior 
parte ainda sè acha soterrada. 

Descobríram-se mais algumas moedas de 
bronze, de pequenas dimensões, de impera- 
dores romanos, mas a maior parte frustas; 
grande quantidade de prégbs de di0erèntes 
dimensões, e quasi todos de cobre; uma 
porção de fragmentos de canos de chumbo; 
alfinetes, agulhas de fazer redes, diíTerentes 
liiartes de objectos de bronze, que serviriam 
de ornato a outros; muitos pedaços de vidro 
de diversas cores, fragmentos de' difil^rentes 
vasos e taças; e lâmpadas siepulchraes de 
líárro, sobresahíndo entre aquelles os de ai- 
' grimas taças de bârrò veríuelho e fino, deno^ 
minado sagnbtino, pela sna 'elegante forma 
í lustre ou twrunido que conserva. Dft mar- 
Hiore^ encotítraram^se alguns fragmentos de 
< ctoialhas, coroqas^ eti% : > : 



CÉT 



259 



Todas estas antígualhas, assim como ou- 
tras muitas, tstao em Setúbal, em poder do 
sr. João Carlos d*Almeida Carvalho, que as 
tem adquirido e salvado do vandalismo da 
ignorância. 

A Sociedade Archeologiea Lusitana, foi 
inaugurada no dia 9 de outubro de 1849, 
sendo seu primeiro presidente o fallecido 
duque de Palmella. 

Formavam também esta sociedade os srs. : 
Manuel da Gama Xaro, Domingos Garcia 
Peres, Sebastião Maria Pedroso Gamitto, An- 
nibal Alvares da Silva, e era secretario o sr. 
João Cartos d^Almeida Carvalho. 

Em i850 (no i.« do maio) principiou 
aquella benemérita sociedade as escavações 
intermitentes d*esia cidade subterrada em 
areia. 

Tem-se descoberto grande diversidade de 
vasos de differentes matérias; carneiros, 
com esqueletos; grande quantidade de os- 
sos; instrumentos agrários; louça; milhares 
de medalhas romanas, cunhadas em Roma, 
Antiochia, Constantinopla, Cartbago, Leão, 
etc; diversas casas, algumas de abobada o 
ii*ellas bellas pinturas a /ir^co e admiráveis 
mosaicos nos pavimentos. 

É pena que o governo não cuide com mais 
attenção n*esta Pompéa portugueza t 

Tudo o mais que se pretender saber com 
relação a Cetobriga ou Tróia, achar-se-ha 
em Setúbal. « 

CÊTTE-r-villa, Douro, comarca de Pena- 
fiel, concelho de Paredes, 24 kilometros ao 
NE. do Porto, 315 ao N. de Lisboa, 170 fo- 
gos. 

Em 1757 tinha 127 fogos. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Bispado e districto administrativo do 
Porto. 

Era antigamente da comarca do Porto, 
sendo então couto, do qual era donatário o 
reitor do collegio da Graça, de Coimbra (ere- 
mitas de Santo Agostinho.) 

Sltàada em ameno e* fértil valie. O vigário 
era um eremita da dita Ordem, apresentado 
pek) reitor do collegio da sua Ordem, de 
Coimbra, e eoUado. Tinha ^^000 réis de 
rendim^to. 

Gr?»ndf! convento de frades dos taes ero 



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260 



Gtt 



mitas de Santo Agostinho, fundado junto ao 
rio Souza, e a sua egpeja é a matriz 4a fre- 
^ezia. 

A esto convento eram annexas as fregue- 
zias de S. João da Foz do Souza, Santa Ma- 
ria do Covêllo, S. Martinho dePara4a^de Tó- 
dea, Santa Maria de Corcixas^ S. Miguel de 
Kans, S. Miguel de Urro e Santa Maria Ma- 
gdalena. 

Todas estas egr^âs, como anneií^as do <^on- 
vento, eram unidas in perpeíuáim{\) ao diio 
coUegio da Graça, de Coimbra. 

É um dos mais antigos mosteiros de Por- 
tugal; pois foi fundado por dois mouros 
convertidos, um chamado i^ifzára, outro Za- 
«oóra, em 881 Era da invoqagào de S. Pedro, 
apostolo. Os mauros o destruiram em 963, 
e foi reedificado em 967, por D. Gonçalo 
Vasques, tronco dos Freitas. Viveu no tem- 
po de D. AÍIonso VI, sogro do nosso conde 
IX Henrique. 

O reitor d*este coJlegio apresei^ava na 
firegaezia de Cétte e S. Joào da Foz do Sou- 
za, por vigários, frades da çua Ordem, eoas 
otttri»r <^tiras seeularjes. 

Principiou-se o prooesso ps^a o foral de 
Gette no reinado de D. Manuel^ m|is não se 
cbegQU a concluir. (Torre do Tombo, g^eta 
20, maço li, n.« 19.) 

Além do vigário^ tinha esta freguezia um 
cura seoular, com 8^000 réis, 10 alqueires 
de pão e o pé d*aUar. 

Sm 15U é que esjye Qonvento fei dado ao 
coUei[ia de erosios de Coimbra (CoHegio da 
Graça.) 

É terra muito fértil em todas as produc- 
ções agrícolas do reino. Miolos e bons pas- 
tos e muito gado. 

Quando esta fregueaa era couto, tinha 
juiz ordinário, do eivei e orphãos, ppoeuna- 
dpr,. dois quadriiheQ-os^ dois jurados e^ um 
porteko, li\do feito a votos pelo povo, e con- 
firmados pelo Q. abbade. 

Havia aqui (e nSo.set se aMia ha) quatro 
lBtra3^ %^ de margoy 15 de agoslo, a^e se- 
tembro e 3, dOimaiow 

D. Atfonso I eoncedeu ao convénio e seu 
couto muitos egmides privilégios^ que^ns 
successores confirmaram e amplitraitL 



GDZ 

Cette é uma cidade, marítima de França» 
onde também havia um mosteiro antiquís- 
simo á& eremitas da Santo Agostinho. Sa|H 
ponho que um, ou mais, religiosos d*e9le 
mosteiro vieram, na sua origem, povoar o 
mosteiro portuguez (lusitano) e, em memo- 
ria do seu, de França, lhe ímpozcssem o 
mesmo nome. Declaro que esta opinião é só 
minha, por isso cada um lhe dará o valore 
consideração que quizer. 

CEZAr ou GESAR— freguozia, Douro, c<^* 
marca, concelho e 9 kilometros ao NE. de 
Oliveira de Azeméis, 30 ao SE. do Porto, SSO 
ao NE. de Aveiro, 1^ ao E, da Feira, SáO 
ao N. de Lisboa, 170 fogos. 

Em 17$7 t^^ha 13^ fogos. 

Orago S. Pedro, apostolo. 

Bispado do Porto, districto administrati- 
vo de Aveiro. 

É do infantado, e foi dos condes da Feira. 

Era antigamente da com^^ d& Esguei- 
ra,; concelho (i^ Feira, depois passou atser 
da comarca e conceba da ^eira, atese crear 
a.fomarxsa de OJiyeira de Azeméis. 

Ê no distriçto da antiga Terra de Santa 
Maria (Terra da Feira). 

Situada, a, maior parte da freguezia em 
um lindo e fertilissimo ysU^ cercado da pe- 
quenos montes e outeiros, dos^^ quaes se vè 
a eidade d^ Porto, o mar, muitas {reguauas 
e varías serras. 

Francisco de Távora e Noronha apreten- 
tava o abbade; nias em 17{$9^ cora a execu- 
ção d*esta família, sendo todos os seus^bens 
oonfiseados, ficou esta egreja ao real padPf^- 
do, passando depois para o infantado. O ab- 
bade tinha de renda WO^OOO réis. 

É terra muito fertil em tudo, cría mpiu 
gado e ha alguma caça. Rega a, freguesa o 
ribeiro da Pedra Má e vários arroios. 

No logar da Torre, ha vestígios de^ maa 
torre, que moâtra ser de alf^m senb^ <0ie 
aqui viveu em tei)0i>os^ antigos. 

Na ^erra do Pinheiro» ha alicerces de ooa- 
;8troGQ$e& aotiquisaimas^ qi^ segnadOkfiftiii- 
diçio, fl)i uma fortaleia romana. gN^ft ^a 
Í«ÍígD ter aMa mais- antiguidade.) 

EsM firegoe^ é^fiuito bofútae mni^de- 
Tandftpanie^PMrte daswi aotualproflvi^- 
dade a muita gente que d^aquileqk^Ud^Ml^ 



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GEZ 

o BnisU (qoasi Uiúm para o Pará) e d- óode 
Idem trazido boas quantias de dinheiro. 

A soa antigisi mfttriz, que era muito pe- 
quena e iD$igQiâfiaht^, estava no sitio da 
actual resfideneia do párocho; más, estando 
muito arruinada, se construiu a nova egre- 
Ja, nos fios do século XVII, a qual tem duas 
torres, é muito clara, elegante e bem orha- 
da. 

Na rectaguarda da egreja tinba o abbade 
que era em 1894, feito um vasto e magnifi- 
co jardim, com umã bella casa de fresco 
(feita com \m\ só t grande cedro) ))onitos 
assentos, todos com sentenças, apotegmas e 
máximas moraes, extrahidas dos Evangelhos 
e de vários phHosophos. Este bom e bene- 
mérito abbade foi, como quasi todos, expul- 
so da sua egreja, e o que o veíõ substituir 
deixou arruinar tudo. 

Em quanto se construía a actual egreja, 
•orno a velha estava demdida, siervia de ma- 
triz a capellá de Nossa Senhora da Graça. 

No sítio da Gandara (ao cimo da fregue- 
úa) que é um bonito e extenso soiíto, ha 
tuna grande feira, todos os dias 48 cie eada 
mez. 

Enti^ o logar de Trazeiros e YiWariBlio, 
Irourvo amigàmeiíte um fdH» pam c^çar Io« 
bos, do qual apenas resta a memoría, e é 
Mtne de Foio^ dado ao sílío em que^lle 
existiu. 

Antes de 1834, f>arte d>9ta fregaezia era 
ftofira dos Castros, do Coto^ que, entre oa* 
Ures titules, se denoimtnavam senhores dás 
honras de Cezar eGoiate. (Gaia te é uipa al- 
ceia na ftreguezia de Miiíeirós de Poares, 
^e confina com esta.) 

&ta freguezia é antiqoissima e é maito 
fnrovftfel que yi e<xi»tís8e no tempo dos roí- 
naÉOs, qtte iliederam^» nome que teã.ôs 
^resiigios de edificios antiquíssimos da serra 
êú íPkfhelro, dão testemunto de qoe ha mui - 
tos seccâos é posroada. 
. CBflMBRÁ — villa, Akmfójo, (mas a que 
afflciaimente se chama Extremadura) comar- 
ca^^Almada, 35 kilometrois ao SO. dé Lis- 
boa, i:S70 fogos. (5:000 almas) «m duas tre- 
fie^a» ^(8a«A0/ Maria «ia jlossa JSe&l^orf^ .4st 
Consolação e S. Thiago). 

£m 1757 tinha 430 fogos. 



GBZ 



261 



Palriarehado e districto administrativo de 

Lisboa. 

Á freguezia de Santa Maria se dá o nome 
deNossa Senhora da Consolação, ou de Nos- 
sa Senhora do Gastesllo. Em 1640 tinha 950 
fogos. A villa era então da comarca de Setú- 
bal. Hofè tem a freguezia de Santa Maria do 
Castello 570 fogos e a de S. Thiago 700. 

Situada Ba costa do Atlântico. 

Segundo Philippe Ferrari (Lexkon Geo- 
grapkko) era á Zomòm dos romanos. Segon- 
outros anctores era chamada Caetcbrix ou 
Cetobriga. 

Segundo a opinião mais seguida, Zambra 
era a actual Cezimbra, e Cetobriga, a tída- 
de phenicia que está defronte de Selabai e 
a que vulgarmente se chama Tróia. (Vide 
Cetobriga.) 

Era antigamente da comarca de Setúbal, 
d'6nde ^sla 18 kilometros ao O. 

A egreja de S. Thiago é de 3 naves, e 7 
altares. Mas limito baixa e em máo estado. 

Tinha prior e dois beneficiados curados 
e 4 simples. 

Fm edificada (ou reedificada) em 1536. 

O prior e os beneflciaâos corados (que % 
mesa da consciência apresentava, por ser da 
Ordem de S. Thiago) entóft pagos pelatíomr 
raenda, e tinha cada um 3 «loios de trigo-^ 
os simples, tinham «ada um 2 moios de trigo. 

O prior tinha mais 2 V2 moios de cevada 
e 20j9000 réis em dinheiro, ao todo,.pdilco 
mais de lOOiíKKK) réis— e todos oe benefi- 
ciados lOi^OOO réis eada um. 

Sanu Maria, ou Nossa Senhora da Gofisç- 
laçSo, ou do Gastelle, dentro do oastetto^ é 
do ittna só nave, mas também tem 7 attimB. 

fistá no sitio onde erao easteUo dos moa- 
ros, ccfmo <i attestám asmun^i^ e toi^de» 
qoe a ceream. É quasi tão antiga como a 
monarebfa. (Foi ediicada e 1166.) 

A Mesa ila Conscteaeía apresentai» o 
prior, por ser a^grfja da Ordem de S. Thia- 
go. Thiha o prior 3 móis de trigo, t e meio 
de cevada e tOliOOi réis ao toTdo t4Oi0â6O 
réis. Tinha 2 benefioiadés, da mesma apte*- 
«enta^, cada um <otn 10f06#ré^ t moios 
de itrígo e moio e meio de Mvada. 

^lies ide fèSkf, Unha ^ de fóva,«amara„ 



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262 



CEZ 



GEZ 



procurador do concelho, juiz dos orphSos, 
almoxarife, juizes dos direitos reaes, escri- 
vães, offlciaes. ele. 

Tinha capitao-mór, sargento -mór e duas 
companhias da bicha. Misericórdia e hospi- 
tal, pobres. 

Tem duas fortalezas, uma dentro da yilla e 
outra fora, mas próximo, chamada do Cavai- 
lo. Estas fortificações foram restauradas, por 
ordem de D. João IV em 1648. Foi superin- 
tendente doestas obras, o célebre padre Cos- 
mander, da Companhia de Jesus. 

Antigamente o governador d'estas forta- 
lezas governava também em todas as mais 
ao N. até à Torre do Outâo, e ao S. até Al- 
bufeira. 

Em uma serra próxima ha gran finissima 
e óptimas pedras de amolar, muito brancas. 

Consta que esta povoação foi fundada pe- 
los gallo-ceitas e Sarríos, uns 300 annos 
antes de Jesus Chrísto. D. AfTonso I a tomou 
ao» mouros em 1165. Arruinou-se com as 
guerras e a reedificou e repovoou D. San- 
cho I, em 1200, dando-Ihe grandes foros e 
privilégios ; dando-a aos francezes que o vie- 
ram ajudar em 1199, contra os mouros. 

Os duques d' Aveiro eram senhores doesta 
villa; mas, em 1759, pelo supplicio do ultimo, 
4lcoupara a coroa. 

Foi antigamente da corregedoria d'Azei- 
tao. 

É terra fértil. Tem muitas colmeias, 4)i- 
nhaes, gado, caça e peixe. 

Ha aqui muito boas quintas. 

Eratn do seu termo, Azeitão, Camarate, 
Aldeia dos Pinheiros, Aldeia das Vendas, 
Aldeia de Villa Fresca, (onde está a paro- 
t^ia de S. Simão, curado da Ordem de S. 
Thiago, vulgarrmente Viila Fresca d* Azeitão) 
Aldeia dos Castanhos, Aldeia de Nogueifa 
(onde está a pàrochia de S. Lourenço, cura- 
to da 2q)resentação dos fi^eguezes e a Casa de 
Misericórdia : é hoje Villa Nogueira») Aldeia 
Rica, Aldeia doa Oleiros, Aldeia doairmàos, 
Porto da Villa, Coina-a*Veiha-deCimd, e 
flMoa-a-Velha^de-Baixo. ^ 

No meio doestas aldeias está fundado um 
«oberbo palácio, com magestoaa entrada .e 
espaçosa quinta, de frondoso arvoredo, li- 
nhas, reampos, hortas, pomures^ jariios, e 



muitas fontes, que foi dos dnc{aes*d*Aveira. 
Junto d'este palácio está o conwnto^ 
firades dominicos, que fundou Estevão Este- 
ves,, ou cavalleiro rico, que, com sua mulher» 
Aforia Lourenço, fizeram doação a este coa- 
vento, por escriptura publica de 15 de de* 
zen^bro de 1434, de todas as casas» cérea e 
mais dependências. 

rei D. Duarte lhe deu muito bons para^ 
mentos. Fuodouse, como disse, na quinta 
dos doadores, lançando se-lhe a primeira pe- 
dra no dia de Nossa Senhora do O, do an- 
uo de 1435, concorrendo para a obra o rei 
e seu filho, P. AfTonso, depois V, que lhe de- 
ram 3 moios de trigo de renda, dos /ontos- 
de-Palhaes, e dinheiro para os carretos. ^ 

A 3 kilora^tros fica a Quipta do Calhahz» 
dos srs. duques de Palmella, e no mesma 
sitio a dos srs. condes de Sampaio. 

São duas formosas e magnificas vivendas^ 
principalmente a primeira, que também tem 
uma sumptuosa capella. 

Junto da villa ha um aqueducto dQ caa- 
taria, por onde vem a agua para o chafariz 
principal d*ella. 

Di%-se que a agua da Fonte da TéUia e a 
dd Carvalho sãôveíBcicazQíparaacuradf 
muitas doenças, i 

Nas cdrtes que se celebraram em Lisboa 
em 18 de março de 1427, teve banco. 

Era cabeça da commenda, do mestrado da 
Ordem de S. thiago, e foram seus commen- 
dadores, até 1759, os duques d' Aveiro: de- 
pois passou para a coroa. 

D. Sancho I, lhe deu foral, em Coimbra 
(com todos os grandes privilégios, íóros e 
regalias do foral tfEwra) em agosto de ifOL 
D. AlToBSo II, o confirmou, em Saotareo^ 
em janeiriy de 131-8. D. Manuel Uio dea fo- 
ral 110V0, em Lisboa, a 28 de julho de.l5ik 

Tem mais doas Sentenças de loral, un^ 
de 31 de maio de 1560, outra de .23 de jo^ 
nho de 1564 (Archivo da Torre der Tombo, 

1 Descrevi aqui este convento, norgiM^ 
quando sç fundou era no termo de ueniúr 
bra; maá cite já está deâcrii)to e com mais 
lÉiiauciosidíade em Ateitâo. Vide esta pa^ 
vra. 



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Liv. das Sentenças a favor da coroa, fl. 175, 
col. 2 e fl. i43 V., col. 2.) 

Cezimbra tem um peqaeno porto de mar. 

As suas areias trouxeram ouro. (Vide Al- 
mada.) — 

João Martins de Deus^ era um cavalleiro 
asturiano, que se veio estabelecer n^esta vil- 
la e é progenitor dos Martins de Deu^ d'a- 
qui e de Setúbal. Suas armas sã(^T-escudo 
dividido em pala, na primeira d*azul, \^n cas- 
tello d'ouro, com um corvo negro aporta; 
na segunda, d^ouro, aguía azul, rompente. 
Elmo d'aço^ e por timbre 5 plumas, duas 
d*ouro e 3 azues. Outros da mesma familia 
Icem as mesmas armas, mas por timbre um 
castello d*ouro, que é o das armas. 

Nos campos de Cezimbra derrotou D. Af- 
iònso I, em 1165^ o rei mouro de Badajoz, 
que vinha soccorrer os castellos d'esia vilr 
la e Palmella. 

D. Diniz é que creou o concelho, de Ce- 
zimbra, em 1323, fazendo-a então vi)]a. 

Já vimos que o concelho de Cezimbr;^ che- 
cava antigamente até Coina e comprehen- 
dia todo o actual concelho d*Azeitào^ que 
l(>i d*aqui desmembrado, formando novo con- 
celho, por alvará de 3 de novembro de 17$9. 
Mesmo assim, ainda este concelho tem 16 
kilometros de comprido e 13 de largo. 

O Cabo do Espichel é n'este concelho. Pe- 
lo N., L. e O., é a villa rodeada de serras ai- 
4;antiladas. 

. Suas casas são em geral pequenas, anti- 
gas e irregulares e as ruas tortas e estrei- 
tas, como as de todas as povoações antigas. 

A Fortaleza da Praia (que fica ao S.) tem 
boas quartéis para governador, ofSciaes e 
^ldadõ% quando os bavi^; porque, actoal- 
jQ^le a guarnição c(Mista4e 4 artilb^ros I 

Parle dos ediíicios do forte foi destinada 
4>ar%a4elegaçào da alfandega. . ^ 
^4 ca#a, da jcamara é soffríveL 
. , A maior parte dos habitante34e Ce^m- 
bf a são pescadores, e fazem grande conuper- 
<íio .de peix9 ^(iuan4o o ha). não 30 com o 
tl^íno, mas até opm^af Hespanha. 

Acapeila rfal deNossa Senhora dg Cabo 
é um templo magnífico e l^llo^ £| aqui. a 
grande r^«naria que toda a Lisbpa e 0eu 



(M^ 



^ 



termo conhecem, concorridissima (sobre ta* 
do, dos saloios e do seu famoso círio.) Esta 
egreja tem a catiiegoria de Capella Real A 
imagem de Nossa Senhora do Cabo, appa- 
reeeu p^os annos de 12o0, no tempo de D. 
AfTonso III. A festividade e concorrência de 
círios a esta egr^ja, que é um templo sum- 
ptuoso, data do seu appar«cimento. 

O círio dos saloios tem logar no dia da 
Ascensão. O d* Azeitão, pelo Espirito Santo, e 
o de Cezimbra, no primeiro domingo depois 
do dia de S. Pedro d* Alcântara. É d*estesan- 
penitente, que habitou aquella serra, que 
toma o nome de círio de S. Pedro d'Alcaa- 
tara. 

Os arrabaldes da villa são muito férteis # 
bonitos. 

Ha no termo minas de ferro e de trachí- 
tes (de linda côr verde.) 

A sua alfandega renda annualmente, ter- 
mo médio, 10 contos de réis. 

A principal festividade religiosa queaqui 
se faz, é ao Senhor das Chagas, no dia 3 do 
«uaio.Esta veneranda imagem, segundo a. tra? 
dição, aportou a esta praia, em 1534, e a cias- 
se marítima empenha- se o mais possível^ 
para qvte todos os annos se faça estasoleni- 
nídade com grande esplendor. . , , ,. 

Ha naXreguezia, 5 capellas—a do Calhai^iz» 
a de S. Payo, a de Sant*Anna a de Aiau* 
na o a de Aifarim; isto fora a de Nossa Se- 
nhora do Cabo, de* que já fallei. 

O concelho de Cezimbra é apenas compôs* 
to das duas freguezias da villa (Nossa Se- 
nhora da Consolação e S. Th^ago) a primei- 
ra com 568 fogos e a segunda com 7.Q2* 

CE VER— Vide Sever. 

G£2;nRES ou âEZU]fiES—freguezia^ Mi- 
nho^ copíiarca e concelho de Villa Nova de 
Famalicão, II) kilometros ao O. da Pçfga, 
345 ao N. de Listra, 100 fogos. 

Em 1757 tinha 63 fogos. 

Orago S4 Mamede. 

Arcebispado e districtp administrativo dt 
Braga. . ;: 

Situada em terreno accidentado e moit* 
fértil. 

O aM)^e de $. Thiago4e Prisco^, iH^rf^efi* 



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364 



(mL 



uVa o vigário, que Unha 40^000 réis de ren- 
amento. 

^XZURES, ou SEZUREã— fregueziaj Bei- 
ra-Altà, concelho de Penalva do Castello, 
comarca de Manguatde, 2<kilometros a SB. 
dé Visen, 300 ao N. de Lisljíoa, tHÒ fogos. 

Em Í7Í1 linha 117 fogos. 

Orago Nossa Senhora da (lt*aça. 

Bispado e districto administrativo de Yi- 

Fertrl. Tem bom vinho. 

£ra commenda da ordem militar do San- 
to Sepulchro (cavalleiros de Jerusalém.) Vi- 
de Trancozéllo. 

O abbade da freguezia do Castello de Pe- 
nalvãk, apresentava o cura, que tinha 20^000 
réis. 

CHáCni— villa, Traz os Montes, 60 kilo- 
metros de Miranda, 420 ao N. de Lisboa, 
160 fogos, 600 almas. No concelho 3:900, na 
eomarca os mesmos. 

Em 1757 tinha 192 fogos. 

OragO Santa Comba, virgem martyr. 

Bispado e districto administrativo de Bra- 
ga!n<^ 

Èra antigamente da comarca da Torre de 
Koncorvo. Eram seus donatários os condes 
dé S. Payo. (Cardoso, Carvalho e outros, di- 
zem que eram os condes de Villa-Flor; só o 
Portugal Sacro diz que eram os condes de 
S. Payo.) 

Pelo decreto de 24 de outubro de 1855, 
86 passou a comarca e concelho de Chaeim 
a denominar, de Macedo de Cavalleiros, ti- 
Irâudo-selhe algumas freguezias e annexán- 
^o-se-lhe outras. Vide no fim d*e3te artigo, 
as ftieguezias de que se compõe actualmente. 

O tÉonatario apresentava o abbadè, que ti- 
nha 1:100^000 réis. 

O ábbade apresentava um cura, ao qual 
flava ^|>000 réis e metade do jpé d*altar. 

Tétú Misericórdia. 

A capella de Nossa Senhora doDestenro 
foi a antiga matriz da vílla. 

É notável a capella de Nossa Senhora do 
Atnparo, pelo ségúime : 

Antigamente era da invocação de NosfiMi 
Senhbra da Torre, por hav^ junto â*èlla 
uma torre, que estando qnasi de todo ddft- 
ttlttéliâa, foi <!omp&etametite^rra»iãa«in 



CEZ 

1740. Gomo já nao Mvia a torre para dar o 
sobrenome à capella se ficou chamando de 
«D.Caetano.t Depois, deixou de se denomibar 
de D. Caetano, e dedicou-se a capella a San* 
ta Catharina ; mas, ainda nào satisfeitos com 
estas substituições, a dedicaram finalmente 
a Nossa Senhora do Amparo. 

É terra muito abundante d*aguas, muito 
fehil e cria muito gado. 

Tem muitas amoreiras, cria muito bixo de 
seda e tem fábricas d'ella. 

Antigamente a camará e as justiças d^aqui 
eram postas pelos senhores de ViliâFlor 
que •alimpavam as eleições.* 

Tinha capitão -mór, sargento -mór, dons 
capitães e duas companhias de ordenan* 
ças. 

A Fcmte da Fraga, próximo ao rio Ásiòo, 
é sulphurea, e attríbue-se-lhe a virtude de 
curar muitas doenças. 

A 3 kiiométros ao E. da villa, em um al- 
to, érmò e agreste (chamado Monte do Car* 
rascai) existia de muitos annos uma ermida 
dedicada a Nossa Senhora de Balsemão, ou 
de Balsamão, quo é tradição ler sido mes* 
quita de mouros. 

Um frade, de nação polaco, chamado €a^ 
shniro, de 8. José Wizinski, Amdou junto á 
esta capella, em 1750, um convento de fra- 
des maríahnos, com a invocação da Imma* 
culada Conceição, que é hoje propriedade 
particular. Pela encosta do S., estão edifi- 
cadas 8 capeliínhas com os passos da pai- 
xão. (Via ^era.) É conhecido por «Conven- 
to de Balsemão. i" '-' ' 

A situação d*este convento é muito formo*i 
sa. No fim de uma dilatada veiga, se vé uma 
eollina agreste e selvagem, mas què a arte 
conseguiu cultivar e tornar aprasifet.^£'ne 
cimo d'esfta collina, que os cenobitas Amda- 
ràm o sèu eonvento; do qual se ávisUcsna 
formosa paisagem. Ao E. e N. so v^effl oa 
extensos montes de Moraes. Ao O, se vêem 
as férteis veigas4e Ohachn e ao longe a^r- 
ra ée Bornes, quasi sempre eoberudeneve. 

Na egreja do mosteivo está a sepultura 'lo 
fundador. Antes de liaver o i^onves^, jâ 
aqui havia anachoretas, què habitavam 4b* 
pêr^ pela seita. 

lunto ao eenveÉio ainda ^stees veMgJoe 



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CB2 



asi 



de edtfieíos, qae parecem ser restos de for- 
tes maralhas. 

A base do monte é regada a E. pelo rio 
Azibo, e ao N. corre um ribeiro, que, depois 
de regar os fertei? campos de Chaciro, vae 
deaguar no Azibo. 

É tradição que, no logar onde hoje está o 
convento, existira, no IX ou X século, o cas- 
tello de um rei mouro, o qual enlre ou- 
tras oppressões que fazia aos seus vassalos 
Christãos, ora uma (de certo st peor) possuir 
todas as noivas, no primeiro dia do seu ca- 
samento. 

Um habitante da villa de AMándega da Fé 
(que é agora . concelho d*esta comarca) ao 
qual chegou a vez de ser noivo, não esteve 
pelos autos, e, próclatnando aos seus patrí- 
cios, àe revoltaram contra <) tyranno. 

Sabendo o tal rei d'esta conspiração, veio 
esperar os rebeldes nos campos de Chacim 
t ahi se deu um renhido combate, em que 
08 christâos (os revoltados) por serem mui- 
to menos do que os mouros, hiam de venci- 
da; porém Nossa Senhora lhes appareoeu e, 
com um vaso dn bálsamo na mão, lhes cura- 
va todas as feridas e dava novo alento; pe- 
lo que elles venceram os mouros, matando 
o rei e quasi todos os seus. 

Depois foram se ao castello e o arrasa- 

tVítíí, 

Em memoria disto e emacçio de graçals a 
Nossa Senhora, ediflcaram uma capella, no 
sitio onde tinha sido o castello e lhe derafo 
a invodtçâo de Nossa Séhh£irk 'do Balsaníb 
li& IlEo (e là esta a Senhora com uma am- 
phora ou vaso na mão) e a que o povo por 
abreviatura chama Nossa Senhora de Balsa- 
mão. 

A ermida foi depois ampKada e é hoje 
nma egreja, sob a mesma invocação. Paz-se- 
lhe annuahnehté uma grande romaria nó 
domingo de Paschóella, conhecida pelo no- 
me de Festa de Cora Ifotiro (porque Nossa 
Senhora, animando os cfarisiãos na tái bata- 
lha, lhes dizia: Cata aos fnioutosl 

Perto d*esta capella está um pôço, que 
etHDmuiHca com o rio Azibo, qúe corre lios 
ttmhes d'e8ta viHa. Nasce no logar de Pou- 
zendo, termo de Bragança, e diep^ de 10 
kUometros de curso, desagua no Sabdr. 



Também em premio d'esta victoria, se deu 
á villa d'AIfandega o sobrenome de: da Fé. 
(Vide esta villa.) 

E ao sitio onde teve logar a batalha (què 
degenerou em chacina) se deu o nome de 
CAdCfw, que passou para a villa. - 

Ainda hoje se vêem junto ao convento 
vestígios de fortes muralhas. (Vide Balse- 
mão e Caramôs.) 

Consta que D. Fernão Mendes Cogominho 
lhe deu foral no reinado de D. João I, pelos 
annos de 1400, mas Franklim não falia n*es- 
tè foral. 

D. Manuel lhe déu foral novo, sem data, 
provavelmente ppr esquecimento, ou por er- 
ro de cópia; mas snpp5e-se que foi em 
Í5I4. (Torre do Tombo, Livro dos foi*aes no* 
vos de Trax-oé-MonteSy fl. 18, col. 2.«) 

N*este foral, no artigo Portagem, se rc- 
mette ao foral de Miranda, qne é do l.<* de 
junho de Í610, logo o de Chacim é mais 
novo. 

O foral doesta villa o ó também de Monte 
Mel. 

Chacim é povoação antíquissima, mas não 
pude saber quem a fundou, nem quando. É 
provável que já existisse no tempo dos ro- 
manos e que as ruinas de muralhas (alicer- 
ces) que se vêem no Monte do Carrascal 
(hc^e Balsemão) seja construcção sua. 
* A lenda do rei mouro (que de certo não 
passava de algum alcaide ou emir) tem vi- 
sos- de^^rdadelía; e o milagre do bálsamo 
tem fácil explicação, isto é, podia alguma 
donzeHa lusitana curar as feridas e animar 
os chistãos no faror da batalha (talvez fbsse 
mesmo a tal desposada do èaváUeíro de Al- 
fandega da Fé) e qUe os hisitanos no impul- 
so da sua gratidão a comparassem à Santa 
Virgem. 

TeÈn este concelho 40 (Iregnezias, sendo 38 
no bispado de Bragança e 2 no aréebhptdo 
de Braga. As de Bragança são : Ala, Amen- 
doeira, Arcos, Bagueixe, Bornes, burga' 
Carrapatas, Castellãos, Chacim, Corti<(d^, Co- 
rujas, Edròso, Espadanado, Penneira, Grijó, 
Lagoa, Lama-Lònga, Lamas, Máèêdo de Ga- 
valleiros, Melles, Moraes, Murços, Olmos» 
Podence, Romeu, ISMeeUas, Sesulfe (ou Ce- 



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â66 



CHA 



zulfe) SoutôIIo, Talhas, Talhinhas, Yalle d*As- 
nes, Yalie Bemfeito, Yalle da Porca, Yalle de 
Prados, Yillar do Monte, Villarinho de Agro- 
chão, Yillarínho do Monte e Yínhas. No ar- 
cebispado de Braga, são : Lombo e Perédo. 

CHAFARIZ— -palavra africana, Xacarige, 
lôDte d^agua com bica, ou sem ella. Foi ado- 
ptada pelos portugne^s; más. só se dá ás 
fontes que teem uma ou muitas bicas. 

CHAKRACH-— nome que os árabes da- 
vam à villa de Sagres, no Algarve. 

CHAMA ou CHAMOA—porluguez antigo, 
nome próprio de mulher. É corrupção do 
latim Flâmula. Em todos os foraes e docu- 
mentos antigos portuguezes, escríptos em 
latim, em que figurava alguma mulher does- 
te nome, se escrevia Flâmula. Foi muito 
usado cm Portugal até ao século XIY, prin- 
cipiando desde então a cahir em desuso. (Yi* 
de Torre de Dona Chama.) 

CHAMOIM — freguezia, Minho, comarca do 
Pico de Regalados até 1855, e desde então 
comarca de YillaYerde, concelho de Terras 
de Bouro, 2i kilometros de Braga, 360 ao 
^í de liisbpa, 130 fogos. 

Em 1757 tinha 114 fogos. 

Orago S. Thiago, apostolo. 

Arcebispado e districto administrativo de 
Braga. 

Era antigamente da comarca de Yiamia, 
concelho de Terras de Bouro. 

O arcebispo de Braga e o papa apresenta- 
vam alternativamente o,abti^e, quo^tiAbai 
500*000 réis. , . 

É terra muito abundante de boas aguas e 
muito feriil « saudável. 

Corre pela freguei^a a antiquíssima via 
militar romana chapaad^ a Geira. 

É regada pelo rio Homem» que aqui se 
junta com o Rio Pequeno e vae juntar-se 
ao Cávado, no Bico. 

Ainda 2^qui ^stem algums marcos millia- 
rios da Geira. 

' Junto ao logar está um sem inscripção 
(por lhe faltar a parte onde ella estava.) Tem 
1«^50 de altura. 

Não longe doeste está outro, da mesma al- 
tura, do qual só se pôde lér : 

4 . . . PD AUG . . . . 



CHA 

No sitio dos Esporões está outro de £Pf/^ 
palmos de altura, sem inscripção. 

O cruzeiro doesta freguezia é formado por 
uma columna de granito mal lavrado, cpjte o 
padre J. C. d'Argote diz, fora marco millia- 
rip. Picar^m-lhe a inscripção, para o adel- 
gaçareo} para isto. 

CHAMORRA— grande e bonita aldek^ 
Douro, freguezia de Yalladares, concelho e 
5 kilometros ao SO. de Gaia, comarca» bis- 
pado, districto administrativo e 5 kilome;» 
tros ao S. do Porto. 30 fogos. 

A freguezia tem 340 fogos e é seu orago^ S. 
Salvador. 

Teve principio (segundo consta) emxiina 
propriedade de que foi senhora uma danut 
nobre chamada D. Chamóa, a qual aqui con- 
struiu uma boa casa, pelp que se ficou cha- 
mando Quinta de D. ChamOa. Depois, por 
abreviatura, Quinta da Cbamôa, que por fim 
se corrompeu em Chamorra. 

Dizem outros que á tal quinta se chamov 
semprQ da Chamorra, por ser de uma se- 
nhora que andava sempre com o cabéli# 
tosqueado. 

Acho mais verosímil a primeira etymoJo; 
gia. (Yide Chama e Chamorro.) 

Esta aldeia é situada em formosa posiçifi 
e muito fertil. É atravessada pela nova es- 
trada á macadam, do Porto para Ovar. Fica 
r^,:\in^ 3 kilon^etros ao S. da estação do ca- 
minho de ferrpjd^ Yilla^Jíoyíi de Gaia (De- 
vezas) e a egual distancia a ENE. do AM^ 
tico. 

Asi mulheres d*estes sitios teem fama (bas- 
tante bem merecida) de muito formosas. 

CHAMORRO-rtosquiado. Deram os cas- 
telhanos este nome aos portuguezes (qi^ 
tão bem os iosquearam) em A^ul^rrolai 
porqup os castelhanos ainda «nião usavam 
o cabeúo comprido, como os godos, e násjf 
não. D^ ioão I de Castella dizia quandp iaa 
fugir : i A m^or pena que tenho é ser d6^ 
rotado por estes chamáiros,* ^ 

CEAMUSCA-rryilla, Alemt^o, lOO.kilp: 
metros a^ E. de Lisboa, 800 fogos, 3200^.4* 
.qias— no concelho 2:260 fogos, na eon^rca 
3:700. , ; 



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€HA 

Em 1757 tinha 662 fogos na villa e fre- 
gitezia. 

Orago S. Braz, bispo e martyr. 

Patriarchado, districto administrativa de 
Santarém. 

Situada em campina, muito fértil, na mar- 
gem esquerda do Tejo, d*onde se vé a Gol* 
legan, a 6 kilometros ae N., a Asinhaga e 
outras povoações. 

A matriz é um bom templo, com sete al- 
tares. O prior, jà antes^de 1834, era feito a 
^concurso. Tinha a terça parte dos dizimos, 
^e andava por 1:000|000 réis.' 

Em 1757 andou em litígio o padroado 
doesta egreja, entre o patriarcha e a rainha, 
allegando ambos direito a elle. Por íim ven- 
H!eu a rainha, por ser este padroado da de- 
nominada Casa das Rainhas. 

Tem Misericórdia e hospital, fundado em 
1740 por Francisco Sutíl, natural doesta villa. 
Tem varias capellas dentro e fora da villa. 

É terra muito fértil em eereaes e legu- 
mes, óptimos melões e melancias, muito e 
muito bom vinho (já em 1750 produzia a 
^llla e termo 1:500 pipas) toda a ca^ta de 
gado (os seus toiros são conhecidos pela sua 
bravura em todo o Teino)^ Abunda em caça 
e peixe do Tejo. 

Era da Casa das «Rainhas que aqui punha 
juiz de fora, camará e mais justiças,, e su- 
jeitas á ouvidoria d'Alemquer, como cabeça 
^ comarca das Terras das Rainhas. 

Tem duas boas leiras,