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Full text of "Pretidão de amor; endechas de Camões a Barbara escrava, seguidas da respectiva traducção em varias linguas e antecedidas de um preambulo"

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OSAAA V \A^^5sA^\W 



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PRETIDÁO 



DE 



AMOR 



XAVIER DA CUNHA 



PRETIDÁO 



AMOR 



Endechas de CAMÓFS a Babvba escrava 
respectiva traduc9a.o eh vauas linguas 



ANTECEDOIAS DE U 



LISBOA 

IHPKENSA NAaONAL 
1893 



THE WEW YORK 

PUBLIC LIBRARY 

623138 \ 

ASTOÍV, LENOX AND 
TILDEN FO'JNDATIONS 

R 1932 t 



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A UM DOS DIGNOS FILHOS 



. DE 



GASPAR JOSÉ MONTEIRO 



t > 



(Amoo nmMo db meu Pab) 



AO 



Dr. VICENTE MONTEIRO 



(Amoo «TUTO DO Dk. Antonio Aucurro db Cakvaliio Montbho) 




UIZA é o sobrenome de sua Esposa; e era BARBARA o so- 
brenome de sua Mae. Nesses dois suavissimos elementos 
(urna doce aurora a desatar-se em flores e em fructos do 
mais auspicioso porvir; um doce crepúsculo, apagado imbora 
ante os olhos corporaes, mas eternamente redivivo ante a ' 
saudade, eternamente redivivo no cora^áo, e lá das ineffaveis 
Bemaventurancas a surrir-nos celestialmente amoravel) queira 
o Dr. Vicente Monteiro permittir que eu aproveite um pretexto 
e urna égide para — dedicando-lhe esta meia-duzia de paginas 
aproposito de «Luiza Barbara» — trabar aqui um singelo teste- 
munho da cordial gratidáo e do profundo reconhecimento que por 
tantos e tantos motivos Ihe deve e tributa 





Lisboa: 




Em €i3 DE JuNHo'» de 1892. 


, -í 


* Hac miki pretcipyo nt ore canenda diet. 




(Ono. Fut. Lib. II, ▼. cnnr.) 


— I 1 




■v: ' 




^ 




• • 1 





X. da C, 



w 



PAGINAS PREAMBU LARES 



GENIO poético de Luiz de CamÓes oíferece-nos 
a singulandade pasmosa de haver-se añirmado 
em todos os géneros de litteratura. 

Antes de esculpir, no perduravel bronze da 
mais sublime epopéa que estro humano podia 
em tempe algum devanear, a maravilhosa glo- 
rifica^So d' Os Limadas, — Camóes percorre a 
gamma completa das modalidades artísticas, e 
deixa-nos levantado em cada producido das 
suas um padráo solemne da apotheose propria. 

Vibram-lhe na lyra sonorosas todas as notas da escala 
chromatica. Nao é só a majestade épica em suas revela^Óes 
omnímodas: — é a tristeza plangente da elegía apar do ace- 
rado gume do epígramma; é a facecia chocarreira depoís do 
lyrísmo suavíssímo; é a comedía espirituosa e fina, ás vezes 
mesmo a chufa do entremez ; é o naturalissimo desgarre das 
suas cartas perfumadas pelo chiste simultáneamente gracioso 
e despretencioso; é de involta com o trovador idealista, 



sentimentalmente apaixonado por Nathercia, o galanteador 
cortezáo d'esse quid innominado e vago a que todo o cora- 
(áo de poeta irresistivelmente obedece ante a fascinante se- 
duc9áo de um surriso feminino. 

Pertencem a esta ultima sec9áo algumas das suas mais 
rendilhadas trovas. 

E entre essas (se preferencia é admissivel) uma das que 
mais nos impressionam, das que mais nos incantam, das que 
mais nos inlevam, aquella emfím que merece talvez consi- 
derar-se esmeralda de mais subido pre^o em táo brilhante 
cofre de pedraria fínissima, está por sem-duvida ñas ^ide- 
chas dirigidas a Barbara escrava,— incomparavel mimo de 
sentimento e de galanteio: um poema completo em cinco 
pequenissimas oitavas! 

Endechas, A hua catíua 
com que andaua d*amo- 
res na India, chama- 
da Barbora. 

Assim diz textualmente a respectiva epigraphe na pri- 
meira edi^áo que (em iSgS) se publicou das Rhythmas de 
Lins de Camoes. 

Os versos sao pela maneira seguinte : 

Aquella cattiua 
que me tem cattiuo, 
parque nella viuo 
ja nao quer que viua, 
eu nunca vi rofa 
emfuaues molhos, 
que para meus olhos 
fojfe mais fermofa. 



Nem no céo eSrellas, 
nem no cang^ flores^, 
me pare/cent bellas, 
como as meus amoreSy 
rofto Jingular, 
olhos foffegados, 
pretos & canfados 
mas nao de mattar. 



Hüa graga ptua, 
que nelles Ihe mora, 
para fer fenhora 
de quem he cattiua, 
pretos os cabellos, 
onde o pouo pao 
perde optniáo 
que os lauros Jad bellos. 



Pretiddo de amor, 
ta6 doce a figura, 
que a neue Ihe jura 
que trocara a cor. 
Leda matffidaó 
que a Jifa a companha, 
bem pafejfe efiranha 
mas barbara nad. 



I Ha evidentemente nestes dois prímeiros versos da segunda estancia (taes 
quaes se apresentam na edi^^o princeps das Rhythmas e ainda nalgumas outras 
depois da princeps) urna transposÍ9So que só por ingano de copia no manu- 
scrípto ou por lapso typographico se pode explicar. Ñas outras oitavas incon- 
trdmos constantemente rimando o verso 3.* com o 2.% o 4.* com o i.% o 7.* com 
o 6.% e com o 5.® o derradeiro : nSo se percebe, pois, que Luiz de Cam5es al- 
terasse por capricho, sem necessidade, e antes com desvantagem na successSo 
natural das imagens, a regra métricamente estabelecida. 

Na transcrip^So correcta das Endechas, que os leitores cl'este livro incon- 
trarSo em logar opportuno, vai devidamente rectificado o texto. 



Prefenfa ferma 
que a tromeMa aman/a 
nella emfim defcanfa 
toda a mmka pena. 
^Jla he acaiiua 
que me tem catiuo 
& pois nella viuo 
hefar^a que viua. 



i RedondUhas de Carhfies á escrava Barbara fazem 

I até certo ponto lembrar uma das Serranilhas de Don 
Iñigo López de Mendoza, Mák'quez de Santillana, — 
deliciosa trova que por galantería aquí transcrevo: 



Moga tánjermosa 
Non vi ert la frortttra, 
Corno una vúqaera 
De la Finojosa. 

Faciendo la vfá 
Del Üalafíweño 
Á Sancta María, 
Vencido del saefío 
Por tierra fragosa 
Perdí la carrera 
Do vi la Pa^Uera 
De la Finojosa. 



En im verde prado 
De rosas é flores. 
Guardando ganado 
Con Otros pastot-iss. 



8 



La vi tan graciosa 
Que apenas creyera 
Qwfinéue vaquera 
De la Finojasa. 

Non creo las rosas 
De la primavera 
Sean tan fermosas 
Nin de tal manera, 
Pablando sin glosa, 
Si antes sopiera 
D' aquella vaquera 
De la Finojosa. 

Non tanto mirara 
Su mucha beldat, 
Porque me dexára 
En mi libertat. 
Mas dixe: ^¡Donosa! 
(Por saber quien era) 
¿Dónde es la vaquera 
De la Finojosa?. . . • 

Bien como riendo 
Dixo: €Bien vengades; 
Que ya ¡ríen entiendo 
Lo que demandades: 
Non es desseosa 
De amar, nin lo esfera 
Aquessa vaquera 
De la Finojosait, 



Teria Luiz de Camóes lido manuscriptos os versos do 
Márquez? Haverá ñas Endechas do nosso Poeta reminis- 



9 



cencías da «Serranilha» castelhana, — reminiscencias, como 
é trivial succeder, inconscientes, sem o minimo intento de 
imita^áo ? 

Chilosa? 

O parentesco das duas composi^des produz-se-nos evi- 
dente. Mas. .. que primazia na suavidade e no mimo com 
que a musa camoniana sabe graciosamente descrever-nos 
as minimas particularidades da sua gentil beldade! que acertó 
no escolher das imagens! que delicioso incanto na singela 
exposÍ9áo do seu extremoso alBfecto! 

E, agora aqui, pe90 licen9a para uma confidencia. 

Quiz o meu prezado poeta Joaquim de Araujo, o festejado 
auctor da Ljrra intima e das Occidentaes^ dar no Circulo Ca- 
momano honroso logar a um modestissimo trecho do presente 
opúsculo — trecho que alli appareceu publicado (em pag. 43 
a 57 doTom. i) sob o titulo PreHd&o de amor. Nesse trecho 
iam incluidos os paragraphos que ora acabam de ler-se com 
respeito aos pontos de approxima9áo entre a «Serranilha» 
do Márquez de Santillana e as «Redondilhas» de Camóes. 

Grande foi a minha alegría e (confesso) o meu desvanecí- 
mentó, quando Joaquim de Araujo me contou depois, numa 
visita a Lisboa, que uma escríptora de assombrosa erudÍ9áo 
(a Ex."** Sn." D. Carolina MichaSlis de Vasconcellos) Ihe dis- 
séra, ao fazer-me a honra de 1er o meu humilde artigo, haver 
ella tambem notado em tempos aquella frizante similhan9a. 

Hoje, — ao archivar este facto, Usonjeiro devéras para 
mim, de incontrar-se com táo luminoso talento a minha 
obscura indívidualidade, — corre-me o dever de ponderar 
que, tanto S. Ex.* como eu, fomos ambos precedidos por 
um estimavel poeta da nossa vizinha Gallíza. D. Manuel 
Murguia num substancioso estudo, que sob o titulo Camoens 
Y sus Rimas deu a lume noTom. 11 de La Ilustración Gallega 



lO 



Y Asturíana (estudo que, ápezar de publicado etn 1 88o, só 
dez annos depois vim porventuY'a a ler) diz (em pag. 273 do 
referido tomo), com respeito ás Endechas do Poeta portu- 
guez, as seguíntes palavras: 

c creemos m^sibie que oidós extranjeros ptíeián 

cony^render el por fué leemos con especial placer estos persos que 
nos recuerdan la donosura de la canción de la Vaquera de la Fi- 
nojosa de Santillana, y cuyo ritmo y ondulación se marcan por sí 
proprios 

Aquella captiva 
Que me tee captivo 
Porque nella vivo 
Ja úao quer que viva. 
Eu nunca vi rosa 
En suavies móUios 
Que para meus dlhos 
Fose mais formosa, 

Nem no campo flores^ . 
Nem no ceo estrellas, 
Me parecen bellas 
Como os meus amores. 
Rostro singular 
Olhos socegados 
Precos e cansados 
Mais nao de matar'. 

c jPara comprender la Juerga de expresión que encierran estes dos 
últimos versos, para saber lo que son esos ojos negros y candados de 
que nos habla el poeta, es necesario haber nacido en aquellos suelos, en 
donde, según una enérgica frase, hierve la sangre. S¿lo alli también 
pueden agradar versos que reciben de sujluide\ el piHncipaí encanto. 3 



> Reproduzo aquí estes versos ñas suas irregularídades cacographicas, taes 
quaes se ISem na citada pagina de La Husttacion Gatlegáy Asturiana, 



III 



ÍAs nSo s6 com a Serranilha do Márquez Don Iñigo 
offerecem pontos de reminiscencia (mais ou menos 
remota) as Endechas camonianas. De outras com- 
posi^óes tenho nota, que podem neste capitulo ñgurar, e de 
que passo a occupar-me. 

Ha tempes, — compulsando eu na Bibliotheca Nacional 
de Lisboa uns códices manuscríptos de miscellanea poé- 
tica, — a fls. 8 1 V." e 82 do que na sala respectiva tem a 
marca^áo bibliotheconomica M ^, depararam-se-me, attri- 
buidas a D. Thomaz de Noronha, urnas graciosas Redondi- 
Ihas em toantes, que instinctivamente me fizeram lembrar 
as de Camdes á escrava Barbara. 

N3o sei porqué, no primeiro momento afiguraram-se-me 
inéditas, — e, como nao traziam titulo no manuscripto, pa- 
receu-me que poderla p6r-se-lhes o de «Isabel a peixeira». 

Occorreu-me porém verificar se em A Fenis Renascida 
viriam impressas como outras muitas do mesmo poeta: lá 
as incontrei a pag. 243 do Tom. v (refiro-me á 1 / edÍ9So — 
Lisboa Occidental — 1728), e aquí as transcrevo (corrigidas 
ante a lic^áo manuscripta): «Endechas a huma regateyra» 
é o titulo, com que allí as designa o collector Mathias Pe- 
reira da Silva. 



12 



A minha Isabel 
Sahiu esta tarde 
A matar de amores, 
A vender gorazes. 

Deitada ao desprézo 
A beatilha leva, 
Que de desprezar 
Sómente se préza. 

Por fresco apregda 
O peixe: e o meu bem 
Em o apregoar fresco 
Quanto sal que tem! 

Gadelhinhas loiras 
Que pelas gadelhas 
A minha alma anda 
Pendurada nellas! 

Em continhas brancas 
Extremos vermelhos: 
Porém como ella 
N§o ha tal extremó! 

Memoria de prata 
Mettida no dedo : 
Vá-se imbora o oiro 
Que nao tem tal pre^o! 

Saínha de panno. 
Barra de velludo; 
Mantilha vermelha ; * 
Sapata em pantufo. 

Ao passar Ihe disse 
Pela requebrar: 
— cSenhora Isabel, 
Quem fdra goraz!» 



Sao lindas, incontestavelmente lindas, as Redondilhas á 
peixeira Isabel. 

Mas .... quanto incomparavelmente superior ñas suas 
o temo amador de Luiza Barbara! 



IV 



10 Somancero Castellano coUigido por Deppíng, e 
annotado em segunda edi^áo por Alcala-Galiano 
(Leipsique — 1844), vem na sec^áo dos Romances 
sobre varkñ asuntos (Tom. u — pag. 416) um que aprésenla 
certos pontos de affinídade com as pe^as poéticas de que 
me tenho occupado aproposito das Redondilhas de Camóes 
á linda escrava Barbara. 
Diz elle assim: 

Una :{agaleja 
Á quien quiso el ríelo 
Dar graríay donaire 
En rostro f cabello; 



A quien los jazmines 
Y claveles dieron 
Más color prestado 
Que les quedó á ellos; 



Á quien el Amor 
Le dio palma y cetro, 
Por ser más hermosa 
Que la diosa Venus; 



14 



Vistióse de pascua 
Dia de año nueuo. 
Porque cumple años, 
Y empieza tormentos. 



De a^ul claro viste 
Con ribetes negros, 
Por dar claro indicio 
De sus tristes celos. 



Con cintas pajinas 
Prende sus cabellos, 
Patena y corales 
Adornan su cuello. 



Era la pastora 
Gallarda de cuerpo, 
Si en extremo hermosa, 
Discreta en extremo. 



Fué al baile bis^arra, 

Y al son del salterio 
Bailó con Bartolo 
El gallo del paeHo. 

Desque hubo bailado, 
Quefiíé ^ria eí per lo, 
Diéronle entre todas 
El mejor asiento. 

Todas la bendicen, 

Y la de Antcm Crespo 
Ruégala que cante, 

Y cantó al pandero: 



i5 



€A la villa voy 
De la villa vengo;^ 
Que si no san amares, 
No sé qm me tengo. 



cSi vojr á poblado, 
Vuelvo más perdida. 
El alma afligida, 
Y el cuerpo cansado. 
Con este cuidado 
El alma entretengo; 
Que si no san amores, 
No sé que me tengo. 



c Toda mi contento 
Fabrico en el aire. 
Por hacer donaire 
De un ligero viento; 
Vuela, el pensamiento 
Donde voy y vengo; 
Que si no san amores. 
No sé que me tengo, i 



No mesmo Tom. ii do citado Romancero Castellano, ín- 
contro (em pag. 41 3) o seguint^: 



La nuK^a gallega 
Que está en la posqfUi, 
Subiendfii maletas 
Y dando cebadfi^ 
Llorosa se sienta 
Encima de un arca. 
Por ver á su huésped 
Que tiémle el alma. 



i6 



Mocito espigado 
Con trenca de plata, 
Que canta bonito 

Y tañe guitarra. 
Con tristes subiros 

Y quejas amargas 
Del rabioso pecho 
Descubre las ansias: 
€¡Mal haya quien fia 
De gente que pasa! 



tPensé que estuviera 
Dos meses de estancia, 
Y qUe a xábo dellos 
Con él me llevara. 
Pensé que el amor 
Yfé que cantaba, 
Supiera recado 
Tenellay guardalla; 
Pensé que eran firmes 
Sus falsas palabras. 
¡Mal haya quien fia 
De gente que pasa! 



iL Diérale mi cuerpo, 
Mi cuerpo de grana. 
Para que sobre él 
La mano probara, 

Y jugara á medias 
Perdiera ó ganara. 
Hémelo rasgado 

Y henchido de manchas, 

Y de los corchetes 
El macho le falta. 

¡ Mal haya quien fia 
De gente que pasa! 



I? 



tHámele parado 
Que es perguen\a amarga; 
¡Ay Dios! Si lo sabe, 
¿Que dirá mi hermana? 
Diráme que so^ 
Una perdularia, 
Pues di de mis prendas 
La mas estimada. 
¡ Y él va tan alegre 
Y más que la pascua!. . . 
¡Mal haya quien Jia 
De gente que pasa! 



€¿ Qué pude hacer más 
Que darle polainas. 
Poniendo en sus puntas 
Encaje de Olanda, 
Cocelle su carne, 
Hacelle su salsa. 
Encender su pela 
De noche sin llama, 
Y dándo-le gusto. 
Soplar y matalla ? 
¡Mal haya quien ^a 
De gente que pasa! 



€¡Uévame contigo! 
Servirte he de gracia, 
Solo por no verme 
Fuera de tu alma. . . . • 



En esto ya el huésped 
Las cuentas remata, 
El pié en el estribo 
Furioso cabalga. 



Y ella que le vido 
Volver las espaldas, 
Con mayores llantos 
Que la iv^ pasada. 
Dice, sin poder 
Refrenar las ansias: 
'¡Mal haya quien Jia 
En gente que pasah 



Ambos lindissimos; n3o é assim? Mas sempre ácima de 
tudo .... as Endechas camonianas. 



I ABA terminar esta serie de approxima95es em que 
inadvertidamente me espraiei, talvez incorrendo na 
pecha de prolixo, farei j'agora tambem lembradas 
(imbora septisyllabas) aquellas nove quadras táo galantes 
em que um talentoso poeta, apezar de influenciado pela 
escola do seiscentismo, soube picturescamente aguarelar- 
nos a doce ñgura da «Lutzinha das camoezas». 



Para a feira vai Luiza 
Co' o seu balaio á cabera, 
Todo inramado de louro 
E cheio de camoezas. 



Leva sáia de jilezia 
Tambem jubáo branco leva, 
Que serve o jubáo de branco 
D'onde Amor atira as flechas. 



' Sobre os dedos pendurados 
Leva seus punhos de renda. 
TSo valentona caminha 
Que treme o baiiro de vél-a. 



20 



Lá no meio do Roció 
Levanta a voz mui serena 
Ck)mo se apprendéra solfa: 
— «Eu já tenho camoezas!» 



A voz tao divina e grave, 
Á voz tao de prata e bella, 
Os galantes se alvoro^am . . . 
E ferve a bulha na feira. 



Deixam todos as boninas 
Só por ver esta azucena: 
Em um momento cercada 
Se viu esta fortaleza. 



Os requebros que Ihe dizem 
Sao balas de feras pecas; 
Mas no muro do seu peito 
Acham grande resistencia. 



Uns apregavam a fineta; 
Outros tiram da algibeira 
As mancheias os tostoes, 
Aos alqueires as moedas. 



Mas Luiza, mui de espaco, 
Levantando a voz tao bella, 
De quando em quando repete: 
— «Eu já tenho camoezas!» 



Quem primeiramente (que me conste) deu a lume esta 
delicada composÍ9áo, foi Gamillo Castello-Branco em o 
Vol. 4.° das Noites de insomnia (Porto — 1874). E, publican- 



21 



do-a alii, attribue elle a patemidade dos versos ao poeta 
Serráo de Crasto (ou de Castro) que ñas masmorras do 
Santo-Oíficio gemeu incerrado annos e annos. 

Apezar do altissimo respeito que merece a auctoridade 
de similhante crítico, pe^o licen^a para confessar que sempre 
aquellas mimosas quadrinhas relativas á «Luizinha das ca- 
moezas» me pareceram destoar da geral feÍ9áo por que se 
caracterizam as produc^óes do poeta Serráo de Crasto. 

Verdade é que, contra esta minha dúvida, subsistia-me 
no espirito uma consideradlo acabrunhantissima. E era ella 
(nem mais, nem menos!) a seguinte: — quem as citadas 
quadras aífirmava serem escriptas por Antonio Serráo de 
Crasto . . . chamava-se Camillo Castello-Branco (Visconde 
de Correia-Botelho o intitulou mais tarde a munificencia 
d'El-Rei D. Luiz), — emtanto que o oppugnador de simi- 
lhante asser9áo. . . .era apenas eu! 

Mas. . . . folheando uma vez, na sec9áo dos manuscriptos 
que pertencem á Bibliotheca Nacional de Lisboa, um códice 
de miscellanea poética por lettra de fins do seculo xvn ou 
principios do seculo 3cviii (grosso vol. sem titulo, e que tem 
por marca^áo bibliotheconomica T 5í), — aconteceu-me, com 
grande alvor690 meu, desincantar (em fl. 342 do códice) co- 
piadas as quadras á «Luizinha das camoezas» e attribuidas 
pelo copista ao galanteador poeta que teve no seculo o fes- 
tejado nome de Antonio da Fonseca Soares, poeta que na 
clausura do cenobio veio posteriormente a redobrar de cele- 
bridade sob o nome conventual de Fr. Antonio das Chagas* 

Esse, agora, sim! esse nao me destda na feitura d'aquel-^ 
las graciosas trovas, táo coadunaveis com a lyra mundana 
do cavalleiro que, ao trocar ás aventuras románticas pelas 
austeras prácticas do ascetismo, fícou sempre dando brilhan- 
tes provas do seu ingenho poético, diverso imbora o thema 
das respectivas composi^Óes. 



22 



Serráo de Crasto revela-se-me especialmente affei^oado 
ás trovas do motejo irónico e risonho, — feÍ9áo que até, de 
quando em quando, qui^á sem elle dar por tal, se Ihe insinúa 
instinctivamente naquellas mesmas produc^óes em que o 
versejador celebra assumptos serios e sacros. Tendencias 
para o lyrismo do galanteio, nao Ih'as descortino. 

Se uma ou outra vez Ihe transparece nos versos vibrada 
a nota da sentimentalidade, caso excepcional é esse, moti- 
vado sómente por um desafdgo de maguas excruciantes nos 
lóbregos carceres da InquisÍ9áo. Tal é por exemplo o que se 
observa naquelle Soneto lindissimo, escripto pelo poeta apoz 
onze annos de prisáo, durante os quaes viu onze vezes pela 
üresta da cellula (onze primaveras) verdejar no quintalejo do 
sinistro tribunal a ramagem d'uma florífera ameixoeira: 



Onze vezes de folhas revestida, 
Onze vezes de flores adornada, 
Onze vezes de fructos carregada, 
Te vi, ameixieira, aqui nascida. 



Outras tantas tambem te vi despida. 
De folhasy flores, fructos despojada, 
Pelo'rigor do invernó saqueada, 
E a sécco tronco toda reduzida. 



Tambem a mim me vi já revestido 
De folhas, flores, fructos, adornado, 
De amigos e parentes assistido. 



De todos eis-me aqui táo desprezado: 
Mas tu voltas a ter o que has perdido, 
E eu nao terei já mais o antigo estado. 



23 



É incantador: pois, nao é? 

Parece realmente que estamos escutando a sentimenta- 
lidade lyrica do Poeta d^ Os Lusiadas, quando em maviosos 
Sonetos intomava a urna melancholica da sua mellifiua in- 
spira9áo. 

Puzessem-lhe por debaixo o nome de Camdes, puzes- 
sem-lh'o afoitamente, e nao se Ihe contestaría talvez d^este 
Soneto a patemidade. 

É que Serráo de Crasto, ao escrevél-o, sentia certamente 
a impressionarem-n-o vagas reminiscencias d'aquelFoutro 
Soneto camoniano, frequentemente imitado, frequentemente 
glosado, pelos amadores do grande Épico, — d'aquelle So- 
neto, cuja patemidade por longo tempo a outros andou at- 
tríbuida, e qye diz assim: 



Fermoso Tejo meu, quáo differente 
Te vejo e vi, me vés agora e viste : 
Turvo te vejo a ti, tu a mím triste; 
Claro te vi eu já, tu a mim contente. 



A ti foi-te trocando a grossa endiente, 
A quem teu largo campo nao resiste; 
A mim trocou-me a vista em que consiste 
O meu viver contente ou descontente. 



Já que somos no mal participantes, 
Sejamol-o no bem: ah! quem me dera 
Que fóssemos em tudo similhantes! 



Mas lá vira a fresca primavera : 
Tu tornarás a ser quem eras d 'antes; 
£q p^Q §ei se serei quem d'antes era. 



24 



Gamillo, depois dé apresentar-nos CloC. cit.J o Soneto de 
Serráo de Crasto, diz em nota: 

cEste poema, aparte a inferiorídade, decerto Ihe foi insuflado 
pelas reminiscencias de Sá de Miranda nos dois tercetos d'um so- 
neto admiravel.» 

E transcreve os dois tercetos: 



cEu vi já por aqui sombras e flores, 
Vi aguas e vi fontes, vi verdura, 
As aves vi cantar todas d'amores. 



cMudo e sécco é já tudo, e de mistura 
Tambem fazendo-me eu fiíi d'outras cores : 
Se tudo o mais renova, isto é sem cura.» 

Pela minha parte, pe^o licen9a para tambem neste ponto 
discordar do Mestre: nem o Soneto de Crasto me parece 
«inferior» ao de Sá de Miranda; nem o inspirador se me 
afigura ter sido este. Para justifica^áo do meu asserto, pre- 
firo transcrever na integra o Soneto de Sá de Miranda, — e 
assim melhor poderá o leitor ajuizar: 



O sol é grande; cáem co'a calma as aves. 
Do tempo em tal sazáo que sóe ser fría. 
A agua, que d'alto cái, acordar-me-hia 
Do somno nao, mas de cuidados graves. 

Oh coisas todas vans, todas mudaves, 
Qual é o cora^áo que em vos confia ? 
Passando um dia vai. . . . passa outro dia. . . . 
Incertos todos mais que ao vento as naves. 



25 



Eu vi já por aquí sombras e flores, 
Vi aguas e vi fontes, vi verdura, 
As aves vi cantar todas d'amores. 



Mudo e sécco é já tudo, e de mistura 
Tambem fazendo-me eu fui d'outras cores: 
Se tudo o mais renova, isto é sem cura'. 



Posto isto, — no que deixei dito ácima, e no confronto 
que oleitor poderá fazer dos dois Sonetos (o de Luiz de 
Camoes e o de Serráo de Crasto), creio assaz fundamentada 
a minha asser^áo de que nenhum outro senáo Cam6es baja 
influido aqui. 

De mais .... que a leitura dos versos de Camoes era um 
elemento predominante na educa9áo litteraria de Crasto, é o 



r« 



> Na edi^ao crítica das Poesías de Frantísco de Sá de Miranda impressa 
em Halle (em i885) sob a direc^So intelligente ^ conscienciosa da Ex.** Sn. 
D. Carolina Michaélis deVasconcellos, outra foi a liedlo que adoptou esta eru 
ditk e brílhante escríptora, cultora benemérita das lettras portuguesas : 



o sol é grande, caem com calmt as aves 
Em tal sazáo que sota de ser fiia. 
Esta agua que cai de alto acordar me hia 
De sonó nao, mas de cuidados graves. 



Oh cousas todas vas, todas mudaves, 
Qual é o coradlo que em vos confia ? 
E paasa um día assi, passa outro dia, 
Incertos muito mais que ó vento as naves ? 



Eu vira ja aqui sombras, vira flores, 
Eu vira fruita ja, verde e madura ; 
Ensordecía o cancar dos ruisefiores I 



Agora tudo é seco e de mistura: 
Tambem mudando me eu, ñz outras cAres. 
E tudo o mais renova : isto é sem cura. 



26 



proprio Gamillo quem o afiirma, quando no «Prefacio bio- 
graphico» anteposto a Os Ratos da Inquisigao (Porto — 1883) 
cita a seguinte Decima attribuida a Antonio Serráo de Crasto : 

Com cantar o caminhante 
Seu caminhovai passando; 
As penas d'amor cantando 
Alivia o triste amante. 
No mar canta o navegante, 
Canta no campo o pastor; 
Canta o captivo e o senhor; 
E ao som do seu grilháo 
Canta o preso, e da prisáo, 
Cantando, abranda o rigor. 

E em nota diz assim: 

«Parece que Antonio Serráo de Crasto recebia no seu carcere, 
uma por outra vez, a visita luminosa e consoladora de Camoens, 
que tambem inculcara a salutar efBcacia do cantar nos desgostos 
da vida. Na Redondüha que comeca: 

Sobólos ríos que váo 

Por Babylonia, me achei .... 



ha estes versos: 



Canta o caminhante ledo 
No caminho trabalhoso 
Por entre o espesso arvOTedo; 
E de noite o temeroso 
Cantando refreía o medo. 
Canta o preso docemente, 
Os duros grilhoens tocando; 
Canta o cegador contente; 
E o trabalhador, cantando, 
O trabalho menos senté.» 



27 



Perante o que fica expendido, eu sinto-me inclinado a 
preferir, por mais plausivel entre as duas hypotheses, aquella 
em que se attribue ao namorador fidalgo, que veio depois 
a converter-se no ascético Fr. Antonio das Chagas, as in- 
cantadoras trovas inspiradas pela formosa Luizinha que ven- 
día camoezas no Roclo. 



No Vol. I da Lisboa Antiga (Lisboa — 1 879) Castilho, o 
meu Visconde Julio de CastUho, transcreveu das Noites de 
insomnia as Redondilhas á «Luizinha das camoezas». E, por 
aquella tradicional cortezia de respeito que devem mo^os a 
velhos, acceitou neste ponto, sem discutir, as affirmativas 
de Gamillo relativamente a Serráo de Crasto. 

Diz o meu querido amigo (em pag. 3o5 do seu monu- 
mental e formosissimo üvro): 

cDas grades do carcere da Inquisi^áo, onde curtiu alguns annos 
de judiaría, como bom judeu que era, avistava e ouvia elle no mer- 
cado do Rocío urna saloia esbelta e formosa, a Luizinha das camoe- 
zas; e que Ihe fez? emmoldurou-lhe de longe o gracioso vulto no 
quadro breve de nove redondilhas em toantes.» 

Pelas razoes que deixo ácima apontadas, sinto nao po- 
der perfilhar a conjectura do meu illustradissimo coUega. 

E accrescentarei: — ante o plano que existe do edificio 
da Inquisi^áo, tal como era em 1634, desenhado pelo ar- 
chitecto Matheus do Couto no Liuro das Plantas e Moteas 
de todas as Fctbricas das Inqptsifóes deste Reino e India, plano 
que do códice original (pertencente ao Archivo Nacional da 
Torre do Tombo) o meu caro Visconde fez reproduzir, para 
oflferecer lithographada a reproducíáo no Vol. vii da Lisboa 
Antiga (Lisboa — 1889), claramente se vé que dos carceres 



28 



lóbregamente situados na parte mais recóndita da casa, e 
infileirados em volta dos pateos interiores, nao podía preso 
algum avistar no Roció a gentil vendedeira de camoezas 
(para o Roció deitavam janella táo sómente os aposentos 
do Inquisidor Geral), nem podia mesmo (tal era o reconcen* 
tramento das prisóes !) repercutir-se-lhe no ouvido o argen- 
tino pregáo. Cumpre entretanto nao esquecer urna coisa: — 
publicando em 1889 um documento que em 1879 Ihe era 
desconhecido, e rectificando assim lealmente o ingano de 
sua primeira conjectura, Castilho mostrou mais uma vez su- 
premos dotes de probidade litteraria, virtude que nos tempos 
actuaes vai assumindo foros de rara avis in terris. 



O auctor dos versos á tentadora «Luizinha das camoe- 
zas», quando nao seja Antonio da Fonseca Soares, nao é 
tambem, nao pode ser por forma alguma, o judeu Serráo 
de Crasto. 

Serráo de Crasto nao se me afigura com a palheta ade- 
quada para táo delicioso quadrinho nos aguarellar. 

«Delicioso» é o qualificativo proprio. 

E todavía .... todavía — ainda mesmo em confronto 
com os versos á «Luizinha das camoezas» — as Endechas 
de CamÓes á «captiva com quem andava de amores na In- 
dia» fícaráo para todo o sempre constituindo uma incompa*- 
ravel jola dos mais subidos quilates. 

O Poeta d^Os Lusiadas desintranha-se aqui numa cor- 
rente melodiosa de espontaneo lyrismo perante a do9ura 
d'aquella gentilissima escrava que táo galantemente soubera 
escravizál-o a elle, agrilhoando-lhe o cora9áo com as doces 
algemas do amor. 



VI 



Í PROPOSITO das « Endechas de Luiz de Camóes a urna 
captiva com quem andava de amores na India», 
falei eu (como, antes de mim, D. Manuel Murguia 
tinha já falado) na «Serranilha» que o Márquez de Santillana 
dedicou á «vaqueira da Finojosa». 

Devo porém advertir que, se as «Redondilhas» do Poeta 
portuguez nos fazem lembrar a oSerranilha» do castelhano, 
o que verdadeiramente ha entre as duas composí^Óes é re- 
miniscencia rhythmica e approxima^So de sentimental ga- 
lanteio. 

Reminiscencias na idea, se as ha para as «Endechas á 
escrava Barbara», melhor as pederemos talvez buscar no 
Vilancete que D. Joao de Meneses compoz, inamorado de 
urna sua escrava, — lindo Vilancete que Luiz de Camóes 
pedería conhecer, de o ter lido (e provavel é que o lésse) 
a fl. xvm do Camioneiro geral «ordenado & emedado por 
Gar9Ía de Reefende» (come^ado a «empremyr» em «almey- 
rym» e acabado «en a muyto nobre & fempre leall ^idade 
de Lixboa. Per Herma de cápos alema bóbardeyro delrey 
noflb fenhor & empremjdor. Aos xxvüj. dias de fetebro da 
era de nóflo fenhor Jefu crifto de mil &, quynhent* & xvi 
anosn). 



3o 



Diz assim textualmente (loe. citj o Cancioneiro geral de 
Garda de Resende : f 



C Outro vylan^ete de dom joam a hüa efcraua fuá 



C Catiuo fam de catyua 
femó dhua feruidor 
fenhora de feu fenhor: 



C Por que fuá fermofura 
fuá gracia gratis data 
o trifte que tarde mata 
he por mor defauentura 
Que mays val a fepultura 
de quem he feu feruidor 
quaa vyda de feu fenhor 



C Nam me daa catiuydade 
nem vyda pera vyuer 
riem dita pera morrer 
& comprir fuá vontade. 
Mas paixam fem piadade 
hua dor fobroutra dor 
que faz feruo do fenhor 



C AíTy moyro manfe manfo 
nuca leyxo de penar 
ne defejo mais defcanffo 
q morrer por acabar 
Ho que trifte defejar 
para que com tanta dor 
fe fez feruo de fenhor 



VII 



IMiTACÁo de Ovidio é o que porcerto nao ha ñas 
Endechas á escrava Barbara, como alias sustentava 
o doutissimo José Feliciano de CastÜho. 
Diz elle, annotando a Canijáo do Sulmonense á escrava 
Cypasse, aia de Corinna (vid. Grinalda Ovidiana^ (Rio de 
Janeiro — 1858) — pag. 65d): 

■Era talvez de urna similhante escrava que CamSes dizia, imi- 
tando o nosso poeta: 

Aquella captiva 

Que me tem captivo . . . . i 

Com a devida venia á respeitavel auctoridade de tSo 
abalizado crítico, permitta-se-me ponderar que, perante a 
leitura da formosissima elegía ovidiana, tudo se poderá de- 
prehender, — menos o ter havido, por parte de Camoes, a 
mínima idea de imitar ñas Redondílhas á escrava Barbara 
o desterrado do Ponto. 



' Appensa, como commentario crítico, a Os Amores de P. Ovidio NasSo— 
TraducfSo paraphrastica (inderessada exclusivamente aos homens feitos e estu- 
diosos das letfras dassicas) por Antonio Fetitiano de Castilho (Rio de Janeiro — 



s é isso urna questáo differente) 
tal qual nol-a descreve Camóes, 
Cypasse. 



Pro quibus offictis pretium mihi dulce repende 
Concubitus hodie, fusca C/passi, tuos! 

trecho que por esta forma traduziu Antonio Feliciano de 
Castilho em sua deliciosa paraphrase: 

E tu, minha adoravel trígueirínha, 

Tu, doce prenda minha. 
Nao me darás do meu servido em premio, 
Esta noite, outra noite de ventura? 




VIII 



I A tambem quem das «Endechas de Camóes á Bar* 
bara escrava» approxíme versos de Gil Vicente. Em 
pag. 178 a 179 da Historia do Theatro Portugue\ no 
seculo XVI (Porto — 1870) — (Historia do Theairo Portugue\ — 
Vida de Gil Vicente e sua escholaj — escreve o Sr. Dr. Theo- 
philo Braga: 

«A grande quantidade de pretas escravas que faziam de criadas 
em todas as casas do reioo, além da desenvoltura notada [>or Cle- 
oardo, tambem dava causa a urna grande perversáo nos costumes 
e decadencia da ra^a. Antes de CamSes celebrar uns amores com 
a Barbera escrava, já conta Gil Vicente na ftir^a do Jut^ da Beira 
estes amores de um escudeiro: 

Eu andava namorado 
De uma mo^a pretesinha, 
Muito galante Mourinha, 
Um ferretinbo delgado^ 
Oh quanta gra^a que tinha! 
Ent3o amores de Moura, 
Já sabéis o fogo vivo, 
Ella captiva, eu captivo: 
Ora que má morte moura, 
Se ha bi mal tSo esquivo.» 



Aquella «moía pretesinha» (moura captiva a captivar 
de amores o escudeiro) influiria acaso como inspiradora da 
phrase «pretidáo de amor» — phrase que ñas Endechas con- 
stitue urna das mais ñnas originalidades e que a tantos des- 
vairos de interpreta^áo tem dado origem — ? 

Pode ser; mas nao se me afígura perfeitamente demons- 
travei a proposifSo. 



IX 



TBocADiLHO, — quc, sob O impulso da eschola gon- 

Igoristica, attíngiu no secixlo xvn o apogeu do seu 
predominio, chegando algutnasvezes a esvoa^ar ñas 
regióes do absurdo quando ihe nao bastava rastejar no hu- 
milde campo da chocha semsaboria, — já no seculo xvi 
assentára afoitamente o seu arraial entre os mais reluzentes 
ingenhos do Parnaso. O proprio CamSes (é fór^a confessál-o) 
presta-se aos conviles d'esse jogralesco brinquedo, — e nao 
sómente em grande numero das suas composi^oes lyrícas, 
mas até mesmo quando ñas estancias d' Os Lusiadas imbocca 
a tuba grandiloqua de Calliope, frequentes vezes Ihe surge 
o trocadilho por entre os conceituosos devánelos da sua 
ardente phantasia. 

Ñas a Redondilhas á escrava Barbara» os quatro primeiros 
versos fornecem bñlhante exemplo d'essa tendencia do seu 
espirito: 

Aquella captiva 

Que me tem captivo, 

Porque nella vivo, 

Já nao quer que viva. 

Mas o estro do trovador, sublime e singelo a um tempo, 
sabe imprimir tao graciosos os toques da antíthese, que só 



36 



nos raptos ascéticos de Santa Thereza de Jesús poderemos 
incontrar um thema capaz de intrar em confronto com o 
delicado lyrismo do inamorado Camdes. 

Ao 1er aquelles primeiros quatro versos das Endechas, 
acodem-me instinctivamente á memoria (e nao veja ninguem 
nisto uma irreverencia pelo parallelismo litterario que esta- 
belezo entre o sagrado e o profano), acodem-me instinctiva- 
mente os sentimentaes harpejos da inspirada poetiza do Car- 
melo: 



Mote 



Vípo sin vivir en mí: 
Y tan alta vida espero. 
Que muero porque no muero. 



Glosa 

Vivo ^ajuera de mí, 
Después que muero de amor, — 
Porque vivo en el Señor, 
Que me quiso para si. 
Cuando el coraron le di, 
Puso en mi este letrero 
€Que muero porque no muero3. 



Esta divina unión, 

Y el amor con que yo vivo, 
Hace a mi Dios mi cautivo, 
'Y libre mi coraron; 

Y causa en mi tal pasión 
Ver a Dios mi prisionero, 
€Que muero porque no muero3. 



3? 



¡Ay! ¡Qué larga es esta vida! 
¡Qué duros estes destierros. 
Esta cárcel y estos hierros 
En que el alma está metida! 
Solo esperar la salida 
Me causa un dolor tan fiero, 
cQue muero porque no muero*. 



Acaba ya de dejarme. 
Vida, no seas molesta: 

Porque muriendo ¿qué resta 

Sino vivir y gomarme? 
No dejes de consolarme. 
Muerte, que ansí te requiero, 
€Que muero porque no muero w. 



Otra Glosa sobrb los mismos versos 



Aquesta divina unión. 
Del amor con que yo vivo. 
Hace i Dios ser mi cautivo, 
Y libre mi coraron: 
Mas causa en mi tal pasión 
Ver á Dios mi prisionero, 
iQi/e muero porque no muero*. 



¡Ayl ¡Qué larga es esta vida! 
¡Qué duros estos destierros, 
Esla cárcel y estos hierros 
En que el alma está metida! 
Solo esperar la salida 
Me causa un dolor tan fiero, 
c Qufi muero porque no mueroi^ . 



38 



¡Ay! ¡Qué pida tan amarga 
Do no se go\a el Señor! 
Y si es dulce el amor, 
No lo es la esperanza larga: 
Quite-me Dios esta cai^a 
Más pesada que de acero, 
« Que muero porque no muero* . 



Solo con la confian\a 
Vivo de que he de morir. 
Porque muriendo el vivir 
Me asegura mi esperanza : 
Muerte do el vivir se alcanza. 
No te tardes, que te espero, 
€Que muero porque no mueroit. 



Mira que el amor es fuerte; 
Vida, no seas molesta; 
Mira que solo me resta. 
Para ganarte, perderte. 
Vengaba la dulce muerte, - 
Venga el morir muy ligero, 
*Que muero porque no muero *. 



Aquella vida de arriba 
Es la vida verdadera : 
Hasta que esta vida muera, 
No se go\a estando viva. 
Muerte, no seas esquiva: 
Vivo muriendo primero, 
*Que muero porque no muero 9. 



Vida . , . ¿ qué puedo yo darle 
A mi Dios, que vive en mí. 
Si no es perderte á ti. 



39 



Para mejor á El gomarle? 
Quiero muriendo alcan\arle, 
Pues a El solo es el que quiero, 
• Qwe muero porque no muero^. 

Estando ausente de ti 

¿Qué vida puedo tener. , . . 
Sino muerte padecer 
La mayor que nunca vi? 
Lástima tengo de mi, 
Por ser mi mal tan entero 
€Que muero porque no muero^. 

El peí que del agua sale 
Aun de alivio no carece: 
A quien la muerte padece .... 
Aljin la muerte le vale. 
¿ Qué muerte habrá que se iguale 
A mi viver lastimero — 
f Que muero porque no muero^ — ? 

Cuando me empiezo á aliviar 
Viéndote en el Sacramento, 
Me hace más sentimiento 
El no poderte go\ar: 
Todo es para más penar. 
Por no verte como quiero,, 
^Que muero porque no muero 9. 

Cuando me go\o. Señor ^ 
Con esperanza de verte, — 
Viendo que puedo perderte. 
Se me dobla mi dolor, — 
Viviendo en tanto pavor, 
Y esperando como espero, 
^Que muero porque no muero *. 



Sácame de aquesta muerte. 
Mi Dios, y dame la pida : 
No me tengas impedida 
En este laio tan fuerte: 
Mira que muero por verte, 
Y pípít sin tí no puedo, 
*Que muero porque no muero*. 



Lloraré mi muerte ya, 
Y lamentaré mi vida. 
En tanto que detenida 
Por mis pecados está. 
¡Oh, mi Dios!. . . ¿cuando será. 
Cuando yo diga de vero — 
i Que muero porque no muero»? 



I OBRE quem verdadeiramente fósse esta Barbara ca- 
ptiva, esta escrava de excepcional belleza que Luiz 
de Camóes divinifica em suas Redondilhas, anda 
confusáo e dúvida nos biographos do Poeta. 

O Visconde Strangford, enthusiastico apreciador de Ca- 
mfíes e traductor de alguns de seos versos', diz positivamente 
ser urna preta («a negro girh), attribuind.o-lhe (nSo sei por 
que motivo) o neme de «Joanna», a escrava que inspirou ao 
Poeta as Endechíw a que me refiro, — Endechas, cu)o co- 
mS90 o ¡Ilustre diplómala verteu na sua lingua (com «.exces- 
siva» liberdade!) pela fónna que a seu tempo mostrarei no 
competente logar d'este opúsculo. 

Em que foi que se funden o nobre litterato para suppdr 
' na captiva uma negra d' África? 

Induzil-o-hía talvez aquella galantissima phrase de Ca- 
rnees — pretidSo de amor. 



> Vid. Poems, from the jxtrtuguae af Luij de Camoens: witk remarks on 
his Ufe and writings By Lord Yixoimt Strangford. 

Ha numerosas edi^s d'este Uvrinho, a prímetra du t|uaes se imprimiu 
em Londres em i8o3. 



42 



Mas tomar á lettra o sentido de táo mimosa expressáo 
afigura-se-me demasiado escrapiilo em quem ñas suas ver- 
soes se aprésenla sempre ultra-liberrimo*. 

Possivel é entretanto que o Visconde Strangford haja me* 
ramente vinculado seu nome aquella aifirmativa por motivos 
de cega obediencia ou fanático respeito a um dos mais insi- 
gnes conunentadores do grande Épico. 



Manuel de Faría e Sousa, commentando o coniS9o da 
Ode X de Cam6es (indere9ada á mesma gentil inspiradora 
das Endechas) expressa-se pela forma seguinte: 

^Efcriptó mi Maejlro efte Poema al ajfunto de efiar enamorado 
de una efclapa fuya: y no falo ef clava, mas aun negra: que alfin 
era de carne mi Poeta. Si la e/clava era fuya, como parece, fucce- 
dio ejlo en la India, porque de alia truxo a Lisboa folamente un 
ef clapo natural de la Java, que fe llamava Antonio^ 9. 

§ 
Noutro sitio, commentando o Soneto F(«Em prisoes bai- 

xas fui um tempo atado» &c.), as palavras que diz^ sao estas: 



I « there is searcely a trace 0/ the original^ in either thaught or 

phrase, in Lord Strangford's compositions» — diz Aubertin acerca dos poemas 
camonianos traduzidos pelo illustre diplomata. (Vid. Seyenty Sonnets of Ca- 
moens. Partuguese texi áni tranilaiion. With original poems* By J. J. Aiiertin 
— (London — 1881) — pag. x). 

«Lord Strangford com as suas paraphrases, de pouco mérito alias, con- 
correu para fazer da moda em Inglaterra o nome de Camoes»: — assim diz o 
nosso grande Garrett, na 2.* edi^So do seu Cambes (Lisboa — 1839) e ñas se- 
guintes, em uma nota ao Canto IX. 

a Rimas Varias de L^is de Camoens Principe de los Poetas Heroycos^ y 
Lyricos de E/paña — Tom. m (Lfsboa — 1688 ou (?) 1689) — pag. 179. 

3 Rimas Varias de Luis di Camoens Principe de los Poetas Heroycos, y 
Lyricos de EJpaña — Tom. 1 (Lisboa — 1685) — pag. i5. 



43 



c a mi me parece que el de^ir fue atado en baxas 

prifione$,jr que ejtofue un vergon^ofo cajligo de fus errares, mira 
a que llego a enamorarfe de una efclopayf negra, como claramente 
cot\fla de la Oda lo. en que pretende a todo fu poder defculparfe 
dejta baxe\a; y también en las Redondillas 21. fegun allá lo pe- 
remos; y acá fohre los Sonetos 87. gi. gj. y de la Cent. 2. fobre 
el 2. Confírmalo el parecer claramente que efie Soneto es de lo ul- 
timo de fus efcritos, que fueron ya dejjpues deftos baxos amores^ 9. 

E nos commentarios respectivos aos logares aqui apon- 
tados (com excep9áo táo sómente das Redondilhas, que nao 
chegou a publicar) sempre mais ou menos se refere Manuel 
de Faria e Sousa á negrura da escrava. 

O caso passa entáo a ser com este illustre commentador. 

Examinemos portanto em que argumentos elle se baseía 
para que nos afiance táo categoricaniente ser c negra» a bel^ 
dade immortalizada pelo Poeta d' Os Lusiadas. 



Na pretidáo de amor nao vejo realmente motivo bastante 
para architectar sobre fundamentos solidos similhante affir- 
mativa. 



I D. Lamberto Gil (Poesías de Luis de Camoens^Tom. ni (Madrid— 
1818) — pag. 325), conunentando o Soneto V— «Em prísoes baixas fui um tempo 
atado» ¿c. (que elle tradu2iu em castelhano — •Con ia^o indecoroso vhi atado» 
&c.), affinna que no referido Soneto •Alude el Poeta ai tiempo que vivió ena- 
morado de una esdava llamada Bárbara», — e accrescenta ser essa a inspiradora 
das Endechas (cuja traduccao castelhana offerece em pag. 3a i a 322). 

Outra é porem neste ponto a opiniSo do Visconde de Juromenha. E diz 
elle (Obras de Ijiif de CamSes—'VóL u—pag. 365): — «A expressao que usa 
Camoes no prímeiro quarteto d'este soneto de prisóes baixas fez julgar a Faria 
e Sousa que alludia aqui á morte da escrava, porém euestou persuadido que 
se refere á morte da amante, e que estas prisbes baixas sSo contrapostas como 
impedimentos terrestres que o privavam da bemaventuran9a celeste.» 



44 



Porventura estaremos auctorizados a conjecturar urna 
preta d' África naquella incantadora Sulamite do Cántico dos 
Cánticos ? E todavia no texto bíblico lá temos o nigra sum 
sedformosa. 

Porque Virgilio disse (na Eclog. X) 

Et nigrce piola sunt, et vaccinia nigra 

ou (na Eclog. U) 

Alba ligustra cadunt, vaccinia nigra leguntur 

nao irá ninguem qualificar de negras urnas flores rdxas. 

E só por um exaggéro (alias, mui desculpavel e até gra- 
cioso) de liberdade poética, só por brinquedo (em que talvez 
o proprio convite da rima se prestou a ser cumplice), é que 
o auctor d* A Musa em ferias \ nos versos a que poz por ti- 
tulo «Morena», poude )ulgar-se com direito de nos dizer: 

Mas .... olha as violetas 
Que, sendo urnas pretas, 
O cheiro que te'm! .... 

Aqui para nos: nisto de «violetas pretas». ... ha um 
poucochito que reparar! 

O proprio Theocrito — aproveitando aquellas liberdades 
que aos artistas da palavra e do pincel foram sempre mais 
ou menos concedidas, e que o auctor da Epistola ad Pisones 
accentuou terminantemente quando asseverou que 

Pictoribus atque poetis 

Quidlibet audendi semper fuit csqua potestas 



I Guerra Junqueiro^A Musa em ferias (Lisboa — 1879). Reproducida em 
2.' edi^So (Lisboa — 1885) e ampliada em 3.* (Lisboa — 1893). 



43 



— o proprio Theocrito, o mavioso pac da poesía pastoril, 
por este modo se nos expressa no IdylHo X: 

Kae T¿ lov fiiXúcv ¿vrc, xai i ypaTrrá udbcirfo^* 
'AXX' e/ATTO^ ¿y tocc ortfáyocc t4 7rp6)Ta Xí^o^tac. 

Mas o poeta syracusano (iríamos todos apostar) nao quiz 
certamente que, interpretando á lettra o qualifícativo fxéXav, 
ficassemos convencidos de que eram «pretas» as violetas da 
sua patria, — como tambem certamente ao nosso D. Raphael 
Bluteau* se nao afiguravam «negras» as violetas de paiz al- 
gum, imbora no poemeto Imus morí escrevesse 

JLaudamus nigros oculos, nigrumque capülum 
Ac nigros violas 



como se pode ver (em pag. 362) na Parte n das Prosas Por- 
tugúelas (Lisboa Occidental — 1728). 



■ «Nosso» Ihe chamo, imbora de familia franceza e ber90 inglez : «nosso» 
]he chamo, — porque, se ha lettras que devam orgulhar-se com a sua coUabora- 
cao, entre essas figuram incontestavelmente em prímeira plana as lettras portu- 
guezas. Basta aquelle monumental Vocabulario Portugués é Latino (Coimbra, 
1713 — Lisboa, 1728), com que elle brindou a nossa litteratura, para «nosso» Ihe 
devermos fícar chamando. 

Foi no Tom. v d'essa obra (pag. 307 a 208) que elle debuxou acerca da 
epopéa camoniana o s^uinte artigo lexicographico : 

«LuiIada. Affumpto, oa argumento, d titulo de PoeniA heroico do Príncipe dos Poetas Hef- 
panhocs Luis de Camóes. Efte nome be derivado de Lufo, ft Lofitania, quer dizer Portugal. Deo pois 
o Poeta effe titulo ao fen Poema i imitaffio de Homero, que chamou Diada ao Poema, em que dcf- 
creveo as ac^6e8 dos Troyanos, cuja metrópoli era Dion, vulgarmente Troya; como tambem á imi- 
tsfáo de Virgilio, que cbamoo Eneidas, o que efcreveo de Eneas ; A de Stado, que intitulou Thebaida 
ao Poema, em que defcreve a acf lo dos dous irmáos em Thebas, & AcUlleida ao poema das ac^óes 
de Achilles. AíHm formando Camóes do nome da gente, que cantava, o titulo do feu poema, chamou 
Lnfiada oe verfos, com que celebrava as heroicas ao9Óes dos Luios, on Lufitanos. U^/ku, LufiadU. 
Fewí, aífim como se diz, JEngU, JEneidit. Fem, (Como o argumento dos Lufiadas era tam grave, foy 
oeceíbrio variatlo com algfis epifodios. Manoet Severim, Difcurfos varios, pag. iis. verf.)» 



4it> 



Lagrimas no enjugó más de la Aurora 
Sobre piolas negras la mañana. 
Que arrolló su espolón con pompa pana 
Caduco aljófar, pero aljófar bello. 

Isto escreve o famoso D. Luiz de Gongora na Soledad II 

(v. 69 a 70). 

E na Fábula de Polifemo y Calatea (est. 42) : 

Quantas produce Pqfo, engendra Gnido 
Negras piolas, blancos alhelies. 

Sobre estes dois últimos versos diz D. Garcia de Sal- 
zedo Coronel (vid. El Polifemo comentado (Madrid — 1636) — 
fl. 388): 

c Viola es pna Jbr de color purpureo, fu planta tiene las hojas 
parecidas a las d^ layedra^ pero negras y delicadas; en E/paña 
fe di\e pioleta. Llamólas negras don Luis, por tener fu planta las 
hojas negras, como Virgilio en la Eglog. 10. Et violas nigne funt. 
Plinio lib. 21. cap. 6. efcriue tres diferencias, purpureas, amaril- 
las, y blancas; fon ejlas flores gratas a los amantes, Virgilio lo da 
a entender en la Égloga 2. 

— Tíbi candida Naís 
Pallentes violas, & fumma papauera carpens. 

€El Padre Cerda f obre ejle lugar di\e, que alude Virgilio a las 
piolas blancas, yo entiendo y que quifo dar a entender las amarillas, 
como Horacio en el lib. 3. Od. jo. 

Et tindus viola pallor amantium.» 

A puridade confessémos que o erudito commentador de 
Gongora, na imbrulhada que faz, mette um poucochito os 



47 



pés pelas máos, — porque, se as flores das violetas nao sao 
realmente «negras», táo pouco de «negras» Ihes poderemos 
taxar as folhas. 



Disse eu que na galantería de chamar «pretas» ás vio- 
letas, andaría talvez, por cumplice do auctor da Musa em 
ferias, o proprio convite da rima: andaría qui^á, muito im- 
bora nao estejamos auctorízados a positivamente aiiirmál-o^ 
nem . . • . a contestál-o. Mas o que nao padece dúvida é que, 
á similhan9a de Theocrito, se incontra por varios poetas 
empregado em rela9áo aquella rdxa flor um qualifícativo 
synonymico, sem que possa attribuir-se-lhe por causa deter- 
minante urna imposÍ9áo de rima. 

Nem sempre, pois, havemos de ir buscar para explica- 
?áo do caso a conhecida apostrophe de Lope de Vega : 

¡Fuerza del consonatite, á quanto obligas!. . . 
¡Haces que sean blancas las hormigas! 

Já citei duas passagens de Gongora em que se chamam 
«negras» as violetas, sem que nisso a imposÍ9áo de ríma por 
modo algum intrasse. 

Oigamos agora o nosso Camóes na Écloga XIII. 

Lá nos diz elle : 

A negra violeta tem inveja 

O branco lirio, porque tal nao tem 

O cheiro que vencido nao se veja. 

Aqui ha evidentemente formal inten^So de accentuar o 
tríumpho que sobre a alvura dos lirios alcan9a a escura cor 
das violetas, mercé da suave fragrancia que as imbalsama. 



48 



De negras qualifíca tambem as violetas o nosso Antonio 
Diniz da Cruz e Silva, quando em urna de suas Odes Ana^ 
creonticas (Tom. ni das Poesías (Lisboa — 1812) — pag. 178) 
come9a por este modo o galante panegyrico da mulher ado- 
rada: 

Em seus cabellos 
Negras violas 
Tem o meu bem; 
Ñas máos pequeñas 
Tem a9ucenas 
E lirios cem. 
Flores tao lindas 
Abril nao tem. 



Aqui ha manifestamente o firme proposito de comparar 
o negro real dos cabellos ao negro hypothetico das violetas, 
contrapondo-lhe a alvura das máos comparavel á dos lirios 
e a9ucenas. 

E continúa d'esfarte: 



Em sua bocea ^ 
Veraielhos cravos 
Abrir-se ve*m; 
Purpureas rosas 
Tem ñas formosas 
Faces tambem. 
Flores táo lindas 
Abril nao tem. 



No niveo seio 
Oh! que de flores 
Brotando ve'm! 
Brancos jasmins, 



49 



Mil mogarins, 
Lirios tambem. 
Táo lindas flores 
Abril nao tem. 



Flores táo frescas 
Oh! quem colhéra! 
Oh Céos! oh! quem! . . . 
Mas mil Amores 
Táo frescas flores 
Em guarda te'm. 
Quem as colhéra! 
Oh Céos! oh! quem!. . • 



Esta impropriedade de qualifica^ao (permitta-se-me que 
assim o diga) nao é só com as violetas que se dá: frequentes 
vezes se nos depara, consagrada mesmo, na linguagem vul- 
gar. Assim chamamos «uvas pretas» a fructos cujo bago é 
simplesmente r6xo ou apenas vermelho : pprpu^ yj!kodvn^ diz Ba- 
brio na fábula que tem por titulo «A raposa e as uvas». 

Querem ouvir agora a poesia popular da Toscana em 
um dos seus mais bonitos rispetti? 

Tutti mi dicon che son ñera, ñera: 
La térra ñera ne mena il buon grano; 
E guarda il Jior garofan com' é ñero. 
Con quanta signoria si tiene in mano! 

E ninguem decerto irá suppór aqui referencias a cravos 
«pretos». Ninguem decerto, por esta cantilena popular, in- 
contrará motivos para imaginar a existencia de uma varíe- 

4 



dade «negras no diantkus caye^yilus (de Linn.), — e muíto 
menos ainda se poderá inteoder que é urna preta que nos 
está falando, luna preta d'Airica a buscar burlescamente um 
simile entre a carapinha estopetada e as aromáticas pétalas 
áojior garofan. 



XI 



I UE ha entáo? Ha que a religíáo dos cabellos loiros 
-urna das mais santas religióes que eu conhe^o — 
I alcaníava no auctor d' Os Lusiadas as propor^óes 
de ura verdadeiro fanatismo. 

E senáo vejam-se a cada passo, em referencia áquelle 

ponto, os accentuadissimos protestos da sua profissSo-de-fé. 
Deplora ausencias da mulher amada? Evocando a suave 
recordaíáo de táo formosa imagem, — o que primeirolhe 
acode ao pensamento, o que primeiro Ihe irrómpe dos la- 
bios no seu preito de adorador, é aquelle deslumbrantissimo 
feixe de fios-d'-oiro, que o ¡nieva, quer em trantas recolhido, 
quer desatado em ondas a debru^ar-se no alvi-rosado eolio: 



Ondados fíos de oiro reluzente, 
Que agora da mSo bella recolhidos, 
Agora sobre as rosas esparcidos, 
Fazeis que a sua gra^a se accrescentí; 



Olhos que vos movéis táo docemente 
Em mil divinos raios incendidos: 

Se de cá me leváis alma e sentidos 

Que foca se eu de vos nao fóra ausente?! 



52 



Honesto ríso que entre a oiór fineza 
De per'las e coraes nasce e apparece: 
Oh! quem seus doces echos já Ihe ouvisse! 



Se, imaginando só tanta belleza, 
De si com nova gloria a alma se esquece .... 
Que será quando avir?! Ah! quem avisse! 



É que nao ha fugir de similhante influencia! 
Inleia-se-lhe a vista! 
Inleia-se-lhe o espirito! 
Inleia-se-lhe o cora9áo! 

Inleia-se-lhe a alma nos fios feiticeiros d'aquella rede 
seductora e fascinante: 



Ondados fios de oiro, onde inla9ado 
Continuamente tenho o pensamento, 
Que, quanto mais vos sólta o fresco vento, 
Maís preso ñco entáo de meu cuidado! 



Amor, de uns olhos bellos sempre armado, 
Me combate co' as fdrgas do tormento, 
Provando da minh' alma o soffirimento 
Que á justa lei da paz trago obrigado! 



Assi que em vosso gesto mais que humano 
Amo a paz juntamente e o perigo; 
E em amar um e outro nao me ingano. 



Muitas vezes dizendo estou commigo 
Que, pois é tal a causa de meu damno, 
É justa a guerra, é justa a paz que sigo. 



53 



Perante vins cabellos muí loiros sente-se por tal forma in- 
levado o Poeta, que alguma vez acontecerá privativamente 
consagrar-lhes todos os quatorze versos de um Soneto : 

Luisa, son tan rubios tus cabellos, 
Que el Sol por solo pellos se detiene, 
Y, puesto que a su lumbre no conviene, 
La quiere más perder que no perdellos! 

Dichoso el que merece poder pellos! 

Y más el que una trenca dellos tiene!.! 

Y mucho más aquel que se mantiene 
De solo el resplandor que sale dellos!!! 

Luisa, si la claridad inmensa 
De tu cabello enciende los amores, 

Y amor con otro amor se recompetisa .... 

Puesto que no meresca yo fapores, 
Merescan per mis ojos una trenga 
En pagq de su llanto y mis dolores. 

Porque nao ha de entáo .a formosissima Luiza conceder- 
Ihe dos rubios cabellos uma pequenina trenga ? 

Mas até na preciosa fita que da mulher amada inla9ou 
cabellos loiros, — e com que esta affectuosamente o brindou 
por lembran^a, — até nessa estimada prenda incontra o Poeta 
um pretexto para enthusiasmado Ih'os louvar. 



Lindo e subtil trancado, que ficaste 
Em penhor do remedio que merejo, — 
Se só comtigo, vendo-te, indoide^o .... 
Que fdra co' os cabellos que apertaste?! 



54 



Aquellas trancas de oirá que ligaste, 
Que os raios do sol te'm em pouco preco, 
Nao sei se ou para mgano do que pe^o, 
Ou para me matar, as desataste. 



Lindo trancado, em minhas máos te vejo : 
E por satisfac^áo de minhas dores. 
Como quem nao tem outra, hei de tomar-te. 



E, se nao for contente o meu desejo, 
Dir-lhe-hei que nesta regra dos amores 
Por o todo tambem se toma a parte. 



Pergunta Camóes á mulher que o incauta — onde é que 
foi ella descobrir tantos e táo preciosos thcfsouros de belleza, 
quaes sámente Venus (a formosissima deusa do Ida) Ihe po- 
derla facultar? 

Logo a declara^áo implícita de ser o «áureo crino» o 
que mais o impressiona: 

Dizei, senhora, — da belleza Idea 
Para fazerdes esse áureo crino, — 
Onde fostes buscar esse oiro fino, 
De que escondida mina ou de que veia; 

Dos vossos olhos essa luz Phebéa, 
Esse respeito (de um imperio diño), 
Se o alcan^astes com saber divino, 
Se com incantamentos de Medéa; 



De que escondidas conchas escolhestes- 
As perlas preciosas orientaes. 
Que falando mostráis no doce riso. 



55 



Pois vos f(Mtnastes tal, como quizestes, 
Vigiae-vos de vos; nao vos vejáis; 
Fugi das fontes: lembre-vos Narciso. 



Por mais que o Poeta esquadrinhe e scisme, — thesouros 
Ihe nao descortina a térra, nem thesouros o céo, que, im- 
perfeitamente imbora, logrem arremedar um conjuncto assim 
de bellezas. 

E entre essas bellezas incontestavelmeote a de maior 
vulto, a que primeiro deshunbra os ottios de quem nellas 
attente, é sempre o oiro fino das tran9as : 



Onde achastes, senhora, esse ouro fino 
D'essas trancas que Amor se mieva em vél-as ? 
Em que praia essas perolas táo bellas 
Que deseobrís no riso peregrino? 



Em que sereno céo o sol divino 
Que co' os raios defende a vista d'ellas ? 
Onde os finos rubis, que por entre ellas 
G)m tantas gra^s vemos de continuo? 



Em que monte, lá do Indo até ao Douro, 
A nevé d'esse gesto deHeado? 
Em que esjMnho essas rosas tao fermosas? 



Mas quiz Natura em vos fazer thesouro: 
E assi poz, dama, em vos recopilado, 
Rosas, nevé, rubis, sol, perlas, ouro. 



Varia9des do thema por que fecha este Soneto, incontrá- 
mol-as naquelle que em seguida vou transcrever. 



56 



Até no verso, por que ambos fínalizam, parecem remi- 
niscencia um do outro. 

Ñas faces. ... o mimo das rosas! 

Nos labios .... a vermelha cor dos rubis ! 

Nos oihos. ... a scintiila9áo da luz solar! 

No peito a deslumbrante alvura da nevé ! 

Mas • . • . sempre os cabellos d'oiro em todo o caso ! 



De quantas grabas tinha, a Natureza 
Fez um bello e ríquissimo thesouro: 
E com rubís e rosas, nevé e ouro, 
Formou sublime e angélica belleza. 



Poz na bocea os rubis, e na pureza 
Do bello rosto as rosas, por quem mouro; 
No cabello, o valor do metal louro; 
No peito, a nevé em que a alma tenho accesa. 



Mas nos olhos mostrou quanto podia: 
E fez d'elles um sol, onde se apura 
A luz mais clara que a do claro dia. 



Emfim, senhora, em vossa compostura 
Ella a apurar chegou quanto sabia 
De ouro, rosas, rubis, nevé e luz pura. 



Sempre os cabellos de oiro : 



Leda serenidade deleitosa. 
Que representa em térra um paraíso; 
Entre rubis e perlas doce riso, 
Debaixo de oiro e ncve cór-de-rosa*, 



57 



Presen^ moderada e graciosa, 
Onde enstnando estáo despejo e sizo 
Que se pode por arte e por aviso, 
Como por natureza, ser formosa; 



Fala de que ou já vida ou morte pende, — 
Rara e suave, — emíim, senhora, vossa; 
Repouso na alegría commedido: 



Estas as armas sao com que me rende 
E me captiva Amor, — mas nao que possa 
Despojar-me da gloría de rendido! 



Esquiva, que te regalas em desattender quem táo ina- 
morado te adora, como pretendes tu harmonizar com o an- 
gelical reflexo das trancas d'oiro os desabrimentos do cora- 
9áo? Es linda? linda te proclama o Poeta, — e da lindeza, 
que elle se propóe celebrar, lá está o loiro dos cabellos a 
tomar a deanteira na descrip9áo : 



Esses cabellos loiros escolhidos, 
Que o ser ao áureo sol estao tirando; 
Esse ar immenso, adonde naufragando 
Estáo continuamente os meus sentidos; 



Esses furtados olhps tao fingidos 
Que minha vida e morte estao causando; 
Essa divina gra9a, que em falando 
Finge os meus pensamentos nao ser cridos; 



Esse compasso certo, essa medida 
Que faz dobrar no corpo a gentileza 
A divindade, em térra, táo subida: 



58 



Mostrem já piedade e nao crueza. 
Que sao le^os que Amor tece na vida, 
Sendo em mi sofirimento, em vos dureza. 



Cruel és tu devéras, e nao simplesmente esquiva por 
um doce requebró? cruel de urna inqualifícavel dureza? 
Entre as imagens comparativas, de que vai servir-se o des- 
consolado Poeta na representando da tua dura insensibili- 
dades incontrarás symbolizadas pelo oiro indurecido as 
loiras tranfas com que o infeiti^aste : 



De piedra, de metal, de cosa dura, 
El alma, dura ninfa, os han vestido. . . . 
Pues el cabello es aro endurecido, 
Y marmol es la frente en su blancura! 



Los ojos, esmeralda verde jr escura! 
Granate las mg'illas, no fingido! 
El labio es un rubí noposeUlo! 
Los blancos dientes son de perla pura! 



La mano de marfil, y la garganta 
De alabastro, por donde como yedra 
Las venas van de a\ul muy rutilante! 



Mas lo que más en toda vos me espanta 
Es ver que, porque todo fiíese piedra. 
Tenéis el coraron como diamante!!! 



Porque ha de a crueza ou a esquívanna desaproveitar as 
primaveras da juventude, e arriscar-se a um tardio arrepen- 
dimento ? 



59 



Ah! que de pungentes maguas naquelle irremedíavel des- 
botar de fragrantissimas rosas, tristemente immurchecidas 
em botáo! naquelle esmorecer, naquelle imbaciar de uns 
olhos outrora animados e fulgidos ! e, mais que tudo, naquelle 
melancholico imbranquecer dos cabellos, trocado entao por 
prata o oiro fínissimo ! 



Se as penas com que Amor táo mal me trata 
Permittirem que eu tanto viva d'ellas, 
Que veja escuro o turne das estrellas 
Em cuja vista o meu se accende e mata, — 



E se o tempo, que tudo desbarata, 
Seccar as frescas rosas, sem cólhél-as, 
Deixandp a Hnda cdr das trancas bellas 
Mudada de oiro fino em fina prata, — 



Tambem, senhora, entao veréis mudado 
O pensamento e a aspereza vossa, 
Quando nao sirva já sua mudanca. 



Ver-vos-heis suspirar por o passado, 
Em tempo quando executar-se possa 
No vosso arrepender minha vingan^a. 



Oiro fino?! Sobreleva devéras ao oiro fino o mirifico 
resplendor de uns cabellos assim: 



Do están los claros ojos que colgada 
Mi alma tras de si llevar soHan ? 
Do están las das mejillas que vendan 
La rosa quando esté más colorada? 



6o 



Do está la roja boca, y adornada 
Con dientes que de niepe parecían? 
Los cabellos que el oro escurecian 
Do están, y aquella mano delicada? 



Oh toda linda! do estarás agora 
Que no te puedo ver? y el gran deseo 
De verte me da muerte cada hora! 



Mas no miráis mi grande devaneo, 
Que tenga yo, en mi alma á mi señora . • . . 
Y diga: — ^Donde estás que no te veo?9 — ?! 



Sobrelevava ao proprio sol o deslumbrante fulgor das 
áureas madeixas que a implacavel Parca impolgou brutal- 
mente : 

Os olhos onde o casto Amor fulgia, 
Ledo de se ver nelles abrazado; 
O rosto onde com lustre desusado 
Purpurea rosa sobre nevé ardía; 



O cabello que inveja ao sol fazia, 
Porque fazia o sol menos doirado; 
A branca máo, e o corpo bem talhado: 
Tudo aqui se reduz a térra fría! 



Perfeita formosura em tenra edade, 
Qual flor que antecipada foi colhida, 
Murchada está da máo da Morte dura. 



Como nao morre Amor, de piedade, 
Nao d'ella que se foi á clara vida, 
Mas de si que ficou em noite escura?! 



6i 



Se dos Sonetos passarmos a outras composi^des lyricas, 
em que Lmz de Camoes deixou inspiradamente expandir-se- 
Ihe o estro, — repetidas vezes Ihe incontraremos denunciada 
a sua constante paixáo pelos cabellos loiros. 

Vejamos por exemplo .... as Can^oes. 

E ñas Can96es ...» comecémos pela CanfM I. 

Logo o primeiro ramo da Cartfáo I nos p6e evidente o 
delicado mimo da «testa d'oiro e nevé»: 



Formosa e gentil dama, quando vejo 
A testa d'oiro e nevé, o Ündo aspeito, 
A bocea graciosa, o riso honesto, 
O eolio de crystal, o branco peito, 
De meu nao quero mais que meu desejo, 
Nem mais de vos, que ver táo lindo gesto. 

Alli me manifestó 
Porvosso a Deus e ao mundo; alli me inflammo 

Ñas lagrimas que choro; 

E de mi que vos amo, 
Em ver que soube amar- vos, me namoro; 
E fico por mi só perdido de arte 
Que hei ciumes de mi por vossa parte. 



Veja-se depois na Cattfáo III o terceiro ramo. 
Ha nada mais gracioso do que a imagem nelle empre- 
gada em prol dos cabellos loiros.^ 



Já a rdxa manhan clara 
As portas do Oriente vinha abrindo, 

Os montes descobrindo 
A negra escurídSo da luz avara. 

O sol, que nunca para, 
Da sua alegre vista saudoso, 

Traz ella pressuroso 



62 



Nos cavallos cansados do trabalho, 
Que respiram ñas hervas fresco orvalho, 
Se extende claro, alegre e luminoso. « 

Os passaros voando 
De raminho em raminho váo saltando, 
E com suave e doce melodía 
O claro dia estao manifestando. 



A manhan bella, amena, 
Seu rosto descobríndo, a espessura 

Se cobre de verdura 
Clara, suave, angélica, serena. 

Oh deleitosa pena! 
Oh eflfeito de Amor alto e potente! 

Pois permitte e consente 
Que ou donde quer que eu ande, ou donde esteja 
O seraphico gesto sempre veja 
Por quem de viver triste sou contente. 

Mas tu, Aurora pura, 
De tanto bem dá gracas á ventura, 
Pois as foi por em ti táo excellentes, 
Que representes tanta formosura. 



A luz suave e leda 
A meus olhos me mostra por quem mouro, 

Com os cabellos d'ouro 
Que nenhum ouro eguala, se os remeda. 

Esta a luz é, que arreda 
A negra escurídáo do sentimento 

Ao doce pensamento; 
Os orvalhos das flores delicadas 
Sao nos meus olhos lagrimas cansadas, 
Que eu choro co' o prazer de meu tormento; 

Os passaros que cantam, 
Meus espirítos sao, que a voz levantam. 
Manifestando o gesto peregrino 
Com táo divino som que o mundo espantam. 



63 



D'entre as Caneces apontarei aínda, por causa do segundo 
ramo, os dois prkneiros da Qmgao V. 

E é ver como extasiado se deixa o Poeta inlevar na 
contempla9áo mental das áureas trancas: 



Se este meu pensamento, 

Gomo é doce e suave, 
D'sÉna pudesse vk gritando fára, — 

Mostrafido seu tormento 

Cruel, áspero e grave, 
Deante de vos só, mínha senhora, — 

Pudera ser que agora 

O ¥os5o peito duro 

Tomara manso e brando. 

E entao ea^ — que seo^re ando 
Passaro aolkario, humilde e escuro, — 

Tomado um cysns puro 
Brando e sonoro, por o ar voando, 

Com canto manifestó 
Pintara a minha pena e o vosso gesto. 



Pintara os olhos bellos 

Que trazem ñas meninas 
O Menino que os seus nelles cegou; 

Os dourados cabellos 

Em trancas d'ouro finas, 
A quem o sol os tbíos seus baisou; 

A testa que ordenou 

Natura táo formosa; 

O bem proporcionado 

Nariz, lindo, afilado, 
Que cada parte tem da fresca rosa; 

A bocea graciosa. . . . 
(Que o querél-a louvar é já excusado! 

Emfim. . . . é um thesouro: 
Parolas, dentes, — e palavras, ouro)! 



64 



0¡9ámos agora as maguadas queixas do pastor Frondoso 
exprobrando fna Écloga IV), em dialogo com o pastor Du- 
riano, a ingratidáo da sua voluvel Belisa: 



Onde está aquella fala, que sohia 
Só com seu doce tom, que me chegava, 
Avivar-me os espirites cansados? 
Onde está o olhar brando, que cegava 
O sol resplendecente ao meio-dia? 
Onde estáo os cabellos delicados, 

Que, ao vento espalhados, 
Escureciam o oiro, a mi matavam, 

E a quantos os olhavam 
Causavam tambem novos accidentes? 

Porque, cruel, consentes 
Que outro gose* da gloria a mi devida? 
Perca, quem te perdeu, tambem a vida! 



Sempre os cabellos loiros! 

Na Écloga VII trata-se de citar, por incidente que seja, 
a formosissima Calatea? 

Para bem accentuar-se-lhe a formosura, indispensavel 
é que se Ihe aífirmem loiros os cabellos: 



E emquanto Galatéa ao manso vento 
Sólta os cabellos loiros da cabera .... 

&c. 



Qual a cor dos ólhos na incantadora nympha? 
Qual a brancura da testa? 
Qual a expressáo dos labios? 

Pouco importa, com tanto que nao esque9a fazer-lbe 
notar a incomparavel belleza do áureo crino! 



65 



E mais adeante : 



Já tinha dado um giro a luz serena 
Do gram pastor de Admeto, e já nascia 
Aos ditosos amantes nova pena, 

Quando as formosas Nymphas em porña 
Para o logar do monte caminhavam, 
Rompendo a manhan rdxa, alegre e fria. 

De uma os loiros cabellos se espalhavam 
Por o formoso eolio sem concertó 
E com mil nos suaves se inlacavam; 

Outra, levando o eolio descoberto, 
Por mais despejo em trancas os atara, 
Havendo por pezado o desconcertó. 



Quer dizer: ou soltos em ondas, ou intran9ados, loiros 
sempre os cabellos de todas as Nymphas! 

Na Écloga IXy incontraremos o pescador Palemo a cha- 
mar, com intemecidas falas, pela sua adoradissima Calatea: 



Deixa o molle licor e crystallino 
(Dizia), ó Nympha, já, — que o sol deseja 
Enxugar teu cabello d'oiro fino. 

Inda que tem de ti tao grande inveja. 
Nao temas que te queime o rosto brando: 
Basta, para abrandar-se^ que te veja. 

Nao te detenhas mais : vem já cortando 
Com teu candido peito as brancas ondas, 
Escumas menos brancas levantando. 



Alvissimo o peito, e d'oiro fino os cabellos: de mais nao 
quer saber o Poeta, — e fica-Ihe em dois tra90s retratada a 
linda nympha! 



66 



Na Écloga XII cantam em desafio os pastores Galasio 
e Delio: Marfida e Learda se appeliidam as esquivas pasto- 
rinhas, por quem ardem loucamente de amor. 

E trata cada um d'elles de pdr em relevo os incompara- 
veis incantos da sua. 

Diz o pastor Delio: 



Learda minha, branca mais que a nevé, 
E muito mais corada que a gran fina, 
Se inda Amor a vencer-te nao se atreve .... 
Que fará quem de amor por ti se fina? 
Eu flkXTo: e tu meu mal julgas por leve? 
Nao vés tu como já me desatina ? 
Ai triste! que me vé'm valles e montes, 
Regados de meus olhos feitos fontes! 



E diz o pastor Galasio: 



Marfída, branca mais que o branco leite, 
Vermelha muito mais que a rosa pura, 
Assi descuido em ti nunca suspeite, 
Assi me trates inda com brandura! 
Que a cabana, que a vida e a alma ingeite 
Por ti, quando tu mais que marmor dura! 
Testemunhas seráo montes e valles 
A quem dou larga conta de meus males! 



Competindo na alvura do rosto, levam ambas de vencida 
a brancura da nevé e a do leite. 

No rubor das faces nao ha rosa vermelha, nem bago de 
román, que as eguale. 

Examinemos entáo se por outros dons poderao entre si 
disputar primazias Learda e Marfída. 



6? 



Continúa Delio portanto: 



Quando a minha Learda desincolhe 
Os seus cabellos d'oiro, longo, ondado, 
O sol de pura inveja se recolhe, 
G>mdo de. se ver menos doirado. 
Livre pastor nao ha que bem os olhe, 
Sem se achar logo nelles inla^ado: 
Ai! nao soltes, Learda, os teus cabellos^ 
Pois tanto prendem quantos ousam vél-os ! 



Cuidam que vai o pastor Galasio antepdr aos cabellos 
de Learda os cabellos de Marfída ? 

Se loiros os tivesse esta, prestes gabar-lh'os-hia Galasio 
por sem-duvida. 

Mas pretas, pretas .... — por formosas, por incanta- 
doras que sejam as tran9as d'ebano, — como arriscar-se o 
apaixonado amador de Marfída a pdl-as em confronto com 
as áureas madeixas de Learda ? 

Muda entáo de rumo o pastor, e, como fazendo-se des- 
intendido, trata de levar para outro campo a questáo : 



Os tristes cora^des se tomam ledos, 
Ouvindo de Marfída o doce canto; 
Os furiosos ventos estáo quedos; 
Nao guia o claro Sol seu carro emtanto. 
Converte-se a dureza dos penedos 
Em brando amor: Amor desfaz-se em pranto, 
Vencido d'essa voz, doce Marfída .... 
Mas tu nunca de Amor foste vencida! 



Está ou nao está reconhecida tácitamente por Galasio 
a superioridade incontestavel dos cabellos loiros ? 



Para que ir entSo buscar maís exemplosP para que ir 
mais argumentos colhér nos versos de CamSes? 

Elle proprío o diz na penúltima das estancias com que 
finaliza o Canto III d' Os Lusiadas: ' 



Mas quem pode livrar-se porvennira 
Dos lagos que Amor arma brandamente 
Entre as rosas, e a nevé humana pura, 
O oiro, e o alabastro transparente? ! 



XII 



Íuiz de CamSes pertencia ao privilegiado grupo dos 
que fanáticamente professam a mimosa religiáo dos 
cabellos loiros auri-fulgentes. 

Já Ricardo Burton houve occasiSo de fazer notar isto 
mesmo (vid. Camoens: his Ufe and his Lusiads (London — 
1881) — Vol. I, pag. 48). Diz elle, referindo-se ao Poeta: — 
"He eiñdently delighted in bhndes, as may be seenfrom the 
frequent Unes describing roses in snows and snotvs m gold». 

E para esses taes, para os que professam a religiSo do 
loiro, antolha-se quasi como se fOra maravilha rarissima o 
apparecimento de um rostinho moreno que na ardencia da 
sua tisnada cutis logre incitar a perjurios e promover apos- 
tasias. 

Para esses taes o caso afigura-se mesmo táo excepcio- 
nal, que elles proprios o denunciam na quasi-hesita^So com 
que exprimem accidentalmente seu modonde-sentir. 

Brunette elle est, mat's pourtant elle est belle ! 

«Apezar de trígueirinha. . . . formosa!» D'est'arte se ex- 
pressa Clemente Marot no epithalamio da celebre Magda- 
lena de Franfa, filha de Francisco I. 



70 



A mesma idea nos oflferece um dos mais devotos admi- 
radores de Lniz de Camóes, — grande poeta como elle, e, 
como elle, grande intendedor do assumpto, — o inamorado 
Tasso na Gerusalemme Liberata (XII, 21): 

Afa il bruno il bel non toglie. 



Dir-se-hia tácitamente reconhecida por unánime deter- 
mina^áo do bom-gdsto a supremacía da tez branca no seu 
confronto com a tez fusca. 

Em abono d'esta asser9áo ha inclusivamente as razóes 
que, mais ou menos indirectamente, se incontram a cada 
passo invocadas pela tez morena como justifica^áo ou des- 
culpa, — sem que jamáis a tez branca por seu tumo julgue 
apropriado o eosejo para pedir desculpas de nao ser tri- 
gueira ou para se justificar da sua alvura. 

Oigamos as cantigas do nosso povo: 



Deixa passar: vou com pressa 
Ao mar correndo ligeira 
A lavar-me n'agua clara, 
Que dizem que sou trigueira. 



Tu me chamas trigueirinha : 
Eu do sangue nao o sou; 
Isto é de andar ñas ceifas; 
Foi o sol que me queimou. 



Tu me chamas trigueirinha: 
Eu do sangue nSo o sou; 
Isto foi do pó da eirá, 
Da calma que me queimou. 



71 



Chamaste-me trigudrínha: 
Isto é do pó da eirá; 
Tu me verás ao Domingo 
Como a rosa na roseira. 



Chamaste-me trigueirinha: 
Eu bem sei que sou trígueira; 
Mas o que inda tu nSo sabes .... 
É que tenho quem me queira. 

Chamaste-me trigueirinha: 
Eu sou da cor da cereja; 

Quem por minha porta passa 

A minha cdr me deseja. 

Chamaste-me trigueirinha: 
Eu nao me escandalizei; 

Trigueirinha é a pimenta 

E vai á mesa do rei. 



Chamaste-me pera parda? 
Pera parda eu quero ser: 
Lá vira o mez de Agosto 
Em que me queiras comer. 

Ó meu amor, se tu fores 
Ao tribimal das formosas, 
Apéga-te ás trigueirinhas, 
Que as brancas sao inganosas! 



Tambem as camponezas dos arrabaldcs de Floren^a ap- 
pellam para o ardor do sol, como elemento explicativo e 
desculpante da sua trigueirez (deixem passar o neologismo, 
que bem precisamos d^elle)« 



72 



Aquí temos nos um frisante exemplo neste mimoso stor- 
neUo que pela musicalidade tanto se recommenda : 



Fiorin di more! 
Son morellina, e son di naturale: 
Son morellina, che m'ha tinto il solé I 



O pensamento expresso na ante-penultima das nove qua- 
dras, que ora acabei de transcrever, acha-se análogamente 
aproveitado numa cantiga das camponezas toscanas: 



Non ha* a hadar che sia cosi brunetta, 
Che tutte le brunette son reali. 
La nevé é bianca, e pero si calpesta: 
II pepe é ñero, e sta in man de* spe^iali. 
La nevé é bianca, e sta su pei valloni: 
II pepe é ñero, e sta in man de' signori. 



O delicado Theocrito, — no IdyUio X a que já me re- 
ferí, — quando quer louvar uma beldade morena, por um 
requinte de amabilidade chama-lhe. , . . «loira como a cor 
do mel» (fJLeXíx^Jw). 

E a Sulamite? 

A Sulamite, com toda a sua deliciosa ingenuidade, fa- 
zendo-nos ver que é «formosa apezar de muito trigueira» 

€Nigra sum sedformosai^ 

nao se esquece de por em relevo, como incantadora des- 
culpa, a causa de ter assim a cor morena : 

«Nolite me considerare quod fusca sim^ quia decolor avit me soL* 



73 



Que vemos nos na Écloga XIII do nosso Camóes? 
Vemos a pastora Phyllis que, lamentando-se pela ingra- 
tidáo de Corydon, Ihe diz entre outras coisas o seguinte: 

Logo que a tua Galatéa viste 
Vi eu d'este meu mal grandes agouros; 



E nao tem Galatéa mais thesouros, 
Nem tem mais formosura, inda que seja 
Ou de alvo rosto ou de cabellos louros. 

A negra violeta tem inveja 
O branco lirio, porque tal nao tem 
O cheiro que vencido nao se veja. 



Repare-se naquelle 



üida que seja 

Ou de alvo rosto ou de cabellos louros. 



Pois nao é verdade que está alli a evidenciar-se urna 
tacita confíssáo da supremacía das loiras com respeito ás 
morenas? Pois nao é a propria Phyllis que, para defender 
sua causa, vai buscar o confronto da «negra violeta» com o 
«branco lirio», muito adrede no intuito de fazer esquecer 
pela suavidade do aroma o desprimor do colorido? 

« 

Bella \agaleja 
Del color moreno^ 
Blanco milagroso 
De mi pensamiento; 
Gallarda trigueña. 
De belleza extremo. 
Ardor de las almas, 
Y de amor trofeo; 



74 



Suave sirena, 
Que con tus acentos 
Detienes el curso 
De los pasajeros: 
Desde que te vi, 
Tal estoy, que siento 
Pt^eso el albedrio 
Y abrasado el pecho. 



Assim principia um Romancillo erótico ó amatorio de 
Christovam Suarez de Figueroa (La constante Amarilis — se 
intitula o Romancillo), «Morena» cometa o poeta por Ihe 
chamar, á camponeza dos seus inlevos; mas, fazendo tro- 
cadilho com a dupla accep^áo da palavra blanco, implicita- 
mente confessa como regra geral a primazia das formosuras 
alvas em confronto com as trigueiras. 

Cá temos — Los amores de la morena. Vem no Tom. n 
(a pag. 482) do citado Romancero Castellano, 6 Colleccion de 
antiguos Romances populares de los Españoles, publicada con 
una introducción y notas por G. B. i>^iff^(Leipsique — 1 844). 



Vanse mis amores, 
Quiérenme dejar: 
Aunque soy morena, 
No soy de olvidar. 



Vanse mis amores. 
Yo no sé porquéy 
Pues no les mostré 
Jamás disfavores. 
Diganme: — ¿Que errores 
Pude yo engendrar? 
Aun que soy nu>rena. 
No soy de olvidar. 



Vase mi alegría 
Y todo mi bien: 
Vase aquel con quien 
Descanso tenía; 
Vase el que solía 
Siempre me alegrar. 
Aunque soy morena, 
No soy de olvidar. 



Vase la alegría 
De mi cora\on; 
Vase la ocasión 
De eterna memoria; 
Vase muy notoria 
Mi vida sin par. 
Aunque soy morena. 
No soy de olvidar. 



Si soy morenica. 
Sé que no soy fea. 
Para que se vea 
Si algo se me aplica, 
Pues soy graciosica 
Para enamorar. 
Aunque soy morena, 
No soy de olvidar. 



Si tengo muy ledo 
Y moreno el gesto, 

Lo que yo concedo, 
Deshacer no puedo 
Su ley ni quebrar. 
Aunque soy morena. 
No soy de olvidar. 



76 



Una extrangertdela 
Ptettso que mi amado 
Me lo ha salteado, 
Y en él se consuela. 
¡ Ya no hay quien se duela 
De mi lamentar! 
Aunque soy morena^ 
No soy de olvidar. 



¡Ora gusto y siento 
Que la fé del hambre 

Que la lleva el viento! 
Mi amor y contento 
Debiera mirar: 
Que, si soy morena. 
No soy de olvidar. 



Formosa, a ponto de nao hesitar sua modestia em dizer 
de si propria — «iVb soy de olvidar» — : mas esta convic9áo 
nao pode fíirtar-se a ponderar com certo desgdsto — (i Aun 
que soy morena»! 

Trigueiras ha que ás loiras se avantajam. 

Isto affirma Fiiinto Elysio em pag. 85 doTom. i das suas 
Obras completas (París — 1 8 1 7). E quer elle dizer que a regra 
geral é avantajarem-se as loiras ás trigueiras. 



Por idea associada me estáo lembrando os lindissimos 
versos que D. Antonio de Trueba intitulou — Gente morena 



77 



(urna das mais incantadoras trovad por que se recommenda 
El Libro de los Cantares): 



I. 



^Muchachas de te:{ de nieve 
y de rubia cabellera 
son florecitaSy mas son 
florecitas sin esencia. 
Glaciales hijos del Norte, 
queredlas enhorabuena, 
que os gustarán como os gusta 
la nieve de vuestras sierras; 
pero en Castilla queremos 
muchachas de /q morena, 
queremos almas ardientes 
como este sol que nos quema. 
Moreno pintan á Cristo, 
morena á la Magdalena, 
morenas sin duda fueron 
la granadina Zulema, 
la aragonesa Isabel, 
la castellana Jimena 
que en los anales de amor 
dejaron memoria eterna; 
morenitas suelen ser 
las muchachas de mi tierra, 
moreno es el bien que adoro. . . 
¡Viva la gente morena! ^ 



II. 



Así, pidiendo á la Historia 
rabones que á dar se niega, 
los cantos meridionales 
ensalman á las morenas; 
asi el pueblo de Castilla 
vuestra rubia cabellera 



78 



de color de ébano toma 
¡oh Jesús! ¡oh Magdalena! 
Yo Antón, el de los cantares, 
también nací en esta tierra 
donde el amor es la gloria 
y el limbo la indiferencia^ 
pero yo al amor no pido 
una mejilla trigueña, 
que le pido una mejilla 
de rosas y de a:(ucenas. 
¡Oh virgen de ojos a\ules 
. que vi llorar en mi aldea 
de amor y melancolía 
cuando doraba la sierra 
el triste sol de los muertos, 
tu amor quiero y tu triste:{a! 

E em nota accrescenta o primoroso poeta: 

tEn este libro no cabía la apoteosis del amor sensual para cuya 
personificación venia de perilla la mujer de te\ morena y ojos ne- 
gros. La mujer de te^ blanca y ojos a:piles personifica, en mi con- 
cepto, el amor espiritual, que es el que yo cantaré siempre. » 



Aqui temos agora, de um anonymo castelhano, e sempre 
afinadas no mesmo tom de desculpa, as seguintes 

Endechas. 

Malhayan mis carnes, 
morena de perlas, 
si no diera un dedo 
por veros las vuestras. 



79 



Que no soi de aquellos 
que de ver se elepan 
una blanca mano 
de cuajada fresca. 

El carbón me abrasa, 
la nieve me hiela: 
lo blanco deslumhra^ 
lo moreno alegra. 

De cabellos de oro, 
dicen los poetas, 
que vencen al sol 
y que al oro ajrettían: 

Que ni el sol hs tiene 
ni se ha visto tienda 
donde los cabellos 
corran por moneda: 

Que si fueran de oro 
la i^q que los peinan, 
no dieran las sobras 
para hacer muñecas. 



¡Oh, trigueño rostro! 
¡oh, manos trigueñas! 
¡oh, gallardo brio! 
¡oh, hermosa morena! 



¿Quién no espera fruto 
de tan buena tierra? 
Bien haya el dichoso 
que la riega y siembra; 



8o 



Que como es cada año 
aquesta cosecha, 
pide su calor 
un Mayo que llueva. 



¡Humo de mi fuego! 
tinta de mi letra! 
luto de mi alma! 
noche de mi pena! 



Si aquello que falta 
eso se desea, 
tenédfne por blanco 
y sed vos mi negra. 

Tal sea mi ventura 
aunque me anochezca 
en medio del dia 
tan buena tiniebla; 

Que como en el sol 
la noche me cerca, 
que estoi en las Indias 
se me representa.. 

Decid, bellos ojos, 
a cuantos me vean, 
aquel es el blanco 
de mi ceja negra. 



Hagamos las almas 
á los cuerpos sean 
tablas de ajedrea 
de tan rica mezcla; 



8i 



Pase á vuestra casa 
una blanca pie\a 
y un peón que corra 
infinitas leguas: 

Y á mi casa blanca 
pasaré la vuestra 
que era dama libre 
y está agora presa. 

Si es verdad que dicen 
que el deseo fuerza 
suerte he dado 'n blanco 
pues que sois ajena^. 



Vejam agora o auctor d' A Musa em ferias naquelles 
bonitos versos — Morena — a que eu já por incidente (em 
pag. 44) me referí, quando tratei das «violetas pretas»: 

Nao neguesy confessa 
Que tens certa pena 
Que as mais raparigas 
Te chamem morena. 

Pois eu nao gostava, 
Parece-me a mim^ 
De ver o teu rosto 
Da cor do jasmim. 



I Estas «Endechas» que incontro (em pag. 106) no Tom. i do Catálogo 
iela Biblioteca de Salva (Valencia — 1872), transcreve-as o auctor do Catálogo 
(D. Pedro Salva y Mallen) de um cancioneiro manuscrípto dos prímeiros annos 
do sec. XVII (Cancionero recogido de varios poetas del buen tiempo, señalada- 
mente de Lope de Vega^ Gaspar Aguilar, Góngoray QuevedoJ. 

6 



82 



Eu n¿o. . . . mas emíún 
E fraca a razáo, 
Pois pouco te impcMta 
Que eu goste ou que nao. 

Mas olha as violetas 

Que, sendo urnas pretas, 
O cheíro que te'm! 
Vé lá que sería, 
Se Deus as fízesse 
Morenas tambem! 

Tu és a mais rara 
De todas as rosas: 
E as coisas mais raras 
Sao mais preciosas. 

Ha rosas dobradas 
E ha-as singelas; 
Mas sao todas ellas .... 
Azues, amarellas, 
De cor de azucenas, 
De muita outra cor. 
Mas .... rosas morenas .... 
Só tu, Knda flor. 

E olha que loram 
Morenas e bem 
As mocas mais* lindas 
De Jerusalem. 
E aVirgem Maria. . . . 

Nao sei mas sería 

Morena tambem >. 



> «Trígueira» quer a tradi^ao popular que fósse a Immaculada M§e do 
Redemptor: — «trígueira e com cabellos loiros». Mas «trígueira», em rela9áo 
á SantissimaVirgem, nSo deve tomar-se por synonymo de «morena». 

Eis o que sobre o caso escreve o nosso Antonio de Sousa Macedo no Eva 
e Ave (em pag. 3 14 a 3i5 da 3.* edi^So (Lisboa — 171 1), que é a que tenho 
presente) : 

« peto que de viña teftennmhára6 Sa6 Dionyfio, & Santo Ignacio, & deizán6 

efcríto Antfaores H^brto», & Gregos daqaeUct tempoa, Caz 4cferip^6 cnott da fiSnna Dhlaa, á. fcy- 



83 



Moreno era Chrísto. 
Vé lá, depois d'isto, 
Se aínda tens pena 
Que as mais raparigas 
Te chamem morena! 



Quer dizer: — um rasgado, um rasgadissimo elogio ás 
trigueiras .... mas s^npre (atiente bem o leitor) sempre 
com reservas ! 

cPois en nao gostava, 
Parece-me a mim, 
De ver o teu rosto 
Da c&c do jasnúm.i 



Rasgado elogio .... mas sempre a medo .... sempre 
com hesita9oes .... sempre com desculpas ! 

Sempre tácitamente dando como principio estabelecido 
a primazia das formosuras loiras e alvi-nitentes, tal qual 



foens da Yirgem Epiftnio Presbytero de Conftaiitínopla, muyto verfado naa hiftorias, & letras Gregu, 
& Hebrakat, a quem feguio o cntigo Niceforo, & c6 ellca concorda Cedeeno, & todoi os mais moder- 
nos; penco discrepa da 4 fez S. Joaó Damafceno; & he muyto femelh#ote á que fez Chrifto a Santa 
Brígida; e ao retrato que obrou o Euangetifta Sa6 Locas; cujo original diz Canifio que eftava em Ve- 
neza em maó do fiímofo PlntorTidano, quando elle efcrevia. Diz cfta dcferíp^aó, ou rela9a6, Qpe era a 
Senhora de estatura poueo mai*, que meda ; tinha o rqfio com alguma iticlinacaÓ a comprido : iouro o 
cabello: ot olkos verdes gar^, grandes, & alegret: atfobraueelha» arqueadat,pretas decentemente: 
o nari\ comprido alé boaproporcaÓ: a bocaptquena: oe btjfoe vermdkot, &fioridoe: osdentesmiu- 
dog, & aÍPO$: o femáronte /bigeiofemjingtmento: a cor trigueyra: o que o vulgo entre nos entende 
mal, aflemelhando-a ao noffo trigo, fendo que aquelles Authores, como advertio o doutilfimo Cartha- 
gena, fiülavad do feu bom trigo da Paleftina, que era branco, & corado. Bem o entendeo Alberto Ma- 
gno quando efcreveo, q o rollo da Virgem era Bronco, & rubicundo; & o Bifpo Garcia Galarza ñas 
Inñituifoens Euangelicas, dizendo que fuá cor era como de Trigo alvo; devia fer al va, pois tinha o ca- 
bello Iouro. Pela merma frafe efcrevem os Authores, que Chri/lo Senhor noffo era De cor trigueyra, 
de trigo que madura; & com tudo a Senhora na relamió que do Senhor fez á fuá mimofa Santa Brí- 
gida, diffc 4 tinha Cor branca, & corada: naó bavia outra cópara(a6 decoróla; outras coufaa, ou tem 
cor, ou brancura demaliada. Profegue o retrato da Virgem : Que tinha ella a» máot compridas: iodot 
os membros bem proporcionados: ^ toda era hum compqfto mujrto agradavel, grado/o, & hon^if- 
bno: que era grave» ^Juntamente iffavel:failava pouco, &fuave: com ot homens eneolHida, mat 
¡em perturbofOÓ: immiga de todo o/au$ío: veJUa/empre da cor da iá nativa Jim- tinta: ^ que em 
tudo rrfpiamtecia nella a divina gra^, » 



«4 



acontece naquellas inolvidaveís oitavas com que Julio Diniz 
sahiu a lume sob o titulo — Trigueira\' 



Trigueira! que tem? Mais feia 
Com essa cor te imaginas? 
Feia ? ! tu, que assim fascinas 
Com um só olhar dos teus! 
Que ciumes tens da alvura 
D'esses semblantes de nevé? 
Ai! pobre cabera leve! 
Que te nao castigue Deus! 



Trigueira! Se tu soubesses 
O que é ser assim trigueira, 
D'essa ardilosa maneira 
Por que tu o sabes ser. . . . 
Nao virias lamentar-te. 
Toda sentida e chorosa, 
Tendo inveja á cor da rosa 
Sem motivos para a ter. 



Trigueira! Porque és trigueira, 
É que eu assim te quiz tanto: 
D'ahi provém todo o incauto 
Em que me traz este amor. 
E suspiras . . . . e murmuras ! 
Que mais desejavas inda? 
Pois serias tu mais linda, 
Se tivesses outra cor? 



I Estes versos intercalou o auctor (Joaquim GuUherme Gomes Coelho) 
no primoroso romance que em 1868 publicou (As pupillas do snr, Reitor) es- 
condendo-se modestamente sob o pseudonymo «Julio Dtniz» — pseudonymo que 
ficará Roñosamente inscripto nos fiístos da nossa litteratura. Sahiram depois 
tambem, com outras produc95es, incorporados em um volume de Poesías* 



85 



Trígueira! Onde mais real^ 
O brUhar d'uns olhos pretos, 
Sempre húmidos, sempre inquietos, 
Do que numa cor assim ? 
Onde o correr d*uma lagrima 
Mais incantos aprésenla, — 
E um surriso, um só, nos tema, 
Como me tentou a mim ? 



Trigueira! E choras por isso! 
Choras, quando outras te invejam 
Essa cor, e em váo forcejam 
Por, como tu, fascinar? 
Ó louca, nunca mais digas. 
Nunca mais, que és desditosa! 
Invejar a cor da rosa, 
Em ti, é quasi peccar. 

Trigueira! Vamos: esconde-me 
Esáe choro de creanc^a. 
Ai! que faka de confianza! 
Que graciosa timidez! 
Enxuga os bonitos olhos: 
Entáo, nao chores, trigueira; 
E nunca d'essa maneira 
Te lamentes outra vez. 



Comelio Gallo, em um dos fragmentos que de seus ver- 
sos lograram chegar até ao nosso tempo, dirige-se a duas 
imians (uma loira, e morena a outra) persuadindo-as a que 
nao disputem mutuamente primazias de incanto, porque 
ambas tem na conta de inebriantemente seductoras, e a cada 
uma dadlas denomina — «matrís amor, deliciumque meumn. 



86 



Diz-Ihes elle, o amigo intimo de Virgilio: 

Ne pero inter pos odio certcUe, sórores, 
Utrius alba magis, peí minm aira cutis. 

Hoc unum certate, suos magis urat amores, 
Altera nonne oculis, altera nonne comis? 

E todavía, apezar de pretender coUocál-as ambas no 
mesmo nivel, o poeta sente-se de preferencia irresistivel- 
mente inclinado para a formosura loira, cujos cabellos áureos 
Ihe evocam numa visao phantastica a picturesca lenda da 
coma de Berenice metamorphoseada em constella9ao : 

Anne coma ex auroflapa est tibi', Gentia? an auri 
Ex ipsa magis est bracteajlapa coma? 

E Berenicceo detonsum pertice crinem 

Rettulit esuriens Grcecus in astra Conon. 

Gentia, rapta tibijiat coma protintis astrum, 
Et regat Illyricas certior Ursa rotes. 

Em pag. 3o2 a 3o3 doVol. i (Lisboa — 1816) traz o Jor- 
nal de Bellas Artes ou Mnémosine Lusitana a traducfáo portu- 
gueza dos versos antecedentes: 

O par incantador, irmans formosas, 
Delicias minhas, e da mae delicias! 
Nao mais se agite a frivola disputa 
Sobre qual de v6s tenha, sendo bellas, 
PeUe mais fina, mais trigueira, ou branca. 

E melhor disputar qual mais o amante 
Com seus incantos dominar se atreve; 
Ou qual a palma do louvor merece, 
Se urna pela belleza dos cabellos, 
Se outra pela magia de seus olhos. 



8? 



Porventura nao tens, Genda ingra^ada, 
Loiros cabellos que parecem d'oiro? 
Sim: tio loiros cabellos sfo porcerto 
Finissimas porc6es de oiro brílhante. 

Se a tranca que adornaya Berenice 
Por Conon grego transportada fiSra 
Para a celeste abobada luzente. 
Onde, constella^ao, boje fulgura, — 
Da mesma sorte teu cabello, ó Gencia, 
Em astro brílhe na azulada esphera, 
Que dirija, melhor que o de Ursa fría, 
Baixeb illyrios que perdidos vaguem 
Pela vasta extensao de argénteos nuures. 

A demonstra9áo da preferencia em que o poeta se re- 
gozija no tocante ao loiro dos cabellos, incontrámol-a cla- 
ramente nesfoutra voluptuosa elegia Ad Lydiam: 

Lydta, bella pmlla, candida 

Qua bene superas lac et lilium, 
Albamque simul rosam néidam, 
Aut expolitnm ebur Indicum! 

Pande, puella, pande capilluhs 

Flavas, lueentes ut aurum nttidum. 
Pande, puella, ccllum candidum, 
Productum bene candidis humeris. 

Pande, puella, stellatos oculos, 
Flexaque super nigra cilia. 
Pande, puella, genos roseas. 
Per/usas rubro purpuree Tyrice. 

Porrige labra, labra corallina; 
Da columbatñn mitia basta, 
Sugis amentis partem animi: 
Car mihi penetrant hcec tua basta. 

Quid mihi sugis vivum sanguinem? 
Conde papillas^ conde gemipomas, 
Compresso lacte quce modo pullulant. 



88 



Sinus expansa prqfert cinnama: 
Undique surgunt ex te ddicice. 
Conde papillas^ quoí me sauciant 
Candare et luxu ntpei pectaris, 
ScBPa, non cernís quantum ego tangueo? 
Sic me destituís jam semímartuum? 



Como foi que na Península a supersti^áo popular fígurou 
em «noite de S. Joáo» as «moiras incantadas»? Loiras, loiris- 
simas : 

E vos, fermosas moiras incantadas, 

Na noite de San'-Joáo aopé da fonte 

Áureas trancas com pentes d' oiro fino 

Descuidadas perneando, — emquanto o orvalho 

Ñas esparsas madeixas rociando 

Os lucidos anneis de perlas touca. . . . 

(Almeida-Garrett—Z). Branca^ ID) 

Loiras, loiríssimas. E note-se que sao nem mais, nem 
menos, do que as companheiras d'aquelles cavalleiros árabes, 
cujo sangue irrequieto e bulifoso atravessára — primeiro que 
entre nos viessem residir — atravessára, inflammando-se, a 
ardente influencia do sol africano. 



Se interrogarmos a imaginosa religiáo do paganismo, 
sob cujos auspicios a exuberante phantasia de Gregos e Ro- 
manos chegou a personificar, divinizando-os, muitos dos 
phenomenos cósmicos, digam-me: — ha porventura poeta, 



89 



a quem jamáis lembrasse descrever-nos como trígueira a 
mensageira gentilissima de Phebo, a mimosa Aurora que se 
touca de flores polychromicas, a 'poJoJixTvio^ 'H&>í que abre 
«com os dedos c6r-de-rosa» as matutirfas portas do Oriente? 
Em referencia a uma trigueira divindade nao poderiam 
nunca escrever-se estes versos : 

Veio a manhan no céo pintando as cores 
De pudibunda rosa e roxas flores, 

(Camóes — Os Lusiadas — IV, 75) 

lam-se já de perolas toucando 
Os campos, porque as portas do Oriente, 
Chorando aljófar, abre a bella Aurora, 
Que, quando rí nos céos, nos campos chora. 

(Pereira de Castro — ülysséa — 1,44) 

Loira e loirissima a phantasiaram, portanto, quantos a 
Aurora personificaram numa risonha divindade. 

«Mais loira que manhan desintran^ada» nos descreve 
Camóes a formosura de Lilia na Écloga X: 

Lilia, mais dura 

Que a mais inculta rocha rodeada 
Do mar, de cujo incontro está segura! 

Mais aiva que jasmins, e mais corada 
Que purpureas cerejas polo Maio! 
Mais loira que manhan desintrancada ! 

E no Soneto LXXI, ao debuxar-nos a rosea Aurora em 
seu picturesco mestér de borrifar com crystallino órvalho 
o florido tapete das campiñas, esmera-se Camóes em Ihe 
accentuar a delicadeza dos cabellos loiros. 



90 



Já a roxa e branca Aurora destoucava 
Os seus cabellos de oiro delicados, 
E das flores os campos esmaltados 
Gom crystallino orvalho borrifava, 



Quando o formoso gado se espalhava 
De Sylvio e de Laurente por os prados 
(Pastores ambos, e ambos apartados, 
De quem o mesmo amor nao se apartava). 



Com verdadeiras lagrimas Laurente: 
— cNáo seí (dizia), ó Nympha delicada, 
Porque nao morre já quem vive ausente, 



Pois a vida sem ti nSo presta nada!» 
Responde Sylvio: — cAmor nao o consente. 
Que offende as esperangas da tornada». 



Trata-se de apresentar em scena as phantasticas Nerei- 
das? Trata-se de Ihes affírmar em dois traaos a gentileza? 
Galantemente loiras as descreve tambem CamÓes na Ode III: 



Mas que digo (coitado !) ? 

E de quem fio em váo minhas querellas ? 

Só vos, — ó do salgado, 

Húmido Reino, bellas 
E claras Nymphas, condoei-vos d'ellas! 



E, de oiro guarnecidas 
Vossas loiras cabecas levantando 
Sobre as ondas erguidas, 
As trancas gottejando, 
Sahindo todas, vinde a ver qual ando. 



91 



Sahi em ccxnpanhia, 
E, cantando e colhendo as lindas flores, 

Veréis minha agonia, 

Ouvireis meus amores, 
E sentiréis meus prantos, meus clamores. 

Veréis o mais perdido 

E mais infeliz corpo que ha gerado, 

Que está já convertido 

Em choro e neste estado 

Sómente vive nelle o meu cuidado ! 



E Venus, a deusa da formosura e do amor, — a mimosa 
Aphrodite, nascida da espuma do mar, como a descreve 
Hesiodo na Theogonia (v. 195 a 198) 

tViv á* 'A^poátTTjv, 
'Af poj^Evscov Te deáv xac éÜ9Téq>aevov KvOépeíov 
KücXiríffxouat ^eoc Te xac ávép€^, óuvex* ev ¿(ppM 



— a gentílissima Cytheréa, architypo da belleza, como foi 
que Gregos e Romanos a phantasiaram tambem senáo loira 
e loirissima? 

Hesiodo chama-lhe umas vezas «áurea» — jjpasfiif 'A^poJítriv 
(como no v. 65 á^ As obras e os diasj; óutras vezes, «cmuito 
áurea» — icoh^^oo AypoáíTvj^ (como no v. 519 do referido 
poema); algures as duas expressóes altemam-se a peque- 
nissima distancia (como succede no v. 975 e no v. 980 da 
Theogonia); e, imbora uma ou outra vez diversifique no 
epitheto, — ora chamando-lhe (v. 989 da Theogonia) «riso- 
nha» ou «amante do riso» (fi^^fA/xecdit^ AfpodíTV}), ora denomi- 



9^ 



nando-a (como no trecho supra-transcripto do mesmo poema) 
«lindamente coroada» (iüaxtfooKnf Rueépeíov), — quasi sempre é 
ao loiro dos cabellos que Hesiodo recorre, quando quer 
accrescentar ao nome de Aphrodite o mais significativo ca- 
racterístico. 

O velho Homero que tem para as entidades olympicas 
um peculiarissimo epitheto, com que habitualmente as distin- 
gue, — emtanto que Minerva é a deusa «dos oihos azues» 
(yXouxwTTts 'A6tíviq), e a majestosa Juno é a «dos bra90s alvissimos» 
(XeuxíáXfivo? 'Hpyj), — á deusa da formosura, compraz-se de pre- 
ferencia em Ihe chamar «doirada» ou «áurea» {yjp^ 'A(ffo3vtin). 

Quer dizer: — Homero faz d'ella o que ha de mais loiro. 

Accidentalmente Ihe pode alguma vez acudir outro qua- 
lificativo, que as circumstancias do entrecho dramático lo- 
grem porventura suggerir e que o fino espirito do poeta nao 
deixará escapar. D^ahi resulta que o auctor da Iliada^ quando 
se trata de pintar-nos a linda Aphrodite no acto de carinho- 
samente recolher em seu regado o filho Eneas, aproveita 
com sagaz criterio o ensejo para Ihe accentuar a brancura 
da cutis, mencionando por alvissimos os bra9os da deusa 
— KtYfu ieüjtw (Cant. V, V. 314) — assim como depois (no v. 
375 do mesmo Cant. V) Ihe chama «risonha» ou «amante do 
riso» (9il©/Afx«tto$ 'A^poáíTYi), — e assim como antes (aínda no 
Cant. V, V. 3 1 2) a trata por «Venus filha de Júpiter» (Ai¿€ 
^Art^ ' Axf ^ivfi) ou (no V. 370) «Venus a divina» {dV 'Aíiffoiim). 
Mas logo a pouca distancia (Cant. V, v. 427) Ihe toma a 
chamar «doirada» ou «áurea» (jcpüoíjv ^Aff^imv). 

O mesmo acontece na Odysséa^ — imbora, uma vez por 
outra (como se observa no Cant. VIII, v. 267 e v. 288), o épico 
da Grecia, referindo-se á «deusa da formosura», a qualifique 
tambem (tal qual depois Hesiodo a qualificou) de <rlinda- 
mente coroada» ou «graciosamente ingrínaldada» {bmvfávoo 



XIII 



IEusA «dos ottios azues» C^tá yiaeMümit 'SAim) disse eu, 
que chamava o grande épico da Grecia á varonil 
Minerva, — como, depois de Homero, Ihe chamava 
Hesiodo na Theogoma, e, muito depois de Hesiodo, Ihe cha- 
mou Luciano em seus Diálogos, e Ihe chamaram em summa 
(para mais nemes nüo especificar) quantos poetas na Hellade 
tomaram por assumpto de seus carmes a deusa padroeíra da 
guerra, das artes e das scíencias. 

Deusa «dos olhos azues» (6íá ylauxMTtn '\Hm)\ 

Aqui, porém, pe^o eu licen^a para urna pequenlna di- 



O Dr. Henrique Schliemann no seu livro acerca das « An- 
tiguidades Troianas» — Trojanische Alíerthümer (Leipzig— 
1874), — livro que depois appareceu vertido em francez (Art- 
tiquilés Twyetmes — Rapport sur les fouilles de Troie par le 
ly Henri Schliemann. Traduit de l'allemand par Alexandre 
Riios Rangabé — Leipzig — 1874) e em inglez (Troy and its 
remains; a narrative qf researches and discoveries made on the 
site of Ilium, and m the Trojan plain. By Dr. Henry. Sfhlie- 



94 



mann. TransUUed mth the Author's SancHon (by Miss L. Dora 
Schmitz). Edited by PhiHp Smith — London — iSyS), — insur- 
ge-se contra a iñterpreta^áo que do vocabulo yXxünfjSmu;, como 
epitheto de Minerva, teem constantemente adoptado os tra- 
ductores de Homero. 

Procedendo incansavel, durante cerca de tres annos, a 
curiosas excava9des no monte Hissariik e seus arredores, 
mediante enormissima despeza e gravissimo risco (tanto de 
sua propria pessoa, como de sua esposa que devotadamente 
o acompanhou nesse aventuroso e diíñcultoso imprehendi- 
mento), o Dr. Schiiemann logrou pór a descoberto as rui- 
.nas seculares da velha Troia, e desintranhar monumentos, e 
colligir artefactos, que habilitam a reconstituir a civiii^a^lío 
troiana do tempo de Priamo e simultáneamente a reconhe- 
cer em Homero um fiel interprete de similhante civiliza^áo. 

Admirando, como admiro, o altissimo servÍ9o que o Dr. 
Schiiemann prestou, — e admirando nao menos a coragem 
de que Ihe foi preciso revestir-se para levar ao cabo tamma- 
nha impresa, — numa coisa me nao sei conformar todavía 
com o parecer do illustre archeologo: e vem a ser a opiniáo 
singular que formulou relativamente á interpreta^áo do epi- 
theto yXoa/KüyKiq. 

Querendo explicar a quantidade enorme de artefactos, 
em que umas vezes a sua observa9áo crítica, mas outras 
evidentemente a sua intuifáo de phantasista, descortinou 
vestigios mais ou menos apparentes, mais ou menos proble- 
máticos, mais ou menos contestaveis, de cabe9as de comja 
rematadas por um supposto capacete, — (nesses artefactos 
enumera-nos o archeologo amphoras e vasos de argila, Ído- 
los de osso, Ídolos de marfim, ídolos de marmore, ídolos 
de metal mais ou menos precioso), — o Dr. Schiiemann re- 
solve a questáo, acceitando por symbolicas da «Minerva 
troiana» todas essas representa^óes plásticas. 



95 



E, fundado em similhante principio, tira por conclusáo 
que o vocabulo y^'*"'»^^^^ (como qualificativo de Minerva) nao 
quer significar que a deusa tívesse por característico distin- 
ctivo «olhos azues» (ou «olhos fulgurantes», como outros 
de preferencia traduzem), mas sim urna «cabera de coruja»! 

Quer o leitor escutar as proprias palavras do erudito 
Schliemann? 

Aqui Ih'as transcrevo na traduc^áo franceza de Rangabé 
(pag. xxxvi): 

tCes tetes de chouette avec les formes d'unefemme, qui se pré- 
serUent en si grana mmd^e sur les coupes, sur les pases, sur les 
idoles, nepeuvent représenter qu'une déesse, et cette déesse nepeui étre 
que Minerpe, la déesse protectrice de Troie, d'autant plus qu'Ho- 
mere Vappelle toujours €^tá ykxúxjSmi^ 'Adnwit ; car le mot ^yipcwxjmtii* 
a été mal interpreté par les savants de tous les siécles, et ne signijie 
point ^aux yeux defeu, auxyeux étincelantsi^ , mais bien «á la face 
de chouette^. II s'en suit naturellement , d'abord qu^Homére saí^ait 
parfaitement que Minerve a la face de chouette était la protectrice 
de Troie; ensuite que le lieu fouillé par moi depuis trois ans, est 
bien la place cubi Troja fuit»; et enfin, qu'avec les progrés de la 
cmlisation Pallas Athéné refut une face humaine, et que de sa tete 
d'oiseau on fit alors la chouette, oiseau chéri de Minerve, qui en 
cette qualüé n*e$t point connu d'Homére. » 

Mais adeante (em pag. 62 a 63 do iivro) torna a insistir: 

c// se présente maintenant la question importante de savoir 
quelle est la dipinité qui est id seule et si souvent représentée sur les 
idoles, les coupes á boire et les pases. La réponse n'estpas difficile: 
Ce doit étre la Divinité protectrice de Troie, la Minerve Uienne; 
celle qu'Homere appelle toujours &eá ykxvx/úTii^ AGwn, la déesse 
Athéné a la face de chouette. Uadjectif ylomúmiq a été mal rendu 
par les savants de tous les temps, parce qu'ils ne pouvaient conce- 
voir qu'on représentát Minerve avec une tete de kibou. Mais il est 
campóse des deux mots ylñti et ám^hj et n*est susceptible, commeje 



0(3 



puis le prouper par une Joule tmmense d'exemples, que de la tradu- 
ction littérale <a la face de chouettew. La significaiion qu'on lui 
donftait jusqu'ici ^aux yeux bleus, aux yeux defeu ou étincelants^ 
est complétement fausse. Ce qui s'en suit naturellement, c'esi que Mi- 
nerve, ayant recu par les progrés de la cmlisation une face humai- 
ne, onfit de sa precedente tete de chouette, le htbou, son oiseaufauorí, 
qui est entiérement inconnu en cette qualité a Homére. L'autre con- 
séquence est que le cuite de Minerve, comme divinité protectrice de 
Trote, était bien connu d' Homére, que, par conséquent, il existait 
sur V emplacement sacre dont je fouille maintenant les profondeurs.^ 

Por mim . • . . confesso que me nao convencem de modo 
algum os argumentos expendidos pelo doutissimo archeo- 
logo. 

E perfilho incondicionalmente neste ponto a opiniáo do 
sabio orientalista Max MüUer, — opiniáo que o proprio Hen- 
ríque Schliemann transcreve com toda a lealdade. 

Eis o que se le na traduc^áo franceza do livro (pag. lv 
a Lvi) : 

fíLe grand indianiste Max Müller vient de m'écrire d'Ox/brd 
sur la Minerve a tete de chouette ce qui suit: cUnder all circum- 
«stances the owl-headed idol cannot be made to explain the idea of 
cthe goddess. The ideal conception and the naming of the goddess 
tcame first; and in that ñame, the owFs head, whatever it may 
«mean, is figurative or ideal. In the idol the fígurative intention is 
«forgotten, just as the sun is represented with a golden hand, 
«whereas the ideal conception of golden-handed was spreading his 
€golden rays. An owl-headed deity was most likely intended for 
«a deity of the morning or the Dámmferung, the owl-light; to change 
«it into a human figure with an owFs head was the work of a later 
«and more materializing age.» 

Com a sua exaggerada preoccupa^áo de phantasiar Ído- 
los de divindades em cada animalejo mais ou menos gru- 
tesco, de que observa ou suppóe observar a representa9áo 



97 



nos toscos artefactos por elle descobertos em Troia, o Dr. 
Schlien^iann — aínda nao contente de transformar em «olhos 
de coruja» os «olhos azues» de Minerva — prop6e-se mesmo 
involver no attentado a formosa Juno «de olhos grandes e 
rasgados» e a grave Cybele! 

Diz elle (em pag. 257 da traduc^So franceza do livro), 
enumerando os objectos incontrados ñas suas excava9Óes: 

€Á 6 mures de ptxfandeur fai tnuvé deux magnifiques pases 
d'un rouge luisant, sur lesquek est rqffrésentée la Minerve Bienne 

a/atU la tete de chouette apee une espéce de casque 

• ••••• •• •••••• •••••••••••••••••••••• ••««••••■••••• •••• •.•• 

Á la méme profondeup fai découpert une idole.de forme ordinaire, 
faite d'os, et sur une ame de terre cuite noire, qui apait probable- 
ment appartenu a un grand pase, une tete de boeufd'un excellent 
travail, a Vaspect de laquelle on pense inpolontatrement á la 
t^oíncig Tcdrviat Hpv}» d*Homére.it 

É com reservas e a medo que o Dr. Schliemann aventa 
aquí a idea? 

Mais adeante essas proprias reservas poe de parte, e 
esses restos de medo chega completamente a perder, 

Eis como elle abertamente se pronuncia noutro sitio (em 
pag. 309 da traduc9áo franceza), apezar dos inconsistentes 
motivos que invoca: 

tÁ 5 métres de profondeur fai ramassé une anse apee une 
tete de boetif superbement modelée, représentant probablement la 
|3oúir^ TcóTvta Hpn). Cependant cela ne peut pos étre proupé, car je 
ríai pos rencontré jusquíici d'idole portant la tete de bmif. Je né 
saurais de méme prouper que les terres cuites en forme de tete de 
chepal que je rencontré soupent id représentent Cybéle ou Rhée, la 
mere de Junan. Cest asse:{ probable cependant, car on sait que cette 
déesse était représentée en Phrygie apee une tete de chepal. i^ 



98 



Filippe Smith, o editor crítico da supra-<:itada traduc^áo 
ingleza (Tray and its remainsj, iasere um Prefacio por elle 
escripto, em que, procurando conciliar opinióes divergentes 
no assumpto, offerece (de pag* xix a xx) este paragrapho: 

c The keen discussion prouoked by Dr. Schliemann's nouel expía- 
nation ofthe ^zA yimíimi^vi 'kUm might be left taprettjr quarrel as 
ü stand$,^f did there not appear to be a key qfwhich neüherparty 
has made sufficient use. The sjrmbolism, which embodied divine at- 
tributes in animal Jbrms, belonged unquestionably to an early form 
of the Greek religión, as well as to the Egyptian and AssfrianX 
The ram-headed Ammon, the hawk-headed Ra, the eagle-headed 
Nisroch, Jbrm exact precedents for an owl-headed Athena, a per- 
sanation which may very well have passed into the slighter/arms of 
owl-faced, owUeyed, bright-eyed. Indeed, jpe see no other expía- 
natían ofthe constant connectüm ofthe owl with the goddess, which 
survived to the most perfect age of Greek sculpture. The question 
is not to be decided by an etymological analysis of the sense of 
ykaantÁmg in the Greek tvriters, long after the oíd symbolism had 
been forgotten, ñor even by the sense which Homér may hope at- 
tached to the word in his onm mind. One ofthe most striking charac- 
ters of his language is his use qf fixed epithets; and he might 
very rvell have inherited the title of the tutelar goddess of the 
Iqnian race tvith the rest qfhis stock of traditiom. ^/Xaux&7r^ were 
merely a common attributive, signifyring ^brigfü-eyed^ , it is very 



f •See Max MOller's Review of Schiiemann in the Academy, Jan, ic^^ 
1874, p. 3g; Schliemann's Reply^ entitled •Hera Boójñs and Athené Giauko- 
pis», IbicL Nw, 21", iS74y p. 563; and Max AñiUer's Rejoinder, Ibid. Nov. 
2^, p. 585.» (Nota de Filippe Smith.) 

X •On the whole subfeet of this symboiism see the recent wcrk ofPrqfessor 
Con^e on the •Figures of Héroes and Gods» (Heroen- und Gotter-Gestalten). 
He shows that the symbol preceded the image, tiifo things which have been con-- 
faunded in the discussUnu Afuller iUustration may be obtained/rom the use of 
animáis in the armoríal devíces of the Greeks, which has been recentiy discus* 
sed by Professor Curtiusin apaper contributed to the Berlin Academy oj Science. 
He believes that the practice carne originally from Assyríai so that Troy would 
be on the rouie»n (Nou de Filippe Smith.) 



99 



remarkable that Homer should never apply it to mortal women, 
or to any goddess save Athena. We are exp^essing no opinión upon 
the accuracy qf Schliemann's identijication in every case; but the 
rudeness ofmany ofhis ^oipl-faced idols^ is no stumbhng-block, for 
the oldest and rudest sacred images were held in lasting and pe- 
culiar reverence. The Ephesian image ofArtemis, ^whichfell down 
from Jove^y is a case parallel to tvhat the ^Palladiumn of Hium 
may have been.9 

Se os toscos artefactos, em que á phantasia suggestiva 
do Dr. Schliemann aprouve reconhecer urna face de coruja, 
associada ou nao a um supposto corpo de mulher, estáo ou 
nao estáo no caso de os devermos considerar symbolos ou 
ídolos da deusa «protectora de Ilion», — questáo é esta, em 
que me declaro incompetentissimo para intrar. Mas o que 
por modo nenhum pode o meu espirito admittir, é que o pae 
da epopéa grega tenha escolhido para característico de uma 
das mais altas divindades, no seu poema figurantes, a phy- 
sionomia de coruja que Ihe attribuisse porventura (se por- 
ventura Ih'a attribuiu) nos seus artefactos o symbolismo 
troiano. 

De mais o que Schliemann descobriu emTroia com 

o sd-di$ant rosto de coruja, diz elle serem apenas as repre- 
sentares symbolicas da deusa, ou, quando muito, os seus 
Ídolos, — emtanto que Homero, nos seus poemas, apresen- 
ta-nos deuses e densas, homens e mulheres, com todos os 
caracteres que naturalmente Ihes competem de divindades 
ou de creaturas humanas. 

Homero nao figura os seus personagens como Ídolos 
symbolicos. Se tal practicasse, far-nos-hia lembrar o fabri- 
cante de tabuleiros-de-xadrez que para as «pedras» do jógo 
phantasia convencionaes simulacros (este com cabera de ca- 
vallo, aquelle sob a forma de elephante com uma torre no 
dorso, esf outro distinguivel apenas por uma corda, &c. &c). 



100 



Se tal practícasse (repito), podería similhante idea única- 
mente comparar-se ao estulto criterio com que a edi^áo «dos 
piscos» (Lisboa — 1 584) apresenta deturpado (inclusivamente 
mettendo-lhe, a mais, uma syllaba!) o 3.° verso da est. 23 
no Cant. I d' Os Lisiadas: 

Em luzentes aflentos marchetados 
De ouro, & de perlas, mai& abaixo eílauá 
Os outros ídolos todos afsetados, 
Como a Razáo, & a Orde cScertauáo: 
Precedem os antigos mais honrados, 
Mais abaixo os menores fe aífentauáo 
Quando lupiter alto afsi dizendo, 
Cu t6 de voz cometa, graue & horredo^ 

Se o grande poeta da Grecia (prosigo insistindo) houvesse 
practicado o inqualificavel desvario a que me refiro, fóra 
inquestionavelmente caso de mais uma vez applicar o co- 
nhecido verso de Horacio na Epístola ad Pisones: 

Spectatum admtssi risum teneatis amici? 

Ninguem porcerto deixaria de rir-se ante o desconchavo. 



I Na eáiqsLO-prínceps d* Os Lvsiadas (chamo ^élc^'^iO-princeps á que em 
Lisboa sahiu, estampada na officina de Antonio Gon^alves em iSyi, com o 
bico do pelicano (que ñgura no intablamento da portada írontispicial) voltado 
para a esquerda do leitor), a est. 23 do Cant. I vem textualmente por esta 
forma: 

Em liqenies qfféntos, marchetado» 

De ouro, & de perlas, mais abaixo eílauáo 

Os outros Deo/es todos q/fentados. 

Como a Ba{áo, & a Ordem concertauáo. 

Precedem os antiguos mais honrrados, 

Mais abaixo os menores fe qfentauáo: 

Quando lupiter alto qjfy di^endo, 

Cum tom de vo^ come^, graue & horrendo. 



lOI 



Homero, quando nos seus poemas representa personali- 
dades (celestes ou terrestres), capricha em nol-as oflFerecer 
sob o mais brilhante aspecto da sua individualidade e com 
todos os elementos da plástica mais esculptural. 

Tomo a dizer, e quero que fique bem frizado este ponto : 
reconhe^o-me incompetente, e pela minha incompetencia de- 
sauctorizado, para sentenciar no pleito, — decidindo se as 
toscas esculpturas, incontradas ñas excava96es de Troia pelo 
benemérito Schliemann, correspondem realmente ou nao a 
symbolicas imagens da — &eá yXouxúMr^ 'AWviq — ; mas revol- 
to-me, com toda a energía da minha convic^áo profunda, 
contra a extranhissima hypothese de quem pretenda ver, na 
— &eá yJbcüxáwris 'A9rm — de Homero, uma divindade feminina 
«com face de coruja», ou, na — Poómtií Trírvta Tlpyí — do mesmo 
poeta, uma horrorosa Juno com cabefa bovina. 

De Juno e de Minerva se esculpiram, na infancia da arte, 
grosseiras imagens com aquelles attributos? Nao seriam essas 
entretanto as que o pae da epopéa grega iría escolher para 
figurarem nos seus poemas. 

Divindades reaes, e nao Ídolos nem symbolicas imagens, 
— divindades reaes, animadas e activas, palpitantes de vida 
e de movimento, — eis o que Homero nos pinta. 

Presta-se o epitheto (3o&wrts ao paradoxal proposito de ver 
na excelsa rainha do Olympo uma divindade com cabera 
de vacca ? 

A etymologia do vocabulo ((3oDs, «boi» ou «vacca»; e &^, 
«olho», ou ¿wní «rosto») pode no sentido restricto e litteral 
conduzir-nos a similhante absurdo. Mas eu é que protesto 
contra extravagancias de tal natureza, — e protesto em nome 
do grande Homero, e protesto em nome do profundo res- 
peito que todos tributar devemos á sua memoria. 



I02 



No sentido restricto e litteral?! 

Mas porque nao havemos de preferir (como sempre 

até aqui teem feito sabios críticos e commentadores dos 
poemas homéricos), porque nao havemos de preferir (se- 
guindo nisso uma hermenéutica racional) o sentido meta- 
phorico do vocabulo ? 

A donairosa Juno de bra90á cór-de-neve QsüxáAeyoq'U^) 

grutescamente infeitada com uma cabera de vacca?! Por Jú- 
piter que tal nao é licito consentir. 

«Com olhos grandes e rasgados» — similhantes nisso aos 
olhos de um touro — percebe-se perfeitamente que o genio 
poético de Homero se tenha comprazido em phantasiar a 
soberana esposa de Jove. 

Em rela^áo a Minerva argumento quasi egual. 

novxwTTis deriva-se (como pretende o sabio Schliemann) 
de ylxvl («coruja») e ¿wrt («rosto»)? 

Em nome da considera9áo que nos merece o épico da 
Grecia, protesto nao menos contra similhante afñrmativa. 
ThxvTUúmq (conforme até hoje entre críticos e commentadores 
se tem assentado) é palavra composta de yhancóq («azul- 
brilhante») e &^ («olho») ou antes (no plural) de ylxüwi 
(«azues-brilhantes») e ¡m^ («olhos»). 

Acceitando a interpreta^áo proposta pelo Dr. Schlie- 
mann, ficariamos na contingencia de agraciar o «lyrico de 
Teos» com o diploma de ignorantissimo, ignorante a ponto 
de nem já intender os vocabulos empregados pelo auctor 
da Hiada! 

E quem nao ha de reagir contra um desproposito assim ? 

Na Cangáo XXVIII (Ei^ Kópyjv), convidando um artista a 
figurar-lhe em cera o retrato da namorada, menciona-lhe 
Anacreonte os olhos azues «como os de Minerva». 



io3 



Faiem por mim os proprios versos do divino poeta : 

Jó ié ^fAfAa vúv áhfi&q 

E Castilho? como foi que Antonio Feliciano de Casti- 
Iho, na sua immortal versáo das «Anacreónticas»', poz estes 
versos em portuguez? 

» 

OlhoSy como 08 de Minerva 
no azulado seu volver; 
como os da máe dos Cupidos, 
levemente humedecidos 
de ternura e de prazer. 

A majestosa e grave Stó -/hx^ntümi^ 'AHwí do immortal Ho- 
mero — é urna divindade gentilissima de olhos azues. 

Ah ! se fdssemos a transportar para o campo das fic9Óes 
poéticas algims dos abstrusos symbolos das religióes anti- 
gás incorreriamos inevitavelmente no mais imperdoavel 

críme de iesa-poesia, — porque nem o moderno realismo 
ousaria arcar de frente com as phantasias iconographicas, 
em que os Romanos representavam Priapo sob a forma do 
phallus ou os Indios sob a forma do lingam a energía proli- 
fica da Natureza. 



I A Lyrica de Anacreonie vertida por Antonio Feliciano de Castilho (Pa- 
rís— 1866). 

Com o mesmo titulo se estampou mimosamente em 1891 nova edÍ9So (de 
«sessenta exemplares» apenas) por iniciativa do meu prezado amigo e coUega, 
Dr. Venancio Deslandes, Administrador Geral da Imprensa Nacional de Lisboa. 



E mesmo se para o campo da controversia quizermos 
trazer o venerando symbolísmo da iconographia christan, 
— na qual ainda hoje é costume representar sob a allego- 
ría mystica de um borreguinho innocente e branquissimo o 
Sagrado Redemptor (o «manso cordeiro de Deus» — o Agnus 
Dei qui tollií peccaia mundij, — observaremos que nunca 
poeta algum (já se vé, poís, que me nao refiro exclusiva- 
mente ao grupo das summidades, em que dominam preemi- 
nentes o grande Milton ou o grande Klopstock), nunca poeta 
algum (por mais desvairado que se Ihe extraviasse o estro), 
ao descrever-nos a meiga figura do Divino Mestre, intendeu 
dever attribulr ao doce Jesús urna cabera de antilopideo! 



XIV 



I UREA Ihe chama tambem Virgilio á «deusa da for- 
mosura» — o íncaniador e suavissimo Virgilio — no 
Livró X da &ieida (v. 1 6) 

Jvpiter hac paucá: at non Venia áurea contra 
Pauca re^rt 

Virgilio que já no Lívro IV do seu poema (v. Sgo) ao pintar- 
nos Dido em o acto de cortar as madeixas 



Flaventesque abscissa comas. 



deixa transparecer incidentemente a sua affectuosa prefe- 
rencia por cabellos loiros na cabera de uma beldade femi- 
nina, seja esta imbora a fugitiva princeza da Phenicia, a 
varonil ímperatriz de Carthago. 



E se cabellos loiros assentavam bem na fundadora do 
Imperio Púnico, se cabellos loiros nSo destoavam na augusta 



io6 



fronte da intrépida heroína, que ao despedir-se da existencia, 
no desespero do suicidio, soltava com inexoravel rancor 
impreca96es de vinganfa 



Exariare aliquis nostris ex ossibus ultar, 
Quiface Dardantos ferroque sequare colonos, 
Nunc, olim, quocumque dabunt se tempore vires: 
Littora littoribus contraria, fluctibus undas 
Imprecor, arma armis: pugnent ipsique nepotesque! 

(ViRGiLu jEneidos — Lib. IV, v. 625-629) 



• . . . que outros cabellos, senáo loiros, loirissimos, pode um 
poeta phantasiar na mimosa «deusa do amor»? 



Os crespos ños d'oiro se esparziam 
Pelo eolio, que a nevé escurecia; 
Andando, as lácteas tetas Ihe tremiam, 
Com quem Amor brincava (e nao se via) : 
Da alva petrína flammas Ihe sahiam, 
Onde o Menino as almas accendia; 
Pelas lizas columnas Ihe trepavam 
Desejos, que como hera se tnrolavam. 

(Cam6es— 0« Lusiadas^Uy 36) 



«Crespos ños d'oiro»! esta suave expressáo, toma Ca* 
mSes a empregál-a, — referindo-se num Soneto, nao á «deusa 
da formosura», mas á formosura da sua «deusa»: 



Quem pode livre ser, gentil senhora, 
Vendo-vos com juizo socegado, — 
Se o Menino, que de olbos é privado, 
Ñas meninas dos vossos olhos mora? 



107 



Alli manda, alli reina, allí namora, 
AUi vive das gentes venerado, — 
Que o vivo lume e o rosto delicado 
Imagens sao adonde Amor se adora. 



Quem vé que em branca nevé nascem rosas 
Que crespos fios de oiro váo cercando, 
Se por entre esta luz a vista passa, 



Raios de oiro verá, que as duvidosas 
Almas estáo no peito traspassandó, 
Assi como um crystal o sol traspassa. 



José Ramos-Coelho, o meu querido poeta, descreven- 
do-nos O Jui{0 de Páris, e pintando-nos as tres divindades 
(Venus, Minerva, e Juno) que disputam anciosas o «pomo 
da belleza», nao se esquece de fazer notar na «deusa do 
amor» o loiro cabello a debru9ar-se-lhe em ondulares auri- 
luzentes pelo dorso alvissimo: 



Venus, Venus no olhar toda é brandura: 
Ri-lhe o prazer nos labios, 

E o seu falar os coracoes penetra. 
O cabello nao prende. 

Como as outras, avara, — mas ñas costas 

Alvas de nevé poisa em ondas d*oiro'. 



I Os Fastos de Publio Ovidio NasSo com traducgao em verso portugués 
por Antonio Feliciano de Castilho seguidos de copiosas annotagÓes por quasi 
todos os escriptores portugueses contemporáneos (Tom. lu (Lisboa — 1862) — 
pag. 297). 



io8 



Ou: 



Venus, Venus no olhar toda é brandura: 
Ri-Ihe o prazer nos labios, 

E, quando fala, os cora^Ses penetra. 
O cabello nao prende. 

Como as outras, avara, — mas ñas costas 

Alvas de nevé sólta em ondas de oiro'. 



E, quando se trata de apresentar-nos formal profissao- 
de-fé no tocante a cabellos loiros em confronto com cabellos 
negros, quando se trata de precisar o voto por modo que 
nao restem dúvidas, é d'esfarte que se expressa*: 



Cabellos loiros 

• 

Se até agora dizia 
Nos meus versos que eram bellos 
Sómente os negros cabellos, 
A razáo é que nao vía 
Esses teus, que bastou vél-os 
Para ver que me ¡Iludía. 

E como assim nao sería, 
Se o amor com que eu amava 
De tristezas me falava, 
E d'ellas é negra a cor? 
Se belleza imaginava 
O emblema da minha dor? 

Assim o nauta de usado 
Ñas ondas do bravo mar 
Vive alegre e socegado, 



' A pag. 5o das Novas Poesías (Porto — 1866). 

* A pag. 289 dos Preludios Poéticos (Lisboa — 1857). 



109 



Mas sáúda alvoro^ado 
A térra, se a vé chegar. 



E eu, que em noite vivía, 
Se vejo raiar o día, 
Nao hei de o día saudar? 

Essas trancas ondeadas, 
De luz e de oiro fonnadas, 
Nao simelham, desparzindo 
Em teu coUo os raios seus, 
A aurora, quando sorríndo 
Desee fagueira dos céus, 
E pela encosta florida 
Escorrega dando vida, 
Vida nova ao campo, á flor? 

Nao veem ellas inundar-me 
Com seu vivido esplendor? 
Ao menos agora dar-me 
A provar d'essa alegría. 
Que nao julgava no amor 
Porque no amor padecia? 



Salve, pois, sol radiante! 
Formoso és, que essa luz 
Á f licidade conduz. 
Sobre mim brílha incessante: 
E a lembran^a d*esses bellos 
Negros e longos cabellos, 
Que nos meus versos cantei, 
Se tu me fores constante, 
Da memoria riscarei; 
Se nao .... toda essa belleza 
Para mim se acabará, 
Que apenas me deu tristeza, - 
E em tristeza ficará 
Eternamente esta vida, 



De tudo desílludida 
Excepto da minha dor, 
Sonhando com essas trancas 
Que d'ella teem negra a cdr, 
Que, se nao dáo taes esp 'randas, 
Sao mais constantes no amor. 



XV 



IEPois de Venus, quem ñas tradÍ9des da Antiguidade 
classica representa virtualmente a concretiza^o da 
belleza femínil é a formosa irman de Clytemnestra. 
Helena constitue ñas tradi^Ses sociaes da civiliza93o greco- 
romana o mesmo que Aphrodite significa na picturesca re- 
ligiáo do Paganismo: filhas, uma e outra, do soberano Jove 
{laniíf ánSfáv ti 9núv it — -segundo Homero, hominum sotar atqtie 
deorum — segundo VirgUio), — a esposa deVulcano entre as 
densas e a esposa de Meneiau entre as mortaes, se por um 
lado ambas symbotizám nos seus galanteios a inconstancia 
feminil, ambas tambem nao menos se nos mostram synthe- 
tizando typicamente o ideal da pulchrítude. 

A principiar no poeta da ¿iada, em cujo Canto III (v. 
1 54 a 1 58) se nos pinta o alvoro^do pasmo dos proceres 
troianos ante a belleza de Helena, — e finalizando em Gcethe 
que na «Segunda Parte» do Fausto a resuscita como incar- 
na(áo palpitante da p^eÍ9áo fsninina, — mantem-se inin- 
terrupta a carrente. 

Resta-nos entáo distriiiiinar as particularidades physio- 
Domicas da sua belleza. 

Seria Helena realmente uma formosura de cabaos loi- 
rosP o 9'ande épico da Grecia guarda-nos discreto silencio 



112 



a tal respeito; mas, se Homero explicita nos nao declara a 
cor dos cabellos de Helena, implicitamente nol-a deixa in- 
tender. 'Huxo/jio; («de madeixas lindissimas») é um dos quali- 
ficativos que na Hiada Ihe attribue. 

Ala ywaotmt («a mais divina das mulheres») Ihe chama 
firequentes vezes Homero (v. g. no Cant. III da ItiadOj v. 
171, 228, 423, &c.), — assim como (no Cant. V, v. 38 1) por 
ilcL ^tám (cea mais divina das deusas») vem tratada a formosa 
Dione (formosa máe da formosissima Aphrodite), — imbora 
alguma vez, para definir-lhe a alvura da cutis, prefira o poeta 
applicar á irman dos Dioscuros o epitheto especialmente con- 
sagrado á rainha das deusas: se "¡ttá XrjNoi^eyoc Hp» constitue no 
poema de Homero o mais usual qualificativo da veneranda 
Saturnia (v. g. no Cant. I da Eiada — v. 55, 195, 208, &c.), — 
<(bra90s alvissimos» figuram tambem por attributo de Helena 
(como no V. 1 2 1 do Cant. III). 

Emquanto porém ás madeixas, contenta-^e o poeta de 
Ihes accentuar a lindeza, deixando no olvido a especifica9ao 
da cdr. 'EXcwk ttíoi^ imi^taio (<( marido da pulchricoma Helena») 
é qualificativo mais de urna vez empregado na Iliada (v. g. 
no V. 329 do Cant. III^ no v. 355 do Cant. VII, no v. 82 do 
Cant. VIII, &c.) quando se trata de apresentar em scena o 
raptador da princeza. Ora aquelle iSuko^oc referido á formosa 
argiva (qualificativo egual emprega Homero (íw^ííoc Arrrw) 
quando no Cant. I da Iliada (v. 36) nos £az men9áo de La- 
tona, — máe da loira Diana e do loirissimo Phebo) induz-nos 
a considerar que deveriam ser loiros comió os de Aphrodite 
os cabellos de Helena : loiros os tem sempre tradicionalmente 
considerado o bom-gósto de poetas e de artistas. 

Com este pendor da tradÍ9áo, para exigir como elemento 
indispensavel na belleza de Helena os cabellos loiros, har- 
moniza-se uma das mais bellas produc96es poéticas da Ro- 



ii3 



manía, que o celebre Basilio Alexandri verteu em francez e 
incorporou na collec^áo Ballades et Chants populaires de la 
Roumanie (Paris — 1 8 5 5). 

uLe Soleil et la Lune» é o titulo da composÍ9áo a que 
me refiro, e que vem de pag. 53 a Sy no indicado volume. 

Tem ella por assumpto amores entre Helena e Phebo 
(fiihos ambos de Júpiter). 

Dáo-me licen9a que a transcreva? 

^Frére! unjour il prit envié au Soleil, — il luiprit envié de se 
marier, — Pendant neufans^ trainé par neuf chevaux, — il parcou- 
rut le del et la terre — avec la rapidité de la fleche et du vent; — 
mais ilfatigua vainement ses covrsiers: — nulle part ne trouva une 
épouse digne de lui, — nulle part dans tout Vunivers n'en vit — qui 
égalát en beauté sa soeur Héléne, — la belle Héléne aux longs che- 
veux dores*. 

tLe Soleil s'enfUt a sa rencontre, — et de sa voix lui parla ainsi: 

tMa chére petite sceur' Héléne, — Héléne aux lóngs cheveux 
adores, — allons nousflancer ensemble, — car nous nous ressemblons 
€tous les deux — et par nos chevelures, et par nos traits, — et par 
tnotre incomparable beauté, — Aíoi, fai des rayons brillants, — toi, 
tdes tresses dar ees; — ma figure est resplendissante, — la tienne est 
€radieuse.9 

nOh! man firére, lumiére du monde, — toi qui es pur de tout 
apeché, — il n'est pas vrai qu'on ait jamáis vu — frere et soeur ma- 
mes ensemble, — car c'est peché, enorme peché. » 

f^ ees mots le Soleil s'obscurcit; — il monta vers le troné de 
DieUy — s' inclina devant le Seigneur — et de sa voix parla ainsi: 

tDieu Saint! notre pére, — pour moi le temps est arrivé, — le 
*temps est arrivé de me marier; — mais, helas! je n' ai trouvé dans 
úe monde, — je n'ai rencontre d' épouse digne de moi, — que ma 
tsaeur, la belle Héléne, — la belle Héléne aux cheveux dores! ^ 



I •La belie Héléne aux cheveux dores, est une image des plus poétiques que 
l'imagination populaire ait jamáis créées; elle sert de terme de comparaison á 
ce qu'il y a de plus graáeux, de plus tendré et de plus noble dans le monde.» 
—(Nota de Basilio Alexandri.) 

8 



114 



€Le Seigneur Dieu Vécovta, — puis le prit par la main — et le 
conduisit dans Venfer — ajin d'effrajrer son cceur, — et le conduisit 
dans leparadis — aJin d'enchanter son ame, — et il hiparla ainsi — 
(or, pendant que Dieu parlait, — le ciel resplendissait gaienient — et 
les nuages opaietU disparu): 

€Soleil, Soleil radieux,—toi qui es pur de tout peché! — tu as 
^visité leparadis, — tu asparcouru Veitfer; — choisis toi-méme entre 
€les deuxU 

^Mais le Soleil répondit gaiement: 

€je choisis Venfer de man vivant — pourvu que je ne sois plus 
€setd, — mais queje pipe apee ma sceur Héléne, — Héléne aux longs 
€chepeux dorésh 

€Le Soleil descendit du ciel, — 17 s'arréta che\ sa sceur — et or- 
donna les appréts de la noce;—il orna lejront d* Héléne — apee les 
Jils d'or desjiancées^ — et lui mit une couronne royale. — Il la pétit 
d'une robe diaphane — brodée de perles fines; — puis tous les deux, 
elle et lui, — se rendirent a Véglise. 

€ Mais pendant la cérémonie — (malheur a lui, malheur a elle!) — 
les lampes s'éteignirent, — les cloches sefélérent, — les stalles de Vé- 
glise se renpersérent, — le clocher trembla sur sa base, — les prétres 
perdirent la poix, — et leurs habits sacres se détachérent. 

€La paupre Héléne fut prise de terreur, — car tout-á-coup (ma- 
lheur a elle!) — une main inpisible la saisit, — et Vayant enlepée 
dans V espace — la precipita dans la mer, — oú ellejut changée aus- 
sitót — en un beau poisson doré. 

€De son cote le Soleil palit, — et remonta dans la voúte celes- 
te; — puis se laissant choir vers VOccident, — il plongea bientót dans 
la mer — pour aller retrouver sa sceur Héléne, — Héléne aux longs 
chepeüx dores. 

c Cependant le Seigneur Dieu, — sanctifié dans le ciel et sur la 
terre,—prit le poisson dans sa main, — le langa de noupeau dans 
Ve^ace — et le métamorphosa en Lune. 



I •Dans les cérénumies du mariage, la jeune Jiancée est couronnée de Ion' 
gues iresses defil d'or. Cet omement, á la/ois riche et gracieux, tient lieu du 
voile.» — (Nota de Basilio Alexandrí.) 

Querem melhor argumento em favor dos cabellos loiros ? 



ii5 



€Puis Uparla ainsi — (or, quand le Seipteur parlait, — fwm- 
vers entier tremblait, — lesflots des mers se calmaietit, — les cimes 
des montagnes s'tncltnaient, — et les hommes d^effroi tremblatentíj: 

€ Toi, Héléne aux longs cheveux dores, — et toi, Soleil r espíen- 
^dissant, — qui étes purs de taut peché! — je vaus ctmdamne pour 
ú'étemüé — á vaus suivre des yeux dans V espace, — sans poupoir 
€jamais votts rencantrer — ni vous atteindre sur la route celeste. — 
tPoursuive^-vofus étemellement — en parcourant les cieux — et en 
téclairant les mondes. it 



Esta affectiva tendencia do espirito humano para imbe- 
vecer na contempla^áo de cabellos loiros, — tendencia que 
em Luiz de Camóes se manifesta a cada passo (como tive 
occasiáo de mostrar no Cap. XI), — significa porventura urna 
inconsciente preoccupa9áo ? 

Nao significa. 

Tudo, pelo contrario, antes parece revelar no «loiro» 
urna expressáo innata de inlévo, que a sciencia positivista 
pederá muito imbora confessar-se inhábil para explicar, mas 
cujos eflfeitos se deixam fi-izantemente sentir, — como se, por 
mercé da Poesia Suprema, ande vinculada ao «loiro» a no- 
9áo do «bello» e do «bom»! 

Loira é a espiga de trigo, com que na symbolica do Ca- 
tholicismo se representa o pao da Eucharistia. 

Loiro é o mel, — e tanto mais loiro, quanto mais fino 
e appetitoso; loiras, como vaporosas sylphides, as abelhas 
que o fabricam. 

Loiro, o mais nobre dos metaes, o metal por excellencia. 

Loiro, o liquido topazio do Xerez e do Malaga, do 
Lacryma-Christi e do Syracusa, do Chypre e do Constan- 
cia, do Rheno e do Sauteme, do Champagne, do Porto, do 
Pico e do Madeira. 



ii6 



Loiro, o suavissimo brepo^ cujo fumo aspiramos volu- 
ptuosamente em azuladas espiraes de inebriante aroma, — 
e nao aquelle nauseabundo tabaco em rolos torcidos que 
mascam n' África sertanejos e marujos. 

Loira, mui loira, quer o auctor d'O Paraíso Per<Bdo que 
fdsse a máe do genero humano: 

She, as a veil, donm to the slender waist 
Her unadarned golden tresses wore 
DishevelVd, but in wanton rínglets waved 

(MiLTON* s Paradise Lost — IV, 3o4-3o6) 

Se Phrynéa nao houvesse desdobrado por sobre a sua 
provocante desnudez a ondula^áo auri-fulgente de longas 
madeixas, teria circulado nunca no tribunal dos Heliastas o 
murmurio de admira9a0.com que implicitamente a absol- 
veram? 

Loira deve tambem ter sido a formosa María de Magda- 
la, — porque só cabellos loiros, loiríssimos, poderiam condi- 
gnamente ihxugar os immaculados pés do Nazareno, depois 
de intoraada nelles uma redoma de perfumes orientaes. 

Loiras sao as Gra9as, e nao as Euménides nem as Parcas. 

Loiros os Anjos, e nao os Demonios. 

E emfim, para terminar cóm palavras do insigne Bluteau 
(vid. na citada Parte n das Prosas Portuguesas pag. 77): — 
«Com cabellos de ouro fe reprefenta a Felicidade eterna, 
' porque efta he a verdadeira idade dourada». 







y^ 



XVI 



IARTmARio das loiras se nos mostra em nota-com- 
mentario á traduc^So (ou antes imitafáo) que de 
urnas aVoltas» de Camfies nos aprésenla o já citado 
Visconde Strangford (PoemSy from íhe portuguese of Luis de 
Camoens &c.): 

tNotwithstanding all that has been said, and all that has been 
wrítten to disprove the existence ofa real and positive standard of 
beautf, jvere we to argüe frwn the universality ofpoettcal taste in 
evtry age, ¡ve should place the essence qffimale loveliness in the 
descrtption befare us. — Locks ofaubum and eyes ofblue have ever 
been dear to the sons of song. TTie Translator almost ventures to 
doubt whether these tvo ideas do not enier into every combination 
of charms created by the poetical mind. The Jbrmer are almost 
constantly accotig>anied by the advarUages of complexión, and by 
that young freshness which defies the imitation of art. Sterne even 
considers them as indicative of moral qualities the most amiable, 
and asserts that they denote exuberante in all the warmer, and 
cottsequently, in all the better féelings of the human heart. The 
Translator does not msh to deem this opinión as tfholly unfbund- 
ed. He is, hotvever, aware ofthe danger to tvhich such a confession 
exposes htm, — but he fltes for protection to íhe temple of 

tAüREA VsNVSt. 



ii8 



Quer o leitor agora saber quaes as VoUas, a que me re- 
firo, e que o Visconde Strangford imitou de Camóes? 

Transcrever-lh'as-hei no texto original, com a imita^áo 
ingleza : 

Mote alheio 



Menina fermosa, 
Dizei: de que vem 
Serdes rigorosa 
A quem vos quer bem? 



VOLTAS 

Nao sei quem assella 
Vossa fermosura, 
Que quem é táo dura 
Nao pode ser bella. 
Vos seréis fermosa .... 
Mas a razáo tem 
Que quem é irosa 
Nao parece bem. 



A mostra é de bella, 
As obras sao cruas: 
Pois qual d*estas duas 
Picará na sella? 
Se ficar irosa. 
Nao vos está bem: 
Fique antes ^^rmosa. 
Que mais for^a tem. 



O Amor fermoso 
Se pinta e se chama: 



>i9 



Se é Amor, ama; 
Se ama, é piedoso. 
Diz agora a grosa, 
Que este texto tem. 
Que quem é fermosa 
Ha de querer bem. 



Havei dó, menina, 
D'essa fermosura: 
Que, se a térra é dura, 
Sécca-sfe a bonina. 
Sede piedosa: 
Nao veja ninguem 
Que por rigorosa 
Percais tanto bem! 



Canzonet 

Thou hast an eye of tender bine. 
And thou hast locks of Daphne's hue, 
And cheeks that shame the momin^s break, 
And lips that might for redness máke 

Roses seempale beside them; 
But whether soft or smeet as they, 
Ladjrl alas, I cannqt soy, 

For I have never tried them. 



Yet, thus created for delight, 
Ladyl thou art not loveljr quite, 
For dost thou not thts maxim know, 
That Prudery is Beautysfoe, 

A stain that mars a jewell 
And e'en that woman's ángel face 
Loses a portion ofits grace, 

Ifwoman's heart be cruel! 



120 



Love is a sweet and blooming boy, 
Yet glowing with the blush ofjoy, 
And (still in youth's delicious prime) 
Though ag'd as patriarchal Time, 

The jvithering god despises: 
Ladyl would'st thoujbr ever be 
As fair, and young, andjresh as he, 

Do all that Lope advisesl 



Querem-n-o mais claro ? 

Na sua imita9áo libérrima crVisconde Strangford, pre- 
tendendo accentuar a formosura femíníl, que Luiz de Camóes 
pintara em traaos vagos, comefa por Ihe attribuir «olhos 
azues» e «cabellos loiros»', — sem Ihe importar alias a ob- 
jec^áo de nao fígurarem similhantes predicados no texto 
portuguez das Voltas. 



O cabello é pino de oiro, 
tanto mais que o Potosi, 
que ao pino do meio-dia 
faz cadadia o Sol cris. 



Assim se exprime o nosso D. Francisco Manuel de Mello 
no Dibuxo de Pena, em que retrata uma elegante beldade*. 



1 «Olhos azues» e «cabellos loiros» é o ca^cterístico da formosura nos 
paizes do norte. A Grecia, — concretizando em Aphrodite o ideal typico da bel- 
leza, — attríbuia-lhe (como tive occasiao de mostrar) cabellos loirissimos; nos 
olhos, porem, accentuava-lhe a negri-fulgencia dos temperamentos merídionaes, 
negri-fulgencia que pode alias harmonizar-se com a doce languidez. 

2 Obras Métricas de Don Francisco Manvel (León de Francia — 1665)— 
Segunda Parte, pag. 219. 



121 



E, retratando-a, podería nunca o poeta em sua cortezania 
esquecer-se de Ihe louvar o loiro dos cabellos? 



O mesmo é consultarmos Antonio Diniz, que enthusias- 
mado nos proclama o seu inlévo perante cabellos d^oiro. 

Querem ouvir o que elle diz na Ode III das Anacreón- 
ticas^? 

Cantare! de seu cabello 
Longo, fino, crespo e loiro, 
Que, já preso ou soltó ao vento, 
Faz que seja menos bello. 
Menos rico o fino oiro, 
Almas prende cento e cento. 



Aqui temos nos a descrip^áo de uma esquiva formosura 
nos IdyUios\ sempre os cabellos áureos a oflFerecerem-se 
como elemento imprescindivel ! 



Formosa Limosina, inda mais branca 
•Que a flor da laranjeira, mais corada 
Que os corados damascos: teus cabellos 
Dos doirados limSes a cdr excedem, 
E tua linda bocea é mais vermelha 
Que os bagos da román no ramo aberta; 
É tua doce voz muito mais doce 



í Poesías de Antonio Dinij da Cruj e Silva — Tom. va (Lisboa — 1812)- 
pag. 124. 

3 Poesías de Antonio Díníif da Cruj e Síiya— Tomo 11 (Lisboa — 181 1)' 
pag. 3i2 a 3i3. 



122 



Que as uvas muscateis, que os figos lampos 

Na serena manhan inda orvalhados. 

Mas tantas perfei^oes, nympha, que importam, 

Se tua condicáo inda é mais dura 

Que as duras sprvas, que os marmellos duros, 

E sSo tuas palavras mais azedas 

Que os azedos lim6esy que as uvas verdes ? ! 



Noutro sitio ' é o segador Ordalbo, que desafoga as ma- 
guas amorosas, chamando saudosamente pela sua linda Ci- 
dila, — uma loira gentilissima : 



Oh Cidila gentil, mais branca e loira 

Que o branco malmequer , que o loiro trigo ! 

Emquanto á sombra jazem os ceifeiros 

Da calma e do trabalho fatigados, 

Se algum cuidado tens do teu Ordalbo, 

Vem, oh branca Cidila, vem a vél-o! 



E que me dizem, por ultimo, d'este galante Soneto que 
ora passo a transcrever? 



Ondados fios de oiro Ihe guamecem 
Da testa delicada a nevé pura, 
Onde Cupidos mil com travessura 
Subtis lagos brincando ás akias tecem. 



As luzes de seus olhos escurecem 
Da mesma luz do Sol a formosura, 
E das faces gentis sobre a candura 
Duas vennelhas rosas Ihe florecem. 



« Puestas de Antonio Dinit^ da Cnq e Silva — Tomo ii — pag. 268 a 269. 



123 



Um olhar com descuido, lún doce riso. 
Que atraz de si as almas arrebata 
A contemplar de Amor o paraíso!. . . 



Estes sao os signaes de quem me mata. 
Se a virdes, nao queirais perder o sizo: 
Fugi, mortaes, fiígi da bella ingrata. 



Menos delicado imbora em sua contextura, menos lyrico 
em sua maneira-de-dizer, este Soneto' revela-se-nos inspi- 
rado por aquelPoutro que já (em pag. 5i) citei de Camóes: 



Ondados fios de oiro reluzente 

&c. 



Entre agora em scena o mavioso cantor da Marilia de 
Dirceu. Quer se trate de incarecer a belleza da sua adorada 
pastora, quer se trate de elogiar as adoradas dos outros pas- 
tores, é sempre no loiro das áureas tranfas que Thomaz 
Antonio Gonzaga nos mostra accentuada a sua predilec9áo. 

Oi^amol-o por exemplo na Lyra XV: 



A minha bella Marilia 

Tem de seu um bom thesouro: 

Nao é, doce Alceu, formado 

Do buscado 

Metal louro. 



t Vid. pag. 62 no Tom. in das Poesías de Antonio Diniíf da Crw[ e SiWa. 



124 



É feito de uns alvos dentes, 
E feito de uns olhos bellos. 
De urnas faces graciosas. 
De crespos, finos cabellos, 
E de outras grabas maiores 

Que a Natureza Ihe deu 

Bens que valem sobre a térra 
E que teem valor no Géo. 



OÍ9amol-o ainda na Lyra XVIII: 



Eu, Glauceste, nao duvido 
Ser a tua Eulina amada 

Pastora formosa, 

Pastora ingra^ada. 
Vejo a sua cdr de rosa, 
Vejo o seu olhar divino, 
Vejo os seus purpúreos belfos, 
Vejo o peito crystallino: 
Nem ha coisa que assimelhe 
Ao crespo cabello louro. 
Ah! que a tua Eulina vale. . . . 
Vale um inunenso thesouro! 



Por «pastoras loiras» estáo-me a lembrar aquellas gra- 
ciosas Endechas que Francisco Rodrigues Lobo (outro apai- 
xonado admirador dos cabellos áureos) intercalou no seu 
romance A Primavera (vid. «f Floresta I» dos Valles e Montes 
entre o Li{ e o Lena), — Endechas que Luiz de Camoes se 
nao invergonharia de assignar, coUocando-as em frente, 
como galante contraste, das «Redondilhas á escrava Bar- 
bara». 



125 



Dizem por esta forma as Endechas a que me refiro: 



Quem poz seu cuidado 
Em pastora loira, 
Nem veja a lavoira 
Nem sirva o arado. 

Nem jamáis se empregue 
Em lavrar abrolhos : 
Semeie em seus olhos, 
E em seus olhos cegué. 

Ey se seus amores 
Nasceram de Amor, 
Seja lavrador 
Pois que lavra dores. 

Para sustentaba 
Gaste a vida neila: 
Ou viva de vél-a 
Ou de desejál-a. 

Tenha, aonde a tem, 
A vida e cuidado: 
Se ella guarda gado, 
Guarde elle tambem. 

No valle e no monte 
Seja seu vizinho: 
Sáia-lhe ao caminho 
No río e na fonte. 

Traga-lhe das vinhas 
O seu fructo ingrato: 
Quando vem do matto, 
Traga-lhe das pinhas. 

Se vem do servido, 
Traga das montanhas 
As moUes castanhas 
No seu crespo ourígo. 

Se em monte ou ríbeira 
Cría enxame bravo, 
Dé-lhe o doce favo 
Da cresta prímeira. 



136 



Pardos rouxinóes, 
Ledos passarinhos, 
Lhe traga em seus ninhos 
Quando vem dos bois. 

Emquanto a manada 
Anda apascentando, 
Lhe lavre cantando 
A roca pintada. 

Quanto ella sustenta, 
Tanto elle sustente: 
E viva contente 
Do que lhe contenta. 

Se a cdr arenosa 
Tiver por melhor, 
Diga que essa cdr 
A faz mais fermosa: 

Se a tarde e sol-posto 
Lhe parece bem, 
Mostré que nao tem 
Mais sol que o seu rosto: 

E, se a noite fria 
Lhe contenta mais, 
Mostré por signaes 
Que quer mais ao dia. 

Todo se transforme 
Na vontade d'ella: 
Vele, quando vela; 
Durma, quando dorme. 

O que ella approvar 
Só bem lhe pareja: 
E a si se abhorreca 
Pela contentar: 

Que Amor ingrandece, 
Ñas leis em que está, 

' Quem serve e quem dá 
E a quem lhe obedece. 



XVII 



1ABELL0S loiros! Em favor d'elles invoque!, nos pre- 
cedentes capítulos, a opiniáo individual d'este cu 
d'aquelle poeta. Passarei agora em revista o que 
nos aíñrma em sua conceituosa expressáo a ingenua poesia 
das collectfvidades anonymas. 

E, para come^ar, apresentarei as seguintes trovas aurí- 
cularmente colhidas no thesouro ubérrimo do nosso cancio- 
neiro popular: 

Ó amor! cabellos Joíros 
Com perneado tío certo! 
Sobrancelhas de oiro fino! 
Olhinbos por quem me perco! 



Vossos cabellos doirados, 
Compostos da vossa máo . . . . 
Toda a gente fica presa 
De táo linda perfei^So! 



Tendes o cabello loiro 
Pelas costas ao comprido: 
Parecem meadas de oiro 
A manello rebatido. 



128 



Os vossos cabellos, secia, 
E o que vos dá toda a gra^a: 
Parecem meadas de oíro, 
Aonde o sol se imbara9a. 



Vossos cabellos táo loíros, 
Penteae-os de continuo: 
Quanto mais os penteardes, 
Mais Ihes brilha o oiro fino. 



Comecei em fios d'oiro 
A notar vossos signaes: 
Menina, vos sondes de oiro; 
De oiro sois, de oiro fícais. 



Se passámos a escutar as caníóes populares da Italia, 
no tocante a definirem-se-nos por linguagem de namorados 
bellezas typicas de rosto feminino, respondem-nos constan- 
temente com os cabellos loiros : 



Sette belle^ie vuole aver la donna 
Prima che bella sipossa chiamare: 
Alta dev' esser sen^^a la pianella, 
E bianca e rossa sen:{a su' lisciare; 
Larga di spalla, e stretta in centurella ; 
La bella bocea, e il bel nobil parlare. 
Se poi si tira su le bionde trecce, 
Decco la donna di sette belle^p^e^. 



I Canti Popolari Toscani raccolti e annotaii da Giuseppe Tigri. Seconda 
edizione (Firenze — 1860) — pag. 22. 



129 



Aqui está um namorado que incontra na mo9a dos seus 
inlevos realizado, sob os auspicios do Sol e da Lúa, o ideal 
da formosura : 

Quando nasceste poi, nacque belleza. 
Alia presen\a de la Luna e 7 Solé. 
II Solé vi donó la sua chiare\\a. 
La Luna vi donó la bionda treccia. 
Cupido v' insegnó a far V amare; 
Cupido V* insegnó a tirar li sguardi: 
Bella, morir mifai quando mi guardi. 
Cupido r' insegnó a tira' i sospiri: 
Bella, morir mifai quando mi miri^. 

Sempre la bionda treccia, como tambem no seguinte m- 
petto (muito análogo nos conceitos ao antecedentemente ci- 
tado) : 

Quando nascete voi, nacque belleza: 
II Sol, la Luna vi venne a adorare; 
La nevé vi donó la sua bianche\'{a. 
La rosa vi donó 'I suo bel colore, 
La Maddalena le sue bionde trecce. 
Cupido V* insegnó tirare i cori; 
Cupido v' insegnó tirar le frecce. 
Afinnamoraron le vostre belle\\e^. 

Cá temos outra que realiza o typo ideal da formosura 
«irreprehensivel» (sen^a fallo). Como foi que Ihe deu a Na- 
tureza cabellos ? doirando-lh'os : 

Ai'ete i labbri fatti di corallo, 
Gli occhi per riguardarlo il Paradiso: 
Al mondo siete nata sen^a fallo. 



> Carai Popoícai Toscani raccolti e atmotati da Giuseppe Tigri — pag. 24. 

> Op. cit. — pag. 24 a 25. 



1 3o 



Siete piú bella che non fu Narciso. 
Vostri capelli son di color giallo 
E pargono Jilati in Paradiso: 
Vostri capelli, e teste bionde chiome, 

Af hanno cavato il core, e non so comeK 

• 

O capo d'oro, e fronte di cristallo! 
Occhi che riguardaie il Paradiso! 
Denti d'oporio, e labbri di cor alio I 
O bianco petto, delicato piso! 
E siete nata al mondo sen\a fallo: 
Siete piú bella che non é Narciso; 
Siete piú bella di Giove e di Marte, 
Creata per amor, faita per arte^. 

Quer-se que o proprio Sol pasme imbevecido ante a gen- 
tileza de creaturas femininas? É dar-lhes loiros os cabellos: 



Ramo di argento e ramo di corallo, 
Rendi la pace a chi per te sospira. 

I tuoi biondi capelli danno in giallo: 

II Solé incanti, e le belle:{\e ammiraK 

O rama d'oro, o rama di corallo, 
Rendi un po' pace a chi per te sospira. 
E' tuoi capelli son di color giallo: 
II Sol cammina, e tua beltá rimira. 
E' tuoi capelli e quelle bionde treccie 
Ai* hanno rubato il cor, le tue bellei\e: 
E* tuoi capelli e quelle bionde chiome 
Af hanno rubato il core, e non so come^! 



I Canti Popolari Toscani raccolH e annotati &c. — pag. 32 a 33. 
a Op. cit. — pag. 33. 

3 Op. cit. — pag. 43. 

4 Op. cit.^pBg. 45. 



i3i 



E é tal o ipagico inlévo dos «cabellos áureos», que che- 
gam ellas ás vezes a simular «fulgentissimos ños de diaman* 

tes»: 

Eccomi giunto al tuo palazo d'aro, 
E qui mifermo, e non passo piu opanti: 
C é la mia bella coi capelli d'oro, 
Ch' ogni capello é un filo di diamanti. 
lo i>i saluto, angélico tesoro. 
La casa del mió amor cogli abitanti. 
E poi saluto la vostra figura: 
Per mia consolación guardo le muraK 

Ha uma gentil beldade que entre as suas companheiras 
sobresal graciosamente pela filigrana dos cabellos annela- 
dos? Luiros háo de ser neste caso: 

Apete un crine inanellato e biondo, 
C ha fi}rtemente legato il mió core. 
Ete un par d'occhi. . . danno luce al mondo, 
E mi tengon soggetto a tutte Vore^. 

E o eterno ideal de Petrarca 

Le crespe chiome d'ór puro túcente^ 

reproduzindo-se nos rispetti da Toscana. 

Perante os cabellos loiros airosamente increspados, quem 
nao ha de inamorar-se, quando no mar os proprios peixes 
se inamoram e se inamoram ñas selvas as aves ? 



I Canti Popoiari Toscani raccolti e armotati &c.— pag. 48. 
> Op. du — pag. 33. 

3 Vid. Sonetti e Canfoni in morte di Madonna Laura. É o 5.» verso do Soneto 
que principia — •Gli occhi di ch' ioparlai s\ caídamente*. 



1 32 



o ricciolina da bwndi capeüi. 
Mira chi non faresti innamorarel 
Faresti innamorar li pesa in mare. 
Su per le selpe i polarosi augelli; 
Faresti innamorar, persona bella, 
Chi con vai parla, ragiona e /apellad 

Ah! quem ha de resistir a similhante magia? Que lindeza! 

que lindeza naquelles cabellos rÍ9ados, que simelham fios de 

oiro e seda? 

Que' capellini ricciutini e belli 
Come li seppe la tua mammafare! 
Pare una rama quando ha lejbglie, 
Paionojila d'oro naturale. 
Paionojila d'ór e seta bella: 
Son belli i capellini e chi li anella. 
Paionojila d'ór,jilatojiore: 
Son belli i capellini che ha il mió amore*. 

E táo lindos .... táo lindos aquelles fios d'oiro e seda, 
que nao hesita o seu apaixonado adorador em pedir á dona 
que os solté e os deixe livremente ondear deslumbrantes na 
appetitosa alvura das espaduas! 

Se vuoi pederé il tuo serpo moriré , 
Festi capelli non te li arricciare: 
Gilí per le spalle lasciateli iré. 
Che paion Jila d^oro naturale. 
Paionojila d'oro, oro infilato; 
Son belli li capelli, e chi gli ha in capo: 
Paionojila d'oro, e seta Jiña; 
Son belli li capelli, e chi li striga^. 



I Canti Popoíari Toscani raccoiti e annotati da Giuseppe Tigri — pag. 33. 
> Op. cit. — pag. 49. 
3 Op. cit. — pag. 33 a 34. 



1 33 



Flor entre as flores, que precisao tem de ir a formosa 
loira colhéi-as no jardim, para infeitar-se e toucar-se, — 
quando ella tantas recebeu da Natureza, a come9ar inclusi- 
vamente pelas tran9as d'oiro, comparaveis a um «ramalhete 
de rosas»? 

Sella che siete nata in Paradiso, 
N" andai cercando di cogliere un fiore. 
N* avete tanti in quel pulito piso: 
Son bianchi e rossi, e son d'ogni colore. 
N' avete tanti in quelle bionde trecce. 
Che paiono un giardin di rosejresche; 
N' avete tanti in quelle trecce awolte, 
Che paiono un giardin di rose colte. 
N" avete tanti in quelle bianche mani. 
Che paiono un giardin di melagrani^. 



Na Sicilia, quer o leitor saber qual o architypo da for- 
mosura? sempre o áureo crino fli capiddi d' oru) como ele- 
mento imprescindivel ! 

Aqui transcrevo eu dois rispetti\ que me nao deixam 
mentir: 

Li toi capiddi sunn' oru petfettu, 
Li puma di masciddi una musia; 
L'allegrafrunti pari di bianchettu; 
L'occhi dui stiddi si/ tutti alligria. 
É na conca d'argentu lu to pettu, 
Unni la vita mia ci viviria; 
Ssa vucca éfatta propria di surbettu, 
Lassamilla sucari, armu\ia mia. 



> Canti Popolari Toscañi raccolti e annotati &c. — pag. 54. 

> Chants papulaires de l'Itaiie — Texte et traduetwn par J, Caselli (Bruxel- 
les— 1865) — pag. iSq e pag. 160. 



.34 



Frunti d'argentu, e capüi4u:{:{i d'oru, 
UcckÍui:{Í di dui stilli matutini, 
Quannu passu di ccá seníu ristoru, 
Bucea — conca di per-ni e granattni. 
A lu pittu^^u purtati un trisoru, 
A li manu\\i dui stiddu\:{i Jini: 
Tipregu, árnica mia, 'pan:{i ca moru 
Lu nostru desideriu vegna ajini. 



XVIII 



IUDO isto, quanto fica dito, naturalmente nos induz 
a urna conclusSo: — e é a de que, por consenso 
unánime de quem na materia tem voto, representam 
cabellos loiros condi^áo muito essencial, quando se trate de 
idealizar a belleza archi-typica do 

sexo gentU, delicias, mimo, 

Afago da exísteoda e incaoto d'ella'. 

As proprías mulheres comprehenderam perfeitamente 
sempre esta verdade eteraa. 

De todos os paizes e em todos os tempos nos refere a 
Historia, como fado vulgarissimo, pintarem-se de loiro nos 
cabellos beldades que os tinham naturalmente pretos. 

Loiras, porém, que de negro tingissem os cabellos áureos, 
nao creio que houvesse em tempo algum. 

O mgra ocuUs nigraque capillis nSo traz implicita a in- 
dispensabüidade da tez morena: podem perfeitamente olhos 



■ AulKlDA-GARRrTT — ColSo — Prologo. 



i36 



negros e negros cabellos associar-se com a alvura da pelle, 
e assim resulta a inebriante fascina^áo das Circassianas. Mas 
o eterno ideal dos poetas, em questáo de madeixas e trancas 
a coroarem galantemente um rosto feminino, será por con- 
senso tácito do bom-gósto 

A cdr que tinha Daphne nos cabellos. ' 

Em que peze aoVenusino, Romanos prezavam de pre- 
ferencia ñas mulheres o cabello mui loiro. E que faziam ellas 
entáo para conseguirem artificialmente essa cor? serviam-se 
de tincturas apropriadas, e ungiam depois com essencias as 
madeixas no intuito de Ihes restituirem o primitivo lustre, ou 
Ihes espargiam oiro em pó finissimo para d'esf arte Ihes au- 
gmentarem o resplendor. 

Entre o povo judaico, em Jerusalem, sabemos pelo histo- 
riador Flavio Josepho' que predominavam prácticas análo- 
gas, como análogas prácticas predominavam em povos de 
varios outros paizes. 

Num livro que tenho presente (impresso em Ñapóles em 
1 593) — Trattato del vano ornamento delle donne raccolto da 
grauissimi Autori Sacri, e Prqfani per ü R. P. Gio. Leonardi 
della Congregatione de^ Chierici Secolari della Beatifs. Vergine 
di Lucca — , censura o auctor a inconveniencia das prácticas 
diversissimas, com que mulheres artificiosamente buscam 
aformosear-se. Quel che i Dottori dicono del tingere eí bion- 
deggiare i capelli — constitue a epigraphe e o assumpto do 
primeiro capitulo: discute esse capitulo os processos a que 
as damas recorrem no intento de inloirecerem; mas de 
mulheres que tingissem os cabellos loiros, com a mira em 



1 Camoes — Os Lusiadas — Cant. IX, est. 56. 

2 Citado (em pag. 268) no Yol. ni d' O Panorama (Lisboa — 1839). 



iSy 



fazerem crer que os tinham negros, nao cita o P. Joáo Leo- 
nardi exemplo algum. 

Aos requintes dos cosméticos accresciam inclusivamente 
os artificios scenicos da caracterizando theatrai. 

Messalina, — a formosa morena que, na sua febre de 
sensualidades, nao hesitava em substituir a cámara nupcial 
dos Cesares pela alcova impúdica das incruzilhadas, — Mes- 
salina, quando por horas mortas buscava debalde mitigar 
ñas trevas nocturnas os ardentissimos pruridos do seu des- 
vairamento (lassata viris, sed non satiata), Messalina ' ao dis- 
fardar sua prosapia (sob o improvisado nome de Lycisca) 
disfarnava tambem sob a postÍ9a adapta^áo de uns cabellos 
loiros (nigrum flavo crinem abscondente galero) as bastas ma- 
deixas negras com que a brindara a Natureza, negras como 
a aza do corvo, negras como a escuridáo da noite, negras 
como caliginosa tempestade, negras como o febricitante 
fulgor das suas pupillas incendiadas, negras como o negro 
peccado, negras como o accentuado negror da sua alma de- 
pravadissima ! 

Depravadissima imbora e submettida ás mais abjectas 
provas de venal devassidáo, — restavam-lhe ainda entretanto, 
na sua ignominia, uns lampejos de galanteio, e apar d'esses 
lampejos a convicfáo de que nos cabellos loiros reside um 
poderoso elemento de fascinanáo feminil. 

E a cavalleirosa Hespanha? A cavalleirosa Hespanha, 
que táo singularmente se caracteriza pelas suas Valencianas 
e pelas suas Gaditanas de olhos negri-luzentes e de negri- 
luzentes cabellos, — a cavalleirosa Hespanha caprichou sem- 
pre em antepór ás negri-refiílgencias das Andaluzas a incres- 
pada filigrana dos cabellos loiros. Em que novella, em que 



« JuvzNAL — Saiir. V7, v. ii6-i32. 



¡38 



romance, em que poema d'aquelle paiz, nao figuram attribui- 
dos á protagonista os cabellos áureos ? 

Ñas trovas do nosso «Romanceiro» incontraremos egual- 
mente provas documentaes d'esta justificavel prediIec9áo. 

Tomarei para exemplo a conhecida xácara da Bella In- 
fanta, que principia assim: 



Estava a bella Infanta 
No seu jardim assentada: 
Com seu pente de oiro fino 
Seus cabellos penteava. 



Aquelle «oiro fino» refere-se aos cabellos, ou refere-se 
ao pente? 

Creio que se refere aos cabellos. 

Fundamenta-me nessa cren9a a variante que em outra 
versáo oíFerece a primeira quadra da xácara : 



Dona Clara, Dona Infanta, 
Estava no seu jardim, 
Perneando trancas d*oiro 
Com seu pente de marfim. 



E se alguem teimar que era de oiro o pente (e nao de 
marfim) como se affirma na licfáo castelhana com que D. Eu- 
genio de Ochoa inriquece (em pag. 2) o seu Tesoro de los 
Romanceros y Cancioneros Españoles (Paris — 1 83 8) 



Estaba la linda infanta 
A la sombra de una oliva, 
Petne d'oro en las sus manos 
Los sus cabellos bien cria 



1 39 



perguntarei eu: — com pente de oiro. . . . que outros pode- 
ría a «bella Infanta» pentear senáo cabellos aurí-luzentes ? 
Em narrativa que da sua viagem ao nosso paiz deixaram 
escrípta os dois cavalleiros Tron e Lippomani, inviados pela 
República de Veneza a comprimentarem D. Filippe II de 
Castella (intrusamente arv orado rei de Portugal), — narrativa 
da qual se acham traduzidos e publicados por Alexandre 
Herculano alguns trechos (vid. Vol. u da 2/ serie d'O Pano^ 
rama (Lisboa — 1843) em pag. 98), — dizem os dois vene- 
zianos : 

cAs mulheres portuguezas sao singulares na formosura e pro- 
porcionadas no corpo; a c6r natural dos seus cabellos é a preta, 
mas algumas tingem-nos de cor loura.» 

Ergo. . . . €Tgo. . . . 

E continuam elles (ainda em referencia ás nossas bel- 
dades): 

cO seu gesto é delicado, os lineamentos graciosos, os olhos 
negros e scintillantes, o que Ihes accrescenta a belleza : e podemos 
a£Brmar com verdade que em toda a viagem da península as mu- 
lheres que nos pareceram mais formosas foram as de Lisboa; posto 
que as castelhanas, e outras hespanholas arrebiquem o rosto de 
branco e encamado, para tomarem a pelle, que é algum tanto^ 
ou antes muito trigueira, mais alva e rosada, persuadidas de que 
todas as trigueiras sao feias.» 

Ergo. . . . ergo. . . . Tire o leitor as conclusoes. 

O mesmo acontece na Grecia moderna, onde as tradi- 
96es hellenicas da loira Aphrodite se fícaram poéticamente 
reproduzindo transmittidas de gera^áo em gera9áo. 

Ainda boje na Grecia a preponderancia dos cabellos loi- 
ros em questáo de boní-gósto é ponto assente e definido. 



140 



Como documento justificativo, basta-me o «Cántico nu- 
pcial» que o erudito Conde de Marceilus auricularmente 
colheu e traduziu, e (em pag, 228) incluiu na sua coUec^áo 
de Chants populaires de la Gréce modeme (París — 1860). 

Traduzido o transcrevo aqui, — na ausencia do respe- 
ctivo texto grego. 

Cérémonies des noces ofFerece elle por titulo na versáo 
franceza, e diz assim: 

c(Pendant qu*on peigne la manee:) Tu as des cheveux quatre 
fots blonds, qui tombent sur tes épaules. Les anges les peignent avec 
des peignes d'or. 

c(Pendant qu'on habille la maríée:) Quand ta mere te mit au 
monde, tous les arbres fleurirent. Et les petits oiseaux eux-mémes 
chantérent dans leurs nids. 

•(Pendant qu'on pare la maríée:) Quand ta mere te mit au 
monde, le soletl s'abatssa; ti te donna la beauté, puis ti remonta 
dans les cieux. 

«(Quand on congédie la maríée:) Aujourd'hui brille le del; au- 
jourd'hui brille le jour. Aujourd'hui l'aigle épouse la colombe. 

c (Quand on donne la maríée au maríé:) Nous avons enlevé la 
perdrix, la perdrix aux cinq couleurs; et nous avons laissé son 
poisinage semblable a un pays dépeuplé. 

«(Chanson de la mere:) Les sept cieux se sont ouperts, comme 
les dou\e évangiles; et ils ont pris mon enfant au milieu de mes 
deux bras.9 

Por lindissimo transcrevi na integra o cántico ; mas, para 
o caso, o que nos importa é apenas a parte modulada no 
acto de pentearem a noiva. 

Que delicadeza de sentimento naquella expressáo de lou- 
vor indere9ada aos «cabellos quatro ve^es loiros» — cabellos 
táo formosos que s6 «anjos com pentes d'oiro» poderáo di- 
gnamente pentearl 



XIX 



■ HAKESPEARE, O grande poeta do paiz das loiras, ar- 
vorando-se campeáo de urna trigueira, dedicou-lhe 
o seguinte Soneto, que nao é senSo corroborante 
prova de quanto acabo de expór: 

7« PRAISE QF HER BEAVTf, THOVGH BLACK 

In the oíd age black was not counted fair, 
Or, ifit were, it bore not beautys ñame: 
But noa> is black beauly's successive heir. 
And beauty slander'd mtk a bastaré shame: 

For since each hand hatk put on nature's power, 
Fairing thejoul with art'sfalse horrow'd face, 
Sweet beauty haíh no ñame, no holy bower, 
But is prqfan'd; if not. Uves in disgrace. 

Therefore my mistress' eyes are raven black, 
Her eyes so suited, and tkey mourners seem, 
Ai such who not bomfair, no beauty lack, 
Slandering creation mtk afalse esteem: 

Yet so tkey moum, becoming oftheir woe, 
That every tongue says beauty should look so. 



Foi a proposito d'este Soneto que o filho mais novo de 
Víctor Hugo (Francisco Víctor), quando traduziu os poemas 
do insigne trágico inglez, escreveu a seguinte nota em guisa 
de commentario : 

tPour bien comprendre ce sonnet, üfaut se rappeler que le mot 
andáis fair, qui signifie blond, signifie également beau. En Angle- 
terre done, diré á unefemme qu'elle est blonde, c'est aussi lui diré 
qu' elle est belle. La langue britannique adresse la une Jlatterie á 
la pdle race d' Albion, tí Shake^are se plaint ict de la préférence 
sj^stématique qu'elle accorde ainsi á la blonde au détriment de la 
bruñe. II s'éléve aussi contre cette manie trop modeste qu'avaient 
les bruñes de son temps de porter des perruques blondes pour ne 
pos paraitre ce qu'eües étaient.* 

Em favor da these que venho sustentando. . . . por minha 
fé que nao sei de argumento melhor. 



XX 



IARRETT, aquelle amoravel Garren, que táo intendido 
era nestas coisas, e que nos annos verdissimos da 
sua adolescencia fervorosamente se apaixonou por 
urna gentil Annalia, a quem dedicou O Retrato de Venus 
(Coimbra — 182 1), — Garrett que neste poema, por um re- 
quinte de galanteio para com a sobredita Annalia, prefere 
descrever com cabeilos negros a «deusa do amor», dizendo 
(Cant. rV) 

Ondeiam n'alva frente as trancas d'evano 

— Garrett nao se furta a pflr numa nota, em guisa de quem 
solicita desculpas, as seguintes palavras: 

<0s cabellos e olhos pretos eram os mais estimados dos Ro- 
manos (Nigra oculis, nigraque capillü: — Horat.)' Se é mau gSsto, 
confesso que o tenho. Quem amar mais os loíros, nSo tem senáo 
dizer: 

Ondeiam n'alva frente as trancas d'ouro. 



I Com o devido respeito á memoria do grande Garrett, se)a-me licito pon- 
derar que, relativamente a acabellos de mulber*, o que os Romanos mais pre- 
zavam era o loiro,(como no penúltimo capitulo tive ensejo de referir). Garrett 



144 



Assim eu e o leitor ficamos ambos satísfeitos. De mais, até Ihe 
posso ensinar um texto, com que provar o seu gosto. E a auctorí- 
dade de Petrarca, que nao é peca neste ponto: 

Vauro, e i topa\j al sol sopra la nevé 
Vincon le bionde chtome presso agli occhí.Tt 

E pouco tempo depois, Garrett que assim aífirmára so- 
lemnemente sua profissáo-de-fé, Garrett nao hesitava em 
apostatar deslumhrado ante a seductora imagem d'aquella 
a quem havia de dar o nome de esposa, — beldade loiris- 
sima que seu primo Paulo Midosi (vid. Os ensaios do Catáo — 
folhetim publicado, aos 12 de Outubro de 1878, em o n."* 
4:552 do Diario de Noticias de Lisboa) descreve assim: 

cOs cabellos eram fios de ouro, os olhos de um azul límpido 
como céo sem nuvens; ñas £Bices casava-se a azucena maraiálhosa- 
mente com a dhalia vermelha desmaiada.i 



deíxou-se aquí tSo sómente inlevar absorto nos olhos negrí -fulgidos da incan- 
tadora Annalia, que o fascinara, e que ao tentador negrí- luzir dos olhos alliava 
concomitante o negrí -luzir das trancas : 

nigra oeuiit nígraque capiUiM. 

Mas o proprío Horacio, nos seus versos, mais de urna vez commemora en- 
thusiasmado o áureo crino de muiheres formosas : 

Quit multa gracilis te puer in rota 
PerftauM liquidit urget coioriha 
Grato, Pyrrha, ni antro? 
Cuijtaifam religas comam 

Sin^lex numditiie? 

(Oá. " Ub. I, Cvm. v) 

Qmdf tipritca redil Venut, 

Diductotquejugo cogit aheneo ? 
Sijlopa excuUtwr Chloe, 

Rejeclaquepatetjanua Lydüe? 

(Oi.^íAh. m, C«m. n) 



i/t3 



Da impressáo proftinda, que no animo de Garrett pro- 
duziu este architypo de formosura, resente-se, ainda annos 
depois, na composÍ9áo do seu Poema D. Branca (París — 
1826), o ideal escolhido para o retrato da Abbadessa de 
Lorváo (filha d'El-Rei D. Alfonso III), e inclusivamente o 
ideal adoptado para o debuxo da gentil Oriana (irman de 
um principe moiro). 

Eis como Garrett descreve a portugueza no Gant. I do 
poema : 

Raro é o veo, alva a touca; e transparecem 
Pelo veo raro e pela touca alvissima 
As tran9as loiras como o sol que nasce 
Detraz do outeiro, como os ralos d'elle 
Luzem quando ligeira os cobre nuvem 
Diaphana no céo. — Quem ha de os olhos 
Debuxar? Como o azul do firmamento 
Em noite pura? Nao, que sao mais lindos! 
Como a saphyra em relicario sancto 
Á luz das tochas, adorada emtdrno, 
Em devota func^áo ? Ah ! que outro brilho, 
Outra luz teem; e a devo^áo que inspiram 
(Bentas reliquias, perdoae-me o verso!) 
E mais fervente. Oh! Sahem d*esses olhos 
Languido-azues urnas suaves chammas, 
Um quasi efluvio d'alma, que transpira, 
Que vem do cora^ao, que doce mana, 
E o ar, e o peito que o respira, imbebe. 

Eis tambem como o cantor de D. Branca descreve a 
princeza moira no Cant. V (transcrevo aqui o texto da edi- 
?áo publicada em París) : 



Alva, ligeira túnica apertava 
Pelo meio do corpo delicado 
Ciiita de verde cor; doiradas trancas, 



10 



146 



Sem mais ornato que o formoso ondado 
De seus propríos anoeis, se debni^avam 
Per hombros, cade quebra a fdr9a .do alvo 
Ltgeira cdr de desbotada rosa. 

Precisamente o supra-citado ideal do amador de Laura. 
Precisamente o ideal do amador de Nathercia, que tanto 
se extasiava na contempla^áo dos 

Ondados fios de oiro reluzente 

e que no lyrismo das suas composi^óes poéticas nao des- 
aproveitava ensejo algum de afiinnar e proclamar essa jus- 
tiñcavel incUna^áo. 



XXI 



IOMO fazer portanto a Luiz de CamSes a inqualifi- 
cavel injuria de o imaginar derretidamente apalxo- 
nado. . . . por um horror?! 
Absurdo ficaria entáo suppór-lhe personificadas as fei- 
qóes (como pretende Manuel de Paria e Sousa) naquelle 
galanteador mancebo 

que trazia 

' Pensamentos de ñrme namorado 
(Os Lusiaáas~Vt, 40) 

naquelle formoso typo de paladino que o proprio CamÓes 
parece comprazer-se em vincular aos episodios de amor e 
ternura 

Leonardo, soldado bem disposto, 
Manboso, caTaUeiro, e namorado, 
A quem Amor nao d¿ra um só desgasto, 
Mas sempre fSra d'elle maltratado, 
E tinha já por firme presupposto 
Ser com amores mal-afortunado, 
Porém nao que perdesse a esperanfa 
De inda poder seu fado ter mudanza .... 
(Om Liaiadat—TX., -jS) 



i48 



naquelle emfím de quem o Poeta suavemente escreveu 

Já nao fugia a bella nympha, tanto 
Por se dar cara ao triste que a seguía. 
Como por ir ouvindo o doce canto, 
As namoradas maguas que dizia: 
Volvendo o rosto já sereno e santo, 
Toda banhada em riso e alegría, 
Cahir se deixa aos pés do vencedor, 
Que todo se desfaz em puro amor .... 

(Os Lusiadas—lX^ 82) 

Portuguezes que teem residido ñas nossas possessoes 
d'Africa, dizem-me que ha por aquelles sitios .... pretas 
bonitas! 

Como nunca lá estive. . . . nao vi, nao experimentei, — 
juro que nunca experimentei, — vou mesmo apostar que nao 
teria d'isso vontade. 

Positivamente o caso de nao poder applicar-se aquelle 
táo conhecido e táo lindo verso da Ilha dos Amores: 



Melhor é exp'rimentál-o que julgál-o 

fOs Lusiadas^l^ 83) 

.0 senhores: pois admitte alguem de boa-fé a possibíli- 

dade de incabe^ar numa «Venus hottentote» a do9ura d'esta 

quadra 

Eu nunca vi rosa 
Em suaves mólhos ' 
Que para meus olhos 
Fdsse mais fermosa— ? 



I Esta expressSo, que emprega Camoes, — «suaves mólhos» para significar 
«suaves ramalhetes», — foi aproveitada nuns versos do sr. Diego de Macedo, em 



149 



ou a d'esf outra egualmente repassada de meigo lyrismo 



Nem no campo flores, 
Nem no céo estrellas, 
Me parecem bellas 
Como os meus amores—? 



pag. 17 a 18 de um livro que seu auctor intítiilou — Noites d'Ocio — e que sahiu 
publicado no Porto em 1866 : 

o AMoit-fnntTO 

Entre u flores, ella ani día 
Paaseava no jardim ; 
Ora olhaTa para mim, 
Ora de mim se escondía. 

Tinha um ramalhete ao pdto 
Das flores as mais vinosas; 
Era* um lirio e dnas rosas, 
Um cravo e om amor-perfeito. 

—«Como é bello o ten jardim I» 
(Lhe disse en, baixando os olhos): 
«Nnnca vi em «naves mólhos 
Rosas, cravo ou lirio assim». 

Entfio ella do seu pdto 
Urna flor me offereceu. 
— «Qual d'ellas?» pergunto eu. 
Responde ella: —«O amor-perfeito». 

£ em nota justifica o auctor das Noites d'Ocio a expres;s&o que emprega, 
cranscrevendo a quadra de CamÓes 

«En nunca vi rosa» Ac. 



Do proprío Camoes ha tambem composi^So em que se incontra uma 
phrase, — verdadeira reminiscencia da sua maneira-de-dizer no 4.* verso das 
Endechas. Vem essa phrase no 6.* verso do seguinte Soneto : 

Se, como em todo o mais fostes perfeita, 
Fdreis de condiflo menos esquiva, 
Fdra a minha fortuna mais altiva, 
Fdra s sna altiveza mais sujeita. 



1 5o 



Houve nunca poeta que pudesse comparar urna preta a 
urna rosa? 

Houve nunca inspirado phantasista que ousasse contra- 
par á deslumbrante refulgencia de um astro a escuridáo plu- 
tónica de um burlesco manipanso? 

Nao cabem desatinos taes em cerebro humano. 



Mas, qoando • vida a Yotaot pés te ddta, 
Porque alo a aocdtaii, nSo quer qnn tu pAv.* 
Ella propña de si )i a núm me priva, 
Que, porqae me ingctais, tambcm me ingdta. 

Se oisso cootradis vosea vontade, 
Mandae'lhe vos, seohora, que di flm 
Á minha proftmdissima tristesa, — 

Pois ella dIo m'o dá porque piedade 
Tenha d*este mea mal, mas por que em mim 
Possais aasi fiutar vossa cniez^. 

Na accep9&o de «ramalhetes» (imbora aquí Ihe nSo junte a qualifica9So de 

«suaves») emprega tambem o CamÓes a palavra «inólhos» em um Soneto que 

passo a transcrever : 

Se de vosso formoso e lindo gesto 
Nasceram lindas flores para os olhos,— 
Qoe para o peito slo duros abrolhos, 
Em mim se v2 mni claro e manifestó: 

Pois vossa formosora e vulto honesto. . . . 
Em os ver. ... de booinas vi mil móikot; 
Mas, se meu coradlo tivera antolhos, 
NSo vira em vos sen damno o mal íbnestot 

Um mal visto por bem, um bem tristonho,— 
Que me tras inlevado o pensamento 
Em mil, porem, diversas phantasias, 

Ñas quaes eu sempre ando e sempre sonho ! 
E vds nfio cuidáis mais que em meu tormento, 
Em que fundáis as vossas alegrias. 



Onde porem mais aproveitadas incontro express6es das Endechas á Bar- 
bara escrava, é numa Écloga «centonica» ingenhosamente elaborada por Ma- 
nuel de Faría e Sousa. 



i5i 



Repare-se mais nesta significativa quadra 



Pretos os cabellos, 
Onde o povo váo 
Perde opiniao 
Que os loiros sao bellos! 



Toda constítuida por versos de Cam6es (raro modifícados), Cintra se in- 
titula a Écloga, e neUa se debuxa a vida do Poeta, conforme declara o seu 
illustre commentador: — •Con toda la difficuldad de efcribir en centones^fe ej- 
cribe aqui la vida de Luis de CamÓés, de la tnifma fuerte que la he ef arito en 
pro/a; enpegando de/de fu crianza en Coimhra, y llevando todos fus aconteci- 
mientos por orden, hafla que murió en Lisboa,» 

De pag. 281 a 338, noTom. iv das Obras de Luis de Camdes impressas na 
Ofiicina Luisiana em Lisboa (1779-80), vem a referida Écloga, seguida pelas 
respectivas «Anotaciones». 

O trecho, em que se allude aos amores da escrava, incontra-se de pag* 
3 16 a 3 18, e de lá o transcrevo com textual fídelidade : 



No tempo que de amor vivcr fola, 
N'hum bofquc que das Nymphaa fe habitava, 
A cryflalliiia Venus 
Vivas fiJfcas Ihe moftrou hum día 
Ñas lindas fiM^ea, olhoa, boca, e teda; 
Tefta de ne?e, e ouro; 
Aquelle cryftallinp e puro afpcito, 
Que em fi eftá fempre as almas transformando, 
Em vida ta6 efca^a 
Na6 como quiz I^thagoras na morte. 
Porém vendo o Paftor 
Defpois de tantas lagrimas vertidas, 
Fortuna ta6 pro&na. 
Contraria em tudo á ftaa calidade, 
Perigos, linguas más, murmurafóes, 
Bufcando á vida algum remedio, ou cura, 
Por huma Nympha baixa foi perdido : 
PrífaÓ terrefte, e efcura, 
A qual viri defpois a ftr Senbora, 
De quem era captiva. 
Tudo fiu a vital neceíBdade. 
Na6 nos leitos dourados, 
£ de metaes ornados reluzentes. 
Se fatís&z do mantimento nobre 
De iguarias fuaves, 
Por entre vivas rofas 
Ñas alvas carnes, fubito moftradas; 
Mas co' huma efcrava vil, lafciva, e efcura, 



l52 



«Pretos os cabellos»! — note-se bem. Nunca ninguem tal 
disse da immaranhada carapinha de urna africana! 

E sería entáo lícito admittir que um adorador do loiro, 
como Camóes se prezava de confessar-se a cada passo, viesse 
por em relevo, ante o «áureo crino» do seu constante amor, 
o horroroso topete de urna horrorosissima ethiope? 



A vida de Senhora fbita efcrava 

Da captím gentil, que ferve, e adora. 

Mas como manda amor na vida efca^a, 
Qae firva a linda ferva, 
Eflrantaa, mas na6 Barbara, 
Efia a captiva ht, que o tem captivo; 
Altiva, c exal9ada. 
Porque de feu Senhor fe ve Senhora. 
Da qual a Poefia que cantón. 
As frautas dos Paftores, 
As armas fanguinofas, 
As Indianas gentes bellicofas. 
Agora em fom de voz fuave, e terfo, 
Com fom de voz eftá fubindo ao Ceo 
A gente da Ethiopia, 
Em virtude do geílo de que efcreve 
Aqoelle mo^o fíh'o. 
Alli fe vio captivo : 
Aquí a alma captiva 
Se fatis&z co' o bem que na6 alcan^. 
Trífte qaem feu defcanfo tanto eftreita I 
Trífte quem de ta6 pooco eftá contente, 
£ chora o perdido eternamente I 



Commentando em nota o verso ii.^ dos que fícam transcriptos, diz Faria 
e Sousa: — «Porém vendo, ¿be, Aquife empiega a dar cuenta de los amores que 
el Poeta tuvo con una e/clava, de/pues de ver/e falto de todo.» 

Commentando o verso 20.*, escreve : — «De quem era captiva. Efte verfo 
es de unas Endechas a la efclava^y di^e: De quem he captiva ;j^ le alteré por 
llenar el numero defiete.» 

Finalmente, com respeito aos versos 33.% 3^^ e 45.% eis o que pondera o 
commentador: — «Eílranha, mas na5 Barbara. Efte verfo folió de dos de aquel- 
las endechas, que di jen: Bem parece eílranha, mas Barbara na5: y Barbara 
era el nombre de la ef clava. Lo mifmo corre en el verfo: Efta a captiva he, que 
o tem captivo : porque en las Endechas dije : Eíla he a captiva, que me tem 
captivo. Y mas abaxo: Aquelle mo^o fero: es el primero verso de la Oda jo, 
que el Poeta efcribió a efto de eftar enamorado de la ef clava; y es una de las 
grandes cofas de fus Rythmas.» 



XXII 



ÍANUEL de Faria e Sousa, etn meio da sua veneranda 
gravidade, parece transigir um tanto com as absur- 
das pretenfóes dos carapinhophilos a publicamente 
proclamarem tal profissáonde-fé (se é que «profissáo-de-fé» 
pode sem desdouro chamar-se a tammanha aberra^So). 

Em corrobora<;§o do que affirmo, escutémos-lhe as pro- 
prias palavras. 

Diz elle no Commentario & Ode X do nosso Poeta (Rimas 
Varias de Liñs de Camoens Principe de ¡as Poetas Herqycos, 

y Lyricos de E/paña Commentadas por Manuel 

de Paría, y Sousa Tomo iii — pag. 184): 

*AquÍ ejioy yo con ejios ojos pecadores, que vi negras por 
quien fe pudiera perder otro mejor queyoji diejfe en enamorado.» 

E accrescenta logo em seguida: 

f Un hombre entendido y galán, me áixo que viviendo en An- 
gola le combidava algunas ve\es a comer un amigo, y d la mefa 
fervian dos doncellas negras de/nudas (ajft como fuelen andar) de 
tal forma (particularizóme los pechos) que avia rogado al amigo 
las hi:{iejffe retirar, porque su rifia, más que los manjares, le def- 
pertava el apetito.* 



1 54 



Faria e Sousa cái um poucochito em contradicfáo, com 
o que fica expendido, quando, no referido Commentario á 
Ode X de Camoes, se expressa pelas seguintes palavras (loe. 
ciL — pag. 1 83): 

€Negra Eftrellafue la que le refervó para amar a una negra 

Hermofura.^ 

* 

r 

Mas, — expressando-se d'esf arte, — o que elle quiz (cla- 
rissimo está) foi « fazer espirito » (como hoje vulgarmente se 
diz por um gallicismo generalizadissimo). 

Commentando a est. lo.* da Ode X de Camóes (loe. cit. — 
pag. 1 83 a 184), diz elle (Faria e Sousa): 

^Efia e^ancia eftá mqftrando claramente que era negra como 
la noche ejla ejclava; pues defcriviendo fu hermofura no habla en 
colores blanco ni ^ojo, que es lo que fuelen exagerar los que def- 
criven hermofas Damas: ^no que como ejlafueffe negra. Je olvida 
cufdadqfijfimo de hablar en colores, y vafe á afir de la forma, y 
del ayre dejie cuerpo: y tácitamente dá á entender que el fer ne- 
gra fu ef clava no la excluía de hermofa : y tiene toda la ra^on de 
fu parte: porque los colores rojo, y blanco no fon de effencia en 
la Hermofura, La Hermofura es una proporcionada correfponden- 
cia de miembros, con edad no grande; porque en vejeces no puede 
aver hermofuras. Algunos, dijiniendola, hi:{ieron cafo de los colo- 
res; mas otros no^ como fue M. Antonio Natta, libro de Pulchro, 
Venuftas quaedam de forma crien s; qua nos exciti amorem lili tra- 
dimus noftrum. De fer verdad que folamente la perfeta forma es 
la verdadera Hermofura, refulto el enamorarfe algunos de algu- 
nas ejiatuas de mugeres; y ejlo no fue por fer de marfil, marmol, 
á alabajlro las ejiatuas, Jino por la perfecion de Ju forma; y lo 
mijmo fuera quando Juejfen de ¿vano, ó piedra negra. Entre los 
negros es más preciado de hermojo el que es más negro, como en- 
tre los blancos la muger más blanca. Y lo más es que ajji como en 
Europa las mugeres poco blancas Je blanquean, en algunas Pro- 
vincias, como la del PreJle Juan, ó Abefji; las mugeres que no fon 



i55 



bien negras, ufan de cierto ungüento que las ennegrece más: ejle 
es su albajralde. Según ejlo la muger negra puede fer tan hermo/a 
como la blanca. Allá dixo el Tajfo en fu Liber. c. 12 e. 21, 

cRefle gia V Etiopia &c. la Regia moglie 
Che bruna é íi, ma il bruno il bel non toglie». 

O que se apura de todo este arrazoado, é que Faria e 
Sousa confunde (pretendendo alias distinguil-as) a formo- 
sura (elegancia de formas) com a belleza e lindeza (elegan- 
cia de feifÓes). 

Definindo o que elle intende por «formosura» (do latim 
formaj, prop6e-se fazer-nos acreditar que o Poeta na est. 
10.* da Ode X se occupa de nos descrever e gabar táo sá- 
mente como formosa a 

captiva gentil que serve e adora. 

Mas antes d'isso (no Commentarío á est. 9.' da mesma 
Ode — loe. citatOy pag. i83), annotando a expressáo de que 
usa Camoes — «a linda serva» — , diz-nos: 

fiEJla lindera de fu negra defcrive en la e.Jiguiente; y en las 
Redondillas 21. muy de veras.i^ 

Portanto aqui nao se trata (como em certos pontos da 
sua critica Faria e Sousa pretende exclusivamente dar a in- 
tender), nao se trata aqui simplesmente de uma «formosura» 
no sentido rigoroso da expressáo («mulher de formas escul- 
pturalmente irreprehensiveis»), — mas de uma beldade (é o 
proprio Faria e Sousa que bem claramente o confessa nal- 
guns outros pontos d'este seu mesmo Commentarío, segundo 
fica fácil verificar pelo confronto dos trechos que transcrevi), 
de uma beldade que, além de «formosa», era «linda». Nem 



i56 



outra coisa podemos deduzir da leitura das Redondilhas (aquí 
citadas pelo proprio commentador) senáo que se trata de mu- 
Iher lindissima. 

No impenho de pugnar por um ¡nconcebivel paradoxo, 
Faria e Sousa chega a dizer-nos, que nao admittir «formo- 
sura» ñas mulheres negras é contestar-lhes o epitheto de 
«formosas» e portanto. . /. contestar-lhes a condÍ9áo natu- 
ral para serem amadas. 

Proseguindo neste falso raciocinio, passa a declarar que 
sería absurdissimo negar a existencia do amor oí entre la in- 
finita gente que qy negra en el Mandón (estas as suas pala- 
vras, loe. cit. — pag. 184). 

E acaba por nos citar o exemplo da Rainha de Sabá, 
de quem o grande Salomáo se enamorou apaixonadamente, 
sendo ella (assim o diz Faria e Sousa na mesma pag. 184) 
(tnegra como JEüqpica». 

Perdáo. . . . mas aqui ha umas observa^óesitas a fazer: 

I.** — Amor. • . . amor. . . . aquillo que em linguagem de 
povos civilizados se intende por «amor», náo.creio e nao 
eré ninguem que seja sentimento attribuivel a individuos que 
nascem, vivem, e se conservam numa situa9áo de selvagens 
bo9aes'; e nessas circumstancias de animalidade está inva- 
riavelmente o preto d' África. 



t «Como os críminosos, os selvagens nSo amam; o simples beijo, que ñas 
ra^as civilisadas é o testemunho das aífei^Ses puras e singelas, é desconhecido 
dos australianos, dos papuas, dos africanos occidentaes, dos fuegianos, dos la- 
poes, dos esquimos e da maior parte dos polynesios. L'idée (Tctmour te! que 
nous le comprenons, diz Du Chaülu fallando d'uma tribu do Gabio, parc&t étre 
inconnue á ce peuple; a mulher é considerada por todos os selvagens como 
uma besta de carga, qui^á inferior ao animal, que se cría simplesmente para o 
trabalho e para a satisfácelo brutal dos prazeres sexuaes, sem espirítualisa^So, 
avaliando-a pelo peso, como se faz aos animaes de talho (Mungo Park).» Vid. 
Estudos de anthropologia pathologica — Os críminosos por Basilio Augusto Soa- 
res da Costa Freiré (Coimbra — 1889) — pag. 140 a 141. 



1 57 



2.^ — A celebrada Rainha de Sabá, que nao hesitou em 
aventurar-se a urna longa e assaz incommodativa peregri- 
na9ao, movida únicamente pela curiosidade ardentíssima 
de ir com os proprios olhos observar e admirar as decanta- 
das magnificencias do Rei Salomáo, — a Rainha de Sabá, 
que logrou por seus incantos apaixonar quem no seu pala- 
cio dispunha de tantas e tantas beldades, — a Rainha de 
Sabá (excusamos de insistir nisto) nao era precisamente (nem 
poderla sel-o) urna preta africana. ... com carapinha e tudo! 

E termina d'est'arte o illustre commentador (ainda loe. 
citato — pag. 184): 

^Alfin, pocofabe de hermofura quien la reduce á colores varios. 
Pues Ji ejlo es ajji, como realmente es, quien ordenó que las muge- 
res negras no pudiejfen fer hermofas? El de\ir que tienen tal na- 
ri^, y tales labios, es, ridiculo; porque en las blancas no faltan la- 
bios, y nari\es, y otras partes que las ha\en aborrecibles. Affi entre 
las negras ay cuerpos, y rojlros perfetijjimos. Como á Europa no 
vienen muchas, no es mucho que veamos pocas dejtas, aunque algu- 
nas fe ven. Per Joñas que anduvieron en fus Patrias me afirmaron 
las avia con gran perfecion de Hermofura. Por allá anduvo el P. 
y pudo hallar una d^as:y ajfi, no puede fer culpado en 0os amo- 
res más de en quanto eran con efclava fuya.n 

As considera^oes de Faria e Sousa, completamente in- 
sustentaveis no campo em que elle se coUoca preconizando 
a formosura das «pretas d^Africa», — e é nessa hypothese 
que me nao servem, — tornam-se entretanto perfeitamente 
acceitaveis, quando em referencia ás mulheres da grande fa- 
milia asiática, onde a carapinha nao impera com a sua es- 
paventosa imponencia, e onde as formas corporaes (longe 
de se assimilharem ás da horrenda «Venus hottentote») as- 
sumem ás vezes propor^óes dignas de fornecerem modelos 
ao ideal da estatuaria, e frequentemente condÍ96es tambem 



1 58 



nao menos adequadas aó ideal artistico da pintura. Mais 
adeante volverei a tocar neste ponto. 



Ha um livro verdadeiramente admiravel, que, apezar de 
escripto em prosa, talvez mais deva chamar-se «poema», — 
táo mavioso é o lyrismo com que Michelet, inimitavel divini- 
ñcador da mulher, allí tra9ou completo o evangelho do amor. 
UAmour se intitula esse livro. 

Nunca a privilegiada inspira^áo d'um poeta logrou subir 
mais alto do que soube em similhantes paginas o grande 
historiador elevar-se. 

E todavia ao sonhador d'aquelles doces idyllios .... 
métteu-se-lhe em cabe9a um dia escrever-lhe a continua- 
9áo. La Femme foi o titulo que entáo Ihe poz. 

Mas.... que desillusáo! neste segundo livro querem 
saber qual é a que Micheiet qualifica de primeira entre todas 
as mulheres do orbe? A preta d' África I 

cLes races qu'on croit infirieures ne paraissent telles que parce 
qu'elles ont besoin d'une culture contraire á la mtre, et surtout be- 
soin d'amour. Qu'elles sont touchantes en cela, et combien elles mé- 
ritent le retour des races aimées qui trouvent en elles une source 
infinie de régénération physique et de rajeunissement ! 

tLejleuve a soifdes nuées, le désert a soifdufleuvey la femme 
noire de rhomme blanc. Elle est, de toutes, la plus amoureuse et la 
plus génératrice, et cela ne tient pas seulement a la jeunesse de san 
sang, mais ilfaut aussi le diré, a la richesse de son ccsur. Elle est 
tendré entre les tendres, bonne entre les bonnes (demande^ aux vaya- 
geurs qu'elle a sauvés si souvent). Bonté, c'est création; bonté, c'est 
fécondité, c'est la bénédiction méme de Vade sacre. Si cette femme 
est si féconde, je l'attribue surtout a ees trésars de tendresse, a cet 
océan de bonté qui s'épanche de son sein. 



1 59 



«África est unefemme. Ses races sont des races femmes, dit trés- 
hien Gustave d'Etchthali 

CA^jj beaucoup de tribus noires de VA/rique cén- 
trale, ce sont les femmes qui régnent. Elles sont intelligentes, au- 
tant qií'aimables et douces. On le voit bien en Haíti, <m, non-seule- 
ment elles in^ropisent aux fétes de charmantes petites chansons, 
inspirées de leur bon coeur, mais font de tete, pour leurs ({ffaires 
de commerce, des calculs fort compliques, 

c Ce fut un bonheur pour moi d'apprendre qu'en Hcüti, par la 
liberté, le bien-étre, la culture intelligente, la négresse disparaít, 
sans mélange méme. Elle detñent la vraie femme noire, au ne^ fin, 
aux lévres minees; méme les cheveux se modijient. 

9.Les traits gros et boursou/lés du négre des cotes d'Afrique sont 
(comme la boursouflure de Vhippopotame) Veffet de ce climat brúlant, 
qui, par saisons, est noyé de torrents d'eaux chaudes. Ces déluges 
comblent les vallées de débris qui s'y putréfient. La fermentation y 
fait gonfler, lever, toute chose, comme la pote l¿ve au four. Rien 
de tout cela dans les climats plus secs de l'Afirique céntrale. Vap 
freuse anarchie de petites guerres et la traite qui désolent les cotes 
ne contribuent pas peu a cette laideur, et elle est la méme dans les 
colonies d'Amérique apee l'abrutissement de Vesclavage. 

^La méme oii elle reste négresse et ne peut affiner ses traits, 
la noire est trés-belle de corps. Elle a un charme de jeunesse suave 
que n'eut pas la beauté grecque, créée par la gymnastique, et tou- 
jours un peu masculinisée 

« 

La noire est bien autrement femme 

que lesjiéres citoyennes grecques; elle est essentiellement jeune, de 
sang, de coeur et de corps, douce d'humilité enfantine, Jamáis súre 
de plaire, préte a tout /aire pour déplaire moins. Nulle exigence 
pénible ne lasse son obéissance. Inquiete de son visage, elle n'est nuU 
lement rassurée par ses formes accomplies de morbidesse touchante 
et de Jraicheur élastique. Elle prosterne a vos pieds ce qu*on allait 
adorer. Elle tremble et demande gráce; elle est si reconnaissante 
des voluptés qu'elle donne!. . . Elle aime, et, dans sa vive étreinte, 
son amour a passé tout entier. 



« Telle est la ve}'tu du sang noir: oü il en tambe une goutte, 
tout refieurit. Plus de vieillesse, une jeune et puissante énergie, c'est 
lafantaine de Jouvence. Dans l'Amérique du Sud et ailleurs,je pois 
plus d'une noble race qui languit, faiblit, s'éteint; comment cela se 
fait-ü, quand ils oní la vie á caté? Les républicains espagnols, vrais 
nobles et parfaiís gentüshommes, avaient ¿té de meilleurs maitres 
que tous les autres colons; des premiers, ils ont gén&eusement abolí 
l'esclavage. Eh bien, en relour, cette botme Afriquepeut leur rendre 
la sepe et ¡a vie. En présence du torrent trouble des nations con- 
fondues qui se précipitent sous le faux drapeau des États-Ünis, il 
faut creer pour barriere un putssant monde mulátre. 

« Une source inconnue de beauté nous vient par la race noire. 

. La rose rose, que jadis on admirait seule, est peu variée pourtant, 

il faut l'avouer. Gráce aux mélanges, nous avons les nuances si 

múltiples des innombrables roses thé, des roses plus délicates encoré 

qui se veinent ou se tintent de bleu léger.* 

Ah! nao proseguirei mais na transcrip^áo. Meros sophis- 
mas que a ninguem (me parece) lograráo convencer! Licito 
será porventura duvidar que Michelet delirou? 



XXIU 



IOETAs, quando buscam em mulheres da ra^a africana 
assumpto de suas produc^óes métricas, é sempre 
em desfastio a nota satyrico-burlesca, a nota zom- 
beteira e desopilante, que fazem vibrar ñas cerdas da lyra. 
E entáo ora nos surge o «Romance» de Joáo Cardoso 
da Costa: 

A UMA NEGRA CAPTIVA E HUÍ PRESUMIDA 



Vem cá, pau-de-chocolate, 
Minha Chiorís de cachimbo: 
Como te fazes senbora, 
Se em captiveiro te sinto? 



Nao és a mesma que em Congo 
Tiveste o primeiro ninho, 
Por pae um negro da térra 
Neto de um mono-bugio? 

Nao é tua mae aquelle 
Medonho ca^áo roli^o 
Com olhos como marmellos 
Na pesca do grao de miiho? 



1 62 



Nao tens as pemas cambaias ? 
Nao tens os pés retorcidos, 
Com orelhas de morcego, 
Dentes pelo branco lizos? 



Nao tens os bracos disformes, 
E em cada dedo um chourí^o? 
Nao tens carapinha negra? 
Nao tens os peitos cabidos ? 

Nao és dos pés á cabera 
Um caramujo comprído, 
Um mexilháo inrascado 
Na mesma c6r do teu brío? 



Nao és gran cachorra em tudo, 
A quem de teus paes tem vindo 
O sangue que só se compra 
Emquanto negro captivo? 



Nao és a que vai á praia? 
Nao és a que vai ao río? 
E, por mais que iá te laves. 
Nao fíca o negro comtigo? 



Nao és um demonio em carne 
Mais feia do que te pinto? 
Monstro de pés e c^ega, 
De peitos até o umbigo ' ? 



I Nao transcrevo o resto da composi^So, para poupar aos leítores o des- 
gasto de vocabulos mal-soantes. Quem tiver de lel-os muito desejo, íncontrará 
publicadas as respectivas quadras na Musa Pueril (Lisboa Occidental — 1736) — 
pag. 390 a 392. 



1 63 



Ora Nicolau Tolentino se nos desintrapha em jocosos re- 
moques 

A UMA PRETA QUE PRETENDÍA QUE A OBSEQUIASSEM 

Domingas, debalde queres, 
Nesse canto da cozinha, 
Vencer a invencivel teima 
Da rebelde carapinha. 



Em vao te arripia a frente. 
De que zomba o Deus do Amor, 
Alvo cdto de pon^ada 
Fuñado do toucador. 



Debalde tufado la^o 
De atadeira fita ingleza 
Te assombra a ieyeda poupa 
Rifada por natureza. 



Debalde áltelas as ancas, 
Esguias e inganadoras, 
Co' as velhas algibeUinhas 
Que váo deixando as senhoras. 



Amor, fingindo dotar-te, 
Te poz, com traidora mao. 
Junto dos dentes de nevé, 
Faces tintas de carváo. 



Inda que anciao pezado, 
Desprézo teus vaos intentos : 
Debaixo de murchas cans 
Nutro altivos pensamentos. 



164 



Vejo a quebrada madeixa 
Já tornada em gélo frió: 
Tudo o tempo me levou, 
Mas nao me levou o brío. 



Debaixo da zona ardente 
Jurar-te-hia amor e fé; 
Mas nao teem culto na Europa 
As deidades de Guiñé. 



Se ás vezes te ponho os olhos, 
Nao é de amor signal certo : 
Sao desejos de levar-te 
Á casa de Joao Alberto. 



A ingommada casaquinha 
Te descobre novas faltas: 
Para outro corpo foi feita, 
Dizem-n-o as fei^Ses mais altas. 



Já noutros pés teus sapatos 
Sofireram do tempo o a<;oite: 
Cansada, fendida seda, 
Mostra dedos c6r-da-noite. 



E,. pois que a amor queres dar-te, 
Eu te aponto um chafariz, 
Onde achas dignos amantes 
Assentados em barrís. 



Acharas o pae-Francisco, 
Homem a bulhas contrarío, 
Já duas vezes juiz 
Na Irmandade do Rosario. 



1 65 



Acharas o forro Antonio, 
Que o tabaco e vinho injóa 
E tem nos calmosos Junhos 
Caiado meia-Lisboa. 



Verás esbelto críoulo, 
Dado ao vento o peito nu, 
Levantando airosos saltos 
No manejo do bambú; 



Que, ávidos caes enxotando, 
Tem, com bra^o arrega9ado, 
Ñas ennas praias do Tejo 
Cem cavallos esfolado. 



Nestesy vaidosa Domingas, 
Assenta bem teu amor; 
Chovam settas de teus olhos 
Em peitos da tua cor. 



Vae da janella da escada 
Acolher com doce agrado 
Os suspiros que te inviam 
Ao som do lundum chorado. 



E deixa de atormentar-me 
Com tuas loucas ideas: 
Tambem sinto dores proprías 
E escuto pouco as alheias. 

Sim, Domingas: nos marchamos 
Na mesma infeliz estrada; 
E do amor, que eu te nao pago, 
AssdZ estás bem vingada. 



i66 



Tu puzeste em mim teus olhos : 
E eu fui p6r em Marcia os meus. 
Que me paga mil extremos 
Assim como eu pago os teus, — 



Marcia que, em aleando os olhos, 
Mil settas nesta alma crava, 
E em cuja casa tu tens 
A dita de ser escrava. 



Tens-me a mim por companheiro; 
Temos o mesmo senhor: 
Tu, por casos da fortuna; 
Eu, por castigo de Amor. 



E, p<Ms que eu nao posso amar-te, 
Seguirás melhor esteira, 
Se dos meus temos suspiros 
Quizeres ser mensagcira. 



Em vendo que ella está só, 
Vae-lhe expor a paizáo minha: 
Eu pego a Amor que entretanto 
Tome coma na cozinba .... 



Amor lavará teus pratos 
E escumárá a panella, 
Emquanto tu a seus pés 
Dizes que eu morro por ella. 



Teus grossos, trombudos beígos, 
Lhe váo expor meus cuidados : 
Háo de ser melhor ouvidos 
Que sendo por mim contados. 



i67 



Pinta-lhe as lagrimas tristes 
Em que meu rosto se lava: 
Por um infeliz captivo 
Pe^a urna ditosa escrava. 

Dize-Uie que nao se assuste 
Do meu cabello nevado; 
Jura-lhe que nao sao annos, 
Mas penas que me tem dado, 

Que a causa das minhas rugas 
É o seu desabrimento; 
E vae da minha velhice 
Fazer-me um meredmento. 



Ah! Doáiingas, se em seu peito 
Me fazes achar piedade, 
Tambem cu juro fazer 
A tua felicidade : 



E, pois que o teu coracáo 
Sómente é baizo e grosseiro 
Em preferir überdade 
A táo feliz captiveiro, 

Por amor serei mesquinho .... 
Meus gastos verás cortar, 
Para ajuntar-te quantía 
Com que te possas forrar. 



Cheia de teus benefídos, 
Minha máo agradecida 
Te irá p6r em larga pra^ 
Rendoso modo de vida: 



i68 



E assentada em novo estrado 
De fasquiada madeira, 
Ondeando ao som do vento 
Trémulo tecto de esteira, 



Teus negros, airosos bracos, 
Chocalhando um assador, 
Encheráo famintos peitos 
De castanhas e de amor. 



Terás hojudas tigelas 
Sobre incendidos tildes, 
Onde fervam em cardumes 
Saborosos mexilhSes: 



Teus doces, sonoros echos, 
Sem mentir, apregoaráo 
O azeite de Santarem, 
O cravo do Maranháo. 



Domingas, segué este rumo, — 
Que teu amor tresloucado, 
Sem te fazer venturosa, 
Me deixa a mim desgranado. 

E se, sem dó dos meus ais, 
Teímas nos projectos teus, 
Falando nos teus amores 
Em vez de falar nos meus. 

Trocando boa amizade 
Por intranhado rancor 
Vou descobrir teus intentos 
A teu austero senhor, 



169 



Que em zélo honroso inflammado 
(Sem ser preciso ati^ál-o) 
Vai a casa do Lagoia' 
Trocar-te por um cavallo. 

E se alguma vez, rara vez, nos desponta a serio o lyrismo 
em louvor da ra^a negra, como se vé desabrochar por inci- 
dente nos versos de Costa Alegre (um talentoso africano que 
se finou em plena adolescencia), nao quebram certamente 
excepfóes rarissimas a regra geral, pois que o incidente pode 
apenas interpretar-se por tentativa de um toar de forcé no 
tirocinio litterario de poeta que se estreia. 

Aqui Ih'os apresento, ao leitor, os versos a que me refiro. 
ComposÍ9áo haverá mais idealista do que elles? 

A NEGKA 



Negra gentil, carváo mimoso e lindo 
D'onde o diamante sai; 

Filha do sol, estrella requeimada 
Pelo calor do pae: 

Incosta o rosto candido e formoso 

Aqui no peito meu: 
Dorme, donzella, rola abandonada, 

Porque te velo eu. 



Nao chores mais, crianza: enxuga o pranto; 

Surrí-te para mim; 
Deixa-me ver as per'las que me occultas, 

Os dentes de marfim. 



I Contractador de cavallos, como o retro-citado JoSo Alberto. 



lyo 



No teu divino seio existe occulta. . . . 

Mal sabes quanta luz, 
Que absorve a tua escurecida pelle 

Que tanto me seduz. 

Eu gósto de te ver a doce e meiga, 

E assetinada cdr. 
Porque me lembro, ó pomba, que és queimada 

Pelas chammas do amor 



Que outrora foste nevé e amaste um lino, 

Pallida flor do valí* 

Fugiu-te o lino um triste amor queimou-te 

O seio virginal. 

Nao chores mais, crianza: eu te amo e estimo, 

Ó lindo chenibim! 
O amor é como a rosa: tanto vive 

No campo e no jardim. 

Tu tens o meu amor ardente, — e basta 

Para seres feliz: 
Ama a violeta, que a violeta adora-te; 

Esquece a flor-de-liz. 

Pura phantasia. . . . e nada mais! pura phantasia nestes 
versos .... se é que elles nao representan!, sob o disfarce de 
convencional epigraphe, tributo de amor a uma incantadora 
morena. Caetano da Costa Alegre, — que, ñas confidencias 
com os Íntimos, solu9ava inconsolavel por ser fílho da ra9a 
ethiopica, — doidamente se apaixonára (sabem-n-o todos 
em Lisboa) por uma gentil menina da rafa europea . . . . e 
succumbiu, mirrado de pena, ante as contrariedades que 
irremediavelmente o apartavam do seu doce ideal. . 



xxrv 



I AS, — se Faria e Sousa, e outros a exemplo d'elle, 
fazem ao Poeta d'Os Lusiadas a injuria de suppdl-o 
derretido em ternuras ante urna preta d'Africa, — 
nem todos os biographos, nem todos os críticos, nem todos 
os poetas, nem lodos os romancistas, nem todos os drama- 
turgos (que nestas classes todas ha quem do assumpto se 
tenha occupado), nem todos acompanham Manuel de Faria 
na sua paradoxal opiniáo. 

Curioso é o confronto das hypotheses variadas, em que 
o parecer dos escriptores se tem profusamente desintranhado. 
E, sem repetir a opiniSo doVisconde Strangford (a que já 
me referí neste opúsculo, antes de citar a de Faria e Sousa), 
come9arei o rol pelo nome do benemérito camoniographo 
Visconde de Juromenha. A tout seigneur, tout honneur. 



O Visconde de Juromenha, — cujo fallecimento em 28 
de Maio de 1887 representa urna irreparave! perda na lit- 
teratura nacional, e sobre isto ainda o desgósto de nos 
ficar incompleta a monumental monographia que o illustre 



172 



escriptor tinha desde muitos annos comeíado a architectar 
como padráo glorioso erguido á memoria de Camóes, — o 
Visconde de Juromenha apresenta-se-nos hesitante e perplexo 
com respeito á celebre captiva. 

Assim, commentando elle as Endechas a Barbara escrava 
(Obras de Lui{ de Camóes — Tom. iv (Lisboa — 1863), pag. 
464), mostra-se inclinado a tomar verdaderamente á lettra 
aquellas palavras «pretidáo de amor», quando nos diz: 

cParece impossível que sujeito táo escuro inspirasse táo linda 
poesia. » 

« 

E já em commentarios á Ode X (Op. cit. — Tom. 11 (Lis- 
boa — 1 86 i), pag. 544) aventa a mesma opiniáo nos termos 
seguintes : 

fSe a ode é mal empregada, nao se pode negar que é bem 
escrípta^ e é engenhosa a maneira com que descreve esta belleza 
de rebelde carapinha. Parece ser feita em resposta a invectivas com 
que o Poeta era atacado por estes negregados amores » 

Mais abaixo (na mesma pag.) o Visconde, referindo-se 
especialmente á inspiradora das celebres Redondilhas, cha- 
ma-lhe (num combinado movimento de ironia e. desdem) 
« belleza cór-da-noite » . 

Mas na mesma obra, a pag. 187 do Tom. i (Lisboa — 
1860), pretendendo desculpar o Poeta e lanzar uma at- 
tenuante sobre esses amores a que o Visconde chama «aber- 
ra9áo», expressa-se d'esfarte o nobre biographo: 



«Diremos pois em sua defeza que, se o porco de Epicuro se 
incarnou passageiramente no corpo do Poeta, a sua alma divagou 
quasi sempre em uma regiáo etherea e platónica, e que esta dis- 
traerlo parece que só teve logar depois que a morte apagou 



173 



aquella luz radiante que o vivificava, e que ficando solitario, e em 
trevas no oaundo, parece que tambem nos trepas quería viver: que 
a escrava talvez fosse d'estas pardas asiáticas, que apresentam ás 
vezes formas esbeltas e feic6es regulares, pois alias me parece que 
a poesia do nosso Poeta, descreyendo os cabellos, apesar de po- 
derosa, nao tena mais for9a do que o pente em urna rebelde ca- 
rapinha. Talvez a alma mais candida habitasse um corpo negro, 
— principalmente se é verdade o que se diz, que ella saia a men- 
digar-lhe o sustento, — Ihe amansasse os tormentos da vida, Ihe 
ado9asse as amarguras, e assim a gratidáo ultrapassasse os limites 
da amizade.» 

Aquí aventa o Visconde a possibilidade (ou antes proba- 
bilidade) de ser urna «parda asiática» (indiana? malaya? ja- 
vaneza? — neste particular se nao pronimcia elle) a escrava 
das Endechas, — e confunde, num irreflectido lapso de cri- 
tica, a Barbara dos amores com a Barbara das esmolas 
(duas entidades perfeitamente distinguiréis e perfeitamente 
distinctas, pelo que de cada urna d'ellas em especial nos 
conta o insigne conmientador Manuel de Faria e Sousa). 



Chateaubriand ñas suas Mémoires d^outre-tombe (Tom. i 
(Clichy — s. d. — 1849?), pag. 447), querendo talvez achar 
duplo sentido em o nome com que o Poeta revela a gra- 
ciosa inspiradora das Redondilhas, inclina-se a que esta fósse 
urna «escrava da Barbaria». 

Ao confessar-se-nos incantado por duas indígenas da 
Florida, escreve elle assim: 

c CamoSns n'avait-ü aimé dans les Indes une esclave noire de 
Barbarie, et moi^ ne pouvais-je pos en Amérique offrir des hom- 
mages á deux jeunes sultanes jonquilles? Camoem n^avait-il pas 



174 



adressé des Endechas, au des stances, á Barbara escrava ? ■ Ne lui 
avait'il pos dit: 

^.Aquella captiva 
Que me tem captivo. 
Porque nella vivo, 
Já nao quer que viva. 
Eu nunqua vi rosa, 
Em suaves tnólhos 
Que para meus olhos 
Fosse mais formosa. 
PretidaS de amar, ' 
Tao doce augura, 
Que a nevé Ihejura 
• Que trocara a cor. 
Leda mansidao 
Que o siso acompanha: 
Bem parece estranha. 
Mas Barbara naÓ.T^ 



E, em seguida á transcrip9áo d'este fragmento das En- 
dechaSy mette-Ihe a respectiva traduc9áo franceza\ 



1 Em 1 853 se publicou traduzido, no Porto, sob o titulo Memorias d'alem 
da campa, o formoso livro de Chateaubriand, que por mais de urna vez se re- 
fere ao nosso Épico sublime. 

Eis como na traduc9ao portugueza vem (a pag. 36 do Yol. m) o citado 
trecho: — «Nao tinha Camóes amado na India urna escrava negra da Barbaría, 
e nao poderla eu oñerecer tambem na Ameríca as minhas homenagens a duas 
sultanas c6r de jonquílho? Nao tinha Cam6es dirigido Endechas a Barbara es- 
crava ?» 

2 ^Chateaubriand, dans les Mémoires d'Outre-Tombe, a traduit les belles 
strophes á Barbera, l'esclave favorite du poete: 

Aquella cativa 

Que me tem cativo.» 

Vid. Les poésies lyriques de CamoSns (artigo do illustre Máximo Formont, pu- 
blicado no Circulo Camomano-^Wol i (Porto — 1889), pag. 126). 



175 



D'essa traduc9áo que adeante apresentarei (sentíndo nao 
abranger por completo as cinco estancias), e outrosim das 
palavras supra-transcriptas com que o traductor antecede o 
fragmento, infere-se que Chateaubriand suppunha na escrava 
Barbara urna beidade fusca, similhante na cor á do apaixo- 
nado amante de Desdemona, — urna verdadeira filha d'essa 
raga de sangue ardente que ainda hoje ao norte d' África 
predomina. 



Adamson, o benemérito Joáo Adamson — auctor das Afe- 
motrs of the Ufe and mritmgs of Luis de Camoens (Newcas- 
tle — 1820), — apresenta-nos transcriptas na integra as En- 
dechas a Barbara escrava, mas sem a minima referencia a 
quem por sua formosura táo deliciosas trovas inspirou. 



(X erudito Francisco Alexandre Lobo, na Memoria histó- 
rica e critica acerca de Lui{ de Camoes, e das suas obras (Lis- 
boa — 1820)', cita (em pag. 63) a referencia de Faria e Sousa 
á mulata Barbara que soccorria com esmolas o Poeta na 
miseria de seus últimos annos: 

< este grande homem, conta Manoel de Faria p Soiza, 

via-se necessitado a acceitar as dádivas de huma mulata que andava 
vendendo pelas mas de Lisboa.» 



I Sahiu incorporada tambem no Tom. vu das Memorias da Academia Real 
das Sciencias de Lisboa, — e ulteriormente reproduzida no Tom. i das Obras de 
A Francisco Alexandre Lobo, Bispo de Vi^eu (Lisboa — 1848). 



176 



E mais adeante (em pag. gS), elogiando a Ode X de Ca- 
móes, póe-lhe (era nota) o seguinte commento: 

cHe a que dizem composta quando se vio namorado de huma 
escrava sua.» 

Mas eni referencia ao juizo que porventura haja fonnado, 
no tocante á identidade ou náo-identidade entre as duas mu- 
iheres, guarda completo silencio o illustre académico. 



Carlos Magnin na Vie de Lui^ de Camoens, com que o 
editor parisiense Charpentier mandou em 1 841 imprimir pre- 
faciada a traduc9áo franceza d^Os Lusiadas por Millié (Les 
Lusiades ou Les Púríugais, Poéme en dix chanis, par Camoens; 
Traduction de J. B. J. Millié, revue, corrigée et annotée par 

M. Dubeux Précédées d'une Notice sur la pie et les 

ouvrages de Camoens^ par M. Charles MagninJ, quer que a 
inspiradora das Endechas, a celebre Barbara, fdsse «uma 
formosa escrava indiana». 

Diz elle assim (pag. xxxix): 

^Enfin, on ne peut guére douter qu' aprés avoir perdu cette 
seconde maitresse, notre palote, vieillissant * comme Anacréon, ne se 
soit abandonné pour une belle esclave tndienne, nommée Barbara, 
á un amour qui paratt avoir été plus sensuel que passioné. Dans 
une ode érudite (la dixiéme), il accumule tous les exemples quipeu- 
vent excuser sa faiblesse; il cite Salomón, Aristote, et surtout le 



> Cam5es esteve na India duraqte annos que decorrem entre i553 e 1567. 
Ora, tendo elle nascido em 1524 ou i525, nao me parece que os amores da es- 
crava Barbara coincidam com o «invelhecer» do Poeta. 



177 



vaillartt Achule, qui aima une captive troyenne. Cette ode, un peu 
pedante, ne vautpas les Endechas que lui inspira ce demier attache- 
ment, qui calmait son ame et ou il croyait trouper la fin de tous 
ses maux. » 

Mais adeante (pag. xlix), referindo o que Manuel de 
Faria e Sousa escreveu acerca da mulata Barbara, — que 
repetidas vezes soccorria Camóes nos últimos tempos da sua 
vida, quer com alimentos, quer com dinheiro', — Carlos 
Magnin accrescenta em nota: 

€Í/ nefautpas confondre cette compatissante Barbara, mar- 
chande dans les rúes de Lisbonne, avec la belle et séduisante esclave 
indienne du méme nom, que Camo^ns a chantée dans les Endechas 
que nous opons citées. La vieillesse^ et la pauvreté du po^te rendent 
cette supposition inadmissible. » 

Finalmente as convic^Ses de Carlos Magnin, com res- 
peito á inspiradora das Endechas, evidenciam-se ainda ñas 
palavras por que elle traduz a «pretidáo de amor» (como 
adeante veremos): — i<elle a la bruñe cotdeur de l^amour». 



«Escrava negra e bella» Ihe chama, á interessante Bar- 
bara das Endechas, Femando Denis (o insigne e benemérito 
Conservador da Bibliotheca de Santa Genoveva). 



I Em pag. 193 do presente opúsculo, incontrará o leitor a integral tran- 
scríp9&o da narrativa de Faria e Sousa. 

> Aqui é o proprío Magnin que inadvertidamente (fugindo-lhe a bocea para 
a verdade) se incarrega de provar a impropriedade do termo vieillissant, por 
elle empregado no trecho antecedente, em referencia aos tempos em que o Poeta 
residía na India apaixonado pela captiva «com quem andava de amores». 

19 



178 



mSans doute (diz elle') si quelque indiscrétion de Dtogo do Cauto 
nous avaü inüiés á la pie privée de Camoens, mille détails qui fie 
peuvent étre adoptes que comme des suppositions plus ou moins in- 
génieuses acquerraient, au point oii en est venue la critique, un de- 
gré de certitude qu'ils ne peuvent avoir. Nous verrions peut-étre 
comment se réveilla en cette ame ardente le souvenir d'un amour 
qui semble ne V avoir jamáis complétement ábandonnée; máis nous 
saurions aussi d'une maniere plus certaine, a l'aide de ees confiden- 
ees, les faiblesses que le poete n' a point su taire entiérement et qú'il 
a laissé deviner. Nous le verrions alors sans doute passant d'une 
contemplation mélancolique a la vie la plus active, et durant son 
séjour dans l'Orient, mélant a cette vie aventureuse toutes les vo- 
luptés dont rinde nejut jamáis avare. Comment ne pas sourire en 
effet au nom de cette belle esclave noire qu'il n'a pas craint de cé- 
lébrer dans ses vers^.^ 

m 

Mais adeante^ recorda-nos Femando Denis, aproposito 
da pobreza de Camóes, as palavras de Faria e Sousa em 
referencia ás dadivas da mulata Barbara : 

^Cependant on lit encoré dans V historien que j' ai cité plus haut 
ees tristes paroles: c Une mulatresse, nommée Barbe, connaissant sa 



I VicL (em pag. xxxvii) Camoens et ses contetnporains — memoria escripia 
para servir de prefacio na traduc9ao franceza que á'Os Lusiadas o editor Gos- 
selin publicou em París em 184 1 (Les ÍMsiades de L. de Camoens, Traduction 
nowelle par M.M. Ortaíre Foumier et Desaules, revue, annotée et suivie de la 
traduction d'un choix de poésies diverses avec une notice biographique et critique 
sur Camoens, par Ferdinand DenisJ. 

Tambem a passagem se incontra (de pag. 286 a 287) no voi. Portugal 
(París — 1846) redigido por Femando Denis e incorporado na coUec^io L'Uni- 
vers (collec^áo publicada pela casa Didot). 

3 M¿Como no sonreírse, en efecto, ante el nombre de aquella esclava negra 
que no temió celebrar en sus versos?»— Assim apparece vertida a exclamativa 
reflexao do illustre escríptor francez na Biogrqfia de Luis de Camoens por 
Femando Denis, com que abre a traduc9ao hespanhola á'Os Lusiadas estam- 
pada em Barcelona em 1874 (Los Lusiadas de Luis de Camoens Tra- 
ducción de D. Manuel Aranday SanjuanJ, 

3 Na citada memoría Camoens et ses contemporains, em pag. xlvi; e em 
pag. 290 no vol. Portugal. 



179 



misére, lui donnait souvent un plat de ce qu'elle vendait, et quelque- 
fois aussi un peu d'argent provenant de sa ventean. Ne faut-il pos 
répéter apee Manoel de Faria: O deplorable misére!^ 



O Visconde Antonio Feliciano de Castilho no seu for- 
mosissimo drama Camóes* commemora as caridosas offer- 
tas da mulata Barbara nos derradeiros tempos da vida do 
Poeta, sem referencia alguma á Barbara da «pretidáo de 
amor». 

E na scena 3/ do acto 5.°, scena em que figuram por 
interlocutores Camóes e o Jau: 

• Camóes e Antonio (Camoes sempre assentado. Antonio en- 
trando com um acafate coberto, e urna jarra com muitas flores, 
entre ramos de louro e murta; e pondo tudo sobre a mesa) 

Antonio 
Eis aqui, com que alegrar olhos ! 

Camoes 
Quem veio ? que é isso ? 



I Na edi^ao barceloneza que citei á^Os iMsiadas, vertidos era castelhano 
por D. Manuel Aranda y Sanjuan, vem assim traduzido o trecho : — « Una mu- 
lata ¡¡amada Bárbara, que sabia ¡a miseria det Poeta, solia dar¡e un plato de 
lo que vendía, y á veces a¡gunos reís del producto de su misero comercio.» 

E em nota^ commentando este passo da biographia : — «Nos indinamos á 
creer que esta Bárbara es ¡a esclava que Camoens celebró en sus versos, y que 
lo fn^o, no por amor, sino por gratitud, — N. del Colector». 

> Camóes. Estudo historico-poetico; Ubérrimamente fundado sobre um drama 
/ronce j dos senhores Víctor Perrot, e Armand du Mesnil por Antonio Feliciano 
de Castilho (Poma Delgada— 1849). 

Ha 2.* edi^ao (muito augmentada ñas notas) que sahiu quatorze annos de- 
pois (Lisboa — 1863). 



i8o 



Antonio 

A consoada do poeta; doces, feitos pelas máos de prata das 
freirinhas d'Odivellas (apontando para a cesta), e um ramilhete de 
flores naturaes, entre multas outras feitÍ9as. 

Camóes 
Assim vem na vida os gostos. Quasi todos sao falsos. 

Antonio 
Bem a ponto acodem os louros, mestre, para vos desenganarem! 

Camóes 

Muito mais a ponto a murta que é dór, e os mal-me-queres 
que sao sqffrimento . . . só nao havia de vir ahi esse rosmaninho 
que é esquecer! Mas quem de mim se ha lembrado com o mimo? 

Antonio 
Barbara. 

Camoes 

A pobre mulata!? chamai-m*a. A soberbias me veda tu a porta; 
a affectos nao. 

Antonio 

Entregou, pedio novas da vossa saude, como é seu costume 
todos os días, e partió. 

Camóes 

Tenho pena! pobre velha! diz, que tambem padeceo muito. 
Morreu-Ihe, nao sei quem, em viagem do Brazil, sendo aínda mo^a ; 
que a deixou para sempre triste, e desamparada! 

Antonio 
Será logo por isso, que vos quer tanto. 

Camoes 

Será! Quantos dias, se nao fdra a sua charidade, nao houvera- 
mos passado sem comer, Antonio! e mas (coitada!) é urna pobre 
de Christo! Sempre assim foi: máos largas; máos largas, e delica- 



i8i 



desa para acudir sem envergonhar . . . os pobres. De noute, apregoa 
marisco por essas mas; de manhan, vende ramilhetes; um'hora 
no alpendre de San-Domingos, outr'ora, e as mais das vezes, onde 
nos a achámos em desembarcando, no Terreiro do Pago, ao pé da 
Casa dos Contos: é porque d*alli, me dice ella, se vé o mar e as 
caravellas que vem e váo, que tudo Ihe faz multa saudade! Pobre 
Barbara! . . . para ahi morreras tambem algum dia, sem haveres 
quem te cerré os olhos ! (jica absorto em seus pensamentosj 

Antonio (d parte) 

Que esmorecimento! Aos tigres arrancara lagrimas ver animo 
tac varonil agora táo alquebrado ! A isto o háo chegado estes seis 
mezes curtidos, em angustias, e quasi sempre no leito, alanceado 
de dores...» 



Um dos que juram ñas palavras de Faria e Sousa é o 
poeta José María da Costa e Silva, quando (a pag. 2 1 o) no 
Tom. ni do Ensaio biographico-critico sobre os melhores poetas 
portugueses (Lisboa — i85i) nos diz: 

cAffirmam alguns Biographbs do Poeta, sendo um delles Ma- 
noel de Faria e Sousa, que elle tivera amores com uma escrava 
preta, chamada Barbara, que vendia mexilhoes, e ás vezes o soc- 
corría com os seus pequeños lucros; este amor nao é de admirar 
em homem, que gastara parte da vida peregrinando pela Asia, e 
além disso a belleza é de todas as cores. Parece que houve quem 
o censurasse desta paixáo, e o Poeta responden a este reparo com 
os seguintes versos táo graciosos, e chelos de suavidade, que Ana- 
creonte de certo nao se enfadaría de Ihos attríbuirem.» 

Depois de transcrever na integra as Endechas, Costa e 
Silva accrescenta (já em pag. 211): 

«Creio que nao faltará quem lendo estes versos se persuada 
que Luiz de Cam6es estava doudo de amores pela gentil negrinha. 



l82 



e nao ousarei dizer que nao tem razio para isso; eu com tudo me 
nao capacitarei de tal táo fácilmente, porque me lembro da res- 
posta dada pela Ama do Doutor Swift a uma Lady, que Ihe dava 
08 parabens de ser amada por homem de tanto engenho^ e que 
tanto a celebrava nos seus versos. «Ah Senhora, dizeis issb, por- 
que nao sabéis que o Deáo é capaz de dizer ainda finezas mais 
ternas, e cousas mais galantes em verso, á vassoura, com que eu 
varro a casa!» 



Ora aqui ha varios pontos em que esgaravatar: 

i.° — Ñas supra-citadas reflexóes Costa e Silva nao faz 
senáo fluctuar em contradic96es e incongruencias, porquanto 
o segundo trecho (dos dois que transcrevo) acha-se em com- 
pleta desharmonia com o primeiro: 

Neste, affirma nao ser coisa extranhavel apaixonar-s& 
Camoes por uma negra; 

Naquelle, pelo contrario, 'contesta que estivesse o Poeta 
por ella doido de amor. 

2.^ — Manuel de Faria e Sousa nao diz que vendesse 
mexilhoes nem soccorresse ao Poeta com donativos a Bar- 
bara das Redondilhas. 

3.° — No dizer de Faria e Sousa, a Barbara das Redon- 
dilhas era «negra», e «mulata» a Barbara das esmolas. 

4.° — Ainda no dizer do mesmo Faria e Sousa, nao foi 
com as Endechas que Luiz de Camóes respondeu ao reparo 
dos que o censuravam por tal amor, mas sim com os ver- 
sos da Ode X. 

Aqui váo elles presentes, para confirmafáo do que deixo 
dito: 

Aquelle mo^o fero 
Ñas Pelethronias covas doutrinado 

Do Centauro severo, 

Cujo peito esforzado 
Com tutanos de tigres foi criado, 



1 83 



N'agua fatal menino 
O lava a máe, presaga do futuro, 
Para que ferro fino 
Nao passe o peito duro 
Que de si mesmo a si se tem por muro. 



A carne Ihe indurece, 
Por que nao seja d'armas offendida. 
Cega! pois nao conhece 
Que podehaver ferída 
N'alma, e que menos dóe perder a vida! 



Que, aonde o bra^o irado' 
DosTroianos passava amez e escudo, 
Alli se viu passado 
D'aquelle ferro agudo 
Do Menino que em todos pode tudo. 

Alli se viu captivo 
Da captiva gentil que serve e adora; 

Alli se viu que vivo 

Em vivo fogo mora, 
Porque de seu senhor a vé senhora. 

Já toma a branda lyra 
Na mao que a dura Pelias meneara; 
Alli canta e suspira, 
NSo como lh*o ensinára 
O velho, mas o mo^o que o cegara. 



1 Em muitas edi95es, inclusivamente na do seu mais illustre biographo 
(Obras de Lui^ de Carnees precedidas de tan ensato biographico no qual se 
relaiam alguns fados nSo conhecidos da sua vida augmentadas com algumas 
composigÓes inéditas do Poeta pelo Visconde de Juromenha — Lisboa — 1860-69) 
se le: — «Que, d*onde o bra^o irado». A IÍC9S0 que adoptei, — em conformidade 
com as edigÓes de 1598, 1666, 1772, — parece-me preferível. 



i84 



Pois, logo, quem culpado 
Será, se de pequeño ofiFerecido 
Foi todo a seu cuidado, 
No ber^o instituido, 
A nao poder deixar de ser ferido? 



Quem, logo, fraco infante 
D'outro mais poderoso foi sujeito, 

E para cegó amante 

Desde o principio feito, 
Com lagrimas banhando o tenro peito 

Se agora foi ferido 
Da penetrante ponta e for9a dlierva, 
E se Amor é servido 
Que sirva á linda serva 
Para quem minha estrella n^e reserva 

O gesto bem talhado, 
O airoso meneio e a postura, 

O rosto delicado. 

Que na vista figura 
Que se ensina por arte a formosura. 

Como pode deixar 

De render a quem tenha intendimento ? 
Que quem nao penetrar 
Um doce gesto attento . • . 

Nao Ihe é nenhum louvor viver isento! 



Aquelles, cujos peitos 
Omou d'altas sciencias o Destino, 
Se viram mais sujeitos 
Ao cegó e váo Menino, 
Arrebatados do furor divino, 



i85 



O Reí famoso Hebreio 
Que mais que todos soube, mais amou 

(Tanto, que a deus alheio 

Falso sacrifícou). 
Se muito soube e teve, muito errou. 



E o gram Sabio que ensina, 
Passeando, os segredos da Sophia, 
Á baixa concubina 
Do vil eunucho Hermia 
Aras ergueu, que aos Deuses só devia. 



Aras ergue a quem ama 
O Phílosopho insigne namorado: 
Dóe-se a perpetua Fama, 
E grita, que culpadc^ 
De lesa divindade é acensado. 



Já foge d'onde habita, 
Já paga a culpa enorme com desterro. 
Mas, oh! grande desdita I 
Bem mostra tammanho erro 
Que doutos coragSes nao sao de ferro. 

Antes na altiva mente. 
No subtil sangue, e ingenho mais perfeito, 

Ha mais conveniente 

E conforme sujeito 
Onde se imprima o brando e doce affeito. 



O anonymo auctor da Vtda de Luii de Camóes — que vem 
(de pag. 379 a 441) no Tomo ni das Obras de Lui{ de Camóes 



i86 



dadas a lume pelos editores da «Bibliotheca Portugueza» 
(Lisboa — 1 85 2) — guarda absoluto silencio no tocante aos 
amores de Camóes com a Barbara das Redondilhas. 

Relativamente, porém á Barbara das ésmolas, repete, 
pouco mais ou menos, as palavras de Faria e Sousa, di- 
zendo (em pag. 426): 

< huma mulata (Barbara se chamava ella) que pelas 

rúas de Lisboa andava vendendo mexilhSes, condoída do seu des- 
amparo, Ihe ia todos os días levar hum pratinho do que trazia a 
vender, e de quando em quando Ihe deixava tambem algum di- 
nheiro do que havía vendido.» 



Augusto Bouchot, que em París foi Professor de Historia 
no Lycée Napoleón, deu á luz na CoUecfáo-Duruy um livro, 
a que poz por titulo Histoire du Portugal et de ses colonies 
(Paris— 1854). 

Nesse livro, referindo-se á penuria de Camóes em seus 
derradeiros tempos, exprime-se o auctor por este modo: 

tParmi les personnes charitables qui faisaient Vaumóne au 
grand po^te, n'oublions pos cette pauure marchande mulátresse, 
Barbara, qui bien souvent lui donnait un plat de ce qu'elle vendait, 
et quelquefois méme un peu d'argent. 

Mas á Barbara das Redondilhas nao traz Augusto Bou- 
chot referencia alguma. 



Outrotanto poderei eu dizer de Gamillo Turfes. 
Gamillo Turfes, auctor do artigo biographico publicado 
acerca do Poeta (em pag. 374 a 3jg) noTom. vi da Encychh 



1 87 



pédie du xix^ siécle (París — 1855), deixa em silencio os amo- 
res de Cam6es com a escrava, e apenas se refere á mulata 
das esmolas: 

€Héla$! peu á peu la müére sejit sentir á luiplm inmpporta- 
ble; les choses en vinrent au point, qu'il se vit bientót réduit á vivre 
d'aumónes, et, le soir, son esclave de Java allait mendier dans les 
carrefours pour tous deux. Aussi le nom d' Antonio, c'était celui de 
ce serviteur dévoué, demeurera consacré d'áge en age a cote de ce- 
lui du grand poSte comme le type touchant de la Jidélité au génie 
malheureux, 

• On rapporte encoré qu'une muldtresse appelée Barbara don- 
nait souvent pour le pauvre Camoins un plat de ce qu^elle vendait 
dans les rúes de Lisbonne, et qu'elle y ajoutait quelquefbis un peu 
d'argent. Ainsi la femme des tropiques et V esclave de Java se mon- 
traient plus humains que les grands seigneurs portugais dont les 
ancétres revivaient en traits immortels dans les chants de leur com- 
patrióte ^.9 



Do Conselheiro José Feliciano de Castilho (conforaie em 
pag. 3 1 tive já occasiáo de ponderar) incontro eu na Grinalda 
Ovidiana referencias á escrava Barbara. 

E que faz elle nessas referencias? 

Approximando-a da trigueirinha Cypasse que nos amo- 
res de Corinna representa para Ovidio um saboroso desin- 
joativo das iguarias habituaes, — o Dr. José Feliciano mos- 



1 Já o proprío cantor á'Os Lusiadas (na est. 82.* do Cant. VII) assignalava, 
com intranhado sentimento de profunda e mal-disfar9ada melancholia, esta in- 
gratidáo de egoístas, a que se refere o escríptor francez : 

Vede, Nymphas, que iagenhos de senbores 
O V08S0 Tejo cría valerosos, 
Qne assi sabem prezar com taea fiívores 
A quem os faz cantando gloriosos I 



tra-nos claramente que estava longe de ver na inspiradora 
das Endechas urna preta ou mulata d' África. 



Guilherme de La-Landelle (no romance que em iSSg deu 
á luz, intitulado — La vieülesse dupogte'J detemaina-se franca- 
mente pela existencia de duas mulheres «anegradas», ambas 
conhecidas pelo nome de «Barbara»: urna na India, outra 
em Lisboa. A Barbara de Lisboa é urna taberneira «mulata», 
que se presta a soccorrer CamSes inviando-lhe pelo Jau 
artigos alimenticios: 

— « Tiens, Antonio, dit Barbara choisissant deux de ses meil- 
leurs beignets qu'elle accon^agna d'un bon morceau de viande 
Jroide, va porter ceci et cette bouteille de vin rouge a celui qui n'a 
pas dédaigné de chanter une Jille de ma couleur et de man nom.i 



«AchoU'Se CamCes no ultimo quartel da ^da desamparado de 
todos e reduzido a tao tristes drcumstancias, que um escravo (ou 
antes verdadeíro amigo) que de Java trouxera, por nome Antonio, 
sala á noite a pedir esmola para o sustentar ^ e urna mulata (Bar- 
bara se chamava ella), que pelas mas de Lisboa andava vendendo 
mexilháo, consternada do desamparo em que estava Luiz de Ca- 



' Este romance, que sahiu a lume no Tota, iv do Journal pour Ums (Pa- 
rís— 1859) illustrado com gravuras em madeira, foi tradurido em portuguez por 
Joáo Luiz Rodrigues Trígueiros sob o titulo — A velkice de Camottu. Publi- 
cou-se a traducfSo portugueza (Lisboa— 1860) acompanhada de lithographias; 
e annos depois se Ihe simulou nova edÍ9ao [sem estampas), mudando-Ihe apenas 
a capa da brochura e o frontispicio (Lisboa— 1880]. 



i8gt 



moesy Ihe ia levar todos os dias algum alimento e, de quando em 
quando, Ihe deixava tambem alguns vintens.» 

Assim se le, sem referencia alguma á Barbara dos amores, 

em pag. 8 do Brepe resumo da pida de Lui[ de Camóes 

por Joáo Chrysostomo Mackoneit (Lisboa — 1867). 



«Cam6es, afinal, no ultimo quartel da vida, reduzido á extrema 
miseria, viu-se na necessidade de receber os soccorros do seu ver- 
dadeiro amigo, o escravo que trouxera de Java, chamado Antonio 
(o Jau), que de noite saia a impetrar o óbolo da carídade; e de 
urna mulata, chamada Barbara, que vendia mexilhóes pelas rúas 
de Lisboa, que todos os dias Ihe levava um pratinho do que ven* 
dia, e até algumas vezes com elle repartía do pouco que ganhava.» 

Eis o que (eni pag. 1 3) diz o anonymo compilador d!A 
vida de Lui[ de Camoes exírahida da Bibliotheca Portugue{a 
(in-S.*" de 16 pag., evidentemente estampado em Lisboa em 
1867, imbora nao traga indica9áo de anno, e apenas de- 
clare ter sido impresso na «Typ. Franco-Portugueza»): d'este 
opusciilo se publicaram extractos (e entre elles o trecho 
supra-transcripto) na folha volante que, por occasiáo do 
Tricentenario Camoniano, sahiu a lume (Lisboa-^ 1880) sob 
o titulo — Os Typographos a Camoes. 

E acerca dos amores com a captiva das Endechas. . . • 
o mais completo silencio. 



O Sr. Fernando de Azevedo, no «Esbofo biographico 
de Camoes» preposto á sua traduc9áo franceza d^Os Lusia- 



igo 



das\ guarda sileacio relativamente aos amores de Camoes 
com a escrava: no tocante á Barbara das esmolas, cinge-se 
á informa9áo de Faria e Sousa. Diz elle (em pag. xv): 

cjparúz € Sou{a raconte aussi que dans le miserable réduit que 
le po^te habitait prés du couvent de Santa-Anna des religieuses 
Jranciscatnes, une mulátresse nommée Barbara lux donnaü souvent 
a tnanger et luifaisaü méme parvenir de Vargent. » 



Práctica idéntica é a de AfFonso Izard no seu estudo bio- 
graphico — Camoens — que se imprimiu ornamentado com 
8 gravuras em madeira (vid. Le livre d^or despeuples — P/w- 
tarque universel — Tom. u (París — s. d.), pag. 87): 

« Durant ses demters jours, il fut en proie a la plus 

affreuse misére. Les aumónes recueillies par la main sublime de son 
esclape Antonio, qui ne le quittait pos, ne pouvaient suffire a sa 
subsistance. Une mulátresse, nommée Barba, connaissant cet excés 
d'indigence, lui donnait souvent un plat de ce qu'elle pendait, et 
qudquefois aussi un peu d*argent provenant de sa vente, it 



Camoens se intitula um quadro dramático em verso por 
Don Manuel Ossorio y Bernard e Don Lucio Viñas y Deza. 



> Les Lusiades de Camoens — Traduction nouvelle annotée et accompagnée 
du texte portugais et précédée d'une esquisse biographique sur Camoens par 
Femand d'A^evedo (París — 1870). 

Os exemplares que apparecem, substituido o ante -rosto e o frontispicio, 
com a indica^ao de seconde édition revue et corrigée (París— 1877), nada mais 
representan! do que meramente urna fraude commercial. 



191 



Representou-se pela primeira vez noTheatro «Salón Es- 
lava» aos 4 de Novembro de 1871. 

E nesse mesmo anno se publicou impresso em Madrid. 

Ahí figura, assistíndo aos derradeiros momentos de Ca- 
móes, a mulata Barbara, sem referencia alguma á escrava 
das Redondilhas. 



Em 1 872 sahiu a lume no Porto, escripto pelo Sr. Joa- 
quim Pedro de Oliveira Martins, um livro a que seu auctor 
poz por titulo 0$ Lusiadas — e por sub-titulo «Ensaio sobre 
Camoes e a sua obra, em rela9áo á sociedade portugue;(a e 
ao movimento da Renascen9a». 

Neste livro (em pag. 41) vem por incidente uma leve re- 
ferencia á Barbara das esmolas: 

cEm Portugal governa D. Sebastiao e prepara-se Alcacerqui- 
bir; por desenfado a corte ouve os Lusiadas, e paga a indifferen^a 
ao poeta com quinze mil réis annuaes; a ten^a nao é fielmente sa- 
tisfeita, de modo que o poeta vive das esmolas que o seu escravo, 
o Jáo, para elle obtem, das caridades da Barbara escrava.» 

«Barbara escrava» (note o leitor)^ «Barbara escrava» Ihe 
chama o Sr. Oliveira Martins, á Barbara das esmolas, sem 
todavia fazer a minima allusáo á inspiradora das Endechas, 
Ádmittiria o escriptor a identifica9áo das duas entidades? 

Dezenove annos depois, a obra do Sr. Gonselheiro Oli- 
veira Martins apparecía refundida e ampliada (Porto — 1 89 1) 
sob o titulo seguinte: — Camoes, os Lusiadas e a Renascenga 
em Portugal. 

Mas nesta ampliada refundÍ9áo, — emtanto que por um 
lado continúa o silencio relativamente á Barbara dos amo- 



iQí^ 



res, — s6mem-se por outro lado as referencias á Barbara das 
esmolas. 

A interferencia do proprio escravo apparece mencionada 
apenas (como de fíigida), na pag. 1 13, em duas linhas, de- 
pois de narrado o irremediavel desastre de Alcacer-Kebir: 

cCam6es gemia a sua miseria, porventura a perda do seu jau es- 
cravo que Ihe esmolava o pao.» 



Na Parte i da sua Historía de Camóes (Porto — iSyS) o 
Sr. Dr. Theopiíilo Braga, identificando a Barbara dos amores 
na India com a das esmolas em Lisboa, talvez por inadver- 
tidamente confundir e unificar as referencias que Manuel de 
Faria e Sousa faz a cada uma d'ellas em especial, declara-nos 
«mulata» a formosa inspiradora das Endechas. 

Depois de accentuar o que o Poeta em uma de suas 
Cartas deixou escripto acerca das mulheres de Goa, eis o 
que o erudito professor nos diz (de pag. 222 a 225): 

cApesar de Camdes falar n'estas damas que eram de rala, e 
na carne de salé que nenhum amor dá de si, elle nao deixou de 
se apaixonar por uma mulata, chamada Luiza Barbora, que Ihe 
inspirou essa admiravel endexa da €pretiddo de amor*. Faria e 
Sousa conta a tradi^áo, mas localisando-a em Lisboa'; na primeira 
edi^áo das Lyricas de iSgS se lé esta rubrica authentica: € Ende- 
chas a uma Cativa, com quem andava de amores, na India, chamada 
Barbora* — o que é mais admissivel, porque as damas portuguezas 
de Goa, pela sua muita edade todas caíam de maduras. Eis como 



I Aquí houve manifestamente ingano do illustre academice. Faría e Sousa 
nSo localiza em Lisboa os amores de Camdes com a escrava, mas sim na India, 
segundo já tíve occasüo de notar em pag. 42 do presente livro : — •Si la e/clava 
era/uya, como parece, fuccedid efto en la India*, 



! ^m 



193 



Paría e Sousa, commentando a Can^ao X, est. lo, apresenta essa 
tradícao: cUma mulata d'este trato (chamava-se Barbora) sabendo 
da sua miseria, dava-lhe ás vezes um prato do que ia vendendo, 
e algumas vezes dinheiro do vendido; e elle acceitava-o»>. As En- 
dexas de Camóes lembram esse ardor oriental que inspirava a Su- 
lamite, que dizia nigra sum, sed formosa : 

Eu nimca vi rosa 
Em suaves molhos 
Que para meus olhos 
Fosse mais formosa. 



Rosto singular, 
Olhos socegados, 
Pretos e cansados 
Mas nSo de matar. 



Pretidao de amor, 
Táo doce a figura. 
Que a nevé Ihe jura 
Que trocara a cdr. 



I Perdáo mas aquí tambem houve ingano ou precipita93o no illustre 

crítico. O trecho invocado pelo Sr. Dr. Theophilo Braga nada tem que ver com 
as referencias á Barbara dos amores na India, pois que sementé se refere á 
Barbara das esmolas em Lisboa. 

Em nota a um dos versos da Cangáo X, eis o que escreve o commentador 
do Poeta (Rimas varias de Lvis de Camoens Tomo m— pag. 90) : 

«^ A piedade humana me fiíltava. Fue tanto qffi ^o, que llegó a pedir limo/na,y a no hallarla, 
a lo menos en lot Portuguefn grandes, que ^osfon los grandes Portuguefes. Vió/e reducido un Hom- 
bre quefolofue mayor que todos ellos juntos, a acetar de personas comunes los qmtro reales, y los 
dos, y aun el real para no morirje de hambre. Que digo el real de personas comunes ? Aeetava el 
plato de a/querofo mantenimiento que fe anda a vender por las puertas de los mifer obles en Lisboa. 
Una Mulata d^ trato (üamavafe Barbara) JaHendo fus miferias le dava muchas ve\es un plato de 
lo que iva pendiendo, y a ve\es algún dinero de lo vendido; y aeétavalo él. O Barbara política, que 
enfefiavas afer políticas aquellas barbarifflmas Deidades Portuguefas/ Al fin es un horror lo que en 
^ hwo,y lo que di\en ^ftos ver/os.* 

13 



Leda mansidSo 
Que o siso acompanha, 
Bem parece extranha 
Has barbara nao. 

f A mesma seduc^áo encontrou na A»a o erudito Anquetil du 
Perron, que só pdde oppdr i magia voluptuosa das bayaderas a 
paixáo profunda que o levava a achar a língua zend e os Iíttos 
sagrados da India. CamCes tinha a erudi^áo do seculo xvi, que 
com o críteño sensual da Renascenca o justificava de deixar-se ca- 
ptívar pela bayadera, com o exemplo de Aristóteles, de Achules e 
de David. Em urna Satyra, que fizeram a esta sua predJlec^áo, se 
deduz que estes amores nao foram em Portugal: 

Ao som de um biribáo Luiz cantava 



Da sua negra absenté o perseguía 
A saudade, que inda hoje o maltrata. 
Com o pensamento n'ella asstm di^: 
Se claro l(^o está quanto és formosa, 
Toda a affeii^áo que em tal negra se emprega 
Negra afiei^áo será, mas venturosa. 

(Na Ode X, justificava-se Cam6es dos que explicavam ridicu- 
lamente o amor de Luiza Barbora: 

Ali se viu captivo 
Da captiva gentil, que serve e adora; 

Ali se viu que iñvo 

Em vivo fogo mora, 
Porque de seu senhor a vé senhora. 



Se agora foi feñdo 

Da penetrante ponta e for^a dlierva; 
E se Amor é servido 
Que sirva a linda serva 

Para quem mitiha estrella me reserva ? 



igb 



c Estes amores de Luiza Barbera seriam por ventura urna pri- 
meira consequencia da ac^áo que a vida dissolvente de Gda produ- 
ziu no poeta». 

Assim ,pensava em iSyS o Sr. Dr. Theophilo Braga. 

Mas, decorridos septe annos, na «Biographia do Poeta» 
— que antecede a elegante edÍ9áo d^Os Lusiadas publicada 
pelos typographos-impressores Joao Eduardo Alves e Ma- 
nuel de Mattos Azevedo Leal (Porto — 1880) — , o Sr. Dr. 
Braga, rectificando o involuntario lapso de suas primeiras 
afñrmativas, mbstra hqiver justanoiente reconsiderado, por- 
que, referindo-se ás «mimosas redondilhas» inspiradas pela 
captiva Luiza Barbara, vé nella urna belleza indiana e cha- 
ma-lhe positivamente « morena d. 

Considerafoes que o auctor alli nos apresenta acerca da 
«Barbara escrava» (em pag. xxxi a xxxni), veio elle, onze 
annos depois, a confirmál-as, reproduzindo»as «ampliadas» 
(de pag. 34 a 37) no livro Camóes e o sentimento nacional 
(Porto— 1 89 i): 

cA vida de Gda era dissoivente, e Carnees pelo seu tempera- 
mento exaltado mal poderla resistir-lhe 

Aquelle meio dissolvente actuava sobre Ca- 

mdes; os amores com a cativa Luiza Bárbora, celebrada em urnas 
mimosas redondilhas, traduzidas por Chateaubriand, revelam que 
o poeta era arrastado n'essa corrente de paix6es lubricas. 

€ Aquella cativa — que me tem cativo» como principia a ende- 
cha, foi mal comprehendida pelos biographos. Pyrard descreve com 
o seu realismo de pisu estas seductoras mocas indianas : cEntre as 
escravas encontram-se ali raparigas mui bellas e lindas, de todas 
as partes da India, as quaes pela maior parte sabem tanger instru- 
mentos, bordar, coser mui delicadamente e fazer toda a serte de 
doces, conservas e entras cousas. — Entre estas raparigas ha algu- 



196* 



mas müi bellas, brancas e gentis, outras trigueiras, morenas ■ e de 
todas as cores. — As mo^as adornam*se muito para agradar e vender 
melhor a sua mercadoria; e ás vezes sao chamadas ás casas, e se 
ali Ihes fazem proposites amorosas, de nenhuma sorte se mostram 
esquivas, antes acceitam logo a troco de alguma cousa que se Ihes 
dé .... » Comprehende-se pois o valor e a verdade da Endecha a 
huma cativa, com quem andava de amores, na India, chamada 
Bárbara, descrevendo a belleza sensual d'essa morena: 



v\ 



Rosto singular, 
Olhos socegados, 
Pretos e cansados 
Mas nao de matar; 



I Por «trígueiras» e «morenas» tradusiu o Sr. Dr. Theophilo Braga a ex- 
pressáo oiivátres e basanées^ empregada por Francisco Pyrard na sua curiosa 
narrativa. 

Eis textualmente o que este diz, ao descrever as escravas em Goa (Vid. 
Voy age de Frangois Pyrard de Laval, canienam sa nm^igatum aux Jndes Orien' 

tales, Maldives, Moluques, éb au Brejtl Divisé en trois parties. Nou- 

velle edition, revene, corrigée é augmentée de divers Traiteff A Relatíons cu- 

rieu/es Par le Sieur Du Val, Geographe ordinaire du Roy (París — 

1679) — Part. n, pag. 38) : 

*De ce» filie» üyena de/ort Míe», bUmcke» S- gentílte», d'auiret oliuq/tre», b€ifimée» & de 
toute» eouleur».» 



E continúa o narrador : 

*Aíait celle» dont iltfont ordinat'rement plus amowreux,font le» filies Cafres de Mozambique, & 
asdre» endroit» d'Afírique, qm/oní noire» á wunrueüle», ayata te» ckeueuxfrijex ; ü» le» appeUeut Negra 
de Guinea. Mai» c'^ vne chote remarquable entre km» ce»peuple» Indiem, tatU mqfie» que/emelte», 
& que Vof obferuée ; c'^ que teur corp» & leurfiteur ne put point: & au contraire, le» Negret d'AJH- 
que, tant decá que deiá te Cap de bwme efperanee,fenteni de íeltejbne ton qu'ü»JbfiU éduanfe{, qk*it 
efi iwipqfflble d'approcker d'eux, iasU ü»puaU ^fentent mauuas» comwie le»poreaux verd».» 

Vejam-se neste espelho os carapinhophilos 1 Que os Indios de Goa, por 
urna inqualifícavei aberrafSo, preferíssem momentáneamente ás suas lindas con- 
terráneas as «cafres de Mozambique» e as «negras de Guiñé» — admittá- 

mol-o, visto que Francisco Pyrard nol-o assevera. . 

Mas Luiz de Camóes, o poeta galanteador e cortezáo, podaría acaso 

deixar-áe contaminar naquelle sórdido desvairamento de Teso-olfacto ? Nao Ihe 
injuriemos a memoría. 



197^ 



Urna gra^a viva 

Que n'eiles Ihe mora . . . 

I^etos os cabellos ... 

Leda mansidáo 

Que o siso acompanha . . . 

Presenta serena 

Que a tormenta amansa . . . 

cÉ de suppdr ter sido CamSes o requestado, pelo que se de- 
prehende dos costumes descriptos por Pyrard: c todas estas mu- 
Iheres da India, assim as chrístás ou mesticas, desejam mais ter 
trato com um homem da Europa, chrístáo velho, do que com os 
Indios, e ainda em cima Ihe dariam dinheiro, havendo-se por mui 
honradas por isso, porque ellas amam muito os homens brancos, 
e ainda que haja indios mui brancos, nao gostam tanto d'elles.» 



Quer porventura o leitor agora saber o que diz no Vol. iv 
(Edinburgh — 1876) The Encyclopadia Britannica em sua 9/ 
edi^áo? 

OíFerecendo-nos (de pag. 745 a 750) urna noticia bio- 
graphica acerca do nosso Poeta (noticia a que p6e por epi- 
graphe — Camoens (or, according to the Portuguese spelling, 
Camóes) Luiz de) — eis o que alli nos escreve o articulista 
(Frederico Guilherme Cosens) em pag. 749 : 

« Some picturesque and touching, but próbábly apocrjrphal nar- 
ratives are chronicled by Camoens's btographers. One tells ofthe 
faithful Javanese Antonio sallying fbrth at eventide to begjrom 
passerS'bf the means to procure a modest meal for himselfand his 
master; another, of Barbara, a mulatto ivoman, who, from the 
scantj' store upon her stall and the still scantter treasury ofher 
poclcet, spared a daily ration and an occasional silver coin in pitjr 
for one ihe mif^t have knonm prosperóus at Afacao.» 



Quer isto dizer: aos olhos do auctor do artigo, añgura-se 
com muitos visos de apocrypha a narrativa de Faría e Sousa 
no tocante á Barbara das esmolas; mas, dada a hypothese 
de provar-se que tal creatura exístiu, prcq^ende entáo o arti- 
culista para simultáneamente ver na Barbara de Lisboa a 
Barbara do Oriente, na Barbara das esmolas a propria Bar- 
bara dos amores, e portanto na inspiradora das Endechas 

urna Barbara mulata ^«d mulato nxjman"). 



Mulata Ihe chama o illustre professor de Munich, Dr. Car- 
los de Reinhardstoettner, (em pag. 23) no esbofo biographico 
que do nosso Poeta publicou (Luii de Camoens der Sünger 
der Lusiaden — Leipzig, 1877). 

Depois de accentuar o zombeteiro desdem, com que o 
Poeta se expressava acerca das mulheres de Goa, — pondera 
o Dr. Reinhardstoettner que, apezar d'isso tudo, nao hesitou 
Camóes na India em se apaixonar por Luiza Barbara, mulata : 



• Trotidem verüebte fick Camoens auch tn Indien und ntvar in 
eine Mulaiiin Nametis Luiza Barbora,i 



Clovis Lamarre no «estudo biographico, crítico e littera- 
rion, que publicou sob o titulo Camoens et les Lusiades (Pa- 
rís — 1878), refere-se á mulata das esmolas, dizendo (em 
pag. 39): 

i une pauvre marchande wmlatresx, appelée Barbara, 

qui souvettt luí donnat't gratuitemení un plat de ce qu'elle pendait,» 



í99 



Mas antes cFisso (em pag. 28) menciona outrosim a es- 
crava das Redondilhas nos seguíntes termos: 

c/f celebra ausst une belle esclave noire, nommée 

Barbar a. li 



Saint-Georges, o libretista da opera Ahna Venchanteresse^ 
(em italiano, Alma Vincantaírice), — opera a que deu música 
o celebre compositor Flotow, e que pela primeira vez se 
cantou em París noTheatro dos Italianos aos 9 de Abril de 
1878, — apresenta-nos como protagonista uma bailadeira 
indiana, resgatada por Camoes. Alma, «a incantadora», é 
evidentemente uma crea^áo inspirada ñas celebres Ende- 
chas. 

Trinta e cinco annos antes, escrévéra o mesmo Saint- 
Georges o libreto para uma opera-comica intitulada Ues- 
clave de CamoSns. Griselda, — a protagonista d'essa opera- 
comica (uma linda cigana que o Poeta havia trazido comsigo 
da India), — representa nem mais, nem menos, do que uma 
romántica transubstancia^áo da escrava Barbara. 



O Sr. Cypriano Jardim, auctor do drama Camoes, — dra- 
ma que, para solemnizar em Lisboa o Tricentenario da morte 



I Alma Venchanteresse Opera en quatre actes de M. de Saint-Georges 

adapté á la scéne itaiienne par Á. de Laupéres musite de F. de Fíotcñv 

(París — 1878 — ^Texto francez com o italiano em frente). 



do Poeta, se representou no Theatro de D. María II em 
Jiinho de 1880, e nesse mesmo anno sahíu publicado em 
livro, — faz románticamente de Luiza Barbara urna escrava 
acobreada, de orígem arábica, mo^a e formosa, que na In- 
dia se apatxona pelo Poeta, e que lá mesmo (quando elle 
preso) Ihe ministra na sua penuria meíos de subsistencia. 

Referlndo-se a esta personagem do seu drama, eis o que 
diz (em pag. 10 do seu Hvro) o Sr. Jardim: 

<As incertezas em que os sabios investigadores, visconde de 
Juromenha eTheophUo Braga, se viram forjados a apresentar esta 
individualidade, talvez importante nos episodios dramáticos da vida 
do nosso Poeta, levaram-nos a dar-lhe uma fei^áo qui^á demasiado 
romántica. * 

Na scena 10/ do acto 2." do drama, é a propria Luiza 
Barbara quem se deñne, dirigindo a Camdes suas falas e 
respondendo a uma pergunta que este Ihe fizera: 

— «Eu?. . . quem sou?. . . eu. . . sou uma mulher da Arabia, 
da térra d'Iman, aprisionada pelos vossos no Estreito de Meca, á 
volta da Santa Kaaba, e, por elles vendida, como captiva, ao Ca- 
pitáo de Cochim... .> 



Muí similhante á do Sr. Cypriano Jardim foi a supposi- 
9S0 do fallecido Alfredo Carvalhaes: 

Tive ante os olhos meus tantos thesouros, 
E, de tanta riqueza, apenas pude 
Urna per'la roubar, por que aos meus louros 
O symb'lo nao faltasse da virtude. 



20I 



Como temia infamias e desdouros, 
E por que a máo de Deus sempre me ajude, 
Nada mais quiz que o puro amor da escrava 
Que com seu pao e amor me alimentfiva. 

Ó Barbara! 



D'estes versos que na propria bocea do Poeta poe Al- 
fredo Carvalhaes, em seu poemeto Camóes (Porto — 1880), 
deduz-se implicitamente o que elle imaginava ter sido a Bar- 
bara captiva : — alguma das inebriantes formosuras, a quem 
o auctor do poemeto (numa das oitavas anteriores) dirigiu 
a apostrophe seguinte : 

Ó fílhas sensuaes da rosea aurora! 
Ó do Oriente lánguido desleixo ! . . . 
Quem lograra teus sonhos, teus suspiros 
Do Mandovi nos calidos retiros ! 



Com a de Alfredo Carvalhaes combina a conjectura de 
Ricardo Burton, o qual em referencia a Barbara escrava 
nos diz fop. cit.^J: — aprobably some Hindú girh. 

Isto escreve elle, apezar de accrescentar logo abaixo: — 
fc Yet his facetious fríends charge him with black amours (Jur. 
i. 5o6).» 

A «tfacecia», a que Burton se refere, é uma composÍ9áo 
burlesca, nalguns pontos inintelligivel, egcripta por auctor in- 



I Camoens: his Ufe and his Lusiads — I, pag. 48. 



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cognito, e dada como inédita pelo Visconde de Juromenha 
(em pag. 807 e seguintes) no Vol. v da sua edÍ9ao das Obras 
de Luii de Catnoes: 



elegía 



A LUIZ DE CaMÓES sobre OS AMORES COM A ESCRAVA 



Ao som de um berímbau Luiz cantava 
As queixas que urna gralha repetía, 
E da outra banda um corvo Ihe intoava. 

Da sua negra absenté o perseguía 
A saudade, que Inda boje o maltrata. 
Co' o pensamento nella, assl dlzla: 



— cPosto que teu amor me punge e mata, 
Multo mals doce é que cuscuz quente, 
Mais gostoso que inhame e que batata; 

cQue em toda a gente branca e negra gente 
Nao ha de formosura mor thesouro, 
Nem outra coísa ha que mais contente. 



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cLolras madelxas de cabellos d'ouro 
Podem vlver com esse retorcido ? 
Desfela as rosas o teu negro couro. 

«O eolio de alabastro guarnecido, 
A quem fica do teu azevlchado, 
E tem por gloría sua ser vencido 

cO teu bruñido rosto Invemlzado 
Traz os sentidos presos e contentes, 
Nao com branco alvalade exalvi^ado. 



2o3 



cOs olhos iiegros sSo maié excellentes; 
Os bei^os, que te pendem, de mimosa 
Mostram os alvos e formoaos dentes. 



cSe claro logo está quanto és fonnosa, 
Toda a añei^áo que em tal negra se emprega 
Negra affei^ád será, mas venturosa. 

c Discreta e ^visdda és como pega: 
Pois qual negra com ar mais prazenteíro 
Tremolo doce vende, árame esfrega ? 

cQue cora^áo táo duro e sem coeiro 
Nao se abrandára, se cantar te ouvira 
Quando ias levar o camareiro ? 

cMas d'estas perfei^Óes gran' parte tira 
Seres em desfavores imperrada 
Contra um captivo teu que em váo suspira. 

«Urna braga me tem ao pé lanzada: 
Ella é negra ladina, e eu bo^al; 
Eu cuidadoso, e ella descuidada. 

cMas, posto que mofíno em meu mal, 
Quero bem á primeira caravela 
Que negra trouxe cá a Portugal. 

cUm ferrete me poz: pera Castella 
Vender-me pode, — e eu, que o desejo, 
Alforría nao hei por poder vél-a. 

cMas, muito longe do Mondego ao Tejo, 
Todavía me dou por satisfeito, 
E a voz Ihe chega em que eu nao vejo. 



«Sáia pois negra voz do negro peito: 
Leve-te o negro amor a negra dama, 
Dama negra por quem sou negro fdto: 

«Que quem de negra e negro amor s'in0amma. , 
Bem negro é o bem, negra a ventura 
De quem a negra negramente ama. 

cNegrado, negregorío, negregura, 
Negrita, negraria, negramente, 
Negran^a, negracio e negradura, 

(SSo e seráo com novo sentímento, 
Emquanto em mim durar amor negreiro, 
Negras azas do meu negro tormento. . 

*E, se eu morrer neste negral marteiro, 
Em negra campa e com negras cores 
Publique a negra causa este lettreiro: 

■Luiz, retrato n^ro dos amores 
(Negros seus, squi jaz; a induredda 
(Luiza negra o fez, com negras dores, 
«Mudar em negra morte a negra vida.* 



No anno 1867 se publícou em París (ímpresso em Li- 
sieux) um romance de Amadeu Tissot — Vagóme de Lui\ 
de Camoens. 

Nesse romance figura, sem referencia alguma á Barbara 
dos amores, a Barbara das esmolas — <iune femme de la plus 
humble conditíon, une jeune marchande des rúes» (como em 
pag. 46 diz o auctor). fíElle était mulátresse et se nommait 



2o5 • 



Barbarais — pondera (loe. cit.) Amadeu Tissot, — e vem mais 
adeante esta mulata a declarar-se (pag. 1 1 5 e seguintes) 
filha de certa négresse, que um govemador da India trouxera 
escrava para Lisboa, e que em Lisboa recebéra de Nather- 
da confidencias para transmittir ao Poeta. <íUne bonne et 
beíle jeune femme de coulewn» Ihe chama o escravo Jau em 
dialogo com Luiz de Camóes (a pag. 99 do livro). 



Do romance de Tissot fez o Sr. Alberto Pimentel uma 
traduc9áo em portuguez — sob o titulo A agonía de Lui[ de 
Camóes (Lisboa — 1880). 

No «Prologo» por que abre essa versáo, transcreve o 
traductor as EndechaSy — e parece inclinar*se a tachar de 
mulata a inspiradora de táo graciosos versos, identifícando-a 
com a Barbara das esmolas. 

Diz elle (em pag. 9): 

cBarbara, a mulata, nao é, na vida de CamSes, uma crea^áo 
imaginaria, embora fosse talvez para o poeta mais que a simples 
depositaría de uma recommendagáo de D. Catharina de Athayde^ 
Entre as poesias lyricas de Camóes encontram-se as seguintes.» 

E termina com a integral transcrip9áo das Endechas a 
Barbara escrava. 



Raúl de Navery — publicando, por occasiáo de cele- 
brar-se o Tricentenario Camoniano, uma narrativa román- 
tica, intitulada Les voy ages de Camoens (Paris — 1880), — 
introduz nesse livro Barbara la mulátresse, que soccorria nos 



• 306 



últimos annos ao Poeta em sua penuria, e que em tempos 
fóra protegida e confidente de D. Catherina de Ataíde. 

Filha de urna africana que seus senhores trouxeram a 
Portugal, e a quem mais tarde concederam alforría, a ven- 
dedeira Barbara, por muito interessante que o romancista 
a pinte, nada aqui tem que ver com a Barbara das Endechas, — 
á qual nem siquer o livro allude, apezar de nos offerecer em 
grande numero de suas paginas os episodios da vida do Poeta, 
quando ñas regióes indianas. 

A «Barbara» de Raúl de Navery, segundo elle a des- 
creve, parece nao ser uma verdadeira «mulata» (no sentido 
rigoroso da palavra), producto immediato do cruzamento 
entre a ra^a branca e a preta, mas antes um producto ter- 
ciario em que o predominio dos caracteres africanos se tenha 
modificado já. fuSon teint bistre (diz o auctor do livro) tra- 
hissait sa race; des cheveux noirs natureUement ondés et d^une 
longueur démesurée tombaient jusqu^á ses talons.» 



^ Latino Coelho, — o auctor do esmerilhado estudo que 
sob a epigraphe Lui{ de Camóes constituiu na Galería de 
parees iUustres oVol. i (Lisboa — 1880), — propóe-nos como 
acceitavel, imbora por ella terminantemente se nao decida, 
a conjectura da identidade entre a mulata que nos derradei- 
ros tempos da vida do Poeta Ihe acudia com donativos e a 
escrava que na quadra dos amores Ihe inspirara as Endechas. 
Diz assim o elegantissimo esty lista (em pag. 829 do seu 
livro) : 

cTáo encarecida andava na tradicáo a miseria do Cam6es 
nos annos derradeiros, que Paría e Soasa refere como certo que 



207 



o fidelissimo escravo do poeta, o pobre Jáo, saía de noite a mendi- 
gar pelas mas de Lisboa para acudir com as esmolas recebidas á 
extrema penuria do senhor. E no commentarío á can^áo x ainda 
accrescenta o ^lesmo escríptor que certa mulher parda, de nome 
Barbara, sabendo suas miserias, Ihe dava muitas vezes um prato 
do que la vendendo pela rúas, e ainda por vezes algum dinheiro 
do seu ganho. Quem sabe se esta carídosa mulher, rasteira de 
condi^áo e baixo trato, seria a mesma, a quem o poeta, cujo amor 
foi em suas longas peregrina96es largamente cosmopolita, deu em 
tempo um logar no cora^áo e a quem fez as redondilhas, que 
principiam : 

Aquella captiva 
Que me tem captivo: 

e de cujo amor se desculpa na x ode, invocando em seu favor os 
illustres exemplos de Achilles, Salómáo e Aristóteles?» 



Affonso Celso Júnior, — auctor de uma interessante me- 
moria que sob o titulo Camoes se publicou em S. Paulo no 
anno 1 88o, e que forma o Vol. v da BWliotheca Utílj — men- 
ciona (em pag. 56) duas mulheres a quem na India o Poeta 
«nao foi insensivel». 

Uma d'essas é a «escrava Barbara». 

E mais adeante, reportando-se á extrema penuria do 
vate nos seus derradeiros tempos em Lisboa, diz assim o 
illustre escríptor brazileiro (em pag. 6o) sem todavía alludir 
á identídade ou náo-ídentidade entre a Barbara das dadivas 
e a dos amores: 

cO javanez Antonio pedia esmola para elle, á noite. Barbara, 
uma negra, Ihe dava egualmente um prato dos sórdidos alimentos 
que vendia.» 



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208 



Assim temos, por este crítico, transformada em preta a 
mulata das asmólas, e indeterminada a raga da linda escrava 
que inspirou as graciosas Redondilhas. 



11 



De illustre brazileiro me acode agora outro nome: é o de 
Miguel Lemos. No livro que este escriptor (por occasiáo do 
Tricentenario Camoniano) deu a lume em francez, sob o ti- 
tulo Luis de Camoens (Versailles — 1880), — refere-se apenas 
(em pag. 1 3g) á amuláíresse, marchande desames de Lisbonnejn, 
que nos últimos tempos da vida do Poeta Ihe acudia gene- 
rosamente em sua pobreza; — e nem uma palavra sequer 
Ihe merece a inspiradora das celebres Endechas, apezar de 
nos offerecer elle a phase biographica de Camoes em re- 
lagáo á sua residencia na India. 



Intitula-se — Recuerdos de Camoens con mc^iuo del tercer 
centenario de su muerte — o artigo com que D. Luiz Vidart 
acompanha o retrato do Poeta, gravado em madeira, no fas- 
ciculo de La Eustr ación Española y Americana (Madrid) cor- 
respondente a 8 de Junho de 1 880. 

Referencias á Barbara dos amores, nao as incontra o 
leitor nesse artigo, — mas tSo sómente referencias á Barbara 
das esmolas, ñas seguintes palavras (pag. 870 do vol. res- 
pectivo) : 

c5e ha dicho que un esclavo que Camoens habia traido de la 
India, llamado Antonio, salia á mendigar por las noches para que 



209 



su amo pudiese comer al dia siguiente, y que una pobre tendera 
mulata, llamada Bárbara, solia darle diariamente un plato lleno 
de las viandas que en su tienda se vendian, y en ocasiones algún 
dineroi^. 



Mulata quer o Sr. TeixeiVa Bastos que fdsse a Barbara 
das Endechas. 

Eis o que diz aquelle escriptor: 

cEm Goa apaixonou-se Cam6es por urna mulata, Luiza Bar- 
bara: 

AUi se viu captivo 
Da captiva gentil que serve e adora. 

(Ode X.) 

cOs versos que o poeta Ihe consagrou tem urna voluptuosidade 
asiática; este amor extraordinario explica-se pelas phrases da carta, 
em que elle diz, que as damas de Gda pela sua muita edade caiam 
de maduras^.:» • 



O Visconde de Correia-Botelho (Gamillo Castello-Bran- 
co), publicando no Porto em 1879 o seu Cancioneiro Ale- 
gre, affirma-nos terminantemente que a Barbara escrava era 
«uma preta». 



X Vid. Lxu^ de Cambes e a Nadonalidade Portugueffa por Teixeira Bastos 
(Lisboa — 1880) — pag. 33 e 34. 

A biographia do Poeta, que forma neste opúsculo o Cap. ni, publicou se 
traduzida em castelhano por D. Marcos Arguelles na Corona Poética y Literaria 

dedicada a Lutf de CatnSes En i a conmemoración del tricentenario de su 

muerte por la Literatura y Artes de España (Lisboa — x88o). 

14 



210 



Diz elle (etn pag. 220 a 221)': 

cCam6es amou muito; logo, nao foi o grande desgranado que 
se imagina. Amou muitas senhoras de varías cores, áquem e álem 
mar, solteiras e casadas: 

N'uma casada fui par 
Os olhos de si senhores: 
Cuidei que/assem amores^ 
Elles fiíeram-se amor. 



«Amou uma preta: 



Aquella captiva. 
Que me tem captivo. 
Por que n'ella vivo 
Ja ndo quer que viva. 



Pretidao de amor, 
• Tdo doce a figura. 
Que a nevé Ihe jura 
Que trocara a cor. 



Esta é a captiva 
Que me tem captivo, 
E pois n'ella vivo 
Éforga que viva. 



cAmou uma Catharina.» 



I Na segunda edinSo (Porto — 1887) vem o trecho no Vol. i (de pag. 222 a 
223). A prímeira edi^So é constituida por um só volume. 



211 



E prosegue enumerando. • 

Mas, um anno depois, creio que se arrependeu do gra- 
cejo, visto que no Estado sobre Camóes — Notas biographicas 
escripias para Prefacio da y.' edifáo do Camóes de Garrett 
(Porto — 1880) — diz assim (em pag. lxvi)': 

cCantou a baiadera Luiza Barbera, captivo 

Da captiva gentil que serve e adora.* 

Aqui o insigne romancista pronuncia-se por urna baila- 
deira indiana, que decerto nao era «uma preta» d' África. 



Negra a suppoz tambem Ernesto Pires, quando em 1 884 
fez publicar no Porto uma serie de Sonetos, que designou 
conectivamente com o titulo — Camóes e o amor. 

Entre esses Sonetos figura (na pag. 8.* do opúsculo), o 
seguinte : 

Barbara, escrava 



Ajoelhára a negra suspirando, 
Postas as máos, os labios contrahidos: 
Diziam as can;6es dos seus gemidos 
Mais do que os prantos com que estava olhando. 



I Sahiu tambem publicado separadamente o escripto (Porto — 1880): — 
•Camillo Castello Branco — Li/if de Camóes — Notas ¡nographicas — Prefacio 
da sétima edigBo do Camóes de Garrett». E vem nelle, o citado trecho, em 
pag. 53. 



212 



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CamSes fitava o espado, meditando, 
Bem longe o cora^áo, longe os sentidos; 
E de seus olhos, para a dor nascidos, 
As perolas cahiam deslizando. 

Um queixume da negra, compúngeme, 
Acordara o poeta que sonhava 
Com a patria querida e o amor ausente. 

Ella co' os olhos n'elle contemplara: 
Elle co' os olhos n'ella era indififrente, 
Que todo aquelle mal outra o causara . 



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o Dr. José AfFonso Botelho-Andrade, — um dos mais 
eruditos escriptores da Ilha de S. Miguel, e um dos mais 
fervorosos enthusiastas por tudo quanto se relacionasse com 
assumptos de bibliographia camoniana, — deixou (tres annos 
antes de fallecer), escriptas aproposito dos Queixumes do 
Jau por Joáo de Aboim, as seguintes palavras que sahiram 
publicadas em o n.^ 149 &A Época (Ponta-Delgada,.8 de 
Novembro de 1884): 

c Joáo de Aboim nao estava em dia feliz ao escrever os 

Queixumes do Jau. Sao notaveis os versos em que o poeta suppoe 
que Cam6es podia dormir sem perigo sobre as reivas de Java: 
nao tanto os outros em que Ihe phantasia a amante c6r-de-bronze: 
Cam6es estava já acostumado á cor-de-azeviche com a sua Bar- 
bara preta.» 



Joaquim de Araujo, a quem nunca interroguei sobre tal 
particularidade, vou eu todavía apostar que está longe de 



2l3 



suppdr na linda escrava das Endechas urna preta africana, 
quando em seu poemeto Luis de Camoes (Porto — 1887) 
delicadamente nos brinda com este Soneto (pag. 38 a 39): 



Eterno amor 



Barbara, a doce e tímida captiva, 
Que de vezes erguia o olhar nublado, 
Aquella fronte vasta e pensativa, 
Áquelle rosto varonil, rasgado! 



Morta de amor, ella tremia viva, 
Ao sopro d'esse amor immaculado, 
Que o amor é a emana^áo donde deriva 
O Bem, que pelo mundo anda exilado. 



E emquanto o sol, a esmorecer, beijava, 
Da extrema do horisonte, a pobre escrava. 
Absorta e preza nesse amor bemdito, 



CamSes, extatíco, ia soletrando 
O nome de Nathercia, suave e brando, 
Em circuios de luz, pelo infinito . . . 



AUmm de costumes portugueses — poz por titulo o editor 
David Corazzi, meu velho amigo, a uma luxuosa pubíicafáo 
que lan90u no mercado (Lisboa — 1888 a 1890). 

Redigido pelos Srs. Fialho d'Almeida e Ramalho Orti- 
gáo, pelo meu antigo condiscípulo Pinheiro Chagas, pelo 



214 



inimitavel Julio Cesar Machado (fino espirito, a quem tan- 
tos la^os me prendiam de affectuosa gratidáo e hoje me 
prendem de funda saudade), finalmente por mim (por mim 
que, perante aquelle fulgido conjuncto de talentos, servia 
apenas, em minha obscuridade humilde, para augmentar- 
Ihes o realce), — o Álbum de costumes portugue{es ofFerecia 
em cada fasciculo, reproduzida por chromo-lithographia, 
urna aguar ella de artista notavel, que ora se chamava Co- 
lumbano, ora Condeixa, ora Alfredo Gameiro, Manuel de 
Macedo ou Raphael Bordallo. 

Pois bem: no fasciculo 36.** do Álbum pertenceu a Pi- 
nheiro Chagas descrever a «Camponeza dos arredores de 
Coimbra» — delicadamente aguarellada pelo meu amigo d'in- 
fancia Manuel de Macedo Pereira Coutinho. - 

Quer o leitor que eu Ihe transcreva d'esse artigo um 
trecho ? 



fQuando Camóes fez a corte a Natercia, já era homem eru- 
dito, que sabia Petrarcha de cor e salteado, e por isso Ihe dirige 
uns sonetos magistraes, que muitas vezes — maganáo — se limitam 
a ser uns exercicios de rima no genero dos do poeta deVaucluse. 
Mas as trovas sinceras, peninsulares a valer, fílhas das inspirac6es 
do Mondego, nascidas espontáneamente entre os salgueiraes como 
as flores sylvestres, essas, por Deus, illuminou-as com o negro 
olhar de alguma tricana de Coimbra. Depois, no fim da vida, 
quando já o sol do Oriente Ihe queimára o sangue e Ihe accen- 
dera ñas veias as extranhas concupiscencias dds climas tropicaes, 
até as pretas o captivaram. Triumphava nos últimos annos do poeta 
a pretinha saracoteante e o provocante mexilháo, mas na aurora 
da sua existencia foram as seductoras trícanas, portuguezas de lei, 
de olhar escuro e brílhante como uma noite estrellada, de corpo 
flexivel e elegante como um arbusto novo, de voz suave como as 
melodías do Mondego, que Ihe fízeram andar a cabega á roda. Ro- 
mántico no principio, realista no fim, foi classico no meio. Catha- 
rina de Athayde é a inspiradora official, a musa, a Natercia, que 
Camóes adora de l3rra em punho e de corda de loiros na cabera; 



2l5 



mas a tricana da mocídade, a Lianor que vae de cántaro á fonte, 
essa é a inspiradora nacional e adorada pelo poeta ao som da gui- 
tarra da sua patria^ sob o luar sereno do nosso bom céo portuguez.» 

No trecho que trasladei fica expressa em termos humo- 
rísticos, mas inequívocos, a opiniáo do illustre académico 
relativamente á Barbara das Endechas identificada com a 
Barbara das esmolas: — uma preta «saracoteante» a vender 
mexiiháo I 



cUma mulata, chamada Barbara, vendo a miseria do poeta, 
deo-lhe muitas vezes um prato do comer que ella vendía, e tambem 
algum dinheiro que apurava da mesma venda!» 

Isto escreve (em pag. 489) o francez A. A. Daux (pro- 
fessor da Escola dos Estudos Commerciaes e da Associa^áo 
Philotechnica) na obra que deu a lume em portuguez, inti- 
tulada O Portugal de Camoes (París — 1889), e adornada 
com o retrato do Poeta em zinco-gravura. 

Á Barbara das Endechas nao allude este escríptor no 
esbozo biographico por que remata o livro. 

E quando, um anno depoís, a obra sahiu reproduzída 
em francez (Le Portugal de Camoes sum d^une traduction 
frangaise des stances contenues dans Vouvrage par A. A, 
Daux — París, 1890), — edi^áo egualmente ornamentada 
com o retrato do Poeta em zinco-gravura, — lá continuou 
figurando (em pag. 338-339) a referencia á mulata das es- 
molas, sem allusáo alguma á escrava dos amores: 

c bien que le poete fCtt regardé á Lisbotme apee une 

grande admiratüm, ü en arrwa á étre réduit á vivre d^aumónes 



2l6 



que son esclave Antonio allait le soir solliciter pour lui dans les 
rúes; en outre une mulátresse nommée Barbara, par pitié pour la 
misére du poete, lui donnait soupent de quoi manger et luifaisait 
méme porvenir un peu d' argenta. 



Preposto á edÍ9áo que em Varsovia no anno 1890 se 
publicou á^Os Lusiadas traduzidos em polaco por Adam 
M-ski (Lui\ Camoens — Lu^yady)^ figura um breve estudo 
biographico-litterario acerca do auctor do Poema. 

Vem nesse estudo (em pag. 1 1 ) referencia á Barbara das 
esmolas, — uma pobre mulata vendedeira (auboga pr\ekupka 
tnulatkay)); mas tambem nem por sombras alli se allude á es- 
crava dos amores e das Redondilhas. 



O Sr. A. das Neves e Mello, — que em Zanzíbar foi 
Cónsul de Portugal, e andou viajando pela costa oriental 
d' África, onde teve occasiáo de observar o que possam of- 
ferecer de mais curioso as beldades de pelle tisnada, — 
inclina-se tambem a que fósse uma ethiope a escrava can- 
tada pelo Camóes. 

Diz elle a pag. 32 e 33 do seu livrinho Zan^ibar (Lis- 
boa — 1890): 

cPassámos no dia 12 pelas ilhas de Bazarutto, afamadas pelas 
suas perolas, fiíndeando ás cinco horas junto á ponta de Chiloane; 
nao fui á cidade que fica a seis milhas de distancia, e estive ape- 
nas na praia onde existem casas pertencentes a um degradado por- 
tuguez de nome Pinto, que ahi vende bebidas e comestiveis, com 



217 



que tem realisado urna boa fortuna. O pratico do porto, que nos 
acompanhou d'aqui até á sabida da barra, o pai Filippe, ievava na 
sua companhia urna preta, que é urna das formosuras da térra; 
trajava luxuosamente pannos de seda de variadas cores, qutmao 
verde, kissanbo carmezim e mucuco amarello; tinha realmente ma- 
gnificas formas e regularíssimas fei;6es'. Lembrei-me dos delicio- 
sos versos do nosso Cam6es á Barbara de azeviche «Aquella ca- 
ptiva, que me tem captivo.» 



Referindose aos elementos de vida jovial que Luiz de 
Camoes incontrou na India, Anthero de Quental expressa-se 
por esta forma numa carta que em lo de Janeiro de 1891 
dirigiu de Villa-do-Conde ao illustre escriptor francez Má- 
ximo Formont (o «inspirado» auctor de Les InspiratricesJ, — 
carta que viu a luz da publicidade no Vol. n (pag. 129 a 
i3i) do Circulo Camoniano (Porto — 1891): 

« Camoes ¿y amusait comme les autres: il y faisait jouer des 
AutoSy composait des vers badins, banquetait avec des amis et se 
consolait de sa grande passion apee les jeunes indiennes, qu'il ne 
dédaignait pos stfart que cela, car les tEndexas a Barbara es- 
crava^ prouvent qu'il y mettait méme beaucoup de son affection et 
de son coeur.-B 

De tudo isto, para o nosso ponto-de-vista, ha urna con- 
clusáo a tirar evidentissima: é que Anthero de Quental con- 



1 Note-se bem: •magruficas formas e regularíssimas feigSes», Quer dizer: 

plástica esculptural . . . . e nada mais! Em quanto a formas magnificas! 

em quanto a fei^oes apenas regularíssimas (o auctor nao diz lindissimaSf 

nem graaosissimas, nem galantissimas) I ! £ mais tratava-se de «urna das 

formosuras da térra»! Vejam lá se tenho ou nao tenho razao no que digo em 
pag. 148 e i55 do presente opúsculo. 



2l8 



siderava a «Barbara escrava» urna das <fjeunes indiennesn a 
quem se refere no trecho supra-transcripto. 






ri 



Para incerramento d'esta inquirifáo de testemunhas no 
processo de Luiza Barbara, apresentarei o depoimento do 
illustre Guilherme Storck, professor em Münster. 

Quando este insigne cathedratico deu a lume, traduzidas 
em versos allemáes, as «Endechas a Barbara escrava», poz- 
Ihes elle por titulo na sua versáo — rf Barbara, a escrava in- 
diana» (Barbora, die indiscke SklapinJ, — o que parecería 
perfeitamente excluir a idea de urna escrava mulata. 

Mas em nota (vid. Luis' de Camoens Sámmtliche Gedichte. 
— Zum erstetí'Male deutsch pon Wilhelm Storck. — Erster 
Batid: Buch der Lieder und Bríefe (Paderborn — 1880) — 
pag. 374 a 375), depois de insurgir-se contra a leviana phan- 
tasia dos pseudo-criticos, bordadores de lendas, que trans- 
portara para Lisboa a escrava dos amores na India, con- 
vertendo-a numa vendedeira a soccorrer com dinheiro e 
alimentos o faminto e desconsolado Poeta, 

(^Wenn diese Barbora, auch Barbara oder Luisa Barbora 
genannt, pon Faria e Sousa (Anm, \u Cani. X, be\iv. XII, V. 181 ff.) 
in eine Mmkrámerin perwandelt und nach Lissabon perset:{t mrd, 
wo sie den darbenden und lebensmüden Dichter mit Geld und 
Lebensmitteln unterstüt^t habe, so scheint mir das nichts ais die 
táppische Erfindung eines heikelen Schónfarbers ^u sein^J 

O professor Storck termina por Ihe chamar definitivamente 
«mulata» (nMulattinyiJ. 

E «mulata» Ihe continúa chamando (em pag. 3 10, 579, 
e 583 a 584) no livro que dez annos depois (Paderborn — 



#! 



219 



1 890) o illustre professor publicou (Luis' de Camoens Leben. 
Nebst geschichtlicher Einleitung von Wilheltn Storck). 

Em pag. 583 (ao transcrever da traducfáo alleman das 
«Endechas» as duas ultimas estrophes) accentua-ihe inclu- 
sivamente, álém da tez pardusca, a intricada maranha dos 
cabellos incarapinhados, por ver em Luiza Barbara — aeine 
krauslockige, schxpar{auffiffe, braumpangige Mulattimn. 

Em pag. 58o, descrevendo-nos uma alegre ceia que Luiz 
de Camóes oflFereceu em Goa aos áeus amigos, e que prin- 
cipiou por graciosas trovas dirigidas aos hospedes (Convite 
que fe\ na India a certos Jidalgos), inclina-se o professor 
Storck a suppór que sería devéras opiparo esse banquete, — 
e noticia-nos uma particularidade, que ignoro onde o insigne 
cathedratico tenha podido colhér. 

Diz-nos elle que, depois de lidas as trovas por que abriu 
a refeifáo, foi Luiza Barbara quem apresentou na mesa o 
primeiro prato d'aquelle substancioso banquete, em que o 
primor das iguarias rivalizava com a alegre disposi^áo dos 
commensaes : 

€ Luisa Barbara brachte die eraste Schüssel, und ein erquickendes 
Mahlfolgte ohne Zweifél in heiterer Stimmung.n 

Depois, em pag. 584, apresenta-se-nos o professor Storck 
tambem com outra novidade. E vem ella a consistir na in- 
terpreta^áo que o Soneto V Ihe merece. 

Trata-se d'aquelle Soneto, a que já na pag. 48 me referí : 

Em prís6es baixas fui um tempe atado: 
Vergonhoso castigo de meus erres! 
Inda agora arrojando levo os ferros, 
Que a morte, a meu pezar, tem já quebrado. 



Sacrífíquei a vida a meu cuidado, 
Que Amor nao quer cordeiros nem bezerros: 

Vi maguas, vi miserias, vi desterros 

Parece-me que estava assi ordenado. 



CcHitentei-me com pouco, conhecendo 
Que era o contentamente vergonhoso, 
S6 por ver que coisa era viver ledo. 



Mas minha Estrella, que eu j'agora intendo, 
A Morte cega, e o Caso duvidoso, 
Me fizeram de gostos haver medo. 



Quer o professor Storck ver nelle urna allusíva referencia 
ao fallecimento da escrava, e conclue qué de curta dura^áo 
teráo sido entre CamÓes e Luiza Barbara as liga^óes amo- 
rosas: 

*Der Tod der Mulattin -machte, wahrschetnlkh nach kur:{er 
Zeit, dem Verháltnisse ein Ende, me aus einem Sonette sich er-^ 



Eu, por mim, confesso que nao vejo no Soneto supra- 
transcrípto razSo alguma para intender que as «prisóes bai- 
xas», de que fala o Poeta, se referem allusivas á escrava 
Barbara (como pretende o professor Storck, e pretenderam 
tambem (veja-se o que ficou expendido em pag. 48) Manuel 
de Paria e Sousa e D. Lamberto Gil), nem tao pouco se 
referem aos amores de Nathercia (como pretendía o Vis- 
conde de Juromenha). 

Mas, — dado mesmo que referir-se pudessem aos amo- 
res da escrava, dado mesmo que no verso 4." da i.' quadra 
estivesse allusíva referencia ao fallecimento de Luiza Bar- 



221 



bara, — nao descortino em que elementos sé poderá fundar 
o sabio professor de Münster para concluir que devem ter 
sido ephemeros aquelles amores. 

OfFerece d'estas sombras o brilhante livro do illustre 
Storck, — professor abalizado, a quem as lettras portugue- 
zas (mérmente a litteratura camoniana) devem alias servidos 
relevantissimos. 

Deixa-se porém, ás vezes, arrastar por uma idea pre- 
concebida o famoso escriptor, — e acontece que nem sem- 
pre ás suas conjecturas, expostas num tom de añirmativa 
auctoritaria, corresponde inteiramente a verdade histórica. 
Sirvam de exemplo algumas illa^oes que precipitadamente 
pretendeu tirar, quando, na Cangáo X do Poeta (é a que prin- 
cipia: — «Vinde cá, meu táo certo secretario» &c.) buscou 
(mais longe do que devia) indica96es auto-biographicas (vid. 
no citado livro — Luis^ de Camoens Leben — o Cap. rsr, cuja 
primeira metade appareceu traduzida em portuguez (no Vol. i 
do Circulo Camoniano) pela Ex."** Sn.*^ D. Carolina Michaélis 
de Vasconcellos) : esses lapsos do illustre biographo, tratou 
de rectificál-os o meu douto amigo e collega José Ramos- 
Coelho em artigos successivos que deu á luz no Vol. xv d^ O 
Occidente (Lisboa — 1892), e que depois (naquelle mesmo 
anno) coUigiu em folheto sob o titulo — A mae de Camóes — 
A proposito da qpiniáo do sr. Wilhelm Storck. 



Ñas ideas do professor Storck, relativamente á mulatice 
da escrava Barbara, communga o poeta allemáo Rodolpho 
Bunge. 

Em 1892, mas sem trazer data indicada, publicou-se em 
Leipzig, sob o titulo Camóes^ um poema romántico d'aquelle 



auctor (CamOens. Ein Dkhterleben. — Román m Versen von 
Rudolf Bunge). 

Neste romance em verso — verdadeiramente um roman- 
ce de pura phantasia (muito imbora «Vida do Poeta» (Ein 
Dkhterleben) Ihe chame em sub-titulo o auctor) — avulta em 
proeminencia a figura da sympathica Barbara, que Rodol- 
pho Bunge suppóe mulata mas formosa, mulata mas coro 
cabellos assetinados, escrava de Camoes dedicadissima e por 
elle apaixonada. 

Para quasi todos os capítulos d'este romance-poema es- 
colheu apropriadas epigraphes o auctor, quer nas estancias 
á^Os Lusiadas, quer na Lyrica de Camóes: entre ellas ñgu- 
ram (no Cap. xxxiv e no Cap. xl) dois trechos das Endechas 
a Barbara escrava, colhidos na traduc^áo alleman do pro- 
fessor Storck. 



XXV 



IÁ typographicamente composto, e prestes a íntrar 
no preío se achava o que ora acaba de ler-se no 
precedente capitulo, quando, pela mais feliz das 
surpresas e das coincidencias, aconteceu chegar-me ao co- 
nhecimento um livro inédito de escriptor francez. 

Sob o titulo — Camoens — N(^es et matéríaux — depa- 
rou-se-me ñas máos do Director do Circulo Camoniano um 
grosso códice autographico, devido á penna do fallecido 
Conde de Circoiut, insigne diplomata, lingüista notavel, e 
distinctissimo litterato. 

Esse precioso códice (em que se lé por subscrip?áo fi- 
nal: — «Adolphe de Circourt — VersaiUes, g Octobre 1841») 
offereceu-me traduzidas as Endechas de Gamóes á escrava 
Barbara, e outrosím definida a personzüidade gentil de quem 
graciosamente as inspirou. 

Deixar aqui neste meu opúsculo a traduc^áo do nobre ti- 
tular, e bem assim as conceituosas patavras com que a pre- 
cede, — impenho foi esse que alvorofado manifestei a quem 
o manuscripto me facultou, e que pude com grande rego- 
zijo realizar, auctorizado por carta cujo signatario me per- 
mitte fazer d'ella transcrip^áo. 



224 



Eis integralmente o que diz a referida carta: 

«Meu querido Xavier da Cunha. — Envio-te os trechos que de- 
sejas publicar do valioso livro Vie de Camoeiis do Conde Adolpho 
de Circourt, o amigo e companheiro de trabalho dos Viscondes de 
Santarem, de Balsemáo e Juromenha, e porventura o homem que 
mais atienta e desveladamente estudou em Franca a biographia do 
nosso grande poeta nacional. O actual sr. Conde de Circourt, Al- 
berto, escríptor notavel, cuja Histoire des Mauresques en Espagne 
constitue um dos mais admiraveis exemplares da erudicáo con- 
temporánea, concedeu-me o inapreciavel dom de por sob a minha 
guarda, durante o tempo que eu o necessitasse, para consultas, o 
in-folio do manuscrípto de seu irmáo, e autorisou-me a ser juiz in- 
declinavel da publica9áo do todo ou da porgáo do códice que me 
aprouvesse. Com quanto urna grande parte do volume, que tu 
conheces de um exame rápido e dos trabalhos de Máxime For- 
mont no Circulo Camoniano, nao tenha ainda a ultima e decisiva 
redac^áo, é certo que grande numero de paginas me parecem de- 
finitivamente escritas; o Circulo as hade archivar avaramente. En- 
tretanto a tua Pretiddo de Amor guardará a parte inédita, que Ihe 
compete na obra do Conde de Circourt, emmoldurando ñas suas 
paginas as referencias do grande gentil-homem á formosura da ca- 
tiva de Camoes. Ficas devendo tal obsequio á suprema amabili- 
dade de um cavalheiro, que, sem me conhecer mais do que dos 
meus versos e das minhas cartas, com a confiante fídalguia do 
seu nobre carácter depositou ñas minhas máos um dos seus mais 
apreciados thesouros de familia. 

cEstou em vesperas de partir para os Azores . . . Adeus, meu 
querido Xavier da Cunha. — T. C. i-x-gS. — Teu do cora^áo, Joa- 
quim de Araujo.^ 



Perante a solemne auctoriza9áo, que por tal carta me 
foi concedida, assiste-me o prazer de proporcionar como 
brinde aos leitores a traduc^áo franceza que o illustre Conde 
elaborou das Endechas (mais adeante a incluirei no logar 
competente), assim como os paragraphos que se relacionam 
com este incidente poético da vida de Camoes. 



225 



Da «mulata» que nos ultímos tempos da existencia do 
Poeta Ihe ofFerecia donativos, por atenuar-lhe a penuria, — 
d'essa nao chegou a occupar-se o Conde de Circourt. Vé-se, 
entretanto, que era seu proposito vir tambem a frizar esse 
ponto, — poís que numa especie de summario, por que abre 
o códice manuscripto, figura entre varias indicares e tre- 
chos o seguinte memorándum: 

< Une muláfresse Barbara donnait soupent au Javanais de Ca- 
mSes un peu d'argent au bien quelque nourrtture, de ce qu'elle ven- 
dait dans les rúes de Lisbonne. (Faria e Sousa).it 

Com referencia á bella inspiradora das Endechas é que 
o illustre Conde logrou, no seu livro, incontrar ensejo de 
pronunciar-se. 

E aqui está o que elle diz da «escrava indiana» (assim 
Ihe chama o nobre escriptor): 

tPendant le gouvemement du Comte de Redondo, et celui de 
son successeur, Camoens passa les hivers a Goa, principalement 
occupé de ses hautes études, et quelquefots y faisant tréve par ees 
distractions elegantes dont nous trouvons quelques traits dans son 
recueil. Je veux parler des Po&sies badines^, parmi lesquelles on 
peut ctter pour leur gráce les Couplets adressés a Dona Guiomar 
de Blasfé\ ca une Dame qui récitait son Rosaire*\ ca une autre 
Dame qui lui avait donné une plumea, mais surtout les charmants 
Couplets a unejeune Esclave Indienne, appelée Barbara^. Nous les 



i «Rimas, Part H.» — (Nota do Conde de Circourt). 
3 «Aquelle rosto, que traz 
O mundo todo abrazado. . .» — (Nota do Conde de Circourt). 

3 cPe^o vos, que me digáis 
As orajes, que rezastes, 
Se sSo pelos que matastes 

Se por vos, que assi matáis?» — (Nota do Conde de Circourt). 

4 •Endechas a Barbora escrava.» — (Nota do Conde de Circourt). 

i5 



rapporlerotis t'ci, pour ne pas laisser ignorer en mente tentps un 
des titres les plus agréables de Camoens á la gloire poSlique, ei 
une des marques les plus excusables d'une fragiUté que nous ne 
prétendons point cacher. L'áge du Poüte, et, bien plus encoré, les 
mceurs de la sociéié dans laquelle il vécut constamment, n'explt- 
quent que trop bien des faiblesses, rares d'ailleurs, et sans aucune 
injluence ni sur Vhahitude de sa pie, ni sur la teneur de ses pensées.» 






XXVI 



ITRAVEz de tantas e táo desincontradas opinides 
que havemos entáo de ver em Luiza Barbara, }á 
que nao podemos acceitar a absurda hypothese do 
insigne commentador Faria e Sousa? 

Evidentemente urna beldade indiana, — urna d'aquellas 
formosas creaturas de familia hindú, que táo decantadas in- 
contramos nos apaixonados shkas dos poemas sánscritos, e 
que, perfeitamente comparaveis ás apsaras da religiáo brah- 
manica, ainda hoje nos pagodes da India exercem a mais 
fascinante influencia em quem d'ellas se approxtme. 

A essas, sim! a essas quadra naturalmente o amoravel, 
o delicadissimo retrato, que em suas Endechas o Poeta nos 
offerece 

Da captiva gentil que serve e adora. 

A essas é que pertence a inspiradora de táo mimoso ly- 
rismo: a essas é que pode applicar-se bem aquella ineíFavel 
expressSo 

PretidSo de amor 

Táo doce a ñgura, 
Que a nevé Ihe jura 
Que trocara a cor. 



228 



Mostram commungar nestas mesmas ideas quasi todos, 
quantos para linguas extrangeiras teem trasladado as cinco 
estrophes das primorosas Endechas. 

E outrosim com elles combina a opiniáo do Sr. Conde de 
Ficalho, que, ao descrever-nos a vida em Goa no seculo xvi, 
diz em pag. 1 90 e 1 9 1 do elegante e substancioso livro Gar- 
da da Oria e o seu tempo (Lisboa — 1886): 

cAs escravas eram numerosissimas, negras ■ de Mozambique, 
dravidas retintas do Malabar, indianas mais claras do centro cu do 
norte, malayas, javanezas e outras. E entre as indianas e mala- 
bares, multas eram graciosas, com os seus grandes olhos de vel- 
ludo preto, a sua peile cobreada' e fina, os seus longos cabellos 
corredios, as suas cintas flexiveis e quebradas. Estas escravas ven- 
diam-se publicamente, nos leilSes da rúa Direita, ou em contratos 
particulares. Ás vezes passavam-se escriptos, garantíndo as suas 
qualidades, como boje se faría para um cavallo.» 

cPois d'estas escravas, geitosas, ccom boas manhas», muitos 
cidadáos tínham cinco e seis de portas a dentro — um verdadeiro 
harem. Outras, porém, saiam pela cidade, vendendo pelas mas 
ou nos bazares, bem ataviadas com os seus oiros e as suas mani- 
Ihas, muito accessiveis a proposi^Óes de toda a especie. Eram to- 
davía obrigadas a trazer a seus amos o producto dos seus ganhos 
lícitos e iliicitos, de que alguns d'elles viviam.» 

■ 

E logo adeante, em pag. 192: 

cNáo ha duvida que a convivencia com estas cperrinhas mala- 
bares» podia ser agradavel. Algumas eram muito bonitas, com toda 



X «A estás chamavam mais propríamente cafres; e davam o neme de ne- 
gros e negras de um modo geral a todos os escravos de cor escura, quer fos- 
sem africanos, quer asiáticos.» — (Nota do Sr. Conde de Ficalho). 

Judiciosa é a observa9Ío do illustre académico, e mui producente no sen- 
tido em que tenho incarado a solu^So do meu problema. 



229 



a languidez ardente dos trópicos; e sobre isso escrupulosamente 
cuidadas, tomando banhos a miudo, e perfiímando-se com c sándalo 
branquo, aloes, canfor, almisquar e a^afram, tudo muido e delido 
em agua rosada». Podiam mesmo fazer excellente companhia, pois 
eram cconversaveis» apesar do seu mau portuguez, d*aquella clin- 
guagem meada de hervilhaca», que tanto ofifendia Camoes; e eram 
prendadas, tocando e dansando com muita gra^a.» 

Neste provocante genero de bellezas femininas inclue o 
illustre Professor a inspiradora das «Redondilhas». 

Em pag. 189 do citado livro — pode ler-se, terminante- 
mente exposta, a opiniáo do auctor: 

tDo Camóes sabemos nos que depois se achava convertido ao 
partido da tez escura e dos cabellos negros, quando dizia da es- 
crava Barbara: 

Rosto singular, 
Olhos socegados, 
Pretos e cansados. 
Mas nao de matar. 
Urna gra^a viva. 
Que n'elles Ihe mora, 
Para ser senhora. 
De quem é captiva. 
Pretos os cabellos, 
Onde o povo vao 
Perde opiniáo, 
Que louros sao bellos.» 

«Convertido» — é o termo que emprega o Sr. Conde de 
Ficalho: «convertido ao partido da tez escura e dos cabellos 
negros». 

«Convertido» — nao direi eu: nao se converte um fiel, 
nao renega um crente de suas arraigadas convic9oes. 

Convertido j nao: fascinado, subjugado, inlouquecido I 



23o 



«Negra» Ihe poderiam chamar? mas «negras» ordinaria- 
mente se chama vam (como em pag. 228 ficou ponderado e 
auctorizado com o testemunho do Sr. Conde de Ficalho) as 
escravas de cor fusca, pertencessem ellas muito imbora ao 
mais formoso typo da familia asiática. 

O proprio Camoes dá qualificagáo de «negros» aos Ma- 
laios de Sumatra. E aqui está um Soneto que me nao deixa 
mentir: é aquelle em que o Poeta celebra o famoso D. Leo- 
niz Pereira na heroica defesa de Malaca, assaltada em i568 
pelo Achem. 

Vos, Njonphas da Gangetíca espessura, 
Cantae suavemente, em voz sonora, 
Um grande Capitao que a rdxa Aurora 
Dos filhos defendeu da noite escura. 



Ajuntou-se a caterva negra e dura. 
Que na Áurea Chersoneso afoita mora. 
Para lanzar do caro ninho fóra 
Aquelles que mais podem que a ventura. 



Mas um forte ieao com pouca gente 
A multidáo, táo fera como necia, 
Destruindo castiga e toma fraca. 



O Nymphas, cantae, pois, — que claramente 
Mais do que Leónidas fez em Grecia 
O nobre Leoniz fez em Malaca. 



«Negra» neste sentido chamavam á inspiradora das En- 
dechas? «Negra» Ihe chamariam, ^ — «negra» Ihe poderiam 
chamar quantas vezes quizessem, — sob condi^áo de reco- 
nhecerem nella uma das inebriantes beldades a que justa- 



23l 



mente se applicam as enthusiasticas palavras de Bhartriharí 
na Centuria do amor: 

€Par son ptsage aussi beau que la lurte, par ses cheveux noirs 
et langs, par ses mains qui imitent la rougeur du npnphéa nélumbo, 
elle brille, cotnme si elle était faite de pierreries^.^ 

ly estas infeitÍ9antes muiheres diz o referido poeta: 

€Elles rendentfüu, ellesenivrent, elles vous cantrefont, pous me- 
nacent, pous réjouissent, vous constement: certes! que nefont pas 
cesfemmes aux yeux charmants, unefois qy^ elles ont penetré dans 
le cceur amoureux des hommes!^^ 

r 

É que estamos no ber^o do sol, na regiáo das maravi- 
Ihas, na esplendorosa patria de Vyasa e deValmiki, no aben- 
9oado torráo em que brotaram assombrosos os cánticos do 
Ramay^ana e do Mahábhárata, no paiz em que surgiram for- 
mosissimos por entre o inspirado verbo dos poetas as figuras 
de Sltá e de Sávitr!. Circula agitada pelas auras urna balsa- 
mica ondula9áo de perfumes; sentem-se boiar na atmosphera 
os melodiosos shkas de Jayadeva; quasi que se nos afigura 
escutar a voz maviosa da internecida Xakuntalá em coUoquio 
innocente com as suas ingenuas companheiras de juventude, 
cu em carinhoso afago para com as gazellas e os arbustos 
do ermiterio paterno; por toda a parte esmeraldas, e rubis, 
e perolas; por toda a parte a inebriante flor do lodam; por 
toda a parte scintiUa^óes e phosphorescencias. 



I Bhartriharí et Tchaatira, ou la Pantchafika du second et les Sentences 
érotiques, morales et ascétiques du premier, Expliquées du sanscrít enfranjáis, 
pour la fremiére fois Par Hippolyte Fauche (Meaux — 1852) — pag. 8o. 

* Op, cit. — pag. 8o a Si. ' 



232 



Referindo-se ás mulheres que alli se Ihe deparavam, di- 
zia o Camdes (recem-chegado a Goa) em carta a um de seus 
amigos : 

cSe das damas da térra queréis novas, as quaes sao obrigato- 
rias a urna carta, como marinheiros á festa de S. Frei Pero Con- 
dal ves, sabei que as portuguezas todas cáem de maduras, que nao 
ha cabo que Uie tenha os pontos, se Ihe quizerem lanzar pedago. 
Pois as que a térra dá, álém de serem de rala, fazei-me mercé que 
Ihes faleis alguns amores de Petrarca ou de Boscáo : respondem-vos 
uma linguagem meiada de ervilhaca, que trava na garganta do in- 
tendimento, a qual vos lan^ agua na fervura da mor quentura do 
mundo. Ora julgae, senhor, o que sentirá um estomago costumado 
a resistir ás falsidades de um rostínho de tauxia de uma dama lis- 
bonense, que chia como um pucarinho novo com agua, vendo-se 
agora entre esta carne de Salé, que nenhum amor dá de si. Como 
nao chorará cías memoriasi de <in illo tempore»?! Por amor de 
mi, que ás mulheres d'essa térra digáis da minha parte que .... se 
querem absolutamente ter aleada com barago e pregáo, que nao re- 
ceiem seis mezes de má vida por esse mar, que eu as espero com 
procissáo e palio, revestido em pontifical, onde est'outras senhoras 
Ihes iráo intregar as chaves da cidade, e reconheceráo toda a obe- 
diencia, a que por sua multa edade sao já obrígadas.» 

Nada porém obstou a que uma vez o amador da loira 
Nathercia, fazendo arriende honorable, descobrisse ñas fuscas 
feifoes de gentilissima hindú motivos para uma de suas in- 
fidelidades e. . . . inspira9áo para uma de suas mais lindas 
Redondilhas. 



Formosa como a Sávitri do Mahábhárata ou como a Sita 
do Ramajrana, como a Xakuntaia de Kalidasa, ou como a 
propria Lakchmi, a divina esposa de Vichnu, a gentilissima 
Kamalá «que entre as beldades femininas sobresal, qual so- 



333 



bresái entre as flores o lodam sagrado», — foi certamente 
sob este ponto-de-vista que inspirado a phantasiou num es- 
boceto o insigne professor portuguez Miguel-Angelo Lupi. 

Nao traz assignatura esse esboceto, — pintado em tela 
a tintas d'oleo, num rectángulo que mede o",35 de altura 
por o",25 de largura, — e pertence elle hoje ao editor d'es- 
tas paginas (o meu dilecto amigo Dr. Antonio Augusto de 
Carvalho Monteiro), que no espolio do finado artista o arre- 
matou em leiláo e amavelmente me permittiu examinál-o. 

Debuxando-a em mais de meio-corpo, sentada a quiz o 
pintor figurar, voltada a tres-quartos para a esquerda, incli- 
nado o busto um nadinha na graciosa postura de unía ti- 
midez quasi-infantil, descahidos um tanto os bra90s, mas 
approximadas as máos na attitude insinuante de humilde 
súpplica. O espesso veo de gaze branca e diaphana, cuja 
transparencia inutilizam dobras multiplices, deixa-lhe a des- 
coberto, na sua desnudez, bracos e peito de tez acobreada, 
como acobreado é o eolio e o semblante. 

Airosa a testa; olhos grandes e rasgados, húmidos e 
negri-luzentes, suaves na meiga expressáo da sua melan- 
cholica do^ura, semi-abstractos, semi-absortos na vaga con- 
templando do infinito, comparaveis aos da antilope (como 
nos poemas sánscritos os das virgens hindus), reproduzidas 
assim em todo o seu alcance de suggestiva influencia as 
particularidades descriptivas dos versos camonianos 

Rosto smgular! 
Olhos socegados, 
Pretosy e cansados 
Mas nao de matar! 

«Socegados, pretos, e cansados», — Ihe pintou os olhos o 
artista: «cansados» e fagueiros, «cansados» e tímidos, «can- 



234 



nguidos, «cansados» de innocente volupía; e só 
os (antes incansaveis!). . . . só nao cansados. . . . 
<l só nao cansados de estontear, e subjugar, e 
■der, todo aquelle que ouse fito a fito incarál-os! 
:or do que matarem-nos aquellas olhos! é escra- 
s em sua irresistível tentaíáo. 
>, lá diz o auctor das Endechas: 



Urna gra^ viva 
Que nelles Ihe mora, 
Para ser senhora 
De quem é captiva! 



Aquella captiva, 
Que me tem captivo, 
Porque nella vivo, 
Já nao quer que viva. 



ío malar desenha-se-Uie elegantissíma a trans¡9áo 

itico para o caucásico. 

it bocea. . . . urna boquita vermelha e pequenina! 

e-rosa a querer entre-a brir-se. 

bellos? 

Pretos os cabellos, 
Onde o povo váo 
Perde opiniao 
Que os loiros sao bellos! 

lellos, quasi todos escondidos pelas brancas pré- 
que Ihe desee da cabe^ a involver-lhe a nudez 



235 



do corpo franzino e delicado, mal chegam realmente a des- 
cortinar-se-lhe uns vislumbres ; tanto basta, porém, para que 
nelles Ihe verifiquemos demonstrada a galante asser9áo do 
inamorado Camoes. 

No pescólo, destaca-se-lhe um rubro collar de coraes 
esphericos, — como se Lupi caprichasse adrede em tomar 
mais accentuada a «pretidao» das pomas virginalissimas ! In- 
cide-lhe do alto, sobre as gazes do veo, em luminosos feixes 
de scintilla^áo prateada, nao sei que mysterioso claráo de 
phantastica procedencia, derramando-lhe no conjuncto a 
contra-prova d^estes quatro versos: 

Pretidao de amor 

Tac doce a figura, 
Que a nevé Ihe jura 
Que trocara a cor! 

E, em todos os pormenores physionomicos, a denuncia- 
rem-se artísticamente comprehendidos pelo pintor os cara- 
cteres moraes da imagem descripta pelo Poeta: 

Leda mansidáo, 
Que o sizo acompanha, 
Bem parece extranha, 
Mas barbara nao. 

Presenta serena 
Que a tormenta amansa: 
Nella emfim descansa 
Toda a minha pena. 

Pertence a «Barbara» de Lupi á familia da «Lalla-Rookh» 
de Moore. Nao admira, pois, que na contempla9áo do esbo- 



i36 



ceto sintamos acudirem-nos instinctivamente as dulcissimas 
expressóes da musa camoniana: 



Eu nunca vi rosa 
Em suaves mólhos 
Que para meus olbos 
Fdsse mais fermosa. 



Nem no campo flores, 
Nem no céo estrellas. 
Me parecem bellas 
Como os meus amores. 



Vendo a «Barbara» de Lupi, é crivel que Luiz de Ca- 
mdes, nella reconhecendo a sua adorada escrava, acabasse 
por exclamar: 

Esta é a captiva 
Que me tem captivo: 
E, pois neila vivo, 
É fdr^a que viva. 



XXVII 



IPAKONou-sE entáo Gamóes por urna formosura de 
cdr bronzeada? por urna luminosa filha do Sol? por 
urna legitima descendente de Krichna, que, em toda 
a suave languidez dos trópicos, alliasse com a languidez a 
ardencia da paixáo, mysteriosamente condensada num mixto 
indefínivel de voluptuosidade? 

Apaixonou-se. 

E o que se prova .... O que se prova é que .... variatio 
áelectat. 

Tudo effectivamente é varíavel e mudavel: só nSo ha 
mudan^ nem varía9áo na eterna leí das antitheses. 

A Natureza alternou a luz com a sombra; a noite, com 
o dia; o movimento, com o repouso; com as tristezas, as 
degrías; com a insinuante seduc^áo dos surrísos, a poesía 
commovente das lagrimas; o fulgor escaríate da aurora, com 
as azuladas velaturas do liwr; as neves do invernó, com as 
calmas do estío; o verdejar das reivas, o desabrochar das 
flores e o alvorecer das esperanías na primavera, — com o 
amadurecer dos boletos, e o amareÜecer das folhas, e o 
despontar das saudades no outomno; com a purpura das 
rosas, o doirado esmalte dos junquilhos; com a fragrancia 
das violetas, a delicia inodora das cameltias; com o lepí- 



doptero de poUen furta-córes, a esmeraldina phosphores- 
cencia do pyrilampo; a ave-do-paraiso na Oceania ou o 
colibrí na Amenca, phantasticamente deslumbrantes pelas 
irísadas scintiUa^óes da sua plumagem polychromica, mas 
incompativeis com o feitíceiro ¡nievo das temas melodías, — 
em Portugal os crystallinos gorgeios do rouxinol e no Bra- 
zH os suaves cánticos do sabia, modestissimos imbora na 
sobria colora9áo das suas pennas o sabia e o rouxinol! 

Antagonismos sympathícos! relevem-me o feítio appa- 
rentemente paradoxal da expressSo, mas nao me occorre 
outra com que bem significar a minha idea. 

Que admira entáo que o adorador convicto das loiras 
acceitasse urna vez, na incantadora escrava, propicio ensejo 
para estabelecer justificaveis excep9Óes á sua these de amor?! 

Por uma voluptuosa hindú, de olhos pretos, cabellos ne- 
gros, e tez accentuadamente pigmentada, concebe-se e per- 
cebe-se que Luiz de Camoes, sem abjurar o culto idólatra 
das loiras, queimasse uma vez, em honra das bellezas trí- 
gueiras, o incensó da sua mais fervorosa adora9áo. 



XXVIII 



IM pag. 375 do livro que cítei publicado em 1880 
(Luis' de Camoens SámmHiche Gedichte. — Zum ersten 
Male deutsch von WÜhebn SUjrck. — &-ster Band: Buch 
der Lieder und Briefe) confessa o ¡Ilustre professor de Münster 
náo saber d'onde os biographos de CamÓes derívaram para 
a incantadora "Barbara» das Endechas o nome «Luiza»: 

tWoher Barbara den Zunamen Luisa bekommen habe, weiss 
ich nicht». 

Effectivamente d'aquelle nome nao faz meníáo Faria e 
Soasa, — nem tSo pouco se Ihe referem quantos apoz Faria 
e Sousa escreveram, até que appareceu a lume com a bio- 
graphia do Poeta o nobre Visconde de Juromenha. 

Publicando a Elegia satyrica sobre os amores de Luiz 
de Camóes com a escrava (ta! qual transcrevi de pag. 202 
a pag. 204) e fundamentando-se no epitaphío burlesco por 
que termina aquella composi^áo 

(Luiz, retrato negro dos amores 
Negros seus, aquí jaz; a indurecida 
Luiza negra o fez, com negras dores, 
Mudar em negra mone a negra vida.) 



foi Juromenha quem primeiro intendeu que devería por nome 
proprio chamar-se «Luiza» a captiva designada por «Bar- 
bara» na rubrica epigraphica das Endechas. 

«Luiza Barbara» Ihe ficou entáo chamando o illustre bio- 
grapho, e apoz elle varios outros (entre esses o Sr. Dr.Theo- 
philo Braga e o Visconde de Correia-Botelho). 



XXIX 



ÍESTA agora perguntar: — Outras Luizas haveria que 
o Poeta cortejasse? outras, em cujo louvor CamÓes 
thuríbulasse inamorado os delicados perfumes do 
seu exaltado lyrísmo? outras aínda, além d'«aqueUa captiva» 
que, apezar de ter «pretos os cabellosn, táo apaixonada- 
mente o captivou a elle, — a elle, o constante e fanático 
adorador dos cabellos áureos P 

A urna Luiza de rubios cabellos temos nos a certeza de 
que rendeu elle finezas naquelle Soneto, com que em pag. 53 
me appeteceu brindar ós leítores do presente livro. 

Sobre esse ponto é claro e clarissimo que nao existe he- 
sita^áo possivel. 

Mas o que ninguem todavía ousará sustentar é que á 
mesma beldade loira se refira est'outro, em que o Poeta 
disseminou acrosticamente (pelo meÍo dos versos 3.°, 5.°, 
7.°, g." e 12.°) as cinco lettras do nome LVISA. 

La letra que del nombre, en que mefitndo. 
Viene a ser principal en mi fatiga. 
Justamente jue L por que diga 
Ser la que más merece acá en el mundo. 



Asi también la V, qu 
Declara que a su pista 
Y luego muestra I coin 
Que muerte por su cat 



Venga luego la S, que sustente 
El soberano ser a do consiste 
Su gracia, y su virtud, y oíros valores. 



Alfin venga la A, que claramente 
Diga que alfin, alfin, yo soy el triste 
A quien Amor mató por sus amores. 



Terá este Soneto por objectivo a Luiza dos cabellos ru- 
bios, ou a Luiza Barbara da «pretidáo de amor»? 

Qualquer das hypotheses é perfeitamente acceitavel. 

Attendendo entretanto aos conceitos do Soneto (mór- 
mente nos versos 6.% 7.°, 8." e 14.'^, borbulha-me, com 
todos os característicos de verosimíl conjectura, nao sei que 
instinctiva suspeita, a que muito me inclino, de que possa 
nelle haver influencia dos 



Olhos socegados, 
Pretos, e cansados 
Mas aSo de matar. 



XXX 



IOR ultimo aínda um ponto a discutir: — De 
quem era escrava a lindissima «captiva», que a Luiz 
de Camdes tgo lindas «Endechas» ínspirou? 
Em um trecho, que (na pag. 42) ficou transcripto, IS-se 
do commentador Faria e Sousa esta observa^áo: 

*Si la e/clava era/uya, como parece, Juccedid ^fio en la India.» 

Ora aqui .... ha que destrincar. 

Que os amores, com a incantadora Barbara, fQssem du- 
rante a residencia do Poeta na India, — facto é esse que nSo 
admitte contesta^So possivel. 

Da epigraphe, com que as «Endechas» apparccem na 
edi<^áo-prmceps das Rhythmas, sai clara a demonstracáo efti 
toda a sua evidencia: — Endechas, a hüa catiua com qué an- 
dana d'amores na India chamada Barbara. 

Mas .... que o senhor da escrava fósse o proprio Poe- 
ta. .. . o proprio louvador de seus incantos. . . , — afigura- 
se-me insustentavel hypothese. 

E, em abono do que affirmo, attentémos ñas palavras 
que vou citar, acerca de CamSes, escripias por um seu con- 
temporáneo e enthusiastico admirador. 



244 



c como era grande gaflador, muyto liberal, & magnifico^ 

nao Ihe durauáo os bens temporaes, nxais que em quanto elle nao 
via occafiáo de es (sicj defpender a feu bel prazer.» 

Assim diz textualmente Pedro de Maríz no preámbulo 
(Ao eftudiofo da ligáo Poética) pela primeira vez publicado 
em a edÍ9áo d^Os Lusiadas de i6i3 (Os Lvsiadas do grande 
Lvis de Camoens. Principe da Púesia Heroica. Commeníados 
pelo Licenciado Manoel Correa^ Examinador fyitodal do Ar- 
cebifpado de Lisboa, & Cura da Igreja de S. Sebajliáo da Mou- 
rariaj natural da cidade de Eluas. Dedicados ao Doctor D. Ro- 
drigo d'Acunha, Inquifidor ApoftoUco do Sancto Oficio de 

Lisboa. Per Domingos Femandei/eu Liureyro 

Com licenga do S. Officio, Ordinario, y Pofo. — Em Lisboa. 
Por Pedro Crasbeeck. Anno de j6i3). 

Se nunca pois o Poeta (como asseveram todos os seus 
biographos) logrou ajuntar bens de fortuna \ — e se inclu- 
sivamente, nesse pouquissimo que adquiría, mostrava (con- 
soante a phrase de Pedro de Maríz) disposÍ9Óes de «grande 
gaftador, muyto liberal, & magnifico», — poderia acaso Luiz 
de Camóes, alguma vez, possuir na bolsa a quantia indispen- 
savel para nos mercados de Goa comprar (em capríchoso 
devaneio de um momento) uma lindissima captiva, quando 
já mesmo a lendaria posse do escravo Jau reveste quasi for- 
mas de um problema insoluvel? 



1 Pondere-se o que diz Diogo do Couto no Cap. xzvuz (pag. 1 19) da De- 
cada 0)fta»a da Asia (Lisboa — 1673) : 

«Em Moftmbiqne achamoB aquelle Príncepe dos Poetas de feu tempo, mea matalote, A amigo 
Luiz de Camoeiu, ta6 pobre que comia de amigosi & para fe embarcar para o Reyno Ihe ajumamos 
os amigos toda a roopa que ouue mifter, & nao &ltou quem Ihe deffe de comer, & aquelle inuemo que 
efteue ero Mo^ábiqoe, acabou de aperfei^oar as fuas Luziadas para as imprimir, & foi efcreuendo muito 
em um liuro que hia fiuendo, que intitulaua Pamafo de Luiz de Camoens, liuro de muita erudiqi6, 
doutrína, & Philofophia, o qual Ihe fortara6, & nunca pude Caber no Reino delle, por muito que o 
inquirí, & foi furto notauel, & em Portugal morreo efte ezcellente poeta em pura pobreza.» 



24S 



Bem sei que me váo talvez responder com aquella ga- 
lante referencia aos negros olhos de Barbara 



Olhos socegados, 
Pretos, e cansados 
Mas nao de matar! 



Urna gra^a viva 
Que nelles Ihe mora, 
Para ser senhora 
De quem é captiva! 



E nesses dois últimos versos faráo principalmente con- 
sistir a base de suas argumentares, quantos pretendam se- 
guir, com referencia a este ponto, a opiniáo de Faria e 
Sousa. 

Interpretando os dois versos, como gentil requebró do 
adorador para com a sua adorada, quereráo ver nelles um 
requinte de galanteio e simultáneamente a confissáo de 
achar-se o Poeta imo pectore captivado e rendido. 

Nos citados versos, todavía, mais plausivel me surge 
uma interpreta9ao differente. 

Em primeiro logar, perguntarei: — que precisáo tinha o 
Poeta, na sua despótica auctoridade perante uma vil captiva 
por elle comprada (como se comprarla uma bésta-de-carga), 
que precisáo tinha (repito) de Ihe solicitar correspondencias, 
indere^ando-lhe galanteios e requebros? 

Nao era de Camóes a escrava. 

Inclusivamente aquella mesma phrase («A húa catiua 
com que andaua d'amores»), — phrase incluida no titulo 
com que pela prímeira vez sahiram publicadas as Ende- 



246 



chas, — de sobra nos mostra nao ser escrava do Poeta, mas 
escrava d'outrem, a captiva Barbara. 

ÁcÉrca de urna escrava que seu legítimo dono e senhor 
tivesse constamememe de portas a dentro, sería menos bem 
cabida a expressáo «com qué andaua d'amoresn, — expressáo 
alias muí adequada quando se reñra a urna escrava alheia, 
com quem, só de longe em longe, e talvez a fixrto, em oc- 
casionaes incontros, o Poeta pudesse trocar galanteios de 
amor. 

Em segundo logar, accrescentarei: — CamÓes expres- 
sando naquelles deis versos a prodigiosa fascina^áo dos 
olhos negros, lánguidos e matadores, com que o inebriara 
a formosa indiana, Camóes o que teve em mira foi exalfar 
enthusiastico os incantos de táo adoravel beldade. 

Converter-se a escrava em «senhora» d'aquelle que a 
possuia por «captiva» — claro está que assaz nos inculca na 
captiva primorosos dotes de seducíáo. 

Mas na escrava os quilates da formosura, se por aquella 
expressáo houvermos de os avaliar, tanto mais avultarao, 
quanto mais elevada suppuzermos a categoría hierarchica 
do respectivo dono e senhor. 

Camóes, elogiando por aquelle modo a formosura de 
Barbara, tinha certamente em vista alludir a um alto per- 
sonagem, a um senhor poderosissimo. 

Tudo pois me leva plausivelmente a conjecturar que o 
«senhor» da «captiva» fósse (nem mais, nem menos!) o pro- 
prio Govemador da India. 

E, — se entre os que tal cargo desimpenharam, no tempo 
em que Luiz de Camóes lá serviu, houvermos de escolher 
algum, — tudo nos induz a suppOr, tudo nos auctoriza a 
precisar, que o poderosissimo «senhor» da escrava Barbara 
fósse o Govemador Francisco Barreto. 



247 



Quem sabe mesmo se nao foi esse o motivo tácito da 
ferrenha perseguÍ9áo movida por Francisco Barreto a Luiz 
de Camoes?' 

Quem sabe se nao está nisso a explicarlo d^aquelle in- 
qualifícavel desterro para Macau, — desterro apparentemente 
disfar9ado sob urna commissáo officiál de servifo ? 

Vai talvez nos amores de Cam5es com a escrava o 
exacto commentario do 

injusto mando executado 

Naquelle, cuja lyra sonorosa 
Será mais afamada que ditosa. 

(Cam6es — Os Lusiadas — X, 128) 

Pois, qué? se deiictos puniveis houvesse o Poeta com- 
mettido contra o poderoso Govemador, — Francisco Bar- 
reto (o infléxivel e duro Francisco Barreto), em vez de 
sepultar num carcere o delinquente, contentar-se-hia por- 
ventura de afastál-o, incarregando-lhe (de mais a mais!) o 
desimpenho de lucrativas func96es? 

Rancores pessoaes (e porque nao ha de ter sido o ciume 
em toda a sua rancorosa explosáo ?) explicam-nos, melhor e 
mais cabalmente do que outra qualquer conjectura, a nomea- 
9áo de Luiz de Camóes para o cargo de Provedor em Macau. 

Depois. . . . digam-me: — a que vem aquella sanha de 
Camóes extravasada em «máo menos de cinco estancias» 



I No drama CantSes (que em pag. 200 citei) do Sr. Cypríano Jardim, é 
ceno que Luiza Barbara figura por escrava do Governador Francisco Bar- 
reto, — mas nessa concep9áo ha meramente uma phantasia de dramaturgo, 
phantasia que nada tem de commum com a minha hypothetica maneira-de- 
ver, pois que nem Francisco Barreto allí entra em amores com a escrava, nem 
do entrecho dramático resultam desintelligencias pessoaes entre o Poeta e o 
Governador, nem o Poeta alli se nos mostra apaixonado por Luiza Barbara. 



248 



contra o grande Affonso de Albuquerque, o Ínclito capit3o 
do Oriente? 

Seis estancias do Cant. X d'Os Lusiadas consomé a 
«bella Nympha» na «Ilha dos Amores» a elogiar os altos 
feitos do egregio conquistador. 

E quasi outras tantas, logo em seguida, reserva Cam6es 
para Ihe lanzar em rosto a sua rigorosa inflexibilidade, a 
sua cruel prepotencia contra o inamorado Ruy Días': 

Mais estancas cantara esta Sirena 
Em louvof do illustrissimo Albuquerque: 

Mas lembrou-lhe urna ira que o condemna 

Posto que a fama sua o mundo cerque! 
O grande capitSo, que o Fado ordena 
Que com trabalbos gloría eterna merque, 
Mais ha de ser um brando ccxnpanhóro 
Para os seus, que juiz cruel e inteiro. 



' Juntamente com esta preoccupa^So de anímosidade contra o ínclito hé- 
roe do Oriente, — o sentimento de compdxSo que n'alma Ihe brotou, ante o 
calamitoso ñm do desventurado Ruy Días, chegou a des>fogar-se mesmo na- 
quelle conhectdo Soneto, que a tantas controversias tem dado ensejo, íncli- 
nando-se inclusivamente alguns a ver nelle (I) urna auto-biographia do Poeta: 



Viii, cbeioa de Til muerii ( 
Fm-DK tío cedo t loi do di 
Qut alo tí dnca liuiroe ici 



Cocii teim e mim epamdoi, 

Bucudo á Tídi algum remedio oa < 
Mu aqnlllo qae cnifim nlo dá raitiu 
Nio o dio 01 iraMhoi umcadoa. 



Me fíi nuniír de pelies a 
Mw, que bnei ■ Abáuii fer 
Tío loDge di ditou patiii in 



249 



Mas — em tempo que fomes e asperezas, 
Doengas, frechas e troy6es ardentes, 
A sazáo e o logar, fazem cruezas 
Nos soldados a tudo obedientes, — 
Parece de selváticas brutezas, 
De peitos inhumanos e insolentes. 
Dar extremo supplicio pela culpa 
Que a fraca humanidade e axnor desculpa. 



NSo será a culpa abominoso incesto, 
Nem violento estupro em virgem pura, 
Nem menos adulterio deshonesto, 
Mas . . . . co' uma escrava vil, lasciva e escura. 
Se o peito, ou de cioso, ou de modesto, 
Ou de usado a crueza fera e dura, 

Co' os seus uma ira insana nao refreía 

P6e, na fama alva, noda negra e feia. 



Viu Alexandre a Apelles namorado 
Da sua Campaspe . . . . e deu-lh*a alegremente, 
Nao sendo seu soldado experimentado, 
Nem vendo-se num céreo duro e miente. 
Sentíu Cyro que andava já abrazado 
Araspas de Panthéa em fogo ardente, 
Que elle tomara em guarda, e promettía 
Que nenhum mau desejo o vencería 



Mas vendo o illustre persa que vencido 
F6ra de amor, que emfim nao tem defensa, 
Levemente o perdda: e foi servido 
D'elle num caso grande em recompensa. 
Por fdrga, de Juditha foi marido 
O férreo Balduino: mas dispensa 
Carlos (pae d'ella), posto em coisas grandes, 
Que viva e povoador seja de Fraudes. 

(Cam6es— 05 Lusiadas^Xj 45 a 49) 



Cinco estancias! nSo estáo mesmo, em similhante insis- 
tencia, a inculcarem-se reflexos de nm resentimento pessoal? 

Cinco estancias! nao está nellas a presentir-se urna allu- 
sáo autc-biographica, e, sob disfarce, um desafdgo do pro- 
prio corafáo? 

Sem possuir elementos para uina demonstrado rigorosa, 
que tal hypothese justifique, afigura-se-me entretanto sobre- 
modo acceitavel esta conjectura que offerefo. 

Aquellas cinco estancias de vituperio, quasi alli mettidas 
sobreposse, em referencia ao «illustnssimo Albuquerque», 
nao deveráo porventura intender-se Com sobrescripto para 
a tyrannica rispidez de I^rancisco Barreto? 




XXXI 



IERDÓEM-HE agora as beldades morenas, — se no que 
tenho dito, em prol das loiras, cuídarem ver um 
aggravo. 

Nao as aggravei ; nao pensei nunca em aggravál-as. An- 
tes o que fiz . . . . foi mostrar como até na «pretidáo de amor» 
pode inebriante surrir a mais appetitosa formosura. 

SSo inclusivamente indispensaveis estes contrastes fri- 
zantissimos do loiro e do trigueiro, para que trigueiras e 
loiras possam, com o devido relevo, pdr na evidencia aprí- 
morados dotes de incauto e de belleza. No antagonismo re- 
ciproco do loiro e do trigueiro, e no seu confronto esthetico, 
reside mais do que noutro qualquer elemento, para trigueiras 
c loiras, o privativo segredo de sua magnética influencia. 

Tirassem-nos do mundo as loiras beldades, e a formo- 
sura das morenas perdería urna parte notavel do seu mágico 
feitiío. Ao mesmo tempo. . . . que sería das bellezas loiras, 
se na trigueirez das morenas Ihes n3o brotasse um recurso 
artistico de contraposi^áo? 

Estáo-me a lembrar, dos meus tempos de juventude, 
uns galantes versos de Pinheiro-Chagas, escriptos quando 
elle e eu cursavamos aulas na Eschola Polytechnica. 



2b% 



«Profissáo-de-fé» que dos labios Ihe irrompia patriótica- 
mente perante as formosuras merídionaes do nosso paiz, co- 
ine9avam d'esf arte os versos (cujo autographo conservo em 
meu poder): 

Fallidas vii^ens do gelado Norte, 
De louras trancas, de celeste olhar; 
Mimosas flores, que aspiráis a morte 
Na fria aragem, que vos faz murchar: 
Sois lindas. Ha na rosa desmaiada 
Mundos talvez de divinal poesia; 
Mas eu prefiro a rosa nacarada, 
A flor ardente do vivaz Meio-dia! 



Com aquelle enthusiasmo communicativo, que é proprio 
das edades verdes, — todos quantos escutámos a recita^áo 
do auctor, todos o felicitamos pela contextura elegante dos 
versos. 

Mas houve quem nao pudesse resistir ao desejo de os 
parodiar. Houve um estudante, cujo nome pe^o licen9a para 
conservar em segredo (e apenas direi ser elle o mais obscuro 
do respectivo curso) — houve um estudante, repito, que nao 
hesitou em apresentar-se, qual outro Magri90, a defender 
com intrepidez a oífendida gentileza das virgens de Albion. 

Ignoro se de pouco patriótico poderáo espiritos meticu- 
losos accusar o parodista. O que sei é que a parodia dizia 
o seguinte: 

Morenas virgens do meu patrio Tejo, 
De negra tranga e voluptuoso olhar, 
yi90sas flores a que o eterno beijo 
Do sol ardente vem a tez queimar, 
Sois lindas ! — Ha na flor acarminada 
Vivo fulgor de oriental rubim: 
Mas eu prefiro, á rosa afogueada, 
Mimosa cor de vitral jasmim. 



253 



Por fím de contas. . . • nao prefería tal, o parodista: gos- 
tava de todas muito especialmente, — e nesse especial gostar 
de todas (digámol-o aqui á pnridade) tinha elle por compa- 
nheiro o proprio auctor dos versos parodiados, e por com- 
panheiros outrosim todos os rapazes do nosso pequenino 
grupo, que todos na mesma religiáo commungavamos. 

E nesse especial gostar d^ todas • . • . (um verdadeiro es* 
cándalo!). . ... quem ha (£a9am favor de m'o dí2er), quem 
ha que, aos vinte annos, de moto proprio nao professe, — 
imbora affirmem poetas o contrario num momento de lyrico 
brínquedo ? 

Aqui está uma das candes populares a dar-me razáo: 

Entre a branca e a trígueirinha 
Nao sei qual deva escolher: 
Antes, bem quizera eu ambas .... 
Mas isso nSo pode ser! 

E nao pode ser. . . . porque nao pode serl Com que lás- 
tima obedece o anonymo trovador a similhante prescripfáo! 

Aqui temos egualmente Ovidio, o grande mestre da Arte 
de amar, que — no Liv. II ^Os Amores (Elegía iv) — nos diz 
sem rebufo algum: 

Candida me capiet, capiet me flava puella; 

Est etiam in fusco grata colore Venus. 
Seu pendent nivea pulli cervice capilli: 

Ledajuit nigra conspicienda coma. 
Seuflavent: placuit croceis Aurora capillis. 

Ómnibus historiis se meus aptat amor. 

E aqui está o seu maís privilegiado interprete, legitimo 
herdeiro de Ovidio no genio, no sentimento, e na música- 



254 



lidade, — aqui está elle a verter em quadras septisyllabas os 
hexámetros e pentámetros do Sulmonense ' : 



A candida me arrebata, 
A loira me exige amores; 
Tambem na trígueira, 6 Venus, 
Sao doces os teus favores. 



Cobrindo um eolio de nevé 
Negro cabello me enreda; 
Tambem prendías os olhos 
Por negras trancas, ó Leda. 



Se tem doiradas madeixas, 
Doiradas a Aurora tem. 
De tudo encontró ñas Densas: 
Com tudo este amor vai bem. 



Já que falei do Ovidio Portuguez, deixem-me tambem 
citar aproposito o glorioso nome de seu filho primogénito. 

Seráo na Alcagova se intitula das Manuelinas^ um pri- 
moroso capitulo. E nesse capitulo (que forma, por si s6, um 
delicioso poema), nesse capitulo — ao pintar-nos o mofo 
Garcia de Mello extático perante as formosuras da corte e 
perplexo na escolha por que deva decidir-se — , exclama o 
illustre herdeiro do immortal Castilho, exclama (como se 
Garcia de Mello Ihe désse procura9áo bastante), exclama 



I Os Amores de P. Ovidio Nasáo — TraducgSo paraphrastica (inderessada 
exclusivamente aos homens Jeitos e estudiosos das lettras classicas) por Antonio 
Feliciano de Castilho (Rio de Janeiro — 1858) — ^Tom. 2.*, pag. 26. 

a Manutíinas^Canaoneiro de Julio de Castilho (Lisboa— 1889). 



255 



(como se procurador bastante o constituissem todos os mo- 
gos de vinte amios): 

Perguntae á mariposa, 
quando esvoafa na campiña, 
se é o liríOy ou se é a rosa, 
a flor branca, a purpurina, 
que a lograsse enfeitigar. 
Todas ama, a todas quer. 
Pois a flor. . . . é a mulher'. 

E porfim querem saber a quem definitivamente resolveu 
Garcia de Mello intregar o coragáoPÁ lindissima D. Filippa 
Per eirá da Silva, que o poeta das Manuelinas descreve assim^ 

Alta; formosura estranha! 
sobre aquella fironte loira 
rutiiava a luz sem nome 
cmn que o sol nascente doira 
as cqmiekas da montanha. 



Magnético influjo dos cabellos áureos, a cuja fascinagáo 
ninguem resiste! 



Que fiz neste livro ou pretendí fazer, diráo talvez, a ex- 
clusiva apotheose dos cabellos áureos, e que portanto ela- 
borei nelle o «Evangelho das loiras». 

Por mim, observarei táo-sómente que na apotheose de 
Luiza Barbara — na apotheose de quem personifica a gen- 



I Manuelinas — Candcnaro ie Juih de Cosli/Ao— pag. 1 17. 
> Op, dt. — pa^ 119 a 12a 



tilissima synthese da «pretidáo de amor» — está implicita- 
mente elaborado o «Evangelho das morenas». 

Tambem Ausonio de Chancel compoz em prol das loiras 
l£ Uvre des blondes (París — 1865), — livro em cujas pa^nas, 
nao obstante o exclusivismo do titulo, avulta frizantemente 
accentuada a seducfáo das bellezas morenas, — ao passo que 
o ¡Ilustre romancista Amadeu Achard, publicando Bruñes et 
bhndes (París — 1857}, e o delicado poeta Carlos Diguet, es- 
crevendo Blondes et bruñes (Paris — 1866), deixaram no tin- 
teiro a senten^a do pleito, pois que ficámos sem saber se 
preferiam as morenas ás loiras, se as loiras ás morenas. 

E o mais provavei (incUno-me a conjecturál-o), o mais 
provavel . . . . é que todos tres commungassem na seita do 
edectismo: 



tElle n'est, a vrai diré, ni bhnde, ni bruñe; mais ees deux 
couleurs írancháes sont Jonánes en une seule, qu'il serait dijficile 
de classer, et qui a beaucoup de pitíortsque et d'éclat. > 
(AsoLPHK BajvT—HUiM et MatUldeJ . 



Tu n'es point Manche, ni cuitrée: 
Mais a semble qu'on t'a dorée 
Avec un rayón de soleil. 

(VicntL Hvoo— Les Oriéntala: La tultane favoríie) 



Dos cabellos que uma formosa mulher tingira, e que por 
tingil-os estragara, diz saudosamente o galante Ovidio no 
Liv. I d'Oi Amores (Elegia xiv): 

Nec tamen aier erat, ñeque erat tomen aureus illis. 
Sed, quamvis neuter, mixtus uíerque color: 

Qualem clivosa madidis in vallünts Idee 
Ardua direpto cortice cedrus habet. 



257 



Estes quátro versos latinos, verteu-os Castílho magistral- 
mente, com aquelle seu inegualavel primor, em duas quin- 
as portuguezas': 



ülhas portuguezas': 



Nem do ébano a c6r tinham, 
Nem tinham a cor do oiro; 

Nem loiros, nem pretos eram 

Mas um mixto preto e loiro 
Que as proprias Grabas fizeram. 

Eram d'essa c6r sem nome 
Que apresenta o cedro annoso 
Nos frescos valles do Ida, 
Quando o tronco alto e cheiroso 
Vé a casca aos pés despida. 

Na seita do eclectismo .... disse eu que provavelmente 
commimgariam Ausonio de Chancel, Amadeu Achard e Car- 
los Diguet? 

Ha mesmo quem nao hesite em filiar-se na seitá do op- 
portunismo conciliador. Sirva de prova Rambouillet de La 
Sabliére em um dos seus graciosos Madrigaes : 

Souvent la belle Iris d'une tresse dorée 

Couvre le brun de ses cheveux: 

Mais de quoi qu'elle soit paree, 

Toujours elle attire les voeux. 

Est-elle bruñe? est-elle blotide? 

Rien ne légale dans le monde: 

Rien niégale aussi mon amour. 
Et, sans étre tnconstant, fai la bonne fortune 

D'étre amant, en un méme jour, 
Et d'une belle blonde et d'une belle bruñe. 



" Os Amores de P. Ovidio Nasao &c. (op. cit.) — ^Tom. !.•, pag. no. 

17 



258 



1 



• 



i 



Nicolau Fernandez de Moratin vai mesmo um pouco 
mais longe na Ode a que poz por titulo — Todas merecen. 
Aqui transcrevo a prova da sua tolerancia amavel : 



Agrádanme las feas 
porque san agradables, 
y las que san hermosas 
no es mucho que me agraden. 



Me gustan las morenas, 
que son algo marciales, 
y las blancas, que tienen 
el rostro, como un ángel. 






Las de los ojos negros 
con in^perío me atraen, 
y los ojos acules 
son ojos celestiales. 



Me encanta el rubio pelo 
al oro semejante, 
y el negro, que en los hombros 
candidos se dilate. 



Son para mí heroínas 
si son altas y grandes, 
y damas señoritas 
las que no fueren tales. 



La gruesa me parece 
matrona respetMe, 
y ninfa delicada 
la que es un poco grácil. 



359 

Que el ser de buen contento 
es cosa muy loable, 
según dicen antiguos 
filósofos morales. 

Por eso todas ellas 
logran enamorarme. . . . 
y- '"I veis como soy hombre 
prudente y razonable? 

Moratin, na sua incondicional transigencia, cometa por 
declarar que até as feias Ihe agradam. 

Admiram-se ? Tambem Castilho, o mimoso auctor das 
Cartas de Echo e Narciso, consolou as menos favorecidas 
pela Natureza, dizendo numa Epístola «Ás Portuguezas 
feis^s» (depois de escrever outra — «Ás Portuguezas formo- 
sas»): 



Se tendes de Venus o peito. 
De Venus sem ter o semblimte. 
Depende das bellas 
O genio arrogante, 
Pedi, suppUcae: 
Se Amor cruel vos foge. 
As azas Ihe-tomae. 



Co' as ondas as rochas se-gastam, 
As feras o tempo amada: 

Mostrae-vos constantes 

E o que vos fugia 
Porfim conseguis. 
Quem teima, ou tarde ou cedo 
Costuma ser feliz. 



É o caso de dizer como o Duque de Mantua na baílala 
do Rigolefío (lettra de Piave, com música de Verdi); 



Questa o quella per me pare sonó 
A quatti' altre d'tntomo mi vedo, 
Del mió core l'tmpero non cedo 
Meglio ad una che ad altra beltá. 
La castora apvenenja é qual dono 
Di che ilfato ne injiora la vita; 
S'oggi questa mi toma gradita, 
Forse un' altra doman lo sará. 



É o caso de repetir como no 3." acto d'El Joven Tele- 
inaco (lettra de D. Ensebio Blasco, e música de D. José 
Rogel): 

Me gustan todas 

Me gustan todas 

Me gustan todas 

En general: 
Pero la rubia .... 

Pero la rubia 

Pero la rubia 

Me gusta másl 

Pero la rubia. . . . Lá temos outra vez surrateiramente a 
insinuar-se-nos a preferencia pelas «beldades loiras»! Cer- 
remos portanto o capitulo .... cerrémol-o para nao incor- 
rermos imperdoavelmente no desagrado das «morenas». 



XXXII 



IOR um triz me escapava quasi, no decorrer d'este 
livro, o capitulo das «parodias»: mas logro ainda 
acudir-lhe a tempe, — e, se o leitor me perraitte, 
agora Ihe darei logar. 

Ha quem pretenda ver na «parodia», sobretodo na que 
se caracteriza por feifóes accentuadamente burlescas, um 
sacrilego attentado contra o respeito e venera^áo que aos 
grandes poetas devemos tributar. Protestam, porém, contra 
essa ínjustificavel subtileza de meticulosos, os mais ñnos 
espiritos e os mais abalizados ingenhos. 

Parodias, quando mesmo vasadas nos moldes da facecia, 
estáo no mesmo caso das caricaturas: sejam ellas intencio- 
nalmente inoífensivas, — e longe de representarem ultraje, 
menosprSzo, ou irreverencia, ficaráo antes symbolizando um 
especial testemunho de consagra^áo honrosa, pois que só 
nos vultos egregios incontra o caricaturista motivo para seus 
desenhos de jovial recreio, só ñas producfSes dos Ínclitos 
occorre buscar thema para tmita^Óes ou paraphrases. 

A imitafSes e paraphrases, a parodias e apropriaíóes, 
Camdes é certamente dos nossos poetas aquelle, em cujo 
riquissimo thesouro mais vezes se tem oíFerecido campo de 
explora9áo entre os cultores do genero. 



262 



Assim as tres primeiras estancias d' Os Lusiadas, o epi- 
sodio de «Ignez de CastroD, o do «Gigante Adamastoni, e 
varios outros trechos do immorredouro Poema, exemplifi- 
cam, frequentemente parodiados, frequentemente imitados 
ou glosados, a asser^áo que ora acabo de oíferecer. 

Entre as composifoes lyricas do amador de Nathercia, 
avulta sobremaneira neste particular, pela quantidade (já tai- 
vez innumeravel ') das apropria96es e glosas, imita9Óes e 
parodias, aquelle inolvidavel Soneto em que o apaixonado 
Poeta desintranhou saudades ante o passamento da sua ado- 
rada, — Soneto que tanto mais nos inleva^ quanto mais o 
lémos e o saboreamos: 

Alma minha gentil, que te partiste 
Tac cedo d'esta vida descontente, 
Repousa lá no Céo eternamente, 
E viva eu cá na térra sempre triste. 



I Em confírma^So do que deixo dito, permitta-se-ine aqui transcrever 
aproposito urnas palavras que em o N.* i65 á^A Época (Ponta-Delgada, 19 de 
Fevereiro de i885) incontro escríptas (sem o nome alias do seu ülustre au- 
ctor) pelo meu saudoso amigo, Dr. José Afibnso Botelho-Andrade, já citado 
em pag. 212 do presente livro: — «Nao ha versos na litteratura portuguesa, so- 
bre que mais se tenham exercido traductores e parodistas que os de Camóes, 
e entre as poesías do príncipe nenhuma como o soneto Alma minha gentil. Já 
hoje sería um livro curíoso o que reunísse todas estas parodias ; no prímeiro cen* 
tenarío do poeta, para os nossos netos, esse livro poderá talvez intitular-se As 
mil e uma parodias. É este um dos privilegios do genio : o que é bem pensado 
e bem escrípto desafía o talento dos que querem bem pensar e bem escrever». 

Sobre o assumpto citarei tambem palavras de Gamillo Castello-Branco. 
Dirigiu-as elle ao Sr. Alfredo Campos em carta-prefacio j>ublicada por este 
escriptor no seu poemeto Mma minha gentil, . . (Porto — 1886): — «Do soneto 
Alma minha gentil. . . conhe^o uma boa duzia de glossas inéditas e algumas 
impressas, em que provaram mais ou menos habilidade os poetas de maior 
nome no seculo xviii. Reinava entáo essa metromania epidémica, apesar do 
malsinado cacóphaton do verso — um senSo que jarretava bastante ao primor 
do soneto, ñas prelec^oens dos professores de rhetoríca e poética. Decorrido 
um seculo, tomou o elegiaco poemeto de Luíz de Camoens á incude dos cere- 
bros enthusiasticamente aquecidos pela admirafSo do Cantor de Ignez.» 



a63 



Se lá no asseoto ediereo, aonde subiste, 

« 

Memoria d'esta vida se consente, 

Nao te esquejas d'aquelle amor ardente 

Que já nos oUios meus táo puro viste. 

E se vires que pode merecer-te 

Alguma coisa a dor, que me -ficou 

Da magua — sem remedio— de perder-te, 

Roga a Deus, que teus annos incurtou, 
Que táo cedo de cá me leve a ver-te, 
Quáo cedo de meus olhos te levou. 

Das «Endechas de Camóes á escrava Barbara» nao me 
consta, porém, que haja parodias publicadas, ou imita9Óes, 
ou paraphrases. 

Inéditas conhe90 entretanto eu duas, que ora aqui passo 
a apresentar. 

Uma d'ellas, escripta no estylo faceto, foi o erudito Pro- 
fessor — e dilecto amigo meu — José Bénoliel, quem num 
momento de jovialidade se prestou a proporcionar-m'a, trans- 
formando jocosamente na Barba rapada a Barbara escrava: 

A BARBA RAPADA 

(PAIIODU) 

Aquella patifa 

Da barba de grypho, 

Debalde a borrífo 

Toda ella se engrifa! 
E bronca qual rocha: 
Sabáo, ou remdlho, 
Nao doma este abrolho 
Que as faces me abrocha. 



Nem granipo eoi tumores, 
No seio nem grelhas, 
Qual estas guedelhas, 
Me dáo tantas dores. 
Isto é que é pillar! 
Que os pelos damnados, 
De encarapinhados, 
Me háo de matar. 



É grossa, excessiva! 
Nao barba. . . . vassoura! 
Que nem a tesoura 
Já d'ella me pnva! 
Os fulvos camelos 

Do proprío sertáo 

Pois nunca terSo 
Táo duros os pelos. 



SabSo e suór 
Me escoire a figura; 
E nevé a frescura, 
É braza o calor. 
Lidar mats. . . . é v3o, 
Pois nada se apanha: 
Gastou-se a gadanha, 
A barba é que nao! 



EspSssa e serena, 
Depois d'esta dansa, 
Ao ar se balanza 
A mesma melena. 
É esta a patifa 
Da barba de grypho. . . 
Pois nao n-a espatifo 
Porque ella se engrifa! 



265 



A outra das duas, mais verdadeíramente paraphrase que 
parodia, é urna contraposÍ9áo das bellezas loiras ás bellezas 
morenas. Escreveu-a quem deseja conservar o incógnito, e 
por isso nao revelarei aqui o nome do auctor. Tenho porém 
licen^a para fazer transcrip^áo dos versos (transcrip^áo de- 
dicada ao meu prezado amigo Aráo Cohén, distincto poeta 
michaelense): 

Endechas a uma Ingleza livre 

Paraphrase em contraposi^áo 

DAS 

Endechas de Luiz de Camóes á escrava Barbara 

Moca captivante 
Que me traz rendido. 
Trago-a no sentido 
Sempre .... a todo instante. 
Em vicosos mólhos 
Flor suave e doce 
Nunca eu vi, que fdsse 
Táo grata aos meus olhos. 



No meu sonho ideal . . . 
Nem dos valles lyrio, 
Nem anjo do empyreo, 
Pude achar-lhe egual. 
Rosto peregrinp: 
Olhar prazenteiro 
De um azul fagueiro, 
De um azul divino! 



Casto galanteio, 
Que seu riso exprime, 
Faz com que me anime 
Temo devánelo. 



Áureos os cabellos!. . . 
Quem Ih'os logre ver^ 
NSo irá dizer 
Que outros scjam bellos. 



Em feifSes de amor. . . . 
Tez de tanta alvura 
Que a nevé mais pura 
Lhe cubi^ a cfir! 
Na grafa e no tom 
Que em seus gestos brílha, 
Mostra bem ser filha. ■ ■ ■ 
Fllha de Albíon. 



Deslumbrante e'strella! 
Iris de bonanza! 

Nella a minha esp'ran^a! 

Meu prazer só nella! 

Esta é a beldade 
Que me traz captivo: 
Ser-lhe pois esquivo. . . . 
Quem ha-de í quem ba-de ? ! ! ! . 




XXXIII 



I ERANTE as intermittencias e demoras que a estam- 
pagem d'este meu livro tem atravessado nos prelos 
(estou escrevendo isto em 26 de Outubro de 1894), 
chega-tne aínda a horas de ficar no presente capítulo com- 
memorada urna deiícadissima oíFerta e penhoratíva surpresa, 
com que recentemente fuí brindado pelo poeta das Ihres 
da Noüe. 

Em pag. 1 27 a ! 28 d'esse elegante volume (Porto — 1 894) 
depara-se-me um Soneto, que Joaquim de Araujo quiz ter 
a amavel cortezía de me dedicar. 

Como testemunho do meu reconhecimento, aquí vou eu 
transcrevél-o, — certo e certissimo de que háo de os leitores 
agradecer-me a transcrip^áo : • 

NO BAIRRO DE SANT'ANNA 

A XAVOR DA CUHKA 



Lenta a noíte caminha. Ddce e brando, 
Dos bandolins o cántico plangente 
Perpassa, as suas lagr3rmas escoando, 
Via-lactea amorosa e transparente. . . 



As estrellas, na altura, suspirando,' 
Gom seu tímido brílho opalescente, 
VSo da etberea morada acompanhando 
A toada, que treme ragamente. . . 



Some-se ao longe a serenata suave, 
E nem o vóo calmo duma ave 
Pelos espatos límpidos deriva. . . 



Mas, conando o silencio, que quebranta, 
Urna voz, que eu 36 0Í90, chora e canta 
As endeizas da Bárbara-cativa. . . 



D'este Soneto se fez separadamente impressSo, num fo- 
Iheto de 4 paginas, sob o titulo Barbara-escrava, — folheto 
que representa devéras urna raridade bibliographica, pois 
que d'elle se estampou apenas urna duzía de exetnplares. 

E agora pergunto eu: — poderiam nunca sentir-se, po- 
deriam nunca escrever-se taes versos, se na mente de seu 
auctor predominassem differentes ideas d'aquellas que em 
pag. 2i3 Ihe conjecturei? 



XXXIV 



Claudite jam rtvos, pueri: sai prata biberunt. 

IÉ tempo de intrar em scena quem, mais do que 
um obscuro preambulador, incontestavelmente maís, 
tem direito a reclamar a atten^ao dos leitores. 

É tempo de rematar estas paginas proemiaes, em que 
vai representado irai mero pretexto para grupar, em-tomo 
do gloriosissímo nome de Camóes, os nomes gloriosos dos 
insignes traductores que ao «altíssimo Poeta» renderam en- 
thusiastica homenagem vertendo em grande numero de lin- 
guas as Endechas a Barbara escrava. 



ENDECHAS 



BARBARA ESCRAVA 



TEXTO CAMONIANO 



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SUUM CUIQUE TUETUR 



; OS íllustres traductores, — cujas versSes o leitor 
; vai neste Ijvro apreciar e saborear, depois de 
■ saborear e apreciar o mimoso texto das «Ende- 
\ chas de Camóes á escrava Barbara», — a maior 
I parte, a quasí-totalidade (antes cumpre assim di- 
zél-o paracompleta exactidáo), fizeram-n-o acce- 
dendo amaveis e obsequiadores ao pedido que 
na minha obscuridade Ihes inderecei, directamente 
) a uns, e a outros por interpostas pessoas'. D'est'arte 
^ se me faculta occasiáo de apresentar vertidas em nu- 
merosos idiomas e dialectos as incomparaveis «Re- 
dondilhas» do immortal Poeta, — numerosos idiomas e nú- 




> QueiraiB toes peuoos, a cu^o obsequioso intennedio tantos &voreG de- 
vem as presentes pogioas, permittir que Ihes fiquem no meu livro archivados 
os nomes, entre os quaes figtinun mesoio alguns dos propríos traductores. 

Eis alphabeñcamente a lista d'esses beneméritos r — Prof. Aflbnso Le-Roy, 
Prof. Al&edo King, Dr. Antonio Annetto Caniana, Dr. Antonio Augusto de 
Carvaiho Honteiro, Ario Cohén, Augusto Francisco L,i¿vre, Prof. Augusto 



276 



merosos dialectos, como nunca em tantos logrou aínda, até 
hoje, de Camoes outra composi^áo qualquer incontrar-se 
reproduzida. 

Traductores houve mesmo que, sem previo convite, mas 
espontáneamente e de seu moto proprio, ao receberem no- 
ticia do polyglottico ramalhete em cuja forma9áo eu andava 
impenhado, por um extremado requinte de penhorante ama- 
bilidade vieram em meu auxilio oíFerecendo-me incanta- 
doras versóes. E d'este modo se explica a feliz circumstancia 
de possuir eu nalguns dos idiomas repetidamente vertidas 
as Endechas por varios litteratos, — multiplicadas assim na 
mesma lingua as homenagens ao Ínclito Poeta, como ñas 
facetas de um diamante lapidado se multiplicam irisadas e 
deslumbrantes as scintilla^óes luminosas. 

Na lista brilhantissima dos traductores, que adrede me 
fomeceram gentilmente os delicados primores do seu primo- 
roso ingenho, fíguram inscriptos os seguintes: 

Achilles Millien 
Dr. Achilles Romani 
Prof. Achilles Ruyfellaert 
Adriano Raison du Cleuziou 



Laisné, Dr. Augusto Marión, D. Bartholomeu Muntaner y Bordoy, Carlos Boy, 
Prof. Dr. Carlos Castellani, Prof. Carlos Joret, Carlos Padiglione, Edgardo 
Prestage, Edmundo Maignien, Prof. Eleutherio Lixio-Bruno, Pro£ Dr. Emilio 
Bloesch, Eugenio Gelcich, Filippe Guignard, Dr. Francisco Cangardel, Fran- 
cisco Carta, Francisco María Esteves Pereira, Gabríel Sirven, Prof. Guilherme 
Bolin, Guilherme Hahn, Henrique Augusto de Bríto Chaves, Henríque Michel, 
Hermano Dirks Harberts, Prof. Jacques Cándreia, Dr. Joao Cesarío de Lacerda, 
JoSo María Jalles, Jo§o Taylor, Prof. Joao Vising, Joaquim de Araujo, Dr. José 
Alexandre Teixeira de Mello, José Brossard, Dr. D. José Elias Lucio Suerperez, 
D. José Lamarque de Novoa, José Ramos-Coelho, Julio Petit, Justino Gary, 
LeSo Soulice, Prof. Dr. Leonel Modona, Dr. Luiz Dupraz, Luiz de Sarran- 
d'Allard, Manuel Rhdídis, Maurício Massip, Platao de Waxel, Prospero Pera- 
gallo, Thomaz Cannizzaro, Dr. Vicente Ansidei, Dr. Vicente Joppi. 



Prof. AfFonso Le Roy 

Dr. Alexandre Stewart 

Alfredo Bourgeois 

Alice Moderno 

André CoU de Barre 

Anonymo de Auray 

Anonymo do Béarn 

Anonymo do Blavet 

Prof. Dr. Antonio Ive 

Prof. Antonio Kriletií 

Antonio Winkler Prins 

Arthur Guilherme Moore, M. A. 

Baráo de Tourtoulon 

Dr. D. Bernardo Acevedo y Huelves 

Dr. BjOm Magnussen Ólsen 

Gamillo Variglia' 

Dr. Canon Pope 

Carlos Cesar Dénéréaz 

Dr. Carlos Krohn 

Carlos Prudhomme Dauphin' 

Cesar Morisani 

Christo Jorge Curiana 

Claudio Marión 

Condessa de Arntzen (Josephína Costantini-Arntzen) 

Diplosklabomenos' 

Edgardo Prestage 

Prof. Eduardo Cachia 

Prof. Emilio Ernault 



> Conhecido ñas letiras piemontezas pelo anagrammatíco pseudonymo 
•Grillo Valmagia». 

■ As suas produc^des em dialecto delphineí, costuma seropre subscre- 
VSlas com o pseudonymo 'Piare Troulet de S" Egrevo*. 

' Cryptonymo de um poeta grego, que nio quiz seu nome revelar. 



27» 



Ernesto Colussi 

Eugenio de Paula Tavares 

Fernando Chabrier 

Filippe Vallée 

Francisco Adolpho Celestino Soares' 



I Francisco Adolpho Celestino Soares (a cujo nome, por tradi^oes de fa- 
milia, andava gloriosamente vinculado, apar do amor das armas, o amor das 
lettras) consubstanciou em si um formoso talento, um brioso carácter, um co- 
ra 930 d'oiro, e simultáneamente uma pungente desventura. 

Conheci da Eschola Polytechnica este infeliz mo^o. Era elle, nos nossos 
tempos de saudoso condiscipulato, um dos mais francos, dos mais expansivos, 
e dos mais honestos alumnos que entSo frequentavam as aulas d*aquelle insti- 
tuto docente. 

No pequeño circulo de convivencia intima, — a que pertenciam commigo 
José de Jesús Coelho (um honrado e desditoso mancebo que lá foi tristemente 
finar- se no ingrato clima de San*-Thomé, depois de haver pro vado um brilhante 
curso de Artilharia), Joao Tedeschi (um fino escríptor de bons quilates, que 
exerce actualmente o cargo de Cónsul de Portugal em Nova- York), Alfredo 
Osear de Azevedo May (que, depois de justificar e sustentar no professorado 
do Real CoUegio Militar e ñas lides da imprensa jomalistica os auspiciosos 
créditos conquistados em tenro Verdor da adolescencia, é hoje em Abrantes o 
Coronel-commandante do Batalháo de Caladores n.* 8), e Joao Cesarío de La- 
cerda (que brilhantemente presidiu durante annos, como Governador Geral, á 
publica administra^áo da Provincia de Cabo- Verde, e que hoje desimpenha no 
Hospital da Marinha o alto cargo de Director), — Celestino Soares constituia, 
juntamente com os que deixei citados e com pouquissimos mais, rara excepcao 
á inexplicavel antipathia que a maior parte dos estudantes d'entao, distinctos 
imbora no tirocinio scientifíco das aulas, mostravam por tudo quanto pudesse 
incabe^ar-se em Ütteratura, como se entre litteratura e sciencia houvesse in- 
compatibilidade invencivel, como até se no proprio corpo cathedratico da Es- 
chola Polytechnica Ihes nSo estivessem provando exuberantemente em con- 
trarío os vultos notabilissimos de José María da Ponte e Horta, Joao de Andrade 
Corvo, e José María Latino Coelho 1 

Em Celestino Soares a litteratura militar sobretudo assumia as propor96es 
de um enthusiasmo incomparavel. O mo^o alferes tinha na familia bons mode- 
los a que incostar-se. Tudo nelle revelava em pronunciado grau marciaes ten- 
dencias — abrígadas alias num cora9ao de pomba. 

Junte-se a estas naturaes aptidoes o sentimento innato do dever; júnte- 
se -Ihes um constante decoro irreprehensivelmente mantido já na vida sólta de 
estudante. 

Para elle a disciplina era um evangelho; a espada que impunhava, um 
penhor sagrado; a banda que o cingia, um distinctivo de honra e de pundonor, 



Francisco María Luzel 
Prof. D. Francisco Pellegrini 
Frederíco Guilherme Dríver, M. A. 
Frederico Mistral 
G. M. Sakórraphos 



que Ihe cumpría transmittir gloriosaniente immaculuio, como de sua honra- 
dissima familia o tínha por tradi;3o íointemipta recebido. 

Raros podetn orgulhar-se de haver logrado na adolescencia tSo risonhos 
auspicios. E o muito que d'elle bavia a esperar, successivamente o ¡ustificou 
depois o brioso oficial, quando, finalizando o curso escholastico, introu pro- 
príamente no servido da vida militar. 

Escolhido pelo Govemo para tomar parte entre os offidaes incarregadoa 
de representarem Portugal ñas grandes manobras a que o exercito francez de- 
vía proceder em ChSlons no ouiomno de 1880, Francisco Adolpho Celestino 
Soares, que do seu fino merecimento dera pravas cabaes ñas diTersu commis- 
sóes de servido publico, para que fóra nomeado, viu naquelle ensejo realizada 
urna das suas mais doiradas ambi^Óes. 

la ver, palpar, apreciar de peno, aquillo de que só pelos livros tivera co- 
nhecimento; ia julgar por seus proprios olhos do que era a Europa no mais 
deslumbrante dos seus grandes centros — em París; ia finalmente saciar aquelte 
ardente desejo, tSo natural e tao proprío nos espiritos superiores que devéras 
se interessam pelos destinos da patria e da humanidade, aquella sSde irresistivel 
de comparar prácticamente o elemento nacional com o extrangeiro. 

Nesta conjunctura se achava o ¡Ilustrado oHícial, e já em veceras de 
partir para Franfa,— quando, ao ínsaiar no picadeiro nSo sei que exercicio 
de eqvdtafáo, Ibe succedeu cahir desastrosamente, fracturando a pema direita. 

Complica^óes inesperadas, que sobrevieram a este accidente Traumático, 
determinaram-lhe depois como inevitavel consequencia a amputadlo da coxa. 

Quando na aurora da vida nido Ihe promettia ova;6es e glorias, Celestino 
Soares vía de repente em desconsoló irremediavel desmotonarem-se-lbe os 
áureos sonhos do seu elevado espirito, — e acceitava restgnadamente num leito 
doloroso a triste situado de mutilado que a medicina Ihe oflerecia como único 
recurso para salvar-lhe a existencia. 

Inhabilitado para o servido activo do exercito, e reformado por invdlidov— 
o Major Celestino Soares era ainda todavia um d'aquelles, a quem garantida 
estava nos trabalhos do gabinete futa e fiorescente copia de triumphos, que 
nem o seu iirequieto espirito se prestava á molle estagna;io da ociosidade 
inútil, nem o seu animo Ihe soSría esquivar-se a concorrer para o ingrandeci- 
meato do iUustre nome que herdára. 

CoUaborar sobreludo no levantamento do exerdlo portugués, por fiinna 
que este nada tivesse a invejar das mais adeantadas na;6es,— era a preoccupa- 
;!o que nos últimos tempos o dominava. 



38o 



líi 



Gabriel Sirven (G. Visner)' 

Dr. GOran BjOrkman 

Guilherme Fitte* 

Guilherme Joáo Cain 

Henriqueta Martín 

Hercules A. Stauros 

Prof. Dr. Hugo de Meltzl Lomnitz 

Ibn-el-Ojelose 

Prof. Jacomo Gaspar Muoth de Breil 

Jaroslau Vrchlicky 

D. Jeronymo Forteza 

Prof. Joáo Baptísta Cardona 

Dr. Joáo Baptísta Cereseto 

Joáo Baptísta Rouquet 

Dr. Joáo Barbosa Rodrigues 

Dr. Joáo Fastenrath 

Joáo Hugo Jones 

Prof. Joáo Ignacio de Pinho 

Prof. Joáo Storm 

Prof. Joáo Vising 

D. Joaquim Rubio y Ors 

Prof. José Bénoliel 



E do seu lavor incessante, como funccionarío íncansavel no Gabinete do 
Ministro da Guerra, Ihe brotaram lesoes incuraveis. 

Pobre amigo 1 NSo chegou elle a ver neste livro publicada a traduc^o 
franceza, que, por obsequiar-me, deliberou facer das «Endechas de Gam5es á 
escrava Barbara». Poucos mezes depois de escrevél-a, succumbia, victima de 
padecimentos cardiacos, o ülustrado e talentoso militar. 

Aos a8 de Fevereiro de 189 1 fomos, eu e meia-duzia dos seus Íntimos, di- 
zer-lhe o ultimo adeus no Gemiterio de Nossa Senhora dos Prazeres. 

1 Sob o anagrammatico pseudonymo «G. Visner» é que o illustre Gabriel 
Sirven (Director do periódico Lé Gril de Tolosa) costuma dar a lume as suas 
produc^oes litterarias. 

> Os seus escríptos, gosta geralmente de publicál*os sob o pseudonymo 
«Pierre Lafuste» ou sob o cryptonymo «Guilbaoumet». 



D. José Ignacio de Arana 

Josephina Levi 

Josepbina de Zaleska 

Prof. JxiliSo Vinson 

Justino Pépratx 

Lázaro Goldschmidt 

Leáo de Beriuc-Perüssis' 

Luiz Buinitsky 

Luiz de Sarran-d'Allard 

M«««* 

M. L.' 

D. Manuel Curros y Ennquez 

Manuel Portal 

Manuel Rholdis 

Manuel Sardinha 

Dr. Martinho Guilbeau 

N...N**.' 

Pedro Augusto de Mello de Carvalho Monteiro* 



> Usa atniude ñas lettras o pseudooymo «A. de Gagnaudi. 

> Um insigne poeta malhorquino, que teima em iicar incógnito. 

3 Sob as duas iniciaei «M. L.» se esconde tímidamente urna illusire e ta- 
lentosa titular, que abrílhantou este meu livro, prestando-se a verter em prosa 
ingleza e prosa allemon as Endechas de CamSes A linda escrava. 

Seis damas Ggunun pois a entretecer as flores do seu fónnoso espirito na 
grinalda aqui pendurada em memoria de Luixa Barbara, e a todas seis penho- 
radissiroo eu beijo respeitosamente as mSos pela dofura dos perfumes que so- 
bre as presentes paginas Uies aprouve derramar a flux. 

4 Um illustre bolonhez, que me n&o auctoríza a dixer como te chama. 

í A traducfSo grega d'este adolescente representa urna estreia litieraria 
e 00 mesmo lempo a commemora^io de uma alegría domestica. Oi^ulho-me 
de ter sido eu que indirectamente a promoví. Anda-lhe inherente uma historia 
que passo a contar. 

No estío de 1892 adoecSra gravemente affectado por unta febra-typhoide 
o ijmpaihico filho do editor d'este iivro. Ñas contingencias da um btal desinlace 
vscillou durante dias o iníermo. As angustías, porón, d'aquelle aíBictívo p» 
ríodo, quiz a Providencia que succedesse, na familia e nos amigos, o risonho 
ahrordfo do restabeledmento. Dir-se-hia o alvord^o de uma resurrei^io. 



282 



Pedro Bonetti 
Pedro Duplay' 
Pedro Luiz Tissot 



Passado um anno, estando já em movimento (a contar de lO de Junho) a 
elabora^So typographica da Pretidao de amory manifestei um dia ao editor 
desejos de que seu fílho, apaixonado cultor das lettras hellenicas, nos traduzisse 
em grego as «Endechas de Cam5es á escrava Barbara». 

Transluziu-lhe involuntariamente nos olhos, ao meu interlocutor, a con- 
fissSo tacita de quanto Ihe sería grato ver figurar no livro o nome do fílho que- 
rido; mas objectou com a timidez do mo^o ponderou a inexperiencia 

dos tenros annos. . . . 

Era a modestia de ambos a revelar-se naquelle retrahimento sincero. 

Nao me dei por vencido, e nessa mesma noite escrevi-lhe renovando a 
minha rogativa : 

«ni.** e Ex."* Sr. Dr. Antonio Aognito de Carrallio Mootciro. 

«Mea Amigo Prezadiitimo : 

«Imitto e rc-ÍDtitto no qnc estt manban Ihe lembrd. 

«Até agora, o noiso Htto podería ter para V. Ex«* om elemento qoe aobretndo Ili*o recommcn* 
daaae: o nome da pesaoa a qnem val dedicado. 

«Quer que Ihe ponháinoa oiro tobre azul ? é ftser V. Ex.* com que na liita doe traductores 
figura a subtcraTer nma Teraáo gnga o nome que boje Ihe indique!. 

«Pois nao Ibe parece que será multiplicar o pra^o da Camomana de om Pae Tincular-lhe ele- 
gantemente o eapirito do Flllio ? 

«Faz agora um anno que esse Fílho convaleacta do transe pungentissimo em que, durante muitot 
diat, trittemente oecillou entre a vida e a morte. 

«Pois bem 1 commemoremoa-Ihe auspiciosamente, pela f6rma que proponho, o festivo anniver- 
sario do seu jubiloso resubelecimento. 

«Quer um impcnbo bom ? Metta de pcnndo soa Ex."* Esposa. Aos pedidos de urna extremosa 

Mlfe, qual é o carinhoso Filho que sabe resistir? 

«Crda-me sempre com a mais cordial estima 

de V. Ex.* 

atiento venerador e amigo obrigadisaimo 

«C. de V. Ex.* em Lisboa, 3 de Agosto de ikfi» 

Xavier da Cunha.» 



D'ahi a mezes, gra9as á fagueira e amoravel intercessao da Ex."* Sn.'* D. Per- 
petua Augusta de Mello de Carvalho Monteiro, cujas mfos pe90 licen^a para 
beijar muito reconhecido, realizavam-ae añnal os meus desejos. 

No dia em que a Familia Monteiro festejava o anniversario natalicio do 
seu chefe, intregava-lhe o fílho o mais valioso brinde com que pode alegrar*se 
a alma de um pae. 

E assim fícou inriquecido com mais esta delicada flor o meu ramalhete 
polygiottico. 

1 Vulgarmente conhecido entre os seus conterráneos por «Pére Barounta» 
(•Lou pare Barounta»). 



Prospero Peragallo' 
Ricardo Henebry 
Roberto Ffrench Duff' 
Roberto de Guyencourt 
Roberto Usai 
Prof. Rogerio Torelli' 



I Colombista dos mais notaveis, erudito publicista e polemista, crftico de 
raros dotes, abalizado historiador, poeta de ñnos quilates, curioso investigador 
dos nos&os archivos, profundo sabedor das nossas coisas, beoemerito cultor das 
nossas lettras, e no meio de tudo (o que Ihe sobredoira o mérito) um modelo 
de modestia e de virtude, o meu bom Peragallo que tÍo carinhoso me honra 
com a sua preciosa amizade, — e para quem as duas cidades mais queridas, 
oeste mundo, sao Genova (sua patria) e Lisboa (sua residencia de longos an- 
nos), — o meu bom Peragallo tem amavelmente rendido a poetas portviguezes 
o formoso preiio de Ibes traduzir na lingua italiana muitos e muitos dos seus 
venos. E nesse galante infeixar de matizadas flores é o Cantor d'Oj Lusiadas 
quem mais farta colheita Ihe tem proporcionado, como se mostra ñas publica- 
fóes que passo a enumerar; — O Soneto de Luis de Ctim&f Alma mínba gentil 
traducido em verso italiano por Prospero Peragallo (S. 1. n. d.; impresso em 
Lisboa em 1884) ; Sonetos escolhidos de Luij de CamSes traducidos em Sonetos 
ilalianos com variantes por Prospero Peragallo (Lisboa— 1885); Florilegio de 
Bibliophilos — Alma minha gentil { Lisboa —1 886)— pag. 17 a 37; Poesias de 
Litif de Carnees e oulros vertidas a italiano por Prospero Peragallo (Lisboa — 
i8go) — pag. 9 a loi; Poesias de Zmíj de Camies t outros vertidas a italiano 
por Prospero Peragallo — Segunda serie (Lisboa— 1891) — pag. 9 a laS; Flm^s 
de Poesía Portuguesa traducidas em ilalianopor Prospero Peragallo (Lisboa — 
1893) — pag. a6 a 37, 674877; O Occidente — Vol, xvi (Lisboa— 1893), pag. 94, 
e VoL xvoi (1895), pag. 13. 

' A tradúcelo ingleza (com variantes) que elaborou das Endechas (pouco 
tempo antes de fallecer aos 9 de Marfo de 1895) foi o seu «canto de cysno. 
Deve-se-lhe tambem uma apreciada traduc;So d' Os Lusiadas (adornada com 
16 gravuras): — 77to Lusiad 0/ Camotns Iranslated inlo engtish ^enserian 
vene Iry Roben Ffrench Duff {Li&hoa—i9So). 

3 Haisum que nSo chegou a ver estampada nestas peinas a preciosa versSo, 
com que me brindou, em (¿alecto peruginol ' Aos 14 de Mar;o de 1894 sepul- 
tava-se no cemiterio de Perugia, pranteado por coUegas e discípulos, e amigos, 
e clientes, e admiradores, o insigne Professor da Universidade Rogerío Torelli. 

*Povero Ruggerol (dizia-lhe á beira da campa, commovidissimo, o Pro- 
fessor Torello Ticci) ¡a tua perdiía é una sventura irreparable perchi eri dei 

rá oifcrtddo 



384 



Salvador di Giacomo 

Dr. Thaddeu Wiel 

Dr. Theodoro Pilven le Sévellec 

Thomaz Cannizzaro 

Prof. Ulrico Grand'. 



A cada um dos referidos nomes, no tocante aos perfu- 
mes com que este meu livro me aromatizaram, poderiam 
allegoricamente applicar-se os conceitos de um trecho que 
no Prefacio do Gulistan deixou lavrado em versos áureos o 
grande poeta-moralista da Persia (e consinta-me o leitor que, 
na minha completa ignorancia do idioma original, aproveite 
aqui a traduc9áo franceza do notabilissimo orientalista Car- 
los Defrémery'): 

c Un jour, au bain, un morceau d'argile parfumée tamba de la 
main de mon amante dans ma main. 

^ES'tu muse ou ambre gris (lui dis-jej? Car je suts enivré par 
ton odeur rainssante. 



poehisshni che in se accolgono ¡a virHi e /' ingegno che dovrehbero rímanere 
sempre congiunti, essendo /' ingegno senifa la virtü V ahominofione del secólo.» > 

1 Ás traduc9des dos supra-mencionados accrescem ora aquí as que já 
noutras publica^óes andavam correado mundo (taes como as de: — D. Alberto 
Garcia Ferreiro, Dr. Antonio Lopes dos Santos Valente, Carlos Magnin, Prof. 
GuUherme Storck, D. Lamberto Gil, Visconde de Chateaubriand, Visconde 
Strangford) e bem assim a inédita do Conde de Circourt. 

E, por derradeiro, aproveitarei o ensejo para urna declara^So. Entre os 
nomes das pessoas, a quem o coordenador do presente livro deve outrosim 
gratidSo pelas obsequiosas índica^Óes com que o auxiliaram, corre-lhe obrí- 
ga9Ío de especializar estes tres: — Aniceto dos Reis Gon9alves Vianna, D. An- 
tonio Arzác y Alberdi, e Francisco Aleixo Maynier. 

3 Gulistan ou Le Parterre de Roses par Sadi traduit du persan sur les 
meilleurs textes imprimes et manuscrits et accompagné de notes historiques^ 
géographiques et littéraires par Ch, De/rémery (Mesnil (Eure) — 1858). 

Vem o trecho, que transcrevo, de pag. 7 a 8. 



' Sifaiu integralmente poblictdo este discuno em o N * 61 do Anno XIII de £' unióme libérale 
(Perugia— 17-18 marzo 1894). 



*Je n'étais (me répondit-elle), qu'une argile sata valeur, mais 
j'ai demeuré quelque térras apee la rose, ei le mérite de ma com- 
pagne a laissé des traces en moi; sans cela je seraxs toujours ce 
que j'étais d'abord.» 

A cada um dos meus valiosos collaboradores, neste pa- 
dráo coUectivo levantado em honra de CamÓes, podenam 
eguaknente com Justina apropñar-se aquellas luminosas, 
aquellas scintiUantes palavras, que ao maior poeta d'este 
seculo aprouve um dia soltar: 

£t ¡'aureole d'or de tes vers radieux 

Brille autour de mon nom comme un cercle d'étoiles. 

(Víctor Hugo— I« Cotüemplations — Livre Premier, xx.) 

Reconhecidissimo Ihes manifestó aqui a todos, em re- 
mate de prefacio, a minha cordial, a minha proñinda, á mi- 
aba ineffavel, a minha eterna grattdSo. 



TEXTO PORTUGUEZ 



LUIZ DE CAMOES 



ENDECHAS DE LUIZ DE GAMÓES 



A UMA CAPTIVA, POR NOME BARBARA, COM QUEM O POETA 
ANDAVA DE AMORES NA INDIA 



■ QOELLA capnva, 
Que me tem ctpttvo, 
Porque nclU viro, 
Já dSo quer que viva. 
Eu nunca tí rosa 
Em suaves mólbos 
Que para meas c^xis 
Fósse iBflñ fcnnosa. 



Nem no campo ñores, 
Nem DO céo estrellas, 
Me parecem bellas 
Como os meus amores. 
Rosto singular! 
Olhos socegados, 
Pretos, e cansados 
Mas nao de matar! 



Urna gra^a viva 
Que nelles Ihe mora, 
Para ser senhora 
De quem é captiva! 
Pretos os cabellos, 
Onde o povo váo 
Perde opiniSo 
Que os loiros sao bellos! 



Pretídáo de amor. . . . 
Táo doce a figura, 
Que a nevé Ihe jura 
Que trocar^ a cdr! 
Leda mansídáo, 
Que o sizo acompanha, 
Bem parece extranha, 
Mas barbara nío! 



Presenta serena 
Que a tormenta amansa: 
Nella emfim descansa 
Toda a minha pena. 
Esta é a captiva 
Que me tem captivo: 
E, pois nella vivo, 
É fór^a que iHva. 



TRADUCgAO EM DIALECTO CRIOULO 

DE CABO-VERDE 
EUGENIO DE PAULA TAVARES 



BÁRBARA, BONITA SCRÁBA 



■ vÉL bonita scrAba, 
Qd tenéin cdtibo, 
Pamd n' dál nha bidá, 
Cá crC pan stft bibo. 
TS hoje n'c 61ha r6aa 
Num mdta bcrdinho, 
Qui mé na nha olho 
Parcétn más sabtnho. 



Nim ramo na campo, 
Nim strella na ceu, 
K ta ácbá tam fmmóz' 
CumS nha crS cheu. 
Rdsto só di sel; 
Olho madomádo, 
Preto, stancadinbo, 
Má sem ser misiádo. 



Um donar cu bida 
Stá nel sí morado 
P9 ser sinharioha 
Di quem qu' é marrado. 
Cabtllinho preto, 
N* di gente bóz' 
Ta perdí entender 
Mfl loro é frvmóz'. 



Arinho tam sabe, 
Primra de amSr, 
Qui nebe jurál 
M' el ta troca cor. 
Mansura contente, 
Má seria lá mé . . . . 
Ta parcí bem stranho, 
Má braba el cá é. 



Arinho domado 
Qui ta mansfi mar: 
Imfim n' el scan^S 
Tudo nha pízár. 
Es í quel cfltiba 
Qui teném catibo; 
N" p6 n' stá bebé n' el 
N* al lidá n' stá bibo. 



TRADUCgAO LATINA 



D«. ANTONIO LOPES DOS SANTOS VALENTE 



EX GAMONIANO CARMINE 



TRANSLATUM, LUSITANE DICTUM ENDEIXAS 
AD BARBARAM SER\fí}li, QUOD INCIPIT; 



BAFTA cor capit tuec mcum, 
Quodque vivo in ea, negat 
Solé me fmiturum. 



NuUam adhuc potuí rosam 
Gratiorem ocuUs meis 
Cerneré Ínter odores. 



Rus quidem ñeque flosculos, 
Aeres ñeque sldera 
Pulchriora tulere. 



Nulla sic facies; qules 
Languidis oculis nígrís, 
At necantibus usque. 



Est quibus lepor et venus, 

Unde digna profecto herís 

Imperare videnir. 



Sunt capilli adeo nigrí 

Ut, príus celebrís, coma 

Flava despiciatur. 



Vis at hac nigrímdínis 
Sicque amabilis, ut cito 
ÑU libens nigrícarct. 



Blanda, sed gravis est simul, 
Forte ut indocilem putes, 
Atqui barbara non est. 



Fulminis perít ímpetus, 
Vultus ille simul venit, 
Meque blanda serenat. 



Capta cor capit hasc meum, 

Quodque vivo in ea, míhi 

Vivcre ergo necesse. 



TRADUCgAO GALLEGA 



D. ALBERTO GARCÍA FERREIRO 



A BÁRBARA ESCRAVA 

(Versión gallega por D. Alberto Garda Ferreiro) 



■ QDELA cauUva 
que me tea cautivo, 
porqpie n-ela vivo, 
non quere que viva. 
Nunca, en soaves moQos 
de rosales, rosa 
máis fina e cheirosa 
virón os ineus olios. 



Nin n-o campo frotes, 
nin n-o ceo loceíros, 
son tan feiticdros 
com' os meus amores. 
Cara de lOar, 
olios sosegados, 
dulces e cansados .... 
¡non d'asesiñar! 



3o2 



Refiílxencia viva 
n-os seus olios mora; 
¡pode ser señora 
de quen é cautiva! 
Entr' os seus cábelos 
busca, namorada, 
a luz d'a alborada 
brílos e destetos .... 



Ten n-a tés negror, 
mais a nevé xura 
que por tal negrura 
déralle o seu cor. 
Pr' espertál-a fé 
c' o pudor s' ufana; 
ela será .... estrana, 
bárbara .... non é. 



Unha nal coroa 
póndelle n-a frente, 
qu' o seu cuntinente 
maxestá pregoa. 
Esa é a cautiva 
que me ten cautivo; 
xa que n-ela vivo, 
déixeme que viva. 




TRADUCgÁO GALLEGA 



POR 



D. MANUEL CURROS Y ENRIQUEZ 



BARBARA CAUTIVA 

(Versión gallega por D. Manuel Curros y Enrique^) 



■ QDELA cauava 
Que me ten cautivo, 
Por que n' ela vivo, 
Xa ncMi quer que viva. 
Eu nunca vm rosa 
Enramalletada 
Que, por min nairada, 
Fose mais fermosa. 



Nin n' o campo frores, 
Nin n' o ceo luceirós, 
Son mais feiriceiros 
D' o que os meus amores. 
Rosto singular! 
Olios sosegados, 

Pretos e cansados 

Mais non de matar! 



Unha gracia nva 
Que n' des De mora, 
Fay d' ela a señora 
De queo é cautiva. 
Pretos os cábelos, 
^^lnguen dirá, non. 
Que mais lindos son 
Os loiros, ó vel-os. 



Negrura d' amor, 
Tan doce negrura, 
Que a nevé mais pura 
Envéxalle a cor! • 
Tanta discreción 
En legria tamaña, 
Parecerá estraña 
Mais .... bárbara, non. 



Presenza serena, 
Que a tormenta amansa; 
N' ela ó fin descansa 
Toda a miña pena. 
Esta é a cautiva 
Que me ten cautivo, 
E pois n' ela vivo 
É forza que viva. 




TRADUCgAO EM MIRANDEZ 



POR 



MANUEL SARDINHA 



^t '^J f^í ."^ ^'tl3 'ÍZ<^ ^'f'.'!s y^t-Ú T't>¡^ ^P'' 
í»:*^ **ií< *.*lr?l é^M-T. *'f^*J!L *.*^ ^i^Lí Mi-r 



# /•*$ ^}ft '^y^'t ^/^t ^^ ^t r y '^?' ^; -^2- ^^ ?'i 



VERSOS DE LUÍS DE GAMÓES 

A ÚA CAUTIVA POR NOME BARBÓLA, OU BÁRBARA, CÜM QUÍEM 

ÉL POETA ANDAVA D'AMORES 
NA INDIA 

fVersiom atn Mirandéspcr Manüói Sardina) 




QUEiLHA cautiva 
Que me tem cautivo, 

Porque 'n ellha vivo, 

Ya num quíér que viva. 

You nunca vi rosa 

Am ramos macTus 

Q' a los OÓlhos mras 

Fusse tam fermosa. 



Nim no campo flores, 
Nim no cíelo streilhas 
Veio you parcilhas 
Cum los mius amores. 
Rostro singular! 
Ü6Ihos sossegados, 
Negros e cansados, 
Mas nó de matar! 



Úa gracia vira 
Que 'n eilhes le mora, 
Para ser senhora 
De qiíííin yé cautiva! 
Pello negro, ondeoso, 
Cumparado al qual 
El lomo, afína], 
Yé menos fennoso ! 



Negrura d'amor. . . . 
Tam doce onde hay clara ? 
La nieve trocara 
Cu'eilha la color! 
Alegre e mansa, oh! 
Mas grave, úa houri, 
Ves-la stranha sí, 
Mas.... bárbara nó! 



Süd presencia mansa 

Tromentas serena: 

Toda la mié pena 

74 eilha em6m descansa. 

Esta la cautiva 

Que me tem cautivo: 

E, püés 'n eilha vivo, 

Yé fióóría que viva. 



1~T SfT 



TRADUCgAO EM ASTURIANO 



(SUB-DIALECTO DE BOAL) 



PELO 



Dr. d. bernardo acevedo y huelves 



ENDECHAS DE LLOUGUIS DE CAMÓES 

A U-A COUTIVA, CHAMADA BÁRBORA. Á QUEN EL POETA 
CORTEJABA NA INDIA 

(Versióti de Bernardo Acevedoy Huehes) 
(Boa¡ — Asturias) 



■ QCELLA COUnva, 
que me ten coutivo, 
porque nelU vivo, 
xa non quer que viva. 
Eu nunca vin rosa 
en henos, ntn poyos, 
que prS os meos oyos 
fose mais hermosa. 



Nin nel campo frores, 
nin net cielo estrellas, 
me parecen bellas 
com' os meos amores. 
¡Cara singular! 
¡oyos sosegados, 
mouros y cansados 
mais non de matar! 



3,4 



jU-a gracia viva 
nos sous oyos mora, 
que ta fai sefíora 
de quen S coutíva! 
¡Mouros os cabellos! 
¡ á iente aprendeo 
nellos qu' S muy feo 
el roüo pra co ellos! 



¡O mourén d* amor. . . 
tan dulce y tan leve, 
ben quiiera á nevé 
trocarche el color! 
Tranquila expresión 
qu' al xuicio acompaña 
pode ser extraña, 
mais- . . . bárbara non. 



Presencia serena 
qu^ á tonnent' amansa, 
nella, enfin, descansa 
á mia fonda pena. 
Esta é á coutíva 
que me ten coutivo: 
é pois nella vivo 
é fuerza que viva. 




X TI 



TRADUCgAO EM CASTELHANO 



POR 



D. LAMBERTO GIL 



ENDECHAS 

Á UNA ESCLAVA LLAMADA BÁRBARA 
(Trad. al Castellano por D. Lamberlo GÍIJ 



■ QUELLÁ catuiva, 
de quien soy caurivo, 
porque en eUa vivo, 
no quiere que viva. 
Yo nunca vi rosa 
en suaves manteos, 
que para mis ojos 
fuese tan hermosa. 



Ni en el campo flores, 
ni en el cielo estrellas, 
vi jamás tan bellas, 
como mis amores. 
Rostro singular, 
ojos sosegados, 
negros y cansados, 
mas no. . . . de matar. 



Una gracia viva 
en sus ojos mora, 
que la hace señora 
de quien es cautiva. 
Sus negros cabellos, 
sin contradicción, 
prueban que no son 
los rubios tan bellos. 



¡Negrura de amor! 
pues la nieve jura 
que por tal negrura 
diera su color. 
Tan leda mansión, 
que el juicio acompaña, 
bien parece estraña, 
mas bárbara no. 



Presencia serena 
que la noar amansa, 
en ella descansa 
mi afán y mi pena. 
E^ta es la cautiva, 
de quien soy cautivo; 
y si en ella vivo, 
es fuerza que viva. 



TRADUCgÁO EM CASTELHANO 



PELO 



Prof. jóse BÉNOLIEL 



ENDECHAS 

DEDICADAS Á UNA ESCLAVA LLAMADA BARBARA 
(Traditccián tú Cánamo ¡w Jote BénolielJ 



■ QUELLA cautiva, 
De quien soy cautivo, 
Porque en ella vivo. 
No quiere que viva. 
Yo nunca vf rosa, 
En blandos manojos, 
Lucir á mis ojos 
Más fresca y hennosa. 



Ni el campo dá flores, 
Ni el cielo vé estrellas, 
Que logren ser bellas 
Cual son mis amores. 
Su rostro es sin par; 
Sus ojos son fuego. 
Que brilla en sociego 
Y mata al mirar. 



322 



La gracia tan viva, 
Que aUá se atesora, 
La ba vuelto señora 
De quien es cautiva. 
Sus negros cabellos 
Al vulgo hacen ver, 
Que nunca han de ser 
Los rubios tan bellos. 



Negrura de amor 
Le dá tal dulzura, 
Que nieve muy pura 
Le envidia el color. 

« 

Amor la formó 
Solaz, mansa y fina: 
Es bien peregrina, 
Mas bárbara .... no ! 



Su aspecto sereno 
Tormentas amansa, 
Y enfín se descansa 
Mi pena en su seno. 
Tal es la cautiva 
De quien soy cautivo; 
Si en ella, pues, vivo, 
Es fuerza que viva. 




TRADUCgAO CATALÁN 



PELO 



Cav. JUSTINO PÉPRATX 



. • 



*m 



COPLAS DE LLUÍS DE CAMOÉNS 

A LAOR D' UNA CAUTIVA INDIANA, NOMENADA BÁRBARA, 
DE QUl ESTAVA ENAMORAT 

(Traduhidat al Calald per Juiti P^ratx) 



■ QUELLA cautiva 
Que 'm té á mi cautíu, 
Som en ella viu, 
Y no vol que vive. 
Jamay ha vist rosa 
Mon uU admirat, 
En un ram tríat, 
Tan com ella hermosa. 



No hi ha al cel estrella, 
Ni en la prada flor, 
Com la meva amor. 
Tan fresca y tan bella. 
Cara encantadora, 
un negre y suau. 
Mirada que plau, 
Y ab tot matadora. 



Sa gracia encisera . 
Ja s' enscnyoreix 
Del amo mateix 
De qui es presonera. 
.Son cabell, ais mossos, 
De tan negre y rich, 
Apar mes bonich 
Y fi que 'Is mes rossos. 



De color morena, 
Color del amor, 
La neu son candor 
Enveja y 'n té pena. 
Seria ó riallera, 
SegonS es el cas, 
Bárbara no es pas, 
Si bé estrangera. 



Sa fas dolsa amansa 
Cruel tempestar; 
Y ab sa gran bondat 
Ma pena descansa. 
Sí, es la cautiva 
Que h mí 'm té cautíu; 
Som en ella víu, 
Donchs bé cal que vive. 







TRADUCgAO CATALÁN 



POR 



D. JOAQUÍN! RUBIO Y ORS 



*. 



LAY D'AMOR DE LLUIS DE CAMOES 

A UNA CAPTIVA ANOMENADA BÁRBARA DE QUI SE HAVIA 
ENAMORAT EN LA INDIA 



■ QDELLA captiva 
De qui so captiu, 
Per qui mon cor viu, 
Voi que mori, esquiva. 
Jo no he viat may rosa 
Qu* essent la mes bella 
Etets jardíns, mes qu' ella 
A mos ulls sia hermosa. 



Ni deis camps las flors, 
Ni Is estéis de nit, 
Grats á mon esprit 
Son com mos amors. 
Bellesa sena par: 
Ulls purs, encisats, 
Negres, y cansats, 
Mes no de matar. 



La gracia expre^ya 
Qu' en son eaguart mora, 
Fa que sía senyora 
Del qui n' es captiva. 
Sos negres cabells 
Son tais, que qui 'Is veu, 
Que puguen no creu 
Se' 'Is rossos mes bells. 



Negrura d' amor! 
Tal que juraría 
La neu que daría 
Peí seu son color. 
La dolsa mansió 
Que al seny acompanya, 
Pot be sembla' estranya, 
Mes bárbara no! 



Presencia serena 
Que al buraca amansa, 
En ella descansa 
De mon cor la pena. 
Captiva un bella 
Sent, per qui eix cor viu, 
Puu so son captiu, 
Dech viure per ella. 



:jfs -r 



TRADUCgAO EM VALENCIANO 



POR 



D. JERONYMO FORTEZA 



ENDEJAS DE LLUÍS DE CAMOENS 

Á UNA ESCLAVA QUE S' NOMENAVA BÁRBARA, DE QUI 
LO POETA ESTIGUÉ ENAMORAT EN LA INDIA 

(Traduidet en Vaíettáá per Jeróai Forieta) 



■ A capQva arisca 
de qui soch captíu, 
si en ella 1' cor viu, 
no vol que yo vixca. 
Enjamai vfu rosa 
en rams fálaguers, 
pa 'Is ults placenters 
que eixis tan hermosa. 



Ni en la térra flors, 
ni en lo cel estrelles, 
puch Tore tant belles, 
com los meus amors. 
Cara singular, 
uUs asosegats,' 
negres y cansats, 
mes no de matar. 



334 



Una gracia viva 
en cUs atesora, 
que la fa sinyora 
del qui r há captiva. 
Sos negres cabells 
son téstíchs valiossos 
que no son els rossos 
tan fins ni tan bells. 



¡Negrura d'amor! 
per xo la neu jura 
que per tal negrura 
cambiara 'I color. 
Manséa es lo dó 
qu' al jui acompanya; 
be pareix estranya, ■ 
mes bárbara, no. 



Presencia serena 
que la mar amansa, 
en ella descansa 
mon afá y ma pena. 
¿Veus r esclava arisca 
que á tni m' té captiu i 
per ella 1 cor viu, 
forca es que yo vixca. 



TRADUCgAO EM MALHORQUINO 



POR 



M*** 



COUPLETS DÉ LOUIS DÉ CAMÓENS 

AH UN' E5CLAB0 APELADO BARBASA 
(Birats en parla Movndi per G. Yistter) 



a'n qui paptif dibi, 
bord qu'en éto bibi, 
bol pas qué you bÍbo. 
N' ¿I pas bist d¿ rosos, 
ái ñous, dé cars bpuqqets, 
qu' ¿ mous h\% amourets 
svon tant btou», tant rosos. 



Ni d'orto flourouso, 
ni d' estelos al c¿l, 
n' & jamaü bist tant bel 
qué moun amourousb. 
Caro poulidéto 
qué coffo lé négrous 
peí; éls, dount les bistous 
tuon d' enbéjéto. 



354 



Dé sa gracio, dabo 
en soun encantomen, 
mfestro dé qui la ten 
preso per esclabo. 
Bouclos negros, bilos, 
sens countradiciou, 
traboulan la ñtciou 
qu' en síon, las roussilos! 



D'amours a la bruno 
coulou. Tal, qué la néou 
bol, per y fia rampéou, 
trouca sa blancuno. 
Dou^ou qué sé pico 
d' un paouc dé grabitat, 
la & d' estranjé esut, 
mts . . . . bárbaro, bríco. 



Soun umou sereno, 
coumo 'n calmé en mar, 
endrom en soun broucar 
moun malals, ma peno. 
Elo es la captíbo, 
a'n qui, captif dibi 
ío qu' en élo bibi. 
Qué soun amour bibo! 



■ k 



TRADUCgAO EM LINGUAGEM DE FORCALQUIER 



POR 



LEÁO DE BERLUC-PERÜSSIS 



ESTROFO DOU LOUVIS DE CAMOENS 



Á-N-UNO CATIVO, BARBARÁ DE NOUH, QUE LOU POUÉTO 
CAREGNAVO DINS L' INDO 



(Revira literalconen en dialéite de Pourconquié 
pir Levoun de Berluc-PerüssisJ 



■ QTJELO cativo — que meten catiéu, — d' abord qu'en elo vlvou, 
— vouo plus que vivou. 
léu jamai ai vist roso — en un suau bouquet, — qu' ii mes uei — 
fousso mai requisto. 



Ni dins lou cbamp lei flous, — ni (mai) dins lou ci¿r les estelo 
— me pareisson bello — coumo mes amour. 

(Soun)v¡sá^ (ei) gént que noun sai,— (ses) ueus píen de cálamo, 
— negres e alassa — mai noun de matrassa. 



Uno gr&ci vivo — en elo demouoro, — par ésse segnouresso — 
d' aquéu que n' es cativo. 

Négrei (soun) ses chivu, — d' ounte lou pople van — perde 
roupinien — que lei btound soun béu. 



Bniniduro d' amour!... — (Es) tant dou^ sa figuro, — que la 
néu li juro — que trucara de coulour. 

Léñ (ei soun) agradando, — qu' un biais sena acoumpagno.— 
Tamben, paréis estraogiero, — mai bárbaro. . . . (que) noun! 



(5a) presénci sereno — amaiso la tourmento; — ea elo enfin se 
canno — touto ma peno. 

Esto (jouvinto) ei la cativo — que me t¿n catiéu, — e pi¿t (qu*) 
en elo vivou, — m' ei (de) forío de viéure. 



-" -\ 



TRADUCgAO EM LINGUAGEM DE NÍMES 



(CERCANÍAS DA CIDAIX 



PEDRO LUIZ TISSOT 



ESTROFA DE LOUIS CAMOENS 



su UNA ENCANTARESSA ESCLAVA NOUHMADA BARBARÁ 



(Trad. en ¡engadge di imiroun de Nímes 
perP.L. Tiuat) 



■ QUELA captiva que me ten captiou, puois que vive em' ela, 
voou pus que vive. 
Ai jamai vis de rosa din un bouquet pus agradaole á mi iol. 



At jamal vis de flour din li camp, ni d' estela din lou céu, que 
me semblo tant bella que mi amour. 

A un visatge poulid, d' iol dous, negre et lenghuissant, et pertant 
danjierous. 



A una grada encantaressa que la rend la sovrana d' aquel doun 
ela es i' esclava. 

Si peí negre fan perdre, ou stupide vulgarí, 1' idea que li beaou 
peí soun bloun. 



A la coulour bruna de 1' amour: et si trait soun talment dous 
que la neou voudñé camjar de coulour em' ela. 

A una doussou agradaole unis una certaina gravita. Es estran- 
gbaro, mal es pas Barbara. 



Soun bon noanten calma la tourmenta. Trove em' ela la 6 de 
touti mi maou. 

Es la captiva que me ten captiou; et puois que vive em' cía, 
fauou que vive. 



TRADUCgÁO EM CEVENOL 



POR 



FERNANDO CHABRIER 



ESTANCOS DE LOUIS DE CAMOUIN 

Á UNO ESCLAVO NOUMADO BÁRBARO, E PER QUAU 
LOU POUÉTO CREMAVO D' AMOUR EN INDO 

(Traduáéu cevenoioper Ferdinand Chabríer) 



■ QüEU,o captivo, 
De quau siéi capti¿u, 
Me ten la cativo 
Entre mort e vi^u- 
E la roso, estello 
Das orts glouríous, 
Paréis, k moun goust, 
Mens suavo e mena beUo. 



Las flous de la prado, 
Coumo las dau ciél, 
Pódou vira fiel 
Davans moun aimado. 
Moure singulié, 
Regard caressaire, 
E negre e sounjaire, 
Mé pamens murtrié. 



A, dins sa deguéino. 

Uno gra^o vivo, 

Que fai uno reino 

D' aquello captivo. 

Soun negres sous péus, 

A faire mescréire, 

Pas pu \tu lou3 vtire, 

Que lous blounds soun b¿us. 



Sa doufo figuro 
D' un bnuí amourous 
Boutaríi 'n courous 
La neu la mal puro. 
Esprít dous e gai, 
Emb' un g¿ubi d' ange 
Que partís estrange, 
Barbare .... jamai ! 



Presen^ sereno 
Qu* amaiso moun cor, 
E touto ma peno 
Per ete s'endon. 
Vequi la captivo 
De quau aiei captidu, 
Ten moun amo vivo; 
Dounc, restarai viéu. 



» r,"!, 



TRADUCgAO EM LINCUAGEM DE MONTPELLIER 



PELO 



BARÁO DE TOURTOULON 



ESTANCAS DE LOUIS DE CAMOENS 

A UN' ESCLAVA QUE lE DISIEN BARBARÁ E QUE LOU POUETA 
N' ERA AUOUROUS EN INDA 



(Versioim mouatpelieirenca — sens rimas 
per Corle, Baroun de TourUmlonJ 



■ (mei-í. C^pMV? 
Que me lío captiéu, 
— Pióiqu' en eta vive, — 
Nínm vóu pus que vive. 
Ai jamfii vÍ9t rosa, 
En suau bouquet, 
Que siegue & mous iob 
Mai qu' ela poulida> 



Ni dau camp la ílou, 
Ni dau ciél 1' estila, 
Me paréis tant b^ 
Couma mas amours. 
Estrange mouret! 
Sous dousses iols negres 
Sembloun couma lasses. . 
Mes pas de niá. 



370 



Una gra^ viva 
Que dins des brítha, 
La fai segnouressa 
De quau es captiva! 
Negres soun sous peusses, 
E d' acá lou mounde 
Perdou la coustuma 
D' admira las bloundas! 



Negrige d' amour 

Tant doussa es sa cara 
Que la néu v6u ara 
Chanjá de coulou! 
Es brava, agradiva 
E pamens seríousa^ 
Paréis ben estranja 
Mis barbara, nou! 



Presen^ serena, 
Qu' amaísa 1' aurige: 
En ela se pausa 
Enfin ma grand' pena. 
Acó 's la captiva 
Que me tin capriéu: 
Pi6iqu' en ela vive, 
Siei foui^at de viéure. 



TRADUCgAO EM LINGUAGEM DE QUERCY 



JOÁO BAPTISTA ROUQUET 



fr=r T' 



COUPLETS DE LOUIS DE CAMOENS 



EN L' OUNOUR D' UNO ESCLABO OPPELADO BÁRBARO 
QUE LOU POUÉTO OÍMÉT DINS LOS INDOS 



(RMrats en lengo caraneso 
ptr J. B. Rouqutt} 



■ QUELo esclabo ton poulido ' 
Qu' o sous pés me ten copñbat. 
Per que biúre en elo es mo bido, 
Bol dounc que morí encodenat. 
En iiot, de rosos perfumados, 
Dins un brossat de fis roméls, 
Molgré lour béutat, o mous ils 
Nou me sembleroü tob presados. 



Os comps n' ai pas troubat de flours, 
01 c¿l n' ai jomai bis d'estellos, 
Que me poreguessou ton bellos 
Que inos t^rodibouls omours. 
O per 30 part chormant bisage, 
D' éls dount I' ordour estrementis 
Sou negres, douces e couquis 
E dins lou cur foú grond robage. 



374 



Orné so gracio que robis 
01 tengut demoro scños peno 
Lo méstro d' oquel qu' encodeno, 
E, qu' estén esctabo serbis. 
Sous piols, qu' on bei ombé ploseni;o, 
Ton sou negres, luzents e loungs, 
Foü perdre os bodaus lo crezen^o 
Que lus poulits piots sou his blounds. 



Es to douceto so figuro, 
Car es bruno coumo I' omour 
Que sons trosteja lo néu juro 
Que li conjorío de coulour. 
Lo trobi ¡ando, sons poriéro; 
Es beziado; o gracio, dou^ou; 
De sigur, es uno estronjéro, 
Mes per éstre borbaro, nou. 



Recerqui so dou^o presento 
Qu' omaizo 1' oúrage, e pas mens 
Que per elo ai lo joujfssen^o 
De n' obé plus de pessompns. 
Es dounc r esclabo ton poulido 
Qu' o sous p¿s me tend coptibat: 
Per que biüre en eto ea mo bido 
Cal be que bisquí ensourcelhat. 



TRADUCgAO EM DELPHINEZ 

(SUB-DIALECTO DE GRENOBLEI 

POR 

CARLOS PRUDHOMME DAUPHIN 



COPLET DE luí DE CAMOENS 



EN L' HONOU DE L' ESCLAVOUNA BARBARA 



(Viria enpaiois grenoblois pe Piare Troulet 

de S* Egrevo 

— a¡ias, Charíes-PrudhomiM Dauphin 

áu ToweIJ 



■ OELLA captiva ley 
M' a prei dedin sa r 
lore, víto din lei 
Que vou que je trépassT. 
Su de rousié jatnai 
J' ayen niña de rousl 
Qu* k mou ziu 9Í¿Ee mé 
Bravoune et gracíousS. 



Pa de flou pe lo prá, 
Din lo cié pa d' ¿teile, 
Qu' on poessi compara 
A se graci novelle. 
Brava de ñgurá, 
Sou ziu de perle neire 
Son plu dou que mura, 
Langourou, tnítre k veire. 



378 



Sou charme z' enchantou 
La rindríen soverainS 
D' iquelu pouro fou 
Que la farí sa reina. 
Sou nié chaveu levon 
Quella pensa du monde 
Que crei lou plu bravon, 
Lou chaveu de le blonde. 



Sa pet yei un velou, 

La nei la vei si dou^á 

Qu' avoei lei de colou 

Trocan din la moussa. 

E prudente k la fei 

Et de plaisanci rara; 

Paysaí no ma fé, 

Mais bian seu — pa barbara. 



La veyan sigentia 

Tota tonninta pasa; 

Quan seu din lei, vitiá 

Que ma pena s' étrací. 

Quella captiva ley 

M' a prei ain qu' y sayése, 

Et si vivo din lei 

Fau d' abord que viviese. 



TRADUCgÁO EM LINGUAGEM DE FOREZ 



POR 



PEDRO DUPLAY 



STANCES DE CAMOUÉNS 
i UNA ESCLAVA INDJIÉNA, NOUMA BARBA, OU BARBARA 
fTVadjut pa Piarre Djuplay — djit •¡aupar» Barouttía*) 



■ QUELLA. captQhiva 
Meitra de mous )ofis, 
Véu de mous amoús, 
TchuS la fiamma viva. 
Néu, jamáis de réusa, 
N' a chann^ mous yéux 
Dj'ins Un bouquét, miéux, 
Qu' équella onchantéusa. 



O n' ia jin d' ¿tchiala 
DorS lou boun Djiéu; 
Ni de floO r itchiéu, 
Que B séze ¿gala.' 
. Soun ¡ontchí visageou, 
Sous yéux amitoOs, 
Neis, pas vanitofis, 
Portant fant ravageou. . 



Sa grfld suava 
Onfiéule, et la fot, 
Reina do pacbat 
Dount ei-l-¿ 1' esclava. 
Soun net chavelageou 
Fai pédre et counfoun, 
L' idéia qu' Ün bloun, 
A mais d' avantageou. 



La bruna amourousa 
A tant de valoú, 
Que, de sa couloá, 
La né, vint jaloúsa. 
A sa dou^oú rara, 
Tch'ínt la gravita; 
Lo¿in de $a cita, 
El n' É pas barbara. 



Par lei, la tormonta 
Se trove appatchiá; 
Ei me rond la viá, 
El r ama countonta. 
Sa forci magiqua 
Doumpte moun voulei, 
Et, viquant par lei, 
O féut que j¡ viqua. 



]'n w^ 



TRADUCgAO EM LINGUAGEM DA GASCONHA 



<SUB -DIALECTO DE MURET) 

(EM PROSA) 
POR 

GUILHERME FITTE 



COUBLÉTS DÉ LOUlS DÉ CAMOÉNS 

Á UNO CHARMANTO CAPTIOUO QUÉ S' APÉRAOUO BARBARA 
QU' aMaouo LÉ POUÉTO 



(Rebirats én patouéí dé I' arroimdissoment dé Murét m Gascougno 
pou Gtalhaoumet Fitte) 



■ QUERO captiouo~qué mé tenc charmat — pusqué bioui per 
ero — ja bóou pas qué biouoi. 
Ei pas james bisi roso— dins un aoudourous bouquet — qué 
per mous oueilhs— housquesso mes poulidetto. 



Ni mes las flous dé la térro — ni mes tas estelos dou céou — 
nou m' an semblat tant poulidos — coumo la qu' aími jou. 

Mino sensé paríilho — sous oueilhs soun apricuasats- — négrés é 
cansats— m¿s prestes á tuya. 



Uno gracio biouo — dins érés atutado — enda né hé la réíno- 
d' aquet qu' éi la capdouo. 

Sous péoussés soun négrés — talomenr qué lé qué les béts- 
pénso pas — que Íes blounds síon poulits. 



^GEM DA GASCONHA 

DE MURET) 



í"? 



COÜBLÉTS DÉ LOUIS DÉ CAMOÉNS 

Á UNO CAPTIOUO APERADO BÁÍtBARÁ QU' AÍMAOUO LÉ POUÉTO 



(SAirais en patones <U t'ammiidÜKmeiit dé Murit 
púu Guilfiaoutntt Fitte) 



■ quér' €\ )a captiouo 
Qué moun cor a prengut. 
Sé r ¿i pas soui perdut. 
Ja bóou pas qué jou biouo. 
Ei pas bist dé rousetto 
Dms nat bouquet dé flous, 
Aouta ficho 'n coutous. 
Ni mfcs ta poulidetto. 



Nado flou dins la prado, 
Dins lé céou nat lugran, 
Nou m' an plasut ta plan 
Coumo moun am' almado. 
Se mino 'i san paréllho, 
Les 50US ouilhous, négrens, 
Semblon mourí toustens, 
Mes tuyon ii merb^Iho. 



39» 



La gracio né rajento 

En íes hé lambréja; 

D' ou qu' éi soun mésiré, ja 

H¿ reino, la serbento. 

Qui qué sto qué béjo 

Sous négrés péoussés loungs, 

D' ammira mis les blounds 

Aoura perdut 1' embéjo. 



ó, négrou, qué cor-cramo. . . . 
Soun bisatgé éi ta béou 
Qué dé coulou la néou 
Bdou trouca dé tout' amo. 
Charmanto coum* un anjo, 
Saijo, sensé brouni; 
Bárbaro? qué nanni! 
Tout just un poc estranjo. 



Présen(;o u sereno 
Qué r aouratgé seguís, 
En ero, sé fénis 
Touto la mío péoo. 
Aquér' éi la captiouo 
Qué moun cor a raoubat, 
Sens' ero soui flambat, 
Bé caou plan qué |ou bíouo! 



TRADUCgAO EM BEARNEZ 



ANONYMO DO BEARN 



BERSETS DOU CAMOENS 

DE CAP A U£ GSCLABE APERADE BARBARA 

DAB LAQUOAU LOU CANTA YRE S' EN ANABE EN AMOURETES 

ENTA f INDE 



■ QUERE bere encadenade 
Qui-m tien dab ere encadena!, 
Puchqu' en ere lou me coo bat, 
Boou la tnie bite acabade! 
Nou; nad floc coum aquere arrose 
Nou-m platz h V oelh per sas coulous: 
E las mies mayes doulous 
Soun d' esta chens la soue prose. 



Yamey per lous camps n' éy bist flous, 
Yamey au ceu n' ¿y bist esteles, 
Quoand la noeyt esquiase sas teles, 
Autaa beres coum mas amous. 
Sus la soue care arridente 
Lusechen, bagnats de langou, 
Dus oelhs negres plees de doussou, 
Mes dount 1' aymat hoec e-m turmente. 



3q4 



L' encantayre arris deu bisatye. 
La graci qui, sus ere e-s bed, 
Que la hén la daune d' aquet 
Qui sé la goarde en esclabatye! 
Las trenes deu sou negre peu 
Bé hén bede aus pee-plats dou mounde 
Que dab sa sede d' aur la blounde 
Miralha-s pres d' ere nou deu. 



Qu' esté pintrade enta 1" amou 

Taa dousse qu' éy la soue care 

Que la néu qui dou céu débare 

Plaa baratéré de coulou! 

En soun ana de mey en mey 

Que beden las gracís anide. 

Aci pot pareche esbarride 

Mes barbare oh! yamey! yamey! 

Qu' éy taa beroye, taa gauyouse. 
Que loenh d' ere lou triste hoey; 
E sa boutz acasse 1' aurey 
Pourtat pen la nuble brumouse. 
Tau qu' éy la mié encadenade 
Qui-m tien dab ere encadenat. 
E puchque bibj tau sou hat 
Ma bite deu esta goardadeü 



TRADUCgÁO EM FRANCE2 

(FRAGMENTO) 

PILO 

VISCONDE DE CHATEAUBRIAND 



BARBARA, L'ESCLAVE 

(Fragment traduit par te Vkomie de Chateaubriand) 



■ ETTE captíve qui me tient captif, parce que je vis en elle, 
n'épai^e pas ma vie. 
Jamáis rose, dans de suaves bouquets, ne ñit k mes yeux plus 
charmante. 



398 



Sa chevelure noire inspire Fainour; sa figure est si douce que 
la neige a envié de changer de couleur avec eDe. 

Sa gaieté est accompagnée de reserve: c'est une étrangére; une 
barbare, non. 




TRADUCgAO EM FRANCEZ 



CARLOS MAGNIN 



STANCES DE CAMOENS 

SUR UNE ESCLAVE NOMMÉE BARBE, OU BARBARÁ 
(TraductUm par Charles Magninj 



BETTE capiive qui me tient captif, puísque je vis en elle, ne 
veut plus que je vive. 
Je n'ai jamáis vu de rose placee dans un bouquet qui füt plus 
agréable á mes yeux. 



Je n'ai jamíüs vu de fleurs dans les champs, ni d'étoíles dans 
les cieux, qui me parussent aussi belles que mes amours. 

Elle a un vísage charmant, des yeux doux, noirs et languissants, 
et cependant meumiers. 



Elle a une gráce enchanteresse qui la rehd la souveraine de 
celui dont elle est l'esclave. 

Ses cheveux noirs font perdre au siupide vulgairc l'id^ que 
les beaux cheveux sont blonds. 



402, 



Elle a la bruñe couleur de Tampur, et ses traits sont si doüx, 
que la neige voudrait changer de couleur avec elle. 

Elle unit une douceur agréable k une certaine gravité; elle est 
étrangére, mais non pas barbare. 



Son doux maintien calme la tourmente; je trouve en elle la fin 
de tous mes maux. 

Elle est la captive qui me tient captif, et puisque je vis en elle, 
il faut que je vive. 




TRADUCgAO EM FRANCEZ 



CONDE DE CIRCOURT 



COUPLETS DE CAMOENS 

A UNE JEUNE ESCLAVE INDIENNE APPELÉE BARBORA 
(Trad.par le Comie de Circourt) 



HETTE captive, qui me tíent captif, voyant que je vis en elle, 
ne veut plus que je vive. 
Jamáis je n'ai vu rose humectée de rosee, qui fut pour mes yeux 
plus douce et plus belle. 



Jamáis fleurs dans les champs, ni dans les cieux étoiles, ne 
m'ont pam belles comme mes amours. 

Figure piquante; yeux baissés, noirs et languíssants, qut sem- 
btent lassés, mais non pas de blesser les coeurs; 



Une grSce vive, qui demeure en elle pour la tendré maltresae 
du maítre qu'elle a; 

Des cheveux d'ébéne qu¡ font perdre au vulgEure sa vieille opi- 
nión que les blonds sont beaux; 



Présence sere'me qui entraine la tounnente de la passion : 
Telle est la captive qui me tíent captif; ma peine amoureuse 
ne TJt plus qu'en elle, ne finirá qu'avec mol. 



TRADUCgAO EM FRANCEZ 



F. A. CELESTINO SOARES 



STANCES DE CAMOENS 

SUR UNE JEUNE ESCLAVE INDIENNE QUI AVAIT NOM BARBARA 
(Trad. par F. A. Celestino Soares) 



HETTE belle esclave, dont je suis l'esclave, alors queje ne vis 
que pour elle, ne veut pas que je vive. 
II n'est point de rose dans un odoranl bouquet, qui soít plus 
beile á mes yeux. 



Ni les ñeurs aux champs, n¡ les étotles au ciet, ne me semblent 
belles autant que mes amours. 

Son visage est sans pareil, et ses yeux tranquilles, languissants 
et notrs, ont Tair assassin, sans étre meurtriers. 



Ses regards vifs et gradeux l'ont rendue maítresse de celui dont 
elle étaít l'esclave. 

Ses cheveux noirs sont tellement beaux qu'ils supplantent les 
blonds dans la faveur du peuple. 



4to 



Contre le teint noir de son beau visage, la neige jalouse echan- 
gerait sa blancheur. 

Elle réunit la douceur á la sagesse, et si elle a Tair étrange, 
elle n'a ríen de barbare. 



Sa douce présence apaise les orages du coeur, et calme tous 
mes chagríns. 

Telle est Fesclave, dont je suis captif, et comme je ne vis que 
pour elle, il faut done que je vive. 




TRADUCgAO EM FRANCEZ 



ANDRE COLL DE BARRE 



STANCES DE LOUIS DE CAMOENS 



A UNE ESCLAVE DU NOM DE BARBE (BARBARÁJ, DONT LE POETE 
S' ÉTAIT ÉPRIS AUX INDES 



(Traductím par Aiulré CoU de Barre) 



■ A douce captive 
Qui me tient captif 
— Car je vis en elle — 
Me fera mourir. 
Oncques ne vis rose, 
En un frús bouquet, 
Qui fQt á mes yeux 
Plus qu' elle joUe. 



Ni des champs ta fleur, 
Ni du del r étoile, 
Ne me semblent belles 
Comme mes amours. 
L' amoureux vlsage! 
O les doux yeux noírs, 
Qui paraissent las, 
Mais pas de blesser! 



414 



Cette gráce vive^ 

Qui reside en eux, 

En fait la maítresse 

De moi, son seigneur. 

Ses cheveux sont noirs: 

Celui qvd les voit 

Ne croit déjá plus 

Que les blonds soient beaux. 



O bruñe piquante, 
Si douce á la fois, 
Que voudrait la neige 
Prendre sa couleur! 
Son humeur joyeuse 
Et grave pourtant 
Peut sembler étrange, 
Mais barbare point. 



Son maintíen paisible 
Chasse les tourments; 
J' y trouve la fin 
De toutes mes peines. 
Voilá la captive 
Dont je suis captif ; 
Si je vis en elle, 
II faut que je vive ! 




TRADUCgAO EM FRANCEZ 



CiV. THOMAZ CANNIZZARO 



STROPHES DE LOUIS DE CAMOENS 

ADRESSÉES Á UNE ESGLAVE INNENNE APPELÉE BARBARA 
(Traditction par Th, CanmjjaroJ 



■ A chamumte captive 
dont je suis le captif, 
amoureux et plaintif , 
ne veut plus que je vive. 
Dans un bouquet d'avril 
jamáis rose venneille 
d'une ciarte pareille 
n'écUdra mon ezil. 



La fleur sur la colline, 
r¿toUe dans l'azur, 
n'ont point d'attrait plus sur 
que cene enfant cSline. 
Son <xi\ noir est si douxl 
sa mine est si charmante! 
Mon coeur qu'elle tourmente 
est transpercé de clous! 



4i8 



Sa gráce quí m'entraine 
tant mon coeur subjugua, 
qu' étant captíve elle a 
Tair vainqueur' d'une reine. 
Pas de cheveux si blonds 
qui ne perdent leur gloire 
prés de sa tresse noire, 
de ses grands yeux profonds ! 



Dans ce noir tant de vie 
se cache et de douceur, 
que de changer couleur 
la neige aurait envié. 
Elle est tres sage, — mais 
si charmante et légére, 
qu'on la croit étrangére, 
mais barbare. . . . jamáis! 



Dans les jours de naufragé, 
par sa douce candeur 
elle apaise mon coeur 
et sur la mer Torage. 
Amant, point électif, 
il faut done que je vive 
pour la belle captive 
dont je sms le captif ! 




TRADUCgAO EM FRANCEZ 



Cav. achilles millien 



STANCES DE CAMÓES 



SUR BARBARA, L-ESCLAVE INDIENNE 



(Trai.par Achule MUlien) 



■ ÉLAs! cene jeune captive, 
Qui me tient captif & mon tour 
Puisqu'en elle je vis d'amour, 
Elle ne veut plus que je vive. 
Le bouquet le plus précieux 
Ne contint jamáis une rose 
Plus gracieusement éclose 
Et plus agitable & mes yeux. 



Fas une des fleurs des prairíes, 
Des ¿toiles du firmament, 
Non, pas une en beauté vraiment 
N'égale mes amours chéríes: 
Front sans pareil, charmant minois, 
Yeux languissants, ncures prunelles, 
Avec tant de douccur en elles 
Et meurtriéres toutefois! 



422 



Par leur grSce piquante et vive. 
Elle est devenue aujourd'hui 
La souveraine de celui 
Dont elle-méme est la captíve. 
La foule en sa fri volité, 
Á voir sa chevelure noire, 
La foule ne pourra plus croire 
Qu'aux cheveux blcxids est la beauté. 



Avec son teint brun d'Indienne, 
L'amour lui donne un tel attrait 
Que la neige méme voudrait 
Changer sa couleur pour la sienne! 
Aux instincts doux et délicats 
Chez elle la raison s'ajoute; 
Elle est étrang^e sans doute, 
Mais barbare. . . . elle ne Test pas. 



Sa mine charmeuse et sereine 
Apaise Torage aussitot; 
Je n'ai qu'á la voir et bientdt 
Je sens finir toute ma peine. 
Elle me tient captif aussi, 
Helas! cette jeune captive. . . . 
II faut bien qu'encore je vive, 
Puisqu' en elle je vis ainsi! 




TRADUCgAO EM FRANCEZ 



Prof. jóse BENOLIEL 



STANCES DE CAMOENS 



SUR BARBARA, LA BELLE ESCLAVE INDIENNE 



(Trad. par Joseph Benoliel) 



BETTE belle captíve, 
Dont je suis tout éprís, 
Commc en elle ¡e vis, 
Ne veut plus que je vive. 
J'ai beau voÍr en tous lieux 
Mainte fleur fraíche-éclose, 
II n'esl point une rose 
Aussi belle i mes yeuz. 



Dans le ciel point d'étoile, 
Point de fleur dans le pré. 
Que sa grSce, k mon gré, 
Et n'éclípse et ne voile. 
Oh! quels attraits divins! 
Quels yeux noirs et paisibles! 
lis sont douz, mais terribles, 
Ses regards assassins! 



4^6 



Le feu qui les enflamme 
Brille avec tant d'ardeur, 
Qu'elle a prís tout mon coeur 
Et régne sur mon Sme. 
Á voir ses noirs cheveux, 
Le monde entíer confesse 
Que nuUe blonde tresse 
Ne charme tant les yeux. 



Et la teinte enivrante, 
Qui nuance ses traits, 
Fait envier son jais 
Á la neige éclatante. 
Sagesse, esprit, douceur, 
Tout en elle declare 
Que Ton n'est point barbare 
Pour avoir sa couleur. 



Sa présence sereine 
Chasse orage et chagrín: 
Elle calme ma peine 
Et soulage mon sein. 
Telle est cette captive 
Dont je suis tout éprís; 
Si pour elle je vis, 
Faut-il pas que je vive? 




TRADUCgAO EM FRANCEZ 



AUGE MODERNO 



VERS DE CAMOENS 



A UNE ESCLAVE INDEMNE QUI AVAIT NOM BARBARA 
ET DONT O. ÉTAIT DEVENU AMOUREUX 



(Traá. par Atice Moderno) 



BETTE esclave si bette 
Qui pQsa6tle moa cceur, 
Quoique )e vive en elk. 
Je n'en suis pas vainqueur. 
Sa beauté ut^cal«, 
Á mea rcgards ardmts, 
Fait pálir sa ñvak, 
La rose du príntemps. 



Ni les astres de flamme, - 
Ni les bouquets des prés, 
N'égalent, sur mon ¿me, 
Ses appáts bien-aimés. 
Regard calme, impassible. . . . 
Visage au fín contour. . . . 
Mon coeur bien trop sensible 
En est ¿prís d'amour! 



43o 



Son port de souveraine, 

Sa grSce et sa douceur, 

La font, d'esclave, reine 

De son adorateur. 

Je puis briser la chame 

Des plus beaux cheveux blonds, 

Car sa tresse est d'ébine, 

Ses yeux noirs sont profonds! 



La neige est envieuse 
De son teint chaud, cuivré: 
Sa noirceur radieuse 
Ne peut ríen envier. 
Son channant caractére, 
Ses ravissants attraits, 
La rendent singuliére, 
Mais. . . . barbare, jamáis. 



Retrouve enfin le calme, 
Coeur blasé, coeur meurtri! 
Elle est pour moi la palme 
D'un désert infíni. 
Voici r esclave belle 
Dont je suis serviteur, 
Et je revis pour elle 
Qui m'a ravi mon coeur! 




TRADUCgAO EM BORGONHEZ 



FIUPPE VALLEE 



COMPIAINTE DU LUÍ DE CAMOENS 



AI EINE ESCLIAVE QUI SE NOMMO BAJRBARA, DE LAl QUÉ 
LE POUAITE S' ETÓ AIMOURACHÉ DAN LÉ INDES 



HTE caiptive, — qui me caiptív6, — peuque i vi en le¡,— ne veu 
pu qu' i vive. 
I n' ai jaimoi vO rose — en ein beá boquai— qui ai mé eüille — 
fu pu aigríable. 



Ne fíeur dan lé chan,— ne etaulle dan le cié, — ne me sam- 
bien beile — quement mé aimours. 

Visaige tS ai lei! — Eüille dou?ó, — noi, quasimant mor — ma 
bé meurtrey! 



Eine graice vive — qu' el loge en eu, — po étre lai matroce — 
de ctu don el a l'escliave! 

Noi sé cheveu, — si bé que le vain peuple — en paidó lai 
croíance — que lé blions son beá! 



434 



C' a r aimor ncM — de si aigríable figure, — que lai noigC' 

ly ]úró — qu' el chaingeró de couleu ajvñ lu! 

Joyouse bonui, — qm n' a pa san (arvelle, — el samble bé 
etraingire, — tna. . . . pa eine bairbare! 



MaigDe epcHS¿e — qui donte lai tonnante: — en leí anfin s' en- 
dorme — tdte mé pone. 

Cetei-ci a lai caíptive — qui me tint caiptif: — et, peuque ¡ ñ 
en Id,— ai &u qu' i vive. 



TRADUCgAO EM LINGUAGEM DE BRESSE 



CLAUDIO MARIÓN 



COPLÉ DE CAMOÉNS 

su N' A PRÉZONIRE NOMHO BARBA U BARBARA 



■ A prSzoníre que me tínt, pisqu' en yella ze vivo, voSut que 
ze mouérfi. 
N' ai jamé viceú u moétant d'on boque, n' a rose pié agreyóbla 
á meu z' us. 



Jamé n' ai vioeú fleurs díns leus pr3s, m u finnamant de z' étfiles 
que me parüchant asse bailes que meu z' amors. 

La n' a figuera de le pié brSves, de z' us dceúx, nH et langues- 
sants et pretant que vo z' empegniont. 



L' a n' a gráce de sorel qu' en fa la rain-na de chó que son 
méire. ^ 

Son pé né fa eblaye ft ees qu' y crayont encoere que lou pfi 
lou pié brovou quement de rita. 



438 



L' a ta coleu breña de 1' amor, pi seu traits sont se doeüx que 
la neze vudre shanze de coleu avoué yella. 

Le méglie na dochceu agreydbla á n' a sartaín-na gravetó; all 
t-¿tranzire mais pd Barbara. 



Sa doeüssa tegnia tranquilla la tormente; ze treuvo en yella lo 
tarmo de totea mes pein-nes. 

L' e la prézonire que me tint; et pisqui en yella ze vivo, fó 
que ze vivé. 



TRADUCgAO EM LINGUAGEM DA PICARDÍA 

(CERCANÍAS DE AMIENSI 
ROBERTO DE GUYENCOURT 



COUPLETS D* LOUIS D' GAMOENS 

Á EINN' FILLE QU' ALLE ÉTOIT ESCLAV DE S'N ÉTAT 



■ ' prisonniér' feinn' belle 
Qu' a' m' tíent da' s' prison, 
— {Pisque j' vis da' elle), — 
All' vut m' creuvaison. 
Janmois j' n' ai vu d' rose, 
A ch' coeur d' ein bouquet, 
M' foir' pareil effet 
Que ch' ti-ló qu' a' m' cause. 



Ches fleurs, durant ch' jour, 
Ches étoil', au clore, 
Au pr¿3 de m'n Amour, 
Tout cho s' decolore. 
Alie o stn oeÍl noir, 
Avu s' ñgur' douce, 
Maia sen r'gard i' pousse 
Droit a ch' désespoir. 



442 



Alie ést racachantey 

Tant, qu' sen gueux d' enlVeu, 

Qu' air n' est que s' servante, 

U est sen serveu. 

Pis, sí o' ravise 

L' bieuté d' ses cavieux, 

Noirs conm' ches corbieux, 

L' blonne o' i* démépríse. 



Alie o r pieu d' Y amour, 
D' einn' Joli' teint' bise 
Que r neige, á sen tour, 
N' én d'viendroit épríse. 
Alie o s'n esprít doux, 
Pis s'n anm' point légere: 
Cheir filie étrangere 
SVoit á s' plach* cheuz nous. 



S'n aspect i' rapure 
Ches tonnénts d* mto coeur. 
Quand s* presenche air dure, 
Ch' est por mi V bonheur. 
V'ló cheir prísonniere 
Qu' a' m' tient da' s' príson: 
Ch' est eir qu' est 1' raison 
De m' vi' toute ¿ntíére. 




TRADUCgAO EM WALLON 

(DIALECTO DE LIÉGE) 

PELO 

PROF. AFFONSO LE ROY 



SAKWANT COUPLET DI LUIS DE CAMÓES 

so SI ESCLAvE bArE (BARBARAN 
(Mettons és paír ivalton d'lige par Mphtnae Le Roy) 



■ scLÁvE et sovéraine, 
Eli' mi poss¿d' si bin, 
Qui c'est mi qu' poit' si cbaine: 
FoQ d' lá i' n'a keQr di rin. 
Si bell'! J6ie di mes oQÍe! 
T\ 'mié sos-t assotti: 
Jamflie jusqu'á joQ dlioQie 
Pareie ros' n'a r'glati. 



Blancmoite á costé d' leie 
Sont les fieur di nos champ, 
Et s' peur éclat disfeie 
Les s'teule et les diamant. 
Loukíz ciss' geaive h. párt, 
Ces neúrs oüie lanwireux; 
Mais seyéz so vos gárd: 
Ces oQie-tá sont moudreux. 



446 



A veie ciss* beir jónesse 
Pleint' di gráce et d' firté, 
Vos diríz-t in' príncesse 
Qu'a pierdou s' liberté. 
I gn*a rín qui surpasse 
Li ríchess' di ses chVet; 
On trouv' les blond' fadasse 
d' leie^ et sins cache t. 



Coleur d'amour, burnette. 
Elle a des si doux ton, 
Qui r nivaie est hayette 
Dé l's épronter tot d*bon. 
Doux et séríeux, s' soríre 
A tot pouvoir sor mi: 
Eir pout esse étringire; 
Mais po barbar'. . . . nenni ! 



Rin qu' Tefiet di s' présince 
A VoTtg' mette on frein; 
Gráce h s' bonne influince 
Mes málheur áront 'n' fin. 
Ji poit* ses fíér, ji Taime, 
Mi veie n'est pus da mi. 
Ji vik' portant tot V méme: 
Eh bin! vikans ainsi! 




TRADUCgAO ITALIANA 



POR 

■ 



THOMAZ CANNIZZARO 



STROFE DI LUIGI DE CAMOENS 



DIRETTE AD UNA SCHIAVA INDUNA CHIAMATA BARBARA 
PER LA QUALE, NELL' INDIA, ARSE DI AMORE 



(Tradotte da Tommaso Caitmjfaro) 



■ A prigíonera beUa, 
onde prígion sod' io, 
che tutto ebbe U cor mió, 
dal mondo mi cancella. 
Tra mazzolini gaj 
cosí spiendida rosa, 
cosí soave cosa 
quaggiü non vidí maí. 



Né a la campagna un fíore, 
né vidi mai si bella 
ne razzurro una stella 
parí al mió dolce amore. 
Oh! che incantevol viso! 
oh! che nere pupille! 
che languide faville 
che m' han l'anima uccíso! 



45o 



Nei rai tanto fulgore, 
tanta grazia le splende, 
che signora la rende 
sempre del suo signore. 
Del ñero crine Tonda 
le va si bene in testa, 
che al paraggio ne resta 
vinta ogni beltá blonda. 



E tanto fiílge amore 
in quel ñero si bello, 
che vuol mutare in quello 
la nevé il suo colore. 
S' eir tf ben dir non so, 
piü vezzosa od austera, 
ben sembra una straniera, 
ma. . . . una barbara no! 



Col suo soave aspetto, 
che il nembo sa placare, 
le pene addormentare 
tutte mi fá nel petto. 
La prigionera é questa, 
onde prigion son* io; 
le debbo, col cor mió, 
la vita che mi resta! 




TRADUCgAO ITALIANA 



PELO 



Dr. joáo baptista cereseto 



BARBARA SCHIAVA 

(Slmje tradolte 4aí portoghtse di Camoaa) 



■ ELLA mia schiava bella 
SchiaTo é U mió cor: ñdente 
Sol per lei vivo, ed ella 
Ch' ioviva non consenie. 
Cosí puré e vezzose, 
Come il mío vago amor, 
Non crebbero mai rose 
Sopra cespo di flor. 



Giammai rose nú prati, 
O in ciel sereno stelle, 
Agti occhi ammaTiati 
Parvero tanto belle. 
Ha lánguido il bel viso 
E nerícante il crin: 
II core m' ha conquiso 
Cpllp sguardo assassin. 



4H 



La grazia, che rísplende 
Dalla bella persona, 
Te, bella schiava, rende 
Del tuo signor padrona. 
Ed i biondi capelli, 
Pur bellissími aífó, 
Piú non sonó i piü belli, 
Bella bruna, per -te. 



Bruna, leggiadra ancella, 
E regina dei con, 
La nevé meno bella 
Invidia i tuoi colorí. 
In te la grazia altera 
A beltá si sposó: 
Ai lidi miei straniera 
Sei, ma barbara no. 



Deír alma la tempesta 
L'afiFano in cor cessai, 
Se sopra la tua testa, 
Schiava, un bacio posai. 
L'amore non si ammorza 
Che schiavo tuo mi fó: 
E vivere m' é forza 
Poi che vivo per te. 




TRADUCgAO ITALIANA 



POR 



PROSPERO PERAGALLO 



STROFE DI LUIGI DE CAMÓES 

AD UNA SCWAVA INDIANA DI NOME BARBARA 
(Tradoüe da Prospero Peragallo) 



■ A dolce cattiva, 
Che tienmi catrivo, 
Perché in essa vivo, 
Non vuoi piü ch' io viva. 
lo mai vidi rosa 
In verde mazzetto 
Che nel mió concetto 
Piü fbsse fonnosa. 



Ni del praio i fiori, 
Né del ciei le stelle 
Mi son cose belle 
Quanto i miei amori. 
Visin singolare, 
Neri occhi, ognor franchi 
Da tema, e giá stanchi, 
Ma non di ammazzare! 



458 



Una grazia viva 
Che in essi dimora, 
Per esser signora 
Di chi essa é cattiva! 
Son nerí i capelli, 
E chiunque ii vede 
Awien che non crede 
Che i biondi son belli! 



Negrezza d' amor: 
Tal é sua figura. 
Che la nevé giura 
Di ambirne il color. 
Gentil la vedrai, 
Prudente, non vana: 
Ben par donna estrana, 
Ma .... barbara, mai ! 



Presenza serena 
Che il turbine acqueta: 
In essa s' allieta 
Infin la mía pena. 
Questa é la cattiva 
Che tienmi cattivo: 
E, dacché in lei vivo, 
É forza ch' ¡o viva. 




VARIANTES NA VERSÁO ITALIANA 



DE 



PROSPERO PERAGALLO 



VARIANTI 

NELLA TRADUZIONE ITALIANA 
PKOSPERO PERAGALLO 



■ A schiava che suole 
Tenenni cattivo, 
Perchf in essa vivo, 
Ch' io viva non vuele, 
lo mai vidi rosa 
In mazzo olezzante, 
Che al tnio sguardo amante 
Píü fosse speciosa. 



I beí ñor del prato, 
Degli astrí l'incanto, 
Non mi ammalian tanto 
Quanto il Ben amato. 
Speciale ha il visino; 
L'occhio ha ñero, e franco 
Da tema, e un po' stanco, 
Ma non assassino. 



4b2 



II vivo bagliore. 
Che in esso sfavilla, 
La possa sigilla 
Che ha in me^ suo signore! 
Son neri i capelli; 
Per essi a ragione 
Scompar Topinione 
Che i bíondi sian belii. 



Brunetta d'amor! 
Tal é sua negrezza. 
Che il ghiaccio Tapprezza 
Piü che íl suo candor. 
Ognun la chiamó 
Mansueta, sincera: 
Ben par forestiera, 
Ma barbara no. 



Presenza serena 
Che il turbine calma: 
In lei pace ha Taima 
In ogni sua pena. 
La schiava si é questa 
Che mi tien cattivo: 
E, dacché in lei vivo, 
Ch' io viva sol resta. 




463 



ALTRE VARIANTI NELLA STROFA III 



DELLA MEDESIMA VERSIONE 




A grazia gentile, 
Che in essi ragiona, 
La rende padrotia 
Di chi é schiava umfle. 
Nereggia la chioma, 
Ed é si elegante, 
Che il crin biondeggiante 
Non piü bel si noma. 




A grazia si eletta, 
Che da essi traspare, 

La fa dominare 

Chi a sé r ha soggetta. 

Si ñero é il suo crine 

E a niuno secondo, 

Che non piü il crin biondo 

Par bello, n¿ fine. 




464 



VARIANTE NELLA STROFA IV 




EGREzzA d'amor! 

Si vaga apparísce, 
Che la nevé ambisce 
Aveme il color. 
Mansueta io la so 
Di spirito lene: 
Straniera par bene, 
Ma barbara .... no. 




TRADUCgAO ITALIANA 



PILO 



Bach. cesar MORISANI 



STANZE DI LUIGI DE CAMOENS 



AD UNA SCHIAVA, CHE AVEA NOME BÁRBARA, DELLA QUALE 
IL POETA S' INNAMORÓ IN INDIA 



(Tradujione itaHana dal Aw. Cesare Morisani) 



■ HiME ! . . . quella dolcissima 
Schiava m' ha incatenato!. . 
Schiavo di lei, quest' anúna 
I sensi miei le ho dato. 
Non vidi inai bellissiroa 
Rosa, íi piíi vago flore, 
Che sia di lei piü fulgida, 
Che vinca ¡I suo splendore. 



Del prato i ñor, che zeftiro 
Feconda, o in cielo stelle, 
Al paragon s' annebbíano. 
Non son di lei plú belle. 
Cara, spirante ambrosia 
La bocea corallina. ... 
AfTascinantí, languidí 
Ha gli occhi da assassina. . . 



468 



Furbetta, pien di grade, 
É tutta leggiadriay 
Par che, signora, domina 
Mentre é la schiava mia. 
Nerí, fluenti, luddi, 
Ricciutí ha i suoi capeili, 
Ogni altra tinta vincono, 
Dei biondi assai piú belii* 



Leggíadra, formosissima 
Nel bruno suo colore .... 
É tal, che non invidia 
Della nevé O candore. 
Mite, gentil, sensibile 
Ai miei perenni guai, 

Straniera d' abitudini 

Barbara. . . . no. . . . gianunai. 



Soavemente teñera 
M' acquieta ogni dolore .... 
Accanto a lei svaniscono 
Le pene del mió core. 
Di lei, schiava, V imperio 
Ardentemente io bramo: 
Schiavo di lei vo vivere, 
Sol perché lei. ... io amo. 




TRADUCgAO ITALIANA 



PKLO 



Cav. MANUEL PORTAL 



STANZE DI CAMOENS 

su D'UNA SCHUVA INDIANA, CHIAMATA BARBARA 



(Tradotte Ja EmamteU Portal) 
(PalermoJ 



■ h\ (piella caniva. 
Che me tien catdvo, 
Poiché in essa vivo, 
Non vuol piü ch' Ío viva! 
Giammai vidi rosa 
Tra fior matíardi, 
Che fosse a' miei sguardi 
Cotanto fonnosa. 



Giammai 'n campo fiorí, 
O in ciel vidi stelle, 
Che fosser si belle 
Al par de' mié' amorí. 
Eir ha un dolce viso 
E belli occhi neri, 
Che ammaliano fíeri 
Col loro sorriso. 



472 



Eir ha grazia viva, 
Che lei fa signora 
Di quegli che ognora 
La tien per cattiva. 
I neri capelli 
Fan perder Tidea 
Che alcuno s'avea 
Che i biondi sian belli. 



É bruna, un amore ! 
Si dolce ha figura, 
Che nevé, piü pura, 
Non ha tal colore. 
E dolce, ben so, 
Ma a volte é pur fiera: 
Ben é una straniera, 
Ma barbara no! 



Presenza serena 
Che allevia bufere, 
In lei par vedere 
La fin d*ogni pena. 
Quest* é la cattíva 
Che me tien cattivo: 
Poiché in essa vivo, 
É forza ch'io viva! 




TRADUCgAO EM VENEZIANO 



PELO 



Dr. thaddeu wiel 



A BARBARA 

STROFE DE LUIGI DE CAMOENS 



(Tradote in Hcdeto wenejian 
da T. WM) 



■ A |»resoniera bela, 
Che presonier me den, 
Perché mi vivo in ela, 
La me vol mono: lo capisso ben. 
No go maí visto rosa 
Sul ramo, o in un mazzeto, 
Che come quela tosa 
- Pusse piena de grazia e de dileto. 



Sluse le stele ín cielo, 

Ride sul campo el ñor; 

Ma no ghe xe de belo 
Gnente p^ mi, fora de questo amor. 

La testa xe una zogia! 

Do ochi neri, oh Dio! 

Dolci che te fa vogia 

Ma i te pol far restar seco incandio. 



476 



Gocola e berechina) 
La ga sempre rason; 
E la se fa regina 

De chi crede de farghe da paron. 
Chi vede i so cavei 
Corvini, inanelai, 
No pol pensar che bei 

I cavei biondi possa esscr mai. 



La ze mora; e la infiama 

Ne Tanema Famor: 

Al so confronto grama, 
Voría la nevé baratar color. 

L' e dolce, zucarina, 

Ma soda co la zente. 

La xe una Levantina, 
Ma Barbara — de nome solamente. 



De presenza serena, 

Che sfanta l'uragan, 

Ogni fastidio e pena 
Ela da mi la cazza via lontan. 

Custki che ve descrivo 

In schiavitü m' á messo; 

E za che in ela vivo 

De morir mi no pensó per adesso. 




TRADUCgAO EM LINGUAGEM RUSTICA 



DE BELLUNO 



PELO 



prof. d. francisco pellegrini 



VERSET DE LUIGI CAMOENS 



A UNA SERVA (S'CIAVAl DE NOME BARBARA, DE LA QUAL 
EL POETA ERA INAMORÁ NE L' INDIE 



■ TA serva che me censólo, parché mi vive in ela, zá no la vol 
pl che mi vive. 
Mi no ho mai vedü 'na rosa int' un mazzet de bon odor che ai 
miei oci fosse pl grazlosa. 



Né i ñor del pra, né le stele del ziel, me par cossl bele come 1 
me amor. 

Faza mareveosa! oci dolzi, morí e tímedi. . . . ma no (timedi) 
a sassinar! 



La beleza zentila che T ¿ in ela la fa parona fin del so paron! 
I cavei i t negri, e la zente zucona no dise pl che i bíondi 
sie bd! 



Color moro de amor .... Cossi dolze k la figura, che la nere 
Torave cambiar color cod ela! 

Liegra, pias¿ola, ma anca soda; la par ben 'aastra2iia,ina.... 
barbara no! 



Ziera liegra che chieta le rabie: in ela se calma tutí i mid mai. 
Questa t la serva che me comanda: e zá che mi vive b da, 
mi cogne viver. 



TRADUCgAO EM FRIULANO 



POR 



ERNESTO COLUSSI 



3i 



STROFIS DI LUIGI CAMOENS 



A UNE SCLAVE INDIANE CLAMADE BARBARE 



DHESTE biele sclave che nú á fan so sclaf, parceché in je jó 
vtv, no Ql plui die jó viví. 
Jó no á¡ mai plui vidút, in nissun verd mazzet, une rose che 
ai miei vói e' foss plui biele. 



Par me ne i flors dai prás ne lis stellis dal cíl son cussl bielis, 
come i miei amdrs. 

Je k une musute di une beiezze singcdár, doi vói neris, plens di 
dolcezze, che vádin al cúr, ma che fásin muii. 



Dentri di chei vó¡ si soiind une grazie cussl potent, che la fas 
parone di chel di cui e' je la sclave. 

Cui ch* at vidd i siei ^havei nerís, ah! chell nol dís plui che 
son biei í bionds. 



484 



Je i il neri cotór di amor : chest á I' é il so ritratt, e la nív stesse 
e' voress vé il so biell colñr. 

U so fá r e grazids e serio nell' istess timp: ah! clfuniole fo- 
reste ma Barbare mai plui. 



Cu la so biele presinze, je bone i temporai; j6 chiati in je la fin 
de me pene. 

Cheste je la sclave che mi k fan so sclaf : e dal moment cb' o 
vív in je, bisugne che jó vivi. 



TRADUCgAO EM DALMATA 



PELO 



PtfoF. JOÁO CARDONA 



BARBARA, LA BELA PRIGIONIERA 



BRiGioHiEtto d' una bela 
Che sta ciusa nel prígion, 
Mi noD vivo che per eta, 
Dolce mia disperazion. 
No' go visto oui 'na rosa 
Messa in mezo a un mazetin 
Cos) fresca ed odorosa 
Come xe quel bel visin. 



No, non xe le stele in cielo 
Bele come '1 mió tesor, 
Nissun fior xe cosí- belo, 
Come '1 viso del mió amor. 
Dei sui oci la belezza 
Drito drito te va (a)'l cor, 
Dei sui oci la negrezza 
Te ferísce col languor! 



488 • 



I sui oci ga una grazia 
Cori viva che innamora : 
Prígioniera, la signora 
La deventa d' ogni cor. 
Chi ga visto cosí nerí 
I sui morbidi cavei, 
Piü non crede che sia bei 
Quei che xe d' altro color. 



A vederla cosí mora, 
Dolce in viso e neir amor, 
Fin la nevé bianca giura 
Che voría cambiar color. 
La xe mite, la xe allegra, 
La xe savia propi* assai, 
La ve par una straniera, 
Ma una barbara no, mai. 



Col sereno e dolce aspetto 
La conforta le mié pene. 
Le tempeste del mió petto 
Trova paxe nel mió bene. 
Cosí xe la prígioniera 
Che m' ha fatto prigionier; 

El mió trísto cor non spera 

Vivo sol per suo volcr. 




TRADUCgÁO EM ISTRIANO 



PELO 



Prof. Dr. ANTONIO IVE 



BARBARA, LA SCAVA INDIANA 

(Trad. in dialetto istriano di Attíonio he) 



BH, ka bárbara zi kufla, 
Ka ma té inprízuná! 
La m' uó pruópio insinganá; 
Méi nun véivo ka par gila. 



I n' ié Téisto mái 'na rúza 
Kuséi biela intún masito, 
Kúmo kuila, ka firéito 
Uó 1 ma uóci e zi 'ngrasiüia. 



A nu zi intúi kánpi fiúr, 
Mánko in sil nu ¿i 'na stila, 
Ka séio biela al par de gila, 
Kuséi biéiu zi 'I ma Amúr! 



493 



L' u6 la fásia ka fa vója; 
I su uóci dúlsi e muórí, 
I zi be dúi roubakóríy 
K' i ma dá truménto e dója. 



L' uó 'na grásia ka 1' ínkánta. 
Da suvrána, al su paré; 
I kaví muórí puói uó '1 dój 
Ka súi bióndi i puórta *1 vánto. 



L' uó '1 kulúr bróü de V amúr, 
I su tráti uó 'na finisa, 
Ka parféí la nio istisa 
Vularáo zganbiá '1 kulúr. 



L' uó 'na grásia k' inamúra: 
La ¿i siéria, ma piazénte, 
La ve be da stráña gente, 
Ma ningóQ la nu adulúra. 



La ligréüa, ka uó kufla, 
Kálma i guái, ka méi ié intúmo; 
La na' uó miso intún un fúrno, 
Biéña be k' i véivo in gila. 



^"tSk^ljtJX^ 



TRADUCgÁO EM BOLONHEZ 



POR 



N«»» N«»« 



: f XT á rii 'Jii'XTOT u Yry r imfy n rrr x t xxrr rtxr v txtrYxr r rrr'rxr t rrrrr xT r i irr r r tvnrrrx ri - rr r x t xr rr rmín"^ 




LT.****^**-f ***'T****^"***Pi***'*'**** "'"**"*"****'*"'"*"**""'"" **'"*V»' «"*'"*' 



STROF ly LUIG CAMOENS 



A UNA SCHIAVA CH' AVEVA NOM BÁRBARA, DLA QUAL AL POETA 

S' INAMOURÓ IN DL* ENDIA 



(Tradotti in difllett huignéis da N*** N»**J 




ULÁ schiava ch' em ten schiav, vivand per 11, an vol pió ch' a 
viva. 

Me a n' ho mai vest rosa in un mazz ch' foss ai mi ucc' pió 
béla. 



Né fiur in d' un camp, né strél in zil em paren acsé béli, 
cm' é 1 mi amSur. 

L' a un mustazein singular, di ucc' tranquell, nigher, strach, 
ma non d' amazar. 



La vivazitá día grazia, ch' é in Idur, la fa padrouna d' quéll 
ch' la ten schiava. 

I su caví nigher smentessen V upinidn ch' i biond sien bi. 



496 



Negrezza d' amSur 1' ha aspít acsé grat, ch' la néiv la zura 

ch' baratarev culóur. 

A giuvial biuitá li uness gravita: li par bein strafiia, ma — 
barbara n6. 



U alligra so presénza tranquilezza el mal umSur; me a trov ic 
li la finadga d' tot i mi guai. 

Li r é schiava, ch' ten me schiav: e daza ch' a viv per li, é 
d' nezessitá ch' a viva. 



TRADUCgÁO EM DIALECTO DE PARMA 



PELO 



dr. agrilles romani 



33 



CANZONETTA D' LUIG GAMOENS 



A "NA SCIAVA, CH' AVA NOM BARBRA, CH' AL GH' FAVA L' AMOR 
QUAND L' ERA IN INDIA 



■ h1 sta scUva ch' m' inamora, 
Ch' a m' ten sciav cm' el lass ai pe. 
Perché viv soltant in Lé, 
La voeul propria che mi mora. 
Mi n' ho mai vist ona rosa 
Ch' a gh' aviss csl tant splendor, 
Missa in mezz a on mazz ad ñor, 
Caled agh' n' a sta me morosa. 



Mi n' ho mai vist ñor in prá. 
Mi n' ho mai vist in del stell, 
Ch' im parissen csl tant belí, 
Cmed é bel chi TAmor me. 
L¿ la gh' á csi on bel mostass 
Con du occ nigher luseint, 
Che per qiiant dolz e langueint 
D* sassinar an j' en capass. 



5oo 



Tant incant in Lé s* osserva 
Con 'na grazia csi birbonna, 
Da parer Lé la padronna 
D' coll ch' la n' fe che sol la serva. 
La muda gl' idei del Mond 
Cmi cav) ch' la t* em fa veder 
Csi bei nigher ch' la fa creder 
Ch' a sia brutt i cavj biond. 



Stá 'n t* il morí el veir amor : 
Lfe r fe nigra, e la gh' a on far 
Che la neiva vrfe dvintar 
Anca lfe del so color. 
'N' allegria s' veda in Lfe 
Armesciada a día sodfezza, 
La gh' a, fe veira, on pó d' stranezza, 
Ma no barbra, no la n' fe. 



El so nobil portament 

Del me coeur calma il tempesti, 

Di me maj il gran molesti 

L* a fatt fhir Lfe finalment. 

La gran sciava fe costa chí 

Ch' a m' ten sciav cm' el lass ai pfe, 

E perchfe viv sol in Lfe 

Mia ch' a viva doñea an mi. 




TRADUCgAO EM PERUGINO 



PELO 



Prof. rogerio torelli 



STROFE DE CAMOES 

TA NA SCHIEVA NDIÉNA CHIAMETA BARBARA 



(Trad. in dialetto perugino 
^ Rogg^o Torelli) 



■ A chéra achieva mia, 
Che schievo me tien giue, 
N' volé che viví piue, 
Perché vivo ton lia. 
Nn' ho ma' visto na rosa, 
Missa nton bel mazzeno, 
Che dcsse plu' diletto 
E fijase piu' graziosa. 



N¿ 'n mezz' i campe i fíore, 
N¿ 9U ntol ciel le stelle, 
Me perón tanto belle 
Mo son bell' i mi amore. 
Ha 'n visino ch' attrae, 
Occhi dolce e carine, 
Occhi propio assassine, 
Ma pu no da mazzae. 



5o4 



Na grezia ce se vede, 
Na grezia che nnamora, 
E la ríende signora 
De chi schieva se crede. 
Son nere i su capeglie, 
E fonno ni 1 pensiero 
Ta tutte che nn' é vero 
Che qui bionde son beglie. 



Ha 'I ñero de V amore; 
E tanta vega é lia, 
Che la nevé ambiría 
D' esse del su colore. 
Dolce e gentile, ha ncoe 
Na figura severa. 
Se podrá di' straniera, 
Ma barbara pu noe. 



'L chéro su aspetto é tele 
Che me calma i dolore; 
r trovo ntol su amore 
X fine de tutt' i méle. 
É tista la cattiva 
Che den ta me cattívo; 
E giá che ton lia vivo. 
De fil migna che viva. 




TRADUCgAO EM NAPOLITANO 



POR 



SALVADOR DI GIACOMO 



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.3) 

6 











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VIERZE ^E LUIGGE CAMOENS 



A NA SCHIAVUTTELLA CA SE CHIAMMAVA BARBARA, 
CU STA QUALE 'O PUETA SE NN' ERA JUTO 'E CAPA A LL' INNIA 

fVutate a lengua napulitana 'a Sarvatore di Giacomo) 




CHiAVo m' ha fatto chesta schiavuttella, 
campo d' 'a vita soia 
e mme vurria pecchesto fa muri! 
Certo^ nn' aggio visto io rosa cchiü bella 
*e sciure 'a dinto a nu mazzetto asci. 



Sciure nn' aggio visto io, 'n' campagna nate, 

e manco stelle 'n' cielo, 
cchiü belle e cchiü lúceme 'e chesta ccá: 
faccia fina, uocchie doce e appassiunate 
ca te fanno senz' anema resta. 



P' 'a grazia soia patrona é addeventata, 

e mo schiavo e o patrone: 
ñire 'e capille so' na raritá, 
tanto c' 'a gente, ca s' era ngannata, 
dice ca^ 'e junne nun ce hanno che fa. 



Brunettella comm' é De sta pinato 

sni colore, c' 'a stessa 
nevé lie mmidia ma cagnft nun po'. 
Teñe nu pparl& serlo e aggrazíato: 
i furastiera, nu barbara no! 

E cu chest' aria soia pace nune porta, 

tune 'e guaie mieie mme scordo: 
schiavo mme teñe e pur essa schiava é! 
Campo pe causa teña: troppo mme mpona: 
campa voglio Ío sí aggia campfa cu te! 



TRADUCgAO EM REGGITANO 



(CALABREZ DE REGGIO) 



PELO 



Bach. cesar MORISANI 




PUISIA DI CAMUENS 



A NA SCHIAVA DELL* INDIA, CHIAMATA BÁRBARA 



(Purtata in düüettu catabbrisi'ríggitanu) 




' ANNAMURAj di na schiavuttedda, 
Pirdia a libbirtá. . . . nun c' é chi diri. 
Non áiu cch'íu paci pi sta finuninedda 

Sugnu u so schiávu mi faci murirí. 

Non vitti mai nta nu mazzettu i sciuri 
Na rosa tantu china di fríschizza. 
Nun poti aviri a rosa u so splinduri, 
Nun poti aviri certu a so biddizza. 



I sciuri, chi vidimu nménzu e prati, 
I stiddiy chi su ncélu rísplindenti, 
Cu sta biddizza mia paragunati, 
Non sunnu tantu beddi certamenti. 
pdi labbra, chi ríchiamanu suspiri; 
Lucenti comu a stidda matutina, 
Comu un giuittu sunnu niri, nirí, 
Chidd' occhi soi di latra .... di sassina . 



5ia 



E china di buntati, é tanta brava 

Ma fiírba, ed avi un farí aggraziatu, 
Chi pari a me patnina, mentri t schiava, 
Ed é sugnu u so schiavu ncatinatu. 
Su comu a sita i so capiddi nirí, 
Su iisciy longhiy veramenti rrarí, 
Tantu chi ognunu s' avi a persuadirí 
Chi i biundi non si ponnu cchíu vantarí. 



E nira, ma avi tanta simpatía, 
Avi tanta buntatí, e tánt' amuri, 
Ch' a nivi forsi forsi cangiarria 
Cu sta nira biddizza i so culuri. 
Avi u so con comu pasta e meli, 
E si di ñirístera avi u so fari, 
E comu na palumba senza feli .... 
Barbara .... certu nun si po chiamarí. 



Quandu sugnu vicinu a sta figgh'íóla, 

Mi sentu u cori chínu i cuntíntizza 

Si mí guarda mi dici na parola 

Mi torna a pací .... mi passa ogni stizza! . . . 
Idda é a me schiava, e schiavu soi mi teni, 
Mi teni fortemente ncatínatu, 
Pirchl supra ogni cosa a voggh'íu beni — 
Senza st' amuri murirria dannatu! . . . 




TRADUCgÁO EM SICILIANO 



POR 



THOMAZ CANNIZZARO 



33 



SVcí-w; 




LAMENTU DI L. DE CAMOENS 



A TNÍA SCAVA CHIAMATA BARBARA DI CUI, STANDU A L' INDIA, 

SI WíAMURÓ 




TA scava carzarata, 
chi in carzira mi teni, 
pirchi la vosi beni 
la vita m* ha livata. 
Rosa non vitti mai 
ntra maiu chiu odurusa, 
cosa chiu priziusa 
d' iddha chi tantu amai. 



Di r occhi e li masciddhi 
di lu me duci amuri, 
chiu beddhi nterra shiuri, 
in celu non c' é stíddhi. 
Chi facci sapuríta! 
chi niuri vavareddhi ! 
chi ucchiati piatuseddhi 
chi levanu la vita! 



5i6 



Ddha vavareddha scura 
é tanta aggraziata, 
chi di cu é carzarata 
fa d' iddha la signura. 
Di frunti a lí so' trizzi 
niuri ad unni ad unni: 
'un c' é capiddhi brunni 
chi vantanu biddhizzi. 



Ma regna tantu amuri 
ntra ddha ninuni spissa, 
chi giá la nivi stissa 
nni 'nvidia lu culurí. 
Chiu saggia non si pó 
esseri né sincera: 
'ssumigghia na stranera, 
barbara. . . . certu, no! 



Lu visu mansuetu 
calma lu temporali, 
fa di peni murtali 
r animu quetu quetu. 
Sta carzarata t chidda 
chi in carzira mi teni: 
tantu la vogghiu beni 
chi campiró prí d' iddha! 




TRADUCgAO EM CAGLIARITANO 



DE 



ROBERTO USAI 



A UNA PRESONERA INDIANA 



DE NÓMINI BÁRBARA 



■ Hi! una presonÉra, 
Poita ch' in issa bivu, 
In presoni mí tenit 
De libeitadi pnvu. 
Rosa mai hapu bistu, 
Chi a is ogus mius prus bella 
In bucchettus de florís 
Fessi de custa steUa. 



Né in campu algunu, florí, 
N¿ in celu, stella alguna, 
Bistu no hapu mal, 
Deu, coment' 'e cusí' una. 
Sa facci est un incantu: 
Meda bellus is ogus, 
Nieddus, prenus de amorí, 
M' aUuint in coru fogus. 



&20 



Tanta bellesa t in issus, 
Tanti bellu splendorí, 
Chi m' hant' incadenau, 
Custus ogus de amorí. 
Nieddus portat is pilus, 
E bellus sunti tanti, 
Chi aici bellus non parínt 
Is pilus de atr' amanti. 



Mancai niedda, sa faccí 
Bella ddi fai sa di: 
Colorí hiat a cambial 
Po issa, giura, sa ni. 
Sabiórí e allirghia 
É tott' unu cun issa: 
Strángia parít, non bárbara. 
Si déu dda castiu fissa. 



Cun su serenu aspettu 
Fai cessai sa tempesta; 
Cessat in mei sa pena, 
E mi ponit in festa. 
Tali é sa presonéra 
Ch' in presoni mi tenit, 
E bellesa crudeli 
In sa facci cunténit. 




TRADUCgÁO EM GENOVEZ 



PELO 



Dr. joáo baptista cereseto 



A UNN-A SCCIAVA 



■ E tí, mé beila scciava, 
Son feto scciavo. M¡ 
Vivo in ti solo; e, brava! 
Ti me faiésci moí. 
Chi ha visto da unn-a scioéa 
Mai rOse cosci belle, 
Ciü beile da tó ciaéa, 
Ciü fresche da tó pelle ? 



ó scciava! no ghe n' é 
CiQ belle stelle in qé, 
Ciü belli scioi in ti campi. 
Ti fae o bocchin che o ríe, 
Piccin r é o tó vinin: 
Son neigri comme e müie, 
E fian furgai e lampi 
I tó oeuggi assascin. 



524 



A grazia che a rísplende 
Dfla tó bella personn-a, 
C5a tó magia a te rende 
Do tó padrón padronn-a. 
Conime ala de corvo belli 
Son neigrí i tó cavelli: 

Chi dixe belle S bionde 

Ma che o sevadde á asconde! 



Ó moetinn-a, mé amú, 
Remiando a tó figua 
A neive a se sperzQa 
Che a cangieiva de cú. 
Incanta a grazia tó, 
Imponn-e a tó manea: 
Díián che ti t fuestéa, 
Ma barbara poi no. 



Tí si ben che burrasca 

In mi placa ti peu, 

Che basta unn-a tó frasca 

Pe ritomá figgieu. 

Oh scciava, a T é cosci! 

Son mi tó scciavo in gaggia; 

E, perché vivo in ti, 

Voeuggio vive pe raggia! 




TRADUCgÁO EM PIEMONTEZ 



POR 



GAMILLO VARIGLIA 




STROFE D' LUIS DE CAMOENS 



A NA BELA S'CIAVA INDIANA CIAMA BARBARA 



(Tradussión an piemónteis 
d* Camilio Variglia) 




osTA s'ciava tant gentila 

ch' am fa s'ciav e ch' am dá 'I.bleu. 
am fa meuíri li a cit feu^ 
mi ch' i vivó mach per chila. 
L' hai maí vist n¿ i la vedrai, 
e i r avria 'n bel cérchela: 
ma na reusa cosi hela 
gnun bóchet air avrá mai. 



Né le bele fiór d* ii prá 

né le steile lá del cel 

gnente gnente a j' é d' pi bel 
d' ii me amor idolatra. 
Un facin : . . . che bel facin ! . . . 
d6i euj neir, dói euj grassiós, 
bei, simpatich, amoros .... 
ma pero cosi sassin ! . . . 



528 



Una grassia biríchiña 
a se specia 'n t' coi eujon, 
ch' a comanda a so padrón 
e da s'ciava a ven regina. 
I cavei d' na splendidessa, 
neir, giajet^ arís, lusent, 
ch' a fan perdi da 'n t' la ment 
ch' e coi biond a sio na blessa. 



Neira peui parei d' V amor, 

ma d' un brun, d' un brun tarit bel, 

ch' a veul pie, vnisend dal cel, 

d' co la fioca 1 so color. 

Un bel fe, gentil e pur 

e d' co seria 'n tel sorís. . . . 

e se a r e d' un adt pais 

r t nen barbara, d' sicur! 



Sda presenssa e cara e ardía 

a fa tase la tempesta 

e me cheur a tdma 'n festa 

e ii magon a scapo vía. 

L' t sta s'ciava ch' i V hai dive, 

ch' am fa s'ciav, ch' am ten la brila; 

ma, da giá ch' i vivo 'n chila 

oh! si si ch' i devo vive! 




TRADUCgÁO LITTERAL EM MILANEZ 



POR 



JOSEPHINA LEVI 



34 



BARBARA PRESONERA 



■ HELIA presonera — che me ten presonee, — perché stoo viv 
per lee, — la me voeur mort. 
Hoo mai 7ist ona roeusa — in tanti bei mazzctt, — che ai mé 
ceucc — pariss pussee bella. 



Nfe i fior in mezz ai praa, — né i stell in ciel, — me paren béj — 
come '1 mé amor. 

Faccia che ¡ncanta; — ceucc dolz come '1 mel, — negher e lan- 
guissant, — ma assassín! 



E ghé dent ín quij oeucc — ona grazietta birichina, — che le fá 
deventá padronna— de quell che 1' é presonee. 

I cavé] negher-^ de moeud, che la gent stupida — la fíniss a 
cred — che i biond hin bnitt. 



Tenciura de amor— ghe fá 1 faccin insc) dolz, — che la cev la 
gbe giura — che lavorána cambia color. 

Un' allegría quietina, — compagaada a sodézza, — la par, vera- 
ment, forestera, — ma barbara no. 



Con la presenza serena — la qu¡¿tta el temporal; — tuce i mí 
fastidi — van in fiímm per lee. 

L' é inscl la presonera — che me ten in preson; — e siccome 
stoo viv per lee — bisogna ben che scampa! 



TRADUCgAO EM VERSOS MILANEZES 



POR 



JOSEPHINA LEVI 



BARBARA PRESONERA 



DHi gh' é in preson I' t lee 
Ma viceversa poi (questa 1' ¿ bonna!) 
Sont mi '1 só presonee. 
L' ¿ lee che pó disponn de la mía son, 

Per lee solía stoo in pee 

E lee la me voeur mort! 

Ah! come te see bella la mía doona! 



N' hoo vist de roeus, n' hoo viat di béi bocché, 
N' hoo vist gió per i praa d' i gran b¿i ñor, 

Hoo guardaa in ciel ma ch¿! 

Gh' ¿ nient, cred el mfe amor, 

Né fior nk stell, 

Che sia per mi insci bell 

Come 'i tó car facdn, 

Come i t6 ceucc, simonna, 

Negher, dolz e — pur tropp — insd assassin. 



536 



In quij duu oeucc gh' t dent 

Ona certa grazietta biríchína^ 

Quaicoss de prepotent, 

Che r t inútil cerca de revoltass 

Né fá '1 disobbedient: 

Se dev tegnl 1 coo bass 

Quand te comandet cont on' oggiadina. 



Coi tó ca\t]y d'on negber de velú, 

Te fee cambia la gent fin de 'parer^ 

E i biond no piasen pü. 

Amor, tengiuu de ner. 

El t' haa basada, 

E fin la nev appenna adess fioccada, 

Bianca anmó come 1 lirí, 

La cambiaría con ti — mia morettina 

Tencina del mt coeur, el mt delirí! 



Te pias a ríd, el soo; 

A di quaj gíavanad, ma con misura, 

Senza mai perd el coo. 

Te stee su on poo cont mi^ te fee la fiera 

.... Ma pero appenna on poo 

Barbara, si, T é vera, 

Te see de nomm, ma minga de natura. 



Se in di moment che me va tutt in sbiess 
E sont invers, rabbios, stuff de la vitta, 
.Te vedi ti, V t come se vedess 
Lusl la ponta d' ona caUmitta! 
Che s' cióppen i saett! 
Mi te guardi e sont quiett. 
Stoo al mond doma per ti, 
Per god la mia tortura, 
E anca a vorell, mi podi no morí! 



TRADUCgAO BRESCIANA 



(EM PROSA) 



POR 



PEDRO BONETTI 



DI LUIS CAMOENS 



A CENA SCHIAVA CHE SE CIAMAA BARBARA E CHE GHIE 
PER MURUSA QUAND SERÉ NELL' INDIA 



(Tradusiii en dialet bressá (en prosa) de Piero Bonetti) 



HUELA birichina che ma fat catif perché ghe ceí bé, non la voel 
che ghen voe. 
Go mai vest cena rcesa en un bel massíti che ai me oec la fces 
pieu ben fada de le. 



Ne i fiur del prat, ne del ciel le stele, le par tanto bele come 
el me amur. 

Bel mustasí! oec negher, furbaci, che ma fa perder semper 
elcó! 



I sd cec ié tant grazius da comanda a chi la fa tríbulíL. 
E i so cavei ié tanto negher da fa desmentegít che ié bei anche 
i bioncc. 



540 



Le la ga el culur ne^er de 1' amur. La sd figura gradusa lé 
invidiada nel culur da la nef. 

E le semper garbada, semper couiposta e senza ambísiú da 
someá difierenta da le altre, ma non mai barbara! 



El sd gárboli chel fa taser í pieu rabius el me fá c 
■ el me dulur. 

Le 1¿ cena binchina cbe me fa catif, ma fintant che la me te 
vif vcei scampa per lé! 



TRADUCgAO BRESCIANA 



(EM VERSO) 



POR 



PEDRO BONETTI 



AAAAAAAAAAJUJUAAAJLJLAJlAAAilAAJlJlAJUJUAJLJUJUL 









-v¡l#- -%^>- -%A#- -%A#- -v^ 

-^^ -#^y ^;y '^>í' -^S- 



J^i. 



^^ 



WWWWVVVVWVVVVVVVVVVVVVVWWVVWVVW^ 



VERS DE LUIS CAMOENS 



SURA (ENA SCHIAVA INDIANA CHE SE GIAMAA ^AiíBA/M 



(Tradusiü en dicdet bressÁ (en versj de Piero Bonetti) 




H no, no! Té miga vera 
che la schiava te se té! 
Te vdi bé, a 'na tal maniera 
che sd nié schiavo de té. 



Te per6 te se cattia, 
te ghe núga amur per mé, 
aissebé che te s^ mia, 
te se gnanca che te oé bé. 



CEna rossa V i pur bela 
quand che V é 'n diel massuli; 
ma per me, pieu tant de quela 
me par bel el to facci. 



544 



En del prat ié bei i fiur, 
e le stele a ciel seré, 
ma i penser del me amur 
ié pieu bei, ma bei assé! 



Te ghe 'n mus d' cena belezza ! 
e un per d' oec che no se sa 
se i promet amur, dolcezza, 
o i síes strach de innamurá. 



Tra ste oec negher, tanto bei 
e chel far toet to de té, 
me ghe sd per i caei! 
La padruna te se té! 



No el miga un bel de veder 
un bel co biond, sterlusent? 
ma a varda i to caei negher, 
se diress che no 1 val nient! 



Te se bruna; ma bisogna 
che te sapet bela assé, 
se la nef la ga vergogna 
de mettiss arent a té! 



Le r é piena de maniera, . 
ma r é buna de sta soe; 
la par Ié oena forestera, 
ma salvadega. . . . mai pieu! 



TRADUCQÁO EM ROMANCHE 



(DIALECTO LADINO) 



PELO 



Prof. ULRICO GRAND 



STROPHAS DA CAMÓES 

AD UNA SCLAVA INDIANA CUN NOM BARBLA (BARBARA) 



(Trad. nel romansch (ladin) dtlV Engiadina bassa 
da Durí Grand) 



■ UELLA sclava chi am tegna sclav, perché eu viv in ella, non 
vol plü ch' eu viva. 
Eu mai non vezet in Un maz da ñuors una rOsa ch¡ a meis Cgls 
füss plu plaschaivla. 



Ne flúor nella prada, ne staila al tschel am paret usché bella 
SCO mía marusa. 

Ella ha Un aspet singular, figls nairs, francs e languents, míi 
mai stanguels d' am torturar. 



Sás 3gls vivs han Una grazia sublima, usché ch' ella ais la si- 
gnura da quel del qual ella ais la sclava. 

Seis chavegls sun nairs; e chi ais vezza, non pretenda plü cha 
Us bels chavegls sajan blonds. 



548 



Sia bella culur naira ch¡ sveglia I' amur c seis trats pUrs e dutschs 
plaschan tant cha la naiv stessa invidia sia culur. 

Seis cor ais allejer, seis aním dutsch e prudaint; e schabain ella 
para strana, ais ella tantUna salmper genúla. 



Sia presenza seraioa calma il turmaint, ed eu chat in ella la fin 
da tots meis mals. 

Ella ais la sclava chi am tegna sdav, e siand eu viv in ella, viv 
eu amó saimper. 



TRADUCgAO EM ROMANCHE 



(DIALECTO RHENANO) 



PELO 



Prof. JACOMO GASPAR MUOTH DE BREIL 



QUORS. 

BARLA (BARBARÁ). LA SCLAVA DELLAS INDIAS 



(Transleufam el áialect reioromontsch sursUvan u renan, 
/alga da Giacum Caspar Maoth de Breil) 



■|A mana, ¡er capQva>, 
.Tegn Dz mei captivaus, 
Miu cor per quella viva 
Surprius ed envldaus. 
Vai mai viu ina rosa 
El tscherchet d' in tschupí, 
Che vess fatg ton parada, 
Ni schi plascíiiu amL 



Ni Auras sin cultira. 
Ni steilas egl azur, 
Miu égl scht zun admira 
Seo quei smervegl d' amur. 
La falsch' ei ton carina, 
Ses égls d' in nér glischont 
Endridan e spuentan, 
Miu cor a tormentoni. 



552 



En quels ins seresenta 
Ded esser a bandun, 
La paupra survienta 
Commonda sil patrun. . 
La capelléra néra 
Protesta, fa valer 
Ais amaturs dils melens, 
Ch' il nér sei prop' il ver. 



La vist' ei ferm bruñida, 
Mo r ei schi dultsch mirar, 
Che franc la neiv sestrida 
E vul colur brattar. 
Perderta, leda, franca 
Lai ella empruar 
La tschéra d' ina jastra, 
Mo mai in gúst barbar. 



Ti portas beadientscha 
Al tormentau miu cor 
Con tía contentíentscha 
E cun tiu lev humor. 
Queír ei la prischuniera, 
Che mei tegn uss captivs; 
Jeu vivel mo per quella, 
Perquei sun jeu aune vivs. 




TRADUCgAO EM LINGUAGEM VALDENSE 



DAS FALDAS DO JURA 



POR 



CARLOS CESAR DÉNÉRÉAZ 




COUPLIETS DE LOUIS DE CAMOENS 

SU ON ESCLAVA QU* AVAl NÓM BARBARA, ET DÉ QUOUI 
L' ÉTÁI VEGNÁI AMOEIRAO PÉ LÉ Z' INDÉS 



(Tradukchon ein patois vaudois, ein Suisse, pé C, C. Dénéréa^) 




É cllia pour* esclava 
Esclavo' assebin^ 

Vivo deín se n' ama, 

Má le váo ma ñn. 

Jamé onna rouza 

Permi on botiet 

N' a paru 'na tsouza 

Pe baila por mé. 



Fleu d¿ la prairla, 
Etáiles lé-hiaut, 
Reín comneint ma mía 
Ne mé seimblié biau. 
L' a galé vesadzo, 
Ge nai, trísto, dáo, 
Que font dáo ravadzo 
Et sont dandzeráo. 



356 



Gracháosa, tant brava, 
Le sá domina 
Quoui la tínt esclava 
Sein lái coumandS. 
Et clliáo qu' ont pu vairé 
Sé nai cheveux longs, 
Ont bin pu lé crairé 
Pe biau qué 1¿ blionds. 



Sa couleu brunetta 
Et sé traits tant dáo, 
Dé la nái blíantsetta 
Ont fé on dzaláo. 
Le seimblie on pou fire 
Et dáo^a, dzeíntiá; 
L' est on étrandzire, 
M3... . barbara, ná. 



Oquié la tormeinte: 

Sa tranquilitá. 

MS quand V est preseinte, 

Mé mau sont calma. 

Du que V est n' esclava 

Et que su lo sin 

Que vit dein se n' ama, 

Faut vivre assebin. 




TRADUCgAO EM ROMENO 



POR 



CHRISTO JORGE CUTIANA 



VERSURI DE LUIGI DE CAMOÉNS 



LA O SCLAVA INDIANA NUMITA BARBARA 



(Traducen de Crista George Cutiana) 



■ CESTA sclava care me pne sclav, pentni ca traesc prín ea, 
nu mai vrea ca sa traesc. 
N' am ve^ut nici odata o rosa a§e^ata íntr' tinu buchet, care 
sa fie mai placuta ochiior mei: 



N' am ve^ut nici odata florí ín campif, nici stele ín cenirí, cari 
sa-mi fí parut aga friunóse ca amonuile melé. 

Ea are o facía tncaatatóre, ocM dulcí, negrí §i languro^i §i cu 
tote acestea ucigeton. 



Ea are o grape fermecítóre care o &ce suverana aceluia caruta 
ea eate sclava. 

Perul seu negru face ca stupídul vulgar sa-gi p¿rda ídeia ca 
peral frumos este cel blond. 



56o 



Ea are bruna colore a amonilui, §i trasuriie !i sunt a§a dulcía 
ca néua ar .vroi sa-§i schimbe colorea cu a ei. 

Ea unesce dulcera cu seninatatea. Ea este straina, dar nu bar- 
bara. 



Infaci§aré-i dulce, calméza turmentul ; gasesc in ea fínea tuturor 
suferín^elor melé. 

Ea este sclava care me |ine sclav; §i fíind-ca traesc prín ea, 
trebue ca sa traesc. 




TRADUCgAO EM RUSSO 



PELO 



CoNSELH. LUIZ BUINITSKY 



36 



CTAHCH KAM03HCA 



K-b HEBOIbHBU» no HHEHH BAFBAPA 



(Ilepttodi ÁAOUtin EgÜHUi^itaio) 



a A HeBOJIUUma HJHXUI, 
yRoro a can bi HeBoji, 
EB khbs, cb Be6 xHBHb cjiHBaa,— 
He jiflerh yK* kbti. «h* (íoae. 
Hh bi> o^iHOMi nBbmKh fiyaerb 
He BCTptHai'b TaRofi a poBU, 
Hh OAHOfi ipacofi na CBfeTfe 
He iraT&iTi CBOH TaKi> rpesH. 



Hh üfibrn Bi .lyraxii BecHoio, 
Hh cbíth;» Re6ecBuxi> xopu 

Kl. HKH^ :U060BÍK> THROH) 

He npHKOBUsajiH laopu. 

EaKi □pciecTGB'b oCpaut mbjuS, 

ToMHMxi rjasi KaKt BBop* npeKpaeem. , 

Ho TaHHCTBfiHHOH) CHloS 

KaKi oHi rHÓeBBHo onac«Hi! 



564 



dmx'b rjuuTb o^apoBaHbe 
Kaxi BcecHJOHo hh^^o ichoh>! 
üpaBHrb ^xHoe coa^^mLe 
Tan, r;^ 6uTh uorxa. paóoio. 
üepe^^i qepHUHH Kjr^qpfliai 

C'B CHHeBOfi OTJUBOBl «IHCTUXl», 

Ci. Hxi pocxonmuMH BonaicH,— 
MepKHOTib npeiecTb aojioTECTurb. 



TeMHuf joaph vb Hefi — ho^h Hftra, 
?T0 HRjiftfi cijraBii cH^ra. 
üpejiecTB ^epHaro noKpoBa 
Bi HeiTb ojiliHiiTejiiiHa h Hosa. 
Mnoro xhbocth bi Hefi, sapa, 
Ho sa TO H cMucjia ctojdiRo, 
^To xoTJi oHa BapBapa, 
Ho He BápBapKa hhcroskko. 



A ci HaxoxvHBOCTUO qyivoi, 
9to AHBHoe ooe^aH&e 
VjbA Bcerxa yiiteTi» myrKofi 
B<A cMHpqaTb MOH crpsí^^fijsbñ, 
HísThj HeBOJOAHi^i iLiaxaH 
He jannHTb Memí HeBOJuí: 
Em> xhtb, ch HeB xiiimi» cjiHBaa, 
He xo^ HHofi fl xojDi! 




TRADUCgAO EM CROATA 



PEIjO 



Prof. ANTONIO KRILETlC 



KITICE LUIZA DE CAMÓES-A 



JEDNOJ ROBINJI, PO IMENU BARBARI, U KOJU JE PJESNIK 
BIO ZALJUBLJEN U INDIJI 



(Preveo Ante Kriletü) 



■ oMNiA od leda, 
Kojoj ja robujei 
Jer o njoj zivujem, 
Vec mi íivjet neda. 
Ru¿e jos do sada 
Ne vidjeh u kiti, 
Da mi oku biti 
Mogla tjepsa kada. 



Ni cv 'ie¿e poljima, 
Ni nebom zvjezdice, 
Nisu mi premice 
Mojim Ijubavima. 
Cudna lica! Sjaju 
0¿i joj hrabrene, 
Cme, izmorene, 
Al ne da smrt daju! 



368 



Neka njeznost ¿iva, 
ato u njim boravi, 
Gospodbm je pravi 
Kom robinja biva! 
Cm joj pram na glavi, 
Da tko god ga gleda, 
Míslit mu se neda 
Da je krasan plavi. 



Crnine Ijubezne 

Stas tako milinje, 
Da se sn' jeg zaklinje 
Da pocmjet cezne! 
Vidis li je igda, 
Smjema je, uljudna, 
Cini ti se cudna, 
Al ... . barbara nigda ! 



Vedra joj prilika, 
ato vihore tazi: 
U njoj mi se blazi 
Tuga svakolika. 
To e robinja mila, - 
Kojoj ja robujem: 
Pa, jer njom zivujem, 
¿ivjet mi je sila. 




TRADUCgAO POLACA 



POR 



JOSEPHINA DE ZALESKA 



WIERSZ LUDWIKA KAMOENSA 



PPZtPISANY NIEWOLNICY 2WANEI BARBARA, KTÓRJ^ POETA 
POKOCHAL W INDIACH 



■ MEJ niewolnicy 
Zyc muszf w niewoli; 
I bej zalotnky 
Stuzyc pcHiiewolí! 
W wiehcu roza nígdy 
Tak borwnq nie byta, 
Tak swietna, przenigdy, 
Pod sioñcem nie zyla. 



Nigdy w polu kwiecie, 
Ani gwiazda w niebie 
Nie swiecHa w swiecie 
Jak rnilosc día ciebie ! 
Twoje czame oczy, 
Tak petne siodyczy 
Czasem chmura mroczy 
Albo cien goryczy. 



572 



Twoje zywe wdzi^ki 
Na wieki cig czyni^, 
Pana twego r^ki, 
Prawdziw% wtadczyni^. 
Twoje krucze wtosy 
DowiocUy, cenniejsze 
Ze wtosy, jak ktosy, 
Nie s^ najpif kniejsze. 



Zhidzenie mUosci! 
Zazdroszcz^c tw^ postac 
Snieg, w swojej biatosci, 
Chciaiby czamym zostac. 
Jakas stodycz dziwna 
Bije od twcj twarzy; 
Twa dzikosc naiwna 
O czutosci marzy. 



Jasna twa obecnosc 
Burze uspakaja, 
Niebiañska tagodnosc 
Bol serca ukaja. 
Wigc mcj níewolnicy 
Co mnie ma w niewoli, 
W swej miíkkiej prawicy 
Stuzg z dobrej woli! 




TRADUCgÁO BOHEMIA 



POR 



JAROSLAU VRCHLICKY 




LUIS DE CAMOENS 



SLOKY PSANÉ OTROKYNI JMÉNEM BARBARA 
KTEROU BÁST^ V INDII MILOVAL 




NA dívka jatá, 

jez mne v pouta svíjí, 
tím» ze já V ni ziji, 
zivot vzít mi chvátá; 
sotva jaká ráze, 
jez plá ve kytici, 
pro mou zritelnici 
drazsí byti máze. 



V poli kvétü roje, 
nebem hvézd se vznásí, 
sotva jsou ty krassí 
nez je láska moje. 
Oblicej má luzny, 
zrak pin sladké néhy, 
tmavy s ohné slehy, 
k smrti mné az hrüzny. 



576 



Püvab má, jej ¿iní 
z v&ehoy kam se skláni; 
váemocnou je pañí, 
kde je otrokyní. 
. Její vlasy tmavé 
kdo zfel, jak jí vlaji, 
davu vymlouvají, 
krásné ze jsou plavé. 



Smédá láskou sviti! 
S tahy libeznymi, 
ze chce snih pfed nimi 
barvu zaméniti. 
Veselost i snéni 
vse tu ve souhlase; 
:{plástní byti zdá se, 
barbarská vsak není. 



Smutek v radóst splyne 
veselostí její, 
z bourí, jez mnou chvéjí, 
kazdá odpocíne. 
Je to ona, stále 
drzí mne, co zkusím; 
ze V ni zíti musím, 
proto ziji dale. 




TRADUCgÁO EM GREGO 



POR 



PEDRO AUGUSTO DE MELLO DEXZARVALHO MONTEIRO 



MEAH E12 BAPBAPAN THN AOTAHN 



(CK KAHOel) 



■it -ñy luda fHim |UT<ífp>«< 



■ KEÍNH ñ áeúln í fU deJOU^ftÉVOV é/tl, ÉTMÍ ?¿> £V fltWTii, eüx «i pl 
C?v eá. 



iaa» 3 tpeí){ fxou. 



'Ev S ccirroi; x^'f ^ficp>^ olxEÍ, olet t' «úrñv ttsuív dEffmívqir ou oim^ 
xal)) ÉffTiv. 



*EfaaTÍt> Si t¿ fulov Xf^f^ ñmoí muí yiwü tb icpdffuicw, ú; -/v» 
T0ÚTU lOúec «v rh xf^ a>>dí^. 






TRADUCgÁO EM GREGO 



POR 



G. M. SAKÓRRAPHOS 



BAPBAPA H PÍAIKH AOTAH 



CE^ipJinnm r. M. Su^poipoc) 



■ K TÍuf ecly^jí^íbnov tlj(pv, airm (U vúv cuU xat 5ti ¿v oütíí &o ni 
'Eyw y oüx elátw oüáíTninwTí p¿dm tv oa/Biaw iti¿iu¡t oúrtii &ÉÍ^ f«, íwTnp 



Oúd' b ^i^xüv óvdcf 0Ú9' 6 óufiaiit atné^ Éjet^ fcot xailiñi Tr¡t f í^:- 
j^apíev yáp éori tí ■ufóafiimv aoirñí SsufWviMt, oí í ¿ySoifwi ^ijpai, 
fuJbM; xai d!Sp« ívtcí S^ipiivbW ífu>; cpyov ciciTí^^üatv. 



To d" E-iTO^p^JiTov e&n»; ia;(u^Ji; fiKn>6et, ¿)ot' ávri íeukní ÜaTmtvcaí 
aÜThv Tw xexTUfJiÉvou áimfaivti, 

'H fUÜawa k^ut) niSú; ifBtiax té; inxpá tú !;(Xu xoAWríuafuvo^ ^dadií 
Tpt;(a; a:lij;(pá; clvaí áuaeiíüSti. 



584 



Tí f ¿v Tií n*^ rtt mfátdeui ¡x^mmií iiyút T^ -tí» tfmct ti/um/foJar^ 
2i¡i.yñ Si icu( oúvci TÍ :^ áfiot xoi ñn^^pi eüx «7ñ€«úo', oUd xiv ^i; 



Xaípcu?» T^ aaXm tüv Cfiúv fpnüv xaraicpaevvtt, iyat f sño^^m» 
'O^if j*, ¿iiip (lien, ñ Soúhi cTtiv ñiTip c^ ¿cOi» c^'i* énci j* » úott; 



TRADUCgAO EM ROMAIKO 



POR 



MANUEL RHOIDIS 



ÜKTA2TIXA TOT AOTAOBDtOT KAMÜEN2 



EI2 ^OTAUN KAAOlIfENHH BAIVAPAK 



3tv Béhi ^Xém vá ¡¡«im. 



'H 3'^t; ivTñ; fue^iúct, ts ¡ioiJfov ^¡ifut ttií nvaí yhixÁnxtn, füXz X9:i 



'H y_*í"S "^í í iUftaiixh -nw xaTéorwffs x-upííw toO xupíou thí. 
r,f^'7npet vi -jirdEp^i) £Uf;tsp^ ^xvdn. 






TeucúT» (ívn it ñj^ji^tmit imt tonincn ¡ü jmiouitúoai, úon finm di 



TRADUCgAO EM ROMAIKO 



POR 



DIPLOSKLABOMENOS 



0KTA2TIXA TOY KAM0EN2 



EE THN XKAABAN TOI BU>BAPAN 



■ KOPH TTW tifa 

x' íax>á€(Mr' éfúwt. 
Mi ÉxúífM TTpürac 

uá Tú^ 3iv 9c>ct 

V¡Í í^filKil fWf^ Tíí. 



rituKÚTefo podo 
V¿ difffxn $h> eí ¿a, 
^ xyfto XouXúúdi, 

TAv ÁJit ¡iixytittt 
tí fiííüpi THí plífiua, 
x' éxíí JTOw yXuxaíveí 
TCojriivti tí «!««! 



bg2 



*i:oít yüftú mq oirépvet, 

T¿v xúpco doúXo 

'{ tí TTodca T^ (fipfu ! 

jev Ooupmiv 'fiírpoerrá tiq^ ! 



*t:cQ Xá/i7:et «ic* t¿ yicvi 
irep V(7¿T£po Áx¿¡jLa, 

xac faíverac ^¿vyi 
pá . . . 3^^ ^^' á}^(a ! 



'H Geía yeckhvn 
rfi^ ¡'^i^ TiQ< ^óveí 
^pcxTaí^ Tptxufxiat^ 
3cat róvou^ vi 'yiávyj. 
^\X• '^¿'foia £tv* í crxiáfia 

xai jxóvo yti toüto 

vi (Ú V7C0/X¿Vb>. 




TRADUCgAO EM ROMAIKO 



POR 



HERCULES A. STAUROS 



•Í.S 



TO nOIHMA TOr KAM0EN2 



nP02 THN AOrAHN BAPBAPAK KAAOTMENHN 



fjii GbUi (j) Tc^fifthie. 
noT¿ reí ^ujiaxa. ¡tOü 

{úfalo ai» Tts» xupá ^tov. 



oÚTt xovév' áOTÍpt, 

(j¿ tí xP"" P^ Tatpi. 

'Airi Tá ¡laiifM fxAriix vni 
moii fii BouoLiániow, 
axefr.imrai Xzp'^i; m ¿moftfu 
T.Á ¿Wyufa yswvT'.'iiww. 



596 



K' ^ ictfmtüi ■^ x*P*< ""^ 
CfxJva tív xvfuo mt 

xal ¡i huf^ua Saii Tn(. 

Ti futúpa, — ¿ffoi tim^aow 

iTí fívc Xcjvw tí ^sc^ fioUiá 
ejiT^ ci( Tá' duué tu; ; i 



"Exii^i ocnb Tív 'EpuTsc 
TÍ ficJt<n|<A TBU xpüfut, 
inoú fÍM >tffxTnpdiTCfe 

¿■RÍ XUMCTO OTpÜfUC. 

(t( T^ Supla ttvt íivfii 
rrínt ^utfti Si» 'uneUvu. 



Eic Tíi yaXífítuív ít|(t td; 

ñ Tpixufxui 'ixafitü^au 
Kt b ndvoí ¡la^ nupnict. 
Aimi 've :A vxXiSa mü de^mcü 
xctl fii xpoTti ¡tfíivo, 

el( tVi ^ ámfiivu. 



TRADUCgAO ALLEMAN 



POR 



M. L. 



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Stanjen Don !^ul^ be ^amoe^ 

9(n cine @flaimt tnit Stomen iBotbata bit t^n ttt 3nM(n 

til Sitbflbanbcn ^ir(t 

(iDentfd^e Ueberfef^ung «M^n SR. IB.) 




me ®ffangmr bit mM^ gtfotigm ^dtl, lortf ic^ in t^t Mf; iDtlI ba§ t(^ 
nic^t mr^t (ebr. 

9Iítmal6 rrblitfte idí in lúbltc^m JBIutnntfhlufm riñe 9lofe bte ntetnent 
Síuge ^olbfeliger loAre* 



Aeine IBIume auf bem S^Ibe, fein @tem am ^immelégetodlbe etfc^eint 
mir fo Iiebli(^ oíd mein fúffeS Sieb* 

SBunberfomee Kntlife! (Sanftblicfenbe Sugen, fc^marj unb rnübe, ober 
niemate mübe um ju t5bten. 



Seb^afie Sínmut^ leuc^tet in i^nen, unb mac^t fie )uc «^ertin t>on bem, 
beffen @f((tt>in fie ifl. 

(Sc^nHni) if} t^r <^at unb e9 Demic^tet ben eitlen SSo^n ba^ bad Slonbe 
fc^5nerfet! 



bh bit 9<>rbt um^ftln mdt^t! 

ginmblii^rt Srfnt mit Jtlufl^rtt eri>aart, nwfrl ifl fir frllfon, tim 
finr JBatbaiin t(I fir m(^. 



Stilbt ^i^tinung, fie fHIlt btn €Stunn, unb oO mtin Sttb fhibrl Slu^t 
in i^c. 

SAtU ijl bit (Befonflmc bit mii^ Stfongni ^, unb ii^ mu^ Itbm, Drii 
¡4 in i^t \At\ 



TRADUCgAO ALLEMAN 



PELO 



Prof. GUILHERME STORCK 



iSarboro, bie ^tti^e ©fíattln 



(tlu« tnn Vímgltffrdltn «en Síil^din 6tcr(t) 



■ rtit SHd»in, ai^ ! 
Drrm SSAob ii^ bin 
likinj mit ®rrr uab @inn, 
etfOt mil tdHIub no^; 
34 nblitftt trit 
9ror 9lo»' itn Jbatii, 
Z)tt «1 Strí} Mnb (lUoMS 



Vlumrn auf tmn grfb, 
Strrn' am finmrlBjtlt, 
«I« i^ tttgrfií^i 
Üfptn, lírt) imb Tot^, 
VKgm, ri^UMtj uiit Kac^t, 
iSc^md^tmb, bo(^ btbai^t 
SSttH oiif mrinnt Sob. 



6o4 



Mm, 9tria unb 8if) 
IBItcfen braue \>tttint, 
Z)af fie ^rrrin fc^tiitt 
SBo fie (STtoiit ifl; 
SiHfm, fi^ioari unb ^olb. 
Ser fie fo^, ber toetp; 
Ziefer fle^t im 9)rei6 
Soifeti^oat bon (Bolb. 



bie fc^UHKse dUut 
Siebe totdt unb nd^! 
®etbfl bet @áfntt tOÜtt, 
@<^t) gefoll' i^m ffit; 
^d^Iic^, flug unb linb 
(SKnn unb ^erj, fitma^t! 
grembgeartet j^Dor, 
¡Coc^ ein ortig JNnb! 



3^re ^ritetfett 
Vtaáft ben Jtummer leic^t, 
Unb bri t^r ntúáft 
9laft bae ^erjrietb; 
(3e^t bie (Sflobin boc^ 
Deten ®nab iá^ (ier! 
SBril ii^ (eV tn ifyc, 
¡Canint (eb' ic^ noúf. 




TRADUCgAO ALLEMAN 



PBLO 



CoNSELH. Dr. joáo fastenrath 



ouf rinr iitbif^t @cl(»Jn ^tamtta S6aú<aa 



■ if 0«fiin«nt ^, 
2)cr i(^ ihí^ ngrbm, 
X)a nnt fie mñn ftfcm, 
SSiU mritt ®t«tim f^itr. 
@o Rrir ftr boU «S(^mrc 
^ Hiñn Hng' gtfmtbni 
3n km @lMM^ gcMNiiibm 
(Sint ÍRpfc ninunn. 



JBlumtn im ®rfiU)t 
Unb am ^mmtl ®tmtt 
@lt\í)m ni^t Don frmr 
Stmn £jri)1tm Silbt. 

3lu0m füf, bit funttin, 
Unb rt fbtb bit bunfdn 
SRúb }u tobtnt ttíc^t. 



6o8 



@Máfa Vtumtt^ |)c«itt0fit 
2)úfr Sagra jircrt, 
£a| fie bot crgtrtrt, 
SBfb^rt fir grfotigra. 

Slitp brai Solfe túiibra 
(Setnm rttim Olostbra, 
Slotibct fri hniittíb* 



SBtt erglátt)t fie btauti! 
SBif fo ffi§ Mr 3ú0e! 
®i^nff múnfil^t frlbfl, rt trugr 
3^tf %ai!bt txaun ! 
SSonftonut^ int 0rmt 
@tf bm <Stttfl t>rrrtnrt, 
Srraib fie tDo^l etfc^etnet^ 
2)o<^ Socbarin nic^t! 



3^ ^tecTett 
SRai^ bra ®turm gettnbe, 
Uttb ttt t^ i^l finbe 
aitt^ ^ oU mein Seíb. 
@' tft bie @darin ha, 
Der iáf miáf ergebm, 
Unb ba fie mettt Sebm, 
9)lu§ t(^ (cbra ia! 




TRADUCgAO EM FLAMENCO 



PELO 



Prof. achilles ruyffelaert 



* 



3<j 



STANZAS VAN CAMOES 



AAN BARBARA, EENE INDISCHE SLAVIN 



(Uil hei Pt^lugeete/i door Ach. Rwyftlaert) 



■ i£ schoone slaviime, 
Wier blik my doet beven, 
Beheerscht heel mijn leven; 
'k Ben slaaf mijner minne. 
'k Zag nooit onder rozen 
Een ríjkere aan kleurcD, 
Met ^MÜipier geuren 
En heerlijker blozen. 



Geen bloemen der dalen, 
Geen sierren ten hemel, 
Wier glans en gewemel 
't Bij haar kunnen halen. . 
O stralende wezen! 
Wel zwart zijn uwe oogen, 
Met waas overtogen, 
Doch doodlijk te vreezen. 



6l2 



Bekoorlijk, bevallig 
Van 't hoofd tot dé voeten, 
Ontvangt zij de groeten 
Haars meesters, schroomvallig. 
Heur gitzwarte harén 
Zijn zoo dat der bionden 
Aanbidders verkonden: 
cZe is niet te evenaren!» 



Wel bmin zijn haar leden: 
Doch zacht zijn die trekken, 
Die de afgunst verwekken 
Der sneeuw, ontevreden. 
Ze is zacht ais de giimmer, 
Een roos uit den beemde 
Gelijk. Ze is wel vreemde: 
Barbaarsch was ze nimmer. 



Haar opgeruimd harte 
Verdríjft alie zorgen, 
— De zorgen voor morgen, — 
Verjaagt alie smarte. 
Slavin, die mij kluistert 
Ais slaaf aan uw voeten, 
k Wil eeuwig u groeten 
Wier liefde me omfluistert. 




TRADUCgAO EM HOLLANDEZ 



POR 



ANTONIO WINKLER PRINS 



, COUPLETTEN VAN LUIZ DE CAMÓES 



AAN EENE SLAVIN, BARBARA GENAAMD 



(Vertalitig van Atahoñy Wmkler PrinsJ 



■ KACHT niet myn alavinne 
Me onder 't slaTeDfuk, 
Daar ik voor haar minne 
My oottnoedig buk? 
'k Zag geen roosje ooit pryken 
In een bkjcmenkrans, 
Dat haar mocht gelyken 
In der schoonheid glans. 



'k Zag in 'l veld geen bloemen, 
le Zag geen hemellicht, 
Ooit zoo schoon te noemen 
Ais haar lief gezicht. 
In haar kwynende oogen, 
Donker ais de nacht, 
Blaakt een zacht vermogen, 
Dat geen wonden bracht. 



6i6 



Lieflykheid der minne, 
Die haar oog ontzweeft, 
Maakt, dat myn slavinne 
My bevelen geeft. 
Komt ge niet verkonden, 
Zwarte lokkenpracht, 
Dat men van geen blonden 
Zooveel schoons verwacht! 



Donker moog ze wezen, 
Zelfs de sneeuw, zoo wit, 
Zou geen ruiling vreezen 
Met zulk levend git. 
Zy is zielveroovrend, 
Ernstigy vreemd zelfs, ja, 
Meer dan een betoovrend, 
Maar geen barbara. 



Lieflyk is de luister, 
Die haar hoofd omschynt, 
By wiens glans het duister 
Van myn smart verdwynt. 
Zy is myn slavinne, 
Die my knielen doet; 
Omdat ik haar minne, 
Is my 't leven zoet. 




TRADUCgAO INGLEZA 



(FRAGMENTO) 



PELO 



VISCONDE STRANGFORD 



THE LOVELY CAPTIVE 



A FBAGMENT FROM THE PORTUGUESE OF LUIS DE CAMOENS 



(Tramlated m Englitk by Lord Viscount Strangford) 



■ HE captive which Victory gave to my arms 
Has prison'd my soul in the chain of her charms; 
So I soothe her with gentle good-humour, that she, 
In retum, may be more than good-humour'd lo me! 



TRADUCgAO INGLEZA 



POR 



M. L. 



STANZAS OF LUIZ DE CAMÓES 



TO A BEAUTIFUL INDIAN SLA VE CALLED BARBARA 



(Trantlated hy M. L.) 



■ HE Slave whose slave I am, for ín her do I uve, wills me to 
live no longer. 
Never in the midst of sweet nosegays did my eyes behold a 
lovelier rose. 



Flowers of the fields, stars ín the heavens, none seem to me 
so fair as my love! 

Singular face! Dreamy eyes ! dark and weary, but not too weary 
to slay! 



A liveiy spell dwells in them, that makes her reign over him 
whose slave she is. 

Her black locks change the vain opinión of those who praise 
faír hair. 



634 



Beauriful dark colour that inspires love! So sweet the counte- 
nance, that snow itself wilUngly witti thee woidd exchange its hue! 

Cheerful meekness by ¡udgement accompanied, strange she 
appears indeed, but not. . . . a Barbarían! 



Gentle figure, that eveiy tempfist calms! In her, at last, all my 
woes do rest. 

This is the Slave, whose slave I am. In her I live, in her 1 
must Uve. 



TRADUCgAO INGLEZA 



(EM PROSA POÉTICA) 



PELO 



Bach. EDGARDO PRESTAGE 



40 



BARBARA, THE SLAVE-GIRL 



(Englühed by Edgar Preslagej 



■ HAT captive maid who holds me captive, since I live in her, 
no longer wills I live. 
Never yet saw I rose in sweet nosegay more handsome to my 
eye. 



No ñower of the üeld, no star in the sky, meseems as lovely 
as my love. 

Her face is of rare beauty, her eyes are restful, black and 
languid, but not death-dealing! 



And yet there dweils in them a living grace that makes her 
mistress of her lord! 

After her black locks the common herd no more ñnds fair 
ones fair! 



Hers is the dusky hue of love, and so comely a shape that 
the snow haih sworn it would fain change colour wtdi her! 

So mttk and cheerful ís she, yet so wise wíthal, she might be 
Aliena yes, but Barbara no! 



Serene her presence to lull the stonn; and in her, at last, all 
my UIs repose. 

This ¡a the captive maid who holds me captive; and, since 1 
Uve in her, perforce 1 must Uve. 



TRADUCgAO INGLEZA 



(EM VERSO) 



PELO 



Bach. EDGARDO PRESTAGE 



V - t: ■ X^ ■ "4* - '4' - 'X^ '4' • '*' ■ '4' '4.' ■ tr' ' -t-' • '4' ■ '4' ' '4' ■ 4' '4' 



.^^ A'.^. Acf'/' 









BARBARA, THE SLAVE-GIRL 



(Englished hy Edgar Preitage) 




HAT maid in captive state 
Who holds me now. a thrall) 

Being my Ufe, my all, 

Would not *I lived so late. 

Mine eyes they ne'er have seen 

Or white or red rose set 

In fragrant posy yet 

So sweet, so fair of mien! 



The flowers that deck the fíeld, 
The stars that prank the sky, 
Before her palé and die, 
AU to my love must yield. 
Her countenance is rare, 
Her eyes repose portray, 
Languid and black are they, 
Yet death to deal forbear! 



632 



Such living grace holds court 
Within those orbs, that she 
The lady comes to be 
Of him who is her lord ! 
So ebon-black her hair, 
The common folk no more 
Will fancy, as of yore, 
Gold tresses to be fair! 



Hers is love's darkest hue, 

A form sweet past belief, 

The snow hath sworn 't would liet 

That colour don in lieu! 

Gentle she is and gay, 

Endowed with wisdom clear, 

Aliena to appear, 

Forsure, but Barbara, nay ! 



Her presence cakn and blest 
The tempest will make still; 
My heavy load of ill 
In her I lay at rest. 
Behold the captive she 
Of whom I Uve a thrall ; 
And since she is my all 
I e'en must Uve, I see. 




TRADUCgÁO INGLEZA 



PELO 



Cav. ROBERTO FFRENCH DUFF 



LAMENTATIONS OF LUIZ DE CAMOENS 



THERE WAS A CAPTIVE SLA VE CALLED BARBARA, OF WHOM HE 
WAS ENAMOURED IN INDIA 



(An English trarulaiion by Roberl F/rench DuffJ 



HAPTTVE, whose captive slave am I, 
Who now, alas! must cease to Uve, 
Since thou compellest me to die, 
W'ho canst alone ezistence give ! 
Ne'er did so beautiñil a rose 
Appear before my loving eyes, 
Like her there is no ñower that grows, 
Ñor star so brílliant ¡n the skies. 



Not in the realms of earth below, 
Noi ¡n the alr of heaven above, 
Shall my spirit ever know 
An equal to the girl I love. 
How most expressive is her face ! 
Her lovely eyes are dark but brigbt! 
Though full of power we cannot trace 
Their wondrous art and skill to smíte ! 



636 



Her looks her lively grace difiuse, 
O'er all who such beauty once behold, 
And thus a single glance subdues, 
And will their love for ever mould! 
Her raven locks appear so fair, 
lliat all in wondrous raptare gaze, 
And with united voice. declare 
No aubum hair such charms displays. 



Lovely brunette, so bright and fair, 
That all who such beauty ever know, 
May with most perfect truth declare 
That she is whiter than the snow! 
In every motion she displays 
A fascination to enthral, 
Which they who on her beauty gaze 
Can never very cruel cali. 



With such a power this captive sways 
Each motion of my captive breast, 
In spite of her tyrannic ways, 
I still must think that I am blest. 
The captive she whose slave am I, 
For whom alone I wish to live, 
Without her I perforce must die, 
For none but she can blessing give. 




VARIANTES NA TRADUCgÁO INGLEZA 



DO 



Cav. ROBERTO FFRENCH DUFF 



LAMENTATIONS OF LUIZ DE GAMOENS 



ABOUT A CAPTIVE SLAVE CALLED BARBARA, OF WHOM HE WAS 
ENAMOURED IN INDIA 



fAnother versión by tke same translatorj 



■ APTivE, whose captive slave am I, 
Who now, alas! must cease to Uve, 
Since ihou compeUest me to die, 
Who canst alone existence give! 
Ne'er did so beautiful a rose 
Appear before my loving eyes; 
Like thee there is no ñower that grows, 
Ñor star so bríllíant ¡n the skies. 



Not in the realms of earth below, 
Not in the air of heaven above, 
Shall I be fated e'er to know 
A maid so fair as thou, my love. 
Oh! how expressive is thy face! 
Thy lovely eyes how dark yet bright! 
Though full of power we cannot trace 
Their wondrous art and skill to smite. 



640 



Thy looks their Uvely grace diífuse 
O'er ail ihat once thy charras behold, 
And thus a single glance subdues, 
And will their love for ever mould! 
Thy raven locks appear so fair, 
That all in rapturous wonder gaze, 
And with united voice declare 
No lighter hair such channs displays. 



Lovely bninene, so sweetly bright! 
AU that thy face are blessed to know 
Must swear in their supreme delight 
That thou an whiter than the snow. 
Thine every motion, love, displays 
Such fascination to enthral 
That they who on thy beauty gaze 
Can never feel thy fetters gaU. 



Thy love, sweet captive, ever sways 
Each motion of my captive breast, 
In spite of thy tyrannic ways, 
I still must think that I am blest. 
A captive thou ? Thy captive, I 
From thee, and thee alone, draw breath: 
In thee I live, without thee die, 
Or only live in living death. 



TRADUCgAO INGLEZA 



PELO 



rev. canon pope d. d. 



^I 



STANZAS OF GAMOENS 

ABOUT BARBARA, A BEAUTIFUL INDIAN SLAVE 
(Tratalated by Canon Pt^ D. D.) 



■ CAPTivE maiden' s 
Slave am I; 
In her I Uve, 
She bids me dte. 
Ne'er saw I rose 
In bouquet rare 
That to my eyes 
Appeared more fair. 



No flowers of the field, 
No stars shining above, 
Seem fairer to me 
Than the face of my love! 
No face like her gentle one! 
No black eyes so delighting, 
Languorous, yet never 
Wearied of smitíng! 



644 



So spríghtly a grace 
In her glances is seen, 
That it makes me her bond-slave 
And makes her my queen. 
When men see her dark tresses, 
They count it a duty 
To dísmiss the vaín fancy 
That a blonde is a beauty. 



This bnmette is so fair 
That the snowflake avers 
It would gladly ezchange 
Its colour for hers. 
Her wit, that 's united 
To kindly mirth ever, 
Seems oft passing strange, 
But barbarous. . . . never. 



Her presence serene 
Does the tempest enchain, 
And in her at last 
I find rest fx my pain. 
To her, captive, myself 
A captive I give; 

Since I live but in her 

I cannot but Uve. 



ir 



VARIANTES NA TRADUCgÁO INGLEZA 



DO 



Rev. canon pope d. d. 



STANZAS OF CAMOENS 

ABOUT BARBARA, A BEAUTIFUL INMAN SLAVE 
(Another yertion by ihe same translalorj 



■ F a maidfln that 's captive 
The captive am I: 
Since 1 Uve but in her, 
She wills Ole to die. 
Ne'er saw I a rose, 
No matter how rare, 
That could, in my eyes, 
With my mistress compare. 



No flowers of the field, 
No stars shtníng above, 
Seem fairer to me 
Than the face of my love! 
No face Uke her gentte one! 
No black eyes so delighting, 
Languorous, yet never 
Wearied of smiting! 



652 



Sovereign who holds her sway, 
E'en he who is her slave, 
No greater bliss can crave 
Then cheerful to obey. 
Her jetty hair behold, 
The silken tresses train, 
No more shall men maintain 
That feirest locks are gold. 



S weet are her looks of love : 
Her puré bríght features show 
The roseate hue of snow 
Warmed by the sun above. 
Unitedly they grow, 
Graveness with sweetness wom, 
Of foreign country bom, 
But Barbare surely no! 



Her peaceful cahn repose 
Allays my troubled mind: 
In her I tnily find 
An end to all my woes. 
Captíve she, yet, can give 
Me^ as her captíve, joy: 
For her I Ufe employ, 
Only for her I Uve! 




TRADUCgAO NORUEGUEZA 



POR 



JOSEPHINA COSTANTINI-ARNTZEN 



STANZER AF LUDVIG DE CAMOENS 



TIL EN slavinm:, kaldt barbara, der, i indien, 

HAVDE LAGT HAM I ELSKOVSLÍTJKER 



■ LAViNDEN, til hvem jeg er Slave, 
— Det er hende, som Livet mig gir,- 
Mít Lív Du krffiver til Gave. 
Aldríg i yndigste Blomstersir 
Mit henrykte 0\e saa 
E Rose sk)0n soai hende at staa. 

Saa fager ej Blomme paa Vangen, 
E) Stjerne paa Himlen i dunkle Nat, 
Som hende, der holder núg fangen! 
Hendes Aasyn min dyreste Skat; 
Blikket — et Dr^mmenes Land,— 
Skj0nt m0rkt og trfet, en D^dens Brand. 

De livfulde 0jne forblinde. 
Til Heraken de gir hende Ret, 
Selv hvor hun kun er Slavinde. 



De sorte Lokker beviser, at stet 

Beueokt var den Skald, der besang 

De gyldne Lokker som f0rste i Rang. . . . 

Skj0n, til Elsklov du tvínger, 

Du [n0rke Let, af Mysteñe fuldl 

Dit s0de Udtryk bringer 

Selv Sneen at 0nske din Farvc huid. 

Med Blidhed og KIogskab, et Par, 

Hun underlig synes, men ej . . ■ ■ Barbar. 

Du yndige Syn, der bekjftmper 
Selv Stonnenes Magt! der Hvile jeg fendt.. 
Thi al nain Smeite hun daanper, — 
Dette er Fangen, som Fange mig bandt. 

I hende lever jeg saa 

Thi, i hende leve jeg maa 



TRADUCgAO NORUEGUEZA 



PELO 



Prof. JOÁO STORM 



42 



BARBARA, DEN INDISKE SLAVINDE 



(Paa Norsk, menatfra Portugiask af Joh. StormJ 



■ w skjÚDDe Slavínde, 
som ^dr mig til Slave, 
i hvem jeg lever, 
hun rtíver mig Livet. 
Jeg saa aldrig Rose 
i yndigste Krans, 
som i mine Oíne 
var sk)tin som Slavinden. 



Ei Blomster paa Marken, 
et Stjerner paa Himlen, 
saa jeg saa skjOnne 
som den, jeg eisker. 
Sffilsomme Udtryk! 
Oine saa rolige, 
sorte og tTíette — 
dog ei af at dnebe. 



66o 



Det Liv og den Yndé 
som bor i de óine, 
gj5r hende til Frue, 
der hvor hun er Slave. 
De kulsorte Lokker 
maa róve all Folket 
den dumme Tro, 
at blonde er vakre! 



Sort, men liflig! 
Saa huldt et Ansigt, 
at Sneen selv svaerger, 
den vil bytte Farve! 
Den blide Ro, 
halv Alvorsmine, 
den synes vel frenimed, 
men ikke barbarisk. 



Hendes milde Vassen 
stiller Stormen; 
i hende husvales 
al min Smerte. 
Hun er den Fange, 
som holder mig fangen; 
naar end jeg lever, 
saa er det i hende. 



i 



TRADUCgÁO EM SUECO 



PELO 



Prof. JOÁO VISING 



I 



VERSER AF LUIZ CAMÓES 

TILL EN SLAFVINNA VID NAMN BARBARA, I HVILKEN HAN 
FORALSKAT sig i INDIEN 

(ÓfversUttmng tul svetakcm af Johm Vising) 



■ EN sküna slafvinna, 
Som gjort mig till slaf, 
I henne jag lefirer, 
Hon 9ger mitt lif. 
Jag ság aldríg rosor 
I doftande krans, 
Som i mitt tycke 
Mer dajliga voro. 



Ej btomma pá f^ltet, 
E¡ stjarna pá himlen 
Mig synes sá skOn 
Som mil) huida flicka. 
Hvad dSrande anlet ! 
Hvad blickar sá lugna, 
S3 svarta och mana, 
Blott starka att dOda! 



664 



Den tjusande elden, 
Som gltoser i dem 
G5r hárskarínna 
Af den som Slr slaf ! 
Det svarta háret 
Betager en hvar 
Den fórestállning, 
Att blond mü SLr vacker. 



Det ^istrande svarta 
Ár karlekens fSLrg. 
Sa sk5n ár den fárgen, 
Att snón ville byta. 
Blidhet och mildhet 
Med klokhet hon parar. 
En framiing hon synes, 
Barbar dock icke. 



Hon ÜT sjálfva friden, 
Som stillar stonhen. 
I henne gá till ro 
Min sjflls stríder. 
Det ttr den slafvinna, 
Som gjon mig till slaf. 
I henne jag lefver 
Och vill darfór lefva. 






TRADUCgAO EM SUECO 



PELO 



Dr. goran bjórkman 



LUIZ DE CAMOES 



TII.L BARBARA, MIN INDISKA SlJVFVINNA 



■ ON ar tnin slafviiuia, 
hon, hvars slaí jag Si 
Lif mig hon be^ar, 
hon, min plágaríODa. 
Ingen praktbuken 
med en ros, sá Ijuf 
som min hjerus tjuf, 
mot min 6ga lett. 



Himlens klara stjerna, 
blomsterveridens drott 
mindre skünbet fátt 
9n min kSrleks tSma. 
Hvilket ijgonpar! 
M6rkt som natt vid pol, 
blidt som várens sol, 
det min ro fOrtar. 



668 



Jag mig en slafvinna 
kOpte; med sin blíck 
snan dock makt hon fick 
att bli herskarínna! 
Och ej mer fdrstár 
jag det prís, man bragt 
blonda lockars prakt: 
svan flr hennes hár. 



Och n^ varmt sig bryta 
dagrar mot dess svall, 
snón blir mindre kall, 
ja, den fftrg vill byta. 
Frdmlingsart hon har; 
aldríg dock min blick 
rójt i hennes skick, 
att hon ar barbar. 



Hur hon, Ijus i tankar, 
fór till solblid hanin 
smürta utan namn, 
sjSll, som mist sitt ankar! . . . 
Heil dig, min slafvinna, 
du, hvars slaf jag ár! 
Lif mig du beskftr, 
du, min rSddarínna! 




TRADUCgÁO ISLANDEZA 



PBLO 



Dr. bjórn m. olsen 



VÍSUR 

UM AMBÁTT, ER HJET BARBARA 
(íüensk punng eftir BjSm M. Óisen) 



■ ú bin h«rtekDa, 
er henckuT mig, 
i henni jeg lifi, 
enn hún vill mig felgan. 
Sá jeg ei rauda 
ros i kransi 
indíslegrí 
augum minum. 



Hvorki vallblóm 
nje himinstjfimur 
ástfagrar eru 
sem elskan min. 
Bjart er ifirbragB. 
Augun blí5u 
hrafhsvOrt, niagn{)rota, 
hjartaS nista. 



6^2 



Bír henni i augum 

indtsl>okki. 

Ambátt verSur drottning 

eiganda sins. 

Ligi t>a9 lisa 

lokkar svartir, 

a9 bleikur haddur 

beri af dókkum. 



Svartljómi ástar 
um hana leikur^ 
svo a8 mjóllin sjált 
vildi svórt vera. 
Skin henni gleSi 
og greind af augum. 
Vist er hún útlend 
enn eigí barbara. 



Gla8voer5 hennar 
er mjer harmabót. 
Svoefast hjá henni 
sorgir aliar. 
HemumiS man 
mig hertekur alian. 
í henni jeg lifi 
og ]3vi Ufa hlit jeg. 




¿r 



TRADUCgÁO ARMORICANA 



(LINGUAGEM BRETAN DO SECULO XVI) 



PELO 



Prof. EMILIO ERNAULT 



43 



SON GROAET GANT CAMOENS (i5..) 



ENN ENOR VN SCLAUES lOUANC HANUET BARBA, EN DEUOA 
CARET ENN INDAFF 



(Troet en Brejonee an amser hont gant Emite Emaull) 



■ N plach brau sclaues so ma rouanes dyff; 
Dezy ez beuaff; mar car, ne graff muyñ*. 
Bezcoaz ne guelis vn fleurdeUsenn 
Quen diaam dam grat, en coat na pradenn. 



Bleuzff mesou louen ná steret enn oabl 
Nedint he quen gae, he quen agreabl; 
Doare dereat he doulagat flour 
A gra calón franc leun stanc a langour. 



Ouz o sellou gour ne crethe gourren; 
Hy goar oar he mestr lacat cabestr tenn; 
He pennat bleu du a gra concluaff 
An re melen aour so paour an paourhaC 



676 



Guel eu; pe guelaff ezafif abaffet; 
Liu a chenche nerch gant he seurt merchet; 
Trechet vioff hep goap de stum huec á pres, 
Stum guerches estren, naren payenes. 



Rae he drem, ez cess pep spes diaestet; 
Hy yacha leal ma poanyou calet; 
Dan sclauesic cazr ma impalazres 
Ez beuiff atau mau hep nep paoues. 




TRADUCgAO ARMORICANA 



(DIALECTO BRETÁO DE TRÉGUIER) 



POR 



HENRIQUETA MARTIN 



KANAOUEN CAMOENS 



DIWAR BENN EÜR SKLAVEZ DEUZ ANN INDRESS 
HANVET BARBA PE BARBARA 



(DisroÉl gant H. Marti») 



■ R skiavez-ze, a onn dalc'het sklav gant-hi, pa vevan enn-hi, 
ne fell ken d'ezhi a vevinn. 
Biskoaz rozen ne meuz gwelet e mesk eur boket hag e dije 
plijet kement d'am daoulagad. 



Biskoaz bleun ne meuz gwelet er parcou, na stered enn envo, 
hag e vi)e kaeroc*h evit ma c'harantez. 

Eur bisaj koant a deuz, daoulagad dous, du a tener, koulskoude 
lac'h a reont. 



He c'hoanterí dispar a lak anezi mestrez d'ann heni a zo he 
sklav. 

O welet he bleo du ne gred fe ket ann dud diskiant eo ar bleo 
melen ar re vrawan. 



Liou rouz ar garantez a zo var 'n hi, a ken koant a eo, ken e 
garje ann erc'b trokan a liou gant-hi. 

Lent a laouen a eo bepred, divroad eo, gouez na n' eo ítí. 



Ann douster a zo enn-hi a dor ann amez; gant-hi ma olí foaoiou 
a ia kuit; 

eur sklavez eo a sklav a onn dalc'het gant-hi; a pa vevan enn-hi, 
ec'h eo red d'in bevan. 



TRADUCgAO ARMORICANA 

(DIALECTO BRETÁO DE TRÉGUIER) 



POR 



ADRIANO RAISON DU CLEUZIOU 



KAN AR BARZ CAMOENS 

GRET EVIT EUR SKLAVEZ, HANVET BARBA PE BARBARA 



■ VEL eunn den sentuz, sktaf ha ounn d' am sklavez. 
Ma c'halon zo enn-hi, hag ¡ve ma buez. 
Ar Rose dreisi ha re all, enn-touez ann holl bleunenn 
A koulskoude deuz clioant, ha clioant bras ha varfenn. 



E-bars ar parkeier n' euz Rosen ével-d'-hi. 
N' ag enn Eé huelan stereden par d' ezhi. 
He dremm a zo brao, he lagat tik zo du. 
Liez hanter kousket, ével eur penn follet. 
Hag ha gleiz hag ha zeou, tan ha ra ha bep tu. 
Enn he cliorn ha weler, ar bir lemm ha kuzet. 



Rouanez eo d' h¡, ma yatez strobinell. 
E bleo du bravee 'h, evit ar bleo melen. 
Ar liou ze ne mad nemed vit ar zodien. 
Ma ine ha hurvre etre he diou askell. 



Dem-zu liou d' ann argel, he zreaim zo ker koant! 
Ann erc'b ha trokfe prim, he licaí gant ar c'hoant. 
LentegeZj'Oiadelez, enn-hí a zo frammet. 
Ne ket detiz ann dud gue, ar mercli kez dÍTToet. 



Dirak he stumm habask, ha paouez ann avef. 
A d' am trubuillou hotl, enn-hi kavan skoaz. 
Skiaf ha ounn d' am skkvez, sioul vel eur mevell. 
Ha pa beoan enn-hi, red eo beoan c'hoaz. 



TRADUCgAO ARMORICANA 



(DIALECTO BRETÁO DE TRÉGUIER) 



PELO 



Prof. EMILIO ERNAULT 



ZON ZAVET GAÑT KAMOENS 

D' EUR SKLAVEZ lAOUAÑK HAÑVET BARBAN, EN DOA KARET 
EN INDREZ 

(Trvet gañí Entile EmaullJ 



■ UR plac'h iaouañk sklavez 
A zo ma rouanez^ 
Na vévañ med vit-i, 
Mar kar, na vévin mui. 
Biskoaz me na weliz 
Rozen na flourdiliz 
Vije kemeñt d'em grad 
Etouez bleunio eur prad. 



Bokodo ar parko 
Na stered an eñvo 
Nan iñt na kaer na drañt 
Evel ma dousík koüit. 
Hi drem a zo skeduz, 
Hi daoulagad hemz, 
Du, ha lañn a lañgour, 
Sioaz d'am c'halon baour! 



688 



Zello a deu diout-e 
Kel lem hag eur c'hleñve, 
A lak da zoublañ prest 
An hini zo hi mest. 
Hi fennad bleo du-pod 
A dro spered tud zod 
A oa zoñ^ gañt*e ken' 
Eo kaer ar bleo melen. 



Eun dudi eo gwelet 
An duardez karet; 
An erc'h a zeñchfc lí 
Da doñt duik vel-t-i! 
Me zell gañt plijadur 
Ouz hi stum c'houek ha fur; 
Stum eun ermeziadez, 
Ke ket eur baianez. 



Hi c*hened ken zeder 
A gas kuit pob preder; 
Hi a ro d* ¡n dizoan 
Kreiz ma reuz ha ma foan. 
Hoñnez ar sklavez kez 
A zo ma rouanez; 
Red mad eo d* in bévañ 
P' eo gwir vit-i e rañ. 



r^-r- 




TRADUCgÁO ARMORICANA 



(DIALECTO BRETAO DE VANNES) 



POR 



ANONYMO DE AURAY 



44 



ir 

fi — 




GWERZEN LOEIZ CAMOENS 

ÉN INOUR D' UR PLAH lOVANK HANWET BÁRBIK 
HAG E OÉ MATEH CT:T ON 



(Distroeit é brehoneg Gwéned dré ur hloéreg iovank) 




E mateh e zou mestréz ar-n'an, rag dalhet on ha ranjennet 
én é halón. 
Bískoah rozén kaeroh ne mes gwélet é mesk er boketteu. 



Na bleuwen ér park, na stirén én eñv, ne m¿s gwélet nitra ker 
braw el er plah e garan: 

é fas e zou minion, ha deulagad dous é des; du ha landréneg 
é deulagad men dous, ha nehoah é mant olgaloudeg. 



Ker koent el ma*n dé, deit é de vout mestréz ar en den e zou 
méstr ar nehi: 

é bléw du e hra d' er hoasét ankouhat n' en dé ket braw er 
bléw ma n' en dint ket milén. 



693 



Hí é d¿s liw duard er garante; hag é ¡oteu e zou ker flour. 
ma karehé en erh trokein é liw get h¡! 

Kaer é de huélét, kaer é de glÉwet; fur é a spered; dianvézouréz 
é Barbik, mes n' en dé ket Barbar. 



A p' hi gwélan ken didrous ha ken dous, me halón ar6euet e 
daw aben-kér: ur baraouis é bout get hi. 

Mateh é, ha nehoah meatréz é^ hag a p' en dé én hi é viwan, 
ret mad é d' ein enta biwein. 



TRADUCgAO ARMORICANA 



(DIALECTO BRETAO DE VANNES) 



POR 



ANONYMO DO BLAVET 



GUERZEN LOÉIS KAMOENS 



SAUET ÉN INOUR D' UR VERH lEVANK HANUET BARBAN 
HAG E OÉ É VATÉH 



(Distrotit é hrehoneg Gwined dré Sonér er Blawah) 



BIT matéh e mes ur sklavés, 
Neoah é ma me rouannes; 
Me halón get hi ranjennet 
En hi halón e zou dalhet. 
P' en dé d' em mestrés mem buhé. 
Mar kár, penaus é viúein-mé? 
É misk er bokeneu kerran, 
Rozen kér él d' hi ne gavan. 



Nag ar er méz er bleu huékan 
Nag er stiret e splann én néan 
N' ou dts kement a vraüité 
El me mestrés, me haranté. 
Ken flour é fas me rouannés 
Ha deulegad ken dous hi des 
Deulegad du, ré landrenég 
Hag int neoah ol gelloudég. 



696 



N' en dé ket mui sklavés káret 
Mestrés akerh, ne laran ket. 
Eit mestrés pe mes hi reit d' ein, 
Él ur sklav é ma red sentein. 
Hi fennad bléú e zou du-kel 
Ha ken bráú é d' en nemb hi sel 
Ma hra d' ankoéhat de bep den 
N' en dé bráú meit er bléú milén. 



Hi liú duard, er liú karet 
E zou ken kér de vout guélet, 
Ma karehé en érh e splann 
Get hi trokein é liú guén-kann. 
P' hi guélan ken mad ha ken ñir 
Eit on brasséd ur blijadur; 
Barban a véz-bro zou sáúet, 
Mes Barban barbar n' en dé ket. 



A p' hi guélan ataú ken dous, 
A p' hi havan perpet didrous 
Poén ha kounar e ankoéhan 
Han val é get n' ein bout én néan. 
Guéharal é oé me sklaves 
Bermen é ma me rouannés. 
Biúein e hran eit hi hárein 
Eit hi hSrein me venn biúein. 




TRADUCgÁO ARMORICANA 



(DIALECTO BRETAO DE CORNOUAILLES) 



POR 



FRANCISCO MARÍA LUZEL 



GUERZIOU CAMOENS 



WAR EUR GAPTIVÉS HANVET BARBA PE BARBARA, 
HAC A BEHINI AR BARZ A GOUEZAS AMOUROUS ENN INDBÉS 



(Tro'ét en Brefonec Kemé, gañí F. M. Ann HuH) 



HAR gaptives-ze gant ptni oun dalhet, 
Dre ma vevan enn-hi, ma guelet bev n'ioul ket! 
Bisecas n'em eus guelet enn eur bod eur rozenn. 
A vize d'am lagad ken coant ha ken laouenn. 



Biscoas n'em eus guelet 'n eur pare bleuniou nevez- 
Nac enn nevou stered coant 've! ma c'harantez! 
He zrem a zo charmant, lagad duf amourouz, 
Gwestl da rei ar maro, ha coulz goudé ken doucz ! 



He gened zo ken braz, ma hi gra rouanés 
p'am hini da bíni cz eo ar gaptivés. 
Ar bleo duff a diniil ken stang diwar be fenn 
A ra credi n' int ket ken caer ar bleo melenn. 



Liou coant ar garantez a zo en he c'herc'henn, 
Hac a zo calz caeroc'h eget n e ann erc'h gwenn. 
Doucz ha gracius eo, gant fumes braz, heb mar: 
Estranjourés ez co, — mes heb beza barbar. 



He gened hac he c'hoarz a galm ann tourmantjou, 
Ha me a gav en-hi remed d' am hol poaniou. 
Hi eo ar gapdves gant pini oun dalc'het, 
Ha pa vevan en-hi, bevan a zo d' ¡n ret! 



TRADUCQÁO ARMORICANA 



(DIALECTO BRETAO DE LÉON 



PELO 



Coronel ALFREDO BOURGEOIS 



STROBADOU RIMOU 



SAVET GAND AR BARZ CAMOENS DIWAR BENN EUR SKLAVEZ 
HAÑVET BARBA PE BARBARA 



(Troet e Brejounek Leoun (kep ñmou) gand an Aolrou Al/red Bourgeoii 
ganet hag o dtomm e Bren) 



■ R sklavez kéaz ze pehini am dalc'h sklavour pa vevañ eo hí, 
ne fell mui dezhi ma vevín. 
Biskoaz n' am beuz gwelet etouez an olí vokejou, rozen ebed 
hag a voe bravoc'h d' am daoulagadl 



Biskoaz n' am beuz gwelet bleuníou er parkeier, na stered en 
Envou hag a gave d' in beza ker kaer ha va c'harantez. 

Beza e deuz eunn dremm brao kena, daoulagad ñour du ha 
sempl, ha kouls-koudé iemm ken a lazontl 



Gand he doare grasiuz kena, e teu da veza rouanez d'an hini 
ma ema ar sklavourez. 

He bleo du a laka an dud dister ha pounner a speret da goll 
ar zoñch eo melen ar bleo kagr. 



704 



Liou dem-zu ar garantez e deuz, ha ker flour eo he dremín ma 
c'houantafe an erc'h rei e kemm he liou gant hi. 

Laoueh brao ha dic'hoarz eo war eun dro; eun divroadez eo, 
hogen ne vez ket barbar ac'h! 



,He doare-vát kuñv dispar, a ra d* ar bar-ame sioulát; kavoud 
a rañ en hi ar finvez d' am oU boaniou. 

Hounez eo ar sklavourez am dalc'h sklavour, ha pa 'z eo gwir 
a vevañ en hi, eo red d* in beva! 




• / 



TRADUCgÁO ARMORICANA 

(DIALECTO BRETÁO DE LÉON) 



PELO 



dr. theodoro pilven le sévellec 



GWERZIOU SAVET GANT AR BARZ KAMOENS 



D' EUR SKLAVEZ KARET 



(Troet t Brejounek León gant 'Th. Pilven ar Zeveüek) 



H' AR sklavezik ze d' ín 
Am dalc'h sklav va unao, 
Holl enn-hi pa vevan 
Ne fell muí a vevin. 
Nann na weliz biskoaz 
E kreiz eur vodenn c'hlaz 
Roz na dudiusoc'h 
D' am lagad, na koantoc'h. 



Nag ar bleuniou er prad, 
Nag enn oabl ar stered, 
N' int ker kaer da welet 
Ma 'z eo va dous, avad. 
Flaoim mcurbed qo he dremm, 
Flour he daou-lagad du, 
Ha gouskoude, cÜocli-tu 
E lazfenl ganl ho flemm. 



7o8 



Dre nerz he doáre vad 
E teu, e gwiríonez, 
Da veza rouanez 
War he ferc'henn, timad. 
He bleo du-bran e-berr 
A zeak d' ann dud diskiand 
N* ez euz brasocli gevier 
'Vit melen ar bleo koant. 



Liou dem-zu 'r garantez 
E deuz; ker c'hoek he dremm 
Ma rofe 'n erc'h e kemm 
He liou gant levenez. 
Habask ha dic'hoarz eo; 
Mar d-eo divioadez, 
Gouskoude, kement zo, 
N' e ket eur plac'h gouet^. 



He cliendalcli sioul meurbed 
A dorr arae diroU, 
Enn hi 'm euz didorr hoU 
D' am c*haloun enkrezet. 
HounneZ) hi sklavez d' in, 
Am dalc'h sklav va unan, 
Hag enn-hi pa vevan, 
Red eta ma vevin. 




TRADUCgÁO EM GALEZ (WELSH) 



PELO 



Rev. P. JOÁO HUGO JONES 



V 



BARBARA, Y GAETHFERCH 

(A gjrfieithwyd i'r Cymraeg gmy Parch J. H. Jones) 



■ GAETHFERCH hoD a'iD dal yH gaeth: 
I íyw yn hon íy yspryd aeth. 
Am hyny hi nis gwel yn wiw 
Roí caniatad i mi gael byw. 



Nid oes planhigyn yn y Hwyn 
Yn debig iV phrydferthwch mwyn; 
Ni wel fy llygad yng nghanol y nos 
Un seren sydd mor wen a thlos. 



Ni welwyd chwailh un rhosyn 'rioed 
Mor dég o'i phen i'w throed; 
Ei Uygaid duon fel y fran, 
Yn llawn o ddi-niweidiol dSn. 



712 



Rhyfeddol yw gwyneb fy ng|iañad mwyn! 
Dirgelwch Uwyr yw ei bereíddiaf swyn. 
R'ol gweled ei throellog wallt, pyg ^ liw, 
Nid oes un ferch landeg mewn byd yn by\^'. 



Ei heiddo yw amlinell serchiadol wyll, — 
Chwenycha yr eirá gael ffeirio ei ddull. 
Mor siriol a hawddgar! synwyrol ddawn! 
Er nad yn farbaraidd, mae *n ddieithr iawn. 



Ei thawelwch dawela dymhesdog lid; 

0*i blaen fe ddiflana íy mhoen igyd. 

Wel dyma y gaethferch gaethiwa fi ! 

Ond byddaf yn byw, — r*wyfyn hyw ynidi hi. 




TRADUCgAO EM IRLANDEZ 



PELO 



Rev. P. RICARDO HENEBRY 



BARBARA CUMAL 



(Ar n-a clutr i n GaeAiigé le Ruteará de k-Eiubre) 



■ TÁ cuma) na broide 
Dam' chumhdach ¡m' tnhogh-sa, 
Cidh disi is beó me 
NUstamann óm' mhilleadh. 
Mo rosg ni thug silleadh 
Ar ros nidh budh chumbartha, 
Ná mó raibh mo thnúth leis 
Ag tancamh ar bile. 



Ni 'I bláth ar na cluantaibh 
Ná reann do bb rcannaibh 
Rug buadh ocua ceannas 
Ar sgiamhacht too rúin-se. 
An t-édan is dileas 
Ag aingir na mall-rosg, 
A dearca dhubha, fíonn-tais, 
Nár thaobhsad le h-iosbairt. 



7i6 



Dá mhaoithe a ttaithneamh 
Ni lughaide a léir-sgríos; 
Is rioghan tar a maor i 
Le cuibhreach dá cheangal. 
D'éis duibhe a dlaoithe 
Ni finne le drongaibh 
Cidh casta, na monga 
Le béithibh na tire. 



A chiar-dhath na seirce 
Dá ndeunainn do mhalairt 
Ar gile na sneachta 
Mo shubhachas budh teirce. 
Ata sult ocus maise 
Ag meadhchain a céille, 
Coimhightheach *na feuchain, 
Ar daonacht ni danmr. 



A h-iomchar is ceannsa 
Do mhaoladh na ndoineann. 
Ata leigheas mo luisne 
San mbniingeall is annsa. 
Ata cumal na cleasa 
Dam^dhruidim i ngéibheann, 
Mo mhairthin is éigean 
Ós ¡si mo bheatha« 




TRADUCgAO EM ESCOCEZ (GAELICO) 



PELO 



Rev. alexandre stewart, d. d. 



BARBARA 

NIGHEAN ÜG A BHA NA TRAILL 



■ N ríbhinn ud na trúll: gbloc i oiise 'm'braíghdeanas: 
'On 'tha mo bheattia inntesc, iha mi beo darireah. Riamh 
'Cha 'n fhacas le m' shüU ros is tahniche snuadh. 



Cha *n 'eil flür 'sa mhachair, no reuh 's an iannailt, cho 
Lurach 'n am bheachdse ñ m' ghradh. Tha gnuis gun 
Choimeas da ann am boiched: a suílean, dubh tl&, gun gti 



Agus cho lan eircachdais gach buaidh 'ta ceangailte 
Rithe, gu bheil a tigheama fein na thrail] dhi: 
A mheud 'sa chi a falt aír dhreach an fhithich 
Cha gabh lad tlachd 'am fah bhui-bhán rí 'm beo! 



'S leathase gach iomhaídh gr&idb, agus cho gruth-ghcal 
A slk» gu bheil fannad air an t' sneachd fiin ! 
Cho aoidheil a ta i, cho banail 's cho lán tuir, 
Nach fhacaa a cotmear 'bhos na thall. 



Ciuin mar a mhuir dar nach eil gaoth a gluasad: 
'S aon inntese a mbain a ta mo thlachd 's me ríin. 
Tha i na traill ach rían i traill dhíomsa; agus 
On 'tha mo bheatha inntese, tha mí beo da ríreadh. 



TRADUCgAO EM MANX 

POR 

ARTHUR GUILHERME MOORE, M. A. 

E 

GUILHERME JOÁO CAÍN 



.f6 



GAELCK (MANX) RANEYN JEH CAMOENS 



RISH BONDAGH ENMYSSIT BARBARA 



■ N bondagh quoi yn bondagh ta mee, son aynjee ta mee 
bioghey, ta aignagfa mee dyn ve bio ny sodjey. 
Cha vel mee rieau er vakín rose ny s' aalin ayns mean jeh 
poseeyn aúllish. 



Cha yel mee rieau er vakin blaaghyn ny magheryn, rollageyn 
ayns ny níaughyn, cha aalin dooys as my graih! 

Ta eddin unnaneagh eck, sooylyn branladee, dorraghey as skee, 
agh cha vel ro skee dy varroo! 



Ta pishag bioal ayndoo, ta cur urree reitl harrísh eshyn quoi 
yn bondagh t' ee ish. 

Kioghyn dhoo eck caghlaa yn smooínaght fardalagh jeh adsyn 
ta moylley folt doan. 



Ti aalin cuUyr dorraghey eck jeh grath, as eddin cha milÜsh 
dy beagh snia^tey aggíndagb dy cághlaa maree e daah ! 

Ta imlid genual eck ry-cheílley lesh tushtey cair; t'ee yíndyssagh, 
a^ nee qua^. 



Ta caslys mean eck dy chooUley dorrin kiuney! Ayii¡ee ta mee 
geddyn yn jerrey jeh ooíHey my treihysyn. 

Ta shoh yn bondagh quoi yn bondagh ta mee : aynjee ta mee 
bioghey, aynjee shegtn dou bio^ey. 



TRADUCgÁO HEBRAICA 



POR 



LÁZARO GOLDSCHMIDT 



minn nnBSfn rra-a 



iSTísviya n?jr6H me nna» pnm ' d»idp niWD) 



ni^n nd nijü mtid rn^V ^B 

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TRADUCgAO HEBRAICA 



PELO 



Prof. JOSÉ BÉNOLIEL 



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' ijoof *í¡ f X neo 

: <f»3!' su; nsifl 

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734 
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735 






TRADUCgÁO EM ÁRABE 



POR 



IBN-EL-OJELOSE 



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PARAPHRASE ARÁBICA 



POR 



roN-EL-OJELOSE 



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TRADUCgAO EM MALTEZ 



PBLO 



Prof. EDUARDO CACHIA 




GHANJA TA LUIGI DE CAMOES 

FUK UAHDA LSÍRA ISIMHA BARBRI (BARBARAN, U QWEti INNAMRA 

MINNHA META CHIEN L' INDJI 

(Mfosra mnn Duardu Caphia) 




L Iska U kkghda 
Izzonuvni Isír táhha, 

Ma trídx flU ^íena 

Nghix izjedy ghajr matilia. 

Jien katt ma sflbt uavda^ 

Fost chema rajt b' {|hajnejja, 

Li tisbok bi gmklha 

Lil lauta kaddqja. 



La *1 cuiecheb tas-sema, 
La '1 uard ta go gnien, 
Ma ihennu lil kalbi 
Daks dic li nhobb jien. 
Dac uiccha 'd-dahkáni, 
U is-suwed ghajnejha 
Isahhru uarajhom 
Lil min jirfes hdejha. 



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TRADUCgAO EM MALTEZ 



PKLO 



Prof. EDUARDO CACHIA 



760 



Azzal a bQbájjal, 
Melyet széjjei áraszt, 
Um(5v¿ vált annak, 
A kinek jobbágya. 
Fekete hajftkrtjét 
Csókolva, mily d5re 
Gondolatnak tetszik: 
Szeretni még sz6két! 



Mero tüz és kellem ! . . 
Fékete pompája 
Mellen, még a hó is 
Restelli a színét. 
Artatlan kedélye 
Méltósággal párul, 
S rabnéger létére, 
Barbara nem barbar. 



A vidám kedvével 
ElUz mínden gondot; 
Csillapítja lelkem', 
Ha búbánat érí. 
Ó oly rab, a kinek 
Magam vagyok rabja: 
Kiben életemet 
Lelve, ujból élek. 




TRADUCgÁO EM BASCONgO (EUSKARA) 



(DIALECTO DE LABOURD) 



PELO 



Dr. martinho guilbeau 



NEURTITZAK KAMOENSEK EGINAK 



BARBARA DEITZEN 2EN EMAZTE GATIBO GAZTE BATEN GAINEAN 



(Eskvararat Bihurtjatlea — Lapurdiko minljairan 
Martín GuUbeauj 



H ATIBO hark, gatetan naukanak, harén baitan bízí naizelakotz, 
ez du nahi geiago btzi nadien. 
Ez dut nihoiz ikusi arrosarík, lore bilduma baten erdian, ncre 
begientzat hain eder zenik. 



Ez da alhorretan lorerík, ez zenietan izarrik, nere Maitagarría 
bezain edenik. 

Arpegi charmagarria du, begi eztíak, beltzak, eroriak dauzka, 
eta bizkitartean sarkorrak/ 



Arraitasun bat badu zoragarria, zoinak egiten baitu hura, bere 
jabearen nausi. 

Harén ¡le beitzak galarazten du jende zoroari zentzua, ahantza- 
razi arte tlerik ederrenak oríak direla. 



764 



Beltzarana da Maitagarria bezala, harén begitanea haín da eztía 
non clhurrak berak ere, nahi bailuke izan hura iduría. 

Eztitasun amultsu bat josia du goratasunarí. Arrotza da bainan 
ez da Barbaroa. 



Harén liraintasun eztiak jabaltzen du Barneko asaldadura. Ha- 
rén baitan aurkitzen dut nere bihotz-minen akabaotza. 

Gatiboa da, ni gatetan naukana, eta harén baJtan bizí naizela- 
kotz, bizi behar dut oraino. 



TRADUCgAO EM BASCONgO (EUSKARA) 



(DIALECTO DE GUIPÚZCOA) 



POR 



D. JOSÉ IGNACIO DE ARANA 



CAMOENS-EN 

ADIACHOAK BÁRBARA ZERITZAN CATIBUBATl 
(A. Gipujcoa-tar José Inajio Aranak euskeratuak) 



BATiBu bat daucat 
Catibu naucana; 
Ez du nal beragan 
Bizi-nadiñ daoa. 
Ez det beiñ icusi 
I^ic edeiragorik 
Arrosa biguñik 
Aren parecorik. 



Ez landaco torak 
Ez zeruco izerrak 
Zeiñ nere maitea 
Afi dirade ederrak, 
Arpegi bicaña, 
Soseguz begiak 
Beltz, necatuc, bañdn 
lltzeco emaiak. 



768 



Grazí-bizi dauca 
Bere begietan: 
An nago n¡ beti 
Catibu benetan. 
Bere Ule beltzak 
Diradela nago, 
Gorrisca guziak 
Bañan ederrago. 



Belchün maitagarrí; 
Añ goso arpegív 
Ze elur berac diyo, 
¡ Zure antzeco ni ! . . 
Añ ocbana eta 
Zíntzoa izanik, 
Bicaña irudirik, 
Ez du arro/:j-antz¡k, 



Aurrc ozgarbi, ichas- 
-Arro ezilaríya; 
Nere pena dañen 
Atsegiñgarríya. 
Ausen da catíbu 
Catibu naucana; 
Beragan bizi naiz; 
An bizi-naiz daña. 




TRADUCgÁO EM TAMUL 



PELO 



Prof. JULIÁO VINSON 



49 



u.TTU7rOíircBrgí¿)OL£>fr(¡5^/HíTnauSf?irCufla)(j5dFff 
Q^üJO) a,eB 

■ 6in(r¿7ríiíléTni_fflfldB^(rOfuu3É6leBr<»TiLi^C$ • • -^ 
«eir(rg^íir>t_Lí)u¡Bfln^iLi(T/BdEfliuuj[ru7ii. .etr 

L/ííBTgQ^jmL-OjBigjOffTtSqa'LDqQiJicifr/p 3m 

L£>ÉBWeíríSiíinL.iT©etrimiiííg5ifiTrí!níij^^«GdBiis5WuOirT 

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TRADUCgAO EM LINGUA ANGOLENSE 



PELO 



Prof. JOÁO IGNACIO DE PINHO 



GINGUNGU JA HAIM lA MUBICA 



■ UBICA úná — ua guibáca mu ubica, — bata qua muéne gá- 
laíá, — guingui guáié na lüé. 
Eme quilua guimóna díbembedi — mu malémbe ma icutá, — 
cu me^u mami, — ni quicála quibeta cúlumbÜa. 



Ni bu dítandé mabembia — ni cu diulu pnonóxi, — angui-difan- 
gánená cuuába — cala o ginguindé jámi. 

Polo iá quidiuánu, — me^u ma mu¿nená, — ma dombe, ma 
nhóquená, — suca qui macúgiba. 



Pemba imoxi tá muénhu, — qua cutunga áé, — na cala gána- 
la uosso mubungí. 

Jádombe o gindemba — quénc quilombo — quiqui-gimbila don- 
go — milégimu i¿ uaba. 



776 



Quiadi quia quinda, — quiatda o quí^, — quiniu-lóquelá o bun- 
du — quidi-tambácanhi o lube. 

Qdmuiinena quie sangúlucA, — quibáte^a quilungi, — ila cala 
zéozáf — suca quiháim. 



Quigi quja-bucama — dibucu udicondeca; — suca qua muihíe 
unhdca — lamba diami díosso. 

Mubungi muéne-ó, — uáguitá mu ubun^; — qua muéne pé 
gálaiá, — guzu álaié. 



TRADUCgAO EM GUARANÍ 



pit/> 



dr. joáo barbosa rodrigues 



LUIZ DE CAMÓES NHEENGAREgAUA 

YEPÉ MlAgUA BARBARÁ RERA AUÁ I U MOAREHEI INDIA OPÉ 



■ HAAN mia^ua, mía^a uA che ríkó maá i cha cecoe op¿ inti 
cuere putare eha cecSe. 
Inti cha ^upiak putyra maman che re; á araraa u ríkó poranga 
pyre. 



Morayhu ce maby inti putyra nhu opé yacytatá y uaka opé che 
nungara poranga pyre. 

I ob¿ iunto! I ceqa petuú pixuna maraare u ríkó inti u yuká 
arama. 



Yepé poranga^aua u pora aitá opé u ríkó u yara rama u rikó 
miacua auá. 

Mira etá u 9Ó mamé áua pixuna maá áua yuba poranga eté 
inú u ríkó. 



78o 



Morayhu pixuna puku, ^aagaua katUf ta¿ Tupi renoi ictuipé 
y n^rpti inti nuffotingt. 

Maroogatu ni (uri uá miúnunuaia, kan kttu nungare, é 

inti poclu katu! 



Ara ayba o» pukuau ^angaus katu taá, che opcin pocy po^aua 
opé phuú aé op¿. 

Kuaá mia^ua taá mia^ ua cha rikó maby o cecde aé opé quirímaua 
u ikó taá cha cecSe. 



• • 



PAGINAS APPENDICULARES 



(»A de tristeza e desconsoló, hora de maguas 
e de saudades^ cortMituiu settiptie im todos Os 
teinpos a hora solemne da dest?«didá, hora so- 
lemne de angustias e de amarguras. O adeus 
dos dois namorados hellespontinos figura-se- 
me tSo piuigente, pelo menos, como alegre e 
festivo era o alvordfo com que Leandro cor- 
tara de noite as ondas e Hero Ihe accendía na 
sm fronteira o pltarol da esperanza. Romeu e 
a, ao expirar-lhes o prazo da entrevista, buscam 
mtaneamente illudir-se, tomando por nocturnos 
5ui0<^ios de rouxinol o matutino cKilrear da cotovia, 
como se indefinidamente assím conseguissem retardar o cruel 
instante da sepam^áo. Toda x desfaz em prantos a esposa 
de Tobías, a inconsolavel Anna, quando o filho se Ihe au- 
senta por ir cumprír no paiz dos Médos as ordens de seu 
pae. É de lagrúnas d despedida entre Andromacha e Heitor. 
E «praia das lagñmas» se fíca por longo tempe denominando 



784 



a Praia do Restallo desde qu^ nella imbarcam para a India 
os companheiros do Gama. 

Repetem-se d'estas scenas em cada passo da vida, — e a 
propría vida finaliza por um adeus entre o que parte e os que 
fícam, entre o que se despede para a fatal viagem, d'onde 
nao ha regresso possivel, e aquelles que na sua dolorosa me- 
lancholia appellam para a esperanza de futuro incontro em 
mundo melhor, quando por seu turno Ihes caiba o ensejo de 
partirem tambem. 

Repete-se todos os dias o caso, — e nunca ainda o co- 
ra9áo deixou de pulsar naquelles momentos críticos an- 
gustiosamente agitado, tal qual pulsou a rezumar tristezas 
quando entre os primeiros povoadores do orbe, quando en- 
tre os dois primeiros namorados, quando pela primeira vez 
entre marido e mulher ou entre paes e filhos, soou na historia 
da humanidade a hora fatal, a hora imprescríptivel, a hora 
inadiavel da primeira separa^áo. 

Positivamente o mesiho afllictivo transe do Camóes na 
sua partida para as plagas indianas: 



Eu me aparto de vos, Nymphas do Tejo, 
Quando menos temía esta partida; 
E, se a minha alma vai intrístecida, 
Nos olhos o veréis com que vos vejo. 



Pequeñas esperanzas, mal sobejo, 
Vontade que razio leva vencida, 
Presto veráo o fim á triste vida, 
Se vos nao torno a ver como desejo. 



Nunca a noite entretanto, nunca o dia, 
Verio partir de mi vossa lembran^: 
Amor, que vai commigo, o certifica. 



786 



Por mais que no tomar baja tardanca, 
Me faráo sempre triste companhía 
Saudades do bem que em vos me fica. 

Outrotanto se passa com a esplendida cohorte dos vul- 
tos que vieram prestar homenagem á memoria do galantea- 
dor Camdes e da sua formosissima Barbara. 

Tive a honra e o gdsto de os receber e de os hospedar 
no saláo nobre d'este meu livro. 

E agora me chega afinal o momento das despedidas. 
Agora aqui vou eu ficar saudosó de táo fidalga compa- 
nhia, — saudoso da correspondencia que durante mezes e 
mezes trocamos estreitando amigaveis rela96es. 

Parte d'esse tempo aconteceu que padeci cruelmente 
acorrentado ao leito sob a torturante oppressáo de nevral- 
gias diabólicas. E Deus sabe quanto me serviam entáo de 
lenitivo aquellas fagueiras epístolas que de térras longin- 
quas vinham pressurosas acudir ao meu convite, — de tanta 
benevolencia repassadas, que ao lél-as, quem desprevenido 
estivesse, cuidaría ser eu em taes obsequios o obsequiador 
e por forma nenhuma o obsequiado! 

Acudiam-me, auxiliavam-me^ felicitavam-me, acarinha- 
vam-me, sacrificavam tempo, ínteressavam amigos na rea- 
liza9áo do meu desiderátum, e ainda por-cima agradeciam 
como se os obsequiados (repito) fóssem elles todos e nao eu. 

Cada vez que me intrava em casa o córrelo, — trazen- 
do-me dos pontos mais desincontrados cartas e cartas, em 
que ora me chegavam indicares e conselhos, ora anima96es, 
ora annuencias ou promessas, ora afinal vifosas e odoríferas 
flores com que mais e mais se opulentava o meu bouquet, — 
dir-se^hia que tinham aquellas missivas o condáo mágico 
de me adormentarem o horror das crises nevralgicas. Re- 
presentou-me therapeutica, nao menos benéfica, nao menos 

5o 



786 



eíÜcaz, nao menos salutar que a dos clínicos, esta corres- 
pondencia epistolar em que o nwu espirito se deliciava. 

Comprehendi entSo que o sentimento nobllissimo da con- 
fratemidade litteraría, longe de ser urna palavra van, con- 
stituía devéras urna reUgiáo de innumcraveis proselytos. 

Vejam portanto se deverei, cu nao, ter motivos para 
sentir saudades d'aquelle periodo em que apprendi práctica- 
mente a conhecer táo consoladora verdade, — saudades pro- 
fundas, saudades immarcesctveis. 

Posto isto, e fdta solemnemente a declarafáo que deixo 
exarada, aproveitarei o ensejo para accrescentar em appen- 
dice (e finalizará por esse modo o livro da Pttíidáo de amarj 
meÚKluzia de paginas que nos capítulos preambulares deí- 
xarem de ter cabimento. 



10 poemeto Luis de Camóes', a que me refiro em 
pag. 2 1 3, publicou-se modernamente em Genova 
(1895) urna versáo italiana (Gioachino de Araujo— 

Lutgi de Catnoens Tradu\ione dal portoghese di G. 

Zuppone-Strani). 

Eis a maneira elegante por que vem nella interpretado 
(em pag. 20 do folheto) o Soneto IX dos dezesepte em que 
successivamente o poemeto se desdobra : 

Eterno amore 

Barbara, dolce e tímida captiva', 
oh quante volte V occhio tremebundo 
erse a quel volto che, meditabondo, 
elementa efor\a in tutti i segni offrival 



1 Conta ¡á tres edJ;Ses: a ).■ (como tive occasiSo de dizer em pag. 2i3) 
estampou-se no Porto era 1887; para a 2.» (impressa no raesmo logar e anno) 
aproveitou-se exclusivamente, mulatíi mutandis, a composiqíSo lypographica da 
I.*; a 3.* sahiu publicada em Lisboa em 1S94. 

' Rererída a este verso, apresenca-nos o illustre traductor (José Zuppone- 
Strani) a seguinte nota elucidativa : 

«Barbara é ¡a bella schiava amata da Camoens ne' verst stupendi che 

oramai, grajie alie cure del signar Xavier da Cunka, si leggono Iradotti in 
lutte le litigue d' Europa: 



At soffio d' un amor puro e projbndo 
ella tremava: poi che Amare é viva, 
é sacra emana\ione onde deriva 
il Bene, a cuí loco d' esilio é il mondo. 



E mentre dal ponente il sol baciava 
co' suoi languidi rai la metía schiava, 
presa di quell amor ne" lacci sanli, 

il Vate mormorava delta pia 
Naihercia il nome; e il dolce suon s' apria 
per r infinito, in circoli fiammanti. 



III 



ÍisTiNcgAo análoga á que Zuppone-Strani Ihe dispen- 
sou na traduc^áo italiana do poemeto Luis de Ca- 
móes, tambem Francisco Paulo Pace dispensou a 
Joaquim de Araujo, vertendo-lhe o Soneto de que em pag. 
267 fiz men^áo. Acabo agora de o 1er na mesma lingua 
traduzido, na maviosa lingua do Ariosto e do Tasso, na 
lingua do Dante e do Petrarca. 

Imagine-se urna graciosa plaquette, de que apenas sahí- 
ram a lume 25 exemplares numerados, impressos cinco em 
papel-de-linho, e os vinte restantes em papel cór-de-rosa des- 
maiado: — Gioachino de Araujo — NelSobdorgo diSanfAnna 
Tradoíío dal pro/. Francesco Paola Pace (Padova — iSgS). 
Diz assim a traduc^áo: 

Nel Sobbokgo d¡ SantAnná 

A Saverio Da Cmka 

A lenti passi va la notte, e in pianto 
Fugge d¿ mandolini I' armonía. 
Le cui itacate lacrime Jrattanto 
Compongono una nova ¡altea vía. 



790 



Sospirano d* amore gli astri a tanto 
Flebíle e appassionata melodía, 
E sposano il celeste loro canto 
Al suono cui ripete V eco pia. 

E il suono in lontananza langue e muaré, 
Né d* augellino un' ala piú si potie 
Injremiti per V ampia aerea vetta; 

Ma ecco una poce, e niuno di mefuore 
Im senté: ella é di Camoens la cantone 
A Barbara, sua schiava prediletta. 

Napolif ottobre, j8f)5. 

Preposta á versáo do professor Francisco Paulo Pace, 
vem a seguíate Apv€rten\a: 

€ Camoens mori popero nelV ospedale del sobborgo di Sanf Au- 
na; lo schiapo Antonio e V Indiana Barbara, sua prediletta, furono 
i soli amici che ebbe nelV infortunio. 77 sig. Saperio da Cunha, cut 
il Sonetto é dedicato, é un erudito critico di Listona, che prepara 
una monografia sulla schiapa Barbara, corredandola ét una Anto- 
logía di tradu\ioni della cantone di Camoens. > 

r 

Como acaba de ler-se, o professor Pace é um dos que 
identificam, fiíndindo-as numa entidade única, a formosa 
Barbara das Endechas e a Barbara das esmolas'. Aprésenla 



I « Camoens, del fuaie noi presentiamo la piü deliposa Cantone, 

Jaita ad una schiava appartenente alia sua famiglia » : assim se le na brere 
Advertencia por que abre um galante folheto recentemente publicado {Pa- 
dova — 1895) sob o titulo — Nove Poesie Portoghesi ristampate in Padova 
neir occasione del VIL (settimo) Centenario di Sant* Antonio di Lisbona. Este 
opúsculo insere, simultáneamente com oito produc<j6es de outros poetas, as 
«Endechas a Barbara escrava». 



791 



elle todavia urna singularidade, que Ihe marca um logar 
aparte na secfáo dos que tal opiniáo professam: e vem a 
ser que o professor Pace, identificando a Barbara das es- 
molas com a Barbara dos amores, vé nella, em vez de urna 
ethiope, urna indiana. 

Ora no decurso d'este livro provei eu:— 1.°, que a Bar- 
bara das Endechas era urna escrava indiana, e que na India 
foram os amores d^ella com o Poeta á^Os Lusiadas; 2.^, que 
a Barbara das esmolas era urna vendeira mulata, moradora 
em Lisboa; 3.**, que, tirante a identidade dos nomes, nenhum 
ponto ha commum entre aquellas duas mulheres. 

E o proprio auctor do Soneto, o proprio Joaquim de 
Araujo, — quando no «bairro de Sant^Anna», por altas horas 
da noite, julga escutar «uma voz que elle só ouve» e que 

chora e canta 
As endeixas da Bárbara-cativa .... 

— allude, claro está, nao á compassiva mulata que em Lis- 
boa soccorria as miserias do moribundo Poeta, sim á in- 



Recufícando a errónea identifíca^So que no referido folheto apparece das 
duas Barbaras (a Barbara do amor e a Barbara da carídade), e outrosím recti- 
ñcando o involuntario equivoco do professor Pace, traz «i7 Comune» Giornale 
di Padova no seu N.* 348 do Anno V (Padova, 17 Dicembre 1895) um artigo 
que se intitula Camoens (Nota letterariaj, e de que passo a transcrever as se- 
guintes palavras : 

«/n occasione del Centenario di 5. Antonio fu puhbiicato in Padova un ii- 
bercolo intitolato: Nove poesie portoghesi, ristampate a Padova in occasione 
del VIL Centenario di S. Antonio di Listona, 

•Poco tempo dopofu pubblicata puré in Padova unapoesia del prof. Pace 
di Napoli mNel Sobborgo di 5. Anna». In queste poesie si legge che Camóens 
amó negli ultimi anni della sua vita una schiava di neme Barbara, appartenente 
alia sua famiglia, e che a questa egli dedicó i suoi versipiii deliposi, 

mBisogna/are una rettifica, 

•Quella che Camdens amó fu un' altra Barbara, indiana, efua questa che 
egli consacró i suoi versi mentre era neir Oriente». 



cantadora escrava que na India inflammára o inamorado 
trovador. 

Emquanto á immerecida qualifica^So que de «erudito 
criticoB me dispensa o íllustre traductor do mencionado So- 
neto, corre-me obriga95o de a declinar, visto que táo alto 
qualificativo nao compete á minha obscura, á mínha obscu- 
nssima individualidade; mas nem por isso fica menos grato 
o meu cora9áo á benevolencia amavel que ñas suas anima- 
doras palavras o egregio professor de Ñapóles me prodi- 
galiza. 



IV 



IEM agora a palavra, no mesmo assumpto do Ca- 
pitulo precedente, um insigne litterato da Franca. 
Chega-me, pela mais agradavel das sorpresas, no 
preciso momento em que a presente folha eslava para 
estampar-se, uma traducfáo manuscripta do Soneto que 
Joaquim de Araujo me dedicou sob a epígraphe — No Baírro 
áe SanfAnna. 

Foi o meu querido Achules Millien, prezado amigo do 
auctor dos versos e prezado amigo meu, quem transplantou 
para a linguagem de Víctor Hugo o sentimental Soneto a 
que me refiro. 

Ao festejado poeta das Flores da Noiíe cabe pois como 
traductor, por coincidencia feliz, o laureado cantor de Les 
Poémes de la Nuit'. 

Achules Millien, que das «Endechas a Barbara escrava» 
me proporcionou versSo franceza em pag. 419 a 422 da 
Pretidáo de amor, Achilles Millien vai novamente opulentar 
este livro com os maviosos primores da sua delicada inspi- 
ra^áo. Produc^áo inédita que nfio sei se neutra parte appa- 



■ Versos de Achilles Milliea, premiados em 1864 pela Academia Franceza. 



recerá brevemente publicada, aquí se me faculta ensejo de 
oflFerecél-a em primeira máo, segundo a copia que de Ge- 
nova ora me transmitte o poeta das llores da Noiie: 

Au Favbovbc de Saiste-Aí/se 

A Xavier da Ciaiha 

Lente, marche la nuil. Le son des mandoÜnes 
Ü'éleve langoureux el si doux alenlour 
Qu'il semble en s'exhalatit semer de ¡armes ^nes 
Une autre Voie-Lact¿e oú tran^arait I'amovr. 

Le chaeur des astres d'or aux lueurs opaltnes, 
Du haut de l'éiher calme, accompagne, en retour 
De ses soupirs, le chant qui, jusqu'á leur séjour. 
Monte en vibrattons pagues et cristallines. 

L'accord s'étend au loin, paisible et caressant; 
Puis, comme un vol léger d'un ot'seau bruissant. 
Expire dans l'espace, — indécis et suave. . . . 

Mais le sitence, alors, ne dure qu'un moment: 
Une voix, que moi seul entend, dit tendrement 
ÍJi plainlive chan$on de Barbara-l'eaclave. 



ÍABRiEL Sirven, de quem (a pag. 280) falei, é o fes- 
tejado auctor de U Ramel Paitan del parla moundi 
(Toulouso — 1892), — formoso florilegio de poesías 
que o ¡Ilustre Director do periódico Lé Gril deu modesta- 
mente a lume sob o seu habitual cryptonymo anagramma- 
tico "G.Visner». 

E oñerecéra-lhe eu, aproposito d'aquelle seu fragrantis- 
simo ramalhete, uns pobres versos: 



Ao INSIGNE Poeta Gabriel Sirven (G.Visneb) 
Auctor de — Lé Ramel Paí'sam 



Visner, o teu Ramel vinosas nos resume 

Flores das mais gentis, 
Mimosas na estructura, ethereas no perfume, 

Galantes no matiz. 



Pintada vejo nelle a immaculada vida 

De puro trovador: 
Doces hicubra^Ses de urna alma repartida 

Entre amiüade e amor! 



796 



Da tua santa Máe a meiga suavidade 
No agasalho do lar! 

De teu honrado Pae vivissima saudade 
Crescente a pullular! 



De quando em quando. • • . um riso! um límpido gracejo 

De alegre coradlo! 
Outras vezes. • . . num sonho. • . . algum fugaz lampejo 

De azulada visfio! 



Vagas contempla^Óes de quem aspira e gosa 

Ñas brisas matinaes 
Fragranté evocarlo da histórica Tolosa 

G>*as glorias nacionaes! 



Febril tumultuar de um cerebro vibrante 

Em que dardeja o sol 
(Quaes dardeja Beatriz no encephalo do Dante) 

Fulgores de arrebol! 



Amigos . . . . e familia. . . . e patria. • . . e Natureza. . . . 

E firmamento. . . . e Deus! .... 
Eis,Visner, o que incontro, e que minha alma préza, 

Ao 1er os versos teus. 



E por isso que eu digo (e assim te felicito) : 

Visner, o teu Ramel 
Concretiza a ezpansáo de um éxtasi infinito 

N'alma de um menestrel. 



Na sua benevolentissima generosidades Gabriel Sirven 
fez inserir em Lé Gril (Quatriémo annado — N.® lo — Tou- 



797 



louso, del 2 1 d' Abril al 5 dé Mal 1 894) o seguinte Soneto, 
allusivo ao livro em cujas paginas ora pe90 licen9a para o 
transcrever: 

A^n Xavier da Cunha 

lé rébiscoulaíré en soun ^Bouquet Púulighío» 

des couplets del grand Luiz de Camóbs 



Abé dé soun país la toco 
Dins lé sicap, tout fo qu' a grand é bel; 

S* embriaíga qué dé soun mél, 
Groubes, al tal ount sa glorío enflouroco; 

Mounta soun rénoun dinco' V cél. 
En n enlaíran I' enjin, dé loco á loco, 

Dé r esplandimen d un cerbél. 
Aquiou les fas ount tout Pouéto toco! 

Tu! qi¿ as lébat del débrembié 
Dins lé trélus qu esciuro V moundé entié 

Un raís dé Camóens, toun méstré. . . ; 



Per dé V escur V atégné a la clarou, 

Dus cóps Pouéto probos éstré. . . . 
Bord, n' as oundrat la Térro é I' terradou! 

G. VlSNER. 



Estes mesmos versos inseriu depois o auctor no pri- 
moroso livro de miscellanea — Lé Mescladis Moundi (ToU" 
louso — 1895) — livro publicado por G. Visner com elegante 
Prefacio (em firancez) do meu illustre confrad^ Mauricio 
Massip. 



798 



Lé Mescladis Moundi constitue digna continua^áo de Lé 
Ramel Pausan: trechos deliciosos de prosa e verso, em que 
se entrela^am, num devánelo labyrinthico de phantasista e 
sonhador, tradicious, rébiscolos, countés é cants abarréjads, — 
tudo isto airosamente coroado por um Prologo Goudoulinadj 
e tudo isto judiciosamente seguido por um Letsiqué des mots 
rabalkuds al sen dé calquis-unis. 

Nesse volume incontram-se (de pag. 71 a 72) o texto 
portuguez das «Endechas de Luiz de Camóes a urna captiva 
por nome Barbara» e, logo em seguida ao texto camoniano, 
a traduc^áo com que em sub^-dialecto de Tolosa G. Visner 
me obsequiou. 

Precede-os (em pag. 69 a 70), sob o titulo Parentaíchés, 
a seguinte Advertencia: 

^Vestudi del Rouman, p'r acó qué sio lé máí seguid e encoura- 
tchad en Alémagno, a pos mancad dé $'empaúu¡{a tabes dins toutos 
las Academias ou Facultáis des países dé raco latino^ — en Franco, 
en Italia, en Espagno, en Pourtugal, en Roumanío, — dins nastré 
siéclé dé recercas é rébiscolos del bel é bou d'el Méjan-Aiché. 

€ Grados al débouamen, á la sapienco dé méstrés escoutads, 
qué serio trap loung dé mensouna noum á noum, unflot d'escou- 
Ihés dé naoutis-estudis soun benguds a lour tour dé méstréjairés 
proupagandistos, fasen esplatidi dé ma'í en maí la counéissenco, 
Vagrad dé Voubrado des Troubadous. 

€Abén grand gaouch daou punta, les sapiens dé las nacious 
sors latino-roumanos, sércon dé tout catire a fa Vespandimen dé 
lours litsous, dé lour enségnomen, per la puplicaciou d'aubrétos de 
máí en máí a la pourtado del grand noumbré. 

€ Encaro' n abiad dé máí, é, dabant paouc dins las mij ándenos 
escolos, peí dins las pus pitcbounos ount soulos s'enségno V poplé, 
¿y aprendra bélomen a fasta dé Voubrado roumano dins Vouriji- 
nal, dins lé bertadté toun del bérbé páíral, qué dé tant lén naus 
parentéjo — a'n toutís les enroudáirés dé la Mar-nostro, qué les il- 
létrads memo naus y pouden récoun^sé dé la Hgnado, per naus 
serbi dé tours déjrasos pariouS. 



799 



tAs ferbents des dires loucáls d'aro, as patouéséjcares qu'én, 
aco's pos per debíase, dé sigur. 

€Les del poupulari laíran a'n aquélo espandido dé létrads Ji- 
tsan la lengo maíré, la sonco dount pousson les gaíssous qué nostré 
diré fa Jlouréja, la bértadiéro tradición literario qué nons es con- 
mnno, á's dé térros d'Oc é Roumanos. 

tS'en balhara'n toutis un utis facillé per léji, sans trop sousca, 
les escribéns del bésinad, sans Vadujo d'un lati — pía bou pr acó 
fa — mes qu'abén peno a téni dé bonno ma, les qué I' aben jamai sa- 
piud, les qué poden I' abé douplidud — tapia mal apres — despéí la 
primo escolo! Sans sustout aoutromen counéissé la lengo a tasta 
qué per soun cousinatché amé la nostro. 

Peí soul Rouman, ount toutis létrads é poupularis panden fa- 
cilloment mounta, dé Vestudi on Vboun manetch dé nostré paraoulis 
del cado jonn, nous y panden acaurda al tinda d'esprobo sus soun 
tann, é, dé las lengos latinos d'abouéí tira, sinou la letra, tontjoun 
lé sens dé fo qué n'y an escriout les méstrés. 

fiPer co, n'én débots al manbamen Raumanisant. 

^Aquiou (O qué s'en es tirad, atal, al diré Monndi^ dé bercious 
bistas en Ponrtugnes, Castilhany Italién é Catalán d'un cap-d'obro 
de Camóensí», 

E accrescenta depois o obsequiador (em pag. 78) : 

€ Un létrad, énamourad dé V antic: M. Xavier da Cnnha, — dé 
la bibliontéco dé Lisbonno (Pourtngal) — destutan dé V ombro aques 
couplets dé V illnstré Loms dé Camóens, es lé qu' aoujud lé másele 
pensad dé fa jlouréja lé bérbé dé V enspirad cantaírés dé Las Lu- 
siADOs, en un tbouquet paliglotoi^, ount balhara la birado fáito*n 
toutis, gaíré'bé, les parlas d'aro. 

tAcojouts lé titré: «Prctidáo de Amor». 

< 

Aaujen fdit placo, a las pajas 35o a 354 dé soun 

oubrada, a nostré biradis dé paísan, y mandében tant per mercéds 
qué per adésiau a'n sa bélo obro, la pécéto qu* aquion s' ensiéc, pía 
dibuda a sa toco patrioutico. 

9iAmaí /' espért qu' a t antis nous ten al cor d* en besé ségni, entré 
paraoulissés espélids del Ranman, tonf uno loungo-tiro d' escambis^. 



Seguem-se (na pag. 74) os versos do Soneto em lingua- 
gem de Tolosa, e porfím a respectiva ínterpreta^fio Ittteral 
em prosa francéza: 

A Xavier da Ctmha 

Celui quifait revivre en son «Bouqueí Polyffk^e» 

des stances du grand Lxnz úb Camóbs 

—Ayoir pour son pays la folie de Tamour, — dans ses pensen 
les plus intimes, íout ce qu'ü a de grand et de beau; — ne s'énivrer 
que de son miel, — avec gourmandise, la oú sa gloire étale sesfieurs; 

— Monterson renom jusqu'aux plus hautes ^héres — en haussatií 
ton génie de gradin á gradinplus élepé toujours, — dans l'épanouis- 
sement d'un cerveau:—voilá le/aire oü tout Poete travaille. 

— Toi! qui asfaü germer et lever de l'oubli — dans le scintü- 
lement qui íclaire le monde entier — un rayón de Camóens ton com- 
patrióte et maitre. . . 

— Pour de l'obscur le faire ainsi atteindre aux clartés, — deux 
fots poete tufaispreuve d'étre... — puisque tu en as paré laTerre 
entiére en méme temps que ton pays natal. 



VI 



QUELLA segunda estancia das Endechas de Luiz de 
CamSes — «A hüa catiua com que andaua d'amores 
na India, chamada Barbofa» — 



Netn no campo flores, 
Nem no céo estrellas, 
Me parecem bellas 
Como os meus amores. 
Rosto singular! 
Olhos socegados, 
Pretos, e cansados 
Mas n3o de matar! 



aquella segunda estancia, digo eu, tem sido no seu derra- 
deiro verso por duas formas interpretada, formas diametral- 
mente oppostas. 

Intendem uns que os olhos da gentilissima escrava, olhos 
meigos e pretos, olhos meigos e lánguidos, sao na sua meiga 
languidez .... tudo quanto ha de mais doce e mais sereno, 
tudo quanto ha de mais innocente, tudo quanto ha de mais 
infantil e suave: fallecem-lhe por conseguinte, como impro- 
prios, esses fascinantes lampejos, táo habituaes alias na ar- 



802 



dencia dos olhos negros, — esses fascinantes lampejos que 
indoidam de amor. . . . e que matam! 

Por modo inteiramente diverso incaram outros o final 
da estancia camoniana. E querem esses que os olhos pretos 
de Barbara, na sua lánguida meiguice e na sua inebriante 
proyoca9áo, cansados imbora de voluptuosidade, só can- 
sados nao estejam de matar de amores ! 

Presta-se indififerentemente a qualquer d'estes dois sen- 
tidos a analyse grammatical do verso, — e d'aqui os dois 
modos oppostos por que os varios traductores das «Ende- 
chas» verteram nos seus idiomas e dialectos o final d'aquella 
segunda estancia. 

Mas a verdadeira hermenéutica, se me nao ingaifó, dá 
razáo de preferencia aos que nos olhos negros da tentadora 
escrava intenderam alliada com a suavidade meiga dos olhos 
lánguidos a irresistivel seduc^áo dos olhos matadores. 

Sobre este assumpto me incontrei eu em divergencia com 
um dos mais illustres philólogos do nosso paiz, ou, para me- 
Ihor dizer, com o mais illustre de todos elles, entre todos dis- 
tinctissimo pelos seus dotes de poly^otta, pela sua erudÍ9ao 
vastissima, pelo seu fino criterio, e apar d'isso pela sua ca- 
ptivante modestia, pela sua insinuflinte Ihaneza, pelo seu 
nobre carácter táo singelo e táo despretencioso', dififerente 
(diíferentissimo em tudo) de certos charlatáes improados e 
petulantes, e toscos, e grosseiros, que por ahi a cada canto 
arrotam impudentes sabedoria . . . . e asquerosidade. 

Ora intende este erudito, a quem me refiro, que «os olhos 
da captiva eram pretos, socegados, lánguidos, e nao provo- 
cavam nem ofifendiam^. Assim m'o asseverava elle em urna 
de suas cartas por textuaes palavras. 



I Cóm taes qualrdades é íkcil adivinhar-lhe o neme, que explícitamente 
aqui nio declaro por xAo melindrál-o. 



8o3 



Respondendo-Ihé, afoitava-me eu a dizer-Ihe: 

cDesculpe-me V. Ex.* se me atrevo a divergir. Entretanto 

Olhos socégados, 
Pretos, e cansados 
Mas nio de matar 

intendi eu sempré como colhos meigos, negros é lánguidos, e em sua 
languidez cansados de volupia, úias nao cailsados dé matar de amo- 
res quem nelles áttente». Será errónea esta ihinha maneirá-de-vér?» 

Similhantes reflexóes prop6rcionaram-me a honra e o 
prazer de nova carta que recebi: 

c Algumas palavras me penhittirá« Tem dúvida V. acerca da 
interpreta9áo que mais convenha aos dois últimos versos da 2.* es- 
trophe da poesia feita á captiva Barbara. 

t A que V. adopta, é qué é a tiiáls obvia, tem a séü favor, nao 
só o rigor grammátical, mas ainda os hábitos do poeta, que nao 
desdenhava as antithesés, do que sSo prova innúmeros passos dos 
Lusiadaá. CáHÉodoi teria poi^ duas signiñca^Ses : á de morttfos e 
a de ihsaciadoÉ. 

4 Contra esta interpreta^áo, pórém, alevanta-se a seguinte 
objeccSo: 

«Olhos sossegados, isto é placidoé, modestos, recaí adoé, sao 
urna prenda que perfeitamenté se compadece com ds outros attri- 
butos que o poeta encarece; como adornando á captiva, ¿/océ^gt/ra, 
leda mamiddo, qué o «st^o» acofnpanha (note-sé bém)^ presettfa se- 
rena; qué a tormenta dráahsá; desharmonizaríatñ pórém estes pre- 
dicados com a qualidade de assasstnos implacaveis, que a butra in- 
terpretadlo vem dar áquelle epitheto attribuido aos olhos d'ella. 

<E esta a consideradlo que me leva a entender cansados como 
um adjectivo sem complememo, no significado de lánguidos, e o 
nao de matar como uma locu^áo adjectival, valendo por brandos, 
áffaveüy clementes, compa^tpos, a qüal está cottipíetamente nos 
usos da iingua. Cf. éstas express6és análogas na fünc^ao grámma- 
tical: mesa de escrever, rosto de encantar, candura de enfeñifar, 



8o4 



impertinencias de aborrecer, está bem de ver, é de temer, carácter de 
antes quebrar que torcer, todas as quaes sao outras tantas locucoes 
adjectivaes, formadas com urna preposi^áo e um verbo no infinitoí. 

A minha ultima carta finalizava assim: 

cV. Ex.* é Mestre, — emtanto que eu. . . . nem apprendiz me 
posso chamar, porque sou meramente um curioso. 

cCom sobeja razáo, pois, me tacharía V. Ex.* de pretencioso 
e petulante, se eu volvesse a insistir no meu ponto. 

cPerante o saber e a auctorizada opiniáo deV. Ex.* declaró- 
me incondicionalmente vencido, posto que nao plenamente conven- 
cido. 

«A mim, queria-me parecer que, em relagio aos 

Olhos socegados, 
Pretos, e cansados 
Mas nio de matar 

para se poder seguir urna interpretadlo diversa da que eu Ibes 
dava, deveria o Cam6es ter posto no derradeiro verso, em vez da 
adversativa mas, urna conjunc^áo copulativa. 

cAquelle mas. . • . pensava eu que estava exactamente justifi- 
cando a minha maneira-de-ver : — olhos socegados (meigos) e can- 
sados (lánguidos), em hannonia com a figura tdo doce e com a le- 
da mansiddo que o si\o acompanha, e com a presenta serena que 
a tormenta amansa, — e apezar de tudo (apezar da figura doce, e da 
leda mansiddo, e da. presen f a serena), apezar de tudo. . . • (por isso 
lá estava o mas adversativo).... incansaveis em matar de amor! 

«Com esta infatigabilidade no matar. ... me parecia inclusiva- 
mente que se harmonizava a assergáo do Poeta no 4.^ verso da 
I.* estancia: 

Aquella captiva, 
Que me tem captivo, 
Porque nella vivo, 
Já nSo qiter gue viva. 

«Mas (tomo a dizer) nao vejaV. Ex.*. com preten^áo a subsis- 
tentes estas minhas reflex6es, e releve-me a ousadia de apresen- 
tál-as. » 



i3 ; 



,.ammai 
.exidades: a 
^aem toda a minha ' : 

^ca persuade-me a indi. í 

voto dos traductores (e sSo elk 
Ihete a grande maioria) que nos ^ 
ram ver uns olhos infatigaveis em n. 

A similhante perplexidade obedecv 
96es com que honrou este livro (de pag. 4 
querido Prospero Peragallo. 

E assim disse elle na primeira das versóes: 

Né del prato tjiori, 
Né del del le stelle 
Mi son cose belle 
Quanto i miei amori. 
Visin singolare, 
Neri occhi, ognor francht 
Da tema, e giá slanchi, 
Ma non di amma^xare! 



■•olitano que 

lente, e a 

oeraíáo 

ete, — 

dam 

na 



E disse elle na segunda: 



/ beijior del prato, 
Degli asiri V incanto. 
Non mi ammalian tanto 
Quanto il Ben amato. 
Speciale ha il visino; 
L' occkio ha ñero, e franco 
Da tema, e un po' stanco, 
Ma non assassino. 



8o6 



Ora acontece que, attentando bem na justa interpre|a9áo 
que Ihe parecen dever dar ao derradeiro verso da estancia, 
o meu estiouivel Peragallo, [á depois de impressas as duas 
versóes, convenceu-se de que a segunda nao correspondia 
rigorosamente ao sentido, á verdadeira inten9ao do texto ca- 
moniano, e pediu-me para, em guisa de errata» Ihe substi- 
tuir a traduzida estancia por esfoqtra : 

/ beijior del prato, 
Degli astri I' incanto. 
Non mi ammalian tanto 
Quanto il Ben amato. 
Vi$m smgolar. 
Ñero ha e queio ü guardo 
Che a tutto par tardo 
Meno a affascinar! 




■vil 



IANUEL Rhoidis, — um eruditissimo hermopolitano que 
na república das lettras occupa logar eminente, e a 
quem me dirigi solicitando a sua valiosa coopera^áo 
na colheita de flores para este meu polyglottico ramalhete, — 
Manuel Rhoidis é um d'aquelles vultos a quem mandam 
verdade e Justina que eu niais agradecido me confesse na 
pleiade numerosa de quantos applaudiram, animaram, e au- 
xiliaram a práctica reaíiza^áo da minha idea. 

Inspirado nos principios altruisticos da camaradagem 
litteraria e profissíonal, intendeu este meu obsequiador con- 
frade que álém da traduc^áo em prosa neo-hellenica por elle 
proprio elaborada, e álém da versáo em grego antigo que 
me obteve do seu illustre compatriota G. M. Sakórraphos, 
podaría nao menos ínriquecer as paginas do meu livro, al- 
can^ando-me (como eu Ihe pedirá) a traducido em versos 
romaikos das «Endechas de Camóes á escrava Barbíu'au. 

E neste sentido, para melhor se desobrigar do compro- 
misso, planeen elle um concurso poético, briosamente pro- 
movido e levado a efieito pelo periódico AZTT de Athenas. 

Em 2 de Agosto de 1 89? noticiava esse periódico a im- 
presa em que eu me impenhára de publicar uma edi^áo 
polyglottica das EtJecfuis. 



8o8 



E pouco depois, em seu N.* 98 5, contava-nos o mesmo 
periódico as peripecias do realizado certame, nmn interes- 
santissimo artigo assignado pela inicial A. ^nicial com que 
modestamente se esconde um talentoso escriptor, cujo nome 
ignoro, mas a quem, se alguma vez pela vista acertarem de 
passar-lhe as paginas d'este livro, pe^o muito e muito que ac- 
ceite a cordial expressáo do meu profundo reconhecimento). 

Principia d'esta forma o artigo a que me refiro: 

TO nOIHMA TOT KAM0EN2 

Ek rb ffvTlov rr^ 2 Xvyo{)<no\j rb t'Aorui ¿rfoxiípvíe ¡laywytffiíbv ¿vdia- 
(fifonot. c'Ev AcffffoGúvt, t/fáxfonof tótc, ¿TOipá^ai ti^ riii-hy tcv eOvixc^ 
TTi^ X^i^f^ 7roiy}ToO, AoudoScxou Ki/jioeis» (ft^^oyoutv y^miutov eig t¿ áSóq tw 
f¿ov0c¿uc¿v, huio9ti dnk. ñ^ &>d^$ oOtoO cE¿^ tiAv doú^Yjv, rtrii t¿v v77e¿bú).£Mf i 
lítxÁ fUTAf pi9e&^ €ii TíáaoLi Tai ywcTOL^ ái^cLlcfJi xsá v&áfzi^ ykinaaoL^ xoi 
due>ixTOu^ T^{ úfTjXiou'. 'O 7rpol9Tá|x<vo^ rñ^ €x3^e&)( x. EoSépio^ ii Koüyxa, 
iíCuQwrhi Tfii ¿V At7ao£wiui eOvpcYjí PiSXioWjctjc*, áTreTáOrj ¿I); 7rp¿€ ffuyááeX- 
(fCfy lii T¿y e^úpov tyíc -fiiuréfoq x. Potdviv, (irrüii/ Trop' ouroú va awre^éoiQ ¿i; 



> Nestas palavras do illustre articulista ha um pequenino equivoco a desfa- 
zer. O coordenador do presente livro nÍo teve nunca, nem poderia mesmo ter, 
(pleonastico é dizel-o), preten9ao de alcanzar vertidas em todas as linguas (quer 
antigás, quer modernas) e seus respectivos dialectos (tk -Kéaa^ rk; fn^nan ¿^oía; 
Mt vittWpac ^Xmoüo^ xa} ^ioXijctoüc rnc úfDXtou) as deliciosas Endechas de Camóes «á 
escrava que o escravizou» (Ek m hüknf, 4ítk tov Om^XcMs). Impresa tal, por 
gigantesca, ultrapassa os minguados recursos de um obreiro isolado, e nao sei 
mesmo se para urna Academia poderá qualiñcar-se de tarefa exequivel. 

Entre as 120 composigSes que na minha humilde obscurídade tive a for- 
tuna de colligir, mercé do auxilio com que me obsequiaram as pessoas a quem 
me dirígi, acham-se representadas 78 especies (intrando linguas e dialectos), e 
com similhante resultado me dou por mui contente. Quicá outros, no futuro, 
ampliaráo este peculio; a mim cabem*me o prazer e o orgulho da iniciativa. 

3 Sub-intenda-se «Conservador da Bibliotheca Nacional de Lisboas,— 
cargo em que fui próvido por Decreto de 18 de Novembro de 1886, precedendo 
concurso de provas publicas. 



8(H) 



T¿ c'A^Tii» áv¿^6e va eiip-yi i^v xo^iTépov |ui£Tá^a9iv ú^ eiiyierfoiy 
dYiyi.oxiX'fiv. 'ETTpoxálgGre Jé ítaycJvtafjLiv, ávoiaSiv vá íyjjxoaieúoY] rá; cu7rpooi&>- 
irorépo^ ex túv á7ro9Ta).7ia'0|xévuv, tlccí vi áTToerrecXY} oí/Tá^ ei; AiaaoSorvoc 
|üLe9* áxXf)$ ÚTroáet^c&K tws xacrá nftv Yif¿¡iJ.rnf avrov iTfCTt|xoT¿faí, árro^ icept- 
XY]<p9>) ei^ T¿v irapo^xeuo^ópevov T¿pov ^erá tow oX^ dúo, S^ Oé^t 9¡:ovT¿ffei 
vá exTTÉfA^ ó X. Potdy)^. 

'H izoinaig { ^jió^^ ló CTi)(pü(yia xar e^ox^v e^úec Tnv ifAi^^ tójv 
V€6yrép6)y 'EA^iivow • 

E depois de amavelmente alludir ao alvord9o que deve- 
ria suscitar entre os poetas neo-hellenicos a occasiáo de 
figurarem seus nomes no «álbum lisbonense» (ei; t¿ papOrifzov 
3i£úx&)fxa Tüc AtaaoSwvo^ — assim me faz elle a fineza de benévo- 
lamente qualificar o livro i^Pretidao de amoryyj, passa o arti- 
culista a ponderar que vinte e um concorrentes se apresenta- 
ram no campo do certame, — vinte e um concorrentes, d'entre 
os quaes o jury na sua imparcialidade austera nao admittiu 
mais do que meia-duzia, acabando por extremar, ñas tra- 
duc96es com que esses seis concorreram, táo sómente duas: 

év roinoiq efxoai xal et^ tt)^ dáfw)^ GueaÚTac — íntúq >iyou9cv 

01 eiffrtyn^oíi túv 'noimTVxm 3toiy(>wia¡jJÚnf — TtarrikBov el; Tbv áyma. 'Ex toút&iv 
£V fx¿v 7roiT}|uia ¿év úaSoiiev í/k S'^cv, ¿v ovjocpíoreí irp^; tí £)lay ¿lóri ó /lAcra- 
(ffoavh^ yLtTeykúiVTi^e t¿ icoiy)/jiáTtov toú Káfxoevs et^ JiáiexTOV TO'oxodvixiAv, 
^TaSoXúv a09a(p¿T&)^ t3 tcfóy^a^iiaí tou ¿(0cy&)V(9|ULOu, 14 die7repatG[>o'a|jiev 
ovsu dt9Tay|xoD e2^ t¿v Kaiádov toü xoOíáOoü üq £XTpa)|uiaTixá xac OvYiaiyevyj, 
¿xpaT^íaafxev d* e^ /xdvov, ¿icu^ ¿7ro6á)o>)/xev ouri e¿^ XeTTTO/jLepeaTépav ává/vtí)- 
aiv xal xp(9tv. 

'H ¿^TOJí^ ouTY), vTTsp T^^ ¿TTOía^ disOeaajijiEv 3Xy]v nAv eu9i>veid7)aíav ^xá^ 
xai jjLÍov okáxhfov ¿í^ov ex toC aTTOj^evfxaTtvoú uttvou, pa^ Irecarev, irt dúo elve 
Tá e^Xrivixfic TTOtii^aTa, tí ¿íia vá £7rt;fetp>5a&)0't rb Án 'ASwjv ei^ Aio'O'a- 
Só^a To^etdcov, Jtto)^ exet ÚTroSXr^Ooüv tig n^ TeXeaídtxov xpío'iv tuv e7rt|jieXY2T&)V 
T0¿ Xevx&>|jiaTO^. 'Ex toútuv ié TráXiv ev t¿ ¡xa^lov á^iooúo'ToeTOV, &7rep xac 9á 
f oovT¿0'&)fJiev vá áTUodeí^Ujiev ¿lá toü x. Poidou 7rp¿^ t¿v x. EoSépcov 3í KoúyxjXt 
t3v éTTt^eXrrnftv rñ? eOvix^s ^iSkioH'K'nq tü; Troproya^txris 7rp&)Teuoúay}$. 



Seguem-se no artigo, acompanhadas por con5Ídera<;:des 
críticas, as duas traduc^Óes que em mérito absoluto alcan- 
^aram ficar naquelle concurso approvadas pelo jury (de 
pag. 589 a 596 figurara ellas no presente livro). 

E finaliza o amavel A. por estas palavras as suas re- 
flexóes: 

El; Tív X. Zofípim ii Kovyjfx iiñuneu vi dtrnnjiiti ópurrixü; tí ¡i.f}ai, 
ifsú fuí&n. ^i ii 'EUi; nra ¿vmtív T:eiü xeOüiTifm v' ¿vtiRpoouncuOñ ti^ tí 
ixSiiéunm ipyn. Sai t(í tmv jviKTTMy í^5w votirñ»/ ovj/iuntriBm vi wrc- 



VIH 



I1.GUEM me perguntou, quando eu laborava na coor- 
den^^áo d*estas paginas, se netles nao tencionaría 
mencionar ou estudar urna referencia que no Livro 
das Visitas da Egreja de Sant'Anna constava existir, allusiva 
aos amores de Camdes (em 1573) com a formosa Barbara 
das Endechas. 

Accusava o Livro (dizia-se) um reprehensivo protesto 
da auctoridade ecclesiastica contra liga^óes menos ortho- 
doxas, em que figurava o Poeta d' Os Lusiadas com a incan- 
tadora captiva. 

Sem mesmo conhecer o contexto da referencia que me 
añirmavam existir no Livro, respondi a priori que nSo; que 
nada havia de conunum, nada podia haver, entre similhante 
censura e a Pretidáo de amor, — pois que os requebros de 
Camdes para com a linda escrava tinham sido na India, 
positivamente na India (como claro indicava a rubrica das 
Endechas), únicamente na India (como eu proprio me pro- 
punha demonstrar, e como creio haver demonstrado, no 
decurso d'este meu estudo), nSo podendo pois de modo 
algum relacionar-se com quaesquer aventuras em que a 
censura glerical julgasse dever intervir, quando impenhada 
em moralizar os haírrUtas de Sant'Anna. 



8l2 



Que sim! que sim! (objectavam-me); que a allusáo era 
frizante e evidentíssima! etc. etc. 

Nao me convencerán!, claro está. 

Em todo caso, nao já por descargo de consciencia, mas 
únicamente por mera curiosidade, tratei de ver se punha os 
olhos no famigerado Livro, e . . • . perdi umas horas em pro- 
curál-o. 

Busquei-o no Cartorio Parochial da Freguezia de Nossa 
Senhora da Pena, — e logo ex abrupto me disse o respectivo 
Prior que similhante Livro alli nao existia. 

Quiz depois achál-o na Cámara Patriarchal: tambem 
d'elle me nao deram lá noticia. E agora me cabe indeclinavel 
obriga^áo de agradecer o bondoso acolhimento com que fa- 
vorecen minhas diligencias o Rev. P. Carlos Alberto Martins 
do Regó, — um sacerdote muito intelligente e muito illustrado, 
e muito cortez, que alli desimpenha as fimc^oes de Secretario. 

Occorreu-me emfim que poderla acaso incontrar-se entre 
papéis e documentos que do extincto Mosteiro de Sanf Anna 
foram recentemente para a Secretaria do Ministerio das 
Obras Publicas: baldado ainda impenho meu, que lá nao 
estava o incantado Livro. 

Onde colhél-o entáo? creio ter algures ouvido que o 
Livro anda sonegado por máos particulares. Será fidedigna 
esta asserfáo? nao sei, declaro terminantemente que nao 
sei, nem me compete averiguál-o. 

O que sei é que, já perdida a esperanza de tomar fhi- 
ctiferas as minhas investigares .... pasmei quando vim a 
conhecer os argumentos em que se fundavam aquelles que 
á viva for9a pretendiam trasladar para Lisboa galanteios 
exclusivamente localizaveis no Oriente. 

Foi o Sr. Dr. Theophilo Braga quem obsequiosamente 
me denunciou a nota em que todos se estribavam, quantos 
idea táo abstrusa diligenciavam sustentar. 



8i3 



Em apontamentos manuscriptos que o erudito acadé- 
mico possue, por lettra do fallecido Visconde de Juromenha, 
figura um resumo do que se passou em 1572 na visita á 
Freguezia de Sanf Anna. Entre os parochianos que por seus 
desregrados costumes incorreram naquelle anno em censura, 
cita-se nesse resumo (extracto do que, segundo parece, in- 
controu Juromenha no referido Livro das Visitas) — «Bar- 
bora que vive junto ao adro com huma pessoa que por 
justas causas se nao noméa^. 

Ora vejamos bem: 

Porque o Poeta cortejara na India uma captiva, cha- 
mada «Barbara», 

porque em 1572 sahiu publicado na officina de Anto- 
nio Gon9alves o volume d' Os Lusiadas, 

porque Luiz de Camoes foi, nos derradeiros tempos de 
sua vida, parochiano da Freguezia de Sant'Anna, 

e porque finalmente na Egreja de Sanf Anna foi sepul- 
tado o Épico, 

pode acaso admittir-se que a precipitada leviandade dos 
criticos incontre naquellas vagas expressóes uma referencia 
clara aos amores do Poeta? 

Como se o nome «Barbara» nao fdsse para mulheres 
portuguezas um nome vulgaríssimo naquelle tempo! 

E como se em 1572 nenhum outro motivo, tirante a 
publica9áo d^Os Lusiadas, pudesse representar «justa causa» 
para nao ser nomeada uma pessda que incorréra em censura ! 

Accrescente-se a tudo isto: 

i.° — Que Luiz de Camoes, imbora auctor da grande 
epopéa nacional, era sob todos os pontos-de-vista um des- 
protegido, e, como tal, estava longe de impór-se á indulgen- 
cia dos visitadores ; 

2.® — Que nao se demonstra haver sido, em 1572, pos- 
terior á publica9áo d* Os Lusiadas a visita em Sanf Anna; 



8i4 



3." — Que nao está demonstrado ser «em 1572» nd Fre- 
guezia de Sant'Anna a residencia do Poeta; 

4.° — Que nao pode conjecturar-st exclusivo apanagio 
de Cani6es lograr amores de quanta mulher entáo existísse, 
por nome «Barbara»; 

5° — Que, se os críticos appellam em uhimo recurso 
para a caritativa « Barbara » dos donatiros (como inspiradora 
de amores em Lisboa!), iaí hypothese é perfeítatnente io- 
admissivel, perfeitamente insustentavel; 

6.° — Finalmente, que, mesmo quando fftsse admissivel 
suppOr continuados em Lisboa os amores do Poeta princi- 
piados em Goa com a formosa indiana, a vaga referencia 
do Livro das Visitas ntinca permitttría incabe^ar gratuita- 
mente no Cantor d' Os Lusiadas o acto reprehensivel a que 
nesse Livro se allude. 



IX 



I ARA fechar com chave de oiro as presentes paginas, 
em que os traductores de CamÓes me proporcio- 
naram fragranté ramalhete de flores polychroniicas, 
um «suave mólho» (como diña o Poeta das Endechas) a in- 
cantar-nos a vista e a inebriar-nos o olfacto, — qual riquis- 
simo thuribulo, artísticamente lavrado por Benvenuto Cellini, 
d'onde se evolvesse em azuladas ondula?6es mystico perfume 
de amor, — passarei a transcrever em primoroso remate a 
hespanholiza^áo de dois Sonetos. 

Prende-se com a elab'ora93o d'este livro essa traduc^áo. 
E é o caso que, — manifestando eu amhi^So de inscrever no 
meu florilegio polyglottico, á frente de urna versáo castelhana 
das «Endechas», o aureolado nome da Ex.™ Sn." D. Ma- 
thilde Perry Coronado (a quem transmittiu a Natureza todos 
os sublimados dons por que se recommenda sua illustre máe, 
a Ex.™ Sn." D. Carolina Coronado), — nSo poude acquiescer 
a gentil poetiza (por motivos de melindre que eu profunda- 
mente respeito), nao poude acquiescer ao meu convite; mas, 
querendo honrar-me com a mais significativa prova da sua 
penhorante obsequiosidade, escolheu de proposito dois So- 
netos, entre os de Camóes, para traduzidos m'os offerecer e 
consentir que no meu livro os intercalasse. 



8i6 



Julga-me a gente toda por perdido, 
Vendo-me, táo intregue a meu cuidado. 
Andar sempre dos homens apartado, 
E de humanos commercios esquecido. 

Mas euy que tenho o mundo conhecido, 
E quasi que sobre elle ando dobrado, 
Tenho por baixo, rustico, e inganado, 
Quem nao é com meu mal ingrandecido. 

Vá revolvendo a térra, o mar, e o vento, 
Honras busque e riquezas a outra gente, 
Vencendo ferro, fogo, frío e calma: 

Que eu por amor sómente me contento 
De trazer esculpido eternamente 
Vosso formoso gesto dentro d'alma. 

Juigame todo el mundo por perdido. 
Viéndome tan absorto en mi cuidado 
Andando de las gentes apartado 

Y de humanos comercios retraído. 

• 
Mas yo que tengo al mundo conocido, 

Y casi que sobre él ando doblado, 
Tengo por bajo, rustico, engañado, 
Quien no esté con mi mal engrandecido. 

Revolviendo la tierra, el mar, el viento. 
Honras busque y riquezas otra gente. 
Venciendo hierro. Juego, Jrio y calma: 

Que yo, por amor solo, me contento 
Con tener esculpido eternamente 
Vuestro rostro hermosísimo en el alma. 



8i7 



Se me vem tanta gloría s6 de olhar-te, 
É pena desegual deixar de ver-te; 
Se presumo com obras merecer-te, 
Gran paga de um ingano é desejar-te. 

Se aspiro por quem és a celebrar-te, 
Sei certo por quem sou que hei de offender-te; 
Se mal me quero a mi por bem querer-te, 
Que premio querer posso mais que amar-te ? 

Porque um tSo raro amor nao me soccorre? 
Oh humano thesouro ! oh doce gloría ! 
Ditoso quem á morte por ti corre! 

Sempre escrípta estarás nesta memoria; 
E esta alma vivera, pois por ti morre, 
Porque ao fim da batalha é a victoria. 

Si tanta gloría obtengo con mirarte, 
Es pena sin igual dejar de verte; 
Si presumo con obras merecerte, 
Gran pago de mi engaño es desearte. 

Si quiero por quien eres celebrarte. 
Sé cierto por quien soy que he de ofenderte. 
Si mal me quiero á mi por bien quererte, 
¿Que premio he de querer más que adorarte? 

¿Porque tan grande amor no me dá calma? 
Feli:^, ¡oh humano bien! ¡oh dulce gloria! 
Quien de morír por tí logre la palma. 

Siempre escrita estarás en mi memoria, 
Pues muriendo por tí vivirá el alma. 
Que está al fin de la lucha la victoria. 

5a 



r 



8i8 



O trocadilho do penúltimo verso no segundo Soneto — 
«E esta alma vivera, pois por tí morre» (verso que a insi- 
gne traductora interpretou — Pues muriendo por tí vivirá el 
alma) — suscita-nos instinctiva reminiscencia das «Ende- 
chas» no S.** e no 4."^ verso da primeira estancia 

Aquella captiva 
Que me tem captivo, 
Porque nella pípo, 
Já n¿U} quer que viva. 

Nao seria o Soneto, em vez de consagrado á loira Na- 
thercia (como systematicamente caprícham em sustentar os 
commentadores do Poeta), inspirado antes pelos olhos ne- 
gri-luzentes da trigueirinha Barbara? 

E aqui me despe9o agora de vez, aqui me cerro defini- 
tivamente, saudando inlevado, como quem saúda no azul 
do firmamento as septe refiílgentissimas estrellas em que se 
decompóe a constella^áo do «Carro de David», os nomes 
das septe illustres damas que tanto concorreram para abrí- 
Ihantamento d'este meu livro : 

Alice Moderno 
CoNDEssA DE Arntzen (Josephina Costantini-Arntzen) 

Henriqueta Martin 

Josephina Levi 

Josephina de Zaleska 

M. L. 

e 

D. Mathilde Perry Coronado 

A .estes septe nomes, suaves e límpidos como as septe 
cores de um iris bonan9oso, e harmoniosos como as septe 
cordas áureas de uma lyra, cumpre-me jimtar mais tres:— 



8i9 



os de tres damas, a cujo preito me orgulho de vincular o livro 
da Pretídáo de ama-, Concorreu efficazmente urna d'essas 
tres para que as aptid5es hellenisticas de seu filho (como 
em pag. 282 deixei declarado) pendurassem nesle padráo, 
erguido a «Luiza Barbara», um formoso producto do seu for- 
mosissímo talento, — ao passo que a homonymia das outras 
duas, citada de passagem na Dedicatoria (em pag. v), re- 
presenta para o meu espirito elementos amoravelmente sug- 
gestivos, pois que me inspiram ambas a esperan9a de ser 
favoravetmente acolhida esta publicafSo pela pessoa a quem 
gratissimo a consagro. 

Esses tres nomes (e ao inscrevéi-os cuido sentir no am- 
biente um frémito de azas angelicaes), esses tres nomes ado- 
raveis, desejaria poder insculpU-os em lettras de eterna luz: 

D. María Barbara das Neves Pinhbiro-Ferreira Monteiro 

D. Maru Luiza da Cunha e Meneses Monteiro 

e 

D. Perpetua Augusta de Mello 

DE Carvalho Monteiro 



INDEX-SUMMARIO DAS MATERIAS 



Dedicatoru V 

Paginas preambulares i 

I — Encyclopedismo da lyra camoniana. O que representam na obra 
de Cam6es as Endechas a Barbara €scra»a, Lic^So das Endechas^ 
tal qual se incontra na ^ái(fio-prhiceps das Rhythmas 3 

II — O Márquez de SantiUana e Luiz de Cam6es. A Vaquera de la 
Finofasa. D. Carolina Michaelís de Vasconcellos, D. Manuel Mur- 
guia, e o obscuro coordenador d'este livro 7 

m — habel a peixeira^ Endechas a urna regateira por D. Thomaz de 
Noronha 11 

IV — Una fagaleja e La nu^a gallega^ composi^Ses transcriptas do 
Romancero Castellano i3 

V — A «Luizinha das camoezas». Quem a celebrou em quadras foi 
Antonio SerrSo de Crasto (como inculca o Visconde de Correia- 
Botelho) ou Antonio da Fonseca Soares (como estou inclinado a 
suppdr) ? SerrSo de Crasto e Luiz de Cam5es. Vem a appSllo um 
Soneto de Sá de Miranda. A «Luizinba das camoezas» e o Visconde 
Julio de Castilho 19 

VI — Vilancete de D. JoSo de Meneses a urna escrava, por quem mor- 
ría de amores 29 

VII — Camoes e Ovidio. Barbara e Cypasse. O que José Feliciano de 
Castilho pensava em referencia a estas duas beldades. Transcre- 
vem-se versos de Ovidio, traduzidos por Antonio Feliciano de Cas- 
tilho 3i 

Vin — A «Barbora escrava» de Luiz de Cam6es, e a «mo^a pretesi- 
nha» de Gil Vicente. Approxima9So que d'ellas faz o Dr. Theophilo 
Braga. 33 

IX — O trocadilho e a eschola gongoristica. Luiz de Camóes e o tro- 
cadilho. O trocadilho ñas Redondilhas á escrava Barbara. Transcre- 
vem-se aproposito versos de Santa Thereza de Jesús 35 

X — Quem era a Barbara captiva? Opinilo do Visconde Strangford. 
O que pensam Garrett e Aubertin ácSrca das traduc^oes feitas por 
este litterato. OpiniSo de Manuel de Faria e Sousa relativamente 



822 



á Barbara das Redondilhas. D. Lamberto Gil e o Visconde de Ju- 
romeaba citados aproposito do Soneto V de CamÓes. A Sulamite 
do Cantko das Cánticos, Citam-se versos de Virgilio. Se haverá 
violetas pretas : sSo chamados á tela da discussfio Guerra Junqueiro, 
Theocríto, D. Rapbael Bluteau, D. Luiz de Gongora, e, aproposito 
d*este ultimo, D. García de Salzedo Coronel. Com que ñmdamen- 
tos deve Bluteau ser incluido no pantheon das glorías portuguesas. 
As imposÍ95es da rima, e dois versos de Lope de Vega. Continúa 
o pleito das violetas pretas : depoimentos de Camóes e de Antonio 
Diniz. Uvas pretas e cravos pretos: urna fábula de Babrío e um 
rispetto da Toscana 41 

XI — A religiSo dos cabellos loiros e o fanatismo de Cam6es. Trans- 
crevem-se do Poeta vanos Sonetos, alguns trechos de CangÓes, 
alguns das Éclogas, e termina-se por quatro versos d*Oi Lusiadas 5i 

XII — Ricardo Burton e o enthusiasmo de Camóes pelos cabellos loi- 
ros. Carácter intransigente dos que professam a religiaa do loiro. 
Citarse um verso de Clemente Marot e meio-verso de Torcato 
Tasso. Cantigas portuguesas em desculpa das trígueiras, e can^des 
toscanas no mesmo sentido. A morena de Theocríto, e a morena 
do Cántico dos Cánticos. Phyllis e Galatéa numa das Éclogas de 
Camóes. Chrístovam Suarez de Figueroa e a sua comstante Amari- 
lis. Los cañares de la morena. Voto de Filinto Elysio no pleito das 
trígueiras com as loiras. Gente morena por D. Antonio de Trueba. 
Endechas de anonymo castelhano incontradas por Salva num can- 
cioneiro seiscentista. Morena pelo auctor d*il Musa em ferias. Como 
deve intender-se a cor «trígueira» da Virgem Santissima : é chamado 
para depór como testemunha o auctor do Eva e A»e. A Trigneira 
de Julio Diniz. Comelio Gallo conciliador entre loiras e morenas, 
apezar da sua preferencia pelas loiras : transcrevem-se d'elle ver- 
sos latinos com a traduc9Ío portugueza, e outros sem traduc^So. 
A noite de San'- Joio e as moiras-incantadas : transcrevem-se ver- 
sos de Garrett. A religiSo do paganismo e os phenomenos cósmi- 
cos. A Aurora personificada numa formosa virgem de cabellos loi- 
ros. Por que modo phantasiou Camóes a Aurora e por que modo 
phantasiou as Nereidas. Prova-se com cita96es de Hesiodo e Ho- 
mero que Venus era urna belleza loira 69 

XIII — Se Minerva tinha os olhos azues. O Dr. Henrique Schliemann 
e o seu livro acerca das «Antiguidades Troianas». Excava96es ar- 
cheol(^cas d*este illustre sabio. Suas ideas relativamente ao quali- 
fícativo «fXwixwinc attríbuido por Homero a Minerva. Contrapde-se 
á opinifio do Dr. Schliemann o voto de Max-MuUen Alinerva com 
cabera de coruja, Cybele com cabera de cavallo, e Juno com ca- 
bera de touro 1 Tendencias conciliadoras de Filippe Smith. Protesto 
meu em prol do bom-gósto de Homero. Mostra-se que entre os 
personagens de Homero e os Ídolos de Schliemann ha profundis- 
sima differen9a. Os poemas homerícos e os tabukiros-de-xadrez. 



823 



Transcreve-se da edÍ99o «dos piscos» urna estancia d'Os LusiadaSf 
p6e-se-lhe em confronto a da táiqíio'princeps, e cita-se de Horacio 
um verso da Epístola ad Pisones. Que idea fiazia Homero de Juno 
e de Minerva. Invoca-se a etymologia para a interpreta9ao dos epi- 
thetos foünni e YXflKWttmc. Seria Anacreonte um ignorante da lingua 
grega? Gitam-se d'elle quatro versos, traduzidos em portuguez por 
Castilho, aproposito dos olhos azues de Minerva. Discordancia entre 
as phantasias iconographicas e as fíc9oes poéticas 93 

XIV — Virgilio e a «deusa da formosura». Os cabellos áureos da rainha 
Dido. Venus pintada por CamÓes. O Poeta á*Os Lusiadas e a sua 
paixSo pelos «crespos fios d'oiro». Os cabellos de Venus descríptos 
pelo, auctor d'O Juifo de Pdris. José Ramos-Coelho e os cabellos 
loiros io5 

XV — Helena e Aphrodite, o que ambas symbolizam. Qual sería a cor 
dos cabellos de Helena. Como deve interpretar-se o epitheto de 
«pulchricoma» com que Homero qualiñca a esposa de Menelau. 
Transcreve-se, vertida em francez, urna composi^So poética da 
Romanía (O Sol e a Lúa). Prova-se que é perfeitamente racional a 
religiáo dos cabellos loiros. Mostra-se que ao «loiro» anda vincu- 
lada a no^So do «bello» e do «bom». Os cabellos de Eva, taes quaes 
Milton os phantasiou. Phrynéa ante os Heliastas, e Magdalena aos 
pés de Christa As Grabas, as Furias e as Parcas. Os Anjos e os 
Demonios. Cerra-se o capitulo com palavras de Bluteau 1 1 1 

XVI— Predilec9ao do Visconde Strangford pelas bellezas loiras. 
Transcrevem-se, como elemento |ustifícativo, umas Voltas de Ca- 
moes imitadas por aquelle diplomata. Gonfronta-se (em nota) o 
archi-typo da formosura entre os povos do norte com o archi-typo 
da formosura entre os Gregos. Antonio Diniz da Gruz e Silva e a 
sua paixSo pelos cabellos áureos. Prova-se que ñas mesmas ideas 
commungava o cantor de Marilia. Francisco Rodrigues Lobo e 
as suas «Endechas á pastora loira» 117 

XVII — Os cabellos loiros ñas trovas do nosso cancioneiro popular. 
Mostra-se que no mesmo sentido afínam, tanto as can96es po- 
pulares da Toscana como as da Sicilia, e archiva-se o voto de 
Petrarca 127 

XVIII — Indispensabilidade dos cabellos loiros na idealiza9ao da bel- 
leza feminil. O que as mulheres pensam nesse particular. Qual é 
sobre tal ponto o ideal dos poetas. Preferencia dos Romanos pelas 
mulheres loiras. Mostra-se que Romanas e Judias usavam artificial- 
mente inloirecer o cabello. Vem aproposito um livro do P. JoSo 
Leonardi. Messalina transformada em Lycisca. A Hespanha e os 
cabellos loiros. Gta-se a xácara da Bella Infanta. O que dizem das 
Portuguezas os venezianos Tron e Lippomani. O que pensa a mo- 
derna Grecia relativamente á cor dos cabellos ñas mulheres. 
Transcreve-se, tradiftido em francez pelo Conde de Marcellus, um 
«cántico de nupcias» neo-hellenico i35 



824 



XIX — Consulta-ie Shakespeare, e di-nos elle o seu voto em Soneto 
dedicado a urna beldade nx>rena. Ensina-nos Francisco Víctor Hugo 
a maneira de bem comprehender tal Soneto 141 

XX— Entra em scena o auctor á'O Retrato de Venus. Pretende Garrett, 
escudado em Horacio, inculcar-se-me paladino em prol dos cabellos 
pretos. Demonstro-Ihe, com os propríos textos horádanos, a fiíagfl 
base da sua argumentadlo. Vem outra vez a terreiro, citado pelo 
proprío Garrett, o voto de Petrarca. Resolve-se Garrett a professar 
definitivamente na religiSo dos cabellos loiros. A esposa de Garrett 
e o retrato que d'ella nos deixou Paulo MidosL O poema D. Branca 
e as belleras loiras que nelle se descrevem. Ajusta-se o ideal de 
Garrett com o ideal de Petrarca e o ideal de Cam6es 14! 

XXI — Incompatibilidade entre Camoes e a perversSo do gósto. Ca- 
m5es personificado no galanteador Leonardo d'Oj Lasiadas, Se 
n*Afiica haverá pretas bonitas ? Pronuncio-me nesse ponto ccmtra 
as investiga^des experimentaes. Prova-se que nio podem adaptar- 
se a urna «Venus hottentote» as Endechas de Cam5es. Citam-se 
(em nota) expressóes usadas pelo Poeta ñas Endechas^ e noutros 
versos aproveitadas ou repetidas: transcrevem-se, como justifica- 
tivo documento, O amor-perfeito pelo auctor das Ncites d'odo^ 
dois Sonetos do proprío CamÓes, e um trecho da Écloga Cintra 
por Manuel de Faría e Sousa 147 

XXII — Manuel de Faría e Sousa a transigir coro os carapinhophilos. 
Contradic^Ses que Ihe noto e confusóes que Ihe desfajo. Mostra-se 
que nem os selvagens conhecem o amor, nem a Rainha de Sabá 
era uma preta da Ethiopia. Profundo abysmo que separa das pretas 
d'Afríca as bellezas morenas da familia asiática. Aberra9Óes de Mi- 
chelet no tocante á familia afiícana i53 

XXIII ^ Que influencia podei^o as pretas d'Africa exercer na lyra dos 
poetas. Romance de Cardoso da Costa A uma negra cativa e noá 
presumida. Remoques de Nicolau Tolentíno A uma preta que pre- 
tendía que a obsequiassem. Caetano da Costa Alegre, o cantor á'A 
negra, doidamente apaixonado por uma beldade europea ... 161 

XXrV — Cometa a inquiríalo das testemunhas no tocante á identifica- 
^ao da «Barbara escrava». Figuram no rol (interrogados, commen- 
tados, e alguns d*elles contradictados) o Visconde de Juromenha, 
o Visconde de Chateaubríand, Máximo Formont, Joao Adamson, 
o Bispo D. Francisco Alexandre Lobo, Carlos Magnin, Femando 
Denis, o Visconde de Castilho (Antonio Feliciano de Castilho), José 
María da Costa e Silva (e transcreve-se aproposito a Ckíe X de 
CamÓes), os editores da «Bibliotheca Portugueza*, Augusto Bou- 
cfaot, Gamillo Turles (e transcrevem-se aproposito quatro versos 
á'Os Lusiadas), o Conselheiro José Feliciano de Castilho, Guilherroe 
de La-Landelle, JoSo Chrysostomo Mackonelt, um compilador ano- 
nymo, Femando de Azevedo, Affonso Izard^ D. Manuel Ossorío y 
Beraard e D. Lucio Viñas y Deza, Joaquim Pedro de Oliveira Mar- 



825 



tins, o Dr. Theophilo Braga (e transcrevem-se em nota palavras de 
Faría e Sousa e palavras de Francisco Pyrard), Frederíco Guilher- 
me Cosens, o Dr. Carlos de Reinhardstoettner, Clovis Lamarre, 
Julio Henríque Vemoy de Saint-Georges, Cypríano Jardim, Alfredo 
Carvalhaes, Ricardo Burton (e transcreve-se aproposito urna Satyra 
de auctor anonymo, allusiva (?) aos amores de Camoes com a es- 
crava), Amadeu Tissot, Alberto Pimentel, Raúl de Navery, José 
María Latino Coelho, Aífonso Celso Júnior, Miguel Lemos, D. Luiz 
Vidart, Francisco José Teixeira Bastos, Visconde de Correia-Bote- 
Iho (Camillo Castello-Branco), Ernesto Pires, o Dr. José Affonso 
BoteihO'Andrade, Joaquim de Araujo, Manuel Pinheiro Chagas, 
André Adolpho Daux, Adam M-ski, Adelino das Neves e Mello, An- 
thero de Quental, Guílherme Storck, e Rodolpho Bunge 171 

XXV — Mencíona-se um manuscrípto inédito do Conde de Circourt 
(Adolpho), e, com previa auctorizaglo, copia-se d'elle um trecho 
relativo a Barbara escrava 223 

XXVI — Como ha de, a final de comas, classificar-se ethnologicamente 
a Barbara captiva? Conclui-se que era uma formosa indiana. Opi- 
niio que neste ponto professam quasi todos os traductores das 
Endechas, Opiniao do Conde de Ficalho. O que deve intender-se 
por «negras». OÍ9Smos nesta contenda o proprío CamSes. As bel- 
dades da India cantadas por Bhartriharí. Camoes e as mulheres de 
Goa. Mostra-me o Dr. Carvalho Monteiro um esboceto da Barbara 
escrava, pintado por Lupi 227 

XXVII — Se Camoes poude amar uma formosura c6r-de-bronze. Pro- 
va-se que o variar é um deleite fundamental na lei natural das 
antitheses. Cam5es, apaixonado imbora pela tez morena da Barbara 
escrava, continúa a ser o eterno adorador das bellezas loiras 287 

XXVIII — Luiza Barbara. Chamava-se realmente «Luiza» a Barbara 
das Endechas? Dignam-se tomar a palavra sobre o assumpto o Pro- 
fessor Storck e o Visconde de Juromenha 289 

XXIX — Se, álém de Luiza Barbara, cortejaría Camdes outras Luizas. 
Cita-se a Luiza dos cabellos loiros, e discute-se a enigmática Luiza 
cantada pelo Poeta num Soneto castelhano que se transcreve 241 

XXX — Pergunta-se de quem era escrava a «Barbara captiva». Accen- 
tua-se que foram na India os amores de Camoes com Luiza Bar- 
bara. Prova-se, com os testemunhos de Pedro de Mariz e Diogo 
do Couto, ser inacceitavel a opiniSo de Faría e Sousa relativamente 
ao senhor da escrava. Inclino*me a conjecturar que a escrava Bar- 
bara pertencería ao Govemador da India, Francisco Barreto. Vem 
chamado, aproposito d'esta minha conjectura, o drama de Cypríano 
Jardim. Ciumes e rancores de Francisco Barreto. Explica-se o des- 
terro de Cam5es para Macau. Affonso de Albuquerque e o seu 
inflexivel rígor contra o inamorado Ruy Dias. Commemora o Poeta 
num Soneto o desditoso fím d'este mancebo, e verbera em cinco 
estancias á'Os iMsiadas a crueldade prepotente de Albuquerque. 



836 



InttrpreU9f o verosímil da intencionalidade com que as cinco es- 
tancias alli figuram 243 

XXXI — Satisfac^o que offere^o ás beldades morenas. Demonstra-se 
que morenas e loiras sÍo reciprocamente auxiliares urnas das ou- 
tras. Evocam-se antigos tempos da Eschola Polytechnicau Pinheiro 
Chagas e a sua «proíissio-de-fé» em prol das morenas. Réplica de 
um obscurissimo estudante em prol das loiras. O que pensavamos 
todos acerca do assumpto, eu e os meus condiscípulos. Vem a 
musa popular apoiar-nos, e outrosim nos apoiam versos de Ovidio 
traducidos em portugués por Castilho. O poeta das Manudinas e o 
ñttcinante influxo dos cabellos loiros« Gomo deve tomar-se este 
meu livro? por «Evangelho das loiras» ou por «Evangelho das mo- 
renas»? Ausonio de Cbancel, Amadeu Achard e Carlos Diguet, se- 
ctarios do edectismo. Adolpho Belot e Víctor Hugo. Cita-se Ovidio 
outra vez, e outra vez o seu mais notavel traductor. Rambouillet 
de La Sabltére e a seita do opportunísmo. Nicolau Fernandez de 
Moratin, opportunista amabilisdmo. Castilho e a sua Epístola «Ás 
Portuguezas feías». A opera Rigaietio^ e a zarzuela El Joven Tele* 
maco aSi 

XXXn — As parodias e a interpreta^So do seu alcance intencional 
Cam6es Tartamente explorado pelos parodistas. O Soneto «Alma 
minha gentil» e «As mil e uma parodias» : citam-se aproposito pa- 
lavras do Dr. Botelho-Andrade e de Camíllo CasteUo-Branco. Á 
barba rapada^ parodia por José Bénoliel. Endechas a uma Ingiera 
livre, paraphrase em contraposi^o das «Endechas de Luiz de Ca- 
moes á escrava Barbara» 261 

XXXIII — Offertt com que fui brindado. No Bairro de Sant'AMnOj 
Soneto por Joaquim de Araufo 267 

XXXIV-*-Corre-se finalmente o reposteiro para dar ingresso aos col- 
aboradores do presente livro • 269 

Endechas a Barbara bscrava — Tbxto camoniano b tiiaouc96bs 271 

Suum cuique tuetitr — Requintes de amabilidade, em que se desintra- 
nham para commigo os traductores das Endechas. Cito-lhes os . 
nomes, e cito egualmente os das pessoas que por qualquer modo 
contribuiram para a forma9Ío d*este ramalhete polyglottico. Ar- 
chivam-se crypton3rmos, e commemoram-se fallecimentos. Luiza 
Barbara e as seis damas que Ihe rendem preito na versSo das En- 
dechas, A estreía de um hellenista e uma carta minha ao editor 
d'este livro. Prospero Peragallo e o seu enthusiasmo pelos versos 
de Cam5es. Invoco, applicando-as aos collaboradores da PretídSo 
de amor, palavras do auctor do Guiisian e palavras do auctor d*ils 
Contemplaos 275 

Texto portuguez de Luiz de CamÓes 287 

Traduc^io em dialecto crioulo de Cabo- Verde por Eugenio de Paula 
Tavares 291 

Traduc^So latina pelo Dr. Antonio Lopes dos Santos Valente 295 



827 



TraducfSo gallega por D. Alberto Garda Ferreiro 299 

Traduc9So gallega por D. Manuel Curros y Enriquec 3o3 

Traduc^So em mirandez por Manuel Sardínha 307 

Traduc9&o em asturiano (sub -dialecto de Boal) pelo Dr. D. Bernardo 

Acevedo y Huelves. : 3i i 

Traduc9So em castelhano por D. Lamberto Gil 3i5 

Traducido em castelhano pelo Prof. José Bénoliel 319 

Traduc^ao catalán pelo Cav. Justino Pépratx (Perpignan) 323 

Traduc9áo catalán por D. Joaquim Rubio y Ors (Barcelona) 327 

Traduc93o em valenciano por D. Jeronymo Forteza 33 1 

Traduc9áo em malhorquino por M ••• 335 

Traduc9So em proven9al por Frederico Mistral 339 

Traduc9So em proven9al por Luiz de Sarran-d'Allard 343 

Traduc9So em linguadoc (sub-dialecto de Tolosa) por JoSo Baptista 

Rouquet 347 

Traduc9ao em linguadoc (sub-dialecto de Tolosa) por G. Visner.. . . 35 1 
Traduc93o em linguagem de Forcalquier por Lelo de Berluc-Perús- 

sis 355 

Traduc9So em linguagem de Nimes (cercanías da cidade) por Pedro 

Luiz Tissot 359 

Traduc9ao em cevenol por Femando Chabrier 363 

Traduc9So em linguagem de Montpellier pelo BarSo de Tourtoulon 367 

Traduc93o em linguagem de Quercy por JoSo Baptista Rouquet. ... 371 
Traduc9So em delphinez (sub-dialecto de Grenoble) por Carlos Prud- 

homme Dauphin 375 

Traduc9ao em linguagem de Forez por Pedro Duplay 379 

Traduc9So em linguagem da Gasconha (sub-dialecto de Muret), em 

prosa, por Guilherme Fitte 383 

Traduc9So em linguagem da Gasconha (sub-dialecto de Muret), em 

verso, por Guilherme Fitte 387 

Traduc9So em beamez por Anonymo do Béam 391 

Traduc9So em francez (fragmento) pelo Visconde de Chateaubriand 395 

Traduc9So em francez por Carlos Magnin 399 

Traduc93o em francez pelo Conde de Circourt 4o3 

Traduc9ao em francez por F. A. Celestino Soares 407 

Traduc9So em francez por André CoU de Barre 41 1 

Traduc9So em francez pelo Cav. Thomaz Cannizzaro 41 5 

Traduc9§o em francez pelo Cav. Achilles Millien 419 

Traduc93o em francez pelo Prof. José Bénoliel 423 

Traduc9ao em francez por Alice Moderno 427 

Traduc9So em borgonhez por Filippe Vallée 43i 

Traduc93o em linguagem de Bresse por Claudio Marión 435 

Traduc93o em linguagem da Picardía (cercanías de Amiens) por 

Roberto de Guyencourt 439 

Traduc9So em wallon (dialecto de Liége) pelo Prof. Affonso Le Roy 443 

Traduc93o italiana pelo Cav. Thomaz Cannizzaro 447 



828 



TraducfSo italiana pelo Dr. JoSo Baptisu Cereseto 451 

Traduce italiana por Proaptfo Peragallo 455 

Variantes na venio italiana de Prospero Peragallo 459 

TraducfSo italiana pelo Bach. Cesar Morísani 4/SS 

Tradúcelo italiana pelo Cav. Manuel Portal 469 

Tradúcelo em veneziano pelo Dr. Thaddeu Wiel 473 

TraducfSo em linguagem rustica de Belluno pelo Profl D. Francisco 

Pellegrini 477 

Traduc^So em friulano por Ernesto Colussi 481 

Traduc^So em dalmata pelo Prof. JoSo Cardona 485 

Tradúcelo em istriano pelo Prof. Dr. Antonio Ive 489 

Tradúcelo em bolonhex por N ••• N ••• » 493 

Traducfio em dialecto de Parma pelo Dr. Achules Romani 497 

TraducfSo em perugino pelo Prof. Rogerio Torelli 5oi 

Traduc9So em napolitano por Salvador di Giacomo 5o5 

Tradúcelo em reggiuno (calabrez de Reggio) pelo Bach. Cesar Morí- 
sani 509 

TraducfSo em siciliano pelo Cav. Thomaz Cannizzaro 3i3 

TraducfSo em cagliarítano de Roberto Usai 517 

Tradúcelo em genovez pelo Dr. JoSo Baptbta Cereseto 52 1 

TraducfSo em piemontez por Camillo Varita SiS 

Tradúcelo litteral em milanez por Josephina Levi 529 

Tradúcelo em versos müanezes por Josephina Levi 533 

Tradúcelo bresdana (em prosa) por Pedro Bonetti 537 

Traducfto bresciana (em verso) por Pedro Bonetti 541 

Tradúcelo em romanche (dialecto ladino) pelo Profl Ulríco Grand. . 545 
Traduc^So em romanche (dialecto rhenano) pelo Prof. Jacomo Gas- 
par Muoth de Breil 549 

Traduc9Ío em linguagem valdense das faldas do Jura por Carlos Ce- 
sar Dénéréaz 553 

Traduc98o em romeno por Christo Jorge Curiana 557 

Traduc98o em russo pelo Conselh. Luiz Buinitsky 56i 

Tradúcelo em croata pelo Pro£ Antonio Krüetié 565 

Traduc9áo polaca por Josephina de Zaleska 569 

Traduc^So bohemia por Jaroslau Vrchlicky 573 

Traduc^So em grego por Pedro Augusto de Mello de Carvalho Mon- 

teiro 577 

Traduc9So em grego por G. M. Sakórraphos 58i 

Traduc98o em romaiko por Manuel Rhoidis 585 

Traduc9Ío em romaiko por Diplosklabomenos 589 

Traduc9So em romaiko por Hercules A. Stauros 593 

Traduc98o alleman por M. L 597 

Traduc98o alleman pelo Prof. Guilherme Storck 601 

Traduc9Ío alleman pelo Conselh. Dr. JoSo Fastenrath 6o5 

Traduc9So em flamengo pelo Prof. Achules Ru3rfielaert 609 

Traduc9So em hoUandez por Antonio Winkler Príns 6i3 



829 



Traduc^o ingleza (fragmento) pelo Visconde Strangford 617 

Traduc^áo ingleza por M. L 621 

Traduc9So ingleza (em prosa poética) pelo Bach. Edgardo Prestage 625 

Traduc^So ingleza (em verso) pelo Bach. Edgardo Prestage 629 

Traduc^So ingleza pelo Cav. Roberto Ffrench Duíf 633 

Variantes na traduc9So ingleza do Cav. Roberto Ffrench Duff 637 

Tradttcgio ingleza pelo Rev. Canon Pope, D. D 641 

Variantes na traducgSo ingleza pelo Rev. Canon Pope, D. D 645 

Traduc9áo ingleza por Frederíco Guilherme Driver, M. A 649 

Traduc9ao noruegueza por Josephina Costantini-Amtzen 653 

Traduc9So noruegueza pelo Prof. JoSo Storm 657 

Traduc9So em sueco pelo Prof. JoSo Vising 661 

Traduc9So em sueco pelo Dr. Goran Bjorkman 665 

Traduc93o islandeza pelo Dr. Bjdm M. Ólsen 669 

Traduc9ao armoricana (linguagem bretan do seculo xvi) pelo Prof. 

Emilio Emault 673 

Traduc9So armoricana (dialecto bretSo de Tréguier) por Henríqueta 

Martin 677 

Traduc9ao armoricana (dialecto bretSo de Tréguier) por Adriano 

Raison du Cleuziou 681 

Traduc9áo armoricana (dialecto bretSo de Tréguier) pelo Prof. Emi- 
lio Emault 685 

Traduc9lo armoricana (dialecto bretSo de Vannes) por Anonymo 

de Auray 689 

Traduc9io armoricana (dialecto bretSo de Vannes) por Anonymo do 

Blavet 693 

Traduc9So armoricana (dialecto bretio de Comouailles) por Fran- 
cisco María Luzd 697 

Traduc9So armoricana (dialecto bretSo de Léon) pelo Coronel Al- 
fredo Bourgeois 701 

Traduc9So armoricana (dialecto bretSo de Léon) pelo Dr. Theodoro 

Püven le Sévellec 7o5 

Traduc9ao em galez (velsh) pelo Rev. P. Joao Hugo Jones 709 

Traduc93o em irlandez pelo Rev. P. Ricardo Henebry 713 

Traduc9So em escocez (gaelico) pelo Rev. Alexandre Stewart, D. D. 717 
Traduc9So em manx por Arthur Giiilherme Moore (M. A.) e Gui- 
lherme JoSo Cain 721 

Traduc93o hebraica por Lázaro Goldschmidt 725 

Traduc9So hebraica pelo Prof. José Bénoliel 73i 

Traduc9So em árabe por Ibn-el-Ojelose 737 

Para{>hrase arábica por Ibn-el-Ojelose 741 

Traduc9So em maltez pelo Prof. Eduardo Cachia 749 

Traduc9So em fínlandez pelo Dr. Carlos Krohn 753 

Traduc9So em húngaro pelo Prof. Dr. Hugo de Meltzl Lomnitz 757 

Traduc9ao em bascon9o (dialecto de Labourd) pelo Dr. Martinho 

Guilbeau 761 



83o 



Traduc98o em bascando (dialecto de Gidpuzcoa) por D. José Ignacio 
de Arana 765 

TraducfSo em tamul pelo Pntf. Juliio Vinson 769 

Traducffio em lingua angolense pelo Pn>£ Jcáa Ignacio de Pinho. . . 773 

Traduc^So em guarani pelo Dr. Joio Barbosa Rodrigues 777 

Paginas appendicularbs 781 

I — O que é urna despedida. Hero e Leandro. Julieta e Romeu. A es- 
posa do velho Tobias. Heitor e Andromacha. A «praia das lagri- 
mas». Soneto de Cam6es na sua despedida para a India.'A minha 
convivencia com os coüaboradores d'este Itvro 783 

n — Um Soneto portugués recentemente vertido na lingua italiana 
por José Zuppone-Strani 787 

III— ATe/ Sobborgo di Sant'Anna, versSo italiana de um Soneto por- 
tugués, por Francisco Paulo Pace. Rectifica96es que fu cJ7 Connmem 
Giomale di Padova, e rectifica96es que eu fa^o, rdativamente á 
identificado das duas Barbaras 789 

IV— ilif Faubourg de Sainte-Anne, versSo francesa por Achilles Mil- 
lien 793 

V — Versos meus a Gabriel Sirven (G. Visner), e versos que este me 
dedica. Menciona-se o livro Lé Mesdadis Motatdi, e transcrevem-se 
d*elle alguns trechos 795 

VI— Divergencias de interpreta98o com referencia ao derradetro verso 
da segunda estancia das «Endechas a Barbara escrava*. Discussao 
que sobre este ponto me fax a honra de travar commigo um emi- 
nente philologo. Aproveita-se o ensejo para uma rectificarlo pe- 
dida pelo meu amigo Peragallo 801 

Vn — Manuel Rhoidis e o concurso a que se proceden na Grecia para 
a traduc^So romaika das Eiuf^cAos. Transcrevem-se trechos de um 
artigo publicado no periódico AXIT 807 

Vm — A Barbara das Endechas citada em 1572 no Livro das A^tas 
á Parochia de Sant'Anna?!! I Extranha pergunu que me fasem; 
prompta resposta que dou. Mas onde paira o sobredito Livro? 
Frustradas diligencias minhas para o incontrar. Communica-me o 
Dr. Theophilo Braga apontamentos manuscriptos do Visconde de 
Juromenha, e mais me firmo por elles na opiniio que antecipada- 
mente eu professava 811 

IX — Despe^o-me com dois Sonetos de Cam5es, tradusidos em cas- 
telhano por D. Mathilde Peny Coronado. Reminiscencias que das 
Endechas evoca um verso d'esses dois Sonetos. Deslumbrante con- 
stellaglo de nomes femininos, e benéfico influzo que d'elles recebeu 
a Pretidao de amor. 8i5 



índice onomástico 

DAS PESSOAS E DAS ENTIDADES MYTHOLOGICAS 

NESTE LIVRO CITADAS 



A. A. Danx— -Vid André Adólpho Daux, Alfonso de Albuquerqne— P. 248, 25o. 

A. de Gtagnaud— Pag. 281. Affonso Oelso Jnnior— Pag. 207. 

A. de Lanaitoes — Pag. 199. Affonso Izard— Pag. 19a 

A. das Neves e XeUo— Vid. Adeiino Alfonso Le Roy— Pag. 277, 443, 445. 

das Neves e Mello. Aguilar (Gaspar)— V. Gaspar Águilar. 

Abillo Guerra Jonqnelro— Pag. 44, Alberdl (D. Antonio Ariác)— Vid. An- 

47, 81. ionio Ar^ácy Alberdi (D.). 

Aboim (JoSo de)— Vid. Joáo de Aboim. Alberto (JoSo)— Vid. Joáo Alberto. 

Abrah&o Jaolntho Anqaetil-Dnper- Alberto, o Aftf^yro- Pag. 83. 

ron— Pag. 194. Alberto de Oiroonrt, G>nde de Cir- 
Aoeredo y Hnelves (D. Bernardo)— court— Vid. Conde de Circourt, Al- 
Vid. Bernardo Acevedoy Huelves (D.). berto. 

ÁJC¡hñxá{Am9iáe\i)'-'V. Amadeu Achard. Alberto (Htroia Ferreiro (D.) — Pag. 
Aohilles— Pag. 45, 177, 182, 194, 207. 284, 299, 3oi. 

AobUles XiUien— P. 276, 419, 421, 793. Alberto Xagno— V. Alberto, o Magno. 

Aohilles Romaai— Pag. 276, 497. Alberto Pimentel— Pag. 2o3. 

Aohilles RnyCaUaert— Pag. 276, 609, Albnquerqne (Afíbnso de)— Vid. A/- 

61 1 . fonso de Albuquerfue. 

Aonnba (D. Rodrigo d')— Vid. Rodrigo Aloala-Gallaao (D. Antonio) — Vid.iis- 

da Cunha (D.). tonto Alcala*GíUiano (D.). 

Adán X-sU— Pag. 216. Aleen— Pag. 123. 

Adamastor— Pag. 262. Alegre (Caetano da Costa)— Vid. Cae- 
Adamson (JoSo) — Vid. JoSo Adamson. taño da Costa Alegre. 

Adeiino das Neves e Mello— Pag. 2 16. Alexandre, o Magno-- Pag. 249. 

Admeto— Pag. 65. Alezandre Heronlano— Pag. 139. 

Adolpho Belot — Pag. 256. Alexandre Xagno — ^Vid. Alexandre, o 
Adolpho de Oiroonrt, Conde de Cir- Magno. 

court— Vid. Conde de Circourt, Adol- Alexandre Risos Rangabé— Pag. 93, 

pho. 95. 

Adriaiio Raison dn Olenzion — Pag. Alexandre Stewart— Pag. 277, 717. 

276, 681. Alexandri (Basilio)— Vid. Basilio Ale- 
Alfonso m (D.), Rei de Portugal— Pag. xandri. 

145. Alfredo Bonrgeois — Pag. 277,701,703. 



832 



Alfredo Oampos-— Pag. i6a. Anquetíl-BaperTon (Abrahao Jacin- 

Alfredo OaxraUíaes—Pag. loo, aoi. tho)~Vid. Abrahao Jacintho Anque- 

Alfredo OamelTO—Vid. Alfredo Roque tii-Duperron. 

Gameiro. Ansidei (Vicente)— Y. Vicenie AnsideL 

Alfredo Klog^Pag. 275. Antíiero de Qnental— Pag. 217. 

Alfredo Osoar de Aaeredo Mftjr— Antón Oreapo— Pag. 14. 

Pag. 378. Antonio (Sant*) —Pag. 790, 791. 

Alfredo Boqne Gameiro — Pag. 314. Antonio, o Jau — Pag. 43, 179, 180, 181, 

AlioeXodexno— Pag. 377,437,439,818. 187, 188, 189, 190, 191, 193, 197, 2o5, 

Aligbieri (Dante) — V.Dante Alighieri. 307, 308, 312, 216, 225, 244, 790. 

AUard (Luiz de Sarran-d*) — ^Vid. Luif Antonio, preto calador — Pag. i65. 

de Sarran-d' AUard, Antonio AloalorOaliano p.) — Pag. 1 3. 

Almeida (José Valentim Fialho d*) — Antonio Annetto Oaroana — Pag. 275. 

Vid. José Vaientím Fialho d'Almeida. Antonio Anáo j Alberdi (D.)— Pag. 

Almeida (Nicolau Tolentino de)— A^d. 384. 

Nicolau Tolentino de Almeida. Antonio Angnsto de Oairalho non- 

Almeida (Hrrett (JoSo Baptísta de)— teiro— Pag. v, 333, 375, 383. 

Wí± Visconde de Almeida-Garrett. Antonio das Chavas (Fr.)— Pag. 31, 

Almeida-CHrrett (Visconde de) —Vid. 37. 

Viseonde de Almeida-Garrett. Antonio Diniz da Gnu e SÜTa—Pag. 

AlTOfl ( Joio Eduardo) —V. JoSo Eduar- 48, 1 3 1, 1 33, 1 33. 

do Aives. Antonio Felioiano de Oacrtilbo— Vid. 

Amadea Aohard — Pag. 356, 357. Visconde de Castüho, Antonio. 

Amadeo Tiesot— Pag. 304, 3o5. Antonio da Foneeoa Soares — Pag. 31, 

Amarilis— Pag. 74. 37, 38. Vid. tambem Antonio das Cha- 

Ammon— Pag. 98. gas (Fr.). 

Amor— Pag. i3, 19, 53, 55^ 57, 58, 59, 60, Antonio GkmQalYes— Pag. 100, 8i3. 

63, 63, 66, 67, 68, 106, 107, 118, 119, Antonio Ito — Pag. 377,489,491. 

I30, 123, 125, 126, 147, i63, 166, i83, Antonio Kzüetió — Pag. 277, 365, 567. 

1 84, 1 94, 220, 259. Vid. tambem Cupido, Antonio Lopes dos SantosValente— 

Anaoreonte— Pag. 102, io3, 176, 181. Pag. 284, 395. 

Andrade (José AíTonsoBotelho-)— Vid. Antonio Rambonillet de La Sablié* 

José Affonso Botelho-Andrade. re— Pag. 357. 
Andrade Gorro (JoSo de)— Vid Joáo Antonio Serrfto de Gastro— Vid. An- 
de Andrade Corvo. torno Serrao de Crasto. 
André Adolpho Danx— Pag. 31 5. Antonio Serr&o de Grasto — Pag. 3t, 
André Goll de Barre — Pag. 377, 41 1, 33, 33, 34, 35, 36, 37, 38. 

41 3. Antonio de Sonsa Maoedo — Pag. 83. 

Andromaoha— Pag. 783. Antonio de Tmeba (D.)— Pag. 76, 78. 

Anioeto dos Reís Gton^alTes Vian- Antonio WinUer Prins— Pag. 377, 

na— Pag. 384. 6 1 3, 6 1 5. 

Anna, esposa de Tobías— Pag. 783. ApeUes — Pag. 349. 

Annalia — Pag. 143, 144. Aphrodite— Pag. 91, 93, iii, 113, 130, 

Anonymo de Anray — Pag. 377, 689. 139. Vid. tambem Venus. 

Anonymo do Béam — Pag. 377, 391. Arana (D. José Ignacio de) — ^>^d. José 

Anonymo do Blavet — Pag. 277, 693. Ignacio de Arana (D.). 



833 



Aranda 7 SaniJauL (D. Manuel) — ^Vid. Baptista (S. Joao) —Vid. Jcao Baptísta 

Manuel Aranda y Sanjuan (D.). (S.). 

▲riU) Oohén — Pag. 265, 275. Barfto de Toortoulon — P. 277, 867, 369. 

Araapas— Pag. 249. Barl)ara (Luiza) — ^Vid. Luisfa Barbara» 

Arai\|o (Joaquim de)— Vid. Joaquim de Bajl)ara, captiva>-Vid. Ltitfa Barbara. 

Araujo, Barl)ara, a mulata das esmolas — Pag. 
Argttelles (D. Marcos)— Vid. Mareos 173, 175, 177, 178, 179, 180, 181, 182, 

Arguelles (D.). 186, 187, 188, 189, 190, 191, 192, 198, 

Arlosto (Luiz)— A^id. £faf Ariosto. 197, 198, 204, 2o5, 206, 207, 208, 209, 

Arlatotelea- Pag. 176,. i85, 194, 207. 2i5, 216, 218, 225, 790, 791, 814. 

Armando dn Kesnil — Pag. 179. Barbora (Luiza)— Vid. Luija Barbara. 

Anits6n(Condessa de) — ^Vid. Josephina Barbora» captiva — Pag. 4, 33, 174, 192, 

Costantini-Arntjen, Condessa de Ara- 196, 218, 225, 239, 243, 801. Vid. tam- 

tzen. bem Luifa Barbara e ¿Mi^a Barbara. 

ArntEOn (Josephina Costantini-) — ^Vid. Barbora, a problemática baixrista de 

Josephina Casterntini-Am^en, Con* Sant'Anna — Pag. 81 3. 

dessa de Aratzen. Barbosa Rodrigues (JoSo) — Vid. JaSo 
Artemis— Pag. 99. Barbasa Rodrigues. 

Arthtir Gnllbenne Xoore— Pag. 277, Baronnta (Lou pare)— Pag. 282, 38i. 

72 1 . Baroonta (Pére) — Pag. 282. 

Arzáo y Alberdl (D. Antonio)— Vid. Barre (André Coll de)— Vid. André 

Antonia Ar^ácy Alberdi (D.). Coll de Barre. 

Ataide (D. Catherina de)— Vid. Catke- Barrete (Francisco)— Vid. Francisca 

riña de Ataide (D.). Barreta. 

Athena ou Athene — Pag. 92, 93, 95, 98, Bartholomen Mimianer j Bordoy (D.) 

99, loi, io3. Vid. tambem Minerva. — Pag. 276. 

Aubertln (J. J.)— Vid. /. /. Aubertin. Bartolo— Pag. 14. 

Augusto Bouobot— Pag. 186. Basilio Alezandri— Pag. xi3, 114. 

Augusto Franoisoo Lidvre— Pag. 275. Basilio Augusto Soares da Oosta 
Augusto Laisaé— Pag. 275. Freiré— Pag. i56. 

Augusto Marión — Pag. 276. Bastos (Francisco José Teizeira) — ^Vid. 
Auray (Anonymo de) — Vid. Anonyma Francisca Jasé Teixeira Bastas. 

de Auray. Béam (Anonymo do) — Vid. Anonyma 
Aurora— Pag. 46, 62, 89, 90, 253, 254. da Béam. 

Ausonio de Ghaaoel— Pag. 256, 257. Beatriz Portinari— Pag. 796. 

Azevedo (Feraando de) — ^Vid. Fernán- BeUsa — Pag. 64. 

da de Azevedo. Belot (Adolpho)— Vid. Adalpha Belot. 

Azeredo Leal (Manuel de Mattos) — Bónoliel (José) — V\á. Jasé Bénaliel. 

Vid. Manuel de Mattos Ajeyeda Leal. Benvenuto Oéllini — Pag. 81 5. 

Azevedo May (Alfredo Óscar de) — Berenioe— Pag. 86, 87. 

Vid. Alfreda Osear de Azevedo May. Berluo-Perússis (LeSo de)— Vid. J>io 

de BerluC'Peritssis. 

Babrio — Pag. 49. Bemard (D. Manuel Ossorio y)— Vid. 
Balduino— Pag. 249. Manuel Ossariay Bemard (D.). 

BalsemSo (Visconde de) — Vid. Viscon- Bernardo Aoeredo 7 Huelves (D.) — 
de de Balsemáo. Pag. 277, 3ii, 3i3. 

53 



834 



Bliartrllutfi— Pag. 23i. 

Blgl (Clotilde ToreUi-)— \rid. Chiilde 

Toreiii'Bigi. 
Blgl (Gerardo;— Vid. Gerardo Bigi. 
Blspo de Vlzau, D. Francisco Alexan* 

dre Lobo— Vid. Francisco Alexandre 

Lobo (D.), Bispo de Vizeu. 
BJOrkman (Coran)— Vid. Goran Bjifrk- 

man. 
BJOfkauui (Jorge)— Vid. Goran Ejork- 

man. 
BJOrn X. Ólsen—Vid. Bjom Magnus- 

sen Ólsen, 
BJdm XftgnoBsen ólsen— Pag. 277, 

669, 671. 
Blasoo (D. Eusebio)— Vid. EuseHo 

Blasco (D). 
BlMfé (D. Guiomar de)— Vid. Guiomar 

de Blarfé (D.). 
Blaret (Anonymo do)— Vid. Anoinymo 

do Blavei. 
Bloesoh (Emilio) — ^Vid. Emilio Bloesch. 
Blnteau (D. Raphael)— Vid. Eaphael 

Bluieau (D.). 
Boll]i(GuiIhenne)— Vid. Gmlherme Bo- 
lín, 
BonetU (Pedro)— Vid. Pedro Bonetii. 
Bordmllo Plnhedro (Golumbano) — ^Vid. 

Columbano Bordallo Pinheiro. 
Bordallo Pínhelro (Raphael)— Vid. 

Raphael Bordallo Pinheiro, 
Bordoj (D. Bartholomeu Muntaner y) — 

Vid. Bartholomeu Muntaner y Bor» 

doy (D.). 
BoBoan (Jogo)^Vid. Jo3o Boscan. 
Boscfto — Vid. Boscan. 
BoteUio-Andr ade (José Affonso) —Vid. 

José Affonso BotelhO'Andrade. 
Bouohot (Augusto) — ^Vid. Augusto Bou* 

chot. 
Bonrgeolfl (Alfredo) —V. Alfredo Bour* 

geois. 
B07 (Carlos)— Vid. Carlos Boy. 
Braga (Theophilo)— V.7%«o^7o Bra- 

Braaoa (D.)— Pag. 88, 143. 



BxoU (Jacomo Gaspar Muotfa de)— >^d. 

Jacomo Gaspar Muotk de Breü, 
Brígida (Santa)— Pag. 83. 
Brlto OhaTOfl (Henrique Augusto de)^ 

V. Henrique Augusto de Brito Chaires, 
Brossard (José)— Vid. José Brossard. 
Bmxio (Eleutherío Lizio-) — ^Vid. Elem- 

therío Upo-Bruno, 
Biiinlt0kj(Luiz)— Vid. Lui^Bmmtsfy, 
Bunga (Rodolpbo)— V. Roddpko Bun- 

Bortón (Ricardo) — ^V. Ricardo Burton. 

Oaohla (Eduardo)— Vid. Eduardo Ca- 

chia. 
Oaetano da Oosta Alegre — Pag. 169, 

17a 
Oaln (Guilherme JoSo) — ^Vid. Gmlher- 

me JoSo Cain, 
Oalo PUnio — Pag. 46. 
Oalliope— Pag. 35. 
Oandllo Oastello-Branoo» Visconde de 

Correia-Botelho — Pag. 20, 2 1, 24, 26, 

27, 209, 211, 240, 262. 
Gamillo Tnrlee — Pag. 18G. 
OamlUoVarlglia — Pag. 277^ 525,527. 
CamQes (Luiz de) — ^Vid. Imí^ de Ca- 

mSes, 
Gampaape— Pag. 249. 
GampoB (Alfredo) —V. Al/redo Canatos, 
Campos (Hennam de) — ^Vid. Hermam 

de Campos. 
Ctodrela (Jacques) — ^Vid. Jacques Can- 

dreia. 
Oaagavdel (Francisco) — Vid. Francisco 

Cangardel. 
Oanlslo- Pag. 83. 
OannlaBaro (Thomaz) — ^Vid. Thoma^ 

Canmif^aro, 
Canon Pope — Pag. 277, 641, 643, 645. 
Cardona (JoSo)— ^d. Joao Baptísta 

Cardona, 
Cardona (Jólo Baptista) — ^Vid. Joao 

Baptista Cardona. 
OardOBO da Costa (Joao) — ^Vid. Joao 

Cardoso da Costa. 



835 



Garlos, BarSo de Tourtoiüon — Vid, Ba- 

rao de Tourtoulon. 
Garlos, o Co/vo— Pag. 249. 
Garlos All)erto Kartins do Regó— - 

Pag. 812. 
Garlos B07 — Pag. 276. 
Garlos Oastellani— Pag. 276. 
Garlos Cesar Bóndróas — Pag. 277, 

553, 555. 
Garlos Defrémery — Pag. 284. 
Garlos Dlguet — Pag. 256, 257. 
Garlos Gosselin — Pag. 178. 
Garlos Joret—Pag. 276. 
Garlos Krohn — Pag. 277, 753. 
Carlos Linnen — Pag. 5o. 
Carlos Magnln— P. 176, 177,399,401. 
Carlos Padiglione— Pag. 276. 
Carlos Pmdhomine Daupliin'— Pag. 

277» 375, 377. 

Carlos de Relnliardstoettner — Pag. 
198. 

Carolina Coronado (D.)— Pag. 81 5. 

Carolina Miohaélis de Vasoonoellos 
(D.) — Pag. 9, 25, 221. 

Carta (Francisco) —V. Francisco Carta. 

Carthagena (Jo3o de)-*Vid. Joáo de 
Carthagena, 

Camana (Antonio Annetto}— Vid. An- 
tonio Annetto Cantona. 

Carralliaes (Alfredo) — Vid. Alfredo 
Carvaihaes. 

Carvallio Montelro (Antonio Augusto 
de)— Vid. Antonio Augusto de Corva- 
Iho Monteiro, 

Carvalho Montelro (Pedro Augusto de 
Mello de) — Vid. Pedro Augusto de 
Mello de Corvalho Monteiro, 

Carvalho Montelro (D. Perpetua Au- 
gusta de Mello de) — Vid. Perpetua 
Augusta de Mello de Corvalho Mon- 
teiro (D.). 

Gaselli (Jo3o)— Vid. Joao Caselli. 

Gastellanl (Carlos) —-Vid. Carlos Cas- 
tellani. 

Castello-Branoo (Canúllo) — Vid. Ca- 
ntillo Castello-Branco» 



Castillio (Antonio Feliciano de) — ^Vid. 
Visconde de Casiilho, Antonio. 

Castlllio (José Feliciano de) — Vid. José 
Feliciano de Castilho. 

CastlllLO (Julio de) — Vid. Visconde de 
Castilhoy Julio. 

Castro (Antonio SerrSo de) — ^Vid. An- 
tonio Serrao de Castro. 

Castro (Gabriel Pereira de) — Vid. Ga- 
briel Pereira de Castro. 

Castro (D. Ignez de) — Vid. Igneif de 
Castro (D.). 

Cat&o — Pag. 1 35, 144. 

Catharlna — Pag. 210. 

Catharlna de Ataide (D.)— Vid. Ca- 
therina de Ataide (D.). 

Catherina de Ataide (D.) — Pag. 2o5, 
206, 214. 

Cedreno— Pag. 83. 

Celestino Soares (F. A.)— Vid. Fran- 
cisco Adolpho Celestino Soares^ 

Celestino Boares (Francisco Adol- 
pho) — ^Vid. Francisco Adolpho Celes- 
tino Soares. 

Celllni (Benvenuto)— Vid, Benvenuio 
Cellini. 

Celso Júnior (AfFonso) — ^Vid. Affonso 
Celso Júnior. 

Centauro Chiron — Vid. Chiron, cen- 
tauro. 

Cerda (Joao Luiz de La)>-Vid. Jom 
Lmí^ de La Cerda. 

Cereseto (Joáo Baptista)— Vid. JoSo 
Baptista Cereseto. 

Cesar Morisani— Pag. 277, 465, 467, 
509. 

Cliabrler (Femando) — Vid. Femando 
Chobrier. 

Cliagas (Fr. Antonio das) — Vid. Anto- 
nio dos Chagas (Fr.). 

Chagas (Manuel Pinheiro) — Vid. Ma- 
nuel Pinheiro Chagas. 

Chaillu (Paulo du)— Vid. Paulo du 
Chaillu. 

Cbanoel (Ausonio de) — Vid. Ausonio^ 
de Chancel. 



836 



Oharpeatier (Gervasio) —Vid Gervasio 
Charpentier. 

Oliateaabrlaad (Visconde de)— Vid. 
Visconde de Chateaubriand. 

Ohares (Henrique Augusto de Bríto) — 
Vid. Henrique Augusto de Briio Cha- 
ves. 

OMroB, centauro — Pag. 182. 

OI1I06— Pag. 144. 

OhlorlB — Pag. 161. 

Ohrlsto Jorge Out^ana— Pag. 277, 557, 
559. 

OhriBtoTam Snares de Flgaero»— 
Pag. 74. 

Oidila— Pag. 122. 

Oiroonrt (Adolpho de), Conde de Cir- 
court — Vid. Conde de Circourt, Adol- 
pho. 

Oiroonrt (Alberto de), Conde de Cir- 
court — Vid. Conde de Circourt, Al- 
berto. 

Oiroonrt (Conde de), Adolpho — Vid. 
Conde de Circourt, Adolpho. 

Oiroonrt (Conde de), Alberto— Vid. 
Conde de Circourt, Alberto. 

Oirillo Vabnagia— Pag. 277. 

Olara (D.)— Pag. i38. 

Olandio Marión — Pag. 277, 435. 

Olemente Xarot— Pag. 69. 

Olenardo — Pag. 33. 

Olenzion (Adriano Ralson du)— Vid 
Adriano Raison du Qeupou. 

OlotUdeTorelU-Bigi— Pag. 283. 

Olovie I«amarre— Pag. 198. 

Oljlemneetra — Pag. 1 1 1 . 

Ooelho (Joaquim Guilherme Gomes) — 
V. Joaquim Guilherme Gomes Coelho. 

Ooellio (José de Jesús)— Vid. José de 
Jesús Coelho. 

Ooelho (José Mana Latino) — ^Vid. /o5^ 
María Latino Coelho. 

Ooellio (José Ramos-) — ^Vid José Ra- 
nwS'Coelho. 

Oohen (Arao)— Vid. Ar3o Cohén. 

OoU de Barre (André)— Vid André 
Coil de Barre, 



Oolnmbaao Bordallo Pinl&eiro— Pag. 

214. 
Ooínsei (Ernesto)— Vid Ernesto Co- 

iussi. 
Oonde de Oiroonrt, Adolpho — Pag. 

223, 224, 225, 284, 4o3, 405. 
Oonde de Oiroonrt, Alberto — Pag. 224 
Oonde de Fioalho— Pag. 228, 229, 23o. 
Oonde de Flotow (Frederíco Femando 

Adolpho de Flotow) — Pag. 199. 
Oonde de Xaroellns— Pag. 14a 
Oonde de Redondo— Pag. 225. 
Oondeixa (Ernesto Ferreira) — Vid. Er- 
nesto Ferreira Condeixa. 
Oondeesa de Arntasen- Vid.«/oitf,pMiM 

Costantini-Amt^en (Condessa de Am- 

tzen). 
Oonon— Pag. 86, 87. 
Oonze — Pag. 98. 

Oorazzi (David)— Vid. David Cora^p. 
Oorinna — Pag. 3i, 187. 
OomeUo Gallo— Pag. 85, 86, 87. 
Ooronado (D. Carolina) — Vid. Carolina 

Coronado (D.). 
Ooronado (D. Mathilde Peny)— Vid 

Mathiíde Peny Coronado (D.). 
Ooronel (D. Garcia de Sakedo) — ^Vid. 

Garda de Salcedo Coronel (D.). 
Oorreia (Manuel) —Vid. Manuel Cór- 
rela. 
Oorreia-BoteUio (Visconde de)— Vid 

Cantillo Castello-Branco. 
Ooryo (Joao de Andrade) — ^Vid. Joao 

de Andrade Corvo. 
Oorydon — Pag. 73. 
Oosens (Frederico Guilherme) — ^Vid 

Frederíco Guilherme Cosens. 
Oosta (JoSo Cardóse da) — Vid JoSo 

Cardoso da Costa. 
Oosta Alegre (Caetano da) — ^Vid Cae- 

taño da Costa Alegre. 
Oosta Freiré (Basilio Augusto Soares 

da) — ^Vid Basilio Augusto Soares da 

Costa Freiré. 
Oosta e Silva (José María da)— ^^d. 

José Maria da Costa e Silva. 



837 



Ck>BtaxLti2ii*AmtEen(Josephina) ->Vid. Beoimo Jimio Juvenal — Pag. 137. 

Josephina Costantini-Ana^en. Deírémery (Carlos) — Vid. Carlos De- 
Ctoutinlio (Manuel de Macedo Perei- frémery, 

ra) —Vid. Manuel de Macedo Pereira Delio — Pag. 66, 67. 

Coutinho. Dénóréaz (Carlos Cesar) — ^Vid. Carlos 
Oonto (Diogo do) — ^V. Diogo do Couto, Cesar Dénéréa^, 

Oouto (Matheus do)— Vid. Maíheus do Denls (Fernando) — ^V. Femando Denis. 

Couto, Depplng (G. B.)— Vid. Jorge Bernardo 
Orasbeeok (Pedro) — Vid. Pedro Cras- Depping. 

beeck, Depplsg (Jorge Bernardo) —Vid. Jorge 
Orasto (Antonio Serrfio de) — ^Vid. An- Bernardo Depping, 

tomo Serrao de Crasto. Besanles — Pag. 178. 

Orespo (Antón)— Vid. Antón Crespo. Desdemona — Pag. 175. 

Cruz 6 SllTa (Antonio Diniz da)— Vid. Deslandes (Venancio) — ^Vid. Venando 

Antonio Dini^ da Cru^ e Silva. Deslandes. 

Otmlia (D. Rodrigo da) — ^Vid. Rodrigo Deza (D. Lucio Vifias y)— Vid. Ludo 

da Cunha (D.). Viñas y De^a (D.). 

Ooxüía (Xavier da)— Vid. Xavier da Diana — Pag. 112. 

Cunha. Dias (Ruy) — Vid. Ruy Dios. 

Ounha e Keneses Konteiro (D. Ma- Dido— Pag. io5. 

ría Luiza da (—Vid. Maria Lui^a da Bigruet (Carlos) — ^Vid. Carlos Diguet. 

Cunha e Meneses Monteiro (D.). Diniz (Julio)— Vid. Julio Dinij. 

Cupido — Pag. 129. Vid. tambem Amor. Diniz da Oroz e Silva (Antonio) — ^Vid. 
Ourros 7 Enriquez (D. Manuel) — Vid. Antonio Dinij da Cru¡( e Silva. 

Manuel Curros y Enriques^ (D.). Diogo do Oouto — Pag. 178,. 244. 

Ouxüus— Pag. 98. Diogo de Kaoedo— Pag. 148. 

Oufiaaa (Christo Jorge) — ^Vid. Christo Dione — Pag. 112. Vid. tambem Venus, 

Jorge Cufiana. Dionysio (S.)— Pag. 82. 

Oybéie — Pag. 97. Vid. tambem Rhéa. Díobcutos — Pag. 1 12. 

OTpasse — Pag. 3i, 82, 187. Diploáklabomeuoa- Pag. 277, 389. 

PTpriano Jardim — Pag. 199, 200, 247. Diroeu — Pag. i23. 

Oyro — Pag. 249. Diroeu (Marilia de) — ^Vid. Marilia de 
Qytheréa — Pag. 91, 92, io3. Vid, tam- Dirceu. 

bem Venus e Aphrodite. Dirks Harberts (Hermano) —Vid. Her- 

mano Dirks Harberts. 

A. — Pag. 808, 810. Domingas- Pag. i63, i65, 167, 168. 

Damasoeno (S. JoSo) — Vid. Jo3o Da- Domingos Femaades— Pag. 244. 

maseeno (S.). Dora Sohmitz (L.)— Vid. L. Dora 
Dante Alighieri— Pag. 789, 796. Schmitf. 

Daphne— Pag. 119, i36. Drirer (Frederico Guilherme)— Vid. 
DaupliüL (Carlos Prudhomme)— Vid. Frederico Guilherme Driver. 

Carlos Prudhomme Dauphin. Dubeuz (Luiz)— Vid. £t/ff Dubeux. 

Daux (André Adolpho)— Vid. André Du OhaiUu (Paulo)— Vid. Pa«/o du 

Adolpho Daux. Chaillu. 

David- Pag. 194, 818. Du Oleuziou (Adriano Raison)— Vid. 
David Oorazzl— Pag. 21 3. Adriano Raison du Cleu^iou. 



838 



Dnff (Roberto Ffrench) —Vid. Roberto 

F/reneh Duf. 
Da Kesnll (Armando) — ^Vid. Armando 

du Mesni!, 
I>ax>erron ( AbrahSo Jacintho Anquetil-) 

— ^Vid. Abrahao Jacintho AnquetU- 

Duperron. 
DaiftUj (Pedro) ^Vid. Pedro Duplay. 
Dupraz (Luiz)~Vid. Ltiif Dupraf, 
Duque de Kaataa^-Pag. a6o. 
Durlaao — Pag. 64. 
Du-Val (Pedro)— Vid. Pedro DuVai. 

Echo — Pag. 259. 

Edgardo Prestage— Pag. 276, 277,625, 

627, 629, 63 1. 
Edmundo Kalgnien— Pag. 276. 
Eduardo Oaobla — Pag. 277, 749, ySi, 
Eiohthall (Gustavo d')— Vid. Gustavo 

d'EiehthaU. 
Elentherlo Lizlo-Bmno — Pag. 276. 
Elysio (Füinto)--Vid. FUinto Elysio. 
EmlUo Bloeaoli— Pag. 276. 
Emilio Emault — Pag. 277, 673, 675, 

685, 687. 
Eneas — Pag. 45, 92. 
Enriques (D. Manuel Curros y) — ^Vid. 

Manuel Curros y Enrique^ (D.). 
Epiouro — Pag. 172. 
Epiphanio, Presbytero de Constanti* 

nopla — Pag. 83. 
Emault (Emilio) —Vid. Emilio Emault. 
Ernesto Colussi— Pag. 278, 481. 
EmestoFerreiraOondeixa — Pag.214. 
Ernesto Pires — Pag. 211. 
Estaoio (Publio Papinio) — Vid. Publio 

Papinio Estado, 
Esteyes Pereira (Francisco María) — 

Vid. Francisco Maria Esteves Pereira, 
Eugenio Qeloicli— Pag. 276. 
Eugenio de Oolioa(D.)— Pag. i38. 
Eugenio de Paula Tavares— Pag. 278, 

291. 
Eulina — Pag. 124. 
EuseUo Blasoo (D.)— Pag. 260. 
Eva — Pag. 116. 



F. A. Oelestlno Soares — Vid. Fran- 
cisco Adolpho Celestino Soares. 

Faria (Manuel Severim de)— Vid. Ma- 
nuel Severim de Faria. 

Faria e Sonsa (Manuel de) —Vid. Ma- 
nuel de Faria e Sousa. 

Fastenrath (Joio)— Vid. Joao Fasten- 
rath. 

Fauohe (Hippolyto)— Vid. Hippolyto 
Fauche. 

Femandes (Dooiingos) — ^Vid. JDomifi- 
gos Femandes. 

Fernandez de Koratin (Nicolau)— 
Vid. Nicolau Femandej de Moratin, 

Femando de Azeredo— Pag. 189, 190. 

Femando Ohabrier— P. 278, 363, 365 

Femando Denis— Pag. 177, 178. 

Ferreira Oondeiza (Ernesto)— Vid 
Ernesto Ferreira Condeixa. 

Ferreira Xonteiro (D. María Barbara 
das Neves Pinheiro-) — ^Vid. Maria 
Barbara das Neves Pinheiro-Ferreira 
Monteiro (D.). 

Ferreiro (D. Alberto Garcia) — Vid. Al- 
berto Garda Ferrdro (D.). 

FfrenclL Duir (Roberto)— Vid. Roberto 
Ffrench Duff. 

Fialho d'Almeida (José Valentim)— 
Vid. José Valentim Fialho d'Almdda. 

Fioalho (Conde de) — Vid. Conde de 
Ficalho, 

Figueroa(Chrístovam Suarez de) — ^Vid. 
Christovam Suare^ de Ftgueroa, 

Filinto Elysio— Pag. 76. 

Filippa Pereira da Silva (D.)— Pag. 
255. 

Filippe (Pae), preto— Pag. 217. 

Filippe n (D.), Rei de Castella— Pag. 
139. 

Filippe Ghügnard — Pag. 276. 

Filippe Smith— Pag. 94, 98. 

Filippe Vallée^-Pag. 278, 43i. 

Fitte (Guilherme)— V. Guilherme Fitte, 

Flaooo (Quintp Horacio) — Vid. Quinto 
Horado Flacco. 

Flavio Josepho— Pag. i36. 



839 



Flotow (Frederíco Femando Adolpho. 

de), Conde de Flotow— Vid. Conde 

de Flotow, 
Fonseoa Soares (Antonio da) — Vid. 

Antonio da Fonseca Soares. 
Formont (Máximo) — ^Vid. Máximo Fot- 

mont 
Forteasa (D. Jeronymo) — Vid. Jerony- 

mo Fortesfa (D.). 
Fonmier (Ortario) —V. Ortario Four- 

nier. 
Fraaoisoo (Pae), preto— Pag. 164. 
Francisco I, Rei de Fran9a — Pag. 69. 
Francisco Adolpho Celestino Soa- 
res— Pag. 278, 279, 407, 409. 
Francisco Aleixo Kaynler — Pag. 284. 
Francisco Alezandre Lobo (D.), Bispo 

de Vizeu — Pag. 175. 
Francisco Bárrelo — Pag. 246, 247, 

25o. 
Francisco Oangardel— Pag. 276. 
Francisco Oarta — Pag. -276. 
Francisco José Teixelra Bastos— 

Pag. 209. 
Francisco Kannel (D.)— Vid. Fran- 
cisco Manuel de Mello (D.). 
Francisco Manuel de Kello (D.) — 

Pag. 120. 
Francisco Kannel do Kascimento— 

Vid. Ftlimo Elysio. 
Francisco Xaria Esteves Pereira— 

Pag. 276. 
Francisco Maria Lnssel — Pag. 279, 

697,699. 
Francisco Karia Piave — Pag. 260. 
Francisco Paulo Pace— Pag. 789, 790, 

791. 
Francisco PéUegrrini (D.)— Pag. 279, 

477- 
Francisco Petrarca — Pag. i3i, 144, 

146, 214, 232, 789. 
Francisco Pyrard—Pag. 195, 196, 

197. 
Francisco de Queredo Villegas (D.)— 

Pag. 81. 
Francisco RodriguesLobo— Pag. 124. 



Francisco de Sá de Miranda—- Pag. 

24, 25. 

Francisco-Viotor Hugo — Pag. 142. 
Frederico Femando Adolpho de Fio- 

tow, Conde de Flotow — Vid. Conde 

de Flotow. 
Frederico GullhermeOosens — P. 197. 
Frederico OulUierme DriTer— Pag. 

279, 649, 65 1. 
Frederico Elopsto<dc— Pag. 104. 
Frederico Max Muller— Pag. 96, 98. 
Frederico Mistral— Pag. 279, 339,341. 
Freiré (Basilio Augusto Soares da Cos» 

ta) — Vid. Basilio Augusto Soares da 

Costa Freiré. 
Frondoso — Pag. 64. 

G. B. Depping — ^Vid. Jorge Bernardo 
Depping. 

Qt. M. Sakórraphos— Pag. 279, 58i, 583, 
807. 

G. Visner— Pag. 280, 35i, 353, 795, 796, 
797» 79^* ^^^* tambem Gabriel Sirven. 

Gabriel Pereira de Castro— Pag. 89. 

Gabriel Sirven— Pag. 276, 280, 795, 
796. Vid. tambem G. Visner. 

Qagnaud (A. de) — ^Vid. A. de Gagnaud. 

Gtalarza (Garda) — ^V. Garda Galanga. 

Galasio — Pag. 66, 67. 

Galatéa, ou Galatbóa^Pag. 46, 64, 
65, 73. 

Galiano (D.Antonio Alcalá-) — Vid. An- 
tonio AIcala-Galiano (D.). 

Gallo (Coraelio) — Vid. Comelio Gallo. 

Gama (Vasco da) —Vid. Vasco da Gama. 

Gameiro (Alfredo)— Vid. Al/redo Ro- 
que Gameiro. 

G«meiro (Alfredo Roque)— Vid. Alfre- 
do Roque Gameiro. 

Garda Ferreiro (D. Alberto)— Vid. 
Alberto Garda Ferreiro (D.). 

Gfiroia Galarza— Pag. 83. 

Garcia da Horta— V. Garda da Orta. 

Garda de Mello — Pag. 254, 255. 

Garcia da Orta — Pag. 228. 

Gt^m)ia de Besende— Pag. 29, 3o. 



840 



Oaroia de Salaedo Ckmmel p.)^ Chiniiftoninet — Pag. 280. 

Pag. 46. GulUiemie BoUn— Pag. 276. 

(Hkrrett (Joao Baptista de Almeida)— Quilherme Tltte— Pag. 280, 383, 385, 

Vid. Visconde de Aimeida-Garreti. 387, 389. 

Oarrett (Visconde de Almeida-) — Vid. Ouillierme Halm— Pag. 276. 

Visconde de Almeida-Garrett. GuOherme Jo&o Oain — Pag. 280, 721. 

Q%xj (Justino) —Vid. Justino Gary, Guilherme deLa-Landello— Pag. 188. 

Gtaspar Aguilar— Pag. 81. Qhülherme SliAkospeare— Pag. 141, 

Oaspar José Xontelro— Pag. v. 142. 

Qeloidh (Eugenio)— Vid. Eugenio Gd- Qnilherme Storok— Pag. 2x8, 219, 220, 

ckK 221, 222, 239, 284, 601, 6o3. 

Oenola— Pag. 86, 87. Quiomar de Blasfé (D.)~Pag. 225. 

Gerardo Blgl— Pag. 283. OnataTO d'Elóhtball—Pag. 159. 

Qenraaio Oharpentier — Pag. 176. Qnyenoonrt (Roberto de) — Vid. Ro- 

GMaoomo (Salvador di) ->Vid. Salvador berto de Gt^encourt. 

di Giacomo, 

Qil (D. Lamberto)— Vid Lamberto Gil Halm(Guiiherme)-V.Gia7ft«rm«¿fdbi. 

(D.). Hart)ert8 (Hermano Dirks) —Vid. Her- 

Qil Vioente— Pag. 33. mano Dirks Harberts. 

Olanoesie— Pag. 124. Heitor —Pag. 783. 

GcBthe ( JoSo Wol%ango de) — Vid. JoJo Helena, a celebre formosura da Gre- 

Wói/gango de Goethe. cia — Pag. 1 1 1, 1 12, 1 13, 1 14, 1 15. 

Qoldsolimidt (Lázaro) — Vid. La jaro Helena» creadlo romántica de Adolpho 

Goldschmidt Belot~Pag. 256. 

Gtomea Ck>eUio (Joaquim Guilhenne) — Benébry (Ricardo)— Vid. Ricardo He- 

V. Joaquim Guilherme Gomes Coelho, nebry, 

GonoalTee (Antonio)— Vid. Antonio Henrlque Augusto de Brito Cha- 

Gonfaives. ves — Pag. 276. 

Gton^alTOfl (S. Pero)— Vid. Pero Gon- Henriqae Miáhél— Pag. 276. 

^alves (S.). Henriqae Soliliemajm— Pag. 93, 94, 

GK>n9alTea Vianna (Aniceto dos Réis) 95, 96, 97, 98, 99, 101, 102. 

— Vid. Aniceto dos Reis Gonfalves Henriqneta ICclrtln — Pag. 280, 677, 

Vianna. 679, 818. 

Gkmgora (D. Luis de) — Vid. Luij de Heroolano (Alexandre) — ^Vid. Alexan- 

Gongora (D.). dre Hercuiano. 

Oonzaga (Thomas Antonio)— V. 7%o- Heronlefl A. Stanros- Pag. 280, 593. 

mtff Antonio Gonjaga. Hermam de Oampos— Pag. 29. 

GH^an BJórkman— Pag. 280, 665. Hermano Dirks Harberts — Pag. 276. 

Oosselin (Carlos) — V. Carlos Gossélin. Hermia— Pag. i85. 

Qraiid (Ulríco) —Vid. Ulrieo Grand. Hero —Pag. 783. 

Ghierra Jnnqoeiro (Abilio) —Vid. Ahi- Hesiodo— Pag. 91, 92, 93. 

lio Guerra Junqueiro. Hippoljto Fauohe— Pag. 23 1. 

GKügnard (Filippe) — Vid Filippe Gui- Homero — Pag. 45, 92, 93, 94, 95, 96, 97, 

gnard. 98, 99, loi, 102, io3, 111,1 12. 

Qnilbean (Martinho)— Vid. Martinho Horacio Flaooo( Quinto) — VidQiaNto 

Guilbeau. Horacio Fíacoo. 



841 



Hbrta(Garciada)— V. Gorda ^Aorlo. JoSo de Andrade Ck>rro — Pag. 278. 

Hortft (José María da Ponte e)— Vid. JoSoBaptlsta (S.)— Pag. 88. 

José María da Ponte e Horta. JoSo Baptista de Almeida Oarrett — 
Huelvefl (D. Bernardo Acevedo y)— Vid. Visconde de Aimeida-Garrett, 

Wiá. Bernardo AcevedoyHuelvesiD,). JoSo Baptista Cardona — Pag. 280, 
Hugo (Francisco- Víctor) — ^Vid. Fran* 485. 

dscO'Victor Hugo. Jofto Baptista Oereseto — Pag. 280, 
Hn^ (Víctor) — Vid. Victor Hugo. 45 1, 52 1. 

Hugo de Xeltzl Lomnits—Pag. 280^ Jofto Baptista José Millié— Pag. 176. 

757. Jofto Baptista Rouquet— Pag. 280, 

347, 349, 371, 373. 

Ibn-el-Ojelose — Pag. 280, 737, 741. Jofto Barbosa Rodrigues— Pag. 280, 
Ignaoio (Santo) — Pag. 82. 777. 

Ignez de Oastro (D.) — Pag. 262. Jofto Bosoan— Pag. 232. 

Iñigo López de Mendoza (D.), Mar- Jofto Oardoxia — ^Vid. JoSo BapUsta 



quez de Santillana— Vid. Marqueif de Cardona. 

Santulona. Jofto Oardoso da Oosta—Pag. 161. 

Iris— Pag. 257. Jofto de Oarthagena— Pag. 83. 

Isabel, a peixeíra — Pag. 11, 12. Jofto Oaselli — Pag. i33. 

Isabel de Aragfto— Pag. 77. Jofto Oesario de Laoerda— Pag. 276^ 
Ito (Antonio) — Vid. Antonio he. 278. 

Izard (Affonso)— Vid. Affonso Iiford. Jofto Olirysostomo Kaokonelt— Pag. 

189. 

J. J. Anbertin— Pag. 42. Jofto Damasoeno (S.)— Pag. 83. 

Jacomo Gaspar Xnoth de Breil — Jofto Eduardo Alvos — Pag. igS. 

Pag. 280, 549, 55 1. Jofto Fastenrath — Pag. 280, 6o5, 607. 

Jaoqnes Oftndrela— Pag. 276. Jofto Hngo Jones— Pag. 280» 709, 711. 

Jallos (JoSo María) —Vid. Jo3o María Jofto Ignaoio de Pinho — Pag. 280, 773. 

Jalies. Jofto Leonardl— Pag. i36, 137. 

Jardim (Cypriano)^ Pag. 199. Jofto Lnii de La Oerda — Pag. 46. 

Jaroslan VnOiliokj^— Pag. 280, 573. Jofto Lniz Rodzlgnes Trigoeiros— 
Jan (Antonio) — ^Víd. Antonio^ o Jau. Pag. 188. 

Jayadeva— Pag. 23i. Jofto Maria Jallos— Pag. 276. 

Jeronymo Forteza (D.)— Pag. 280, 33 1, Jofto de Keneses (D.)— Pag. 29, 3o. 

333. Jofto XUton— Pag. 104, 1 16. 

Jesns (Santa Thereza de)— Vid. The» Jofto Storm— Pag. 280, 657, 659. 

re¡fa de Jesús (Santa). Jofto Taylor- Pag. 276. 

Josas Coellio (José de)— Vid. José de Jofto Tedesdhi — Pag. 278. 

Jesús Coelho. Jofto Vising — Pag. 276, 280, 661 ^ 663. 

Jimena — Pag. 77. Jofto Wolíigango de Gkethe — Pag. ni. 

Joanna, nome indevidamente attribuido Joaqnim de Ara^jo — Pag. 9, 212, 224, 

a Luiza Barbara — Pag. 41. 267, 276, 787, 789, 791, 793. 

Jofto (Preste) — ^Vid. Preste JoSo. JoaqnimGhiiDienneGknnes Ooellio — 
Jofto de Aboim— Pag. 212. Pag. 84. 

Jofto Adamson— Pag. 175. Joaqnim Pedro de OUveira Xar- 
Jofto Alberto— Pag. 164. tins— Pag. 191. 



84^ 



JoftqiiiBi BuUó 7 Om (D.)— Pig. i8<s JoiMpUna de Zalaak»— Pag. a8i, 569, 

327. 818. 

JoBAtluui Bwiíl — Pag. 182. Joeepho (Flavio) —Vid. FUnño Josepho. 

Joñas (Joio Hugo) — Vid Jo&o Hugo Jové — Pag. 99, toa, iii, i3aVid. tam- 

Joñes. bem Júpiter. 

Joppi (Vicente)— ^^d. Vicente Joppi, Jvditha — Pag. 249. 

Joret (Carlos)— Vid Caríoi Jcret. JnliSo Vinson— Pag. 381, 769. 

Jorge Bernardo Depping— Pag. 13,74. Julieta— Pag. 783. 

Jorge BJOtknia&— Vid. Gikrcm BjMí- Julio de Oaetllko— Vid. Viscande de 

man, Castilho, Julio. 

José AflbneoBoteUio-iJidrade— Pag. Julio Oesar Xaohado— Pag. 214. 

212, 262. Julio Dlnis — Pag. 84. 

José Alexandre Teizeira de Mello— JuUo Henrique Yemoy de Saint- 
Pag. 276. Qeorgee — Pag. 199. 

José BénoUél^Pag. 263, 280, 319, 32i, Julio Kiohelet— Pag. i58, i6a 

423, 425, 73 1 . JuUo Petit— Pag. 276. 

Joeé Broeeard — Pag. 276. Juno — Pag. 92, 97, loi, 102, 107, 112. 

José Daarte Ra»aIho Ortigio — Pag. Junqneiro ( Abilio Guerra) —Vid. AMlio 

2 1 3. Guerra Junqueiro. 

Joeé SUae liooio Bnerpereí (P')^ Jnpiter— Pag. 92,100,102,105,113. Vid. 

Pag. 276. tambem Jove» 

JoaéreUeiaaodeOastillio— Pag.3i, Jnmmenha (Visoonde de)— Vid Hf- 

187. conde de Juromenka. 

José Ignaolo de Arana (D.) —Pag. 281, Justino Qp^rj —Pag. 276. 

765, 767. Justino Pépratz— Pag. 281, 323, 325. 

José de Jesús Ooelho— Pag. 278. JuTenal (Décimo Junio)— Vid Décimo 
José louaarque de Novoa (D.) — Pag. Junio Juvena!. 

276. 

José Xarla da Oosta e BilTa— Pag. Kalidaaa— Pag. 232. 

181, 182. Kamala— Pag. 232. 

José Karia Latino Ooelho— Pag. 206, KIng (Alfredo)— Vid Alfredo King. 

278. Klopstook (Frederíco) — ^Vid Frederico 
José Karia da Ponte e Horta— Pag. Klopstock, 

278. JUdhna — Pag. 237. 

José Banios*Ooellio— Pag. 107, 221, Kriletió (Antonio)— Vid. Antonio Kri- 

276. ieti¿. 

José Rogel (D.)— Pag. 260. Krobn (Carlos)— Vid Carlos Krokn. 
JoséTlgri — Pag. 128, 129, 1 32. 

José Valentim Flalho d'Almeida^ L. Dora Bohmits— Pag. 94. 

Pag. 2i3. Laoerda (JoSo Cesarío de)— Vid JoSo 
José Yerdi— Pag. 260. Cesarío de Lxicerda. 

José Zuppone-Btranl— Pag. 787, 789. La Cerda (JoSo Luis de)— Vid. Jcao 
Joseplilna Oostantinl-Amtaen, Con- iMVf de La Cerda. 

dessa de Amtzen — Pag. 277, 653, 818. Lafnste (Pedro) — Vid. Fierre Lafuste. 

Joseplüna Le?i— Pag. 281, 529, 533, Laftiste (Piem)— Vid Fierre Lafuste, 

818. Lagoia— Pag. 169. 



843 



Laimé (Augusto)-^V. Augusto Laisni. Lilia— Pag. 89. 

Lakohmi— Pag. 232. Limosina— Pag. 121. 

lia-Landélle (Guilhenne de) — V. Gui- Linnen (Carlos) — ^Vid. Carlos Linneu. 

Iherme de La-Landelle, Lippomsjii — Pag. iSg. 

Lalla-RooUi— Pag. 235. Liado-Bnmo (Eleutherío)— Vid. Eleu- 
Lamarqae de KoYoa (D. José)— Vid. therio Upo-Bruno. 

José Lamarque de Noyoa (D.). LolK) (D. Francisco Alexandre), Bispo 
Lamarre (Clovis) — V. Clavis Lamarre. de Vizeu— Vid. Francisco Alexandre 
Lamberto Oil (D.)— Pag. 43, 220, 284, £0^0- (D.), Bispo de Vizeu. 

3 1 5, 317. Lobo (Francisco Rodrigues) — V. Fran- 
Landelle (Guilhenne de La-)— V. Gui- cisco Rodrigues Lobo. 

Iherme de La-Landelle. Lonmits (Hugo de Meltsl)^Vid. Hugo 
La Sablióre (Antonio Rambouillet de) de Melt^l Lonutitif. 

—Vid. Antonio Rambouillet de La Sa- Lope de Ve^a— Pag. 47, 81. 

bliére. Lopes dos Santos Valeate (Anto- 
Latino Ooelho (José María)— Vid. José nio)^Vid. Antonio Lopes dos Santos 

Maria Latino Coelho. Valeute. 

Latona— Pag. 1 1 2. Lopes de Mendosa (D. Ifiigo), Marques 
Lanra— Pag. i3i, 146. de Santillana— Vid. Marque^ de Satt" 

Laorente— Pag. 90. tillana. 

Lanzióres (A. de) — ^V. A de Lau^iéres. hora Btrangford— V. Visconde Strang- 
Lázaro Goldsobmidt— Pag. 281, 723, ford. 

727. LoorenQO Steme— Pag. 117. 

Leal (Manuel de Mattos Azevedo) — Vid. Luoas (S.) —Pag. 83. 

Manuel de Mattos Azevedo Leal. Luoiano — Pag. 93. 

Leandro— Pag. 783. Luolo Viñas y Desa (D.)— Pag. 190. 

Lefto de Berlno-Perússis— Pag. 281, Luis (p.\ Rei de Portugal— Pag. 21. 

355, 357. Luis Ariosto— Pag. 789. / 

Lefto Sonlioe— Pag. 276. Lniz Bnisitsky— Pag. 281, 56i, 563. 

Learda — Pag. 66, 67. Luis (de OaaiSes?)— Pag. 194, 202, 204, 
Leda — Pag. 253, 254. 239. 

Lomos (Miguel)— Vid. Miguel Lemas. Lniz de OamSes — Passim. 

Leonardi (Joao)— Vid. JoSo Leonardi. Lniz Dnbeuz — Pag. 176. 

Leonardo— Pag. 147. Lniz Hnpraz— Pag. 276. 

Leonel Modona — Pag. 276. Lniz de QongorsL (D.)— Pag. 46,47,81. 

Leónidas— Pag. 23o. Lniz de Sarraa-d'Allard— Pag. 276, 
Leoniz Pereira (D.)— Pag. 23a 281, 343, 345. 

Leonor— Vid. Lianor. Lniz Vidart p.)^^^* 2^* 

Le R07 (Aífonso)—V. 4^01150 Le Roy. Lniza, a dos cabellos loiros— Pag. 53, 
Le Sérelleo (Theodoro Pilven)— Vid. 241, 242. 

Theodoro Pilven le Séyellec. Lniza, a das camoezas — Vid. Luifinha 
Leto — Pag. 112. das camochas. 

I«evi (Josephina) — Vid. Josephina Levi. Lniza, a captiva — Pag. 239, 24a 

Lianor — Pag. 2 1 5. Lniza» a enigmática do acróstico — Pag. 
Liéyre (Augusto Francisco) — Vid. Au- 241. 

gusto Francisco Liéyre, Ltdza, a negra — Pag. 204, 239. 



844 



Luisa Barbaim^Pocfím. Valgnltn (Edmundo)— Vid. Edmmiáo 

Luisa Barbora — Pag. 192, 194, 195, 198^ Maigmen, 

ai t, ai8, 219. Vid tambem Barbora t Mallea (D. Pedro Salva y) — ^Vid. Pedro 

Lmja Barbara. Salva y Malien (D.). 

Lnlsiiilia das oamoasas— *Pag. 19,20, Kaatiia (Duque de) — Vid. Duque de 

ai, 37, 28. Mantua. 

Liipi (Miguel-Angelo) «-Vid. Miguel- Xarnial (D. Francisco)— Vid. Fnmctsco 

Amgtío Lupi. Mámd de Mello (D.). 

Laso— Pag. 45. Xaaaél Aranda 7 Saa^vaii (D.) —Pag. 

Lvsal (Francisco María)— Vid. Fran- 178.^179. 

dsco María Lu^eL Xanuél Oorreia— Pag. 244. 

Lyoisoa— Pag. 137. Xanuél Onrros y Snriqíies (D.) — Pag. 

I^dla— Pag. 87» 144. 281, 3o3, 3o5. 

Manuel de Faria e Sonsa- Pag. 42, 

]!••«— Pag. 281, 335, 337. 43, 147, i5o, i5i, i52, i53, i54, i55, i56, 

X. Antonio Natta— Vid. Mareo-Anto- 157, 171, 173, 175, 177, 178, 179, 181, 182, 

nio Natta. 186, 190, 192, 193, 198, 206, 220, 225, 

X. L. — Pag. 281, 597, 599, 621, 623, 818. 227, 239, 243, 245. 

X.Ólsen(Bi5m)— Vid.B/2firfcMi^mu5- Xannel de Xaoedo— Vid. Manud de 

sen ólsen. Maeedo Pereira Coutinho. 

Xaoedo (Antonio de Sousa)— Vid. An- Xaanel de Xaoedo Pereira Oonti- 

tonio de Sousa Maeedo. nho-— Pag. 214. 

Xaoedo (Diogo de)— Vid. üio^ Je Afa- Xannel de Xattos Aseredo Leal— 

cedo. Pag. 195. 

Xaoedo (Manuel de)— Vid. Manuel de Xaanel de Xello (D. Francisco)— Vid. 

Maeedo Pereira Coutinho. Francisco Manuel de Mello (D.). 

Xaoedo Peieira Oontlaho (Manuel XannelXnTguia (D.)— Pag. 9, 29. 

de) —Vid. Manuel de Maeedo Pereira Xannel Ossorio j Bemard (D.) — Pag. 

Coutinho. 190. 

Xaoliado (Julio Cetar)— Vid. Julio Ce- Xannel Pinlieiro Ohagas— Pag. 2i3, 

sar Madtado. 214, 25 1. 

Xaokonelt (Joio Chrysostonio)^Vid. Xannel Portal — Pag. 281,469, 471. 

Jo3o Chrysostomo Machonelt. Xaanel BhoüUs- Pag. 276, 281, 585, 

Xa^dala (María de)— Vid. María Mag- 807, 808, 809. 

dalena (Santa). Xaanel Bardinluí— Pag. 281, 307, 309. 

Xagdalena (Santa María)— Vid María Xaanel Sererim de Faria— Pag. 45. 

Magdalena (Santa). Xarfto (PubUo Virgilio)— Vid. Publio 

Xagdalena de Fraaga*— Pag. 69. Virgilio Marao. 

Xagnin (Carlos)— Vid. Carlos Magnin. Xaroia— Pag. 166. 

Xagno (Alberto) —Vid. Alberto, o Ma- Xaroo-Antonio Katta— Pag. 154. 

gno. Xarooe Arguelles (D.) — Pag. 209. 

Xagno (Alexandre)— Vid. Alexandre, Xarflda— Pag. 66, 67. 

o Magno. Xaria n (D.), Rainha de Portugal— 

X ag n n s sen Ólsen (Bjdm) —Vid. Bjlfm Pag. 200. 

Magnussen Ólsen. Xaria Bavbara das Neves Pinlieiro- 

Xagrigo— Pag. 252. Ferreira Xoateiro (D.)— Pag. y, 819. 



845 



Varia Lnlaa da Omüía e JCeneses Xello(AdeliflodasNevese)— Vidiiie- 

Xontelro (D.)-— Pag. v, 819. lino das Ney^s -e Méh, 

icaria de Xagdala— Vid. María Mag- Xeilo (D. Francisco Manuel de)— Vid. 

daiena (Santa). Francisco Manuel de Mello (D.). 

Xaria Xagdalena (Santa)— Pag. 77, Xello (García de)~Vid. Garda de 

78, 116, 129. Mella, 

XariUa deDiroeo— Pag. iiB. Xello (José Alexandre Teixeira de)— 

Marión (Augusto) —Vid. Augusto Ma- V. José Alexandre Teikeira de Mello. 

non. Xello de Oarvalho Xonteiro (Pedro 

Xarion (Claudio) — Vid. Claudio Má- Augusto de) — ^Vid. Pedro Augusto de 

rion. Mello de Carvalho Monteiro. 

Xarlz (Pedro de) —Vid. Pedro de Ma- Xello de Oarralho Xonteiro (D. Per- 

rff. petua Augusta de) — Vid. Perpetua 

Xarot (Qemente) — ^Vid. Clemente Ma- Augusta de. Mello de Carvalho Man- 

rot. teiro (D.). 

Xarqnez de Saatillaaa— Pag. 7, 8, 9, Xéltal LoinxiitB(Hugo de)— Vid.//M^ 

10, 1 1, 29. de Meltfl Lommtif. 

Xarte— Pag. i3o. Xendoza (D. Ifiigo López de), Márquez 

Xartin (Henriqueu)— Vid. Henriqueta de Santillana— Vid. Marque^ de San' 

Martin. tillana. 

Xartinho Qullbeaa— P. 281, 761, 763. Xenelau— Pag. iii. 

Xartine (Joaquim Pedro de Oliveira) — Xeneees (D. Joio de)^Vid. Joao de 

Vid. Joaquim Pedro de Oliveira Mar- Meneses (D.). 

tins. Xenesee Xonteiro (D. Maria Luiza 

Xartina do Regó (Carlos Alberto) — da Cunha e) — Vid. María Luija da 

Vid. Carlos Alberto Martins do Regó, Cunha e Meneses Monteiro (D.). 

Xassip (Mauricio)— V. Maurício Mas- Xesnil (Armando du) — Vid. Armando 

sip. du Mesnil. 

Xatbens do Oonto — Pag. 27. Xessalina — Pag. 137. 

Xathias Pereira da SÜTa— Pag. 11. XlobaSlie de Vasoonoelloe (D. Caro- 

XathUde— Pag. 256. lina) —Vid. Carolina MidutíHis de Vas- 

Xathllde Perxy Ooronado (D.)— Pag. concellos (D.). 

8 1 5, 8 18. Xiohel (Henrique) —Vid. Henríque Mi- 

Xattoe Aaevedo Leal (Manuel de) — cheL 

Vid. Manuel de Mattos Aj^evedo Leal. Xiolielet (Julio) — ^Vid. Julio Michel^t. 

Xanriolo Xassip— Pag. 276, 797. Xidosl (Paulo)— Vid. Paulo Midosi- 

Xaz Xoller (Frederíco)— Vid. Frede- Xiguel Lemos— Pag. 208. 

rico Max Muller. Xignel-Angelo Lnpi — Pag. 233, 233, 

Máximo Formont — Pag. 174, 217, 224. 236, 8o5. 

Xay (Alfredo Osear de Azevedo) — ^Vid. Xilllé (Joao Baptista José)^-Vid. Joáo 

Al/redo Osear de Azevedo May. Baptista José Millié. 

Xaynier (Francisco Aleixo) — V. Fran- XiUien (Achules)— Vid. Achilles Mil- 

cisco Aleixo Maymer. lien. 

Xedóa— Pag. 54. XUton (JoSo)— Vid. Joáo Milton. 

Xello (A. das Neves e) — Vid. Adelina Xinerva — Pag. 92, 93, 94, 95, 96, 97, 

das Neves e Mello. loi, 102, io3, 107. 



846 



^fyfift^^ (Francisco de Sá d€)-*Vid H*«*ll«*« — Pag. s8i, 493, 495. 

Francisco de Sá de Miranda. Naroi0O--Pag. 55, i3o, 259. 

Mistral (Frederíco)— Vid. Frederíco HMto (Publio Ovidio) --Vid. PMio 

Mistral. Ovidio NasSo. 

Kodamo (Alice)--Vid. Alice Moderno. Hasotmento (Francisco Manuel do) — 

Modona (Leonel) —Vid. Leonel Modona. Vid. Filinto Elysio. 

Mo&telro (Antonio Augusto de Carra* Natheroia — Pag. 4, 146, 2o5, 2i3, 214, 

Iho)— Vid Antonio Augusto de Car- 220, 232, 262, 788, 81& 

valho Monteiro, Matta (M. Antonio) —Vid. Marco- Amo- 

Mo&t«iro (Gaspar José)-*-Vid. Gaspar nio Natta. 

José Monteiro. Natta (Marco-Antonio) — ^Vid. Marco- 

Moateiro (D. María Barbara das Neves Amonio NaUa. 

PinheiroFerreira)— Vid. María Bar- Nayery (Raúl de)— Vid. Raúl de Na- 

bara das Neves Piíúieiro-Ferreira very. 

Monteiro (D.). Noras e Mello (A. das) — ^Vid. Adelino 

Monteiro (D. María Luiza da Cunba e das Neves e Mello. 

Meneses)— Vid. María Luifa da Cu- Neres e Mello (Adelino das) — ^Vid. 

nha e Meneses Monteiro (D.). Adelino das Neves e Mello. 

Monteiro (Pedro Augusto de Mello de Neres PinlMlro-Terreira Monteiro 

Carvalho) — ^Vid. Pedro Augusto de (D. María Barbara das)— Vid. María 

Mello de Carvalho Monteiro. Barbara das Neves Pinheiro-Ferreira 

Mdnteiro (D. Perpetua Augusta de Mel* Monteiro (D.). 

lo de Carvalho)— Vid. Perpetua Au- Nioeplioro— Pag. 83. 

gusta de Mello de Carvalho Monteiro Nioolan Fernandez de Moratin — Pag. 

(D.). 258, 259. 

Monteiro (Vicente)— Vid. Vicente Ro- Nloolan Tolentino de Almeida— Pag. 

drígues Monteiro. i63. 

Monteiro (Vicente Rodrigues)— Vid. Nisrooh— Pag. 98. 

Vicente Rodrígues Monteiro. Noronha (D. Thomaz de)— Vid. Tho- 

Moore (Arthur Guilherme)— Vid. Ar- nut{ de Noronha (D.). 

thur Guilherme Moore. NoToa (D. José Lamarque de)— Vid. 

Moore (Thomaz)— Vid. Thcmaf Moore. José Lamarque de Novoa (D.). 
Moratin (Nicolau Fernandez de)— Vid. 

Nicolau Fernandez de Moratin. Oohoa (D. Eugenio de) — ^Vid. Eugenio 

Morisani (Cesar) — V. Cesar Morisam. de Ochoa (D.). 

M-sU (Adam)— Vid. Adam M-ski. QJelose (Ibn-el-)— Vid. Ibn-eUOjélose. 

Mnller (Frederíco Max)— Vid. Fre^mco Oliveira Martina (JoaquimPedrode)— 

Max Midler. V. Joaquim Pedro de Oliveira Martins. 

Mnn^ Park— Pag. i56. Ólsen ÍBjdm M.) — ^Vid. Bj&m Magma- 

Mnntaner 7 Bordoj (D. Bartholo- sen Ólsen. 

meu) — Vid. Bartholomeu Muntaner ólsen (^6m Magnussen) — ^Vid. Bjdm 

y Bordoy (D.). Magnussen Ólsen, 

Mnotli de Breil ( Jacomo Gaspar) —Vid. Ordalbo — Pag. 1 22. 

Jacomo Gaspar Muoth de BreiL Oriana — Pag. 145. 

MnrgQia (D. Manuel) — ^Vid. Manuel Ors (D. Joaquim Rubio y) — Vid. Joa- 

Murguia (D.). quim Rubio y Ors (D.). 



847 



Oíta (Garda da)— Vid. Garda da Oria. Pereira (D. Leoniz)— Vid. Leanij Pe- 

Ortario Fonmier— Pag. 178. reirá (D.). 

OrtlffSo (José Duarte Raníalho)— Vid. Pereira de Castro (Gabriel)— Vid Ga- 

Jasé Duarte Ramalho Ortigáo briel Pereira de Castro, 

Ossorio 7 Bemard (D. Manuel)— Vid. Pereira Oontinlio (Manuel de Mace* 

Manuel Ossorioy Bemard (D.). do)— Vid. Manuel de Macedo Pereira 

OtheUo— Pag. lyS. Coutinko. 

Ovidio Nasfto (PubUo)— Vid. Publio Pereira da SUva (D. Filippa)— Vid. 

Oyidio Nasdo. Filippa Pereira da Silva (D.). 

Orldio Portoffiías— Pag. 254* Pereira da Silva (Mathias)— Vid. Ma- 

' thias Pereira da Silva. 

Pace (Francisco Paulo) — Wiá» Francisco Pero Oongalvee (S.) — Pag. 232. 

Paulo Pace, Perpetua An^sta de Mello de Oar- 
Padiglione (Carlos)— Vid. Carlos Pa- valho Konteiro (D.)— Pag. 28a, 819. 

diglione, Perrot (Victor)— Vid. Vicior Perrot. 

Palemo— Pag. 65. • Peny Coronado (D. Mathilde)— Vid. 

Pallas — Pag. 95. Vid. tambem Minerva, Mathilde Perry Coronado (D.). 

Pantlito — Pag. 249. Pertlssis (LeSo de Berluc-) —Vid. Leao 
P&ris— Pag. 107, 112. de BerluC'PeriiSsis. 

Park (Mungo) —Vid. Mungo Park, Petit (Julio) —Vid. Julio Petit. 

Paula Tavares (Eugenio de) — Vid. Petrarca (Francisco)— Vid. Francisco 

Eugenio de Paula Tarares. Petrarca. 

Paulo dn Chailltt- Pag. i56. Phebo— Pag. 6S^ 67, 89, 112, ii3. 

Paulo Kidosi- Pag. 144* PbrTXiéa — Pag. 116. 

Pedro Augusto de Mello de GarrallLo Phyllis- Pag. 78. 

Monteiro— Pag. 281, 577, 579, 819. PiareTroulet de Saint-Sgrevo— Pag. 
Pedro Bonetti— Pag. 282, 537, 539, 541, 277, 377. 

543. Piave (Francisco María)— Vid. Fran- 
Pedro Orasbeeck — Pag. 244. cisco Maria Piare. 

Pedro Duplay — Pag. 282, 379, 38i. Pierre Lafaste- Pag. 280. 

Pedro Dn-Val— Pag. 196. Pilven le Sévélleo (Theodoro)— Vid. 
Pedro Laíáste— Vid. Pierre Lafuste. Theodoro Pilven le Sévellec 

Pedro Luiz Tissot- Pag. 282, 359, Pimentel (Alberto)— Vid. Alberto Pi- 

36i. mentel. 

Pedro deMariz— Pag. 244. Pinheiro (Columbano Bordallo) — ^Vid. 
Pedro &alT& y Mallen (D.) — Pag. 81. Columbano Bordallo Pinheiro. 

Pedro Troulet de Saint-Egrevo— Vid. Pinheiro (Raphael Bordallo) —Vid. Ra- 

Piare Troulet de Saint-Egrevo. phael Bordallo Pinheiro. 

Pellegrini (D. Francisco)— Vid. Fran- Pinheiro Chagas (Manuel)— Vid. Ma- 

cisco Pellegrini (D.). nuel Pinheiro Chagas, 

Pépratx (Justino)— Vid. Justino Pé- Pinheiro-Ferreira Monteiro (D. Ma- 

pratx, . ría Barbara das Neves) — Vid. Maria 
Peragallo (Prospero)— Vid. Procero Barbara das Neves Pinheiro-Ferreira 

Peragallo. Monteiro (D.). 

Pereira (Francisco María Esteves) — Plnho (Joao Ignacio de) — Vid. Joao 

Vid. Francisco Maria Esteves Pereira. Ignacio de Pinho. 



848 



Plato» de Chiloane — Pag. at6. 
Pires (Ernesto) — Vid. Ernesto Pires. 
Platio de Wazel— Pag. 276. • 
Plinlo (Caio)-V¡d. Cato fímio. 
Poljphemo — Pag. 46. 
Ponte e Horta (José María da)— Vid. 

José Marta da Ponte e Horta. 
Pope (Canon) ^Vid. Canon Pope. 
Portal (Manuel)-* Vid. Manuel Portal. 
Prestage (Edgardo)— Vid. Edgardo 

Prestage. 
Preste Joto— Pag. 154. 
Priamo—Pag. 94. 
Prlapo— Pag. io3. 
Priae (Antonio Winkler)—- Vid. Amu>^ 

nio Winkler Prins. 
Prospero Peragallo— Pag. 176, 283, 

4^^9 4^7) 4^ 461 1 ^^1 So6* 
PaWo Ovidio Nasfto— Pag. t, 3i, 32, 

107, 187, 253, 254, 256, 257. 
PnbUo Paplalo Xstaolo— Pag. 45. 
Pabilo Virgilio Mar&o— Pag. 44, 45, 

46, 86, io5, 106, III. 
Pyrard (Francisco) — Vid. Francisco 

Pjrrard. 
Pyrrha— Pag. 144. 
I^bagoras— Pag. i5i. 

Qnental (Anthero de)— Vid. Anihero 

de Quental. 
QiievedoVlllegas(D. Francisco)— Vid. 

Francisco de Quevedo Villegas (D.). 
Quinto Horaoio Tlaooo— Pag. 44, 46, 

100, i36, 143, 144. 

Ra— Pag. 98. 

Rainlia de Sabá— Pag. 1 56, 157. 

Balsón dn Olenslon (Adriano)— Vid. 
Adriano Raieon du Clettfiou. 

Ramalbo Ortlgio (José Duarte) — Vid. 
José Duarte Ramalho OrHgSo. 

Rambonlllet de La SabUaxe (Anto- 
nio)— Vid. Antonio Ranéomüet de La 
SaUiére. 

Ramos-OoeUio (José)— Vid. José Rae- 
moS'Coelho. 



Raagabé (Alexandre Rizos)— Vid. Ale- 

xandre Rifos Fangal. 
Bapbael Blntean (D.)— Pag. 45, 1 16. 
Raphael Bordallo Pinhelro— Pag. 

214. 
Banl de Nayeiy— Pag. 2o5, 206. 
Bedondo (Conde de)— Vid. Conde de 

Redondo. 
Bego (Carlos Alberto Martins do)— 

Vid. Carlos Alberto Martins do Regó. 
Belnhardstoettner (Carlos de)— Vid 

Carlos de Reinhardstoettner. 
Beis Oongalves Vlaana (Aniceto 

dos) — ^Vid. Aniceto dos Reis Gonfal- 

yes Vianna. 
Besende (Garcia de)— ^^d. Garría de 

Resende. 
Bliéa— Pag. 97. Vid. tambem Cybde. 
Blioídls (Manuel)— \rid. Manuel Rkoh 

dis. 
Bloardo Bnrton — Pag. 69, 201. 
Bioardo Henebry— Pag. 283, 713, 715. 
Blgoletto — Pag. 26a 
BI20S Bangabé (Alexandre)— V. Ale-. 

xandre Ri^os Rangabé. 
Boberto Ftanob Dnff— Pag. 283, 633, 

635, 637. 
Boberto de Onyenoonrt— P. 283, 439. 
Boberto Usal— Pag. 283, 517. 
Bodolpbo Bnnge— Pag. 221, 222. 
Bodrlgo da Oimba (D.)— Pag. 244. 
Bodrigoes (JoSo Barbosa)- Vid. Joao 

Barbosa Rodrigues. 
Bodrlgnes Lobo (Francisco) —V. Fran- 

cisco Rodrigues Lobo. 
Bodrlgnes Montelro (Vicente) —Vid. 

Vicente Rodrigues Monteiro. 
Bodrlgnes Trlgnelros (JoSo Luiz)— 

Vid. JoSo Luif Rodrigues TYiguei- 

ros. 
Bogel (D. José) —Vid. José Rogel (D.). 
BogerloTorelU— Pag. 283, 5oi, 5o3. 
Bomaal (Achules) — Vid. Achules Ro- 

mani. 
Bonen— Pag. 783. 
Bookh (Laüa-)— Vid. Lalla-Roolch. 



849 



Bonquet (JoSo Baptista)— VidL Jáao 

Bapiista Rouquet, 
R07 ( Affonso Le) —Vid. Affomo Le Roy. 
Rabió 7 Ora (D. Joaquina) ~-Vid. Joa- 

quim RMóy Ors (D.). 
BnjDias— Pag. 248. 
Rnjrifélaert (AchiÚes)—- Vid. Achules 

Ruyffelaert, 

Sá de Miranda (Francisco de)— Vid. 

Franeisco de Sá de Miranda, 
Sabét (Rainha de)— Vid. Rainha de 

Sabá. 
Sablidre (Antonio Rambouillet de La) 

— Vid. Antonio Rambouillet de La Sa- 

bliére. 
Sadl— Pag. 284. 
Saint-Egrevo (Pedro Troulet de) — 

Vid. Piare Troulet de Saint-Egrevo, 
Saint-Egreyo (Piare Troulet de) —Vid. 

Piare Troulet Je Saint-Egrevo. 
Saint^Georges (Julio Henríque Veraoy 

de) —Vid. Julio Henrique Vemoy de 

Saint'Georges. 
Sakórraplios (G. M.) —Vid. G. M. Sa- 

kórraphos. 
Salom&o— Pag. i56, iSy, 176, i85, 207. 
Salva (D.Vicente)— Vid. Vicente Salva 

(D.). 
Salvít y Hallen (D. Pedro)— Vid. Pe- 
dro Salva y Afollen (D.). 
Salvador di Qlaoomo— Pag. 284, SoS, 

507. 
Salzedo Ooronel (D. Garcia de) — Vid. 

García de Salcedo Coronel (D.). 
Sasjuan (D. Manuel Aranda y) — Vid. 

Manuel Aranda y Sanjuan (D.). 
Santarem (Visconde de) — ^V. Visconde 

de Santarem. 
Santos Valente (Antonio Lopes dos) — 

Vid. Antonio Lopes dos Santos Valente. 
Sardlnha (Manuel) — Vid. Manuel Sar- 

dinha, 
Sarran-d'Allard (Luiz de) — ^Vid. Lui^ 

de Sarrart'd'Allard. 
Saturnia — Pag. 1 1 2. Vid. tambem Juno. 



Sávltri— Pag. 23 1, 282. 

Sobliemann (Henrique) — ^Vid. Henri- 
que Sckliemann. 

Sclimitz (L. Dora) — ^Vid. L. Dora 
Schmitf. 

Sebaatifto (D.), Rei de Portugal— Pag. 
191. 

Sebastifto (S.)— Pag. 244. 

Serr&o de Castro (Antonio)— Vid. An- 
Antonio SerrSo de Castro. 

Serr&o de Grasto (Antonio) —Vid. An- 
tonio SerrSo de Crasto. 

Sóvelleo (Theodoro Pilven le)— Vid. 
Theodoro Pilven le Sévellec. 

Severim de Faria (Manuel) —Vid. Ma- 
nuel Severím de Faria. 

Shakespeare (Guilherme)— Vid. Gui- 
Ikerme Shakespeare. 

Suva (Antonio Diniz da Cruz e) —Vid. 
Antonio Dini^ da Cruj e Silva. 

Silva (D. Fiüppa Pereira da)— Vid. Fi- 
lippa Pereira da Silva (D.). 

Silva (José María da Costa e) — Vid. 
José María da Costa e Silva. 

Silva (Mathias Pereira da) — Vid. Ma- 
thias Pereira da Silva. 

Sirven (Gabriel)— Vid. Gabríel Sir- 
ven. 

Sita- Pag. 23 1, 232.. 

Smitb (Fiüppe)— Vid. Filippe Smith. 

Soares (Antonio daFonseca) —Vid. An- 
tonio da Fonseca Soares. 

Soares (F. A. Celestino)— Vid. Fran- 
cisco Adolpho Celestino Soares. 

Soares (Francisco Adolpho Celesti- 
no)— Vid. Francisco Adolpho Celes- 
tino Soares. 

Soares da Costa Freiré (Basilio Au- 
gusto)- Vid. Basilio Augusto Soares 
da Costa Freiré. 

Sonlioe (LeSo) —Vid. LeSo Soulice. 

Sonsa (Manuel de Faria e)— Vid. Ma- 
nuel de Faria e Sousa. 

Sonsa Maoedo (Antonio de)— \^d. An- 
tonio de Sousa Macedo. 

Staolo— Vid. Estado. 



85o 



Stanros (Hercules A.)— Vid. Herculet 

Á. Stauros, 
Steme (Louren9o) — ^Vid. Louren^ 

Steme. 
Btewart (AIexandre)"-Vid. Alexcmdre 

Stewart. 
Stortík (Guilhenne)~Vid. Guilkerme 

StoTck, 
Stonn (JoSo)— Vid JoSo Starm, 
Btrangford (Lord)— Vid. Visconáe 

Strangford. 
Strangford (Visconde) — Wi±Visconde 

Strangford, 
Btrani (José Zuppone-) — Vid. José 

Zuppone- Stranu 
Bnares de Figneroa (Chrístovam) — 

Vid. Christcveon Suare^ de Figueroa. 
Bnerperes (D. José Elias Lucio) — ^Vid. 

José Elias Ludo Suerpere^ (D.). 
Bulainite — Pag. 44, 7a, 193. 
Bnlmonense— Pag. 254. Vid. tambem 

PuUio Ovidio Nasáo, 
Swlft (Jonathas)—Vid. Jonaihas Swift, 
SyMo— Pag. 90. 

Tasso (Torcato) —Vid. Toreato Tasso. 

Tarares (Eugenio de Paula) — Vid. Eu- 
genio de Paula Tarares, 

Taylor (JoSo) —Vid. Joáo Taylor. 

Tohaaiira— Pag. a3i. 

TedeBohl (Joao)— Vid. Joáo Tedeschu 

Teizeira Bastos (Francisco José) — 
Vid. Francisco José Teixeira Bastos. 

Teixelra de Mello (José Alexandre) — 
V. José Alexandre Teixeira de Mello. 

Telemaoo — Pag. 26a 

Thadden Wlél — Pag. 284, 473, 475. 

Theoorito— Pag. 44, 45, 47, 72. 

TheodoTO PilTon le Bérelleo — Pag. 
284, 705, 707. 

Theoplillo Braga— Pag. 33, 192, 193, 
195, 196, 200^ 240, 812. 

Thereza de Jesús (Santa) — Pag. 36. 

Thomaz Antonio Gonasaga-^Pag. i23. 

Thomaz Oannlsucaro — Pag. 276, 284, 
415,417,447,449,513. 



Thomas Xoore — Pag. 235. 
Thomaz de Noronha (D.) —Pag. 11. 
Tiool (Torello)— Vid. Tordlo Ticd, 
Tiolaiio Veoellio— Pag. 83. 
Tigri (José)— Vid. José Tign. 
Tlssot (Amadcu)— Vid. Amadeu TissoL 
Tissot (Pedro Luiz)— Vid. Pedro Lá^ 

Ttssot. 
Tobías— Pag. 783. 
Tolentino de Almeida (Nicolau)— Vid. 

Nicolau Tolentino de Almeida, 
Toroato Tasso— Pag. 70, i55, 789. 
Torelli (Rogerio)— V. Rogerio TorellL 
ToreUl-Blgi (Clotüde) — Vid. Ootílde 

Torelli'Bigi. 
Torello Tiool— Pag. 283. 
Tonrtonlon (Bario de) —Vid. BarSo de 

Tourtoídon. 
Trigneiros (Mo Luix Rodrigues)— 

Vid. JoSo Luij Rodrigues Triguehros. 
Tron — Pag. 139. 
Tronlet de Baint-EgxeYO (Pedro) — 

Vid. Piare Troulet de Satut-Egreyo. 
Tronlet de Saint-Egrevo (Piare)— 

Vid. Piare Troulet de Saint-Egrevo. 
Tmeba (D. Antonio de) — Vid. Antonio 

de Trueba (D.). 
Torios (CamiUo) —Vid. Camiüo Turíes. 

Ulrioo Orand— Pag. 284, 545, 547. 
tJsal (Roberto)— Vid. Roberto UsaL 

Val (Pedro Du)— Vid. Pedro DuVal. 

Tálente (Antonio Lopes dos Santos)— 
Vid. Antonio Lopes dos Santos Va- 
lente. 

Vallée (Filippe)— Vid. Füippe VaUée, 

Valmagla (Ciríllo)— Vid. Orillo Vé- 
magia, 

Valmlki-Pag. 23 1. 

VarigUa (Gamillo) -Vid Camülo Vari- 
glia, 

Vasoo da Gama— Pag. 784. 

Vasoonoellos (D. Carolina MichaClis 
de) — ^Vid. Carolina MichaMis de Vas- 
concellos (D.). 



85 1 



Veoelllo (Ticiano)— Vid. Ttciano Ve- Visoonde de OastiUio, Antonio— Pag. 

celUo. 3 1, 32, io3, 107, 179, 254, 257, 259. 

Vega (Lope de)— Vid. Lope de Vega. Vlsoonde de Oaatilho, Julio— Pag. 27, 

Venaxioio Dealandes — Pag. io3. 28, 254, 255. 

Venua— Pag. i3, 54, 91, 92, io5, 106, Vlsoonde de Ohateaobriand — Pag. 

107, 108, III, 117, 143, 144, i5ij 253, 173, 174, 175, 195, 284, 395, 397. 

254, 259. Vid. tambem Aphrodite, Vlsoonde de Oorrela-Botellio (Ca- 

Vennalno— Pag. ¡36. V. tambem Quinto millo Castello-Branco) —Vid. Camiilo 

Horacio Placeo. Castello-Branco» 

Verdi (José) — Vid. José Verdi. Vlaoonde de Jnromenlia — Pag. 43, 

iVemoy de Salnt-Gtoorgea (Julio Hen- 171, 172, 173, i83, 200, 202, 220, 224, 

ríque) — Vid. Jtdio Henrique Vemqy de 239, 8 1 3. 

Saini'Georges. Vlsoonde de Santarem— Pag. 224. 

Vlanna (Aniceto dos ReisGon^alves) — Vlsoonde Strangford— Pag. 41, 42, 

V. Aniceto dos Reis Gon^alves Vianna. 1 1 7, 11 8, 1 20, 1 7 1 , 284, 6 1 7, 6 1 9. 

Vicente (Gil)— Vid. Gü Vicente. Vlslng (Jo5o)— Vid. Jo3o Vising. 

Vicente Ansldel— Pag. 276. • Vlsner (G.)— Vid. G. Visner. 

Vicente Joppl— Pag. 276. Vlzen (Bispo de) — Vid. Bispo de Vijeu. 

Vloente Xontelro — ^Vid. Vicente Ro- Vrolilloky (Jaroslau) — Vid. Jaroslau 

drigues Monteiro. Vrchlicky. 

Vloente Bodrlgaes Xontelro— Pag. Vnloano— Pag. iii. 

V, 819. Vyasa — Pag. 23 1 . 
Vicente SalY& (D.) —Pag. 81. 

Vlchnn— Pag. 232. Waiel (Pla^o de)— Vid. Platao de 

Vlotor Hago— Pag. 142, 256, 285, 793. Waxel. 

Víctor Hngo (Francisco)— Vid. Fran- Wlel (Thaddeu)— Vid. Thaddeu Wiel. 

ciscO'Victor Hugo. Wlnkler Prlns (Antonio) — Vid. Anto- 

Vlotor Perrot — Pag. 179. «10 Winkler Prins. 
Vldart (D. Luiz) —Vid. Lui^ Vidart (D.) . 

Villegas (D. Francisco de Quevedo)— Xakantalá- Pag. 23i^ 232. 

V. Francisco de Quevedo Villegas (D.). Xavier da Onnlia— Pag. 224, 267, 282, 

Viñas y Deza (D. Lucio)— Vid. Luóo 787,789,790,794,797,799,800,8^,809, 

Viñas X De^a (D.). 810. 
Vlnson (JuliSo) — Vid. JuIím Vinson. 

Virgilio MarSo (Publio)— Vid. Publio TMeAB, {Joseplána de)— -Yiá.Josephina 

Virgilio Marao. de Zaleska. 

Vlsoonde de Almelda-Oarrett— Pag. Znlema— Pag. 77. 

42, 88, i35, 143, 144, 145, 211. Znppone-Stranl (José)— Vid. «/os^Zu/?- 

Vlsoonde de Balsemfto— Pag. 224. pone-Strani. 



Honra e louvor aos artistas 

que 

na Imprensa Nacional de Lisboa 

sob a proficiente adniinistra9ao do Conselheiro Venando Deslandes 

esmeradamente concorreram para a feitura 

do presente livro ! 

E 

foram elles 

(aqui Ihes fica o agradecimento do editor e do pre&ciante) 

Francisco Guilherme Tito da Silva (Director da Officina Typographica) 

Joaquim David Gomes (Mestre da Escola de composi^ So) 

Joao de Mattos Soares (compositor typographico) 

José Antonio Dias Coelho (compositor ñas linguas orientaes) 

José Augusto da Silva (revisor technico) 

Filippe José Femandes (desenhista e gravador) 

Manuel Antonio da Silva (impressor). 



Aos 10 de Junho de iSgS 
em commemora^So do 3i3.® anniversario do passamento 

de 

LUIZ DE CAMOES 

tiveram principio os lavores de officina. 

E finalizou a impressSo 

em 3i de Dezembro de 1895 

commemorando-se tricentenariamente por esta forma 

a sublimada impresa que o livreiro-editor Estevam Lopes 

tomou sobre seus hombros 
de fazer pela vez primeira estampar em i5^5 no prelo de Manuel de Lyra 

as 

RmrTHMAS DB Lvis DE Camobs 

e entre ellas as 

Endechas, A hfía catiua 

com que andaua d'amo- 

res na India, chama' 

da Barbara, 



•'- -. 



•i'*.-